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Numero do processo: 10580.721373/2007-72
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2005
DESISTÊNCIA DA IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO.
A Desistência da impugnação implica preclusão do direito de recorrer e definitividade do lançamento combatido, na esfera administrativa. Uma vez apreciada, na primeira instância, a documentação apresentada com a impugnação, tendo como resultado dessa apreciação a manutenção do lançamento por falta de comprovação das alegações do contribuinte de que não recebeu rendimentos de pessoa jurídica da qual alega ser titular, em grau
de recurso cabe tão somente rever a parte conhecida pelo órgão julgador de primeira instância.
RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO APÓS NOTIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO. VEDAÇÃO.
A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. No caso dos autos, não há elementos seguros para comprovar as alegações do recorrente. Recurso
negado.
Numero da decisão: 2802-000.862
Decisão: Acordam os membros do colegiado, [Tabela de Resultados]
Nome do relator: JORGE CLÁUDIO DUARTE CARDOSO
1.0 = *:*
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 DESISTÊNCIA DA IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO. A Desistência da impugnação implica preclusão do direito de recorrer e definitividade do lançamento combatido, na esfera administrativa. Uma vez apreciada, na primeira instância, a documentação apresentada com a impugnação, tendo como resultado dessa apreciação a manutenção do lançamento por falta de comprovação das alegações do contribuinte de que não recebeu rendimentos de pessoa jurídica da qual alega ser titular, em grau de recurso cabe tão somente rever a parte conhecida pelo órgão julgador de primeira instância. RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO APÓS NOTIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO. VEDAÇÃO. A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. No caso dos autos, não há elementos seguros para comprovar as alegações do recorrente. Recurso negado.
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PRECLUSÃO. A Desistência da impugnação implica preclusão do direito de recorrer e definitividade do lançamento combatido, na esfera administrativa. Uma vez apreciada, na primeira instância, a documentação apresentada com a impugnação, tendo como resultado dessa apreciação a manutenção do lançamento por falta de comprovação das alegações do contribuinte de que não recebeu rendimentos de pessoa jurídica da qual alega ser titular, em grau de recurso cabe tão somente rever a parte conhecida pelo órgão julgador de primeira instância. RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO APÓS NOTIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO. VEDAÇÃO. A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. No caso dos autos, não há elementos seguros para comprovar as alegações do recorrente. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, [Tabela de Resultados] (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. Fl. 250DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Assinado digitalmente em 01/07/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 EDITADO EM: 01/07/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Sidney Ferro Barros, Lúcia Reiko Sakae, Carlos André Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite e German Alejandro San Martín Fernández. Relatório Tratase de notificação de lançamento relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF correspondente ao ano calendário de 2004, para exigência de imposto acrescido de multa de ofício no percentual de 75% e juros de mora, em virtude de omissão de rendimentos sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ 28.036,00, apurada por meio de DIRF apresentada pela fonte pagadora VASCO IMPORT´S AUTO PEÇAS LTDA. Na impugnação (fls. 02), o impugnante alegou, em síntese, que procurou a empresa VASCO IMPORT´S AUTO PEÇAS LTDA para que esta retificasse a DIRF apresentada, pois os rendimentos que recebera no ano de 2004 foram pagos exclusivamente pela empresa da qual era titular, a RAIMUNDO MORAES COSTA, CNPJ 40.527.723/0001 68, conforme informou em sua declaração de rendimentos, em seguida (fls. 23/25), pede desistência da defesa apresentada, reconhecendo a omissão dos rendimentos pagos pela VASCO IMPORT´S AUTO PEÇAS LTDA, requerendo, entretanto, a revisão das penalidades que lhe foram impostas, conforme apurado declaração não transmitida (fls. 29/31). Não obstante o pedido de desistência, a DRJ tomou o pedido de revisão do imposto e da multa com base na declaração não transmitida como defesa do autuado, verificando que nessa pretensa declaração foram excluídos os R$15.000,00 recebidos de Raimundo Moraes Costa, CNPJ 40.527.723/000168, sem que tenha sido comprovado o não recebimento desses valores, de forma que tendo o pedido de alteração de valores ocorrido após o lançamento, caberia ao contribuinte comprovar a exatidão e, não o fazendo, não cabe a revisão do lançamento. Ciência da decisão em 05/05/2010 e apresentação do recurso voluntário em 29/05/2010 (fls.238 e 239, respectivamente). Na peça recursal são apontadas as seguintes razões para reforma da decisão: a) após discorrer sobre conceitos de rendimentos e de lucros e dividendos, informa que houve erro em sua declaração, confirmando ter recebido R$28.036,00 da Vasco Import’s Auto Peças Ltda, com retenção na fonte de R$1.457,99, mas tendo erroneamente omitido esse valor e, em seu lugar, informado o valor de R$15.000,00 como sendo sua retirada como sócio da empresa Raimundo Moraes Costa, CNPJ 40.527.723/000168; b) não recebeu qualquer valor mensal da empresa Raimundo Moraes Costa, vindo a receber o lucro distribuído em 31 de dezembro de 2004 no valor de R$141.414,13; c) somente após verificar a DIRF que havia pedido para retificar atentou para o equívoco em sua impugnação, Fl. 251DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Assinado digitalmente em 01/07/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.721373/200772 Acórdão n.º 280200.862 S2TE02 Fl. 251 3 motivo pelo qual desistiu daquela alegação (de que não havia recebido valor da Vasco Import’s); d) a declaração anexa ao processo (fls. 29/31) contém os dados corretos e o Balanço Patrimonial e Livro Diário da empresa comprovam suas alegações; e e) Requer revisão de ofício do lançamento em função do erro comprovado e do exagero e severidade da penalidade aplicada. O processo foi distribuído a esse Conselheiro exclusivamente pelo sistema informatizado eprocesso. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devese tomar conhecimento. Esses autos têm início com a notificação de lançamento em decorrência de apuração de ofício de omissão de rendimentos pagos pela empresa Vasco Import’s. Instaurase o contencioso com a impugnação tempestivamente apresentada em que o impugnante nega ter recebido o valor da empresa Vasco Import’s. Em seguida, o impugnante reconhece que recebeu o valor em litígio e desiste da impugnação e, no intuito de apurar o tributo devido, preenche uma declaração de ajuste anual e anexa aos autos. Nesse documento substitui o rendimento que havia declarado da empresa Raimundo Moraes Costa pelo rendimento apurado pela fiscalização e pago pela Vasco Import’s. A desistência às fl. 23/25, por si só, importa em preclusão lógica, não obstante, a DRJ toma a declaração preenchida e não transmitida como defesa do autuado e conhece da impugnação, porém nega provimento por falta de comprovação do erro alegado. Entendo que não há litígio, desde o momento em que o impugnante concordou que omitiu o rendimento apurado de ofício, o qual fundamentou a autuação. Se o recorrente sustenta que há um erro na declaração por ele prestada na Declaração de Ajuste Anual o meio para corrigir o equívoco do lançamento é um pedido de revisão do lançamento com base na revisão de ofício a cargo da Unidade da Receita Federal, não o contencioso administrativo. Fl. 252DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Assinado digitalmente em 01/07/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 Assim, restrinjo a apreciação ao inconformismo com a decisão da DRJ e concluo que, de fato, não há provas das alegações, mormente porque se baseiam em Livro Diário não autenticado ou em Livro Razão autenticado na Junta comercial somente em novembro de 2009 (fls. 227), anos após a ciência do lançamento, não demonstram que os pagamentos de salários e ordenados contabilizados sem especificação dos favorecidos não lhes favoreceram, nem comprovam documentalmente sua relação com a empresa que leva seu nome e a natureza jurídica dessa. Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 253DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Assinado digitalmente em 01/07/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 10675.720832/2010-47
Data da sessão: Wed Jun 27 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 01 a 28/02/2004
PIS/PASEP. BASE DE CALCULO. DEFINIÇÃO. DECISÃO JUDICIAL.
STF. RE 401.4387/MG.
A base de cálculo do PIS/Pasep é o faturamento, que corresponde à receita bruta da venda de mercadorias, de mercadorias e serviços e da prestação de serviços, definida no provimento judicial in concreto como a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais, nos termos da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal.
Numero da decisão: 3803-003.119
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ementa_s : Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 01 a 28/02/2004 PIS/PASEP. BASE DE CALCULO. DEFINIÇÃO. DECISÃO JUDICIAL. STF. RE 401.4387/MG. A base de cálculo do PIS/Pasep é o faturamento, que corresponde à receita bruta da venda de mercadorias, de mercadorias e serviços e da prestação de serviços, definida no provimento judicial in concreto como a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais, nos termos da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal.
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BASE DE CALCULO. DEFINIÇÃO. DECISÃO JUDICIAL. STF. RE 401.4387/MG. A base de cálculo do PIS/Pasep é o faturamento, que corresponde à receita bruta da venda de mercadorias, de mercadorias e serviços e da prestação de serviços, definida no provimento judicial in concreto como a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais, nos termos da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral: Dr. Gustavo Lana Murici (OAB/MG nº 87.168). (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Fl. 156DF CARF MF Impresso em 12/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 31/07/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/08/2012 por ALEXANDRE KERN 2 Trata o presente de recurso voluntário contra o Acórdão de nº 0936.950, de 21 de setembro de 2011, da DRJ/Juiz de Fora, fls. 81/83, que considerou improcedente a manifestação de inconformidade. A Interessada transmitiu a DComp nº. 12169.20619.040506.1.3.049431, fls. 01/05, em que compensou o débito nela declarado, com o crédito relativo a pagamento a maior da contribuição para o PIS/Pasep relativo ao período de apuração fevereiro/2004, efetuado em 15 de março de 2004. A Contribuinte manejou o Mandado de Segurança 2000.38.03.0007782, em que discutiu a inexistência de relação jurídicotributária que a sujeite ao recolhimento do PIS e da COFINS nos termos da Lei nº 9.718/98. Obteve provimento no sentido de se aplicar a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal quanto à inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da citada lei, e no bojo do Recurso Extraordinário 401.3487/Minas Gerais foi favorecida com o seguinte dispositivo: "A tese do acórdão recorrido está em aberta divergência com a orientação da Corte, cujo Plenário, em data recente, consolidou, com nosso voto vencedor declarado, o entendimento de inconstitucionalidade apenas do § 1° do art. 3° da Lei n° 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando assim a noção de faturamento pressuposta na redação original do art. 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais (cf RE n° 346 084PR Rel orig Min ILMAR GALVÃO; RE n° 357 950RS, RE n° 358.273RS e RE n° 390.840MG, Rel. MM. MARCO AURÉLIO, todos julgados em 09.11.2005. Ver Informativo STF n° 408, p. 1).(grifo aqui) Diante do exposto, e com fundamento no art. 557, § 1°A do CPC, conheço do recurso e doulhe provimento, para, concedendo a ordem, excluir, da base de incidência do PIS, receita estranha ao faturamento do recorrente, entendido esse nos termos já suso enunciados, Por meio do Despacho Decisório, de fls. 24/25, a DRF/Uberlândia apurou inexistência de crédito e o débito de R$ 3.019,03 não foi homologado. A decisão da Autoridade Administrativa respaldouse na Informação Fiscal n° 98/2010/DRF/UBE/EQAJ, de fls. 20/23, prestada nos autos do processo administrativo judicial nº. 10675.000306/0097, em que a Autoridade Fiscal discordou do entendimento da Contribuinte que considera como tributável pelo PIS, nos termos da decisão judicial que lhe favoreceu, apenas a sua renda de prestação de serviços, em sentido estrito, que exclui todas as demais receitas operacionais, de índole financeira, que são o resultado das operações que constituem a essência de seu objetivo social. Em manifestação de inconformidade apresentada, a Interessada alegou que: a) no acórdão do STF transitado em julgado a favor da Requerente, nos autos do MS n. 2000.38.03.000.7782, não se declarou a inconstitucionalidade do § 1° do art. 3° da Lei n° 9.718/982, e determinou o conceito de faturamento que deveria ser utilizado para incidência do PIS; Fl. 157DF CARF MF Impresso em 12/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 31/07/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/08/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10675.720832/201047 Acórdão n.º 3803003.119 S3TE03 Fl. 2 3 b) a Autoridade Administrativa relativizou o conceito de "faturamento" para o caso especifico das instituições financeiras, em uma “clara tentativa de minimizar a perda de arrecadação com essa discussão tributária, todavia em evidente confronto com o instituto da Coisa Julgad”’; c) a decisão monocrática está de acordo com a jurisprudência dominante do STF consubstanciada nos leading cases da matéria, conforme citado no próprio acórdão, quais sejam: RE n. 346.084 PR; RE n. 357.950RS; RE n. 358.273RS e RE n. 390.840MG, que não analisaram a questão sob a ótica das atividades desenvolvidas pelas empresas, mas sim, pelo conceito que deve ser depreendido de faturamento; d) a base de cálculo do PIS da Requerente é o quanto foi decidido pelo STF na decisão transitada em julgado, que delimitou o conceito de faturamento como sendo as receitas oriundas das atividades empresariais, limitadas à venda de mercadorias e à prestação de serviços de qualquer natureza. Em julgamento da lide, a DRJ/Juiz de Fora interpretou a decisão judicial favorável à Impetrante, a partir do esclarecimento, no corpo da decisão do Ministro Cezar Peluso, cujo entendimento foi o de que “o faturamento é a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais” e manteve o entendimento mais amplo de faturamento exposto no parecer técnico que embasou o despacho decisório. A decisão está ementada como segue: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 PIS/PASEP. BASE DE CALCULO INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. A base de cálculo do PIS/Pasep para as instituições financeiras e assemelhadas é o faturamento, entendido como a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. Cientificada da decisão em 07 de novembro de 2011, irresignada, a interessada apresentou o recurso voluntário de fls. s/nº, em 29 de novembro de 2011, em que reitera os mesmos argumentos expendidos na manifestação de inconformidade, aduzindo mais que: a) a receita de prestação de serviços que configura o faturamento das instituições financeiras engloba todos os tipos de taxas, tarifas e comissões cobradas pelas instituições para prestar serviços bancários. Por sua vez, a movimentação financeira decorrente de operações bancárias, e não de serviços bancários, está fora do conceito de faturamento determinado pelo Supremo Tribunal Federal; b) a distinção entre serviços bancários e operações bancárias, já foi apreciada pela próprio Supremo Tribunal Federal na ADI n° 2.591, em que discutiu a aplicação do Código de Defesa do Consumidor para as instituições financeiras. Consigna que, segundo o Informativo do STF, obtido no site do Tribunal, a discussão em torno da distinção entre serviços e operações bancárias se deu nos seguintes termos: Fl. 158DF CARF MF Impresso em 12/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 31/07/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/08/2012 por ALEXANDRE KERN 4 c.1.) " [...1 Assim, diferenciando as operações bancárias dos serviços bancários, concluiu que, no caso destes — serviços prestados pelos bancos a clientes e usuários que não configuram relações financeiras relativas a investimentos e depósitos e pelos quais as instituições financeiras são remuneradas —, haverseá de aplicar o CDC. c.2. nesse contexto, não restam dúvidas que os serviços bancários, remunerados via taxas e tarifas, são tributados pelo ISS e compõem o ‘faturamento' das instituições financeiras, enquanto as receitas financeiras decorrentes de operações bancárias (empréstimos, financiamentos etc.) estão fora do conceito de ‘faturamento', que é a base de cálculo do PIS. (original sublinhado e grifado É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. A controvérsia neste processo parte da insuficiência do crédito, de pagamento a maior, que fora apurado pela Recorrente com exclusão das rendas da atividade de intermediação financeira, vistas por ela como não integrantes do conceito de faturamento que corresponde à receita bruta da venda de mercadorias, de serviços, ou de mercadorias e serviços, plasmado pelo Supremo Tribunal Federal nos julgamentos que resultaram na declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Conforme relatado, a Interessada dispõe de provimento judicial favorável consubstanciado no Recurso Extraordinário nº 401.4387. Quanto a este, declara a Recorrente que a decisão recorrida contrariou a coisa julgada, procedendo a uma interpretação errônea da decisão judicial e dos leading case proferidos por aquela c. Corte. A Recorrente traz a lume o julgamento do FINSOCIAL no RE 150.755, para afirmar a impossibilidade de equiparação entre faturamento e receita bruta e sustentar que o STF definiu que a equivalência dos dois conceitos só é possível desde que sejam entendidos restritivamente como receitas decorrentes da venda de mercadorias, da venda de serviços ou de mercadorias e serviços, conceito este subjacente nos julgados dos Recursos Extraordinários nºs 346.084, 357.950, 358.273 e 390.840, que conformaram a jurisprudência desse Tribunal. Divirjo do entendimento da Recorrente em toda a amplitude do recurso. Considero, primeiramente, que a ação da Autoridade Administrativa de perscrutar o conteúdo e alcance da coisa julgada não corresponde a proceder a uma releitura do mérito levado à apreciação do Judiciário, ante o fato de – assim como o colegiado a quo ter firmado entendimento que difere da pretensão da Contribuinte. No caso presente, entendo não se configurou a violação do que fora decidido. Isso, porque o conceito de receita bruta da venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços, equivalente a faturamento ou ao “resultado de operações que nele se exteriorizam”, na formatação dada pelo Supremo, teve o seu contorno definido pela Fl. 159DF CARF MF Impresso em 12/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 31/07/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/08/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10675.720832/201047 Acórdão n.º 3803003.119 S3TE03 Fl. 3 5 própria decisão monocrática do Ministro Cezar Peluso, no dito RE 401.348, que deu provimento ao pleito desta Recorrente, conforme transcrito a seguir: “DECISÃO: 1 .Tratase de recurso extraordinário interposto contra acórdão que declarou a constitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9718/9,8 relativo ao alargamento da base de cálculo do PIS.2. Consistente o recurso. A tese do acórdão recorrido está em aberta divergência com a orientação da Corte, cujo Plenário, em data recente, consolidou, com nosso voto vencedor declarado, o entendimento de inconstitucionalidade apenas do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando assim a noção de faturamento pressuposta na redação original do art. 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais (cf RE nº 346 084PR Rel orig Min ILMAR GALVÃO; RE n° 357 950RS, RE nº 358.273RS e RE nº 390.840MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, todos julgados em 09.11.2005. Ver Informativo STF nº 408, p. 1). 3 Diante do exposto, e com fundamento no art. 557, § 1ºA, do CPC, conheço do recurso e doulhe provimento para, concedendo a ordem, excluir, da base da incidência do PIS, receita estranha ao faturamento do recorrente, entendido esse nos termos já suso enunciados Custas ex lege.”[grifos aqui] A Recorrente contrapõese ao parâmetro – que reputo claro dado ao perfil das receitas efetivamente capturáveis pela tributação das contribuições e em destaque na expressão enfatizadora do seu conteúdo, acima grifada “ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais” afirmando que não se pode tomar como prumo a posição pessoal do Ministro, mas o que restara delineado na jurisprudência da Suprema Corte nos recursos extraordinários já referidos. No entanto, anotese o que se pode extrair da decisão. Ao fundamentála no art. 557, § 1ºA, o Ministro decisor é ciente de que está inarredavelmente vinculado à jurisprudência sobre a qual ancora sua decisão. Ele mesmo expressamente sugere estar arrimado nos precedentes, quando menciona: “A tese do acórdão recorrido está em aberta divergência com a orientação da Corte”. Em seguida, afirma também que tal jurisprudência foi sedimentada com voto vencedor de sua lavra. Em seu voto no processo paradigma da jurisprudência, nºs 346.084, o percuciente Ministro fez uso da teoria da linguagem enfrentando o conceito de faturamento à luz do direito comercial e tributário; discorreu sobre os precedentes da Corte em relação ao FINSOCIAL (RREE nºs 150.755 e 150.764) e à COFINS (ADC n. 1), pontuando analiticamente os votos condutores das teses no STF, e o fez alicerçado no escólio de Pontes de Miranda, Ruy Barbosa e Hans Kelsen; e na apreensão do texto legal sob juízo preocupouse Fl. 160DF CARF MF Impresso em 12/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 31/07/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/08/2012 por ALEXANDRE KERN 6 claramente com o limite da competência constitucional fixada no termo faturamento, para nada admitir que extrapolasse essa noção. Fêlo, considerando até a hipótese de que o texto legal do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, estaria criando uma nova fonte de custeio, no que estaria conspurcado de inconstitucionalidade, por violar o art, 195, § 4º1, pela não observação da forma prevista no art. 154, I, da Carta Maior2. Percebese na sua exposição o cuidado de deixar a decisão o mais clara possível, visando a evitar dúvidas e celeumas quando do cumprimento. Nesse desiderato, em aparte posterior o Ministro realçou o quanto havia consignado, nos termos como segue: "Sr. Presidente, gostaria de enfatizar meu ponto de vista, para que não fique nenhuma dúvida ao propósito. Quando me referi ao conceito construído sobretudo no RE 150.755, sob a expressão "receita bruta de venda de mercadorias e prestação de serviço", quis significar que tal conceito está ligado à idéia de produto do exercício de atividades empresariais típicas, ou seja, que nessa expressão se inclui todo incremento patrimonial resultante do exercício de atividades empresariais típicas. Se determinadas instituições prestam tipo de serviço cuja remuneração entra na classe das receitas chamadas financeiras, isso não desnatura a remuneração de atividade própria do campo empresarial, de modo que tal produto entra no conceito de "receita bruta igual a faturamento" – grifamos. [...] Por isso, estou insistindo na sinonímia "faturamento" e "receita operacional", exclusivamente, correspondente àqueles ingressos que decorrem da razão social da empresa, da sua finalidade institucional, do seu ramo de negócio, enfim. Logo, receita operacional é receita bruta de tais vendas ou negócios, mas não incorpora outras modalidades de ingresso financeiro: royalties, aluguéis, rendimentos de aplicações financeiras, indenizações etc. [...] Se determinadas instituições prestam tipo de serviço cuja remuneração entra na classe das receitas chamadas financeiras, isso não desnatura a remuneração de atividade própria do campo empresarial, de modo que tal produto entra no conceito de ‘receita bruta igual a faturamento’. Este voto foi acompanhado expressamente pelos Ministros Celso de Melo e Sepúlveda Pertence. 1 § 4º A lei poderá instituir outras fontes destinadas a garantir a manutenção ou expansão da seguridade social, obedecido o disposto no art. 154, I. 2 Art. 154. A União poderá instituir: I mediante lei complementar, impostos não previstos no artigo anterior, desde que sejam nãocumulativos e não tenham fato gerador ou base de cálculo próprios dos discriminados nesta Constituição; Fl. 161DF CARF MF Impresso em 12/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 31/07/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/08/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10675.720832/201047 Acórdão n.º 3803003.119 S3TE03 Fl. 4 7 Em seu votovista o Ministro Eros Grau considerou que faturamento não é um conceito. Aponta que os conceitos são atemporais e ahistóricos. Faturamento, em seu escólio, é um conceito jurídico tipológico (fattispecie), e como tal, histórico e temporal, e, assim, “são notável e peculiarmente homogêneo ao desenvolvimento das coisas”. O i. Ministro semeou este preâmbulo para afirmar que o termo faturamento já não é tomado como “atinente ao fato de ‘emitir faturas’. Nós a tomamos, hoje, em regra, como o resultado econômico das operações empresariais do agente econômico...” Por sua vez, o Ministro Ayres Britto pontuou: "A Constituição de 88, pelo seu art.195, I, redação originária, usou do substantivo "faturamento", sem a conjunção disjuntiva “ou” receita. Em que sentido separou as coisas? No sentido de que faturamento é receita operacional, e não receita total da empresa. Receita operacional consiste naquilo que já estava definido pelo Decretolei 2.397, de 1987, art. 22, § 1º, "a", assim redigido – parece que o Ministro Velloso acabou de fazer também essa remissão à lei:[...] Por isso, estou insistindo na sinonímia "faturamento" e "receita operacional", exclusivamente, correspondente àqueles ingressos que decorrem da razão social da empresa, da sua finalidade institucional, do seu ramo de negócio, enfim. Logo, receita operacional é receita bruta de tais vendas ou negócios, mas não incorpora outras modalidades de ingresso financeiro: royalties, aluguéis, rendimentos de aplicações financeiras, indenizações etc. Como se pode ver dos excertos de votos acima, restou assentado na jurisprudência do STF que a noção de faturamento, no que tange às instituições financeiras, vai além das receitas provenientes da cobrança de tarifas, estas atinentes à lista de serviços constante do capítulo “15” da LC nº 116/2003 “15 Serviços relacionados ao setor bancário ou financeiro, inclusive aqueles prestados por instituições financeiras autorizadas a funcionar pela União ou por quem de direito” 3, muitas das quais subsistem como atividades secundárias 3 15.01 – Administração de fundos quaisquer, de consórcio, de cartão de crédito ou débito e congêneres, de carteira de clientes, de cheques prédatados e congêneres. 15.02 – Abertura de contas em geral, inclusive contacorrente, conta de investimentos e aplicação e caderneta de poupança, no País e no exterior, bem como a manutenção das referidas contas ativas e inativas. 15.03 – Locação e manutenção de cofres particulares, de terminais eletrônicos, de terminais de atendimento e de bens e equipamentos em geral. 15.04 – Fornecimento ou emissão de atestados em geral, inclusive atestado de idoneidade, atestado de capacidade financeira e congêneres. 15.05 – Cadastro, elaboração de ficha cadastral, renovação cadastral e congêneres, inclusão ou exclusão no Cadastro de Emitentes de Cheques sem Fundos – CCF ou em quaisquer outros bancos cadastrais. 15.06 – Emissão, reemissão e fornecimento de avisos, comprovantes e documentos em geral; abono de firmas; coleta e entrega de documentos, bens e valores; comunicação com outra agência ou com a administração central; licenciamento eletrônico de veículos; transferência de veículos; agenciamento fiduciário ou depositário; devolução de bens em custódia. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 12/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 31/07/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/08/2012 por ALEXANDRE KERN 8 e acessórias, executadas para que a instituição possa desempenhar adequadamente a sua atividade principal. Nesse prisma, depreendese que esse conceito abrange um outro universo de receitas típicas e características da atividade financeira, que têm como liame de referência a intermediação financeira, cujas rendas correspondem aos juros, que no dizer do Professor Silvio Rodrigues4 “...é o preço do uso do capital”, e, segundo De Plácido e Silva5 “Juros, no sentido atual, são tecnicamente os frutos do capital, ou seja, os justos proventos ou recompensas que deles se tiram, consoante permissão e determinação da própria lei, sejam resultantes de uma convenção ou exigíveis por faculdade inscrita em lei. Apenas à guisa de argumentação, registro que o fato de os juros serem decompostos (taxas de administração, de risco, encargos, margem líquida etc.), sendo a margem líquida a parte que acresce ao patrimônio da pessoa jurídica, é irrelevante para considerálos como base de incidência, na medida em esta noção guarda consonância com a incidência sobre o faturamento, receita bruta da qual se excluem apenas as rubricas legalmente previstas. 15.07 – Acesso, movimentação, atendimento e consulta a contas em geral, por qualquer meio ou processo, inclusive por telefone, facsímile, internet e telex, acesso a terminais de atendimento, inclusive vinte e quatro horas; acesso a outro banco e a rede compartilhada; fornecimento de saldo, extrato e demais informações relativas a contas em geral, por qualquer meio ou processo. 15.08 – Emissão, reemissão, alteração, cessão, substituição, cancelamento e registro de contrato de crédito; estudo, análise e avaliação de operações de crédito; emissão, concessão, alteração ou contratação de aval, fiança, anuência e congêneres; serviços relativos a abertura de crédito, para quaisquer fins. 15.09 – Arrendamento mercantil (leasing) de quaisquer bens, inclusive cessão de direitos e obrigações, substituição de garantia, alteração, cancelamento e registro de contrato, e demais serviços relacionados ao arrendamento mercantil (leasing). 15.10 – Serviços relacionados a cobranças, recebimentos ou pagamentos em geral, de títulos quaisquer, de contas ou carnês, de câmbio, de tributos e por conta de terceiros, inclusive os efetuados por meio eletrônico, automático ou por máquinas de atendimento; fornecimento de posição de cobrança, recebimento ou pagamento; emissão de carnês, fichas de compensação, impressos e documentos em geral. 15.11 – Devolução de títulos, protesto de títulos, sustação de protesto, manutenção de títulos, reapresentação de títulos, e demais serviços a eles relacionados. 15.12 – Custódia em geral, inclusive de títulos e valores mobiliários. 15.13 – Serviços relacionados a operações de câmbio em geral, edição, alteração, prorrogação, cancelamento e baixa de contrato de câmbio; emissão de registro de exportação ou de crédito; cobrança ou depósito no exterior; emissão, fornecimento e cancelamento de cheques de viagem; fornecimento, transferência, cancelamento e demais serviços relativos a carta de crédito de importação, exportação e garantias recebidas; envio e recebimento de mensagens em geral relacionadas a operações de câmbio. 15.14 – Fornecimento, emissão, reemissão, renovação e manutenção de cartão magnético, cartão de crédito, cartão de débito, cartão salário e congêneres. 15.15 – Compensação de cheques e títulos quaisquer; serviços relacionados a depósito, inclusive depósito identificado, a saque de contas quaisquer, por qualquer meio ou processo, inclusive em terminais eletrônicos e de atendimento. 15.16 – Emissão, reemissão, liquidação, alteração, cancelamento e baixa de ordens de pagamento, ordens de crédito e similares, por qualquer meio ou processo; serviços relacionados à transferência de valores, dados, fundos, pagamentos e similares, inclusive entre contas em geral. 15.17 – Emissão, fornecimento, devolução, sustação, cancelamento e oposição de cheques quaisquer, avulso ou por talão. 15.18 – Serviços relacionados a crédito imobiliário, avaliação e vistoria de imóvel ou obra, análise técnica e jurídica, emissão, reemissão, alteração, transferência e renegociação de contrato, emissão e reemissão do termo de quitação e demais serviços relacionados a crédito imobiliário. 4 RODRIGUES, Sílvio. Direito civil – parte geral das obrigações. Saraiva, 1986. 5 SILVA, De Plácido e. Vocabulário jurídico. Forense, 1987. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 12/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 31/07/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/08/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10675.720832/201047 Acórdão n.º 3803003.119 S3TE03 Fl. 5 9 Tais rendas são denominadas pelos Ministros Mário Velloso, Sepúlveda Pertence e Ayres Britto de receitas operacionais, porquanto decorrem de operações que se constituem na essência do exercício das atividades empresariais das instituições financeiras. Pelo que, devese entender que sejam excluídas do conceito de faturamento das instituições financeiras e assemelhadas tão somente as receitas que não são provenientes das atividades típicas dessas empresas, tais como, venda de ativos, receitas financeiras, no sentido amplo e genérico como são entendidas, vale dizer, aquelas obtidas quando e se a instituição aplicar recursos próprios, por exemplo, em títulos do governo ou em qualquer outro tipo de aplicação financeira acessível às demais empresas e até mesmo às pessoas físicas. E foi exato nessa linha por onde caminhou a decisão recorrida, segundo excerto abaixo: Então, quais seriam as receitas operacionais típicas das instituições financeiras e assemelhadas? São elas, evidentemente, as decorrentes da intermediação de operações e da prestação de serviços de natureza financeira: empréstimos, financiamentos, colocação e negociação de títulos e valores mobiliários, aplicações e investimentos, capitalização, arrendamento mercantil, etc... É relevante para a aplicação da norma de incidência da Lei nº. 9.718/98, após o crivo da inconstitucionalidade declarada pelo STF, ter em vista a conexão entre a receita bruta e a atividade mercantil, lato sensu, desenvolvida nos termos do objeto social da pessoa jurídica. A declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº. 9.718/98, não alterou, nesse particular, o critério definidor da base de incidência da contribuição para o PIS e da COFINS, como sendo o resultado econômico da atividade empresarial vinculada aos seus objetivos sociais, idéia que se extrai do conteúdo mesmo dos art. 2º e art. 3º, caput, da indigitada lei. 6 Ao revés, a dita declaração de inconstitucionalidade apenas firmou o entendimento de que não é qualquer receita que pode ser considerada faturamento para fins de sua incidência, mas tão só aquelas vinculadas à atividade mercantil típica da empresa, como é o caso das operações bancárias das instituições financeiras. No caso da COFINS, o conteúdo do conceito de receita bruta provém do contido no art. 2º da LC 70/917, isto é, as receitas advindas da venda de mercadorias, de mercadorias e serviços e da prestação de serviços de qualquer natureza. 6 Art. 2º As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. (Vide art. 15 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. 7 Art. 2° A contribuição de que trata o artigo anterior será de dois por cento e incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 12/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 31/07/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/08/2012 por ALEXANDRE KERN 10 Quanto ao PIS, o conteúdo do conceito de receita bruta tem origem no contido no art. 1º da Lei n. 9.701/988. Tais conceitos estão reproduzidos no art. 3º da Lei nº. 9.718/98, e parcialmente atualizados com redação da MP nº 2.158/2001. E exato eles receberam a exegese tratada nos votos que culminaram na declaração de inconstitucionalidade do § 1º, do art. 3º, dessa lei, nos termos já acima esclarecidos. Pelo exposto, sendo este o entendimento que se pode extrair da decisão no RE 401.348, voto por negar provimento ao recurso. Sala das sessões, 27 de junho de 2012 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Parágrafo único. Não integra a receita de que trata este artigo, para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição, o valor: a) do imposto sobre produtos industrializados, quando destacado em separado no documento fiscal; b) das vendas canceladas, das devolvidas e dos descontos a qualquer título concedidos incondicionalmente. 8 Art. 1º Para efeito de determinação da base de cálculo da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, de que trata o inciso V do art. 72 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, as pessoas jurídicas referidas no § 1º do art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, poderão efetuar as seguintes exclusões ou deduções da receita bruta operacional auferida no mês: I reversões de provisões operacionais e recuperações de créditos baixados como prejuízo, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita; II valores correspondentes a diferenças positivas decorrentes de variações nos ativos objetos dos contratos, no caso de operações de "swap" ainda não liquidadas; (Revogado pela Medida Provisória no 2.15835, de 2001) III no caso de bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil e cooperativas de crédito: a) despesas de captação em operações realizadas no mercado interfinanceiro, inclusive com títulos públicos; b) encargos com obrigações por refinanciamentos, empréstimos e repasses de recursos de órgãos e instituições oficiais; c) despesas de câmbio; d) despesas de arrendamento mercantil, restritas a empresas e instituições arrendadoras; e) despesas de operações especiais por conta e ordem do Tesouro Nacional; Fl. 165DF CARF MF Impresso em 12/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 31/07/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/08/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10675.720832/201047 Acórdão n.º 3803003.119 S3TE03 Fl. 6 11 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção Terceira Câmara TERMO DE ENCAMINHAMENTO Processo nº: 10675.720832/201047 Interessada: BANCO TRIÂNGULO S/A Encaminhemse os presentes autos à unidade de origem, para ciência à interessada do teor do Acórdão no 3803003.119, de 27 de junho de 2012, da 3a. Turma Especial da 3a. Seção e demais providências. Brasília DF, em 27 de junho de 2012. [Assinado digitalmente] Alexandre Kern 3a Turma Especial da 3a Seção Presidente Fl. 166DF CARF MF Impresso em 12/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 31/07/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/08/2012 por ALEXANDRE KERN
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Numero do processo: 13710.001327/2003-95
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Aug 17 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Thu Aug 17 00:00:00 UTC 2006
Numero da decisão: 303-01.191
Decisão: RESOLVEM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: ANELISE DAUDT PRIETO
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Numero do processo: 12466.004000/2004-22
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2007
Numero da decisão: 303-01.369
Decisão: RESOLVEM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: ZENALDO LOIBMAN
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Numero do processo: 10680.005267/93-71
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Dec 05 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Tue Dec 05 00:00:00 UTC 2006
Numero da decisão: 303-01.240
Decisão: RESOLVEM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: NILTON LUIZ BARTOLI
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Numero do processo: 10865.903809/2009-15
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/02/2004 a 29/02/2004
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/02/2004 a 29/02/2004
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL
SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3803-003.194
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto vencedor que integram o presente julgado. Vencido o Relator, que votou pela conversão do julgamento em diligência. Designado para a redação do voto vencedor o Conselheiro Alexandre Kern.
Nome do relator: JULIANO EDUARDO LIRANI
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/02/2004 a 29/02/2004 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/2004 a 29/02/2004 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido
turma_s : Terceira Turma Especial da Terceira Seção
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BENEFICIAMENTO DE MATERIAIS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/02/2004 a 29/02/2004 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/2004 a 29/02/2004 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto vencedor que integram o presente julgado. Vencido o Relator, que votou pela conversão do julgamento em diligência. Designado para a redação do voto vencedor o Conselheiro Alexandre Kern. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente e Redator designado [assinado digitalmente] Juliano Eduardo Lirani Relator Fl. 104DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por J ULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por ALEXANDRE KERN 2 Participaram ainda do presente julgamento os conselheiros Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira e Jorge Victor Rodrigues. Relatório O contribuinte supra descrito apresenta Recurso Voluntário contra decisão denegatória de PER/DCOMP eletrônico referente ao recolhimento a maior de COFINS referente ao PA de 29.02.2004. O despacho eletrônico anexo fls. 06 indeferiu o pedido de homologação da compensação com fundamento no fato de que o “suposto” pagamento a maior não foi comprovado pelo contribuinte. Na manifestação de inconformidade anexa fls. 11/14 o contribuinte sustentou que a partir de 1º de novembro de 2002 a Lei n.º 10.485/2002 reduziu para zero a alíquota da COFINS incidente sobre as receitas auferidas com a venda e industrialização por encomenda de autopeças. Afirmou ainda que com a edição da Lei n.º 10.865/2004 foi afastado o regime monofásico do setor automotivo, retornando a incidência do PIS e da Cofíns a todos os componentes da cadeia, a partir de 1º de agosto de 2004. Alegou ainda ter recolhido indevidamente PIS e COFINS durante o período de dezembro de 2002 ao final de julho de 2004, incidente sobre suas receitas de venda e industrialização sob encomenda de autopeças relacionadas nos anexos I e II da Lei n 10.485/2002 e por essa razão tem direito a homologação da compensação desses créditos, embora não tenha retificado a DCTF para informar a alteração do valor correto devido. Por fim, o contribuinte alegou na Manifestação de Inconformidade que não informou o número do recibo da DCOMP na correspondente DCTF, sendo que, por outro equívoco, pagou o tributo informado nesta DCOMP por meio de DARF, ocasionando um pagamento em duplicidade (Darf e Dcomp). As fls. 26/28 sobreveio a Decisão n.º 1428.861 4 º Turma da DRJ/POR, cuja ementa foi lavrada com o seguinte teor: A s s u n t o : C o n t r i b u i ç ã o p a r a o F i n a n c i a m e n t o d a S e g u r i d a de S o c i a l C o f i ns Data do fato gerador: 29/02/2004 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. O direito creditório só é passível de ser reconhecido se lastreado em documentação fiscal e contábil, demonstrada nos autos pelo contribuinte. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Extraise da decisão atacada que os julgadores de primeiro grau têm ciência de que a alíquota do PIS e COFINS foi reduzida a zero relativamente à receita bruta de venda de produtos relacionados nos Anexos I e II da Lei n.º 10.485/2002 dos produtos classificados nos códigos da TIPI mencionados no art. 1º desta Lei. Entretanto, a decisão recorrida concluiu que o direito creditório pleiteado não restou comprovado por meio de documentação idônea, uma vez que o contribuinte não demonstrou que toda ou parte das receitas auferidas foram Fl. 105DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por J ULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10865.903809/200915 Acórdão n.º 3803003.194 S3TE03 Fl. 105 3 provenientes de venda de produtos classificados nos códigos da TIPI, conforme definido no art. 1º da Lei n.º 10.485/2002, logo o motivo do indeferimento decorreu da ausência de provas, segundo a decisão recorrida. Em Recurso Voluntário, anexo fls. 30/40 o contribuinte alega nulidade da decisão de primeiro grau, com fundamento no art. 59, II do Decreto n.º 70.235/72 tendo em vista que a mesma desconsiderou o direito a ampla defesa e contraditório, pois o Fisco não o intimou a apresentar documentos e deixou de reconhecer o direito creditório sob o argumento de que não foram apresentada prova contábil que fizesse lastro com o direito pretendido, quando na realidade é obrigação da Fazenda Nacional realizar diligência e buscar informações no sentido de apurar a existência do crédito. Afirmou que o cerne da questão neste processo se refere a discussão da alíquota zero da contribuição incidente sobre as receitas auferidas com a venda e com a industrialização por encomenda relacionadas nos anexos I e II da Lei nº 10.845/02, durante o período compreendido entre dezembro de 2002 a julho de 2004. Argumenta ter acontecido equívoco da não retificação da DCTF informando sobre a alteração do valor efetivamente devido de PIS e COFINS, isto é, deveria ter informado na DCTF que sobre estas contribuições incidia alíquota zero, razão pela qual houve o pagamento a maior do tributo no período de apuração em tela. Neste sentido, ressalta o contribuinte que por não ter acontecido a retificação da DCTF, o despacho decisório concluiu pela inexistência de crédito para fazer frente aos débitos apontados no PER/DCOMP. Assim, com fulcro no princípio da verdade material o contribuinte solicita que seja homologada a Dcomp apresentada e que seja cancelado o saldo devedor constante no despacho decisório, principalmente porque agora trás em seu recurso voluntário planilha contendo relação de notas fiscais objeto de recolhimento indevido de PIS e COFINS e notas fiscais por amostragem, conforme se observa dos DOCUMENTOS 2 e 3, respectivamente. Por fim, requer que seja homologada a Dcomp e seja cancelado o saldo devedor apurado. Voto Vencido Conselheiro Juliano Eduardo Lirani, Relator O recurso é tempestivo e por isso merece ser analisado. Conforme relatado, tratase de decisão denegatória de pedido de compensação em razão de pagamento a maior de PIS/Pasep, sob o argumento de que o pagamento indevido não foi comprovado pelo contribuinte. Retirase da decisão recorrida, que os julgadores de primeiro grau concluíram não ter trazido o contribuinte “quaisquer” elementos de prova por meio das quais a Fazenda Nacional pudesse verificar quais receitas do período apontado se referem efetivamente a Fl. 106DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por J ULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por ALEXANDRE KERN 4 industrialização por encomenda, principalmente se os produtos estariam relacionados nos códigos da TIPI listados nos anexo I e II à Lei 10.845/2002. Já compulsando os autos, constatase que o despacho decisório foi emitido de forma eletrônica e se limitou a indeferir o pedido por falta de comprovação do crédito apontado para realizar a compensação pleiteada. Acontece que em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte teceu comentários a respeito da incidência da alíquota zero da COFINS para as operações de industrialização por encomenda de autopeças relacionadas nos anexos I e II da Lei n 10.485/2002 e informou também ter recolhido indevidamente o tributo, pois indicou valores equivocados em DCTF. É verdade que em sua Manifestação de Inconformidade não trouxe elementos probatórios capazes de derruir a premissa fazendária de ausência de crédito e por conta disso a DRJ concluiu pelo indeferimento do pedido. Entretanto, agora em seu recurso voluntário o contribuinte trouxe importantes provas da existência do crédito, ou seja, planilha contendo relação de notas fiscais objeto de recolhimento indevido de PIS e COFINS e notas fiscais, ainda que por amostragem. Com efeito, “data vênia”, entendimento contrário, manifesto posicionamento de que os autos devem ser encaminhados à repartição de origem, com o propósito de que a fiscalização intime o contribuinte a apresentar todas as notas fiscais relacionadas na referida planilha, bem como lançamentos contábeis, relatório do seu processo produtivo e demais documentos que entenda necessários para a apuração do direito creditório. Alertase ainda para o fato de que em momento algum ocorreu a intimação, por parte da Fazenda Nacional, para que o contribuinte apresentasse qualquer documento fiscal. Assim, ainda que seja ônus do sujeito passivo colacionar aos autos provas constitutivas do seu direito, por outro lado também é verdade que uma vez trazidos pelo contribuinte elementos de provas do seu direito, ainda que posteriormente a decisão da DRJ, não deve ser criado óbice a apuração da verdade material. Ante o exposto, considerando o contido no art. 18, inciso I, do Anexo II do Regimento Interno do CARF – Portaria MF n 256/2008 – que prevê a realização de diligências para suprir deficiências do processo, bem como o princípio da verdade material, proponho que se converta o julgamento em diligência à repartição de origem para que se proceda à verificação se os produtos sob os quais ocorreu a industrialização por encomenda estão relacionados nos códigos da TIPI listados nos anexo I e II à Lei 10.845/2002, pois tal constatação é fundamental para a apuração do direito crédito. Sala das Sessões, em 17 de julho de 2012 Juliano Eduardo Lirani Voto Vencedor Conselheiro Alexandre Kern, Redator designado A compensação declarada não foi homologada porque o pagamento apontado como indevido estava integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. A decisão recorrida, por sua vez, não reconheceu o direito creditório reivindicado, no valor de R$ Fl. 107DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por J ULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10865.903809/200915 Acórdão n.º 3803003.194 S3TE03 Fl. 106 5 80,79, mantendo o Despacho Decisório atacado, porque o interessado não trouxe quaisquer elementos de prova que permitisse a verificação de se toda ou parte das receitas daquele período referemse à industrialização por encomenda especificamente daqueles produtos classificados nos códigos da TIPI listados nos anexo I e II à Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002. Fazendo tabola rasa das regras processuais de preclusão e apoiandose em noção arrevesada do princípio da verdade material, o redator, equivocadamente, propôs a conversão do julgamento em diligência, para que a autoridade fiscal de jurisdição sobre o contribuinte produzisse a prova que toca ao interessado produzir, nos momentos processuais adequados. Evidentemente, a 3ª Turma Especial, à exceção do Conselheiro Juliano Eduardo Lirani, jamais respaldaria tal proposição. A natureza extintiva –ainda que condicionada a ulterior homologação – da Declaração de Compensação, impõe que o interessado assegurese que crédito oposto no encontro de contas seja líquido e certo, já no momento da transmissão da Dcomp, sob pena de não têlo homologado. Mesmo na fase contenciosa do procedimento administrativo fiscal, que ora se desenrola, quando já não mais teria espontaneidade para retificar a DCTF1,o requerente, enquanto manifestante, poderia produzir a prova necessária para a demonstração de seu direito, em face da aplicação analógica do § 4º do art. 16 do PAF, autorizada pelo § 4º do art. 66 da Instrução Normativa RFB no 900, de 30 de dezembro de 2008, apresentando, não apenas as alegações que fez, vazias, pois desacompanhadas de qualquer embasamento documental, mas de documentação contábilfiscal idônea e hábil para demonstrar o erro cometido e afastar o atributo de irretratabilidade da confissão feita na DCTF. O que o recorrente – e o relator também não pode esperar é que a autoridade fiscal suplemente a sua vontade e o intime a tanto. Matéria de extremada importância em sede processual é a referente à repartição do ônus da prova nas questões litigiosas. Com efeito, da delimitação do onus probandi depende a definição de grande parte das responsabilidades processuais. Assim é nas relações de direito privado e, igualmente, nas relações de direito público, dentre as quais as relacionadas à imposição tributária. Neste campo, a legislação processual administrativotributária inclui disposições que, em regra, reproduzem aquele que é, por assim dizer, o principio fundamental do direito probatório, qual seja o de que quem acusa e/ou alega deve provar. Assim é que, nos casos de lançamentos de oficio, não basta a afirmação, por parte da autoridade fiscal, de que ocorreu o ilícito tributário; pelo contrário, é fundamental que a infração seja devidamente comprovada, como se depreende da parte final do caput do artigo 9° do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que determina que os autos de infração e notificações de lançamento "deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito". De outro lado, ao contribuinte a legislação 1 Súmula CARF No. 33 A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por J ULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por ALEXANDRE KERN 6 impõe o ônus de provar o que alega em face das provas carreadas pela autoridade fiscal, como expresso no inciso III do artigo 16 do mesmo Decreto nº 70.235, de 1972, que determina que a impugnação conterá "os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir". Esse, portanto, o quadro nos lançamentos de oficio: à autoridade fiscal incumbe provar, pelos meios de prova admitidos pelo direito, a ocorrência do ilícito; ao contribuinte, cabe o ônus de provar o teor das alegações que contrapõe às provas ensejadoras do lançamento. Já nos casos de repetição de indébito, como no presente processo, entretanto, o quadro resta um pouco modificado, como a seguir se verá. Quando a situação posta se refere à restituição, compensação ou ressarcimento de créditos tributários, é atribuição do contribuinte a demonstração da efetiva existência do indébito. Tanto é assim que a Instrução Normativa SRF nº 900, de 30 de dezembro de 2008, que rege atualmente os processos de restituição, compensação e ressarcimento de créditos tributários, assim expressa em vários de seus dispositivos: Art. 3° A restituição a que se refere o art. 2° poderá ser efetuada: I a requerimento do sujeito passivo ou da pessoa autorizada a requerer a quantia; ou II mediante processamento eletrônico da Declaração de Ajuste Anual do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (DIRPF). § Iº A restituição de que trata o inciso I do caput será requerida pelo sujeito passivo mediante utilização do programa Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação (PER/DCOMP). § 2º Na impossibilidade de utilização do programa PER/DCOMP, o requerimento será formalizado por meio do formulário Pedido de Restituição, constante do Anexo I, ou mediante o formulário Pedido de Restituição de Valores Indevidos Relativos a Contribuição Previdenciária, constante cio Anexo II, conforme o caso, aos quais deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. [..1 § 4° Tratandose de pedido de restituição formulado por representante do sujeito passivo mediante utilização do programa PER/DCOMP, os documentos a que se refere o § 3° serão apresentados à RFB após intimação da autoridade competente para decidir sobre o pedido. [..1 Art. 65. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito. inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada. mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por J ULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10865.903809/200915 Acórdão n.º 3803003.194 S3TE03 Fl. 107 7 Como se percebe, em qualquer dos tipos de repetição é exigida a apresentação dos documentos comprobatórios da existência do direito creditório como prerrequisito ao conhecimento do pleito. E o que se deve ter por documentos comprobatórios do crédito? Por óbvio que os documentos que atestem, de forma inequívoca, a origem e a natureza do crédito; sem tal evidenciação, o pedido repetitório fica inarredavelmente prejudicado. É certo que as normas acima transcritas prevêem a realização de diligências, por parte da autoridade fiscal, destinadas à verificação da exatidão das informações trazidas pelos contribuintes, mas é preciso ter em conta que tal previsão não existe com o fim de suprir o ônus da prova colocado às partes, mas sim de elucidar questões pontuais mantidas controversas mesmo em face dos documentos trazidos pelo contribuinte/pleiteante; em outras palavras, as diligências servem para esclarecer pontos duvidosos específicos, e não para que a autoridade fiscal, diante da falta de comprovação da existência do crédito, supra tal omissão do contribuinte. No caso específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento de créditos tributários, o contribuinte cumpre o ônus que a legislação lhe atribui, quando traz os elementos de prova que demonstrem a existência do crédito. E tal demonstração, no caso das pessoas jurídicas, está, por vezes, associada a uma conciliação entre registros contábeis e documentos que respaldem tais registros. Assim, para comprovar a existência de um crédito vinculado a um registro contábil, não basta apresentar o registro, mas também indicar, de forma específica, que documentos estão associados a que registros; ainda, é importante, quando a natureza da operação escriturada/documentada for importante para a caracterização ou não do direito creditório, que a descrição da operação constante dos registros e documentos seja clara, sem abreviaturas ou códigos que dificultem ou impossibilitem a perfeita caracterização do negócio. Em regra, portanto, cumpre ao contribuinte vincular registros contábeis a documentos fiscais, estabelecendo com clareza a natureza das operações por eles instrumentadas, não lhe sendo lícito simplesmente juntar uma massa de documentos ao processo, sem indicação individualizada de a quais registros se referem. A atividade de "provar" não se limita, no mais das vezes, a simplesmente juntar documentos aos autos; nos casos em que se tem inúmeros registros associados a inúmeros documentos, provar significa associar registros e documentos de forma individualizada, do mesmo modo que, no caso das provas indiciárias, exigese a contextualização dos fatos por via do cruzamento dos indícios. Não é tarefa do julgador contextualizar os elementos de prova trazidos pelo contribuinte no caso de um pedido de restituição, compensação ou ressarcimento, tanto quanto não é contextualizar os elementos de prova trazidos pela autoridade fiscal no âmbito de um lançamento de oficio. Quem acusa deve provar, contextualizando os elementos de prova que evidenciam a infração; da mesma forma, quem pleiteia repetição deve provar a existência do direito creditório, contextualizando os elementos de prova que evidenciam o indébito. Não é lícito ao julgador, tanto em sede de apreciação de lançamento de oficio, quanto em sede de pleito repetitório, dispensar a autoridade lançadora ou o pleiteante, conforme o caso, do ônus que a lei impõe a cada um deles; tanto quanto não lhe é lícito valer se das diligências e perícias para, por vias indiretas, suprir o ônus probatório que cabia a cada parte. Diligências existem para resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica. Já as perícias existem para fins de que sejam dirimidas Fl. 110DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por J ULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por ALEXANDRE KERN 8 questões para as quais exigese conhecimento técnico especializado, ou seja, matéria impassível de ser resolvida a partir do conhecimento das partes e do julgador. Dentro deste quadro, percebese que quando a Instrução Normativa SRF nº 900, de 2008, acima parcialmente transcrita, prevê a "realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas", não está querendo dizer que, diante de qualquer pleito repetitório apresentado, deve a autoridade fiscal diligenciar para fins de verificar, de oficio, a existência do crédito pleiteado. O que o ato legal quer dizer, e isto sim, é que, apresentado o pedido e constatado que o contribuinte demonstrou, por documentos e registros contábeis individualmente associados, a origem dos créditos pleiteados, pode a autoridade fiscal, se dúvidas remanescerem em relação a questões pontuais (natureza da operação em um ou outro registro, falta de clareza de algum documento ou registro etc.), demandar por diligências para dirimir tais dúvidas. Por certo que o ato legal não quer, com a previsão da realização das diligências, transferir para a autoridade fiscal ou para o julgador administrativo a responsabilidade pela produção probatória atribuída originariamente ao contribuinte no caso dos pedidos de repetição de indébito. E é isso que ocorreria, por exemplo, se fossem promovidas diligências no caso, por exemplo, em que o contribuinte, junto com seu pleito, nada aporta aos autos além de suas alegações, ou traz apenas uma listagem genérica de créditos e uma massa de documentos fiscais sem vinculação recíproca; neste caso, a promoção das diligências estaria suprindo, irregularmente, a omissão do contribuinte, o que não é processualmente admissível. De se ressaltar, igualmente, que o fato de o processo administrativo ser informado pelo principio da verdade material, em nada macula tudo o que foi até aqui dito. É que o referido princípio destinase a busca da verdade que está para além dos fatos alegados pelas partes, mas isto num cenário dentro do qual as partes trabalharam proativamente no sentido do cumprimento do seu ônus probandi. Em outras palavras, o principio da verdade material autoriza o julgador a ir além dos elementos de prova trazidos pelas partes, quando tais elementos de prova induzem à suspeita de que os fatos ocorreram não da forma como esta ou aquela parte afirma, mas de uma outra forma qualquer (o julgador não está vinculado às versões das partes). Mas isto, à evidência, nada tem a ver com propiciar à parte que tem o ônus de provar o que alega/pleiteia, a oportunidade de, por via de diligências, produzir algo que, do ponto de vista estritamente legal, já deveria compor, como requisito de admissibilidade, o pleito desde sua formalização inicial. Dito de outro modo: da mesma forma que não é aceitável que um lançamento seja efetuado sem provas e que se permita posteriormente, em sede de julgamento e por meio de diligências, tal instrução probatória, também não é aceitável que um pleito repetitório seja proposto sem a minudente demonstração e comprovação da existência do indébito e que posteriormente, também em sede de julgamento e por via de diligências, se oportunize tais demonstração e comprovação. Se, de um lado é certo que o DARF informado no PER/Dcomp comprova um recolhimento, de outro, inexiste nos autos qualquer prova de que o pagamento seja indevido. Há tãosomente a alegação do requerente, ora recorrente. Nada mais. E, em sede de prova, nada alegar e alegar, mas não provar o alegado se equivalem (allegare nihil et allegatum non probare paria sunt). A esse propósito, reportome à Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. De acordo com o seu art. 36, que regulamenta o sistema de distribuição da carga probatória no Processo Administrativo Federal: o ônus de provar a veracidade do que afirma é do requerente: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por J ULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10865.903809/200915 Acórdão n.º 3803003.194 S3TE03 Fl. 108 9 No mesmo sentido o art. 330 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC). A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça também corrobora esse entendimento: Allegare nihil et allegatum non probare paria sunt — nada alegar e não provar o alegado, são coisas iguais.(HABEAS CORPUS Nº 1.1710 — RJ, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 4, (39): 211276, novembro 1992, p. 217) Alegar e não provar significa, juridicamente, não dizer nada.(INTERVENÇÃO FEDERAL Nº 83 — PR, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 7, (66): 93116, fevereiro 1995. 99) RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA – APOSENTADORIA – NEGATIVA DE REGISTRO – TRIBUNAL DE CONTAS – ATOS ADMINISTRATIVOS NÃO COMPROVADOS – ART. 333, INCISO II, DO CPC – PAGAMENTO DOS PROVENTOS DE NOVEMBRO/96 E DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO DAQUELE MESMO ANO – IMPOSSIBILIDADE – SÚMULAS 269 E 271 DA SUPREMA CORTE – 1. O ônus da prova incumbe ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (art. 333, II, do Código de Processo Civil). Incumbe às Secretarias de Educação e da Fazenda a demonstração de que a professora havia sido notificada da suspensão de sua aposentadoria. 2. Não cabe em mandado de segurança para cobrança de proventos não recebidos, a teor das súmulas 269 e 271 da Suprema Corte. 3. Recurso parcialmente provido. (STJ – ROMS 9685 – RS – 6ª T. – Rel. Min. Fernando Gonçalves – DJU 20.08.2001 – p. 00538)JCPC.333 JCPC.333.II TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IMPOSTO DE RENDA – VERBAS INDENIZATÓRIAS – FÉRIAS E LICENÇAPRÊMIO – NÃO INCIDÊNCIA – COMPENSAÇÃO – AJUSTE ANUAL – ÔNUS DA PROVA – O ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito e ao réu quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Cabe ao contribuinte comprovar a ocorrência de retenção na fonte do imposto de renda incidente sobre verbas indenizatórias e à Fazenda Nacional incumbe a prova de eventual compensação do imposto de renda retido na fonte no ajuste anual da declaração de rendimentos. Recurso provido. (STJ – REsp 229118 – DF – 1ª T. – Rel. Min. Garcia Vieira – DJU 07.02.2000 – p. 132) PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO – EXECUÇÃO FISCAL – EMBARGOS DO DEVEDOR – NOTIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO – IMPRESCINDIBILIDADE – ÔNUS DA PROVA – 1. Imprescindível a notificação regular ao contribuinte do imposto devido. 2. Incumbe ao embargado, réu no processo incidente de embargos à execução, a prova do fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (CPC, art. 333, II). 3. Recurso especial conhecido e provido. (STJ – REsp 237.009 – (1999/00996607) – SP – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 27.05.2002 – p. 147) Fl. 112DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por J ULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por ALEXANDRE KERN 10 TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IRPF – REPETIÇÃO DE INDÉBITO – VERBAS INDENIZATÓRIAS – RETENÇÃO NA FONTE – ÔNUS DA PROVA – VIOLAÇÃO DE LEI FEDERAL CONFIGURADA – DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO COMPROVADA – SÚMULA 13/STJ PRECEDENTES – Cabe ao autor provar que houve a retenção do imposto de renda na fonte, por isso que é fato constitutivo do seu direito; ao réu competia a prova de eventual compensação na declaração anual de rendimentos dos recorrentes, do imposto de renda retido na fonte, fato extintivo, impeditivo ou modificativo do direito do autor – Incidência da Súmula 13 STJ – Recurso especial conhecido pela letra a e provido. (STJ – RESP 232729 – DF – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 18.02.2002 – p. 00294) À falta da prova do erro, capaz de afastar o atributo de irretratabilidade da confissão de dívida, milita contra a alegação do requerente a presunção de que o pagamento não lhe confere qualquer direito creditório porque foi alocado a débito espontaneamente confessado em DCTF. O recorrente poderia objetar que, dada sistemática declaratória atual do procedimento de compensação, não lhe foi oportunizada a comprovação do crédito, originado do pagamento indevido. Objeção improcedente. Bastaria que o contribuinte, prévia e espontaneamente, retificasse a DCTF respectiva, conforme lhe autorizava o art. 10 da Instrução Normativa SRF no 482, de 21 de dezembro de 2004, então vigente, e o próprio processamento eletrônico do PER/Dcomp lhe deferiria o crédito pleiteado, transferindo para o Fisco o ônus da posterior verificação do seu procedimento. Mesmo na fase contenciosa do procedimento administrativo fiscal, que ora se desenrola, quando já não mais teria espontaneidade para retificar a DCTF,o requerente, enquanto manifestante, poderia produzir a prova necessária para a demonstração de seu direito, em face da aplicação analógica do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, autorizada pelo § 4º do art. 66 da Instrução Normativa RFB no 900, de 2008. O recorrente, contudo, limitouse a apresentar planilha de bases de cálculo, sem o necessário lastro na sua escrita contábil e em documentação idônea e hábil para atestar a liquidez e a certeza do crédito oposta na compensação declarada. Nego provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 17 de julho de 2012 Alexandre Kern Fl. 113DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por J ULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por ALEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 11051.000343/2004-27
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Sep 21 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Thu Sep 21 00:00:00 UTC 2006
Numero da decisão: 303-01.221
Decisão: RESOLVEM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, declinar a competência do julgamento do recurso ao Egrégio Primeiro Conselho, em razão da matéria, nos termos do voto do relator.
Matéria: Simples - ação fiscal - insuf. na apuração e recolhimento
Nome do relator: NILTON LUIZ BARTOLI
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Numero do processo: 37311.007225/2006-97
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 21 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Sep 21 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/11/2005 a 31/12/2005
FORNECIMENTO DE ASSISTÊNCIA MÉDICA AOS DIRIGENTES.
ABRANGÊNCIA DA HIPÓTESE PREVISTA NO ART. 28, § 9º, "q" DA
LEI N. 8.212/91.
O fornecimento de assistência médica a todos os empregados da empresa, ainda que de forma diferenciada, enseja a aplicação da disposição contida no art. 28, § 9º, "q" da Lei n° 8.212/91, não se tratando de salário indireto. Não estão abrangidos, na hipótese, os familiares dos dirigentes da sociedade.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2803-000.251
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Turma Especial da Segunda Seção de
Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a).
Nome do relator: CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE ANDRADE
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Recorrida DELEGACIA DA RECEITA PREVIDENCIARIA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIARIAS Período de apuração: 01/11/2005 a 31/12/2005 FORNECIMENTO DE ASSISTÊNCIA MÉDICA AOS DIRIGENTES. ABRANGÊNCIA DA HIPÓTESE PREVISTA NO ART. 28, § 90, "q" DA LEI N. 8.212/91. O fornecimento de assistência médica a todos os empregados da empresa, ainda que de forma diferenciada, enseja a aplicação da disposição contida no art. 28, § 90, "q" da Lei n° 8.212/91, não se tratando de salário indireto. Não estão abrangidos, na hipótese, os familiares dos dirigentes da sociedade. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3' Turma Especial da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a). HELTO PRIIA DE LIMA - Presidente. / CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE ANDRADE - Relatora 4, 1 of Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo de Oliveira, Oseas Coimbra Júnior, Carolina Siqueira Monteiro de Andrade, Amilcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato e Helton Carlos Praia de Lima (presidente). Relatório Trata-se de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito lavrada contra a empresa TÊXTIL ROSSINI DO BRASIL LTDA., em virtude do não recolhimento de contribuições devidas à Seguridade Social sobre o valor pago às suas dirigentes a titulo de planos de saúde, configurando salário indireto, nos termos da disposição contida no art. 22, inciso III, da Lei n° 8.212/91, no período de 12/1997 a 05/2005. Assim, o fato gerador da contribuição lançada teria ocorrido com relação aos seguintes titulares: Marilise Pezzo Rossini (sócia), Jose Marcelo Lobo (cônjuge), Lucas Pezzo Lobo (filho), Mariângela Pezzo Rossini (sócia) e Marilena Pezzo Rossini (sócia), não estando configurada a hipótese prevista no art. 28, § 9°, "q" da Lei n° 8.212/91. Conforme consta do Relatório Fiscal, foram partes integrantes da autuação os seguintes levantamentos: "PIA" - PRO-LABORE INDIRETO, que compreende os fatos geradores de contribuições previdencidrias, relativos ao período de 12/1997 a 12/1998 — período anterior a Implantação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social - GFIP e refere-se ao pagamento, em forma de salário utilidade, do convênio médico de seus dirigentes; e "PSS" - PRO-LABORE INDIRETO SEGURO-SAÚDE, que compreende os fatos geradores de contribuições previdenciárias, relativos ao período de 01/1999 a 05/2005 - período após a implantação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social - GFIP e refere-se ao pagamento, em forma de salário utilidade, do convênio médico de seus dirigentes. Para tais lançamentos, por não terem sido incluídos em GFIP, não foi concedida a redução de 50% (cinqüenta por cento) na multa de mora, conforme previsto no parágrafo 11 do artigo 239 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99. Em sua Impugnação (fls. 246/311), a RecOrrente argüiu, em síntese: (a) a nulidade da NFLD ante a ausência do requisito motivo na lavratura; (b) a não observância ao principio da legalidade e dos demais princípios que norteiam o processo administrativo em âmbito federal; (c) que o art. 28, § 90, q da Lei n°. 8.212/91, ao estabelecer que todos os funcionários e dirigentes possuem direito ao convênio saúde, determina tratamento igualitário entre funcionários e sócios; (d) que é abusivo a Fiscalização querer igualdade quanto ao percentual pago no plano de assistência médica dos sócios com o percentual pago no plano de saúde dos empregados; (e) que teria havido a decadência do direito do Fisco de constituir os créditos tributários relativos As competências 12/1997 a 12/1999; (f) ser completamente descabido o enquadramento da Recorrente na tipificação penal contida no art. 337-A, inciso I do Estatuto Repressivo, pois não foram lançados em folhas de pagamento, bem como em GFIP os lançamentos contábeis relativos ao plano de assistência médica porque tem a firme convicção de que não incide contribuições 2 Processo n°37311.007225/2006-97 S2-TE03 Acórdão n.° 2803-00.251 Fl. 2 previdenciarias sobre esses elementos, não sendo competente o Auditor Fiscal para lhe imputar essa conduta criminosa; e (g) a impossibilidade de aplicação da Taxa Selic como fator de juros sobre as contribuições previdencidrias. Quando do julgamento da impugnação (fls. 321/328), a autoridade julgadora se manifestou pela procedência do lançamento, tendo em vista que a NFLD encontra-se revestida das formalidades legais, não ocorrendo nenhuma ofensa aos princípios processuais, mais precisamente aos da finalidade e a motivação, e ainda, que não houve cerceamento de defesa, por ter o contribuinte impugnado o lançamento em sua integralidade. Quanto ao mérito, entendeu que os créditos tributários não foram alcançados pela decadência, pois o art. 45 da Lei n°. 8.212/91 fixou em 10 anos o prazo decadencial para as contribuições previdencidrias; que a Taxa Selic está expressamente determinada no art. 34 da Lei n°. 8.212/91; e que o art. 28, § 90, "q" da Lei n° 8.212/91 trata de isenção condicionada h. cobertura que abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa, sendo imperioso o cumprimento destes requisitos em lei para fruição do beneficio isencional. Nestes termos, tendo a Recorrente dispensado tratamento diferenciado aos seus dirigentes, está a contrariar o significado da norma que, não só prevê a cobertura relativa à assistência médica, mas sim, de forma idêntica para ambas as categorias. Contra esta decisão, a empresa interpôs Recurso Voluntário, às fls. 333/398, ratificando os argumentos apresentados em primeira instância, sem todavia efetuar o depósito recursal obrigatório de valor correspondente a 30% da exigência fiscal, conforme teor do despacho de fls. 399. Noticia a Recorrente que foi impetrado Mandado de Segurança n° 2006.61.05.008475-9, no qual foi deferida medida liminar, a fim de determinar A. autoridade coatora o imediato prosseguimento do presente recurso independente do depósito prévio de 30%. Informa, ainda, que também foi ajuizada Ação Anulatória n° 2008.61.05.007619-0, por meio da qual foi obtida decisão judicial favorável no sentido de suspender a exigibilidade das contribuições referentes aos períodos anteriores a 11/10/2000. A autoridade fiscal apresentou Contra-razões ao Recurso Voluntário (fls. 405/406), reforçando os fundamentos trazidos na decisão-notificação. Com vistas a atender pedido da Procuradoria Seccional da Fazenda Nacional em Campinas, o Serviço de Controle e Acompanhamento Tributário — SECAT solicitou, por meio do Memorando n° 750/2008 de 11/11/2008, a devolução dos autos à primeira instância para a análise de decadência, nos termos da Súmula Vinculante n° 08/STF. Não obstante o processo tenha retornado ao setor responsável, não foi realizado o recálculo do lançamento, tendo o processo sido novamente encaminhado ao Segundo Conselho de Contribuintes, atualmente, Segunda Seção do CARF. E o relatório. Voto Conselheira CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE ANDRADE, Relatora Como já reconhecido pela autoridade fiscal na manifestação de fls. 399, o Recurso Voluntário é tempestivo e preenche todos os requisitos de admissibilidade, razão pela qual, passo a analisá-lo. Apenas a titulo de esclarecimento, a declaração de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal da exigência de depósito prévio, no valor mínimo de 30% da exigência fiscal, como condição para seguimento do recurso voluntário, deu ensejo à edição da Súmula Vinculante n° 21, DOU de 10/11/2009, tornando prejudicada a verificação da manutenção da decisão judicial proferida em favor do contribuinte. Antes de se adentrar à análise das alegações contidas nos Recursos Voluntários, faz-se necessário examinar se os tributos lançados na NFLD em questão podem ser exigidos do contribuinte. A questão relativa ao prazo decadencial para a constituição de créditos 'previdencidrios foi pacificada pelo Supremo Tribunal Federal, por meio da Súmula Vinculante de n ° 8, nos seguintes termos: Súmula Vinculante 8"Scsio inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5° do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário ". Conforme previsto no art. 103-A da Constituição Federal de 1988, o entendimento sumulado pelo Supremo Tribunal Federal terá efeito vinculante para todos os órgãos da Administração Pública, inclusive para este Conselho: "Art. 103-A. 0 Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e a administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder a sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei." Nestes tennos, por não ser possível aplicar ao caso concreto a hipótese prevista no art. 45 da Lei n ° 8.212/1991, em razão do entendimento contido na Súmula Vinculante n° 8, há que se analisar a questão à luz das regras previstas no Código Tributário Nacional. Os tributos sujeitos ao lançamento por homologação estão regulados pelo art. 150 do Código Tributário Nacional. Consoante o que estabelece o § 4° do mencionado dispositivo legal, havendo pagamento antecipado do tributo devido, considera-se extinto o crédito tributário com a homologação expressa ou tácita, que se dará com o decurso do prazo de cinco anos contados do fato gerador. Todavia, caso não haja o pagamento antecipado, dever-se-á observar o disposto no art. 173, inciso I do CTN, que determina que o prazo para a constituição dos créditos tributários é de cinco anos, contados do primeiro dia útil do ano subsequente àquele no qual poderia ter havido a sua exigência. Esse, inclusive, o entendimento que vem sendo adotado pelo Colendo Superior Tribunal de Justiça: 4 ae- 1 • Processo n°37311.007225/2006-97 S2-TE03 Acórdão n.° 2803-00.251 Fl. 3 "TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO.INCIDÊNCIA DO ART 173, INC. I, DO CTN. INCONSTITUCIONALIDADE DO ART 45 DA LEI N. 8.212/91. SÚMULA VINCULANTE N. 8 DO STF. 1. 0 Supremo Tribunal Federal, na Sessão Plenária de 12.6.2008, editou a Súmula Vinculante n. 8, publicada no DO de 20.6.2008, com este teor: "são inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5.° do Decreto-Lei n. 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei n. 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". 2. Nos casos em que não tiver havido o pagamento antecipado de tributo sujeito a lançamento por homologacdo é de se aplicar o art. 173, inc. I, do Código Tributário Nacional (CTN). Isso porque a disciplina do art. 150, § 40, do CTN estabelece a necessidade de antecipação do pagamento para fins de contagem do prazo decadencial. No REsp 973733/SC, Rel. Milt Luiz Fux, DJe 18/9/2009, submetido ao Colegiado pelo regime da Lei n" 11.672/08 (Lei dos Recursos Repetitivos), que introduziu o art. 543-C do CPC, reafirmou-se tal posicionamento. 3. Recurso especial não provido." (REsp 1090021/PE, Relator: Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, DJ 05/05/2010) A NFLD foi lavrada em 11/10/2005 para exigir os créditos tributários relativos As competências de 12/1997 a 05/2005, tendo o contribuinte dela tomado ciência em 14/10/2005. Nestes termos, com fundamento no que dispõe o art. 173, I, CTN, em razão de não ter havido o pagamento antecipado do tributo devido, verifica-se que houve a decadência do direito do Fisco de promover a constituição do crédito tributário apurado no período de 12/1997 a 11/1999, inclusive 13/1999, se houver. Revela-se, portanto, irrelevante a inocorrência do recálculo da autuação pelo SECAT, ficando reconhecida, desde já, a extinção parcial do crédito tributário. A matéria discutida nos autos diz respeito à possibilidade de se incluir, na hipótese prevista no art. 28, § 90, "q" da Lei no 8.212/91 os valores despendidos pela empresa titulo de assistência medica a seus dirigentes, em sistemática diferenciada daquela dispensada aos demais empregados. De acordo com o previsto no art. 28 da Lei n° 8.212/1991, para o segurado empregado, entende-se por salário-de-contribuição a totalidade dos rendimentos destinados a retribuir o trabalho, incluindo nesse conceito os ganhos habituais sob a forma de utilidades, nos seguintes termos: "Art.28. Entende-se por salário-de-contribuição: I - para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer titulo, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que ct,71 seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei n°9.528, de 10/12/97)" 0 mesmo dispositivo legal, em seu § 9°, excetua determinadas parcelas do salário-de-contribuição, em razão de sua natureza indenizatória ou assistencial, como se vê abaixo: "Art. 28. § 9" Não integram o salário-de-contribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei n° 9.528, de 10/12/97) a) os benefícios da previdência social, nos termos e limites legais, salvo o salário-maternidade; (Redação dada pela Lei n° 9.528, de 10/12/97) b) as ajudas de custo e o adicional mensal recebidos pelo aeronauta nos termos da Lei n°5.929, de 30 de outubro de 1973; c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei n°6.321, de 14 de abril de 1976; d) as importâncias recebidas a titulo de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente a dobra da remuneração de férias de que trata o art. 137 da Consolidação das Leis do Trabalho-CLT; (Redação dada pela Lei n°9.528, de 10/12/97) e) as importâncias: (Alínea alterada e itens de 1 a 5 acrescentados pela Lei n" 9.528, de 10/12/97, e de 6 a 9 acrescentados pela Lei n°9.711, de 20/11/98) 1. previstas no inciso I do art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias; 2. relativas a indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de outubro de 1988, do empregado não optante pelo Fundo de Garantia do Tempo de Serviço-FGTS; 3. recebidas a titulo da indenização de que trata o art. 479 da CLT; 4. recebidas a titulo da indenização de que trata o art. 14 da Lei n°5.889, de 8 de junho de 1973; 5. recebidas a titulo de incentivo a demissão; 6. recebidas a titulo de abono de férias na forma dos arts. 143 e 144 da CLT; 7. recebidas a titulo de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; 6 Processo n°37311.007225/2006-97 S2-TE03 Acórdão n.° 2803-00.251 Fl. 4 8. recebidas a titulo de licença-prêmio indenizada; 9. recebidas a titulo da indenização de que trata o art. 9" da Lei n° 7.238, de 29 de outubro de 1984; fi a parcela recebida a titulo de vale-transporte, na forma da legislação própria; g) a ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT; (Redação dada pela Lei n°9.528, de 10/12/97) h) as diárias para viagens, desde que não excedam a 50% (cinqüenta por cento) da remuneração mensal; i) a importância recebida a titulo de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei n" 6.494, de 7 de dezembro de 1977; j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei espec(ica; 1) o abono do Programa de Integração Social-PIS e do Programa de Assistência ao Servidor Público-PASEP; (Alínea acrescentada pela Lei n°9.528, de 10/12/97) m) os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Ali/lea acrescentada pela Lei n°9.528, de 10/12/97) n) a importância paga ao empregado a titulo de complementaçã o ao valor do auxílio-doença, desde que este direito seja extensivo â totalidade dos empregados da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei n°9.528, de 10/12/97) o) as parcelas destinadas a assistência ao trabalhador da agroindfistria canavieira, de que trata o art. 36 da Lei n" 4.870, de 1° de dezembro de 1965; (Alínea acrescentada pela Lei n" 9.528, de 10/12/97) p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível a totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9" e 468 da CLT; (Alínea acrescentada pela Lei le 9.528, de 10/12/97) q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médico-hospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei n°9.528, de 10/12/97) r) o valor correspondente a vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos ao empregado e utilizados no local do trabalho para prestação dos respectivos serviços; (Alínea acrescentada pela Lei n°9.528, de 10/12/97) s) o ressarcimento de despesas pelo uso de veiculo do empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade, quando devidamente comprovadas as despesas realizadas; (Alínea acrescentada pela Lei n°9.528, de 10/12/97) t) o valor relativo a plano educacional que vise a educação básica, nos termos do art. 21 da Lei n°9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados ás atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei n°9.711, de 20/11/98) a importância recebida a titulo de bolsa de aprendizagem garantida ao adolescente até quatorze anos de idade, de acordo com o disposto no art. 64 da Lei n° 8.069, de 13 de julho de 1990; (Alínea acrescentada pela Lei n°9.528, de 10/12/97) v) os valores recebidos em decorrência da cessão de direitos autorais; (Alínea acrescentada pela Lei n°9.528, de 10/12/97) x) o valor da multa prevista no § 8° do art. 477 da CLT. (Alínea acrescentada pela Lei n°9.528, de 10/12/97)." Na hipótese versada nos autos, a não incidência de contribuições previdencidrias sobre os valores pagos pela empresa a titulo de plano de saúde a seus dirigentes estaria amparada na situação prevista na alínea "q" do referido § 9°, que trata do "valor relativo assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médico-hospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa". Consoante o entendimento contido na decisão-notificação, a isenção prevista no art. 28, § 9°, "q" se aplicaria tão somente aos casos nos quais o tratamento dispensado aos dirigentes e demais empregados seja o mesmo, isto 6, que seja dada a ambos a mesma assistência médica, sem qualquer diferenciação. Veja, a esse respeito: "11.3 - Dessa forma, quando o Impugnante trata os segurados empregados diferentemente dos seus dirigentes este a contrariara significado e o alcance da norma que, não só prevê a cobertura relativa el assistência médica, mas sim, de forma idêntica para ambas as categorias. 11.4 - Nesse sentido, considerando - se que a norma instituiu a isenção condicionando expressamente a sua aplicação proporcional, sem nenhuma distinção entre dirigentes e empregados, não poderia ser dada interpretação extensiva ao termo como pretendido pelo Impugnante, utilizando -se do 8 Processo n° 37311.007225/2006-97 S2-TE03 Acórdão n.° 2803-00.251 Fl. 5 pagamento total do convênio médico aos sócios gerentes e seus dependentes. 11.5 - Assim, como o Impugnante não observou condição estabelecida para fruição do beneficio, infringe a legislação, obrigando - se a recolher as contribuições previdenciárias incidentes sobre o valor total pago sobre a rubrica convênio médico aos sócios gerentes e seus dependentes, uma vez que, restou plenamente caracterizado o pagamento de remuneração a qualquer titulo aos segurados contribuintes individuais que lhe prestaram serviços." Todavia, não é essa a correta interpretação do referido dispositivo legal. A norma de isenção trazida pela alínea "q" é extreme de dúvidas, quando estabelece, com único requisito, a necessidade de que a cobertura de assistência médica abranja a totalidade dos segurados. Em nenhum momento a legislação previdencidria estabeleceu que esta cobertura deveria se dar exatamente nas mesmas condições. Ora, a interpretação para exclusão de parcelas da base de cálculo deve ser literal, por se tratar de modalidade de exclusão do crédito tributário, estando sujeita, portanto, a regra contida no art. 111, inciso I, do Código Tributário Nacional: "Art. 111. Interpreta-se literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I - suspensão ou exclusão do crédito tributário," Logo, se o legislador não dispôs, de forma expressa, acerca da necessidade de abrangência nos mesmos termos, não pode o Fisco, com vistas a majorar a sua arrecadação, estender a interpretação à situação não abrangida pela lei, sob pena de violar-se os princípios da reserva legal e da isonomia. A legislação previdencidria é clara ao prever como hipótese de exclusdo do crédito o valor relativo a assistência prestada por serviço médico, próprio da empresa ou por ela conveniado, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa. Nestes termos, tendo sido reconhecido pela própria autoridade fiscal, no Relatório, que a empresa concede assistência médica a todos os seus empregados (fls. 223/224), não deve ser afastada a hipótese prevista no art. 28, § 90, "q" da Lei n° 8.212/91. E o que se infere da informação contida no Relatório Fiscal: "A empresa Textil Rossini do Brasil Ltda. mantém convênio, desde 12/1997, com empresas de seguro-saúde. Os empregados que optarem em aderir ao convênio, terão descontados em folha de pagamento o valor referente a prestação desse serviço, de acordo com o tipo de plano escolhido. Verificamos, outrossim, gue cada empregado e dirigente pode optar se deseja ou não aderir ao convênio médico disponibilizado pela empresa, bem como a categoria do plano pretendido. Ademais, informamos que a empresa tem urna pequena participação mensal nos valores pagos ao convênio médico dos segurados empregados. Em relação ao pagamento do Convênio médico dos dependentes dos segurados empregados, os valores são pagos, integralmente, 1 , pelos próprios segurados empregados titulares do plano." (Original sem grifos) Cumpre observar, contudo, que a autoridade fiscal apurou o pagamento de assistência médica diferenciada não só aos dirigentes da empresa, mas também a seus familiares, in verbis: "Para a obtençâo dos valores do pra-labore indireto, pago em forma de utilidades pela empresa a seus dirigentes, levantamos os valores dos convénios médicos efetivamente pagos pela empresa, em cada competência, e consolidamos os valores Ines a mês, os quais encontram-se relacionados no ANEXO I, e referem-se as sócias e respectivos dependentes, a saber: • MARILISE PEZZO ROSSINI (SÓCIA); • JOSÉ MARCELO LOBO (CÔNJUGE); • LUCAS PEZZO LOBO (FILHO); • MARIÁNGELA PEZZO ROSSINI (SOCIA); • MARILENA PEZZO ROSSINI (SOCIA)." Ora, nos casos dos valores pagos aos Srs. JOSE MARCELO LOBO e LUCAS PEZZO LOBO, revela-se totalmente procedente a autuação promovida pela autoridade fiscal. Como já mencionado, a norma contida no art. 28, § 90, "q" da Lei n° 8.212/91 permite a não incidência da contribuição previdencidria apenas sobre os valores relativos A assistência medica paga pela empresa a seus empregados e dirigentes, não estando abrangidos na hipótese os familiares. Por tal razão, deve ser mantido o lançamento com relação As pessoas que não integram os quadros da sociedade. CONCLUSÃO Por todo o exposto, DOU PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário interposto pela parte, para manter o lançamento tão somente com relação aos valores pagos aos Srs. JOSÉ MARCELO LOBO e LUCAS PEZZO LOBO, reconhecendo, de oficio, a decadência do crédito tributário constituído até 11/1999, inclusive 13/1999, se houver. Sala das Sessões, em 21 de setembro de 2010 fOlvtleCitafAadA/ CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE ANDRADE - Relatora 10
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Numero do processo: 36200.001423/2005-51
Turma: Sexta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2007
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/08/2000
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. MUNICÍPIO. SEGURADOS EMPREGADOS. SERVIDORES ADMITIDOS SEM CONCURSO PÚBLICO ANTES DA CF/88.
Os servidores admitidos sem concurso público, antes de 05.10.1988, não possuem vínculo efetivo com a Administração Pública, estando vinculados ao Regime Geral da Previdência Social.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 206-00.109
Decisão: ACORDAM os Membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Apresentou declaração de voto a Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Acompanharam o relator pelas conclusões os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Ana Maria Bandeira, Rogério Lellis Pinto, Bemadete de Oliveira Barros, Cleusa Vieira de Souza, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: DANIEL AYRES KALUME REIS
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Sinse 751683 431 : C-.1 a. MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 4;z'-erpird, SEXTA CÂMARA Processo n° 36200.001423/2005-51 Recurso n° 141.547 Voluntário Matéria ÓRGÃO PÚBLICO - SERVIDORES NÃO ABRANGIDOS POR REGIME PRÓPRIO no-segundo Conselho de Cio::16e. Acórdão n° 206-00.109 puopoRdo no Diotifiali _Dtz Sessão de 20 de novembro de 2007 Ftulxice •— Recorrente TOCANTINS GOVERNO DO ESTADO/FUNDAÇÃO SANTA RITA DE CÁSSIA Recorrida SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/08/2000 Ementa: CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. MUNICÍPIO. SEGURADOS EMPREGADOS. SERVIDORES ADMITIDOS SEM CONCURSO PÚBLICO ANTES DA CF/88. Os servidores admitidos sem concurso público, antes de 05.10.1988, não possuem vinculo efetivo com a • Administração Pública, estando vinculados ao Regime Geral da Previdência Social. Recurso Voluntário Negado. 991/ Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. =77en CO,NTRIB1.. ONFERE cC C C:R/GD:AL Processo n.°36200.001423/2005-51 Brama. ("dn / (1,061/4 CCO2/C06 Acórdão n.° 206-00.109 e Fls. 115 a 10b0 Maria de Fátima • de Carvidbo MM. Ume 731683 ACORDAM os Membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Apresentou declaração de voto a Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Acompanharam o relator pelas conclusões os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Ana Maria Bandeira, Rogério Lellis Pinto, Bemadete de Oliveira Barros, Cleusa Vieira de Souza, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. ELIAS SAMPAIO FREIRE Presidente ((Pais DANIEL AYRES ICALUME REIS Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Ana Maria Bandeira, Rogério de Lellis Pinto, Bemadete de Oliveira Barros, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Cleusa Vieira de Souza e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. MP - SEGUNDO CO'"'nr "fl cyt? crplaumn Processo n.° 36200.001423/2005-51 CONFERE 1 ::.c;fNAL CCO2/C06 Acórdão n.° 206-00.109 9,n0at Fls. 116 Metia de Sira Ma. Siçe 7516113 Relatório Adoto parte do relatório constante da Decisão-Notificação de fls. 70/74. "Trata-se de crédito previdenciário lançado pela fiscalização contra o Governo do Estado do Tocantins — Fundação Santa Rita de Cássia — Secretaria do Trabalho e Ação Social acima identificada que, de acordo com o relatório fiscal de fls. 21/24 e anexo às fls. 25, ficou evidenciada a falta de recolhimento de contribuições previdenciárias devidas à Seguridade Social e não recolhidas, incidentes sobre as remunerações alcançadas pelo Órgão Público aos servidores, remanescentes de Goiás, não amparados por regime próprio de previdência, no período de 01/1999 a 08/2000, nas rubricas segurados, empresa e na parte relativa ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho. 1.1. Os valores encontram-se claramente discriminados no levantamento FP2 constante do relatório dos fatos geradores anexo à NFLD, e na planilha de fls. 25 onde consta o nome, competências e valores referentes aos segurados envolvidos nos levantamentos. 1.2. Destaca-se que o contribuinte, reconhecendo o novo enquadramento previdenciário de seus servidores não concursados, compareceu espontaneamente ao INSS, confessando e parcelando os débitos das contribuições incidentes sobre as remunerações alcançadas pelo órgão público aos referidos servidores e posteriormente declarando em GFIP. Porém por falhas operacionais as remunerações dos servidores constantes da planilha de fls. 25, remanescentes de Goiás, não foram consideradas para efeito de parcelamento, nem foram declaradas em GFIP, todavia, na competência 09/2000 conforme demonstrado na própria planilha, tais servidores passaram a integrar a GFIP. 1.3. As bases de cálculo são as informadas pelo contribuinte na folha de pagamento, já as contribuições dos segurados foram apuradas pela fiscalização, aplicando-se a aliquota mínima referente aos servidores relacionados, tendo sido gerado o presente débito. Foram aproveitados no levantamento IVFLD n°35.495.453-9 os recolhimentos efetuados no período, constantes do conta corrente da Secretaria acima citada. 1.4. O Estado do Tocantins possui Regime Próprio de Previdência — IPETINS, que amparava tais servidores, mas com o advento da Emenda Constitucional n°20 de 15.12.1998, passou a só beneficiar os servidores concursados, passando os demais a serem amparados pelo Regime Geral de Previdência Social — RGPS. O inciso XIII do art. 22 da Constituição Federal de 1988 determinou a competência privativa da União para legislar sobre a Seguridade SociaL Já o inciso XII do art. 24 dispõe que compete à União, aos Estados, aos Municípios e ao Distrito Federal legislar concorrentemente sobre Previdência Social, proteção e defesa da saúde. Assim, somente na inexistência de lei federal sobre normas gerais, poderão os Estados exercerem a competência legislativa plena para atender as suas peculiaridades. Qrte ME - SEGUNDO CO"?'' CONTRIBUNTES• CONFERE Cf:XIINAL Processo n.° 36200.001423/2005-51 Brunia. a•-‘ r CCOVC06 Acórdão n.° 206-00.109 Fls. 117 Nímia de Fátinu L t, a e C Mat. Siape 751683 Dentro do contexto da onstittnçao e • era sa lenta-se que a ei federal 8.212/91 determina em seu art. 13 que o servidor público municipal ou estadual somente será excluído do regime geral quando sujeito a regime próprio que garanta pelo menos os beneficios previstos no art. 40 da Constituição. Portanto, o fato determinante para a exclusão do servidor público não é a adoção pura e simples de um Instituto de Previdência e, sim, a condição de estarem amparados por um sistema próprio, previsto em lei, que contenha a fonte de custeio para concessão dos beneficios e que garanta pelo menos o direito ci aposentadoria e á pensão." Por tais razões foi imputado ao contribuinte a obrigação de recolher o montante de R$ 44.569,34 (quarenta e quatro mil quinhentos e sessenta e nove reais e trinta e quatro centavos), consolidado em 08.07.2003. O Recorrente apresentou impugnação tempestiva, às fls. 35/39 dos autos. Às fls. 70/74, foi proferida Decisão-Notificação com a seguinte ementa, in verbis: "CON7'RIBUIÇAÕ PREVIDENCIÁRIA. REGIME GERAL DE PREVIDÊNCIA SOCIAL. SERVIDORES PÚBLICOS NÃO OCUPANTES DE CARGOS EFETIVOS. Os servidores públicos não ocupantes de cargos de provimento efetivo, embora estáveis, são contribuintes obrigatórios do Regime Geral da Previdência Social, não se lhes aplicando a regra inerente aos Regimes Próprios de Previdência Social após o advento da Emenda Constitucional n. 020 de 15.12.1998. LANÇAMENTO PROCEDENTE." Irresignado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário tempestivo, desacompanhado do comprovante de recolhimento do depósito prévio, em razão de ser órgão público (fls. 78/80). Foram juntadas as contra-razões às fls. 82/85. Em 19.07.2004, a extinta r Câmara de Julgamento do Colendo Conselho de Recursos da Previdência Social decidiu converter o julgamento em diligência, com a seguinte fundamentação (fls. 86/88): Acontece que em 03/04/2003 foi publicado no Diário Oficial da União, o Parecer n" GM-030/2002, referência no Processo 00001.005869/2001-20, que garante em sua ementa a 'vinculaçã o de servidores beneficiados pela estabilidade especial conferida pela Constituicão de 1988 ao regime próprio de previdência social. ti MF - ShilJNDO • ..I • I n 585 CONTRIBLIWES i; r.IGINAL Processo n.° 36200.001423/2005-51 Brasília 9. , • / xxgxsiã CCO2/C06 Acórdão n.° 206-00.109 Fls. 118 Maria de Fátima — -0 • de Carvalho Mat Siape 751683 Estatui a Lei Complementar n° 73, de 10 de fevereiro de 1993 — que instituía Lei Orgânica da Advocacia-Geral da União, em seu artigo 1° que: Art. 104 Advocacia-Geral da União é a instituição que representa a União Judicial e extrajudicialmente. E dispõe em seu artigo 40, § 1°, in verbis: §1 0 O parecer aprovado e publicado juntamente com o despacho presidencial vincula a Administração Federal, cujos órgãos e entidades ficam obrigados a lhe dar fiel cumprimento. (.). Assim determino que o processo seja encaminhado em diligência, para que seja informado pelo INSS de origem se todos os servidores listados s fls. 25, são estáveis, ou, caso contrário, qual a situação funcional dos mesmos. Esclareça porque a Fundação Santa Rita de Cássia consta como sujeito passivo, junto ao Estado de Tocantins, quando, via de regra, as fundações tem personalidade jurídica própria. Determino, ainda, que o Notificado tome ciência dos termos desta diligência, e das decisões tomadas no cumprimento da mesma, apresentando, caso seja de seu interesse, novo recurso, na abertura do prazo recursal." Em 01.07.2005, foi prestada a informação fiscal, em atendimento a determinação da extinta r Câmara de Julgamento do Colendo Conselho de Recursos da Previdência Social (fl. 90). Transcreve-se: O presente débito que compreende o período de 01/1999 a 08/2000, relativamente aos trabalhadores remanescentes de Goiás, servidores esses, que por força da Emenda Constitucional n. 20/98, deixaram de pertencer ao Regime Próprio do Estado, passando a segurados obrigatórios do RGPS. Salientamos que em relação a esses servidores o Estado de Tocantins reconheceu o novo enquadramento, tanto que, espontaneamente os declarou na GFIP, a partir da competência 09/2000 e parcelou os débitos, junto ao INSS. Anexo Relatório Demonstrativo da Base de Cálculo do CNISA, competência 09/2000. A Fundação Santa Rita de Cássia, que compunha a estrutura organizacional do Estado, cuidava das ações sociais do governo do estado, até a criação da Secretaria do Trabalho e Ação Social — SETAS, que substituiu a Fundação Santa Rita de Cássia, nos negócios e atividades, incorporando inclusive a maioria dos servidores, sendo extinta a Fundação (Lei 815 de 08 de janeiro de 1996), cópia anexa. O contribuinte foi regularmente intimado apresentou "recurso", às fls. 104/106. É o Relatório. (F?)191 • MF - SEGUNDO Cn` : E : r) IX CONTRIBUINTE? Processo n.° 36200.001423/2005-51 CONFEF1 l):". Z.3 . 5".:G/NAL CCO2/C06 Acórdão n.° 206-00.109 2i1 1001) Fls. 119 Maria de Fatinaceâe Voto Mat. Siape 751683 Conselheiro DANIEL AYRES ICALUME REIS, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo o recurso e dispensado o recolhimento de depósito recursal por ser ente de direito público. Inicialmente, cabe esclarecer que com o advento da Constituição de 1988 tomou-se obrigatório para a administração pública à instituição do Regime Jurídico Único, que deve ser aplicado a todos os servidores efetivos, admitidos através de concurso público. Entretanto, antes da promulgação da CF/88, existiam servidores admitidos na administração pública à luz da Constituição de 1967 (com a redação dada pela Emenda n. 01/69), a qual autorizava o acesso no emprego público, sem concurso. O artigo 19 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias — ADCT considerou como servidores estáveis no serviço público aqueles admitidos antes de 05.10.1983. Já os servidores admitidos entre 05.10.1983 e 05.10.1988 não foram alcançados pelo artigo 19 do ADCT, isto é não foram considerados servidores estáveis/efetivos, mas suas contratações foram consideradas totalmente regulares. Diante disso, verifica-se que existem no quadro do serviço público servidores celetistas não concursados, mas totalmente regulares. Cite-se jurisprudência do Augusto Supremo Tribunal Federal, a respeito da questão, in verbis: "EMENTA: AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. MEDIDA CAUTELAR. CONSTITUãO DO ESTADO DO PARANÁ: § 2° DO ART. 35. LEI ESTADUAL N°10.219, DE 21 DE DEZEMBRO DE 1992: ART. 70 PAR. 2°. SERVIDORES PÚBLICOS ORIUNDOS DO REGIME CELETISTA: CONTAGEM DO TEMPO DE SERVIÇO PRESTADO AO ESTADO: EFETIVIDADE E ESTABILIDADE: DISTINÇÃO. (—). 2. Efetividade e estabilidade. Não há que confundir efetividade com estabilidade. Aquela é atributo do cargo, designando o funcionário desde o instante da nomeação; a estabilidade é aderência, é integração no serviço público depois de preenchidas determinadas condições fixadas em lei, que se adquire pelo decurso de tempo. Precedente: RE n°167.635. 3. O servidor que preenchera as condições exigidas pelo art. 19 do ADCT-CF/88 é estável no cargo para o qual fora contratado pela Administração Pública, mas não é efetivo. Por isso não se equipara ao servidor público efetivo no que concerne aos efeitos legais que dependam da efetividade." (ADIMC n. 1695, Relator Ministro Mauricio Corrêa, Plenário do Supremo Tribunal Federal, DJ de 11.11.1997). (91/ ME , SEGUNDO rn ,•- • • rt nf CONTRIBUINTES CONE; UNa Processo n.°36200.001423/2005-51 Britai/É. a. I, 0 „Ias CCO2/C06 Acórdão n.° 206-00.109 a)e111/ Fls. 120 Maria de Fato. . Camba° Mat. Siape 751683 "EMENTA: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. ESTABILIDADE EXCEPCIONAL: ART. 19 DO ADCT-CF/88. EFETIVIDADE: NECESSIDADE DE CONCURSO PÚBLICO. I. O preceito do art. 19 do ADCT-CF/88 deferiu a estabilidade aos servidores que não foram admitidos no serviço público, na forma do art. 37, II da Carta Federal, mas a efetividade somente se adquire mediante aprovação em concurso público. 2. A Lei estadual n° 11.171, de 10 de abril de 1986, que conferiu estabilidade provisória a agentes públicos, tinha como destinatários os servidores efetivos, em exercício de cargo em comissão por oito anos completos, consecutivos ou não. 3. Promulgada a Constituição Federal de 1988, aos servidores a quem a lei local conferiu o direito excepcional, aplica-se o preceito do art. 19 do ADCT, sendo estáveis no cargo em que se encontravam se preenchidos os seus requisitos, mas tornar-se-ão efetivos somente após aprovação em concurso público. Recurso Extraordinário conhecido e provido." (Recurso Extraordinário n. 181.883, Relator Ministro Maurício Corrêa, 2" Turma do Supremo Tribunal Federal, al de 27.02.1998). Diante disso, patente no presente caso que os servidores são estáveis, mas não efetivos. Por outro lado, mister ressaltar, ainda, que a efetividade só existe com a aprovação em concurso público, nos termos dos artigos 37, caput e inciso II e artigo 40, caput, ambos da Constituição Federal de 1988, que assim dispõem: "Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte. (.). - a investidura em cargo ou emprego público depende de aprovação prévia em concurso público de provas ou de provas e títulos, de acordo com a natureza e a complexidade do cargo ou emprego, na forma prevista em lei, ressalvadas as nomeações para cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração. Art. 40. Aos servidores titulares de cargos efetivos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, incluídas suas autarquias e fundações, é assegurado o regime de previdência de caráter contributivo, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial e o disposto neste artigo." Portanto, procedente é a presente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, porquanto os servidores não são efetivos no serviço público, não podendo estar vinculados ao regime próprio de previdência social, mas sim, ao Regime Geral de Previdência Social. _ _ MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUNin • CONFERE COM O ORIGINAL Processo n.°36200.00142312005-51 t). W013•CCO2/C06 Acórdão n." 206-00.109 $1 Fls. 121 ;4- ~a de Fánn - 1.4141), MM. Siape 731683 Por tais razões, tendo em vista que o Governo do Estado de Tocantins não trouxe aos autos quaisquer elementos que pudessem reformar a r. decisão recorrida, entendo que deve ser julgada procedente a presente NFLD. Por tais razões CONHEÇO DO RECURSO, MAS, NO MÉRITO, NEGO PROVIMENTO. Sala das Sessões, - 20 de novembro de 2007 2YRES/ICALUME REIS Declaração de Voto Conselheira ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Relatora Reporto-me ao relatório do conselheiro relator sr. Daniel Ayres Kalume Reis, que descreve os fatos narrados acrescentando apenas os argumentos apresentados pelo recorrente em sede de recurso. Em síntese o recorrente alega: O objeto desta NFLD coincide com outra NFLD, qual seja a de número 35.495.453-9, o que implica em cobrança em duplicidade; Não deve ser acatada a diligência fiscal realizada pela DRP em cumprimento a determinação da 2' Câmara de Julgamento; A juntada de documentos feita pela notificada em 29/08/2003, não foi devidamente analisada pelo julgador de l' instância, posto que comprova as assertivas do impugnante; Requer seja julgada a inexistência total do débito. É o Relatório. Concordo com o entendimento do Conselheiro representante dos Trabalhadores quanto aos créditos apurados na presente NFLD serem devidos, por ser o débito consubstanciado em remuneração paga a trabalhadores vinculados ao Governo do Estado de Goiás e por não se enquadrarem devidamente em RPPS, passam a partir de 16/12/1998, com o advento da EC n°20 a estar vinculado ao RGPS. (41-. MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIB CONFERE COM O ORIGINAL Processo n.• 36200.001423/2005-51 Radia, 9,1 1001:5 CCO2/C06 Acórdão n.° 206-00.109 Fls. 122t") Maria de Fátima nt'. Mal Siape 751683 No entanto, gostaria de fazer algumas considerações do motivo ao qual solicitei vistas ao processo em questão e porque considerei procedente o presente lançamento fiscal. Em primeiro lugar acredito que a autoridade previdenciária tem sido responsável ao vincular novos segurados ao RGPS, pois simplesmente excluir segurados do RPPS dos Estados e Municípios e atraí-los para o RGPS deixou, a muito tempo, de ser do interesse público. Devemos ter em mente que existe no Brasil atualmente pelo menos dois regimes de previdência igualmente legítimos e válidos, que são o Regime Geral de Previdência Social e os Regimes Próprios de Previdência, podendo estes serem criados no âmbito da União, Estados, Df e Municípios. Também já é do conhecimento de todos que ao figurar na condição de trabalhador empregado, seja nas acepções de servidor público, funcionário público, contratado por prazo determinado, ou quaisquer outros empregados assegurado lhe será o amparo por um regime de previdência, que lhe garanta pelo menos, os benefícios básicos de aposentadoria e pensão. Pela legislação previdenciária vigente não estando o trabalhador devidamente amparado por regime próprio, obrigatória sua filiação ao RGPS. É fato que até a EC n° 20/1998, qualquer tipo de trabalhador poderia estar vinculado ao RPPS, seja na qualidade de servidor efetivo, comissionado, celetista etc, porém após a referida norma constitucional a vinculação aos ditos RPPS ficou adstrita aos servidores efetivos, ou seja, assim considerados aqueles que ingressaram no serviço público mediante concurso público, sendo que, todo o restante dos trabalhadores, passou obrigatoriamente ao RGP S. No entanto, grande foi a discussão em relação aos servidores estáveis não efetivos, tendo em vista que em uma primeira análise, por não se enquadrarem na permissão constitucional de vinculação aos RPPS, excluídos automaticamente estariam, passando a égide do RGPS. Tal posicionamento, um tanto simples, mas lógico vigorou até a publicação do parecer n° CM 030/2002, referente ao processo 00001.005869/2001-20, descrito no voto do conselheiro relator da 2' Câmara que baixou o processo em diligência. Dito parecer, deixou clara a possibilidade de tais servidores — estáveis, não efetivos - estarem amparados pelo RPPS, mesmo depois da EC n. 20/1998. Solucionado estavam parte dos problemas, restando-nos averiguar se a lei que institui o RPPS ampara tais servidores. Trazendo os fatos narrados acima, a NFLD em questão resta-nos identificar se os segurados que constam do relatório fiscal, fls. 21 a 25, estavam devidamente enquadrados no RPPS do Estado do Tocantins. No relatório fiscal, fl. 21 o auditor fiscal, descreve que constituem fatos geradores das contribuições lançadas, as remunerações pagas aos servidores remanescentes de Goiás, não amparados por RPPS, tanto que o próprio contribuinte, fl. 22 reconheceu a vinculação, tentando incluí-los em um parcelamento, mas por falhas operacionais a remuneração dos descritos servidores acabou não contando do referido parcelamento. O recorrente por outro lado resume-se inicialmente em sua impugnação, repetindo os mesmos argumentos quando da interposição do recurso, que a autoridade fiscal áfi " ' " CONTRI=ES Processo n.° 36200.001423/2005-51 k O g) (IPO% CCO2/C06• Acórdão n.° 206-00.109 â9J1/44) Fls. 123 titarla daralho Ma não individualizou as situações, estando constante desta notificação servidores efetivos, estáveis não efetivos e não estáveis, anexando diversas fichas financeiras de servidores que nem ao menos constam da presente NFLD. Além destes argumentos, invoca tratar-se de bitributação por terem os ditos servidores contribuído durante todo o período para o RPPS, não sendo cabível agora retroagir para exigir contribuição para o RGPS. Na verdade, nem os argumentos da autoridade fiscal, nem os do recorrente são suficientes para determinar a procedência ou não do débito. O simples fato do contribuinte declarar servidores em GFIP, ou inclui-los em parcelamento, não os vincula de forma legítima ao RGPS, posto que, se a lei do RPPS amparasse tais servidores, vinculados obrigatoriamente estariam a este regime, portanto, indevidas e incorretas estariam as informações constantes do documento GFIP. A única forma de, neste caso, passarem tais servidores ao amparo do RGPS, seria uma alteração na própria lei do RPPS e não a simples vontade do dirigente público. No entanto, compete neste caso, ao recorrente apresentar os elementos que tornassem válida a vinculação dos ditos servidores ao RPPS, o que não foi feito. Neste caso, as portarias de nomeação dos servidores, as folhas funcionais com o período de prestação de serviços, as folhas de pagamento de todo o período e as leis do regime próprio, inicialmente de Goiás e posteriormente do Estado de Tocantins é que seriam alguns dos instrumentos válidos para determinar a improcedência do lançamento, e não meras alegações. Quanto ao argumento da bitributação, me limito a destacar que se tratam de regimes totalmente distintos, porquanto, com contribuições próprias, e que a inclusão indevida de segurados em qualquer dos regimes não impede a correta vinculação muito menos, a cobrança das contribuições não realizadas em época própria com os devidos juros e multa. CONCLUSÃO: Por todo o exposto, acompanho o voto do conselheiro relator, porém com as considerações acima descritas, CONHECENDO do recurso para no mérito NEGAR-LHE PROVIMENTO, julgando procedente o lançamento efetuado. É COMO voto. e/CLÁJ/ wg " • TINA MONTEIRO E SILVA Page 1 _0006200.PDF Page 1 _0006300.PDF Page 1 _0006400.PDF Page 1 _0006500.PDF Page 1 _0006600.PDF Page 1 _0006700.PDF Page 1 _0006800.PDF Page 1 _0006900.PDF Page 1 _0007000.PDF Page 1
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Numero do processo: 10580.725871/2009-56
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2004, 2005, 2006
IRPF. ABONO PERCEBIDO PELOS INTEGRANTES DA MAGISTRATURA DO ESTADO DA BAHIA (LEI ESTADUAL nº 8.730, de 08 de setembro de 2003)
As verbas percebidas pelos Magistrados do Estado da Bahia, resultantes da diferença apurada na conversão de suas remunerações da URV para o Real, ainda que recebidas em virtude de decisão judicial, têm natureza salarial e, portanto, estão
sujeitas à incidência de Imposto de Renda. Precedentes do C. STJ e deste E. Sodalício.
MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL.
Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte pagadora, que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício.
Numero da decisão: 2802-000.971
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos REJEITAR as preliminares e, no mérito, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para excluir a multa de ofício. Quanto à multa, vencida, em parte, a Conselheira Lúcia Reiko Sakae que afastava a multa de ofício com a aplicação da multa de mora.
Nome do relator: GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ
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ABONO PERCEBIDO PELOS INTEGRANTES DA MAGISTRATURA DO ESTADO DA BAHIA (LEI ESTADUAL nº 8.730, de 08 de setembro de 2003) As verbas percebidas pelos Magistrados do Estado da Bahia, resultantes da diferença apurada na conversão de suas remunerações da URV para o Real, ainda que recebidas em virtude de decisão judicial, têm natureza salarial e, portanto, estão sujeitas à incidência de Imposto de Renda. Precedentes do C. STJ e deste E. Sodalício. MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte pagadora, que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos REJEITAR as preliminares e , no mérito, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para excluir a multa de ofício. Quanto à multa, vencida, em parte, a Conselheira Lúcia Reiko Sakae que afastava a multa de ofício com a aplicação da multa de mora. (assinado digitalmente) Fl. 134DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERN, Assinado digitalmente e m 27/04/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERN, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por JORGE CLA UDIO DUARTE CARDOSO 2 JORGE CLÁUDIO DUARTE CARDOSO Presidente. (assinado digitalmente) GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ Relator. EDITADO EM: 27/04/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martín Fernández, Lucia Reiko Sakae, Carlos Andre Ribas De Mello, Dayse Fernandes Leite, Sidney Ferro Barros. Relatório Pela fidelidade do quanto passado no feito, adoto o relatório elaborado pela d. DRJ, por ocasião do julgamento da Impugnação apresentada: “Tratase de auto de infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF correspondente aos anos calendário de 2004, 2005 e 2006, para exigência de crédito tributário, no valor de R$ (...) incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constantes no auto de infração, o crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Os rendimentos foram recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003. As diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994, conseqüentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento. Na apuração do imposto devido não foram consideradas as diferenças salariais que tinham como origem o décimo terceiro salário, por estarem sujeitas à tributação exclusiva na fonte, nem as que tinham como origem o abono de férias, em atendimento ao despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 16 de novembro de 2006, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 2.140/2006. Foi atendido, também, o despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 11 de maio de 2009, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 287/2009, que dispõe sobre a forma de apuração do imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente. O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal e apresentou impugnação, alegando, em síntese, que: a) não classificou indevidamente os rendimentos recebidos a título de URV, pois o enquadramento de tais rendimentos como isentos de imposto de renda encontrase em perfeita consonância com a legislação instituidora de tal verba indenizatória; b) segundo a legislação que regulamenta o imposto de renda, caberia à fonte pagadora, no caso o Estado da Bahia, e não ao autuado, o dever de retenção do Fl. 135DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERN, Assinado digitalmente e m 27/04/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERN, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por JORGE CLA UDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.725871/200956 Acórdão n.º 280200.971 S2TE02 Fl. 135 3 referido tributo. Portanto, se a fonte pagadora não fez tal retenção, e levou o autuado a informar tal parcela como isenta, não tem este último qualquer responsabilidade pela infração; c) mesmo que tal verba fosse tributável, não caberia a aplicação da multa de ofício, pois o autuado teria cometido erro escusável em razão de ter seguido orientações da fonte pagadora; d) o Ministério da Fazenda, em resposta à Consulta Administrativa feita pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, também, teria manifestadose pela inaplicabilidade da multa de ofício, em razão da flagrante boafé dos autuados, ratificando o entendimento já fixado pelo AdvogadoGeral da União, através da Nota AGU/AV 12/2007. Na referida resposta, o Ministério da Fazenda reconhece o efeito vinculante do comando exarado pelo Advogado Geral da União perante à PGFN e a RFB; e) o lançamento fiscal seria nulo por ter tributado de forma isolada os rendimentos apontados como omitidos, deixando de considerar a totalidade dos rendimentos e deduções cabíveis; f) ainda que o valor decorrente do recebimento da URV em atraso fosse considerado como tributável, não caberia tributar os juros incidentes sobre ele, tendo em vista sua natureza indenizatória; g) em razão da distribuição constitucional das receitas, todo o montante que fosse arrecado a título de imposto de renda incidente sobre os valores pagos a título de URV teriam como destinatário o próprio Estado da Bahia. Assim, se este último classificou legalmente tais pagamentos como indenização, foi porque renunciou ao recebimento; h) é pacífico que a União é parte ilegítima para figurar no pólo passivo da relação processual nos casos em que o servidor deseja obter judicialmente a isenção ou a não incidência do IRRF, posto que além de competir ao Estado tal retenção, é dele a renda proveniente de tal recolhimento. Pelo mesmo motivo, poderia concluirse que a União é parte ilegítima para exigir o referido imposto se o Estado não fizer tal retenção; i) independentemente da controvérsia quanto à competência ou não do Estado da Bahia para regular matéria reservada à Lei Federal, o valor recebido a título de URV tem a natureza indenizatória. Neste sentido já se pronunciou o Supremo Tribunal Federal, o Presidente do Conselho da Justiça Federal, Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, Poder Judiciário de Rondônia, Ministério Publico do Estado do Maranhão, bem como, ilustres doutrinadores; j) o STF, através da Resolução nº 245, de 2002, deixou claro que o abono conferido aos Magistrados Federais em razão das diferenças de URV tem natureza indenizatória, e que por esse motivo não sofre a incidência do imposto de renda. Assim, tributar estes mesmos valores recebidos pelos Magistrados Estaduais constitui violação ao princípio constitucional da isonomia.” Perante o órgão colegiado a quo, a ação fiscal foi julgada procedente e o crédito tributário mantido, sob o fundamento de que as verbas recebidas a título de abono variável, pelos Magistrados do Estado da Bahia, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, por se revestirem de natureza salarial, além de não acolher o pleito subsidiário de exclusão da multa punitiva, por se tratar de aplicação de sanção na qual não haveria de se considerar a intenção do agente na prática infracional. Inconformada, a recorrente interpôs Voluntário com vistas a obter a reforma do julgado, com fulcro nas mesmas razões já apresentadas por ocasião da Impugnação. Era o de essencial a ser relatado. Passo a decidir. Fl. 136DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERN, Assinado digitalmente e m 27/04/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERN, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por JORGE CLA UDIO DUARTE CARDOSO 4 Voto Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández O recurso é tempestivo e atende a todos os requisitos para fins de admissibilidade; por isso, dele conheço. Passo, então, à análise da preliminar argüida. Alega a recorrente em Voluntário, nulidade do lançamento, por não ter a fiscalização apurado corretamente a base de cálculo do imposto. Deveria a fiscalização, no entendimento da recorrente, “(...) ao invés de ter feito lançamentos isolados em cada valor de ´URV` recebido, ter ´refeito` as três DIRFs (2004, 2005 e 2006) da Contribuinte, a fim de apurar, mês a mês, os valores do imposto de renda supostamente devidos em conjunto com os salários auferidos”. (fl. 96 dos autos). Sem razão a recorrente. Conforme razões expostas na decisão ora recorrida e não ilididas pelo contribuinte “(...) o imposto de renda devido foi apurado com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referiam tais rendimentos, conforme dispõe o Parecer PGFN/CRJ nº 287/2009”. Na mesma toada, as alegações de que as diferenças foram tributadas isoladamente, sem que fossem considerados os rendimentos e deduções já declaradas não merecem acolhida. Isto porque, nos respectivos anos calendários (1994 a 2001), as bases de cálculo declaradas já sujeitavam o contribuinte ora recorrente à incidência do imposto de renda em sua alíquota máxima, bem como, já tinham sido aproveitadas as parcelas a deduzir previstas legalmente. Logo, nos termos da decisão guerreada, o “imposto apurado mediante aplicação direta da alíquota máxima sobre os rendimentos omitidos coincide com o imposto apurado com base na tabela progressiva sobre a base de cálculo ajustada em razão da omissão.” Rejeito, pois, a preliminar de nulidade do lançamento. Quanto à alegação de não incidência de IR sobre os juros moratórios/ compensatórios recebidos pela recorrente em virtude de decisão judicial, adoto o entendimento do STJ (REsp 1072609/SC), no sentido de que os juros de mora possuem caráter acessório e devem seguir a mesma sorte da importância principal, de sorte a se tratar de matéria a ser decidida por ocasião da análise da natureza jurídica dos valores referentes ao pagamento da diferença da URV (11,98%). Passo ao mérito. Com a ressalva do meu entendimento pessoal já exposto em julgados anteriores, nos quais decidi pela natureza indenizatória de tais valores, em especial pela existência de lei estadual válida, vigente e eficaz, a assim qualificálos, voto no sentido de acompanhar o entendimento desta C. Turma. Com efeito, em que pese a expressa qualificação legal dada aos rendimentos pela lei baiana, o C. Superior Tribunal de Justiça tem reiteradamente decidido, em casos análogos, que os valores referentes ao pagamento da diferença da URV (11,98%) têm natureza remuneratória, constituindo, assim, fato gerador do imposto de renda, nos termos do art. 43, inciso I, do CTN (RMS nº 19.088/DF, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, DJ de 20/04/2007; RMS nº 19.089/DF, Rel. Min. JOSÉ DELGADO, DJ de 20/02/2006; RMS nº 19.196/MS, Rel. Fl. 137DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERN, Assinado digitalmente e m 27/04/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERN, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por JORGE CLA UDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.725871/200956 Acórdão n.º 280200.971 S2TE02 Fl. 136 5 Min. JOSÉ DELGADO, DJ de 30/05/2005; RMS 27.847/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 03/08/2010, DJe 16/08/2010; AgRg no Ag 1281129/PE, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 22/06/2010, DJe 01/07/2010; ). Esse posicionamento foi reafirmado em recente julgado da Segunda Turma, Relator Ministro Herman Benjamin, cuja ementa é a seguir transcrita: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DIFERENÇA SALARIAL DECORRENTE DA CONVERSÃO DA URV (11,98%). INCIDÊNCIA. 1. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça firmouse no sentido de que as verbas percebidas por servidores públicos resultantes da diferença apurada na conversão de suas remunerações da URV para o Real têm natureza salarial e, portanto, estão sujeitas à incidência de Imposto de Renda e de Contribuição Previdenciária. 2. Agravo Regimental não provido. AgRg no REsp 1235069/MA AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL 2011/00175830. j. em 24/05/2011 . DJe 30/05/2011. Pela clareza do quanto decidido, transcrevo trecho de voto do Ministro José Delgado, no RMS 19.196/MS, a seguir: “8. Inferese dos autos que as quantias foram pagas em razão das diferenças retroativas da URV, devidamente corrigidas pelo IGPMFGV, referentes ao período de 01 de janeiro de 1996 a 31 de dezembro de 2000, que corresponde aos cinco anos anteriores à decisão em que foi reconhecido o pagamento correspondente a 11,98% (onze vírgula noventa e oito por cento) decorrentes da implantação da URV. 9. Ora, vêse claramente que as quantias foram recebidas em decorrência de diferenças não recebidas durante interregno antes mencionado, e que foram recompostas por decisão judicial. 10. Evidente, pois, que tais verbas são derivadas de benefício nitidamente salarial. 11. A incidência da tributação deve obediência estrita ao princípio da legalidade, e, conforme bem esposado pelo Exmo. Des. Relator do acórdão recorrido, a definição prevista no inciso I, do artigo 43 do CTN se subsume ao caso em questão, isto porque, as quantias percebidas pelos recorridos são produto do trabalho, e do trabalho não nascem indenizações. 12. Ademais, o conceito de acréscimos patrimoniais abarca salários e abonos e vantagens pecuniárias.(...)” Logo, ainda que recebidas em virtude de decisão judicial, insuficiente a qualificação de verbas indenizatórias dada pelo art. 5º da Lei Estadual da Bahia nº 8.730/2003, para excluir os rendimentos recebidos (principais e acessórios) da tributação pelo imposto de renda pessoa física, sob pena de ofensa à universalidade a que se refere o § 1o do artigo 43 do CTN (“A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento ...”). Fl. 138DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERN, Assinado digitalmente e m 27/04/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERN, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por JORGE CLA UDIO DUARTE CARDOSO 6 Entretanto, voto pela exclusão da multa de ofício, pelo fato de que o não recolhimento do IRPF se deu pela classificação dada aos rendimentos pelo Tribunal de Justiça do Estado da Bahia. Logo, a exegese da fonte pagadora ao considerar a verba não tributável foi decisiva para a conduta da recorrente, que nada mais fez do que declarar o rendimento de acordo com a mesma natureza atribuída pela fonte pagadora, sem incorrer em qualquer das modalidades de culpa exigidas para a tipificação da conduta infracional. Nesse caso, cabível a exoneração, exclusivamente, da multa de oficio em decorrência do erro escusável induzido pela interpretação errônea dada pela fonte pagadora (processo 17883.000287/200503, rel. Jorge Cláudio Duarte Cardoso). Conforme lição do saudoso Ruy Barbosa Nogueira: "... o que o art. 136, em combinação com o item III do art. 112, deixa claro, é que para a matéria da autoria, imputabilidade ou punibilidade, somente é exigida a intenção ou dolo para os casos das infrações fiscais mais graves e para as quais o texto da lei tenha exigido esse requisito. Para as demais, isto é, não dolosas, é necessário e suficiente um dos três graus de culpa. De tudo isso decorre o princípio fundamental e universal, segundo o qual se não houver dolo nem culpa, não existe infração da legislação tributária." (Ruy Barbosa Nogueira, Curso de Direito Tributário, 14' edição, Ed. Saraiva, 1995, p. 106/107. Destaques meus). No mesmo sentido os seguintes acórdãos deste Sodalício: 10616801, 106 16360 e 19600065, cujas ementas são a seguir reproduzidas: “(...) MULTA DE OFÍCIO EXCLUSÃO Deve ser excluída do lançamento a multa de ofício quando o contribuinte agiu de acordo com orientação emitida pela fonte pagadora, um ente estatal que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos. (...)” (acórdão 10616801, de 06/03/2008, da 6ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes,relator Conselheiro Luiz Antonio de Paula) “ (...) MULTA DE OFICIO CONTRIBUINTE INDUZIDO A ERRO PELA FONTE PAGADORA Não comporta multa de oficio o lançamento constituído com base em valores espontaneamente declarados pelo contribuinte que, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração de rendimentos. (...) (Acórdão n° 10616360, sessão de 23/01/2008, relator o Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos) “ (...) MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte pagadora, um ente estatal que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício.(...)” (acórdão nº 19600065, de 02/12/2008, da 6ª Turma Especial do 1º Conselho de Contribuintes, conselheiro(a) relator(a) Valéria Pestana Marques) Na mesma toada, o C. Superior Tribunal de Justiça, ao admitir a exigência do imposto e a exclusão da multa, em casos semelhantes ao ora posto em julgamento: Fl. 139DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERN, Assinado digitalmente e m 27/04/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERN, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por JORGE CLA UDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.725871/200956 Acórdão n.º 280200.971 S2TE02 Fl. 137 7 RECURSO ESPECIAL . TRIBUTÁRIO. IMPORTÂNCIAS PAGAS EM DECORRÊNCIA DE SENTENÇA TRABALHISTA. IMPOSTO DE RENDA. RESPONSABILIDADE PELA RETENÇÃO E RECOLHIMENTO DO IMPOSTO. AFASTAMENTO DA MULTA PREVISTA NO ART. 4º, INCISO I, DA LEI N. 8218/91. A falta de cumprimento do dever de recolher na fonte, ainda que importe em responsabilidade do retentor omisso, não exclui a obrigação do pagamento pelo contribuinte, que auferiu a renda, de oferecêla à tributação, por ocasião da declaração anual, como aliás, ocorreria se tivesse havido recolhimento na fonte. Em que pese o erro da fonte não constituir fato impeditivo de que se exija a exação daquele que efetivamente obteve acréscimo patrimonial, não se pode chegar ao extremo de, ao afastar a responsabilidade daquela, permitir também a cobrança de multa deste. Recurso especial provido em parte para afastar a multa aplicada. REsp 439142/SC. RECURSO ESPECIAL 2002/00666692, Min Fraciulli Netto, 2ª Turma, DJ 25/04/2005 p. 267.(destaques meus). Ante o exposto, rejeitadas as preliminares argüidas, conheço do recurso voluntário e no mérito lhe dou parcial provimento, para excluir da multa de ofício e por via de conseqüência, da multa moratória, por inexistir conduta infracional punível e por constituir inovação no lançamento. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Fl. 140DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERN, Assinado digitalmente e m 27/04/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERN, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por JORGE CLA UDIO DUARTE CARDOSO 8 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº: 10580.725871/200956 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº 2802000.971. Brasília/DF, 27 de abril de 2012 (assinado digitalmente) JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Presidente Segunda Turma Especial da Segunda Câmara/Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 141DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERN, Assinado digitalmente e m 27/04/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERN, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por JORGE CLA UDIO DUARTE CARDOSO
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