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Numero do processo: 11080.726013/2010-66
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 27 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Mon Nov 13 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Exercício: 2008
IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. RECURSO VOLUNTÁRIO. PRELIMINAR DE TEMPESTIVIDADE.
A impugnação intempestiva não instaura a fase litigiosa do procedimento, exceto se a preliminar de tempestividade for suscitada em Recurso Voluntário, situação em que será cabível o julgamento desta matéria.
RENDIMENTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. IMPOSSIBILIDADE DE COMPENSAR O IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF) NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL (DAA).
Os rendimentos com a exigibilidade suspensa em função de ter havido o depósito do montante integral do respectivo imposto sobre a renda, devem ser excluídos do total de rendimentos tributáveis informados na DAA. Não pode ser compensado na DAA o valor depositado judicialmente a título de IRRF cuja exigibilidade esteja suspensa. Deve ser conhecido o recurso do sujeito passivo, tendo em vista não se verificar concomitância entre a ação judicial e a impugnação administrativa.
Numero da decisão: 2001-006.644
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para manter integralmente a glosa da dedução do IRRF no valor de R$ 7.844,22 e determinar o recálculo do crédito lançado excluindo-se da base de cálculo do imposto o valor dos rendimentos correspondentes, para os quais a incidência do imposto é objeto de discussão judicial, no valor de R$ 36.691,70.
(documento assinado digitalmente)
Honorio Albuquerque de Brito - Presidente e Relator(a)
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo Rocha Paura, Thiago Buschinelli Sorrentino, Honorio Albuquerque de Brito (Presidente).
Nome do relator: HONORIO ALBUQUERQUE DE BRITO
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2008 IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. RECURSO VOLUNTÁRIO. PRELIMINAR DE TEMPESTIVIDADE. A impugnação intempestiva não instaura a fase litigiosa do procedimento, exceto se a preliminar de tempestividade for suscitada em Recurso Voluntário, situação em que será cabível o julgamento desta matéria. RENDIMENTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. IMPOSSIBILIDADE DE COMPENSAR O IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF) NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL (DAA). Os rendimentos com a exigibilidade suspensa em função de ter havido o depósito do montante integral do respectivo imposto sobre a renda, devem ser excluídos do total de rendimentos tributáveis informados na DAA. Não pode ser compensado na DAA o valor depositado judicialmente a título de IRRF cuja exigibilidade esteja suspensa. Deve ser conhecido o recurso do sujeito passivo, tendo em vista não se verificar concomitância entre a ação judicial e a impugnação administrativa.
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RECURSO VOLUNTÁRIO. PRELIMINAR DE TEMPESTIVIDADE. A impugnação intempestiva não instaura a fase litigiosa do procedimento, exceto se a preliminar de tempestividade for suscitada em Recurso Voluntário, situação em que será cabível o julgamento desta matéria. RENDIMENTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. IMPOSSIBILIDADE DE COMPENSAR O IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF) NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL (DAA). Os rendimentos com a exigibilidade suspensa em função de ter havido o depósito do montante integral do respectivo imposto sobre a renda, devem ser excluídos do total de rendimentos tributáveis informados na DAA. Não pode ser compensado na DAA o valor depositado judicialmente a título de IRRF cuja exigibilidade esteja suspensa. Deve ser conhecido o recurso do sujeito passivo, tendo em vista não se verificar concomitância entre a ação judicial e a impugnação administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para manter integralmente a glosa da dedução do IRRF no valor de R$ 7.844,22 e determinar o recálculo do crédito lançado excluindo-se da base de cálculo do imposto o valor dos rendimentos correspondentes, para os quais a incidência do imposto é objeto de discussão judicial, no valor de R$ 36.691,70. (documento assinado digitalmente) Honorio Albuquerque de Brito - Presidente e Relator(a) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo Rocha Paura, Thiago Buschinelli Sorrentino, Honorio Albuquerque de Brito (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 60 13 /2 01 0- 66 Fl. 94DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2001-006.644 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11080.726013/2010-66 Relatório A seguir transcreve-se o relatório do acórdão nº 10-43.586 da 4ª Turma da DRJ em Porto Alegre/RS (fls. 63 e segs.). Através da Notificação de Lançamento está sendo exigido do contribuinte o imposto suplementar (2904) no valor de R$211,89 e imposto a pagar (0211) relativos ao exercício de 2008 em decorrência da omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica e compensação indevida de imposto retido na fonte, por falta de comprovação. A descrição dos fatos e a legislação infringida constam da referida Notificação. Na impugnação, protocolizada em 10/12/2010 (fls.02 e 03) o contribuinte alega, em síntese, que: -na declaração de ajuste anual foram declarados os valores constantes do comprovante de rendimentos fornecido pela Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil (R$110.075,03 com IRRF de R$ 23.532,60); - nos montantes acima referidos estão incluídos os rendimentos com a exigibilidade suspensa (R$ 36.691,70 com IRRF de R$ 7.844,22) os quais devem ser deduzidos da base de cálculo. - conforme declaração em anexo, resta saldo de imposto a restituir de R$ 2.050,35; - o imposto de renda está sendo depositado judicialmente (processo nº 200034000417716) é descontado na fonte mensalmente, conforme folha individual de pagamento em anexo. O contribuinte solicitou, 24/10/2010, retificação de lançamento – SRL (fl.10) para excluir da base de cálculo os rendimentos com a exigibilidade suspensa informados no comprovante fornecido pela fonte pagadora. A SRL foi indeferida e o interessado foi cientificado em 30/05/2011 , conforme AR de fl.49. A DRJ não conheceu da impugnação por intempestividade de sua apresentação. Do voto do acórdão recorrido: O contribuinte, no expediente apresentado em 08/06/2011, suscita a tempestividade da impugnação. O art. 15, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, establece queque assim estabeleceu: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência” Verifica-se que a Notificação de Lançamento foi encaminhada ao domicílio fiscal eleito pelo contribuinte perante à Receita Federal do Brasil, tendo sido recebida em 23/09/2010, conforme Aviso de Recebimento (AR) em fl. 29. A defesa do autuado foi apresentada somente em 10/12/2010, como se observa do carimbo aposto na petição, portanto, após o término do prazo para fazê-lo, razão pela qual é intempestiva a impugnação juntada às fls. 02 e 03. A oportunidade de o contribuinte discutir administrativamente o crédito tributário regularmente constituído está condicionada, nesta instância de julgamento, à apresentação de impugnação tempestiva, pois somente ela instaura a fase litigiosa do procedimento fiscal. Quando a petição for apresentada fora do prazo legal, conforme é o caso, cabe observar o disposto no Ato Declaratório Normativo COSIT nº 15, de 12 de julho de 1996, abaixo reproduzido: Fl. 95DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2001-006.644 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11080.726013/2010-66 O COORDENADOR-GERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO, no uso de suas atribuições, e tendo em vista o disposto no art. 151, inciso III do Código Tributário Nacional – Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 e nos arts. 15 e 21 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, com a redação do art. 1º da Lei nº 8.748, de 9 de dezembro de 1993, Declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados que, expirado o prazo para impugnação da exigência, deve ser declarada a revelia e iniciada cobrança amigável, sendo que eventual petição, apresentada fora do prazo, não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade, como preliminar. Desta forma, demonstrada a intempestividade da petição, não cabe qualquer exame de mérito. Diante do exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar de tempestividade. Cientificado da decisão de primeira instância em 10/05/2013, o sujeito passivo interpôs, em 22/05/2013, Recurso Voluntário, fl, 73, sustentando, em apertada síntese, que a impugnação à decisão de primeira instância foi entregue tempestivamente, devendo o mérito ser apreciado pela autoridade julgadora competente. É o relatório. Voto Conselheiro Honório Albuquerque de Brito, Relator O recurso é tempestivo, sendo interposto contra decisão de primeira instância, que não conheceu da impugnação, por intempestividade, e dele tomo conhecimento. Da tempestividade da impugnação O Decreto 70.235/72, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, estabelece, quanto ao contencioso administrativo, conforme segue: "Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. ... Art. 16 – A impugnação mencionará: ... III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; ... Art.17 – Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. ... Fl. 96DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2001-006.644 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11080.726013/2010-66 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão." No que diz respeito à contagem dos prazos, esclarece o mesmo diploma legal: "Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindo-se na sua contagem o dia do início e incluindo-se o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato." Em seu recurso, o contribuinte alega a tempestividade da impugnação, uma vez que a ciência do indeferimento da SRL deu-se em 08/12/2010 e impugnação foi entregue em 10/12/2010, dois dias depois. Da análise dos elementos juntados aos autos tem-se que resta razão ao recorrente quanto à tempestividade da impugnação arguida. O contribuinte tomou ciência por via postal da notificação de lançamento em 23/09/2010 (fl. 29), como bem identificou o relator do acórdão recorrido. Ocorre que, no dia seguinte, em 24/09/2010, o interessado ingressou com Solicitação de Revisão de Lançamento – SRL, junto à Delegacia da Receita Federal em Porto Alegre, a qual teve seu indeferimento informado por meio do Resultado da Solicitação de Retificação do Lançamento (fl. 81), o qual lhe concedeu prazo de 30 dias para impugnação junto à DRJ, e do qual o recorrente tomou ciência em 08/12/2010 (fl. 80). Ato seguinte, o contribuinte apresentou impugnação junto à DRJ Porto Alegre em 10/12/2010, apenas dois dias após a ciência do indeferimento da SRL, e portanto tempestivamente. Assim sendo, reconheço a tempestividade da impugnação. Dedução de IRRF objeto de depósito judicial e tributação dos rendimentos sob litígio judicial Uma vez efetuado o depósito do montante do imposto em discussão judicial, fica o mesmo com sua exigibilidade suspensa, ou seja, não pode a Administração executar o contribuinte pela suposta dívida, pois estaria se adiantando à decisão definitiva do Poder Judiciário. Por outro lado, e seguindo a mesma lógica, também não pode o contribuinte deduzir do valor do imposto na declaração anual de ajuste o imposto retido objeto de depósito judicial, ainda não convertido em renda da União. Com o trânsito em julgado da ação, caso ao final venham as ser considerados tributáveis os rendimentos, o valor depositado é transferido para a União e, caso contrário, para o contribuinte. Desta forma, o correto é o contribuinte não oferecer à tributação em sua declaração anual a parcela de rendimentos sob discussão judicial, e também não deduzir do imposto devido o IRRF sobre a referida parcela, depositado judicialmente. No caso concreto, o contribuinte ofereceu à tributação em sua DIRPF/2008 a totalidade das verbas em discussão judicial, e valeu-se da dedução do correspondente IR retido, com exigibilidade suspensa, que fora depositado judicialmente. Fl. 97DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 2001-006.644 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11080.726013/2010-66 Desta forma, procede a glosa da dedução da parcela do IRRF objeto do depósito judicial, no valor de R$ 7.844,22. Entretanto, para correção do lançamento, necessário se faz que o mesmo seja recalculado excluindo-se da base de cálculo do imposto o valor dos rendimentos correspondentes, para os quais a incidência do imposto é objeto de discussão judicial, no valor de R$ 36.691,70. Cabe esclarecer que o presente voto, o qual adentrou o mérito de questão não apreciada pela DRJ, não caracteriza supressão de instância, uma vez que profere decisão favorável ao contribuinte, ainda que parcialmente, nos termos do § 3º do artigo 59 do Decreto 70.235/1979: Art. 59. São nulos: I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta. (grifo nosso) No mesmo sentido da presente decisão está a Solução de Consulta Interna nº 9 – Cosit, de 18/03/2013, publicada no site da Receita Federal, de texto minucioso e elucidativo, cuja ementa abaixo transcrevo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF RENDIMENTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. IMPOSSIBILIDADE DE COMPENSAR O IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF) NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL (DAA). Os rendimentos com a exigibilidade suspensa em função de ter havido o depósito do montante integral do respectivo imposto sobre a renda, devem ser excluídos do total de rendimentos tributáveis informados na DAA. Não pode ser compensado na DAA o valor depositado judicialmente a título de IRRF cuja exigibilidade esteja suspensa. Deve ser conhecida a impugnação do sujeito passivo, tendo em vista não se verificar concomitância entre a ação judicial e a impugnação administrativa. CONCLUSÃO: Por todo o exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário e DAR-LHE PROVIMENTO PARCIAL, conforme acima descrito, para manter integralmente a glosa da dedução do IRRF no valor de R$ 7.844,22 e determinar o recálculo do crédito lançado excluindo-se da base de cálculo do imposto o valor dos rendimentos correspondentes, para os quais a incidência do imposto é objeto de discussão judicial, no valor de R$ 36.691,70. (assinado digitalmente) Honório Albuquerque de Brito Fl. 98DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 2001-006.644 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11080.726013/2010-66 Fl. 99DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 10314.720037/2015-62
Data da sessão: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Wed Nov 29 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: DIREITOS ANTIDUMPING, COMPENSATÓRIOS OU DE SALVAGUARDAS COMERCIAIS
Período de apuração: 04/01/2011 a 10/05/2011
REVISÃO ADUANEIRA. ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. INEXISTÊNCIA.
Revisão aduaneira consiste no reexame de despacho de importação e não de lançamento, o qual somente se perfaz com a homologação expressa ou tácita. Logo, é incabível a arguição de mudança de critério jurídico para a correta classificação fiscal das mercadorias.
Numero da decisão: 9303-014.437
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, e, por unanimidade de votos, em dar-lhe provimento, com retorno dos autos à Turma a quo para que adentre nas questões meritórias aventadas em sede de recurso voluntário.
Nos termos da Portaria CARF no 107, de 04/08/2016, tendo em conta que o relator original, Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, não mais compõe a CSRF, foi designado pela Presidente de Turma de Julgamento como redator ad hoc para este julgamento o Conselheiro Rosaldo Trevisan.
Nos termos do art. 58, § 5o, do Anexo II do RICARF, os Conselheiro Gilson Macedo Rosemburg Filho e Vinícius Guimarães não votaram neste julgamento, por terem sido colhidos os votos dos Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire e Andrada Márcio Canuto Natal na sessão de 10/03/2020.
(documento assinado digitalmente)
Liziane Angelotti Meira Presidente
(documento assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Redator Ad Hoc
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire (relator original), Rosaldo Trevisan, Semíramis de Oliveira Duro, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Josefovicz Belisário (suplente convocada), Cynthia Elena de Campos (suplente convocada) e Liziane Angelotti Meira (presidente).
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, e, por unanimidade de votos, em dar-lhe provimento, com retorno dos autos à Turma a quo para que adentre nas questões meritórias aventadas em sede de recurso voluntário. Nos termos da Portaria CARF no 107, de 04/08/2016, tendo em conta que o relator original, Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, não mais compõe a CSRF, foi designado pela Presidente de Turma de Julgamento como redator ad hoc para este julgamento o Conselheiro Rosaldo Trevisan. Nos termos do art. 58, § 5o, do Anexo II do RICARF, os Conselheiro Gilson Macedo Rosemburg Filho e Vinícius Guimarães não votaram neste julgamento, por terem sido colhidos os votos dos Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire e Andrada Márcio Canuto Natal na sessão de 10/03/2020. (documento assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Presidente (documento assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Redator Ad Hoc Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire (relator original), Rosaldo Trevisan, Semíramis de Oliveira Duro, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Josefovicz Belisário (suplente convocada), Cynthia Elena de Campos (suplente convocada) e Liziane Angelotti Meira (presidente).
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ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. INEXISTÊNCIA. Revisão aduaneira consiste no reexame de despacho de importação e não de lançamento, o qual somente se perfaz com a homologação expressa ou tácita. Logo, é incabível a arguição de mudança de critério jurídico para a correta classificação fiscal das mercadorias. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, e, por unanimidade de votos, em dar-lhe provimento, com retorno dos autos à Turma a quo para que adentre nas questões meritórias aventadas em sede de recurso voluntário. Nos termos da Portaria CARF n o 107, de 04/08/2016, tendo em conta que o relator original, Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, não mais compõe a CSRF, foi designado pela Presidente de Turma de Julgamento como redator ad hoc para este julgamento o Conselheiro Rosaldo Trevisan. Nos termos do art. 58, § 5 o , do Anexo II do RICARF, os Conselheiro Gilson Macedo Rosemburg Filho e Vinícius Guimarães não votaram neste julgamento, por terem sido colhidos os votos dos Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire e Andrada Márcio Canuto Natal na sessão de 10/03/2020. (documento assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 72 00 37 /2 01 5- 62 Fl. 2727DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 9303-014.437 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10314.720037/2015-62 (documento assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Redator Ad Hoc Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire (relator original), Rosaldo Trevisan, Semíramis de Oliveira Duro, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Josefovicz Belisário (suplente convocada), Cynthia Elena de Campos (suplente convocada) e Liziane Angelotti Meira (presidente). Relatório Trata-se de recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional (fls. 2609/2632), admitido em sede de despacho em agravo (fls. 2269/2271) pela presidente do CARF quanto à matéria "Classificação Fiscal. Revisão Aduaneira e mudança de critério jurídico", insurgindo-se contra o acórdão 3301-004.043 (fls. 2574/2606), de 29/08/2017, o qual proveu o Voluntário, restando assim ementado: DIREITOS ANTIDUMPING . CALÇADOS DA CHINA. ESCOPO. Calçados classificados nas posições 6402 a 6405 da NCM e originários da República Popular da China estavam, em regra, sujeitos ao pagamento de direito antidumping à alíquota específica fixa de US$ 13,85 por par, nos termos da Resolução Camex n° 14/2010. CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS E DIREITOS ANTIDUMPING. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. AFRONTA À SEGURANÇA JURÍDICA. Considerando que no caso específico aqui analisado as mercadorias do contribuinte passaram por uma detalhada análise acerca da sua correta classificação fiscal e sobre a sua sujeição às normas de direito antidumping, tendo a fiscalização concluído, após a realização de vistoria técnica, pela necessidade de reclassificação fiscal do NCM inicialmente adotado pelo contribuinte (6402) para o NCM 6401.99.90, inclusive com a cobrança de multa em razão da errônea classificação fiscal, conclui-se que a posterior lavratura de auto de infração indicando que o enquadramento correto seria no NCM 6402.99.90, ao invés do NCM 6401.99.90, representa mudança de critério jurídico, em nítido prejuízo da segurança jurídica que deve nortear as relações entre Fisco e contribuinte. Não sendo plausível exigir do contribuinte que tivesse adotado classificação fiscal diversa daquela indicada no NCM 6401.99.90, indicado anteriormente pela própria fiscalização, em procedimento de análise detida e cautelosa, como sendo o NCM correto, não há como subsistir a cobrança de direitos antidumping, que devem ser aplicados apenas aos calçados classificados nas posições 6402 a 6405. O recurso voluntário, por voto de qualidade, foi provido determinando o cancelamento da exação fiscal sob o fundamento de que o Fisco ao reclassificar as mercadorias Fl. 2728DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 9303-014.437 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10314.720037/2015-62 constantes dos anexos I, II e III (fls. 178/202) praticou alteração de critério jurídico, sob a seguinte fundamentação, em resumo: De uma simples análise dos fatos acima narrado, verifica-se que não se está diante de um caso padrão em que as mercadorias foram inicialmente desembaraçadas sem que tenha sido feita uma análise detida das características do produto importado, verificando-se posteriormente, em revisão aduaneira, que a classificação fiscal adotada pelo contribuinte estava equivocada. Trata-se, in casu, de situação muito particular, em que o contribuinte, em várias oportunidades, buscou esclarecer tanto perante a CAMEX quanto perante a Receita Federal a correta classificação fiscal do seu produto e a sua sujeição ou não às regras antidumping, tendo obtido, quando da liberação da DI n. 09/13065743, decisão administrativa em que a fiscalização concluiu, após a realização de vistoria técnica realizada por perita designada pela própria fiscalização, que o contribuinte deveria reclassificar a mercadoria originalmente importada com base no NCM 6402 para o NCM 6401.99.90, inclusive procedendo ao recolhimento de multa por erro na classificação fiscal. Tem-se, portanto, a escolha de um critério jurídico em sede administrativa realizada pela fiscalização, após procedimento em que fora realizada uma análise minuciosa e detida das mercadorias importadas, inclusive através da realização de vistoria técnica determinada pela própria fiscalização. Ou seja, o ato que expressa o critério jurídico adotado pela fiscalização para este caso específico não é o Laudo SAT 6.304/09 em si, elaborado por engenheira credenciada, mas sim a determinação fiscal de reclassificação fiscal para o NCM 6401.99.90, realizada por Auditor Fiscal, autoridade competente para fins de determinação de classificação fiscal e de cobrança de direitos antidumping. Com base nesta decisão administrativa proferida naquela oportunidade, a qual tornou-se definitiva em razão do acatamento por parte do contribuinte das conclusões obtidas pela fiscalização, o contribuinte passou a realizar as suas importações subsequentes com base no NCM 6401.99.90, por acreditar que esta era a correta classificação fiscal a ser adotada no seu caso específico. E entendo que, diante das particularidades que envolvem o caso concreto em relevo, não há como se exigir do contribuinte conduta diversa. Isso porque, houve uma minuciosa análise por parte da fiscalização acerca das características específicas dos produtos em relevo, da correta classificação a ser adotada pelo contribuinte, inclusive analisando se estariam tais mercadorias sujeitas às regras antidumping, culminando em decisão administrativa expressa e definitiva proferida naquela oportunidade. Entendo, portanto, que a lavratura de auto de infração com a adoção de critério jurídico diverso do ali indicado representa uma verdadeira afronta à segurança jurídica que deve reger as relações entre Fisco e contribuinte. ... Conclusão Considerando que no caso concreto aqui analisado as mercadorias do contribuinte passaram por uma detalhada análise acerca da sua correta classificação fiscal e sobre a sua sujeição às normas de direito antidumping, tendo a fiscalização concluído, após a realização de vistoria técnica, pela necessidade de reclassificação fiscal do NCM inicialmente adotado pelo contribuinte (6402) para o NCM 6401.99.90, inclusive com a cobrança de multa em razão da errônea classificação fiscal, conclui-se que a posterior lavratura de auto de infração indicando que o enquadramento correto seria no NCM 6402.99.90, ao invés do NCM 6401.99.90, representa mudança de critério jurídico, em nítido prejuízo da segurança jurídica que deve nortear as relações entre Fisco e contribuinte. Fl. 2729DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 9303-014.437 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10314.720037/2015-62 Não sendo plausível exigir do contribuinte que tivesse adotado classificação fiscal diversa daquela indicada no NCM 6401.99.90, indicado anteriormente pela própria fiscalização, em procedimento de análise detida e cautelosa, como sendo o NCM correto, não há como subsistir a cobrança de direitos antidumping, que devem ser aplicados apenas aos calçados classificados nas posições 6402 a 6405. Diante do acima exposto, voto no sentido de dar integral provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, para fins de cancelar a autuação fiscal em referência. Do exposto, temos que o cancelamento da exação deu-se em face de uma preliminar de mérito, qual seja, o acatamento de que houve alteração de critério jurídico pelo Fisco em relação ao que havia sido decidido quando da importação constante da DI nº 09/1306574-3, não abarcada pela presente autuação, cuja mercadoria teria sido liberada em outubro de 2009. Sustenta o recurso fazendário que a r. decisão teria acatado o argumento de que a fiscalização desobedeceu a dois documentos que trazem manifestações expressas com a posição oficial das autoridades competentes, ambas a respeito da classificação dos produtos na posição 6401 da NCM: a Nota Técnica nº 109/2009, da Camex, e o Laudo SAT 6.304/09 EQCOF, da Receita Federal (referente à DI nº 09/1306574-3), além das práticas reiteradas em posteriores operações de importação. Dessa conclusão, discorda a Procuradoria. Em síntese, entende que o acatamento por parte da autoridade aduaneira de determinado enquadramento tarifário, durante um específico despacho de importação, não constitui decisão definitiva, nem tampouco possui efeito vinculante, eis que o despacho aduaneiro não representa um lançamento tributário e o desembaraço da mercadoria não se confunde com homologação do lançamento. E conclui: Portanto, ainda que as mercadorias sejam submetidas à conferência aduaneira e desembaraçadas sem exigência fiscal para alteração na classificação, não há vedação ao reexame dos despachos aduaneiros, inclusive para a subsunção dos produtos importados aos códigos da NCM/TEC utilizados. ... Quanto às práticas reiteradas das autoridades administrativas, elas nada mais são do que os usos e costumes da Administração. Nesse sentido, para que se forme uma prática reiterada devem estar presentes o uso, ou seja, a conduta reiterada (requisito objetivo) e a convicção jurídica de que aquela conduta é a que deve ser observada (requisito subjetivo). Presentes o uso e a convicção jurídica, surge a norma jurídica que deriva da longa prática uniforme, pública e geral de determinado ato, com a convicção de sua necessidade jurídica (in: Maria Helena Diniz. Curso de Direito Civil Brasileiro, São Paulo: Saraiva, 13º ed., 1997, pág. 67). Como no âmbito do direito tributário vige o princípio da legalidade estrita, as práticas reiteradas das autoridades administrativas só podem se formar em caráter praeter legem, ou seja, como forma de suprir a lei nos casos omissos. No caso dos autos, a conduta do Fisco em não impugnar as classificações fiscais que vinham sendo adotadas pelo contribuinte não atende a nenhum dos dois requisitos para Fl. 2730DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 9303-014.437 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10314.720037/2015-62 a formação do costume. A uma, porque não foi uma conduta pública e generalizada em relação ao universo de contribuintes, não caracterizando o elemento objetivo. A duas, porque não está presente a convicção geral de sua necessidade jurídica, não restando caracterizado o elemento subjetivo. Ademais, a interpretação em sentido contrário – ou seja, no sentido de que as práticas reiteradas da administração poderiam se formar em relação a um contribuinte em particular – não prospera, porque no caso concreto significaria admitir-se a formação de um costume contra legem, uma vez que existe norma jurídica positivada determinando a forma como devem ser classificados os produtos na Nomenclatura. Pede, alfim, a reforma do acórdão vergastado, restabelecendo-se a autuação in totum. Em contrarrazões (fls. 2671/2703), pede o contribuinte, em preliminar, o não conhecimento do recurso por "ausência de similitude fática entre o recorrido e os acórdãos paradigmas". Alega que os paragonados têm como contexto a autuação sob o manto da proteção da revisão aduaneira, onde "a interpretação dada pela autoridade administrativa se deu em um contexto de simples operações de importação". Entende que o contexto da presente exação é díspar, pois, alega, "houve, dentre outros, laudo elaborado por engenheira credenciada pela Receita Federal do Brasil, a pedido de Agentes Fiscais. Houve exigência de alteração da classificação fiscal e cobrança de multa, paga pela Recorrida, que doravante passou a adotar a classificação ordenada expressamente pelo Fisco. Foi somente após tudo isso que a Receita Federal, contraditoriamente, autuou a empresa e ignorou orientação oficial anterior que ora se aponta.". E conclui, no ponto: Logo, é claro que as situações são distintas e que os paradigmas, de fato e de direito, não servem como aptos para demonstrar divergências. As situações são, assim, nitidamente diferentes e não autorizam a interposição de Recurso Especial. Quanto ao mérito, sustenta que houve alteração de critério jurídico por parte da administração tributária, repisando os fatos que traz desde sua peça impugnatória, requerendo o improvimento do especial fazendário. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Redator Ad Hoc. Como redator ad hoc, sirvo-me das minutas de ementa, relatório e voto inseridas pelo relator original no diretório oficial do CARF. Fl. 2731DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 9303-014.437 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10314.720037/2015-62 Assim, tanto a ementa quanto o relatório e o voto a seguir foram retirados da pasta “T” da 3ª Turma da CSRF, sendo o voto proferido pelo Cons. Jorge Olmiro Lock Freire na sessão de 10/03/2020. O relator conheceu do Recurso Especial da Fazenda Nacional e deu-lhe provimento parcial com retorno dos autos ao colegiado de origem, sendo acompanhada pelo Cons. Andrada Márcio Canuto Natal. Após, houve pedido de vista da Conselheira Tatiana Midori Migiyama, conforme registrado na seguinte ata: Ata de 10/03/2020: Vista para a conselheira Tatiana Midori Migiyama, convertida em vista coletiva. O relator votou por conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por dar-lhe provimento com retorno dos autos ao colegiado de origem, acompanhado pelo conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. Nesse ponto houve o pedido de vista. Não votaram os demais conselheiros. Presidiu o julgamento o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas. Feitos esses esclarecimentos iniciais, passa-se a reproduzir, na íntegra, o voto do Cons. Jorge Olmiro Lock Freire, relator original, a seguir: Voto do Cons. Jorge Olmiro Lock Freire, proferido em 10/03/2020 CONHECIMENTO Em que pesem os fatos não serem idênticos entre o recorrido e os paragonados (arestos 3401-003.111 e 3402-003.049), a verdade é que a matéria de fundo é a mesma, qual seja, o alcance do instituto da alteração de critério jurídico, uma vez que a autuada averba ter uma manifestação expressa da Administração em relação a uma classificação fiscal de uma determinada DI, não abarcada pelo lançamento, o que, averba, vincularia a administração ad infinitum. Já os paragonados tratam da mesma questão de fundo, porém discutem apenas a possibilidade da alteração de classificação fiscal dentro do período em que é possível a revisão aduaneira, o que se assemelha com a presente exação. Reporto-me aos termos do Despacho em Agravo (fls. 2659/2666) da presidente do CARF. ... A premissa assumida pelo voto-condutor do acórdão recorrido, como é possível extrair da transcrição (que consta do relatório), foi a de que a realização de procedimento fiscal em uma declaração anterior às aqui debatidas fixaria um critério jurídico. A partir de então, enquanto não realizado novo procedimento que definisse novos critérios (a serem empregados futuramente), esta seria a interpretação do Fisco. Assim sendo, considerando que contribuinte submetera regularmente suas operações ao crivo do fisco, mediante a apresentação de declarações de importação selecionadas para diversos canais de conferência e não haveria notícia de que a classificação fiscal tivesse sido alvo de contestação, não seria viável promover um lançamento que revisse aquele critério fixado por ocasião do despacho da DI nº 09/13065743. Ocorre que, tanto o primeiro quanto o segundo paradigma assentaram o entendimento de que só se falaria em violação ao art. 146 se houvesse um segundo procedimento fiscal diverso do despacho que revisse os critérios jurídicos fixados naquela declaração que foi alvo de revisão, auto de infração ou interrupção para cumprimento de exigência. Até então, não haveria que se falar em um prévio critério nem, evidentemente, restrição à revisão de declarações diversas. Fl. 2732DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 9303-014.437 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10314.720037/2015-62 É dizer, enquanto os paradigmas afirmaram que só se falaria em mudança de critério jurídico nas hipóteses em que o Fisco alterasse seu entendimento como consequência de uma segunda verificação fiscal (diversa do despacho) sobre uma mesma operação de importação, o acórdão recorrido concluiu que, após a interrupção de um despacho para cumprimento de exigência (acolhida pelo Contribuinte) o Fisco estabeleceria um critério jurídico que “protegeria” o contribuinte em todas as operações posteriores. Assim, enquanto os despachos viessem a ser desembaraçados sem exigência, prevaleceria o critério assentado por ocasião da fiscalização da DI nº 09/13065743. Ou seja, se o Colegiado recorrido tivesse adotado a mesma linha exegética dos paradigmas teria concluído que o Fisco estaria impedido de rever exclusivamente a Declaração de Importação nº 09/13065743, não alcançada pelo presente lançamento, que decorre das DI’s colacionadas às e-fls. 6 e 7 (registradas no ano de 2011), para as quais não há notícia de prévias revisão aduaneira ou interrupção do despacho. Para que não haja dúvidas, transcreve-se o seguinte excerto do voto-condutor do primeiro paradigma, Acórdão nº 3401-003.111 Continuando a nossa apreciação dessa matéria, quando o fiscal durante o despacho aduaneiro discorda da classificação escolhida pelo importador e estabelece uma exigência, há, nesse momento, a definição, por parte da autoridade competente de entendimento que se transformará em um critério jurídico se o importador concordar, ou se, ele não concordando, ficar assim decidido como resultado de decisão proferida no devido processo legal. (...)Creio que haveria afronta ao artigo 146 citado somente quando a autoridade do despacho firma, nos termos previstos na lei, divergência jurídica que acaba por se constituir em definição que altera o conteúdo da Declaração de Importação. Nessa situação, deve prevalecer o artigo 146 do CTN. Tal exegese revela-se ainda mais clara, quando se analisa o seguinte excerto do segundo paradigma, Acórdão nº 3402-003.049 (destaques editados): Nessa linha, somente quando houver lançamento de ofício supletivo no procedimento de conferência aduaneira é que o segundo lançamento, efetuado em sede de revisão aduaneira, caracterizará a revisão de ofício do primeiro lançamento, sendo-lhe aplicável as restrições dispostas nos artigos 145, 146 e 149 do CTN para a alteração do lançamento. No caso dos presentes autos, só há um lançamento de ofício, o lançamento supletivo, aquele efetuado na revisão aduaneira em complemento à atividade prévia da recorrente/importadora nos registros das declarações de importação, não tendo havido um primeiro lançamento de ofício no curso da conferência aduaneira. Há que se lembrar que o que ora se discute é, justamente, a diferença de tributos e multas decorrentes da valoração aduaneira das mercadorias na revisão aduaneira em relação ao valor inicialmente declarado pelo importador nas declarações de importação. Como visto, nos termos de ambos os votos-condutores, diferentemente do acórdão recorrido, concluiu-se que a realização de procedimento fiscal define o critério e torna imutável o entendimento do Fisco exclusivamente em relação ao conteúdo daquela declaração. Destarte, conheço do recurso especial nos termos em que admitido, como suso transcrito. Fl. 2733DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 9303-014.437 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10314.720037/2015-62 MÉRITO Delimito a lide. A matéria devolvida ao nosso conhecimento cinge-se à motivação que levou a decisão recorrida a cancelar o lançamento tombado nestes autos. Destarte, o que foi devolvido ao nosso conhecimento é definir se o lançamento levado a efeito pelo Fisco configura-se ou não uma modificação de critério jurídico da administração no que tange à reclassificação fiscal, a qual, assim feita, deu azo à cobrança de valores a título de direito antidumping. Em consequência, não nos cabe adentrar no mérito da Resolução CAMEX nº 14, de 4/3/2010, que estabeleceu valor adicional a título de direito antidumping dos produtos (calçados das posições 6402 a 6405) importados da República Popular da China, e, tampouco, manifestarmo-nos acerca da reclassificação fiscal feita pela agente fiscal. Em apertada sintonia, o recorrido abarcou a tese defendida pelo contribuinte desde a impugnação. Vem alegando a empresa que classificava todos (praticamente) os seus modelos na posição 6402 da NCM até o registro da Declaração de Importação (DI) nº 09/1306574-3, quando tomou ciência de exigência feita pela fiscalização aduaneira, em 02/10/2009, para o recolhimento de direitos antidumping na importação de calçados de diversos modelos da China, na vigência da Resolução nº 48/2009 da Câmara de Comércio Exterior (Camex), publicada em 08/09/2009, a qual aplicou o direito antidumping provisório, por até 6 meses, nas importações brasileiras de calçados classificados nas posições 6402 a 6405 da NCM, a ser recolhido sob a forma de alíquota específica fixa de US$ 12,47/par. Anteriormente, já preocupada com as consequências de eventual equívoco na interpretação das regras de aplicação do direito antidumping, desde a época das investigações iniciadas com a publicação da Circular Secex nº 95/2008, alegou que havia feito duas solicitações ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) e, logo depois da exigência fiscal, fez outra petição dirigida à Camex, obtendo finalmente como resposta a Nota Técnica nº 109/2009, a qual informa, expressamente, que seus produtos, por serem injetados e impermeáveis, estão classificados na posição 6401 e, portanto, fora do campo de aplicação do direito antidumping. De posse da referida Nota Técnica, alega que solicitou a retificação da DI nº 09/1306574-3 a fim de corrigir a classificação fiscal dos calçados, passando da NCM 6402.99.90 para a NCM 6401.99.90, o que gerou uma “Solicitação de Vistoria Técnica” com a “designação de assistente técnico”, cujo resultado restou consignado no Laudo SAT 6304/09 EQCOF. Assim, em 14/01/2010, obteve a reclassificação pretendida e a liberação das mercadorias. Em 05/03/2010, foi publicada a Resolução Camex nº 14/2010, aplicando direito antidumping definitivo, por até 5 anos, nas importações brasileiras de calçados chineses classificados nas posições 6402 a 6405 da NCM, a ser recolhido sob a forma de alíquota específica fixa de US$ 13,85/par (treze dólares estadunidenses e oitenta e cinco centavos, por par). A partir daí, com base em dois documentos elaborados por diferentes órgãos da administração pública federal – a Nota Técnica nº 109/2009, da Camex, e o laudo referente à Fl. 2734DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 9303-014.437 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10314.720037/2015-62 Solicitação de Assistência Técnica da Alfândega do Porto de Santos SAT 6.304/09 EQCOF, da Receita Federal – adotou a classificação desses produtos importados na posição 6401 da NCM. Com base nesses fatos, entende o sujeito passivo: A Fiscal autuante desobedeceu a comando emanado de autoridade competente na aplicação da medida antidumping, ao ignorar por completo a conclusão da Camex no tocante a todos os produtos classificados na posição NCM 6401. A fiscalização também invalidou conclusão contida em laudo oficial que levou a inspeção aduaneira a determinar a utilização da NCM 6401 na classificação das mercadorias importadas registradas na DI nº 09/1306574-3, além das práticas reiteradas de agentes da Receita Federal nos portos de entrada em posteriores operações de importação de produtos com as mesmas características. O referido laudo foi pedido por um Agente Fiscal da Receita Federal do Brasil e elaborado por profissional credenciada pela Alfândega do Porto de Santos, logo representa a posição e a conclusão oficial das autoridades fiscais federais a respeito da classificação dos produtos na NCM 6401. Posteriormente, em todas as importações dos produtos classificados na NCM 6401 (a maioria dos produtos desta autuação), inclusive submetidas ao canal amarelo e vermelho, as autoridades fiscais reiteradamente observaram referido laudo e não exigiram o recolhimento do direito antidumping, segundo o que determina o § 3º do art. 30 do Decreto-Lei (sic) nº 70.235/72, agora desrespeitado. Assim, teria havido mudança de critério jurídico por parte da fiscalização a fatos pretéritos. Em suma, esses são os fatos e a controvérsia posta à nossa deliberação. DECIDO Preambularmente, cabe assentar que o direito aduaneiro possui como matriz legal o Decreto-Lei nº 37/1966, o qual foi submetido a inúmeras alterações em seus mais de cinquenta anos de existência, merecendo destaque a reforma veiculada pelo Decreto-Lei nº 2.472/1988 e as alterações mais recentes, como, por exemplo, as introduzidas pela Lei nº 10.833/2003, justamente para atualizar a legislação brasileira aos novos parâmetros do comércio internacional, permitindo ao Brasil sua devida inserção no mesmo, inclusive por decorrência de acordos internacionais. A reclassificação fiscal feita pela fiscalização, em proficiente trabalho (fls. 99/159), deu-se no âmbito da revisão aduaneira, uma vez que o despacho das mercadorias arroladas nas DI (listadas às fls. 101/102) objeto da exação operou-se sem conferência aduaneira. Dispõe o art. 54 do Decreto-lei n° 37/66, com a redação dada pelo Decreto-lei n° 2.472/88, que a revisão aduaneira é o procedimento realizado após o desembaraço aduaneiro, quando os bens importados já foram entregues ao importador, mediante o qual se apura, dentre outros elementos, a regularidade do pagamento dos tributos incidentes na importação. Veja-se a redação do mesmo: Fl. 2735DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 9303-014.437 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10314.720037/2015-62 Art.54 - A apuração da regularidade do pagamento do imposto e demais gravames devidos à Fazenda Nacional ou do benefício fiscal aplicado, e da exatidão das informações prestadas pelo importador será realizada na forma que estabelecer o regulamento e processada no prazo de 5 (cinco) anos, contado do registro da declaração de que trata o art. 44 deste Decreto-Lei. (Redação dada pelo Decreto-Lei nº 2.472, de 01/09/1988) O art. 638 do Regulamento Aduaneiro (RA) de 2009 (Decreto 6.759/2009) regulamenta o instituto da revisão aduaneira, dispondo o seguinte: Art. 638. Revisão aduaneira é o ato pelo qual é apurada, após o desembaraço aduaneiro, a regularidade do pagamento dos impostos e dos demais gravames devidos à Fazenda Nacional, da aplicação de benefício fiscal e da exatidão das informações prestadas pelo importador na declaração de importação, ou pelo exportador na declaração de exportação (Decreto-Lei no 37, de 1966, art. 54, com a redação dada pelo Decreto-Lei no 2.472, de 1988, art. 2o; e Decreto-Lei no 1.578, de 1977, art. 8o). § 1º Para a constituição do crédito tributário, apurado na revisão, a autoridade aduaneira deverá observar os prazos referidos nos arts. 752 e 753. § 2º A revisão aduaneira deverá estar concluída no prazo de cinco anos, contados da data: I - do registro da declaração de importação correspondente (Decreto-Lei no 37, de 1966, art. 54, com a redação dada pelo Decreto-Lei no 2.472, de 1988, art. 2o); e II - do registro de exportação. § 3º Considera-se concluída a revisão aduaneira na data da ciência, ao interessado, da exigência do crédito tributário apurado. Justamente porque o comércio internacional precisa de agilidade e por absoluta impossibilidade técnica da fiscalização completa de todas as importações quando de seu despacho, e também para fazer frente aos parâmetros internacionais de modo a inserir a economia brasileira nos padrões mundiais, é que se fez necessária a criação do instituto da revisão aduaneira. Assim, resguarda-se a inserção do Brasil no mercado internacional, aderindo aos parâmetros do comércio internacional de mercadorias quanto à agilidade do desembaraço das mercadorias importadas, e, simultaneamente, resguarda-se à Fazenda Nacional a possibilidade de, dentro de cinco anos do desembaraço da mercadoria, aprofundar a análise com base em uma série de fatores, justamente como o que deu azo à presente exação, conforme se constata da leitura do item 6 do TVF (“DA AÇÃO FISCAL” - fls. 120/123). . Embora o instituto tenha sido criado há algum tempo, a sua existência justifica-se ainda mais nos dias atuais, com o crescente volume das importações, vez que apenas uma minoria destas, algo menos do que 10% (dez por cento) do total, é objeto de seleção para exame pela autoridade fiscal no curso do despacho (conferência aduaneira). Em verdade, a ratio desse instituto é resguardar o Poder de Polícia Aduaneiro, imbricado com o resguardo da soberania e economia nacional, com vistas a impedir que a livre concorrência, de matiz constitucional, possa ser ferida. Seu preceito é de índole extrafiscal, assim como o direito antidumping. Fl. 2736DF CARF MF Original Fl. 11 do Acórdão n.º 9303-014.437 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10314.720037/2015-62 Com efeito, conclui-se que quando não houver conferência aduaneira no despacho de importação ou quando, embora havendo conferência, desta não resultar qualquer exigência da fiscalização para recolhimento suplementar de tributos pelo importador, independentemente do canal de conferência aduaneira (art. 21 da IN SRF 680/2006) a que for submetido o despacho de importação, a revisão aduaneira é um procedimento legítimo de fiscalização. Compatibiza-se com o disposto no CTN, resultando, conforme o caso, o ato de homologação expressa da atividade do contribuinte (art. 150, caput do CTN) ou o lançamento de ofício supletivo, em substituição à atividade do sujeito passivo no lançamento por homologação (arts. 149 e 150 do CTN), hipótese vertente. Ultrapassado o prazo legal para revisão aduaneira, aí sim haverá a homologação tática de eventual tributo recolhido no desembaraço aduaneiro. O que entende o contribuinte? Que uma revisão aduaneira feita em relação à apenas uma DI, esta não abarcada pelo lançamento, vincula a administração para sempre, o que não pode prosperar. O que vincularia a administração tributária, e mesmo assim factível de alteração com modulação de seus efeitos, seria a manifestação da Receita em sede de Consulta Fiscal, o que não é o caso em testilha. Muito menos há que se falar em prática reiterada pela administração quando o fato foi isolado. Estreme de dúvida que o acatamento por parte da autoridade aduaneira de determinado enquadramento tarifário, durante o despacho, não constitui decisão definitiva nem tampouco possui efeito vinculante, eis que aquele não representa um lançamento tributário, e o desembaraço não se confunde com homologação do lançamento, como já assentado. Portanto, ainda que as mercadorias sejam submetidas à conferência aduaneira e desembaraçadas sem exigência fiscal para alteração na classificação, não há vedação ao reexame dos despachos aduaneiros, inclusive para a subsunção dos produtos importados aos códigos da NCM/TEC utilizados. Quanto à Nota Técnica nº 109/2009/CGPI/DECOM/SECEX (cujo objeto não tratava de classificação de mercadoria, e sim da pretendida retificação da Resolução Camex nº 48/2009 - na verdade, o Decom/Secex e não a Camex), ela apenas se pronunciou obiter dictum com base na descrição do produto feita pela própria empresa, ou seja, “uma vez injetado e impermeável”. Já o Parecer Decom nº 6/15 (anexo à Circular Secex nº 9/15), que corroboraria a citada Nota Técnica, menciona, en passant, que os calçados injetados “são costumeiramente classificados na posição 6401” e “foram expressamente excluídos da Resolução CAMEX nº 14/10”. Notoriamente, ambas as manifestações não são idôneas, no sentido jurídico, para determinar a correta classificação fiscal de cada produto importado pelo impugnante. O contribuinte quer dar efeitos jurídicos a essas "notas" como se elas tratassem de manifestações da administração tributária, a qual detém, e apenas ela, competência para definir a classificação de fiscal de determinada mercadoria, mesmo assim dentro de um estreito procedimento legal e normativo. E tal entendimento do contribuinte, com a devida vênia, não se sustenta sob qualquer ângulo. Sem embargo, esse tipo de pronunciamento jamais poderia gerar efeitos fiscais ou aduaneiros, pois nenhum desses órgãos ou departamentos detêm competência legal para realizar a classificação fiscal de mercadorias importadas, a qual compete, privativamente, ao Auditor- Fiscal da Receita Federal do Brasil, como autoridade fiscal e aduaneira da Secretaria da Receita Fl. 2737DF CARF MF Original Fl. 12 do Acórdão n.º 9303-014.437 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10314.720037/2015-62 Federal do Brasil (RFB) – órgão responsável pela fiscalização do comércio exterior dentro da estrutura do Ministério da Fazenda, em obediência ao art. 237 da Constituição Federal. E esse também é o entendimento da própria empresa, quando em sua impugnação (fl. 2315) afirmou, ao defender uma suposta classificação feita pelo Decom/Secex: “Primeiramente, o DECOM não é a autoridade competente para esclarecer dúvidas sobre classificação tarifária. De acordo com o artigo 6º do Decreto nº 8.058/2013, cabe ao DECOM conduzir as investigações de defesa comercial iniciadas pela Secretaria de Comércio Exterior (SECEX). De acordo com a Instrução Normativa nº 1.464/2014, a autoridade competente para se manifestar sobre classificação tarifária é a Receita Federal do Brasil. Dessa forma, qualquer opinião expressa pelo DECOM sobre classificação tarifária, esteja ela correta ou não, não tem nenhum valor para fins tributários.” De sua feita, o “Laudo SAT 6.304/09 EQCOF” (fls. 997/1012) não foi elaborado pela Receita Federal, mas sim por uma assistente técnica particular designada, que, por certo, não representa a posição ou conclusão oficial da autoridade pública competente. De acordo com o art. 37 do Decreto nº 7.574/11, no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil, a realização de diligências e de perícias compete ao Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil. Outrossim, naquela oportunidade a assistente técnica se manifestou sobre 5 (cinco) modelos específicos de calçados importados (declarados na DI nº 09/1306574-3) que sequer estão presentes no rol de modelos indicados nas Tabelas 01, 02 e 03 (fls. 178/202), anexas ao Relatório Fiscal do auto de infração. Logo, tampouco se pode atribuir eficácia ao referido laudo em face do presente caso, por não atender as condições impostas nas alíneas do § 3º do art. 30 do Decreto nº 70.235/72, citado pelo próprio impugnante. Nada obstante, o mesmo art. 30 do Decreto nº 70.235/72 trata especificamente dos laudos e pareceres do Laboratório Nacional de Análises, do Instituto Nacional de Tecnologia e de outros órgãos federais congêneres – situação estranha ao caso em tela. De outro turno, considerando que todo laudo pericial expedido por terceiros só poderá ser adotado nos aspectos técnicos de sua competência, certamente não se poderá levar em conta neste processo quaisquer respostas ou conclusões da engenheira responsável que extrapolem a sua área técnica de competência, mormente no que diga respeito à classificação fiscal de produtos – o que, aliás, foi expressamente excluído pelo § 1º do art. 30 do citado Decreto. Quisesse o contribuinte, como dito, uma manifestação oficial vinculante acerca de classificação fiscal de seus produtos, deveria ter se valido do instituto da Consulta Fiscal sobre Classificação Fiscal, regrada pela Lei 9.430/96 e pelo Decreto 70.235/72, alem das normas administrativas emanadas pelo órgão que detém competência legal para responder à essa Consulta, a RFB. Em conclusão, a Nota Técnica nº 109/2009/CGPI/DECOM/SECEX e o “Laudo SAT 6.304/09 EQCOF” não representam atos expedidos pelas autoridades competentes para se manifestar sobre classificação fiscal de mercadorias. E muito menos consistem em decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa a que a lei atribua eficácia normativa, assim como sequer restou configurada a formação das alegadas práticas reiteradas da administração com efeitos determinantes para a adoção da classificação fiscal pretendida. Como Fl. 2738DF CARF MF Original Fl. 13 do Acórdão n.º 9303-014.437 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10314.720037/2015-62 dito, a quase totalidade dos produtos objeto da presente exação sequer foram submetidos à análise que resultou no referido laudo. Dessa forma, concluo que não houve na hipótese vertente alteração de critério jurídico por parte da fiscalização, pelo que provejo o recurso para afastar essa preliminar. Em consequência, devem os autos retornar a turma recorrida (3301) para que julguem o mérito do lançamento em relação à classificação fiscal das mercadorias objeto da cobrança dos direito de antidumping. DISPOSITIVO Ante o exposto, conheço e dou provimento ao recurso especial fazendário, com retorno dos autos à Turma a quo para que adentre nas questões meritórias aventadas em sede de recurso voluntário. É como voto. (documento assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan (voto do Cons. Jorge Olmiro Lock Freire) Fl. 2739DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 10680.009372/2006-47
Turma: Quinta Turma Especial
Câmara: Sexta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Mon Sep 15 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Mon Sep 15 00:00:00 UTC 2008
Ementa: Ementa; LUCRO ARBITRADO - BASE DE CÁLCULO -
Legitimado o arbitramento do lucro da pessoa jurídica, este será
determinado mediante a aplicação dos percentuais fixados nas
normas legais especificas sobre a receita conhecida. O
contribuinte não apresentou documentos que comprovassem a
base de cálculo por ele utilizada.
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DEVIDO PROCESSO LEGAL - Fica afastada a hipótese de cerceamento do direito de defesa, quando o acusado é cientificado dos fatos que lhe são imputados e, no exercício pleno de sua defesa, manifesta contestação de forma ampla e irrestrita, que é recebida e apreciada pela autoridade julgadora.
SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA - As pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador e aquelas expressamente designadas em lei são solidariamente
responsáveis pelo crédito tributário apurado.
São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a
obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso
de poderes ou infração de lei os mandatários, prepostos e
empregados e os diretores, gerentes ou representantes de pessoas
jurídicas de direito privado.
Recurso improvido.
Numero da decisão: 195-00.014
Decisão: ACORDAM os Membros da Quinta Turma Especial do Primeiro Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF- lucro presumido(exceto omis.receitas pres.legal)
Nome do relator: BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DEVIDO PROCESSO LEGAL - Fica afastada a hipótese de cerceamento do direito de defesa, quando o acusado é cientificado dos fatos que lhe são imputados e, no exercício pleno de sua defesa, manifesta contestação de forma ampla e irrestrita, que é recebida e apreciada pela autoridade julgadora. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA - As pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador e aquelas expressamente designadas em lei são solidariamente responsáveis pelo crédito tributário apurado. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei os mandatários, prepostos e empregados e os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Recurso improvido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Quinta Turma Especial do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Processo n° 10680.009372/2006-47 Acórdão n.° 195-0.0014 JOSE C SALVES Presidente BENEDI TO CE BENICIO JUNIOR C/ Relator ( Formalizado m: 19 SET 2008 CCO I/T95 Fls. 2 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: WALTER ADOLFO MARESCH e LUCIANO INOCENCIO DOS SANTOS. Relatório Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o auto de infração de fls. 04/13 para exigência de Imposto de Renda Pessoa Jurídica, multa de oficio de 150% e juros de mora calculados até 31/07/2006, no montante de R$56.302,60, abrangendo fatos geradores compreendidos nos exercícios de 2004 e 2005. Na descrição dos fatos, identificou-se que o arbitramento do lucro se fez necessário, tendo em vista que o contribuinte, notificado a apresentar os livros e documentos de sua escrituração tendo em vista sua opção pelo Lucro Presumido, conforme Termo de Inicio de Fiscalização e tennos de intimação, deixou de apresentá-los. Identificou-se a omissão de receita caracterizada pela prestação de serviços relativos a atendimentos médicos/odontológicos prestados pela fiscalizada durante os anos-calendário de 2003 e 2004. A falta de escrituração contábil e/ou manutenção do livro Caixa pela pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido constitui hipótese de arbitramento do lucro, tomando-se por base a receita bruta conhecida. Foram apurados o IRPJ e a CSLL, deduzindo- se o valor do imposto e da contribuição declarados em DCTF, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal (TVF). Em decorrência da omissão de receitas, foram lavrados os seguintes autos de infração, sujeitos à multa de oficio de 150% e aos juros de mora pertinentes, compreendendo o mesmo período abrangido pelo lançamento do IRPJ: • Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) — R$5.520,80- fls. 14/23; • Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins) — R$25.482,08 - fls. 24/32; • Contribuição Social — R$17.999,30 - fls. 33/41. A autoridade fiscal relatou os fatos que apontaram o Sr. Flávio Hermanny como dirigente e titular de fato da empresa autuada, restando caracterizada a sujeição passiva solidária, nos termos dos arts. 124 e 135, II e III do Código Tributário Nacional (CTN), 2 Processo n° 10680.009372/2006-47 Acórdão n.° 195-0.0014 CCO I /T95 Fls. 3 relativamente A exigência do crédito tributário constituído contra a Empresa de Participações e Medicina Consulte Ltda. Desta forma, constatada que as informações prestadas A Secretaria da Receita Federal (SRF) por meio das DCTF e DIPJ não espelham a realidade das operações da empresa, fica caracterizada a omissão de receitas, sujeita ao lançamento de oficio, conforme previsto nos arts. 841, inciso VI, 845 e 957, inciso II do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n°3.000, de 26 demarco de 1999 - RIR11999. 0 Sr. Flávio Hermanny foi incluído no pólo passivo da obrigação por ter sido o dirigente e considerado titular de fato da empresa A época da ocorrência do fato gerador, recebendo cópia, por via postal, dos documentos abaixo relacionados, tendo os respectivos Avisos de Recebimento (AR) sido anexados As fls. 61/62, com indicação da data de recebimento em 31/08/2006 e 04/09/2006, respectivamente. Termo de Sujeição Passiva Solidária; Demonstrativo de Emissão e Prorrogação de MPF; Auto de Infração do IRPJ e reflexos (PIS, Cofins e CSLL); - Termo de Verificação Fiscal; - planilhas anexas ao Termo de Verificação Fiscal; e - Termo de Encerramento. A Empresa de Participação e Medicina Consulte Ltda. e o Sr. Flávio Hermanny apresentaram impugnação, cujo resumo é feito em seguida. Na impugnação da Empresa de Participação e Medicina foi alegado que o faturamento apurado pelo Auditor-Fiscal não condiz com os valores reais do faturamento da empresa, pois a receita bruta encontrada pela fiscalização nos anos-calendário de 2003 e 2004 foram retiradas dos computadores dos médicos, uma vez que somente 50% era repassado para a empresa e o restante era recebido dos planos de saúde, conforme notas fiscais emitidas. Por este motivo, pede o impugnante que seja feita uma nova avaliação dos débitos e que, se necessário, seja chamado para maiores esclarecimentos o Sr. Flávio Hermanny, que era o responsável pela empresa neste período e que, em nenhum momento, foi chamado para prestar esclarecimentos. Na impugnação apresentada pelo Sr. Flávio Hermanny foi aduzido que não há nenhuma comprovação da culpa do contribuinte na suposta omissão/ausência de recolhimento de tributo da empresa autuada, o que afasta a possibilidade de a Receita Federal imputar responsabilidade ao Sr. Flávio Hermanny, ainda que solidária. Caso os sócios forem responsabilizados pelo pagamento de algum tributo, que então sejam chamados os sócios atuais da sociedade e não o contribuinte Sr. Flávio Hennanny, posto que este já não é mais sócio da empresa autuada desde julho de 2004. Desta feita, requer seja excluído do pólo passivo do procesgo, por não possuir legitimidade para figurar como sujeito passivo solidário. 3 Processo n° 10680.009372/2006-47 Acórdão n.° 195-0.0014 CCO 1/T95 Fls. 4 0 impugnante alegou que não foi cientificado da fiscalização ocorrida, sequer quando a Receita Federal fiscalizou os períodos em que ele era sócio da Empresa de Participações e Medicina Consulte Ltda., jamais tendo sido chamado a prestar informações ou esclarecimentos sobre o referido período. Isso significa que todo o processo de verificação tornou-se viciado, uma vez que o contribuinte ora penalizado dele não participou, sequer teve ciência. Demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, requer o impugnante seja acolhida a presente impugnação para cancelar a imputação de qualquer responsabilidade do Sr. Flávio Hermanny, ainda que solidária ou subsidiária, no que se refere ao débito fiscal reclamado. A DRJ posicionou-se no sentido de considerar o lançamento procedente alegando em síntese que: "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2004, 2005 LUCRO ARBITRADO - BASE DE CA' LCULO Legitimado o arbitramento do lucro da pessoa jurídica, este será determinado mediante a aplicação dos percentuais fixados nas normas legais especificas sobre a receita conhecida. OMISSÃO DE RECEITAS Constatada a omissão de receitas na pessoa jurídica, tomando por base notas fiscais e recibos por ela emitidos, é cabível a dedução da base de cálculo somente dos valores previstos na legislação, comprovados com documentação hábil e idônea, observado ainda o regime de tributação ao qual o contribuinte está submetido. TRIBUTAÇÃ 0 REFLEXA Os lançamentos reflexos devem observar o mesmo procedimento adotado no principal, em virtude da relação de causa e efeito que os vincula. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2004, 2005 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DEVIDO PROCESSO LEGAL Fica afastada a hipótese de cerceamento do direito de defesa, quando o acusado é cientificado dos fatos que lhe são imputados e, no exercício pleno de sua defesa, manifesta contestação de forma ampla e irrestrita, que é recebida e apreciada pela autoridade julgadora. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2004, 2005 SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDA' RI7,A V 4 Processo n° 10680.009372/2006-47 Acórdão n.° 195-0.0014 CCOI/T95 Fls. 5 As pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador e aquelas expressamente designadas em lei são solidariamente responsáveis pelo crédito Tributário apurado. Sao pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei os mandatários, prepostos e empregados e os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado." Inconformado com a mencionada decisão, o Sr. Flávio Hermanny apresentou RECURSO VOLUNTARIO alegando os mesmos argumentos já expostos na impugnação, quais sejam: que o Sr. Flávio Harmanny não deve figurar no pólo passivo desta ação fiscal e que houve cerceamento do direito de defesa já que durante a fase de investigações e diligência não foi contatado ou cientificado do que se passava Por fim, explica que na realidade apenas 50% da cobrança é devida tendo em vista que os médicos recebiam dos clientes e repassavam ao final de cada mês 50% do seu faturamento para a Empresa de Participações e Medicina Consulte Ltda. e não o contrário, como alega a fiscalização, no sentido de que a empresa recebia 100% do faturamento e depois repassava o devido aos médicos. Assim, solicita o acolhimento do recurso em destaque. Destaque-se que a Empresa de Participações e Medicina Consulte não apresentou Recurso Voluntário contestando a decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal (o AR relativo à correspondência com cópia da decisão da DRJ consta que foi recusado seu recebimento pela Empresa de P articipaçõ es). o relatório. Voto Conselheiro BENEDICTO CELSO BENÍCIO JUNIOR, Relator 0 Recurso é tempestivo e preenche todos os requisitos para a sua admissibilidade. Dele, portanto, tomo conhecimento. Antes de adentrarmos na questão de mérito cumpre-nos tecer alguns comentários a respeito da nulidade do lançamento argüida pelo Sr. Flávio Hermanny no Recurso Voluntário. De acordo com seu entendimento, alega cerceamento do direito de defesa, bem como descumprimento do devido processo legal tendo em vista que o mesmo não foi contatado ou cientificado das investigações e diligencias realizadas na empresa. Insurge-se quanto ao fato de que o depoimento do sócio (Sr. Mauricio Duarte) colhido nos autos e levado em consideração sequer fazia parte do contrato social na época dos fatos geradores contestados e que caso o Sr. Flávio Hermanny tivesse sido chamado para se fr Processo n° 10680.009372/2006-47 Acórdão n.° 195-0.0014 CC01/T95 Fls. 6 manifestar poderia ter trazido informações importante e suficientes para comprovar a inexistência do débito fiscal apurado. 0 fato do Sr. Flavio Hermanny não ter sido chamado a prestar esclarecimentos não o impede de apresentar na impugnação e na fase recursal os argumentos que alega ter sido impedido de demonstrar pela falta de notificação na abertura do MPF. Aliás, como veremos a seguir, o contribuinte não trouxe qualquer prova consubstancial acerca da inexistência do débito cobrado. Se o mesmo tinha tantas considerações oportunas a fazer durante a fase inquisitória, porque na fase de defesa não apresentou as referidas alegações? A partir do momento que o contribuinte toma ciência do auto de infração e apresenta defesa demonstrando pleno conhecimento das infrações que lhe foram imputadas, afasta-se a possibilidade de alegação de nulidade do lançamento por força do suposto cerceamento de defesa. A ofensa ao principio da ampla defesa apenas é evidenciado nas situações em que o contribuinte não consegue defender-se da autuação. Este é o entendimento deste Conselho: "CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA - Inexiste ofensa ao principio da ampla defesa quando o contribuinte demonstra ter pleno conhecimento dos fatos imputados pela Fiscalização, bem como da legislação tributária aplicável, exercendo seu direito de defesa de forma ampla na impugnação. "(Acórdão 105-15.331, DOU 25.04.2007, I' CC 5" Camara). "CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA - Só há nulidade do lançamento por preterição de direito de defesa quando reste efetivamente demonstrado pelo contribuinte o prejuízo a ele causado. Assim, ao contestar o mérito, o contribuinte demonstra conhecer todos os fatos relativos ao lançamento, o que está a indicar, pelo contrário, que teve ampla possibilidade de defender-se das infrações a ele imputadas e que os fatos alegados não lhe trouxeram prejuízos na defesa." (Acórdão 104-22.361, DOU 28.12.2007, 1' CC 4" Camara). Alega o contribuinte pessoa fisica que não deve figurar no pólo passivo desta ação fiscal tendo em vista que o fato único do inadimplemento do tributo não constitui infração lei capaz de ensejar a responsabilidade solidária dos sócios. Argumenta, ainda, que a responsabilidade deve recair inevitavelmente na sociedade constituída e não na figura de seus sócios, haja vista a não comprovação da culpa do administrador. Obviamente o simples fato de inadimplemento do tributo não constitui infração lei capaz de ensejar a responsabilidade atribuida pelo art. 135 do CTN, mas neste caso especifico outras questões levantadas durante a fase de investigação devem ser levadas em consideração. Sendo vejamos: 1. A origem do procedimento fiscal residiu na constatação da prática de fornecimento de recibos médicos inidõneos, utilizados para a redução da base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF). 2. Comparando-se a receita declarada em DCTF com a receita encontrada pela fiscalização, verificou-se a omissão de receitas em torno de 76% no,periodo de 2003 e 89% no ano de 2004. 6 Processo n° 10680.009372/2006-47 Acórdão n. ° 195-0.0014 CC01/T95 Fls. 7 3. Após a 55 Alteração Contratual, datada de 14/07/2004, o endereço da empresa foi alterado para a Rua Antônio Carlos, n° 38, Rio Acima/MG. Em diligência realizada, a fiscalização constatou que a empresa não existia no local, tratando-se apenas de um escaninho localizado numa sala do prédio onde funcionava a Prefeitura Municipal daquela cidade. 4. A fiscalização chamou ainda a atenção para o fato de que a Empresa de Participações e Medicina Consulte Ltda. sempre esteve sob o comando da família Hermanny, tendo como referência a frente dos negócios o Sr. Flavio Hermanny. Ademais, alem de todos estes fatos, não se pode deixar de ressaltar que não somente houve a omissão de receitas como também a reiterada prática de prestação de informações equivocadas e divergentes da realidade nas declarações disponibilizadas ao Fisco (DIPJ e DCTF). No ano-calendário de 2003, por exemplo, a sociedade declarou em sua DIPJ um total de faturamento no montante de R$ 49.062,56. Na DCTF, o valor de receita neste período totalizou R$ 44.799,54. A Receita Federal constatou com base nos dados obtidos durante a fiscalização o valor de R$ 191.629,18. Mesmo considerando a alegação (que conforme sera comentado a seguir não foi devidamente comprovada), de que apenas 50% da base de cálculo apurada pelas autoridades fiscais era devida, chegamos no valor de R$ 95.814,59 que representa mais do que metade do que foi realmente informado pela sociedade (R$ 44.799,54). Do mesmo modo, no ano-calendário de 2004, a sociedade declarou na sua DIPJ o faturamento zerado. Na DCTF, o valor de receita neste período totalizou R$ 16.747,12. A Receita Federal constatou com base nos dados obtidos durante a fiscalização o valor de R$ 159.608,10. Mesmo considerando a alegação (que conforme sera comentado a seguir não foi devidamente comprovada), de que apenas 50% da base de calculo apurada pelas autoridades fiscais era devida, chegamos no valor de R$ 79.804.05 que não se aproxima daquilo que foi informado pela sociedade (R$ 16.747,12). A prática reiterada de omissão nas declarações devidas configuram evidente intuito de fraude, conforme dispõem as decisões abaixo destacadas: "MULTA DE OFICIO QUALIFICADA - EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE - Caracteriza-se o evidente intuito de fraude, a justificar a aplicação da multa de oficio, qualificada nos termos do art. 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96, quando o contribuinte informa faturamento a menor, reiteradas vezes, em suas DCTF, demonstrando, sistematicamente, conduta em desacordo corn as normas tributcirias." (Acórdão 105-14.737, Rel. Corintho Oliveira Machado, DOU 04.10.2005, 1° CC 5" Câmara). "MULTA QUALIFICADA. VALORES DECLARADOS A MENOR. 0 ato de o sujeito passivo informar na DCTF apenas parte da receita bruta apurada durante todos os períodos fiscalizados, recolhendo somente o valor do tributo correspondente a parcela confessada, configura- se em evidente intuito de fraude. Aplicável, portanto, a multa de oficio qualificada de 150%." (Acórdão 201-80.176, Rel. Mauricio Taveira e Silva, DOU 19.06.2007, 2° CC]" Câmara). Desta forma, em observância estrita ao processo administrativo fiscal, os elementos constantes dos autos, conforme já foi evidenciado, dão fundamento para a 7 Processo n° 10680.009372/2006-47 Acórdão n.° 195-0.0014 CC01/T95 Fls. 8 qualificação do Sr. Flávio Hermanny como sujeito passivo solidário em relação ao crédito tributário apurado contra a Empresa de Participações e Medicina Consulte Ltda., tal como levada a efeito pela autoridade fiscal. E solidária a responsabilidade do Sr. Flávio Hermanny, pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias de atos praticados com infração a lei, ainda que, o mesmo já tenha se retirado da sociedade A. época da formalização do lançamento. 0 entendimento de que a responsabilidade nos termos do art. 135 é solidária é difundido nas diversas Câmaras deste Conselho. "RESPONSABILIDADE TRIBUTARIA SOLIDÁRIA ENTRE PESSOAS JURÍDICAS - Nos termos do artigo 135, inciso III, do Código Tributário Nacional, as pessoas fisicas dos diretores, dos gerentes ou dos representantes de pessoas jurídicas de direito privado são pessoalmente responsáveis por débitos tributários resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração a lei, ao contrato social ou ao estatuto social. Este dispositivo legal não autoriza a responsabilização solidária de uma pessoa jurídica por débitos de outra pessoa jurídica." (Acórdão 106-15.475, Rel. Gonçalo Bonet allage, DOU 18.07.2006, 1° CC 6° Câmara). "RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA - De acordo com os artigos 134, inc. III, e 135, inc. I e II, do CTN, os administradores de bens de terceiros e os mandatários são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei." (Acórdão 102- 46.705, Rel. José Oleskovicz, DOU 24.08.2005, 1° CC 2" Câmara). Diante dos fatos relatados nos autos, decide-se pela manutenção do Sr. Flavio Hermanny no pólo passivo da demanda como responsável solidário. Ressalte-se que o citado posicionamento garante ao sócio em questão a ampla defesa e contraditório na esfera administrativa, evitando-se que posteriormente o mesmo busque a anulação da CDA pela falta de oportunidade de apresentação de suas alegações e argumentos de defesa durante a esfera administrativa: "PAF - NORMAS PROCESSUAIS - RESPONSÁVEIS TRIBUTÁRIO - INDICAÇÃO NO AUTO DE INFRA CÃO - LEGITIMADADE PROCESSUAL - Figurando no lançamento, como sujeito passivo, além do próprio contribuinte, .sócios ou representantes de pessoas jurídicas e terceiros, participes das relações jurídicas que deram ensejo ao auto de infração, em face da lei geral do processo (lei 9.784/99, art. 9", II e 58, c.c. art. 69) e do CTIV, art. 142 (que impõe ei autoridade administrativa a indicação, no lançamento, do sujeito passivo - gênero, do qual contribuinte e responsáveis são espécies), estes, de forma autônoma, podem postular nos autos do processo administrativo na defesa de seus interesses, ainda que o contribuinte, quanto aos tributos devidos, desista do processo." (Acórdão 107-08.639, Rel. Natanael Martins, DOU 02.02.2007, 1° CC 7° Câmara) 8 BENEDICT° CELS 10 JUNIOR Processo n° 10680.009372/2006-47 Acórdão n.° 195-0.0014 CC01/T95 Fls. 9 Com relação à base de cálculo utilizada pela fiscalização para fins de arbitramento do Lucro, posicionamo-nos pela sua manutenção já que o contribuinte não logrou êxito em comprovar com documentação indõnea os argumentos colocados no recurso em análise acerca da redução em 50% da base mensurada. Face ao exposto, NEGO PROVIMENTO ao Recurso. Sala das Sessões, em 15 de set bro de 2008. 9
score : 1.0
Numero do processo: 15956.000311/2010-37
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 07 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Thu Nov 30 00:00:00 UTC 2023
Numero da decisão: 2402-001.331
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a unidade de origem da Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil adote as providências solicitadas nos termos do voto que segue na resolução.
(documento assinado digitalmente)
Francisco Ibiapino Luz Presidente
(documento assinado digitalmente)
Gregório Rechmann Junior - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ana Cláudia Borges de Oliveira, Diogo Cristian Denny, Francisco Ibiapino Luz, Gregório Rechmann Junior, José Márcio Bittes, Rodrigo Duarte Firmino, Rodrigo Rigo Pinheiro e Wilderson Botto (suplente convocado).
Nome do relator: GREGORIO RECHMANN JUNIOR
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a unidade de origem da Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil adote as providências solicitadas nos termos do voto que segue na resolução. (documento assinado digitalmente) Francisco Ibiapino Luz – Presidente (documento assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ana Cláudia Borges de Oliveira, Diogo Cristian Denny, Francisco Ibiapino Luz, Gregório Rechmann Junior, José Márcio Bittes, Rodrigo Duarte Firmino, Rodrigo Rigo Pinheiro e Wilderson Botto (suplente convocado). Relatório Trata-se de recurso voluntário (p. 103) interposto em face da decisão da 9ª Turma da DRJ/RPO, consubstanciada no Acórdão nº 14-42.073 (p. 83), que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Nos termos do relatório da r. decisão, tem-se que: Trata-se de lançamento de contribuições sociais, relativas à parte da empresa e SAT, incidentes sobre o pagamento de verbas salariais a segurados empregados e contribuintes individuais. O lançamento totaliza R$200.079,78 (duzentos mil e setenta e nove reais e setenta e oito centavos). O lançamento decorre da exclusão da empresa do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de pequeno Porte – Simples por meio do Ato Declaratório Executivo nº 184, de 24/05/2010, com efeito a partir de o início das atividades da empresa. A autuada apresentou Manifestação de Inconformidade contra o referido ADE (processo nº 15956.000243/2010-14), a qual foi julgada improcedente por esta Turma de Julgamento. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 59 56 .0 00 31 1/ 20 10 -3 7 Fl. 121DF CARF MF Original Fl. 2 da Resolução n.º 2402-001.331 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15956.000311/2010-37 No período de lançamento do crédito, a empresas apresentou GFIP como optante do Simples. Portanto, não recolheu contribuição previdenciária devida pela parte da empresa. O contribuinte apresentou Impugnação (nas folha 46 a 61) contra o presente lançamento, alegando que: - a exclusão da empresa do Simples foi pautada em frágeis presunções; - os tributos exigidos pelo auto de infração 37.255.455-5 não poderiam estar sendo alvo de cobrança, uma vez que o ato excludente que originou o suposto débito ainda está pendente de decisão na esfera administrativa; - não existe impedimento na legislação em relação a quem poderá ser ou não sócio; os sócios integrantes dos quadros da Impugnante optaram por nomear um terceiro para gerir a empresa; - a Fiscalização, ao lavrar o auto de infração em comento, desconsiderou negócio jurídico do contribuinte, o que é conduta não permitida pela lei; estando a Impugnante ativa e em plena regularidade quanto às obrigações que lhe eram atinentes, não pode a Impugnada constrangê-la à desqualificação de seus negócios realizados; - não pode prevalecer o auto de infração em comento no que toca à cobrança das contribuições de terceiros, uma vez que estas constituem objeto decorrente de ato administrativo sobre o qual ainda paira controvérsia; - a contribuição destinada ao SEBRAE somente pode ser cobrada das pequenas e micro empresas, consoante art. 149 da Constituição Federal; a cobrança para empresas de médio e grande porte só poderia ser feita por meio de lei complementar; -a alíquota de 0,6% para a contribuição SEBRAE é ilegal, uma vez que a legislação que versa sobre o tema aduz, claramente, que o adicional às alíquotas aplicadas ao SESl e SENAI é de 0,3%; - a exação destinada ao SEBRAE é tributo claramente vinculado à atuação de uma entidade que recebe os recursos captados e os aplicam em benefício de uma determinada classe. Assim sendo, na ausência de tal dinâmica, a cobrança da exação será ; - a contribuição para o INCRA exigida em face da folha de salários é desguarnecida de amparo constitucional, pois a EC 33/2001 reformulou a redação do art. 149 da Constituição Federal ao aduzir que as contribuições de intervenção no domínio econômico recairão apenas sobre a receita, o faturamento, o valor da operação ou sobre o valor aduaneiro; - a contribuição para o INCRA não incide sobre empresas não participantes ou envolvidas no meio agrário; por qualquer interpretação que for dada à contribuição INCRA, a mesma está eivada de inconstitucionalidade; - a base de cálculo da competência 01/2006 é R$ 167.724,86 e a da competência 09/2006 é de R$ 146.264,24 e não R$ 168.565,22 e R$ 146.730,42 respectivamente, como apurado pela fiscalização, conforme documentação anexa; - a multa aplicada é confiscatória, o que é vedado pela Constituição Federal, devendo, assim, ser reduzida à realidade reduzida a percentual compatível com a realidade fática da impugnante e com as circunstâncias econômicas do País; - a aplicação da taxa Selic é procedimento flagrantemente inconstitucional, uma vez que a mesma tem caráter remuneratório e não indenizatório; em hipótese alguma os encargos moratórios podem superar o limite de 1% a.m. previsto no §1º do art. 161 do CTN. - em nenhum momento houve comprovação de dolo ou má-fé por parte do contribuinte A DRJ julgou improcedente a impugnação apresentada pela Contribuinte, nos termos do susodito Acórdão nº 14-42.073 (p. 83), conforme ementa abaixo reproduzida: Fl. 122DF CARF MF Original Fl. 3 da Resolução n.º 2402-001.331 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15956.000311/2010-37 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 DEBCAD: 37.255.456-3 EXCLUSÃO SIMPLES. LANÇAMENTO CRÉDITOS A possibilidade de discussão administrativa do Ato Declaratório Executivo (ADE) de exclusão do Simples não impede o lançamento de ofício dos créditos tributários devidos em face da exclusão. INCONSTITUCIONALIDADE. ARGUIÇÃO. É vedado a autoridade julgadora afastar a aplicação de leis, decretos e atos normativos por inconstitucionalidade ou ilegalidade. INFRAÇÃO FISCAL. DOLO. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada da decisão de primeira instância, a Contribuinte apresentou o seu recurso voluntário (p. 103), reiterando, em síntese, os termos da impugnação apresentada, nos seguintes pontos, em síntese: * nulidade da decisão de primeira instância por ofensa aos princípios do devido processo legal e da ampla defesa; * pendencia de decisão administrativa (no processo exclusão do simples); * improcedência do lançamento em relação às Contribuições para o SEBRAE e para o INCRA; * boa-fé da Recorrente; * natureza confiscatória da multa aplicada. Sem contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Gregório Rechmann Junior, Relator. Conforme se verifica do relatório supra, trata-se, o presente caso de Auto de Infração, consubstanciado no DEBCAD nº 37.255.456-3, com vistas a exigir débitos referentes às contribuições destinadas a outras Entidades e Fundos (Terceiros), relativa às remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados que lhe prestaram serviços, no período de 01/2006 a 13/2006. Conforme igualmente exposto linhas acima, a Contribuinte, em sua peça recursal, reiterando os termos da impugnação apresentada, defende, em síntese, os seguintes pontos: * nulidade da decisão de primeira instância por ofensa aos princípios do devido processo legal e da ampla defesa; * pendencia de decisão administrativa (no processo exclusão do simples); Fl. 123DF CARF MF Original Fl. 4 da Resolução n.º 2402-001.331 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15956.000311/2010-37 * improcedência do lançamento em relação às Contribuições para o SEBRAE e para o INCRA; * boa-fé da Recorrente; * natureza confiscatória da multa aplicada. No que tange especificamente à alegação de “pendência de decisão na esfera administrativa”, a Recorrente defende que: A infração exprimida pelo Auto de Infração n° 37.255.456-3 cinge-se à premissa da exclusão da recorrente do SIMPLES FEDERAL. Todavia, consoante o já explanado, a dita exclusão pende de solução final, pois que ainda debatida no orbe administrativo, o que transforma qualquer inculpação dela decorrente em frágil e impedida, vez que não se deve punir o que ainda não é certo e determinado. (...) Dessa feita, o descumprimento ora imputado somente poderá ser penalizado quando for segura a exclusão da recorrente do regime do SIMPLES FEDERAL. (...) Assim, tendo-se em vista que o Ato Declaratório de Exclusão n° 184/2010 ainda tramita no orbe processual administrativo, o que impede a exigibilidade do recolhimento das contribuições sociais, o auto de infração ora debatido deve ser elidido, pois que de carece de objeto que lhe dê causa ou, pelo menos, suspenso o seu trâmite. Pois bem! Como se vê – e em resumo – tem-se que o presente lançamento fiscal é decorrente da exclusão da empresa do SIMPLES. Destaque-se desde já que, conforme apontado pelo órgão julgador de primeira instância, o Enunciado de Súmula CARF nº 77 estabelece que a possibilidade de discussão administrativa do Ato Declaratório Executivo (ADE) de exclusão do Simples não impede o lançamento de ofício dos créditos tributários devidos em face da exclusão. Assim, uma vez caracterizada a exclusão do simples, ainda que pendente de decisão final na esfera administrativa, impõe-se a formalização da exigência do crédito tributário, sob pena de se incorrer na decadência do direito da Fazenda Pública. Todavia, é certo que o resultado da discussão travada nos autos do processo administrativo no qual se discute a procedência (ou não) do ato de exclusão da empresa do regime simplificado, tem repercussão direta e imediata nos presentes autos. Isto porque, na hipótese, por exemplo, de restar afastada a exclusão do “SIMPLES”, o presente lançamento fiscal, por decorrência lógica, deverá ser julgado improcedente. Ocorre que não consta nos presentes autos informações acerca do status daquele processo. Sabe-se apenas que, contra ato declaratório de exclusão do SIMPLES, a Contribuinte apresentou a competente manifestação de inconformidade, a qual teria sido julgada improcedente pela DRJ. Neste espeque, à luz do princípio da verdade material, paradigma do processo administrativo fiscal, entendo ser imprescindível, no caso vertente, a conversão do presente julgamento em diligência para a Unidade de Origem, para que a autoridade administrativa fiscal preste as seguintes informações / esclarecimentos: Fl. 124DF CARF MF Original Fl. 5 da Resolução n.º 2402-001.331 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15956.000311/2010-37 a) confirmar se o processo número 15956.000243/2010-14 se trata, de fato, do processo no qual está sendo discutido a procedência (ou não) do Ato Declaratório Executivo nº 184, de 24 de maio de 2010, que excluiu a empresa do SIMPLES; b) verificar o status do processo no qual se discute a procedência (ou não) do ato de exclusão da empresa do SIMPLES; c) conforme noticiado pela DRJ, a manifestação de inconformidade apresentada pela empresa contra o ato de exclusão de SIMPLES foi julgada improcedente. Neste espeque, indaga-se: a Contribuinte foi devidamente cientificada dessa decisão? Houve interposição de recurso pela Contribuinte? d) juntar aos presentes autos cópia da decisão da DRJ que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela empresa contra o ato de exclusão do SIMPLES, bem como, se for o caso, de eventual decisão proferida pelo CARF (na hipótese de a Contribuinte ter apresentado recurso contra aquela decisão); e) informar se, eventualmente, a procedência (ou não) do ato de exclusão da empresa do SIMPLES está sendo (ou foi) discutida no âmbito do poder judiciário. Caso positivo, informar o status da respectiva ação judicial; f) informar se, por qualquer motivo, para o período fiscalizado, houve a reintegração da Contribuinte ao regime simplificado. g) consolidar o resultado da diligência em Informação Fiscal conclusiva, da qual deverá ser dada ciência à Contribuinte para, querendo, apresentar manifestação no prazo de 30 dias; h) após, retornar os autos para este Conselho para prosseguimento do julgamento do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Fl. 125DF CARF MF Original
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Numero do processo: 11610.007046/2010-78
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 26 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Tue Nov 21 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2008
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO RELATIVA DE VERACIDADE DA DIRF.
A DIRF goza de presunção relativa de veracidade, devendo o Contribuinte produzir prova satisfatória para afastar as informações inconsistentes ou equivocadas dela constante.
RECURSO VOLUNTÁRIO - INOVAÇÃO RECURSAL. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO.
A impugnação instaura a fase litigiosa do procedimento fiscal e é o momento no qual o contribuinte deve aduzir todas as suas razões de defesa, não se admitindo a apresentação em sede recursal de argumentos não debatidos na origem, salvo nas hipóteses de fato superveniente ou questões de ordem pública.
Numero da decisão: 2002-008.083
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo da matéria preclusa e, na parte conhecida, negar-lhe provimento.
(documento assinado digitalmente)
Marcelo de Sousa Sateles - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Freitas de Souza Costa - Relator(a)
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo Freitas de Souza Costa, Thiago Alvares Feital, Marcelo de Sousa Sateles (Presidente).
Nome do relator: MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2008 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO RELATIVA DE VERACIDADE DA DIRF. A DIRF goza de presunção relativa de veracidade, devendo o Contribuinte produzir prova satisfatória para afastar as informações inconsistentes ou equivocadas dela constante. RECURSO VOLUNTÁRIO - INOVAÇÃO RECURSAL. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO. A impugnação instaura a fase litigiosa do procedimento fiscal e é o momento no qual o contribuinte deve aduzir todas as suas razões de defesa, não se admitindo a apresentação em sede recursal de argumentos não debatidos na origem, salvo nas hipóteses de fato superveniente ou questões de ordem pública.
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PRESUNÇÃO RELATIVA DE VERACIDADE DA DIRF. A DIRF goza de presunção relativa de veracidade, devendo o Contribuinte produzir prova satisfatória para afastar as informações inconsistentes ou equivocadas dela constante. RECURSO VOLUNTÁRIO - INOVAÇÃO RECURSAL. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO. A impugnação instaura a fase litigiosa do procedimento fiscal e é o momento no qual o contribuinte deve aduzir todas as suas razões de defesa, não se admitindo a apresentação em sede recursal de argumentos não debatidos na origem, salvo nas hipóteses de fato superveniente ou questões de ordem pública. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo da matéria preclusa e, na parte conhecida, negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Marcelo de Sousa Sateles - Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Freitas de Souza Costa - Relator(a) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo Freitas de Souza Costa, Thiago Alvares Feital, Marcelo de Sousa Sateles (Presidente). AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 0. 00 70 46 /2 01 0- 78 Fl. 247DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2002-008.083 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 11610.007046/2010-78 Relatório Por bem retratar os fatos ocorridos desde a constituição do crédito tributário por meio do lançamento até sua impugnação, adoto e reproduzo o relatório da decisão ora recorrida: Trata o presente processo de lançamento formalizado pela Notificação de Lançamento, fls. 07/11, decorrente da revisão efetuada pela autoridade lançadora na Declaração de Ajuste Anual IRPF/2009, ano calendário 2008, apresentada pelo contribuinte já qualificado nos autos, que lhe exige o recolhimento do crédito tributário equivalente a R$72.026,84, assim discriminado: IRPF Suplementar (sujeito à multa de ofício) 38.724,11 Multa de Ofício - 75% (passível de redução) 29.043,08 Juros de Mora (calculados até 30/07/2010) 4.259,65 Total do crédito tributário apurado 72.026,84 Consoante “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal”, fl. 09, ocorreu infração por omissão de rendimentos recebidos das pessoas jurídicas Defensoria Pública do Estado de São Paulo, CNPJ 08.036.157/0001-89, no valor de R$2.778,76 e Secretaria Municipal de Finanças - SF, CNPJ 46.392.130/0003-80, no montante de R$138.036,20. Cientificado do lançamento, o impugnante apresentou impugnação de fls. 02, com documentos de fls. 08/15 argumentando o que se segue. - Exerce como atividade econômica principal função de Perito Judicial na área de Engenharia Civil, na qualidade de autônomo, portanto sem possibilidade de vinculo com qualquer parte envolvida com o Processo Judicial, sendo que a remuneração de Perito Judicial não é paga diretamente pelas partes envolvidas nos litígios. - Entre o depósito por alguma das partes e o levantamento pelo Perito podem decorrer vários meses, ou até anos, em razão da morosidade dos processos e do tempo necessário para elaboração dos trabalhos. Nesse intervalo de tempo, podem acontecer várias situações: a Perícia ser cancelada, o Perito substituído, o processo ser extinto etc. - Assim, o fato de uma pessoa física ou jurídica fazer um depósito por conta de uma Perícia não implica obrigatoriamente no recebimento, pelo Perito nomeado, dos honorários depositados. Nos casos em que há recebimentos, pode-se afirmar que um percentual muito grande ocorre em exercícios distintos daqueles em que os depósitos foram efetuados. - Na realidade, o valor R$138.036,20 que a Secretaria das Finanças declarou ter-lhe pago no ano de 2008, trata-se do somatório de importâncias que foram depositadas pela Secretaria à disposição de Juizes de Direito para garantir honorários de trabalhos que seriam realizados e cujas liberações apenas seriam feitas por mandados dos M.M. Juizes de Direito, após realização dos trabalhos. - Em 11 de novembro de 2009, em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal 2009/647622100990757, apresentou à Receita Federal todos os 201 comprovantes referentes a levantamentos de honorários determinados pelo Poder Judiciário, totalizando R$556.788,47 informados na Declaração de Ajuste Anual como Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoas Jurídicas pelo Titular - Fonte Pagadora - Poder Judiciário do Estado de são Paulo - Honorários de Perito. Relaciona, às fls. 05/06, comprovantes de honorários periciais referentes a trabalhos em Ações que envolvem a Prefeitura do Município de São Paulo e cujas cópias estão anexadas, às fls. 13/56. - A tabela de fls. 13/56 mostra que foram declarados e apresentados os comprovantes, totalizando R$152.439,84, relativos a ações que envolvem a Prefeitura do Município de São Paulo. Tal importância supera o valor que a Prefeitura informou que lhe teria pago Fl. 248DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2002-008.083 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 11610.007046/2010-78 (R$138.036,20) no exercício. Além disso, nos comprovantes apresentados não há levantamento referente a depósitos efetuados pela Defensoria Pública do Estado de São Paulo. Importante observar que, em relação a infração por omissão de rendimentos recebidos da fonte pagadora Defensoria Pública do Estado de São Paulo, CNPJ 08.036.157/0001- 89, no valor de R$2.778,76, o imposto de renda decorrente no valor de R$764,16, relativo à parte considerada não impugnada (vide cálculo de fl. 80) foi transferido para o processo 16151.720259/2013-18, consoante “Termo de Transferência de Crédito Tributário” de fl. 81. Cientificado da decisão de primeira instância em 25/08/2016, o sujeito passivo interpôs, em 26/09/2016, Recurso Voluntário, alegando a improcedência da decisão recorrida, sustentando, em apertada síntese, que: a) impossibilidade da concomitância da aplicação de multas isolada e de ofício b) os rendimentos declarados em DIRF pela(s) fonte(s) pagadora(s) não demonstram ou não podem fundamentar o lançamento c) os rendimentos tributáveis estão comprovados pelos documentos juntados aos autos d) divergência entre decisões para mesma questão de fato É o relatório. Voto Conselheiro Marcelo Freitas De Souza Costa - Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Da Preclusão O contribuinte alega impossibilidade de concomitância de multas e divergência entre decisões afirmando que em casos anteriores e idêntico ao sob análise a autoridade fiscal julgou procedente os seus argumentos. Trata-se de argumento trazido apenas em recurso, não tendo sido apresentado na impugnação, logo precluso conforme previsto no Decreto 70235/72: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento (...) Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III - os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir;(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) Art. 17.Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Desta forma, não tendo sido objeto de impugnação não pode o contribuinte inovar em seu recurso. Fl. 249DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2002-008.083 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 11610.007046/2010-78 Do mérito O litígio recai sobre omissão de rendimentos sem vínculo constantes nas informações prestadas por pessoas jurídicas por meio de DIRF - Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte. Tendo em vista que a recorrente trouxe em sua peça recursal basicamente os mesmos argumentos deduzidos na impugnação, nos termos do art. 57, § 3º do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, com a redação dada pela Portaria MF nº 329, de 04/06/2017, reproduzo no presente voto a decisão de 1ª instância com a qual concordo e que adoto: A impugnação apresentada é tempestiva e por reunir os demais requisitos formais de admissibilidade dela tomo conhecimento. Sobre a infração de omissão de rendimentos, diga-se que o art. 85 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999) determina que a pessoa física deve declarar todos os seus rendimentos tributáveis, fazendo a devida compensação do quantum de imposto retido correspondente a esses rendimentos declarados. Restou para julgamento da presente Notificação de Lançamento, a infração por omissão de rendimentos de trabalho sem vínculo empregatício recebido da fonte pagadora Secretaria Municipal de Finanças - SF, no montante de R$138.036,20, corroborado em Dirf constante da base informatizada da Receita Federal do Brasil – RFB, transmitida pela Prefeitura Municipal de São Paulo. O valor do imposto suplementar referente ao valor da infração é de R$37.959,95 = 138.036,20 x 27,5%. O contribuinte contesta o lançamento alegando que os referidos rendimentos decorrem de sua atuação como perito Judicial na área de Engenharia Civil, na qualidade de autônomo, que não é remunerada diretamente pelas partes envolvidas nos litígios. Junta aos autos para justificar sua irresignação, comprovantes de pagamentos de honorários determinados pelo Poder Judiciário referentes a ações em que faz parte a Prefeitura Municipal de São Paulo e para justificar que os rendimentos foram pagos apenas pela fonte pagadora Tribunal de Justiça de São Paulo, CNPJ 51.174.001/0001- 93, no montante de R$556.788,47. Da análise do sistema informatizado da RFB constata-se que nos outros anos calendários constam em suas declarações de imposto de renda pessoa física, rendimentos auferidos da Secretaria Municipal de Finanças, e da Prefeitura Municipal de São Paulo, além do Tribunal de Justiça de São Paulo. Os documentos juntados aos autos não são suficientes para concluir se no valor R$556.788,47 informado pelo notificado em sua DIRPF/2009 como rendimento auferido da pessoa jurídica Tribunal de Justiça de São Paulo, CNPJ 51.174.001/0001- 93, de fato, estão incluídos aqueles que foram impugnados e objeto do lançamento à conta das fontes pagadoras Secretaria Municipal de Finanças, e da Prefeitura Municipal de São Paulo no valor totalizado de R$138.036,20. Poderia, no caso, como exemplo, ter o contribuinte juntado o Livro Caixa escriturado de acordo com a legislação específica, para verificação da correção do alegado. Dos esclarecimentos retro citados, pode-se concluir que a infração objeto do lançamento fiscal, por omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica deve ser mantida. Isto posto, voto por considerar improcedente a impugnação e manter o imposto suplementar que veio a julgamento no valor de R$37.959,95 (trinta e sete mil, novecentos e cinqüenta e nove reais e noventa e cinco centavos), que deverá ser cobrado com os devidos acréscimos legais. Cláudio Sérgio Almeida – Relator Fl. 250DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 2002-008.083 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 11610.007046/2010-78 Importante acrescentar que a DIRF é um documento idôneo para o fim de comprovação dos valores dos rendimentos tributáveis e do Imposto Retido na Fonte, havendo, pois, uma presunção de veracidade dos valores nela contidos. Porém, o contribuinte poderá provar o contrário, mediante a juntada de elementos que respaldem seus argumentos. Conclusão Por todo o exposto, voto por conhecer Parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo da matéria preclusa e, na parte conhecida, Negar-lhe Provimento. (documento assinado digitalmente) Marcelo Freitas De Souza Costa Fl. 251DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 10945.720060/2016-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 23 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Wed Nov 22 00:00:00 UTC 2023
Numero da decisão: 3401-002.789
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade local especifique e quantifique de forma detalhada e objetiva cada um dos créditos constantes do presente processo que porventura tenham relação com as ações judiciais ajuizadas pela contribuinte, bem como apresentar cópia integral dos processos judiciais indicados no voto condutor. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhe aplicado o decidido na Resolução nº 3401-002.785, de 23 de agosto de 2023, prolatada no julgamento do processo 10945.720056/2016-43, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Marcos Roberto da Silva Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Renan Gomes Rego, Fernanda Vieira Kotzias, Ricardo Rocha de Holanda Coutinho (suplente convocado), Carolina Machado Freire Martins, Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues, Marcos Roberto da Silva (Presidente).
Nome do relator: MARCOS ROBERTO DA SILVA
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Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhe aplicado o decidido na Resolução nº 3401-002.785, de 23 de agosto de 2023, prolatada no julgamento do processo 10945.720056/2016-43, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Renan Gomes Rego, Fernanda Vieira Kotzias, Ricardo Rocha de Holanda Coutinho (suplente convocado), Carolina Machado Freire Martins, Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues, Marcos Roberto da Silva (Presidente). Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, Anexo II, do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado na resolução paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário, interposto em face de acórdão de primeira instância que julgou a Manifestação de Inconformidade procedente em parte, cujo objeto era a reforma do Despacho Decisório exarado pela Unidade de Origem, que acolhera em parte o Pedido de Ressarcimento apresentado pelo Contribuinte. O pedido é referente ao crédito de COFINS. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 45 .7 20 06 0/ 20 16 -1 0 Fl. 3645DF CARF MF Original Fl. 2 da Resolução n.º 3401-002.789 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10945.720060/2016-10 Os fundamentos do Despacho Decisório da Unidade de Origem e os argumentos da Manifestação de Inconformidade estão resumidos no relatório do acórdão recorrido. Cientificada do despacho decisório, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, que foi julgada procedente em parte, cujos fundamentos do voto condutor do acórdão recorrido estão consubstanciados na ementa que transcrevo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/01/2013 a 31/03/2013 INSUMO. CONCEITO. CRITÉRIOS PARA AFERIÇÃO. O conceito de insumo para fins de apuração de créditos da Cofins deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda ou para a prestação de serviços pela pessoa jurídica. O critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço: a) constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço; ou b) quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência. O critério da relevância, por seu turno, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja a) pelas singularidades de cada cadeia produtiva; ou b) por imposição legal. FRETE. COMPRA. CRÉDITO. Inexiste previsão legal expressa para o cálculo de crédito sobre o valor do frete na aquisição. Esse é permitido apenas quando o bem adquirido for passível de creditamento, e na mesma proporção em que se der esse creditamento, já que o frete compõe o custo de aquisição devidamente comprovado, integra o valor de aquisição dos insumos e deve seguir o regime de crédito desses. REGIME NÃO CUMULATIVO. ATIVIDADES LABORATORIAIS RELACIONADAS AO PROCESSO PRODUTIVO. INDUSTRIALIZAÇÃO DE PRODUTOS ALIMENTÍCIOS. CREDITAMENTO. POSSIBILIDADE. Os custos relacionados às atividades laboratoriais, por meio dos quais se aferem aspectos ligados ao processo produtivo, caracterizam-se como relevantes e essenciais ao processo de industrialização de produtos alimentícios, razão pela qual deve ser reconhecido o direito aos créditos deles decorrentes. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. INSUMO. EQUIPAMENTO DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL. Os equipamentos de proteção individual (EPI) fornecidos a trabalhadores alocados pela pessoa jurídica nas atividades de produção de bens ou de prestação de serviços podem ser considerados insumos, para fins de apuração de créditos das contribuições para o PIS e da Cofins. SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO, REPARO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS DO PROCESSO PRODUTIVO. Os custos/despesas incorridos com serviços de manutenção e reparo de máquinas e equipamentos do processo produtivo do contribuinte, por força da decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, em sede de recurso repetitivo, constituem insumos do processo industrial do contribuinte, para efeitos de aproveitamento de créditos da contribuição. BENS E SERVIÇOS. AQUISIÇÃO. NÃO PAGAMENTO DA CONTRIBUIÇÃO. CRÉDITO. Não gera direito ao crédito o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. Fl. 3646DF CARF MF Original Fl. 3 da Resolução n.º 3401-002.789 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10945.720060/2016-10 FRETE NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA EMPRESA. CRÉDITO. Inexiste previsão legal para apuração de crédito a descontar das contribuições não-cumulativas sobre valores relativos a fretes de transferência de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma empresa. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Cientificada da decisão da DRJ, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, no qual repisa os principais argumentos de defesa trazidos na peça anterior. Após a chegada ao CARF, foi juntada informação relacionada ao cumprimento da sentença de 2º grau transitada em julgado no referido MS nº 5010055-57.2016.404.7002. É o relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado na resolução paradigma como razões de decidir: O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade, dele, portanto, tomo conhecimento. No entanto, entendo que o processo não se encontra em condições de julgamento. Na origem, trata-se de Pedido de Ressarcimento – PER nº 05324.49122.310314.1.1.11-6970 de crédito de Cofins com incidência não- cumulativa no montante de R$ 2.724.353,67, relativo ao 1º trimestre de 2013, seguido de Declarações de Compensação – Dcomp relativas ao mesmo crédito. Conforme relatado, a análise do crédito pleiteado foi iniciada em razão de liminar concedida nos autos do Mandado de Segurança nº 5012243- 57.2015.4.04.7002/PR, que posteriormente veio transitar em julgado, ao que parece favoravelmente ao contribuinte, havendo inclusive depósito em conta corrente. A informação que registra a emissão de Ordens Bancárias faz menção a uma série de processos administrativos, incluindo o presente. Veja-se: Fl. 3647DF CARF MF Original Fl. 4 da Resolução n.º 3401-002.789 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10945.720060/2016-10 É de se registrar ainda que a despeito de ter sido mencionada a juntada nos presentes autos do Acórdão do TRF4, o documento de fls. 3760-3761 encontra- se em branco. Além disso, busquei diretamente no site do respectivo Tribunal, contudo, o processo corre em segredo de justiça: Depreende-se dos autos que o Mandado de Segurança n° 501224357.2015.4.04.7002/PR foi impetrado para apreciação imediata de pedidos administrativos (fls. 74-77): 1. FRIMESA COOPERATIVA CENTRAL ajuíza o presente mandado de segurança em face do Delegado da Receita Federal de Foz do Iguaçu, requerendo a concessão de Tutela Antecipada para determinar que a autoridade impetrada seja compelida a apreciar imediatamente seus pedidos administrativos n' 10945.900462/2013-45; 10945.900457/2013-32; 10945.900458/2013-87; 10945.900466/2013-23; 10945.900455/2013-43; 10945.900454/2013-07; 10945.900461/2013-09; 10945.900464/2013-34; 13942.720141/2013-87; 13942.720142-2013-21; 13942.720143/2013-76; 13942.720144/2013-11; 13942.720137/2013-19; 13942.720138/2013-63; 13942.720139/2013-16; 13942.720140/2013-32; 13942.720061/2014-11; 13942.720060/2014-68; 13942.720069/2014-79; 13942.720070/2014-01; 13942.720059/2014-33; 13942.720058/2014-99; 13942.720071/2014-48; 13942.720072/2014-92; 13120.68552.310314.1.1.10-0804; 04164.06029.310314.1.1.10-1955; 17087.82654.300414.1.1.10-1707; 02083.52977.300414.1.1.10-3061; 25259.83204.310314.1.1.08-9169; 20802.88787.310314.1.1.08-1370; 12856.48082.300414.1.1.08-5561; 22909.17362.300414.1.1.08-7385; 05324.49122.310314.1.1.11-6970; 16674.90037.310314.1.1.11-6081; Fl. 3648DF CARF MF Original Fl. 5 da Resolução n.º 3401-002.789 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10945.720060/2016-10 16762.58643.300414.1.1.11-6328; 35741.38894.300414.1.1.11-1491; 02566.83729.310314.1.1.09-4010; 00893.01773.310314.1.1.09-0504; 36961.51515.300414.1.1.09-0971 e 36794.70980.300414.1.1.09-5087, visto que já transcorridos mais de 360 dias do protocolo administrativo. Às fls. 3744 e seguintes consta ainda a minuta de possivelmente outro processo judicial, verificando-se a inicial de uma “Ação Declaratória cumulada com Condenatória”, com os seguintes pedidos: Nesse contexto, é bastante provável concomitância entre as causas de pedir de ações judiciais propostas pela contribuinte e o arrazoado constante do recurso. Adotando-se o sistema uno de jurisdição, consagrado no art. 5º, inciso XXXV, da Constituição Federal, cabe ao Poder Judiciário decidir definitivamente inclusive em matéria administrativa, obstando qualquer efeito de eventual decisão de mérito divergente que venha a ser proferida pela Administração. Fl. 3649DF CARF MF Original Fl. 6 da Resolução n.º 3401-002.789 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10945.720060/2016-10 O alcance da concomitância deve ser delimitado objetivamente, sendo reconhecida apenas quando o objeto do processo administrativo é realmente o mesmo daquele discutido na via judicial, prevalecendo a exigência da tríplice identidade entre as demandas – mesmas partes, causa de pedir e pedido. Apenas quando não houver identidade absoluta, matérias diferenciadas poderão ser analisadas pelo julgador administrativo. Por tudo isso, não entendo possível o prosseguimento do julgamento no CARF, tendo em vista que para o correto deslinde da controvérsia faz-se necessário que sejam indicados os reais reflexos do processo judicial sobre todos os créditos tributários ainda em discussão no presente feito. Assim, entendo pertinente a conversão do julgamento em diligência, para que a unidade local especifique e quantifique de forma detalhada e objetiva cada um dos créditos constantes do presente processo que porventura tenham relação com as ações judiciais ajuizadas pela contribuinte, bem como apresentar cópia integral dos processos judiciais indicados no presente voto. Conclusão Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º , 2º e 3º do art. 47 do Anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido na resolução paradigma, no sentido de converter o julgamento em diligência, para que a unidade local especifique e quantifique de forma detalhada e objetiva cada um dos créditos constantes do presente processo que porventura tenham relação com as ações judiciais ajuizadas pela contribuinte, bem como apresentar cópia integral dos processos judiciais indicados no voto condutor. (documento assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva – Presidente Redator Fl. 3650DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 12269.004222/2009-86
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007
JUROS CALCULADOS À TAXA SELIC. APLICABILIDADE.
A cobrança de juros está prevista na legislação tributária federal, desse modo foi correta a aplicação do índice pela fiscalização previdenciária.
VERBAS INDENIZATÓRIAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO DE DESCONFIGURAÇÃO DE SUA NATUREZA.
Para a descaracterização de verbas indenizatórias se faz necessária a devida explanação dos motivos que devem ser considerados para configurar o desvio apontado. Não demonstrado que as verbas indenizatórias foram pagas com outro intuito, as mesmas não devem constar da autuação lavrada.
CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. PAGAMENTOS A SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS.
A empresa é obriga a arrecadar as contribuições devidas em razão da remuneração paga a segurados empregados e contribuintes individuais, consoante arts. 22 da lei 8212 c/c art. 4º da lei 10.666/03
FORNECIMENTO DE ALIMENTAÇÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO.
O valor referente ao auxílio alimentação, que não seja pago in natura aos empregados de empresa não regularmente inscrita no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT, integra o salário de contribuição por possuir natureza salarial, conforme parecer PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011 aprovado pelo Exmo Sr Ministro da Fazenda.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2803-002.364
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator, para excluir as rubricas referentes a despesas de locação de motocicleta, ajuda de custo, despesas de combustível e despesas de
condução pagas em dinheiro dos levantamentos CFP e Z2.
Nome do relator: OSÉAS COIMBRA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007 JUROS CALCULADOS À TAXA SELIC. APLICABILIDADE. A cobrança de juros está prevista na legislação tributária federal, desse modo foi correta a aplicação do índice pela fiscalização previdenciária. VERBAS INDENIZATÓRIAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO DE DESCONFIGURAÇÃO DE SUA NATUREZA. Para a descaracterização de verbas indenizatórias se faz necessária a devida explanação dos motivos que devem ser considerados para configurar o desvio apontado. Não demonstrado que as verbas indenizatórias foram pagas com outro intuito, as mesmas não devem constar da autuação lavrada. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. PAGAMENTOS A SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. A empresa é obriga a arrecadar as contribuições devidas em razão da remuneração paga a segurados empregados e contribuintes individuais, consoante arts. 22 da lei 8212 c/c art. 4º da lei 10.666/03 FORNECIMENTO DE ALIMENTAÇÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. O valor referente ao auxílio alimentação, que não seja pago in natura aos empregados de empresa não regularmente inscrita no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT, integra o salário de contribuição por possuir natureza salarial, conforme parecer PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011 aprovado pelo Exmo Sr Ministro da Fazenda. Recurso Voluntário Provido em Parte
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2122; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE03 Fl. 2 1 1 S2TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12269.004222/200986 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2803002.364 – 3ª Turma Especial Sessão de 15 de maio de 2013 Matéria Contribuições Previdenciárias Recorrente FLACH & FLACH LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007 JUROS CALCULADOS À TAXA SELIC. APLICABILIDADE. A cobrança de juros está prevista na legislação tributária federal, desse modo foi correta a aplicação do índice pela fiscalização previdenciária. VERBAS INDENIZATÓRIAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO DE DESCONFIGURAÇÃO DE SUA NATUREZA. Para a descaracterização de verbas indenizatórias se faz necessária a devida explanação dos motivos que devem ser considerados para configurar o desvio apontado. Não demonstrado que as verbas indenizatórias foram pagas com outro intuito, as mesmas não devem constar da autuação lavrada. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. PAGAMENTOS A SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. A empresa é obriga a arrecadar as contribuições devidas em razão da remuneração paga a segurados empregados e contribuintes individuais, consoante arts. 22 da lei 8212 c/c art. 4º da lei 10.666/03 FORNECIMENTO DE ALIMENTAÇÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. O valor referente ao auxílio alimentação, que não seja pago in natura aos empregados de empresa não regularmente inscrita no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT, integra o salário de contribuição por possuir natureza salarial, conforme parecer PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011 aprovado pelo Exmo Sr Ministro da Fazenda. Recurso Voluntário Provido em Parte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 9. 00 42 22 /2 00 9- 86 Fl. 373DF CARF MF Impresso em 03/06/2013 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 12269.004222/200986 Acórdão n.º 2803002.364 S2TE03 Fl. 3 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator, para excluir as rubricas referentes a despesas de locação de motocicleta, ajuda de custo, despesas de combustível e despesas de condução pagas em dinheiro dos levantamentos CFP e Z2. assinado digitalmente Helton Carlos Praia de Lima Presidente. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira,Amílcar Barca Teixeira Júnior e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 374DF CARF MF Impresso em 03/06/2013 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 12269.004222/200986 Acórdão n.º 2803002.364 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve o auto de infração lavrado, referente a contribuições devidas em razão de pagamentos de despesas com alimentação em desacordo com o PAT; nos valores pagos a segurados empregados a título de ajuda de custo, gratificações e outros pagamentos não contidos na folha de pagamento da empresa; na remuneração paga a contribuintes individuais prestadores de serviços registrada na contabilidade da empresa; nos valores pagos a segurados empregados a título de remuneração; nos valores pagos aos sócios a título de pro labore – parte dos segurados. O r. acórdão – fls 183 e ss, conclui pela improcedência da impugnação apresentada, mantendo o auto de infração lavrado. Inconformada com a decisão, apresenta recurso voluntário, alegando, em síntese, o seguinte: · Ilegalidade e inconstitucionalidade da taxa SELIC · Os valores pagos a título de alimentação não se enquadram na modalidade in natura. · Contribuição devida pelos segurados empregados, incidente sobre valores pagos a títulos diversos. Locação de motocicleta, ajuda de custo, despesas de combustível, prêmios, despesas de condução pagas em dinheiro, pagamentos extraordinários por dia trabalhado. Locação de motocicleta, tratase de um contrato civil entre duas pessoas, uma jurídica e outra física, em que uma paga à outra um valor a título de locação de um bem móvel. Por óbvio não se trata de salário ou remuneração por trabalho prestado, mas sim pura e simplesmente, LOCAÇÃO! A mesma coisa diz respeito à ajuda de custo e pagamento de combustível. Portanto, errado tentar alterarse o negócio jurídico encetado, afirmandose que se trata de salário de contribuição o que salário não é. Por fim, despesas com condução pagas em dinheiro. Ora, se um funcionário se desloca a algum lugar, por conta da empresa, evidentemente que a condução ou transporte deve ser indenizado pela mesma! Isso não é despesa do empregado e sim custo da empresa. · Referentemente a este item, FP e Z4 Contribuição devida pelos segurados empregados, incidente sobre as remunerações pagas, não declaradas na GFIP. A cada GFIP que se enviava, anulavase a anterior. Porém, isso acontecia por problemas no programa da própria Previdência. A empresa jamais deixou de informar em GFIP qualquer contribuição devida pelos seus empregados segurados. O que o ocorreu foi o que acima se explicou. Por diversas razões foi necessário "retificar" ou "alterar' GFIPS enviadas, porém, o "sistema", simplesmente, anulava as anteriores. Fl. 375DF CARF MF Impresso em 03/06/2013 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 12269.004222/200986 Acórdão n.º 2803002.364 S2TE03 Fl. 5 4 · Em se analisando os levantamentos feitos, especialmente, nos DEBCAB de n ºs 37.245.6731, e 37.245.6766, verseá que há superposição de competências, ou seja, houve levantamento de valores e multas dos mesmos períodos, o que se trata de um bis um idem. · No tópico, Cl e Z3 "Contribuição devida pelos segurados contribuintes individuais prestadores de serviços... " Douto julgador, é sabido e consabido que empresas do porte da ora impugnante, a todo o momento precisam de alguns prestadores de serviços, verdadeiros biscateiros, que prestam pequenos e irrelevantes serviços. Ora, tais pessoas não possuem qualquer registro ou inscrição no Órgão Previdenciário e, tampouco, dão nota fiscal, mas sim pequenos documentos, sem valor fiscal, mas que servem para que a contabilidade da empresa os utilize como forma de organizar o seu caixa. Evidentemente que uma empresa que trabalha no regime de Lucro Presumido, não se utiliza de tais documentos, sem valor fiscal, para reduzir o seu lucro ou aumentar as suas despesas. Apenas o faz para fins de registro. Portanto, tais pessoas, não tendo inscrição qualquer não se lhes pode recolher qualquer parcela. Ou será que o INSS pretende que não se as utilize e que as mesmas possam, no mínimo, sobreviver? · Contribuição devida pelos segurados contribuintes individuais sobre as remunerações pagas a título de pro labore e não declaradas na GFIP. Com a devida venia, a fiscalização da Previdência exorbitou de suas funções ao entender que distribuição de lucros, ou adiantamento de lucros, seria prolabore pelo simples fato de que, contabilmente, a empresa "deu prejuízo". Douto julgador, a opção pelo Lucro Presumido, já dá uma idéia, como o próprio título diz, de LUCRO PRESUMIDO, assim, temos que, 32% do faturamento da empresa é LUCRO PRESUMIDO, ou seja, tal valor pode ser distribuído aos sócios, periodicamente, na medida em que se presume que o mesmo tenha existido. Os lançamentos contábeis, existentes na empresa, servem apenas para controle da mesma. Evidentemente, não podem ser tomados como parâmetro para a fiscalização do INSS pretender entender tais lançamentos como prolabore! Assim, todas as despesas lançadas na contabilidade, inerentes às atividades pessoais dos sócios, são adiantamentos de lucros e, portanto, não sujeitos às quotas previdenciárias. · Solicita relevação do auto lavrado · Requer seja julgado, por esse Colendo Conselho de Contribuintes, totalmente, insubsistente o Auto de Infração em comento, bem como reformada a decisão de primeira instância. É o relatório. Fl. 376DF CARF MF Impresso em 03/06/2013 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 12269.004222/200986 Acórdão n.º 2803002.364 S2TE03 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Oséas Coimbra O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. DO PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR, NÃO ADESÃO AO PAT Acerca da matéria – pagamento de alimentação in natura sem a regular adesão ao PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR PAT, reproduzo ATO DECLARATÓRIO Nº 03 /2011, de seguimento obrigatório por parte dos membros do CARF, consoante art. 62,II, ”a” do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela portaria nº 256, de 22 de junho de 2009: A PROCURADORAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 24.11.2011, DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: “nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária”. JURISPRUDÊNCIA: Resp nº 1.119.787SP (DJe 13/05/2010), Resp nº 922.781/RS (DJe 18/11/2008), EREsp nº 476.194/PR (DJ 01.08.2005), Resp nº 719.714/PR (DJ 24/04/2006), Resp nº 333.001/RS (DJ 17/11/2008), Resp nº 977.238/RS (DJ 29/11/2007). Dessarte, não se considera o auxílio alimentação in natura como salário de contribuição, independentemente de adesão ao PAT, sendo que o próprio recorrente deixa claro que não se trata dessa hipótese, senão vejamos. Assim, eventualmente, e não regularmente, a empresa indenizava valores de alimentação de seus funcionários e diretores, razão pela qual constam da contabilidade tais gastos. Porém, não se tratava de salário "in natura", tampouco qualquer benefício dado aos trabalhadores. Tratase de uma questão de interpretação, dada pela douta fiscalização com a Fl. 377DF CARF MF Impresso em 03/06/2013 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 12269.004222/200986 Acórdão n.º 2803002.364 S2TE03 Fl. 7 6 qual não concorda a empresa, eis que salário in natura não era. Ademais, mal andou a fiscalização ao entender como salário in natura, o que salário in natura não é.( ...) Portanto, não há que se falar em quota previdenciária tratando esses valores como salário in natura, pois salário in natura não é Assim sendo, não se tratando de salário alimentação in natura, a falta de regular adesão ao PAT justifica o lançamento efetuado, pois que não se enquadra na regra excepcional trazida na alínea "c", do parágrafo 9º , do artigo 28 da Lei n.° 8.212/91. DA TAXA SELIC A cobrança de juros está prevista em lei específica da previdência social, art. 34 da Lei n ° 8.212/1991, abaixo transcrito. Art.34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de CustódiaSELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Artigo restabelecido, com nova redação dada e parágrafo único acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Parágrafo único. O percentual dos juros moratórios relativos aos meses de vencimentos ou pagamentos das contribuições corresponderá a um por cento. Nesse sentido já se posicionou o STJ no Recurso Especial n ° 475904, publicado no DJ em 12/05/2003, cujo relator foi o Min. José Delgado: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. CDA. VALIDADE. MATÉRIA FÁTICA. SÚMULA 07/STJ. COBRANÇA DE JUROS. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. A averiguação do cumprimento dos requisitos essenciais de validade da CDA importa o revolvimento de matéria probatória, situação inadmissível em sede de recurso especial, nos termos da Súmula 07/STJ. No caso de execução de dívida fiscal, os juros possuem a função de compensar o Estado pelo tributo não recebido tempestivamente. Os juros incidentes pela Taxa SELIC estão previstos em lei. São aplicáveis legalmente, portanto. Não há confronto com o art. 161, § 1º, do CTN. A aplicação de tal Taxa já está consagrada por esta Corte, e é devida a partir da sua instituição, isto é, 1º/01/1996. (REsp 439256/MG). Recurso especial parcialmente conhecido, e na parte conhecida, desprovido. Quanto à inconstitucionalidade, não cabe tal análise na esfera administrativa. Não é de competência da autoridade julgadora a recusa ao cumprimento de norma Fl. 378DF CARF MF Impresso em 03/06/2013 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 12269.004222/200986 Acórdão n.º 2803002.364 S2TE03 Fl. 8 7 supostamente inconstitucional – ex vi art. 62 do regimento interno do CARF, aprovado pela portaria GMF no 256, de 22 de junho de 2009. Toda lei presumese constitucional e, até que seja declarada sua inconstitucionalidade pelo órgão competente do Poder Judiciário para tal declaração ou exame da matéria, deve o agente público, como executor da lei, respeitála. A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições. Este Conselho Administrativo já tem a matéria sumulada, de seguimento obrigatório por seus membros: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Pondo fim a essa discussão, o STF, em sede de repercussão geral, no julgamento do RE 582461/SP, rel. Min. Gilmar Mendes, em 18.5.2011, decidiu ser legítima a incidência da Selic como índice de atualização dos débitos tributários pagos em atraso. Dessa feita, foi correta a aplicação do índice pela fiscalização federal. DOS VALORES PAGOS A SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS Levantamentos FP e Z4 O presente lançamento diz respeito a divergências entre o que declarado e os valores constantes nas folhas de pagamento e arquivos digitais nas competências 13/2006,13/2007,13/2005 e 03/2006 conforme planilhas anexas. Foram apuradas as contribuições devida pelos segurados empregados, incidente sobre as remunerações pagas, não declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP. O contribuinte alega que o sistema equivocadamente apagava as GFIP´s enviadas quando uma nova era transmitida, o que ocasionou divergências. Não há equívoco ou erro no sistema. Ao transmitir uma nova GFIP, a GFIP anterior é descartada, de tal sorte que, ao corrigir erros, o contribuinte não pode simplesmente transmitir uma GFIP somente com a correção desejada, e sim transmitir todas as informações pertinentes à empresa. Fl. 379DF CARF MF Impresso em 03/06/2013 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 12269.004222/200986 Acórdão n.º 2803002.364 S2TE03 Fl. 9 8 Uma vez retransmitida a GFIP de determinada competência, apenas a informações que dela constam são válidas perante o fisco federal, sendo irrelevantes as informações que constavam das GFIP´s anteriores. A empresa sequer demonstrou a efetivação da hipótese descrita – transmissão de mais de uma GFIP – sendo que tal fato não afastaria o lançamento uma vez que, como explanado, apenas a última GFIP é válida. Ressaltese que, caso efetivamente tivesse ocorrido a indevida transmissão de GFIP com parcial declaração de fatos geradores, e os recolhimentos tivessem ocorridos de forma regular, não haveria as diferenças levantadas, a demonstrar mais uma vez que tal fato não macula o lançamento efetivado. Levantamentos Cl e Z3 Tratase de contribuição devida pelos segurados contribuintes individuais prestadores de serviços, incidente sobre as remunerações registradas na Contabilidade da empresa, conforme relatório fiscal. A empresa alega que se trata de “...verdadeiros biscateiros, que prestam pequenos e irrelevantes serviços” ...” tais pessoas, não tendo inscrição qualquer não se lhes pode recolher qualquer parcela...” Improcedentes as alegações. Uma vez prestado o serviço pelo contribuinte individual, emerge a obrigação do respectivo desconto e recolhimento, conforme arts. 22 da lei 8212 c/c art. 4º da lei 10.666/03, independentemente da qualificação do prestador ou do porte do serviço prestado. Levantamentos CFP e Z2 O relatório fiscal traz: CFP e Z2 Contribuição devida pelos segurados empregados, incidente sobre valores pagos a títulos diversos: locação de motocicleta, ajuda de custo, despesas de combustível, prêmios, despesas de condução pagas em dinheiro, pagamentos extraordinários por dia trabalhado, conforme Planilha 2. Considerando que tais valores não constavam na folha de pagamento da empresa, foram solicitados à notificada documentos comprobatórios de tais pagamentos. Da análise dos documentos que foram apresentados verificouse a natureza remuneratória desses valores, os quais não foram declarados na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP. O contribuinte alega que locação, ajuda de custo e condução são verbas indenizatórias em razão das despesas incorridas pelos segurados. No caso específico dos levantamentos retro, tenho que não restou configurada a hipótese de salário de contribuição em algumas das rubricas acima. Fl. 380DF CARF MF Impresso em 03/06/2013 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 12269.004222/200986 Acórdão n.º 2803002.364 S2TE03 Fl. 10 9 Certamente que as verbas citadas locação de motocicleta, ajuda de custo, despesas de combustível, despesas de condução pagas em dinheiro – podem ser consideradas como salário de contribuição, mas se faz necessário o devido enquadramento como tal, pois tais ajudas e despesas, caso pagas de acordo com a lei, não configuram base de cálculo. Assim sendo, deveria haver a necessária justificativa para enquadrálas como tal, o que não foi feito. A lei 8.212/91, art. 28, informa: § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) ... f) a parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria; g) a ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). ... s) o ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade, quando devidamente comprovadas as despesas realizadas; (Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) O mesmo não acontece com as despesas extraordinárias por dia trabalhado e pagamento de prêmios, hipóteses de incidência de contribuição previdenciária. Ante o exposto, as rubricas referentes a despesas de locação de motocicleta, ajuda de custo, despesas de combustível e despesas de condução pagas em dinheiro devem ser excluídas dos levantamentos CFP e Z2. Levantamentos PRO e Z5 DO PROLABORE Foram apuradas parcelas referentes à prolabore que constavam nas contas: 3310203 Água e energia elétrica, 3310214 Despesas diversas, 3310216 Despesas com veículos, 3310221 Seguros diversos, 3310224 Despesas com condução, 3310230 conta 3310101 Pro labore dos sócios, e um pagamento efetuado a Pedro Flach lançado na conta 3310102. Foram também considerados prolabore os valores recebidos pelos sócios no ano de 2007 a título de "Adiantamento da Distribuição de Lucros", haja vista a empresa ter contabilizado prejuízo no exercício. O contribuinte informa apenas que não há que se falar em prolabore no caso adiantamento de lucros, pois a empresa é tributada pelo lucro presumido a base de 32% do faturamento da empresa, assim sendo, este valor pode ser distribuído aos sócios. Fl. 381DF CARF MF Impresso em 03/06/2013 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 12269.004222/200986 Acórdão n.º 2803002.364 S2TE03 Fl. 11 10 Sem razão a recorrente. O adiantamento de lucros e dividendos pressupõe a ocorrência efetiva destes. No exercício onde não houve lucros, os mesmos não podem ser distribuídos. Tendo havido prejuízo no ano de 2007, correto o entendimento da fiscalização em considerar tais verbas como prolabore. Finalmente não há que se falar em duplicidade de cobrança pelo fato de diversos autos trazerem a mesma competência. As rubricas apuradas são distintas, sendo o presente auto de infração exclusivo de contribuições devidas pelo segurado, não se confundindo com outras rubricas. Sobre o pedido de relevação da multa, este deve ser indeferido em razão da ausência de previsão legal para tanto. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, doulhe parcial provimento para excluir as rubricas referentes a despesas de locação de motocicleta, ajuda de custo, despesas de combustível e despesas de condução pagas em dinheiro dos levantamentos CFP e Z2. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Fl. 382DF CARF MF Impresso em 03/06/2013 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR
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Numero do processo: 10530.900500/2014-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 26 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Mon Nov 13 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 30/09/2009
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO, CONTRADIÇÃO E ERRO MATERIAL. ACOLHIMENTO.
Existindo omissão, contradição ou erro material no acórdão embargado, impõe-se o seu acolhimento para sanar os vícios contidos na decisão.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Data do fato gerador: 30/09/2009
COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS TRIBUTÁRIOS. SUPERAÇÃO DE ÓBICES QUE LEVARAM AO INDEFERIMENTO DO PLEITO. PROVIMENTO PARCIAL DO RECURSO. REINÍCIO DO PROCESSO. DESPACHO DECISÓRIO COMPLEMENTAR.
Superados os óbices de ausência de retificação da DCTF e da alocação dos pagamentos referentes ao indébito pleiteado, o recurso deve ser parcialmente provido para que a unidade de origem analise o conteúdo do crédito pleiteado, à luz dos documentos colacionados aos autos, e profira despacho decisório complementar, sem óbice à possibilidade de intimar a contribuinte, se for o caso, a apresentar provas adicionais.
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ERRO FORMAL. DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. PREVALÊNCIA. ADEQUAÇÃO NO ÂMBITO DO PROCESSO. POSSIBILIDADE.
Embora a DCTF seja o documento válido para constituir o crédito tributário, se houver indícios de que as informações nela constantes estão equivocadas, pois prestadas erroneamente, deve-se prestigiar os princípios da verdade material e da moralidade administrativa, afastando quaisquer atos da autoridade fiscal que estejam amparados em tais elementos incorretos, uma vez que o mero erro formal nas informações prestadas pelo contribuinte em declarações obrigatórias não deve prevalecer, caso seja comprovada a verdade dos fatos.
Numero da decisão: 3302-013.960
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, com efeitos infringentes, a fim de que seja sanada a omissão apontada, com a consequente reforma do acórdão embargado para dar parcial provimento ao recurso voluntário, a fim de que a unidade de origem analise o conteúdo do crédito pleiteado à luz dos documentos colacionados aos autos e profira despacho decisório complementar, sem óbice à possibilidade de intimar a contribuinte, se for o caso, a apresentar provas adicionais.
(documento assinado digitalmente)
Flávio José Passos Coelho - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Aniello Miranda Aufiero Júnior, Celso José Ferreira de Oliveira, Denise Madalena Green, José Renato Pereira de Deus, Mariel Orsi Gameiro e Flávio José Passos Coelho (presidente).
Nome do relator: FLAVIO JOSE PASSOS COELHO
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OMISSÃO, CONTRADIÇÃO E ERRO MATERIAL. ACOLHIMENTO. Existindo omissão, contradição ou erro material no acórdão embargado, impõe- se o seu acolhimento para sanar os vícios contidos na decisão. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/09/2009 COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS TRIBUTÁRIOS. SUPERAÇÃO DE ÓBICES QUE LEVARAM AO INDEFERIMENTO DO PLEITO. PROVIMENTO PARCIAL DO RECURSO. REINÍCIO DO PROCESSO. DESPACHO DECISÓRIO COMPLEMENTAR. Superados os óbices de ausência de retificação da DCTF e da alocação dos pagamentos referentes ao indébito pleiteado, o recurso deve ser parcialmente provido para que a unidade de origem analise o conteúdo do crédito pleiteado, à luz dos documentos colacionados aos autos, e profira despacho decisório complementar, sem óbice à possibilidade de intimar a contribuinte, se for o caso, a apresentar provas adicionais. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ERRO FORMAL. DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. PREVALÊNCIA. ADEQUAÇÃO NO ÂMBITO DO PROCESSO. POSSIBILIDADE. Embora a DCTF seja o documento válido para constituir o crédito tributário, se houver indícios de que as informações nela constantes estão equivocadas, pois prestadas erroneamente, deve-se prestigiar os princípios da verdade material e da moralidade administrativa, afastando quaisquer atos da autoridade fiscal que estejam amparados em tais elementos incorretos, uma vez que o mero erro formal nas informações prestadas pelo contribuinte em declarações obrigatórias não deve prevalecer, caso seja comprovada a verdade dos fatos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 90 05 00 /2 01 4- 12 Fl. 1317DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 3302-013.960 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10530.900500/2014-12 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, com efeitos infringentes, a fim de que seja sanada a omissão apontada, com a consequente reforma do acórdão embargado para dar parcial provimento ao recurso voluntário, a fim de que a unidade de origem analise o conteúdo do crédito pleiteado à luz dos documentos colacionados aos autos e profira despacho decisório complementar, sem óbice à possibilidade de intimar a contribuinte, se for o caso, a apresentar provas adicionais. (documento assinado digitalmente) Flávio José Passos Coelho - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Aniello Miranda Aufiero Júnior, Celso José Ferreira de Oliveira, Denise Madalena Green, José Renato Pereira de Deus, Mariel Orsi Gameiro e Flávio José Passos Coelho (presidente). Relatório Trata-se de embargos de declaração interpostos pela contribuinte em 24/02/2022 contra o acórdão nº 3302-011.621, proferido em 25/08/2021, no qual, por unanimidade de votos, a 2ª Turma Ordinária da 3º Câmara da 3º Seção de Julgamento do CARF rejeitou a preliminar arguida e negou provimento ao recurso voluntário nos seguintes termos: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida. No mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. A ementa do referido acórdão sintetiza desta forma os entendimentos aprovados pelo Colegiado na ocasião do julgamento: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/09/2009 PROVAS. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO De acordo com a legislação, a manifestação de inconformidade mencionará, dentre outros, os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. A mera alegação sem a devida produção de provas não é suficiente para conferir o direito creditório ao sujeito passivo e a consequente homologação das compensações declaradas. A produção de provas é facultada das partes, mas constitui-se em verdadeiro ônus processual, porquanto, embora o ato seja instituído em seu favor, não o sendo praticado no tempo certo, surgem consequências gravosas, dentre elas a perda do direito de o fazê-lo posteriormente, pois nesta hipótese, opera-se o fenômeno denominado de preclusão temporal. De modo resumido, a embargante alegou que o acórdão padeceria dos seguintes vícios: Fl. 1318DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 3302-013.960 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10530.900500/2014-12 1. Omissão acerca do fundamento relacionado à teoria dos motivos determinantes, pois não foi apreciado o argumento de que originalmente (Despacho Decisório emitido eletronicamente) a negativa do direito ao crédito decorreu da ausência de retificação da DCTF, com a retificação apenas do DACON, e posteriormente (Acórdão DRJ) o argumento do decisum está fundamentado na falta de comprovação do crédito propriamente dito. 2. Omissão sobre apreciação dos documentos juntados no Recurso Voluntário e em petição apartada. Em juízo registrado no despacho de admissibilidade, no entanto, os embargos foram admitidos somente em relação ao item 1 acima, para sanar a omissão quanto à alegação de inovação nas razões de decidir da DRJ. Encaminhe-se para inclusão em pauta de julgamento por este presidente. Esse é o relatório. Voto Conselheiro Flávio José Passos Coelho, Relator. Os embargos são tempestivos e preenchem os demais requisitos normativos, razão pela qual deles conheço. No presente ato, conforme o que foi destacado no despacho de admissibilidade, a análise sobre as contestações deveria restringir-se à alegada omissão acerca do fundamento relacionado à teoria dos motivos determinantes, pois não foi apreciado o argumento de que originalmente (Despacho Decisório emitido eletronicamente) a negativa do direito ao crédito decorreu da ausência de retificação da DCTF, com a retificação apenas do DACON, e posteriormente (Acórdão DRJ) o argumento do decisum está fundamentado na falta de comprovação do crédito propriamente dito. De acordo com o juízo de prelibação, O recurso voluntário pugnou no capítulo “IV – DA PROVA DA COMPOSIÇÃO DO CRÉDITO UTILIZADO NA COMPENSAÇÃO” que a decisão da DRJ inovara nas razões de decidir quanto à falta de prova do direito creditório. Quanto a este aspecto, de fato, a decisão não apreciou o argumento da embargante, mas efetuou a apreciação do recurso voluntário quanto ao ônus probatório e o momento processual adequado para a dilação probatória. A embargante tem razão. A questão inicia-se com o pedido de restituição e compensação (PER/DCOMP) formulado pela embargante, decorrente de pagamento a maior de contribuição para o PIS/PASEP. A DCOMP gerada pelo programa foi transmitida com o objetivo de compensar os Fl. 1319DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 3302-013.960 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10530.900500/2014-12 débitos discriminados com crédito de PIS/PASEP, código de receita 6912, decorrente de recolhimento com DARF efetuado em 23/10/2009, no valor de R$475.801,26. No despacho decisório emitido pela DRF Feira de Santana/BA consta o seguinte: A partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da aparente inexistência de crédito, a compensação declarada não foi homologada. Como enquadramento legal, foram citados os arts. 165 e 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional), e o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996. A fundamentação para o não reconhecimento do crédito no montante postulado consiste no fato de o valor correspondente ao DARF indicado ter sido utilizado para quitação de débito do contribuinte. No processamento eletrônico, tal constatação foi feita com base nos dados contidos no DARF e confrontados com as informações prestadas pelo contribuinte em DCTF. Desde a instalação da controvérsia, com a manifestação de conformidade, a contribuinte reconhece que incorreu em erro formal ao manter a indicação na sua DCTF do valor originalmente devido, realizando as compensações por meio de PER/DCOMP com base em sua DACON retificadora, bem como nos pagamentos efetivamente realizados por meio de DARFs. De acordo com a suposição enunciada pela requerente naquela manifestação inicial, o que poderia ter gerado a errônea impressão da inexistência de crédito em seu favor teria sido um mero erro formal existente na DCTF transmitida, aliada à desconsideração, por parte do julgador, dos documentos que comprovariam o crédito, como o DACON e o DARF. Afirma que, no período de abril de 2009 foi apurado um débito, demonstrado no DACON retificador, que teria sido quitado por meio do DARF indicado neste processo. Ou seja, segundo a reclamante, houve um pagamento a maior, não restando quaisquer dúvidas acerca da (i) existência e (ii) da origem do crédito pleiteado. Em suma, a compensação não teria sido homologada em razão da ausência de retificação da DCTF. Nesse contexto, a manifestação de inconformidade trouxe as alegações a seguir sintetizadas: (a) Sendo constatado erro na apuração e existência de créditos de PIS não considerados no período, decorrentes da aquisição de produtos e serviços creditáveis no PIS/Cofins não cumulativos, foi apresentada DACON retificadora. (b) O indébito decorrente da retificação, haja vista o pagamento a maior, por si só já justificaria o pedido de compensação. (c) A simples ausência de retificação da DCTF é um mero erro formal, e não é um impeditivo à análise do teor do direito creditório pleiteado. Fl. 1320DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 3302-013.960 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10530.900500/2014-12 O acórdão proferido pela DRJ/BHE, no entanto, rejeitou a manifestação de inconformidade com base nos seguintes fundamentos: (a) Levando-se em conta que o crédito oferecido à compensação deve ser líquido e certo (art. 170 do CTN), conclui-se que deve a RFB não homologar a compensação se ficar configurada a falta de certeza e liquidez, notadamente quando evidenciada divergência entre os valores informados em DCTF e Dacon. (b) A retificação de DACON, sem que se aponte objetivamente o erro ocorrido no levantamento do tributo apurado originalmente, fazendo-se acompanhar dos documentos comprobatórios pertinentes, não é capaz de evidenciar a existência de pagamento indevido ou a maior no período considerado. Também o DARF, por si só, não constitui prova de pagamento indevido ou a maior; antes atesta tão somente o pagamento de débito originalmente declarado. (c) Ainda que tivesse sido transmitida a DCTF retificadora, a mera retificação, operada após a ciência do despacho decisório e sem suporte em nenhum outro elemento de prova, não se prestaria para comprovação do pagamento indevido ou a maior. (d) A contribuinte não apresentou prova da ocorrência de erro na apuração original do tributo ou na fundamentação do despacho decisório, de forma a evidenciar a existência do crédito pretendido. Percebe-se nesse ponto uma aparente alteração do fundamento para manter a rejeição ao pedido de compensação da embargante: à ausência de retificação da DCTF, que leva à conclusão existente no despacho decisório, acrescentou-se como justificativa a ausência de comprovação do direito creditório e do erro na apuração original. Já em seu recurso voluntário, a embargante arrimou sua defesa nos seguintes argumentos: (a) Primeiramente, reiterou os argumentos trazidos na manifestação de inconformidade. (b) Suscitou a prevalência da verdade material sobre os erros formais, como a ausência de retificação da DCTF. (c) Alegou a impossibilidade da inovação por parte da DRJ/BHE, que teria, no seu entender, agregado fundamento novo à rejeição do pedido de compensação. (d) Socorrendo-se da previsão contida no art. 16, §4º, alínea “c”, do Decreto nº 70.235/72, 1 informou o fundamento jurídico do crédito pleiteado e juntou a 1 Art. 16. A impugnação mencionará: [...] Fl. 1321DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 3302-013.960 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10530.900500/2014-12 documentação necessária à comprovação do crédito de PIS utilizado na retificação do DACON, com vistas a atestar o indébito apurado e utilizado na DCOMP em discussão. O Acórdão proferido por esta colenda Turma, no entanto, negou provimento ao recurso voluntário considerando, essencialmente, que “a mera alegação sem a devida produção de provas não é suficiente para conferir o direito creditório ao sujeito passivo e a consequente homologação das compensações declaradas”. Além disso, notando que a prova é ônus do contribuinte e não sendo praticada no início do processo, geraria “a perda do direito de o fazê-lo posteriormente, pois nesta hipótese, opera-se fenômeno denominado preclusão temporal”. Em síntese, limitou-se a afirmar a ausência de provas a respeito do erro em que se apoia o pedido de compensação, bem como a preclusão quanto à juntada das provas em sede de recurso voluntário. Desse modo, deixou-se de enfrentar os demais pontos, inclusive aqueles que foram inicialmente direcionados aos fundamentos do despacho decisório para a negativa da homologação pleiteada. Casos semelhantes vêm sendo julgados neste Conselho e na Câmara Superior nos últimos anos, inclusive tratando de recursos apresentados pela embargante. 2 A respeito da exigência de retificação da DCTF como pré-requisito para verificar a existência do direito creditório, a jurisprudência administrativa tem levado em conta o entendimento manifestado no Parecer Normativo Cosit nº 8, de 2014, para decidir que a apresentação de DCTF retificadora antes da transmissão do pedido de compensação não é condição indispensável para a apreciação da existência do direito creditório, que surge pelo pagamento indevido ou a maior de tributo. Dentre os vários julgados que abordam esse tema, 3 cito aqui o acórdão nº 3302- 009.999, de autoria da Nobre Conselheira Denise Madalena Green, assim ementado: COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO PELA DRJ. A apresentação de DCTF retificadora antes da transmissão do pedido de restituição/compensação de tributo não é condição para a apreciação da existência do direito creditório, que surge pelo pagamento indevido ou a maior. A recusa em analisar as razões e as provas carreadas ao processo configura cerceamento do direito de defesa. Já no que se refere ao fundamento acrescentado à decisão de piso, qual seja, o de que a contribuinte não apresentou prova da ocorrência de erro na apuração original do tributo ou na fundamentação do despacho decisório, de forma a evidenciar a existência do III - os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: [...] c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. ............ 2 E.g. Acórdão nº 1301-003.881 (14/05/2019). 3 E.g. Acórdão nº 9101-005.421 (07/04/2021); Acórdão nº 1201-005.965 (19/07/2023); Acórdão nº 3402-008.838 (29/07/2021); e Acórdão nº 9303-008.110 (20/02/2019). Fl. 1322DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 3302-013.960 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10530.900500/2014-12 crédito pretendido, haveria a possibilidade de considerar que tal argumento apenas complementaria o embasamento da decisão de primeira instância. 4 Seja como for, tanto nas diferentes Turmas deste Conselho quanto na Câmara Superior, tem prevalecido em casos análogos a convicção de que é preferível reconhecer parcialmente a pretensão da recorrente, de modo a não lhe suprimir instâncias de julgamento, além de abrir a oportunidade para que os documentos apresentados sejam analisados adequadamente, a fim de se averiguar a ocorrência do erro alegado e, consequentemente, aferir o direito de crédito do sujeito passivo. Nesse sentido, é corrente neste Órgão Julgador o entendimento de que, nos casos relacionados à comprovação de créditos originalmente indeferidos por despacho eletrônico, somente após a decisão proferida pela DRJ o sujeito passivo tem uma percepção mais completa das razões do indeferimento, passando então a ter condições de oferecer provas consistentes sobre suas alegações. Sobre esse ponto de vista, veja-se por exemplo o seguinte excerto extraído do voto proferido recentemente pela I. Relatora Thais De Laurentiis Galkowicz, em 19/07/2023, no Acórdão nº 1201-005.965: Como se sabe, é amplamente aceita por este Conselho a apresentação de provas em sede recursal no contexto da comprovação de créditos que, na origem, foram indeferidos por despacho eletrônico, como ocorre no presente caso. Isto porque é somente com a decisão proferida pela DRJ que o particular passa a ter pleno conhecimento das razões do indeferimento, podendo apresentar as provas pertinentes em seu favor. Ou seja, trata- se de situação em que o direito ao contraditório e ampla defesa fica postergado, tornando-se imperioso o aceite de apresentação de provas quando da apresentação de recurso voluntário. Tudo isso no contexto do princípio da verdade material e do formalismo moderado, os quais prevalecem no contencioso administrativo, além da estar no sentido da prescrição contida no art. 29 da Lei n. 9.784/99: “as atividades de instrução destinadas a averiguar e comprovar os dados necessários à tomada de decisão realizam-se de ofício ou mediante impulsão do órgão responsável pelo processo, sem prejuízo do direito dos interessados de propor atuações probatórias.” Lembremos que o acórdão combatido adotou como uma das razões para não reconhecer o direito creditório a falta de apresentação de documentos no momento da manifestação de inconformidade, sob o argumento de preclusão. Entretanto, no caso sob análise, é forçoso observar que o recurso voluntário foi a primeira oportunidade em que a embargante poderia ter produzido as provas em questão, pois a controvérsia original residia na divergência entre a as informações contidas na DCTF e no DACON, posto que o DARF recolhido coincidia com o valor da DCTF não retificada. Em resumo, no caso concreto, verifica-se então que: O fundamento do despacho decisório é pacificamente superado pela jurisprudência do CARF. As razões adicionais do acórdão da DRJ foram contestadas tempestivamente, na primeira oportunidade, com a tentativa de comprovação do crédito por meio de planilhas e notas fiscais. 4 Justificativa semelhante foi adotada, por exemplo, para a rejeição dos embargos no processo nº 10580.903617/2009-03, tendo a questão sido apreciada de maneira mais abrangente pela CSRF, ao julgar o recurso especial que culminou na prolação do Acórdão nº 9101-005.421, com relatoria da Conselheira Edeli Pereira Bessa. Fl. 1323DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 3302-013.960 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10530.900500/2014-12 Os documentos acostados aos autos precisam ser analisados, sob pena de cerceamento do direito de defesa. Entretanto, evidente está que, nesta instância administrativa de julgamento, não convém analisar provas do preenchimento equivocado da DCTF e verificar erros no preenchimento da DCOMP. Por outro lado, a eventual conversão do julgamento em diligência também implicaria supressão de instância, em termos práticos, uma vez que não permitiria ao contribuinte o direito de discutir provas em duas instâncias. Tem-se então que, admitindo a desnecessidade da retificação formal da DCTF para superação da inexatidão material cometida no preenchimento da DCOMP, e atendendo aos princípios da verdade material e da moralidade administrativa, a retomada do exame desde a unidade origem, com a prolação de um despacho decisório complementar, permitiria ao contribuinte que, diante de um eventual indeferimento do pleito em relação ao mérito de seu pedido, em tese, a matéria pudesse ser discutida em duas instâncias, com a apresentação de nova manifestação de inconformidade, e, conforme o caso, novo recurso voluntário. Dessa forma, a unidade de origem poderia verificar o mérito do pedido acerca da existência do crédito, sua liquidez e certeza, bem como a respectiva compensação, nos termos do art. 170, do CTN, retomando-se a partir de então o rito processual de praxe. Ante o exposto, voto por acolher os embargos, com efeitos infringentes, a fim de que seja sanada a omissão apontada, com a consequente reforma do acórdão embargado para dar parcial provimento ao recurso voluntário, a fim de que a unidade de origem analise o conteúdo do crédito pleiteado à luz dos documentos colacionados aos autos e profira despacho decisório complementar, sem óbice à possibilidade de intimar a contribuinte, se for o caso, a apresentar provas adicionais. (documento assinado digitalmente) Flávio José Passos Coelho Fl. 1324DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 13982.000867/2002-71
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 04 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Thu Nov 04 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL
Ano-calendário: 1997
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. CRÉDITO DECORRENTE DE DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. FALTA DE PEDIDO DE COMPENSAÇÃO, MEDIANTE PROCESSO ADMINISTRATIVO PARA APURAÇÃO DO QUANTUM DO DIREITO
CREDITÓRIO E COMPENSAÇÃO COM DÉBITOS DO PRÓPRIO CONTRIBUINTE. INOBSERVÂNCIA DO PROCEDIMENTO. FALTA DE PAGAMENTO DA CSLL. EXIGÊNCIA DA EXAÇÃO FISCAL MEDIANTE AUTO DE INFRAÇÃO.
Os créditos quando decorrentes de sentença judicial transitada em julgado, serão utilizados para compensação com débitos do contribuinte, em procedimento de ofício ou a requerimento do interessado. Para efeito de restituição, ressarcimento ou compensação de crédito decorrente de sentença judicial transitada em julgado, o contribuinte deverá anexar ao Pedido de Compensação uma cópia do inteiro teor do processo judicial a que se referir o crédito e da respectiva decisão judicial, comprovando a desisitência do processo de execução.
Numero da decisão: 1802-000.680
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR
provimento ao recurso. Ausente momentaneamente o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: NELSO KICHEL
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Ano-calendário: 1997 COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. CRÉDITO DECORRENTE DE DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. FALTA DE PEDIDO DE COMPENSAÇÃO, MEDIANTE PROCESSO ADMINISTRATIVO PARA APURAÇÃO DO QUANTUM DO DIREITO CREDITÓRIO E COMPENSAÇÃO COM DÉBITOS DO PRÓPRIO CONTRIBUINTE. INOBSERVÂNCIA DO PROCEDIMENTO. FALTA DE PAGAMENTO DA CSLL. EXIGÊNCIA DA EXAÇÃO FISCAL MEDIANTE AUTO DE INFRAÇÃO. Os créditos quando decorrentes de sentença judicial transitada em julgado, serão utilizados para compensação com débitos do contribuinte, em procedimento de ofício ou a requerimento do interessado. Para efeito de restituição, ressarcimento ou compensação de crédito decorrente de sentença judicial transitada em julgado, o contribuinte deverá anexar ao Pedido de Compensação uma cópia do inteiro teor do processo judicial a que se referir o crédito e da respectiva decisão judicial, comprovando a desisitência do processo de execução.
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CRÉDITO DECORRENTE DE DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. FALTA DE PEDIDO DE COMPENSAÇÃO, MEDIANTE PROCESSO ADMINISTRATIVO PARA APURAÇÃO DO QUANTUM DO DIREITO CREDITÓRIO E COMPENSAÇÃO COM DÉBITOS DO PRÓPRIO CONTRIBUINTE. INOBSERVÂNCIA DO PROCEDIMENTO. FALTA DE PAGAMENTO DA CSLL. EXIGÊNCIA DA EXAÇÃO FISCAL MEDIANTE AUTO DE INFRAÇÃO. Os créditos quando decorrentes de sentença judicial transitada em julgado, serão utilizados para compensação com débitos do contribuinte, em procedimento de ofício ou a requerimento do interessado. Para efeito de restituição, ressarcimento ou compensação de crédito decorrente de sentença judicial transitada em julgado, o contribuinte deverá anexar ao Pedido de Compensação uma cópia do inteiro teor do processo judicial a que se referir o crédito e da respectiva decisão judicial, comprovando a desisitência do processo de execução. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. Ausente momentaneamente o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira. Ester Marques Lins de Sousa - Presidente. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 26/01/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/12/2010 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 28/12/2010 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, 23/12/2010 por NELSO KICHEL 2 Nelso Kichel - Relator. EDITADO EM: 23/12/2010 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente da Turma), João Francisco Bianco (Vice-Presidente), José de Oliveira Ferraz Corrêa, Alfredo Henrique Rebello Brandão, Nelso Kichel e Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira (suplente). Relatório Trata-se de Recurso Voluntário de fls. 359/365 interposto pela contribuinte em face da decisão proferida pela 4ª Turma da DRJ/Florianópolis (fls. 348/350), que julgou o lançamento fiscal procedente em parte, quanto ao crédito tributário da CSLL do ano-calendário 1997 de que trata o Auto de Infração de revisão de DCTF (fls. 16/24). Quantos aos fatos, por resumir a lide com propriedade, transcrevo o relatório constante da decisão recorrida (fl. 348-verso): (...) Por meio do Auto de Infração, às fls. 16 e 17, integrado pelos demonstrativos de fls. 18 a 21, foi exigida da contribuinte acima qualificada a importância de R$ 11.662,92, a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, acrescida de multa de ofício e juros de mora. Em consulta à Decrição dos Fatos e Enquadramento Legal – CSLL/1997, verifica-se que a autuação é resultante de auditoria interna realizada em DCTF (fl. 17), na qual se apurou “falta de recolhimento ou pagamento do principal, declaração inexata”. No anexo III (fl 21), consta que os débitos se referem aos 3º e 4º trimestres de 1997, com vencimentos em 31.10.1997 e 30.01.1998. Inconformada, a autuada apresentou a impugnação de fls. 1 a 13, afirmando haver efetuado regularmente os recolhimentos relativamente ao 3º trimestre de 1997. Quanto aos valores informados como compensados (3º e 4º trimestres de 1997), esclarece que foram utilizados créditos do PIS decorrentes da ação judicial nº 92.6000074-2, por meio da qual obteve o reconhecimento da inconstitucionalidade dos Decretos nºs 2.445/1988 e 2.449/1988. Aduz, ainda, que efetuou depósitos judiciais dos quais parte foi convertida em renda da União e parte foi levantada. Segundo a contribuinte, existe um crédito oriundo do recolhimento a maior, relativo a períodos anteriores à ação judicial. Assim, reconhecida a inconstitucionalidade, tratou de apurar o total do crédito e passou a compensar mensalmente na guia de recolhimento de outros tributos, discriminando expressamente a parcela correspondente à compensação, conforme planilha que anexa. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 26/01/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/12/2010 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 28/12/2010 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, 23/12/2010 por NELSO KICHEL Processo nº 13982.000867/2002-71 Acórdão n.º 1802-00.680 S1-TE02 Fl. 2 3 Argúi que o único motivo determinante da autuação seria o descumprimento de obrigação acessória, por não haver entregue Pedido de Compensação, conforme determinado pela Instrução Normativa nº 21/97, porém defende que esta falta não pode tolher direito líquido e certo do contribuinte, até porque informou em DCTF e em todos os seus documentos fiscais, a compensação efetuada. Em seguida, defende o direito à compensação e a questão relacionada à semestralidade da base de cálculo do PIS. Por fim, às fls. 9 a 12, a contribuinte argúi discorre longamente sobre a taxa SELIC, questionando, em síntese, sua aplicação em vista seu caráter remuneratório e não moratório, represesentando verdadeiro confisco. (...) Em atendimento ao previsto na Nota Técnica Conjunta Corat/Cofis/Cosit nº 32/2002, a autoridade autuante analisou a documentação anexada, revisou o lançamento (fl. 74), e manteve apenas a parcela de R$ 9.628,24, a título de CSLL, acrescida de multa de ofício e de juros de mora (vide planilha de fl. 75). Cientificada do Despacho Decisório SACAT nº 382/2002 (fls. 74 e 75), a contribuinte requereu à fl. 78 a junta das cópias da sentença e inteiro teor do processo judicial, que se encontram anexadas às fls. 79 a 346, fazendo referência ao Pedido de Restituição de fl. 28. Por sua vez, a DRJ/Florianópolis, apreciando, no mérito, a impugnação, decidiu nos mesmos termos do que havia decidido a autoridade revisora de que trata o Despacho Decisório e a planilha de fl. 75, ou seja, manteve a redução do principal da CSLL de R$ 11.662,92 para R$ 9.628,24, bem assim a multa de ofício e respectivos juros de mora. Ciente dessa decisão em 15/08/2007 (fl. 356), a recorrente apresentou Recurso Voluntário em 14/09/2007 de fls. 359/365, cujas razões, em síntese, são as seguintes: 1) - Quanto à origem dos créditos: • que ingressou, em janeiro 1992, com ação judicial sob nº 92.6000074-2, por meio da qual obteve o reconhecimento da inconstitucionalidade dos Decretos-Lei nºs 2.445 e 2.449/88, tendo sido reconhecido seu direito de recolher a Contribuição para o PIS de acordo com os ditames da Lei Complementar nº 07/70; • que houve, por decisão transitada em julgado, um crédito em favor da recorrente, oriundo do recolhimento a maior a título da Contribuição do PIS, quanto ao período anterior à proposição da ação judicial; • que durante o trâmite da ação judicial, a recorrente depositou, em conta vinculada naqueles autos, mensalmente, os valores discutidos, sendo que, ao final do processo, levantou parte dos depósitos, sendo a outra parte convertida em renda em favor da União. Ocorre que os valores recolhidos indevidamente no período que antecedeu o ajuizamento da Fl. 3DF CARF MF Emitido em 26/01/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/12/2010 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 28/12/2010 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, 23/12/2010 por NELSO KICHEL 4 referida ação foram objeto de auto compensação, porém tal compensação de valores foi glosada pela RFB; • que, nos termos das Leis nºs 9.430/96 e nº 8.383/91, resta claro que a recorrente tem direito a proceder à compensação de seus créditos com débitos vencidos ou vincendos; • que o único óbice para tal compensação efetuada, segundo o entendimento do órgão julgador a quo, revela-se por meio da Instrução Normativa nº 21/1997 que determina: “Art. 12 – Os créditos de que tratam os arts. 2º e 3º, inclusive quando decorrentes de setença judicial tansitada em julgado, serão utilizados para compensação com débitos do contribuinte, em procedimento de ofício ou a requerimento do interessado.” • que não concorda com esse posicionamento; que, contrariamente ao narrado na decisão recorrida, a autoridade administrativa foi devidamente cientificada da compensação efetuada, via DCTF; • que, ainda que seja mantida a exigência fiscal, estar-se-á dando mais importância ao procedimento, e negando-se o direito material da parte; que o lançamento não está amparado por lei, mas somente por Instrução Normativa; que à luz da Constituição Federal (art.150, I) é vedada a exigência ou aumento de tributo sem lei que o estabeleça; que todo ato normativo infralegal que inove o ordenamento e não encontre embasamento na lei, é ilegal e não pode produizr efeitos, como no presente caso. 2) – Da impossibilidade de cobrança dos juros de mora com na base taxa SELIC, por ilegal e inconstitucional tal aplicação e exigência. Por fim, com base no exposto, a recorrente pediu que se dê provimento ao recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator Fl. 4DF CARF MF Emitido em 26/01/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/12/2010 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 28/12/2010 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, 23/12/2010 por NELSO KICHEL Processo nº 13982.000867/2002-71 Acórdão n.º 1802-00.680 S1-TE02 Fl. 3 5 O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. A lide versa acerca da exigência de crédito tributário a título da CSLL, via auto de infração, relativo aos 3º e 4º trimestres do ano-calendário 1997, decorrente de auditoria interna das respectivas DCTF. No caso, a contribuinte informou nessas DCTF compensação de débitos da CSLL com créditos de Contribuição para o PIS decorrentes de decisão judicial. Créditos esses decorrentes de Acórdão judicial transitado em julgado que declarou a inconstitucionalidade dos Decretos nºs 2.445/88 e 2.449/88 quanto à imposição de alíquota majorada da Contribuição para o PIS, proferido pelo TRF/4ª Região – em em sede de apelação cível - nos autos do processo judicial – Ação Declaratória de Inexistência Parcial de Obrigação Tributária de 21 de janeiro/1992 - nº 92.6000074-2, cuja ementa do Acórdão TRF/4ª Região, de 03/08/1995, é a seguinte (fl. 222), in verbis: (...) EMENTA TRIBUTÁRIO – DECRETOS-LEIS NºS 2.445 E 2449/88 – LEI COMPLEMENTAR Nº 7/70 E ART. 239 CF – SÚMULA Nº 28 TRF/4ª REGIÃO – BASE DE CÁLCULO – ICM/INCLUSÃO. 1. Apreciação extemporânea pelo Congresso Nacional dos Decretos-leis nºs 2.445 e 2.449/88, apesar da edição dos mesmos ter ocorrido anteriormente a setembro de 1988; 2. Recolhimento da contribuição de acordo com os ditames da LC nº 7/70; 3. Cumulação permitida face a expressa recepção pelo art. 239 da CF; 4. Pacificada nesta Corte, através da Súmula nº 28, a inconstitucionalidade dos Decretos – leis nºs 2.445 e 2.449/88; 5. Pacificado nos Tribunais o entendimento no sentido de que a parcela relativa ao ICM deve ser incluída na base de cálculo do PIS. ACÓRDÃO Vistos e relatados os autos em que são parte as acima indicadas, decide a Segunda Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, por unanimidade, dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e notas taquigráficas constantes dos autos que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. Porto Alegre, 03 de agosto de 1995 (data do julgamento). (...) Fl. 5DF CARF MF Emitido em 26/01/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/12/2010 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 28/12/2010 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, 23/12/2010 por NELSO KICHEL 6 O Acordão transitou em julgado em 25/10/1995, conforme Certidão de fl. 224. Ocorre que a compensação informada, nas DCTF dos 3º e 4º trimestres de 1997, refere-se a créditos – pagamentos a maior - de período anterior ao ajuizamento da ação judicial. Nesse sentido, transcrevo excerto constante das razões do ora recurso da recorrente de fl. 361 que confirma o exposto, in verbis: (...) Durante o trâmite da ação judicial, a recorrente depositou, em conta vinculda aos autos, mensalmente, os valores discutidos, sendo que, ao final do processo, levantou parte do mesmo, sendo a outra parte convertida em renda em favor da União. Ocorre que, os valores recolhidos indevidamente no período que antecedeu o ajuizamento da referida ação, foram objeto de compensação, ora glosados pela Receita Federal do Brasil. (...) No caso, antes de tudo, convém lembrar que a decisão judicial favorável conferiu à contribuinte meramente o direito em sentido amplo, de valor ilíquido, de restituição do que pagará a maior. Para apuração do crédito, do quantum, mister a liquidação da sentença, no caso liquidação do Acórdão via judicial ou administrativamente. O direito de compensação, sem sede de legislação ordinária, está previsto no art. 74 da Lei nº 9.430/96. Por sua vez, a regulamentação infralegal desse dispostivo legal deu-se pela Instrução Normativa SRF nº 21/97 e alterações, vigentes na época em que a ora recorrente informou compensação nas DCTF, cujos dispositivos exigiam, para aproveitamento de créditos de origem judicial, a comprovação de desistência de processo de execução contra a Fazenda Pública e a apresentação de Pedido de Compensação para aproveitamento de créditos de origem judicial, mediante formalização de processo administrativo, para apuração do crédito, in verbis: (...) Art. 2º Poderão ser objeto de pedido de restituição os créditos decorrentes de qualquer tributo ou contribuição, seja qual for a modalidade do seu pagamento, nos seguintes casos: (Redação dada pela IN SRF nº 73/97, de 15/09/1997) I - cobrança ou pagamento espontâneo, indevido ou a maior que o devido; (Redação dada pela IN SRF nº 73/97, de 15/09/1997) II - erro na identificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; (Redação dada pela IN SRF nº 73/97, de 15/09/1997) III - reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. (Redação dada pela IN SRF nº 73/97, de 15/09/1997) Fl. 6DF CARF MF Emitido em 26/01/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/12/2010 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 28/12/2010 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, 23/12/2010 por NELSO KICHEL Processo nº 13982.000867/2002-71 Acórdão n.º 1802-00.680 S1-TE02 Fl. 4 7 (...) Art. 5º Poderão ser utilizados para compensação com débitos de qualquer espécie, relativos a tributos e contribuições administrados pela SRF, os créditos decorrentes das hipóteses mencionadas no art. 2º , nos incisos I e II do art. 3º e no art. 4º. (...) Art. 12. Os créditos de que tratam os arts. 2º e 3º, inclusive quando decorrentes de sentença judicial transitada em julgado, serão utilizados para compensação com débitos do contribuinte, em procedimento de ofício ou a requerimento do interessado. § 1º A compensação será efetuada entre quaisquer tributos ou contribuições sob a administração da SRF, ainda que não sejam da mesma espécie nem tenham a mesma destinação constitucional. § 2º A compensação de ofício será precedida de notificação ao contribuinte para que se manifeste sobre o procedimento, no prazo de quinze dias, contado da data do recebimento, sendo o seu silêncio considerado como aquiescência. § 3º A compensação a requerimento, formalizada no "Pedido de Compensação" de que trata o Anexo III, poderá ser efetuada inclusive com débitos vincendos, desde que não exista débitos vencidos, ainda que objeto de parcelamento, de obrigação do contribuinte. (Redação dada pela IN SRF nº 73/97, de 15/09/1997). § 4º Será admitida, também, a apresentação de pedido de compensação após o ingresso do pedido de restituição ou ressarcimento, desde que o valor ou saldo a utilizar não tenha sido restituído ou ressarcido. § 5º Se o valor a ser ressarcido ou restituído, na hipótese do § 4º, for insuficiente para quitar o total do débito, o contribuinte deverá efetuar o pagamento da diferença no prazo previsto na legislação específica. § 6º Caso haja redução no valor da restituição ou do ressarcimento pleiteado, a parcela do débito a ser quitado, na hipótese do § 4º, excedente ao valor do crédito que houver sido deferido, ficará sujeita à incidência de acréscimos legais. § 7º A utilização de crédito decorrente de sentença judicial, transitada em julgado, para compensação, somente poderá ser efetuada após atendido o disposto no art.17. § 8º A parcela do crédito, passível de restituição ou ressarcimento em espécie, que não for utilizada para a compensação de débitos, será devolvida ao contribuinte mediante emissão de ordem bancária na forma da Instrução Normativa Conjunta SRF/STN nº 117, de 1989. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 26/01/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/12/2010 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 28/12/2010 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, 23/12/2010 por NELSO KICHEL 8 § 9º Os pedidos de compensação de débitos, vencidos ou vincendos, de um estabelecimento da pessoa jurídica com os créditos a que se refere o inciso II do art. 3º, de titularidade de outro, apurados de forma descentralizada, serão apresentados na DRF ou IRF da jurisdição do domicílio fiscal do estabelecimento titular do crédito, que decidirá acerca do pleito. (Incluído pela IN SRF nº 73/97, de 15/09/1997) § 10. Na hipótese do parágrafo anterior, a compensação será pleiteada por meio do formulário ‘Pedido de Compensação’, de que trata o Anexo III. (Incluído pela IN SRF nº 73/97, de 15/09/1997). (...) Art. 17. Para efeito de restituição, ressarcimento ou compensação de crédito decorrente de sentença judicial transitada em julgado, o contribuinte deverá anexar ao pedido de restituição ou de ressarcimento uma cópia do inteiro teor do processo judicial a que se referir o crédito e da respectiva sentença, determinando a restituição, o ressarcimento ou a compensação. (Redação dada pela IN SRF nº 73/97, de 15/09/1997) § 1° No caso de título judicial em fase de execução, a restituição, o ressarcimento ou a compensação somente poderão ser efetuados se o contribuinte comprovar junto à unidade da SRF a desistência, perante o Poder Judiciário, da execução do título judicial e assumir todas as custas do processo, inclusive os honorários advocatícios. (Redação dada pela IN SRF nº 73/97, de 15/09/1997) § 2° Não poderão ser objeto de pedido de restituição, ressarcimento ou compensação os créditos decorrentes de títulos judiciais já executados perante o Poder Judiciário, com ou sem emissão de precatório. (Incluído pela IN SRF nº 73/97, de 15/09/1997). (...) (grifos meus) Compulsando os presentes autos, observa-se que a recorrente efetuou compensação de débitos da CSLL com créditos de origem judicial, ao arrepio da legislação de regência, embora tenha informado tal compensação nas respectivas DCTF dos períodos dos débitos. Para créditos de origem judicial, antes da compensação, na época, era necessário a apuração do seu quantum, mediante Pedido de Compensação, em sede de processo administrativo fiscal, cujo pedido deveria estar instruído com cópia dos autos do processo judicial, da decisão transitada em julgado, e prova de desistência do processo de execução, para que a fiscalização, se necessário, procedesse a verificação da escrituração contábil e fiscal da requerente, no sentido de apurar a receita bruta no período objeto dos pretensos créditos, os valores apurados de ofício da exação fiscal, os recolhimentos efetuados, para, finalmente, chegar ao valor do crédito, ou seja, o quantum a ser restituído ou compensado. No caso, a recorrente procedeu compensação ao seu alvedrio, como já dito, à revelia da legislação de regência. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 26/01/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/12/2010 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 28/12/2010 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, 23/12/2010 por NELSO KICHEL Processo nº 13982.000867/2002-71 Acórdão n.º 1802-00.680 S1-TE02 Fl. 5 9 Não procede a alegação da recorrente de que a Instrução Normativa não poderia obstar o exercício de direito material de compensação, impondo procedimento, e que a inobservância de procedimento pela recorrente, em suma, não teria o condão de inviabilizar seu direito material. Ora, como dito, a decisão judicial conferiu tão-somente o direito, em sentido amplo, de restituição do que fora pago a maior ou indevidamente, quanto ao período anterior ao ajuizamento da demanda judicial. Para apuração do quantum, mister a liquidação desse direito mediante ação judicial própria, ou administrativamente como facultado pela Instrução Normativa. Não pode a requerente, de forma unilateral, apurar e apropriar o crédito, ou seja, aproveitar esse pretenso crédito mediante compensação com débitos. No caso, havia necessidade de abertura de processo administrativo para apuração compensação e apuração do quantum do direito créditório, mediante contraditório e ampla defesa. Não vislumbro nenhuma ilegalidade quanto ao procedimento estatuído pela citada Instrução Normativa que, apenas, trata de procedimento para o pleno exercício do direito de compensação e de liquidação ou apuração do quantum do crédito conferido por decisão judicial transitada em julgado e sua utilização para compensação com débitos tributários da própria recorrente. No caso, a liquidação, a apuração do crédito e compensação foram efetuadas pela recorrente, unilateralmente, sem observância do procedimento estatuído pela IN SRF nº 21/97 e alterações, cujos dispositivos foram tanscritos acima. Ainda, quanto à ilegalidade ou inconstitucionalidade de legislação de regência, não compete aos órgãos de julgamento administrativo deixar de aplicação a legislação vigente. A propósito, a matéria é pacífica, estando sumulada neste CARF, in verbis: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. A recorrente juntou aos presentes autos cópia das peças do processo judicial e do Acórdão transitado em julgado. Juntou, também, a planilha de cálculo do suposto crédito (fls. 60/63). Entretanto, a planilha de cálculo, sem os elementos de suporte, não configura prova alguma, por si só. De modo que as provas constantes dos autos, juntadas pela recorrente, não permitem apurar a certeza do quantum do crédito pleiteado, para utilizar para compensação com débitos, e para extinção do crédito tributário reclamado pelo Fisco, pois necessário a verificação da escrituração contábil e fiscal de todo período que o suposto crédito foi gerado. À luz do art. 333, II, do Código de Processo Civil - CPC, é ônus do sujeito passivo provar a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor, com respectivas provas. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 26/01/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/12/2010 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 28/12/2010 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, 23/12/2010 por NELSO KICHEL 10 A apuração do direito creditório, no caso, como dito, depende de verificação da escrituração contábil e fiscal do período objeto do pretenso crédito, como receita bruta escriturada no período, receita bruta declarada, valores apurados na escrituração contábil, valores declarados, e pagamentos ou recolhimentos efetuados e respectivos documentos de suporte dos fatos contábeis escriturados. Em face do art. 333, II, do CPC incabível diligência fiscal para fazer prova para contribuinte, pois tal ônus probatório é da recorrente. Diligência fiscal, destarte, não se presta para fazer prova a favor de contribuinte, pois o ônus probatório é da recorrente. Ademais, o objeto dos autos é a exigência de CSLL e seus consectáiros legais. De modo que o direito créditório suscitado e a compensação de débitos não são objetos dos presentes autos; são estranhos aos presentes autos. Portanto, inobservado o procedimento para compensação de débitos com direito creditório decorrente de decisão judicial transitada em julgado, incabível, unilateralmente, a apuração do quantum do crédito e compensação com débitos pela recorrente. Justificada, por conseguinte, a exigência fiscal objeto dos autos. Em relação aos juros de mora – taxa SELIC, sem delongas, sua aplicação na cobrança de débitos tributários é pacífica neste Egrégio Conselho, inclusive, a matéria encontra-se sumulada, in verbis: Súmula CARF nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Súmula CARF nº 5 São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Diante do exposto, voto para NEGAR provimento do recurso. Nelso Kichel Fl. 10DF CARF MF Emitido em 26/01/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/12/2010 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 28/12/2010 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, 23/12/2010 por NELSO KICHEL Processo nº 13982.000867/2002-71 Acórdão n.º 1802-00.680 S1-TE02 Fl. 6 11 Fl. 11DF CARF MF Emitido em 26/01/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/12/2010 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 28/12/2010 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, 23/12/2010 por NELSO KICHEL
score : 1.0
Numero do processo: 13016.000626/2008-54
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
FORNECIMENTO DE ALIMENTAÇÃO IN NATURA SEM ADESÃO AO
PAT NÃO
INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO
O valor referente ao fornecimento de alimentação in natura aos empregados,
sem a adesão ao programa de alimentação aprovado pelo Ministério do
Trabalho PAT,
não integra o salário de contribuição por possuir natureza
indenizatória, conforme parecer PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011 aprovado pelo
Exmo Sr Ministro da Fazenda.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2803-002.426
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: OSÉAS COIMBRA
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CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. CONFISSÃO DE DÍVIDA. GFIP. 1. Pelo que se pode observar das alegações do sujeito passivo, não paira qualquer dúvida de que o lançamento se deu na mais perfeita conformidade com a legislação em vigor, em especial o art. 142 do CTN c/c o art. 10 do Decreto nº 70.235/72. 2. Além da confissão da dívida em GFIP, o contribuinte embasa seu inconformismo dizendo que passou por problemas diversos e, por esse motivo, conta com a compreensão do julgador no que diz respeito a inegável impossibilidade de cumprir suas obrigações. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 01 6. 00 06 26 /2 00 8- 54 Fl. 119DF CARF MF Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.1019.14134.2Y6I. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13016.000626/200854 Acórdão n.º 2803002.426 S2TE03 Fl. 3 2 (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 120DF CARF MF Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.1019.14134.2Y6I. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13016.000626/200854 Acórdão n.º 2803002.426 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) lavrado em desfavor do contribuinte acima identificado, relativamente a contribuições previdenciárias da parte dos segurados empregados e contribuintes individuais, arrecadadas pela empresa, com informação em GFIP e não recolhidas aos cofres públicos. O Contribuinte devidamente notificado apresentou defesa tempestiva. A impugnação foi julgada em 15 de agosto de 2008 e ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2003 a 31/07/2006 Auto de Infração nº 37.159.7528 1. EFEITO SUSPENSIVO. A impugnação tempestiva suspende a exigibilidade do crédito tributário. 2. MULTA. A multa de mora aplicada às contribuições não recolhidas no prazo legal possui caráter irrelevável. 3. FATO GERADOR. OCORRÊNCIA. É de nenhum efeito para fins de aplicação da norma de incidência tributária, os motivos que levaram o contribuinte a deixar de satisfazer a obrigação principal. 4. GFIP. As informações prestadas pela empresa em GFIP constituem termo de confissão de dívida, sendo documento comprobatório da ocorrência dos fatos geradores. Lançamento Procedente Inconformado com resultado do julgamento da primeira instância administrativa, o Contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega, em síntese, o seguinte: É muito simples para o julgador decidir em desfavor do contribuinte, que, imbuído da mais pura boafé, demonstra a dificuldade em que se encontra. Contrariamente ao que é alegado para fundamentar a decisão da instância inferior, mesmo que se tenha por confissão o fato de existirem as GFIPS, é possível sim levar em conta as razões da inadimplência eventual, mesmo porque se assim não fosse, não estaríamos diante de uma situação em que o lançamento depende de homologação da Autoridade Tributária, seja de forma expressa, ou seja, de forma tácita, mediante o decurso do prazo. Fl. 121DF CARF MF Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.1019.14134.2Y6I. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13016.000626/200854 Acórdão n.º 2803002.426 S2TE03 Fl. 5 4 A confecção da folha de pagamento e demais documentos, não há de ser nenhuma heresia dizerse que se trata de aspecto formal, meramente. O aspecto material, a falta de numerário é algo concreto, não se trata de nenhuma abstração, a justificar sim a compreensão pelo julgador da inegável impossibilidade do cumprimento da obrigação, seja ela principal ou acessória. Pela ausência alegada de prova, acabouse por validar a ação do fisco. Injustamente, porque a Agente falível que é, ao darse a um equívoco na avaliação dos documentos que viu, acabou por lançar sobre a Recorrente um passivo que na verdade não possui. Diante de todo o exposto, requer: 1) seja o presente recurso voluntário recebido, e processado, na forma da lei; 2) seja a final, no mérito, reformada a decisão da instância inferior e declarada a anulação do Auto de Lançamento; 3) seja, em face do presente recurso, determinada a manutenção da suspensão da exigibilidade do eventual crédito tributário decorrente do Auto de Lançamento a ser anulado. Não apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 122DF CARF MF Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.1019.14134.2Y6I. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13016.000626/200854 Acórdão n.º 2803002.426 S2TE03 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. O contribuinte inicia sua defesa alegando que à época do lançamento encontravase em dificuldades em razão de vários fatores. Além disso, afirma que sempre esteve imbuído da mais pura boafé. Na sequencia da sua argumentação, o contribuinte concorda que a GFIP, ao fim e ao cabo, é um instrumento de confissão de dívida. Diz ainda que não pagou o devido por falta de numerário, e que sob o aspecto material da questão controvertida, não pode haver nenhuma abstração a justificar o lançamento, e sim, a compreensão do julgador, da inegável impossibilidade do cumprimento da obrigação, seja ela principal ou acessória. Pelo que se pode observar das alegações do sujeito passivo, não paira qualquer dúvida de que o lançamento se deu na mais perfeita conformidade com a legislação em vigor, em especial o art. 142 do CTN c/c o art. 10 do Decreto nº 70.235/72. Com efeito, além da confissão da dívida em GFIP, o contribuinte embasa seu inconformismo dizendo que passou por problemas diversos e, por esse motivo, conta com a compreensão do julgador no que diz respeito a inegável impossibilidade de cumprir suas obrigações. Vêse, pois, que na constituição do crédito tributário, a Autoridade Administrativa incumbida do lançamento pautou seu trabalho em estrita observância da legislação que rege a matéria. Por seu turno, o julgador de primeira instância também cumpriu seu mister integralmente, situação que não permite alterar o julgamento. Destarte, mantenho o lançamento e a decisão recorrida pelos seus próprios fundamentos e nego provimento ao recurso aviado pelo contribuinte. CONCLUSÃO. Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, NEGAR LHE PROVIMENTO. É como voto. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator. Fl. 123DF CARF MF Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.1019.14134.2Y6I. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13016.000626/200854 Acórdão n.º 2803002.426 S2TE03 Fl. 7 6 Fl. 124DF CARF MF Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.1019.14134.2Y6I. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR em 12/07/2013 11:40:50. Documento autenticado digitalmente por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR em 12/07/2013. Documento assinado digitalmente por: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA em 14/07/2013 e AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR em 12/07/2013. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 18/10/2019. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP18.1019.14134.2Y6I Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 89C124935DA6CCD5BD0F076C705914D1A07573A5 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 13016.000626/2008-54. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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