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Numero do processo: 11020.721127/2017-09
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2013
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE DE PESSOA JURÍDICA EM DECORRÊNCIA DE AÇÃO TRABALHISTA.
Os rendimentos recebidos acumuladamente, após a edição da Lei nº 12.350/10, são tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito, e em separado dos demais rendimentos recebidos no mês, devendo ser informados em campo próprio da declaração de ajuste anual. Alternativamente, mediante opção irretratável do contribuinte, os rendimentos poderão integrar a base de cálculo do imposto de renda na declaração de ajuste anual do ano calendário do recebimento. Na ausência de opção pelo contribuinte, aplica-se a regra geral de tributação exclusiva na fonte.
HONORÁROS ADVOCATÍCIOS
Honorários advocatícios e despesas judiciais pagos podem ser deduzidos dos valores recebidos em ações judiciais, obedecendo-se a proporcionalidade dos rendimentos tributáveis.
Numero da decisão: 2001-000.817
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Jose Alfredo Duarte Filho - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE ALFREDO DUARTE FILHO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2013 RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE DE PESSOA JURÍDICA EM DECORRÊNCIA DE AÇÃO TRABALHISTA. Os rendimentos recebidos acumuladamente, após a edição da Lei nº 12.350/10, são tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito, e em separado dos demais rendimentos recebidos no mês, devendo ser informados em campo próprio da declaração de ajuste anual. Alternativamente, mediante opção irretratável do contribuinte, os rendimentos poderão integrar a base de cálculo do imposto de renda na declaração de ajuste anual do ano calendário do recebimento. Na ausência de opção pelo contribuinte, aplica-se a regra geral de tributação exclusiva na fonte. HONORÁROS ADVOCATÍCIOS Honorários advocatícios e despesas judiciais pagos podem ser deduzidos dos valores recebidos em ações judiciais, obedecendo-se a proporcionalidade dos rendimentos tributáveis.
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Os rendimentos recebidos acumuladamente, após a edição da Lei nº 12.350/10, são tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito, e em separado dos demais rendimentos recebidos no mês, devendo ser informados em campo próprio da declaração de ajuste anual. Alternativamente, mediante opção irretratável do contribuinte, os rendimentos poderão integrar a base de cálculo do imposto de renda na declaração de ajuste anual do ano calendário do recebimento. Na ausência de opção pelo contribuinte, aplicase a regra geral de tributação exclusiva na fonte. HONORÁROS ADVOCATÍCIOS Honorários advocatícios e despesas judiciais pagos podem ser deduzidos dos valores recebidos em ações judiciais, obedecendose a proporcionalidade dos rendimentos tributáveis. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 72 11 27 /2 01 7- 09 Fl. 98DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e Jose Ricardo Moreira. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente em parte a impugnação do contribuinte, em razão da lavratura de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, referente a rendimentos recebidos acumuladamente de pessoa jurídica em decorrência de ação judicial e dedução de honorários advocatícios e perícia. O lançamento da Fazenda Nacional reduz a restituição do imposto sobre a renda de pessoa física de R$ 22.601,51, declarados pelo Contribuinte para R$ 5.640,65 recalculados pela Receita Federal, referente ao anocalendário de 2013. A fundamentação da autuação, conforme consta da decisão de primeira instância, aponta como elemento da decisão da lavratura do lançamento, o fato de que o Recorrente incorreu em erro na determinação da proporcionalidade das deduções de honorários advocatícios e perícia referente aos valores recebidos acumuladamente em razão de ação judicial. A constituição do acórdão recorrido segue na linha do procedimento adotado na feitura do lançamento, notadamente no que se refere à determinação das deduções de honorários advocatícios e perícia para efeito de tributação dos valores recebidos acumuladamente no período examinado pela Autoridade Fiscal, o que foi verificado na DAA, como segue: Trata, o presente processo, de impugnação à exigência formalizada através de Notificação de Lançamento de imposto de renda pessoa física, f. 2029, resultante de procedimento de revisão de declaração do exercício 2014, anocalendário 2013, por meio do qual foi alterado o imposto de renda a restituir apurado pelo contribuinte de R$ 22.601,51 para R$ 5.640,65. Segundo descrição dos fatos e enquadramento legal, o lançamento de ofício decorreu de infração por Omissão de Rendimentos Recebidos Acumuladamente (RRA), no valor de R$ 61.675,86, recebido da fonte pagadora CA Programas de Computador, Participações e Serviços Ltda, com base nos seguintes fundamentos: (...) Com efeito, os honorários advocatícios e de peritos devem ser deduzidos na proporção em que os rendimentos percebidos se submetem à incidência tributária. A dedução de despesas com essas despesas está prevista no § 2º do artigo 12A da lei nº 7.713/88, com a redação da Lei 12.350/2010, in verbis: Fl. 99DF CARF MF Processo nº 11020.721127/201709 Acórdão n.º 2001000.817 S2C0T1 Fl. 99 3 (...) Observase da leitura do dispositivo acima transcrito que as despesas com ação judicial e com honorários advocatícios dedutíveis são apenas aquelas necessárias ao recebimento dos rendimentos. Portanto, correspondem aos rendimentos recebidos acumuladamente e sujeitos à incidência do imposto, ou seja, rendimentos tributáveis. Nos termos do artigo 8º, I, da lei nº 9250/95, a base de cálculo sujeita à incidência do imposto de renda compõese exclusivamente de rendimentos tributáveis. Em consequência, as despesas com honorários advocatícios deverão ser rateadas entre os rendimentos recebidos conforme a sua natureza tributável, sendo que somente a parcela correspondente aos rendimentos tributáveis poderá ser deduzida para fins de determinação do valor sobre o qual incidirá o imposto de renda. No presente caso, não ocorreu a tributação integral dos rendimentos e, por corolário, também não pode ser integral a dedução da despesa do processo. (...) Destarte, é cabível a proporcionalidade relativa aos honorários advocatícios conforme a respectiva natureza dos rendimentos recebidos. Posto isto e considerando tudo mais que dos autos consta, VOTO pela improcedência da impugnação, mantendo o crédito tributário lançado. Assim, conclui o acórdão vergastado pela improcedência da impugnação para manter o recalculo da restituição do imposto sobre a renda, reduzindoo ao valor de R$ 5.640,65. Por sua vez, com a decisão do Acórdão da DRJ, o Recorrente apresenta recurso voluntário com as considerações e argumentações que entende justificável ao seu procedimento, nos termos que segue: (...) Em procedimento de revisão da Declaração de Ajuste Anual Exercício 2014 AnoCalendário 2013, a Secretaria da Receita Federal do Brasil procedeu ao lançamento de ofício nº 2014/018255517957513 (anexo VI), por meio do qual foi alterado o imposto de renda a restituição apurado pelo contribuinte de R$ 22.601,51 para R$ 5.640,65. Segundo descrição dos fatos e enquadramento legal, o lançamento de ofício decorreu de infração por Omissão de Rendimentos Recebidos Acumuladamente (RRA), no valor de R$ 61.675,86, recebido da fonte pagadora CA Programas de Computador, Participações e Serviços Ltda, com base nos seguintes fundamentos: (...) Fl. 100DF CARF MF 4 Posteriormente, em 19/05/2017, o contribuinte apresentou a impugnação de 2014/01020099849, alegando que o valor de R$ 61.675,86 é isento de tributação do imposto de renda por se tratar de indenização paga por rescisão de contrato de trabalho e de aviso prévio indenizado (anexo VII). O Acórdão nº 0443.569 da 1ª Turma da DRJ/CGE (anexo VIII) julgou improcedente a impugnação e manteve o crédito tributário lançado, concluindo ser cabível a proporcionalidade relativa aos honorários advocatícios conforme a natureza jurídica dos rendimentos recebidos. Observase que em sua impugnação o contribuinte não questiona a proporcionalidade dos honorários advocatícios/pericia, mas o lançamento dos valores de natureza indenizatória, os quais a Receita Federal considerou como omissão de receita, sendo que no cálculo homologado pelo Exmº Juiz do Trabalho (anexo II), o Sr. Perito não incluiu esses valores na base de cálculo do IRRF (anexo I), como descrito a seguir: (...) Sendo assim, estão corretos os valores tributáveis declarados na Declaração de Ajuste Anual Exercício 2013 Anocalendário 2014, como segue (anexo I e V): (...) DEMONSTRATIVO DA PROPORCIONALIZAÇÃO DOS HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS/PERICIAIS E BASE DE CÁLCULO DO IRPF (anexoV). Rendimento tributável: R$ 955.734, correspondente a 29,88% a deduzir da despesa com honorários. DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DO IMPOSTO DEVIDO Total dos rendimentos tributáveis declarados – Ajuste Anual (anexo IX): R$ 56.21,08. Desconto simplificado: R$ 11.284,21 Base de cálculo do imposto: R$ 45.136,87 Imposto devido: R$ 139.853,00 Imposto devido: R$ 3.231,84 Imposto devido RRA: R$ 136.621,16 Imposto pago: R$ 162.322,05 IRRF: R$ 2.936,99 IRRF RRA: R$ 159.385,06 Imposto a restituir: R$ 22.469,05 Após as demonstrações dos cálculos da apuração do imposto, verificase que o contribuinte tem conhecimento da legislação, que determina a proporcionalização das despesas com honorários advocatícios/perícia de acordo coma natureza do rendimento recebido (tributável ou não tributável), portanto, sua contestação é referente a tributação de três rendimentos de natureza indenizatória (reflexo do adicional de transferência sobre o aviso prévio indenizado, complemento rescisório sobre aviso prévio indenizado e complemento rescisório indenizatório – Art. 467 CLT), de acordo com Fl. 101DF CARF MF Processo nº 11020.721127/201709 Acórdão n.º 2001000.817 S2C0T1 Fl. 100 5 a legislação (Lei nº 7.713/88 artigo 6º V) rendimentos desta natureza são isentos de IRRF, bem como está expresso no cálculo apresentado pelo Sr. Perito, onde esses rendimentos não compõe a base de cálculo do IRRF (anexo I). A isenção do imposto de renda sobre a indenização e o aviso prévio está prevista no V do artigo 6º da lei nº 7.713/88: (...) À vista de todo o exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer a recorrente seja acolhido o presente recurso par o fim de assim ser decidido, cancelandose o crédito tributário lançado e mantendose os valores declarados na Declaração de ajuste Anal Exercício 2014 ano Calendário 2013. É o relatório. Voto Conselheiro Jose Alfredo Duarte Filho Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. A Autoridade Fiscal afirma que procedeu a retificação de ofício, conforme Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido e Demonstrativo do Valor a Restituir, porque o Contribuinte não teria apropriado corretamente o valor proporcional das despesas de honorários advocatícios e perícia a ser deduzido do valor tributável dos rendimentos oriundos de ação judicial que teve como beneficiário o Recorrente. Por sua vez, o Recorrente diz em sua manifestação recursal que os rendimentos objeto de lançamento são oriundos de complementação remuneratória fruto de ação judicial bem sucedida que resultou no recebimento de valor realizado acumuladamente, razão de seu cálculo e informação na DAA apresentada oportunamente, afirmando, também, que os valores referentes a honorários advocatícios e perícias foram apropriados dedutivamente dos rendimentos tributáveis e que o valor da diferença objeto da lide corresponde a valores não tributáveis, pagos a título de indenização. A questão da diferença esta no valor não tributado da indenização trabalhista ou no quantitativo do valor proporcional das despesas para obtenção dos resultados na ação judicial, especialmente neste caso, os honorários advocatícios e despesas com perícia técnica, que são diretamente correspondentes, visto que a proporcionalidade da dedução deverá obedecer ao quantitativo dos rendimentos tributáveis, desprezandose a proporção da despesa que corresponda aos valores não tributados. Fl. 102DF CARF MF 6 Neste sentido, quanto maior os rendimentos não tributados menor deverá ser a proporcionalidade das despesas incorridas no processo para serem utilizadas como dedutíveis na parte dos valores tributados, sendo que o inverso também é verdadeiro. Assim que, a lide se restringe a demonstração de cálculo dos valores definidos como tributados, não tributados e os valores das despesas incorridas no processo, bem como o cálculo da proporcionalidade das despesas de um e de outro item. O requisito de natureza legal conforme disposto na legislação tributária que rege a questão dos rendimentos recebidos acumuladamente – RRA, especialmente o art. 12A da Lei nº 7.713, de 1988, com a redação da Lei nº 12.350, de 2010, assim estabelece: Art. 12A. Os rendimentos do trabalho e os provenientes de aposentadoria, pensão, transferência para a reserva remunerada ou reforma, pagos pela Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando correspondentes a anos calendários anteriores ao do recebimento, serão tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês. § 1º O imposto será retido pela pessoa física ou jurídica obrigada ao pagamento ou pela instituição financeira depositária do crédito e calculado sobre o montante dos rendimentos pagos, mediante a utilização de tabela progressiva resultante da multiplicação da quantidade de meses a que se refiram os rendimentos pelos valores constantes da tabela progressiva mensal correspondente ao mês do recebimento ou crédito. § 2º Poderão ser excluídas as despesas, relativas ao montante dos rendimentos tributáveis, com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização. § 3º A base de cálculo será determinada mediante a dedução das seguintes despesas relativas ao montante dos rendimentos tributáveis: I – importâncias pagas em dinheiro a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente ou de separação ou divórcio consensual realizado por escritura pública; e II – contribuições para a Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. § 4º Não se aplica ao disposto neste artigo o constante no art. 27 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, salvo o previsto nos seus §§ 1º e 3º. § 5º O total dos rendimentos de que trata o caput, observado o disposto no § 2º, poderá integrar a base de cálculo do Imposto sobre a Renda na Declaração de Ajuste Anual do anocalendário do recebimento, à opção irretratável do contribuinte. § 6º Na hipótese do § 5º, o Imposto sobre a Renda Retido na Fonte será considerado antecipação do imposto devido apurado na Declaração de Ajuste Anual. Fl. 103DF CARF MF Processo nº 11020.721127/201709 Acórdão n.º 2001000.817 S2C0T1 Fl. 101 7 (...) § 9º A Secretaria da Receita Federal do Brasil disciplinará o disposto neste artigo. Na observância do dispositivo acima, concluise que os rendimentos objeto da ação judicial foram tributados na fonte no mês do recebimento. Porém o § 5º, por sua vez, autoriza ao Contribuinte, de forma irretratável, a optar por levar tais rendimentos ao ajuste anual na DAA. Quanto ao IRRF respectivo, cabe aqui observar que ele deve ser calculado de modo diferenciado, em conformidade com o já reproduzido § 1º do art. 12A, mediante a utilização de tabela progressiva resultante da multiplicação da quantidade de meses a que se refiram os rendimentos pelos valores constantes da tabela progressiva mensal correspondente ao mês do recebimento ou crédito. Assim sendo, cabe analisar o que dispõe a IN RFB nº 1.127/11, que veio disciplinar o art. 12A da Lei no 7.713/88, conforme previsto no § 9º, da seguinte forma: Art. 7ºA Na hipótese em que a pessoa responsável pela retenção de que trata o caput do art. 3º não tenha feito a retenção em conformidade com o disposto nesta Instrução Normativa ou que tenha promovido retenção indevida ou a maior, a pessoa física beneficiária poderá efetuar ajuste específico na apuração do imposto relativo aos RRA na DAA referente ao anocalendário correspondente, do seguinte modo: I a apuração do imposto será efetuada: a) em ficha própria; b) separadamente por fonte pagadora e para cada mêscalendário, com exceção da hipótese em que a mesma fonte pagadora tenha realizado mais de um pagamento referente aos rendimentos de um mesmo anocalendário, sendo, neste caso, o cálculo realizado de modo unificado; e II o imposto resultante da apuração de que trata o inciso I será adicionado ao imposto apurado na DAA, sujeitandose aos mesmos prazos de pagamento e condições deste. § 1º Aplicase o disposto no caput à hipótese de que trata o § 3º do art. 13A. § 2º A faculdade prevista no caput será exercida na DAA relativa ao anocalendário de recebimento dos RRA, e deverá abranger a totalidade destes no respectivo anocalendário. Da análise do caput desse dispositivo, constatase que o beneficiário do rendimento pode efetuar um ajuste específico na apuração do imposto relativo ao RRA por meio de ficha própria na declaração de ajuste. No preenchimento da ficha dos Rendimentos Tributáveis de Pessoa Jurídica Recebidos Acumuladamente pelo Titular devem ser Fl. 104DF CARF MF 8 considerados os valores dos rendimentos, do IRRF e da dedução da proporcionalidade das despesas incorridas no processo correspondentes aos valores tributados. Os cálculos que sustentam o Lançamento definiram o valor total dos rendimentos em R$ 3.198.812,79, sendo R$ 2.143.753,65 não tributáveis, R$ 1.055.059,14 tributáveis e despesas totais de R$ 1.079.370,69. Calculandose a proporcionalidade dos rendimentos tributáveis sobre o total temse o percentual de 32,98%, que aplicado sobre as despesas dedutíveis incorridas no processo determinase o quantitativo da dedutibilidade das despesas em R$ 355.976,45. Esses foram os cálculos definidos pela Autoridade Fiscal para a sustentação do Lançamento lavrado. De outra parte, o Recorrente apresenta em sua defesa recursal valores parciais e pontuais diferentes daqueles apresentados pelo Fisco, sem, contudo, demonstrar, em comparativo, no que efetivamente diverge dos valores apresentados no Lançamento, concluindo com a determinação de um percentual de proporcionalidade de 29,88%, a ser deduzida como despesas de honorários, inferior, portanto, à percentagem de 32,98% apresentada pelo Fisco, o que lhe seria, inclusive, mais favorável, porque logicamente a maior proporcionalidade de dedução de despesas menor seria o imposto devido. O exame do caso aponta de maneira fulcral para a questão do cálculo do valor tributável e a quantificação proporcional da despesa de honorários e despesa de perícia técnica, resultado que determina o imposto efetivamente devido e no caso específico aqui tratado, o montante do imposto a ser restituído. Neste sentido, tendo em vista que o Recorrente não logrou êxito em comprovar a exatidão e coerência de suas informações numéricas, com carência de elementos claros e objetivos que viesse a contestar de forma definitiva os cálculos apresentados pela Autoridade Autuante, forçoso concluir pela manutenção do Lançamento nos valores determinados pelo Fisco. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e no mérito NEGAR PROVIMENTO, razão pela qual se faz imperioso a manutenção do Lançamento. (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Fl. 105DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10783.911558/2009-52
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2005
PER/DCOMP. CANCELAMENTO. DESPACHO DECISÓRIO.
Existe impedimento para o cancelamento do pedido de compensação (PER/DCOMP), após o respectivo despacho decisório. Entretanto, haverá a revisão da citada declaração compensação no âmbito do Processo Administrativo Fiscal (PAF), quando comprovada a inexistência do débito, apurado pelo regime do lucro real, mediante documentos hábeis e idôneos.
OPÇÃO PELO REGIME DE TRIBUTAÇÃO. IRRETRATABILIDADE.
A opção pelo regime de tributação é irretratável para todo ano-calendário, prevalecendo a primeira pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - SIMPLES.
Numero da decisão: 1201-002.610
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator do processo paradigma. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10783.911556/2009-63, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Carmem Ferreira Saraiva (suplente convocada em substituição ao conselheiro Jose Carlos de Assis Guimarães), Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa. Ausente, justificadamente, o conselheiro Jose Carlos de Assis Guimarães.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2005 PER/DCOMP. CANCELAMENTO. DESPACHO DECISÓRIO. Existe impedimento para o cancelamento do pedido de compensação (PER/DCOMP), após o respectivo despacho decisório. Entretanto, haverá a revisão da citada declaração compensação no âmbito do Processo Administrativo Fiscal (PAF), quando comprovada a inexistência do débito, apurado pelo regime do lucro real, mediante documentos hábeis e idôneos. OPÇÃO PELO REGIME DE TRIBUTAÇÃO. IRRETRATABILIDADE. A opção pelo regime de tributação é irretratável para todo ano-calendário, prevalecendo a primeira pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - SIMPLES.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2005 PER/DCOMP. CANCELAMENTO. DESPACHO DECISÓRIO. Existe impedimento para o cancelamento do pedido de compensação (PER/DCOMP), após o respectivo despacho decisório. Entretanto, haverá a revisão da citada declaração compensação no âmbito do Processo Administrativo Fiscal (PAF), quando comprovada a inexistência do débito, apurado pelo regime do lucro real, mediante documentos hábeis e idôneos. OPÇÃO PELO REGIME DE TRIBUTAÇÃO. IRRETRATABILIDADE. A opção pelo regime de tributação é irretratável para todo anocalendário, prevalecendo a primeira pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator do processo paradigma. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10783.911556/200963, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Carmem Ferreira Saraiva AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 91 15 58 /2 00 9- 52 Fl. 49DF CARF MF Processo nº 10783.911558/200952 Acórdão n.º 1201002.610 S1C2T1 Fl. 3 2 (suplente convocada em substituição ao conselheiro Jose Carlos de Assis Guimarães), Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa. Ausente, justificadamente, o conselheiro Jose Carlos de Assis Guimarães. Relatório O contribuinte interpôs seu tempestivo Recurso Voluntário, considerando que acórdão recorrido, proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, ratificou o Despacho Decisório, não homologando a Declaração de Compensação (DCOMP) de pagamento indevido (código: 6106 SIMPLES). De acordo com referido Despacho Decisório,"a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP." Entretanto, o contribuinte argumenta que mencionado PER/DCOMP não proporcionou qualquer efeito, requerendo seu cancelamento, não havendo tributo devido pelo regime do Lucro Real, em síntese, considerando: (i) Em janeiro de 2005, o contribuinte formalizou sua opção pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, inclusive recolhendo o valor devido sobre esse regime simplificado; (ii) Em maio de 2006, data prevista para transmissão da declaração anual simplificada, a Receita Federal do Brasil ainda não havia se pronunciado sobre o pedido do contribuinte, permanecendo no seu cadastrado como "NÃO OPTANTE" do regime diferenciado; (iii) Receando a imposição de multa pela falta de entrega da declaração simplificada, o contribuinte modificou sua escrituração contábil para o regime do Lucro Real, possibilitando a transmissão da respectiva Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ); (iv) O pagamento indevido originou dos recolhimentos dos Simples Federal (código: 6106), enquanto não confirmada a opção pela Receita Federal do Brasil, efetivando as respectivas compensações (PER/DCOMPs) com IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, apurados pelo Lucro Real; (v) Em julho de 2006, a Receita Federal do Brasil deferiu o pedido do contribuinte de opção pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, com vigência a partir de janeiro de 2005; (vi) Assim sendo, confirmada a opção pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, retroagindo a janeiro de 2005, não houve pagamento indevido (código: 6106), nem qualquer tributo devido pela apuração do Lucro Real, prevalecendo a sistemática do regime simplificado e determinando o cancelamento dos referidas PER/DCOMPs. É o relatório. Fl. 50DF CARF MF Processo nº 10783.911558/200952 Acórdão n.º 1201002.610 S1C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, Relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201002.608, de 16/10/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10783.911556/2009 63, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201002.608): O acórdão recorrido identificou "que a interessada não manifesta inconformidade contra o não reconhecimento do direito creditório e faz pleito de cancelamento de compensação à DRJ/RJO1, bem como da consequente anulação do débito constante do respectivo despacho decisório, sendo que, como adiante será demonstrado, não seria a DRJ a esfera competente para apreciação da respectiva demanda." prosseguindo que "tendo em vista suas idas e vindas pelas sistemáticas de apuração do lucro, é meu dever esclarecer que, de acordo com a legislação a que esta Relatora está submissa e que rege a matéria, adotada a forma de apuração do IRPJ com base no lucro real, anual ou trimestral, esta será irretratável (definitiva) para todo anocalendário, conforme o art. 3º, caput, da Lei nº 9.430, de 1996 ("A adoção da forma de pagamento do imposto prevista no art. 1º, pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime do lucro real, ou a opção pela forma do art. 2º será irretratável para todo o anocalendário")." Todavia, a primeira e irretratável opção do contribuinte foi pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, conforme o artigo 8º, § 2º, da Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996: Art. 8° A opção pelo SIMPLES darseá mediante a inscrição da pessoa jurídica enquadrada na condição de microempresa ou empresa de pequeno porte no Cadastro Geral de Contribuintes do Ministério da Fazenda CGC/MF, quando o contribuinte prestará todas as informações necessárias, inclusive quanto: (...) § 2° A opção exercida de conformidade com este artigo submeterá a pessoa jurídica à sistemática do SIMPLES a partir do primeiro dia do anocalendário subseqüente, sendo definitiva para todo o período. Fl. 51DF CARF MF Processo nº 10783.911558/200952 Acórdão n.º 1201002.610 S1C2T1 Fl. 5 4 Posteriormente, a Receita Federal do Brasil convalidou a opção do contribuinte pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, retroagindo a janeiro de 2005. Adicionalmente, o contribuinte ressaltou que não realizou qualquer pagamento no anocalendário de 2005, inerente ao lucro real, nem foi transmitida a Declaração de Débito e Créditos Tributários Federais (DCTF), demonstrando a modificação do regime simplificado. Embora a atual redação do artigo 74, § 6º, da Lei nº 9.430/1996, preceitue que a "declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil o suficiente para exigência do débitos indevidamente compensados", vemos que prevaleceu a opção do contribuinte pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, impossibilitando qualquer exigência tributária oriunda da apuração do lucro real. O cancelamento da declaração de compensação, requerida pelo sujeito passivo, limitarseá enquanto não sobrevier a respectiva decisão administrativa, segundo o artigo 82 da Instrução Normativa da Receita Federal do Brasil (RFB) nº 900/2008, reiterando a previsão da antecedente Instrução Normativa da Receita Federal do Brasil (RFB) nº 600/2005. Entretanto, não haverá impedimento para revisão da citada declaração compensação no âmbito do Processo Administrativo Fiscal (PAF), sobretudo, quando evidenciada a inexistência do débito, apurado pelo regime do lucro real. Portanto, retroagindo a opção pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES para janeiro de 2005, consoante decisão da própria Receita Federal do Brasil, ineficazes as declarações de compensação (PER/DCOMP) para liquidação de tributos devidos pelo regime do Lucro Real. Isto posto, voto pelo conhecimento e DOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, determinando o cancelamento dos PER/DCOMPs e a alocação dos pagamentos (código: 6106 SIMPLES) no correspondente regime do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 52DF CARF MF Processo nº 10783.911558/200952 Acórdão n.º 1201002.610 S1C2T1 Fl. 6 5 Fl. 53DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10950.002006/2007-11
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE.
Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.
Numero da decisão: 2001-000.238
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.Vencido o conselheiro José Ricardo Moreira (Relator) que lhe negou provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Henrique Backes.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente e Redator Designado.
(assinado digitalmente)
José Ricardo Moreira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE RICARDO MOREIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2004 DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.
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RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.Vencido o conselheiro José Ricardo Moreira (Relator) que lhe negou provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Henrique Backes. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente e Redator Designado. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 00 20 06 /2 00 7- 11 Fl. 286DF CARF MF 2 Tratase de Notificação de Lançamento (f. 28/31), relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), por meio da qual se exige crédito tributário do exercício de 2004, anocalendário de 2003, onde foram glosadas deduções de despesas médicas no valor de R$ 25.110,95. O contribuinte apresentou impugnação, que foi julgada procedente em parte, mediante Acórdão da DRJ CURITIBA de f. 196/206. A Decisão considerou demonstradas e acatou despesas no montante de R$ 1.083,95. Cientificado, o interessado apresentou recurso voluntário de f. 212/264. Invoca preliminar de inconstitucionalidade de normas que fundamentam a autuação. Em síntese, alega que atendeu ao que foi solicitado pela autoridade fiscal, apresentando os respectivos recibos relativos às despesas médicas. Aduz que os recibos, por si só, fazem prova dos pagamentos realizados a este título. Argumenta que não está obrigado a apresentar seus exames médicos e laboratoriais, sob pena de ofenderse os princípios da privacidade da pessoa humana e do sigilo médico. Sustenta ainda que não é razoável exigir a apresentação de extratos ou outros meios de prova dos pagamentos, seja porque a pessoa física não é obrigada a ter escrita fiscal, seja porque a reunião destes documentos é difícil para o contribuinte. Defende que o crédito tributário não merece subsistir, por entender que está fundado em presunções, não tendo sido feita prova da ocorrência do fato gerador. Pugna pela procedência do recurso e pelo cancelamento do crédito tributário. É o relatório Voto Vencido Conselheiro José Ricardo Moreira Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Preliminar Inconstitucionalidade A recorrente invoca preliminar de inconstitucionalidade (confisco, etc) de normas que fundamentam o lançamento. Convém esclarecer que é defeso às instâncias julgadoras administrativas manifestarse sobre alegações de inconstitucionalidade de normas, cuja apreciação incumbe exclusivamente ao Poder Judiciário. Esse é o teor da Súmula CARF n° 2, abaixo reproduzida. "Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." Destarte, rejeito a matéria preliminar arguida . Passemos à análise do mérito. Fl. 287DF CARF MF Processo nº 10950.002006/200711 Acórdão n.º 2001000.238 S2C0T1 Fl. 3 3 Mérito O lançamento cingese à glosa de despesas médicas. O interessado, no recurso, insurgese contra estas glosas, pelas razões que enumera. Dispõe o art. o art.73 do Decreto nº 3.000, de 1999: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Consta da fundamentação do lançamento, bem como da decisão de primeira instância, que é necessária a apresentação de documentação do efetivo pagamento para comprovação das despesas médicas. Desta forma, verificase que o recibo, ao contrário do que defende o recorrente, não faz prova absoluta da real ocorrência do pagamento. A autoridade fiscal, se entender necessário, pode solicitar outros elementos de convicção da efetiva realização da despesa que se pretende deduzir. Não poderia ser de outra forma. Entender o contrário seria tolher a ação da fiscalização, que ficaria impossibilitada de exercer sua atividade investigativa, na busca de verificar a veracidade das declarações prestadas. Há que ser frisado que aqui não se trata de mera prerrogativa, mas de um dever da autoridade fiscal, haja vista tratarse de dedução da base de cálculo e, portanto, de redução do tributo. Com efeito, as solicitações de documentos devem atender à razoabilidade, devendo ser evitados os pedidos de provas impossíveis ou de difícil produção. Analisando a Notificação de Lançamento, verificamos que foram glosadas despesas médicas de valores significativos, que justifica a solicitação de informações adicionais. A Descrição dos Fatos e Enquadramento legal do Lançamento encontrase devidamente fundamentado, com todas as razões que levaram a efetivação da glosa. Não foram apresentadas provas do efetivo pagamento das despesas, não houve suficiente descrição do tratamento ou dos exames realizados. Além disso, não foram apresentadas notas fiscais, nos casos de serviços prestados por pessoas jurídicas. Aqui deve prevalecer o princípio do benefício da prova, já que o interesse em provar é do contribuinte, a quem a prova aproveita. Não há que se falar em quebra de sigilo ou de invasão à privacidade do cidadão. Não há quebra de sigilo perante o fisco, cuja atividade primordial é justamente investigar a veracidade dessas despesas que resultam em redução de tributo. Ademais, ao intimar o contribuinte para apresentar documentos adicionais que comprovam a efetividade das despesas (provas essas que beneficiam o contribuinte), a autoridade fiscal não está interessada Fl. 288DF CARF MF 4 na intimidade da pessoa, mas está cumprindo o dever legal de investigar a veracidade das declarações prestadas. Tratase de imposto lançado por homologação e o quantum devido pode ser alterado pela autoridade lançadora, no exercício de suas atribuições legais. Da mesma forma, não se mostra desarrazoado o pedido de apresentação de extratos bancários. Pode ocorrer de o contribuinte haver pago as despesas em cheques ou mediante saques da conta corrente, o que seria facilmente comprovado pela existência de saques de valores compatíveis em datas aproximadas das da efetivação das despesas. O contribuinte poderia requerer à instituição financeira os referidos extratos (em alguns casos, obtémse extratos pela internet, em poucos instantes), sendo que essa providência não lhe seria de difícil execução. Se tivesse atendido a este simples pedido, provavelmente não seriam glosadas parte ou a totalidade das despesas. O contribuinte, entretanto, por diversas vezes, mediante negativas genéricas, se opôs a trazer os elementos de prova que lhe seriam benéficos. Não apresentou à autoridade lançadora, não juntou à impugnação e não se aproveita da oportunidade agora trazida pelo recurso voluntário. Também não há razão na insurgência à multa de ofício de 75%. Tratase de multa decorrente de previsão legal (Lei 9.430/96, art. 44), de aplicação obrigatória. Em decorrência do princípio da legalidade, não cabe ao servidor público deixar de aplicar a multa, ou aplicala em percentual diverso do previsto na legislação. Desta forma, reitero a motivação do voto exposto na decisão de primeira instância. CONCLUSÃO: Diante de todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, e, no mérito, negarlhe provimento, mantendo o crédito tributário lançado. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira Voto Vencedor Discordo do Relator em relação às despesas médicas. Os recibos não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, tanto do serviço como do pagamento. Mesmo que não sejam apresentados outros elementos de comprovação, a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve estar fundamentada. Como se trata do documento normal de comprovação, para que seja glosado devem ser apontados indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, na falta de fundamentação na recusa, os recibos comprovam despesas médicas. No caso, não foram solicitados outros elementos de prova de maneira objetiva, e o fundamento para lançar limitase a que recibos não comprovam pagamento de despesas médicas. Fl. 289DF CARF MF Processo nº 10950.002006/200711 Acórdão n.º 2001000.238 S2C0T1 Fl. 4 5 O lançamento pode até ocorrer sem pedido de esclarecimentos ou de prévia intimação ao contribuinte, como consta inclusive em súmula do CARF: Súmula CARF nº 46: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. No entanto, a recusa a documentos usuais não pode prescindir de justificativa, inclusive porque deduções elevadas podem estar completamente dentro da lei e do direito do contribuinte. Não deixo de fazer aqui uma fundamentação do entendimento expresso acima, pois a falta de fundamentação é a matéria em discussão. Muitas vezes a autoridade fiscal baseia a recusa a deduções no art.73 do Decreto nº 3.000, de 1999, que assim dispôs: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Tal artigo indica que determinados documentos não fazem prova absoluta, podendo ser solicitados elementos adicionais de comprovação. No entanto, isso não significa que o juízo, o fundamento da autoridade, dos fatos e do direito, não necessite ser apresentado. E tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como se pode ver no art 2º Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. A rigidez dos termos do art. 73 e § 1º está mais para o período em que foi concebido do que para os dias atuais. Além disso, mesmo na vigência do referido DecretoLei a austeridade do instrumento não era plena, visto que o art. 79, § 1º, do mesmo diploma legal lhe impunha limitações, no seguinte dizer: “Art. 79. Farseá o lançamento exofficio: § 1º Os esclarecimentos prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores, com elemento seguro de prova, ou indício veemente de sua falsidade ou inexatidão.”. Assim, na ausência de fundamentação plausível para a recusa de documentos usuais de comprovação é indevida a glosa de despesas médicas. Diante do exposto, voto por dar provimento integral ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Redator Designado. Fl. 290DF CARF MF 6 Fl. 291DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10835.003964/2008-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2008
SIMPLES. EXCLUSÃO. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO.
Uma vez extinto o crédito tributário que justificou a exclusão do contribuinte do Simples, com base no art. 17, V da Lei Complementar nº 123/2006, deve o contribuinte ser reintegrado ao regime especial.
Numero da decisão: 1301-003.455
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Giovana Pereira de Paiva Leite, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado) e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild, substituída pelo Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2008 SIMPLES. EXCLUSÃO. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Uma vez extinto o crédito tributário que justificou a exclusão do contribuinte do Simples, com base no art. 17, V da Lei Complementar nº 123/2006, deve o contribuinte ser reintegrado ao regime especial.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Giovana Pereira de Paiva Leite, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado) e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild, substituída pelo Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros.
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SC. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2008 SIMPLES. EXCLUSÃO. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Uma vez extinto o crédito tributário que justificou a exclusão do contribuinte do Simples, com base no art. 17, V da Lei Complementar nº 123/2006, deve o contribuinte ser reintegrado ao regime especial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Giovana Pereira de Paiva Leite, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado) e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild, substituída pelo Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 5. 00 39 64 /2 00 8- 14 Fl. 385DF CARF MF Processo nº 10835.003964/200814 Acórdão n.º 1301003.455 S1C3T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de Ato Declaratório Executivo DRF/PPE n° 378034/2008, por meio do qual a ora recorrente foi excluída do SIMPLES NACIONAL, com efeitos a partir de 1º de janeiro de 2009, por possuir débitos perante a Fazenda Pública Federal, com exigibilidade não suspensa. Ciente de sua exclusão, a recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 01 – 15), tecendo substanciosas considerações acerca do regime jurídico aplicável ao SIMPLES NACIONAL, e, em seguida, afirma que foi promovida execução fiscal para a exigência dos débitos de que trata a CDA da União Federal n° 32.465.1430 (débito que originou a exclusão), na qual houve penhora de bens que bastam para garantir integralmente a dívida e que foram opostos Embargos à Execução, julgados procedentes em primeira instância, para desconstituir integralmente o título que embasava a execução fiscal. Menciona que a União interpôs recurso de Apelação, estando os autos no Tribunal Regional Federal da 3ª Região aguardando apreciação do recurso, alegando que os ditos Embargos à Execução foram recebidos com efeito suspensivo, obstando a exigibilidade do crédito, de modo que o art. 17, V, da Lei Complementar n° 123/2006 não seria aplicável. À folha 263, foi juntado extrato do sistema SIVEX, no qual consta o débito que deu causa à edição do ADE, precisamente o débito de que trata a Execução Fiscal n° 98.12075771. A DRJ julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente aduzindo que a garantia por penhora na execução fiscal não suspende a exigibilidade do crédito tributário, de modo que o ADE que se baseava nesse crédito permanecia válido. Irresignado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário repisando as razões de sua manifestação de inconformidade. O julgamento deste processo no CARF foi convertido em diligência pelo Conselheiro Edwal Casoni, através do acórdão 1301000.054, para que o mesmo aguardasse o deslinde da discussão no âmbito dos Embargos à Execução Fiscal nº 98.12075771. Encerrado o julgamento dos Embargos à Execução, a unidade de origem juntou aos autos as decisões finais proferidas em fls. 364 e seguintes, demonstrando que o pleito da Fazenda Pública foi rechaçado tanto no STJ quanto no STF. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto Relator. Fl. 386DF CARF MF Processo nº 10835.003964/200814 Acórdão n.º 1301003.455 S1C3T1 Fl. 4 3 O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Como relatado acima, o fundamento do Ato Declaratório de Exclusão nº 378034/2008 foi a existência de crédito tributário constituído e sem exigibilidade suspensa, consubstanciado na CDA nº 32.465.1430 (fl. 263), e cobrado na Execução Fiscal nº 98.12075771. Conforme consulta ao sistema SIVEX (fl. 267), a exclusão foi suspensa pelo presente processo administrativo, desde 16/10/2008. Como se vê, o cerne da exclusão é a existência de crédito tributário exigível, situação fática que não persiste atualmente, como reconhecido por Despacho de fls. 381/382, exarado pela unidade de origem: Nessa ação, em sentença publicada em 27/06/2006, o julgador desconstitui o título executivo que embasava a execução fiscal embargada e extinguiu a respectiva ação executiva (folhas 211/216 e 343). O recurso de apelação da União foi recebido no efeito suspensivo (folha 344). Sobreveio o Acórdão proferido pela Décima Primeira Turma do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, no qual o colegiado negou provimento à apelação da União e ao reexame necessário (folhas 348/351). Os recursos excepcionais da União não foram admitidos. A União interpôs agravos às decisões que não admitiram seus recursos excepcionais (folhas 356/359). Em 28/02/2018, transitou em julgado a decisão do STJ que não conheceu do Agravo em Recurso Especial da União (folhas 364/368). Em 05/05/2018, transitou em julgado a decisão do STF que conheceu do Agravo e negou seguimento a Recurso Extraordinário da União (folhas 369/380). Portanto, a interessada saiu vencedora nos Embargos à Execução Fiscal processados sob nº 0003397 74.2002.4.03.6112, ou seja, foi desconstituído o título executivo correspondente ao crédito previdenciário nº 32.465.1430. Finda a lide judicial que sobrestava o julgamento administrativo (folhas 329/332), proponho o retorno dos autos ao CARF para prosseguimento no julgamento do Recurso Voluntário às folhas 319/325. Desse modo, anulado o crédito que deu base ao ADE, nada mais há a fazer que reconhecer o pleito do Recorrente. Portanto, voto por dar provimento integral ao Recurso Voluntário para reintegrar o Contribuinte ao SIMPLES. É como voto. Fl. 387DF CARF MF Processo nº 10835.003964/200814 Acórdão n.º 1301003.455 S1C3T1 Fl. 5 4 (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Fl. 388DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.908057/2008-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. DCOMP. AFASTAMENTO DO ÓBICE DO ART. 10 DA IN SRF Nº 460/04 E REITERADO PELA IN SRF Nº 600/05. SÚMULA CARF Nº 84.
Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação, desde que comprovado o erro de fato e desde que não utilizado no ajuste anual.
Não comprovado o erro de fato, mas existindo eventualmente pagamento a maior de estimativa mensal em relação ao valor do débito apurado no encerramento do respectivo ano-calendário, cabível a devolução do saldo negativo no ajuste anual.
Numero da decisão: 1401-002.906
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Angelo Abrantes Nunes, Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano e Letícia Domingues Costa Braga.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2001 COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. DCOMP. AFASTAMENTO DO ÓBICE DO ART. 10 DA IN SRF Nº 460/04 E REITERADO PELA IN SRF Nº 600/05. SÚMULA CARF Nº 84. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação, desde que comprovado o erro de fato e desde que não utilizado no ajuste anual. Não comprovado o erro de fato, mas existindo eventualmente pagamento a maior de estimativa mensal em relação ao valor do débito apurado no encerramento do respectivo ano-calendário, cabível a devolução do saldo negativo no ajuste anual.
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DCOMP. AFASTAMENTO DO ÓBICE DO ART. 10 DA IN SRF Nº 460/04 E REITERADO PELA IN SRF Nº 600/05. SÚMULA CARF Nº 84. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação, desde que comprovado o erro de fato e desde que não utilizado no ajuste anual. Não comprovado o erro de fato, mas existindo eventualmente pagamento a maior de estimativa mensal em relação ao valor do débito apurado no encerramento do respectivo anocalendário, cabível a devolução do saldo negativo no ajuste anual. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Angelo Abrantes Nunes, Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano e Letícia Domingues Costa Braga. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 80 57 /2 00 8- 18 Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10880.908057/200818 Acórdão n.º 1401002.906 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Cuidam os autos de reconhecimento de direito creditório da recorrente que não foi homologado pela DRJ tendo em vista que o pagamento indicado como crédito compensado tinha sido integralmente utilizado pela quitação de débito da contribuinte confessado em DCTF e que não restaria crédito disponível para compensação. Por outro lado, o pagamento indevido a título de estimativa deveriam ter sido deduzidas do imposto devido para compor eventual saldo negativo de imposto de renda, esse sim passível de restituição ou compensação com débitos da contribuinte. Inconformada com a decisão de primeira instância, interpôs o contribuinte recurso voluntário, alegando as mesmas razões de sua manifestação de inconformidade e, ainda, que a legislação utilizada para vedar o aproveitamento do crédito pretendido pelo contribuinte, qual seja, o art. 10 da IN 600/2005 é posterior à compensação realizada. Portanto, não poderia ter tal legislação maculado a compensação pleiteada, tendo em vista que ela é posterior ao fato. Este é o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.905, de 20/09/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10880.904190/2008 97, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.905): "O recurso é tempestivo e preenche os requisitos legais, assim dele tomo conhecimento. A Recorrente rebelase contra a decisão recorrida que denegou o direito creditório pleiteado e não homologou a DCOMP objeto dos autos. Inexistindo preliminar a ser enfrentada, passo diretamente à análise do mérito. Direito de repetição do indébito tributário (crédito). Compensação tributária de débitos próprios, vencidos ou vincendos: Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10880.908057/200818 Acórdão n.º 1401002.906 S1C4T1 Fl. 4 3 O sujeito passivo tem direito à restituição total ou parcial do tributo, no caso de pagamento indevido ou a maior (CTN, art. 165). O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão (Lei 9.430/96, art. 74). Ônus probatório: No processo de compensação tributária, a Contribuinte é autora do pedido de aproveitamento de crédito contra a Fazenda Nacional para encontro de contas informado na declaração de compensação informada. À luz do artigo 373, I, do CPC (Lei nº 13.105, de 2015), de aplicação subsidiária no processo administrativo tributário federal (processo de compensação tributária), compete ao autor do pedido de crédito o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito de crédito alegado, mediante apresentação de elementos de prova hábeis e idôneos da existência do crédito contra a Fazenda Nacional, utilizado para encontro de conta com débitos próprios vencidos ou vincendos objeto da DCOMP, para que seja aferida a liquidez e certeza, nos termos do art. 170 do Código Tributário Nacional. O momento da apresentação das provas, sua produção, está previsto nos arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/72. A decisão da DRJ apenas apresentou um erro de fato e a formação do direito creditório, bem como sua liquidez e certeza para encontro de contas com débitos confessados na DCOMP objeto dos autos, pois se limitaram a denegar o direito creditório com base no óbice do art. 10 da IN SRF 460/04, reiterado pela IN SRF nº 460/05. Ocorre que o óbice do art. 10 da Instrução Normativa SRF n° 460/04, reiterado na IN SRFnº 600/05, ficou superado a partir da edição da IN SRF 900/2008 que suprimiu a vedação da repetição imediata, aproveitamento ou utilização em compensação tributária de pagamento a maior ou indevido de estimativas mensais do IRPJ ou da CSLL antes de findo o período de apuração, ou depois, desde que reste comprovado, de forma cabal, o erro de fato na apuração da base de cálculo ou pagamento totalmente desvinculado da base de cálculo que deu origem ao crédito pleiteado. No mesmo sentido, a Súmula CARF nº 84, cujo verbete transcrevo, in verbis: Súmula CARF nº 84: Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10880.908057/200818 Acórdão n.º 1401002.906 S1C4T1 Fl. 5 4 Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Portanto, afastado o óbice, ou seja, é possível a devolução de pagamento indevido de estimativa mensal desde que comprovado o alegado erro de fato e desde que não utilizado ou computado o respectivo valor no saldo negativo do imposto (ajuste anual). Por todo exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, reformando a decisão da DRJ e reconhecer o direito creditório pleiteado." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 91DF CARF MF
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Numero do processo: 10725.903174/2009-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPENSAÇÃO SEM PROCESSO. INADMISSIBILIDADE
A partir da vigência da Medida Provisória nº 66, de 29/08/2002, convertida na Lei nº 10.637, de 30/12/2002, a compensação sem processo, entre tributos e contribuições de mesma espécie e destinação constitucional, nos termos do art. 66, caput e §1º da Lei nº 8.383, de 30/12/1991, tornou-se inadmissível ante a novel redação conferida ao art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996.
COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. CRÉDITO PROVENIENTE DA APURAÇÃO DE SALDO NEGATIVO DA CSLL. DECURSO DE PRAZO FIXADO PELA NORMA DE REGÊNCIA.
O lapso temporal conferido para o exercício do direito de compensação mediante utilização de crédito proveniente de saldo negativo da CSLL, encerra-se com decurso do prazo de 5 (cinco) anos contados da data de encerramento do período de apuração correspondente, a teor do preceito expresso no art. 168, inciso I do Código Tributário Nacional (CTN) à luz da interpretação dada pelo art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005.
INEFICÁCIA DA RETIFICAÇÃO DA DCTF TRANSMITIDA APÓS O DECURSO DO PRAZO DECADENCIAL ESTABELECIDO PELA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. ALTERAÇÃO DAS VINCULAÇÕES INFORMADAS EM RELAÇÃO À ESTIMATIVA MENSAL CONFESSADA. COMPENSAÇÃO SEM PROCESSO INFORMADA EXTEMPORANEAMENTE.
Para efeitos de determinação da pertinência do crédito declarado, constitui-se ineficaz a DCTF retificadora transmitida após o decurso do prazo decadencial estabelecido pela legislação tributária, mormente quando as alterações levadas a efeito pelo sujeito passivo apresentam-se desacompanhadas de material probatório competente que demonstre cabalmente a ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração.
Ainda que alegada a realização da compensação sob a égide art. 66, caput e §1º da Lei nº 8.383, de 30/12/1991, revela-se necessária a comprovação da validade e existência das novas vinculações informadas na DCTF retificadora e da efetividade da compensação na data de vencimento da estimativa mensal associada ao crédito reivindicado.
Numero da decisão: 1402-003.373
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10725.903155/2009-24, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marco Rogério Borges, Caio César Nader Quintella, Sergio Abelson (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Leonam Rocha de Medeiros (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPENSAÇÃO SEM PROCESSO. INADMISSIBILIDADE A partir da vigência da Medida Provisória nº 66, de 29/08/2002, convertida na Lei nº 10.637, de 30/12/2002, a compensação sem processo, entre tributos e contribuições de mesma espécie e destinação constitucional, nos termos do art. 66, caput e §1º da Lei nº 8.383, de 30/12/1991, tornouse inadmissível ante a novel redação conferida ao art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996. COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. CRÉDITO PROVENIENTE DA APURAÇÃO DE SALDO NEGATIVO DA CSLL. DECURSO DE PRAZO FIXADO PELA NORMA DE REGÊNCIA. O lapso temporal conferido para o exercício do direito de compensação mediante utilização de crédito proveniente de saldo negativo da CSLL, encerrase com decurso do prazo de 5 (cinco) anos contados da data de encerramento do período de apuração correspondente, a teor do preceito expresso no art. 168, inciso I do Código Tributário Nacional (CTN) à luz da interpretação dada pelo art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005. INEFICÁCIA DA RETIFICAÇÃO DA DCTF TRANSMITIDA APÓS O DECURSO DO PRAZO DECADENCIAL ESTABELECIDO PELA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. ALTERAÇÃO DAS VINCULAÇÕES INFORMADAS EM RELAÇÃO À ESTIMATIVA MENSAL CONFESSADA. COMPENSAÇÃO SEM PROCESSO INFORMADA EXTEMPORANEAMENTE. Para efeitos de determinação da pertinência do crédito declarado, constituise ineficaz a DCTF retificadora transmitida após o decurso do prazo decadencial estabelecido pela legislação tributária, mormente quando as alterações levadas a efeito pelo sujeito passivo apresentamse desacompanhadas de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 72 5. 90 31 74 /2 00 9- 51 Fl. 56DF CARF MF 2 material probatório competente que demonstre cabalmente a ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. Ainda que alegada a realização da compensação sob a égide art. 66, caput e §1º da Lei nº 8.383, de 30/12/1991, revelase necessária a comprovação da validade e existência das novas vinculações informadas na DCTF retificadora e da efetividade da compensação na data de vencimento da estimativa mensal associada ao crédito reivindicado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10725.903155/200924, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marco Rogério Borges, Caio César Nader Quintella, Sergio Abelson (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Leonam Rocha de Medeiros (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente). Relatório Trata o presente feito de Recurso Voluntário interposto em face do r. despacho decisório proferido pela DRJ que não homologou a compensação, por entender que a DCTFRetificadora foi apresentada extemporaneamente. Aduz em síntese a Recorrente a nulidade do despacho decisório por ausência de fundamentação e cerceamento de defesa. Segundo a Recorrente, o despacho decisório se limitou a apontar que a compensação não seria homologada porque a partir das características do DARF discriminado na DCOMP, o sistema da RFB localizou um ou mais pagamentos que serviram para a quitação de débitos do próprio contribuinte. Ocorre que ao tempo do julgamento já teria sido transmitida DCTF retificadora que deixou de ser considerada. Segundo a recorrente: Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10725.903174/200951 Acórdão n.º 1402003.373 S1C4T2 Fl. 3 3 Invoca ainda a ampla defesa e o contraditório para legitimar seu pleito. Explica que no mérito o crédito decorre do recolhimento a maior de IRPJ n regime de apuração do lucro presumido quando aplicou erroneamente o percentual de presunção de 32%, invés do percentual de 8% adequado para rendimentos oriundos de serviços hospitalares. Afirma que apresentou DCOMPretificadoras para corrigir dados da DCOMP original, não para transmitir DCOMP com créditos supostamente prescritos. Afirma que não há prazo fixado em lei para retificar suas declarações, não sendo aplicável o art. 150, §4º do CTN como parâmetro. Sustenta que divergência entre DCTFretificadora e DIPJ não pode ser visto como impedimento para a compensação, tratandose tão somente de obstáculo de natureza formal. O que gera o crédito para o é a efetivação do pagamento indevido e não as informações prestadas por DCTF e/ou DIPJ. Por fim, acrescenta que: Conclui sustentando que aplicase ao caso a tese do 5 +5, consolidada no julgamento do RESP nº 1002932/SP, com efeito repetitivo. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF Fl. 58DF CARF MF 4 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402003.353, de 15/08/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10725.903155/2009 24, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402003.353): "1. DA ADMISSIBILIDADE: O Recurso é tempestivo e interposto por parte competente, posto que o admito. 2. DO MÉRITO Conforme bem apontou o Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar, ao proferir o acórdão 1402001.976: De acordo com as normas introduzidas no ordenamento jurídico conferiuse nova redação ao art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, passando a exigir a apresentação de Declaração de Compensação (PER/DCOMP) com a finalidade de tornar eficaz o exercício da compensação de débitos tributários com eventual indébito tributário apurado pelo contribuinte, inclusive em relação a tributos e contribuições de mesma natureza. Assim sendo, a entrega da PER/DCOMP instituiuse como premissa para a determinação da extinção do crédito tributário mediante compensação. Diante disso, a partir da vigência do referido dispositivo legal, a compensação sem processo, entre tributos e contribuições de mesma espécie e destinação constitucional, formulada em consonância com o art. 66, caput e §1º da Lei nº 8.383, de 30/12/1991, e nos termos da antiga redação do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, regulamentada na Instrução Normativa SRF nº 21, de 1997, tornouse inadmissível para cumprimento do novel regime de compensação introduzido no sistema tributário. Sendo assim, não merece qualquer reparo as conclusões firmadas pela autoridade administrativa responsável pela análise das DCOMP eletrônicas, visto que, por este aspecto, plenamente legítima a delimitação de reconhecimento do direito creditório levada a efeito no despacho decisório A jurisprudência consolidada desta turma segue no sentido de que é possível a compensação de débitos tributários via PER/DCOMP quando transmitida DCTF retificadora desde que exista prova inequívoca do crédito apontado. Esse também foi o entendimento adotado pela Receita Federal quando emitiu o Parecer Normativo COSIT nº 2 de 2015: Assunto. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10725.903174/200951 Acórdão n.º 1402003.373 S1C4T2 Fl. 4 5 RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/nãohomologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado Fl. 60DF CARF MF 6 em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Dispositivos Legais. arts. 147, 150, 165 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); arts. 348 e 353 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil (CPC); art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984; art. 18 da MP nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001; arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010; Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012; Parecer Normativo RFB nº 8, de 3 de setembro de 2014. eprocesso 11170.720001/201442 Se de um lado é incontroversa a possibilidade de se retificar a DCTF após a transmissão da PER/DCOMP, o mesmo não se pode afirmar quando a retificação é posterior ao prazo decadencial. O art. 168 do CTN dispõe que “O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário. De sua parte o art. 165 do CTN dispõe: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido. Por entender que a decadência objetiva a pacificação das relações sociais deve atingir tanto a possibilidade de o fisco lançar como de o contribuinte aproveitar dos créditos, através de compensação. Nessa toada, adiro ao precedente desta turma nos autos do processo administrativo nº 16306.000011/201075 em que se decidiu : DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPENSAÇÃO SEM PROCESSO. INADMISSIBILIDADE Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10725.903174/200951 Acórdão n.º 1402003.373 S1C4T2 Fl. 5 7 A partir da vigência da Medida Provisória nº 66, de 29/08/2002, convertida na Lei nº 10.637, de 30/12/2002, a compensação sem processo, entre tributos e contribuições de mesma espécie e destinação constitucional, nos termos do art. 66, caput e §1º da Lei nº 8.383, de 30/12/1991, tornou se inadmissível ante a novel redação conferida ao art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996. COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. CRÉDITO PROVENIENTE DA APURAÇÃO DE SALDO NEGATIVO DA CSLL. DECURSO DE PRAZO FIXADO PELA NORMA DE REGÊNCIA. O lapso temporal conferido para o exercício do direito de compensação mediante utilização de crédito proveniente de saldo negativo da CSLL, encerrase com decurso do prazo de 5 (cinco) anos contados da data de encerramento do período de apuração correspondente, a teor do preceito expresso no art. 168, inciso I do Código Tributário Nacional (CTN) à luz da interpretação dada pelo art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005. INEFICÁCIA DA RETIFICAÇÃO DA DCTF TRANSMITIDA APÓS O DECURSO DO PRAZO DECADENCIAL ESTABELECIDO PELA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. ALTERAÇÃO DAS VINCULAÇÕES INFORMADAS EM RELAÇÃO À ESTIMATIVA MENSAL CONFESSADA. COMPENSAÇÃO SEM PROCESSO INFORMADA EXTEMPORANEAMENTE. Para efeitos de determinação da pertinência do crédito declarado, constituise ineficaz a DCTF retificadora transmitida após o decurso do prazo decadencial estabelecido pela legislação tributária, mormente quando as alterações levadas a efeito pelo sujeito passivo apresentam se desacompanhadas de material probatório competente que demonstre cabalmente a ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. Ainda que alegada a realização da compensação sob a égide art. 66, caput e §1º da Lei nº 8.383, de 30/12/1991, revelase necessária a comprovação da validade e existência das novas vinculações informadas na DCTF retificadora e da efetividade da compensação na data de vencimento da estimativa mensal associada ao crédito reivindicado. Referido precedente é aplicável ao caso concreto. A recorrente apresentou DCTF extemporânea, mas não comprovou cabalmente o pagamento a maior, restringindose a apontar que aplicou o percentual de presunção inadequado sem apresentar as provas do erro ou que fazia jus ao referido percentual, em linha com as exigências da legislação tributária. Esses motivos são o suficiente para além de manter a decisão recorrida no mérito, afastar a nulidade suscitada pela Recorrente em sede preliminar. Fl. 62DF CARF MF 8 3. CONCLUSÃO: Por todo o exposto, voto pela manutenção da decisão recorrida. É como voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, conforme voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 63DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.721846/2014-64
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2014
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO DO JULGADO. CABIMENTO.
São cabíveis embargos de declaração para suprir omissão de acórdão. Os embargos são acolhidos para integrar os fundamentos eivados de omissão, concedendo efeitos infringentes ao recurso quando as omissões constatadas tiverem o condão alterar a decisão embargada.
OPÇÃO. INDEFERIMENTO.
Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitando-se ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo.
Numero da decisão: 1001-000.807
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos e conhecer do recurso voluntário, dando efeitos infringentes quanto ao conhecimento, e no mérito negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2014 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO DO JULGADO. CABIMENTO. São cabíveis embargos de declaração para suprir omissão de acórdão. Os embargos são acolhidos para integrar os fundamentos eivados de omissão, concedendo efeitos infringentes ao recurso quando as omissões constatadas tiverem o condão alterar a decisão embargada. OPÇÃO. INDEFERIMENTO. Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitando-se ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo.
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OMISSÃO DO JULGADO. CABIMENTO. São cabíveis embargos de declaração para suprir omissão de acórdão. Os embargos são acolhidos para integrar os fundamentos eivados de omissão, concedendo efeitos infringentes ao recurso quando as omissões constatadas tiverem o condão alterar a decisão embargada. OPÇÃO. INDEFERIMENTO. Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitandose ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos e conhecer do recurso voluntário, dando efeitos infringentes quanto ao conhecimento, e no mérito negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 18 46 /2 01 4- 64 Fl. 169DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva. Relatório Tratase de Embargos de Declaração interpostos pela empresa em epígrafe contra decisão proferida no Acórdão nº 1001000.381, da sessão de 07/02/2018, da 1ª Turma Extraordinária da 1ª Seção do CARF, que teve a seguinte ementa: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2014 RECURSO. INTEMPESTIVIDADE. Da decisão de primeira instância caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Na parte dispositiva, foi consignado o seguinte: Cientificada da decisão de primeira instância em 21/01/2015 (e fl. 132) a Interessada interpôs recurso voluntário, protocolado em 24/02/2015 (efl. 146). Logo, o recurso voluntário é intempestivo, não cabendo, por conseqüência, a esta Turma analisar questões de mérito. O contribuinte apresentou embargos alegando a tempestividade do recurso voluntário, segundo documentação que anexou (efl. 163). Da análise do documento citado os embargos foram acolhidos (efl. 166/167), asseverando que o recurso voluntário foi apresentado tempestivamente. Como eu havia sido o relator do processo que gerou o acórdão embargado, o processo foi distribuído a mim. Tratase de Termo de Indeferimento de pedido de inclusão no Simples Nacional (efl. 14), para o ano calendário 2014, tendose em vista a existência de débitos com a SRF com exigibilidade não suspensa. Após tomar ciência do indeferimento de seu pleito a empresa apresentou Manifestação de Inconformidade. A decisão de primeira instância (efls. 124/127) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, por entender que o contribuinte efetuou parcelamento dos débitos constantes do Termo de Indeferimento em 12/02/2014, quando o prazo para a regularização das referidas pendências esgotarase em 31/01/2014. Cientificada da decisão de primeira instância em 21/01/2015 (efl. 132) a Interessada interpôs recurso voluntário, protocolado em 19/02/2015 (efl. 163). É o Relatório. Fl. 170DF CARF MF Processo nº 11080.721846/201464 Acórdão n.º 1001000.807 S1C0T1 Fl. 170 3 Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator Cientificada da decisão de primeira instância em 21/01/2015 (efl. 132) a Interessada interpôs recurso voluntário, protocolado em 19/02/2015 (efl. 163). Logo, o recurso voluntário é tempestivo, e passo a analisar questões de mérito. Cabe verificar o que dispõe o artigo 17 da Lei nº 123/2006, inciso V e XI, e o art. 15, inciso XV, da Resolução CGSN nº 94, de 29 de novembro de 2011: “Art. 15. Não poderá recolher os tributos na forma do Simples Nacional a ME ou EPP: (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 17, caput): (...) XV que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa; (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 17, inciso V)”;(destaquei). (...) A opção pelo Simples Nacional está regulamentada pela mesma Resolução CGSN nº 94/2011: Art. 6º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio do Portal do Simples Nacional na internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, caput) (...) § 1º A opção de que trata o caput deverá ser realizada no mês de janeiro, até seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do anocalendário da opção, ressalvado o disposto no § 5º. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, § 2º) § 2º Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá: (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, caput) I regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitandose ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo; O contribuinte não diligenciou de forma a regularizar as pendências no prazo legal. Prescreve o § 2º do art. 6º citado que, enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitandose ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo. E conforme extrato anexado (efls. 105/112; 51/59 e 60/70) a solicitação Fl. 171DF CARF MF 4 de parcelamento ocorreu no dia 12/02/2014. Portanto após o prazo legal (31/01/2014). Assim especificou a decisão de piso referindose a cada um dos débitos constantes do TI: Conforme especificado abaixo, o contribuinte efetuou o parcelamento dos débitos constantes do Termo de Indeferimento em 12/02/2014, quando o prazo para a regularização das referidas pendências esgotarase em 31/01/2014. 1) COFINS inscrição nº 69701557424 – fls. 105/112 2) CONTRIBUIÇÃO SOCIAL inscrição nº 60200442744 – fls. 51/59 3) COFINS inscrição nº 60200442825 – fls. 60/70) O contribuinte protesta que os débitos que teriam sido pagos à vista em data posterior do prazo não mais constavam no TI, mas que os débitos parcelados na mesma situação constavam, não havendo tratamento isonômico no caso. Adiantese que a obrigação de negar a adesão ao sistema simplificado quando constatada a existência de débitos em aberto advém de obrigação legal citada, à qual está vinculado a autoridade tributária, razão pela qual não cabe aqui considerar eventual erro (não provado) na aplicação da lei como motivo para a manutenção do contribuinte no Simples. Quanto à jurisprudência anexada pelo recorrente, da qual este não aparece como parte, atesto que somente caberia a aplicação aos presentes autos se aquelas decisões tivessem efeito vinculante, o que não é o caso das acostadas. Atesto ainda que o tratamento diferenciado previsto na CF às microempresas somente cabe àquelas que se enquadrarem nas condições legais (LC 123/2006). Por fim assevero que as provas neste processo devem ser acolhidas nos prazos previsto na legislação específica (Decreto 70235/72, art. 15 e 16). Desta forma, voto por acolher os embargos com efeitos infringentes quanto ao conhecimento, conhecer do recurso voluntário e no mérito negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Relator Fl. 172DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13710.000905/97-11
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/1991 a 31/08/1995
NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO ESPECIAL. DISSIMILITUDE FÁTICA/FUNDAMENTOS.
Não se conhece do Recurso Especial quando as situações fáticas e fundamentos considerados nos acórdãos paradigmas são distintos da situação tratada no acórdão recorrido, não se prestando os arestos, por conseguinte, à demonstração de dissenso jurisprudencial.
Numero da decisão: 9303-007.725
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(Assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/1991 a 31/08/1995 NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO ESPECIAL. DISSIMILITUDE FÁTICA/FUNDAMENTOS. Não se conhece do Recurso Especial quando as situações fáticas e fundamentos considerados nos acórdãos paradigmas são distintos da situação tratada no acórdão recorrido, não se prestando os arestos, por conseguinte, à demonstração de dissenso jurisprudencial.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
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UNIÃO MANUFATORA DE ROUPAS ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1991 a 31/08/1995 NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO ESPECIAL. DISSIMILITUDE FÁTICA/FUNDAMENTOS. Não se conhece do Recurso Especial quando as situações fáticas e fundamentos considerados nos acórdãos paradigmas são distintos da situação tratada no acórdão recorrido, não se prestando os arestos, por conseguinte, à demonstração de dissenso jurisprudencial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 71 0. 00 09 05 /9 7- 11 Fl. 832DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional contra o acórdão nº 211.302, da 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que, por maioria de votos, deu provimento ao recurso, vencidos dois conselheiros que acolheram a decadência de a Fazenda Nacional de efetuar o lançamento tributário referentes aos períodos de apuração compreendidos entre 31.391 a 30.7.92. O Colegiado, assim, consignou a seguinte ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1991 a 31/08/1995 PIS REVISÃO DE LANÇAMENTO – ALÍQUOTA ERRO DE DIREITO IMPOSSIBILIDADE. ARTS. 145, 146 E 149 DO CTN. SÚMULA 227 DO TFR. A declaração de inconstitucionalidade da aplicação retroativa dada à MP 1.212 de 28/11/95 convertida na Lei nº 9715/98, que fixava a alíquota de 0,65% para o PIS e sua aplicação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de outubro de 1995, não autoriza a revisão dos auto lançamentos anteriores efetuados, eis que o suposto erro na aplicação de alíquota, por traduzir um erro de direito na aplicação das normas aos fatos e valores já oferecidos à tributação, não autoriza a revisão do lançamento para a adoção de um novo critério de interpretação da Lei ou de ato normativo. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1991 a 31/08/1995 DECADÊNCIA – RESERVA DE LEI COMPLEMENTAR COFINS/PIS OCORRÊNCIA DE PAGAMENTO ART. 150, § 4º ART. DO CTN Havendo prova de pagamento parcial do tributo no período lançado aplicase o prazo decadencial previsto no art. arts. 150, § 4º do CTN. As normas dos arts. 150, § 4º e 173” do CTN não são de aplicação cumulativa ou concorrente, mas antes são reciprocamente excludentes, Fl. 833DF CARF MF Processo nº 13710.000905/9711 Acórdão n.º 9303007.725 CSRFT3 Fl. 565 3 tendo em vista a diversidade dos pressupostos da respectiva aplicação: o art. 150, § 4º aplicase exclusivamente aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa; o art. 173, ao revés, aplicase tributos em que o lançamento, em princípio, antecede o pagamento.” Irresignada, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial contra o r. acórdão, trazendo, entre outros, que: · Há em erro material no julgado, pois compulsando aos autos, nota se que o autuado tomou ciência do lançamento em 25.7.97, conforme AR acostado às fls. 149, e não em 30.7.97, sendo que a data mencionada pelo voto condutor corresponde à data na qual foi protocolizada impugnação; · A declaração, pelo STF, de inconstitucionalidade dos Decretos nºs 2.445/88 e 2.449/88, seguida da edição da Resolução nº 45/95 pelo Senado, produziu efeitos ex tunc e orga omnes, retirando as normas em comento do ordenamento jurídico desde seu nascimento, como se nunca tivessem existido · Entre as consequências da retirada dos citados Decretos Lei do ordenamento positivo, nos moldes acima, encontra se a inexistência de revogação da legislação com eles incompatível, especificamente a Lei Complementar nº 7/70, cuja sistemática voltou a ser aplicada. Correta, portanto, cobrança da “diferença de alíquota” prevista no auto de infração impugnado. Em Despacho às fls. 822 a 824, foi dado seguimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional quanto à divergência apresentada – qual seja, divergência quanto à possibilidade de lançamento de ofício para cobrança da diferença de alíquota devida em razão da aplicação das LCs 7/70 e 17/73, repristinadas com a inconstitucionalidade dos DecretosLeis 2.445 e 2.449/88, cujos efeitos foram suspensos pela Resolução do Senado Federal 49/95. Fl. 834DF CARF MF 4 Contrarrazões ao recurso foram apresentadas pelo sujeito passivo, que trouxe, entre outros, que: · A questão diz respeito a competência de a autoridade lançadora instituir o crédito tributário; · O recurso especial ora contestado trata da legalidade da majoração da alíquota para realizar a cobrança; · A matéria não é essa – a questão trata apenas da possibilidade de alterar lançamento por ato administrativo fundado no alegado erro de direito, matéria que não foi préquestionada nas decisões tidas por divergente; · No mérito, a decisão recorrida ratificou que houve prova integral do pagamento realizada através de depósito posteriormente convertido em renda sem reparo por parte da União Federal; · A procedência do recurso, se acolhida, importaria em alterar por ato administrativo coisa julgada judicial É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama Relatora Depreendendose da análise do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, entendo que não devo conhecêlo, vez que em relação à lide posta, não foi comprovada a divergência. Para melhor elucidar o meu direcionamento pelo não conhecimento, importante recordar o decidido no acórdão recorrido: · A aplicação retroativa da Resolução do Senado Federal n° 49 de 09/10/95 (DOU de 30/10/95) a operações efetuadas em período anterior à sua vigência como as excogitadas no lançamento (período de 03/91 a 08/95), por si só já enseja manifesta ilegalidade, por violação ao “princípio da irretroatividade da lei tributária” e ao disposto nos arts. 140 e 144 do CTN; Fl. 835DF CARF MF Processo nº 13710.000905/9711 Acórdão n.º 9303007.725 CSRFT3 Fl. 566 5 · Se não bastasse, o pretexto invocado no lançamento para justificar a pretensão à revisão de auto lançamentos anteriores – suposto erro na aplicação de alíquota de 0,75% prevista na legislação repristinada com a declaração de inconstitucionalidade – na realidade traduz um erro de aplicação das normas aos fatos e valores já oferecidos à tributação, ou seja, consubstancia um erro de direito que não autoriza a revisão do lançamento, pois está na lei (arts. 145, 146 e 149 do CTN), e proclama a Jurisprudência há muito pacificada (v. Ac. STF nº. RE nº 104.226SC in RTJ 113/908; Súmula 227 do TFR), que o erro de direito no lançamento anterior não autoriza a sua revisão, eis que esta não pode ser promovida para a adoção de um novo critério de interpretação da Lei ou de ato normativo (nova classificação), tal como recentemente proclamado pelo E. STJ. Vêse assim que a discussão de fundo reflete a possibilidade ou não de se alterar o lançamento por ato administrativo fundado no alegado erro de direito, tal como bem colocado no acórdão recorrido. Os acórdãos indicados como paradigmas não trouxeram essa discussão e não trataram de revisão ou alteração do lançamento. Eis: · Acórdão 20178.885, traz que a insuficiência nos recolhimentos apurada em procedimento de ofício rende ensejo ao lançamento das diferenças e respectivos consectários; Vêse que não há discussão sobre erro de direito nesse caso – mas mera apuração de insuficiência de recolhimento; · Acórdão 20214.516, traz, entre outros, que a alíquota aplicável ao lançamento é aquela determinada pela LC n° 7/70, com a alteração da LC 17/73, ex vi do disposto no art. 144 do CTN, vez que os DecretosLeis inconstitucionais não mais se prestam como suporte legal a ser observado. Vêse que não há discussão sobre erro de direito nesse caso, tampouco revisão de lançamento. Fl. 836DF CARF MF 6 Diante do exposto, por não haver similitude fática entre os arestos recorrido e paradigma, não conheço o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. É o meu voto. (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Fl. 837DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13884.903916/2008-22
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Dec 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2000
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO FORMADO SOB A RUBRICA DE MULTA DE MORA. RECOLHIMENTO A DESTEMPO. INCIDÊNCIA DE MULTA DE MORA.
Os débitos para com a Unido, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, não pagos nos prazos previstos na legislação especifica, são acrescidos de multa de mora.
Assim acontecido, a rubrica a esse titulo recolhida não reverte como indébito ao Contribuinte ao discurso de inexistente procedimento de oficio.
Numero da decisão: 1001-000.936
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente.
(assinado digitalmente)
EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
Nome do relator: EDUARDO MORGADO RODRIGUES
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2000 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO FORMADO SOB A RUBRICA DE MULTA DE MORA. RECOLHIMENTO A DESTEMPO. INCIDÊNCIA DE MULTA DE MORA. Os débitos para com a Unido, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, não pagos nos prazos previstos na legislação especifica, são acrescidos de multa de mora. Assim acontecido, a rubrica a esse titulo recolhida não reverte como indébito ao Contribuinte ao discurso de inexistente procedimento de oficio.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
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EPP. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2000 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO FORMADO SOB A RUBRICA DE MULTA DE MORA. RECOLHIMENTO A DESTEMPO. INCIDÊNCIA DE MULTA DE MORA. Os débitos para com a Unido, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, não pagos nos prazos previstos na legislação especifica, são acrescidos de multa de mora. Assim acontecido, a rubrica a esse titulo recolhida não reverte como indébito ao Contribuinte ao discurso de inexistente procedimento de oficio. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 90 39 16 /2 00 8- 22 Fl. 54DF CARF MF Processo nº 13884.903916/200822 Acórdão n.º 1001000.936 S1C0T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 36 a 44) interposto contra o Acórdão nº 0535.386, proferido pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas/SP (fls. 30 a 32), que, por unanimidade, julgou improcedente a impugnação apresentada pela ora Recorrente, decisão esta consubstanciada na seguinte ementa: "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2000 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO FORMADO SOB A RUBRICA DE MULTA DE MORA. RECOLHIMENTO A DESTEMPO. INCIDÊNCIA DE MULTA DE MORA. Os débitos para com a Unido, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, não pagos nos prazos previstos na legislação especifica, são acrescidos de multa de mora. Assim acontecido, a rubrica a esse titulo recolhida não reverte como indébito ao Contribuinte ao discurso de inexistente procedimento de oficio. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido" Por sua precisão na descrição dos fatos que desembocaram no presente processo, peço licença para adotar e reproduzir os termos do relatório da decisão da DRJ de origem: "O Contribuinte em epígrafe fez transmitir em 01/12/2004 a DCOMP sob n° 08944.32503.011204.1.3.043527, na qual consignou, a titulo de origem de seu direito credit6rio contra a Fazenda Pública Federal, um recolhimento sob a modalidade do Simples Federal (Lei n° 9.317, de 5 de dezembro de 1996), assim efetuado em 29/11/2000, da competência de outubro/2000, no importe de R$ 2.279,54. Tencionava o Interessado extinguir por compensação débito de IRPJ, referente A competência do 1° trimestre de 2004, vencível em 30/04/2004, no montante de R$ 11,44. Tal pleito foi negado A razão de pregressa vinculação de do crédito então apontado A satisfação de débito do âmbito do Simples Federal, competência outubro/2000, bem que A sorte da DCOMP sob n° 21347.63161.301104.1.3.041790. Disso teve ciência o Contribuinte em 16/09/2008, vindo a colacionar sua insurgência em 23/09/2008. Alega que do todo recolhido a titulo de Simples Federal Fl. 55DF CARF MF Processo nº 13884.903916/200822 Acórdão n.º 1001000.936 S1C0T1 Fl. 4 3 em 29/11/2000, competência outubro/2000 (origem do crédito que menciona), assim o fizera com acréscimo de multa de mora. Por outra, recolhera R$ 2.145,05 a titulo de principal e R$ 134,49 à conta de multa de mora, totalizando R$ 2.279,54. Pois bem, já que, A época, não se encontrava sob procedimento de oficio, a porção referente A multa de mora seria indevida, certo que ao amparo da denúncia espontânea, como vem de indicar, inclusive, a jurisprudência do STJ." Inconformada com a decisão de primeiro grau que indeferiu a sua Manifestação de Inconformidade, a ora Recorrente apresentou o recurso sob análise com base nos mesmos elementos que já havia apresentado em primeira instância. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Em atenção ao disposto no §3º do art. 57 do RICARF, e por concordar com seu teor, adoto as razões exaradas pela decisão da DRJ ora combatida. Para tanto, reproduzo os tópicos atinentes às matérias ora tratadas: "(...) Não convém a argumentação do Contribuinte, considerada mesmo a jurisprudência do STJ. De fato, pois, nos termos do enunciado n° 360 da Súmula daquele Tribunal: "O beneficio da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo". Significa, débito declarado e pago a destempo não está ao alcance da denúncia espontânea, assim regulada pelo art. 135 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 — Código Tributário Nacional (CTN). Na espécie, o débito de Simples Federal, no importe de R$ 2.145,05, competência de outubro/2000, vencível em 10/11/2000, está declarado na DSPJ/2001 assim entregue em 23/05/2001 (vide documentos juntados): D'outra, incontroverso que o respectivo pagamento deuse em atraso, havido que foi em 29/11/2000.Logo, como prediz o citado enunciado de Súmula, inaplicável o instituto da denúncia espontânea. De todo exigível a correspectiva multa de mora. Se não por isso, regra expressamente o art. 61 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a imediata incidência de multa de mora frente a débitos pagos a destempo, além dos juros também moratórios: Fl. 56DF CARF MF Processo nº 13884.903916/200822 Acórdão n.º 1001000.936 S1C0T1 Fl. 5 4 Art. 61. Os débitos para com a Unido, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1° de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação especifica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1° A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2° 0 percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3° Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3° do art. 5°, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (...)" Assim, com base nos argumentos supra colacionados, provenientes da DRJ de origem, entendo que os argumentos esposados pela Recorrente não devem ser acolhidos. Portanto, a decisão de primeira instância não merece qualquer reparo. Desta forma, VOTO no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo in totum a decisão de primeira instância. É como voto. (assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues Relator Fl. 57DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13848.000106/2005-14
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2003
MULTA POR ATRASO DCTF.
A entrega de DCTF após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa moratória.
Numero da decisão: 1003-000.236
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Abelson - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: SERGIO ABELSON
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2003 MULTA POR ATRASO DCTF. A entrega de DCTF após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa moratória.
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score : 1.0
