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Numero do processo: 11080.727377/2012-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008, 2009, 2010
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
Contatado depósito bancário na conta do autuado compete a ele comprovar que não correspondem a rendimentos tributáveis ou que os depósitos pertencem a terceiros, sob pena de prevalecer a presunção legal do art. 42 da Lei 9.430, de 1996.
Numero da decisão: 2201-002.202
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(Assinatura digital)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente.
(Assinatura digital)
Odmir Fernandes Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah, Gustavo Lian Haddad, Márcio de Lacerda Martins, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Nathalia Mesquita Ceia e Odmir Fernandes. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Rodrigo Santos Masset Lacombe.
Nome do relator: ODMIR FERNANDES
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2008, 2009, 2010 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Contatado depósito bancário na conta do autuado compete a ele comprovar que não correspondem a rendimentos tributáveis ou que os depósitos pertencem a terceiros, sob pena de prevalecer a presunção legal do art. 42 da Lei 9.430, de 1996.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (Assinatura digital) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente. (Assinatura digital) Odmir Fernandes Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah, Gustavo Lian Haddad, Márcio de Lacerda Martins, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Nathalia Mesquita Ceia e Odmir Fernandes. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Rodrigo Santos Masset Lacombe.
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Contatado depósito bancário na conta do autuado compete a ele comprovar que não correspondem a rendimentos tributáveis ou que os depósitos pertencem a terceiros, sob pena de prevalecer a presunção legal do art. 42 da Lei 9.430, de 1996. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (Assinatura digital) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente. (Assinatura digital) Odmir Fernandes – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah, Gustavo Lian Haddad, Márcio de Lacerda Martins, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Nathalia Mesquita Ceia e Odmir Fernandes. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Rodrigo Santos Masset Lacombe. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 73 77 /2 01 2- 25 Fl. 755DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por ODMIR FERNANDES 2 Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da 4ª Turma de Julgamento da DRJ de Porto Alegre/RS, que manteve a autuação do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, dos anoscalendário 2008, 2009, 2010, no valor de R$ 10.395.931,00 sobre omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Contra o contribuinte foi lavrado o Auto de Infração (fls. 03 a 16) com ciência em 12.06.2012 (AR fls. 627) referente ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, dos anoscalendário 2008, 2009, 2010, no valor de R$ 10.395.931,00 sobre omissão de rendimentos caracterizados por depósitos bancários de origem não comprovados. Relatório de Ação Fiscal (fls. 19 a 56) Impugnação (fls. 634 a 638) A decisão recorrida (fls. 732 a 734) com ciência em 24.10.2012 (AR fls. 738), manteve a autuação pela falta de comprovação do trabalho exercido, quais investimentos foram feitos, e a que título alguém ou alguma empresa lhe teria lhe pago valores. Decisão que esta assim ementada: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2008, 2009, 2010 APURAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. MANUTENÇÃO DO LANÇAMENTO. O lançamento foi realizado de acordo com a legislação que trata da matéria discutida, não existindo elementos comprobatórios permitindo alterar a apuração anual do imposto de renda, na maneira pretendida na impugnação. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido No Recurso Voluntário (fls. 740 a 744) protocolado em 30.10.2012, sustenta em síntese: a) O contrato firmado com a empresa ALL Negócios, demonstra a que título e por quem fora contratado, o valor que recebia, anexou relatórios dos valores recebidos e suas respectivas prestações de contas; b) Há equivoco em exigir comprovação dos investimentos feitos, demonstrando que não houve o correto entendimento quanto ao objeto do contrato. Pelo contrato a carteira de cobrança foi repassada para cobrança e custódia, com prestações de contas mensais. É o breve relatório. Voto Conselheiro Odmir Fernandes Relator Fl. 756DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por ODMIR FERNANDES Processo nº 11080.727377/201225 Acórdão n.º 2201002.202 S2C2T1 Fl. 3 3 O Recurso preenche os requisitos de admissibilidade de deve ser conhecido. Cuidase de autuação do Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF do ano calendário de 2008, 2009 e 2010 sobre omissão de rendimentos caracterizados por depósitos bancários de origem não comprovada. O Relatório de fiscalização, não contrariado, nos dá conta que autuado Recorrente foi intimado e apresentou os extratos bancários para a fiscalização. Nas razões de recurso sustenta que é agente de investimento autônomo, foi contratado pela empresa ALL Negócios e Intermediações de Bens e Representações Ltda. para realizar cobrança de títulos com a comissão de 5%. Os valores depositados nas suas contas bancárias eram repassados à referida empresa, permanecendo consigo apenas a comissão. Na impugnação as alegações foram às mesmas, sem nenhuma comprovação dos fatos. Alegar e não provar é o mesmo que não alegar. Na basta demonstrar a existência do contrato formal firmado com a referida empresa, precisa comprovar que os depósitos correspondem a repasse e o recebimento dos valores pelo terceiro. Ante o exposto, pelo meu voto, conheço do recurso e nego provimento. (Assinatura digital) Odmir Fernandes Relator Fl. 757DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por ODMIR FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 13749.720179/2011-84
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Exercício: 2011
NULIDADE.
Não há que se falar em nulidade em relação aos atos administrativos que instruem os autos, no case em foram lavrados por servidor competente com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumpri-los ou impugná-los no prazo legal, ou seja, com observância de todos os requisitos legais que lhes conferem existência, validade e eficácia.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INTIMAÇÃO PRÉVIA NÃO NECESSÁRIA.
O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração.
MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. ATRASO NA ENTREGA DA DCTF.
O atraso na entrega da DCTF pela pessoa jurídica obrigada enseja a aplicação da penalidade prevista na legislação tributária.
DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA.
Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1801-001.670
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Relatora
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Exercício: 2011 NULIDADE. Não há que se falar em nulidade em relação aos atos administrativos que instruem os autos, no case em foram lavrados por servidor competente com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumpri-los ou impugná-los no prazo legal, ou seja, com observância de todos os requisitos legais que lhes conferem existência, validade e eficácia. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INTIMAÇÃO PRÉVIA NÃO NECESSÁRIA. O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. O atraso na entrega da DCTF pela pessoa jurídica obrigada enseja a aplicação da penalidade prevista na legislação tributária. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Relatora Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
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Não há que se falar em nulidade em relação aos atos administrativos que instruem os autos, no case em foram lavrados por servidor competente com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprilos ou impugnálos no prazo legal, ou seja, com observância de todos os requisitos legais que lhes conferem existência, validade e eficácia. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INTIMAÇÃO PRÉVIA NÃO NECESSÁRIA. O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. O atraso na entrega da DCTF pela pessoa jurídica obrigada enseja a aplicação da penalidade prevista na legislação tributária. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 74 9. 72 01 79 /2 01 1- 84 Fl. 40DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13749.720179/201184 Acórdão n.º 1801001.670 S1TE01 Fl. 41 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório Contra a Recorrente acima identificada foi lavrada a Notificação de Lançamento à fl. 05, com a exigência do crédito tributário no valor de R$500,00 a título de multa de ofício isolada por atraso na entrega em 17.08.2011 da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) do mês de maio do anocalendário de 2010, cujo prazo final era 21.07.2010. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 113 e art. 160 do Código Tributário Nacional, art. 11 do DecretoLei º 1.968, de 23 de novembro de 1982, art. 10 do DecretoLei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983, art. 30 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1996, art. 7º da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002 e art. 19 da Lei nº n° 11.051, de 29 de dezembro de 2004. Cientificada, a Recorrente apresentou a impugnação, fls. 0204, com as alegações a seguir transcritas. O contribuinte em 2009 era empresa optante pelo [Simples Nacional] e mudou seu regime de tributação pata o lucro presumido em janeiro de 2010, e passou a ser obrigado à apresentação de DCTF, haja vista que a partir desta data as empresas com tributação neste regimes [passaram] a ser obrigadas a apresentação mensal. Cumpridora de suas obrigações acessórias tributárias a empresa apresentou a DCTF espontaneamente, para simples regularização de sua situação cadastral na [RFB], uma vez que seus impostos todos foram quitados no período. Referente a multa ora cobrada, vale ressaltar que corre, entretanto, hodiernamente, grande debate em torno do tema, prevalecendo, dentro dos tribunais a tese da inaplicabilidade da multa tributária no caso da confissão espontânea de Fl. 41DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13749.720179/201184 Acórdão n.º 1801001.670 S1TE01 Fl. 42 3 débito tributário, sendo, " in casu", totalmente defesa à imposição, sob qualquer forma de denominação empregada renegando, inclusive, ponto de vista já sedimentado na jurisprudência pátria, até mesmo em tribunais superiores. Ressaltase também que os Estados Federativos não estão aplicando penalidades multas aos contribuinte quando apresentam suas obrigações acessórias fora do prazo espontaneamente. [...] A DCTF foi criada através de instrução normativa baixada pela Secretaria da Receita Federal, que sob p fundamento do art. 5º do Decretolei 2.124/84, foi delegado ao Ministro da Fazenda baixar normas para regulamentar a exigência de declarações de impostos e fixar multas por descumprimento dessas obrigações acessórias. Ocorre que, com o advento da Constituição Federal de 1988, somente por lei podese ser criado o tributo, e suas obrigações acessórias, tal qual o cumprimento da obrigação principal (pagar o tributo) e das obrigações acessórias (fazer ou deixar de fazer uma obrigação. Significa que a somente por lei pode ser instituído o tributo (obrigação de dar) è as obrigações acessórias (obrigação de fazer ou não fazer), criando os instrumentos de controles (declarações) e impondo as penalidades de multa caso|seja descumprida as obrigações acessórias. Assim, somente a lei (poder legislativo) pode instituir as obrigações acessórias, não podendo, ser delegada competência ao poder executivo para baixar normas obrigacionais de caráter tributário que não tenham origem em lei. A instrução normativa (124/86) e suas demais atualizações sobre a DCTF e imposição de multas não jtêm fundamento em lei para sua exigência. Fere, portanto, o princípio da legalidade (art. 5o, II da CF/88) ao qual determina que "ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer algo senão em virtude de lei". A DCTF não foi criada por lei A instrução normativa que cria o DCTF não é lei. A multa aplicada por atraso na entrega da DCTF não tem fundamento na lei. Portanto são ilegais. Além disso a instrução normativa que cria a DCTF fere normas da Constituição Federal de 1988, o que é considerada inconstitucional. [...]O argumento expendido na presente verte de modo direto do Código Tributário Nacional, legislação infraconstitucional elevada, portanto, à condição de verdadeira lei complementar] Especificamente no art. 138 da referida legislação é que vamos confrontar a normatização básica para o perfeito entendimento do caso "ore sub examen" [...]. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui que o lançamento é nulo, nos seguintes termos: À vista do exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência total ou parcial do lançamento, requer que seja acolhida a presente Impugnação. Está registrado como resultado do Acórdão da 2ª TURMA/DRJ/BHE/MG nº 0242.921, de 27.02.2013, fls. 1921: Impugnação Improcedente. Consta no Voto Condutor Fl. 42DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13749.720179/201184 Acórdão n.º 1801001.670 S1TE01 Fl. 43 4 No Direito Tributário, devese observar o princípio da responsabilidade objetiva do sujeito passivo em relação às suas obrigações tributárias e ao cometimento de infrações, ou seja, a responsabilidade no campo tributário independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, conforme estabelece expressamente o art. 136 do Código Tributário Nacional (CTN). De acordo com o art. 7º da Lei nº 10.426, de 2002, na redação dada pelo art. 19 da Lei nº 11.051, de 2004, o sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, estará sujeito à multa. Esse é o fundamento legal para a aplicação da multa. Os princípios constitucionais invocados norteiam o legislador e não o aplicador da lei. As hipóteses de aplicação da punição, as variações de intensidade em razão do tempo de atraso e de outros critérios, bem como as reduções e dispensas são fixadas de forma categórica na própria legislação, não havendo oportunidade para discricionariedade da autoridade fiscal. Portanto, o lançamento efetuado conforme manda a legislação e com base em fatos e dados cuja veracidade a impugnante não logra abalar, atende, no âmbito de atuação do agente do fisco, os princípios invocados. O argumento denúncia espontânea utilizado para o pedido de cancelamento não pode ser acolhido no âmbito administrativo, pois a matéria se encontra sumulada pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais nos seguintes termos: Súmula CARF nº 49 A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. (Portaria CARF nº 49, de 1/12/2010, publicada no DOU de 7/12/2010, p. 42) A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional (art. 142 do CTN, parágrafo único). Assim, constatado o atraso ou a falta na entrega da declaração/demonstrativo, a autoridade fiscal não só está autorizada como, por dever funcional, está obrigada a proceder ao lançamento de ofício da multa pertinente. Restou ementado ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário:2010 DCTF. Comprovada a sujeição do contribuinte à obrigação, o descumprimento desta ou seu cumprimento em atraso enseja a aplicação das penalidades previstas na legislação de regência. Notificada em 11.03.2013, fl. 28, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 10.04.2013, fls. 3032, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Reitera os argumentos apresentados na impugnação. Fl. 43DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13749.720179/201184 Acórdão n.º 1801001.670 S1TE01 Fl. 44 5 Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos. Os atos administrativos que instruem os autos foram lavrados por servidor competente com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprilos ou impugnálos no prazo legal, ou seja, com observância de todos os requisitos legais que lhes conferem existência, validade e eficácia. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos. Na atribuição do exercício da competência da RFB, em caráter privativo, cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário pelo lançamento, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional1. As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes foram observadas. Ademais os atos administrativos estão motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos decidam recursos administrativos de modo explícito, claro e congruente. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício, que foi regularmente analisado pela autoridade de primeira instância. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. A Recorrente diz que o lançamento não poderia ter ido realizado sem prévia intimação. Na atribuição do exercício da competência da RFB, em caráter privativo, cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário pelo lançamento, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Cabe ressaltar que o lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação à pessoa jurídica, nos casos em que a autoridade dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. Também pode ser efetivado por autoridade de jurisdição diversa do domicílio tributário da pessoa jurídica e fora do estabelecimento, não lhe 1 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 do Código Tributário Nacional, art 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2001, art. 10 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. Fl. 44DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13749.720179/201184 Acórdão n.º 1801001.670 S1TE01 Fl. 45 6 sendo exigida a habilitação profissional de contador2. O Auto de Infração foi lavrado com a verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinação da matéria tributável, cálculo do montante da multa de ofício isolada devida e identificação do sujeito passivo e validamente cientificada a Recorrente, o que lhe conferem existência, validade e eficácia. O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário, em conformidade com o enunciado da Súmula CARF nº 46, que é de observância obrigatória, nos termos do art. 72 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. A contestação aduzida pela defendente, por isso, não pode ser sancionada. A Recorrente suscita que está amparada pela denúncia espontânea. A denúncia espontânea da infração acompanhada do pagamento do tributo devido e dos juros de mora exclui a responsabilidade do sujeito passivo pela penalidade pecuniária em função da inobservância da conduta prescrita na norma jurídica primária. A exteriorização de vontade não tem forma prevista em lei e alcança tãosomente a obrigação principal em que o tributo sujeito ao lançamento por homologação que não esteja declarado à época e o recolhimento seja efetuado antes de qualquer procedimento fiscal. O instituto da denúncia espontânea não abrange a obrigação acessória.3. Este é o entendimento constante na decisão definitiva de mérito proferida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) no Recurso Especial Repetitivo nº 1149022/SP 4, cujo trânsito em julgado ocorreu em 01.09.2010 e que deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF5. Restou demonstrado que o presente caso tratase de descumprimento de obrigação acessória que não está amparada pelo instituto da denúncia espontânea. Assim, denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração, em conformidade com o enunciado da Súmula CARF nº 49, que é de observância obrigatória, nos termos do art. 72 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. A contestação aduzida pela defendente, por isso, não pode ser sancionada. A Recorrente discorda do procedimento de ofício. No que se refere à possibilidade jurídica de aplicação de penalidade pecuniária por falta de cumprimento de obrigação acessória, temse que essa obrigação é um dever de fazer ou não fazer que decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos, e pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal 2 Fundamentação legal: art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 10 e art. 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 8, 27 e 46. 3 Fundamentação legal: art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 138 do Código Tributário Nacional. 4 BRASIL.Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial Repetitivo nº 1149022/SP. Ministro Relator:Luiz Fux, Primeira Seção, Brasília, DF, 9 de junho de 2010. Disponível em: <https://ww2.stj.jus.br/revistaeletronica/Abre_Documento.asp?sLink=ATC&sSeq=10649420&sReg=2009013414 24&sData=20100624&sTipo=5&formato=PDF>. Acesso em: 31 ago.2011. 5 Fundamentação legal: art. 138 do Código Tributário Nacional, art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF. Fl. 45DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13749.720179/201184 Acórdão n.º 1801001.670 S1TE01 Fl. 46 7 relativamente à penalidade pecuniária. Essas obrigações formais de emissão de documentos contábeis e fiscais decorrem do dever de colaboração do sujeito passivo para com a fiscalização tributária no controle da arrecadação dos tributos (art. 113 do Código Tributário Nacional). Ademais, a imunidade tributária não afasta a obrigação do ente imune de cumprir as obrigações acessórias previstas na legislação tributária (art. 150 da Constituição Federal e art. 9º do Código Tributário Nacional). O Ministro da Fazenda pode instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais, cuja competência foi delegada à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) (art. 5º da DecretoLei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, Portaria MF nº 118, de 28 de junho de 1984 e art. 16 da Lei n° 9.779, de 19 de janeiro de 1999). No exercício de sua competência regulamentar a RFB pode instituir obrigações acessórias, inclusive, forma, tempo, local e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável. Assim, os atos do processo administrativo dependem de forma determinada quando a lei expressamente a exigir (art. 22 da Lei nº 9.784, de 29 de dezembro de 1999). O documento que formalizála, comunicando a existência de crédito tributário, constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. Ademais, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato (art. 136 do Código Tributário Nacional). O sujeito passivo que deixar de apresentar a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), nos prazos fixados pelas normas sujeitase às seguintes multas: (a) de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas declarações ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento; (b) de R$20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. Para efeito de aplicação dessas multas, reputase como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, da lavratura do auto de infração. As multas serão reduzidas: (a) em 50% (cinqüenta por cento), quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; (b) em 25% (vinte e cinco por cento), se houver a apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. A multa mínima a ser aplicada deve ser: (a) R$200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa jurídica inativa; (b) R$500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos6. 6 Fundamentação legal: art. 113 e 138 do Código Tributário Nacional, art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, Portaria MF nº 118, de 28 de junho de 1984, art. 16 da Lei n° 9.779, de 19 de janeiro de 1999,e art. Fl. 46DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13749.720179/201184 Acórdão n.º 1801001.670 S1TE01 Fl. 47 8 Em relação à DCTF, cabe esclarecer que todas as pessoas jurídicas, inclusive as equiparadas, devem apresentála centralizada pela matriz, via internet: (a) para os anoscalendário de 1999 e 2004, trimestralmente, até o último dia útil da primeira quinzena do segundo mês subseqüente ao trimestre de ocorrência dos fatos geradores. (b) para os anoscalendário de 2005 a 2009: (b.1) semestralmente, sendo apresentada até o quinto dia útil do mês de outubro de cada anocalendário, no caso daquela relativa ao primeiro semestre e até o quinto dia útil do mês de abril de cada anocalendário, no caso daquela atinente ao segundo semestre do anocalendário anterior; (b.2) mensalmente, de acordo com o valor da receita bruta auferida pela pessoa jurídica, sendo apresentada até o quinto dia útil do segundo mês subseqüente ao mês de ocorrência dos fatos geradores; (c) a partir do anocalendário de 2010, mensalmente, com apresentação até o décimo quinto dia útil do segundo mês subsequente ao mês de ocorrência dos fatos geradores7. No presente caso, restou comprovado que houve atraso na entrega em 17.08.2011 da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) do mês de maio do anocalendário de 2010, cujo prazo final era 21.07.2010. A proposição mencionada pela defendente, por conseguinte, não tem validade. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso8. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade9. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. Em assim sucedendo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) 7º da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002, alterada pela Lei nº 11.051, 29 de dezembro de 2004 e Súmulas CARF nºs 33 e 49. 7 Fundamentação legal: Instrução Normativa SRF nº 126, de 30 de outubro de 1998, Instrução Normativa SRF nº 255, de 11 de dezembro de 2002, Instrução Normativa SRF nº 583, de 20 de dezembro de 2005, Instrução Normativa SRF nº 695, de 14 de dezembro de 2006, Instrução Normativa RFB nº 786, de 19 de novembro de 2007, Instrução Normativa RFB nº 903, de 30 de dezembro de 2008, Instrução Normativa RFB nº 974, de 27 de novembro de 2009 e Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010. 8 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 9 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. Fl. 47DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13749.720179/201184 Acórdão n.º 1801001.670 S1TE01 Fl. 48 9 Carmen Ferreira Saraiva Fl. 48DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10215.720709/2009-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
AUSÊNCIA DE MPF NOS AUTOS. FALTA DE NOTIFICAÇÃO DAS ALTERAÇÕES. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) constitui mero instrumento de controle administrativo, de sorte que eventuais incorreções neste instrumento, ou até mesmo a sua inexistência, não caracterizam vícios insanáveis. A partir de 01.01.2008, o MPF passou a ser emitido exclusivamente de forma eletrônica, podendo ser consultado a qualquer tempo via internet por meio de código de acesso fornecido à pessoa jurídica fiscalizada, o que dispensa inclusive a sua juntada aos autos do processo.
FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES BANCÁRIAS. SIGILO. INEXISTÊNCIA.
Não há que se falar em quebra de sigilo bancário quando o próprio sujeito passivo autoriza o fisco a requisitar as suas informações bancárias às instituições financeiras.
BASE DE CÁLCULO DO ARBITRAMENTO. RECEITA APURADA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. DUPLICIDADE. INEXISTÊNCIA.
Na ausência de provas de que as receitas apuradas pela fiscalização com base em outros elementos de prova integram o montante dos depósitos bancários submetidos à tributação por presunção legal, não há que se falar em duplicidade de cobrança sobre uma mesma base tributável.
Numero da decisão: 1102-000.911
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões, em relação à matéria MPF, os conselheiros Antonio Carlos Guidoni Filho e João Carlos de Figueiredo Neto.
Documento assinado digitalmente.
João Otávio Oppermann Thomé Presidente e Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araújo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto, e Antonio Carlos Guidoni Filho.
Nome do relator: JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004, 2005, 2006 AUSÊNCIA DE MPF NOS AUTOS. FALTA DE NOTIFICAÇÃO DAS ALTERAÇÕES. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) constitui mero instrumento de controle administrativo, de sorte que eventuais incorreções neste instrumento, ou até mesmo a sua inexistência, não caracterizam vícios insanáveis. A partir de 01.01.2008, o MPF passou a ser emitido exclusivamente de forma eletrônica, podendo ser consultado a qualquer tempo via internet por meio de código de acesso fornecido à pessoa jurídica fiscalizada, o que dispensa inclusive a sua juntada aos autos do processo. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES BANCÁRIAS. SIGILO. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em quebra de sigilo bancário quando o próprio sujeito passivo autoriza o fisco a requisitar as suas informações bancárias às instituições financeiras. BASE DE CÁLCULO DO ARBITRAMENTO. RECEITA APURADA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. DUPLICIDADE. INEXISTÊNCIA. Na ausência de provas de que as receitas apuradas pela fiscalização com base em outros elementos de prova integram o montante dos depósitos bancários submetidos à tributação por presunção legal, não há que se falar em duplicidade de cobrança sobre uma mesma base tributável.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões, em relação à matéria MPF, os conselheiros Antonio Carlos Guidoni Filho e João Carlos de Figueiredo Neto. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Presidente e Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araújo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto, e Antonio Carlos Guidoni Filho.
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FALTA DE NOTIFICAÇÃO DAS ALTERAÇÕES. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) constitui mero instrumento de controle administrativo, de sorte que eventuais incorreções neste instrumento, ou até mesmo a sua inexistência, não caracterizam vícios insanáveis. A partir de 01.01.2008, o MPF passou a ser emitido exclusivamente de forma eletrônica, podendo ser consultado a qualquer tempo via internet por meio de código de acesso fornecido à pessoa jurídica fiscalizada, o que dispensa inclusive a sua juntada aos autos do processo. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES BANCÁRIAS. SIGILO. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em quebra de sigilo bancário quando o próprio sujeito passivo autoriza o fisco a requisitar as suas informações bancárias às instituições financeiras. BASE DE CÁLCULO DO ARBITRAMENTO. RECEITA APURADA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. DUPLICIDADE. INEXISTÊNCIA. Na ausência de provas de que as receitas apuradas pela fiscalização com base em outros elementos de prova integram o montante dos depósitos bancários submetidos à tributação por presunção legal, não há que se falar em duplicidade de cobrança sobre uma mesma base tributável. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões, em relação à matéria “MPF”, os conselheiros Antonio Carlos Guidoni Filho e João Carlos de Figueiredo Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 21 5. 72 07 09 /2 00 9- 18 Fl. 811DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 11/ 10/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10215.720709/200918 Acórdão n.º 1102000.911 S1C1T2 Fl. 3 2 Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé – Presidente e Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araújo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto, e Antonio Carlos Guidoni Filho. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por MARUA TIMBER MADEIRAS LTDA, contra acórdão proferido pela 1ª Turma de Julgamento da DRJ/Belém, que parcial provimento à impugnação apresentada contra o lançamento de ofício, e cuja ementa encontrase assim redigida: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. ENTENDIMENTO DOMINANTE DOS TRIBUNAIS SUPERIORES. VINCULAÇÃO ADMINISTRATIVA. É vedada a extensão administrativa dos efeitos de decisões judiciais, quando comprovado que o contribuinte não figurou como parte na referida ação judicial. A autoridade julgadora administrativa não se encontra vinculada ao entendimento dos Tribunais Superiores, pois não faz parte da legislação tributária de que fala o artigo 96 do Código Tributário Nacional, salvo quando tenha gerado uma súmula vinculante, nos termos da Emenda Constitucional n.° 45, DOU de 31/12/2004. NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE INOCORRENCIA Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade processual, nem em nulidade do lançamento enquanto ato administrativo. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. APRECIAÇÃO VEDADA. ENTENDIMENTO ADMINISTRATIVO. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a argüição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade dos preceitos legais que embasaram o ato de lançamento. As leis regularmente editadas segundo o processo constitucional gozam de presunção de constitucionalidade e de legalidade até decisão em contrário do Poder Judiciário. As alegações de inconstitucionalidade ou de ilegalidade somente são apreciadas nos julgamentos administrativos quando houver expressa autorização. MULTA DE OFÍCIO CONFISCO RAZOABILIDADE. É inaplicável o conceito de confisco e de ofensa à capacidade contributiva em relação à aplicação da multa de ofício, que não se reveste do caráter de tributo. Não há de se cogitar da materialização das hipóteses de confisco e de ofensa ao Princípio da Capacidade Contributiva quando os lançamentos se pautaram nos Fl. 812DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 11/ 10/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10215.720709/200918 Acórdão n.º 1102000.911 S1C1T2 Fl. 4 3 pressupostos jurídicos, declarados no enquadramento legal, e fáticos, esses coadunados com o conteúdo econômico das operações comerciais do contribuinte. SIGILO BANCÁRIO. É lícito ao fisco, mormente após a edição da Lei Complementar nº 105/2001, examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial. A obtenção de informações junto às instituições financeiras, por parte da administração tributária, não implica quebra de sigilo bancário, mas simples transferência deste, porquanto em contrapartida está o sigilo fiscal a que se obrigam os agentes fiscais por dever de ofício. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. Os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações são caracterizados como omissão de receitas. Exoneramse os valores comprovados na Impugnação. PRESUNÇÃO JURIS TANTUM. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. FATO INDICIÁRIO. FATO JURÍDICO TRIBUTÁRIO. A presunção legal juris tantum inverte o ônus da prova. Neste caso, a autoridade lançadora fica dispensada de provar que o depósito bancário não comprovado (fato indiciário) corresponde, efetivamente, ao auferimento de rendimentos (fato jurídico tributário), nos termos do art. 334, IV, do Código de Processo Civil. Cabe ao contribuinte provar que o fato presumido não existiu na situação concreta. TRIBUTAÇÃO REFLEXA Aplicase às contribuições sociais reflexas, no que couber, o que foi decido para a obrigação matriz, dada a íntima relação de causa e efeito que os une.” Consta dos autos de infração lavrados de IRPJ e seus reflexos (PIS, COFINS, e CSLL), abrangendo os anos de 2004, 2005, e 2006, que o contribuinte foi autuado pela prática das seguintes infrações à legislação tributária: “001 RECEITA OPERACIONAL OMITIDA (ATIVIDADE NÃO IMOBILIÁRIA) REVENDA DE MERCADORIAS Omissão de receitas da revenda de mercadorias caracterizada pelas notas fiscais anexas ao processo, as quais o sujeito passivo não apresentou prova de que tivessem sido ofertadas à tributação (...) 002 DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA Omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósito ou de investimento, mantidas em instituições financeiras, em relação aos quais o sujeito passivo, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações (...) Fl. 813DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 11/ 10/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10215.720709/200918 Acórdão n.º 1102000.911 S1C1T2 Fl. 5 4 003 RECEITAS OPERACIONAIS (ATIVIDADE NÃO IMOBILIÁRIA) REVENDA DE MERCADORIAS Omissão de receitas da revenda de mercadorias para o mercado exterior caracterizada pelos contratos de câmbio anexos ao processo, combinados com os depósitos bancários identificados com o histórico "Câmbio Exportação", as quais o sujeito passivo não apresentou prova de que tivessem sido ofertadas à tributação (...) 004 – REVENDA DE MERCADORIAS Omissão de receitas da revenda de mercadorias para o mercado exterior caracterizada pelas notas fiscais anexas ao processo, as quais o sujeito passivo não apresentou prova de que tivessem sido ofertadas à tributação (...)” O Termo de Verificação de Infração, fls. 125139, que integra os referidos autos de infração lavrados, registra que foi detectada divergência entre os rendimentos declarados e a movimentação financeira.do contribuinte, nos anos de 2004 a 2006, e que, formalmente intimado, o contribuinte apresentou documento informando o nome das instituições financeiras onde mantinha operações e autorizando o Fisco a solicitar os comprovantes de todas as movimentações efetuadas da empresa, de modo que o fisco então requisitou os extratos diretamente ao Bradesco e ao Banco do Brasil. O contribuinte, que originalmente optara por tributar seus rendimentos mediante as regras estabelecidas pelo lucro presumido, teve os seus lucros submetidos ao arbitramento pelo fisco, uma vez que, intimado a apresentar sua escrita contábil ou o Livro Caixa, deixou de apresentálos. Cientificada do feito, a empresa apresentou impugnação, na qual aduziu, em apertada síntese, o seguinte: violação aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade; violação ao princípio do não confisco; bis in idem, tendo em vista que o valor declarado pela autuada entre 2004 e 2006, que, segundo o agente autuante, fora de 4 milhões de reais em receitas, não foi levado em consideração, pois no momento da autuação foi incluído novamente o valor declarado; violação do sigilo bancário sem autorização judicial (afirma que “apesar de o agente autuante afirmar que os extratos foram obtidos mediante autorização expressa do sujeito passivo, essa afirmação não procede, vez que a autuada não autorizou em nenhum momento que tais extratos fossem obtidos diretamente pela Receita Federal.”); violação do direito ao devido processo legal, pois, para que seja aplicada uma multa é necessário que seja garantido o contraditório e a ampla defesa para que só depois a multa seja mensurada e aplicada; a boa fé do contribuinte, que deve ser levada em consideração quando da aplicação de alguma penalidade (neste tópico referese a alguns documentos anexos à impugnação — duas notas fiscais de venda de madeira para Fl. 814DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 11/ 10/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10215.720709/200918 Acórdão n.º 1102000.911 S1C1T2 Fl. 6 5 exportação, e alguns comprovantes e recibos de depósito, os quais especifica). Finaliza requerendo sejam os autos de infração julgados nulos por falta de motivação e afronta ao devido processo legal, que a multa seja considerada indevida, em face da diligente falta de provas, ou, subsidiariamente, reduzida levandose em consideração o contrato social da empresa e sua capacidade econômica, que o valor já declarado pelo sujeito passivo seja abatido da autuação, e que sejam observados os princípios constitucionais relatados. A turma julgadora a quo rejeitou as preliminares de nulidade, destacando que todas as formalidades foram cumpridas, e que não houve cerceamento do direito de defesa. Afastou também a alegação de supostas violações aos princípios constitucionais citados e ao seu sigilo bancário, destacando a expressa autorização dada pela recorrente ao fisco para a obtenção dos comprovantes de sua movimentação financeira. Analisando as alegações de mérito feitas pela recorrente em conjunto com os documentos apresentados, exonerou o crédito tributário relativo ao valor de R$ 182.324,80 (parte da nota fiscal no 0354, no valor de R$ 188.927,90, apresentada pela recorrente), por ter sido tributado em duplicidade (como receita omitida pelo valor da nota fiscal, e também como depósito bancário não comprovado), mantendo, de resto, inalterados os valores autuados. Cientificada desta decisão em 14.11.2012, e com ela inconformada, a contribuinte interpôs recurso voluntário em 14.12.2012, fls. 800805, no qual alegou, em síntese, o seguinte: A autoridade fiscal procedeu em 26/11/2009 aos lançamentos tributários, todavia o prazo máximo de vigência do MPF era 14/06/2009 (fls. 2 dos autos). Além disto, foi designada outra autoridade para a constituição do auto de infração sem que tivesse sido ao contribuinte informada tal alteração, em desrespeito ao art. 9o da Portaria RFB n° 11.371/2007. Muito embora a nova autoridade tenha dito nos autos que novo MPF foi emitido e que houve a sua titulação neste, não encontramos nos autos este novo MPF. Caso não seja declarada a nulidade do auto de infração pela inviolabilidade dos dados bancários, requerse que as receitas dos extratos bancários sejam expurgadas, uma vez que já foram consideradas receitas nas notas fiscais e nos contratos de câmbio, assim como as receitas já foram oferecidas à tributação pelo contribuinte e informadas em sua declaração de ajuste. Embora haja a presunção legal de omissão de receitas, não procede escorreitamente a Administração Pública Tributária quando considera receitas omitidas aquelas provenientes das notas fiscais de venda ao exterior, caracterizadas pelo contrato de câmbio, as provenientes de notas fiscais de venda e os depósitos bancários creditados em conta de depósito ou de investimento. A simples soma dos valores como receita da atividade econômica desconfigura a realidade fática, uma vez que a receita constante de uma nota fiscal pode ser considerada novamente como receita quando figurar no extrato bancário, e até mesmo uma terceira vez quando fizer parte do contrato de câmbio. Finaliza a peça requerendo seja totalmente cancelada a exigência fiscal reclamada. É o relatório. Fl. 815DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 11/ 10/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10215.720709/200918 Acórdão n.º 1102000.911 S1C1T2 Fl. 7 6 Voto Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. A recorrente pleiteia a nulidade da autuação, por conta de irregularidades vinculadas ao Mandado de Procedimento Fiscal – MPF. Em síntese, alega que o lançamento teria sido efetuado quando já expirado o prazo de vigência do MPF, que as alterações promovidas no MPF não teriam sido comunicadas à recorrente quando do primeiro ato de ofício praticado após cada alteração, em desrespeito ao disposto no art. 9o da Portaria RFB n° 11.371/2007, e que o novo MPF que supostamente veicularia as alterações ocorridas não se encontra nos autos. Não lhe assiste razão. O Mandado de Procedimento Fiscal, instituído originariamente pela Portaria SRF nº 3.007, de 2001, constitui mero instrumento de controle indispensável à administração tributária, permitindo acompanhar o desenvolvimento das atividades realizadas pelos AuditoresFiscais, e também instrumento de garantia para o contribuinte, na medida em que este poderá conferir se, de fato, os AuditoresFiscais que o estejam fiscalizando estão no exercício legal de suas funções. A atividade de lançamento é vinculada e obrigatória, nos termos do art. 142 do CTN, e os pressupostos de sua validade e eficácia para surtir os efeitos a que se destina têm sede, apenas, no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 – PAF, diploma este que possui status e força de Lei, consoante reiterada e pacífica jurisprudência administrativa e judicial. Portanto, eventuais falhas ou irregularidades que porventura tivessem ocorrido quanto à observância das regras pertinentes ao MPF jamais teriam força para retirar ou limitar a competência do AuditorFiscal da Receita Federal para efetuar o lançamento, que lhe é assegurada por lei (art. 6o da Lei no 10.593, de 2002). Neste sentido, o seguinte precedente deste Colegiado: “NULIDADE DO LANÇAMENTO EM RAZÃO DE VÍCIOS DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. INOCORRÊNCIA. A nulidade do auto de infração somente se configura na ocorrência das hipóteses previstas na legislação. Os preceitos estabelecidos no Código Tributário Nacional (Lei n° 5.172, de 1966) e no Processo Administrativo Fiscal (Decreto n° 70.235, de 1972) sobrepõem se às recomendações insertas na Portaria que criou o Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), que se consubstancia mero instrumento de controle administrativo, de sorte que eventuais alterações nele inseridas, ou até mesmo a inexistência deste instrumento, não caracterizam vícios insanáveis.” (Acórdão 110200.197, relator José Sérgio Gomes, sessão de 20 de maio de 2010) Fl. 816DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 11/ 10/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10215.720709/200918 Acórdão n.º 1102000.911 S1C1T2 Fl. 8 7 No caso concreto, de qualquer sorte, cumpre observar que a fiscalização foi realizada sob o amparo de MPF e que se encontrava em plena vigência no momento da autuação. A autoridade fiscal, no início do Termo de Verificação de Infração, esclarece que, inicialmente, foi emitido um MPF em 23.10.2007 (no 02.1.02.002007001958, fls. 2), com a finalidade de verificar o cumprimento das obrigações tributárias relativas ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica dos anoscalendário 2004 a 2006. Este MPF, após sucessivas prorrogações, de fato expirou em 14.06.2009 (fls. 3). Contudo, registra o auditor fiscal, no referido termo, que, em 03.09.2009, foi emitido “novo Mandado de Procedimento Fiscal em substituição ao primeiro, inclusive com a alteração do AuditorFiscal responsável pela fiscalização”. De se destacar que a Portaria RFB nº 11.371, de 12.12.2007, então vigente, expressamente dispunha, no seu art. 4o, o seguinte (grifos acrescidos): “Art. 4º O MPF será emitido exclusivamente em forma eletrônica e assinado pela autoridade outorgante, mediante a utilização de certificado digital válido, conforme modelos constantes dos Anexos de I a III desta Portaria. Parágrafo único. A ciência pelo sujeito passivo do MPF, nos termos do art. 23 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, com redação dada pelo art. 67 da Lei nº 9.532, de 10 de novembro de 1997, darseá por intermédio da Internet, no endereço eletrônico www.receita.fazenda.gov.br, com a utilização de código de acesso consignado no termo que formalizar o início do procedimento fiscal. Dentre as normas anteriores, que foram por esta Portaria revogadas, encontramse aquelas que previam a emissão do MPF em três vias, sendo que uma delas deveria integrar o processo administrativo. Com a possibilidade de consulta, via internet, do MPF emitido, mediante a utilização do referido código de acesso, mesmo após a conclusão do procedimento fiscal correspondente, não mais se faz necessária a juntada do MPF aos autos do processo, de sorte que não prospera a inconformidade da recorrente neste aspecto. Consultandose este novo MPF em questão na internet (no endereço www.receita.fazenda.gov.br), de posse do necessário código de acesso, que consta no primeiro Termo de Intimação lavrado após a sua emissão (fls. 36), verificase que ele foi emitido em 03 de setembro de 2009, com prazo inicial de execução do procedimento fixado até o dia 1o de janeiro de 2010, encontrandose, portanto, em plena vigência quando da ciência do lançamento efetuado, em 26.11.2009. Este novo MPF emitido não foi objeto de qualquer alteração posterior, de sorte que a referência feita pela recorrente ao art. 9o da Portaria RFB nº 11.371, de 12.12.2007, que trata de alterações no MPF, não tem aplicabilidade ao caso. O referido MPF identifica também o auditor fiscal responsável pela execução do procedimento, que é aquele que, de fato, constituiu o lançamento por meio do auto de infração. Confirase na tela abaixo: Fl. 817DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 11/ 10/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10215.720709/200918 Acórdão n.º 1102000.911 S1C1T2 Fl. 9 8 Não se vislumbra, portanto, no presente caso, qualquer irregularidade no tocante às normas relativas ao Mandado de Procedimento Fiscal, embora, repitase, ainda que eventual falha ou irregularidade nele se encontrasse, tal fato não implicaria, de qualquer sorte, a nulidade do feito. A recorrente pleiteia também a nulidade da autuação, em razão da violação do seu sigilo bancário sem autorização judicial. Em que pese tenha a autoridade julgadora de primeira instância externado seu entendimento de que a transferência de informações bancárias ao fisco, nos termos da Lei Complementar no 105, de 10 de janeiro de 2001, não constitui violação do dever de sigilo, entendimento também compartilhado por este relator, o fato é que expressamente consignou aquele julgador que, no caso concreto, a própria recorrente autorizou o fisco a requisitar os comprovantes de sua movimentação bancária diretamente às instituições financeiras, conforme, aliás, já deixara registrado a autoridade fiscal que procedera ao lançamento de ofício. Ainda em sede de impugnação, a recorrente afirmara que esta assertiva da autoridade fiscal não procederia, e que ela (recorrente) não teria dado tal autorização ao fisco. Contudo, em sede de recurso, não mais traz a recorrente esta alegação, limitandose a abordar a Fl. 818DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 11/ 10/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10215.720709/200918 Acórdão n.º 1102000.911 S1C1T2 Fl. 10 9 questão apenas sob a ótica genérica da inviolabilidade dos dados bancários, e da impossibilidade da quebra do sigilo bancário sem autorização judicial. Ora, não há que se falar em quebra de sigilo quando o próprio sujeito passivo autoriza o fisco a requisitar as suas informações bancárias às instituições financeiras, como ocorreu no presente caso. Não há motivo, portanto, nem para o sobrestamento do julgamento (art. 62A do Regimento Interno do CARF), nem para o reconhecimento de qualquer nulidade da autuação por este alegado motivo. Quanto ao mérito propriamente dito, sustenta a recorrente que a fiscalização simplesmente considerou como receitas omitidas a soma de suas notas fiscais de venda ao mercado interno e externo, dos seus contratos de câmbio, e dos depósitos bancários creditados em suas contas de depósito ou de investimento, o que caracterizaria uma dupla ou até mesmo tripla tributação de uma mesma receita. Neste aspecto, cumpre observar que a autoridade fiscal descreveu, no Termo de Verificação de Infração, de forma minuciosa, todos os procedimentos que tomou na apuração dos montantes das receitas da fiscalizada, os quais passo a sucintamente referir, para fundamentar porque não procede a inconformidade da recorrente. Registrou o auditor fiscal que a empresa emitira 276 notas fiscais, contudo, somente 147 (53%) foram apresentadas à fiscalização. Destas, apenas 39 notas eram relativas à exportação de mercadorias, e apenas 5 coincidiam, em datas e valores, com os depósitos bancários. Com relação aos contratos de câmbio, a fiscalização buscou efetuar o cruzamento destes com as notas fiscais apresentadas, bem como com os depósitos bancários, e registrou que não foi possível estabelecer qualquer vínculo com as notas fiscais, mas que, com relação aos depósitos, houve coincidência com as datas de liquidação e com os valores em moeda nacional estipulados nos contratos. Com relação à intimação feita à recorrente para a comprovação da origem dos seus depósitos bancários, registrou a fiscalização que a recorrente limitouse a apresentar as notas fiscais e os contratos de câmbio em questão, sem estabelecer qualquer vínculo entre eles e os depósitos. A despeito desta inércia da recorrente, a fiscalização logrou identificar que alguns desses depósitos seriam provenientes da exportação de mercadorias, e outros, do recebimento pelas vendas consignadas nas notas fiscais. Entretanto, os documentos apresentados comprovaram a origem de apenas 42 dos depósitos questionados, os quais foram, portanto, excluídos daqueles submetidos à tributação com base na presunção legal de que trata o art. 42 da Lei no 9.430/96. Contudo, uma vez que a recorrente não comprovou que as receitas dali oriundas já tivessem sido submetidas à tributação (recordese que a recorrente não apresentou ao fisco qualquer livro de sua escrituração comercial ou fiscal), a fiscalização considerouas também como receitas omitidas, mas não por presunção legal decorrente dos depósitos bancários, e sim por força do contido nos próprios documentos em questão. A fiscalização, neste caso, tomou o cuidado de ignorar, por ocasião do lançamento de ofício, os valores de Fl. 819DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 11/ 10/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10215.720709/200918 Acórdão n.º 1102000.911 S1C1T2 Fl. 11 10 receita que haviam sido informados pela fiscalizada em suas Declarações de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ (os quais, aliás, eram sensivelmente inferiores aos apurados com base nos referidos documentos), o que garantiu que os valores assim apurados não se sobreporiam a valores porventura já reconhecidos pela fiscalizada. Outro cuidado demonstrado pela fiscalização, consignado no já referido Termo de Verificação de Infração, e que refiro a título ilustrativo para demonstrar a diligência daquela autoridade, foi o de excluir da tributação pelo PIS e pela COFINS (reflexos) as receitas decorrentes da exportação de mercadorias, as quais são isentas dessas contribuições, muito embora a própria recorrente não tivesse feito qualquer ressalva neste sentido em quaisquer de suas declarações apresentadas à Receita Federal (DIPJ e DACON). Do exposto, constatase a diligência e o cuidado da autoridade fiscal ao determinar a base de cálculo dos tributos. Neste contexto, a alegação de que uma mesma receita poderia estar sendo alvo de tributação mais de uma vez não passa, de fato, de mera alegação, se ausente qualquer elemento de prova de sua ocorrência. Não se nega aqui o fato de ser possível que algumas das notas fiscais emitidas, cujo cruzamento com os extratos bancários não acusou identidade, tenham sido objeto de recebimento por meio de depósito bancário em uma das contas que foram objeto de investigação e de lançamento, pelo fisco, por meio da presunção legal de que trata o art. 42 da Lei no 9.430/96. Contudo, tratase de mera possibilidade, visto que podem também, em tese, ter sido objeto de recebimento por outras formas, tais como cheques que venham a ser repassados diretamente a terceiros, depósitos em contas correntes de outras pessoas físicas ou jurídicas, recebimentos em espécie, etc, ou mesmo sequer ter sido recebidas, por conta de inadimplência do devedor. Enfim, no campo das hipóteses, muitas são as possibilidades, assim, entendo que a alegação de duplicidade deve se fazer acompanhar de prova do ocorrido. Neste aspecto, por ocasião da impugnação, trouxe a recorrente aos autos alguns documentos, na tentativa de demonstrar o alegado (fls. 168183). Ao analisálos, a autoridade julgadora a quo reconheceu a procedência parcial do alegado, com relação a um único depósito, vinculado à nota fiscal no 0354, o qual foi, portanto, excluído do valor tributável. Não merece reparos a decisão recorrida no tocante à análise destes documentos. Endosso os fundamentos nela expostos, no sentido de que, com relação aos demais documentos apresentados, considerados insuficientes para a comprovação do alegado, incumbiria à recorrente associar os referidos depósitos a alguma das notas fiscais emitidas que foram objeto de tributação pela fiscalização no auto de infração, provando assim que estes valores estariam sendo considerados em duplicidade no lançamento tributário, ou então, por qualquer outra forma, demonstrar que esses valores já haviam sido por ela oferecidos à tributação, o que não foi feito. Da mesma forma, a outra nota fiscal apresentada (no 0441), desvinculada da comprovação da forma como se deu o seu pagamento, também não corrobora a alegação de dupla tributação. Em sede de recurso, a recorrente não trouxe aos autos qualquer novo elemento de prova, limitandose à argumentação acima exposta de que haveria valores sendo tributados em duplicidade ou triplicidade, o que, conforme visto, não restou demonstrado. Pelo exposto, nego provimento ao recurso voluntário. Fl. 820DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 11/ 10/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10215.720709/200918 Acórdão n.º 1102000.911 S1C1T2 Fl. 12 11 É como voto. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Relator Fl. 821DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 11/ 10/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME
score : 1.0
Numero do processo: 10882.003789/2003-87
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/12/1998
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE.
Devem ser rejeitados os embargos de declaração quando não se verifica, no acórdão embargado, a obscuridade arguida.
Numero da decisão: 3402-002.082
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e rejeitar os embargos de declaração, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
SÍLVIA DE BRITO OLIVEIRA Presidente-substituta e Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Sílvia de Brito Oliveira (Presidente-substituta), Winderley Pereira (suplente), Fernando Luiz da Gama Lobo DEça, Luiz Carlos Shimoyama (suplente), João Carlos Cassuli Junior e Adriana Ribeiro Oliveira (suplente).
Matéria: IPI- ação fsical - auditoria de produção
Nome do relator: SILVIA DE BRITO OLIVEIRA
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Embargante PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL Interessado LUXOTTICA DO BRASIL LTDA. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/12/1998 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE. Devem ser rejeitados os embargos de declaração quando não se verifica, no acórdão embargado, a obscuridade arguida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e rejeitar os embargos de declaração, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. SÍLVIA DE BRITO OLIVEIRA – Presidentesubstituta e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Sílvia de Brito Oliveira (Presidentesubstituta), Winderley Pereira (suplente), Fernando Luiz da Gama Lobo D’Eça, Luiz Carlos Shimoyama (suplente), João Carlos Cassuli Junior e Adriana Ribeiro Oliveira (suplente). Relatório Tratase de examinar embargos de declaração apresentados pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para apontar a existência de obscuridade no AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 00 37 89 /2 00 3- 87 Fl. 3402DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/07/ 2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA 2 Acórdão n° 20403.413, de 04 de setembro de 2008, por meio do qual negouse provimento ao recurso de ofício interposto nestes autos e deuse parcial provimento ao recurso voluntário para cancelar a multa regulamentar aplicada com fundamento no art. 463, inc. I, do Decreto n° 2.637, de 25 de junho de 1998 – Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (Ripi/98). A embargante alegou que o voto condutor do Acórdão supracitado teria adotou o entendimento de que a aplicação da referida multa estaria condicionada à comprovação da irregularidade da importação. Entretanto, não teria ficado clara a formação desse entendimento, pois a mera leitura do dispositivo regulamentar em questão atestaria que basta que sejam vendidas mercadorias importadas sem emissão de nota fiscal para se exigir a multa de que aqui se cuida. Ao final, a PGFN solicitou que fosse esclarecida a base legal para exigência de irregularidade da importação para imposição dessa multa, com vista a sanear a obscuridade apontada. É o relatório. Voto Conselheira Sílvia de Brito Oliveira Os embargos declaratórios são tempestivos, foram propostos por parte legítima e seu julgamento está inserto na esfera das competências regimentais da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), por isso devem ser conhecidos. O próprio auto de infração formalizado para exigência da multa regulamentar cancelada nos termos do Acórdão ora embargado esclarece a questão suscitada pela embargante, pois assim registrouse, no item 002 da descrição dos fatos e enquadramento legal do lançamento: (...) 002 MULTAS PROPORCIONAIS AO VALOR DA MERCADORIA PRODUTO ESTRANGEIRO EM SITUAÇÃO IRREGULAR CONSUMO OU ENTREGA A CONSUMO 0 contribuinte entregou a consumo produtos de procedência estrangeira, em desacordo com as quantidades regularmente importadas, bem como manteve em estoque em 31.12.98 produtos sem prova de regular importação, conforme Termo de Verificação Fiscal de 19.11.2003, parte integrante e indissociável deste Auto de Infração, devendo ser interpretado como se aqui estivesse transcrito. (...) (Grifouse) Fl. 3403DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/07/ 2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA Processo nº 10882.003789/200387 Acórdão n.º 3402002.282 S3C4T2 Fl. 3.402 3 Portanto, à vista da acusação fiscal, o fato infracionário imputado à contribuinte foi, claramente, a entrega a consumo de produtos de procedência estrangeira sem prova da regularidade de sua importação. Assim sendo, considerando que o enquadramento legal do auto de infração é o art. 463, inc. I, do Ripi/98, a acusação fiscal somente poderia encontrar abrigo na primeira parte desse dispositivo, que assim estabelece: Art. 463 Sem prejuízo de outras sanções administrativas ou penais cabíveis, incorrerão na multa igual ao valor comercial da mercadoria ou ao que lhe for atribuído na nota fiscal, respectivamente (Lei n.º 4.502, de 1964, art. 83, e Decretolei n.º 400, de 1968, art. 1º, alteração 2ª): I os que entregarem a consumo, ou consumirem produto de procedência estrangeira introduzido clandestinamente no País ou importado irregular ou fraudulentamente ou que tenha entrado no estabelecimento, dele saído ou nele permanecido sem que tenha havido registro da declaração da importação no SISCOMEX, ou desacompanhado de Guia de Licitação ou nota fiscal, conforme o caso (Lei n.º 4.502, de 1964, art. 83, inciso I, e Decretolei n.º 400, de 1968, art. 1º, alteração 2ª) (...) Portanto, a questão suscitada em sede de embargos resolvese, não pela indicação de base legal para se exigir a comprovação de irregularidade da importação, pois essa base é o próprio dispositivo do Ripi/98 fundamentador do lançamento, mas pela subsunção do fato descrito pela fiscalização à norma legal e, tendo o Acórdão por premissa os fatos descritos no termo de verificação fiscal e no auto de infração, não se vislumbra sequer fumaça da obscuridade arguida pela embargante. Diante do exposto, voto por rejeitar os embargos declaratórios da PGFN. É como voto. Sílvia de Brito Oliveira Relatora Fl. 3404DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/07/ 2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10875.908130/2009-01
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Oct 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/05/2005 a 31/05/2005
ALEGAÇÕES E PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. NOVAÇÃO. PRECLUSÃO.
Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72.
REPERCUSSÃO GERAL. NECESSIDADE DE PRESENÇA DO TEMA NOS AUTOS. NÃO APLICAÇÃO.
Inexistindo prova de que o tema passível de aplicação de repercussão geral esteja presente nos autos, há que se negar a sua aplicação.
Numero da decisão: 3803-004.454
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
[assinado digitalmente]
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
[assinado digitalmente]
João Alfredo Eduão Ferreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/05/2005 a 31/05/2005 ALEGAÇÕES E PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. NOVAÇÃO. PRECLUSÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. REPERCUSSÃO GERAL. NECESSIDADE DE PRESENÇA DO TEMA NOS AUTOS. NÃO APLICAÇÃO. Inexistindo prova de que o tema passível de aplicação de repercussão geral esteja presente nos autos, há que se negar a sua aplicação.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. [assinado digitalmente] Corintho Oliveira Machado - Presidente. [assinado digitalmente] João Alfredo Eduão Ferreira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/05/2005 a 31/05/2005 ALEGAÇÕES E PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. NOVAÇÃO. PRECLUSÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. REPERCUSSÃO GERAL. NECESSIDADE DE PRESENÇA DO TEMA NOS AUTOS. NÃO APLICAÇÃO. Inexistindo prova de que o tema passível de aplicação de repercussão geral esteja presente nos autos, há que se negar a sua aplicação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. [assinado digitalmente] Corintho Oliveira Machado Presidente. [assinado digitalmente] João Alfredo Eduão Ferreira Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 81 30 /2 00 9- 01 Fl. 128DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 07/ 10/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani. Relatório Tratase de PER/DCOMP que buscou compensar créditos alegadamente pagos indevidamente ou a maior de COFINS de período de apuração maio de 2005, com débitos de COFINS de competência dezembro de 2006 no valor total de R$ 47.077,72. Através de Despacho Decisório Eletrônico a DRF em Guarulhos/SP não homologou a compensação requerida, pois, localizou o pagamento indicado mas integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte. Irresignado o sujeito passivo apresentou Manifestação de Inconformidade alegando que: Do darf localizado no valor originário de R$ 301.082,44 (página 3), foi detectado um pagamento indevido ou a maior de R$ 38.415,11, que corrigido pela taxa Selic acumulada (22,55%) no per/dcomp recibo 3866525363, de 15/01/2007, importou em R$ 47.077,72 (página 2). Referido crédito, foi compensado com o débito de Cofins, período de apuração dez/2006, vencimento 15/01/2007 (página 5). Do darf localizado no valor originário de R$ 301.082,44 (página 3), foi detectado um pagamento indevido ou a maior de R$ 38.415,11, que corrigido pela taxa Selic acumulada (22,55%) no per/dcomp recibo 3866525363, de 15/01/2007, importou em R$ 47.077,72 (página 2). Referido crédito, foi compensado com o débito de Cofins, período de apuração dez/2006, vencimento 15/01/2007 (página 5). Ao final requer a homologação de sua compensação. A DRJ/CPS julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada ementando como se segue: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/05/2005 a 31/05/2005 Ementa: DCOMP. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. PROVA. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de Fl. 129DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 07/ 10/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10875.908130/200901 Acórdão n.º 3803004.454 S3TE03 Fl. 11 3 direito credit6rio, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. 0 reconhecimento do direito creditório aproveitado em DCOMP não homologada requer a prova de sua existência e montante. Faltando ao conjunto probatório carreado aos autos elementos que permitam a verificação da existência de pagamento indevido ou a maior frente 5 legislação tributária, o direito creditório não pode ser admitido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado, protocolou Recurso Voluntário (Fls. 85 a 103) a esta turma julgadora, discorrendo longamente sobre o seu direito, em especial no que se refere a i) alargamento indevido da base de cálculo do PIS/COFINS por extravasamento do conceito de "faturamento, ii) Exclusão da base de cálculo do PIS/COFINS ou crédito decorrente do regime de substituição tributária e incidência monofásica aplicáveis sobre operações com combustíveis e iii) exclusão da incidência do PIS/COFINS das parcelas de ICMS e ISS. Conclui pela insubsistência da decisão recorrida e reconhecimento do direito creditório postulado. É o relatório. Voto Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira O recurso é tempestivo, porem dele não tomarei conhecimento como veremos a seguir. Como atesta o relatório, o contribuinte busca ter reconhecido seu direito creditório proveniente de alegado pagamento a maior de COFINS do mês de maio de 2005 e conseqüente homologação do seu pedido de compensação. Em sua Manifestação de Inconformidade, percebese que o recorrente defendese de forma genérica, não trazendo as razões de fato e de direito, que, especificamente, justificasse a existência do crédito pretendido decorrente da redução da base de cálculo da contribuição da COFINS. Não identificamos nos autos qualquer prova, quer seja escrita fiscal, escrita contabil ou qualquer outra que aponte, minimamente que seja, para os argumentos trazidos em sua defesa no Recurso Voluntário, uma vez que na Manifestação de Conformidade nada apresentou em sua defesa. Os argumentos trazidos em Recurso Voluntário, quais sejam, do alargamento indevido da base de cálculo do PIS/COFINS por extravasamento do conceito de "faturamento, da exclusão da base de cálculo do PIS/COFINS ou crédito decorrente do regime de substituição Fl. 130DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 07/ 10/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 4 tributária e incidência monofásica aplicáveis sobre operações com combustíveis e, ainda, exclusão da incidência do PIS/COFINS das parcelas de ICMS e ISS, não foram apreciados pela turma da DRJ de origem por não terem sido objeto da Manifestação de Conformidade. O Decreto nº 70.235/72 em seus art. 15 e 161 estabelece que o momento processual para a apresentação dos motivos de fato, de direito e a prova documental é a impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, excetua as hipóteses elencadas no § 4o do artigo 16 do mesmo Decreto. Apesar do contribuinte ter elaborado fortes argumentos jurídicos em favor das teses defendidas no recurso ora apreciado, esta turma não pode se pronunciar sobre estes argumentos, pois, assim fazendo, estaria incorrendo na supressão da primeira instância de julgamento, ainda mais que, mesmo nesta fase processual, nenhuma prova carreou aos autos que possa indicar a ocorrência de qualquer das questões de direito que defende em seu recurso. Assim, não se conhece acerca dos argumentos trazidos apenas em sede de recurso voluntário, pois não estão albergados pelas hipóteses de exceções previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto 70.235/72. Entendemos que o Recurso Voluntário é interposto contra o acórdão que negou a existência do crédito, assim, a matéria que não foi objeto de análise e, consequentemente, da decisão exarada no acórdão recorrido, não pode ser conhecida no Recurso Voluntário. Quanto ao tema exclusão da incidência do PIS/COFINS das parcelas de ICMS e ISS, ventilados no Recurso Voluntário, é bem verdade que este tema encontrase em discussão no STF no. RE 606107 com indicação de repercussão geral, o que, em tese, nos 1 Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscá las. § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 07/ 10/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10875.908130/200901 Acórdão n.º 3803004.454 S3TE03 Fl. 12 5 levaria a sobrestar este processo até que decisão definitiva de mérito fosse proferida por aquela corte, por força do artigo 543A do CPC, contudo, para que este instituto processual fosse aplicado é indispensável a absoluta certeza de que o tema efetivamente faz parte da controvérsia travada nos autos, o que não ocorre neste processo, como dito anteriormente, a matéria veio tão somente em Recurso Voluntário e sem nenhuma prova de que tenha relação com os fatos sobre os quais se controverte a recorrente, assim, deixamos de aplicar a repercussão geral, mesmo porque ao não conhecer do recurso esta matéria também foi fulminada pelo não conhecimento. Pelo exposto voto por NÃO CONHECER do recurso voluntário e não aplicar o instituto da repercussão geral. É como voto. [assinado digitalmente] João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 132DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 07/ 10/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO
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Numero do processo: 16095.000288/2010-21
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Oct 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 30/12/2009
MULTA DE MORA. RECÁLCULO.
A multa de mora aplicada até a competência 11/2008 deve ser recalculada, prevalecendo a mais benéfica ao contribuinte.
Numero da decisão: 2403-002.213
Decisão: Recurso Voluntário provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, determinando o recálculo da multa de mora até a competência 11/2008, com base no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, que impõe o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, multa de 0,33% ao dia, limitada a 20% .Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa.
Carlos Alberto Mees Stringari
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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RECÁLCULO. A multa de mora aplicada até a competência 11/2008 deve ser recalculada, prevalecendo a mais benéfica ao contribuinte. Recurso Voluntário provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, determinando o recálculo da multa de mora até a competência 11/2008, com base no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, que impõe o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, multa de 0,33% ao dia, limitada a 20% .Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa. Carlos Alberto Mees Stringari AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 09 5. 00 02 88 /2 01 0- 21 Fl. 77DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 16095.000288/201021 Acórdão n.º 2403002.213 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas, Acórdão 0531.995 da 8ª Turma, que julgou a impugnação improcedente. A autuação e a impugnação foram assim apresentadas no relatório do acórdão recorrido: Segundo o Relatório Fiscal trata o Auto de Infração de contribuições previdenciárias devidas à Seguridade Social, referentes à contribuição que deveria ter sido descontada dos segurados trabalhadores autônomos , O lançamento referese às competências 01/2006 a 12/2009, com débito consolidado em 17/06/2010, no valor de R$ 88.740,01(0itenta e oito mil setecentos e quarenta reais e um centavos). Os seguintes levantamentos compõem o Auto de Infração: Al referese a incidência de contribuições previdenciárias sobre os pagamentos efetuados a Milton Vicente Vallni Jacob, no período de 01/2007 a 11/2008, declarado como autônomo código 588, nas DIRFsDeclaração de Imposto de Renda Retido na Fonte apresentadas pela empresa.. A2 idem levantamento Al, porém para o período de 12/2008 a 07/2009. PE contribuições previdenciárias sobre pagamentos descritos na contabilidade da empresa como a "perueiros". As planilhas emitidas a partir dos arquivos digitais contábeis apresentados pela empresa, referentes a esses lançamentos, constam anexas a este Relatório Fiscal, bem como algumas copias obtidas dos Livros Diário da empresaperíodo de 01/2006 a 11/2008. PE2 Idem PE, porém para o período de 12/2008 a 12/2009. Os valores relativos aos pagamentos mencionados nos itens acima, não foram declarados em GFIP e nem os trabalhadores que receberam esses pagamentos. 0 referido Relatório Fiscal acrescenta que: Além dessa omissão de declaração em GF1P, a empresa ainda se declarou na GFIP como optante pelo SIMPLES , sendo que de acordo com os sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil, a empresa nunca foi optante pelo SIMPLES e ressaltese que entregou DIPJ com tributação pelo Lucro Real, nos anoscalendário de 1997 a 1999, 2001 e 2002 e 2005 a 2009. Para os anos de 2000, Fl. 79DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 2003 e 2004, entregou DIPJ Lucro Presumido. Nas GFIP's sem movimento, para as filiais onde a empresa não tem empregados, a mesma se declarava corretamente como ndo optante pelo SIMPLES. Nas GPS Guias da Previdência Social (de recolhimento), a empresa recolheu no código 2100 até a competência out/2006 e a partir da competência 11/2006 passou a recolher no código 2003, destinado ao recolhimento previdenciário das empresas do SIMPLES. (...) O relatório RDA traz todos os recolhimentos efetuados pela empresa, que referemse somente à contribuição descontada dos segurados ( exceto os de código 2909 trabalhistas). Assim, nenhum recolhimento foi apropriado para o lançamento efetuado neste Auto de Infração. (...) As contribuições foram calculadas aplicandose a alíquota de 11% sobre o valor pago ao trabalhador, por competência, limitado aos tetos de saláriodecontribuição. Com relação aos "perueiros", para os anos de 2006 e 2007, os lançamentos contábeis discriminavam o nome do beneficiário do pagamento e em nenhuma competência, nenhum trabalhador atingiu o teto de salário decontribuição. Já para os anos de 2008 e 2009, os lançamentos contábeis não discriminavam os nomes dos beneficiários, porém os lançamentos de 04/06/2009, demonstram que continuam sendo os mesmos trabalhadores. Assim, um simples cálculo matemático demonstra que nenhum dos trabalhadores ultrapassaria o teto de saláriodecontribuição do período, e por isso a aliquota de 11% foi aplicada sobre o total do pagamento no mês. Os valores pagos ao autônomo Milton Vicenti Vanni foram obtidos através das DIRF's e os pagamentos efetuados aos nperueiros" foram constatados no exame da contabilidade da autuada e não constam declarados em GFIP. A autoridade fiscal explica ainda o cálculo da multa aplicada neste Auto de Infração de obrigação principal, por contribuição devida e não recolhida, após a edição da Medida Provisória n. 449 de 04/12/2008, convertida na Lei 11.941 de 27/05/2009, os demais autos lavrados nesta mesma ação fiscal e os documentos que instruem o processo. Da Impugnação Inconformada a autuada apresenta a impugnação administrativa relatando brevemente a motivação do Auto de Infração citando inclusive as contribuições devidas e lançadas. Preliminarmente Nulidade Do Auto De Infração Sustenta a nulidade da autuação sob o argumento de que: "E nulo o auto de infração que ora se hostiliza, em face da sua manifesta impropriedade, especialmente por inexistência de justa causa Fl. 80DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 16095.000288/201021 Acórdão n.º 2403002.213 S2C4T3 Fl. 4 5 para a sua lavratura contra o impugnante, por inocorrência de qualquer ilicitude, muito menos a irrogada na peça acusatória." Da Inaplicabilidade Da Multa Punitiva Da Denuncia Espontânea —Entende que : iniciado o procedimento fiscal e, havendo a hipótese de denúncia espontânea, não se pode concluir como fez o Agente Fiscalizador na imediata hipótese de aplicação da multa punitiva, somente incidente esta, se, e por ocasião do lançamento, houver falta de declaração ou de declaração inexata, hipóteses estas que não enquadrase a circunstancia em que o Impugnante foi autuado, haja vista que quando do lançamento fiscal já havia procedido a retificação das GFIp's que originaram o malfadado AIIM ora impugnado. Argumenta ainda neste tópico que no momento do lançamento fiscal a impugnante, havia retificado as declarações prestadas em GFIP, não havendo portanto que se falar em aplicação de multa punitiva .Desse modo deve a impugnação ser julgada procedente para fins de afastar a multa moratória imposta. Da Desconsideração Por Parte Da Fiscalização Dos Pagamentos Efetuados— Infere que o Impugnante efetuou os pagamentos dos tributos objeto do Auto de Infração e Imposição de Multa ora Impugnado, no forma determinada pelo SIMPLES, todavia, o agente fiscalizador simplesmente desconsiderou tais pagamentos. Nesse contexto os tributos em questão estão sendo lançados em duplicidade. Dos Pedidos requer a nulidade da autuação, da imposição da multa com fundamento nos motivos de fato e de direito acima mencionados e pela desconsideração do lançamento indevidamente efetivado o qual deverá ser procedido com amortização dos pagamentos efetuados pelo SIMPLES.Protesta provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, onde alega/questiona, em síntese o mesmo que argumentou na impugnação e reafirma que nada descontou dos segurados. É o relatório Fl. 81DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. NULIDADE A recorrente alega inexistência de justa causa e inocorrência de qualquer ilicitude, entende ilegítima a autuação e que deve ser declarada nula. Não concordo com a recorrente. O que motivou a autuação foi a recorrente se declarar, indevidamente, optante pelo SIMPLES. Tal procedimento equivocado foi reconhecido e após o início da ação fiscal a recorrente informa ter corrigido as declarações. O descrito caracteriza ilicitude e é a justa causa do lançamento. Entendo que o lançamento atende todos requisitos legais. MULTA O lançamento contém multa de mora (24%) até a competência 11/2008 e multa de ofício (75%) para as competências posteriores. A recorrente alega que houve denúncia espontânea visto que no momento do lançamento havia retificado as GFIPs e que não pode haver punição. O parágrafo único do artigo 138 do Código Tributário Nacional — CTN, é textual ao não considerar espontânea a denúncia apresentada após o inicio de qualquer procedimento administrativo, que neste caso se deu em 30/06/2009 sendo que as declarações foram enviadas em 12/02/2010 e 22/02/2010. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 16095.000288/201021 Acórdão n.º 2403002.213 S2C4T3 Fl. 5 7 Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. No que se referem à multa de mora aplicada, mister se faz tecer alguns comentários. A MP nº 449, convertida na Lei nº 11.941/09, que deu nova redação aos arts. 32 e 35 e incluiu os arts. 32A e 35A na Lei nº 8.212/91, trouxe mudanças em relação à multa aplicada no caso de contribuição previdenciária. Assim dispunha o art. 35 da Lei nº 8.212/91 antes da MP nº 449, in verbis: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias Fl. 83DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (sem destaques no original) Verificase, portanto, que antes da MP nº 449 não havia multa de ofício. Havia apenas multa de mora em duas modalidades: decorrente do pagamento em atraso, desde que de forma espontânea e decorrente da notificação fiscal de lançamento, conforme previsto nos incisos I e II, respectivamente, do art. 35 da Lei nº 8.212/91, então vigente. Nesse sentido dispõe a hodierna doutrina (Contribuições Previdenciárias à luz da jurisprudência do CARF – Conselho Administrativo de Recursos Fiscais / Elias Sampaio Freire, Marcelo Magalhães Peixoto (coordenadores). – Julio César Vieira Gomes (autor) – São Paulo: MP Ed., 2012. Pág. 94), in verbis: “De fato, a multa inserida como acréscimo legal nos lançamentos tinha natureza moratória – era punido o atraso no pagamento das contribuições previdenciárias, independentemente de a cobrança ser decorrente do procedimento de ofício. Mesmo que o contribuinte não tivesse realizado qualquer pagamento espontâneo, sendo, portanto, necessária a constituição do crédito tributário por meio do lançamento, ainda assim a multa era de mora. (...) Não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento – a mora.” (com destaque no original) Com o advento da MP nº 449, que passou a vigorar a partir 04/12/2008, data da sua publicação, e posteriormente convertida na Lei nº 11.941/09, foi dada nova redação ao art. 35 e incluído o art. 35A na Lei nº 8.212/91, in verbis: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). (sem destaques no original) Fl. 84DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 16095.000288/201021 Acórdão n.º 2403002.213 S2C4T3 Fl. 6 9 Nesse momento surgiu a multa de ofício em relação à contribuição previdenciária. Logo, tendo em vista que o lançamento se reporta à data da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 144 do CTN, temse que, em relação aos fatos geradores ocorridos até 11/2008, aplicase apenas a multa de mora. Já em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 12/2008, aplicase apenas a multa de ofício. Contudo, no que diz respeito à multa de mora aplicada até 11/2008, com base no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que o artigo 106 do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, cominelhe penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna. Impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento. DESCONSIDERAÇÃO DOS PAGAMENTOS EFETUADOS A recorrente questiona o fato de não terem sido considerados os recolhimentos efetuados na forma determinada pela Lei do SIMPLES. Observo que este lançamento referese à contribuição que deveria ter sido descontada dos contribuintes individuais e que os citados recolhimentos correspondem à cota patronal, já aproveitada no processo 16095.000290/201008, Debcad 37.259.5090. Dessa forma, visto que os recolhimentos já foram aproveitados, nada mais há que ser discutido neste processo. CONCLUSÃO Voto pelo provimento parcial do recurso, determinando o recálculo da multa de mora até a competência 11/2008, com base no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, que impõe o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, multa de 0,33% ao dia, limitada a 20% . Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 85DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 Fl. 86DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 13362.000506/2004-93
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Sep 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2000
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXCLUSÃO. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. PRESCINDIBILIDADE.
A Súmula CARF n° 41 que trata especificamente do assunto diz que A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000.
RESERVA LEGAL. NECESSIDADE DE AVERBAÇÃO.
O § 8° do art. 16 da lei no 4.771, de 1965 (Código Florestal) traz a obrigatoriedade de averbação na matricula do imóvel da Área de reserva legal. Tal exigência se faz necessária para comprovar a Área de preservação destinada a reserva legal, condição indispensável para a exclusão dessas Áreas na apuração da base de cálculo do ITR.
Recurso especial provido em parte.
Numero da decisão: 9202-002.899
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para excluir a APP do auto de infração. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Susy Gomes Hoffmann.
(Assinado digitalmente)
Henrique Pinheiro Torres - Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Manoel Coelho Arruda Junior Relator
EDITADO EM: 13/09/2013
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gustavo Lian Haddad, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gonçalo Bonet Allage.
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - outros assuntos
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EXCLUSÃO. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. PRESCINDIBILIDADE. A Súmula CARF n° 41 que trata especificamente do assunto diz que “A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000”. RESERVA LEGAL. NECESSIDADE DE AVERBAÇÃO. O § 8° do art. 16 da lei no 4.771, de 1965 (Código Florestal) traz a obrigatoriedade de averbação na matricula do imóvel da Área de reserva legal. Tal exigência se faz necessária para comprovar a Área de preservação destinada a reserva legal, condição indispensável para a exclusão dessas Áreas na apuração da base de cálculo do ITR. Recurso especial provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para excluir a APP do auto de infração. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Susy Gomes Hoffmann. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 36 2. 00 05 06 /2 00 4- 93 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/09/2 013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 2 (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Junior – Relator EDITADO EM: 13/09/2013 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gustavo Lian Haddad, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gonçalo Bonet Allage. Relatório Em sessão plenária de 16/03/2009, a la Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento do CARF julgou o Recurso Voluntário n° 139.864, proferindo a decisão consubstanciada no Acórdão n° 380100.030, assim ementado: ITR. OS VALORES LANÇADOS NA DECLARAÇÃO DE IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR. DEVEM SER DEVIDAMENTE COMPROVADOS PELO CONTRIBUINTE. Não assiste razão 5. recorrente em suas alegações recursais por não comprovar os valores lançados em sua DITR. A ausência de provas documentais ou de elementos concretos que possam ilidir o trabalho fiscal realizado dentro dos parâmetros da legalidade. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Acórdão n° 380100.030 – lª Turma Especial Sessão de 16 de março de 2009. O recorrente inconformado com o decidido no Acórdão de n° 380100.030, proferido em 16/03/2009, interpõe Recurso Especial à. Câmara Superior de Recursos Fiscais, com fulcro nos artigos 67 e 68 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria MF n. 256, de 22 de junho de 2009, que visa a revisão do julgado. Ciente, formalmente, daquele acórdão em 10/05/2010, conforme Intimação constante às fls. 131, o recorrente protocolizou o Recurso Especial, em 18/05/2010, isto 6, dentro do prazo de 15 (quinze) dias fixado pelo caput do art. 68 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/09/2 013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 13362.000506/200493 Acórdão n.º 9202002.899 CSRFT2 Fl. 7 3 Suscita o recorrente que, nos termos do art. 67 do Regimento Interno, compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. O recurso está manejado quanto à discussão sobre a necessidade de comprovação da área de preservação permanente, por meio do ADA, e reserva legal, pela averbação. O recorrente entende não ser necessária tal comprovação prévia. O Contribuinte apresenta para fundamentar a divergência os seguintes acórdãos paradigmas: Acórdão 30237.944 Ementa Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 1999 Ementa: ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL E PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ISENÇÃO. É suficiente, para fins de isenção do ITR, a declaração feita pelo contribuinte da existência, no seu imóvel, das áreas de preservação permanente e de reserva legal, ficando responsável pelo pagamento do imposto e seus consectários legais, em caso de falsidade, a teor do art. 10, parágrafo 7º, da Lei nº 9.393/96, modificado pela MP nº 2.16667/2001. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Acórdão n. 30235.463 Ementa ITR IMPOSTO TERRITORIAL RURAL. EXERCÍCIO 1997. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. A falta de apresentação ou apresentação intempestiva do Ato Declaratório Ambiental poderia caracterizarse, quando muito, em mero descumprimento de obrigação acessória, sujeito à aplicação de multa, mas nunca em fundamento legal válido para a glosa das áreas de preservação permanente e de utilização limitada. Ademais, a área de preservação permanente não está mais sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, por meio de Ato Declaratório Ambiental, conforme disposto no art. 3º ., da MP 2.166/2001, que alterou o art. 10 da Lei 9393/96, cuja aplicação a fato pretérito à sua edição encontra respaldo no art. 106, "c" do CTN. Recurso provido por maioria. Instado a se manifestar, o i. Presidente da 2ª Câmara da Segunda Seção do CARF prolatou Despacho de fls. 151153, que deu seguimento ao Recurso Especial interposto. Intimada para se manifestar, a PFN protocolizou contrarrazões que ratificam os termos do decisum recorrido. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/09/2 013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 4 Voto Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior, Relator Atendidos os pressupostos de admissibilidade, passo ao exame do mérito. Devolvese a esta Câmara Superior de Recursos Fiscais o exame quanto à essencialidade ou não do cumprimento de determinadas exigências ou formalidades para fins de inclusão na base de cálculo do imposto territorial rural ITR das áreas rurais de proteção ambiental, conforme artigo 10, inciso II, aliena ‘a’da Lei n° 9.393/1996, verbis: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. [...] II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; A divergência é quanto à necessidade ou não do Ato de Declaração Ambiental ADA para fins de exclusão da área de preservação permanente e a averbação na matrícula do imóvel da reserva legal da base de cálculo do ITR. I ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE Sem mais esforços, a matéria aqui tratada é objeto do enunciado da Súmula CARF n° 41 que trata especificamente do assunto: A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000. II UTILIZAÇÃO LIMITADA/RESERVA LEGAL Quanto à área conceituada como reserva legal pelo artigo 16, §2° do Código Florestal, com a redação trazida pela Lei nº 7.803/89, a exigência é a averbação no órgão competente de registro da destinação para preservação ambiental de área não inferior a 20% do total do imóvel, conforme região. É o que se conclui da combinação com a parte final do artigo 11 inciso I da Lei n° 8.847/94, acima transcrito. Temse que a, ao alterar o art. 16 da Lei nº 4.771/65, acrescentoulhe dois parágrafos, sendo que, na hipótese dos autos, interessanos o § 2º, com a seguinte redação, in verbis: “Art. 16. ...................... § 1º. ............................. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/09/2 013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 13362.000506/200493 Acórdão n.º 9202002.899 CSRFT2 Fl. 8 5 § 2º. A reserva legal, assim entendida a área de, no mínimo, 20% (vinte por cento) de cada propriedade, onde não é permitido o corte raso, deverá ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, ou de desmembramento da área.” A necessidade ou não de averbação da referida área no cartório de registro de imóveis, para fins de apuração da base de cálculo do ITR, é matéria bastante controvertida, tanto nos Tribunais Judiciais quanto no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Após profundos debates, principalmente no âmbito da Segunda Turma desta CSRF, da qual faço parte, firmei meu posicionamento para entender que a averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel é, como regra geral, condição para sua exclusão da base de cálculo do ITR. Acabei convencido de que a necessidade de averbação da área de reserva legal, embora com função declaratória e não constitutiva, decorre de imposição legal, mais precisamente da interpretação harmônica e conjunta do disposto nas Leis nos 9.393/96 e 4.771/65 (Código Florestal), conforme acima destacado. Ademais, nos termos do artigo 55 do Decreto n° 6.514/2008, cuja entrada em vigor restou prorrogada para 11/12/2011, por força do Decreto n° 7.497, de 09/06/2011, a ausência de averbação da reserva legal dá ensejo à aplicação de multa pecuniária. O ITR é tributo de natureza eminentemente extrafiscal, sendo que a obrigatoriedade da averbação da reserva legal está relacionada, muito além do direito tributário, à garantia de preservação de um meio ambiente ecologicamente equilibrado. Salvo melhor juízo, o benefício tributário consistente na exclusão da base de cálculo do ITR da área de reserva legal só pode ser reconhecido se estiverem cumpridas as exigências da legislação ambiental. No caso, penso que a decisão de segunda instância não deve ser reformada com relação à área de reserva legal, pois não houve averbação na matrícula do imóvel, conforme se verifica da folha 129: Não identificadas questões preliminares no recurso do contribuinte passo à análise do mérito. O Demonstrativo de Apuração do ITR apresenta a ausência de comprovação de APP de 950,5ha e Área de utilização limitada de 3.800ha. Em fls.68 o cartório do primeiro oficio do Estado do Maranhão informa em 08/01/2003 que é impossível fazer averbação em imóvel sem matricula. A apuração da ITR deve ser realizada nos prazos e condições estabelecidos pela SRF, sujeitandose a homologação posterior (Lei 9.393/96). Fl. 5DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/09/2 013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 6 A recorrente não juntou ADA ou averbação cartorial a justificar as áreas informadas em sua declaração. Tampouco existem nos autos comprovações documentais a embasar sua declaração (laudos, fotos, mapas, registros, etc). Ex positis, não assiste razão à recorrente em suas alegações uma vez que não comprovam os valores lançados em sua DITR, pois não anexou provas de suas alegações ou ofereceu elementos concretos que possam ilidir o trabalho fiscal, que, por outro lado, realizouse dentro dos parâmetros da legalidade. Dessa forma, não deve ser acolhida a pretensão do Contribuinte, nesta matéria. DISPOSITIVO Por todo o exposto, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO, para no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para que sejam excluídas as áreas de preservação permanente. (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Júnior Fl. 6DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/09/2 013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S
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Numero do processo: 10830.003805/2007-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Sep 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003, 2004, 2005, 2006
IRPF. DECADÊNCIA. FATO GERADOR.
O imposto de renda pessoa física é tributo sujeito ao lançamento por homologação, sendo que o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos contados do fato gerador, que, em regra, ocorre em 31 de dezembro de cada ano-calendário.
PRELIMINAR. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. CIÊNCIA DE RELATÓRIOS ELABORADOS AO LONGO DO PROCEDIMENTO FISCAL.
Restando comprovado nos autos que o contribuinte teve ciência do conteúdo de todas as planilhas elaboradas pela autoridade fiscal, não se pode falar em cerceamento do seu direito de defesa - mormente quando a documentação que o mesmo alega não ter recebido foi devidamente anexada ao processo administrativo, tendo sido franqueado a ele o direito de obter as cópias que entendesse necessárias no intuito de sanar quaisquer dúvidas acerca do procedimento fiscal.
IRPF. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. ÔNUS DA PROVA.
A tributação por presunção de omissão de rendimentos com base em acréscimo patrimonial a descoberto encontra previsão legal, e para que o contribuinte possa dela se defender precisa demonstrar que tinha recursos (origens) suficientes para acobertar os dispêndios efetuados ao longo de um determinado ano-calendário. Não há aqui o ônus do Fisco de comprovar a falta da origem, mas, inversamente, há a obrigação do contribuinte de comprovar - com documentação hábil e idônea - a existência desta origem.
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
Meras alegações, desacompanhadas de suporte documental, no sentido de que os valores informados pelas fontes pagadoras estariam incorretos ou teriam sido pagos a outro beneficiário, não são aptas a descaracterizar o lançamento, devendo o Interessado trazer aos autos provas e argumentos em favor de suas alegações - mormente quando o contribuinte é um dos sócios da referida fonte pagadora.
MULTA DE OFÍCIO. LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. EXAME DA LEGALIDADE E CONSTITUCIONALIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 02.
Não compete à autoridade administrativa de qualquer instância o exame da legalidade/constitucionalidade da legislação tributária, tarefa exclusiva do Poder Judiciário.
MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. JUSTIFICATIVA PARA SUA APLICAÇÃO.
Somente é justificável a exigência da multa qualificada prevista no artigo art. 44, II, da Lei n 9.430, de 1996, quando o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº. 4.502, de 1964. O evidente intuito de fraude deverá ser minuciosamente justificado e comprovado nos autos.
Numero da decisão: 2102-002.572
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, NEGAR provimento aos recursos de ofício e voluntário.
Assinado Digitalmente
Jose Raimundo Tosta Santos - Presidente
Assinado Digitalmente
Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti - Relatora
EDITADO EM: 08/07/2013
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, RUBENS MAURICIO CARVALHO, NUBIA MATOS MOURA, ACACIA SAYURI WAKASUGI, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA.
Nome do relator: ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI
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DECADÊNCIA. FATO GERADOR. O imposto de renda pessoa física é tributo sujeito ao lançamento por homologação, sendo que o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos contados do fato gerador, que, em regra, ocorre em 31 de dezembro de cada anocalendário. PRELIMINAR. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. CIÊNCIA DE RELATÓRIOS ELABORADOS AO LONGO DO PROCEDIMENTO FISCAL. Restando comprovado nos autos que o contribuinte teve ciência do conteúdo de todas as planilhas elaboradas pela autoridade fiscal, não se pode falar em cerceamento do seu direito de defesa mormente quando a documentação que o mesmo alega não ter recebido foi devidamente anexada ao processo administrativo, tendo sido franqueado a ele o direito de obter as cópias que entendesse necessárias no intuito de sanar quaisquer dúvidas acerca do procedimento fiscal. IRPF. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. ÔNUS DA PROVA. A tributação por presunção de omissão de rendimentos com base em acréscimo patrimonial a descoberto encontra previsão legal, e para que o contribuinte possa dela se defender precisa demonstrar que tinha recursos (origens) suficientes para acobertar os dispêndios efetuados ao longo de um determinado anocalendário. Não há aqui o ônus do Fisco de comprovar a falta da origem, mas, inversamente, há a obrigação do contribuinte de comprovar com documentação hábil e idônea a existência desta origem. IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 38 05 /2 00 7- 71 Fl. 1411DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 14/08/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS 2 Meras alegações, desacompanhadas de suporte documental, no sentido de que os valores informados pelas fontes pagadoras estariam incorretos ou teriam sido pagos a outro beneficiário, não são aptas a descaracterizar o lançamento, devendo o Interessado trazer aos autos provas e argumentos em favor de suas alegações mormente quando o contribuinte é um dos sócios da referida fonte pagadora. MULTA DE OFÍCIO. LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. EXAME DA LEGALIDADE E CONSTITUCIONALIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 02. Não compete à autoridade administrativa de qualquer instância o exame da legalidade/constitucionalidade da legislação tributária, tarefa exclusiva do Poder Judiciário. MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. JUSTIFICATIVA PARA SUA APLICAÇÃO. Somente é justificável a exigência da multa qualificada prevista no artigo art. 44, II, da Lei n 9.430, de 1996, quando o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº. 4.502, de 1964. O evidente intuito de fraude deverá ser minuciosamente justificado e comprovado nos autos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, NEGAR provimento aos recursos de ofício e voluntário. Assinado Digitalmente Jose Raimundo Tosta Santos Presidente Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Relatora EDITADO EM: 08/07/2013 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, RUBENS MAURICIO CARVALHO, NUBIA MATOS MOURA, ACACIA SAYURI WAKASUGI, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA. Relatório Em face do contribuinte acima identificado foi lavrado auto de infração de fls. 1191 a 1195, para exigência do IRPF relativo aos Exercícios de 2003 a 2006, em face da apuração de i) omissão de rendimentos recebidos a título de prolabore; ii) omissão de rendimentos apurados em razão de variação patrimonial a descoberto; e iii) omissão de Fl. 1412DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 14/08/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10830.003805/200771 Acórdão n.º 2102002.572 S2C1T2 Fl. 1.390 3 rendimentos de ganho de capital. O crédito total exigido foi de R$ 6.834.710,42, já incluídos aí a multa de ofício e os juros de mora. Cientificado do lançamento em 18.06.2007, o contribuinte ofereceu a Impugnação de fls. 1204/1231 por meio da qual alegou as razões assim sintetizadas pela decisão recorrida: DA OCORRÊNCIA DE DECADÊNCIA tendo em vista que a ciência do auto de infração se deu em 18/06/2007, ocorreu a decadência relativamente ao direito da Fazenda constituir o crédito de IRPF referente aos fatos geradores ocorridos nos meses de janeiro a maio de 2002, nos termos do art. 150, §4° do CTN, que estabelece que a contagem se dá a partir da ocorrência dos seus respectivos fatos geradores, o que se dá mensalmente (transcreve ementas de acórdãos do Conselho de Contribuintes); AUSÊNCIA DE DOCUMENTOS NA VIA DO AI FORNECIDA AO IMPUGNANTE — VIOLAÇÃO À AMPLA DEFESA, CONTRADITÓRIO E DEVIDO PROCESSO LEGAL consta do auto de infração que o Sr. AFRFB elaborou 22 planilhas, que contêm receitas e despesas apuradas pela fiscalização, bem como demonstrativos de pagamentos e evolução patrimonial, dentre outras informações, no entanto, somente 04 delas, as planilhas EMOURA 16R, 19R, 20R e 21R, foram entregues ao representante do contribuinte quando da ciência do auto de infração; tal omissão viola os princípios do devido processo legal, ampla defesa e contraditório e todas as normas corolárias destas, tais como os princípios que norteiam o processo administrativo; no próprio auto o Sr. AFRFB menciona que as planilhas SAURO 17, SAURO 18, GASBRASIL 4 e IBRAENSINO 8, foram utilizadas para subsidiar a presente ação fiscal, sendo que a sua não apresentação ao contribuinte viola os citados princípios constitucionais; ademais, foram elaboradas outras planilhas que também serviram de base para fundamentar a referida autuação porém que não foram anexadas ao auto de infração (relação fls. 1210/1211), resta patente a impossibilidade do impugnante se defender quanto às informações mencionadas em tais documentos pelo Sr. AFRFB, em face da omissão de parte do AI na via que lhe foi entregue, fazendose irrefutável a nulidade da autuação (transcreve jurisprudência do Conselho de Contribuintes); DA AUSÊNCIA DE ACRÉSCIMO PATRIMONIAL — AUTUAÇÃO BASEADA EM PRESUNÇÕES as alegações contidas no auto de infração estão calcadas em presunções não comprovadas que decorrem da intenção do Sr. AFRFB em autuar o impugnante sob frágeis alegações desconsiderando rendimentos declarados; Fl. 1413DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 14/08/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS 4 o Sr. AFRFB desconsiderou o valor de R$ 2.000.000,00 relativo à alienação de fundo de comércio e participação societária ao Sr. Carlos Alberto Macedo Barboza feita por compromisso de compra e venda, com posterior distrato do referido compromisso de compra e venda estabelecendo a devolução do valor em 10 parcelas mensais e sucessivas, tendo que o Sr. AFRFB desconsiderou o negócio jurídico presumindo falsa a transação por não ter havido cobrança de juros e nem cobrança dos valores acordados no distrato por medida judicial porque o impugnante ainda não devolveu os valores; contudo, o distrato firmado entre as partes possui as condições por ele avençadas, não sendo obrigatória a cobrança de juros, não cabendo à fiscalização presumir necessária a cobrança de juros ou desconsiderar o negócio pela sua ausência; além disso, o Sr. Carlos Alberto mencionou, em suas declarações à fiscalização, por duas vezes que está tomando as medidas cabíveis para cobrar o valor devido; em nenhum momento foi comprovado pela fiscalização que a transação efetuada entre o impugnante e o Sr. Carlos Alberto era inexistente ou fraudulenta (transcreve entendimento doutrinário de Samuel Monteiro), tendo o Fisco o ônus de provar todas as suas alegações, não cabendo à fiscalização analisar se o negócio jurídico é ou não vantajoso às partes, não podendo, ainda, o caso em tela ser equiparado às distribuições de lucros e aos contratos de empréstimo, por possuir uma natureza comercial (cessão onerosa de cotas), não havendo previsão legal, doutrinária ou jurisprudencial para tal aproximação (transcreve jurisprudência administrativa e doutrina sobre ônus da prova); DA AUSÊNCIA DE ACRÉSCIMO PATRIMONIAL — DA DESCONSIDERAÇÃO INDEVIDA DE RENDIMENTOS DECLARADOS a maior parte dos valores lançados decorre da desconsideração de diversos recursos e origens pelo Sr. AFRFB, porém tais desconsiderações são equivocadas uma vez que baseadas em suposições indevidas e não comprovadas (transcreve jurisprudência do Conselho de Contribuintes); os valores lançados como omissão de rendimentos de pró labore, como já esclarecido à fiscalização durante a ação fiscal, foram recebidos por seu filho EDSON MOURA JUNIOR, tendo havido erro de grafia nas planilhas devido à semelhança entre o seu nome e o de seu filho; o impugnante é sócio das empresas mencionadas pelo Sr. AFRFB, contudo não poderia receber rendimentos a título de prólabore, pois quem de fato administra as empresas é seu filho, Edson Moura Junior, isso porque, é prefeito de Paulínia e não possui tempo hábil para exercer as funções de prefeito e administrador conjuntamente, sendo que os valores recebidos das empresas em questão são a título de lucros distribuídos; os lucros distribuídos pelas empresas SAURO BRASILEIRA DE PETRÓLEO S/A, AUTO POSTO CABREÚVA DE PAULÍNEA Fl. 1414DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 14/08/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10830.003805/200771 Acórdão n.º 2102002.572 S2C1T2 Fl. 1.391 5 Ltda E AUTO POSTO GÁS BRASIL Ltda, foram declarados em sua DIRPF e não há dúvidas da sua condição de sócio, nem trouxe a fiscalização qualquer fato que elidisse a regularidade da distribuição de lucros, devendo, assim, ser considerados, não podendo o impugnante ser responsabilizado pelo não atendimento de notificação de terceiro; a empresa SAURO teve seu lucro arbitrado e tributado pela fiscalização no processo 10830.006355/200697, referente a IRPJ e CSLL, anoscalendário 2002 a 2005, não podendo a mesma fiscalização pretender que o impugnante recolha o mesmo tributo (IR) sobre o mesmo lucro, que é isento na pessoa física mesmo quando arbitrado na pessoa jurídica (RIR, art. 39, XXIX), sob pena de incorrer em evidente bis in idem (transcreve jurisprudência do Conselho de Contribuintes); além disso, a fiscalização toma por base duas situações que poderiam ensejar a autuação da pessoa jurídica, mas não do impugnante a medida que questiona a origem do numerário emprestado pela empresa EDIMON à SAURO, e se intimada a comprovar a sua origem, a EDIMON não o faz, somente ela poderá ser autuada e não o impugnante, sendo que em ato contínuo a fiscalização, por desconsiderar o referido empréstimo, conclui que a SAURO não teria numerário a distribuir; ora se houve a distribuição de lucros sem a devida contabilização de sua origem, isso caracteriza infração da SAURO e não podendo a fiscalização pretender a tributação dos lucros distribuídos do impugnante, que são isentos; não pode a fiscalização considerar como uma única entidade pessoas jurídicas diversas — como a empresa SAURO e o impugnante, pois isso fere o princípio da entidade (cita jurisprudência do Conselho de Contribuintes); o Sr. AFRFB apurou determinadas divergências entre as DIPJs da empresa SAURO e as DIRPFs entregues pelo contribuinte e, além do fato do impugnante não poder ser responsabilizado por declarações prestadas por terceiros, equivocandose quanto à forma de apuração do crédito tributário, tendo efetuado o lançamento sobre o total do valor declarado e não somente sobre a diferença apresentada, tributando duas vezes o mesmo rendimento; DO CRITÉRIO EQUIVOCADO PARA TRIBUTAÇÃO MENSAL DOS DEPÓSITOS não foi considerado, nas planilhas de evolução patrimonial, o valor autuado nos mês anterior — tributado, como origem no mês subseqüente, sendo evidente que as • diferenças apontadas no fluxo de caixa mensal e tributadas no IRPF constituem origem para os meses subseqüentes e que tal procedimento do Sr. AFRFB pretende tributar novamente parte \ do valor já tributado no mês anterior, o que não se admite por representar confisco e enriquecimento ilícito do erário (cita jurisprudência do Conselho de Contribuintes); Fl. 1415DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 14/08/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS 6 DO NÃO APROVEITAMENTO DO SALDO DO ANO ANTERIOR verificase que nas planilhas de evolução patrimonial não foram consideradas as sobras dos exercícios anteriores como origem nos anos seguintes em desconformidade com o entendimento do Conselho de Contribuintes (transcreve ementas de acórdãos); DA QUALIFICAÇÃO DA MULTA o Sr. AFRFB aplicou a multa qualificada de 150% sob a frágil alegação de que as atitudes do impugnante teriam configurado evidente intuito de fraude, porém não restou comprovada referida alegação o que é imprescindível para a aplicação deste percentual de penalidade; o legislador definiu os elementos caracterizadores da fraude — ação lesiva prejudicial ao Erário Público e dolo, intenção real do agente em praticar a lesão, e, assim, não bastam quaisquer irregularidades ou singelas imprecisões para se autorizar a pena de 150% e sim a comprovação do evidente intuito de fraude, por parte da fiscalização, o que não ocorreu; não pode o Sr. AFRFB simplesmente desconsiderar as informações constantes da Declaração de Rendimentos do impugnante e as declarações por ele apresentadas sem comprovar efetivamente que tais informações eram falsas, é preciso que ele prove a ocorrência de fraude (transcreve jurisprudência do Conselho de Contribuintes); ad argumentandum, ainda que fossem cabíveis as alegações do Sr. AFRFB contra o impugnante, se não restou comprovado o intuito de fraudar a Fiscalização, seria cabível apenas a multa prevista no inciso I do artigo 44 da Lei n° 9.430/96, de 75%, destacandose, ainda, o entendimento do TRF5 a Região de que a multa não pode superar o percentual de 30% (transcreve jurisprudência); requer o cancelamento da exigência fiscal e o arquivamento dos autos. Na análise de tais alegações, os integrantes da 4ª Turma da DRJ/SPOII decidira pela parcial manutenção do lançamento, em julgado do qual se extrai a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005 DECADÊNCIA. Tratandose de lançamento ex officio, a regra aplicável na contagem do prazo decadencial é a estatuída pelo art. 173, I, do Código Tributário Nacional, iniciandose o prazo decadencial no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. NULIDADE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Incabível a argüição de nulidade do procedimento fiscal quando este atender as formalidades legais e for efetuado por servidor competente. Estando o enquadramento legal e a descrição dos fatos aptos a permitir a identificação da infração imputada ao sujeito passivo, presentes nos autos todos os documentos que embasaram a autuação e tendo Fl. 1416DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 14/08/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10830.003805/200771 Acórdão n.º 2102002.572 S2C1T2 Fl. 1.392 7 sido concedido prazo para apresentação de defesa e documentos, não há que se falar em nulidade do lançamento por cerceamento de defesa. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. O acréscimo patrimonial, não justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis ou isentos e tributados exclusivamente na fonte só é elidido mediante a apresentação de documentação hábil que não deixe margem a dúvida. Para que sejam utilizados como recursos no fluxo financeiro mensal, os valores correspondentes à retirada de lucros em empresas das quais o contribuinte é sócio deve vir acompanhada de prova inequívoca da efetiva transferência do numerário. Os saldos porventura apurados na análise da evolução patrimonial no mês de dezembro só serão considerados como recursos no ano seguinte, se constantes da declaração de bens ou mediante comprovação da efetiva existência dos mesmos em 31 de dezembro. MULTA QUALIFICADA. O lançamento de multa qualificada exige que a autoridade fiscalizadora traga elementos para os autos que provem a presença de elemento subjetivo na conduta do contribuinte de forma a demonstrar que este quis os resultados que o art. 72 da lei 4.502/64 elenca como caracterizadores da fraude, ou mesmo que assumiu o risco de produzilos. DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EXTENSÃO. As decisões judiciais, a exceção daquelas proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade de normas legais, e as administrativas não têm caráter de norma geral, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência senão àquela objeto da decisão. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Lançamento Procedente em Parte Entenderam que deveria ser desqualificada a multa de ofício, reduzindoa a 75% e consideraram como não impugnada a parcela do lançamento relativa à falta de recolhimento do ganho de capital. Não tendo se conformado, o contribuinte interpôs o Recurso Voluntário de fls. 1.305/1.360, no qual transcreveu integralmente a decisão recorrida e reiterou os argumentos expostos em sede de impugnação, reforçando os seguintes: Fl. 1417DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 14/08/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS 8 estaria decadente o crédito tributário exigido relativamente aos fatos geradores ocorridos nos meses de janeiro a maio de 2002, tendo em vista que o lançamento foi efetuado em 18.06.2007; violação à ampla defesa, contraditório e devido processo legal, eis que da via do Auto de Infração por meio da qual lhe foi dada a ciência do lançamento não constavam as tabelas que instruíram o trabalho da autoridade fiscal e que embasaram o lançamento; o lançamento teria sido baseado em meras presunções, tendo sido desconsideradas as origens de rendimentos por ele declaradas, notadamente os R$ 2.000.000,00 recebidos por ocasião da alienação de fundo de comércio e participação societária ao Sr. Carlos Alberto Macedo Barboza; teria se equivocado a autoridade fiscal ao considerálo como beneficiário de prolabores pagos pelas empresas das quais era sócios, já que o real beneficiário dos mesmo seria seu filho Edson Moura Junior, havendo erro de grafia na planilha que embasou o lançamento. Afirmou que o filho declarar ter recebido tais rendimentos; não poderiam ter sido desconsiderados os lucros recebidos das empresas Sauro Brasileira de Petróleo S/A, Auto Posto Cabreúva de Paulínia Ltda., e Auto Posto Gás Brasil Ltda., e que ele não poderia ser penalizado pela falta de atendimento a uma intimação por terceiros; seria equivocado o critério mensal de apuração do fluxo de variação patrimonial; deveria ser aproveitado o saldo disponível apurado pela própria autoridade fiscal para o ano anterior; e deveria ser reduzida a multa de ofício aplicada ao lançamento ao patamar de 30%, nos termos de jurisprudência do TRF da 5ª Região. É o Relatório. Voto Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Relatora Conforme relatado, em face da decisão de primeira instância foram interpostos os Recursos Voluntário e de Ofício, que serão apreciados de forma separada, como se segue. DO RECURSO VOLUNTÁRIO O contribuinte teve ciência da decisão recorrida em 10.09.2008, como atesta o AR de fls. 1.304. O Recurso Voluntário foi interposto em 02.10.2008 (dentro do prazo legal para tanto), e preenche os requisitos legais por isso dele conheço. O lançamento que deu origem à discussão travada nestes autos pretendia exigir do Recorrente IRPF em razão das seguintes infrações: i) omissão de rendimentos Fl. 1418DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 14/08/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10830.003805/200771 Acórdão n.º 2102002.572 S2C1T2 Fl. 1.393 9 recebidos a título de prolabore; ii) omissão de rendimentos apurados em razão de variação patrimonial a descoberto; e iii) omissão de rendimentos de ganho de capital. A parcela do lançamento relativa ao ganho de capital não foi objeto de Impugnação, de forma que somente a omissão relativa ao prolabore e à variação patrimonial a descoberto estão em discussão neste julgamento. Passase à análise das razões suscitadas no Recurso Voluntário. Da decadência O Recorrente alega que estariam extintos por decadência os valores exigidos por meio do Auto de Infração, relacionados a fatos geradores ocorridos entre os meses de janeiro e maio de 2002. Afirma ele que: 6. Com efeito, tanto a doutrina, quanto a atual jurisprudência do E. 1° Conselho de Contribuintes e da E. Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), têm, sistematicamente, se manifestado no sentido de que o IRPF é um tributo cujo lançamento é por homologação, fato este que pressupõe a aplicação da regra contida no § 40, do artigo 150 do CTN. 7. Referido dispositivo estabelece que a contagem do prazo decadencial, para tributos dessa natureza, ocorre, inexoravelmente, a partir da ocorrência dos seus respectivos fatos geradores, o que se dá mensalmente. De acordo com a defesa, o fato gerador do IRPF no caso em tela seria mensal, e o prazo decadencial deveria ser computado com base no art. 150, § 4º do CTN. No entanto, a jurisprudência hoje pacificada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) é no sentido de que o fato gerador do IRPF é complexivo e ocorre em 31 de dezembro de cada ano. Este entendimento pode ser bem demonstrado através da leitura da seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPFEXERCÍCIO: 2001DECADÊNCIA,NOS CASOS DE LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO, O PRAZO DECADENCIAL PARA A CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO EXPIRA APÓS CINCO ANOS A CONTAR DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. O FATO GERADOR DO IRPF, TRATANDOSE DE RENDIMENTOS SUJEITOS AO AJUSTE ANUAL, SE PERFAZ EM 31 DE DEZEMBRO DE CADA ANOCALENDÁRIO, NÃO OCORRENDO A HOMOLOGAÇÃO EXPRESSA, O CRÉDITO TRIBUTÁRIO É ATINGIDO PELA DECADÊNCIA APÓS CINCO ANOS DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR (ART. 150, § 4º DO CTN).PRELIMINAR DE DECADÊNCIA ACOLHIDA.RECURSO PROVIDO.VISTOS, RELATADOS E DISCUTIDOS OS PRESENTES AUTOS.ACORDAM OS MEMBROS DO COLEGIADO, POR UNANIMIDADE DE VOTOS, ACOLHER A ARGÜIÇÃO DE DECADÊNCIA SUSCITADA PELO RECORRENTE, PARA DECLARAR EXTINTO O DIREITO DA FAZENDA NACIONAL CONSTITUIR O CRÉDITO Fl. 1419DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 14/08/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS 10 TRIBUTÁRIO LANÇADO, NOS TERMOS DO VOTO DO RELATOR. (Ac. nº 220200695, julgado em 19/08/2010) Por isso, aliás, foi editada a Súmula CARF nº 38, segundo a qual: “O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário.”. O mesmo raciocínio se aplica às demais exigências relativas ao IRPF sobre rendimentos sujeitos ao Ajuste Anual (como é o caso da omissão de rendimentos de prolabore e da omissão decorrente da apuração de acréscimo patrimonial a descoberto). Sendo assim, o pleito do Recorrente não merece acolhida, já que o Fisco teria até 31.12.2007 para efetuar o lançamento relativo ao fato gerador do IRPF ocorrido em 31.12.2002. No caso, como a ciência do lançamento se deu em 18.06.2007 – não há que se falar em decadência. Da violação à ampla defesa e ao contraditório Alega o Recorrente que teria havido cerceamento do seu direito de defesa, uma vez que não teriam sido anexadas as planilhas que embasaram o lançamento à via do Auto de Infração que lhe foi encaminhada. Eis o fundamento deste pedido: 11. No entanto, quando da notificação do representante legal do RECORRENTE, o Sr. AFRFB fez constar apenas algumas dessas planilhas da via do contribuinte, quais sejam: Planilhas EMOURA 16R, 19R, 20R, 21R e Ocorre que tal omissão viola os princípios do devido processo legal, ampla defesa e contraditório (art. 5 0, LIV e LV, CF/88), e todas as normas corolárias destas, tais como os princípios que norteiam o processo administrativo. (...) 14. É flagrante o desrespeito aos direitos constitucionais da ampla defesa e do contraditório, pois não juntando tais documentos essenciais para a compreensão do Auto de Infração foca o RECORRENTE impossibilitado de defenderse. 15. Ademais o Sr. AFRFB elaborou as seguintes planilhas que também serviram de base para fundamentar a referida autuação, porém, mais uma ez, em prejuízo do contribuinte, não as anexou ao AI: (...) As planilhas que não teriam sido sido anexadas ao Auto de Infração foram denominadas planilha EMOURA (de 1 a 22) e planilha SAURO (de 2 a 12). As planilhas denominadas “EMOURA” são referentes a este lançamento, enquanto que as planilhas denominadas “SAURO” estão relacionadas à fiscalização levada a efeito em face das empresas das quais o Recorrente era sócio. Tal pedido não merece acolhida. Fl. 1420DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 14/08/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10830.003805/200771 Acórdão n.º 2102002.572 S2C1T2 Fl. 1.394 11 É que – ainda que todas as planilhas utilizadas pelo fiscal autuante não tivessem sido anexadas à via do Auto de Infração encaminhada ao Recorrente, é certo que as mesmas estavam disponíveis nos autos do processo, de forma que o acesso a elas foi franqueado ao Recorrente sempre que o desejasse, bastando que tivesse solicitado cópia dos autos. Ademais, tais planilhas lhe foram sendo encaminhadas ao longo do procedimento fiscal, à medida em que foram elaboradas, como se depreende dos termos de intimação anexados aos autos (cf. esclarecido pela decisão recorrida às fls. 1293 dos autos). Tendo o Recorrente tido acesso à planilhas que subsidiaram o lançamento, não há que se falar em violação ao contraditório ou à ampla defesa. Diante do exposto, também não merece acolhida esta preliminar. Do acréscimo patrimonial – lançamento por presunção No que diz respeito ao lançamento relativo à omissão de rendimentos por variação patrimonial a descoberto, o Recorrente alega tratarse de mera presunção, afirmando que o fiscal teria desconsiderado diversas origens para seus rendimentos. Antes de mais nada, vale ressaltar que a tributação por presunção de omissão de rendimentos com base em acréscimo patrimonial a descoberto encontra expressa previsão legal, e para que o contribuinte possa dela se defender precisa demonstrar que tinha recursos (origens) suficientes para acobertar os dispêndios efetuados ao longo de um determinado ano calendário. Não há aqui o ônus do Fisco de comprovar a falta da origem, mas, inversamente, há a obrigação do contribuinte de comprovar – com documentação hábil e idônea – a existência desta origem. Neste sentido: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Ano calendário: 1996, 1997 Ementa: APD ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO EXCESSO DE APLICAÇÕES JUSTIFICADO COM RECURSOS DE EXERCÍCIOS PRECEDENTES AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DESSES RECURSOS NÃO ACATAMENTO É ônus do contribuinte comprovar a origens de recursos para fazer frente à presunção de omissão de rendimentos lastreada em fluxo de caixa que apura acréscimo patrimonial a descoberto. Não basta afirmar que detinha valores em anos antecedentes, mormente quando o contribuinte sequer apresentou declaração de ajuste anual nos anos anteriores e nos anos em debate. APD COMPROVAÇÃO DE FONTE DE RECURSO ADEQUAÇÃO DO FLUXO DE CAIXA Comprovada a fonte de recursos, esta deve ser registrada no fluxo de caixa, reduzindo o APD do período. (...) (Acórdão nº 10617129, julgado em 10.10.2008 destacamos) Fl. 1421DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 14/08/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS 12 Assim é que, tratandose de previsão legal, o ônus de efetuar a prova da inocorrência do acréscimo patrimonial a descoberto apurado pela autoridade fiscal caberia ao próprio Recorrente. Voltando ao caso vertente, o Recorrente insiste que não poderia a autoridade fiscal ter desconsiderado as origens por ele comprovadas (e que justificariam seus dispêndios). A primeira destas origens que – segundo ele – teria sido desconsiderada, foram os R$ 2.000.000,00 alegadamente recebidos de Carlos Alberto Macedo Barboza. Quanto a tal operação, o Recorrente assim a esclareceu: 19. Nesse sentido, o Sr. AFRFB desconsidera como rendimentos o valor de R$ 2.000.000,00 auferidos pelo RECORRENTE relativos a alienação de fundo de comércio e participação societária ao Sr. Carlos Alberto Macedo Barboza, alienação esta feita por meio de compromisso de compra e venda. 20. Ocorre que houve um distrato do referido compromisso de compra e venda, em que ficou acordado que o RECORRENTE devolveria o valor acima mencionado em 10 parcelas mensais e sucessivas, sem o acréscimo de juros. 21. Entretanto, tais valores ainda não foram devolvidos pelo RECORRENTE. (...) 25. O distrato firmado entre as partes possui as condições por ela avençadas, não sendo obrigatória a cobrança de juros ou qualquer acréscimo legal a menos que seja vontade das partes, não cabendo, portanto, à Fiscalização presumir necessária a cobrança de juros ou desconsiderar o negócio realizado entre as partes por falta dela. 26. Além disso, contrariamente à segunda alegação do Sr. AFRFB o Sr. Carlos Alberto em suas declarações à Fiscalização mencionou por duas vezes que está tomando, junto a seus advogados, as medidas cabíveis para cobrar o valor devido pelo RECORRENTE. 27. Mais um argumento que demonstra que o Sr. AFRFB equivocouse ao desconsiderar o rendimento auferido pelo RECORRENTE e que pautouse em presunção que não encontra abrigo legal. 28. Tanto é assim que em nenhum momento foi comprovado pela Fiscalização que a transação efetuada entre o RECORRENTE e o Sr. Carlos Alberto era inexistente ou fraudulenta. 31. Sendo assim, foge completamente à esfera de atuação do Sr. AFRFB analisar se o negócio jurídico efetivamente praticado e regularmente registrado é ou não vantajoso ao RECORRENTE ou à outra parte. Assim, não servem de fundamento para a autuação as digressões pessoais e subjetivas do Sr. AFRFB sobre a conduta de terceiro. 32. Ora, autuar o RECORRENTE com base na suposta má gestão patrimonial do Sr. Carlos Alberto Barboza, dá poderes Fl. 1422DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 14/08/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10830.003805/200771 Acórdão n.º 2102002.572 S2C1T2 Fl. 1.395 13 ilegais ao Fisco de "julgar" a forma como o contribuinte administra seus negócios. 33. Ademais, ao contrário do que alegado, o caso em tela não pode ser equiparado às distribuições de lucros e aos contratos de empréstimo, por possuir uma natureza comercial (cessão onerosa de cotas), não havendo previsão legal, doutrinária ou jurisprudencial para tal aproximação. A decisão recorrida – chancelando o entendimento esposado pela autoridade fiscal (e bem descrito às fls. 1061/1062 dos autos) deixou de acolher tais valores como origens para os dispêndios efetuados pelo Recorrente pelos seguintes motivos: A prova trazida pelo contribuinte referese apenas ao negócio jurídico e resumese ao contrato de compra e venda de fls. 176/178, os recibos de fls. 179/181, notificação extra judicial de fl. 182 e distrato de contrato de fls. 183/184. Tanto o contrato como o distrato são documentos particulares assinados pelas partes e por duas testemunhas. Apesar de ter validade entre as partes, como meio hábil de prova, devese observar os princípios contidos no Código Civil, arts. 219 e 221, que assim dispõem: (...) Desta forma, o contrato, ainda que prove a realização do negócio jurídico entre as partes, não é suficiente para comprovar a efetiva transferência do numerário. Igualmente os recibos de fls. 179/181, assinados pelo procurador do recorrente, não comprovam a efetiva transferência dos valores nele consignados perante o Fisco. Sem a prova da efetiva transferência dos valores em 15/09/2003 (R$ 1.100.000,00), em 07/01/2005 (R$ 300.000,00), em 28/01/2005 (R$ 300.000,00) e em 07/02/2005 (R$ 300.000,00), não há como considerálos como recurso na planilha de evolução patrimonial. Contra tais argumentos, o Recorrente se limita a reiterar as alegações de sua Impugnação, sem trazer realmente quaisquer documentos que comprovassem a efetiva transferência do numerário em questão, não sendo crível que pagamentos dos montantes mencionados (R$ 1.100.000,00 e R$ 300.000,00) tenham sido efetuados em espécie. Sem a prova do efetivo pagamento dos valores estampados nos contratos e recibos mencionados, não podem eles ser acolhidos como origem apta a justificar o acréscimo patrimonial apurado pela fiscalização. Acresçase a isto que os fatos envolvidos na referida operação não ficaram muito claros nos autos, o que reforça o entendimento da autoridade fiscal de que os referidos R$ 2.000.000,00 realmente não foram recebidos pelo Recorrente. O compromisso de compra e venda de cotas (fls. 176/178) é um documento particular datado de 15.09.2003. Por meio dele foi pactuada a cessão das cotas que o Recorrente detinha na empresa 2M do Brasil Industria e Comercio Ltda. pelo seguinte valor: (...) Fl. 1423DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 14/08/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS 14 4. Por força também deste instrumento, o ora CEDENTE cede ao CESSIONÁRIO todos os direitos, da lavra outorgada pela Portaria sob n.° 397 de 05.09.2002, publicada no diário Oficial da União de 06.09.2002, com processo no DNPM sob n.° 820.616/1993, da qual a empresa "2M do Brasil Indústria e Comércio Ltda"., é possuidora de pleno direito. Por esta cessão o CESSIONÁRIO pagará o valor total de R$ 3.596.800,00 (Três milhões e quinhentos e noventa e seis mil e oitocentos reais), da seguinte forma: R$ 596.800,00 (Quinhentos e noventa e seis mil e oitocentos reais) pagos na data de assinatura do presente contrato, e o restante em 04 (quatro) parcelas sucessivas de R$ 750.000,00 (Setecentos e cinqüenta mil reais) vencendose a primeira parcela até o final do primeiro semestre do ano de 2004, e as últimas parcelas deverão ser pagas até o último dia útil do ano de 2004. (...) Um procurador do Recorrente firmou então os recibos de fls. 179/181, por meio dos quais atestou ter recebido três parcelas de R$ 300.000,00 pagas em 07.01.2005, 28.01.2005 e 07.02.2005 – todas em espécie. Através de Notificação Extrajudicial (também um documento particular, fls. 182), o Recorrente notificou, em 12.04.2005 o Sr. Carlos Alberto Barboza acerca de sua intenção de rescindir o contrato de compra e venda anteriormente pactuado. Em 10.06.2005 foi firmado o distrato (também através de documento particular) da compra e venda, por meio do qual as partes assim decidiram: (...) Cláusula 2a. Em decorrência do pactuado na Cláusula 1ª Acima, o DISTRATADO receberá do DISTRATANTE a quantia de R$ 2.000.000,00 (Dois milhões de reais), que será pago em 20 (vinte) parcelas, mensais, iguais e sucessivas, no valor de R$ 100.000,00 (Cem mil reais) cada uma, representadas por 20 (vinte) Notas Promissórias, neste ato assinada pelo Sr. Edson Moura e entregues em mãos ao Sr. Carlos Alberto Macedo Barboza, iniciandose o pagamentos em 10 de janeiro de 2006 e, assim sucessivamente, até o dia 10 de agosto de 2007. (...) Quanto aos atos societários da referida pessoa jurídica que foram anexados aos autos para justificar a operação em tela, é possível depreender os seguintes fatos: até 22.10.2004, o Recorrente e seu filho (Edson Moura Junior) eram os únicos sócios da pessoa jurídica 2M do Brasil Industria e Comercio Ltda, data em que, foi registrada na JUCESP uma alteração contratual por meio da qual o filho do Recorrente se retira da sociedade, cedendo ao pai suas 124.000 cotas; neste mesmo ato, o Recorrente decide aumentar o capital social da empresa, e ainda cede ao Sr. Carlos Alberto Macedo Barboza 40% de suas cotas, no valor R$ 503.200,00; em julho de 2005, o Sr. Carlos Alberto Barboza se retira da sociedade, cedendo suas cotas então ao filho do Recorrente, que volta a ser admitido na sociedade; Fl. 1424DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 14/08/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10830.003805/200771 Acórdão n.º 2102002.572 S2C1T2 Fl. 1.396 15 Diante destes fatos, algumas questões chamam a atenção, como por exemplo a questão relativa ao ganho de capital. Ora, se o Recorrente cedeu as cotas que detinha (por R$ 503.200,00) pelo valor de R$ 2.000.000,00, deveria ter apurado – e pago – o respectivo ganho de capital então incidente, ainda que tal venda tivesse sido desfeita, na medida em que o distrato somente ocorreria 2 anos após a celebração do contrato de compra e venda de participação societária. Entretanto, do demonstrativo de apuração do ganho de capital anexado à sua DIRPF 2004, consta que o Recorrente teria vendido sua participação societária na referida empresa (2M) por R$ 3.596.800,00 com custo de aquisição R$ 0,00, mas que o valor recebido naquele ano (dezembro de 2003) teria sido de R$ 596.800,00. Tal declaração diverge da alegação do Recorrente de que recebera naquela oportunidade R$ 1.100.000,00 como parte do referido pagamento. Vale ressaltar ainda que no ano seguinte (Exercício 2005), o Recorrente não apresentou o anexo relativo ao ganho de capital, fazendoo somente em relação ao Exercício 2006, quando declarou ter recebido R$ 600.000,00 no mês de janeiro de 2005 e outros R$ 300.000,00 no mês de fevereiro do mesmo ano – valores que se coadunam com aqueles constantes dos recibos. O imposto devido em razão do recebimento destas parcelas seria de R$ 135.000,00 (sendo R$ 90.000,00 em janeiro e R$ 45.000,00 em fevereiro). Ressaltese ainda que não há prova do pagamento do imposto no valor de R$ 89.520,00 (incidente sobre o ganho auferido no anocalendário 2003) ou sobre o imposto de R$ 135.000,00 (devido em relação ao anocalendário 2005). Este fato, aliás, foi devidamente mencionado no termo de Constatação Fiscal, tendo ainda a autoridade lançadora esclarecido que estava deixando de exigir o ganho de capital em tela, justamente por ter desconsiderado os valores recebidos pelo Recorrente. É o que se depreende do seguinte trecho, extraído das fls. 1063 dos autos: V.3 DO GANHO DE CAPITAL (...) 80.Quanto aos impostos sobre os ganhos de capital dos supostos pagamentos efetuados por CARLOS ALBERTO MACEDO BARBOZA, dos anoscalendário de 2003 e 2005, os quais o fiscalizado apresentou DEMONSTRATIVOS DA APURAÇÃO DOS GANHO DE CAPITAL nas DIRPFs, porém, não recolheu os DARFs respectivos, não estão sendo lançados pois foram desconsiderados na presente ação fiscal, conforme já exaustivamente descrito em itens anteriores. (destacamos) Por todos estes motivos, diante da falta de prova do recebimento dos R$ 2.000.000,00, deve ser mantida a decisão recorrida neste ponto. Da omissão de valores recebidos a título de prolabore Conforme relatado, o lançamento aqui em debate abrangeu também a acusação de omissão de rendimentos recebidos pelo Recorrente a título de prolabore de empresas das quais era sócio (SAURO BRASILEIRA DE PETRÓLEO S/A, AUTO POSTO Fl. 1425DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 14/08/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS 16 CABREÚVA, 2M DO BRASIL, AUTO POSTO GASBRASIL, IBRAFEM ENSINO, IBRAFEM MARKET1ING e AUTO POSTO SAURO ARARAQUARA). Neste ponto, a decisão recorrida manteve o lançamento fundada nos seguintes argumentos: Assim, os rendimentos de prólabore apurados decorrem de informações constantes em documentos contábeis e fiscais elaborados pelas empresas das quais o contribuinte é sócio, sendo que as alegações de que tais rendimentos não foram percebidos, de que o recorrente não administra as empresas e de que não possui tempo para exercer tal administração, não são suficientes para descaracterizar o pagamento comprovado pelos documentos acima relacionados. Mantémse, portanto a tributação de omissão de rendimentos recebidos a título de prólabore. O Recorrente, por seu turno, vem alegando, desde sua Impugnação, que não foi o beneficiário destes rendimentos, afirmando que seu filho (Edson Moura Junior) é que seria o verdadeiro administrador das empresas e beneficiários dos mesmos. Afirma ainda que não poderia ser considerado administrador de tais empresas por exercer o cargo de prefeito da cidade de Paulínia, e que os valores por ele recebidos o foram a título de distribuição de lucros. Eis as razões expostas em seu recurso: 45. O RECORRENTE de fato é sócio das empresas mencionadas pelo Sr. AFRFB, contudo não poderia receber rendimentos a título de prolabore, pois quem de fato administra as empresas é seu filho, Edson Moura Jr, que inclusive declara ao Fisco o recebimento de tais rendimentos. 46. Isso porque, o RECORRENTE é Prefeito do Município de Paulínia e não possui tempo hábil para que possa exercer as funções de prefeito e de administrador conjuntamente. 47. Inclusive, de acordo com o artigo 44 da Lei Orgânica de Paulínia, não pode o prefeito ausentarse da cidade por mais de 15 dias, o que, se fosse o RECORRENTE o verdadeiro administrador das empresas, ocorreria com freqüência, tendo em vista a prática comercial e diversos compromissos que teria e cumprir a função de administrador. 48. Não é possível que o RECORRENTE tenha recebido qualquer valor a título de prolabore, sendo que os valores de rendimentos recebidos das empresas em questão, são a título de distribuição de lucros, como demonstrou o contribuinte ao longo da ação fiscal. A autoridade fiscal, porém, considerou ser o Recorrente o beneficiários dos rendimentos de prolabore em questão após a análise de documentos contábeis obtidos em diligências nas empresas das quais o contribuinte é sócio (cf. relacionado às fls. 1.056/1.057 – Termo de Constatação Fiscal). Assim, para que tais documentos pudessem ser desconsiderados, caberia ao Recorrente demonstrar, documentalmente, que a documentação obtida pela autoridade fiscal não mereceria fé, o que não foi feito. Ressaltese que sendo ele sócio das empresas poderia até ter conseguido obter documentação que retificasse as informações obtidas pela fiscalização. Fl. 1426DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 14/08/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10830.003805/200771 Acórdão n.º 2102002.572 S2C1T2 Fl. 1.397 17 Por isso, diante da falta de provas, deve ser mantida esta parcela do lançamento. Da desconsideração dos lucros recebidos da empresa SAURO BRASILEIRA DE PETRÓLEO S/A Alega o Recorrente que recebera distribuição de lucros da empresa SAURO BRASILEIRA DE PETRÓLEO S/A, da qual é sócio, os quais seriam suficientes para acobertar os dispêndios constantes da planilha de variação patrimonial a descoberto. Consta do Termo de Verificação Fiscal que tais valores não foram aceitos como origem em razão da falta de comprovação de que os mesmos teriam sido efetivamente pagos ao Recorrente. Por este mesmo motivo, a decisão recorrida manteve o lançamento, verbis: Assim, a fiscalização desconsiderou os valores informados a título de lucros distribuídos nas DIRPFs do recorrente, não pela inexistência do lucro das pessoas jurídicas mas por falta de comprovação da efetiva transferência de numerários da pessoa jurídica para o sócio. (...) Ao contrário do alegado pelo impugnante, os documentos apresentados não confirmam a efetividade dos pagamentos, pois as declarações de ajuste anual apresentadas atestam somente a declaração mas não o fato declarado, devendo ter sido apresentadas, pelo mesmo, provas concretas da transferência dos valores, entre a empresa e o recorrente, o que não foi feito. Portanto, não havendo comprovação documental suficiente da retirada de lucros por parte do sócio, não há como acatar tais valores como origem de recursos. Já o Recorrente, por seu turno, insiste que o fato de ter declarado o recebimento destes lucros em sua DIRPF seria suficiente para comprovar o seu recebimento. Sua pretensão não merece acolhida. Isto porque, ainda que se considerasse que a pessoa jurídica em questão tivesse auferido lucros que poderiam ter sido distribuídos a ele, caberia a ele sim demonstrar o efetivo recebimento dos mesmos, na medida em que o lançamento aqui em debate se refere a acréscimo patrimonial a descoberto, ou seja, é necessário que o Recorrente comprove que tinha disponibilidades suficientes a acobertar os seus dispêndios. Por isso que a mera declaração (no Ajuste Anual) de disponibilidade destes lucros não pode ser considerada como suficiente para justificar a origem de seus dispêndios. Como também neste ponto o Recorrente não traz qualquer novo documento ou prova em sede de Recurso Voluntário, é de se manter a decisão recorrida. Ademais, é também irrelevante o fato de a pessoa jurídica ter sido autuada e seu lucro arbitrado, pois – como afirmado – o que se discute aqui não é a existência de lucros, Fl. 1427DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 14/08/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS 18 mas sim a sua efetiva transferência destes para o patrimônio do Recorrente. Esta a prova que não foi feita. Apuração mensal do fluxo de variação Neste item do seu Recurso Voluntário, o Recorrente afirma que: 68. Para apurar os valores referentes ao crédito tributário, o Sr. AFRFB procedeu ao fluxo de caixa mensal para a quantificação da base de cálculo do IRPF do RECORRENTE, solicitando inclusive que o próprio preenchesse as planilhas com os rendimentos e dispêndios por ele realizados. 69. Contudo, ao efetuar a autuação o Sr. AFRFB simplesmente ignora os valores autuados nos meses anteriores, não os considerando como origem para os períodos subseqüentes. (...) 71. Ora, as diferenças apontadas pela Fiscalização, ao incluir referidos valores na planilha de fluxo de caixa mensal, são tributadas pelo IRPF e assim, constituem origem para os meses subseqüentes. 72. Contudo, o procedimento adotado pelo Sr. AFRFB não aproveita esses valores e inicia os meses seguintes considerando apenas os valores preenchidos pelo RECORRENTE. 73. Assim, é nítido que pretende o Sr. AFRFB tributar novamente parte do valor já tributado no mês anterior, o que não se admite, haja vista que representa a intenção clara de confisco e enriquecimento ilícito do erário. 74. Tal aspecto, inclusive, foi decidido pelo E. 1° Conselho de Contribuintes da seguinte forma: (...) Depreendese daí que o Recorrente faz uma confusão entre o lançamento decorrente da variação patrimonial a descoberto (que é o caso dos autos) e o lançamento decorrente da presunção de que os depósitos bancários sem origem comprovada representam omissão de rendimentos (o que não é a hipótese dos autos). Suas alegações, porém, não se aplicam à hipótese vertente, tendo em vista que a autoridade fiscal usou sim os recursos de um mês para acobertar dispêndios do mês seguinte, como se depreende das tabelas de fls. 1.068/1079, das quais constam – no item 14 (integrante dos montantes utilizados como “Recursos/Origens”) – os valores relativos a “saldo disponível do mês anterior”, demonstrando que em todos os meses tais sobras foram apuradas e devidamente utilizadas para acobertar dispêndios dos meses seguintes. Por isso, também este argumento não merece acolhida. Aproveitamento do saldo do ano anterior O Recorrente pugna que sejam aproveitados os saldos apurados pela fiscalização ao final de cada anocalendário como origem para a apuração de sua variação Fl. 1428DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 14/08/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10830.003805/200771 Acórdão n.º 2102002.572 S2C1T2 Fl. 1.398 19 patrimonial do anocalendário seguinte. Afirma que a jurisprudência deste Conselho seria unânime no sentido de assim proceder. A decisão recorrida negou tal pedido baseada nos seguintes fundamentos: O saldo positivo apurado em dezembro não pode ser concedido como recurso no mês de janeiro do anocalendário seguinte, pois, diferentemente do que ocorre nos outros meses do ano, a situação patrimonial do contribuinte no dia 31 de dezembro é espelhada pela declaração de bens integrante da declaração de ajuste anual. Assim, se do fluxo financeiro efetuado pela autoridade fiscal para fins de análise da evolução patrimonial, restarem recursos nos meses de janeiro a novembro, devem eles, por ausência de previsão legal para declaração de bens mensal, ser considerados no início do mês posterior como origem de recursos. Já no caso do mês de dezembro, consideramse como origem de recursos para o ano posterior, os saldos constantes da declaração de bens, por presunção de veracidade das informações nela prestadas. Se o contribuinte deixou de declarar valores que compunham o seu patrimônio em 31 de dezembro e que restaram evidenciados pela análise da evolução patrimonial, incumbe a ele a prova da sua existência, visto ser sua a obrigação original de declarálos. Na ausência de prova da permanência dos recursos resultantes da análise da evolução patrimonial no patrimônio do contribuinte ao final do anocalendário, não resta ao Fisco outra alternativa senão a de presumilos consumidos. A jurisprudência deste Conselho vem oscilando quanto a esta questão, ora aceitando o aproveitamento pretendido, ora o negando. Porém, antes de analisar qual seria a corrente aplicável ao caso vertente, é preciso analisar se estas sobras existiram para que pudessem ser aproveitadas entre um ano calendário e outro. As planilhas de variação patrimonial de fls. 1068/1079 demonstram que a fiscalização apurou os seguintes saldos ao final de cada um dos anoscalendário objeto de lançamento: 2002 – variação patrimonial a descoberto de R$ 244.853,21 (fls. 1071); 2003 variação patrimonial a descoberto de R$ 337.530,00 (fls. 1075); 2004 variação patrimonial a descoberto de R$ 117.107,43 (fls. 1079); (valores consolidados às fls. 1080 dos autos) Como se vê, o Recorrente não teve – em nenhum dos meses de dezembro dos anoscalendário que foram objeto de fiscalização e lançamento – sobras de recursos nos meses de dezembro que pudessem ser transportadas para janeiro do ano seguinte, como pretendido. Assim, sua pretensão também não merece acolhida quanto a este ponto. Fl. 1429DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 14/08/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS 20 Do pedido de redução da multa de ofício O Recorrente se insurge ainda contra a multa de ofício aplicada ao lançamento e já reduzida pela decisão recorrida (de 75%). Tal pedido, porém, esbarra em um enunciado da Súmula deste Conselho, este o de nº 2, segundo o qual: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.”. Neste ponto, apesar do enunciado não tratar diretamente da questão da multa, deve ele ser aplicado ao caso vertente, pois, sendo a multa de ofício uma determinação legal – devidamente prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/96, não cabe ao julgador administrativo avaliar sobre o seu acerto ou sua tecnicidade, mas somente aplicála. O Recorrente pugna pela redução da multa para um patamar de, no máximo, 30% no entanto, não há previsão legal para que se opere tal redução na multa de ofício, não podendo sua pretensão ser acolhida. Como se vê, tal pedido esbarra no enunciados acima transcrito. Sendo assim, deve ser aplicado aqui o caput art. 72 do Regimento Interno deste Conselho de Contribuintes, que assim determina: Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF Mantémse, assim, a multa de ofício de 75%. DO RECURSO DE OFÍCIO O Recurso de Ofício preenche os requisitos da lei e por isso deve ser conhecido. Como se depreende da decisão recorrida, o mesmo se refere única e exclusivamente à desqualificação da multa de ofício aplicada ao lançamento, já que as demais razões de mérito suscitadas pelo Recorrente deixaram de ser acolhidas. Neste ponto, o que motivou a decisão recorrida foi o seguinte: No caso em tela, os rendimentos omitidos foram apurados, na sua maior parte, com base em presunção legal pela variação patrimonial a descoberto. Mas esta presunção, apesar de válida para fins tributários, não é suficiente, sem outras provas, para caracterizar o intuito de fraude que justificaria a aplicação da multa qualificada de 150%, pois neste caso o ônus da prova é da autoridade lançadora, uma vez que o dolo não pode ser meramente presumido. O conceito de dolo encontrase no inciso I do art. 18 do Decreto lei n° 2.848, de 7 de dezembro de 1940 Código Penal, ou seja, crime doloso é aquele em que o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzilo. O dolo, portanto, é composto de dois elementos: o cognitivo, que é o conhecimento do agente do ato ilícito; e o volitivo, que é a vontade de atingir determinado resultado ou em assumir o risco de produzilo. Sendo decorrente de ação ou omissão dolosa, a constatação da fraude exige que reste provada presença de elemento subjetivo Fl. 1430DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 14/08/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10830.003805/200771 Acórdão n.º 2102002.572 S2C1T2 Fl. 1.399 21 na conduta do contribuinte de forma a demonstrar que este quis os resultados que o art. 72 elenca como caracterizadores da fraude, ou mesmo que assumiu o risco de produzilos. Na aplicação da multa qualificada, a autoridade fiscal deve subsidiar o lançamento com elementos probatórios que mostrem de forma irrefutável a existência destes dois elementos formadores do dolo que, em última análise, é o evidente intuito de fraude. No entanto, os autos do processo não dão mostras que este intento foi atingido. O fato de o recorrente não ter demonstrado a efetividade da distribuição de lucros e do recebimento de recursos provenientes de contrato de compra e venda, declarados em suas DIRPFs autoriza a desconsideração dos recursos na evolução patrimonial, e caracteriza infração à legislação tributária, sujeita à aplicação de multa de ofício por declaração inexata, porém, por si só, é insuficiente para amparar a aplicação de multa qualificada. Apesar do recorrente ter aproveitado distribuição de lucros e recursos de alienação de quotas de sociedade que não conseguiu comprovar, ter omitido três participações societárias e aquisição de lote durante dois anos consecutivos (vindo a declarála só no anocalendário de 2003) em suas declarações de bens e rendimentos de prólabore de pequeno valor, ainda assim, não resta suficientemente comprovado nos autos o intuito de fraude em seus atos, necessário para que, com propriedade, se aplicasse ao lançamento a penalidade qualificada. Assim, não tendo a fiscalização demonstrado cabalmente a existência de dolo por parte do contribuinte em relação às infrações apuradas, nas condições impostas pela norma legal então vigente, descabe a qualificação da multa de ofício em 150%, devendo ser reduzida para 75%, nos termos do art. 44, I, da Lei n° 9.430, de 1996. Tal entendimento merece ser mantido. É que no caso em exame, pelo que se depreende do Termo de Constatação, a qualificação da multa se deveu aos seguintes motivos: 83.A distribuição de lucros da SAURO do anocalendário 2003, no valor de R$ 1.519.929,94, foi precedida de lançamentos de empréstimos de R$ 2.100.000,00, da empresa EDIMON LTDA, cuja efetividade também não foi comprovada. 84.Tanto o Sr. EDSON MOURA, quanto o Sr. CARLOS ALBERTO MACEDO BARBOZA, a SAURO e a EDIMON, informaram que as transações foram efetivadas em dinheiro. Tendo em vista os extraordinariamente elevados valores envolvidos, tal afirmação é uma verdadeira afronta ao princípio do bom senso. É entendimento assente na esfera administrativa, também, que as operações de empréstimo, distribuições de lucro e pagamentos, devem ser comprovadas por meio de documentação hábil e idônea da efetiva entrega do numerário. Fl. 1431DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 14/08/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS 22 85.Observase também a não declaração, em suas DIRPFs, dos bens e direitos a seguir relacionados: • Não declarou Lotes 0108 e 0109, do condomínio ALPHAVILLE FLAMBO /ANiT RESIDENCIAL, nos anos calendário de 2001 e 2002, só o fazendo em 2003; • Não declarou em nenhum anocalendário participação (50%) na constituição da empresa AUTO POSTO SAURO PALMEIRAS LTDA, CNPJ 05.668.738/000145, com capital social inicial de R$ 10.000,00, em 05/05/2003, e com aumento para R$ 100.000,00, em 22/11/2004; • Não declarou em nenhum anocalendário participação (50%) na constituição da empresa AUTO POSTO SAURO PIRINÓPOLIS LTDA, CNPJ 05.896.768/000109, com capital social inicial de R$ 10.000,00, em 01/08/2003, e aumento para R$ 100.000,00, em 22/11/2004, vendida em 02/01/2006. • Não declarou em nenhum anocalendário participação (95%) na constituição da empresa AUTO POSTO SAURO JATAÍ LTDA, CNPJ 07.445.895/000117, com capital social inicial de R$ 100.000,00, em 01/06/2005. 86. Constatouse omissão de rendimentos em todos os anos calendário fiscalizados, o estão consolidados nas PLANILHAS EMOURA 7, 11 e 23, nos valores relacionados configurando prática reiterada de omissão de rendimentos. (...) 87. Por tudo o exposto, entendemos estar configurado, em tese, evidente intuito de fraude definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64, a seguir transcritos: (...) 88. Dessa forma, está sendo aplicada a multa qualificada de 150%, prevista no inc. II do art. 44 da Lei 9.430/96. Entendemos também ter ficado demonstrado a existência de fatos que, em tese, configuram crime contra a ordem tributária, definida no art. 1 0 . inc. I, da Lei 8.137/90, que dispõe: "Constitui crime contra a ordem tributária suprimir ou reduzir tributo, ou contribuição social e qualq uer acessório, mediante as seguintes condutas: I — omitir informação, ou prestar declaração falsa às autoridades fazendárias" Como se vê, as justificativas tomadas pela autoridade lançadora foram a falta de comprovação das alegações do Recorrente, assim como a omissão de determinadas informações em suas declarações – em suma, a “prática reiterada” de omissão pelo contribuinte, o que teria implicado no cometimento “em tese” de crime contra a ordem tributária. Fl. 1432DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 14/08/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10830.003805/200771 Acórdão n.º 2102002.572 S2C1T2 Fl. 1.400 23 No entanto, a norma legal que ampara a aplicação da referida multa (qualificada), aplicada à hipótese em exame, é o art. 44, inc. II da Lei nº 9.430/96, que determina: Art.44.Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: Ide setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; IIcento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (grifos não constantes do original) Os arts. 71, 72 e 73 da Lei nº Lei 4502/64, por seu turno, assim dispõem: Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Da leitura de tais artigos, é forçoso concluir que só pode ser exigida a multa de 150% (multa qualificada) aos lançamentos de ofício em que restar caracterizado o evidente intuito de fraude do contribuinte – e não a todo e qualquer lançamento de ofício. No caso ora em exame, como se viu acima, este intuito não foi comprovado pela autoridade fiscal. A “conduta” motivadora do lançamento em exame não justifica a aplicação da multa qualificada, pois deve ser entendida como simples omissão de rendimento. O dolo a que a lei faz menção quando trata da multa qualificada não é a “vontade de omitir” ou a “prática reiterada” de omissão, mas sim o dolo em falsificar documentos, ou em verdadeiramente esconder do Fisco fatos geradores da obrigação tributária. Fl. 1433DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 14/08/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS 24 Há que se ressaltar, aqui, que a omissão em questão, por si só, já é penalizada com a aplicação da multa de ofício de 75%, multa esta que já serve como penalidade pela omissão do contribuinte. A multa qualificada a que alude o art. 44, II da Lei nº 9.430/96 foi criada com o objetivo de penalizar o contribuinte que vai além da omissão, o contribuinte que usa de subterfúgios (muitas vezes ilícitos) para escapar à obrigação tributária. A simples omissão do contribuinte – ainda que consciente – não pode ser equiparada a uma conduta fraudulenta ou simulada. Ao contrário, a vontade de omitir rendimentos do Fisco, e por isso não pagar o imposto devido, não é, por si só, um crime. Não é por outro motivo que este Conselho vem reiteradamente afastando a qualificação da multa em casos de simples omissão. É o que se depreende da ementa abaixo transcrita: “MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA Para a aplicação da multa qualificada de 150%, é indispensável a plena caracterização e comprovação da prática de uma conduta fraudulenta por parte do contribuinte, ou seja, é absolutamente necessário restar demonstrada a materialidade dessa conduta, ou que fique configurado o dolo específico do agente evidenciando não somente a intenção mas também o seu objetivo. (...) Preliminar acolhida.” (RV nº 146.368, Rel. Cons. Naury Fragoso Tanaka, julgado em 12.09.2005, 2ª Câmara, 1º Conselho) Por fim, e corroborando a idéia de que a simples omissão de rendimento não é suficiente a ensejar a qualificação da multa aplicável a um lançamento, este Conselho editou o enunciado nº 14 de sua Súmula, segundo o qual “A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo.”. Por estes motivos, deve ser mantida a decisão recorrida no que toca à necessidade de desqualificação da multa de ofício aplicada ao lançamento, a qual deverá ser exigida no patamar de 75%, e não de 150% (cf. constante do Auto de Infração). Diante do exposto, VOTO no sentido de REJEITAR as preliminares suscitadas e NEGAR provimento ao Recurso Voluntário, bem como para NEGAR provimento ao Recurso de Ofício. Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Fl. 1434DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 14/08/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10830.003805/200771 Acórdão n.º 2102002.572 S2C1T2 Fl. 1.401 25 Fl. 1435DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 14/08/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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Numero do processo: 16327.900233/2008-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 01 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3201-000.413
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
JOEL MIYAZAKI Presidente
LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES - Relator.
EDITADO EM: 24/09/2013
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Mercia Helena Trajano D Amorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carlos Alberto Nascimento e Adriana Oliveira e Ribeiro.
Nome do relator: LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES
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ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. JOEL MIYAZAKI – Presidente LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES Relator. EDITADO EM: 24/09/2013 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Mercia Helena Trajano D’ Amorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carlos Alberto Nascimento e Adriana Oliveira e Ribeiro. Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: Trata o presente processo de compensação de débito de Cofins do período 08/2002 no valor de R$1.054.369,95, com crédito decorrente de alegado pagamento a maior de Cofins relativo ao período de 06/2002, efetuado em 15/08/2002, no valor total de R$9.149.121,13, conforme declarado pela empresa na Declaração de Compensação RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .9 00 23 3/ 20 08 -2 7 Fl. 153DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES Processo nº 16327.900233/200827 Resolução nº 3201000.413 S3C2T1 Fl. 153 2 (Dcomp) nº 12095.59269.311003.1.3.042836 (fls. 20 a 25), transmitida em 31/10/2003. Referida compensação não foi homologada pela Deinf/SP conforme Despacho Decisório de número de rastreamento 757861151 (fls. 19) nos seguintes termos: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP (...) foram localizados um ou mais pagamentos (...) mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Segundo informa a Deinf/SP às fls. 54, a contribuinte foi cientificada da decisão em 02/05/2008 (fls. 53), e enviou em 03/06/2008 a manifestação de inconformidade de fls. 0205, acompanhada dos documentos de fls. 0652. Em sua defesa, a contribuinte alega possuir um valor pago a maior de R$1.030.079,66, resultado da diferença entre a Cofins recolhida (R$9.149.121,13) e a Cofins alegada como devida para 06/2002 (R$8.119.041,47). Do valor de R$1.030.079,66, a contribuinte teria utilizado R$1.029.256,10 na compensação em análise. A impugnante alega que entregou em 13/02/2007 DCTF retificadora relativa ao 2º trimestre de 2002 alterando a Cofins de 06/2002 para o valor de R$8.225.407,84. Após isso, em 29/05/2008 a empresa retificou novamente a DCTF do 2º trimestre de 2002, alterando mesma a Cofins relativa a 06/2002 para R$8.119.041,47. Todavia, segue a manifestante, a DCTF retificadora enviada em 29/05/2008 (após o despacho decisório) não foi considerada nessa decisão. Segundo a manifestante, na linha 27 da ficha 20C da DIPJ do ano calendário de 2002 (fls.37) não constou o valor de R$244.497,97 a título de Cofins retida, o que resultaria no valor de Cofins a pagar de R$8.119.041,47. Pelo exposto, requer a reforma do despacho decisório, homologando se a compensação pleiteada e extinguindose o débito de Cofins de 08/2002 até o montante de R$1.054.369,95; e retificandose a DIPJ do anocalendário de 2002, incluindo o valor da Cofins retida (R$244.497,97) e da Cofins relativa a 06/2002 (8.119.041,47). Na decisão de primeira instância, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo/SP não acolheu a defesa ofertada, conforme Decisão DRJ/SP1 n.º 35.114, de 07/12/2011: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2002 COMPENSAÇÃO. DÉBITO DECLARADO EM DCTF. RETIFICAÇÃO. DESCABIMENTO. Fl. 154DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES Processo nº 16327.900233/200827 Resolução nº 3201000.413 S3C2T1 Fl. 154 3 Considerase confissão de dívida o débito declarado em DCTF, cabendo à contribuinte a comprovação da necessidade de alteração do valor originalmente declarado. Se a contribuinte não comprova a existência do erro material alegado, deve ser mantido o valor do débito declarado. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. ALEGAÇÕES DESACOMPANHADAS DE PROVA. A manifestação de inconformidade deve estar instruída com todos os documentos e provas que fundamentem a defesa. Alegações desacompanhadas de documentos comprobatórios não são suficientes para alterar o despacho decisório contestado. Cientificado o contribuinte, apresenta recurso voluntário. É o relatório. Voto O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade. Discutese nestes autos a existência de direito creditório suficiente para validar as compensações pretendidas pela recorrente. Embora o principal fundamento da improcedência da manifestação de inconformidade tenha sido a retificação extemporânea da DCTF, o fato é de que o CARF vem relativizando esse entendimento, sempre buscando a chamada verdade material. Entretanto, para que esta busca chegue ao resultado esperado, o contribuinte deve comprovar o erro ocorrido e o seu direito creditório pleiteado, ainda mais quando a retificação da declaração ocorre após a ciência do despacho decisório. Nesse sentido, há diversos julgados: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário:2003 DCTF. RETIFICAÇÃO CONSIDERADA NÃO ESPONTÂNEA EM PROCESSO ANTERIOR. VERDADE MATERIAL. DCTF retificadora apresentada de forma não espontânea, em virtude de transmissão efetivada após a ciência de despacho decisório de não homologação de compensação, que não reconhecer o direito creditório alegado, viabiliza compensações posteriores, relativas a esse mesmo crédito se for comprovada através dos documentos fiscais competentes em virtude do princípio da verdade material. DÉBITOS CONFESSADOS. RETIFICAÇÃO. NECESSIDADE DE ESCRITA FISCAL. COMPROVAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Fl. 155DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES Processo nº 16327.900233/200827 Resolução nº 3201000.413 S3C2T1 Fl. 155 4 Eventual retificação dos valores confessados em DCTF deve ter por fundamento, como no caso, os dados da escrita fiscal do contribuinte, para a comprovação da existência de direito creditório decorrente de pagamento indevido (Acórdão 130201.015– 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária) Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2004 PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da DCTF, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado. A simples retificação, desacompanhada de suporte probatório, não autoriza a homologação da compensação do crédito tributário. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. (Acórdão3802001.550– 2ª Turma Especial) Como vemos neste processo, diferente de outros, a recorrente juntou aos autos razão contábil e cópia de sua DIPJ no seu recurso voluntário, fls. 82/88, documentos com os quais pretende comprar a origem de seu crédito, utilizado para a compensação realizada. Diante do exposto, voto por baixar este processo em diligência para que a autoridade lançadora informe se, com a juntada dos documentos em sede de recurso voluntário, a última DCTF retificadora enviada resta suportada, com a conseqüente comprovação do direito creditório pleiteado. No caso de não comprovação integral do crédito, informar se, com os documentos juntados, alguma parcela do crédito pleiteado, e glosado, resta confirmada. Realizada a diligência, deverá ser dado vista ao recorrente para se manifestar, querendo, pelo prazo de 30 dias. Após, devem ser encaminhados os autos para vista à PGFN da diligência realizada. Por fim, devem os autos retornar a este Conselheiro para julgamento. Sala de sessões, 21 de agosto de 2013. Luciano Lopes de Almeida Moraes Relator Fl. 156DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES
score : 1.0
Numero do processo: 10735.904439/2009-19
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Oct 21 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1802-000.344
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Marco Antônio Nunes Castilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão.
Relatório
Cuidam os autos do Recurso Voluntário (fls. 74/88) contra decisão da 1ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro I de fls. 63/66 que julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado.
Quanto aos fatos, consta que em 26/07/2007 a contribuinte transmitiu eletronicamente via internet, por meio do Programa PER/DCOMP, a declaração de compensação tributária retificadora nº 10009.41070.260707.1.7.04-5616 (fls. 02/05), onde consta:
a) débito informado (confessado): IRPJ estimativa mensal, código de receita 2362, do PA abril/2006, data de vencimento 31/05/2006, assim especificado na DCOMP:
- principal: R$ 10.555,84 ;
-multa moratória: R$ 2.111,16;
- juros de mora: R$ 353,62;
Total: R$ 13.020,62.
b) crédito utilizado: aproveitamento de crédito de R$ 12.444,44 (valor original), referente suposto pagamento indevido ou a maior de IRPJ estimativa mensal, código de receita 2362, do PA março/2006, DARF no valor total de R$ 249.713,63 (valor original), data do recolhimento 28/04/2006 (fl.32). Saldo de suposto crédito (valor original) na data de transmissão da DCOMP R$ 24.904,45.
O despacho decisório da DRF/Nova Iguaçu, de 20/04/2009, não reconheceu o direito creditório pleiteado, não homologando a compensação tributária informada (fls. 06 e 21).
A propósito, transcrevo a fundamentação constante do referido Despacho Decisório eletrônico , in verbis:
(...)
3-FUNDAMENTAÇAO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL
Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 24.904,45. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima Identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP..
(...)
Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada.
(...)
Enquadramento legal: Arts. 165 e 170 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN) e art. 10 da Instrução Normativa SRF n° 600, de 2005. Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996.
(...)
Inconformada com essa decisão monocrática da qual tomou ciência em 30/04/2009 (fls. 59/60 e 62), a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade de fls. 07/17 em 29/05/2009, aduzindo, em suas razões, em síntese:
1) - Preliminar de nulidade do despacho decisório:
- que referido ato administrativo foi proferido em desacordo com o comando previsto no artigo 10, inciso III, do Decreto nº 70.235/72, quanto à narrativa, descrição dos fatos, e fundamentação legal;
- que, em momento algum, o fisco evidenciou a existência de violação à legislação tributária para a negação do crédito tributário pleiteado;
- que a motivação é vaga para o não deferimento do direito creditório requerido;
- que, no caso, o despacho decisório deve ser declarado nulo, uma vez que está eivado de vício formal/cerceamento do direito defesa.
2) No mérito:
- que a DCTF do PA março/2006 foi preenchida incorretamente, quando consigna débito apurado do IRPJ estimativa mensal de R$ 390.877,15 (fls. 27/28); que, diversamente, o débito apurado do IRPJ estimativa mensal desse PA perfaz apenas a quantia de R$ 326.840,18, conforme Ficha 11 Cálculo do Imposto de Renda Mensal por Estimativa com base na receita bruta (fl. 31);
- que quitou o débito confessado na DCTF; parte mediante compensação e parte por pagamento/recolhimento em DARF;
- que, por conseguinte, houve pagamento indevido ou a maior do IRPJ estimativa mensal do PA março/2006, no valor de R$ 64.036,97;
- que parte desse direito creditório utilizou na DCOMP objeto dos autos;
- da plena existência do crédito pleiteado/compensado;
- juntou cópia do DARF de recolhimento do IRPJ estimativa mensal do PA março/2006, no valor de R$ 249.713,63, data do recolhimento 28/04/2006 (fl.32);
- que houve erro material no preenchimento da DCTF;
- que, com base no princípio da verdade material, faz jus ao direito creditório pleiteado e à homologação da compensação objeto dos autos.
Por fim, a contribuinte protestou pela produção de todas as provas admitidas em direito para apuração da veracidade dos fatos, mormente provas documentais e diligência fiscal, caso necessário.
Diversamente do entendimento da contribuinte, a DRJ/Rio de Janeiro I, à luz dos fatos e elementos de prova constantes dos autos, julgou a manifestação de inconformidade improcedente, cuja ementa do Acórdão, de 11/08/2011 (fls. 63/66), transcrevo, in verbis:
(...)
ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES
Ano-calendário: 2006
RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO.
Mantém-se o despacho decisório, se não elididos os fatos que lhe deram causa.
Manifestação de Inconformidade Improcedente
Direito Creditório Não Reconhecido
(...)
Ciente desse decisum em 28/09/2011 (fl. 73), a contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 27/10/2011 (fls. 74/88) e juntou documentos (fls. 89/117), reiterando:
a) a preliminar de nulidade do despacho decisório;
as razões de mérito já aduzidas na instância a quo;
a existência de erro material no preenchimento da DCTF do PA março/2006;
d) a efetiva existência do direito creditório pleiteado do PA março/2006; juntou cópia da DCTF, cópia da DIPJ e cópia do DARF;
e) que a retificação da DCTF pode ser efetuada de ofício, nesta instância recursal.
Por fim, em face do exposto, a recorrente pediu a reforma da decisão recorrida.
É o relatório.
Nome do relator: NELSO KICHEL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa- Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel- Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Marco Antônio Nunes Castilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Relatório Cuidam os autos do Recurso Voluntário (fls. 74/88) contra decisão da 1ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro I de fls. 63/66 que julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Quanto aos fatos, consta que em 26/07/2007 a contribuinte transmitiu eletronicamente via internet, por meio do Programa PER/DCOMP, a declaração de compensação tributária retificadora nº 10009.41070.260707.1.7.04-5616 (fls. 02/05), onde consta: a) débito informado (confessado): IRPJ estimativa mensal, código de receita 2362, do PA abril/2006, data de vencimento 31/05/2006, assim especificado na DCOMP: - principal: R$ 10.555,84 ; -multa moratória: R$ 2.111,16; - juros de mora: R$ 353,62; Total: R$ 13.020,62. b) crédito utilizado: aproveitamento de crédito de R$ 12.444,44 (valor original), referente suposto pagamento indevido ou a maior de IRPJ estimativa mensal, código de receita 2362, do PA março/2006, DARF no valor total de R$ 249.713,63 (valor original), data do recolhimento 28/04/2006 (fl.32). Saldo de suposto crédito (valor original) na data de transmissão da DCOMP R$ 24.904,45. O despacho decisório da DRF/Nova Iguaçu, de 20/04/2009, não reconheceu o direito creditório pleiteado, não homologando a compensação tributária informada (fls. 06 e 21). A propósito, transcrevo a fundamentação constante do referido Despacho Decisório eletrônico , in verbis: (...) 3-FUNDAMENTAÇAO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 24.904,45. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima Identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP.. (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. (...) Enquadramento legal: Arts. 165 e 170 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN) e art. 10 da Instrução Normativa SRF n° 600, de 2005. Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (...) Inconformada com essa decisão monocrática da qual tomou ciência em 30/04/2009 (fls. 59/60 e 62), a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade de fls. 07/17 em 29/05/2009, aduzindo, em suas razões, em síntese: 1) - Preliminar de nulidade do despacho decisório: - que referido ato administrativo foi proferido em desacordo com o comando previsto no artigo 10, inciso III, do Decreto nº 70.235/72, quanto à narrativa, descrição dos fatos, e fundamentação legal; - que, em momento algum, o fisco evidenciou a existência de violação à legislação tributária para a negação do crédito tributário pleiteado; - que a motivação é vaga para o não deferimento do direito creditório requerido; - que, no caso, o despacho decisório deve ser declarado nulo, uma vez que está eivado de vício formal/cerceamento do direito defesa. 2) No mérito: - que a DCTF do PA março/2006 foi preenchida incorretamente, quando consigna débito apurado do IRPJ estimativa mensal de R$ 390.877,15 (fls. 27/28); que, diversamente, o débito apurado do IRPJ estimativa mensal desse PA perfaz apenas a quantia de R$ 326.840,18, conforme Ficha 11 Cálculo do Imposto de Renda Mensal por Estimativa com base na receita bruta (fl. 31); - que quitou o débito confessado na DCTF; parte mediante compensação e parte por pagamento/recolhimento em DARF; - que, por conseguinte, houve pagamento indevido ou a maior do IRPJ estimativa mensal do PA março/2006, no valor de R$ 64.036,97; - que parte desse direito creditório utilizou na DCOMP objeto dos autos; - da plena existência do crédito pleiteado/compensado; - juntou cópia do DARF de recolhimento do IRPJ estimativa mensal do PA março/2006, no valor de R$ 249.713,63, data do recolhimento 28/04/2006 (fl.32); - que houve erro material no preenchimento da DCTF; - que, com base no princípio da verdade material, faz jus ao direito creditório pleiteado e à homologação da compensação objeto dos autos. Por fim, a contribuinte protestou pela produção de todas as provas admitidas em direito para apuração da veracidade dos fatos, mormente provas documentais e diligência fiscal, caso necessário. Diversamente do entendimento da contribuinte, a DRJ/Rio de Janeiro I, à luz dos fatos e elementos de prova constantes dos autos, julgou a manifestação de inconformidade improcedente, cuja ementa do Acórdão, de 11/08/2011 (fls. 63/66), transcrevo, in verbis: (...) ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Ano-calendário: 2006 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. Mantém-se o despacho decisório, se não elididos os fatos que lhe deram causa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido (...) Ciente desse decisum em 28/09/2011 (fl. 73), a contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 27/10/2011 (fls. 74/88) e juntou documentos (fls. 89/117), reiterando: a) a preliminar de nulidade do despacho decisório; as razões de mérito já aduzidas na instância a quo; a existência de erro material no preenchimento da DCTF do PA março/2006; d) a efetiva existência do direito creditório pleiteado do PA março/2006; juntou cópia da DCTF, cópia da DIPJ e cópia do DARF; e) que a retificação da DCTF pode ser efetuada de ofício, nesta instância recursal. Por fim, em face do exposto, a recorrente pediu a reforma da decisão recorrida. É o relatório.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Marco Antônio Nunes Castilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 35 .9 04 43 9/ 20 09 -1 9 Fl. 121DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10735.904439/200919 Resolução nº 1802000.344 S1TE02 Fl. 122 2 Relatório Cuidam os autos do Recurso Voluntário (fls. 74/88) contra decisão da 1ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro I de fls. 63/66 que julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Quanto aos fatos, consta que em 26/07/2007 a contribuinte transmitiu eletronicamente via internet, por meio do Programa PER/DCOMP, a declaração de compensação tributária retificadora nº 10009.41070.260707.1.7.045616 (fls. 02/05), onde consta: a) débito informado (confessado): IRPJ estimativa mensal, código de receita 2362, do PA abril/2006, data de vencimento 31/05/2006, assim especificado na DCOMP: principal: R$ 10.555,84 ; multa moratória: R$ 2.111,16; juros de mora: R$ 353,62; Total: R$ 13.020,62. b) crédito utilizado: aproveitamento de crédito de R$ 12.444,44 (valor original), referente suposto pagamento indevido ou a maior de IRPJ estimativa mensal, código de receita 2362, do PA março/2006, DARF no valor total de R$ 249.713,63 (valor original), data do recolhimento 28/04/2006 (fl.32). Saldo de suposto crédito (valor original) na data de transmissão da DCOMP R$ 24.904,45. O despacho decisório da DRF/Nova Iguaçu, de 20/04/2009, não reconheceu o direito creditório pleiteado, não homologando a compensação tributária informada (fls. 06 e 21). A propósito, transcrevo a fundamentação constante do referido Despacho Decisório eletrônico , in verbis: (...) 3FUNDAMENTAÇAO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 24.904,45. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima Identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP.. (...) Fl. 122DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10735.904439/200919 Resolução nº 1802000.344 S1TE02 Fl. 123 3 Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. (...) Enquadramento legal: Arts. 165 e 170 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN) e art. 10 da Instrução Normativa SRF n° 600, de 2005. Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (...) Inconformada com essa decisão monocrática da qual tomou ciência em 30/04/2009 (fls. 59/60 e 62), a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade de fls. 07/17 em 29/05/2009, aduzindo, em suas razões, em síntese: 1) Preliminar de nulidade do despacho decisório: que referido ato administrativo foi proferido em desacordo com o comando previsto no artigo 10, inciso III, do Decreto nº 70.235/72, quanto à narrativa, descrição dos fatos, e fundamentação legal; que, em momento algum, o fisco evidenciou a existência de violação à legislação tributária para a negação do crédito tributário pleiteado; que a motivação é vaga para o não deferimento do direito creditório requerido; que, no caso, o despacho decisório deve ser declarado nulo, uma vez que está eivado de vício formal/cerceamento do direito defesa. 2) – No mérito: que a DCTF do PA março/2006 foi preenchida incorretamente, quando consigna débito apurado do IRPJ estimativa mensal de R$ 390.877,15 (fls. 27/28); que, diversamente, o débito apurado do IRPJ estimativa mensal desse PA perfaz apenas a quantia de R$ 326.840,18, conforme Ficha 11 – Cálculo do Imposto de Renda Mensal por Estimativa – com base na receita bruta (fl. 31); que quitou o débito confessado na DCTF; parte mediante compensação e parte por pagamento/recolhimento em DARF; que, por conseguinte, houve pagamento indevido ou a maior do IRPJ estimativa mensal do PA março/2006, no valor de R$ 64.036,97; que parte desse direito creditório utilizou na DCOMP objeto dos autos; da plena existência do crédito pleiteado/compensado; juntou cópia do DARF de recolhimento do IRPJ estimativa mensal do PA março/2006, no valor de R$ 249.713,63, data do recolhimento 28/04/2006 (fl.32); que houve erro material no preenchimento da DCTF; Fl. 123DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10735.904439/200919 Resolução nº 1802000.344 S1TE02 Fl. 124 4 que, com base no princípio da verdade material, faz jus ao direito creditório pleiteado e à homologação da compensação objeto dos autos. Por fim, a contribuinte protestou pela produção de todas as provas admitidas em direito para apuração da veracidade dos fatos, mormente provas documentais e diligência fiscal, caso necessário. Diversamente do entendimento da contribuinte, a DRJ/Rio de Janeiro I, à luz dos fatos e elementos de prova constantes dos autos, julgou a manifestação de inconformidade improcedente, cuja ementa do Acórdão, de 11/08/2011 (fls. 63/66), transcrevo, in verbis: (...) ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2006 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. Mantémse o despacho decisório, se não elididos os fatos que lhe deram causa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido (...) Ciente desse decisum em 28/09/2011 (fl. 73), a contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 27/10/2011 (fls. 74/88) e juntou documentos (fls. 89/117), reiterando: a) a preliminar de nulidade do despacho decisório; b) as razões de mérito já aduzidas na instância a quo; c) a existência de erro material no preenchimento da DCTF do PA março/2006; d) a efetiva existência do direito creditório pleiteado do PA março/2006; juntou cópia da DCTF, cópia da DIPJ e cópia do DARF; e) que a retificação da DCTF pode ser efetuada de ofício, nesta instância recursal. Por fim, em face do exposto, a recorrente pediu a reforma da decisão recorrida. É o relatório. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10735.904439/200919 Resolução nº 1802000.344 S1TE02 Fl. 125 5 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Portanto, conheço do recurso. Conforme relatado, os autos tratam de compensação tribtutária. No caso, a recorrente efetuou compensação tributária, sob condição resolutória, do débito informado na DCOMP, com utilização de pretenso crédito do IRPJ estimativa mensal do P.A março/2006, conforme DCOMP retificadora transmitida eletronicamente em 26/07/2007, mediante programa gerador PER/DCOMP (fls.02/05). Entretanto, a decisão recorrida, na mesma esteira do despacho decisório, não reconheceu o direito creditório utilizado/pleiteado, deixando de homologar a compensação tributária, ante a inexistência de pagamento indevido ou maior do IRPJ estimativa mensal do P.A. março/2006. Nesta instância recursal, a recorrente rebelase contra a decisão recorrida, argumentando que o crédito pleiteado existe, aduzindo: que o valor principal do débito do IRPJ estimativa mensal do P.A março/2006, confessado na respectiva DCTF, está equivocado; que houve erro material no preenchimento da DCTF; que o débito correto é o informado na DIPJ respectiva, e não o valor constante da DCTF; que não houve retificação da DCTF para ajustar o valor débito, para coincidir com o valor informado na DIPJ, pois o erro material foi constatado após ciência do despacho decisório, o qual impede transmissão eletrônica de DCTF retificadora, pela perda de espontaneidade. Compulsando os autos, consta que atinente ao P.A março/2006, houve os seguintes desdobramentos: a) a contribuinte confessou débito do IRPJ estimativa mensal no valor de R$ 390.877,15, conforme DCTF transmitida eletronicamente em 30/07/2008, cuja cópia consta das fls.27/28; b) que esse débito confessado na DCTF teria sido adimplido do seguinte modo: b1) pagamento por DARF no valor de R$ 249.713,63, data de recolhimento 28/04/2006, cópia do DARF (fl. 32); b2) – outras compensações no valor de R$ 141.163,52, mediante utilização de crédito do IPI (DComp: 09231.74003.270406.1.3.018112 e DComp: 07398.18112.270406.1.3.015150) – informação constante da cópia da DCTF (fls. 28/29). Fl. 125DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10735.904439/200919 Resolução nº 1802000.344 S1TE02 Fl. 126 6 c) que, entretanto, o débito apurado e informado na DIPJ, quanto ao PA março/2006, seria menor, em relação débito informado na DCTF, quanto ao mesmo PA. Vale dizer, a contribuinte informou débito do do IRPJ estimativa mensal, P.A. março 2006, o valor de R$ 326.840,18, na DIPJ 2007, anocalendário 2006, Ficha 11 – Cálculo do Imposto de Renda Mensal por Estimativa, com base na receita bruta e acréscimos (fl. 31), transmitida eletronicamente em 29/06/2007, conforme recibo de entrega (fl. 29); d) que, quanto ao PA março/2006, teria adimplido IRPJ estimativa mensal a maior, ou indevidamente, no valor de R$ 64.036,97 (original) e que desse valor, utilizou parcela de crédito original de R$ 12.444,44 para compensar débito informado na compensação objeto destes autos. Ainda, constato pela cópia da DIPJ que, em princípio, a contribuinte não alterou critério de apuração do IRPJ estimativa mensal de receita bruta e acréscimos para balancete de suspenção/redução. Então, em tese é plausível a alegação de erro material quanto ao débito informado na DCTF. Além do mais, a DCTF foi transmitida eletronicamente, praticamente, 01 (um) ano após a entrega da DIPJ, o que reforça a tese do erro material, quanto ao real valor do débito. No âmbito da DRF/Nova Iguaçu, não houve intimação da contribuinte para comprovação, à luz da escrituração contábil e respectivos documentos de suporte idôneos dos registros contábeis, a apuração do IRPJ do PA março/2006 e dos demais meses desse ano calendário, para que houvesse esclarecimento cabal, se houve, ou não, erro material no preenchimento da DCTF. Simplemente a unidade de origem da RFB emitiu despacho decisório do qual consta que o direito creditório demandado é inexistente, pois os valores adimplidos foram consumidos pelo respectivo débito confessado na DCTF, não restando crédito disponível. Na decisão recorrida, consta que a DRJ/Rio de Janeiro I, embora a contribuinte tivesse pleiteada a realização de diligência, entendeu não ser cabível, conforme fundamentação constante do voto condutor (fls. fls. 64/65), in verbis: (...) Quanto ao protesto final pela produção de prova, cabe observar que o inciso III, do artigo 16, do Decreto 70.235/1972, com redação do artigo 1°, da Lei 8.748/1993, determina que a defesa apresentada deve necessariamente mencionar "os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir”. O artigo aduz, ainda, em seu § 4°, acrescentado pela Lei 9.532/1997, que a prova documental deve ser apresentada juntamente com a peça de defesa, precluindo o direito de o contribuinte fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrado motivo de força maior, se refira a fato ou a direito superveniente, ou se contraponha a razões ou a fatos trazidos aos autos posteriormente. Desta forma, é ônus do interessado juntar aos autos os elementos de prova que possui, não podendo dele se eximir mediante protesto final pela produção de prova. A teor do art. 170 do Código Tributário NacionalCTN (Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966), na compensação tributária, o direito Fl. 126DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10735.904439/200919 Resolução nº 1802000.344 S1TE02 Fl. 127 7 creditório alegado deve preencher dois requisitos: o da liquidez, concernente ao aspecto do montante do crédito; e, o da certeza, que diz respeito à prova incontestável do direito alegado. (...) O legislador foi inequívoco: a compensação é efetuada mediante a entrega de declaração de compensação, na qual cabe ao declarante prestar as informações do crédito de que, comprovadamente, declara ser titular, e, também, as informações do débito que, lastreado em documentos e registros contábeis idôneos, apurou. As informações prestadas em Dcomp devem corresponder àquelas que o declarante/fonte já havia prestado a esta Secretaria em outros documentos (darf, DCTF, DIPJ, DIRF, etc). A DRF, ao confrontar as informações prestadas no PER/DCOMP com as existentes nos sistemas da RFB, verificou que o DARF discriminado no PER/DCOMP foi integralmente utilizado para quitação de débitos do interessado, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Na manifestação de inconformidade, o interessado alega que a real situação foi demonstrada na DIPJ (doc. 4), efetivando assim seu direito creditório. A DIPJ, desde o anocalendário de 1999, tem caráter meramente informativo, isto é, as informações nela prestadas não configuram confissão de divida a Instrução Normativa n° 127, de 30 de outubro de 1998, que extinguiu, em seu art. 6º, inciso I, a DIRPJ — Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica e instituiu, em seu art. 1º, a DIPJ —Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica, deixou de fazer referência confissão de tributos ou contribuições a pagar. Por sua vez, a DCTF — Declaração de Contribuições e Tributos Federais, instituída pela Instrução Normativa SRF n° 129/1986, sempre foi destinada a tal fim. A DCTF, sendo confissão de divida, tem o condão de constituir, formalmente, o crédito tributário, materializandoo. O darf foi alocado conforme DCTF. A DCTF juntada pelo próprio interessado, às fls. 27/28, confirma a alocação apontada no Despacho Decisório. Eventual retificação da DCTF, após o Despacho Decisório, não produz efeito. O Despacho Decisório recorrido deve, então, ser mantido, por não terem sido elididos os fatos que lhe deram causa. (...) Fl. 127DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10735.904439/200919 Resolução nº 1802000.344 S1TE02 Fl. 128 8 Pelo entendimento exarado na decisão recorrida, existindo divergência entre DCTF e DIPJ quanto ao débito apurado e informado, prevalece aquela e não está, pois somente a DCTF tem caratér de confissão de dívida. Esse entendimento não merece prosperar. Embora a DCTF seja o instrumento por excelência para confissão de débito tributário (porém, não sendo o único!), não tem caráter absoluto essa confissão, se houver prova irrefutável de erro material, antes de prescrito o direito de repetição do indébito tributário. A decisão recorrida refutou o protesto de produção de todas as provas admitidas em direito, fundamentada no entendimento de que as provas deveriam ter sido juntadas aos autos junto com a impugnação e não o foram; que a faculdade processual restou preclusa; que a contribuinte é autora do pedido de direito creditório contra o fisco; que no processo de compensação tributária, o ônus probatório do fato constitutivo do direito de crédito contra o fisco é do autor do pedido do crédito. Mas, tanto o despacho decisório, quanto a decisão recorrida, pecam por falta de indicação à contribuinte acerca do elemento de prova necessário para a comprovação do crédito pleiteado, embora alegado o erro material de preenchimento da DCTF. Em momento algum nos auto o fisco pediu à contribuinte a verificação da escrituração contábil, ou seja, a juntada de prova da escrituração contábil, para dirimir a dúvida sem houve, ou não, erro material no preenchimento da DCTF. As cópias da DCTF, da DIPJ e do DARF, sem a apresentação da respectiva escrituração contábil, não têm o condão de comprovação do direito creditório pleiteado, pois é necessário cotejar, confrontar, a escrituração contábil e a escrituração fiscal, para demonstração do alegado erro material. Embora no processo de compensação tributária o ônus probatório do fato constitutivo do direito (da liquidez e certeza do crédito demandado) seja da contribuinte, pois é o autora da demanda nos termos do art. 333, I, do Código de Processo Civil Brasileiro e do art. 170 do Código Tributário Nacional, entendo que esse rigor probatório deve ser mitigado, com base no princípio da verdade material, pois a unidade de origem da Receita Federal, bem como a DRF/Rio de Janeiro I, deixaram de intimar a contribuinte para apresentação da escrituração contábil e respectivos documentos idôneos de suporte dos registros contábeis. Como visto, a instrução processual dos autos está incompleta, não permitindo a formação de convicção do julgador quanto ao direito creditório demandado. Além disso, se restar comprovado o alegado erro material na DCTF, é cabível a restituição ou devolução/aproveitamento do excesso do pagamento mensal por antecipação do referido período de apuração (não relacionado com a receita bruta ou com balancete de suspensão ou redução) sem necessidade de leválo para o ajuste anual ou para compor o saldo negativo, em face da revogação do art. 10, 2ª parte, da IN SRF 600/2005 pelo art. 11 da IN RFB 900/2008. Esse ato normativo tem efeito ou aplicação retroativa. Nesse sentido, é o entendimento do CARF, conforme Súmula CARF nº 84, in verbis: Fl. 128DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10735.904439/200919 Resolução nº 1802000.344 S1TE02 Fl. 129 9 Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Em face disso, justamente para afastar eventual prejuízo à defesa (aos princípios do contraditório e da ampla defesa), propugno pela conversão do julgamento em diligência, para que a unidade de origem da RFB, no caso a DRF/Nova Iguaçu, à luz da escrituração contábil da contribuinte, apure: a) se houve erro material no preenchimento da DCTF quanto ao valor do débito do IRPJ estimativa mensal do PA março/2006; b) se as DCOMP nºs 09231.74003.270406.1.3.018112 e 07398.18112.270406.1.3.015150) foram homologadas, ou não ( fls. 28/29); c) se houve adimplemento a maior ou indevido do IRPJ estimativa mensal do PA março/2006 e se o valor foi levado, ou não, para a declaração de ajuste desse ano calendário (se foi computado em eventual apuração de saldo de imposto a pagar ou a restituir); d) se o crédito pleiteado está disponível para efetuar a compensação objeto dos autos. No término da diligência fiscal, a unidade de origem da RFB (DRF/Nova Iguaçu) deverá elaborar relatório circunstânciado com resultado conclusivo, devidamente fundamentado e demonstrado, quanto ao crédito demandado. Do resultado da diligência, a contribuinte deverá ser intimada para apresentação de manifestação nos autos, se quiser, no prazo de trinta dias da sua ciência. Transcorrido o lapso temporal, retornem aos autos ao CARF, para julgamento da lide. Portanto, voto para converter o julgamento em diligência, conforme proposto. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 129DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por NELSO KICHEL
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