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Numero do processo: 10980.722847/2016-81
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Feb 26 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Mon Jun 08 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 RECURSO ESPECIAL. NÃO CONHECIMENTO. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA E DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL Não se conhece de Recurso Especial quando ausente similitude fática e inexistente divergência jurisprudencial. Hipótese em o acórdão paradigma, ao concluir que “o vicio material ocorre na constituição do crédito tributário, na medida em que as leis utilizadas para dar sustentação ao ato administrativo fiscal não são válidas e/ ou não são aplicáveis ao tributo lançado e exigido” coaduna com o acórdão recorrido que entendeu nulo por vício material o lançamento que não utilizou da base tributável “estampado no texto constitucional no §12, do art. 195, incluído pela Emenda Constitucional nº 42/03 e nas Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, art. 1° e 3°.”
Numero da decisão: 9303-017.213
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Assinado Digitalmente Tatiana Josefovicz Belisário – Relatora Assinado Digitalmente Régis Xavier Holanda – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Semíramis de Oliveira Duro, Vinicius Guimaraes, Tatiana Josefovicz Belisário, Alexandre Freitas Costa, Dionísio Carvallhedo Barbosa, Denise Madalena Green e Régis Xavier Holanda (Presidente).
Nome do relator: TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO

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NÃO CONHECIMENTO. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA E DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL Não se conhece de Recurso Especial quando ausente similitude fática e inexistente divergência jurisprudencial. Hipótese em o acórdão paradigma, ao concluir que “o vicio material ocorre na constituição do crédito tributário, na medida em que as leis utilizadas para dar sustentação ao ato administrativo fiscal não são válidas e/ ou não são aplicáveis ao tributo lançado e exigido” coaduna com o acórdão recorrido que entendeu nulo por vício material o lançamento que não utilizou da base tributável “estampado no texto constitucional no §12, do art. 195, incluído pela Emenda Constitucional nº 42/03 e nas Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, art. 1° e 3°.” ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Assinado Digitalmente Tatiana Josefovicz Belisário – Relatora Assinado Digitalmente Régis Xavier Holanda – Presidente Fl. 1100DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9303-017.213 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 10980.722847/2016-81 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Semíramis de Oliveira Duro, Vinicius Guimaraes, Tatiana Josefovicz Belisário, Alexandre Freitas Costa, Dionísio Carvallhedo Barbosa, Denise Madalena Green e Régis Xavier Holanda (Presidente). RELATÓRIO Trata-se de Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional em face do Acórdão n° 3301-011.786, de 28 de setembro de 2022, assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Data do fato gerador: 31/08/2011, 29/02/2012, 30/04/2012, 31/05/2012, 30/06/2012, 30/09/2012, 31/12/2012 ERRO NA DETERMINAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. NULIDADE POR VÍCIO MATERIAL. O lançamento está eivado de vício material sempre que houver erro na eleição dos critérios da regra-matriz de incidência tributária, ou seja, erro que se remete ao conteúdo do lançamento, que é a norma individual e concreta, na qual figura “o fato jurídico tributário” no antecedente e no consequente a “relação jurídica tributária” (composta pelos sujeitos e pelo objeto, o quantum a ser levado aos cofres públicos a título de tributo). A determinação da matéria tributável (composição da base de cálculo e alíquota aplicável) é intrínseca à própria existência do lançamento, por se referir ao critério quantitativo da regra-matriz do tributo. Dito de outra forma, a mácula ao texto legal se deu em um dos elementos que compõe a obrigação tributária. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/08/2011, 29/02/2012, 30/04/2012, 31/05/2012, 30/06/2012, 30/09/2012, 31/12/2012 ERRO NA DETERMINAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. NULIDADE POR VÍCIO MATERIAL. O lançamento está eivado de vício material sempre que houver erro na eleição dos critérios da regra-matriz de incidência tributária, ou seja, erro que se remete ao conteúdo do lançamento, que é a norma individual e concreta, na qual figura “o fato jurídico tributário” no antecedente e no consequente a “relação jurídica tributária” (composta pelos sujeitos e pelo objeto, o quantum a ser levado aos cofres públicos a título de tributo). A determinação da matéria tributável (composição da base de cálculo e alíquota aplicável) é intrínseca à própria existência do lançamento, por se referir ao critério quantitativo da regra-matriz Fl. 1101DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9303-017.213 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 10980.722847/2016-81 3 do tributo. Dito de outra forma, a mácula ao texto legal se deu em um dos elementos que compõe a obrigação tributária. Fatos Na origem o feito compreendeu Autos de Infração de PIS e COFINS que constituíram o crédito tributário em decorrência de glosa de créditos da não-cumulatividade. A fiscalização originou-se na análise do direito de utilização de créditos extemporâneos de PIS e COFINS, bem como o correto cálculo para sua apuração. Relata a autoridade fiscal que para a utilização dos créditos apurados extemporaneamente, a VOLVO não procedeu à retificação das respectivas DACON de forma tempestiva e sim se utilizou créditos extemporâneos apropriados já no limite de sua decadência, isso é, retroagindo quase cinco anos para apurá-los, e incluindo-os misturados a outros créditos do mês. Impugnação O Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade questionando “ 3. Preliminarmente – do saldo credor de PIS e Cofins; 4. Dos fundamentos jurídicos 4.1. Do mérito - Do entendimento com relação ao conceito de insumo aplicável na sistemática não cumulativa do PIS e da Cofins; 4.1.1 Armazenagens em operações não de vendas; 4.2.2 Fretes nas operações de compras; 4.2.3 Despesas aduaneiras; 4.2.4 Materiais de consumo geral e manutenção (pecas e serviços); 4.2.5 CFOP não da direito ao credito; a) CFOP 1551 e 2551 – Compra de bem para o ativo imobilizado; b) CFOP 1916 e 2916 – Retorno de mercadoria ou bem remetido para conserto; c) CFOP 1949 e 2949 – Outras mercadorias ou prestação de serviço; d) CFOP 2556 e 3556 - Compra de material para uso e consumo; 4.2.6 INCONTERM s/direito e frete na exportação; 4.2.7 Despesas na aquisição de serviços de frete na exportação não sujeitos ao pagamento da contribuição; 5. Do afastamento da multa aplicada;” Acórdão DRJ A DRJ julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Data do fato gerador: 31/08/2011, 29/02/2012, 30/04/2012, 31/05/2012, 30/06/2012, 30/09/2012, 31/12/2012 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. Para efeitos da apuração de créditos a serem descontados da contribuição pela sistemática da não cumulatividade, consideram-se insumos as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado. Fl. 1102DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9303-017.213 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 10980.722847/2016-81 4 NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. Somente dão direito a crédito no regime de incidência não-cumulativa, os gastos expressamente previstos na legislação de regência. ARMAZENAGEM E FRETE EM OPERAÇÃO DIVERSA DA VENDA. FORMAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Só é permitido o creditamento sobre o frete na operação de venda e nas circunstâncias do inciso IX, do art 3º, da Lei 10.833/2003, que tenham sido suportadas pelo vendedor e não pelo comprador. FRETE EM OPERAÇÃO DE VENDA. PESSOA JURÍDICA DOMICILIADA NO EXTERIOR. O serviço de frete, em operação de venda para o exterior, prestado por pessoa jurídica que não possui domicílio no Brasil não dão direito ao crédito prescrito nas normas legais. DESPESAS ADUANEIRAS. IMPORTAÇÃO. FORMAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Não é permitido descontar créditos calculados em relação a despesas aduaneiras diversas, decorrentes da importação de bens e produtos, não prescritos na legislação como geradores de créditos. FALTA DE IDENTIFICAÇÃO. IDENTIFICAÇÃO GENÉRICA. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO. A falta de identificação, ou sua identificação de forma genérica, que impossibilitam o detalhamento e análise do bem, produto ou serviço utilizado na geração de créditos pelo contribuinte, não possibilita o creditamento prescrito nas normas legais. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/08/2011, 29/02/2012, 30/04/2012, 31/05/2012, 30/06/2012, 30/09/2012, 31/12/2012 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. Para efeitos da apuração de créditos a serem descontados da contribuição pela sistemática da não cumulatividade, consideram-se insumos as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado. NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. Somente dão direito a crédito no regime de incidência não-cumulativa, os gastos expressamente previstos na legislação de regência. ARMAZENAGEM E FRETE EM OPERAÇÃO DIVERSA DA VENDA. FORMAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 1103DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9303-017.213 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 10980.722847/2016-81 5 Só é permitido o creditamento sobre o frete na operação de venda e nas circunstâncias do inciso IX, do art 3º, da Lei 10.833/2003, que tenham sido suportadas pelo vendedor e não pelo comprador. FRETE EM OPERAÇÃO DE VENDA. PESSOA JURÍDICA DOMICILIADA NO EXTERIOR. O serviço de frete, em operação de venda para o exterior, prestado por pessoa jurídica que não possui domicílio no Brasil não permite o creditamento prescrito nas normas legais. DESPESAS ADUANEIRAS. IMPORTAÇÃO. FORMAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Não é permitido descontar créditos calculados em relação a despesas aduaneiras diversas, que não foram aplicados no processo de produção, decorrentes da importação de bens e produtos, não prescritos na legislação como geradores de créditos. FALTA DE IDENTIFICAÇÃO. IDENTIFICAÇÃO GENÉRICA. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO. A falta de identificação, ou sua identificação de forma genérica, que impossibilitam o detalhamento e análise do bem, produto ou serviço utilizado na geração de créditos pelo contribuinte, não possibilita o creditamento prescrito nas normas legais. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/08/2011, 29/02/2012, 30/04/2012, 31/05/2012, 30/06/2012, 30/09/2012, 31/12/2012 NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Não procedem as argüições de nulidade quando não se vislumbra nos autos quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do PAF, ou quando as irregularidades possam ser sanadas, ou ainda de eventos futuros e incertos. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. INDEFERIMENTO. O pedido de diligência/perícia deve ser motivado e acompanhado das razões e quesitos necessários para o exame da matéria, sob pena de seu indeferimento. PRODUÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. As provas devem ser apresentadas no prazo de impugnação. Recurso Voluntário Em Recurso Voluntário foram reiterados os termos da Manifestação de Inconformidade. Resolução – Conversão do feito em diligência Fl. 1104DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9303-017.213 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 10980.722847/2016-81 6 Quando do primeiro exame do feito, houve a conversão em diligência para que a Autoridade lançadora: i) Aponte se houve recolhimento de PIS e COFINS, bem como a utilização dos créditos mensalmente apurados; ii) Verifique se houve pedido de ressarcimento ou PE R/DCOMP de créditos; iii) Analise as DACONs de 2006 a 2012 para a verificação da existência de créditos suficientes para cobrir todos os débitos do contribuinte. Com isso, ainda que mantidas todas as glosas de créditos extemporâneos, se haveria saldo a pagar das contribuições a ser exigido em auto de infração; iv) Elabore relatório conclusivo quanto à existência ou não de saldo de créditos para a cobertura das glosas dos créditos extemporâneos efetuadas pela Douta Fiscalização. Consequentemente, que refaça a apuração do valor tributável de PIS e COFINS. A Autoridade de origem trouxe longo arrazoado defendendo o lançamento e apresentou as seguintes respostas aos questionamentos: 1. Houve recolhimento de PIS e COFINS, bem como a utilização dos créditos mensalmente apurados: ÇÂO 01/2008 a créditos de PIS compensados de 01/2006 a 12/2013 2. Não houve pedido de ressarcimento ou PER/DCOMP de PIS e COFINS entre Jan/2004 a Jun/2017. Houve algumas PERDCOMP destes saldos credores de PIS e COFINS a partir de Jul/2017 (vide anexos). 3. Demonstrativo das DACON de 2006 a 2012 anexo indica que se a VOLVO houvesse procedido corretamente e retificado as suas DACON e DCTF de 2006 em diante, restaria evidente: a) a existência de créditos suficientes para cobrir todos os débitos de PIS do contribuinte constituídos ex officio por meio dos Autos de Infração, porém b) a inexistência de créditos suficientes para cobrir todos os débitos de COFINS do contribuinte constituídos ex officio por meio dos Autos de Infração por saldos a descoberto nos PA janeiro a junho/2014 (vide Anexo 02); é a “Lei do Cobertor Curto” inerente ao controle de saldos credores: mexe-se no passado deixando o futuro a descoberto, ou seja, tornando devedores vários PA anteriormente não devedores. Fl. 1105DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9303-017.213 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 10980.722847/2016-81 7 Neste caso, retificadas as DACON pela VOLVO e mantidas todas as glosas de créditos extemporâneos pela Fiscalização, não haveria saldo a pagar de PIS e COFINS a ser exigido em Autos de Infração nos AC 2011 e 2012, mas haveria saldo a pagar de COFINS em 2014. Os PA 08/2011 e 02/2012 poderiam ser absorvidos pelos saldos de créditos de 04/2012 em diante, bem como os demais PA autuados, tanto para o PIS como para a COFINS, conforme anexos a este relatório. Porém, evidente que deveriam ser lançados e cobrados os PA posteriores com compensação indevida de saldos de meses anteriores. Por isso que a Fiscalização atém-se aos PA fiscalizados (Jan/2011 a Dez/2012)e as infrações tributárias e respectivas multas de ofício dizem respeito à infração cometida, pela incorreção do procedimento da VOLVO (creditar-se indevidamente) à vista da insuficiência de créditos compensados de forma vinculada como já exposto. Evidente que a resposta no item 3 acima se faz apenas em atendimento ao quesito do CARF e não necessariamente implica em concordância, por parte da Receita Federal, com a tese ventilada no r. Despacho do CARF. Acórdão de Recurso Voluntário Em Acórdão de Recurso Voluntário foi dado provimento ao recurso para reconhecer a nulidade do auto de infração por vício material, destacando, o voto condutor, que se trata de matéria de ordem pública, sendo o auto de infração nulo na origem. Recurso Especial da Fazenda Nacional No Recurso Especial a Fazenda Nacional suscita divergência jurisprudencial de interpretação da legislação tributária quanto aos efeitos do erro na apuração da base de cálculo. Indica como paradigma o Acórdão nº 9303-013.134.. Despacho de Admissibilidade O Recurso Especial da Fazenda Nacional foi admitido. Contrarrazões O Contribuinte apresentou contrarrazões sustentando a improcedência das razões recursais, sem se manifestar quanto à admissibilidade. VOTO Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário, Relatora I. Admissibilidade Fl. 1106DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9303-017.213 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 10980.722847/2016-81 8 A indicação da divergência de interpretação está no fato de que enquanto o acórdão recorrido entendeu que erro na apuração da base de cálculo do tributo seria vício material, o paradigma teria firmado entendimento em sentido contrário, de que se trataria de vício formal. Em confronto as ementas: Recorrido Paradigma ERRO NA DETERMINAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. NULIDADE POR VÍCIO MATERIAL. O lançamento está eivado de vício material sempre que houver erro na eleição dos critérios da regra- matriz de incidência tributária, ou seja, erro que se remete ao conteúdo do lançamento, que é a norma individual e concreta, na qual figura “o fato jurídico tributário” no antecedente e no consequente a “relação jurídica tributária” (composta pelos sujeitos e pelo objeto, o quantum a ser levado aos cofres públicos a título de tributo). A determinação da matéria tributável (composição da base de cálculo e alíquota aplicável) é intrínseca à própria existência do lançamento, por se referir ao critério quantitativo da regra-matriz do tributo. Dito de outra forma, a mácula ao texto legal se deu em um dos elementos que compõe a obrigação tributária. NULIDADE DO LANÇAMENTO. APURAÇÃO. ERRO. VÍCIO MATERIAL. INOCORRÊNCIA. Possível erro na apuração do valor da base de cálculo do crédito tributário lançado e exigido por meio de lançamento de ofício não constitui erro material e sim erro formal que permite sua retificação, mediante novo lançamento, nos termos do art. 173, inciso II, do CTN. Todavia, entendo que para a verificação da similitude fática, não basta se afirmar que ambos os acórdãos tentam tratado de erro na apuração / determinação da base de cálculo do tributo, é necessário que os “erros” considerados guardem efetiva semelhança. O acórdão recorrido examinou o seguinte vício no Auto de Infração, caracterizando- o como vício material: Na origem, a fiscalização analisou o direito de utilização de créditos extemporâneos de PIS e COFINS, bem como o correto cálculo para sua apuração. Na averiguação, efetuou glosas de créditos, com a metodologia que se extrai do Termo de Verificação Fiscal (e-fls. 701-728), nesses termos: (...) Então, resta claro que a autoridade fiscal utilizou como base de cálculo os próprios créditos extemporâneos pleiteados, ao invés de construir a base tributável observando o princípio da não cumulatividade das contribuições, estampado no texto constitucional no §12, do art. 195, incluído pela Emenda Constitucional nº 42/03 e nas Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, art. 1° e 3°. O Acórdão paradigma n° 9303-013.134 indica o seguinte vício examinado: Fl. 1107DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9303-017.213 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 10980.722847/2016-81 9 (...) A nulidade do lançamento determinada pela Autoridade de Julgadora de Primeira Instância teve fundamento erro na apuração da base de cálculo do imposto, conforme consta da ementa do acórdão às fls. 1388 e do voto vencedor às fls. 1403/1407, o que segundo o entendimento majoritário da Turma Julgadora configurou erro formal. Também, o recurso de ofício interposto por aquela autoridade foi desprovido por unanimidade de votos pelo Colegiado da Câmara Baixa, sob o mesmo fundamento, ou seja, vício formal. Buscando as referidas descrições no acórdão recorrido: Do erro na apuração do montante das importações efetuadas Não há reparo a fazer na decisão de primeira instância quanto à improcedência do lançamento no tocante ao item 7.3.1 do Relatório Fiscal. Segundo a fiscalização haveria um excesso de importações efetuadas pela empresa no montante de US$ 386.897,27. Restou demonstrado nos autos (vide fls. 86 e fls. 1.261/1.265), entretanto, que houve erro da fiscalização na conversão da moeda. Foi computado, para a Declaração de Importação nº 007806, o valor de importação FOB de DM 1.625.601,15 (“marco alemão”), sem a devida conversão para a moeda americana (US$), ocasionando, assim, a suposta divergência apontada pela fiscalização (fl. 86). O valor FOB correto, já convertido, é de US$ 1.096.186,27 (1.353.442,30 – (252.871,29 + 4.384,74)), como muito bem demonstrou o voto vencido da decisão de primeira instancia, em trechos que abaixo transcrevemos: (...) Do erro na metodologia utilizada pela fiscalização para apuração da base de cálculo Quanto à nulidade do lançamento em relação aos demais itens constantes do Relatório Fiscal (itens 7.3.2. e 7.3.3. – fls. 91/92), concordo com a decisão de primeira instancia no sentido que restou configurado vício na apuração de base de calculo. A fiscalização adotou como critério para aquilatar o percentual de descumprimento do regime os “valores das exportações, em dólares norte americanos”, entretanto, esses valores são suscetíveis de variações cambiais, assim como flutuações de preços no mercado externo. No caso, o parâmetro adequado seria a “quantidade” pactuada nº ato concessório. Como muito bem destacou o voto vencido da DRJ – Fortaleza, o “aludido valor, por si só, além de sofrer, ao longo do tempo, mutações cambiais, bem como influências comerciais internacionais, todas estranhas à específica ingerência do beneficiário, não teria o condão de deslocar o parâmetro a promover o correto dimensionamento do percentual de inadimplemento, o qual reside na quantidade pactuada, no ato concessório, dos produtos finais a serem exportados”. Fl. 1108DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9303-017.213 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 10980.722847/2016-81 10 Não bastasse isso, houve outro equívoco na metodologia de apropriação dos REs glosados em relação às DIs consideradas inadimplentes, para fins de cálculo dos tributos incidentes na importação a serem cobrados. A metodologia adequada, a meu sentir, seria a utilização do chamado método PEPS (“primeiro que entra, primeiro que sai”), glosandose, desta forma, as últimas importações na proporção das exportações não considerados efetivadas. Nessa matéria, irretocáveis os fundamentos trazidos no voto vencido de primeira instância, os quais serão adotados como fundamento deste voto, verbis: (...) Em suma, seja pela utilização do critério “valor” (e não “quantidade”) para a apuração do percentual de inadimplência em desarmonia com o regime aduaneiro de drawbacksuspensão, seja pela metodologia adotada para incidência dos impostos na importação em decorrência da glosa nas exportações (utilização de um percentual de “50,94%” sobre todas as importações, ao invés da utilização do método “PEPS”), temos como consequência a apuração incorreta da base de cálculo, o que macula o ato administrativo de lançamento, devendo ser declarada sua nulidade. (sem destaques no original) É possível observar que se trata de tributos distintos e de “erros” também distintos na apuração dos tributos. No acórdão recorrido o “erro” incorrido verificou-se na utilização de uma base de cálculo (créditos extemporâneos) diversa daquela estabelecida pela lei (receitas). Já no acórdão paradigma, o erro foi nos métodos de cálculo utilizados para se chegar à base de cálculo estabelecida na lei. Veja-se que o próprio acórdão paradigma destaca que o erro na aplicação da lei (e não apenas no cálculo) configuram erro material (e não formal): Da conceituação/definição de ambos os tributaristas, depreende-se que o vício formal é aquele referente aos procedimentos e aos documentos utilizados na formalização e exigência do crédito tributário. Já o vício material refere-se à validade e à aplicação da lei, ou seja, a fundamentação da exigência do tributo. O vicio material ocorre na constituição do crédito tributário, na medida em que as leis utilizadas para dar sustentação ao ato administrativo fiscal não são válidas e/ ou não são aplicáveis ao tributo lançado e exigido o que implica na nulidade do lançamento, sem possibilidade de correção, nos termos dos artigos 145 do CTN, citados e transcritos anteriormente, e da aplicação do art. 173, inciso II, desse mesmo Código. Diferentemente, o vício formal decorre de erros de cálculos, na apuração da base de cálculo do tributo, na alíquota aplicada, na própria operação aritmética e/ ou Fl. 1109DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9303-017.213 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 10980.722847/2016-81 11 no descumprimento de disposições na legislação que regula o lançamento, implicando na nulidade, de fato, anulação do lançamento. O vício formal permite a correção do lançamento, nos termos do art. 145, citado e transcrito anteriormente, c/c o art. 149, ambos do CTN, inclusive, mediante novo lançamento. Reitere-se que o acórdão recorrido deixou claro que o erro da Fiscalização consistiu exatamente na não aplicação da base de cálculo estabelecida pela legislação, com fundamento na Constituição Federal: Então, resta claro que a autoridade fiscal utilizou como base de cálculo os próprios créditos extemporâneos pleiteados, ao invés de construir a base tributável observando o princípio da não cumulatividade das contribuições, estampado no texto constitucional no §12, do art. 195, incluído pela Emenda Constitucional nº 42/03 e nas Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, art. 1° e 3°. Desse modo, entendo que não está presente a similitude fática necessária, tampouco a existência de divergência de interpretação jurisprudencial, posto que o acórdão paradigma, do mesmo modo que o recorrido, entende que “o vicio material ocorre na constituição do crédito tributário, na medida em que as leis utilizadas para dar sustentação ao ato administrativo fiscal não são válidas e/ ou não são aplicáveis ao tributo lançado e exigido”. II. Conclusão Pelo exposto, voto por NÃO CONHECER do Recurso Especial da Fazenda Nacional. Assinado Digitalmente Tatiana Josefovicz Belisário Fl. 1110DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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4831431 #
Numero do processo: 11080.011536/91-35
Turma: Terceira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Apr 15 00:00:00 UTC 1993
Data da publicação: Thu Apr 15 00:00:00 UTC 1993
Ementa: FINSOCIAL/FATURAMENTO - Inconstitucionalidade alegada na esfera administrativa. Não compete aos Conselhos de Contribuintes o julgamento da matéria. Recurso negado.
Numero da decisão: 203-00.388
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencida a Conselheira MARIA THEREZA VASCONCELLOS DE ALMEIDA que dava provimento e que excluía da exigência o período ate 10.05.89. Ausente o Conselheiro SEBASTIÃO BORGES TAQUARY.
Nome do relator: SERGIO AFANASIEFF

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SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES e e RnlbrIca I ----------- • Processo no 11.000-011.536/91-35 Sessão de g 15 de abril de 1993 ACORDA° no 203-00.300 Recurso no n 90.725 Recorrente:: TELEVISA° GUAIDA LTDA. Recorrida g DRF EM PORTO ALEORE-RS FINSOCIAL/FATURAMENTO - InLonstitucionalidade alegada na esfera administrativa. Não compete aos Conselhos Ci O c1C)11 t r i IRA:ir t el:: O :i Ll.i. g ,mnerl tf» d a matéria. Recurso negado. Vistos, relatados e d'iscutides es presentes autos de recurso interposto por TELEVISA° OUAIDA LTDA. ACORDAM os Membros da Terceira Wtmara do Segundo 0011 se, 1N) de Contriimir~s„ por maioira de votos, em negar provimento ao recurso. Vencida a Conselheira MARIA ri E: VASCONCELLOS DE: ALYIEJDA que dava provimento e que excluia da exiOncia o período ate 10.05.09. Ausente o Conselheiro SE:BASTIAS BORDES 'FAC.:MARY. i Sala das Sesseies, em 15 de abril de 1993. " -,-..... ei.1 .4 -- R,::i:.:r,;j:V,O In:,::::.Gç:7Ai::OrS - PresidenteX.2/9 7 , , . / . , Y 572 / DALTON MIR .. DA - Prewrador-RepresentpAte da Fazenda Nacional :m el Cle.,n4nr" VISTA EM SE3SA0 Wid gLWI ldaulao PFN, Dr. RODRIGO DAR DEAU VIEIRA, ex-vi da Portaria PGFN W2 481, DO de 04/08/93. Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros RICARDO LEITE: RODRIGUES, MAURO WASILEWSKI, TIBERANY FERRAZ DOS SANTOS e ARMANDO ZURITA(Suplente). MAED/OR 1 . .5.- •Ali. E.w , . 4 MINISTÉRIO DA ECONOMIA, FAZENDA E PLANEJAMENTO 44:14- ti W SEGUNDO CONSELHO DE CONTAMUNTES , Processo no 11.080-M11.536/91-35 . Recurso no:: 90.725 AcórdWo npn 203-00.368 Recorrente TallATISA0 GUAIBA LTDA. RELATORIO A Recorrente acima identificada foi autuada em 13/11/91, por ter deixado de efetuar o pagamento das mitrifficiçdes mensais para o FINSOCIAL no período de abril/09 a setembro/91. .A exigÓncia foi impugnada às. fid- 16/50 com torrencial argumentação sobre aspectos de inconstitucionalidade e ilegalidade do E: INSOCIAL. Ao final pede o cancelamento do Auto de lirfracb4. As 41s. 53/54, a autuante, em informação fiscal, rtmlifesteu-se dizendo que não é função do Auditor Fiscal decidir ou concluir pela inconstitucionalidade da lei. Opina pela manutenção do lançamento efetuado no Auto de Infração, pelos funda~tibi legais a que se subordinou. A Autoridade julgadora a quo julgou procedente a ação flocal, ementãndo aSSifll bua decisWor "Mantido o lançamento relativo à Contribuição ao FINSOCIAL. não recolhida„ conforme apurado em . procedimento fiscal. Não poddui a autoridade administrativa competenca para manifestar-de sobre a coustitucionalídade das leis (Artigo -102 da Constituição Federal)." Irresignada, a Recorrente interpos recurso a esto Colegiado (fls. 62/103), renovando o teor da argumentação expendida na peça impugnatória, alertando que o Auto cle Infração deve ser cancelado em razão de equ1vocos praticados pela autuante guando do levantamento do crédito triffiit.àrio. E a relatório. /9 . , f p9 351 fr~ MINISTÉRIO DA ECONOMIA, FAZENDA E PLANEJAMENTO 4‘4,:ea SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo no 11.0W-011.536/91-35 Acórdão no 203-00.388 VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR SERGIO AFANASIEFF O Auto de Infração obedeceu a enquadramento em legislação de reçOncia em viger à época da ocorrencia do fato gerador da exigencia contestada. A Recorrente dispôs de todas as oportunidades para SO opor ao lançamento, de modo objetivo. No entanto " em nenhum momento exerceu seu direito de defetsa com argumentos ou provas que pudessem ilidir o credito tributário apurado" Tergi~sou arOindo a umumbAàAcionalidade e a ilegalidade do FIHSOCIAL. E entendimento dos Conselhos de Contribuintos e da Càmara Superior de Recursos. Fiscais que foge à sua competencia a apreciação de inocfistitutionalídade OU ilegalidade de lei" matéria de apreciação privativa pelo Poder judiciário. Feitas as consideraçffes acima, nego provimento ao Sala das Sessffes em, 15 de abril de 1993. (V////' // • , / ROTO AFAN Mr-

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11375440 #
Numero do processo: 11065.904335/2019-89
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 06 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Mon Jun 08 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2018 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA DA RECORRENTE. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada de provas hábeis, da composição e existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa, na forma do que dispõe o artigo 170 do CTN. Não se desincumbindo a recorrente do ônus de comprovar o direito creditório alegado, descabe o provimento do recurso voluntário. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2018 CRÉDITOS. PIS/COFINS NÃO CUMULATIVOS. INSUMO. DESPACHANTE ADUANEIRO. IMPOSSIBILIDADE. A contratação de despachante aduaneiro é mera opção (não essencial, portanto) do contratante, que pode, caso queira, assumir por meio de seus prepostos a representação junto à Receita Federal no despacho aduaneiro, como dispõe os artigos 808 e 809 do Decreto nº 6.759/2009. CRÉDITOS. PIS/COFINS NÃO CUMULATIVOS. IMPORTAÇÃO DE TRIGO. SERVIÇOS PORTUÁRIOS (DESCARGA E ARMAZENAGEM). POSSIBILIDADE. REQUISITOS. SÚMULA CARF Nº 243. É permitido o aproveitamento de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS não cumulativas sobre custos de serviços portuários de capatazia e estiva vinculados à importação de insumos, desde que tais serviços sejam contratados de forma autônoma à importação, junto a pessoas jurídicas brasileiras, e que tenham sido efetivamente tributados, inteligência da Sumula CARF nº 243. PIS/COFINS. INSUMO. TRANSPORTE DE PESSOAL. ÁREAS PRODUTIVAS. Nos termos do art. 176, §1º, inciso XXI da Instrução Normativa SRF nº 212/2022, “Consideram-se insumos, inclusive”, os ”dispêndios com contratação de pessoa jurídica para transporte da mão de obra empregada no processo de produção de bens ou de prestação de serviços. PIS E COFINS. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA. DIREITO A CRÉDITO. DESPESAS INCORRIDAS COM SERVIÇOS DE VIGILÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE. No que tange à manutenção de créditos referente as despesas com serviços de vigilância, não estão relacionados de forma direta a atividade de prestação de serviços do contribuinte, e não se incluem no conceito de insumos para direito ao desconto de créditos do PIS e da COFINS. PIS/COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. ICMS-ST SOBRE ENERGIA ELÉTRICA. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Os valores pagos pelo contribuinte substituto a título de ICMS-ST não geram, no regime não cumulativo, créditos para fins de incidência das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS devidas pelo contribuinte substituído. Tema 1.231/STJ. CRÉDITOS SOBRE FRETE NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS NÃO ONERADOS. SÚMULA CARF 188. POSSIBILIDADE. CONDIÇÕES. É permitido o aproveitamento de créditos sobre as despesas com serviços de fretes na aquisição de insumos não onerados pela Contribuição para o PIS/Pasep e pela Cofins não cumulativas, desde que tais serviços, registrados de forma autônoma em relação aos insumos adquiridos, tenham sido efetivamente tributados pelas referidas contribuições. CRÉDITOS DE PIS/COFINS. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS. ESTABELECIMENTOS DA EMPRESA. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF 217. Os gastos com fretes relativos ao transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa não geram créditos de Contribuição para o PIS/Pasep e de Cofins não cumulativas (Súmula CARF no 217). CLASSIFICAÇÃO FISCAL. PRÉ-MISTURA PARA A FABRICAÇÃO DE PÃO. NCM: 1901.20.00 - SEM ENQUADRAMENTO NO EX 01 DA TIPI. Analisando-se os ingredientes do produto Mistura Lux Maxi Pão Doce 25Kg e Mistura Lux Maxi Pão Integral 25Kg, constata-se que o mesmo não se caracteriza como “Pré-misturas próprias para fabricação de pão do tipo comum”, já que sua composição utiliza outros ingredientes além dos permitidos para a classificação no referido ex-tarifário, tais como soja, leite ou outros emulsificantes; portanto, o produto não se enquadra no Ex 01 do código NCM 1901.20.00 da Tipi, a receita com sua venda está sujeita à incidência das Contribuições ao PIS/Cofins.
Numero da decisão: 3003-002.767
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Voluntário interposto, para no mérito dar parcial provimento ao recurso, para reverter as seguintes glosas: a) custos relacionados às atividades aduaneiras voltadas ao recebimento dos insumos importados (movimentação e armazenamento de trigo), nos termos da Súmula CARF nº 243; b) despesas com transporte de funcionários e colaboradores da indústria para a sede empresarial, com fulcro no inciso II, do Art. 3º, das Leis 10.833/2003 e 10.637/2002; c) serviços de fretes na aquisição de insumos não onerados pelas contribuições ao PIS e à Cofins PIS não cumulativos, apenas nos casos em que haja atendimento às condições prescritas pela Súmula 188: o registro de forma autônoma e a efetiva tributação do frete na aquisição; e, d) despesas com partes e peças de reposição e ferramentas relacionadas na planilha acostada às fls. 407/412. Assinado Digitalmente Denise Madalena Green – Relator Assinado Digitalmente Regis Xavier Holanda – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Vinicius Guimaraes, Alexandre Freitas Costa, Denise Madalena Green, Regis Xavier Holanda (Presidente).
Nome do relator: DENISE MADALENA GREEN

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Voluntário interposto, para no mérito dar parcial provimento ao recurso, para reverter as seguintes glosas: a) custos relacionados às atividades aduaneiras voltadas ao recebimento dos insumos importados (movimentação e armazenamento de trigo), nos termos da Súmula CARF nº 243; b) despesas com transporte de funcionários e colaboradores da indústria para a sede empresarial, com fulcro no inciso II, do Art. 3º, das Leis 10.833/2003 e 10.637/2002; c) serviços de fretes na aquisição de insumos não onerados pelas contribuições ao PIS e à Cofins PIS não cumulativos, apenas nos casos em que haja atendimento às condições prescritas pela Súmula 188: o registro de forma autônoma e a efetiva tributação do frete na aquisição; e, d) despesas com partes e peças de reposição e ferramentas relacionadas na planilha acostada às fls. 407/412. Assinado Digitalmente Denise Madalena Green – Relator Assinado Digitalmente Regis Xavier Holanda – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Vinicius Guimaraes, Alexandre Freitas Costa, Denise Madalena Green, Regis Xavier Holanda (Presidente).

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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2018 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA DA RECORRENTE. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada de provas hábeis, da composição e existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa, na forma do que dispõe o artigo 170 do CTN. Não se desincumbindo a recorrente do ônus de comprovar o direito creditório alegado, descabe o provimento do recurso voluntário. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2018 CRÉDITOS. PIS/COFINS NÃO CUMULATIVOS. INSUMO. DESPACHANTE ADUANEIRO. IMPOSSIBILIDADE. A contratação de despachante aduaneiro é mera opção (não essencial, portanto) do contratante, que pode, caso queira, assumir por meio de seus prepostos a representação junto à Receita Federal no despacho aduaneiro, como dispõe os artigos 808 e 809 do Decreto nº 6.759/2009. CRÉDITOS. PIS/COFINS NÃO CUMULATIVOS. IMPORTAÇÃO DE TRIGO. SERVIÇOS PORTUÁRIOS (DESCARGA E ARMAZENAGEM). POSSIBILIDADE. REQUISITOS. SÚMULA CARF Nº 243. É permitido o aproveitamento de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS não cumulativas sobre custos de serviços portuários de capatazia e estiva vinculados à importação de insumos, desde que tais serviços sejam contratados de forma autônoma à importação, junto a pessoas jurídicas brasileiras, e que tenham sido efetivamente tributados, inteligência da Sumula CARF nº 243. PIS/COFINS. INSUMO. TRANSPORTE DE PESSOAL. ÁREAS PRODUTIVAS. Nos termos do art. 176, §1º, inciso XXI da Instrução Normativa SRF nº 212/2022, “Consideram-se insumos, inclusive”, os ”dispêndios com contratação de pessoa jurídica para transporte da mão de obra empregada no processo de produção de bens ou de prestação de serviços. PIS E COFINS. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA. DIREITO A CRÉDITO. DESPESAS INCORRIDAS COM SERVIÇOS DE VIGILÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE. No que tange à manutenção de créditos referente as despesas com serviços de vigilância, não estão relacionados de forma direta a atividade de prestação de serviços do contribuinte, e não se incluem no conceito de insumos para direito ao desconto de créditos do PIS e da COFINS. PIS/COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. ICMS-ST SOBRE ENERGIA ELÉTRICA. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Os valores pagos pelo contribuinte substituto a título de ICMS-ST não geram, no regime não cumulativo, créditos para fins de incidência das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS devidas pelo contribuinte substituído. Tema 1.231/STJ. CRÉDITOS SOBRE FRETE NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS NÃO ONERADOS. SÚMULA CARF 188. POSSIBILIDADE. CONDIÇÕES. É permitido o aproveitamento de créditos sobre as despesas com serviços de fretes na aquisição de insumos não onerados pela Contribuição para o PIS/Pasep e pela Cofins não cumulativas, desde que tais serviços, registrados de forma autônoma em relação aos insumos adquiridos, tenham sido efetivamente tributados pelas referidas contribuições. CRÉDITOS DE PIS/COFINS. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS. ESTABELECIMENTOS DA EMPRESA. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF 217. Os gastos com fretes relativos ao transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa não geram créditos de Contribuição para o PIS/Pasep e de Cofins não cumulativas (Súmula CARF no 217). CLASSIFICAÇÃO FISCAL. PRÉ-MISTURA PARA A FABRICAÇÃO DE PÃO. NCM: 1901.20.00 - SEM ENQUADRAMENTO NO EX 01 DA TIPI. Analisando-se os ingredientes do produto Mistura Lux Maxi Pão Doce 25Kg e Mistura Lux Maxi Pão Integral 25Kg, constata-se que o mesmo não se caracteriza como “Pré-misturas próprias para fabricação de pão do tipo comum”, já que sua composição utiliza outros ingredientes além dos permitidos para a classificação no referido ex-tarifário, tais como soja, leite ou outros emulsificantes; portanto, o produto não se enquadra no Ex 01 do código NCM 1901.20.00 da Tipi, a receita com sua venda está sujeita à incidência das Contribuições ao PIS/Cofins.

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EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA DA RECORRENTE. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada de provas hábeis, da composição e existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa, na forma do que dispõe o artigo 170 do CTN. Não se desincumbindo a recorrente do ônus de comprovar o direito creditório alegado, descabe o provimento do recurso voluntário. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2018 CRÉDITOS. PIS/COFINS NÃO CUMULATIVOS. INSUMO. DESPACHANTE ADUANEIRO. IMPOSSIBILIDADE. A contratação de despachante aduaneiro é mera opção (não essencial, portanto) do contratante, que pode, caso queira, assumir por meio de seus prepostos a representação junto à Receita Federal no despacho aduaneiro, como dispõe os artigos 808 e 809 do Decreto nº 6.759/2009. CRÉDITOS. PIS/COFINS NÃO CUMULATIVOS. IMPORTAÇÃO DE TRIGO. SERVIÇOS PORTUÁRIOS (DESCARGA E ARMAZENAGEM). POSSIBILIDADE. REQUISITOS. SÚMULA CARF Nº 243. É permitido o aproveitamento de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS não cumulativas sobre custos de serviços portuários de capatazia e estiva vinculados à importação de insumos, desde que tais serviços sejam contratados de forma autônoma à importação, junto a Fl. 1117DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3003-002.767 – 3ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11065.904335/2019-89 2 pessoas jurídicas brasileiras, e que tenham sido efetivamente tributados, inteligência da Sumula CARF nº 243. PIS/COFINS. INSUMO. TRANSPORTE DE PESSOAL. ÁREAS PRODUTIVAS. Nos termos do art. 176, §1º, inciso XXI da Instrução Normativa SRF nº 212/2022, “Consideram-se insumos, inclusive”, os ”dispêndios com contratação de pessoa jurídica para transporte da mão de obra empregada no processo de produção de bens ou de prestação de serviços. PIS E COFINS. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA. DIREITO A CRÉDITO. DESPESAS INCORRIDAS COM SERVIÇOS DE VIGILÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE. No que tange à manutenção de créditos referente as despesas com serviços de vigilância, não estão relacionados de forma direta a atividade de prestação de serviços do contribuinte, e não se incluem no conceito de insumos para direito ao desconto de créditos do PIS e da COFINS. PIS/COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. ICMS-ST SOBRE ENERGIA ELÉTRICA. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Os valores pagos pelo contribuinte substituto a título de ICMS-ST não geram, no regime não cumulativo, créditos para fins de incidência das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS devidas pelo contribuinte substituído. Tema 1.231/STJ. CRÉDITOS SOBRE FRETE NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS NÃO ONERADOS. SÚMULA CARF 188. POSSIBILIDADE. CONDIÇÕES. É permitido o aproveitamento de créditos sobre as despesas com serviços de fretes na aquisição de insumos não onerados pela Contribuição para o PIS/Pasep e pela Cofins não cumulativas, desde que tais serviços, registrados de forma autônoma em relação aos insumos adquiridos, tenham sido efetivamente tributados pelas referidas contribuições. CRÉDITOS DE PIS/COFINS. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS. ESTABELECIMENTOS DA EMPRESA. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF 217. Os gastos com fretes relativos ao transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa não geram créditos de Contribuição para o PIS/Pasep e de Cofins não cumulativas (Súmula CARF no 217). CLASSIFICAÇÃO FISCAL. PRÉ-MISTURA PARA A FABRICAÇÃO DE PÃO. NCM: 1901.20.00 - SEM ENQUADRAMENTO NO EX 01 DA TIPI. Fl. 1118DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3003-002.767 – 3ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11065.904335/2019-89 3 Analisando-se os ingredientes do produto Mistura Lux Maxi Pão Doce 25Kg e Mistura Lux Maxi Pão Integral 25Kg, constata-se que o mesmo não se caracteriza como “Pré-misturas próprias para fabricação de pão do tipo comum”, já que sua composição utiliza outros ingredientes além dos permitidos para a classificação no referido ex-tarifário, tais como soja, leite ou outros emulsificantes; portanto, o produto não se enquadra no Ex 01 do código NCM 1901.20.00 da Tipi, a receita com sua venda está sujeita à incidência das Contribuições ao PIS/Cofins. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Voluntário interposto, para no mérito dar parcial provimento ao recurso, para reverter as seguintes glosas: a) custos relacionados às atividades aduaneiras voltadas ao recebimento dos insumos importados (movimentação e armazenamento de trigo), nos termos da Súmula CARF nº 243; b) despesas com transporte de funcionários e colaboradores da indústria para a sede empresarial, com fulcro no inciso II, do Art. 3º, das Leis 10.833/2003 e 10.637/2002; c) serviços de fretes na aquisição de insumos não onerados pelas contribuições ao PIS e à Cofins PIS não cumulativos, apenas nos casos em que haja atendimento às condições prescritas pela Súmula 188: o registro de forma autônoma e a efetiva tributação do frete na aquisição; e, d) despesas com partes e peças de reposição e ferramentas relacionadas na planilha acostada às fls. 407/412. Assinado Digitalmente Denise Madalena Green – Relator Assinado Digitalmente Regis Xavier Holanda – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Vinicius Guimaraes, Alexandre Freitas Costa, Denise Madalena Green, Regis Xavier Holanda (Presidente). RELATÓRIO Trata-se de Recurso Voluntário interposto em face do Acórdão nº 106-009.166, de 03/02/2021, proferido pela 17ª Turma da DRJ em Belo Horizonte/MG, que por unanimidade de Fl. 1119DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3003-002.767 – 3ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11065.904335/2019-89 4 votos, julgou parcialmente procedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, a fim de reconhecer o direito creditório adicional no valor de R$ 23.793,58 (mais o valor já reconhecido no Despacho Decisório), relativo à Cofins não cumulativa - mercado interno do 3º trimestre de 2018 e homologar as Dcomp’s nº 07055.29502.170419.1.3.19-2006 e 12979.69412.160519.1.3.19-4010 até o limite do crédito reconhecido. Considerando as glosas revertidas pela decisão de primeira instância, o valor do crédito a ser reconhecido à empresa consta da tabela a seguir: Por bem descrever e retratar a realidade dos fatos, adoto o relatório da decisão recorrida: O interessado transmitiu o PER nº 04224.07021.181218.1.1.19-4500, no qual requer ressarcimento de crédito relativo à Cofins não-cumulativa - mercado interno do 3º trimestre de 2018; Posteriormente transmitiu as Dcomp’s nº 07055.29502.170419.1.3.19-2006 e 12979.69412.160519.1.3.19-4010, visando compensar os débitos nelas declarados com o crédito acima; A DRF – Novo Hamburgo/RS emitiu Despacho Decisório no qual reconhece parcialmente o direito creditório e homologa parcialmente as compensações declaradas; A empresa apresenta manifestação de inconformidade na qual alega, que: I. RELATO DOS FATOS; II. RAZÕES PARA REFORMA DO DESPACHO DECISÓRIO; 1. DA CORRETA DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE “INSUMO”; 2. CONTRATAÇÃO DE SERVIÇOS: ANÁLISE TÓPICA; 2.2.1. DESPACHANTE ADUANEIRO E TRANSPORTES; 2 2.2. HIGIENIZAÇÃO; 3. CRÉDITOS COM FRETE NA AQUISIÇÃO DE TRIGO; 4. ÁGUA E ESGOTO; 5. ICMS-ST NA AQUISIÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA; 6. MATERIAIS DE CONSUMO: FERRAMENTAS; Fl. 1120DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3003-002.767 – 3ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11065.904335/2019-89 5 7. ALUGUEIS DE IMÓVEIS, MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS; 8. SAÍDAS ISENTAS: MISTURAS PARA PRODUTOS DE PADARIA (NCM-TIPI 1901.20.00); 9. PROVA: DOCUMENTÁRIO EM VÍDEO; 10. PEDIDOS; Analisando as razões de defesa, a 17ª Turma da DRJ em Belo Horizonte/MG, assim ementou a sua decisão: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano-calendário: 2018 PIS/PASEP. COFINS. INSUMOS. A análise da apropriação de créditos de PIS/Pasep e Cofins não-cumulativos, deve ser feita com base no julgamento do Recurso Especial (REsp) nº 1221170/PR pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça. PIS/PASEP. COFINS. DESPESAS DE FRETES DE TRANSFERÊNCIAS DE PRODUTOS ACABADOS Despesas com fretes de transferências de produtos acabados não se enquadram como frete na operação de venda e também não podem ser consideradas como insumo, visto que ela se dá depois de terminado o processo produtivo. PIS/PASEP. COFINS. DESPESAS DE FRETES NAS REMESSAS EM BONIFICAÇÃO, DOAÇÃO OU BRINDE As remessas em bonificação, doação ou brinde não e equiparam a operações de venda e, portanto, os fretes pagos nessas remessas não geram crédito das contribuições. PIS/PASEP. COFINS. CRÉDITO. ALUGUÉIS DE PRÉDIOS. INCLUSÃO DA COTA CONDOMINIAL. IMPOSSIBILIDADE. No regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep, o crédito relativo a aluguéis de prédios não inclui os dispêndios suportados pelo locatário em decorrência da locação do imóvel, tal como a cota condominial. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Inconformada a contribuinte apresentou Recurso Voluntário requerendo reforma da decisão proferida pela DRJ, pugna pela aplicação do conceito de insumo – essencialidade e relevância, e pela possibilidade de creditamento de COFINS, sobre os seguintes dispêndios: a) serviços variados – relacionados ao desembaraço aduaneiro; b) transporte de colaboradores; c) vigilância e monitoramento eletrônico de depósitos; Fl. 1121DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3003-002.767 – 3ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11065.904335/2019-89 6 d) ICMS-ST na aquisição de energia elétrica; e) frete na aquisição de trigo em grãos é produto sujeito à alíquota 0 (zero) das contribuições sociais; f) frete de produtos acabados entre estabelecimentos; g) despesas com locação de imóveis; h) materiais de consumo: ferramentas; e, i) aplicação da alíquota zero para as receitas oriundas de vendas dos produtos “Mistura Lux Maxi Pão Doce” e “Mistura Lux Maxi Pão Integral”. Em 17/11/2021, este processo por apensação ao processo nº 11065.904334/2019- 34. O processo, então, foi sorteado para esta Conselheira para dar prosseguimento à análise do Recurso Voluntário interposto. É o relatório. VOTO Conselheiro Denise Madalena Green, Relator I – Da admissibilidade do Recurso Voluntário: Consta dos autos que a recorrente foi intimada na data de 15/04/2021 (fls.1.080) e protocolou Recurso Voluntário em 28/04/2021 (fl.1.082) dentro do prazo de 30 (trinta) dias previsto no artigo 33, do Decreto 70.235/721. Desta forma, é tempestivo o Recurso Voluntário apresentado pela recorrente. E, por cumprir os pressupostos para o seu manejo, esse deve ser analisado por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. II – Do mérito: Trata-se de empresa, cuja atividade principal é o transporte intermodal de cargas e atividades relacionadas a serviços de transporte rodoviário, ferroviário e aquaviário, tais como: logística, operação portuária, movimentação e armazenagem de mercadorias e contêineres, agenciamento de cargas, exploração e administração de entrepostos de armazenagem. Em seu recurso, pretende a reversão das seguintes glosas mantidas pela decisão de primeira instância: a) serviços variados – relacionados ao desembaraço aduaneiro; b) transporte de colaboradores; 1 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 1122DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3003-002.767 – 3ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11065.904335/2019-89 7 c) vigilância e monitoramento eletrônico de depósitos; d) ICMS-ST na aquisição de energia elétrica; e) frete na aquisição de trigo em grãos é produto sujeito à alíquota 0 (zero) das contribuições sociais; f) frete de produtos acabados entre estabelecimentos; g) despesas com locação de imóveis; h) materiais de consumo: ferramentas; e, i) aplicação da alíquota zero para as receitas oriundas de vendas dos produtos “Mistura Lux Maxi Pão Doce” e “Mistura Lux Maxi Pão Integral”. Previamente à análise dos itens específicos dos insumos em discussão, explicita-se o conceito de insumos adotado no presente voto, para então verificar as demais matérias. Conceito de insumos: Primeiramente, ressalta-se que a análise da apropriação de créditos da contribuição ao PIS/Pasep e à Cofins não cumulativos sobre bens e serviços utilizados como insumos, tal como empregado nas Leis 10.637/02 e 10.833/03, para o fim de definir o direito (ou não) ao crédito de PIS e COFINS dos valores incorridos na aquisição, será realizada com base no que restou decidido pelo Superior Tribunal de Justiça no REsp 1.221.170/PR, paradigma do Tema 779, cuja tese foi firmada nos seguintes termos: “(a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não-cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte”. A Ministra Regina Helena Costa, em seu voto, esclarece que o critério da essencialidade "diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço: constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência”, enquanto o critério da relevância “é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva ou por imposição legal”. Neste sentido, em 17/12/2018 foi exarado o Parecer Normativo COSIT/RFB nº 05, que apresenta as principais repercussões no âmbito da RFB decorrentes da definição do conceito de insumos na legislação da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS estabelecida pelo STJ. Consta do referido Parecer que a decisão proferida no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR é vinculante para a RFB em razão do disposto no art. 19 da Lei nº 10.522/2002, na Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 1/2014, e nos termos da referida Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFN-MF. Fl. 1123DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3003-002.767 – 3ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11065.904335/2019-89 8 Nesse contexto, a análise será feita considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item para o desenvolvimento da atividade produtiva, consistente na produção de bens destinados à venda ou de prestação de serviços, de forma a facilitar a análise casuística de cada item objeto de glosa pela autoridade fiscal que foram mantidas pela decisão da DRJ. Passo à análise dos insumos. a) serviços variados – relacionados ao desembaraço aduaneiro: Consta do Despacho Decisório, no tópico “A – Da apuração de créditos sobre serviços não abrangidos pelo conceito de insumo e serviços de transporte”, a informação de que os dispêndios relacionados, dentre eles os serviços relacionados ao desembaraço aduaneiro de mercadorias estrangeiras, não se enquadram entre os serviços utilizados como insumo na produção/fabricação de bens ou produtos destinados à venda, capazes de gerar crédito da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, uma vez que não estão vinculados ao processo produtivo da empresa. Nesse sentido cita o item 167 e 168 do Parecer Normativo COSIT/SRF nº 05/2018. Por sua vez, a decisão recorrida manteve a glosa, sob os seguintes fundamentos: Este tópico trata de serviços relacionados à importação de insumos. Os créditos apurados na importação são disciplinados pela Lei nº 10.865/2004, a qual prevê que o valor do crédito será o valor pago na operação de importação, o qual, por sua vez, tem como base de cálculo o valor aduaneiro, conforme se extrai dos art. 7º, I, c/c art. 15 da referida norma. Dessa maneira, é inviável admitir que os dispêndios ocorridos em território nacional, como aqueles decorrentes das operações portuárias (armazenagem em recinto aduaneiro, movimentação de carga no porto, agentes de carga, movimentação e transporte de carga, operador portuário, despachante, serviço de despacho aduaneiro e serviços portuários diversos), possam ensejar a apuração de créditos das contribuições sob amparo da Lei nº 10.865/2004. Essas despesas não podem se admitidas no custo de aquisição pois não integram o valor aduaneiro, e também não podem ser consideradas como insumos visto que, nesta fase, o processo produtivo ainda não se iniciou. Registre-se que o custo de aquisição é tão somente o custo do bem adquirido, podendo se admitir a inclusão do frete pago nessa aquisição, como previsto na legislação do imposto de renda. As despesas com desembaraço aduaneiro, previstas no Regulamento do Imposto de Renda, são as que compõem o valor aduaneiro. Assim, essas glosas devem ser mantidas. Em relação a este tópico, a recorrente tece as seguintes explicações: Fl. 1124DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3003-002.767 – 3ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11065.904335/2019-89 9 Para a produção e a comercialização de farinha de trigo, a Recorrente necessita, obviamente, adquirir trigo. Em razão da escassez do trigo no mercado interno, as empresas se veem obrigadas a comprar tal insumo no mercado internacional. Dessa forma, após o desembaraço aduaneiro dessa matéria-prima, a Recorrente contrata serviços essenciais para que estes produtos cheguem até o seu estabelecimento. O despachante aduaneiro é prestador de serviços portuários cuja contratação é prevista no art. 809 do Decreto 6.759/2009. Trata-se de prestador responsável pela Declaração de Importação e pelo registro no Sistema Siscomex, consoante as normas da Receita Federal. Após a chegada no trigo no porto e a obrigatória passagem pela alfândega, é preciso fazer a contratação do porto e do operador portuário. O porto é o local de chegada da mercadoria adquirida no mercado internacional, e é necessário pagar por seu uso. Já o operador portuário é a pessoa jurídica autorizada a realizar a movimentação e armazenagem de mercadorias dentro do porto. Trata-se de entidade que deve estar devidamente cadastrada e previamente habilitada para poder realizar tais atividades, consoante a Lei n. 12.815/2014. O operador portuário realiza, entre outras atividades, o descarregamento do trigo recém chegado para os locais de armazenamento provisório. Tal armazenamento é contratado pela Recorrente pois é necessária a conclusão das atividade de recebimento das mercadorias no porto em até 24 horas, e, tendo em vista o volume do trigo importado, é necessária a locação de local provisório para comportar o trigo nacionalizado após a chegada da mercadoria e antes de fazer o seu transporte definitivo para os silos da Recorrente. O trigo, ao chegar, é descarregado utilizando-se gruas e pás mecânicas locadas pela empresa e por meio de um funil industrial. Lá ocorre sua análise química - para aferir se está em boas condições - e pesagem - para conferir sua quantidade. Os locais onde o trigo será armazenado provisoriamente, e, em seguida, embalado em sacos industriais para ser transportado até o silo da Recorrente devem ser rigorosamente desinfetados e higienizados, conforme orientações normativas próprias (isso será tratado em item próprio a seguir). (...) Consequentemente, os valores despendidos a tal título pela Recorrente se enquadram nos arts. 3º, II, da Lei 10.637/02 e da Lei 10.833/03 - ou seja, são insumos - e dão direito a crédito básico de PIS e Cofins. Com razão a recorrente, ao menos em parte. Primeiramente, em relação aos custos com despachante aduaneiro, entendo que não geram direito ao crédito de PIS/COFINS não cumulativos, pois além de constituírem atividade meio da empresa (não produtiva), não podem ser caracterizadas como essenciais ou relevantes. A aplicação do “Teste de Subtração” permite caracterizar o dispêndio como não essencial. Fl. 1125DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3003-002.767 – 3ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11065.904335/2019-89 10 Ademais, a contratação de tais serviços, trata-se de mera opção (não essencial, portanto) do contratante, que pode, caso queira, assumir por meio de seus prepostos a representação junto à Receita Federal no despacho aduaneiro, como dispõe os artigos 808 e 809 do citado Decreto nº 6.759/20092. Nesse sentido, cito recentes precedentes da 3ª Turma – CSRF, in verbis: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. DACON NÃO RETIFICADO. APROVEITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. O aproveitamento de créditos extemporâneos está condicionado à apresentação dos Demonstrativos de Apuração (DACON) retificadores dos respectivos trimestres, demonstrando os créditos e os saldos credores trimestrais. DESPESAS COM SERVIÇOS DE DESEMBARAÇO ADUANEIRO. ATIVIDADE MEIO. INEXISTÊNCIA DE ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. TESTE DE SUBTRAÇÃO. As despesas com serviços de desembaraço aduaneiro/despachante aduaneiro, além de constituírem atividade meio da empresa (não produtiva), não podem 2 Decreto nº 6.759, de 05 de fevereiro de 2009 Art. 808. São atividades relacionadas ao despacho aduaneiro de mercadorias, inclusive bagagem de viajante, na importação, na exportação ou na internação, transportadas por qualquer via, as referentes a: I - preparação, entrada e acompanhamento da tramitação e apresentação de documentos relativos ao despacho aduaneiro; II - subscrição de documentos relativos ao despacho aduaneiro, inclusive termos de responsabilidade; III - ciência e recebimento de intimações, de notificações, de autos de infração, de despachos, de decisões e de outros atos e termos processuais relacionados com o procedimento de despacho aduaneiro; IV - acompanhamento da verificação da mercadoria na conferência aduaneira, inclusive da retirada de amostras para assistência técnica e perícia; V - recebimento de mercadorias desembaraçadas; (...) Art. 809. Poderá representar o importador, o exportador ou outro interessado, no exercício das atividades referidas no art. 808, bem assim em outras operações de comércio exterior (Decreto-Lei nº 2.472, de 1988, art. 5º, caput e § 1º): I - o dirigente ou empregado com vínculo empregatício exclusivo com o interessado, munido de mandato que lhe outorgue plenos poderes para o mister, sem cláusulas excludentes da responsabilidade do outorgante mediante ato ou omissão do outorgado, no caso de operações efetuadas por pessoas jurídicas de direito privado; II - o funcionário ou servidor, especialmente designado, no caso de operações efetuadas por órgão da administração pública direta ou autárquica, federal, estadual ou municipal, missão diplomática ou repartição consular de país estrangeiro ou representação de órgãos internacionais; II-A - o empresário, o sócio da sociedade empresária ou pessoa física nomeada pelo habilitado, nos casos de importações ao amparo do regime de que trata o art. 102-A (Lei nº 11.898, de 2009, art. 7º, § 2º); (Incluído pelo Decreto nº 7.213, de 2010). III - o próprio interessado, no caso de operações efetuadas por pessoas físicas; e III - o próprio interessado, no caso de operações efetuadas por pessoas físicas; (Redação dada pelo Decreto nº 8.010, de 2013) III-A - o mandatário de pessoa física residente no País, nos casos de remessa postal internacional, ou bens de viajante; e (Incluído pelo Decreto nº 8.010, de 2013) IV - o despachante aduaneiro, em qualquer caso. Fl. 1126DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3003-002.767 – 3ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11065.904335/2019-89 11 ser caracterizadas como essenciais ou relevantes. A aplicação do “Teste de Subtração” permite caracterizar o dispêndio como não essencial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer de ambos os recursos especiais. No mérito, por unanimidade de votos, deu-se provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, para manter as glosas sobre créditos referentes a despachantes aduaneiros, e negou-se provimento ao recurso especial interposto pelo Contribuinte, por voto de qualidade, vencidos os Conselheiros Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Tatiana Josefovicz Belisário, Alexandre Freitas Costa, e Cynthia Elena de Campos. Julgamento realizado após a vigência da Lei 14.689/2023, a qual deverá ser observada quando do cumprimento da decisão. (Acórdão nº 9303-014.842 – CSRF / 3ª Turma, Processo nº 15578.000194/2010- 66, Rel. Conselheiro Vinicius Guimarães, Sessão de 14 de março de 2024). ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2006 CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. DACON NÃO RETIFICADO. APROVEITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. O aproveitamento de créditos extemporâneos está condicionado à apresentação dos Demonstrativos de Apuração (DACON) retificadores dos respectivos trimestres, demonstrando os créditos e os saldos credores trimestrais. PIS/COFINS. INSUMO. DESPACHANTE ADUANEIRO. IMPOSSIBILIDADE. A contratação de despachante aduaneiro é mera opção (não essencial, portanto) do contratante, que pode, caso queira, assumir por meio de seus prepostos a representação junto à Receita Federal no despacho aduaneiro, como dispõe o artigo 5° do Decreto 2.472/88. PIS E COFINS. NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM TRANSPORTE DE INSUMOS. CUSTO DE AQUISIÇÃO DA MATÉRIA-PRIMA SUJEITA À ALÍQUOTA ZERO. DIREITO A CRÉDITO NO FRETE. POSSIBILIDADE. O artigo 3º, inciso II das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 garante o direito ao crédito correspondente aos insumos, mas excetua expressamente nos casos da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição (inciso II, § 2º, art. 3º). Tal exceção, contudo, não invalida o direito ao crédito referente ao frete pago pelo comprador dos insumos sujeitos à alíquota zero, que compõe o custo de aquisição do produto (art. 289, §1º do RIR/99), por ausência de vedação legal. Sendo os regimes de incidência distintos, do insumo (alíquota zero) e do frete (tributável), permanece o direito ao crédito referente ao frete pago pelo comprador do insumo para produção. (Acórdão 9303-013.887) (Acórdão nº 9303-014.779 – CSRF / 3ª Turma, Processo nº 10783.720619/2011- 99, Rel. Conselheiro Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Sessão de 14 de março de 2024) (grifou-se) Fl. 1127DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3003-002.767 – 3ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11065.904335/2019-89 12 Quanto ao serviço com operador portuário, relativo à movimentação e armazenagem de trigo importado dentro do porto, como demonstrado, são imprescindíveis para que a contribuinte receba sua principal matéria-prima (trigo – cereal escasso no Brasil). Inclusive tal direito já se encontra sumulado perante este CARF, por meio da Súmula CARF nº 243, in verbis: SÚMULA CARF Nº 243 Aprovada pela 3ª Turma da CSRF em sessão de 27/11/2025 – vigência em 04/12/2025 É permitido o aproveitamento de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS não cumulativas sobre custos de serviços portuários de capatazia e estiva vinculados à importação de insumos, desde que tais serviços sejam contratados de forma autônoma à importação, junto a pessoas jurídicas brasileiras, e que tenham sido efetivamente tributados. Acórdãos Precedentes: 9303-014.426, 9303-014.700, 9303-015.265. Dessa forma, dou provimento ao pedido da contribuinte, para reverter as glosas relacionadas às atividades aduaneiras voltadas ao recebimento dos insumos importados (movimentação e armazenamento de trigo), nos termos da Súmula CARF nº 243. b) transporte de colaboradores: Aduz a recorrente: No caso da despesa ora em análise, é indispensável o transporte dos funcionários da empresa. Isso porque o transporte público municipal não presta serviços de modo a atender às necessidades de locomoção dos empregados para a sede empresarial. De fato, há uma notória incapacidade e debilidade na prestação do serviço coletivo de transporte público no município de São Luís (MA), o que enseja, em caráter cogente, a contratação de prestadores de serviço particular de transporte coletivo. Tal realidade, inclusive, acomete a todas as demais empresas de grande porte sediadas naquela municipalidade em regiões afastadas. Conforme demonstram as imagens em anexo, obtidas no site Google Maps, a filial da Demandante de São Luís (MA) está localizada dentro do Porto de Itaqui, que se situa em região muito afastada do centro da cidade. Ademais, sua filial se encontra, especificamente, nas margens da Baía de São Marcos, dentro de um enorme complexo portuário (e distante a mais de 2 quilômetros de distância da sua entrada), o qual igualmente não conta com transporte público no seu interior. Com efeito, diferentemente das demais unidades da Demandante, situadas em outros Estados da federação, a sua sede de São Luís (MA) não é atendida pelo transporte público municipal, o que lhe obriga a contratar uma empresa privada para suprir tal carência. Diante disso, os elementos da necessidade e relevância se configura em razão das dificuldades impostas pelas razões circunstanciais que fazem parte da realidade local. Fl. 1128DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3003-002.767 – 3ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11065.904335/2019-89 13 Em relação ao tema, o Parecer Normativo COSIT/RFB nº 05/2018, que interpretou a decisão vinculante do STJ no REsp nº 1.221.170/PR, afastava, explicitamente, o direito ao crédito sobre os gastos com o transporte de funcionários, qualquer que seja a atividade a ser por eles desempenhada ou as circunstâncias. No entanto, diante do posicionamento da Receita Federal do Brasil que passou a classificar como insumo de que trata o inc. II do art. 3º da Lei nº 10.637/2002, idêntico na Lei nº 10.833/2003, “os gastos com contratação de pessoa jurídica para transporte do trajeto de ida e volta do trabalho da mão de obra empregada em seu processo de produção de bens ou de prestação de serviços”, nos termos do inc. XXI do § 1º do art. 176 da IN RFB 2.121/2022, referendado pela Solução de Consulta COSIT nº 45, de 22 de fevereiro de 2023, abaixo transcritos: Normativa nº 2121, de 15 de dezembro de 2022 Art. 176. Para efeito do disposto nesta Subseção, consideram-se insumos, os bens ou serviços considerados essenciais ou relevantes para o processo de produção ou fabricação de bens destinados à venda ou de prestação de serviços (Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º, caput, inciso II, com redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004, art. 37; e Lei nº 10.833, de 2003, art. 3º, caput, inciso II, com redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004, art. 21). § 1º Consideram-se insumos, inclusive: (...) XX - parcela custeada pelo empregador relativa ao vale-transporte pago para a mão de obra empregada no processo de produção ou de prestação de serviços; e XXI - dispêndios com contratação de pessoa jurídica para transporte da mão de obra empregada no processo de produção de bens ou de prestação de serviços. (...) § 3º O valor do dispêndio a que se refere o inciso XXI do § 1º será determinado por meio da proporcionalizarão entre o número de trabalhadores empregados na produção ou na prestação de serviços e o número total de trabalhadores transportados, em relação ao total dispendido com o transporte. __________________________________________________ Solução de Consulta COSIT nº 45, de 22 de fevereiro de 2023 Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins SOCIEDADE DE ADVOGADOS. REGIME NÃO CUMULATIVO. CRÉDITOS. SUBSUNÇÃO AO CONCEITO DE INSUMOS. (...) CRÉDITOS. GASTOS COM TRANSPORTE DE FUNCIONÁRIOS. GASTOS COM ALIMENTAÇÃO DE FUNCIONÁRIOS. Fl. 1129DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3003-002.767 – 3ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11065.904335/2019-89 14 Os gastos com contratação de pessoa jurídica para transporte do trajeto de ida e volta do trabalho da mão de obra empregada em seu processo de produção de bens ou de prestação de serviços podem ser considerados insumos para fins de apuração de créditos da não cumulatividade da Cofins. Os gastos com transporte próprio da pessoa jurídica (inclusive combustíveis e lubrificantes) para transporte do trajeto de ida e volta do trabalho da mão de obra empregada em seu processo de produção de bens ou de prestação de serviços não podem ser considerados insumos para fins de apuração de créditos da não cumulatividade da Cofins. (...) Nesse sentido, cito o Acórdão nº 9303-016.705 – CSRF/3ª TURMA: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2013 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. O dissídio jurisprudencial apto a ensejar a abertura da via recursal extrema consiste na interpretação divergente da mesma norma aplicada a fatos iguais ou semelhantes, o que implica a adoção de posicionamento distinto para a mesma matéria versada em hipóteses análogas na configuração dos fatos embasadores da questão jurídica. A dessemelhança nas circunstâncias fáticas sobre as quais se debruçam os acórdãos paragonados impede o estabelecimento de base de comparação para fins de dedução da divergência arguida. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não restam demonstrados os alegados dissídios jurisprudenciais, na medida em que o Acórdão indicado como paradigma não se debruça sobre a matéria. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano- calendário: 2013 CRÉDITOS SOBRE FRETE NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS NÃO ONERADOS. SÚMULA CARF 188. POSSIBILIDADE. CONDIÇÕES. É permitido o aproveitamento de créditos sobre as despesas com serviços de fretes na aquisição de insumos não onerados pela Contribuição para o PIS/Pasep e pela Cofins não cumulativas, desde que tais serviços, registrados de forma autônoma em relação aos insumos adquiridos, tenham sido efetivamente tributados pelas referidas contribuições. PIS/COFINS. INSUMO. TRANSPORTE DE PESSOAL. ÁREAS PRODUTIVAS. Nos termos do art. 176, §1º, inciso XXI da Instrução Normativa SRF nº 212/2022, “Consideram-se insumos, inclusive”, os ”dispêndios com contratação de pessoa jurídica para transporte da mão de obra empregada no processo de produção de bens ou de prestação de serviços.” Fl. 1130DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3003-002.767 – 3ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11065.904335/2019-89 15 PIS/COFINS. INSUMO. DESPACHANTE ADUANEIRO. IMPOSSIBILIDADE. A contratação de despachante aduaneiro é mera opção (não essencial, portanto) do contratante, que pode, caso queira, assumir por meio de seus prepostos a representação junto à Receita Federal no despacho aduaneiro, como dispõe o artigo 5° do Decreto 2.472/88 (Acórdão nº 9303-014.779). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas em relação às seguintes matérias: 1. Direito ao creditamento das contribuições sociais sobre o valor dos gastos com: frete de insumos não onerados; 2. Direito ao creditamento das contribuições sociais sobre o valor dos gastos com: transporte de colaboradores/funcionários/mão-de-obra; 3. Direito ao creditamento das contribuições sociais sobre o valor dos gastos com despachante aduaneiro, e no mérito, em dar-lhe provimento parcial, para aplicar ao caso a Súmula CARF 188, restabelecendo as glosas sobre despesas com serviços de fretes na aquisição de insumos não onerados pela Contribuição para o PIS/Pasep não cumulativo, nos casos em que não haja atendimento às condições prescritas pela Súmula: o registro de forma autônoma e a efetiva tributação do frete na aquisição; bem como restabelecer as glosas sobre as despesas com despachante aduaneiro. (Acórdão nº 9303-016.705 – CSRF/3ª TURMA, Processo nº 11065.903750/2017- 53, Sessão de 28 de março de 2025, Rel. Conselheira Denise Madalena Green). (grifou-se) Diante do exposto, dou provimento a esse capítulo recursal para reverter as glosas sobre as despesas com transporte de funcionários e colaboradores da indústria para a sede empresarial, com fulcro no inciso II, do Art. 3º, das Leis 10.833/2003 e 10.637/2002. c) vigilância e monitoramento eletrônico de depósitos: O Acórdão recorrido manteve, também, a glosa realizada sobre despesas com contratação de serviços de vigilância, por entender que os “bens e serviços empregados depois de finalizado o processo de produção ou o de prestação de serviço não são considerados insumos, salvo algumas exceções, como p. ex., itens utilizados por imposição legal”. Em contrapartida, defende a recorrente que tais serviços de vigilância são despesa necessária e inarredável para assegurar a proteção e preservação dos bens componentes do patrimônio da empresa, isso porque “os riscos inerentes à atividade industrial não se restringem apenas à deterioração e desgaste decorrente do transcurso do tempo, mas abrangem, também, as ameaças de esbulho, furto, roubo e outras ações hostis de terceiros, visto que os bens de comércio manejados e armazenados nas dependências empresariais estão permanentemente sujeitos a tentativas de apropriação ilegal”. Sem razão a recorrente nesse ponto. Fl. 1131DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3003-002.767 – 3ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11065.904335/2019-89 16 Como visto acima, quanto ao critério da essencialidade definido pelo STJ (REsp 1.221.170/PR), nas palavras da eminente Ministra Regina Helena Costa, o conceito de insumos “(...) diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço, constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço (...)”. Já o critério da relevância é identificável “(...) no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva (...) seja por imposição legal (...)”; Nesse sentido, torna-se relevante transcrever um trecho do voto da Ministra Regina Helena Costa, in verbis: (...) Nesse cenário, penso seja possível extrair das leis disciplinadoras dessas contribuições o conceito de insumo segundo os critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. (...) Demarcadas tais premissas, tem-se que o critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço, constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço, ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência. Por sua vez, a relevância, considerada como critério definidor de insumo, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva (v.g., o papel da água na fabricação de fogos de artifício difere daquele desempenhado na agroindústria), seja por imposição legal (v.g., equipamento de proteção individual - EPI), distanciando-se, nessa medida, da acepção de pertinência, caracterizada, nos termos propostos, pelo emprego da aquisição na produção ou na execução do serviço. Das transcrições dos excertos fundamentais, resta evidente e inconteste que somente podem ser considerados insumos itens relacionados com a produção de bens destinados à venda ou com a prestação de serviços a terceiros, não abarcando itens que não estejam sequer indiretamente relacionados com tais atividades. Tratando-se a recorrente de uma indústria de alimentos, restou esclarecido que somente consideraram passíveis de enquadramento no conceito de insumos dispêndios intrinsecamente relacionados com a industrialização (produção de farinhas de trigo e misturas especiais), excluindo de plano de tal conceito itens cuja utilidade não é aplicada nesta atividade, como no caso de serviços de vigilância. Fl. 1132DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3003-002.767 – 3ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11065.904335/2019-89 17 Nesse sentido, cito um trecho do Parecer Normativo Cosit/RFB nº 5/2018, relevante para o deslinde do presente feito: 69. Sem embargo, pode-se afirmar de plano que as despesas da pessoa jurídica com atividades diversas da produção de bens e da prestação de serviços não representam aquisição de insumos geradores de créditos das contribuições, como ocorre com as despesas havidas nos setores administrativo, contábil, jurídico, etc., da pessoa jurídica. Portanto, não comprovada a relação de necessidade ou importância desses gastos para o processo produtivo. Ao contrário, por sua denominação, classificam-se como despesas operacionais, não passíveis da geração de créditos da contribuição, nego provimento ao recurso nesse ponto. d) ICMS-ST na aquisição de energia elétrica; Com relação a este tópico, sustenta a recorrente sobre a possibilidade de crédito do ICMS-ST, por se tratar custo de aquisição. Cita os Convênios ICMS 83/2000, 15/2007, Convênio CONFAZ 78/2011 e Lei Complementar 87/1996. Nesse sentido, aduz que “em razão dos citados Convênios emanados pelo CONFAZ, a própria fornecedora passou a ser a contribuinte substituta do imposto estadual, de maneira que a Recorrente foi obrigada a pagar pelo ICMS-ST informado na mesma nota fiscal de fornecimento do produto, não porque o imposto estava incluído no preço, como prevê a legislação em uma operação "ordinária" de fornecimento de mercadorias, mas porque era devido em função do repasse financeiro exigido pelos Convênios entre a fornecedora e a Postulante”. Sem razão a recorrente nesse ponto. A exclusão do ICM-ST da base de cálculo da Contribuição ao PIS e da COFINS devidas pelo contribuinte substituído foi tratado pelo STJ no Tema Repetitivo 1125, com trânsito em julgado. Contudo, o caso em questão refere-se à glosa de créditos de ICMS-ST sobre as aquisições da recorrente, portanto, matéria que se encontra resolvida pelo STJ através do Tema Repetitivo 1231, cuja tese assim se firmou: 1ª) Os tributos recolhidos em substituição tributária não integram o conceito de custo de aquisição previsto no art. 13, do Decreto-Lei n. 1.598/77; 2ª) Os valores pagos pelo contribuinte substituto a título de ICMS-ST não geram, no regime não cumulativo, créditos para fins de incidência das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS devidas pelo contribuinte substituído. (grifou-se) Portanto, quando a interessada compra energia elétrica, ela não tem o direito de se creditar da parcela ICMS pago na condição de substituta tributária. A matéria já foi inclusive solucionada pela Solução de Consulta COSIT nº 557/2017: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. ICMS-ST PAGO PELO ADQUIRENTE DE ENERGIA ELÉTRICA. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 1133DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3003-002.767 – 3ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11065.904335/2019-89 18 É vedada a apuração de créditos da não cumulatividade da Cofins em relação ao valor de ICMS pago pela pessoa jurídica adquirente de energia elétrica na condição de responsável tributário pelo imposto. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. ICMS ST PAGO PELO ADQUIRENTE DE ENERGIA ELÉTRICA. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. É vedada a apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep em relação ao valor de ICMS pago pela pessoa jurídica adquirente de energia elétrica na condição de responsável tributário pelo imposto. Nesse sentido, cito precedentes deste CARF: CRÉDITO. ICMS SUBSTITUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O ICMS substituição tributária (ICMS-ST), pago pelo adquirente na condição de substituto, não integra o valor das aquisições de mercadorias para revenda, por não constituir custo de aquisição, mas uma antecipação do imposto devido pelo contribuinte substituído na operação de saída da mercadoria. (Processo nº 10882.720930/2011-10, Acórdão nº 3201-011.554, Sessão de 29 de fevereiro de 2024, Conselheiro Hélcio Lafetá Reis) ICMS. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. CRÉDITO. NÃO CUMULATIVIDADE. IMPOSSIBILIDADE. É incabível a apuração de crédito da Cofins não-cumulativa, pelo substituído, em relação ao valor do ICMS-ST recolhido pelo substituto tributário. (Processo nº 10280.721287/2012-10, Acórdão nº 3201-009.387, Sessão de 26 de novembro de 2021, Conselheiro Arnaldo Diefenthaeler Dornelles) Inclusive, a matéria já se encontra sumulada neste CARF: SÚMULA CARF Nº 224 Aprovada pela 3ª Turma da CSRF em sessão de 26/08/2025 – vigência em 01/09/2025 Para efeito de apuração de crédito no âmbito do regime da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, somente será considerada a energia elétrica efetivamente consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica, não se enquadrando nesse conceito outras despesas como a Contribuição para o Custeio da Iluminação Pública (COSIP) ou a demanda contratada. Acórdãos Precedentes: 9303-014.155, 9303-015.234, 9303-015.264, 9303- 006.627, 9303-014.981, 9303-015.151. Conclui-se, portanto, pela correção das glosas efetuadas no âmbito desse item. Fl. 1134DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3003-002.767 – 3ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11065.904335/2019-89 19 e) frete na aquisição de trigo em grãos é produto sujeito à alíquota 0 (zero) das contribuições sociais: A respeito a possibilidade de tomada de créditos básicos das contribuições sociais (PIS/COFINS) não cumulativas em relação aos custos com fretes na aquisição de trigo em grãos e farinha de trigo sujeitos à alíquota 0 (zero), adquiridos de pessoas jurídicas dentro do território nacional, glosados pela Autoridade Fiscal e mantidos pela decisão recorrida, sob o fundamento de que “o valor do crédito gerado pela despesa com frete na compra tem a mesma natureza e segue a mesma sistemática de cálculo do crédito gerado pelo bem cujo custo ele compôs, quanto a se tratar de crédito básico ou presumido”. Por outro lado, defende a recorrente que “contrariamente ao que é afirmado no Acórdão, as despesas realizadas com frete na aquisição de trigo em grãos e farinha de trigo são absolutamente autônomas e não se confundem com a despesa na compra do produto em si. Vale dizer, não há qualquer determinação legal para que as despesas relacionadas à compra do insumo devam ser consideradas, para fins de apuração de crédito das contribuições sociais, como parte do insumo”. A questão ora debatida já foi objeto de Súmula, no âmbito deste Tribunal Administrativo, aprovada por esta 3ª Turma da CSRF, em sessão de 20/06/2024, cuja vigência se deu a partir de 27/06/2024, in verbis: Súmula CARF nº 188 Aprovada pela 3ª Turma da CSRF em sessão de 20/06/2024 – vigência em 27/06/2024 É permitido o aproveitamento de créditos sobre as despesas com serviços de fretes na aquisição de insumos não onerados pela Contribuição para o PIS/Pasep e pela Cofins não cumulativas, desde que tais serviços, registrados de forma autônoma em relação aos insumos adquiridos, tenham sido efetivamente tributados pelas referidas contribuições. Acórdãos Precedentes: 9303-014.478; 9303-014.428; 9303-014.348 O que se conclui é que embora o frete esteja relacionado com o transporte de insumo com isenção, suspenção ou alíquota zero, este representa um gasto incorrido pelos contribuintes para o transporte de um produto que representa um insumo, isto é, produto essencial de seu processo produtivo, e que uma vez sujeito a tributação do PIS e da COFINS, deve ser afastada a aplicação do art. 3º, § 2º, II da Lei nº 10.833/2003. Oportuno ressaltar nesse ponto, que para que o frete de aquisição, efetivamente, possa ser computado de forma apartada do bem adquirido, seu custo deve vir em nota autônoma, sendo contabilizado de forma a aclarar que não está abrangido pelo tratamento conferido ao insumo transportado. No entanto, esses elementos nem sempre restam claros no processo, e que devem ser checados pela unidade da RFB responsável pela execução do decidido por este tribunal administrativo, para se evitar o creditamento em situações vedadas pela legislação (por exemplo, Fl. 1135DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3003-002.767 – 3ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11065.904335/2019-89 20 a descrita no inciso II do § 2º do art. 3º da Lei 10.833/2003: “(...) aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição”. Ou a geração de crédito básico para situações que não foram tributadas na etapa anterior. Em outras palavras, se de um lado se busca evitar a obtenção indevida de crédito básico da não-cumulatividade por operação que não tenha efetivamente sido tributada (ou de outra forma desonerado), do outro lado se busca preservar o cerceamento do direito de crédito básico da não-cumulatividade em operações efetivamente tributadas ou que não tenha incidido nas vedações legais à tomada de crédito. Portanto, legítima a tomada de créditos básicos sobre os fretes, desde que tenham sido efetivamente tributados (com alíquota diferente de zero, e que não tenham sido de outra forma desonerados), registrados de forma autônoma, e se refiram a aquisição de insumos não onerados, pelo que, nestas circunstâncias, cabe o provimento parcial ao apelo fazendário, para que sejam mantidas as glosas apenas nos casos que não se enquadrem nos condicionais aqui descritos (registro autônomo e efetiva tributação do frete). Assim, voto pelo provimento parcial do recurso nesse ponto, aplicando ao caso a Súmula CARF 188. f) frete de produtos acabados entre estabelecimentos: No que tange as despesas de fretes referentes a “transferências de produção entre estabelecimentos; remessas para depósitos ou armazéns; devoluções de vendas de mercadorias; devoluções de compras para comercialização e industrialização; remessas em bonificação, doação ou brinde; devoluções de vasilhame ou sacaria; e remessas de vasilhame ou sacaria”, tomados com base no inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 (Cofins) e inciso II do art. 15 do mesmo diploma legal (PIS/Pasep), foram glosados por não se tratar de frete na operação de venda. Em contrapartida, defende a recorrente: Consoante se verifica do seu estatuto social, a Recorrente se dedica à industrialização e à comercialização de gêneros alimentícios, em especial de farinha de trigo. Trata-se de empresa com atuação em todo o território nacional. Nesse contexto, por questões de logística, a Recorrente necessita transferir produtos entre seus estabelecimentos, para armazéns e depósitos, bem como arcar com o transporte de remessas e devoluções de vasilhame ou sacaria. Ademais, por questões legais e comerciais, a empresa necessita, igualmente, arcar com o transporte concernente às devoluções de mercadorias e às remessas de bonificações, doações ou brindes. Dessa feita, considerando que os fretes em questão são indispensáveis ao exercício da atividade econômica da Recorrente, os mesmos dão ensejo ao crédito. A respeito de tal ponto, cumpre ressaltar que o frete entre as unidades se faz necessário como custo inserido na logística de movimentação dos produtos produzidos pela atividade industrial. Trata-se de etapa inerente ao processo de Fl. 1136DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3003-002.767 – 3ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11065.904335/2019-89 21 venda, eis que, por razões óbvias, a mercadoria precisa ser levada aos locais devidos para dar-lhe o processamento adequado. Tais despesas são adicionadas ao custo de produção, configurando insumo. No que tange ao frete na transferência de produtos entre estabelecimentos, deve ser aplicada a Súmula CARF nº 217, in verbis: Súmula CARF nº 217 Aprovada pela 3ª Turma da CSRF em sessão de 26/09/2024 – vigência em 04/10/2024 Os gastos com fretes relativos ao transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa não geram créditos de Contribuição para o PIS/Pasep e de Cofins não cumulativas. Acórdãos Precedentes: 9303-014.190; 9303-014.428; 9303-015.015. Ainda, em relação aos demais fretes (devoluções de vendas de mercadorias; devoluções de compras para comercialização e industrialização; remessas em bonificação, doação ou brinde; devoluções de vasilhame ou sacaria; e remessas de vasilhame ou sacaria), e seu enquadramento no inciso IX do mesmo artigo 3º da Lei nº 10.833/2003 (frete na operação de venda), também aplicável à Contribuição para o PIS/Pasep, conforme art. 15, II, da mesma lei, alega-se que estes fretes seriam parte da “operação de venda”, contudo, a jurisprudência dominante do STJ (tão dominante que as decisões passaram a ser monocráticas) é no sentido oposto, interpretando-se que o “não se reconhece o direito de creditamento de despesas de frete relacionadas às transferências internas das mercadorias para estabelecimentos da mesma empresa, por não estarem intrinsecamente ligadas às operações de venda ou revenda, à luz da legislação federal de regência”, conforme REsp nº 1.745.345/RJ: Trata-se de Recurso Especial, interposto ... contra acórdão do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, assim ementado: (...) No mais, verifico que o entendimento do Tribunal de origem está em conformidade com a jurisprudência deste Superior Tribunal de Justiça, no sentido de que não se reconhece o direito de creditamento de despesas de frete relacionadas às transferências internas das mercadorias para estabelecimentos da mesma empresa, por não estarem intrinsecamente ligadas às operações de venda ou revenda, à luz da legislação federal de regência. Nesse sentido: "PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO. ENUNCIADO ADMINISTRATIVO Nº 3 DO STJ. DESPESAS DE FRETE. TRANSFERÊNCIA INTERNA DE MERCADORIAS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. CONCLUSÕES FÁTICOS DO ACÓRDÃO RECORRIDO. REEXAME. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 7/STJ. Fl. 1137DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3003-002.767 – 3ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11065.904335/2019-89 22 (...) 2. Em casos que tais, esta Corte já definiu que as despesas de frete somente geram crédito quando suportadas pelo vendedor nas hipóteses de venda ou revenda. Não se reconhece o direito de creditamento de despesas de frete relacionadas às transferências internas das mercadorias para estabelecimentos da mesma empresa, por não estarem intrinsecamente ligadas às operações de venda ou revenda. Nesse sentido: AgRg nº REsp 1.386.141/AL, Rel. Ministro Olindo Menezes (desembargador Convocado do TRF 1ª Região), Primeira Turma, DJe 14/12/2015; AgRg no REsp 1.515.478/RS, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 30/06/2015. 3. Agravo interno não provido" (STJ, AgInt no AgInt no REsp 1.763.878/RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, DJe de 1º/03/2019)”. "TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. LEIS NºS 10.637/02 E 10.833/03. REGIME DA NÃO- CUMULATIVIDADE. DESPESAS DE FRETE RELACIONADAS A TRANSFERÊNCIAS INTERNAS DE MERCADORIAS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. 1. O direito ao creditamento na apuração da base de cálculo do PIS e da COFINS, nos termos das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, decorre da utilização de insumo que se incorpora ao produto final, e desde que vinculado ao desempenho da atividade empresarial. 2. As despesas de frete somente geram crédito quando suportadas pelo vendedor nas hipóteses de venda ou revenda. Não se reconhece o direito de creditamento de despesas de frete relacionadas às transferências internas das mercadorias para estabelecimentos da mesma empresa, por não estarem intrinsecamente ligadas às operações de venda ou revenda. Precedentes. (...) 4. Agravo regimental desprovido" (STJ, AgRg no REsp 1.386.141/AL, Rel. Ministro OLINDO MENEZES (DESEMBARGADOR CONVOCADO DO TRF 1ª REGIÃO), PRIMEIRA TURMA, DJe de 14/12/2015). "TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. DESPESAS DE FRETE RELACIONADAS À TRANSFERÊNCIA INTERNA DE MERCADORIAS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA EMPRESA. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. 1. Controverte-se sobre a possibilidade de utilização das despesas de frete, relacionadas à transferência de mercadorias entre estabelecimentos componentes da mesma empresa, como crédito dedutível na apuração da base de cálculo das contribuições à Cofins e ao PIS, nos termos das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003. (...) Fl. 1138DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3003-002.767 – 3ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11065.904335/2019-89 23 3. O direito ao crédito decorre da utilização de insumo que esteja vinculado ao desempenho da atividade empresarial. As despesas de frete somente geram crédito quando relacionadas à operação de venda e, ainda assim, desde que sejam suportadas pelo contribuinte vendedor. 4. Inexiste, portanto, direito ao creditamento de despesas concernentes às operações de transferência interna das mercadorias entre estabelecimentos de uma única sociedade empresarial. 5. Recurso Especial não provido" (STJ, REsp 1.147.902/RS, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, DJe de 06/04/2010). "TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. PIS E COFINS. LEIS 10.637/2002 E 10.833/2003. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. DESPESAS DE FRETE. TRANSFERÊNCIA INTERNA DE MERCADORIAS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INTERPRETAÇÃO LITERAL. 1. Consoante decidiu esta Turma, "as despesas de frete somente geram crédito quando relacionadas à operação de venda e, ainda assim, desde que sejam suportadas pelo contribuinte vendedor". Precedente. 2. O frete devido em razão das operações de transportes de produtos acabados entre estabelecimento da mesma empresa, por não caracterizar uma operação de venda, não gera direito ao creditamento. (...) 4. Agravo regimental não provido" (STJ, AgRg no REsp 1.335.014/CE, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, DJe de 08/02/2013)”. Destarte, estando o acórdão recorrido em sintonia com o entendimento dominante desta Corte, aplica-se, ao caso, o entendimento consolidado na Súmula 568 desta Corte, in verbis: "O relator, monocraticamente e no Superior Tribunal de Justiça, poderá dar ou negar provimento ao recurso quando houver entendimento dominante acerca do tema". Por fim, quanto ao suscitado dissenso jurisprudencial, incide o óbice da Súmula 83/STJ, que dispõe: "Não se conhece do recurso especial pela divergência, quando a orientação do Tribunal se firmou no mesmo sentido da decisão recorrida". Ante o exposto, com fundamento no art. 255, § 4º, I e II, do RISTJ, conheço parcialmente do Recurso Especial e, nessa parte, nego-lhe provimento. MINISTRA ASSUSETE MAGALHÃES Relatora (grifou-se) À vista do exposto, nego provimento a esse capítulo recursal. g) despesas com locação de imóveis, máquinas e equipamentos: Aduz a contribuinte em seu recurso: Fl. 1139DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3003-002.767 – 3ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11065.904335/2019-89 24 Acórdão recorrido manteve, também, a glosa de créditos decorrentes de despesas com locação de imóveis, alegando se tratar de pagamentos com cota condominial, os quais não se enquadrariam como dispêndio com aluguel propriamente dito, sendo excluídos da permissão insculpida nas leis 10.637 e 10.833, art. 3º, IV. No entanto, tem-se que todas as despesas são, sim, ensejadoras do direito de crédito. Isso porque a legislação estipula claramente que “alugueis de prédios” geram direito de credito. O que não se pode esquecer, a respeito disso é que a despesa “aluguel” abrange tudo quanto for inerente ou acessório à contratação do aluguel em si. Veja-se que a locação é um instituto do Direito Civil, que nasce a partir de instrumento firmado por particulares, em que o locador estipula livremente o preço e os encargos que bem entender, e o locatário, se assim desejar, aceita tais termos, ou não, tendo a liberdade de propor configuração negocial diversa ou simplesmente não firmar o acordo. Nada estipula, por exemplo, a obrigatoriedade de repasse de custos de IPTU ao locatário, mas é uma cláusula livremente pactuada que compõe o preço do aluguel caso seja aceita. Nesse sentido, é a grandeza “preço do aluguel” com todos os seus encargos, que é a base do direito de crédito previsto no art. 3º, IV, das Leis 10.637 e 10.833, e não apenas o valor estrito especificamente a título de remuneração pela cessão da posse do bem. Isso inclui, portanto, a cota condominial, na eventualidade dela compor parte do preço da remuneração do locatário ao locador (como no caso concreto), visto que, por pactuação dos contratantes, ela integra o valor desembolsado pelo locatário pela cessão de posse e uso do imóvel. (...) Também foram mantidas as glosas decorrentes de despesas com locação de máquinas e equipamentos pertinentes ao recebimento do trigo no porto (gruas, guindastes, empilhadeiras, entre outros), conforme fica claro pela mera leitura da razão social das empresas Locadoras. A DRJ analisando os documentos juntados pela recorrente em sua Manifestação de Inconformidade, assim fundamentou sua decisão: A autoridade fiscal informa que: 101. Conforme informações prestadas pela interessada, em atendimento ao Termo de Intimação supracitado, e documentação apresentada (anexos 5 a 5.12), verificou-se que, parte dos dispêndios informados na EFD como sendo aluguéis de prédios, contratados junto ao participante Imobiliária Comerlato, CNPJ nº 88.096.136/0001-98, diz respeito a pagamento de taxa condominial, IPTU, taxa bancária, que não se confundem com as despesas de aluguel do imóvel utilizado para as atividades da empresa. 118. Cota condominial, ou também denominada genericamente taxa condominial, refere-se ao rateio das despesas condominiais entre condôminos, usualmente devidas pelo proprietário do imóvel. Por força de disposição Fl. 1140DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3003-002.767 – 3ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11065.904335/2019-89 25 contratual, a responsabilidade pelo pagamento da cota condominial pode ser transferida ao locatário do imóvel. A manifestante alega que: Nesse sentido, é a grandeza “preço do aluguel” com todos os seus encargos, que é a base do direito de crédito previsto no art. 3º, IV, das Leis 10.637 e 10.833, e não apenas o valor estrito especificamente a título de remuneração pela cessão da posse do bem. Isso inclui, portanto, a cota condominial, na eventualidade dela compor parte do preço da remuneração do locatário ao locador (como no caso concreto), visto que, por pactuação dos contratantes, ela integra o valor desembolsado pelo locatário pela cessão de posse e uso do imóvel. Os incisos IV dos artigos 3º das Leis nº 10.833/03 e 10.637/02 assim dispõe: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) IV - aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; Como dito alhures, as regras que versam sobre o crédito do PIS/Pasep e da Cofins não cumulativa, pela natureza exoneratória, representam uma exceção à regra geral de tributação devendo ser interpretadas de modo literal. Assim, despesas como taxa condominial, IPTU e outras não podem se equiparar a despesa de aluguéis e portanto, não geram o crédito pretendido. Ademais, a Coordenação-Geral de Tributação também já se pronunciou, através da Solução de Consulta nº 248 - Cosit, de 20 de agosto de 2019, assim ementada Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins (...) CRÉDITO. ALUGUÉIS DE PRÉDIOS. INCLUSÃO DA COTA CONDOMINIAL. IMPOSSIBILIDADE. No regime de apuração não cumulativa da Cofins, o crédito relativo a aluguéis de prédios não inclui os dispêndios suportados pelo locatário em decorrência da locação do imóvel, tal como a cota condominial. SOLUÇÃO DE CONSULTA PARCIALMENTE VINCULADA À SOLUÇÃO DE CONSULTA COSIT Nº 647, DE 27 DE DEZEMBRO DE 2017. Dispositivos Legais: Art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003; Parecer Normativo Cosit/RFB nº 5, de 2018. Em que pese a alegação da manifestante de que “trata-se, em todos os casos, de alugueis de máquinas pertinentes ao recebimento do trigo no porto (gruas, guindastes, empilhadeiras, entre outros), conforme fica claro pela mera leitura da Fl. 1141DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3003-002.767 – 3ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11065.904335/2019-89 26 razão social das empresas Locadoras (EQUIPORTO SOLUÇÕES E EQUIP PORTUÁRIOS LT, SL LOGÍSTICA LTDA – ME e DATA OPERAÇÕES PORTUÁRIAS)”, não encontramos glosas de despesas com aluguel de máquinas e equipamentos. Assim, as glosas nestes tópicos devem ser mantidas. No recurso a interessada se limita a repetir as mesmas alegações postas em sua defesa inicial, sem contrapor as constatações realizadas pela decisão recorrida. Com efeito, como se sabe, nos pedidos de compensação ou de restituição, como o presente, o ônus de comprovar o crédito postulado permanece a cargo do contribuinte, a quem incumbe a demonstração do preenchimento dos requisitos necessários para a compensação, pois "(...) o ônus da prova recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato3", postura consentânea com o art. 36 da Lei nº 9.784/19994, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal. No mesmo sentido é a regra basilar extraída no inciso I do art. 373 do CPC. Tal é o entendimento da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), em decisão consubstanciada no acórdão de nº 9303-005.226, nos seguintes termos: "...o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar é do contribuinte. O papel do julgador é, verificando estar minimamente comprovado nos autos o pleito do Sujeito Passivo, solicitar documentos complementares que possam formar a sua convicção, mas isso, repita-se, de forma subsidiária à atividade probatória já desempenhada pelo contribuinte. Não pode o julgador administrativo atuar na produção de provas no processo, quando o interessado, no caso, a Contribuinte não demonstra sequer indícios de prova documental, mas somente alegações." Por tudo que nos autos consta e pelas razões aqui expostas, entendo que andou bem a instância primeira, a qual não foi contraditada pela interessada, razão pela qual, deve ser mantida na sua integralidade. h) materiais de consumo - ferramentas: Em relação a tais dispêndios, foram glosados por não compor a base de cálculo dos créditos das contribuições em comento visto que não se enquadram como insumo. Em contrapartida, aduz a recorrente que “tais equipamentos, devidamente identificados no anexo n. 05 ao Despacho Decisório, são ferramentas usuais empregadas no conserto, manutenção, benfeitoria e melhoramentos do maquinário, veículos de carga, aparelhos industriais e instalações físicas da empresa”. 3 CINTRA, Antonio Carlos de Araújo; GRINOVER, Ada Pellegrini; e DINAMARCO, Cândido Rangel. Teoria geral do processo. São Paulo: Malheiros Editores, 26ª edição, 2010, p. 380. 4 Lei nº 9.784/1999 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Fl. 1142DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3003-002.767 – 3ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11065.904335/2019-89 27 Compulsando os autos, mais precisamente às fls.407/412, a interessada trouxe a relação, que consiste, dentre outros, despesas com partes e peças de reposição, bem como, ferramentas, dentre as quais tem-se: Disco de Corte BNA12 115 X 1,0 X 22,2 3mm, Fita Teflon Armalon S/Ad 6Mm X 10M; Lixa Ferro Nº10º, Jogo de brocas de 1,5 a 16 mm, Escada Extensiva 2,73 x 4,20, parafuso auto brocante 1/4 x 7/8, Broca Aço Rápido 3/16, Feltro Enbco 8x8x5000 Den.0,3, Lâmpada 26w/840 base G24q, Fita Crepe 18mmX50m. Diversamente do que entendeu a decisão recorrida, a meu ver, tais componentes de máquinas e equipamentos utilizados na área industrial são essenciais e relevantes para o processo produtivo da recorrente, subsumindo-se ao conceito de insumos no âmbito do PIS/COFINS não cumulativos. Na linha de tal entendimento, cito o Acórdão nº 9303-016.312 – CSRF/3ª TURMA, julgado em 10/12/2024, in verbis: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 CONCEITO DE INSUMO PARA FINS DE APURAÇÃO DE CRÉDITOS DA NÃOCUMULATIVIDADE. OBSERVÂNCIA DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU DA RELEVÂNCIA. Conforme decidido pelo Superior Tribunal de Justiça no julgamento do Recurso Especial nº 1.221.170/PR, interpretado pelo Parecer Normativo Cosit/RFB nº 05/2018, o conceito de insumo para fins de apuração de créditos da não- cumulatividade deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda. DESPESAS DA FASE AGRÍCOLA. INSUMO DO INSUMO. CREDITAMENTO. POSSIBILIDADE. SÚMULA CARF nº 189. Os gastos com insumos da fase agrícola, denominados de “insumos do insumo”, permitem o direito ao crédito relativo à Contribuição para o PIS/Cofins não cumulativos. EMBALAGENS PARA TRANSPORTE. CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. Fl. 1143DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3003-002.767 – 3ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11065.904335/2019-89 28 As despesas incorridas com materiais de embalagens para proteção e conservação da integridade de produtos durante o transporte enquadram-se no conceito de insumos fixado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), nº julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, ensejando o direito à tomada do crédito das contribuições sociais não cumulativas. FRETES DE PRODUTOS ACABADOS. ESTABELECIMENTOS DO PRÓPRIO CONTRIBUINTE. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF nº 217. Os gastos com fretes relativos ao transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa não geram créditos de Contribuição para o PIS/Pasep e de Cofins não cumulativos. DESPESAS COM SERVIÇOS PORTUÁRIOS DIVERSOS. NÃO SUBSUNÇÃO AO CONCEITO DE INSUMOS. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL PARA CREDITAMENTO. Despesas portuárias – entre as quais, capatazia, estiva, movimentação de cargas, etc. - não se subsomem ao conceito de insumos para fins de creditamento das contribuições não-cumulativas, uma vez que tais gastos, inconfundíveis com os gastos com frete e armazenagem nas operações de comercialização - para os quais, há expressa previsão normativa para seu creditamento -, são atinentes a serviços ocorridos após o fim do ciclo de produção, não gerando, portanto, direito a crédito. ARRENDAMENTO AGRÍCOLA PAGO A PESSOA JURÍDICA. DIREITO AO CRÉDITO. Aplica-se também ao arrendamento de imóvel rural, prédio rústico, o direito ao crédito sobre aluguéis de prédios pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa, previsto no Inciso IV do art. 3º da Lei nº 10.833/2003. (...) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, apenas no que se refere a embalagens de transporte interno, para, no mérito, por unanimidade de votos, negar-lhe provimento. Acordam ainda os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do Recurso Especial oposto pelo Contribuinte, apenas no que se refere a despesas com arrendamento agrícola, despesas com partes e peças de peças de reposição (restritas a pinos, ferramentas, arruelas, acoplamentos, anéis, buchas, correias, correntes, cordas, cotovelos, discos, escovas, fitas isolantes, gaxetas, lixas, mancais, mangueiras, manômetros, niples, porcas, parafusos, retentores, rolamentos, válvulas), e a despesas portuárias, para, no mérito, dar-lhe parcial provimento, por unanimidade de votos, no que se refere a despesas com arrendamento agrícola, e despesas com partes e peças de peças de reposição, restritas a pinos, ferramentas, arruelas, acoplamentos, anéis, buchas, correias, correntes, cordas, cotovelos, discos, escovas, fitas isolantes, gaxetas, lixas, mancais, mangueiras, Fl. 1144DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3003-002.767 – 3ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11065.904335/2019-89 29 manômetros, niples, porcas, parafusos, retentores, rolamentos, válvulas. A Conselheira Tatiana Josefovicz Belisario votou por dar provimento parcial em maior extensão abrangendo despesas portuárias, na condição de despesas com armazenagem. Portanto, dou provimento ao recurso nesse ponto, para reverter as glosas em relação as despesas com partes e peças de reposição e ferramentas relacionadas na planilha acostada às fls. 407/412. i) aplicação da alíquota zero para as receitas oriundas de vendas dos produtos “Mistura Lux Maxi Pão Doce” e “Mistura Lux Maxi Pão Integral” (NCM-TIPI 1901.20.00): A fiscalização entendeu que as vendas dos produtos Mistura Lux Maxi Pão Doce 25Kg e Mistura Lux Maxi Pão Integral 25Kg foram indevidamente tributadas à alíquota zero das contribuições em ao PIS/Pasep e à Cofins e informa que: “Dessa forma, as saídas dessas mercadorias realizadas indevidamente pelo CST 6 – alíquota zero, serão somadas à base de cálculo das demais receitas realizadas com o código CST 01 – tributadas ad valorem. Assim, a base de cálculo acrescida às saídas tributadas e as contribuições devidas serão ajustadas nos saldos a ressarcir nos períodos a que se referem”. Já no julgamento da decisão de primeira instância, entendeu-se que “dentre as diversas NCM’s que podem ser enquadradas como pão a redução à zero das alíquotas atingiu somente aquelas classificadas nos códigos 1901.20.00 Ex 01 (Pré-misturas próprias para fabricação de pão do tipo comum) e 1905.90.90 Ex 01 (Pão do tipo comum). O item 2 da Exposição de motivos da Medida Provisória nº 433/2008 (convertida na Lei nº 116787/2008) esclarece que “Entende-se por ‘pão comum' o produto alimentício, obtido pela cocção de preparo contendo apenas farinha de trigo, fermento biológico, água, sal e/ou açúcar””. Concluiu “correto a inclusão das receitas referentes às vendas dos produtos Mistura Lux Maxi Pão Doce 25Kg e Mistura Lux Maxi Pão Integral 25Kg na base de cálculo das contribuições”. Em relação a este tópico, defende a recorrente que “ao produzir e comercializar os produtos “Mistura Lux Maxi Pão Doce” e “Mistura Lux Maxi Pão Integral”, classifica-os na NCM TIPI 1901.2000, razão pela qual aplica a alíquota zero sobre as receitas de tais operações”. O produto em questão tem a seguinte composição: Fl. 1145DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3003-002.767 – 3ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11065.904335/2019-89 30 Sem razão a recorrente nesse ponto. A classificação fiscal de pré-mistura para pão foi objeto de análise pela Receita Federal do Brasil por meio da Solução de Consulta nº 98.272/2018 – Cosit. O documento traz importantes esclarecimentos sobre o enquadramento tributário desse tipo de preparação alimentícia na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) e na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI). Vejamos: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Código NCM: 1901.20.00, sem enquadramento no Ex 01 da TIPI Ementa: Pré-mistura própria para a fabricação de pão tipo forma, contendo farinha de trigo (90% em peso), açúcar, sal, farinha de soja, leite, emulsificantes, antioxidantes e outros ingredientes, apresentada na forma de pó, acondicionada em embalagens com capacidades de 1 kg a 50 kg. Dispositivos Legais: RGI 1 e RGI 6 da NCM/SH constante da TEC, aprovada pela Resolução Camex nº 125, de 2016, e da Tipi, aprovada pelo Decreto n.º 8.950, de 2016, com alterações posteriores, e em subsídios extraídos das Nesh, aprovadas pelo Decreto nº 435, de 1992, e atualizadas pela IN RFB nº1.788, de 2018. (...) Identificação da Mercadoria: 2. De acordo com as informações obtidas, o produto sob classificação trata-se de uma pré-mistura própria para fabricação de pão do tipo "forma", constituída de farinha de trigo, sal, açúcar e melhorador de farinha (contendo soja e leite), sal, açúcar, apresentada em sacos de 1, 5, 25 ou 50 kg. Classificação da Mercadoria: 3. A classificação fiscal de mercadorias fundamenta-se, conforme o caso, nas Regras Gerais para a Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI/SH) da Convenção Internacional sobre o Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias, nas Regras Gerais Complementares do Mercosul (RGC/NCM), nas Regras Gerais Complementares da Tipi (RGC/Tipi), nos pareceres Fl. 1146DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3003-002.767 – 3ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11065.904335/2019-89 31 de classificação do Comitê do Sistema Harmonizado da Organização Mundial das Aduanas (OMA) e nos ditames do Mercosul, e, subsidiariamente, nas Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (Nesh). 4. A RGI 1 dispõe que os títulos das Seções, Capítulos e Subcapítulos têm apenas valor indicativo. Para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e notas, pelas RGI 2 a 6. 5. Dessa forma, com base na RGI 1, cabe-nos analisar sua classificação na posição 19.01, que abrange, entre outros produtos, as “preparações alimentícias de farinhas, grumos, sêmolas, amidos, féculas ou de extratos de malte, que não contenham cacau”. 6. As Nesh da posição 19.01 esclarecem que as preparações alimentícias de farinhas desta posição são preparações onde a farinha confere a característica essencial ao produto e a adição de outras substâncias tais como açúcar, soja, leite, gorduras e glúten é permitida. Nesh – Posição 19.01 [...] II. Preparações alimentícias de farinhas, grumos, sêmolas, amidos, féculas ou de extratos de malte, não contendo cacau ou contendo-o numa proporção inferior a 40%, em peso, calculado sobre uma base totalmente desengordurada, não especificadas nem compreendidas em outras posições. Esta posição compreende um conjunto de preparações alimentícias, à base de farinhas, grumos, sêmolas, amidos, féculas ou de extratos de malte, cuja característica essencial provenha destes constituintes, quer eles predominem ou não em peso ou em volume. A estes diversos componentes principais podem adicionar-se outras substâncias, tais como leite, açúcar, ovos, caseína, albumina, gorduras, óleos, aromatizantes, glúten, corantes, vitaminas, fruta ou outras substâncias destinadas a aumentar-lhes as propriedades dietéticas, ou cacau desde que neste último caso, o teor em peso de cacau seja inferior a 40% calculado sobre uma base totalmente desengordurada (ver as Considerações Gerais do presente Capítulo). 7. Dessa forma, tendo em vista que a farinha de trigo é a que confere a característica essencial ao produto sob consulta e que os demais insumos são permitidos, com base na RG 1, confirma-se a classificação do produto, citado na segunda parte do texto, na posição 19.01 - Extratos de malte; preparações alimentícias de farinhas, grumos, sêmolas, amidos, féculas ou de extratos de malte, que não contenham cacau ou que contenham menos de 40 %, em peso, Fl. 1147DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3003-002.767 – 3ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11065.904335/2019-89 32 de cacau, calculado sobre uma base totalmente desengordurada, não especificadas nem compreendidas noutras posições; 8. Parte-se, agora, por aplicação da RGI 6, para identificação da subposição correspondente: 1901.10 - Preparações para alimentação de crianças, acondicionadas para venda a retalho 1901.20 - Misturas e pastas para a preparação de produtos de padaria, pastelaria e da indústria de bolachas e biscoitos, da posição 19.05 1901.90 - Outros 9. Sendo uma mistura para preparação de produtos de padaria da posição 19.05, o produto classifica-se na subposição 1901.20. Não havendo desdobramento regional em item ou subitem, o produto classifica-se no código 1901.20.00. 10. Quanto ao enquadramento no Ex 01 – “Pré-misturas próprias para fabricação de pão do tipo comum” do código 1901.20.00 da Tipi, pleiteado pela consulente, faz-se necessário compreender a abrangência da designação “Pão do tipo comum” utilizada pelo legislador pátrio na criação deste Ex. Para tanto recorre-se à Exposição de Motivos EMI nº 00074/2008 – MF/MT, de 16 de maio de 2008, que acompanhou a Medida Provisória nº 433, de 27 de maio de 2008, convertida na Lei nº 11.787, de 25 de setembro de 2008, onde consta, em seu parágrafo 2°, a seguinte definição: “...Entende-se por “pão comum” o produto alimentício, obtido pela cocção de preparo contendo apenas farinha de trigo, fermento biológico, água, sal e/ou açúcar.” (grifou-se) 11. Desta forma, considerando que o Ex 01 do código de classificação NCM 1901.20.00 foi criado para possibilitar a concessão do benefício fiscal para a pré- mistura destinada a fabricação do pão comum (instituído originalmente pela MP 433, de mesma data do Decreto n° 6.465, de 27 de maio de 2008, decreto este responsável pela criação do referido Ex), a qualificação do produto alimentício como tal, presente na Exposição de Motivos da MP n° 433, de 2008, se torna de total relevância; afinal foi para isso que o “Ex” foi instituído e, portanto, deve ser considerado nos estritos termos da legislação que ensejou a sua criação. 12. Assim, analisando-se os ingredientes do produto objeto da consulta, constata-se que o mesmo não se caracteriza como “Pré-misturas próprias para fabricação de pão do tipo comum”, já que sua composição utiliza outros ingredientes além dos permitidos para a classificação no referido ex-tarifário, tais como soja e leite; portanto, o produto não se enquadra no Ex 01 do código NCM 1901.20.00 da Tipi. 13. Cabe informar que as soluções de consulta nº 285/2015 e 286/2015, citadas pela consulente, como embasamento a sua demanda de classificação do produto no Ex da TIPI, não pode servir de paradigma à presente análise face o melhorador Fl. 1148DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3003-002.767 – 3ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11065.904335/2019-89 33 de farinha, utilizado na preparação dos produtos objetos daquelas soluções, é um aditivo para a preparação de pães, composto de reforçador de glúten, geralmente ácido ascórbico, enzimas e emulsificante, diferentemente do melhorador de farinha utilizado no produto objeto do presente que, conforme informado pela consulente em resposta à intimação fiscal supra, também contém soja e leite, o que o excluí do Ex pleiteado. Conclusão 14. Com base nas Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado RGI 1(texto da posição 19.01) e RGI 6 (texto da subposição 1901.20) da NCM/SH constante da Tarifa Externa Comum (TEC), aprovada pela Resolução Camex n.º 125, de 2016, e da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (Tipi), aprovada pelo Decreto n.º 8.950, de 2016, e ainda em subsídios extraídos das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (Nesh), aprovadas pelo Decreto nº 435, de 1992, e atualizadas pela Instrução Normativa (IN) RFB nº 1.788, de 2018, o produto objeto da consulta formulada nestes autos classifica-se no código da NCM 1901.20.00, sem enquadramento no Ex 01 da Tipi para o mesmo código. (grifou-se) A recorrente pretende obter o enquadramento do produto no Ex 01 do código 1901.20.00 da TIPI, que se refere às “pré-misturas próprias para fabricação de pão do tipo comum”, o que resultaria em benefícios fiscais significativos. No entanto, um elemento determinante para a não concessão do benefício do Ex 01 foi a composição do “melhorador de farinha” presente na pré-mistura analisada (farinha de soja, enzimas, excipientes – que pode ser outros tipos de farinha). Esses ingredientes adicionais descaracterizaram a preparação como uma “pré-mistura própria para fabricação de pão do tipo comum”, impedindo seu enquadramento no Ex 01 do código 1901.20.00 da TIPI. A classificação fiscal de pré-mistura para pão doce, também foi objeto de análise pela Receita Federal do Brasil por meio da Solução de Consulta Cosit nº 98.400/2018, in verbis: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Código NCM: 1901.20.00 - sem enquadramento no Ex 01 da Tipi Mercadoria: Preparação alimentícia de farinha de trigo, melhorador de farinha, sal e açúcar, que constitui pré-mistura para fabricação de massa para pão do tipo massa doce, mediante a adição de água e fermento e homogeneização. Dispositivos Legais: RGI 1 e RGI 6 da TEC, aprovada pela Resolução Camex nº 125, de 2016, e da Tipi, aprovada pelo Dec. nº 8.950, de 2016, e subsídios extraídos das Nesh, aprovadas pelo Dec. nº 435, de 1992, e atualizadas pela IN RFB nº 1.788, de 2018. (...) 9. No Capítulo 19, a posição 19.01, em conformidade com a RGI 11 , alcança o produto em questão, conforme texto a seguir reproduzido: Fl. 1149DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3003-002.767 – 3ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11065.904335/2019-89 34 19.01 Extratos de malte; preparações alimentícias de farinhas, grumos, sêmolas, amidos, féculas ou de extratos de malte, que não contenham cacau ou que contenham menos de 40 %, em peso, de cacau, calculado sobre uma base totalmente desengordurada, não especificadas nem compreendidas noutras posições; preparações alimentícias de produtos das posições 04.01 a 04.04, que não contenham cacau ou que contenham menos de 5 %, em peso, de cacau, calculado sobre uma base totalmente desengordurada, não especificadas nem compreendidas noutras posições. 10. Para ratificar essa posição, cumpre trazer a lume esclarecimentos das Nesh, que foram internadas no Brasil por meio do Decreto nº 435, de 27 de janeiro de 1992, e, conquanto elas não possuam força legal, constituem orientações e esclarecimentos de caráter subsidiário que devem ser utilizados para nortear a classificação de mercadorias. Sua versão atual, da qual se reproduzem a seguir os esclarecimentos relativos à posição 19.01, foi aprovada pela IN RFB nº 1.788, de 08 de fevereiro de 2018, por força da delegação de competência outorgada pelo art. 1º da Portaria MF nº 91, de 24 de fevereiro de 1994: II. Preparações alimentícias de farinhas, grumos, sêmolas, amidos, féculas ou de extratos de malte, que não contenham cacau ou que contenham menos de 40 %, em peso, de cacau, calculado sobre uma base totalmente desengordurada, não especificadas nem compreendidas noutras posições. Esta posição compreende um conjunto de preparações alimentícias, à base de farinhas, grumos, sêmolas, amidos, féculas ou de extratos de malte, cuja característica essencial provenha destes constituintes, quer eles predominem ou não em peso ou em volume. A estes diversos componentes principais podem adicionar-se outras substâncias, tais como leite, açúcar, ovos, caseína, albumina, gorduras, óleos, aromatizantes, glúten, corantes, vitaminas, fruta ou outras substâncias destinadas a aumentar-lhes as propriedades dietéticas, ou cacau desde que neste último caso, o teor em peso de cacau seja inferior a 40% calculado sobre uma base totalmente desengordurada (ver as Considerações Gerais do presente Capítulo). (...) 11. A posição 19.01 desdobra-se nas seguintes subposições: 1901.10 Preparações para alimentação de lactentes e crianças de tenra idade, acondicionadas para venda a retalho 1901.20.00 Misturas e pastas para a preparação de produtos de padaria, pastelaria e da indústria de bolachas e biscoitos, da posição 19.05 1901.90 Outros 12. Destarte, por observância da RGI-62 , a mistura própria para a fabricação de pão do tipo "massa doce" classifica-se na subposição 1901.20.00, que, tratando- Fl. 1150DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3003-002.767 – 3ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11065.904335/2019-89 35 se de subposição fechada, não comporta desdobramentos no âmbito regional e a classificação fiscal desse produto é remetida para o código 1901.20.00 da NCM/SH. 13. A consulente deduz nestes autos pretensão classificatória nesse mesmo código, todavia, requer que se reconheça o enquadramento do seu produto no Ex 01 da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (Tipi), aprovada pelo Decreto nº 8.950, de 29 de dezembro de 2016. O referido Ex é atribuído às "pré-misturas próprias para a fabricação de pão do tipo comum" e, na aplicação do Ex, cumpre lembrar a Regra Geral Complementar da Tipi3 , que invoca a incidência das RGI do Sistema Harmonizado para se determinar, no âmbito de cada código, o Ex aplicável. 14. Nesse ponto, é oportuno observar que também o pão do tipo comum classificado na posição 19.05 da Tipi goza de Ex do IPI, no código residual 1905.90.90 e, sendo assim, também são cabíveis aqui, para caracterização do pão do "tipo comum" referido no Ex pretendido pela consulente, os esclarecimentos das Nesh relativos à posição 19.05 da NCM/SH, lembrando que as Nesh foram internadas no Brasil por meio do Decreto nº 435, de 27 de janeiro de 1992, e, conquanto elas não possuam força legal, constituem orientações e esclarecimentos de caráter subsidiário que devem ser utilizados para nortear a classificação de mercadorias. Sua versão atual, da qual se reproduzem os esclarecimentos a seguir, foi aprovada pela IN RFB nº 1.788, de 08 de fevereiro de 2018, por força da delegação de competência outorgada pelo art. 1º da Portaria MF nº 91, de 24 de fevereiro de 1994: Nesta posição estão compreendidos todos os produtos de padaria, pastelaria ou da indústria de bolachas e biscoitos; os ingredientes mais vulgarmente utilizados são as farinhas de cereais, a levedura e o sal, embora possam conter igualmente outros ingredientes, tais como: glúten, fécula, farinhas de leguminosas, extrato de malte, leite, determinadas sementes como a da papoula, cominho, anis (erva-doce), açúcar, mel, ovos, gorduras, queijos, fruta, cacau em qualquer proporção, carne, peixe, etc., e ainda os produtos designados por “melhoradores de panificação”. Estes últimos destinam-se, principalmente, a facilitar a manipulação da massa, a acelerar a sua fermentação, a melhorar as características ou a apresentação dos produtos e a prolongar a duração da sua conservação. Os produtos da presente posição podem também ser obtidos a partir de uma massa à base de farinha, sêmola ou pó de batata. Encontram-se compreendidos na presente posição: 1) O pão comum que, frequentemente, contém apenas farinhas de cereais, fermento e sal. (...) (grifou-se) Fl. 1151DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3003-002.767 – 3ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11065.904335/2019-89 36 15. Note-se que as Nesh, de um lado, registram que o pão comum contém apenas farinhas de cereais, fermento e sal, entretanto, de outro lado, utiliza, na mesma frase em que restringe os ingredientes do pão comum, o advérbio "frequentemente", abrindo, assim, a possibilidade de outros ingredientes comporem o denominado "pão comum". 16. Destarte, uma vez que não está afastada a possibilidade de outros ingredientes, além dos acima mencionados, integrarem a pré-mistura para a fabricação de pão do tipo comum, socorre-se aqui da Exposição de Motivos (EM) nº 00074/2008 - MF/MT, por meio da qual foi submetido ao Excelentíssimo Senhor Presidente da República projeto de Medida Provisória (MP) para redução a zero das alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), registra-se o que se considera pão comum, para gozo da referida redução de alíquota, nos seguintes termos: 2. A proposta objetiva reduzir o impacto no preço do pão comum dos aumentos de custos relativos a insumos e transporte. Entende-se por "pão comum" o produto alimentício, obtido pela cocção de preparo contendo apenas farinha de trigo, fermento biológico, água, sal e/ou açúcar. (...) 17. Observe-se pois que a pré-mistura para fabricação de pão tipo "massa doce", que contém também açúcar, além de farinha de trigo, sal e melhorador de farinha, poderia ser própria para a fabricação de pão do tipo comum. Ocorre que, em resposta à intimação que buscava obter da consulente informações sobre os ingredientes contidos no denominado melhorador de farinha, foi informado que, entre outros ingredientes, esse produto contém também farinha de soja e enzimas, além de excipiente, que pode ser um outro tipo de farinha, e, sendo assim, a pré-mistura de que aqui se cuida não pode ser caracterizada como pré- mistura própria para a fabricação de pão do tipo comum para merecer abrigo no Ex 01 do código 1901.20.00 da Tipi. 18. Dessa forma, infere-se que a pré-mistura de que aqui se cuida é própria para a fabricação de pão do tipo massa doce, que é distinto do pão do tipo comum cuja pré-mistura mereceu do legislador o Ex 01 da Tipi para, aliado à redução a zero das alíquotas da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, reduzir o impacto dos aumentos de custos relativos a insumos e transporte no preço do pão comum. 19. Diante do exposto a pré mistura para a fabricação de pão do tipo massa doce objeto da consulta formulada neste processo classifica-se no código NCM/SH 1901.20.00 da NCM/SH, sem enquadramento no Ex 01 da Tipi. Conclusão 20. Com base nas Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado RGI 1 (texto da posição 19.01), RGI 6 (texto da subposição 1901.20) constante da Tarifa Externa Comum (TEC), aprovada pela Resolução Camex n.º 125, de 2016, e da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (Tipi), aprovada Fl. 1152DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3003-002.767 – 3ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11065.904335/2019-89 37 pelo Decreto n.º 8.950, de 2016, o produto objeto da consulta formulada neste processo classifica-se no código NCM/SH 1901.20.00. (grifou-se) A recorrente pretende obter o enquadramento do produto no Ex 01 do código 1901.20.00 da TIPI, que se refere às “pré-misturas próprias para fabricação de pão do tipo comum”, o que resultaria em benefícios fiscais significativos. No entanto, um elemento determinante para a não concessão do benefício do Ex 01 foi a composição do “melhorador de farinha” presente na pré-mistura analisada (farinha de soja, enzimas, excipientes – que pode ser outros tipos de farinha). Esses ingredientes adicionais descaracterizaram a preparação como uma “pré-mistura própria para fabricação de pão do tipo comum”, impedindo seu enquadramento no Ex 01 do código 1901.20.00 da TIPI. Assim, reputo correto a inclusão das receitas referentes às vendas dos produtos Mistura Lux Maxi Pão Doce 25Kg e Mistura Lux Maxi Pão Integral 25Kg na base de cálculo das contribuições. Nesse sentido, cito o Acórdão nº 3402-003.824: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/01/2014 a 31/12/2014 PÃO COMUM. DEFINIÇÃO. ALÍQUOTA ZERO. LEI 10.925/2004. POSIÇÃO 1905.9090 Ex 01. “Pão comum” é o produto alimentício obtido pela cocção de preparo contendo apenas farinha de trigo, fermento biológico, água, sal e/ou açúcar. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2014 a 31/12/2014 PIS. LANÇAMENTO DECORRENTE DA MESMA MATÉRIA FÁTICA. Aplica-se ao lançamento da Contribuição para o PIS/Pasep o decidido em relação à COFINS lançada a partir da mesma matéria fática. Recurso Voluntário Negado (Acórdão nº 3402-007.321 – 3ª Seção de Julgamento / 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, Processo nº 19515.720997/2018-83, Rel. Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne, Sessão de 18 de fevereiro de 2020). (grifou-se) Por todo exposto, nego provimento a esse capítulo recursal. III – Do dispositivo: Diante do exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário interposto, para no mérito dar parcial provimento ao recurso, para reverter as seguintes glosas: a) custos relacionados às atividades aduaneiras voltadas ao recebimento dos insumos importados (movimentação e armazenamento de trigo), nos termos da Súmula CARF nº 243; Fl. 1153DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3003-002.767 – 3ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11065.904335/2019-89 38 b) despesas com transporte de funcionários e colaboradores da indústria para a sede empresarial, com fulcro no inciso II, do Art. 3º, das Leis 10.833/2003 e 10.637/2002; c) serviços de fretes na aquisição de insumos não onerados pelas contribuições ao PIS e à Cofins PIS não cumulativos, apenas nos casos em que haja atendimento às condições prescritas pela Súmula 188: o registro de forma autônoma e a efetiva tributação do frete na aquisição; e, d) despesas com partes e peças de reposição e ferramentas relacionadas na planilha citada no voto. Assinado Digitalmente Denise Madalena Green Fl. 1154DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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Numero do processo: 13814.000497/91-44
Turma: Terceira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Mar 24 00:00:00 UTC 1993
Data da publicação: Wed Mar 24 00:00:00 UTC 1993
Ementa: ITR - A base de cálculo do imposto é o Valor da Terra Nua. A alíquota é progressiva ou regressiva em função da utilização racional da terra. No caso, o VTN calculado foi o mínimo estabelecido para o município. Recurso a que se nega provimento.
Numero da decisão: 203-00.294
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: TIBERANY FERRAZ DOS SANTOS

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A alíquota é progressiva ou regressiva em funçWo da utilizaçWo racional da terra, Mo caso, O VTN calculado foi o ' mínimo estabelecido para o município. ' Recurso a que se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por SALUSTIANO TAMANTINI SANCHEZ ACORDAM os Membros da Terceira C2mara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Saia das SessiNes, em 24 de março de 1.993 ROSA MO VIT . L. ^ANZAGA SANTOS - Presidente 1 Ab VEF'AZ - R. lator TON MIE . NDA - Procurador-Representante da Fazenda Nacional VISTA EM SESSM DE 14 "A M. 1993 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros RICARDO LEITE RODRIGUES, MARIA THEREZA VASCONCELLOS DE ALMEIDA, SERGIO AFAMASIEFF, MAURO WASILEWSKI e SEDASTIRO BORGES TAQUARY. OPR/mias/AC _ , ?. v:-. A. , ," . • MINISTÉRIO DA ECONOMIA, FAZENDA E PLANEJAMENTO tfTW \e~ SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES --,-.;,- Processo no 13.814-000.497/91-44 Recurso no: 90.455 AcórdWo no: 203-00.294 Recorrente: SALUSTIANO TAMANTINI SANCHEZ RELATORI O Pela notificação de lançamento do TTR e taxas do exercício de 1990, foi o Contribuinte intimado a recolher a import2ncia de Cr$ 68.555,98, em valores da época. Em sua defesa, alega que, nos exercícios anteriores ao ora cobrado, sempre recebeu o ITR com redução, por. se tratar, a sua propriedade, de terras improdutivas; que em 1999 pediu a retificação de seu cadastro para incorporação da área de 9,6 ha àquela remanescente. Ouvido o INCRA às fls. 6/7, esclarece aquele órgão que os cálculos foram processados com base na última declaração do Contribuinte em 17.06.90, vez que a relativa à fusão das áreas que já possuía (31,4 ha), mais aquela incorporada (9,6 ha) foi meramente retificadora, que D imóvel não atingiu os limites min imos de utilização prefixados no art. 16 do Dec. 84.685/90; mesmo assim foi-lhe concedido o benefício da redução do ITR para E) exercício de 1990, inclusive, finalmente, que o VTN/1990, calculado no caso, foi o mínimo estabelecido para o município. A Decisão Monocrática está assim ementada: "ITR: O lançamento foi corretamente efetuado, com base nas normas vigentes e nos elementos extraídos da última DP apresentada pelo contribuinte. IMPUSNAÇA0 INDEFERIDA." Hão se conformando ÇOM a decisão informada, oferece suas razZes de Recurso Voluntário de fls. 16/17, nas quais procura justificar as razffes pelas quais seu imóvel não atingiu Os limites mínimos de utilização da gleba em região de montanhas e de mananciais, de pasto nativo, parte energisada pela CESP, e o restante para cultura doméstica. • E o relatório. ry ... SR', g. .,4 MINISTÉRIO DA ECONOMIA, FAZENDA E PLANEJAMENTO ar,0“,, .2‘• SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo no: 13.814-000.497/91-44 Acórdao no: 203-00.294 VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR TIDERANY FERRAZ DOS SANTOS O recurso ê tempestivo, dele conheço. O ITR ê um tributo que tem por base de cálculo o Valor da Terra Nua - VTN, mas considerada a funçaib e a dimensati econômica do imóvel, daí sua progressividade. Em contrapartida, é também regressivo em fun0o da utilizaao racional da terra. Verifica-se, in casu, pelas próprias razffes de recurso, que a propriedade tributada rao possui cl :i econflmica alguma, a vau ser lavoura caseira, embora isto ocorra por fatores independentes da vontade do contribuinte/proprie- tário, como esclarece nossa peça recursal. Por esta dltima realidade, é que reconheceu-lhe o INCRA o benefício da redu0o também para o exercício de 1990, ora cobrado, porém, de outro lado foi aplicado o coeficiente da progressividade da alíquota, porque o imóvel n'áo atingiu os limites mínimos de utiliza0o/explora0o, tudo em consonãncia com os artigos 8o e 15 do Decreto np 84.685/80. Aliás, os cálculos que deram amparo ao lançamento estWo cabalmente demonstrados As fls. 11, dos autos, e Flo foram impugnados pelo Recorrente, haja vista que suas razffes de recurso foram meramente justificativas da "situaçSo u tributária do imóvel em apreço. Por tais fundamentos, nego provimento ao recurso, mantendo-se a bem lançada decis'áo proferida pela Autoridade julgadora a quo, prosseguindo-se a cobrança do crédito tributário tal como exigido. Sala das Sessbes, em 24 de março de 1993. 1 i Ob w-rn,- c=.---:i EWANY F Mi! . DO AN" IS -.;

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11392359 #
Numero do processo: 16682.900245/2015-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri May 22 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Thu Jun 18 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/10/2012 a 31/12/2012 CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Não enseja a nulidade do ato administrativo, quando esse esteja fundamentado de forma a viabilizar a compreensão dos fatos imputados, permitindo ao contribuinte uma defesa coerente com a adequada subsunção. MATÉRIAS-PRIMAS E PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. DIREITO AO CRÉDITO DE IPI. CONCEITO DE INSUMOS. REsp 1.075.598/SC. As matérias-primas e produtos intermediários somente geram créditos de IPI se integrarem o produto fabricado ou se forem consumidos no processo de industrialização. O conceito de insumos, no contexto do IPI, pressupõe que os bens nele subsumidos sejam consumidos - e aqui consumo assume um sentido amplo de desgaste, desbaste, perda de propriedades etc. - em contato direto com o produto em fabricação, e desde que não integrem o ativo permanente. Nessa linha, não se afiguram como matéria-prima ou produto intermediário, para fins de creditamento do IPI, os bens que forem utilizados apenas indiretamente na produção ou não consumidos em contato direto com o produto em fabricação. Trata-se do conceito de insumos nos termos do REsp 1.075.508/SC, submetido ao rito previsto no art. 543-C do antigo CPC e de aplicação obrigatória pelos Conselheiros do CARF, por força do que dispõem o art. 99 do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1634/2023. INDÚSTRIA DE CIMENTO. COQUE DE PETRÓLEO. O coque de petróleo é um material intermediário consumido integral e imediatamente no processo de produção do clínquer e assegura o direito ao creditamento de IPI. PARTES E PEÇAS DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. O Tema nº 198 dos Repetitivos do E. STJ, conjugado com o CPC 27, excluem a possibilidade de apropriação de créditos de IPI sobre peças e partes de máquinas e equipamentos, salvo aqueles que entram em contato direito com o produto no processo de industrialização. REFRATÁRIOS. FORNOS DE CLINQUERIZAÇÃO. Na industrialização do cimento, os refratários entram em contato com a matéria prima e se desgastam pelo uso no processo produtivo direto do cimento assegurando direito ao creditamento de IPI.
Numero da decisão: 3101-004.945
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a preliminar de nulidade. No Mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial, para reverter as glosas referentes aos custos com os materiais refratários e com coque de petróleo. Vencido Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho quanto à reversão das glosas dos custos com os materiais refratários e com coque de petróleo. Conselheiro Ramon Silva Cunha quanto à reversão dos custos com os materiais refratários. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3101-004.940, de 22 de maio de 2026, prolatado no julgamento do processo 16682.900238/2015-30, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Renan Gomes Rego, Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues, Ramon Silva Cunha, Luciana Ferreira Braga, Eduardo Gargiulo Ornelas Santiago, Gilson Macedo Rosenburgo Filho (Presidente).
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO

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INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/10/2012 a 31/12/2012 CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Não enseja a nulidade do ato administrativo, quando esse esteja fundamentado de forma a viabilizar a compreensão dos fatos imputados, permitindo ao contribuinte uma defesa coerente com a adequada subsunção. MATÉRIAS-PRIMAS E PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. DIREITO AO CRÉDITO DE IPI. CONCEITO DE INSUMOS. REsp 1.075.598/SC. As matérias-primas e produtos intermediários somente geram créditos de IPI se integrarem o produto fabricado ou se forem consumidos no processo de industrialização. O conceito de insumos, no contexto do IPI, pressupõe que os bens nele subsumidos sejam consumidos - e aqui consumo assume um sentido amplo de desgaste, desbaste, perda de propriedades etc. - em contato direto com o produto em fabricação, e desde que não integrem o ativo permanente. 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STJ, conjugado com o CPC 27, excluem a possibilidade de apropriação de créditos de IPI sobre peças e partes de máquinas e equipamentos, salvo aqueles que entram em contato direito com o produto no processo de industrialização. REFRATÁRIOS. FORNOS DE CLINQUERIZAÇÃO. Na industrialização do cimento, os refratários entram em contato com a matéria prima e se desgastam pelo uso no processo produtivo direto do cimento assegurando direito ao creditamento de IPI. ACÓRDÃO Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a preliminar de nulidade. No Mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial, para reverter as glosas referentes aos custos com os materiais refratários e com coque de petróleo. Vencido Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho quanto à reversão das glosas dos custos com os materiais refratários e com coque de petróleo. Conselheiro Ramon Silva Cunha quanto à reversão dos custos com os materiais refratários. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3101-004.940, de 22 de maio de 2026, prolatado no julgamento do processo 16682.900238/2015-30, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Renan Gomes Rego, Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues, Ramon Silva Cunha, Luciana Ferreira Braga, Eduardo Gargiulo Ornelas Santiago, Gilson Macedo Rosenburgo Filho (Presidente). RELATÓRIO O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário, interposto em face de acórdão de primeira instância que julgou improcedente Manifestação de Inconformidade, cujo objeto era a reforma do Despacho Decisório exarado pela Unidade de Origem, que acolhera em parte o Pedido de Fl. 241DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.945 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.900245/2015-31 3 Ressarcimento/Compensação apresentado pelo Contribuinte. O pedido é referente ao pedido de ressarcimento de IPI apurado no 4° trimestre de 2012. Os fundamentos do Despacho Decisório da Unidade de Origem e os argumentos da Manifestação de Inconformidade estão resumidos no relatório do acórdão recorrido. Cientificado do acórdão recorrido, o Sujeito Passivo interpôs Recurso Voluntário solicitando, em síntese: Diante de todo o exposto, requer seja o presente Recurso Voluntário recebido e processado no presente Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, para que lhe seja dado integral provimento, a fim de reconhecer a nulidade do r. despacho decisório e do v. acórdão recorrido que o manteve, diante da demonstração dos vícios incorridos pela d. Fiscalização e pela d. Turma Julgadora no tópico III.1 acima. Subsidiariamente, requer a Recorrente seja reconhecida a nulidade do acórdão recorrido, determinando-se, por consequência, o retorno dos autos à origem com o deferimento do pedido de perícia/diligência formulado pela Recorrente, e para que seja realizado novo julgamento da manifestação de inconformidade apresentada, com a devida análise de todos os argumentos e do relatório pericial/de diligência. Caso superadas as nulidades apontadas, requer-se sejam julgadas as razões de mérito expostas acima, de forma que seja dado integral provimento ao Recurso Voluntário ora interposto, reformando-se o acórdão recorrido, para o fim de reconhecer o integral direito creditório da Recorrente e, por conseguinte, homologar as compensações objeto do presente processo. Por fim, a Recorrente protesta e reitera pela realização de todas as diligências que, porventura, se façam necessárias para o julgamento do presente caso, como é o caso da perícia acima requerida. É o relatório. VOTO Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, ressalvando o meu entendimento pessoal expresso na decisão paradigma, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, de modo que admito seu conhecimento. Fl. 242DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.945 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.900245/2015-31 4 Das preliminares de nulidade Da análise detida dos autos, não se vislumbra a subsunção do caso a qualquer das hipóteses de nulidade previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72. O despacho decisório observou rigorosamente os requisitos legais, inexistindo omissões ou defeitos capazes de macular a validade do ato administrativo. Tanto assim que a Recorrente bem identificou de forma clara e fundamentada as razões do indeferimento do pleito, e mais, vem se defendendo contra justamente as imputações. No tocante ao indeferimento do pedido de diligência, não configura preterição de defesa quando o acervo contido nos autos se mostra suficiente ao deslinde da controvérsia. Vigora, no processo administrativo, o princípio do livre convencimento motivado, que autoriza a autoridade julgadora a dispensar atos protelatórios ou desnecessários. Nesses termos, ainda temos a Súmula CARF nº 163: O indeferimento fundamentado de requerimento de diligência ou perícia não configura cerceamento do direito de defesa, sendo facultado ao órgão julgador indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Assim, rejeita-se as preliminares de nulidade suscitadas. Do mérito Do coque calcinado de petróleo As aquisições de coque de petróleo foram glosadas ao argumento de se tratar de combustível para o forno usado na produção de clínquer. Para a defesa, não se trata de simples combustível para permitir o funcionamento de uma máquina, mas, sim, de item utilizado na produção do cimento. Tem-se como premissa que o coque calcinado de petróleo é utilizado como combustível para a fabricação de cimentos, mas, também, que o seu contato ocorre diretamente com o produto em fabricação e que, inclusive, há agregação deste ao produto final (cimento). Com razão à Recorrente. O coque de petróleo é a principal fonte de energia na indústria cimenteira, sendo o principal combustível utilizado no forno rotativo de clínquer. Ao se queimar, o coque se transforma em energia (catalisadora do processo) e gera inúmeras cinzas, as quais já saem misturadas ao clínquer. Por sua vez, o clínquer é a matéria prima básica de diversos tipos de cimento, onde, no seu processo de fabricação, o clínquer sai do forno a cerca de 80°C, indo diretamente à moagem onde é adicionado ao gesso. Conforme decido pelo Superior Tribunal de Justiça, em caráter vinculante, no Resp nº 1.075.508 (Tema n° 198), as matérias-primas e produtos intermediários Fl. 243DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.945 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.900245/2015-31 5 somente geram créditos de IPI se integrarem o produto fabricado ou se forem consumidos no processo de industrialização, vale dizer, os bens nele subsumidos devem consumidos (com desgaste imediato e integral) e em contato direto com o produto em fabricação, e desde que não integrem o ativo permanente. Nesses termos, apesar do coque de petróleo ser combustível para a fabricação do cimento, entendo que é inquestionável que, além de suas cinzas integrarem o novo produto (com contato direto), também é consumido imediatamente, restando caracterizado o conceito de insumo nos termos do E. STJ. Com isso, voto por reverter a glosa dos créditos do coque calcinado de petróleo. Dos Bens que integram o ativo imobilizado Trata-se de bens que integram o ativo imobilizado, tais como ancoragem especial; ancoragem formato V; argamassa e concreto refratários; bico injetar; borracha de vedação; chapa de aço antidesgaste; chapa de aço laminado a quente; chapa chanfrada em L; correia transportadora; gaiola para manga filtrante; manga filtrante; pastilha sextavada para revestimento do moinho de carvão; porta de limpeza da caixa de fumaça; sugador para aplicador automático; suporte ancoragem formato V; tijolo refratário; venturi para manga de filtros. A Recorrente apresenta tabela com os insumos e sua função no processo produtivo: Fl. 244DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.945 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.900245/2015-31 6 Pois bem. Consoante a tese firmada pelo Superior Tribunal de Justiça, o aproveitamento de créditos de IPI relativos a produtos intermediários condiciona-se ao seu consumo imediato e integral no processo produtivo. Excluem-se, portanto, do direito ao creditamento os bens destinados ao ativo imobilizado, exigindo-se, para os demais insumos, a comprovação do contato direto com o item fabricado e o exaurimento físico no ciclo industrial. Pelo descritivo produzido pela Recorrente, percebe-se os itens (ancoragem especial; ancoragem formato V; bico injetar; borracha de vedação; chapa de aço antidesgaste; chapa de aço laminado a quente; chapa chanfrada em L; correia transportadora; gaiola para manga filtrante; manga filtrante; pastilha sextavada para revestimento do moinho de carvão; porta de limpeza da caixa de fumaça; sugador para aplicador automático; suporte ancoragem formato V;; venturi para manga de filtros) não sofrem desgaste imediato e integral no processo produtivo do cimento, apesar do contato direito com o produto. Fl. 245DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.945 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.900245/2015-31 7 Além disso, segundo o Tema nº 198 do E. STJ, tais elementos, ainda que indispensáveis ao processo produtivo, uma vez que integram máquinas e equipamentos destinados ao processo fabril, não dão direito ao creditamento de IPI. Mantém-se a glosa. Dos materiais refratários Por outro lado, os materiais refratários (tais como tijolos, argamassa e concreto) são submetidos a um desgaste imediato e direto durante a fabricação do cimento. Pelo fato de manter contato direto com o produto e integrar a composição final, ainda que residualmente, o material preenche os requisitos legais para o creditamento de IPI. Tal entendimento está em plena consonância com os critérios normativos vigentes e com a tese firmada no Tema nº 198 do STJ. Exatamente no sentido de que os materiais refratários podem ser admitidos como produtos intermediários, manifestaram-se o E. Supremo Tribunal Federal e o Superior Tribunal de Justiça: "IPI. AÇÃO DE EMPRESA FABRICANTE DE ACO PARA CREDITAR-SE DO IMPOSTO, RELATIVO AOS MATERIAIS REFRATARIOS QUE REVESTEM OS FORNOS ELÉTRICOS, ONDE E FABRICADO O PRODUTO FINAL. INTERPRETAÇÃO QUE CONCILIA O DECRETO-LEI N. 1.136/70 E O SEU REGULAMENTO, ART. 32, APROVADO PELO DECRETO N. 70.162/72, COM A LEI 4.503/64 E COM O ART. 21, PARAGRAFO 3., DA CONSTITUIÇÃO DA REPUBLICA. AÇÃO JULGADA PROCEDENTE PELO CONHECIMENTO E PROVIMENTO DO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. (...) Estou em que, tendo o acórdão recorrido admitido o fato de que os refratários são consumidos na fabricação do aço, a circunstância de não se fazer essa consumição em cada fornada, mas em algumas sucessivas, não constitui causa impeditiva à incidência da regra constitucional e legal que proíbe a cumulatividade do IPI" (Supremo Tribunal Federal. Recurso Extraordinário 90205, Rel. Min. Soares Munoz, Primeira Turma, julgado em 20/02/1979, DJ 23-03-1979 p 02103 - grifei) "TRIBUTARIO. IPI. MATERIAIS REFRATARIOS. DIREITO AO CREDITAMENTO. OS MATERIAIS REFRATARIOS EMPREGADOS NA INDUSTRIA, SENDO INTEIRAMENTE CONSUMIDOS, EMBORA DE MANEIRA LENTA, NÃO INTEGRANDO, POR ISSO, O NOVO PRODUTO E NEM O EQUIPAMENTO QUE COMPÕE O ATIVO FIXO DA EMPRESA, DEVEM SER CLASSIFICADOS COMO PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS, CONFERINDO DIREITO AO CREDITO FISCAL." (Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial 18.361/SP, Rel. Ministro Hélio Mosimann, Segunda Turma, julgado em 05/06/1995, DJ 07/08/1995, p. 23026 - grifei) Tal entendimento foi deferido pelo CARF em situações semelhantes ao caso em análise, conforme destaques nas ementas abaixo: Acórdão nº 3201-006.156 – 3ª Seção de Julgamento / 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Fl. 246DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.945 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.900245/2015-31 8 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/09/2005 a 30/09/2005 NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. CONCEITO DE INSUMOS. O alcance do conceito de insumo, segundo o regime da não-cumulatividade do PIS Pasep e da COFINS é aquele em que o os bens e serviços cumulativamente atenda aos requisitos de (i) essencialidade ou relevância com/ao processo produtivo ou prestação de serviço; e sua (ii) aferição, por meio do cotejo entre os elementos (bens e serviços) e a atividade desenvolvida pela empresa. COFINS. CRÉDITO. NÃO CUMULATIVIDADE. MATERIAIS REFRATÁRIOS. ITENS NÃO CONTABILIZADOS EM ATIVO IMOBILIZADO. POSSIBILIDADE. As despesas com aquisições de material refratário, que não devam ser contabilizados em Ativo Imobilizado, observando-se o critério da essencialidade e relevância, subsumem-se no conceito de insumo para indústrias siderúrgicas, e ensejam a tomada de créditos. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. Os créditos apurados em conformidade com o art. 3º das Leis nº’s 10.637, de 2002 (PIS) e 10.833, de 2003 (COFINS) podem ser utilizados no desconto dos valores devidos sobre o faturamento mensal e/ ou de ressarcimento/compensação do saldo credor trimestral. Acórdão nº 3402-010.944 – 3ª Seção de Julgamento / 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI) Período de apuração: 01/07/2012 a 31/12/2013 INSUMOS. DIREITO CREDITÓRIO. PRODUTOS E MATERIAIS REFRATÁRIOS. PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. COMPROVAÇÃO TÉCNICA. IMOBILIZADO. NÃO ENQUADRAMENTO. Entende-se como correto o enquadramento de produtos e materiais refratários no conceito de "produtos intermediários" ou assemelhados nos estritos termos do Parecer Normativo CST nº 65/79, reconhecendo-se o correspondente direito ao creditamento de IPI como insumo quando foi apurado que: a) esses produtos não são “partes e peças de máquinas”; b) não podem ser classificados no “ativo permanente” (imobilizado) segundo as regras e os princípios contábeis aplicáveis aos lançamentos à época em que foram registrados; e c) conforme atesta Parecer Técnico, são consumidos no processo industrial da recorrente majoritariamente pelo desgaste em função do seu contato com o produto em elaboração. Ante todo o exposto, voto no sentido de reverter a glosa dos créditos sobre materiais refratários. Da necessidade de perícia Inexiste a necessidade de dilação probatória mediante perícia técnica, uma vez que os elementos de convicção constantes nos autos são suficientes para o Fl. 247DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.945 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.900245/2015-31 9 deslinde da controvérsia. Este julgador firmou seu convencimento de forma plena, não remanescendo pontos obscuros ou dúvidas que justifiquem a produção de prova pericial. Diante do exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade suscitada e, no mérito, por dar provimento parcial ao recurso voluntário para reverter as glosas de créditos sobre coque calcinado de petróleo e sobre materiais refratários. Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de afastar a preliminar de nulidade e, no Mérito, por dar provimento parcial para reverter as glosas referentes aos custos com os materiais refratários e com coque de petróleo. Assinado Digitalmente Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Redator Fl. 248DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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Numero do processo: 16682.720585/2020-48
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 09 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Fri Jun 26 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2016 JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. DEDUTIBILIDADE. LIMITE TEMPORAL. STJ. Tema Repetitivo nº 1319. Tese Firmada: É possível a dedução dos juros sobre capital próprio (JCP) da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, quando apurados em exercício anterior ao da decisão assemblear que autoriza o seu pagamento. AUSÊNCIA DE OUTROS MOTIVOS PARA MANUTENÇÃO DA EXIGÊNCIA. Se a acusação fiscal não infirma a compatibilidade dos juros sobre capital próprio tardiamente disponibilizados com os limites aplicáveis em período anterior, a observância da tese firmada pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recursos repetitivos impõe o afastamento integral da glosa.
Numero da decisão: 9101-007.591
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial. No mérito, por maioria de votos, acordam em dar provimento ao recurso, vencido o Conselheiro Jandir José Dalle Lucca (relator), que votou por dar-lhe provimento parcial, apenas em relação aos fatos geradores de 2016. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa. Assinado Digitalmente Jandir Jose Dalle Lucca - Relator Assinado Digitalmente Edeli Pereira Bessa - Redatora designada Assinado Digitalmente Carlos Higino Ribeiro de Alencar - Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Edeli Pereira Bessa, Luis Henrique Marotti Toselli, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Maria Carolina Maldonado Mendonca Kraljevic, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Heldo Jorge dos Santos Pereira Junior, Efigenio de Freitas Junior (substituto integral), Jandir Jose Dalle Lucca, Semiramis de Oliveira Duro e Carlos Higino Ribeiro de Alencar (Presidente).
Nome do relator: JANDIR JOSE DALLE LUCCA

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INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2016 JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. DEDUTIBILIDADE. LIMITE TEMPORAL. STJ. Tema Repetitivo nº 1319. Tese Firmada: “É possível a dedução dos juros sobre capital próprio (JCP) da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, quando apurados em exercício anterior ao da decisão assemblear que autoriza o seu pagamento”. AUSÊNCIA DE OUTROS MOTIVOS PARA MANUTENÇÃO DA EXIGÊNCIA. Se a acusação fiscal não infirma a compatibilidade dos juros sobre capital próprio tardiamente disponibilizados com os limites aplicáveis em período anterior, a observância da tese firmada pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recursos repetitivos impõe o afastamento integral da glosa. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial. No mérito, por maioria de votos, acordam em dar provimento ao recurso, vencido o Conselheiro Jandir José Dalle Lucca (relator), que votou por dar-lhe provimento parcial, apenas em relação aos fatos geradores de 2016. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa. Assinado Digitalmente Jandir Jose Dalle Lucca – Relator Fl. 711DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.591 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 16682.720585/2020-48 2 Assinado Digitalmente Edeli Pereira Bessa – Redatora designada Assinado Digitalmente Carlos Higino Ribeiro de Alencar – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Edeli Pereira Bessa, Luis Henrique Marotti Toselli, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Maria Carolina Maldonado Mendonca Kraljevic, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Heldo Jorge dos Santos Pereira Junior, Efigenio de Freitas Junior (substituto integral), Jandir Jose Dalle Lucca, Semiramis de Oliveira Duro e Carlos Higino Ribeiro de Alencar (Presidente). RELATÓRIO 1.Trata-se de Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo em face do Acórdão nº 1302-007.153, de 12.06.2024, via do qual se decidiu, por maioria de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário, quanto à dedução de despesas de JCP relativas ao ano-calendário de 2015, e, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, quanto aos ajustes do limite de pagamento de JCP no ano-calendário de 2016. 2.O litígio versa sobre autos de infração lavrados em razão de a Recorrente ter deduzido da base de cálculo do IRPJ e da CSLL despesas de JCP no montante de R$ 970.537.190,00 referentes ao ano-calendário de 2016. Contudo, a fiscalização verificou que parte substancial desses valores correspondia a JCP calculados sobre o patrimônio líquido de 2015, cuja deliberação societária somente ocorreu em 19.10.2016. Especificamente, constatou-se o seguinte:  Ata de 19.10.2016: Aprovou pagamento de JCP relativos aos anos de 2015 e 2016, sendo R$ 489.230.588,14 referentes ao exercício de 2015 e parte dos valores de 2016.  Ata de 30.12.2016: Aprovou pagamento adicional de JCP no montante líquido de R$ 261.251.439,00, também relativo a 2016.  A soma desses pagamentos, acrescidos do IRRF, totalizou os R$ 970.537.190,48 deduzidos pela empresa. 3.A fiscalização recalculou o limite de JCP dedutível para 2016, considerando:  Patrimônio Líquido ajustado em 01.01.2016: R$ 7.823.524.486,51 Período: 292 dias até o primeiro pagamento TJLP pro rata die: 0,0205% Fl. 712DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.591 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 16682.720585/2020-48 3 JCP calculado (período 1): R$ 468.316.175,76  Patrimônio Líquido ajustado em 19.10.2016: R$ 7.073.084.542,94 Período: 73 dias JCP calculado (período 2): R$ 105.848.710,19  Total de JCP dedutível em 2016: R$ 574.164.885,95  Excesso de dedução (glosa): R$ 396.372.304,53 3.A glosa no montante de R$ 396.372.304,53 resultou da diferença entre o total deduzido (R$ 970.537.190,48) e o limite legal calculado para 2016 (R$ 574.164.885,95). Portanto, a glosa engloba necessariamente a integralidade dos JCP relativos a 2015 (R$ 489.230.588,14), pois estes, segundo a fiscalização, não poderiam ser deduzidos em 2016, somada a uma parcela dos próprios JCP de 2016 que excederam os limites legais calculados com base no patrimônio líquido efetivamente disponível naquele ano. Nessa parte, houve glosa parcial porque a empresa pagou em duas etapas valores que, somados, ultrapassaram o limite da TJLP aplicada sobre o patrimônio líquido médio disponível ao longo do ano, considerando que houve pagamento de dividendos em outubro de 2016, que reduziu a base de cálculo para o período subsequente. 4.Apreciando a impugnação oportunamente apresentada pela interessada, a DRJ houve por bem, por unanimidade de votos, julgá-la improcedente, decisão que ensejou a interposição de Recurso Voluntário, cujo julgamento culminou no aresto recorrido, assim ementado: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2016 JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. EFEITO TRIBUTÁRIO A legislação dispõe que é opção da pessoa jurídica deduzir, ou não, para efeitos da apuração do lucro real, os juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio líquido e limitados à variação, pro rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo - TJLP. Se é uma opção de forma lógica há de existir a decisão e o aproveitamento, que deve obedecer ao regime de competência, conforme a legislação em vigor. Sobre os cálculos também a determinação legal, que determina que serão consideradas exclusivamente as seguintes contas do patrimônio líquido: I - capital social; II - reservas de capital; III - reservas de lucros; IV - ações em tesouraria; e V - prejuízos acumulados. Por fim a legislação também determina requisitos para a obtenção do benefício tributário: existência de lucros, computados antes da dedução dos juros, ou de lucros acumulados e reservas de lucros, em montante igual ou superior ao valor de duas vezes os juros a serem pagos ou creditados. 5.Cientificada da decisão, a empresa contribuinte interpôs Recurso Especial em relação à matéria “dedutibilidade de Juros sobre Capital Próprio calculados com base em saldos de contas do patrimônio líquido referentes a períodos anteriores” (paradigmas nºs 9202-010.471 e 9101-006.267), tendo o apelo sido admitido nos termos do despacho de fls. 632/637, do qual se destacam os seguintes excertos: Fl. 713DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.591 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 16682.720585/2020-48 4 (...) De fato, em análise ao inteiro teor dos paradigmas, verifica-se que a situação fática analisada naqueles casos é análoga à enfrentada pelo Colegiado recorrido. De maneira análoga ao que se verifica no Acórdão recorrido, em ambos os paradigmas a discussão gira em torno da dedutibilidade de Juros sobre Capital Próprio calculados com base em saldos de contas de patrimônio líquido referentes a períodos anteriores. É o que evidenciam os seguintes excertos extraídos de cada dos paradigmas, com os destaques do original: Acórdão paradigma nº 9202-010.471 A) “Possibilidade de se deduzir da base de cálculo do IRPJ e da CSLL os juros sobre o capital próprio (JCP) apurados com base nos exercícios anteriores ao da sua distribuição” 08 - Quanto a essa matéria importante destacar parte do relatório do acórdão recorrido para contextualizar o assunto: Despesa de Juros sobre Capital Próprio (JCP): a autoridade fiscal constatou que a contribuinte deduziu no ano-calendário 2013 juros sobre capital próprio referentes aos anos 2012 e 2013 e considerou que o montante relativo a 2012 seria indedutível para fins de apuração das bases de cálculo de IRPJ e CSLL. Em suas palavras: [...] Acórdão paradigma nº 9101-006.267 A Contribuinte afirma a improcedência do acórdão recorrido que não admitiu a dedução, nos períodos-base de 2008 a 2010, de juros sobre o capital próprio de períodos-base anteriores (quais sejam, dos anos- calendário de 2003 a 2007). E a despeito da similitude fática verificada entre a decisão recorrida e os paradigmas, a conclusão alcançada pelos Colegiados que proferiram os paradigmas diverge do fundamento adotado pelo Colegiado recorrido para manter o lançamento fiscal no presente processo. Conforme já assinalado neste Despacho, no Acórdão recorrido prevaleceu o entendimento de que “não se admite a dedução de JCP calculados sobre as contas do patrimônio líquido de exercícios anteriores”, em razão de as referidas despesas se submeterem às regras gerais de contabilização de despesas, obedecendo ao regime de competência, de modo que “somente podem incorrer no mesmo exercício social em que as receitas correlacionadas geradas com o uso do capital que os JCP remuneram se produzem, formando o resultado daquele exercício”. Por outro lado, diante de circunstância análoga, prevaleceu no primeiro paradigma (Acórdão nº 9202-010.471) entendimento diametralmente oposto, no sentido de que, “a Lei 9.294/95 não concluiu pela estrita necessidade do regime de competência das despesas com JCP”. Nesse sentido, mencionando a previsão legal, acrescentou-se que “não fora imposta nenhuma limitação temporal na apuração e efetiva fruição de tal permissivo legal, redutor de base tributável; tampouco mencionou-se o regime de competência ou remeteu-se a qualquer outra norma que pudesse, ainda que indiretamente, indicar a obrigação de sua observância”. Na mesma linha do Acórdão nº 9202-010.471 decidiu-se no segundo paradigma (Acórdão nº 9101-006.267), no qual restou assentado que “a única limitação ao JCP calculado pela entidade, isto é, o produto do saldo das contas do patrimônio líquido (previstas em lista taxativa no mesmo artigo) multiplicado pela TJPL (de acordo com a variação pro rata dia desse patrimônio líquido), diz respeito aos limites previstos no §1º Fl. 714DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.591 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 16682.720585/2020-48 5 do artigo 9º da Lei n. 9.249/95”, e que “inexiste qualquer dispositivo legal proibindo o pagamento ou crédito de JCP relativo a períodos anteriores”. Dessa forma, em se tratando de cenários fáticos análogos, e tendo as decisões recorrida e paradigmas chegado a conclusões diametralmente opostas, entendo que restou demonstrada a divergência jurisprudencial suscitada pela Recorrente. 6.A PGFN apresentou contrarrazões combatendo exclusivamente o mérito recursal. 7.Às fls. 677/678, a Recorrente apresentou petição acusando a ocorrência de “FATO NOVO RELEVANTE”, consistente na publicação de “acórdão submetido ao rito dos recursos repetitivos de controvérsia, por meio do qual a 1ª Seção do E. STJ fixou a tese de que ‘é possível a dedução dos juros sobre capital próprio (JCP) da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, quando apurados em exercício anterior ao da decisão assemblear que autoriza o seu pagamento’ ”. 8.É o relatório. VOTO VENCIDO Conselheiro Jandir José Dalle Lucca, Relator CONHECIMENTO 9.O Recurso Especial é tempestivo, conforme já atestado pelo despacho de admissibilidade, tendo sido admitido em relação à matéria ““dedutibilidade de Juros sobre Capital Próprio calculados com base em saldos de contas do patrimônio líquido referentes a períodos anteriores”, em face dos paradigmas 9202-010.471 e 9101-006.267. 10.Ressalve-se que o Recurso Especial não ataca a integralidade da decisão a quo, impugnando especificamente o tópico que negou provimento ao Recurso Voluntário quanto à dedução de despesas de JCP relativas ao ano-calendário de 2015. Conforme consta expressamente na ementa do Acórdão recorrido, o colegiado decidiu, por maioria de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário quanto à dedução de despesas de JCP relativas ao ano-calendário de 2015. Porém, por unanimidade de votos, negaram provimento ao recurso quanto aos ajustes do limite de pagamento de JCP no ano-calendário de 2016. 11.O apelo concentra seus argumentos exclusivamente na possibilidade de dedução dos JCP calculados sobre contas de patrimônio líquido de 2015 e pagos em 2016, questionando a aplicação do regime de competência como requisito para essa dedutibilidade. Quanto aos ajustes do limite de pagamento de JCP em 2016, a Recorrente não apresentou recurso especial, aceitando tacitamente a decisão que negou provimento nessa parte. Portanto, o Recurso Especial tem alcance parcial, limitando-se à questão da dedutibilidade dos JCP retroativos de 2015, sem impugnar a totalidade do Acórdão nº 1302-007.153. Fl. 715DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.591 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 16682.720585/2020-48 6 12.Nesse ponto, observando que o paradigma 9202-010.471 foi recentemente admitido como representativo de controvérsia em relação a essa mesma matéria pelos Acórdãos 9101-007.3981 e 9101-007.4282, compreendo que a dissidência jurisprudencial foi devidamente apreendida pelo despacho de admissibilidade, cujos fundamentos adoto como razão para conhecer do Recurso Especial. MÉRITO 13.Quanto ao mérito, a matéria não comporta mais discussão, uma vez que, recentemente, o Superior Tribunal de Justiça, ao julgar os Recursos Especiais nºs 2162629/PR, 2162248/RS, 2163735/RS e 2161414/PR afetados ao regime dos repetitivos, firmou a Tese objeto do Tema 1319, com o seguinte enunciado: “É possível a dedução dos juros sobre capital próprio (JCP) da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, quando apurados em exercício anterior ao da decisão assemblear que autoriza o seu pagamento”. 14.Confira-se, a propósito, os seguintes excertos das respectivas ementas: TRIBUTÁRIO. IRPJ. CSLL. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. DEDUÇÃO. EXERCÍCIOS ANTERIORES AO DA DECISÃO ASSEMBLEAR QUE AUTORIZOU SUA DISTRIBUIÇÃO. POSSIBILIDADE. FIXAÇÃO DE TESE REPETITIVA. (...). 1. O pagamento de juros sobre capital próprio referente a exercícios anteriores ao da decisão assemblear que autorizou sua distribuição não representa burla ao limite legal de dedução do exercício, desde que observem as disposições da Lei 9.249/95 e alterações posteriores. 2. Tese jurídica de eficácia vinculante, sintetizadora da ratio decidendi deste julgado paradigmático: "É possível a dedução dos juros sobre capital próprio (JCP) da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, quando apurados em exercício anterior ao da decisão assemblear que autoriza o seu pagamento." 3. Não estão preenchidos os requisitos legais autorizadores da modulação de efeitos do julgado paradigmático, pois o entendimento até então estabelecido pelo STJ está mantido. (...) 15.Por via de consequência, tendo em vista o trânsito em julgado do quanto decidido pela Corte Cidadã em 06.03.2026 e forte no disposto na alínea “b” do inciso II do art. 98 1 J. 13.08.2025. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Edeli Pereira Bessa, Luis Henrique Marotti Toselli, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Maria Carolina Maldonado Mendonça Kraljevic, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Heldo Jorge dos Santos Pereira Junior, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Jandir José Dalle Lucca, Semiramis de Oliveira Duro, Carlos Higino Ribeiro de Alencar (Presidente). 2 J. 09.09.2025. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Edeli Pereira Bessa, Luis Henrique Marotti Toselli, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Maria Carolina Maldonado Mendonça Kraljevic, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Heldo Jorge dos Santos Pereira Júnior, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Jandir José Dalle Lucca, Semiramis de Oliveira Duro e Carlos Higino Ribeiro de Alencar (Presidente). Fl. 716DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.591 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 16682.720585/2020-48 7 do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 20233, merece acolhimento a pretensão recursal. CONCLUSÃO 16.Ante o exposto, conheço do Recurso Especial e lhe dou parcial provimento apenas em relação aos fatos geradores de 2016. Assinado Digitalmente Jandir José Dalle Lucca VOTO VENCEDOR Conselheira Edeli Pereira Bessa, redatora designada O I. Relator restou vencido no provimento parcial que dava ao recurso especial. A maioria do Colegiado concordou com o provimento total proposto por esta Conselheira, a partir das circunstâncias delineadas, em sede de conhecimento, para determinação do alcance do recurso especial, dadas as evidências de que a Contribuinte questionara, apenas, um dos fundamentos para a glosa promovida nestes autos. A autoridade lançadora apontou a inobservância do limite de R$ 574.164.885,95 para dedução dos juros sobre capital próprio apropriados no ano-calendário 2016, nas parcelas de R$ 709.285.751,48 (ata de outubro/2016) e de R$ 261.251.439,00 (ata de dezembro/2016), destacando que, na primeira parcela, o montante de R$ 489.230.588,14 também não poderia ser admitido por corresponder ao ano-calendário 2015. O Colegiado a quo, por sua vez, assim decidiu: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, quanto à dedução de despesas de JCP relativas ao ano- calendário de 2015, vencidos os conselheiros Henrique Nimer Chamas e Natália Uchôa Brandão, que votaram por dar provimento ao recurso, quanto a tal matéria. Acordam, ainda, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, quanto aos ajustes do limite de pagamento de JCP no ano-calendário de 2016, nos termos do relatório e voto do relator. Os conselheiros Maria Angélica Echer Ferreira Feijó e Henrique Nimer Chamas manifestaram a intenção de apresentar declaração e voto. 3 RICARF/2023: “Art. 98. Fica vedado aos membros das Turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto. (...) II - fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão transitada em julgado do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, proferida na sistemática da repercussão geral ou dos recursos repetitivos, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (...)”. Fl. 717DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.591 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 16682.720585/2020-48 8 Os ajustes do limite de pagamento de JCP no ano-calendário 2016, mantidos à unanimidade no acórdão recorrido, foram questionados pela Contribuinte que pretendia: i) a adição no cálculo dos valores referentes a “Ajuste Acumulado de Conversão”; ii) a adição no cálculo dos valores referentes a “Lucros Acumulados”; e iii) cancelamento da dedução dos dividendos pagos em 19/10/2016. Estes ajustes, porém, dizem respeito ao montante de juros calculado sobre o capital próprio de 2016, assim demonstrado no Termo de Verificação Fiscal: O limite assim calculado pela Fiscalização somente tem aplicação quando se tem em conta os juros sobre o capital próprio segundo os critérios antes defendidos pela Fiscalização para dedução de qualquer valor em 2016. Não se trata, portanto, de indisponibilidade de lucros em 2015 para sua distribuição tardia como juros sobre o capital próprio. É certo que resta definitiva a decisão que validou o limite de R$ 574.164.885,95 para dedução de juros sobre o capital próprio no ano-calendário 2016, mas os juros pertinentes ao ano-calendário 2016 são inferiores a este montante: parcelas de R$ 220.055.163,34 (ata de outubro/2016) e R$ 261.251.439,00 (ata de dezembro/2016). Tanto é que a glosa promovida representou apenas R$ 396.372.304,53, apesar de os juros sobre o capital próprio pertinentes ao ano-calendário 2015 corresponderem a R$ 489.230.588,14. Infere-se, daí, que a autoridade lançadora acabou por admitir a dedução de parte dos juros sobre o capital próprio pertinentes a 2015 porque não extrapolado o limite para pagamento dos juros sobre o capital próprio de 2016. Não há, portanto, outras objeções ao pagamento tardio dos juros calculados sobre o capital próprio de 2015. Ao demonstrar o dissídio jurisprudencial, a Contribuinte apenas extrai dos paradigmas a tese que permite a dedução dos juros sobre o capital próprio em período posterior, assim apontando em face do paradigma nº 9202-010.471: Como se vê, no acórdão paradigma, os JCP calculados sobre as contas de patrimônio líquido de 2012 foram deliberados e pagos conjuntamente com o JCP calculados sobre as contas de patrimônio líquido de 2013, sendo a possibilidade de dedução de todos esses valores o objeto da controvérsia naquele caso. No presente caso, conforme evidenciam os trechos destacados do acórdão paradigma, discutiu-se a possibilidade de pagar acumuladamente JCP calculados sobre as contas de patrimônio líquido de 2015 e 2016, procedendo-se à sua dedução integral neste último ano. Fl. 718DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.591 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 16682.720585/2020-48 9 [...] Enquanto no acórdão recorrido prevaleceu o entendimento de que a legislação tributária aplicável (especialmente o art. 9º da Lei nº 9.249/95) teria determinado que “os JCP devem ser pagos somente dentro do exercício a que se referem”, no acórdão paradigma restou decidido que “não fora imposta nenhuma limitação temporal [art. 9º da Lei nº 9.249/95] na apuração e efetiva fruição de tal permissivo legal (...) tampouco mencionou-se o regime de competência ou remeteu-se a qualquer outra norma que pudesse, ainda que indiretamente, indicar a obrigação de sua observância”. Da mesma forma, com respeito ao paradigma nº 9101-006.267, destacou que: No precedente apontado, discutiu-se a possibilidade jurídica de pagamento de forma acumulada de JCP calculados sobre contas de patrimônio líquido e exercícios anteriores (no caso, foram deduzidos entre 2008 e 2010 despesas tendo por referência juros aplicados sobre o patrimônio líquido de 2003 a 2007), enquanto, no presente caso, discute-se a possibilidade de pagamento acumulado de JCP calculado sobre as contas de patrimônio líquido de 2015 e 2016, neste último exercício. Confira-se: [...] Como visto, em ambos os casos o objeto da controvérsia consiste em determinar se a legislação tributária aplicável ao tema afasta a possibilidade de pagamento acumulado de JCP e a sua correspondente dedutibilidade na apuração das bases de cálculo de IRPJ e CSLL, por considerar a dedução de JCP relativo a exercícios anteriores ofenderia ao regime de competência. Mas, nas razões para o provimento do recurso, a Contribuinte defende a dedutibilidade dos juros sobre o capital próprio referentes ao ano de 2015, inclusive ressaltando que eles teriam sido calculados dentro do limite legal considerando o ano de 2015. E, para além de enfrentar a inobservância do regime de competência, e a configuração de renúncia à distribuição dos juros quando não deliberado a tempo seu pagamento, a Contribuinte aduz: De acordo com o entendimento adotado pelo STJ no precedente acima, os JCPs pagos acumuladamente passíveis de distribuição devem ser calculados com base na variação pro rata die da TJLP sobre os saldos das contas de patrimônio líquido previstas no art. 9º, §8º, da Lei 9.249/1995, de cada ano. Porém, a sua dedutibilidade deverá respeitar o limite do próprio ano em que ocorrerá o pagamento, ou seja, 50% do lucro líquido apurado (ou dos lucros acumulados e reservas de lucros), conforme art. 9º, §1º, da Lei 9.249/1995.4 (destaques do original) 4 “Art. 9º (...) § 1º O efetivo pagamento ou crédito dos juros fica condicionado à existência de lucros, computados antes da dedução dos juros, ou de lucros acumulados e reservas de lucros, em montante igual ou superior ao valor de duas vezes os juros a serem pagos ou creditados.” Fl. 719DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.591 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 16682.720585/2020-48 10 Como antes demonstrado, a autoridade lançadora não verificou a compatibilidade dos juros sobre o capital próprio pertinentes a 2015, deliberados em 2016, com os limites aplicáveis ao ano-calendário 2015, somente adicionando à acusação fiscal elementos acerca do cálculo dos juros sobre o capital próprio de 2016, mas sem glosar a dedução desta parte da despesa, e inclusive reconhecendo o excedente não distribuído em 2016 como hábil a legitimar parte dos juros pertinentes a 2015 deliberados apenas em 2016. Em tais circunstâncias, com a fixação da tese, pelo Superior Tribunal de Justiça, de que “é possível a dedução dos juros sobre capital próprio (JCP) da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, quando apurados em exercício anterior ao da decisão assemblear que autoriza o seu pagamento”, não subsiste, nestes autos, motivação para exigência de qualquer parcela lançada. O recurso especial, assim, é suficiente para a pretensão de que o acórdão recorrido seja totalmente reformado, determinando-se o cancelamento da integralidade do crédito tributário em discussão, motivo pelo qual deve ser ele CONHECIDO e PROVIDO. Assinado Digitalmente Edeli Pereira Bessa Fl. 720DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto Vencido Voto Vencedor

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11386211 #
Numero do processo: 10880.926129/2017-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon May 18 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Mon Jun 15 00:00:00 UTC 2026
Numero da decisão: 1401-001.166
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso voluntário em diligência, para esclarecimento de questão de fato, nos termos do voto do relator. Assinado Digitalmente Daniel Ribeiro Silva – Relator Assinado Digitalmente Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Daniel Ribeiro Silva (Vice-Presidente), Matheus Ferreira Azevedo, Alberto Pinto Souza Júnior, Andressa Paula Senna Lísias, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin.
Nome do relator: DANIEL RIBEIRO SILVA

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Assinado Digitalmente Daniel Ribeiro Silva – Relator Assinado Digitalmente Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Daniel Ribeiro Silva (Vice-Presidente), Matheus Ferreira Azevedo, Alberto Pinto Souza Júnior, Andressa Paula Senna Lísias, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin. RELATÓRIO Trata-se de Recurso Voluntário interposto em face do Acórdão n.º 106-020.992, proferido pela 2ª Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil 06 (DRJ06), que julgou procedente em parte a Manifestação de Inconformidade apresentada contra o Despacho Fl. 437DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 1401-001.166 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.926129/2017-91 2 Decisório n.º 123300791, lavrado com o objetivo de verificar crédito declarado de Saldo Negativo de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ), referente ao ano-calendário de 2011, no valor histórico de R$ 364.274,96. A controvérsia versa sobre a glosa de R$ 130.275,24 incidente sobre o IRRF de seis fontes pagadoras, retido sob os códigos de receita n.º 3426 (aplicações financeiras de renda fixa — resgate) e 6800 (Come-Cotas — fundos de investimento), não confirmados pela fiscalização ao fundamento de que os rendimentos correspondentes não teriam sido integralmente oferecidos à tributação no ano-calendário de 2011, nos termos do art. 231 do RIR/1999 e da Súmula CARF n.º 80. Tendo tomado ciência acerca do lançamento, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 5/21), o que fez com base nas seguintes alegações, devidamente contextualizadas: a) Alega que ofereceu à tributação a totalidade dos rendimentos de aplicações financeiras do período de 2011, no montante de R$ 997.299,28, declarado na DIPJ do exercício, e que a quantia efetivamente sujeita às retenções glosadas foi de R$ 707.392,21, composta pelos rendimentos objeto de resgate (R$ 363.641,92) e pela antecipação da tributação via sistemática Come-Cotas, sob o código de receita 6800 (R$ 376.883,47), comprovados nos informes de rendimentos das instituições bancárias; b) Que a parcela dos rendimentos auferida na fase pré-operacional (até março de 2011) foi corretamente contabilizada no ativo, na conta contábil 132041919601 (Ficha 36E — "Ativo – Balanço Patrimonial", linha 50 — "Outras Mobilizações"), em conformidade com o Manual de Contabilidade do Setor Elétrico da ANEEL e com o ICPC01, enquanto a parcela auferida na fase operacional foi reconhecida como receita na conta 631041100001 (Ficha 7A, linha 43 — "Outras Receitas Operacionais"), ambas comprovadas pelos respectivos Livros Razão; c) Que houve erro formal no preenchimento do PER/DCOMP: as retenções relativas ao Come-Cotas de R$ 64.825,26, realizadas pelo Banco Itaucard S.A. (CNPJ 17.192.451/0001-70), foram informadas equivocadamente sob o código 3426 em vez do correto código 6800, conforme comprova o Informe de Rendimentos correspondente ("Unibanco Cash Di Fi Referenciado"), devendo a correção ser reconhecida com base no princípio da verdade material e no art. 142 do CTN; d) Que, alternativamente, requer a conversão do julgamento em diligência fiscal para que se confirme a existência do crédito, com reserva do direito de apresentar documentação complementar no curso do processo. Posteriormente, a 2ª Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil 06 (DRJ06) proferiu o Acórdão n.º 106-020.992 (fls. 186/204) que deu parcial provimento à Manifestação de Inconformidade e cuja ementa foi dispensada. Fl. 438DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 1401-001.166 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.926129/2017-91 3 Inicialmente, a DRJ apreciou a questão do ônus da prova, assentando que, nos processos de compensação, compete ao contribuinte demonstrar a existência do crédito pretendido, com fundamento no art. 373 do CPC e no art. 170 do CTN. A DRJ registrou ainda que o alegado equívoco no preenchimento do código de receita na DComp (3426 e 6800) não interfere na confirmação das retenções na fonte, pois a divergência está centrada no não oferecimento da receita à tributação. Em seguida, a DRJ examinou detidamente a tributação das receitas financeiras auferidas na fase pré-operacional (até março de 2011). Com base na Solução de Consulta n.º 132 — SRRF/7ª RF/Disit, de 30/10/2008, e na Solução de Divergência n.º 32-Cosit, de 21/07/2008, a DRJ assentou que as receitas financeiras obtidas com ativos vinculados ao empreendimento em construção devem ser registradas no ativo diferido e confrontadas com as despesas financeiras e pré-operacionais. Somente o eventual excesso de saldo credor deveria compor o lucro líquido do exercício e autorizar o aproveitamento do IRRF correspondente. A DRJ negou o direito creditório relativo à fase pré-operacional por entender que a contribuinte não apresentou documentos que comprovassem: (i) que a empresa se encontrava em fase pré-operacional até março de 2011; (ii) que as receitas financeiras decorreram de ativos vinculados ao empreendimento em andamento; e (iii) que os valores das despesas financeiras e pré-operacionais teriam efetivamente absorvido as receitas auferidas naquele período. No que concerne à fase operacional, a DRJ verificou que o Livro Razão da conta contábil 631041100001 registrava receitas financeiras de R$ 540.771,34 no encerramento do resultado — valor esse compatível com o lançado na Ficha 07A da DIPJ como "Outras Receitas Operacionais", embora a contribuinte não o tenha declarado nas linhas específicas de rendimentos de aplicações financeiras. Com fundamento no princípio da verdade material, a DRJ considerou sanada a inconsistência e procedeu ao cálculo proporcional das retenções confirmadas: o montante comprovado no Razão (R$ 540.771,34) representava 76,35% dos rendimentos tributáveis constantes da DIRF (R$ 708.289,74), resultando em retenções confirmadas de R$ 99.463,70, valor esse acrescido ao já reconhecido no Despacho Decisório. Por fim, o pedido de diligência foi indeferido ao fundamento de que o ônus probatório incumbia ao contribuinte e que o pedido tinha caráter genérico, nos termos dos arts. 18 e 28 do Decreto n.º 70.235/1972. Ciente da decisão do Acórdão, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 211/238). Em sede recursal, o contribuinte inova/desenvolve os seguintes pontos: Fl. 439DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 1401-001.166 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.926129/2017-91 4 a) Alega que a DRJ deixou de analisar o Livro Razão da Conta Contábil n.º 132041919601 (fls. 127/136 dos autos), já juntado com a Manifestação de Inconformidade, que comprova receitas financeiras pré-operacionais de R$ 459.453,07 (R$ 590.124,44 – R$ 130.671,44); sustenta que esse valor, somado ao R$ 540.771,34 operacional, totaliza R$ 1.000.224,41 de rendimentos apropriados em 2011, muito próximo dos R$ 997.299,28 declarados na DIPJ, e que a base de cálculo total sobre a qual incidiram as retenções foi de R$ 707.392,21, o que produziria um percentual de confirmação próximo de 99,87%, razão pela qual todas as retenções deveriam ser integralmente reconhecidas; b) Que apresenta novos documentos comprobatórios da fase pré-operacional: (i) "Termo de Liberação Provisória para Operação Integrada à Rede Básica do SIN", emitido pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), certificando que a instalação encontrava-se liberada para operação a partir de 18/03/2011 (Doc. 03); (ii) "Aviso de Crédito relativo à Apuração Mensal de Serviços e Encargos de Março/2011" (Doc. 04) e "Aviso de Crédito de Abril/2011" (Doc. 05); e que apresenta ainda três Balancetes de Verificação de 12/2011 assinados pelo Contador (Docs. 06-08) comprovando a absorção das receitas financeiras pelas despesas pré-operacionais, inclusive com destaque em vermelho para as contas 1320219196 ("Receitas Financeiras") e 132041919 ("A ratear"), cujos valores somados (R$ 71.199.996,44) são muito próximos do declarado na Ficha 36E, linha 50, da DIPJ (R$ 71.200.824,20); c) Que o procedimento contábil adotado pela EBTE está respaldado no Manual de Contabilidade do Serviço Público de Energia Elétrica da ANEEL, que determina que os rendimentos financeiros de empresa em fase pré-operacional sejam escriturados não em conta de resultado, mas em conta do Ativo Imobilizado denominada "Transferências para Imobilização em Curso" (subcontas 631.0X9 e 635.0X9), tratamento esse que não pode ser afastado pela legislação tributária, pois os conceitos e institutos de direito privado implicitamente utilizados pela Constituição Federal não podem ser alterados pela lei tributária, nos termos do art. 110 do CTN — sendo que tributar como renda o que é patrimônio de empresa pré-operacional implica violação dos arts. 43 e 145, § 1.º, da CF/1988, bem como do art. 150, IV, da CF/1988, por configurar tributação com efeito confiscatório; d) Que a jurisprudência do CARF é favorável à tese da contribuinte, invocando em suporte dois acórdãos da 1ª Turma da CSRF: PAF n.º 10768.015971/2002-14 (j. 11/11/2020), no qual se entendeu que a legislação fiscal permite o diferimento das receitas financeiras inferiores às despesas financeiras durante a fase pré- operacional e não veda a dedução das correspondentes retenções na fonte para formação do saldo negativo de IRPJ; e PAF n.º 10835.720298/2009-55 (j. 05/11/2019), que afirma que as pessoas jurídicas tributadas pelo lucro real podem registrar no ativo diferido o saldo líquido negativo entre receitas e despesas financeiras, sendo que o eventual excesso remanescente deverá compor o lucro líquido do exercício. Fl. 440DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 1401-001.166 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.926129/2017-91 5 O Recurso Voluntário foi submetido à apreciação da 8ª Turma Recursal de DRJ (TR08), que proferiu o Acórdão n.º 208-000.326 (fls. 415), declarando a incompetência da Turma Recursal e determinando o encaminhamento conjunto dos autos ao CARF. A TR08 consignou que o valor da controvérsia (R$ 130.273,30) supera o limite de alçada de 60 salários-mínimos vigente à época (R$ 56.220,00), nos termos do art. 3.º, inciso II, da Portaria ME n.º 340/2020, c/c o parágrafo único do art. 23 da Portaria RFB n.º 309/2023, atraindo a competência do CARF. Determinou ainda o encaminhamento conjunto com o processo n.º 10880.931878/2017-31, reconhecida a conexão entre os feitos por envolverem a mesma pessoa jurídica e a mesma matéria, em observância aos princípios da economicidade, celeridade, segurança jurídica e não contradição. É o relatório do essencial. VOTO Conselheiro Daniel Ribeiro Silva, Relator. Observo que as referências a fls. feitas no decorrer deste voto se referem ao e- processo. O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, por isso dele conheço. Trata-se originalmente de 03 (três) PER/DCOMP’s, por meio dos quais a Recorrente postulou a compensação de débitos fiscais com Saldo Negativo do IRPJ, exercício 2012 (01/01/2011 até 31/12/2011), no importe histórico de R$ 364.276,92. O motivo para o não reconhecimento integral do direito creditório pleiteado é o suposto não oferecimento integral dos rendimentos das aplicações financeiras à tributação. A Recorrente, por sua vez, informa que reconheceu as receitas financeiras cujas retenções não foram reconhecidas, ressaltando ainda ter sido tributada na fonte por meio do “come cotas” e, ainda, reafirma que até o mês de março/2011 estava em fase pré-operacional e, em razão disso, os rendimentos relativos às aplicações de renda fixa foram contabilizados no ativo permanente (conforme manual de contabilidade do setor elétrico), mas após o início da operação da respectiva linha de transmissão, passaram a ser considerados como receita. Alega a Recorrente ainda que: 21. Assim, importante observar que o saldo negativo referente ao período de 2011 é composto de retenções e pagamentos, sendo que todo o montante Fl. 441DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 1401-001.166 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.926129/2017-91 6 declarado como crédito foi reconhecido pela i. Autoridade Fiscal, com exceção apenas das retenções realizadas sobre as 06 (seis) aplicações financeiras de renda fixa. 22. Observa-se que os rendimentos apropriados enquanto a linha de transmissão não se encontrava pronta, isto é, em fase pré-operacional, constam no “ativo” e foram declarados na Ficha 36E (“Ativo – Balanço Patrimonial”), linha 50 (“Outras Imobilizações”), e cujos valores podem ser aferidos por meio do Livro Razão, conta contábil 132041919601 (vide fls. 127/136). 23. Registra-se, desde já, que a d. Autoridade Julgadora da DRJ NÃO APRECIOU, na r. decisão administrativa ora recorrida, o LIVRO RAZÃO da CONTA CONTÁBIL nº. 132041919601, acostado às fls. 127/136, o qual, contudo, deveria ser devidamente sopesado, posto que comprobatório das “receitas financeiras” da Recorrente em sua “FASE PRÉ-OPERACIONAL”, no valor de R$ 459.453,07 (R$ 590.124,44 – R$ 130.671,44). Confira-se: (...) 24. Exatamente neste ponto, a Recorrente aproveita o ensejo para “abrir” o item “Outras Imobilizações” de sua DIPJ 2012 (vide fls. 112), onde constam os rendimentos apropriados na “fase pré-operacional” (Ficha 36E - “Ativo – Balanço Patrimonial”), linha 50 (“Outras Imobilizações”), cujos valores podem, repita-se, ser aferidos por meio do Livro Razão, conta contábil 132041919601. (...) 25. Ainda dentro deste item de sua DIPJ 2012, a Recorrente informa que a conta contábil 132041919601 (fls. 127/136), relativa às “receitas financeiras” na “Fase Pré-Operacional”, no valor de R$ 459.453,07, que não foi apreciada pela d. Autoridade Julgadora da DRJ, encontra-se inserida dentro da redução de seu Ativo Pré-Operacional, com valor declarado de R$ 71.200.824,20 (“Outras Imobilizações” de sua DIPJ 2012). 26. Registra-se ainda que a conta contábil 132041919601 (fls. 127/136), não analisada na r. decisão recorrida, confirma que as receitas financeiras pertinentes foram absorvidas pelas despesas financeiras e pré-operacionais, o que será melhor desenvolvido no próximo capítulo. 27. Por sua vez, o montante auferido já em fase operacional está alocado na Ficha 7A (“Demonstração de Resultado”), linha 43 (“Outras Receitas Operacionais), conforme comprovou seu Livro Razão, conta contábil 631041100001 (receitas financeiras de R$ 540.771,34). Importante reiterar que esta parcela do crédito de Saldo Negativo de IRPJ foi reconhecida na r. decisão administrativa ora recorrida. 28. Necessário frisar, entretanto, que a empresa Recorrente não resgatou todo o valor aplicado (e seus rendimentos) no período de 2011, mas tão somente o valor de R$ 363.641,92, razão pela qual houve a incidência de retenção do imposto sobre o rendimento a que se refere essa movimentação, conforme comprovado Fl. 442DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 1401-001.166 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.926129/2017-91 7 por meio dos informes de rendimentos fornecidos pelas respectivas instituições bancárias (vide fls. 156/166). 29. Além disso, houve antecipação da tributação, por meio da sistemática semestral de retenção conhecida como “Come Cotas”, realizada sob o Código de Receita “6800” (“IRRF - APLICAÇÕES FINANCEIRAS EM FUNDOS DE INVESTIMENTO DE RENDA FIXA”), que incidiu sobre o montante de R$ 376.883,47. Acerca da fase pré-operacional a DRJ entendeu que: No caso, não foram apresentados documentos que, minimamente, atestem: • que a empresa se encontrava em fase pré-operacional no período (até março/2011); • que as receitas financeiras decorreram de ativos utilizados ou mantidos para emprego no empreendimento em andamento, justificando o seu possível registro no ativo diferido deduzindo despesas ativadas; • os valores das despesas financeiras e das despesas pré-operacionais e, ainda, que os referidos montantes seriam efetivamente superiores às receitas financeiras auferidas no período em questão. Por sua vez, em diálogo com a decisão recorrida a Recorrente apresenta novos documentos comprobatórios da fase pré-operacional: (i) "Termo de Liberação Provisória para Operação Integrada à Rede Básica do SIN", emitido pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), certificando que a instalação encontrava-se liberada para operação a partir de 18/03/2011 (Doc. 03); (ii) "Aviso de Crédito relativo à Apuração Mensal de Serviços e Encargos de Março/2011" (Doc. 04) e "Aviso de Crédito de Abril/2011" (Doc. 05); e que apresenta ainda três Balancetes de Verificação de 12/2011 assinados pelo Contador (Docs. 06-08) comprovando a absorção das receitas financeiras pelas despesas pré-operacionais, inclusive com destaque em vermelho para as contas 1320219196 ("Receitas Financeiras") e 132041919 ("A ratear"), cujos valores somados (R$ 71.199.996,44) são muito próximos do declarado na Ficha 36E, linha 50, da DIPJ (R$ 71.200.824,20). Além disso, a Recorrente de forma dialética buscou comprovar as respectivas contabilizações, seguindo as determinações do Manual de Contabilidade do Setor Elétrico, mas as imagens inseridas no Recurso ficaram ilegíveis no processo de digitalização, o que dificulta a análise por este Relator. Pois bem, tratando-se o presente caso de duas situações fáticas e contábeis específicas (fase pré-operacional e tributação do setor elétrico), os quais possuem regras próprias Fl. 443DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 1401-001.166 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.926129/2017-91 8 de aplicação, e tendo em vista o esforço do recorrente na juntada de provas e diálogo com a decisão Recorrida, entendo prudente a conversão do presente processo em diligência até para que a unidade de origem possa se manifestar sobre os elementos juntados em sede recursal. Assim, face a tudo o quanto exposto, oriento meu voto no sentido de converter o presente processo em diligência para que a unidade de origem: a. Aprecie os documentos juntados pela Recorrente em sede recursal e, em conjunto com os demais elementos de prova juntados ao processo, verifique se restou comprovada a devida contabilização e reconhecimento das receitas financeiras cujas glosas foram mantidas pela DRJ; b. Aprecie o livro razão e a DIPJ, especificamente quanto à Conta Contábil 132041919601 e verifique se os valores de receitas financeiras foram devidamente contabilizados e reconhecidos, seguindo as normas do Manual de Contabilidade do Serviço Público de Energia Elétrica; c. Com base nos elementos e análises realizadas, elabore relatório conclusivo acerca do efetivo oferecimento à tributação dos valores cujas glosas foram mantidas pela DRJ, elaborando, se for o caso, o cálculo de valores adicionais de crédito a serem reconhecidos; d. Para conclusão da sua finalidade, a autoridade diligente poderá requerer a apresentação de documentos complementares que entender necessários; e. Após, intime o contribuinte para se manifestar sobre o relatório no prazo de 30 (trinta) dias; f. Com ou sem manifestação, retornem os autos para julgamento. É como voto. (documento assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva Fl. 444DF CARF MF Original Resolução Relatório Voto

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11380111 #
Numero do processo: 13136.721400/2024-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 21 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Thu Jun 11 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2020 a 31/12/2020 CREDITAMENTO. ICMS-ST. IMPOSSIBILIDADE. Tema Repetitivo nº 1231, 1ª Seção do STJ: EREsp 1.959.571/RS, REsp 2.075.758/ES e REsp 2.072.621/SC. Impossibilidade de creditamento, no âmbito do regime não-cumulativo das contribuições ao PIS e COFINS, dos valores que o contribuinte, na condição de substituído tributário, paga ao contribuinte substituto a título de reembolso pelo recolhimento do ICMS Substituição (ICMS-ST). DUPLICIDADE DE CRÉDITO SOBRE O ICMS PRÓPRIO. IMPROCEDÊNCIA DAS ALEGAÇÕES DA CONTRIBUINTE. Configura-se creditamento indevido a reinclusão destacada do ICMS próprio nas aquisições de mercadorias para revenda, uma vez que esse valor já integra o custo da mercadoria e, por conseguinte, a base de cálculo legítima do crédito. A tentativa de reaver esse montante separadamente resulta em duplicidade de crédito, carecendo de respaldo legal. TRANSPORTE DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF N° 217. A negativa do crédito de frete de produtos acabados resta pacificada no âmbito deste Conselho, em razão da edição da Súmula CARF n° 217, aprovadapela3ª Turma da CSRF, em sessão de 26/09/2024 (vigência em 04/10/2024): Os gastos com fretes relativos ao transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa não geram créditos de Contribuição para o PIS/Pasep e de Cofins não cumulativas. REGIME NÃO CUMULATIVO. ATIVIDADE COMERCIAL. INSUMOS. DESPESAS COM VALE-TRANSPORTE E VALE-ALIMENTAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE CRÉDITO. No regime da não cumulatividade das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, a legislação restringe a apuração de créditos por pessoas jurídicas comerciais aos bens adquiridos para revenda, nos termos do art. 3º, I, da Lei nº 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003, sendo incabível a apropriação de créditos com fundamento no inciso II (insumos), cuja aplicação se limita às atividades de produção de bens e prestação de serviços. Também é vedado o aproveitamento de créditos sobre despesas com vale-transporte e vale-alimentação por empresas que não exerçam atividades de limpeza, conservação ou manutenção, nos termos do inciso X do mesmo artigo. Referidos dispêndios, ainda que obrigatórios por força legal ou normativa, não se qualificam como insumos, à luz do critério da essencialidade ou relevância definido pelo STJ no REsp 1.221.170/PR. REGIME NÃO CUMULATIVO. ALÍQUOTA ZERO. CRÉDITO INDEVIDO. COMPENSAÇÃO INFORMAL. IMPOSSIBILIDADE. É indevido o lançamento de crédito na EFD-Contribuições a título de aquisição de insumos submetidos à alíquota zero, ainda que com o propósito de neutralizar, de forma extemporânea, débitos indevidamente oferecidos à tributação em períodos anteriores. A legislação de regência não autoriza a utilização de crédito fictício como forma de correção de débitos indevidos. Eventuais erros de apuração devem ser corrigidos mediante retificação da escrituração fiscal digital do período correspondente. Na hipótese de recolhimento a maior, o contribuinte deve valer-se dos instrumentos legais próprios de restituição ou compensação, nos termos da legislação vigente. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2020 a 31/12/2020 CREDITAMENTO. ICMS-ST. IMPOSSIBILIDADE. Tema Repetitivo nº 1231, 1ª Seção do STJ: EREsp 1.959.571/RS, REsp 2.075.758/ES e REsp 2.072.621/SC. Impossibilidade de creditamento, no âmbito do regime não-cumulativo das contribuições ao PIS e COFINS, dos valores que o contribuinte, na condição de substituído tributário, paga ao contribuinte substituto a título de reembolso pelo recolhimento do ICMS Substituição (ICMS-ST). DUPLICIDADE DE CRÉDITO SOBRE O ICMS PRÓPRIO. IMPROCEDÊNCIA DAS ALEGAÇÕES DA CONTRIBUINTE. Configura-se creditamento indevido a reinclusão destacada do ICMS próprio nas aquisições de mercadorias para revenda, uma vez que esse valor já integra o custo da mercadoria e, por conseguinte, a base de cálculo legítima do crédito. A tentativa de reaver esse montante separadamente resulta em duplicidade de crédito, carecendo de respaldo legal. TRANSPORTE DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF N° 217. A negativa do crédito de frete de produtos acabados resta pacificada no âmbito deste Conselho, em razão da edição da Súmula CARF n° 217, aprovadapela3ª Turma da CSRF, em sessão de 26/09/2024 (vigência em 04/10/2024): Os gastos com fretes relativos ao transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa não geram créditos de Contribuição para o PIS/Pasep e de Cofins não cumulativas. REGIME NÃO CUMULATIVO. ATIVIDADE COMERCIAL. INSUMOS. DESPESAS COM VALE-TRANSPORTE E VALE-ALIMENTAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE CRÉDITO. No regime da não cumulatividade das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, a legislação restringe a apuração de créditos por pessoas jurídicas comerciais aos bens adquiridos para revenda, nos termos do art. 3º, I, da Lei nº 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003, sendo incabível a apropriação de créditos com fundamento no inciso II (insumos), cuja aplicação se limita às atividades de produção de bens e prestação de serviços. Também é vedado o aproveitamento de créditos sobre despesas com vale-transporte e vale-alimentação por empresas que não exerçam atividades de limpeza, conservação ou manutenção, nos termos do inciso X do mesmo artigo. Referidos dispêndios, ainda que obrigatórios por força legal ou normativa, não se qualificam como insumos, à luz do critério da essencialidade ou relevância definido pelo STJ no REsp 1.221.170/PR. REGIME NÃO CUMULATIVO. ALÍQUOTA ZERO. CRÉDITO INDEVIDO. COMPENSAÇÃO INFORMAL. IMPOSSIBILIDADE. É indevido o lançamento de crédito na EFD-Contribuições a título de aquisição de insumos submetidos à alíquota zero, ainda que com o propósito de neutralizar, de forma extemporânea, débitos indevidamente oferecidos à tributação em períodos anteriores. A legislação de regência não autoriza a utilização de crédito fictício como forma de correção de débitos indevidos. Eventuais erros de apuração devem ser corrigidos mediante retificação da escrituração fiscal digital do período correspondente. Na hipótese de recolhimento a maior, o contribuinte deve valer-se dos instrumentos legais próprios de restituição ou compensação, nos termos da legislação vigente.
Numero da decisão: 3201-013.407
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Flávia Sales Campos Vale - Relatora Assinado Digitalmente Hélcio Lafetá Reis - Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores Marcelo Enk de Aguiar, Flavia Sales Campos Vale, Barbara Cristina de Oliveira Pialarissi, Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow, Fabiana Francisco de Miranda, Helcio Lafeta Reis (Presidente).
Nome do relator: FLAVIA SALES CAMPOS VALE

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Flávia Sales Campos Vale - Relatora Assinado Digitalmente Hélcio Lafetá Reis - Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores Marcelo Enk de Aguiar, Flavia Sales Campos Vale, Barbara Cristina de Oliveira Pialarissi, Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow, Fabiana Francisco de Miranda, Helcio Lafeta Reis (Presidente).

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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2020 a 31/12/2020 CREDITAMENTO. ICMS-ST. IMPOSSIBILIDADE. Tema Repetitivo nº 1231, 1ª Seção do STJ: EREsp 1.959.571/RS, REsp 2.075.758/ES e REsp 2.072.621/SC. Impossibilidade de creditamento, no âmbito do regime não-cumulativo das contribuições ao PIS e COFINS, dos valores que o contribuinte, na condição de substituído tributário, paga ao contribuinte substituto a título de reembolso pelo recolhimento do ICMS Substituição (ICMS-ST). DUPLICIDADE DE CRÉDITO SOBRE O ICMS PRÓPRIO. IMPROCEDÊNCIA DAS ALEGAÇÕES DA CONTRIBUINTE. Configura-se creditamento indevido a reinclusão destacada do ICMS próprio nas aquisições de mercadorias para revenda, uma vez que esse valor já integra o custo da mercadoria e, por conseguinte, a base de cálculo legítima do crédito. A tentativa de reaver esse montante separadamente resulta em duplicidade de crédito, carecendo de respaldo legal. TRANSPORTE DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF N° 217. A negativa do crédito de frete de produtos acabados resta pacificada no âmbito deste Conselho, em razão da edição da Súmula CARF n° 217, aprovadapela3ª Turma da CSRF, em sessão de 26/09/2024 (vigência em 04/10/2024): Os gastos com fretes relativos ao transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa não geram créditos de Contribuição para o PIS/Pasep e de Cofins não cumulativas. REGIME NÃO CUMULATIVO. ATIVIDADE COMERCIAL. INSUMOS. DESPESAS COM VALE-TRANSPORTE E VALE-ALIMENTAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE CRÉDITO. No regime da não cumulatividade das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, a legislação restringe a apuração de créditos por pessoas jurídicas comerciais aos bens adquiridos para revenda, nos termos do art. 3º, I, da Lei nº 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003, sendo incabível a apropriação de créditos com fundamento no inciso II (insumos), cuja aplicação se limita às atividades de produção de bens e prestação de serviços. Também é vedado o aproveitamento de créditos sobre despesas com vale-transporte e vale-alimentação por empresas que não exerçam atividades de limpeza, conservação ou manutenção, nos termos do inciso X do mesmo artigo. Referidos dispêndios, ainda que obrigatórios por força legal ou normativa, não se qualificam como insumos, à luz do critério da essencialidade ou relevância definido pelo STJ no REsp 1.221.170/PR. REGIME NÃO CUMULATIVO. ALÍQUOTA ZERO. CRÉDITO INDEVIDO. COMPENSAÇÃO INFORMAL. IMPOSSIBILIDADE. É indevido o lançamento de crédito na EFD-Contribuições a título de aquisição de insumos submetidos à alíquota zero, ainda que com o propósito de neutralizar, de forma extemporânea, débitos indevidamente oferecidos à tributação em períodos anteriores. A legislação de regência não autoriza a utilização de crédito fictício como forma de correção de débitos indevidos. Eventuais erros de apuração devem ser corrigidos mediante retificação da escrituração fiscal digital do período correspondente. Na hipótese de recolhimento a maior, o contribuinte deve valer-se dos instrumentos legais próprios de restituição ou compensação, nos termos da legislação vigente. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2020 a 31/12/2020 CREDITAMENTO. ICMS-ST. IMPOSSIBILIDADE. Tema Repetitivo nº 1231, 1ª Seção do STJ: EREsp 1.959.571/RS, REsp 2.075.758/ES e REsp 2.072.621/SC. Impossibilidade de creditamento, no âmbito do regime não-cumulativo das contribuições ao PIS e COFINS, dos valores que o contribuinte, na condição de substituído tributário, paga ao contribuinte substituto a título de reembolso pelo recolhimento do ICMS Substituição (ICMS-ST). DUPLICIDADE DE CRÉDITO SOBRE O ICMS PRÓPRIO. IMPROCEDÊNCIA DAS ALEGAÇÕES DA CONTRIBUINTE. Configura-se creditamento indevido a reinclusão destacada do ICMS próprio nas aquisições de mercadorias para revenda, uma vez que esse valor já integra o custo da mercadoria e, por conseguinte, a base de cálculo legítima do crédito. A tentativa de reaver esse montante separadamente resulta em duplicidade de crédito, carecendo de respaldo legal. TRANSPORTE DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF N° 217. A negativa do crédito de frete de produtos acabados resta pacificada no âmbito deste Conselho, em razão da edição da Súmula CARF n° 217, aprovadapela3ª Turma da CSRF, em sessão de 26/09/2024 (vigência em 04/10/2024): Os gastos com fretes relativos ao transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa não geram créditos de Contribuição para o PIS/Pasep e de Cofins não cumulativas. REGIME NÃO CUMULATIVO. ATIVIDADE COMERCIAL. INSUMOS. DESPESAS COM VALE-TRANSPORTE E VALE-ALIMENTAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE CRÉDITO. No regime da não cumulatividade das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, a legislação restringe a apuração de créditos por pessoas jurídicas comerciais aos bens adquiridos para revenda, nos termos do art. 3º, I, da Lei nº 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003, sendo incabível a apropriação de créditos com fundamento no inciso II (insumos), cuja aplicação se limita às atividades de produção de bens e prestação de serviços. Também é vedado o aproveitamento de créditos sobre despesas com vale-transporte e vale-alimentação por empresas que não exerçam atividades de limpeza, conservação ou manutenção, nos termos do inciso X do mesmo artigo. Referidos dispêndios, ainda que obrigatórios por força legal ou normativa, não se qualificam como insumos, à luz do critério da essencialidade ou relevância definido pelo STJ no REsp 1.221.170/PR. REGIME NÃO CUMULATIVO. ALÍQUOTA ZERO. CRÉDITO INDEVIDO. COMPENSAÇÃO INFORMAL. IMPOSSIBILIDADE. É indevido o lançamento de crédito na EFD-Contribuições a título de aquisição de insumos submetidos à alíquota zero, ainda que com o propósito de neutralizar, de forma extemporânea, débitos indevidamente oferecidos à tributação em períodos anteriores. A legislação de regência não autoriza a utilização de crédito fictício como forma de correção de débitos indevidos. Eventuais erros de apuração devem ser corrigidos mediante retificação da escrituração fiscal digital do período correspondente. Na hipótese de recolhimento a maior, o contribuinte deve valer-se dos instrumentos legais próprios de restituição ou compensação, nos termos da legislação vigente.

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ICMS-ST. IMPOSSIBILIDADE. Tema Repetitivo nº 1231, 1ª Seção do STJ: EREsp 1.959.571/RS, REsp 2.075.758/ES e REsp 2.072.621/SC. Impossibilidade de creditamento, no âmbito do regime não-cumulativo das contribuições ao PIS e COFINS, dos valores que o contribuinte, na condição de substituído tributário, paga ao contribuinte substituto a título de reembolso pelo recolhimento do ICMS Substituição (ICMS-ST). DUPLICIDADE DE CRÉDITO SOBRE O ICMS PRÓPRIO. IMPROCEDÊNCIA DAS ALEGAÇÕES DA CONTRIBUINTE. Configura-se creditamento indevido a reinclusão destacada do ICMS próprio nas aquisições de mercadorias para revenda, uma vez que esse valor já integra o custo da mercadoria e, por conseguinte, a base de cálculo legítima do crédito. A tentativa de reaver esse montante separadamente resulta em duplicidade de crédito, carecendo de respaldo legal. TRANSPORTE DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF N° 217. A negativa do crédito de frete de produtos acabados resta pacificada no âmbito deste Conselho, em razão da edição da Súmula CARF n° 217, aprovadapela3ª Turma da CSRF, em sessão de 26/09/2024 (vigência em 04/10/2024): “Os gastos com fretes relativos ao transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa não geram créditos de Contribuição para o PIS/Pasep e de Cofins não cumulativas.” REGIME NÃO CUMULATIVO. ATIVIDADE COMERCIAL. INSUMOS. DESPESAS COM VALE-TRANSPORTE E VALE-ALIMENTAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE CRÉDITO. Fl. 6425DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.407 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13136.721400/2024-44 2 No regime da não cumulatividade das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, a legislação restringe a apuração de créditos por pessoas jurídicas comerciais aos bens adquiridos para revenda, nos termos do art. 3º, I, da Lei nº 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003, sendo incabível a apropriação de créditos com fundamento no inciso II (insumos), cuja aplicação se limita às atividades de produção de bens e prestação de serviços. Também é vedado o aproveitamento de créditos sobre despesas com vale-transporte e vale-alimentação por empresas que não exerçam atividades de limpeza, conservação ou manutenção, nos termos do inciso X do mesmo artigo. Referidos dispêndios, ainda que obrigatórios por força legal ou normativa, não se qualificam como insumos, à luz do critério da essencialidade ou relevância definido pelo STJ no REsp 1.221.170/PR. REGIME NÃO CUMULATIVO. ALÍQUOTA ZERO. CRÉDITO INDEVIDO. COMPENSAÇÃO INFORMAL. IMPOSSIBILIDADE. É indevido o lançamento de crédito na EFD-Contribuições a título de aquisição de insumos submetidos à alíquota zero, ainda que com o propósito de neutralizar, de forma extemporânea, débitos indevidamente oferecidos à tributação em períodos anteriores. A legislação de regência não autoriza a utilização de crédito fictício como forma de correção de débitos indevidos. Eventuais erros de apuração devem ser corrigidos mediante retificação da escrituração fiscal digital do período correspondente. Na hipótese de recolhimento a maior, o contribuinte deve valer-se dos instrumentos legais próprios de restituição ou compensação, nos termos da legislação vigente. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2020 a 31/12/2020 CREDITAMENTO. ICMS-ST. IMPOSSIBILIDADE. Tema Repetitivo nº 1231, 1ª Seção do STJ: EREsp 1.959.571/RS, REsp 2.075.758/ES e REsp 2.072.621/SC. Impossibilidade de creditamento, no âmbito do regime não-cumulativo das contribuições ao PIS e COFINS, dos valores que o contribuinte, na condição de substituído tributário, paga ao contribuinte substituto a título de reembolso pelo recolhimento do ICMS Substituição (ICMS-ST). DUPLICIDADE DE CRÉDITO SOBRE O ICMS PRÓPRIO. IMPROCEDÊNCIA DAS ALEGAÇÕES DA CONTRIBUINTE. Fl. 6426DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.407 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13136.721400/2024-44 3 Configura-se creditamento indevido a reinclusão destacada do ICMS próprio nas aquisições de mercadorias para revenda, uma vez que esse valor já integra o custo da mercadoria e, por conseguinte, a base de cálculo legítima do crédito. A tentativa de reaver esse montante separadamente resulta em duplicidade de crédito, carecendo de respaldo legal. TRANSPORTE DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF N° 217. A negativa do crédito de frete de produtos acabados resta pacificada no âmbito deste Conselho, em razão da edição da Súmula CARF n° 217, aprovadapela3ª Turma da CSRF, em sessão de 26/09/2024 (vigência em 04/10/2024): “Os gastos com fretes relativos ao transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa não geram créditos de Contribuição para o PIS/Pasep e de Cofins não cumulativas.” REGIME NÃO CUMULATIVO. ATIVIDADE COMERCIAL. INSUMOS. DESPESAS COM VALE-TRANSPORTE E VALE-ALIMENTAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE CRÉDITO. No regime da não cumulatividade das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, a legislação restringe a apuração de créditos por pessoas jurídicas comerciais aos bens adquiridos para revenda, nos termos do art. 3º, I, da Lei nº 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003, sendo incabível a apropriação de créditos com fundamento no inciso II (insumos), cuja aplicação se limita às atividades de produção de bens e prestação de serviços. Também é vedado o aproveitamento de créditos sobre despesas com vale-transporte e vale-alimentação por empresas que não exerçam atividades de limpeza, conservação ou manutenção, nos termos do inciso X do mesmo artigo. Referidos dispêndios, ainda que obrigatórios por força legal ou normativa, não se qualificam como insumos, à luz do critério da essencialidade ou relevância definido pelo STJ no REsp 1.221.170/PR. REGIME NÃO CUMULATIVO. ALÍQUOTA ZERO. CRÉDITO INDEVIDO. COMPENSAÇÃO INFORMAL. IMPOSSIBILIDADE. É indevido o lançamento de crédito na EFD-Contribuições a título de aquisição de insumos submetidos à alíquota zero, ainda que com o propósito de neutralizar, de forma extemporânea, débitos indevidamente oferecidos à tributação em períodos anteriores. A legislação de regência não autoriza a utilização de crédito fictício como forma de correção de débitos indevidos. Eventuais erros de apuração devem ser corrigidos mediante retificação da escrituração fiscal digital do período correspondente. Na hipótese de recolhimento a maior, o contribuinte deve Fl. 6427DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.407 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13136.721400/2024-44 4 valer-se dos instrumentos legais próprios de restituição ou compensação, nos termos da legislação vigente. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Flávia Sales Campos Vale – Relatora Assinado Digitalmente Hélcio Lafetá Reis – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores Marcelo Enk de Aguiar, Flavia Sales Campos Vale, Barbara Cristina de Oliveira Pialarissi, Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow, Fabiana Francisco de Miranda, Helcio Lafeta Reis (Presidente). RELATÓRIO Trata-se de Recurso Voluntário interposto contra decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento que julgou improcedente a Impugnação apresentada pela Recorrente e manteve o crédito tributário. Por retratar com fidelidade os fatos, adoto, com os devidos acréscimos, o relatório produzido em primeira instância, o qual está consignado nos seguintes termos: Trata o presente processo de autos de infração, lavrados contra a contribuinte acima identificada, que pretendem a cobrança de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins e da Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS, relativo ao período de apuração de 01/01/2020 a 31/12/2020. Foram lavrados no procedimento fiscal dois autos de infração, folhas de capa transcritas a seguir, contendo a seguinte infração: “insuficiência de declaração e recolhimento decorrente de créditos improcedentes”. Fl. 6428DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.407 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13136.721400/2024-44 5 (...) Durante a realização dos trabalhos de auditoria, a autoridade fiscal glosou créditos não cumulativos apurados pela contribuinte, relativos ao ano-calendário de 2020, conforme relato contido no Termo de Verificação e Constatação Fiscal- TVF, de fls. 18-45. Quanto ao objeto social da empresa, cabe a seguinte transcrição do TVF: 2) De acordo com o artigo 3º do Estatuto Social registrado na JUCEMG em 23/11/2022: “A companhia tem por objetivo social o comércio a varejo, e, por atacado de mercadorias, com predominância de produtos alimentícios, exploração de comércio de supermercados, mudas e sementes, de carnes (açougue), atividades de importação e exportação, de vinhos e derivados da uva e do vinho, vinagre, aceto balsâmico, bebidas, produtos de origem animal, pescados, azeite, produtos de origem vegetal e produtos alimentícios, a fabricação e comércio de produtos de padaria, confeitaria e pastelaria, que serão realizadas através de seus estabelecimentos filiais localizados nos estados do brasil, inclusive por meio de comércio eletrônico (via internet), carga e descarga, além da guarda e estacionamento de veículos terrestres automotores e atividades de restaurantes, lanchonetes, casas de chá, de sucos, cozinha industrial para preparação de refeições exclusivamente para funcionários.” No item 13.a do TVF, a Fiscalização cita legislação tributária a seguir transcrita com destaques em negrito: Lei nº 10.833, de 2003; Lei nº 10.637,de 2002 Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I - bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: a) no inciso III do § 3º do art. 1º desta Lei; e b) nos §§ 1º e 1º-A A do art. 2º desta Lei; II - bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; Transcreve-se o detalhamento das infrações apontadas no TVF (com destaques em negrito): III - DAS INFRAÇÕES À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA 14) Analisando os dados vinculados às Escriturações Fiscais Digitais da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Fl. 6429DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.407 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13136.721400/2024-44 6 Seguridade Social (EFD-Contribuições), transmitidas pela empresa ao Sistema Público de Escrituração Digital (SPED), bem como as informações, os documentos, e as planilhas eletrônicas de dados entregues sob intimação, verificamos que ações do sujeito passivo se enquadraram nas seguintes infrações à legislação tributária federal: 14.a) Apuração e aproveitamento indevidos de créditos básicos de Cofins e PIS (alíquotas de 7,6% e 1,65%) vinculados a aquisição de mercadorias para revenda, calculados inapropriadamente sobre valores referentes a ICMS-ST, e em duplicidade sobre valores do ICMS normal, uma vez que mesmo integrando o valor da mercadoria foi novamente somado sob a justificativa de neutralizar o efeito do ICMS na saída das mercadorias, contrariando o disposto nas Leis 10.833/2003 e 10.637/2002, artigos 3º, inciso I, e §2º, inciso II. Enquadramento legal da infração: Lei 10.637/2002, artigo 3º, inciso I e § 2º, inciso II; Lei 10.833/2003, artigo 3º, inciso I e § 2º, inciso II. 14.b) Apuração e aproveitamento indevidos de créditos básicos de Cofins e PIS (alíquotas de 7,6% e 1,65%), calculados sem amparo legal, sobre valores relativos a gastos com “Mercadorias Alíquota Zero”, “Vale Alim. Refeitório” e “Vales Transporte”, classificados pelo sujeito passivo como OUTRAS OPERAÇÕES COM DIREITO A CRÉDITO nos registros F100 das EFD- Contribuições, pois a aquisição de mercadorias sujeitas a alíquota zero das contribuições não geram direito a crédito, enquanto o pagamento de vale- alimentação e vale-transporte somente permitem a apuração de créditos quando esses vales são fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção; Enquadramento legal da infração: artigos 3º e §2º, inciso II, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. 14.c) Apuração e aproveitamento indevidos de créditos básicos de Cofins e PIS (alíquotas de 7,6% e 1,65%) calculados inapropriadamente sobre valores pagos a título de Fretes, classificados pelo sujeito passivo como FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA nos registros D105 e D101 das EFD-Contribuições, os quais não se enquadram no inciso IX, do art. 3º da Lei 10.833/2003, uma vez que se referem a fretes na transferência de mercadorias para revenda entre estabelecimentos filiais do próprio sujeito passivo; Enquadramento legal da infração: artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. 14.d) Apuração e aproveitamento indevidos de créditos básicos de Cofins e PIS (alíquotas de 7,6% e 1,65%) calculados inapropriadamente sobre valores pagos a título “FRETE TRANSF.MERC.”, classificados pelo sujeito passivo como AQUISIÇÃO DE SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMO nos registros A170 das EFD-Contribuições, os quais não podem se enquadrar no inciso IX, do art. 3º da Lei 10.833/2003, nem como serviços utilizados como insumo, Fl. 6430DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.407 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13136.721400/2024-44 7 uma vez que se referem a fretes na transferência de mercadorias para revenda entre estabelecimentos filiais do próprio sujeito passivo. Enquadramento legal da infração: artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. Segundo a autoridade fiscal, a empresa justificou a inclusão do ICMS, ICMS-ST e FCP-ST nas bases de cálculo dos créditos de Cofins e PIS nos argumentos a seguir reproduzidos: 9.c.1. “tratar-se de valores que compõem o custo de aquisição como imposto não recuperável a esteira do que preconiza a legislação e do que vem sendo decidido pelo STJ (Resps 2.009.643/2.019.335/2.019.696)”; e 9.c.2. “ser necessário para dar efetividade ao cumprimento da decisão proferida no tema 69 do STF em que se decidiu que “O ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da COFINS”. Na medida em que o contribuinte não dispunha de recursos/possibilidades sistêmicas para dar efetividade a decisão no momento da saída da mercadoria, a neutralização do impacto do ICMS na base de PIS e COFINS se deu no momento da entrada das mercadorias para revenda, alcançando o mesmo resultado final.”; De acordo com a Fiscalização, a empresa apresentou planilhas eletrônicas contendo os valores de ICMS, ICMS-ST e IPI somados aos valores dos itens adquiridos p/ revenda na composição das bases de cálculo dos créditos de Cofins e PIS escriturados pelo sujeito passivo de forma consolidada nos registros C195/C191 das EFD-Contribuições (EFDC) do ano 2020, com alíquotas de 7,6% e 1,65% respectivamente. Os valores do ICMS e ICMS-ST utilizados foram apresentados pelo próprio sujeito passivo em resposta às intimações fiscais, conforme informado no subitem “9.d” e no item “12” do TVF: 9) Em resposta a itens do Termo de Início do Procedimento Fiscal e dos Termos de Intimação Fiscal, o sujeito passivo: (...)9.d) apresentou planilhas eletrônicas contendo os valores de ICMS, ICMS-ST e IPI somados aos valores dos itens adquiridos p/ revenda na composição das bases de cálculo dos créditos de Cofins e PIS escriturados pelo sujeito passivo de forma consolidada nos registros C195/C191 das EFD- Contribuições (EFDC) do ano 2020, com alíquotas de 7,6% e 1,65% respectivamente. (...)12) Os valores referentes ao ICMS e ICMS-ST destacados nas notas fiscais de aquisição de mercadorias para revenda, somados indevidamente às bases de cálculo dos créditos da Cofins e PIS nas EFD-Contribuições, foram especificados e detalhados pelo próprio sujeito passivo em resposta às intimações fiscais nº 2 e 3. Fl. 6431DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.407 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13136.721400/2024-44 8 Em resumo, a Fiscalização conclui que houve uma inclusão indevida, nas bases de cálculo dos créditos da Cofins e PIS sobre as aquisições de mercadorias para revenda, das parcelas destacadas nas notas fiscais relativas ao ICMS-ST e ao ICMS normal, sendo que o segundo já integra o valor das mercadorias, caracterizando a duplicidade da apuração de créditos sobre esse ICMS normal. Cita o Fisco que as justificativas apresentadas pelo sujeito passivo, transcritas nos subitens “9.c.1” e “9.c.2” supra, não merecem prosperar tendo em vista que as decisões judiciais do STJ mencionadas em “9.c.1” somente se aplicam às partes envolvidas e o procedimento descrito em “9.c.2” não possui amparo legal, nem judicial. A legislação tributária, por outro lado, tem efeito vinculante no âmbito da RFB. Acrescenta que os valores referentes ao ICMS e ICMS-ST destacados nas notas fiscais de aquisição de mercadorias para revenda, somados indevidamente às bases de cálculo dos créditos da Cofins e PIS nas EFD-Contribuições, foram especificados e detalhados pelo próprio sujeito passivo em resposta às intimações fiscais nº 2 e 3. Para comprovar a apuração fiscal, foram anexados os seguintes demonstrativos: a) No Anexo 1, intitulado Valores dos créditos indevidos de Cofins e PIS escriturados nos registros C195 e C191 das EFD-Contribuições, foram explicitados os valores mensais do ICMS e ICMS-ST destacados nas notas fiscais de aquisição de mercadorias para revenda, indevidamente incluídos pelo sujeito passivo nas bases de cálculo dos créditos das contribuições escrituradas nos registros C195 e C191 e os respectivos valores de Cofins e PIS com alíquotas básicas de 7,60% e 1,65% respectivamente. Os valores do ICMS e ICMS-ST utilizados nesse anexo foram apresentados pelo próprio sujeito passivo em resposta às intimações fiscais, conforme informado no subitem “9.d” e no item “12” do TVF. b) No Anexo 1A, Exemplos de NFe de aquisição com apuração dos créditos indevidos de Cofins e PIS escriturados nos registros C195 e C191 das EFD- Contribuições, foram relacionados dados extraídos de notas fiscais eletrônicas de venda, emitidas pelos fornecedores/vendedores, exemplificativas (em conjunto com o anexo 1B) da sistemática utilizada pelo sujeito passivo na apuração das bases de cálculo e dos créditos de Cofins e PIS sobre a aquisição de mercadorias para revenda, explicitando e totalizando os valores do produto, do ICMS normal, do ICMS-ST e da base de cálculo da Cofins/PIS. c) No Anexo 1B, Comparativo dos somatórios das NF-e do anexo 1A com os correspondentes valores escriturados sinteticamente nos registros C195 e C191 das EFD-Contribuições, foi demonstrado que as diferenças apuradas entre os valores escriturados, de forma consolidada nos registros C195 e C191, das bases de cálculo dos créditos de Cofins e PIS [coluna B do anexo] e os respectivos valores dos totais dos itens [coluna A] são exatamente Fl. 6432DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.407 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13136.721400/2024-44 9 iguais ao somatório dos valores do ICMS normal e ICMS-ST [coluna H] registrados nas correspondentes notas fiscais de aquisição. No presente anexo verifica-se também que para cada item escriturado sinteticamente nos registros C195/C191 correspondem vários itens de notas fiscais de aquisição [coluna I]. d) O Anexo 3, demonstra os Valores dos créditos indevidos de Cofins e PIS escriturados nos registros D105 e D101 das EFDC, explicitando também as bases de cálculo mensais desses créditos apurados pelo sujeito passivo e escriturados em suas EFD-Contribuições nos registros D105 e D101. Na primeira coluna (Valor Total do Frete CT-e), transcrevemos a soma dos valores mensais da prestação dos serviços de frete na transferência de mercadorias para revenda entre estabelecimentos do próprio sujeito passivo, obtidos dos respectivos CT-e (relacionados no anexo 3A). e) No Anexo 3A, Relação dos CT-e de transferência de mercadorias para revenda entre estabelecimentos do sujeito passivo, foram relacionados todos os CT-e totalizados no anexo 3, apresentando para cada um dos 74.258 CT-e as chaves de acesso ddos mesmos e de uma NF-e a eles vinculada, os CNPJ do remetente e destinatário, o valor total da prestação do serviço do CT-e, a base de cálculo e o valor do crédito da Cofins escriturados nos registros D105, a base de cálculo e o crédito do PIS escriturados nos registros D101 da EFDContribuições. Tendo em vista o volume de dados e a dificuldade de visualização dos mesmos no formato PDF, esse anexo será juntado ao processo no formato planilha EXCEL “xlsx”. f) O Anexo 4, Valores dos créditos indevidos de Cofins e PIS escriturados nos registros A170 das EFD-Contribuições, transcreve os valores das bases de cálculo e dos créditos das contribuições sobre fretes na transferência de mercadorias, classificados pelo sujeito passivo como AQUISIÇÃO DE SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMO nos registros A170 das EFD- Contribuições. g) No Anexo 5, demonstra-se a Apuração dos valores dos créditos de Cofins e PIS depois da exclusão dos indevidos demonstrados nos anexos 1 a 4, consolidando os valores mensais dos créditos indevidos e os subtraindo dos valores totais mensais escriturados nas EFD-Contribuições. h) O Anexo 6, transcreve a Apuração dos valores devidos e a recolher das Contribuições Cofins e PIS conforme EFD-Contribuições retificadoras transmitidas em ABR/2023, explicitando os valores totais mensais dos débitos, créditos e saldos escriturados pelo sujeito passivo. i) O Anexo 7, Apuração dos valores devidos e a recolher de Cofins e PIS pós- glosa dos créditos indevidos demonstrados nos anexos 1 a 4, demonstra os valores mensais da insuficiência de declaração/recolhimento das contribuições (objetos de autos de infração), comparando os saldos devedores apurados nesta fiscalização com os débitos declarados pelo Fl. 6433DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.407 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13136.721400/2024-44 10 sujeito passivo em suas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) retificadoras transmitidas em ABR/2023. j) No Anexo 8, transcreve-se a Identificação dos arquivos das EFD- Contribuições utilizados pela fiscalização obtidos do Sistema Público de Escrituração Digital. DA IMPUGNAÇÃO A contribuinte foi cientificada do lançamento pela abertura de mensagem no seu Domicílio Tributário Eletrônico (DTE) em 19/04/2024 (fl. 5148) e apresentou sua impugnação (fls. 6154-6207) em 21/05/2024 (fl. 6151), alegando em síntese e fundamentalmente o que se relata a seguir. A autuação decorre da glosa de créditos efetuada pela fiscalização, a qual identificou três grupos de infrações: (i) Exclusão ICMS-ST/Creditamento ICMS-ST; (ii) créditos lançados no registro F100 das EFD-Contribuições (vale transporte; vale alimentação e “alíquota zero”) e (iii) crédito decorrente de despesas com frete. 2.1 APROVEITAMENTO DE CRÉDITOS SOBRE ICMS-ST E DUPLICIDADE COM ICMS NORMAL Segundo a defesa, a fiscalização entendeu que houve creditamento indevido, tanto sobre valores referentes ao ICMS-ST quanto em duplicidade sobre o ICMS normal. Infere que a glosa promovida pela autoridade fiscal quanto ao aproveitamento de créditos de ICMS-ST insere-se em um contexto jurídico amplamente debatido, especialmente após o julgamento do Tema 69 pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que firmou a tese da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS — conhecida como “a tese do século”. Sustenta que, embora o caso envolva o ICMS-ST, não há distinção material que afaste sua aplicação da tese firmada pelo STF. Essa interpretação foi recentemente confirmada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no REsp 1.896.678/RS, sob relatoria do Ministro Gurgel de Faria, ao reconhecer que a diferença entre ICMS normal e ICMS-ST está na forma de arrecadação, e não na sua materialidade. A decisão proferida pela Corte Suprema alcança os contribuintes que recolhem o ICMS no regime de substituição tributária. Aduz que adotou um mecanismo específico para efetivar a exclusão do ICMS-ST da base de cálculo das contribuições, realizando o creditamento na entrada das mercadorias, em vez de proceder à exclusão na saída. Tal procedimento, embora diverso na forma, alcança o mesmo resultado prático: a exclusão do ICMS-ST da base de cálculo do PIS e da COFINS, em conformidade com o entendimento consolidado pelo STF. De acordo com o seu entendimento, a alegação de duplicidade no creditamento, levantada pela fiscalização, decorre de uma interpretação equivocada do método adotado. Não houve duplicidade, mas sim a adoção de uma sistemática Fl. 6434DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.407 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13136.721400/2024-44 11 alternativa, justificada pela ausência, à época, de sistema que permitisse a exclusão direta na saída das mercadorias. Acrescenta que, mesmo que não se reconhecesse a aplicação da tese do STF ao ICMS-ST, o aproveitamento dos créditos ainda encontraria respaldo em jurisprudência recente do STJ, que admite a qualificação do ICMS-ST como custo de aquisição, gerando créditos legítimos no regime não cumulativo das contribuições. 2.2 GLOSA DE CRÉDITOS LANÇADOS NO REGISTRO F100 DAS EFD-CONTRIBUIÇÕES (VALE-TRANSPORTE, VALE-ALIMENTAÇÃO E MERCADORIAS "ALÍQUOTA ZERO") A impugnante alega que os créditos relacionados a vale-transporte e alimentação têm respaldo na jurisprudência do STJ (REsp 1.221.170/PR), por se tratar de insumos relevantes e essenciais à atividade empresarial, sendo inclusive obrigatórios por norma legal ou convenção coletiva. Quanto aos lançamentos sob a rubrica “mercadorias alíquota zero”, esclarece que se referem a créditos extemporâneos de mercadorias indevidamente tributadas nos referidos meses de apuração, e não a mercadorias com alíquota zero adquiridas informadas no código F100 da EFD-Contribuições. O que o contribuinte fez foi tão somente lançar os créditos de forma extemporânea no registro F100 para “estornar” o lançamento do débito indevidamente realizado em mercadorias sujeitas a tributação à alíquota zero. Em relação à rubrica “Vale Alim. Refeitório” e “Vale Transporte”, alega que a fiscalização deixou de considerar decisão do STJ envolvendo o enquadramento de tais rubricas como insumos da sociedade, já que absolutamente relevantes e essenciais ao desenvolvimento de sua atividade econômica, sobretudo quando decorrente de imposição legal prevista em lei e/ou em convenção e acordo coletivo de trabalho. 2.3 GLOSA DE CRÉDITOS SOBRE DESPESAS COM FRETES Argui que o Fisco glosou os créditos referentes a fretes na transferência de mercadorias para revenda entre estabelecimentos filiais do próprio sujeito passivo, entendendo que tais operações não se enquadram como “frete na operação de venda” ou como insumos. Por sua vez, defende a empresa que tais fretes integram as operações de venda, sendo essenciais à concretização da atividade comercial, o que os qualifica como despesas creditáveis à luz do art. 3º, IX, da Lei 10.833/2003. A contribuinte alega, em síntese, que todos os créditos foram apurados em conformidade com a legislação vigente e respaldados por jurisprudência consolidada do STF e STJ, inexistindo infração à norma tributária. 2.4 DAS GLOSAS REFERENTES AO ICMS-ST. DA VALIDADE E REGULARIDADE DA EXCLUSÃO DO ICMS-ST DA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. EXCLUSÃO ALICERÇADA EM DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. CONFIRMAÇÃO Fl. 6435DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.407 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13136.721400/2024-44 12 RECENTE PROFERIDA PELO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA EM JULGAMENTO SOB O RITO DE RECURSOS REPETITIVOS. Destaca que a tomada de créditos referentes ao ICMS-ST em uma primeira análise se refere ao mecanismo desenvolvido pela Impugnante para, em cumprimento a decisão do Supremo Tribunal Federal com a tese fixada a partir do tema 69, dar efetividade à exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS, fazendo-o não pelas saídas, mas pelas entradas das mercadorias. Refere que a exclusão do ICMS (incluindo o ICMS-ST) a partir das entradas das mercadorias (e, portanto, sob a forma de aproveitamento de crédito) gera exatamente o mesmo montante a recolher ao fisco federal se a exclusão for efetivada pelas saídas das mercadorias. Ilustra e reforça seus argumentos trazendo o juízo de retratação proferido em processo favorável à empresa no sentido de que o ICMS não deve se submeter à incidência de PIS/Cofins em adequação à decisão anterior do STF. Cita que o Superior Tribunal de Justiça, em julgamento sob o rito dos recursos repetitivos, julgou o REsp 1.896.678/RS que confirmou, em respeito e em alinhamento ao já decidido pelo STF, que todo o ICMS deve ser excluído da base de cálculo do PIS e da COFINS, incluindo o ICMS-ST. Após robusta colação jurisprudencial de tribunais superiores, conclui que a impugnante possui o direito de excluir da base de cálculo das contribuições ao PIS e a COFINS todo o ICMS, incluindo o recolhido sob a forma “regular” e sob a sistemática da substituição tributária, na esteira do que definido pelo STF em julgamento e fixação de tese no Tema 69 e refletido em ação própria transitado em julgado em favor do contribuinte e, recentemente, confirmado pelo STJ que, de forma expressa, definiu que “A decisão proferida pela Suprema Corte alcança os contribuintes que recolhem o ICMS no regime de substituição tributária.”. 2.5 DO PROCEDIMENTO/MECANISMO UTILIZADO PELA IMPUGNANTE PARA EFETIVAR A EXCLUSÃO DO ICMS-ST DA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. DEMONSTRAÇÃO DE AUSÊNCIA DE PREJUÍZO AO FISCO E DEMONSTRAÇÃO DE IDÊNTICO CENÁRIO DE RECOLHIMENTO AO FISCO. AUSÊNCIA DE CREDITAMENTO EM DUPLICIDADE DO ICMS “NORMAL”. Sustenta que optou por fazer a exclusão do ICMS-ST a partir das operações de entradas de mercadorias ao invés de proceder a exclusão pelas saídas, por inexistir à época condições sistêmicas de efetivar a exclusão pelas saídas, pois entende que o resultado final sobre o montante a ser recolhido ao Fisco é exatamente o mesmo se realizada a exclusão pelas entradas das mercadorias sob a forma de aproveitamento de crédito ou se realizada a exclusão pelas saídas das mercadorias sob a forma de dedução do montante a recolher da apuração. Exemplifica apresentando dois cenários mostrando que não existe qualquer diferença em relação ao montante de PIS e COFINS a ser recolhido, ou seja, independente se for adotado o mecanismo de exclusão do ICMS-ST pelas Fl. 6436DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.407 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13136.721400/2024-44 13 entradas das mercadorias sob a forma de aproveitamento de crédito ou se for efetivada a exclusão pelas saídas das mercadorias, o resultado do tributo a recolher é exatamente o mesmo. Conclui que não houve qualquer infração à legislação em relação ao aproveitamento de crédito envolvendo o ICMS-ST, a uma (i) porque realizado a fim de excluir o ICMS (regular e ST) da base de cálculo do PIS e da COFINS em conformidade como que determinado pelo tema 69 julgado e com fixação de tese pelo STF e confirmado pelo recente julgamento proferido pelo STJ no bojo do REsp 1.896678/RS, julgado pelo rito dos recursos repetitivos e, a duas (ii) pois adotado procedimento/metodologia que optou por efetivar a exclusão pela entrada das mercadorias ao invés de pelas saídas sem que tenha existido qualquer impacto no efetivamente a recolher aos cofres públicos conforme exaustivamente demonstrado acima. 2.6 DAS GLOSAS REFERENTES AO ICMS-ST (TESE ALTERNATIVA). DO DIREITO DO CONTRIBUINTE DE SE CREDITAR DO VALOR DO ICMS-ST INCIDENTE NA ETAPA ANTERIOR INCLUSO NO SEU CUSTO DE AQUISIÇÃO. POSICIONAMENTO RECENTE DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. Assinala que a Impugnante realiza o comércio de mercadorias em geral, promovendo a revenda de muitos produtos tributados pelo regime de substituição tributária do ICMS, para, em seguida, discorrer sobre os fundamentos do regime da não cumulatividade com o objetivo de demonstrar que o ICMS-ST, por não se tratar de tributo recuperável, deve integrar o custo de aquisição da mercadoria adquirida para revenda e nesse conceito, a teor do que dispõe o já citado artigo 3º das leis de regência deve ser admitida o desconto de créditos incidentes sobre os valores apurados. Traz à colação jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça para robustecer seus argumentos. 2.7 DAS GLOSAS INDEVIDAS RELACIONADAS AS “OUTRAS OPERAÇÕES COM DIREITO A CRÉDITO” NOS REGISTROS F100 DAS EFD-CONTRIBUIÇÕES. DA DEMONSTRAÇÃO SOBRE A REGULARIDADE DOS CRÉDITOS APROVEITADOS. Arrazoa a defesa no sentido de que, por equívoco, nos meses de agosto, setembro, novembro e dezembro de 2020 o contribuinte ofereceu a tributação para incidência das contribuições mercadorias com NCM classificada na posição 1701.99.00 (diversos tipos de açúcar) que deveriam ter sido tributadas à alíquota zero de acordo com a previsão legal aplicável. Considerando que as mercadorias deveriam ter sido tributadas à alíquota zero e não as foram, tendo sido levados à tributação de modo equivocado, o lançamento do crédito no registro F100 se deveu para “corrigir” e recuperar esse indébito tributário sob a forma de lançamento extemporâneo. O fato é que, em razão da formatação do registro F100, não há possibilidade de descrição do histórico ou de composição do lançamento realizado. Nesse sentido o contribuinte fica restrito a fazer o lançamento agrupado e sintético. Diante de eventual dúvida ou discordância da autoridade fiscal, cabe à fiscalização intimar e Fl. 6437DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.407 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13136.721400/2024-44 14 solicitar esclarecimentos ao contribuinte, como ocorre em toda atividade fiscalizatória e como ocorreu nessa própria em relação a todos os outros itens. Com relação à legitimidade dos créditos relacionados ao Vale Transporte e ao Vale Alimentação, revisita os fundamentos da decisão proferida pelo STJ nos autos do REsp 1.221.170/PR para destacar que os insumos discutidos possuem força normativa vinculada à legislação e a convenções coletivas de trabalho e demonstram de forma objetiva a relevância exigida pela decisão do Superior Tribunal de Justiça para legitimação dos créditos classificados como insumos. Complementa com trecho do Recurso Especial nº 1.221.170/PR que dispõe sobre dispêndios decorrentes de imposição legal, ou seja, obrigatórios para a consecução da sua atividade social. Resume a questão da legitimidade do creditamento do vale-transporte sob os seguintes argumentos: (i) a uma porque há uma previsão legal absolutamente expressa em relação ao vale transporte não havendo como a empresa não fornecer sob pena de suportar as penalidades legais e de acordo com a decisão do STJ acima colacionada, é um elemento que define de forma clara o requisito da relevância; e (ii) a duas porque a própria Receita Federal em diversas soluções de consulta recentes tem posicionamento tem admitido a tomada de crédito de vale transporte em alinhamento com a decisão proferida pelo STJ. Em relação ao vale-alimentação, argumenta que o enquadramento pode ser feito da mesma forma já que incluído em acordo ou convenção coletiva de trabalho o que assume força normativa de imposição legal. Acrescenta que o enquadramento pode ser feito da mesma forma já que se encontra incluído em acordo ou convenção coletiva de trabalho o que assume força normativa de imposição legal. 2.8 DAS GLOSAS REFERENTES AS DESPESAS COM FRETES. DA CORRETA CONSIDERAÇÃO SOBRE A OPERAÇÃO DESENVOLVIDA PELA IMPUGNANTE E A ADEQUAÇÃO DA INTERPRETAÇÃO DO DISPOSTO NO ARTIGO 3º, IX DA LEI 10.833/2003. DA POSSIBILIDADE DE ENQUADRAMENTO COMO INSUMO (RELEVÂNCIA E ESSENCIALIDADE À ATIVIDADE ECONÔMICA). Quanto à glosa de despesas relacionadas a fretes, resume os fundamentos de sua irresignação nos seguintes termos: (i) A fiscalização não considerou qual a dinâmica da operação realiza pela Impugnante a fim de corretamente adequar ao disposto no artigo 3º, IX, da Lei 10.833/2003, ou seja, todas as despesas com fretes glosadas se referem a operações de venda e tem seu crédito legitimado de modo expresso pela legislação de regência; e(ii) Ainda que assim não se compreenda, o fato é que as despesas com fretes são absolutamente relevantes e essenciais a atividade do contribuinte encaixando-se, portanto, ao menos no conceito de insumos, conforme nova conceituação trazida pelo STJ conforme amplamente debatida em tópicos anteriores. Fl. 6438DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.407 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13136.721400/2024-44 15 Dispõe sobre a dinâmica de sua operação de venda, de forma que o transporte de mercadorias entre seus centros de distribuição e lojas estejam inseridos na logística do processo de venda. Nesse sentido, conclui que todo transporte realizado entre os estabelecimentos da Impugnante são parte da operação de venda e, portanto, se encaixa perfeitamente na previsão trazida no dispositivo legal que transcreve. Traz jurisprudência do CARF no sentido de ser legítima a inclusão no conceito de insumo o transporte de produto em elaboração e produtos acabados entre estabelecimentos da mesma empresa. 2.9 DOS PEDIDOS Por todo exposto, requer a Impugnante que seja recebida e provida a presente Impugnação, julgando-se improcedente o lançamento consubstanciado no Auto de Infração ora combatido, sendo a Impugnante exonerada dos gravames decorrentes do litígio, em razão de ter sido demonstrado e comprovado, de forma clara e objetiva, que os créditos aproveitados pelo contribuinte são absolutamente legítimos, eis que em harmonia com a legislação aplicável e sobretudo a recente jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, Superior Tribunal de Justiça e também do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). Por fim, protesta pela realização de quaisquer tipos de prova e pela juntada de novos documentos, capazes de elidir o feito fiscal. A decisão recorrida manteve o crédito tributário e conforme ementa do Acórdão nº 105-013.589 apresenta o seguinte resultado: ACÓRDÃO 105-013.589 – 7ª TURMA/DRJ05 SESSÃO DE 22 de julho de 2025 INTERESSADO DMA DISTRIBUIDORA S/A CNPJ/CPF 01.928.075/0001-08 Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2020 a 31/12/2020 REGIME NÃO CUMULATIVO. CREDITAMENTO INDEVIDO. ICMS-ST. DUPLICIDADE DE CRÉDITO SOBRE O ICMS PRÓPRIO. IMPROCEDÊNCIA DAS ALEGAÇÕES DA CONTRIBUINTE. É vedada a inclusão do valor do ICMS-ST na base de cálculo dos créditos das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, nos termos do art. 3º, §2º, II, das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, sendo esse entendimento consolidado na jurisprudência administrativa e nas normas infralegais da Receita Federal. Fl. 6439DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.407 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13136.721400/2024-44 16 Configura-se creditamento indevido a reinclusão destacada do ICMS próprio nas aquisições de mercadorias para revenda, uma vez que esse valor já integra o custo da mercadoria e, por conseguinte, a base de cálculo legítima do crédito. A tentativa de reaver esse montante separadamente resulta em duplicidade de crédito, carecendo de respaldo legal. REGIME NÃO CUMULATIVO. ATIVIDADE COMERCIAL. INSUMOS. DESPESAS COM VALE-TRANSPORTE E VALE-ALIMENTAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE CRÉDITO. No regime da não cumulatividade das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, a legislação restringe a apuração de créditos por pessoas jurídicas comerciais aos bens adquiridos para revenda, nos termos do art. 3º, I, da Lei nº 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003, sendo incabível a apropriação de créditos com fundamento no inciso II (insumos), cuja aplicação se limita às atividades de produção de bens e prestação de serviços. Também é vedado o aproveitamento de créditos sobre despesas com vale-transporte e vale-alimentação por empresas que não exerçam atividades de limpeza, conservação ou manutenção, nos termos do inciso X do mesmo artigo. Referidos dispêndios, ainda que obrigatórios por força legal ou normativa, não se qualificam como insumos, à luz do critério da essencialidade ou relevância definido pelo STJ no REsp 1.221.170/PR. REGIME NÃO CUMULATIVO. ALÍQUOTA ZERO. CRÉDITO INDEVIDO. COMPENSAÇÃO INFORMAL. IMPOSSIBILIDADE. É indevido o lançamento de crédito na EFD-Contribuições a título de aquisição de insumos submetidos à alíquota zero, ainda que com o propósito de neutralizar, de forma extemporânea, débitos indevidamente oferecidos à tributação em períodos anteriores. A legislação de regência não autoriza a utilização de crédito fictício como forma de correção de débitos indevidos. Eventuais erros de apuração devem ser corrigidos mediante retificação da escrituração fiscal digital do período correspondente. Na hipótese de recolhimento a maior, o contribuinte deve valer- se dos instrumentos legais próprios de restituição ou compensação, nos termos da legislação vigente. REGIME NÃO CUMULATIVO. CRÉDITO. FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA PESSOA JURÍDICA. TRANSFERÊNCIA DE MERCADORIAS. SÚMULA CARF. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO. Os valores despendidos com fretes relativos à transferência de mercadorias entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica não se caracterizam como fretes na operação de venda, nos termos do art. 3º, IX, da Lei nº 10.833/2003. A jurisprudência administrativa firmou entendimento no sentido de que os fretes entre estabelecimentos da mesma empresa não geram direito a crédito das contribuições, conforme consolidado na Súmula CARF nº 217. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2020 a 31/12/2020 Fl. 6440DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.407 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13136.721400/2024-44 17 REGIME NÃO CUMULATIVO. CREDITAMENTO INDEVIDO. ICMS-ST. DUPLICIDADE DE CRÉDITO SOBRE O ICMS PRÓPRIO. IMPROCEDÊNCIA DAS ALEGAÇÕES DA CONTRIBUINTE. É vedada a inclusão do valor do ICMS-ST na base de cálculo dos créditos das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, nos termos do art. 3º, §2º, II, das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, sendo esse entendimento consolidado na jurisprudência administrativa e nas normas infralegais da Receita Federal. Configura-se creditamento indevido a reinclusão destacada do ICMS próprio nas aquisições de mercadorias para revenda, uma vez que esse valor já integra o custo da mercadoria e, por conseguinte, a base de cálculo legítima do crédito. A tentativa de reaver esse montante separadamente resulta em duplicidade de crédito, carecendo de respaldo legal. REGIME NÃO CUMULATIVO. ATIVIDADE COMERCIAL. INSUMOS. DESPESAS COM VALE-TRANSPORTE E VALE-ALIMENTAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE CRÉDITO. No regime da não cumulatividade das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, a legislação restringe a apuração de créditos por pessoas jurídicas comerciais aos bens adquiridos para revenda, nos termos do art. 3º, I, da Lei nº 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003, sendo incabível a apropriação de créditos com fundamento no inciso II (insumos), cuja aplicação se limita às atividades de produção de bens e prestação de serviços. Também é vedado o aproveitamento de créditos sobre despesas com vale-transporte e vale-alimentação por empresas que não exerçam atividades de limpeza, conservação ou manutenção, nos termos do inciso X do mesmo artigo. Referidos dispêndios, ainda que obrigatórios por força legal ou normativa, não se qualificam como insumos, à luz do critério da essencialidade ou relevância definido pelo STJ no REsp 1.221.170/PR. REGIME NÃO CUMULATIVO. ALÍQUOTA ZERO. CRÉDITO INDEVIDO. COMPENSAÇÃO INFORMAL. IMPOSSIBILIDADE. É indevido o lançamento de crédito na EFD-Contribuições a título de aquisição de insumos submetidos à alíquota zero, ainda que com o propósito de neutralizar, de forma extemporânea, débitos indevidamente oferecidos à tributação em períodos anteriores. A legislação de regência não autoriza a utilização de crédito fictício como forma de correção de débitos indevidos. Eventuais erros de apuração devem ser corrigidos mediante retificação da escrituração fiscal digital do período correspondente. Na hipótese de recolhimento a maior, o contribuinte deve valer- se dos instrumentos legais próprios de restituição ou compensação, nos termos da legislação vigente. REGIME NÃO CUMULATIVO. CRÉDITO. FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA PESSOA JURÍDICA. TRANSFERÊNCIA DE MERCADORIAS. SÚMULA CARF. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO. Os valores despendidos com fretes relativos à transferência de mercadorias entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica não se caracterizam como fretes na Fl. 6441DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.407 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13136.721400/2024-44 18 operação de venda, nos termos do art. 3º, IX, da Lei nº 10.833/2003. A jurisprudência administrativa firmou entendimento no sentido de que os fretes entre estabelecimentos da mesma empresa não geram direito a crédito das contribuições, conforme consolidado na Súmula CARF nº 217. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2020 a 31/12/2020 NULIDADE. INEXISTÊNCIA. DEVIDO PROCESSO LEGAL OBSERVADO. Ausentes as hipóteses legais de nulidade previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, não há vício a ensejar o cancelamento do auto de infração. JURISPRUDÊNCIA. EFEITO ENTRE AS PARTES. As decisões administrativas e judiciais das quais o sujeito passivo não seja parte, mesmo que reiteradas, não têm efeito vinculante em relação às decisões proferidas pelas Delegacias de Julgamento da Receita Federal do Brasil. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. A prova documental deve ser apresentada no momento da impugnação, a menos que demonstrado, justificadamente, o preenchimento de um dos requisitos constantes do art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, o que não se logrou atender neste caso. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Foi interposto de forma tempestiva Recurso Voluntário. Em síntese a Recorrente apresenta os mesmos argumentos apresentados na Impugnação. Requer a Recorrente: (...) que seja recebido e provido o presente Recurso Voluntário, reformando-se integralmente a decisão recorrida e julgando-se improcedente o lançamento consubstanciado no Auto de Infração ora combatido sendo a Autuada exonerada dos gravames decorrentes do litígio, em razão de ter sido demonstrado e comprovado de forma clara e objetiva, fundamentada em vasta documentação colacionada aos autos, que os créditos aproveitados pelo contribuinte são absolutamente legítimos, eis que em harmonia com a legislação aplicável e sobretudo a recente jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, Superior Tribunal de Justiça e também do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). É o relatório. VOTO Fl. 6442DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.407 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13136.721400/2024-44 19 Conselheira Flávia Sales Campos Vale, Relatora. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário. Conforme relatado, trata-se de Recurso Voluntário interposto contra decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento que julgou improcedente a Impugnação apresentada pelo Recorrente e manteve o crédito tributário. A controvérsia travada nos autos diz respeito ao lançamento tributário que excluiu da base de cálculo de créditos das contribuições do PIS/Pasep e da COFINS as seguintes verbas: a) valores referentes a ICMS-ST cobrado do fornecedor; b) ICMS incidente sobre a venda do fornecedor; c) créditos sobre aquisição de “Mercadorias Alíquota Zero”; d) créditos sobre gastos com “Vale Alim. Refeitório” e “Vales Transporte”; e e) créditos apurados sobre fretes na transferência de mercadorias para revenda entre estabelecimentos filiais do próprio sujeito passivo. A Recorrente sustenta serem os aproveitamentos dos créditos legítimos, eis que em harmonia com a legislação aplicável, jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, Superior Tribunal de Justiça e do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF. Passa-se então a análise. 1. Valores referentes a ICMS-ST cobrado do fornecedor De acordo com a Fiscalização, parte das glosas decorre de apuração indevida de créditos sobre o ICMS/ST destacado nas notas fiscais de aquisição de mercadorias. A Recorrente, por sua vez, traz tese de que o ICMS/ST pago pelo substituído tributário faz parte da composição do custo da mercadoria destinada à revenda, razão pela qual haveria direito ao creditamento, amparado no quanto disposto no artigo 3º, § 3o, inc. III, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, c/c art. 13, do Decreto-lei nº 1.598/1977, a seguir transcritos: Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 Art. 3º (...) § 3º O direito ao crédito aplica-se, exclusivamente, em relação: (...) III - aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. Art. 13 - O custo de aquisição de mercadorias destinadas à revenda compreenderá os de transporte e seguro até o estabelecimento do contribuinte e os tributos devidos na aquisição ou importação. Fl. 6443DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.407 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13136.721400/2024-44 20 Entretanto, importa destacar que para o presente caso, há decisão recente do Superior Tribunal de Justiça – STJ, obtida em sede de recurso repetitivo (Tema nº 1.231), onde ser firmou a tese de que (a) os tributos recolhidos em substituição tributária não integram o conceito de custo de aquisição previsto no art. 13, do Decreto-Lei n. 1.598/77 e (b) os valores pagos pelo contribuinte substituto a título de ICMS-ST não geram, no regime não cumulativo, créditos para fins de incidência das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS devidas pelo contribuinte substituído. A decisão em questão foi proferida nos Recursos Especiais nº 2.075.758 e 2.072.621, assim como nos Embargos de Divergência no Recurso Especial 1.959.571, com trânsito em julgado ocorrido em 16/08/2024. Desta forma, por força do artigo 99 do RICARF, o qual obriga o Conselheiro a reproduzir o julgamento proferido pelo Tribunal Superior, voto pela negativa de provimento a esse pleito recursal. Nesse sentido este Conselho já se manifestou: Número do processo: 11065.725969/2019-77 Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção Câmara: Terceira Câmara Seção: Terceira Seção De Julgamento Data da sessão: Thu Feb 13 00:00:00 UTC 2025 Data da publicação: Mon Mar 17 00:00:00 UTC 2025 Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2016 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO. GLOSA DE SALDO CREDOR. DIFERENÇAS. A decadência é instituto relacionado à extinção do crédito tributário (cf. art. 156 do CTN), e tanto o comando do art. 173, I, quanto o contido no art. 150, § 4º da mesma codificação são referentes a lançamento de crédito tributário, e não a glosa de saldo credor indevido ou não comprovado. AQUISIÇÃO DE BENS DA ZONA FRANCA DE MANAUS. CRÉDITOS. ALÍQUOTAS DIFERENCIADAS. Nos termos da legislação de regência, a pessoa jurídica de fora da ZFM e sujeita à não cumulatividade das contribuições de PIS/COFINS que adquirir as mercadorias de empresa situada na ZFM é permitida a apuração de créditos, aplicando-se as alíquotas diferenciadas de 1% para o PIS e 4,6% para a COFINS. CREDITAMENTO. ICMS-ST. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 6444DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.407 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13136.721400/2024-44 21 Tema Repetitivo nº 1231, 1ª Seção do STJ: EREsp 1.959.571/RS, REsp 2.075.758/ES e REsp 2.072.621/SC. Impossibilidade de creditamento, no âmbito do regime não-cumulativo das contribuições ao PIS e COFINS, dos valores que o contribuinte, na condição de substituído tributário, paga ao contribuinte substituto a título de reembolso pelo recolhimento do ICMS Substituição (ICMS- ST). Número da decisão: 3301-014.414 Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencido o Conselheiro Oswaldo Gonçalves de Castro Neto que reconhecia a decadência relativa até novembro/2013. Sala de Sessões, em 13 de fevereiro de 2025. Assinado Digitalmente Bruno Minoru Takii – Relator Assinado Digitalmente Paulo Guilherme Deroulede – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores Aniello Miranda Aufiero Junior, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Marcio Jose Pinto Ribeiro, Bruno Minoru Takii, Rachel Freixo Chaves, Paulo Guilherme Deroulede (Presidente). Nome do relator: BRUNO MINORU TAKII Verifica-se também que não há amparo legal para majoração da base de cálculo dos créditos de PIS e Cofins mediante inclusão do ICMS/ST como técnica de exclusão do referido tributo das bases das contribuições. Assim, mantenho a glosa. 2. ICMS incidente sobre a venda do fornecedor A fiscalização apurou que, ao calcular os créditos, a contribuinte incluiu indevidamente os valores do ICMS próprio (normal) destacados pelo fornecedor, que já integram o custo de aquisição das mercadorias, promovendo sua reinclusão separada sob a justificativa de “neutralizar o efeito do ICMS na saída”, o que resultou em duplicidade de crédito sobre esse montante. A DRJ manteve o lançamento em síntese nos seguintes termos: (...) Quanto à glosa da parcela do ICMS próprio (devida pelo fabricante ou remetente), observa-se que tal valor já integra o custo de aquisição da mercadoria, compondo assim a base legítima para a apuração dos créditos sobre os bens adquiridos para revenda. No entanto, a reinclusão destacada e separada desse mesmo valor, com o objetivo de compensar a ausência de incidência de ICMS na revenda (por força do regime de substituição tributária), configura duplicidade de crédito, em manifesta afronta aos princípios da não cumulatividade e da estrita legalidade tributária. Fl. 6445DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.407 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13136.721400/2024-44 22 Não há amparo legal para recalcular ou majorar a base de crédito de PIS e Cofins a partir da recomposição artificial do ICMS próprio destacado nas notas fiscais pelo fornecedor, já considerado no valor total da operação. Tal prática resulta em superposição indevida de créditos, distorcendo a sistemática de apuração das contribuições. Dessa forma, a atuação fiscal encontra respaldo jurídico e fático, sendo correta a glosa dos créditos indevidamente apropriados pela contribuinte. Em sede de Recurso Voluntário, a Recorrente argumenta estar demonstrado que não há qualquer diferença relacionada ao mecanismo utilizado pela Recorrente para excluir o ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS fazendo-o pela entrada das mercadorias sob a forma de aproveitamento de crédito. Sustenta: (...) O que ocorre é que são dois fatos distintos que ocorrem na entrada: 1º fato: aproveitamento do crédito de ICMS embutido no valor de aquisição do produto em cumprimento ao disposto no artigo 3º, I da Lei 10.833/2003 e 10.637/2002, conforme abaixo: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) I - bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)(...) § 1º Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2º desta Lei sobre o valor: (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeito)I - dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; Neste caso o valor do bem é o valor do produto destacado em nota fiscal juntamente com todas as despesas constantes na referida nota, ou seja, em outras palavras, o conjunto de valores pagos pela empresa para adquirir o produto é valor de aquisição, o que, a teor do disposto no art. 3º; acima transcrito confere direito a crédito. 2º fato: fato diverso é o aproveitamento do ICMS isoladamente para efetivar a exclusão do ICMS que deveria ocorrer na saída. Ou seja, em outras palavras, o valor de ICMS que indica a falsa impressão de duplicidade é meramente a utilização dele como base para tomada de crédito de PIS e COFINS e efetivar a exclusão dele próprio que poderia e deveria ser feito na saída e que, por questão de metodologia, foi aplicada na entrada da mercadoria. Fl. 6446DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.407 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13136.721400/2024-44 23 Não obstante os argumentos suscitados pela Recorrente, verifica-se que não há amparo legal para o recálculo ou majoração da base de cálculo dos créditos de PIS e Cofins mediante a recomposição artificial do ICMS próprio destacado nas notas fiscais emitidas pelo fornecedor, valor este já compreendido no montante total da operação de aquisição. A pretensão deduzida conduz à indevida superposição de créditos sobre a mesma parcela econômica, em manifesta afronta à sistemática não cumulativa das contribuições. Desse modo, ausente qualquer elemento capaz de infirmar os fundamentos adotados pela autoridade julgadora de primeira instância, impõe-se a manutenção integral do lançamento, não havendo reparos a serem feitos na decisão recorrida quanto à presente matéria. 3. Outras glosas Já em relação a possível reversão das outras glosas mantidas pela DRJ e contestadas pela Recorrente necessário se faz analisar a legislação relativa apuração e desconto desses créditos. Estabelecem respectivamente a Lei nº 10.833/2003 e Lei nº 10.637/2002: Lei nº 10.833/2003 Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I - bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)a) no inciso III do § 3º do art. 1º desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos)b) nos §§ 1º e 1º-A do art. 2º desta Lei; (Redação dada pela lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) II - bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III - energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV - aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V - valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 6447DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.407 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13136.721400/2024-44 24 VI - máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII - edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII - bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX - armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. XI - bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. § 1º Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2º desta Lei sobre o valor: (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeito)I - dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; II - dos itens mencionados nos incisos III a V e IX do caput, incorridos no mês; III - dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI, VII e XI do caput, incorridos no mês; (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência)IV - dos bens mencionados no inciso VIII do caput, devolvidos no mês. § 2º Não dará direito a crédito o valor: I - de mão de obra paga a pessoa física; II - da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição; e (Redação dada pela Lei nº 14.592, de 2023)§ 3º O direito ao crédito aplica-se, exclusivamente, em relação: I - aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II - aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III - aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx Lei nº 10.637/2002 Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Fl. 6448DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.407 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13136.721400/2024-44 25 I - bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)a) no inciso III do § 3º do art. 1º desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos)b) nos §§ 1º e 1º-A do art. 2º desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) II - bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III - energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV - aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V - valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI - máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII - edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII - bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX - armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. XI - bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. § 1º Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2º desta Lei sobre o valor: (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeito)I - dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; II - dos itens mencionados nos incisos III a V e IX do caput, incorridos no mês; Fl. 6449DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.407 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13136.721400/2024-44 26 III - dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI, VII e XI do caput, incorridos no mês; (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência)IV - dos bens mencionados no inciso VIII do caput, devolvidos no mês. § 2º Não dará direito a crédito o valor: I - de mão de obra paga a pessoa física; II - da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição; e (Redação dada pela Lei nº 14.592, de 2023)§ 3º O direito ao crédito aplica-se, exclusivamente, em relação: I - aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II - aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III - aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. (destaques não constam do original) Também deve ser observado o Parecer Normativo COSIT nº 5, de 17 de dezembro de 2018, a saber: “Assunto. Apresenta as principais repercussões no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil decorrentes da definição do conceito de insumos na legislação da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS estabelecida pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça no julgamento do Recurso Especial 1.221.170/PR. Ementa. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. COFINS. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO ESTABELECIDA NO RESP 1.221.170/PR. ANÁLISE E APLICAÇÕES. Conforme estabelecido pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial 1.221.170/PR, o conceito de insumo para fins de apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda ou para a prestação de serviços pela pessoa jurídica. Consoante a tese acordada na decisão judicial em comento: a) o “critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço”: Fl. 6450DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.407 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13136.721400/2024-44 27 a.1) “constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço”; a.2) “ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência”; b) já o critério da relevância “é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja”: b.1) “pelas singularidades de cada cadeia produtiva”; b.2) “por imposição legal”. Dispositivos Legais. Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º, inciso II; Lei nº 10.833, de 2003, art. 3º, inciso II.” Em suma, depreende-se da leitura do Parecer Normativo Cosit 05-2018 dever o conceito de insumo para fins de apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda ou para a prestação de serviços pela pessoa jurídica. Quanto a possibilidade de creditamento a título de insumos, no que tange a atividade comercial, destaque-se trecho do Parecer Normativo Cosit 05-2018: 2. INEXISTÊNCIA DE INSUMOS NA ATIVIDADE COMERCIAL 40. Nos termos demonstrados acima sobre o conceito definido pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, somente há insumos geradores de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins nas atividades de produção de bens destinados à venda e de prestação de serviços a terceiros. 41. Destarte, para fins de apuração de créditos das contribuições, não há insumos na atividade de revenda de bens, notadamente porque a esta atividade foi reservada a apuração de créditos em relação aos bens adquiridos para revenda (inciso I do caput do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e da Lei nº 10.833, de 2003). 42. Em razão disso, exemplificativamente, não constituem insumos geradores de créditos para pessoas jurídicas dedicadas à atividade de revenda de bens: a) combustíveis e lubrificantes utilizados em veículos próprios de entrega de mercadorias2; b) transporte de mercadorias entre centros de distribuição próprios; c) embalagens para transporte das mercadorias; etc. 43. Sem embargo, cumpre frisar que, na esteira das disposições do inciso II do caput do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e da Lei nº 10.833, de 2003, as considerações anteriores versam sobre as “atividades” de “produção de bens ou Fl. 6451DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.407 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13136.721400/2024-44 28 prestação de serviços” e de “revenda de bens”, e não sobre as “pessoas jurídicas” que desempenham uma ou outra atividade. 44. Assim, nada impede que uma mesma pessoa jurídica desempenhe atividades distintas concomitante, como por exemplo “revenda de bens” e “produção de bens”, e possa apurar créditos da não cumulatividade das contribuições na modalidade aquisição de insumos em relação a esta atividade, conquanto lhe seja vedada a apuração de tais créditos em relação àquela atividade. Observa-se portanto, que nos termos do conceito definido pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, somente há insumos geradores de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins nas atividades de produção de bens destinados à venda e de prestação de serviços a terceiros. Dito isto, nos termos da legislação e do Parecer Normativo Cosit 05-2018 supracitados, e considerando atuar a Recorrente no comércio a varejo e por atacado de mercadorias, com predominância de produtos alimentícios, exploração de comércio de supermercados, dentre outras atividades secundárias., passo a analisar as outras glosas mantidas pela DRJ. 3.1 Créditos sobre aquisição de “Mercadorias Alíquota Zero” Acerca da manutenção das glosas a DRJ assim se manifestou: A autoridade fiscal considerou indevido o aproveitamento de créditos apropriados no registro F100 das EFD-Contribuições com a rubrica “Mercadorias Alíquota Zero” ao argumento de que a aquisição de mercadorias sujeitas à alíquota zero das contribuições não geram direito a crédito, nos termos do art. 3º, § 2º, inciso II, das leis nº 10.833, de 2003 e nº 10.637,de 2002. De acordo com anexo 2 do TVF, os valores dos créditos indevidos de Cofins e PIS apurados sobre a aquisição de “Mercadorias sujeitas à alíquota zero” foram escriturados nos registros F100 das EFD-Contribuições. A defesa, por sua vez, esclarece que tais valores se referem, na verdade, à anulação de receitas indevidamente tributadas nos referidos meses de apuração, e não a crédito de aquisição de mercadorias com alíquota zero adquiridas informadas no código F100 da EFD-Contribuições. O que o contribuinte fez foi tão somente lançar os créditos de forma extemporânea no registro F100 para “estornar” o lançamento do débito indevidamente realizado em mercadorias sujeitas à tributação à alíquota zero. Detalha que, por equívoco, nos meses de agosto, setembro, novembro e dezembro de 2020 a contribuinte ofereceu a tributação para incidência das contribuições mercadorias com NCM classificada na posição 1701.99.00 (diversos tipos de açúcar) que deveriam ter sido tributadas à alíquota zero de acordo com a previsão legal aplicável. Considerando que as mercadorias deveriam ter sido tributadas à alíquota zero e não as foram, tendo Fl. 6452DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.407 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13136.721400/2024-44 29 sido levados à tributação de modo equivocado, o lançamento do crédito no registro F100 se deu para “corrigir” e recuperar esse indébito tributário sob a forma de lançamento extemporâneo. Pelo exposto, verifica-se que a contribuinte inseriu artificialmente um crédito indevido sob o argumento de compensar uma tributação indevida em outras competências. Nos termos do art. 3º, §1º, da Lei nº 10.833/2003 e do art. 3º, §1º, da Lei nº 10.637/2002, o crédito da contribuição será determinado mediante a aplicação da respectiva alíquota sobre o valor de bens, serviços, despesas e encargos incorridos no mês, não possuindo respaldo legal a inclusão proposital de crédito fictício para compensar tributações indevidas em períodos de apuração anteriores. In casu, ao invés de inserir créditos inexistentes nas EFD Contribuições, caberia à contribuinte, caso fosse possível, promover a retificação da EFD, de acordo com o art. 11 da Instrução Normativa RFB n° 1.252, de 2012, com a redação dada pela IN 1.387, de 2013: Art. 11. A EFD-Contribuições, entregue na forma desta Instrução Normativa, poderá ser substituída, mediante transmissão de novo arquivo digital validado e assinado, para inclusão, alteração ou exclusão de documentos ou operações da escrituração fiscal, ou para efetivação de alteração nos registros representativos de créditos e contribuições e outros valores apurados. § 1º O direito de o contribuinte pleitear a retificação da EFD-Contribuições extingue-se em 5 (cinco) anos contados do 1º (primeiro) dia do exercício seguinte àquele a que se refere a escrituração substituída. (Redação do parágrafo dada pela Instrução Normativa RFB Nº 1387 DE 21/08/2013). Convém observar as orientações de preenchimento que constam do Guia Prático da EFD Contribuições. De acordo com o Guia Prático da EFD Contribuições e, nos termos do art. 11 da IN RFB nº 1.252/2012, a inclusão, alteração ou exclusão de documentos e operações na escrituração fiscal deve ser formalizada mediante a retificação do arquivo digital do período de apuração a que se referem as citadas operações: Guia Prático da EFD Contribuições – versão 1.35 – Capítulo I Seção 9 – Retificação de Escrituração Conforme disposto no art. 11 da IN RFB nº 1.252/2012, com a nova redação dada pela IN RFB nº 1.387/2013, a pessoa jurídica pode substituir arquivo de escrituração digital já transmitido, mediante transmissão de novo arquivo digital validado e assinado, para inclusão, alteração ou exclusão de documentos ou operações da escrituração fiscal, ou para efetivação de alteração nos registros representativos de créditos e contribuições e outros valores apurados. A Fl. 6453DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.407 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13136.721400/2024-44 30 retificação regular de uma escrituração não enseja a aplicação de multa específica em relação ao ato de retificar. No entanto, antes de proceder à retificação, é importante a contribuinte observar o “Perguntas e Respostas da EFD Contribuições”1 no que se refere às limitações de retificações quando houver redução dos débitos: III. Transmissão e retificação da escrituração 8) Qual o prazo para retificação? ... O arquivo retificador da EFD-Contribuições não produzirá efeitos quanto aos elementos da escrituração, quando tiver por objeto: I - reduzir débitos de Contribuição: a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em Dívida Ativa da União (DAU), nos casos em que importe alteração desses saldos; b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na escrituração retificada, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou c) cujos valores já tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização; II - alterar débitos de Contribuição em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal; e III - alterar créditos de Contribuição objeto de exame em procedimento de fiscalização ou de reconhecimento de direito creditório de valores objeto de Pedido de Ressarcimento ou de Declaração de Compensação. A pessoa jurídica poderá apresentar arquivo retificador da escrituração, em atendimento a intimação fiscal e nos termos desta, para sanar erro de fato: I - na hipótese prevista no inciso II do § 2º, havendo recolhimento anterior ao início do procedimento fiscal, em valor superior ao escriturado no arquivo original, desde que o débito tenha sido também declarado em DCTF; e II - na hipótese prevista no inciso III do § 2º, decorrente da não escrituração de operações com direito a crédito, ou da escrituração de operações geradoras de crédito em desconformidade com o leiaute e regras da EFD-Contribuições. A pessoa jurídica que transmitir arquivo retificador da EFD-Contribuições, alterando valores que tenham sido informados na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), deverá apresentar, também, DCTF retificadora, observadas as disposições normativas quanto à retificação desta. (destaques em negrito) Fl. 6454DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.407 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13136.721400/2024-44 31 Do exposto, depreende-se que a contribuinte não poderia gerar os registros F100 de créditos sabidamente inexistentes de aquisição de mercadorias, mas sim deveria promover a retificação das EFDs, bem como das respectivas DCTFs, como único meio de retificar na escrituração as operações geradoras de débitos das contribuições. Caso houvesse já recolhido o valor apurado à maior, caberia à empresa postular a compensação ou a restituição por pagamento indevido ou a maior por meio do programa PER/Dcomp. À vista das conclusões e fundamentos devidamente expostos pela DRJ, e considerando que a Recorrente não apresentou argumentos novos ou elementos probatórios aptos a elidir o feito fiscal ou infirmar as razões adotadas na decisão recorrida, verifica-se que esta se encontra em plena consonância com a legislação. Assim, não há qualquer reparo ou alteração a ser promovida quanto à matéria em exame, impondo-se a manutenção da decisão de primeira instância. 3.2 Créditos sobre gastos com “Vale Alim. Refeitório” e “Vales Transporte” No que se refere aos créditos pleiteados sobre despesas com “Vale Alimentação/Refeitório” e “Vale-Transporte”, a DRJ fundamentou a manutenção das glosas nos seguintes termos: DO CREDITAMENTO DOS GASTOS COM VALE-TRANSPORTE E VALE-ALIMENTAÇÃO Trata-se de glosas de créditos sobre gastos com vale-transporte e vale- alimentação em razão do aproveitamento indevido de créditos da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, calculados sobre valores referentes a gastos com "vale-alimentação refeitório" e "vale-transporte", registrados como “outras operações com direito a crédito” no registro F100 da EFD-Contribuições. Segundo a Fiscalização, o aproveitamento desses créditos deu-se sem amparo legal, uma vez que a legislação de regência permite a apuração de créditos relativos a vale-transporte e vale-alimentação apenas quando fornecidos por pessoa jurídica que explore atividades de limpeza, conservação e manutenção, o que não é o caso da impugnante, que atua no ramo supermercadista. A contribuinte, por sua vez, defende a legitimidade dos créditos com fundamento no conceito de insumo delineado pelo Superior Tribunal de Justiça no REsp 1.221.170/PR, alegando que tais benefícios são exigências normativas vinculadas a obrigações legais e a convenções coletivas de trabalho, e que se amoldariam ao conceito de insumo gerador de crédito para fins das contribuições em questão. O direito ao crédito das contribuições ao PIS e à Cofins, no regime não cumulativo, está disciplinado no art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, que elenca, de forma taxativa, as hipóteses de creditamento. O inciso X desses dispositivos prevê expressamente que é admitido o crédito sobre despesas com vale- Fl. 6455DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.407 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13136.721400/2024-44 32 transporte, vale-refeição ou vale-alimentação, entre outros, desde que fornecidos a empregados por pessoa jurídica que explore atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. Lei nº 10.833, de 2003; Lei nº 10.637,de 2002 Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...)X - vale-transporte, vale-refeição ou vale-alimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (...) (Destaques em negrito) Assim, a redação legal é literal e restritiva quanto à possibilidade de creditamento dos mencionados benefícios, condicionando-a à natureza da atividade econômica do contribuinte. Como a empresa é atuante no segmento supermercadista, atividade que não se enquadra nas condições exigidas pela norma, a utilização de tais créditos carece de respaldo legal. Não assiste razão à contribuinte quanto à tese de que os vales em questão configurariam insumos, à luz da jurisprudência do STJ, especialmente no REsp 1.221.170/PR. Esse julgado definiu insumos como bens ou serviços essenciais e relevantes à produção de bens ou à prestação de serviços. Contudo, conforme bem esclarece o Parecer Normativo nº 05/2018, tal entendimento não se aplica a despesas decorrentes do cumprimento de obrigações legais gerais da empresa. O direito ao crédito dos bens e serviços utilizados por imposição legal está restrito a insumos, bens ou serviços exigidos por norma legal ou infralegal que viabilizem diretamente a atividade de produção de bens ou de prestação de serviços por meio da mão de obra empregada. 4. BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS POR IMPOSIÇÃO LEGAL 49. Conforme relatado, os Ministros incluíram no conceito de insumos geradores de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, em razão de sua relevância, os itens “cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção (...) por imposição legal”. (...)53. São exemplos de itens utilizados no processo de produção de bens ou de prestação de serviços pela pessoa jurídica por exigência da legislação que podem ser considerados insumos para fins de creditamento da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins: a) no caso de indústrias, os testes de qualidade de produtos produzidos exigidos pela legislação; b) tratamento de efluentes do processo produtivo exigido pela legislação c) no caso de produtores rurais, as vacinas aplicadas em seus rebanhos exigidas pela legislação, etc. Fl. 6456DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.407 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13136.721400/2024-44 33 54. Por outro lado, não podem ser considerados para fins de creditamento das contribuições: a) itens exigidos pela legislação relativos à pessoa jurídica como um todo, como alvarás de funcionamento, etc; b) itens relativos a atividades diversas da produção de bens ou prestação de serviços. (G.N.) Ademais, como tratado no tópico anterior, na atividade comercial varejista e atacadista, como a desempenhada pela impugnante, o direito ao crédito restringe-se, em regra, às aquisições de bens destinados à revenda, não havendo insumos no sentido estrito que justifiquem creditamento adicional com base em alegações de obrigação legal trabalhista. Reforçando o que foi exposto acima, deve-se destacar as disposições da IN RFB nº 2121, de 2022, que, em seu art. 177, prevê o seguinte a respeito do conceito de insumo de bens ou serviços demandados por imposição normativa: Art. 177. Também se consideram insumos, os bens ou os serviços especificamente exigidos por norma legal ou infralegal para viabilizar as atividades de produção de bens ou de prestação de serviços por parte da mão de obra empregada nessas atividades. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica nas hipóteses em que a exigência dos bens ou dos serviços decorrem de celebração de acordos ou convenções coletivas de trabalho. Grifei Assim, como a empresa não é pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção e como os vales em análise decorrem do cumprimento de obrigações legais de caráter geral e não se enquadram no conceito de insumo definido pela jurisprudência do STJ porquanto não integra o processo de produção de bens ou de prestação de serviços por imposição legal, não é possível o aproveitamento de créditos de PIS e Cofins sobre tais despesas. Assiste razão à decisão proferida pela DRJ ao concluir pela impossibilidade de apropriação dos créditos pleiteados, haja vista que a Recorrente exerce atividade eminentemente comercial, circunstância incontroversa nos autos, não se verificando, nesse contexto, a existência de insumos aptos a gerar créditos no regime não cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. Ademais, ainda que assim não fosse, as despesas objeto da controvérsia não se enquadram no conceito de insumo delineado pela jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, porquanto se referem a gastos inerentes às atividades operacionais da Recorrente, desprovidos dos atributos de essencialidade ou relevância exigidos para fins de creditamento. Dessa forma, Fl. 6457DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.407 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13136.721400/2024-44 34 inexistem elementos capazes de justificar a reforma da decisão recorrida, que deve ser mantida quanto à presente matéria. 3.3 Créditos apurados sobre fretes na transferência de mercadorias para revenda entre estabelecimentos filiais do próprio sujeito passivo. Há a discussão sobre fretes na transferência de mercadorias para revenda entre estabelecimentos da Recorrente. De acordo com a Fiscalização, os valores dizem respeito, na realidade, a fretes realizados na transferência de mercadorias entre estabelecimentos da própria contribuinte, conforme demonstrado pelos CT-es constantes do anexo 3A e 4 do processo. Tais operações não se caracterizam como vendas, razão pela qual não se enquadram no disposto no inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833/2003, que prevê o crédito sobre fretes contratados na venda de bens ou na prestação de serviços a terceiros. A Recorrente sustenta que os fretes em questão são essenciais a sua atividade comercial, sendo, portanto, passíveis de creditamento como insumos. Especificamente quanto ao tema item frete de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, deve-se ter conta que há recente Súmula do CARF a respeito: “Súmula CARF nº 217 Aprovada pelo Pleno da 3ª Turma da CSRF em sessão de 26/09/2024 – vigência em 04/10/2024 Os gastos com fretes relativos ao transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa não geram créditos de Contribuição para o PIS/Pasep e de Cofins não cumulativas. Acórdãos Precedentes: 9303-014.190; 9303-014.428; 9303-015.015.” Note-se abaixo Solução de Divergência nº 2, de 24 de janeiro de 2011 em que houve decisão acerca da impossibilidade de creditamento, na modalidade aquisição de insumos, em relação a gastos com transporte de produtos acabados ou em elaboração entre estabelecimentos diferentes da própria pessoa jurídica: Solução de Divergência Cosit nº 2, de 24 de janeiro de 2011 ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins EMENTA: Apuração não cumulativa. Créditos de despesas com fretes. Por não integrarem o conceito de insumo utilizado na produção de bens destinados à venda e nem se referirem à operação de venda de mercadorias, as despesas efetuadas com fretes contratados para o transporte de produtos acabados ou em elaboração entre estabelecimentos industriais e destes para os Fl. 6458DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.407 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13136.721400/2024-44 35 estabelecimentos comerciais da mesma pessoa jurídica, não geram direito à apuração de créditos a serem descontados da Cofins. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº 10.833, de 2003, arts. 3º, II e IX, e art. 15.” Note-se também a Solução de Divergência nº 26, de 30 de maio de 2008, referente ao transporte de produto acabado de e para centro de distribuição da pessoa jurídica: “Solução de Divergência Cosit nº 26 de 30 de maio de 2008 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS TRANSPORTE DE PRODUTO ACABADO ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA PESSOA JURÍDICA; INSUMOS DA ATIVIDADE DE TRANSPORTE; CRÉDITOS DE COFINS. IMPOSSIBILIDADE. 1. O transporte de produto acabado entre estabelecimentos industriais, ou destes para os centros de distribuição e ainda de um centro de distribuição para outro, da mesma pessoa jurídica não gera direito a crédito a ser descontado da Cofins com incidência não-cumulativa, ainda que esse transporte constitua ônus da empresa que irá vender o produto. 2. Os insumos utilizados na atividade de transporte de produto acabado (ou em elaboração) entre estabelecimentos industriais; destes para os centros de distribuição; de um centro de distribuição para outro ou do estabelecimento vendedor para o comprador não gera direito a crédito a ser descontado da Cofins apurada de forma não-cumulativa. Dispositivos Legais: Arts. 3º incisos II e IX da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003 e 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004.” Dessa forma, as glosas relativas aos fretes na transferência de mercadorias para revenda entre estabelecimentos da Recorrente devem ser mantidas. Conclusão Diante todo o exposto, nego provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Flávia Sales Campos Vale Fl. 6459DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.407 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13136.721400/2024-44 36 Fl. 6460DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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Numero do processo: 15504.720544/2012-30
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 27 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Wed Jun 17 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2007, 2008 COOPERATIVAS. RECEITAS FINANCEIRAS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO. As receitas financeiras não integram a base de cálculo da COFINS, uma vez que não são receitas decorrentes da prestação de serviços e/ou da atividade principal das cooperativas. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2007, 2008 COOPERATIVAS. RECEITAS FINANCEIRAS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO. As receitas financeiras não integram a base de cálculo da Contribuição para o PIS, uma vez que não são receitas decorrentes da prestação de serviços e/ou da atividade principal das cooperativas.
Numero da decisão: 3102-003.687
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar no que se refere à nulidade e suspensão do procedimento fiscal e, no mérito, dar parcial provimento, para afastar a incidência da multa de ofício de 75%, bem como para excluir as receitas financeiras das bases de cálculos da Contribuição para o PIS e da COFINS. Assinado Digitalmente Joana Maria de Oliveira Guimarães – Relatora Assinado Digitalmente Pedro Sousa Bispo – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Joana Maria de Oliveira Guimarães, Jorge Luís Cabral, Mario Sergio Martinez Piccini (substituto[a] integral), Sabrina Coutinho Barbosa, Wilson Antônio de Souza Correa, Pedro Sousa Bispo (Presidente) Ausente(s) o conselheiro(a) Fabio Kirzner Ejchel, substituído(a) pelo(a) conselheiro(a) Mario Sergio Martinez Piccini.
Nome do relator: JOANA MARIA DE OLIVEIRA GUIMARAES

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conteudo_txt : Metadados => date: 2026-06-16T20:55:39Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2026-06-16T20:55:39Z; Last-Modified: 2026-06-16T20:55:39Z; dcterms:modified: 2026-06-16T20:55:39Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2026-06-16T20:55:39Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2026-06-16T20:55:39Z; meta:save-date: 2026-06-16T20:55:39Z; pdf:encrypted: false; modified: 2026-06-16T20:55:39Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2026-06-16T20:55:39Z; created: 2026-06-16T20:55:39Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; Creation-Date: 2026-06-16T20:55:39Z; pdf:charsPerPage: 1474; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2026-06-16T20:55:39Z | Conteúdo => D O C U M E N T O V A L ID A D O MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais PROCESSO 15504.720544/2012-30 ACÓRDÃO 3102-003.687 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA SESSÃO DE 30 de abril de 2026 RECURSO VOLUNTÁRIO RECORRENTE COOPERATIVA UNIÃO DOS CARRETEIROS LTDA. INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2007, 2008 COOPERATIVAS. RECEITAS FINANCEIRAS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO. As receitas financeiras não integram a base de cálculo da COFINS, uma vez que não são receitas decorrentes da prestação de serviços e/ou da atividade principal das cooperativas. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2007, 2008 COOPERATIVAS. RECEITAS FINANCEIRAS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO. As receitas financeiras não integram a base de cálculo da Contribuição para o PIS, uma vez que não são receitas decorrentes da prestação de serviços e/ou da atividade principal das cooperativas. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar no que se refere à nulidade e suspensão do procedimento fiscal e, no mérito, dar parcial provimento, para afastar a incidência da multa de ofício de 75%, bem como para excluir as receitas financeiras das bases de cálculos da Contribuição para o PIS e da COFINS. Assinado Digitalmente Joana Maria de Oliveira Guimarães – Relatora Fl. 584DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.687 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15504.720544/2012-30 2 Assinado Digitalmente Pedro Sousa Bispo – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Joana Maria de Oliveira Guimarães, Jorge Luís Cabral, Mario Sergio Martinez Piccini (substituto[a] integral), Sabrina Coutinho Barbosa, Wilson Antônio de Souza Correa, Pedro Sousa Bispo (Presidente) Ausente(s) o conselheiro(a) Fabio Kirzner Ejchel, substituído(a) pelo(a) conselheiro(a) Mario Sergio Martinez Piccini. RELATÓRIO Por bem narrar os fatos ocorridos, adoto o relatório contido na decisão proferida pela DRJ, com os devidos acréscimos: Trata o presente processo de lançamentos fiscais efetuado em face da pessoa jurídica acima qualificada, por meio dos quais foram formalizadas exigências a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) e Contribuição para o PIS/PASEP (PIS/PASEP), relativas a fatos geradores ocorridos nos anos-calendário de 2007 e 2008, nos montantes abaixo discriminados: O "Termo de Verificação Fiscal", fls. 22-26, apresenta os seguintes esclarecimentos sobre a infração apurada (erro na apuração da base de cálculo do PIS/COFINS): 3 - CONSIDERAÇÕES SOBRE OS FATOS CONSTATADOS Como pode ser constatado, pelo item anterior, a IN 635/2006, no seu Art. 16, incisos I a V, relaciona as exclusões possíveis e específicas da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins das cooperativas de transporte rodoviário de cargas. O inciso I, do Art. 16, da IN 635/2006 prevê a exclusão dos ingressos decorrentes de ato cooperativo. E, para que não restasse qualquer dúvida, no §2°, do mesmo Art. 16, da IN 635/2006, ficou definido que "entende-se como ingresso decorrente de ato cooperativo a parcela da receita repassada ao associado, quando decorrente de serviços de transporte rodoviário de cargas por este prestado à cooperativa". Deste modo, estando o nosso procedimento de fiscalização vinculado à IN Fl. 585DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.687 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15504.720544/2012-30 3 635/2006, devemos cumprir as suas determinações e excluir da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins os repasses efetuados pela contribuinte aos seus associados/cooperados. A contribuinte, na resposta ao Termo de Intimação Fiscal 03 (vide anexo RESP TIF 03), alega que o valor tributável apresentado na planilha (anexo RESP ITEM 5 TIPF), decorreu de aplicações financeiras e outras receitas e que tais valores não foram oferecidos à tributação. Na mesma resposta, o contribuinte nos informou os valores das sobras destinados ao Fundo de Reserva e para o Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social (FATES). Com base no livro diário, constatamos que o valor das sobras em 2007 foi de R$119.156,83 e que destes foram destinados R$11.915,69 ao Fundo de Reserva e R$5.957,85 ao FATES. Em 2008, o valor das sobras foi R$387.686,50, sendo R$38.768,65 destinados ao fundo de reserva e R$19.384,33 ao FATES. Notamos que os valores foram informados de forma invertida, ou seja, o que era valor de Reserva Legal foi informado como FATES e vice-versa. Sem prejuízo, excluímos esses valores da base de cálculo no mês de dezembro de 2007 e 2008. As sociedades cooperativas em geral, podem deduzir da base de cálculo o valor das sobras destinadas ao Fundo de Reserva e ao Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social (Fates), nos termos do Art.10 da IN 635/2006: Art. 10. As sociedades cooperativas em geral, além do disposto no art. 9º, podem deduzir da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins o valor das sobras apuradas na Demonstração do Resultado do Exercício, destinadas à constituição do Fundo de Reserva e do Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social (Fates), previstos no art. 28 da Lein° 5.764, de 1971. O contribuinte apresentou as folhas de pagamento e guias de recolhimento do PIS/PASEP, referente ao período fiscalizado, para comprovar que atendeu o parágrafo 1º do Art. 16 da IN 635/2006: §1° A sociedade cooperativa de transporte rodoviário de cargas, nos meses em que fizer uso de qualquer das exclusões ou deduções previstas nos incisos I a V do caput, deverá, também, efetuar o pagamento da Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários, conforme disposto no art. 28. Por todo exposto, a fiscalizada está sujeita à tributação do PIS/Pasep e da COFINS, incidentes sobre as receitas oriundas de ato não cooperativo, na modalidade CUMULATIVA (Lei n° 10.637/2002, art. 8º, X, Lei n° 10.684/2003, art. 25 e Lei n° 10.833/2003, art. 10, VI; IN SRF n° 635/2006, art. 33). 4 - INSUFICIÊNCIA DE DECLARAÇÃO E RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO PIS/PASEP E DA COFINS Fl. 586DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.687 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15504.720544/2012-30 4 Elaboramos o DEMONSTRATIVO APURAÇÃO BASE CÁLCULO PIS/ COFINS (anexo), com base na escrituração contábil apresentada. Vale ressaltar que os valores apresentados na COLUNA (G) desse demonstrativo são correspondentes aos valores apresentados pelo contribuinte, a titulo de receita bruta, conforme citado no item 1 deste termo. Da receita bruta excluímos os valores repassados para os cooperados (coluna H); receita de fornecimento (coluna E), decorrente de fornecimento de combustíveis e mercadorias aos cooperados; valores destinados ao Fundo de Reserva (coluna I) e os valores destinados ao Fates (coluna J). Os valores constantes da coluna (F) correspondem a receitas financeiras, recebidas de tomadores (SLU e SUDECAP), em decorrência de encargos financeiros sobre empréstimo bancário contraído pelo contribuinte. A coluna "K" corresponde á base de cálculo a ser lançada por meio de auto de infração. 5 - CONCLUSÃO Assim, constatada que a base de cálculo do PIS/COFINS está incorreta, e, por conseqüência, as informações à RFB por meio das DCTF's e DIPJ não espelham a realidade, fica caracterizada DECLARAÇÃO INEXATA, sujeita ao lançamento de ofício, conforme previsto nos arts. 841, inciso III, 845, inciso III e 957, inciso I do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999, Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99. Isto posto, lavramos os autos de infração, para constituir de ofício os valores das diferenças do PIS e da COFINS, em função da não declaração e/ou recolhimento/pagamento, conforme legislação de regência. Abaixo se reproduz a planilha denominada "Demonstrativo Apuração Base de Cálculo PIS/COFINS", elaborado pela autoridade autuante, exatamente como consta no e-processo (v. fls. 27): Fl. 587DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.687 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15504.720544/2012-30 5 A pessoa jurídica autuada foi intimada pessoalmente dos presentes lançamentos, em 19/01/2012 (v. fls. 04 e 14). Em 23/02/2012 (v. fls. 86) a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 86-96, com base nos seguintes argumentos: a) Em sede de preliminar, afirmou que por força de ordem judicial exarada pelo STF, nos autos do RE nº 387179, de 9/08/2005, ficou suspensa toda e qualquer forma de cobrança de valores relativos à PIS/COFINS. Neste sentido, arguiu a inaplicabilidade d multa de ofício, no percentual de 75%. Afirmou ter juntado aos autos cópia da referida decisão judicial (v. fls. 87), mas tal documento efetivamente não foi anexado à sua peça impugnatória. Afirmou, outrossim, que a OCB - Organização das Cooperativas do Brasil obteve deferimento liminar de suspensão da exigibilidade do PIS/COFINS em Mandado de Segurança, em favor de todas as cooperativas a ela filiadas (que seria o caso da impugnante); b) No mérito, questionou o procedimento da autoridade autuante, que teria feito incidir o PIS/COFINS sobre os valores relativos à taxa de administração recebida pela Cooperativa, bem como sobre a receita financeira auferida. Afirmou que a taxa de administração não é receita auferida pela Cooperativa, já que se destina exclusivamente ao pagamento dos custos diretos das despesas com os cooperados. c) Apresentou longa digressão sobre as regras de tributação aplicáveis às cooperativas, fls. 89-96, para ao final concluir o seguinte (fls. 95-96): Em resumo: os atos cooperativos não geram receita nem faturamento para a sociedade cooperativa, Portanto, o resultado financeiro deles decorrente não está sujeito à incidência do PIS. Cuida-se de uma NÃO-INCIDÊNCIA PURA E SIMPLES e não de uma norma de isenção. Fl. 588DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.687 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15504.720544/2012-30 6 Já os atos não cooperativos, aqueles praticados com não associados, geram receita à sociedade, devendo o resultado do exercício ser levado à conta específica para que possa servir de base à tributação. [...] É importante ressalvar que, quando a cooperativa realiza ato negocial, em atividade de intermediação, ela deve pagar todos os impostos e contribuições como uma verdadeira empregadora, não tendo assim o benefício da isenção. Nestes termos, requereu que a presente impugnação seja julgada procedente, com o consequente cancelamento integral do lançamento. É o relatório. A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC), por meio do Acórdão nº 07-44.175, de 25 de junho de 2019, decidiu julgar improcedente a impugnação, nos termos da ementa abaixo reproduzida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Ano-calendário: 2007, 2008 COOPERATIVAS. ATOS COOPERATIVOS. ISENÇÃO São isentas da contribuição as sociedades cooperativas que observarem o disposto na legislação específica, exclusivamente quanto aos atos cooperativos próprios de suas finalidades. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano-calendário: 2007, 2008 COOPERATIVAS. ATOS COOPERATIVOS. ISENÇÃO São isentas da contribuição as sociedades cooperativas que observarem o disposto na legislação específica, exclusivamente quanto aos atos cooperativos próprios de suas finalidades. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A Recorrente interpôs Recurso Voluntário, requerendo: Fl. 589DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.687 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15504.720544/2012-30 7 O julgamento foi convertido em diligência por esta Turma Julgadora, nos termos da Resolução CARF nº 3102-000.507, de 24 de outubro de 2025, para intimar a Recorrente a apresentar a cópia da íntegra do processo judicial referente ao Recurso Extraordinário nº 387170. Em atendimento à diligência, a Recorrente apresentou aos autos cópia da íntegra do Mandado de Segurança nº 0037273-31.1999.401.3800, que originou o Recurso Extraordinário nº 387170. É o relatório. VOTO Conselheira Joana Maria de Oliveira Guimarães, Relatora O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade e deve ser conhecido. Preliminar de suspensão do procedimento fiscal Sobre a preliminar suscitada, segue trecho do Recurso Voluntário: Fl. 590DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.687 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15504.720544/2012-30 8 Fl. 591DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.687 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15504.720544/2012-30 9 Em que pese o pedido preliminar formulado em sede de Recurso Voluntário seja para “afastar a aplicação da multa de ofício de 75% do valor do principal”, cumpre esclarecer que não se verifica, no presente caso, hipótese de suspensão da tramitação processual e tampouco nulidade da autuação. Compulsando o Termo de Verificação Fiscal, depreende-se que os lançamentos de ofício da Contribuição para o PIS e da COFINS foram devidamente motivados e fundamentados. A jurisprudência do CARF é pacífica no sentido de que não se declara a nulidade do Auto de Infração quando a autoridade fiscal apresenta clara descrição do fato ilícito, o correto enquadramento legal da infração e da penalidade e o contribuinte é validamente intimado para responder a todos os atos praticados no processo: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2019 a 31/12/2020 (...) AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não é nulo, por cerceamento de defesa, o Auto de Infração que apresenta a descrição do fato ilícito, o enquadramento legal da infração e da respectiva penalidade, com respaldo em adequada instrução probatória, e o contribuinte é validamente intimado de todos os atos praticados no processo. (Processo nº 15746.720162/2023-16; Acórdão nº 3102-002.786; Relatora Conselheira Joana Maria de Oliveira Guimarães; sessão de 28/11/2024) Fl. 592DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.687 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15504.720544/2012-30 10 Como não houve cerceamento de defesa e todos os atos foram praticados por autoridade competente, não vislumbro qualquer circunstância que se amolde às disposições do artigo 59 do Decreto nº 70.235/1972. Superados esses pontos, passa-se a apreciar a pretensão de afastamento da multa de ofício de 75% do valor do principal. Compulsando a cópia do Mandado de Segurança nº 0037273-31.1999.401.3800 - que discutia, entre outros temas, a constitucionalidade das alterações introduzidas pela Medida Provisória nº 1.859/99 e reedições, que implicaram a cobrança da COFINS, revogando a isenção anteriormente concedida pela LC nº 70/91 às sociedades cooperativas, bem como, para o PIS, a declaração incidental de inconstitucionalidade da Medida Provisória 1598-6, 1598-9, 1598-10 bem como das alterações da extensão da base de cálculo preconizada no artigo 3º, parágrafo primeiro da Lei nº 9718/98 - e que originou o Recurso Extraordinário nº 387170, verifica-se que, aos 19/08/2005, foi proferida decisão monocrática pelo Relator Ministro MARCO AURÉLIO, “atribuindo ao extraordinário o efeito suspensivo ativo, ou seja, o de obstaculizar a exigibilidade dos citados tributos”, no caso, a Contribuição para o PIS e a COFINS. O efeito suspensivo ativo concedido perdurou até 09/09/2015 (publicação em 21/09/2015), quando, ao apreciar Agravo Regimental interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, o Relator Ministro MARCO AURÉLIO, em juízo de retratação, reconsiderou a decisão e negou seguimento ao recurso extraordinário, em virtude do julgamento do Recurso Extraordinário nº 598.085/RJ, de relatoria do Ministro LUIZ FUX, em sede de repercussão geral. Considerando que, no presente caso, a Recorrente foi intimada do início da fiscalização em 16/06/2011, tendo sido os Autos de Infração lavrados em 17/01/2012, depreende- se que estava vigente o efeito suspensivo ativo em favor da Recorrente. Portanto, inobstante possam ser promovidos os lançamentos de ofício para exigência das contribuições, deve ser afastada a aplicação da multa de ofício de 75%, o que, contudo, no entendimento desta Conselheira Relatora, deve ser recepcionado como matéria de mérito e não preliminar. Mérito A Recorrente argumenta que a Autoridade Fiscal, quando do levantamento dos valores pagos e devidos a título da Contribuição para o PIS e da COFINS, fez incidir, de forma incorreta, as referidas contribuições sobre a taxa de administração e sobre as receitas financeiras. É o que passo a apreciar. Em relação à taxa de administração, entendo que não merece reparos a decisão de primeira instância, ao afirmar que: No tocante à taxa de administração, as alegações da impugnante não encontram respaldo nos relatos e elementos de prova constantes dos autos. Fl. 593DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.687 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15504.720544/2012-30 11 Conforme se verifica por meio de simples análise do "Demonstrativo de Apuração de Base de Cálculo PIS/COFINS" (fls. 27), a autoridade autuante determinou a base de cálculo correta destas contribuições a partir dos dados constantes da escrituração contábil apresentada pela própria interessada. Os valores apresentados na Coluna (G) daquele demonstrativo correspondem aos valores informados pela própria contribuinte, a título de receita bruta, conforme claramente demonstrado no "Termo de Verificação Fiscal", fls. 22-26. Da receita bruta informada pela contribuinte foram excluídos os valores repassados para os cooperados (coluna H); receita de fornecimento de combustíveis e mercadorias aos cooperados (coluna E), valores destinados ao Fundo de Reserva (coluna I) e valores destinados ao Fates (coluna J). Por sua vez, s valores constantes da coluna (F) correspondem a receitas financeiras, recebidas de tomadores (SLU e SUDECAP), em decorrência de encargos financeiros sobre empréstimo bancário contraído pelo contribuinte. A coluna "K", finalmente, corresponde à base de cálculo utilizada para fins de lançamento por meio dos presentes autos de infração. De todo o exposto, não se vislumbra qualquer indício de que eventuais valores relativos à taxa de administração recebida pela Cooperativa tenham sido incluídos na base de cálculo destas Contribuições. Por se tratar de alegação apresentada pela contribuinte, à ela competia o ônus de comprovar tal inclusão. (destaquei) No tocante às receitas financeiras, o acórdão recorrido sustenta que “tais receitas reconhecidamente decorrem de atos negociais realizados pela contribuinte em consequentemente, não podem ser considerados como atos cooperativos, razão pela qual não podem ser excluídos da receita bruta para fins de determinação da base de cálculo destas contribuições.” Neste ponto, entendo que merece reforma o acórdão recorrido. A Recorrente é uma cooperativa de transporte. A caracterização de atos como cooperativos deflui do atendimento ao binômio consecução do objeto social da cooperativa e realização de atos com seus associados ou com outras cooperativas, não se revelando suficiente o preenchimento de apenas um dos aludidos requisitos. No caso da Recorrente, as receitas provenientes das aplicações financeiras não guardam qualquer vínculo com o conceito de faturamento passível de compor a base de cálculo para incidência das contribuições, uma vez que não são receitas decorrentes da sua prestação de serviços e/ou da sua atividade principal. Portanto, tendo em vista que as receitas financeiras não guardam vínculo com o conceito de faturamento, conforme previsto na Lei nº 9.718/98, entendo que devem ser excluídas da base de cálculo da Contribuição para o PIS e da COFINS. Fl. 594DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.687 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15504.720544/2012-30 12 Corroborando o entendimento ora adotado, segue precedentes deste CARF, nos termos das ementas parcialmente reproduzidas, na parte que interessa à presente lide: COFINS. COOPERATIVAS. RECEITAS FINANCEIRAS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO. As receitas financeiras não integram a base de cálculo das Contribuições para o PIS/Pasep e da COFINS, uma vez que não são receitas decorrentes da prestação de serviços ou da atividade principal das cooperativas médicas operadoras de plano de saúde. (Processo nº 10675.002673/2007-08; Acórdão nº 3402-009.848; Relatora Conselheira Cynthia Elena de Campos; unanimidade; sessão de 16/12/2021) (destaquei) BASE DE CÁLCULO. RECEITAS FINANCEIRAS E PATRIMONIAIS. EXCLUSÃO. A partir de 28/05/2009, com a revogação do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, pela Lei nº 11.941, de 2009, a base de cálculo das contribuições sociais, no regime cumulativo, passou a ser o faturamento excluindo-se dela, entre outras, as receitas financeiras. (Processo nº 10140.721909/2015-49; Acórdão nº 3201-008.677; Relator Conselheiro Laércio Cruz Uliana Junior; sessão de 22/06/2021) (destaquei) Conclusão Pelo exposto, conheço do Recurso Voluntário, rejeito a preliminar no que se refere à nulidade e suspensão do procedimento fiscal e, no mérito, dou parcial provimento, para afastar a incidência da multa de ofício de 75%, bem como para excluir as receitas financeiras das bases de cálculos da Contribuição para o PIS e da COFINS. É como voto. Assinado Digitalmente Joana Maria de Oliveira Guimarães Fl. 595DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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Numero do processo: 17095.721772/2021-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 01 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Wed Jun 24 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2016, 2017 OMISSÃO DE RECEITA. RECEITA DA ATIVIDADE REGISTRADA E NÃO DECLARADA. RECEITA BRUTA NA REVENDA DE MERCADORIAS E NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS EM GERAL. RENDIMENTOS E GANHOS LÍQUIDOS DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS. REGIME CUMULATIVO. A omissão de valores relativos à receita bruta apurada na Escrituração Fiscal Digital - Contribuições, segundo o regime de caixa, apresentada com divergência em relação à Escrituração Contábil Digital, e que materializa redução indevida da receita bruta apurada, justifica o lançamento de ofício.
Numero da decisão: 3202-004.007
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Assinado Digitalmente Juciléia de Souza Lima - Relatora Assinado Digitalmente Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe - Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores Wagner Mota Momesso de Oliveira, Onizia de Miranda Aguiar Pignataro, Rafael Luiz Bueno da Cunha, Aline Cardoso de Faria, Juciléia de Souza Lima (Relatora) e Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe (Presidente).
Nome do relator: JUCILEIA DE SOUZA LIMA

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Assinado Digitalmente Juciléia de Souza Lima - Relatora Assinado Digitalmente Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe - Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores Wagner Mota Momesso de Oliveira, Onizia de Miranda Aguiar Pignataro, Rafael Luiz Bueno da Cunha, Aline Cardoso de Faria, Juciléia de Souza Lima (Relatora) e Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe (Presidente).

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RECEITA DA ATIVIDADE REGISTRADA E NÃO DECLARADA. RECEITA BRUTA NA REVENDA DE MERCADORIAS E NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS EM GERAL. RENDIMENTOS E GANHOS LÍQUIDOS DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS. REGIME CUMULATIVO. A omissão de valores relativos à receita bruta apurada na Escrituração Fiscal Digital - Contribuições, segundo o regime de caixa, apresentada com divergência em relação à Escrituração Contábil Digital, e que materializa redução indevida da receita bruta apurada, justifica o lançamento de ofício. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Assinado Digitalmente Juciléia de Souza Lima – Relatora Assinado Digitalmente Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe – Presidente Fl. 4702DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-004.007 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 17095.721772/2021-11 2 Participaram da sessão de julgamento os julgadores Wagner Mota Momesso de Oliveira, Onizia de Miranda Aguiar Pignataro, Rafael Luiz Bueno da Cunha, Aline Cardoso de Faria, Juciléia de Souza Lima (Relatora) e Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe (Presidente). RELATÓRIO Trata-se de Recurso Voluntário contra lavratura de Autos de Infração que constituíram créditos tributários correspondentes à Contribuição para o Pis-Pasep e à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins, anos-calendário 2016 e 2017, apuração mensal, regime cumulativo, acrescidos de multa de ofício (75,00%) e juros de mora. A recorrente é empresa fiscalizada é pessoa jurídica constituída sob a forma de sociedade empresária limitada, optante pelo domicílio tributário eletrônico (DTE), cujo objeto social é o comércio atacadista e varejista de equipamentos e materiais de informática, implantação e manutenção de equipamentos comerciais, processamento de dados, representações comercias, treinamentos, implantação e desenvolvimentos de software, licenciamento ou cessão de direito de uso de programas de computador, intermediação de negócios; locação de equipamentos, suprimentos de informática, importação e exportação (Contrato Social). Nos anos-calendário 2016 e 2017, o regime de apuração do IRPJ e da CSLL adotado pela pessoa jurídica foi o lucro presumido, tendo como critério de reconhecimento das receitas o regime de caixa, conforme ECF - Escrituração Contábil Fiscal (2016/2017) registrada no SPED- Sistema Público de Escrituração Digital. Fl. 4703DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-004.007 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 17095.721772/2021-11 3 O procedimento fiscal foi instaurado com o objetivo de apurar possível omissão de receita, bem como possível insuficiência de recolhimento de tributos e verificar o cumprimento das obrigações tributárias relativas aos tributos antes mencionados, nos anos-calendário 2016 e 2017. Durante o procedimento de fiscalização foram analisados os documentos apresentados pela contribuinte (fls.17/148), os dados e registros disponíveis nas bases de dados da Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil e a escrituração do sujeito passivo registrada no SPED - Sistema Público de Escrituração Digital, a saber: a) Escrituração Contábil Digital (ECD), anos-calendário 2016 e 2017; b) Escrituração Contábil Fiscal (ECF), anos-calendário 2016 e 2017; c) Escrituração Fiscal Digital – Contribuições (EFD), anos-calendário 2016 e 2017; d) DCTF, anos-calendário 2016 e 2017, anexo IV do Termo de Verificação Fiscal; e e) Declaração de Imposto sobre a Renda Retido na Fonte, anos-calendário 2016 e 2017, anexo V do Termo de Verificação Fiscal. Os trabalhos de fiscalização, examinando a ECD, anos-calendário 2016 e 2017, identificou que: a) a receita bruta (regime de competência) foi registrada na contabilidade do sujeito passivo por meio de lançamento contábil a crédito nas “contas de resultado” com contrapartidas a débito nas “contas do ativo disponível”, a saber: Contas de “resultado” identificadas: · 3.1.1.2.01.0001-Revenda de Mercadorias à Vista; · 3.1.1.2.01.0002-Revenda de Mercadorias a Prazo; e · 3.1.1.3.01.0001- Prestação de Serviços a Prazo. Contas do “ativo disponível” identificadas: · 1.1.2.1.01.0001-Contas a Receber; · 1.1.4.4.01-Impostos a Recuperar · 1.1.4.4.01.0002-ISS, · 1.1.4.4.01.0004- IRRF, · 1.1.4.4.01.0005-CSLL, · 1.1.4.4.01.0007-COFINS; e · 1.1.4.4.01.0006-PIS. b) o recebimento dos valores a título de receita foi registrado na contabilidade pelos seguintes lançamentos contábeis nas contas do ”ativo disponível” e “passivo exigível a curto prazo”: Fl. 4704DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-004.007 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 17095.721772/2021-11 4 · crédito na conta 1.1.2.1.01.0001-Contas a Receber com contrapartida a débito na conta 1.1.1.1.01.0001-Caixa e/ou nas contas do subgrupo 1.1.1.2.01-Bancos c/Movimento, e; · crédito nas contas dos respectivos Impostos a Recuperar- 1.1.4.4.01(1.1.4.4.01.0002-ISS; 1.1.4.4.01.0004-IRRF; 1.1.4.4.01.0005-CSLL; 1.1.4.4.01.0007-COFINS; e, 1.1.4.4.01.0006-PIS) com contrapartida a débito nas contas do Passivo Exigível a Curto Prazo, subgrupo 2.1.1.4.01- Obrigações Tributárias. Por meio dos registros contábeis, apurou-se a receita bruta do sujeito passivo reconhecida pelo regime de caixa, conforme tabela abaixo. Foram analisadas também as DIRF de terceiros, onde a contribuinte constava como beneficiária de retenções na fonte de impostos e contribuições federais, tendo sido apurados os valores relativos aos ganhos e rendimentos financeiros, conforme tabela a seguir (Anexo V do Termo de Verificação Fiscal). Analisadas as ECF-Escrituração Contábil Fiscal da contribuinte, anos-calendário 2016 e 2017, verificou-se o seguinte: • Opção pela sistemática do lucro presumido quanto à forma de tributação do lucro; • Opção pelo regime de caixa quanto ao critério de reconhecimento das receitas; Fl. 4705DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-004.007 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 17095.721772/2021-11 5 • Receita Bruta trimestral declarada conforme tabela a seguir: Em sequência à análise das informações, com relação às EFD-Contribuições, anos calendário 2016 e 2017, foi verificado que a contribuinte também adotou como critério de reconhecimento das receitas o regime de caixa (tal qual aquele adotado na apuração do IRPJ e da CSLL), contudo, escriturou sua receita bruta mensal com valores inferiores àqueles registrados na respectiva ECD Escrituração Contábil Digital, anos-calendário 2016 e 2017. Ademais, confrontando a Escrituração Contábil Digital-ECD com a Escrituração Contábil Fiscal-ECF, anos-calendário 2016 e 2017, foram verificadas divergências relevantes, e, considerando que o regime de apuração do IRPJ e da CSLL adotado pela contribuinte nesses períodos foi o lucro presumido, conforme ECF-Escrituração Contábil Fiscal (2016 e 2017), a receita bruta da contribuinte reconhecida pelo regime de caixa, os impostos a recuperar retidos na fonte, apurados durante a auditoria-fiscal na Escrituração Contábil Digital–ECD, anos-calendário 2016 e 2017, e os ganhos e rendimentos financeiros apurados na DIRF de Terceiros, anos-calendário 2016 e 2017, foram submetidos à apuração do IRPJ e da CSLL pela sistemática do lucro presumido nos termos da legislação de regência (Lei n. 9.249, de 1995, art. 15, e Lei n. 9.430, de 1996, arts. 1º e 25, e inciso I; e Decreto n. 3.000/99, arts. 518/519/521/526). Além disso, considerando que o regime de apuração das contribuições do Pis-Pasep e da Cofins, anos-calendário 2016 e 2017, deveria ser o cumulativo, tendo em vista que, por determinação legal, a totalidade das receitas auferidas pelas pessoas jurídicas tributadas pelo lucro presumido ou arbitrado encontravam-se sujeitas sistemática da incidência cumulativa (inciso II, art. 8º, da Lei n. 10.637/2002, e inciso II, art. 10, da Lei n. 10.833/2003), a fiscalização informa que a receita bruta da contribuinte reconhecida pelo regime de caixa, bem como os respectivos impostos a recuperar retidos na fonte, apurados na Escrituração Contábil Digital–ECD, anos- calendário de 2016 e 2017, foram submetidos à apuração do Pis-Pasep e da Cofins pelo regime cumulativo. Fl. 4706DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-004.007 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 17095.721772/2021-11 6 Quanto às contribuições ao Pis-Pasep e à Cofins, o sujeito passivo também adotou como critério de reconhecimento das receitas o regime de caixa (tal qual aquele adotado na apuração do IRPJ e da CSLL), conforme respectivas EFD-Contribuições, anos-calendário de 2016 e 2017. Conforme Autos de Infração (fls.4512/4530) e o Termo de Verificação Fiscal (fls.4531/4582), portanto, foram efetuados os lançamentos em razão da imputação das infrações identificadas: a) insuficiência de recolhimento de Contribuição ao Pis-Pasep; e b) insuficiência de recolhimento de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins. Foi também aplicada multa de ofício no percentual de 75,00%, conforme previsto no art. 44, Inciso I, da Lei n. 9.430, de 27/12/1996, para as infrações lançadas nos anos-calendário 2016 e 2017, e, tendo em vista que se constatou infração à legislação que trata da Escrituração Fiscal Digital – Contribuições, anos-calendário 2016 e 2017, por realização de escrituração com informações inexatas, incompletas ou omitidas (Medida Provisória n. 2.158-35/2001, art. 57, inciso III, “a”), foi também imputada multa por descumprimento de obrigação acessória (multa regulamentar), autuada em outro processo administrativo fiscal (17095.721771/2021-68). Cientificada, a Recorrente apresentou defesa administrativa, a qual foi julgada improcedente pela 5ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento 05, através do acórdão 105- 005.705, assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano-calendário: 2016, 2017 OMISSÃO DE RECEITA. RECEITA DA ATIVIDADE REGISTRADA E NÃO DECLARADA. RECEITA BRUTA NA REVENDA DE MERCADORIAS E NA Fl. 4707DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-004.007 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 17095.721772/2021-11 7 PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS EM GERAL. RENDIMENTOS E GANHOS LÍQUIDOS DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS. REGIME CUMULATIVO. A omissão de valores relativos à receita bruta apurada na Escrituração Fiscal Digital - Contribuições, segundo o regime de caixa, apresentada com divergência em relação à Escrituração Contábil Digital, e que materializa redução indevida da receita bruta apurada, justifica o lançamento de ofício. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Ano-calendário: 2016, 2017 OMISSÃO DE RECEITA. RECEITA DA ATIVIDADE REGISTRADA E NÃO DECLARADA. RECEITA BRUTA NA REVENDA DE MERCADORIAS E NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS EM GERAL. RENDIMENTOS E GANHOS LÍQUIDOS DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS. REGIME CUMULATIVO. A omissão de valores relativos à receita bruta apurada na Escrituração Fiscal Digital - Contribuições, segundo o regime de caixa, apresentada com divergência em relação à Escrituração Contábil Digital, e que materializa redução indevida da receita bruta apurada, justifica o lançamento de ofício. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2016, 2017 MULTA DE OFÍCIO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. No lançamento de ofício, deve ser aplicada a multa de 75,00% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição por descumprimento de obrigação tributária principal nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada, a Recorrente apresenta Recurso Voluntário ao CARF pugnando pelo cancelamento da autuação fiscal. É o que havia a ser relatado. Fl. 4708DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-004.007 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 17095.721772/2021-11 8 VOTO Conselheira Juciléia de Souza Lima, Relatora O Recurso é tempestivo, bem como, atende aos demais pressupostos para sua admissibilidade, portanto, dele conheço. Ante a inexistência da arguição de preliminares, passo a análise do mérito. I- DO MÉRITO 1- Da alegação de não incidência do PIS/COFINS Em sua defesa, a recorrente insurge-se contra a incidência das contribuições sobre a sua receita bruta, bem como, que erroneamente a fiscalização incluiu na base de cálculo dos tributos os valores registrados como baixados no campo de “clientes a receber”, atribuindo a estes caráter de receita. Ainda defende que o simples lançamento contábil não comprova o efetivo recebimento da receita e que, portanto, não sendo receita de fato auferida, não se enquadra no conceito de receita bruta para fins de apuração pelo regime de caixa da Contribuição para o Pis- Pasep e da Cofins, e que não podem ser incluídos na receita bruta do contribuinte. Entretanto, do bom trabalho da fiscalização, não é que se extrai do mundo dos fatos, sobretudo, partindo-se do exame dos documentos fiscais apresentados pela recorrente e o seu direto confronto com os dados e registros disponíveis nas bases de dados da Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil e a escrituração do sujeito passivo registrada no SPED - Sistema Público de Escrituração Digital, a saber: Escrituração Contábil Digital (ECD), anos- calendário 2016 e 2017; Escrituração Contábil Fiscal (ECF), anos-calendário 2016 e 2017; Escrituração Fiscal Digital Contribuições (EFD), anos-calendário 2016 e 2017; DCTF, anos- calendário 2016 e 2017, anexo IV do Termo de Verificação Fiscal; e Declaração de Imposto sobre a Renda Retido na Fonte, anos-calendário 2016 e 2017, anexo V do Termo de Verificação Fiscal. Do confronto dos registros contábeis com os dados e registros disponíveis na base de dados da RFB, constata-se que a recorrente, de fato, apurou a receita bruta do sujeito passivo reconhecida pelo regime de caixa, todavia, dolosamente, deixou de oferecer à tributação pelas contribuições tais receitas. Ainda, a recorrente alega existência de ilegalidade da determinação de omissão de receitas que compõem a base de cálculo do PIS e da COFINS, por mera presunção. Todavia, extrai- se do contexto que as receitas estão provadas por presunção legal, e em conformidade com a legislação, pois no âmbito da incidência da COFINS e da Contribuição ao PIS, exigível é o auferimento de receita, aqui fato provado por presunção legal, ilidível diante de contraprova do contribuinte (inversão do ônus da prova), mas que até aqui, a Recorrente não conseguiu se desincumbir de tal ônus. Fl. 4709DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-004.007 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 17095.721772/2021-11 9 Todavia, se há, inquestionavelmente, movimentação bancária cuja escrituração não é demonstrada, e nela se verificam créditos cuja origem não é comprovada, e que têm contornos de receitas auferidas em atividade comercial, não há porque se cogitar de erro ou culpa. Ao contrário, está-se frente a indícios que convergem na direção de uma conduta dolosa de ocultar receitas tributáveis com vistas a suprimir tributo. Em tais condições, cumpriria ao contribuinte, minimamente, provar a escrituração de tais operações e a sua origem, com vistas a evidenciar os créditos que não teriam a natureza imputada pela fiscalização, mas de tal ônus não se desincumbiu. Merecendo a multa de ofício ser mantida pelos fundamentos lançados pela autoridade fiscal, ratificados pelo julgador de piso. Não há reforma a fazer. No que se refere à alegação de limitação dos juros de mora, melhor sorte não assiste a recorrente. Pois existe limitação para a imputação da multa de mora, mas não há limitação quanto à incidência dos juros de mora, os quais são imputados em percentual da SELIC. E, por último, com fundamento do art. 44, inciso I, da Lei 9.430/1996, que prevê a imputação de multa de ofício de 75%, a invocação de princípios constitucionais, bem como, alegação de inconstitucionalidade de leis levantada pela contribuinte merece ser afastada ante o teor da Súmula CARF nº 2, a qual passo a aplicá-la: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Sendo assim, nego provimento ao Recurso Voluntário. É o voto. Assinado Digitalmente Juciléia de Souza Lima Fl. 4710DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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