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Numero do processo: 10073.900159/2008-91
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Oct 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/03/2004 a 31/03/2004
PER/DCOMP. PIS/PASEP. PAGAMENTO EM VALOR SUPERIOR AO
DEVIDO. COMPROVAÇÃO DOCUMENTAL.
Comprovada documentalmente a ocorrência de pagamento em valor superior ao devido, cabível o reconhecimento do direito creditório decorrente e a homologação da compensação, até o limite do valor a restituir.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3801-000.927
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento ao recurso.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: JOSE LUIZ BORDIGNON
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PIS/PASEP. PAGAMENTO EM VALOR SUPERIOR AO DEVIDO. COMPROVAÇÃO DOCUMENTAL. Comprovada documentalmente a ocorrência de pagamento em valor superior ao devido, cabível o reconhecimento do direito creditório decorrente e a homologação da compensação, até o limite do valor a restituir. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Magda Cotta Cardozo Presidente. (assinado digitalmente) José Luiz Bordignon Relator. EDITADO EM: 18/10/2011 Fl. 120DF CARF MF Emitido em 12/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/10/2011 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Magda Cotta Cardozo (Presidente), Flávio de Castro Pontes, José Luiz Bordignon, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva , Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo e Evan Aguiar. Ausente Justificadamente os conselheiros Sidney Eduardo Stahl e Daniela Ribeiro de Gusmão. Fl. 121DF CARF MF Emitido em 12/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/10/2011 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Processo nº 10073.900159/200891 Acórdão n.º 3801000.927 S3TE01 Fl. 104 3 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo a seguir: “Trata o presente processo de apreciação de compensação declarada no PER/DCOMP no 06360.27542.130504.1.3.04 5808, em 13/05/2004, de crédito referente a valor que teria sido recolhido a maior, em 13/05/2004, a titulo de Pis Faturamento com débito de Pis não cumulativa relativo a março de 2004, no valor original de R$ 9.234,84. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Volta Redonda, por meio do despacho decisório de fls. 08, não reconheceu o direito creditório pleiteado, em virtude da não localização do pagamento informado nos sistemas de controle da RFB e em conseqüência, não homologou a compensação declarada. Cientificada do despacho e da cobrança dos débitos indevidamente compensados, a interessada inconformada apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 19/27, cujo teor se reproduz adiante: A Manifestante transmitiu em 13/05/2004, Declaração de Compensação PER/DCOMP com a finalidade de compensar débito oriundo de PIS não cumulativa (código 6912), no valor de R$ 9.234,84, do período de apuração do mês de março de 2004, vencimento em 15/04/2004, com crédito tributário originário de pagamento a maior. A contribuinte, ao declarar na DCTF o débito de PIS do mês de março de 2004, informou o montante de R$ 300.676,16, código 81092 (PISFaturamento), quitado através de 2 DARFs, nos valores de R$ 80.032,99 e R$ 220.643,17, que totalizam o valor de R$ 300.676,16 (Anexo 4, fls. 48 a 50). Ocorre que, a manifestante apurou no mês de março do ano de 2004 os seguintes valores de COFINS a pagar: Código do Tributo Histórico Valor 81092 PIS Faturamento/PJ em Geral 289.314,84 69121 PIS Não Cumulativa Lei 10.637/02 11.361,32 Total 300.676,16 Conforme verificase, ocorreu um erro de fato no ato do preenchimento da obrigação acessória, especificamente na DCTF, pois declarou um único débito a título de PIS, no valor total de R$ 300.676,16 quando o correto seria informar um Fl. 122DF CARF MF Emitido em 12/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/10/2011 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO 4 débito de PIS faturamento cumulativo, código 81092, de R$ 289.314,84 e nãocumulativo, de R$ 11.361,32, código 69121. Segue no Anexo 5 (fls. 52 e 53) cópia da Ficha 05 Cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep do Demonstrativo de Apuração de Contribui0es Sociais DACON e da Ficha 21 Cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep Regime nãocumulativo da DIPJ/2005, anocalendário de 2004, comprovando os reais débitos apurados a título de PIS. Ao tomar conhecimento do equívoco, a Manifestante transmitiu um PER/DCOMP informando o crédito referente ao pagamento indevido ou a maior de R$ 10.180,47, que se originou na diferença entre o valor total informado na DCTF a título de PIS do mês de março de 2004, de R$ 300.676,16 (Anexo 4,11s. 48) e o valor realmente devido na sistemática do PIS cumulativo (código 81092), que era de R$ 289.314,84 (Anexo 5, fls. 52). O crédito de R$ 10.180,47 corresponde exatamente ao valor devido de PIS não cumulativo, de R$ 11.361,32, código 69121, que compõe o débito declarado na DCTF de R$ 300.676,16 (Anexo 4), quitado através de pagamento com os 2 DARF's. Acontece que, a Manifestante ao preencher a PER/DCOMP, informou a existência de um crédito com um valor original de R$ 9.234,84 derivado de pagamento indevido ou a maior de PIS/Pasep. Conforme demonstrado nos parágrafos anteriores, realmente ocorreu pagamento indevido a maior a título de PIS — Faturamento, no mês de março de 2004. Entretanto, ao vincular o DARF que originou o crédito objeto da PER/DCOMP, informou um DARF no valor original de R$ 9.234,84 (Anexo 3, fls. 46) quando o correto seria informar o DARF que originou o recolhimento a maior de R$ 11.361,32, qual seja, o DARF no valor de R$ 80.032,99, código 6912, pago em 15/04/2004 (Anexo 4, fls. 49). A Manifestante cometeu algumas impropriedades, digamos, erro de fato, prestando informações incorretas na DCTF sobre o montante devido a título de PIS, apurado na sistemática da não cumulatividade e cumulatividade do mês de março de 2004, o que, conseqüentemente, determinaram a conclusão igualmente imprópria por parte da Delegacia da Receita Federal do Brasil, que não localizou o crédito objeto da PER/DCOMP não homologada. Diante do exposto, não restam dúvidas de que a Manifestante era detentora de crédito tributário, originário do pagamento a maior, que motivou realizar a compensação, ora em discussão. Entretanto, cometeu um erro de fato ao preencher as informações do débito a ser compensado declarando o valor da compensação de R$ 9.234,84 quando o correto seria R$ 11.361,32, assim como as informações do DARF vinculado como pagamento a maior. Vale ressaltar que, a Instrução Normativa SRF n° 600 de 28 de dezembro de 2005, nos artigos 58 e 59, dispõem que a retificação do PER/DCOMP será admitida na hipótese de inexatidões materiais, o que é exatamente o caso, não sendo Fl. 123DF CARF MF Emitido em 12/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/10/2011 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Processo nº 10073.900159/200891 Acórdão n.º 3801000.927 S3TE01 Fl. 105 5 admitida quando tiver por objeto a inclusão de novos débitos ou o aumento do valor do débito compensado. Diante do exposto, em virtude do erro de fato ocorrido no PER/DCOMP e da impossibilidade de retificar a informação, prevista no art. 57 da IN 600/05, uma vez que já houve decisão administrativa que não homologou a compensação, requeremos a esta turma julgadora que efetue "ex officio" a alteração das características do DARF, informado erroneamente pela Manifestante no PER/DCOMP, a fim de permitir que a Receita Federal localize em seu sistema o referido crédito e homologue a respectiva compensação. Ante toda a argumentação apresentada pela Manifestante, requer a Vossa Senhoria o reconhecimento do seu direito creditório originário do DARF pago a maior em 15/04/2004 e a posterior homologação da compensação realizada, por medida revestida do mais elevado grau de JUSTIÇA”. A Delegacia de Julgamento do Rio de Janeiro II (RJ) proferiu a seguinte decisão, nos termos da ementa abaixo transcrita: “IMPUGNAÇÃO. ALEGAÇÃO SEM PROVAS. Cabe ao contribuinte no momento da impugnação trazer ,ao julgado todos os dados e documentos que entende comprovadores dos fatos que alega. Rest/Ress. Indeferido Comp. não homologada”. Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso de fls. 69 a 79, reproduzindo, na essência, as razões apresentadas por ocasião da manifestação de inconformidade. É o relatório. Fl. 124DF CARF MF Emitido em 12/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/10/2011 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO 6 Voto Conselheiro José Luiz Bordignon, Relator O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Trata o presente caso de PER/DCOMP apresentada em 13/05/2004 (fls. 02 a 06), na qual é informado como origem do crédito pagamento a maior de PIS, realizado em 13/05/2004, compensado com débito de PIS NãoCumulativo, referente ao PA 03/2004, no valor de R$ 9.234,84. Tal pretensão foi indeferida pela DRF/Volta Redonda – RJ em 24/04/2008, em razão de estar todo o valor pago vinculado ao crédito tributário declarado na DCTF respectiva. Na manifestação de inconformidade, o contribuinte afirma que cometeu impropriedades, prestando informações incorretas, tanto na DCTF quanto no PER/DCOMP, sobre o montante devido a título de PIS do mês de março de 2004, apurado na sistemática da nãocumulatividade e cumulatividade. A DRJ/Rio de Janeiro II – RJ manteve a nãohomologação, entendendo ser ônus do contribuinte a apresentação de prova documental comprobatória do direito alegado, o que, segundo o entendimento daquela autoridade, não foi feito no presente processo. Em seu recurso voluntário, o recorrente reafirma a ocorrência de inexatidões materiais e que tanto a fazenda quanto o contribuinte devem buscar a verdade material. Defende que o ato administrativo, caso contenha em seu bojo erros substanciais, a sua revisão é vontade de ambas as partes, que almejam apenas a descoberta da veracidade dos fatos. Assevera que os valores corretos que deveriam constar na DCTF era de R$ 289.314,84 a título de PIS Cumulativo e de R$ 11.361,32 de PIS NãoCumulativo. Também, que este fato foi comprovado com a juntada aos autos (anexo 5 da Manifestação de Inconformidade – fls. 52) do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais – DACON do período considerado. Compulsandose as peças que compõem o presente processo, verificase que a recorrente informou na DCTF do 1º/trimestre/2004 (fls. 46), referente ao mês de março, a importância de R$ 300.676,16 a título de PIS Cumulativo e que efetuou o pagamento deste mesmo valor em 15/04/2004 (fls. 49/50). Também, que apurou como devido, no mesmo período, o montante de R$ 289.314,84 de PIS Cumulativo e de R$ 11.361,32 de PIS Não Cumulativo, tudo conforme Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais – DACON, fls. 52 e DIRPJ/2005, fls. 53. Por conseguinte, entendo que efetivamente restou comprovada nos autos a ocorrência de pagamento de PIS, na sistemática de apuração cumulativa, em valor superior ao devido, relativamente ao PA 03/2004, sendo devido o valor de R$ 289.314,84, e recolhido o valor de R$ 300.676,16 (fls. 49/50), caracterizandose como indevido o valor original de R$ 11.361,32. Desse modo, diante do acima exposto, encaminho meu voto no sentido de julgar procedente o recurso voluntário para reconhecer o direito creditório no valor original de Fl. 125DF CARF MF Emitido em 12/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/10/2011 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Processo nº 10073.900159/200891 Acórdão n.º 3801000.927 S3TE01 Fl. 106 7 R$ 11.361,32, na data de 15/04/2004, homologando a compensação requerida até o limite do crédito a restituir. É assim que voto. (assinado digitalmente) José Luiz Bordignon Fl. 126DF CARF MF Emitido em 12/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/10/2011 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO
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Numero do processo: 10783.720279/2008-09
Data da sessão: Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR)
Exercício: 2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece de Recurso Especial no qual não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, diante da ausência de similitude fática.
Numero da decisão: 9202-010.829
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional.
(documento assinado digitalmente)
Régis Xavier Holanda - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, Joao Victor Ribeiro Aldinucci, Sheila Aires Cartaxo Gomes, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Mario Hermes Soares Campos, Marcelo Milton da Silva Risso, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Regis Xavier Holanda (Presidente).
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR) Exercício: 2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de Recurso Especial no qual não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, diante da ausência de similitude fática.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. (documento assinado digitalmente) Régis Xavier Holanda - Presidente (documento assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, Joao Victor Ribeiro Aldinucci, Sheila Aires Cartaxo Gomes, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Mario Hermes Soares Campos, Marcelo Milton da Silva Risso, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Regis Xavier Holanda (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => date: 2023-08-29T20:17:17Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2023-08-29T20:17:17Z; Last-Modified: 2023-08-29T20:17:17Z; dcterms:modified: 2023-08-29T20:17:17Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2023-08-29T20:17:17Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2023-08-29T20:17:17Z; meta:save-date: 2023-08-29T20:17:17Z; pdf:encrypted: true; modified: 2023-08-29T20:17:17Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2023-08-29T20:17:17Z; created: 2023-08-29T20:17:17Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2023-08-29T20:17:17Z; pdf:charsPerPage: 1723; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2023-08-29T20:17:17Z | Conteúdo => CSRF-T2 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10783.720279/2008-09 Recurso Especial do Procurador Acórdão nº 9202-010.829 – CSRF / 2ª Turma Sessão de 29 de junho de 2023 Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado VALDETE QUINILATTO DAROZ ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR) Exercício: 2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de Recurso Especial no qual não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, diante da ausência de similitude fática. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. (documento assinado digitalmente) Régis Xavier Holanda - Presidente (documento assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, Joao Victor Ribeiro Aldinucci, Sheila Aires Cartaxo Gomes, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Mario Hermes Soares Campos, Marcelo Milton da Silva Risso, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Regis Xavier Holanda (Presidente). Relatório Trata-se de Recurso Especial interposto pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 2801-003.341, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção do CARF, em 21 de janeiro de 2014, no qual restou consignado o seguinte trecho da ementa, fls. 106 e seguintes: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2005 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 72 02 79 /2 00 8- 09 Fl. 203DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 9202-010.829 - CSRF/2ª Turma Processo nº 10783.720279/2008-09 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL APRESENTADO ANTES DO INÍCIO DA AÇÃO FISCAL COMPROVA A DEDUÇÃO SE ACOMPANHADO DE DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA COMPLEMENTAR. Para ser possível a dedução de áreas de preservação permanente da base de cálculo do ITR, a partir do exercício de 2001, é necessária a comprovação de que foi requerido ao IBAMA a expedição de Ato Declaratório Ambiental (ADA) até o início da ação fiscal, bem como da existência das áreas com documentação complementar. VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO. O lançamento de ofício deve considerar, por expressa previsão legal, as informações constantes do Sistema de Preços de Terra, SIPT, referentes a levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios, que considerem a localização do imóvel, a capacidade potencial da terra e a dimensão do imóvel. Na ausência de tais informações, a utilização do VTN médio apurado a partir do universo de DITR apresentadas para determinado município e exercício, por não observar o critério da capacidade potencial da terra, não pode prevalecer. Recurso Voluntário Provido em Parte. No que se refere ao Recurso Especial, fls. 116 e seguintes, houve sua admissão por meio do Despacho de Admissibilidade de fls. 132 e seguintes para rediscutir a possibilidade de o VTN médio ser apurado com base na média de DITRs entregues no município do imóvel rural autuado. Em seu recurso, a Procuradoria indica como paradigma o Acórdão nº 210200.609, e aduz, em síntese, que: a) tem-se como procedimento para o lançamento do ITR a utilização dos valores indicados no Sistema de Preços de Preços de Terras da SRF, nos moldes estabelecidos na Portaria SRF nº 447, de 28/03/2002, não havendo qualquer ilegalidade na utilização dessa rotina administrativa; b) As tabelas de valores indicados no SIPT servem como referencial para amparar o trabalho de malha das declarações de ITR e somente são utilizados pela fiscalização se o contribuinte não lograr comprovar que o valor declarado de seu imóvel corresponde ao valor efetivo na data do fato gerador; c) o arbitramento não tem natureza jurídica de pena, mas sim de modalidade de lançamento, conforme dispõe o CTN, art. 148; Intimado, o contribuinte apresentou Contrarrazões, às fls. 404 e seguintes, e argumentou que: a) ITR é calculado pelo Valor da Terra Nua, excluindo-se a tributação das áreas de reserva legal e de preservação permanente; b) a Recorrente juntou o Laudo de Avaliação do Imóvel, realizado por profissional legalmente habilitado, bem como apresentou o Ato Declaratório Ambiental, o Laudo Técnico probatório das áreas de preservação permanente declaradas e ainda, o Laudo de Avaliação do Imóvel, comprovando a veracidade das informações prestadas; b) o arbitramento fundamentado no VTN médio das declarações de ITR referentes ao município de localização do imóvel não é suscetível justificar o lançamento, devendo ser restabelecido o VTN declarado. É o relatório. Voto Fl. 204DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 9202-010.829 - CSRF/2ª Turma Processo nº 10783.720279/2008-09 Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz, Relatora. 1. Do conhecimento Sustenta a Recorrente que o VTN constante do SIPT pode ter por base tanto o levantamento por aptidão agrícola como o valor médio das DITRs entregues no Município de localização do imóvel. A fim de comprovar a divergência jurisprudencial suscitada, a Recorrente indicou como paradigma o Acórdão n.º 2102.00.609. Tal paradigma já foi refutado por esse Colegiado, em diversas ocasiões, por não se apresentar apto a comprovar a divergência suscitada, inclusive por meio do Acórdão n.º 9202- 005.427, de relatoria da Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo. Cumpre destacar que a decisão recorrida assim tratou do tema: Ante a legislação acima transcrita, depreendese que, nos casos de subavaliação do VTN, o lançamento de ofício deve considerar as informações constantes do Sistema de Preços de Terra, SIPT, referentes a levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios, que considerem a localização do imóvel, a capacidade potencial da terra e a dimensão do imóvel. Ocorre que, no caso, conforme atestado pela decisão de primeira instância, as informações disponíveis no SIPT, para o exercício em análise e o município de localizaç ão do imóvel, não decorrem de levantamentos efetuados pelas Secretarias de Agriculturas. Li mitamse ao VTN médio apurado a partir do universo de DITR apresentadas (extrato fl. 36). Ora, o VTN médio das declarações de ITR apresentadas referentes ao município de localização do imóvel, não permitem a generalização no tocante ao critério da capacidade potencial da terra, não sendo apto a justificar o arbitramento. Portanto, neste tocante, não pode prevalecer o lançamento, devendo ser restabelecido o VTN declarado. Na mesma linha dos fundamentos expostos, como razões de decidir, cito a ementa correspondente ao seguinte precedente: VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO. O lançamento de ofício deve considerar, por expressa previsão legal, as informações constantes do Sistema de Preços de Terra, SIPT, referentes a levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios, que considerem a localização do imóvel, a capacidade potencial da terra e a dimensão do imóvel. Na ausência de tais informações, a utilização do VTN médio apurado a partir do universo de DITR apresentadas para determinado município e exercício, por não observar o critério da capacidade potencial da terra, não pode prevalecer. (Ac. nº 280100.571, julgado em 17.06.2010, Rel. Cons. Amarylles Reinaldi e Henriques Resende) Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso para restabelecer o Valor da Terra Nua VTN declarado. Assim, nota-se que, no caso do acórdão recorrido, o arbitramento do VTN com base no SIPT não foi aceito porque a autoridade lançadora adotou o VTN médio das DITRs entregues ao Município, sem levar em conta os aspectos preconizados pela legislação, tais como a capacidade potencial da terra. Fl. 205DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 9202-010.829 - CSRF/2ª Turma Processo nº 10783.720279/2008-09 Contudo, pela leitura do paradigma, embora a ementa possa induzir a uma divergência, observa-se que o contexto fático é eminentemente distinto. Equivoca-se a recorrente ao constatar que o paradigma defende a tese de que o SIPT, somente com a média das DITRs, seria válido. Convém mencionar trecho do paradigma, conforme segue: No caso aqui em debate, para o exercício 2001, tomando por base os valores do SIPT (fl. 15), pode-se arbitrar o valor da terra nua com base na aptidão agrícola da terra ou com base no valor médio das DITR, sempre lembrando que o SIPT detém uma média global do valor da terra nua do município. Não há uma avaliação específica do imóvel auditado. Pela leitura do paradigma, fica claro que, naquele caso específico, em que estão presentes dois critérios de arbitramento (pela média das DITRs e pela aptidão agrícola) não há óbice ao atendimento do pleito do Contribuinte, no sentido de utilizar-se o VTN de menor valor, que, naquele caso, era o VTN apurado pela média das DITRs. Como visto, no acórdão recorrido, a desqualificação do arbitramento ocorreu porque foi feito apenas com base no valor médio da DITR, sem considerar a capacidade potencial da terra. Já, no paradigma, o arbitramento não se limitou ao VTN médio. Desse modo, como bem apontado pela Relatora do Acórdão 9202005.427, o paradigma indicado pela Procuradoria não é apto a demonstrar a divergência jurisprudencial, diante da ausência de similitude fática. Pelo exposto, voto em não conhecer do Recurso. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz. Fl. 206DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 10907.722547/2013-32
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Mon Oct 16 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2009, 2010, 2011, 2012
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. OMISSÃO DO JULGADOR DE PRIMEIRA INSTÂNCIA NA APRECIAÇÃO DA MATÉRIA ALEGADA NA IMPUGNAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
Configura-se cerceamento do direito de defesa a falta de análise e pronunciamento pela autoridade julgadora dos argumentos apresentados em sede de impugnação pelo sujeito passivo, o que gera, em consequência, a nulidade da decisão, com base no artigo 59, inciso II, do Decreto 70.235/1972.
Numero da decisão: 3002-002.746
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, acatando a preliminar suscitada no recurso, para anular a decisão de primeira instância, de modo que, deve o processo retornar à DRJ para que seja proferida nova decisão, com a devida análise dos argumentos trazidos na impugnação.
(documento assinado digitalmente)
Wagner Mota Momesso de Oliveira- Presidente
(documento assinado digitalmente)
Anna Dolores Barros de Oliveira Sá Malta - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Anna Dolores Barros de Oliveira Sá Malta, Ricardo Rocha de Holanda Coutinho e Wagner Mota Momesso de Oliveira.
Nome do relator: ANNA DOLORES BARROS DE OLIVEIRA SA MALTA
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ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2009, 2010, 2011, 2012 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. OMISSÃO DO JULGADOR DE PRIMEIRA INSTÂNCIA NA APRECIAÇÃO DA MATÉRIA ALEGADA NA IMPUGNAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Configura-se cerceamento do direito de defesa a falta de análise e pronunciamento pela autoridade julgadora dos argumentos apresentados em sede de impugnação pelo sujeito passivo, o que gera, em consequência, a nulidade da decisão, com base no artigo 59, inciso II, do Decreto 70.235/1972.
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GLOBAL LOGISTICS LTDA - EIRELI IInntteerreessssaaddoo FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2009, 2010, 2011, 2012 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. OMISSÃO DO JULGADOR DE PRIMEIRA INSTÂNCIA NA APRECIAÇÃO DA MATÉRIA ALEGADA NA IMPUGNAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Configura-se cerceamento do direito de defesa a falta de análise e pronunciamento pela autoridade julgadora dos argumentos apresentados em sede de impugnação pelo sujeito passivo, o que gera, em consequência, a nulidade da decisão, com base no artigo 59, inciso II, do Decreto 70.235/1972. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, acatando a preliminar suscitada no recurso, para anular a decisão de primeira instância, de modo que, deve o processo retornar à DRJ para que seja proferida nova decisão, com a devida análise dos argumentos trazidos na impugnação. (documento assinado digitalmente) Wagner Mota Momesso de Oliveira- Presidente (documento assinado digitalmente) Anna Dolores Barros de Oliveira Sá Malta - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Anna Dolores Barros de Oliveira Sá Malta, Ricardo Rocha de Holanda Coutinho e Wagner Mota Momesso de Oliveira. Relatório Trata-se de recurso voluntário apresentado face ao Acórdão nº 16-95.869, proferido pela 17ª Turma da DRJ/SPO, que decidiu por manter o crédito tributário exigido (em razão de infração capitulada nos Arts. 15, 17, 26, 32, parágrafo único, 31, 32, 33, 37 a 45, 54, 55, 56, 57, 60 e 61 do Decreto nº 6.759/09. Art. 107, inciso IV, alínea "e" do Decreto-Lei nº 37/66 AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 7. 72 25 47 /2 01 3- 32 Fl. 156DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 3002-002.746 - 3ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10907.722547/2013-32 com a redação dada pelo art. 77 da Lei n° 10.833/03, regulamentado pelo art. 728, inciso IV, alínea “e” do Decreto nº 6.759/09. Intimada da exigência da multa regulamentar, a recorrente impugnou-a, alegando, em síntese: ausência de responsabilidade em função de mandato (alegações de ilegitimidade), ocorrência da denúncia espontânea, bem como desproporção da penalidade aplicada. Requerendo, ao fim, nulidade absoluta do auto de infração e ausência de ilegalidade do ato. Analisada a impugnação, a DRJ julgou-a improcedente, manteve a exigência da multa, dentre outros argumentos, de que ao contrário do alegado, a previsão normativa não exclui da sanção a retificação de informações de conhecimento eletrônico, quando importe na sua prestação fora do prazo fixado, pois, de qualquer sorte, informações que sejam prestadas de forma incompleta ou errônea não deixam de afetar a integridade do bem jurídico tutelado. A recorrente foi cientificada da decisão proferida pela DRJ em 29/09/2020 e interpôs Recurso Voluntário em 30/09/2020 repisando os argumentos utilizados na impugnação, além de acrescentar alegações referentes à prescrição intercorrente. É o relatório. Voto Conselheira Anna Dolores Barros de Oliveira Sá Malta, Relatora. O Recurso Voluntário é tempestivo, e atende aos requisitos de admissibilidade, sendo assim, dele tomo conhecimento. Os argumentos que tratarei aqui quanto à respectiva nulidade da decisão de primeira instância, diz respeito a evidente cerceamento de defesa do contribuinte, posto que os argumentos apresentados na defesa não foram enfrentados pela DRJ, conforme alegações preliminares da própria recorrente. A decisão de primeira instância sequer dispõe do relatório sobre o processo administrativo fiscal aqui tratado – fatos e circunstâncias que embasam a autuação aduaneira, cita, de forma totalmente genérica, inclusive, sendo esta decisão a MESMA utilizada em processos completamente distintos, julgados nesta mesma sessão, deste colegiado– e aqui no relatório e no mérito, argumentos que embasam a situação do contribuinte de forma genérica, ou, ainda, matérias que não forma abordadas pelo contribuinte e matérias que foram alegadas na impugnação, mas não analisadas na decisão. Entendo que, a inexistência de manifestação da primeira instância sobre os argumentos técnicos do contribuinte em sede de impugnação, no caso presente temos como exemplo a ilegitimidade passiva do contribuinte e argumentos de inconstitucionalidade: SEÇÃO VI Do Julgamento em Primeira Instância (...) Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referir-se, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa Fl. 157DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 3002-002.746 - 3ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10907.722547/2013-32 suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) E, nesse sentido, a consequência do vício formal – relativo à preterição do direito de defesa, contido na decisão de primeira instância, é sua nulidade, embasada pela norma que regulamenta o processo administrativo fiscal, com intuito de preservar o direito constitucional de defesa. O Decreto 70.235/1972, enumera, em seu artigo 59, as possíveis nulidades que devem ser verificadas no processo administrativo fiscal, e especificamente, destaco para o presente caso, seu inciso II, e parágrafo 1º: Art. 59. São nulos: I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. (...) Ante o exposto, voto pelo parcial provimento ao Recurso Voluntário, para anular a decisão de primeira instância, de modo que, deve o processo retornar à DRJ para que seja proferida nova decisão, com a devida análise dos argumentos trazidos na impugnação. É como voto. (documento assinado digitalmente) Anna Dolores Barros de Oliveira Sá Malta Fl. 158DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 10855.723768/2016-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 22 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2012
ENDEREÇAMENTO DAS INTIMAÇÕES. SÚMULA Nº 110 DO CARF.
É prevista a intimação do sujeito passivo apenas no domicílio tributário, assim considerado o do endereço postal pelo contribuinte fornecido, para fins cadastrais, à Administração Tributária, bem como o endereço eletrônico a ele atribuído pela Administração Tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. Tema pacificado no âmbito do CARF, com a emissão da Súmula nº 110.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA.
Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2012
NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO. APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE.
Apenas as despesas incorridas com serviços de manutenção diretamente vinculados ao processo produtivo geram créditos passíveis de desconto do valor das contribuições calculadas.
NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. SERVIÇO DE ETIQUETAGEM INTERNACIONAL. POSSIBILIDADE.
As despesas com serviço de etiquetagem internacional, devidamente comprovadas, ensejam direito a desconto de crédito, quando presentes a essencialidade e a imposição legal.
INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS. REsp 1.221.170/PR. NOTA SEI PGFN MF 63/2018
O conceito de insumos, no contexto das contribuições não-cumulativas, deve ser interpretado à luz dos critérios da essencialidade e relevância do bem ou serviço, aferidos em face da sua relação com o processo produtivo ou de prestação de serviços realizados pelo sujeito passivo. STJ, REsp n.º 1.221.170/PR, julgado sob o rito do art. 543-C do CPC/1973, e em face do art. 62, §2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF). E aplicação da NOTA SEI PGFN MF 63/2018.
Numero da decisão: 3301-013.188
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, para reverter as glosas de crédito: 1) dos serviços de manutenção aplicados sobre as máquinas e equipamentos empregados no cozimento do mosto, fermentação, filtragem, envase e pasteurização, dos centros de custo manutenção elétrica e eletrônica e manutenção mecânica; e 2) dos serviços de manutenção empregados no processo de pasteurização e cozimento do mosto, do centro de custo geração de vapor. Por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário, para reverter as glosas de crédito dos serviços de manutenção sobre os centros de custo ar comprimido e CO2. Vencidos os Conselheiros José Adão Vitorino de Morais e Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe (Relator). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Laércio Cruz Uliana Junior. Por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário, para manter a glosa sobre os créditos dos serviços de manutenção dos centros de central. Vencida a Conselheira Sabrina Coutinho Barbosa, que revertia a glosa dessas rubricas. Por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário, para reverter as glosas de crédito sobre as despesas de etiquetagem internacional. Vencidos os Conselheiros José Adão Vitorino de Morais e Juciléia de Souza Lima.
(documento assinado digitalmente)
Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe Presidente e Relator
(documento assinado digitalmente)
Laércio Cruz Uliana Junior Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ari Vendramini, Laercio Cruz Uliana Junior, Jose Adao Vitorino de Morais, Jucileia de Souza Lima, Wagner Mota Momesso de Oliveira (suplente convocado(a)), Sabrina Coutinho Barbosa, Anna Dolores Barros de Oliveira Sa Malta (suplente convocado(a)), Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe (Presidente).
Nome do relator: RODRIGO LORENZON YUNAN GASSIBE
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, para reverter as glosas de crédito: 1) dos serviços de manutenção aplicados sobre as máquinas e equipamentos empregados no cozimento do mosto, fermentação, filtragem, envase e pasteurização, dos centros de custo manutenção elétrica e eletrônica e manutenção mecânica; e 2) dos serviços de manutenção empregados no processo de pasteurização e cozimento do mosto, do centro de custo geração de vapor. Por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário, para reverter as glosas de crédito dos serviços de manutenção sobre os centros de custo ar comprimido e CO2. Vencidos os Conselheiros José Adão Vitorino de Morais e Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe (Relator). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Laércio Cruz Uliana Junior. Por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário, para manter a glosa sobre os créditos dos serviços de manutenção dos centros de central. Vencida a Conselheira Sabrina Coutinho Barbosa, que revertia a glosa dessas rubricas. Por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário, para reverter as glosas de crédito sobre as despesas de etiquetagem internacional. Vencidos os Conselheiros José Adão Vitorino de Morais e Juciléia de Souza Lima. (documento assinado digitalmente) Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe Presidente e Relator (documento assinado digitalmente) Laércio Cruz Uliana Junior Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ari Vendramini, Laercio Cruz Uliana Junior, Jose Adao Vitorino de Morais, Jucileia de Souza Lima, Wagner Mota Momesso de Oliveira (suplente convocado(a)), Sabrina Coutinho Barbosa, Anna Dolores Barros de Oliveira Sa Malta (suplente convocado(a)), Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe (Presidente).
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2012 ENDEREÇAMENTO DAS INTIMAÇÕES. SÚMULA Nº 110 DO CARF. É prevista a intimação do sujeito passivo apenas no domicílio tributário, assim considerado o do endereço postal pelo contribuinte fornecido, para fins cadastrais, à Administração Tributária, bem como o endereço eletrônico a ele atribuído pela Administração Tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. Tema pacificado no âmbito do CARF, com a emissão da Súmula nº 110. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2012 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO. APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE. Apenas as despesas incorridas com serviços de manutenção diretamente vinculados ao processo produtivo geram créditos passíveis de desconto do valor das contribuições calculadas. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. SERVIÇO DE ETIQUETAGEM INTERNACIONAL. POSSIBILIDADE. As despesas com serviço de etiquetagem internacional, devidamente comprovadas, ensejam direito a desconto de crédito, quando presentes a essencialidade e a imposição legal. INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS. REsp 1.221.170/PR. NOTA SEI PGFN MF 63/2018 O conceito de insumos, no contexto das contribuições não-cumulativas, deve ser interpretado à luz dos critérios da essencialidade e relevância do bem ou serviço, aferidos em face da sua relação com o processo produtivo ou de prestação de serviços realizados pelo sujeito passivo. STJ, REsp n.º 1.221.170/PR, julgado sob o rito do art. 543-C do CPC/1973, e em face do art. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 72 37 68 /2 01 6- 23 Fl. 881DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 3301-013.188 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10855.723768/2016-23 62, §2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF). E aplicação da NOTA SEI PGFN MF 63/2018. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, para reverter as glosas de crédito: 1) dos serviços de manutenção aplicados sobre as máquinas e equipamentos empregados no cozimento do mosto, fermentação, filtragem, envase e pasteurização, dos centros de custo “manutenção elétrica e eletrônica” e “manutenção mecânica”; e 2) dos serviços de manutenção empregados no processo de pasteurização e cozimento do mosto, do centro de custo “geração de vapor”. Por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário, para reverter as glosas de crédito dos serviços de manutenção sobre os centros de custo “ar comprimido” e “CO2”. Vencidos os Conselheiros José Adão Vitorino de Morais e Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe (Relator). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Laércio Cruz Uliana Junior. Por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário, para manter a glosa sobre os créditos dos serviços de manutenção dos centros de central”. Vencida a Conselheira Sabrina Coutinho Barbosa, que revertia a glosa dessas rubricas. Por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário, para reverter as glosas de crédito sobre as despesas de etiquetagem internacional. Vencidos os Conselheiros José Adão Vitorino de Morais e Juciléia de Souza Lima. (documento assinado digitalmente) Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe – Presidente e Relator (documento assinado digitalmente) Laércio Cruz Uliana Junior – Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ari Vendramini, Laercio Cruz Uliana Junior, Jose Adao Vitorino de Morais, Jucileia de Souza Lima, Wagner Mota Momesso de Oliveira (suplente convocado(a)), Sabrina Coutinho Barbosa, Anna Dolores Barros de Oliveira Sa Malta (suplente convocado(a)), Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe (Presidente). Relatório Trata-se de Auto de Infração para exigência da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, no regime não cumulativo, nos períodos de 01/2012 a 12/2012, no valor total de R$ 1.081.660,59, incluindo multa de ofício (75%) e juros de mora calculados até 11/2016, em razão da falta/insuficiência de recolhimento, ocasionada pela glosa de créditos a título de serviços utilizados como insumos. Conforme as conclusões expostas pela autoridade fiscal no Auto de Infração, a recorrente teria escriturado indevidamente os créditos de PIS/COFINS, apurados nas aquisições no mercado interno, relativos aos (i) serviços subcontratados do fornecedor Dipack Logística Ltda. e aos (ii) serviços de manutenção em setores de apoio aos setores produtivos. Fl. 882DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 3301-013.188 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10855.723768/2016-23 Isso porque a fiscalização, nos termos do Relatório Fiscal, adotou como “conceito tributário, no que se refere ao aproveitamento de créditos relativos à “prestação de serviços como insumo”, o norteado pelo art. Art. 8º, inciso I “b” e §4º, inciso I da IN SRF nº 404/2004”, que impõe uma limitação, na qual dão direito a crédito “apenas aquelas atividades de prestação de serviço que foram aplicadas ou consumidas intrinsecamente nos setores que respondem diretamente pela fabricação dos produtos”. Ainda nos termos da autoridade fiscal: “3.3. No presente caso não restam dúvidas que os serviços aplicados no Subgrupo de Serviços Contratados apresentado pelo contribuinte, são intrinsecamente incorporados ao produto, uma vez que se tratam de serviços subcontratados para envase de bebidas das marcas do Grupo Schincariol, com exceção do contrato celebrado com a Dipack Logístca Ltda., que trata de serviços de carga e descarga de produtos, cujos créditos de PIS/COFINS não serão considerados; 3.4. No que se refere aos serviços executados no Subgrupo de Manutenção, estão contemplados no mesmo, além das linhas de envase, setores auxiliares àqueles que efetivamente operam a produção de bebidas. Tais setores produtivos seriam, no caso da produção de cerveja, os setores de preparação e cozimento do mosto (mistura de malte, gritz de milho, lúpulo e água), de fermentação, filtragem, as linhas de envase propriamente ditas e a pasteurização. No caso da produção de refrigerantes, a xaroparia (diluição dos concentrados de sabores) e as linhas de carbonatação (adição de CO2) e envase. Incluem-se nesse rol o setor de Post Mix (predominante reparo e preparação de barris de chope para o envase, os quais são ativo da empresa e, ao mesmo tempo, vasilhames retornáveis, compondo o produto final) e o setor de Tratamento de Água Industrial (responsável pelo tratamento e normalização/padronização da água proveniente de poços artesianos da empresa, que será bombeados para os setores de preparação e cozimento do mosto e para as linhas de envase de refrigerantes, compondo o produto final); 3.5. Dessa forma, os centros de custo referentes aos setores de Ar Comprimido (compressores e armazenagem), CO2 (recuperação e armazenagem), Controle de Qualidade, Energia/Geradores, Laboratório de Matéria Prima, Laboratório Central, Manutenção Elétrica/Eletrônica, Manutenção Mecânica, Refrigeração (armazenagem de Amônia para circuitos de refrigeração), Silos de Malte e Gritz (armazenagem) e Geração de Vapor (para pasteurização) não terão seus créditos de PIS/COFINS relativos a serviços de manutenção neles aplicados considerados como dedutíveis na apuração dos mencionados tributos no regime da não cumulatividade. Note-se que esses setores são de apoio aos setores produtivos;” (grifei) Neste contexto, tais créditos foram desconsiderados por se referirem a contratações de “serviços prestados em centro de custos não contemplados com os créditos” e demonstrou a recomposição com as diferenças a serem lançadas, a título de falta de recolhimento. Cientificada do auto de infração, a recorrente apresentou impugnação, na qual entende que o lançamento deve ser cancelado, considerando que a interpretação da autoridade fiscal não acompanha a interpretação da própria Receita Federal, bem como por ter efetuado análise rasa dos fatores de produção; que os setores de apoio guardam estreita relação de essencialidade com o setor produtivo, de maneira que, sem tais etapas do processo, seria impossível a atividade produtiva na empresa; que não há controvérsia sobre os serviços de manutenção serem equiparados a insumos no processo produtivo, vide Solução de Consulta DISIT nº 9.027/2016; que há distinção entre utilização direta no processo produtivo e Fl. 883DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 3301-013.188 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10855.723768/2016-23 necessidade de contato direto e cita jurisprudência do CARF no sentido de que despesas operacionais empregadas indiretamente na produção são essenciais; que é necessário analisar os setores mencionados, de modo a comprovar se tratar de máquinas e equipamentos que, utilizados direta ou indiretamente, são essenciais ao setor produtivo. Quanto aos setores relacionados aos créditos glosados, aponta que este Conselho já analisou casos semelhantes, concluindo pela essencialidade, tais como dos centros de custos de: (i) controle de qualidade; (ii) laboratórios (de matéria prima e central onde também são realizadas análises físico-químicas de qualidade); e (iii) refrigeração. No que tange o crédito glosado sobre manutenção de energia elétrica e geradores, argumenta não proceder a acusação de que são setores de apoio e cita a Solução de Consulta DISIT/9ª RF nº 17, de 27/01/2012, favorável ao desconto de créditos sobre geradores e seus insumos. Ademais, alega que é matéria incontroversa o desconto de crédito com despesa de energia elétrica dada sua absoluta essencialidade para o setor produtivo, sendo garantido o crédito pelo art. 3º, III, das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, arguindo que “quaisquer itens, serviços ou materiais, que se façam necessários para que a energia seja consumida, seja por geradores ou por distribuição, devem ter seu direito à crédito garantido”. No tocante às despesas de manutenção sobre os silos de malte e gritz, defende que tais silos são necessários tanto à armazenagem quanto ao beneficiamento da matéria-prima, entendendo-se beneficiamento como uma espécie ao conceito de industrialização, em respeito à legislação do IPI. E, acerca de eventual controvérsia sobre o armazenamento ser ou não parte do processo produtivo, justifica o crédito com base em jurisprudência do CARF, com base no acórdão nº 3403-002.509, de julgamento do processo nº 10925.003093/2009-01. Já acerca dos setores considerados pela fiscalização como auxiliares, tais como: (i) ar comprimido (compressores e armazenagem); (ii) CO2 (recuperação e armazenagem); (iii) manutenção elétrica/eletrônica/mecânica; e (iv) geração de vapor (para pasteurização), diz que uma breve análise da finalidade de suas atividades, por questões lógicas, leva à conclusão de que são essencialmente produtivos: (i) Ar Comprimido: informou a empresa autuada que sem o ar comprimido não é possível o funcionamento de nenhum equipamento com elemento pneumático, tais como as sopradoras de PET. Ora, não há que se falar em processo de envase sem as garrafas PET. Situação análoga ocorre com o processo de Post Mix (que, entre outros, tem como função a preparação de barris de chopp para o envase) e que foi considerado pela fiscalização como setor produtivo (Relatório Fiscal pg. 7, item 3.5) (ii) CO2: Do mesmo modo, as linhas de carbonatação (adição de CO2) foram consideradas pela fiscalização como produtivas. Razão pela qual é impossível considerar o setor "CO2" como auxiliar, pois os dispêndios contemplados neste Centro de Custo (que é ligado ao processo de armazenamento, beneficiamento e envio do CO2) fazem parte do processo de Carbonatação, sendo a adição apenas a parte final desta etapa. (iii) Manutenção Elétrica/Eletrônica/Mecânica: Os serviços contratados de manutenção são realizados em variadas máquinas e equipamentos, inclusive os considerados pela fiscalização como produtivos (cozimento do mosto, fermentação, filtragem, envase e pasteurização). (iv) Geração de Vapor: Como reconhecido pela fiscalização, o processo de pasteurização e cozimento do mosto são considerados produtivos. Dessa forma, os Fl. 884DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 3301-013.188 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10855.723768/2016-23 dispêndios para o Centro de Custo "Vapor" são essenciais para o funcionamento das caldeiras que, por sua vez, atuam no processo de cozimento do mosto e pasteurização. Mais uma vez, pretende-se aqui demonstrar que não há como se segregar a etapa intermediária da etapa final do processo. Não há que se confundir os vocábulos "intermediário" e "auxiliares". Faz-se aqui uma analogia do vapor ao GLP (combustível necessário ao funcionamento de empilhadeira) reconhecido pelo CARF, como passível de crédito, demonstrado anteriormente. (CARF - Processo 13869.000219/2004-82 - Acórdão nº 3803-006.328 - 3ª Turma Especial - Sessão de 24/07/2014) Segue a defesa esclarecendo que, no que concerne o enquadramento do serviço de etiquetagem à operação de frete-venda, contratado perante a empresa de logística Dipack Logística Ltda, alega que a autoridade fiscal considerou apenas como serviços de carga e descarga de produtos, contudo, afirma que o contrato apresentado demonstra que os serviços prestados são bem mais amplos, não se restringindo apenas àqueles indicados nos autos de infração, e que se trata de operação vinculada à venda da mercadoria (exportação), de modo que tais despesas integram o serviço de "frete na operação de venda", com créditos permitidos pelo inciso IX do artigo 3° e o inciso II do artigo 15, ambos da Lei n° 10.833/03. Entende que a única necessidade é de se comprovar que a despesa está vinculada à operação de venda, o que resta configurado nas notas fiscais levantadas, que atestam que a operação vinculada é de exportação. Reconhece que a correta escrituração deveria ser realizada nas respectivas linhas com a rubrica "Despesas com Armazenagem e Frete na Operação de Venda" do DACON. Porém, julga que tal fato em nada muda o efeito e a legalidade do creditamento realizado. Por fim, solicita realização de diligência e que seu procurador seja intimado em seu escritório, sendo ambas questões rechaçadas pela DRJ. Em decisão unânime, a 11ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto julgou improcedente a impugnação, mantendo-se a integridade do crédito tributário constituído, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2012 PROVAS. A prova documental deve ser apresentada no momento da impugnação, a menos que demonstrado, justificadamente, o preenchimento de um dos requisitos constantes do art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, o que não se logrou atender neste caso. DILIGÊNCIA. Incabível a realização de diligência em se tratando de matéria passível de prova documental a ser apresentada no momento da impugnação. Ademais, presentes nos autos elementos capazes de formar a convicção do julgador. ENDEREÇAMENTO DAS INTIMAÇÕES. É prevista a intimação do sujeito passivo apenas no domicílio tributário, assim considerado o do endereço postal pelo contribuinte fornecido, para fins cadastrais, à Administração Tributária, bem como o endereço eletrônico a ele atribuído pela Administração Tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. Fl. 885DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 3301-013.188 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10855.723768/2016-23 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2012 INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF Nº 247/02 E Nº 404/04. LEGALIDADE. MATÉRIA JULGADA NO ÂMBITO DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. Declarada pelo Superior Tribunal de Justiça - STJ, em sede de recurso repetitivo, a ilegalidade das IN SRF nº 247/02 e nº 404/04, adotam-se as balizas constantes do correspondente julgado (REsp nº 1.221.170/PR), da Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFN-MF, de 26/09/2018, e do Parecer Normativo Cosit/RFB nº 05, de 17/12/2018, no que concerne ao conceito de insumo. DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões judiciais e administrativas relativas a terceiros não possuem eficácia normativa, uma vez que não integram a legislação tributária de que tratam os artigos 96 e 100 do Código Tributário Nacional. INCONSTITUCIONALIDADE. INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. COMPETÊNCIA. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade, restringindo-se a instância administrativa ao exame da validade jurídica dos atos praticados pelos agentes do fisco. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano-calendário: 2012 FALTA DE RECOLHIMENTO. Verificada a dedução de créditos indevidos na sistemática não cumulativa é cabível a exigência da contribuição decorrente da falta de recolhimento. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. INSUMO. Conforme estabelecido pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial 1.221.170/PR, o conceito de insumo para fins de apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda ou para a prestação de serviços pela pessoa jurídica. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS. São considerados insumos os serviços utilizados em qualquer etapa do processo de produção de bens destinados à venda e de prestação de serviço. Nem mesmo em relação aos itens impostos à pessoa jurídica pela legislação se afasta a exigência de que sejam utilizados no processo de produção de bens ou de prestação de serviços para que possam ser considerados insumos. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO. São considerados insumos geradores de crédito os bens e serviços adquiridos e utilizados na manutenção de bens do ativo imobilizado da pessoa jurídica responsáveis por qualquer etapa do processo de produção de bens destinados à venda e de prestação de serviço, desde que não devam ser incorporados ao ativo. Fl. 886DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 3301-013.188 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10855.723768/2016-23 Nas hipóteses nas quais for possível o mesmo bem ou serviço ser considerado insumo gerador de créditos para algumas atividades e não para outras é necessário que a pessoa jurídica realize rateio fundamentado em critérios racionais e devidamente demonstrado em sua contabilidade para determinar o montante de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurável em relação a cada bem, serviço ou ativo, discriminando os créditos em função da natureza, origem e vinculação, observadas as normas específicas e as obrigações acessórias aplicáveis. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. FRETE. As despesas com frete somente conferem direito ao crédito se contratada com pessoa jurídica domiciliada no país, desde que se refira a operação de venda e o ônus seja suportado pelo vendedor. O conceito de frete não alcança despesas de natureza completamente diversa, como são os serviços logísticos de acondicionamento de carga e etiquetagem. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Ano-calendário: 2012 FALTA DE RECOLHIMENTO. Verificada a dedução de créditos indevidos na sistemática não cumulativa é cabível a exigência da contribuição decorrente da falta de recolhimento. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. INSUMO. Conforme estabelecido pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial 1.221.170/PR, o conceito de insumo para fins de apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda ou para a prestação de serviços pela pessoa jurídica. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS. São considerados insumos os serviços utilizados em qualquer etapa do processo de produção de bens destinados à venda e de prestação de serviço. Nem mesmo em relação aos itens impostos à pessoa jurídica pela legislação se afasta a exigência de que sejam utilizados no processo de produção de bens ou de prestação de serviços para que possam ser considerados insumos. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO. São considerados insumos geradores de crédito os bens e serviços adquiridos e utilizados na manutenção de bens do ativo imobilizado da pessoa jurídica responsáveis por qualquer etapa do processo de produção de bens destinados à venda e de prestação de serviço, desde que não devam ser incorporados ao ativo. Nas hipóteses nas quais for possível o mesmo bem ou serviço ser considerado insumo gerador de créditos para algumas atividades e não para outras é necessário que a pessoa jurídica realize rateio fundamentado em critérios racionais e devidamente demonstrado em sua contabilidade para determinar o montante de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurável em relação a cada bem, serviço ou ativo, discriminando os créditos em função da natureza, origem e vinculação, observadas as normas específicas e as obrigações acessórias aplicáveis. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. FRETE. Fl. 887DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 3301-013.188 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10855.723768/2016-23 As despesas com frete somente conferem direito ao crédito se contratada com pessoa jurídica domiciliada no país, desde que se refira a operação de venda e o ônus seja suportado pelo vendedor. O conceito de frete não alcança despesas de natureza completamente diversa, como são os serviços logísticos de acondicionamento de carga e etiquetagem. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada da decisão de piso, a recorrente impetrou recurso voluntário, no qual repisa os argumentos contidos na impugnação, e, após longo arrazoado sobre direito ao desconto de créditos da não cumulatividade, defende as questões específicas sobre o caso para, finalmente, requerer (1) o cancelamento do auto de infração, (2) a realização de diligência para verificação dos setores produtivos e (3) que o procurador seja comunicado em seu escritório. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. I. Preliminares 1. Realização de diligência Nos termos do art. 29 do Decreto nº 70.235/72, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, “na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias”, o que não é o caso. As diligências existem para resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes. Já as perícias existem para fins de que sejam dirimidas questões para as quais se exige conhecimento técnico especializado, ou seja, matéria impossível de ser resolvida a partir do conhecimento das partes e do julgador. Em vista a matéria recorrida, entendo que não há questão a ser esclarecida e que não esteja presente especificidade técnica suficiente nos tópicos em discussão, pois os elementos constantes dos autos são suficientes para análise do mérito da defesa da recorrente. Portanto, indefiro o pedido de diligência, por prescindível. 2. Intimação do procurador A recorrente solicita que o seu procurador seja intimado em seu escritório. Fl. 888DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 3301-013.188 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10855.723768/2016-23 O art. 23 do Decreto nº 70.235/72 dispõe que a intimação far-se-á ao domicilio tributário eleito pelo sujeito passivo, através de uma das formas ali previstas. Ademais, acredita-se que o ponto não requer maiores esclarecimentos, tendo em vista a consolidação do entendimento no âmbito deste Conselho, com a edição da Súmula nº 110. Súmula CARF nº 110 Aprovada pelo Pleno em 03/09/2018 No processo administrativo fiscal, é incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado do sujeito passivo. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 129 de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019). Acórdãos Precedentes: 1402-001.411, de 10/07/2013; 2401-003.400, de 19/02/2014; 2402-006.114, de 04/04/2018; 3302-004.864, de 25/10/2017; 3403-002.901, de 23/04/2014; 9101- 003.049, de 10/08/2017. Nesses termos, resta indeferido este pleito. II. Legislação Cumpre informar que os créditos escriturados pelo contribuinte obedecem a sistemática da não cumulatividade, prevista pelo § 12 do art. 195 da Constituição Federal e disciplinada pela Lei nº 10.637/02 para o PIS/Pasep e pela Lei nº 10.833/03 para a COFINS, destacando-se que o regramento de desconto de créditos se dá pela autorização do art. 3º dos referidos diplomas. Lei nº 10.637/02 Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Regulamento) I - bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3º do art. 1º desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1º e 1º-A do art. 2º desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) II - bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III - (VETADO) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V - valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 889DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 3301-013.188 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10855.723768/2016-23 VI - máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII - edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mão-de-obra, tenha sido suportado pela locatária; VIII - bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. IX - energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) X - vale-transporte, vale-refeição ou vale-alimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI - bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) Lei nº 10.833/03 Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) I - bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3º do art. 1º desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) b) nos §§ 1º e 1º-A do art. 2º desta Lei; (Redação dada pela lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) II - bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III - energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV - aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V - valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI - máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) Fl. 890DF CARF MF Original Fl. 11 do Acórdão n.º 3301-013.188 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10855.723768/2016-23 VII - edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII - bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX - armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X - vale-transporte, vale-refeição ou vale-alimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI - bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) Do conceito de insumo No julgamento do REsp 1.221.170-PR, proferido na sistemática de recursos repetitivos, o Superior Tribunal de Justiça assenta as seguintes diretrizes: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF nºs. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não- cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. Para fins da presente análise, o conceito de insumo, para efeitos da aplicabilidade do art. 3º, II, das leis de regência das contribuições, respeita o acima preconizado. III. Mérito 1. Dos serviços de manutenção nos setores no processo produtivo A fiscalização analisou diversos serviços considerados como insumos pela recorrente e efetuou glosas sobre os créditos apurados frente às despesas com serviços de manutenção dos centros de custos considerados auxiliares ou de apoio ao processo produtivo. “3.2. Como pode ser visto, há uma limitação tributária com relação ao que deve ser considerado por “Serviço como Insumo”. Sob o prisma fiscal, apenas aquelas atividades de prestação de serviço que foram aplicadas ou consumidas intrinsecamente nos setores que respondem diretamente pela fabricação dos produtos; 3.3. No presente caso não restam dúvidas que os serviços aplicados no Subgrupo de Serviços Contratados apresentado pelo contribuinte, são intrinsecamente incorporados ao produto, uma vez que se tratam de serviços subcontratados para envase de bebidas das marcas do Grupo Schincariol, com exceção do contrato celebrado com a Dipack Logístca Ltda., que trata de serviços de carga e descarga de produtos, cujos créditos de PIS/COFINS não serão considerados; Fl. 891DF CARF MF Original Fl. 12 do Acórdão n.º 3301-013.188 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10855.723768/2016-23 3.4. No que se refere aos serviços executados no Subgrupo de Manutenção, estão contemplados no mesmo, além das linhas de envase, setores auxiliares àqueles que efetivamente operam a produção de bebidas.” (destaquei) O órgão julgador de primeira instância, na introdução do voto sobre o tema, expõe: “O Parecer Normativo COSIT/RFB nº 05/2018 (itens 81 a 89) expressamente manifestou entendimento de que os dispêndios com manutenção periódica dos ativos produtivos da pessoa jurídica abrange, entre outras: a) aquisição e instalação no ativo produtivo de peças de reposição de itens consumíveis (ordinariamente se desgastam com o funcionamento do ativo); b) contratação de serviços de reparo do ativo produtivo (conserto, restauração, recondicionamento etc.) perante outras pessoas jurídicas. E que são considerados insumos geradores de créditos das contribuições os bens e serviços adquiridos e utilizados na manutenção de bens do ativo imobilizado da pessoa jurídica responsáveis por qualquer etapa do processo de produção de bens destinados à venda e de prestação de serviço, desde que não devam ser incorporadas ao ativo. Portanto, também são insumos os bens e serviços utilizados na manutenção de ativos responsáveis pela produção do insumo utilizado na produção dos bens e serviços finais destinados à venda (insumo do insumo). O crédito em análise decorre dos serviços de manutenção prestados nos centros de custos acima descritos, ou seja, dos serviços de manutenção prestados em relação aos ativos que os compõem. E se tais ativos também vertem sua utilidade em demais áreas de atuação da pessoa jurídica ou anteriormente/posteriormente ao processo produtivo, as despesas com sua manutenção devem ser objeto de rateio. Deveras, a teor do já mencionado Parecer Normativo COSIT/RFB nº 05/2018 (itens 164 e 165), nas hipóteses nas quais for possível o mesmo bem ou serviço ser considerado insumo gerador de créditos para algumas atividades e não para outras é necessário que a pessoa jurídica realize rateio fundamentado em critérios racionais e devidamente demonstrado em sua contabilidade para determinar o montante de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurável em relação a cada bem, serviço ou ativo, discriminando os créditos em função da natureza, origem e vinculação, observadas as normas específicas e as obrigações acessórias aplicáveis”. (grifo no original) A recorrente defende que todos os centros de custos são essenciais ao processo produtivo e apresenta estudo elaborado por consultoria especializada acerca do conceito de insumo, sobre o qual conclui: “Assim em linha com a legislação e normatização acima citadas, é possível concluir que os serviços contratados pela Primo Nordeste para a manutenção de suas máquinas e equipamentos ligados à produção dão direito à apropriação do crédito de PIS e COFINS. (...) Por todo o exposto, é possível depreender que constituem insumo para produção de bens previstos nas Leis n°. 10.637/02 e 10.833/03, todas as partes e peças utilizadas na manutenção de máquinas e equipamentos diretamente ligados à produção de bens ou produtos destinados a venda e que sofram desgaste, dano ou perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida em todo o processo de produção ou fabricação e, portanto, geram direito a apropriação de créditos de PIS e COFINS, independentemente de entrarem ou não em contato direto com os bens fabricados e destinados à venda.” Fl. 892DF CARF MF Original Fl. 13 do Acórdão n.º 3301-013.188 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10855.723768/2016-23 Em relação aos serviços de manutenção, a 3ª Turma da CSRF possui o entendimento de que se a manutenção insere-se no contexto do imóvel da empresa fabricante, não há direito a crédito: “SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO DO PARQUE FABRIL. ATIVO IMOBILIZADO. NÃO HÁ DIREITO AO CRÉDITO. Os serviços de manutenção do parque fabril não se enquadram no conceito de insumos, tendo em vista que posteriormente são incorporados ao ativo imobilizado, havendo o aproveitamento dos créditos por meio da depreciação.” (Acórdão nº 9303-009.979, Processo nº 10925.000355/2009-77, Sessão de 22.01.2020, Conselheira Vanessa Marini Cecconello) Em outro caso, formalizado no Acórdão nº 9303-007.304, no julgamento do Processo nº 11020.003571/2009-21, em sessão de 15.08.2019, por voto de qualidade, o voto vencedor do Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal decidiu no sentido de: “5) Serviços de manutenção de máquinas, tratores, retroescavadeiras e pulverizadores. Pela característica dos bens, evidente que sua utilização é feita na etapa pré industrial. Na manutenção das lavouras que faz parte da etapa agrícola, em relação aos quais nego provimento pelas mesmas razões do item 3, supra analisado.” Já no Acórdão nº 9303-010.075, relativo ao julgamento do Processo nº 12571.000246/2009-32, em sessão de 23.01.2020, o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire assim decidiu em relação aos serviços de manutenção: “Assim, entendendo que os gastos com combustíveis e lubrificantes, peças, serviços de manutenção, pneus e câmaras utilizados em frota própria da empresa geram direito a crédito da contribuição em comento (...)” Por fim, o mesmo Conselheiro deixa claro na ementa do Acórdão nº 9303- 013.572, no julgamento do Processo nº 10925.000206/2008-27, em sessão de 18.11.22, que: “SERVIÇOS E PECAS DE MANUTENÇÃO DE MAQUINAS E EQUIPAMENTOS UTILIZADOS NO PROCESSO PRODUTIVO. Os serviços e bens utilizados na manutenção de máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo geram direito a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS não-cumulativos.” Depreende-se, da leitura das decisões, que a CSRF aplica o conceito de insumo de acordo com o objeto social e considera o serviço de manutenção no contexto da cadeia produtiva do contribuinte, não concedendo direito a crédito, indiscriminadamente, sobre a rubrica. Esse entendimento está de acordo com a Solução de Consulta COSIT/RFB nº 99.013/17: “EMENTA: NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO. PARTES E PEÇAS DE REPOSIÇÃO. Os serviços de manutenção de máquinas que são utilizadas diretamente na fabricação de produtos, bem como as aquisições de partes e peças de reposição dessas máquinas permitem a apuração de créditos da Cofins na modalidade aquisição de insumos, desde que não promovam aumento de vida útil da máquina superior a um ano, conforme Fl. 893DF CARF MF Original Fl. 14 do Acórdão n.º 3301-013.188 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10855.723768/2016-23 disposto no inciso II do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, observados os demais requisitos normativos e legais atinentes à matéria.” Pois bem. Os setores produtivos sujeitos aos serviços de manutenção são: na produção de cerveja, os setores de preparação e cozimento do mosto (mistura de malte, gritz de milho, lúpulo e água), de fermentação, filtragem, as linhas de envase, a pasteurização e o Post Mix (predominante reparo e preparação de barris de chope para o envase, os quais são ativo da empresa e, ao mesmo tempo, vasilhames retornáveis, compondo o produto final); na produção de refrigerantes, a xaroparia (diluição dos concentrados de sabores) e as linhas de carbonatação (adição de CO2) e envase; e setor de tratamento de agua industrial, responsável pelo tratamento e normalização/padronização da água proveniente de poços artesianos da empresa, que será bombeados para os setores de preparação e cozimento do mosto e para as linhas de envase de refrigerantes, compondo o produto final. Já os centros de custos responsáveis pelas despesas são: ar comprimido (compressores e armazenagem), CO2 (recuperação e armazenagem), controle de qualidade, energia/geradores, laboratório de matéria prima, laboratório central, manutenção elétrica/eletrônica, manutenção mecânica, refrigeração (armazenagem de amônia para circuitos de refrigeração), silos de malte e gritz (armazenagem) e geração de vapor (para pasteurização). Feita essa introdução, passa-se a analisar os centros de custos nos quais se deram as despesas com manutenção. a. Serviço de manutenção sobre o centro de custo “ar comprimido” As despesas com o centro de custo em questão dão-se sob as rubricas B001045104, B002045104, B003045104, C001045104 e C002045104. Nos termos das informações prestadas pela recorrente durante o procedimento, sobre esta etapa do processo produtivo, em relação ao ar comprimido, o Relatório Fiscal resume em: “- Atividades desenvolvidas: geração de ar comprimido para funcionamento de máquinas com elementos pneumáticos; - Etapas do processo: sopro de garrafas PET, alimentação de ar para máquinas pneumáticas.” A decisão do julgador de piso foi no sentido de: “E não se olvida que o ar comprimido tem sua utilização em variada gama de equipamentos com elementos pneumáticos, como por exemplo, vinculados ao setor de transporte, e não apenas nas sopradoras de PET e no Post Mix, pelo que cumpria à Fl. 894DF CARF MF Original Fl. 15 do Acórdão n.º 3301-013.188 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10855.723768/2016-23 impugnante demonstrar o rol de equipamentos constantes do seu patrimônio, nos quais se utiliza elementos pneumáticos, e comprovar o devido rateio das despesas com a manutenção da linha de geração/alimentação do ar comprido em relação aos equipamentos vinculados ao processo produtivo, o que não se logrou comprovar.” A recorrente defende que: “Ar Comprimido: sem o ar comprimido não é possível o funcionamento de nenhum equipamento com elemento pneumático, tais como as sopradoras de PET. Ora, não há que se falar em processo de envase sem as garrafas PET. (...)” A utilização do ar comprimido é acessória à produção direta de refrigerante, portanto, a glosa do serviço de manutenção sobre o centro de custo de ar comprimido deve ser mantida. b. Serviço de manutenção sobre o centro de custo “CO2” O centro de custo responsável pelo CO2 está sob as rubricas B001045106, B002045106, B003045106, C001045106 e C002045106. A recorrente informou à fiscalização que: “- Atividades desenvolvidas: beneficiar o CO2 captado nas adegas de fermentação de cerveja, armazenar o CO2 beneficiado e comprado de terceiros e enviar o CO2 para as áreas produtivas; - Etapas do processo: beneficiamento e envio de CO2 na filtragem de cerveja e linhas de envase.” Na mesma linha, a fiscalização efetuou glosas sobre a manutenção do centro de custo de benefício do “CO2 captado nas adegas de fermentação de cerveja, armazenar o CO2 beneficiado e comprado de terceiros e enviar o CO2 para as áreas produtivas”, com ratificação da DRJ: “Ademais, observa-se que a armazenagem da referida matéria prima CO2 ocorre em relação às etapas anterior (CO2 adquirido de terceiros) e posterior (CO2 como produto final nas adegas de fermentação de cerveja) do processo produtivo (utilização na linha de envase), de molde que as despesas de manutenção do referido ativo responsável pela armazenagem não confere direito a crédito a título de insumo.” O contribuinte sustenta, em sua defesa que: “CO2: Do mesmo modo, as linhas de carbonatação (adição de CO2) foram consideradas pela fiscalização como produtivas. Razão pela qual é impossível considerar o setor “CO2” Como auxiliar, pois os dispêndios contemplados neste Centro de Custo (que é ligado ao processo de armazenamento, beneficiamento e envio do CO2) fazem parte do processo de Carbonatação, sendo a adição apenas a parte final desta etapa.” Da descrição a atividade desenvolvida, resta claro que se trata de atividade auxiliar à produção, nesse sentido, o serviço de manutenção na armazenagem do CO2 deve ter sua glosa mantida. c. Serviço de manutenção sobre os centros de custo “controle de qualidade”, “laboratório de matéria-prima” e “laboratório central” Fl. 895DF CARF MF Original Fl. 16 do Acórdão n.º 3301-013.188 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10855.723768/2016-23 O centro de custo de controle de qualidade desenvolve-se sob as rubricas B001040402, B002040402 e C001040402, cuja descrição se dá: “- Atividades desenvolvidas: realizar as análises laboratoriais de produtos semiacabados e acabados, com a finalidade de verificação de parâmetros Físico/Químicos de qualidade; - Etapas do processo: análises em todo o processo de produção.” Nos termos do relatório fiscal, o controle de qualidade participa de todo processo de produção. O centro de custo de laboratório de matéria-prima está nas contas B001040403 e C001040403 e possui o detalhamento no sentido de: “- Atividades desenvolvidas: realizar análise laboratoriais de matérias-primas e embalagens, para verificação de parâmetros de qualidade e liberação para utilização na produção; - Etapas do processo produtivo: entrada de matéria-prima e de embalagens na fábrica.” O centro de custo do laboratório central, de contas B003040403 e C002040403, tem como definição: “- Atividades desenvolvidas: realizar análise de produtos semiacabados, acabados e matérias-primas, para verificação de parâmetros Físico/Químicos de qualidade; - Etapas do processo produtivo: análises em todo o processo de produção.” As despesas com manutenção aplicadas ao controle de qualidade e laboratório, que podem ter sua análise agrupada, já que objetivam ao mesmo fim, tiveram a ratificação da glosa pelo juízo a quo: “Note-se que os testes de qualidade (realizados pela própria pessoa jurídica ou por terceiros), aplicados por escolha da pessoa jurídica, podem ou não estar associados ao processo produtivo, dependendo do item que é testado e do momento em que ocorre o teste. E, como já visto neste voto, os testes de qualidade decorrentes de obrigação legal, realizados como medidas posteriores à finalização da produção do bem, são considerados insumos desde que sejam exigidos para que o bem ou serviço possa ser disponibilizado à venda ou à prestação de serviço. (...) Pois bem, em sua defesa, nada acrescenta a contribuinte, no sentido de esclarecer quais as análises laboratoriais realizadas no controle de qualidade e nos laboratórios citados e os equipamentos necessários para tal atividade (com a comprovação de que estão vinculados aos centros de custo em comento), nem que os bens e serviços aplicados na manutenção dos equipamentos não tenham ensejado o aumento de vida útil superior a um ano; bem como nada esclarece quais os testes decorrentes de imposição legal, de molde a justificar as despesas com a manutenção dos equipamentos, inclusive aqueles que possam vir a ser utilizados em análises posteriores ao processo produtivo.” A recorrente apenas alega que os setores são essenciais ao processo produtivo. Entendo que a recorrente deveria abordar a questão além da essencialidade, deveria trazer Fl. 896DF CARF MF Original Fl. 17 do Acórdão n.º 3301-013.188 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10855.723768/2016-23 elementos para refutar a constatação da fiscalização sobre os setores auxiliares e demonstrar que os setores, na realidade, estão diretamente ligados à produção. Não o fez. De toda sorte, a manutenção sobre os setores de controle de qualidade e laboratórios possuem natureza auxiliar, do que se mantem a glosa efetuada. d. Serviço de manutenção sobre o centro de custo “energia / geradores Já em relação à manutenção da rede elétrica, contas B001045105, B002045105, B003045105, C001045105 e C002045105, foram assim descritas: “- Atividades desenvolvidas: distribuição de energia elétrica para toda a fábrica; - Etapas do processo produtivo: todas etapas, da fabricação ao envase.” A DRJ discorreu assim sobre o tema: “Primeiramente, esclareça-se que o crédito com despesa de energia elétrica e térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumida no estabelecimento da pessoa jurídica, tem previsão específica nas leis que regem a sistemática não cumulativa (art. 3º, III), não se confundindo, pois, com aquele originado de bens e serviços utilizados como insumo na manutenção da rede de distribuição de energia. Acerca da Solução de Consulta DISIT/9ª RF nº 17, de 27/01/2012, a que se refere a impugnante, é favorável ao desconto de créditos a título de insumo na aquisição de óleo diesel para consumo nos geradores de energia elétrica, utilizados nos horários de pico para manutenção da produção. Com efeito, as despesas com serviço de manutenção de ativo próprio, de geração e transmissão de energia elétrica ou térmica, são passíveis de gerar crédito, a título de insumo, na proporção dos dispêndios atribuídos ao processo produtivo, consoante o rateio legalmente previsto, desde que os bens e serviços aplicados na manutenção não tenham ensejado o aumento de vida útil superior a um ano e/ou necessitem ser ativados, o que não se logrou comprovar na defesa. O crédito tomado a título de insumo deveria ter por objeto as despesas com a manutenção da rede de distribuição de energia elétrica para o processo produtivo na fábrica. Consigne-se que a própria impugnante informou à fiscalização que a distribuição de energia elétrica se dá para toda a fábrica, abrangendo, portanto, setores não produtivos, tais como administrativo, jurídico, contábil etc.” (destaque no original) No que toca a questão, a recorrente faz alusão ao seguinte: “Quanto ao crédito glosado sobre manutenção de Energia Elétrica e Geradores, não procede a alegação de que tais setores são de apoio. Neste sentido também já foi promulgada Solução de Consulta favorável ao desconto de créditos sobre geradores e seus insumos. Veja-se: “SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 17, DE 27 DE JANEIRO DE 2012 Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Revisa a Solução de Consulta SRRF/9ªRF/Disit nº 161, de 19 de julho de 2011. REPOSIÇÃO DE AGULHAS DE TEARES. GÁS COMBUSTÍVEL PARA TERMOFIXAÇÃO DOS TECIDOS. COMBUSTÍVEIS PARA CALDEIRA DE Fl. 897DF CARF MF Original Fl. 18 do Acórdão n.º 3301-013.188 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10855.723768/2016-23 VAPOR PARA TINGIMENTO. ÓLEO DIESEL PARA GERADORES DE ENERGIA ELÉTRICA. DIREITO A CRÉDITO. AQUISIÇÃO PRETÉRITA DE BENS PARA O IMOBILIZADO. POSSIBILIDADE DE CRÉDITO” (...) Ademais, no que tange à energia elétrica, é incontroversa sua absoluta essencialidade ao setor produtivo, sendo inclusive o crédito sobre seu consumo garantido pelo art. 3', III das Leis que tratam do Pis e da Cofins: (...) Dessa forma, quaisquer itens, serviços ou materiais, que se façam necessários para que a energia seja consumida, seja por geradores ou por distribuição, devem ter seu direito à crédito garantido.” Não se pode confundir a tomada de crédito de energia, tratado em inciso próprio do art. 3º das leis de regência da contribuições, com o crédito sobre os serviços de manutenção, que, de forma ampliada pela decisão do STJ, possui natureza de insumo e deve ter o devido vínculo ao processo produtivo. Assim, de acordo com o informado pela recorrente, a rede elétrica é responsável pela distribuição de energia para todo complexo fabril, inclusive setores não produtivos. Nesse sentido, voto por manter as glosas de crédito sobre as despesas de manutenção sobre este centro de custo. e. Serviço de manutenção sobre os centros de custo “manutenção elétrica e eletrônica” e “manutenção mecânica” Sobre a autuação em relação à apropriação de crédito do centro de custos de manutenção elétrica/eletrônica, rubricas B001045203 e C002045203, e mecânica, rubricas B001045204, B002045204 e B003045204, tem-se que possuem as seguintes descrições: “- Atividades desenvolvidas: oficina para reparos de equipamentos da fábrica com problemas elétricos/eletrônicos; oficina para reparos em equipamentos com problemas mecânicos ou necessidade de usinagem; - Etapas do processo produtivo: todas as etapas do processo produtivo.” A decisão recorrida assim entendeu a questão: “(...) conforme a própria contribuinte afirma em sua defesa, nele se desenvolve a manutenção em variadas máquinas e equipamentos, as quais não foram perfeitamente identificadas e nem vinculadas ao processo produtivo, impossibilitando a conferência da pertinência da apropriação do crédito com a respectiva manutenção.” Em sua defesa, a empresa pugna que: “Manutenção Elétrica/Eletrônica/Mecânica: Os serviços contratados de manutenção são realizados em variadas máquinas e equipamentos, inclusive os considerados pela fiscalização como produtivos (cozimento do mosto, fermentação, filtragem, envase e pasteurização).” Apesar do modestos argumentos da recorrente, de fato, as máquinas e equipamentos aplicados no cozimento do mosto, fermentação, filtragem, envase e pasteurização Fl. 898DF CARF MF Original Fl. 19 do Acórdão n.º 3301-013.188 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10855.723768/2016-23 estão diretamente vinculados à produção. Desta maneira, as despesas de serviços de manutenção sobre eles deve ter a glosa revertida. f. Serviço de manutenção o centro de custo “post mix” O centro de custo “post mix”, sob as rubricas B001045506, B002045506 e B003045506, é descrito como: “- Atividades desenvolvidas: linha de envasamento de barris de chope e manutenção de barris para o envase; - Etapas do processo produtivo: representa toda a linha de envase de barris de chope e a oficina de manutenção de barris e chopeiras.” A recorrente expõe que: “Ar Comprimido: sem o ar comprimido não é possível o funcionamento de nenhum equipamento com elemento pneumático, tais como as sopradoras de PET. Ora, não há que se falar em processo de envase sem as garrafas PET. Situação análoga ocorre com o processo de Post Mix (que, entre outros, tem como função a preparação de barris de chopp para o envase) e que foi considerado pela fiscalização como setor produtivo;” (destaquei) A função de preparação de barris de chopp para envase é atividade acessória à produção, pelo que a glosa sobre a manutenção no setor deve ser mantida. g. Serviço de manutenção sobre o centro de custo “refrigeração” Já o centro de custo de refrigeração, de rubricas B001045103, B002045103, B003045103, C001045103 e C002045103, abrange: “- Atividades desenvolvidas: compressão e armazenamento de amônia para refrigeração dos produtos acabados e semiacabados; - Etapas do processo: adegas de fermentação de e maturação de cerveja e no processo de envase de cerveja e refrigerantes.” A decisão recorrida entendeu que: “Ademais, recorde-se, mais uma vez, que somente podem ser considerados insumos itens aplicados no processo de produção de bens destinados à venda ou de prestação de serviços a terceiros, excluindo-se do conceito de insumos itens utilizados posteriormente à finalização dos referidos processos, salvo exceções justificadas; bem como itens destinados a revenda. Assim, os créditos a título de insumo com os gastos de manutenção dos equipamentos de refrigeração não podem ser apropriados em relação aos produtos acabados, ou seja, após a etapa de finalização do processo produtivo. Nesse caso, impunha-se à contribuinte demonstrar o devido rateio das despesas passíveis de gerar crédito a título de insumo com aquelas que não conferem direito a crédito, a teor da legislação de regência, o que não se logrou cumprir.” A recorrente sequer apresentou argumentos quanto à reversão da glosa, limitando- se à reproduzir trecho do Acórdão n º 3803-006.328, da 3ª Turma Especial da 3ª Seção, em sessão de 24/07/2014, no julgamento do Processo nº 13869.000219/2004-82, cujo dispositivo transcrevo abaixo: Fl. 899DF CARF MF Original Fl. 20 do Acórdão n.º 3301-013.188 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10855.723768/2016-23 “Diante do exposto, voto por PROVER PARCIALMENTE o recurso, para acolher o direito a crédito em relação às aquisições de amônia líquida, ácido fosfórico, cal virgem micropulverizado, CWBA antiespumante, CWDI anticorrosivo, CWMI microbiocida, CWDO, óleo Donax, óleo Tellus, peróxido hidrogênio estabilizado, soda cáustica e GLP utilizado em empilhadeiras, tanto no que se refere aos insumos aplicados na produção, quanto aos estoques de abertura, mas desde que atendidos os demais requisitos da lei e observados os elementos probatórios averiguados e atestados pela repartição de origem.” (destaquei) O setor possui natureza acessória do pós-produção, do que a glosa sobre o serviço de manutenção sobre ele deve ser mantida. h. Serviço de manutenção sobre o centro de custo “silos” Quanto à manutenção do silos de armazenamento, rubricas B001045306, B002045306, B003045306, C001045306 e C002045306, entende-se que: “- Atividades desenvolvidas: recebimento, armazenamento e beneficiamento de malte e gritz para consumo na produção; - Etapas do processo: fase anterior à preparação do malte e do gritz para a moagem e preparação do mosto.” O acórdão recorrido entendeu que: “Ocorre que as despesas com serviço de manutenção dos silos não são passíveis de gerar crédito a título de insumo, pois como a própria contribuinte informou à fiscalização, os silos consistem em ativos utilizados em fase anterior ao processo produtivo da empresa.” Em seu documento recursal, a recorrente resume-se a alegar que: “Neste mesmo sentido, as despesas de manutenção sobre os silos de Malte e Gritz também tiveram seus créditos indevidamente glosados. Como restou comprovado nos documentos anexados na defesa, tais silos são necessários tanto à armazenagem, quanto ao beneficiamento da matéria-prima, sendo o vocábulo “beneficiamento” uma espécie ao conceito de industrialização como já é notório pela legislação de IPI.” Os silos de armazenamento de matéria-prima se mostram como bens do ativo imobilizado, bem como são auxiliares e de natureza pré-produção. Deste modo, conforme adotado como premissa ao longo deste voto, a glosa sobre o serviço de manutenção nos silos deve ser mantida. i. Serviço de manutenção sobre o centro de custo “tratamento agua industrial” O serviço de manutenção do centro de custo de tratamento de agua industrial, sob as rubricas B001040302, B002040302, B003040302, C001040302 e C002040302, apresenta o detalhamento que se segue: “- Atividades desenvolvidas: Tratamento de água para utilização no processo produtivo; Fl. 900DF CARF MF Original Fl. 21 do Acórdão n.º 3301-013.188 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10855.723768/2016-23 - Etapas do processo: produção de refrigerantes e cervejas.” A recorrente não apresenta qualquer argumento ou elemento sobre o tratamento de água industrial, do que se considera o procedimento fiscal correto e a matéria não impugnada. j. Serviço de manutenção sobre o centro de custo “vapor” Passando ao centro de custo “geração de vapor”, contas B001045102, B002045102, B003045102, C001045102 e C002045102, este é descrito assim: “- Atividades desenvolvidas: geração de vapor mediante caldeiras; - Etapas do processo: fabricação do mosto, lavagem de garrafas, pasteurização, limpeza de tanques, dutos e enchedoras, etc.” O julgador a quo entendeu que a impugnante “não esclareceu e nem comprovou quais os equipamentos destinados à geração de vapor, objeto de manutenção, impossibilitando a conferência da pertinência da apropriação do crédito com a respectiva manutenção”. Do recurso voluntário, extrai-se que: “Geração de Vapor: Como reconhecido pela fiscalização, o processo de pasteurização e cozimento do mosto são considerados produtivos. Dessa forma, os dispêndios para o Centro de Custo “Vapor” são essenciais para o funcionamento das caldeiras que, por sua vez, atuam no processo de cozimento do mosto e pasteurização. Mais uma vez, pretende-se aqui demonstrar que não há como se segregar a etapa intermediária da etapa final do processo. Não há que se confundir os vocábulos “intermediário” e “auxiliares”. Faz-se aqui uma analogia do vapor ao GLP (combustível necessário ao funcionamento de empilhadeira) reconhecido pelo CARF, como passível de crédito, demonstrado anteriormente.” A própria recorrente reconhece que apenas o processo de pasteurização e cozimento do mosto são processos produtivos. Nesse sentido, a glosa da despesa de manutenção sobre estes dois setores da produção deve ser revertida. 2. Do serviço de etiquetagem internacional A fiscalização efetuou glosas dos créditos apurados perante as despesas decorrentes do contrato celebrado com a pessoa jurídica Dipack Logística Ltda. A recorrente argumenta que a execução dos serviços se estendem além da carga e descarga, e que os créditos glosados reportavam especificamente ao serviço de etiquetagem internacional. Prossegue na defesa de que o serviço trata-se de operação vinculada à venda da mercadoria para exportação, de modo que integram o “frete na operação de venda”, conforme previsto no art. 3º, IX, c/c art. 15, II, da Lei nº 10.833/03. Art. 3° Do valor apurado na forma do art. 2° a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) Fl. 901DF CARF MF Original Fl. 22 do Acórdão n.º 3301-013.188 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10855.723768/2016-23 IX - armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. (...) Art. 15. Aplica-se à contribuição para o PIS/PASEP não-cumulativa de que trata a Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (...) II - nos incisos VI, VII e IX do caput e nos §§ 1° e 10 a 20 do art. 3° desta Lei; Por fim, afirma que as notas fiscais apresentadas possuem o condão de comprovar a operação de venda, cujo ônus foi por ela suportado, e reconhece que o melhor enquadramento, no DACON, seria na rubrica “ Despesas com Armazenagem e Frete na Operação de Venda”. O órgão julgador de primeira instância manteve a glosa, em breve síntese, com a conclusão que se transcreve: “De fato, o acondicionamento da carga e/ou a sua identificação mediante etiquetagem não se equipara ao frete na operação de venda. Em que pese serem atividades complementares, são distintas em si mesmas. Nestes termos, não se logrando comprovar o enquadramento como insumo e nem como frete na operação de venda, nada há de se reparar quanto à glosa do crédito originado das despesas vinculadas ao contrato aqui em análise.” Como o objeto social da recorrente, em resumo, é industrialização, comércio atacadista e varejista, importação e exportação de bebidas, é fato inegável a importância da etiquetagem, o que, a meu ver, seria suficiente para determinar a reversão da glosa. Mais que isso, a etiquetagem é o processo de identificação única da coisa objeto da venda, item derivado do art. 743 do Código Civl, na Seção III – Do Transporte das Coisas: Art. 743. A coisa, entregue ao transportador, deve estar caracterizada pela sua natureza, valor, peso e quantidade, e o mais que for necessário para que não se confunda com outras, devendo o destinatário ser indicado ao menos pelo nome e endereço. (grifei) Não menos, etiquetagem é obrigação acessória imposta pelo Decreto nº 7.212/10, que aprova do Regulamento do IPI: Exigências de Rotulagem e Marcação Art. 273. Os fabricantes e os estabelecimentos referidos no inciso IV do art. 9 o são obrigados a rotular ou marcar seus produtos e os volumes que os acondicionarem, antes de sua saída do estabelecimento, indicando: (...) § 1º A rotulagem ou marcação será feita no produto e no seu recipiente, envoltório ou embalagem, antes da saída do estabelecimento, em cada unidade, em lugar visível, por processo de gravação, estampagem ou impressão com tinta indelével, ou por meio de etiquetas coladas, costuradas ou apensadas, conforme for mais apropriado à natureza do produto, com firmeza e que não se desprenda do produto, podendo a Secretaria da Receita Federal do Brasil expedir as instruções complementares que julgar convenientes (Lei nº 4.502, de 1964, art. 43, caput e §§ 2º e 4º, e Lei no 11.196, de 2005, art. 68 ). (...) Fl. 902DF CARF MF Original Fl. 23 do Acórdão n.º 3301-013.188 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10855.723768/2016-23 Falta de Rotulagem Art. 280. A falta de rotulagem, marcação ou numeração, quando exigidas nos termos deste Capítulo, importará em considerar-se o produto como não identificado com o descrito nos documentos fiscais (Lei nº 4.502, de 1964, art. 46, § 2º, e Lei n o 9.532, de 1997, art. 37, inciso IV ). (destaquei) Em decisão exarada através do Acórdão n.º 3301-008.898, esta nobre turma de julgamento reverteu as glosas sobre serviços de etiquetagem, aplicando o critério da essencialidade, norteado pelo STJ ao conceito de insumo. Nesse sentido, por entender haver tanto a essencialidade quanto uma imposição legal, dou provimento ao recurso voluntário neste aspecto, revertendo a glosa sobre as despesas de etiquetagem internacional. III. Conclusão Por todo o exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário, para reverter, apenas, as glosas de crédito sobre: (1) os serviços de manutenção aplicados sobre as máquinas e equipamentos empregados no cozimento do mosto, fermentação, filtragem, envase e pasteurização, dos centros de custo “manutenção elétrica e eletrônica” e “manutenção mecânica”; (2) de serviços de manutenção empregados no processo de pasteurização e cozimento do mosto, do centro de custo “geração de vapor”; e (3) as despesas de etiquetagem internacional. (documento assinado digitalmente) Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe Voto Vencedor Conselheiro Laércio Cruz Uliana Junior, Redator Designado. Centro de custo “ar comprimido” O centro de custo “post mix”, sob as rubricas B001045506, B002045506 e B003045506, é descrito como: “- Atividades desenvolvidas: linha de envasamento de barris de chope e manutenção de barris para o envase; - Etapas do processo produtivo: representa toda a linha de envase de barris de chope e a oficina de manutenção de barris e chopeiras.” A recorrente expõe que: “Ar Comprimido: sem o ar comprimido não é possível o funcionamento de nenhum equipamento com elemento pneumático, tais como as sopradoras de PET. Ora, não há que se falar em processo de envase sem as garrafas PET. Situação análoga ocorre com o Fl. 903DF CARF MF Original Fl. 24 do Acórdão n.º 3301-013.188 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10855.723768/2016-23 processo de Post Mix (que, entre outros, tem como função a preparação de barris de chopp para o envase) e que foi considerado pela fiscalização como setor produtivo;” (destaquei) A função de preparação de barris de chopp para envase é atividade essencial à produção. Serviço de manutenção sobre o centro de custo “CO2” O centro de custo responsável pelo CO2 está sob as rubricas B001045106, B002045106, B003045106, C001045106 e C002045106. A recorrente informou à fiscalização que: “- Atividades desenvolvidas: beneficiar o CO2 captado nas adegas de fermentação de cerveja, armazenar o CO2 beneficiado e comprado de terceiros e enviar o CO2 para as áreas produtivas; - Etapas do processo: beneficiamento e envio de CO2 na filtragem de cerveja e linhas de envase.” Na mesma linha, a fiscalização efetuou glosas sobre a manutenção do centro de custo de benefício do “CO2 captado nas adegas de fermentação de cerveja, armazenar o CO2 beneficiado e comprado de terceiros e enviar o CO2 para as áreas produtivas”, com ratificação da DRJ: “Ademais, observa-se que a armazenagem da referida matéria prima CO2 ocorre em relação às etapas anterior (CO2 adquirido de terceiros) e posterior (CO2 como produto final nas adegas de fermentação de cerveja) do processo produtivo (utilização na linha de envase), de molde que as despesas de manutenção do referido ativo responsável pela armazenagem não confere direito a crédito a título de insumo.” O contribuinte sustenta, em sua defesa que: “CO2: Do mesmo modo, as linhas de carbonatação (adição de CO2) foram consideradas pela fiscalização como produtivas. Razão pela qual é impossível considerar o setor “CO2” Como auxiliar, pois os dispêndios contemplados neste Centro de Custo (que é ligado ao processo de armazenamento, beneficiamento e envio do CO2) fazem parte do processo de Carbonatação, sendo a adição apenas a parte final desta etapa.” Da descrição a atividade desenvolvida, resta claro que se trata de atividade essencial à produção, nesse sentido. (documento assinado digitalmente) Laércio Cruz Uliana Junior Fl. 904DF CARF MF Original Fl. 25 do Acórdão n.º 3301-013.188 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10855.723768/2016-23 Fl. 905DF CARF MF Original
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Numero do processo: 10530.720373/2008-21
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 24 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR)
Exercício: 2006
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece de Recurso Especial no qual não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, diante da ausência de similitude fática entre o acórdão recorrido e o apontado como paradigma, assim como, por ausência de prequestionamento da matéria objeto do recurso.
DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS.
As decisões administrativas e judiciais, mesmo proferidas pelo CARF ou pelos tribunais judiciais, que não tenham efeito vinculante, não se constituem normas gerais, razão pela qual seus julgados não se estendem a outras ocorrências, senão aquela objeto da decisão.
Numero da decisão: 9202-011.013
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte.
(documento assinado digitalmente)
Régis Xavier Holanda Presidente em exercício
(documento assinado digitalmente)
Mário Hermes Soares Campos - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Hermes Soares Campos (relator), Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Sheila Aires Cartaxo Gomes, Marcelo Milton da Silva Risso, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim (suplente convocado), Maurício Dalri Timm do Valle (suplente convocado) e Régis Xavier Holanda (Presidente em exercício).
Nome do relator: MARIO HERMES SOARES CAMPOS
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR) Exercício: 2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de Recurso Especial no qual não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, diante da ausência de similitude fática entre o acórdão recorrido e o apontado como paradigma, assim como, por ausência de prequestionamento da matéria objeto do recurso. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões administrativas e judiciais, mesmo proferidas pelo CARF ou pelos tribunais judiciais, que não tenham efeito vinculante, não se constituem normas gerais, razão pela qual seus julgados não se estendem a outras ocorrências, senão aquela objeto da decisão.
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RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de Recurso Especial no qual não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, diante da ausência de similitude fática entre o acórdão recorrido e o apontado como paradigma, assim como, por ausência de prequestionamento da matéria objeto do recurso. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões administrativas e judiciais, mesmo proferidas pelo CARF ou pelos tribunais judiciais, que não tenham efeito vinculante, não se constituem normas gerais, razão pela qual seus julgados não se estendem a outras ocorrências, senão aquela objeto da decisão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte. (documento assinado digitalmente) Régis Xavier Holanda – Presidente em exercício (documento assinado digitalmente) Mário Hermes Soares Campos - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Hermes Soares Campos (relator), Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Sheila Aires Cartaxo Gomes, Marcelo Milton da Silva Risso, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim (suplente convocado), Maurício Dalri Timm do Valle (suplente convocado) e Régis Xavier Holanda (Presidente em exercício). Relatório AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 72 03 73 /2 00 8- 21 Fl. 478DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 9202-011.013 - CSRF/2ª Turma Processo nº 10530.720373/2008-21 Trata-se de Recurso Especial, interposto pelo contribuinte, contra o Acórdão nº 2201-008.478 da 1ª Turma Ordinária/ 2ª Câmara/ 2ª Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), que, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso voluntário apresentado pelo sujeito passivo, referente ao lançamento de Imposto sobre a Propriedade Rural (ITR), relativo ao exercício de 2006. Consoante o acórdão recorrido, trata-se de Notificação de Lançamento, lavrada pela fiscalização em desfavor do sujeito passivo, onde foi glosada a área de benfeitoria declarada e arbitrado o Valor da Terra Nua (VTN) com base nas informações contidas no Sistema de Preços de Terras – SIPT. Ainda conforme o relatório do acórdão, devidamente intimado. o contribuinte, não comprovou a área declarada de benfeitorias úteis e necessárias destinadas à atividade rural, assim como, por meio de Laudo de Avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.653-3 da ABNT, o valor da terra nua declarado. O autuado apresentou a impugnação de e.fls. 21/24, onde alega ter alienado o imóvel em 06/03/2006 e por isso não teria atendido às intimações, não sendo responsável pelo crédito tributário; que teria adquirido o imóvel em janeiro/2003, devendo ser considerado o VTN constante na Escritura Pública de Compra e Venda, ou caso a Autoridade Fiscal queira questionar tal valor, deve avaliá-lo efetivamente, e não arbitrar valores surreais para o local do imóvel em questão. Afirma ainda que a autoridade fiscal lançadora teria desprezado as declarações do contribuinte, todavia, esqueceu-se que o imóvel teria sido fiscalizado nos exercícios de 2003 e 2004, sendo que em ambas as oportunidades fora apurada a área ocupada com benfeitorias, em conformidade com o declarado. A impugnação foi julgada improcedente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília/DF (DRJ/BSB), conforme decisão de e.fls. 47/54. Inconformado com a decisão da DRJ/BSB o contribuinte apresentou o recurso voluntário de e.fls. 66/72, onde preliminarmente alega a inexistência física do imóvel objeto do lançamento, tendo sido alvo de golpe, adquirindo imóvel inexistente, uma vez que, por meio de laudo elaborado por engenheiro, constatou-se que os pontos de localização constantes da escritura seriam totalmente divergentes do município de Casa Nova/BA. Volta a suscitar a sua ilegitimidade passiva, posto que teria alienado o imóvel em março/2006; assim como, os argumentos relativos às áreas de benfeitorias já presente nas declarações de 2003 e 2004. Também reiterados os argumentos contrário ao VTN apurado pela fiscalização, que diferentemente do que arguiu o Auditor Fiscal, o valor seria o efetivamente declarado, sendo ainda que, a distribuição da área utilizada pela atividade rural, com 3.550,5 hectares de produtos vegetais e área de descanso, geraria um grau de utilização de 82,6%. A 1ª Turma Ordinária / 2ª Câmara desta 2ª Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, decidiu por negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do Acórdão nº 2201- 008.478, de 03/02/2021 (e.fls. 77/82), ora objeto de Recurso Especial do contribuinte, que apresenta a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR) Exercício: 2006 ITR. SUJEIÇÃO PASSIVA. Contribuinte do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural é o proprietário, o titular de seu domínio útil ou o possuidor a qualquer título do imóvel rural, nata data da ocorrência do fato gerador. VALOR DA TERRA NUA. SIPT Fl. 479DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 9202-011.013 - CSRF/2ª Turma Processo nº 10530.720373/2008-21 Não tendo sido apresentado pelo contribuinte laudo técnico que ampare, inequivocamente, nos termos da legislação, os valores declarados, é correto o procedimento fiscal que arbitre o Valor da Terra Nua com base no Sistema de Preços de Terras desenvolvido pela Receita Federal do Brasil para este fim. ÁREA OCUPADA POR BENFEITORIA. É procedente o lançamento que glosa áreas declaradas como ocupada por benfeitorias por ausência de comprovação de sua existência. A decisão foi assim registrada: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Foram interpostos Embargos de Declaração pelo contribuinte (e.fls. 91/101), com pedido de efeitos infringentes, sob argumento de obscuridade do acórdão, quanto a dúvidas sobre a existência ou não do imóvel; quanto à manutenção do arbitramento sem fundamentação, por ausência de demonstração dos critérios utilizados para a fixação do VTN; e quanto à ausência de fundamentação na autuação com relação às áreas de produtos vegetais e de descanso. Foi negado seguimento aos Embargos, nos termos do Despacho de e.fls. 105/109. Ciente do despacho de negativa de seguimento dos Embargos, o contribuinte apresentou o Recurso Especial de e.fls. 122/139, onde visa discutir, pontualmente, o valor atribuído pela fiscalização a título de VTN com base no SIPT. Afirma que o Valor da Terra Nua atribuído decorre de consulta realizada pelo fisco federal ao SIPT, conforme registrado à e.fl. 17 dos autos, mas que não haveria elemento no lançamento e na referida tela do SIPT anexada aos autos, que esclareça quais critérios teriam sido levados em consideração na apuração do VTN. Entende manifestamente ilegal o arbitramento sem a devida demonstração dos critérios utilizados, sendo nulo o lançamento por ilegalidade, ao não fundamentar o arbitramento e fixar valor aleatório, desconsiderando as características específicas e a aptidão agrícola do imóvel rural. Complementa que na tela do SIPT anexada à e.fl. 17, é feita uma alusão genérica à aptidão agrícola do imóvel, sem qualquer elemento que permita concluir que a característica foi levada em consideração no momento de apuração do VTN pelo SIPT, estando fundada unicamente na localização e dimensão do imóvel. Apresenta o seguinte questionamento: “...o SIPT de onde foi extraída a base de cálculo para a apuração do VTN devido analisa o valor do imóvel com base em sua localização, no grau de aptidão agrícola e nos demais requisitos legais?” Aponta como divergentes os Acórdãos nºs 9202-009.501 e 2202-008.444, que apresentam as seguintes ementas: Acórdão nº 9202-009.501 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 2010 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. DEMONSTRAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. CONHECIMENTO. Restando demonstrado, com base em paradigma válido, que em situações fáticas semelhantes, e em face do mesmo arcabouço jurídico normativo, foram adotadas soluções divergentes na interpretação da legislação tributária por diferentes colegiados do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, deve-se conhecer do recurso especial de divergência. VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO. SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). VALOR MÉDIO DAS DITR. AUSÊNCIA DE APTIDÃO AGRÍCOLA. Fl. 480DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 9202-011.013 - CSRF/2ª Turma Processo nº 10530.720373/2008-21 Incabível a manutenção do arbitramento com base no SIPT quando o VTN é apurado adotando-se o valor médio das DITR do município, sem levar-se em conta a aptidão agrícola do imóvel. Acórdão nº 2202-008.444 (...) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR) Exercício: 2008 FISCALIZAÇÃO. VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO. SISTEMA DE PREÇO DE TERRAS - SIPT. VALOR MÉDIO DAS DITR. AUSÊNCIA DE OBSERVÂNCIA AO GRAU DE APTIDÃO AGRÍCOLA. AFASTAMENTO. Incabível a manutenção do arbitramento com base no SIPT, quando o VTN é apurado adotando-se o valor médio das DITR do município, sem levar-se em conta a especificação do grau de aptidão agrícola do imóvel. PASTAGENS. Para que as áreas de pastagens possam ser consideradas como áreas utilizadas na atividade rural, deve ser observada a legislação vigente que trata do índice de lotação. Deverá ser mantida a glosa, efetuada pela autoridade fiscal, da área de pastagem, por falta de documentos de prova hábeis para comprová-la. DA ÁREA DE PRODUTOS VEGETAIS. Para que as áreas com produção vegetal possam ser consideradas como áreas utilizadas na atividade rural, deverá ser apresentada prova dessa produção, com as respectivas notas fiscais. Deverá ser mantida a glosa, efetuada pela autoridade fiscal, da área de produtos vegetais informada na DITR, por falta de documentos de prova hábeis para comprovar a área plantada. Em Despacho de Exame de Admissibilidade de Recurso Especial, datado de 27/09/2022 (e.fls. 171/176), o então Presidente da 2ª Câmara / 2ª Seção de Julgamento negou seguimento ao Recurso Especial interposto pelo contribuinte, considerando não constatada a divergência suscitada às vista dos paradigmas apresentados. Inconformado com a negativa de seguimento de seu recurso, o contribuinte apresentou o Agravo de e.fls. 184/197. Sustenta inicialmente nulidade da decisão que negou seguimento ao recurso, por ausência de fundamentação e por incompetência da autoridade prolatora, uma vez que, segundo seu entendimento, a constatação de inexistência de dissídio jurisprudencial traduziria um juízo de mérito, reservado ao momento do julgamento, a ser realizado, obrigatoriamente, pelo órgão colegiado estabelecido em direito para tanto. Tratando do mérito, afirma que o contexto fático dos acórdãos recorrido e paradigmas (apurado à luz das premissas lançadas pelo próprio CARF) seria idêntico, onde teria sido apurado VTN com base em SIPT que não leva em consideração a aptidão agrícola do imóvel. Em Despacho em Agravo de e.fls. 200/203, foi rejeitada a nulidade suscitada pela contribuinte, entretanto, entendeu-se restar demonstrada a divergência entre o acórdão recorrido e o paradigma 9202-00.9501, na medida em que, no aresto guerreado, diante da ausência de laudo técnico, acatou-se o arbitramento do VTN do imóvel com base no SIPT, sem perquirir se foi ou não levada em conta a aptidão agrícola do imóvel, enquanto no referido paradigma entendeu-se que, a despeito da não apresentação de laudo técnico, não se pode apurar o VTN com base no SIPT sem que haja informações concretas de que a aptidão agrícola foi levada em conta para definição do VTN. Acatado assim, somente o paradigma 9202-009.501, para Fl. 481DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 9202-011.013 - CSRF/2ª Turma Processo nº 10530.720373/2008-21 seguimento ao recurso especial relativamente à matéria “critérios utilizados para a fixação do VTN utilizado, extraído do SIPT”. A Fazenda Nacional apresentou as contrarrazões de e.fls. 206/211, onde suscita preliminar por descabimento do recurso especial para reexame de matéria fática e probatória. Advoga o não conhecimento do recurso especial da contribuinte, por entender que o recorrente pretende ver reapreciadas provas, o que encontra óbice na aplicação analógica da Súmula 07/STJ. Complementa que o julgamento do mérito do recurso especial dependeria da verificação e análise dos fatos e documentos juntados aos autos, sendo que tal recurso não seria um apelo de fundamentação vinculada, não podendo a Câmara Superior apreciar e reanalisar fatos e provas. Passando ao mérito, defende ser plenamente legítima a conduta da autoridade fiscal lançadora ao considerar, para definição do VTN, o valor médio das declarações do ITR, não assistindo razão ao contribuinte, não se justificando qualquer alteração na autuação. Destaca que no presente caso, não houve apresentação de qualquer laudo, não sendo adequado considerar o valor registrado no documento de aquisição, conforme pretendido pela recorrente, já que este valor se refere a outro momento e não o da ocorrência do fato gerador, 01 de janeiro de 2006, sendo que os fundamentos apresentados pelo julgado atacado seriam sólidos e não mereceriam qualquer reparo. O contribuinte solicitou, em 19/06/2023, juntada de petição (.efçs. 216/219), intitulada “Fato novo”, onde dá notícia de que em situação idêntica à do presente lançamento (registrada no processo administrativo n.º 10530.720351/2008-61), culminou em decisão proferida em 10.05.2023 que teria acolhido a impugnação e o recurso apresentados, extinguindo o lançamento. Juntamente com tal petição foi anexada cópia dos autos do processo administrativo fiscal nº 10530.720351/2008-61. Referido processo trata de lançamento de ITR relativo ao exercício de 2004, do mesmo imóvel objeto da presente autuação, sendo dado provimento ao recuso voluntário do contribuinte, em decisão exarada em acolhimento de embargos, com efeitos infringentes, conforme o Acórdão 2402-011.428. É o relatório. Voto Conselheiro Mário Hermes Soares Campos, Relator. Conforme relatado, a matéria devolvida para apreciação refere-se a:“critérios utilizados para a fixação do VTN utilizado, extraído do SIPT”. Admissibilidade Decidiu-se no acórdão paradigma, nos termos consignados em sua na ementa que: “Incabível a manutenção do arbitramento com base no SIPT quando o VTN é apurado adotando-se o valor médio das DITR do município, sem levar-se em conta a aptidão agrícola do imóvel.” A seu turno, no recorrido entendeu-se que, não tendo sido apresentado pelo contribuinte laudo técnico que ampare, inequivocamente, os valores declarados, é correto o procedimento fiscal que arbitre o Valor da Terra Nua com base no Sistema de Preços de Terras desenvolvido pela Receita Federal do Brasil para este fim. Apesar de aparentemente haver possível contradição entre o acórdão recorrido e o adotado como paradigma (Acórdão nº 9202-009.501), a análise detalhada de ambos evidencia Fl. 482DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 9202-011.013 - CSRF/2ª Turma Processo nº 10530.720373/2008-21 não se verificar presentes situações com similitude fática autorizativas do seguimento de Recurso Especial. Ocorre que, tanto na impugnação, peça inaugural da lide, quanto no recurso voluntário, não há qualquer prequestionamento da contribuinte, ou mesmo qualquer referência, ao fato de que não teria sido observada a aptidão agrícola do imóvel para efeito de arbitramento do VTN. Tal matéria somente foi aventada nos Embargos apresentados pela recorrente contra o Acórdão recorrido, entretanto, tais embargos foram rejeitados, justamente por ausência de questionamento no recurso voluntário. Determina o §5º do art. 67 do Regimento Interno do CARF – RICARF (aprovado pela Portaria MF Nº 343, de 09 de junho de 2015), que: “O recurso especial interposto pelo contribuinte somente terá seguimento quanto à matéria prequestionada, cabendo sua demonstração, com precisa indicação, nas peças processuais.” Ao tratar do arbitramento do VTN, no recurso voluntário a contribuinte limitou-se aos seguintes argumentos: E. DO VALOR DA TERRA NUA. 18. Mais uma vez laborou em equívoco a Autoridade Fiscal, arbitrando o valor da terra nua baseando-se em tabela predeterminada pela Receita Federal do Brasil. É inconcebível a possibilidade de desconsiderar o valor do imóvel constante na Escritura Pública, que é documento público, contendo assim fé pública, para arbitrar um valor qualquer, sem indicar os parâmetros para referido arbitramento, conforme procedimento adotado pela Autoridade Fiscal. 19. Com efeito, em 27.01.2003 o Recorrente pagou R$ 14.969,77 (quatorze mil, novecentos e sessenta e nove reais e setenta e sete centavos) pelo imóvel. 20. Na ocasião, foi pago o Imposto de Transmissão de Bens Imóveis, cuja base de cálculo é o valor venal do imóveí (art. 38/CTN), na alíquota de 2% (dois por cento). Assim, o Recorrente diante do valor do imóvel, avaliado pelo próprio Município de Casa Nova-BA, pagou R$ 293,90 (duzentos e noventa e três reais e noventa e nove centavos). Desta forma, definitivamente o imóvel em questão não pode valer o que quer fazer crer a Receita Federal do Brasil ao super avaliá-lo. 21. Ora, Ilmo. Conselheiro, basta uma singela olhada para a Fazenda Alegrete para se aferir que a mesma não possui \i'alor superior a uma dezena de milhares de reais. Assim, para efeitos de valor da terra nua, deve-se considerar o que consta da Escritura Pública de Compra e Venda, devendo a Autoridade Fiscal, caso queira questionar o valor do imóvel, avaliá-lo efetivamente, e não arbitrar valores surreais para o local do imóvel em questão. 22. Com isso, diferentemente do que arguiu o Auditor Fiscal, o valor da Terra Nua declarada pelo Contribuinte é de R$ 7.598,75 (sete mil quinhentos e noventa e oito reais e setenta e cinco centavos). Sendo, a Distribuição da Área Utilizada pela Atividade Rural à utilização de 3.550,5 hectares de Produtos Vegetais e Área de Descanso, gerando assim um GRAU DE UTILIZAÇÃO de 82,6%. Conforme se verifica no recorte acima do recurso voluntário, não há qualquer remissão da autuada quanto à questão do VTN arbitrado sem observância da aptidão agrícola. Tal constatação foi inclusive apontada no Despacho de Admissibilidade de Recurso Especial, que negou seguimento ao recurso especial da contribuinte, nos seguintes termos: (...) Consideradas as alegações do recorrente, verifica-se que parte da premissa de que o valor arbitrado do VTN não atendeu a todos os requisitos de validade legalmente estabelecidos, pois que aduz ter sido desconsiderada a aptidão agrícola. Ocorre que isso não se confirma, uma vez que esse aspecto da validade de utilização do VTN Fl. 483DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 9202-011.013 - CSRF/2ª Turma Processo nº 10530.720373/2008-21 arbitrado não foi apontado na impugnação ou no recurso voluntário apresentados pelo contribuinte, como se vê na leitura dos trechos acima transcritos, e, por conseguinte, não foi expressamente tratado no recorrido, que, quanto ao valor arbitrado extraído do SIPT, limitou-se a registrar o seguinte: Ademais, os valores arbitrados decorrem de informações prestadas pelas Secretarias de Agricultura ou entidades correlatas, bem assim de valores de terra nua declarados por contribuintes da mesma região em DITR. Com efeito, a demonstração de divergência jurisprudencial deve ser aferida mediante o cotejo entre os acórdãos recorrido e paradigmas, e não entre os paradigmas e aquilo que o recorrente diz ter ocorrido no julgado que visa reformar. No presente caso, serviriam à demonstração de divergência acórdãos paradigmas nos quais houvesse decisão pelo afastamento do arbitramento com fundamento nos critérios utilizados para a fixação dos valores do SIPT, quando ausente da impugnação e do recurso voluntário alegação quanto a esses critérios. Passo então à análise dos paradigmas. (...) Dessa forma, constata-se que o paradigma n' 9202-009.501 não é apto à demonstração da divergência, uma vez que, ao apreciar o apelo da Fazenda Nacional, a Turma da CSRF não foi instada a examinar a necessidade de pronunciamento do colegiado CARF acerca dos critérios utilizados para a fixação dos valores do SIPT, quando ausente a matéria da impugnação e do recurso voluntário, mas tão somente o acatamento do valor de VTN declarado quando desconsiderado o laudo apresentado mas constatado que o valor arbitrado não considerou a aptidão agrícola, conforme registrado na decisão contestada pela Fazenda. (negritei) Verifica-se assim, em que pese a tempestividade do recurso, que os acórdãos recorrido e paradigma não tratam de processos retratando situações com similitude fática autorizativas do seguimento de Recurso Especial. Ademais, também deve ser negado seguimento ao recurso especial por ausência de prequestionamento da matéria relativa à inobservância da aptidão agrícola para efeito de arbitramento do VTN com base no SIPT. Registro ainda que, a decisão administrativa que a autuada extemporaneamente juntou aos autos, juntamente com a petição intitulada “Fato novo”, é desprovida da natureza de norma complementar e não vincula decisões deste Conselho, aplicando-se somente à situação apreciada e de acordo com as características processuais específicas e contextuais do caso julgado e procedimentos de onde se originaram. Embora o Código Tributário Nacional – CTN (Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966), em seu art. 100, II, considere as decisões de órgãos colegiados como normas complementares à legislação tributária, tal inclusão se subordina à existência de lei que confira a essas decisões eficácia normativa. Como inexiste, até o presente momento, lei que atribua a efetividade de regra geral a essas decisões, tais acórdãos têm sua eficácia restrita aos casos ali analisados, não produzindo efeitos em outras lides. Pelo exposto, voto por não conhecer do Recurso Especial do contribuinte. (documento assinado digitalmente) Mário Hermes Soares Campos Fl. 484DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 9202-011.013 - CSRF/2ª Turma Processo nº 10530.720373/2008-21 Fl. 485DF CARF MF Original
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Numero do processo: 10932.720148/2012-49
Data da sessão: Tue Aug 22 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
NOVOS ARGUMENTOS SUSCITADOS EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO CONSUMATIVA.
A impugnação, que instaura a fase litigiosa do procedimento fiscal, é o momento no qual o contribuinte deve aduzir todas as suas razões de defesa. Não se admite, pois, a apresentação, em sede recursal, de argumentos não debatidos na origem.
Numero da decisão: 9202-010.927
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, e no mérito, por maioria de votos, dar-lhe provimento. Vencido o conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso, que negava provimento.
(documento assinado digitalmente)
Régis Xavier Holanda Presidente em Exercício
(documento assinado digitalmente)
Mauricio Nogueira Righetti - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mauricio Nogueira Righetti, Joao Victor Ribeiro Aldinucci, Sheila Aires Cartaxo Gomes, Mario Hermes Soares Campos, Marcelo Milton da Silva Risso, Mauricio Dalri Timm do Valle (suplente convocado), Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim (suplente convocado), Regis Xavier Holanda (Presidente em Exercício).
Nome do relator: MAURICIO NOGUEIRA RIGHETTI
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 NOVOS ARGUMENTOS SUSCITADOS EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO CONSUMATIVA. A impugnação, que instaura a fase litigiosa do procedimento fiscal, é o momento no qual o contribuinte deve aduzir todas as suas razões de defesa. Não se admite, pois, a apresentação, em sede recursal, de argumentos não debatidos na origem.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, e no mérito, por maioria de votos, dar-lhe provimento. Vencido o conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso, que negava provimento. (documento assinado digitalmente) Régis Xavier Holanda Presidente em Exercício (documento assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mauricio Nogueira Righetti, Joao Victor Ribeiro Aldinucci, Sheila Aires Cartaxo Gomes, Mario Hermes Soares Campos, Marcelo Milton da Silva Risso, Mauricio Dalri Timm do Valle (suplente convocado), Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim (suplente convocado), Regis Xavier Holanda (Presidente em Exercício).
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PRECLUSÃO CONSUMATIVA. A impugnação, que instaura a fase litigiosa do procedimento fiscal, é o momento no qual o contribuinte deve aduzir todas as suas razões de defesa. Não se admite, pois, a apresentação, em sede recursal, de argumentos não debatidos na origem. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, e no mérito, por maioria de votos, dar-lhe provimento. Vencido o conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso, que negava provimento. (documento assinado digitalmente) Régis Xavier Holanda – Presidente em Exercício (documento assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mauricio Nogueira Righetti, Joao Victor Ribeiro Aldinucci, Sheila Aires Cartaxo Gomes, Mario Hermes Soares Campos, Marcelo Milton da Silva Risso, Mauricio Dalri Timm do Valle (suplente convocado), Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim (suplente convocado), Regis Xavier Holanda (Presidente em Exercício). Relatório Trata-se de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional Na origem, cuida-se de lançamento para cobrança das contribuições previdenciárias a cargo da empresa (DEBCAD 37.391.598-5) e dos segurados (DEBCAD AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 2. 72 01 48 /2 01 2- 49 Fl. 778DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 9202-010.927 - CSRF/2ª Turma Processo nº 10932.720148/2012-49 37.391.600-0), incidentes sobre os pagamentos efetuados a contribuintes individuais por meio de premiação. O relatório fiscal encontra-se às fls. 404/417. O autuado apresentou impugnação às fls. 477/497, que foi julgada improcedente pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas/SP às fls. 532/542. Cientificado do acórdão, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário às fls. 548/573. Por sua vez, a 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara desta Seção deu-lhe parcial provimento por meio do acórdão 2301-004.239 – fls. 585/606. Irresignada, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial às fls. 608/625, pugnando, ao final, pela reforma do acórdão recorrido, reestabelecendo-se a decisão de primeira instância e, sucessivamente, seja mantido o lançamento na parte em que não exceder o teto do salário de contribuição. Em 1/11/16 - às fls. 635/646 - foi dado seguimento ao recurso da União, para que fossem rediscutidas as matérias “Da divergência quanto a impossibilidade de se conhecer a matéria de ofício pelo colegiado” e “Da divergência quanto ao ônus da prova da contribuição pelo teto máximo do salário de contribuição e da necessidade de manutenção do lançamento na parte que não exceda o teto”. Retornado os autos à unidade de origem para prosseguimento na tramitação, o titular da referida unidade apresentou embargos inominados suscitando inexatidões materiais quanto a temática da multa, sendo certo que os mesmos foram rejeitados pelo Presidente da Turma às fls. 673/677. Cientificado do acórdão de recurso voluntário, do REsp da União, do despacho que lhe dera seguimento, dos embargos propostos pela unidade da RFB, bem como do despacho que os rejeitara à fl. 684, em 17/9/18, o sujeito passivo apresentou contrarrazões tempestivas em 2/10/18, propugnando, ao seu final, pelo seu desprovimento – fls. 688/697. Na mesma oportunidade, apresentou seu Recurso Especial de fls. 700/704, propugnando pelo cancelamento da exigência. Em 3/5/19 - às fls. 727/731 - foi negado seguimento ao recurso do sujeito passivo. Inconformado, o autuado apresentou Agravo às fls. 744/748, que foi rejeitado pela então Presidente da CSRF às fls. 751/754. Contra a decisão acima, a agravante apresentou petição intitulada “Embargos de Declaração” às fls. 762/765, que não foi conhecida pela mesma Presidente da CSRF às fls. 769/770. É o relatório. Fl. 779DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 9202-010.927 - CSRF/2ª Turma Processo nº 10932.720148/2012-49 Voto Conselheiro Mauricio Nogueira Righetti - Relator A Fazenda Nacional tomou ciência (presumida) do acórdão de recurso voluntário em 21/3/15 (processo movimentado em 19/2/15 (fl. 607) e apresentou seu recurso tempestivamente em 2/4/15, consoante se denota de fl. 626. Passo, com isso, à análise dos demais requisitos para o seu conhecimento. Como já relatado, o recurso teve seu seguimento admitido para que fossem rediscutidas as matérias “Da divergência quanto a impossibilidade de se conhecer a matéria de ofício pelo colegiado” e “Da divergência quanto ao ônus da prova da contribuição pelo teto máximo do salário de contribuição e da necessidade de manutenção do lançamento na parte que não exceda o teto”. O acórdão recorrido não trouxe ementa específica quanto às matérias devolvidas. Por outro lado, a decisão se deu no seguinte sentido: Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento ao recurso, no lançamento da contribuição do segurado, nos termos do voto do(a) Relator(a); b) em negar provimento ao recurso, nas demais razões da recorrente, nos termos do voto do Relator; II) Por voto de qualidade: a) em manter a multa aplicada, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Adriano Gonzáles Silvério, Natanael Vieira dos Santos e Manoel Coelho Arruda Júnior, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente. Redator: Marcelo Oliveira. Sustentação oral: Maurício Pernambuco. OAB: 170.872/SP. Do contexto. Como já dito, trata-se de lançamento para cobrança das contribuições previdenciárias a cargo da empresa (DEBCAD 37.391.598-5) e dos segurados (DEBCAD 37.391.600-0), incidentes sobre os pagamentos efetuados a contribuintes individuais por meio de premiação. A controvérsia que aqui chegou restringe-se ao tratamento dado pelo colegiado recorrido ao lançamento atinente à contribuição previdenciária a cargo do segurado obrigatório. Entendeu aquele colegiado que uma vez não demonstrado pelo autuante que referidos segurados não estariam contribuindo pelo teto da previdência, não seria possível a manutenção do lançamento neste ponto, já que careceria de motivação fática, remanescendo, assim sendo, a incerteza quanto à base de cálculo imponível. Confira-se: Tendo a fiscalização apurado que foram pagas verbas remuneratórias, estas deveriam compor a base de cálculo das contribuições previdenciárias na parte da empresa. A parte do empregado, trabalhador avulso e contribuinte individual, diferentemente da parte da empresa, está submetida ao teto do salário de contribuição. Assim, não é possível concluirmos, genericamente, que houve omissão da empresa na obrigação de arrecadar a contribuição, pois os beneficiários dos prêmios poderiam já estar contribuindo pelo teto. Não havendo nos autos um demonstrativo das remunerações individuais, o lançamento carece de motivação fática, remanescendo a incerteza. Em caso de dúvida Fl. 780DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 9202-010.927 - CSRF/2ª Turma Processo nº 10932.720148/2012-49 em relação às circunstâncias materiais do fato, em conformidade com o art. 112 do CTN, a legislação tributária deve ser interpretada de maneira mais favorável ao acusado. Nesse rumo, o recurso da União visaria a rediscussão das matérias acima já mencionadas. Vamos a elas. DO CONHECIMENTO. Quanto à impossibilidade de se conhecer a matéria de ofício pelo colegiado. Nesse ponto, sustenta a recorrida que ao apreciar, de ofício, a temática da base de cálculo do lançamento, o colegiado teria divergido do entendimento vazado pelos colegiados paradigmáticos, prolatores dos acórdãos 204-01199 e 9101-00.540. De fato, penso ter restado demonstrada a divergência já em relação ao paradigma da 1ª Turma desta CSRF. Lá, decidiu o colegiado que competiria ao autuado apresentar questionamentos voltados à exigência da multa isolada e, não o fazendo oportunamente, caracterizou-se a preclusão, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72. Compulsando os termos da impugnação apresentada nestes autos, não se logrou identificar argumentos voltados aos aspectos quantitativos da base de cálculo do lançamento em exame, mormente aquele concernente à extrapolação da base por já ter sido, eventualmente, submetida à tributação em outra oportunidade. Não foi por outro motivo que o colegiado de primeira instância sequer tangenciou o tema. Por sua vez, o recorrido defende o não conhecimento do recurso. Aduz que em momento algum o colegiado a quo teria sustentado o reconhecimento de ofício dessas alegações e que o recorrente não teria trazido paradigma sobre a aplicação do artigo 112 do CTN, dispositivo utilizado para o provimento do recurso voluntário. Não vejo dessa forma. O fato de o colegiado recorrido não se pronunciar, expressamente, sobre como estaria procedendo, não retira do cotejo entre os acórdãos – recorrido e paradigma – a compreensão de que há, definitivamente, uma divergência de jurisprudência. Em ambos os casos a matéria (multa isolada lá e aplicação do teto de contribuição aqui) não foi trazida ao contencioso pelo impugnante. E, nesse contexto, um colegiado houve por bem analisá-la de oficio e ou outro, não. Ou seja, não me afigura relevante, neste caso, que o recorrido não tenha registrado estar analisando a matéria de ofício, quando, indubitavelmente, foi o que fez. Quanto a não ter o recorrente trazido paradigma sobre o artigo 112 do CTN, penso que tal análise é desnecessária para o conhecimento da matéria que se pretende ver reexaminada. Nessa perspectiva, parece-me claro que se o colegiado paradigmático houvesse julgado o recurso voluntário destes autos não lhe teria dado provimento valendo-se do fundamento empregado pelo recorrido; razão pela qual, encaminho por conhecer do recurso quanto a essa matéria. Quanto ao ônus da prova da contribuição pelo teto máximo do salário de contribuição e da necessidade de manutenção do lançamento na parte que não exceda o teto. Fl. 781DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 9202-010.927 - CSRF/2ª Turma Processo nº 10932.720148/2012-49 Quanto a esta matéria, aduziu a recorrente que caberia ao autuado, com vistas a elidir a exigência tributária, a apresentação de documento comprobatório – a ele apresentado pelos contribuintes individuais – de que referidos segurados já estariam contribuindo pelo teto. Para tanto, indicou os acórdãos 2402-002.825 e 2401-003.067 como representativos do dissenso jurisprudencial. Em não havendo questionamento explicito em contrarrazões quanto ao conhecimento do recurso no tocante a esta matéria, adiro integralmente à conclusão da presidência da câmara recorrida – abaixo colacionada - e encaminho por conhecer do recurso também quanto a este tema. Na decisão recorrida entende-se que cabe ao fisco a comprovação, enquanto nos acórdãos apontados como paradigma decidiu-se que o sujeito passivo era o responsável por apresentar provas dos respectivos pagamento para comprovação de recolhimento de cada empregado sobre o teto máximo do salário de contribuição. Portanto, vislumbro a similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigmas motivo pelo qual entendo que está configurada a segunda divergência jurisprudencial apontada pela Fazenda Nacional. Conhecido o recurso quanto às duas matérias, passo ao mérito. DO MÉRITO. Quanto à impossibilidade de se conhecer a matéria de ofício pelo colegiado. Quanto ao mérito, penso que a questão se resolve pela pronta aplicação do disposto nos artigos 16, III e 17, ambos do Decreto 70.235/72. Não se pode dizer, como sugeriu o autuado, que se pretendeu sanar um erro de fato, inexatidões ou erros materiais no lançamento e que, em assim sendo, estar-se-ia diante de exceção à regra da preclusão. Definitivamente não foi o que ocorreu. O colegiado promoveu uma espécie de valoração circunstancial do lançamento para decidir que competiria ao Fisco a demonstração de que os segurados ainda não estariam contribuindo pelo teto do salário de contribuição. E, nessa toada, faz todo o sentido a pretensão da União na devolução da próxima matéria a ser tratada. Prosseguindo, como já dito, essa temática não foi trazida ao contencioso pelo autuado em sua defesa inaugural e, como bem salientou o recorrente 1 , sequer no recurso voluntário, tampouco o colegiado a quo fundamentou a análise de oficio que promoveu por, eventualmente, tratar-se de matéria de ordem pública. Não há sequer discussão quanto a esse último aspecto, o que me faz concluir que tal proceder deu-se ao flagrante arrepio das disposições supra mencionadas, impondo-se, assim sendo, o provimento do recurso da União. Com efeito, encaminho por dar provimento ao recurso quanto a esta matéria. 1 Ainda que não seja questão central de mérito, é premente a necessidade de reforma do r. julgado, haja vista que a matéria apreciada pelo i. Colegiado relativa à necessidade de se observar o teto máximo do salário de contribuição dos contribuintes individuais, não foi, quer na impugnação, quer no recurso voluntário, objeto de insurgência pelo autuado. Fl. 782DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 9202-010.927 - CSRF/2ª Turma Processo nº 10932.720148/2012-49 Tendo em vista que este voto condutor sagrou-se vencedor quanto à primeira matéria, tenho que ficou prejudicada a análise de mérito da segunda 2 , na medida em que o resultado até aqui aferido, mostra-se suficiente para o provimento integral do recurso da União. Nesse rumo, VOTO por CONHECER do recurso para DAR-LHE provimento. (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti 2 Quanto ao ônus da prova da contribuição pelo teto máximo do salário de contribuição e da necessidade de manutenção do lançamento na parte que não exceda o teto. Fl. 783DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 10480.721076/2019-99
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 03 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/01/2015 a 31/12/2015
DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONAL. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. NÃO CONHECIMENTO. MATÉRIA SUMULADA. SÚMULA CARF N.º 2
É vedado ao órgão julgador administrativo negar vigência a normas jurídicas por motivo de inconstitucionalidade. O pleito de reconhecimento de inconstitucionalidade materializa fato impeditivo do direito de recorrer, não sendo possível conhecer o recurso neste particular. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
A identificação clara e precisa dos motivos que ensejaram a autuação afasta a alegação de nulidade. Não há que se falar em nulidade quando a autoridade lançadora indicou expressamente a infração imputada ao sujeito passivo e propôs a aplicação da penalidade cabível, efetivando o lançamento com base na legislação tributária aplicável. A atividade da autoridade administrativa é privativa, competindo-lhe constituir o crédito tributário com a aplicação da penalidade prevista na lei.
É lícito ao fisco examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de suas declarações e escrituração fiscal, inclusive podendo propor a penalidade cabível se constatar qualquer não conformidade com a legislação tributária. Competirá ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma por ele declarada e escriturada.
DILIGÊNCIA/PERÍCIA. INDEFERIMENTO. ALEGADO CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 163.
A realização de diligência ou perícia pressupõe que a prova não pode ou não cabe ser produzida por uma das partes, ou que o fato a ser provado necessite de conhecimento técnico especializado, fora do campo de atuação do julgador. Neste contexto, a autoridade julgadora indeferirá os pedidos de diligência/perícia que considerar prescindíveis ou impraticáveis, não ocorrendo cerceamento de defesa. Estando presentes nos autos todos os elementos necessários à adequada motivação para solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência/perícia sem violar a ampla defesa.
Súmula CARF nº 163. O indeferimento fundamentado de requerimento de diligência ou perícia não configura cerceamento do direito de defesa, sendo facultado ao órgão julgador indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2015 a 31/12/2015
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SUBSTITUTIVA PATRONAL. CONTRIBUIÇÃO AO SENAR. AGROINDÚSTRIA. REGIME DO ART. 22A DA LEI Nº 8.212 COM REDAÇÃO DA LEI Nº 10.256, DE 2001.
As contribuições previdenciárias patronal (art. 22A, I e II) e as de Terceiros ao SENAR (art. 22A, § 5º) devidas pela agroindústria, definida como sendo o produtor rural pessoa jurídica cuja atividade econômica seja a industrialização de produção própria ou de produção própria e adquirida de terceiros, incide sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção.
A receita bruta corresponde ao valor total da receita proveniente da comercialização da produção própria e da adquirida de terceiros, industrializada ou não, incluindo aquela decorrente da revenda de mercadorias.
Por ausência de previsão normativa, não se exclui os tributos ICMS, ISS, PIS/COFINS da base de cálculo da receita bruta do regime do art. 22A da Lei nº 8.212, com redação dada pela Lei nº 10.256, de 2001, que corresponde ao valor total da receita proveniente da comercialização da produção própria e da adquirida de terceiros, industrializada ou não, incluindo aquela decorrente da revenda de mercadorias. Inaplicável o Tema 69 (RE 574.706) da Repercussão Geral do STF por distinção da tese, a qual, aliás, se aplica no caso da exclusão do ICMS para a base de cálculo das contribuições do PIS/COFINS e apenas a partir de 15/03/2017, por força de modulação. Ainda que o regime do art. 22A seja obrigatório tratando de receita bruta da comercialização da produção, diferentemente da CPRB da Lei nº 12.456 com regras próprias e facultativas ao contribuinte por ser regime optativo, instituto com o qual não deve se confundir a normativa do art. 22A (cogente), e mesmo que possa ser sustentado haver uma lógica sistemática em relação ao cômputo da base de cálculo do regime do art. 22A com o regime de apuração do PIS/COFINS (em ambos, de certo modo, receita/faturamento), inexiste disposição legal ou pronunciamento do STF para validar a exclusão do ICMS da base de cálculo composta pelas receitas brutas da comercialização da produção (faturamento) para os fins do regime do art. 22A, não competindo ao contencioso administrativo fiscal adotar posição conflituosa com a legislação infraconstitucional não autorizativa da exclusão. Não se pode tecnicamente pretender equiparar os institutos da CPRB da Lei nº 12.456 com o regime do art. 22A por serem distintos em sua normatividade, inclusive quanto a facultatividade do primeiro e a obrigatoriedade do segundo, ademais, considerando que o recorrente pretende a equiparação, o STF para a CPRB, no RE 1.187.264, Tema 1.048 da Repercussão Geral, firmou que É constitucional a inclusão do Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços - ICMS na base de cálculo da Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta - CPRB.
CONTRIBUIÇÃO AO SENAR. NATUREZA JURÍDICA. CONTRIBUIÇÃO DE INTERESSE DAS CATEGORIAS PROFISSIONAIS OU ECONÔMICAS. IMUNIDADE NA EXPORTAÇÃO. INEXISTÊNCIA.
A contribuição ao SENAR, destinada ao atendimento de interesses de um grupo de pessoas; formação profissional e promoção social do trabalhador rural; inclusive financiada pela mesma categoria, possui natureza de contribuição de interesse das categorias profissionais ou econômicas, em sua essência jurídica, destinada a proporcionar maior desenvolvimento à atuação de categoria específica, portanto inaplicável a imunidade das receitas decorrentes da exportação.
A imunidade prevista no inciso I do § 2º do art. 149 da Constituição Federal apenas abrange as contribuições sociais (gerais) e as contribuições destinadas à intervenção no domínio econômico, ainda que a exportação seja realizada via terceiros (trading companies), não se estendendo, no entanto, ao SENAR, por se tratar de contribuição de interesse das categorias profissionais ou econômicas.
São devidas as contribuições ao SENAR sobre as receitas de exportação.
MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. LEGALIDADE. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. MULTA CONFISCATÓRIA. INCOMPETÊNCIA DO CARF.
É cabível, por expressa disposição legal, a aplicação da multa de 75% decorrente do lançamento de ofício quando formalizada a exigência de crédito tributário pela Administração Tributária.
A Súmula CARF n.º 2 enuncia que o Egrégio Conselho não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ENTREGA EXTEMPORÂNEA DA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL DIGITAL (ECD). LEGALIDADE. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. MULTA NÃO RAZOÁVEL. INCOMPETÊNCIA DO CARF.
É cabível, por expressa disposição legal, a aplicação da multa pelo descumprimento de obrigação acessória pela entrega em atraso da Escrituração Contábil Digital (ECD).
A Súmula CARF n.º 2 enuncia que o Egrégio Conselho não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 2202-010.365
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso, exceto quanto às alegações de inconstitucionalidades, e na parte conhecida, em negar-lhe provimento.
(documento assinado digitalmente)
Sonia de Queiroz Accioly - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Leonam Rocha de Medeiros - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sara Maria de Almeida Carneiro Silva, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Gleison Pimenta Sousa, Leonam Rocha de Medeiros, Eduardo Augusto Marcondes de Freitas e Sonia de Queiroz Accioly (Presidente).
Nome do relator: LEONAM ROCHA DE MEDEIROS
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A atividade da autoridade administrativa é privativa, competindo-lhe constituir o crédito tributário com a aplicação da penalidade prevista na lei. É lícito ao fisco examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de suas declarações e escrituração fiscal, inclusive podendo propor a penalidade cabível se constatar qualquer não conformidade com a legislação tributária. Competirá ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma por ele declarada e escriturada. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. INDEFERIMENTO. ALEGADO CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 163. A realização de diligência ou perícia pressupõe que a prova não pode ou não cabe ser produzida por uma das partes, ou que o fato a ser provado necessite de conhecimento técnico especializado, fora do campo de atuação do julgador. Neste contexto, a autoridade julgadora indeferirá os pedidos de diligência/perícia que considerar prescindíveis ou impraticáveis, não ocorrendo cerceamento de defesa. Estando presentes nos autos todos os elementos necessários à adequada motivação para solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência/perícia sem violar a ampla defesa. Súmula CARF nº 163. O indeferimento fundamentado de requerimento de diligência ou perícia não configura cerceamento do direito de defesa, sendo facultado ao órgão julgador indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2015 a 31/12/2015 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SUBSTITUTIVA PATRONAL. CONTRIBUIÇÃO AO SENAR. AGROINDÚSTRIA. REGIME DO ART. 22A DA LEI Nº 8.212 COM REDAÇÃO DA LEI Nº 10.256, DE 2001. As contribuições previdenciárias patronal (art. 22A, I e II) e as de Terceiros ao SENAR (art. 22A, § 5º) devidas pela agroindústria, definida como sendo o produtor rural pessoa jurídica cuja atividade econômica seja a industrialização de produção própria ou de produção própria e adquirida de terceiros, incide sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção. A receita bruta corresponde ao valor total da receita proveniente da comercialização da produção própria e da adquirida de terceiros, industrializada ou não, incluindo aquela decorrente da revenda de mercadorias. Por ausência de previsão normativa, não se exclui os tributos ICMS, ISS, PIS/COFINS da base de cálculo da receita bruta do regime do art. 22A da Lei nº 8.212, com redação dada pela Lei nº 10.256, de 2001, que corresponde ao valor total da receita proveniente da comercialização da produção própria e da adquirida de terceiros, industrializada ou não, incluindo aquela decorrente da revenda de mercadorias. Inaplicável o Tema 69 (RE 574.706) da Repercussão Geral do STF por distinção da tese, a qual, aliás, se aplica no caso da exclusão do ICMS para a base de cálculo das contribuições do PIS/COFINS e apenas a partir de 15/03/2017, por força de modulação. Ainda que o regime do art. 22A seja obrigatório tratando de receita bruta da comercialização da produção, diferentemente da CPRB da Lei nº 12.456 com regras próprias e facultativas ao contribuinte por ser regime optativo, instituto com o qual não deve se confundir a normativa do art. 22A (cogente), e mesmo que possa ser sustentado haver uma lógica sistemática em relação ao cômputo da base de cálculo do regime do art. 22A com o regime de apuração do PIS/COFINS (em ambos, de certo modo, receita/faturamento), inexiste disposição legal ou pronunciamento do STF para validar a exclusão do ICMS da base de cálculo composta pelas receitas brutas da comercialização da produção (faturamento) para os fins do regime do art. 22A, não competindo ao contencioso administrativo fiscal adotar posição conflituosa com a legislação infraconstitucional não autorizativa da exclusão. Não se pode tecnicamente pretender equiparar os institutos da CPRB da Lei nº 12.456 com o regime do art. 22A por serem distintos em sua normatividade, inclusive quanto a facultatividade do primeiro e a obrigatoriedade do segundo, ademais, considerando que o recorrente pretende a equiparação, o STF para a CPRB, no RE 1.187.264, Tema 1.048 da Repercussão Geral, firmou que É constitucional a inclusão do Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços - ICMS na base de cálculo da Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta - CPRB. CONTRIBUIÇÃO AO SENAR. NATUREZA JURÍDICA. CONTRIBUIÇÃO DE INTERESSE DAS CATEGORIAS PROFISSIONAIS OU ECONÔMICAS. IMUNIDADE NA EXPORTAÇÃO. INEXISTÊNCIA. A contribuição ao SENAR, destinada ao atendimento de interesses de um grupo de pessoas; formação profissional e promoção social do trabalhador rural; inclusive financiada pela mesma categoria, possui natureza de contribuição de interesse das categorias profissionais ou econômicas, em sua essência jurídica, destinada a proporcionar maior desenvolvimento à atuação de categoria específica, portanto inaplicável a imunidade das receitas decorrentes da exportação. A imunidade prevista no inciso I do § 2º do art. 149 da Constituição Federal apenas abrange as contribuições sociais (gerais) e as contribuições destinadas à intervenção no domínio econômico, ainda que a exportação seja realizada via terceiros (trading companies), não se estendendo, no entanto, ao SENAR, por se tratar de contribuição de interesse das categorias profissionais ou econômicas. São devidas as contribuições ao SENAR sobre as receitas de exportação. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. LEGALIDADE. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. MULTA CONFISCATÓRIA. INCOMPETÊNCIA DO CARF. É cabível, por expressa disposição legal, a aplicação da multa de 75% decorrente do lançamento de ofício quando formalizada a exigência de crédito tributário pela Administração Tributária. A Súmula CARF n.º 2 enuncia que o Egrégio Conselho não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ENTREGA EXTEMPORÂNEA DA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL DIGITAL (ECD). LEGALIDADE. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. MULTA NÃO RAZOÁVEL. INCOMPETÊNCIA DO CARF. É cabível, por expressa disposição legal, a aplicação da multa pelo descumprimento de obrigação acessória pela entrega em atraso da Escrituração Contábil Digital (ECD). A Súmula CARF n.º 2 enuncia que o Egrégio Conselho não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. NÃO CONHECIMENTO. MATÉRIA SUMULADA. SÚMULA CARF N.º 2 É vedado ao órgão julgador administrativo negar vigência a normas jurídicas por motivo de inconstitucionalidade. O pleito de reconhecimento de inconstitucionalidade materializa fato impeditivo do direito de recorrer, não sendo possível conhecer o recurso neste particular. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. A identificação clara e precisa dos motivos que ensejaram a autuação afasta a alegação de nulidade. Não há que se falar em nulidade quando a autoridade lançadora indicou expressamente a infração imputada ao sujeito passivo e propôs a aplicação da penalidade cabível, efetivando o lançamento com base na legislação tributária aplicável. A atividade da autoridade administrativa é privativa, competindo-lhe constituir o crédito tributário com a aplicação da penalidade prevista na lei. É lícito ao fisco examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de suas declarações e escrituração fiscal, inclusive podendo propor a penalidade cabível se constatar qualquer não conformidade com a legislação tributária. Competirá ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma por ele declarada e escriturada. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. INDEFERIMENTO. ALEGADO CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 163. A realização de diligência ou perícia pressupõe que a prova não pode ou não cabe ser produzida por uma das partes, ou que o fato a ser provado necessite de conhecimento técnico especializado, fora do campo de atuação do julgador. Neste contexto, a autoridade julgadora indeferirá os pedidos de diligência/perícia que considerar prescindíveis ou impraticáveis, não ocorrendo cerceamento de defesa. Estando presentes nos autos todos os elementos necessários à adequada motivação para solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência/perícia sem violar a ampla defesa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 10 76 /2 01 9- 99 Fl. 3386DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2202-010.365 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10480.721076/2019-99 Súmula CARF nº 163. O indeferimento fundamentado de requerimento de diligência ou perícia não configura cerceamento do direito de defesa, sendo facultado ao órgão julgador indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2015 a 31/12/2015 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SUBSTITUTIVA PATRONAL. CONTRIBUIÇÃO AO SENAR. AGROINDÚSTRIA. REGIME DO ART. 22A DA LEI Nº 8.212 COM REDAÇÃO DA LEI Nº 10.256, DE 2001. As contribuições previdenciárias patronal (art. 22A, I e II) e as de Terceiros ao SENAR (art. 22A, § 5º) devidas pela agroindústria, definida como sendo o produtor rural pessoa jurídica cuja atividade econômica seja a industrialização de produção própria ou de produção própria e adquirida de terceiros, incide sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção. A receita bruta corresponde ao valor total da receita proveniente da comercialização da produção própria e da adquirida de terceiros, industrializada ou não, incluindo aquela decorrente da revenda de mercadorias. Por ausência de previsão normativa, não se exclui os tributos ICMS, ISS, PIS/COFINS da base de cálculo da receita bruta do regime do art. 22A da Lei nº 8.212, com redação dada pela Lei nº 10.256, de 2001, que corresponde ao valor total da receita proveniente da comercialização da produção própria e da adquirida de terceiros, industrializada ou não, incluindo aquela decorrente da revenda de mercadorias. Inaplicável o Tema 69 (RE 574.706) da Repercussão Geral do STF por distinção da tese, a qual, aliás, se aplica no caso da exclusão do ICMS para a base de cálculo das contribuições do PIS/COFINS e apenas a partir de 15/03/2017, por força de modulação. Ainda que o regime do art. 22A seja obrigatório tratando de receita bruta da comercialização da produção, diferentemente da CPRB da Lei nº 12.456 com regras próprias e facultativas ao contribuinte por ser regime optativo, instituto com o qual não deve se confundir a normativa do art. 22A (cogente), e mesmo que possa ser sustentado haver uma lógica sistemática em relação ao cômputo da base de cálculo do regime do art. 22A com o regime de apuração do PIS/COFINS (em ambos, de certo modo, receita/faturamento), inexiste disposição legal ou pronunciamento do STF para validar a exclusão do ICMS da base de cálculo composta pelas receitas brutas da comercialização da produção (faturamento) para os fins do regime do art. 22A, não competindo ao contencioso administrativo fiscal adotar posição conflituosa com a legislação infraconstitucional não autorizativa da exclusão. Não se pode tecnicamente pretender equiparar os institutos da CPRB da Lei nº 12.456 com o regime do art. 22A por serem distintos em sua normatividade, inclusive quanto a facultatividade do primeiro e a obrigatoriedade do segundo, ademais, considerando que o recorrente pretende a equiparação, o STF para a CPRB, no RE 1.187.264, Tema 1.048 da Repercussão Geral, firmou que “É constitucional a inclusão do Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços - ICMS na base de cálculo da Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta - CPRB”. Fl. 3387DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2202-010.365 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10480.721076/2019-99 CONTRIBUIÇÃO AO SENAR. NATUREZA JURÍDICA. CONTRIBUIÇÃO DE INTERESSE DAS CATEGORIAS PROFISSIONAIS OU ECONÔMICAS. IMUNIDADE NA EXPORTAÇÃO. INEXISTÊNCIA. A contribuição ao SENAR, destinada ao atendimento de interesses de um grupo de pessoas; formação profissional e promoção social do trabalhador rural; inclusive financiada pela mesma categoria, possui natureza de contribuição de interesse das categorias profissionais ou econômicas, em sua essência jurídica, destinada a proporcionar maior desenvolvimento à atuação de categoria específica, portanto inaplicável a imunidade das receitas decorrentes da exportação. A imunidade prevista no inciso I do § 2º do art. 149 da Constituição Federal apenas abrange as contribuições sociais (gerais) e as contribuições destinadas à intervenção no domínio econômico, ainda que a exportação seja realizada via terceiros (trading companies), não se estendendo, no entanto, ao SENAR, por se tratar de contribuição de interesse das categorias profissionais ou econômicas. São devidas as contribuições ao SENAR sobre as receitas de exportação. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. LEGALIDADE. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. MULTA CONFISCATÓRIA. INCOMPETÊNCIA DO CARF. É cabível, por expressa disposição legal, a aplicação da multa de 75% decorrente do lançamento de ofício quando formalizada a exigência de crédito tributário pela Administração Tributária. A Súmula CARF n.º 2 enuncia que o Egrégio Conselho não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ENTREGA EXTEMPORÂNEA DA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL DIGITAL (ECD). LEGALIDADE. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. MULTA NÃO RAZOÁVEL. INCOMPETÊNCIA DO CARF. É cabível, por expressa disposição legal, a aplicação da multa pelo descumprimento de obrigação acessória pela entrega em atraso da Escrituração Contábil Digital (ECD). A Súmula CARF n.º 2 enuncia que o Egrégio Conselho não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso, exceto quanto às alegações de inconstitucionalidades, e na parte conhecida, em negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Sonia de Queiroz Accioly - Presidente Fl. 3388DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2202-010.365 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10480.721076/2019-99 (documento assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sara Maria de Almeida Carneiro Silva, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Gleison Pimenta Sousa, Leonam Rocha de Medeiros, Eduardo Augusto Marcondes de Freitas e Sonia de Queiroz Accioly (Presidente). Relatório Cuida-se, o caso versando, de Recurso Voluntário (e-fls. 3.289/3.324), com efeito suspensivo e devolutivo ― autorizado nos termos do art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal ―, interposto pelo recorrente, devidamente qualificado nos fólios processuais, relativo ao seu inconformismo com a decisão de primeira instância (e-fls. 3.267/3.275), proferida em sessão de 23/08/2019, consubstanciada no Acórdão n.º 09-71.938, da 5.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora/MG (DRJ/JFA), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente o pedido deduzido na impugnação (e-fls. 2.830/2.858), cujo acórdão restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2015 a 31/12/2015 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SUBSTITUTIVA. CONTRIBUIÇÃO AO SENAR. AGROINDÚSTRIA. As contribuições previdenciárias e devidas ao SENAR pela agroindústria, definida como sendo o produtor rural pessoa jurídica cuja atividade econômica seja a industrialização de produção própria ou de produção própria e adquirida de terceiros, incide sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção. A receita bruta corresponde ao valor total da receita proveniente da comercialização da produção própria e da adquirida de terceiros, industrializada ou não, incluindo aquela decorrente da revenda de mercadorias. São devidas as contribuições ao SENAR sobre as receitas de exportação. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há nulidade por cerceamento do direito de defesa quando o procedimento fiscal observa a legislação de regência, explicitando todos os elementos do lançamento e abrindo prazo para sua contestação pelo interessado. ATIVIDADE FISCAL VINCULADA. OBSERVÂNCIA DA LEGISLAÇÃO E DO ENTENDIMENTO DA ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA EXPRESSO EM ATOS NORMATIVOS. Por exercer atividade vinculada, deve a autoridade fiscal observar as normas legais e regulamentares previstas na legislação de regência, bem assim o entendimento da Receita Federal expresso em atos normativos. ILEGALIDADE. INCONSTITUCIONALIDADE. NÃO APRECIAÇÃO. Não cabe apreciação, pela instância administrativa, de alegações de ilegalidade e ou inconstitucionalidade de leis e atos normativos em vigor, a qual incumbe ao Poder Judiciário. PROVAS. JUNTADA POSTERIOR. IMPOSSIBILIDADE. O prazo para apresentação de provas no processo administrativo fiscal coincide com o prazo de que o contribuinte dispõe para impugnar o lançamento, salvo se comprovada alguma das hipóteses autorizadoras para juntada de documentos após esse prazo. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Do lançamento fiscal O lançamento, em sua essência e circunstância, para o período de apuração em referência, com auto de infração juntamente com as peças integrativas e respectivo Relatório Fl. 3389DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 2202-010.365 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10480.721076/2019-99 Fiscal juntado aos autos (e-fls. 40/54), foi bem delineado e sumariado no relatório do acórdão objeto da irresignação, pelo que passo a adotá-lo: Trata-se de Autos de Infração relativos a: i) contribuições previdenciárias da agroindústria, incidentes sobre a receita da comercialização da produção rural própria e adquirida de terceiros, incluindo aquelas destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT), no valor total de R$ 20.090.660,79; ii) contribuições devidas ao SENAR, no valor total de R$1.931.794,17, ambos do período de 01/2015 a 12/2015; iii) contribuições devidas ao SENAR, no valor total de R$14.197,75, de 04/2015; e iv) multa por descumprimento de obrigação acessória, no valor de R$48.000,00, relativo a 02/2019 (fls. 02/21). De acordo com o Relatório Fiscal, fls. 40/54, o objeto social da sociedade, que era "a administração e gerenciamento de empresas, produção e exploração através de arrendamento de parque industrial, cultivo de cana de açúcar e de outras culturas, através de bens próprios ou de terceiros, industrialização, comercialização, importação, exportação e armazenagem de açúcar, álcool, fabricação de aguardente, geração de energia e outros derivados, podendo ainda, participar do capital de outras empresas, como sócia, acionista, ou de outra forma participativa” e, a partir de 02/2015, passou a ser "4684-2/99 – comércio atacadista de outros produtos químicos e petroquímicos (Álcool Anidro e Hidratado); 0113- 0/00 – cultivo de cana-de-açúcar 1931-4/00 – fabricação de álcool 1071-6/00 – fabricação de açúcar em bruto 9411- 1/00 – atividades de organizações associativas patronais e empresariais 1111-9/01 – fabricação de aguardente de cana-de-açúcar 6463-8/00 – outras sociedades de participação, exceto holdings." De acordo com o mesmo Relatório, o procedimento fiscal teve por base, essencialmente, as notas fiscais emitidas pela empresa, disponíveis no ambiente nacional do SPED – Sistema Público de Escrituração Digital, instituído pelo Decreto nº 6.022/2007, relativas ao ano de 2015. O exame da documentação analisada demonstrou que as atividades econômicas desenvolvidas pela empresa, no período fiscalizado, consistiram na comercialização de açúcar e de álcool, a partir tanto da produção própria quanto da produção adquirida de outras pessoas jurídicas, atividades essas que classificam a empresa como AGROINDÚSTRIA. Verificou-se que a empresa ingressou com pedido de Recuperação Judicial, o qual foi deferido em decisão judicial proferida em 10/10/2010. No Anexo I do Relatório Fiscal foram discriminadas as contribuições previdenciárias apuradas e aquelas devidas ao SENAR, incidentes sobre a comercialização da produção rural destinada ao mercado interno. No Anexo II foram discriminadas as contribuições devidas ao SENAR, incidentes sobre a comercialização da produção rural destinada ao mercado externo. O contribuinte foi autuado ainda em virtude de ter transmitido com atraso sua Escrituração Contábil Digital (ECD), referente ao ano-calendário 2015, após ter sido regularmente intimado para tanto durante a ação fiscal, através do Termo de Intimação Fiscal nº 1, cuja ciência ocorreu por via postal em 24/01/2019. A ciência dos Autos de Infração e do encerramento do procedimento fiscal se deu pessoalmente em 18/02/2019 (fls. 2.824/2.825). Da Impugnação ao lançamento A impugnação, que instaurou o contencioso administrativo fiscal, dando início e delimitando os contornos da lide, foi apresentada pelo recorrente. Em suma, controverteu-se na forma apresentada nas razões de inconformismo, conforme bem relatado na decisão vergastada, pelo que peço vênia para reproduzir: Em 18/03/2019 o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 2830/3260, com alegação de tempestividade da defesa, um resumo dos fatos e as razões de seu inconformismo, abaixo relatadas, em síntese. Fl. 3390DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 2202-010.365 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10480.721076/2019-99 Preliminarmente, alega nulidade da autuação por ofensa ao princípio da verdade material e da ampla defesa, por ter a Autoridade Fiscal deixado de lado os elementos fáticos relevantes ao caso concreto, contentando-se apenas com informações vertidas em obrigações acessórias (SPED e GFIPs) sem avaliar a natureza das operações e subsequente subsunção desses aspectos fáticos à norma definidora da obrigação tributária principal. No mérito, alega a inclusão indevida, na base de cálculo das contribuições incidentes sobre a receita bruta, de valores de ICMS, ISS e PIS/COFINS. Destaca, citando o art. 22A, I e II, da Lei nº 8.212, de 1991, que a base de cálculo da exação tem como elemento quantitativo a receita bruta proveniente da comercialização da produção própria. Alega que as quantias recebidas pela empresa que se destinam a terceiros não podem fazer parte da base de cálculo das contribuições, pelo fato de esses valores não terem natureza de receita proveniente da exploração da atividade da empresa, conforme doutrina que cita e decisão no RE 574.706/PR, julgado sob o rito dos recursos repetitivos, que tratou da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS/COFINS, em caso análogo ao presente. Em seguida, alega a inclusão indevida da receita decorrente da revenda de produtos acabados importados, uma vez que a legislação (art. 22A da Lei nº 8.212/1991) estabelece a incidência das contribuições apenas sobre a receita decorrente da comercialização da sua produção, excluindo a receita oriunda da simples revenda de produtos, no caso, álcool. Insiste que qualquer operação que não seja a comercialização de produção rural própria ou decorrente da industrialização de produção rural própria ou de terceiros, ficará fora do âmbito de incidência das contribuições previdenciárias, pelo que não se pode tributar a revenda de álcool efetuada pela Impugnante. Entende que, por conseguinte, foram incluídos indevidamente da base de cálculo das contribuições apuradas, mais de R$300.000.000,00, decorrentes da importação de álcool revendidos ainda no porto de destino, o que demonstra a falta de substância da autuação. De outro lado, o Impugnante afirma a inconstitucionalidade da interpretação fiscal quanto à aplicação da CPRB para o caso da empresa autuada, à vista da impossibilidade de incidência de duas contribuições sociais sobre a receita bruta. Nesse sentido, aduz que, tratando-se de nova fonte de custeio e incidindo esta sobre a receita/faturamento, tal qual a COFINS, sua inconstitucionalidade se dá por ofensa aos arts. 195, I, cumulado com o art. 154, I, parte final, que vedam a instituição de contribuição à seguridade social com base de cálculo idêntica à contribuição já criada – pelo que esta não pode ser cobrada da empresa. Sobre a contribuição devida ao SENAR, o Impugnante alega, nos mesmos termos já expostos, a inclusão indevida, na base de cálculo, do ICMS, ISS e PIS/COFINS. Alega ainda a imunidade das receitas decorrentes de exportação em relação às referidas contribuições, com base no art. 149, §2º, I, da Constituição de 1988, independentemente de se tratar de contribuição de intervenção no domínio econômico, como entendem alguns, ou de contribuição social geral, o que defende. Afirma, nesse sentido, que o entendimento da RFB, manifesto na Nota Cosit nº 312/2007, não é a melhor solução dada à matéria. A referida Nota é assim ementada: A contribuição destinada ao Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR), devida, na espécie, por agroindústria, incide inclusive sobre a receita bruta decorrente de exportação da produção. Trata-se de contribuição de interesse das categorias profissionais ou econômicas, não se lhe aplicando, portanto, a imunidade tributária prevista pelo art. 149, § 2º, I, da Constituição, relativa tãosomente às contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico. Aponta, por outro lado, a necessidade de perícia técnica, apresentando a indicação de assistente técnico e quesitos, para que seja comprovado o "quantum" devido, em observância ao princípio da verdade material. Fl. 3391DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 2202-010.365 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10480.721076/2019-99 Sobre a multa de ofício, argui a sua indevida aplicação no percentual de 75%, por seu caráter confiscatório, e requer sua redução para 20%, em razão de jurisprudência que cita e da aplicação do art. 59 da Lei nº 8.383/1991. Sobre a multa pelo descumprimento de obrigação acessória, afirma ter restado caracterizada a sua desproporcionalidade e irrazoabilidade, especialmente em se considerando a multiplicação do seu valor de R$1.500,00 "pelo número de meses e que o contribuinte permaneceu inadimplente na informação do referido mês", totalizando R$48.000,00. Ao final, requer a realização de diligência e ou perícia e, em seguida, a decretação da nulidade ou insubsistência da autuação. Pugna ainda pela juntada posterior de provas. Do Acórdão de Impugnação A tese de defesa não foi acolhida pela DRJ, primeira instância do contencioso tributário, conforme bem sintetizado na ementa alhures transcrita. Do Recurso Voluntário e encaminhamento ao CARF No recurso voluntário o sujeito passivo, reiterando termos da impugnação, postula a reforma da decisão de primeira instância, a fim de anular o lançamento ou cancelá-lo, adicionalmente requer a nulidade da decisão de primeira instância por não ter concordado com a diligência/perícia e que, se necessário, determine a intimação do recorrente para apresentar documentação complementar. Nesse contexto, os autos foram encaminhados para este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), sendo, posteriormente, distribuído por sorteio público para este relator. Apesentou-se memoriais e reiterou a desconstituição integral do “auto de infração a partir do reconhecimento da nulidade decorrente do erro na composição da base de cálculo dos tributos lançados ou, alternativamente, convertido o julgamento em diligência, para que seja realizada a exclusão, da base de cálculo dos tributos constituídos, da integralidade das receitas decorrentes de operações de revenda de produtos importados”. É o que importa relatar. Passo a devida fundamentação analisando, primeiramente, o juízo de admissibilidade e, se superado este, o juízo de mérito para, posteriormente, finalizar com o dispositivo. Voto Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, Relator. Admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo (notificação em 12/09/2019, e-fl. 3.285, protocolo recursal em 12/10/2019, e-fl. 3.287), mas não atende a todos os pressupostos de admissibilidade, sendo caso de conhecimento parcial, pois reconheço fatos impeditivos e mesmo extintivos do direito de recorrer para algumas matérias veiculadas no recurso. Explico. - Inconstitucionalidade Fl. 3392DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 2202-010.365 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10480.721076/2019-99 O recorrente pretende, assim como o fez na impugnação, debater, dentre outros, teses de inconstitucionalidade e princípios constitucionais para afastar a aplicação da lei federal, alega-se caráter confiscatório da multa de ofício aplicada, a qual está prevista no art. 44, I, da Lei n.º 9.430/1996, também não se conforma com a multa pelo descumprimento da obrigação acessória tida por não razoável, além do mais questiona outros aspectos sobre o crivo da constitucionalidade, inclusive vindica a inconstitucionalidade da Lei n.º 10.256, por incluir o art. 22A na Lei n.º 8.212/91, pois não apenas substituiu a contribuição patronal incidente sobre a folha de salários (art. 22, Lei n.º 8.212/91), mas teria instituído verdadeira e nova contribuição. Todas essas matérias sintetizo denominando-as como “alegações de inconstitucionalidades”. Muito bem. A discussão sobre inconstitucionalidade não cabe ser apreciada nestes autos, isso porque há o impedimento da Súmula CARF n.º 2, segundo a qual "[o] CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". Este Egrégio Conselho não pode adentrar no controle de constitucionalidade das leis, somente outorgada esta competência ao Poder Judiciário, devendo o CARF se ater a observar o princípio da presunção da constitucionalidade das normas legais, exercendo, dentro da devolutividade que lhe competir frente a decisão de primeira instância com a dialética do recurso interposto, controle de legalidade do lançamento para observar se o ato se conformou ao disposto na legislação que estava em vigência por ocasião da ocorrência dos fatos, não devendo abordar temáticas de constitucionalidade, salvo em situações excepcionais quando já houver pronunciamento definitivo do Poder Judiciário sobre dado assunto, ocasião em que apenas dará aplicação a norma jurídica constituída em linguagem competente pela autoridade judicial, ou se eventualmente houvesse dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do Procurador- Geral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n.º 10.522, de 2002, ou súmula da Advocacia-Geral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n.º 73, de 1993, ou pareceres do Advogado-Geral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n.º 73, de 1993, ou na forma da nova sistemática do art. 19-A, inciso III, da Lei n.º 10.522, de 2002, se houvesse, ao menos, manifestação da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, independentemente de ato declaratório, o que não é o caso. Não há situação excepcional nestes autos. Adicionalmente, a citada decisão no RE 574.706 não se aplica ao caso em comento, já que trata de contribuições diversas (PIS/COFINS) das lançadas nestes autos. Outrossim, o art. 26-A do Decreto n.º 70.235, de 1972, com redação dada pela Lei 11.941, de 2009, enuncia que, no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Deveras, é vedado ao órgão julgador administrativo negar vigência a normas jurídicas por motivo de alegada inconstitucionalidade de lei. O controle de legalidade efetivado pelo CARF, dentro da devolutividade que lhe competir frente a decisão de primeira instância com a dialética do recurso interposto, analisa a conformidade do ato da administração tributária em parâmetro com a legislação vigente, observa se o ato administrativo de lançamento atendeu seus requisitos de validade, se o ato observou corretamente os elementos da competência, da finalidade, da forma, os motivos (fundamentos de fato e de direito) que lhe dão suporte e a consistência de seu objeto, sempre em dialética com as alegações postas em recurso, observando-se a matéria devolvida para a apreciação na instância revisional, não havendo permissão para declarar inconstitucionalidade de lei ou deixar de aplicar Fl. 3393DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 2202-010.365 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10480.721076/2019-99 a legislação do modo comumente adotado, cabendo exclusivamente ao Poder Judiciário o controle de constitucionalidade, incluindo a interpretação conforme a constituição. Logo, conheço parcialmente do recurso, exceto quanto às alegações de inconstitucionalidades. Apreciação de preliminar antecedente a análise do mérito - Preliminar de nulidade do auto de infração Observo que o recorrente requereu seja reconhecida a nulidade do auto de infração por alegada ofensa ao princípio da verdade material e da ampla defesa. Sustenta que o lançamento deixou de lado os fatos relevantes, contentando-se com informações vertidas em obrigações acessórias (SPED e GFIPs) sem avaliar a natureza das operações e subsequente subsunção dos aspectos fáticos à norma definidora da obrigação tributária principal, não respeitando o princípio da verdade material e da ampla defesa. Advoga viger o princípio da verdade material a impor não se dever pautar por presunções e exigir uma acurada instrução probatória, o que não sinaliza para uma adequação na análise exclusiva de escritura digital contábil, disponível no SPED. Haveria necessidade de analisar notas fiscais e contratos comerciais, os quais dão suporte às operações comerciais, que, por vezes, não se sujeitam a tributação. Pois bem. Não assiste razão ao recorrente. Ora, a legislação tributária autoriza a autoridade fiscal a poder efetuar o lançamento estando de posse dos documentos declarados, registrados e escriturados pela empresa relativos às suas atividades econômicas e às obrigações que deve cumprir. As declarações do contribuinte e a sua contabilidade faz e constitui prova. Ademais, como bem consignou a DRJ, ao assinar os documentos eletrônicos enviados ao SPED, por meio de certificação digital, o contribuinte garante a autoria, a autenticidade, a integridade e a validade jurídica, em sua forma digital e confessa e declara seus registros e operações. Deveras, é lícito ao fisco examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de suas declarações e escrituração fiscal, inclusive podendo propor a penalidade cabível se constatar qualquer não conformidade com a legislação tributária. Daí em diante, competirá ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma por ele declarada e escriturada. Além disso, caminhou bem a DRJ ao concluir que não se deve falar em ofensa à ampla defesa se estão claramente indicados nos relatórios da autuação, especialmente no Relatório Fiscal, a descrição dos motivos e da motivação, os dispositivos legais e normativos infringidos, bem como aqueles determinantes da penalidade aplicada. Observa-se, outrossim, que foi dada ciência dos atos processuais ao contribuinte, ao qual foi concedido prazo para manifestação, tendo sido, desta forma, observados pela Administração Tributária os princípios referidos, bem como as normas reguladoras do processo administrativo fiscal. Tem-se que destacar, outrossim, que a atividade da autoridade administrativa é privativa, competindo-lhe constituir o crédito tributário com a aplicação da penalidade prevista na lei. Demais disto, no processo administrativo fiscal, em regra, somente se pronuncia eventual nulidade nos hipóteses de incidência nos casos dos incisos do art. 59 do Decreto n.º 70.235, o que não resta demonstrado. Sendo assim, rejeito a preliminar de nulidade do auto de infração. - Preliminar de nulidade da decisão de primeira instância e, subsidiariamente, requerimento de diligência pelo juízo ad quem Fl. 3394DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 2202-010.365 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10480.721076/2019-99 Observo que o recorrente requereu seja reconhecida a nulidade da decisão da DRJ sob alegação de cerceamento do direito de defesa em virtude de suposto ilegal indeferimento do pedido de diligência/perícia. Sustenta que a diligência atestaria que a autoridade fiscal procedeu com levantamento contendo várias divergências, de modo a majorar o lançamento. Haveria necessidade de aprofundar a existência do fato gerador. Haveria erro na composição da base de cálculo dos tributos lançados e excesso por receitas decorrentes de operações de revenda de produtos importados. Cita os arts. 16, 18 e 29 do Decreto n.º 70.235. Invoca o princípio da verdade material. Diz que a negativa na realização da perícia fere os princípios da legalidade, da razoabilidade e da ampla defesa, cerceando o direito de defesa. Subsidiariamente, requer que seja determinada a diligência ou perícia e traz novamente os quesitos e indicação de assistente técnico (conferir e-fls. 3.299). O recorrente requereu fosse determinado o retorno dos autos a DRF Recife/PE para realização da Perícia/Diligência nos documentos já anexados e, caso seja necessário, fosse intimado a apresentar a documentação complementar, em busca da verdade real e material, alegando a necessidade de se identificar que houve divergências no levantamento realizado pela autoridade fiscal que estaria a gerar cobranças a maior que não guardaria amparo com a realidade dos fatos, bem como por ser necessária a exclusão de verbas e receitas que compõem a base de cálculo por ter majorado com equívoco as contribuições lançadas. Pois bem. Entendo que não assiste razão ao recorrente. Isto porque, é lícito ao fisco examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de suas declarações e escrituração fiscal, as quais pressupõem serem verídicas e atestarem os fatos efetivamente ocorridos a impor, quando exigido pela legislação tributária, o lançamento de ofício suplementar, de modo que competirá ao contribuinte o ônus de provar que tais declarações e escriturações não ocorreram na forma por ele declarada e escriturada. Lado outro, não compete ao órgão julgador produzir ou determinar a produção da prova que cabe a um dos polos da demanda. Neste sentido, agiu corretamente a decisão de primeira instância e, também, impõe-se o indeferimento do pedido de perícia/diligência formulado em segunda instância. Ademais, também, não é caso de atender ao pedido do recorrente de que seja ele intimado para apresentar outros eventuais documentos. A realização de diligência ou perícia pressupõe que a prova não pode ou não cabe ser produzida por uma das partes, ou que o fato a ser provado necessite de conhecimento técnico especializado, fora do campo de atuação do julgador e não é o caso em concreto. Neste contexto, a autoridade julgadora indeferirá os pedidos de diligência que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Estando presentes nos autos todos os elementos aptos a tomada de decisão motiva, necessários à adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de perícia/diligência, não havendo que se falar, outrossim, em ofensa à verdade material. Demais disto, a Súmula CARF n.º 163 reza que: “[o] indeferimento fundamentado de requerimento de diligência ou perícia não configura cerceamento do direito de defesa, sendo facultado ao órgão julgador indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis” (Vinculante, conforme Portaria ME nº 12.975, de 10/11/2021, DOU de 11/11/2021). Veja-se que a prova dos autos ou o procedimento não são ilegais. Todo o procedimento ocorreu dentro da legalidade, observando-se as normas de regência. O relatório fiscal bem detalha todas as bases e os fatos geradores (e-fls. 40/54). Fl. 3395DF CARF MF Original Fl. 11 do Acórdão n.º 2202-010.365 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10480.721076/2019-99 Por sua vez, cabe ao contribuinte comprovar que os fatos não são constitutivos do crédito tributário como apontado motivadamente pela fiscalização. Por conseguinte, os argumentos de defesa não socorrem ao recorrente, inexistindo qualquer nulidade ou vício insanável. A temática, em realidade, relativa ao lançamento, deve ser discutida no mérito. Efetivamente, entendo que não pode ser acolhido o requerimento de diligência/perícia. Não há nos autos, para o caso de autuação, necessidade da prova pericial postulada. O recorrente é quem pode e deve produzir provas acerca dos fatos que alega dúvida. Se não fez uma produção de prova, ou uma produção de prova eficaz, não cabe realização de perícia/diligência para sanar a falta. Ora, o contribuinte não pode, efetivamente, pretender suprir, mediante diligência ou perícia, um ônus probatório que lhe compete atender de forma satisfatória. Lado outro, a análise dos documentos colacionados se dará no mérito. Obiter dictum, não há que se falar em nulidade ou mesmo em cerceamento ou preterição do direito de defesa quando a autoridade lançadora indicou expressamente as infrações imputadas ao sujeito passivo e observou todos os demais requisitos constantes do art. 10 do Decreto n.º 70.235, de 1972, reputadas ausentes às causas previstas no art. 59 do mesmo diploma legal, ainda mais quando, efetivamente, mensurou motivadamente os fatos que indicou para imputação, estando determinada a matéria tributável, tendo identificado o “fato imponível”. Os relatórios fiscais, em conjunto com os documentos acostados, atenderam plenamente aos requisitos estabelecidos pelo art. 142, do CTN, bem como pela legislação federal atinente ao processo administrativo fiscal (Decreto n.º 70.235/1972), pois descreve os fatos que deram ensejo à constituição do presente crédito tributário, caracterizando-os como fatos geradores e fornecendo todo o embasamento legal e normativo para o lançamento. Ou, em outras palavras, o auto de infração está revestido de todos os requisitos legais, uma vez que o fato gerador foi minuciosamente explicitado no relatório fiscal, a base legal do lançamento foi demonstrada e todos os demais dados necessários à correta compreensão da exigência fiscal e de sua mensuração constam dos diversos discriminativos que integram a autuação. Além disto, houve a devida apuração do quantum exigido, indicando-se os respectivos critérios que sinalizam os parâmetros para evolução do crédito constituído. A fundamentação legal está posta e compreendida pelo autuado, tanto que exerceu seu direito de defesa bem debatendo o mérito do lançamento. A autuação e o acórdão de impugnação convergem para aspecto comum quanto às provas que identificam a subsunção do caso concreto à norma tributante, estando os autos bem instruídos e substanciados para dá lastro a subsunção jurídica efetivada. Os fundamentos estão postos, foram compreendidos e a recorrente exerceu claramente seu direito de defesa rebatendo-os, a tempo e modo, em extenso arrazoado para o bom e respeitado debate. Sendo assim, rejeito a preliminar de nulidade da decisão da DRJ, bem como não compete a este Colegiado determinar a apresentação de outros documentos e indefiro pedido de realização de diligência/perícia. Mérito Quanto ao juízo de mérito, passo a apreciá-lo. Fl. 3396DF CARF MF Original Fl. 12 do Acórdão n.º 2202-010.365 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10480.721076/2019-99 Como informado em linhas pretéritas, a controvérsia é relativa ao lançamento de ofício e se refere a contribuição previdenciária patronal da agroindústria, regida pelo art. 22A da Lei n.º 8.212, incidentes sobre a receita bruta proveniente da comercialização, no mercado interno (Anexo I do relatório fiscal), da produção rural própria e adquirida de terceiros, incluindo aquelas destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT), não declaradas em GFIP. Igualmente, houve o lançamento das contribuições devidas a Terceiros (SENAR), essa calculada sobre a comercialização da produção rural destinada ao mercado interno (Anexo I do relatório fiscal) e sobre a comercialização da produção rural destinada ao mercado externo (Anexo II do relatório fiscal), não declaradas em GFIP. Outrossim, houve o lançamento da multa por descumprimento de obrigação acessória em virtude de ter transmitido com atraso a Escrituração Contábil Digital (ECD). Os fatos geradores e suas competências foram destacadas no relatório alhures. Passo ao enfrentamento das teses recursais conforme capitulado em recurso. - Da alegação de indevida inclusão do ICMS, ISS e PIS/COFINS na base de cálculo das contribuições incidentes sobre a receita bruta Alega o recorrente que a DRJ não acolheu a tese de excesso no lançamento, uma vez que contém diversas rubricas que deveriam ser excluídas, quais sejam, o ICMS, o ISS e o PIS/COFINS que estão inclusos na base de cálculo das contribuições lançadas incidentes sobre a receita bruta da comercialização da produção própria e adquirida de terceiros. Sustenta que tais rubricas não ingressam de forma permanente no patrimônio do contribuinte, apenas transitam pelo caixa e não tem natureza de receita proveniente da exploração da atividade da empresa, não sendo receita bruta passível de tributação. Invoca a tese RE 574.706/PR, que tratou da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS. Pois bem. Não assiste razão ao recorrente. Isto porque, inexiste previsão legal ou declaração de inconstitucionalidade com efeito vinculante próprio para permitir a exclusão do ICMS, do ISS e do PIS/COFINS da base de cálculo das contribuições lançadas incidentes sobre a receita bruta da comercialização da produção própria e adquirida de terceiros do regime do art. 22A da Lei n.º 8.212, aplicável no caso das Agroindústrias. Adicionalmente, cabe esclarecer que em seu recurso o contribuinte pretende equiparar o instituto da CPRB, esse previsto nos artigos 7.º e 8.º da Lei n.º 12.456, inicialmente como regime optativo, com o regime do lançamento pautado no art. 22A da Lei n.º 8.212, o qual, inclusive, é de regime obrigatório não facultativo. Os institutos não são os mesmos, a despeito de serem equivalentes em sua lógica, considerando que ambos tratam de contribuição previdenciária incidente sobre a receita bruta, em caráter substitutivo ao recolhimento sobre a folha de salários. Esse comentário é importante para esclarecer que no caso da CPRB, caso o instituto fosse o mesmo, o STF já teria firmado tese de que “É constitucional a inclusão do Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços – ICMS na base de cálculo da Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta – CPRB” (RE 1.187.264, Tema 1048 da Repercussão Geral da Suprema Corte, que tratou de decidir leading case com a descrição: “Recurso extraordinário em que se discute, à luz do artigo 195, inciso I, alínea “b”, da Constituição Federal, se o Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços – ICMS integra a base de cálculo da Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta – CPRB”). Fl. 3397DF CARF MF Original Fl. 13 do Acórdão n.º 2202-010.365 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10480.721076/2019-99 O ponto é que, atualmente, no contexto do lançamento dos autos e a nível de discussão no contencioso administrativo fiscal, pautado por mero controle de legalidade, sem enfrentamento de teses constitucionais, não há base legal ou declaração de inconstitucionalidade com efeito vinculante próprio para permitir a exclusão do ICMS, do ISS e do PIS/COFINS da base de cálculo das contribuições lançadas no caso concreto incidentes sobre a receita bruta da comercialização da produção própria e adquirida de terceiros do regime tributário obrigatório do art. 22A da Lei n.º 8.212, aplicável no caso das Agroindústrias. Ainda que o regime do art. 22A da Lei n.º 8.212 seja de índole vinculante (diferente da CPRB, Lei 12.456, de aspecto facultativo, bem considerado pelo STF no Tema 1048), não se pode estender os efeitos da chamada “tese do século” (Tema 69/STF – RE 574.706) para o caso dos autos. O eventual debate seria de âmbito constitucional. Infraconstitucionalmente, lado outro, reforço que não há permisso legal para a exclusão. Ora, por ausência de previsão normativa, não se exclui os tributos ICMS, ISS, PIS/COFINS da base de cálculo da receita bruta do regime do art. 22A da Lei nº 8.212, com redação dada pela Lei nº 10.256, de 2001, que corresponde ao valor total da receita proveniente da comercialização da produção própria e da adquirida de terceiros, industrializada ou não, incluindo aquela decorrente da revenda de mercadorias. É inaplicável o Tema 69 (RE 574.706) da Repercussão Geral do STF por distinção da tese, a qual, aliás, se aplica no caso da exclusão do ICMS para a base de cálculo das contribuições do PIS/COFINS e apenas a partir de 15/03/2017, por força de modulação. Ainda que o regime do art. 22A seja obrigatório tratando de receita bruta da comercialização da produção, diferentemente da CPRB da Lei nº 12.456 com regras próprias e facultativas ao contribuinte por ser regime optativo, instituto com o qual não deve se confundir a normativa do art. 22A (cogente), e mesmo que possa ser sustentado haver uma lógica sistemática em relação ao cômputo da base de cálculo do regime do art. 22A com o regime de apuração do PIS/COFINS (em ambos, de certo modo, receita/faturamento), inexiste disposição legal ou pronunciamento do STF para validar a exclusão do ICMS da base de cálculo composta pelas receitas brutas da comercialização da produção (faturamento) para os fins do regime do art. 22A, não competindo ao contencioso administrativo fiscal adotar posição conflituosa com a legislação infraconstitucional não autorizativa da exclusão. Não se pode tecnicamente pretender equiparar os institutos da CPRB da Lei nº 12.456 com o regime do art. 22A por serem distintos em sua normatividade, inclusive quanto a facultatividade do primeiro e a obrigatoriedade do segundo, ademais, considerando que o recorrente pretende a equiparação, o STF para a CPRB, no RE 1.187.264, Tema 1.048 da Repercussão Geral, firmou que “É constitucional a inclusão do Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços – ICMS na base de cálculo da Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta – CPRB”. De qualquer sorte, não deve se confundir os institutos e não compete ao contencioso administrativo fiscal, quanto ao regime do art. 22A, decidir pela exclusão de tributos sem amparo legal. Veja-se que sobre a inclusão, na base de cálculo das contribuições lançadas, de valores de ICMS, ISS e PIS/COFINS, vale destacar que a base de cálculo apurada corresponde àquela definida pela legislação previdenciária, qual seja, a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural própria e da produção adquirida de terceiros, a saber: Lei nº 8.212/1991: Art. 22A. A contribuição devida pela agroindústria, definida, para os efeitos desta Lei, como sendo o produtor rural pessoa jurídica cuja atividade econômica seja a industrialização de produção própria ou de produção própria e adquirida de terceiros, incidente sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção, em substituição às previstas nos incisos I e II do art. 22 desta Lei, é de: (Incluído pela Lei nº 10.256, de 2001). Fl. 3398DF CARF MF Original Fl. 14 do Acórdão n.º 2202-010.365 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10480.721076/2019-99 I - dois vírgula cinco por cento destinados à Seguridade Social; (Incluído pela Lei nº 10.256, de 2001). II - zero vírgula um por cento para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade para o trabalho decorrente dos riscos ambientais da atividade.(Incluído pela Lei nº 10.256, de 2001). § 5º O disposto no inciso I do art. 3º da Lei nº 8.315, de 23 de dezembro de 1991, não se aplica ao empregador de que trata este artigo, que contribuirá com o adicional de zero vírgula vinte e cinco por cento da receita bruta proveniente da comercialização da produção, destinado ao Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR). (Incluído pela Lei nº 10.256, de 2001). Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 1999: Art.201-A. A contribuição devida pela agroindústria, definida como sendo o produtor rural pessoa jurídica cuja atividade econômica seja a industrialização de produção própria ou de produção própria e adquirida de terceiros, incidente sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção, em substituição às previstas no inciso I do art. 201 e art. 202, é de:(Incluído pelo Decreto nº 4.032, de 2001) I - dois vírgula cinco por cento destinados à Seguridade Social; e(Incluído pelo Decreto nº 4.032, de 2001) II - zero vírgula um por cento para o financiamento do benefício previsto nos arts. 64 a 70, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade para o trabalho decorrente dos riscos ambientais da atividade. (Incluído pelo Decreto nº 4.032, de 2001) § 1º Para os fins deste artigo, entende-se por receita bruta o valor total da receita proveniente da comercialização da produção própria e da adquirida de terceiros, industrializada ou não. (Incluído pelo Decreto nº 4.032, de 2001) Instrução Normativa RFB nº 971, de 2009: Art. 57. As bases de cálculo das contribuições sociais previdenciárias da empresa e do equiparado são as seguintes: IV - o valor bruto da receita da comercialização da produção rural própria, se produtor rural pessoa jurídica ou da comercialização da produção própria, ou da produção própria e da adquirida de terceiros, se agroindústria; Art. 166. O fato gerador das contribuições sociais ocorre na comercialização: III - da produção própria ou da adquirida de terceiros, industrializada ou não, pela agroindústria, exceto quanto às sociedades cooperativas e às agroindústrias de piscicultura, carcinicultura, suinocultura e a de avicultura, a partir de 1º de novembro de 2001. Art. 173. A partir de 1º de novembro de 2001, a base de cálculo das contribuições devidas pela agroindústria é o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção própria e da adquirida de terceiros, industrializada ou não, exceto para as agroindústrias de piscicultura, carcinicultura, suinocultura e avicultura e para as sociedades cooperativas. Portanto, não há previsão legal para a exclusão do valor de tributos, que eventualmente componham a receita bruta da comercialização da produção, da base de cálculo. Sendo assim, sem razão o recorrente neste capítulo. - Da alegação de indevida inclusão da receita decorrente da revenda de produtos acabados importados no lançamento Alega o recorrente que a DRJ não acolheu a tese de excesso no lançamento, uma vez que contém na base de cálculo a inclusão da receita decorrente da revenda de produtos acabados importados. Informa que, em relação ao álcool, apenas procede com a importação e revenda. Advoga que nas Notas Fiscais de Venda emitidas se demonstra que se trata de Venda de Mercadorias adquiridas de terceiros, logo não cuidando de venda de produção própria. Pois bem. Não assiste razão ao recorrente. Ora, o procedimento fiscal teve por base, essencialmente, as notas fiscais emitidas pela empresa, disponíveis no ambiente nacional do SPED. O exame da documentação demonstra que as atividades econômicas desenvolvidas pela empresa consistiram na comercialização de açúcar e de álcool, a partir tanto da produção própria quanto da produção adquirida de terceiros, definindo o contribuinte como Agroindústria. Fl. 3399DF CARF MF Original Fl. 15 do Acórdão n.º 2202-010.365 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10480.721076/2019-99 Consta dos autos que os fatos geradores das contribuições lançadas (contribuição patronal sobre comercialização da produção rural sem sub-rogação e SENAR) foi o auferimento de receitas nas operações de comercialização realizadas pela empresa, no mercado interno, da produção rural própria e da produção rural adquirida de terceiros, industrializada ou não, e o auferimento de receita proveniente das demais atividades econômicas, exceto a decorrente da prestação de serviços a terceiros. As operações de comercialização da produção foram identificadas nas emissões de Notas Fiscais, disponíveis no ambiente nacional do SPED, tendo sido anexados os arquivos extraídos do SPED como meio de prova e sintetizadas as informações gerando o ANEXO I (e-fls. 55/58). As receitas totais referentes à comercialização da produção foram apuradas a partir do exame das Notas Fiscais de Saída informadas no ANEXO I (Vendas para o Mercado Interno), excluídas as Receitas de Exportação. Sobre as receitas decorrentes da exportação direta da produção não incidiu contribuições para a Seguridade Social, nos termos do art. 149, § 2º, inciso I, da Constituição Federal. O mencionado ANEXO I traz informações relativas à Mês da Emissão, Dia da Emissão, Número da Nota, Chave da Nota, Entrada/Saída, Receita Bruta, Código do Participante, Tipo do Participante, Nome do Participante, Observações, Descrição CFOP, Descrição NCM e Valor da Nota. Dito isto, veja-se que sobre a inclusão, na base de cálculo das contribuições lançadas, de valores de produtos importados e revendidos, vale destacar que a base de cálculo apurada corresponde àquela definida pela legislação previdenciária, qual seja, a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural própria e da produção adquirida de terceiros, conforme transcrito e exposto no capítulo anterior. Por conseguinte, a receita decorrente da comercialização da produção adquirida de terceiros, industrializada ou não, também integra e deve integrar a base de cálculo das contribuições, sendo correto o lançamento neste particular. No caso a norma legal explicita que a receita obtida com o exercício de atividade econômica diversa das atividades rural ou industrial, como aquela decorrente da revenda de mercadorias, integra sim a base de cálculo da contribuição social previdenciária substitutiva (incidente sobre a receita bruta), exceto no caso das operações praticadas pela consulente relativas à prestação de serviços a terceiros. Sendo assim, sem razão o recorrente neste capítulo. - Da alegação de impossibilidade de dupla incidência sobre a receita bruta. Da alegação de interpretação equivocada quanto à aplicação/utilização da CPRB para o caso da recorrente Alega o recorrente que não tratou de discutir a inconstitucionalidade do art. 22A da Lei n.º 8.212, incluído pela Lei n.º 10.256, de 2001, mas sim explicando que a Constituição Federal repudia a incidência de duas contribuições sociais tendo a mesma base de cálculo daquelas previstas no art. 195, caput e seus incisos. Assim, sustenta que a autoridade fiscal ao aplicar o art. 22A da Lei n.º 8.212, incluído pela Lei n.º 10.256, de 2001, ingressa em vedação constitucional. Advoga que o § 4.º do art. 195 da Constituição permite a criação de novas fontes de custeio da seguridade social, desde que sejam observadas as condições estabelecidas no art. 154, inciso I, da Constituição. Diz que a Lei n.º 10.256/2001, ao incluir o art. 22A na Lei n.º 8.212/91, não apenas substituiu a contribuição patronal incidente sobre a folha de salários (art. 22, Lei n.º 8.212/91), mas instituiu verdadeira e nova contribuição. Fl. 3400DF CARF MF Original Fl. 16 do Acórdão n.º 2202-010.365 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10480.721076/2019-99 Muito bem. Apesar de toda a argumentação, pretende o recorrente debate de inconstitucionalidade do art. 22A da Lei n.º 8.212, incluído pela Lei n.º 10.256, de 2001, o que não pode ser enfrentado conforme Súmula CARF n.º 2, não tendo sido a matéria conhecida, conforme capítulo acerca da admissibilidade. De mais a mais, no Tema 281 da Repercussão Geral do STF, no leading case do RE 611.601, cuja descrição retrata “[r]ecurso extraordinário em que se discute, à luz dos artigos 150, II; 154, I; e 195, I e §§ 4º ao 13, da Constituição Federal, a constitucionalidade, ou não, do art. 1º da Lei nº 10.256/2001, que introduziu o art. 22A na Lei nº 8.212/91, o qual prevê contribuição para a seguridade social a cargo das agroindústrias com incidência sobre a receita bruta em caráter de substituição à contribuição sobre a remuneração paga, devida ou creditada pela empresa”, foi firmada a Tese segundo a qual: “É constitucional o art. 22A da Lei nº 8.212/1991, com a redação da Lei nº 10.256/2001, no que instituiu contribuição previdenciária incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção, em substituição ao regime anterior da contribuição incidente sobre a folha de salários”. Sendo assim, sem razão o recorrente neste capítulo. - Da alegação de inclusão indevida de valores na base de cálculo da contribuição devida ao SENAR sobre a receita bruta na comercialização no mercado interno: impossibilidade de inclusão do ICMS, ISS e do PIS/COFINS na base de cálculo Alega o recorrente que a DRJ não acolheu a tese do capítulo em análise. Sustenta que a discussão é a mesma tratada no capítulo “Da alegação de indevida inclusão do ICMS, ISS e PIS/COFINS na base de cálculo das contribuições incidentes sobre a receita bruta”. Muito bem. De fato, a tese tem o mesmo encaminhamento do capítulo citado, pelo que passo a replicar aquela solução. Alega o recorrente que a DRJ não acolheu a tese de excesso no lançamento, uma vez que contém diversas rubricas que deveriam ser excluídas, quais sejam, o ICMS, o ISS e o PIS/COFINS que estão inclusos na base de cálculo das contribuições lançadas incidentes sobre a receita bruta da comercialização da produção própria e adquirida de terceiros, no caso aqui tratado destinada ao SENAR. Sustenta que tais rubricas não ingressam de forma permanente no patrimônio do contribuinte, apenas transitam pelo caixa e não tem natureza de receita proveniente da exploração da atividade da empresa, não sendo receita bruta passível de tributação. Invoca a tese RE 574.706/PR, que tratou da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS. Pois bem. Não assiste razão ao recorrente. Isto porque, inexiste previsão legal ou declaração de inconstitucionalidade com efeito vinculante próprio para permitir a exclusão do ICMS, do ISS e do PIS/COFINS da base de cálculo das contribuições lançadas incidentes sobre a receita bruta da comercialização da produção própria e adquirida de terceiros destinadas ao SENAR a semelhança do regime do art. 22A da Lei n.º 8.212, aplicável às Agroindústrias. Adicionalmente, cabe esclarecer que em seu recurso o contribuinte pretende equiparar o instituto da CPRB, esse previsto nos artigos 7.º e 8.º da Lei n.º 12.456, inicialmente como regime optativo, com o regime do lançamento pautado para as Agroindústrias (art. 22A da Lei n.º 8.212, o qual, inclusive, é de regime obrigatório não facultativo). Os institutos não são os mesmos, a despeito de serem equivalentes em sua lógica, considerando que ambos tratam de contribuição previdenciária incidente sobre a receita bruta, em caráter substitutivo ao recolhimento sobre a folha de salários. Esse comentário é importante para esclarecer que no caso da CPRB, caso o instituto fosse o mesmo, o STF já teria firmado tese de que “É constitucional a Fl. 3401DF CARF MF Original Fl. 17 do Acórdão n.º 2202-010.365 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10480.721076/2019-99 inclusão do Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços – ICMS na base de cálculo da Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta – CPRB” (RE 1.187.264, Tema 1048 da Repercussão Geral da Suprema Corte, que tratou de decidir leading case com a descrição: “Recurso extraordinário em que se discute, à luz do artigo 195, inciso I, alínea “b”, da Constituição Federal, se o Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços – ICMS integra a base de cálculo da Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta – CPRB”). O ponto é que, atualmente, no contexto do lançamento dos autos e a nível de discussão no contencioso administrativo fiscal, pautado por mero controle de legalidade, sem enfrentamento de teses constitucionais, não há base legal ou declaração de inconstitucionalidade com efeito vinculante próprio para permitir a exclusão do ICMS, do ISS e do PIS/COFINS da base de cálculo das contribuições lançadas no caso concreto. Ainda que o regime do art. 22A da Lei n.º 8.212 seja de índole vinculante (diferente da origem da CPRB, Lei 12.456, de aspecto facultativo, bem considerado pelo STF no Tema 1048), não se pode estender os efeitos da chamada “tese do século” (Tema 69/STF – RE 574.706) para o caso dos autos, muito menos para a questão das contribuições destinadas ao SENAR. O eventual debate seria de âmbito constitucional. Veja-se que sobre a inclusão, na base de cálculo das contribuições lançadas, de valores de ICMS, ISS e PIS/COFINS, vale destacar que a base de cálculo apurada corresponde àquela definida pela legislação previdenciária, qual seja, a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural própria e da produção adquirida de terceiros, a saber: Lei nº 8.212/1991: Art. 22A. A contribuição devida pela agroindústria, definida, para os efeitos desta Lei, como sendo o produtor rural pessoa jurídica cuja atividade econômica seja a industrialização de produção própria ou de produção própria e adquirida de terceiros, incidente sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção, em substituição às previstas nos incisos I e II do art. 22 desta Lei, é de: (Incluído pela Lei nº 10.256, de 2001). I - dois vírgula cinco por cento destinados à Seguridade Social; (Incluído pela Lei nº 10.256, de 2001). II - zero vírgula um por cento para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade para o trabalho decorrente dos riscos ambientais da atividade.(Incluído pela Lei nº 10.256, de 2001). § 5º O disposto no inciso I do art. 3º da Lei nº 8.315, de 23 de dezembro de 1991, não se aplica ao empregador de que trata este artigo, que contribuirá com o adicional de zero vírgula vinte e cinco por cento da receita bruta proveniente da comercialização da produção, destinado ao Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR). (Incluído pela Lei nº 10.256, de 2001). Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 1999: Art.201-A. A contribuição devida pela agroindústria, definida como sendo o produtor rural pessoa jurídica cuja atividade econômica seja a industrialização de produção própria ou de produção própria e adquirida de terceiros, incidente sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção, em substituição às previstas no inciso I do art. 201 e art. 202, é de:(Incluído pelo Decreto nº 4.032, de 2001) I - dois vírgula cinco por cento destinados à Seguridade Social; e(Incluído pelo Decreto nº 4.032, de 2001) II - zero vírgula um por cento para o financiamento do benefício previsto nos arts. 64 a 70, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade para o trabalho decorrente dos riscos ambientais da atividade. (Incluído pelo Decreto nº 4.032, de 2001) § 1º Para os fins deste artigo, entende-se por receita bruta o valor total da receita proveniente da comercialização da produção própria e da adquirida de terceiros, industrializada ou não. (Incluído pelo Decreto nº 4.032, de 2001) Instrução Normativa RFB nº 971, de 2009: Art. 57. As bases de cálculo das contribuições sociais previdenciárias da empresa e do equiparado são as seguintes: Fl. 3402DF CARF MF Original Fl. 18 do Acórdão n.º 2202-010.365 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10480.721076/2019-99 IV - o valor bruto da receita da comercialização da produção rural própria, se produtor rural pessoa jurídica ou da comercialização da produção própria, ou da produção própria e da adquirida de terceiros, se agroindústria; Art. 166. O fato gerador das contribuições sociais ocorre na comercialização: III - da produção própria ou da adquirida de terceiros, industrializada ou não, pela agroindústria, exceto quanto às sociedades cooperativas e às agroindústrias de piscicultura, carcinicultura, suinocultura e a de avicultura, a partir de 1º de novembro de 2001. Art. 173. A partir de 1º de novembro de 2001, a base de cálculo das contribuições devidas pela agroindústria é o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção própria e da adquirida de terceiros, industrializada ou não, exceto para as agroindústrias de piscicultura, carcinicultura, suinocultura e avicultura e para as sociedades cooperativas. Portanto, não há previsão legal para a exclusão do valor de tributos, que eventualmente componham a receita bruta da comercialização da produção, da base de cálculo. De mais a mais, no Tema 281 da Repercussão Geral do STF, no leading case do RE 611.601, cuja descrição retrata “[r]ecurso extraordinário em que se discute, à luz dos artigos 150, II; 154, I; e 195, I e §§ 4º ao 13, da Constituição Federal, a constitucionalidade, ou não, do art. 1º da Lei nº 10.256/2001, que introduziu o art. 22A na Lei nº 8.212/91, o qual prevê contribuição para a seguridade social a cargo das agroindústrias com incidência sobre a receita bruta em caráter de substituição à contribuição sobre a remuneração paga, devida ou creditada pela empresa”, inclusive prevendo também a contribuição ao SENAR na forma do §5.º do art. 22A da Lei 8.212, foi firmada a Tese segundo a qual: “É constitucional o art. 22A da Lei nº 8.212/1991, com a redação da Lei nº 10.256/2001, no que instituiu contribuição previdenciária incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção, em substituição ao regime anterior da contribuição incidente sobre a folha de salários”. Sendo assim, sem razão o recorrente neste capítulo. - Da alegação de imunidade das receitas decorrentes de exportação relativas à contribuição devida ao SENAR: Tese de natureza jurídica de contribuição social geral Em apertada síntese, alega o recorrente que, tendo a contribuição destinada ao SENAR natureza jurídica de contribuição social “geral”, não deve compor base de cálculo diante da regra de imunidade do inciso I do § 2.º do art. 149 da Constituição Federal. Não se conforma que a natureza jurídica de tal contribuição seja entendida pela autoridade fiscal e pela decisão recorrida como sendo caracterizada como contribuição de interesse das categorias profissionais ou econômicas, de modo a afastar a imunidade tributária prevista pelo art. 149, § 2.º, I, relativa às contribuições sociais (“gerais”) e as contribuições de intervenção no domínio econômico. Muito bem. Neste capítulo, para além do específico debate da natureza jurídica da contribuição em vergasta, é importante dizer que a controvérsia é relativa ao lançamento de ofício e se refere à contribuição ao SENAR incidente sobre a receita bruta da comercialização da produção rural exportada. Segundo o contribuinte o lançamento está equivocado, conforme argumentos apresentados em impugnação e reiterados no recurso voluntário (sintetizados acima). Entendo que não assiste razão ao recorrente. Explico. A contribuição destinada ao Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR) devida pela Agroindústria tem fundamento no § 5.º do art. 22A da Lei n.º 8.212, acrescentado pela Lei n.º 10.256, de 2001, que determina que a Agroindústria deve contribuir para o SENAR com o adicional de 0,25% da receita bruta proveniente da comercialização da produção. Discute-se a natureza jurídica da referida contribuição sendo certo que foi instituída com a finalidade específica de custear atividades em benefício dos trabalhadores rurais, Fl. 3403DF CARF MF Original Fl. 19 do Acórdão n.º 2202-010.365 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10480.721076/2019-99 configurando-se, portanto, como contribuição de interesse de categoria profissional ou econômica. De fato, pode-se extrair da Lei n.º 8.315/91 (que criou o SENAR) que a contribuição em questão é paga por integrantes de um grupo específico, sendo revertido em benefício dele, restando patente a sua conformação à hipótese de contribuição de interesse de categoria profissional ou econômica. Aliás, para afastar quaisquer dúvidas acerca da natureza desta contribuição, é de se registrar o que consta em informativo intitulado “Conhecendo o SENAR”, disponibilizado pelo próprio SENAR, na Internet, no endereço eletrônico www.senar.org.br, no tocante ao tema: (...) Criado pela Lei nº 8.315, de 23 de dezembro de 1991, e regulamentado pelo Decreto nº 566, de 10 de junho de 1992, o SENAR tem o objetivo de organizar, administrar e executar, em todo o território nacional, a Formação Profissional Rural (FPR) e a Promoção Social (PS) de jovens e adultos, homens e mulheres que exerçam atividades no meio rural. Começou a atuar, de fato, em 1993. (...) Para o custeio das ações, o SENAR tem como fonte de recurso a contribuição mensal compulsória recolhida por produtores rurais, pessoas físicas e jurídicas, e tem caráter corporativo, de interesse de categoria profissional e econômica. A natureza jurídica da contribuição do SENAR é distinta da contribuição previdenciária (FUNRURAL) e, embora, por razões operacionais, tenha seu recolhimento efetuado na mesma Guia da Previdência Social – GPS, difere-se desta em sua destinação e objetivo. A contribuição ao SENAR é de 0,2% para produtor rural pessoa física e 0,25% para produtor rural pessoa jurídica sobre a receita bruta oriunda da produção agropecuária paga pelos produtores rurais... (...) Logo, é de ser reconhecida se tratar de contribuição de interesse de categorias profissionais ou econômicas. De mais a mais, as referidas razões de decidir, estão em sintonia com os precedentes deste Egrégio Conselho, veja-se: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Ano-calendário: 2003, 2006 CONTRIBUIÇÕES AO SENAR. NATUREZA JURÍDICA. IMUNIDADE. A natureza jurídica das contribuições destinadas ao SENAR, com base de cálculo prevista pelo art. 22A, da Lei n.º 8.212, de 1991 é de contribuição de interesse de categorias econômicas, assim, inaplicável a imunidade a que se refere o inciso I do § 2º do art. 149 da Constituição. (Acórdão CARF 2201-004.540, Relator Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2001 a 28/02/2002 SENAR. NATUREZA JURÍDICA. CONTRIBUIÇÃO DEVIDA INCIDENTE SOBRE AS RECEITAS DECORRENTES DE EXPORTAÇÃO. É devida a contribuição destinada ao SENAR incidente sobre receitas decorrentes de exportação em virtude da sua natureza jurídica ser de contribuição de interesse de categorias econômicas. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Acórdão CARF 2202-003.907, Relator Conselheiro Martin da Silva Gesto) Fl. 3404DF CARF MF Original Fl. 20 do Acórdão n.º 2202-010.365 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10480.721076/2019-99 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2006 a 31/08/2009 CONTRIBUIÇÕES AO SENAR. NATUREZA JURÍDICA. CONTRIBUIÇÃO DE INTERESSE DAS CATEGORIAS PROFISSIONAIS OU ECONÔMICAS. IMUNIDADE NA EXPORTAÇÃO. INEXISTÊNCIA. A contribuição ao SENAR, destinada ao atendimento de interesses de um grupo de pessoas; formação profissional e promoção social do trabalhador rural; inclusive financiada pela mesma categoria, possui natureza de contribuição de interesse das categorias profissionais ou econômicas, em sua essência jurídica, destinada a proporcionar maior desenvolvimento à atuação de categoria específica, portanto inaplicável a imunidade das receitas decorrentes da exportação. (Acórdão CARF 9202-006.510, Relatora Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz) No mesmo sentido: Acórdão CARF 9202-006.595 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 CONTRIBUIÇÃO AO SENAR. COMERCIALIZAÇÃO DESTINADA AO EXTERIOR, INCLUSIVE VIA TRADING. IMUNIDADE. INAPLICABILIDADE. A imunidade prevista no § 2º do art. 149 da Constituição Federal apenas abrange as contribuições sociais e as destinadas à intervenção no domínio econômico, ainda que a exportação seja realizada via terceiros trading’s, não se estendendo, no entanto, ao SENAR, por se tratar de contribuição de interesse das categorias profissionais ou econômicas. (Acórdão CARF 9202-007.578, Relatora Conselheira Elaine C. M. e S. Vieira) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2006 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÕES AO SENAR. NATUREZA JURÍDICA. CONTRIBUIÇÃO DE INTERESSE DAS CATEGORIAS PROFISSIONAIS OU ECONÔMICAS. IMUNIDADE NA EXPORTAÇÃO. INEXISTÊNCIA. A contribuição ao SENAR, destinada ao atendimento de interesses de um grupo de pessoas; formação profissional e promoção social do trabalhador rural; inclusive financiada pela mesma categoria, possui natureza de contribuição de interesse das categorias profissionais ou econômicas, em sua essência jurídica, destinada a proporcionar maior desenvolvimento à atuação de categoria específica, portanto inaplicável a imunidade das receitas decorrentes da exportação. (Acórdão CARF 9202-008.161, Relator Conselheiro Maurício Nogueira Righetti) Adicionalmente, em sessão da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), datada de 26/09/2023, no Processo n.º 11634.720186/2017-33 (Acórdão CARF n.º 9202- 011.015), foi decidido por aquele respeitado Colegiado que a natureza jurídica do SENAR é de contribuição de interesse de categorias profissionais ou econômicas. Referida decisão da CSRF manteve, pelos seus próprios fundamentos, o Acórdão CARF n.º 2202-008.409, originário desta Turma (2202), cuja decisão foi unânime, sob outra composição, decorrente de sessão de julgamento de 14/07/2021, cuja ementa sintetizava e esteve sob minha relatoria: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2016 CONTRIBUIÇÕES AO SENAR. NATUREZA JURÍDICA. CONTRIBUIÇÃO DE INTERESSE DAS CATEGORIAS PROFISSIONAIS OU ECONÔMICAS. IMUNIDADE NA EXPORTAÇÃO. INEXISTÊNCIA. Fl. 3405DF CARF MF Original Fl. 21 do Acórdão n.º 2202-010.365 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10480.721076/2019-99 A contribuição ao SENAR, destinada ao atendimento de interesses de um grupo de pessoas; formação profissional e promoção social do trabalhador rural; inclusive financiada pela mesma categoria, possui natureza de contribuição de interesse das categorias profissionais ou econômicas, em sua essência jurídica, destinada a proporcionar maior desenvolvimento à atuação de categoria específica, portanto inaplicável a imunidade das receitas decorrentes da exportação. A imunidade prevista no inciso I do § 2.º do art. 149 da Constituição Federal apenas abrange as contribuições sociais e as destinadas à intervenção no domínio econômico, ainda que a exportação seja realizada via terceiros (trading companies), não se estendendo, no entanto, ao SENAR, por se tratar de contribuição de interesse das categorias profissionais ou econômicas. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAR A INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. SÚMULA CARF N.º 2. A Súmula CARF n.º 2 enuncia que o Egrégio Conselho não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Neste prisma, e ainda de forma mais específica, entendo que a contribuição ao SENAR tem natureza de contribuição de interesse de categorias econômicas. Isto porque, a uma, a mencionada contribuição possui a mesma estrutura normativa das relativas ao SENAI e ao SESC/SENAC, sendo essas dotadas de reconhecida natureza jurídica de contribuição de interesse de categorias profissionais ou econômicas, conforme entendimentos do STF (a exemplo do AI n.º 610.247); a duas, as categorias econômicas de contribuintes ligados ao SENAR inegavelmente se beneficiam de forma direta do tributo, havendo competente organização corporativa por meio da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), sendo seu objetivo proporcionar desenvolvimento à atuação do produtor rural, por isso exigida de contribuintes vinculados ao específico setor beneficiado e a arrecadação é, assim, destinada a ações de formação profissional rural e promoção social de trabalhadores e produtores rurais. Ademais, pretender uma categorização como contribuição social geral, sob argumento, como por vezes exposto, que têm finalidade de educação e que essa é competência do Estado, não me parece trazer luzes concretas a definição da natureza jurídica da contribuição destinada ao SENAR. É que, em relação a educação, qualquer categoria profissional ou econômica possui parcela de interesse refletido em atividades educacionais. O ponto aqui é observar que a contribuição ao SENAR no ponto em que promove atividades educacionais o faz com escopo muito específico voltado à categoria econômica específica de produtores rurais no contexto da atividade econômica do agro que se beneficia diretamente da contribuição. Logo, como não se pode olvidar que a natureza tributária das contribuições é determinada por sua finalidade, tem-se nítida a natureza jurídica de contribuição de interesse de categorias econômicas. Ora, os próprios serviços oferecidos pelo SENAR alcançam diretamente toda a categoria profissional e econômica da agropecuária ou do agro brasileiro, sendo reconhecidamente revertida em favor do setor de produção rural. Por isso, trata-se de contribuição corporativo-econômica, ligada a atividade econômica do agro, administrada por entidade privada desvinculada da Administração Pública e não se pode esquecer que a entidade é vinculada à rede sindical dos produtores rurais, dentro da estrutura do CNA, distanciando-se, portanto, das contribuições sociais gerais. Veja-se que o SENAR está compreendido no escopo dos serviços autônomos criados para atuarem junto a categorias profissionais e econômicas, tais como, SESC, SENAC, SESI, SENAI, SEST e SENAT, além dos outros com atuação no domínio econômico, incentivando certas atividades, como o SEBRAE, APEX-Brasil e ABDI. Fl. 3406DF CARF MF Original Fl. 22 do Acórdão n.º 2202-010.365 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10480.721076/2019-99 Logo, com natureza de contribuição corporativa, isto é, enquadrando-se como contribuição de interesse de categoria econômica, não se aplica o inciso I do § 2.º do art. 149 da Constituição, não sendo contemplada com imunidade, sendo as receitas de exportação base de cálculo da contribuição ao SENAR, destarte correto o lançamento. Observe-se, outrossim, que após proposta inicial, na lavra de Sua Excelência o Ministro Dias Toffoli do Supremo Tribunal Federal, para Ementa no RE 816.830 (Leading Case do Tema 801 da Repercussão Geral do STF), na qual se definia a contribuição destinada ao SENAR como contribuição social geral (conforme publicação de ementa em 24/04/2023), sobreveio nova decisão do STF no caso, por força de embargos de declaração, tendo no último dia 11/09/2023 se encerrado o julgamento (Ata de Julgamento Publicada, DJE Divulgado em 18/09/2023) e sido excluído da Ementa qualquer definição obiter dictum, específica da visão de Sua Excelência Ministro Dias Toffoli, quanto a eventual natureza jurídica de contribuição social geral para a contribuição destinada ao SENAR. A decisão se deu nestes termos: Decisão: (ED-segundos) O Tribunal, por unanimidade, acolheu em parte os embargos de declaração opostos pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR) e os embargos de declaração opostos pela União para que a ementa do acórdão embargado passe a ter a seguinte redação: "Recurso extraordinário. Repercussão geral. Direito tributário. Contribuição ao SENAR. Sistema S. Artigo 240 da CF. Alcance. Contribuinte empregador rural pessoa física. Base de cálculo. Substituição. Receita bruta da comercialização da produção. Artigo 2º da Lei nº 8.540/91, art. 6º da Lei nº 9.528/97 e art. 3º da Lei nº 10.256/01. Constitucionalidade. Critérios da finalidade e da referibilidade atendidos. 1. O art. 240 da Constituição Federal não implica proibição de mudança das regras matrizes dos tributos destinados às entidades privadas de serviço social e de formação profissional vinculadas ao sistema sindical. Preservada a destinação (Sistema S), fica plenamente atendido um dos aspectos do peculiar critério de controle de constitucionalidade dessas contribuições, que é a pertinência entre o destino efetivo do produto arrecadado e a finalidade da tributação. 2. Foi fixada a seguinte tese para o Tema nº 801: 'É constitucional a contribuição destinada ao SENAR incidente sobre a receita bruta da comercialização da produção rural, na forma do art. 2º da Lei nº 8.540/92, com as alterações do art. 6º da Lei 9.528/97 e do art. 3º da Lei nº 10.256/01'. 3. Recurso extraordinário ao qual se nega provimento.", tudo nos termos do voto do Relator. Plenário, Sessão Virtual de 1.9.2023 a 11.9.2023. A Ementa anterior no item 1 continha originariamente o texto “1. A contribuição ao SENAR, embora tenha pontos de conexão com os interesses da categoria econômica respectiva e com a seguridade social, em especial com a assistência social, está intrinsecamente voltada para uma contribuição social geral. Precedente: RE nº 138.284/CE, Tribunal Pleno, Rel. Min. Carlos Velloso, DJ de 28/8/92”. A questão é que o precedente citado não era vinculante, tão pouco reflete a posição da atual composição do STF, ademais Suas Excelências os Ministros Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes se manifestavam no sentido diverso por entenderem e adiantarem que a contribuição destinada ao SENAR é corporativa, isto é, contribuição de interesse de categoria econômica. No mais, Sua Excelência o Ministro Edson Fachin acompanhava o Ministro Toffoli, porém registrando se cuidar de obiter dictum, enquanto isso os demais Ministros não se manifestaram sobre a natureza jurídica em espécie. Logo, no máximo, poderia se “cogitar” de um empate quanto a natureza jurídica discutida, porém a míngua de solução definitiva pela Excelsa Corte, tenho firmado, conforme motivação alhures, que se cuida de contribuição de interesse de categoria econômica. Fl. 3407DF CARF MF Original Fl. 23 do Acórdão n.º 2202-010.365 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10480.721076/2019-99 Aliás, a título de uniformização aos contribuintes, inclusive para fins de segurança jurídica e equilíbrio concorrencial, essa natureza jurídica vem sendo divulgada pela Administração Tributária há muito tempo e com base em análise legislativa vigente e, dentro do controle de legalidade exercido motivadamente neste voto, compreendida como correta. Por conseguinte, regular o lançamento e pretender declaração ou reconhecimento de inconstitucionalidade esbarra na Súmula CARF n.º 2, a saber: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Sendo assim, sem razão o recorrente neste capítulo. - Da alegação de indevida aplicação da multa de 75% ou da minoração, quando muito, para 20%, por inadimplemento, sob pena de confisco (art. 150, IV, da CF) O recorrente se insurge, ainda, contra o percentual da multa do lançamento de ofício pretendendo o afastamento ou a redução. A discussão de inconstitucionalidade, de confisco, de limites, de proporcionalidade, de razoabilidade no percentual, de pleito de redução baseado em tais teses etc., não são apreciadas, por ser vedado deixar de aplicar a lei federal por motivo de reconhecimento de inconstitucionalidade sem decisão específica vinculante do STF, remanescendo o debate sobre a correta aplicação da multa. Pois bem. No que se relaciona a multa de ofício de 75%, não lhe assiste razão. Ora, o patamar mínimo da multa de ofício é fixo e definido objetivamente pela lei e decorre do lançamento de ofício, quando formalizada a exigência de crédito tributário pela Administração Tributária. Trata-se de aplicação da lei, restando legítimo o percentual mínimo de 75%, conforme preceito normativo. O lançamento e seu relatório fiscal bem delimitam o enquadramento legal, inexistindo desconhecimento da legislação de regência em plena vigência no ocasião do fato gerador. A multa consta indicada e delimitada no lançamento de infração e decorre dos fatos narrados no termo de verificação fiscal. Aliás, a atividade de lançamento é plenamente vinculada, nos termos do art. 142 do CTN. No mais, o julgador administrativo está impedido de reduzi-la ou afastá-la, vez que amparado em lei federal, sendo vedado ao Colegiado declarar a inconstitucionalidade de norma legal (àquela que fixa a multa de ofício em 75%, Lei 9.430, art. 44, I). Súmula CARF n.º 2: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Sendo assim, sem razão o recorrente neste capítulo. - Da alegação sobre a multa pelo descumprimento de obrigação acessória O recorrente advoga e insiste que está sendo punido por mero descumprimento de obrigação acessória, qual seja: falta/atraso na prestação de informações ou esclarecimentos. Diz que o valor cobrado pela referida autuação, qual seja, R$ 48.000,00 (quarenta e oito mil reais), é aviltante em face aos valores demonstrados como divergentes na autuação fiscal; ocorrendo, no entanto, que todas as suas teses restaram vencidas. Alega que se feriu os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade que, de pronto, precisariam ser ponderados quando da análise do caso concreto. Vê-se, portanto, que o recorrente se insurge contra o valor indicado para a multa pelo descumprimento de obrigação acessória pretendendo o afastamento ou a redução. A discussão de inconstitucionalidade, de confisco, de limites, de proporcionalidade, de razoabilidade no percentual, de pleito de redução baseado em tais teses etc., não são apreciadas, Fl. 3408DF CARF MF Original Fl. 24 do Acórdão n.º 2202-010.365 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10480.721076/2019-99 por ser vedado deixar de aplicar a lei federal por motivo de reconhecimento de inconstitucionalidade sem decisão específica vinculante do STF, remanescendo o debate sobre a correta aplicação da multa pelo descumprimento de obrigação acessória. Muito bem. No que se relaciona a irresignação contra a multa pelo descumprimento de obrigação acessória, não lhe assiste razão. Ora, o patamar mínimo da multa pelo descumprimento de obrigação acessória é definido objetivamente pela lei e decorre do lançamento de ofício, quando formalizada a penalidade pela falta praticada. Trata-se de aplicação da lei, conforme preceito normativo. O lançamento e seu relatório fiscal bem delimitam o enquadramento legal, inexistindo desconhecimento da legislação de regência em plena vigência. A multa consta indicada e delimitada no lançamento e decorre dos fatos narrados no termo de verificação fiscal. Aliás, a atividade de lançamento é plenamente vinculada, nos termos do art. 142 do CTN. No mais, o julgador administrativo está impedido de reduzi-la ou afastá-la, vez que amparado em lei federal, sendo vedado ao Colegiado declarar a inconstitucionalidade de norma legal (àquela que fixa a multa pelo descumprimento da obrigação acessória). Súmula CARF n.º 2: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Além disso, veja-se que a multa acessória aplicada pela entrega extemporânea, em 27/01/2019, da Escrituração Contábil Digital de 2015, a qual deveria ter sido transmitida até 31/05/2016 (art. 5.º da IN RFB n.º 1420/2013), foi calculada com base nos dispositivos normativos citados na autuação, a saber: Art. 57. O sujeito passivo que deixar de cumprir as obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 16 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999, ou que as cumprir com incorreções ou omissões será intimado para cumpri-las ou para prestar esclarecimentos relativos a elas nos prazos estipulados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e sujeitar-se-á às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 12.873, de 2013) I - por apresentação extemporânea: (Redação dada pela Lei nº 12.766, de 2012) a) R$ 500,00 (quinhentos reais) por mês-calendário ou fração, relativamente às pessoas jurídicas que estiverem em início de atividade ou que sejam imunes ou isentas ou que, na última declaração apresentada, tenham apurado lucro presumido ou pelo Simples Nacional; (Redação dada pela Lei nº 12.873, de 2013) b) R$ 1.500,00 (mil e quinhentos reais) por mês-calendário ou fração, relativamente às demais pessoas jurídicas; (Redação dada pela Lei nº 12.873, de 2013) Considerando que o período de atraso na entrega da ECD, de 06/2016 a 01/2019, corresponde a 32 meses-calendário, foi corretamente aplicada a multa de R$ 48.000,00, que corresponde ao produto de 32 x R$ 1.500,00, não podendo ser apreciada a alegação de irrazoabilidade e desproporcionalidade, como ponderado acima. Sendo assim, sem razão o recorrente neste capítulo. Conclusão quanto ao Recurso Voluntário Em apreciação racional da lide, motivado pelas normas aplicáveis à espécie e provas colacionadas, relatado, analisado e por mais o que dos autos constam, em resumo, voto Fl. 3409DF CARF MF Original Fl. 25 do Acórdão n.º 2202-010.365 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10480.721076/2019-99 por conhecer parcialmente do recurso, exceto quanto às alegações de inconstitucionalidades, rejeito a preliminar de nulidade do auto de infração, assim como rejeito a preliminar de nulidade da decisão da DRJ, bem como rejeito o pedido para que seja determinada a apresentação de outros documentos e indefiro pedido de realização de diligência/perícia; e, na parte conhecida, quanto ao mérito, nego-lhe provimento. Alfim, finalizo em sintético dispositivo. Dispositivo Ante o exposto, CONHEÇO PARCIALMENTE do recurso, exceto quanto às alegações de inconstitucionalidades; e na parte conhecida, NEGO-LHE PROVIMENTO. É como Voto. (documento assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Fl. 3410DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 10425.900177/2008-36
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/10/2001 a 31/10/2001
PER/DCOMP. PIS/PASEP. PAGAMENTO EM VALOR SUPERIOR AO
DEVIDO. COMPROVAÇÃO DOCUMENTAL.
Comprovada documentalmente a ocorrência de pagamento em valor superior ao devido, cabível o reconhecimento do direito creditório decorrente e a homologação da compensação, até o limite do valor a restituir.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3801-001.014
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento ao recurso.
Nome do relator: JOSE LUIZ BORDIGNON
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PIS/PASEP. PAGAMENTO EM VALOR SUPERIOR AO DEVIDO. COMPROVAÇÃO DOCUMENTAL. Comprovada documentalmente a ocorrência de pagamento em valor superior ao devido, cabível o reconhecimento do direito creditório decorrente e a homologação da compensação, até o limite do valor a restituir. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) José Luiz Bordignon Relator. EDITADO EM: 23/02/2012 Fl. 126DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por NAIARA WILKE DE SIQUEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), José Luiz Bordignon, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Raquel Motta Brandão Minatel. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por NAIARA WILKE DE SIQUEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10425.900177/200836 Acórdão n.º 3801001.014 S3TE01 Fl. 119 3 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo a seguir: “Trata o presente processo de pedido de restituição do PIS, cumulado com o pedido de Compensação formalizado por meio do Pedido Restituição e Declaração de Compensação — PER/DCOMP n° 26995.02781.150604.1.3.043656, de fls.01/05, com os seguintes créditos e débitos, respectivamente: PIS/Pasep Data de Arrecadação: 14/11/2001. PIS/Pasep Período de Apuração: 31/05/2004. 2. O pleito foi indeferido pelo Despacho Decisório Eletrônico de fl.15, do Delegado da Receita Federal do Brasil em Campina Grande PB com base nas seguintes constatações, in verbis: "Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no Per/Dcomp: R$ 702,84. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para a quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo disponível para a compensação dos débitos informados no PER/DCOMP.” Utilização dos Pagamentos encontrados para o DARF discriminado no PER/DCOMP: N° do Pagamento Valor Original Total Processo (PR) Per/Dcomp/Débito Valor Original Utilizado 1175689941 2.853,69 DB: cód 2172 PA 31/10/2001 2.853,69 Valor Total 2.853,69 3. Cientificada de tal negativa em 06/05/2008 conforme "AR" de fl. 15, verso, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade de fls. 06/08, na data de 05/06/2008, contestando o indeferimento sob os seguintes argumentos, em síntese: I discorda da afirmação contida no Despacho Decisório de que os pagamentos informados no Per/Dcomp haveriam sido integralmente utilizados para quitar os débitos da empresa, uma vez que, de acordo com informações colhidas junto ao CAC da Delegacia da Receita Federal do Brasil do Recife, tal afirmação decorre do fato de não haverem sido retificados os débitos declarados em DCTF, para ajustálos aos novos valores dos débitos apurados; Fl. 128DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por NAIARA WILKE DE SIQUEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 4 II assim, apresentou A RFB, as DCTF retificadoras informando os corretos valores do PIS e da Cofins da empresa, os quais, tendo sido revistos, geraram indébitos tributários, na forma do art.165, I, do CTN, razão pela qual poderiam ser utilizados pela empresa, como o foram, para a compensação de outros débitos seus para com a Receita Federal; II requer, à vista do exposto, e entendendo que ficaram comprovados os créditos relativos aos pagamentos a maior do PIS e da Cofins, que seja processada a presente manifestação de inconformidade, reconhecido o seu direito creditório e homologadas as compensações realizadas nos Per/Dcomp relacionados ao presente processo”. A Delegacia de Julgamento em Recife (PE) proferiu a seguinte decisão, nos termos da ementa abaixo transcrita: “Ementa: COMPENSAÇÃO TRIBUTARIA RETIFICAÇÃO DE DCTF. A simples retificação da DCTF após a apresentação da Per/Dcomp não homologada expressamente pela autoridade administrativa não tem o condão de validar a compensação de créditos alocados anteriormente a débitos já declarados pelo sujeito passivo em DCTF, com os novos débitos declarados no referido Per/Dcomp. COMPENSAÇÃO TRIBUTARIA. A compensação, nos termos em que está definida em lei (art. 170 do CTN), só poderá ser homologada se os créditos do contribuinte em relação á Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, estejam revestidos dos atributos de liquidez e certeza. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso de fls. 95 a 100, reproduzindo, na essência, as razões apresentadas por ocasião da manifestação de inconformidade, acrescentando, em síntese: • Que, ao contrário do que informa a DRJ/ Recife em sua análise, na manifestação de Inconformidade apresentada pela empresa esta menciona que realmente não havia retificado sua DCTF antes da realização das compensações, no entanto, tal falha foi suprida com mais rigor pela retificação prévia da DIPJ da empresa, na qual está demonstrado o novo valor de apuração dos débitos da empresa, que geraram a ocorrência de créditos relativos a pagamentos a maior ou indevidos. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por NAIARA WILKE DE SIQUEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10425.900177/200836 Acórdão n.º 3801001.014 S3TE01 Fl. 120 5 • Que a DCTF, como declaração fornecida pela empresa à Receita Federal, apenas informa, sem nenhum método de apuração dos débitos. Por seu turno, a DIPJ apresenta os valores de faturamento da empresa, outras receitas, exclusões e diversos outros itens estabelecidos pela legislação que culminam na apuração do PIS ou COFINS a pagar nas respectivas fichas de apuração da DIPJ. REQUER: De todo o exposto e demonstrado nesta, restando comprovado que a decisão proferida não condiz com a realidade dos fatos, requer que seja processado regularmente o presente Recurso Voluntário, na forma do Decreto n° 70.235/72, de acordo com os mandamentos do art. 74, da Lei n° 9.430/96 e, ao final, julgado integralmente procedente para, anulando a decisão proferida, determinar o reconhecimento do direito de crédito da empresa relativo aos pagamentos a maior de PIS e COFINS e a conseqüente homologação integral das compensações realizadas. É o relatório. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por NAIARA WILKE DE SIQUEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 6 Voto Conselheiro José Luiz Bordignon, Relator O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Trata o presente caso de PER/DCOMP apresentada em 15/06/2004 (fls. 01 a 05), na qual é informado como origem do crédito pagamento a maior de Pis/Pasep, realizado em 14/11/2001, compensado com débito da própria contribuição, referente ao PA 05/2004, no valor de R$ 1.035,64. Tal pretensão foi indeferida pela DRF/Campina Grande – PB em 24/04/2008, em razão de estar todo o valor pago vinculado ao crédito tributário declarado na DCTF respectiva. Na manifestação de inconformidade, a contribuinte afirma que apresentou à RFB as DCTFs retificadoras, informando os corretos valores do PIS e da Cofins da empresa, os quais, tendo sido revistos, geraram indébitos tributários, na forma do art.165, I, do CTN, razão pela qual poderiam ser utilizados pela empresa, como o foram, para a compensação de outros débitos seus para com a Receita Federal. A DRJ/Recife – PE manteve a nãohomologação, entendendo ser ônus do contribuinte a apresentação de prova documental comprobatória do direito alegado, o que, segundo o entendimento daquela autoridade, não foi feito no presente processo. Em seu recurso voluntário, aduz a recorrente que apesar da retificação da DCTF não ter sido realizada antes da apresentação do PER/DCOMP, reafirma que a DIPJ foi retificada antes da compensação, razão pela qual entende que, formalmente, a apuração da liquidez e certeza dos créditos foi corretamente realizada antes das compensações, estando de acordo com a legislação em vigor. Assevera que os valores corretos que deveriam constar na DCTF referentes a outubro de 2001 era de R$ 2.150,83 a título de Pis/Pasep, fls. 32, e não de R$ 2.853,69. Também, que este fato foi comprovado com a juntada aos autos da DIPJ 2002, retificadora, apresentada em 15/06/2004, fls. 39/83, antes da ciência do Despacho Decisório de fls. 15, ocorrido em 06/05/2008. Compulsandose as peças que compõem o presente processo, verificase que a recorrente informou na DCTF do 4º/trimestre/2001 (fls. 15), referente ao mês de outubro, a importância de R$ 2.853,69 a título de Pis/Pasep e efetuou o pagamento deste mesmo valor em 14/11/2001. Também, que apurou como devido, no mesmo período, o montante de R$ 2.150,83 a título de Pis/Pasep, fls. 67, conforme DIPJ 2002, retificadora, apresentada em 15/06/2004, fls. 39/83. Por conseguinte, entendo que efetivamente restou comprovada nos autos a ocorrência de pagamento de Pis/Pasep em valor superior ao devido, relativamente ao PA 10/2001, sendo devido o valor de R$ 2.150,83 e recolhido o valor de R$ 2.853,69, caracterizandose como indevido o valor original de R$ 702,84. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por NAIARA WILKE DE SIQUEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10425.900177/200836 Acórdão n.º 3801001.014 S3TE01 Fl. 121 7 Desse modo, diante do acima exposto, encaminho meu voto no sentido de julgar procedente o recurso voluntário para reconhecer o direito creditório no valor original de R$ 702,84, na data de 14/11/2001, homologando a compensação requerida até o limite do crédito a restituir. É assim que voto. (assinado digitalmente) José Luiz Bordignon Fl. 132DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por NAIARA WILKE DE SIQUEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 16327.720724/2016-04
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 03 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ)
Ano-calendário: 2011
RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO.
AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. PROPÓSITO NEGOCIAL. CONFUSÃO PATRIMONIAL. EMPRESA VEÍCULO. CONTEXTOS FÁTICOS DIFERENTES. DIVERGÊNCIA NÃO CARACTERIZADA. Não se conhece de recurso especial cujos acórdãos apresentados para demonstrar a divergência evidenciam decisões em contexto fático distinto, nos quais afirma-se a existência de propósito negocial e valida-se a interposição de empresa-veículo, bem como confirma-se a confusão patrimonial em face de operações nas quais a holding promove a aquisição do investimento com ágio, ou recebe o investimento adquirido com ágio em razão de restrições regulatórias à incorporação com a adquirente, distintamente do que verificado no acórdão recorrido.
ÁGIO AMORTIZADO CONTABILMENTE ANTES DA INCORPORAÇÃO. FALTA DE INTERESSE RECURSAL. FUNDAMENTO INATACADO. Não se conhece de recurso especial se a interessada não logra demonstrar divergência jurisprudencial acerca do fundamento, no acórdão recorrido, de exigência de confusão patrimonial entre a investida e a adquirente do investimento.
ADIÇÃO DE AMORTIZAÇÕES DE ÁGIO À BASE DE CÁLCULO DA CSLL. Não se conhece de recurso especial cujos acórdãos apresentados para demonstrar a divergência evidenciam decisões em contextos fáticos distintos, concernentes a amortização de ágio mantido no patrimônio da investidora e adicionadas ao lucro real, ou a amortização de ágio transferido, mas considerada dedutível na apuração do lucro real, diversamente do contexto presente, no qual o sujeito passivo pretende, subsidiariamente, a dedutibilidade na apuração da CSLL se mantida a indedutibilidade no âmbito do IRPJ.
Numero da decisão: 9101-006.763
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(documento assinado digitalmente)
FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Presidente em exercício.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Edeli Pereira Bessa, Luis Henrique Marotti Toselli, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Luciano Bernart (Suplente convocado), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Viviani Aparecida Bacchmi, Maria Carolina Maldonado Mendonça Kraljevic (Suplente convocada), e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente em exercício).
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 2011 RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. PROPÓSITO NEGOCIAL. CONFUSÃO PATRIMONIAL. EMPRESA VEÍCULO. CONTEXTOS FÁTICOS DIFERENTES. DIVERGÊNCIA NÃO CARACTERIZADA. Não se conhece de recurso especial cujos acórdãos apresentados para demonstrar a divergência evidenciam decisões em contexto fático distinto, nos quais afirma-se a existência de propósito negocial e valida-se a interposição de empresa-veículo, bem como confirma-se a confusão patrimonial em face de operações nas quais a holding promove a aquisição do investimento com ágio, ou recebe o investimento adquirido com ágio em razão de restrições regulatórias à incorporação com a adquirente, distintamente do que verificado no acórdão recorrido. ÁGIO AMORTIZADO CONTABILMENTE ANTES DA INCORPORAÇÃO. FALTA DE INTERESSE RECURSAL. FUNDAMENTO INATACADO. Não se conhece de recurso especial se a interessada não logra demonstrar divergência jurisprudencial acerca do fundamento, no acórdão recorrido, de exigência de confusão patrimonial entre a investida e a adquirente do investimento. ADIÇÃO DE AMORTIZAÇÕES DE ÁGIO À BASE DE CÁLCULO DA CSLL. Não se conhece de recurso especial cujos acórdãos apresentados para demonstrar a divergência evidenciam decisões em contextos fáticos distintos, concernentes a amortização de ágio mantido no patrimônio da investidora e adicionadas ao lucro real, ou a amortização de ágio transferido, mas considerada dedutível na apuração do lucro real, diversamente do contexto presente, no qual o sujeito passivo pretende, subsidiariamente, a dedutibilidade na apuração da CSLL se mantida a indedutibilidade no âmbito do IRPJ. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 07 24 /2 01 6- 04 Fl. 1385DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 9101-006.763 - CSRF/1ª Turma Processo nº 16327.720724/2016-04 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (documento assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO – Presidente em exercício. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA - Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Edeli Pereira Bessa, Luis Henrique Marotti Toselli, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Luciano Bernart (Suplente convocado), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Viviani Aparecida Bacchmi, Maria Carolina Maldonado Mendonça Kraljevic (Suplente convocada), e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente em exercício). Relatório Trata-se de recurso especial interposto por BANCO BRADESCO BERJ S.A. ("Contribuinte") em face da decisão proferida no Acórdão nº 1402-003.736, na sessão de 9 de fevereiro de 2019, no qual foi negado provimento ao recurso voluntário. A decisão recorrida está assim ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2011 DECADÊNCIA. ÁGIO. CONTAGEM DO PRAZO. AMORTIZAÇÃO. DEDUÇÃO. Inicia-se a contagem do prazo decadencial para a constituição dos créditos tributários referentes a glosa do aproveitamento de ágio a partir da sua efetiva amortização pelo contribuinte, antes disso não há como se cogitar a inércia do Fisco. Inteligência da Súmula CARF nº116. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic, nos termos do entendimento consolidado pela Súmula CARF nº 108. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ IRPJ. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. PAGAMENTO EFETUADO POR CONTROLADORA. UTILIZAÇÃO DE EMPRESA VEÍCULO. A amortização do ágio, como regra geral, é indedutível para a apuração do lucro real, bem como da base de cálculo da CSLL. A possibilidade de deduzi-la prevista no art. 386, III, do RIR/99 art. 7º, III, da Lei n° 9.532/97 e art. 10 da Lei n° 9.718/98 não pode prevalecer quando, para sua configuração, é utilizada empresa veículo para, em nome dela e com recursos provenientes de sua controladora, serem adquiridas ações com ágio da empresa que vem a ser a incorporadora e que passa a amortizar ágio de si mesma. A condição legal de ocorrência de uma operação de incorporação, mediante extinção da investida ou da investidora, e da consequente confusão patrimonial entre elas, não pode ser admitida apenas como uma exigência formal, mas deve ser considerada como um Fl. 1386DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 9101-006.763 - CSRF/1ª Turma Processo nº 16327.720724/2016-04 requisito de efetivo conteúdo econômico e societário, que reflita um verdadeiro propósito negocial e não apenas uma opção empresarial dos interessados. TRANSFERÊNCIA DE ÁGIO. IMPOSSIBILIDADE. A subsunção aos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997, assim como aos artigos 385 e 386 do RIR/99, exige a satisfação dos aspectos temporal, pessoal e material. Exclusivamente no caso em que a investida adquire a investidora original (ou adquire diretamente a investidora de fato) é que haverá o atendimento a esses aspectos, o que não ocorre quando inserida no procedimento uma terceira pessoa jurídica com nítido caráter de empresa veículo. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. A exigência decorrente deve seguir a orientação decisória adotada para o tributo principal, tendo em vista ser fundada nos mesmos fatos, mormente em face de norma prevendo, para a CSLL, iguais hipóteses e condições de dedutibilidade de amortização de ágio, existentes em relação ao IRPJ. O litígio decorreu de lançamentos dos tributos incidentes sobre o apurados no ano-calendário 2011 a partir da constatação de despesas indedutíveis e exclusões indevidas, ambas decorrentes de amortização de ágio pago por Banco Bradesco S/A na aquisição do Banco BEC S/A. A autoridade julgadora de 1ª instância manteve integralmente a exigência (e-fls. 571/597). O Colegiado a quo, por sua vez, negou provimento ao recurso voluntário (e-fls. 731/767) nos seguintes termos: Acordam os membros do colegiado, i) por unanimidade de votos: i.i) rejeitar a arguição de decadência; i.ii) negar provimento ao recurso voluntário relativamente à aplicação de juros sobre a multa de ofício; e ii) por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário relativamente ao mérito das glosas de amortização de ágio no âmbito do IRPJ e da CSLL, divergindo os Conselheiros Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Eduardo Morgado Rodrigues. Cientificada em 24/04/2019 (e-fl. 774), a Contribuinte opôs embargos de declaração em 26/04/2019, que foram rejeitados em exame de admissibilidade conforme e-fls. 832/842. A Contribuinte arguiu omissões e obscuridades acerca: i) dos argumentos expostos nos itens III.2 e III.3 de seu recurso voluntário, referentes ao propósito negocial das operações societárias praticadas; ii) da análise das possíveis operações entre “adquirente” e “adquirido”; e iii) do contexto das privatizações, consideradas manifestamente improcedentes. Notificada do despacho em 26/07/2019, a Contribuinte interpôs recurso especial em 09/08/2019 (e-fls. 849/889) no qual arguiu divergências parcialmente admitidas no despacho de exame de admissibilidade de e-fls. 1298/1310, do qual se extrai: 5. Da contraposição dos fundamentos expressos nas ementas e nos votos condutores dos acórdãos, evidencia-se que a Recorrente logrou êxito, apenas em parte, em comprovar a ocorrência do alegado dissenso jurisprudencial, como a seguir demonstrado, por matéria recorrida (destaques do original transcrito): (1) “impossibilidade de aplicação da Teoria do Propósito Negocial” Decisão recorrida: IRPJ. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. PAGAMENTO EFETUADO POR CONTROLADORA. UTILIZAÇÃO DE EMPRESA VEÍCULO. A amortização do ágio, como regra geral, é indedutível para a apuração do lucro real, bem como da base de cálculo da CSLL. A possibilidade de deduzi-la prevista no art. 386, III, do RIR/99 art. 7º, III, da Lei n° 9.532/97 e art. 10 da Lei n° 9.718/98 não pode prevalecer quando, para sua configuração, é utilizada empresa veículo para, em nome dela e com recursos provenientes de sua Fl. 1387DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 9101-006.763 - CSRF/1ª Turma Processo nº 16327.720724/2016-04 controladora, serem adquiridas ações com ágio da empresa que vem a ser a incorporadora e que passa a amortizar ágio de si mesma. A condição legal de ocorrência de uma operação de incorporação, mediante extinção da investida ou da investidora, e da consequente confusão patrimonial entre elas, não pode ser admitida apenas como uma exigência formal, mas deve ser considerada como um requisito de efetivo conteúdo econômico e societário, que reflita um verdadeiro propósito negocial e não apenas uma opção empresarial dos interessados. TRANSFERÊNCIA DE ÁGIO. IMPOSSIBILIDADE. A subsunção aos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997, assim como aos artigos 385 e 386 do RIR/99, exige a satisfação dos aspectos temporal, pessoal e material. Exclusivamente no caso em que a investida adquire a investidora original (ou adquire diretamente a investidora de fato) é que haverá o atendimento a esses aspectos, o que não ocorre quando inserida no procedimento uma terceira pessoa jurídica com nítido caráter de empresa veículo. [...]. Além disso – e até como reflexo disto – não consigo visualizar o propósito negocial exigido na operação, tudo conforme se verá adiante. [...]. Pelo exposto, certo que há uma total ausência de propósito negocial nas operações, todas feitas de forma estruturada e cujos resultados tributários foram matematicamente calculados desde o início, não sendo crível imaginar-se que já não tinha sido programada a futura incorporação da Oregon e do Banco BEC pela Alvorada Cartões com vistas à dedutibilidade de ágio, único e real propósito da engenharia societária. [...]. Com isso, ainda que acentue peremptoriamente ter havido “propósito negocial” (RV – fls. 673/677) e que os objetivos da operação “não eram predominantemente tributários” (RV – fls. 674 – último parágrafo), penso que a única e exclusiva motivação de se ter inserido a Oregon no negócio foi a busca de vantagem tributária. Acórdão paradigma nº 1302-001.150, de 2013: GLOSA DA AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO INDEVIDA. SIMULAÇÃO NÃO CARACTERIZADA. Deve ser afastada a imputação de simulação, quando não demonstrado o pacto simulatório. O fato de o investidor no exterior ter preferido aportar capital em uma subsidiária brasileira, para que essa depois adquirisse as ações da recorrente com ágio não se constitui em conduta simulada, pois, diante de dois caminhos lícitos, não estaria obrigado a optar pelo mais oneroso tributariamente, ou seja, aquele em que ele adquirisse diretamente as ações com ágio e depois não pudesse realizar o evento (incorporação, fusão ou cisão) que lhe permitisse recuperar o custo sem alienar o investimento. [...]. Os julgadores do CARF prestarão um grande serviço ao Estado e à sociedade brasileiras se imprimirem segurança jurídica e isonomia ao sistema, evitando que suas decisões fiquem ao sabor lotérico do entendimento de cada conselheiro sobre conceitos vagos não positivados como, por exemplo, “falta de propósito negocial”, que não passa de uma construção jurisprudencial alienígena, sem respaldo no ordenamento jurídico pátrio. Acórdão paradigma nº 1302-002.045, de 2017: Fl. 1388DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 9101-006.763 - CSRF/1ª Turma Processo nº 16327.720724/2016-04 PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. PROPÓSITO NEGOCIAL. EMPRESA VEÍCULO. Os dispositivos legais concernentes ao registro e amortização do ágio fiscal não vedam que as operações societárias sejam realizadas, única e exclusivamente, com fins ao aproveitamento do ágio. O legislador tributário, não desconsidera o fato de o contribuinte buscar uma maneira menos onerosa de conduzir seus negócios, seja por motivos tributários, societários, econômicos ou quaisquer outros, desde que o faça licitamente. [...]. Estando, o ato administrativo, estritamente aprisionado aos quadrantes da lei, não cabe à Administração adentrar na motivação do particular em proceder conforme os ditames legais. A alegação de “inexistência de propósito negocial” advém de construção jurisprudencial estrangeira, que não encontra validade no nosso Ordenamento Jurídico, justamente por conflitar com uma gama de princípios, como o da Legalidade Tributária, descrito acima, além de outros princípios como a livre de iniciativa, estes últimos provenientes da Ordem Econômica. 6. Com relação a essa primeira matéria, ocorre o alegado dissenso jurisprudencial, pois, em situações fáticas semelhantes, sob a mesma incidência tributária e à luz das mesmas normas jurídicas, chegou-se a conclusões distintas. 7. Enquanto a decisão recorrida entendeu que há uma total ausência de propósito negocial nas operações, todas feitas de forma estruturada e cujos resultados tributários foram matematicamente calculados desde o início, os acórdãos paradigmas apontados (Acórdãos nºs 1302-001.150, de 2013, e 1302-002.045, de 2017) decidiram, de modo diametralmente oposto, que “falta de propósito negocial”, [...] não passa de uma construção jurisprudencial alienígena, sem respaldo no ordenamento jurídico pátrio (primeiro acórdão paradigma) e que a alegação de “inexistência de propósito negocial” advém de construção jurisprudencial estrangeira, que não encontra validade no nosso Ordenamento Jurídico (segundo acórdão paradigma). (2) “validade do Propósito Negocial em decorrência da motivação fiscal” Decisão recorrida: IRPJ. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. PAGAMENTO EFETUADO POR CONTROLADORA. UTILIZAÇÃO DE EMPRESA VEÍCULO. A amortização do ágio, como regra geral, é indedutível para a apuração do lucro real, bem como da base de cálculo da CSLL. A possibilidade de deduzi-la prevista no art. 386, III, do RIR/99 art. 7º, III, da Lei n° 9.532/97 e art. 10 da Lei n° 9.718/98 não pode prevalecer quando, para sua configuração, é utilizada empresa veículo para, em nome dela e com recursos provenientes de sua controladora, serem adquiridas ações com ágio da empresa que vem a ser a incorporadora e que passa a amortizar ágio de si mesma. A condição legal de ocorrência de uma operação de incorporação, mediante extinção da investida ou da investidora, e da consequente confusão patrimonial entre elas, não pode ser admitida apenas como uma exigência formal, mas deve ser considerada como um requisito de efetivo conteúdo econômico e societário, que reflita um verdadeiro propósito negocial e não apenas uma opção empresarial dos interessados. TRANSFERÊNCIA DE ÁGIO. IMPOSSIBILIDADE. A subsunção aos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997, assim como aos artigos 385 e 386 do RIR/99, exige a satisfação dos aspectos temporal, pessoal e material. Exclusivamente no caso em que a investida adquire a investidora original (ou adquire diretamente a investidora de fato) é que haverá o atendimento a esses aspectos, o que não ocorre quando inserida no procedimento uma terceira pessoa jurídica com nítido caráter de empresa veículo. Fl. 1389DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 9101-006.763 - CSRF/1ª Turma Processo nº 16327.720724/2016-04 [...]. Além disso – e até como reflexo disto – não consigo visualizar o propósito negocial exigido na operação, tudo conforme se verá adiante. [...]. Pelo exposto, certo que há uma total ausência de propósito negocial nas operações, todas feitas de forma estruturada e cujos resultados tributários foram matematicamente calculados desde o início, não sendo crível imaginar-se que já não tinha sido programada a futura incorporação da Oregon e do Banco BEC pela Alvorada Cartões com vistas à dedutibilidade de ágio, único e real propósito da engenharia societária. [...]. Com isso, ainda que acentue peremptoriamente ter havido “propósito negocial” (RV – fls. 673/677) e que os objetivos da operação “não eram predominantemente tributários” (RV – fls. 674 – último parágrafo), penso que a única e exclusiva motivação de se ter inserido a Oregon no negócio foi a busca de vantagem tributária. Acórdão paradigma nº 1302-001.150, de 2013: GLOSA DA AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO INDEVIDA. SIMULAÇÃO NÃO CARACTERIZADA. Deve ser afastada a imputação de simulação, quando não demonstrado o pacto simulatório. O fato de o investidor no exterior ter preferido aportar capital em uma subsidiária brasileira, para que essa depois adquirisse as ações da recorrente com ágio não se constitui em conduta simulada, pois, diante de dois caminhos lícitos, não estaria obrigado a optar pelo mais oneroso tributariamente, ou seja, aquele em que ele adquirisse diretamente as ações com ágio e depois não pudesse realizar o evento (incorporação, fusão ou cisão) que lhe permitisse recuperar o custo sem alienar o investimento. [...]. Os julgadores do CARF prestarão um grande serviço ao Estado e à sociedade brasileiras se imprimirem segurança jurídica e isonomia ao sistema, evitando que suas decisões fiquem ao sabor lotérico do entendimento de cada conselheiro sobre conceitos vagos não positivados como, por exemplo, “falta de propósito negocial”, que não passa de uma construção jurisprudencial alienígena, sem respaldo no ordenamento jurídico pátrio. Acórdão paradigma nº 1302-002.045, de 2017: PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. PROPÓSITO NEGOCIAL. EMPRESA VEÍCULO. Os dispositivos legais concernentes ao registro e amortização do ágio fiscal não vedam que as operações societárias sejam realizadas, única e exclusivamente, com fins ao aproveitamento do ágio. O legislador tributário, não desconsidera o fato de o contribuinte buscar uma maneira menos onerosa de conduzir seus negócios, seja por motivos tributários, societários, econômicos ou quaisquer outros, desde que o faça licitamente. [...]. Por isso, discordo da afirmação ínsita na decisão recorrida, quando afirma que “...o direito de auto-organização não existe para que os contribuintes paguem menos impostos, devendo ser exercido com algum propósito extratributário, a fim de que eventual supressão de tributos seja oponível ao Fisco.” (fl. 25 do Acórdão de Impugnação). Fl. 1390DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 9101-006.763 - CSRF/1ª Turma Processo nº 16327.720724/2016-04 8. No que se refere a essa segunda matéria, também ocorre o alegado dissenso jurisprudencial, pois, em situações fáticas semelhantes, sob a mesma incidência tributária e à luz das mesmas normas jurídicas, chegou-se a conclusões distintas. 9. Enquanto a decisão recorrida entendeu que há uma total ausência de propósito negocial nas operações, todas feitas de forma estruturada e cujos resultados tributários foram matematicamente calculados desde o início, não sendo crível imaginar-se que já não tinha sido programada a futura incorporação da Oregon e do Banco BEC pela Alvorada Cartões com vistas à dedutibilidade de ágio, único e real propósito da engenharia societária, os acórdãos paradigmas apontados (Acórdãos nºs 1302- 001.150, de 2013, e 1302-002.045, de 2017) decidiram, de modo diametralmente oposto, que o fato de o investidor no exterior ter preferido aportar capital em uma subsidiária brasileira, para que essa depois adquirisse as ações da recorrente com ágio não se constitui em conduta simulada, pois, diante de dois caminhos lícitos, não estaria obrigado a optar pelo mais oneroso tributariamente, ou seja, aquele em que ele adquirisse diretamente as ações com ágio e depois não pudesse realizar o evento (incorporação, fusão ou cisão) que lhe permitisse recuperar o custo sem alienar o investimento (primeiro acórdão paradigma) e que os dispositivos legais concernentes ao registro e amortização do ágio fiscal não vedam que as operações societárias sejam realizadas, única e exclusivamente, com fins ao aproveitamento do ágio (segundo acórdão paradigma). (3) “existência de propósito negocial em face da demonstração de motivos extrafiscais” [...] 10. No tocante a essa terceira matéria, não ocorre o alegado dissenso jurisprudencial, por se tratar de situações fáticas distintas. 11. Enquanto na decisão recorrida há uma total ausência de propósito negocial nas operações, nos acórdãos paradigmas apontados (Acórdãos nºs 1301-001.505, de 2014, e 1201-001.507, de 2016), ao contrário, não prospera o argumento de que a real motivação da incorporação foi a utilização do benefício fiscal previsto na lei (primeiro acórdão paradigma) e verificou-se a existência de outras razões de negócio que vão além do benefício fiscal (segundo acórdão paradigma). 12. São, pois, situações fáticas distintas, a demandarem, forçosamente, decisões diversas, insuscetíveis de uniformização por meio do Recurso Especial de divergência. 13. Evidentemente, o primeiro pressuposto para a configuração de dissídio interpretativo, é, inquestionavelmente, a similitude fática entre a matéria discutida nos acórdãos recorrido e paradigmas. Ou seja, é essencial que reste demonstrado que, decidindo matéria semelhante, órgãos julgadores distintos chegaram a conclusões diversas, em razão de divergências na interpretação da legislação tributária. 14. Em outras palavras, se é certo que a divergência deve dizer respeito a questões de direito, e nunca a questões de fato, é evidente que, se os fatos são diversos, a interpretação da norma jurídica não pode ser considerada divergente. 15. Há que se ressaltar, ainda, que a afirmação da Recorrente, de que não há dúvidas quanto à existência de um propósito negocial extrafiscal para a utilização da sociedade Oregn Holding na aquisição do Banco BEC (e-fls. 863), constitui-se em juízo de mérito próprio, do qual pretende ela partir para a demonstração da alegada divergência jurisprudencial, juízo, esse, porém, que não se confirma com a leitura do inteiro teor do acórdão recorrido, no qual nada é afirmado nesse sentido. (4) “efetiva confusão patrimonial entre ‘empresa adquirente’ e investimento adquirido com ágio” Decisão recorrida: IRPJ. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. PAGAMENTO EFETUADO POR CONTROLADORA. UTILIZAÇÃO DE EMPRESA VEÍCULO. Fl. 1391DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 9101-006.763 - CSRF/1ª Turma Processo nº 16327.720724/2016-04 A amortização do ágio, como regra geral, é indedutível para a apuração do lucro real, bem como da base de cálculo da CSLL. A possibilidade de deduzi-la prevista no art. 386, III, do RIR/99 art. 7º, III, da Lei n° 9.532/97 e art. 10 da Lei n° 9.718/98 não pode prevalecer quando, para sua configuração, é utilizada empresa veículo para, em nome dela e com recursos provenientes de sua controladora, serem adquiridas ações com ágio da empresa que vem a ser a incorporadora e que passa a amortizar ágio de si mesma. A condição legal de ocorrência de uma operação de incorporação, mediante extinção da investida ou da investidora, e da consequente confusão patrimonial entre elas, não pode ser admitida apenas como uma exigência formal, mas deve ser considerada como um requisito de efetivo conteúdo econômico e societário, que reflita um verdadeiro propósito negocial e não apenas uma opção empresarial dos interessados. TRANSFERÊNCIA DE ÁGIO. IMPOSSIBILIDADE. A subsunção aos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997, assim como aos artigos 385 e 386 do RIR/99, exige a satisfação dos aspectos temporal, pessoal e material. Exclusivamente no caso em que a investida adquire a investidora original (ou adquire diretamente a investidora de fato) é que haverá o atendimento a esses aspectos, o que não ocorre quando inserida no procedimento uma terceira pessoa jurídica com nítido caráter de empresa veículo. [...]. Por isso, em face do que foi relatado e restou demonstrado ao longo deste voto, a artificialidade da operação decorreu da transferência do ágio para terceiro não envolvido no negócio original, o que, de plano, destrói o argumento da Recorrente, posto que não atendidos os preceitos legais previstos para a espécie (confusão patrimonial, identidade entre as partes e extinção do investimento, dentre outros já mencionados). [...]. Do mesmo modo, no presente caso, na medida em que não houve a necessária reorganização necessária, nem tampouco a confusão patrimonial e a correspondente extinção do investimento, inexiste qualquer reparo a fazer na decisão recorrida, que é convergente com a jurisprudência firmada no âmbito desta Câmara Superior, razão pela qual não há como acolher a pretensão da recorrente também em relação a este item. [...]. Concluindo, o que o legislador pretendeu com o texto legal foi estabelecer, como conditio sine qua non a que o ágio pudesse passar a ser amortizado e a despesa fosse dedutível, que houvesse incorporação, fusão ou cisão das envolvidas e união do ágio e os lucros a que ele se refira, numa mesma pessoa jurídica e, portanto, num mesmo lucro tributável. Esse o âmago, o centro, o ponto nevrálgico da exigência condicional da dedução do ágio e se manifesta através do requisito da absorção de um patrimônio pelo outro, o que, como visto, não se fez presente neste processo. Acórdão paradigma nº 9101-003.609, de 2018: ÁGIO TRANSFERIDO. EMPRESA VEÍCULO. DEDUTIBILIDADE. É legítima a transferência do investimento com ágio, notadamente quando existentes restrições societárias e regulatórias que orientaram a criação de empresa “veículo”. [...]. Ressalto que o artigo 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997, ao tratar da confusão patrimonial como condição da amortização do ágio não tem qualquer referência Fl. 1392DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 9101-006.763 - CSRF/1ª Turma Processo nº 16327.720724/2016-04 ao “investidor original”. A exigência legal é de investimento adquirido com ágio, que poderá ser deduzido quando houver a confusão patrimonial pela empresa que detenha o investimento adquirido, ou mesmo pela própria investida, caso ocorra incorporação reversa. 16. Relativamente a essa quarta matéria, ocorre o alegado dissenso jurisprudencial, pois, em situações fáticas semelhantes, sob a mesma incidência tributária e à luz das mesmas normas jurídicas, chegou-se a conclusões distintas. 17. Enquanto a decisão recorrida entendeu que, exclusivamente no caso em que a investida adquire a investidora original (ou adquire diretamente a investidora de fato) é que haverá o atendimento a esses aspectos [temporal, pessoal e material, esclareço], o que não ocorre quando inserida no procedimento uma terceira pessoa jurídica com nítido caráter de empresa veículo, o acórdão paradigma apontado (Acórdão nº 9101- 003.609, de 2018) decidiu, de modo diametralmente oposto, que a exigência legal é de investimento adquirido com ágio, que poderá ser deduzido quando houver a confusão patrimonial pela empresa que detenha o investimento adquirido, ou mesmo pela própria investida, caso ocorra incorporação reversa. (5) “validade da suposta ‘empresa veículo’” Decisão recorrida: IRPJ. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. PAGAMENTO EFETUADO POR CONTROLADORA. UTILIZAÇÃO DE EMPRESA VEÍCULO. A amortização do ágio, como regra geral, é indedutível para a apuração do lucro real, bem como da base de cálculo da CSLL. A possibilidade de deduzi-la prevista no art. 386, III, do RIR/99 art. 7º, III, da Lei n° 9.532/97 e art. 10 da Lei n° 9.718/98 não pode prevalecer quando, para sua configuração, é utilizada empresa veículo para, em nome dela e com recursos provenientes de sua controladora, serem adquiridas ações com ágio da empresa que vem a ser a incorporadora e que passa a amortizar ágio de si mesma. A condição legal de ocorrência de uma operação de incorporação, mediante extinção da investida ou da investidora, e da consequente confusão patrimonial entre elas, não pode ser admitida apenas como uma exigência formal, mas deve ser considerada como um requisito de efetivo conteúdo econômico e societário, que reflita um verdadeiro propósito negocial e não apenas uma opção empresarial dos interessados. TRANSFERÊNCIA DE ÁGIO. IMPOSSIBILIDADE. A subsunção aos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997, assim como aos artigos 385 e 386 do RIR/99, exige a satisfação dos aspectos temporal, pessoal e material. Exclusivamente no caso em que a investida adquire a investidora original (ou adquire diretamente a investidora de fato) é que haverá o atendimento a esses aspectos, o que não ocorre quando inserida no procedimento uma terceira pessoa jurídica com nítido caráter de empresa veículo. [...]. E nessas oportunidades, sempre que constatada a presença de “empresa veículo” no bojo das operações, meu entendimento (e da Turma, por unanimidade, maioria ou voto de minerva), sempre foi pela impossibilidade de se permitir a dedução fiscal da despesa com amortização do ágio assim gerado. Acórdão paradigma nº 1301-001.505, de 2014: INCORPORAÇÃO DE SOCIEDADE - AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO - ARTIGOS 7º E 8º DA LEI Nº 9.532/97 - PLANEJAMENTO FISCAL INOPONÍVEL AO FISCO - INOCORRÊNCIA. No contexto das Leis 9.472/97 e 9.494/97, e pelo Decreto nº 2.546/97, a efetivação da reorganização de que tratam os artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/97 mediante utilização de empresa veículo, desde que dessa utilização não tenha Fl. 1393DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 9101-006.763 - CSRF/1ª Turma Processo nº 16327.720724/2016-04 resultado aparecimento de novo ágio, não resulta economia de tributos diferente da que seria obtida sem a utilização da empresa veículo e, por conseguinte, não pode ser qualificada de planejamento fiscal inoponível ao fisco. Acórdão paradigma nº 1201-002.247, de 2018: UTILIZAÇÃO DE EMPRESA VEÍCULO. POSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE VEDAÇÃO LEGAL. A utilização da chamada "empresa veículo" não guarda qualquer ilegalidade ou abuso em si, sendo necessária a identificação de outros elementos como a fraude ou simulação para que a glosa da dedução do ágio se justifique. Na hipótese em que presentes para o contribuinte, outras opções de movimentação societária que resultariam no mesmo efeito tributário que é a dedução do ágio, a eventual utilização de empresa veículo configura simples decisão de negócios que não prejudica o benefício fiscal. 18. Com referência a essa quinta matéria, também ocorre o alegado dissenso jurisprudencial, pois, em situações fáticas semelhantes, sob a mesma incidência tributária e à luz das mesmas normas jurídicas, chegou-se a conclusões distintas. 19. Enquanto a decisão recorrida entendeu que a possibilidade de deduzi-la [a amortização do ágio, esclareço] prevista no art. 386, III, do RIR/99 art. 7º, III, da Lei n° 9.532/97 e art. 10 da Lei n° 9.718/98 não pode prevalecer quando, para sua configuração, é utilizada empresa veículo para, em nome dela e com recursos provenientes de sua controladora, serem adquiridas ações com ágio da empresa que vem a ser a incorporadora e que passa a amortizar ágio de si mesma, os acórdãos paradigmas apontados (Acórdãos nºs 1301-001.505, de 2014, e 1201-002.247, de 2018) decidiram, de modo diametralmente oposto, que a efetivação da reorganização de que tratam os artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/97 mediante utilização de empresa veículo, desde que dessa utilização não tenha resultado aparecimento de novo ágio, [...], não pode ser qualificada de planejamento fiscal inoponível ao fisco (primeiro acórdão paradigma) e que a utilização da chamada “empresa veículo” não guarda qualquer ilegalidade ou abuso em si, sendo necessária a identificação de outros elementos, como a fraude ou simulação, para que a glosa da dedução do ágio se justifique (segundo acórdão paradigma). (6) “impossibilidade de o fisco desconsiderar os negócios jurídicos praticados pelo contribuinte – inaplicabilidade do art. 116, § único, do CTN” [...] 20. No concernente a essa sexta matéria, não ocorre o alegado dissenso jurisprudencial, por se tratar de matéria que não foi prequestionada. 21. Basta notar que, no voto condutor do acórdão recorrido, não há qualquer manifestação sobre essa matéria (“impossibilidade de o Fisco desconsiderar os negócios jurídicos praticados pelo contribuinte – inaplicabilidade do art. 116, § único, do CTN”). 1 22. Assim, não tendo sido instada a turma recorrida a se posicionar a respeito — nem mesmo por meio dos competentes Embargos de Declaração —, e, pois, inexistindo qualquer pronunciamento do acórdão recorrido sobre a matéria suscitada (“impossibilidade de o Fisco desconsiderar os negócios jurídicos praticados pelo contribuinte – inaplicabilidade do art. 116, § único, do CTN”), não há como se efetuar o confronto entre esse acórdão e os acórdãos paradigmas apontados, visando caracterizar eventual divergência jurisprudencial na interpretação da legislação tributária. 23. Menciona-se, a esse respeito, a Súmula nº 356 do Supremo Tribunal Federal (STF), no sentido de que: 1 A própria Recorrente implicitamente reconhece esse fato, ao pretender comprovar o prequestionamento citando todas as páginas de mérito relativas ao IRPJ do acórdão recorrido (fls. 20/34), conforme tabela de e-fls. 857. Fl. 1394DF CARF MF Original Fl. 11 do Acórdão n.º 9101-006.763 - CSRF/1ª Turma Processo nº 16327.720724/2016-04 O ponto omisso da decisão, sobre o qual não foram opostos embargos declaratórios, não pode ser objeto de recurso extraordinário, por faltar o requisito do prequestionamento. (7) “legitimidade do aproveitamento da dedutibilidade fiscal do ágio amortizado contabilmente pelo Recorrente” Decisão recorrida: Não há ementa correspondente a essa matéria. [...]. Exatamente na linha oposta do entendimento da recorrente, parece-me inconteste que a autuação a título de “exclusão indevida de amortização de ágio da apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL”. (R$ 6.173.211,74) levou em conta todo o cenário presente nos autos, diga-se, a legislação vigente à data do fato gerador (31/12/2011) não faz qualquer diferenciação entre o ágio amortizado contabilmente e aquele ainda não amortizado, exatamente porque, obviamente, a parcela do ágio que já foi objeto de amortização não poderá mais ser amortizada. Como bem alertado pela decisão recorrida (Ac. DRJ – fls. 590), “o fato de o caput do art. 22 da Lei nº 12.973, de 20142, prescrever que “poderá excluir para fins de apuração do lucro real dos períodos de apuração subsequentes o saldo do referido ágio existente na contabilidade na data da aquisição da participação societária, à razão de 1/60 ...”, apenas ratifica que a exclusão para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL somente poderá se dar quando a absorção do patrimônio (confusão patrimonial) se der entre a investida e a pessoa jurídica que adquiriu a participação societária com ágio (no caso entre o Banco Bradesco e o Banco BEC). Isto porque, a amortização dar-se-á a 1/60 avos do saldo do ágio existente na data da aquisição da participação societária, como sempre foi autorizado”. Acórdão paradigma nº 1302-002.346, de 2017: ÁGIO AMORTIZADO CONTABILMENTE ANTES DA EXTINÇÃO DO INVESTIMENTO - DEDUTIBILIDADE INTEGRAL APÓS ADVENTO DE INCORPORAÇÃO. As regras contidas nos art. 386 e 391 não devem ser aplicadas concomitantemente; ainda que amortizado contabilmente o ágio, por força de IN da CVM, ocorrida a extinção do investimento, há que se considerar a sua dedutibilidade à luz do art. 386, III, do RIR. [...]. Entendo, todavia, que, na verdade, o erro incorrido pela fiscalização não foi a tentativa de interpretar o art. 386; mas, isto sim, de entender aplicáveis as regras nele descritas e, concomitantemente, as regras insertas no art. 391. E aqui, destaca-se, revela-se o sofisma incorrido pela auditoria porque como já demonstrado anteriormente, tais preceitos se complementam, de fato, mas apenas quanto aos momentos em que serão aplicados; insista-se, enquanto não extinto o investimento, há que se observar a regra inserta no art. 391; ocorrida a extinção do investimento, passa-se a valer aquilo que dispõe o art. 386, III, mormente porque o ágio amortizado contabilmente não tem efeitos fiscais, quaisquer que sejam; ele não impacta o cálculo do lucro real e, por certo, não impacta o valor de ágio amortizável após a extinção do investimento ("pau que dá em Chico, dá em Francisco"). Acórdão paradigma nº 1401-001.908, de 2017: AMORTIZAÇÃO CONTÁBIL DO ÁGIO. AUSÊNCIA DE IMPACTO PARA FINS TRIBUTÁRIOS. O ágio passível de ser amortizado em razão do evento de incorporação é aquele apurado nos termos do artigo 20 do Decreto- Lei nº 1.598/1977, qual seja, custo de aquisição menos o valor de patrimônio líquido do Fl. 1395DF CARF MF Original Fl. 12 do Acórdão n.º 9101-006.763 - CSRF/1ª Turma Processo nº 16327.720724/2016-04 investimento adquirido, sem a exclusão de qualquer outra parcela. O ágio amortizado na escrituração contábil antes dos referidos eventos não tem nenhuma repercussão de natureza tributária, devendo ser adicionado ao lucro líquido e controlado em livros fiscais. [...]. A leitura dos arts. 7º e 8º da Lei 9.532/1997 (regulamentados no artigo 386 do RIR/99) permite concluir que o tratamento tributário do ágio (isto é, a amortização da base de cálculo dos tributos) pode ser conferido ainda que o ágio tenha sido amortizado contabilmente, tanto é que os dispositivos se aplicam ainda que as sociedades não estejam obrigadas a seguir o método de equivalência patrimonial. Veja-se (grifos nossos): 24. Quanto a essa sétima matéria, ocorre o alegado dissenso jurisprudencial, pois, em situações fáticas semelhantes, sob a mesma incidência tributária e à luz das mesmas normas jurídicas, chegou-se a conclusões distintas. 25. Enquanto a decisão recorrida entendeu que a legislação vigente à data do fato gerador (31/12/2011) não faz qualquer diferenciação entre o ágio amortizado contabilmente e aquele ainda não amortizado, exatamente porque, obviamente, a parcela do ágio que já foi objeto de amortização não poderá mais ser amortizada, os acórdãos paradigmas apontados (Acórdãos nºs 1302-002.346, de 2017, e 1401- 001.908, de 2017) decidiram, de modo diametralmente oposto, que as regras contidas nos art. 386 e 391 não devem ser aplicadas concomitantemente; ainda que amortizado contabilmente o ágio, por força de IN da CVM, ocorrida a extinção do investimento, há que se considerar a sua dedutibilidade à luz do art. 386, III, do RIR (primeiro acórdão paradigma) e que a leitura dos arts. 7º e 8º da Lei 9.532/1997 (regulamentados no artigo 386 do RIR/99) permite concluir que o tratamento tributário do ágio (isto é, a amortização da base de cálculo dos tributos) pode ser conferido ainda que o ágio tenha sido amortizado contabilmente (segundo acórdão paradigma). (8) “inexistência de previsão legal para a adição, à base de cálculo da CSLL, da despesa com a amortização de ágio considera indedutível pela fiscalização” Decisão recorrida: TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. A exigência decorrente deve seguir a orientação decisória adotada para o tributo principal, tendo em vista ser fundada nos mesmos fatos, mormente em face de norma prevendo, para a CSLL, iguais hipóteses e condições de dedutibilidade de amortização de ágio, existentes em relação ao IRPJ. Acórdão paradigma nº 9101-002.310, de 2016: AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. ADIÇÃO À BASE DE CÁLCULO. INAPLICABILIDADE DO ART. 57, LEI N 8.981/1995. Inexiste previsão legal para que se exija a adição à base de cálculo da CSLL da amortização do ágio pago na aquisição de investimento avaliado pela equivalência patrimonial. Inaplicabilidade, ao caso, do art. 57 da Lei nº 8.981/1995, posto que tal dispositivo não determina que haja identidade com a base de cálculo do IRPJ. Acórdão paradigma nº 1103-00.630, de 2012: Não há ementa correspondente a essa matéria. [...]. Com relação à dedução das despesas de amortização do ágio, para fins da CSLL, registro que não há previsão legal para a indedutibilidade dessas despesas, tal como é preceituada para o lucro real, pelo art. 25 do Decreto-Lei nº 1.598/77. Fl. 1396DF CARF MF Original Fl. 13 do Acórdão n.º 9101-006.763 - CSRF/1ª Turma Processo nº 16327.720724/2016-04 26. Por fim, com relação a essa oitava matéria, também ocorre o alegado dissenso jurisprudencial, pois, em situações fáticas semelhantes, sob a mesma incidência tributária e à luz das mesmas normas jurídicas, chegou-se a conclusões distintas. 27. Enquanto a decisão recorrida entendeu que a exigência decorrente deve seguir a orientação decisória adotada para o tributo principal, tendo em vista ser fundada nos mesmos fatos, mormente em face de norma prevendo, para a CSLL, iguais hipóteses e condições de dedutibilidade de amortização de ágio, existentes em relação ao IRPJ, os acórdãos paradigmas apontados (Acórdãos nºs 9101-002.310, de 2016, e 1103- 00.630, de 2012) decidiram, de modo diametralmente oposto, que inexiste previsão legal para que se exija a adição à base de cálculo da CSLL da amortização do ágio pago na aquisição de investimento avaliado pela equivalência patrimonial (primeiro acórdão paradigma) e que não há previsão legal para a indedutibilidade dessas despesas, tal como é preceituada para o lucro real, pelo art. 25 do Decreto-Lei nº 1.598/77 (segundo acórdão paradigma). 28. Por tais razões, neste juízo de cognição sumária, conclui-se pela caracterização, em parte, das divergências de interpretação suscitadas. 29. Pelo exposto, do exame dos pressupostos de admissibilidade, PROPONHO seja ADMITIDO, EM PARTE, o Recurso Especial interposto. Houve apresentação de agravo contra a admissibilidade parcial, que foi rejeitado conforme despacho de e-fls. 1348/1360, cientificado à Contribuinte em 07/02/2020. A Contribuinte relaciona as matérias apresentadas e indica os pontos de prequestionamento para, na sequência, abordar a “Impossibilidade de aplicação da teoria do propósito negocial”, matéria que teve seguimento com base nos dois paradigmas indicados (Acórdãos nº 1302-001.150 e 1302-002.045). Confronta o entendimento do acórdão recorrido que não teria vislumbrado propósito negocial nos atos praticados, mas apenas intuito de economia fiscal, especialmente em razão da utilização de uma “empresa veículo” (Oregon Holding Ltda.) para aquisição do Banco BEC. Refere suas alegações no sentido de que não há qualquer permissivo na legislação fiscal que permita à Fiscalização desconstituir negócios jurídicos válidos com base na teoria do propósito negocial, aponta a afirmação do acórdão recorrido no sentido de que há uma total ausência de propósito negocial, vez que, por suas características, a única e exclusiva motivação de se ter inserido a Oregon no negócio foi a busca da vantagem tributária. Destaca excertos do paradigma nº 1302-001.150 quanto à exigência de propósito negocial não ter respaldo no ordenamento jurídico pátrio, e do paradigma nº 1302-002.045 em oposição ao fato de a autuação lá analisada basear-se na necessidade de existência de propósito negocial para realização de operações societárias. Discorda, assim, da condução dada pelo Colegiado a quo, e requer a reforma do acórdão recorrido diante da impossibilidade de aplicação da teoria do propósito negocial para fundamentar/manter um lançamento fiscal. Passando à matéria “Da validade do propósito negocial em decorrência da motivação fiscal”, afirma a divergência no que diz respeito à possibilidade da própria economia fiscal ser considerada um propósito negocial, observando, porém, que este não foi o único fator que justificasse a participação de Oregon Holding Ltda. na operação de aquisição do Banco BEC. Indica os mesmos paradigmas da matéria anterior, observando que o paradigma nº 1302- 001.150 afirmou a economia fiscal como propósito mais que suficiente para caracterizar o fundamento e validade dos negócios desenvolvidos pelo contribuinte, bem como que o paradigma nº 1302-002.045 considera garantia constitucional assegurada a busca pelo contribuinte de uma maneira menos onerosa de conduzir seus negócios, seja por motivos tributários, societários, econômicos ou quaisquer outros. Fl. 1397DF CARF MF Original Fl. 14 do Acórdão n.º 9101-006.763 - CSRF/1ª Turma Processo nº 16327.720724/2016-04 Pede, diante desta divergência, que esta C. CSRF corrija a incorreção da interpretação adotada no acórdão recorrido, determinando-se a sua reforma de acordo com o que restou decidido nos acórdãos paradigmas supra citados (reconhecendo-se, assim, a existência de propósito negocial na operação) e, consequentemente, o cancelamento dos autos de infração de IRPJ e de CSLL. O recurso especial não teve seguimento quanto à matéria “Da existência de propósito negocial em face da demonstração de motivos extrafiscais”. Na matéria “Da efetiva confusão patrimonial entre ‘Empresa Adquirente’ e Investimento Adquirido com Ágio”, a Contribuinte confronta a conclusão do Colegiado a quo contrária ao aproveitamento do ágio porque não verificada a confusão patrimonial entre as sociedades adquirente/adquirida (Bradesco/Banco BEC). Assevera que o Bradesco efetivamente adquiriu a participação do Banco BEC mediante pagamento em dinheiro, e que houve sacrifício patrimonial por parte do Banco adquirente, razão pela qual não há dúvidas de que a sociedade é a real adquirente do investimento. Observa que existiam formas alternativas de se realizar a operação efetivamente adotada, as quais teriam por consequência o mesmo resultado fiscal obtido com as operações questionadas nos lançamentos, as quais somente não foram realizadas por impeditivos estritamente negociais e econômicos. Sob esta ótica, o acórdão recorrido divergiria do paradigma nº 9101-003.609, segundo o qual basta que haja a incorporação entre a sociedade que detém o investimento adquirido (com ágio) e este respetivo investimento, ou seja, havendo o registro do ágio no Bradesco pela aquisição do Banco BEC – investimento este transferido, de forma legítima, à Oregon Holding -, sendo posteriormente extinto por meio da incorporação pelo Alvorada, a ocorrência da confusão patrimonial exigida pela lei é incontestável. Aduz ser este o entendimento que melhor se amolda ao disposto dos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/97. Reitera que, tendo em vista que a Alvorada, em última análise, era a sociedade que detinha as ações do Banco BEC adquiridas com ágio, bem como que houve um evento de incorporação entre a sociedade adquirida e a sociedade que detinha o investimento registrado com ágio, é notória a subsunção dos fatos ao que dispõe os artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/97. Defende, assim, o cancelamento em definitivo das exigências. Aborda, então, a “Validade da suposta ‘empresa veículo’”, anotando que o acórdão recorrido pauta-se no equivocado entendimento de que a Oregon Holding seria, tão somente, uma “empresa veículo”, sem qualquer propósito negocial, cuja participação teria como único objetivo a economia de tributos, reiterando as justificativas para afirmar que utilização da Oregon Holding decorria de importantes interesses de natureza extrafiscal. Neste sentido menciona a necessidade do Bradesco transferir o controle do Banco BEC para outra empresa integrante do Grupo, a fim de segregar o investimento e evitar a assunção de possíveis contingências, sendo escolhida a recorrente (Alvorada), que é uma instituição financeira e, assim, por força de regras do Banco Central, não poderia receber diretamente do Bradesco, via aumento de capital, as ações do Banco BEC adquiridas por meio do leilão de privatização. Daí a necessidade da utilização de uma empresa de participações, a Oregon Holding, que teve por finalidade deter os investimentos e legitimar a sua transferência para o Recorrente, assim também recebendo o investimento em Banco Mercantil S/A, e evitando ”contaminar” o Bradesco com eventuais contingências decorrentes das aquisições. Com a posterior incorporação de Oregon Holding, a Contribuinte, como empresa plenamente operacional escolhida pelo Grupo Bradesco, passou a controlar e incorporar o Banco BEC. Fl. 1398DF CARF MF Original Fl. 15 do Acórdão n.º 9101-006.763 - CSRF/1ª Turma Processo nº 16327.720724/2016-04 Diante de tais circunstâncias, afirma a divergência jurisprudencial em face do paradigma nº 1301-001.505, no qual se decidiu que a utilização de “empresa veículo” não constitui restrição à amortização do ágio, em uma situação bastante semelhante à situação discutida no presente processo administrativo, inclusive destacando que o resultado tributário alcançado seria o mesmo se não houvesse sido utilizada a empresa veículo. Na mesma linha, destaca do paradigma nº 1201-002.247 a constatação de que a utilização da chamada “empresa veículo” não guarda qualquer ilegalidade ou abuso em si, e que estaria cada vez mais pacificado o entendimento de que a utilização de uma empresa veículo para aquisição de outras empresas, de grupo econômico distinto, não revela qualquer vício, ilegalidade ou abuso em si. Enquanto o acórdão recorrido entendeu por desconsiderar a participação dessa sociedade (Oregon Holding), as decisões diametralmente paradigmáticas, em sentido diametralmente oposto, reconheceram que a utilização de empresa veículo não representa hipótese contrária à legislação e, inclusive, não torna inválido, por si só, o aproveitamento fiscal do ágio devidamente constituído. Entende, assim, que qualquer que seja a participação da empresa veículo na operação, essa não infirma o fato de que o ágio foi efetivamente pago, oriundo de negociação entre partes independentes, e sua dedução, pelo contribuinte, está em consonância com a legislação de regência. Adiciona que as orientações gerais da época dos fatos – tanto da data da operação quanto do período autuado -, em especial a jurisprudência administrativa, eram no sentido de que a utilização de “sociedade veículo”, com objetivo de aproveitar fiscalmente o ágio gerado entre partes independentes, é plenamente válida. Invoca o dever de preservação da segurança jurídica e as disposições do art. 24 da LINDB, para concluir que não há motivo para se considerar inválida/inoponível ao Fisco a operação realizada em 2011. Pede, por tais razões, a reforma do acórdão recorrido a fim de que seja reconhecida a impossibilidade de se glosar a despesa com a amortização do ágio, ainda que se admita a utilização, no presente caso, de “empresa veículo”, cancelando-se os lançamentos formalizados. Na sequência, a Contribuinte discorre sobre a “impossibilidade de o fisco desconsiderar os negócios jurídicos praticados pelo contribuinte – inaplicabilidade do art. 116, § único, do CTN” – matéria que não teve seguimento – e depois trata “Da legitimidade do aproveitamento da dedutibilidade fiscal do ágio amortizado contabilmente pelo Recorrente”, asseverando que a decisão contrária ao aproveitamento do ágio amortizado contabilmente antes da incorporação do Banco BEC pelo Alvorada, que entende ofender o princípio da legalidade por inexistência de proibição neste sentido, diverge dos paradigmas nº 1302-002.346 e 1401- 001.908, que consignaram, expressamente, a possibilidade do ágio amortizado contabilmente antes do evento da incorporação, controlado na “Parte B” do LALUR, ser deduzido fiscalmente pelo contribuinte. Sob esta ótica, o art. 386 do RIR/99 e o art. 20 do Decreto-lei nº 1.598/77 autorizariam tal exclusão, vez que inexiste qualquer desconto, para fins dedutibilidade fiscal, da parcela do ágio já amortizado contabilmente, antes dos eventos de incorporação, fusão ou cisão, bastando a simples remissão feita no caput do art. 7º da Lei nº 9.532/97 ao ágio apurado de acordo com o artigo 20 do Decreto-Lei nº 1.598/77 para possibilitar a pretensão da Contribuinte, sendo absolutamente indevida qualquer interpretação que busque conferir à ausência de menção ao ágio não amortizado o caráter de “esquecimento” do legislador. Conclui estar claro que a legislação fiscal confere o mesmo tratamento ao ágio amortizado contabilmente antes da incorporação e ao ágio não amortizado, pois ambos integram o custo de aquisição do investimento, não merecendo prosperar as tentativas do Fisco Fl. 1399DF CARF MF Original Fl. 16 do Acórdão n.º 9101-006.763 - CSRF/1ª Turma Processo nº 16327.720724/2016-04 de glosar a dedutibilidade do ágio amortizado contabilmente antes da incorporação. Entende, assim, que o acórdão recorrido deve ser reformado para que este se alinhe com o estabelecido nos paradigmas indicados. Finaliza abordando a “inexistência de previsão legal para a adição, à base de cálculo da CSLL, da despesa com a amortização de ágio considera indedutível pela fiscalização”, opondo-se à decisão recorrida que considerou desnecessária tal previsão. Defende que a Lei nº 7.689/88 não elencou, como hipótese de adição ao lucro líquido, o valor correspondente à amortização do ágio na aquisição de investimentos avaliados pelo método da equivalência patrimonial. A base de cálculo da CSLL é o lucro líquido com os ajustes expressamente previstos, e, como a amortização contábil do ágio sempre foi permitida pela legislação brasileira até a edição da Lei nº 11.638/2007, de modo que, para a CSLL, o ágio é plenamente dedutível. Os paradigmas nº 9101-002.310 e 1103-00.630, neste sentido, reconhecem a impossibilidade de adição, à base de cálculo da CSLL, de tal despesa com amortização do ágio considerada indedutível pela Fiscalização (o que, por lógica, já afasta o entendimento recorrido) sem lei que expressamente a determine, bem como a própria inexistência de previsão legal que determine a identificação entre as bases de cálculo de IRPJ e CSLL. Entende evidenciada a divergência de interpretação legal quanto à aplicação do artigo 28 da Lei nº 9.430/1997, bem como do artigo 57 da lei nº 8.981/95, além do disposto no artigo 2º da Lei nº 7.689/1988, quanto à base de cálculo da CSLL e conclui ser equivocado o entendimento do acórdão recorrido que não poderá ser aceito por esta E. Câmara Superior em razão do entendimento consolidado nos acórdãos paradigmas citados. Encerra requerendo o conhecimento e provimento do recurso especial e consequente cancelamento dos lançamentos originários destes autos. Os autos foram remetidos à PGFN em 04/03/2020 (e-fl. 1371), e retornaram em 19/03/2020 com contrarrazões (e-fls. 1372/1383) nas quais a PGFN defende a manutenção do acórdão recorrido por seus próprios fundamentos. Com respeito à repercussão na base de cálculo da CSLL, refere os atos normativos que afirmam a aplicação, à CSLL, das mesmas regras e condições de dedutibilidade de amortização existentes para o IRPJ, adicionando o disposto nos arts. 2º e 13, inciso I da Lei nº 9.249/95. Requer, assim, que seja negado provimento ao recurso especial da Contribuinte. Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA, Relatora. Recurso especial da Contribuinte - Admissibilidade Embora a PGFN não conteste a admissibilidade do recurso especial, a análise de mérito evidenciou a necessidade de apreciação de circunstâncias fáticas específicas da operação que a Contribuinte pretende ver validada por este Colegiado, as quais estão ausentes nos paradigmas e, em consequência, demandariam decisão para além da solução de dissídio jurisprudencial acerca da legislação tributária, ou seja, exigiriam a atuação deste Colegiado como terceira instância de julgamento. Isto porque o voto condutor do acórdão recorrido destaca que a aquisição do Banco BEC, realizada pelo Banco Bradesco em leilão de privatização, ocorreu de forma direta, Fl. 1400DF CARF MF Original Fl. 17 do Acórdão n.º 9101-006.763 - CSRF/1ª Turma Processo nº 16327.720724/2016-04 sem intermediários, de forma que, a princípio, não haveria qualquer objeção à sua dedução fiscal. Contudo, finalizada a aquisição de 99,54% das ações da investida em 22/05/2006, com apuração de ágio no valor de R$ 668.034,512,70, o Banco Bradesco S/A resolveu, em 14/09/2006, por motivos de natureza estritamente comercial e de cunho logístico do grupo e que não podem ser opostos à Fazenda – ao invés de utilizar tal despesa, ingressar como sócio de Oregon Holding Ltda., cujo capital eram irrisórios 6 mil reais e se encontrava praticamente paralisada há anos, para tanto aportando suas participações no Banco Mercantil e BEC, levando junto, com esta operação, o ágio de que dispunha e poderia amortizar como despesa dedutível. Com o aporte dos dois investimentos, o capital social de Oregon foi elevado estratosfericamente de meros R$ 6.000,00 para R$ 2.985.387.129,00 e, assim, como em um passe de mágica, o BEC, adquirido em leilão pelo Bradesco por mais de 787 milhões de reais e que era seu controlador absoluto (e quem efetivamente fez o dispêndio financeiro), passou às mãos de uma empresa que, minutos antes, tinha um capital pouco superior a 6 salários mínimos, não era operacional, estava sem movimento há décadas e não tinha registro de qualquer atividade operacional, comercial ou econômica. O Conselheiro Relator Paulo Mateus Ciccone registra, ainda, a sequência de operações por meio das quais, em 22/09/2006, a recorrente, Alvorada Cartões, Crédito, Financiamento e Investimento S/A, assume a totalidade das ações da Oregon para, em 29/09/2006, incorporar Oregon Holding Ltda e deter o investimento no Banco BEC com o respectivo ágio pertencente ao Banco Bradesco S/A, o qual passou a ser amortizado depois de a recorrente incorporar o Banco BEC em 30/11/2006. Conclui, assim, que o Banco Bradesco adquiriu o Banco BEC de maneira direta, mas utilizou-se da empresa veículo Oregon Holding Ltda. para viabilizar o aproveitamento, na Alvorada Cartões, de ágio por ele (Bradesco) pago. Recentemente este Colegiado analisou dissídios também erigidos a partir do paradigma nº 1302-001.150, aqui invocado: i) na matéria “Impossibilidade de aplicação da teoria do propósito negocial”, pretendendo ver declarada a inexistência de qualquer permissivo na legislação fiscal que permita à Fiscalização desconstituir negócios jurídicos válidos com base na teoria do propósito negocial, e ii) na matéria “Da validade do propósito negocial em decorrência da motivação fiscal”, quanto à economia fiscal ser propósito mais que suficiente para caracterizar o fundamento e validade dos negócios desenvolvidos pelo contribuinte. E, no voto condutor do Acórdão nº 9101-006.250, a maioria deste Colegiado 2 acompanhou o entendimento favorável à admissibilidade daquele paradigma, assim expresso, com o histórico de admissibilidades anteriores, por esta Conselheira: Registre-se, inicialmente, que o paradigma nº 1302-001.150 foi rejeitado pela maioria deste Colegiado no Acórdão nº 9101-006.011 3 , quanto à caracterização de dissídio jurisprudencial em face do Acórdão nº 1402-002.968, mas isto em razão das circunstâncias específicas do caso lá sob análise, conforme exposto pelo relator, Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto: 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa, Livia De Carli Germano, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Luis Henrique Marotti Toselli, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Alexandre Evaristo Pinto, Gustavo Guimarães da Fonseca e Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), e divergiram no conhecimento os conselheiros Luis Henrique Marotti Toselli e Gustavo Guimarães da Fonseca que conheciam parcialmente do recurso, excluída a matéria concernente à nulidade, e o conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado que somente conhecia das matérias relativas à multa qualificada. 3 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Edeli Pereira Bessa, Livia De Carli Germano, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Luis Henrique Marotti Toselli, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Alexandre Evaristo Pinto, Gustavo Guimarães da Fonseca (suplente convocado) e Andréa Duek Simantob (Presidente em exercício) e divergiram no conhecimento os Conselheiros Luis Henrique Marotti Toselli e Gustavo Guimarães da Fonseca, votando pelas conclusões aos Conselheiros Lívia De Carli Germano e Alexandre Evaristo Pinto. Fl. 1401DF CARF MF Original Fl. 18 do Acórdão n.º 9101-006.763 - CSRF/1ª Turma Processo nº 16327.720724/2016-04 Conforme se observa, no caso concreto, o Grupo John Deere, controlado por empresas situadas no exterior, já possuía uma holding no Brasil (JD Participações). Contudo, para operacionalizar o aumento do investimento no Brasil, suas controladoras aportaram recursos mediante integralização de capital em JD Participações e mútuo em uma nova holding (JD Brasil). E, essa holding não aportou os recursos diretamente na aquisição de ações da investida (SLC), mas sim, conforme descrito inclusive no Termo de Constatação Fiscal (fl. 2890) em uma empresa também considerada veículo (Evaux – criada e interposta pelo Grupo Schneider Logemann) em uma operação conhecida e apelidada de “casa- separa”. E, ao contrário do alegado pela Recorrente no sentido de que a decisão recorrida teria ignorado o argumento da autoridade fiscal de que Evaux – constituída pelo Grupo Schneider Logemann - também seria uma empresa veículo, resta evidente que tal circunstância foi importante na decisão proferida pelo colegiado a quo, a ponto de transcrever-se passagem do Termo de Constatação Fiscal que ressalta essa peculiaridade da operação. Confira-se: No caso, a Recorrente utilizou-se da empresa veículo JDB de forma que na incorporação às avessas pela SLC houvesse a confusão patrimonial necessária para fazer jus à amortização do ágio. Trata-se de procedimento arquitetado de forma artificial, simulada e dolosa entre os dois grupos controladores da SLC - John Deere S.A. com o fim exclusivo de economia tributária conforme verifica-se pela descrição da Autoridade Fiscal: "No caso em exame, não há causa econômica (além da economia fiscal) para a criação da "empresa veículo" John Deere do Brasil Ltda. (CNPJ n° 02.978.822/0001-77), que é usada apenas como artifício para a dedutibilidade do ágio pago pela aquisição das ações da SLC - John Deere S.A. (CNPJ n° 89.674.782/0001-58 - atual John Deere Brasil Ltda. - a contribuinte), frise-se, por esta mesma empresa (contribuinte), tanto assim que logo aquela é incorporada a esta sem nem ao menos haver entrado em atividade (pela conceituação adotada pelo RFB para fins de entrega da declaração da Pessoa Jurídica Inativa). Não há, portanto, a presença de um dos elementos essenciais intrínsecos ao negócio jurídico: a vontade, ânimo, das partes em exercer atividade econômica por meio da John Deere do Brasil Ltda. (CNPJ n° 02.978.822/0001-77). Há, no caso, claro divórcio entre a vontade real e a vontade ostensiva. É revelador que a John Deere do Brasil Ltda. (CNPJ n° 02.978.822/0001-77) seja denominada "empresa veículo", e também o foi, até sua cisão parcial, a Evaux Participação S.A. (CNPJ n° 02.699.849/0001- 20), uma vez utilizada somente para materializar a "troca" das ações da SLC -John Deere S.A. (CNPJ n° 89.674.782/0001-58 - atual John Deere Brasil Ltda. - a contribuinte) pelos recursos financeiros internalizados por Deere & Company no país.[destaques ora inseridos] Por outro lado, nos paradigmas colacionados pela Recorrente, a situação fática enfrentada pelos respectivos colegiados era significativamente distinta da tratada nos presentes autos. No Acórdão paradigma nº 1302-001.150 – Caso Multiplan, ao contrário do examinado no acórdão recorrido, a investidora estrangeira não possuía investimento no mesmo ramo em que atuava a empresa alvo da nova aquisição, tampouco uma holding já existente no Brasil. Confira-se excerto daquele julgado: Fl. 1402DF CARF MF Original Fl. 19 do Acórdão n.º 9101-006.763 - CSRF/1ª Turma Processo nº 16327.720724/2016-04 [...] um investidor estrangeiro (1700480 ONTARIO INC) aporta capital em uma empresa (BERTOLINO), a qual adquire ações de outra empresa com ágio (MTE) e, a seguir, esta incorpora aquela. E, para além da inexistência de outra holding no país pelos investidores estrangeiros, o investimento realizado, após aporte de recursos em Bertolino (holding criada no Brasil), o investimento se deu diretamente na empresa operacional (MTE) adquirida com ágio, posteriormente incorporada por sua investidora direta (Bertolino), inclusive sem participação em operação de “casa- separa”. No acórdão recorrido, por sua vez, conforme já salientado, além da existência de uma holding anterior no Brasil detida diretamente pelos investidores estrangeiros e que inclusive já possuía investimento na empresa operacional objeto de incorporação, o aporte de recursos se deu mediante subscrição de ações com ágio (e não aquisição de ações com ágio) em uma empresa que não era a operacional (Evaux) e que tampouco foi objeto de incorporação pela nova holding criada no Brasil (JD Brasil). Ainda, outra rejeição do mesmo paradigma se verificou no Acórdão nº 9101-005.935, também por maioria de votos 4 , e novamente em razão de circunstâncias específicas do caso lá recorrido, conforme exposto no voto vencedor de lavra desta Conselheira: Na matéria “amortização de ágio – empresa veículo”, o recurso especial da Contribuinte teve seguimento em face dos paradigmas nº 1302-001.182 e 1302- 001.150, porque, nos termos do despacho de admissibilidade: Enquanto a decisão recorrida entendeu que, a despeito da tentativa do grupo econômico de tentar transferir para o Brasil o ágio pago pela sociedade estrangeira, via a empresa veículo criada, a legislação nacional não autoriza que tal ágio seja aqui amortizado, nos termos do art. 386 do RIR/99, para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL da sociedade nacional, os acórdãos paradigmas apontados (Acórdãos nºs 1302-001.182, de 2013, e 1302-001.150, de 2013) decidiram, de modo diametralmente oposto, que não é ilícita a conduta do investidor estrangeiro que prefere, primeiro, constituir uma subsidiária no Brasil, para que essa, depois, adquira os investimentos que a matriz no exterior deseja (primeiro acórdão paradigma) e que o fato de o investidor no exterior ter preferido aportar capital em uma subsidiária brasileira, para que essa depois adquirisse as ações da recorrente com ágio não se constitui em conduta simulada (segundo acórdão paradigma). Nesta síntese já é possível identificar dessemelhança relevante: enquanto o Colegiado a quo não admitiu a conduta de transferir para o Brasil o ágio pago pela sociedade estrangeira, via a empresa veículo criada, os paradigmas analisaram a conduta do investidor estrangeiro que prefere, primeiro, constituir uma subsidiária no Brasil, para que essa, depois, adquira os investimentos que a matriz no exterior deseja, ou seja, de o investidor no exterior ter preferido aportar capital em uma subsidiária brasileira, para que essa depois adquirisse as ações da recorrente com ágio. Como se vê, enquanto nos paradigmas a adquirente é a subsidiária no Brasil e os alienantes são nacionais, no recorrido a adquirente e a alienante são sociedades estrangeiras, sendo que a primeira, depois de captar recursos no exterior para tal aquisição, aporta em empresa veículo nacional o investimento que se interpreta adquirido no exterior. 4 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa, Lívia De Carli Germano, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Luis Henrique Marotti Toselli, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Alexandre Evaristo Pinto, Caio Cesar Nader Quintella e Andrea Duek Simantob (Presidente em exercício), e divergiram na matéria os Conselheiros Alexandre Evaristo Pinto (relator) e Caio Cesar Nader Quintella. Fl. 1403DF CARF MF Original Fl. 20 do Acórdão n.º 9101-006.763 - CSRF/1ª Turma Processo nº 16327.720724/2016-04 Considerando que não foram opostos embargos de declaração ao acórdão recorrido, as premissas fáticas para avaliação do dissídio jurisprudencial são aquelas afirmadas no seu voto condutor, do qual destaca-se: Diante da cronologia dos fatos, é possível perceber que o ponto crucial que macula a absorção do ágio pretendido está no fato de que o pagamento foi realizado no exterior (mesmo que tenha se dado entre partes não relacionadas). Se por um lado o fato de ter havido efetivo pagamento conta como ponto favorável à Recorrente, aproximando-se da situação de transação entre partes independentes; existe uma outra circunstância determinante para macular o efetivo aproveitamento desse ágio. A questão mais relevante aqui é que, se existir o ágio, o mesmo foi percebido pela empresa no exterior, e não no Brasil, como foi efetivamente o caso. Nesse contexto, não há como se deduzir que, a partir das operações realizadas no exterior, possa existir um ágio no Brasil em decorrência de referida aquisição. (negrejou-se) É certo que o voto condutor do acórdão recorrido traz o relato que EPD PARTICIPAÇÕES recebeu da sócia estrangeira VEYANCE INC o valor de R$ 144 milhões em 31/07/2007, sendo R$ 126 milhões a título de empréstimo e R$ 18 milhões a título de aumento de capital, e nessa mesma data pagou R$ 144 milhões a THE GOODYEAR TIRE &RUBBER COMPANY pela aquisição de EDP ENGENHARIA, registrando ágio de R$ 60 milhões que passa a ser amortização a partir de 30/09/2007, quando EPD ENGENHARIA incorpora a EPD PARTICIPAÇÕES. Sob a ótica apenas desses eventos seria possível interpretar que o pagamento foi realizado no Brasil, e não no exterior. Contudo, a afirmação destacada do voto condutor do acórdão recorrido é precedida pela descrição dos passos anteriores da operação, dos quais destaca-se a formalização, em 23/03/2007, de contrato de compra e venda global que envolve todos os bens, direitos e obrigações relativos à divisão de indústria e comércio de produtos de engenharia do grupo internacional GOODYEAR, representado pela controladora norte americana THE GOODYEAR TIRE & RUBBER COMPANY, firmado com o grupo internacional CARLYLE, representado por suas controladoras norte americanas EPD INC e VEYANCE INC. Mais à frente, o voto condutor do acórdão recorrido reporta o fato de VEYANCE INC ter captado recursos no exterior antes de transferi-los à EPD PARTICIPAÇÕES, para assim concluir: Logo, ao contrário do que entende o recorrente, o contrato celebrado no Brasil não possui a autonomia pretendida a fim de determinar que o real adquirente das quotas era a EPD PARTICIPAÇÕES. O contrato realizado no Brasil era apenas um instrumento assessório que visava a materializar o contrato principal, segundo o qual a empresa adquirente era a VEYANCE INC. Tanto o contrato brasileiro apresentava natureza assessória que na sua celebração a VEYANCE INC sequer participou. Ou seja, esse contrato não criava obrigações a essa empresa uma vez que seus deveres de compradora já estavam previstos no contrato principal. Assim, diante do verdadeiro contrato de compra e venda que embasou o negócio celebrado, a VEYANCE INC captou recursos no exterior e os transferiu para a EPD PARTICIPAÇÕES, a qual no mesmo dia os transferiu para o grupo GOODYEAR. Portanto, não obstante a EDP PARTICIPAÇÕES tenha recebido os recursos por meio de integralização do seu capital e de empréstimo, e, no mesmo dia, os tenha destinado ao grupo GOODYEAR, vê-se que na realidade tal pagamento foi realizado diretamente pela VEYANCE INC. No mesmo dia em que os Fl. 1404DF CARF MF Original Fl. 21 do Acórdão n.º 9101-006.763 - CSRF/1ª Turma Processo nº 16327.720724/2016-04 recursos ingressaram no Brasil por meio do patrimônio da EDP PARTICIPAÇÕES saíram. Assim, como ressaltado, a VEYANCE INC fora a empresa que contratualmente assumiu o compromisso de adquirir as quotas da EPD ENGENHARIA e que ao final o fez. O patrimônio da EDP PARTICIPAÇÕES apenas serviu como uma aparente “ponte”. Tal como destacado pela Fiscalização, o grupo CARLYLE poderia perfeitamente ter realizado tal pagamento diretamente nos Estado Unidos. Mas não, pelos motivos que serão adiante tecidos, preferiu “dirigir” o pagamento por meio do Brasil. No entanto, além de ter suportado o ônus da aquisição, a VEYANCE INC também foi a empresa que ao final acabou detendo de forma direta as quotas da EPD ENGENHARIA. Tal consequência ocorreu quando, dois meses depois da sua aquisição, houve a sua incorporação pela EDP PARTICIPAÇÕES. Dessa forma, com base no contrato celebrado, na origem dos recursos e no destino final das quotas, não há como fechar os olhos ao filme que se forma. Não obstante a participação da EDP PARTICIPAÇÕES, a VEYANCE INC fora a real adquirente da EPD ENGENHARIA. A VEYANCE INC fora a empresa que assumiu o compromisso e desembolsou R$ 144 milhões em troca da totalidade das quotas da EPD ENGENHARIA. Assim, em que pese o recorrente afirmar que a referida empresa estrangeira não participou da aquisição, pois não efetuou o pagamento e não passou a deter as quotas adquiridas, na verdade, olhando o filme completo das operações, vê-se que tais aspectos foram cumpridos pela VEYANCE INC. (negrejou-se) Nestes termos, o fato de haver um contrato principal de aquisição firmado entre os grupos internacionais no exterior, bem como a captação dos recursos ter ocorrido também no exterior, antes de serem aportados pela controladora na empresa brasileira, são elementos determinantes para a conclusão de que a conduta analisada nestes autos consistiu em transferir para o Brasil o ágio pago pela sociedade estrangeira, via a empresa veículo criada. [...] Em linhas semelhantes ao primeiro, o segundo paradigma (Acórdão nº 1302- 001.150) trata de operação na qual investidor estrangeiro constitui subsidiária brasileira na qual aporta recursos para aquisição de ações de sociedade brasileira, seguindo-se, inclusive, a abertura de seu capital depois da referida aquisição. Daí porque as mesmas ressalvas postas do paradigma anterior estão reproduzidas no voto condutor deste julgado: Da simples leitura do TVF, nota-se que a autoridade fiscal nega em verdade o permissivo legal criado pelos art. 7º e 8º da Lei 9.532/97, ou seja, estamos diante de uma situação em que foi efetivamente pago o ágio (não se trata de planejamento com base no art. 36 da Lei 10.637/02), no qual um investidor estrangeiro (1700480 ONTARIO INC) aporta capital em uma empresa (BERTOLINO), a qual adquire ações de outra empresa com ágio (MTE) e, a seguir, esta incorpora aquela. Da mesma forma, não estamos diante do planejamento de transferência de ágio externo (aquele decorrente do processo de privatização, em que o investidor se utiliza de empresa veículo para transferir o ágio que pagou no leilão de privatização para a empresa operacional adquirida). Trata-se aqui de aplicação direta do disposto nos arts. 7º e 8º da Lei 9.532/97 sem utilização de empresa veículo, pois a autoridade fiscal se insurge contra o fato de o investidor no exterior ter preferido aportar capital em uma subsidiária, para que essa depois adquirisse as ações da recorrente com Fl. 1405DF CARF MF Original Fl. 22 do Acórdão n.º 9101-006.763 - CSRF/1ª Turma Processo nº 16327.720724/2016-04 ágio. Por certo, entendeu a autoridade fiscal que estaria obrigado o investidor a optar por adquirir diretamente as ações da recorrente com ágio, pois aí não teria como se valer das referidas normas – caminho mais oneroso. Mais uma vez não se trata, nesse paradigma, de transferência de ágio externo, assim como não há qualquer menção à anterior captação de empréstimos pela investidora estrangeira, circunstância referida em reforço, no acórdão recorrido, para afirmá-la como adquirente do investimento e titular do ágio tido por indevidamente amortizado no Brasil. Confirma-se, portanto, que referido paradigma apenas analisou a hipótese de o investidor no exterior ter preferido aportar capital em uma subsidiária brasileira, para que essa depois adquirisse as ações da recorrente com ágio. Neste último julgado, portanto, o ágio formou-se em operação com pagamento no exterior, seguindo-se sua transferência para amortização no Brasil. Já aqui há similitude suficiente, distinguindo-se o caso presente e o analisado no paradigma nº 1302-001.150 apenas porque o investidor estrangeiro (DIRECTV) aportou capital na sociedade brasileira GLA BRASIL, que nos dias seguintes integralizou o mesmo montante no capital de GLBBT, para que esta promovesse a aquisição antes negociada. Vale a transcrição da acusação fiscal neste sentido: Nos dias 10 e 16/06/2010, respectivamente, ocorreram os desdobramentos da notificação acima, onde (i) a DIRECTV, sociedade de capital aberto listada na NASDAQ, notificou a GCP que conduziria a operação como a Sociedade Realizando a Troca, em virtude da DirecTV Group ser sua subsidiária integral, e ofereceu ações de sua emissão, avaliadas em US$ 472.468.860,00 (quatrocentos e setenta e dois milhões, quatrocentos e sessenta e oito mil, oitocentos e sessenta dólares norte-americanos) como contraprestação pelas 178.830.000 (cento e setenta e oito milhões, oitocentas e trinta mil) quotas da Sky Brasil, e (ii) a GCP rejeitou o valor proposto pela DIRECTV, estranhou a substituição da DirecTV Group pela DIRECTV e decidiu por “nomear um Banco para calcular o valor das Ações Sujeitas a Troca na data da Notificação de Troca”. Nos dias 27/08/2010 e 03/11/2010 são realizados aditamentos ao Acordo de Troca de 2004 a fim de consignar os bancos avaliadores que foram contratados pela GCP e DIRECTV e, entre outras questões, o prazo para entrega das avaliações. Como demonstrado até aqui, em nenhum momento houve referência a empresa veículo GLBBT. b) Estrutura Societária com a interposição da GLBBT na Operação : Em 16/12/2010, ao término das tratativas iniciadas em 01/06/2010, as partes definiram o preço final das 178.830.000 (cento e setenta e oito milhões, oitocentas e trinta mil) quotas da Sky Brasil e decidiram, também, que a contraprestação pela venda seria efetuada em dinheiro e uma nota promissória garantida pela DIRECTV. É nesse momento que verificamos a entrada da GLBBT na operação. Vejamos a tradução juramentada do contrato de compra e venda” abaixo transcrito, em parte (...) Das informações acima, podemos extrair que (i) o Acordo de Troca de 2004, de 08/10/2004, disciplinava os requisitos para uma operação de compra e venda (ii) que o acerto do preço foi efetuado entre a DirecTV Group e a GCP (iii) que a GLBBT foi a empresa escolhida pela DirecTV Group para efetuar o pagamento de US$ 604.767.294,00 (seiscentos e quatro milhões, setecentos e sessenta e sete mil, duzentos e noventa e quatro dólares norte-americanos) (iv) que a nota promissória entregue pela GLBBT seria garantida pela DIRECTV; (v) a conclusão da transação ocorreu em 16/12/2010, ocasião em que a GLBBT Fl. 1406DF CARF MF Original Fl. 23 do Acórdão n.º 9101-006.763 - CSRF/1ª Turma Processo nº 16327.720724/2016-04 passou a integrar o quadro societário da Sky Brasil (vi) que a Sky Brasil pagaria na data do fechamento da transação R$ 360.000.000,00 (trezentos e sessenta milhões de reais) em dividendos, proporcionais à participação resultante após a operação (vii) as vendedoras auxiliariam na concretização da incorporação da GLBBT pela fiscalizada. Mister esclarecer que, os recursos advindos do exterior, no valor de R$ 696.315.000,00 (seiscentos e noventa e seis milhões e trezentos e quinze mil reais), foram integralizados inicialmente no capital social da GLA Brasil pela sócia DIRECTV LATIN AMERICA LLC (EUA), integrante dos Controladores GLA. Destes recursos, internalizados em 14/12/2010, R$ 692.364.117,00 (seiscentos e noventa e dois milhões, trezentos e sessenta e quatro mil e cento e dezessete reais) foram integralizados pela GLA Brasil no aumento do capital social da GLBBT. Também na ocasião, a GLA Brasil integralizou outro aumento de capital na GLBBT, no valor dos dividendos de R$ 266.764.461,00 (duzentos e sessenta e seis milhões, setecentos e sessenta e quatro mil, quatrocentos e sessenta e um reais) recebidos da Sky Brasil. Estes recursos foram utilizados pela GLBBT nos pagamentos efetuados a GCP e Distel. (...) Em decorrência, GCP e Distel reconhecem o ganho de capital oriundo da venda de 18,90% de participação na Sky Brasil e a GLBBT por sua vez, reconhece um ágio de rentabilidade futura de R$ 829.425.715,00 (oitocentos e vinte e nove milhões, quatrocentos e vinte e cinco mil, setecentos e quinze reais). Em vista dos recursos injetados na GLBBT, a GLA Brasil, até então detentora de 74,10% de participação, passa a deter indiretamente mais 18,90% do capital social da fiscalizada. Por seu turno, a GLBBT registra em sua contabilidade o ágio decorrente do investimento efetuado na Sky Brasil na conta contábil abaixo (...) Assim, embora à semelhança do caso analisado no precedente nº 9101-006.011, o adquirente estrangeiro também já possuísse uma holding no Brasil antes da interposição de GLBBT, não houve aqui o passo intermediário destinado à operação casa-separa lá referida. É o que se infere aqui quando a autoridade lançadora apenas registra que GCP e Distel reconheceram o ganho de capital oriundo da venda de 18,90% de participação na Sky Brasil. Logo, o fato de o investidor estrangeiro aportar o capital em uma sociedade nacional para que esta aumentasse capital de GLBBT, e esta segunda pessoa jurídica figurasse como adquirente do investimento, não representa diferencial relevante em relação à operação analisada no paradigma nº 1302-001.150. (destaques do original) Nestes termos, o paradigma nº 1302-001.150 foi admitido em litígios nos quais a holding promove a aquisição com recursos aportados por aquele considerado o real investidor. No mesmo sentido foi o voto favorável desta Conselheira, declarado no Acórdão nº 9101- 006.381 5 , e que tratava de recursos advindos do exterior e aportados em Mittal Steel Brasil Participações S/A, considerada “empresa veículo”, que destinou os valores recebidos à aquisição das participações societárias com ágio: - Na matéria A.5.III- IMPOSSIBILIDADE DE SE APLICAR A TEORIA DO PRÓPOSITO NEGOCIAL: DIVERGÊNCIA DE INTERPRETAÇÃO DOS ARTIGOS 7° E 8° DA LEI Nº 9.532/97, concernente apenas à amortização do ágio ARCELOR, 5 Participaram do julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Livia De Carli Germano, Edeli Pereira Bessa, Luis Henrique Marotti Toselli, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Alexandre Evaristo Pinto, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Gustavo Guimarães Fonseca, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Carlos Henrique de Oliveira (Presidente). Fl. 1407DF CARF MF Original Fl. 24 do Acórdão n.º 9101-006.763 - CSRF/1ª Turma Processo nº 16327.720724/2016-04 deve ser CONHECIDO o recurso especial, vez que afirmada a ausência de propósito negocial ou racionalidade econômica nas operações realizadas, ao passo que esta referência foi considerada no paradigma nº 1302-001.150 um conceito vago e não positivado em nossa legislação, e isso em operação semelhante à presente na qual um investidor estrangeiro (1700480 ONTARIO INC) aporta capital em uma empresa (BERTOLINO), a qual adquire ações de outra empresa com ágio (MTE) e, a seguir, esta incorpora aquela, assim como no paradigma nº 1302-002.045 consignou-se que a alegação de “inexistência de propósito negocial” advém de construção jurisprudencial estrangeira que não encontra validade no nosso Ordenamento Jurídico, em operação na qual GRAPPA é interposta entre os reais adquirentes de RAIA, que seriam PRAGMA E GÁVEA; - Na matéria A.5.V- IMPROPRIEDADE DA DESCONSIDERAÇÃO DAS OPERAÇÕES REALIZADAS E EXISTÊNCIA DE PROPÓSITO NEGOCIAL E EFETIVA AQUISIÇÃO DA ARCELOR BRASIL PELA MITTAL BR: DIVERGÊNCIA DE INTERPRETAÇÃO DOS ARTIGOS 7° E 8° DA LEI Nº 9.532/97, concernente apenas à amortização do ágio ARCELOR, deve ser CONHECIDO o recurso especial, vez que afirmada em face do paradigma nº 1302- 001.150, já admitido na matéria A.5.III e do paradigma nº 1302-001.182, admitido na matéria A.5.II; Nestes autos, a Contribuinte pretende erigir o dissídio jurisprudencial acerca de referências genéricas, do paradigma, quanto à falta de respaldo no ordenamento jurídico pátrio de exigência de propósito negocial. Contudo, a decisão do outro Colegiado do CARF no paradigma nº 1302-001.150 tem em conta a especificidade de a aquisição se dar mediante aporte de capital em uma subsidiária, e o voto condutor do paradigma expressamente ressalva que: Da mesma forma, não estamos diante do planejamento de transferência de ágio externo (aquele decorrente do processo de privatização, em que o investidor se utiliza de empresa veículo para transferir o ágio que pagou no leilão de privatização para a empresa operacional adquirida). Trata-se aqui de aplicação direta do disposto nos arts. 7º e 8º da Lei 9.532/97 sem utilização de empresa veículo, pois a autoridade fiscal se insurge contra o fato de o investidor no exterior ter preferido aportar capital em uma subsidiária, para que essa depois adquirisse as ações da recorrente com ágio. Por certo, entendeu a autoridade fiscal que estaria obrigado o investidor a optar por adquirir diretamente as ações da recorrente com ágio, pois aí não teria como se valer das referidas normas – caminho mais oneroso. É sob esta ótica que a falta de propósito negocial lá aventada é analisada. O Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho também destacou aquela circunstância específica, de a holding ser constituída para aquisição do investimento, como determinante para sua decisão, em declaração de voto apresentada no paradigma nº 1302-001.150: O fato de o negócio ter sido entabulado pela empresa estrangeira 1700480 - ONTARIO INC e efetivado por meio de sua subsidiária no Brasil, que recebeu o aporte de capital para fazer o investimento ao meu ver não contamina o negócio, nem desnatura a ocorrência do ágio. Havia inclusive previsão contratual para que ocorresse dessa forma. Não enxergo simulação neste caso, mas sim a adoção de uma estrutura para as operações societárias compatível com o negócio efetivamente realizado e adequada para a obtenção dos benefícios futuros de amortização desse ágio, conforme a previsão legal. O segundo paradigma, nº 1302-002.045, apresentado nas mesmas matérias “Impossibilidade de aplicação da teoria do propósito negocial” e “Da validade do propósito negocial em decorrência da motivação fiscal”, também foi admitido no Acórdão nº 9101- 006.250, com as seguintes considerações expressas por esta Conselheira: Quanto ao segundo paradigma (Acórdão nº 1302-002.045), trata-se de decisão recentemente revisitada por este Colegiado em razão do recurso especial contra ele Fl. 1408DF CARF MF Original Fl. 25 do Acórdão n.º 9101-006.763 - CSRF/1ª Turma Processo nº 16327.720724/2016-04 interposto pela PGFN, ao qual foi negado conhecimento por maioria de votos 6 no Acórdão nº 9101-006.037, nos termos do voto vencedor desta Conselheira: Na primeira matéria, o recurso fazendário teve seguimento com base nos paradigmas nº 9101-002.188 e 9101-002.428. A PGFN partiu da premissa que o acórdão recorrido aceitou a possibilidade de amortização de ágio, apesar da interposição de empresa veículo e, sob esta ótica, afirmou o dissídio jurisprudencial em face do paradigma nº 9101-002.188 porque. tanto no acórdão recorrido quanto no paradigma, verifica-se que o reconhecimento da existência legal das empresas intermediárias/veículo, assim como da validade da operação e consequente existência de ágio, sendo que para o paradigma a amortização com efeitos fiscal somente se verifica acaso existente a confusão patrimonial entre a real investidora e investida, ainda que se afirme a inocorrência de simulação. Já o paradigma nº 9101-002.428 também trataria de transferência de ágio por meio de empresa veículo, sendo afastada a possibilidade de intermediação ou de interposição por meio de outras pessoas jurídicas (empresas veículo), diversamente do acórdão recorrido. Extrai-se da transcrição da acusação fiscal, presente no relatório do acórdão recorrido, que a operação examinada pelo Colegiado a quo teve em conta empresa-veículo constituída antes da aquisição e que figurou como adquirente do investimento com pagamento de ágio, muito embora com a assunção de obrigações equivalentes pelas pessoas jurídicas consideradas reais adquirentes. Veja-se: [...] Estas as premissas para a autoridade fiscal concluir, nas palavras do relator do acórdão recorrido, ex-Conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, que GRAPPA, além de ter operado em um curto espaço de tempo, não possuía qualquer substrato societário, segundo a fiscalização, sendo seu único propósito o de conduzir ilicitamente o ágio. Este entendimento foi refutado no voto condutor do acórdão recorrido, concluindo-se o que, tendo os atos sido procedidos em conformidade com a lei; não havendo fraude, dolo ou simulação na execução dos mesmos, e não sendo dada a análise quanto à existência, ou não, de propósito negocial, seria indevida a glosa procedida, bem como a qualificação da multa de ofício. A circunstância de a aquisição ter sido promovida pela pessoa jurídica interposta tem sido determinante para a caracterização de dissídios jurisprudenciais nesta temática. No Acórdão nº 9101-005.790, o Conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli foi acompanhado pela maioria deste Colegiado 7 para negar a caracterização da divergência em face do paradigma nº 9101-002.188, em razão daquela ocorrência específica estar presente no recorrido, mas não no paradigma: [...] No Acórdão nº 9101-005.869 este Colegiado, à unanimidade 8 , acompanhou o entendimento assim manifestado pela Conselheira Lívia De Carli Germano: 6 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Edeli Pereira Bessa, Livia de Carli Germano, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Luis Henrique Marotti Toselli, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Alexandre Evaristo Pinto, Gustavo Guimaraes da Fonseca (suplente convocado) e Andrea Duek Simantob (Presidente), e divergiu na matéria a Conselheira Andrea Duek Simantob (relatora). 7 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa, Livia De Carli Germano, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Luis Henrique Marotti Toselli, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Alexandre Evaristo Pinto, Caio Cesar Nader Quintella e Andréa Duek Simantob (Presidente em exercício), e divergiram na matéria os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella e Andréa Duek Simantob. 8 Participaram do julgamento os Conselheiros Edeli Pereira Bessa, Livia deCarli Germano, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Luis Henrique Marotti Toselli, LuizTadeu Matosinho Machado, Alexandre Evaristo Pinto, Caio Fl. 1409DF CARF MF Original Fl. 26 do Acórdão n.º 9101-006.763 - CSRF/1ª Turma Processo nº 16327.720724/2016-04 [...] Esta Conselheira acompanhou tais entendimentos, e apenas se manifestou de forma diferenciada no voto vencido abaixo transcrito, proferido no Acórdão nº 9101-005.907 9 , dado o caso ali sob análise, apesar de apresentar o mesmo diferencial aqui referido, contar com a excepcionalidade de a decisão de 1ª instância reformada no acórdão lá recorrido ter se fundamentado, justamente, nas razões de decidir do paradigma nº 9101-002.188: [...] O posicionamento da maioria do Colegiado, porém, foi assim reiterado no voto vencedor da Conselheira Lívia De Carli Germano: [...] Também aqui, pelas mesmas razões, deve ser rejeitado o paradigma nº 9101- 002.188: a operação lá analisada teve em conta investimento adquirido com ágio por investidora que depois aportou esta participação societária em pessoa jurídica interposta, sendo esta, na sequência, extinta por incorporação da investida. No presente caso, as evidências são de que GRAPPA promoveu a aquisição da autuada e foi constituída antes da celebração dos atos de aquisição, ainda que neles tenha figurado com assunção de responsabilidade, também, por GAVEA e PRAGMA. [..] Assim, presentes contornos semelhantes aos do primeiro paradigma, também este se presta a caracterizar o dissídio jurisprudencial. Mantida a percepção acima firmada para não conhecimento do recurso fazendário analisado no Acórdão nº 9101-006.037, e por motivos semelhantes aos expressos em relação ao primeiro paradigma, também em relação a este segundo, o dissídio jurisprudencial não resta demonstrado. O outro Colegiado do CARF analisou, nos dois paradigmas, a exigência de propósito negocial em operações nas quais a holding foi interposta para aquisição do investimento do ágio, distintamente do verificado nestes autos, nos quais a transferência do investimento adquirido com ágio para a holding é uma circunstância fática diferenciada, que foi foi determinante para a decisão do Colegiado a quo, e que não foi analisada nos paradigmas, inclusive com ressalva expressa de não se estar examinando este tipo de operação no primeiro paradigma. Em tais circunstâncias, a divergência jurisprudencial não resta demonstrada. De fato, nos termos do art. 67 do Anexo II do RICARF, o recurso especial somente tem cabimento se a decisão der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outro Colegiado deste Conselho. Por sua vez, para comparação de interpretações e constatação de divergência é indispensável que situações fáticas semelhantes tenham sido decididas nos acórdãos confrontados. Se inexiste tal semelhança, a pretendida decisão se prestaria, apenas, a definir, no caso concreto, o alcance das normas tributárias, extrapolando a competência da CSRF, que não representa terceira instância administrativa, mas apenas órgão destinado a solucionar divergências jurisprudenciais. Neste sentido, aliás, é o entendimento firmado por todas as Turmas da Câmara Superior de Recursos Fiscais, como são exemplos os recentes Acórdãos nº 9101-002.239, 9202-003.903 e 9303-004.148, reproduzindo entendimento Cesar Nader Quintella,Andrea Duek Simantob (Presidente), e votaram pelas conclusões os Conselheiros Edeli Pereira Bessa e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. 9 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa, Livia De Carli Germano, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (suplente convocado), Luis Henrique Marotti Toselli, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Alexandre Evaristo Pinto, Caio Cesar Nader Quintella e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente em exercício). Ausente a Conselheira Andréa Duek Simantob. Acompanharam o voto vencido os Conselheiros Luiz Augusto Souza Gonçalves e Caio Cesar Nader Quintella. Fl. 1410DF CARF MF Original Fl. 27 do Acórdão n.º 9101-006.763 - CSRF/1ª Turma Processo nº 16327.720724/2016-04 há muito consolidado administrativamente, consoante Acórdão CSRF nº 01-0.956, de 27/11/1989: Caracteriza-se a divergência de julgados, e justifica-se o apelo extremo, quando o recorrente apresenta as circunstâncias que assemelhem ou identifiquem os casos confrontados. Se a circunstância, fundamental na apreciação da divergência a nível do juízo de admissibilidade do recurso, é “tudo que modifica um fato em seu conceito sem lhe alterar a essência” ou que se “agrega a um fato sem alterá-lo substancialmente” (Magalhães Noronha, in Direito Penal, Saraiva, 1º vol., 1973, p. 248), não se toma conhecimento de recurso de divergência, quando no núcleo, a base, o centro nevrálgico da questão, dos acórdãos paradigmas, são díspares. Não se pode ter como acórdão paradigma enunciado geral, que somente confirma a legislação de regência, e assente em fatos que não coincidem com os do acórdão inquinado. O presente voto, portanto, é no sentido de NEGAR CONHECIMENTO ao recurso especial da Contribuinte nas matérias “Impossibilidade de aplicação da teoria do propósito negocial” e “Da validade do propósito negocial em decorrência da motivação fiscal”, Com respeito à matéria “Da efetiva confusão patrimonial entre ‘Empresa Adquirente’ e Investimento Adquirido com Ágio”, a Contribuinte indica o paradigma nº 9101- 003.609, do qual destaca que basta que haja a incorporação entre a sociedade que detém o investimento adquirido (com ágio) e este respetivo investimento, admitindo formas alternativas de se realizar a operação efetivamente adotada, as quais teriam por consequência o mesmo resultado fiscal obtido com as operações questionadas nos lançamentos, as quais somente não foram realizadas por impeditivos estritamente negociais e econômicos. Recentemente referido paradigma foi rejeitado por este Colegiado para caracterização de dissídio jurisprudencial em face de operação de transferência de investimento adquirido com ágio para empresa veículo com vistas à segregação das atividades financeiras das não-financeiras da recorrente, de modo a viabilizar sua transformação em instituição financeira. O Conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli assim ponderou no voto condutor do Acórdão nº 9101-006.291 10 : Dedutibilidade, para fins fiscais, das quotas de amortização de ágio” Do voto vencido do acórdão ora recorrido extrai-se o quanto segue: [...] E do voto vencedor transcrevo as seguintes passagens: [...] A ementa do acórdão recorrido, por sua vez, registra que é indedutível para fins de apuração do lucro real o ágio transferido artificialmente da investidora para a investida por meio de sequência de alterações societárias. Comparando, então, os votos em questão (vencido x vencedor), percebe-se que prevaleceu o entendimento de que a transferência de ágio para empresa veículo revelaria conduta que buscou burlar requisito essencial para que se aplique a norma de exceção que confere a dedutibilidade veiculada pela Le nº 9.532/97, qual seja, a falta de confusão patrimonial entre a investida e a investidora. 10 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa, Livia De Carli Germano, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Luis Henrique Marotti Toselli, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Alexandre Evaristo Pinto, Gustavo Guimarães Fonseca e Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), e divergiram os conselheiros Alexandre Evaristo Pinto, Gustavo Guimarães da Fonseca e Carlos Henrique de Oliveira, que votaram pelo conhecimento. Ausente o conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado. Fl. 1411DF CARF MF Original Fl. 28 do Acórdão n.º 9101-006.763 - CSRF/1ª Turma Processo nº 16327.720724/2016-04 Além disso, também é possível aferir que o entendimento pela necessidade de constituição da empresa veículo Sobraser, que havia sido reconhecida pelo voto vencido, não foi seguido pela maioria qualificada da Turma Julgadora a quo. Pois bem. Da ementa do primeiro paradigma (Acórdão nº 9101-003.609) extrai-se que: ÁGIO TRANSFERIDO. EMPRESA VEÍCULO. DEDUTIBILIDADE. É legítima a transferência do investimento com ágio, notadamente quando existentes restrições societárias e regulatórias que orientaram a criação de empresa veículo. E do voto condutor transcrevo as seguintes passagens: (...) Adoto as razões do acórdão recorrido, acima colacionado, para confirmar a legitimidade do ágio tratado nos autos, sem que se vislumbre artificialidade na criação das empresas acima citadas. Acrescento às razões de decidir que no caso dos autos havia imposições da CVM e ANEEL que justificam - por questões societárias e regulatórias - a organização societária da forma procedida, isto é, a existência da "empresa veículo". O artigo 15, da Instrução 319 da CVM atesta que haveria "abuso" do poder de controle caso o contribuinte não constituísse a "empresa veículo" em discussão nestes autos: (...) Nesse sentido, é o parecer do Dr. Antonio Ganin acostado aos autos pelo contribuinte, explicitando as razões extrafiscais que justificaram a reorganização societária efetuada pela contribuinte: A operação pretendida pela Receita Federal do Brasil (RFB), pela qual a controlada CTEEP incorpora a ISA Capital do Brasil, encontra dois impedimentos para sua realização. O primeiro de ordem societária, pois a operação da forma pretendida pela RFB caracterizaria ato abusivo do poder de controle por parte da CTEEP, conforme previsto no art. 15 da Instrução CVM n° 319/1999, o que seria considerado infração grave para os efeitos do § 3°, do art. 11, da Lei n° 6.385/1976, conforme disposto no art. 17, dessa Instrução CVM. O segundo de ordem regulatória, pois, conforme já exposto, a ANEEL não aceitaria que a dívida da controladora, contraída justamente para a aquisição da controlada, fizesse parte do acervo líquido a ser vertido para a CTEEP por meio da incorporação de sua controladora, trazendo para a concessionária de serviço público de energia elétrica uma divida que é do acionista. A esse respeito, são precisas as considerações do Conselheiro Gerson Macedo Guerra (acórdão 9101-003.362), em voto vencido - proferido no processo do mesmo contribuinte recentemente julgado que acompanhei àquela ocasião: (...) Vê-se, pois, que a incorporação direta da ISA Capital apenas não foi implementada em razão de proibições que o próprio Governo Federal, do qual a RFB faz parte, determinou (normas da CVM e ANEEL). Tais proibições decorreram da impossibilidade de transferência, pela Isa Capital à Contribuinte Recorrente, do forte endividamento decorrente dos recursos captados de terceiros (emissão de dívida no mercado internacional) para a aquisição da Contribuinte Recorrente no processo de privatização. Essas proibições, importa desde já destacar, são o verdadeiro propósito negocial da validade da estrutura implementada pela Contribuinte Recorrente. Fl. 1412DF CARF MF Original Fl. 29 do Acórdão n.º 9101-006.763 - CSRF/1ª Turma Processo nº 16327.720724/2016-04 Acrescento que é legítima a transferência de ágio em operação societária, fundamentando-se a hipótese no artigo 248, da Lei n° 6.404/1976 e no artigo 20, do Decreto n° 1.598/1976. Desde a original redação, a Lei n° 6.404/1976 obrigava que o investimento adquirido fosse avaliado pelo método de equivalência patrimonial. Nota-se, assim, que o primeiro paradigma, analisando operação de aquisição de participação societária em um contexto de privatização, admitiu a transferência de ágio para empresa veículo ante a imposições da CVM e ANEEL que justificam - por questões societárias e regulatórias - a organização societária da forma procedida, isto é, a existência da "empresa veículo". Trata-se, assim de circunstância fática determinante para o desfecho daquele caso, mas que aqui não se faz presente, prejudicando a comparabilidade das decisões para a finalidade pretendida pela Recorrente. Em outro precedente, o Conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli também rejeitou este paradigma, mas porque a discussão no recorrido se dava em razão de a integração da holding na operação estar presente na contratação prévia para aquisição da participação societária com ágio. Neste sentido foi a ponderação posta no voto condutor do Acórdão nº 9101- 006.049 11 : Outro fato que chama atenção é o de que os fundamentos da ausência de confusão patrimonial e ilegitimidade de empresa veículo, nesse caso particular, não se limitaram à origem dos recursos financeiros empregados na aquisição do investimento que gerou o ágio (do Banco Société Générale Brasil, e não Trancoso) e ao uso de uma holding desprovida de “propósito negocial” (Trancoso), respectivamente, levando em conta também a circunstância específica do contrato de compra e venda, que foi celebrado entre Banco Société Générale Brasil e Banco Cacique em momento anterior à aquisição da Trancoso. Em síntese, a interpretação de que o instrumento contratual proibiria uma alteração substancial no negócio, somada ao fato de "Trancoso Participações Ltda" ter recebido o aporte de capital de Banco Société Générale Brasil somente depois da assinatura contratual e da autorização do Banco Central, foram considerados fundamentos adicionais suficientes para manutenção da glosa. A solução do litígio, portanto, partiu da análise de situação que, por apresentar peculiaridades específicas, afastam, para os fins pretendidos pela recorrente, a necessária similitude com os Acórdãos paradigmas 1201-002.247 (fls. 1.008/1.030) e 9101-003.609 (fls. 1.035/1.062). (destaques do original) O paradigma nº 9101-003.609 já foi rejeitado em várias outras análises de conhecimento de recurso especial em razão de sua decisão estar condicionada à existência de restrições regulatórias. Para além disso, na declaração de voto apresentada pelo Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto no referido paradigma, tais restrições regulatórias são desmerecidas como motivo para admissibilidade da operação, sendo indicadas outras razões específicas para desconstituir o lançamento lá analisado: A Autuada procura demonstrar que a utilização dessa nova empresa possuía propósito negocial, tendo ocorrido em razão de questões regulatórias. Discordo de tal entendimento, uma vez que a interposição de ISA Participações se deu com exclusivo escopo tributário. Não havia qualquer obrigação de ordem societária ou regulatória que impusesse a confusão patrimonial entre investida e investidora. O que havia, isso sim, 11 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa, Livia De Carli Germano, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Luis Henrique Marotti Toselli, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Alexandre Evaristo Pinto, Gustavo Guimarães da Fonseca (Suplente convocado) e Andrea Duek Simantob (Presidente em exercício) e votou pelas conclusões quanto à matéria “utilização de empresa veículo” a conselheira Livia De Carli Germano. Fl. 1413DF CARF MF Original Fl. 30 do Acórdão n.º 9101-006.763 - CSRF/1ª Turma Processo nº 16327.720724/2016-04 era uma impossibilidade de que isso pudesse ocorrer em razão de limitações de ordem regulatória. Nesse cenário, com o único intuito de amortizar o ágio em questão, interpôs-se ISA Participações, sem sombra de dúvida uma “empresa veículo” e de existência efêmera, a fim de que se pudesse transferir o investimento a essa empresa de modo a contornar as limitações regulatórias e, a todo custo, no entender do contribuinte, iniciar a amortização do ágio. Veja-se que o presente cenário diferencia-se do “Caso Energisa”, pois não estamos tratando de uma empresa de propósito específico estruturada para participar de um leilão de privatização, mas sim de uma empresa veículo criada com o único intuito de obter vantagem tributária. Veja-se que a criação de ISA Participações não teve como objetivo obedecer a norma regulatória, mas sim foi utilizada como meio de contornar regras regulatórias tendo como objetivo final alcançar artificialmente vantagem tributária que, sem sua existência, não poderia ser contornada, ao menos naquele momento. Com efeito, é importante que fique registrado meu entendimento sobre o tema a fim de que, em julgamentos futuros, não sejas distorcidas minhas conclusões sobre o tema. No caso concreto, o que me leva a concluir pela inviabilidade de manutenção da exigência é outro: a estrutura adotada na operação levou a Autuada e sua controladora a incorrerem em custo tributário mais elevado do que aquele que teria sido por ela suportado se adotasse a estrutura que a autoridade fiscal lançadora e também a PGFN entendia que seria a necessária a possibilitar a amortização do ágio em questão. [...] Destes termos já resta evidente que outro poderia ser o resultado do paradigma frente à análise do caso presente, no qual a integração da investidora original e da investida não se verificou pelo interesse do Bradesco transferir o controle do Banco BEC para outra empresa integrante do Grupo, a fim de segregar o investimento e evitar a assunção de possíveis contingências, bem como para contornar as restrições regulatórias que impediriam a recorrente (Alvorada), que é uma instituição financeira receber diretamente do Bradesco, via aumento de capital, as ações do Banco BEC adquiridas por meio do leilão de privatização. A Contribuinte extrai do paradigma a conclusão de que basta que haja a incorporação entre a sociedade que detém o investimento adquirido (com ágio) e este respetivo investimento. Contudo, esta assertiva é subsidiária no voto condutor do paradigma, e inclusive posta depois de incorporadas todas as manifestações antes expressas acerca daquele caso concreto, no sentido do reconhecimento dos empecilhos impositivos estabelecidos pela ANEEL, além da referência a outras restrições da CVM, que foram superadas com a transferência do investimento para holding, viabilizando a amortização do ágio que, assim, foi admitida porque também possível se a integração acontecesse sem as restrições regulatórias. Assim, não é possível afirmar que o Colegiado que editou o paradigma validaria a amortização do ágio na ausência das circunstâncias específicas referidas no voto condutor e na declaração de voto integradas ao paradigma. Por tais razões, também deve ser NEGADO CONHECIMENTO ao recurso especial na matéria “Da efetiva confusão patrimonial entre ‘Empresa Adquirente’ e Investimento Adquirido com Ágio”. Por fim, na matéria “Validade da suposta ‘empresa veículo’”, a Contribuinte primeiro discorda da classificação da Oregon Holding Ltda como uma simples “empresa veículo”, em razão da finalidade a que ela se prestou, evitando ”contaminar” o Bradesco com eventuais contingências decorrentes das aquisições, além do fato de, ao final, a Contribuinte, como empresa plenamente operacional escolhida pelo Grupo Bradesco, passar a controlar e incorporar o Banco BEC. Sob esta ótica, passa a demonstrar a divergência inicialmente em face Fl. 1414DF CARF MF Original Fl. 31 do Acórdão n.º 9101-006.763 - CSRF/1ª Turma Processo nº 16327.720724/2016-04 do paradigma nº 1301-001.505, asseverando que a decisão no sentido de que a utilização de “empresa veículo” não constitui restrição à amortização do ágio se deu em uma situação bastante semelhante à situação discutida no presente processo administrativo, inclusive destacando que o resultado tributário alcançado seria o mesmo se não houvesse sido utilizada a empresa veículo. De fato, o voto vencedor do paradigma nº 1301-001.505 traz consignado esta última referência, nos seguintes termos: De se verificar também que independentemente do caminho trilhado pelas empresas envolvidas, tanto a Incorporada como a Incorporadora, sem infringir a legislação fiscal, poderiam beneficiar-se da dedutilibidade do ágio pago na aquisição, porquanto, os dois caminhos alternativos (incorporação direta ou mediante uso de empresa veículo) não resultariam em carga tributária diferente, sendo descabido falar em falta de disposição expressa no ordenamento para a opção por um ou por outro e/ou espaço de tempo utilizado nessas operações, não havendo, portanto, que se falar em abuso de direito para se obter o benefício fiscal. De se pontuar que a inserção da figura do abuso de direito no campo tributário, como fator justificativo da ineficácia dos atos praticados perante o fisco, liga-se a situação em que há uma redução da carga tributária (compromete a eficácia do princípio da capacidade contributiva). Invocar o abuso de direito para considerar ineficaz a conduta frente ao fisco só se justifica se essa conduta houver sido determinante para redução da carga tributária (compromisso da capacidade contributiva). E isso não ocorreu no caso concreto pois, como visto, a carga tributária seria mesma, quer a incorporação fosse direta, quer se desse por meio da empresa veículo, sendo impertinente também para justificar o lançamento, pois pressupõe que o exercício do direito tenha se dado em prejuízo do direito de terceiros. No caso, não se materializou excesso frente ao direito tributário, eis que não houve prejuízo da Fazenda, pois o resultado tributário alcançado seria o mesmo se não houvesse sido utilizada a empresa veículo. Contudo, as circunstâncias específicas do caso concreto, distintas do presente, foram determinantes para a decisão do Colegiado, como expresso no voto declarado pelo Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado: O fato de o negócio ter sido entabulado pela Banco Societé Brasil e efetivado por meio de um empresa controlada, que recebeu o aporte de capital para fazer o investimento ao meu ver não contamina o negócio, nem desnatura a ocorrência do ágio. Havia inclusive previsão contratual para que ocorresse dessa forma. Ainda que não tenha existido a notificação prévia é certo que os vendedores não se opuseram, tanto que celebraram a venda. Não enxergo simulação neste caso, mas sim a adoção de uma estrutura para as operações societárias compatível com o negócio efetivamente realizado, ainda que evidentemente estruturada com vistas a obtenção dos benefícios futuros de amortização desse ágio, conforme a previsão legal. Entendo que, desta feita estamos no campo daquelas situações em que o contribuinte se valeu licitamente do direito de organizar o seu negócio de acordo com suas necessidades e/ou interesses, inclusive optar pela forma negocial que lhe propiciasse o menor custo ou maior vantagem tributária, obedecidos os ditames legais. A “empresa-veículo”, no caso deste primeiro paradigma, foi validada por ter recebido o aporte de capital para fazer o investimento, inclusive porque havia previsão contratual para que ocorresse dessa forma. Aqui, como antes demonstrado, a holding recebe o investimento já adquirido com ágio, e assim viabiliza sua transferência para titularidade de uma Fl. 1415DF CARF MF Original Fl. 32 do Acórdão n.º 9101-006.763 - CSRF/1ª Turma Processo nº 16327.720724/2016-04 outra pessoa jurídica do grupo que poderia incorporar a investida e viabilizar a amortização fiscal do ágio sem que a adquirente, Banco Bradesco S/A, participasse dessa incorporação. Na medida em que a estrutura da operação analisada no paradigma foi determinante para a solução adotada pelo outro Colegiado do CARF, e distinta é a estrutura da operação aqui sob exame, não há similitude fática que autorize a caracterização de divergência jurisprudencial entre os casos comparados. Quanto ao segundo paradigma (nº 1201-002.247), importa recordar que ele foi rejeitado como paradigma de divergência semelhante suscitada em face da operação analisada no primeiro paradigma (nº 1301-001.505) e apreciada por este Colegiado em razão de recurso especial interposto contra outro julgado da matéria (Acórdão nº 1402-003.574). No já citado Acórdão nº 9101-006.049 12 , o Conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli rejeitou o paradigma nº 1201-002.247 juntamente com o paradigma nº 9101-003.609, em razão das especificidades neles presentes: Outro fato que chama atenção é o de que os fundamentos da ausência de confusão patrimonial e ilegitimidade de empresa veículo, nesse caso particular, não se limitaram à origem dos recursos financeiros empregados na aquisição do investimento que gerou o ágio (do Banco Société Générale Brasil, e não Trancoso) e ao uso de uma holding desprovida de “propósito negocial” (Trancoso), respectivamente, levando em conta também a circunstância específica do contrato de compra e venda, que foi celebrado entre Banco Société Générale Brasil e Banco Cacique em momento anterior à aquisição da Trancoso. Em síntese, a interpretação de que o instrumento contratual proibiria uma alteração substancial no negócio, somada ao fato de "Trancoso Participações Ltda" ter recebido o aporte de capital de Banco Société Générale Brasil somente depois da assinatura contratual e da autorização do Banco Central, foram considerados fundamentos adicionais suficientes para manutenção da glosa. A solução do litígio, portanto, partiu da análise de situação que, por apresentar peculiaridades específicas, afastam, para os fins pretendidos pela recorrente, a necessária similitude com os Acórdãos paradigmas 1201-002.247 (fls. 1.008/1.030) e 9101-003.609 (fls. 1.035/1.062). (destaques do original) Esta Conselheira também já demonstrou a especificidade do litígio analisado no paradigma nº 1201-002.247, ao proferir o voto, condutor neste ponto, do Acórdão nº 9101- 006.250 13 . Naquele caso, havia similitude com o paradigma nº 1301-001.505, mas o segundo paradigma foi rejeitado nos seguintes termos: O paradigma nº 1301-001.505 refere a operação de compra da participação societária no Banco Cacique S/A, recentemente apreciada por este Colegiado, e validada para fins de amortização fiscal do ágio, no Acórdão nº 9101-006.049 , assim ementado: [...] Há similitude entre as operações, vez que o adquirente estrangeiro aporta recursos financeiros em empresa nacional que também passa a figurar no acordo anterior de aquisição, para assim efetivá-la. 12 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa, Livia De Carli Germano, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Luis Henrique Marotti Toselli, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Alexandre Evaristo Pinto, Gustavo Guimarães da Fonseca (Suplente convocado) e Andrea Duek Simantob (Presidente em exercício) e votou pelas conclusões quanto à matéria “utilização de empresa veículo” a conselheira Livia De Carli Germano. 13 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa, Livia De Carli Germano, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Luis Henrique Marotti Toselli, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Alexandre Evaristo Pinto, Gustavo Guimarães da Fonseca e Carlos Henrique de Oliveira (Presidente). Fl. 1416DF CARF MF Original Fl. 33 do Acórdão n.º 9101-006.763 - CSRF/1ª Turma Processo nº 16327.720724/2016-04 Já o paradigma nº 1201-002.247 também foi apresentado no precedente acima referido e rejeitado. Tratou-se, no referido julgado, dos ágios formados na aquisição, pelo Banco de Investimento Credit Suisse (Brasil S/A) das ações detidas por pessoas físicas em sociedades do grupo Hedging-Griffo, divididas em duas operações com a constituição de HG Investimentos e HGI-II. E esta circunstância específica da venda conjunta de participações societárias foi referida como fundamento, no voto condutor do paradigma, para justificar o formato adotado na alienação: Desde o início jamais pretendeu o recorrente adquirir diretamente o controle das empresas HG Asset-Management, HG Serviços Internacionais e HG Corretora. A aquisição direta de cada uma daquelas sociedades, com acionistas distintos, exigiria a celebração de 3 acordos de acionistas distintos, 3 contratos de compra e venda distintos e uma série de outros controles que jamais foram de interesse do impugnante, que sempre quis adquirir o negócio como um todo. Daí porque constou expressamente do contrato que: "Considerando que a Compradora deseja comprar dos Vendedores, e os Vendedores desejam vender à Compradora, 5.001 (cinco mil e uma) ações ordinárias, sem valor nominal, representativos do capital social da HG Investimentos, equivalente a 50% + 1 (cinqüenta por cento mais uma) ações do referido capital social (as "Ações Adquiridas"), observados os termos e condições estipuladas no presente Contrato; (...) "Reorganização Permitida" significa reorganização societária interna das Sociedades Adquiridas a ser concluída antes do Fechamento, por meio da qual (i) a titularidade de todas as ações emitidas e em circulação representativas do capital social da HG Corretora, HG Serviços Internacionais e HG Asset passará a ser detida diretamente pela HG Investimentos; (ii) na medida do necessário e conforme pactuado com a Compradora, o negócio será transferido ou de outro modo cedido às Sociedades Adquiridas; e (iii) serão praticados demais atos ligados às aludidas providências, de modo a permitir que o Negócio seja incorporado à HG Investimentos, conforme pactuado pelas partes." (fls. 491 e 499) Além disso, busca a autoridade fiscal caracterizar a HGII-I como uma empresa veículo sem propósito negocial. Argumenta o recorrente que a razão pela qual se optou por adquirir e vender uma empresa detentora de 50% + 1 das ações da HG Investimentos, e não estas ações diretamente, foi apenas porque tanto os compradores como os vendedores não desejavam tornar-se sócios do recorrente (o que ocorreria no caso de incorporação direta da HG Investimentos), antes de saber se seria exercida pelo impugnante ou pelos vendedores a opção de compra e venda prevista no acordo de acionistas. Tendo o ágio sido gerado com o pagamento efetuado pelo recorrente aos sócios das empresas do Grupo Hedging-Griffo pelo controle do grupo, não há que se falar na utilização de empresa veículo sem propósito negocial que permita à autoridade fiscal desconsiderar os efeitos tributários da operação. Assim, também aqui referido paradigma deve ser rejeitado para caracterização de dissídio jurisprudencial em face de operação que não guarda complexidades semelhantes. O recurso especial da Contribuinte na matéria (5) “validade das supostas ‘empresas veículo’, portanto, pode ter seguimento apenas com base no paradigma nº 1301- 001.505. Como se vê, este segundo paradigma também refere razões negociais anteriores à aquisição, que motivam a interposição da empresa-veículo para efetivação da aquisição e posterior incorporação, que assim é entendida como autorizadora da amortização fiscal do ágio. Fl. 1417DF CARF MF Original Fl. 34 do Acórdão n.º 9101-006.763 - CSRF/1ª Turma Processo nº 16327.720724/2016-04 As referências do paradigma destacadas pela Contribuinte, no sentido de que a utilização da chamada “empresa veículo” não guarda qualquer ilegalidade ou abuso em si, e de que estaria cada vez mais pacificado o entendimento de que a utilização de uma empresa veículo para aquisição de outras empresas, de grupo econômico distinto, não revela qualquer vício, ilegalidade ou abuso em si, são considerações postas num contexto em que, como destacado na ementa do paradigma, foi demonstrado o devido propósito negocial e substância econômica na realização de reorganizações societárias. Na medida em que distintas foram as operações analisadas nos acórdãos comparados, e as circunstâncias do caso concreto do paradigma foram determinantes para a solução dada pelo outro Colegiado do CARF, também em relação a este segundo julgado a divergência jurisprudencial não se estabelece. Esclareça-se, por oportuno, que nos argumentos deduzidos nesta matéria, a Contribuinte também refere que as orientações gerais da época dos fatos – tanto da data da operação quanto do período autuado -, em especial a jurisprudência administrativa, eram no sentido de que a utilização de “sociedade veículo”, com objetivo de aproveitar fiscalmente o ágio gerado entre partes independentes, é plenamente válida. Contudo, não erigiu divergência jurisprudencial neste sentido e, quanto à invocação do art. 24 da LINDB, cabe recordar o entendimento assim consolidado: Súmula CARF nº 169 Aprovada pelo Pleno em sessão de 06/08/2021 – vigência em 16/08/2021 O art. 24 do decreto-lei nº 4.657, de 1942 (LINDB), incluído pela lei nº 13.655, de 2018, não se aplica ao processo administrativo fiscal. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 12.975, de 10/11/2021, DOU de 11/11/2021). Acórdãos Precedentes: 1402-004.202, 9101-004.217, 9101-003.839, 1302-003.821, 9202-007.943, 3302-007.542, 1401-003.632, 3401-007.043 e 1201-002.982. Assim, também deve ser NEGADO CONHECIMENTO ao recurso especial da Contribuinte na matéria “Validade da suposta ‘empresa veículo’”. E, com respeito à matéria “Da legitimidade do aproveitamento da dedutibilidade fiscal do ágio amortizado contabilmente pelo Recorrente”, tem-se que o voto condutor do acórdão recorrido assim se opõe à pretensão da Contribuinte: Exatamente na linha oposta do entendimento da recorrente, parece-me inconteste que a autuação a título de “exclusão indevida de amortização de ágio da apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL”. (R$ 6.173.211,74) levou em conta todo o cenário presente nos autos, diga-se, a legislação vigente à data do fato gerador (31/12/2011) não faz qualquer diferenciação entre o ágio amortizado contabilmente e aquele ainda não amortizado, exatamente porque, obviamente, a parcela do ágio que já foi objeto de amortização não poderá mais ser amortizada. Como bem alertado pela decisão recorrida (Ac. DRJ – fls. 590), “o fato de o caput do art. 22 da Lei nº 12.973, de 20142, prescrever que “poderá excluir para fins de apuração do lucro real dos períodos de apuração subsequentes o saldo do referido ágio existente na contabilidade na data da aquisição da participação societária, à razão de 1/60 ...”, apenas ratifica que a exclusão para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL somente poderá se dar quando a absorção do patrimônio (confusão patrimonial) se der entre a investida e a pessoa jurídica que adquiriu a participação societária com ágio (no caso entre o Banco Bradesco e o Banco BEC). Isto porque, a amortização dar-se-á a 1/60 avos do saldo do ágio existente na data da aquisição da participação societária, como sempre foi autorizado”. Deste modo, o lançamento mostra-se irretocável e deve ser mantido. Fl. 1418DF CARF MF Original Fl. 35 do Acórdão n.º 9101-006.763 - CSRF/1ª Turma Processo nº 16327.720724/2016-04 Veja-se que mesmo na apreciação deste argumento subsidiário, o voto condutor do acórdão recorrido reitera que a redução do lucro tributável somente poderá se dar quando a absorção do patrimônio (confusão patrimonial) se der entre a investida e a pessoa jurídica que adquiriu a participação societária com ágio (no caso entre o Banco Bradesco e o Banco BEC). Evidencia-se, dessa forma, que a apreciação desta matéria não tem o condão de reverter, sozinha, a parcela glosada com o fundamento adicional de não ser admissível a dedução de amortizações do ágio antes apropriadas contabilmente. Na medida em que a Contribuinte não logrou demonstrar divergência jurisprudencial que permita reverter a exigência de confusão patrimonial entre o Banco Bradesco S/A e o Banco BEC, este fundamento autônomo subsiste para manter a indedutibilidade, também, das deduções correspondentes ao ágio antes amortizado contabilmente. Em tais circunstâncias, o recurso especial não pode ser conhecido. Neste sentido, aliás, é a jurisprudência consolidada dos Tribunais Superiores: Súmula 283/STF: “É inadmissível o recurso extraordinário, quando a decisão recorrida assenta em mais de um fundamento suficiente e o recurso não abrange todos eles.” Súmula 126/STJ: “É inadmissível recurso especial, quando o acórdão recorrido assenta em fundamentos constitucional e infraconstitucional, qualquer deles suficiente, por si só, para mantê-lo, e a parte vencida não manifesta recurso extraordinário”. De toda a sorte, vale registrar que no paradigma nº 1302-002.346, sob relatoria do Conselheiro Gustavo Guimarães Fonseca, seria patente a divergência suscitada: Entendo, todavia, que, na verdade, o erro incorrido pela fiscalização não foi a tentativa de interpretar o art. 386 mas, isto sim, de entender aplicáveis as regras nele descritas e, concomitantemente, as regras insertas no art. 391. E aqui, destaca-se, revela-se o sofisma incorrido pela auditoria porque como já demonstrado anteriormente, tais preceitos se complementam, de fato, mas apenas quanto aos momentos em que serão aplicados; insista-se, enquanto não extinto o investimento, há que se observar a regra inserta no art. 391; ocorrida a extinção do investimento, passa-se a valer aquilo que dispõe o art. 386, III, mormente porque o ágio amortizado contabilmente não tem efeitos fiscais, quaisquer que sejam; ele não impacta o cálculo do lucro real e, por certo, não impacta o valor de ágio amortizável após a extinção do investimento ("pau que dá em Chico, da em Francisco"). Também o paradigma nº 1401-001.908 prestar-se-ia a caracterizar a divergência, nas palavras do voto condutor de lavra da Conselheira Lívia De Carli Germano: A leitura dos arts. 7º e 8º da Lei 9.532/1997 (regulamentados no artigo 386 do RIR/99) permite concluir que o tratamento tributário do ágio (isto é, a amortização da base de cálculo dos tributos) pode ser conferido ainda que o ágio tenha sido amortizado contabilmente, tanto é que os dispositivos se aplicam ainda que as sociedades não estejam obrigadas a seguir o método de equivalência patrimonial. Veja-se (grifos nossos): [...] O que se percebe é que, sob tal legislação, o ágio a ser amortizado da base de cálculo do IRPJ e da CSLL está completamente desvinculado de seu registro contábil; o valor do lucro apurado contabilmente será ajustado nos livros fiscais, assim como o valor do ágio a ser amortizado da base de cálculo dos tributos será controlado na escrituração tributária especificamente, na Parte B do LALUR/LACS. A legislação não faz qualquer diferenciação entre o ágio amortizado contabilmente e aquele ainda não amortizado, devendo-se assim conferir a ambos exatamente o mesmo tratamento tributário previsto no artigo 7º da Lei nº 9.532/97, uma vez que a amortização na escrituração contábil não tem repercussão fiscal, sendo controlada na Parte B do LALUR. Fl. 1419DF CARF MF Original Fl. 36 do Acórdão n.º 9101-006.763 - CSRF/1ª Turma Processo nº 16327.720724/2016-04 De se ressaltar que não há nenhuma omissão legislativa aqui. O legislador não se “esqueceu” de mencionar que o ágio já amortizado contabilmente, antes dos eventos de incorporação, fusão ou cisão, não seria passível de aproveitamento fiscal; apenas não quis que assim o fosse. Daí a simples remissão, feita no caput do artigo 7º da Lei nº 9.532/1997, ao ágio apurado de acordo com o artigo 20 do Decreto-Lei nº 1.598/1977, sendo absolutamente indevida qualquer interpretação que busque conferir à ausência de menção ao ágio não amortizado o caráter de “esquecimento” do legislador a ser suprido pela lavratura de autos de infração. Portanto, a previsão legal existe, é clara, literal e possui lógica substanciada na legislação tributária: o ágio a ser amortizado em razão do evento de incorporação é aquele apurado nos termos do artigo 20 do Decreto-Lei nº 1.598/1977, qual seja, custo de aquisição menos o valor de patrimônio líquido do investimento adquirido, sem a exclusão de qualquer outra parcela, uma vez que o ágio amortizado na escrituração contábil antes dos referidos eventos não tem nenhuma repercussão de natureza tributária, devendo ser adicionado ao lucro líquido e controlado na Parte B do LALUR/LACS. Registre-se que referido julgado foi reformado pelo Acórdão nº 9101-004.398, mas tal decisão somente foi publicada no sítio do CARF em 24/10/2019, depois da interposição do recurso especial aqui sob exame. Contudo, presente fundamento inatacado em razão do não conhecimento do recurso especial nas demais matérias suscitadas pela Contribuinte, também deve ser NEGADO CONHECIMENTO ao recurso especial da Contribuinte na matéria “Da legitimidade do aproveitamento da dedutibilidade fiscal do ágio amortizado contabilmente pelo Recorrente”. Por fim, quanto à matéria “inexistência de previsão legal para a adição, à base de cálculo da CSLL, da despesa com a amortização de ágio considera indedutível pela fiscalização”, trata-se de dissídio jurisprudencial que somente tem utilidade se concebido sob a ótica de dedutibilidade das amortizações na base de cálculo da CSLL, ainda que firmada a indedutibilidade no âmbito do IRPJ. Isto porque, sem esta autonomia, subsistem os fundamentos aqui expressos, em razão da especificidade das operações analisadas, para indedutibilidade no âmbito do IRPJ como diferenciais para caracterização do dissídio apenas sob a ótica das regras de apuração da base de cálculo da CSLL. Tanto o é que o voto condutor do acórdão recorrido expressamente refere os fundamentos legais confrontados pela Contribuinte sob a premissa de estar tratando despesas de amortização de ágio que sejam indedutíveis para fins de apuração do lucro real. Arguição semelhante já teve seu conhecimento negado por este Colegiado nos termos do voto vencedor desta Conselheira no Acórdão nº 9101-006.049 14 : E o dissídio jurisprudencial em tela teve seguimento sob os seguintes fundamentos expressos no exame de admissibilidade: (8) “inexistência de previsão legal para a adição, à base de cálculo da CSLL, da despesa com a amortização de ágio considera indedutível pela fiscalização” Decisão recorrida: REFLEXO NA APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CSLL. 14 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa, Livia De Carli Germano, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Luis Henrique Marotti Toselli, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Alexandre Evaristo Pinto, Gustavo Guimarães da Fonseca (suplente convocado) e Andrea Duek Simantob (Presidente em exercício), e divergiram na matéria os Conselheiros Luis Henrique Marotti Toselli e Alexandre Evaristo Pinto. Fl. 1420DF CARF MF Original Fl. 37 do Acórdão n.º 9101-006.763 - CSRF/1ª Turma Processo nº 16327.720724/2016-04 Deve ser anulada contabilmente a amortização de ágio que, após interposição de empresa veículo que dissimula o real adquirente, surge sem substância econômica no patrimônio da investida. Acórdão paradigma nº 9101-002.310, de 2016: AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. ADIÇÃO À BASE DE CÁLCULO. INAPLICABILIDADE DO ART. 57, LEI N 8.981/1995. Inexiste previsão legal para que se exija a adição à base de cálculo da CSLL da amortização do ágio pago na aquisição de investimento avaliado pela equivalência patrimonial. Inaplicabilidade, ao caso, do art. 57 da Lei nº 8.981/1995, posto que tal dispositivo não determina que haja identidade com a base de cálculo do IRPJ. Acórdão paradigma nº 1103-00.630, de 2012: Não há ementa correspondente a essa matéria. [...]. Com relação à dedução das despesas de amortização do ágio, para fins da CSLL, registro que não há previsão legal para a indedutibilidade dessas despesas, tal como é preceituada para o lucro real, pelo art. 25 do Decreto-Lei nº 1.598/77. 25. Por fim, com relação a essa oitava matéria, também ocorre o alegado dissenso jurisprudencial, pois, em situações fáticas semelhantes, sob a mesma incidência tributária e à luz das mesmas normas jurídicas, chegou-se a conclusões distintas. 26. Enquanto a decisão recorrida entendeu que, para fins da CSLL, deve ser anulada contabilmente a amortização de ágio que, após interposição de empresa veículo que dissimula o real adquirente, surge sem substância econômica no patrimônio da investida, os acórdãos paradigmas apontados (Acórdãos nºs 9101- 002.310, de 2016, e 1103-00.630, de 2012) decidiram, de modo diametralmente oposto, que inexiste previsão legal para que se exija a adição à base de cálculo da CSLL da amortização do ágio pago na aquisição de investimento avaliado pela equivalência patrimonial (primeiro acórdão paradigma) e que não há previsão legal para a indedutibilidade dessas despesas, tal como é preceituada para o lucro real, pelo art. 25 do Decreto-Lei nº 1.598/77 (segundo acórdão paradigma). Como se vê, a premissa do acórdão recorrido é no sentido de que uma ativo que surge sem substância econômica no patrimônio da investida, porque mantido sob a titularidade do real adquirente, não pode gerar amortização que afete o lucro contábil, ensejando a glosa reflexa na base de cálculo da CSLL. Já o primeiro paradigma analisou lançamento no qual a amortização do ágio foi adicionada na base de cálculo do IRPJ, porque o investimento permanecia no patrimônio do investidor, e a autoridade lançadora exigiu que a mesma adição fosse promovida na base de cálculo da CSLL. De fato, o paradigma nº 9101-002.310 trata de lançamento exclusivamente de CSLL, decorrente da exigência de adição ao lucro líquido de amortizações de ágio que foram adicionadas ao lucro real, porque referentes a investimento mantido no patrimônio da investidora. Ou seja, frente à observância, no âmbito de IRPJ, de regra que busca neutralizar as amortizações de ágio, postergando seus efeitos para o momento da liquidação do investimento, exigiu-se do sujeito passivo que a mesma providência fosse adotada no âmbito da CSLL, e este Colegiado, em antiga composição, afirmou inexistir norma legal que assim determinasse. Nada, no referido julgado, permite concluir que a mesma solução seria dada na hipótese em que a amortização do ágio se mostre indedutível por ausência de confusão patrimonial entre investida e investidora, aspecto que, como referido no acórdão recorrido, afetaria o próprio reconhecimento contábil da amortização da investida. Quanto ao paradigma nº 1103-00.630, embora ali também se tratasse de amortização fiscal do ágio na forma dos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/97, e seu voto condutor traga Fl. 1421DF CARF MF Original Fl. 38 do Acórdão n.º 9101-006.763 - CSRF/1ª Turma Processo nº 16327.720724/2016-04 argumentos contrários à indedutibilidade das amortizações no âmbito da CSLL, importa observar que naqueles autos foi dado provimento integral ao recurso voluntário, afirmando-se o não cabimento da glosa não só na base da CSLL, como também do IRPJ. Assim, o outro Colegiado do CARF decidiu a questão sob circunstâncias distintas daquelas que a Contribuinte quer ver prevalecer nestes autos, qual seja, que a exigência de CSLL seja cancelada ainda que afirmada a indedutibilidade no âmbito do IRPJ. O exame do paradigma evidencia não ser possível cogitar se a mesma decisão seria adotada caso aquele Colegiado reconhecesse a indedutibilidade das amortizações no âmbito do IRPJ. Estas as razões, portanto, para CONHECER PARCIALMENTE do recurso especial da Contribuinte em menor extensão, apenas em relação à matéria “utilização de empresa veículo”. Esclareça-se, ainda, que, com respeito ao paradigma nº 1103-00.630, houve arguição, nos autos do processo administrativo nº 16327.720954/2014-01, de que ele não restou reformado pelo acórdão nº 9101-002.184, proferido por esta E. CSRF naqueles autos, tendo em vista que, como consignado no tópico 'Delimitação do escopo' em tal decisão, 'o procurador da Fazenda Nacional deixou de recorrer da CSLL')", acrescentando que "tendo em vista que o acórdão nº 9101-002.184, além de adotar o mesmo sentido que o acórdão paradigma ora citado, consignou expressamente que não tratava da questão em análise. O paradigma nº 1103- 00.630 exonerou as exigências decorrentes de glosa de amortização de ágio fundamentadas na falta de concretização da rentabilidade futura e na incorporação reversa da investidora pela investida. A PGFN suscitou divergência acerca destes fundamentos e o voto condutor do Acórdão nº 9101-002.184 traz consignado que: Está fora do escopo desta decisão os lançamentos relativos à CSLL, isto porque o procurador da Fazenda Nacional deixou de recorrer da CSLL, talvez em razão do acórdão recorrido ter sido omisso na ementa quanto aos fundamentos autônomos no âmbito da CSLL para dar provimento ao recurso voluntário. Apesar da omissão na ementa, a última página do voto do relator (e-fl. 1458) não deixa dúvidas. E, por não ser matéria de ordem pública, entendo que a matéria não foi devolvida à Câmara Superior (efeito devolutivo); logo, portanto, por preclusão processual, a questão da CSLL está definitivamente julgada. Ocorre que, na ótica aventada naqueles autos, tal ponderação somente permitiria cogitar de eventual reavaliação da percepção antes firmada acerca do paradigma nº 1103-00.630 se esta 1ª Turma tivesse conhecido do recurso especial fazendário e restabelecido a glosa de amortização de ágio lá afastada, também, no âmbito do IRPJ. Contudo, apesar da ressalva inicial, a conclusão deste Colegiado foi no sentido de conhecer parcialmente do recurso especial, apenas quanto à incorporação reversa, e negar-lhe provimento. Assim, nem mesmo a partir de uma interpretação ampliada do paradigma nº 1103-00.630 seria possível afirmar que a decisão do outro Colegiado do CARF passou a ter o condão de cancelar a exigência de CSLL, apesar de restabelecida a glosa de amortização de ágio no âmbito do IRPJ. Assim, também aqui, deve ser NEGADO CONHECIMENTO à matéria “inexistência de previsão legal para a adição, à base de cálculo da CSLL, da despesa com a amortização de ágio considera indedutível pela fiscalização”. Por todo o exposto, NEGA-SE CONHECIMENTO ao recurso especial da Contribuinte. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA - Relatora Fl. 1422DF CARF MF Original Fl. 39 do Acórdão n.º 9101-006.763 - CSRF/1ª Turma Processo nº 16327.720724/2016-04 Fl. 1423DF CARF MF Original
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Numero do processo: 10384.003218/2005-25
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Oct 07 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Oct 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE
SOCIAL - COFINS
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003
VALORES DECLARADOS EM DCTF. LANÇAMENTO DE OFÍCIO.
DESNECISSADE.
Os débitos declarados pelo sujeito passivo em DCTF independe das
vinculações declaradas e dispensam o lançamento de ofício, pois a DCTF constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos.
COFINS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO - APLICAÇÃO DE
DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL - POSSIBILIDADE.
Nos termos regimentais, reproduz-se as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. A base de cálculo das contribuições para o PIS e a Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, com fundamento na declaração de
inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo Excelso STF.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3801-000.943
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso para julgar improcedente o lançamento referentes aos períodos de apuração 03/2001, 04/2001, 11/2001, 01/2002, 03/2002, 04/2002 e 05/2002, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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CRÉDITO INCERTO. A compensação não pode ser admitida quando o sujeito passivo não comprova a origem e o valor de seu direito creditório. PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. PRECLUSÃO TEMPORAL. A prova documental deverá ser apresentada com a manifestação de inconformidade, sob pena de ocorrer a preclusão temporal. Não restou caracterizada nenhuma das exceções do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 (PAF). MULTA DE OFÍCIO. ALEGAÇÃO DE CONFISCO. A multa de 75% sobre o valor do tributo está prevista em lei vigente e a autoridade julgadora não pode afastar a aplicação de normas jurídicas, além de que a limitação constitucional que veda a utilização de tributo com efeito de confisco não se refere às penalidades. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Magda Cotta Cardozo Presidente. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator. Fl. 432DF CARF MF Emitido em 28/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/10/2011 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/10/2 011 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Processo nº 15889.000143/200725 Acórdão n.º 380100.934 S3TE01 Fl. 420 2 EDITADO EM: 14/10/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Magda Cotta Cardozo, Flávio de Castro Pontes, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, José Luiz Bordignon, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo e Ewan Teles Aguiar. Fl. 433DF CARF MF Emitido em 28/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/10/2011 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/10/2 011 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Processo nº 15889.000143/200725 Acórdão n.º 380100.934 S3TE01 Fl. 421 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos, em razão do princípio da economia processual: Contra a empresa qualificada em epígrafe foram lavrados autos de infração de fls. 4/30, em virtude da apuração de falta de recolhimento da Cofins e Contribuição para o PIS/Pasep dos períodos de março de 1999 a outubro de 2002 e janeiro de 1999 a dezembro de 2002, respectivamente, exigindoselhe o crédito tributário no valor total de R$736.105,40. O enquadramento legal encontrase a fls. 7 e 16, 21 e 30. Cientificada, a interessada apresentou a impugnação de fls. 159/176. Nela, discorreu sobre indébitos decorrentes de recolhimentos da Contribuição para o PIS/Pasep nos termos dos Decretosleis nºs 2.445 e 2.449, de 1998, declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal e com vigência suspensa pelo Senado Federal STF, sobre o direito à compensação nos termos das Leis nºs 8.383, de 1991. Tratou também dos indébitos relativos a recolhimentos do Finsocial à alíquota superior a 0,5%, cuja inconstitucionalidade fora reconhecida pelo STF e pela Medida Provisória nº 1.110, de 1995, bem como do direito à compensação previsto na Medida Provisória nº 66, convertida na Lei nº 10.637, ambos de 2002. Em suma, alegou possuir indébitos tanto da Contribuição para o PIS/Pasep quanto do Finsocial, e que os teria compensado, respectivamente, com os débitos da própria Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, compensação esta que não estaria sujeita a requerimento ou autorização da Receita Federal. No tocante à multa de 75% aplicada, argumentou ser inconstitucional por ferir o princípio da vedação ao confisco por meio da tributação. Apresentou, anexa à impugnação, “listagem de créditos a recuperar” dos alegados indébitos de Finsocial e PIS, às fls. 177/356. A DRJ em Ribeirão Preto (SP) julgou procedente em parte o lançamento, fls. 366 e 367, nos termos da ementa abaixo transcrita: SÚMULA VINCULANTE Nº 8 DO STF. Em razão da Súmula Vinculante nº 8, do STF, o prazo para o lançamento das contribuições sociais deve ser contado segundo os critérios estabelecidos no Código Tributário Nacional. Fl. 434DF CARF MF Emitido em 28/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/10/2011 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/10/2 011 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Processo nº 15889.000143/200725 Acórdão n.º 380100.934 S3TE01 Fl. 422 4 REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRAZO. O prazo para repetição de indébito de tributos sujeitos ao lançamento por homologação é de cinco anos contados da data do recolhimento. CONSTITUCIONALIDADE. A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis. Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário, fls. 381 a 405. Em síntese, apresentou as mesmas alegações suscitadas na impugnação, acrescentando basicamente que o prazo é decenal para a recuperação de indébitos relativos a tributos lançados por homologação, pois no caso concreto não houve a homologação expressa do lançamento pela Autoridade Administrativa, portanto, o prazo para a homologação passa a ser de cinco anos a contar do fato gerador (art. 150, §4°, CTN). Neste sentido, colaciona farta jurisprudência e insiste na tese de que o prazo decadencial para reaver as quantias indevidamente recolhidas, a titulo da contribuição para o PIS e Finsocial, é de cinco anos, contados a partir da ocorrência do fato gerador, somados de mais cinco anos, contados da homologação tácita do lançamento, ou seja 10 (dez) anos. Por fim, requereu que fosse reformada a decisão a fim de que fossem declarados insubsistentes os Autos de Infração. É o relatório. Fl. 435DF CARF MF Emitido em 28/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/10/2011 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/10/2 011 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Processo nº 15889.000143/200725 Acórdão n.º 380100.934 S3TE01 Fl. 423 5 Voto Conselheiro Flávio de Castro Pontes O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto, dele tomase conhecimento. Como visto, a decisão recorrida cancelou os créditos tributários constituídos de oficio relativos aos períodos de janeiro de 1999 a maio de 2002. Assim, o litígio cingese aos períodos de apuração de 06/2002 a 10/2002 em relação à Cofins e 06/2002 a 12/2002 referentes a contribuição PIS, fls. 379. Em suas razões, a recorrente sustenta que tem direito à compensação dos valores indevidamente recolhidos a título de PIS, nos termos dos DecretosLeis 2.445/88 e 2.449/88, os quais foram julgados inconstitucionais pelo Egrégio Supremo Tribunal Federal, com parcelas do próprio PIS, de acordo com o artigo 66 da Lei n° 8.383/91 e art. 39 da Lei 9.250/95. Outrossim, a interessada sustentou que tem o direito à compensação dos valores indevidamente recolhidos a título da contribuição Finsocial em face da declaração de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal da majoração das alíquotas da referida exação. Argumentou que tendo pago indevidamente a contribuição do Finsocial, exerceu o direito à compensação com a Cofins em conformidade com o disposto no art. 14 da Instrução Normativa SRF nº 21/1997. Quanto ao supostos créditos passíveis de compensação, como visto, a recorrente invocou o seu direito, todavia, tanto na impugnação quanto no recurso voluntário, não apresentou os documentos essenciais para o reconhecimento de seu pleito, tais como: comprovantes dos pagamentos, demonstrativo da base de cálculo dos supostos pagamentos a maior, lançamentos contábeis, escrituração fiscal. Cumpre observar que os dados da planilha denominada de Listagem de Créditos a Recuperar de fls. 177 a 356 são insuficientes para a apuração de eventual direito creditório, independentemente do prazo que a interessada tinha para pleitear restituição de tributos sujeitos a lançamento por homologação. Ademais, o art. 333 do Código de Processo Civil preceitua que o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito. Ora, tendo alegado que o crédito tributário existe em montante suficiente para acobertar os débitos lançados de ofício, a recorrente tinha por obrigação legal de juntar aos autos administrativo os respectivos documentos fiscais e contábeis que sustentariam seu direito. Destarte, verificase que a recorrente não apresentou sequer um demonstrativo da compensação de seus supostos créditos e nem declarou eventuais compensações nas DCTFs, de sorte que o pedido de compensação nos moldes requeridos não deve ser admitido. É preciso insistir no fato de que as planilhas apresentadas não são documentos hábeis para se comprovar o direito creditório. Fl. 436DF CARF MF Emitido em 28/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/10/2011 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/10/2 011 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Processo nº 15889.000143/200725 Acórdão n.º 380100.934 S3TE01 Fl. 424 6 Além disso, o § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, estabelece que a prova documental tem que ser apresentada na impugnação, salvo os casos expressos abaixo mencionados: § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) A propósito, Maria Teresa Martinez López e Marcela Cheffer Bianchini no artigo Aspectos Polêmicos sobre o Momento de Apresentação da Prova no Processo Administrativo Fiscal Federal em A Prova no Processo Tributário – São Paulo: Dialética, 2010, p. 51, esclarecem: (...) O devido processo legal manifesta princípios outros além do da verdade material. O processo requer andamento, desenvolvimento, marcha e conclusão. A segurança e a observância das regras previamente estabelecidas para a solução das lides constituem valores igualmente relevantes no processo. E, neste contexto, o instituto da preclusão passa a ser figura indispensável ao devido processo legal, e de modo algum se revela incompatível com o Estado de Direito ou com o direito de ampla defesa ou com a busca pela verdade material. O artigo 16 do PAF, em seu parágrafo 4º, estabelece limitações à atividade probatória do administrado ao determinar que a prova documental deve ser apresentada com a impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que restar demonstrada a impossibilidade de sua apresentação por motivo de força maior ou referirse a fato ou direito superveniente.(grifouse) Assim sendo, a lei estabelece o momento de apresentação da prova documental, qual seja, a interposição da impugnação. In casu, a recorrente tinha a obrigação legal de comprovar por documentos hábeis que tinha crédito suficiente para compensar os débitos que foram objeto dos autos de infração. Consignese que o artigo 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional) estabelece como requisito para compensação que o crédito seja líquido e certo, in verbis: “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos Fl. 437DF CARF MF Emitido em 28/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/10/2011 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/10/2 011 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Processo nº 15889.000143/200725 Acórdão n.º 380100.934 S3TE01 Fl. 425 7 tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda.” (grifouse) Em remate, os lançamentos devem serem mantidos, pois a interessada não logrou êxito em comprovar o seu direito creditório por meio de provas documentais hábeis. No tocante à aplicação da multa de ofício, mais uma vez são improcedentes as alegações da interessada. A requerente defende que neste caso concreto não deveria ser aplicada a título de multa o percentual de 75%, uma vez que conflita com o princípio constitucional tributário que veda o confisco e com o princípio da proporcionalidade da sanção à infração cometida. Essas pretensões devem ser rechaçadas porque o inadimplemento de obrigações tributárias têm regramento próprio. Diferentemente do alegado, no caso em discussão, a situação fática subsume se ao disposto no art. 44, da Lei n.º 9.430/96: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)(grifouse) Nessa esteira é premente afastar o argumento de que houve confisco, em virtude da aplicação da multa de 75% sobre a totalidade da contribuição devida e dos juros de mora. A limitação constitucional que veda a utilização de tributo com efeito de confisco não se refere às penalidades. É inegável que esse princípio se aplica a tributos. Quanto à invocação do princípio da proporcionalidade, é importante destacar que a atividade da autoridade administrativa é vinculada, portanto constatada uma infração à legislação tributária, a autoridade administrativa tem o dever de constituir o crédito tributário por meio de lançamento de ofício e aplicar as penalidades previstas na legislação. O não recolhimento das contribuições PIS e Cofiins (base da autuação ora em comento) caracteriza uma infração à legislação tributária, sendo que a inobservância da norma jurídica importa em uma sanção, no caso, a constituição do crédito tributário por meio do lançamento efetuado pela autoridade fiscal e a aplicação da respectiva multa de ofício. Vale lembrar que a autoridade julgadora não pode afastar a aplicação de normas jurídicas, in casu, o art. 44, da Lei n.º 9.430/96 (multa de ofício), pois o controle das constitucionalidades das leis é prerrogativa do Poder Judiciário, seja pelo controle abstrato ou difuso, de tal sorte que a autoridade julgadora não pode se manifestar sobre a constitucionalidade ou legalidade destes diplomas legais. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 438DF CARF MF Emitido em 28/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/10/2011 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/10/2 011 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Processo nº 15889.000143/200725 Acórdão n.º 380100.934 S3TE01 Fl. 426 8 Fl. 439DF CARF MF Emitido em 28/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/10/2011 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/10/2 011 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO
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