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Numero do processo: 11128.006566/00-81
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2008
Numero da decisão: 301-01.921
Decisão: RESOLVEM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à Repartição de Origem, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: JOSE LUIZ NOVO ROSSARI
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DRJ/FORTALEZA/CE Processo n° Recurso n° Assunto Resolução Data Recorrente Recorrida RESOLUÇÃO M. 301-1.921 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à Repartição de Origem, nos termos do voto do relator. ep A OTACiLIO DA AS CARTAXO Presidente JOSÉ L NOVO ROSSARI e ator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Luiz Roberto Domingo, Rodrigo Cardozo Miranda, João Luiz Fregonazzi, Susy Gomes Hoffmann, Patricia Wanderkoke Gonçalves (Suplente). Ausente a Conselheira Irene Souza da Trindade Torres. Processo n.° 11128.006566/00-81 Resolução n.° 301-1.921 CCO 3/C0 1 Fls. 147 RELATÓRIO Em exame o recurso interposto contra a decisão proferida pela 2' Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza/CE, que indeferiu a solicitação da interessada de restituição da quantia de R$ 15.067,42, alegadamente recolhida a maior a titulo de Imposto de Importação no despacho aduaneiro de mercadorias feito pela DI ri ° 00/00063042-4, registrada em 24/1/2000, por se tratar de mercadoria que teria direito à redução de aliquota de 20% prevista no Acordo de Preferência Tarifária Regional Brasil-México (PTR- 4), posto em execução pelo Decreto n 0 90.782/84. Considerando a forma minuciosa com que foi elaborado, adoto o relatório componente do Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento, que transcrevo, verbis: "RELATÓRIO Trata o presente processo de pedido de reconhecimento de direito creditório relativo ao Imposto de Importação, conforme requerimento de fls. 01-07. 2. Argumenta o requerente que: 2.1 promoveu importação de mercadorias por meio da Declaração de Importação (DI) n" 00/0063042-4, as quais foram produzidas no México e enviadas aos Estados Unidos pat-a embarque com destino ao Brasil, sendo essa operação habitualmente utilizada no comércio internacional; 2.2 por se tratar de mercadorias produzidas no México, pais membro da Associação Latino-Americana de Integração (ALADI), o importador teria direito a redução do Imposto de Importação, independentemente da localização geográfica do exportador; 2.3 no ato do registro da DI no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex), não foi possível o reconhecimento da redução, uma vez que o referido sistema somente admite a aplicação de redução tarifiiria da ALADI nos casos em que o exportador esteja localizado em Pais membro da citada associação, contrariando o sistema jurídico vigente que permite a realização da operação praticada; 2.40 importador ficou compelido a efetuar o recolhimento integral do imposto, já que o Siscomex, por problemas de programação, não aceita a redução tariftiria para produtos procedentes de países não associados ci ALADI, ainda que os bens sejam efetivamente produzidos em poises membros da mencionada associação, fato comprovado mediante a apresentação do certificado de origem; 2.5 o Siscomex, ao informar automaticamente a aliquota, somente considera as informações constantes do campo "Exportador: Nome/País", que no caso, não é membro da ALADI (Estados Unidos), desconsiderando as informações inseridas no campo "Fabricante/Produtor: Nome/Pais", no qual é indicado pais membro da ALADI (México); 2.6 o problema de programação do Siscomex acarretou débito automático em conta corrente do valor relativo ao Imposto de Importação, acarretando o pagamento a 2 Processo n.° 11128.006566/00-81 Resolução n.° 301 - 1.921 CC03/C01 Fls. 148 maior do citado imposto, não podendo o importador questionar a redução antes do desembaraço aduaneiro; 2.7 de acordo corn as normas aplicáveis no âmbito da ALADI, nos casos em que o produto seja produzido em pais membro, deve ser concedida a redução por parte do pais importador (Decretos n" 90.782/1985 e 98.874/1990); 2.8 foi juridicamente reconhecida a possibilidade da operação em comento, por intermédio da Resolução n" 232 do Comitê de Representantes da ALADI, regulamentada no Brasil pelo Decreto n" 2.865/1998, bem como pelo Decreto n" 3.325/1999, que aprovou a Resolução ALADI le 252/1999; 2.9 no âmbito da ALADI admite-se que a mercadoria produzida em determinado pais seja comercializada por um terceiro pais que não seja membro da referida associação, devendo o certificado de origem indicar, no campo "observações", que a mercadoria set-6 faturada por um operador de um terceiro pais, informando nome, denominação ou razão social e domicilio do exportador, que em definitivo fature a operação; 2.10 cumpridos os requisitos acima mencionados, o importador fará jus â redução tarifária, ainda que o exportador não seja signatário da ALADI; 2.11 as mercadorias foram produzidas no México (país membro da ALADI), enviada para os Estados Unidos (pais que não é membro da ALADI) e posteriormente exportadas para o Brasil (pais membro da ALA DI); 2.12 em situação idêntica, por meio do processo n" 13884.002657/98-60, foi retificada a DI n" 98/0821558-0, tendo o auditor fiscal proferido despacho no campo "Informações Complementares" da DL reconhecendo a aplicação do art. 2" da Resolução ALADI 17" 232/1997 e do art. 4", alínea "b", da Resolução ALADI n" 78/87, regulamentada pelo Decreto n" 98.874/1990, admitindo que, por problemas operacionais, o Siscomex não acata a aplicação de redução de aliquota, quando o pais de procedência não é membro da ALADL procedendo a retificacdo da DI e calculando o imposto recolhido a maior (fls. 59-60); 2.13 se não efetivada a restituição administrativamente isso equivalerá a nega cão de vigência de tratado internacional, do qual o Brasil é signatário, bem z como enriquecimento sem causa da União; 2.14 a matéria foi objeto da Decisão n°203, proferida pela Divisão de Tributação da 8" Região Fiscal, segundo a qual, as mercadorias produzidas e negociadas sob Acordo firmado no âmbito da ALADI, porem exportadas mediante intermediação de empresa de terceiro pais, não membro da citada associação, para se beneficiarem das aliquotas preferenciais, devem atender os requisitos previstos na Resolução 17" 78 da ALADI e estar amparadas em Certificado de Origem, conforme Acordo n" 91, modificado pela Resolução n" 232/1997; 2.15 anexa ao requerimento os seguintes documentos «Is. 32-49): Pedido de Cancelamento de Declaração de Importação e Reconhecimento de Direito Creditório; DI, em que consta a informação do pais de origem e do número do conk,: iner da carga; Conhecimento de Transporte, indicando o número do contéiner; fatura comercial informando que a mercadoria foi produzida no México e fazendo alusão ao número do Conhecimento de Transporte; certificado de origem, em z que consta declaração de que os produtos foram produzidos no México, segundo a normas da ALADI, e de que foram faturados por empresa localizada nos Estados Unidos, inclusive, com a indicação do número da fatura conzercial; extrato bancário demonstrando o débito do valor do Imposto de Importação; Processo rt.° 11128.006566/00-81 Resolução n.° 301 -1.921 CC03/C01 Fls. 149 2.16 anexa ainda a seguinte documentação (lis. 50-58): pedido de restituição; declaração de não utilização do crédito tributário em compensação coin outros tributos; declaração de estorno contábil, nos custos das mercadorias, do valor do Imposto de Importação; declaração de que as informações contábeis são expressão da verdade; lançamentos contábeis relativos ao estorno nos custos das mercadorias do valor do imposto; cópia de cheque indicando a instituição bancária em que deve ser creditado o valor a ser restituído; cópia do cartão do CNPJ; 2.17 por fim requer seja retificada a DI para fins de reconhecimento do direito creditó rio relativo ao Imposto de Importação recolhido a maior. 3. No Parecer de fls. 63-64, foi proposto o indeferimento do pleito formulado pelo interessado, com base nos seguintes fundamentos: 3.1 a importação em causa não constituiu uma transação efetuada diretamente entre Brasil e México, lima vez que a empresa exportadora mexicana faturou e exportou a mercadoria para a empresa americana que, por sua vez, a exportou para o Brasil; 3.2 constata-se a inexistência dos pressupostos legais necessários para o gozo do tratamento preferencial estabelecido no Acordo firmado entre os citados países, previstos na Resolução n" 252, incorporada a nossa legislação pelo Decreto n" 3.325/1999, que atualizou as Resoluções n' 78/1987 e 232/1997; 3.3 em diversos casos idênticos foram indeferidos pedidos de restituição, o que foi mantido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo, citando-se a titulo ilustrativo a Decisão DRJ/SPO n° 4.404, de 22/11/2000, contra a qual foi interposto recurso ao Terceiro Conselho de Contribuintes, que o considerou desprovido, conforme Acórdão 301-29.820, de 04/04/2001. 4. Tendo aprovado o citado Parecer, a Inspetora da Alfcindega do Porto de Santos indeferiu o pedido de reconhecimento de direito creditório. Cientificado do despacho decisório em 02/08/2002 (fl. 65), o contribuinte apresentou a manifi?stação de inconformidade de fls. 67-81, na qual reproduz os argumentos expendidos em seu requerimento inicial, aduzindo as seguintes razões: 4.1 após o desembaraço, ingressou corn o pedido de retificação da DI, solicitando o reconhecimento da redução tarifária, o qual foi indeferido, mediante a argumentação da autoridade administrativa de que as mercadorias não se encontravam mais no recinto alfandegado, o que impossibilitaria a verificação e comprovação da origem; 4.2 ingressou tanzbém com o pedido de reconhecimento de direito creditório, que foi indeferido única e exclusivamente em razão do já mencionado indeferimento da retificação da DI; 4.3 o art. 4" da Resolução ALADI le 252, que aprova o texto consolidado e ordenando da Resolução n" 78, do Comitê de Representantes da ALADI, regulamentada pelo Decreto me 3.325/1999, diz o que se deve considerar como expedição direta para efeitos do tratamento tarifário preferencial; 4.4 na operação de que se trata, os produtos foram produzidos no México (pais membro da ALADI), enviados para os Estados Unidos (pais que não é membro da ALA DI), onde permaneceram sob vigilância e controle das autoridades aduaneiras para, posteriormente, serem exportados para o Brasil; 4 Processo n.° 11128.006566/00-81 Resolução n.° 301 - 1.921 CC03,'CO1 Fls. 150 4.5 o despacho de indeferimento da retificação da DI deve ser desconsiderado, pois contraria a Resolução n" 232 do Comitê de Representantes da ALADL bem como as normas que regem o desembaraço aduaneiro; 4.6 torna-se insubsistente o despacho denegatório já que fundado apenas na ausência de retificação da DI, devendo ser integralmente reformado; 4.7 o despacho decisório desconsiderou a documentação apresentada pela requerente bon como a legislação vigente, não havendo por parte da autoridade fiscal qualquer questionamento acerca do certificado de origem ou mesmo de outro documento apresentado, que, parece, sequer foram objeto de análise; 4.8 há precedentes no âmbito do Terceiro Conselho de Contribuintes e na própria Inspetoria da Alfândega do Porto de Santos favoráveis à pretensão da recorrente, reconhecendo a redução tarifária na hipótese de: os produtos terem sido produzidos em Pais membro da ALADI; ocorrer a saída fisica para o Brasil a partir de uni terceiro pais não integrante na ALADI; verificar-se que o trânsito fisico por terceiro pais foi justificado por motivos geográficos e considerações referentes a transporte; os produtos não serem destinados ao comércio, uso ou emprego no pais de trânsito e não sofrerem, durante seu transporte e depósito, qualquer operação diferente da carga e descarga ou manuseio para mantê-los em boas condições ou assegurar sua conservação; 4.9 o Acórdão n" 301-29.820, citado no despacho decisório, foi objeto de recurso especial perante a Câmara Superior de Recursos Fiscais, haja vista a existência de precedentes na Segunda e Terceira Câmaras do Terceiro Conselho de Contribuintes, estando pendente de julgamento; 4.10 dentre os pedidos de reconhecimento de direito creditório, formulados pela recorrente, a Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes deu provimento aos recursos voluntários interpostos enz quatro processos, tratando de matéria idêntica debatida nestes autos, estando pendentes de julgamento dos recursos especiais interpostos pela União; 4.11 o problema operacional existente no Siscomex, caracterizado pelo não reconhecimento da redução tarifiiria, afronta o disposto no art. 15 da Resolução ALADI 11" 252, tendo em z vista que significou, em termos práticos, verdadeiro entrave ao reconhecimento da origem da mercadoria, que se encontrava devidamente atestada por certificado de origem; 4.12 por fim, requer o acolhimento do recurso com reforma integral do despacho decisório que indeferiu o pleito formulado. 5. Por força da Portaria SRF n" 956, de 08/04/2005, a competência para julgamento deste processo foi transferida para a Delegacia da Receita Federal de Julgamento emz Fortaleza — CE." 0 julgamento foi consubstanciado no Acórdão DRJ/FOR n 6.864, de 30/9/2005 (fls. 90/104), que concluiu por unanimidade de votos pelo indeferimento do pedido de restituição. O órgão julgador denegou o beneficio em vista de a mercadoria ter sido comercializada entre o produtor no México (pais membro da ALADI) e urna empresa nos Estados Unidos (pais não membro dessa Associação), que a vendeu para o importador no Brasil, o que impede a aplicação da redução tarifária porquanto não atende ao requisito Processo n.° 11128.006566/00-81 Resolução n.° 301-1.921 CC03/C01 F Is. 151 previsto no art. 4 2, "b", ii, da Resolução n' 252 da ALADI, ou seja, cumprimento do requisito de que a mercadoria não esteja destinada ao comércio, uso ou emprego no pais de trânsito, quando transportada por um ou mais países não participantes. Concluiu o órgão julgador que o produto não procedeu diretamente do Mexico para o Brasil, mas transitou pelos Estados Unidos, e que a operação comercial está condicionada ao atendimento cumulativo dos requisitos previstos nos artigos 4' e 9' da citada Resolução, este último artigo pertinente a mercadoria que tenha sido faturada por operador de um terceiro pais, membro ou não da ALADI. A interessada recorre tempestivamente (fls. 110/142), argüindo o amparo no art. 9' da Resolução ri 9- 252, que admite que a mercadoria produzida em determinado pais seja comercializada por um terceiro pais que não seja membro da ALADI. E que o fato de as mercadorias terem sido expedidas desse terceiro pais para o Brasil não é suficiente para descaracterizar o descumprimento das condições para que a importação possa beneficiar-se da tarifa preferencial. Alega que, em relação ao art. 4 2, "b", os motivos geográficos são evidentes, vez que o traslado da mercadoria de Tijuana (México), que faz divisa com os Estados Unidos, porém na costa oeste desse pais, localizada no Oceano Pacifico, por território dos Estados Unidos, permite que as mercadorias sejam embarcadas para o Brasil e transportadas pelo Oceano Atlântico, que, por óbvio, permite o desembaraço no porto de Santos, que é banhado pelo Oceano Atlântico. Ressalta que o trânsito das mercadorias no referido pais não se deu por motivos atinentes a requerimentos de transporte, assim como as mesmas não se destinaram a nenhuma operação fisica senão a de carga e descarga em território aduaneiro daquele pais. E que não se pode cogitar que as mercadorias tenham transitado pelo território dos Estados Unidos sem que tal trânsito tenha ocorrido sob vigilância da autoridade aduaneira desse pais. Acrescenta a existência de precedente em situação idêntica à presente, que foi objeto de retificação da DI na Alfândega de Santos, e informa da existência de diversos julgados que lhe foram favoráveis em decisões da Camara Superior de Recursos Fiscais, em situações que descreve como idênticas à discutida nos presentes autos. Junta o Acórdão n' CSRF/03-04.119, de 6/7/2004, como exemplo. • Requer seja acolhido inteiramente o recurso voluntário e que seja reconhecido o crédito tributário passível de restituição. o relatório. 6 Processo n.° 11128.006566/00-81 Resolução n.° 301-1.921 CC03,'CO1 Fls. 152 VOTO Conselheiro José Luiz Novo Rossari, Relator A lide diz respeito ao cabimento ou não do direito ao regime de preferência tarifária previsto no Acordo de Preferência Tarifária Regional assinado entre o Brasil e o México (PTR-4), cuja execução no Brasil foi operacionalizada pelo Decreto n 90.782/84. Em essência, discute-se sobre se há impedimento ao enquadramento do beneficio previsto no Acordo da ALADI quando a mercadoria for vendida e remetida pelo México aos Estados Unidos da América, e, depois, exportada desse pais para o Brasil, corn emissão de Certificado de Origem em que esteja informado o faturamento pela empresa dos EEUU. Verifica-se que houve a denegação do pedido de restituição efetuado pela contribuinte, tanto pela Alfândega do Porto de Santos, que alegou ter sido comprovado que a mercadoria encontrava-se nos EEUU quando de sua exportação para o Brasil, quanto pela DRJ de Fortaleza, que observou que nos casos de comercialização por operador de 3' pais a operação está condicionada ao atendimento cumulativo dos requisitos previstos nos artigos 4' e 9' da Resolução n' 252. Devidamente examinados os autos, entendo que os elementos existentes não são satisfatórios a ponto de permitir a suficiente convicção ao julgador para a solução da lide. Diante do exposto, voto por que se converta o julgamento em diligência A unidade da RFB de origem, a fim de que: A) seja solicitada A recorrente: al) cópia da Fatura Comercial n' TA3413 indicada no Certificado de Origem n' 02001, de 6/1/2000; e a2) declaração da Alfândega dos Estados Unidos da América, no sentido de explicar o motivo de a mercadoria em questão ter sido introduzida em seu território. B) após o cumprimento do quesito anterior, seja solicitada a manifestação do Departamento de Negociações Internacionais/Secex, quanto A comercialização de mercadoria por operador de terceiro pais, membro ou não da ALADI (art. 9' da Resolução n' 252 da ALADI — Decreto n' 3.325/99), no tocante aos seguintes quesitos (quando desse pedido, deverão ser encaminhados A. Secex, em anexo, o Certificado de Origem, as Faturas Comerciais do México e dos EEUU, a declaração da Alfândega dos EEUU, se apresentada, e o Conhecimento de Carga) : bl) pode a operação estar ao amparo de preferência tarifária prevista no acordo (PTR-4), no caso de a mercadoria ter sido vendida pelo produtor (Mexico) e entregue a esse 3' pais (Estados Unidos da América), e depois ter sido exportada 7 IZ NOVO ROS SARI - Relator Processo n.° 11128.006566/00-81 Resolução n.° 301-1.921 CC03/C01 Fls. 153 pelos EEUU para o Brasil, oportunidade em que foi emitido o Certificado de Origem com a observação de que a mercadoria foi objeto de faturamento pelos EEUU? (Obs: conforme Certificado de Origem, a fatura comercial do México foi emitida após a fatura comercial dos EEUU) b2) nos casos da espécie, para efeitos de condição ao uso do beneficio, a interveniência de operador de terceiro pais afasta a obrigatoriedade do requisito de expedição direta de que trata o art. 4' da Resolução n' 252? e b3) ainda quanto ao requisito de expedição direta (art. 4 2, "b", ii): a venda da mercadoria (corn emissão de fatura comercial) e sua expedição para terceiro pais, e a posterior comercialização e expedição do 3' pais para o Brasil (com emissão de fatura comercial), não são fatos que excluem a mercadoria da preferência tarifária, tendo em vista que o dispositivo citado veda o beneficio quando se tratar de mercadorias destinadas ao comércio, uso ou emprego no pais de trânsito? Vale dizer, o comercio posterior da mercadoria já em poder do operador-exportador do 3' pais, não se caracteriza como uma expedição não direta pelo pais de origem, tendo em vista que a mercadoria foi enviada para 3' pais e depois foi comercializada com o Brasil? Antes do retorno do processo a este Conselho, a recorrente deverá ser informada do inteiro teor das informações prestadas, a fim de que, querendo, possa manifestar- se a respeito. Sala das Sessões, em 29 de janeiro de 2008 • 8
score : 1.0
Numero do processo: 10805.000643/2009-98
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2006
AJUSTE ANUAL. DEDUÇÕES. INSTRUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA.
REQUISITOS LEGAIS. OBSERVÂNCIA. ÔNUS DA PROVA.
Somente podem ser aceitas deduções pleiteadas em conformidade com a
legislação de regência e que estejam devidamente comprovadas por meio de documentos hábeis e idôneos.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2801-001.792
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES RESENDE
1.0 = *:*
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DEDUÇÕES. INSTRUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA. REQUISITOS LEGAIS. OBSERVÂNCIA. ÔNUS DA PROVA. Somente podem ser aceitas deduções pleiteadas em conformidade com a legislação de regência e que estejam devidamente comprovadas por meio de documentos hábeis e idôneos. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente Assinado digitalmente Amarylles Reinaldi e Henriques Resende Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Eivanice Canário da Silva, Tânia Mara Paschoalin, Luiz Cláudio Farina Ventrilho e Carlos César Quadros Pierre. Fl. 142DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/09/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 10805.000643/200998 Acórdão n.º 2801001.792 S2TE01 Fl. 0 2 Relatório AUTUAÇÃO Contra a contribuinte acima identificada foi expedida a Notificação de Lançamento de fls. 07 a 10, referente a Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2006, formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de R$8.252,56, acrescido de multa de ofício e juros de mora. A autuação decorreu de apuração de deduções indevidas a título de dependentes, despesas com instrução e pensão alimentícia. IMPUGNAÇÃO Cientificada do lançamento, a contribuinte apresentou a impugnação (fls. 01 a 05), acatada como tempestiva. Alegou, consoante relatório do acórdão de primeira instância (fls. 87 e 88): (...) que não é a única beneficiária da pensão alimentícia judicial que é descontada em folha de pagamento do pai de seus filhos e depositada em sua conta corrente, sendo também beneficiários da pensão: Kelvin, CPF 265.748.31865, Grace Kelly, CPF 295.372.32859 e Karla, CPF 295.395.76857. Argumenta a Impugnante que a forma utilizada na declaração foi a melhor para declarar e justificar a origem do dinheiro depositado em seu nome e que é repassado aos filhos, sendo que tanto a Prefeitura de João Pessoa como seu exmarido, pagador da pensão alimentícia erraram ao classificála como beneficiária direta. Com relação à dedução indevida com dependentes, afirma que seus pais: Maria de Penha Oliveira da Silva, CPF 801.446.164 91, e Viradj Pinto Menezes, CPF 009.877.00472, viveram sob sua ajuda física, financeira e econômica, tendo o seu pai permanecido até o seu falecimento em 12/05/2006, na antiga residência da Impugnante, na Rua Vera Cruz, 216, V. Pires, Santo André. Assim, espera seja anulada a glosa imposta. Quanto à dedução indevida com despesa de instrução, aduz a interessada que o valor lançado na declaração deve ser aceito e reconhecido pela Receita, porque tais valores são devidos e legais. Ainda que maiores, seus três filhos são quem recebe os valores da pensão, ainda que tais valores venham depositados em sua conta, pois era com esses valores que a Irnpugnante pagava os boletos das universidades. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A 8ª Turma DRJ/São Paulo II/SP, conforme Acórdão de fls. 89 a 92, julgou a impugnação parcialmente procedente, , eis que restabeleceu a dedução relativa aos dependentes Fl. 143DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/09/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 10805.000643/200998 Acórdão n.º 2801001.792 S2TE01 Fl. 0 3 Maria de Penha Oliveira da Silva e Viradj Pinto de Menezes, pais da contribuinte (R$2.808,00). RECURSO AO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF) Cientificada da decisão de primeira instância em 26/08/2010 (fls. 93verso), a contribuinte apresentou, em 27/09/2011, o Recurso de fls. 96 a 106, no qual prossegue, em síntese, asseverando que os três filhos eram igualmente beneficiários da pensão alimentícia percebida do excônjuge. Afirma que os valores pertencentes a cada um dos filhos lhes foram repassados, conforme declarações firmadas por eles, que instruem o recurso voluntário. Invoca a ação de revisão de alimentos para corroborar seu argumento de que os filhos eram os beneficiários da pensão percebida. No tocante às despesas com instrução dos filhos, pondera que efetivamente foi quem arcou com os gastos declarados, fazendo jus à dedução. Instruindo o recurso foram juntados os documentos de fls. 107 a 130, a saber: declarações firmadas pelos filhos da contribuinte de que teriam recebido pensão alimentícia do genitor, Reginaldo Teixeira de Araújo, depositada em conta bancária da contribuinte; cópia de DARF emitido para pagamento até 31/08/2010; cópia de Ofício do Juízo de Direito da 3ª Vara de Família e Sucessões, datado de novembro de 2005; correspondência recebida pela contribuinte da Secretaria de Administração de João Pessoa; cópia da petição de conversão de separação judicial em divórcio; dos despachos do Juiz na referida ação; petição de alimentos provisionais, datada de 02/07/1982; cópia de modelo de recurso voluntário; cópia do acórdão recorrido e da correspondência que o acompanhou e cópias de documentos de identificação da interessada. O processo foi distribuído a esta Conselheira, numerado até as fls. 131, que também trata do envio dos autos a este Conselho, contendo ainda fls. 132, sem numeração, a saber, despacho de encaminhamento dos autos do SECEX/CARF para a Secretaria da Primeira Câmara/2ª SEJUL/CARF. É o Relatório. Voto Conselheira Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Quanto ao mérito, entende a contribuinte que os elementos de prova que constam dos autos são suficientes para lhe permitir excluir do montante recebido a título de pensão alimentícia (R$50.490,08, fls. 18) a quantia de R$26.800,00, que seria de titularidade de seus três filhos. Segundo as declarações de fls. 107 a 109, Kelvin seria beneficiário de R$3.600,00, Karla de R$9.600,00 e Grace de R$13.600,00. Ocorre que examinando tudo o que consta dos autos, não identifico uma decisão judicial que tenha estabelecido valores de pensão para cada um dos filhos do casal individualmente ou mesmo especificado que parcela da pensão seria da interessada. Ao contrário. Na ação de alimentos provisórios e na homologação da conversão da separação Fl. 144DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/09/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 10805.000643/200998 Acórdão n.º 2801001.792 S2TE01 Fl. 0 4 judicial em divórcio somente é mencionada a esposa como beneficiária da pensão (representada por 50% dos proventos percebidos pelo excônjuge da Coordenadoria de Planejamento da Prefeitura Municipal de João Pessoa, fls. 12, 66 a 68, 113 a 115 e 118). Assim, embora o Ofício de fls. 111 (cópia dos documentos de fls. 11 e 72), demonstre que em 2004 Reginaldo Teixeira de Araújo, o alimentante, tenha ajuizado ação revisional de alimentos contra os filhos, igualmente ali não se fala que percentual seria destinado a cada um deles individualmente e nem se menciona a interessada como um dos alimentados. Portanto, os documentos juntados aos autos corroboram o acerto do lançamento e do julgamento de primeira instância. Assim, se para o exercício em questão já havia alguma disposição judicial alterando a participação da interessada na pensão originariamente acordada, caberia à recorrente apresentálos, pois o ônus da prova de que o rateio pretendido está albergado por decisão judicial é seu. Não havendo nos autos esses documentos, os repasses de recursos da interessada aos filhos, não obstante as declarações por eles firmadas, têm natureza de doações e não podem ser abatidas do montante tributável para fins de cálculo IRPF devido. A contribuinte entende, ainda, que teria direito a deduzir despesas com a instrução, pois efetivamente teria pago mensalidades escolares para suas filhas. Importante registrar que em se tratando de despesas com instrução, a legislação de regência estabelece que somente podem ser deduzidos os pagamentos efetuados a estabelecimentos de ensino relativamente à educação infantil (creche e educação préescolar), ensino fundamental, médio, superior e cursos de especialização ou profissionalizantes do contribuinte e de seus dependentes, respeitandose o limite anual individual (Lei 9.250, de 26 de dezembro de 1995, art. 8º, II, b; Lei nº 10.451, de 10 de maio de 2002, art. 2º, Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, Regulamento do Imposto de Renda, RIR/1999, art. 81). No caso, as filhas não foram incluídas na declaração de ajuste anual da contribuinte como dependentes. Dessa forma, suas despesas com instrução não podem ser consideradas na declaração da contribuinte. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Amarylles Reinaldi e Henriques Resende Fl. 145DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/09/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGAL
score : 1.0
Numero do processo: 10860.001027/2009-90
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 27 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jul 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2007
DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. REQUISITOS.
Somente são admitidas as deduções pleiteadas com a observância da
legislação tributária e que estejam devidamente comprovadas nos autos.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2801-001.682
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES RESENDE
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DESPESAS MÉDICAS. REQUISITOS. Somente são admitidas as deduções pleiteadas com a observância da legislação tributária e que estejam devidamente comprovadas nos autos. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente Assinado digitalmente Amarylles Reinaldi e Henriques Resende Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Sandro Machado dos Reis, Tânia Mara Paschoalin, Luiz Cláudio Farina Ventrilho e Eivanice Canário da Silva. Relatório Fl. 122DF CARF MF Emitido em 09/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 05/08/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 08/08/2011 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 10860.001027/200990 Acórdão n.º 2801001.682 S2TE01 Fl. 0 2 AUTUAÇÃO Contra o contribuinte acima identificado foi expedida a Notificação de Lançamento de fls. 42 a 46, referente a Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2007, formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de R$7.540,88, acrescido de multa de ofício e juros de mora. A autuação, consoante relatório do acórdão de primeira instância (fls. 92), decorreu de apuração de Dedução Indevida de Despesas Médicas por falta de comprovação do pagamento e beneficiário não dependente, bem como Dedução Indevida de Dependente que já consta em pensão alimentícia. IMPUGNAÇÃO Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou a impugnação parcial (fls. 01 a 07), acatada como tempestiva. Alegou, em apertada síntese, que os elementos probatórios carreados aos autos (recibos, declarações e comprovantes de movimentações bancárias) demonstram que faz jus à dedução de despesas médicas pleiteada (R$27.593,65). ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A 10ª Turma DRJ/São Paulo II/SP, conforme Acórdão de fls. 91 a 99, julgou improcedente a impugnação. Registrou, inclusive, que: Os recibos apresentados pelo impugnante não atendem a todos os requisitos legais exigidos. Além disso, os valores declarados pelo contribuinte com despesas médicas são exagerados em relação aos rendimentos declarados, chegando a mais de 40% de seus rendimentos sendo que, no anocalendário em questão, possuía plano de saúde. Observese ainda, o total de deduções alcançam 60% dos rendimentos do contribuinte. RECURSO AO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF) Cientificado da decisão de primeira instância em 22/10/2010 (fls. 103), o contribuinte, por intemédio de representante (Procuração às fls. 114) apresentou, em 23/11/2010, o Recurso de fls. 104 a 113, argumentando, em síntese, que ratifica todos os argumentos da impugnação. Assevera que os recibos apresentados, diferentemente do entendimento dos julgadores de primeira instância, preenchem os requisitos legais previstos no Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999, art. 80, inciso III. Pondera que os recibos não foram declarados inidôneos e que os profissionais não foram tidos como incompetentes ou inabilitados ao exercício de suas profissões. Entende que os recibos são prova suficiente da quitação dos serviços recebidos, nada impedindo o pagamento de despesas médicas em espécie. Invoca jurisprudência do Primeiro Conselho de Contribuintes para defender seu direito à dedução pleiteada. O processo foi distribuído a esta Conselheira, numerado até as fls. 118, que também trata do envio dos autos a este Conselho, contendo ainda fls. 119, sem numeração, referente ao Despacho de Encaminhamento dos autos do SECOJ/CARF para a Primeira Câmara/Segunda Seção. Fl. 123DF CARF MF Emitido em 09/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 05/08/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 08/08/2011 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 10860.001027/200990 Acórdão n.º 2801001.682 S2TE01 Fl. 0 3 É o Relatório. Voto Conselheira Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. No caso, o litígio cingese à glosa de despesas médicas. Entende o contribuinte que os elementos probatórios carreados aos autos são suficientes à demonstração de que teria direito a deduzir a esse título, no ajuste anual do exercício 2007, o montante de R$27.593,65. Por oportuno, destaquese que, nos termos do inciso II, alínea “a”, §§ 2º e 3º do art. 8º da Lei nº 9.250, de 1995, na declaração de ajuste anual, poderão ser deduzidos da base de cálculo do imposto de renda os pagamentos feitos, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas provenientes de exames laboratoriais e serviços radiológicos, restringindose aos pagamentos efetuados pelo contribuinte relativos ao seu tratamento e ao de seus dependentes. De acordo com o § 2º, III do precitado dispositivo, a dedução fica condicionada ainda a que os pagamentos sejam especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e CPF ou CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação de cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento. Por sua vez, o art. 73 do Decreto nº 3.000, de 1999, Regulamento do Imposto de Renda, RIR/1999, dispõe: Art.73. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, §3º). Feitas essas anotações, insta frisar que os documentos invocados pelo interessado são as cópias de recibos (fls. 12 a 19), de extratos bancários (fls. 23 a 26) e de uma nota fiscal (fls. 20). Analisandoos, verifico que os recibos emitidos por Maria José Marcelino Machado (fls. 12 a 16) e Ricardo F. Salles (fls. 18 e 19) não trazem o endereço dos emitentes e nem a especificação de quem teria sido o paciente. Igualmente não há especificação do paciente nos recibos emitidos por Vera Lúcia Mendes (fls. 17) e Fábio Sala Barrios (fls. 17). Quanto à nota fiscal de fls. 20, emitida por Jungers Diagnósticos por Imagem Ltda, observase que os serviços foram prestados a José Armando Galdino, ou seja, paciente não dependente do contribuinte para fins de imposto de renda. Os extratos bancários de fls. 24 a 36, por sua vez, não trazem destacados saques e/ou cheques pagos compatíveis, em datas e valores, com as despesas médicas invocadas. Fl. 124DF CARF MF Emitido em 09/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 05/08/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 08/08/2011 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 10860.001027/200990 Acórdão n.º 2801001.682 S2TE01 Fl. 0 4 No tocante ao pagamento de plano de saúde, insta frisar que não consta dos autos nenhum documento comprobatório do alegado desembolso. Ora, no contexto acima, não há reparos a serem feitos nas conclusões dos julgadores de primeria instância, inclusive no tocante à afirmativa de que os recibos apresentados não preenchem todos os requisitos legais. Quanto a entendimentos jurisprudenciais invocados, destaquese que não foram trazidas à colação posições que vinculariam as decisões prolatadas por este Colegiado. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Amarylles Reinaldi e Henriques Resende Fl. 125DF CARF MF Emitido em 09/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 05/08/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 08/08/2011 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGAL
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Numero do processo: 10711.004015/93-48
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 1995
Data da publicação: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 1995
Ementa: Importação de Mercadorias. Não cabe desclassificação tarifária nem a perda de benefício fiscal de II o fato de dois equipamentos virem acoplados se ambos, considerados isoladamente, são titulares de isenção.
Os benefícios de isenção do IPI não podem ser aplicados sobre mercadorias importadas usadas (art. 1. Lei n. 8.191/91, prorrogada pela Lei n. S.643/93).
RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO.
Numero da decisão: 303-28.083
Decisão: ACORDAM, os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para manter apenas a exige:mica do IPI e a multa do art. 59, parágrafo 1. da Lei 8383/91, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: SERGIO SILVEIRA MELO
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Sessão de de I.99 - ACORDAO N° 303-280E3 iié„. '5 79Recurso n2.: Recorrente: TRANSMAGUI LTDA Recorrid ALF - PORTO - RJ Importação de Mercadorias. Não cabe desclassificação , tarifária nem a perda de benefício fiscal de II o fa- to de dois equipamentos virem acoplados se ambos, considerados isoladamente, são titulares de isenção. Os benefícios de isenção do IPI não podem ser aplica- dos sobre mercadorias importadas usadas (art. 1. Lei n. 8.191/91, prorrogada pela Lei n. S.643/93). RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO. VISTOS, relatados e discutidos os presentes autos, i ACORDAM, os Membros da Terceira Càmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em dar provi- mento parcial ao recurso, para manter apenas a exige:mica do IPI e a multa do art. 59, parágrafo 1. da Lei 8383/91, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Brasília-DF, 24 de janeiro de 1995. 1 /3— AO HOL. ANDA COSTA — PRES I DENTE: O \ ' - sE .seri o s. . Vli' kE". ii DE MELOmo — RELATOR AO i ALEXANDR") URA MONTEIRO - PROCURADORA DA FAZ. NAC. VISTO EM 23 Al 1995 Participaram, ainda, o presente julgamento os seduintes Conselhei- ros: SANDRA MARIA FARONI, CR :i COLOMBO SOARES DANTAS, ROMEU BUENO DE CAMARGO, DIONE MARIA ANDRADE DA FONSECA, ZORILDA LEAL SCHALL, JORGE CLIMAGO VIEIRA.Ausente os Conselheiros MALVINA CORUjO DE AZEVEDO LOPES e FRANCISCO RITTA BERNARDINO. 1 2 MF- TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES - PRIMEIRA CÂMARA RECURSO No 116579 RECORRENTE: TRANSMAQUI LTDA. RECORRIDA: ALF-PORTO-RJ RELATOR: SÉRGIO SILVEIRA MELO Vistos e processados os presentes autos, tendo sido obedecidas as formalidades legais, dele tomo conhecimento, por serem admissiveis e passo a analisar seu conteúdo, sobre os quais apresento as seguintes considerações. RELATÓRIO Sobre a decisão recorrida são estas as considerações: O contribuinte acima qualificado teve confeccionado e lavrado contra si Auto de Infração em 11.06.93, que originou o processo no 10711-004015/93.48, no valor de Cr$ 3.846.451.485,42 (três bilhões, oitocentos e quarenta e seis milhões, quatrocentos e um mil, quatrocentos e oitenta e cinco cruzeiros e quarenta e dois centavos), cuja descrição dos fatos e enquadramento legal feitos pela respectiva Auditora Fiscal, aqui transcrevemos: "Considerando que a mercadoria licenciada através de documento emitido- pelo Departamento de Comércio Exterior (GI no 1983.93001586-5 - aditivos nos 002061 e 002655) e à vista do catàlago apresentado pela empresa acima identificada (anexo a D1 8604/93) verificou-se que a mesma não encontra-se perfeitamente Rec. 116.579 Ac. 303-28.083 caracterizada de forma a enquadrar-se no código NBM-SH constante da D.I. no 8604/93, ve ,_ que constituida de unidade tratora equipada c/caçamba c/dentes, devendo, assim, ser classificada na posição 8429.51.9900 da Nomenclatura Brasileira de Mercadrias-NBM-SH com a aliquota prevista na Tarifa Aduaneira Brasileira-TABA de 20% do imposto de importação de 5% do imposto sobre produtos industrializados". A d. fiscal autuante anexa ao processo a Declaração de Importação no 8604, emitida em 24.05.93 (doc. fl. 02); Guia Nacional de Recolhimento de Tributos Estaduais (doc. fl. 03); 10 Aditivo da D1 emitido em 13.05.93 ( anexo I doc. fl. 04 - anexo II doc. fl. 06 ); Fatura Comercial no 92.0142 (doc. fl. 05); Bill of Landing, emitido em 14.05.93 (doc. fl. 08 usque 10); Guia de Importação no 1983.93/1586-5, emitida em 18.02.93 (doc. fl. 11); aditivo de GI, emitido em 20.04.93 (doc. fl. 12) e 2o aditivo da GI (doc. fl. 13); Catálogo demonstrativo do tipo de trator importado (docs. fls. 14/19). Irresignada com a exação fiscal, a autuada apresentou, tempestivamente, a impugnação de fls. 20 "usque" 22, contendo as alegações a seguir fielmente expostas: - Preliminarmente a impugnante requer a liberação das duas unidades tratoras, objeto do AI e descritas na GI no 1983.93/1586-3 com base na Portaria 389/76 e tendo em vista a apresentação da impugnação e juntada de fiança bancária e/ou termo de responsabilidade. - No mérito alega que foram apreendidas duas unidades trataras, ambas modelo 980C, marca Caterpillar, usadas, séries no 138751 e 138626, a..bricadas res pectivamente em 1987 e 1985. Rec. 116.57§ Ac. 303-28-083 visto que a D.I consignou a classificação fiscal 84.29.51.02.00 para as máquinas equipadas com cabines, ar condicionado, dentes, pneus e caçambas. - Argui, ademais, que os referidos tratores são isentos de IPI e II e foram classificados corretamente na Declaração de Importação (D.I). - Ressalta a defendente que por um lapso no preenchimento da D1 não foi consignada, em separado, a classificação fiscal das caçambas. - Entende a d. AFTN que por estarem as caçambas acopladas às unidades tratoras, deveriam os bens serem reclassificados , com a incidência dos tributos, tanto no que pertine às caçambas, mas também com relação à unidade tratora, o que, segundo a impugnante não procede. - Por se tratarem as caçambas e a unidades tratoras para uso do importador, não há porque importá-las em guias separadas. - Salienta que não importa o acoplamento de um bem isento com uma parte tributada, sendo que em tal condição estes mesmos bens não perdem suas caracteristicas e natureza para fins de tributação. Dai que não há porque exigir a tributação de um bem isento, pelo simples fato de que ele está acoplado a um bem tributado. - Demais disso, assevera o art. 176 do CTN que a isenção é decorrente de lei, e somente a lei pode suspendê-la ou modificá-la. Não é um ato administrativo que irá suspender a isenção retro mencionada. - Requer a impugnante a imediata liberação dos bens apreendidos, com fulcro na apresentação de fiança bancária b/ou termo de responsabilidade, bem como o cancelamento do AI. A impugnante anexou ao pleito impugnatório Procuração/Substabelecimento (ris. 23/24). \b(-' Rec. 116.579 Ac. 303-28-083 Remansa à fls. 26 a autorização da Alfândega do Porto do Rio de Janeiro para o desembaraço da mercadoria que desencadeou o AI sob reproche, mediante a assinatura do Termo de Responsabilidade, no valor da exação tributária, nos termos da Portaria Ministerial no 389/76. Quando instado a se manifestar sobre o pleito impugnatório o d. AFTN decidiu: - Verificou-se, através da GI no 1983.93/1586-5 e aditivos 1983.93/2061-3 e 1983.93/2655-7 que a impugnante obteve autorização para importar duas unidades tratoras equipadas com cabine, ar condicionado, caçambas com dentes 29,5 x 25,0, classificando-as na posição no 8429.51.0200 da Nomenclatura Brasileira NBM-SH. - A classificação de mercadorias da NBM rege-se pelas regras Gerais de Importação do Sistema Harmonizado e serão determinadas pelas mesmas, concluindo que as caçambas não poderiam ser classificadas em separado,visto que qualquer referência a um artigo em determinada posição abrange igualmente o artigo completo ou acabado. Em consequência não caberá a aplicação de isenção em parte da mercadoria e tributação a outra parte, como alega a autuada. - Considera que a mercadoria de que trata a D1 no 8604/93 não se enquadra nas condições previstas na Portaria no 781/92 para se beneficiar do "ex" em destaque na posição no 8429.51.0200 da Nomenclatura Brasileira de Mercadorias, vez que constituida de unidade tratora equipada com caçamba com dentes. Pelas "ractiones" acima delineadas, requer o d. AFTN seja julgada procedente ação fiscal. (-1'4Y3N(/:1 Rec. 116.579 Ac. 303-28.083 O processo foi julgado em primeira instância por decisão assim ementada: - DESCLASSIFICAÇÃO TARIFARIA DE UNIDADE TRATORA, PROVIDA DE CAÇAMBA DE CARREGAMENTO FRONTAL, USADA, COM CONSEQUENTE PERDA DO BENEFICIO DE "EX" E PERDA DE ISENÇÃO DE I.P.I. - AÇÃO FISCAL PROCEDENTE. O insigne julgador "a quo" manifestou sobre a AI "sub judice" da seguinte forma: - A autuada importou duas unidades tratoras de rodas, conforme documentos de importação, classificando-as no código TAB 8429.51.0200 (isento de IPI) e pleiteando redução de aliquota do II para 0%, com base no "EX" 001, concedido pela Portaria MF no 781/92. - O código 8429.51.0200 da NBM/TAB inclui, in verbis: "trator especialmente construido, adaptado ou reforçado para receber o equipamento do item 8430.69.0300 e deste item consta: "equipamento frontal para escavo- carregador ou carregador". - Dentre os tratores próprios para receber equipamento frontal, compreendidos no código 8429.51.0200, terá aliquota de 1.1 reduzida a 0% a "unidade tratora de rodas com capacidade de operação igual ou superior a 7.000 Kg e potência no volante igual ou superior a 270 NP", conforme Portaria ME no 781/92 (EX 001). - As unidades tratomS importadas são providas de caçamba com dentes, conforme as próprias D1 e GI e de todos os equipamentos para levantamento e articulação (de acordo com catálogo - fls. 14/19), portanto, são pás carregadoras completas e se destinam a receber equipamento frontal, dai que não podem ser classifacadas no código TAB 8429.51.0200, mas sim no código 8429.51.9900 (outras carregadoras e pás carregadoras), de acordo com o Parecer CST (DCM) no 708/92, emitido pela Divisão de Classificação de Mercadorias, da Coordenadoria do Sistema de Tributação. 7 Rec. 116.579 Ac. 303-28.083 - As unidades trataras importadas, corretamente desclassificadas para o código TAB 8429.51.9900, estavam sujeitas ás ai [quotas de 20% para o I.I. e 5% para o I.P.I. "ex" - 001, concedido pela Portaria MF n. 781/92. - Demais disso, as unidades tratoras importadas são usadas (como consta da Di n. 8604/93) e da GI n. 1983-93/1586-5 e que a Lei n. 8191/91, prorrogada pela Lei n. 8643/93, concede isen-' cão de IPI apenas aos equipamentos novos, con- forme art. 1. desta lei e conforme anexo ao Decreto 151/91, que relaciona os bens com di- . reito à isenção prevista naquela lei. , - julga procedente a ação fiscal. Inconformada., no prazo legal a Recorrente interpós o seu recurso no qual corrobora os argumentos expedidos na sua impugnação. No pleito recursal a autuada traz à lume, além dos fatos expendidos na exordial, os seguintes itens: - Nenhum questionamento teria ocorrido, caso a Im- pugnante importasse o equipamento frontal sepa- radamente da unidade tratara, posto que ambos ',possuem classificaçbes distintas, estão previs- tas nos exemplos da portaria 781/92 e com isen- ção de IPI prevista no decreto no. 87.981/82, senda o art. 1. da retro mencionada portaria claro no sentido de que os "produtos de código 84.29510200 - "e x" 001 - UNIDADE TRATORA DE RO-,. DAS COM CAPACIDADE DE OPERAÇÃO IGUAL OU SUPERIOR I A 7.000 KG e POTENCIA NO VOLANTE IGUAL OU SUPE- RIOR A 270 HP - "ex" 002 - UNIDADE FRONTAL COM CAPACIDADE IGUAL OU SUPERIOR A 5 (CINCO) JARDA CUBICAS. - Ressalta, ademais, que as unidades trataras são constituídas por sua infra-estrutUra motriz, es- pecialmente construida para receber a equipamen- to frontal classificado na código TAB - NBM/SH 84.30690300. - Confessa que classificou tanto as unidades tra- taras quanto os equipamentos frontais, no código 84.295102000, quando na verdade apenas a unidade tratara deveria ser classificada neste código. , , ,--. , fec. O—D/9 Ac. 303-28.083 - A classificação incorreta dos equipamentos frontais em nada altera o aspecto tributário da operação, visto que tanto as unidades tratoras quanto os equipamentos frontais possuem isenção de IPI e reduco a aliquota zero de II, desde que possuem os mesmos códigos do art. 10 da multicitada portaria. - Por medida de economia e praticidade no transporte a autuada exigiu do fornecedor que os equipamentos frontais fossem anteriormente ao embarque montados nas respectivas unidades tratoras, o que levou o d. AFTN a concluir equivocadamente que tratava-se de Pás Car regadei ras completas. - A classificação do equipamento frontal no mesmo código da unidade tratora em nenhum momento causou prejuizo a Fazenda Federal em decorrência de estarem ambos os códigos contemplados pela redução a zero de II e isentos do IPI. - Quanto ao fato de que a isenção prevista na lei 8191/91, prorrogada pela lei 8643/93 se refere apenas a bens novos, contra-ataca afirmando que seguindo esta linha de raciocinio teriamos como consequência lógica que, se os bens novos não estão submetidos ao imposto, com muito mais razão não estarão os usados onde não houver qualquer operação de industrialização. - Assevera, outrossim, como aspecto relevante o fato de que os equipamentos alvo da autuação são originàrios de Pais signatário do GATT, acordo internacional do qual o Brasil é signatário. - Demais disso, no Brasil a aplicação do GATT foi determinada pela Lei 313/48 e outros dispositivos que a sucederam, em seu artigo 39. parte II, parágrafo 2 que enuncia que: "os produtos originários de qualquer parte contratrante, gozarão de tratamento não menos favorável que o concedido a produtos similares de origem nacional no que concerne a todas as Leis, regulamentos e exigências que afetem a sua venda, colocação no mercado, compra, transporte, distribuição ou uso no mercado interno" . Traz à colação a súmula 575 do STF que corrobora esse entendimento. • Ex Positis, pleiteou a recorrente que AI seja julgado improcedente, reformando, com isso, a decisão administrativa de primeira instância. • o relateirio. r' Rec. 116.579 Ac. 303-28.083 VOTO 1) A circa meritória da presente lide está no fato de descobrirmos se as mercadorias que foram objeto da operação de importação em tela equivale ou constitui exatamente o tipo de mercadoria na qual . o Imposto de Importação (II) incide com aliquota zero e possui isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). 2) Nessa ordem de idéias, analisemos separadamente o caso, no que tange a incidência do II e do IPI. 3) Destarte, vejamos, primeiramente, o que reza o art. lo da Portaria no 781/92, que garante a incidência de aliquota zero para o II sobre as mercadorias objeto da outrora importação, para, após, verificarmos o que vem descriminado na Declaração de Importação, a fim de, confrontando os referidos textos, possamos, com absoluta convicção e segurança, concluirmos. " Art. lo Portaria 781/92- Ficam alteradas, para 0% (zero por cento), por até 1 (um) ano, as aliquotas "ad valorem" do imposto de importação incidentes sobre os seguintes produtos: Código da TAB Mercadoria 8429.51.0200 "Ex" Unidade tratora com capacidade de operação igual ou superior a 7.000 Kg e potência no volante igual ou superior a 270 10 HP. Rec. 116.579 Ac. 303-28.083 (...) 843.69.0300 "Ex" Unidade frontal com capacidade igual ou superior a 5 (cinco) jardas cúbicas 4) Na Declaração de Importação acostada às fls. 06 dos autos, onde existe o respectivo espaço para especificar a mercadoria importada consta a descrição de duas unidades tratoras, sendo que a diferença entre as ditas unidades tratoras é o número da série (13B751 e 13B626) e o ano de fabricação (1.987 e 1.986): "Unidade tratora de rodas, com capacidade de operação igual ou superior a 7000Kg e potencia no volante igual ou superior a 270 HP, mod.980C, marca caterpillar, (...)equipada com cabine, ar condicionado, caçamba com dentes e pneu 29,5X25, pintada e reformada" 5) Desta feita, o AFTN entendeu de lavrar o auto de infração, vez que a mercadoria efetivamente desembaraçada continha "caçamba com dentes", enquanto que a mencionada portaria apenas trata da unidade tratora e equipamento frontal; crendo,pois, o AFTN que houve a importação de unidade tratora completa,e que tal unidade não consta na portaria ministerial, inexistindo beneficio fiscal, no que foi completamente acompanhado pelo julgador monocràtico, fundamentando-se, ainda, no parecer 708 do CST, este por sua vez especificando a classificação correta para unidade tratora completa é a do código TAB no 84.29.51.0200. 11 • Rec. 116.579 Ac. 303.28.083 6) "Prima facie", vislumbra-se realmente uma desemelhança entre a mercadoria tipificada na portaria com a mercadoria que fora verdadeiramente importada pelo Recorrente. 7) Todavia, quando da análise do catálogo inserido nos autos às fls. 14 "usque" 19, nota-se que a denominada "crçamba com dentes" não diferencia-se da unidade frontal grafada na multicitada portaria 781/92, também beneficiada com incidência de aliquota zero do II. 8) Assim sendo, conclui-se que tanto as duas unidades tratora quanto os equipamentos frontais, que já vieram montados - acoplados - são beneficiados da aliquota zero para II, não merecendo subsistir, neste ponto, o lançamento tributário. 9) A fim de ratificar nosso posicionamente, basta uma simplória formulação: se o Recorrente importou a mercadoria descrita no código TAB no 8429.51.0200, inequivocamente que o seu respectivo equipamento frontal só poderá ser a especificada no código no 8430.69.0300, como a própria TAB assegura. 10) Não existiria motivo, em verdade seria até ilógico, que a portaria ministerial estabelecesse aliquota zero de II para _a unidade tratora sem que o meãmo fosse transmitido para o seu equipamento frontal, visto que ninguém importaria somente uma unidade tratcra, aue não seria de nenhuma valia Rec. 116.579 Ac. 303-28.083 11) Cumpre pronunciarmo-nos sobre o imposto de produtos industrializados (IPI) incidente sobre a mercadoria objeto da importação. 12) Não merece acolhimento a alegação do Recorrente de que " se os bens novos não estão submetidos ao imposto, com muito mais razão não estarão os usados, onde não houve qualquer operação de industrialização" (Fls. 42, item 16 e 29). 13) Extremes de quaisquer dúvidas que uma unidade tratora com seus respectivos equipamentos frontais são produtos industrializados, cujo fato gerador, dentre os enumerados pela lei, considera o desembaraço aduaneiro, quando de procedência estrangeira (art. 46,inciso I do Código Tributário Nacional). 14) Ademais, o mesmo Código Tributário Nacional, em dispositivo posterior (art.111,II) estabelece que a outorga de isenção deve ser interpretada literalmente, consequentemente, decai a interpretação ampliativa buscada pelo Recorrente, vez que o uso do método hermeneutico literal é compativel com a interpretação restritiva, jamais podendo o intérprete ampliar seu alcance em caso de norma silente. 15) Vale salientar, que "in casu" a lei no 8.191/91, prorrogada pela Lei no 8.643/93, ante o contrario de permanecer silenciosa, expressamente estabeleceu que a isenção do IPI atinge Ac. 303-28.083 somente equipamentos, máquinas, aparelhos e instrumentos novos. 16) Ora, encontra-se iartamente no bojo do presente auto que a mercadoria importada é usada, não estando assim beneficiada com a isenção do IPI, sendo bastante subsistente a cobrança do referido imposto, que deverá atingir as duas unidades tratoras importadas, bem como os respectivos equipamentos frontais. 17) Aduz o Recorrente em seu favor que as mercadorias importadas foram provenientes de Pais signatário do GATT e por esta razão merece o mesmo tratamento dos produtos nacionais, com o qual concordamos. 18) A supra aludida Lei no 8.191/91, que foi sucedida pela Lei no 8.643/93, trata da isençãO do IPI, dispondo em seu art. 1o:"Fica instituida isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados -IPI aos equipamentos,máquinas, aparelhos e instrumentos novos, inclusive aos de automação industrial e de processamento de dados, importados ou de fabricação nacional, bem como respectivos acessórios, sobressalentes e ferramentas. 19)Desta feita, o legislador na parte final do art. l.• referenciada lei menciona que a isenção abrange produtos de fabricação nacional ou importados; por conseguinte, a aludida lei estabelece determinação legal que proibe discriminação entre produtos similares nacionais " e oriundos de qualquer pais, • signatário ou não do GATT. Rec. Yiti..)i'J Ac. 303-28.083 20) Assim, o mesmo tratamento dado aos produtos nacionais é atribuido aos similares importados, pouco importando se a mercadoria provém de pais signatário do GATT. 21) Ademais, mesmo se a lei não estabelecesse expressamente tratamento igual entre os produtos, como o faz, haveria de ser exigido IPI de produtos usados nacionais e estrangeiros, ainda que de pais assinante do GATT, pois, o tratamento havia de ser isonômico. 22) Resta destacar que há conformidade legal da cobrança do IPI sobre a mercadoria usada importada, sem que isso viole Tratado do GATT, no qual o Brasil é signatário, e, como corolário imediato, se atente contra o art. 98 do Código Tributário 1 Nacional. , 23) Com base nas razões acima fielmente delineadas, conheço do recurso para dar-lhe provimento parcial, por entender ser — devido o recolhimento, aos cofres da União, do IPI incidente sobre a operação de importação, sem, todavia, poder ser exigido o II.Em assim sendo, fica mantido o lançamento tributário fiscal no que pertine o IPI, permanecendo, vale destacar, a multa do art. 59,§ 10 da Lei nó 8.383/91 no que atingir o imposto a ser exigido IPI. Sala das Sessões, em W4 de Janeiro de 1995. (-- / 1 \\\ SÉRGIO S q L EIRA MELO Re'. qhr
score : 1.0
Numero do processo: 10980.005253/2007-11
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Ano-calendário: 2002
DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO.
Somente podem ser aceitas as deduções pleiteadas em consonância com a legislação de regência e devidamente respaldadas por documentos hábeis, idôneos e suficientes a comprová-las.
RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÕES.
Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2801-002.259
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: ANTONIO DE PÁDUA ATHAYDE MAGALHÃES
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DEDUÇÃO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. Somente podem ser aceitas as deduções pleiteadas em consonância com a legislação de regência e devidamente respaldadas por documentos hábeis, idôneos e suficientes a comproválas. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÕES. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães – Presidente e Relator Fl. 36DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente e m 27/03/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA Processo nº 10980.005253/200711 Acórdão n.º 2801002.259 S2TE01 Fl. 32 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Walter Reinaldo Falcão Lima, Sandro Machado dos Reis, Tânia Mara Paschoalin, Luiz Cláudio Farina Ventrilho e Carlos César Quadros Pierre. Relatório Mediante Auto de Infração, às fls. 02/06, formalizouse exigência no valor total de R$ 7.207,01, sendo o valor de R$ 3.033,00 correspondente ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF suplementar), R$ 2.274,75 referente à multa de ofício, e R$ 1.899,26 a título de juros de mora, estes calculados até fevereiro/2007. De acordo com a descrição dos fatos e o enquadramento legal constantes da peça de autuação foram glosadas, pela fiscalização, parte das deduções com despesas médicas pleiteadas pelo contribuinte na declaração de rendimentos apresentada para o exercício 2003, anocalendário 2002. “(...) DESPESAS MÉDICAS Dedução indevida a titulo de despesas médicas. Intimado a comprovar o efetivo desembolso o contribuinte alegou que os valores foram pagos em dinheiro através de disponibilidades dos rendimentos declarados. O pagamento em espécie não é comum quando envolve valores elevados e os mesmos são exagerados em relação aos rendimentos apurados. Não se comprovou a ocorrência de nenhum evento, como acidente ou cirurgia, que justificasse tais valores. Contribuinte alegou ainda que não mais possui os recibos supostamente emitidos por Pedra Aparecida Burcy Balesteri, no valor total de R$ 9.100,00. O contribuinte declarou ainda uma despesa de R$ 6.501,26 com UNIMED, mas no recibo emitido pela UNIMED consta o valor de R$ 4.572,16. (...)” Cientificado do lançamento o contribuinte apresentou impugnação em 15/05/2007, conforme documento à fl. 01. Em suas razões de defesa asseverou que: ao invés de punilo, poderia o órgão fiscalizador (Receita Federal) verificar o pagamento da despesa junto ao seu recebedor, ou mesmo, a possibilidade de citação do contador responsável pela elaboração da declaração de rendimentos sob exame; não cabe a glosa dos descontos relativos a pagamentos de despesas com educação efetuadas em nome de sua neta Juliana F. de Lima, e com o plano de saúde (UNIMED) da filha Rita de Cássia Pereira Lima. Fl. 37DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente e m 27/03/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA Processo nº 10980.005253/200711 Acórdão n.º 2801002.259 S2TE01 Fl. 33 3 Ao final de sua defesa o impugnante questionou o tratamento que lhe foi dispensado por deixar de apresentar recibo de pagamento de serviços médicos, fazendo menção aos anos que dedicou ao serviço público. Solicitou ainda que fossem suspensas as glosas efetuadas, com a devolução dos valores que foram retidos em sua folha de pagamento, até a comprovação de que a profissional de saúde (Dra. Pedra) recebera (ou não) as importâncias questionadas. A 4a Turma de Julgamento da DRJ/Curitiba/PR, em decisão unânime, julgou procedente o lançamento, nos termos do Acórdão DRJ/CTA nº 0623.978, de 06/10/2009, às fls. 17/18, baseandose em entendimento sintetizado na seguinte ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2002 DEDUÇÕES. COMPROVAÇÃO. À míngua de comprovação, cabível a glosa das despesas médicas que o contribuinte pretendeu deduzir da base de cálculo do imposto de renda. Com a ciência da decisão de primeira instância ocorrendo em 10/11/2009, nos termos do AR – Aviso de Recebimento à fl. 21, o contribuinte interpôs, em 26/11/2009, o Recurso Voluntário às fls. 24/25. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Relator. O recurso em julgamento foi tempestivamente apresentado, preenchendo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Diante da ausência de questão preliminar, passo à análise do mérito, que, como se observa do relatório, cingese à discussão em torno de deduções pleiteadas pelo recorrente em sua DIRPF/2003. A esse respeito, em seu recurso o contribuinte reitera os argumentos apresentados na impugnação, todavia, desacompanhados de provas que possam alterar a conclusão posta no julgamento de primeira instância. Assim, por concordar com o entendimento exposto no acórdão vergastado, adoto a fundamentação ali esposada para decidir pela manutenção da glosa das despesas médicas apontadas no auto de infração. Peço vênia para reproduzir, a seguir, excertos do referido voto: fls. 17/18 dos autos “(...) Fl. 38DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente e m 27/03/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA Processo nº 10980.005253/200711 Acórdão n.º 2801002.259 S2TE01 Fl. 34 4 Emerge da descrição fiscal, diferentemente do que é sugerido na impugnação, que o contribuinte foi intimado previamente ao lançamento, tendo o auto de infração sido emitido em face das despesas médicas que restaram não comprovadas, nos valores de R$ 9.100,00 e de R$ 1.929,10 (=R$ 6.501,26 R$ 4.572,16), totalizando a glosa de R$ 11.029,10. Não está em questão, portanto, suposta despesa com instrução que o contribuinte aventa ter pago em nome de sua neta (fl. 01), tampouco despesa com dependentes ou outras despesas médicas que o interessado descreve à fl. 09. Nesse sentido, como se verifica também à fl. 04, não houve alteração nos valores de dedução com dependentes e com despesas com instrução. Ressaltese que o impugnante não traz comprovante algum das despesas glosadas, seja em relação ao valor de R$ 9.100,00, que supostamente teria pago a PEDRA APARECIDA BURCY BALESTERI, seja em relação à diferença de R$ 1.926,10, concernente UNIMED. (...)” Deveras, no tocante às despesas médicas declaradas como tendo sido pagas no ano de 2002 à Pedra Aparecida Burcy Balesteri, não há comprovação de que foram efetivamente realizadas. Registrese que o contribuinte informa em sua peça recursal que poderia obter junto à referida profissional uma cópia de recibo no valor total declarado (R$ 9.100,00), posto que o documento original teria sido extraviado; no entanto, até a presente data, nem mesmo a mencionada cópia foi anexada ao processo. Também quanto à diferença de R$ 1.926,10, relacionada à UNIMED, não trouxe o recorrente aos autos qualquer documentação hábil e idônea a comprovar a realização de tal despesa. Deste modo, procedente a exigência fiscal. Por derradeiro, a título de esclarecimento, cabe salientar que na legislação tributária a responsabilidade por infrações é objetiva, não se questionando sobre a vontade ou intenção do agente. Não se exige, portanto, a presença do dolo como elemento subjetivo para caracterizar se houve ou não uma infração, sendo irrelevante, portanto, o argumento do apelante de que não teve a intenção de burlar o Fisco. Nesse sentido dispõe o artigo 136 da Lei n° 5.172/66 (Código Tributário Nacional): Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Isto posto, VOTO por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Fl. 39DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente e m 27/03/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA Processo nº 10980.005253/200711 Acórdão n.º 2801002.259 S2TE01 Fl. 35 5 Fl. 40DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente e m 27/03/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA
score : 1.0
Numero do processo: 10070.001832/2006-77
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 25 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Oct 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2003
Ementa:
ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. VALORES REFERENTES A PENSÃO EM ATRASO.
São isentos de tributação os rendimentos relativos a aposentadoria, reforma ou pensão, recebidos por portador de doença grave devidamente comprovada em laudo pericial
emitido por serviço médico oficial.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2801-001.968
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 Ementa: ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. VALORES REFERENTES A PENSÃO EM ATRASO. São isentos de tributação os rendimentos relativos a aposentadoria, reforma ou pensão, recebidos por portador de doença grave devidamente comprovada em laudo pericial emitido por serviço médico oficial. Recurso Voluntário Provido
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MOLÉSTIA GRAVE. VALORES REFERENTES A PENSÃO EM ATRASO. São isentos de tributação os rendimentos relativos a aposentadoria, reforma ou pensão, recebidos por portador de doença grave devidamente comprovada em laudo pericial emitido por serviço médico oficial. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Antônio de Pádua Athayde Magalhães Presidente. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Sandro Machado dos Reis, Luiz Cláudio Farina Ventrilho, Carlos César Quadros Pierre, Antônio de Pádua Athayde Magalhães e Tânia Mara Paschoalin. Fl. 67DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 08/ 11/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por CARLOS CESAR QUA DROS PIERRE Processo nº 10070.001832/200677 Acórdão n.º 280101.968 S2TE01 Fl. 61 2 Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 2ª Turma da DRJ/RJOII (Fls. 28), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Contra a contribuinte acima identificada foi lavrado auto de infração de fls.3 a 6, relativo ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, exercício 2003, anocalendário 2002, para formalização de imposto a restituir no valor de R$9.740,99. De acordo com a fl.4 foi apurada omissão de rendimentos no valor de R$182.598,89 menos R$36.380,23, corrigido de acordo com a documentação apresentada referente ao precatório judicial 268/1996. Inconformada a interessada alega em síntese que, é portadora de moléstia grave conforme documentos apresentados. Passo adiante, a 2ª Turma da DRJ/RJOII entendeu por bem julgar o lançamento procedente, em decisão que restou sem ementa com base na Portaria SRF n° 1.364, de 10 de novembro de 2004. Cientificada em 03/02/2009 (Fls. 33 verso), a Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 22/02/2009 (fls. 34), reiterando os argumentos expostos quando da apresentação da impugnação, e anexando: (petição inicial ajuizada em 28 de maio de 1992, distribuída sob o no. 91 0828088, apelações cíveis nos. 4377/92 e 2250/92, e sentença judicial ) no intuito de fazer prova de que os proventos sobre os quais a contribuinte solicita isenção de recolhimento de Imposto de Renda, são exclusivamente originários de pensões atrasadas , pagas pelo Instituto de Previdência do Estado do Rio de Janeiro, IPERJ, obedecendo à sentença judicial , através de precatório expedido para este fim. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. Como bem descrito no Acórdão recorridos, a isenção por moléstia grave encontrase regulamentada pela Lei n° 7.713/1988, em seu artigo 6°, incisos XIV e XXI, com a redação dada pela Lei n° 11.052, de 29 de dezembro de 2004, nos termos abaixo: Fl. 68DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 08/ 11/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por CARLOS CESAR QUA DROS PIERRE Processo nº 10070.001832/200677 Acórdão n.º 280101.968 S2TE01 Fl. 62 3 "Art. 6° XIV — os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma” Acerca do tema, o Decreto nº 3.000/99 (RIR), em seu artigo 39, inciso XXXIII, bem como o §4º do mesmo artigo, assim dispõe: “Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV, Lei nº 8.541, de 1992, art. 47, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, § 2º); A partir do anocalendário de 1996, devese aplicar, para o reconhecimento de isenções, as disposições, sobre o assunto, trazidas pela Lei n° 9.250, de 26/12/1995, in verbis: Art. 30 — A partir de 1° de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6" da Lei n" 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei n° 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios."(g.n) De acordo com o texto legal, depreendese que há dois requisitos cumulativos indispensáveis à concessão da isenção. Um reportase à natureza dos valores recebidos, que devem ser proventos de aposentadoria, ou reforma, ou pensão, e o outro relacionase com a existência da moléstia tipificada no texto legal, atestada por laudo de serviço médico oficial. Após a análise dos documentos apresentados, principalmente os documentos de folhas 02 e 08 a 14 dos autos, não restam dúvidas de que a recorrente é portadora de moléstia grava grave, desde junho de 1999, que lhe garantia a isenção sobre proventos de aposentadoria reforma ou pensão a partir desta data. Fl. 69DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 08/ 11/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por CARLOS CESAR QUA DROS PIERRE Processo nº 10070.001832/200677 Acórdão n.º 280101.968 S2TE01 Fl. 63 4 Resta então analisar se os proventos do recorrente se referiam, à época dos fatos, a aposentadoria, ou a reforma, ou a pensão. Neste ponto o voto do relator do acórdão recorrido estabeleceu que; in verbis: No caso em discussão, a contribuinte apresentou documentos de fls.8 a 14 para comprovação da moléstia. Da análise do laudo médico constatase que a contribuinte é portadora de moléstia grave. Com relação à natureza dos rendimentos recebidos por meio do Precatório judicial não foi provado que se tratam de aposentadoria ou pensão. (pág. 30 dos autos) Ante ao fato de inexistência de prova de que os rendimentos recebidos se referiam a proventos de pensão, a recorrente anexou documentos que, segundo ela, provariam que os rendimentos recebidos eram referentes a valores atrasados de pensão. Realmente, a análise dos documentos apresentados, nas folhas 36 a 58 dos autos, leva ao entendimento que os valores recebidos pela recorrente via precatório judicial se referem a diferenças de pensão em atraso, pagos pelo Instituto de Previdência do Estado do Rio de Janeiro – IPERJ. Deste modo, entendo que a recorrente logrou êxito em provar que os rendimentos recebidos no ano base 2002, eram oriundos de pensão. Tendo, portanto, direito à isenção pleiteada, à partir de junho de 1999. Ante tudo acima exposto, e o que consta nos autos, voto por dar provimento ao recurso, para reconhecer a isenção dos rendimentos recebidos, via precatório, a título de valores atrasados de pensão, no ano base 2002. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 70DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 08/ 11/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por CARLOS CESAR QUA DROS PIERRE
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Numero do processo: 11060.004115/2008-41
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Nov 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004, 2005, 2006, 2007
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Comprovado que o auto de infração foi lavrado em estrita consonância com a legislação, não há que se cogitar em sua nulidade.
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
O princípio do contraditório preside a fase processual a partir da impugnação, quando se instaura o litígio. A fase de fiscalização é presidida pelo princípio inquisitorial.
IRPF. DECADÊNCIA. AJUSTE ANUAL. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO.
O direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário do IRPF sujeito à declaração de ajuste anual extingue-se
após cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. INOCORRÊNCIA.
O recorrente não logrou comprovar a origem dos depósitos efetuados em suas contas bancárias, portanto não há que se falar em erro na identificação do sujeito passivo, sob a alegação de que os aludidos depósitos são provenientes de atos de comércio.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA.
Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. ÔNUS DA PROVA.
As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão-somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei.
PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. VIOLAÇÃO. NÃO APRECIAÇÃO PELA AUTORIDADE JULGADORA. NULIDADE DA DECISÃO. INOCORRÊNCIA.
A autoridade administrativa não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Dessa forma não lhe cabe apreciar alegações de ilegalidades e violação a princípios constitucionais que tenham por objetivo afastar a aplicação da lei tributária.
PROVA. APRECIAÇÃO PELO JULGADOR.
Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção.
DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS.
As decisões administrativas não constituem normas complementares do Direito Tributário, posto que inexiste lei que lhes atribua eficácia normativa, razão pela qual só produzem efeitos entre as partes envolvidas, não beneficiando nem prejudicando terceiros.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2801-002.046
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Ausentes, momentaneamente, os Conselheiros Sandro Machado dos Reis e Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: WALTER REINALDO FALCÃO LIMA
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NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Comprovado que o auto de infração foi lavrado em estrita consonância com a legislação, não há que se cogitar em sua nulidade. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. O princípio do contraditório preside a fase processual a partir da impugnação, quando se instaura o litígio. A fase de fiscalização é presidida pelo princípio inquisitorial. IRPF. DECADÊNCIA. AJUSTE ANUAL. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. O direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário do IRPF sujeito à declaração de ajuste anual extinguese após cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. OMISSÃO DE RENDIMENTOS COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. INOCORRÊNCIA. O recorrente não logrou comprovar a origem dos depósitos efetuados em suas contas bancárias, portanto não há que se falar em erro na identificação do sujeito passivo, sob a alegação de que os aludidos depósitos são provenientes de atos de comércio. OMISSÃO DE RENDIMENTOS COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, Fl. 558DF CARF MF Impresso em 19/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 05/ 12/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 06/12/2011 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHA Processo nº 11060.004115/200841 Acórdão n.º 2801002.046 S2TE01 Fl. 523 2 mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. ÔNUS DA PROVA. As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. VIOLAÇÃO. NÃO APRECIAÇÃO PELA AUTORIDADE JULGADORA. NULIDADE DA DECISÃO. INOCORRÊNCIA. A autoridade administrativa não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Dessa forma não lhe cabe apreciar alegações de ilegalidades e violação a princípios constitucionais que tenham por objetivo afastar a aplicação da lei tributária. PROVA. APRECIAÇÃO PELO JULGADOR. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas não constituem normas complementares do Direito Tributário, posto que inexiste lei que lhes atribua eficácia normativa, razão pela qual só produzem efeitos entre as partes envolvidas, não beneficiando nem prejudicando terceiros. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Ausentes, momentaneamente, os Conselheiros Sandro Machado dos Reis e Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Assinado digitalmente Antônio de Pádua Athayde Magalhães Presidente. Assinado digitalmente Walter Reinaldo Falcão Lima Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Carlos César Quadros Pierre, Walter Reinaldo Falcão Lima e Amarylles Reinaldi e Henriques Resende. Ausentes, momentaneamente, os Conselheiros Sandro Machado dos Reis e Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Relatório Fl. 559DF CARF MF Impresso em 19/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 05/ 12/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 06/12/2011 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHA Processo nº 11060.004115/200841 Acórdão n.º 2801002.046 S2TE01 Fl. 524 3 Por sua pertinência, adoto o relatório do acórdão de primeira instância, o qual reproduzo a seguir, cabendo destacar que o Relatório de Fiscalização de fls. 09/14 descreve os fatos que resultaram no lançamento em discussão: “Contra o contribuinte foi lavrado auto de infração (fls. 02 a 19) referente a Imposto sobre a Renda de Pessoa Física do ano calendário 2003, 2004, 2005, 2006, no qual foi apurado o crédito tributário de R$ 477.641,95, nele compreendido imposto, multa de ofício e juros de mora, em decorrência da apuração de omissão do trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoas jurídicas e omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários como origem não comprovada, na forma dos dispositivos legais sumariados na peça fiscal. Tempestivamente, o interessado apresenta a impugnação da exigência às fls. 372 a 406. Suas alegações estão, em síntese, a seguir descritas. Concorda com as exigências relacionadas ao tópico de tributação 001, fls. 04 do processo administrativo fiscal, pelo que resolveu promover o recolhimento através de parcelamento firmado nesta data. De modo que estas parcelas do auto de infração passam a ser consideradas não litigiosas. Discorda da apuração de omissão de rendimentos de depósitos de origem não comprovada. O lançamento fiscal apresenta vícios e ou irregularidades de natureza legal e factual que determinam sua improcedência. Do direito Preliminarmente Os vícios de que se fala derivam, fundamentalmente, do fato de: 1) ter se equivocado na identificação (eleição) do sujeito passivo; 2) ter submetido à imposição do gravame períodos de apuração alcançados pelo instituto decadencial. Da nulidade do auto de infração face ao erro de identificação do sujeito passivo Indispensabilidade de equiparação das atividades habituais de extração de minério/comércio desenvolvidas pelo impugnante à pessoa jurídica para fins de tributação. Inobstante a todas as respostas e documentos que lhe foram disponibilizados durante a fiscalização, através dos quais procurou demonstrar que os ingressos/créditos bancários investigados eram provenientes, na quase totalidade dos casos, da atividade profissional que desenvolve há mais de duas décadas, a garimpagem, pelo que correto seria tributarlhes pela regra específica encartada no art. 48 do RIR/99, preferiu a autuante formar juízo diverso. Fl. 560DF CARF MF Impresso em 19/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 05/ 12/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 06/12/2011 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHA Processo nº 11060.004115/200841 Acórdão n.º 2801002.046 S2TE01 Fl. 525 4 Contudo deveria então face à dinâmica das operações e das peculiaridades da atividade desenvolvida pelo impugnante, equipararlhe à pessoa jurídica para o fim de formalizar o lançamento. No caso, a superficialidade e a conseqüente inconsistência da ação fiscal se exteriorizam, principalmente: Em primeiro lugar, pela ausência de qualquer ato tendente a conhecer, analisar e confirmar, através de simples procedimento de circularização de dados, as informações prestadas pelo impugnante, para melhor compreender minimamente a realidade das operações da atividade de garimpeiro nas duas jazidas que extrai minérios. Em segundo lugar, pela ausência de qualquer averiguação voltada a identificar a mecânica das atividades negociais do impugnante, a forma como se dava o fluxo dos recursos, sobretudo os frutos produzidos. Se na concepção fiscal os atos/negócios praticados não configurariam garimpagem, embora não tenha logrado provar o exercício de qualquer outra atividade profissional como fonte de renda, é de concluirse que a prática dos negócios sob a forma préconcebida pela agente fiscal deve receber a qualificação jurídica de atos de comércio. Transcreve parte do Parecer Normativo CST 984 sobre o trabalho de garimpagem. Cita o artigo 150 do RIR/99, concluindo as supostas obrigações tributárias eventualmente omitidas deveriam ser constituídas como se pessoa jurídica fosse, tributando o "lucro" então apurado (art. 148, CTN) com as demais exigências ditas "reflexivas"; jamais o somatório dos depósitos. Nesse sentido, apresenta jurisprudência administrativa. Tornase patente a nulidade do lançamento, em virtude do erro cometido. Da indevida tributação de períodos de apuração fulminados pela decadência Foram exigidos valores relacionados a fatos geradores supostamente ocorridos, também, no período compreendido entre 31/01 a 30/09 do anobase de 2003. De acordo com o §4º, art. 42 da Lei 9.430/96, os rendimentos serão tributados no mês em que forem considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. O imposto lançado está inescapavelmente submetido a uma regra específica de tributação mensal, não se amoldando a usualmente utilizada, cuja periodicidade das hipóteses de incidência seria verificada apenas anualmente (regra geral). Fl. 561DF CARF MF Impresso em 19/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 05/ 12/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 06/12/2011 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHA Processo nº 11060.004115/200841 Acórdão n.º 2801002.046 S2TE01 Fl. 526 5 Verificase dos "DEMONSTRATIVOS DE APURAÇÃO" do crédito constituído que a fiscalização atendeu ao preceptivo legal (§ 4O, art. 42, da Lei n° 9.430/96) em estudo, tributando as supostas omissões de renda hipoteticamente plasmadas na soma dos depósitos bancários ao encerramento de cada mês de apuração. Também depreendese do processo fiscal que a ciência do auto de infração ocorreu em 17 de outubro de 2008 (fls. 366). Assim, impõese reconhecer que os fatos geradores (créditos/depósitos bancários mensais) verificados entre janeiro a setembro de 2003 não poderiam ter sido objeto do lançamento porque já foram alcançados pelo prazo decadencial (§ 4O, art. 150 e 156, V, do CTN, c/c o art. 42, § 1o , Lei n°. 9.430/96). Apresenta jurisprudência administrativa sobre decadência. Requer o cancelamento das exigências sobre os fatos geradores ocorridos entre janeiro e setembro de 2003, pois transcorridos mais de cinco anos até a data de sua constituição e ciência, foram fulminados pela decadência. Do mérito: As inconsistências substanciais e factuais do lançamento Violação aos arts. 3º, 43, 110, 114/116 e 142 do CTN, e ao art. 153, III, da CF de 1988 Os montantes alegados pela fiscalização não podem serem tomados como base de cálculo da exigência, assim como o foi, sob pena de promover um verdadeiro confisco e tributar materialidade que extrapola a renda/acréscimo patrimonial do impugnante ,o que, além de interdito constitucionalmente, não se coaduna com os princípios básicos da legislação do imposto de renda. Num primeiro plano, fazse necessário averiguar se, de fato, o artigo 42 da Lei n° 9.430/96 determina, peremptoriamente, a tributação como rendimentos omitidos dos valores brutos dos depósitos. Vai daí que a leitura conjugada do "caput" e § 2o do regramento em pauta (42) permite extrair as seguintes ilações: se o contribuinte não logra comprovar a origem dos depósitos, estes são tributados pelo seu valor bruto, em separado da declaração: no entanto, se a origem for comprovada, mas não tiverem sido computados na base de cálculo, submeterseão às normas de tributação específica. Sempre procurou esclarecer que nem todos os créditos/depósitos movimentados nas contascorrente fiscalizadas lhe pertencem, e, a quase totalidade desses ingressos são decorrentes da atividade de garimpagem. A descaracterização do fato gerador do IRPF no lançamento efetuado sobre mero somatório de depósitos bancários Fl. 562DF CARF MF Impresso em 19/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 05/ 12/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 06/12/2011 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHA Processo nº 11060.004115/200841 Acórdão n.º 2801002.046 S2TE01 Fl. 527 6 A regra matriz de incidência desse imposto (IR) é o acréscimo patrimonial consubstanciado em "riqueza nova”, conforme art. 43 do CTN. Para sua incidência, a aquisição de disponibilidade econômica inédita, equivalendo afirmar que para o seu aperfeiçoamento não basta haverem receitas quaisquer, mas receitas capazes de incrementar a capacidade econômica do sujeito passivo, extraídas, por isso mesmo, as despesas necessárias à manutenção (operacionalidade) do negócio. O simples somatório bruto dos depósitos lançados jamais poderá constituir o fato gerador do IRPF. É de fácil percepção que a maior parte dos depósitos tributados que, a priori, poderiam hipoteticamente vir a representar "renda", carregam consigo, na realidade, o custo incorrido para a manutenção das atividades de garimpagem. Logo, temse que cada ingresso nas suas contasbancárias ostenta, na sua maior parte, algo que não configura renda/lucro passível de tributação. Aliás, nada pode ser mais iníquo do que a agente lançadora agarrarse em mera especulação legal para cobrarlhe mais que o devido. Tal comportamento não se compatibiliza à estrita legalidade, decorrente, pois, do primado da "tipicidade cerrada", consoante estabelece o art. 150, I, da CF de 1988. A violação do art. 142 do CTN No presente caso, de modo superficial, e, sobretudo, ilegal, foi transferido ao impugnante a incumbência verificativa que só ao fisco competia executar. O auditor fiscal afastouse da verificação do real fato gerador do tributo sobre a "renda e proventos de qualquer natureza", o que colide frontalmente com a hipótese de incidência legal e constitucional desse imposto. Acresçase a tal situação que a vinculação do agente fiscal aos termos incontornáveis da lei não permite suposições, ilações ou presunções na apuração da renda efetivamente tributável do impugnante, conforme se extrai do art. 142 do CTN. A "presunção legal" pela qual autuou o impugnante não exime da obrigação inarredável de subsumir o fato ao direito, a hipótese de incidência (renda/proventos/etc.) à regra material que estipula a alíquota e a base de cálculo pertinentes. Manifestações jurisprudenciais sobre a matéria Colaciona diversas ementas de acórdãos do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Conselho de Contribuintes). Caráter sancionatório da exigência Argúi que o lançamento contra si realizado é distante da verdade material e do legítimo fato gerador do IRPF Fl. 563DF CARF MF Impresso em 19/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 05/ 12/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 06/12/2011 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHA Processo nº 11060.004115/200841 Acórdão n.º 2801002.046 S2TE01 Fl. 528 7 (lucro/renda/acréscimo patrimonial efetivos), acaba por assumir inarredável identidade punitiva, o que, nos termos contemplados no CTN, é absolutamente defeso. Impingiu uma tributação excessivamente gravosa ao impugnante, revestida, por conseguinte, da característica sancionatória (punitiva), vedada pelo CTN. Síntese conclusiva dos defeitos substanciais (legais) da exigência Exsurge a inconsistência (incongruência) da cobrança em disputa, porque a autuante: 1) calcou o auto de infração sobre mera e infundada presunção fiscal, sem o necessário aprofundamento da investigação para conferir segurança (certeza) à suposta ocorrência do fato gerador (art. 142, CTN); conseqüentemente, por afastarse da verdade material vertida nos autos, princípio balizador que é de todas as atividades fiscalizatórias; 2) afrontou o conceito legal (art. 43, CTN) e constitucional (art. 153, III) de "renda e proventos de qualquer natureza" (disponibilidade econômica inédita); 3)maculou sua capacidade contributiva e provocou o confisco no seu patrimônio; e, finalmente, 4) revestiu a exigência de aspectos sancionatórios, descaracterizadores da espécie conhecida pela designação legal de tributo. Os erros factuais do lançamento: as receitas (somatórios de depósitos) exacionadas são decursivas da atividade de garimpagem desenvolvida A tributação do IRPF sobre si impingida há de se dar nos termos preconizados pela legislação de regência, especialmente pelo art. 48, caput, do RIR/99 (Decreto 3000, de 26.03.1999), ou seja, à razão de 10% (dez) por cento das(os) receitas (rendimentos) transitadas(os) por suas contascorrentes, tidas(os) por omitidas(os). Das provas produzidas Atua há mais de 20 anos no ramo de extração de minério, sendo esta a sua principal fonte de subsistência e a causa maior da recorrência dos créditos (depósitos) feitos nas contas correntes fiscalizadas. Nesse sentido, a já referida "Permissão de Lavra Garimpeiro" expedida pelo Departamento Nacional da Produção Mineral para a extração de pedras ametista e quartzo, dentre outras, nos municípios de Santana do Livramento/RS e Salto, do Jacuí/RS (fls. 307/308). É profissional minerador. Às fls. 309/313 procurou exemplificar a situação através do depósito no valor de R$ 39.600,00, de 03/08/2004, feito na c/c que possui junto ao Banco do Brasil (50.3665, ag. 37621), e assim relacionado na planilha fiscal de fls. 351. Fl. 564DF CARF MF Impresso em 19/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 05/ 12/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 06/12/2011 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHA Processo nº 11060.004115/200841 Acórdão n.º 2801002.046 S2TE01 Fl. 529 8 Com efeito, referido crédito bancário decorre de operações de venda de 35.000 kg. de pedras de "ágata em bruto" efetuadas em 07/10/2002 e 21/01/2003 à empresa Alfeu Carniel & Cia. Ltda. ("Carniel Pedras"), CNPJ n° 91.642.074/000187, conforme identificaram as Notas Fiscais de Produtor n°s 023321 e 023322 e as respectivas ContraNotas, ademais da Declaração firmada pelo adquirente (fls. 309313). Inobstante a isso, a autuante desconsiderou a justificativa apresentada, mantendo a tributação do referido valor ao argumento de que não haveria coincidência entre as datas e valores indicadas nas notas fiscais e o depósito cuja comprovação se fazia. Todavia, discorda respeitosamente do critério adotado, porque escorado em mera elucubração, sem trazer aos autos quaisquer outros elementos que justifiquem o rigorismo adotado. Além disso, não pode ser punido porque o adquirente da mercadoria atrasou o pagamento, o que é muito comum no ramo em que atua. De se registrar que é pessoa física e não está obrigado a manter controles contábeis de suas operações. Naturalmente, não possui escrituração dos negócios ou instrumentos equivalentes, sendo lhe impossível produzir em "prova", tal qual exigida (forma individualizada, coincidente e data e valor), de que a quase totalidade das mais de quatro centenas de operações de créditos/depósitos bancários listados na planilha fiscal em anexo são produtos da exploração da atividade de garimpeiro. Não há como pretenderse que para cada crédito nas contasbancárias haja em contrapartida, como se pessoa jurídica fosse, uma nota fiscal de igual valor e identidade de datas. Nesses casos, o rigorismo formal do art. 42 da Lei n° 9.430/96 deve ser flexibilizado, notadamente em homenagem aos princípios legais e constitucionais da razoabilidade e proporcionalidade; opinião essa já partilhada pela doutrina especializada e por acórdãos de julgamentos na esfera judicante da Administração Fazendária Federal. O montante (R$ 39.600,00, creditado em 03/08/2004) deve positivamente ser tributado na forma do art. 48 do RIR/99, eis que demonstrada sua "origem". Os valores movimentados pelo impugnante nas contascorrentes fiscalizadas advém da atividade de garimpagem, razão pela qual todos as receitas/rendimentos brutos alcançadas com a comercialização dos minérios extraídos acabaram, de uma forma ou de outra, materializando os depósitos arrolados pela Agente Fiscal às fls. 357 a 363. Traz à exame (vide ANEXO 2) o CERTIFICADO DE MATRÍCULA DE GARIMPEIRO exigido e expedido, à época, pela Secretaria da Receita Federal, tanto quanto várias NOTAS FISCAIS DE PRODUTOR emitidas nos anosbase fiscalizados (2003 a 2006). Fl. 565DF CARF MF Impresso em 19/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 05/ 12/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 06/12/2011 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHA Processo nº 11060.004115/200841 Acórdão n.º 2801002.046 S2TE01 Fl. 530 9 Para melhor visualização, os valores das operações encontram se elencados no quadro abaixo: NÚMERO DA NF DE PRODUTOR DATA DE EMISSÃO NÚMERO DA CONTRA NOTA/ DESTINATÁRIO VALOR DA OPERAÇÃO (R$) 023323 02/12/2003 368 13.800,00 023325 07/06/2004 554201 30.000,00 023326 19/08/2004 004809 300,00 023327 23/09/2004 978708 500,00 023328 05/10/2004 554205 600,00 02332? 13/11/2004 489506 800,00 023330 22/12/2004 489507 1.400,00 669071 21/06/2003 068514 1.050,00 669072 24/06/2003 560981 1.050,00 669073 14/04/2003 103644 2.000,00 669074 14/06/2003 130646 2.000,00 669075 08/05/2003 Ilegível 2.000,00 669076 05/07/2003 560984 300,00 669077 17/07/2003 015912 600,00 669078 04/06/2003 342 9.696,00 669079 05/01/2004 978848 600,00 669080 26/01/2004 978849 800,00 704951 18/02/2005 554206 20.000,00 704952 20/05/2005 068547 800,00 Desse modo, em vista de todos os elementos e pelas mesmas razões apontadas acima quanto ao despropósito de exigirlhe coincidência de datas e valores entre os depósitos bancários que serviram à tributação presuntiva e os documentos fiscais ora anexados à presente impugnação, vindica o impugnante sejam tidos os valores acima relacionados como prova cabal de que a "origem" de seus rendimentos só pode ser encontrada na sua atividade de garimpagem. Portanto, sem prejuízo de outras provas irá eventualmente produzir no curso do litígio que se instaura, reitera, acaso corrobore o entendimento de que os depósitos bancários versados no processo fiscal em foco presumidamente configuram omissão de rendimentos, submetaos, então, à tributação do imposto mediante regra específica disposta no art. 48 do RIR/99. Da prevalência da verdade material Não se pode deslembrar que a atividade fiscal, seja enquanto auditores, seja na incumbência do mister de julgar, é pautada, indeclinavelmente, pela busca da verdade real (material). Deve ser facultado ao impugnante demonstrar pelos meios em Direito admitidos como vem fazendo , donde deriva seu eventual acréscimo patrimonial, o que inclusive implicará, por conseguinte, no cálculo correto do montante do tributo devido. A persistir o auto de infração como ora feito terseá uma tributação infiel à realidade dos fatos e, bem sem sabe, a segurança jurídica não comporta ditas infidelidades. Fl. 566DF CARF MF Impresso em 19/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 05/ 12/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 06/12/2011 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHA Processo nº 11060.004115/200841 Acórdão n.º 2801002.046 S2TE01 Fl. 531 10 Pugna pela observância da verdade material, tudo com vistas a infirmar a exigência e atestar que sua eventual renda tributável deve se dar pela forma (procedimento) correta. Até porque, a rigor, mesmo em casos de presunção júris tantum como a do art. 42 da Lei n° 9.430/96 , hão de prevalecer as provas apresentadas pelo impugnante, tudo em consonância com o princípio da verdade material. Pedidos Requer: 1 preliminarmente, a nulidade do lançamento; 2 a decretação da decadência dos fatos geradores compreendidos entre janeiro a setembro de 2003; 3 no mérito, o cancelamento do auto de infração, por improcedente. A DRJ/Santa MariaRS julgou o lançamento parcialmente procedente (fls. 455/471), acatando como comprovada a origem do depósito no valor de R$ 39.600,00, realizado em 03/08/04, pelos seguintes motivos: “Consta à fl. 309 declaração da empresa Alfeu Carniel & Cia Ltda com o seguinte teor: ‘Declaramos que, o depósito efetuado na conta nº 50.3665, agência nº 37621 do Banco do Brasil no valor de R$39.600,00 (trinta e nove mil e seiscentos reais) em data de 03 de agosto de 2004 é referente ao pagamento das notas fiscais de produtor nº P058 – 023321 de 07/10/2002 e nota fiscal de produtor nº P058 023322 de 21/10/2003.’ Ambas emitidas pelo Sr. Paulo Odilar Tramontini, o atraso ocorreu devido o cliente a qual fizemos a exportação atrasou na remessa do pagamento. As notas fiscais referidas e as contranotas encontramse às fls.310 a 313. Assim, considerando como justificado o depósito no valor de R$39.600,00, em 03/08/2004, deve ser cancelado o imposto no valor de R$10.890,00 (R$39.600,00*27,5%).” Quanto às demais alegações, considerouas improcedentes com base nos seguintes fundamentos: a) rejeitou a preliminar de nulidade do lançamento, por considerar que não foram afrontados os arts. 10 e 59, do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, que tratam dos elementos que devem conter o auto de infração e das hipóteses de nulidade no processo administrativo fiscal. Ressaltou que o cerceamento do direito de defesa não pode ocorrer previamente à lavratura do auto de infração, pois o litígio se instaura somente com a impugnação, Fl. 567DF CARF MF Impresso em 19/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 05/ 12/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 06/12/2011 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHA Processo nº 11060.004115/200841 Acórdão n.º 2801002.046 S2TE01 Fl. 532 11 a partir da qual o contribuinte tem todo o direito de se defender da autuação, como ocorreu neste caso; b) rejeitou a preliminar de erro na identificação do sujeito passivo, em virtude de que as contas bancárias nas quais foram realizados os depósitos eram da titularidade do impugnante; c) rejeitou a preliminar de decadência, alegada para os fatos geradores ocorridos entre janeiro e setembro de 2003, esclarecendo que os valores omitidos sujeitamse ao ajuste anual e, dessa forma, o fato gerador ocorre em 31 de dezembro do respectivo anocalendário. Por considerar que não houve pagamento antecipado do tributo, aplicou a regra de contagem do prazo decadencial prevista no art. 173, I, do CTN, concluindo que o prazo se contaria a partir de 1º de janeiro de 2005 e se extinguiria em 31 de dezembro de 2009. Como a ciência do auto de infração ocorreu em 17/10/08, não há que se falar em decadência; d) no tocante às alegações de afronta a princípios constitucionais, esclareceu que autoridades administrativas não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional; e) na caracterização dos depósitos bancários cuja origem não foi comprovada como rendimentos omitidos, a autoridade administrativa não praticou qualquer arbitrariedade, simplesmente aplicou a legislação que trata da matéria, a saber: arts. 43 a 45 do CTN, art. 42, da Lei nº 9.430/96. Esclareceu que este último comando legal estabeleceu uma presunção juris tantum para o caso constatado pela fiscalização e, para descaracterizála, caberia ao contribuinte comprovar a origem dos depósitos identificados no procedimento fiscal, de forma individualizada, de forma a convencer o julgador, o que não ocorreu no caso em apreço, com exceção do depósito de R$ 39.600,00, realizado em 03/08/04; f) em relação à alegação de que os valores que transitaram nas contas correntes do recorrente foram provenientes da atividade de garimpeiro, tal alegação não foi aceita por não ser possível vincular as notas fiscais de fls. 410/450 com os depósitos questionados pelo Fisco, em virtude de nos extratos bancários não haver identificação do depositante, não permitindo verificar se o depositante é o mesmo destinatário/remetente na nota fiscal, e os valores e as datas das notas fiscais não conferirem nem em valores nem em datas próximas aos depósitos; g) quanto ao pedido de que os valores lançados sejam tributados à razão de 10%, por se tratarem de operações de venda decorrentes de sua atividade como garimpeiro, também não foi acatado pelo fato de que os valores mantidos como depósitos bancários sem comprovação de origem referem se àqueles que, no procedimento fiscal e na impugnação, o contribuinte não justificou a origem. E os documentos hábeis para comprovação da origem dos rendimentos percebidos por garimpeiro são as notas fiscais de produtor, nos termos do art. 48, § 2º, do Decreto nº 3.000, de 26/03/1999 (Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999); Fl. 568DF CARF MF Impresso em 19/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 05/ 12/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 06/12/2011 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHA Processo nº 11060.004115/200841 Acórdão n.º 2801002.046 S2TE01 Fl. 533 12 h) quanto às decisões administrativas e judiciais citadas, afirmou que não podem ser aplicadas ao caso em questão por não terem eficácia normativa, limitandose especificamente ao caso julgado e às partes inseridas no processo de que resultou a decisão; Cientificado do acórdão de primeira instância em 19/08/10 (fls. 474), o contribuinte interpôs, em 15/09/10, o Recurso de fls. 475/518, em que questiona apenas a omissão de rendimentos decorrente da existência de depósitos bancários sem origem comprovada, informando que concordou com o lançamento das demais matérias, razão pela qual foram transferidas para o processo administrativo autuado com o nº 11060.720496/2008 17. DAS CONSIDERAÇÕES INICIAIS (QUESTÃO DE ORDEM) Em seu recurso alega, inicialmente, que os argumentos expostos na impugnação, juntamente com os documentos carreados aos autos, são suficientes para demonstrar diversas irregularidades, que tornam o auto de infração eivado de nulidade/improcedência. Em seguida, afirma que os fundamentos utilizados no acórdão recorrido ressentemse de inconsistências que fazem com que não tenha condições de susbsistir. Sustenta que a não apreciação, pelo órgão julgador de primeira instância, das alegações relativas à legalidade dos atos administrativos em contenda e à afronta de princípios constitucionais, resulta na nulidade da decisão atacada. Entende que caberia ao julgador ao menos o reconhecimento da inconstitucionalidade das normas questionadas. Argumenta que a autoridade administrativa deve obedecer a uma série de princípios, critérios, direitos e deveres informativos no âmbito federal, consubstanciados no art. 2°, da Lei n° 9.784/99, e que em vários julgados este Conselho decidiu pela invalidade/nulidade de determinado lançamento face à incompatibilidade entre a legislação que serviu como base legal e a Constituição Federal ou mesmo lei complementar. Diante do exposto acima conclui que não devem ser impostos quaisquer espécies de limites ao reconhecimento das injuricidades estampadas no auto de infração guerreado. DAS PRELIMINARES A) DA NULIDADE POR ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO Alega que, embora, tenha, tanto quanto possível, tentado demonstrar que os ingressos em suas contas bancárias, identificados pela fiscalização, foram provenientes de atividade de garimpagem, e que, por isso, o correto seria tributálos segundo a regra específica do art. 48 do RIR/99, à razão de 10% do valor total, a fiscalização preferiu formar juízo diverso, não aceitando os argumentos e documentos apresentados como prova de tais operações, por entender que o contribuinte não se enquadra nas condições elencadas pela legislação como essencial para a caracterização de atividade de garimpagem sujeita à tributação favorecida. Fl. 569DF CARF MF Impresso em 19/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 05/ 12/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 06/12/2011 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHA Processo nº 11060.004115/200841 Acórdão n.º 2801002.046 S2TE01 Fl. 534 13 Sustenta que a autoridade fiscal deixou de executar vários procedimentos averiguatórios e indispensáveis para uma adequada e segura compreensão dos fatos analisados, tais como: em primeiro lugar, pela ausência de qualquer ato tendente a conhecer, analisar e confirmar, através de simples procedimento de circularização de dados, as informações prestadas pelo RECORRENTE, sobremenos para melhor compreender minimamente a realidade das operações da atividade garimpeira nas 02 (duas) jazidas em que extrai minérios; para s6 então exercer suas prerrogativas com o necessário conhecimento de causa, cumprindo, assim, o determinado no artigo 142 do CTN, com o qual deve agir vinculadamente; via de conseqüência e em segundo lugar, pela ausência de qualquer averiguação voltada a identificar a mecânica das atividades negociais do RECORRENTE, a forma como se dava o fluxo dos recursos, sobretudo os frutos produzidos, o tratamento fiscal atribuível à situação em foco, etc.; omissão esta que em razão da importância decisiva que exerce no presente feito, merece ser mais bem detalhada. Assevera que, se o Fisco concluiu que a atividade por ele desenvolvida não se enquadra como rendimentos percebidos como garimpeiro, na forma prevista pelo art. 48, do RIR/99, forçoso concluir que se tratam de atos de comércio, devendo ser tributados na pessoa jurídica, razão pela qual resta caracterizado o erro na identificação do sujeito passivo. Aduz que o Parecer Normativo CST n° 23/1984, ao tratar desta matéria, proferiu o mesmo entendimento que o acima esposado. Argumenta que, diante do posicionamento da fiscalização, o procedimento correto, face à dinâmica das operações e das peculiaridades da atividade por ele desenvolvida, seria equiparálo à pessoa jurídica, tributandose somente o lucro das operações, nos termos do art. 150, do RIR/99. Para corroborar sua tese, cita diversos acórdãos deste Conselho, que teriam proferido esse entendimento. Portanto, como à luz das suposições fiscais tal procedimento, de adoção obrigatória em função do caráter vinculado da atividade fiscal (arts. 3° e 142 do CTN), não foi executado, tornase patente a nulidade do lançamento, em virtude do cometimento do erro na identificação do sujeito passivo. B) DA DECADÊNCIA O recorrente alega que os fatos geradores referentes aos períodos de apuração de janeiro a setembro de 2003 estão alcançados pelo prazo decadencial. Discorre sobre a irrelevância do “pagamento” para fins de configuração do lançamento por homologação para defender a tese de que não se homologa o pagamento, mas sim o lançamento, e que, nesse sentido, a regra de contagem do prazo decadencial a ser aplicada seria o art. 150, § 4°, do CTN, e não o art. 173, I, do CTN, o que resultaria na decadência dos aludidos períodos de apuração. Afirma que o imposto lançado com base no § 1°, do artigo 42, da Lei n° 9.430/96, está submetido a uma regra especifica de tributação mensal, não se amoldando, assim, à regra usualmente utilizada, cuja periodicidade das hipóteses de incidência seria Fl. 570DF CARF MF Impresso em 19/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 05/ 12/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 06/12/2011 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHA Processo nº 11060.004115/200841 Acórdão n.º 2801002.046 S2TE01 Fl. 535 14 verificada apenas anualmente. Por conseguinte entende que o fato gerador tem início no mês da incidência do imposto, e não ao final do anocalendário e, com isso, aos períodos de apuração de janeiro a setembro de 2003 não poderiam ser objetos de lançamento pelo transcurso do prazo decadencial, haja vista que a ciência do auto de infração ocorreu em 17/10/08. Cita vários acórdãos deste Conselho que estariam em sintonia com as teses acima expostas. DO MÉRITO No tocante ao mérito, o recorrente reproduz exatamente os mesmos argumentos apresentados na impugnação, que constam no relatório do acórdão recorrido, transcrito neste acórdão, razão pela qual deixo de reproduzilos novamente. Ao final, formula os seguintes pedidos: “Ex positis, REQUER ao DD. CONSELHEIRO(A) RELATOR(A) desta respeitável CÂMARA/TURMA JUDICANTE, após examinar o apelo e tendose presente os permissivos que promanam do art. 2°, da Lei 9.784/99 (legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência, [...] atuação conforme a lei e o Direito), reforme o acórdão da DRJSTMRS para o fim de JULGAR/DECLARAR, face aos vícios/impropriedades e inconsistências reclamadas(os): 5.1. PRELIMINARMENTE, à vista dos vícios retratados, a NULIDADE do lançamento objurgado; 5.2. No tocante à prefacial articulada no subtítulo 4.2, a decretação da decadência dos fatos geradores compreendidos entre 01 a 09/2003; ou, na hipótese do inacolhimento das prejudiciais suscitadas, 5.3. NO MÉRITO, o cancelamento do auto de infração, por improcedente, culminando com o pronto arquivamento do processo fiscal em lide. NESTES TERMOS; PEDE DEFERIMENTO.” É o Relatório. Voto Conselheiro Walter Reinaldo Falcão Lima O recurso é tempestivo e atende as demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Cumpre informar, inicialmente, que a lide se restringe ao lançamento decorrente de depósitos bancários cuja origem não foi comprovada, haja vista que o interessado Fl. 571DF CARF MF Impresso em 19/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 05/ 12/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 06/12/2011 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHA Processo nº 11060.004115/200841 Acórdão n.º 2801002.046 S2TE01 Fl. 536 15 concordou com as demais matérias lançadas, tendo inclusive solicitado parcelamento do crédito tributário respectivo, que foi transferido para o processo administrativo autuado com o nº 11060.720496/200817. O recorrente expõe, a princípio, considerações acerca da nulidade do auto de infração e do acórdão recorrido, que trata como questão de ordem. Todavia, como se trata de matéria enquadrada como preliminar, será apreciada juntamente com as demais preliminares suscitadas. DAS PRELIMINARES A) DA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO Não se encontram presentes quaisquer hipóteses que ensejam a nulidade do auto de infração, uma vez que foi lavrado em estrita consonância com a legislação, sendo descabida, também, quaisquer arguições de cerceamento do direito de defesa, como bem esclarecido no acórdão recorrido, razão pela qual peço vênia para adotar como fundamento da minha decisão trecho do voto do relator daquele aresto que trata da matéria, o qual reproduzo a seguir: “Primeiramente, sobre a argüição de nulidade, esclareçase que as hipóteses de nulidade absoluta são as previstas no art. 59, Decreto n.º 70.235, de 06 de março de 1972, que trata do Processo Administrativo Fiscal (PAF), e dispõe que: “Art. 59. São nulos: I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidas por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. (...)” No presente processo, todos os atos e termos foram lavrados por Auditor Fiscal da Receita Federal – servidor competente para tal lavratura –, perfeitamente identificado pelo nome, matrícula e assinatura em todos esses atos, no decorrer da fiscalização. Especificamente com relação ao Auto de Infração, há de se constatar que todos os requisitos previstos no artigo 10, do Decreto 70.235/1972, abaixo transcrito, também foram plenamente observados quando de sua lavratura: “Art.10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de 30 (trinta) dias; Fl. 572DF CARF MF Impresso em 19/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 05/ 12/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 06/12/2011 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHA Processo nº 11060.004115/200841 Acórdão n.º 2801002.046 S2TE01 Fl. 537 16 VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula.” Outrossim, no processo administrativo fiscal, o cerceamento do direito de defesa resulta de despachos e decisões. Assim, não pode ocorrer previamente à lavratura de atos ou termos, entre os quais se inclui o auto de infração. Após a lavratura do auto de infração e de sua ciência é aberto o prazo para o contribuinte impugnar a exigência fiscal, sendolhe proporcionado devidamente o contraditório e a ampla defesa, pois, é só com a impugnação do auto de infração, que se instaura o litígio entre o fisco e o contribuinte, podendose, então, falar em ampla defesa ou cerceamento dela. É na fase da impugnação que o autuado tem a oportunidade de apresentar os esclarecimentos que julgar necessários e os documentos que comprovem suas alegações a fim de ser proferida, apreciandose todos os seus argumentos e provas e, à luz da legislação tributária, o acórdão de primeira instância administrativa.” Diante do exposto acima rejeito a preliminar de nulidade do auto de infração. B) DA NULIDADE DO ACÓRDÃO RECORRIDO A nulidade do acórdão recorrido, invocada pelo interessado, está estribada no fato de o órgão julgador de primeira instância não ter se pronunciado acerca das alegações de ilegalidades e inconstitucionalidades de atos administrativos e de afronta a princípios constitucionais. Afirma, ainda, o recorrente, que não foram obedecidos os princípios consubstanciados no art. 2°, da Lei n° 9.784/99. As alegações em questão não procedem, pois não é competência dos órgãos julgadores administrativos se pronunciarem sobre a ilegalidade ou inconstitucionalidade de lei tributária, o que alcança a análise de afronta a princípios constitucionais. Esta função é exclusiva do Poder Judiciário. Este Conselho já se posicionou definitivamente sobre este tema, por meio da Súmula CARF nº 2, in verbis: Súmula CARF nº 2: Inconstitucionalidade Incompetência O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. É importante destacar que, nos termos do art. 72 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/09, a observância de tais súmulas pelos membros deste Conselho é obrigatória. Igualmente, não houve qualquer desrespeito por parte do órgão julgador de primeira instância aos princípios descritos no art. 2°, da Lei n° 9.784/99. O julgamento foi realizado em conformidade com as disposições contidas no Decreto n° 70.235/72 e com as demais normas que tratam das matérias que foram objetos do lançamento. O não acatamento das alegações do interessado não constitui, por si só, o desrespeito aos aludidos princípios, mormente quando a decisão prolatada foi devidamente fundamentada e calcada nos elementos Fl. 573DF CARF MF Impresso em 19/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 05/ 12/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 06/12/2011 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHA Processo nº 11060.004115/200841 Acórdão n.º 2801002.046 S2TE01 Fl. 538 17 carreados aos autos e na ausência de provas que justificassem as operações que foram tributadas pela fiscalização. Por tais razões rejeito a preliminar de nulidade do acórdão recorrido. C) DO ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO O recorrente alega que os depósitos bancários que o Fisco considerou como rendimentos omitidos, em face da não comprovação da origem dos respectivos recursos, tratamse de operações relativas a atos de comércio e que, por isso, deveriam ter sido tributadas na pessoa jurídica, face ao disposto no art. 150, do RIR/99. Sustenta que, pelo fato de a fiscalização ter concluído que as atividades por ele desenvolvida não configuram “garimpagem”, nos termos do art. 48, do RIR/99, por não atender aos requisitos previstos nos artigos 70 a 73 do Decretolei n° 227, de 28/02/1967, o correto seria considerar, então, tais atividades como desenvolvidas por pessoa jurídica, e tributálas dessa forma. Por conseguinte, como o lançamento foi realizado na pessoa física, entende que o auto de infração deve ser declarado nulo por erro na identificação do sujeito passivo. Inicialmente, cabe esclarecer que o lançamento foi realizado em virtude de o contribuinte não ter comprovado a origem dos depósitos realizados em suas contas correntes, com fundamento no artigo 42 da Lei nº 9.430/96. Em nenhum momento o Fisco reconheceu que tais valores seriam decorrentes de atividades de garimpagem, sejam realizadas por pessoa física ou jurídica, mesmo porque se isso fosse reconhecido, o lançamento não poderia ter como base legal o dispositivo acima citado, haja vista que a origem dos recursos estaria comprovada. Vale dizer que o órgão julgador de primeira instância, ao reconhecer como justificado o depósito no valor de R$ 39.600,00, em 03/08/2004, cancelou o imposto lançado relativo a essa operação. Assim, somente se houvesse sido comprovado que os valores depositados nas contas correntes, identificados pela fiscalização, são provenientes de atividades de garimpagem, é que se poderia iniciar o debate acerca da correta tributação de tais valores, se na pessoa física ou jurídica. Ocorre que, com exceção do depósito excluído do lançamento pelo órgão julgador de primeira instância, no valor de R$ 39.600,00, pela análise dos documentos carreados aos autos, não há compatibilidade, em datas e valores, entre as notas fiscais apresentadas pelo recorrentes, relativas à atividade de garimpagem, e os depósitos para os quais foi exigida a comprovação de sua origem. Convém ressaltar que, nos termos do § 3º, do artigo 42, da Lei nº 9.430/96, a análise dos respectivos depósitos deve ser feita de forma individualizada. Logo, meras alegações sem que haja uma correlação entre os documentos juntados como prova da origem dos valores depositados nas contas correntes, não são suficientes para descaracterizar o lançamento. Por fim, não se deve olvidar que o art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, instituiu uma presunção de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada, que somente pode ser elidida se o contribuinte provar a origem dos valores creditados, o que não ocorreu no caso em apreço, não podendo ser aceita como prova, mera presunção de que tais valores são provenientes de determinada atividade, como pretende o recorrente. Fl. 574DF CARF MF Impresso em 19/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 05/ 12/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 06/12/2011 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHA Processo nº 11060.004115/200841 Acórdão n.º 2801002.046 S2TE01 Fl. 539 18 Diante do exposto acima rejeito a preliminar de erro na identificação do sujeito passivo. D) DA DECADÊNCIA Não prospera a alegação de que os fatos geradores referentes aos períodos de apuração de janeiro a setembro de 2003 estão alcançados pelo prazo decadencial, como será demonstrado a seguir. Como já pacificado neste Conselho, por meio da Súmula CARF nº 38, o fato gerador do IRPF, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. Por conseguinte o fato gerador dos períodos de apuração de janeiro a setembro de 2003 ocorreu em 31/12/03. A questão relativa ao prazo decadencial foi sujeita ao rito previsto no art. 543C, do Código de Processo Civil, por meio de decisão prolatada em 18/05/09 no Resp STJ nº 973.333/SC, que teve seu julgamento submetido como “recurso representativo da controvérsia”, sendo que por meio do acórdão proferido em 12/08/09, foi decidido que, nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado, o termo inicial do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial rege se pelo disposto no artigo 173, I, do CTN. Ao apreciar, em 09/02/10, embargos de declaração opostos nos embargos de declaração no agravo regimental no Resp STJ nº 674.497 PR (2004/01099782), a Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça, acolheu os referidos embargos, com efeitos modificativos, para dar provimento parcial ao recurso, de acordo com a seguinte ementa: “PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART. 173, I, DO CTN. DECADÊNCIA. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. EXCEPCIONALIDADE. 1. Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional objetivando afastar a decadência de créditos tributários referentes a fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. 2. Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para dar parcial provimento ao recurso especial.” Oportuno transcrever trecho do voto do relator do respectivo julgado, em que consta o esclarecimento acerca da data em que se considera como marco inicial da contagem do prazo decadencial, nos casos de ausência de pagamento antecipado do respectivo tributo: “Sobre o tema, a Primeira Seção desta Corte, utilizandose da sistemática prevista no art. 543C do CPC, introduzido no ordenamento jurídico pátrio por meio da Lei dos Recursos Repetitivos, ao julgar o REsp 973.733/SC, Rel Min. Luiz Fux (j. Fl. 575DF CARF MF Impresso em 19/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 05/ 12/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 06/12/2011 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHA Processo nº 11060.004115/200841 Acórdão n.º 2801002.046 S2TE01 Fl. 540 19 12.8.2009), reiterou o entendimento no sentido de que, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação não declarado e inadimplido, como o caso dos autos, o Fisco dispõe de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado para a constituição do crédito tributário, nos termos do art. 173, I, do CTN. Somente nos casos em que o pagamento foi feito antecipadamente, o prazo será de cinco anos a contar do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN).” Pelo exposto acima resta claro em ambos os acórdãos que aquela Corte considera relevante a existência ou não de pagamento antecipado para fins de contagem do prazo decadencial. Havendo recolhimento antecipado, o citado prazo será contado a partir do fato gerador, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Não havendo, deve ser aplicada a regra contida no art. 173, I, do CTN, que estabelece como marco inicial do prazo o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. O art. 62A do Regimento Interno do CARF, inserido pela Port. MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010, publicada no DOU de 22/12/10, determina que as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. O acórdão proferido no Resp STJ nº 973.333/SC, que norteou o entendimento do STJ acerca da matéria, transitou em julgado em 22/10/09. No âmbito do IRPF considerase ter havido pagamento antecipado quando o contribuinte efetua recolhimento, seja por meio de carnêleão, imposto complementar ou retenção na fonte. Verificando a declaração de ajuste anual do contribuinte (fls. 20), constatase a ausência de pagamento antecipado. Logo, no presente caso, para fins de contagem do prazo decadencial deve ser aplicada a regra estabelecida no art. 173, I, do CTN, sendo assim o termo de início ocorreu em 01/01/05 e o termo final em 31/12/09. Como o contribuinte foi cientificado do auto de infração em 17/10/08 (fls. 366), o lançamento foi realizado dentro do prazo decadencial Por tais razões rejeito a preliminar de decadência. DO MÉRITO Cumpre assinalar, inicialmente, que o órgão julgador de primeira instância reconheceu como justificado o depósito no valor de R$ 39.600,00, em 03/08/2004, à vista dos documentos anexados às fls. 309/313, e cancelou o imposto lançado relativo a essa operação, razão pela qual o citado depósito não será objeto de apreciação deste julgador. Convém reproduzir, inicialmente, o artigo 42 da Lei nº 9.430/96, que embasou o lançamento, com as alterações posteriores introduzidas pelo art. 4º da Lei nº 9.481/97, e pelo art. 58 da Lei nº 10.637/2002: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação Fl. 576DF CARF MF Impresso em 19/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 05/ 12/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 06/12/2011 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHA Processo nº 11060.004115/200841 Acórdão n.º 2801002.046 S2TE01 Fl. 541 20 aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I – os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II – no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$80.000,00 (oitenta mil reais). § 4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. § 6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares Constatase, pela leitura do texto acima, que a caracterização como omissão de rendimento ou de receita dos valores depositados em conta bancária, para os quais o contribuinte não comprove a origem dos recursos utilizados nessas operações, tratase de uma presunção legal que, somente pode ser elidida mediante documentação hábil e idônea, sendo que o ônus da prova é do interessado. Para que seja considerada comprovada a origem dos recursos, fazse necessário que haja vinculação, de forma individualizada, entre as provas apresentadas e os depósitos para os quais foi exigida a comprovação de suas origens. Essa vinculação não se faz Fl. 577DF CARF MF Impresso em 19/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 05/ 12/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 06/12/2011 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHA Processo nº 11060.004115/200841 Acórdão n.º 2801002.046 S2TE01 Fl. 542 21 mediante meras alegações, mas sim com a demonstração de que os documentos carreados aos autos dizem respeito às aludidas operações bancárias. No presente caso o recorrente alega que os depósitos se referem a operações relativas à atividade de garimpagem, tendo juntado os documentos de fls. 409/450 para comprovar que exerce essa atividade e que efetuou várias operações relacionadas a ela nos anos fiscalizados. Acrescentou que nem todos os depósitos efetuados em suas contas bancárias lhe pertencem. Elencou, em seu recurso, as operações relativas às notas fiscais apresentadas (fls. 513), com o objetivo de corroborar seus argumentos. Todavia, analisando as notas fiscais anexadas pelo interessado, juntamente com os extratos bancários em que constam os depósitos discriminados pela fiscalização (fls. 281/288), constatei que não há qualquer compatibilidade entre os depósitos bancários e as notas fiscais apresentadas que permitam concluir que os valores movimentados nas contas correntes foram provenientes daquelas transações comerciais. Os valores e as datas contidas nas notas fiscais não são compatíveis com aqueles relacionados nos respectivos depósitos. Também não foram apresentadas quaisquer documentos que comprovem que os valores depositados são de terceiros. Ressalto, mais uma vez, que o depósito no valor de R$ 39.600,00, em 03/08/2004, não foi incluído na análise acima citada. Portanto, sem a prova da efetiva origem dos depósitos bancários, de forma individualizada, não há como se afastar a presunção de omissão de rendimentos. Por conseguinte reputase, também, descabida a solicitação de tributação à razão de 10% do total dos valores omitidos, com fulcro no art. 48, do RIR/99, sob a alegação de se tratar de operações relativas à atividade de garimpagem. É importante destacar que, nos termos do art. 29 do Decreto nº 70.235/72, na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção. No presente caso, as provas carreadas aos autos não me conveceram de que a origem dos depósitos bancários foi proveniente das atividades de garimpagem do contribuinte. Discorre, o recorrente, acerca do desrespeito por parte da fiscalização a diversos dispositivos legais, tais como violação aos arts.. 3º, 43, 110, 114/116 e 142 do CTN, além do art. 153, III, da Constituição Federal de 1988, por entender ter sido tributada base material absolutamente distinta da "renda"/"lucro", que a exigência do imposto está arrimada numa suposta "renda" auferida, num acréscimo patrimonial "presumível", para concluir que os montantes alegados pela fiscalização não podem, acriticamente, serem tomados como base de cálculo da exigência. Como já esclarecido quando da apreciação das alegações de nulidade do auto de infração e do acórdão recorrido, todos os requisitos previstos no artigo 10, do Decreto 70.235/1972, forma observados na lavratura do citado auto. Vale dizer que o lançamento foi fundamentado no art. 42 da Lei nº 9.430/96, em virtude de ter sido constatada a existência de depósitos bancários cuja origem não foi comprovada. Nesse sentido qualquer alegação de que a presunção contida naquela norma é ilegal ou inconstitucional, ou que os parâmetros ali definidos para a tributação dos valores considerados omitidos são contrários a outros dispositivos legais, não pode ser apreciada por este julgador por não estar entre as competências deste Conselho decidir sobre a constitucionalidade ou legalidade de leis, como esclarecido anteriormente, e pacificado por intermédio da Súmula CARF nº 2. Fl. 578DF CARF MF Impresso em 19/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 05/ 12/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 06/12/2011 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHA Processo nº 11060.004115/200841 Acórdão n.º 2801002.046 S2TE01 Fl. 543 22 No que diz respeito à alegação de que não está obrigado a manter controles contábeis de suas operações, por não ser pessoa jurídica, cumpre assinalar que a pessoa física está obrigada a guardar os documentos das operações ocorridas ao longo do anocalendário, até que se expire o direito de a Fazenda Nacional realizar ações fiscais relativas ao período, ou seja, até que ocorra a decadência do direito de lançar. Por fim, quanto ao argumento de que decisões administrativas seriam favoráveis a suas teses, cumpre informar que tais julgados não constituem normas complementares do Direito Tributário, posto que inexiste lei que lhes atribua eficácia normativa, razão pela qual só produzem efeitos entre as partes envolvidas, não beneficiando nem prejudicando terceiros. Diante do exposto acima voto por REJEITAR as preliminares suscitadas e, no mérito, por NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Walter Reinaldo Falcão Lima – Relator Fl. 579DF CARF MF Impresso em 19/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 05/ 12/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 06/12/2011 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHA
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Numero do processo: 14120.000305/2009-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Data do Fato Gerador: 11/11/2009
OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES CADASTRAIS, FINANCEIRAS E CONTÁBEIS DE INTERESSE DO FISCO. CFL 35.
Constitui infração às disposições inscritas no art. 32, III da Lei n° 8212/91 c/c art. 283, II, ‘b’ do RPS, aprovado pelo Dec. n° 3048/99, deixar a empresa de prestar ao Instituto Nacional do Seguro Social todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis do interesse desta Autarquia, na forma por ela estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização.
A inobservância de obrigação tributária acessória constitui-se
fato gerador do auto de infração, convertendo-se em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária aplicada.
LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. ATO ADMINISTRATIVO. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE E LEGALIDADE. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA.
Tendo em vista o consagrado atributo da presunção de veracidade que caracteriza os atos administrativos, gênero do qual o lançamento tributário é espécie, opera-se a inversão do encargo probatório, repousando sobre o notificado o ônus de desconstituir o lançamento ora em consumação.
CORESP. RELATÓRIO OBRIGATÓRIO DA NOTIFICAÇÃO FISCAL.
A inclusão dos sócios na Relação de Corresponsáveis CORESP não tem o condão de os inserir no polo passivo da relação jurídica tributária. Presta-se apenas como subsídio à Procuradoria, caso se configure a responsabilidade pessoal de terceiros, na hipótese encartada no inciso III do art. 135 do CTN.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-001.598
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES CADASTRAIS, FINANCEIRAS E CONTÁBEIS DE INTERESSE DO FISCO. CFL 35. Constitui infração às disposições inscritas no art. 32, III da Lei n° 8212/91 c/c art. 283, II, ‘b’ do RPS, aprovado pelo Dec. n° 3048/99, deixar a empresa de prestar ao Instituto Nacional do Seguro Social todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis do interesse desta Autarquia, na forma por ela estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização. A inobservância de obrigação tributária acessória constituise fato gerador do auto de infração, convertendose em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária aplicada. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. ATO ADMINISTRATIVO. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE E LEGALIDADE. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Tendo em vista o consagrado atributo da presunção de veracidade que caracteriza os atos administrativos, gênero do qual o lançamento tributário é espécie, operase a inversão do encargo probatório, repousando sobre o notificado o ônus de desconstituir o lançamento ora em consumação. CORESP. RELATÓRIO OBRIGATÓRIO DA NOTIFICAÇÃO FISCAL. A inclusão dos sócios na Relação de Corresponsáveis CORESP não tem o condão de os inserir no polo passivo da relação jurídica tributária. Prestase apenas como subsídio à Procuradoria, caso se configure a responsabilidade pessoal de terceiros, na hipótese encartada no inciso III do art. 135 do CTN. Recurso Voluntário Negado Fl. 83DF CARF MF Impresso em 21/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Marco André Ramos Vieira Presidente. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco André Ramos Vieira (Presidente de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vicepresidente de turma), Liége Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Eduardo Augusto Marcondes de Freitas e Arlindo da Costa e Silva. Ausência momentânea: Eduardo Augusto Marcondes de Freitas. Relatório Período de apuração: 01/2006 a 12/2006. Data de lavratura do Auto de Infração: 11/11/2009. Data da Ciência do Auto de Infração: 07/12/2009. Tratase de auto de infração decorrente do descumprimento de obrigações acessórias previstas no art. 32, III da Lei n° 8.212/1991 c/c art. 283, II, “b” do RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999, lavrado em desfavor do Recorrente, em virtude de não haverem sido apresentados os Livros de Registro de Saídas e o Livro de Registro de Entradas, além das notas fiscais de entrada e saída dos estabelecimentos matriz e filiais, conforme destacado no relatório fiscal a fl. 05. CFL 35 Deixar a empresa de prestar ao INSS todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse do mesmo, na forma por ele estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização. A multa foi aplicada em conformidade com a cominação prevista no art. 283, II, ‘b’ do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048 de 06/05/1999, com o seu valor mínimo atualizado pela Portaria Interministerial MPS/MF nº 48, de 12/02/2009, publicada no Diário Oficial da União em 13/02/2009, de acordo com o reportado no Relatório Fiscal de Aplicação da multa, a fl. 06. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 21/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 14120.000305/200914 Acórdão n.º 230201.598 S2C3T2 Fl. 82 3 Irresignado com a autuação, o autuado apresentou impugnação administrativa, a fls. 15/19. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande/MS lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão a fls. 57/61, julgando procedente a autuação, mantendo o crédito tributário em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 10/11/2010, conforme Aviso de Recebimento a fl. 67. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 69/74, deduzindo seu inconformismo em argumentação desenvolvida nos termos que se vos seguem: § Que as pessoas dos sócios foram incluídas como corresponsáveis pela infração imputada ao Recorrente; § Que a autoridade fiscal informalmente dispensou o Recorrente de apresentar os documentos relacionados no Auto de Infração. Ao fim, requer a declaração de improcedência da presente autuação. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 21/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 10/11/2010, quartafeira, dia útil. Havendo sido o recurso protocolizado aos 11 dias do mês de dezembro do mesmo ano, há que se reconhecer a tempestividade de sua interposição. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. Ante a ausência de questões preliminares a serem dirimidas, passamos diretamente ao exame do mérito. 2. DO MÉRITO Cumpre, de plano, assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente contestadas pelo Recorrente, as quais se presumirão verdadeiras. 2.1. DO RELATÓRIO DE CORRESPONSÁVEIS Pondera o Recorrente que as pessoas dos sócios foram incluídas como corresponsáveis pela infração imputada ao Recorrente. Cumpre neste comenos esclarecer que a responsabilidade pelas obrigações decorrentes do vertente Auto de Infração é da empresa, não dos diretores arrolados no relatório intitulado "CORRESPONSÁVEIS", não integrando estes o polo passivo da autuação. A Relação de Corresponsáveis possui apenas caráter informativo, prestando se como mero subsídio à Procuradoria, caso haja a necessidade de execução judicial do crédito previdenciário, após a preclusão do contencioso administrativo, nas estritas hipóteses em que vingue configurada a responsabilidade pessoal de terceiros pelos atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, nos termos estatuídos no inciso III do art. 135 do CTN. Nesse sentido, o art. 2º da Portaria PGFN nº 180, de 25 de fevereiro de 2010, dispõe que, a inclusão do responsável solidário na Certidão de Dívida Ativa da União somente ocorrerá após a declaração fundamentada da autoridade competente da Secretaria da Receita Fl. 86DF CARF MF Impresso em 21/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 14120.000305/200914 Acórdão n.º 230201.598 S2C3T2 Fl. 83 5 Federal do Brasil (RFB), do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) ou da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) acerca da ocorrência de ao menos uma das quatro situações elencadas a seguir: I excesso de poderes; II infração à lei; III infração ao contrato social ou estatuto; IV dissolução irregular da pessoa jurídica. Na hipótese de dissolução irregular da pessoa jurídica, os sóciosgerentes e os terceiros não sócios, com poderes de gerência à época da dissolução, bem como do fato gerador, deverão ser considerados responsáveis solidários. De acordo com a citada Portaria, para fins de responsabilização com base no inciso III do art. 135 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional entendese como responsável solidário o sócio, pessoa física ou jurídica, ou o terceiro não sócio, que possua poderes de gerência sobre a pessoa jurídica, independentemente da denominação conferida, à época da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária objeto de cobrança judicial. Cumpre ressaltar, por relevante, que a atividade fiscal tem caráter plenamente vinculado, característica que impinge ao Auditor Fiscal a atenção aos procedimentos de fiscalização fixados na legislação tributária. Nesse sentido, a Instrução Normativa SRP nº 3, de 14/07/2005, vigente por ocasião da lavratura do Auto de Infração em tela, assim dispõe: Instrução Normativa SRP nº 3, de 14 de julho de 2005 Art. 660. Constituem peças de instrução do processo administrativofiscal previdenciário, os seguintes relatórios e documentos: (..) X Relação de CoResponsáveis CORESP, que lista todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação"; Avulta, portanto, que a atuação do auditor fiscal autuante, no que tange à constituição da Relação de Corresponsáveis, não se encontra impregnada de qualquer discricionariedade nem, tampouco, ilegalidade. Ela decorre, pura e simplesmente, da natureza vinculada do seu atuar de oficio. 2.2. DOS MEIOS DE PROVA Alega o Recorrente que a autoridade fiscal informalmente dispensou o Recorrente de apresentar os documentos relacionados no Auto de Infração Fl. 87DF CARF MF Impresso em 21/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 Tais alegações atritamse com os fatos narrados no presente Auto de Infração. Logo de plano mostrase relevante iluminar que os atos administrativos, assim como seu conteúdo, gozam de presunção legal iuris tantum de legalidade, legitimidade e veracidade. Diferentemente do que ocorre com as pessoas jurídicas de direito privado, que se formam a partir da vontade humana, as pessoas jurídicas de direito público tem sua existência legal em razão de fatos históricos, da Constituição do país, de leis ou tratados internacionais, visando ao atingimento de certos fins de interesse da coletividade, estruturando se juridicamente, ao influxo de uma finalidade cogente, eis que vinculada ao princípio da constitucional da finalidade. Muito embora a Administração Pública se submeta primordialmente ao regime jurídico de direito público, nas ocasiões em que sua subsunção ao regime de direito privado se revela preponderante, a sua submissão não é absoluta, uma vez que a necessidade de satisfação dos interesses coletivos exige a outorga de prerrogativas e privilégios para a Administração pública, tanto para limitar o exercício dos direitos individuais em benefício do bem estar coletivo como para a própria e eficaz prestação de serviços públicos. Tais prerrogativas e privilégios existem e subsistem mesmo quando o Ente Público se equipara ao privado, eis que inerentes à ideia de dever irremissível do Estado, bem como à supremacia dos interesses coletivos que representa em contraposição aos interesses individuais de natureza privada. Justificamse as prerrogativas e privilégios da Administração Pública pela circunstância de serem os atos administrativos emanações diretas do Poder Público em favor da coletividade, impondoselhes a premência de serem ornados de determinados atributos que os distingam dos atos jurídicos de direito privado, o que lhes confere características intrínsecas próprias e condições peculiares de atuação na sociedade, como nessa qualidade se apresentam a presunção de legitimidade, a imperatividade e a autoexecutoriedade. Relembrando o magistério do Mestre Hely Lopes Meirelles, “os atos administrativos, qualquer que seja sua categoria ou espécie, nascem com a presunção de legitimidade, independentemente de norma legal que a estabeleça. Essa presunção decorre do princípio da legalidade da Administração, que, nos Estados de Direito, informa toda a atuação governamental. Além disso, a presunção de legitimidade dos atos administrativos responde as exigências de celeridade e segurança das atividades do Poder Público, que não podem ficar na dependência da solução de impugnação dos administrados, quanto à legitimidade de seus atos, para só após darlhes execução”. (Direito Administrativo Brasileiro. São Paulo: Malheiros, 1995). Nessa vertente, a presunção de legitimidade do ato administrativo relaciona se aos seus aspectos jurídicos. Em consequência, presumemse, até que se prove o contrário, que os atos administrativos foram emitidos com observância da lei. No entanto, essa presunção abrange também a veracidade dos fatos contidos no ato, no que se convencionou denominar de “presunção de veracidade dos atos administrativos”, do qual decorre a circunstância de serem presumidos como verdadeiros os fatos alegados pela Administração, até a prova em sentido diverso. Na arguta visão de Maria Sylvia Zanella Di Pietro, a presunção de veracidade e legitimidade consiste na "conformidade do ato à lei. Em decorrência desse atributo, Fl. 88DF CARF MF Impresso em 21/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 14120.000305/200914 Acórdão n.º 230201.598 S2C3T2 Fl. 84 7 presumemse, até prova em contrário, que os atos administrativos foram emitidos com observância da lei" (Direito Administrativo, 18ª Edição, 2005, Atlas, São Paulo). Ainda de acordo com a citada autora, "A presunção de veracidade diz respeito aos fatos. Em decorrência desse atributo, presumemse verdadeiros os fatos alegados pela Administração." (op. cit. pág. 191). Dessarte, a aplicação da presunção de veracidade tem o condão de inverter o ônus da prova, cabendo ao particular comprovar de forma cabal a inocorrência dos fatos descritos pelo agente público, ou circunstância que exima sua responsabilidade administrativa, nos termos dos art. 333, inciso I do Código de Processo Civil. Nessa toada, por serem dotados os atos administrativos de prerrogativas que derrogam o direito comum perante a administração, urge serem analisados sob a luz que dimana do regime jurídico de direito público que os rege. Neste comenos, digressionando superficialmente sobre os meios de prova admissíveis em direito, percebemos que o art. 332 do Código de Processo Civil considera como hábeis a provar a verdade dos fatos todos os meios legais, assim como aqueles moralmente legítimos, ainda que não especificados no Código. A partir da interpretação sistemática do ora revisitado dispositivo, perante o dogma do contraditório e da ampla defesa encartado nos incisos LV e LVI do art. 5º da CF/88, concluise ser aceitável a utilização, no processo administrativo ou judicial, de todos os meios de prova, desde que moralmente legítimos e colhidos, direta ou indiretamente, sem infringência às normas de direito material. Visitando as páginas do CPC, são nossas retinas expostas ao preceito inscrito no inciso IV do art. 334, que assenta de forma expressa não depender de prova no processo os fatos em cujo favor militar presunção legal de existência ou de veracidade. Código de Processo Civil Art. 332. Todos os meios legais, bem como os moralmente legítimos, ainda que não especificados neste Código, são hábeis para provar a verdade dos fatos, em que se funda a ação ou a defesa. Art. 334. Não dependem de prova os fatos: (...) IV em cujo favor milita presunção legal de existência ou de veracidade. Vale lembrar que as presunções, assim como os indícios, são também conhecidas como prova indireta. Nessa perspectiva, enquanto os meios ordinários de prova fornecem ao julgador a ideia objetiva do fato que se almeja provar, na presunção, os fatos afirmados não se referem ao meio de prova apresentado, mas a um outro fato ordinário não comprovado nos autos mas conexo ao fato probante, que com ele se relaciona, e de cujo conhecimento, através de um raciocínio lógico, atrai a conclusão de ocorrência do primeiro. A estrutura do raciocínio empregado é a do silogismo, figurando como premissa menor um fato conhecido e provado nos autos e como premissa maior a verdade contida nesse fato auxiliar, cuja ocorrência se deduz pela experiência do que ordinariamente acontece. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 21/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 Colhemos da melhor doutrina que, “nesse caso, o juiz conhecerá o fato probando indiretamente. Tendo como ponto de partida o fato conhecido, caminha o juiz, por via do raciocínio e guiado pela experiência, ao fato por provar” (Moacyr Amaral dos Santos, Primeiras Linhas de Direito Processual Civil 2º Volume, São Paulo: Saraiva, 1995). Consoante tal estrutura, se um determinado fato jurídico realmente vem a ocorrer, dele sucederá o fato que se deseja provar, em razão do que comumente acontece. Em hipóteses tais, quando na base do silogismo se chega a um fato que ordinariamente acontece, da conclusão se autoriza que se extraia uma presunção, eis que o fato presumido é uma consequência verossímil do fato conhecido. Assim, as presunções legais decorrem de um raciocínio sugerido pelo ordenamento legal, devendo tal situação restar expressamente consignada na lei. Sua eficácia probatória, todavia, pode admitir ou não de prova em sentido contrário. Nesse contexto, na presunção absoluta a parte invocadora da presunção não está obrigada a provar o fato presumido, mas sim, o fato no qual a lei se assenta, não admitindo qualquer prova em contrário. De modo diverso, na presunção relativa, a lei estabelece que o fato presumido é havido como verdadeiro até que a ele se oponha prova em contrário. No caso sub examine, a presunção de veracidade dos atos administrativos decorre do princípio da legalidade estatuído no caput do art. 37 da Lex Excelsior, sendo considerada, para efeitos processuais, uma presunção legal iuris tantum e, dessarte, um meio de prova válido no processo. Deflui da interpretação sistemática dos dispositivos encartados nos artigos 19, II da CF/88 e 364 do CPC que os fatos consignados em documentos públicos carregam consigo a presunção de veracidade atávica aos atos administrativos, ostentando estes fé pública, a qual não pode ser recusada pela Administração Pública, devendo ser admitidos como verdadeiros até que se produza prova válida em sentido contrário. Constituição Federal de 1988 Art. 19. É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) II recusar fé aos documentos públicos; (...) Código de Processo Civil Art. 364. O documento público faz prova não só da sua formação, mas também dos fatos que o escrivão, o tabelião, ou o funcionário declarar que ocorreram em sua presença. A Suprema Corte de Justiça já irradiou sem em seus arestos a interpretação que deve prevalecer na pacificação do debate em torno do assunto, sendo extremamente convergente a jurisprudência dela promanada, como se pode verificar nos julgados a seguir alinhados, cujas ementas rogamos vênia para transcrevêlas. AgRg no RMS 19918 / SP Relator(a) Ministro OG FERNANDES Órgão Julgador T6 SEXTA TURMA Fl. 90DF CARF MF Impresso em 21/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 14120.000305/200914 Acórdão n.º 230201.598 S2C3T2 Fl. 85 9 Data da Publicação/Fonte: DJe 31/08/2009 MANDADO DE SEGURANÇA IMPETRADO CONTRA ATO ADMINISTRATIVO CASSATÓRIO DE APOSENTADORIA. CERTIDÃO DE TEMPO DE SERVIÇO SOBRE A QUAL PENDE INCERTEZA NÃO RECEPCIONADA PELO TRIBUNAL DE CONTAS DO MUNICÍPIO. EXTINÇÃO DO MANDAMUS DECRETADO POR MAIORIA. VÍNCULO FUNCIONAL. IMPOSSIBILIDADE DE COMPROVAÇÃO ATRAVÉS DOS ARQUIVOS DA PREFEITURA. MOTIVO DE FORÇA MAIOR. INCÊNDIO. EXISTÊNCIA DE CERTIDÃO DE TEMPO DE SERVIÇO EXPEDIDA PELA PREFEITURA ANTES DO SINISTRO. DOCUMENTO PÚBLICO. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE. 1. Esta Corte Superior de Justiça possui entendimento firmado no sentido de que o documento público merece fé até prova em contrário. No caso, o recorrente apresentou certidão de tempo de serviço expedida pela Prefeitura do Município de Itobi/SP a qual comprova o trecho temporal de 12 anos, 3 meses e 25 dias relativos ao serviço público prestado à referida Prefeitura entre 10/3/66 a 10/2/78 que teve firma do então Prefeito e Chefe do Departamento Pessoal e foi reconhecida pelo tabelião local. 2. Ademais, é incontroverso que ocorreu um incêndio na Prefeitura Municipal Itobi/SP em dezembro de 1992. 3. Desse modo, a certidão expedida pela Prefeitura de Itobi, antes do incêndio, deve ser considerada como documento hábil a comprovar o tempo de serviço prestado pelo recorrente no período de 10/3/66 a 10/2/78, seja por possuir fé pública uma vez que não foi apurada qualquer falsidade na referida certidão , seja porque, em virtude do motivo de força maior acima mencionado, não há como saber se os registros do recorrente foram realmente destruídos no referido sinistro. 4. Agravo regimental a que se nega provimento. EREsp 123930 / SP Relator(a) Ministro HUMBERTO GOMES DE BARROS Órgão Julgador CE CORTE ESPECIAL Data da Publicação/Fonte: DJ 15/06/1998 p. 2 PROCESSUAL PROVA COPIA XEROGRAFICA AUTENTICAÇÃO POR FUNCIONARIO DE AUTARQUIA EFICACIA PROBATORIA. Autenticada por servidor publico que tem a guarda do original, a reprografia de documento publico merece fé, ate demonstração em contrario. Em não sendo impugnada, tal reprografia faz prova das coisas e dos fatos nelas representadas (CPC, art. 383). EREsp 265552 / RN Relator(a) Ministro JOSÉ ARNALDO DA FONSECA Órgão Julgador S3 TERCEIRA SEÇÃO Data da Publicação/Fonte: DJ 18/06/2001 p. 113 Fl. 91DF CARF MF Impresso em 21/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 10 EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. PREVIDENCIÁRIO. REVISÃO DE BENEFÍCIO. LIQUIDAÇÃO DA SENTENÇA. PLANILHA APRESENTADA PELO INSS EM QUE CONSTA PAGAMENTO ADMINISTRATIVO DAS DIFERENÇAS RECLAMADAS. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE. "As planilhas de pagamento da DATAPREV assinadas por funcionário autárquico constituem documento público, cuja veracidade é presumida." (REsp 183.669) O documento público merece fé até prova em contrário. Recurso que merece ser conhecido e provido para excluir da liquidação as parcelas constantes da planilha, apresentada pelo INSS e não impugnada eficazmente pela parte exadversa, prosseguindo a execução por eventual saldo remanescente. Embargos conhecidos e acolhidos. Existindo no mundo jurídico um ato administrativo comprovado por documento público, passa a militar em favor do ente público a presunção de legitimidade e veracidade das informações nele assentadas. Como prerrogativa inerente ao Poder Público, presente em todos os atos de Estado, a presunção de veracidade subsistirá no processo administrativo fiscal como meio de prova hábil a comprovar as alegações do órgão tributário, cabendo à parte adversa demonstrar, ante a sua natureza relativa, por meio de documentos idôneos, a falsidade dos assentamentos em realce. Diante desse quadro, tratandose o Auto de Infração de documento público representativo de Ato Administrativo formado a partir da manifestação da Administração Tributária, levada a efeito através de agentes públicos – o auditor fiscal da Secretaria da Receita Federal do Brasil, não há como se negar a veracidade de seu conteúdo. No caso específico, o Relatório Fiscal da Infração a fl. 05 assenta expressamente que: 1.0 Conforme determinação contida no MPF 01401002009140, a empresa foi intimada a apresentar todos os documentos listados no Termo de Inicio do Procedimento Fiscal, recebido pelo contador da empresa Dorival Martins Romera em 08/06/2009. 2.0 Foi solicitado os Livros de Registro de Saídas e o Livro de Registro de Entradas, além das notas fiscais de entrada e saída dos estabelecimentos matriz e filiais, sendo que os respectivos documentos não foram apresentados a fiscalização da Receita Federal do Brasil. A conduta infracional encontrase consignada, com todos os seus elementos, no Relatório Fiscal da Infração, fulgurando tal informação como bastante e suficiente para fazer prova do fato afirmado, em razão da debatida presunção de veracidade dos Atos Administrativos. Ostentando, todavia, tal presunção eficácia relativa, esta admite prova em contrário a ônus da parte interessada, encargo este não adimplido pelo Recorrente, o qual não logrou afastar a fidedignidade do conteúdo do Auto de Infração em debate. Assim, havendo um Fl. 92DF CARF MF Impresso em 21/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 14120.000305/200914 Acórdão n.º 230201.598 S2C3T2 Fl. 86 11 documento público com presunção de veracidade não impugnado eficazmente pela parte contrária, o desfecho há de ser em favor desta presunção. Nesse sentido remansa a Jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, conforme se depreende dos seguintes julgados: MS 12756 / DF Relator(a) Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA S3 TERCEIRA SEÇÃO Data da Publicação/Fonte: DJe 08/05/2008 MANDADO DE SEGURANÇA. ADMINISTRATIVO. PROCURADOR FEDERAL. PROMOÇÃO. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE DOS CONTRACHEQUES E FOLHA DO SISTEMA SIAPE. RETIFICAÇÃO DOS ATOS DE PROMOÇÃO DO IMPETRANTE. EFEITOS RETROATIVOS DESDE A DATA EM QUE DEVERIA SER PROMOVIDO NAS CATEGORIAS APROPRIADAS. 1. Têm presunção de veracidade contracheques e folha do Sistema SIAPE apresentados por procurador federal que pretende ser promovido com base no enquadramento funcional previsto naqueles documentos públicos. Ausência de apresentação de prova, pelo impetrado, que afastasse a fé pública dos referidos documentos. 2. Segurança concedida. Retroativos a partir da data em que deveriam ter ocorrido as promoções do impetrante. REsp 1059007 / SC Relator(a) Ministro FRANCISCO FALCÃO Órgão Julgador T1 PRIMEIRA TURMA Data da Publicação/Fonte: DJe 20/10/2008 ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE. ARTIGO 258 DA LEI Nº 8.069/90. AUTO INFRACIONAL LAVRADO POR COMISSÁRIO DE INFÂNCIA. DOCUMENTO PÚBLICO. FÉ PÚBLICA. ATO ADMINISTRATIVO. PRESUNÇÃO IURIS TANTUM. ÔNUS DA PROVA DO ADMINISTRADO. I O auto de infração lavrado por Comissário da Infância, em decorrência do descumprimento do artigo 258 da Lei nº 8.069/90, constituise em documento público, merecendo fé pública até prova em contrário. II O ato administrativo goza de presunção iuris tantum, cabendo ao administrado o ônus de provar a maioridade da pessoa que se encontrava no estabelecimento comercial recorrido, haja vista a legitimidade do auto infracional. III Recurso especial provido. 2.3. DA CONDUTA INFRACIONAL Fl. 93DF CARF MF Impresso em 21/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 12 O art. 195, I da Constituição Federal determinou que a Seguridade Social fosse custeada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, mediante recursos oriundos, dentre outras fontes, das contribuições sociais a cargo da empresa incidentes sobre a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício. De outro canto, no capítulo reservado ao Sistema Tributário Nacional, a Carta Constitucional outorgou à Lei Complementar a competência para estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre as obrigações tributárias, dentre outras. Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 146. Cabe à lei complementar: (...) III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: (...) b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) b) a receita ou o faturamento; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) c) o lucro; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) II do trabalhador e dos demais segurados da previdência social, não incidindo contribuição sobre aposentadoria e pensão concedidas pelo regime geral de previdência social de que trata o art. 201; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) Nessa vertente, no exercício da competência que lhe foi outorgada pelo Constituinte Originário, o CTN honrou prescrever, com propriedade, a distinção entre as duas modalidades de obrigações tributárias, ad litteris et verbis: Código Tributário Nacional CTN Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. §1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 21/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 14120.000305/200914 Acórdão n.º 230201.598 S2C3T2 Fl. 87 13 §2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. (grifos nossos) §3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. (grifos nossos) Não carece de elevada mestria a interpretação do texto inscrito no §2º do supratranscrito dispositivo legal a qual aponta para a total independência entre as obrigações ditas principais e aquelas denominadas como acessórias. Estas, no dizer cristalino da Lei, decorrem diretamente da legislação tributária, não das obrigações principais, e tem por objeto prestações positivas ou negativas fixadas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. Igualmente, não é demasiado cuidado relembrar que a imposição de obrigação acessória não demanda a promulgação de lei stricto sensu, podendo elas ser introduzidas no ordenamento jurídico mediante as espécies normativas encartadas nos artigos 96 e 100 ambos do CTN, assim inseridas no conceito de “Legislação Tributária”, na denominação adotada pelo codex. Código Tributário Nacional CTN Art. 96. A expressão "legislação tributária" compreende as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes. Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; II as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; III as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; IV os convênios que entre si celebrem a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. Art. 115. Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 21/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 14 As obrigações acessórias, consoante os termos do Diploma Tributário, consubstanciamse deveres de natureza instrumental, consistentes em um fazer, não fazer ou permitir, fixados na legislação tributária, na abrangência do art. 96 do CTN, em proveito do interesse da administração fiscal no que tange à arrecadação e à fiscalização de tributos. No que pertine às contribuições previdenciárias, a disciplina da matéria em relevo, no plano infraconstitucional, foi confiada à Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, a qual fez inserir na Ordem Jurídica Nacional uma diversidade de obrigações acessórias, criadas no interesse da arrecadação ou da fiscalização, sem transpor os umbrais limitativos erguidos pelo CTN. Envolto no ordenamento realçado nas linhas precedentes, o art. 32 da citada lei de custeio da Seguridade Social estabeleceu uma série de obrigações instrumentais a serem observadas pela empresa, dentre elas, o dever jurídico de prestar ao Fisco todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse do seu interesse, na forma por ele estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 32. A empresa é também obrigada a: I preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social; II lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; III prestar ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e ao Departamento da Receita FederalDRF todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse dos mesmos, na forma por eles estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização. Tal obrigação acessória evidenciase como contínua, não se extinguindo com a mera apresentação de documentos. Ela pressupõe o dever de prestar esclarecimentos à Fiscalização a qualquer tempo, de molde que, mesmo após a apresentação de documentos, caso a Fiscalização solicite novos esclarecimentos, à empresa não é concedida a faculdade de se furtar a cumprir o objeto da intimação, tampouco se escudar na pueril suposição de que eventuais documentos já exibidos anteriormente seriam suficientes e bastantes, eis que a mera exibição de documentos não supre nem exclui qualquer demanda ulterior por esclarecimentos de ordem verbal ou escrita. No caso em apreciação, faz prova o Auto de Infração em desfavor do Recorrente que este, apesar de regularmente intimado, fracassou em apresentar os Livros de Registro de Saídas e o Livro de Registro de Entradas, além das notas fiscais de entrada e saída dos estabelecimentos matriz e filiais. O Acórdão recorrido enfrentou a contento, a fls. 60/61, a questão posta em xeque pelo Recorrente, restando nele consignado que “a alegação não foi comprovada e os documentos acostados aos autos corroboram o fato descrito no auto de infração, eis que: a) o Termo de Inicio de Procedimento Fiscal (f. 07/08) comprova que a impugnante, por meio de seu preposto, em 08/06/2009, foi regularmente intimada a apresentar os Livros de Registro de Saída e de Entradas e as notas fiscais de entrada e saída; b) no Termo de Entrega de Fl. 96DF CARF MF Impresso em 21/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 14120.000305/200914 Acórdão n.º 230201.598 S2C3T2 Fl. 88 15 documentos, emitido pela cooperativa em 20/08/2009 (f. 54), devidamente recepcionado pela Receita Federal, não estão relacionados os Livros de Registro de Saída e de Entradas e as notas fiscais de entrada e saída. Esses elementos comprovam que os documentos em questão não foram apresentados pela interessada, fato que é, aliás, por ela mesma admitido”. A conduta omissiva assim perpetrada pelo Recorrente representa ofensa direta à obrigação acessória ordenada no art. 32, III da Lei Orgânica da Seguridade Social. Visando a conferir efetividade à obrigações instrumentais impostas, o art. 92 da Lei nº 8.212/91 estabeleceu que a infração de qualquer dispositivo constante na citada Lei de Custeio, para a qual não haja penalidade expressamente cominada, sujeita o responsável, conforme a gravidade da infração, a multa variável de Cr$ 100.000,00 (cem mil cruzeiros) a Cr$ 10.000.000,00 (dez milhões de cruzeiros), na forma como dispuser o regulamento. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 92. A infração de qualquer dispositivo desta Lei para a qual não haja penalidade expressamente cominada sujeita o responsável, conforme a gravidade da infração, a multa variável de Cr$ 100.000,00 (cem mil cruzeiros) a Cr$ 10.000.000,00 (dez milhões de cruzeiros), conforme dispuser o regulamento. Vertendo em termos mais palatáveis, a lei formal cominou às infrações a dispositivos constante na Lei de Custeio da Seguridade Social penalidade pecuniária, variável em função de sua gravidade, outorgando ao regulamento a competência para dispor sobre a forma como essa penalidade, variável em sua origem legal, será aplicada às infrações em razão da sua maior ou menor gravidade ao interesse da arrecadação ou da fiscalização de tributos. Notese que, nos termos do art. 115 do CTN, o fato gerador da obrigação acessória é a situação que, na forma da legislação – não da lei , impõe a prática ou a abstenção do ato punível. Louvouse o Auto de Infração sub examine na infração perpetrada pelo Recorrente à obrigação acessória assentada no inciso III do art. 32 da Lei 8.212/91, a qual finca o dever instrumental de o sujeito passivo prestar ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e ao Departamento da Receita FederalDRF todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse dos mesmos, na forma por eles estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização. Nessa vertente, atendendo à normatividade exigida pelo dispositivo legal em ênfase, a alínea ‘b’ do inciso III do art. 283 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99, assim destacou: Regulamento da Previdência Social. Art. 283. Por infração a qualquer dispositivo das Leis nos 8.212 e 8.213, ambas de 1991, e 10.666, de 8 de maio de 2003, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) a R$ 63.617,35 (sessenta e três mil, seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos), conforme a gravidade da infração, aplicandoselhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com os seguintes valores: (Redação dada pelo Decreto nº 4.862, de 2003) Fl. 97DF CARF MF Impresso em 21/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 16 (...) II a partir de R$ 6.361,73 (seis mil trezentos e sessenta e um reais e setenta e três centavos) nas seguintes infrações: b) deixar a empresa de apresentar ao Instituto Nacional do Seguro Social e à Secretaria da Receita Federal os documentos que contenham as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse dos mesmos, na forma por eles estabelecida, ou os esclarecimentos necessários à fiscalização; Art. 373. Os valores expressos em moeda corrente referidos neste Regulamento, exceto aqueles referidos no art. 288, são reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência social. No presente caso, o valor das penalidades foi atualizado pela Portaria Interministerial MPS/MF nº 48, de 12/02/2009, publicada no Diário Oficial da União em 13/02/2009. Na esteira do procedimento impugnatório, não obteve sucesso o Recorrente em produzir indícios de prova material aptos desconstituir a presunção relativa permeada no conteúdo do Auto de Infração em julgo, malogrando assim o sujeito passivo em seu mister de ilidir o lançamento que ora se opera. 3. CONCLUSÃO Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Arlindo da Costa e Silva Fl. 98DF CARF MF Impresso em 21/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 13819.000166/2009-08
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2005
DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA. REQUISITOS.
As deduções relativas a despesas médicas restringem-se aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, devendo ser apresentados documentos hábeis e idôneos que contenham essas informações, sob pena de serem glosadas tais despesas.
DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS.
As decisões administrativas não constituem normas complementares do Direito Tributário, posto que inexiste lei que lhes atribua eficácia normativa, razão pela qual só produzem efeitos entre as partes envolvidas, não beneficiando nem prejudicando terceiros.
PROVA. APRECIAÇÃO PELO JULGADOR.
Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2801-002.187
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento parcial ao recurso para restabelecer dedução a título de despesas médicas no montante de R$ 3.327,00, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: WALTER REINALDO FALCÃO LIMA
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DEDUÇÃO. DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA. REQUISITOS. As deduções relativas a despesas médicas restringemse aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, devendo ser apresentados documentos hábeis e idôneos que contenham essas informações, sob pena de serem glosadas tais despesas. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas não constituem normas complementares do Direito Tributário, posto que inexiste lei que lhes atribua eficácia normativa, razão pela qual só produzem efeitos entre as partes envolvidas, não beneficiando nem prejudicando terceiros. PROVA. APRECIAÇÃO PELO JULGADOR. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer dedução a título de despesas médicas no montante de R$ 3.327,00, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente. Assinado digitalmente Fl. 130DF CARF MF Impresso em 28/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 24/ 01/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 24/01/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHA Processo nº 13819.000166/200908 Acórdão n.º 2801002.187 S2TE01 Fl. 115 2 Walter Reinaldo Falcão Lima Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Carlos César Quadros Pierre, Luiz Cláudio Farina Ventrilho, Tânia Mara Paschoalin e Walter Reinaldo Falcão Lima. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis. Relatório AUTUAÇÃO Contra o contribuinte acima identificado foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls. 03/05, relativa à Declaração de Ajuste AnualDAA do Imposto de Renda Pessoa Física do exercício 2005, anocalendário 2004, em que foi apurado um crédito tributário correspondente a R$ 6.801,76, decorrente da compensação indevida de carnêleão, no valor de R$ 416,28, por falta de comprovação, e da glosa de despesas médicas, no valor de R$ 20.697,99, devido à falta de comprovação, conforme solicitado por meio de intimação. IMPUGNAÇÃO Cientificado do lançamento, o interessado apresentou a impugnação de fls. 01/02, juntamente com os documentos de fls. 07/48, alegando, em síntese, que as despesas médicas declaradas foram por ele suportadas, como provam os documentos anexados. Quanto à compensação indevida de carnêleão, sustenta que os DARFs relativos a essa rubrica tiveram o número de CPF preenchido incorretamente, falha já corrigida por intermédio dos REDARFs juntados aos autos. Por tais razões requer o cancelamento da notificação de lançamento. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A DRJ/São PauloII julgou a impugnação procedente em parte (fls. 53/59), para restabelecer o valor declarado a título de carnêleão, e o montante de R$ 620,00, a título de despesas médicas, sendo oportuno transcrever trecho do voto do relator do respectivo aresto que aprecia os documentos apresentados pelo impugnante: “(...) Os recibos apresentados relativos a LUIZ FRANCO BRANDÃO, CLINICA DR. PEDRO LOBO S/S LTDA, GANOG APOIO ORL LTDA e a nota fiscal da RADIUM RADIOLOGIA E DIAGNOSTICO UNIFICADO S/S LTDA, atendem aos requisitos legais e comprovam despesas médicas no valor de R$ 620,00. Em relação a despesa da D M CLINICA DE GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA S/S LTDA, devese destacar que referese a Rosilene Augusto Puschiavo que não consta como dependente do Impugnante e apresentou declaração em separado no modelo simplificado. Os comprovantes de pagamentos da COOPERATIVA DE CONSUMO E GESTÃO DE SERVIÇOS DE SAÚDE não indicam os beneficiários do plano de assistência médica e, desta forma, Fl. 131DF CARF MF Impresso em 28/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 24/ 01/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 24/01/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHA Processo nº 13819.000166/200908 Acórdão n.º 2801002.187 S2TE01 Fl. 116 3 não há como precisar se todo o valor pago referese somente ao contribuinte. Os cheques nominais a SAO PAULO SERVIÇOS MÉDICOS DE ANESTESIA S/S LTDA, ORLANDO PARISE JÚNIOR e a ARLETE GHORAYEB RESENDE referemse a conta conjunta do Impugnante e Rosilene Augusto Puschiavo e, tendo em vista que não há outras informações sobre o beneficiário das referidas despesas e que Rosilene Augusto Puschiavo entregou declaração no modelo simplificado, beneficiandose do desconto simplificado que substitui todas as deduções legais, não há como acatar referidas despesas. Os recibos apresentados referentes a ROSANE TRONCHIN GALLO estão em desacordo com as exigências legais uma vez que não indicam o endereço do profissional e o beneficiário do tratamento. Cabe destacar que os recibos apresentados somente podem fazer prova das despesas médicas pleiteadas na declaração de ajuste se atenderem a todos os requisitos exigidos pela legislação do imposto de renda, uma vez que analogamente à legislação que concede isenções, a matéria relativa à redução de base de cálculo de tributos deve ser interpretada literalmente. Nesse sentido, acórdão do Tribunal Regional Federal da 4a Região: 5051 IRPJ DEDUÇÃO DESPESAS OPERACIONAIS ISENÇÃO INTERPRETAÇÃO RESTRITIVA INCONSTITUCIONALIDADE ART. 29 DO DECRETOLEI 2.341/87 E 296 DECRETO 1.041/94 NÃOOCORRÊNCIA DISPONIBILIDADE 1. À União ente político dotado da competência tributante " compete conferir eventualmente isenção (in casu, dedução), nos termos que entender devidos, observadas as prescrições legais. (...) 6. Isenção nesse caso, consubstanciada na possibilidade de dedução é matéria que deve ser interpretada restritivamente, a teor do disposto no artigo 111 do CTN. Isso porque é discricionariedade do Estado poder político tributante renunciar a eventual crédito tributário, tendo em vista os objetivos de política fiscal, considerando os ditames constitucionais e legais aplicáveis. (TRF 4a R. . AC 2000.04.01.0985906 PR Ia T. Rela Des. Fed. Maria Lúcia Luz Leiria DJU 14.01.2004, p. 196; Desta forma, com base nos incisos II e III do parágrafo 2° do art. 8° da Lei 9.250/95, devem constar dos recibos apresentados para comprovar as despesas médicas efetuadas a indicação do beneficiário do tratamento e do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC do profissional prestador dos serviços. (...)” Fl. 132DF CARF MF Impresso em 28/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 24/ 01/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 24/01/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHA Processo nº 13819.000166/200908 Acórdão n.º 2801002.187 S2TE01 Fl. 117 4 RECURSO AO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF) Cientificado da decisão de primeira instância em 03/02/11 (fls. 63), o interessado apresentou, em 02/03/11, o Recurso de fls. 64/75, juntamente com os documentos de fls. 76/11, alegando, em suma, que: a) a exigência de depósito prévio para interposição de recurso voluntário constitui cerceamento do direito de defesa, devendo o recurso ser admitido independentemente de tal procedimento; b) concorda com a glosa das despesas médicas no valor de R$ 270,00, relativa à DM Clínica de Ginecologia e Obstetrícia S/S Ltda.; c) comprovou a realização das demais despesas glosadas, nos termos do art. 8º, II, alínea “a”, e § 2º, da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995; d) a indicação do beneficiário dos serviços nos recibos é irrelevante, pois não consta em qualquer orientação da Receita Federal à época dos fatos; e) para que uma despesa médica seja dedutível devem ser atendidas duas condições: que o serviço tenha sido prestado e o pagamento realizado; f) todos os pagamentos com planos de saúde podem ser deduzidos como despesas médicas, desde que os beneficiários sejam o titular e os dependentes do declarante; g) declaração prestada pela Dra. Rosane Tronchim Gallo confirma a realização dos serviços e o recebimento dos valores, além de preencher todos os requisitos legais a ensejarem a dedução de tais quantias como despesas médicas; h) cópia de ficha de adesão da Cooperativa de Saúde (Fundo de Assistência e Saúde dos Contabilistas do Estado de São Paulo), bem como cópia dos pagamentos efetuados em 2004, constituem prova de dedução de tais valores como despesas médicas; i) cópia de cheques nominais à Dra. Arlete G. Resende, no valor de R$ 600,00, ao Dr. Orlando Parise Júnior, no valor total de R$ 7.000,00, a São Paulo Serviços Médicos Anestesia SP, no valor de R$ 1.800,00, constituem prova suficiente das respectivas despesas médicas. O fato de tais cheques serem de conta conjunta com sua esposa, não afastam a veracidade de ser ele o beneficiário dos serviços, principalmente pelo fato de sua esposa não ter utilizado tais deduções em sua declaração de ajuste anual; j) transcreve decisões deste Conselho que seriam favoráveis ao seu entendimento; Diante do exposto acima requer o acolhimento de seu recurso para fins de cancelamento do débito fiscal reclamado. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 28/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 24/ 01/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 24/01/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHA Processo nº 13819.000166/200908 Acórdão n.º 2801002.187 S2TE01 Fl. 118 5 É o Relatório. Voto Conselheiro Walter Reinaldo Falcão Lima O recurso é tempestivo e atende as demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido, cabendo ressaltar que a legislação não mais exige depósito prévio para sua interposição. Cumpre assinalar, inicialmente, que a glosa das despesas médicas no valor de R$ 270,00, relativa à DM Clínica de Ginecologia e Obstetrícia S/S Ltda, foi reconhecida como correta pelo recorrente, tornandose, assim, matéria incontroversa. Em relação às despesas com a profissional Rosane Tronchim Gallo, no valor de R$ 3.327,00, as falhas existentes nos recibos que motivaram a manutenção da glosa pelo órgão julgador de primeira instância, a ausência de indicação do beneficiário das despesas e o endereço da profissional, foram sanadas por meio da apresentação da declaração de fls. 89. Logo devem ser restabelecidas. No tocante às despesas relativas à Cooperativa de Consumo e Gestão de Serviços de Saúde, o recorrente não apresentou documentos que comprovem quem são os beneficiários do aludido plano de saúde ou que os pagamentos àquela entidade são relativos exclusivamente ao contribuinte. Dessa forma não há como acatálos como dedução a título de despesas médicas, posto que, nos termos do art. 8º, § 2º, II, da Lei nº 9.250/95, abaixo reproduzido, as despesas médicas restringemse aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: (...). II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no ano calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...). § 2º O disposto na alínea “a” do inciso II: (...). II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes Fl. 134DF CARF MF Impresso em 28/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 24/ 01/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 24/01/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHA Processo nº 13819.000166/200908 Acórdão n.º 2801002.187 S2TE01 Fl. 119 6 CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; Cumpre assinalar que, conforme o Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, as deduções pleiteadas foram glosadas integralmente, sendo que todas se referem a despesas médicas. Ou seja, o contribuinte não pleiteou dedução de dependentes. Quanto às despesas relativas aos profissionais Arlete G. Resende, no valor de R$ 600,00, ao Dr. Orlando Parise Júnior, no valor total de R$ 7.000,00, e à empresa São Paulo Serviços Médicos Anestesia SP, no valor de R$ 1.800,00, não foram apresentados quaisquer documentos que comprovem a identificação dos beneficiários dessas supostas despesas, posto que somente foram juntadas cópias de cheques nominativos. Por conseguinte, com base no art. 8º, § 2º, II, da Lei nº 9.250/95, não há como restabelecêlas. É importante destacar que, embora o § 4º do art. 16 do Decreto n° 70.235/72 estabeleça que a prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que seja comprovada a ocorrência de quaisquer das hipóteses previstas naquele parágrafo, o que não foi feito pelo recorrente, entendo que, neste caso, o princípio da verdade material deve prevalecer sobre o dispositivo legal citado, tendo em vista o disposto no art. 8º da Lei nº 9.250/95, que trata da apuração da base de cálculo do imposto devido, que admite como deduções as despesas devidamente comprovadas. Por conseguinte apreciei os documentos apresentados pelo contribuinte em sede de recurso voluntário. Vale lembrar que, nos termos do disposto no art. 29 do Decreto nº 70.235/72, na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente a sua convicção, e foi com base nesse dispositivo legal que analisei os documentos contidos nos autos. Por fim, acerca das decisões administrativas citadas, cumpre informar que não constituem normas complementares do Direito Tributário, posto que inexiste lei que lhes atribua eficácia normativa, razão pela qual só produzem efeitos entre as partes envolvidas, não beneficiando nem prejudicando terceiros. Por tais razões voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para restabelecer o montante de R$ 3.327,00, a título de despesas médicas. Assinado digitalmente Walter Reinaldo Falcão Lima – Relator Fl. 135DF CARF MF Impresso em 28/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 24/ 01/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 24/01/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHA Processo nº 13819.000166/200908 Acórdão n.º 2801002.187 S2TE01 Fl. 120 7 Fl. 136DF CARF MF Impresso em 28/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 24/ 01/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 24/01/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHA
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Numero do processo: 11080.009440/2003-57
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Apr 26 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Thu Apr 26 00:00:00 UTC 2007
Numero da decisão: 301-01.839
Decisão: RESOLVEM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência â Repartição de Origem, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: VALMAR FONSECA DE MENEZES
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