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Numero do processo: 11065.722195/2014-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 31/10/2012
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA 2 DO CARF. APLICAÇÃO.
De conformidade com a Súmula CARF nº 2, este Colegiado não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS - DACON.
O cumprimento das obrigações acessórias fora dos prazos previstos na legislação tributária sujeita o infrator à aplicação das penalidades legais.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-003.959
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 31/10/2012 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA 2 DO CARF. APLICAÇÃO. De conformidade com a Súmula CARF nº 2, este Colegiado não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS - DACON. O cumprimento das obrigações acessórias fora dos prazos previstos na legislação tributária sujeita o infrator à aplicação das penalidades legais. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
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SÚMULA 2 DO CARF. APLICAÇÃO. De conformidade com a Súmula CARF nº 2, este Colegiado não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS DACON. O cumprimento das obrigações acessórias fora dos prazos previstos na legislação tributária sujeita o infrator à aplicação das penalidades legais. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 72 21 95 /2 01 4- 18 Fl. 55DF CARF MF Processo nº 11065.722195/201418 Acórdão n.º 3201003.959 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de Auto de Infração lavrado para se exigir multa por atraso na entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon). A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por meio do acórdão nº 12 076.160, julgou improcedente a Impugnação, sob o entendimento de que, estando a pessoa jurídica obrigada à apresentação do Dacon, o atraso ou a falta no cumprimento dessa obrigação implica, por dever legal, a aplicação da multa correspondente. Irresignado, o contribuinte interpôs, no prazo legal, Recurso Voluntário a este Conselho. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.951, de 21/06/2018, proferido no julgamento do processo 13811.725490/201208, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.951): Preliminarmente, em relação às alegações de inconstitucionalidade tecidas pela recorrente (irrazoabilidade e desproporcionalidade) em sua peça recursal, as afasto em razão da incompetência deste Colegiado para decidir sobre a constitucionalidade da legislação tributária. A matéria é objeto da Súmula CARF nº 2, publicada no DOU de 22/12/2009 a seguir ementada: “Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” Assim, sendo referida súmula de aplicação obrigatória por este colegiado, maiores digressões sobre a matéria são desnecessárias. No que tange ao mérito da questão, tratase no caso, o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais DACON de uma declaração instituída com fundamento no art. 7º da Lei nº 10426/2002, com a redação dada pela Lei nº 11051/2004. Fl. 56DF CARF MF Processo nº 11065.722195/201418 Acórdão n.º 3201003.959 S3C2T1 Fl. 4 3 O dispositivo legal em comento apresenta a seguinte redação: "Art. 7o O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de nãoapresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (...) III de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante da Cofins, ou, na sua falta, da contribuição para o PIS/Pasep, informado no Dacon, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo;" Constatase, então, que a obrigação acessória em apreço possui previsão legal. Estabelece a Instrução Normativa SRF n° 590, de 22 de dezembro de 2005, vigente à época dos fatos, nos arts. 2º e 8º: "Art. 2º A partir do anocalendário de 2006, as pessoas jurídicas de direito privado e as que lhes são equiparadas pela legislação do Imposto de Renda, submetidas à apuração da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), nos regimes cumulativo e nãocumulativo, inclusive aquelas que apuram a Contribuição para o PIS/Pasep com base na folha de salários, deverão apresentar o Dacon Mensal, de forma centralizada pelo estabelecimento matriz, caso esta seja a periodicidade de entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 708, de 09 de janeiro de 2007) § 1º As pessoas jurídicas não enquadradas no caput deste artigo poderão optar pela entrega do Dacon Mensal. § 2º A opção de que trata o § 1º será exercida mediante apresentação do primeiro Dacon, sendo essa opção definitiva e irretratável para todo o ano calendário que contiver o período correspondente ao demonstrativo apresentado. § 3º No caso de ser exercida a opção de que trata o § 1º com a apresentação de Dacon relativo a mês posterior ao primeiro mês de 2006, a pessoa jurídica ficará obrigada à apresentação dos demonstrativos relativos aos meses anteriores. § 4º Na hipótese de que trata o § 3º, será devida a multa pelo atraso na entrega de Dacon referente a mês anterior ao da opção, no caso de apresentação após o prazo fixado." "Art. 8º O Dacon deverá ser apresentado: I pelas pessoas jurídicas de que trata o art. 2º, até o quinto dia útil do segundo mês subseqüente ao mês de referência; II pelas demais pessoas jurídicas: Fl. 57DF CARF MF Processo nº 11065.722195/201418 Acórdão n.º 3201003.959 S3C2T1 Fl. 5 4 a) até o quinto dia útil do mês de outubro de cada anocalendário, no caso de Dacon relativo ao primeiro semestre; e b) até o quinto dia útil do mês de abril de cada anocalendário, no caso de Dacon relativo ao segundo semestre do anocalendário anterior. § 1º Excepcionalmente, em relação ao anocalendário de 2006, a obrigatoriedade de entrega do Dacon, nos prazos estabelecidos nos incisos I e II deste artigo, vigorará a partir do período em que os respectivos programas geradores forem disponibilizados, na forma do art. 7º. § 2º No caso de extinção, incorporação, fusão, cisão parcial ou cisão total, o Dacon deverá ser apresentado pela pessoa jurídica extinta, incorporada, incorporadora, fusionada ou cindida o último dia útil do mês subseqüente ao do evento, observada a excepcionalidade do § 1º deste artigo. § 3º A obrigatoriedade de entrega do Dacon, na forma prevista no § 2º, não se aplica à incorporadora nos casos em que as pessoas jurídicas, incorporadora e incorporada, estejam sob o mesmo controle societário desde o anocalendário anterior ao do evento." No caso dos autos não existe controvérsia acerca dos fatos, no sentido de que o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais – Dacon foi entregue fora do prazo, o que torna cabível a aplicação da multa legalmente prevista, incidente sobre o montante da Cofins informado no Dacon, ainda que tenha sido integralmente pago. Acerta a decisão recorrida ao consignar: "Assim, para o lançamento da multa basta o não cumprimento da obrigação acessória dentro prazo, independentemente de aspectos como falta de profissional especializado, desconhecimento ou não entendimento da legislação, problemas particulares (inclusive com equipamentos de informática e provedor de internet) ou de condição financeira, dano ao erário, culpa ou dolo do sujeito passivo. Notese que quando o contribuinte deixa para cumprir sua obrigação ao final do prazo estipulado, assume o risco de incorrer em problemas particulares que culminam com o não cumprimento de sua obrigação tempestivamente. Portanto, como no presente caso é incontroverso o atraso no cumprimento da obrigação acessória e não há dúvida quanto à interpretação da legislação tributária, correta a exigência da multa legalmente estabelecida." O entendimento do Conselho Administrativo e Recursos Fiscais CARF é no sentido de ser devida a multa pelo atraso na entrega do DACON. Em tal direção, temse os seguintes julgados: "ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2010 DACON. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. CABIMENTO. Irreparável lançamento que exige multa pelo atraso na entrega do Dacon quando se comprova que o contribuinte estava a ela obrigada e que ele foi entregue intempestivamente, em especial se, em sede de Recurso, não há apresentação e qualquer prova em sentido contrário." (Processo nº 16327.002626/200369; Acórdão nº 3802003.388; Relator Conselheiro Bruno Maurício Macedo Curi; Sessão de 24/07/2014) "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2010 Fl. 58DF CARF MF Processo nº 11065.722195/201418 Acórdão n.º 3201003.959 S3C2T1 Fl. 6 5 ANÁLISE CONSTITUCIONALIDADE DE LEI. SÚMULA CARF Nº 2 Ao CARF incumbe a análise em conformidade com a legislação vigente, sendolhe defeso afastar a aplicação da norma ao caso concreto em face de alegada inconstitucionalidade de lei ou decreto (Súmula Carf nº 2). ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2010 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS DACON O cumprimento da obrigação acessória fora dos prazos previstos na legislação tributária, sujeita o infrator à aplicação das penalidades legais. Recurso Voluntário Negado." (Processo nº 10242.000337/201016; Acórdão nº 3302002.666; Relatora Conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó; Sessão de 24/07/2014) "ASSUNTO: MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. Exercício: 2008 Estando o contribuinte obrigado a apresentar o Dacon, a sua entrega fora do prazo enseja a aplicação da multa por descumprimento de obrigação acessória." (Processo nº 13227.000945/200884; Acórdão nº 3202001.224; Relator Conselheiro Luiz Eduardo Garrossino Barbieri; Sessão de 29/05/2013) Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário interposto. Importa registrar que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 59DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.660304/2012-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/06/2012
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE.
Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade.
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA.
Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
Numero da decisão: 3401-004.708
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 30/06/2012 DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
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NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Rosaldo Trevisan Presidente e Relator (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 66 03 04 /2 01 2- 68 Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10880.660304/201268 Acórdão n.º 3401004.708 S3C4T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado. Relatório Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra não homologação de compensação declarada por meio eletrônico (PER/DCOMP), relativamente a um crédito de Cofins, que teria sido recolhido a maior no período de apuração. O Despacho Decisório da DERAT/SÃO PAULO, não homologou o pedido de compensação, sob o fundamento de que, embora localizado o pagamento que deu origem ao suposto crédito original de pagamento indevido ou a maior, o mesmo estava à época do encontro de contas integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados. Notificada da decisão a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade. A DRJ Ribeirão Preto julgou improcedente a impugnação por unanimidade de votos, mantendo o crédito tributário devido. A empresa apresentou recurso voluntário onde somente alega que apesar de ter protestado em sede de impugnação pela falta de motivação do indeferimento no despacho decisório, o acórdão recorrido não demonstrou a motivação, que os atos administrativos devem ser motivados para não ter cerceado seu direito de defesa, não apresentando provas do seu direito. É o relatório. Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10880.660304/201268 Acórdão n.º 3401004.708 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.681, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.660277/201223, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.681): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. A recorrente protesta pela falta de motivação do despacho decisório que indeferiu o seu pedido de compensação. Entendo que o despacho decisório cumpre os requisitos legais e possui todo o escopo necessário ao exercício do contraditório e da ampla defesa pelo contribuinte. Nele está inscrito o enquadramento legal da autuação: Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Também nele encontrase a fundamentação da decisão, ficando claro que o crédito indicado foi localizado, mas já havia sido utilizado para quitação de outros débitos do contribuinte: A análise do direito creditório está limitada ao valor do "crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP, correspondendo a 4.812,66. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Entendo que o prejuízo, se havido, foi provocado pelo próprio contribuinte que deixou de apresentar provas que indicassem que era portador do crédito alegado. Ademais, como bem demonstrado no acórdão recorrido, o crédito já havia sido utilizado e alocado, e apesar de ser o único DARF pago pela empresa no ano de 2012, o mesmo foi utilizado em 193 pedidos de compensação. Esse procedimento utilizado pelo contribuinte, de alocar o mesmo crédito a várias Dcomps enseja a cominação de prestação de informação falsa à RFB já que há um campo na PER/DCOMP onde é perguntado se aquele Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10880.660304/201268 Acórdão n.º 3401004.708 S3C4T1 Fl. 5 4 crédito já foi informado em outro PER/DCOMP e o contribuinte respondeu “NÃO” em todas as declarações. Por ser extremamente didático, reproduzo o acórdão recorrido, em sua íntegra, para que não haja dúvidas quanto as suas conclusões que acompanho: Em preliminar, não merece acolhida a alegação de nulidade do Despacho Decisório, vez que o mesmo apresenta de forma clara e precisa o motivo da não homologação da compensação, qual seja, a inexistência de crédito disponível para a compensação dos débitos informados na DCOMP. O Despacho Decisório preenche todos os requisitos formais e materiais para sua validade, contendo todos os elementos necessários ao exercício do direito de defesa do contribuinte, trazendo em seu bojo, ainda que de forma sintética, a fundamentação legal, a identificação da declaração de compensação enviada pela empresa, a data da transmissão, o tipo de crédito, as características do DARF apontado pela empresa na DCOMP, bem como o período de apuração a que se refere. Por outro lado, os motivos da nãohomologação residem nas próprias declarações e documentos produzidos pela contribuinte. Estas são, portanto, a prova e o motivo do ato administrativo, não podendo a interessada alegar que os desconhecia. Importante fixar que a DCOMP se presta a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro, a quem cabe, portanto, a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. Encontradas conforme, sobrevém a homologação confirmando a extinção. Não confirmadas as informações prestadas pelo declarante, o inverso se verifica. No caso, a contribuinte declarou um débito e apontou um documento de arrecadação como origem do crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte foi realizada também de forma eletrônica, tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, nos sistemas da Receita Federal, embora localizado o DARF do pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente foi totalmente utilizado e alocado aos débitos informados em DCTF, não restando dele o saldo apontado na DCOMP como crédito. Assim, não padece de nulidade o despacho decisório proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pôde exercer o contraditório e a ampla defesa e Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10880.660304/201268 Acórdão n.º 3401004.708 S3C4T1 Fl. 6 5 onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. O débito declarado e pago encontrase em conformidade com a correspondente DCTF, a qual tem seus efeitos determinados pelo § 1º do artigo 5º do Decreto lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, entre eles o da confissão da dívida e o condão de constituir o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco. Quando da transmissão e da análise do PER/DCOMP em tela, o crédito efetivamente não existia, pois o pagamento efetuado estava integralmente alocado ao débito declarado pela própria contribuinte em sua DCTF. Assim sendo, na data da transmissão do PER/ DCOMP a interessada não era detentora de crédito líquido e certo, condição sem a qual não há direito à restituição ou compensação. E não tendo o interessado trazido elementos hábeis a desconstituir a confissão do débito que fez na DCTF, inexiste razão para se reconhecer o pleiteado direito creditório relativo a pagamento pretensamente maior do que o devido, referente ao período de apuração. O extrato abaixo é a DCTF retificadora ativa da contribuinte, referente ao tributo e período em análise. Repare que a contribuinte declara um débito de COFINS em junho de 2012 no valor de R$ 29.148,73 e vincula ao débito um pagamento de R$4.985,20. No quadro abaixo, podemos verificar que o referido pagamento vem de um DARF de R$5.083,90, composto de um valor principal (R$4.985,20) mais multa por atraso (R$98,70). Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10880.660304/201268 Acórdão n.º 3401004.708 S3C4T1 Fl. 7 6 Por sinal, esse foi o único DARF de Cofins pago em 2012 pela empresa, conforme demonstra o extrato abaixo. Impende salientar que, sobre esse alegado crédito de R$ 5.083,90, a contribuinte solicita a homologação de nada menos que 193 pedidos de compensação, todos do mesmo período (2º trimestre de 2012), com mesmo vencimento em 31/07/2012 que, somados, resultam em um valor de R$ 948.369,76, conforme relação abaixo dos processos de PER/DCOMP para o mesmo DARF. .... Agrava o fato de tentar utilizar mais de uma vez o mesmo crédito a prestação de informação falsa, pois no PER/DCOMP há um campo onde é perguntado se aquele crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior já foi informado em outro PER/DCOMP, ao que o contribuinte respondeu “Não” em todos os PER/DCOMP, em infração ao inciso II do § 1º do art. 45 da IN/SRF 1.300, de 20 de novembro de 2012. Pelo exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e no mérito por negarlhe provimento. Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10880.660304/201268 Acórdão n.º 3401004.708 S3C4T1 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 80DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13708.003679/2008-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jul 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/1999 a 31/12/1999
IPI. CRÉDITO. AQUISIÇÕES DE INSUMOS DESONERADOS. INEXISTÊNCIA.
O STF pacificou a controvérsia a respeito do direito ao crédito de IPI de operações com alíquota zero, isentas ou não tributadas nos RE 370.682 e 566.891, decidindo que os contribuintes não fazem jus a tal crédito. No âmbito do CARF, a Súmula n. 18 vai no mesmo sentido, consolidando que a aquisição de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem tributados à alíquota zero não gera crédito de IPI.
SELIC. APLICABILIDADE. SÚMULA CARF N. 4.
Nos termos da Súmula CARF n. 4, aplica-se a SELIC a título de juros moratórios sobre os débitos tributários exigidos a partir de 1º de abril de 1995.
Numero da decisão: 3402-005.382
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente
(assinado digitalmente)
Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ
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CRÉDITO. AQUISIÇÕES DE INSUMOS DESONERADOS. INEXISTÊNCIA. O STF pacificou a controvérsia a respeito do direito ao crédito de IPI de operações com alíquota zero, isentas ou não tributadas nos RE 370.682 e 566.891, decidindo que os contribuintes não fazem jus a tal crédito. No âmbito do CARF, a Súmula n. 18 vai no mesmo sentido, consolidando que “a aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem tributados à alíquota zero não gera crédito de IPI.” SELIC. APLICABILIDADE. SÚMULA CARF N. 4. Nos termos da Súmula CARF n. 4, aplicase a SELIC a título de juros moratórios sobre os débitos tributários exigidos a partir de 1º de abril de 1995. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente (assinado digitalmente) Thais De Laurentiis Galkowicz Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 8. 00 36 79 /2 00 8- 39 Fl. 156DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento ("DRJ") de Juiz de Fora/MG (fls 99 e seguintes), que julgou parcialmente procedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Contribuinte. Por bem consolidar os fatos ocorridos até a decisão da DRJ, colaciono o relatório do Acórdão recorrido in verbis: Em julgamento o auto de infração de fls. 75 a 95, lavrado em decorrência da constatação de falta de lançamento do IPI, nas saídas em que o estabelecimento foi equiparado à industria, e falta de recolhimento e declaração do imposto lançado. Em razão da segunda infração (falta de recolhimento de IPI lançado) os auditores formalizaram a representação fiscal para fins penais, processo 18.471.000418/200478, apenso a este processo. A fiscalização procedeu ao levantamento das saídas (vendas) sujeitas à incidência do imposto, com discriminação dos montantes em IPI Lançado e Não Lançado (fls. 41/74) e compensou com os créditos escriturados no RAIPI e em notas fiscais de entradas. Os valores apurados estão consolidados à fl. 9. Em 28/04/2004, a requerente protocolou a impugnação de fls. 103 a 121. Discorda do lançamento efetuado nos seguintes termos, em síntese: a) que a empresa se dedica também a comercialização de produtos adquiridos de terceiros, e que, nessas operações, não ocorre a equiparação a estabelecimentos industrial; b) solicita, em atendimento ao princípio da nãocumulatividade, que o fisco considere também os créditos decorrentes das aquisições de insumos sem destaque do IPI (MP, PI e ME isentos, nãotributados e tributado à alíquota zero), segundo demonstrativo de fls. 122/124 . c) por último, insurgese contra a ilegalidade da cobrança da Taxa Selic como juros de mora. Visando sanar dúvidas quanto ,as operações em que o estabelecimento fiscalizado foi equiparado a industrial pelos auditores, foi o processo baixado em diligência por intermédio do despacho de fls. 141/142. Em atendimento, foi elaborada a informação de fl. 143 e foram juntados aos autos os documentos que constituíram os Anexos I, II e III. A contribuinte foi Fl. 157DF CARF MF Processo nº 13708.003679/200839 Acórdão n.º 3402005.382 S3C4T2 Fl. 157 3 cientificada dos resultados da diligencia solicitada (fl. 148) sem, contudo, apresentar razões adicionais a impugnação. O julgamento da manifestação de inconformidade resultou no Acórdão da DRJ de Juiz de Fora/MG , cuja ementa segue colacionada abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/1999 a 31/12/1999 EQUIPARAÇÃO A ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL. REVENDAS. Não comprovado nos autos que as revendas de mercadorias são oriundas do retorno da industrialização por encomenda, aliado à existência de aquisições de mercadorias que amparam essas revendas a não Contribuintes do IPI, não há como caracterizar a equiparação, não sendo devido o imposto relativo a essas operações.• ALÍQUOTA APLICÁVEL. Comprovado que a contribuinte tributou suas vendas com base na alíquota aplicável ao produto, vigente a época dos fatos geradores, não há diferença de alíquota a se exigir da empresa. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/1999 a 31/12/1999 FALTA DE RECOLHIMENTO DE IPI LANÇADO E NÃO DECLARADO. Deve ser exigido, mediante lançamento de oficio, os valores do IPI destacados nas notas fiscais de saídas, escriturados no RAIP1, mas cujos saldos devedores não foram recolhidos nem declarados em DCTF. TAXA SELIC. INCONSTITUCIONALIDADE. Descabe a apreciação, no julgamento administrativo, de aspectos relacionados a inconstitucionalidade ou legalidade de taxa de juros exigida com amparo em lei vigente. Irresignada, a Contribuinte recorre a este Conselho por meio de petição de fls 5 a 29, repisando os argumentos de sua impugnação. É o relatório. Voto Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, Relatora Fl. 158DF CARF MF 4 O Recurso Voluntário é tempestivo, o patrono encontrase regularmente constituído nos autos, assim dele tomo conhecimento. Primeiramente, saliento que os valores exonerados pela DRJ (R$ 1.108.234,32) estão abaixo do limite de alçada estabelecido pela Portaria n. 63 do Ministério da Fazenda, de 09 de fevereiro de 2017, não havendo, portanto, recurso de ofício a ser julgado. Quanto ao mérito, conforme se depreende do relato acima, as questões a serem aqui solucionadas são duas: i) o argumento da Recorrente no sentido de que, em atendimento ao princípio da nãocumulatividade, o Fisco deve considerar os créditos decorrentes das aquisições de insumos isentos, nãotributados e tributado à alíquota zero, segundo demonstrativo de fls. 122/124; ii) a ilegalidade da cobrança da Taxa Selic como juros de mora. Com relação aos créditos de IPI, a Recorrente articula que a norma veiculada pelo artigo 153, § 3º, inciso II, da Constituição Federal de 1.988, deve ter seu sentido e alcance extraídos mediante competente processo de interpretação sistemática do ordenamento jurídico constitucional brasileiro, de modo a se assegurar, na íntegra, o direito aos créditos do imposto decorrentes de aquisições de insumos isentos, nãotributados, ou de alíquota zero, para fins de compensação e abatimento em relação valor da exigência fiscal objeto do auto infração. Impossível acolher as alegações da Recorrente neste ponto. O STF pacificou a controvérsia a respeito do direito ao crédito de IPI de operações com alíquota zero, isentas ou não tributadas nos RE 370.682 e 566.891, decidindo que os contribuintes não fazem jus a tal direito ao crédito. No âmbito do CARF temos a Súmula n. 18, que vai no mesmo sentido: A aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem tributados à alíquota zero não gera crédito de IPI. Nestes termos, não acolho as razões da Recorrente neste tópico. No que tange à proposta de inaplicabilidade da taxa Selic, a matéria está consolidada pela no CARF, como se depreende da Súmula n. 4, vazada nos seguintes termos: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Não há dúvidas, portanto, a respeito a validade do auto de infração quando aplicou a taxa Selic ao débito tributário objeto do lançamento. Dispositivo Ex positis, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Thais De Laurentiis Galkowicz Fl. 159DF CARF MF Processo nº 13708.003679/200839 Acórdão n.º 3402005.382 S3C4T2 Fl. 158 5 Fl. 160DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.001723/2006-58
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005
OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO LEGAL. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. MULTA AGRAVADA. IMPOSSIBILIDADE.
O agravamento da multa de ofício, em razão do não atendimento à intimação para prestar esclarecimentos acerca da comprovação da origem dos depósitos, não se aplica aos casos em que a omissão do contribuinte já tenha conseqüências específicas previstas na legislação regente da matéria.
Numero da decisão: 9202-007.001
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10215.720255/2008-96, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005 OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO LEGAL. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. MULTA AGRAVADA. IMPOSSIBILIDADE. O agravamento da multa de ofício, em razão do não atendimento à intimação para prestar esclarecimentos acerca da comprovação da origem dos depósitos, não se aplica aos casos em que a omissão do contribuinte já tenha conseqüências específicas previstas na legislação regente da matéria.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10215.720255/2008-96, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
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PRESUNÇÃO LEGAL. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. MULTA AGRAVADA. IMPOSSIBILIDADE. O agravamento da multa de ofício, em razão do não atendimento à intimação para prestar esclarecimentos acerca da comprovação da origem dos depósitos, não se aplica aos casos em que a omissão do contribuinte já tenha conseqüências específicas previstas na legislação regente da matéria. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10215.720255/200896, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 17 23 /2 00 6- 58 Fl. 338DF CARF MF Processo nº 19515.001723/200658 Acórdão n.º 9202007.001 CSRFT2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional contra o Acórdão de Recurso Voluntário, no qual restou consignada a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006 NULIDADE AUTORIDADE INCOMPETENTE PETERIÇÃO AO DIREITO DE DEFESA MUDANÇA DE MOTIVO DETERMINANTE INOCORRÊNCIA. Conforme art. 59 do Decreto nº 70.235/72, são nulos os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Além do cerceamento á defesa, a mudança do motivo determinante pode ser causadora de nulidade dos atos administrativos. Não havendo qualquer dessas causas, deve ser afasta a arguição de nulidade do feito. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001. A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. OMISSÃO DE RENDIMENTOS PRESUNÇÃO LEGAL DEPÓSITOS BANCÁRIOS FATO GERADOR DO IMPOSTO DE RENDA. Conforme art. 42 da Lei n. 9.430/96, será presumida a omissão de rendimentos toda a vez que o contribuinte, titular da conta bancária, após regular intimação, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores creditados em suas contas de depósito ou de investimento. Em tal técnica de apuração o fato conhecido é a existência de depósitos bancários, que denotam, a priori, omissão de rendimento. MULTA AGRAVADA. DEPÓSITO BANCÁRIO. Indevido o agravamento de multa quando a própria inércia do contribuinte (i) é pressuposto para aplicação da presunção prevista no art. 42 da Lei nº 9430/96 e (ii) não impediu ou dificultou a constituição do crédito tributário. Fl. 339DF CARF MF Processo nº 19515.001723/200658 Acórdão n.º 9202007.001 CSRFT2 Fl. 4 3 EXAME DE INCONSTITUCIONALIDADE IMPOSSIBILIDADE SÚMULA CARF Nº 2. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso voluntário parcialmente provido. O referido Recurso Especial foi admitido, por meio do Despacho de Admissibilidade, para rediscutir a decisão recorrida que descartou a possibilidade de agravamento da multa de ofício, quando a inércia do contribuinte é pressuposto para aplicação da presunção prevista no art. 42 da Lei n.º 9.430, de 1996, e não impede ou dificulta a constituição do crédito tributário. Já os paradigmas consideraram ser aplicável o agravamento da penalidade, sem qualquer ressalva, bastando para isso o desatendimento às intimações fiscais. Aduz a Fazenda, em síntese, que: a) é cediço que a norma ao determinar o agravamento não exige demonstração de prejuízo para a imposição do percentual ali discriminado; b) é de evidência solar que a norma pretende punir o contribuinte que não colabora com o Fisco, consubstanciando materialização do princípio da igualdade; c) efetivo prejuízo não é elemento do art. 44 da Lei nº 9.430/96. Não exige a norma a demonstração da ocorrência do efetivo prejuízo, muito menos que essa demonstração seja realizada pela Fazenda Pública; d) não se pode confundir a existência de presunções legais com a penalidade que é aplicada em razão da inércia do contribuinte em atender às intimações do Fisco no prazo assinado; e) cabível, portanto, o agravamento da multa, devendo prevalecer o entendimento exarado nos acórdãos paradigmas, uma vez que se mostra correto o procedimento adotado pela autoridade fiscal, razão pela qual o lançamento deve ser mantido e o acórdão recorrido reformado. Após a ciência do Contribuinte do teor do Acórdão de Recurso Voluntário e da interposição pela PGFN de Recuso Especial contra o referido Acórdão, foi aberto prazo para o oferecimento de Contrarrazões, mas o sujeito passivo quedouse inerte. É o relatório. Fl. 340DF CARF MF Processo nº 19515.001723/200658 Acórdão n.º 9202007.001 CSRFT2 Fl. 5 4 Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202006.997, de 21/06/2018, proferido no julgamento do processo 10215.720255/200896, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão, quanto à admissibilidade e quanto ao mérito (Acórdão 9202006.997): "Conheço do recurso, pois se encontra tempestivo e presentes os pressupostos de admissibilidade. Conforme narrado, a matéria controvertida, objeto do Recurso Especial sob análise, referese ao agravamento da multa de ofício aplicada, quando há omissão de rendimentos caracterizada por depósitos de origem não comprovada (art. 42 da Lei n.º 9.430/1996). Para a maioria dos julgadores do Acórdão recorrido, a referida presunção legal de omissão de rendimentos transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação da origem dos recursos, dispensando o fisco de provar o fato alegado, razão pela qual inexiste pertinência no agravamento da multa por desatendimento às intimações, pois tal ausência de colaboração não dificulta a constituição do crédito tributário. Por outro lado, a Procuradoria da Fazenda Nacional sustenta que não se pode confundir a existência de presunções legais com a penalidade que é aplicada em razão da inércia do contribuinte em atender às intimações do Fisco no prazo assinado, inexistindo a exigência legal de efetivo prejuízo para o agravamento da multa. Consoante se extrai do relato fiscal, o Contribuinte não respondeu ao Termo de Intimação que determinou a comprovação da origem dos depósitos recebidos em suas contas correntes, concretizandose a presunção de omissão de receitas descrita no art. 42 da Lei n.º 9.430/96. Também, em decorrência do não atendimento da intimação, o imposto apurado foi acrescido da multa de embaraço à fiscalização, definida no inciso I, § 2º, do art. 44 da Lei nº 9.430/96, abaixo transcrito: Fl. 341DF CARF MF Processo nº 19515.001723/200658 Acórdão n.º 9202007.001 CSRFT2 Fl. 6 5 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...). § 2º Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1º deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I prestar esclarecimentos; (...). Com a interpretação finalística da norma regente do tema, depreendese que a possibilidade de agravamento da multa decorre da necessidade de desestimular o comportamento do fiscalizado que se mostre incompatível com a nobreza e imperiosidade das atividades desenvolvidas pela administração tributária, em obediência ao dever de colaboração. Contudo, quando há descumprimento da intimação por parte do Contribuinte, na hipótese específica da aplicação da presunção legal de omissão de rendimentos, no que se refere à demonstração da origem dos depósitos bancários, tal conseqüência mostrase tão gravosa ao contribuinte que o agravamento da multa perde o sentido. Assim, a própria presunção se perfaz em instrumento hábil a desestimular a conduta do sujeito passivo de não colaborar com o fisco, transferindo para ele o ônus da prova, de modo que a omissão de rendimentos, por si só, quando não elidida, consubstanciase em exigência mais severa que o próprio agravamento. Portanto, diante de uma única conduta, ausência de atendimento à intimação fiscal para comprovação da origem dos depósitos, estariam sendo aplicadas duas penalidades: inversão do ônus da prova com a presunção legal de omissão de rendimentos e o agravamento da multa, o que seria, de fato, desarrazoado. Ao meu ver, tendo em vista que não há hierarquia entre princípios, o princípio da legalidade deve ser ponderado com o princípio da razoabilidade, da proporcionalidade e, também, do interesse público, pois a União não tem interesse em invadir a esfera patrimonial do sujeito passivo, de forma desarrazoada, mas sim de arrecadar os tributos devidos e desestimular condutas contrárias ao serviço de arrecadação. Ora, se a simples presunção legal atende ao interesse da Fazenda, não há razão jurídica para a aplicação do agravamento da multa, inclusive, por inexistir prejuízo algum à fiscalização, nesse caso, já que resta afastado o ônus de demonstrar a constituição do crédito. Fl. 342DF CARF MF Processo nº 19515.001723/200658 Acórdão n.º 9202007.001 CSRFT2 Fl. 7 6 Diante do exposto, voto por conhecer do Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional e, no mérito, negarlhe provimento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, nos termos dos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, voto em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 343DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.000353/2008-89
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.
São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos, clínicas e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei.
Há de ser afastada a glosa de despesas médicas, quando o contribuinte apresenta, no processo, documentação suficiente para sua aceitação.
Numero da decisão: 2001-000.108
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
José Ricardo Moreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), José Ricardo Moreira, José Alfredo Duarte Filho e Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: JOSE RICARDO MOREIRA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005 DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos, clínicas e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Há de ser afastada a glosa de despesas médicas, quando o contribuinte apresenta, no processo, documentação suficiente para sua aceitação.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes - Presidente (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), José Ricardo Moreira, José Alfredo Duarte Filho e Fernanda Melo Leal.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1522; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T1 Fl. 2 1 1 S2C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13888.000353/200889 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2001000.108 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 29 de novembro de 2017 Matéria Imposto de Renda Pessoa Física IRPF Recorrente PAULO FERNANDO MACHADO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos, clínicas e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Há de ser afastada a glosa de despesas médicas, quando o contribuinte apresenta, no processo, documentação suficiente para sua aceitação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), José Ricardo Moreira, José Alfredo Duarte Filho e Fernanda Melo Leal. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento (f. 06/12), relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), Exercício de 2005, anocalendário de 2004, onde foram glosadas AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 03 53 /2 00 8- 89 Fl. 114DF CARF MF 2 deduções de despesas médicas no valor de R$ 21.039,43. Foram glosadas também Deduções com Dependentes (R$ 1.272,00), Deduções com Previdência Privada e FAPI (R$ 13.946,52) e Dedução com despesas de Instrução (R$ 1.998,00). As glosas não originaram crédito tributário, mas diminuíram o imposto a restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual. O contribuinte apresentou impugnação (f. 02/05), que foi julgada procedente em parte (tendo sido afastadas as glosas no valor total de R$ 36.810,88), mediante Acórdão da DRJ SÃO PAULO II de f. 86/91. Referido Acórdão afastou integralmente as glosas de deduções com dependentes, com Previdência Privada e FAPI e despesas com instrução, mantendo, parcialmente a glosa de despesas médicas, no valor total de R$ 2.045,07. Cientificado, o interessado apresentou recurso voluntário de f. 96 .Não questiona a totalidade da glosa mantida pela decisão da DRJ Em síntese, solicita a aceitação dos recibos emitidos pela Dra. Nilza de Carvalho Pinto Viegas, no valor total de R$ 1.490,00, cuja glosa foi mantida pela DRJ por não constar nos mesmos o endereço da profissional. Apresenta Declaração emitida pela prestadora do serviço, informando o endereço e suprindo a omissão inicialmente apontada. É o relatório. Voto Conselheiro José Ricardo Moreira Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Despesas de Saúde Segundo a Decisão da DRJ, os Recibos emitidos por Nilza de Carvalho Pinto Viegas não foram aceitos, por não constar, nos mesmos, o endereço da profissional. Com o recurso voluntário, o interessado apresentou Declaração da profissional, suprindo a omissão apontada. Entendo, portanto, que não há como subsistir essa glosa, devendo ser aceitas as despesas no montante de R$ 1.490,00, conforme documentação apresentada. Conforme relatado, o interessado aceitou algumas glosas constantes da Notificação de Lançamento, mantidas na Decisão da DRJ. Tanto que sua insurgência limitou se aos aspectos mencionados acima. Temse, portanto, o reconhecimento de matéria não questionada em relação aos demais aspectos da Notificação de Lançamento, para os quais não houve menção no Recurso Voluntário. Destarte, devem ser restabelecidas as despesas com saúde, no montante de R$ 1,490,00. CONCLUSÃO: Diante de todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, e, no mérito, darlhe provimento, para afastar (além do que já foi reconhecido pela decisão da DRJ) as glosas com plano de saúde, no valor total de R$ 1.490,00, conforme explanado acima. Fl. 115DF CARF MF Processo nº 13888.000353/200889 Acórdão n.º 2001000.108 S2C0T1 Fl. 3 3 (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira Fl. 116DF CARF MF 4 Fl. 117DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13609.901954/2011-03
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 23/07/2003
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA.
É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito pleiteado através de documentos contábeis e fiscais revestidos das formalidades legais.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3002-000.301
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto da Silva Esteves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DA SILVA ESTEVES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 23/07/2003 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito pleiteado através de documentos contábeis e fiscais revestidos das formalidades legais. Recurso Voluntário Negado.
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secao_s : Terceira Seção De Julgamento
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1348; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C0T2 Fl. 56 1 55 S3C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13609.901954/201103 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3002000.301 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 12 de julho de 2018 Matéria DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR COFINS Recorrente CENTRO BRASILEIRO DE EDUCAÇÃO E CULTURA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 23/07/2003 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito pleiteado através de documentos contábeis e fiscais revestidos das formalidades legais. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 9. 90 19 54 /2 01 1- 03 Fl. 63DF CARF MF Processo nº 13609.901954/201103 Acórdão n.º 3002000.301 S3C0T2 Fl. 57 2 Relatório O processo administrativo ora em análise trata do PER/DCOMP 08544.30445.130706.1.3.042580, transmitido em 13/07/2006, cujo crédito teria origem em recolhimento indevido da COFINS. A compensação declarada não foi homologada, conforme Despacho Decisório (fl. 31), pelos seguintes motivos: "No curso da análise do direito creditório, foram detectadas inconsistências, objeto de termo de intimação, não saneadas pelo sujeito passivo. Dessa forma, de acordo com as informações prestadas no documento acima identificado, não foi confirmada a existência do crédito informado, pois o DARF especificado, discriminado no PER/DCOMP, não foi localizado nos sistemas da Receita Federal." Após ser intimada dessa decisão em 17/06/2011, a ora recorrente apresentou tempestivamente Manifestação de Inconformidade (fl. 02), na qual informou que a data correta da arrecadação era 23/07/2003, conforme cópia anexada do DARF autenticado. Em seqüência, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (DRJ/BHE) julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, por decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/04/2003 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Intimada dessa decisão, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fl. 51/52), no qual requereu a reforma do Acórdão recorrido, informando novamente sobre a data correta da arrecadação e alegando que o antigo Conselho de Contribuintes manifestou, por várias vezes, o entendimento a favor da retificação de erros de fato no preenchimento de declarações e formulários entregues à Receita Federal do Brasil e, para comprovar o seu argumento, anexa 7 Acórdãos proferidos pelo Conselho de Contribuintes. É o relatório, em síntese. Fl. 64DF CARF MF Processo nº 13609.901954/201103 Acórdão n.º 3002000.301 S3C0T2 Fl. 58 3 Voto Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves Relator O direito creditório envolvido no presente processo encontrase dentro do limite de alçada das Turmas Extraordinárias, conforme disposto no art. 23B do RICARF. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. De plano, rechaço o argumento sobre a possibilidade da retificação de erros de fato no preenchimento de declarações como razão para a reforma do Acórdão recorrido, tendo em vista que, embora este tenha manifestado o entendimento que tal retificação somente seria possível antes do Despacho Decisório, a motivação para a improcedência da Manifestação de Inconformidade foi a falta de comprovação da liquidez e certeza do crédito, conforme se verifica no seguinte excerto do voto condutor do Acórdão recorrido: "Porém, ainda que se admitisse a retificação da DComp após a ciência do Despacho Decisório, melhor sorte não teria o manifestante, conforme se passa a explicitar. ......................................................................................................... Feitas estas considerações e diante da fragilidade dos argumentos apresentados na manifestação de inconformidade, que se restringiram à indicação da correta data de arrecadação do Darf objeto da DComp, cabe assinalar que também a documentação anexada aos autos pelo manifestante, essencialmente constituída de cópia do estatuto social e contrato social, por si só, não é suficiente para comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior de Cofins. Ou seja, sob qualquer ótica que se faça a análise da manifestação de inconformidade apresentada, não há como reconhecer o direito creditório postulado, lembrando que é condição indispensável para a homologação da compensação pretendida que o crédito do sujeito passivo contra a Fazenda Pública seja líquido e certo (art. 170 do CTN). Essa condição, no presente caso, não se verifica." Assim, entendo que a questão fundamental a ser decidida no presente julgamento se refere ao direito probatório em processos administrativos fiscais. O art. 173 do Código de Processo Civil (CPC) estabelece que o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito, e ao autor, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Ou seja, em regra, incumbe à parte fornecer os elementos de prova das alegações que fizer, visando prover o julgador com os meios necessários para o seu convencimento, quanto à veracidade do fato deduzido como base da sua pretensão. Fl. 65DF CARF MF Processo nº 13609.901954/201103 Acórdão n.º 3002000.301 S3C0T2 Fl. 59 4 Seguindo essa mesma linha, o art. 36 da Lei nº 9.784, de 1999, que regula os processos administrativos federais, dispõe que cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Quanto ao processo administrativo fiscal, o art. 16 do Decreto 70.235/72 assim estabelece: Art. 16. A impugnação mencionará: I omissis ......................................................................................................... III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Inciso com redação dada pela Lei nº 8.748, de 9/12/1993) § 1° omissis ......................................................................................................... § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluíndo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira se a fato ou a direito superveniente; c) destine se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Parágrafo acrescido pela Lei nº 9.532, de 10/12/1997) ......................................................................................................... Como se percebe dos dispositivos transcritos, o dever de provar incumbe a quem alega. Assim, creio que o ônus da prova atua de forma diversa em processos decorrentes de lançamento tributário e processos decorrentes de pedido de restituição, ressarcimento e compensação. Nestes, cabe ao contribuinte provar a liquidez e a certeza do seu crédito, naqueles, cabe ao fisco provar a ocorrência do fato gerador. Por certo, não se pode olvidar do Princípio da Verdade Material, que norteia o processo administrativo, devendo o julgador buscar o esclarecimento dos fatos, adotando as providências necessárias no sentido de firmar sua convicção quanto a verdade real. Contudo, a atuação do julgador somente pode ocorrer de forma subsidiária à atividade probatória, que deve ser desempenhada pelas partes. Assim, não pode o julgador usurpar a competência da autoridade fiscal e intentar produzir provas, que validem um lançamento fiscal fracamente instruído, assim como, lhe é vedado desincumbir, pela sua atuação ativa no processo, o sujeito passivo de trazer aos autos o conjunto probatório mínimo necessário para comprovar o seu direito creditório. Dessa forma, a busca pela verdade material não pode ser entendida como ilimitada. Em realidade, nenhum Princípio é soberano e outros também regem o processo Fl. 66DF CARF MF Processo nº 13609.901954/201103 Acórdão n.º 3002000.301 S3C0T2 Fl. 60 5 administrativo, tais como: os Princípios da Celeridade, Imparcialidade, Eficiência, Moralidade, Legalidade, Segurança Jurídica, dentre outros. Por conseguinte, será lastreado nas circunstâncias fáticas do caso concreto, que o julgador deverá ponderar e sopesar a influência de cada um dos diversos Princípios, visando a maior justeza em seu julgamento. Ainda sobre o mesmo tema, devese tecer alguns comentários sobre o valor probatório do material eventualmente apresentado. Não basta a juntada de documentos, estes devem possuir valor probatório, mínimo que seja, considerandose as vicissitude do caso concreto posto em análise. Assim, determinado documento pode guardar conteúdo probatório das alegações em um processo e, em outro, não se configurar prova. Seguramente, em regra, as declarações fiscais transmitidas pelo contribuinte, assim como, seus registros contábeis, fazem prova em seu favor. Contudo, esses elementos, para possuírem algum valor probatório, devem ter sido elaborados segundo os ditames legais e em época apropriada. Vejamos, por exemplo, a DCTF retificadora. Como vem se manifestando, reiteradamente, este Conselho, a apresentação da DCTF retificadora antes da transmissão do pedido de compensação, em casos de pagamento indevido ou a maior, ou mesmo antes da ciência do Despacho Decisório, não é condição para a homologação da compensação pleiteada, pois o direito creditório não surge com a declaração, mas com o efetivo pagamento indevido ou a maior. Entretanto, a mera apresentação da DCTF retificadora não tem o condão de, por si só, comproválo. No presente caso em análise, a ora recorrente restringiuse apenas a informar a data correta da arrecadação e a juntar cópia do DARF em sua Manifestação de Inconformidade. Ademais, de maneira incompreensível, a recorrente volta a não apresentar nenhuma prova da existência do crédito em sede de Voluntário. Dessarte, forçoso é admitir que a recorrente não se desincumbiu do ônus de provar o seu suposto direito creditório, seja por seus erros anteriores ao Despacho Decisório, seja pela ausência da apresentação de provas robustas da sua liquidez e certeza, tanto na instância a quo, como nesta Corte. Assim sendo, por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário e não reconhecer o direito creditório. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Fl. 67DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.007899/2007-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001
BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO
O sujeito passivo se opõe de maneira genérica ao ato administrativo de lançamento, deixando de contestar, de forma pormenorizada, a sua insurgência contra o levantamento tributário e as explicitações apresentadas quanto às folhas que serviram de base ao lançamento. restaram claramente explicitadas as bases de cálculo tomadas no lançamento.
CORRESPONSABILIDADE. RELATÓRIO DE VÍNCULOS
De acordo com a Súmula CARF nº 88, os nomes relacionados no relatório de vínculos não significa a caracterização da responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas, tendo finalidade meramente informativa.
Numero da decisão: 2401-005.536
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Andréa Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier.
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negar-lhe provimento. (Assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Andréa Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier.
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EXCLUSÃO O sujeito passivo se opõe de maneira genérica ao ato administrativo de lançamento, deixando de contestar, de forma pormenorizada, a sua insurgência contra o levantamento tributário e as explicitações apresentadas quanto às folhas que serviram de base ao lançamento. restaram claramente explicitadas as bases de cálculo tomadas no lançamento. CORRESPONSABILIDADE. RELATÓRIO DE VÍNCULOS De acordo com a Súmula CARF nº 88, os nomes relacionados no relatório de vínculos não significa a caracterização da responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas, tendo finalidade meramente informativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 00 78 99 /2 00 7- 09 Fl. 109DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Andréa Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face do Acórdão nº 0110.752 da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém (PA) – DRJ/BEL (fls. 81/85), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento fiscal, mantendo o crédito tributário exigido, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ÓRGÃO DO PODER PÚBLICO. SERVIDORES TEMPORÁRIOS. ATENDIMENTO DAS FORMALIDADES LEGAIS. Crédito previdenciário constituído dentro das técnicas fiscais e atendendo à legislação previdenciária vigente é plenamente regular, em conformidade com o art. 37, da Lei 8.212/91 e alterações posteriores c/c art. 142 do C.T.N. Ao servidor ocupante, exclusivamente, de cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração bem como de outro cargo temporário ou de emprego público, aplicase o regime geral de previdência social, por força do art. 1º da EC/20/1998, que alterou o art. 40 da Constituição Federal. Lançamento Precedente O presente processo trata da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD n° 35.782.8038 (fl. 02), no montante de R$ 283.593,54, consolidado em 09/12/2005, referentemente às contribuições devidas à Seguridade Social, nas rubricas: Juros, Segurados, Empresa e SAT, correspondente às competências de 04/2001 a 06/2001. Conforme o Relatório da Notificação Fiscal de fls. 30 a 34: · Os fatos geradores do presente lançamento são as remunerações pagas e/ou creditadas aos segurados contratados sob a égide da Lei Estadual n° 2.607, de 28/06/2000, com filiação obrigatória ao Regime Geral de Previdência Social – RGPS; · A NFLD foi lavrada em substituição à NFLD nº 35.546.7259, de 27/06/2003, considerada nula, conforme Decisão Notificação – DN n° 03.40l.4/0238/2005, de 29/06/2005. Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10283.007899/200709 Acórdão n.º 2401005.536 S2C4T1 Fl. 3 3 O Contribuinte tomou ciência da lavratura do Auto de Infração em 13/12/2005 (fl. 02) e, em 23/12/2006, apresentou tempestivamente sua impugnação de fls. 42 a 51, instruída com os documentos de fls. 51 a 62. Diante da impugnação tempestiva, o processo foi encaminhado à Seção do Contencioso Administrativo da DRP/MANAUS, que, em 08/09/2006, emitiu o Despacho de fls. 68/69, determinando a baixa do processo em diligência, para complementação do Relatório Fiscal, de conformidade com o art. 37, da Lei n° 8.212/1991, e reabertura do prazo de 15 (quinze) dias para o Contribuinte apresentar suas alegações. Em atendimento ao referido Despacho, em 30/05/2007, foi emitido o Relatório Fiscal Complementar de fls. 72/73, com reabertura do prazo de impugnação, e o pronunciamento do fiscal de fls. 74/75. O Contribuinte tomou ciência do Relatório Fiscal Complementar em 11/06/2007 (AR – fl. 78) sem, contudo, apresentar aditivo à defesa anteriormente apresentada. O Processo foi encaminhado para a DRJ/BEL para julgamento, onde a 5ª Turma, através do Acórdão nº 0110.752, considerou que o Contribuinte não apresentou provas que elidissem no todo o crédito tributário presente NFLD. Em 14/07/2008 o sujeito passivo tomou ciência do Acórdão exarado pela 5ª Turma da DRJ/BEL (AR – fl. 87) e, tempestivamente, em 24/07/2008 interpôs seu RECURSO VOLUNTÁRIO de fls. 88 a 91, instruído com os documentos de fls. 92 a 106, onde alega que: 1. Na competência 04/01, o pessoal temporário foi classificado como Vínculo “E” e seu respectivo Resumo da Folha, no valor expresso de R$648.269,94, foi composto pelos valores extraídos de duas folhas plenamente identificadas (R$547.743,73 e 100.526,21 Anexo I), sendo as demais folhas de R$73.201,79 e R$80.244,61 (NFLD 35.782.8046) e R$158.702,65 e R$579.705,39, estranhas à sua formação; 2. Inexiste a Coresponsabilidade do Procurador Geral do Estado. Conclui requerendo que o Órgão Julgador conheça do RV e o julgue procedente para o efeito de reformar o lançamento. Subsidiariamente, requereu que fosse julgado parcialmente procedente o RV a fim de excluir da Relação de Coresponsáveis e da Relação de Vínculos o nome do Procurador Geral do Estado. É o relatório. Voto Conselheira Andréa Viana Arrais Egypto Relatora. Fl. 111DF CARF MF 4 Juízo de admissibilidade O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal e atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Mérito Em argumentação recursal o contribuinte aduz que foram consideradas na base de cálculo do lançamento folhas de pagamento estranhas à contabilidade do Estado, bem como requer a exclusão do nome do Procurador Geral do Estado da relação de coresponsáveis e relação de vínculos. Exclusão das folhas de pagamento da base de cálculo Destarte, o Relatório Fiscal (fl. 33) destaca que para a apuração do débito foram examinadas as folhas de pagamento (processadas manualmente) dos segurados com filiação obrigatória ao Regime Geral da Previdência Social (RGPS). Cabe ressaltar que o processo foi convertido em diligência, ocasião em que foram realizados esclarecimentos por parte da fiscalização no que tange à base de cálculo e às folhas de pagamento utilizadas. Seguem trechos a seguir transcritos: 2. A titulo de esclarecimento faço então um paralelo entre as duas Notificações: 2.1. A Base de Cálculo da presente NFLD originouse de duas folhas de pagamentos especiais totalizando R$738.408,04 (setecentos e trinta e oito mil, quatrocentos e oito reais e quatro centavos), discriminadas no Relatório de Lançamento RL, às fls. 06 dos autos, enquanto a Base de Cálculo da NFLD 35.782.8046 teve origem em quatro folhas de pagamentos especiais totalizando R$797.409,02 (setecentos e noventa e sete mil, quatrocentos e nove reais e dois centavos), (vide discriminação no Relatório de Lançamentos RL, às fls. 06 daqueles autos); Nas duas folhas de pagamentos especiais que originaram a presente NFLD foi feito, da remuneração dos segurados, o desconto da contribuição e o devido recolhimento para o RGPS, no valor de R$72.548,21 (setenta e dois mil, quinhentos e quarenta e oito reais e vinte e um centavos), conforme discriminado no Relatório de Lançamentos RL, às fls. 06 dos autos). Porém, nas quatro folhas de pagamentos especiais que originaram a NF LD 35.782.8046 não foi efetuado, da remuneração dos segurados, o desconto da destinada ao Regime Geral da Previdência Social RGPS, tendo a mesma sido calculada a base de 8,00% sobre o montante pago; Os fatos acima apontados levaramnos à lavratura de NFLD distintas. A NFLD 35.782.8038 referente à contribuição do órgão público destinada ao Fundo de Previdência e Assistência Social FPAS e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10283.007899/200709 Acórdão n.º 2401005.536 S2C4T1 Fl. 4 5 decorrentes dos riscos ambientais do trabalho RAT, uma vez que a contribuição descontada dos segurados havia sido devidamente recolhida (item 2 do Relatório Fiscal às fls. 30 dos autos e item 1 acima). Por sua vez na NFLD 35.782.8046 constou a contribuição do órgão público destinada ao Fundo de Previdência e Assistência Social FPAS e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho RAT, bem como a contribuição não descontada dos segregados (item 2 do Relatório Fiscal às fls. 20 daqueles autos), calculada a base de 8,00% sobre o montante pago. 3. Atentese, portanto, de acordo com o explicado acima, que existem seis folhas de pagamentos especiais no mês de 04/2001, duas com desconto das contribuições dos segurados (NFLD 35.782.8038) e quatro sem referido desconto (N FLD 35.782.8046). 4. Tal fato aconteceu porque a SEDUC, adotou como prática, quando da contratação dos servidores temporários, fazer as folhas de pagamento dos primeiros meses de trabalho de forma manual (datilografada), só informando as folhas dos meses seguintes à Empresa de Processamento de Dados do Estado do Amazonas Prodam, para processamento eletrônico. 5. Dessa forma, os servidores contratados anteriormente ao mês 04/2001, só receberam suas remunerações referentes aos meses anteriores (não indicados nas folhas, por isso consideradas como 04/2001) naquela competência e não tiveram descontadas as contribuições devidas ao RGPS. Essas folhas originaram a NFLD 35.782.8046. Das remunerações referentes ao mês de 04/2001 foi efetuado o desconto e o devido recolhimento das contribuições dos segurados para o RGPS. Estas folhas geraram a NFLD 35.782.8038. Consoante se percebe da leitura da peça recursal, o sujeito passivo se opõe de maneira genérica ao ato administrativo de lançamento, deixando de contestar, de forma pormenorizada, a sua insurgência contra o levantamento tributário e as explicitações apresentadas quanto às folhas que serviram de base ao lançamento. Inobstante os esclarecimentos perfectibilizados pela fiscalização, o contribuinte não se insurgiu contra o fato apontado pela fiscalização de que a SEDUC adotava como prática, quando da contratação dos servidores temporários, fazer as folhas de pagamento dos primeiros meses de trabalho de forma manual (datilografada), só informando as folhas dos meses seguintes à Empresa de Processamento de Dados do Estado do Amazonas, razão pela qual os servidores contratados anteriormente ao mês 04/2001, recebiam suas remunerações referentes aos meses anteriores mas não constaram nas folhas, por isso foram consideradas como da competência 04/2001. O Recorrente não apresenta argumentos sólidos para ilidir a acusação fiscal, o que reforça o acerto do lançamento. Dessa forma, restaram claramente explicitadas as bases de cálculo tomadas no lançamento, razão pela qual não acato o pleito do Recorrente quando à exclusão parcial da base indicada, devendo ser mantido o lançamento da forma como efetuado. Fl. 113DF CARF MF 6 Coresponsabilidade e relação de vínculos Requer o Recorrente a exclusão do Procurador Geral do Estado da relação de coresponsáveis do presente lançamento. De acordo com a Súmula CARF nº 88, os nomes relacionados no relatório de vínculos não significa a caracterização da responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas, tendo finalidade meramente informativa. Súmula CARF nº 88: A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais – RepLeg” e a “Relação de Vínculos – VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. Ademais, o lançamento foi constituído exclusivamente em nome da pessoa jurídica do Estado do Amazonas – Secretaria Estadual de Educação, como sujeito passivo tributário, razão pela qual, rejeito a exclusão requerida em virtude da sua finalidade meramente informativa. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário e, no mérito, NEGOLHE PROVIMENTO. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto. Fl. 114DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13811.001900/00-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jul 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/2000 a 30/09/2000
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. DÉBITOS DE TERCEIROS. SISTEMÁTICA ANTERIOR. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE.
Se a nova legislação que instituiu a declaração de compensação veda expressamente a compensação com débitos de terceiros, não ocorre a conversão em declarações de compensação os pedidos de compensação com débitos de terceiros apresentados sob a sistemática anterior à Lei nº 10.637/2002; muito menos a homologação tácita das compensações relativas a esses pedidos.
Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2000 a 30/09/2000
EMPRESAS PRODUTORAS DE BENS DE INFORMÁTICA E AUTOMAÇÃO. ISENÇÃO DO IPI. INVESTIMENTO EM PESQUISA E DESENVOLVIMENTO. NECESSIDADE.
As empresas que tenham como finalidade a produção de bens de informática e automação, para que se beneficiem da isenção de que trata a Lei n.º 8.248, de 1991 deverão cumprir as exigências previstas na legislação pertinente.
Numero da decisão: 3402-005.284
Decisão: Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso, para não reconhecer a homologação tácita dos valores objeto do pedido de compensação, vencidos os Conselheiros Carlos Augusto Daniel Neto (relator), Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Maysa de Sá Pittondo Deligne, que lhe deram provimento, e, por maioria de votos, em não reconhecer o direito do contribuinte ao benefício fiscal instituído pela Lei nº 8.248/91, vencidos os Conselheiros Carlos Augusto Daniel Neto (Relator), Maria Aparecida Martins de Paula e Maysa de Sá Pittondo Deligne. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Pedro de Sousa Bispo.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto - Relator.
(assinado digitalmente)
Pedro Sousa Bispo-Redator Designado.
Participaram do presente julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo e Rodrigo Mineiro Fernandes.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
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INDUSTRIA ELETRONICA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2000 a 30/09/2000 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. DÉBITOS DE TERCEIROS. SISTEMÁTICA ANTERIOR. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Se a nova legislação que instituiu a declaração de compensação veda expressamente a compensação com débitos de terceiros, não ocorre a conversão em declarações de compensação os pedidos de compensação com débitos de terceiros apresentados sob a sistemática anterior à Lei nº 10.637/2002; muito menos a homologação tácita das compensações relativas a esses pedidos. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2000 a 30/09/2000 EMPRESAS PRODUTORAS DE BENS DE INFORMÁTICA E AUTOMAÇÃO. ISENÇÃO DO IPI. INVESTIMENTO EM PESQUISA E DESENVOLVIMENTO. NECESSIDADE. As empresas que tenham como finalidade a produção de bens de informática e automação, para que se beneficiem da isenção de que trata a Lei n.º 8.248, de 1991 deverão cumprir as exigências previstas na legislação pertinente. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso, para não reconhecer a homologação tácita dos valores objeto do AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 1. 00 19 00 /0 0- 17 Fl. 433DF CARF MF 2 pedido de compensação, vencidos os Conselheiros Carlos Augusto Daniel Neto (relator), Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Maysa de Sá Pittondo Deligne, que lhe deram provimento, e, por maioria de votos, em não reconhecer o direito do contribuinte ao benefício fiscal instituído pela Lei nº 8.248/91, vencidos os Conselheiros Carlos Augusto Daniel Neto (Relator), Maria Aparecida Martins de Paula e Maysa de Sá Pittondo Deligne. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Pedro de Sousa Bispo. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Relator. (assinado digitalmente) Pedro Sousa BispoRedator Designado. Participaram do presente julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo e Rodrigo Mineiro Fernandes. Relatório Para bem relatar o feito, faço uso do relatório da decisão recorrida: A contribuinte, hoje denominada M. L. Indústria Eletrônica S/A, solicitou o ressarcimento de IPI (fl. 01), em 10/10/2000, no valor total de R$ 6.379.037,61, referente aos insumos utilizados na fabricação de bens de informática e automação, com amparo no art. 4° da Lei n° 8.248, de 23 de outubro de 1991, no art. 1º § único, do Decreto n° 792, de 2 de abril de 1993, e na Portaria Interministerial MF/MCT n° 273, de 1993, relativamente ao Y trimestrecalendário de 2000. Pedidos de compensação com débitos próprios às fls. 62 e 63, de valores R$ 420.173,61 e R$ 70.154,32, com protocolos de 30/01/2001 e 09/02/2001, respectivamente, e pedido de compensação com débito de terceiro no âmbito do REFIS (optante: Elegê Alimentos S/A, CNPJ 95.813.887/000143) à fl. 50, no importe de R$ 5.884.817,14 e com protocolo de 03/01/2001. A Delegacia da RFB de Administração Tributária (DERAT) em São Paulo, SP, mediante Despacho Decisório, sem data (fls. 95/101), indeferiu o pedido de ressarcimento com base na informação fiscal de fls. 91/92, em que ficou constatado que a interessada não cumprira a obrigação prevista na legislação (Lei n° 8.248, de 23 de outubro de 1991, art. 11; Decreto n° 792, de 1993, art. 7), não tendo a interessada respondido a intimação (fl. 93), lavrada em 07/04/2008 e cientificada em 05/05/2008 (AR de fl. 94), para a comprovação da quitação de débitos de 1997 a 2000, confirmados pelo Oficio/GAB/SEPIN n° 114/2006, da Secretaria de Política de Informática do Ministério da Ciência e Tecnologia (cópia de fls. 89/90), decorrentes da nãorealização, total ou parcial, a qualquer título, de aplicações relativas ao investimento compulsório anual em pesquisa e desenvolvimento tecnológico, ou da adimplência quanto ao parcelamento de que trata o art. 4° da Lei Fl. 434DF CARF MF Processo nº 13811.001900/0017 Acórdão n.º 3402005.284 S3C4T2 Fl. 434 3 n° 11.077, de 30 de dezembro de 2004, e o Decreto n° 6.008, de 29 de dezembro de 2006. A respeito das compensações efetuadas com débitos próprios, houve a homologação por disposição legal, nos termos do § 5° do art. 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com a redação dada pela Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Quanto à compensação de créditos de terceiros no âmbito do REFIS, nos termos do Decreto n° 3.43 1, de 24 de abril de 2000, art. 5% § 6°, e da IN SRF n° 44, de 25 de abril de 2000, art. 2º o pedido de liquidação dos débitos deveria ter sido protocolizado até 30/06/2000, mas foi somente em 03/01/2001 (fl. 50), ou seja, intempestivamente; todavia, de qualquer sorte, sendo inexistente o crédito e indeferido o pedido de ressarcimento, o pedido de compensação de créditos de terceiros segue o mesmo destino: indeferimento. A informação fiscal, de fls. 91/92, referida no ato decisório, se reporta ao Parecer Técnico MCT/SEITEC/CGPI/DPD/054/2004, com cópia autenticada às fls. 75/85, que noticia um saldo residual devedor da aplicação em P & D, para o ano base de 2000, no total de R$ 18.312.157,07. Também mencionados no relatório fiscal e juntados: ofício de fl. 88 em que é concedida a prorrogação para contestação até 15/10/2004; ofício de fls. 89/90 do MCT, de 20/03/2006, em que é informada a existência de saldos devedores em aplicações em pesquisa e desenvolvimento relativos aos anoscalendário de 1997 a 2000, sem que a empresa possa ser considerada inadimplente, pois pode contestar e recorrer e aguarda manifestação oficial quanto a proposta de quitação do saldo devedor. Como já mencionado alhures, a empresa não atendeu intimação de 07/04/2008 para comprovação da quitação dos débitos. Cientificada (sem intimação ou AR nos autos), a postulante apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 119/137, em 07/07/2008, conforme AR nos autos, subscrita pelo respectivo patrono, qualificado no instrumento legal de fl. 139, em que aduz a nulidade da decisão por padecer de vícios formais e materiais, notadamente pela violação do princípio da motivação dos atos administrativos, que causam prejuízo à defesa da requerente, conforme decisão do Conselho de Contribuintes; mesmo que seja superada a preliminar invocada, a requerente sempre esteve habilitada a usufruir dos beneficios assegurados pela lei e • pelo decreto referidos, principalmente a manutenção e utilização dos créditos de IPI em causa, conforme o conteúdo das portarias transcritas (fls. 126/132); não há nenhuma indicação na decisão do documento específico do MCT que justificaria o indeferimento do ressarcimento/compensação e não é citada na decisão a justificativa do ministério que seria relevante para o caso; a interessada teria contestado parecer técnico do ministério e até agora não há uma decisão final do MCT sobre o cumprimento ou não das obrigações legais e, assim, a decisão denegatória é totalmente nula, por ter adotado uma situação precária como definitiva; por fim, requer a anulação do despacho decisório pela preliminar arguida ou pelos motivos de mérito suscitados, com a devolução ao órgão de origem para nova decisão. A empresa Elegê Alimentos S/A, hoje Eleva Alimentos S/A, foi cientificada do indeferimento do pedido de compensação de créditos de terceiros em 11/06/2008 (fl. 104 e 104v). Esta apresentou a contestação de fls. 150/154, em 02/06/2009, nesta DRJ. A DRJ julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, sob fundamento de que a Recorrente não teria regularizado a situação dos débitos de aplicação em P & D em informática e automação perante o MCT, caracterizando a perda do benefício preconizado pelo Decreto nº 792/1993, art.10. Fl. 435DF CARF MF 4 Quanto à compensação de débitos consolidados no Refis com créditos de terceiro, efetuado pela empresa ELEGÊ ALIMENTOS S/A, afirma que a mesma não pode ser homologada por conta do a) afastamento do benefício fiscal; b) pela intempestividade do pedido de compensação de débitos incluídos no Refis, que deveria ter sido apresentado até 30/06/2000, mas foi somente em 03/01/2001); e não conheceu da manifestação trazida aos autos pela ELEGÊ, por carência de legitimidade. Irresignada, a METRON apresentou Recurso Voluntário no qual se insurge contra todos os pontos apresentados na decisão da DRJ, repisando suas razões iniciais. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido por este Colegiado. I) Da Legitimidade da ELEGÊ Em primeiro lugar, há que se apontar um equívoco formal na decisão da DRJ, ao não conhecer da petição apresentada pela ELEGÊ (apesar de ter rebatido seus argumentos em parágrafo próprio da decisão), sob fundamento de ilegitimidade da mesma para se manifestar no presente processo administrativo. A condição de interessado independe do fato da empresa ter sido aquela que transmitiu os pedidos de ressarcimento, nos casos em que a decisão do processo possa afetar direitos seus. Não é outra a dicção expressa da Lei nº 9.784/99, em seu artigo 9º: Art. 9o São legitimados como interessados no processo administrativo: I pessoas físicas ou jurídicas que o iniciem como titulares de direitos ou interesses individuais ou no exercício do direito de representação; II aqueles que, sem terem iniciado o processo, têm direitos ou interesses que possam ser afetados pela decisão a ser adotada; III as organizações e associações representativas, no tocante a direitos e interesses coletivos; IV as pessoas ou as associações legalmente constituídas quanto a direitos ou interesses difusos. [grifos nossos] Como se vê, a legislação regente do PAF prevê expressamente a possibilidade de terceiros, que não deram início ao processo (in casu que não apresentaram pedidos de ressarcimento e compensação), atuarem nos autos em razão da existência de direitos ou interesses potencialmente afetados pelo desfecho do presente processo. Fl. 436DF CARF MF Processo nº 13811.001900/0017 Acórdão n.º 3402005.284 S3C4T2 Fl. 435 5 Tal erro seria suficiente para determinar a reforma da decisão recorrida, de ofício, para que a petição fosse recebida como Manifestação de Inconformidade e de tal forma julgada. Todavia, algumas circunstâncias tornariam despicienda tal providência. Conforme determina o art. 2º, parágrafo único, VIII, da Lei nº 9.784/99, o processo administrativo tem compromisso com a observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados, como forma de garantir que não haja qualquer prejuízo ao direito de defesa e contraditório dos interessados. No presente caso, apesar de expressamente não conhecer a petição do terceiro interessado, a DRJ se manifestou sobre os argumentos carreados na mesma, como se verifica em fl. 297: A compensação de débitos consolidados no REFIS com créditos de terceiro, efetuada pela empresa Elegê Alimentos S/A, à vista do pedido de fl. 50, por seu turno, não pode ser homologada por conta do afastamento do beneficio fiscal, conforme argumentação precedente, e da intempestividade do pedido de compensação de débitos incluídos no REFIS (devia ter sido apresentado até 30/06/2000, mas foi somente em 03/01/2001). Além disso, os argumentos ventilados pela ELEGÊ foram todos abarcados pela manifestação de inconformidade da METRON e reiterados em seu Recurso Voluntário, garantido que a matéria será apreciada por este Colegiado, afastando qualquer prejuízo ao contraditório e à ampla defesa. Desse modo, há que se reconhecer a legitimidade do terceiro interessado para se manifestar nos autos, contribuindo para o contraditório, mas sem necessidade de reforma da decisão recorrida, pelas razões apresentadas acima. II) Da tempestividade do pedido de compensação de débitos incluídos no REFIS Os pedidos de compensação com débitos de terceiros incluídos no REFIS foram negados sob fundamento de intempestividade, afirmando a DRJ que os mesmos deveriam ter sido apresentados até 30/06/2000, mas o foram somente em 03/01/2001. Contrariando o raciocínio da decisão recorrida, consta nos autos o Parecer nº 30, de 25 de Julho de 2001 (fls.14 e ss.), exarado pelo Comitê Gestor do Programa de Recuperação Fiscal, que aduziu: Feito esse esclarecimento inicial, cumpre lembrar que muitos dos atos normativos próprios da Secretaria da Receita Federal atinentes ao Refis foram editados antes da reabertura do prazo de opção pelo Programa. Assim, ao estabelecer prazos nesses atos, vislumbravamse apenas opções efetuadas até 28 de abril de 2000 e, uma vez reaberto o prazo de opção e submetendose os novos optantes às mesmas disposições da lei instituidora do Refis — Lei n 9.964, de 2000 , necessariamente os prazos previstos nas normas de hierarquia inferior deveriam adequar se à situação de inclusão de novos optantes no Programa. (...) Fl. 437DF CARF MF 6 Ora, com a reabertura do prazo de opção em 15 de setembro de 2000, automaticamente , sem que se procedesse a nenhuma alteração da IN SRF n ° 431/00, foi reaberto o prazo para apresentação da Declaração Refis que, vale lembrar, venceu em 12 de fevereiro de 2001. 9. Destarte , considerando que o prazo para protocolização de pedidos de utilização de créditos, de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa da CSLL estava adstrito ao prazo para apresentação da Declaração Refis, também esse prazo, independentemente de alteração normativa, deveria adequar se à nova situação surgida com a Lei nº 10.002, de 2000, pois se assim não o fosse, terseia configurada a impossibilidade material de os optantes do Programa confessarem seus débitos, informarem desistência de litígios, apresentarem prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa da CSLL para utilização na quitação de juros moratórios e multas, etc. 10. Diante disso, considerando que não poderiam os atos normativos inferiores obstar o exercício do direito previsto no supracitado diploma legal, mormente tratandose de cumprimento de obrigação acessória, concluise que devem ser considerados tempestivos os pedidos utilização de créditos, de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa da CSLL, para quitação de juros moratórios e multas, no âmbito do Refis, protocolizados até 12 de fevereiro de 2001. O raciocínio do parecer é de uma obviedade pedestre: a IN SRF nº 44/00 determinou que o prazo para o pedido de liquidação deveria ser protocolizado até 30/06/2000 pois a mesma fora editada sob a égide do Decreto 3431/2000, editado à luz da Lei nº 9964/2000, que instituiu o Refis e estabeleceu aquele prazo. Todavia, com o advento da Lei nº 10.002/2000, que prorrogou o prazo até 12/02/2001, tais disposições infralegais deveriam ter sido alteradas para se conformar ao novo regime legal, mas não o foram (passando a padecer de vício de ilegalidade, caso fossem aplicadas como impeditivo à fruição do novo regime). Tendo em vista que os pedidos de compensação foram apresentados em 03/01/2001, dentro do prazo de validade determinado pela Lei nº 10.002/2000, há que se reconhecer a tempestividade dos pedidos de compensação. Assim, sendo, reconhecida a tempestividade do pedido, é corolário a aplicação do art. 74 da Lei nº 9.430/96, especialmente os §§ 2º, 4º e 5º, verbis: § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. § 4o Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo. § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (grifo nosso) Tendo em vista que o pedido foi protocolado em 03/01/2001, é matemática a conclusão de que à época da intimação do contribuinte do Despacho Decisório, em 11/06/2008, Fl. 438DF CARF MF Processo nº 13811.001900/0017 Acórdão n.º 3402005.284 S3C4T2 Fl. 436 7 já se operara a homologação tácita no prazo de 5 anos, prevista no art. 74, §5º da Lei nº 9.430/96. Desse modo, reconheço a tempestividade dos pedidos de compensação de créditos de terceiros no âmbito do REFIS, e por conseguinte reconhecendo também a homologação tácita dos mesmos, nos termos do art. 74, §5º da Lei nº 9.430/96. III) Do direito de fruição do benefício previsto pelo Decreto n 792/1993 O terceiro ponto diz respeito ao direito ao não do Contribuinte de fruir do benefício fiscal regulamentado pelo Decreto nº 792/1993 e instituído pela Lei nº 8248/1991, que assim dispunha: Dec. 792/93 Art. 4° Para ter direito à fruição dos benefícios previstos nos artigos anteriores, a empresa produtora de bens e serviços de informática e automação deverá requerer ao Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT): I a concessão de incentivo de que trata o art. 1° para os bens de sua fabricação, justificando seu enquadramento nos critérios estabelecidos no art. 6°, § 1°; II a sua habilitação para fruição do incentivo a que se refere o art. 2°, comprovando que atende às condições estabelecidas no art. 12; III a sua habilitação à captação de recursos decorrentes do incentivo previsto no art. 3°, comprovando sua condição de sociedade por ações que preencha os requisitos do art. 1° da Lei n° 8.248/91 e que tenha como atividade, única ou principal, a produção de bens e serviços de informática e automação nos termos do disposto no art. 12. Parágrafo único. Os requerimentos deverão ser elaborados em conformidade com as instruções baixadas pelo MCT. Art. 5° Comprovado o atendimento das condições a que se referem os incisos II e III do artigo anterior, será publicada no Diário Oficial da União portaria conjunta do MCT e Ministério da Fazenda (Minifaz) certificando a habilitação da empresa à fruição do incentivo referido no art. 2° ou à captação dos recursos incentivados previstos no art. 3°. Art. 7° Para fazer jus aos benefícios previstos nos arts. 1° a 3°, as empresas que tenham como finalidade a produção de bens e serviços de informática e automação deverão aplicar, em cada anocalendário, cinco por cento, no mínimo, do seu faturamento bruto decorrente da comercialização, no mercado interno, de bens e serviços de informática e automação, deduzidos os tributos incidentes, em atividades de pesquisa e desenvolvimento em informática e automação a serem realizadas no País, conforme elaborado pelas próprias empresas. 1° No mínimo dois por cento do faturamento bruto mencionado no caput deste artigo deverão ser aplicados, em cada ano Fl. 439DF CARF MF 8 calendário, em convênios, com centros ou institutos de pesquisa ou entidades brasileiras de ensino, oficiais ou reconhecidas, definidos no art. 13. 2° Na eventualidade de a aplicação prevista no caput deste artigo não atingir o mínimo nele fixado e sem prejuízo do disposto no § 1°, o valor residual, corrigido monetariamente e acrescido de doze por cento, deverá ser obrigatoriamente aplicado no anocalendário seguinte, respeitada a aplicação normal correspondente a esse mesmo período. Art. 8° Para fazer jus aos benefícios previstos nos arts. 1° e 2°, as empresas que não preencham os requisitos do art. 1° da Lei n° 8.248/91 deverão realizar programas de efetiva capacitação do seu corpo técnico nas tecnologias de produto e de processo de produção, bem como programas progressivos de exportação de bens e serviços de informática e automação, sem prejuízo do disposto no art. 7°. 1° Para cumprimento do programa de exportação referido no caput deste artigo, a empresa deverá, em cada anocalendário, apresentar balanço comercial positivo, assim entendido como a diferença entre o valor da exportação e da importação de bens e serviços de informática e automação, incluindo suas partes e peças, ou auferir receita de exportação igual, no mínimo, ao valor do incentivo de que trata o art. 1°. 2° Caso a empresa não cumpra o programa de exportação, na forma prevista no parágrafo anterior, o valor residual, corrigido monetariamente e acrescido de doze por cento, será deduzido do resultado do balanço comercial ou da receita de exportação correspondente ao anocalendário subseqüente, sem prejuízo do que dispõe o § 1° deste artigo. Art. 9° A empresa beneficiária deverá, até a data fixada para a entrega da declaração anual, encaminhar ao MCT os relatórios demonstrativos do cumprimento, no ano anterior, das obrigações estabelecidas nos arts. 7° e 8°. 1° As aplicações de que tratam o caput do art. 7° e seu § 1° deverão corresponder ao faturamento ocorrido a partir do início do mês da primeira fruição do benefício até o encerramento do correspondente anocalendário, adotandose esse mesmo período para o balanço comercial de que trata o art. 8°, § 1°. 2° Os relatórios demonstrativos serão apreciados pelo MCT e Minifaz que publicarão o resultado da sua análise no Diário Oficial da União. 3° Além dos relatórios especificados no caput deste artigo a empresa beneficiária deverá enviar ao MCT, no mesmo prazo: a) relatórios demonstrativos do faturamento decorrente da comercialização, no ano anterior, de bens contemplados com o incentivo do art. 1° e do atendimento às condições estabelecidas no art. 6°, § 1°; b) relatórios de execução físicofinanceira das atividades de pesquisa e desenvolvimento realizadas no ano anterior e Fl. 440DF CARF MF Processo nº 13811.001900/0017 Acórdão n.º 3402005.284 S3C4T2 Fl. 437 9 demonstrativo do atendimento às condições estabelecidas no art. 12, se beneficiária do incentivo referido no art. 2°; c) relatórios demonstrativos dos recursos captados no ano anterior e do atendimento às condições a que se refere o art. 4°, III, se habilitada à captação dos recursos de que trata o art. 3°.. 4° Os relatórios referidos neste artigo deverão ser elaborados em conformidade com as instruções baixadas pelo MCT, de acordo com a orientação do Conin. CAPÍTULO IV Das Penalidades Art. 10. A empresa que deixar de atender aos requisitos referidos no art. 4° ou descumprir as exigências estabelecidas nos arts. 7° a 9° perderá o direito à fruição dos benefícios, sem prejuízo do ressarcimento previsto no art. 9° da Lei n° 8.248/91 Posteriormente, com o advento do Decreto nº 3.800/2001, especialmente seu art. 27, foi dada nova regulamentação ao processo de cassação do direito à fruição do benefício fiscal, passandose a exigir a edição de uma portaria conjunta dos Ministros de Estado da Ciência e Tecnologia, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, e da Fazenda, como se vê nos dispositivos abaixo: Art.27.Deverá ser suspensa ou cancelada a concessão do benefício fiscal da empresa que deixar de atender às exigências estabelecidas neste Decreto, sem prejuízo do ressarcimento dos benefícios anteriormente usufruídos, acrescidos de juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e de multas pecuniárias aplicáveis aos débitos fiscais relativos aos tributos da mesma natureza. Parágrafo único.A suspensão ou o cancelamento será realizado por portaria conjunta dos Ministros de Estado da Ciência e Tecnologia, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, e da Fazenda, a ser publicada no Diário Oficial da União. Em primeiro lugar, há que se frisar que durante todo o período em que se apurou os créditos objetos dos pedidos de ressarcimento, a empresa se encontrava plenamente habilitada para a fruição do benefício, habilitação esta comprovada nos autos inclusive até o ano de 2002, conforme portarias conjuntas apresentadas em fls. 148157. Desse modo, uma vez gozado do benefício durante o período de habilitação, a empresa fica sujeita à fiscalização do Ministério da Ciência e Tecnologia que pode, constatado o descumprimento das condições, cancelar o benefício. A fiscalização, ao analisar o caso, solicitou ao MCT manifestação acerca da situação atual da Recorrente acerca da sua inadimplência ou não que resultou no ofício de fl.112, cuja conclusão foi a seguinte: Fl. 441DF CARF MF 10 Ou seja, o órgão responsável por cassar o benefício reconheceu expressamente que a Recorrente NÃO pode ser considerada inadimplente, em qualquer período, por ainda não haver decisão definitiva acerca da análise de seus Relatórios Demonstrativos e ainda não haver manifestação oficial sobre a proposta de quitação do saldo devedor desta, elaborada com fundamento na Lei nº 11.077/2004. O fiscal responsável pelo parecer denegatório do direito ao ressarcimento resolveu, sponte propria, desconsiderar a manifestação oficial do órgão responsável pela manutenção ou cassação do benefício e, ele mesmo, desconsiderar o crédito que fazia jus a Recorrente, por estar habilitada no programa de incentivo. Ou seja, não há a perda automática do benefício, como quis dar a entender a decisão recorrida. Pelo contrário, ela dependia de uma manifestação expressa do MCT único órgão responsável pela fiscalização do cumprimento das condições de fruição e à partir do Decreto nº 3800/2001, passou a exigir que a cassação do benefício fosse realizada por meio de portaria conjunta dos Ministros de Estado da Ciência e Tecnologia, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, e da Fazenda, a ser publicada no Diário Oficial da União (condição esta que retroage aos fatos anteriores, em razão dos mesmos não terem sido ainda definitivamente analisados no âmbito desses ministérios). Assim, sendo, resta claro que a Recorrente se encontra no pleno gozo dos benefícios fiscais, fazendo jus ao ressarcimento pleiteado. IV) Dispositivo Ante o exposto, voto por DAR PROVIMENTO INTEGRAL ao Recurso Voluntário para: I) Reconhecer a tempestividade dos pedidos de compensação de créditos de terceiros no âmbito do REFIS, e por conseguinte reconhecendo também a homologação tácita dos mesmos, nos termos do art. 74, §5º da Lei nº 9.430/96. II) Reconhecer o direito do contribuinte ao benefício fiscal instituído pela Lei nº 8.248/91, e regulamentada pelos Decretos posteriores. É como voto. (assinado digitalmente) Fl. 442DF CARF MF Processo nº 13811.001900/0017 Acórdão n.º 3402005.284 S3C4T2 Fl. 438 11 Carlos Augusto Daniel Neto Fl. 443DF CARF MF 12 Voto Vencedor Conselheiro Pedro Sousa Bispo Redator Designado. No julgamento do Recurso Voluntário, o Colegiado discordou do Ilustre Relator quanto ao seu entendimento de ocorrência de homologação tácita de pedidos de compensação com débitos de terceiros, no qual restou vencido por voto de qualidade, e quanto ao reconhecimento do direito do Contribuinte ao benefício fiscal instituído pela Lei nº8.248/91, vencido por maioria dos votos. Fui então designado pelo Presidente para redigir o voto vencedor, pelo que passo a analisar a questão. I) Homologação tácita de pedidos de compensação com débitos de terceiros A turma, por voto de qualidade, firmou o entendimento de que a nova legislação que instituiu a declaração de compensação vedou expressamente a compensação com débitos de terceiros. Em consequência, os pedidos de compensação com débitos de terceiros apresentados sob a sistemática anterior à Lei nº 10.637/2002 não se converteram em declarações de compensação, nem tampouco a homologação tácita das compensações relativas a esses pedidos. Nesse sentido, também entendeu a Ilustre Conselheira Maria Aparecida de Paula em voto proferido no acórdão nº 3402004.757, sessão de julgamento ocorrida em 24 de outubro de 2017, cujas razões de decidir adoto com relação ao tema no presente voto. Transcrevese o conteúdo do voto, a seguir: Esclarecido esse ponto, resta agora analisar a alegação da recorrente de que teria havido a homologação tácita nas compensações ainda não homologadas pela DRF ou DRJ. Na redação original do art. 74 da Lei nº 9.430/96 a norma que regulava a compensação determinava que a compensação seria efetuada por requerimento do sujeito passivo e autorização expressa da autoridade administrativa, nesses termos: "Art. 74. Observado o disposto no artigo anterior, a Secretaria da Receita Federal, atendendo a requerimento do contribuinte, poderá autorizar a utilização de créditos a serem a ele restituídos ou ressarcidos para a quitação de quaisquer tributos e contribuições sob sua administração". A Declaração de Compensação veio surgir somente com a alteração dada pela Lei nº 10.637/2002, fruto da conversão em lei da Medida Provisória nº 66/2002, que alterou o art. 74 na seguinte forma: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) [negritei] § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) Fl. 444DF CARF MF Processo nº 13811.001900/0017 Acórdão n.º 3402005.284 S3C4T2 Fl. 439 13 § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) (...) § 4o Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) (...) Em cotejo da redação original do caput do art. 74 da Lei nº 9.430/96 com aquela dada pela Lei nº 10.637/2002, observase que somente a partir desta última passou a existir a vedação expressa à compensação com débitos de terceiros. Do que se depreende que a nova sistemática das declarações de compensação somente passou a ser aplicável às compensações com débitos próprios da contribuinte. Posteriormente foi criada a figura da homologação tácita das compensações declaradas pelo art. 17 da Lei nº 10.833, publicada em 30/12/2003, por conversão da Medida Provisória nº 135/2003, que deu nova redação ao §5º do art. 74 da Lei nº 9.430/96, nesses termos: "§ 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação". [negritei] Dessa forma, a homologação tácita somente pode ser aplicada às compensações declaradas, quais sejam, tanto aquelas que foram apresentadas sob a nova sistemática como aquelas apresentadas como pedidos de compensação que puderam ser convertidas em declarações de compensação, dentre as quais não se incluem os pedidos de compensação com débitos de terceiros, expressamente vedados pelo caput do art. 74 da Lei nº 9.430/96, na redação dada pela Lei nº 10.637/2002. Nesse sentido, manifestouse a Procuradoria da Fazenda Nacional no Parecer PGFN/CAT nº 1499, de 2005: (...) V – COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DE TERCEIRO – PEDIDOS PENDENTES DE APRECIAÇÃO NÃO SÃO CONVERTIDOS EM DCOMPS 38. Partindo do disposto no tópico anterior, é de se perquirir: e os pedidos de compensação com créditos de terceiro que, quando da entrada em vigor da Lei nº 10.637/02 (que incluiu o §4º ao art. 74 da Lei nº 9.430/96), encontravamse pendentes de análise pela SRF, estão sujeitos à nova disciplina da “declaração de compensação”? 39. Ora, partindo do pressuposto de que a compensação com créditos de terceiro afigurase como exceção, vedada expressamente pela legislação em vigor, e do fato de o sujeito passivo apenas poder contrapor seu crédito líquido e certo ao crédito fiscal, como direito subjetivo público seu, no caso de existir norma legal autorizadora do encontro de contas e, ainda, submetendose ele aos requisitos de condições e garantias estipulados pela lei específica, é de se entender que os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa só podem ser considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, se observadas todas as Fl. 445DF CARF MF 14 demais condições estabelecidas na lei nº 9.430/96 e legislação correlata. 40. Assim, os pedidos administrativos de compensação, fundados em créditos de terceiro, pendentes de análise pela SRF (RFB), protocolados antes das inovações legislativas acerca da matéria (Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03), não são alcançados pela nova sistemática da declaração de compensação. 41. Com efeito, o precitado art. 74 da Lei nº 9.430/96, na redação dada pelo art. 49 da Lei nº 10.637/02, ao instituir a “declaração de compensação”, expressamente previu que a mesma só poderia ser prestada pelo próprio detentor do crédito contra o Fisco, ou seja, para que a “declaração de compensação” feita à Secretaria da Receita Federal extinga o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação (art. 74, § 2º, da Lei nº 9.430/96), mister se faz que o contribuinte utilizese de créditos próprios. 42. Se não existe “declaração de compensação” com créditos de terceiro, por óbvio, os pedidos de compensação com créditos que não pertençam ao próprio contribuinte, mesmo que pendentes de análise por parte da RFB, não podem transmudarse naquela. 43. E mais, permanecendo como pedidos de compensação, não estão sujeitos à nova sistemática instituída para a compensação. 44. Tal entendimento decorre, inclusive, de uma interpretação sistemática das regras jurídicas encartadas na Lei nº 9.430/96, com a redação dada pelas Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, ou seja, do confronto entre as regras contidas nesse diploma legal, bem como entre essas regras e as demais que tratam do instituto da compensação. 45. Dito isso, concluise, desde já, que o novel regime da compensação, que é realizada por meio de declaração (DCOMP) prestada à SRF (hoje RFB), não alcança, sob hipótese alguma, os casos de compensação com créditos de terceira pessoa. 46. Não podendo o novo regime instituído para a compensação ser desmembrado, de maneira que apenas alguns de seus postulados sejam cumpridos, em detrimento de outros, é evidente a inaplicabilidade das novas disposições sobre a compensação aos encontros de contas daquela natureza. 47. Resumindo, o encontro de contas pleiteado deve ser analisado de acordo com as normas anteriores, que previam a utilização de créditos de terceiro, não se aplicando, inclusive, a conversão do “pedido de compensação” em “declaração de compensação” (com a extinção automática do crédito tributário), e nem mesmo, por conseqüência, o prazo previsto no § 5º, do art. 74, da lei nº 9.430/96 para homologação da compensação (cinco anos). 48. Não se afigura correto, pois, a conversão dos pedidos de compensação desse jaez (com créditos de terceiros) em declarações de compensação, por total ausência de previsão legal para tanto. 49. E mais, por também não observarem as condições estabelecidas no art. 74 da Lei nº 9.430/96 (com a redação dada pela MP nº 66/02), resta claro que não podem ser convertidos em declaração de compensação os pedidos de compensação pendentes de apreciação, quando fundados em créditos que se refiram a “créditoprêmio” instituído pelo art. 1º do DecretoLei nº 491, de 05 de março de 1969; ou que se refiram a títulos Fl. 446DF CARF MF Processo nº 13811.001900/0017 Acórdão n.º 3402005.284 S3C4T2 Fl. 440 15 públicos; ou sejam decorrentes de decisão judicial não transitada em julgado; ou não se refiram a tributos ou contribuições administrados pela SRF. Aplicase, pois, o entendimento retro exposto. (...) Neste CARF há várias decisões que corroboram a tese de que os pedidos de compensação pendentes de análise com débitos de terceiros não se convertem em declarações de compensação e, portanto, não são objeto de homologação tácita, conforme se vê abaixo: HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO COM DÉBITOS DE TERCEIROS. INAPLICABILIDADE. Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa só podem ser convertidos em declaração de compensação, desde o seu protocolo, caso sejam observadas todas as demais condições estabelecidas na Lei nº 9.430/96 e legislação correlata. Nesse sentido, os pedidos de compensação no qual se utiliza crédito para extinguir débitos de terceiros, pendentes de análise pela Receita Federal, protocolados antes das inovações legislativas acerca da matéria por meio da MP nº 66, de 2002 e das Leis nº 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, não são alcançados pela nova sistemática da declaração de compensação, razão pela qual não recai sobre o Fisco a homologação tácita. (Acórdão nº 1103000.941– 1ª Câmara / 3ª Turma Ordinária, de 09 de outubro de 2013, relator André Mendes de Moura) PEDIDO DE COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DE TERCEIROS. AUSÊNCIA DE CONVERSÃO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. À luz do art. 74, caput e §§ 4º e 5º, da Lei nº 9.430/96, na redação dada pela Lei nº 10.637/2002, os pedidos de compensação de créditos de terceiros não se convertem em Declaração de Compensação e nem se submetem ao regime da homologação tácita, pois tais permissivos legais somente abrangem os pedidos de compensação de débitos e créditos próprios. (Acórdão nº 2102002336, de 17 de outubro de 2012, relatora Núbia Matos Moura) PRELIMINAR DE HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO COM DÉBITOS DE TERCEIROS. DESCABIMENTO. Não se equiparando os pedidos de compensação com débitos de terceiros a Declarações de Compensação, não se lhes aplica o prazo para homologação tácita da compensação declarada pelo sujeito passivo. (Acórdão nº 1803001.511, sessão de 02 de outubro de 2012, relatora Selene Ferreira de Moraes) COMPENSAÇÃO – PEDIDOS PENDENTES DE APRECIAÇÃO. Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pelas autoridades administrativa serão considerados declaração de compensação desde o seu protocolo, quando se refiram a Fl. 447DF CARF MF 16 créditos e débitos próprios, não se aplicando no caso de débitos de terceiros que tem tratamento específico. (Art. 74 da Lei 9.430/96 com a redação dada pela Lei 10.637/2002 c/c IN SRF 21/97 art. 15 § 1º). (Acórdão nº 140200335, sessão de 14 de dezembro de 2010, relator Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira) Dessa forma, correto o indeferimento dos pedidos de compensações com débitos de terceiros apresentados sob a sistemática anterior à Lei nº 10.637/2002. II) Do direito de fruição do benefício instituído pela Lei nº 8.248/1991 Quanto a esse tema, a turma entendeu que ficou comprovado nos autos que a empresa não atendeu as condições e requisitos previstos na Lei nº8.248/91 e no Decreto nº792/93, o que impossibilita o ressarcimento do crédito de IPI decorrente da utilização do mencionado benefício fiscal. Inferese que o ponto central da controvérsia circunscrevese a questão atinente à comprovação dos requisitos e condições fixados no art. 11 da Lei n° 8.248, de 1991, e nos arts. 4º, 7º e 8º do Decreto n° 792, de 1993, para fins de usufruir do benefício fiscal. Cabe informar inicialmente que os valores de crédito de IPI envolvidos nos Pedidos de Ressarcimento referemse a manutenção e utilização de crédito do IPI relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, empregados na fabricação dos bens de informática e automação fabricados no País, com o benefício fiscal, instituído no art. 1º da Lei nº 8.191, de 1991, combinado com disposto no art. 4º da Lei nº 8.248, de 1991, vigentes na data dos fatos, in verbis: Lei nº 8.248, de 1991: Art. 1° Fica instituída isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) aos equipamentos , máquinas, aparelhos e instrumentos novos, inclusive aos de automação industrial e de processamento de dados, importados ou de fabricação nacional, bem como respectivos acessórios, sobressalentes e ferramentas, até 31 de março de 1993. (...) § 2° São asseguradas a manutenção e a utilização do crédito do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, empregados na industrialização dos bens de que trata este artigo. (...) Art. 4º Para as empresas que cumprirem as exigências para o gozo de benefícios, definidos nesta lei, e, somente para os bens de informática e automação fabricados no País, com níveis de valor agregado local compatíveis com as características de cada produto, serão estendidos pelo prazo de sete anos, a partir de 29 de outubro de 1992, os benefícios de que trata a Lei nº 8.191, de 11 de junho de 1991. Parágrafo único. A relação dos bens de que trata este artigo será definida pelo Poder Executivo, por proposta do Conin, tendo como critério, além do valor agregado local, indicadores Fl. 448DF CARF MF Processo nº 13811.001900/0017 Acórdão n.º 3402005.284 S3C4T2 Fl. 441 17 de capacitação tecnológica, preço, qualidade e competitividade internacional. (...) (negritos nossos) As exigências para fruição do benefício fiscal foram estabelecidas no art.11 do indigitado mandamento legal, in verbis: Art. 11. Para fazer jus aos benefícios previstos nesta lei, as empresas que tenham como finalidade a produção de bens e serviços de informática deverão aplicar, anualmente, no mínimo 5% (cinco por cento) do seu faturamento bruto no mercado interno decorrente da comercialização de bens e serviços de informática (deduzidos os tributos correspondentes a tais comercializações), em atividades de pesquisas e desenvolvimento a serem realizadas no País, conforme projeto elaborado pelas próprias empresas. Parágrafo único. No mínimo 2% (dois por cento) do faturamento bruto mencionado no caput deste artigo deverão ser aplicados em convênio com centros ou institutos de pesquisa ou entidades brasileiras de ensino, oficiais ou reconhecidas. O artigo acima transcrito teve a sua regulamentação operada no art. 9º do Decreto nº792, 1993, que fixou os documentos, os prazos e as condições, para fins de comprovação das obrigações perante o Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), nos termos a seguir a expostos: Art. 9° A empresa beneficiária deverá, até a data fixada para a entrega da declaração anual, encaminhar ao MCT os relatórios demonstrativos do cumprimento, no ano anterior, das obrigações estabelecidas nos arts. 7° e 8°. § 1° As aplicações de que tratam o caput do art. 7° e seu § 1° deverão corresponder ao faturamento ocorrido a partir do início do mês da primeira fruição do benefício até o encerramento do correspondente ano calendário, adotandose esse mesmo período para o balanço comercial de que trata o art. 8°, § 1°. § 2° Os relatórios demonstrativos serão apreciados pelo MCT e Minifaz que publicarão o resultado da sua análise no Diário Oficial da União. § 3° Além dos relatórios especificados no caput deste artigo a empresa beneficiária deverá enviar ao MCT, no mesmo prazo: a) relatórios demonstrativos do faturamento decorrente da comercialização, no ano anterior, de bens contemplados com o incentivo do art. 1° e do atendimento às condições estabelecidas no art. 6°, § 1°; b) relatórios de execução físicofinanceira das atividades de pesquisa e desenvolvimento realizadas no ano anterior e Fl. 449DF CARF MF 18 demonstrativo do atendimento às condições estabelecidas no art.12, se beneficiária do incentivo referido no art. 2°; c) relatórios demonstrativos dos recursos captados no ano anterior e do atendimento às condições a que se refere o art. 4°, III, se habilitada à captação dos recursos de que trata o art. 3°. § 4° Os relatórios referidos neste artigo deverão ser elaborados em conformidade com as instruções baixadas pelo MCT, de acordo com a orientação do Conin. (negritos nossos) Em seguida, em seu art.10, o referido Decreto fixa as consequências para o descumprimento das condições estabelecidas no art.9º, com o seguinte conteúdo: Art. 10. A empresa que deixar de atender aos requisitos referidos no art. 4° ou descumprir as exigências estabelecidas nos arts. 7° a 9° perderá o direito à fruição dos benefícios, sem prejuízo do ressarcimento previsto no art. 9° da Lei n° 8.248/91. (negrito nosso) Consta nos autos que a Fiscalização solicitou informações acerca do cumprimento das condições do benefício fiscal em comento ao Ministério da Ciência e Tecnologia. Em resposta, por meio do Oficio/GAB/SEPIN n° 114/2006, a Secretaria de Política de Informática do Ministério da Ciência e Tecnologia (fls. 89/90), informou que a empresa possui saldos devedores em aplicações em pesquisa e desenvolvimento relativos aos anos de 1997 a 2000, havendo descumprimento do artigo 11 da Lei nº 8.248, de 1991. Tal informação foi originada do PARECER TÉCNICO MCT/SEITEC/CGPI/DPD/054/2004, no qual foi feita a análise do relatório demonstrativo de quitação do saldo devedor da aplicação em pesquisa e desenvolvimento.previsto na Lei n° 8.248/91 e Decreto n° 792/93. Sobre a análise efetuada, o Parecerista assim concluiu: Face ao exposto anteriormente, concluise que: a) a beneficiária não quitou a dívida do exercício de 2000 referente a aplicações em P&D, infringindo o disposto no art. 7 2, .§.22, do Decreto.792/93, portanto fica sujeita à sanção do ressarcimento dos incentivos usufruídos prevista no art. 9 0 da Lei 8.248/91, caso não regularize sua situação; •b) a empresa manteve a certificação NBR ISO 9001 para o seu Sistema da Qualidade; c) o saldo residual devedor da aplicação em P&D, correspondente ao ano base de 2000, totalizou R$ . ,18.312.157,07, dos quais R$ 7.227.202,50 referente a aplicações em. convênios com instituições de ensino e pesquisa que atendem ao art. 13 do Decreto 792/93. Em sua defesa, a Recorrente alega que não poderia sofrer sanções pelo descumprimento das condições impostas pelo art.11 da Lei n° 8.248/91, tendo em vista que os resultados apurados no citado parecer estão sendo objeto de questionamento no Ministério da Tecnologia, não tendo esse órgão ainda emitido uma decisão definitiva. Segundo seu entendimento, a perda dos benefícios do Decreto n°792/93 só poderá ocorrer com a decisão final do Ministério quanto a cassação do benefício, o que não ocorreu até o presente momento. Fl. 450DF CARF MF Processo nº 13811.001900/0017 Acórdão n.º 3402005.284 S3C4T2 Fl. 442 19 Entendo que a decisão final do Ministério da Ciência e Tecnologia a respeito da contestação da empresa não parece ser condição impeditiva prevista em lei para a Autoridade Tributária se pronunciar sobre a procedência do pedido de ressarcimento do Contribuinte. Embora o Ministério de Ciência e Tecnologia tenha a competência legal para a concessão do incentivo, a competência para fiscalizar, analisar créditos e constituir o crédito tributário de IPI envolvido no benefício fiscal, no caso de descumprimento dos requisitos a que se obrigou o beneficiário, é da Secretaria da Receita Federal. O próprio art.11 do Decreto nº792/93 estabelece ressalva de que a competência do MCT de acompanhar e avaliar o benefício, não prejudica as atribuições de outros órgão da administração pública, in verbis: Art. 11. Caberá ao CONIN, sem prejuízo das atribuições de outros órgãos da Administração Pública, realizar o acompanhamento e a avaliação da utilização dos incentivos referidos nos arts. 1º a 3º, da execução das atividades de pesquisa e desenvolvimento de que tratam os arts. 2º e 7º e dos programas especificados no art. 8º, bem como fiscalizar o cumprimento das obrigações estabelecidas neste decreto. (negrito nosso) Nesse cenário, se a Autoridade Tributária entendeu que as informações prestadas pela MCT e coletadas por conta própria foram suficientes para formar a sua convicção quanto ao cumprimento das condições estabelecidas art. 9º do Decreto nº792, 1993, não há que se esperar decisão final daquele Ministério sobre as contestações da empresa. Qualquer que seja a decisão final emanada daquele Ministério não vincula a Autoridade Tributária e não exclui a competência da SRF para fiscalizar os tributos (IPI) envolvidos no benefício fiscal de sua competência. Com efeito, ainda que o MCT não cumprisse o seu dever legal de acompanhar o cumprimento das condições impostas pelo beneficiário do incentivo fiscal no art.11 da Lei nº° 8.248/91, o Auditor poderia realizar as verificações necessárias por meios próprios visando obter a convicção quanto ao cumprimento de tais condições e aplicar os efeitos tributários cabíveis. Ou ainda, em situação hipotética, se o entendimento da SRF, fundado em auditoria própria, fosse divergente do MCT quanto ao atendimento pela empresa de tais condições, sempre deve prevalecer a posição da primeira que é o órgão competente para as questões tributárias envolvidas no benefício fiscal. Nessa mesma direção, transcrevo a ementa do acórdão da CSRF que referenda o mesmo entendimento quanto a competência da Receita Federal para analisar o adimplemento das condições exigidas para fruição do benefício previsto na Lei n° 8.248/91: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/1998 IPI. FISCALIZAÇÃO. A Secretaria da Receita Federal do Brasil tem competência para analisar o adimplemento das condições exigidas para fruição da isenção prevista na Lei n° 8.248/91, bem como de constituir o crédito tributário reflexo do eventual descumprimento, nos termos Decreto n° 3.800/01 e do Decreto n° 7.212, de 15 de Fl. 451DF CARF MF 20 junho de 2010 (Lei n° 5.172, de 1966, arts. 142, 194 e 196, Lei n° 4.502, de 1964, art. 91, e Lei n° 11.457, de 2007, art. 2'). Recurso Especial do Contribuinte Negado. (Acórdão nº 930301.018 da 3ª turma da CSRF, de 29 de junho de 2010, Conselheiro Gilson Macedo RosenburgRedator Designado) Assim, se a empresa de produção de bens de informática e automação não cumpre as exigências presentes na Lei nº8.248/91, não faz jus ao benefício fiscal previsto no art.4ª da própria lei, sendo correto o indeferimento do pedido de ressarcimento. III) Dispositivo Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo Fl. 452DF CARF MF
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Numero do processo: 11040.901048/2011-48
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/02/2005 a 28/02/2005
CRÉDITO POR PAGAMENTO INDEVIDO. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
Instaurado o contencioso administrativo, em razão da não homologação de compensação de débitos com crédito de suposto pagamento indevido ou a maior, é do contribuinte o ônus de comprovar nos autos, tempestivamente, a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Não há como reconhecer crédito cuja certeza e liquidez não restou comprovada no curso normal do processo administrativo.
Numero da decisão: 3302-005.441
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Diego Weis Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Jorge Lima Abud, Vinicius Guimarães, Diego Weis Junior, José Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad, Walker Araújo.
Nome do relator: DIEGO WEIS JUNIOR
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COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Instaurado o contencioso administrativo, em razão da não homologação de compensação de débitos com crédito de suposto pagamento indevido ou a maior, é do contribuinte o ônus de comprovar nos autos, tempestivamente, a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Não há como reconhecer crédito cuja certeza e liquidez não restou comprovada no curso normal do processo administrativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Diego Weis Junior Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Jorge Lima Abud, Vinicius Guimarães, Diego Weis Junior, José Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad, Walker Araújo. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 04 0. 90 10 48 /2 01 1- 48 Fl. 54DF CARF MF Processo nº 11040.901048/201148 Acórdão n.º 3302005.441 S3C3T2 Fl. 55 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto pela H W FERNANDES E CIA LTDA contra o Acórdão n. 0950.364 da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG) – DRJ/JFA, assim ementado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2005 DIREITO CREDITÓRIO. SALDO DE PAGAMENTO PARA HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. INSUFICIÊNCIA. Deve ser confirmado o despacho decisório de homologação parcial de compensação quando demonstrado que, do pagamento informado, não resulta saldo disponível para confirmar o crédito declarado. PEDIDO DE RETIFICAÇÃO DE DCOMP. INCOMPETÊNCIA PARA JULGAMENTO. Falece competência às Delegacias de Julgamento para apreciar pedidos de retificação de Declaração de Compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em síntese, a Turma não reconheceu a pretensão da Recorrente por entender que inexiste crédito a ser compensado. A pretensão central da Recorrente é reverter despacho decisório que homologou apenas parcialmente a compensação declarada na DCOMP n. 29531.44582.291007.1.3.046560. Em sua manifestação de inconformidade fl. 10 o contribuinte alega que o crédito utilizado na DCOMP nº 29531.44582.291007.1.3.046560, referese à valores indevidamente recolhidos entre os anos de 2005 e 2006, período no qual equivocadamente os débitos da empresa foram apurados e recolhidos sob a forma do lucro presumido, quando na verdade deveriam ter sido incluídos no Simples Nacional. Admite, ainda, a existência de eventual erro de preenchimento do DCOMP, razão pela qual requer prazo para análise e correção. Quando do julgamento do Acórdão recorrido a Turma entendeu que no ano calendário de 2005, a interessada apresentou Declaração pelo Simples, sendo assim, neste período faz jus ao direito creditório sobre os valores recolhidos fora dessa sistemática. Entretanto o DARF informado na DCOMP já foi parcialmente utilizado em compensações anteriores não sendo possível a retificação da Declaração de Compensação em tempo de julgamento administrativo. Declarou ainda a instância a quo não deter competência para apreciar pedidos de retificação de Declaração de Compensação. Em recurso voluntário – fls. 43/44 – o contribuinte alega que recolheu tributos sob o regime do lucro presumido entre 2005 e 2006 por não ter sido informado sobre Fl. 55DF CARF MF Processo nº 11040.901048/201148 Acórdão n.º 3302005.441 S3C3T2 Fl. 56 3 sua inserção no SIMPLES. Quando teve ciência do fato pagou a multa por declaração em atraso e entregou declaração simplificada, nos termos do Simples Nacional. Ao fim, requer o sujeito passivo “bem como achamos complexa a vossa comunicação de indeferimento, entendemos que para um melhor compreensão da nossa parte, a Receita Federal deveria nos fornecer uma conta corrente ou algo em que constasse, onde forma utilizados os valores que recolhemos indevido, ou pelo menos a informação que estes valores ora cobrado não foram compensado porque naquele tipo de contribuição já não tinha saldo para mais aquele valor, mas que em contra partida em outro imposto recolhido sobre determinado valor, pois como já nos reportamos tratava se de um valor bem superior”. É o relatório. Voto Conselheiro Diego Weis Junior, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos e requisitos de admissibilidade. Cumpre ressaltar que é patente a boa fé do contribuinte e a presença de elementos indicadores da existência de recolhimentos indevidos, porque pagos sob o regime incorreto de apuração. Contudo, ainda que haja indícios do direito creditório, não detém este colegiado poder para alterar os dados equivocadamente inseridos pelo contribuinte na Declaração de Compensação. Detendo apenas competência para analisar os dados informados pelo contribuinte e decidir pela existência ou não do direito creditório. Tendo em vista que a homologação da compensação de débito tributário, nos termos do §1º, do artigo 74, da Lei 9.430/96, depende exclusivamente da comprovação da existência de certeza e liquidez do crédito a ser compensado, não há como homologar compensação cujo crédito não seja nesses termos confirmado. A compensação de tributos é, basicamente, um encontro de contas onde cabe ao contribuinte provar que detém o crédito que pretende compensar com os valores por ele devidos e que, por essa razão, nos termos do disposto no artigo 74, da Lei 9.430/96, c/c o art. 170 do CTN, faz jus compensação pretendida. Portanto, não tendo sido comprovada nos autos a certeza e liquidez do crédito a ser compensado, não resta a este tribunal outra decisão que não a manutenção do acórdão recorrido. Fl. 56DF CARF MF Processo nº 11040.901048/201148 Acórdão n.º 3302005.441 S3C3T2 Fl. 57 4 Conforme dispõe o regimento interno deste conselho em seu artigo 1º1, aos conselheiros cabe analisar os valores e documentos acostados aos autos, e, assim, julgar os recursos que lhes são apresentados. Neste caso, incumbe aos conselheiros desta Turma apenas a decisão acerca da confirmação ou não do direito creditório utilizado na compensação pretendida. Ocorre que o recorrente não trouxe aos autos qualquer documento capaz de demonstrar a liquidez e certeza do crédito pretendido compensar, não se podendo reconhecer a existência de tal direito. No caso em estudo, o contribuinte apresentou várias declarações de compensação cuja homologação foi negada, sendo cada uma delas tratada em um processo administrativo distinto, conforme tabela/resumo abaixo. DEMONSTRATIVO DAS COMPENSAÇÕES DECLARADAS Nº DCOMP APRESENTADA DCOMP INICIAL PROCESSO ADMINISTRATIVO ORIGEM DO CRÉDITO (DARF) 2 DÉBITO 29531.44582.291007.1.3.046560 15560.25031.291007.1.3.040430 11040.901048/201148 PIS 28.02.2005 R$17,10 SIMPLES 02.2005 62,77 02921.59675.291007.1.3.044312 13703.81870.291007.1.3.040938 11040901049/201192 PIS 28.02.2005 R$17,10 SIMPLES 04.2005 237,98 06813.30975.291007.1.3.040397 02782.67723.291007.1.3.048786 11040901050/201117 PIS 28.02.2005 R$17,10 SIMPLES 05.2005 54,13 30624.33604.291007.1.3.044584 37260.89442.291007.1.3.046187 11040901051/201161 PIS 28.02.2005 R$17,10 SIMPLES 05.2005 286,20 36413.30105.291007.1.3.043678 20569.87623.291007.1.3.045162 11040901053/201151 PIS 28.02.2005 R$17,10 SIMPLES 09.2005 270,68 07870.23376.291007.1.3.046716 36413.30105.291007.1.3.043678 11040901054/201103 PIS 28.02.2005 R$17,10 SIMPLES 10.2005 308,81 35821.57117.291007.1.3.049705 07870.23376.291007.1.3.046716 11040901055/201140 PIS 28.02.2005 R$17,10 SIMPLES 10.2005 57,21 35023.93042.301007.1.3.042367 22218.77856.291007.1.3.043173 11040901062/201141 PIS 28.02.2005 R$17,10 SIMPLES 01.2006 849,29 TOTAIS R$ 17,10 R$ 2.127,07 Conforme se percebe pela análise da tabela acima, a recorrente utilizou o mesmo pagamento como origem de todos os pedidos de compensação efetuados. O DARF apontado como origem do crédito foi relativo a um recolhimento de PIS, referente ao mês 02/2005, no valor de R$17,10, sendo este insuficiente para compensar qualquer um dos débitos apontados individualmente, máxime para compensar todos os débitos em conjunto. Resta evidente, portanto, que de fato ouve erro de preenchimento das DCOMP´s não homologadas. Contudo, conforme dito alhures, não cabe a este julgador proceder a retificação de tais declarações. Ademais, o reconhecimento do direito creditório, nos autos de processo administrativo, depende da comprovação documental da existência de certeza e liquidez do crédito pleiteado. A falta das cópias dos DARF´s e dos respectivos comprovantes, pagos fora do regime simplificado de apuração quando neste já estava inserido o contribuinte, comprometeu totalmente a análise da liquidez do crédito alegado, impossibilitando o reconhecimento do direito creditório em discussão neste PAF. Diante do exposto, tendo em vista a falta de comprovação da certeza e liquidez do crédito alegado, voto por conhecer do recurso voluntário e negarlhe provimento. 1 Art.1º O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), órgão colegiado, paritário, integrante da estrutura do Ministério da Fazenda, tem por finalidade julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância, bem como os recursos de natureza especial, que versem sobre a aplicação da legislação referente a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). 2 As informações sobre o DARF indicado como origem do Crédito, foram retiradas de cada um dos despachos decisórios que não homologaram as respectivas Declarações de Compensação. Fl. 57DF CARF MF Processo nº 11040.901048/201148 Acórdão n.º 3302005.441 S3C3T2 Fl. 58 5 (assinado digitalmente) Diego Weis Junior Relator Fl. 58DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.660370/2012-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/06/2012
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE.
Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade.
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA.
Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
Numero da decisão: 3401-004.771
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 30/06/2012 DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
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NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Rosaldo Trevisan Presidente e Relator (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 66 03 70 /2 01 2- 38 Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10880.660370/201238 Acórdão n.º 3401004.771 S3C4T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado. Relatório Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra não homologação de compensação declarada por meio eletrônico (PER/DCOMP), relativamente a um crédito de Cofins, que teria sido recolhido a maior no período de apuração. O Despacho Decisório da DERAT/SÃO PAULO, não homologou o pedido de compensação, sob o fundamento de que, embora localizado o pagamento que deu origem ao suposto crédito original de pagamento indevido ou a maior, o mesmo estava à época do encontro de contas integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados. Notificada da decisão a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade. A DRJ Ribeirão Preto julgou improcedente a impugnação por unanimidade de votos, mantendo o crédito tributário devido. A empresa apresentou recurso voluntário onde somente alega que apesar de ter protestado em sede de impugnação pela falta de motivação do indeferimento no despacho decisório, o acórdão recorrido não demonstrou a motivação, que os atos administrativos devem ser motivados para não ter cerceado seu direito de defesa, não apresentando provas do seu direito. É o relatório. Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10880.660370/201238 Acórdão n.º 3401004.771 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.681, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.660277/201223, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.681): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. A recorrente protesta pela falta de motivação do despacho decisório que indeferiu o seu pedido de compensação. Entendo que o despacho decisório cumpre os requisitos legais e possui todo o escopo necessário ao exercício do contraditório e da ampla defesa pelo contribuinte. Nele está inscrito o enquadramento legal da autuação: Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Também nele encontrase a fundamentação da decisão, ficando claro que o crédito indicado foi localizado, mas já havia sido utilizado para quitação de outros débitos do contribuinte: A análise do direito creditório está limitada ao valor do "crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP, correspondendo a 4.812,66. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Entendo que o prejuízo, se havido, foi provocado pelo próprio contribuinte que deixou de apresentar provas que indicassem que era portador do crédito alegado. Ademais, como bem demonstrado no acórdão recorrido, o crédito já havia sido utilizado e alocado, e apesar de ser o único DARF pago pela empresa no ano de 2012, o mesmo foi utilizado em 193 pedidos de compensação. Esse procedimento utilizado pelo contribuinte, de alocar o mesmo crédito a várias Dcomps enseja a cominação de prestação de informação falsa à RFB já Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10880.660370/201238 Acórdão n.º 3401004.771 S3C4T1 Fl. 5 4 que há um campo na PER/DCOMP onde é perguntado se aquele crédito já foi informado em outro PER/DCOMP e o contribuinte respondeu “NÃO” em todas as declarações. Por ser extremamente didático, reproduzo o acórdão recorrido, em sua íntegra, para que não haja dúvidas quanto as suas conclusões que acompanho: Em preliminar, não merece acolhida a alegação de nulidade do Despacho Decisório, vez que o mesmo apresenta de forma clara e precisa o motivo da não homologação da compensação, qual seja, a inexistência de crédito disponível para a compensação dos débitos informados na DCOMP. O Despacho Decisório preenche todos os requisitos formais e materiais para sua validade, contendo todos os elementos necessários ao exercício do direito de defesa do contribuinte, trazendo em seu bojo, ainda que de forma sintética, a fundamentação legal, a identificação da declaração de compensação enviada pela empresa, a data da transmissão, o tipo de crédito, as características do DARF apontado pela empresa na DCOMP, bem como o período de apuração a que se refere. Por outro lado, os motivos da nãohomologação residem nas próprias declarações e documentos produzidos pela contribuinte. Estas são, portanto, a prova e o motivo do ato administrativo, não podendo a interessada alegar que os desconhecia. Importante fixar que a DCOMP se presta a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro, a quem cabe, portanto, a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. Encontradas conforme, sobrevém a homologação confirmando a extinção. Não confirmadas as informações prestadas pelo declarante, o inverso se verifica. No caso, a contribuinte declarou um débito e apontou um documento de arrecadação como origem do crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte foi realizada também de forma eletrônica, tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, nos sistemas da Receita Federal, embora localizado o DARF do pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente foi totalmente utilizado e alocado aos débitos informados em DCTF, não restando dele o saldo apontado na DCOMP como crédito. Assim, não padece de nulidade o despacho decisório proferido por autoridade competente, contra o qual o Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10880.660370/201238 Acórdão n.º 3401004.771 S3C4T1 Fl. 6 5 contribuinte pôde exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. O débito declarado e pago encontrase em conformidade com a correspondente DCTF, a qual tem seus efeitos determinados pelo § 1º do artigo 5º do Decreto lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, entre eles o da confissão da dívida e o condão de constituir o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco. Quando da transmissão e da análise do PER/DCOMP em tela, o crédito efetivamente não existia, pois o pagamento efetuado estava integralmente alocado ao débito declarado pela própria contribuinte em sua DCTF. Assim sendo, na data da transmissão do PER/ DCOMP a interessada não era detentora de crédito líquido e certo, condição sem a qual não há direito à restituição ou compensação. E não tendo o interessado trazido elementos hábeis a desconstituir a confissão do débito que fez na DCTF, inexiste razão para se reconhecer o pleiteado direito creditório relativo a pagamento pretensamente maior do que o devido, referente ao período de apuração. O extrato abaixo é a DCTF retificadora ativa da contribuinte, referente ao tributo e período em análise. Repare que a contribuinte declara um débito de COFINS em junho de 2012 no valor de R$ 29.148,73 e vincula ao débito um pagamento de R$4.985,20. No quadro abaixo, podemos verificar que o referido pagamento vem de um DARF de R$5.083,90, composto de um valor principal (R$4.985,20) mais multa por atraso (R$98,70). Fl. 99DF CARF MF Processo nº 10880.660370/201238 Acórdão n.º 3401004.771 S3C4T1 Fl. 7 6 Por sinal, esse foi o único DARF de Cofins pago em 2012 pela empresa, conforme demonstra o extrato abaixo. Impende salientar que, sobre esse alegado crédito de R$ 5.083,90, a contribuinte solicita a homologação de nada menos que 193 pedidos de compensação, todos do mesmo período (2º trimestre de 2012), com mesmo vencimento em 31/07/2012 que, somados, resultam em um valor de R$ 948.369,76, conforme relação abaixo dos processos de PER/DCOMP para o mesmo DARF. .... Agrava o fato de tentar utilizar mais de uma vez o mesmo crédito a prestação de informação falsa, pois no PER/DCOMP há um campo onde é perguntado se aquele crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior já foi informado em outro PER/DCOMP, ao que o contribuinte respondeu “Não” em todos os PER/DCOMP, em infração ao inciso II do § 1º do art. 45 da IN/SRF 1.300, de 20 de novembro de 2012. Pelo exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e no mérito por negarlhe provimento. Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10880.660370/201238 Acórdão n.º 3401004.771 S3C4T1 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 101DF CARF MF
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