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Numero do processo: 10830.012209/2008-62
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 03 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Apr 25 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003, 2004, 2005, 2006
ARBITRAMENTO DOS LUCROS. RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE. DIVERGÊNCIA NÃO COMPROVADA.
Quando os aspectos fáticos analisados pelo acórdão recorrido e pelos acórdãos paradigmas justificam as decisões distintas, fica inviabilizado o processamento do recurso especial de divergência.
CSLL. LANÇAMENTO REFLEXO.
Aplica-se ao lançamento reflexo o mesmo tratamento dispensado ao lançamento principal, em razão da relação de causa e de efeito que os vincula.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007
MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. COMPROVAÇÃO.
Havendo a omissão de receitas sido levada a efeito pelo sujeito passivo por diversos meses consecutivos (recorrência), em montantes significativos quando comparados com a receita declarada (relevância), e dadas as demais circunstâncias do caso, não há como se admitir que a infração tenha sido fruto de mero erro ou negligência contábil. Nessas circunstâncias provado está, para além de qualquer dúvida razoável, o evidente intuito do agente em fraudar o Erário Público, sendo portanto cabível a qualificação da multa de ofício.
Numero da decisão: 9101-002.266
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Decisão dos membros do colegiado: Recurso Especial da Fazenda Nacional não conhecido em relação a matéria do arbitramento, por unanimidade de votos, os Conselheiros Cristiane Silva Costa, Adriana Gomes Rêgo e Luis Flávio Neto votaram pelas conclusões. Em relação à matéria da qualificação da multa, recurso conhecido por maioria de votos, vencida a Conselheira Lívia De Carli Germano (Suplente Convocada) e a Conselheira Cristiane Silva Costa votou pelas conclusões. No mérito, dado provimento ao recurso, para restabelecer a multa qualificada de 150%, e, em decorrência disso, restabelecer também a exigência de PIS/COFINS para os fatos geradores ocorridos até novembro/2003 por maioria de votos. Vencidos os Conselheiros Luís Flávio Neto, Lívia De Carli Germano (Suplente Convocada), Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado) e Maria Teresa Martinez Lopez. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Adriana Gomes Rêgo e Carlos Alberto Freiras Barreto.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Rafael Vidal De Araujo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, CRISTIANE SILVA COSTA, ADRIANA GOMES REGO, LUÍS FLÁVIO NETO, ANDRE MENDES DE MOURA, LIVIA DE CARLI GERMANO (Suplente Convocada), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, RONALDO APELBAUM (Suplente Convocado), MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ (Vice-Presidente), CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente).
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE. DIVERGÊNCIA NÃO COMPROVADA. Quando os aspectos fáticos analisados pelo acórdão recorrido e pelos acórdãos paradigmas justificam as decisões distintas, fica inviabilizado o processamento do recurso especial de divergência. CSLL. LANÇAMENTO REFLEXO. Aplicase ao lançamento reflexo o mesmo tratamento dispensado ao lançamento principal, em razão da relação de causa e de efeito que os vincula. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007 MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. COMPROVAÇÃO. Havendo a omissão de receitas sido levada a efeito pelo sujeito passivo por diversos meses consecutivos (recorrência), em montantes significativos quando comparados com a receita declarada (relevância), e dadas as demais circunstâncias do caso, não há como se admitir que a infração tenha sido fruto de mero erro ou negligência contábil. Nessas circunstâncias provado está, para além de qualquer dúvida razoável, o evidente intuito do agente em fraudar o Erário Público, sendo portanto cabível a qualificação da multa de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 01 22 09 /2 00 8- 62 Fl. 3067DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10830.012209/200862 Acórdão n.º 9101002.266 CSRFT1 Fl. 3 2 Decisão dos membros do colegiado: Recurso Especial da Fazenda Nacional não conhecido em relação a matéria do arbitramento, por unanimidade de votos, os Conselheiros Cristiane Silva Costa, Adriana Gomes Rêgo e Luis Flávio Neto votaram pelas conclusões. Em relação à matéria da qualificação da multa, recurso conhecido por maioria de votos, vencida a Conselheira Lívia De Carli Germano (Suplente Convocada) e a Conselheira Cristiane Silva Costa votou pelas conclusões. No mérito, dado provimento ao recurso, para restabelecer a multa qualificada de 150%, e, em decorrência disso, restabelecer também a exigência de PIS/COFINS para os fatos geradores ocorridos até novembro/2003 por maioria de votos. Vencidos os Conselheiros Luís Flávio Neto, Lívia De Carli Germano (Suplente Convocada), Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado) e Maria Teresa Martinez Lopez. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Adriana Gomes Rêgo e Carlos Alberto Freiras Barreto. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal De Araujo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, CRISTIANE SILVA COSTA, ADRIANA GOMES REGO, LUÍS FLÁVIO NETO, ANDRE MENDES DE MOURA, LIVIA DE CARLI GERMANO (Suplente Convocada), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, RONALDO APELBAUM (Suplente Convocado), MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ (VicePresidente), CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente). Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), fundamentado atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria nº 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), alegando divergência jurisprudencial em relação a duas matérias: arbitramento dos lucros e qualificação da multa de ofício. A recorrente insurgiuse contra o Acórdão nº 1201000.845, de 07/08/2013, por meio do qual a 1a Turma Ordinária da 2a Câmara da 1a Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, deu provimento parcial a recurso voluntário da contribuinte acima identificada, para fins de, entre outras coisas, cancelar o arbitramento dos lucros nos anos calendário de 2003 a 2006 e afastar a qualificação da multa de ofício. O acórdão recorrido contém a ementa e a parte dispositiva abaixo transcritas: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2003, 2007 DECADÊNCIA TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO PAGAMENTO. Nos casos de tributos sujeitos ao Fl. 3068DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10830.012209/200862 Acórdão n.º 9101002.266 CSRFT1 Fl. 4 3 lançamento por homologação, havendo pagamento, deve ser aplicado o prazo decadencial inserto no artigo 150, § 4° do CTN. MULTA QUALIFICADA Para que a multa de ofício seja qualificada, a fiscalização deverá comprovar de forma inequívoca que o contribuinte agiu dolosamente na execução de alguma das condutas previstas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei 4502/64. OPÇÃO LUCRO PRESUMIDO ARBITRAMENTO IMPOSSIBILIDADE. A falta de suporte ao livro caixa não torna imprestável à tributação a escrituração do contribuinte, uma vez que este é optante pelo lucro presumido e tinha sua receita conhecida. PRESUNÇÃO OMISSÃO DE RECEITA. Para a autuação decorrente de presunção de omissão de receita a lei exige que, devidamente intimado, o contribuinte deixe de comprovar a origem dos recursos utilizados nas operações que ensejaram o crédito em conta de depósito. Além disso, prevê que a receita ou rendimento omitido será considerado auferido no mês em que for efetuado o crédito pela instituição financeira. Desrespeitadas as regras previstas no artigo 42, caput e § 1º, deve ser cancelado o auto que é fundamentado em tal artigo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para: AFASTAR a qualificação da multa de ofício; CONSIDERAR alcançados pela decadência quinquenal os lançamentos (i) do IRPJ e da CSLL, para os fatos geradores ocorridos até o 3º trimestre de 2003, e (ii) do PIS e da COFINS, para fatos geradores ocorridos até 30/11/2013. No mérito, em relação aos anos calendário de 2003 a 2006, CANCELAR o lançamento, por considerar o arbitramento indevido, além de, quanto aos valores constantes do Anexo II, não terem sido observadas as regras do artigo 42 da lei 9430/96. Em relação ao ano calendário de 2007, EXCLUIR da tributação os valores constantes do Anexo II. A PGFN afirma que o acórdão recorrido deu à legislação tributária interpretação divergente da que tem sido dada em outros processos para as matérias acima mencionadas. No recurso especial, ela desenvolve os seguintes argumentos: DO CABIMENTO DO PRESENTE RECURSO ESPECIAL o julgado ora recorrido, como questão central, analisou a necessidade de arbitramento do lucro ao caso em apreço e concluiu que o contribuinte, optante pela tributação com base no lucro presumido, manteve no decorrer do anocalendário Livro Caixa, estando dispensado da escrituração contábil completa. Como na hipótese o contribuinte apresentou o Livro Caixa, as faltas apontadas pela Fiscalização não impõem o arbitramento do lucro, já que é medida extrema; nesse sentido, o acórdão desafiado diverge da jurisprudência do CARF sobre a melhor exegese do art. 2º do DecretoLei nº 1.248/72; Fl. 3069DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10830.012209/200862 Acórdão n.º 9101002.266 CSRFT1 Fl. 5 4 analisando caso similar, o Acórdão nº 1102000.918, assentou o posicionamento de que a apresentação do Livro Caixa somente eximiria o contribuinte de sua obrigação, caso o mesmo registrasse a integralidade da sua movimentação bancária, o que, obviamente, não ocorreu na hipótese. Eis a ementa do julgado: Acórdão nº 1102000.918 ARBITRAMENTO DO LUCRO. NÃO APRESENTAÇÃO DA ESCRITURAÇÃO DA PESSOA JURÍDICA. Sujeitase ao arbitramento do lucro o contribuinte que deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou, na hipótese de tributação com base no lucro presumido, o Livro Caixa, no qual deverá estar escriturada toda a movimentação financeira, inclusive bancária. tal acórdão paradigma expressa entendimento contrário ao acórdão recorrido, na medida em que exige que a totalidade das receitas financeiras do autuado estejam registradas no Livro Caixa, inclusive a movimentação bancária, para que o mesmo possa ser considerado suficiente e capaz de afastar o arbitramento do lucro da pessoa jurídica optante pelo lucro presumido; nesse jaez, cumpre trazer à colação outro precedente o Acórdão nº 1302 001.256 que, decidindo questão em tudo similar à ventilada nos presentes autos, adotou tese jurídica diversa, chegando à conclusão inteiramente oposta à da Col. Câmara recorrida. Por ora apontase como paradigma, para fins de configuração do dissídio jurisprudencial: Acórdão nº 1302001.256 ARBITRAMENTO. CABIMENTO. A falta de escrituração da conta bancos, a nãoapresentação de lastro documental e a existência de lançamentos estranhos às normas contábeis são razões que justificam o arbitramento do lucro, por tomarem imprestável a escrituração contábil para apurar o lucro real. DEPÓSITOS BANCÁRIO. ORIGENS DE INGRESSOS NÃO COMPROVADAS. A nãocomprovação da origem dos depósitos bancários é o indício, do qual decorre a presunção de omissão de receitas, nos termos do art. 42 da Lei n° 9.430/1996. da simples leitura do trecho extraído do precedente apontado, é inegável que o mesmo esposou entendimento contrário ao acórdão vergastado. Isso porque, novamente exigese que a movimentação financeira do autuado esteja totalmente escriturada ou, caso contrário, que exista lastro documental para embasar a movimentação; diferentemente dos paradigmas acima transcritos, o colegiado ora recorrido considerou que a mera apresentação do Livro Caixa pelo autuado, com lançamentos contábeis resumidos e incompletos, e que não representam, em absoluto, a totalidade da movimentação bancária do mesmo, seria suficiente para afastar a possibilidade de arbitramento do lucro; por outro lado, também merece reparos a r. decisão ora recorrida, na parte em que desqualifica a multa de ofício; Fl. 3070DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10830.012209/200862 Acórdão n.º 9101002.266 CSRFT1 Fl. 6 5 nesse sentido, analisando caso concreto similar, já decidiu pela manutenção da multa qualificada imposta ao contribuinte a colenda Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, no âmbito do Acórdão nº 10323.495, paradigma ora suscitado para demonstrar a divergência de interpretação dada à lei tributária: Acórdão nº 10323.495 "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2000, 2001, 2002, 2003 e 2004. Ementa: OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM. COMPROVAÇÃO. Caracterizamse como omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. [...] MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA A prática reiterada de omissão de receitas conduz necessariamente ao preenchimento automático das condições previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 1964, sendo cabível a duplicação do percentual da multa de que trata o inciso I do art. 44 da Lei na 9.430/96, com nova redação dada pela Medida Provisória na 351, de 22 de janeiro de 2007. o acórdão paradigma acima transcrito foi claro, em caso análogo ao presente, em manter a multa de 150%, por aplicação do art. 44, II, da Lei nº 9.430/96, uma vez constatado o evidente intuito de fraude, em hipótese, igualmente, de prática reiterada do ilícito tributário; segundo o entendimento firmado no precedente supra, a conduta reiterada, por si só, já conduz automaticamente ao preenchimento das condições previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964, sendo cabível a qualificação da multa; também no sentido de que a conduta reiterada do contribuinte em omitir receitas configura ato doloso é o Acórdão nº 9101001.002, proferido em maio deste ano pela 1ª Turma da CSRF, ora utilizado como paradigma: Acórdão nº 9101001.002 "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004. Ementa: MULTA QUALIFICADA. IRPJ. Comprovado que o contribuinte omitiu integralmente suas receitas e o imposto de renda devido em suas declarações de rendimentos (DIPJ) e de tributos devidos (DCTF), durante períodos de apuração sucessivos, visando a retardar o conhecimento da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal pela autoridade fazendária, caracterizase a figura da sonegação descrita no art. 71 da Lei Fl. 3071DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10830.012209/200862 Acórdão n.º 9101002.266 CSRFT1 Fl. 7 6 nº 4.502/196, impondose a aplicação da multa de ofício qualificada, prevista no § Iº do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996". demonstrada a divergência jurisprudencial diante dos acórdãos paradigmas acima transcritos, nos termos do art. 67 do RICARF aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, afiguramse presentes os requisitos de admissibilidade do Recurso Especial; DA NECESSIDADE DE ARBITRAMENTO DO LUCRO a r. decisão a quo, com toda vênia, é contrária à lei, especificamente ao disposto no art. 47 da Lei 8.981/95, que estabelece as hipóteses de arbitramento do lucro, bem como à prova dos autos, que demonstram que a escrituração do contribuinte não possibilitava a apuração do lucro presumido; o acórdão ora recorrido entendeu por afastar o arbitramento do lucro, unicamente pelo fato de que o contribuinte ter apresentado o Livro Caixa, o que na sua visão, se coaduna com a exigência legal destinada aos contribuintes que apuram o lucro em sua forma presumida; a hipótese sob exame se enquadra perfeitamente na causa justificadora da medida elencada na alínea "a" do inciso II do art. 47 acima mencionado, porquanto se trata de situação em que a escrituração a que estava obrigado o contribuinte revelou evidentes indícios de fraude ou continha vícios, erros ou deficiências que a tornavam imprestável para identificar sua efetiva movimentação financeira; tratase, como visto, de hipótese em que o contribuinte efetuou os lançamentos contábeis referentes às entradas (recebimentos de vendas de produtos) de forma resumida, agrupando várias operações em um único registro e falta de contabilização de boa parte de sua movimentação financeira, tanto que o lançamento foi consolidado com base na presunção legal de omissão de receitas por depósitos bancários de origem não comprovada; tal deficiência nos registros contábeis, sem dúvida, obstaculizaria a apuração do lucro presumido. Tendo a Fiscalização analisado escrituração que lhe foi exibida, e concluído pela sua imprestabilidade para efeitos de determinação do lucro presumido, não há como se afastar a hipótese de tributação com base no lucro arbitrado, pois esta é uma medida que deve ser aplicada quando resta evidenciado que todos os esforços despendidos no sentido da apuração do resultado com base nos registros contábeis e comerciais, se restaram infrutíferos; a desclassificação de escrita, é pacífico, somente deve ser adotada nos casos extremos. É, por assim dizer, a última das opções admissíveis ao Fisco, que, ao contrário, deve se esforçar ao máximo, para aproveitar aquilo que foi escriturado, sob risco, inclusive, de no futuro ver seu trabalho totalmente desprezado; se trata, em verdade, de saber, se a apuração e a determinação dos resultados tributáveis pode ser feita com ou sem o abandono da escrita fiscal; por outro lado, o que se objetiva com a desclassificação é apenas apurarse um resultado que, em razão de inúmeras deficiências detectadas, não pode ser aquele que consta da escrituração, totalmente eivada de deficiências absolutamente incontornáveis. E este, definitivamente, é o caso dos autos! Fl. 3072DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10830.012209/200862 Acórdão n.º 9101002.266 CSRFT1 Fl. 8 7 na hipótese sob exame, como já ressaltado nos itens precedentes, verificase que a irregularidade apurada obstaculizaria a apuração do real lucro apurado pela empresa, devendo, pois, ser mantido o arbitramento do lucro levado a efeito pela fiscalização; DA QUALIFICAÇÃO DA MULTA a afirmação do autor sobre o pressuposto de fato captado pelo dispositivo tributário é um pressuposto de fato que também se enquadra em norma penal; há necessidade de se analisar a conduta do contribuinte, se de fato ocorreu dano ao erário e se possuía ou devia possuir consciência de que causava o dano; no caso concreto, fazse mister examinar se a materialidade da conduta se ajusta à norma inserida nos artigos da Lei nº 4.502/64 a que remete a Lei nº 9.430/96 em seu artigo 44, inciso II (atual art. 44, I, c/c § 1º, da Lei nº 9.430/96, conforme nova redação conferida pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, resultante da conversão da MP nº 351/2007); como visto, restou cristalina a atividade ilícita do autuado, observada a partir da conduta reiterada, sistemática na prática de omitir receitas, por anoscalendário consecutivos, com o único propósito de evitar o conhecimento dos fatos geradores pela RFB. Tal conduta revela evidente intuito fraudulento, a ensejar a incidência da multa qualificada; conforme provam os documentos constantes dos autos, o sujeito passivo, repitase, por sua ação firme, abusiva e sistemática, em burla ao cumprimento da obrigação fiscal, demonstrou conduta consciente de quem procura e obtém determinado resultado: enriquecimento sem causa; concluise que o contribuinte: i) praticou atividade ilícita observada a partir da apuração de infrações tributárias, em atividade reiterada que reforça o intuito de fraude, motivo pelo qual foi aplicada e devidamente justificada pela fiscalização a multa de 150%; ii) como resultado de sua conduta dolosa, houve diminuição expressiva do efetivo valor da obrigação tributária, com o conseqüente sonegação de valor considerável do tributo devido, em evidente prejuízo ao erário; iii) a conduta foi sempre resultado de sua vontade, livre e consciente, já que realizada de forma sistemática, objetivando impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal; iv) a conduta repetida sistematicamente demonstrou desprezo ao cumprimento da obrigação fiscal, ao princípio da solidariedade de matriz constitucional e ao dever legal de participação, indicando a intensidade do dolo; por todos os motivos expostos, deve ser mantida a qualificação da multa, posto que amparada nos comandos legais aplicáveis e justificada pelo contexto probante que instrui os presentes autos; Fl. 3073DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10830.012209/200862 Acórdão n.º 9101002.266 CSRFT1 Fl. 9 8 uma vez indiscutivelmente patenteado o cabimento da multa qualificada em decorrência da atitude fraudulenta e dolosa do contribuinte, conforme evidenciado acima, tornase forçoso o afastamento da decadência em relação aos fatos geradores do IRPJ e da CSLL ocorridos até 3º trimestre de 2003, e dos fatos geradores do PIS e da COFINS até novembro de 2003, tendo em vista a aplicação do art. 173, I, do Código Tributário Nacional; com efeito, o próprio art. 150 do CTN ressalva, em seu § 4º, que o prazo de 5 (cinco) anos, a contar do fato gerador, não se aplica em casos de dolo, fraude ou simulação, sendo incidente, em hipóteses tais, como a versada nos presentes autos, o art. 173, I, do mesmo diploma legal. Resta claro, portanto, que não há se falar em decadência no presente caso; DOS PEDIDOS ante o exposto, a União (Fazenda Nacional) requer seja conhecido e provido o presente recurso especial no sentido de se reformar o acórdão recorrido, na parte objeto de irresignação, para restabelecer o arbitramento do lucro do contribuinte, bem como a multa de 150% (cento e cinqüenta por cento) por se ter, configurado a ação fraudulenta, afastandose, via de conseqüência, a decadência acolhida, nos termos da fundamentação supra. Quando do exame de admissibilidade do Recurso Especial da PGFN, o Presidente da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, por meio do Despacho nº 1200 00.011/2015, de 11/02/2015, admitiu o recurso especial reconhecendo a existência das divergências suscitadas, nos seguintes termos: Para o arbitramento de lucro, a PFN aponta que [...] [...] Verificouse que no relatório do acórdão recorrido reproduziuse trecho do termo de verificação fiscal em que consta que a fiscalização baseouse no art. 527 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99) para considerar que havia sido descumprida a determinação legal de a escrituração da pessoa jurídica abranger todas as suas operações, inclusive as bancárias (fl. 1.671 do eprocesso). Esse art. 527 do RIR/99 dispõe: [...] Do mesmo termo de verificação fiscal foi reproduzido no relatório do acórdão outro trecho em que consta que, entre outros problemas detectados na escrituração, a contribuinte não havia escriturado integralmente sua movimentação bancária, pois créditos e pagamentos a fornecedores foram reiteradamente omitidos (fl. 1.671 do eprocesso): [...] No caso do Acórdão paradigma nº 1102000.918, está explicitado na ementa o entendimento de que contribuinte tributada com base no lucro presumido está obrigada a apresentar à autoridade tributária o Livro Caixa, no qual deve estar escriturada toda a movimentação financeira, inclusive bancária, para não sujeitarse ao arbitramento do lucro. Ou seja, em ambos manifestouse entendimento sobre possibilidade de arbitramento de lucro para pessoa jurídica optante pelo lucro presumido: no paradigma, considerouse necessária a escrituração de toda a Fl. 3074DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10830.012209/200862 Acórdão n.º 9101002.266 CSRFT1 Fl. 10 9 movimentação financeira, inclusive bancária, ao passo que a falta de escrituração da movimentação bancária foi considerada insuficiente para justificar o arbitramento dos lucros no caso do recorrido, porque isso não teria impedido que se conhecesse a receita tributável, conforme atesta trecho extraído do voto do relator: [...] Desse modo, concluise que foi demonstrada a divergência de entendimentos para essa matéria por meio desse paradigma. Quanto ao outro paradigma, verificouse que na sua ementa foi exposto entendimento sobre arbitramento do lucro de pessoa jurídica que adotava o lucro real, tendo sido relacionadas falhas contábeis e problemas documentais que tornam a escrituração contábil imprestável para apurar o lucro real. Tanto no paradigma quanto no recorrido o arbitramento de lucro deveuse ao prescrito pelo art. 530 do RIR/99: [...] Das hipóteses de descumprimento desse art. 530, parte se dirige exclusivamente a quem adota o lucro real. Como não foi demonstrado precisamente a correlação entre um caso e outro de modo a evidenciar que os diferentes regimes de apuração não teriam interferido no decidido, concluise não ser possível transpor o entendimento do paradigma para contribuinte, bem como que esse paradigma não demonstrou a divergência de interpretação para essa matéria (art. 67, §6º do RICARF). Contudo, uma vez que a divergência de entendimentos foi demonstrada por meio de um dos paradigmas apresentados, concluise que foram satisfeitos os requisitos para a admissibilidade do recurso especial para essa matéria. Para a qualificação da multa de ofício, a PFN alega que [...] [...] Verificouse que no caso do recorrido a fiscalização lançou multa qualificada com base no art. 44 da Lei n° 9.430/96 para vários anos (de 2003 a 2007), em face da presunção de omissão de receitas de que trata o art. 42 da Lei n° 9430/96. [...] Verificouse que no caso do Acórdão paradigma nº 10323.495, as circunstâncias foram assemelhadas: a contribuinte foi autuada por presunção de omissão de receitas em razão de depósitos bancários de origem não comprovada, tendo sido aplicada multa qualificada por ter a contribuinte escriturado receitas bastante inferiores àqueles efetivamente auferidos nos anoscalendário de 2000 a 2004, nelas englobadas as referentes aos lançamentos por presunção de omissão de receitas com base em depósitos bancários de origem não comprovada. Nesse caso prevaleceu o entendimento de que a prática de omitir receitas por mais de 3 anos de forma reiterada denota o evidente intuito de fraude, e que, portanto era cabida a multa qualificada. Uma vez que em circunstâncias assemelhadas, no recorrido considerouse que não estava caracterizado o dolo e que não cabia exigir a multa Fl. 3075DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10830.012209/200862 Acórdão n.º 9101002.266 CSRFT1 Fl. 11 10 qualificada, sendo que no paradigma mantevese a qualificação da multa sobre valor de receita omitida apurada nos mesmos moldes da recorrente sob a justificativa de que estava provado o intuito de fraude, concluise que a divergência de entendimentos foi demonstrada por meio desse paradigma. No que tange ao Acórdão paradigma CSRF/9101001.002, não foi feito lançamento por presunção de omissão de receitas, entretanto, assim como no recorrido, o contribuinte omitiu receitas por vários anos seguidos tendo se considerado que essa atitude caracterizava o intuito de fraude. Como um dos fundamentos para a decisão do recorrido foi a ausência de provas do dolo, considerase que esse paradigma serve para demonstrar a divergência para esse ponto. Uma vez que a PFN demonstrou a divergência de entendimentos entre recorrido e paradigmas para as matérias expostas em seu recurso especial, e considerando que foram atendidos os demais requisitos para sua admissibilidade, concluise que deve ser DADO SEGUIMENTO ao seu recurso especial. Em 06/08/2015, a contribuinte foi intimada do despacho que admitiu o recurso especial da PGFN, e em 19/08/2015 ela apresentou tempestivamente as contrarrazões ao recurso, com os argumentos descritos a seguir: o recurso da E. Procuradoria é meramente parcial, na medida em que (i) não se insurge quanto à exoneração do crédito tributário do ano calendário de 2007 e, (ii) relativamente aos anos calendários de 2003 a 2006, a insurgência voltase com exclusividade para um dos dois fundamentos autônomos adotados pelo acórdão recorrido como razão de decidir; neste contexto, impõese desde já reconhecer (i) como definitivo o cancelamento da exigência tributária promovida pelo acórdão recorrido no que se refere ao ano calendário de 2007; (ii) que falta interesse recursal, no que se refere à insurgência contra o cancelamento das exigências dos anos de 2003 a 2006, o que impõe a imediata não admissão do recurso neste ponto, uma vez que, como a decisão destas matéria teve como razão de decidir dois fundamentos autônomos e suficientes (ilegalidade do arbitramento e violação do art. 42 da Lei 9.430/96) e a Procuradoria impugnou apenas um deles (ilegalidade do arbitramento), o recurso se mostra completamente inútil, pois inidôneo do ponto de vista prático para alterar o resultado do julgamento, já que o outro argumento autônomo para o cancelamento não é objeto de recurso; mas é não só, a ausência de insurgência da Procuradoria contra o segundo fundamento autônomo e suficiente adotado pela decisão da 1ª Turma Ordinária da Segunda Câmara da 1ª Seção do CARF para exonerar o crédito tributário relativo aos anos de 2003 a 2006 (violação do art. 42 da Lei 9.430/96) impõe igualmente o reconhecimento da definitividade do cancelamento da exigência tributária promovida pelo acórdão recorrido, justamente por se tratar de matéria não impugnada; não há fundamento que justifique a reforma da r. decisão proferida pela 1ª Turma Ordinária da Segunda Câmara da 1ª Seção do CARF, seja em razão da impossibilidade de conhecimento do recurso, seja por falta de impugnação específica, seja, ainda, por questão de mérito; Fl. 3076DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10830.012209/200862 Acórdão n.º 9101002.266 CSRFT1 Fl. 12 11 PRELIMINARMENTE: IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO DO RECURSO ESPECIAL POR AUSÊNCIA DE INTERESSE RECURSAL INUTILIDADE DO RECURSO o primeiro ponto que merece destaque e que justifica o não conhecimento do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional diz respeito à ausência de interesse recursal no que se refere à insurgência contra o cancelamento das exigências dos anos de 2003 a 2006; o requisito intrínseco do interesse, que é o que importa ao presente caso, está pautado no binômio utilidade/necessidade. Com efeito, para que o recurso seja admissível, é preciso que haja utilidade a medida deve assegurar ao recorrente a possibilidade de lhe proporcionar situação mais vantajosa, do ponto de vista prático, do que aquela em que haja posto a decisão impugnada , e necessidade que lhe seja preciso usar as vias recursais para alcançar situação mais vantajosa; como já chamamos a atenção, o acórdão recorrido adotou duas razões de decidir suficientes e autônomas para o cancelamento das exigências dos anos de 2003 a 2006, quais sejam (i) ilegalidade do arbitramento de optante pelo Lucro Presumido, e (ii) desrespeitos às regras do art. 42 da Lei 9.430/96; resta evidente que, além de considerar inapropriado o arbitramento, a decisão trouxe mais outro fundamento suficiente e autônomo para cancelar o lançamento relativo aos anos de 2003 a 2006, qual seja, o desrespeito às regras previstas no art. 42 da Lei 9.430/96; ocorre que esta particularidade do acórdão recorrido foi simplesmente ignorada pela Fazenda Nacional, que se limitou a impugnar um e apenas um dos fundamentos suficientes e autônomos para cancelar o lançamento relativo aos anos de 2003 a 2006; silenciando a Fazenda Nacional sobre o fundamento autônomo indicado como "[2] não terem sido observadas as regras do artigo 42 da lei 9430/96", a matéria tornou se preclusa, o que é suficiente para (i) tornar definitiva a deliberação consumada pelo acórdão recorrido no sentido de cancelar a exigência tributária dos anos calendários de 2003 a 2006 ou, (ii) no mínimo, não conhecer o recurso interposto nessa parte. Isso porque, mesmo na remota hipótese de ser reformado o entendimento do acórdão relativamente ao reconhecimento da ilegalidade do arbitramento no caso concreto, terseá que manter o cancelamento da exigência relativa aos períodos de 2003 a 2006, na medida em que se tornou definitivo o entendimento sobre a violação do art. 42 da Lei n° 9.430/96, justamente por se tratar de matéria não impugnada; a conclusão é inevitável, deve ser reconhecida a definitividade da deliberação consumada pelo acórdão recorrido no sentido de cancelar a exigência relativa aos anos de 2003 a 2006, por ilegalidade do critério utilizado pelo Fisco de computar a alegada "omissão de receita" em mês diferente daquele "em que for efetuado o crédito pela instituição financeira, uma vez que a presente matéria não foi impugnada em qualquer passagem do Recurso Especial, ou, no mínimo não pode ser admitido o presente recurso nesta parte, por manifesta ausência do requisito intrínseco do interesse processual; Fl. 3077DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10830.012209/200862 Acórdão n.º 9101002.266 CSRFT1 Fl. 13 12 IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO DO RECURSO ESPECIAL AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA ENTRE O ACÓRDÃO RECORRIDO E OS ACÓRDÃOS PARADIGMAS N°s 1102000.918 E 1302001.256 mas não foi apenas este requisito de admissibilidade que foi desrespeitado pela Fazenda Nacional. O segundo ponto que justifica o não conhecimento do Recurso Especial interposto diz respeito à ausência de identidade fática entre o acórdão recorrido e os paradigmas trazidos pela Procuradoria; com efeito, o primeiro paradigma apresentado no Recurso Especial é o Acórdão n° 1102000.918, o qual, supostamente, teria outorgado à lei interpretação jurídica diversa da consignada no acórdão recorrido, no que toca especificamente à definição das situações que autorizam o arbitramento do lucro, quando o regime de tributação adotado pela pessoa jurídica é na sistemática do lucro presumido; ocorre que, analisando o inteiro teor do referido julgado, não é preciso muito esforço para constatar que ele não trata de situação análoga à discutida nesses autos, seja no que se refere às questões fáticas, seja no que toca às questões jurídicas, tendo em vista que ali se enfrenta exclusivamente os requisitos para o arbitramento do lucro de pessoa jurídica sujeita ao lucro real (não ao lucro presumido, como ocorre no presente caso); como se vê, tratase de situação jurídica e de fato absolutamente diversa da constante nestes autos e, o que é pior, os fundamentos jurídicos para o arbitramento são distintos, na medida em que os requisitos para a apuração do lucro real e do lucro presumido são completamente diferentes. Com efeito, as empresas submetidas ao regime do lucro real têm por obrigação demonstrar por documentos contábeis e fiscais o efetivo resultado do período, que será a base de cálculo do IRPJ e da CSLL; situação completamente distinta se verifica em relação às empresas tributadas pelo lucro presumido, que é justamente o caso da empresa Recorrida, sistemática que exige que seja possível identificar as receitas da pessoa jurídica, ponto de partida para apuração da base de cálculo do IPRJ e da CSLL para esse regime; além dessas relevantes diferenças, como já ressaltado, esqueceuse a Fazenda Nacional que o acórdão recorrido, além de considerar inapropriado o arbitramento, trouxe mais um fundamento autônomo e suficiente para decretar o cancelamento das exigências nos anos de 2003 a 2006, como destacamos em preliminar; como se vê do destaque, as situações confrontadas jamais poderiam ser consideradas como similares, pois o acórdão recorrido não só afasta a técnica do arbitramento nos anos de 2003 a 2006, como também refuta o critério utilizado pelo Fisco de computar a alegada "omissão de receita" em mês diferente daquele "em que for efetuado o crédito pela instituição financeira"; não trazendo o acórdão usado como paradigma qualquer referência ao segundo fundamento autônomo e suficiente para cancelar a exigência, não é possível falar que haja identidade fática com acórdão recorrido, o que impõe, também por esta razão, o não conhecimento do presente recurso especial por ausência de demonstração da divergência; a autoridade nomeada para realizar o juízo prévio de admissibilidade do presente recurso especial, muito provavelmente foi induzida a erro, já que o confronto apenas Fl. 3078DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10830.012209/200862 Acórdão n.º 9101002.266 CSRFT1 Fl. 14 13 das ementas dos julgados dá a falsa ideia de que o paradigma indicado tratava de situação similar a dos presentes autos, o que, definitivamente, não é o caso. Isso fica muito evidente no seguinte trecho do Despacho n° 120000.011/2015, no qual restou expressamente consignado que ambas as decisões enfrentaram a possibilidade de arbitramento do lucro para pessoa jurídica do lucro presumido, o que não corresponde à realidade, já que o contribuinte do acórdão paradigma era pessoa jurídica sujeita ao lucro real; não fosse o equívoco na premissa adotada de que as duas decisões tratam só de arbitramento do lucro de empresa optante pelo lucro presumido certamente a conclusão do despacho seria outra, no sentido de não admitir o recurso ora combatido, por ausência de demonstração da divergência. Afinal, diante de diferentes regimes de tributação, a demonstração da base de cálculo está sujeita a regras jurídicas distintas, exigindo, por conseguinte, provas igualmente diferentes; no presente caso, coerentemente o acórdão recorrido manteve o arbitramento no ano de 2007 em que a empresa era tributada pelo Lucro Real. Aqui, sim, haveria similaridade entre as situações com julgamentos convergentes. No entanto, o acórdão recorrido declarou improcedente o arbitramento do lucro unicamente nos anos calendário de 2003 a 2006, anos em que a empresa era optante pelo Lucro Presumido; portanto, é inconteste que o Acórdão n° 1102000.918 não pode ser qualificado como paradigma da discussão travada nos presentes autos; o segundo acórdão indicado no recurso especial (Acórdão n° 1302001.256) também não é apto para comprovar a alegada divergência, pelas mesmas razões que acabamos de expor. Aliás, a sua admissão como paradigma é ainda mais grave, tendo em vista que, diferentemente do Acórdão n° 1102000.918, a ausência de identidade fática e jurídica está estampada na própria ementa do julgado; analisando o relatório, o voto condutor e a própria ementa do Acórdão n° 1302001.256, verificase que o fundamento jurídico para o arbitramento também é norma aplicável exclusivamente às empresas tributadas pelo lucro real; também não se pode perder de vista que o caso concreto foi julgado levandose em conta ainda outra particularidade da situação fática, qual seja , o critério utilizado pelo Fisco de computar a alegada "omissão de receita" em mês diferente daquele "em que for efetuado o crédito pela instituição financeira. Como os paradigmas usados pela Procuradoria não fazem qualquer referência a este fundamento adicional autônomo (que torna a decisão definitiva, porque não há recurso da Fazenda nessa matéria), não é possível entender que haja similaridade entre elas o que, por conseguinte, impede o conhecimento do presente recurso; no recurso especial manejado pela D. Procuradoria, as situações fáticas dos paradigmas são diferentes da dos presentes autos, tendo em vista que as empresas estavam submetidas a diferentes regimes jurídicos de apuração do lucro, o que resulta em diferentes exigências em termos de apresentação de livros e documentos contábeis e fiscais. Em razão disso, nesses distintos regimes são diferentes os pressupostos para a medida extrema do arbitramento, assim como a norma jurídica que autoriza o arbitramento é diferente para empresas optantes do lucro real e do lucro presumido; Fl. 3079DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10830.012209/200862 Acórdão n.º 9101002.266 CSRFT1 Fl. 15 14 assim, o recurso especial ora combatido não deve ser conhecido por não trazer decisão de outra turma ou câmara que tenha dado interpretação divergente à mesma lei, como exigia o art. 67 do RICARF vigente à época da interposição do Recurso Especial; DA IMPOSSBILIDADE DE MANUTENÇÃO DO ARBITRAMENTO DO LUCRO na remota hipótese de o recurso especial ora combatido ser conhecido, o que se admite apenas para argumentar, não há fundamentos para alteração da decisão recorrida; sem contar a existência de outro fundamento autônomo para a tomada de decisão, que não foi objeto do recurso especial, registrese que o argumento da recorrente também não se sustenta, na medida em que, se o próprio Fisco entendeu que estão devidamente quantificadas e determinadas as "receitas omitidas" pela empresa, conforme se afirma no longo relatório de acusação, a conseqüência imediata jamais poderia ser o "arbitramento" do lucro, mas exclusivamente a tributação da "receita omitida", determinada e quantificada, pelas regras do regime adotado pela empresa em cada períodobase pertinente à acusação. Com isso, os pretensos valores apurados a título de "omissão de receitas" deveriam ser adicionados à base de cálculo do lucro presumido nos anoscalendário de 2003 a 2006, nos exatos termos definidos pela decisão recorrida; neste ponto, importa lembrar que o procedimento a ser adotado diante de "omissão de receitas" não fica a critério do agente do Fisco. Pelo contrário, há rígido tratamento legal prescrito pelo art. 24 da Lei n° 9.249/95; não havia pressuposto para o arbitramento do lucro, tendo em vista que a base de cálculo atinente ao regime da empresa, o lucro presumido, era perfeitamente possível de ser identificada; andou bem a decisão recorrida ao cancelar parcialmente o auto de infração, uma vez que restou devidamente demonstrado nos autos que o valor da "receita omitida" já estava apontado pelo próprio Fisco, determinado e quantificado em cada períodobase com apoio na presunção legal do art. 42 da Lei n° 9.430/96, independentemente de qualquer verificação na escrituração da empresa; assim, como no presente a receita bruta era conhecida, a Fiscalização deveria ter respeitado o regime de tributação adotado pelo contribuinte. Não o fazendo, não restou alternativa ao órgão julgador senão cancelar em parte o lançamento fiscal, razão pela qual deve ser mantida a decisão recorrida; este é o entendimento que tem prevalecido neste E. Tribunal (ementas transcritas); nada justifica no caso concreto o arbitramento do lucro da pessoa jurídica, em especial nos anos de 2003 a 2006 em que a fiscalizada optou pelo regime de tributação pelo lucro presumido, sistemática na qual a legislação tributária dá relevância ao conhecimento do "valor da receita", e não do "resultado"; OUTRAS RAZÕES APONTADAS NO RECURSO TAMBÉM IMPEDIRIAM A MANUTENÇÃO DAS EXIGÊNCIA NOS ANOS DE 2003 A 2006 Fl. 3080DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10830.012209/200862 Acórdão n.º 9101002.266 CSRFT1 Fl. 16 15 não se pode ignorar que o acórdão recorrido, ao determinar o cancelamento integral das exigências lançadas nos anos de 2003 e 2006, entendeu que eram suficientes os fundamentos (i) da desnecessidade do arbitramento do lucro em períodos em que a empresa era optante pelo Lucro Presumido, e (ii) do equivocado critério de apuração da receita em mês diferente do depósito bancário, em desrespeito ao art. 42 da Lei 9.430/96; pela suficiência dessas razões, não foram analisadas outras objeções que também seriam relevantes para invalidar o lançamento contestado, pelos equivocados critérios utilizados na sua formalização, como apontado no próprio relatório às fls. 1.839/1.840 (como exemplo, erro na apuração das bases de cálculo e inconsistências nos demonstrativos dos Anexos VI e VII); sendo a matéria (ii) já definitivamente julgada, na remota hipótese de serem superadas as razões precedentes apresentadas e, ao arrepio das normas regimentais, restabelecido o questionado arbitramento nos anos de 2003 a 2006, deve igualmente ser excluída da tributação essa matéria nos referidos períodos, ou, para que não reste caracterizado o indevido cerceamento direito de defesa, ao menos que se promova a devolução à turma de origem para a devida apreciação das matérias anteriormente superadas; DA INDEVIDA QUALIFICAÇÃO DA MULTA JULGAMENTO COM BASE EM SÚMULA DO CARF IMPEDE O CONHECIMENTO DO RECURSO ESPECIAL No tocante à qualificação da penalidade, mais uma vez o recurso manejado pela D. Procuradoria não reúne as condições suficientes e necessárias para sua admissibilidade, uma vez que afronta súmula editada por este E. CARF; importa destacar que o acórdão recorrido aplicou a Súmula CARF n° 25 ao caso concreto, consignando expressamente que não havia provas de qualquer conduta ilícita nos autos; o recurso ora combatido, todavia, é silente no tocante à aplicação da referida Súmula. Talvez porque saiba que, se houvesse mencionado que a decisão recorrida valeuse de súmula CARF para a solução do litígio, não haveria espaço para o cabimento do recurso especial, tendo em vista que é peremptório o mandamento contido no § 2° do art. 67 do RICARF; verificase de plano que o recurso não merece ser conhecido no tocante à qualificação da penalidade; ainda que pudesse ser conhecido o presente recurso nesta parte, o que se admite apenas em esforço argumentativo, não há como acatar os argumentos aduzidos no recurso especial; vale registrar que o recurso não faz menção à folha dos autos, a qualquer documento ou exemplo específico da conduta do contribuinte que justificasse seu discurso genérico e infundado de "enriquecimento ilícito" para a manutenção da penalidade qualificada; a decisão recorrida deixa evidente que o Fisco se valeu de presunção para a tributação da omissão receitas, não existindo nos autos qualquer prova direta da realização de ilícitos, estando a exigência tributária lastreada em meros indícios. Esses indícios, embora até possam justificar o aprofundamento para apuração de eventual incidência de tributos, não se Fl. 3081DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10830.012209/200862 Acórdão n.º 9101002.266 CSRFT1 Fl. 17 16 prestam como meios de prova da conduta fraudulenta ou dolosa prevista nos arts. 71 a 73 da Lei n° 4.502/64, nos termos da reiterada jurisprudência deste E. CARF; por fim, é preciso consignar que ainda que fosse possível admitir a qualificação da penalidade no caso concreto, segundo a reiterada jurisprudência das turmas do STF a multa não pode ultrapassar o valor do tributo devido. Nesse sentido os seguintes julgados das duas Turmas do STF que confirmam os limites para aplicação de penalidade (ementas transcritas); assim, na remota hipótese de ser admitido e provido o recurso ora combatido, a base de cálculo da multa não pode ultrapassar 100% do valor do imposto, sob pena de assumir caráter confiscatório na linha do entendimento do STF. É o relatório. Fl. 3082DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10830.012209/200862 Acórdão n.º 9101002.266 CSRFT1 Fl. 18 17 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. A controvérsia no presente processo diz respeito a lançamento para constituição de crédito tributário a título de IRPJ e tributos reflexos (CSLL, PIS e COFINS) sobre fatos geradores ocorridos nos anoscalendário 2003, 2004, 2005, 2006 e 2007. A Fiscalização apurou omissão de receitas, juntamente com situação que, segundo o seu entendimento, ensejava o arbitramento dos lucros para fins de apuração de IRPJ e CSLL. As contribuições PIS e COFINS foram apuradas de acordo com o regime cumulativo. Foi aplicada a multa qualificada de 150%. O Termo de Verificação Fiscal esclarece a composição da receita bruta que foi computada no lançamento (efls. 102 do volume I do eprocesso): 84. Para fins deste procedimento, consideramos como Receita Bruta conhecida o somatório: (i) dos valores das receitas escrituradas, (ii) das diferenças apuradas em relação às liquidações de cobrança, conforme demonstrado no Anexo II, e (iii) dos valores dos demais créditos efetuados nas contas correntes do contribuinte, sem origem comprovada (Anexo III), com base na presunção prevista no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. E as tabelas constantes dos Anexos VI e VII do Termo de Verificação Fiscal (efls. 234/245 do volume II do eprocesso) discriminam os valores mensais de cada um desses itens que compuseram a base de cálculo da autuação fiscal. A decisão de primeira instância administrativa manteve o lançamento em sua totalidade, enquanto que a decisão de segunda instância administrativa (acórdão ora recorrido) deu provimento parcial ao recurso voluntário da contribuinte, para fins de cancelar parte das exigências fiscais. O acórdão recorrido produziu resultados diferentes em relação ao arbitramento dos lucros, porque a contribuinte havia adotado o lucro presumido para os anos calendário 2003 a 2006 (arbitramento cancelado), e o lucro real para o anocalendário de 2007 (arbitramento mantido). Como já mencionado no relatório, o acórdão recorrido cancelou o arbitramento dos lucros nos anoscalendário 2003 a 2006, o que implicou no cancelamento integral das exigências de IRPJ/CSLL para estes períodos. Além disso, o acórdão recorrido apontou problemas em relação à apuração dos valores constantes do Anexo II (item "ii" acima), mandando excluílos da tributação, decisão que afetou especialmente as contribuições PIS/COFINS em todos os períodos de apuração, e também o IRPJ/CSLL do anocalendário de 2007 (porque neste período foi mantido o arbitramento dos lucros). Fl. 3083DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10830.012209/200862 Acórdão n.º 9101002.266 CSRFT1 Fl. 19 18 O acórdão recorrido ainda afastou a qualificação da multa de ofício, o que também implicou no reconhecimento de decadência para alguns dos períodos autuados (IRPJ/CSLL até o 3º trimestre de 2003 e PIS/COFINS até novembro/2003). O recurso especial da PGFN suscita divergência jurisprudencial em relação a duas matérias: arbitramento dos lucros (anoscalendário 2003 a 2006) e qualificação da multa de ofício (anoscalendário 2003 a 2007). ARBITRAMENTO DOS LUCROS Quanto ao arbitramento, procede a preliminar de não conhecimento do recurso especial, trazida pela contribuinte em sede de contrarrazões. É que a comprovação da divergência dependeria de a PGFN apresentar paradigma que tratasse de mudança de lucro presumido para lucro arbitrado (situação que foi objeto de recurso), mas não foi isso o que ocorreu. Diversamente do que constou do despacho de exame de admissibilidade do recurso especial, o Acórdão paradigma nº 1102000.918 trata de situação em que o contribuinte havia apurado IRPJ e CSLL pelo lucro real, conforme os trechos transcritos a seguir: Acórdão paradigma nº 1102000.918 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por VISATEC CONSTRUÇÕES E EMPREENDIMENTOS LTDA, contra acórdão proferido pela 1ª Turma de Julgamento da DRJ/Curitiba, que concluiu pela procedência parcial do lançamento de ofício efetuado, e cuja ementa transcrevese abaixo: “Assunto:Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário:2004 [...] ARBITRAMENTO DE LUCROS. FALTA DE APRESENTAÇÃO DOS LIVROS CONTÁBEIS. Tendo o contribuinte apresentado DIPJ com base no lucro real e, reiteradamente intimado, deixado de apresentar seus livros contábeis, o arbitramento dos lucros é medida que se impõe. [...] Por não terem sido apresentados os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, o contribuinte teve o seu lucro arbitrado pela fiscalização. Em razão disto, as receitas consignadas na DIPJ, na qual o contribuinte informara o lucro real trimestral como forma de apuração, foram também submetidas ao regime do lucro arbitrado, sendo aplicada, no caso, a multa de ofício de 75%. [...] Voto [...] Fl. 3084DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10830.012209/200862 Acórdão n.º 9101002.266 CSRFT1 Fl. 20 19 Em síntese, alega que o inciso I não é aplicável porque ela não é obrigada pela tributação pelo lucro real; o inciso III não é aplicável porque ela optou pela tributação com base no lucro real, e não presumido (de que trata o art. 527 citado); e o inciso VI não é aplicável porque não há provas de que ela não mantenha o Livro Razão. E, por fim, afirma que na sua DIPJ/2005, acostada aos autos, encontramse disponíveis à fiscalização todas as informações imprescindíveis à apuração do lucro real, não se justificando, portanto, o arbitramento. Não lhe assiste razão. A utilização do arbitramento como forma de apuração dos lucros encontrase plenamente justificada em razão do quanto exposto no Termo de Verificação Fiscal. A tanto basta referir que, muito embora intimada, desde o Termo de Início de Ação Fiscal, a apresentar os livros Diário e Razão, obrigatórios às pessoas jurídicas submetidas ao lucro real, e a despeito das sucessivas reintimações, em nenhum momento os apresentou à fiscalização. Ao contrário do que sustenta a recorrente, a mera apresentação de DIPJ, declaração de cunho meramente informativo, indicando apuração pelo lucro real, não é suficiente a respaldar a tributação por este regime, sendo indispensáveis, nos termos da lei, a apresentação, entre outros, dos livros antes referidos, mantidos e escriturados na forma das leis comerciais e fiscais. [...] Há na verdade convergência entre o recorrido e esse paradigma, porque em relação ao anocalendário de 2007 (em que a contribuinte havia apurado lucro real), o acórdão recorrido também manteve o arbitramento dos lucros. Percebese que o exame de admissibilidade pautouse apenas pela ementa do primeiro paradigma, que simplesmente transcreveu o texto da lei mencionando os dois regimes de tributação (Real e Presumido), e isso resultou em um erro de análise, quando se afirmou que "em ambos (recorrido e paradigma) manifestouse entendimento sobre possibilidade de arbitramento de lucro para pessoa jurídica optante pelo lucro presumido". É oportuno registrar que a PGFN trouxe também um segundo paradigma, Acórdão nº 1302001.256, que não foi admitido para fins de comprovação de divergência em relação ao arbitramento, justamente porque tratava de contribuinte tributado pelo lucro real, conforme o despacho de exame de admissibilidade transcrito anteriormente. O exame do primeiro paradigma, acima referido, deveria ter produzido as mesmas considerações feitas pelo despacho de exame de admissibilidade para o segundo paradigma: Quanto ao outro paradigma, verificouse que na sua ementa foi exposto entendimento sobre arbitramento do lucro de pessoa jurídica que adotava o lucro real, tendo sido relacionadas falhas contábeis e problemas documentais que tornam a escrituração contábil imprestável para apurar o lucro real. Tanto no paradigma quanto no recorrido o arbitramento de lucro deveuse ao prescrito pelo art. 530 do RIR/99: [...] Fl. 3085DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10830.012209/200862 Acórdão n.º 9101002.266 CSRFT1 Fl. 21 20 Das hipóteses de descumprimento desse art. 530, parte se dirige exclusivamente a quem adota o lucro real. Como não foi demonstrado precisamente a correlação entre um caso e outro de modo a evidenciar que os diferentes regimes de apuração não teriam interferido no decidido, concluise não ser possível transpor o entendimento do paradigma para contribuinte, bem como que esse paradigma não demonstrou a divergência de interpretação para essa matéria (art. 67, §6º do RICARF). Realmente, o regime de tributação adotado pelo contribuinte (Lucro Real ou Lucro Presumido) interfere diretamente na possibilidade de arbitramento dos lucros pela Fiscalização. As regras de arbitramento são específicas para cada um desses regimes, as exigências de escrituração não são as mesmas, o conteúdo e o significado da escrituração não são os mesmos, e a finalidade também não. A tributação pelo Lucro Real depende da comprovação de um resultado, enquanto que a tributação pelo Lucro Presumido depende do conhecimento da receita bruta. Decorrem daí as diferentes exigências quanto à escrituração, feitas pela própria lei e também por quem a aplica. Por isso, a comprovação da divergência em relação ao arbitramento dos lucros dependeria de a PGFN apresentar paradigma que tratasse de empresa tributada pelo lucro presumido, o que não ocorreu. Quando os aspectos fáticos analisados pelo acórdão recorrido e pelos acórdãos paradigmas justificam as decisões distintas, fica inviabilizado o processamento do recurso especial de divergência. Da mesma forma como já se havia decidido para o segundo paradigma, o primeiro paradigma também não serve para a comprovação de divergência, até porque o acórdão recorrido manteve o arbitramento para o período em que a contribuinte apurou lucro real (2007), havendo, portanto, convergência e não divergência entre as decisões cotejadas. Desse modo, em relação ao arbitramento dos lucros, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso especial da PGFN. QUALIFICAÇÃO DA MULTA Quanto à qualificação da multa, a contribuinte também suscita preliminar de não conhecimento do recurso especial em sede de contrarrazões. Ela alega que como o acórdão recorrido aplicou súmula do CARF para a solução do litígio (Súmula CARF nº 25), não haveria espaço para o cabimento do recurso especial. Entretanto, em relação a esse item, entendo que o recurso deve ser conhecido. Vêse que o acórdão recorrido afastou a qualificadora porque a autuação fiscal foi baseada em presunção legal de omissão de receitas, o que inviabilizaria a qualificação da multa: Fl. 3086DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10830.012209/200862 Acórdão n.º 9101002.266 CSRFT1 Fl. 22 21 Ora, se o Fisco presumiu a existência da omissão de receitas, pois autuou o contribuinte com base no artigo 42 da lei 9430/96, depósitos bancários com origem não comprovada, é porque não tinha prova de sua real existência, vez que o significado da palavra presumir é justamente “Entender, baseandose em certas probabilidades” (Dicionário Aurélio). Uma coisa é oposta a outra, ou temse prova da omissão de receita e então a fraude também está provada, ou temse indício da omissão com a conseqüente inversão do ônus da prova e, ante a ausência de prova do contribuinte, não se tem prova da omissão e então a fraude também não está provada. E foi nesse contexto, ou seja, no intuito de fortalecer a argumentação de que a comprovação de fraude não se compatibiliza com a figura da presunção de omissão de receitas, é que o acórdão recorrido mencionou a Súmula CARF nº 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. A referida súmula foi citada no sentido de reforço de argumentação, mas ela não engloba todo o fundamento do acórdão recorrido, e nem poderia servir a esse fim porque o seu comando não é de aplicação direta, objetiva. Com efeito, o próprio texto faz a devida ressalva que compatibiliza a presunção legal de omissão de receita com as hipóteses de qualificação de multa (sonegação, fraude e conluio). A súmula não diz que a presunção legal de omissão de receitas impede a qualificação da multa, o que ela diz é que "a presunção legal de omissão de receitas ..., por si só, não autoriza a qualificação da multa ..., sendo necessária a comprovação ...". E é exatamente por isso que existem muitas decisões do CARF que mantém a qualificadora em autuações por omissão de receitas apuradas a partir de presunção legal, como ocorreu com um dos paradigmas trazidos pela PGFN. Acertado, portanto, o exame de admissibilidade do recurso especial em relação a esse tópico: Verificouse que no caso do Acórdão paradigma nº 10323.495, as circunstâncias foram assemelhadas: a contribuinte foi autuada por presunção de omissão de receitas em razão de depósitos bancários de origem não comprovada, tendo sido aplicada multa qualificada por ter a contribuinte escriturado receitas bastante inferiores àqueles efetivamente auferidos nos anoscalendário de 2000 a 2004, nelas englobadas as referentes aos lançamentos por presunção de omissão de receitas com base em depósitos bancários de origem não comprovada. Nesse caso prevaleceu o entendimento de que a prática de omitir receitas por mais de 3 anos de forma reiterada denota o evidente intuito de fraude, e que, portanto era cabida a multa qualificada. Uma vez que em circunstâncias assemelhadas, no recorrido considerouse que não estava caracterizado o dolo e que não cabia exigir a multa qualificada, sendo que no paradigma mantevese a qualificação da multa Fl. 3087DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10830.012209/200862 Acórdão n.º 9101002.266 CSRFT1 Fl. 23 22 sobre valor de receita omitida apurada nos mesmos moldes da recorrente sob a justificativa de que estava provado o intuito de fraude, concluise que a divergência de entendimentos foi demonstrada por meio desse paradigma. [...] A divergência restou comprovada e o recurso deve ser conhecido. Pelas razões acima expostas, não se aplica aqui a regra regimental que veda a apreciação de recurso especial contra "decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF" (art. 67, §3º, do Anexo II da Portaria MF nº 343/2015). Inicio o exame de mérito esclarecendo desde já que no caso destes autos, parte da omissão de receita apurada correspondeu a "recebimentos bancários lançados a título de liquidação de cobrança", valores que representavam recebimento de efetiva receita operacional da empresa (recebimento de duplicatas), e que constaram do Anexo II do Termo de Verificação Fiscal. Aliás, cabe registrar que houve equívoco no julgamento do recurso voluntário em relação a esse Anexo II, quando se afirmou que "a fiscalização considerou ocorrida a omissão em mês subseqüente àquele em que houve o crédito". Não foi isso o que ocorreu. Como se tratava de recebimentos bancários a título de liquidação de cobrança (recebimento de duplicatas), e considerando que o prazo médio de faturamento era de 30 dias (conforme informado pela contribuinte), a Fiscalização comparou os ingressos bancários de um mês (regime de caixa) com a receita contabilizada/ declarada para o mês anterior (regime de competência), de modo a evidenciar que a contribuinte não contabilizava nem declarava o total da receita faturada e posteriormente recebida. Mas o cômputo destes valores foi feito no próprio mês do recebimento bancário, e não no mês subseqüente. As liquidações de cobrança do mês de janeiro/2003 foram computadas no mês de janeiro/2003, as de fevereiro/2003 no mês de fevereiro/2003, e assim por diante, conforme indica o cotejo das planilhas de efls. 191/192 do volume I e efls. 234/236 do volume II do eprocesso. O argumento para o cancelamento total desses valores foi, portanto, equivocado. O objetivo aqui não é reapreciar a exclusão desses valores, até porque essa matéria não foi objeto do recurso especial. Os comentários acima tem apenas o escopo de registrar que a exclusão desses valores deveuse apenas ao método empregado pela Fiscalização para o seu cômputo (no que toca especificamente ao aspecto temporal do fato gerador), mas o acórdão recorrido não negou que eles representavam efetiva receita operacional da empresa, que havia sido omitida. Tal fato já fragiliza a argumentação contrária à qualificação da multa, no sentido de que as infrações foram meramente presumidas. No caso, houve efetiva omissão de receita. Fl. 3088DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10830.012209/200862 Acórdão n.º 9101002.266 CSRFT1 Fl. 24 23 Além disso, os valores constantes do Anexo III (demais créditos efetuados nas contas correntes do contribuinte, sem origem comprovada), tanto pela relevância quanto pela recorrência evidenciadas na planilha de efls. 234/236 do volume II do eprocesso, indicam que a presunção legal de omissão de receitas prevista no art. 42 da Lei nº 9.430/1996 está acompanhada de outras circunstâncias agravantes que endossam a aplicação da qualificadora. Nos termos do inciso II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, somente se admite a aplicação da multa no percentual de 150%, nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964, que são os que contêm o termo subjetivo (evidente intuito de fraude) demandado pela norma. Seguem os dispositivos citados: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente; Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos artigos 71 e 72. Desse modo, a multa de 150% terá aplicação sempre que, em procedimento fiscal, a autoridade lançadora reunir elementos que a convençam da ocorrência de sonegação, fraude ou conluio. Vêse que, para enquadrar determinado ilícito fiscal nos dispositivos dessa lei, há necessidade de que esteja indicado o dolo. O dolo, que se relaciona com a consciência e a vontade, é pressuposto de todos os tipos penais de que trata a Lei nº 4.502/64, ou seja, a vontade de obtenção de um fim em desacordo com o ordenamento jurídico ao se praticar determinada conduta. Ou ainda, nos termos do inciso I do art. 18 do Código Penal (DecretoLei nº 2.848, de 7/12/1940), é o doloso o crime quando o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzilo. Assim, a autoridade fiscal deve estar convencida e apresentar os motivos que a convenceram de que a conduta praticada teve o intuito consciente voltado ao fim de suprimir ou reduzir o pagamento do tributo ou contribuições devidos. O dolo é a intenção da prática de um ato ilícito. Sendo um aspecto interno ao agente, não se pode comprovar o dolo diretamente (a não ser por via da confissão ou, em países em que são aceitos, por meio de testes de medição da verdade), daí que o dolo deflue do conjunto de elementos a partir dos quais seja muito aceitável ter aquela sido a intenção do agente da prática e que seja pouquíssimo aceitável de que tenha sido outra a intenção. Fl. 3089DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10830.012209/200862 Acórdão n.º 9101002.266 CSRFT1 Fl. 25 24 Ou ainda, sendo o dolo sempre comprovado indiretamente, a verdade é que comprovação indireta não é uma comprovação absoluta (não é possível comprovar absolutamente a intenção, que é um elemento subjetivo, interior ao agente), é sempre uma comprovação suficiente, ou seja, tratase de um convencimento de que houve comprovação. As expressões "inequivocamente comprovado", "minuciosamente comprovada", "certeza absoluta do dolo", "plena comprovação", utilizadas numa velha jurisprudência dos Antigos Conselhos de Contribuintes (que, depois, chegou a ser encampada por algumas das turmas de julgamento de primeira instância), equivalem, em termos literários ao sonho de Tartarim1 de Tarascon, personagem do clássico francês escrito por Alphonse Daudet em 1872, sonho este que consistia em caçar leões pelos corredores da casa, onde, porventura, não há senão ratos e pouco mais; ou ainda, em termos populares, a enveredar na busca de um unicórnio sabendo da inexistência do mesmo. Assim, podese afirmar que a autoridade lançadora, ao qualificar a autuação, esteve convencida da intenção da prática do ilícito, ou seja, esteve convencida do dolo e da ocorrência da sonegação, o que a conduziu a aplicar a multa qualificada. Da mesma forma, o dolo estará suficientemente comprovado quando o julgador tiver firmado seu convencimento de que a conduta foi dolosa. Somente após os sucessivos convencimentos do aplicador (autoridade fiscal) e dos intérpretes (julgador/conselheiro/juiz) da lei quanto a correta subsunção dos fatos específicos à norma penal é que o dolo estará definitivamente comprovado. Portanto, a discussão deslocase para a aferição do que é aceitável/razoável, para fins de convencimento da intenção de agir. E, nesta aferição, são muito importantes critérios de relevância (magnitude do que está em jogo) e de recorrência/reiteração (repetição ao longo do tempo) da conduta. Por que esses critérios? Certamente é natural que se cometam erros até certo ponto e mesmo erros de razoável magnitude e, da mesma forma, é natural que se cometam erros durante um certo lapso de tempo. Não obstante, a medida que crescem a relevância e a duração da prática no tempo; decresce, na mesma medida, a probabilidade de algo ter sido fruto de mero erro (é o que se denomina de inversamente proporcional) e aumenta a probabilidade de ter sido premeditado ou intencional. São duas faces da mesma moeda: num lado está o erro, o equívoco; no outro a intenção (de fazer algo errado ou de deixar de fazer algo certo a que se estava obrigado), a vontade de obtenção de um fim ao se praticar uma conduta. A combinação desses critérios também pode ser determinante: podese errar pouco durante muito tempo, assim como errar muito num curto espaço de tempo; agora errar muito durante muito tempo é algo que desafia o bom senso do homem comum (e porque não dizer até do homem um pouco fora do desvio padrão). Não obstante essas diretrizes, há ainda excludentes do dolo, não tanto excludentes na intenção, mas sim muito mais na consciência do ilícito; que, para sua configuração, exige que haja: i) o reconhecimento da intenção do que foi praticado; e ii) a existência de uma justificativa plausível para se ter adotado determinado comportamento (a exemplo de dúvida na interpretação de norma legal [que não se confunde com situações de 1 Homem que carrega “a alma de Dom Quixote” e “o corpo barrigudo e atarracado” de Sancho Pança, personagens imortalizados pelo castelhano Miguel de Cervantes num dos maiores clássicos da literatura universal: “Dom Quixote”. Fl. 3090DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10830.012209/200862 Acórdão n.º 9101002.266 CSRFT1 Fl. 26 25 simulação], erro de cálculo no qual possa ser identificado a imprecisão na fórmula do cálculo e que seja coerente com os valores daí decorrentes, etc). Na mesma linha (na verdade, na sua origem) da aferição a partir dos critérios da relevância e da recorrência (ou reiteração), situase o Acórdão nº 1201001.048, de 04/06/2014, fundamentado em voto do Conselheiro Marcelo Cuba Netto, o qual reflete, a meu juízo, a mais evoluída e moderna jurisprudência sobre o tema. Confirase a ementa do mesmo, na parte pertinente: CONDUTA DOLOSA. COMPROVAÇÃO. Havendo a omissão de receitas sido levada a efeito pelo sujeito passivo por três anos consecutivos (recorrência), em montantes significativos quando comparados com a receita declarada (relevância), e dadas as demais circunstâncias do caso, não há como se admitir que a infração possa ter sido fruto de mero erro ou negligência contábil. Nessas circunstâncias provado está, para além de qualquer dúvida razoável, o dolo do agente. Vale também transcrever trechos do voto que orientou o Acórdão nº 1201 000.841, de 06/08/2013, da lavra do mesmo conselheiro acima mencionado: "Mas antes de arrolar as razões pelas quais entendo haver sido comprovado o dolo, desejo refutar a idéia segundo a qual não seria possível qualificarse a multa de ofício em casos de presunção de omissão de receita. Como a prova do dolo é sempre indireta, os defensores dessa idéia afirmam que haveria "presunção da presunção". Pois bem, quanto a isso bastaria apontarmos o texto da aludida súmula 25 do CARF, que expressamente admite a qualificação da multa em infrações apuradas por presunção legal, desde que comprovada a ocorrência do dolo em qualquer das hipóteses previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Mas não é só. ..., os elementos de prova juntados em qualquer processo não são propriamente "prova" dos fatos alegados pelas partes enquanto o órgão julgador não disser estar convencido de que aqueles elementos "provam" o fato alegado. ... A questão, portanto, recai sobre o "grau" de convencimento do julgador a fim de que ele possa afirmar que os elementos de prova juntados aos autos "provam" o fato alegado. As afirmações acima são particularmente importantes quando o fato a ser provado é o dolo do agente. ... Nesse sentido, o julgador dirá que está convencido de que os elementos indiretos de prova juntados aos autos "provam" o fato alegado quando atingido determinado grau de convencimento." O voto vencedor que orientou o já referido Acórdão nº 1201001.048, de 04/06/2014, que subsidiou a ementa transcrita acima, traz outros referenciais sobre o tema em pauta: "Iniciemos então o exame do julgado da DRJ pela afirmação de que "[A] princípio, o dolo não se presume...'". Fl. 3091DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10830.012209/200862 Acórdão n.º 9101002.266 CSRFT1 Fl. 27 26 Como é cediço, dolo é a vontade livre e consciente de uma pessoa se conduzir contrariamente ao estabelecido pela ordem jurídica. E uma vez que a vontade é algo interno à consciência humana, não pode ser ela provada por meios diretos, a não ser pela declaração prestada pelo próprio agente. Isso posto, ao contrário do afirmado pela DRJ, o dolo do agente, no mais das vezes, somente poderá ser provado por meios indiretos, em especial mediante presunção tomada a partir da experiência comum ou pela observação do que ordinariamente acontece (art. 335 do CPC). Somente na (raríssima) hipótese de confissão do agente é que se pode falar em prova direta do dolo. A outra afirmação do órgão a quo que merece comentário é a que diz respeito à exigência de prova "inconteste e cabal" do dolo. É que, ao contrário do alegado pela DRJ, o direito [qualquer ramo do direito] não exige que o convencimento do julgador acerca da "verdade dos fatos" atinja o grau de "certeza". Admite que o convencimento se dê com base apenas em verossimilhança, ou seja, que seja provável, ainda que não seja absolutamente inconteste, que a "verdade dos fatos" seja essa e não aquela. Tratase aqui de um dos aspectos do princípio do livre convencimento motivado. Mesmo sem adentrarmos nos alicerces teóricos dessa afirmação2, é intuitivo que, no mais das vezes, o direito se contente com mero juízo de verossimilhança. Seja porque, por vezes, o grau de certeza é impossível de ser alcançado no caso concreto. Seja porque, mesmo nos casos em que teoricamente isso seja possível, a dificuldade para alcançálo tornaria o processo infindável. Apenas para ilustrar o que acima foi dito, a prova pericial lastreada em exame de DNA de duas pessoas distintas poderá concluir, com probabilidade superior a 99,99%, mas não de 100%, que uma delas é o pai biológico da outra. Acaso o direito exigisse que o convencimento do julgador acerca da "verdade dos fatos" devesse alcançar o grau de "certeza", o juiz não poderia proferir sentença declarando a paternidade. Outro exemplo. No rumoroso caso Nardoni é inquestionável que, mesmo diante de um conjunto probatório robusto, não foi possível aos membros do Tribunal do Juri alcançar um convencimento com grau de "certeza" acerca da culpa dos réus. Não há dúvida de que a alegação da defesa, segundo à qual o autor do crime teria sido uma terceira pessoa que se encontrava no apartamento quando os acusados lá chegaram, apesar de improvável, não chegou a ser cabalmente afastada. Apesar disso, o Juri concluiu pela culpa dos réus, o que claramente foi feito com base em juízo de verossimilhança. Os exemplos acima referidos estão longe de ser incomuns. Em verdade os julgados lastreados em juízo de verossimilhança são bastante freqüentes 2 Na doutrina pátria vide, dentre outros, Luiz Guilherme Marinoni, in Formação da Convicção e Inversão do Ônus da Prova Segundo as Peculiaridades do Caso Concreto (artigo acessado no sítio http://www.abdpc.org.br/abdpc/artigos/Luiz%20G%20Marinoni(15)%20formatado.pdf). Entre os muitos trabalhos estrangeiros sobre o assunto confira James Q. Whitman in The Origins of "Reasonable Doubt" (artigo acessado no sítio http://digitalcommons.law.yale.edu/cgi/viewcontent.cgi?article=1000&context=fss_papers). Fl. 3092DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10830.012209/200862 Acórdão n.º 9101002.266 CSRFT1 Fl. 28 27 em todos os ramos do direito. Não me surpreenderia, inclusive, se uma eventual pesquisa sobre o assunto revelasse que os julgados lastreados em juízo de verossimilhança são em número bem superior àqueles tomados em juízo de certeza. Bem, mas se é inescusável o fato de que o convencimento do julgador poderá ser validamente alcançado com base em juízo de verossimilhança, então a questão a ser discutida resumese ao grau desse convencimento. Embora a jurisprudência pátria ainda não tenha expressamente estabelecido os padrões (standards) de grau de convencimento que devam ser adotado em cada caso concreto, é indiscutível que em processos penais os julgadores, ainda que intuitivamente, exigem um grau de verossimilhança alto para se declararem convencidos acerca da "verdade dos fatos" em caso de condenação. Esse padrão de grau de convencimento alto por nós empregado no âmbito do direito penal em caso de condenação é denominado no direito norte americano de evidência para além de qualquer dúvida razoável (evidence beyond a reasonable doubt)3. Em resumo, o emprego desse padrão implica que, para condenar o réu, o julgador somente se considerará convencido sobre a "verdade dos fatos" quando houver um alto grau de verossimilhança entre as alegações feitas pela acusação e aquilo que for possível concluir com base nos elementos de prova presentes nos autos. Havendo dúvida razoável, julgador deverá considerarse não convencido. Todavia, incertezas que extrapolem o limite do razoável devem ser desprezadas, tal como o foram nos exemplos antes referidos (paternidade e caso Nardoni). É certo que esse grau de convencimento alto, no mais das vezes, não é possível de ser determinado de maneira exata, comportando assim um certo subjetivismo. Em outras palavras, diante de um mesmo caso concreto, um julgador poderá se considerar convencido, para além de qualquer dúvida razoável, acerca da culpa do acusado, enquanto outro poderá entender que ainda restam dúvidas razoáveis que impossibilitam a condenação. Esse subjetivismo, entretanto, é minimizado pela necessária motivação da decisão e pelo duplo4 grau de jurisdição." Dito isso, adoto neste julgamento esse rigoroso parâmetro/critério de grau de convencimento que me permita afirmar, para além de qualquer dúvida razoável, que os elementos de prova juntados aos autos "provam" o dolo do agente. Em outras palavras, segundo esse critério, os elementos de prova "provarão" o dolo se, e somente se, me proporcionarem o convencimento, para além de qualquer dúvida razoável, de que o agente agiu dolosamente. Pois bem, em seu Termo de Verificação Fiscal (efls.102/105 do volume I do eprocesso), a autoridade tributária informa o seguinte: 3 Esse padrão de grau de convencimento alto é também adotado nas cortes norte americanas nos julgamentos de processos penais. Existem, todavia, outros padrões de convencimento lá empregados, todos com grau mais baixo do que o do evidence beyond a reasonable doubt. Uma explanação bastante resumida da aplicação de cada um desses padrões pode ser encontrada em http://en.wikipedia.org/wiki/Legal_burden_of_proof. 4 Essa minimização do subjetivismo é maior ainda quando se considera que o processo administrativo fiscal ainda poderá ser submetido à apreciação judicial. Fl. 3093DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10830.012209/200862 Acórdão n.º 9101002.266 CSRFT1 Fl. 29 28 V — DA QUALIFICAÇÃO DA MULTA [...] 91. A fim de verificar qual percentual deve ser aplicado, fazse necessário apurar se o contribuinte praticou ou não uma das infrações previstas nos art. 71 a 73 da Lei n° 4.502/64: [...] 92. Ocorre, porém, que nos tipos penais acima transcritos há necessariamente um componente doloso, sem o qual não é possível a caracterização do ilícito. Em outras palavras, para a ocorrência do crime, é necessário que a ação perpetrada tenha como finalidade prejudicar direito, criar obrigação ou alterar a verdade sobre um fato juridicamente relevante. 93. Adentramos, assim, no campo das infrações subjetivas, em contraposição à regra geral da responsabilidade objetiva que impera no campo das infrações à legislação tributária. 94. Sobre os conceitos de infração objetiva e subjetiva, Paulo de Barros Carvalho ("Curso de Direito Tributário', Ed. Saraiva, 14a ed., p. 504 e ss) pontifica, in verbis: [...] 95. Cristalino, portanto, que para a configuração do crime no caso sob comento é preciso restar caracterizado que o autor do ilícito agiu com a intenção de burlar o sistema de fiscalização tributária. 96. Assim, diante das definições transcritas acima e da análise dos fatos procedida por esta fiscalização, constatamos que a ação do contribuinte, materializada pela omissão sistemática de receitas e de compras de matériasprimas, acobertadas pela não escrituração contábil da movimentação bancária, caracterizase inequivocamente como sonegação fiscal. 97. Apresentamos, adiante, o conjunto fático hábil a demonstrar a conduta dolosa praticada com o intuito único de impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. 98. Inicialmente, cabe destacar a absoluta diligência que o contribuinte demonstrou na administração de seus recursos financeiros. Da análise dos extratos bancários, verificouse a existência de milhares de lançamentos efetuados, tais como: depósitos, transferências de disponíveis, ordens de créditos, liquidações de cobrança, os quais alcançaram, em média, a ordem de R$ 22 milhões por ano. 99. Por outro lado, do exame dos valores lançados na contabilidade e dos informados nas declarações do imposto de renda, constatamos que estes se limitaram à cifra média de apenas R$ 7 milhões por ano. 100. Intimado a manifestarse acerca da origem dos recursos movimentados à margem da contabilidade e que não compuseram as receitas declaradas à Receita Federal, a empresa simplesmente informou que tais diferenças Fl. 3094DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10830.012209/200862 Acórdão n.º 9101002.266 CSRFT1 Fl. 30 29 ocorreram em virtude da escrituração ter se baseado nas notas fiscais de compras e vendas, e não na movimentação bancária. 101. Ora, é de conhecimento elementar que a escrituração contábil das pessoas jurídicas deve contemplar todas as suas operações, inclusive a movimentação bancária. Tal falta não pode ser atribuída à mera desinformação, pelo contrário, demonstrou ser muita vantajosa para o contribuinte, haja vista que milhões de reais em tributos deixaram de ser apurados e recolhidos aos cofres públicos. 102. Ademais, conforme relatado no item "Do Procedimento Fiscal", o representante legal e sócioadministrador do fiscalizado, ao prestar declaração acerca das atividades comerciais, de faturamento e cobrança de duplicatas da empresa, demonstrou pleno conhecimento e domínio gerencial sobre suas atividades. 103. Associado à omissão de receitas, constatamos que foram reiteradamente omitidas compras de matériasprimas. Esta atitude repercute diretamente no fluxo de caixa, pois se registrasse todos os desembolsos, teria que escriturar mais receitas para suportálos. Mas, como a intenção era reduzir os valores dos tributos devidos, então, deixou de lançar montantes desembolsados. 104. É de se ressaltar que nos quatro primeiros anos objeto desta fiscalização, o regime de tributação escolhido foi com base no lucro presumido. Nessa sistemática, os tributos devidos são calculados exclusivamente sobre percentual da receita bruta. 105. Outro ponto que merece destaque está relacionado ao recebimento de duplicatas pela rede bancária e à postura do contribuinte adotada no curso do procedimento fiscal, em relação ao fornecimento de documentos e informações correlatos. 106. Inicialmente, cumprenos ressaltar que ao compararmos os valores creditados em conta corrente a título de liquidação de cobrança com as receitas escrituradas, nos anos de 2003 a 2007, verificamos que foram creditados R$ 65 milhões, ao passo que as receitas somam apenas R$ 35 milhões. 107. Pois bem. Intimado a apresentar os avisos de crédito e relatórios contendo dados das liquidações de cobrança, o fiscalizado informou que somente mantém em arquivo os avisos correspondentes aos últimos 6 (seis) meses. Quanto aos relatórios, apresentou apenas informações do ano 2007. 108. Entretanto, após ser intimado a fornecer uma série de notas fiscais de vendas vinculadas a duplicatas recebidas de determinado cliente, o contribuinte, percebendo que entregara à fiscalização informações de vendas efetuadas sem a correspondente emissão do documento fiscal, adiantouse em preparar novo relatório contendo somente as duplicatas para as quais havia nota fiscal emitida. 109. Para justificar a elaboração desse novo relatório, alegou que a planilha entregue inicialmente e utilizada pela fiscalização não tinha realidade e fundamento algum com os dados da empresa. Ao final, desculpouse pelos transtornos e pediu que fossem reconsideradas nossas avaliações. Fl. 3095DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10830.012209/200862 Acórdão n.º 9101002.266 CSRFT1 Fl. 31 30 110. Ora, conforme relatado no item "Do Procedimento Fiscal", do exame realizado nas planilhas, restou evidente que as duas relações possuem dados da empresa, sendo que apenas a última refletia as informações que interessavam ao contribuinte disponibilizar ao Fisco. 111. Depreendese dessa postura, que o contribuinte procurou se esquivar em relação ao fornecimento de informações e documentos relacionados à sua movimentação bancária, em especial aos recebimentos intitulados Liquidação de Cobrança. Agindo assim, demonstra, de forma inequívoca, a intenção de ocultar sua prática cotidiana de efetuar vendas, expedir boletos bancários e recebêlos, sem, contudo, emitir os respectivos documentos fiscais e registrálos na contabilidade. 112. Do exposto, resta evidente que a não escrituração da movimentação bancária, encobrindo receitas e pagamentos efetuados a fornecedores, e a inserção de informações falsas nas Declarações de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), aliadas à tentativa de acobertar informações sob a alegação de não possuir mais os documentos relacionados à sua movimentação bancária, tampouco registros dos recebimentos de duplicatas, expõe de forma insofismável a intenção do contribuinte de burlar o sistema de fiscalização da Receita Federal, no sentido de retardar ou impedir o conhecimento da ocorrência do fato gerador. Entre os elementos de prova do dolo elencados pela autoridade tributária podese destacar: a discrepância entre os ingressos constantes dos extratos bancários (média anual de R$ 22 milhões, ou seja, R$ 110 milhões no período fiscalizado) e os registrados na contabilidade (média anual de R$ 7 milhões, ou seja, R$ 35 milhões no período fiscalizado); a discrepância entre os valores creditados em conta bancária a título de "liquidação de cobrança" nos anos de 2003/2007 (R$ 65 milhões) e as receitas contabilizadas/declaradas (R$ 35 milhões); a não escrituração da movimentação bancária, encobrindo receitas e pagamentos efetuados a fornecedores; a reiterada omissão não apenas no registro de receitas, mas também em relação às compras de matériasprimas; e o próprio conteúdo dos esclarecimentos prestados à Fiscalização no curso da auditoria fiscal. A referida planilha constante das efls. 234/236 do volume II do eprocesso (Anexo VI do TVF) deixa bem evidente a caracterização da relevância e da recorrência para as infrações apuradas pela fiscalização, tanto em relação à omissão das receitas relativas às liquidações de cobrança (Anexo II), item que foi excluído da autuação, quanto aos demais créditos efetuados nas contas correntes do contribuinte, sem origem comprovada (Anexo III). Os valores são bastante expressivos, especialmente quando comparados com a receita contabilizada/declarada, e a prática dessas infrações foi constatada ao longo de cinco anos consecutivos (2003/2007), algo que aumenta ainda mais o meu grau de convencimento acerca do dolo da contribuinte, já que seria bastante improvável uma empresa "esquecer" repetidamente ou recorrentemente de registrar em sua contabilidade operações bancárias cujos montantes atingem as cifras acima referidas. Em síntese, os fatos apontados desde o início deste voto, em seu conjunto, configuram evidências suficientes para me convencer, para além de qualquer dúvida razoável, de que a omissão de receitas decorreu de dolo da contribuinte. Pois não é razoável admitirse que tenha sido fruto de mero erro ou negligência o fato de a pessoa jurídica, ao longo de cinco anos (2003/2007), omitir receitas operacionais (liquidação de cobrança duplicatas recebidas) Fl. 3096DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10830.012209/200862 Acórdão n.º 9101002.266 CSRFT1 Fl. 32 31 num montante aproximado de R$ 30 milhões, e também deixar de comprovar a origem de uma enorme quantidade de outros depósitos bancários, cujos montantes giram em torno de R$ 45 milhões. Ademais, relativamente à conduta reiterada como elemento para convencimento dos julgadores quanto ao dolo que conduz à qualificação da multa de ofício, a jurisprudência tradicional desta Turma da Câmara Superior (bem como de outros colegiados do CARF) vem admitindoa, conforme se depreende dos precedentes abaixo: Acórdão nº 910100.140, sessão de 12/05/2009, da relatoria do eminente Conselheiro Antônio Carlos Guidoni Filho: MULTA AGRAVADA CONDUTA REITERADA Nos termos da jurisprudência majoritária da CSRF, e das Câmaras da Primeira Seção do CARF, a prática reiterada de infrações à legislação tributária denota a intenção dolosa do contribuinte defraudar a aplicação da legislação tributária e lesar o Fisco. Acórdão nº 910100.172, sessão de 15/06/2009: MULTA QUALIFICADA DE 150% A aplicação da multa qualificada pressupõe a comprovação inequívoca do evidente intuito de fraude, nos termos do artigo 44, inciso II, da Lei 9430/96. O fato de o contribuinte ter apresentado Declaração de Rendimentos de forma reiterada e com valores significativamente menores do que o apurado, legitima a aplicação da multa qualificada. Acórdão nº 910100.320, sessão de 25/08/2009: MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA É aplicável a multa de oficio qualificada de 150% naqueles casos em que restai constatado o evidente intuito de fraude A conduta ilícita reiterada ao longo do tempo, descaracteriza o caráter fortuito do procedimento, evidenciando o intuito doloso tendente à fraude Acórdão nº 910100.417, sessão de 03/11/2009, relatora a Conselheira Ivete Malaquias Pessoa Moteiro: MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Cabível quando o Contribuinte presta declaração, em três anos consecutivos, com os valores zerados, não apresenta DCTF nem realiza qualquer pagamento. Este conjunto de fatos demonstra a materialidade da conduta, configurado o dolo especifico do agente evidenciando não somente a intenção mas também o seu objetivo. Inclusive, tive a oportunidade de aderir a essa jurisprudência, ao admitir a penalização, com gravidade, daqueles que têm conhecimento da dimensão do fato gerador ocorrido e optam reiteradamente por ocultálo, ostentando aparente regularidade no cumprimento das obrigações tributárias, a partir dos seguintes julgados: Acórdão nº 9101001.956, sessão de 18/07/2014: MULTA QUALIFICADA. CONDUTA REITERADA. A escrituração e a declaração sistemática de receita menor que a real, provada nos autos, demonstra a intenção, de impedir ou retardar, parcialmente o conhecimento da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal por parte da Fl. 3097DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10830.012209/200862 Acórdão n.º 9101002.266 CSRFT1 Fl. 33 32 autoridade fazendária e enquadrase perfeitamente na norma hipotética contida do artigo 71 da Lei 4.502/64, justificando a aplicação da multa qualificada”. (ACÓRDÃO CSRF/0105.810 em 14 de abril de 2008). Acórdão nº 9101002.011, sessão de 07/10/2014, da relatoria do Conselheiro Valmar Fonseca de Menezes: [...] [...]CONDUTA REITERADA – Nos termos da jurisprudência majoritária da CSRF, e das Câmaras da Primeira Seção do CARF, a prática reiterada de infrações à legislação tributária denota a intenção dolosa do contribuinte de fraudar a aplicação da legislação tributária e lesar o Fisco. Por fim, ressalto ainda a necessidade de um elemento importante para o provimento da multa qualificada, qual seja, a apresentação pela acusação fiscal dos elementos que a conduziram à sua aplicação. Em outros termos, não basta que o julgador examine os autos e forme seu juízo (fique convencido) quanto a presença do dolo do contribuinte. É necessário que a acusação fiscal contenha os elementos suficientes para o convencimento do julgador, melhor dizendo, ao qualificar a multa, a autoridade lançadora deverá apresentar os elementos que a levaram à qualificação da multa, deverá explicar os motivos que formaram seu convencimento quanto ao dolo do sujeito passivo e quanto a potencial sonegação. Isso não quer dizer que a autoridade lançadora deverá abrir um capítulo específico para tratar da qualificação, ou que, uma vez que o tenho feito, devase desconsiderar colocações relativas ao dolo nas demais partes do Termo de Verificação Fiscal. Não pode o julgador examinar os autos e decidir pelo dolo, substituindo/suprindo o trabalho fiscal de apontar os elementos de convicção da intenção da prática de um ato ilícito. Isso ocorreria na hipotética situação em que o fiscal qualifica a multa, mas deixa de expor os motivos que o levaram a essa qualificação ou expõe motivos insuficientes pela conclusão do dolo, e, na seqüência, o julgador se aprofunda nos fatos do processo e se convence do dolo. Essa observação é importante, porque, se o julgador supre os elementos de convicção do fiscal, ao contribuinte não foi dada a oportunidade de contraditar os motivos que levaram a qualificação da multa. Esse é o acertado entendimento dos Acórdãos a seguir, da lavra da Conselheira Edeli Pereira Bessa, dos quais se reproduz alguns excertos: A autoridade lançadora não acusou a contribuinte de ocultar receitas sabidamente tributáveis, de modo que o litígio não se estabeleceu em relação à intenção de contribuinte em deixar de recolher tributos. (Acórdão nº 110100.725). Por fim, a intenção do sujeito passivo deve ser objeto de acusação fiscal, para que no contencioso administrativo eventual prova em contrário seja produzida. (Acórdão nº 1101000.919). Não obstante, feita a ressalva deste item, no caso dos autos a acusação fiscal foi diligente no sentido de apontar seus motivos de convencimento do dolo do contribuinte e do enquadramento como sonegação, conforme tópico específico do TVF já reproduzido anteriormente. Fl. 3098DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10830.012209/200862 Acórdão n.º 9101002.266 CSRFT1 Fl. 34 33 Concluo que, nos autos sob julgamento, uma vez estando provada a recorrência e a relevância da infração, não é razoável supor que a conduta da contribuinte tenha sido fruto de mero erro ou negligência contábil. Estou convicto que está suficientemente provado, para além de qualquer dúvida razoável, o dolo do agente. Logo, pelas circunstâncias descritas neste processo, estando presentes o elemento subjetivo (dolo de omitir/retardar o conhecimento do Fisco do fato gerador) e o elemento objetivo (ausência de recolhimento dos tributos devidos), decido que a infração apurada nos anos de 2003 a 2007, relativamente aos "valores dos demais créditos efetuados nas contas correntes do contribuinte, sem origem comprovada", constantes do anexo III do TVF, se amolda perfeitamente à hipótese descrita no art. 71 da Lei nº 4.502/1964 (sonegação), o que leva ao restabelecimento da multa qualificada no percentual de 150% para os itens que remanesceram da autuação. No início deste voto, esclarecemos que o acórdão recorrido cancelou o arbitramento dos lucros nos anoscalendário 2003 a 2006, o que implicou no cancelamento integral das exigências de IRPJ/CSLL para estes períodos. Como não houve conhecimento do recurso especial em relação ao arbitramento, essa decisão fica mantida. Além disso, o acórdão recorrido apontou problemas em relação à apuração dos valores constantes do Anexo II (item "ii" acima), mandando excluílos da tributação, decisão que afetou especialmente as contribuições PIS/COFINS em todos os períodos de apuração, e também o IRPJ/CSLL do anocalendário de 2007 (porque neste período foi mantido o arbitramento dos lucros). Tal decisão também fica mantida, porque não houve recurso especial para a exclusão dos valores constantes no Anexo II do TVF. O acórdão recorrido ainda afastou a qualificação da multa de ofício, o que também implicou diretamente no reconhecimento da decadência para alguns dos períodos autuados (IRPJ/CSLL até o 3º trimestre de 2003 e PIS/COFINS até novembro/2003), porque o lançamento ocorreu em 05/12/2008. Uma vez restabelecida a qualificação da multa, fica afastada a decadência em relação ao PIS/COFINS até novembro/2003. Havendo conduta dolosa, o prazo decadencial é o do art. 173, I, do CTN, e não o previsto no §4º do art. 150 do CTN. Outra não poderia ser a conclusão, forte na súmula CARF nº 72, verbis: Súmula CARF nº 72: Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial regese pelo art. 173, inciso I, do CTN. Para o IRPJ/CSLL até o 3º trimestre de 2003, o restabelecimento da qualificadora não surte efeito, porque o lançamento continua cancelado em razão das questões do arbitramento dos lucros nos períodos de 2003/2006. Na composição das decisões proferidas neste processo, incluindo a presente decisão, a exigência que remanesce nos presentes autos é a seguinte: IRPJ/CSLL para o anocalendário de 2007, no regime do lucro arbitrado, com a multa qualificada de 150%, excluídos da base de cálculo os valores constantes do Anexo II do TVF; e Fl. 3099DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10830.012209/200862 Acórdão n.º 9101002.266 CSRFT1 Fl. 35 34 PIS/COFINS para todos os períodos autuados, com a multa qualificada de 150%, excluídos da base de cálculo os valores constantes do Anexo II do TVF. Diante do exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso especial da Fazenda Nacional em relação ao arbitramento dos lucros. Quanto à multa de ofício, voto no sentido DAR PROVIMENTO ao recurso para fins de restabelecer a multa qualificada de 150%, e, em decorrência disso, restabelecer também a exigência de PIS/COFINS para os fatos geradores ocorridos até novembro/2003. Esse é o meu voto. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 3100DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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Numero do processo: 11080.720052/2015-64
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 30 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 2202-000.676
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por REINALDO AUGUSTO PESTANA MARQUES GOMES;
RESOLVEM os Membros da 2ª. Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de julgamento do CARF, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora.
(Assinado digitalmente)
MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA - Presidente.
(Assinado digitalmente)
JÚNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA (Presidente), MARTIN DA SILVA GESTO, JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, DILSON JATAHY FONSECA NETO, MARCELA BRASIL DE ARAUJO NOGUEIRA (Suplente convocada), JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), MARCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de julgamento do CARF, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. (Assinado digitalmente) MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA Presidente. (Assinado digitalmente) JÚNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA (Presidente), MARTIN DA SILVA GESTO, JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, DILSON JATAHY FONSECA NETO, MARCELA BRASIL DE ARAUJO NOGUEIRA (Suplente convocada), JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), MARCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), MARCIO HENRIQUE SALES PARADA Em desfavor do contribuinte acima identificado foi emitida Notificação de Lançamento (fl. 6), relativa ao Imposto de Renda da Pessoa Física, relativamente ao ano calendário 2010, na qual foi apurado o crédito tributário no valor total de R$ 73.957,38, acrescido de multa de ofício (75%) e juros de mora. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 80 .7 20 05 2/ 20 15 -6 4 Fl. 7986DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 0/05/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11080.720052/201564 Resolução nº 2202000.676 S2C2T2 Fl. 7.981 2 Anteriormente, na declaração de ajuste anual, o contribuinte havia apurado saldo a pagar no valor de R$ 84.086,22. O contribuinte apresenta impugnação na qual argumenta, em síntese, que o valor da dedução do livrocaixa se refere a despesas de custeio indispensáveis à execução dos serviços prestados, bem como à manutenção da fonte produtora. Aduz, ainda, que “recebe rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício (comissão de leilão) tanto de pessoas físicas como de pessoas jurídicas, e a soma dos dois rendimentos é muito superior ao valor deduzido em livro caixa ...”. Para comprovar a alegação, a título de exemplo, anexa uma cópia de fatura de leilão extraída para pessoa física e outra para pessoa jurídica. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fl. 7), referido lançamento decorrera da glosa do valor de R$ 268.935,92, indevidamente deduzido a título de Livro Caixa, por falta de comprovação. A 5ª Turma da DRJ/REC julgou a impugnação improcedente, nos termos da ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2010 IRPF. DEDUÇÕES. LIVRO CAIXA. O contribuinte, pessoa física, que perceber rendimentos do trabalho não assalariado, pode deduzir da receita decorrente do exercício da respectiva atividade as despesas de custeio indispensáveis à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora, desde que comprovadas com documentação hábil e idônea, e devidamente escrituradas no l livro Caixa. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado, o contribuinte, representado pela viúva Liliamar Fátima Parmeggiani Pestana Marques Gomes (inventariante), apresentou o Recurso Voluntário, no qual alega, resumindamente que: a) O Recorrente faleceu em 13/02/2015, motivo pelo qual é representado pela sua esposa que será nomeada sua inventariante. Requer juntada posterior da certidão de inventariante. b) Não foram considerados todos os rendimentos recebidos das mais de 200 fontes pagadoras pessoas jurídicas, no valor de R$ 1.314.375,03, declaradas e oferecidas a tributação pelo Recorrente e que tais rendimentos são decorrentes do trabalho não assalariado comprovado pela emissão de mais de oito mil faturas de leilão emitidas por leiloeiros oficiais. c) Que a totalidade dos documentos não foi juntada ao presente recurso por orientação da Receita Federal no atendimento presencial realizado em 06/04/2015 Senha doc 14, emitida às 13:49. De acordo com a orientação recebida a Recorrente deveria fazer a juntada dos documentos por amostragem. d) Que é incorreto o acórdão julgou o lançamento improcedente por falta de comprovação de que os rendimentos percebidos são passíveis de dedução, pois foram realizadas diversas tentativas de entrega das faturas sempre com recusa de recebimento por parte da Receita. sob a Fl. 7987DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 0/05/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11080.720052/201564 Resolução nº 2202000.676 S2C2T2 Fl. 7.982 3 alegação de que deveriam ser conferidas com as originais, individualmente e que, tal conferência, em razão do volume, seria inviável. e) Que a negativa de recebimento das provas e a conclusão pela procedência do lançamento configura claro cerceamento de defesa. f) Que este fato ocorreu em todos os anos calendários anteriores, e quando intimado, o requerente apresentou os devidos esclarecimentos que foram aceitos pela fiscalização. Em 07 de maio de 2015, (fls. 5.726) o Recorrente protocola petição requerendo a juntada de todas as faturas de leilão emitidas no ato de cada arrematação realizada no ano calendário de 2010, de forma digital, em CDR, validado através do Sistema de Validação e Autenticidade de arquivos da Receita Federal. É o relatório Conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Relatora O recurso está dotado dos pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Conforme já exposto, a Notificação de Lançamento (fl. 6), referese ao Imposto de Renda da Pessoa Física, relativamente ao ano calendário 2010, na qual foi apurado o crédito tributário no valor total de R$ 73.957,38, por falta de comprovação das deduções escrituradas no livro caixa. Cumpre esclarecer que existe previsão legal para que o contribuinte que percebe rendimentos do trabalho nãoassalariado deduza da receita decorrente de sua atividade as despesas de custeio pagas, necessárias à percepção da receita, conforme arts. 75 e 76 do Decreto nº 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999): “Art. 75. O contribuinte que perceber rendimentos do trabalho não assalariado, inclusive os titulares dos serviços notariais e de registro, a que se refere o art. 236 da Constituição, e os leiloeiros, poderão deduzir, da receita decorrente do exercício da respectiva atividade (Lei nº 8.134, de 1990, art. 6º, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso I): I a remuneração paga a terceiros, desde que com vínculo empregatício, e os encargos trabalhistas e previdenciários; II os emolumentos pagos a terceiros; III as despesas de custeio pagas, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. (...)” “Art. 76. As deduções de que trata o artigo anterior não poderão exceder à receita mensal da respectiva atividade, sendo permitido o cômputo do excesso de deduções nos meses seguintes até dezembro (Lei nº 8.134, de 1990, art. 6º, § 3º). (...) § 2º O contribuinte deverá comprovar a veracidade das receitas e das despesas,mediante documentação idônea, escrituradas em Livro Caixa, que serão mantidos em seu poder, à disposição da fiscalização, Fl. 7988DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 0/05/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11080.720052/201564 Resolução nº 2202000.676 S2C2T2 Fl. 7.983 4 enquanto não ocorrer a prescrição ou decadência (Lei nº 8.134, de 1990, art. 6º, § 2º). (grifamos) De acordo com a DRJ, a fiscalização intimou o contribuinte a comprovar que os rendimentos declarados são passíveis de dedução à título de LivroCaixa (fls. 11) e que este nada apresentou. Além disso, na fase impugnatória limitouse a apresentar duas faturas de leilão, uma referente a recebimento de pessoa física e outra recebida de pessoa jurídica. Diante desses fatos, considerou que não houve a comprovação documental das receitas (comissões de leilão) ou das despesas consignadas no seu livro caixa o que legitimaria o lançamento fiscal. Em fase recursal, o Recorrente faz juntada de documentos, por amostragem, e, posteriormente, solicita, por petição, a juntada de todas as faturas relativas ao exercício de 2010. O artigo 16 § 4º do Decreto 70.235/72 determina que "a prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que:a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. No caso dos autos, entendo configurada a situação prevista na alínea "c" do referido dispositivo legal, pois a recusa do recebimento dos documentos não foi suscitada na impugnação. Mesmo que assim não fosse, esse Conselho, em razão do princípio do formalismo moderado, tem admitido a juntada de provas em fase recursal como se verifica pelas ementas abaixo transcritas: "IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AUTUAÇÃO POR DEDUÇÃO INDEVIDA DE IMPOSTO RETIDO NA FONTE. COMPROVAÇÃO IDÔNEA EM FASE RECURSAL. ADMITIDA EM HOMENAGEM AO PRINCÍPIO DO FORMALISMO MODERADO. Comprovada idoneamente, por demonstrativos de pagamentos de rendimentos, a retenção de imposto na fonte, ainda que em fase recursal, são de se admitir os comprovantes apresentados a destempo, com fundamento no princípio do formalismo moderado, não subsistindo o lançamento quanto aeste aspecto. Recurso provido" (Ac 2802001.637, 2ª Turma Especial, 2ª Seção, Sessão 18/04/2012) "PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. O art. 16 do Decreto n. 70.235/72 deve ser interpretado com temperamento em decorrência dos demais princípios que informam o processo administrativo fiscal, especialmente instrumentalidade das formas e formalismo moderado. O controle da legalidade do ato de lançamento e busca da “verdade material” alçada como princípio pela jurisprudência dessa Corte impõem flexibilidade na interpretação de regras relativas à instrução da causa, tanto no tocante à iniciativa quanto ao momento da produção da prova. Recurso voluntário provido para anular decisão de primeira instância." (Ac 1102000.859, 1ª Câmara/2ª Turma Ordinária, 1ª Seção, Sessão 09/04/2013) Fl. 7989DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 0/05/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11080.720052/201564 Resolução nº 2202000.676 S2C2T2 Fl. 7.984 5 "PEDIDO DE RESTITUIÇÃO / DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRECLUSÃO. APRESENTAÇÃO DE NOVAS PROVAS NO RECURSO VOLUNTÁRIO. POSSIBILIDADE. O art. 16 do Decreto n. 70.235/72, que determina que a prova documental deva ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de se fazêlo em outro momento processual, deve ser interpretado com temperamento em decorrência dos demais princípios que informam o processo administrativo fiscal, tais como o formalismo moderado e a busca da “verdade material”. A apresentação de provas após a decisão de primeira instância, no caso, é resultado da marcha natural do processo, pois, não tendo a decisão de piso considerado suficientes os documentos apresentados pelo contribuinte para a comprovação do seu direito creditório, trouxe ele novas provas, em sede de recurso, para reforçar o seu direito". (Ac 1102001.148, 1ª Câmara/2ª Turma Ordinária, 1ª Seção, Sessão 29/04/2014) Diante de todo exposto, converto o julgamento em diligência para que: a) a DRF de origem realize diligência a fim de determinar, ainda que por amostragem, se os rendimentos do contribuinte no ano em questão eram integralmente provenientes da atividade de leiloeiro, principalmente os provenientes de PJ, que foram questionados pela autuação, manifestandose através de termo circunstanciado. b) dê ciência ao contribuinte do resultado dessa análise para, querendo, manifestarse no prazo legal Após, retornem os autos a este CARF para prosseguimento do julgamento (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Fl. 7990DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 0/05/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA
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Numero do processo: 10183.721867/2010-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Aug 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005
DECADÊNCIA.
O imposto sobre a propriedade territorial rural é, a partir do ano-calendário 1997, tributo sujeito ao regime do denominado lançamento por homologação, sendo que o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos, quando há antecipação de pagamento, contados do fato gerador, que ocorre em 01 de janeiro de cada ano-calendário. Ultrapassado esse lapso temporal, sem a expedição de lançamento de ofício, opera-se a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4º e do artigo 156, inciso V, ambos do CTN.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2201-003.256
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao Recurso.
Assinado digitalmente
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Denny Medeiros da Silveira (Suplente Convocado), Daniel Melo Mendes Bezerra, Carlos César Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa da Cruz.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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O imposto sobre a propriedade territorial rural é, a partir do anocalendário 1997, tributo sujeito ao regime do denominado lançamento por homologação, sendo que o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos, quando há antecipação de pagamento, contados do fato gerador, que ocorre em 01 de janeiro de cada anocalendário. Ultrapassado esse lapso temporal, sem a expedição de lançamento de ofício, operase a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4º e do artigo 156, inciso V, ambos do CTN. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao Recurso. Assinado digitalmente Carlos Henrique de Oliveira Presidente. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Denny Medeiros da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 72 18 67 /2 01 0- 35 Fl. 126DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10183.721867/201035 Acórdão n.º 2201003.256 S2C2T1 Fl. 127 2 Silveira (Suplente Convocado), Daniel Melo Mendes Bezerra, Carlos César Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa da Cruz. Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 1ª Turma da DRJ/CGE(Fls. 77), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Contra o interessado supra foi lavrada a Notificação de Lançamento e respectivos demonstrativos de fls. 02 a 07, por meio do qual se exigiu o pagamento do ITR do Exercício 2005, acrescido de juros moratórios e multa de ofício, totalizando o crédito tributário de R$ 867.293,96, relativo ao imóvel rural denominado Fazenda São Jorge, com área de 9.991,0ha., NIRF 2.887.7217, localizado no município de Aripuanã/MT. Constou da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal a citação da fundamentação legal que amparou o lançamento e as seguintes informações, em suma: que, após regularmente intimado, o contribuinte não comprovou a isenção da área declarada a título de preservação permanente, que deveria ser feito mediante laudo técnico que a identificasse e classificasse com a tipologia da Lei n.º 4.771/65 (Código Florestal) e/ou certidão de órgão público competente, no caso de áreas enquadradas no art. 3º desse Código, e apresentação de ADA protocolado junto ao Ibama, no prazo previsto na legislação tributária; e, quanto ao VTN do imóvel, foi alterado para o apurado com base no SIPT – Sistema de Preços de Terra da Receita Federal, em razão de não ter sido apresentado um laudo de avaliação com grau de fundamentação e precisão II para comprovar o declarado pelo contribuinte, como exigido na intimação fiscal. Instruíram o lançamento os documentos de fls. 08 a 39. Cientificado do lançamento, em 24/11/2010, por via postal (fls. 40), o interessado apresentou a impugnação de fls. 46 a 52, em 23/12/2010, acompanhada dos documentos de fls. 53 a 63, onde argumentou, em suma, o que segue: ∙ Apresenta anualmente as declarações de ITR, cumprindo sua obrigação tributária; intimado a apresentar documentos, solicitou dilação de prazo e, até o momento, não foi intimado do deferimento ou indeferimento do pleito; ∙ Requer seja declarada a violação à garantia do devido processo e ampla defesa e anulada a notificação de lançamento, ante à falta de intimação à defesa quanto ao pedido anterior; e seja concedido prazo de 180 dias para apresentação do laudo; esse prazo é necessário em razão da época do ano, período de águas no estado, que torna o imóvel inacessível; Fl. 127DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10183.721867/201035 Acórdão n.º 2201003.256 S2C2T1 Fl. 128 3 ∙ Não foi possível apresentação do ADA ao Ibama, em razão de movimento grevista do órgão; ∙ O valor da terra nua, arbitrado com base na tabela SIPT, de R$ 185,40/ha., não deve prevalecer por ser irreal e sua utilização ser destituída de base legal; o imóvel é de difícil acesso, com mata fechada, baixa fertilidade e propenso a erosão, circunstância que lhe confere valor muitas vezes menor que o considerado; ∙ Conforme documentos que apresenta, não apresentados antes pelo fato de a defesa não ter sido intimada acerca de pedido formulado, a área de reserva legal do imóvel é superior a 80%, e o ADA não é o único meio de prova eficaz da sua existência, em razão do princípio da verdade real; a área de reserva legal está averbada à margem da matrícula do imóvel, o que só se faz com prévia aprovação do órgão ambiental, e deve ser excluída da base de cálculo do ITR; ∙ A quantia cobrada equivale a confisco, posto que superior ao valor do imóvel, o que é proibido pela Constituição Federal; e deve se afastada a exigência de multas e juros de mora, que não podem ser exigidas sem que antes seja oportunizado ao contribuinte pagar o imposto; ∙ Protesta por provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos, inclusive pericial, para atestar a existência de áreas de reserva legal e de preservação permanente e o real valor do imóvel, na hipótese de não se admitir os documentos juntados como hábeis a comprovar suas alegações. Passo adiante, a 1ª Turma da DRJ/CGE entendeu por bem julgar a impugnação improcedente, em decisão que restou assim ementada: PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. Não cabe aos órgãos administrativos apreciar argüições de legalidade e/ou constitucionalidade de dispositivos da legislação em vigor, matéria reservada ao Poder Judiciário. NULIDADE. Ausentes as hipóteses do art. 59 do Decreto n.º 70.235/72 e cumpridos os requisitos do art. 11 desse Decreto, não prospera a alegação de nulidade do lançamento. ÁREAS ISENTAS. TRIBUTAÇÃO. Para a exclusão da tributação sobre áreas de preservação permanente e reserva legal é necessária a comprovação da existência efetiva dessas áreas no imóvel rural e cumprimento de exigências legais de apresentação do Ato Declaratório AmbientalADA ao Ibama e averbação da reserva legal junto ao Registro de Imóveis. VALOR DA TERRA NUA. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10183.721867/201035 Acórdão n.º 2201003.256 S2C2T1 Fl. 129 4 A base de cálculo do imposto será o valor da terra nua apurado pela fiscalização, com base no SIPT, se não existir comprovação que justifique reconhecer valor menor. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. A multa de ofício e os juros de mora exigidos encontram amparo em lei. Cientificado em 11/04/2012 (Fls. 93), o Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 11/05/2012 (fls. 95 a 106), argumentando em síntese: (...) 9. Na oportunidade, o contribuinte, ora recorrente, constituiu advogado para representálo no procedimento, o qual pleiteou à autoridade fiscal que concedesse prorrogação de prazo para apresentação dos documentos que estavam sendo requisitados e poderiam atestar a regularidade do recolhimento do tributo, tal qual havia feito o recorrente. 10. O petitório foi acompanhado com o competente instrumento de mandato, aonde claramente se extraia a intenção de que os atos concernentes ao procedimento fossem praticados através de defesa técnica. 11. Não obstante o deferimento da prorrogação do prazo, conforme havia sido requerido, o patrono signatário não foi intimado da decisão, o que fez transcorrer in albis o prazo e culminou com a lavratura da notificação fiscal de lançamento, através da qual se cobra do requerente diferenças concernente ao tributo, multa e encargos de atualização. (...) 16. É evidente que a notificação consolidada, implica em severo prejuízo ao contribuinte que poderia ter resolvido seu caso apenas com o procedimento de análise que vinha sendo feito pelo agente. (...) 20. Ora, a revisão de ofício está sim condicionada ao procedimento preparatório, máxime quando a autoridade fiscal elege o procedimento da tomada de esclarecimentos, não podendo, posteriormente, ao seu alvedrio, alterar o rito, o que viola o princípio da legalidade, e principalmente a ampla defesa. 21. Destarte, deve ser retificada a decisão hostilizada, anulando se o procedimento desde a declaração de não atendimento de prazo quando da reanálise interna, volvendo os atos, portanto, à fase própria ao fornecimento dos documentos requisitados a partir da primeira intimação fiscal. (...) Do cerceamento do direito de defesa Fl. 129DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10183.721867/201035 Acórdão n.º 2201003.256 S2C2T1 Fl. 130 5 (...) 23. O indeferimento da produção de provas, sob a justificativa de que deveriam ter acompanhado a defesa, não se coaduna com o espírito da norma, tampouco com a Lei Maior. 24. Conforme se vê, a impugnação foi apresentada em época que o período chuvoso, toma inacessível o imóvel, circunstância que impediu a confecção do laudo de avaliação. 25. No que tange a ausência da ADA, também foi justificada a não juntada, ante a greve geral do IBAMA, o que presumese, deva ser do conhecimento desse órgão fazendário, por se tratar de órgão federal. (...) 31. A prova pericial seria, e é, capaz de trazer segurança jurídica tanto para o fisco quanto para o contribuinte. (...) 34. Referente às áreas de reserva legal, limitadas, portanto, ao uso no termo da legislação vigente, não há que se desconsiderar o documento público juntado, só porque a averbação tenha ocorrido após o recolhimento do tributo em questão. 35. Também não é lícito limitar a demonstração de um fato, através de um instrumento apenas, como se aludiu a respeito do ADA. 36. Se a averbação não ocorreu antes do respectivo exercício atinente à cobrança em tela, deuse por ato do órgão ambiental competente, o que não pode ser imputado ao recorrente. 37. Por outro bordo, não se pode olvidar que o Código Florestal, desde o ano de 2001, a partir da Medida Provisória n° 2.166, exigia a preservação de 80% de floresta do imóvel localizado em área amazônica, como é o caso do imóvel do recorrente. (...) 43. Com efeito, a informação contida naquele banco de dados, é totalmente destoante da realidade regional onde está situado o imóvel objeto da tributação, ademais, percebese à fl. 07, que utilizouse um VTN de imóvel com aptidão agrícola, o que não é o caso do imóvel do recorrente, que até mesmo pela legislação vigente, está impedido desta prática. Em 14/08/2014 (Fls. 110 a 112), aprouve a essa egrégia 1a Turma Ordinária da 2a Câmara da Segunda Seção de Julgamento, converter o julgamento em diligência no sentido de que fosse informado e devidamente comprovado o tamanho da área averbada e a data do efetivo registro à margem da matrícula do imóvel. Em 30/12/2014 (fls. 117 a 121) o contribuinte respondeu a intimação juntando aos autos: Fl. 130DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10183.721867/201035 Acórdão n.º 2201003.256 S2C2T1 Fl. 131 6 Termo de Responsabilidade de Averbação de Reserva Legal (fls. 118). Mapa imagem do imóvel (fls.120); Desta forma o processo foi direcionado a este conselheiro. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. A demanda aqui tratada requer análise preliminar em relação a aspecto decadencial. Como se verifica nos autos, trata o caso de lançamento de ITR relativo ao ano calendário 2005; portanto, com fato gerador em 01/01/2005. Por seu turno, o ITR obedece, desde 1997, ao comando do lançamento por homologação, disciplinado pelo Art. 150, § 4° do Código Tributário Nacional; que reza: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame autoridade administrativa, operase pelo ato em a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4° Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado este prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Verificase, ainda, quanto à esse tema (decadência), que o Superior Tribunal de Justiça STJ já firmou o entendimento de que a regra do art. 150, § 4o, do CTN, somente deve ser aplicada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nos demais casos. Transcrevese, a seguir, a ementa do Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo Relator o Ministro Luiz Fux: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO Fl. 131DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10183.721867/201035 Acórdão n.º 2201003.256 S2C2T1 Fl. 132 7 POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (...) 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (destaques do original) Fl. 132DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10183.721867/201035 Acórdão n.º 2201003.256 S2C2T1 Fl. 133 8 Observase que o acórdão do REsp nº 973.733/SC foi submetido ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil, reservado aos recursos repetitivos, o que significa que essa interpretação deverá ser aplicada por este Colegiado, em obediência ao art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, com alterações da Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010, in verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Diante do exposto, concluise que o prazo decadencial do ITR deve ser contado da seguinte forma: (I) ocorrido o pagamento antecipado, aplicase a regra do art. 150, § 4°, do CTN; (II) não ocorrendo o pagamento antecipado ou se comprovadas as hipóteses de dolo, fraude e simulação, devese aplicar o disposto no art. 173, inciso I, do CTN. No caso em exame, como houve pagamento antecipado, vide lançamento na folha 06, e como não há indicação de fraude, dolo, ou simulação, o lançamento relativo ao ano calendário de 2005 poderia ser realizado até 01 de janeiro de 2010. Tendo sido notificado o contribuinte em 24/11/2010 segundo documento de folha 45 dos autos, o foi após o período de direito da Fazenda Nacional. Isto posto, decaído estava o direito da Fazenda Nacional lançar o crédito tributário. Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por dar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 133DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10935.720269/2011-80
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Aug 02 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2006 a 31/12/2008
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
Os embargos de declaração não se prestam para a modificação da decisão quando à época o fato modificativo ainda não tinha ocorrido. Não há contradição ou omissão quando na data da sessão de julgamento ainda não havia decisão definitiva sobre a matéria pendente de julgamento no STF.
Embargos Rejeitados
Numero da decisão: 2402-004.639
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos opostos.
Julio Cesar Vieira Gomes Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/2006 a 31/12/2008 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Os embargos de declaração não se prestam para a modificação da decisão quando à época o fato modificativo ainda não tinha ocorrido. Não há contradição ou omissão quando na data da sessão de julgamento ainda não havia decisão definitiva sobre a matéria pendente de julgamento no STF. Embargos Rejeitados
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Os embargos de declaração não se prestam para a modificação da decisão quando à época o fato modificativo ainda não tinha ocorrido. Não há contradição ou omissão quando na data da sessão de julgamento ainda não havia decisão definitiva sobre a matéria pendente de julgamento no STF. Embargos Rejeitados Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos opostos. Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 72 02 69 /2 01 1- 80 Fl. 355DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 07/04/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Relatório Tratamse de Embargos de Declaração com fundamento no artigo 65 do Regimento Interno do CARF, opostos pelo contribuinte contra acórdão desta turma: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Alega o embargante que teria havido omissão no acórdão ao não reproduzir o entendimento do STF sobre a inconstitucionalidade da contribuição previdenciária sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. É o Relatório. Fl. 356DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 07/04/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10935.720269/201180 Acórdão n.º 2402004.639 S2C4T2 Fl. 356 3 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Verifico o preenchimento dos requisitos formais dos embargos opostos, e portanto, passo a examinálos. De acordo com o artigo 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22/06/2009, as decisões definitivas de mérito do STF e do STJ na sistemática dos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11/01/1973 devem ser reproduzidas pelas turmas do CARF: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Quanto à contribuição previdenciária sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, somente em 25/02/2015 foi publicada a decisão definitiva do STF proferida na sessão de 18/12/2014: 25/02/2015,Publicado acórdão, DJE, DATA DE PUBLICAÇÃO DJE 25/02/2015 ATA Nº 16/2015. DJE nº 36, divulgado em 24/02/2015 ... EMB.DECL. NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 595.838 EMENTA Embargos de declaração no recurso extraordinário. Tributário.Pedido de modulação de efeitos da decisão com que se declarou a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Declaração de inconstitucionalidade. Ausência de excepcionalidade. Lei aplicável em razão de efeito repristinatório. Infraconstitucional. Assim, quando do julgamento do recurso voluntário em 18/02/2014 a decisão do STF ainda não era definitiva e não poderia ser aplicada por este CARF por implicar declaração de inconstitucionalidade nos termos da Súmula 02 deste CARF: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 357DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 07/04/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Embora não se negue a necessidade de aplicação da decisão no processo administrativo fiscal, os embargos de declaração não se prestam para essa finalidade. Por tudo, voto por rejeitar os embargos opostos. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 358DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 07/04/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 10860.721736/2013-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jul 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
IRPF. RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. APLICAÇÃO DO REGIME DE COMPETÊNCIA.
O Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a exigência do imposto de renda com parâmetro no montante global pago extemporaneamente.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2202-003.357
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Relator), Márcio de Lacerda Martins (Suplente convocado) e Marcela Brasil de Araújo Nogueira (Suplente convocada), que deram provimento parcial ao recurso para que sejam aplicadas aos rendimentos recebidos acumuladamente as tabelas progressivas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido pagos ao Contribuinte. Foi designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Martin da Silva Gesto.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente e Relator.
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Márcio Henrique Sales Parada, Martin da Silva Gesto, Márcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Marcela Brasil de Araújo Nogueira (Suplente convocada), Dílson Jatahy Fonseca Neto e José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado).
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2010 IRPF. RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. APLICAÇÃO DO REGIME DE COMPETÊNCIA. O Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a exigência do imposto de renda com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Recurso Voluntário Provido.
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RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. APLICAÇÃO DO REGIME DE COMPETÊNCIA. O Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a exigência do imposto de renda com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Relator), Márcio de Lacerda Martins (Suplente convocado) e Marcela Brasil de Araújo Nogueira (Suplente convocada), que deram provimento parcial ao recurso para que sejam aplicadas aos rendimentos recebidos acumuladamente as tabelas progressivas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido pagos ao Contribuinte. Foi designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Martin da Silva Gesto. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente e Relator. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Redator designado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 0. 72 17 36 /2 01 3- 71 Fl. 61DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 23/06/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 23/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Márcio Henrique Sales Parada, Martin da Silva Gesto, Márcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Marcela Brasil de Araújo Nogueira (Suplente convocada), Dílson Jatahy Fonseca Neto e José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado). Relatório Reproduzo o relatório do acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I (SP) – DRJ/SP1. O sujeito passivo insurgese contra o lançamento de fls. 37 e seguintes, emitido em 23/09/13, relativo ao imposto sobre a renda das pessoas físicas DIRPF EX2010/AC2009, que verificou omissão de rendimento. Totalizando R$ 156.335,86 de rendimentos omitidos (com R$5.517,74 de IRRF). Na manifestação apresentada às fls. 02 e seguintes se requer, em síntese, sem prejuízo da leitura de seu texto integral, o acolhimento da presente impugnação para se extinguir o valor lançado. Alega com relação a Ação Judicial que o rendimento seria isento e não tributável por se tratar de rendimento recebido acumuladamente. Ou seja, não haveria de se falar em tributação, pois se recebido mês a mês inexistiria essa tributação uma vez que o montante mensal seria isento. Cita a existência de jurisprudência. É o relatório. A 21ª Turma de Julgamento da DRJ/SP1 julgou improcedente a impugnação, cuja decisão foi assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2010 Ementa: RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE RRA. Os rendimentos tributáveis pagos acumuladamente estão sujeitos a tributação na fonte e na declaração de ajuste anual relativa ao anocalendário em que foram recebidos. Cientificado da decisão em 03/04/2014 (fl. 50), o contribuinte interpôs recurso voluntário em 30/04/2014 (fls. 52 a 55), no qual afirma que efetuou o recolhimento de IRRF no valor de R$ 5.517,74, referente ao levantamento de alvará judicial em ação previdenciária, o qual seria indevido, além de defender que a verba recebida é indenizatória, representativa de percepção acumulada de ação judicial de aposentadoria. Sustenta, ainda, que a capacidade tributária deve ser considerada mês a mês, conforme o art. 12 da lei nº 7.713/1988 c/c art. 43 do CTN. Ao final, requer a improcedência do lançamento fiscal. É o relatório. Fl. 62DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 23/06/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 23/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA Processo nº 10860.721736/201371 Acórdão n.º 2202003.357 S2C2T2 Fl. 62 3 Voto Vencido Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Relator. O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e, portanto, deve ser conhecido. O lançamento decorre de omissão de rendimentos provenientes de ação judicial, recebidos acumuladamente pelo contribuinte. O contribuinte questionou o direito à isenção do imposto de renda incidente sobre os valores recebidos de forma acumulada, o que acarreta o recolhimento do imposto de renda retido na fonte no valor de R$ 5.517,74 ser indevido. No que se refere a rendimentos recebidos acumuladamente, verificase que a fiscalização realizou o lançamento utilizando o regime de caixa, conforme regra estabelecida no art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988. Art. 12. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá, no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, diminuídos do valor das despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização. O Superior Tribunal de Justiça (STJ), em recurso repetitivo representativo da controvérsia, submetido ao regime do art. 543C do CPC, no REsp n° 1.118.429SP, decidiu: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008 (STJ, 1ª Seção, REsp 1.118.429/SP,rel. Min. Herman Benjamin, j., em 24.03.2010). (destaquei) Recentemente o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu sobre a matéria, no âmbito do RE 614.406/RS, com repercussão geral reconhecida, na sistemática do art. 543B, do CPC, quando acordou por manter a decisão do STJ sobre a inconstitucionalidade do art. 12 da Lei nº 7.713/88, afastando o regime de caixa, mas adotando o regime de competência, ou seja, concordando com a incidência mensal para o cálculo do imposto de renda correspondente à tabela progressiva vigente no período mensal em que apurado o rendimento percebido a menor. Em nenhum momento se cogitou de eventual cancelamento integral de lançamentos efetuados em obediência ao art. 12 da Lei nº 7.713/88, o qual estava plenamente vigente à época do lançamento. Fl. 63DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 23/06/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 23/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA 4 Transcrevo a seguir excerto do voto vencedor do Ilustre Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, no Acórdão nº 9202003.695, da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais acerca desse tema. Deflui daquela decisão da Suprema Corte, em meu entendimento, inclusive, o pleno reconhecimento do surgimento da obrigação tributária que aqui se discute, ainda que em montante diverso daquele apurado quando do lançamento, o qual, repitase, obedeceu os estritos ditames da legalidade à época da ação fiscal realizada. Da leitura do inteiro teor do decisum do STF, é notório que, ainda que se tenha rejeitado o surgimento da obrigação tributária somente no momento do recebimento financeiro pela pessoa física, o que a faria mais gravosa, entendese, ali, inequivocamente, que se mantém incólume a obrigação tributária oriunda do recebimento dos valores acumulados pelo contribuinte pessoa física, mas agora a ser calculada em momento pretérito, quando o contribuinte fez jus à percepção dos rendimentos, de forma, assim, a restarem respeitados os princípios da capacidade contributiva e isonomia. Assim, com a devida vênia ao posicionamento do relator, entendo que, a esta altura, ao se esposar o posicionamento de exoneração integral do lançamento, se estaria, inclusive, a contrariar as razões de decidir que embasam o decisum vinculante, no qual, reitero, em nenhum momento, notese, se cogita da inexistência da obrigação tributária/incidência do Imposto sobre a Renda decorrente da percepção de rendimentos tributáveis de forma acumulada. Se, por um lado, manterse a tributação na forma do referido art. 12 da Lei no 7.713, de 1988, conforme decidido de forma definitiva pelo STF, violaria a isonomia no que tange aos que receberam as verbas devidas "em dia" e ali recolheram os tributos devidos, exonerar o lançamento por completo a esta altura significaria estabelecer tratamento antiisonômico (também em relação aos que também receberam em dia e recolheram devidamente seus impostos), mas em favor daqueles que foram autuados e nada recolheram ou recolheram valores muito inferiores aos devidos, ao serem agora consideradas as tabelas/alíquotas vigentes à época, o que deve, em meu entendimento, também se rechaçar. O artigo 62, § 2º, do RICARF, determina que os Conselheiros deverão reproduzir as decisões proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), na sistemática prevista pelo artigo 543C do Código de Processo Civil (CPC). Art. 62 [...] § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Dessa forma, deve ser aplicado o entendimento do STJ no sentido de que o Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos pagos acumuladamente deve ser calculado Fl. 64DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 23/06/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 23/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA Processo nº 10860.721736/201371 Acórdão n.º 2202003.357 S2C2T2 Fl. 63 5 de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte, não sendo legítima a cobrança com base no montante global pago extemporaneamente. Seguem alguns julgados recentes deste Conselho nesse sentido. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 [...] IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizandose as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência). (Acórdão nº 9202003.695 2ª Turma de 27/01/2016. Relator originário: José Cheffe Rahal. Redator designado: Heitor de Souza Lima Junior). IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. RECLAMATÓRIA TRABALHISTA. O imposto de renda incidente sobre os rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente deve ser calculado com base tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, conforme dispõe o Recurso Especial nº 1.118.429/SP, julgado na forma do art. 543C do CPC (art. 62A do RICARF). (Acórdão nº 2202002.785, de 09/09/2014. Rel. Antonio Lopo Martinez). RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. TRIBUTAÇÃO. Seguindose a decisão do Superior Tribunal de Justiça, o Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. Recurso Voluntário Provido em Parte. (Acórdão nº 2802003.160, de 07/10/2014. Rel. Ronnie Soares Anderson) Ante o exposto, voto no sentido de DAR PARCIAL provimento ao recurso para aplicar aos rendimentos pagos acumuladamente as tabelas e alíquotas do imposto de renda vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Relator. Fl. 65DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 23/06/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 23/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA 6 Voto Vencedor Conselheiro Martin da Silva Gesto Redator designado. Data venia, venho divergir quanto ao entendimento do ilustre Relator pela aplicação aos rendimentos pagos acumuladamente as tabelas e alíquotas do imposto de renda vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, pois entendo que deve ser cancelada a exigência fiscal por vício material. Ocorre que a fiscalização realizou o lançamento utilizando o regime de caixa e não o de competência, conforme regra estabelecida no art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988. Todavia, o lançamento em questão não pode prosperar. Isso porque a constitucionalidade da utilização do art. 12 da Lei nº 7.713/88 para a cobrança do IRPF incidente sobre rendimentos recebidos de forma acumulada, através da aplicação da alíquota vigente no momento do pagamento sobre o total recebido teve sua inconstitucionalidade reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do Recurso Extraordinário nº 614.406/RS, o qual foi submetido à sistemática da repercussão geral prevista no artigo 543B do Código de Processo Civil. De acordo com a referida decisão, transitada em julgado em 09/12/2014, ainda que seja aplicado o regime de caixa aos rendimentos recebidos acumuladamente pelas pessoas físicas (nascimento da obrigação tributária), é necessário, sob pena de violação aos princípios constitucionais da isonomia, da capacidade contributiva e da proporcionalidade, que o dimensionamento da obrigação tributária observe o critério quantitativo (base de cálculo e alíquota) dos anos calendários em que os valores deveriam ter sido recebidos, e não o foram. O julgamento recebeu a seguinte ementa: IMPOSTO DE RENDA – PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES – ALÍQUOTA. A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos. (RE 614406, Relator(a): Min. ROSA WEBER, Relator(a) p/ Acórdão: Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 23/10/2014 ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe233 DIVULG 26112014 PUBLIC 27112014) Entendo que o lançamento foi amparado no art. 12 da Lei nº 7.713/88, que foi declarado inconstitucional pelo STF, devendose, portanto, reconhecer que houve um vício material no lançamento, que utilizou fundamento legal inválido. Logo, não deve ser aplicado aos rendimentos pagos acumuladamente as tabelas e alíquotas do imposto de renda vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, conforme o voto do ilustre Relator, mas sim, cancelada a exigência fiscal por vício material. Ante o exposto, voto no sentido de DAR provimento ao recurso voluntário, para cancelar a exigência fiscal por vício material. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 23/06/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 23/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA Processo nº 10860.721736/201371 Acórdão n.º 2202003.357 S2C2T2 Fl. 64 7 (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Redator designado. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 23/06/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 23/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA
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Numero do processo: 10283.005698/2007-69
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Apr 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/1997 a 01/01/2007
OMISSÕES. MANIFESTAÇÃO. LANÇAMENTO COM RUBRICA DETERMINADA COM AUSÊNCIA DE CLAREZA E PRECISÃO. VALORES DIFEREM DA METODOLOGIA DE CÁLCULO DAS DEMAIS SEM EXPLICAÇÃO OU ESCLARECIMENTO A RESPEITO.VÍCIO MATERIAL. INAPLICABILIDADE DA MULTA BENÉFICA DE VINTE POR CENTO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INOCORRÊNCIA DE DENÚNCIA ESPONTÂNEA.
Embargos Acolhidos em Parte.
Numero da decisão: 2202-003.139
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, Por maioria de votos, acolher parcialmente os Embargos de Declaração, para reconhecer a falta de clareza e precisão em relação à contribuição da rubrica específica 1F - Contrib indiv, relativamente às competências 04/2005 a 08/2005; 03/3006; 05/2006 a 09/2006, dand83o-lhe efeitos infringentes, modificando a decisão anterior, para determinar a exclusão da rubrica especificamente para as referidas competências, em razão do vício material, vencido o Conselheiro EDUARDO DE OLIVEIRA (Relator), que considerou ser vício formal. Por unanimidade de votos, sanar a omissão quanto à multa de mora, para negar provimento nessa matéria. O Conselheiro MARTIN DA SILVA GESTO foi designado para redigir o voto vencedor.
(Assinado digitalmente).
Marco Aurélio Oliveira Barbosa - Presidente.
(Assinado digitalmente).
Eduardo de Oliveira Relator.
(Assinado digitalmente).
Martin da Silva Gesto Relator designado.
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Martin da Silva Gesto, Marcio Henrique Sales Parada, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Eduardo de Oliveira, Wilson Antônio de Souza Corrêa e José Alfredo Duarte Filho.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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Embargante SAMSUNG ELETRÔNICA DA AMAZÔNIA LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/1997 a 01/01/2007 OMISSÕES. MANIFESTAÇÃO. LANÇAMENTO COM RUBRICA DETERMINADA COM AUSÊNCIA DE CLAREZA E PRECISÃO. VALORES DIFEREM DA METODOLOGIA DE CÁLCULO DAS DEMAIS SEM EXPLICAÇÃO OU ESCLARECIMENTO A RESPEITO.VÍCIO MATERIAL. INAPLICABILIDADE DA MULTA BENÉFICA DE VINTE POR CENTO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INOCORRÊNCIA DE DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Embargos Acolhidos em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, Por maioria de votos, acolher parcialmente os Embargos de Declaração, para reconhecer a falta de clareza e precisão em relação à contribuição da rubrica específica 1F Contrib indiv, relativamente às competências 04/2005 a 08/2005; 03/3006; 05/2006 a 09/2006, dand83olhe efeitos infringentes, modificando a decisão anterior, para determinar a exclusão da rubrica especificamente para as referidas competências, em razão do vício material, vencido o Conselheiro EDUARDO DE OLIVEIRA (Relator), que considerou ser vício formal. Por unanimidade de votos, sanar a omissão quanto à multa de mora, para negar provimento nessa matéria. O Conselheiro MARTIN DA SILVA GESTO foi designado para redigir o voto vencedor. (Assinado digitalmente). Marco Aurélio Oliveira Barbosa Presidente. (Assinado digitalmente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 00 56 98 /2 00 7- 69 Fl. 439DF CARF MF Impresso em 06/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 01/04/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 02/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10283.005698/200769 Acórdão n.º 2202003.139 S2C2T2 Fl. 435 2 Eduardo de Oliveira – Relator. (Assinado digitalmente). Martin da Silva Gesto – Relator designado. Participaram, ainda, do presente julgamento, os Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Martin da Silva Gesto, Marcio Henrique Sales Parada, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Eduardo de Oliveira, Wilson Antônio de Souza Corrêa e José Alfredo Duarte Filho. Fl. 440DF CARF MF Impresso em 06/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 01/04/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 02/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10283.005698/200769 Acórdão n.º 2202003.139 S2C2T2 Fl. 436 3 Relatório O presente Processo Administrativo Fiscal – PAF encerra a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD DEBCAD 37.064.6355, que objetiva o lançamento das contribuições sociais previdenciárias, decorrentes da remuneração paga, devida ou creditada aos trabalhadores da categoria de contribuintes individuais autônomos – parte da empresa e parte descontada, conforme Relatório Fiscal da NFLD – REFISC, de fls. 35 a 38, com período de apuração de 01/1997 a 12/2006, conforme Mandado de Procedimento Fiscal MPF, de fls. 23 e 25. O sujeito passivo foi cientificado da autuação, em 30/07/2007, conforme Folha de Rosto da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD, de fls. 01. O contribuinte apresentou sua defesa, em 27/08/2007, as fls. 281 a 289, acompanhada dos documentos, de fls. 290 a 303. A impugnação foi considerada tempestiva, fls. 306 e 307. O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 0110.057 4ª, Turma DRJ/BEL, em 14/12/2007, fls. 309 a 317. No qual a impugnação foi considerada procedente. O contribuinte tomou conhecimento da decisão da DRJ, em 16/05/2008, conforme AR, de fls. 319. Irresignado o contribuinte impetrou o Recurso Voluntário, petição de interposição, as fls. 322 e 323, recebida, em 16/06/2008, com razões recursais, as fls. 324 a 346, acompanhado dos documentos, de fls. 347 a 368. As razões recursais estão a seguir sumariadas. Preliminar. · que o auto de infração é nulo, pois não foi lavrado, observandose o artigo 293, do RPS, uma vez que o REFISC não discriminou de forma clara e precisa a irregularidade, bem como o fisco não indicou a tipificação do artigo 9º, do Decreto 3.048 (sic), tendo em vista que não identificou quem seriam os contribuintes autônomos segurados obrigatórios, o que implica em cerceamento de defesa e violação ao princípio da motivação, não sendo tais pontos atacada no acórdão recorrido, o que o torna nulo, por ofensa ao princípio da ampla defesa; · que a notificação não revela de forma clara e precisa a identificação do que nela consta, pois descrito de forma incompleta, não discriminando os parâmetros de obtenção do quantum devido, faltando transparência e clareza ao lançamento, violando a legalidade; Fl. 441DF CARF MF Impresso em 06/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 01/04/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 02/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10283.005698/200769 Acórdão n.º 2202003.139 S2C2T2 Fl. 437 4 · que o lançamento que não atenda ao artigo 142, do CTN é nulo de pleno direito, uma vez que a autoridade fiscal não analisou os fatos e a verdade material, seguindo indício, pois não verificou o motivo da remuneração paga por meio de cartão de premiação, e nem se quem recebeu tal premiação tinha ou não relação de emprego com a recorrente; · que a autoridade julgadora a quo não promoveu a diligência requerida, imputando responsabilidade por meros indícios, sem apuração do fato gerador, o que torna o lançamento improcedente, cita decisão do antigo CC, sendo nulo o lançamento realizado com base em indícios; Mérito. · que a decisão guerreada não identifica quem recebeu os pagamentos, fazendo apenas meras divagações, dando a entender que foram os funcionários da recorrente que receberam tais valores, o que não é verdade, pois quem recebeu tais valores foram as equipes dos distribuidores e revendedores que atingiram as metas das campanhas de vendas, sendo uma mera liberalidade como forma de incentivo as vendas dos produtos Samsung, não sendo os prêmios acréscimos salariais ou bonificação costumeira, tendo caráter estritamente eventual, não sendo os premiados funcionários ou prestadores de serviços da recorrente, sendo os beneficiados empregados dos atacadistas ou varejistas; · que a empresa Fidelity Incentive Ltda foi contratada para desenvolver a campanha de marketing e incentivos aos titulares e revendedores das revendas da recorrente, premiando o desempenho, o esforço e produtividade, sendo a Fidelity paga conforme notas fiscais e os premiados via cartão de premiação, o que afasta o caráter de remuneração, não havendo vinculo empregatício que atraia a incidência da contribuição previdenciária; · que o contrato com a Fidelity é de natureza meramente civil, não havendo vinculo empregatício entre a recorrente e os empregados das revendedoras e distribuidoras; · que o Direito do Trabalho emprega a palavra remuneração ora como gênero – salário e outras figuras – gratificação, adicional – ora como sinônimo de salário, sendo remuneração o ato pelo qual o empregado recebe pelo seu trabalho, a CLT no artigo 458 cita o que compreende no salário, sendo que pela Lei 8.212/91 a base de cálculo da contribuição devida pelo trabalhador é o salário de contribuição, estando este estabelecido no artigo 28, da citada lei; · que a premiação instituída em favor de empregados e colaboradores dos distribuidores e revendedores, sem vínculo com a recorrente, não se enquadra no conceito legal de remuneração ou salário utilidade, Fl. 442DF CARF MF Impresso em 06/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 01/04/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 02/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10283.005698/200769 Acórdão n.º 2202003.139 S2C2T2 Fl. 438 5 sendo a premiação paga por meio de cartão de mero incentivo ao bom desempenho no trabalho de venda de produtos da recorrente, com caráter esporádico, servindo de estímulo a disputa leal entre companheiros de trabalho, atribuídos por mera liberalidade, não sendo remuneração por trabalho prestado; · que os prêmios foram oferecidos por tempo certo e com o estabelecimento de condições, realizado por meio da empresa Fidelity Incentive Ltda, não havendo ligação entre o prêmio e a proteção futura que o sistema de seguridade busca fornecer, não integrando tais prêmios o salário de contribuição dos empregados de atacadistas e revendedores, não sendo assim base de cálculo da contribuição previdenciária; · que por previsão expressa do item 7, do §9º, do art. 28, da Lei 8.212/91 os ganhos eventuais não integram o salário de contribuição é o que ocorre com a premiação de alcance de metas de venda; · que o poder público e o agente lançador não podem alargar a base de incidência da contribuição, o que torna a notificação descabida e nula; · Dos requerimentos e pedidos: a) realização de diligência nos documentos contábeis da recorrente, visando comprovar a afirmação da inocorrência do fato gerador; b) integral acolhimento do recurso, reformandose a decisão a quo; c) que o presente crédito seja extinto determinado seu arquivamento. A autoridade preparadora reconheceu a tempestividade do recurso, fls. 369 e 370. A recorrente apresentou nova petição, as fls. 374, onde solicita a juntada dos documentos, de fls. 375 a 397, aos presente autos, comunicando o substabelecimento do mandato. Os autos foram sorteados e distribuídos a esse conselheiro, em 18/07/2014, Lote 09. O presente auto foi julgado na assentada, de 03/12/2014, tendo sido emitido o Acórdão nº 2803003.915, pelo qual foi negado provimento ao recurso voluntário. A empresa recorrente tomou conhecimento do Acórdão do Recurso Voluntário, em 16/01/2015, conforme Termo de Abertura de Documento, de fls. 418. O contribuinte impetrou Embargos de Declaração, em 19/01/2015, sob a alegação de ocorrência de omissões no acórdão do recurso voluntário, quais sejam. 1. omissão – incongruência entre a base de cálculo e o valor lançado, considerandose a alíquota de 11% para contribuinte individual, relativamente as competências 04/2005; 05/2005; 05/2006 a 09/2006; Fl. 443DF CARF MF Impresso em 06/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 01/04/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 02/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10283.005698/200769 Acórdão n.º 2202003.139 S2C2T2 Fl. 439 6 2. omissão – não manifestação em relação a aplicação da multa benéfica, do artigo 35, da Lei 8.212/91 na redação da Lei 11.941/2009, ou seja, multa de 20%, conforme autorização do artigo 106, II “c”, do CTN Admiti os Embargos de Declaração interpostos pelo contribuinte, nos termos do Despacho nº 2803052, datado, de 19/03/2015, fls. 431 e 432. É o Relatório. Fl. 444DF CARF MF Impresso em 06/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 01/04/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 02/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10283.005698/200769 Acórdão n.º 2202003.139 S2C2T2 Fl. 440 7 Voto Vencido Conselheiro Eduardo de Oliveira. Os Embargos de Declaração foram propostos, recebidos e admitidos, assim merecem ser apreciados. No que tange, a primeira omissão arguida incongruência entre a base de cálculo, a contribuição e a alíquota, relativamente, a rubrica 1F – Contrib indiv – parte descontada do trabalhador, podese perceber que há uma mudança de critério no lançamento, mas não há nos autos justificativa para tal situação. Inicialmente, entendi que tal mudança poderia ser atribuída a limitação do salário de contribuição do trabalhador ao teto da previdência que implicaria em uma base de cálculo para a contribuição patronal e outra para a contribuição do trabalhador. Porém, isso explicaria a situação, quando a contribuição do trabalhador na competência fosse menor que a alíquota sobre a base de cálculo, mas não explica quando a contribuição do trabalhador é maior que a base de cálculo e a própria contribuição da empresa, o que ocorre nas competências 05/2005; 06/2006; 07/2006; 09/2006, na competência 05/2006 e 08/2006 a contribuição do trabalhador é maior que a da própria empresa, mas aquela não supera a base de cálculo. Além, dessa distorção ocorrem outras para a competência 04/2005, ocorre que o valor da contribuição supera o valor da alíquota sobre a base de cálculo e para as competências 06/2005 a 08/2005; 03/2006, o valor da contribuição está aquém do valor da alíquota sobre a base de cálculo. Embora, a empresa continue a sustentar de forma incorreta a aplicação do artigo 293, do Regulamento da Previdência Social – RPS apenso ao Decreto 3.048/99 ao caso em tela aplicandose a legislação de regência artigo 37, da Lei 8.212/91 na redação dada pela Lei 9.532/97 c/c o artigo 243, do Regulamento da Previdência Social – RPS apenso ao Decreto 3.048/99, necessário seria que os critérios de diferenciação da base de cálculo e a obtenção de contribuições com valores diferentes nas competências elencadas estivessem discriminadas de forma clara, precisa e objetiva, mas ao compulsar os autos, este não nos dá tal informação e assim para a rubrica específica 1F – Contrib indiv para as competências 04/2005 a 08/2005; 03/3006; 05/2006 a 09/2006, constante do Discriminativo Analítico de Débito – DAD, de fls. 04 a 08, devem ser excluídas, haja vista a falta de discriminação de como tais valores foram determinados, pois divergem da metodologia das demais competências lançadas. No que tange a segunda omissão suscitada ela não merece guarida, realmente, não me pronuncie a respeito da multa benéfica do artigo 35, da Lei 8.212/91 na redação da Lei 11.941/2009 por entender que essa não se aplica ao caso em questão. A notificação fiscal em vergasta foi lançada em 24/07/2007, e nessa ocasião estava em vigor o artigo 35, da Lei 8.212/91 na redação dada pelas Leis 9.528/97 e 9.876/99 Fl. 445DF CARF MF Impresso em 06/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 01/04/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 02/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10283.005698/200769 Acórdão n.º 2202003.139 S2C2T2 Fl. 441 8 que previam multa variável de vinte e quatro a cem por cento a depender da fase do processo, no caso de lançamento de ofício. Aliás, é isso que está consignado no relatório Instruções para o Contribuinte – IPC, de fls. 02, aplicandose aqui o artigo 144, da Lei 5.172/66. Com a entrada em vigor da Lei 11.941/2009 essa determinou a aplicação de multa para o lançamento de ofício da ordem de setenta e cinco por cento, artigo 35A, da Lei 8.212/91, assim sendo a multa de ofício aplicada nos autos é mais benéfica que a nova multa imposta ao lançamento de ofício. A multa pretendida pela recorrente de vinte de por cento como determinada pelo atual artigo 35, da Lei 8.212/91 na redação da Lei 11.941/2009 só se aplica a denúncia espontânea, ou seja, quando o próprio contribuinte promove o recolhimento antes de qualquer atitude do fisco em relação a exação pretendida, situação que não ocorreu no caso, sendo assim inaplicável a multa pretendida. CONCLUSÃO: Pelo exposto voto por acolher parcialmente os Embargos de Declaração reconhecendo a falta de clareza e precisão no lançamento da contribuição da rubrica específica 1F – Contrib indiv, relativamente as competências 04/2005 a 08/2005; 03/3006; 05/2006 a 09/2006, dando a esse efeitos infringentes, isto é, modificativos da decisão anterior, para determinar a exclusão da rubrica especificamente para as competências anunciadas, em razão do vício formal. Reconheço, também, a omissão quanto a multa de mora pronunciandome a respeito desta, apenas para deixar explicito que a multa aplicada a exação quando do lançamento é a que deve permanecer, dando quanto a esse tópico efeitos meramente integrativos aos embargos de declaração. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Voto Vencedor Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator designado Divirjo do Ilustre Relator no aspecto quanto ao vício formal nas competências na qual estão sendo afastadas a tributação incidente. Entendo que o lançamento fiscal deve ser elaborado nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, especialmente a verificação da efetiva ocorrência do fato gerador tributário, a matéria sujeita ao tributo, bem como o montante individualizado do tributo devido. Fl. 446DF CARF MF Impresso em 06/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 01/04/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 02/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10283.005698/200769 Acórdão n.º 2202003.139 S2C2T2 Fl. 442 9 De plano, o art. 142 do CTN estabelece que: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” Analisandose a autuação, temse evidenciado o vício material posto que não foi cumprido integralmente os limites legais dispostos no art. 142 do CTN, em especial quanto às alíquotas aplicadas e ao montante devido nas competências na qual estão sendo afastadas a tributação incidente. Diante do exposto, voto nesta parte, pela ocorrência do vício material nas competências na qual estão sendo afastadas a tributação incidente. É como voto. (Assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Fl. 447DF CARF MF Impresso em 06/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 01/04/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 02/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
score : 1.0
Numero do processo: 15374.001934/00-61
Turma: Quarta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Dec 07 00:00:00 UTC 2006
Ementa: RECUPERAÇÃO DA ESPONTANEIDADE - É incabível a aplicação da multa
de ofício sobre valor recolhido após transcorrido período superior a 60 dias sem que tenha havido ato escrito que dê continuidade ao procedimento fiscal, readquirindo o contribuinte a espontaneidade.
Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 104-22.145
Decisão: ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir a multa de ofício relativamente ao valor recolhido cuja espontaneidade foi readquirida, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado
Nome do relator: Gustavo Lian Haddad
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Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por HOMERO COSTA DA SILVA. ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir a multa de ofício relativamente ao valor recolhido cuja espontaneidade foi readquirida, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. ÁJL-12-L- ~-1 AIÁLACISTTA CARtg-tdj- PRESIDENTE GUS cibUitIVO LIAN HjADDAD RELATOR FORMALIZADO EM: n • s I j N" . , 'MINISTÉRIO DA FAZENDA • PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 15374.001934/00-61 Acórdão n°. : 104-22.145 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros NELSON MALLMANN, PAULO ROBERTO DE CASTRO (Suplente convocado), PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, HELOISA GUARITA SOUZA, MARIA BEATRIZ ANDRADE DE CARVALHO e REMIS ALMEIDA ESTOL. Ausente justificadamente o Conselheiro OSCAR LUIZ MENDONÇA DE AGUIAR,Q_ 54 2 . . ' MINISTÉRIO DA FAZENDA • PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 15374.001934/00-61 Acórdão n°. : 104-22.145 Recurso n°. : 146.866 Recorrente : HOMERO COSTA DA SILVA RELATÓRIO Contra o contribuinte acima qualificado foi lavrado, em 14/07/2000, o auto de Infração de fls. 111/112, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercícios 1996 a 1998, anos-calendário 1995 a 1997, por intermédio do qual lhe é exigido crédito tributário no montante de R$ 68.768,80, dos quais R$ 27.278,34 correspondem a imposto, R$ 20.458,74 a multa e R$ 21.031,72 a juros de mora calculados até 30/06/2000. Conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 112), a autoridade fiscal apurou as seguintes infrações: "001 - OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO TRABALHO COM VÍNCULO EMPREGATICIO RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA Omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, decorrentes de trabalho com vínculo empregatício (aposentadoria paga pelo INSS), conforme Termo de Verificação e Constatação às fls., o qual passa a fazer parte integrante deste auto de infração? Cientificado do Auto de Infração o contribuinte apresentou, em 12/09/2000, a impugnação de fls. 120/123, por meio do qual informa que procedeu ao recolhimento espontâneo do imposto omitido conforme cálculos que apresenta em sua impugnação. O contribuinte sustenta, ainda, a inaplicabilidade da cobrança dos juros com Taxa SELIC, devido à recente decisão do STJ alegando que a referida taxa não foi instituída por lei e sim por simples Resolução do BACEN, razão pela qual requer a restituição dos 3 546 'MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 15374.001934/00-61 Acórdão n°. : 104-22.145 encargos moratórios pagos a maior, em relação aos juros de mora devidos de 1% ao mês nos termos do art.165 do CTN. A 3' Turma da DRJ do Rio de Janeiro decidiu, por unanimidade de votos, considerar procedente o lançamento sob os fundamentos a seguir sintetizados: - a impugnação foi interposta tempestivamente e atende ao disposto nos artigos 15 e 16, inciso III, do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972, devendo ser apreciada; - com relação ao exercício 1996, nos cálculos apresentados na impugnação, o contribuinte altera o valor declarado da parcela de isenção para maiores de sessenta e cinco anos de R$9.598,68 para R$10.800,00; - nada obstante, como se verifica do art. 7° da IN 69/1995, bem como do manual de preenchimento da declaração para o exercício em questão, o total a informar como parcela isenta para maiores de sessenta e cinco anos é de R$9.598,68 (nove mil, quinhentos e noventa e oito reais e sessenta e oito centavos), conforme informado no comprovante de rendimentos de fl.15 e declaração de rendimentos (f1.68-verso, quadro 3, linha 07). - incabível, portanto, a alteração do valor da parcela de isenção para R$10.800,00; - ainda nos cálculos relativos a esse exercício, o contribuinte altera o valor declarado de R$2.390,00 (INSS = R$1.502,54 e UNIMED = R$888,02), fl.67, quadro 6, linhas 1 e 2, para o valor de apenas R$1.502,54; SA44 'MINISTÉRIO DA FAZENDA • PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 15374.001934/00-61 Acórdão n°. : 104-22.145 - no entanto, deve ser mantido o valor das despesas médicas declaradas de R$2.390,00 (dois mil, trezentos e noventa reais) já considerado na autuação (f1.113); - por fim, o contribuinte pleiteia a dedução de R$ 1.876,20 a título de previdência privada, não informada na declaração original; - a dedução em questão foi instituída pela Lei n° 9.250/1995 sendo, portanto, valida a partir de 01/01/1996, razão pela qual é incabível tal dedução; - assim, ficam mantidos os valores constantes do lançamento relativos ao exercício de 1996; - com relação ao exercício 1997, nos cálculos apresentados na impugnação, o contribuinte efetua a dedução a título de contribuição à previdência oficial de R$3.648,61, na fl.62, linha 06, representa a soma dos valores de R$2.730,56 e R$918,05 desmembrados na impugnação; - esse mesmo valor consta discriminado na fl.64, quadro 6, linha 01, razão pela qual é mantido o valor de R$3.648,61 já considerado na autuação na fl.114; - o contribuinte pretende diminuir o valor das despesas médicas para R$1.450,54, informado no comprovante de rendimentos de fl.21, quadro 8; - ocorre que na declaração (fl.64, quadro 6, linhas 02 e 03) constam discriminados: R$1.450,54 (INSS) e R$1.128,27 (UNIMED) que somam 5 5 . . , MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 15374.001934/00-61 Acórdão n°. : 104-22.145 os R$2.578,91 declarados na 0.62, linha 10, razão pela qual deve ser mantido o valor de R$2.578,91 já incluídos na autuação (0.114); - ressalte-se, ainda, que nos cálculos apresentados na impugnação o contribuinte cometeu erro no cálculo do imposto devido que daria R$10.204,46; - assim, ficam mantidos os valores constantes do lançamento relativos ao exercício de 1997; - com relação ao exercício 1998, nos cálculos apresentados na impugnação, o contribuinte pretende alterar o valor calculado pela fiscalização de R$49.771,02 (0.109) para R$38.970,99 (0.122); - nada obstante, no comprovante de rendimentos de 0.28, consta informado o valor tributável de R$66.361,36, já excluídos os R$11.700,00 (quadro 5, linha 2, relativos à parte isenta para maiores de sessenta e cinco anos), que equivale a: isenção mensal de R$900,00 x 12 = R$10.800,00, acrescido da parcela relativa ao 13° salário, totalizando os R$11.700,00; - assim, efetua-se o seguinte cálculo: R$66.361,36, divididos por 12 meses = R$5.530,11, e multiplicados por 9 meses (janeiro a setembro) = R$49.771,02; - incabível subtrair em duplicidade, do valor encontrado, a parcela isenta para maiores de sessenta e cinco anos, na medida em que o cálculo partiu de R$66.361,36 que já é o valor dos rendimentos tributáveis líquido; ?ti6 ,... . . MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 15374.001934/00-61 Acórdão n°. : 104-22.145 - o contribuinte pretende diminuir o valor das despesas médicas para R$1.626,27, informado no comprovante de rendimentos de fl.28, quadro 8; - ocorre que na declaração (fl.60, quadro 6, linhas 03 e 04) constam discriminados: R$1.626,27 (INSS) e R$1.507,02 (UNIMED) que somam os R$3.133,29 declarados na f1.57, linha 11; - dessa forma, deve ser mantido o valor de R$3.133,29 já incluídos na autuação (fl.115); - assim, ficam mantidos os valores constantes do lançamento relativos ao exercício de 1998; - no tocante aos juros de mora, não cabe à Administração Pública se manifestar ou até mesmo acatar o fato do Superior Tribunal de Justiça estar repelindo a utilização da taxa SELIC; - adicionalmente, cabe se frisar que a aplicação da taxa Selic encontra amparo na Lei n° 9.065, de 1995, que, em seu art.13, estabelece que a partir de 1° de abril de 1995, os juros de mora serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente; - verifica-se, ainda, que é cabível a multa de oficio, nos termos da IN 104/2000, na medida em que o procedimento fiscal teve início em 03/04/2000 (aviso de recebimento de fl.06), com atendimento da solicitação em 03/05/2000 (fls.09 a 51), e termo de ciência de continuação de procedimento fiscal em 21/06/2000 (aviso de recebimento de f1.53). 512.7 ' MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 15374.001934/00-61 Acórdão n°. : 104-22.145 Cientificado da decisão de primeira instância em 26/08/2003, conforme AR de fls. 149 e com ela não se conformando, o recorrente interpôs, em 23/09/2003, o recurso voluntário de fls. 150/162, por meio do qual sustenta, preliminarmente, a espontaneidade dos recolhimentos efetuados, razão pela qual pleiteia seja afastada a multa de ofício, e, no mérito, reconhece os equívocos cometidos em seus cálculos. Tendo em vista o oferecimento pelo contribuinte de veículo como garantia para a interposição de recurso e face à existência em seu patrimônio de imóvel, foi determinado ao contribuinte que procedesse à substituição da garantia. O contribuinte requereu a revisão da r. decisão que determinou a substituição da garantia, tendo sido proferido despacho decisório negando seguimento ao Recurso Voluntário. Posteriormente o contribuinte apresentou petição (fls. 183/188) questionando a decisão que negou seguimento ao seu recurso. Certificado o regular arrolamento do veículo (fls. 211) os autos foram remetidos a este E. Conselho para apreciação do Recurso Voluntário. É o Relatório. de, 8 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 15374.001934/00-61 Acórdão n°. : 104-22.145 VOTO Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD, Relator O recurso preenche as condições de admissibilidade. Dele conheço. Não há argüição de preliminar. O Recorrente reconhece em suas razões de recurso ter cometido a infração que lhe é imputada (omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica), razão pela qual efetuou o recolhimento do tributo quando da apresentação de sua impugnação, acrescido de juros SELIC. Questiona, no entanto, a incidência da multa de ofício tendo em vista a reaquisição da espontaneidade. A matéria em questão está regulada no artigo 7° do Decreto 70.235/72, verbis: "Art. 70 O procedimento fiscal tem inicio com: I - o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificando o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; II - a apreensão de mercadorias, documentos ou livros; III - o começo do despacho aduaneiro de mercadoria importada. § 1° O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação, a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. § 2° Para os efeitos do disposto no § 1°, os atos referidos nos incisos I e II valerão pelo prazo de 60 (sessenta) dias, prorrogável, sucessivamente, por 9 Sjit4 • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 15374.001934/00-61 Acórdão n°. : 104-22.145 igual período com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos." Verifica-se da transcrição acima que com o início do procedimento fiscal o contribuinte perde seu direito ao recolhimento espontâneo das obrigações tributárias eventualmente em atraso. Nada obstante, com o transcurso de mais de 60 dias sem que a autoridade fiscal dê continuidade ao procedimento, a espontaneidade é readquirida. No caso dos autos, verifica-se que o procedimento fiscal teve inicio em 23/3/2000 (fls. 01), com ciência do Recorrente em 30/03/2000, tendo sido devidamente prorrogado em 15/06/2000 (fls. 52- com ciência em 21/06/2000). Posteriormente, foi lavrado o auto de infração em 14/07/2000 (fls. 111), recebido pelo Recorrente somente em 02/10/2000, conforme AR de fls. 127. Nada obstante, após a ciência do termo de prorrogação e antes da lavratura do auto de infração, o Recorrente, em 22/08/2000, efetuou o recolhimento do montante que entendeu devido, sem o acréscimo da multa de ofício que lhe foi imputada na autuação (DARFs de fls 124/126). Como o recolhimento efetuado pelo Recorrente se deu após o sexagésimo dia da ciência do Termo de Ciência de Continuação de Procedimento Fiscal, resta claro que a espontaneidade havia sido readquirida, nos termos do § 2° do artigo 7° do Decreto n° 70.235/72, sendo incabível a aplicação da multa de oficio sobre referida parcela. Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de conhecer do recurso para, no mérito, DAR LHE PARCIAL PROVIMENTO para excluir a multa de ofício relativamente ao valor recolhido cuja espontaneidade foi readquirida (DARFs de fls. 124/126). 3I0 • * MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 15374.001934/00-61 Acórdão n°. : 104-22.145 A autoridade preparadora, quando da execução do julgado, deverá confirmar os recolhimentos alegados às fls. 124/126. Sala das Sessões - DF, em 07 de dezembro de 2006 pijk GUST VO LIAN HADDAD 11 4 Page 1 _0044100.PDF Page 1 _0044200.PDF Page 1 _0044300.PDF Page 1 _0044400.PDF Page 1 _0044500.PDF Page 1 _0044600.PDF Page 1 _0044700.PDF Page 1 _0044800.PDF Page 1 _0044900.PDF Page 1 _0045000.PDF Page 1
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Numero do processo: 10950.004315/2008-14
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003
RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO. AQUISIÇÕES DE COOPERATIVAS E DE PESSOAS FÍSICAS.
Em face do disposto no art. 62-A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Ricarf) c/c a decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) no Resp 993.164, sob o regime do art. 543-C da Lei nº 8.869, de 11/01/1973 (CPC), reconhece-se o direito ao crédito-presumido do IPI sobre aquisições, no mercado interno, de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem de cooperativas e de pessoas físicas. RESSARCIMENTO. JUROS COMPENSATÓRIOS.
Nos termos do art. 62-A do Ricarf c/c a decisão do STJ no Resp 993.164, sob o regime do art. 543-C da Lei nº 8.869, de 11/01/1973 (CPC), reconhece-se a incidência de juros compensatórios, a taxa Selic, calculados a partir da data de transmissão da respectiva Declaração de Compensação (Dcomp). PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 13/02/2004, 27/02/2004, 15/03/2004, 15/04/2004
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). HOMOLOGAÇÃO
O reconhecimento de parte do crédito financeiro declarado nos respectivos Pedido de Ressarcimento (PER) implica em homologação da compensação dos débitos fiscais declarados até o limite do montante do ressarcimento reconhecido. RECURSO PROVIDO.
Numero da decisão: 3301-001.312
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto do Relator.
Presente o advogado da recorrente, Dr. Antônio Sinhiti Myasava, OAB 25.937-PR.
Nome do relator: José Adão Vitorino de Morais
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CRÉDITO PRESUMIDO. AQUISIÇÕES DE COOPERATIVAS E DE PESSOAS FÍSICAS. Em face do disposto no art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Ricarf) c/c a decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) no Resp 993.164, sob o regime do art. 543C da Lei nº 8.869, de 11/01/1973 (CPC), reconhecese o direito ao créditopresumido do IPI sobre aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem de cooperativas e de pessoas físicas. RESSARCIMENTO. JUROS COMPENSATÓRIOS. Nos termos do art. 62A do Ricarf c/c a decisão do STJ no Resp 993.164, sob o regime do art. 543C da Lei nº 8.869, de 11/01/1973 (CPC), reconhecese a incidência de juros compensatórios, a taxa Selic, calculados a partir da data de transmissão da respectiva Declaração de Compensação (Dcomp). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 13/02/2004, 27/02/2004, 15/03/2004, 15/04/2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). HOMOLOGAÇÃO O reconhecimento de parte do crédito financeiro declarado nos respectivos Pedido de Ressarcimento (PER) implica em homologação da compensação dos débitos fiscais declarados até o limite do montante do ressarcimento reconhecido. RECURSO PROVIDO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 230DF CARF MF Impresso em 16/03/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 27 /02/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto do Relator. Presente o advogado da recorrente, Dr. Antônio Sinhiti Myasava, OAB 25.937PR. (Assinado Digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. (Assinado Digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator. Participaram do presente julgamento: os Conselheiros José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Maurício Taveira e Silva, Andréa Medrado Darzé, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da DRJ Ribeirão Preto que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório que homologou em parte as compensações dos débitos fiscais vencidos nas datas de 13/02/2004, 27/02/2004, 15/03/2004 e 15/04/2004, declarados nas Declarações de Compensação (Dcomps), às fls. 43/83; às fls. 88/91, às fls. 96/99 e às fls. 104/107, transmitidas nas datas de 28/04/2004 e 05/05/2004, com créditos financeiros decorrentes de crédito presumido do IPI, apurado para o quarto trimestre de 2003. A homologação parcial decorreu do reconhecimento parcial do ressarcimento pleiteado e declarado, como crédito financeiro, pelo fato de a autoridade administrativa não ter reconhecido créditos sobre aquisições de insumos adquiridos sem a incidência das contribuições para o PIS e Cofins, conforme despacho decisório às fls. 158/156. Cientificada do despacho decisório, inconformada a recorrente interpôs manifestação de inconformidade (fls. 172/189), requerendo a sua reforma a fim de que fosse reconhecido, na integra, o seu direito ao ressarcimento pleiteado e homologadas as compensações dos débitos fiscais declarados, alegando razões que foram assim resumidas por aquela DRJ: “ . . .atos da administração não poderiam restringir o que teria sido concedido por lei e que caberia a correção monetária dos valores a serem ressarcidos, tudo conforme doutrina e jurisprudência que cita”. Analisada a manifestação de inconformidade, aquela DRJ julgoua improcedente, conforme acórdão nº 1427.920, datado de 10/03/2010, às fls. 196/200, sob as seguintes ementas: “CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. AQUISIÇÕES DE MATÉRIASPRIMAS DE PESSOAS FÍSICAS, COOPERATIVAS E EMPRESAS COMERCIAIS. O valor dos insumos adquiridos de pessoas físicas, cooperativas e afins, não contribuintes do PIS/Pasep e da Cofins, não se inclui na base de cálculo do crédito presumido do IPI. Também não integra a base de cálculo, o valor dos produtos adquiridos de terceiros e que não tenham sido submetidos a qualquer processo de industrialização pelo exportador. Fl. 231DF CARF MF Impresso em 16/03/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 27 /02/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10950.004315/200814 Acórdão n.º 330101.312 S3C3T1 Fl. 231 3 CRÉDITO PRESUMIDO. JUROS PELA TAXA SELIC. POSSIBILIDADE. Inexiste previsão legal para abonar atualização monetária ou acréscimo de juros equivalentes à taxa SELIC a valores objeto de ressarcimento de crédito de IPI.” Inconformada com essa decisão, a recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 204/221, requerendo a sua reforma a fim de que se reconheça seu direito ao ressarcimento integral do valor pleiteado e a homologação das compensações de todos os débitos fiscais declarados nos Per/Dcomps em discussão alegando, em síntese, que faz jus aos créditos presumido do IPI, apurados sobre os custos com insumos adquiridos de pessoas físicas e cooperativas. É o relatório. Voto Conselheiro José Adão Vitorino de Morais O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele conheço. As questões opostas nesta fase recursal se restringem ao direito de a recorrente apurar, se creditar e compensar créditospresumido de IPI sobre aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, de nãocontribuintes destas contribuições (pessoas físicas e cooperativas), para utilização no processo produtivo de produtos exportados para o exterior, bem como o pagamento de juros compensatórios, à taxa Selic, sobre os valores a serem ressarcidos/compensados. I – glosas sobre aquisições de nãocontribuintes Quanto às glosas dos créditospresumido do IPI sobre matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos no mercado internos, em cujos custos de aquisição não incidiram as contribuições para o PIS e Cofins, entendemos que a Lei nº 9.363, de 13/12/1996, não ampara o seus restabelecimentos, ou seja, esta lei não prevê créditospresumido sobre tais aquisições. A instituição do benefício fiscal do créditopresumido do IPI teve como objetivo econômico o aumento da capacidade de competição dos produtos produzidos em território nacional e exportados para o mercado externo, baixando seus custos de produção, mediante o ressarcimento das contribuições do PIS e Cofins incidentes sobre as matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem utilizados em suas produções, evitandose a exportação de tributos. Aquela lei assim dispõe quanto a esse benefício: “Art. 1º. A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 Fl. 232DF CARF MF Impresso em 16/03/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 27 /02/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único.O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior.” Ora, de acordo com este dispositivo, a empresa pode se ressarcir das contribuições incidentes e pagas sobre as respectivas aquisições e não de contribuições presumidas. Se não há pagamento de contribuições nas respectivas aquisições, inexistem valores a serem ressarcidos. A incidência efetiva das contribuições nos custos das respectivas aquisições é condição imprescindível à geração do créditopresumido do IPI. Tanto assim o é, que a Lei nº 10.833, de 29/12/2003, vedou de forma expressa este benefício às pessoas jurídicas sujeitas ao PIS e à Cofins com incidência nãocumulativa, assim dispondo: “Art. 14. O disposto nas Leis nos 9.363, de 13 de dezembro de 1996, e 10.276, de 10 de setembro de 2001, não se aplica à pessoa jurídica submetida à apuração do valor devido na forma dos arts. 2º e 3º desta Lei e dos arts. 2º e 3º da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002.” Também de acordo com as leis que instituíram as contribuições para o PIS e Cofins com incidência nãocumulativa, o direito de se creditar dos valores pagos nos custos de aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, a título destas contribuições, está condicionado a sua incidência nas respectivas aquisições. Dessa forma, ao se reconhecer créditopresumido de IPI, a título de custos presumidos, ou seja, de custos nãoincorridos, para as pessoas jurídicas nãosujeitas às contribuições para o PIS e Cofins com incidência cumulativa e não poder estender este mesmo benefício para as pessoas jurídicas submetidas ao regime de incidência nãocumulativa implica em tratamento diferenciado e infringência ao princípio constitucional da isonomia ou igualdade tributária. Assim, não tendo o produtor exportador pagado PIS e Cofins nas aquisições de matériasprima, produtos intermediários e material de embalagem de nãocontribuintes destas contribuições, não há do que se ressarcir de seus valores. Ressarcimento implica pagamento na etapa anterior, como não houve pagamento não há que se falar em ressarcimento. No entanto, em face do julgamento do Superior Tribunal de Justiça (STJ) no RESP 993.164, decidido sob o regime do art. 543C da Lei nº 5.869, de 11/01/1973 (CPC), e do disposto no Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Ricarf), art. 62A, as glosas dos créditospresumido do IPI sobre aquisições de cooperativas e de pessoas físicas, efetuadas pela autoridade administrativa competente e mantidas pela autoridade julgadora de primeira instância, deverão ser restabelecidas, reconhecendose à recorrente o direito ao seu ressarcimento/compensação dos créditospresumido apurados sobre aquelas aquisições. A decisão do STJ naquele RESP foi prolatada nos seguintes termos: Fl. 233DF CARF MF Impresso em 16/03/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 27 /02/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10950.004315/200814 Acórdão n.º 330101.312 S3C3T1 Fl. 232 5 “O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. (...). Conseqüentemente, sobressai a ‘ilegalidade’ da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS. RESP 993164, Min. Luiz Fux. (...) É que: (i) ‘a COFINS e o PIS oneram em cascata o produto rural e, por isso, estão embutidos no valor do produto final adquirido pelo produtorexportador, mesmo não havendo incidência na sua última aquisição’; (ii) ‘o Decreto 2.367/98 Regulamento do IPI , posterior à Lei 9.363/96, não fez restrição às aquisições de produtos rurais’; e (iii) ‘a base de cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo (art. 2º), sem condicionantes’ (REsp 586392/RN). (...) A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). (...). A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010 (...). Recurso especial da empresa provido para reconhecer a incidência de correção monetária e a aplicação da Taxa Selic.” Fl. 234DF CARF MF Impresso em 16/03/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 27 /02/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 6 Já o Regimento Interno do Carf, determina: “Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (...).” II – juros compensatórios Também, em face do disposto no art. 62A do Ricarf e do RESP 993.164, em face da vedação do Fisco ao ressarcimento/compensação tempestiva, os juros compensatórios, à taxa Selic, são devidos a partir da data da transmissão dos Per/Dcomps em discussão. III – homologação das compensações declaradas A homologação da compensação de débitos fiscais vencidos com créditos financeiros contra a Fazenda Nacional está prevista na Lei nº 9.430, de 27/12/1996, art. 74, assim dispõe: “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão”.(Redação dada pela MP nº 66, de 29/08/2002, convertida na Lei nº 10.637, de 30/12/2002). “§ 1º. A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados”.(Redação dada pela MP nº 66, de 29/08/2002, convertida na Lei nº 10.637, de 30/12/2002). § 2º. A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (Redação dada pela MP nº 66, de 29/08/2002, convertida na Lei nº 10.637, de 30/12/2002). (...).” Conforme se verifica deste dispositivo legal, a compensação, mediante a entrega de Dcomp e/ ou transmissão de Per/Dcomp, assim como a sua homologação depende da certeza e liquidez dos créditos financeiros nela declarados. No presente caso, a recorrente faz jus ao ressarcimento/compensação do créditopresumido do IPI correspondente às glosas sobre as aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo, de pessoas físicas e cooperativas, efetuadas pela autoridade administrativa competente e mantidas pela DRJ, conforme reconhecido nesta fase recursal. Em face de todo o exposto e de tudo o mais que conta dos autos, dou provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito de a recorrente apurar crédito Fl. 235DF CARF MF Impresso em 16/03/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 27 /02/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10950.004315/200814 Acórdão n.º 330101.312 S3C3T1 Fl. 233 7 presumido do IPI sobre as aquisições de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, adquiridos no mercado interno, de cooperativas e de pessoas físicas, no 4º trimestre de 2003, efetivamente utilizados na industrialização dos produtos exportados, cabendo à autoridade administrativa competente apurar o montante dos créditos, acrescerlhe juros compensatórios, à taxa Selic, calculados a partir das datas de transmissões das Dcomps, e homologar a compensação dos débitos neles declarados até o limite do montante apurado, exigindose os saldo/débitos declarados, nãoextintos pelas homologações das compensações ora determinadas. (Assinado Digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator Fl. 236DF CARF MF Impresso em 16/03/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 27 /02/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 13805.006726/93-23
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 05 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu May 19 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1990
DEPÓSITO. CONFISSÃO DE DÍVIDA. DESNECESSIDADE DO LANÇAMENTO.
O depósito judicial configura verdadeiro lançamento por homologação. O contribuinte calcula o valor do tributo e substitui o pagamento antecipado pelo depósito, por entender indevida a cobrança. Uma vez ocorrido o lançamento tácito, encontra-se constituído o crédito tributário, razão pela qual não há que se falar em necessidade de lançamento de ofício das importâncias depositadas. Precedente do STJ no EREsp nº 898.992/PR.
Os efeitos da suspensão da exigibilidade pela realização do depósito integral do crédito exequendo, quer no bojo de ação anulatória, quer no de ação declaratória de inexistência de relação jurídico-tributária, ou mesmo no de mandado de segurança, desde que ajuizados anteriormente à execução fiscal, têm o condão de impedir a lavratura do auto de infração. Precedente no STJ em recurso representativo de controvérsia julgado no rito do art. 543-C do antigo CPC. REsp 1.140.956/SP.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 1402-002.193
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Demetrius Nichele Macei.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Demetrius Nichele Macei, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Gilberto Baptista, Leonardo de Andrade Couto, Leonardo Luís Pagano Gonçalves e Roberto Silva Júnior.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1990 DEPÓSITO. CONFISSÃO DE DÍVIDA. DESNECESSIDADE DO LANÇAMENTO. O depósito judicial configura verdadeiro lançamento por homologação. O contribuinte calcula o valor do tributo e substitui o pagamento antecipado pelo depósito, por entender indevida a cobrança. Uma vez ocorrido o lançamento tácito, encontrase constituído o crédito tributário, razão pela qual não há que se falar em necessidade de lançamento de ofício das importâncias depositadas. Precedente do STJ no EREsp nº 898.992/PR. Os efeitos da suspensão da exigibilidade pela realização do depósito integral do crédito exequendo, quer no bojo de ação anulatória, quer no de ação declaratória de inexistência de relação jurídicotributária, ou mesmo no de mandado de segurança, desde que ajuizados anteriormente à execução fiscal, têm o condão de impedir a lavratura do auto de infração. Precedente no STJ em recurso representativo de controvérsia julgado no rito do art. 543C do antigo CPC. REsp 1.140.956/SP. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Demetrius Nichele Macei. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 5. 00 67 26 /9 3- 23 Fl. 577DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13805.006726/9323 Acórdão n.º 1402002.193 S1C4T2 Fl. 578 2 (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Demetrius Nichele Macei, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Gilberto Baptista, Leonardo de Andrade Couto, Leonardo Luís Pagano Gonçalves e Roberto Silva Júnior. Fl. 578DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13805.006726/9323 Acórdão n.º 1402002.193 S1C4T2 Fl. 579 3 Relatório ABBOTT LABORATÓRIOS DO BRASIL LTDA. recorre a este Conselho, com fulcro no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, objetivando a reforma do acórdão nº 16 21.869 da 4ª Turma da Delegacia de Julgamento em São Paulo I – DRJ/SPI que julgou improcedente a impugnação apresentada. Por bem refletir o litígio até aquela fase, adoto o relatório da decisão recorrida, complementandoo ao final: Trata o presente processo de lançamento de Contribuição Social sobre o Lucro – CSLL (fls. 15/20), no valor total de R$ 90.583,77, incluindose a contribuição, multa proporcional de 50% e juros de mora relativamente ao anocalendário de 1990, ficando a exigibilidade suspensa até ulterior decisão judicial, que se referiu a discussão da constitucionalidade das Leis nºs 7.689/1988, 7.787/1989 e 7.856/1989. Tendo tomado ciência da autuação em 23/11/1993, a empresa, por meio de seu procurador (fls. 30/32) apresentou impugnação (fls. 23/29), protocolada em 22/12/1993, alegando, em síntese, que: Padece do vício de nulidade em face de o crédito em questão estar sob discussão judicial nos autos do Mandado de Segurança que tramitou perante a D. 19ª Vara da E. Justiça Federal sob o nº 91.06745440 e o valor exigido ter sido depositado judicialmente naqueles autos. A Fiscalização suspende a exigibilidade, no “Termo de Ressalva”, anexo ao Auto, ao mesmo tempo que intima o contribuinte a recolher ou impugnar o débito em 30 dias, no item 7 do mesmo Auto, contradição que implica na nulidade do Auto de Infração, posto que configurado está o cerceamento do direito de defesa da Suplicante, que não tem como saber o que de fato se está a lhe exigir. Ademais, tendo sido procedida a lavratura de Auto de Infração apenas para se prevenir a decadência do direito de fazêlo, reconhecendose no entanto estar suspensa a exigibilidade do lançamento, não pode a Fazenda pretender aplicar multa de 50% e juros de mora, conferindo ao contribuinte que vai a Juízo questionar a legitimidade da exação em tela o mesmo tratamento que seria deferido a um outro que houvesse se quedado inerte, usufruindo da disponibilidade do capital. No referido mandado de segurança, foi deferida a medida liminar e determinado o depósito dos valores controvertidos, para fins de suspender a exigibilidade da exigência contestada, nos termos dos incisos II e IV do artigo 151 do Código Tributário Nacional – CTN. O feito tramitou regularmente e, a despeito de ter sido proferida sentença denegatória da segurança, o crédito da Fazenda Nacional, se existente, está com a sua exigibilidade suspensa em razão de a Suplicante ter efetuado o depósito integral das quantias questionadas. E, ainda, no último dia 3 de novembro, a 3ª Turma do E. Tribunal, por unanimidade, deu Fl. 579DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13805.006726/9323 Acórdão n.º 1402002.193 S1C4T2 Fl. 580 4 provimento a apelação interposta pela Suplicante, estando suspensa a exigibilidade do crédito tributário. De fato, admitirse a lavratura de Auto de Infração para a cobrança da contribuição ora em discussão seria tornar, pelo simples fato de terse socorrido do Poder Judiciário, mais onerosa a posição da Suplicante do que se daria caso tivesse permanecido inerte, pois não precisaria desde logo garantir os interesses da Fazenda mediante os depósitos judiciais que regularmente efetuou. Ademais, tal procedimento fiscal implica afrontamento a ordem judicial concessiva da segurança conforme jurisprudência (fls. 26). Por outro lado, nem se diga que o lançamento seria necessário para evitar a decadência ou prescrição, uma vez que é pacífico, quanto a esta última, a aplicação do princípio da actio nata, de modo que, durante o período de suspensão da exigibilidade do crédito tributário, não flui o respectivo prazo. Quanto a decadência, esta também não ocorrerá, bastando para tanto a notificação do respectivo montante, o que pode se dar, seja por ato formal da Fazenda, seja po autonotificação do respectivo montante apurado, conforme as próprias guias de depósito anexas aos autos. Aliás, como, no caso, os valores exigidos estão depositados em Juízo, sobrevindo decisão judicial desfavorável ao contribuinte os mesmos serão imediatamente convertidos em renda da União Federal e nada mais poderá ser exigido da suplicante. Assim, nada impede que a Fazenda promova as medidas administrativas cabíveis no caso, consistentes na verificação da exatidão dos valores constantes das referidas guias, sem, contudo, proceder a lavratura do Auto de Infração, o que em nada a prejudica, como supra demonstrado. Indiscutível assim que, no caso concreto, face ao depósito efetuado justamente para suspender a exigibilidade do crédito em questão, bem como, em razão da decisão proferida pelo TRF, é nulo o Auto de Infração lavrado, no termos da Lei Complementar supra citada. Ressaltese que é entendimento já unânime em nossos Tribunais o de que o depósito efetuado no curso do processo suspende a exigibilidade do crédito até o final e definitiva decisão do mesmo, inclusive em ações declaratórias (jurisprudência a fl. 28). Assim, efetuado o depósito referente ao montante do crédito em discussão nos autos do processo judicial, não se pode pretender cobrálo por meio da autuação ora defendida, pela qual é ainda imputada a Suplicante multa de 50% do valor discutido e juros de mora. Diante do exposto, demonstrado que a autuação em causa é nula, face ao fato de estar suspensa a exigibilidade do crédito tributário exigido, pede e espera a suplicante que seja reconhecida a sua improcedência, caso antes não seja reconhecida sua nulidade, determinandose o arquivamento do feito. Tendo sido o processo encaminhado para julgamento, o Delegado da Receita Federal de Julgamento em São Paulo (fl. 63) resolveu sobrestar o julgamento da impugnação interposta, de vez que a matéria versada no processo era a mesmo que se encontrava “sub judice”. Foi então o processo enviado a Divisão de Arrecadação (DISAR) da DRF de origem, para aguardar o pronunciamento definitivo da Justiça Federal. Ademais, foi Fl. 580DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13805.006726/9323 Acórdão n.º 1402002.193 S1C4T2 Fl. 581 5 feito encaminhamento para que, após as anotações cabíveis a DISAR, deveria o processo ser remetido a SRRF/8ª Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, visto que foi juntado aos autos expediente do TRF da 3ª Região (fls. 53/55) onde o MM. Juiz Federal solicita providências ao “Chefe do Departamento da Receita Federal em São Paulo”. O DISAR em razão do despacho de fl 63 da DRJ/SP, encaminhou os autos a EQIJU/DISIT/SRRF/8ª Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB para informar o andamento da ação. As fls. 82, há despacho no qual é relatado, pela DISIT/EQIJU/SRRF 8ª RF, que o Auto de Infração foi lavrado com suspensão da exigibilidade devido a existência de liminar e deposito judicial no Mandado de Segurança nº 91.06745440, o qual foi julgado parcialmente procedente pelo STF, propondo que o processo fosse encaminhado a Procuradoria Regional da Fazenda Nacional para juntada das cópias da sentença e acórdãos do citado Mandado de Segurança e informação a respeito da conversão do depósito judicial, depois do que o processo deveria ser encaminhado a DRJ em cumprimento do despacho de fls. 63. Foi juntada, então, pela Procuradoria, cópia integral dos autos, fls. 84/457, com a ressalva, dirigida ao Sr. Chefe da DISIT/EQIJU/SRRF 8ª RF, de que o E. TRF da 3ª Região não havia se pronunciado nos termos do acórdão proferido pelo STF. O Chefe da DISIT/EQIJU/SRRF 8ª Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, em face da documentação anexada, constatou que o processo judicial ainda não se encontrava com decisão transitada em julgado e encaminhou o processo a DERAT/SP/DICAT para o atendimento dos dois últimos parágrafos do despacho de fls. 63. A DERAT/SP/DICAT/EQAMJ se pronunciou nos seguintes termos sobre o assunto (fls. 474): “Tratase de auto de infração lavrado a título da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) referentemente ao exercício de 1990 (fls. 16/21). Referido auto foi lavrado com a exigibilidade suspensa (uma vez que foram efetuados depósitos judiciais das parcelas de CSLL "sub judice") e foi dada ciência do auto ao contribuinte em 23 de novembro de 1993 (fl. 18). Requerendo a nulidade da autuação, o contribuinte apresentou, tempestivamente, impugnação em 22 de dezembro de 1993 (fls. 23/29), alegando, em suma, que os débitos da CSLL em questão estariam suspensos pelo mandado de segurança nº 91.06745440, o qual fora impetrado perante a 19a Vara da Justiça Federal de São Paulo (fls. 285 a 302). Em tal "mandamus", o contribuinte requereu eximirse do recolhimento da CSLL, instituída pela Lei nº 7.689/88, sob o argumento de sua inconstitucionalidade. De fato, da análise dos autos, verificamos que em Primeira Instância, a sentença foi desfavorável ao contribuinte, denegandose a segurança. Contra tal decisão, o contribuinte interpôs o recurso de apelação nº 93.03.648862 perante o Tribunal Regional Federal (TRF) da 3a Região, em cujo acórdão, foi dado provimento ao recurso, reconhecendose a inconstitucionalidade da Lei nº 7.689/88 (fls.247/249). Inconformada, a União interpôs recurso especial e extraordinário, os quais foram submetidos ao crivo de admissibilidade do Tribunal. O recurso especial não foi admitido (fl. 428). Já o recurso extraordinário foi admitido (fls.429/431) e encaminhado para julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF), onde foi Fl. 581DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13805.006726/9323 Acórdão n.º 1402002.193 S1C4T2 Fl. 582 6 parcialmente provido para declarar a inconstitucionalidade da Lei nº 7.689/88 apenas para o anobase de 1988 (fls. 436/441). O trânsito em julgado ocorreu em 21 de novembro de 1995 (fl. 473). Ressaltese que às folhas 303 a 308 foram juntadas ao processo as guias de depósitos judiciais efetuados pelo contribuinte. Em consulta ao sistema SINAL08 desta Secretaria da Receita Federal (SRF), verificamos que já houve a conversão em renda dos depósitos judiciais, a favor da União, em 09 de junho de 2006, no montante de R$ 34.388,88 (trinta e quatro mil e trezentos e oitenta e oito reais e oitenta e oito centavos fl. 465). Mediante cálculos no sistema DEPJUD, apuramos o montante convertido em renda de R$ 34.403,57 (trinta e quatro mil e quatrocentos e três reais e cinqüenta e sete centavos fl. 466). A diferença de R$ 14,69 (quatorze reais e sessenta e nove centavos) é imaterial. Adicionalmente, com o fito de verificarmos a suficiência dos mencionados depósitos, efetuamos cálculos no sistema SICALC, onde apuramos saldos devedores para todos os períodos de apuração (fls.467/470). Ante todo o cenário exposto e dado o fato de que não houve a apreciação do mérito da impugnação apresentada pelo contribuinte, propomos o envio deste processo administrativo à DRJII/SPO/SP para providências e posterior encaminhamento do processo à EQCOB/DICAT/DERAT para ciência da decisão e medidas cabíveis; uma vez que já houve o trânsito em julgado da medida judicial envolvida.” Os autos foram então enviados a esta Delegacia de Julgamento (DRJ/SPOI) para prosseguimento. A 4ª Turma da DRJ em São Paulo, em análise da impugnação apresentada, julgoua improcedente. Em resumo, considerou válido o lançamento pelos seguintes motivos: (i) o depósito realizado pelo contribuinte não teria sido integral; (ii) o acórdão favorável ao contribuinte e relativo à apelação somente foi publicado após a ciência do lançamento. Em razão disso, concluiu a turma julgadora que no momento do lançamento não havia suspensão da exigibilidade, o que implicaria a manutenção do lançamento em sua integralidade, incluindo multa e juros de mora. O contribuinte foi cientificado da decisão em 23 de novembro de 2009 (efl. 528), apresentando recurso voluntário de efls. 538560 em 23 de dezembro de 2009. Em síntese, a Recorrente alega que: o lançamento foi realizado com exigibilidade suspensa, conforme consta no próprio Termo de Verificação Fiscal, portanto, não poderia a decisão recorrida alterar tal entendimento; em face do lançamento ter sido realizado com exigência de multa de ofício e juros de mora, a Recorrente peticionou nos autos do processo judicial requerndo o cancelamento do auto de infração, tendo sido deferida seu pedido pelo Poder Judiciário; ainda que fosse confirmada a insuficiência dos depósitos, o lançamento até poderia ter sido feito com exigibilidade suspensa, mas a incidência de multa de ofício e juros Fl. 582DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13805.006726/9323 Acórdão n.º 1402002.193 S1C4T2 Fl. 583 7 de mora somente poderiam incidir sobre a parcela de tributo não acobertada pelos depósitos judiciais; ainda que assim não foose, o valor do saldo remanescente não poderia jamais ser cobrado por absoluta falta de liquidez e certeza; por fim, questiona a aplicação da taxa Selic como juros moratórios. É o relatório. Fl. 583DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13805.006726/9323 Acórdão n.º 1402002.193 S1C4T2 Fl. 584 8 Voto Conselheiro FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Relator. 1 ADMISSIBILIDADE O contribuinte foi cientificado da decisão de primeira instância em 23 de novembro de 2009 apresentando recurso voluntário 23 de dezembro de 2009, ou seja, tempestivamente. Preenchidos os demais pressupostos de admissibilidade do recurso, dele, portanto, tomo conhecimento. 2 MÉRITO O litígio é relativamente simples: a autoridade fiscal lavrou auto de infração para prevenção de decadência em face da suspensão da exigibilidade do crédito tributário em face de depósitos judiciais realizados pelo contribuinte no bojo de Mandado de Segurança. Além da CSLL lançada, houve ainda a cominação de multa de ofício e cobrança de juros moratórios. É importante ressaltar que a autoridade fiscal responsável pelo lançamento fez constar à efl. 16 que o lançamento estava sendo constituído com exigibilidade suspensa em face de depósitos judiciais realizados pelo contribuinte, fazendo ainda ressalva expressa à efl. 22 de que “O item 7 do Auto de Infração, fica ressalvado, estando a exigibilidade suspensa até ulterior decisão judicial nos termos do art. 151 da Lei nº 5.172/66 – CTN”. A decisão recorrida, contudo, tomando por base despacho exarado pela unidade preparadora 16 anos após a realização do lançamento, considerou que os depósitos não eram suficientes para garantir a totalidade do crédito tributário em litígio, concluindo, então, que não era o caso de suspensão da exigibilidade em razão da realização de depósito do montante, e, na ausência de decisão judicial que à data do lançamento suspendesse a exigibilidade do crédito tributário, a exigência devia prosperar, inclusive no tocante à incidência de multa de ofício e juros moratórios. Entendo que a decisão recorrida não pode prosperar. Se a própria autoridade fiscal que realizou o lançamento assentiu que o depósito realizado correspondia ao montante do crédito tributário lançado de ofício, não poderia a turma julgadora alterar tal conclusão, até mesmo porque o contribuinte, em sua impugnação, sequer abordou a matéria, uma vez que, conforme constava expressamente no lançamento, a exigibilidade do crédito estaria suspensa em face de depósito do montante integral. Isso porque o § 3º do art. 18 do Decreto nº 70.235/72 é taxativo ao impor que se houver inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência deverá ser lavrado auto de infração complementar, devolvendose o prazo ao sujeito passivo para apresentação de impugnação no concernente à matéria modificada. Tal dispositivo, portanto, proíbe às turmas julgadoras a alteração do fundamento do lançamento. No caso concreto, nos moldes em que foi realizada, preteriu Fl. 584DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13805.006726/9323 Acórdão n.º 1402002.193 S1C4T2 Fl. 585 9 inclusive o direito de defesa do contribuinte, o que poderia ensejar, inclusive, sua nulidade, a teor do que dispõe o art. 59, II, do Decreto nº 70.235/72. Esclareço que somente não o faço em razão do disposto no parágrafo terceiro desse mesmo dispositivo legal que faculta ao julgador, quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, não se pronunciar nem mandar repetir o ato ou suprirlhe a falta. Considerandose que a própria autoridade lançadora considerou que a exigibilidade do crédito tributário estava suspensa em razão de depósito do montante integral, há de se analisar a necessidade, ou não, de realização de lançamento nessas hipóteses. Esse colegiado, ainda que em outra composição, já decidiu que não se faz necessário o lançamento em casos de depósito do montante integral (Acórdão 1402001.570, sessão de 12 de fevereiro de 2014). Em tal julgado também fui responsável pelo relato do caso, tendo assim me manifestado: [...] a Primeira Seção do STJ já pacificou a matéria no julgamento EREsp n. 898.992/PR (acórdão publicado no DJ 27/08/2007), sob a relatoria do Ministro Castro Meira, de modo unânime, exarando o entendimento de que: [...] com o depósito do montante integral temse verdadeiro lançamento por homologação. O contribuinte calcula o valor do tributo e substitui o pagamento antecipado pelo depósito, por entender indevida a cobrança. Se a Fazenda aceita como integral o depósito, para fins de suspensão da exigibilidade do crédito, aquiesceu expressa ou tacitamente com o valor indicado pelo contribuinte, o que equivale à homologação fiscal prevista no art. 150, § 4º, do CTN. Uma vez ocorrido o lançamento tácito, encontra se constituído o crédito tributário, razão pela qual não há mais falar no transcurso do prazo decadencial nem na necessidade de lançamento de ofício das importâncias depositadas. Eis a sua ementa: PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO. DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL. ART. 151, II, DO CTN. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CONVERSÃO EM RENDA. DECADÊNCIA. 1. Com o depósito do montante integral temse verdadeiro lançamento por homologação. O contribuinte calcula o valor do tributo e substitui o pagamento antecipado pelo depósito, por entender indevida a cobrança. Se a Fazenda aceita como integral o depósito, para fins de suspensão da exigibilidade do crédito, aquiesceu expressa ou tacitamente com o valor indicado pelo contribuinte, o que equivale à homologação fiscal prevista no art. 150, § 4º, do CTN. 2. Uma vez ocorrido o lançamento tácito, encontrase constituído o crédito tributário, razão pela qual não há mais falar no transcurso do prazo decadencial nem na necessidade de lançamento de ofício das importâncias depositadas. 3. "No lançamento por homologação, o contribuinte, ocorrido o fato gerador, deve calcular e recolher o montante devido, independente de Fl. 585DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13805.006726/9323 Acórdão n.º 1402002.193 S1C4T2 Fl. 586 10 provocação. Se, em vez de efetuar o recolhimento simplesmente, resolve questionar judicialmente a obrigação tributária, efetuando o depósito, este faz as vezes do recolhimento, sujeito, porém, à decisão final transitada em julgado. Não há que se dizer que o decurso do prazo decadencial, durante a demanda, extinga o crédito tributário, implicando a perda superveniente do objeto da demanda e o direito ao levantamento do depósito. Tal conclusão seria equivocada, pois o depósito, que é predestinado legalmente à conversão em caso de improcedência da demanda, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, equiparase ao pagamento no que diz respeito ao cumprimento das obrigações do contribuinte, sendo que o decurso do tempo sem lançamento de ofício pela autoridade implica lançamento tácito no montante exato do depósito" (Leandro Paulsen, "Direito Tributário", Livraria do Advogado, 7ª ed, p. 1227). 4. Embargos de divergência não providos. Logo, se o depósito realizado realmente for suficiente para acobertar o montante integral do crédito tributário em litígio, não há que se falar em lançamento. A própria Fazenda Nacional vem se valendo de tal exegese em execuções fiscais nas hipóteses em que o contribuinte realizou o levantamento do depósito, como se pode observar no REsp nº 1216466 / RS em que a Fazenda ingressou com execução fiscal baseada na confissão de dívida via depósito judicial: TRIBUTÁRIO EXECUÇÃO FISCAL PRESCRIÇÃO INEXISTÊNCIA – DEPÓSITO CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO LEVANTAMENTO INDEVIDO EXIGIBILIDADE TERMO A QUO. 1. O depósito do crédito tributário equivale ao lançamento tributário para fins de constituição da dívida. Precedentes. 2. O levantamento indevido de depósito judicial autoriza a cobrança da quantia percebida, no prazo de prescrição de 5 anos, contados da data da extinção do depósito. 3. Inexistência de prescrição se o ajuizamento ocorreu 3 anos após o levantamento indevido do depósito. 4. Recurso especial não provido. (REsp nº 1216466 / RS, Relatora Ministra Diva Malerbi – Desembargadora Convocada do TRF da 3ª Região, 2ª Turma, sessão de 20/11/2012, DJe de 04/12/2012) Logo, se o depósito realizado realmente for suficiente para acobertar o montante integral do crédito tributário em litígio, não há que se falar em lançamento. A própria Fazenda Nacional vem se valendo de tal exegese em execuções fiscais nas hipóteses em que o contribuinte realizou o levantamento do depósito, como se pode observar no REsp nº 1.216.466/RS em que a Fazenda ingressou com execução fiscal baseada na confissão de dívida via depósito judicial: TRIBUTÁRIO EXECUÇÃO FISCAL PRESCRIÇÃO INEXISTÊNCIA – DEPÓSITO CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO LEVANTAMENTO INDEVIDO EXIGIBILIDADE TERMO A QUO. 1. O depósito do crédito tributário equivale ao lançamento Fl. 586DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13805.006726/9323 Acórdão n.º 1402002.193 S1C4T2 Fl. 587 11 tributário para fins de constituição da dívida. Precedentes. 2. O levantamento indevido de depósito judicial autoriza a cobrança da quantia percebida, no prazo de prescrição de 5 anos, contados da data da extinção do depósito. 3. Inexistência de prescrição se o ajuizamento ocorreu 3 anos após o levantamento indevido do depósito. 4. Recurso especial não provido. (REsp nº 1.216.466/RS, Relatora Ministra Diva Malerbi – Desembargadora Convocada do TRF da 3ª Região, 2ª Turma, sessão de 20/11/2012, DJe de 04/12/2012) Na mesma linha de raciocínio, e para pôr fim de vez à controvérsia, o STJ analisou o tema sob a égide do então art. 543C do CPC (“recurso repetitivo”), cujo entendimento deve ser reproduzido pelos membros deste Tribunal Administrativo, a teor do que dispõe o art. 62, §2º, do Anexo II do RICARF. A ementa de tal julgado, na parte que interessa ao caso concreto, foi assim vazada: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. AÇÃO ANTIEXACIONAL ANTERIOR À EXECUÇÃO FISCAL. DEPÓSITO INTEGRAL DO DÉBITO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO (ART. 151, II, DO CTN). ÓBICE À PROPOSITURA DA EXECUÇÃO FISCAL, QUE, ACASO AJUIZADA, DEVERÁ SER EXTINTA. [...] 4. Os efeitos da suspensão da exigibilidade pela realização do depósito integral do crédito exequendo, quer no bojo de ação anulatória, quer no de ação declaratória de inexistência de relação jurídicotributária, ou mesmo no de mandado de segurança, desde que ajuizados anteriormente à execução fiscal, têm o condão de impedir a lavratura do auto de infração, assim como de coibir o ato de inscrição em dívida ativa e o ajuizamento da execução fiscal, a qual, acaso proposta, deverá ser extinta. [...] (REsp 1.140.956/SP, Relator Ministro Luiz Fux, sessão de 24/11/2010, DJe 03/12/2010) Portanto, no caso concreto, se a própria autoridade fiscal autuante concluiu que havia depósito do montante integral, e que o STJ pacificou o entendimento de que o lançamento estaria impedido em tal hipótese, há de se cancelar integralmente a presente exigência. Além disso há de ressaltar que havia decisão judicial expressa já cancelando a presente exigência: às fls. 5960 dos presentes autos consta cópia de decisão judicial exarada no bojo do Mandado de Segurança em questão em que, de maneira taxativa, o magistrado deferiu o pedido do contribuinte para tornar insubsistente o presente lançamento. Certa ou errada tal decisão, há de se cumprila. Caso a Fazenda Nacional discordasse de tal entendimento, deveria ter buscado sua reforma nos tribunais competentes. Tal fundamento, contudo, não seria suficiente, nesse momento, para firmar convicção definitiva sobre o cancelamento da exigência por decisão judicial, uma vez que não há nos autos elementos suficientes para se afirmar se houve não interposição de recursos da PGFN com vistas a reforma de tal decisão. Fl. 587DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13805.006726/9323 Acórdão n.º 1402002.193 S1C4T2 Fl. 588 12 De toda forma, em razão do depósito do montante integral do débito em questão, nos termos em que realizado o lançamento, a exigência não prosperar. 3 CONCLUSÃO Isso posto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Relator Fl. 588DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 13603.002727/2003-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue May 10 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/2002 a 31/07/2003
COMPENSAÇÃO. DCOMP NÃO HOMOLOGADA. DÉBITO NÃO CONFESSADO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO.
Deve ser constituído o crédito tributário referente a débito declarado em declaração de compensação à época em que este documento não possuía característica de confissão de dívida.
Numero da decisão: 3201-002.129
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos voluntário e de ofício, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA - Presidente.
CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Elias Fernandes Eufrásio, Mércia Helena Trajano Damorim, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisario e Winderley Morais Pereira. Ausente, justificadamente, a conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos voluntário e de ofício, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA - Presidente. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Elias Fernandes Eufrásio, Mércia Helena Trajano Damorim, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisario e Winderley Morais Pereira. Ausente, justificadamente, a conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo.
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DCOMP NÃO HOMOLOGADA. DÉBITO NÃO CONFESSADO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Deve ser constituído o crédito tributário referente a débito declarado em declaração de compensação à época em que este documento não possuía característica de confissão de dívida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos voluntário e de ofício, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Presidente. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Elias Fernandes Eufrásio, Mércia Helena Trajano Damorim, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisario e Winderley Morais Pereira. Ausente, justificadamente, a conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 00 27 27 /2 00 3- 35 Fl. 284DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 06/05/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 13603.002727/200335 Acórdão n.º 3201002.129 S3C2T1 Fl. 285 2 Por bem descrever a matéria de que trata este processo, adoto e transcrevo abaixo o relatório que compõe a Decisão Recorrida. Trata o presente processo de Auto de Infração de fls. 06/12 com exigência de crédito tributário no montante de R$4.262.241,07 a título de Cofins (R$2.318.780,67), mais multa de oficio e juros de mora, relativa aos fatos geradores de out/2002, dez/2002, abr/2003, jun/2003 e jul/2003. Tal autuação ocorreu em face do indeferimento, pela DRF Contagem, do pleito de compensação de tais débitos com crédito de IPI, formulado nos processos 13603.002125/200388, 13603.001587/200388 e 13603.001590/200300, sendo que o indeferimento foi motivado pelo fato de o alegado crédito de IPI estar, à época, em discussão no Mandado de Segurança n° 2003.38.00.0209351. Irresignada, tendo sido cientificada em 25/11/2003 (fl. 11), a empresa apresentou, em 22/12/2003, o arrazoado de fls. 56/78, acompanhado dos documentos de fls. 79/143, com as suas razões de defesa a seguir reunidas sucintamente. “(...) ... como o auto de infração foi apurado através de escrituração fiscal, o agente fiscal deveria, (...), ter relacionado os livros ou registros contábeis fiscalizados para embasar seu lançamento, como também deveria comprovar sua habilitação contábil ensejadora Como é de conhecimento de todos, (...), somente pode exercer as funções desta natureza os contabilistas formados e devidamente registrados no órgão competente,ou seja, no Conselho Regional de Contabilidade de sua área de atuação, in casu , Minas Gerais. Assim, a agente fiscal não poderia, ou melhor, nem deveria, já que é proibido por lei, de exercer tarefas concernentes à outra profissão, sob o risco de incorrer no "exercício ilegal de profissão". (...) ... insta demonstrar o erro do Fisco quando traz anexos e demonstrativos juntados ao auto de infração e que, supostamente, demonstram os períodos, datas e valores apurados. Estão em total desarmonia com a legislação e doutrina em vigor... (...) Em momento algum houve, por parte da Fiscalização, a intenção de buscar a verdade fiscal, prevalecendo a intenção de lavrar o auto de infração mais oneroso para o contribuinte. (...) Fl. 285DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 06/05/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 13603.002727/200335 Acórdão n.º 3201002.129 S3C2T1 Fl. 286 3 Ademais, como a presente autuação decorreu da não homologação da compensação efetuada pela empresa, e que a mesma apresentou Manifestações de Inconformidade contra os respectivos despachos decisórios, devese atentar para a falta de atendimento a previsto no art.74, §11 da Lei n° 9.430/96, alterado pela Lei n° 10.637/02 e pela MP 135/03... Devese ressaltar que enquanto perdurar a causa da suspensão da exigibilidade, o crédito tributário é desprovido de certeza, liquidez e exigibilidade, não podendo a Fazenda promover qualquer ato tendente a cobrar esse crédito. Desde que a exigibilidade do crédito tributário esteja suspensa, enquanto não esgotada a via utilizada para o questionamento quanto à legalidade ou constitucionalidade do crédito constituído, não pode a autoridade fiscal dar início a qualquer procedimento tendente a proceder a sua cobrança, ou caso o procedimento de cobrança já tenha sido iniciado deverá ser interrompido. Desta forma, como as manifestações de inconformidade apresentadas ainda não foram devidamente julgadas, o Fisco não poderia ter lavrado o presente auto de infração. (...) DO MÉRITO Ressaltase que a ESAB promoveu a extinção do débito, objeto do presente Auto de Infração, através das seguintes Declarações de Compensação apresentadas à SRF: Processos 13603.002125/200388, 13603.001587/200388 e 13603.001590/200300. Nas referidas compensações foram utilizados créditos oriundos de pagamentos a maior ocorridos no período de Fevereiro/99 a Setembro/02, posteriormente apurados pela contribuinte. Entretanto, a ESAB não providenciou a retificação das DCTF relativas ao período. Dessa forma, o Delegado da Receita Federal não conseguiu verificar a origem dos pagamentos a maior e declarou nãohomologada as declarações apresentadas. Ressaltase que os despachos decisórios que indeferiram as homologações somente foram comunicados à ESAB em 25 de novembro de 2003. Em virtude do equívoco verificado em relação à análise realizada pela SRF, a ESAB protocolizará, dentro do prazo de 30 trinta dias concedido pela Instrução Normativa n° 210, de 30 de setembro de 2002, a manifestação de inconformidade para reforma da decisão que não homologou a compensação declarada. QUANTO ÀS MULTAS Fl. 286DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 06/05/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 13603.002727/200335 Acórdão n.º 3201002.129 S3C2T1 Fl. 287 4 ... levandose em consideração que não ocorreu nenhuma das hipóteses previstas pela legislação, uma vez que a empresa efetuou a compensação de seus créditos, não havendo, por isso que se falar em aplicação de multa, em qualquer percentual, já que não houve ilícito e portanto, não há penalidade que se imponha à Impugnante. Frisase, mais uma vez, que a empresa impugnante não deixou de efetuar o pagamento do tributo em questão, mas sim realizou compensações em que o crédito utilizado é reconhecidamente válido." A DRJ/Belo Horizonte, por intermédio do Despacho n° 04, de 09 de julho de 2007, de fl. 153, resolveu encaminhar o presente processo à DRF em Contagem/MG, em razão de seu julgamento depender do julgamento dos processos de compensação precitados, lembrando que "só deve retornar à esta DRJ quando do deslinde dos processos supra, acompanhado de cópia dos Acórdãos de seu julgamento". Em atendimento, a Delegacia da Receita Federal em Contagem/MG despachou à fl. 210 informando ter anexado cópias dos acórdãos proferidos pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais nos processos precitados, e ressaltando que, após tomar ciência dos acórdãos, a contribuinte não se manifestou nos autos. Sobreveio decisão da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte/MG, que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a impugnação, mantendo em parte o lançamento fiscal. Os fundamentos do voto condutor do acórdão recorrido encontramse consubstanciados na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2002 a 31/07/2003 DÉBITO DECLARADO NÃO QUITADO. Caracterizado que o débito declarado não foi quitado, a exigência nele consubstanciada deve ser mantida. MULTA DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA Em face do princípio da retroatividade benigna, deve ser reduzida a penalidade que, posteriormente à sua imposição e antes da decisão administrativa, acabou atenuada pela legislação tributária. A decisão cancela a exigência da multa de ofício de 75%, convertendo a mesma em multa de mora de 20%, em atenção ao princípio da retroatividade benigna. O crédito exonerado foi objeto de recurso de ofício. Inconformada com a decisão, apresentou a recorrente, tempestivamente, o presente recurso voluntário. Na oportunidade, reiterou os argumentos colacionados em sua defesa inaugural. Fl. 287DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 06/05/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 13603.002727/200335 Acórdão n.º 3201002.129 S3C2T1 Fl. 288 5 Requereu, ainda, a desistência parcial do recurso em relação as competências 04, 06 e 07 de 2003, a qual foi posteriormente retificada com o pedido de não desistir do recurso em relação à competência 07/2003 Encaminhado o processo ao CARF, decidiu a 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 3ª Seção pela conversão do julgamento em diligência, para verificação de possível duplicidade de lançamento. A unidade de origem, em atendimento a determinação desta Turma, informou que não existe a alegada duplicidade de lançamento, tendo em vista que os débitos que poderiam levar a esta dupla exigência foram excluídos dos processos 13603.002312/200281 e 13603.000089/200318. A recorrente, intimada do resultado deste procedimento de diligência, não apresentou novas razões. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto Os recursos voluntário e de ofício atendem aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual deles tomo conhecimento. Do Recurso de Ofício A multa de oficio aplicada (75%) foi convertida para a multa de mora (20%), prevista art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996, em atenção ao princípio da retroatividade benigna. De fato, tendo em vista que o art. 18 da Lei n° 10.833/2003, posterior ao lançamento, prevê que o lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835/2001 limitarseá à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida, mostrase correta a decisão recorrida em aplicar tal dispositivo de forma retroativa e cancelar a exigência, em atenção ao previsto no artigo 106, II, "c", do CTN. Desta forma, nego provimento ao recurso de ofício. Do Recurso Voluntário Tratase de auto de infração que formaliza a exigência de tributos que foram objeto de declarações de compensação não homologadas pela RFB, protocoladas pelo sujeito passivo entre outubro de 2002 julho de 2003, época em que tais documentos ainda não tinham o caráter de confissão de dívida. As declarações de compensação que originaram a presente autuação foram objeto de recurso administrativo já definitivamente julgado, tendo decidido a administração pela manutenção do indeferimento do pleito. Fl. 288DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 06/05/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 13603.002727/200335 Acórdão n.º 3201002.129 S3C2T1 Fl. 289 6 Em relação à alegação de duplicidade de lançamento, conforme verificado em procedimento de diligência fiscal, os débitos a que se refere este auto de infração não estão sendo exigidos nos processos nº 13603.002312/2002 e 13603.000089/200318, de forma que não assiste razão a recorrente. Correta, portanto, a decisão recorrida ao manter o lançamento. Diante do exposto, voto por negar provimento aos recursos voluntário e de ofício. Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto Relator Fl. 289DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 06/05/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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