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Numero do processo: 19515.003639/2010-55
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006, 2007
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL FEDERAL. PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72, considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Inexistindo qualquer relação entre a matéria impugnada pela contribuinte (omissão de receitas) e as apurações promovidas pelos agentes da fiscalização, inafastável a consideração de ausência de impugnação, da forma como considerado pela r. decisão de primeira instância.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. ART. 42 DA LEI 9.430/96
Caracterizam-se omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Apesar de específica e regularmente intimada, a contribuinte não se desincumbiu de seu ônus a respeito da comprovação da natureza dos valores identificados pela fiscalização, atraindo, assim, a aplicação das disposições do Art. 42 da Lei 9.430/96.
DEFINIÇÃO DA BASE TRIBUTÁVEL. LUCRO PRESUMIDO.
Verificando-se, nos termos do contrato social da contribuinte (por ela mesma juntado aos autos), a indicação em suas atividades principais, tanto o comércio de mercadorias quanto a prestação de serviços, regular, verifica-se, é a apuração da base tributável no importe de 32% (e não 8%) da forma como realizado na autuação.
A desconstituição da presunção fiscal competiria à contribuinte, que, como indicado, não se desincumbiu de seu ônus.
Numero da decisão: 1301-001.465
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. Ausente, justificadamente o Conselheiro Valmar Fonsêca de Menezes (Presidente). Presente o Conselheiro Roberto Massao Chinen (Suplente Convocado). Presidiu o julgamento o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães.
(Assinado digitalmente)
WILSON FERNANDES GUIMARÃES - Presidente.
(Assinado digitalmente)
CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães (Presidente), Valmir Sandri, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni De Paula Fernandes Junior, Carlos Augusto de Andrade Jenier e Roberto Massao Chinen (Suplente Convocado).
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006, 2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL FEDERAL. PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72, considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Inexistindo qualquer relação entre a matéria impugnada pela contribuinte (omissão de receitas) e as apurações promovidas pelos agentes da fiscalização, inafastável a consideração de ausência de impugnação, da forma como considerado pela r. decisão de primeira instância. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. ART. 42 DA LEI 9.430/96 Caracterizam-se omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Apesar de específica e regularmente intimada, a contribuinte não se desincumbiu de seu ônus a respeito da comprovação da natureza dos valores identificados pela fiscalização, atraindo, assim, a aplicação das disposições do Art. 42 da Lei 9.430/96. DEFINIÇÃO DA BASE TRIBUTÁVEL. LUCRO PRESUMIDO. Verificando-se, nos termos do contrato social da contribuinte (por ela mesma juntado aos autos), a indicação em suas atividades principais, tanto o comércio de mercadorias quanto a prestação de serviços, regular, verifica-se, é a apuração da base tributável no importe de 32% (e não 8%) da forma como realizado na autuação. A desconstituição da presunção fiscal competiria à contribuinte, que, como indicado, não se desincumbiu de seu ônus.
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Omissão de receitas Recorrente TREVI IMPORTACAO E EXPORTACAO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL FEDERAL. PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72, considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Inexistindo qualquer relação entre a matéria impugnada pela contribuinte (“omissão de receitas”) e as apurações promovidas pelos agentes da fiscalização, inafastável a consideração de ausência de impugnação, da forma como considerado pela r. decisão de primeira instância. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. ART. 42 DA LEI 9.430/96 Caracterizamse omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Apesar de específica e regularmente intimada, a contribuinte não se desincumbiu de seu ônus a respeito da comprovação da natureza dos valores identificados pela fiscalização, atraindo, assim, a aplicação das disposições do Art. 42 da Lei 9.430/96. DEFINIÇÃO DA BASE TRIBUTÁVEL. LUCRO PRESUMIDO. Verificandose, nos termos do contrato social da contribuinte (por ela mesma juntado aos autos), a indicação em suas atividades principais, tanto o “comércio de mercadorias” quanto a “prestação de serviços”, regular, verificase, é a apuração da base tributável no importe de 32% (e não 8%) da forma como realizado na autuação. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 36 39 /2 01 0- 55 Fl. 576DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 15/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES 2 A desconstituição da presunção fiscal competiria à contribuinte, que, como indicado, não se desincumbiu de seu ônus. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. Ausente, justificadamente o Conselheiro Valmar Fonsêca de Menezes (Presidente). Presente o Conselheiro Roberto Massao Chinen (Suplente Convocado). Presidiu o julgamento o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães. (Assinado digitalmente) WILSON FERNANDES GUIMARÃES Presidente. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães (Presidente), Valmir Sandri, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni De Paula Fernandes Junior, Carlos Augusto de Andrade Jenier e Roberto Massao Chinen (Suplente Convocado). Fl. 577DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 15/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.003639/201055 Acórdão n.º 1301001.465 S1C3T1 Fl. 3 3 Relatório Tratam os presentes autos de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte contra as disposições do Acórdão 1632.657, exarado pela 2a Turma da DRJ/SP1, que, analisando os termos da impugnação apresentada, concluiu pela sua improcedência, com a manutenção do crédito tributário lançado, cuja ementa, inclusive, é assim apresentada: Assunto: IMPOSTO RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 2006, 2007. DEPÓSITOS BANCÁRIOS/OMISSÃO DE RECEITAS Nos termos do art. 42 da Lei 9.430/96, caracteriza omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou investimento mantida junto à instituição financeira, em relação às quais, o titular, regularmente notificado, não comprove a origem dos recursos utilizados, mediante documentação hábil e idônea. RECEITAS DAS ATIVIDADES/OMISSÃO DE RECEITAS Constituise, também, omissão de receitas, os numerários auferidos e contabilizados, mas não comprovados, os quais não foram tributados na forma da lei. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela impugnante. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS, COFINS e CSLL. Aplicase aos lançamentos decorrentes ou reflexos o decidido sobre o lançamento que lhes deu origem, por terem suporte fático comum. Impugnação improcedente. Crédito tributário mantido. (Grifos do original) Intimada a contribuinte no dia 24/02/2012 (sextafeira), por ela foi então interposto o seu competente recurso voluntário, no dia 26/03/2012 (Segundafeira), aduzindo, em suas razões, especificamente o seguinte: Que teria havido confusão na conclusão do trabalho da fiscalização, causada pelo fato de que o AFRF que o encerrou não foi o mesmo que teria iniciado as análises, sendo certo que este último não compreendeu as operações praticadas pela contribuinte,, atingindo, por isso, conclusões completamente equivocadas. Toda a movimentação bancária da contribuinte encontrase devidamente registrada e contabilizada, não se podendo assim considerar, de forma alguma, os movimentos apontados como supostas “receitas omitidas”, sobretudo porque em sua contabilidade se verifica, adequadamente, o respectivo registro de sua origem, o que, por certo, foi simplesmente desconsiderado pela decisão recorrida. Fl. 578DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 15/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES 4 Que grande parte da movimentação financeira apontada referese a operações de caução de títulos de terceiros (art. 495 do CC), sendo essas operações necessárias para a atividade regular da contribuinte (empresa atuante no mercado atacadista). Que para o financiamento de suas atividades, a contribuinte regularmente buscava recursos por meio de empréstimos bancários, sendolhe exigido o oferecimento da caução como garantia, obtida a partir da emissão de duplicatas mercantis, aliadas às operações por ela realizadas. Na liquidação das operações, os valores eram então creditados em contas correntes vinculadas aos referidos empréstimos, liquidandoos, então, e viabilizando as atividades por ela desenvolvidas. Que toda a configuração das suas regulares operações encontrase devidamente escriturada em sua contabilidade, e que, não tendo sido realizada qualquer análise pelos agentes da fiscalização, terseia aqui, verdadeiro e efetivo cerceamento do direito de defesa, o que inquina de nulidade o lançamento realizado. Que os valores indicados como não impugnados pela decisão recorrida decorrem de verdadeiro equívoco, uma vez que, sendo eles decorrentes da verificação da suposta omissão de receitas apontada, restariam sim, todos eles, devidamente impugnados nos presentes autos, sendo portanto indevida a remessa para a inscrição em dívida ativa os valores mencionados nos autos do PAF no 16151.720031/201239. A presunção de omissão de receitas tributáveis contida no Art. 42 da Lei 9.430/96 deve ser aplicada com equilíbrio e razoabilidade, não podendo ser desconsiderada a operação regularmente realizada pela contribuinte, como se fez nos presentes autos. Requer a conversão do feito em diligência para a verificação da correspondência entre as movimentações apontadas e os registros mantidos em sua contabilidade, comprovando, assim, a perfeita regularidade das operações apontadas. Em caráter subsidiário (apenas para o caso de serem rejeitadas as considerações precedentes), a recorrente destaca ainda o equívoco na aplicação da base de cálculo estimada apontada na autuação, uma vez que, sendo a sua atividade própria a de “comércio de mercadorias”, não poderia estar sujeita ao percentual de 32% (trinta e dois por cento) – aplicável às operações de prestação de serviços , mas sim, ao percentual de 8% (oito por cento), de que tratam as disposições do art. 15 da Lei 9.249/95. A aplicação do “percentual mais elevado” de que trata o art. 24, par. 1o da Lei 9.249/95, não pode acarretar a desconsideração da atividade própria desenvolvida pela contribuinte, especialmente porque a sua atividade preponderante, especificamente, em momento algum restou nãoidentificada. Quanto à COFINS, PIS e CSLL, destaca que não se pode falar em aplicação das disposições dos parágrafos 4o a 6o do art. 24 da Lei 9.249/95, uma vez que, à época dos fatos, tais disposições sequer existiam, sendo inaplicáveis na hipótese, a teor do que determinam as disposições dos arts. 9o, inciso I, e 105 do CTN. Nos seus pedidos, requer i) com urgência, seja determinada a suspensão da exigibilidade dos créditos tidos por não impugnados (processo 16151.7200031/2012 39); ii) seja anulado o auto de infração por cerceamento do direito de defesa, devendo o julgamento ser convertido em diligência para a confrontação dos registros contábeis Fl. 579DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 15/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.003639/201055 Acórdão n.º 1301001.465 S1C3T1 Fl. 4 5 com os apontados extratos bancários; iii) em caso de desnecessidade dessa verificação, que seja então julgado insubsistente o auto de infração; iv) superadas as considerações anteriores, seja então anulado o auto de infração por ter aplicado a base de cálculo de 32% (prestação de serviço), ao passo que, por se tratar de empresa atuante no âmbito do setor atacadista de mercadorias, a ela deveria ser aplicado o percentual de 8% no período em que estava sujeita à apuração pelo lucro presumido. Vindo os autos para julgamento, e, estando em vigor, à época, as disposições dos parágrafos 1o e 2o do Art. 62A do RICARF, promovemos o Despacho de fls., determinando o sobrestamento do feito, tendo em vista o reconhecimento de “Repercussão Geral” pelo Colendo Supremo Tribunal Federal, nos autos do RE 601314, em decisão, inclusive, assim especificamente ementada: RE 601314 REPERCUSSÃO GERAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO Classe: RE Procedência: SÃO PAULO Relator: MIN. RICARDO LEWANDOWSKI Partes RECTE.(S) MARCIO HOLCMAN ADV.(A/S) RICARDO LACAZ MARTINS RECDO.(A/S) UNIÃO ADV.(A/S) PROCURADORGERAL DA FAZENDA NACIONAL Matéria: DIREITO ADMINISTRATIVO E OUTRAS MATÉRIAS DE DIREITO PÚBLICO | Garantias Constitucionais | Proteção da Intimidade e Sigilo de Dados EMENTA: CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. Fornecimento de informações sobre movimentação bancária de contribuintes, pelas instituições financeiras, diretamente ao fisco, sem prévia autorização judicial (lei complementar 105/2001). Possibilidade de aplicação da lei 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. Relevância jurídica da questão constitucional. existência de repercussão geral. DATA DE PUBLICAÇÃO DJE 20/11/2009 ATA Nº 26/2009 DJE nº 218, divulgado em 19/11/2009 Entretanto, tendo sido revogadas aquelas disposições do RICARF pela PortariaMF no 545/2013, retornam então aos autos para a adequada apreciação e julgamento nesta oportunidade, nos termos aqui então apresentados. É o relatório. Passo ao meu voto. Fl. 580DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 15/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES 6 Voto Conselheiro CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, relator. Sendo tempestivo o recurso voluntário interposto, dele conheço. A questão central discutida nos autos, pelo que se verifica, é a configuração de possível omissão de receitas pela contribuinte, que, tendo recebidos créditos em sua conta bancária (identificados a partir das informações prestadas pelo Bancos, mediante o requerimento fazendário específico – RMF), não os teria feito refletir em suas correspondentes Declarações Fiscais e nem na apuração dos tributos federais devidos, incidentes sobre as respectivas receitas auferidas (IRPJ, CSLL, PIS e COFINS). Dos créditos tidos como não impugnados A primeira questão destacada pela recorrente em sua peça recursal, diz respeito à indicação de inexistência de matéria não impugnada, sobretudo porque, conforme indica, todos os valores considerados como devidos seriam decorrentes da consideração dos demais elementos contidos nos autos, destacando que, em caso de procedência, efetivamente indevidos seriam aqueles outros então sugeridos. O apontamento aqui se mostra relevante, sobretudo porque, em que pese não se verificar, de fato, um item específico para a impugnação das questões apontadas (I glosa de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa da CSLL no 1o trimestre de 2006 e II omissão de receitas de vendas não declaradas no ano de 2007), os valores considerados como supostamente devidos a partir dessas verificações fiscais seriam diretamente decorrentes da manutenção do lançamento referente à aplicação da presunção de omissão de receitas (que é o ponto central da discussão mantida nos autos), sendo por ela diretamente atingida em caso de procedência das alegações, o que, por sua vez, impõe a consideração de inexistência de matéria nãoimpugnada no presente feito. Tais matérias, conforme se verifica da expressa menção constante do TVF, são aquelas indicadas no item 2.1 das razões fiscais, apresentadas, por sua vez, nos seguintes termos: 2.1) Valores do IRPJ e da CSLL devidos e não declarados em DCTF Nas verificações obrigatórias, contatamos divergências entre valores do IRPJ e da CSLL declarados nas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF's e os valores apurados pelo contribuinte em sua escrituração contábil e fiscal, conforme explicitadas a seguir: • IRPJ: valores devidos e não declarados em DCTF No anocalendário 2006, o contribuinte adotou a tributação com base no lucro real trimestral. Na escrituração contábil e no Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR) consta para o 2o trimestre de 2006 o valor de R$ 76.463,53do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) que não foi declarado em DCTF. No anocalendário 2007, o contribuinte adotou a tributação com base no lucro presumido. Na escrituração contábil e na DIPJ/2008 entregue constam para o 1o trimestre e 2° trimestre de 2007 os valores, respectivamente, de R$ 15.100,02 de R$ Fl. 581DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 15/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.003639/201055 Acórdão n.º 1301001.465 S1C3T1 Fl. 5 7 13.649,16 do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) que não foram declarados em DCTF. • CSLL: valores devidos e não declarados em DCTF No anocalendário 2006, o contribuinte adotou a tributação com base no lucro real trimestral. Na escrituração contábil e no "Cálculo da Contribuição Social" (integrante no LALUR) consta para o 2o trimestre de 2006 o valor de R$ 29.686,87 da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) que não foi declarado em DCTF. No anocalendário 2007, o contribuinte adotou a tributação com base no lucro presumido. Na escrituração contábil e na DIPJ/2008 entregue constam para o 1 o trimestre e 2° trimestre de 2007 os valores, respectivamente, de R$ 6.102,77 de R$ 5.793,13 da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) que não foram declarados em DCTF. Na tabela abaixo, estão os valores que serão lançados de ofício, por meio dos autos de infração integrantes do processo administrativofiscal n°. 19515.003640/201080. (...) As considerações apresentadas, conforme se verifica, referemse a apurações promovidas pelos agentes da fiscalização a partir de divergências nas informações prestadas pela própria contribuinte, não guardando, assim, relação direta com as considerações da fiscalização a respeito da omissão de receitas referentes aos depósitos bancários, de forma que, de fato, a seu respeito, a contribuinte não tecera qualquer consideração específica, sendo, portanto, inafastável a consideração de ausência de impugnação, da forma como considerado pela r. decisão de primeira instância. Rejeito, portanto, a consideração preliminar destacada pela recorrente. Das informações identificadas e a configuração da omissão de receitas Analisando as informações contidas nos autos, a primeira questão que chama a atenção, é o fato apontado pela contribuinterecorrente de que os valores mencionados encontravamse, sim, devidamente registrados em sua contabilidade, não se havendo falar, portanto, de forma alguma em “omissão de receitas”. De fato, a presunção aplicada pelos agentes da fiscalização partira da aplicação das disposições do art. 42 da Lei 9.430/96, que, em suas disposições, assim expressamente destaca: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, Fl. 582DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 15/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES 8 submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). (Vide Lei nº 9.481, de 1997) § 4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) No caso tratado nos autos, a fiscalização identificou a existência de diversos depósitos de valores que, ingressando nas contas da contribuinte, não eram refletidos em suas respectivas declarações fiscais, o que, então, foi objeto de diversas notificações especificamente a ela direcionadas e que, por sua vez, somente foram respondidas com a apresentação de extratos bancários, DRE’s e cópias de balanços patrimoniais, inexistindo nos autos, até a lavratura do Auto de Infração, qualquer informação a respeito da natureza dos referidos valores. Tal apontamento, por si só – a meu sentir , viabiliza a aplicação da presunção fiscal de omissão de receitas, tendo em vista que a contribuinte, apesar de devidamente intimada, em momento algum explicitou a natureza dos referidos montantes, somente o fazendo após a lavratura do auto de infração, nas superficiais razões apresentadas em sua impugnação. Em face dessas considerações, entendo que, no caso, competiria à contribuinte a apresentação das razões e fundamentos quando questionada pelas respectivas autoridades fiscais, ou ainda, não o fazendo, quando intimada dos termos do respectivo lançamento, apresentasse em sua impugnação (ou mesmo no presente Recurso Voluntário) elementos que comprovassem a veracidade de suas considerações, o que, entretanto, efetivamente não se verifica nos presentes autos. Veja, a esse respeito, o que apontam as disposições do TVF: Como mencionado, lavramos em 27/07/2010 o "Termo de Intimação Fiscal", intimando o contribuinte a comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados nas contas bancárias de sua titularidade. Decorrido o prazo Fl. 583DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 15/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.003639/201055 Acórdão n.º 1301001.465 S1C3T1 Fl. 6 9 concedido e não tendo sido apresentada qualquer comprovação, reintimamos o contribuinte por meio do "Termo de Reintimação Fiscal" lavrado em 13/09/2010. No entanto, mesmo após o contribuinte ter sido regularmente intimado e reintimado, ele não nos apresentou qualquer comprovação acerca da origem dos depósitos efetuados nas contas bancárias sua titularidade e discriminados nas planilhas anexas ao "Termo de Intimação Fiscal" lavrado em 27/07/2010. A previsão legal para consecução de exigências de natureza tributária com base em depósitos bancários de origem não comprovada, como no presente caso, está contida no caput do artigo 42 da Lei n° 9.430/96, in verbis: "Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.". Logo, não logrando o contribuinte comprovar a origem dos depósitos efetuados em sua conta bancária, temse a autorização legal para presumir que os recursos depositados traduzem receitas do contribuinte. Nas planilhas 1 a 12 (fls. 364 a 391), estão discriminados, para cada instituição financeira, os valores dos créditos bancários considerados, por presunção legal, receitas omitidas. Na planilha 13 (fl. 392) estão consolidados os totais mensais, de janeiro/2006 a dezembro/2007, dos valores constantes das planilhas 1 a 12. Na planilha 14 (fl. 393) estão descritos os valores das receitas escrituradas pelo contribuinte (fls. 357 a 363) e que, para fins da apuração das bases de cálculo dos impostos/contribuições devidos (IRPJ, CSLL, COFINS e PIS), devem ser deduzidos dos valores constantes da coluna "TOTAIS MENSAIS" da planilha 13. Essas diferenças constam da planilha 15 (coluna "DIFERENÇA A TRIBUTAR"), anexa fl. 394, que serão as bases de cálculo para o lançamento de ofício dos impostos/contribuições devidos com base em receitas omitidas por presunção legal. Diante dessas considerações, entendo que assiste razão aos agentes da fiscalização na aplicação da presunção legal de omissão de receitas, tendo em vista que, apesar de específica e regularmente intimada, a contribuinte não se teria desincumbido de seu ônus a respeito da comprovação da natureza dos referidos valores, atraindo, assim, a aplicação das disposições do Art. 42 da Lei 9.430/96, da forma como então efetivado. Em face dessas considerações, rejeito a pretensão de realização de perícia apresentada pela contribuinte, e, ainda, entendo escorreita a aplicação da presunção de omissão de receita ao caso apresentado, nos termos aqui considerados. Da definição adequada da base tributável, em se tratando de tributação pelo lucro presumido A par das considerações relativas à falta de demonstração da natureza dos valores créditos nas contas bancárias da recorrente, um outro ponto que chama a atenção em Fl. 584DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 15/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES 10 suas razões é aquela relativa à quantificação dos montantes devidos a partir da aplicação daquela presunção, o que, por sua vez, merece aqui então ser especificamente analisado. A respeito deste específico ponto, a contribuinte destaca a existência de erro na apuração promovida pelos agentes da fiscalização que, conforme aponta, teriam utilizado como base de cálculo para lançamento relativo ao período apurado com base no lucro presumido (2007) o percentual de 32% (trinta e dois por cento) sobre o montante das receitas apuradas como omitidas, ao passo que, por se tratar de específica empresa atuante no mercado atacadista de mercadorias, deveria ver a aplicação do percentual de apenas 8% (oito por cento), havendo, assim, indevida majoração no lançamento efetivado. Analisando as disposições do Termo de Verificação Fiscal, verifico que, especificamente a respeito deste ponto, assim destacam as autoridades fiscais, quando tratavam da “Tributação no anocalendário 2007”: Para o anocalendário 2007, o contribuinte adotou a tributação com base no lucro presumido. Tanto na Declaração Integrada de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ/2008 (fls. 64 a 75) entregue pelo contribuinte quanto na sua escrituração contábil (fls. 357 a 363), constatamos existirem receitas da atividade decorrentes de venda de mercadorias/produtos e de prestação de serviços. Para fins da apuração da base de cálculo do IRPJ, nos termos do artigo 15 da Lei n°. 9.249/95, deve ser aplicado o percentual de 8% (oito por cento) para a venda de mercadorias/produtos e o percentual de 32% (trinta e dois por cento) para a prestação de serviços. O §1° do artigo 24 da Lei n°. 9.249/95 dispõe que "no caso de pessoa jurídica com atividades diversificadas tributadas com base no lucro presumido ou arbitrado, não sendo possível a identificação da atividade a que se refere a receita omitida, esta será adicionada àquela a que corresponder o percentual mais elevado.". Como descrito no item 2.2 adiante, o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em contas bancárias de sua titularidade. Como, nesse caso, não é possível identificar a que atividade se refere a receita omitida (créditos bancários sem explicação da origem), ela deve ser adicionada à receita que corresponder ao percentual mais elevado, ou seja, o de 32%, decorrente de prestação de serviços. Em suas razões, a recorrente afirma que suas atividades estariam circunscritas, exclusivamente, à de comércio de mercadorias, sendo indevida, portanto, a eleição pela aplicação do percentual de 32% (trinta e dois por cento). Analisando os elementos contidos nos autos, verifico os termos da Consolidação do Contrato Social, realizada em outubro/2007 (fls. 11 e ss.), onde extraio a indicação das seguintes atividades como próprias da recorrente naquele ano: CLÁUSULA SEGUNDA: A sociedade tem por finalidade a: 1) A representação comercial por conta e ordem de terceiros; 2) A importação e exportação de mercadorias e produtos em geral, não exercendo a armazenagem de produtos por conta prória; 3) A participação inclusive acionária, em negócios ou outras empresas; 4) Comércio atacadista de outros equipamentos e artigos de uso pessoal e doméstico não especificados anteriormente; 5) Produção e promoção de eventos esportivos. Fl. 585DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 15/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.003639/201055 Acórdão n.º 1301001.465 S1C3T1 Fl. 7 11 Dessas disposições, ao contrário do que aponta a recorrente, não se vislumbra em suas atividades a exclusividade de exploração do comércio de mercadoriais, e, ainda, nos demais elementos contidos nos autos, não se verifica qualquer elemento que contradiga essa afirmação, de sorte que, não se podendo infirmar a qual atividade própria estaria vinculadas as referidas receitas omitidas, correta se verifica a sua apuração pela que possua o maior percentual entre aquelas possíveis (ou seja, 32%), não se podendo, assim, a partir das simples alegações apresentadas, desconstituir as razões alinhavadas pelos agentes da fiscalização. Rejeito, assim, também, a pretensão da contribuinte de anulação/correção do lançamento em relação a este ponto. Conclusão Em face de todas essas considerações, encaminho o meu voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário proposto, mantendose, assim, integralmente, a r. decisão proferida na primeira instância, e, por conseqüência, o lançamento a que ali se faz referência. É como voto. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator Fl. 586DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 15/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES
score : 1.0
Numero do processo: 10825.902155/2012-84
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2009
COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO AO PIS.
A partir do advento do art. 23, I e II, a, da Medida Provisória nº 1.858-6, de 26/06/1999 e reedições até a MP nº 2.158-35/2001, as receitas das cooperativas passaram a sofrer a incidência da contribuição ao PIS.
MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação.
PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 3803-005.827
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade negou-se provimento ao recurso. Os conselheiros Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis e Belchior Melo de Sousa votaram pelas conclusões.
(Assinado Digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
Jorge Victor Rodrigues - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Juliano Eduardo Lirani; Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues., João Alfredo Eduão Ferreira, e Corintho Oliveira Machado (Presidente).
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2009 COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO AO PIS. A partir do advento do art. 23, I e II, a, da Medida Provisória nº 1.858-6, de 26/06/1999 e reedições até a MP nº 2.158-35/2001, as receitas das cooperativas passaram a sofrer a incidência da contribuição ao PIS. MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72.
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INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO AO PIS. A partir do advento do art. 23, I e II, “a”, da Medida Provisória nº 1.8586, de 26/06/1999 e reedições até a MP nº 2.15835/2001, as receitas das cooperativas passaram a sofrer a incidência da contribuição ao PIS. MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade negouse provimento ao recurso. Os conselheiros Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis e Belchior Melo de Sousa votaram pelas conclusões. (Assinado Digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 90 21 55 /2 01 2- 84 Fl. 158DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 15/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Corintho Oliveira Machado Presidente. (Assinado Digitalmente) Jorge Victor Rodrigues Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Juliano Eduardo Lirani; Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues., João Alfredo Eduão Ferreira, e Corintho Oliveira Machado (Presidente). Relatório Sob a alegação de realização de pagamento a maior ou indevido de PIS/PASEP a contribuinte transmitiu Per/DComp em 30/11/2009, entretanto a compensação realizada restou não homologada, eis que por meio de despacho decisório eletrônico a autoridade administrativa declarou haver outros débitos e que o crédito informado foi integralmente utilizado para a quitação dos mesmos, não havendo saldo credor o suficiente para solver os débitos declarados na DComp aviada. Sobreveio a manifestação do inconformismo e com ela os argumentos de que: (i) a exigência da contribuição ao PIS foi restabelecida sob a égide da CF/88, notadamente nos termos do art. 2o, II, da Lei 9.715/98, sendo um ano após expressamente revogada em relação às entidades sem fins lucrativos, por meio da MP 1.85810/99, com a atual redação conferida pelo art. 93 da MP nº 2.15835/01, ainda assim algumas cooperativas permaneceram obrigadas ao recolhimento da contribuição ao PIS sobre a folha de salário, em vista de regra específica prevista no § 1º, do art. 2º, da Lei nº 9.715/98; (ii) a MP 2.15835/01 ao mesmo tempo em que revogou a exigência da contribuição ao PIS para as entidades sem fins lucrativos. Explicitou que as sociedades cooperativas de produção rural, contribuintes do PIS com base no faturamento, porém sujeitas às exclusões e deduções no art. 15 da referida MP, continuavam sujeitas à contribuição ao PIS com base na folha de salário, nos termos do seu art. 13; (iii) ratificando esse entendimento encontrase o art. 28 da IN SRF nº 635/06, que explicita quais as sociedades que continuam sujeitas a incidência da contribuição ao PIS com base na folha de salário, conforme se depreende da solução no processo de consulta nº 290/07; (iv) ainda que a redação do art. 15 da MP2.15835 seja genérica em relação às sociedades cooperativas e, portanto, não excetue as cooperativas de trabalho médico, isso não permite a conclusão de que essas cooperativas estariam entre as compreendias no alcance desse dispositivo, como também concluiu as autoridades fiscais, nos termos do art. 28 da IN SRF nº 635/06; (v) conclui aduzindo que se as sociedades cooperativas médicas não se sujeitam às exigências da contribuição ao PIS com base na folha de salários de seus empregados e, portanto, todo o recolhimento realizado a esse título deve ser entendido comore colhimento a Fl. 159DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 15/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10825.902155/201284 Acórdão n.º 3803005.827 S3TE03 Fl. 12 3 maior ou indevido e, logo, passível de ser recuperado. Requereu, ainda, a reforma do julgado de primeira instância, a procedência integral da declaração de compensação, com vista a legitimidade do crédito tributário e o reconhecimento da extinção dos débitos compensados no PER/DECOMP. A decisão prolatada pela 14ª Turma da DRJ/RPO, de 11/09/13 (fls. /) por meio do Acórdão nº 1444.645, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, para manter o crédito tributário exigível, nos termos da ementa adiante transcrita: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2009 DIREITO CREDITÓRIO. PROVA. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integralmente alocado na quitação de débitos confessados. O reconhecimento do direito creditório aproveitado em DCOMP não homologada requer a prova de sua existência e montante. Faltando ao conjunto probatório carreado aos autos elementos que permitam a verificação da existência de pagamento indevido ou a maior frente à legislação tributária, o direito creditório não pode ser admitido. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2009 FATURAMENTO E FOLHA DE SALÁRIOS. LEGALIDADE. Quando a sociedade cooperativa realiza as exclusões legais da base de cálculo do PIS Faturamento, é devido o PIS Folha concomitantemente, nos termos do art. 15, § 2º, da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, e do art. 32, § 4º, do Decreto nº 4.524, de 2002. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O voto condutor do acórdão adotou o pressuposto de que : (a) “Nos termos da regra consolidada na atual MP nº 2.15835, de 2001, a tributação das sociedades cooperativas segue a tributação das demais pessoas jurídicas em geral, calculando o PIS de acordo com o faturamento. No entanto, caso a cooperativa realize determinadas operações que não sofrem a incidência do PIS com base no faturamento, deverá, conforme disposição inscrita no art. 15, §2º, I da MP nº 2.15835, de 2001, apurar o PIS com base na folha de salários. Nesse caso, portanto, a cooperativa sujeitase cumulativamente à tributação com base no faturamento e com base na folha de pagamentos”. Consubstanciouse ainda no art. 13 da referida MP, e nos arts. 36 da MP 66/02; no art. 1º da MP nº 101/02, convertida na Lei nº 10.767/03; no art. 32 do Dec. 4.524/02 e nos arts. 9º e 33 da IN SRF nº 247/02. De acordo com os dispositivos mencionados não prevalece a tese de que as sociedades cooperativas outras que não de produção agropecuária, eletrificação rural, de Fl. 160DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 15/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 crédito e de transporte rodoviário, estariam fora do alcance do PIS sobre a folha de salários. E assim, nos períodos em que tenha procedido à exclusão das sobras líquidas da base de cálculo da contribuição, o PIS sobre a folha de pagamentos deve ser recolhido. Situação essa em que o sucesso da contribuinte em ver homologada a compensação declarada na primeira instância administrativa, condicionase à comprovação da liquidez e certeza do direito creditório, no caso, a de que não efetuou a exclusão em foco. No que se relaciona ao aspecto do elemento material de prova extraise excertos que sintetizam o posicionamento adotado pela decisão em questão, adiante: “Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte na DCOMP foi realizada também de forma eletrônica, cotejando os com os demais por ela informados à Receita Federal em outras declarações (DCTFs, DIPJ, etc), bem como com outras bases de dados desse órgão (pagamentos, etc), tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, embora localizado o pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente fora utilizado para a extinção anterior de débito confessado pela interessada. Assim o exame das declarações prestadas pela própria interessada à Administração Tributária revela que o crédito utilizado na compensação declarada não existia.” De acordo com o Termo de Ciência por decurso de prazo, a data de disponibilização na caixa postal da contribuinte da decisão contida no Acórdão nº 1444.645, foi em 20/09/2013. Com isso a data da ciência se deu em 05/10/2013. O Termo de Solicitação de Juntada de recurso voluntário foi registrada pela repartição preparadora em 01/11/13. Ciente da decisão contida no acórdão retromencionado a contribuinte irresignada, em sede de recurso voluntário, reiterou de forma minudente acerca das razões de defesa apresentadas na exordial. Ressaltou que a MP 2.15835/01, em seu artigo 13, explicitou quais os tipos de entidades que se sujeitavam à contribuição ao PIS, calculada sobre a folha de salários, bem assim que as sociedades cooperativas não foram contempladas, de acordo com o elenco formulado nesse artigo, como o foram às Organizações das Cooperativas – OCB e as Organizações estaduais de Cooperativas, nos termos do inciso I, do art. 13, da MP nº 2.158 35/01, que não se identifica com as sociedades cooperativas propriamente ditas. Mencionou que na mesma senda segue o § 2º e incisos I a IV, do art. 15 dessa MP, eis que as cooperativas de trabalho médico não praticam as operações descritas nesses incisos do confuso enunciado do referido artigo da MP correspondente. Aduziu ademais disso que o art. 28 da IN SRF 635/06 identifica quais sociedades cooperativas se sujeitam à incidência da contribuição ao PIS com base na folha de Fl. 161DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 15/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10825.902155/201284 Acórdão n.º 3803005.827 S3TE03 Fl. 13 5 salário, ou seja, as sociedades sujeitas às exclusões previstas no art. 15 da MP 2.15835/01,bem assim que a resposta à Consulta 290/07 ratifica este entendimento. Requer ao final o integral provimento do recurso, protestando pela apresentação de memoriais e sustentação oral das razões aduzidas. É relatório. Voto Conselheiro Relator Conselheiro Jorge Victor Rodrigues Relator O recurso é tempestivo e preenche os pressupostos de admissibilidade, dele conheço. Duas foram às questões devolvidas para apreciação pelo Tribunal ad quem, a saber: (i) a verificação da certeza e liquidez do direito creditório alegado pela Recorrente; e (ii) a tributação das sociedades cooperadas de trabalho médico pelo PIS. O exame acerca da primeira questão resta prejudicado, eis que nenhum documento contábil ou fiscal hábil e idôneo foi colacionado aos autos, com o fim de corroborar as assertivas formuladas na exordial, ou mesmo no apelo sob exame, o que se faz em respeito aos dispositivos contidos no artigo 16 do Decreto nº 70.235/72, caput e § 4º. É cediço que quando da apresentação de Per/DComp à repartição fiscal, por se tratar de iniciativa do próprio contribuinte, cabe ao transmitente o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado em valores superiores ao débito informado na DComp. Por sua vez à autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. Resta, então, o enfrentamento da questão relacionada à tributação das sociedades cooperadas pelo PIS. O hodierno ordenamento jurídico tem a sua gênese na Constituição Cidadã de 1988. O seu artigo 146, III, ‘C’, dispõe que cabe à lei complementar estabelecer normas gerais me matéria de legislação tributária, especialmente sobre: adequado tratamento tributário ao ato cooperativo praticado pelas sociedades cooperativas. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 15/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 A Lei nº 5.764/71, que definiu a Política Nacional de Cooperativismo e instituiu o regime jurídico das cooperativas, por meio do seu artigo 4º, já havia atribuído à definição legal de “cooperativas”, como sendo: Art. 4º. As cooperativas são sociedades de pessoas, como forma e natureza jurídica próprias, de natureza civil, não sujeitas à falência, constituídas para prestar serviços aos associados, distinguindose das demais sociedades pelas seguintes características: (...); VII – retorno das sobras líquidas do exercício, proporcionalmente às operações realizadas pelo associado, salvo deliberação em contrário da Assembléia Geral. Adiante, no caput e no parágrafo único do artigo 79 do mesmo mandamus, adveio a definição e a funcionalidade de “atos cooperativos”. Em outras palavras são tais atos jurídicos que criam, mantém ou extinguem relações cooperativas, não implicando, necessariamente, em atos de mercado. Acerca da tributação do PIS e da COFINS, inicialmente, foi a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, considerada isenta por força do disposto no caput e inciso I do art. 6º, da LC nº 70/91, instituidora da Cofins. Entretanto, com o advento da MP nº 1.8586/99, por meio de seu artigo 23, foram os incisos I e III do artigo 6º da LC nº 70/91, revogados. Ocorre que essa revogação se manteve por meio da MP nº 66/02 e também pela Lei nº 10.637/02, por meio dos seus artigos 1º e 2º, que atualmente regula esta matéria (cobrança do PIS/PASEP, cuja base de cálculo é o valor do faturamento). Do mesmo modo ocorreu com o PIS, cujas cooperativas estão sujeitas ao pagamento desse tributo, seja sobre a folha de salários, mediante a aplicação de alíquota de 1% sobre a folha de pagamento mensal de seus empregados. A outra forma de tributação incide sobre a receita bruta, mediante a alíquota de 0,65% (a partir de 01/11/1999, data fixada pelo Ato Declaratório SRF nº 88/99), com exclusões da base de cálculo prevista pela MP 2.11327/01, ou mesmo de acordo com a MP 107, com as exclusões da base de cálculo, de acordo com o disposto também no artigo 15 da MP 2.113 27/01. Por força do contido na Lei nº 10.637/02, a partir de 01/12/02, a alíquota do PIS foi majorada para 1,65%. Destarte, por meio da MP 107/03, de 10/022003, a alíquota do PIS que houvera sido majorada, retorna ao seu valor original de 0,65%, inclusive para as sociedades cooperativas. Foi a partir da MP nº 2.11329, de 27/03/01, DOU de 28/03/01, de suas reedições e alterações posteriores, até a MP 2.15835/01, através de suas disposições que se Fl. 163DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 15/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10825.902155/201284 Acórdão n.º 3803005.827 S3TE03 Fl. 14 7 tornou possível para as sociedades cooperativas a exclusão da base de cálculo do PIS e da Cofins, de valores mencionados no artigo 15 desta MP, isto uma vez observado o disposto nos artigos 2º e 3º da Lei nº 9.718/98. Portanto, a base de cálculo para as contribuições para o PIS e a Cofins, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, é o faturamento, correspondente à receita bruta. A respeito da exclusão de valores da base de cálculo do PIS e da Cofins das cooperativas vale mencionar as disposições da MP nº 101/02, litteris: Art. 1º. As sociedades cooperativas também poderão excluir da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, sem prejuízo do disposto no art. 15 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, as sobras apuradas na Demonstração de Resultado do Exercício, antes da destinação para a constituição do Fundo de Reserva e do Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social, previstos no art. 28 da Lei nº 5.764, de 16 de dezembro de 1971. § 1º. Omissis. § 3º O disposto neste artigo alcança os fatos geradores ocorridos a partir da vigência da Medida Provisória nº 1.85810, de 26 de outubro de 1999. Portanto, seja sob a ótica da MP nº 2.15835/01, ou segundo os dispositivos contidos na MP nº 101/02, posteriormente convertida na Lei 10.767/02 e, observados o disposto nos artigos 2º e 3º da Lei nº 9.718/98, o que se percebe nitidamente, é a possibilidade de exclusão de elementos da base de cálculo do PIS e da Cofins, para as sociedades cooperativas. Confirase: Art. 1° Esta Lei aplicase no âmbito da legislação tributária federal, relativamente às contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP e à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, de que tratam o art. 239 da Constituição e a Lei Complementar n° 70, de 30 de dezembro de 1991, ao Imposto sobre a Renda e ao Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguro, ou relativos a Títulos ou Valores Mobiliários IOF. Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001). Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) Fl. 164DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 15/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 (...); § 9o Na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, as operadoras de planos de assistência à saúde poderão deduzir: (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) I coresponsabilidades cedidas; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) II a parcela das contraprestações pecuniárias destinada à constituição de provisões técnicas; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) III o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades. (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001). (Grifei). De outra parte assim se pronunciou a Solução de Consulta COSIT nº 06, de 8 de novembro de 2010 (ação judicial): EMENTA: O disposto no inciso III do § 9º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, com a redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, não permite que as operadoras de planos de assistência à saúde deduzam da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep as despesas e custos operacionais relacionados com os atendimentos médicos realizados em seus próprios beneficiários (clientes), por meio de estabelecimento próprio ou pela rede conveniada/credenciada de profissionais e empresas da área de saúde, visto que tais contribuições incidem sobre o faturamento (receita bruta) mensal e não sobre o resultado. O inciso III do § 9º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, somente autoriza as operadoras de planos de assistência à saúde a deduzirem da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep o valor correspondente às indenizações efetivamente pagas por uma operadora, referente aos atendimentos médicos efetuados em beneficiários (clientes) pertencentes à outra operadora de plano de assistência à saúde, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidade. O Poder Judiciário, aqui representado pelos Tribunais Superiores, também não se omitiu quando provocado a se pronunciar a respeito da tributação do PIS/PASEP e da Cofins, senão vejamos: O Julgamento da Questão no STJ – Sistemática do Recurso Repetitivo: RECURSO ESPECIAL Nº 1.164.716 MG (2009/02107185) RELATOR : MINISTRO LUIZ FUX RECORRENTE : FAZENDA NACIONAL PROCURADOR : PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL RECORRIDO : COOPERATIVA DOS INSTRUTORES DE FORMAÇÃO PROFISSIONAL E PROMOÇÃO SOCIAL RURAL LTDA COOPIFOR Fl. 165DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 15/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10825.902155/201284 Acórdão n.º 3803005.827 S3TE03 Fl. 15 9 ADVOGADO : CAMILA COLARES SANTANA E OUTRO(S) DECISÃO (...) impõese, da mesma forma, a submissão do presente apelo extremo como representativo da controvérsia atinente à incidência da contribuição destinada ao PIS e da COFINS sobre a receita oriunda de atos cooperativos típicos realizados pelas cooperativas, à luz do disposto no artigo 79, parágrafo único, da Lei 5.764/71, a fim de se prevenir eventual óbice de conhecimento. (...) Brasília (DF), 24 de fevereiro de 2010. A discussão realizada pelo Supremo Tribunal Federal ainda não chegou a termo, entretanto o reconhecimento da repercussão geral a respeito do tema ora sob exame, já ocorreu. Confirase: REPERCUSSÃO GERAL EM RE N.672.215CE RELATOR: MIN. JOAQUIM BARBOSA EMENTA: TRIBUTÁRIO. INCIDÊNCIA DA COFINS, DA CONTRIBUIÇÃO AO PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL E DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE O LUCRO LÍQUIDO SOBRE O PRODUTO DE ATO COOPERADO OU COOPERATIVO. DISTINÇÃO ENTRE “ATO COOPERADO TÍPICO” E “ATO COOPERADO ATÍPICO”. CONCEITOS CONSTITUCIONAIS DE “ATO COOPERATIVO”, “RECEITA DE ATIVIDADE COOPERATIVA” E “COOPERADO”. COOPERATIVA DE SERVIÇOS MÉDICOS. VALORES PAGOS POR TERCEIROS À COOPERATIVA POR SERVIÇOS PRESTADOS PELOS COOPERADOS. LEIS 5.764/1971, 7.689/1988, 9.718/1998 E 10.833/2003. ARTS. 146, III, c, 194, par. ún., V, 195, caput, e I, a, b e c e § 7º e 239 DA CONSTITUIÇÃO. Tem repercussão geral a discussão sobre a incidência da Cofins, do PIS e da CSLL sobre o produto de ato cooperativo, por violação dos conceitos constitucionais de “ato cooperado”, “receita da atividade cooperativa” e “cooperado”. Discussão que se dá sem prejuízo do exame da constitucionalidade da revogação, por lei ordinária ou medida provisória, de isenção, concedida por lei complementar (RE 598.085RG), bem como da “possibilidade da incidência da contribuição para o PIS sobre os atos cooperativos, tendo em vista o disposto na Medida Provisória nº 2.158 33, originariamente editada sob o nº 1.8586, e nas Leis nºs 9.715 e 9.718, ambas de1998” (RE 599.362 RG, Rel. Min. Dias Toffoli). Como visto ainda não se vislumbra nos textos normativos, nem jurisprudenciais, a hipótese de isenção ou de não incidência tributária para as cooperativas. Tampouco de distinção entre cooperativas de trabalho médico, de crédito, enfim, entre as demais modalidades de sociedades cooperativas. Concluise, por conseguinte que, do texto legal, onde o legislador não faz distinção, não cabe ao operador do direito fazêlo, tampouco ao intérprete da lei. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 15/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 10 O PIS sobre a folha de pagamento constitui uma obrigação tributária principal devida por todas as entidades sem fins lucrativos, classificadas como Isentas, Imunes ou Dispensadas, e calculado sobre a folha de pagamento de salários, à alíquota de 1%. Quanto ao requerido pela Recorrente, no sentido de que o PIS/folha de pagamento não é cabível, portanto poderia ser compensado com tais débitos, considero inadequado o seu pedido. Isto porque ao manifestar o seu inconformismo a ora Recorrente destacou que a MP 2.15835/01 ao mesmo tempo em que revogou a exigência da contribuição ao PIS para as entidades sem fins lucrativos, explicitou que as sociedades cooperativas de produção rural, contribuintes do PIS com base no faturamento, porém sujeitas às exclusões e deduções no art. 15 da referida MP, continuavam sujeitas à contribuição ao PIS com base na folha de salário, nos termos do seu art. 13. Tema este reiterado no recurso voluntário. Há um equívoco nas assertivas formuladas pela Recorrente quanto à revogação da exigência da contribuição ao PIS para as entidades sem fins lucrativos, pela MP nº 2.158 35/01. Diversamente, com o advento dessa medida provisória tornouse concreta a possibilidade de exclusão de elementos previstos na legislação de regência, da base de cálculo do PIS e da Cofins, isto em conformidade com o disposto nos artigos 2º e 3º da Lei nº 9.718/98. E mais, a Recorrente foi além ao mencionar que ratificando esse entendimento encontrase o art. 28 da IN SRF nº 635/06, que explicita quais as sociedades que continuam sujeitas a incidência da contribuição ao PIS com base na folha de salário, conforme se depreende da solução no processo de consulta nº 290/07; O fato de o art. 28 não relacionar expressamente a sociedade cooperativa de trabalho médico dentre aquelas cujo fato gerador para o PIS/PASEP incide sobre a folha de salários no percentual de 1%, não autoriza o contribuinte a dela se eximir, como se imune ou isenta fosse, o que não corresponde ao disposto nos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718/98, posto que as deduções permitidas em lei, se faz em observância desses dois artigos suso citados. O rol das exclusões mencionados no art. 15 da MP 2.15835/01, aplicável ao caso em comento, não é exaustivo, ou mesmo conclusivo, como também não o é aquele constante do artigo 28 da IN SRF nº 635/06, DOU de 17/04/2006, e ambos ensejam a incidência do PIS/Folha. Isto posto oriento o meu voto pelo não provimento do recurso voluntário. É como voto. Sala de sessões em 25 de março de 2014. Jorge Victor Rodrigues Relator Relator Relator Fl. 167DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 15/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10825.902155/201284 Acórdão n.º 3803005.827 S3TE03 Fl. 16 11 Fl. 168DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 15/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 13971.720067/2008-94
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006
NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO.
Insumos, para fins de creditamento da Contribuição Social não-cumulativa, são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade empresária, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes.
Lixa para madeira e lubrificantes, no contexto do processo produtivo da fabricação de móveis e artefatos de madeira, são insumos que ensejam a tomada de créditos sobre o valor dos respectivos gastos.
NÃO CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO DE BENS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DA CONTRIBUIÇÃO. CRÉDITOS. VEDAÇÃO
Não há direito à tomada de crédito na aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição.
NÃO CUMULATIVIDADE. FRETE E DESPESAS DE ARMAZENAGEM NAS OPERAÇÕES DE VENDA. EXTENSÃO.
As operações de movimentação de contêiner cheio; serviço de fumigação de pallets; despesas com capatazia e reembolso de CPMF; movimentação de embarcação; transporte de contêineres vazios e devolução dos mesmo para o exportador; descarga de contêineres; vistoria de contêineres; handling de contêineres; unitização e desunitização de contêineres e uso de pátio não estão abrangidos no conceito de armazenagem e tampouco podem ser concebidas como etapa do frete nas operações de venda, razão pela qual os respectivos gastos não ensejam o creditamento da contribuição.
NÃO CUMULATIVIDADE. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ABONO DE JUROS.
O ressarcimento de saldos credores da contribuição social não cumulativa não enseja atualização monetária nem juros sobre os respectivos valores.
Embargos Acolhidos
Recurso Voluntário Provido em Parte
Direito Creditório Reconhecido em Parte
Numero da decisão: 3403-003.198
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para retificar o resultado do julgamento no acórdão embargado, que passa a ser o seguinte: Por unanimidade de votos, deu-se provimento parcial ao recurso para o efeito de reverter a glosa das aquisições documentadas pelas NFs 26.686, de 07/11/2006, de emissão de Adefitas 3M Geflis Fernandes (cópia na fl. 944), no valor de R$ 340,50, e nº 117.095, de 08/12/2006, emitida por Schrader Comércio E Representações Ltda. (cópia na fl. 948), quanto ao item referente ao lubrificante MÓBIL GS 333 PLUS (20L), no valor de R$ 363,00., nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Relator
Participaram do julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
Nome do relator: Alexandre Kern
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COMPROVAÇÃO. DOCUMENTAÇÃO. A escrituração de créditos pelo contribuinte deve ser feita à luz de documentação hábil e idônea, contendo informações mínimas que assegurem sua liquidez e certeza. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos, para fins de creditamento da Contribuição Social nãocumulativa, são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade empresária, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. Lixa para madeira e lubrificantes, no contexto do processo produtivo da fabricação de móveis e artefatos de madeira, são insumos que ensejam a tomada de créditos sobre o valor dos respectivos gastos. NÃO CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO DE BENS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DA CONTRIBUIÇÃO. CRÉDITOS. VEDAÇÃO Não há direito à tomada de crédito na aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. NÃO CUMULATIVIDADE. FRETE E DESPESAS DE ARMAZENAGEM NAS OPERAÇÕES DE VENDA. EXTENSÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 00 67 /2 00 8- 94 Fl. 1021DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN 2 As operações de movimentação de contêiner cheio; serviço de fumigação de pallets; despesas com capatazia e reembolso de CPMF; movimentação de embarcação; transporte de contêineres vazios e devolução dos mesmo para o exportador; descarga de contêineres; vistoria de contêineres; handling de contêineres; unitização e desunitização de contêineres e uso de pátio não estão abrangidos no conceito de armazenagem e tampouco podem ser concebidas como etapa do frete nas operações de venda, razão pela qual os respectivos gastos não ensejam o creditamento da contribuição. NÃO CUMULATIVIDADE. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ABONO DE JUROS. O ressarcimento de saldos credores da contribuição social não cumulativa não enseja atualização monetária nem juros sobre os respectivos valores. Embargos Acolhidos Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para retificar o resultado do julgamento no acórdão embargado, que passa a ser o seguinte: “Por unanimidade de votos, deuse provimento parcial ao recurso para o efeito de reverter a glosa das aquisições documentadas pelas NFs 26.686, de 07/11/2006, de emissão de Adefitas 3M Geflis Fernandes (cópia na fl. 944), no valor de R$ 340,50, e nº 117.095, de 08/12/2006, emitida por Schrader Comércio E Representações Ltda. (cópia na fl. 948), quanto ao item referente ao lubrificante MÓBIL GS 333 PLUS (20L), no valor de R$ 363,00.”, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern Relator Participaram do julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. Relatório SCHMITZ AGROINDUSTRIAL LTDA. transmitiu, em 05/03/2007, o Pedido Eletrônico de Restituição/Ressarcimento PER nº .10411.96691.050307.1.1.092546, de créditos de COFINS, relativo ao quarto trimestre de 2006, no valor de R$ 112.916,49. Com base no Parecer SAORT/DRF/Blumenau nº 180/08 (fls. 876 a 912), emitiuse o Despacho Decisório de fls. 913, deferindo parcialmente o direito creditório no valor de R$ 107.665,83, a título de mercado externo, correspondente ao saldo remanescente após as deduções apuradas em cada mês do trimestre e das glosas realizadas no curso da análise do processo. A glosa, no valor de R$ 5.250,66, deveuse ao creditamento indevido do valor de: Fl. 1022DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13971.720067/200894 Acórdão n.º 3403003.198 S3C4T3 Fl. 1.022 3 aquisições efetuadas com suspensão da contribuição, visto que a respectiva planilha dos produtos adquiridos, no cotejo com o arquivo digital contendo os registros das notas fiscais de entradas, se constatou que 2 (duas) das notas (3.492 e 26.686), nos valores de R$ 184,00 e R$ 340,50, foram incluídas no arquivo LRE — Livro de Registro de Entradas com a indicação de crédito da contribuição; aquisições não reconhecidas como matérias primas, produtos intermediários, materiais de embalagem ou insumos, conforme análise das notas fiscais (CFOP 1.556 e 2.556), em que se verificou a inclusão de diversos itens não enquadráveis para fins de desconto de créditos, tais como partes e peças de manutenção utilizadas em veículos automotores não inseridos no processo produtivo, bebedouro, cuba de pia, porta, impressos, cortador de grama e enfeites natalinos, também não utilizados no processo produtivo; matériasprimas não adquiridas, conforme notas fiscais (6), que se referem à entrada de madeira de desbaste, oriundas de produção própria e escrituradas com o CFOP 1.101, com o computo de crédito da contribuição; aquisições a pessoas físicas, relativas a aquisições de toras de pinus de produtores rurais pessoa física; despesas descritas como armazenagem e frete na operação de venda com a inclusão de "outras despesas", que, em síntese, se referem a serviços portuários relacionados a contêineres, tais como unitização, desunitização, posicionamento, fumigação, remoção, movimentação e agenciamento, despesas estas glosadas por não se tratarem de armazenagem ou frete, não tendo amparo legal que possibilite o desconto dos créditos; despesas de depreciação de gerador arrendado que foi indevidamente incluído na base de cálculo. Em Manifestação de Inconformidade de fls. 928 a 937, o interessado contesta as glosas com os seguintes argumentos: I. Glosa das aquisições de bens com suspensão: Alega que a nota fiscal nº 26.686, de 07/11/2006, com entrada em 08/11/2006, no valor de R$ 340,50, que foi objeto de glosa não apresentam o regime suspensivo amparado pelo Ato Declaratório Executivo nº 5 de 1° de abril de 2005. II. Glosas com aquisições não reconhecidas como matérias primas, materiais de embalagem e não enquadradas no conceito de insumo: quanto aos insumos escriturados com CFOP 1.556 e 2.556, alega que foram realizadas glosas sobre custos e bens de pequeno valor e de manutenção de máquinas e equipamentos, lubrificantes e outros materiais que são utilizados na produção e que estão em conformidade com as soluções de consulta e divergência apresentadas no despacho decisório; relaciona os vários fornecedores, as respectivas notas fiscais de aquisições, os materiais e/ou equipamentos a que se referem e a sua utilização; III. Glosas com aquisições de serviços portuários não enquadrados como despesas de armazenagem e fretes na operação de venda: alega que a restrição contida no despacho decisório com serviços portuários relacionados a contêineres, tais como unitização, desunitização, posicionamento, fumigação, remoção, movimentação e agenciamento: Fl. 1023DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN 4 i. Dos serviços de fumigação: alega, em síntese, que é o tratamento químico que se dá à madeira para evitar a proliferação de pragas ou a formação de bolor ou mofo; e que tal processo é necessário, visto os produtos serem em madeira, com paletização em madeira de eucalipto. Alega, ainda, que a equivocada informação deste processo como despesas de armazenagem se deu pelo fato de que este serviço é terceirizado, realizado pela Empresa Austrasul, diretamente nos produtos já dentro dos contêineres. Reitera serem serviços/insumos aplicados diretamente nos produtos. ii. Das despesas de capatazia;, alega que as despesas de transporte de contêiner, tais como unitização/desunitização e respectivo uso de pátio, movimentação e posicionamento de contêiner, remoção para mudança de navio, não consideradas no despacho decisório, são despesas necessárias para o efetivo embarque das mercadorias; que são suportadas pelo requerente; que são uma continuidade do frete nas unidades industriais da requerente até o seu destino final; e que são pagas a empresas domiciliadas no país, cujas atividades são de serviços de transporte rodoviário, armazéns gerais e depósitos de mercadoria para terceiros. Requer a aplicação dos índices de correção monetária sobre os créditos requeridos administrativamente, com base na Taxa Selic, da data do protocolo do pedido até a data do efetivo ressarcimento e/ou compensação. A 4ª Turma da DRJ/FNS julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente. O Acórdão nº 07020.200, de 11 de junho de 2010, fls. 988 a 997, teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2006 INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. INSUMOS. Para efeito da nãocumulatividade das contribuições, há de se entender o conceito de insumo não de forma genérica, atrelando o à necessidade na fabricação do produto e na consecução de sua atividadefim (conceito econômico), mas adstrito ao que determina a legislação tributária (conceito jurídico), vinculando a caracterização do insumo à sua aplicação direta ao produto fabricado. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO, COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE Fl. 1024DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13971.720067/200894 Acórdão n.º 3403003.198 S3C4T3 Fl. 1.023 5 No âmbito específico dos pedidos. de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 CORREÇÃO MONETÁRIA. JUROS DE MORA. Os dispositivos legais em vigor relativos aos créditos de não cumulatividade afastam expressamente a aplicação de juros compensatórios no ressarcimento de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, bem como na compensação de referidos créditos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Sobreveio recurso voluntário contra a decisão da 4ª Turma da DRJ/FNS. O arrazoado de fls. 999 a 1.013, após síntese dos fatos relacionados com a lide, retoma a contestação das glosas. a. Das aquisições com suspensão, em que alega ter havido um equívoco por parte do Fisco, visto que este teria glosado o valor da nota fiscal nº 26.686, emitida por Adefitas 3M, com entrada em 08/l l/2006, no valor de R$ 340,50, argumento não acolhido pela decisão recorrida porque a referida NF não teria sido juntada, razão pela qual o faz no recurso; Descreve a Correia 25lU 0l20x6700 GR 080" tratase de material abrasivo tipo “lixa", utilizado no processo produtivo em contato direto com os produtos (lixar madeira). b. Das aquisições não reconhecidas como matériasprimas, produtos intermediários, matérias de embalagens e insumos, insistindo no caráter de insumo dos itens glosados: • Aquisição ao fornecedor ”Empiblu" ref. NF l0.ó85, que se refere a peças para manutenção de empilhadeiras utilizadas na movimentação madeiras e produtos; • Aquisição ao fornecedor "Schrader" ref. NF 117.095, que se refere a lubrificantes e filtros utilizados por máquinas e equipamentos na produção, os quais conforme o uso e desgaste necessitam de substituição, no caso dos filtros, e complementos no caso dos lubrificantes; • Aquisição ao fornecedor "Coremma Ltda" ref. NF 649.971, que se refere a material utilizado na manutenção de empilhadeiras utilizadas na movimentação de madeiras e produtos; • Aquisição ao fornecedor "Dimarol" ref. NF 23.965, que se refere a aquisição de engrenagens e correntes utilizadas nas máquinas de serraria, em função do desgaste durante o processo produtivo. Fl. 1025DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN 6 c. Das despesas de serviços de fumigação em contêiner, capatazia e armazenagem: i. Fumigação: insiste no caráter de insumo do serviço, enquanto tratamento químico que se dá a madeira, a fim de evitar a proliferação de pragas como brocas e cupins, e para evitar a formação de bolor ou mofo nos produtos, e que o fato de não ser realizado dentro das dependências da recorrente não retira o serviço da cadeia produtiva. ii. Despesas de capatazia, transporte de contêiner, tais como unitização/desunitização e respectivo uso de pátio, movimentação e posicionamento de contêiner, remoção para mudança de navio, ocorrem devido a estadia dos contêineres entre o dia em que estes chegam ao porto e o dia de embarque no navio, constituindose, em verdade, na movimentação da armazenagem temporária dos contêineres em local seguro e apropriado. Pugna por que seja consideradas como continuidade do frete das unidades industriais da recorrente até o seu destino final. Pede ainda a atualização dos créditos pela taxa Selic ou outro índice a ser determinado, entre a data do protocolo do pedido de ressarcimento e data das compensações promovidas pela Recorrente, às compensações de ofício, e a data do ressarcimento em espécie. Pede provimento. O presente processo foi distribuído ao relator, em 07/03/2014, para que fosse julgado em conjunto com o processo nº 13971.720064/200851, na forma prevista no § 7º do art. 49 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 – RI/CARF, com as alterações introduzidas pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010–DOU de 22.12.2010. O recurso foi julgado pela 3º TO da 4ª Câmara na sessão de 22 de julho de 2014 e o Colegiado, por unanimidade de votos, deulhe provimento parcial. O resultado do julgamento consignado na Ata respectiva foi: Por unanimidade de votos, deuse provimento parcial ao recurso para o efeito de reverter as glosas das aquisições representadas pelas notas fiscais de entrada escrituradas com o CFOP 1.653. Ausente momentaneamente o Conselheiro Ivan Allegretti. Todavia, compulsando o dispositivo do voto condutor do Acórdão, abaixo reproduzido, constatei que o mesmo discrepava do resultado do julgamento assentado na Ata: À vista do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso para o efeito de reverter a glosa das aquisições documentadas pelas NFs 26.686, de 07/11/2006, de emissão de Adefitas 3M Geflis Fernandes (cópia na fl. 944), no valor de R$ 340,50, e nº 117.095, de 08/12/2006, emitida por Schrader Comércio E Representações Ltda. (cópia na fl. 948), quanto ao item referente ao lubrificante MÓBIL GS 333 PLUS (20L), no valor de R$ 363,00. Fl. 1026DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13971.720067/200894 Acórdão n.º 3403003.198 S3C4T3 Fl. 1.024 7 Em face dessa obscuridade, invocase o art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 – RI/CARF, com as alterações introduzidas pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010–DOU de 22.12.2010, para que o Colegiado aprecie e saneie o vício. O processo administrativo correspondente foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração digitalmente estabelecida. É o Relatório. Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator ADMISSIBILIDADE A discrepância entre o dispositivo do voto condutor do Acórdão embargado e o resultado do julgamento constante da Ata (e, portanto, do próprio acórdão da decisão recorrida) é vício que reclama saneamento pela via dos aclaratórios previstos no art. 65 do RI CARF. MÉRITO Com efeito, o voto condutor da decisão embargada assim dispôs: Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 999 a 1.013 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJFNS4ª Turma nº 07 020.200, de 11 de junho de 2010. Matérias controvertidas Devolveuse a esta instância recursal o mérito das glosas da base de cálculo dos créditos da contribuição do valor (i) das aquisições de itens que escapam do conceito de insumo e (ii) com suspensão da contribuição; (iii) dos serviços portuários e; (iv) e do acréscimo de juros Selic ao valor do ressarcimento. Conceito de insumo adotado neste voto Já está pacificado nesta 3ª Turma Ordinária o entendimento de que o conceito de insumo para o fim de creditamento das contribuições sociais não cumulativas é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e “serviços” que integram o custo de produção. Particularmente, entendo ainda mais apropriado a especificidade do conceito deduzido na jurisprudência do STJ, plasmado no REsp 1.246.317MG, Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 16.06.2011, segundo o qual (sublinhado no original): Insumos, para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003 são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o Fl. 1027DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN 8 processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. O Min. Campbell Marques extraiu o que há de nuclear na definição de insumo para tal fim: 1º O bem ou serviço tenha sido adquirido para ser utilizado na prestação do serviço ou na produção, ou para viabilizálos (pertinência ao processo produtivo); 2º A produção ou prestação do serviço dependa daquela aquisição (essencialidade ao processo produtivo); e 3º Não se faz necessário o consumo do bem ou a prestação do serviço em contato direto com o produto (possibilidade de emprego indireto no processo produtivo). Com esse conceito em vista, passemos à análise do caso concreto. Compulsando os autos, não logrei encontrar descrição do processo produtivo da ora recorrente. Todavia, de acordo com a Cláusula Segunda do Contrato Social Consolidado (cópia na fl. 861), constato que constituemse objetos da sociedade a fabricação de móveis e artefatos de madeira; a produção e comercialização de conservas de legumes, tubérculos, vagens, frutas , hortaliças folhosas, palmitos e outros vegetais; atividade agroindustrial de plantio de hortaliças, especiarias hortícolas condimentares e frutas; produção e comercialização do xaropes e sucos naturais de frutas; produção e comercialização de briquetes de madeira e compostagem orgânica de resíduos e cascas de pinus, eucalipto e outras madeiras; atividade agroindustrial de plantio, reflorestamento e extração de toras para posterior industrialização; transporte rodoviário de cargas e a participação em outras sociedades. Ao mérito das glosas. Glosa das aquisições não reconhecidas como matériasprimas, produtos intermediários, matérias de embalagens e insumos A maioria das glosas relacionadas referese a partes e peças e material para manutenção de tratores, empilhadeiras, máquinas e equipamentos, itens de ativação obrigatória, já beneficiados com a possibilidade de creditamento com base nas despesas de depreciação. Deferir o creditamento sobre os gastos com esses itens a título de insumo, como pretende a recorrente, significaria beneficiamento dúplice, o que não se admite. A insurgência contra a glosa da aquisição do lubrificante MÓBIL GS 333 PLUS (20L), no valor de R$ 363,00, documentada pela nota fiscal nº 117.095, emitida por Schrader Comércio E Representações Ltda. (cópia na fl. 948), todavia, é procedente. Tratase de item cuja aquisição enseja a tomada de crédito, cfe. o inc. II do art. 3° da Lei de Regência. Revertase portanto essa glosa. Glosas de aquisições efetuadas com suspensão da contribuição As glosas, neste ponto, referemse às aquisições documentadas pelas NFs 3.492 e 26.686, tidas pela Fiscalização como cursadas com o benefício do regime suspensivo amparado pelo Ato Declaratório Executivo nº 5, de 30 de março de 2005, publicado no Diário Oficial da União de 1° de abril do mesmo ano. Fl. 1028DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13971.720067/200894 Acórdão n.º 3403003.198 S3C4T3 Fl. 1.025 9 Enquanto manifestante, o contribuinte explicou que a glosa da aquisição documentada pela NF nº 26.686, de 07/11/2006, era equivocada porquanto nela não havia qualquer referência à indigitada suspensão. Traz aos autos cópia da referida nota (fls. 944). A glosa referente à NF nº 3.492 não foi contestada. A decisão recorrida, a seu turno, sob a consideração de que não foi feita prova de que o bem adquirido “Correia 251U 0l20x6700 GR 080” – classificavase como insumo, manteve a glosa. Vem agora a recorrente esclarecer que o bem em questão material abrasivo tipo “lixa", utilizado no processo produtivo em contato direto com os produtos (lixar madeira). Em pesquisa no sítio do fabricante na Internet1, constatei que, efetivamente, a correia é lixa especialmente utilizada para trabalho em madeiras, móveis e marcenaria, que, à toda evidência, desgastase no contato direto com o produto em fabricação. Tratase portanto de gasto com insumo, que enseja a tomada de crédito da contribuição social não cumulativa. Revertase a glosa. Glosa dos gastos referentes à aquisição de serviços portuários não enquadrados como despesas de armazenagem e fretes na operação de venda A glosa em questão referese à aquisição de serviços portuários relacionados a contêineres tais como unitização, desunitização, posicionamento, fumigação, remoção, movimentação; diária, liberação, capatazia e serviços de agenciamento, não enquadrados como despesas de armazenagem e fretes na operação de vendas. Compulsando os autos, constatei que as notas fiscais referidas na planilha de cálculo apresentada pelo contribuinte referemse a despesas com movimentação de contêiner cheio; serviço de fumigação de pallets; despesas com capatazia e reembolso de CPMF; movimentação de embarcação; transporte de contêineres vazios e devolução dos mesmo para o exportador; descarga de contêineres; vistoria de contêineres; handling de contêineres; unitização e desunitização de contêineres e uso de pátio. Segundo minha convicção, essas operações não estão abrangidos no conceito de armazenagem e tampouco podem ser concebidas como etapa do frete nas operações de venda, como pretende a recorrente, razão pela qual entendo que as glosas devem ser mantidas. Correção do valor do ressarcimento O pleito de atualização monetária do valor do ressarcimento encontra óbice instransponível no art. 13 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, aplicável ao PIS, a partir de 01/02/2004, pela norma de extensão do art. 15. Nego. Conclusão À vista do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso para o efeito de reverter a glosa das aquisições documentadas pelas NFs 26.686, de 07/11/2006, 1 http://products3.3m.com/catalog/br/pt002/woodworking_furniture/ /node_4GPWT3L82Fge/root_GSHL20G7FLgv/vroot_92QLK58JMBge/theme_br_woodworking_3_0/command_ AbcPageHandler/output_html Fl. 1029DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN 10 de emissão de Adefitas 3M Geflis Fernandes (cópia na fl. 944), no valor de R$ 340,50, e nº 117.095, de 08/12/2006, emitida por Schrader Comércio E Representações Ltda. (cópia na fl. 948), quanto ao item referente ao lubrificante MÓBIL GS 333 PLUS (20L), no valor de R$ 363,00. Sala de sessões, em 22 de julho de 2014 Alexandre Kern CONCLUSÃO À vista do exposto, voto por que se acolham os embargos de declaração, para retificar o resultado do julgamento do acórdão embargado, que passa a ser o seguinte: Por unanimidade de votos, deuse provimento parcial ao recurso para o efeito de reverter a glosa das aquisições documentadas pelas NFs 26.686, de 07/11/2006, de emissão de Adefitas 3M Geflis Fernandes (cópia na fl. 944), no valor de R$ 340,50, e nº 117.095, de 08/12/2006, emitida por Schrader Comércio E Representações Ltda. (cópia na fl. 948), quanto ao item referente ao lubrificante MÓBIL GS 333 PLUS (20L), no valor de R$ 363,00. Sala de sessões, em 21 de agosto de 2014 Fl. 1030DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN
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Numero do processo: 10920.002586/2010-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Sep 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 30/06/2008
AUTO DE INFRAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ARTIGO 32, INCISO II, LEI Nº 8.212/91.
Constitui fato gerador de multa deixar o contribuinte de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas contribuições previdenciárias, os montantes das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos.
AUTO DE INFRAÇÃO DECORRENTE DE LANÇAMENTO POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL JULGADO IMPROCEDENTE EM PARTE. AUTUAÇÃO REFLEXA. OBSERVÂNCIA DECISÃO.
Impõe-se a exclusão da multa aplicada decorrente da pretensa inobservância de obrigação acessória, cujas constatações foram apuradas em Autuação Fiscal pertinente ao descumprimento de obrigação principal, declarada improcedente, quanto aos fatos geradores vinculados a este processo, em face da íntima relação de causa e efeito que os vincula, o que se vislumbra na hipótese vertente.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-003.635
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira - Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 30/06/2008 AUTO DE INFRAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ARTIGO 32, INCISO II, LEI Nº 8.212/91. Constitui fato gerador de multa deixar o contribuinte de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas contribuições previdenciárias, os montantes das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. AUTO DE INFRAÇÃO DECORRENTE DE LANÇAMENTO POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL JULGADO IMPROCEDENTE EM PARTE. AUTUAÇÃO REFLEXA. OBSERVÂNCIA DECISÃO. Impõese a exclusão da multa aplicada decorrente da pretensa inobservância de obrigação acessória, cujas constatações foram apuradas em Autuação Fiscal pertinente ao descumprimento de obrigação principal, declarada improcedente, quanto aos fatos geradores vinculados a este processo, em face da íntima relação de causa e efeito que os vincula, o que se vislumbra na hipótese vertente. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 25 86 /2 01 0- 07 Fl. 474DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 29/08/2 014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAI O FREIRE 2 ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 475DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 29/08/2 014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAI O FREIRE Processo nº 10920.002586/201007 Acórdão n.º 2401003.635 S2C4T1 Fl. 475 3 Relatório OXIPLASMA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA., contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 5a Turma da DRJ em Juiz de Fora/MG, Acórdão nº 0936.384/2011, às fls. 451/457, que julgou procedente a autuação fiscal lavrada contra a empresa, com fulcro no artigo 32, inciso II, da Lei nº 8.212/91, c/c artigo 225, inciso II e §§ 13 a 17, do RPS, por ter deixado de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, os montantes das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos por estabelecimento, em relação ao período de 01/2006 a 06/2008, conforme Relatório Fiscal, às fls. 05/06, e demais documentos constantes dos autos. Tratase de Auto de Infração (Descumprimento de Obrigação Acessória), lavrado em 07/07/2010, nos termos do artigo 293 do RPS, contra a contribuinte acima identificada, constituindose multa com base artigos 283, inciso II, alínea “a”, e 373, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. De conformidade com o Relatório Fiscal da Infração, a presente penalidade fora aplicada em razão da contribuinte ter lançado diversas despesas pessoais dos sócios HENRIQUE CARLOS KOHLER e MARIA AUGUSTA DE MEDEIROS, pagas com cartão de crédito, que foram identificadas pelo históricos contábeis e faturas, como sendo retiradas pro labore, registradas indevidamente na conta contábil 030600018 – Viagens e Hospedagens, no período de 01/2006 a 06/2008, conforme faturas e quadro anexos, cujas contribuições previdenciárias (obrigação principal) pertinentes foram lançadas no AI n° 37.281.4190 – Processo n° 10920.002588/201098. Inconformada com a Decisão recorrida, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às fls. 461/472, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Preliminarmente, pretende seja decretada a nulidade do feito, por entender que a autoridade lançadora, ao constituir o presente crédito previdenciário, não logrou motivar/comprovar os fatos alegados de forma clara e precisa na legislação de regência, contrariando o princípio da verdade material, bem como o disposto no artigo 142 do CTN, em total preterição do direito de defesa e do contraditório da autuada, baseando a autuação em meras presunções. Contrapõese ao arbitramento levado a efeito pelo fiscal autuante, alegando que referido procedimento só pode ser adotado em casos excepcionais de escrita imprestável ou ausência de apresentação de documentos, o que não se vislumbra na hipótese dos autos, onde a contribuinte sempre colocou a disposição a contabilidade demonstrando sua regularidade. Defende que o fiscal autuante presumiu a inexistência de fato da empresa Oxiplasma Serviços de Apoio às Indústrias Ltda., tentando fundamentar sua tese em alegações insubsistentes, e que não correspondem à realidade, desconsiderando, para atingir a finalidade Fl. 476DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 29/08/2 014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAI O FREIRE 4 pretendida, todas as circunstâncias que comprovam serem empresas distintas, com finalidades distintas, e onde nunca houve confusão entre estabelecimentos e as atividades dos trabalhadores. Após breve relato das fases e fatos ocorridos no decorrer do processo administrativo fiscal, insurgese contra a exigência consubstanciada na peça vestibular do feito, notadamente em relação à desconsideração da personalidade jurídica da empresa OXIPLASMA SERVIÇOS DE APOIO ÀS INDÚSTRIAS LTDA., alegando ser totalmente injustificada e imotivada, não se cogitando em simulação na constituição e/ou nas relações comerciais mantidas entre as empresas, inexistindo qualquer relação jurídica que confunda aludidas pessoas jurídicas, as quais possuem registros, objetos sociais e instrumentos constitutivos distintos. Suscita inexistir qualquer vedação legal em relação à participação dos sócios em mais de uma empresa, fato que não implica a presunção de se tratarem da mesma empresa e/ou de grupo econômico irregularmente constituído, consoante assentado na doutrina e jurisprudência transcrita na sua peça recursal. Explicita que somente em 2003 as empresas sob análise passaram a possuir sedes no mesmo endereço, em estabelecimentos vizinhos, tendo nos seis anos anteriores exercido atividades em locais distintos, com operações concorrentes no tocante à prestação de serviços para indústria, e número de funcionários similares, apesar do faturamento da empresa de serviços sempre ser muito menor do que o da indústria, o que é perfeitamente explicável em razão do tipo de atividade exercida. Aduz que ambas empresas possuem acervo patrimonial próprio, com estabelecimentos distintos, com entrada própria e sem comunicação, não existindo qualquer contato entre os seus respectivos funcionários. E, o fato de ter havido a transferência de 17 dos 19 funcionários da empresa desconsiderada para a autuada em 2009, não tem o condão de justificar a autuação fiscal na forma conduzida, por se tratar de planejamento para o futuro das mesmas, realizado em razão de situações específicas, como a enfermidade e falecimento do Sr. Henrique, que fez com que as empresas passassem por mudanças na sua administração, bem como econômicas e financeiras, com redução de despesas. Assevera que, mesmo considerando a existência de grupo econômico entre as duas empresas, não se poderia responsabilizar a contribuinte autuada pelo crédito tributário de responsabilidade da outra pessoa jurídica, na linha da jurisprudência do STJ. Opõese, ainda, ao procedimento eleito pela autoridade fiscal ao promover o lançamento, aduzindo ter adotado uma presunção pertinente a situação encontrada no decorrer da ação fiscal, em 2010, a fatos geradores pretéritos (2006 a 2008), sem que tivesse ocorrido qualquer comprovação do alegado. Relativamente à ação trabalhista movida pelo Sr. Antônio Morini, argumenta que o fato de ter havido composição entre as partes não implica dizer que a autuada reconheceu todas as alegações deduzidas na reclamatória, a qual sempre contempla inúmeras situações suscitadas pelo reclamante, as quais nem sempre representam a realidade dos fatos. Acrescenta que as verbas recebidas pelo reclamante por ocasião do acordo firmado na Justiça Trabalhista não tem caráter salarial, mas apenas indenizatório, não sendo base de cálculo das contribuições sociais. E mais, sobre a diferença, em relação ao valor Fl. 477DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 29/08/2 014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAI O FREIRE Processo nº 10920.002586/201007 Acórdão n.º 2401003.635 S2C4T1 Fl. 476 5 acordado e pago, a empresa já recolheu as contribuições sociais, na forma legal, conforme comprovam os anexos documentos. No que tange aos pagamentos realizados mediante faturas de cartões de crédito, suscita que os gastos realizados pelos sócios efetivamente tinham como objetivo a realização de novos negócios para a empresa, e estavam diretamente relacionados com estas atividades, não tendo o fiscal autuante motivado/fundamentado suas conclusões, o que torna defeso inverter o ônus da prova ao contribuinte, sobretudo por se caracterizar como prova de fato negativo. Manifesta insurgimento em relação às remunerações pagas e/ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais, constantes das folhas de pagamento, mas não declaradas em GFIP’s, alegando que a fiscalização não demonstrou de onde teria extraído aludida diferença, mormente quando a empresa nunca deixou de informar em GFIP’s as remunerações inseridas nas folhas de pagamento. Requer sejam excluídas da exigência fiscal as verbas concedidas aos segurados empregados e/ou contribuintes individuais que tenha natureza eminentemente indenizatórias, como o terço de férias e as horas extras. Repisa os argumentos encimados para efeito de exclusão das multas aplicadas em face do descumprimento de obrigações acessórias, uma vez se lastrearem nos mesmos fatos. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar o Auto de Infração, tornandoo sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 478DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 29/08/2 014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAI O FREIRE 6 Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. Conforme se depreende dos elementos que instruem o processo, a presente penalidade fora aplicada em razão da contribuinte ter lançado diversas despesas pessoais dos sócios HENRIQUE CARLOS KOHLER e MARIA AUGUSTA DE MEDEIROS, pagas com cartão de crédito, que foram identificadas pelo históricos contábeis e faturas, como sendo retiradas prolabore, registradas indevidamente na conta contábil 030600018 – Viagens e Hospedagens, no período de 01/2006 a 06/2008, conforme faturas e quadro anexos, cujas contribuições previdenciárias (obrigação principal) pertinentes foram lançadas no AI n° 37.281.4190 – Processo n° 10920.002588/201098. Neste contexto, a contribuinte fora autuada com fundamento no artigo 32, inciso II, Lei nº 8.212/91, c/c artigo 225, inciso II, do RPS, ensejando a constituição do presente crédito previdenciário decorrente da aplicação da multa calculada com arrimo no artigo 283, inciso II, alínea “a”, do Decreto nº 3.048/99, nos seguintes termos: “ Lei n º 8.212/91 Art. 32. A empresa é também obrigada a: [...] II lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos;” “ Decreto nº 3.048/99 RPS Art. 225. A empresa é também obrigada a: [...] II lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos [...] Art. 283. Por infração a qualquer dispositivo das Leis n os 8.212 e 8.213, ambas de 1991, e 10.666, de 8 de maio de 2003, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) a R$ 63.617,35 (sessenta e três mil, seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos), conforme a gravidade da infração, aplicandoselhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com os seguintes valores: Fl. 479DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 29/08/2 014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAI O FREIRE Processo nº 10920.002586/201007 Acórdão n.º 2401003.635 S2C4T1 Fl. 477 7 [...] II a partir de R$ 6.361,73 (seis mil trezentos e sessenta e um reais e setenta e três centavos) nas seguintes infrações: a) deixar a empresa de lançar mensalmente, em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos;” Verificase que, de acordo com o Relatório Fiscal, a recorrente não apresentou a documentação e/ou informações exigidas pela fiscalização na forma que determina a legislação previdenciária, incorrendo na infração prevista nos dispositivos legais supracitados, o que ensejou a aplicação da multa, nos termos do Regulamento da Previdência Social. Em suas razões recursais, pretende a contribuinte a reforma do Acórdão recorrido, o qual manteve a exigência fiscal em sua plenitude, suscitando, sinteticamente, questões relativas à autuação fiscal por descumprimento de obrigações principais AI n° 37.281.4190 – Processo n° 10920.002588/201098, sobretudo insurgindose contra o procedimento eleito pela autoridade fiscal ao proceder àquele lançamento, a partir da desconsideração da personalidade jurídica da empresa prestadora de serviços, com a respectiva caracterização de seus funcionários e sócios como segurados empregados e contribuintes individuais da contratante. Constatase, assim, que muito embora se tratar de autuação face à inobservância de obrigações acessórias, os argumentos da recorrente dizem respeito basicamente a obrigações principais, o que por si só seria capaz de ensejar o não conhecimento do recurso voluntário, por trazer em seu bojo questões estranhas ao auto de infração sob análise. Com efeito, a contribuinte faz uma verdadeira confusão ao tratar da questão, trazendo à colação argumentos relativos à constituição de créditos previdenciários decorrentes do descumprimento de obrigações principais. Consoante se positiva do artigo 113 do Código Tributário Nacional, as obrigações tributárias são divididas em duas espécies, principal e acessória. A primeira diz respeito à ocorrência do fato gerador do tributo em si, por exemplo, recolher ou não o tributo propriamente dito, extinguindo juntamente com o crédito decorrente. Por outro lado, a obrigação acessória, relacionase às prestações positivas ou negativas, constantes da legislação tributária de interesse da arrecadação ou fiscalização tributária, sendo exemplo de seu descumprimento a contribuinte deixar de lançar em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores das contribuições previdenciárias, situação que se amolda ao caso sub examine. Entrementes, como o auto de infração fora lavrado em razão de a contribuinte ter deixado de lançar em títulos próprios de sua contabilidade os fatos geradores das contribuições previdenciárias, mais precisamente os valores recebidos a título de Despesas de Viagens e Hospedagens dos sócios HENRIQUE CARLOS KOHLER e MARIA AUGUSTA DE MEDEIROS, considerados como prólabore (despesas pessoais) pela fiscalização nos autos do AI n° 37.281.4190 – Processo n° 10920.002588/201098, onde ocorrera a explicitação de Fl. 480DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 29/08/2 014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAI O FREIRE 8 todo procedimento eleito pela autoridade fiscal ao promover o lançamento, impõese adotar a decisão levada a efeito naquele processo, diante da relação de causa e efeito que os vincula. Partindo dessa premissa, cumpre destacar que, incluído nesta mesma pauta de julgamento, esta Egrégia 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª SJ do CARF achou por bem dar provimento parcial ao recurso voluntário interposto nos autos do Processo n° 10920.002588/201098 (AI n° 37.281.4190), decretando a improcedência parcial do feito, o fazendo sob o manto dos fundamentos consubstanciados na seguinte ementa: “Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/10/2009 CONTRIBUIÇÕES SEGURADO EMPREGADO E CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. OBRIGAÇÃO RECOLHIMENTO. Nos termos do artigo 30, inciso I, alíneas “a” e “b”, da Lei nº 8.212/91, a empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço, descontandoas das respectivas remunerações e recolher o produto no prazo contemplado na legislação de regência. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos moldes da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. NORMAS PROCEDIMENTAIS. DESCONSIDERAÇÃO PERSONALIDADE JURÍDICA E CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS. EXIGÊNCIA DEMONSTRAÇÃO/COMPROVAÇÃO PRESSUPOSTOS RELAÇÃO LABORAL. Somente nas hipóteses em que restar constatada a efetiva existência dos elementos constituintes da relação empregatícia entre o suposto “tomador de serviços” e os “prestadores de serviços”, poderá o Auditor Fiscal caracterizar o contribuinte individual (autônomo) como segurado empregado, ou mesmo promover a desconsideração da personalidade jurídica das empresas prestadoras de serviços, com fulcro no artigo 229, § 2º, do Regulamento da Previdência SocialRPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. PESSOA JURÍDICA DESCONSIDERADA. VINCULAÇÃO SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS A OUTRA EMPRESA. NECESSIDADE COMPROVAÇÃO RELAÇÃO. A vinculação dos segurados empregados e contribuintes individuais registrados formalmente na pessoa jurídica desconsiderada a outra empresa, depende, necessariamente, da Fl. 481DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 29/08/2 014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAI O FREIRE Processo nº 10920.002586/201007 Acórdão n.º 2401003.635 S2C4T1 Fl. 478 9 comprovação dos requisitos do vínculo laboral, no caso de empregados, e da efetiva relação entre o prestador de serviço, contribuinte individual, e a empresa que será responsável pelo recolhimento dos tributos eventualmente devidos, incidentes sobre as remunerações daqueles funcionários. No mínimo, mesmo admitindose uma demonstração genérica da relação empregatícia, impõese listar os segurados empregados e contribuintes individuais que estão sendo vinculados de ofício à terceira pessoa jurídica, informando os serviços que foram prestados, sobretudo de maneira a oferecer condições ao exercício pleno da ampla defesa e do contraditório. VERBA DENOMINADA DESPESAS DE VIAGENS. AUSÊNCIA MOTIVAÇÃO LANÇAMENTO FISCAL. IMPROCEDÊNCIA. De conformidade com o disposto no artigo 28, § 9°, alínea “h”, da Lei n° 8.212/91, os valores concedidos aos segurados a título de despesas com viagens, conquanto que não excedam a 50% da remuneração mensal, não compõem a base de cálculo das contribuições previdenciárias. Não tendo a autoridade lançadora se desincumbido do ônus de comprovar que a verba intitulada despesa de viagens se reveste da natureza remuneratória, a partir de esclarecimentos solicitados à contribuinte, na forma que exige o artigo 142 do Código Tributário Nacional, impõese reconhecer a improcedência de aludida rubrica, em face de vício de motivação. PAF. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. Nos termos dos artigos 62 e 72, e parágrafos, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, c/c a Súmula nº 2, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendolhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência. Recurso Voluntário Provido em Parte.” Dessa forma, no julgamento do presente Auto de Infração impõese à observância à decisão levada a efeito na autuação retromencionada, em face da íntima relação de causa e efeito que os vincula, uma vez que os fatos geradores pretensamente não registrados em títulos próprios da contabilidade da contribuinte foram caracterizados/lançados naquele lançamento principal. Na esteira desse entendimento, uma vez rechaçada a exigência fiscal com esteio nas remunerações (prolabore indireto) dos contribuintes individuais (sócios da autuada), assim considerados os valores recebidos a título de Despesas de Viagens e Hospedagens, consubstanciados no Levantamento CT e CT1 explicitado nos autos do processo principal, que deu margem à presente autuação, aludida decisão deve, igualmente, ser adotada neste julgamento, afastando, por conseguinte, a penalidade, na linha do decidido no processo principal. Fl. 482DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 29/08/2 014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAI O FREIRE 10 Por todo o exposto, estando o Auto de Infração sub examine em dissonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO E DARLHE PROVIMENTO, afastando a penalidade aplicada na presente autuação, relativamente aos levantamentos CT e CT1, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 483DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 29/08/2 014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAI O FREIRE
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Numero do processo: 10872.000680/2010-36
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Exercício: 2007
CONTRIBUINTE OPTANTE PELO SIMPLES. PRETENSÃO DE TRIBUTAÇÃO NA FORMA DO LUCRO PRESUMIDO. DESCABIMENTO.
Não constando dos autos qualquer ato que exclua a interessada do sistema simplificado, nem qualquer acusação de prática reiterada de infração à legislação tributária, descabe cogitar da aplicação das regras tributárias destinadas às pessoas jurídicas em geral, não optantes por aquele sistema. Correto o lançamento efetuado na sistemática do SIMPLES.
LANÇAMENTO NA FORMA DO SIMPLES. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA SOBRE A RECEITA BRUTA.
Na forma do sistema simplificado de pagamentos (SIMPLES), o valor a ser recolhido é calculado com base em percentual único aplicado sobre a receita bruta auferida. A partilha do valor pago é feita na forma prevista em lei, e dessa forma é determinada a contribuição previdenciária. Descabe cogitar da incidência dessa contribuição sobre a folha de pagamentos.
Numero da decisão: 1302-001.467
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. Ausente momentaneamente o Conselheiro Hélio Eduardo de Paiva Araújo.
(assinado digitalmente)
Alberto Pinto Souza Junior - Presidente
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Márcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade, Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Alberto Pinto Souza Junior.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Exercício: 2007 CONTRIBUINTE OPTANTE PELO SIMPLES. PRETENSÃO DE TRIBUTAÇÃO NA FORMA DO LUCRO PRESUMIDO. DESCABIMENTO. Não constando dos autos qualquer ato que exclua a interessada do sistema simplificado, nem qualquer acusação de prática reiterada de infração à legislação tributária, descabe cogitar da aplicação das regras tributárias destinadas às pessoas jurídicas em geral, não optantes por aquele sistema. Correto o lançamento efetuado na sistemática do SIMPLES. LANÇAMENTO NA FORMA DO SIMPLES. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA SOBRE A RECEITA BRUTA. Na forma do sistema simplificado de pagamentos (SIMPLES), o valor a ser recolhido é calculado com base em percentual único aplicado sobre a receita bruta auferida. A partilha do valor pago é feita na forma prevista em lei, e dessa forma é determinada a contribuição previdenciária. Descabe cogitar da incidência dessa contribuição sobre a folha de pagamentos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. Ausente momentaneamente o Conselheiro Hélio Eduardo de Paiva Araújo. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 2. 00 06 80 /2 01 0- 36 Fl. 397DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/08/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10872.000680/201036 Acórdão n.º 1302001.467 S1C3T2 Fl. 398 2 (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Márcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade, Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Alberto Pinto Souza Junior. Relatório DEPÓSITO DE LATAS ANA PAULA LTDA., já qualificada nestes autos, inconformada com o Acórdão n° 1253.605, de 12/03/2013, da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Rio de Janeiro I / RJ, recorre voluntariamente a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito. O presente processo tem origem nos autos de infração de fls. 106/115, 116/125, 126/135, 136/145, 146/155 e os demostrativos de 156/172, lavrados pela DRF – Rio de Janeiro II, dos quais a interessada acima identificada foi cientificada em 02/12/2010, conforme faz prova o AR de fl. 173, consubstanciando exigência do imposto sobre a renda da pessoa jurídica Simples no valor de R$ 72.684,66; a contribuição para o PIS Simples, R$ 53.139,15; a contribuição social sobre o lucro líquido – Simples, R$ 72.684,66, a contribuição para o financiamento da seguridade social – Simples, R$ 213.541,22 e a contribuição para a seguridade social – INSS – Simples, R$ 618.074,53, acrescidos da multa de ofício no percentual de 75% e dos juros moratórios. 2. O autuante, no auto de infração, fls. 423/424, descreve, em síntese, que apurou: 2.1. omissão de receita caracterizada por depósitos bancários não escriturados, nos valores relacionados em fls. 92/100, consolidados em fl. 105 e 108/109, tipificando a infração no art. 24 da lei nº 9.249/1995; arts. 2º, §2º, 3º, §1º, alínea “a”, 5º, 7º, §1º e 18 da Lei nº 9.317/1996; 42 da Lei nº 9.430/1996; art. 3º da Lei nº 9.732/1998 e arts 186, 188 e 199 do RIR/1999, fl. 109. 2.2. Insuficiência de recolhimento face as omissões apuradas, com fulcro no art. 5º da Lei nº 9.317/1996 c/c art. 3º da Lei nº 9.732/1998; arts. 186 e 188 do RIR/1999. 3. Com o objetivo de comprovar o lançamento, o autuante juntou aos autos o termo de verificação, fls. 104/105, e os documentos e termos de fls. 4/103. Em síntese, descrevo informações constantes do termo citado: 3.1. em 14/09/2010, foi lavrado termo de intimação solicitando a origem dos valores creditados nas contascorrentes do anocalendário de 2006, constantes dos seus extratos fornecidos pela própria interessada; Fl. 398DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/08/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10872.000680/201036 Acórdão n.º 1302001.467 S1C3T2 Fl. 399 3 3.2. em 08/11/2010 foi novamente intimado, em face do não atendimento; 3.3. devido ao a não apresentação, considerou omissão de receita os créditos não comprovados, com fulcro no art. 42 da Lei nº 9.430/1996; 3.4. também efetuou o lançamento por insuficiência de recolhimento no Simples. 4. Inconformada com o lançamento, a interessada, em 23/12/2010, apresentou a impugnação de fls. 183/195 argüindo, em síntese: 4.1. em preliminar: 4.1.2.a nulidade dos lançamentos pois a autoridade fiscal não observou requisito formal de vinculação na atividade por ela exercida ao ter ignorado a determinação contida no art. 142 do CTN, imputando equivocadamente à conta de receita omitida, a totalidade dos ingressos ocorridos em suas contas de depósito, sem efetuar uma identificação individualizada dos depósitos, tal como prescrito no art. 42 da Lei nº 9.430/1996. Assim, foi prejudicado a capitulação legal do fato, uma vez que ao alvitre da Lei, não foi feita a análise individualizada dos depósitos, nos termos do §3º do art. 42 da Lei nº 9.430/1996, tampouco determinou a titularidade dos ingressos, como previsto no § 5º do dispositivo legal citado; 4.1.2. o autuante imputou, equivocadamente, todos os ingressos em contas bancárias da empresa à conta de omissão de receita pelo fato de não ter investigado para capitular corretamente os fatos, efetuando uma simples soma de valores, sem a menor preocupação em determinar e assim demonstrar a origem dos ingressos, para assim exercer, efetivamente, a atividade vinculada prescrita no CTN; 4.1.3. o auto de infração se encontra eivado de equívocos, defeitos, vícios e simulações, tanto na apreensão dos fatos como nos requisitos legais para constituição do crédito tributário; 4.1.4. assinala que a regular intimação ocorre quando o investigado é provocado a responder sobre todos os aspectos que possam envolver uma futura autuação e quando em decorrência de sua resposta a autoridade fiscal a leve em consideração e utilize todos os meios de investigação para confirmar sua veracidade ou não. Não foi o que aconteceu, pois o autuante ignorou a razoável solicitação de prorrogação de prazo feita em 18/11/2010 e não se preocupou com a individualização indispensável à constituição do crédito tributário, previsto no art. 42 da Lei nº 9.430/1996; 4.1.5. a falta de individualização da origem dos ingressos e a demonstração da correspondência destes e a riqueza consumida, adquirida ou poupada resulta na nulidade dos lançamentos por cerceamento do direito á defesa. 4.2. no mérito, aduziu que: 4.2.1. é impossível a caracterização de depósito bancário como receita por simples presunção pois depósito bancário é estoque e não fluxo, não sendo fluxo não tipifica renda. Contrariamente preferiu presumir pelo simples fato da empresa não ter reunido condições, em curto prazo de tempo, de demonstrar a inexistência da correlação entre os citados ingressos e a receita efetivamente auferida pela empresa; 4.2.2. consoante Súmula nº 182 do antigo TRF é ilegítimo o lançamento arbitrado com base apenas em extratos ou depósitos bancários; Fl. 399DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/08/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10872.000680/201036 Acórdão n.º 1302001.467 S1C3T2 Fl. 400 4 4.2.3. o lançamento deveria ter sido feito com base no lucro presumido, pois de acordo com o art. 14, V da Lei nº 9.317/1996, houve descrição pelo autuante de prática reinterada de infração à legislação tributária, o que resultaria numa tributação mais justa, não sendo onerada na tributação das contribuições previdenciárias, uma vez que a infração descrita teria sido reinteradamente praticada minimamente nos meses de janeiro a abril de 2005; 4.2.4. a base de cálculo da contribuição para a seguridade social é a folha de pagamento e não o faturamento, com base no art. 22 da Lei nº 8.212/1991. A sua folha de pagamento foi no ano fiscalizado de R$ 90.000,00, bem distante da base de cálculo confiscatória e abusiva utilizada pelo autuante; 4.2.5. “Ocorre que a base de cálculo sobre a qual incindiu a alíquota do Simples Federal para cálculo da contribuição previdenciária devida pela empresa é aquela representativa do suposto montante de receita bruta apurada mês a mês pela empresa que, digase, não foi, nem de longe, aquele correspondente à totalidade dos depósitos glosados em conta própria pessoa jurídica.”; 4.2.6. “requer finalmente que seja desconsiderado todo tributo apurado na peça impugnada uma vez que divergem as alíquotas e bases de cálculo daquelas legitimamente aplicáveis, configurandose assim em vícios insanáveis, passivos de nulidade”. 5. A interessada juntou aos autos os documentos de fls. 199/326, tais como: autos de infração, a declaração para o anocalendário de 2005, os termos, guias de recolhimento (GEFIP) e folhas de pagamento. A 5ª Turma da DRJ em Rio de Janeiro I / RJ analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão nº 1253.605, de 12/03/2013 (fls. 348/356), considerou procedente o lançamento com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 2006 OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO LEGAL. SIMPLES A Lei n.º 9.430/1996 autoriza a presunção de omissão de receitas a partir da existência de créditos bancários de origem não comprovada, com as exclusões determinadas pela legislação tributária. OMISSÃO DE RECEITA. FALTA E/OU INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. SIMPLES. Verificado falta ou insuficiência de recolhimento em decorrência de omissão de receita comprovada, é cabível o lançamento da diferença não recolhida com os acréscimos legais. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2006 Fl. 400DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/08/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10872.000680/201036 Acórdão n.º 1302001.467 S1C3T2 Fl. 401 5 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS. COFINS. CSLL. SIMPLES. DECORRÊNCIA DA OMISSÃO DE RECEITA APURADA NO IRPJ A omissão de receita apurada caracterizada por créditos bancários sem a comprovação da origem é base de cálculo das contribuições no Simples. Assim, verificada a omissão de receita é devido o lançamento. Ciente da decisão de primeira instância em 04/07/2013, conforme Aviso de Recebimento à fl. 369, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 02/08/2013 conforme carimbo de recepção à folha 372. No recurso interposto (fls. 373/380), a interessada requer, preliminarmente, o sobrestamento do julgamento administrativo até a decisão final do STF acerca da constitucionalidade, ou não, do disposto no art. 5º da Lei Complementar nº 105/2001, nos termos do art. 62A do Regimento Interno do CARF. No mérito, em apertada síntese, a recorrente sustenta que os fatos descritos nos autos levariam à sua exclusão do sistema simplificado por prática reiterada de infração à legislação tributária, com efeitos a partir do primeiro mês. A tributação deveria, então, incidir na forma do lucro presumido. Não tendo sido esse o procedimento adotado pela Fiscalização, a autuação na forma do SIMPLES seria insubsistente. No que toca à contribuição previdenciária, sustenta que a exação deve incidir sobre a folha de pagamento, já anexada aos autos. É o Relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O recurso é tempestivo e dele conheço. Preliminarmente, cumpre apreciar o pedido de sobrestamento do julgamento administrativo até a decisão final do STF acerca da constitucionalidade, ou não, do disposto no art. 5º da Lei Complementar nº 105/2001, nos termos do art. 62A do Regimento Interno do CARF. Artigo 62A do RICARF, no qual a interessada fundamenta seu pedido, possuía a seguinte redação: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 401DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/08/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10872.000680/201036 Acórdão n.º 1302001.467 S1C3T2 Fl. 402 6 § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Ocorre que tal redação vigorou somente até 20/11/2013, data em que foi publicada no Diário Oficial da União a Portaria MF nº 545, de 18/11/2013. Em seu artigo 1º, esse ato do Sr. Ministro da Fazenda revogou os parágrafos primeiro e segundo do art. 62A, acima reproduzidos. Com isso, deixou de haver previsão legal para o sobrestamento de julgamentos, conforme requerido pela recorrente. O pedido deve, então, ser rejeitado. A seguir, a recorrente sustenta que os fatos descritos nos autos levariam à sua exclusão do sistema simplificado por prática reiterada de infração à legislação tributária, com efeitos a partir do primeiro mês. A tributação deveria, então, incidir na forma do lucro presumido. Não tendo sido esse o procedimento adotado pela Fiscalização, a autuação na forma do SIMPLES seria insubsistente. Também aqui não assiste razão à interessada. A infração apurada pelo Fisco foi a omissão de receitas, nos meses do anocalendário 2006. A apuração se deu com base em presunção legal, estatuída pelo art. 42 da Lei nº 9.430/1996, e aos créditos tributários foi aplicada a multa de 75%, ou seja, o Fisco não vislumbrou a presença de dolo, da intenção fraudulenta de ocultar tributos. Repito, tratase de tributos exigidos por presunção legal de omissão de receitas em um único anocalendário. Em momento algum a fiscalização afirmou nem constatou a conduta infracional reiterada. Em assim sendo, o lançamento somente poderia ser feito, como de fato o foi, na sistemática do SIMPLES, não se aplicando à contribuinte, no próprio anocalendário em que foram apuradas as omissões, as normas de tributação destinadas às pessoas jurídicas não optantes pelo sistema simplificado de pagamentos. Não encontro nos autos qualquer ato administrativo (Ato Declaratório Executivo) que exclua o contribuinte do sistema simplificado, pelo que descabe cogitar, por hipótese, de seus efeitos ou validade. Observo ainda que o acolhimento da pretensão da interessada, quanto a este ponto, significaria permitir que a infração por ela cometida (omissão de receitas) viesse a afastar a exigência dos tributos devidos em decorrência dessa mesma infração. Em outras palavras, que a interessada estaria a se beneficiar de sua própria torpeza, o que é inadmissível em direito. Nessa linha de raciocínio, nego provimento também a este pedido. Finalmente, no que toca à contribuição previdenciária, sustenta a recorrente que a exação deve incidir sobre a folha de pagamento. Quanto a este ponto, o pleito somente faria algum sentido caso o pedido anterior (de incidência tributária na forma do lucro presumido) houvesse sido atendido. Não sendo esse o caso, o pedido deve ser de plano rejeitado. Esclareçase, a propósito, que na forma do sistema simplificado de pagamentos (SIMPLES), o valor a ser recolhido é calculado com base em percentual único Fl. 402DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/08/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10872.000680/201036 Acórdão n.º 1302001.467 S1C3T2 Fl. 403 7 aplicado sobre a receita bruta auferida, a teor do art. 5º c/c art. 18, ambos da Lei nº 9.317/1996. A partilha do valor pago é feita na forma do art. 23 da referida lei, e é dessa forma que é determinada a contribuição previdenciária. Na esteira do quanto decidido em primeira instância, não faço qualquer reparo ao lançamento, também quanto a este aspecto. Em conclusão, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 403DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/08/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10925.901464/2012-17
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Sep 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2009
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO-HOMOLOGADA.
A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-004.259
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido(a)s o(a)s Conselheiro(a)s Sidney Eduardo Stahl, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel que convertiam o processo em diligência para a apuração do direito creditório.
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2009 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO-HOMOLOGADA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Recurso Voluntário Negado.
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ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido(a)s o(a)s Conselheiro(a)s Sidney Eduardo Stahl, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel que convertiam o processo em diligência para a apuração do direito creditório. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 14 64 /2 01 2- 17 Fl. 49DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/09/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.901464/201217 Acórdão n.º 3801004.259 S3TE01 Fl. 50 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 50DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/09/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.901464/201217 Acórdão n.º 3801004.259 S3TE01 Fl. 51 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos, em razão do princípio da economia processual: Trata o presente processo de Declaração de Compensação – PER/Dcomp nº 26276.38082.211209.1.3.042638, por meio da qual a contribuinte, acima identificada, intenta compensar débito próprio com crédito relativo a pagamento indevido ou efetuado a maior a título de Cofins não cumulativa, com apuração em 28/02/2009. Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal do Brasil – DRF pela não homologação da compensação (Despacho Decisório juntado aos autos), fazendo o com base na constatação da inexistência do crédito informado, pois o valor do “DARF discriminado no PER/DCOMP” havia sido “integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Irresignada com a não homologação de sua compensação, a contribuinte manifestouse alegando: que retificou o Dacon do período para efetuar a inclusão de todos os créditos a que tinha direito, anteriormente não declarados; que no ajuste entre débitos e créditos verificou que efetuara pagamentos a maior da contribuição; e que para, recuperar tal valor, protocolou pedido de restituição e, posteriormente, utilizou o crédito em compensação de débitos próprios. Assim, defende que o crédito utilizado na Dcomp em debate pode ser confirmado no Dacon retificador do período e que não se justifica sua não homologação sob a alegação de falta de crédito, considerando que não foi analisado o pedido de restituição referente ao Darf pago a maior e, tampouco, o Dacon retificador que demonstra os valores de débitos e créditos. Requer o acolhimento da manifestação de inconformidade e homologação da compensação.. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC) julgou improcedente a manifestação de inconformidade sob o argumento de que o recolhimento alegado como origem do crédito estava alocado para a quitação de débito confessado e que só a partir da retificação da DCTF é que a contribuinte passa a ter o pretendido crédito contra a Fazenda devidamente conformado na forma da lei: Inconformada, a contribuinte apresentou recurso voluntário repisando, na essência, as razões apresentadas por ocasião da manifestação de inconformidade. É o Relatório. Fl. 51DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/09/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.901464/201217 Acórdão n.º 3801004.259 S3TE01 Fl. 52 4 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A recorrente sustenta que o seu direito creditório decorre da apuração do PIS e da Cofins não cumulativos que teriam sido pagos a maior. Alega ainda que ao descobrir o erro procedeu a retificação da respectiva DACON. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos já declarados. Diante da inexistência do crédito, a compensação declarada não foi homologada. Por certo, a análise automática do crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior pleiteado em restituição ou utilizado em declaração de compensação é realizada considerando o saldo disponível do pagamento nos sistemas de cobrança, não se verificando efetivamente o mérito da questão, o que será viável somente a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. A recorrente alega que o crédito em debate teve origem na correta constituição de créditos de PIS e Cofins autorizados pelas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, respectivamente, os quais a Recorrente havia constituído apenas parcialmente na Dacon original, que retificou a Dacon do período para a inclusão dos créditos e que não retificou as DCTFs por julgar o Dacon o documento demonstrativo suficiente para este fim. De fato, o entendimento predominante deste Colegiado é no sentido da prevalência da verdade material, que ademais é um dos princípios que regem o processo administrativo, não havendo norma procedimental condicionando a apresentação de PER/DCOMP à prévia retificação de DCTF, embora seja este um procedimento lógico, devendo ser consideradas as declarações apresentadas como indício de prova dos créditos sem no entanto conferir a liquidez e certeza necessários ao reconhecimento do direito creditório advindo do pagamento a maior e a homologação das compensações. No entanto, o Recorrente não trouxe aos autos elementos suficientes para comprovar a origem do seu crédito. Não apresentou nenhuma prova do seu direito creditório, em especial, a escrituração fiscal e contábil do período de apuração em que se pleiteou o crédito. Se limitou, tãosomente, a argumentar que houve um erro no preenchimento da DACON original e que, por isso, faz jus ao reconhecimento do crédito. Para que se possa superar a questão de eventual erro de fato e analisar efetivamente o mérito da questão, deveriam estar presentes nos autos os elementos comprobatórios dos créditos alegados e necessários para que o julgador possa aferir a pertinência do crédito declarado, o que não se verifica no caso em tela. Fl. 52DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/09/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.901464/201217 Acórdão n.º 3801004.259 S3TE01 Fl. 53 5 No mais, considerandose que as informações prestadas na DCTF ou na DACON situamse na esfera de responsabilidade do próprio contribuinte, cabe a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I. Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. (...) Assim, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, falta ao crédito indicado pelo contribuinte certeza e liquidez, que são indispensáveis para a compensação pleiteada. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, para NÃO HOMOLOGAR o pedido de compensação. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 53DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/09/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10140.003635/2004-50
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2001
Ementa:
IRPF.OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO.CONTA CONJUNTA. FALTA DE INTIMAÇÃO DE TODOS OS COTITULARES.NULIDADE.
Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. Aplicação da Súmula CARF nº 29.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, de 1996.
Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS - DO ÔNUS DA PROVA.
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.Recurso provido em parte (Súmula CARF no.26).
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2202-002.737
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, dar provimento parcial para excluir da omissão apurada o valor de R$42.448,00.
(assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Presidente
(assinado digitalmente)
Dayse Fernandes Leite Relatora.
EDITADO EM: 20/08/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Lopo Martinez (Presidente), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Rafael Pandolfo, Pedro Anan Junior, Dayse Fernandes Leite (Suplente Convocada), Fabio Brun Goldschmidt.
Nome do relator: Carlos André Ribas de Mello, Relator.
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2001 Ementa: IRPF.OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO.CONTA CONJUNTA. FALTA DE INTIMAÇÃO DE TODOS OS COTITULARES.NULIDADE. Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. Aplicação da Súmula CARF nº 29. OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, de 1996. Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS - DO ÔNUS DA PROVA. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.Recurso provido em parte (Súmula CARF no.26). Recurso Voluntário Provido em Parte
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DEPÓSITO BANCÁRIO.CONTA CONJUNTA. FALTA DE INTIMAÇÃO DE TODOS OS COTITULARES.NULIDADE. Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. Aplicação da Súmula CARF nº 29. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, de 1996. Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS DO ÔNUS DA PROVA. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.Recurso provido em parte (Súmula CARF no.26). Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 14 0. 00 36 35 /2 00 4- 50 Fl. 332DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 20/08/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, dar provimento parcial para excluir da omissão apurada o valor de R$42.448,00. (assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez –Presidente (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite – Relatora. EDITADO EM: 20/08/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Lopo Martinez (Presidente), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Rafael Pandolfo, Pedro Anan Junior, Dayse Fernandes Leite (Suplente Convocada), Fabio Brun Goldschmidt. Relatório Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o Auto de Infração de fls 199 a 210, referente a Imposto de Renda Pessoa Física, ano calendário 2000, formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de R$ 21.356,04, acrescido de multa de ofício e juros de mora. A autuação decorreu da constatação da infração, conforme Relatório de Verificação Fiscal, que se encontra às fls 200/2002: 001 Omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em conta(s) de ,depósito ou de investimento, mantida(s) em instituição(6es) financeira(s), em relação . aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante .documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. No que se refere aos Depósitos bancários , a presente ação fiscal decorre da análise de informações fiscais fornecidas à RFB mediante utilização de dados da CPMF.Após intimação indicando o total da movimentação financeira do período fiscalizado, parte dos extratos bancários foram apresentados pelo Recorrente, sendo a outra parte obtida por meio de RMF. . Impugnou o lançamento (fls. 215/216), alegando, consoante o relatório da decisão de primeira instância, o seguinte: a) os depósitos, por si sós, não caracterizam rendimentos tributáveis, sendo imprescindível seja comprovada a utilização dos valores depositados como renda consumida, evidenciando sinais exteriores de riqueza, não sendo aqueles considerados como variação patrimonial, não se constituindo, portanto em fato gerador do imposto de renda; b) nem sempre o volume de depósitos injustificados leva a um rendimento omitido.Há que haver o nexo causal entre o depósito e o fato que representa a omissão; Fl. 333DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 20/08/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10140.003635/200450 Acórdão n.º 2202002.737 S2C2T2 Fl. 3 3 c) a presunção prevista no art. 42 da Lei n. 9.430/1996 é inadequada, uma vez que não há relação entre omissão de rendimentos e os depósitos bancários por diversos motivos e o tempo decorrido, aproximadamente cinco anos, o que impossibilita ao contribuinte a produção de provas exigidas pelo Fisco; d) as receitas informadas na DIRPF/2001 suprem os valores de depósitos levantados pelo Fisco. Ao final, requer o cancelamento do Auto de Infração e a extinção do feito administrativo. A 2ª Turma DRJ/CAMPO GRANDE (MS), conforme Acórdão 0411.870 de fls. 235 e ss, julgou procedente em parte o lançamento, nos termos da seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2000 INCONSTITUCIONALIDADE. É defeso em sede administrativa discutirse sobre a constitucionalidade das leis em vigor, cabendo o seu fiel cumprimento. PRESUNÇÃO LEGAL. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Tendose em vista o disposto no art. 42 da Lei n.º 9.430/96 que criou presunção legal, depósitos bancários cuja origem não for comprovada são considerados como rendimentos omitidos, podendo haver o correspondente lançamento de IRPF. Lançamento Procedente A ciência de tal julgado se deu em 06/06/2007, consoante o AR de fls. 24. Cientificado da aludida decisão, o contribuinte interpôs recurso voluntário em 04/07/2007 (fls. 250). Eis as alegações recursais Em apertada síntese, o recorrente: a) assevera que toda a documentação constante no presente processo – administrativo tributário, bem como a declaração de renda e 2001, relativa ao ano base de 2000, fornecem justificativas bastantes para os questionados depósitos, não persistindo situação de omissão de receita ou de rendimentos.; b) pondera que é pecuarista e que em suas constas circulam recursos de terceiros;c) nem sempre o volume de depósitos injustificados leva a um rendimento omitido. Há que haver o nexo causal entre o depósito e o fato que representa a omissão; d) a presunção prevista no art. 42 da Lei n. 9.430/1996 é inadequada, uma vez que não há relação entre omissão de rendimentos e os depósitos bancários por diversos motivos e o tempo decorrido, aproximadamente cinco anos, o que impossibilita ao contribuinte a produção de provas exigidas pelo Fisco. O julgamento foi sobrestado por meio da Resolução 2802000.106, porém com a revogação da norma regimental que prescrevia o sobrestamento de processos no CARF, o julgamento foi retomado. Fl. 334DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 20/08/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 É o relatório. Voto Conselheira Dayse Fernandes Leite, Relatora O Recurso é tempestivo e formalmente regular, razão pela qual dele tomo conhecimento. A autuação baseiase no demonstrativo de fls.208. A matéria de fundo é depósito bancário de origem não comprovada. Cabe registrar que a presunção legal de omissão de rendimentos com base nos depósitos bancários está condicionada apenas à falta de comprovação da origem dos recursos que transitaram, em nome do sujeito passivo, em instituições financeiras, ou seja, pelo artigo 42 da Lei n° 9.430/1996, temse a autorização para considerar ocorrido o“fato gerador” quando o contribuinte não logra comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária,não havendo a necessidade do fisco juntar qualquer outra prova. Cabe, entretanto, reconhecer um vício no lançamento. Conforme documentos trazidos aos autos a conta corrente 18920170202/ag. 1892 – Banco HSBC que também foi objeto do lançamento é conjunta com RICARDO CÉSAR CARROMEU DIAS . Ocorre que não houve intimação do cotitular, o que atrai o comando do enunciado da Súmula CARF nº 29. Súmula CARF nº 29: Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. Portanto, devese excluir do lançamento os depósitos efetuados na conta conjunta acima referida, dos seguintes valores: 30/03/2000 R$4.220,00 30/06/2000 R$13.526,00 30/06/2000 R$6.300,00 30/09/2000 R$18..402,00 Afastada a presunção em face dos depósitos da conta acima, remanesce a presunção das contas bancárias nº 1747875,agência 106,do BCN, no montante de R$2.419,44 e a conta nº 11071X,agência:33219, Banco do Brasil, no montante de R$48.500,00.para as quais a titularidade é individual. Fl. 335DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 20/08/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10140.003635/200450 Acórdão n.º 2202002.737 S2C2T2 Fl. 4 5 O lançamento fundamentase em depósitos bancários.A presunção legal de omissão de rendimentos com base nos depósitos bancários está condicionada apenas à falta de comprovação da origem dos recursos que transitaram, em nome do sujeito passivo, em instituições financeiras, ou seja, pelo artigo 42 da Lei n° 9.430/1996,temse a autorização para considerar ocorrido o“fato gerador” quando o contribuinte não logra comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, não havendo a necessidade do fisco juntar qualquer outra prova. No presente caso foi comprovado através de documentação e provas que o Contribuinte é titular das contas bancárias, sendo que o lançamento foi efetuado a partir da presunção relativa de omissão de rendimentos calcada em depósitos bancários de origem não demonstrada, nos termos artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Ainda que o recorrente tenha argumentado que a origem dos recursos seriam provenientes de recursos de terceiros, cabe ao recorrente demonstrar o que alega, comprovando cada depósito individualizadamente. Se.o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus acréscimos patrimoniais. Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art .42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Não houve demonstração por parte do Contribuinte através de provas hábeis, da origem dos valores depositados na sua conta bancária, sendo que o mesmo foi intimado para demonstrar que os valores depositados em sua conta bancária não representam rendimentos omitidos. Assim, podemos concluir que o Contribuinte não conseguiu demonstrar que não houve omissão de rendimentos, pois não apresentou nenhum documento ou prova que comprovariam que os depósitos efetuados contas bancárias nº 1747875, agência 106,do BCN e na conta nº 11071X, agência:33219, Banco do Brasil, possuíam origem isenta ou já submetida à tributação. Desta forma, é devida a presente tributação com base em depósitos bancários de origem não comprovada. Diante do exposto, devese DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir o valor de R$42.448,00 (Quarenta e dois mil, quatrocentos quarenta e oito reais), .da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários. É como voto. (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite – Relatora Fl. 336DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 20/08/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 Fl. 337DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 20/08/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
score : 1.0
Numero do processo: 13971.001962/2003-00
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1998
PRESCRIÇÃO. INOCORRÊNCIA.
Nos termos do Decreto n. 70.235/72, a impugnação suspende a exigibilidade do crédito tributário, não ocorrendo termo inicial para a contagem do prazo prescricional.
PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. INOCORRÊNCIA.
Instituto estranho ao processo administrativo fiscal federal, conforme Súmula CARF nº 11.
INCLUSÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO LANÇADO NO PAES. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO.
Não há nos autos elementos que possam vincular o crédito tributário objeto do presente processo administrativo em parcelamento especial, cabendo à Recorrente fazer a demonstração, uma vez que os débitos em litígio foram por ela constituídos em DCTF, e encontram-se em aberto nos sistema da Receita Federal.
INCONSTITUCIONALIDADE DA MULTA DE OFÍCIO.
Em relação à alegação de inconstitucionalidade da multa de ofício, não é cabível a sua apreciação em sede de contencioso administrativo, conforme prescreve a Súmula CARF nº 2.
Numero da decisão: 3201-001.611
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Joel Miyazaki Presidente
(assinado digitalmente)
Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo- Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Joel Miyazaki (Presidente), Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Adriene Maria de Miranda Veras. Ausente Justificadamente o Conselheiro Daniel Mariz Gudino.
Nome do relator: ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 1998 PRESCRIÇÃO. INOCORRÊNCIA. Nos termos do Decreto n. 70.235/72, a impugnação suspende a exigibilidade do crédito tributário, não ocorrendo termo inicial para a contagem do prazo prescricional. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. INOCORRÊNCIA. Instituto estranho ao processo administrativo fiscal federal, conforme Súmula CARF nº 11. INCLUSÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO LANÇADO NO PAES. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Não há nos autos elementos que possam vincular o crédito tributário objeto do presente processo administrativo em parcelamento especial, cabendo à Recorrente fazer a demonstração, uma vez que os débitos em litígio foram por ela constituídos em DCTF, e encontram-se em aberto nos sistema da Receita Federal. INCONSTITUCIONALIDADE DA MULTA DE OFÍCIO. Em relação à alegação de inconstitucionalidade da multa de ofício, não é cabível a sua apreciação em sede de contencioso administrativo, conforme prescreve a Súmula CARF nº 2.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1998 PRESCRIÇÃO. INOCORRÊNCIA. Nos termos do Decreto n. 70.235/72, a impugnação suspende a exigibilidade do crédito tributário, não ocorrendo termo inicial para a contagem do prazo prescricional. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. INOCORRÊNCIA. Instituto estranho ao processo administrativo fiscal federal, conforme Súmula CARF nº 11. INCLUSÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO LANÇADO NO PAES. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Não há nos autos elementos que possam vincular o crédito tributário objeto do presente processo administrativo em parcelamento especial, cabendo à Recorrente fazer a demonstração, uma vez que os débitos em litígio foram por ela constituídos em DCTF, e encontramse em aberto nos sistema da Receita Federal. INCONSTITUCIONALIDADE DA MULTA DE OFÍCIO. Em relação à alegação de inconstitucionalidade da multa de ofício, não é cabível a sua apreciação em sede de contencioso administrativo, conforme prescreve a Súmula CARF nº 2. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 19 62 /2 00 3- 00 Fl. 119DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 15/08/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki – Presidente (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Joel Miyazaki (Presidente), Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Adriene Maria de Miranda Veras. Ausente Justificadamente o Conselheiro Daniel Mariz Gudino. Relatório Referese o presente processo a auto de infração, referente ao anocalendário de 1998, para a exigência de R$ 5.807,88, acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora, a título de PIS, uma vez que os valores de débitos informados na DCTF não foram localizados. Para bem relatar os fatos, transcrevese o relatório da decisão proferida pela autoridade a quo: A contribuinte teve ciência do lançamento em 22 de julho de 2003 (v.folha 17). Inconformada com o lançamento, a contribuinte apresenta impugnação, em 22 de agosto de 2003, à folha 3, alegando que o valor lançado, de R$ 5.807,88, relativo aos períodos de apuração de agosto, novembro e dezembro de 1998, foram incluídos no PAES – Parcelamento Especial, homologado em 31 de julho de 2003, mediante Pedido de Parcelamento Especial, encaminhado em 29 de julho de 2003. Diante da alegação da contribuinte, a autoridade fiscal informa, à folha 22, que, da análise dos autos e consultando os sistemas envolvidos, concluiu que os débitos de PIS não foram incluídos no parcelamento do PAES, conforme documentos de folhas 18 e 19, bem como não havia registro em outro parcelamento especial e, portanto, não foi efetuada a revisão de ofício do lançamento. Ciente do Despacho da autoridade fiscal, a contribuinte apresenta aditamento à impugnação, às folhas 35 a 43, na qual, após a descrição dos fatos, expõe suas razões de contestação. No primeiro tópico das preliminares – Da Prescrição – Apresentação de Esclarecimentos – a contribuinte alega que não Fl. 120DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 15/08/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 13971.001962/200300 Acórdão n.º 3201001.611 S3C2T1 Fl. 94 3 impugnou o lançamento constante do Auto de Infração, apenas apresentou esclarecimentos acerca da inclusão dos débitos no Pedido de Parcelamento Especial PAES e, portanto, a pretensão para cobrança do débito fiscal estaria fulminada pela prescrição. Como segunda preliminar – Da prescrição intercorrente – a contribuinte alega que, como protocolou esclarecimentos em 20 de agosto de 2003 e somente em 06 de setembro de 2011 foi notificado da decisão administrativa que determinou a complementação da impugnação, teriam passados mais de cinco anos entre o protocolo da defesa e a decisão, caracterizando o lapso temporal da prescrição intercorrente, nos termos do artigo 24 da Lei nº11.457/2007. No mérito, a contribuinte repete a alegação de que os débitos foram incluídos no PAES, protocolado em 29 de julho de 2003. Explica que a inclusão do débito no PAES impedia a contribuinte de discutir administrativamente sua legalidade, mediante impugnação, nos termos o artigo 4º da Lei nº 10.684/2003. A contribuinte argumenta, ainda, que transcorridos mais de oito anos entre o protocolo do PAES e o recebimento da intimação para aditar a impugnação, não tem como verificar quais foram os fatos que impediram o correto processamento da opção de inclusão das parcelas do referido débito no PAES. Defende a interessada que a autoridade fiscal deveria, em tempo hábil, informar que, apesar de os débitos relacionados no auto de infração integrarem aqueles inscritos no PAES, a opção não restou processada. E, por fim, solicita o reprocessamento do Pedido de Parcelamento Especial nos termos da Lei nº 10.684/2008. No tópico denominado Da multa moratória e da multa de ofício, a contribuinte alega que espontaneamente incluiu o valor dos débitos no PAES e, portanto, resta afastada a multa de ofício, nos termos do artigo 138 do CTN, cabendo apenas a cobrança de multa moratória. No tópico seguinte – Da multa confiscatória – a contribuinte alega que a aplicação da multa de ofício tem caráter confiscatório, bem como afronta os princípios de proporcionalidade e razoabilidade. A Delegacia de Julgamento julgou improcedente a manifestação de inconformidade, em decisão assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário:1998 IMPUGNAÇÃO AO LANÇAMENTO. CONTENCIOSO. A apresentação de petição contestando o lançamento efetuado pela Delegacia de Receita Federal, mediante auto de infração, Fl. 121DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 15/08/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 4 caracteriza impugnação e inicia o contencioso, nos termos do Decreto nº 70.235/72. PROVA MATERIAL. COMPROVAÇÃO. Em sede de impugnação, somente poderão ser considerados os argumentos de caráter material, tais como a alegada inclusão dos débitos em programa de recuperação fiscal (PAES), que sejam comprovados. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1998 PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. INAPLICABILIDADE Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. Sobre os créditos tributários apurados em procedimento conduzido ex officio pela autoridade fiscal, aplicamse as multas de ofício previstas na legislação tributária. ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Na decisão ora recorrida entendeuse, em síntese, que: i. a Recorrente somente solicitou Pedido de Parcelamento Especial – PAES após a ciência do lançamento de ofício dos débitos de PIS, observandose que teve ciência do lançamento em 22 de julho de 2003 e somente em 29 de julho, do mesmo mês, protocolou pedido de parcelamento, o qual foi homologado em 31 de julho (2003); ii. ao solicitar o julgamento da improcedência do lançamento, com sua declaração de nulidade, teria contestado o auto de infração e dado início ao contencioso administrativo, nos termos do que estabelece o Decreto nº 70.235/72; iii.quanto à prescrição intercorrente, esta não se aplica no âmbito do processo administrativo fiscal,conforme se depreende da manifestação exarada por intermédio do Parecer COSIT nº 1, de 4 de janeiro de 2007 e súmulas do Primeiro e Segundo Conselhos de Contribuintes; Fl. 122DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 15/08/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 13971.001962/200300 Acórdão n.º 3201001.611 S3C2T1 Fl. 95 5 iv.no mérito, quanto à inclusão do crédito tributário lançado no PAES, que o deferimento ou não deste pedido não estaria dentro dos limites de competência das Delegacias da Receita Federal de Julgamento, que estaria restrita a apreciar as razões do sujeito passivo que se relacionam diretamente com a regularidade do lançamento tributário formalizado; v.os pedidos de parcelamento devem ser dirigidos diretamente à unidade da RFB que jurisdiciona o domicílio da contribuinte; vi. não se considera “espontaneamente declarado” débito informado como pago em DCTF, à época dos fatos geradores, de maneira que a falta de recolhimento do tributo, apurada em lançamento de ofício, enseja o lançamento da multa de 75%, prevista no artigo 44, da Lei n. 9.430/96; vii. a alegação de inconstitucionalidade na aplicação da multa de ofício de 75% nas instâncias administrativas não podem ser apreciadas, por falta de competência. Em sede de recurso voluntário, a Recorrente reiterou os argumentos da impugnação. É o relatório. Voto Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Relatora O presente recurso preenche as condições de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Inicialmente, a Recorrente alega preliminar de prescrição, pois teria apresentado petição de esclarecimentos, que não teriam a natureza de impugnação ao lançamento, portanto, constituído o crédito à época. A decisão recorrida é irretocável nesse ponto, uma vez que independentemente, do nomen iuris que a Recorrente tenha dado à petição apresentada, apresenta a natureza de defesa, nos termos do Decreto n. 70.235/72, o que é corroborado pela sua própria atuação processual até o presente recurso voluntário, de sorte que há suspensão da exigibilidade do crédito tributário e, assim, não há sua constituição definitiva, para efeitos de termo inicial para a contagem do prazo prescricional. Portanto, não há de ser acatada a preliminar de prescrição. Quanto à segunda preliminar, de prescrição intercorrente, da mesma forma não pode ser acatada, mantendose a decisão recorrida, na medida em que este é instituto estranho ao processo administrativo fiscal federal, conforme Súmula CARF nº 11 que enuncia: “não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal”. No mérito, quanto à inclusão do crédito tributário lançado no PAES, a decisão recorrida afirma que o deferimento ou não deste pedido não estaria dentro dos limites Fl. 123DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 15/08/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 6 de competência das Delegacias da Receita Federal de Julgamento, restringindose a apreciar a regularidade do lançamento tributário formalizado. Não obstante, é certo que se de fato houve a inclusão dos referidos débitos PIS código 8109 ref. 08/1998, 11/1998 e 12/1998 em parcelamento especial, ainda que após a notificação de lançamento, haveria a probabilidade de haver duplicidade de cobrança do crédito tributário, e o enriquecimento sem causa do Estado. Na própria decisão recorrida, fazse menção ao pedido de parcelamento e à sua homologação. Contudo, ao se compulsar os autos, especialmente as fls. 04 e 05, em que consta cópia de DARF de recolhimento no valor de R$2000,00 (dois mil reais), bem como o formulário de adesão ao PAES, não há quaisquer elementos que possam vinculálos ao crédito tributário objeto do presente processo administrativo, cabendo à Recorrente fazer a demonstração, uma vez que os débitos em litígio foram por ela constituídos em DCTF e encontramse em aberto nos sistema da Receita Federal. Em relação à aplicação da multa de ofícios e aos juros moratórios, o fato de a adesão ao PAES ter ocorrido após a ciência do lançamento de ofício, pois a contribuinte teve ciência do lançamento em 22 de julho de 2003 e somente em 29 de julho, do mesmo mês, protocolou o pedido, impede que se aplique a regra do art.138 do CTN, como requereu a Recorrente, como, aliás, tem se posicionado de forma assente, essa Corte Administrativa. Finalmente, em relação à alegação de inconstitucionalidade da multa de ofício, não é cabível a sua apreciação em sede de contencioso administrativo, conforme prescreve a Súmula CARF nº 2, que determina que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Em face do exposto, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Fl. 124DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 15/08/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
score : 1.0
Numero do processo: 36202.002476/2007-31
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Exercício: 1997,1998,1999
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL.
Em face da inconstitucionalidade declarada do art. 45 da Lei n. 8.212/1991 pelo Supremo Tribunal Federal diversas vezes, inclusive na forma da Súmula Vinculante n. 08, o prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, ou do art. 173, ambos do Código Tributário Nacional, conforme o modalidade de lançamento.
Recurso Voluntário Provido- Crédito Tributário Extinto
Numero da decisão: 2803-003.267
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator, em razão da decadência.
(Assinado Digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
Gustavo Vettorato - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Paulo Roberto Lara dos Santos, Amilcar Barca Teixeira Júnior.
Nome do relator: GUSTAVO VETTORATO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Exercício: 1997,1998,1999 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. Em face da inconstitucionalidade declarada do art. 45 da Lei n. 8.212/1991 pelo Supremo Tribunal Federal diversas vezes, inclusive na forma da Súmula Vinculante n. 08, o prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, ou do art. 173, ambos do Código Tributário Nacional, conforme o modalidade de lançamento. Recurso Voluntário Provido- Crédito Tributário Extinto
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator, em razão da decadência. (Assinado Digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima - Presidente. (Assinado Digitalmente) Gustavo Vettorato - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Paulo Roberto Lara dos Santos, Amilcar Barca Teixeira Júnior.
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DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. Em face da inconstitucionalidade declarada do art. 45 da Lei n. 8.212/1991 pelo Supremo Tribunal Federal diversas vezes, inclusive na forma da Súmula Vinculante n. 08, o prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, ou do art. 173, ambos do Código Tributário Nacional, conforme o modalidade de lançamento. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Extinto Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator, em razão da decadência. (Assinado Digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado Digitalmente) Gustavo Vettorato Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Paulo Roberto Lara dos Santos, Amilcar Barca Teixeira Júnior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 36 20 2. 00 24 76 /2 00 7- 31 Fl. 526DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 po r HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por GUSTAVO VETTORATO Processo nº 36202.002476/200731 Acórdão n.º 2803003.267 S2TE03 Fl. 514 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário que busca a reforma de decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento que manteve integralmente o lançamento do crédito tributário oriundo de contribuições incidentes sobre pagamentos aos funcionários a título de seguro de vida de forma irregular, realizadas a título de indenização referentes aos períodos entre 01/01/1997 a 30/11/1999, a ciência do lançamento foi em 13.06.2007. O recurso foi tempestivo, e alegou a extinção da decadência total dos créditos, em razão do prazo qüinqüenal do art. 150,§4º, do CTN. Os autos vieram a presente 3ª Turma Especial da 2ª Seção de Julgamento do CARFMF para apreciação e julgamento do recurso voluntário. Os autos vieram à turma especial. É o relatório. Fl. 527DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 po r HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por GUSTAVO VETTORATO Processo nº 36202.002476/200731 Acórdão n.º 2803003.267 S2TE03 Fl. 515 3 Voto Conselheiro Gustavo Vettorato O recurso é tempestivo, preenchendo os requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. Em face à análise do Recurso e dos autos do processo, atentase à extinção dos créditos constituídos em razão da ocorrência de decadência. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado e obrigatório à administração pública, emitiu a Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, que pacificou o entendimento da inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991, nestas palavras: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme previsto no art. 103A da Constituição Federal a Súmula de n º 8 vincula toda a Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála. Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n º 8.212, há que serem observadas as regras previstas no Código Tributário Nacional. Observese a NFLD é referente às fatos geradores são dos períodos de 01/01/1997 a 30/11/1999, a ciência inaugural do lançamento ocorreu em 13.06.2007. Neste caso, a natureza das contribuições lançadas são tendentes ao lançamento por homologação (art. 150, do CTN), em que conforme os relatórios de discriminativos da fiscalização houve pagamentos parciais nas referidas competências. Conforme a súmula n. 99, do CARF, assim, deverseá aplicar a regra decadencial disposta no art. 150, §4º, CTN, ou seja, da ocorrência de decadência e extinção do direito da Fazenda Pública em constituir o crédito após de 5(cinco) anos a partir da data do fato gerador, em que nas competências houve pagamento parcial das contribuições previdenciárias. De qualquer forma, em razão da diferença de datas, mesmo na regra do art. 173, I, do CTN, o resultado seria o mesmo. Dessa forma, por qualquer uma das regras, haveria a extinção do credito lançado, em razão da decadência da obrigação tributária. Fl. 528DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 po r HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por GUSTAVO VETTORATO Processo nº 36202.002476/200731 Acórdão n.º 2803003.267 S2TE03 Fl. 516 4 Isso posto, voto por conhecer o recurso, para, no mérito, darlhe total provimento, no sentido de reformar a decisão recorrida, decretar o cancelamento do lançamento e extinguir o respectivo crédito, em razão da ocorrência da decadência prevista no art. 150, §4º, do Código Tributário Nacional. (assinado digitalmente) Gustavo Vettorato – Relator Fl. 529DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 po r HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por GUSTAVO VETTORATO
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Numero do processo: 13308.000190/2002-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002
IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO. NECESSIDADE.
O direito ao crédito presumido de que trata a Lei nº 9.363/96, como de resto qualquer espécie de ressarcimento e/ou repetição de indébito, exige a apresentação de documentação hábil à demonstração e quantificação do direito pleiteado, não se prestando a tal desiderato conjunto probatório insuficiente e/ou inconsistente, que não permita a realização das aferições necessárias.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3401-002.494
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Fernando Cleto, Jean Cleuter e Ângela Sartori, que davam provimento. Designado o Conselheiro Robson José Bayerl. O Conselheiro Júlio Ramos fará declaração de voto.
Júlio César Alves Ramos Presidente e Declaração de Voto
Fernando Marques Cleto Duarte - Relator.
Robson José Bayerl - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson Jose Bayerl (Substituto), Jean Cleuter Simões Mendonca, Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente), Fernando Marques Cleto Duarte e Angela Sartori.
Nome do relator: FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE
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CRÉDITO PRESUMIDO. DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO. NECESSIDADE. O direito ao crédito presumido de que trata a Lei nº 9.363/96, como de resto qualquer espécie de ressarcimento e/ou repetição de indébito, exige a apresentação de documentação hábil à demonstração e quantificação do direito pleiteado, não se prestando a tal desiderato conjunto probatório insuficiente e/ou inconsistente, que não permita a realização das aferições necessárias. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Fernando Cleto, Jean Cleuter e Ângela Sartori, que davam provimento. Designado o Conselheiro Robson José Bayerl. O Conselheiro Júlio Ramos fará declaração de voto. Júlio César Alves Ramos – Presidente e Declaração de Voto Fernando Marques Cleto Duarte Relator. Robson José Bayerl Redator designado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 30 8. 00 01 90 /2 00 2- 22 Fl. 264DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/04/2 014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, A ssinado digitalmente em 01/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson Jose Bayerl (Substituto), Jean Cleuter Simões Mendonca, Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente), Fernando Marques Cleto Duarte e Angela Sartori. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pela contribuinte Canindé Calçados Ltda em face de acórdão proferido pela delegacia da Receita Federal de Julgamento de Belém (PA) (fls. 458/468), cuja ementa transcrevo: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002 DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. É vedada, em dado processo administrativo, a extensão dos efeitos de outras decisões, por não se constituírem em normas complementares do Direito Tributário. Isso porque foram proferidas por órgãos colegiados sem, entretanto, uma lei que lhes atribua eficácia normativa, como é exemplo a edição de súmula administrativa, na forma do artigo 26A do Decreto 70.235/1972 (incluído pela Lei n° 11.196/2005). PEDIDO DE PERÍCIA. Deve ser indeferido o pedido de perícia, quando for prescindível para o deslinde da questão a ser apreciada ou se o processo contiver os elementos necessários para a formação da livre convicção do julgador. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS — IPI Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. LIQUIDEZ E CERTEZA. O ressarcimento autorizado pelo artigo 10 da Lei n° 9.363/1996, vinculase ao preenchimento das condições e requisitos determinados pela legislação tributária que rege a matéria. Na ausência de provas nos autos que indiquem a certeza e a liquidez do crédito pleiteado, impõese o indeferimento do pleito. COMPENSAÇÃO. RESSARCIMENTO. DEPENDÊNCIA. A declaração de compensação só pode ser homologada em razão do deferimento dos correspondentes créditos em pedido de ressarcimento. JUROS COMPENSATÓRIOS. RESSARCIMENTO. Fl. 265DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/04/2 014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, A ssinado digitalmente em 01/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13308.000190/200222 Acórdão n.º 3401002.494 S3C4T1 Fl. 13 3 Não incidirão juros compensatórios no ressarcimento de créditos do IPI, da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, bem como na compensação de referidos créditos. A contribuinte formulou, em 08/10/2002, pedido de ressarcimento de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), no valor original de R$ 1.548.353,13 (fl. 01), referente ao 2° trimestre de 2002, com fundamento no artigo 1º da Lei no 9.363/1996. Também constam do presente processo os pedidos de compensação de fls. 7682 e 104110 (valores repetidos em relação às fls. 7682; e o apensamento do processo n° 10380.001180/200324 com pedido de compensação na fl. 01. O Serviço de Fiscalização da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Fortaleza, após procedimento fiscal que visou à comprovação e aferição dos valores pleiteados pelo contribuinte, opinou pelo indeferimento total do crédito, conforme Termo de Verificação Fiscal (fls. 116/144). Em 09.03.2006, por intermédio do Despacho Decisório de fls. 286289, a Delegacia da Receita Federal em Fortaleza indeferiu o pedido de ressarcimento em tela e não homologou as compensações pleiteadas. A contribuinte apresentou, em 08.06.2006, a manifestação de inconformidade de fls. 297325, na qual alegou, em síntese: a) Vários fatos ocorridos no curso do procedimento fiscal induziriam ofensa ao seu direito de defesa. Aponta que a fiscalização, com o mero propósito de prejudicála, relacionou no Termo de Verificação Fiscal processos que não constavam do respectivo Termo de Início. Outrossim, por ocasião da despacho decisório, além de expedir um Comunicado, ameaçando a inclusão dos débitos (para os quais o contribuinte requerera a compensação) em dívida ativa, nada mencionou sobre a possibilidade de o contribuinte apresentar manifestação de inconformidade em relação decisão à unidade de origem; b) A matéria referente ao crédito presumido de IPI para ressarcimento do PIS/Cofms, instituído pela Lei n° 9.363/1996, é de simples compreensão e aplicação, sendo que foram disponibilizados à fiscalização, a partir de dados retirados dos controles de estoque e livros fiscais existentes, quadros demonstrativos de exportação e movimentação contábil dos insumos. Com base na legislação pertinente e nos quadros demonstrativos apresentados, o que a fiscalização deveria ter verificado era: se as matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem foram adquiridas no mercado nacional; se tais aquisições amparavam se em documentos fiscais hábeis, idôneos e se estavam devidamente registradas nos livros fiscais; se as exportações informadas foram efetivamente realizadas; se as receitas totais correspondem àquelas informadas em outras declarações decorrentes de obrigações acessórias; se o cálculo da relação Receita de Exportação/Receitas Totais encontravase correto; e se o cálculo do crédito presumido encontravase correto. Ressalta que, "com um pouco de boa vontade", poderseia facilmente constatar "onde e para que finalidade foram utilizados todos os insumos adquiridos pela contribuinte", que é empresa "quase que exclusivamente exportadora". c) Tomando em conta sua premissa de que a legislação pertinente é de fácil aplicação, sustenta não haver qualquer razoabilidade nas solicitações emanadas da fiscalização, que envolveriam milhares de documentos fiscais, cujo atendimento se fazia quase impossível no prazo concedido, pelo que sustenta que "o agente fiscal tinha certeza de que a empresa não Fl. 266DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/04/2 014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, A ssinado digitalmente em 01/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 teria condições de atender as solicitações, no formato pedido", sendo que "sua intenção era alegar improcedentes os pedidos do contribuinte, mesmo antes de iniciarse a verificação fiscal". d) Acresce que "disponibilizou todas as notas fiscais de compras e de vendas; os livros fiscais de entradas e saídas de mercadorias; os livros de inventários; os documentos de exportação; os livros razões e diários; bem como as fichas técnicas de produção que serviriam de base para a confecção das fichas de custos dos materiais utilizados, em cada modelo fabricado", documentos os quais seriam "mais que suficientes para confirmar as exportações realizadas, bem como a aquisição dos insumos utilizados na sua produção". Observa, ainda, que mesmo que tivesse condições de atender as informações requeridas, a fiscalização "levaria décadas para analisálas", indicando que, em caso de dúvida quanto aos insumos e respectivas quantidades utilizadas na fabricação dos calçados exportados, bastaria haverse "multiplicado a quantidade de calçados exportados de cada modelo, pela quantidade de insumos definidos nas fichas de custos dos materiais por modelo". e) Invoca o art. 90, IV, do Decreto n° 2.637/1998 (Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados — RIPI/1998), para asseverar que a hipótese normativa diz respeito exatamente àss operações que realiza, quais sejam: idealiza os produtos finais, define os processos de industrialização, define a quantidade e qualidade dos materiais a serem utilizados na produção, adquire todos os insumos e os remete a outras empresas para industrialização. Desta forma, afirma que "nas vendas para o mercado interno dos produtos finais, se tributáveis, a responsável pelo pagamento do IPI é a contribuinte, não as empresas que realizaram o beneficiamento do couro ou de qualquer outra industrialização. Assim, os créditos sobre os insumos, também, pertencem à contribuinte, inclusive o crédito presumido de IPI para ressarcimento do PIS e Cofins". Aduziu também a ementa do Acórdão n° 20214.834 do Conselho de Contribuintes. f) Registra que o não reconhecimento do direito líquido e certo ao crédito presumido causará um total desequilíbrio em seu fluxo de caixa, uma vez que na formação do preço final de venda dos seus produtos foram deduzidos os valores relativos ao ressarcimento pleiteado. A DRJ de Belém não acolheu as ponderações da contribuinte, indeferindo o pedido de ressarcimento e considerando não homologadas as declarações de compensações. Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 471/496), reiterando as alegações trazidas em sua manifestação de inconformidade, pleiteando a reforma da decisão com o consequente deferimento do ressarcimento da contribuinte. Remetidos os autos a este Conselho, foi distribuído para a 2ª Turma, da 2ª Câmara da Segunda Seção, cabendo a relatoria à conselheira Nayra Bastos Manatta, a qual converteu o julgamento em diligência, entendendo necessário que a fiscalização se pronunciasse sobre o cumprimento de cada um dos requisitos previstos na Lei n° 9.363, de 1996, para fruição do benefício em tela, respondendo, objetivamente, se, à vista dos documentos fiscais e escrita fiscal e contábil da recorrente, é possível, para o período de apuração de que tratam estes autos: a) calculando o valor total das aquisições de MP, PI e ME; e; b) apurando as receitas operacional bruta e de exportação. Solicitou a conselheira, ainda, que se apurasse a base de cálculo e o crédito presumido, na forma da Lei nº 9.363, de 1996, apresentando ainda descrição detalhada do processo produtivo da recorrente (fls. 499/450). Fl. 267DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/04/2 014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, A ssinado digitalmente em 01/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13308.000190/200222 Acórdão n.º 3401002.494 S3C4T1 Fl. 14 5 Baixado o processo em diligência, a DRF não apresentou o quanto solicitado, limitandose a informar que foram solicitados os arquivos á contribuinte, por diversas vezes, e esta não os apresentou. O processo retornou a este Conselho, cabendo a mim a relatoria. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Fernando Marques Cleto Duarte DA ADMISSIBILIDADE O recurso é tempestivo e presentes se encontram os demais requisitos para a sua admissibilidade, razão pela qual dele eu conheço. DO MÉRITO DO RECURSO Ainda que a diligência solicitada pela Conselheira Nayra Bastos Manatta não tenha sido cumprida pela DRJ na forma requerida, entendo que o processo encontrase apto a apreciação, mormente porque a matéria aqui discutida não é nova neste Conselho, bem como a própria contribuinte já teve diversos casos análogos apreciados, razão pela qual adoto as razões de decidir do Conselheiro Flávio de Sá Munhoz, no Processo nº 13308.000054/9994, da mesma contribuinte. Como ressaltado, observo que há nos autos elementos suficientes à apreciação do pedido (foram juntadas aos autos as Notas Fiscais de aquisição de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem, as Fichas Quantitativas de Controle de Estoques, as Notas fiscais de Exportação, etc) e que, por ocasião da execução da decisão terá a autoridade oportunidade de conferir os documentos juntados aos autos, confrontando os com as bases de cálculo adotadas para o cálculo do incentivo, inclusive ajustando o calculo de acordo com o método PEPS, se tal alterar o valor do pedido formulado. Também observo que não há nos autos discussão nem evidência de que teriam sido incluídos na base de cálculo do crédito presumido valores cobrados pelos industrializadores a titulo de mãodeobra pelas industrializações procedidas, cuja validade entendo restrita às hipóteses nas quais a industrialização realizada seja operação intercalar seguida de nova industrialização pelo encomendanteexportador, conforme orientação jurisprudencial das e, Câmaras deste Segundo Conselho e da c. Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (Ac. 20215.733. Rel. Antônio Carlos Bueno Ribeiro, Sessão de 11/8/2004 e Ac. CSRF/0201.906, Rel. Dalton César Cordeiro de Miranda, Sessão de 12/4/2005). No caso dos autos, ficou demonstrado que os pedidos incluíram apenas o valor das aquisições das matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos pela Recorrente e por esta remetidos para industrialização em estabelecimentos de Fl. 268DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/04/2 014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, A ssinado digitalmente em 01/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 6 terceiros, dentre os quais diversas cooperativas de trabalhadores constituídas de acordo modelo provido ao empreendimento da Recorrente pelo Governo do Estado do Ceará. De acordo com as informações fiscais e a documentação que integra os autos, observase de inicio que tais cooperativas sempre funcionaram dentro do estabelecimento da Recorrente, e as industrializações foram realizadas com a utilização de maquinário de propriedade desta, cedido em comodato, razão pela qual podese afirmar que não houve, propriamente, saídas para industrialização, sendo correto também a firmar que tais penas consubstanciaram operações fictas, o que torna de menor relevância as alegadas irregularidades nas remessas e retornos de industrialização que, de fato, não ocorreram. Feitas essas considerações prévias, passo A análise do direito postulado. O direito ao ressarcimento de crédito presumido de IPI tem por fundamento o art. 1° da Lei n° 9.363, de 13 de Dezembro de 1996, assim redigido: "Art. 1º. A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nºs 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim especifico de exportação para o exterior." Observo que para a configuração do direto é necessário que a a exportação seja decorrente de produção no país e com a utilização de MatériasPrimasMP, Produtos IntermediáriosPI e Material de EmbalagemME adquiridos no mercado interno. É, portanto, um incentivo à produção nacional e à exportação da produção ao exterior, mediante o ressarcimento de tributos que presumidamente oneraram o ciclo produtivo (5,37% correspondia a duas vezes em forma composta a soma das alíquotas das exações internas PIS e Cofins). É fato que as aquisições de MP, PI e ME colacionadas nas NotasFiscais que integram os autos foram procedidas no mercado interno e que os fornecedores se sujeitaram às exações PIS e Cofins (embora essa incidência na fase imediatamente anterior não seja necessariamente relevante no entendimento prevalente no âmbito deste e. Conselho). Nesse sentido, a base de cálculo do incentivo à exportação criado vem definida nas disposições do art. 2°da citada Lei n° 9.363/96: "Art.2º A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador. §1º. O crédito fiscal será o resultado da aplicação do percentual de 5,37% obre a base decálculo definida neste artigo. Fl. 269DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/04/2 014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, A ssinado digitalmente em 01/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13308.000190/200222 Acórdão n.º 3401002.494 S3C4T1 Fl. 15 7 2º No caso de empresa com mais de um estabelecimento produtor exportador, a apuração do crédito presumido poderá ser centralizada na matriz. §3º. O crédito presumido, apurado na forma do parágrafo anterior, poderá ser transferido para qualquer estabelecimento da empresa para efeito de compensação com o Imposto sobre Produtos Industrializados, observadas as normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal. Resta analisar se, para os fins do direito pleiteado, deve ser adotado o conceito de "empresa produtora" ou de "estabelecimento produtor” tal com definidos na legislação de regência do In ou se tal utilização, indicada subsidiária pela Lei n° 9.363/96, eliminaria por completo, no modelo de produção adotado pela Recorrente, o incentivo outorgado às exportações. Conforme acima mencionado, de fato, as operações de industrialização foram realizadas no próprio estabelecimento da Recorrente, em operações fictas de industrialização, razão suficiente à consideração do direito aos créditos postulados em face do enquadramento da Recorrente no conceito de estabelecimento produtor. Ainda que assim não fosse, estaria a Recorrente equiparada a estabelecimento produtor e, como tal, teria o direito ao crédito do IPI. Nesse sentido, confirase a redação dos dispositivos a seguir transcritos: Lei n°9.363/96: Art.3º. Para os efeitos desta Lei, a apuração do montante da receita operacional bruta, da receita de exportação e do valor das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem será efetuada nos termos das normas que regem a incidência das contribuições referidas no art. 1º, tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor exportador. Parágrafo único. Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem." A Lei n° 4.502, de 30 de Novembro de 1964 estabelece o conceito de estabelecimento produtor: "Art. 3º Considerase estabelecimento produtor todo aquele que industrializar produtos sujeitos ao imposto. Parágrafo ártico. Para os efeitos deste artigo, considerase industrialização qualquer operação de que resulte alteração da natureza, funcionamento, utilização, acabamento ou apresentação do produto, salvo: I o conserto de máquinas, aparelhos e objetos pertencentes a terceiros; Fl. 270DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/04/2 014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, A ssinado digitalmente em 01/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 8 II o acondicionamento destinado apenas ao transporte do produto; III o preparo de medicamentos oficinais ou magistrais manipulados em farmácias, para venda no varejo, diretamente ao consumidor, assim como a montagem de óculos, mediante receita médica; IV a mistura de tintas entre si, ou com concentrados de pigmentos, sob encomenda do consumidor ou usuário, realizada em estabelecimento varejista, efetuada por máquina automática ou manual, desde que fabricante e varejista não sejam empresas interdependentes, controladora, controlada ou coligadas. "Art. 4° Equiparamse a estabelecimento produtor, para todos os efeitos desta Lei: (...) III os que enviarem a estabelecimento de terceiro, matériaprima, produto intermediário, moldes, matrizes ou modelos destinados à industrialização de produtos de seu comércio." De acordo com as disposições da Lei n° 4.502/64 reproduzidas linhas atrás, são equiparados a produtores e, portanto, dotados de todos os direitos e obrigações decorrentes da equiparação os estabelecimentos remetentes de insumos para industrialização em estabelecimento de terceiros, tal como procedido no presente caso, razão que considero suficiente ao reconhecimento do direito ora postulado. Observo finalmente que ainda que se entenda não alcançada a situação em análise no conceito de produtor fixado pela lei por equiparação, o que se admite apenas por amor à argumentação, ainda assim, digno de nota e relevante ao desfecho da controvérsia aqui instaurada, o posicionamento da C. 3 Câmara deste e. Segundo Conselho de Contribuintes que, por maioria de votos, embora analisando situação diversa, de produção de produtos NT, não sujeitos ao imposto, corretamente decidiu pelo direito ao crédito em razão da finalidade precípua da norma, conforme transcrição da ementa: IPI. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI CONCEITO DE PRODUTOR PARA EFEITO DO RESSARCIMENTO ASSEGURADO PELA LEI N° 9.363/96. A Lei n° 9.363/96 somente reclama o aproveitamento da legislação regente do IPI nos casos especificamente aludidos no parágrafo único, de seu artigo 3 0, no qual não se inclui a figura do 'produtor'. Não se pode invocar o conceito de produtor, prescrito no artigo 3° da Lei n° 4.502/64, na tentativa de restringirse a fruição do crédito presumido de IPI, posto ser inconciliável com a teleologia do incentivo, notadamente a de promover as plenas recuperações do PIS e da Cofins que gravaram as passagens da produção da mercadoria conduzida à exportação. Recurso provido"(Acórdão 20310.269, Relator César Piantavigna, julgado em sessão de 07 de julho de 2005) Por derradeiro, deve ser apreciado o pedido relativo à aplicação da taxa Selic. O ressarcimento é uma espécie do gênero restituição, razão pela qual as regras atinentes à restituição também devem ser aplicadas ao ressarcimento. Fl. 271DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/04/2 014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, A ssinado digitalmente em 01/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13308.000190/200222 Acórdão n.º 3401002.494 S3C4T1 Fl. 16 9 Assim, incide a taxaSelic sobre o valor a ser ressarcido, a partir da data de protocolo do pedido de ressarcimento, em decorrência da aplicação do art. 39, § 40 da Lei n° 9.250/95. A matéria já se encontra pacificada na jurisprudência da C. Segunda Turma da E. Câmara Superior de Recursos Fiscais , nos termos do Acórdão CSRF/0201.160, relatado pelo I. Conselheiro Dalton César Cordeiro de Miranda, a seguir parcialmente transcrito: Ora, diante de tais considerações, por imposição, dos princípios constitucionais da isonomia e da moralidade, nada mais justo que ao contribuinte titular do crédito incentivado de IPI, a quem, antes desta suposta extinção da correção monetária, se garantia, por aplicação analógica do artigo 66, § 3o, da Lei 8.383/91, conforme autorizado pelo art. 108, I, do Código Tributário Nacional, direito à correção monetária e sem que tenha existido disposição expressa neste sentido com relação aos créditos incentivados sob exame , se garanta agora direito à aplicação da denominada Taxa SELIC sobre seu crédito, também por aplicação analógica de dispositivo da legislação tributária, desta feita o art. 39, § 4o, da Lei 9.250/95 que determina a incidência da mencionada taxa sobre indébitos tributários a partir do pagamento indevido , crédito este que em caso contrário restará minorado pelos efeitos de uma inflação enfraquecida, mas ainda verificável sobre o valor da moeda. Isto posto, deve ser aplicada a Taxa Selic a partir do protocolo do pedido de ressarcimento. Com essas considerações, voto pelo provimento parcial do presente recurso, para reconhecer o direito ao ressarcimento do IPI calculado sobre o valor das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem procedidas pela Recorrente e aplicados na industrialização por terceiros de produtos exportados pela Recorrente, na forma prevista pela Lei n° 9.363/96, acrescido pela variação da taxa Selic a partir da formulação dos pedidos. Fica ressalvado o direito de a administração conferir os cálculos procedidos, confrontandoos com os valores da Notas Fernando Marques Cleto Duarte Relator Voto Vencedor Conselheiro Robson José Bayerl, Redator Designado Com as costumeiras vênias, divirjo do posicionamento estampado no voto proferido pelo eminente Conselheiro Relator. Revendo o inteiro teor do caderno processual, concluí que o contribuinte não instruiu adequadamente o seu pedido de ressarcimento, tampouco logrou êxito em atender as demandas apresentadas pelas autoridades fiscais com a finalidade de proceder aos exames necessários ao reconhecimento do direito creditório. Com efeito, inicialmente, o contribuinte apresentou cópia do Livro Registro de Apuração do IPI e DCTF. Fl. 272DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/04/2 014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, A ssinado digitalmente em 01/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 10 Iniciada a ação fiscal, após intimação, a empresa descreveu o seu processo de produção, indicando que se trataria de industrialização por encomenda. Na oportunidade foi apresentado apenas um extrato do que seria um registro de controle da produção e do estoque (fls. 200/203), além de um pedido de prorrogação de prazo para atendimento à intimação, datado de 23/03/2004. Em 08/04/2004 a empresa apresentou parte da documentação solicitada. Em 19/04/2004 o contribuinte deduziu arrazoado onde afirmou que toda a documentação e questionamentos realizados já fora atendido em outras fiscalizações realizadas anteriormente, bem como, citou jurisprudência para defender a desnecessidade de todos os elementos exigidos para reconhecimento do direito de crédito vindicado. Na ocasião foi apresentado um rol de insumos adquiridos para industrialização e demonstrativo de valores da DCP. Na seqüência da fiscalização, o que se vê é uma série de respostas evasivas onde o contribuinte reiteradamente se esquiva de apresentar os documentos exigidos e atender à fiscalização, ora defendendo a desnecessidade dos elementos exigidos, ora afirmando que, de certa forma, já os teria apresentado ou atendido, ora simplesmente requerendo dilação de prazo. Segundo despacho de fls. 286/288 o direito de crédito não foi denegado pela ausência do direito postulado, mas sim pela insuficiência de sua comprovação, haja vista que os elementos disponibilizados pelo contribuinte não conduziam à procedência do pedido. Em manifestação de inconformidade o contribuinte se limitou a questionar o procedimento fiscal e as exigências formalizadas pela autoridade fiscal, não apresentando qualquer elemento novo que pudesse respaldar a sua pretensão, ressalvada a referência a um acórdão exarado pela Quarta Câmara do extinto Segundo Conselho de Contribuintes, que examinou pedido semelhante da mesma empresa e, em tese, acolhera seu pleito. Ora, sob o aspecto da instrução probatória do processo, por parte do contribuinte requerente, não merece qualquer reparo a decisão de primeira instância administrativa. Destarte, nos termos do art. 333 do Código de Processo Civil, utilizado subsidiariamente no processo administrativo fiscal, seria atribuição do contribuinte a demonstração e prova do direito alegado, eis que, segundo aludido dispositivo, o ônus de provar o fato constitutivo do direito pertence ao autor, o que, nas hipóteses de pedido de restituição e/ou ressarcimento, atribuise ao sujeito passivo, que é o titular do direito, enquanto nos lançamentos para exigência de crédito tributário este encargo pertence ao sujeito ativo, o Estado, representado pelo Fisco Federal. Nestes autos, a incumbência da prova caberia então ao requerente, que não se desvencilhou de produzila, não se prestando as diligências e perícias a suprir uma obrigação que seria sua, isto é, não é o escopo de tais procedimentos a produção de prova, seja para a Administração Tributária, seja para o contribuinte. No caso vertente, pelo exame dos termos de intimação lavrados, não há qualquer documento ou informação exigida que não encontre respaldo nos atos administrativos que normatizam o crédito presumido, tais como o Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados – RIPI/98 (Decreto nº 2.637/98), a Portaria MF 38/97 e as Instruções Normativas SRF 021/97 e 103/97, então vigentes, como bem salientado pela decisão recorrida. Fl. 273DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/04/2 014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, A ssinado digitalmente em 01/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13308.000190/200222 Acórdão n.º 3401002.494 S3C4T1 Fl. 17 11 Como não bastasse, dos documentos apresentados, várias inconsistências foram apontadas pela autoridade fiscal para reputar estes elementos de prova como imprestáveis à demonstração do direito. Outrossim, o fato de a fiscalização exigir várias informações e documentos para reconhecimento de valores a ressarcir não milita em favor do contribuinte, pois, além de consubstanciar decorrência natural dos procedimentos administrativos, presumese que todo o documentário fiscal apto a demonstrar e quantificar o direito requerido já esteja em perfeita ordem desde o momento da formalização de seu requerimento, principalmente porque, no caso dos autos, este não era o primeiro procedimento de conferência a que se submetia o requerente. Tenho, também, que não compita ao contribuinte aquilatar a necessidade de entrega de tal ou qual documento ou informação exigidos pela autoridade fiscal com respaldo na legislação vigente e mediante termo próprio, mormente quando não aponta qualquer elemento exigido que não estivesse, de alguma forma, amparado em diplomas legais e normativos. De outra banda, supostas antipatias e celeumas suscitadas ao longo do procedimento fiscal, envolvendo autoridades administrativas e contribuinte, devem ser resolvidas no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil, porquanto não é o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF o árbitro de tais disputas. Por derradeiro e com todo o respeito ao relator, reafirmo a minha divergência em relação ao seu entendimento que haja elementos suficientes nos autos que amparem o pleito do contribuinte, ora recorrente, e conduzam à conclusão de que lhe assista razão. Da mesma forma, entendo descabida a remissão da conferência dos cálculos quando do retorno do processo à Unidade de jurisdição do contribuinte, haja vista que a ausência de documentos palpáveis para reconhecimento do direito de crédito foi justamente o cerne da discussão em todo o contencioso administrativo, sendo este fato suficiente para o indeferimento do pedido formulado. Como registrado alhures, a denegação do pleito não se deu pela ausência do direito invocado, mas pela falta de sua comprovação, como estampa com clareza o despacho decisório de fls. 286/288, razão porque parece inócua e despiciente a discussão a respeito do direito, em si, ao ressarcimento do crédito presumido, uma vez que, segundo velho adágio jurídico, alegar e não provar é o mesmo que nada alegar. (“allegatio et non probatio, quasi non allegatio”). A produção do conjunto probatório necessário ao reconhecimento do crédito presumido pleiteado deveria ocorrer ao longo do processo e não se concretizou, de forma que todas as oportunidades para sua realização já se esgotaram, não havendo que se falar em novo momento para dedução de prova, pois o processo administrativo fiscal também estabelece momentos próprios para sua produção/formalização, que, se não observados, redundam em preclusão. Não fosse assim, o caos processual e a balburdia restariam instalados, transformando o contencioso em algo tumultuado, confuso e infindável, o que não se compagina com seu desiderato. Fl. 274DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/04/2 014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, A ssinado digitalmente em 01/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 12 Com estas considerações, voto por negar provimento ao recurso voluntário, na linha do que decidido pela decisão de primeiro grau administrativo. Robson José Bayerl Declaração de Voto Conselheiro Júlio César Alves Ramos Julguei conveniente explicitar as razões pelas quais acompanhei a posição do dr. Robson, negando o direito postulado, porque, no processo por ele mencionado, julgado na Quarta Câmara do antigo Segundo Conselho de Contribuintes, concordei em admitir o crédito em situação semelhante. Apesar de já distante no tempo, lembro que naquela ocasião, a defesa sustentou da tribuna (o que não ocorreu neste caso) que não se trataria, em verdade, de industrialização por encomenda, na medida em que toda a operação teria ocorrido dentro do estabelecimento fabril da postulante. Neste, no entanto, tal assertiva não se faz presente, seja no recurso entregue, seja em qualquer outra peça que pudesse ser posteriormente produzida, a exemplo de memoriais e da sustentação oral, que, como dito, são completamente ausentes. Na situação em que toda a industrialização do produto que vem a ser exportado se dá em estabelecimento distinto daquele que faz a exportação – caso das industrializações integrais por encomenda – a jurisprudência administrativa, desde o Conselho de Contribuintes, se firmou no sentido de que não há direito ao crédito presumido, na medida em que o estabelecimento exportador não é produtor e o produtor não é exportador. Isso se aplica ainda que os estabelecimentos sejam da mesma empresa se o direito for postulado descentralizadamente. Aqui, tratase de empresas distintas. A industrialização por encomenda somente tem sido admitida quando se trata de industrialização complementar àquela que seja realizada pelo exportador, que, neste caso, continua caracterizado como produtorexportador, como exige a Lei 9.363. Assim, mantido que se trata mesmo de industrialização integral por encomenda, que é o que o recurso aduz, não há direito ao crédito presumido mesmo que se admitisse a possibilidade de sua quantificação com os elementos constantes dos autos. Essa a minha razão adicional para negálo. Conselheiro Júlio César Alves Ramos Fl. 275DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/04/2 014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, A ssinado digitalmente em 01/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
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