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Numero do processo: 13502.000458/2009-04
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006, 2007
CONHECIMENTO. AUSÊNCIA DE DIVERGÊNCIA.
Não é possível o conhecimento do recurso especial diante do julgamento de questões distintas pelos acórdãos recorrido e paradigma, impedindo o estabelecimento da divergência necessária à sua admissibilidade.
Numero da decisão: 9101-003.471
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa (relatora), Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo, que conheceram do recurso. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio. Votou pelas conclusões do voto vencedor o conselheiro Rafael Vidal de Araújo.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo Presidente
(assinado digitalmente)
Cristiane Silva Costa - Relatora
(assinado digitalmente)
Daniele Souto Rodrigues Amadio - Redatora Designada
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: CRISTIANE SILVA COSTA
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AUSÊNCIA DE DIVERGÊNCIA. Não é possível o conhecimento do recurso especial diante do julgamento de questões distintas pelos acórdãos recorrido e paradigma, impedindo o estabelecimento da divergência necessária à sua admissibilidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa (relatora), Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo, que conheceram do recurso. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio. Votou pelas conclusões do voto vencedor o conselheiro Rafael Vidal de Araújo. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo – Presidente (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 00 04 58 /2 00 9- 04 Fl. 590DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Daniele Souto Rodrigues Amadio Redatora Designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Relatório Tratase de processo originado pela lavratura de auto de infração de IRPJ e CSLL. Consta do Termo de Verificação Fiscal (fls. 246, vol 2) 7 O Contribuinte é beneficiário de subvenção fiscal concedida pelo governo do Estado da Bahia, instituída pela Lei Estadual no 7.980/2001, e regulada pelo Decreto Estadual n° 8.205/2002, posteriormente alterado pelo Decreto n° 8.435/2003, intitulado de Programa de Desenvolvimento Industrial e de Integração Econômica do Estado da Bahia DESENVOLVE. O programa oferece os seguintes incentivos: 7.1 Dilação do prazo de pagamento do saldo devedor do ICMS por até 72 meses, incidindo encargos financeiros sobre a parcela financiada calculados pela taxa de juros de longo prazo; 7.2 Caso o contribuinte antecipe o pagamento da parcela devedora, terá direito a desconto de até 90% sobre a parcela do ICMS com prazo dilatado e dos encargos financeiros, conforme enquadramento na tabela do regulamento do programa. 8 A empresa fiscalizada foi habilitada no programa DESENVOLVE por meio da Resolução n° 134/2005, fls. 57/58, sendolhe concedidos os seguintes benefícios: 8.1 dilação de prazo de 72 meses para pagamento do saldo devedor do ICMS relativos às operações próprias; 8.2 fixação da parcela do saldo devedor mensal do ICMS passível do incentivo, em o que exceder a R$ 121.662,71, corrigido este valor a cada 12 meses, pela variação do IGP M; 8.3 concessão do prazo de 12 anos para a fruição dos benefícios; 8.4 sobre cada parcela do ICMS com prazo de pagamento dilatado incidirá taxa de juros de 100% da TJLP ao ano. Fl. 591DF CARF MF Processo nº 13502.000458/200904 Acórdão n.º 9101003.471 CSRFT1 Fl. 591 3 9 O contribuinte foi enquadrado na Classe I, da Tabela I, anexa ao Regulamento do DESENVOLVE. Esta classe tem as seguintes características: 9.1 prazo de carência: 6 anos; 9.2 percentual do ICMS incentivado: 90%; 9.3 percentual de desconto por anos de antecipação: 1 ano = 30%, 2 anos = 45%, 3 anos = 80%, 4 anos = 85% e 5 anos = 90%. 10 Conforme demonstrativos apresentados em resposta à Intimação no 0003, fls. 68/80, o contribuinte usufruiu o benefício da seguinte forma: 10.1 De acordo com as regras do programa foram estabelecidos dois níveis de incentivo: o primeiro referese à média fixada pelo Estado com base em valores históricos praticados pela empresa (passaremos a chamar MÉDIA) e, o segundo, referese à diferença entre o total de ICMS apurado e a referida média (passaremos a chamar EXCEDENTE); 10.2 A empresa apura o ICMS devido no período, recolhe 20% sobre o valor da MÉDIA, e 10% sobre o valor do EXCEDENTE, diferindo 80% do valor da MÉDIA e 90% do valor do EXCEDENTE; 10.3 No próprio mês a empresa antecipa o recolhimento de 20% sobre os 80% do restante da MÉDIA e 10% sobre os 90% do restante do EXCEDENTE; 10.4 Os recolhimentos efetuados correspondem a 36% (20 + 16) do valor da MÉDIA e 19% (10 + 9) do valor do EXCEDENTE; . 10.5 A diferença entre o ICMS apurado e os recolhimentos descritos no item 9.4, que corresponde ao desconto oferecido pelo Governo da Bahia, é transferido para a conta reserva de subvenção do patrimônio líquido; 10.6 Para exemplificar, detalhamos abaixo os cálculos realizados pela empresa relativos ao DESENVOLVE no mês de janeiro de 2007: (...) 11 Consta ainda nos esclarecimentos prestados que a empresa contabilizou os valores correspondentes ao benefício fiscal como subvenção para investimentos, em conta de reserva de capital no grupo patrimônio líquido, em observância do disposto no artigo 443 do Decreto no 3.000/99; 12 O entendimento do contribuinte vai de encontro à definição de subvenção para investimento determinada pela Receita Federal do Brasil. Com efeito, o Parecer Normativo CST no 112/78 traz o conceito do que seja esta subvenção, explicado nos itens adiante transcritos: (...) Fl. 592DF CARF MF 4 13 Como se pode verificar, os dispositivos da legislação tributária acima referidos exigem que as subvenções, para se caracterizarem como de investimento, precisam apresentar características bem marcantes. A primeira, é que haja a clara manifestação do subvencionador de que os recursos relativos à subvenção sejam aplicados em investimento na implantação ou expansão de empreendimento econômico projetado; a segunda característica é que os recursos correspondentes à subvenção sejam efetivamente aplicados, segundo a manifestada intenção do subvencionador, nos mencionados investimentos; 14 O benefício concedido pelo Estado da Bahia não obriga a vinculação dos valores subvencionados com a efetiva e específica aplicação destes valores na implantação ou expansão de empreendimento econômico. Com efeito, o auxílio obtido com o desconto evidencia um não desembolso financeiro, o qual passa a integ rar o giro do negócio, podendo ser utilizado pela empresa como bem lhe convier. Analisando a Lei que criou o incentivo, observamos que existem algumas exigências, porém nenhuma delas cria a vinculação entre o valor subvencionado e a aplicação específica do recurso. Destacamos alguns pontos da Lei no 7.980/2001: (...) 15 Em nenhum momento a lei, e também o decreto regulador, estipula a vinculação do incentivo com a aplicação em implantação ou expansão. Também não existe a obrigatoriedade de que tais recursos sejam escriturados em conta de Patrimônio Líquido, nem disciplina a forma de utilização dos valores; 16 Pelo exposto, fica claro que o tratamento tributário dado a esse tipo de benefício é o de subvenção corrente para custeio ou operação. O artigo 392 do decreto no 3.000/99 (RIR/99) dispõe que serão computadas na determinação do lucro operacional as subvenções correntes para custeio ou operação, recebidas de pessoas jurídicas de direito público ou privado, ou de pessoas naturais. (...) O contribuinte apresentou Impugnação Administrativa (fls. 291, volume 2), decidindo a Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro por julgála improcedente (fls. 394, volume 2): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 SUBVENÇÃO PARA CUSTEIO. FALTA DE RECONHECIMENTO DA RECEITA. Os recursos fornecidos às pessoas jurídicas pela Administração Pública, quando não comprovados ao efetivo investimento na implantação ou expansão do empreendimento projetado, é estímulo fiscal que se reveste das características próprias das subvenções para custeio, não se confundindo com as subvenções para investimento, e deve ser computado no lucro operacional das pessoas jurídicas, sujeitandose, portanto, à incidência do imposto sobre a renda. ALEGAÇOES. ONUS DA PROVA. Fl. 593DF CARF MF Processo nº 13502.000458/200904 Acórdão n.º 9101003.471 CSRFT1 Fl. 592 5 Consideramse sem efeito as alegações contestando a existência de crédito tributário regularmente constituído, se desacompanhadas de prova, eis que o ônus da prova compete ou cabe a quem alega o fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte LANÇAMENTOS DECORRENTES. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL IRPJ. MATÉRIA FÁTICA IDÊNTICA. RELAÇÃO DE CAUSA E EFEITO. Em se tratando de matéria fática idêntica àquela que serviu de base para o lançamento do Imposto sobre a Renda Pessoa Jurídica, devem ser estendidas as conclusões advindas da apreciação daquele lançamento aos relativos à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, em razão da relação de causa e efeito. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. fls. 420, vol 3), ao qual a 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Primeira Seção de Julgamento decidiu por dar provimento, em acórdão cuja ementa se transcreve a seguir: SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO. PROGRAMA QUE VISA INSTALAÇÃO DE NOVAS INDÚSTRIAS E EXPANSÃO DAS JÁ EXISTENTES, CONDICIONADO A INVESTIMENTOS PELO PARTICULAR, AUMENTO DA PRODUÇÃO E DESENVOLVIMENTO TECNOLÓGICO. Os incentivos concedidos pelo Governo do Estado da Bahia, por meio da Lei nº 7.980, de 2001, que instituiu o Programa DESENVOLVE, com o objetivo de estimular a instalação de novas indústrias e a expansão, reativação ou a modernização de empreendimentos industriais já instalados se constituem em subvenções para investimentos, pois condicionadas, a novos investimentos visando aumento da produção, desenvolvimento tecnológico, competitividade, geração de empregos e integração de cadeias produtivas e de comercialização. Recurso Voluntário Provido. Em 26/07/2012, os autos foram remetidos à Procuradoria, que interpôs recurso especial em 27/08/2012. Neste recurso, alega divergência na interpretação da lei tributária a respeito da natureza do benefício estadual, que entende seja subvenção para investimento, indicando o acórdão paradigma nº 20400.420 (processo administrativo nº 10380.009536/200378), no qual se decidiu: “caracteriza como subvenção para investimento, como ocorre com a isenção e/ou redução do ICMS que evidencia, antes, um nãodesembolso financeiro, isto é, um benefício que passa a integrar o capital de giro do negócio.”. Fl. 594DF CARF MF 6 O recurso especial da Procuradoria foi admitido pela Presidente da 4ª Câmara da Primeira Seção, nos seguintes termos: Para fins de análise, tem cabimento transcrever excertos do acórdão apresentado como paradigma: Acórdão nº20400.420, de 09.08.2005: (...) Examinando o acórdão paradigma verificase que traz o entendimento de que nem toda isenção e/ou redução de imposto se caracteriza como subvenção para investimento, como ocorre com a isenção e/ou redução do ICMS que evidencia, antes, um não desembolso financeiro, isto é, um benefício que passa a integrar o capital de giro do negócio. O acórdão recorrido, por seu turno, vem considerar que os incentivos concedidos pelo Governo do Estado da Bahia, por meio da Lei nº 7.980, de 2001, que instituiu o Programa DESENVOLVE, com o objetivo de estimular a instalação de novas indústrias e a expansão, reativação ou a modernização de empreendimentos industriais já instalados se constituem em subvenções para investimentos, pois condicionadas, a novos investimentos visando aumento da produção, desenvolvimento tecnológico, competitividade, geração de empregos e integração de cadeias produtivas e de comercialização. Portanto, as conclusões sobre a matéria ora recorrida nos acórdãos examinados revelamse discordantes, restando plenamente configurada a divergência jurisprudencial pela PGFN. O contribuinte foi intimado em 08/01/2016, apresentando contrarrazões ao recurso especial em 22/01/2016. Alega, em síntese: (i) Que não haveria divergência na interpretação da lei tributária, eis que o acórdão paradigma e recorrido tratam de situações fáticas muito diferentes. O acórdão paradigma trataria de incentivos do Estado do Ceará e abordaria “o tratamento contábil das subvenções, seja de investimento ou de custeio, e, especialmente, a qualificação como receita, à luz da Lei nº 9.718/98 (trecho das contrarrazões, fls. 511); (ii) Que não teria a Recorrente efetuado o cotejo analítico, como exigiria o artigo 67, §8º, do RICARF, limitandose a “citar a ementa do julgado paradigma” para assim concluir que “as decisões são divergentes em razão de seus resultados” (trechos extraídos da petição, fls. 515); (iii) Os incentivos fiscais recebidos por meio do Programa Desenvolve (Estado da Bahia) teriam natureza de subvenção para investimento; (iv) Ainda requer não seja conhecido o recurso especial para reexame das provas. É o relatório. Fl. 595DF CARF MF Processo nº 13502.000458/200904 Acórdão n.º 9101003.471 CSRFT1 Fl. 593 7 Voto Vencido Conselheira Cristiane Silva Costa, Relatora Questão de Ordem Primeiramente, esclareço que formularei proposta de resolução, mas antes da sua apreciação, analiso as condições de conhecimento do recurso especial. O Regimento Interno do CARF (Portaria MF 343/2015) prescreve que: Art. 63. As decisões dos colegiados, em forma de acórdão ou resolução, serão assinadas pelo presidente, pelo relator, pelo redator designado ou por conselheiro que fizer declaração de voto, devendo constar, ainda, o nome dos conselheiros presentes e dos ausentes, especificandose, se houver, os conselheiros vencidos e a matéria em que o foram, e os impedidos. (...) § 4º A decisão será em forma de resolução quando for cabível à turma pronunciarse sobre o mesmo recurso, em momento posterior. § 5º No caso de resolução ou anulação de decisão de 1ª (primeira) instância, as questões preliminares, prejudiciais ou mesmo de mérito já examinadas serão reapreciadas quando do julgamento do recurso, por ocasião do novo julgamento. Com efeito, esta Turma da CSRF terá competência para reapreciar eventualmente o conhecimento, quando proferir novo julgamento após o sobrestamento proposto em resolução. O §5º, do artigo 63, além de autorizar novo julgamento quanto aos temas examinados, legitima a análise de requisitos para conhecimento do recurso, em julgamento na presente oportunidade. De toda sorte, a competência desta Turma para apreciar proposta de resolução depende do conhecimento do recurso especial. Caso contrário, não sendo conhecido o recurso especial, não há razão jurídica para eventual resolução que sobreste o andamento processual. Diante disso, concluo pela análise do conhecimento antes da apreciação da proposta da resolução, lembrando que – caso acolhida a resolução – esta Turma novamente poderá avaliar o conhecimento no futuro, conforme previsão regimental. Conhecimento O recurso especial é tempestivo, tendo sido admitido com relação ao único paradigma identificado pela Recorrente (20400.420) O contribuinte apresentou contrarrazões pleiteando não seja conhecido o recurso especial da Procuradoria. Fl. 596DF CARF MF 8 O único acórdão paradigma apresentado pela Recorrente tem o seguinte contorno fático, descrito em seu relatório: Tratase de lançamento da COFINS, referente ao período de 19992000, mantido pela primeira instância. A Recorrente foi autuada por meio do Auto de Infração de fls. 04/10, referente à COFINS — Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social. Notificada da autuação, a Recorrente apresentou impugnação, alegando, em síntese o cerceamento de defesa (...). No mérito, aduziu a inconstitucionalidade da Lei nº9.718/98 (...), impossibilidade de utilização de Medida Provisória para instituição de tributo(...). Aduziu ainda que o Auditor não considerou a reclassificação contábil; aventou a isenção tributária de parte da exação lançada no auto de infração, nos termos do art. 14, II e IX da MP n° 215835; a inexistência de receita nos valores agregados por força de subvenção do ICMS; cobrança de valores da Cofins já recolhidos por meio de compensação; direito à redução da alíquota de 3% para 2%; erro na aplicação da base de cálculo; e princípio da capacidade contributiva. Pediu, ao final, o acolhimento da preliminar, anulandose o auto de infração e no mérito a improcedência do lançamento ou, alternativamente a realização de perícia contábil. Nesse sentido, julgou a Turma do acórdão paradigma (20400.420), analisando o artigo 3º, §2º, da Lei nº 9.718/1998: Subvenção para Investimento. Isenções e Reduções de Impostos. A redução do ICMS imposto não se caracteriza como subvenção para investimento, mas um desembolso financeiro, isto é, um benefício que passa a integrar o capital de giro do negócio, portanto, integra a base de cálculo do tributo para o presente caso. É que com a redução do ICMS a recolher a Recorrente inevitavelmente auferiu receitas decorrentes de recuperação de custos ou despesas que, como visto, não integra a lista exaustiva das exclusões da base de cálculo da contribuição em apreço no §2º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, motivo pelo qual rejeito a argumentação da Recorrente. (...) No caso em discussão, a impropriedade de sua classificação como subvenção para investimento avulta da leitura da documentação acostada aos autos, da qual inequivocamente se conclui não haver qualquer exigência para que os recursos recebidos dos cofres do Estado do Ceará sejam obrigatoriamente aplicados .na aquisição de ativos necessários à implantação ou à expansão do parque fabril da autuada. A despeito do acórdão paradigma mencionar o artigo 3º, §2º, da Lei nº 9.718/1998 e tratar de COFINS, este define o que são subvenções para investimento, definição que depende de interpretação de norma comum para o IRPJ e COFINS. Tanto assim que o Fl. 597DF CARF MF Processo nº 13502.000458/200904 Acórdão n.º 9101003.471 CSRFT1 Fl. 594 9 acórdão paradigma analisa o Parecer Normativo CST 112/78 e o artigo 15, do DecretoLei nº 1.598, que tratam de requisitos para a caracterização da subvenção para investimentos. Ressalto que o mesmo paradigma constou em recurso da Procuradoria julgado em 13/09/2017 (acórdão 9101003.084), em processo de minha relatoria, tratando de benefício similar do Estado da Bahia, denominado BAHIAPLAST. À ocasião, a maioria do Colegiado entendeu pelo conhecimento do recurso. Rejeito, ainda, alegação do contribuinte de falta de cotejo analítico, considerando que o Recorrente confrontou os julgamentos (recorrido e paradigma), sem que seja exigido usualmente por esta Turma da CSRF rigor excessivo no cumprimento do requisito do artigo 67, § 8º, do RICARF atual (Portaria MF nº 343/2015) e do artigo 67, §6º, do RICARF anterior (Portaria MF nº 256/2009) – vigente ao tempo da interposição de recurso especial. Por fim, não haverá reexame de prova, pois é possível a análise da legislação federal enfrentada pelos acórdãos (recorrido e paradigma), para conclusão por esta Turma a respeito da sua interpretação. Diante disso, voto por conhecer o recurso especial da Procuradoria. (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Voto Vencedor Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio, Redatora Designada Com respeito ao posicionamento da conselheira relatora, desenvolvese posicionamento distinto na análise do conhecimento do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, que delimitou como objeto divergência em relação ao acórdão paradigma n. 20400.420, na medida em que, por suas palavras, "a Câmara a quo entendeu que incentivo de redução do ICMS concedido pelo Estado às pessoas jurídicas configura redução subvenção de investimento, enquanto o Acórdão Paradigma entendeu que tal incentivo configura subvenção para custeio". Para fundamentar sua colocação, deduziu argumentos no sentido de diferençar subvenção para investimento de subvenção para custeio, voltandose, ao final, ao caso concreto para concluir não haver qualquer exigência para que os recursos recebidos dos cofres do Estado da Bahia fossem obrigatoriamente aplicados na aquisição de ativos necessários à implantação ou expansão do parque fabril da autuada, devendo assim receber o tratamento de subvenções para custeio e, como tais, serem tributados pelo Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica. Leiase: Fl. 598DF CARF MF 10 "III – DO MÉRITO Da possibilidade de tributação dos recursos oriundos do incentivo de redução do icms, ante a sua natureza de subvenção para custeio. A empresa em epígrafe é beneficiária de subvenção fiscal concedida pelo governo da Bahia referentes aos estornos do ICMS em virtude de incentivo fiscal concedido pela Lei nº 7.980/2001 e do Decreto nº 8.205/2002, conforme escriturado no livro Registro de apuração do ICMS. Ocorre que a fiscalização constatou que o contribuinte contabilizou os valores referentes à redução do ICMS como subvenção para investimento – quando o correto seria escriturar tais valores como subvenção para custeio – o que acarretou uma redução indevida do lucro tributável no períodobase de 2006, razão pela qual foi lavrado auto de infração para cobrança de IRPJ CSLL e reflexos. Irresignada, a Contribuinte impugnou a autuação, argumentando que o benefício fiscal recebido teria natureza de subvenção para investimento e que, portanto, não se sujeitaria à tributação. Como o lançamento foi mantido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Salvador a contribuinte interpôs recurso voluntário repisando os mesmos argumentos expostos na impugnação ao qual foi dado provimento. Data vênia , o acórdão proferido pela 1ª Turma não merece prosperar. Conforme restará demonstrado, a subvenção fiscal concedida pelo Estado da Bahia por meio do programa DESENVOLVE previsto na Lei nº 7.980/2001 e no Decreto nº 8.205/2002, enquadrase na modalidade de subvenção para custeio, razão pela qual deve ser computada na determinação do lucro real. Considerando que a questão em debate cingese, fundamentalmente, a saber se os estornos de ICMS têm natureza de subvenção para custeio ou de subvenção para investimento, cumpre, inicialmente, estabelecer as diferenças entre esses dois tipos de incentivo. Essa distinção revelase relevante porque o tratamento tributário dado a esses dois tipos de auxílio financeiro concedido pelo Estado é bastante diferente. Enquanto as subvenções para custeio integram o lucro operacional, sujeitando se à tributação, as subvenções para investimento podem ser excluídas da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Assim, somente as subvenções para investimento terão suas verbas registradas diretamente nas contas do patrimônio líquido. Os recursos referentes às demais subvenções transitarão pelas contas de resultado, isto é, serão receitas para fins da legislação societária. É o que se depreende dos artigos 392, I, e 443 do Regulamento do Imposto de Renda. In verbis: (...) Examinando o assunto, a Coordenação do Sistema de Tributação da SRF expediu o Parecer Normativo (PN CST) nº 112/78, o qual esclarece que a legislação do imposto de renda divide as subvenções em “para custeio” e "para investimento". A primeira seria um auxílio para as despesas, a segunda, um auxílio para a implantação ou expansão de empreendimentos econômicos: (...) A destinação dos recursos recebidos, portanto, é importante na determinação da aludida subvenção, que se caracteriza pela aplicação dos recursos correspondentes na implantação ou expansão de empreendimento econômico. (...) Superada a fase de conceituação dos institutos, cabe analisar as características dos benefícios fiscais – materializados na forma de redução do ICMS. Fl. 599DF CARF MF Processo nº 13502.000458/200904 Acórdão n.º 9101003.471 CSRFT1 Fl. 595 11 A partir da leitura da documentação acostada aos autos concluise não haver qualquer exigência para que os recursos recebidos dos cofres do Estado da Bahia sejam obrigatoriamente aplicados na aquisição de ativos necessários à implantação ou à expansão do parque fabril da autuada. De forma geral, como bem ressaltou a DRJ, o tratamento tributário dado às receitas decorrentes do crédito presumido do ICMS sempre foi no sentido de que se inserem entre as subvenções para custeio e, como tal, devem ser tributadas pelo imposto de renda das pessoas jurídicas. E a Lei nº 7.980/2001 e o Decreto nº 8.205/2002, que dispõe sobre o pagamento do ICMS relativo ao recebimento, do exterior, de componentes, partes e peças destinados à fabricação de produtos de informática, eletrônica e telecomunicações, por estabelecimentos industriais desses setores, não há qualquer mecanismo de vinculação entre os valores obtidos com o benefício fiscal do ICMS e a aplicação específica desses recursos em bens ou direitos ligados à implantação ou expansão do empreendimento econômico. Inconteste, pois, que o benefício fiscal concedido pelo programa DESENVOLVE ostenta a natureza de subvenção para custeio. Assim sendo, devem ser computadas na determinação do lucro operacional, sujeitandose à tributação." O recurso foi recepcionado por despacho de admissibilidade, que compreendeu presente a divergência apontada, nos seguintes termos: "Examinando o acórdão paradigma verificase que traz o entendimento de que nem toda isenção e/ou redução de imposto se caracteriza como subvenção para investimento, como ocorre com a isenção e/ou redução do ICMS que evidencia, antes, um não desembolso financeiro, isto é, um benefício que passa a integrar o capital de giro do negócio. O acórdão recorrido, por seu turno, vem considerar que os incentivos concedidos pelo Governo do Estado da Bahia, por meio da Lei nº 7.980, de 2001, que instituiu o Programa DESENVOLVE, com o objetivo de estimular a instalação de novas indústrias e a expansão, reativação ou a modernização de empreendimentos industriais já instalados se constituem em subvenções para investimentos, pois condicionadas, a novos investimentos visando aumento da produção, desenvolvimento tecnológico, competitividade, geração de empregos e integração de cadeias produtivas e de comercialização. Portanto, as conclusões sobre a matéria ora recorrida nos acórdãos examinados revelamse discordantes, restando plenamente configurada a divergência jurisprudencial pela PGFN." Se retomado o acórdão recorrido, verificase que seu critério de decidir, de fato, foi a análise específica dos termos em que concedidos os incentivos pelo Programa DESENVOLVE, instituído pelo Governo do Estado da Bahia por meio da Lei n. 7.980/2001, concluindo trataremse de subvenções para investimentos, pois expressamente condicionados, como o título sugere, a novos investimentos visando ao aumento da produção, competitividade, geração de empregos e integração de cadeias produtivas e de comercialização: Fl. 600DF CARF MF 12 "Não se questionam os argumentos da recorrente de que, no caso concreto, o projeto habilitado junto ao Estado da Bahia foi o de expansão do parque industrial da INAL Nordeste S/A, que vem se ultimando no decorrer dos anos e que, só no período fiscalizado (2006 e 2007), elevou suas contas ativas de "Terrenos" de R$ 100.000,00 para R$ 1.773.752,00, de “Edifícios e Construções" de R$ 7.036.027,69 para R$ 17.540.934,20, e de "Equipamentos, Máquinas e Instalações Industriais", conforme demonstrado em suas declarações de fls. 130 a 170. Interessa definir, para o presente julgamento, é se o Programa de Desenvolvimento Industrial e de Integração Econômica – DESENVOLVE, editado pelo Governo do Estado da Bahia, procurou estimular a instalação de novos investimentos e expansão e modernização dos já existentes, situação em que os benefícios concedidos constituiriamse em subvenções para o investimento ou se se constituem em subvenções correntes para o custeio. Neste sentido, necessário que se analise as finalidades e eventuais encargos ou obrigações determinados na Lei nº 7.980, de 2001, do Estado da Bahia, e pelo Decreto nº 8.025, de 2002, que regulamentou a referida lei. Nestes sentido, destacamse os seguintes dispositivos da lei referida: (...) Pelo que se extrai da conjugação dos arts. 1º, 3º e 8º, acima transcritos, o benefício concedido pelo Estado da Bahia tem por objetivo fomentar e diversificar a matriz industrial e agroindustrial do Estado da Bahia, assim compreendido pela instalação de novas indústrias, expansão das já existentes com aumento de investimentos permanentes de, no mínimo, 30% na produção física em relação a produção obtida nos 12 meses anteriores, retomada de estabelecimento industrial cujas atividades estejam paralisadas há mais 12 meses, modernização com incorporação de novas tecnologias que resultem aumento significativo de competitividade, além da geração de empregos, desconcentração espacial dos adensamentos industriais e integração de cadeias produtivas e de comercialização, conforme previsto no artigo 8º, incisos I, II, e III, antes transcritos. Ao se analisar o Decreto nº 8.205, de 2002, que aprovou o regulamento do Programa de Desenvolvimento Industrial e de Integração Econômica do Estado da Bahia – DESENVOLVE, instituído pela Lei nº 7.980, de 12 de dezembro de 2001, do Estado da Bahia, verificase que cabe ao Conselho Deliberativo do citado programa aprovar os projetos propostos, estabelecendo condições e acompanhar a execução, implantação, expansão reativação e evolução dos níveis de produção e emprego. Neste sentido, destaco o que consta do artigo 7º, I e II, do referido Regulamento: (...) Verifico, ainda, que nos termos dos artigos 8º e 9º do citado regulamento, a empresa interessada em participar do programa deve apresentar Carta Consulta com informações básicas do projeto e, se acolhido, após esta deverá apresentar projeto completo do empreendimento. Mais, pelo disposto no artigo 16 do Regulamento, a manutenção dos incentivos é condicionada à comprovação contábil e física do investimento projetado, comprovado por laudo de inspeção da Secretaria Executiva do Programa. Neste sentido destaco os artigos 16 e 17, da norma antes referida, a seguir transcritos: (...) Fl. 601DF CARF MF Processo nº 13502.000458/200904 Acórdão n.º 9101003.471 CSRFT1 Fl. 596 13 Por fim, ainda observo que, a teor do artigo 21 do citado regulamento, qualquer alteração no projeto que implique em modificação dos critérios inicialmente estabelecidos deverá ser comunicado à autoridade competente, para avaliação. Da análise que faço do caso concreto, os incentivos concedidos pelo Governo do Estado da Bahia, por meio da Lei nº 7.980, de 2001, que instituiu o Programa DESENVOLVE, não se tratam de subvenções correntes para custeio e sim subvenções para investimentos, pois condicionadas, de forma expressa, a novos investimentos visando aumento da produção, competitividade, geração de empregos e integração de cadeias produtivas e de comercialização. ISSO POSTO, voto no sentido de dar provimento ao recurso para cancelar o lançamento." (destacouse) Por seu turno, observase que o acórdão paradigma, seja em sua ementa que particularmente, há que se dizer, mais se assemelha ao voto proferido pela conselheira relatora Sandra Barbon Lewis, considerada vencida no resultado do julgamento e também pela introdução do redator designado, embora ambos tenham negado provimento ao recurso da contribuinte , seja nas razões do voto vencedor, não guarda paralelismo com a decisão recorrida. Vejase cada um deles: Ementa: "NORMAS PROCESSUAIS. OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. VIA ADMINISTRATIVA. DESISTÊNCIA. A opção pela via judicial configurase desistência da via administrativa. Inexiste dispositivo legal que permita a discussão paralela da mesma matéria em instâncias diversas, a administrativa e judicial. A decisão administrativa seria inócua perante a judicial. CONSTITUCIONALIDADE DE LEI. A análise da legalidade ou constitucionalidade de uma norma legal está reservada privativamente ao Poder Judiciário, conforme previsto nos arts. 97 e 102, III, b, da Carta Magna, não cabendo, portanto, à autoridade administrativa, apreciar a constitucionalidade de lei, limitandose tão somente a aplicála. Nos termos do art. 22A do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, é defeso aos Conselhos de Contribuintes afastar lei vigente em razão de sua inconstitucionalidade ou ilegalidade, salvo nos casos expressos no referido ato normativo. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Somente serão nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente ou com cerceamento do direito de defesa, conforme definido no inciso I do art. 59 do Decreto nº 70.235/72. A autuação está perfeitamente motivada e justificada, conforme demonstram o seu teor e os documentos que a acompanham, não tendo se caracterizado prejuízo ao direito de defesa do autuado. BASE DE CÁLCULO. VARIAÇÕES CAMBIAIS. VARIAÇÕES MONETÁRIAS. A COFINS incide sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, nelas se incluindo as advindas de aplicações financeiras, inclusive as variações cambiais ativas, uma vez que inexiste dispositivo legal que possibilite suas exclusões da base de cálculo. As variações cambiais ativas de direitos e obrigações em moeda estrangeira compõem a base de cálculo da Cofins e, se Fl. 602DF CARF MF 14 tributadas pelo regime de competência, devem ser reconhecidas a cada mês, independentemente da efetiva liquidação das operações correspondentes. SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO. ISENÇÕES E REDUÇÕES DE IMPOSTOS. Nem toda isenção e/ou redução de imposto se caracteriza como subvenção para investimento, como ocorre com a isenção e/ou redução do ICMS que evidencia, antes, um nãodesembolso financeiro, isto é, um benefício que passa a integrar o capital de giro do negócio. Recurso negado." Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por COTECE S.A. ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Sandra Barbon Lewis (Relatora), Flávio de Sá Munhoz, Rodrigo Bemardes de Carvalho e Gustavo de Freitas Cavalcanti Costa (Suplente). Designado o Conselheiro Júlio César Alves Ramos para redigir o voto vencedor." (destacouse) Voto da conselheira relatora: "VOTO DA CONSELHEIRA RELATORA SANDRA BARBON LEWIS Sendo tempestivo o recurso, passo a decidir. A controvérsia cingese à eventual ocorrência de cerceamento de defesa no procedimento administrativo fiscal, bem como irregularidades no mesmo procedimento, por vício formal, o que ocasionaria a nulidade do procedimento administrativo fiscal; a inconstitucionalidade da Lei n° 9718/98 e Emenda Constitucional n° 20/98, determinação da base de cálculo do tributo em análise e benefício fiscal, o que implicaria na improcedência do lançamento. (...) Subvenções para Investimento. Isenções e Reduções de Impostos. A redução do ICMS imposto não se caracteriza como subvenção para investimento , mas, nãodesembolso financeiro, isto é, um benefício que passa a integrar o capital de giro do negócio, portanto, integra a base de cálculo do tributo para o presente caso. É que com a redução do ICMS a recolher a Recorrente inevitavelmente auferiu receitas decorrentes da recuperação de custos ou despesas que, como visto, não integra a lista exaustiva das exclusões da base de cálculo da contribuição em apreço no § 2° do art. 3° da Lei n° 9718/98, motivo pelo que rejeito a argumentação da Recorrente. Conclusão Ante o exposto no sentido de rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar provimento ao recurso , para manter a decisão recorrida em todos os seus termos, confirmandose o lançamento efetuado contra a Recorrente." Voto do redator designado: "VOTO DO REDATOR DESIGNADO JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Fui designado relator no presente processo em virtude da divergência que se estabeleceu na Câmara quanto às duas matérias de que trata o recurso da empresa, a saber, a inclusão na base de cálculo da Cofins das variações Fl. 603DF CARF MF Processo nº 13502.000458/200904 Acórdão n.º 9101003.471 CSRFT1 Fl. 597 15 cambiais e dos recursos repassados pelo Governo do Estado do Ceará como incentivo à implantação de empresas. (...) Quanto à segunda matéria, se refere ao correto enquadramento contábil das subvenções e, por decorrência, à incidência da Cofins. O primeiro registro do tema pode ser encontrado na norma legal que tratava dos lançamentos contábeis para efeito de exigência do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, antes da edição da Lei n° 6.404/76 (Lei das SA), ou seja, a Lei n° 4.506/64. Assim dispunha: Art. 44. (...) Art. 38 (...) Examinando o assunto, a Coordenação do Sistema de Tributação da SRF expediu o Parecer Normativo (PN CST) n° 112/78, que esclareceu os requisitos para que as subvenções recebidas possam ser tratadas como para investimento, permitindose o seu lançamento direto em conta de reserva de capital sem transitar pelo resultado do período. Assim, tomando como referência o PN CST n° 02/78, adotou o seguinte entendimento: 2.12 — Observase que a subvenção para investimento apresenta características bem marcantes, exigindo até mesmo perfeita sincronia da intenção do subvencionador com a ação do subvencionado. Não basta apenas o "animus" de subvencionar para investimento. Impõese, também, a efetiva e específica aplicação da subvenção, por parte do beneficiário, nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado. Por outro lado, a simples aplicação dos recursos decorrentes da subvenção em investimentos não autoriza a sua classificação como SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. Mais adiante em seu item 2.14: ... As SUBVENÇÕES, em princípio, serão todas elas, computadas na determinação do lucro líquido: as subvenções para custeio ou operação, na qualidade de integrantes do resultado operacional; as subvenções para • investimento, como parcelas do resultado nãooperacional. Resta ainda definir se essa inclusão das subvenções no resultado operacional, se de custeio, e nãooperacional, se para investimento, implica sua tributação pela COFINS, após a edição da Lei n° 9.718/98. É que entendem algtms que, mesmo integrando o resultado operacional, não se conformariam a uni conceito de receitas, mais restritivo, que exigiria uma efetiva contraprestação em bens ou serviços por parte da recebedora dos recursos. Essa linha de raciocínio pretende estabelecer uma distinção entre acréscimo patrimonial, o gênero, e receitas, definindoas como espécie daquele, que incluiria ainda as recuperações de despesas, as subvençõese — as —doações. Podese encontrar na— literatura contábil exemplo (embora aparentemente isolado) de tal definição, na seguinte conceituação: Receita é a expressão monetária, validada pelo mercado, do agregado de bens e serviços da entidade, em sentido amplo, em determinado período de tempo e que provoca um acréscimo concomitante no ativo e no patrimônio líquido, considerado separadamente. da diminuição do ativo (ou do acréscimo do passivo) e do patrimônio liquido provocados pelo esforço em produzir tal receita. Entretanto, tal definição (ou, melhor dizendo, a interpretação que nela pretenda ver a possibilidade de excluir alguns tipos de acréscimo patrimonial) não encontra guarida nas normas técnicas de contabilidade emitidas pelo Conselho Federal de Contabilidade (CFC), órgão legalmente habilitado a disciplinar o Fl. 604DF CARF MF 16 exercício da profissão. Com efeito, a Norma Técnica NI3T •,10 subitem 10.16, aprovada pela Resolução CFC n° 922, de 13 de dezembro de 2001 estabelece: (...) Essa determinação do órgão responsável pelo disciplinamento do exercício da , contabilidade no nosso País, ratifica, como não poderia deixar de ser, o que já vem expresso na norma legal específica do assunto, qual seja a Lei n° 6.404/76: Art. 182. (...) Guarda, além disso, e igualmente como não poderia deixar de ser, inteira coerência com as resoluções do mesmo Conselho que definem e explicam os princípios de contabilidade geralmente aceito. (...) Por tudo quanto exposto, não parece haver dúvida de que, sendo as subvenções para custeio, RECEITAS integrantes do subgrupo dos Resultados Operacionais, estão • englobadas no conjunto de elementos contábeis sujeitos à tributação pela Cofins após o advento da Lei n° 9.718/98. No caso em discussão, a impropriedade de sua classificação como subvenção para investimento avulta da leitura da documentação acostada aos autos, da qual inequivocamente se conclusão não haver qualquer exigência para que os recursos recebidos dos cofres do Estado do Ceará sejam obrigatoriamente aplicados .na aquisição de ativos necessários à implantação ou à expansão do parque fabril da autuada. Muito ao contrário, a concessão de tais recursos apenas encontra como condições: 1. a implantação do empreendimento no Estado do Ceará; e 2 uma vez implantado, a sua continuidade dentro de padrões de desempenho vagamente definidos e acompanhados pelo governo do Estado. Por conseguinte, apenas uma alegação quanto à inaplicabilidade do PN CST n° 112/78 poderia socorrer a autuada. Como é cediço, tal argumento não cabe no leque de competências deste Conselho, mormente após a inclusão em seu regimento do art. 22A. Assim, considerando que: 1. as subvenções ora sob exame são classificáveis corretamente como subvenções correntes para custeio; . 2. tais subvenções integram, na condição de receitas, o resultado operacional da empresa; e 3. o §1° do art. 3o da Lei n° 9.718/98 determina a tributação pela Cofins da . totalidade das receitas obtidas pela pessoa jurídica. Voto por negar provimento ao recurso." Observase que em todos os trechos não se está em questão a matéria delimitada como objeto do recurso fazendário, tampouco, e o que seria essencial, o julgamento do mesmo ponto analisado pelo acórdão recorrido, mas com interpretação distinta da lei tributária. Enquanto neste se apreciou as características do Programa DESENVOLVE, instituído pelo Estado da Bahia por meio da Lei n. 7.980/2001, a fim de enquadrálo como subvenção para investimento ou custeio com a conseqüente tributação pelo IRPJ, no acórdão paradigma a questão que se pôs em julgamento referiase à forma de contabilização das receitas classificadas como subvenções para custeio, a partir de incentivo de ICMS concedido pelo Estado do Ceará, no intuito de verificar a incidência da COFINS, conforme a Lei n. 9178/98. Ainda que se pudesse argüir que subjacentes a ambos estaria a forma de compreensão a respeito das subvenções para investimento e custeio, não se vê divergência de posicionamentos, em tese, sobre a classificação de tais incentivos, a exemplo de Fl. 605DF CARF MF Processo nº 13502.000458/200904 Acórdão n.º 9101003.471 CSRFT1 Fl. 598 17 hipoteticamente numa decisão se compreender que haveria a necessidade de condicionamento a novos investimentos para a primeira subvenção e noutro não, mas reiterase, aqui não houve divergência de conceituação. Finalizando o exercício de suposição o que se admite mesmo apenas para fins de argumentação, uma vez que não teria sido desenvolvido no cotejo analítico requerido regimentalmente para a admissibilidade do recurso , também não foi o caso dos dois acórdãos avaliarem um mesmo incentivo ou dois exatamente com as mesma características e classificálos, diferentemente, como subvenção para custeio num e investimento, noutro. Isso certamente demandaria similitude fáctica, também não configurada na presente situação, além de que notadamente este não foi o foco do paradigma, assim como não o foi a análise da situação concreta de preenchimento de requisitos por parte das autuadas, como deixou textualmente consignado, desde o início, a decisão recorrida. Por essas razões, VOTASE POR NÃO CONHECER o recurso especial fazendário. (assinado digitalmente) Daniele Souto Rodrigues Amadio Fl. 606DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10972.000047/2008-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2003, 2004
PIS. OPERADORA DE PLANOS DE SAÚDE - OPS. EXCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DAS RECEITAS DECORRENTES DOS ATOS PRATICADOS COM SEUS ASSOCIADOS, DESIGNADOS ATOS TÍPICOS, PRÓPRIOS. LANÇAMENTO PELA SUA INCLUSÃO. IMPROCEDÊNCIA.
É assente na jurisprudência pátria que há diferença entre atos praticados pelas cooperativas com terceiros tomadores de serviços não associados e atos em prol dos cooperados.
Atos praticados com terceiros não associados são receitas tributáveis para fins de PIS e COFINS. Atos cooperativos são ingressos, logo, fora do campo de incidência das referidas contribuições.
Precedentes do STF em sede de repercussão geral (RE 598.085/RJ, DJe 10/02/2015, votação unânime e 599.362/RJ, DJe 10/02/2015, votação unânime) e do STJ em regime de recursos repetitivos (REsp. 1.141.667/RS, 1a Seção do STJ, v. u., DJe 04/05/2016 e REsp. 1.164.716/MG, 1a seção do STJ, v. u., DJe 04/05/2016).
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004
COFINS. OPERADORAS DE PLANO DE SAÚDE - OPS. EXCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DAS RECEITAS DECORRENTES DOS ATOS PRATICADOS COM SEUS ASSOCIADOS, DESIGNADOS ATOS TÍPICOS, PRÓPRIOS. LANÇAMENTO PELA SUA INCLUSÃO. IMPROCEDÊNCIA.
É assente na jurisprudência pátria que há diferença entre atos praticados pelas cooperativas com terceiros tomadores de serviços não associados e atos em prol dos cooperados.
Atos praticados com terceiros não associados são receitas tributáveis para fins de PIS e COFINS. Atos cooperativos são ingressos, logo, fora do campo de incidência das referidas contribuições.
Precedentes do STF em sede de repercussão geral (RE 598.085/RJ, DJe 10/02/2015, votação unânime e 599.362/RJ, DJe 10/02/2015, votação unânime) e do STJ em regime de recursos repetitivos (REsp. 1.141.667/RS, 1a Seção do STJ, v. u., DJe 04/05/2016 e REsp. 1.164.716/MG, 1a seção do STJ, v. u., DJe 04/05/2016).
Numero da decisão: 3401-004.447
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício, em razão de não ter sido superado o limite de alçada, e da Súmula CARF. n. 103, e em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para acolher as deduções referente aos valores repassados aos médicos cooperados. Sustentou pela contribuinte o advogado Aylan César de Melo Júnior, OAB/MG 112.670.
Rosaldo Trevisan Presidente
André Henrique Lemos - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos, Tiago Guerra Machado, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Marcos Roberto das Silva (suplente convocado em substituição à Conselheira Mara Cristina Sifuentes).
Nome do relator: ANDRE HENRIQUE LEMOS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2003, 2004 PIS. OPERADORA DE PLANOS DE SAÚDE - OPS. EXCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DAS RECEITAS DECORRENTES DOS ATOS PRATICADOS COM SEUS ASSOCIADOS, DESIGNADOS ATOS TÍPICOS, PRÓPRIOS. LANÇAMENTO PELA SUA INCLUSÃO. IMPROCEDÊNCIA. É assente na jurisprudência pátria que há diferença entre atos praticados pelas cooperativas com terceiros tomadores de serviços não associados e atos em prol dos cooperados. Atos praticados com terceiros não associados são receitas tributáveis para fins de PIS e COFINS. Atos cooperativos são ingressos, logo, fora do campo de incidência das referidas contribuições. Precedentes do STF em sede de repercussão geral (RE 598.085/RJ, DJe 10/02/2015, votação unânime e 599.362/RJ, DJe 10/02/2015, votação unânime) e do STJ em regime de recursos repetitivos (REsp. 1.141.667/RS, 1a Seção do STJ, v. u., DJe 04/05/2016 e REsp. 1.164.716/MG, 1a seção do STJ, v. u., DJe 04/05/2016). Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 COFINS. OPERADORAS DE PLANO DE SAÚDE - OPS. EXCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DAS RECEITAS DECORRENTES DOS ATOS PRATICADOS COM SEUS ASSOCIADOS, DESIGNADOS ATOS TÍPICOS, PRÓPRIOS. LANÇAMENTO PELA SUA INCLUSÃO. IMPROCEDÊNCIA. É assente na jurisprudência pátria que há diferença entre atos praticados pelas cooperativas com terceiros tomadores de serviços não associados e atos em prol dos cooperados. Atos praticados com terceiros não associados são receitas tributáveis para fins de PIS e COFINS. Atos cooperativos são ingressos, logo, fora do campo de incidência das referidas contribuições. Precedentes do STF em sede de repercussão geral (RE 598.085/RJ, DJe 10/02/2015, votação unânime e 599.362/RJ, DJe 10/02/2015, votação unânime) e do STJ em regime de recursos repetitivos (REsp. 1.141.667/RS, 1a Seção do STJ, v. u., DJe 04/05/2016 e REsp. 1.164.716/MG, 1a seção do STJ, v. u., DJe 04/05/2016).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício, em razão de não ter sido superado o limite de alçada, e da Súmula CARF. n. 103, e em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para acolher as deduções referente aos valores repassados aos médicos cooperados. Sustentou pela contribuinte o advogado Aylan César de Melo Júnior, OAB/MG 112.670. Rosaldo Trevisan Presidente André Henrique Lemos - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos, Tiago Guerra Machado, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Marcos Roberto das Silva (suplente convocado em substituição à Conselheira Mara Cristina Sifuentes).
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FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2003, 2004 PIS. OPERADORA DE PLANOS DE SAÚDE OPS. EXCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DAS RECEITAS DECORRENTES DOS ATOS PRATICADOS COM SEUS ASSOCIADOS, DESIGNADOS ATOS TÍPICOS, PRÓPRIOS. LANÇAMENTO PELA SUA INCLUSÃO. IMPROCEDÊNCIA. É assente na jurisprudência pátria que há diferença entre atos praticados pelas cooperativas com terceiros tomadores de serviços não associados e atos em prol dos cooperados. Atos praticados com terceiros não associados são receitas tributáveis para fins de PIS e COFINS. Atos cooperativos são ingressos, logo, fora do campo de incidência das referidas contribuições. Precedentes do STF em sede de repercussão geral (RE 598.085/RJ, DJe 10/02/2015, votação unânime e 599.362/RJ, DJe 10/02/2015, votação unânime) e do STJ em regime de recursos repetitivos (REsp. 1.141.667/RS, 1a Seção do STJ, v. u., DJe 04/05/2016 e REsp. 1.164.716/MG, 1a seção do STJ, v. u., DJe 04/05/2016). ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 COFINS. OPERADORAS DE PLANO DE SAÚDE OPS. EXCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DAS RECEITAS DECORRENTES DOS ATOS PRATICADOS COM SEUS ASSOCIADOS, DESIGNADOS ATOS TÍPICOS, PRÓPRIOS. LANÇAMENTO PELA SUA INCLUSÃO. IMPROCEDÊNCIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 2. 00 00 47 /2 00 8- 03 Fl. 2655DF CARF MF 2 É assente na jurisprudência pátria que há diferença entre atos praticados pelas cooperativas com terceiros tomadores de serviços não associados e atos em prol dos cooperados. Atos praticados com terceiros não associados são receitas tributáveis para fins de PIS e COFINS. Atos cooperativos são ingressos, logo, fora do campo de incidência das referidas contribuições. Precedentes do STF em sede de repercussão geral (RE 598.085/RJ, DJe 10/02/2015, votação unânime e 599.362/RJ, DJe 10/02/2015, votação unânime) e do STJ em regime de recursos repetitivos (REsp. 1.141.667/RS, 1a Seção do STJ, v. u., DJe 04/05/2016 e REsp. 1.164.716/MG, 1a seção do STJ, v. u., DJe 04/05/2016). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício, em razão de não ter sido superado o limite de alçada, e da Súmula CARF. n. 103, e em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para acolher as deduções referente aos valores repassados aos médicos cooperados. Sustentou pela contribuinte o advogado Aylan César de Melo Júnior, OAB/MG 112.670. Rosaldo Trevisan – Presidente André Henrique Lemos Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos, Tiago Guerra Machado, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Marcos Roberto das Silva (suplente convocado em substituição à Conselheira Mara Cristina Sifuentes). Relatório Trata o presente processo de autos de infração (efl. 10 e seguintes), referentes ao PIS e COFINS, de 1999 a 2004, por falta/insuficiência de seus recolhimentos, juros de mora e multa de ofício (75%). Apresentou impugnação (efls. 910 e seguintes), dizendo: 1) Jurídicoeconomicamente e não societariamente , possui roupagem de operadora de planos de saúde, embora de modo societário seja uma cooperativa de trabalho médico, mas que isto não guarda incongruência com o artigo 5°, da Lei 5.764/71; 2) As incidências do PIS/COFINS são reguladas por normas próprias, não cabendo no caso a aplicação por analogia do ato cooperativo (artigo 79 e parágrafo único da Lei 5.764/71), aplicável para os casos de IRPJ/CSLL; Fl. 2656DF CARF MF Processo nº 10972.000047/200803 Acórdão n.º 3401004.447 S3C4T1 Fl. 2.656 3 3) Houve recolhimento da COFINS, somente com relação à operação com não associados (ato não cooperado), janeiro a dezembro/99, conta 41020010005, bem como para os anos de 2000 e 2001; 4) A fiscalização utilizou base de cálculo que não se aplicava às sociedades cooperativas, como custos dos serviços de laboratórios, hospitais, clínicas, descontos concedidos e Fates; 5) Obteve liminar, e posteriormente, sentença nos autos do mandado de segurança 2000.38.02.004008, confirmando o direito ao recolhimento da COFINS, nos termos da LC 70/91, fazendo com que continuasse a recolher a referida contribuição sobre os atos não cooperados, razão pela qual as planilhas apresentadas pela fiscalização deveriam seguir a base de cálculo com as exclusões admitidas; 6) A receita da operadora, cooperativa médica, é a taxa de administração pelo agenciamento da operacionalização dos planos de saúde; 7) Decadência de 07/1999 a 12/2003, contandoa nos termos do artigo 150, § 4°, do CTN, vez que a Lei 8.212/91, não poderia fixar prazo decadencial por não ser LC, como é o caso do CTN, o qual possui status de LC; 8) A inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS/COFINS para o período de janeiro de 1999 a novembro de 2001; 9) A legalidade da dedução das sobras da base de cálculo do PIS/COFINS, antes da destinação para a constituição do fundo de reserva e do fundo de assistência técnica, educacional e social, de acordo com o artigo 1° da Lei 10.676/2003 e artigo 28 da Lei 5.764/71, respectivamente; 10) Direito de calcular e recolher a COFINS, período de dez/2001 a dez/2004, deduzindo os eventos indenizáveis e efetivamente pagos relacionados à assistência à saúde que tem cobertura contratual, definido no Plano de Contas Padrão ANS (RN 147/07 e IN/ANS 09/2007); 11) Improcedência do auto de infração sobre as vendas de medicamentos (setembro/2003 a dezembro/2004). Aditou a impugnação às efls. 1.043 e seguintes, enfatizando: a) A decadência, por conta da Súmula Vinculante 8 do STF, estando caducas as exigências de 1992 a 2002; e, em relação aos meses de janeiro a abril de 2003, conforme reconhecido pela autora, foram feitos pagamentos parciais, devendo a contagem ser feita a partir do fato gerador, e portanto, estendida de 01/01/1999 a 30/04/2003. b) Não tributação do ato cooperativo, de acordo com o entendimento do STJ (AgRg no RESp. 823.934/MG) e do CARF (acórdãos CSRF/0104.454 e 0105.741). c) Deduções previstas no § 9°, da Lei 9.718/98 não questionadas pela fiscalização. d) A demasiada importância que o relatório fiscal do AI deu às decisões judiciais proferidas nos autos 2000.38.02.0004008 (COFINS) e 2000.38.02.0004010 (PIS). Entretanto, a inconstitucionalidade do artigo 3°, § 1°, da Lei 9.718/98 foi reconhecida pelo STF, devendo, esta, prevalecer, devendo ser a Administração Pública cumprir o verbete da Súmula, nos termos do artigo 2°, da Lei 11.417/2006. Fl. 2657DF CARF MF 4 e) Venda de medicamentos pela filial (farmácia Unimed), incluída na base de cálculo da autuação, esta foi beneficiada pela alíquota zero do PIS/COFINS, não cabendo a pretendida incidência. A DRJ de Juiz de Fora/MG, às efls. 1.084 e seguintes, à unanimidade de votos, julgou procedente em parte da impugnação, a partir da seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. Com a edição da Súmula Vinculante n.° 8, do STF, a constituição dos créditos da seguridade social, ai incluídos a Cofins e o PIS/Pasep, passa a obedecer as regras contidas no CTN, observando quando da existência de pagamento antecipado àquela contida no § 4° do art. 150 e, na ausência de pagamento, àquela contida no art. 173, I, do CIN. BASE DE CALCULO. SOCIEDADE COOPERATIVA. A partir de novembro de 1999 a base cálculo da Cofins e do PIS/Pasep é a receita bruta proveniente de atos cooperativos e nãocooperativos, sendo permitidas somente as exclusões e deduções previstas em lei. OPERADORAS DE PLANO DE SAÚDE. DEDUÇÕES ESPECÍFICAS. As deduções especificamente destinadas às operadoras de plano de assistência A saúde não autorizam a exclusão dos custos decorrentes do atendimento a seus usuários, como despesas hospitalares, honorários médicos, custos com exames, etc, para fins de apuração da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins. ALARGAMENTO DA BASE DE CALCULO. COISA JULGADA. DECISÃO DO STF SEM EFICÁCIA ERGA OMNES. A luz do Código de Processo Civil, a "sentença faz coisa julgada as Partes entre as quais é dada, não beneficiando, nem prejudicando terceiros". As decisões do STF, sem eficácia erga omnes, declarando a inconstitucionalidade do § 10 do art. 3° da Lei n.° 9.718/98, não tem o condão de afastar a coisa julgada feita, entre as partes, de modo diverso ao decidido pela Suprema Corte. RECEITA DE VENDA DE MEDICAMENTOS. TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA. ALÍQUOTA ZERO. Devem ser excluídas da base de cálculo das contribuições os valores relativos As receitas de venda de medicamentos, uma vez que, nos períodos em que essas receitas foram lançadas, as pessoas jurídicas não enquadradas na condição de industrial ou de importador tiveram a alíquota reduzida a zero, em virtude da sistemática de tributação concentrada. Fl. 2658DF CARF MF Processo nº 10972.000047/200803 Acórdão n.º 3401004.447 S3C4T1 Fl. 2.657 5 Às efls. 1.117 e seguintes interpôs recurso voluntário, reiterando o que já defendera em sua impugnação, no tocante: (1) valores repassados aos médicos cooperados é ato cooperado típico, e assim, não se deve tributar o PIS/COFINS; (2) devem ser deduzidos os valores repassados aos médicos, nos termos do § 9°, do artigo 3° da Lei 9.718/98 e de acordo com o AgRg no RESp. 645.261/MG; (3) devem ser deduzidos os valores efetivamente pagos. É o relatório. Voto Conselheiro André Henrique Lemos, relator O recurso voluntário é tempestivo e dele tomo conhecimento. Com relação ao recurso de ofício, o valor não superou o limite de alçada, por corolário, com fundamento na Súmula CARF. n. 103, dele não se conhece. Passese a análise do mérito. I. DAS SOCIEDADES COOPERATIVAS NO ORDENAMENTO JURÍDICO BRASILEIRO As sociedades cooperativas são reguladas pela Lei 5.764/71, recepcionada pela Constituição Federal com força de lei complementar, havendo incentivo à criação de sociedades cooperativas, nos termos dos artigos 5o, XVIII, 146, III, "c", 170 e 174, § 2°: Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: XVIII a criação de associações e, na forma da lei, a de cooperativas independem de autorização, sendo vedada a interferência estatal em seu funcionamento; Art. 146. Cabe à lei complementar: III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: c) adequado tratamento tributário ao ato cooperativo praticado pelas sociedades cooperativas. Art. 170. A ordem econômica, fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa, tem por fim assegurar a todos existência digna, conforme os ditames da justiça social, observados os seguintes princípios: Fl. 2659DF CARF MF 6 Art. 174. Como agente normativo e regulador da atividade econômica, o Estado exercerá, na forma da lei, as funções de fiscalização, incentivo e planejamento, sendo este determinante para o setor público e indicativo para o setor privado. § 2º A lei apoiará e estimulará o cooperativismo e outras formas de associativismo. Como é de sabido as sociedades cooperativas possuem forma e natureza jurídica próprias, de natureza civil não sujeitas à falência e são constituídas para prestar serviços aos seus associados, como preceitua o artigo 4° da Lei 5.764/71. Tais sociedades são formadas por grupos de pessoas com o intuito de cooperar entre si, visando o proveito comum e sem fins lucrativos (artigo 3° da Lei 5.764/71), cujas sobras voltam, direta ou indiretamente para quem gerou a fonte de receita. Portanto, com estas brevíssimas considerações, percebese a singularidade desta espécie de sociedade, o que a diferencia, digase de passagem, das sociedades comerciais, por exemplo. II. DO ATO COOPERATIVO. A DIFERENÇA ENTRE ESTE E UMA ATIVIDADE EMPRESARIAL E SUAS CONSEQUÊNCIAS PARA FINS DE TRIBUTAÇÃO DO PIS E DA COFINS O conceito de ato cooperativo, por seu turno, encontra arrimo no artigo 79 da Lei 5.764/71: Art. 79. Denominamse atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. Parágrafo único. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. Vêse que o chamado ato cooperativo é aquele praticado entre a cooperativa e seus associados, ou seja, atos "típicos", "diretos","internos", conforme dicção do caput do artigo 79 acima, estes, não implicando operação e mercado, leiase, ato de mercancia, assim entendido, uma mudança de titularidade de um bem (material ou imaterial) a um terceiro não associado, de acordo com a exegese do parágrafo único, do mesmo dispositivo legal. Entrementes, esta disposição não é isentiva, mas declaratória da nãoincidência, como, precisamente, nos ensina o professor Renato Lopes Becho, in RDDT 41/85. Deste modo, se a Cooperativa presta um serviço para si mesma, ou melhor dizendo, para seus associados, não há se falar em faturamento1 ou receita típica para fins de incidência do PIS e da COFINS. Haverá prestação de serviços quando houver uma obrigação 1 Faturamento é o conjunto de faturas emitidas, a soma dos contratos de venda (de mercadoria e/ou serviço, por exemplo), logo, a cooperativa não realizando contratos de venda não haverá incidência do PIS e da COFINS (Renato Lopes Becho, Na Tributação das Cooperativas, Dialética, 1999). Noutro falar, somente haveria a incidência das referidas contribuições, caso a cooperativa prestasse serviço para um terceiro não associado, cujo auferimento seria oriundo de "receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza". Fl. 2660DF CARF MF Processo nº 10972.000047/200803 Acórdão n.º 3401004.447 S3C4T1 Fl. 2.658 7 de fazer, um facere para um terceiro neste caso, um terceiro tomador dos serviços, não associado da cooperativa , que, no caso, não há, repetese. A Lei 5.764/71 esclarece que ato praticado por cooperativos a terceiros não associados é renda tributável: Art. 87. Os resultados das operações das cooperativas com não associados, mencionados nos artigos 85 e 86, serão levados à conta do "Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social" e serão contabilizados em separado, de molde a permitir cálculo para incidência de tributos. Art. 111. Serão considerados como renda tributável os resultados positivos obtidos pelas cooperativas nas operações de que tratam os artigos 85, 86 e 88 desta Lei. Art. 85. As cooperativas agropecuárias e de pesca poderão adquirir produtos de não associados, agricultores, pecuaristas ou pescadores, para completar lotes destinados ao cumprimento de contratos ou suprir capacidade ociosa de instalações industriais das cooperativas que as possuem. Art. 86. As cooperativas poderão fornecer bens e serviços a não associados, desde que tal faculdade atenda aos objetivos sociais e estejam de conformidade com a presente lei. Art. 88. Poderão as cooperativas participar de sociedades não cooperativas para melhor atendimento dos próprios objetivos e de outros de caráter acessório ou complementar. Por outro lado, a Resolução CFC 920/2001, aprovou a Norma Brasileira de Contabilidade NBC T 10 Dos Aspectos Contábeis Específicos em Entidades Diversas Entidades Cooperativas NBC T 10.8, merecendo destaques: 10.8.1.2 – Entidades Cooperativas são aquelas que exercem as atividades na forma de lei específica, por meio de atos cooperativos, que se traduzem na prestação de serviços diretos aos seus associados, sem objetivo de lucro, para obterem em comum melhores resultados para cada um deles em particular. Identificamse de acordo com o objeto ou pela natureza das atividades desenvolvidas por elas, ou por seus associados. 10.8.1.4 – A movimentação econômicofinanceira decorrente do ato cooperativo, na forma disposta no estatuto social, é definida contabilmente como ingressos e dispêndios (conforme definido em lei). Aquela originada do ato nãocooperativo é definida como receitas, custos e despesas. Já o Poder Judiciário, por seu turno, seja pelo STJ (AgRg no Ag 1.418.104/MG, DJe 14/09/2015; EDcl no REsp. 1.382.587/ES, DJe 04/08/2015; AgRg no AREsp. 674.512/SP, DJe 18/05/2015; REsp. 600.458/MG, DJe 17/04/2015), seja por meio do STF (RE 598.085/RJ; RE 599.362/RJ, estes julgados no mérito de repercussão geral, temas 177 e 323, respectivamente), entenderam de maneira pacificada que os atos praticados por cooperativa com terceiros não se inserem no conceito de atos cooperativos, revelandose uma atividade empresarial típica (escusas pela repetição desta expressão, também usada para ato Fl. 2661DF CARF MF 8 cooperativo, porém, de toda proposital, convencido que são atividades típicas, contudo, diversas, cada qual para seus respectivos segmentos), cuja receita auferida está no campo de incidência do PIS e da COFINS. Logo, por exclusão, não há incidência das contribuições nos atos cooperativos. De acordo com o artigo 62, § 2° do RICARF2, diante de decisões de definitivas de mérito em repercussão geral proferidas pelo STF e de repetitivos pelo STJ, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, portanto, seguem as ementas dos RE 598.085/RJ (DJe 10/02/2015, votação unânime) e 599.362/RJ (DJe 10/02/2015, votação unânime), respectivamente: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. TRIBUTÁRIO. ATO COOPERATIVO. COOPERATIVA DE TRABALHO. SOCIEDADE COOPERATIVA PRESTADORA DE SERVIÇOS MÉDICOS. POSTO REALIZAR COM TERCEIROS NÃO ASSOCIADOS (NÃO COOPERADOS) VENDA DE MERCADORIAS E DE SERVIÇOS SUJEITASE À INCIDÊNCIA DA COFINS, PORQUANTO AUFERIR RECEITA BRUTA OU FATURAMENTO ATRAVÉS DESTES ATOS OU NEGÓCIOS JURÍDICOS. CONSTRUÇÃO DO CONCEITO DE “ATO NÃO COOPERATIVO” POR EXCLUSÃO, NO SENTIDO DE QUE SÃO TODOS OS ATOS OU NEGÓCIOS PRATICADOS COM TERCEIROS NÃO ASSOCIADOS (COOPERADOS), EX VI, PESSOAS FÍSICAS OU JURÍDICAS TOMADORAS DE SERVIÇO. POSSIBILIDADE DE REVOGAÇÃO DO BENEFÍCIO FISCAL (ISENÇÃO DA COFINS) PREVISTO NO INCISO I, DO ART. 6°, DA LC Nº 70/91, PELA MP Nº 1.8586 E REEDIÇÕES SEGUINTES, CONSOLIDADA NA ATUAL MP Nº 2.158 35. A LEI COMPLEMENTAR A QUE SE REFERE O ART. 146, III, “C”, DA CF/88, DETERMINANTE DO “ADEQUADO TRATAMENTO TRIBUTÁRIO AO ATO COOPERATIVO”, AINDA NÃO FOI EDITADA. EX POSITIS, DOU PROVIMENTO AO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. 1. As contribuições ao PIS e à COFINS sujeitamse ao mesmo regime jurídico, porquanto aplicável a mesma ratio quanto à definição dos aspectos da hipótese de incidência, em especial o pessoal (sujeito passivo) e o quantitativo (base de cálculo e alíquota), a recomendar solução uniforme pelo colegiado. 2. O princípio da solidariedade social, o qual inspira todo o arcabouço de financiamento da seguridade social, à luz do art. 195 da CF/88, matriz constitucional da COFINS, é mandamental com relação a todo o sistema jurídico, a incidir também sobre as cooperativas. 3. O cooperativismo no texto constitucional logrou obter proteção e estímulo à formação de cooperativas, não como norma programática, mas como mandato constitucional, em especial nos arts. 146, III, c; 174, § 2°; 187, I e VI, e 47, § 7º, ADCT. O art. 146, c, CF/88, trata das limitações constitucionais 2 § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Fl. 2662DF CARF MF Processo nº 10972.000047/200803 Acórdão n.º 3401004.447 S3C4T1 Fl. 2.659 9 ao poder de tributar, verdadeira regra de bloqueio, como corolário daquele, não se revelando norma imunitória, consoante já assentado pela Suprema Corte nos autos do RE 141.800, Relator Ministro Moreira Alves, 1ª Turma, DJ 03/10/1997. 4. O legislador ordinário de cada pessoa política poderá garantir a neutralidade tributária com a concessão de benefícios fiscais às cooperativas, tais como isenções, até que sobrevenha a lei complementar a que se refere o art. 146, III, c, CF/88. O benefício fiscal, previsto no inciso I do art. 6º da Lei Complementar nº 70/91, foi revogado pela Medida Provisória nº 1.858 e reedições seguintes, consolidada na atual Medida Provisória nº 2.158, tornandose tributáveis pela COFINS as receitas auferidas pelas cooperativas (ADI 1/DF, Min. Relator Moreira Alves, DJ 16/06/1995). 5. A Lei nº 5.764/71, que define o regime jurídico das sociedades cooperativas e do ato cooperativo (artigos 79, 85, 86, 87, 88 e 111), e as leis ordinárias instituidoras de cada tributo, onde não conflitem com a ratio ora construída sobre o alcance, extensão e efetividade do art. 146, III, c, CF/88, possuem regular aplicação. 6. Acaso adotado o entendimento de que as cooperativas não possuem lucro ou faturamento quanto ao ato cooperativo praticado com terceiros não associados (não cooperados), inexistindo imunidade tributária, haveria violação a determinação constitucional de que a seguridade social será financiada por toda a sociedade, ex vi, art. 195, I, b, da CF/88, seria violada. 7. Consectariamente, atos cooperativos próprios ou internos são aqueles realizados pela cooperativa com os seus associados (cooperados) na busca dos seus objetivos institucionais. 8. A Suprema Corte, por ocasião do julgamento dos recursos extraordinários 357.950/RS, 358.273/RS, 390.840/MG, Relator Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, DJ 15082006, e 346.084/PR, Relator Min. ILMAR GALVÃO, Relator p/ Acórdão Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, DJ 01092006, assentou a inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo das contribuições destinadas ao PIS e à COFINS, promovida pelo § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, o que implicou na concepção da receita bruta ou faturamento como o que decorra quer da venda de mercadorias, quer da venda de mercadorias e serviços, quer da venda de serviços. 9. Recurso extraordinário interposto pela UNIÃO (FAZENDA NACIONAL), com fulcro no art. 102, III, “a”, da Constituição Federal de 1988, em face de acórdão prolatado pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região, verbis: TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. COOPERATIVA. LEI Nº. 5.764/71. COFINS. MP N°. 1.858/99. LEI 9.718/98, ART. 3°, § 1° (INCONSTITUCIONALIDADE). NÃOINCIDÊNCIA DA Fl. 2663DF CARF MF 10 COFINS SOBRE OS ATOS COOPERATIVOS. 1. A Emenda Constitucional nº 20, de 15 de dezembro de 1998 (DOU de 16/12/1998) não tem força para legitimar o texto do art. 3°, § 1°, da Lei nº. 9.718/98, haja vista que a lei entrou em vigor na data de sua publicação, em 28 de novembro de 1998. 2. É inconstitucional o § 1° do artigo 3º da Lei n° 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. (RREE. 357.950/RS, 346.084/PR, 358.273/RS e 390.840/MG) 3. Prevalece, no confronto com a Lei nº. 9718/98, para fins de determinação da base de cálculo da Cofins o disposto no art. 2° da Lei n° 70/91, que considera faturamento somente a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. 4. Os atos cooperativos (Lei nº. 5.764/71 art. 79) não geram receita nem faturamento para as sociedades cooperativas. Não compõem, portanto, o fato imponível para incidência da Cofins. (grifei). 5. Em se tratando de mandado de segurança, não são devidos honorários de advogado. Aplicação das Súmulas 512 do STF e 105 do STJ. 6. Apelação provida. (fls. 120/121). 10. A natureza jurídica dos valores recebidos pelas cooperativas e provenientes não de seus cooperados, mas de terceiros tomadores dos serviços ou adquirentes das mercadorias vendidas e a incidência da COFINS, do PIS e da CSLL sobre o produto de ato cooperativo, por violação dos conceitos constitucionais de “ato cooperado”, “receita da atividade cooperativa” e “cooperado”, são temas que se encontram sujeitos à repercussão geral nos recursos: RE 597.315RG, Relator Min. ROBERTO BARROSO, julgamento em 02/02/2012, Dje 22/02/2012, RE 672.215RG, Relator Min. ROBERTO BARROSO, julgamento em 29/03/2012, Dje 27/04/2012, e RE 599.362RG, Relator Min. DIAS TOFFOLI, Dje13122010, notadamente acerca da controvérsia atinente à possibilidade da incidência da contribuição para o PIS sobre os atos cooperativos, tendo em vista o disposto na Medida Provisória nº 2.15833, originariamente editada sob o nº 1.8586, e nas Leis nºs 9.715 e 9.718, ambas de 1998. 11. Ex positis, dou provimento ao recurso extraordinário para declarar a incidência da COFINS sobre os atos (negócios jurídicos) praticados pela recorrida com terceiros tomadores de serviço, resguardadas as exclusões e deduções legalmente previstas. Ressalvo, ainda, a manutenção do acórdão recorrido naquilo que declarou inconstitucional o § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta. Recurso extraordinário. Repercussão geral. Artigo 146, III, c, da Constituição Federal. Adequado tratamento tributário. Inexistência de imunidade ou de não incidência com relação ao ato cooperativo. Lei nº 5.764/71. Recepção como lei ordinária. PIS/PASEP. Incidência. MP nº 2.15835/2001. Afronta ao princípio da isonomia. Inexistência. Fl. 2664DF CARF MF Processo nº 10972.000047/200803 Acórdão n.º 3401004.447 S3C4T1 Fl. 2.660 11 1. O adequado tratamento tributário referido no art. 146, III, c, CF é dirigido ao ato cooperativo. A norma constitucional concerne à tributação do ato cooperativo, e não aos tributos dos quais as cooperativas possam vir a ser contribuintes. 2. O art. 146, III, c, CF pressupõe a possibilidade de tributação do ato cooperativo ao dispor que a lei complementar estabelecerá a forma adequada para tanto. O texto constitucional a ele não garante imunidade ou mesmo não incidência de tributos, tampouco decorre diretamente da Constituição direito subjetivo das cooperativas à isenção. 3. A definição do adequado tratamento tributário ao ato cooperativo se insere na órbita da opção política do legislador. Até que sobrevenha a lei complementar que definirá esse adequado tratamento, a legislação ordinária relativa a cada espécie tributária deve, com relação a ele, garantir a neutralidade e a transparência, evitando tratamento gravoso ou prejudicial ao ato cooperativo e respeitando, ademais, as peculiaridades das cooperativas com relação às demais sociedades de pessoas e de capitais. 4. A Lei nº 5.764/71 foi recepcionada pela Constituição de 1988 com natureza de lei ordinária e o seu art. 79 apenas define o que é ato cooperativo, sem nada referir quanto ao regime de tributação. Se essa definição repercutirá ou não na materialidade de cada espécie tributária, só a análise da subsunção do fato na norma de incidência específica, em cada caso concreto, dirá. 5. Na hipótese dos autos, a cooperativa de trabalho, na operação com terceiros – contratação de serviços ou vendas de produtos não surge como mera intermediária de trabalhadores autônomos, mas, sim, como entidade autônoma, com personalidade jurídica própria, distinta da dos trabalhadores associados. 6. Cooperativa é pessoa jurídica que, nas suas relações com terceiros, tem faturamento, constituindo seus resultados positivos receita tributável. 7. Não se pode inferir, no que tange ao financiamento da seguridade social, que tinha o constituinte a intenção de conferir às cooperativas de trabalho tratamento tributário privilegiado, uma vez que está expressamente consignado na Constituição que a seguridade social “será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei” (art. 195, caput, da CF/88). 8. Inexiste ofensa ao postulado da isonomia na sistemática de créditos conferida pelo art. 15 da Medida Provisória 2.158 35/2001. Eventual insuficiência de normas concedendo exclusões e deduções de receitas da base de cálculo da contribuição ao PIS Fl. 2665DF CARF MF 12 não pode ser tida como violadora do mínimo garantido pelo texto constitucional. 9. É possível, senão necessário, estabeleceremse diferenciações entre as cooperativas, de acordo com as características de cada segmento do cooperativismo e com a maior ou a menor necessidade de fomento dessa ou daquela atividade econômica. O que não se admite são as diferenciações arbitrárias, o que não ocorreu no caso concreto. 10. Recurso extraordinário ao qual o Supremo Tribunal Federal dá provimento para declarar a incidência da contribuição ao PIS/PASEP sobre os atos (negócios jurídicos) praticados pela impetrante com terceiros tomadores de serviço, objeto da impetração. Cumpre informar ainda, no toada do artigo 62, § 2° do RICARF, citado acima, duas decisões do E. STJ, ambas de 2016, as quais, em sede de recurso representativo de controvérsia, também se manifestaram sobre o tema: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. NÃO INCIDÊNCIA DO PIS E DA COFINS NOS ATOS COOPERATIVOS TÍPICOS. APLICAÇÃO DO RITO DO ART. 543C DO CPC E DA RESOLUÇÃO 8/2008 DO STJ. RECURSO ESPECIAL PARCIALMENTE PROVIDO. 1. Os RREE 599.362 e 598.085 trataram da hipótese de incidência do PIS/COFINS sobre os atos (negócios jurídicos) praticados com terceiros tomadores de serviço; portanto, não guardam relação estrita com a matéria discutida nestes autos, que trata dos atos típicos realizados pelas cooperativas. Da mesma forma, os RREE 672.215 e 597.315, com repercussão geral, mas sem mérito julgado, tratam de hipótese diversa da destes autos. 2. O art. 79 da Lei 5.764/71 preceitua que os atos cooperativos são os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. E, ainda, em seu parág. único, alerta que o ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. 3. No caso dos autos, colhese da decisão em análise que se trata de ato cooperativo típico, promovido por cooperativa que realiza operações entre seus próprios associados (fls. 124), de forma a autorizar a não incidência das contribuições destinadas ao PIS e a COFINS. 4. O Parecer do douto Ministério Público Federal é pelo provimento parcial do Recurso Especial. 5. Recurso Especial parcialmente provido para excluir o PIS e a COFINS sobre os atos cooperativos típicos e permitir a compensação tributária após o trânsito em julgado. 6. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 8/2008 do STJ, fixandose a tese: não incide a contribuição destinada ao PIS/COFINS sobre os atos Fl. 2666DF CARF MF Processo nº 10972.000047/200803 Acórdão n.º 3401004.447 S3C4T1 Fl. 2.661 13 cooperativos típicos realizados pelas cooperativas. (REsp. 1.141.667/RS, 1a Seção do STJ, v. u., DJe 04/05/2016). TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. NÃO INCIDÊNCIA DO PIS E DA COFINS NOS ATOS COOPERATIVOS TÍPICOS. APLICAÇÃO DO RITO DO ART. 543C DO CPC E DA RESOLUÇÃO 8/2008 DO STJ. RECURSO ESPECIAL DESPROVIDO. 1. Os RREE 599.362 e 598.085 trataram da hipótese de incidência do PIS/COFINS sobre os atos (negócios jurídicos) praticados com terceiros tomadores de serviço; portanto, não guardam relação estrita com a matéria discutida nestes autos, que trata dos atos típicos realizados pelas cooperativas. Da mesma forma, os RREE 672.215 e 597.315, com repercussão geral, mas sem mérito julgado, tratam de hipótese diversa da destes autos. 2. O art. 79 da Lei 5.764/71 preceitua que os atos cooperativos são os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. E, ainda, em seu parág. único, alerta que o ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. 3. No caso dos autos, colhese da decisão em análise que se trata de ato cooperativo típico, promovido por cooperativa que realiza operações entre seus próprios associados (fls. 126), de forma a autorizar a não incidência das contribuições destinadas ao PIS e a COFINS. 4. O parecer do douto Ministério Público Federal é pelo desprovimento do Recurso Especial. 5. Recurso Especial desprovido. 6. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 8/2008 do STJ, fixandose a tese: não incide a contribuição destinada ao PIS/COFINS sobre os atos cooperativos típicos realizados pelas cooperativas. (REsp. 1.164.716/MG, 1a seção do STJ, v. u., DJe 04/05/2016). Demais disso, corrobora e vai ao encontro de tal entendimento, a exegese do artigo 3°, III, § 9°, da Lei 9.718/98 e alterações posteriores. Assim, reduzindose o raciocínio à simplicidade, temse o ponto de corte: ato cooperativo é aquele prestado pela cooperativa em prol de seus associados, por conseguinte, não mercancia, logo, nãoincidência de PIS e da COFINS. Prestação de serviços da cooperativa para terceiros não associados não é ato cooperativo, mas sim uma atividade empresarial, portanto, receita tributável para fins das citadas contribuições. Entendese que os valores repassados aos médicos cooperados são atos cooperativos, e por tal razão, não devem ser tributados pelo PIS/COFINS. Fl. 2667DF CARF MF 14 Neste particular, voto por dar provimento ao recurso voluntário. III. DAS DEDUÇÕES CONTIDAS NO § 9°, III, DO ARTIGO 3° DA LEI 9.718/98 Disse a Recorrente que o referido dispositivo legal estabelece a dedução do valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago. Defende que o termo efetivamente pago indica que as deduções devem ser feitas pelo regime de caixa e não pelo regime de competência, o que não foi adotado pela fiscalização. Temse que tal arguição não fora feita expressa e explicitamente em sede de impugnação, o que, agora, neste estágio, implicaria em preclusão, de acordo com o art. 17 dd Decreto 70.235/72, o que não se pode acatar. Deste modo, neste particular, não merece acolhida às razões feitas pela Recorrente. IV. DO SUPOSTO ERRO NA DEDUÇÃO DE PAGAMENTOS EFETUADOS Diz a Recorrente que houve erro da fiscalização quanto à dedução de pagamentos efetuados (§ 9°, do art. 3°, da Lei 9.718/98), vez que fora levado em consideração dois critérios diferentes (efl. 1.124): 1°) na competência dezembro de 2003, ele deduziu os valores inscritos na coluna "DÉBITO" do balancete da recorrente (doc. anexo); 2°) nos demais meses, foram utilizados os números constantes da coluna "MOVIM PERÍODO" dos balancetes (docs. anexos). Tal argumento não fora articulado em sede de impugnação, sendo apenas agitado no recurso voluntário, logo, temse como matéria preclusa, nos termos do art. 17, do Decreto 70.235/72. Dispositivo Com essas considerações, voto em não conhecer do recurso de ofício, em razão de não ter sido superado o limite de alçada, e em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para acolher as deduções referente aos valores repassados aos médicos cooperados. André Henrique Lemos Fl. 2668DF CARF MF Processo nº 10972.000047/200803 Acórdão n.º 3401004.447 S3C4T1 Fl. 2.662 15 Fl. 2669DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.002133/2003-29
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1998
INSTRUÇÃO NORMATIVA. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. OFENSA.
O § 1 ° do art. 4 ° da IN 38/97 ultrapassou os limites legais da norma regulamentada (art. 18 da Lei n. 9.430/96). No caso, não há vedação à aplicac¸a~o do me´todo PRL aos insumos importados.
Numero da decisão: 9101-003.600
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no me´rito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Fla´vio Franco Corre^a, Viviane Vidal Wagner e Adriana Gomes Re^go, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rego - Presidente
(assinado digitalmente)
Luís Flávio Neto Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rafael Vidal de Arau´jo, Cristiane Silva Costa, Fla´vio Franco Corre^a, Luis Fla´vio Neto, Viviane Vidal Wagner, Roge´rio Aparecido Gil (suplente convocado em substituic¸a~o a` conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Re^go (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio.
Nome do relator: LUIS FLAVIO NETO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no me´rito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Fla´vio Franco Corre^a, Viviane Vidal Wagner e Adriana Gomes Re^go, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rego - Presidente (assinado digitalmente) Luís Flávio Neto Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rafael Vidal de Arau´jo, Cristiane Silva Costa, Fla´vio Franco Corre^a, Luis Fla´vio Neto, Viviane Vidal Wagner, Roge´rio Aparecido Gil (suplente convocado em substituic¸a~o a` conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Re^go (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1998 INSTRUÇÃO NORMATIVA. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. OFENSA. O § 1 ̊ do art. 4 ̊ da IN 38/97 ultrapassou os limites legais da norma regulamentada (art. 18 da Lei n. 9.430/96). No caso, não há vedação à aplicação do método PRL aos insumos importados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Flávio Franco Correâ, Viviane Vidal Wagner e Adriana Gomes Rêgo, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rego Presidente (assinado digitalmente) Luís Flávio Neto – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rafael Vidal de Araújo, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Rogério Aparecido Gil (suplente convocado em substituição à conselheira Daniele Souto AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 21 33 /2 00 3- 29 Fl. 1488DF CARF MF 2 Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio. Relatório Tratase de recurso especial interposto por NOVARTIS BIOCIÊNCIAS S.A. (doravante “contribuinte” ou “recorrente”) em face do acórdão n. 140100.065 (doravante “acórdão a quo” ou “acórdão recorrido”), proferido pela então 1a Turma Ordinária, 4a Câmara, 1a Seção (doravante “Turma a quo”). O acórdão recorrido negou provimento ao recurso e restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998 PRINCÍPIOS ATIVOS IMPORTADOS. PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. DETERMINAÇAÕ. Não se aplica, no período autuado, o método PRL (Preço de Revenda menos Lucro) para efeito de determinação do preço de transferência de princípios ativos importados utilizados na produção de medicamentos para consumo final, por configurar produca̧õ de um outro bem. Correta a aplicaca̧õ, pela fiscalização, do método PIC (Preços Independentes Comparados), em estrito cumprimento à legislaçaõ vigente. Foram opostos embargos de declaração pela então i. Conselheira Albertina Silva Santos de Lima, suscitando que a Turma Ordinária não teria analisado o recurso de ofício que constam nos autos (efls. 822 e seg.). Ao analisar os aludidos embargos, a então 3a Turma Ordinária, 1 Câmara, decidiu declinar de sua competência para a 2a Turma Ordinária da 4a Câmara da 1a Seção de Julgamento, em decisão assim ementada (efls. 823 e seg.): ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1998 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO OPOSTOS POR CONSELHEIRO. OMISSÃO QUANTO AO JULGAMENTO DO RECURSO DE OFÍCIO. CABIMENTO. Nos termos do art. 3, §4 do RICARF, nos casos em que o acórdão embargado foi exarado em sessão de julgamento realizada anteriormente à vigência do atual RICARF, os embargos devem ser distribuídos ao Relator do processo, ainda que esteja atuando em outra Turma, desde que a especializaçaõ seja a mesma da Turma anterior. Para a aplicação dessa regra, o Conselheiro designado para redigir o voto vencedor assume a condica̧õ de Relator, devendo os embargos de declaração, portanto, ser julgados pelo colegiado em que esse Conselheiro exerce mandato. Por sua vez, a então 2a Turma Ordinária, 4a Câmara, proferiu decisão assim ementada (efls. 1351 e seg.): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998 PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. RECURSO DE OFÍCIO NÃO APRECIADO. OMISSÃO CONSTITUÍDA. OPOSIÇÃO DE EMBARGOS POR CONSELHEIRO DO COLEGIADO. RECURSO DE OFÍCIO JULGADO E PROVIMENTO NEGADO. OMISSÃO SANADA. SIMILARIDADE DE PRODUTOS NÃO CARACTERIZADA. Em Recuso de Ofício, a Fiscalização entendeu existente a similaridade entre dois princípios ativos (Dabon e Cloxazolan) somente baseada na função destes. Todavia, o artigo 26 da IN SRF no 38/97 nos traz o conceito (vinculante à Fl. 1489DF CARF MF Processo nº 16327.002133/200329 Acórdão n.º 9101003.600 CSRFT1 Fl. 752 3 fiscalização) de similaridade. Prevê o dispositivo que a similaridade entre dois ou mais bens somente se constituirá quando atendidos concomitantemente os seguintes fatores: mesma natureza, substituição mútua e equivalência de especificações. Consequentemente, cabe manter a exoneração do crédito tributário, posto que a similaridade não subsistiu, já que fundamentada somente na função dos produtos. O contribuinte interpôs, então, recurso especial, requerendo a reforma dos referidos acórdãos (efls. 1377 e seg.). O referido recurso foi admitido por despacho (efls. 1467 e seg.) A PFN apresentou contrarrazões ao recurso especial, nas quais, embora não se oponha ao seu conhecimento, requer lhe seja negado provimento (efls. 1473 e seg.). Concluise, com isso, o relatório. Voto Conselheiro Luís Flávio Neto, Relator Compreendo que o despacho de admissibilidade bem analisou os requisitos para a admissibilidade do recurso especial, razão pela qual não merece reparos. Quanto ao mérito, compreendo que os acórdãos indicados como paradigmas de divergência aplicaram o melhor direito, merecendo reforma o acórdão recorrido. Nesse sentido, adoto como razões de decidir os fundamentos do acórdão n. 9101001.429, desta e. CSRF, in verbis: “A questão a ser analisada reside em saber se o § 1 ̊ do art. 4 ̊ da IN 38/97 encontra amparo na Lei n° 9.430/96, para tanto vejamos como dispõe a referida instruçaõ: "Art. 4o Para efeito de apuração do preço a ser utilizado como parâmetro, nas importações de empresa vinculada, não residente, de bens, servico̧s ou direitos, a pessoa jurídica importadora poderá optar por qualquer dos métodos referidos nesta Seção exceto na hipótese do § 1o, independentemente de prévia comunicaçaõ à Secretaria da Receita Federal. § 1o A determinação do preço a ser utilizado como parâmetro, para comparação com o constante dos documentos de importação, quando o bem, serviço ou direito houver sido adquirido para emprego, utilização ou aplicação, pelo própria empresa importadora, na producã̧o de outro bem, serviço ou direito, somente será efetuada com base nos métodos de que tratam os arts. 6° e 13. ........................................................................................................" Como se verifica, o § 1 ̊ do art. 4 ̊ da IN 38/97 vedou a adoção do método PRL quando o produto importado fosse utilizado na produção de outro bem, servico̧ ou direito, pois, nesse caso, a referida instrução obrigava a adoção do método PIC ou CPL. Cabe, então, saber se tal limitaçaõ encontra amparo na norma de regência da mateŕia art. 18 da Lei n ̊ 9.430/96. De certa forma, tal questão, senão já pacificada por este Colegiado, está em vias de sêlo, pois a ilegalidade do § 1 ̊ do art. 4 ̊ da IN 38/97 é verificável ictu oculi do simples cotejo com o teor do art. 18 da Lei n ̊ 9.430/96, se não vejamos Fl. 1490DF CARF MF 4 como dispõe: determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: I Método dos Preços Independentes Comparados PIC:...; ............................................................................................... II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: ....... ............................................................................................... III Método do Custo de Produção mais Lucro CPL" O art. 18 da Lei n ̊ 9.430/96, acima transcrito na sua redação original, faculta ao contribuinte que não esteja em procedimento de fiscalização a adoção de qualquer um dos métodos ali previsto, para realizar os ajustes de preços de transferência. Da mesma forma, caso o contribuinte naõ realize espontanemente os ajustes de preços de transferência, a autoridade fiscal poderá, em procedimento de fiscalização, adotar qualquer um dos métodos do art. 18. Destarte, o § 1 ̊ do art. 4 ̊ da IN 38/97 desbordou dos limites legais da norma regulamentada, ao criar a limitação para a adoção do método PRL, em verdadeira afronta ao princípio da legalidade. Ademais, as alegacõ̧es da PFN de que haveria a impossibilidade de uso do PRL, por ele não isolar o custo do bem importado, resta baldada, quando verificamos que isso seria apenas uma questão de calibragem de percentual, o que viria a ser solucionado posteriormente com a introduca̧õ do PRL 60. Todavia, não havia a impossibilidade de aplicacã̧o do PRL para insumos importados, sendo que a eventual falta de calibragem do percentual legal não poderia justificar a vedação de tal método, pois que em total desalinho com o texto legal então vigente.” Adoto, ainda, os fundamentos do acórdão n. 9101001.429, também proferido por esta e. CSRF, in verbis: “A questão submetida à apreciacã̧o deste Colegiado cingese em saber se: i) a Lei n. 9.430/1996 veda a utilização do método PRL na apuraçaõ de eventuais ajustes de preços de transferência, referentes a insumos aplicados a ̀producã̧o; e se ii) a regra prevista no art. 4o, § 1o da IN SRF no 38/1997 está conforme o art. 18 da Lei no 9.430/1996. No que interesse a esta discussão, fazse necessária a transcrição dos seguintes dispositivos: Lei n. 9.430/1996 “(...) Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importaca̧õ ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: / Método dos Preços Independentes Comparados PIC: definido como a média aritmética dos preços de bens, serviços ou direitos, iden̂ticos ou similares, apurados no mercado brasileiro ou de outros países, em operações de compra e venda, em condições de pagamento semelhantes; II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) de margem de lucro de vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda; 1 /// Método do Custo de Produção mais Lucro CPL: definido como o custo médio de produção de bens, serviços ou direitos, idênticos ou Fl. 1491DF CARF MF Processo nº 16327.002133/200329 Acórdão n.º 9101003.600 CSRFT1 Fl. 753 5 similares, no país onde tiverem sido originariamente produzidos, acrescido dos impostos e taxas cobrados pelo referido país na exportação e de margem de lucro de vinte por cento, calculada sobre o custo apurado. § 1° As médias aritméticas dos preços de que tratam os incisos I e li e o custo médio de produção de que trata o inciso III serão calculados considerando os preços praticados e os custos incorridos durante todo o período de apuração da base de cálculo do imposto de renda a que se referirem os custos, despesas ou encargos. § 2° Para efeito do disposto no inciso I, somente serão consideradas as operações de compra e venda praticadas entre compradores e vendedores não vinculados. § 3° Para efeito do disposto no inciso II, somente serão considerados os preços praticados pela empresa com compradores não vinculados. §4° Na hipótese de utilização de mais de um método, será considerado dedutível o maior valor apurado, observado o disposto no parágrafo subseqüente. § 5° Se os valores apurados segundo os métodos mencionados neste artigo forem superiores ao de aquisição, constante dos respectivos documentos, a dedutibilidade fica limitada ao montante deste último. § 6° Integram o custo, para efeito de dedutibilidade, o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador e os tributos incidentes na importação. (...)” (destacouse) Instrução Normativa SRF no 38/1997 “Art. 4o Para efeito de apuração do preço a ser utilizado como parâmetro, nas importações de empresa vinculada, não residente, de bens, serviços ou direitos, a pessoa jurídica importadora poderá optar por qualquer dos métodos referidos nesta Seção exceto na hipótese do § 1°, independentemente de prévia comunicação à Secretaria da Receita Federal. § 1o A determinação do preço a ser utilizado como parâmetro, para comparação com o constante dos documentos de importação, quando o bem, serviço ou direito houver sido adquirido para emprego, utilização ou aplicação, pelo própria empresa importadora, na produção de outro bem, serviço ou direito, somente será efetuada com base nos métodos de que tratam os arts. 6o e 13. 2 (...) “ (destacouse) Do exame literal dos termos do enunciado do caput do art. 18 e de seus incisos e parágrafos, concluise inexistir qualquer restrição ao emprego do método PRL para apuração dos eventuais ajustes de preços de transferência, referentes à bens importados aplicados à produção. E, desta forma, a restrição prevista no art. 4o, § 1o da IN SRF 38/1997 não encontra amparo legal, indo além do que se permite aos atos normativos infralegais. Com efeito, os dispositivos citados estabelecem para o contribuinte a obrigatoriedade de adoção de um dos métodos a ser observado na dedução dos custos referentes a produtos adquiridos de empresa vinculada no exterior. No entanto, instituiu a possibilidade (faculdade jurídica – direito) do contribuinte optar por um dos três métodos de apuração do preço de transferência. Conforme a dicção do referido art. 18, "os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos". Por outras palavras, foi conferida Fl. 1492DF CARF MF 6 ao contribuinte a faculdade (direito) de optar por um dos métodos previstos na legislação aplicável e esta opção poder recair sobre o método que lhe for mais favorável, conforme dispõe o § 4o do art. 18 da Lei no 9.430/96. De fato, o legislador definiu quais seriam os critérios e regras a serem observadas na utilização dos preços de transferência, e nesse ponto não impôs qualquer condição a ser observada pelos contribuintes na escolha do método a ser utilizado. Entretanto, a IN SRF no 38/97, ato de natureza infralegal, instituiu restrição às opções facultadas pela lei ao contribuinte. Segundo o disposto no seu art. 4o, § 1o "a determinação do preço a ser utilizado como parâmetro, para comparação com o constante dos documentos de importação, quando o bem, serviço ou direito houver sido adquirido para emprego, utilização ou aplicação, pela própria empresa importadora, na produção de outro bem, serviço ou direito, somente será efetuada com base nos métodos de que tratam os arts. 6o e 13". Desta forma, mesmo sem amparo legal, a norma administrativa limitou a escolha do contribuinte, para os casos de emprego, utilização ou aplicação dos bens importados na produção de outro bem, aos métodos do Preço Independente Comparado (PIC) e ao do Custo de Produção mais Lucro (CPL), não admitindo a utilização do método PRL. Como se vê, é flagrante a contrariedade entre a norma administrativa e o disposto no art. 18 da Lei, o qual deveria apenas regulamentar. Ademais, corroborando o entendimento de que inexiste qualquer restrição à opção do contribuinte pelos métodos previstos no referido art. 18 da Lei, temse que as alterações introduzidas pela Lei no 9.959/2000 não modificaram o direito à utilização do método PRL por empresas que promovam qualquer tipo de agregação de valor ao bem importado. Ao contrário, as modificações promovidas na redação do art. 18, especificamente no seu inciso II, infirmam o entendimento de que não é aplicável o método do PRL na hipótese de bens importados aplicados à produção. Ou seja, a nova redação do inciso II do art. 18 da Lei deixa claro a possibilidade de opção pelo método PRL pelas empresas que empregam na produção os bens importados de suas vinculadas no exterior. Por fim, devese consignar que este Colegiado já assentou o entendimento de que a limitação à utilização do método PRL imposta pela referida IN desafia os ditames da legalidade tributária, o que acarreta a insubsistência do lançamento que tenha sido com base nela efetuado. Neste sentido, aliás, tem se pronunciado este Colegiado. Confirase os seguintes acódãos, verbis: Acórdão no 910100.280 do Processo 10735.000486/200134 Data 24.08.2009 “PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos métodos descritos no artigo 18 da Lei no 9.430/96. Não pode haver restrição a utilização de qualquer um dos métodos pois tal imposição vai de encontro à previsão contida no capta do artigo 18 "POR UM DOS SEGUINTES MÉTODOS" e à alternativa dada no § 4o, do mesmo artigo.” Acórdão no 910100.487 do Processo 16327.003186/2003 Data 25.01.2010 “PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos métodos Fl. 1493DF CARF MF Processo nº 16327.002133/200329 Acórdão n.º 9101003.600 CSRFT1 Fl. 754 7 descritos no artigo 18 da Lei no 9.430/96. Não pode haver restrição a utilização de qualquer um dos métodos pois tal imposição vai de encontro à previsão contida no caput do artigo 18 "POR UM DOS SEGUINTES MÉTODOS" e à alternativa dada no § 4o, do mesmo artigo. AJUSTE NA IMPORTAÇÃO. É correta a utilização, pela fiscalização, de qualquer um dos três métodos de ajuste somente quando a empresa não utilizou qualquer método de ajuste previsto na legislação. Quando a empresa efetua o ajuste e intimada, apresenta as planilhas e os documentos que lhes deram origem, cabe a fiscalização tão somente conferir a veracidade dos dados. O período de apuração dos preços médios deve ser o de ocorrência do fato gerador (trimestral ou anual).” Desta forma, conferese aplicação plena ao dispositivo legal, em detrimento das limitações fixadas pela norma hierarquicamente inferior de menor densidade normativa. No caso dos autos, deve, portanto, ser mantido os termos do acórdão recorrido, que decidiu pelo afastamento da exigência, cujo fundamento foi a vedação pela IN da adoção do método PRL pela Contribuinte. Mais recentemente, ainda, este Colegiado da CSRF, ao prolatar os acórdãos n. 9101002.420 e n. 9101002.426, adotou a mesma orientação. Voto, assim, para CONHECER e DAR PROVIMENTO ao recurso especial. (assinado digitalmente) Luís Flávio Neto Fl. 1494DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13884.901910/2008-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/09/2000
PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE.
Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco.
PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA.
A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado.
Numero da decisão: 3401-004.961
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Robson Jose Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/1999 a 30/09/2000 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado.
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ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Robson Jose Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco (VicePresidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 90 19 10 /2 00 8- 11 Fl. 69DF CARF MF Processo nº 13884.901910/200811 Acórdão n.º 3401004.961 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de declaração de compensação, realizada com base em suposto crédito de contribuição social originário de pagamento indevido ou a maior. A DRF de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação, em razão da inexistência de crédito disponível. Cientificada desse despacho, a manifestante protocolou sua manifestação de inconformidade, alegando, em síntese e fundamentalmente, que: recolheu aos cofres públicos tributos superiores aos efetivamente devidos, pois não considerou os termos do parágrafo 2°, do inciso III, do artigo 3°, da Lei no 9.718/98, quando apurou as bases de cálculos das contribuições; o único fundamento para a glosa das compensações é uma pretensa inexistência de crédito; não foi sequer solicitado ao contribuinte qualquer documento capaz de comprovar ou não o crédito; tivesse a autoridade intimado o contribuinte, teria acesso As planilhas de apuração, podendo verificar a regularidade do encontro de contas efetuado; pelas razões alegadas, deve ser anulado o despacho decisório, determinando que a autoridade efetue as diligências necessárias para comprovar a origem e existência do crédito utilizado, alternativamente, requer que seja logo homologada a compensação. Ao final pede deferimento da presente manifestação de inconformidade" . A Delegacia Regional do Brasil de Julgamento em Campinas (SP) proferiu o Acórdão DRJ nº 0530.642, em que se decidiu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade, sob o fundamento de que "os valores faturados, ainda que repassados a terceiros, compõem a base tributável da contribuição social, em face da inexistência de permissivo legal para sua exclusão". Devidamente notificada desta decisão, a recorrente interpôs tempestivamente o recurso voluntário ora em apreço, no qual reitera as razões vertidas em sua impugnação. É o relatório. Fl. 70DF CARF MF Processo nº 13884.901910/200811 Acórdão n.º 3401004.961 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.923, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 13884.900342/200831, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.923): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Reproduzse, abaixo, a decisão recorrida proferida pelo julgador de primeiro piso: Conforme relatado, a não homologação da DCOMP em tela decorreu do fato de estar o Darf informado na DCOMP integralmente utilizado para a quitação de débitos da contribuinte. No caso, a contribuinte transmitiu sua DCOMP compensando débito com suposto crédito de contribuição social decorrente de pagamento indevido ou a maior, apontando um documento de arrecadação como origem desse crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte na DCOMP foi realizada também de forma eletrônica, cotejandoos com os demais por ela informados A. Receita Federal em outras declarações (DCTFs, DIPJ, etc), bem como com outras bases de dados desse órgão (pagamentos, etc), tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, embora localizado o pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente fora utilizado para a extinção anterior de débito de Cofins da interessada. Assim, o exame das declarações prestadas pela própria interessada Administração Tributária revela que o crédito utilizado na compensação declarada não existia. Fl. 71DF CARF MF Processo nº 13884.901910/200811 Acórdão n.º 3401004.961 S3C4T1 Fl. 5 4 Por conseguinte, não havia saldo disponível (é dizer, não havia crédito liquido e certo) para suportar uma nova extinção, desta vez por meio de compensação. Dai a não homologação, não havendo qualquer nulidade nesse procedimento. Sobre o motivo da não homologação, como já antes explicitado neste voto, revelase procedente, pois, de acordo com as próprias informações prestadas pela contribuinte Receita Federal, o direito creditório apontado na DCOMP era inexistente. Não obstante, agora, em sede de manifestação de inconformidade, pretende a contribuinte demonstrar que seus débitos de contribuição social antes declarados e pagos são indevidos, pois não havia considerado, quando da apuração da base de cálculos das contribuições, o disposto no parágrafo 2°, do inciso III, do artigo 3°, da Lei n° 9.718/1998. Em termos legais, significa ver excluídos da receita bruta os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para terceiros, observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo. Neste ponto, fazse necessário destacar que, por força de sua vinculação aos atos legais, assim como àqueles emanados por autoridades que lhe são hierarquicamente superiores, este colegiado está adstrito à interpretação que a própria administração pública dá legislação tributária. 110 A Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Ato Declaratório SRF n°56, de 20 de julho de 2000, já se posicionou a respeito da situação em exame: Ato Declaratório SRF n° 56, de 2000: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições, e considerando ser a regulamentação, pelo Poder Executivo, do disposto no inciso III do art. 20 do art. 3° da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998, condição resolutória para sua eficácia; Considerando que o referido dispositivo legal foi revogado pela alínea b do inciso IV do art. 47 da Medida Provisória n° 1.99118, de 9 de junho de 2000; Considerando, finalmente, que, durante sua vigência, o aludido dispositivo legal não foi regulamentado, não produz eficácia, para fins de determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e da COFINS, no período de I° de fevereiro de 1999 a 9 de junho de 2000, eventual exclusão da receita bruta que Fl. 72DF CARF MF Processo nº 13884.901910/200811 Acórdão n.º 3401004.961 S3C4T1 Fl. 6 5 tenha sido feita a titulo de valores que, computados como receita, hajam sido transferidos para outra pessoa jurídica" (destacouse). Esse entendimento torna sem força a argumentação alegada pela Contribuinte no sentido de que as provas dos alegados créditos, consistentes em planilhas de apuração da contribuição social, deveriam ser examinadas na busca da constatação da regularidade do encontro de contas, uma vez que o crédito calcado neste dispositivo é inexistente. Diante de tudo exposto, voto por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, ratificando o disposto no despacho decisório da unidade de origem. Ressaltase, ademais, que, nos pedidos de compensação ou de restituição, como o presente, o ônus de comprovar o crédito postulado permanece a cargo da contribuinte, a quem incumbe a demonstração do preenchimento dos requisitos necessários para a compensação, pois "(...) o ônus da prova recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato",1 postura consentânea com o art. 36 da Lei nº 9.784/1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal. 2 Neste sentido, já se manifestou esta turma julgadora em diferentes oportunidades, como no Acórdão CARF nº 3401 003.096, de 23/02/2016, de relatoria do Conselheiro Rosaldo Trevisan: VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. 1 CINTRA, Antonio Carlos de Araújo; GRINOVER, Ada Pellegrini; e DINAMARCO, Cândido Rangel. Teoria geral do processo. São Paulo: Malheiros Editores, 26ª edição, 2010, p. 380. 2 Lei nº 9.784/1999 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Fl. 73DF CARF MF Processo nº 13884.901910/200811 Acórdão n.º 3401004.961 S3C4T1 Fl. 7 6 Verificase, portanto, a completa inviabilidade do reconhecimento do crédito pleiteado em virtude da carência probatória do pedido formulado pela contribuinte recorrente. Acrescese a tal constatação o intento da contribuinte de ver compensado seu débito com crédito fundado em quaestio jurídica que busca inaugurar em fase de instauração de contencioso administrativo posterior à apresentação de sua declaração de compensação, com a apresentação de sua impugnação, sob o pálio do argumento de que devem ser expurgados da receita bruta, ainda que assim escriturados, os valores que tenham sido transferidos para terceiros, nos termos do § 2°, do inciso III, do artigo 3°, da Lei no 9.718/1998, argumento que se encontra em contrariedade com o preceptivo normativo do Ato Declaratório SRF n° 56, de 20/07/2000. Independentemente da discussão respeitante à matéria, no entanto, o que se constata é que a compensação tem por base direito creditório ilíquido e incerto, carente de prova de sua constituição definitiva, uma vez que a contribuinte somente poderia utilizar, na compensação de débitos próprios relativos a tributos administrados pela RFB, crédito passível de restituição ou de ressarcimento. Assim, voto por conhecer e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 74DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 23034.036582/2002-41
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/1999 a 30/11/2002
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL. DEFINITIVIDADE DO LANÇAMENTO.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF nº 1). Caracterizada a renúncia, declara-se a definitividade do lançamento.
Numero da decisão: 9202-006.888
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para declarar a definitividade do lançamento, em razão de concomitância da discussão nas esferas administrativa e judicial. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Júnior, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL. DEFINITIVIDADE DO LANÇAMENTO. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF nº 1). Caracterizada a renúncia, declarase a definitividade do lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para declarar a definitividade do lançamento, em razão de concomitância da discussão nas esferas administrativa e judicial. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Júnior, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 23 03 4. 03 65 82 /2 00 2- 41 Fl. 261DF CARF MF 2 Relatório O presente processo trata da NRD Notificação de Recolhimento de Débito nº 1.086/2003, constituída pelo FNDE Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação, referente à Contribuição Social do SalárioEducação, no período de 05/1999 a 11/2002. A empresa ajuizou ação em 2001, pretendendo que fosse declarada a inexigibilidade da citada contribuição, bem como o direito de compensar o que já havia recolhido. Em 2005, foi prolatada a sentença de primeira instância, considerando improcedentes os pedidos. Em 2007 o processo transitou em julgado, mantida a decisão. A cobrança em tela foi iniciada em 06/12/2002, a Notificação para Recolhimento de Débito NRD foi emitida em 03/09/2003 e a Impugnação apresentada pela Contribuinte foi deferida parcialmente pelo FNDE. Em 30/03/2006, a Contribuinte interpôs recurso ao Conselho Deliberativo do FNDE (fls. 90 a 99), requerendo a exclusão do débito ou, ao menos, a redução da contagem dos juros durante o período de discussão administrativa. Nessa fase, por força da Lei nº 11.457, de 2007, o processo foi transferido para a Receita Federal do Brasil (fls. 105). Já no CARF, em sessão plenária de 04/12/2014, foi julgado o Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2403002.882 (efls. 129 a 133), assim ementado: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/1999 a 30/11/2002 NULIDADE. VÍCIO MATERIAL. FUNDAMENTAÇÃO LEGAL Apresentação de fundamentação legal insuficiente caracteriza vício material. Processo Anulado Crédito Tributário Exonerado." A decisão foi assim resumida: “ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento ao recurso, para declarar a nulidade do auto de infração por vício material ante a insuficiência da fundamentação legal apresentada." O processo foi encaminhado à PGFN em 12/01/2015 (Despacho de Encaminhamento de efls. 134) e, em 13/01/2015 (Despacho de Encaminhamento de efls. 155), a Fazenda Nacional opôs os Embargos de Declaração de efls. 135 a 137, suscitando a questão da concomitância do processo administrativo com a ação judicial, porém os aclaratórios foram rejeitados, conforme despacho de 15/09/2015 (efls. 157 a 159). Dessa forma, o processo foi novamente encaminhado à PGFN em 06/01/2016 (Despacho de Encaminhamento de efls. 160) e, em 11/01/2016, foi interposto o Recurso Especial de efls. 161 a 165 (Despacho de Encaminhamento de efls. 207), visando rediscutir os seguintes pontos: Fl. 262DF CARF MF Processo nº 23034.036582/200241 Acórdão n.º 9202006.888 CSRFT2 Fl. 262 3 inexistência de nulidade no lançamento; se nulidade houve, tratase de vício formal e não material. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme despacho de 22/04/2016 (efls. 209 a 214). Em seu apelo, a Fazenda Nacional alega, em síntese: verificase que o Auto de Infração às fls. 42 indica o objeto da acusação, que a base de cálculo, alíquota e crédito tributário devido foram indicados nas planilhas de fls. 46 a 48 e a contextualização da infração restou descrita às fls. 37; ademais, a própria Contribuinte nunca arguiu qualquer nulidade, restringindo sua defesa à inconstitucionalidade da exação e à existência de ação judicial; o acórdão desafiado, contudo, declarou a nulidade, por vício material, em virtude de pretensa insuficiência de tipificação legal; o entendimento esposado pelo acórdão recorrido vai de encontro à jurisprudência majoritária do CARF, visto que declara nulidade sem a comprovação de prejuízo; os arestos paradigmas pontificam que "o erro no enquadramento legal da infração encontrada não acarreta nulidade do auto de infração", bem como "o estabelecimento autuado defendese dos fatos a ele imputado, e não do dispositivo legal mencionado na acusação fiscal"; outrossim, a Contribuinte exerceu plenamente a sua defesa, nunca tendo arguido qualquer obscuridade sobre a descrição dos fatos geradores, e o acórdão recorrido também nunca apontou falha na descrição fática da acusação, mas tãosomente em face da tipificação legal; de toda sorte, o erro na tipificação legal não conduz à nulidade material, mas, quando muito, à nulidade formal; no acórdão recorrido entendese que a falha no enquadramento legal conduz à nulidade material, de outra sorte, o acórdão paradigma pontifica que o erro no enquadramento legal implica em nulidade formal, passível de revisão. Ao final, a Fazenda Nacional requer o conhecimento e o provimento do recurso, afastandose a nulidade do lançamento ou, caso assim não se entenda, declararandose a ocorrência de vício formal. Cientificada do acórdão, do Recurso Especial da Fazenda Nacional e do despacho que lhe deu seguimento em 30/08/2016 (Termo de Ciência por Abertura de Mensagem de efls. 220), a Contribuinte, em 13/09/2016, ofereceu as Contrarrazões de efls. 222 a 257 (carimbo de efls. 222), contendo os seguintes argumentos: da análise dos autos, verificase a forma genérica com que ocorreu o lançamento tributário, sem tipificação correta, certa e adequada da Contribuição que estaria sendo exigida da Contribuinte, o que impossibilitou a devida apresentação de defesa, cerceando o seu direito; Fl. 263DF CARF MF 4 constatado o vício material, o ato realizado tornase insanável, não sendo possível a sua correção, já que ele não existiu em decorrência de sua inconstitucionalidade, pois não cumpriu a formalidade intrínseca necessária para sua legitimidade; como não ocorreu a tipificação exata da Contribuição sob exigência, não estava presente o requisito intrínseco da autuação, o que prejudicou a validade do procedimento fiscal, caracterizando o vício material, insanável, em decorrência da exigência legal (cita jurisprudência do CARF). Ao final, a Contribuinte requer seja negado provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e trata da NRD Notificação de Recolhimento de Débito nº 1.086/2003, constituída pelo FNDE Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação, referente à Contribuição Social do Salário Educação, no período de 05/1999 a 11/2002. Entretanto, a empresa havia ajuizado ação, pretendendo que fosse declarada a inexigibilidade da citada Contribuição, bem como o direito de compensar o que já havia recolhido. Em 2005, foi prolatada a sentença de primeira instância, considerando improcedentes os pedidos. Em 2007 o processo transitou em julgado, mantida a decisão (fls. 138 a 154). Por outro lado, no que tange à compensação dos valores pagos, esta foi deferida pelo FNDE. A questão da concomitância entre ação judicial e processo administrativo, versando sobre o mesmo objeto, encontrase sumulada: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Diante do exposto, nada resta a esta Segunda Turma senão dar provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, declarando a definitividade do lançamento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 264DF CARF MF Processo nº 23034.036582/200241 Acórdão n.º 9202006.888 CSRFT2 Fl. 263 5 Fl. 265DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15540.720415/2011-24
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1402-000.575
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente.
(assinado digitalmente)
Demetrius Nichele Macei - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone (Presidente), Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Demetrius Nichele Macei, Marco Rogério Borges, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Evandro Correia Dias e Edgar Bragança Bazhuni.
Nome do relator: DEMETRIUS NICHELE MACEI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente. (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone (Presidente), Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Demetrius Nichele Macei, Marco Rogério Borges, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Evandro Correia Dias e Edgar Bragança Bazhuni.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente. (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone (Presidente), Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Demetrius Nichele Macei, Marco Rogério Borges, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Evandro Correia Dias e Edgar Bragança Bazhuni. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 55 40 .7 20 41 5/ 20 11 -2 4 Fl. 473DF CARF MF Processo nº 15540.720415/201124 Resolução nº 1402000.575 S1C4T2 Fl. 474 2 Relatório Adoto, integralmente o relatório do Acórdão de Impugnação nº 1260.115, proferido em 25 de setembro de 2013, pela 4ª Turma da DRJ do Rio de Janeiro (RJ), complementandoo, ao final, com as atualizações processuais pertinentes. Versa o processo sobre a controvérsia instaurada em razão da lavratura pelo fisco dos autos de infração de fls. 56/61 e de fls. 62/65, para exigência da multa de ofício isolada em face da ausência de recolhimento de IRPJ e de CSLL sobre a base estimada, de 50%, no valor, respectivamente, de R$ 714.754,28 e 440.099,94. As razões da autuação fundamentamse na falta de pagamento do IRPJ e da CSLL sobre a base de cálculo estimada em função da receita bruta e acréscimos e/ou balanços de suspensão ou redução. Devidamente cientificada (fls. 60 e 66), em 08/12/2011, a interessada, em 05/01/2012, apresentou impugnação (fls. 118/123), cujo teor, em síntese, abaixo reproduzo: a) A impugnante é sócia ostensiva de outras pessoas jurídicas, denominadas Sociedades em Conta de Participação (SCP) e, por isso, sujeitase às normas do Decretolei nº 2.303/1986, artigo 7º, § único do RIR/1999, arts. 148 e 254, II da IN SRF nº 31, artigo 1º e parágrafos; b) Destarte, deve apresentar em sua declaração de imposto de renda de pessoa jurídica os resultados de sua atividade em separado dos resultados de suas SCP, podendo utilizar regimes de tributação diversos. Tal obrigação refletese também nos códigos de arrecadação do IRPJ e da CSLL. Essa distinção, todavia, passou desapercebida no exame fiscal; c) No cálculo do valor da multa isolada a cobrar, o fisco utilizouse do valor já pago do IRPJ trimestral, calculado com base no Lucro Presumido, declarado pela impugnante, mas relativo às Sociedades em Conta de Participação (SCP) das quais é sócia ostensiva, conforme indicado em suas DCTF do anocalendário de 2007 e DIPJ/2008; d) Ocorre que a impugnante, além de cumprir perante o fisco sua obrigação de representante daquelas SCP, também prestou conta, na mesma DIPJ e de forma mais abrangente, dos resultados de sua própria atividade como contribuinte, tendo utilizado, para efeito de pagamento do IRPJ por ela devido, o regime de Lucro Real apurado com base no balanço de redução/suspensão, como previsto no artigo 230 do RIR/1999 e retratado na DIPJ 2006, Fichas 11 e 16; e) Portanto, sendo responsável tributária pelas mencionadas sociedades, a impugnante apresentou à SRFB nas já citadas declarações informativas os dados correspondentes ao IRPJ e CSLL devidos exclusivamente por ela no regime de Lucro Real e, em separado, o IRPJ e a CSLL devidos pelas SCP que apuraram o tributo pelo regime de Lucro Presumido; Fl. 474DF CARF MF Processo nº 15540.720415/201124 Resolução nº 1402000.575 S1C4T2 Fl. 475 3 f) Utilizou a impugnante regime de tributação diferente do aplicado às suas SCP, como autorizado na IN SRF nº 31/2001, art. 1º, § 1º, apesar de dispor de toda a documentação solicitada, tanto em relação à impugnante quanto às sociedades em conta de participação; g) Na DIPJ a impugnante declarou ter optado pela apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL com utilização do balanço/balancete de suspensão. Na ficha 11, linha 12 foi indicado o valor do IRPJ a pagar devido pela impugnante na qualidade de contribuinte própria e na linha 13 o valor do IRPJ a pagar devido por suas SCP com base no Lucro Presumido; h) Da mesma forma procedeu quanto à CSLL; i) Assim, autuase a impugnante utilizando o regime de apuração por ela escolhido (balanço de suspensão) e aplicase indevida e gravosa multa sobre a base de cálculo incorreta (valores informado na Ficha 16, linha 12); j) Falece de legalidade a cobrança da multa isolada, eis que não há pressuposto fático de falta de pagamento de estimativas à época própria; k) Em suma, o fisco não percebeu as diferenças entre a impugnante e as sociedades em conta de participação, das quais é sócia ostensiva; entre as obrigações devidas por cada uma dessas pessoas jurídicas em função dos distintos regimes fiscais escolhidos (Lucro Real com Suspensão versus Lucro Presumido); l) As apurações da impugnante, das SCP e os respectivos pagamentos (efetuados através de DARF com códigos específicos, deduções e compensações) obedeceram às normas dos respectivos regimes. Nas DCTF e DIPJ apresentadas tempestivamente pela sócia ostensiva, foram destacadas as informações pertinentes a cada uma dessas situações. Passo, agora, a complementar o relatório acima colacionado. A impugnação apresentada pela contribuinte não foi acolhida tendo sido mantido o crédito tributário relativo à multa isolada de 50% quanto à ausência de recolhimento das estimativas mensais de IRPJ e de CSLL, no valores, respectivamente, de R$ 714.754,28 e de R$ 440.099,94. Tal decisão restou assim ementada: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2007 SCP. EQUIPARAÇÃO À PESSOA JURÍDICA. APURAÇÃO DO RESULTADO. ESCRITURAÇÃO. As sociedades em conta de participação (SCP) são equiparadas, pela legislação tributária, às pessoas jurídicas, e podem optar pelo lucro presumido, independentemente do regime adotado pelo sócio ostensivo, devendo efetuar os recolhimentos em nome deste, mediante DARF específico, sendo que a escrituração pode ser feita tanto em livros contábeis próprios quanto nos do sócio ostensivo, neste caso, desde que de forma destacada, sobretudo quanto à apuração dos resultados e do lucro real, bem como estar à disposição da fiscalização, quando solicitado. Fl. 475DF CARF MF Processo nº 15540.720415/201124 Resolução nº 1402000.575 S1C4T2 Fl. 476 4 MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. A exigência do lançamento de multa isolada pela falta ou insuficiência do recolhimento de antecipações mensais possui previsão estampada na Lei nº 9.430/1996, artigo 44, inciso II, alínea “b”. Inconformada com a decisão da DRJ, interpôs a contribuinte Recurso Voluntário (efls. 242 a 248), reportandose à sua impugnação, e também alegando que: b) Não houve desatendimento às intimações fiscais, como quer a Relatora, em face dos anexados recibos de entrega dos livros e documentos fiscais e da abrangente e inequívoca declaração do Autuante sobre a devolução dos mesmos; c) Os lançamentos estão fulminados pela confusão conceitual entre o regime tributário da Recorrente e o de suas Sociedades; d) O processo ilustra a dificuldade dos agentes do Fisco em lida com as normas editadas e que devem ser, de imediato , cumpridas pelos contribuintes, mas são de difícil compreensão técnico operacional para os responsáveis pela fiscalização e pelo julgamento, mesmo anos depois; e) O acórdão atacado, sobre ser desfalcada de elementos seguros e irrefutáveis, perpetua um lançamento que não resiste a um simples e competente reexame da matéria; e f) Por último, o Acórdão foi além dos limites do litígio, nos termos em que está posto, confirmando a injusta cobrança com argumento não constante das autuações e, portanto, não impugnado. Em Acórdão de Recurso Voluntário, decidiu este Conselho, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso e manter a exigência da multa isolada ao patamar de 50%. O entendimento é de que o contribuinte que deixa de recolher a estimativa está descumprindo norma específica quanto ao regime de antecipação, prevendo a lei punição para tal ato – multa isolada de 50% sobre o valor do pagamento mensal, mesmo que apurado prejuízo fiscal ou base negativa de CSLL no final do exercício, como no caso em exame. Ato contínuo, interpôs a contribuinte, Embargos de Declaração (efls. 364 a 366), alegando contradição entre a contagem dos votos e a proclamação do resultado do julgamento. Alegou que, embora tenha sido negado provimento ao recurso voluntário por voto de qualidade, a quantidade de votos a seu favor ultrapassaria a quantidade de votos que mantiveram a exação. Entende que teriam votado em seu favor os conselheiros Paulo Cortez, Moisés Giacomelli, Sérgio Presta e Leonardo Couto e, por decorrência, apenas os conselheiros Fl. 476DF CARF MF Processo nº 15540.720415/201124 Resolução nº 1402000.575 S1C4T2 Fl. 477 5 Frederico Alencar e Fernando Brasil teriam votado pela manutenção da exação, perfazendo o placar de quatro a dois em seu favor. Noutro ponto, alega a embargante ter havido omissão no acórdão embargado quanto ao argumento trazido em preliminar sobre supressão de instância. Aduz que teria demonstrado que a decisão de primeira instância teria inovado ao considerar, como fundamento do auto de infração, "a não apresentação dos livros e documentos contábeis solicitados pelo Auditor Fiscal". Pede a nulidade do processo, com base no art. 59, II, do Decreto 70.235/1972. Os embargos de declaração, não foram admitidos por este Conselho(efls. 397 a 399). Posteriormente, interpôs a contribuinte Recurso Especial (efls. 408 a 410), repetindo os argumentos dos Embargos de Declaração. A decisão (efls. 427 a 431) foi novamente pelo não conhecimento do recurso. Inconformada , impetrou a contribuinte Mandado de Segurança, com pedido de liminar, contra ato perpetrado pelo Presidente da 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, para desconsiderar o resultado final do julgamento proferido em recurso voluntário (Acórdão nº 1402001.823) concernente ao crédito tributário controlado pelo presente processo administrativo, tendo em vista o voto de qualidade proferido pelo Conselheiro Presidente Leonardo Andrade Couto. A segurança foi concedida para declarar nulo o julgamento proferido no Recurso Voluntário interposto pelo impetrante no presente processo administrativo, bem como para determinar a realização de nova sessão de julgamento sem a possibilidade de voto dúplice pelo Presidente da sessão. É o relatório. Fl. 477DF CARF MF Processo nº 15540.720415/201124 Resolução nº 1402000.575 S1C4T2 Fl. 478 6 Voto Conselheiro Demetrius Nichele Macei Relator Inicialmente, é preciso ressaltar que o recurso voluntário inserto neste processo administrativo, objeto do presente julgamento, já foi julgado anteriormente por esta Turma, em sessão realizada em 24 de setembro de 2014, resultando no Acórdão nº 1402001.823, tendo por Relator o i. Conselheiro Paulo Roberto Cortez, por Redator ad hoc o i. Conselheiro Leonardo de Andrade Couto e por Redator designado para a lavratura do voto vencedor o i. Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar. Na ocasião, participaram do julgamento os i. Conselheiros Frederico Augusto Gomes de Alencar, Sergio Bezerra Presta, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto. Estava em análise o tema “Multa Isolada. Falta de Recolhimento de Estimativas” e a decisão dos membros do Colegiado, por voto de qualidade, foi no sentido de negar provimento ao recurso voluntário do contribuinte e manter a exigência da multa isolada. Inconformado com a decisão, o contribuinte apresentou, inicialmente, embargos de declaração, os quais não foram admitidos; na sequência, recurso especial, o qual não foi conhecido, sendolhe negado seguimento, com a consequente baixa do processo administrativo para a DRF de origem, pela inexistência de possibilidade de interposição de qualquer outro recurso na esfera administrativa. Optou o contribuinte, então, em ingressar com um Mandado de Segurança, o qual tomou o nº 100530081.2016.4.01.3400, tendo por autoridade impetrada o Ilmo. Sr. Presidente da 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF. Deferida a liminar para a suspensão dos créditos tributários constituídos (p. 450/458), sobreveio r. sentença de p. 466/468, que confirmou a liminar deferida anteriormente, bem como concedeu a segurança para “declarar nulo o julgamento proferido no Recurso Voluntário interposto pela impetrante no bojo do Processo Administrativo nº 15540.720415/201124, Acórdão nº 1402001.823, bem como determinar a realização de nova sessão de julgamento sem a possibilidade de voto dúplice pelo Presidente da sessão”. Feito este intróito, esclarecido está o motivo do recurso voluntário de p. 242/248 e documentos anexos ter voltado à pauta de julgamento, com a ressalva que a decisão judicial está impedindo uma decisão por voto de qualidade. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual, dele conheço. Em síntese, a questão de mérito posta pelo contribuinte em seu recurso voluntário cingese a suposto erro da fiscalização ao ignorar, durante a fiscalização, que a Recorrente é sócia ostensiva de diversas SCP’s (Sociedades em Conta de Participação), que adota o regime do lucro real, e, portanto, está sujeita ao pagamento mensal de estimativas de IRPJ e CSLL, mas que as SCP’s, por serem autônomas para fins tributários, optaram pelo regime do lucro presumido. Que a fiscalização tomou por base, para lavrar as multas isoladas, o valor do IRPJ e CSLL trimestrais devidos pelas SCP’s e que tais valores constam das DCTF’s do ano de 2007 anexadas à impugnação. Que a “mesclagem” de conceitos, regras e Fl. 478DF CARF MF Processo nº 15540.720415/201124 Resolução nº 1402000.575 S1C4T2 Fl. 479 7 procedimentos promovida nos autos de infração não se sustenta, porque não há previsão legal que dê guarida a esse cruzamento de regimes entre pessoas jurídicas diversas. Buscando o fundamento das autuações, verificase na p. 58 que a fiscalização constituiu crédito tributário de multa isolada por falta de recolhimento de IRPJ sobre base de cálculo estimada em função da receita bruta e acréscimos e/ou balanço de suspensão ou redução, fundamentando nos arts. 222 e 843 do RIR/99; 44, II, “b”, da Lei nº 9.430/96, com redação dada pelo art. 14 da MP 351/07, convertida na Lei 11.488/07 e, na p. 64, pela falta de recolhimento de CSLL sobre a mesma base, fundamentando nos arts. 222 e 843 do RIR/99; 44, § 1º, IV, da Lei nº 9.430/96, com redação dada pelo art. 14 da MP 351/07, convertida na Lei 11.488/07. Embora a Recorrente tenha sido intimada para apresentar, em cinco dias úteis, a escrituração contábil das SCP’s, no período de janeiro a dezembro de 2007, conforme Termo de Intimação Fiscal nº 01, p. 110, não há, nos autos, informação de que tal escrituração tenha sido apresentada. Há, tão somente, Termo de Ciência e de Continuação de Procedimento Fiscal de p. 111, a lavratura dos autos de infração e a impugnação apresentada pelo contribuinte. Analisando o v. acórdão da DRJ (p. 213 a 221), observase que a i. Relatora entendeu os argumentos trazidos pela Recorrente, no sentido de que é possível que uma empresa opte por um tipo de tributação (lucro real anual) e, na condição de sócia ostensiva, também tenha escrituração contábil de SCP’s com regime tributário diferente, no caso, lucro presumido, citando a IN SRF nº 31, de 29.03.2001. Mas, a partir do termo de intimação de p. 110, conclui que não consta nos autos resposta trazida pela interessada para corroborar a escrituração contábil das SCP, demonstrando a segregação das escritas, para se ter certeza sobre os valores declarados em sua DIPJ e DCTF. Como não localizou, nos autos, comprovação das argumentações dispendidas pela Recorrente, optou a DRJ por manter a autuação, supondo o não recolhimento das estimativas mensais de IRPJ e CSLL, conforme apontado pela fiscalização. Desta decisão, a ora Recorrente apresentou o recurso voluntário de p. 242/248, no qual anexou, à p. 249, resposta ao Termo de Intimação, disponibilizando para a fiscalização os Livros Diários e Razão referentes ao anocalendário 2007. E, na p. 250, anexou a resposta ao Termo de Intimação, apresentando a escrituração contábil, Diário e Razão das diversas SCP’s, no período solicitado, com carimbo da DRF atestando o recebimento, sem conferência, em 13.10.2011, e, nas p. 253 a 305, apresenta cópia dos Livros Diários 76, 77 e 78. Sem maiores esclarecimentos, o i. Relator Paulo Roberto Cortez, analisando o recurso voluntário interposto, apontou como razões da autuação a “falta de pagamento de IRPJ e da CSLL sobre a base de cálculo estimada” e restringiu a discussão de mérito, tão somente, sobre a “possibilidade de a autoridade fiscal lançadora aplicar multa de ofício isolada no percentual de 50%, sob o argumento de o contribuinte ter deixado de recolher IRPJ e CSLL com base em estimativas mensais”. Ao ver deste Julgador, o cerne da discussão não é este. Analisando a DIPJ 2008 de p. 73/103, denotase a opção do contribuinte pela tributação pelo Lucro Real (p. 73), o reconhecimento de resultados positivos em SCP no importe de R$ 4.711.669,43 (p. 77), e, ao final do período, lucro real no importe de R$ 142.724,45, considerando a exclusão do mesmo valor de R$ 4.711.669,43, por ser receita Fl. 479DF CARF MF Processo nº 15540.720415/201124 Resolução nº 1402000.575 S1C4T2 Fl. 480 8 tributável dentro das SCP’s (p.78). E, na Ficha 12A, p. 83, foi apurado IRPJ no importe de R$ 21.408,67 e saldo negativo final de R$ 191.506,96. Na Ficha 11 (p. 79 a 82) observase que não foram apuradas base para o recolhimento de estimativas entre janeiro e agosto/07, em setembro e outubro/07 foi apurado IRPJ a recolher e, em novembro/07 também não houve estimativa e, em dezembro/07, apurou se saldo negativo de IRPJ. Na mesma Ficha 11 está apontado IRPJ a recolher, proveniente de SCP, nos meses de março, junho, setembro e dezembro. Na Ficha 16 (p. 84 a 87) observase que não foram apuradas base para o recolhimento de estimativas entre janeiro e dezembro/07, sendo que, em dezembro/07, apurou se saldo negativo de CSLL. Na mesma Ficha 16 está apontado CSLL a recolher, proveniente de SCP, nos meses de março, junho, setembro e dezembro. E, na Ficha 17, p. 88, foi apurado CSLL no importe de R$ 12.845,20 e saldo negativo de CSLL de R$ 221.390,83. Já em DCTF de p. 163/171, foram apontados os valores devidos pelo contribuinte, a título de IRPJ, no código 5993 – IRPJ – PJ optante pelo lucro real/estimativa mensal e, na p. 179/194, foram apontados em DCTF os valores devidos pelo contribuinte, a título de IRPJ, no código 2089 – IRPJ – PJ que apura o imposto pelo lucro presumido/SCP. A partir da p. 195, DCTF com os valores devidos a título de CSLL. Com a devida vênia, o julgamento anterior, realizado por esta Turma, não focou no ponto de controvérsia efetivo, que era confirmar se a Recorrente, de fato, escriturou adequadamente sua contabilidade pelo lucro real e a contabilidade das SCP’s pelo lucro presumido, mas principalmente se os valores apontados como devidos foram efetivamente recolhidos nos respectivos códigos de receita. Explicase. Se a fiscalização tomou os valores devidos a título de IRPJ e CSLL pela Recorrente na condição de sócia ostensiva das SCP’s, os quais foram apurados pela sistemática do lucro presumido e tais valores foram efetivamente recolhidos, não há “estimativa” declarada e não recolhida a ensejar a constituição de multa isolada nos moldes do art. 44, da Lei 9.430/96. Por outro lado, nos dois meses – setembro e outubro/2007 – em que a Recorrente apurou IRPJ a recolher por estimativa, tais valores foram efetivamente recolhidos, mais uma vez não há base para o lançamento da multa isolada nos moldes realizados pela fiscalização. Desta forma, proponho a conversão do julgamento em diligência para que: a) a fiscalização confirme a realização do pagamento dos valores devidos pela Recorrente, informados em DCTF no ano de 2007, nos códigos de estimativa, a título de IRPJ, nos meses de setembro e outubro/2007, ainda que por compensação, bem como o pagamento do IRPJ e CSLL devidos trimestralmente, com código de lucro presumido/SCP, nos valores informados em DCTF/2007, mediante DARF ou compensação; Fl. 480DF CARF MF Processo nº 15540.720415/201124 Resolução nº 1402000.575 S1C4T2 Fl. 481 9 b) ao final do procedimento, deverá a autoridade fiscalizadora elaborar relatório circunstanciado, cientificando o sujeito passivo do resultado da diligencia para que, querendo, se manifeste em 30 (trinta) dias, com fundamento no artigo 35, parágrafo único, do Decreto 7.574|2011. Uma vez esclarecidos esses fatos, entendo que o recurso estará em condições de ser julgado. É o voto. (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei Fl. 481DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16151.000110/2005-09
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Data do Fato Gerador: 01/01/2003
NULIDADE. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO FORMAL.
Só há nulidade da decisão de primeira instância se for observada a ocorrência de erro in procedendo. Não sendo constatado erro de forma ou no proceder instrumental, tampouco a prática de ato por órgão incompetente, decisão citra petita ou preterição do direito de defesa, não se verificando, ainda, quaisquer das hipóteses do art. 59 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, ou outros vícios formais, é hígido o decisório a quo afastando-se a preliminar de nulidade.
PRINCÍPIO CONSTITUCIONAL DA IRRETROATIVIDADE. MATÉRIA SUMULADA.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF n.º 2).
SIMPLES FEDERAL. EXCLUSÃO. PARTICIPAR A PESSOA JURÍDICA DO CAPITAL DE OUTRA COM MAIS DE DEZ POR CENTO E A RECEITA BRUTA GLOBAL ULTRAPASSAR O LIMITE LEGAL. FATO JURÍDICO NÃO OBSERVADO. ATOS SOCIETÁRIOS. REGISTRO. EFEITOS A PARTIR DO ARQUIVAMENTO A DEMONSTRAR INEXISTÊNCIA DE SIMULTANEIDADE NA PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. ATO DE EXCLUSÃO CANCELADO.
Os documentos de alteração social das pessoas jurídicas deverão ser apresentados a arquivamento no órgão de registro, dentro de 30 (trinta) dias contados de sua assinatura, a cuja data retroagirão os efeitos do arquivamento; fora desse prazo, o arquivamento só terá eficácia a partir do despacho que o conceder.
Arquivado o ato societário no órgão de registro competente, deve-se respeitar os seus efeitos. A inexistência de eventual comunicação obrigatória para a administração tributária, em relação ao arquivamento, não tem o condão, enquanto descumprimento de obrigação instrumental, de afastar os efeitos publicizados pelo ato de registro da alteração societária que desligou o sócio da pessoa jurídica, ainda mais quando a Instrução Normativa invocada na decisão vergastada e que prevê a comunicação obrigatória é posterior ao fato.
Inexistindo fato jurídico de participar a pessoa jurídica do capital de outra com mais de dez por cento e não tendo sua receita bruta global ultrapassado o limite legal, deve ser mantida no Simples, conforme opção exercida, cancelando-se o ato de exclusão. O vetor deontológico da segurança jurídica, que se irradia por todo o ordenamento jurídico, através de limites objetivos, impõe a correta aplicação da norma individual e concreta por ocasião da decisão do contencioso administrativo tributário. O axioma que sustenta as legítimas expectativas do contribuinte e da administração tributária impõe observar a regular aplicação do direito, conferindo previsibilidade razoável para as decisões, harmonizando-se a relação Estado-Cidadão.
Recurso Voluntário Provido
Sem crédito em Litígio
Numero da decisão: 1002-000.211
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonam Rocha de Medeiros - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: 00962070432 - CPF não encontrado.
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Data do Fato Gerador: 01/01/2003 NULIDADE. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO FORMAL. Só há nulidade da decisão de primeira instância se for observada a ocorrência de erro in procedendo. Não sendo constatado erro de forma ou no proceder instrumental, tampouco a prática de ato por órgão incompetente, decisão citra petita ou preterição do direito de defesa, não se verificando, ainda, quaisquer das hipóteses do art. 59 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, ou outros vícios formais, é hígido o decisório a quo afastando-se a preliminar de nulidade. PRINCÍPIO CONSTITUCIONAL DA IRRETROATIVIDADE. MATÉRIA SUMULADA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF n.º 2). SIMPLES FEDERAL. EXCLUSÃO. PARTICIPAR A PESSOA JURÍDICA DO CAPITAL DE OUTRA COM MAIS DE DEZ POR CENTO E A RECEITA BRUTA GLOBAL ULTRAPASSAR O LIMITE LEGAL. FATO JURÍDICO NÃO OBSERVADO. ATOS SOCIETÁRIOS. REGISTRO. EFEITOS A PARTIR DO ARQUIVAMENTO A DEMONSTRAR INEXISTÊNCIA DE SIMULTANEIDADE NA PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. ATO DE EXCLUSÃO CANCELADO. Os documentos de alteração social das pessoas jurídicas deverão ser apresentados a arquivamento no órgão de registro, dentro de 30 (trinta) dias contados de sua assinatura, a cuja data retroagirão os efeitos do arquivamento; fora desse prazo, o arquivamento só terá eficácia a partir do despacho que o conceder. Arquivado o ato societário no órgão de registro competente, deve-se respeitar os seus efeitos. A inexistência de eventual comunicação obrigatória para a administração tributária, em relação ao arquivamento, não tem o condão, enquanto descumprimento de obrigação instrumental, de afastar os efeitos publicizados pelo ato de registro da alteração societária que desligou o sócio da pessoa jurídica, ainda mais quando a Instrução Normativa invocada na decisão vergastada e que prevê a comunicação obrigatória é posterior ao fato. Inexistindo fato jurídico de participar a pessoa jurídica do capital de outra com mais de dez por cento e não tendo sua receita bruta global ultrapassado o limite legal, deve ser mantida no Simples, conforme opção exercida, cancelando-se o ato de exclusão. O vetor deontológico da segurança jurídica, que se irradia por todo o ordenamento jurídico, através de limites objetivos, impõe a correta aplicação da norma individual e concreta por ocasião da decisão do contencioso administrativo tributário. O axioma que sustenta as legítimas expectativas do contribuinte e da administração tributária impõe observar a regular aplicação do direito, conferindo previsibilidade razoável para as decisões, harmonizando-se a relação Estado-Cidadão. Recurso Voluntário Provido Sem crédito em Litígio
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INEXISTÊNCIA DE VÍCIO FORMAL. Só há nulidade da decisão de primeira instância se for observada a ocorrência de erro in procedendo. Não sendo constatado erro de forma ou no proceder instrumental, tampouco a prática de ato por órgão incompetente, decisão citra petita ou preterição do direito de defesa, não se verificando, ainda, quaisquer das hipóteses do art. 59 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, ou outros vícios formais, é hígido o decisório a quo afastandose a preliminar de nulidade. PRINCÍPIO CONSTITUCIONAL DA IRRETROATIVIDADE. MATÉRIA SUMULADA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF n.º 2). SIMPLES FEDERAL. EXCLUSÃO. PARTICIPAR A PESSOA JURÍDICA DO CAPITAL DE OUTRA COM MAIS DE DEZ POR CENTO E A RECEITA BRUTA GLOBAL ULTRAPASSAR O LIMITE LEGAL. FATO JURÍDICO NÃO OBSERVADO. ATOS SOCIETÁRIOS. REGISTRO. EFEITOS A PARTIR DO ARQUIVAMENTO A DEMONSTRAR INEXISTÊNCIA DE SIMULTANEIDADE NA PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. ATO DE EXCLUSÃO CANCELADO. Os documentos de alteração social das pessoas jurídicas deverão ser apresentados a arquivamento no órgão de registro, dentro de 30 (trinta) dias contados de sua assinatura, a cuja data retroagirão os efeitos do arquivamento; fora desse prazo, o arquivamento só terá eficácia a partir do despacho que o conceder. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 15 1. 00 01 10 /2 00 5- 09 Fl. 154DF CARF MF Processo nº 16151.000110/200509 Acórdão n.º 1002000.211 S1C0T2 Fl. 155 2 Arquivado o ato societário no órgão de registro competente, devese respeitar os seus efeitos. A inexistência de eventual comunicação obrigatória para a administração tributária, em relação ao arquivamento, não tem o condão, enquanto descumprimento de obrigação instrumental, de afastar os efeitos publicizados pelo ato de registro da alteração societária que desligou o sócio da pessoa jurídica, ainda mais quando a Instrução Normativa invocada na decisão vergastada e que prevê a comunicação obrigatória é posterior ao fato. Inexistindo fato jurídico de participar a pessoa jurídica do capital de outra com mais de dez por cento e não tendo sua receita bruta global ultrapassado o limite legal, deve ser mantida no Simples, conforme opção exercida, cancelandose o ato de exclusão. O vetor deontológico da segurança jurídica, que se irradia por todo o ordenamento jurídico, através de limites objetivos, impõe a correta aplicação da norma individual e concreta por ocasião da decisão do contencioso administrativo tributário. O axioma que sustenta as legítimas expectativas do contribuinte e da administração tributária impõe observar a regular aplicação do direito, conferindo previsibilidade razoável para as decisões, harmonizandose a relação EstadoCidadão. Recurso Voluntário Provido Sem crédito em Litígio Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros. Relatório Cuidase, o caso versando, de Recurso Voluntário (efls. 135/149) ― autorizado nos termos do art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, interposto com efeito suspensivo e devolutivo ―, protocolado pela recorrente, indicada no preâmbulo, devidamente qualificada nos fólios Fl. 155DF CARF MF Processo nº 16151.000110/200509 Acórdão n.º 1002000.211 S1C0T2 Fl. 156 3 processuais, relativo ao inconformismo com a decisão de primeira instância (efls. 125/132), proferida em sessão de 18 de dezembro de 2008, consubstanciada no Acórdão n.º 1619.937, da 1.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I/SP (DRJ/SPOI), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação (efls. 09/21) que pretendia desconstituir o Ato Declaratório Executivo (ADE) Derat/SPO n.º 571.349, de 02 de agosto de 2004 (efl. 06), que excluiu a contribuinte do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte Simples Federal, na forma do inciso IX do artigo 9.º; artigo 12; inciso I do artigo 14; inciso II do artigo 15, todos da Lei n.º 9.317, de 5 de dezembro de 1996; inciso IX do artigo 20; artigo 21; inciso I do artigo 23; inciso II e parágrafo único do artigo 24, todos da Instrução Normativa SRF n.º 355, de 29 de agosto de 2003, com efeitos a partir de 01/01/2003, por participar o sócio ou titular de outra empresa com mais de 10% e a receita bruta global no ano calendário de 2002 ter ultrapassado o limite legal, cujo acórdão restou assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003 PRELIMINAR. NULIDADE. Não há que se cogitar de nulidade da Decisão exarada pelo órgão de competência originária quando observados os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. DILIGÊNCIA. Não se justifica a realização de diligência, quando os fatos puderem ser comprovados nos autos, pela apresentação de documentos. ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2003 SÓCIO DE OUTRA EMPRESA. PARTICIPAÇÃO MAIOR QUE 10%. RECEITA BRUTA GLOBAL. ULTRAPASSAGEM DO LIMITE LEGAL. EXCLUSÃO. Constatado que o sócio participa de outras empresas com mais de 10% do capital social e que a receita bruta global, no ano calendário de 2002, ultrapassou o limite legal, é cabível a exclusão da sistemática do Simples, com efeitos a partir de 01/01/2003. Solicitação Indeferida Vejase o contexto fático dos autos, incluindo seus desdobramentos, conforme se extrai do relatório constante no Acórdão do juízo a quo: Trata o presente processo, formalizado em 09/09/2005, de exclusão do Simples, em razão da emissão, em 02/08/2004, do Ato Declaratório Executivo Derat/SPO n.º 571.349 (fl. 4), tendo por situação excludente a existência de sócio ou titular participante de outra empresa com mais de 10% e o fato de a receita bruta global no anocalendário de 2002 ter ultrapassado o limite legal (CPF 151.901.58870, CNPJ 05.315.226/000103), com data de ocorrência em 31/12/2002 (evento 311 do CNPJ), tendo a interessada optado pelo Simples em 01/01/1999. A exclusão foi fundamentada nos artigos 9.º, inciso IX, 12, 14, inciso I, e 15, inciso II e § 3.º, da Lei n.º 9.317, de Fl. 156DF CARF MF Processo nº 16151.000110/200509 Acórdão n.º 1002000.211 S1C0T2 Fl. 157 4 05/12/1996; art. 73 da Medida Provisória n.º 2.15834, de 27/07/2001; artigos 20, inciso IX, 21, 23, inciso I, 24, inciso II e parágrafo único, da Instrução Normativa SRF n.º 355, de 29/08/2003. Cientificada do ADE em 26/08/2004 (fl. 6), inicialmente a interessada apresentou, em 17/09/2004, a Solicitação de Revisão da Exclusão do Simples (SRS fls. 1 a 60), com a alegação de que o sócio Sr. Marcelo de Camargo Teixeira Panella (CPF 151.901.58870) desligouse do quadro societário da recorrente em 28/12/2001, passando a integrar o quadro societário da empresa Thiollier e Advogados (CNPJ 05.315.226/000103) somente em 27/09/2002. A solicitação foi considerada improcedente pela Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária em São Paulo, em despacho exarado em 07/06/2005, nos seguintes e exatos termos (fl. 2): "ADE N.º 571.349 (137) EXCLUSÃO MANTIDA por seus fundamentos legais. Nenhum erro de fato foi detectado nem foi apresentada prova documental contradizendo às informações constantes em nossos sistemas de processamento de dados. No exercício apontado, foi detectada participação de sócio ou titular com mais de 10% em outra(s) empresa(s), cujo somatório de receita bruta adicionado à receita bruta da própria solicitante ultrapassou o limite de valor permitido." Cientificada do resultado da SRS em 14/06/2005 (fl. 3), a requerente apresentou manifestação de inconformidade ao despacho denegatório em 08/07/2005 (razões às fls. 65 a 85). Alega, em síntese, que: Da Nulidade da Decisão Administrativa. O Decreto n.º 70.235/1972 e suas alterações regulam o processo administrativo federal. Mas, considerandose as suas diversas lacunas concernentes às regras e ritos processuais, constitui tese pacífica que as normas do Código de Processo Civil aplicamse subsidiariamente ao processo administrativo fiscal federal. Tal entendimento é sedimentado no próprio Conselho de Contribuintes, que usualmente se socorre ao Código de Processo Civil diante da inexistência de normas de caráter processual no Decreto n.º 70.235/1972 (colaciona aos autos ementas de julgados do Conselho de Contribuintes às fls. 70 e 71). Assim, para gozar eficácia e estarem aptas a produzir efeitos no mundo jurídico, as decisões administrativas assim como as judiciais, devem reunir pressupostos e condições intrínsecas e formais expressamente exigidas pelo Código de Processo Civil, em especial o que determina o seu art. 458 (transcreve o referido artigo à fl. 73). Contudo, a Decisão recorrida não preenche, sequer, o mínimo legal exigido à sua existência e validade (transcreve a Decisão indicada no item 4 do Relatório), pois encontrase em total desacordo com os requisitos exigidos pelo art. 458 do CPC. Não há, sequer, o relatório e a fundamentação jurídica exigidos pelos incisos I e II do citado artigo. Fl. 157DF CARF MF Processo nº 16151.000110/200509 Acórdão n.º 1002000.211 S1C0T2 Fl. 158 5 Ao tratar do assunto, Humberto Theodoro Júnior, em seu "Curso de Direito Processual Civil", manifestou que "as formalidades prescritas pelo Código são substanciais, de modo que sua inobservância leva à nulidade da sentença". Entendimento no mesmo sentido foi exarado pelo Superior Tribunal de Justiça, ao declarar que "é nula a sentença que não obedeceu ao disposto no art. 458 e incisos do Código de Processo Civil" (transcreve a ementa do Acórdão unânime da 3ª Turma do STJ, de 18/05/1993, no REsp. n.º 31.235/AL, à fl. 75). Inexorável constatar que a Decisão recorrida não preenche os requisitos legais mínimos à sua existência e validade, visto que a mesma mais parece um carimbo do que um ato proveniente de um Órgão Julgador, sendo cabível a sua anulação. Mérito. Afora as razões acima pontadas, as quais por si só já seriam suficientes à nulidade da Decisão recorrida, fazse mister ressaltar, ainda, que quanto ao mérito melhor sorte não lhe assiste. O sócio Sr. Marcelo de Camargo Teixeira Panella (CPF 151.901.58870) desligouse do quadro societário da recorrente em 28/12/2001, conforme faz prova data grafada pela Junta Comercial do Estado de São Paulo na Alteração Contratual juntada aos autos (anexou documento às fls. 21 a 27). O sócio em comento jamais integrou simultaneamente os quadros societários da recorrente e da empresa Thiollier Advogados (CNPJ 05.315.226/000103), passando à condição de sócio da última somente em 27/09/2002. Frisese que as afirmações acima declinadas não se tratam de divagações doutrinárias ou jurisprudenciais acerca do tema. São fatos irrefutáveis e documentalmente comprovados, que demonstram cabalmente que a ora recorrente jamais dispôs em seu quadro societário de sócio com participação em outra empresa, sendo cabível a anulação do ADE que se discute. A receita bruta da contribuinte, no anocalendário 2002, atingiu R$ 1.101.898,64, conforme informado em sua Declaração Simplificada, situandose abaixo do limite de R$ 1.200.000,00 imposto pela legislação da sistemática simplificada, não havendo que se falar, portanto, na sua exclusão do Simples em virtude de excesso de receita. Em síntese, na Impugnação (efls. 09/21) a contribuinte defendeu a ocorrência de erro de fato no enquadramento na situação vedada, a saber, participação do sócio ou titular da empresa optante pelo Simples Federal em outra sociedade com mais de 10% (dez por cento) possuindo as duas empresas receita bruta global superior ao limite legal estabelecido para as Empresas de Pequeno Porte – EPP; afirmou que dita situação não se verificou na hipótese dos autos; argumentou que a receita bruta da empresa impugnante, no período fiscalizado, estava abaixo do limite legal. Todavia, a tese de defesa não foi acolhida pela DRJ/SPOI (efls. 125/132), de cuja decisão a contribuinte foi intimada, via Carta com Aviso de Recebimento (efl. 134), na data de 13 de março de 2009. No recurso voluntário, protocolado em 03 de abril de 2009 (efls. 135/149), o contribuinte, irresignado com a decisão de primeira instância, reiterou os argumentos Fl. 158DF CARF MF Processo nº 16151.000110/200509 Acórdão n.º 1002000.211 S1C0T2 Fl. 159 6 deduzidos na impugnação, alegando, ademais, que o Juízo a quo, nas suas razões de decidir, aplicou regulamentação infralegal superveniente para fatos pretéritos. Os autos foram encaminhados para este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), sendo, posteriormente, distribuído para este relator. É o que importa relatar. Passo a devida fundamentação analisando as questões prévias (eventuais preliminares e prejudiciais) e se superadas estas adentrar no juízo de mérito para, ao final, concluir com o dispositivo. Voto Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade intrínsecos, uma vez que é cabível, há interesse recursal, a recorrente detém legitimidade e inexiste fato impeditivo, modificativo ou extintivo do poder de recorrer. Outrossim, atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal, inclusive estando adequada a representação processual, e apresentase tempestivo (notificação em 13/03/2009, efls. 133/134, e protocolo em 03/04/2009, efl. 135), tendo respeitado o trintídio legal, na forma exigida no art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal. Demais disto, observo a plena competência deste Colegiado, na forma do art. 23B, inciso I, do Regimento Interno do CARF, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017. Isto porque, trata de exclusão do Simples, desvinculada do crédito tributário. Eventual crédito tributário não é exigido nestes autos, bem como não visualizo qualquer critério que justifique a vinculação destes autos a eventual processo de exigibilidade do crédito tributário, não verificando a aplicação de quaisquer das formas de vinculação constantes do art. 6.º, § 1.º, do Anexo II, do RICARF. Sendo assim, a competência é desta Colenda Turma Extraordinária. Portanto, conheço do Recurso Voluntário. Preliminar ao conhecimento do mérito Antes de adentrar no mérito, importante apreciar a alegada nulidade da decisão proferida pela DRJ. Aduz o recorrente que o decisum é nulo, haja vista que a primeira instância teria exarado decisão contraditória frente a prova dos autos ao reconhecer que foi acostado ao caderno processual cópia de alteração social que comprova a saída do Sr. Marcello de Camargo Teixeira Panella dos quadros societários da recorrente (efls. 24/30), saída ocorrida em data de 01/11/2001, com registro efetivado na JUCESP em 28/12/2001, antes dele ingressar em outra pessoa jurídica, no caso na sociedade que ele constituiu em 03/09/2002 (efls. 42/65) e que foi aprovada na forma de seu registro em 27/09/2002. A nulidade também decorreria da aplicação retroativa da IN/SRF n.° 748, de 28/07/2007, o que violaria o princípio constitucional da irretroatividade. Fl. 159DF CARF MF Processo nº 16151.000110/200509 Acórdão n.º 1002000.211 S1C0T2 Fl. 160 7 Pois bem. Em que pese os argumentos da defesa, entendo que tais alegações não cuidam de erro in procedendo a culminar em decisório nulo. Não visualizo erro de forma ou no proceder instrumental, a prática do ato em minha ótica é formalmente hígida, isto é, regular quanto aos requisitos formais necessários para o sua feitura. Eventual nulidade teria que partir, por exemplo, da lavratura do ato por órgão incompetente, por decisão citra petita, por preterição do direito de defesa, vale dizer, especialmente pelas causas destacadas no art. 59 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972. De mais a mais, importante anotar que, quanto a matéria constitucional e de legalidade invocada relativa a irretroatividade, a Súmula CARF n.º 2 impede a apreciação ao enunciar que: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." A referida súmula teve por suporte os seguintes paradigmas: Acórdão n.º 10194876, de 25/02/2005, Acórdão n.º 10321568, de 18/03/2004, Acórdão n.º 105 14586, de 11/08/2004, Acórdão n.º 10806035, de 14/03/2000, Acórdão n.º 10246146, de 15/10/2003, Acórdão n.º 20309298, de 05/11/2003, Acórdão n.º 20177691, de 16/06/2004, Acórdão n.º 20215674, de 06/07/2004, Acórdão n.º 20178180, de 27/01/2005, Acórdão n.º 20400115, de 17/05/2005. Por corolário lógico, não há que se admitir matérias que pretendem discutir constitucionalidade, limites constitucionais e controle de legalidade de atos normativos, caso contrário, estaria sendo declarada uma inconstitucionalidade incidenter tantum de norma infraconstitucional, o que é vedado no Regimento Interno do CARF (art. 62, Anexo II, aprovado pela Portaria MF n.º 343, de 2015), havendo que se respeitar o enunciado sumular destacado. Observese, igualmente, o disposto no art. 26A do Decreto n.º 70.235, de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, com redação dada pela Lei n.º 11.941, de 2009, que enuncia o mesmo entendimento ao dispor que: "No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade." Sendo assim, afasto a questão preliminar da nulidade e deixo de apreciar questão constitucional de irretroatividade. Mérito Quanto ao mérito, entendo que assiste razão a recorrente. Isto porque, se não visualizo erro in procedendo, como acima mencionado, observo noutro norte, com a devida vênia, erro in iudicando, erro material consistente no equívoco do juízo a quo quanto à apreciação da lide tributária. Ao meu ver, concessa venia a decisão singular, há erro na interpretação da legislação ou, ainda, os fatos não foram adequados corretamente ao plano abstrato da norma, proferindose norma individual e concreta equivocada. Explico. Após a exclusão, o procedimento em questão se instaurou a partir da Solicitação de Revisão de Exclusão do Simples – SRS (efl. 03), contestando o ADE n.º 571.349/2004 (efl. 06). A decisão da DERAT (efl. 07) manteve o ato. Na impugnação a contribuinte alegou que aderiu ao Simples em 01/01/1999 e que, em 28/12/2001, o sócio MARCELLO DE CAMARGO TEIXEIRA PANELLA se retirou da sociedade impugnante, Fl. 160DF CARF MF Processo nº 16151.000110/200509 Acórdão n.º 1002000.211 S1C0T2 Fl. 161 8 cedendo todas as suas quotas do capital social para o sócio remanescente (efls. 24/30), sendo que nove meses depois, mais especificamente em 27/09/2002, isto é, depois de considerável tempo da retirada daquele exsócio, o mesmo veio a ingressar em outra sociedade conforme ato de constituição (efls. 42/65). A recorrente afirmou, ainda, que a receita bruta da sociedade impugnante, no anocalendário de 2002, foi de R$ 1.101.898,64 (um milhão cento e um reais oitocentos e noventa e oito reais e sessenta e quatro centavos), ficando, portanto, abaixo do limite legal de R$ 1.200.000,00 (um milhão e duzentos reais) fixado no inciso II do artigo 5.º da Lei n.º 9.317/96, com a alteração que lhe deu o artigo 3.º da Lei n.º 9.732, de 1998. O Juízo a quo, sobre as teses suscitadas pela impugnante, assim se manifestou: 27. Compulsandose os autos, verificase que realmente foi acostada cópia autenticada da Alteração Contratual a que alude a contribuinte, registrada na JUCESP em 28/12/2001, sob o n.º 257.330/010, e na qual se constata que o Sr. Marcelo de Camargo Teixeira Panella retirouse da sociedade (fls. 21 a 27). 28. Ocorre que a recorrente não informou tal modificação RFB, através dos mecanismos próprios para este caso, constando no cadastro CNPJ que o sócio em comento integra o quadro societário da defendente desde 09/02/1999 (fls. 91 e 103). O julgador singular, ademais, citou a IN n.º 748, de 28 de junho de 2007, que dispõe, no artigo 22, que é obrigatória a comunicação pela entidade de toda alteração referente aos seus dados cadastrais, devendo fazêlo até o último dia útil do mês subsequente à data do registro da alteração, para concluir que “não tendo a contribuinte o cuidado de informar a RFB, de acordo com as normas aplicáveis, a referida Alteração Contratual, nem acostar comprovação de que procurou sanar o problema nesta fase recursal, descabe a autoridade julgadora reconhecêla à vista de documentos que deveriam se submeter à análise, à época, do setor competente da administração fiscal”. É a partir deste ponto que entendo residir o cerne meritório da presente questão. Observo, com a devida vênia, equívoco nas conclusões do julgamento. É fato incontroverso que o exsócio MARCELLO DE CAMARGO TEIXEIRA PANELLA retirouse da sociedade recorrente ainda em 2001, com saída ocorrida em data de 01/11/2001, com registro efetivado na JUCESP em 28/12/2001, sendo sólida a prova produzida nesse sentido, a saber, a juntada de cópia do registro de alteração societária pela JUCESP (efls. 24/30). Outro fato irrefutável é que o referido exsócio somente veio a integrar uma nova sociedade nove meses depois de sua retirada, constituindo outra pessoa jurídica em 03/09/2002, a qual foi aprovada e, consequentemente, registrada em 27/09/2002 (efls. 42/65), inexistindo, portanto, simultaneidade de participação societária em desacordo com os limites objetivos impostos pelo regime especial do Simples Federal, nos termos do artigo 9.º, inciso IX, da Lei n.º 9.317, de 1996. No máximo, poderseia invocar em desfavor do contribuinte um descumprimento de obrigação instrumental ou, em outras palavras, de obrigação acessória, mas não excluílo do Simples sob alegação de possuir sócio com participações de dez por cento ou mais no capital social em mais de uma sociedade e extrapolado o limite legal do regime especial. É fato inconteste que a pessoa Fl. 161DF CARF MF Processo nº 16151.000110/200509 Acórdão n.º 1002000.211 S1C0T2 Fl. 162 9 física mencionada não mais fazia parte dos quadros societários da recorrente, o que impõe a reforma da decisão vergastada em sua totalidade para cancelar o ato de exclusão. Neste diapasão, não subsiste a aplicação do artigo 9.º, inciso IX, da Lei n.º 9.317, de 1996. Demais disto, também não é caso de aplicação da IN n.º 748, de 2007, que é posterior aos fatos. Compulsandose os autos, verifico que a contribuinte é optante do Simples Federal desde 01/01/1999. No caso, a alteração societária da recorrente, com a saída do sócio MARCELLO DE CAMARGO TEIXEIRA PANELLA, operouse em 01/11/2001, com registro efetivado na JUCESP em 28/12/2001 (efls. 24/30). A rigor é para se aplicar o disposto no art. 36, da Lei n.º 8.934, de 1994, disciplinando que: Art. 36. Os documentos referidos no inciso II do art. 32 deverão ser apresentados a arquivamento na junta, dentro de 30 (trinta) dias contados de sua assinatura, a cuja data retroagirão os efeitos do arquivamento; fora desse prazo, o arquivamento só terá eficácia a partir do despacho que o conceder. Art. 32. O registro compreende: II O arquivamento: a) dos documentos relativos à constituição, alteração, dissolução e extinção de firmas mercantis individuais, sociedades mercantis e cooperativas. Logo, antes do ingresso do exsócio na outra sociedade (aprovada em 27/09/2002, efls. 42/65, na forma do art. 15, § 1.º, da Lei n.º 8.906, de 1994), ele já havia se desvinculado da recorrente (efls. 24/30, desde 2001, na forma do art. 36, da Lei n.º 8.934, de 1994), inexistindo, por conseguinte, possibilidade de aplicação do artigo 9.º, inciso IX, da Lei n.º 9.317, de 1996, para exclusão do Simples. O vetor deontológico da segurança jurídica, que se irradia por todo o sistema jurídico através de limites objetivos, impõe a correta aplicação da norma individual e concreta exarada por ocasião da decisão do contencioso administrativo tributário em primeira instância, deste modo entendo por reformar a decisão em grau de recurso. É caso, inclusive, da aplicação do axioma que sustenta as legítimas expectativas do contribuinte e da administração tributária no sentido de que seja observada a regular aplicação do direito, conferindose ao sistema tributário uma previsibilidade razoável, responsável pela harmonização da relação EstadoCidadão. A partir destas premissas, exercendo o controle de legalidade do ato de exclusão, verificando que inexiste o alegado fato jurídico de participar com mais de 10% (dez por cento) do capital de outra empresa, previsto na norma geral e abstrata construída a partir do enunciado prescritivo colhido no inciso IX do artigo 9.º da Lei n.º 9.317, de 1996, entendo por reforma a decisão de piso. Ora, pois, a conduta da empresa recorrente, a bem da verdade, não se enquadra na hipótese do inciso IX do artigo 9.º da Lei n.º 9.317, de 1996, seja porque não houve, em nenhum momento, simultaneidade de participação societária do exsócio MARCELLO DE CAMARGO TEIXEIRA PANELLA em outra sociedade, seja porque, de fato, a receita bruta da sociedade recorrente, no anocalendário Fl. 162DF CARF MF Processo nº 16151.000110/200509 Acórdão n.º 1002000.211 S1C0T2 Fl. 163 10 de 2002, não extrapolou a limitação legal, pelo que não vejo razões para manter vigente o ADE n.º 571.349, de 2 de agosto de 2004 (efl. 06). Dispositivo Ante o exposto, de livre convicção, relatado, analisado e por mais o que dos autos constam, voto em conhecer do recurso voluntário, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em lhe dar provimento, para reformar a decisão recorrida e, assim, cancelar o ato de exclusão. É como Voto. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator Fl. 163DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10650.720878/2015-59
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jun 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2014
PENSÃO ALIMENTÍCIA. REQUISITOS.
Da legislação de regência, extrai-se que são requisitos para a dedução da despesa com pensão alimentícia: a) a comprovação do efetivo pagamento dos valores declarados; b) que o pagamento tenha a natureza de alimentos; c) que a obrigação seja fixada em decorrência das normas do Direito de Família; e d) que seu pagamento esteja de acordo com o estabelecido em decisão judicial ou acordo homologado judicialmente ou, ainda, a partir do ano-calendário 2007, em conformidade com a escritura pública a que se refere o art. 1.124-A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973.
Numero da decisão: 2001-000.449
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
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REQUISITOS. Da legislação de regência, extraise que são requisitos para a dedução da despesa com pensão alimentícia: a) a comprovação do efetivo pagamento dos valores declarados; b) que o pagamento tenha a natureza de alimentos; c) que a obrigação seja fixada em decorrência das normas do Direito de Família; e d) que seu pagamento esteja de acordo com o estabelecido em decisão judicial ou acordo homologado judicialmente ou, ainda, a partir do ano calendário 2007, em conformidade com a escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 65 0. 72 08 78 /2 01 5- 59 Fl. 97DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Notificação de Lançamento relativa a Imposto de Renda Pessoa Física, lavrada em nome do sujeito passivo em epígrafe (fls 61/67), decorrente de procedimento de revisão de sua Declaração de Ajuste Anual do exercício 2014, anocalendário de 2013. De acordo com o Relatório de Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fls 63/65, foi apurada a glosa sobre as deduções indevidamente realizadas pelo sujeito passivo a título de despesas médicas , no valor de R$ 3.388,88 (AMAGIS Saúde), bem como a título de pensão alimentícia judicial/por escritura pública, no valor de R$ 102.000,00, em razão do Acórdão DRJ/RJ1 n 1267.831/2014 (que trata da impossibilidade da dedução dos valores pagos a título de pensão alimentícia a filhos maiores de idade). Após a revisão, foi apurado o saldo de IRPF a restituir ajustado no valor de R$ 8.126,77. Regularmente cientificado da Notificação na data de 08/09/2015 (cf documentos de fls 69/70), o contribuinte apresentou impugnação administrativa ao lançamento fiscal na data de 24/09/2015 (fls 02/05), alegando, em síntese, que tanto a comprovação da obrigação alimentar por decisão judicial/escritura pública, como os comprovantes de pagamentos no valor de R$ 102.000,00 encontramse nos autos. Além disso, os alimentandos lançaram tais recebimentos em suas respectivas Dirpf. Cita jurisprudência e doutrina para corroborar os seus argumentos. A DRJ Rio de Janeiro, na análise da peça impugnatória, manifestou seu entendimento no sentido de que não logrou o contribuinte em comprovar o seu direito eis que filhos maiores não ensejam dedução de despesas com pensão alimentícia. No que se refere a despesa da Amagis Saúde, salienta a DRJ que o contribuinte não mais a contestou e estaria, portanto incontroversa. Em sede de Recurso Voluntário, repisa o contribuinte as mesmas razões aventadas na Impugnação. Em relação a despesa da Amagis, salienta o contribuinte que apresentou o comprovante deste pagamento ainda quando da fase de esclarecimentos da "malha fina". É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Mérito Pensão alimentícia Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10650.720878/201559 Acórdão n.º 2001000.449 S2C0T1 Fl. 3 3 O presente lançamento decorre de glosa efetuada pela autoridade tributária em função de informação equivocada de dedução de pensão alimentícia na declaração do imposto de renda pessoa física, entregue pelo contribuinte, relativo ao exercício de 2014. Nesta senda, merece trazer a baila o que dispõe a legislação no que se refere à pensão alimentícia. Vejamos o que está previsto no art. 8º, II, “f”, da Lei nº 9.250/1995: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: (...) f) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais; Ressaltese que a alínea “f” do inciso II do artigo 8º da Lei nº 9.250, de 1995, passou a ter nova redação com o advento da Lei n.º 11.727, de 23 de junho de 2008, redação esta que, nos termos do art. 21 desta Lei, entrou em vigor na data da publicação da Lei nº 11.441, de 4 de janeiro de 2007. Eis a nova redação: f) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou deescritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) Conforme verificase da legislação acima transcrita, são requisitos para a dedução: a comprovação do efetivo pagamento dos valores declarados; que o pagamento tenha a natureza de alimentos; que a obrigação seja fixada em decorrência das normas do Direito de Família; e que seu pagamento esteja de acordo com o estabelecido em decisão judicial ou acordo homologado judicialmente ou, ainda, a partir do anocalendário 2007, em conformidade com a escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973. No caso em comento discutese a dedução das despesas com pensão alimentícia a filhos maiores. Entendo que são dedutíveis do Imposto de Renda os valores pagos a título de pensão alimentícia para filho, ainda que maior de 21 anos, em acordo homologado pelo Poder Judiciário. Inclusive esse foi o entendimento aplicado pela 8ª Turma Recursal do Juizado Especial Federal da 3ª Região para determinar que a Receita Federal deixe de tributar os valores pagos por um contribuinte a seu filho. Fl. 99DF CARF MF 4 Após ser cobrado pela Receita, o contribuinte ingressou com ação pedindo a anulação do débito fiscal. Em primeira instância, o pedido foi julgado parcialmente procedente, tendo o juiz determinado que a Receita desfaça o lançamento tributário. Inconformada, a Receita recorreu alegando que não há previsão em lei para a dedução de pensão alimentícia paga por mera liberalidade. Sendo assim, poderia o valor ser tributado. Ao julgar o caso, o relator, juiz federal ressaltou que "independentemente da iniciativa em relação aos alimentos, a partir do estabelecimento de um acordo de pensão e da comprovada percepção dos valores pelo alimentado, a orientação legal converge de modo a que o alimentante preserve seus direitos de não ser tributado por essa parcela de seus vencimentos". Seguindo o voto do relator, a 8ª Turma Recursal manteve a sentença, determinando que fosse deduzido do Imposto de Renda as despesas mensais de pensão alimentícia. É fundamental esclarecer que o alimentante tem direito de realizar a dedução integral dos valores que pagar a título de pensão alimentícia. Porém, para que a dedução seja admitida, é preciso que os alimentos prestados sejam decorrentes de decisão judicial ou, ainda, de acordo homologado judicialmente ou lavrado por escritura pública (a que se refere o artigo 1.124Ado Código de Processo Civil Cumpre observar que não se admite que a pensão alimentícia de filhos com idade inferior a 18 anos seja estabelecida por acordo lavrado por escritura pública. Sendo assim, aludida possibilidade restringese aos casos em que o dever de prestar alimentos estendase além da maioridade dos filhos. A jurisprudência tem admitido, inclusive, que se mantenha o dever de prestar alimentos até a conclusão de curso em estabelecimento de ensino superior pelo filho. Nessa circunstância, caso os pais do jovem venham a se divorciar, nada impede que, por escritura pública, seja estabelecida pensão alimentícia ao filho maior de idade. Neste diapasão, verificando a boa fé, o respaldo em decisão judicial e os argumentos trazidos pelo contribuinte, entendo serem dedutíveis as despesas de pensão alimentícia incorridas pelo contribuinte. Em relação à despesa médica , no valor de R$ 3.388,88 (AMAGIS Saúde), o contribuinte deixa claro que já foi juntado o comprovante em sede de esclarecimentos da malha fina. CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de, CONHECER e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10650.720878/201559 Acórdão n.º 2001000.449 S2C0T1 Fl. 4 5 Fl. 101DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13984.901370/2009-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2005
COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO EM DILIGÊNCIA.
Cabe a homologação da compensação quando o direito creditório restar comprovado por meio de diligência fiscal.
Numero da decisão: 1201-002.063
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO EM DILIGÊNCIA. Cabe a homologação da compensação quando o direito creditório restar comprovado por meio de diligência fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 4. 90 13 70 /2 00 9- 28 Fl. 273DF CARF MF Processo nº 13984.901370/200928 Acórdão n.º 1201002.063 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório A Recorrente transmitiu DCOMP, pleiteando a compensação de créditos de tributos recolhidos no SIMPLES com determinados débitos de sua responsabilidade. O Despacho Decisório não homologou o pleito do contribuinte, sob a alegação de insuficiência de saldo credor. A contribuinte, então, apresentou Manifestação de Inconformidade, sustentando que houve retificação da DSPJ em face de ter adotados alíquotas superiores a devida em 50%. A DRJ julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, uma vez que entendeu que o referido crédito não teria sido comprovado. Cientificada da decisão, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário, instruído com documentação que, no seu entender, definitivamente comprovaria o direito creditório. O julgamento do recurso voluntário foi convertido em diligência, pois, segundo o I. Relator, os esclarecimentos e documentos juntados pelo contribuinte deveriam ser confrontados com os sistemas da fiscalização. Em atendimento à diligência, a autoridade fiscal se manifestou por meio de Relatório Fiscal específico, do qual a contribuinte não foi chamada a se manifestar. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, Relatora O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201 002.057, de 23.02.2018, proferido no julgamento do Processo nº 13984.901377/200940, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Nos presentes autos o contribuinte solicita a restituição do pagamento a maior de SIMPLES no AC 2005. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201002.057): "O recurso é tempestivo e cumpre os requisitos legais, razão pela qual dele tomo conhecimento. Fl. 274DF CARF MF Processo nº 13984.901370/200928 Acórdão n.º 1201002.063 S1C2T1 Fl. 4 3 A presente discussão diz respeito à legitimidade ou não de créditos de tributos supostamente recolhidos a maior no âmbito do SIMPLES no AC de [...]. Por ocasião da diligência que foi determinada pelo CARF, o relatório fiscal atesta a legitimidade do direito creditório, merecendo destaque a seguinte passagem: Consultando o histórico do CNPJ quanto ao porte, constatase que a empresa estava enquadrada como microempresa nos anos 2004 e 2005, tendo alterado o enquadramento para empresa de pequeno porte a partir do ano 2006: [...] O CNAE que consta nas Declarações Simplificadas apresentadas é 64114/02 Atividades do Correio Nacional executadas por franchising. Consultando as declarações relativas aos anos de 2003 a 2005, verificase a evolução do faturamento da seguinte forma: EVOLUÇÃO DO FATURAMENTO ano receita auferida 2003 42.484,37 2004 112.927,51 2005 132.270,87 Portanto, possível o enquadramento como microempresa nos anos 2004 e 2005. LEGISLAÇÃO As franqueadas dos Correios passaram a poder optar pelo Simples com a publicação da Lei 10.684/2003, que alterou a Lei 10.034/2000. A Lei 10.684/2003 determinava ainda que essas empresas estariam sujeitas aos percentuais majorados em 50%. A IN SRF 355/2003 dispunha, à época, sobre o Simples nos seguintes termos: "PERCENTUAIS DIFERENCIADOS Art. 8° No caso de estabelecimentos de ensino fundamental, de centros de formação de condutores de veículos automotores de transporte terrestre de passageiros e de carga, de agências lotéricas, de agências terceirizadas de correios e de pessoas jurídicas que aufiram receita bruta acumulada decorrente da prestação de serviços em montante igual ou superior a 30% (trinta por cento) da receita bruta total acumulada, inscritas no Simples na condição de microempresas, o valor devido mensalmente será determinado mediante a aplicação, sobre a receita bruta mensal auferida, dos seguintes percentuais: I até R$ 60.000,00 (sessenta mil reais): 4,5% (quatro inteiros e cinco décimos por cento); II de R$ 60.000,01 (sessenta mil reais e um centavo) a R$ 90.000,00 (noventa mil reais): 6% (seis por cento); III de R$ 90.000,01 (noventa mil reais e um centavo) a R$ 120.000,00 (cento e vinte mil reais): 7,5% (sete inteiros e cinco décimos por cento). Fl. 275DF CARF MF Processo nº 13984.901370/200928 Acórdão n.º 1201002.063 S1C2T1 Fl. 5 4 § 1° O percentual a ser aplicado em cada mês, na forma deste artigo, será o correspondente à receita bruta acumulada, dentro do ano calendário, até o próprio mês.(...)" (grifouse) Com o advento da Lei 10.833/2003, que também alterou a Lei 10.034/2000, as franqueadas dos Correios deixaram de estar sujeitas aos percentuais majorados em 50% e a instrução normativa acima passou a vigorar com o seguinte teor: "PERCENTUAIS DIFERENCIADOS Art. 8° No caso de estabelecimentos de ensino fundamental, de centros de formação de condutores de veículos automotores de transporte terrestre de passageiros e de carga, de agências lotéricas e de pessoas jurídicas que aufiram receita bruta acumulada decorrente da prestação de serviços em montante igual ou superior a 30% (trinta por cento) da receita bruta total acumulada, inscritas no Simples na condição de microempresas, o valor devido mensalmente será determinado mediante a aplicação, sobre a receita bruta mensal auferida, dos seguintes percentuais: (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa SRF n° 391, de 30 de janeiro de 2004) I até R$ 60.000,00 (sessenta mil reais): 4,5% (quatro inteiros e cinco décimos por cento); II de R$ 60.000,01 (sessenta mil reais e um centavo) a R$ 90.000,00 (noventa mil reais): 6% (seis por cento); III de R$ 90.000,01 (noventa mil reais e um centavo) a R$ 120.000,00 (cento e vinte mil reais): 7,5% (sete inteiros e cinco décimos por cento). § 1° O percentual a ser aplicado em cada mês, na forma deste artigo, será o correspondente à receita bruta acumulada, dentro do ano calendário, até o próprio mês. (...) § 6° O disposto no caput também se aplica às agências terceirizadas de correios no período de 31 de maio a 30 de novembro de 2003." Portanto, as franqueadas dos Correios estiveram sujeitas a percentuais diferenciados, majorados em 50%, no período de 31/05 a 30/11/2013 e, para os períodos posteriores, sujeitaram se às alíquotas normais. ALÍQUOTAS APLICÁVEIS NO CASO CONCRETO Estes processos tratam de Simples dos anos 2004 e 2005, portanto, os valores devem ser apurados com alíquotas normais, aplicáveis às microempresas, previstas no art. 7° da instrução normativa: "Das Microempresas Optantes pelo Simples Percentuais aplicáveis Art. 7° O valor devido mensalmente pelas microempresas, inscritas no Simples nessa condição, será determinado mediante a aplicação, sobre a receita bruta mensal auferida, dos seguintes percentuais: I até R$ 60.000,00 (sessenta mil reais): 3% (três por cento); Fl. 276DF CARF MF Processo nº 13984.901370/200928 Acórdão n.º 1201002.063 S1C2T1 Fl. 6 5 II de R$ 60.000,01 (sessenta mil reais e um centavo) a R$ 90.000,00 (noventa mil reais): 4% (quatro por cento); III de R$ 90.000,01 (noventa mil reais e um centavo) a R$ 120.000,00 (cento e vinte mil reais): 5% (cinco por cento). § 1° O percentual a ser aplicado em cada mês, na forma deste artigo, será o correspondente à receita bruta acumulada, dentro do ano calendário, até o próprio mês." O contribuinte foi intimado a apresentar os Livros Contábeis e as notas fiscais relativas aos anos 2004 e 2005. Com base na documentação apresentada, foram confeccionadas as planilhas abaixo, que contêm a receita, a receita acumulada e a alíquota de Simples aplicável a cada período de apuração. ALMIR RODRIGUES ‐ Simples ‐ 2004 MÊS RECEITA RECEITA ALÍQUOTA ACUMULADA 01/04 7.316,75 7.316,75 3% 02/04 7.595,37 14.912,12 3% 03/04 9.473,60 24.385,72 3% 04/04 8.594,39 32.980,11 3% 05/04 8.407,44 41.387,55 3% 06/04 9.510,98 50.898,53 3% 07/04 9.075,25 59.973,78 3% 08/04 9.195,16 69.168,94 4% 09/04 8.809,84 77.978,78 4% 10/04 9.485,46 87.464,24 4% 11/04 11.169,36 98.633,60 5% 12/04 13.293,91 111.927,51 5% ALMIR RODRIGUES ‐ Simples ‐ 2005 MÊS RECEITA RECEITA ALÍQUOTA ACUMULADA 01/05 10.119,01 10.119,01 3% 02/05 10.524,11 20.643,12 3% 03/05 12.160,20 32.803,32 3% 04/05 12.089,40 44.892,72 3% 05/05 10.857,54 55.750,26 3% 06/05 10.745,30 66.495,56 4% 07/05 10.087,06 76.582,62 4% 08/05 11.123,58 87.706,20 4% 09/05 10.096,33 97.802,53 5% 10/05 10.633,29 108.435,82 5% 11/05 10.996,57 119.432,39 5% 12/05* 12.838,48 132.270,87 567,61 5% 12.270,87 5,4% Analisando os pagamentos, observase que foram feitos considerando percentuais diferenciados (alíquotas majoradas em 50%). Fl. 277DF CARF MF Processo nº 13984.901370/200928 Acórdão n.º 1201002.063 S1C2T1 Fl. 7 6 Como se percebe, restou demonstrado pela diligência que o contribuinte utilizou alíquota superior a devida (em 50%), razão pela qual o crédito ora pleiteado é líquido e certo. Diante do exposto, DOU PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO. É como voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47 do RICARF, dou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 278DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15940.000302/2007-10
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007
COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. PESSOAS JURÍDICAS INEXISTENTES. IMPOSSIBILIDADE.
Correta a glosa dos créditos quando a fiscalização comprova a inexistência de fato das pessoas jurídicas e, além disso, demonstra com efetividade a inexistência da relação negocial de aquisição das mercadorias, ante a falta de comprovação dos pagamentos. Cumpre à pessoa jurídica comprovar de maneira inequívoca o seu direito creditório.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9303-006.323
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencida a conselheira Tatiana Midori Migiyama, que lhe negou provimento.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencida a conselheira Tatiana Midori Migiyama, que lhe negou provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
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CRÉDITOS. INIDONEIDADE DE NOTAS FISCAIS. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado VITAPELLI LTDA. EM RECUPERAÇÃO JUDICIAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. PESSOAS JURÍDICAS INEXISTENTES. IMPOSSIBILIDADE. Correta a glosa dos créditos quando a fiscalização comprova a inexistência de fato das pessoas jurídicas e, além disso, demonstra com efetividade a inexistência da relação negocial de aquisição das mercadorias, ante a falta de comprovação dos pagamentos. Cumpre à pessoa jurídica comprovar de maneira inequívoca o seu direito creditório. Recurso Especial do Procurador Provido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencida a conselheira Tatiana Midori Migiyama, que lhe negou provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 94 0. 00 03 02 /2 00 7- 10 Fl. 2531DF CARF MF Processo nº 15940.000302/200710 Acórdão n.º 9303006.323 CSRFT3 Fl. 3 2 Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 3803003.339, da 2ª Turma Especial da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso, para reverter a glosa dos créditos referentes às aquisições de couro efetuadas perante fornecedores inexistentes de fato. O acórdão recorrido possui a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CRÉDITOS. COMPROVAÇÃO. NOTAS FISCAIS. PESSOAS JURÍDICAS INEXISTENTES DE FATO OU NÃO AUTORIZADAS A EMITIREM DOCUMENTAÇÃO FISCAL. GLOSAS. INÍCIO DE EFEITO. DATA DA DECLARAÇÃO DE INAPTIDÃO. Os créditos devem ser escriturados pelo beneficiário à vista do documento que lhes confira legitimidade, sendo imprestáveis para tal fim as notas fiscais emitidas por pessoas jurídicas na condição de inaptas no cadastro do CNPJ ou não autorizadas a emitilas. Como decorrências destas circunstâncias, os créditos apurados com base em documentação fiscal inidônea devem ser glosados, na ausência de prova do pagamento do preço ao fornecedor e do efetivo recebimento das mercadorias e serviços, com início de efeitos a partir do registro da situação de que resulta a inaptidão. RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS NÃO CUMULATIVAS. CORREÇÃO. VEDAÇÃO. O aproveitamento de créditos de COFINS. Não enseja atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores, por expressa disposição legal. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. PERÍCIA TÉCNICA. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. As perícias destinamse à elucidação de questões para as quais se exige conhecimento técnico especializado, matérias impassíveis de deslinde a partir do conhecimento das partes e do julgador, e não para suprir a produção de prova que, segundo a distribuição do onus probandi, toca ao interessado produzir. RECURSO VOLUNTÁRIO. MATÉRIA RECORRIDA. INTERESSE RECURSAL. CARÊNCIA. Não se conhece de discussão sobre matéria de defesa impertinente ao caso concreto, por carência de interesse recursal. DECISÕES DO STJ. SISTEMÁTICA DO ART. 543C DO CPC. APLICAÇÃO NOS JULGAMENTO DO CARF. Fl. 2532DF CARF MF Processo nº 15940.000302/200710 Acórdão n.º 9303006.323 CSRFT3 Fl. 4 3 As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelo artigo 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF (Resp 1.148.444). Irresignada, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial contra o r. acórdão alegando divergência quanto à caracterização da inidoneidade de notas fiscais. Em suma, a Fazenda argumenta que: · a declaração de inaptidão não é requisito para que as notas fiscais sejam consideradas inidôneas, para efeitos tributários; · a emissão por pessoas jurídicas inexistentes de fato, por si só, já é suficiente para configurar a inidoneidade das notas fiscais; · esta caracterização de inidoneidade, assim como a decorrente da declaração de inaptidão, admite provas em contrário, especialmente a demonstração de ingresso dos insumos no estabelecimento, acompanhada dos pagamentos correspondentes. Como tais provas não foram apresentadas, os efeitos tributários da inidoneidade dos documentos fiscais atingem o contribuinte, na qualidade de beneficiária direta da utilização dos mesmos; · nesse sentido, mostrase plenamente correta a glosa efetuada pela fiscalização. Mediante Despacho do Presidente da Terceira Câmara da Terceira Seção do CARF foi dado seguimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Ao tomar ciência do Acórdão 3803003.339 e do despacho de admissibilidade do especial Fazendário, o sujeito passivo interpôs Embargos de Declaração, que foram rejeitados. Apresentou também, nessa oportunidade, contrarrazões ao recurso da Fazenda, requerendo o não conhecimento do recurso ou a negativa de provimento ao mesmo, para manter a decisão recorrida na parte em que reverteu as glosas dos créditos referentes às aquisições de couro efetuadas perante fornecedores inexistentes de fato. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303006.316, de 20/02/2018, proferido no julgamento do processo 10835.003027/200427, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Fl. 2533DF CARF MF Processo nº 15940.000302/200710 Acórdão n.º 9303006.323 CSRFT3 Fl. 5 4 Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão, quanto à admissibilidade e quanto ao mérito (Acórdão 9303006.316): Da Admissibilidade "Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, entendo que devo conhecêlos – eis que atendidos, para tanto, os pressupostos constantes do art. 67 do RICARF/2015 – Portaria MF 343/2015 com alterações posteriores. A decisão recorrida reconhece como idônea as notas fiscais emitidas por pessoa jurídica inexistente de fato, desde que a emissão tenha ocorrido antes da expedição de Ato Declaratório Executivo que declarou a inaptidão da pessoa jurídica. Enquanto, o acórdão indicado como paradigma declara inidônea a nota fiscal emitida por pessoa jurídica inexistente de fato, independentemente da expedição do referido Ato Declaratório Executivo. Sendo assim, é de se conhecer o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional." Do Mérito (...)1 "Com a devida venia à ilustre conselheira relatora, mas divirjo do seu entendimento quanto à possibilidade de aproveitamente de créditos da não cumulatividade da Cofins na situação fática que consta dos autos. No caso discute se no recurso especial da Fazenda Nacional, quanto a possibilidade de aproveitamento de créditos nas aquisições efetuadas de pessoas jurídicas inexistentes de fato. Antes de adentrar o mérito, é importante registrar que o contribuinte obteve provimento judicial em agravo de instrumento nos seguintes termos, conforme noticia os documentos de efls. 3123/3209: (...) Ante o exposto, julgo prejudicado o agravo interno e, com fulcro no art. 932, V, "b", do Código de Processo Civil, dou provimento ao agravo de instrumento, para reformar a r. decisão agravada e determinar à parte agravada que aprecie no prazo máximo de 30 dias os processos de ressarcimento de PIS e COFINS protocolados há mais de 360 dias pela agravante, bem como que o faça com observância do decidido pelo E. STJ no REsp repetitivo n° 1.148.444/MG. (efl. 3131) (...) Portanto, transcrevese abaixo a ementa do que foi decidido pelo STJ no REsp nº 1.148.444/MG: 1 Deixouse de transcrever, do voto da relatora do processo paradigma, a parte que tratou das glosas dos créditos de aquisições efetuadas perante fornecedores inexistentes de fato, pois seu entendimento foi vencido, não se aplicando na solução do litígio dos presentes autos. A íntegra do voto encontrase no Acórdão 9303006.316 (processo 10835.003027/200427 paradigma). Fl. 2534DF CARF MF Processo nº 15940.000302/200710 Acórdão n.º 9303006.323 CSRFT3 Fl. 6 5 PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. CRÉDITOS DE ICMS. APROVEITAMENTO (PRINCÍPIO DA NAO CUMULATIVIDADE). NOTAS FISCAIS POSTERIORMENTE DECLARADAS INIDÔNEAS. ADQUIRENTE DE BOAFÉ. 1. O comerciante de boafé que adquire mercadoria, cuja nota fiscal (emitida pela empresa vendedora) posteriormente seja declarada inidônea, pode engendrar o aproveitamento do crédito do ICMS pelo princípio da nãocumulatividade, uma vez demonstrada a veracidade da compra e venda efetuada, porquanto o ato declaratório da inidoneidade somente produz efeitos a partir de sua publicação (Precedentes das Turmas de Direito Público: EDcl nos EDcl no REsp 623.335/PR , Rel. Ministra Denise Arruda, Primeira Turma, julgado em 11.03.2008, DJe 10.04.2008; REsp 737.135/MG , Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 14.08.2007, DJ 23.08.2007; REsp 623.335/PR , Rel. Ministra Denise Arruda, Primeira Turma, julgado em 07.08.2007, DJ 10.09.2007; REsp 246.134/MG , Rel. Ministro João Otávio de Noronha, Segunda Turma, julgado em 06.12.2005, DJ 13.03.2006; REsp 556.850/MG , Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 19.04.2005, DJ 23.05.2005; REsp 176.270/MG , Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 27.03.2001, DJ 04.06.2001; REsp 112.313/SP , Rel. Ministro Francisco Peçanha Martins, Segunda Turma, julgado em 16.11.1999, DJ 17.12.1999; REsp 196.581/MG , Rel. Ministro Garcia Vieira, Primeira Turma, julgado em 04.03.1999, DJ 03.05.1999; e REsp 89.706/SP , Rel. Ministro Ari Pargendler, Segunda Turma, julgado em 24.03.1998, DJ 06.04.1998). 2. A responsabilidade do adquirente de boafé reside na exigência, no momento da celebração do negócio jurídico, da documentação pertinente à assunção da regularidade do alienante, cuja verificação de idoneidade incumbe ao Fisco, razão pela qual não incide, à espécie, o artigo 136, do CTN, segundo o qual "salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato" (norma aplicável, in casu , ao alienante). 3. In casu , o Tribunal de origem consignou que: "(...) os demais atos de declaração de inidoneidade foram publicados após a realização das operações (f. 272/282), sendo que as notas fiscais declaradas inidôneas têm aparência de regularidade, havendo o destaque do ICMS devido, tendo sido escrituradas no livro de registro de entradas (f. 35/162). No que toca à prova do pagamento, há, nos autos, comprovantes de pagamento às empresas cujas notas fiscais foram declaradas inidôneas (f. 163, 182, 183, 191, 204), sendo a matéria incontroversa, como admite o fisco e entende o Conselho de Contribuintes ." 4. A boafé do adquirente em relação às notas fiscais declaradas inidôneas após a celebração do negócio jurídico (o qual fora efetivamente realizado), uma vez caracterizada, legitima o aproveitamento dos créditos de ICMS. 5. O óbice da Súmula 7/STJ não incide à espécie, uma vez que a insurgência especial fazendária reside na tese de que o reconhecimento, na seara administrativa, da inidoneidade das notas fiscais opera efeitos ex tunc , o que afastaria a boafé do terceiro adquirente, máxime tendo em vista o teor do artigo 136, do CTN. Fl. 2535DF CARF MF Processo nº 15940.000302/200710 Acórdão n.º 9303006.323 CSRFT3 Fl. 7 6 6. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Como percebese tal decisão segue o rito dos recursos repetitivos previstos no art. 543C, do CPC, e, seu entendimento deve ser obrigatoriamente seguido no âmbito dos julgamentos deste colegiado. Portanto era desnecessário o contribuinte ter obtido provimento judicial neste sentido. O que necessitamos então é verificar se a situação fática do presente processo encaixase ao ditame do que foi decidido no âmbito do citado repetitivo. Observemos então que a tese firmada pelo próprio STJ em relação a este julgamento é a seguinte: O comerciante de boafé que adquire mercadoria, cuja nota fiscal (emitida pela empresa vendedora) posteriormente seja declarada inidônea, pode engendrar o aproveitamento do crédito do ICMS pelo princípio da nãocumulatividade, uma vez demonstrada a veracidade da compra e venda efetuada, porquanto o ato declaratório da inidoneidade somente produz efeitos a partir de sua publicação.(Tema 272 do STJ) Na minha avaliação, a tese firmada pelo STJ é perfeita e visa proteger o adquirente de boa fé, que adquire a mercadoria e comprova a veracidade da compra e venda efetuada. Mas, com a devida venia, os fatos minuciosamente levantados pela fiscalização no presente processo demonstram que o contribuinte, além de não agir de boa fé, não comprovou a veracidade da compra e venda efetuada. Penso que tal situação está inequivocamente demonstrada nos presentes autos. Referida fiscalização teve início em 16/01/2006, para análise dos créditos relativos ao período de outubro/2002 a junho/2007. Importante registrar que no TVF a justificativa para as glosas não foram a existência de Atos Declaratórios de Inaptidão da Pessoa Jurídica, mas sim as diligências realizadas nos supostos fornecedores, as quais comprovaram a impossibilidade de ter havido a transação comercial, quer pela inexistência destes, quer pela falta de comprovação do pagamento. Podese ver que no item "10. Das Glosas", efl. 1515, seu item "10.1 Diligências a empresas fornecedoras" seu conteúdo demonstra que a razão das glosas foram as diligências realizadas pela fiscalização. Transcrevo abaixo excertos retirados do Termo de Verificação Fiscal TVF (efls. 1498/1531), no qual consta todas as evidências que justificaram a glosa dos referidos créditos: (...) Após análise das notas fiscais de compras, e pesquisas aos Sistemas Corporativos da Receita Federai do Brasil, bem como do Sintegra, na internet, constatouse que parte dos fornecedores encontramse em situações irregulares, tais como: empresa inexistente de fato, empresa inativa, empresa não cadastrada na Secretaria da Fazenda do Estado (não habilitada no Sintegra), empresa omissa na entrega de declarações, etc. Diante de tal situação, foram realizadas diligências em várias empresas fornecedoras, sendo que o resultado da maioria delas foi a constatação de inexistência de fato, com Representação Fiscal propondo a Inaptidão das mesmas. As empresas que se encontram nesta situação estão relacionadas abaixo: (...) Fl. 2536DF CARF MF Processo nº 15940.000302/200710 Acórdão n.º 9303006.323 CSRFT3 Fl. 8 7 Tal fato demonstra que a fiscalização somente emitiu os ADE DE INAPTIDÃO após comprovar a inexistência das pessoas jurídicas, ou seja, ditos atos declaratórios não foram o ponto de partida para a glosa. Seguimos com mais excertos do TVF: (...) No decorrer da ação fiscal, foram analisados pagamentos relativos às notas fiscais de fornecimento de couro das empresas acima à empresa fiscalizada. Foram constatados diversos pagamentos realizados a terceiras pessoas, através de autorização do fornecedor por via de "Cessão de Crédito". Ato contínuo, intimamos os beneficiários de tais pagamentos a confirmarem a relação comercial com a empresa "Vitapelli Ltda". As respostas às intimações foram, quase na totalidade, as mesmas, ou seja, as pessoas intimadas não reconhecem qualquer relação comercial com a empresa "Vitapelli Ltda". Diante deste fato, fica descaracterizada a operação comercial amparada pelas notas fiscais. Anexamos cópias das intimações e respostas aos autos. Posto isto, efetuamos as glosas de créditos do PIS/COFINS, referentes às aquisições das empresas supracitadas, visto que as mesmas nunca existiram de fato. Conseqüentemente, haverá lavratura de auto de infração para constituição dos créditos tributários, bem como representação fiscal para fins penais. (...) Também efetuamos glosas de créditos do PIS/COFINS referentes a aquisições de empresas representadas pela Delegacia Regional Tributária 10 (Presidente Prudente), relacionadas através de Ofício proveniente do Delegado Regional Tributário. As empresas, bem como os motivos para a glosa, estão relacionadas abaixo: a) Frigorífico São Matheus, nome fantasia da empresa CARD ALIMENTOS LTDA, CNPJ n° 02.987.722/000107. A data de início da situação é 03/10/2002. Os motivos descritos na representação são: Simulação da existência do estabelecimento e Simulação da realização de operações comerciais. Portanto, podese concluir pela inexistência de fato da empresa a partir de 03/10/2002, glosando os créditos solicitados a partir desta data. Além disso, houve diligência à referida empresa, conforme item 10.1. b) Comércio e Transportes Castelo de Serpa Ltda, CNPJ n° 04.842.983/000164. O motivo da representação é a inidoneidade de documentos fiscais. No presente caso, a empresa estava na condição "não habilitada" no Sintegra desde 11/03/1999. Portanto, não estava autorizada a emitir notas fiscais a partir da data em tela. A glosa dos créditos deverá ocorrer a partir das notas fiscais emitidas posteriormente à data em questão. (...) A empresa Vitapelli Ltda em vez de efetuar pagamento diretamente ao fornecedor efetuou pagamentos para outras empresas através de Cessão de Créditos a terceiros com autorização do fornecedor. Para subsidiar a fiscalização foram selecionadas, por amostragem, algumas empresas abaixo relacionadas, que receberam tais créditos, e estas foram intimadas a responderem alguns quesitos, conforme abaixo, in verbis: (...) Após esse trecho segue o relato da investigação em diversos cessionários de crédito e não se conseguiu comprovar a operação de pagamento. Os que a fiscalização obteve êxito em encontrálos, todos negaram relação negocial com o contribuinte. Alguns que não foram encontrados comprovouse que sequer tinham movimentação bancária no período como no exemplo a seguir: (...) 11.2. Fábio Benvindo Freitas Maia Fl. 2537DF CARF MF Processo nº 15940.000302/200710 Acórdão n.º 9303006.323 CSRFT3 Fl. 9 8 A pesquisa no sistema Dossiê Integrado da SRF revela que a referida empresa não apresentou nenhuma movimentação financeira nos anos calendário de 2002, 2003, 2004 e 2005, e apresentou DIPJ na condição de "INATIVA" nos anoscalendário de 2002 a 2005. (...) Em conclusão, a razão principal das glosas não foi em decorrência de procedimentos formais nos quais a inexistência da relação comercial dáse por presunção, como são os casos decorrentes da simples existência de atos declaratórios de inaptidão da pessoa jurídica. Ao contrário, como visto, a fiscalização efetuou um minucioso trabalho de investigação e demonstrou a inexistência de relação negocial entre o contribuinte e vários de seus supostos fornecedores. Tal fato, afasta todo o argumento do voto vencido e do contribuinte de que as glosas só poderiam realizarse a partir da data de emissão dos atos declaratórios de inaptidão das pessoas jurídicas. Cumpre destacar que o contribuinte teve todo direito de defesa, com apresentação de impugnação, recurso voluntário e agora o presente recurso especial. Poderia ter se dedicado mais a descontruir as provas da fiscalização, comprovando de forma inequívoca a regularidade de seus créditos. Porém não obteve sucesso e tenta afastar as glosas utilizando, a meu ver, indevidamente, com apego a aspectos meramente formais, o que foi decidido pelo STJ no julgamento do REsp 1148444, definitivamente não aplicável ao presente caso. Além de tudo o que já foi exposto, é importante ressaltar que estamos diante de um pedido de ressarcimento decorrentes de créditos de PIS e Cofins, no qual cumpre ao contribuinte, de maneira inequívoca, comprovar a certeza e liquidez do seu direito creditório, nos termos do art. 170 do CTN, abaixo transcrito: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial da Fazenda Nacional foi conhecido e, no mérito, o colegiado deulhe provimento. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 2538DF CARF MF
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