Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,203)
- Segunda Câmara (27,795)
- Primeira Câmara (25,082)
- Segunda Turma Ordinária d (17,279)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (15,968)
- Primeira Turma Ordinária (15,809)
- Primeira Turma Ordinária (15,804)
- Primeira Turma Ordinária (15,698)
- Segunda Turma Ordinária d (15,668)
- Segunda Turma Ordinária d (14,211)
- Primeira Turma Ordinária (12,927)
- Primeira Turma Ordinária (12,240)
- Segunda Turma Ordinária d (12,220)
- Quarta Câmara (11,512)
- Primeira Turma Ordinária (11,267)
- Quarta Câmara (83,745)
- Terceira Câmara (65,768)
- Segunda Câmara (54,342)
- Primeira Câmara (18,838)
- 3ª SEÇÃO (15,968)
- 2ª SEÇÃO (11,240)
- 1ª SEÇÃO (6,768)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (121,598)
- Segunda Seção de Julgamen (112,498)
- Primeira Seção de Julgame (74,880)
- Primeiro Conselho de Cont (49,051)
- Segundo Conselho de Contr (48,897)
- Câmara Superior de Recurs (37,572)
- Terceiro Conselho de Cont (25,950)
- IPI- processos NT - ressa (5,000)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,057)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,960)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,859)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,239)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,099)
- IRPJ - restituição e comp (2,087)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,665)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,196)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,600)
- HELCIO LAFETA REIS (3,506)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- ROSALDO TREVISAN (3,200)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,888)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,625)
- WILDERSON BOTTO (2,588)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,553)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,074)
- 2021 (35,820)
- 2019 (30,956)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,914)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,464)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,086)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,003)
- 2010 (18,058)
- 2008 (17,076)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,838)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,747)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
- 2007 (13,020)
Numero do processo: 10384.900045/2010-52
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Ementa: CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INSUMOS . Os insumos admitidos, para cálculo do benefício, são tão somente aqueles adquiridos para utilização no processo industrial para exportação – com a incidência das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, e que se desgastem em decorrência de um contato físico, ou de uma ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou por esse diretamente sofrida. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. INSUMOS ADMITIDOS NO CÁLCULO. AQUISIÇÕES A PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinando-se aos limites do texto legal. Conseqüentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matéria-prima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS. RESP 993164, Min. Luiz Fux.
Numero da decisão: 3402-001.771
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira S SE EÇ ÇÃ ÃO O D DE E J JU UL LG GA AM ME EN NT TO O, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201204
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Ementa: CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INSUMOS . Os insumos admitidos, para cálculo do benefício, são tão somente aqueles adquiridos para utilização no processo industrial para exportação – com a incidência das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, e que se desgastem em decorrência de um contato físico, ou de uma ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou por esse diretamente sofrida. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. INSUMOS ADMITIDOS NO CÁLCULO. AQUISIÇÕES A PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinando-se aos limites do texto legal. Conseqüentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matéria-prima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS. RESP 993164, Min. Luiz Fux.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
numero_processo_s : 10384.900045/2010-52
conteudo_id_s : 5228436
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3402-001.771
nome_arquivo_s : Decisao_10384900045201052.pdf
nome_relator_s : GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
nome_arquivo_pdf_s : 10384900045201052_5228436.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira S SE EÇ ÇÃ ÃO O D DE E J JU UL LG GA AM ME EN NT TO O, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
dt_sessao_tdt : Thu Apr 26 00:00:00 UTC 2012
id : 4578557
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:00:51 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041574958465024
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2141; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 483 1 482 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13384900045/201052 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402001771 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 26 de abril de 2012 Matéria IPI Recorrente CURTUME COBRASIL LTDA Recorrida DRJ BELÉM (PA) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Ementa: CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INSUMOS . Os insumos admitidos, para cálculo do benefício, são tão somente aqueles adquiridos para utilização no processo industrial para exportação – com a incidência das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, e que se desgastem em decorrência de um contato físico, ou de uma ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou por esse diretamente sofrida. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. INSUMOS ADMITIDOS NO CÁLCULO. AQUISIÇÕES A PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. Conseqüentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS. RESP 993164, Min. Luiz Fux. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 9/06/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NAYRA BASTOS MA NATTA Processo nº 13384900045/201052 Acórdão n.º 3402001771 S3C4T2 Fl. 484 2 NAYRA BASTOS MANATTA Presidente GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Silvia de Brito Oliveira, , Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Helder Massaaki Kanamaru. Ausente Conselheiro Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca Relatório Para elucidar os fatos ocorridos até a interposição do Recurso Voluntário, transcrevo o relatório da DRJ, in verbis: Tratase de pedido de ressarcimento de créditos do IPI (básico – R$ 17.161,08 e presumido – R$ 182.546,00) referentes ao período acima citado, no valor total de R$ 199.707,08, feito através do PER/DCOMP de fls. 38/107. 2. A DRF Teresina/PI, através do Despacho Decisório de fl. 13, reconheceu parcialmente o direito, no montante de R$ 58.157,43, tendo efetuado glosas no crédito presumido solicitado. Em consequência, foi homologada parcialmente a compensação objeto do PER/DCOMP de final 5500 e não homologadas as demais vinculadas ao crédito, em função da insuficiência do mesmo, conforme o citado Despacho. 3. Segundo Termo de Verificação onde consta a análise do crédito presumido, disponível para consulta no sítio da Receita Federal conforme orientação do Despacho Decisório, as glosas ocorreram nas aquisições de insumos feitas de pessoas físicas e nas matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem importados, uma vez que a legislação admite apenas as aquisições no mercado interno. Referido Termo foi anexado nas fls. 109/110. 4. Cientificada em 22.07.2010 (AR fl. 27) a interessada apresentou, tempestivamente, em 20.08.2010. manifestação de inconformidade (fls. 02/12) na qual, em síntese, alega: a) “(...) o indeferimento parcial do Pedido de Ressarcimento decorre quase na sua totalidade da exclusão dos valores relativamente às referidas aquisições de pessoas físicas, sendo pouco representativo no contexto geral as aquisições de cooperativas e empresas optantes pelo SIMPLES.”; b) “(...) as Instruções Normativas que alicerçaram o entendimento da autoridade fiscal (INs° 23/97 e 103/97), extrapolaram os limites fixados pelo legislador, na medida que Fl. 139DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 9/06/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NAYRA BASTOS MA NATTA Processo nº 13384900045/201052 Acórdão n.º 3402001771 S3C4T2 Fl. 485 3 excluíram as aquisições de pessoas físicas e cooperativas, da base de cálculo do benefício do crédito presumido.”; c) “(...) uma vez que o disposto no artigo 1º da Lei 9.363/96 não estabelece nenhuma restrição, quaisquer aquisições de matéria prima, materiais de embalagens e produtos intermediários devem ser consideradas para fins de apuração do valor do benefício fiscal.” d) Após tecer comentários sobre os atos administrativos e sua obrigatória observância dos princípios constitucionais, afirma que o ato normativo que restringiu o crédito às aquisições de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições do PIS/Pasep e Cofins, não é juridicamente válido, citando decisões administrativas nesse sentido; e) Ao final, requer o reconhecimento do seu pleito e a homologação das compensações. A Terceira Turma da Delegacia de Julgamento em Belém (PA) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 0121972, de 06/06/2011, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 CRÉDITO PRESUMIDO. FORNECEDOR PESSOA FÍSICA. O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como MP, PI ou ME, na industrialização de produtos exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas à contribuição para o PIS/Pasep e à Cofins. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 MANIFESTAÇÃO NÃO CONHECIDA. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo interessado. INCONSTITUCIONALIDADE. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a argüição de inconstitucionalidade de dispositivos legais. Os atos regularmente editados segundo o processo constitucional gozam de presunção de constitucionalidade até decisão em contrário do Poder Judiciário. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 9/06/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NAYRA BASTOS MA NATTA Processo nº 13384900045/201052 Acórdão n.º 3402001771 S3C4T2 Fl. 486 4 Descontente com a decisão de primeira instância, o sujeito passivo protocolou o recurso voluntário, valendose dos mesmos argumentos apresentados na manifestação de inconformidade que se restringe a alegação de que a glosa do crédito presumido do IPI sobre as aquisições de insumos de cooperativa e pessoas físicas é indevida. Termina sua petição recursal, requerendo que seja reformada a decisão vergastada a fim de que a recorrente possa se ressarcir da integralidade do seu crédito presumido. É o Relatório. Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator. A impugnação foi apresentada com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dela tomo conhecimento e passo a apreciar. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOA FÍSICA OU COOPERATIVA. O cerne da questão está adstrito na possibilidade de creditamento dos valores referentes a insumos adquiridos de pessoa física e cooperativa. O Colegiado já conhece minha opinião sobre o assunto, sempre neguei a possibilidade da inclusão dos insumos adquiridos de pessoa física e de cooperativa. Não obstante, por força regimental, sou obrigado a mudar meu voto, uma vez que essa matéria foi objeto de decisão em sede de recurso representativo de controvérsia no Superior Tribunal de Justiça. A decisão do STJ assim definiu a matéria: O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. Conseqüentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS. RESP 993164, Min. Luiz Fux Desta forma, não vejo alternativa, tenho que aceitar a inclusão dos valores dos insumos adquiridos por não contribuintes do PIS e da Cofins no cálculo do crédito presumido do IPI. Fl. 141DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 9/06/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NAYRA BASTOS MA NATTA Processo nº 13384900045/201052 Acórdão n.º 3402001771 S3C4T2 Fl. 487 5 Pelas assertivas feita, dou provimento ao recurso para admitir a inclusão dos valores dos insumos adquiridos por não contribuintes do PIS e da Cofins no cálculo do crédito presumido do IPI, desde que haja industrialização e não mera revenda e que os produtos sejam exportados. É como voto. Sala das Sessões, em 26 de abril de 201226 de abril de 2012 Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 142DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 9/06/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NAYRA BASTOS MA NATTA
score : 1.0
Numero do processo: 13855.000834/00-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: REGIMES ADUANEIROS
Data do fato gerador: 01/09/1997, 09/09/1997
DRAWBACK SUSPENSÃO. COMPETÊNCIAS DA SECRETARIA DE COMÉRCIO EXTERIOR E RECEITA FEDERAL DO BRASIL.
À luz da previsão regulamentar e das competências definidas na Portaria MEFP nº 594/92, pode-se dizer que no Drawback suspensão e isenção há sempre dois planos de ação a compor o seu regime jurídico o administrativo (econômico), administrado pela SECEX, que gira em torno da concessão do regime; e o tributário (aduaneiro), confiado à RFB, que vem a ser a aplicação do regime. Assim é que não pode a RFB intervir na esfera administrativo-econômica administrada pela SECEX, e nem essa intrometer-se
na área tributário-aduaneira aos auspícios da RFB. Nada obstante, os dois órgãos têm competência para verificar o adimplemento do regime, seja da ótica administrativa verificação do adimplemento do compromisso de exportar (SECEX), seja do ponto de vista tributário verificação, a qualquer tempo, do regular cumprimento, pela importadora, dos requisitos e condições fixados pela legislação pertinente (RFB). Nesse diapasão, insta apontar que é
a SECEX que emite o Ato Concessório para dar início ao incentivo-benefício fiscal, e o plano econômico precede o aduaneiro certamente. O regime jurídico foi construído de forma que o plano econômico estabelece as balizas do plano aduaneiro, e esse não pode ultrapassar os limites definidos pelos atos administrativos editados pelas autoridades balizadoras. É verdade que a RFB não precisa ater-se às conclusões da verificação administrativa
empreendida pela SECEX, uma vez que tem competência para a verificação tributária, porém, em momento algum pode ultrapassar os limites definidos pelo Ato Concessório, tais como quantidades, valores e prazos nele fixados, porquanto quem tem competência legal para estabelecer tais limites é a SECEX. O caso ora sub analisis apresenta situação deveras insólita, em que a
auditoria-fiscal lançou corretamente os tributos, em virtude de não haver prorrogação do Ato Concessório do regime do drawback naquele então; e o recurso voluntário, manejado no sentido de obter o cancelamento da peça fiscal, se mostra de todo razoável, em função de haver aditivo ao Ato Concessório, emitido pela repartição competente para tal, prorrogando o prazo do regime aduaneiro especial. Não pode o plano tributário simplesmente ignorar o novo balizamento do regime criado pelo órgão
incumbido pelo Poder Executivo para tanto. O art. 11 da Lei nº 9.784/99 diz que a competência é irrenunciável e se exerce pelos órgãos administrativos a que foi atribuída como própria, salvo os casos de delegação e avocação legalmente admitidos. Demais disso, o art. 61 do Decreto nº 70.235/72 estatui que a nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade. Se a Receita Federal do Brasil e o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (órgãos do Ministério da Fazenda) não têm competência para emitir Ato Concessório de drawback, ou aditivos a esse, tampouco têm competência para declarar nulidade desses atos administrativos. Não há hierarquia entre a RFB e a SECEX, nem entre este CARF e aquele órgão do MDIC. Se não há competência para desconstituir documento representativo de ato administrativo praticado por órgão
legitimado para tanto, certamente que não há como lhe negar eficácia.
Numero da decisão: 3101-001.042
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - insufiência apuração/recolhimento
Nome do relator: CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : II/IE/IPIV - ação fiscal - insufiência apuração/recolhimento
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201202
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 01/09/1997, 09/09/1997 DRAWBACK SUSPENSÃO. COMPETÊNCIAS DA SECRETARIA DE COMÉRCIO EXTERIOR E RECEITA FEDERAL DO BRASIL. À luz da previsão regulamentar e das competências definidas na Portaria MEFP nº 594/92, pode-se dizer que no Drawback suspensão e isenção há sempre dois planos de ação a compor o seu regime jurídico o administrativo (econômico), administrado pela SECEX, que gira em torno da concessão do regime; e o tributário (aduaneiro), confiado à RFB, que vem a ser a aplicação do regime. Assim é que não pode a RFB intervir na esfera administrativo-econômica administrada pela SECEX, e nem essa intrometer-se na área tributário-aduaneira aos auspícios da RFB. Nada obstante, os dois órgãos têm competência para verificar o adimplemento do regime, seja da ótica administrativa verificação do adimplemento do compromisso de exportar (SECEX), seja do ponto de vista tributário verificação, a qualquer tempo, do regular cumprimento, pela importadora, dos requisitos e condições fixados pela legislação pertinente (RFB). Nesse diapasão, insta apontar que é a SECEX que emite o Ato Concessório para dar início ao incentivo-benefício fiscal, e o plano econômico precede o aduaneiro certamente. O regime jurídico foi construído de forma que o plano econômico estabelece as balizas do plano aduaneiro, e esse não pode ultrapassar os limites definidos pelos atos administrativos editados pelas autoridades balizadoras. É verdade que a RFB não precisa ater-se às conclusões da verificação administrativa empreendida pela SECEX, uma vez que tem competência para a verificação tributária, porém, em momento algum pode ultrapassar os limites definidos pelo Ato Concessório, tais como quantidades, valores e prazos nele fixados, porquanto quem tem competência legal para estabelecer tais limites é a SECEX. O caso ora sub analisis apresenta situação deveras insólita, em que a auditoria-fiscal lançou corretamente os tributos, em virtude de não haver prorrogação do Ato Concessório do regime do drawback naquele então; e o recurso voluntário, manejado no sentido de obter o cancelamento da peça fiscal, se mostra de todo razoável, em função de haver aditivo ao Ato Concessório, emitido pela repartição competente para tal, prorrogando o prazo do regime aduaneiro especial. Não pode o plano tributário simplesmente ignorar o novo balizamento do regime criado pelo órgão incumbido pelo Poder Executivo para tanto. O art. 11 da Lei nº 9.784/99 diz que a competência é irrenunciável e se exerce pelos órgãos administrativos a que foi atribuída como própria, salvo os casos de delegação e avocação legalmente admitidos. Demais disso, o art. 61 do Decreto nº 70.235/72 estatui que a nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade. Se a Receita Federal do Brasil e o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (órgãos do Ministério da Fazenda) não têm competência para emitir Ato Concessório de drawback, ou aditivos a esse, tampouco têm competência para declarar nulidade desses atos administrativos. Não há hierarquia entre a RFB e a SECEX, nem entre este CARF e aquele órgão do MDIC. Se não há competência para desconstituir documento representativo de ato administrativo praticado por órgão legitimado para tanto, certamente que não há como lhe negar eficácia.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
numero_processo_s : 13855.000834/00-80
conteudo_id_s : 5229136
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jul 22 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 3101-001.042
nome_arquivo_s : Decisao_138550008340080.pdf
nome_relator_s : CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
nome_arquivo_pdf_s : 138550008340080_5229136.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres.
dt_sessao_tdt : Thu Feb 16 00:00:00 UTC 2012
id : 4578638
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:00:53 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041574973145088
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2895; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C1T1 Fl. 451 1 450 S3C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13855.000834/0080 Recurso nº 343.762 Voluntário Acórdão nº 310101.042 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 16 de fevereiro de 2012 Matéria II IPI DRAWBACK SUSPENSÃO Recorrente TONI SALLOUM & CIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 01/09/1997, 09/09/1997 DRAWBACK SUSPENSÃO. COMPETÊNCIAS DA SECRETARIA DE COMÉRCIO EXTERIOR E RECEITA FEDERAL DO BRASIL. À luz da previsão regulamentar e das competências definidas na Portaria MEFP nº 594/92, podese dizer que no Drawback suspensão e isenção há sempre dois planos de ação a compor o seu regime jurídico o administrativo (econômico), administrado pela SECEX, que gira em torno da concessão do regime; e o tributário (aduaneiro), confiado à RFB, que vem a ser a aplicação do regime. Assim é que não pode a RFB intervir na esfera administrativo econômica administrada pela SECEX, e nem essa intrometerse na área tributárioaduaneira aos auspícios da RFB. Nada obstante, os dois órgãos têm competência para verificar o adimplemento do regime, seja da ótica administrativa verificação do adimplemento do compromisso de exportar (SECEX), seja do ponto de vista tributário verificação, a qualquer tempo, do regular cumprimento, pela importadora, dos requisitos e condições fixados pela legislação pertinente (RFB). Nesse diapasão, insta apontar que é a SECEX que emite o Ato Concessório para dar início ao incentivobenefício fiscal, e o plano econômico precede o aduaneiro certamente. O regime jurídico foi construído de forma que o plano econômico estabelece as balizas do plano aduaneiro, e esse não pode ultrapassar os limites definidos pelos atos administrativos editados pelas autoridades balizadoras. É verdade que a RFB não precisa aterse às conclusões da verificação administrativa empreendida pela SECEX, uma vez que tem competência para a verificação tributária, porém, em momento algum pode ultrapassar os limites definidos pelo Ato Concessório, tais como quantidades, valores e prazos nele fixados, porquanto quem tem competência legal para estabelecer tais limites é a SECEX. O caso ora sub analisis apresenta situação deveras insólita, em que a auditoriafiscal lançou corretamente os tributos, em virtude de não haver prorrogação do Ato Concessório do regime do drawback naquele então; e o recurso voluntário, manejado no sentido de obter o cancelamento da peça Fl. 480DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 12/03 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 2 fiscal, se mostra de todo razoável, em função de haver aditivo ao Ato Concessório, emitido pela repartição competente para tal, prorrogando o prazo do regime aduaneiro especial. Não pode o plano tributário simplesmente ignorar o novo balizamento do regime criado pelo órgão incumbido pelo Poder Executivo para tanto. O art. 11 da Lei nº 9.784/99 diz que a competência é irrenunciável e se exerce pelos órgãos administrativos a que foi atribuída como própria, salvo os casos de delegação e avocação legalmente admitidos. Demais disso, o art. 61 do Decreto nº 70.235/72 estatui que a nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade. Se a Receita Federal do Brasil e o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (órgãos do Ministério da Fazenda) não têm competência para emitir Ato Concessório de drawback, ou aditivos a esse, tampouco têm competência para declarar nulidade desses atos administrativos. Não há hierarquia entre a RFB e a SECEX, nem entre este CARF e aquele órgão do MDIC. Se não há competência para desconstituir documento representativo de ato administrativo praticado por órgão legitimado para tanto, certamente que não há como lhe negar eficácia. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres. Henrique Pinheiro Torres Presidente. Corintho Oliveira Machado Relator. EDITADO EM: 12/03/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Luiz Roberto Domingo, Tarásio Campelo Borges, Valdete Aparecida Marinheiro e Vanessa Albuquerque Valente e Corintho Oliveira Machado. Relatório Adoto o relato do órgão julgador de primeiro grau até aquela fase: Fl. 481DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 12/03 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 13855.000834/0080 Acórdão n.º 310101.042 S3C1T1 Fl. 452 3 Trata o presente processo de exigência do Imposto de Importação e do Imposto sobre Produtos Industrializados, acrescidos das respectivas multas de ofício, no percentual de 75%, e dos juros de mora, perfazendo, na data da autuação, um crédito tributário no valor total de R$ 43.396,19, objeto do Auto de Infração fls. 0317. De acordo com a descrição dos fatos constante do Auto de Infração, por meio das Declarações de Importação (DIs) nos 97/06673059 e 97/07824042, registradas, respectivamente, em 30/07/1997 e 01/09/1997, a empresa promoveu a importação de mercadoria, ao amparo do Regime Aduaneiro Especial de Drawback, com base no Ato Concessório nº 005397/0000716. O prazo original previsto para exportação foi de até 11/01/1998, sendo prorrogado para 10/07/1998, através do Aditivo nº 0053 97/0000140, emitido em 20/01/1998. Afirma a autoridade fiscal que, findo o prazo estabelecido, não tendo a beneficiária adotado nenhuma das providências previstas no art. 319 do Regulamento Aduaneiro, resolvese a suspensão tributária, exigindose os impostos devidos, “levando em conta a proporcionalidade das exportações glosadas e os valores a serem nacionalizados”. No Relatório Fiscal de fls. 14 17, o autuante expõe ainda os seguintes argumentos: a ação fiscal se fundamenta no art. 3° da Portaria MEFP n° 594/1992; o beneficiário do drawback se sujeita aos prazos e condições previstos no art. 78, incisos I a III, do Decretolei nº 37/1966; arts. 314 a 334 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto nº 91.030/1985 e Portaria DECEX n° 24/1992; o Banco do Brasil comunicou o inadimplemento total do compromisso de exportação, de que trata o citado ato concessório; no Termo de Início de Ação Fiscal foram relacionados documentos que poderiam demonstrar a realização das exportações; o Termo de Verificação Fiscal Registra que o contribuinte deixou de apresentar Livros ou Fichas de controle da produção; a documentação apresentada consistiu nas DIs, Registros de Exportação (REs); ato concessório, aditivos e laudo técnico; o contribuinte apresentou ainda aditivos e relatórios de comprovação protocolizados pelo Banco do Brasil, fora do prazo de validade do ato concessório, mas não apreciados nem autorizados por aquela instituição; o Relatório de Comprovação de Drawback, não averbado pela Secex, indica diversos REs, dentre os quais foram conferidos e considerados válidos para comprovação das exportações os relacionados na fl. 16; Fl. 482DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 12/03 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 4 a quantidade de produtos a ser exportada foi estabelecida em 54.594 pares de sapatos, sendo considerado comprovada a exportação de 4.743 pares, o que corresponde a 8,68% do compromisso de exportação; todos os demais REs indicados no citado relatório de comprovação referemse a exportações realizadas após o prazo de validade fixado no ato concessório (10/07/1998), sendo considerados como não amparados pelo drawback; Cientificado do lançamento em 21/08/2000, conforme fls. 01 e 05, o contribuinte insurgiuse contra a exigência, apresentando a impugnação de fls. 162175, em 20/09/2000, por meio da qual expõe as seguintes razões de defesa: as exigências tributárias não têm qualquer amparo de fato nem de direito; o ato concessório foi emitido em 15/07/1997, com prazo de validade para exportação fixado para 11/01/1998, sendo que em 20/01/1998 esse prazo foi prorrogado para 10/07/1998 e, em 18/08/1998, com um atraso de 35 dias, foi solicitada nova prorrogação para 06/01/1999; o atraso na solicitação da última prorrogação foi esclarecido pela impugnante em carta datada de 18/08/1998, protocolizada no Banco do Brasil (fl. 182); para melhor compreensão do que ocorreu anexa à impugnação o relatório das ocorrências, juntando ainda cópia dos documentos comprobatórios (fls. 176178); apesar das inúmeras tentativas por escrito e por telefone, nenhuma resposta foi dada à empresa, no tocante à solicitação de prorrogação do prazo, e as respostas verbais eram no sentido de que estaria sendo providenciada a dita prorrogação; as várias diligências realizadas pela empresa demonstram o seu interesse em resolver a situação para evitar uma possível inadimplência e, diante do silêncio, continuou realizando as exportações compromissadas até completar a quantidade de 54.594 pares de calçados, conforme previsto no ato concessório; as correspondências da agência do Banco do Brasil, de 08/03/1999, e da EADI/Franca, de 10/03/1999, endereçadas ao Decex, no Rio de Janeiro, se manifestaram pela “reabertura do processo” (fls. 190192); pôdese perceber “uma espécie de jogo de empurraempurra entre a Receita Federal e o Decex, Rio de Janeiro” culminando com os autos de infração e com a correspondência, de 08/09/2000, do Decex para a DRF local, “solicitando, caso não haja empecilho, a reabertura do ato concessório”; a empresa em momento algum deixou de cumprir qualquer obrigação, não tendo sido informado o motivo do “silêncio” a respeito de seu pedido de prorrogação para que tentasse se justificar; Fl. 483DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 12/03 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 13855.000834/0080 Acórdão n.º 310101.042 S3C1T1 Fl. 453 5 não se pode entender o motivo da comunicação de inadimplência por parte do Decex, mesmo porque todas as exportações foram realizadas, conforme Relatório de Comprovação e REs; as exportações estão devidamente comprovadas e realizadas dentro do prazo de até dois anos estabelecido para a modalidade, conforme art. 250, § 4º, alínea “a”, e art. 318 do Regulamento Aduaneiro; a legislação não estabelece prazo para a apreciação de aditivos, dando a entender que deve prevalecer o bom senso, no sentido de que seja feito no prazo compatível com a modalidade do drawback, ou seja, dois anos, conforme arts. 13, 19 e 21 da Portaria Decex nº 24/1992; o comando do art. 319 do Regulamento Aduaneiro é que apenas no caso de destinação para consumo interno das mercadorias, os tributos suspensos deverão ser pagos, e por isso, inaplicável à espécie; talvez se intentasse a aplicação do inciso II do citado art. 319, pelo qual o órgão concedente tem liberdade para estabelecer o critério de como proceder a regularização, mas nunca de negar a regularização; o que não se poder perder que vista, sob pena de graves erros de interpretação é que o regime drawback não é o de isenção e sim de incentivo à exportação, conforme art. 314, parágrafo único, do Regulamento Aduaneiro; com a norma do art. 94, § 1º, do Decretolei nº 37/1966, o legislador pretendeu limitar a ação de qualquer ato infralegal que, na sua atribuição de administração do regime, pudesse frustrar a finalidade desse sistema de incentivo à exportação; as multas aplicadas não têm nenhuma relação com a situação ocorrida (solicitação a destempo da prorrogação), que é específica e não se conforma com a capitulação legal invocada pelo autor do procedimento; multa é matéria de reserva legal, conforme art. 97, inciso V, do Código Tributário Nacional (CTN), e numa interpretação sistemática de todos os artigos que compõem o Título IV do Decretolei nº 37/1966, que cuida das infrações e penalidades, concluise pela impossibilidade do enquadramento pretendido; o art. 542, parágrafo único, inciso I, do Regulamento Aduaneiro determina que, em primeira instância, a aplicação de multa sempre será precedida da audiência à Cacex do Banco do Brasil; toda a mercadoria foi exportada o que, se pago todos os tributos, ensejaria a reinvidicação dos regimes drawback isenção e restituição; nos termos da ressalva contida no art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/1972, a impugnante poderá apresentar oportunamente Fl. 484DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 12/03 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 6 novos documentos, principalmente em razão da correspondência de 08/09/2000 do Decex ao órgão local da Receita Federal; o aditivo ao ato concessório de drawback, emitido pela Cacex, mesmo após a data da exportação da mercadoria e após a expedição do Relatório de Comprovação de Drawback, tem validade e está dentro das atribuições da Cacex, nos termos da Resolução nº 1.031/1971 da Comissão de Política Aduaneira; a aplicação da taxa Selic aos juros de mora deve ser repudiada, conforme tem entendido o Superior Tribunal de Justiça, acolhendo a argüição de inconstitucionalidade da referida taxa, que não se harmoniza com o CTN. Em 07/11/2000, a impugnante protocolizou o requerimento de fl. 403, solicitando a juntada aos autos de documentos emitidos em 19/10/2000, pelo Banco do Brasil, argumentando a impossibilidade de apresentação tempestiva, por motivo de força maior (fls. 404410). Afirma, ainda, que a citada documentação comprova a baixa total do compromisso de exportar, anteriormente considerado inadimplente. Anexa também cópia de acórdão proferido pelo Terceiro Conselho de Contribuintes (fls. 411414). Por força da Portaria SRF nº 956, de 08/04/2005, a competência para julgamento deste processo foi transferida para a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza – CE. A DRJ em FORTALEZA/CE considerou procedente o lançamento, ementando assim o acórdão: Assunto: Regimes Aduaneiros Data do fato gerador: 01/09/1997, 09/09/1997 DRAWBACK. MODALIDADE SUSPENSÃO. PRAZO PARA EXPORTAÇÃO. INADIMPLEMENTO. O prazo de validade do Ato Concessório de Drawback e, por conseqüência, o prazo de suspensão dos impostos incidentes na importação têm como termo final a data fixada para a exportação. Quaisquer alterações das condições estipuladas no Ato Concessório deverão ser solicitadas dentro do prazo de sua validade, sob pena de não produzirem efeitos. A realização de exportações após o prazo fixado do ato concessório configura inadimplemento do regime drawback, o que tem como conseqüência a obrigação de recolhimento dos impostos incidentes sobre as mercadorias importadas, além de juros moratórios e multas. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 01/09/1997, 09/09/1997 JUROS DE MORA. TAXA SELIC. ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. Fl. 485DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 12/03 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 13855.000834/0080 Acórdão n.º 310101.042 S3C1T1 Fl. 454 7 Os tributos que deixarem de ser pagos nos prazos previstos na legislação serão acrescidos de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente. Falece competência à autoridade administrativa para apreciar argüição de ilegalidade e inconstitucionalidade de normas legais. Lançamento Procedente. Discordando da decisão de primeira instância, a interessada apresentou recurso voluntário, fls. 435 e seguintes, onde basicamente afirma que houve prorrogação dos respectivos períodos de validade dos Atos Concessórios, com o cumprimento do regime. Ao final pede a improcedência da ação fiscal. Ato seguido, a Repartição de origem encaminhou os presentes autos para apreciação do órgão julgador de segundo grau, conforme despacho de fl. 449. Encaminhamento no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, fl. 450. Em março de 2011, foi convertido o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora jurisdicionante do domicílio tributário da recorrente trouxesse aos autos, a fim de ser verificado o atendimento, ou não, do prazo recursal, cópia legível do AR decorrente da intimação do acórdão da DRJ, ou qualquer outro documento, seja proveniente dos Correios seja proveniente da Administração Tributária, que possibilitasse tal aferição, porquanto não havia imagem dele na cópia escaneada do processo. Em 13/06/2011, há despacho da unidade preparadora dizendo constar do processo físico, à fl. 434, o AR vindicado. Após receber cópia do AR da Secretaria de Câmara desta Turma, verifiquei a tempestividade do recurso voluntário. Relatados, passo a votar. Voto Conselheiro Corintho Oliveira Machado, Relator Fl. 486DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 12/03 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 8 O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Em não havendo preliminares, passase de plano ao mérito do litígio. A questão central destes autos prendese aos limites da competência para fiscalizar o drawback (a cargo da Receita Federal do Brasil, órgão do Ministério da Fazenda), ante a competência outorgada à SECEX Secretaria de Comércio Exterior (órgão do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior) para conceder e acompanhar o incentivo fiscal do drawback. O assunto foi tratado em item específico pela decisão recorrida: DA COMPETÊNCIA PARA FISCALIZAR O DRAWBACK Conforme documento de fl. 21 a agência bancária habilitada pela Secex, responsável pelo acompanhamento do regime drawback, comunicou o inadimplemento total do compromisso de exportar por parte da impugnante. Posteriormente algumas exportações foram comprovadas pela beneficiária. Assim, a fiscalização considerou as exportações efetivamente realizadas até a data limite fixada no ato concessório, conforme alteração promovida pelo Aditivo nº 005397/0000140, qual seja, 10/07/1998, e que atendessem os demais requisitos estabelecidos. Tais exportações totalizaram 54.594 pares de calçados, o que corresponde a 8,68% da quantidade compromissada (fls. 16 e 19). Exportações ocorridas após a mencionada data de validade do ato concessório não foram consideradas como comprobatórias do drawback. A impugnante afirma que em 18/08/1998, ou seja, após o prazo de validade do ato concessório, solicitou nova prorrogação (fl. 182), que não havia sido deferida, deixando de apresentar o aditivo ao ato concessório, chancelado pela Secex, que consubstanciasse a pretendia prorrogação, o que somente veio a ocorrer em 07/11/2000, com a apresentação do aditivo de fls. 406, emitido em 19/10/2000. Inicialmente cumpre esclarecer que, em face da legislação de regência, os Relatórios de Comprovação de Drawback e demais documentos, emitidos pela agência bancária habilitada pela SECEX, têm natureza meramente formal, tanto assim que são encaminhados à Secretaria da Receita Federal do Brasil tendo em vista a sua atribuição de fiscalizar o cumprimento dos requisitos e condições fixados pela legislação pertinente e, se for o caso, efetuar o lançamento. Assim, tais documentos não têm o condão de impedir a verificação posterior do cumprimento das obrigações atinentes ao regime drawback, por parte da Fl. 487DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 12/03 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 13855.000834/0080 Acórdão n.º 310101.042 S3C1T1 Fl. 455 9 Secretaria da Receita Federal do Brasil, no âmbito de sua competência. Assim dispõem os arts. 2º e 3º da Portaria MEFP nº 594, de 1992: “Art. 2° Constitui atribuição da Secretaria Nacional de Economia SNE, nos termos do art. 2o, da Lei no 8.085, de 23 de outubro de 1990, a concessão do regime, compreendidos os procedimentos que tenham por finalidade sua formalização, bem como o acompanhamento e a verificação do adimplemento do compromisso de exportar” (na época dos fatos tal competência havia sido conferida à Secretaria de Comércio Exterior Secex) Art. 3° Constitui atribuição do Departamento da Receita Federal DpRF a aplicação do regime e a fiscalização dos tributos, nesta compreendidos o lançamento de crédito tributário, sua exclusão em razão de reconhecimento do benefício e a verificação, a qualquer tempo, do regular cumprimento, pela importadora, dos requisitos e condições fixados pela legislação pertinente. (destaquei) De acordo com o art. 2º da Portaria MEFP nº 594/1992, acima reproduzido, a atribuição conferida à Secex restringese aos procedimentos de formalização e acompanhamento do regime, inclusive a verificação do adimplemento do compromisso de exportar, o que abrange eventuais alterações nas condições fixadas no ato concessório, a critério do referido órgão, mediante requerimento da empresa interessada. Em virtude da delimitação de competência, conforme estabelecida pelas normas acima transcritas, eventuais alterações das condições estabelecidas no ato concessório, inclusive no tocante ao prazo de validade, devem ser solicitadas à Secex, por meio da agência bancária autorizada, requerendo se a emissão de aditivo ao citado documento, conforme prevê ainda o art. 16 da Portaria Secex nº 4, de 11/06/1997. A fiscalização do cumprimento dos requisitos e condições estabelecidos na legislação compete à Secretaria da Receita Federal do Brasil. De acordo com o art. 8º da Port. MEFP nº 594/1992, a aplicação do regime drawback, pela Receita Federal, deverá basearse rigorosamente nas condições estabelecidas no ato concessório. Assim, em virtude da competência atribuída à Secex é ineficaz pleitear perante a Receita Federal prorrogação do prazo do regime drawback, sem que tenha sido emitido aditivo pelo órgão competente. Por outro lado, à míngua de previsão legal, a agência bancária habilitada pela Secex não é órgão fiscalizador e seu pronunciamento não tem efeito homologatório do direito à fruição do drawback, porquanto a conclusão a respeito do adimplemento ou não desse regime depende da posterior fiscalização por parte da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Assim, o fato de a SECEX haver emitido aditivos, relatório de comprovação ou outros documentos, por si só, não Fl. 488DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 12/03 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 10 impede a posterior constatação porventura realizada pela fiscalização da Receita Federal nem invalida, por conseguinte, o eventual crédito tributário apurado. Não poderia ser diferente, porquanto, ademais, a Constituição Federal de 1988, em seu art. 37, inciso XVIII, ao tratar dos princípios fundamentais da Administração Pública estabeleceu que “a administração fazendária e seus servidores fiscais terão, dentro de suas áreas de competência e jurisdição, precedência sobre os demais setores administrativos, na forma da lei.”. A decisão recorrida, no item seguinte DO INADIMPLEMENTO PARCIAL DO DRAWBACK. DESCUMPRIMENTO DO PRAZO ESTIPULADO NO ATO CONCESSÓRIO conclui ser ineficaz a prorrogação do prazo de validade do ato concessório: (...) Portanto, o prazo para que a impugnante requeresse a alteração das condições estipuladas do regime exauriuse em 10/07/1998, ou seja, no termo final fixado para a exportação, no ato concessório, sendo que a última solicitação de aditivo somente foi protocolizada em 18/08/1998, após o prazo previsto na legislação, quando já havia se encerrado o drawback e cessada a suspensão tributária. (...) Inusitadamente, transcorridos mais de dois anos do vencimento do ato concessório (10/07/1998), a agência bancária, emitiu um aditivo em 19/10/2000 com efeitos retroativos, visando prorrogar o prazo de validade do ato concessório para 25/07/1999 e ainda alterar outras condições nele fixadas. Ora, como já exaustivamente demonstrado, por força de legislação aplicável à espécie, o pedido de alteração de quaisquer das condições fixadas no ato concessório deve ser formulado dentro do prazo de sua validade, sob pena de não ser conhecido pela autoridade competente, sendo expressamente vedada a sua emissão após o citado prazo. Assim, a conclusão que se impõe é que o aditivo de fl. 406 não produz efeitos e tal ilação se encontra fundamentada em toda a legislação citada ao longo do presente voto, qual seja: art. 37, inciso XVIII, da Constituição Federal de 1988; 3º da Portaria MEFP nº 594, de 1992 (DOU 26/08/1992); art. 318, § 2°, do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n° 91.030/1985; art. 16 c/c art. 18, inciso I, da Portaria Secex nº 4/1997 (DOU 12/06/1997); itens 8.8 e 8.9 da Consolidação das Normas do Regime Drawback, anexa ao Comunicado Decex nº 21/1997 (DOU 23/07/1997). Cumpre enfatizar que a concessão do regime drawback é condicionada ao cumprimento dos termos, limites e requisitos estabelecidos no ato concessório, inclusive do prazo para exportação, que consistem em obrigações do beneficiário, cujo adimplemento revestese de condição sine qua non para o reconhecimento da isenção ao final do regime. Nesse sentido, preceitua o art. 317 do Regulamento Aduaneiro (vigente à época dos fatos): Fl. 489DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 12/03 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 13855.000834/0080 Acórdão n.º 310101.042 S3C1T1 Fl. 456 11 “Art. 317 Na modalidade de suspensão do pagamento de tributos o benefício será concedido após o exame do plano de exportação do beneficiário, mediante expedição, em cada caso, de ato concessório do qual constarão: (...) d) prazo para exportação;” Observese que o prazo para realização das exportações não é necessariamente o prazo máximo de até dois anos, previsto genericamente no art. 250, § 4º, e art. 318, caput, do Regulamento Aduaneiro, mas sim o prazo efetivamente fixado, em cada caso, no ato concessório. Como visto, o art. 318, § 2º, do mesmo diploma legal estabelece que o prazo de suspensão tem como termo final o fixado para a exportação, no ato concessório que, na espécie dos autos, exauriuse em 10/07/1998. Como corolário, o adimplemento do drawback e, conseqüentemente, a dispensa definitiva do pagamento dos tributos, somente se configura quando a exportação ocorre nos exatos termos fixados no Ato Concessório, inclusive quanto ao prazo para exportação. Observese que o regime especial tem duração prédeterminada. Isso significa dizer que, vencido o prazo, extinguese a suspensão tributária. Assim, as exportações efetuadas depois de expirado o prazo não atendem às condições préestabelecidas, caracterizando descumprimento das obrigações assumidas pelo beneficiário. Logo, em face da legislação de regência do drawback, a exportação de produtos fora do período concessivo do drawback configura, por si só, situação de inadimplência. O art. 329 do Regulamento Aduaneiro/85, vigente ao tempo dos fatos geradores, dizia: As controvérsias suscitadas nas repartições aduaneiras relativas aos atos concessivos dos benefícios serão dirimidas pela Comissão de Política Aduaneira. A aludida Comissão foi extinta, e à época dos fatos aqui discutidos, tinha na SECEX a sua sucessora, para os atos concessivos relativos aos drawbacks suspensão e isenção; ao passo que a Secretaria da Receita Federal cuidava da concessão do drawback restituição. Nessa esteira, o art. 355 do Regulamento Aduaneiro/2002 veio preceituando o seguinte: As controvérsias relativas aos atos concessórios do regime de drawback serão dirimidas pela Secretaria da Receita Federal e pela Secretaria de Comércio Exterior, no âmbito de suas competências. Pois bem, à luz da previsão regulamentar supra e das competências definidas na Portaria MEFP nº 594/92 nupercitada, penso que no caso de Drawback suspensão e isenção há sempre dois planos de ação a compor o seu regime jurídico o administrativo (econômico), administrado pela SECEX, que gira em torno da concessão do regime; e o tributário Fl. 490DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 12/03 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 12 (aduaneiro), confiado à RFB, que vem a ser a aplicação do regime. 1 O art. 8º da Portaria enuncia que a aplicação do regime de "drawback", pela repartição aduaneira, basearseá nas informações contidas no documento referido no art. 6º. Assim é que não pode a RFB intervir na esfera administrativoeconômica administrada pela SECEX, e nem essa intrometerse na área tributárioaduaneira aos auspícios da RFB. O problema é que os dois órgãos têm competência para verificar o adimplemento do regime, seja da ótica administrativa verificação do adimplemento do compromisso de exportar (SECEX), seja do ponto de vista tributário verificação, a qualquer tempo, do regular cumprimento, pela importadora, dos requisitos e condições fixados pela legislação pertinente (RFB). Nesse diapasão, insta apontar que é a SECEX que emite o Ato Concessório para dar início ao incentivobenefício fiscal, e o plano econômico precede o aduaneiro certamente. Tanto é assim que se o beneficiário não se desincumbe de comprovar o adimplemento junto ao órgão que lhe concedeu o regime especial, a Secretaria da Receita Federal não pode se manifestar a respeito do adimplemento do regime. Em outras palavras, o regime jurídico foi construído de forma que o plano econômico estabelece as balizas do plano aduaneiro, e esse não pode ultrapassar os limites definidos pelos atos administrativos editados pelas autoridades balizadoras. É verdade que a RFB não precisa aterse às conclusões da verificação administrativa empreendida pela SECEX, uma vez que tem competência para a verificação tributária, porém, em momento algum pode ultrapassar os limites definidos pelo Ato Concessório, tais como quantidades, valores e prazos nele fixados, porquanto quem tem competência legal para estabelecer tais limites é a SECEX. O caso ora sub analisis apresenta situação deveras insólita, em que a auditoriafiscal lançou corretamente os tributos, em virtude de não haver prorrogação do Ato Concessório do regime do drawback naquele então; e o recurso voluntário, manejado no sentido de obter o cancelamento da peça fiscal, se mostra de todo razoável, em função de haver aditivo ao Ato Concessório, emitido pela repartição competente para tal, prorrogando o prazo do regime aduaneiro especial. Bem observou a Delegacia da Receita Federal de Julgamento: a última solicitação de aditivo somente foi protocolizada em 18/08/1998, após o prazo previsto na legislação, quando já havia se encerrado o drawback e cessada a suspensão tributária. Também é verdade que o Aditivo de fl. 398, do processo escaneado, foi emitido em 19/10/2000, após transcorridos mais de dois anos do vencimento do ato concessório (10/07/1998), prorrogando prazo de validade do ato concessório (para 25/07/1999) e ainda alterou outras condições nele fixadas. Nada obstante, ao meu sentir, não pode o plano tributário simplesmente ignorar o novo balizamento do regime criado pelo órgão incumbido pelo Poder Executivo para tanto. O art. 11 da Lei nº 9.784/99, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, diz que a competência é irrenunciável e se exerce pelos órgãos administrativos a que foi atribuída como própria, salvo os casos de delegação e avocação legalmente admitidos. Demais disso, o art. 61 do Decreto nº 70.235/72, que tem força de lei e rege o processo administrativo de determinação e exigência dos créditos tributários da União, estatui que a nulidade será declarada pela autoridade competente para 1 Art. 1º da Portaria MEFP nº 594/92 A concessão e a aplicação do regime aduaneiro especial de "drawback" nas modalidades de suspensão e isenção de tributos, previstas nos incisos I e II, do art. 314, do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto nº 91.030, de 5 de março de 1985, se regem pelo disposto nesta Portaria. Fl. 491DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 12/03 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 13855.000834/0080 Acórdão n.º 310101.042 S3C1T1 Fl. 457 13 praticar o ato ou julgar a sua legitimidade. Se a Receita Federal do Brasil e o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (órgãos do Ministério da Fazenda) não têm competência para emitir Ato Concessório de drawback, ou aditivos a esse, tampouco têm competência para declarar nulidade desses atos administrativos. Não há hierarquia entre a RFB e a SECEX, nem entre este CARF e aquele órgão do MDIC. Se não há competência para desconstituir documento representativo de ato administrativo praticado por órgão legitimado para tanto, certamente que não há como lhe negar eficácia. Ante o exposto, voto pelo PROVIMENTO do recurso voluntário. Sala das Sessões, em 16 de fevereiro de 2012. CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Fl. 492DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 12/03 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S
score : 1.0
Numero do processo: 10865.000366/00-08
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO.
Inexistindo a comprovação de ocorrência de dolo, fraude ou simulação por parte do contribuinte, o termo inicial será: (a) o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) o Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º). Verifica-se nos autos que, para o ano calendário de 1994, não houve pagamento antecipado, conforme consta no Demonstrativo de Apuração do IRPF (fls. 05). Em inexistindo pagamento a ser homologado, a regra de contagem do prazo decadencial aplicável deve ser a regra do art. 173, inciso I, do CTN. Isto é, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial dá-se no dia 01/01/1996 e o termo final no dia 31/12/2000. Considerando que o contribuinte foi cientificado do auto de infração, em 30/03/2000, portanto, antes de transcorrido o prazo de cinco contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, não há que se falar em decadência.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-002.260
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, com retorno dos autos à Câmara de origem para análise das demais questões.
Nome do relator: ELIAS SAMPAIO FREIRE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201208
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. Inexistindo a comprovação de ocorrência de dolo, fraude ou simulação por parte do contribuinte, o termo inicial será: (a) o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) o Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º). Verifica-se nos autos que, para o ano calendário de 1994, não houve pagamento antecipado, conforme consta no Demonstrativo de Apuração do IRPF (fls. 05). Em inexistindo pagamento a ser homologado, a regra de contagem do prazo decadencial aplicável deve ser a regra do art. 173, inciso I, do CTN. Isto é, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial dá-se no dia 01/01/1996 e o termo final no dia 31/12/2000. Considerando que o contribuinte foi cientificado do auto de infração, em 30/03/2000, portanto, antes de transcorrido o prazo de cinco contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, não há que se falar em decadência. Recurso especial provido.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
numero_processo_s : 10865.000366/00-08
conteudo_id_s : 5224322
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Sep 28 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 9202-002.260
nome_arquivo_s : Decisao_108650003660008.pdf
nome_relator_s : ELIAS SAMPAIO FREIRE
nome_arquivo_pdf_s : 108650003660008_5224322.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, com retorno dos autos à Câmara de origem para análise das demais questões.
dt_sessao_tdt : Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2012
id : 4577363
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:00:24 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041574981533696
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2128; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 1 1 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10865.000366/0008 Recurso nº 156.304 Especial do Procurador Acórdão nº 920202.260 – 2ª Turma Sessão de 07 de agosto de 2012 Matéria IRPF Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CLEIDE NUNES ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. Inexistindo a comprovação de ocorrência de dolo, fraude ou simulação por parte do contribuinte, o termo inicial será: (a) o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) o Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º). Verificase nos autos que, para o ano calendário de 1994, não houve pagamento antecipado, conforme consta no Demonstrativo de Apuração do IRPF (fls. 05). Em inexistindo pagamento a ser homologado, a regra de contagem do prazo decadencial aplicável deve ser a regra do art. 173, inciso I, do CTN. Isto é, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial dáse no dia 01/01/1996 e o termo final no dia 31/12/2000. Considerando que o contribuinte foi cientificado do auto de infração, em 30/03/2000, portanto, antes de transcorrido o prazo de cinco contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, não há que se falar em decadência. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, com retorno dos autos à Câmara de origem para análise das demais questões. Fl. 462DF CARF MF Impresso em 05/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire Relator EDITADO EM: 14/08/2012 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Pedro Anan Junior. Relatório A Fazenda Nacional, inconformada com o decidido no Acórdão nº 3401 00.093, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção em 01/06/2009, interpôs, dentro do prazo regimental, recurso especial de divergência à Câmara Superior de Recursos Fiscais. O acórdão recorrido, por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao recurso, para reconhecer que a decadência, levantada de ofício pela Relatora, atingiu o crédito tributário relativo ao anocalendário 1994. Segue abaixo sua ementa: “ESPONTANEIDADE. RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO. Não procede a afirmação de que fora readquirida a espontaneidade quando o contribuinte apresenta. Declarações Retifícadoras enquanto encontrase sob fiscalização. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA DE OFÍCIO. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. No chamado lançamento por homologação, a autoridade tem cinco anos para homologar o pagamento antecipado pelo contribuinte, contados a partir do fato gerador da obrigação, exceto nos casos em que for comprovado dolo , fraude ou simulação, em que o dies a quo é remetido para o art. 173 do Código Tributário Nacional. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. ÔNUS DA PROVA. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos informados para acobertar seus dispêndios gerais e aquisições de bens e direitos. Recurso Voluntário Provido em Parte.” Em seu recurso, a recorrente afirma que o acórdão recorrido diverge da jurisprudência mantida por este e. Conselho, sobre o prazo decadencial para a constituição de Fl. 463DF CARF MF Impresso em 05/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10865.000366/0008 Acórdão n.º 920202.260 CSRFT2 Fl. 2 3 créditos tributários sujeitos a lançamento por homologação, quando não houver recolhimento antecipado do tributo. Nesse contexto, apresenta como paradigma o Acórdão n.º CSRF/9101 00.460, cuja ementa será reproduzida a seguir: “DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO LANÇAR TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO. Restando configurado que o sujeito passivo não efetuou recolhimentos, o prazo decadencial do direito do Fisco constituir o crédito tributário deve observar a regra do art. 173, inciso I, do CTN. Precedentes no STJ, nos termos do RESP n° 973.733SC, submetido ao regime do art. 543C do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” Entende que, no caso em tela, não houve pagamento do tributo (conforme se nota do Termo de Verificação Fiscal às fls. 16/17, a renda declarada foi nula contribuinte omisso). Portanto, defende que, para fins de contagem de prazo decadencial, não deve ser aplicado o art. 150, § 4º do CTN, e sim, o art. 173, I do mesmo diploma. Argumenta que o art. 150 do CTN foi contrariado, já que não houve recolhimento do tributo. Portanto, em face da ausência de pagamento, cabível é a aplicação do art. 149, V, do CTN, motivo pelo qual foi efetuado o lançamento de ofício pela autoridade administrativa. Destaca que o STJ, ao interpretar a combinação entre os dispositivos do art. 150, §4° e 173, I, do CTN, entende que, não se verificando recolhimento de exação e montante a homologar, ou havendo dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial para o lançamento dos tributos sujeitos a lançamento por homologação segue, respectivamente, a disciplina normativa do art. 173, inciso I e parágrafo único, do CTN. Ao final, requer o conhecimento e provimento de seu recurso especial. Nos termos do Despacho n.º 220000.457, foi dado seguimento ao pedido em análise. O contribuinte não apresentou contrarazões. Eis o breve relatório. Fl. 464DF CARF MF Impresso em 05/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Voto Conselheiro Elias Sampaio Freire, Relator O Recurso é tempestivo, estando também demonstrado o dissídio jurisprudencial, pressupostos regimentais indispensáveis à admissibilidade do Recurso Especial. Assim, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. No que diz respeito à decadência dos tributos lançados por homologação temos o Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008, assim ementado: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL .ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, Fl. 465DF CARF MF Impresso em 05/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10865.000366/0008 Acórdão n.º 920202.260 CSRFT2 Fl. 3 5 sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. O Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62A do anexo II). Em suma, inexistindo a comprovação de ocorrência de dolo, fraude ou simulação por parte do contribuinte, o termo inicial será: (a) o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) o Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º). No caso dos autos, para o ano calendário de 1994, o auto de infração apurou acréscimo patrimonial a descoberto. Verificase nos autos que, para o ano calendário de 1994, não houve pagamento antecipado, conforme consta no Demonstrativo de Apuração do IRPF (fls. 05). Em inexistindo pagamento a ser homologado, a regra de contagem do prazo decadencial aplicável Fl. 466DF CARF MF Impresso em 05/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 deve ser a regra do art. 173, inciso I, do CTN. Isto é, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial dáse no dia 01/01/1996 e o termo final no dia 31/12/2000. Considerando que o contribuinte foi cientificado do auto de infração, em 30/03/2000, portanto, antes de transcorrido o prazo de cinco contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, não há que se falar em decadência. Pelo exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, devendo ao autos retornarem ao colegiado a quo para apreciação das demais matérias constantes do recurso voluntário do contribuinte. É como voto. (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire Fl. 467DF CARF MF Impresso em 05/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 11686.000370/2008-67
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri May 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 31/07/2004 a 30/09/2004
RESSARCIMENTO DEFERIDO SOMENTE EM PARTE. ACRÉSCIMO À BASE DE CÁLCULO DO TRIBUTO DE VALORES NÃO ESPONTANEAMENTE OFERECIDOS À TRIBUTAÇÃO PELO SUJEITO PASSIVO. CONTEÚDO MATERIAL DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MOTIVOS DETERMINANTES E ÔNUS DA PROVA.
Situação em que, ao ensejo do pedido de ressarcimento, a auditoria tributária defere somente em parte o pleito por considerar que o sujeito passivo não expusera à tributação a totalidade dos valores integrantes da base de cálculo tributo. Caso em que, a glosa do crédito se origina de ato que reveste materialmente a função de lançamento ex officio, razão pela qual cabe à administração o ônus probatório acerca da afirmação. Pelo mesmo motivo, não pode a auditoria, constatando que o fundamento original da glosa não procede, pretender recusar o direito ao ressarcimento com fundamento diverso. Aplicação da teoria dos motivos determinantes.
INCENTIVO FISCAL. RESTITUIÇÃO DE ICMS. BASE DE CÁLCULO DA COFINS.
O ICMS restituído ao contribuinte pela Unidade Federativa a título de incentivo fiscal não configura receita, razão pela qual não integra a base de cálculo da COFINS, mesmo sob a disciplina das Leis nºs 9.718/98, 10.637/02 e 10.833/03.
COFINS. NÃO-CUMULATIVO. CRÉDITO. FRETE ENTRE ESTABELECIMENTOS DO PRÓPRIO CONTRIBUINTE.
A contratação de serviço de transporte entre estabelecimentos do próprio contribuinte somente enseja a apropriação de crédito, na sistemática de apuração não-cumulativa do PIS e da COFINS, em se tratando do frete de produtos inacabados, caso em que o dispêndio consistirá de custo de produção e, pois, funcionará como insumo da atividade produtiva, nos termos do inciso II, do art. 3o das Leis nos. 10.637/02 e 10.833/03.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3403-002.005
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial do recurso voluntário para reconhecer a insubsistência das glosas efetuadas na origem com fundamento na não-sujeição ao tributo de valores supostamente auferidos em razão da cessão de saldos de ICMS a terceiros e, nesta parte, deferir o ressarcimento pretendido. O Conselheiro Robson José Bayerl, em relação ao ICMS, acompanhou o voto do relator apenas na parte relativa à teoria dos motivos determinantes.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim Presidente
(assinado digitalmente)
Marcos Tranchesi Ortiz Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti, Marcos Tranchesi Ortiz e Antonio Carlos Atulim.
Nome do relator: MARCOS TRANCHESI ORTIZ
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201303
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 31/07/2004 a 30/09/2004 RESSARCIMENTO DEFERIDO SOMENTE EM PARTE. ACRÉSCIMO À BASE DE CÁLCULO DO TRIBUTO DE VALORES NÃO ESPONTANEAMENTE OFERECIDOS À TRIBUTAÇÃO PELO SUJEITO PASSIVO. CONTEÚDO MATERIAL DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MOTIVOS DETERMINANTES E ÔNUS DA PROVA. Situação em que, ao ensejo do pedido de ressarcimento, a auditoria tributária defere somente em parte o pleito por considerar que o sujeito passivo não expusera à tributação a totalidade dos valores integrantes da base de cálculo tributo. Caso em que, a glosa do crédito se origina de ato que reveste materialmente a função de lançamento ex officio, razão pela qual cabe à administração o ônus probatório acerca da afirmação. Pelo mesmo motivo, não pode a auditoria, constatando que o fundamento original da glosa não procede, pretender recusar o direito ao ressarcimento com fundamento diverso. Aplicação da teoria dos motivos determinantes. INCENTIVO FISCAL. RESTITUIÇÃO DE ICMS. BASE DE CÁLCULO DA COFINS. O ICMS restituído ao contribuinte pela Unidade Federativa a título de incentivo fiscal não configura receita, razão pela qual não integra a base de cálculo da COFINS, mesmo sob a disciplina das Leis nºs 9.718/98, 10.637/02 e 10.833/03. COFINS. NÃO-CUMULATIVO. CRÉDITO. FRETE ENTRE ESTABELECIMENTOS DO PRÓPRIO CONTRIBUINTE. A contratação de serviço de transporte entre estabelecimentos do próprio contribuinte somente enseja a apropriação de crédito, na sistemática de apuração não-cumulativa do PIS e da COFINS, em se tratando do frete de produtos inacabados, caso em que o dispêndio consistirá de custo de produção e, pois, funcionará como insumo da atividade produtiva, nos termos do inciso II, do art. 3o das Leis nos. 10.637/02 e 10.833/03. Recurso voluntário provido em parte.
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri May 03 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 11686.000370/2008-67
anomes_publicacao_s : 201305
conteudo_id_s : 5241194
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri May 03 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3403-002.005
nome_arquivo_s : Decisao_11686000370200867.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : MARCOS TRANCHESI ORTIZ
nome_arquivo_pdf_s : 11686000370200867_5241194.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial do recurso voluntário para reconhecer a insubsistência das glosas efetuadas na origem com fundamento na não-sujeição ao tributo de valores supostamente auferidos em razão da cessão de saldos de ICMS a terceiros e, nesta parte, deferir o ressarcimento pretendido. O Conselheiro Robson José Bayerl, em relação ao ICMS, acompanhou o voto do relator apenas na parte relativa à teoria dos motivos determinantes. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Marcos Tranchesi Ortiz Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti, Marcos Tranchesi Ortiz e Antonio Carlos Atulim.
dt_sessao_tdt : Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2013
id : 4602384
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:02:29 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041574989922304
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2457; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T3 Fl. 10 1 9 S3C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11686.000370/200867 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3403002.005 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 21 de março de 2013 Matéria COFINS.RESSARCIMENTO Recorrente YARA BRASIL FERTILIZANTES S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 31/07/2004 a 30/09/2004 RESSARCIMENTO DEFERIDO SOMENTE EM PARTE. ACRÉSCIMO À BASE DE CÁLCULO DO TRIBUTO DE VALORES NÃO ESPONTANEAMENTE OFERECIDOS À TRIBUTAÇÃO PELO SUJEITO PASSIVO. CONTEÚDO MATERIAL DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MOTIVOS DETERMINANTES E ÔNUS DA PROVA. Situação em que, ao ensejo do pedido de ressarcimento, a auditoria tributária defere somente em parte o pleito por considerar que o sujeito passivo não expusera à tributação a totalidade dos valores integrantes da base de cálculo tributo. Caso em que, a glosa do crédito se origina de ato que reveste materialmente a função de lançamento ex officio, razão pela qual cabe à administração o ônus probatório acerca da afirmação. Pelo mesmo motivo, não pode a auditoria, constatando que o fundamento original da glosa não procede, pretender recusar o direito ao ressarcimento com fundamento diverso. Aplicação da teoria dos motivos determinantes. INCENTIVO FISCAL. RESTITUIÇÃO DE ICMS. BASE DE CÁLCULO DA COFINS. O ICMS restituído ao contribuinte pela Unidade Federativa a título de incentivo fiscal não configura receita, razão pela qual não integra a base de cálculo da COFINS, mesmo sob a disciplina das Leis nºs 9.718/98, 10.637/02 e 10.833/03. COFINS. NÃOCUMULATIVO. CRÉDITO. FRETE ENTRE ESTABELECIMENTOS DO PRÓPRIO CONTRIBUINTE. A contratação de serviço de transporte entre estabelecimentos do próprio contribuinte somente enseja a apropriação de crédito, na sistemática de apuração nãocumulativa do PIS e da COFINS, em se tratando do frete de produtos inacabados, caso em que o dispêndio consistirá de custo de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 68 6. 00 03 70 /2 00 8- 67 Fl. 146DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 27/04/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 2 produção e, pois, funcionará como “insumo” da atividade produtiva, nos termos do inciso II, do art. 3o das Leis nos. 10.637/02 e 10.833/03. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial do recurso voluntário para reconhecer a insubsistência das glosas efetuadas na origem com fundamento na nãosujeição ao tributo de valores supostamente auferidos em razão da cessão de saldos de ICMS a terceiros e, nesta parte, deferir o ressarcimento pretendido. O Conselheiro Robson José Bayerl, em relação ao ICMS, acompanhou o voto do relator apenas na parte relativa à teoria dos motivos determinantes. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) Marcos Tranchesi Ortiz – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti, Marcos Tranchesi Ortiz e Antonio Carlos Atulim. Relatório Os autos abrigam pedido de ressarcimento, cumulado com declarações de compensação, por meio das quais o recorrente intenta empregar, na quitação de obrigações tributárias, o saldo credor acumulado da COFINS calculada pelo regime da não cumulatividade, relativamente ao terceiro trimestre de 2004, em virtude da atividade exportadora. Ao término do procedimento fiscal instaurado para a confirmação da existência e das dimensões do direito vindicado, a autoridade encarregada preparou relatório no qual conclui pela procedência apenas parcial da pretensão, em razão das seguintes irregularidades: (a) no trimestre considerado, o recorrente teria transferido onerosamente a terceiros créditos de ICMS acumulados em sua escrita fiscal sem, em contrapartida, expor à tributação os ingressos recebidos sob os respectivos negócios; (b) o recorrente apropriara créditos sobre os dispêndios incorridos com a contratação de frete entre estabelecimentos da própria empresa, em desacordo com o artigo 3º, Fl. 147DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 27/04/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 11686.000370/200867 Acórdão n.º 3403002.005 S3C4T3 Fl. 11 3 inciso IX, da Lei nº 10.833/03, segundo o qual apenas o frete pago na operação de venda proporciona semelhante direito ao contribuinte. Do despacho decisório, a interessada opôs tempestiva manifestação de inconformidade, negando, em primeiro lugar, ter praticado as transferências de direitos creditórios do ICMS de que lhe acusa a auditoria fiscal. Colacionando aos autos cópia de contrato celebrado com a Secretaria da Fazenda do Rio Grande do Sul, afirmou, sim, ser beneficiária de incentivo fiscal estadual consistente em crédito presumido equivalente a 75% do montante do imposto incidente sobre as operações interestaduais envolvendo fertilizantes de fabricação própria. Sustentou, também, que o subsídio em questão não tem natureza de receita e, por conseguinte, que sobre ele inexiste obrigação de calcular e de recolher a contribuição em causa. Alegou ainda a recorrente – trazendo aos autos planilha demonstrativa – que as remessas que realiza entre seus diversos estabelecimentos País afora, envolvem uma pequena monta de produtos acabados (cerca de 5%) e uma grande parcela de itens semielaborados, cujo processo industrial é concluído na unidade de destino. Daí que, prossegue, o frete contratado no primeiro caso seria equiparável ao frete na operação de venda, enquanto que, na segunda hipótese, o preço do frete integraria o próprio custo de produção do bem em fabricação, a ponto de qualificálo como insumo da atividade. No aresto recorrido, a DRJ/Porto Alegre desproveu por inteiro a manifestação de inconformidade, o que impeliu a contribuinte a interpor recurso voluntário, no qual reitera a fundamentação de sua manifestação de inconformidade. O julgamento do recurso voluntário foi convertido por este Colegiado em diligência, a fim de que o órgão de origem efetivasse duas providências, quais sejam: (a) trouxesse aos autos elementos documentais capazes de comprovar a existência e os montantes das supostas operações de cessão de crédito de ICMS a terceiros; e (b) informasse sobre a possibilidade de segregar, dentre os fretes contratados pelo recorrente para transporte de itens entre suas próprias unidades, aqueles que tinham por objeto a remessa de produtos acabados e aqueles que envolveram itens em fabricação. Em resposta à diligência, o órgão de origem elaborou “Termo de Comunicação e Ciência”, por meio do qual (i) diz não ser possível segregar os fretes contratados pela recorrente conforme solicitado pelo CARF e (ii) afirma que, em verdade, não houve cessão de créditos de ICMS a terceiros, mas sim – como reclamara a recorrente – apropriação de crédito presumido deste imposto. Intimado deste despacho, o recorrente manifestase, trazendo aos autos planilhas demonstrativas dos fretes de matériasprimas e de produtos acabados. Por sua vez, o órgão de origem elabora o “Termo de Comunicação e Ciência 2”, através do qual, em síntese, reitera que as planilhas inicialmente fornecidas pelo recorrente não eram capazes de segregar os fretes, porém aquelas trazidas aos autos apenas após a diligência o fazem. Conclui, por fim, que a contratação de frete para transporte de itens entre unidades do próprio sujeito passivo (seja de matériasprimas, embalagens ou produtos acabados) não gera direito ao crédito do tributo, por ausência de previsão legal. Fl. 148DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 27/04/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 4 Intimado deste segundo Termo de Comunicação, a recorrente novamente manifestase para argumentar que a eventual manutenção do despacho decisório com fundamento em suposta sujeição da subvenção recebida à tributação importaria inadmissível modificação da acusação fiscal – construída sob a premissa de que a recorrente cedera créditos de ICMS – com prejuízo ao direito de defesa e ao contraditório. Voto Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz O recurso é tempestivo e, observadas as demais formalidades aplicáveis, dele conheço. O resultado da diligência é esclarecedor e, portanto, bastante relevante para as conclusões ora obtidas. Inferese, em primeiro lugar, que já não existe controvérsia quanto à natureza do ingresso percebido pela recorrente: tratase de crédito presumido de ICMS, concedido a título de incentivo fiscal pelo Estado do Rio Grande do Sul, e não de cessão de saldo credor do imposto, como propugnava a fiscalização. A DRJ de origem ratifica esta conclusão, embora insista que, mesmo em se tratando de subvenção governamental, o ingresso tem natureza de receita e, como tal, deveria ter sido exposto à tributação. A pretensão fazendária, com relação a este tópico, esbarra em dois impedimentos: de um lado, os motivos determinantes da acusação fiscal e, de outro, a insujeição ao PIS e à COFINS da subvenção governamental de cuja natureza se reveste o aludido crédito presumido. Explico. Com efeito, infiro do relatório elaborado ao cabo do procedimento instaurado pela fiscalização que o ressarcimento pretendido resultou deferido somente em parte como decorrência não apenas da glosa de direitos creditórios, mas também da alegada sujeição à exação de determinados ingressos não espontaneamente expostos à incidência pela pessoa jurídica. Apesar de não observar qualquer nulidade neste procedimento – que, em suma, consiste em negar total ou parcialmente o ressarcimento requerido como resultado da apuração de insuficiência no cálculo do débito tributário por parte do particular obrigado – ressalto que o despacho decisório, neste particular, obedece a pressupostos formais equivalentes ao do lançamento de ofício e reveste o conteúdo material próprio deste ato, eis que consistirá da verificação da ocorrência do fato gerador, determinação da matéria tributável, cálculo do montante devido e, enfim, identificação do sujeito passivo. Isso quer dizer que, se ao ensejo da análise de pedido de ressarcimento, a fiscalização desacolhe parte da pretensão por impor ao contribuinte incidências que este voluntariamente não reconhecera devidas, é seu o ônus quanto à fundamentação da exigência e, sobretudo, quanto à prova do fato, tanto quanto o seria acaso se tratasse do próprio lançamento de ofício. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 27/04/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 11686.000370/200867 Acórdão n.º 3403002.005 S3C4T3 Fl. 12 5 Na hipótese dos autos, portanto, a recorrente teve sua pretensão desacolhida por, supostamente, não expor à tributação valores que teria auferido como decorrência da cessão de saldo credor de ICMS a terceiros. Esta a acusação fiscal, cuja consistência probatória competia à administração produzir. O órgão preparador, no entanto, não se desincumbiu do encargo e, pior, manifestandose ao ensejo da diligência, emendouse para reconhecer que, em realidade, não se tratava da alienação do aludido saldo credor do imposto e, sim, da obtenção de subvenção outorgada pela Unidade Federativa onde estabelecida a recorrente. Isso é o quanto basta para a reforma do despacho decisório nesta parte, a meu ver. Não se pode admitir, com efeito, que a pretexto de preserválo, possa a autoridade substituirlhe a fundamentação originária, como agora pretende fazer ao argumentar que a fruição do crédito presumido do ICMS estaria igualmente sujeita à incidência da obrigação. São os motivos determinantes do ato administrativo que o impedem. Fato é que, não fosse isso suficiente, o recurso comportaria provimento nesta parte também porque o incentivo fiscal em questão não constitui receita da pessoa jurídica e, desta forma, não chega a integrar a base imponível das exações. Penso estarmos diante de típica espécie de “subvenção governamental”. Subvenção, com efeito, é conceito jurídicopositivo encontrável na Lei nº 4.320/64, instituída para disciplinar “normas gerais de direito financeiro para elaboração e controle dos orçamentos e balanços da União, dos Estados, dos Municípios e do Distrito Federal”. De acordo com o §3º, do artigo 12 do diploma: “Art. 12. (...) §3º. Consideramse subvenções, para os efeitos desta lei, as transferências destinadas a cobrir despesas de custeio das entidades beneficiadas, distinguindose como: I – subvenções sociais, as que se destinem a instituições públicas ou privadas de caráter assistencial ou cultural, sem finalidade lucrativa; II – subvenções econômicas, as que se destinem a empresas públicas ou privadas de caráter industrial, comercial, agrícola ou pastoril.” Debruçandose sobre o texto, a doutrina enaltece os elementos caracterizadores da figura, de modo a definir subvenções como transferências pecuniárias pela via da despesa pública, em favor de entidades públicas ou privadas, destinadas à cobertura total ou parcial de despesas associadas à promoção de interesses de caráter coletivo. Leiase em Souto Maior Borges: “O conceito de subvenção está sempre associado à idéia de auxílio, ajuda – como indica a sua origem etimológica (subventio) – expressa normalmente em termos pecuniários. Entretanto, se bem que a subvenção, em Direito Civil, constitua uma forma de doação, caracterizandose, portanto, pelo seu caráter não compensatório, no Direito Público, particularmente no Direito Financeiro, embora também se revista de caráter não Fl. 150DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 27/04/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 6 remuneratório e não compensatório, deve submeterse ao regime jurídico público, que impõe alteração nesse caráter não contraprestacional. A sua gratuidade não exclui, então, como requisito de legitimidade, a ocorrência do interesse público relevante”. (Subvenção financeira, isenção e deduções tributárias. Revista de direito público, no. 4142, p. 43 e ss). A restituição do ICMS concedida pelo Estado do Rio Grande do Sul constitui justamente uma transferência pecuniária à pessoa jurídica beneficiária, cujo propósito, no seu particular, está em incentivar a fabricação de fertilizantes e a destinação da produção a outras unidades federativas. E a condição de subvenção governamental não depende do instrumento por meio do qual a lei viabiliza a transferência. Explica Mariz de Oliveira que “o fato de eles [créditos fiscais] serem realizados (isto é, pagos, liquidados, cumpridos) por qualquer das múltiplas formas que as respectivas leis prevêem, isto é, por crédito na escrita fiscal para compensação com débitos tributários, ou por recebimento ou ressarcimento em dinheiro, feito pelo Poder Público” não lhes modifica a natureza jurídica, assim como também em nada interfere no conceito que seja legalmente autorizada “a sua transferência a outros estabelecimentos da mesma pessoa jurídica ou a sua cessão a outras pessoas jurídicas que os utilizarão por uma das formas permitidas”. Tais alternativas legais, conclui, “não passam de meios para o pagamento dessas subvenções, isto é, modos de extinção das obrigações criadas pela lei em favor dos beneficiários dos subsídios governamentais.” (PIS/COFINS: incidência ou não sobre créditos fiscais (créditosprêmio e outros) e respectivas cessões. 10º Simpósio nacional IOB de direito tributário: grandes temas tributários da atualidade. São Paulo: IOB, 2001, p. 39.) Sucede que as subvenções governamentais, sejam as concedidas para investimentos, sejam as destinadas ao custeio de despesas determinadas, caso do ICMS em questão, não constituem receita da pessoa jurídica. E não constituem receita porque não satisfazem uma das notas fundamentais do conceito. Receitas, diz a doutrina, são por definição novos direitos que acrescem ao patrimônio de um sujeito por via – eis o relevante – da aplicação de recursos já integrantes desse patrimônio ou da atividade de quem o possua. É este o conceito talhado por José Antonio Minatel: “[receita é] ingresso de recursos financeiros no patrimônio da pessoa jurídica, em caráter definitivo, proveniente dos negócios jurídicos que envolvam o exercício da atividade empresarial, que corresponda à contraprestação pela venda de mercadorias, pela prestação de serviços, assim como pela remuneração de investimentos ou pela cessão onerosa e temporária de bens e direitos a terceiros, aferido instantaneamente pela contrapartida que remunera cada um desses eventos” (Conteúdo do Conceito de Receita. São Paulo: MP, 2005. p. 124) Receita, portanto, é grandeza menos abrangente que “ingressos”, pois estes consubstanciam quaisquer valores que transitam pelo patrimônio da empresa, independentemente de sua origem e de sua definitividade (razão pela qual toda receita é ingresso, mas nem todo ingresso é receita). Por outro lado, o conceito de receita varre um espaço amostral maior que o de faturamento, uma vez que este se restringe aos valores decorrentes da venda de mercadorias ou prestação de serviços (razão pela qual todo faturamento é receita, mas nem toda receita é faturamento). Inegável, portanto, que o conceito de faturamento é mais causalista que o de Fl. 151DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 27/04/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 11686.000370/200867 Acórdão n.º 3403002.005 S3C4T3 Fl. 13 7 receita, pois vinculado a uma gama mais específica de fontes geradoras, causadoras do acréscimo patrimonial da empresa. Entretanto, também o conceito de receita mantémse impregnado – com menor intensidade que o de faturamento, é verdade – de causalidade. Afinal, como visto acima, para que se catalogue como receita, o acréscimo patrimonial definitivo há de ser um produto da atividade empreendedora. Receitas estão comprometidas com esta origem, necessariamente. Aí a chave para o desate dogmático reclamado nos autos. É que, a meu ver, a restituição de impostos, como decorrência de incentivo fiscal legalmente concedido, provém de um benefício governamental e não – ao menos não diretamente – do exercício da atividade empresarial. Mariz de Oliveira, sempre ele, dirá: “(...) há alguns ingressos ou entradas que representam novos direitos no patrimônio em que entram e que, inclusive, (sempre) acarretam aumento neste, mas que não se confundem com receita exatamente porque lhes faltam as características que compõem os elementos afirmativos desta, ou porque adentram em um dos seus elementos negativos, e principalmente por não terem o caráter remuneratório ou contraprestacional do emprego de recursos já componentes desse patrimônio ou da atividade do seu titular. Isso ocorre com os ingressos de capital social, ou com outros ingressos que vêm de fora da pessoa jurídica e que não derivam de dentro, por não derivarem de atos, operações ou atividades do patrimônio (da empresa no qual o patrimônio da pessoa jurídica está aplicado), ou do emprego de recursos que compõem esse patrimônio, como é o caso de doações, subvenções, ágios de subscrição de capital e outras entradas que mais apropriadamente se chamam ‘transferências patrimoniais’.” (Fundamentos do imposto de renda. São Paulo: Quartier Latin, p. 144.) Neste particular, as subvenções governamentais se equiparam às doações, ao capital social e ao ágio na subscrição de valores mobiliários, visto que todas as figuras têm em comum o fato de redundarem em aporte de recursos não contraprestacionais à aplicação do patrimônio ou das atividades sociais. É o que justifica e impede, portanto, que por meio da contribuição ao PIS ou da COFINS, pretenda o Fisco onerar o próprio capital social. Digase de passagem que a própria Lei nº 6.404/76, na redação vigente à época dos fatos aqui considerados, continha no seu artigo 182 disposição segundo a qual as subvenções governamentais para investimentos teriam contrapartida direta no patrimônio líquido, em conta de reserva de capital, e, portanto, sem trânsito pelo resultado. Entre as subvenções para investimento e as subvenções para custeio a diferença fundamental reside no destino possível dos recursos transferidos, no primeiro caso para o implemento do ativo permanente da pessoa jurídica e, no segundo, para a cobertura de despesas determinadas. Todavia, tanto uma como a outra representam recebimentos gratuitos, não contraprestacionais, embora, é claro, pressuponham o cumprimento de prérequisitos associados à promoção do interesse público. O fundamento por trás da qualificação das Fl. 152DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 27/04/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 8 subvenções para investimento como meras transferências patrimoniais deve, pois, presidir a catalogação das subvenções para custeio sob idêntico gênero de ingressos. De mais a mais, não seria lógico que o Estado, depois de reconhecer o interesse público na transferência de recursos para o custeio da atividade empresarial, ato contínuo viesse a tomar de volta parcela expressiva do montante por meio da imposição tributária. “O que se dá com uma mão não é plausível que seja retirado com a outra” (Conteúdo do conceito de receita e regime jurídico para sua tributação. São Paulo: MP Editora, p. 240.) Ademais, a restituição do ICMS não se pode qualificar como riqueza nova – atributo necessário à receita –, pois que configura apenas recuperação econômica de dispêndio anteriormente suportado. Nesse sentido, novamente José Antonio Minatel: “Dessa forma, tem nítida natureza de recuperação de custos com os efeitos já explicitados, pelo que o valor do ressarcimento do tributo embutido no preço, ou do correspondente direito escriturado como crédito, melhor evidencia sua índole se contabilizado em conta redutora dos próprios custos, jamais em conta de receita, por faltarlhe os predicados para tal configuração” (op. cit. p. 224) Não era outra a tese prevalecente no antigo Segundo Conselho de Contribuintes: “A parcela agregada pela fiscalização à base de cálculo da COFINS – correspondente à parcela do ICMS isentado pelo Estado do Amazonas – indubitavelmente não tem natureza jurídica de receita bruta, faturamento ou resultado, constituindo se em mera redução de custo ou despesa” (2º CC. 2ª Câmara. Proc. Adm. 10283.001595/200668. Rel. Cons. Maria Cristina Roza da Costa. J. 19.9.2007) A grandeza sobre a qual se realizou o lançamento in casu situase, portanto, além dos limites gizados pelas próprias Leis nº 9.718/98, 10.637/02 e 10.833/03, o que torna despicienda a análise de sua constitucionalidade: seja sob a disciplina de tais Leis (caso constitucionais), seja sob a disciplina das Leis Complementares nºs 7/70 e 70/91 (caso inconstitucionais), o ICMS restituído não integrará a base de cálculo do PIS e da COFINS. Dito isso, remanesce pendente a análise do direito à apropriação de créditos da COFINS, na hipótese de fretes realizados entre estabelecimentos da própria pessoa jurídica recorrente para transporte seja de matériasprimas e de materiais de embalagem, seja de produtos acabados. Quando da conversão do julgamento em diligência, esta Turma expressamente consignou que a medida não se prestaria “a corrigir a incompetência da parte a quem a lei atribui o ônus da prova”, determinando que o órgão de origem se limitasse a juntar aos autos “via impressa dos elementos documentais, dentre aqueles já obtidos junto à recorrente no curso da fiscalização”, capazes de segregar do total de fretes em questão, aqueles que tivessem por objeto o transporte de itens ainda em fabricação. Pois em resposta à diligência, o órgão de origem foi assertivo em afirmar que as provas até então coligidas aos autos não lhe permitiam proceder ao desmembramento. E a separação, a meu ver, seria fundamental à melhor aplicação ao caso do disposto nas Leis no. 10.637/02 e 10.833/03. E por que? Fl. 153DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 27/04/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 11686.000370/200867 Acórdão n.º 3403002.005 S3C4T3 Fl. 14 9 Porque na sistemática da nãocumulatividade do PIS e da COFINS, os dispêndios da pessoa jurídica com a contratação de frete pode se situar em três diferentes posições: (a) se na operação de venda, constituirá hipótese específica de creditamento, referida pelo art. 3o, inciso IX; (b) se associado à compra de matériasprimas, materiais de embalagem ou produtos intermediários, integrará o custo de aquisição e, por este motivo, dará direito de crédito em razão do previsto no artigo 3o, inciso I; e (c) finalmente, se respeitar ao trânsito de produtos inacabados entre unidades fabris do próprio contribuinte, será catalogável como custo de produção (RIR, art. 290) e, portanto, como insumo para os fins do inciso II do mesmo artigo 3o. De seu turno, o transporte de produtos acabados entre estabelecimentos do contribuinte somente do ponto de vista logístico ou geográfico pode ser compreendido como etapa da futura operação de venda. Juridicamente falando não o é e, a meu ver, não se enquadra dentre as hipóteses legais em que o creditamento é concedido. Afirma a origem que, dos documentos constantes dos autos até a interposição do voluntário não lhe é possível fazer a segregação em comento. E mesmo que admitíssemos aqui o exame do material extemporaneamente trazido pela recorrente, já na oportunidade em que se manifestou sobre o relatório da diligência, a ele não se pode atribuir valor probatório. Tratase, com efeito, de uma planilha gerencial, unilateralmente confeccionada e sem comprovação de respaldarse em documentos ou na escrita contábil da pessoa jurídica. Portanto, dois fundamentos alicerçam a conclusão de que deve ser mantida a glosa sobre os créditos da COFINS referentes aos fretes contratados entre os estabelecimentos do recorrente: (i) havia expressa vedação à formalização de novas provas, cabendo o contribuinte têlas trazido desde a manifestação de inconformidade, o que – frisese – não foi feito e (ii) planilhas unilateralmente formuladas pelos contribuintes não são meios aptos a demonstrar a invalidade de glosas efetuadas. Por todo o exposto, voto pelo provimento parcial do recurso voluntário para reconhecer a insubsistência das glosas efetuadas na origem com fundamento na nãosujeição ao tributo de valores supostamente auferidos em razão da cessão de saldos de ICMS a terceiros e, nesta parte, deferir o ressarcimento pretendido, homologando também parcialmente as DComps. (assinado digitalmente) Marcos Tranchesi Ortiz Fl. 154DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 27/04/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 10 Fl. 155DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 27/04/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ
score : 1.0
Numero do processo: 15940.000656/2009-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/11/2008 a 31/12/2008
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL CONTRIBUIÇÃO DESTINADA A TERCEIROS SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS ISENÇÃO/IMUNIDADE DISCUSSÃO
JUDICIAL RENÚNCIA A INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA NÃO
CONHECIMENTO NÃO IMPUGNAÇÃO EXPRESSA.
A não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e consequente concordância com os termos da Decisão de 1 instância que manteve o lançamento.
Em existindo medida judicial que impeça a emissão do CEAS não há que se falar em cumprimento do disposto no art. 55 da Lei 8212/91.
O art. 14 do CTN não se presta a assegurar imunidade ao recorrente, posto que o mesmo regula o art. 150 da CF/88, que regula a isenção de impostos.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-002.408
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201205
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2008 a 31/12/2008 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL CONTRIBUIÇÃO DESTINADA A TERCEIROS SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS ISENÇÃO/IMUNIDADE DISCUSSÃO JUDICIAL RENÚNCIA A INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA NÃO CONHECIMENTO NÃO IMPUGNAÇÃO EXPRESSA. A não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e consequente concordância com os termos da Decisão de 1 instância que manteve o lançamento. Em existindo medida judicial que impeça a emissão do CEAS não há que se falar em cumprimento do disposto no art. 55 da Lei 8212/91. O art. 14 do CTN não se presta a assegurar imunidade ao recorrente, posto que o mesmo regula o art. 150 da CF/88, que regula a isenção de impostos. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
numero_processo_s : 15940.000656/2009-26
conteudo_id_s : 5235139
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Aug 09 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 2401-002.408
nome_arquivo_s : Decisao_15940000656200926.pdf
nome_relator_s : ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 15940000656200926_5235139.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
dt_sessao_tdt : Tue May 15 00:00:00 UTC 2012
id : 4597188
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:01:43 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041575024525312
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1868; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 1 1 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15940.000656/200926 Recurso nº 000.000 Voluntário Acórdão nº 240102.408 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 15 de maio de 2012 Matéria DIFERENÇA DE CONTRIBUIÇÕES TERCEIROS Recorrente ASSOCIAÇÃO PRUDENTINA DE EDUCAÇÃO E CULTURA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2008 a 31/12/2008 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL CONTRIBUIÇÃO DESTINADA A TERCEIROS SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS ISENÇÃO/IMUNIDADE DISCUSSÃO JUDICIAL RENÚNCIA A INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA NÃO CONHECIMENTO NÃO IMPUGNAÇÃO EXPRESSA. A não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e consequente concordância com os termos da Decisão de 1 instância que manteve o lançamento. Em existindo medida judicial que impeça a emissão do CEAS não há que se falar em cumprimento do disposto no art. 55 da Lei 8212/91. O art. 14 do CTN não se presta a assegurar imunidade ao recorrente, posto que o mesmo regula o art. 150 da CF/88, que regula a isenção de impostos. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Fl. 381DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 08/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira Do Prado, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 382DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 08/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE Processo nº 15940.000656/200926 Acórdão n.º 240102.408 S2C4T1 Fl. 2 3 Relatório O presente Auto de infração de Obrigação Principal, lavrada sob o n. 37.068.2777, em desfavor da recorrente, tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela destinada a terceiros, , no período 11/2008 a 12/2008, inclusive 13 salário. Conforme descrito no relatório fiscal, fls. 25 a 31, a fiscalização verificou a incidência das contribuições a Seguridade Social, fulcrado em decisão expedida em sede de tutela antecipada, na ação civil pública n. 2007.61.12.0124319, movida pelo Ministério Público Federal e o INSS em face da Associação Prudentina de Educação e Cultura – APEC, que determinou a União que suspenda o Certificado de Entidade Filantrópica concedido à ré, com efeito retroativo, ao ato mais remoto narrado na peça inicial, sendo vedada à renovação do certificado até ulterior deliberação judicial. Destacou a autoridade fiscal que em pesquisa junto ao Portal da Justiça Federal da 3. Região, consta publicado no Diário Eletrônico que em 09/02/2009 foi indeferido o pedido de atribuição de efeito suspensivo ao recurso de agravo de instrumento interposto contra a decisão do MM. Juízo de 1 instância. Foi colacionada cópia da ação civil pública fls. 49 a 51 (datada de 20 de outubro de 1997), onde contam todos os motivos que ensejaram destacando que a DRFB de Presidente Prudente, por um grupo especial de auditoria realizou procedimento na autuada, abrangendo a documentação comprobatória de receitas e despesas e os livros da escrituração contábil. Na ação fiscal, a Receita Federal constatou, entre outras coisas que referida entidade tem fins lucrativo, que tem distribuído parcela considerável de seu patrimônio ou de seus lucros a seus proprietários e que vem aplicando boa parte de seus recursos em objetivos não institucionais com supedâneo em irregular escrituração fiscal e contábil. Assim, em cumprimento a decisão da tutela antecipada o CNAS, através das Resoluções n. 04 de 2009, não renovou o certificado da entidade referente ao período de 01/01/95 até a data do lançamento. Foi colacionado aos autos, fl. 102, cópia de indeferimento de efeito suspensivo ao recurso, datado de 09 de fevereiro de 2009. Dessa forma, considerando a perda da condição de isenta, foram lançadas contribuições cujas bases de cálculo foram apuradas por meio de FOPAG, recibos e registros contábeis apresentados pela empresa. Importante, destacar que a lavratura do AI deuse em 09/12/2009, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no mesmo dia 18/02/2010. Não conformada com a notificação, foi apresentada impugnação, fls. 156 a 180, onde de forma geral rebate o lançamento, considerando sua condição de imune. A DecisãoNotificação confirmou a procedência do lançamento, fls. 286 a 301. Fl. 383DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 08/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 4 Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso, conforme fls. 291 a 320. Em síntese, o recorrente em seu recurso alega o seguinte: 1. Considerando que a imunidade é uma limitação ao poder de tributar, somente mediante lei complementar, por força do art. 146, III da CF de 1988, podem ser definidas as exigências para o gozo do benefício. Assim, as exigência a serem preenchidas pelas entidades beneficentes de assistência social para fazerem jus ao benefício do art. 197, §7º da CF/88 são apenas as previstas no art. 14 do CTN. 2. A recorrente é entidade imune, uma vez que cumpre todos os requisitos previstos no art. 14 do CTN. 3. Quanto a tutela antecipada concedida pela Justiça Federal para suspender o Certificado de Entidade Filantrópica concedido a impugnante não impede o seu direito a imunidade tributária, considerando sua natureza meramente declaratória. Uma vez satisfeitas as exigências previstas no art. 14 do CTN a instituição sem fins lucrativos tem direito à imunidade tributária. O julgamento da referida ação encontrase pendente de julgamento uma vez que interpôs recurso especial e extraordinário contra a decisão que admitiu o processamento da Ação Civil Pública, donde pretende demonstrar que pratica filantropia. 4. O Ministério Público ajuizou Ação Civil Pública afirmando que a impugnante teria distribuído lucro entre os associados e por conta disso não faria jus ao Certificado de Filantropia. Contudo essa afirmação se estriba em procedimento fiscal instaurado pela PFN julgado improcedente pelo Conselho Contribuintes. Observou que em primeira instância a ação civil foi julgada extinta por entender que o MP carecia de interesse, contudo em segunda instância a sentença foi reformada por entenderem estarem presentes o interesse e legitimição. 5. A decisão que concede tutela antecipada não possui caráter definitivo e pode er revogada ou modificada a qualquer tempo. Assim, o lançamento carece ser revisto posto que não poderia se dar com base em uma decisão de caráter provisório. 6. A MP 446/2008 considerou deferidos os pedidos de renovação de CEBAS que ainda não tenham sido julgados, bem como os pedidos de renovação de CEBAS indeferido pelo CNA e que sejam objeto de pedido de reconsideração ou de recurso pendentes de julgamento. Ainda que rejeitada ela gerou efeitos no período de sua vigência. 7. Conforme certidão do CNA de 08/10/2008, encontrase pendente de julgamento o pedido de reconsideração apresentado pelo recorrente contra o ato de indeferimento do seu terceiro pedido de renovação do CEBAS, bem como pedido de quarta e quinta renovação do CEBAS. 8. Embora desnecessária a Resolução n. 03 de 23/01/2009 qe deferiu o pedido de renovação do CEBAS pelo período de 01/01/2007 a 31/12/2009, deveria abranger o período de 01/01/2001 a 31/12/2003 e da quarta renovação de 01/01/2004 a 31/12/2006 e não somente do processo relativo a quinta renovação 01/01/2007 a 31/12/2009. 9. É descabida a Resolução n. 06 de 2701/2009 que excluiu o recorrente da resolução n. 03 eis que ao tempo da liminar antecipatória a impugnante não possuía CEBAS, não havendo portanto o que suspender no período de 01/01/2001 a 31/12/2009. Ademais, por ser a MP 446 posterior à decisão, a ela não e aplicariam seus efeitos. 10. A tutela antecipada possui natureza interina e precária, e não afeta os efeitos da MP 446, que considerou deferidos os pedidos de renovação do CEBAS para o período de Fl. 384DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 08/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE Processo nº 15940.000656/200926 Acórdão n.º 240102.408 S2C4T1 Fl. 3 5 01/01//2001 a 31/12/2009. A MP 446 n’ao [e afetada pela decisão judicial, eis que não há expedição de certificado em decorrência de procedimento administrativo, mas im de ato decorrente de medida judicial. 11. Requer a reinclusão na Resolução n. 03, que publicou deferimento de seu pedido de renovação do CEBAS. 12. Requer seja declarada a nulidade do lançamento. Foi exarada nova Decisão, fls. 336 a 340, considerando inexatidão material quanto ao número de DEBCAD, constante do acordão, bem como o valor do débito lançado, posto que fez constar numeração de outro AI lavrado durante o mesmo procedimento. Novamente cientificado da decisão que providenciou o correção da inexatidão material, o recorrente interposto recurso fl. 344 a 376, onde aduz dos mesmos argumentos trazidos anteriormente. A Delegacia da Receita Federal do Brasil, encaminhou o processo a este Conselho para julgamento. É o relatório. Fl. 385DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 08/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 6 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 363. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DO MÉRITO Quanto ao mérito observase que a não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e consequente concordância com os termos da Decisão de 1 instância. O recorrente não contestou nenhum dos fatos geradores descritos no AIOP, seja com relação aos valores extraídos de sua FOPAG, Recibos ou registro contábeis, resumindose a alegar o direito de não realizar recolhimentos da contribuição patronal, bem como a destinada a Terceiros, posto tratarse de entidade imune nos termos do art. 195 da CF/88. Alega que basear o procedimento fiscal na tutela antecipada, importa nulidade do lançamento, tendo em vista a precariedade daquela decisão. Uma vez que houve concordância com relação aos fatos geradores descritos, lide não se instaurou quanto ao mérito e, portanto, deve ser mantida a Decisão de primeira instância. O auto de infração de obrigação principal tomou por base documentos do próprio recorrente, sendo que os fatos geradores estão discriminados mensalmente de modo claro e preciso no Discriminativo Analítico de Débito – DAD, o que, sem dúvida, possibilitou o pleno conhecimento do recorrente acerca do levantamento efetuado e por consequência sua impugnação expressa. Uma vez que a notificada remunerou segurados empregados e contribuintes individuais, sejam declarados em GFIP, ou mesmo descritos em FOPAG, deveria ter efetuado o recolhimento das contribuições devidas à Previdência Social. DA APRECIAÇÃO ACERCA DA IMUNIDADE. O cerne do recurso é a entidade ter ou não, direito à isenção. Isso porque a autuada entende que o lançamento fundado apenas em tutela antecipada – cuja decisão suspendeu o Certificado de Entidade Filantrópica concedido a ré – não poderia manterse face à precariedade da decisão. O primeiro ponto a ser apreciado, quanto a pretensa imunidade, dizse ao fato da empresa entender estar enquadrada no art. 14 do CTN, cumprindo por conseguinte todos os requisitos ali descritos. Ao contrário do entendimento adotado pelo recorrente, entendo que o art. 14 do CTN regula os requisitos disposto no art. 150 da CF/88, que trata na verdade a isenção o de Fl. 386DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 08/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE Processo nº 15940.000656/200926 Acórdão n.º 240102.408 S2C4T1 Fl. 4 7 impostos, enquanto que o art. 55 da lei 8212, regula a isenção de contribuições prevista no art. 150, da CF/88. Art. 14. O disposto na alínea c do inciso IV do artigo 9º é subordinado à observância dos seguintes requisitos pelas entidades nele referidas: I – não distribuírem qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a qualquer título; (Redação dada pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) II aplicarem integralmente, no País, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais; III manterem escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão. § 1º Na falta de cumprimento do disposto neste artigo, ou no § 1º do artigo 9º, a autoridade competente pode suspender a aplicação do benefício. § 2º Os serviços a que se refere a alínea c do inciso IV do artigo 9º são exclusivamente, os diretamente relacionados com os objetivos institucionais das entidades de que trata este artigo, previstos nos respectivos estatutos ou atos constitutivos. (...) Art. 9º É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: I instituir ou majorar tributos sem que a lei o estabeleça, ressalvado, quanto à majoração, o disposto nos artigos 21, 26 e 65; II cobrar imposto sobre o patrimônio e a renda com base em lei posterior à data inicial do exercício financeiro a que corresponda; III estabelecer limitações ao tráfego, no território nacional, de pessoas ou mercadorias, por meio de tributos interestaduais ou intermunicipais; IV cobrar imposto sobre: a) o patrimônio, a renda ou os serviços uns dos outros; b) templos de qualquer culto; c) o patrimônio, a renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, observados os requisitos fixados na Seção II deste Capítulo; (Redação dada pela Lei Complementar nº 104, de 10.1.2001) Fl. 387DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 08/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 8 d) papel destinado exclusivamente à impressão de jornais, periódicos e livros. Assim, entendo que o argumento levantado pelo recorrente de que é imune conforme previsão do art. 14 do CTN e por supedâneo o art. 150, VI, “a” da Constituição Federal, e dessa forma não deveria ter pago o tributo, razão não confiro ao recorrente. É notório que a imunidade disposta no art. 150, VI, “a” referese apenas a impostos, e mais do que isso restringe a imunidade a impostos sobre o patrimônio, a renda e os serviços, relacionados com as finalidades essenciais das entidades mencionadas nessa alínea, conforme prevê o art. 150, § 4º da CF/1988. Definitivamente as contribuições em tela não são impostos. Importante apenas, afastar o argumento de produção de provas quanto ao cumprimento dos requisitos do art. 14 do CTN, por entender que não é esse o dispositivo que determina os requisitos a serem cumpridos para gozo de isenção de contribuições previdenciárias. A própria Constituição Federal em seu art. 150, § 7º reconhece a distinção entre as espécies tributárias impostos e contribuições, nestas palavras: Art. 150 (...) § 7º A lei poderá atribuir a sujeito passivo de obrigação tributária a condição de responsável pelo pagamento de impostos ou contribuição, cujo fato gerador deva ocorrer posteriormente, assegurada a imediata e preferencial restituição da quantia paga, caso não se realize o fato gerador presumido.(grifei) Com a promulgação da Constituição Federal de 1988, houve a previsão, em seu art.195 §7º, da permissão de isenção de contribuições para a seguridade social das entidades beneficentes de assistência social que atendam aos requisitos estabelecidos em lei. Esse dispositivo constitucional foi regulado por meio da Lei n º 8.212 de 24/07/1991. Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. Em outra linha, para fazer jus a imunidade prevista pelo parágrafo 7° do art 195 da CF/88, deveria a notificada cumprir os requisitos estabelecidos no art 55 da lei n° 8.212/91, abaixo transcritos: Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; Fl. 388DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 08/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE Processo nº 15940.000656/200926 Acórdão n.º 240102.408 S2C4T1 Fl. 5 9 11 seja portadora do Certificado e do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; Ill promova a assistência social beneficente, inclusive educacional ou de saúde, a menores, idosos, excepcionais ou pessoas carentes; IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer titulo; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. §I 0 Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. Além de tudo já exposto, observese que para que a defendente pudesse gozar da imunidade tributária, deveria cumprir os requisitos contidos no artigo 55 da Lei n.° 8.212/1991, o que de fato não ocorreu ao ter seu Certificado de Entidade Filantrópica suspenso com efeito retroativo, ao ato mais remoto narrado na peça inicial, sendo vedada à renovação do certificado até ulterior deliberação judicial, .fulcrado em decisão expedida em sede de tutela antecipada, na ação civil pública n. 2007.61.12.0124319, movida pelo Ministério Público Federal e o INSS em face da Associação Prudentina de Educação e Cultura – APEC. Desse modo, enquanto não sobrevier decisão definitiva quanto ao referido processo, não há de se falar em cumprimento dos requisitos da lei 8212/91, quanto a possuir o CEAS. Nesse sentido, entendo não haver o que apreciar quanto aos efeitos da MP 446/2008, ainda que se argumente a empresa encontrarse com pedido pendente, inclusive com expedição do CEAS prevista na Resolução n. 03, devese lembrar que a Resolução n. 06 de 2701/2009 excluiu o recorrente da referida medida. Assim, ao tempo do lançamento a impugnante não possuia CEBAS, consubstanciado na medida judicial, tornando válido os fundamentos trazidos pela autoridade fiscal para efetivar o lançamento. Dessa forma, entendo ser da esfera judicial a competência para decidir em definitivo a regular emissão do certificado da entidade, e até que sobrevenha decisão definitiva, não há de se falar em cumprimento dos requisito legais. O regime jurídico de concessão de benefício fiscal deve ser interpretado literalmente nos termos do art. 111 do CTN. A Lei n ° 8.212/1991 é a todos imposta, e para não afastar o princípio da isonomia, não seria o caso de não se aplicar à recorrente. Por todo o exposto o lançamento fiscal seguiu os ditames previstos, devendo ser mantido nos termos da DecisãoNotificação, haja vista que os argumentos apontados pelo recorrente são incapazes de refutar a presente notificação. CONCLUSÃO Voto pelo CONHECIMENTO DO RECURSO, para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. Fl. 389DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 08/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 10 É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 390DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 08/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 11077.000157/2009-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: COFINS E PIS IMPORTAÇÃO Data do fato gerador: 06/10/2008, 08/10/2008, 13/10/2008, 28/10/2008, 29/10/2008 COFINS-IMPORTAÇÃO E PIS-IMPORTAÇÃO. AUTO DE INFRAÇÃO. FATO GERADOR. São devidas a Contribuição para o PIS/Pasep e a COFINS incidentes na importação, na data do registro da declaração de importação de bens submetidos a despacho para consumo, independentemente de o importador aproveitar seus valores como crédito para abatimento de saídas posteriores tributadas pela Contribuição para o PIS/Pasep e pela COFINS incidentes sobre a receita ou o faturamento. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3202-000.373
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Declararam-se impedidos os Conselheiros Rodrigo Cardozo Miranda e Gilberto de Castro Moreira Junior.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201109
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : COFINS E PIS IMPORTAÇÃO Data do fato gerador: 06/10/2008, 08/10/2008, 13/10/2008, 28/10/2008, 29/10/2008 COFINS-IMPORTAÇÃO E PIS-IMPORTAÇÃO. AUTO DE INFRAÇÃO. FATO GERADOR. São devidas a Contribuição para o PIS/Pasep e a COFINS incidentes na importação, na data do registro da declaração de importação de bens submetidos a despacho para consumo, independentemente de o importador aproveitar seus valores como crédito para abatimento de saídas posteriores tributadas pela Contribuição para o PIS/Pasep e pela COFINS incidentes sobre a receita ou o faturamento. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
numero_processo_s : 11077.000157/2009-12
conteudo_id_s : 5234597
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Apr 29 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3202-000.373
nome_arquivo_s : Decisao_11077000157200912.pdf
nome_relator_s : PAULO SERGIO CELANI
nome_arquivo_pdf_s : 11077000157200912_5234597.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Declararam-se impedidos os Conselheiros Rodrigo Cardozo Miranda e Gilberto de Castro Moreira Junior.
dt_sessao_tdt : Fri Sep 02 00:00:00 UTC 2011
id : 4594299
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:01:37 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041575071711232
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1874; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T2 Fl. 181 1 180 S3C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11077.000157/200912 Recurso nº 887.391 Voluntário Acórdão nº 3202000.373 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 02 de setembro de 2011 Matéria COFINSIMPORTAÇÃO E PISIMPORTAÇÃO Recorrente MARFRIG ALIMENTOS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: COFINS E PIS IMPORTAÇÃO Data do fato gerador: 06/10/2008, 08/10/2008, 13/10/2008, 28/10/2008, 29/10/2008 COFINSIMPORTAÇÃO E PISIMPORTAÇÃO. AUTO DE INFRAÇÃO. FATO GERADOR. São devidas a Contribuição para o PIS/Pasep e a COFINS incidentes na importação, na data do registro da declaração de importação de bens submetidos a despacho para consumo, independentemente de o importador aproveitar seus valores como crédito para abatimento de saídas posteriores tributadas pela Contribuição para o PIS/Pasep e pela COFINS incidentes sobre a receita ou o faturamento. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Declararamse impedidos os Conselheiros Rodrigo Cardozo Miranda e Gilberto de Castro Moreira Junior. José Luiz Novo Rossari Presidente. Paulo Sergio Celani Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Luiz Novo Rossari, Irene Souza da Trindade Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilberto de Castro Moreira Júnior, Antonio Spolador Junior e Paulo Sergio Celani. Fl. 209DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI 2 Relatório Para fins de resumir a controvérsia, adoto o relatório do acórdão recorrido. “Trata o processo dos autos de infração lavrados para a constituição das contribuições COFINSImportação e PIS/PASEPImportação, acrescidas dos juros de mora calculados até 31.07.2009, incidentes nas operações de importação das mercadorias submetidas a despacho pelas Declarações de Importação (DI) juntadas às fls. 32 a 125, constituindo o crédito tributário de R$ 106.944,82 (fls. 01 a 31). Esclarece a autoridade lançadora que a autuada obteve o deferimento da antecipação dos efeitos da tutela pleiteada na ação judicial impetrada na 13ª Vara da Subseção Judiciária em São Paulo – Capital, processada sob nº 2004.61.00.0332672 (fls. 31 a 48 dos autos do processo nº 11077.000155/200915, que trata de idêntico assunto e objeto), em que se discute a exigibilidade das contribuições Cofins importação e Pis/Pasep importação na forma como estatuída na Lei nº 10.865/04, deixando, por conseguinte, de recolher os valores a elas referentes. Nesse sentido, considerando que as DI foram desembaraçadas nessa condição em atendimento à decisão judicial exarada em 04.05.2005, cujo trânsito em julgado ainda não havia ocorrido, o fisco procedeu à lavratura dos autos de infração em comento com o objetivo de prevenir o crédito tributário dos efeitos da decadência, consoante reza o artigo 63 da Lei nº 9.430/96. Intimada da exação em tela, em 21.08.2009, a autuada apresentou impugnação de fls. 126 a 129, instruída com os documentos de fls. 130 a 145, para alegar que as mercadorias importadas pelas DI em comento foram desembaraçadas sem o recolhimento do Pis/Pasep e da Cofins incidentes nas respectivas operações de importação tendo em vista a antecipação dos efeitos da tutela que afastou a exigência tributária fundada na Lei nº 10.865, de 30.04.2004, concedida nos autos da ação ordinária nº 2004.61.00.0332672. Salienta que a ação foi julgada procedente pelo Juízo a quo que declarou a inexistência da relação jurídica que a obrigue ao recolhimento das referidas contribuições na medida que referido Juízo negou a aplicação da norma instituída pela Lei nº 10.865/04. Discorre sobre a sistemática da nãocumulatividade presente no artigo 15 da Lei nº 10.865/04, afirmando, por conseguinte, que os valores acaso despendidos pelo importador a título de Pis/Pasep importação e de Cofins importação necessariamente deveriam ser descontados do montante posteriormente recolhido a título de Pis/Pasep faturamento e Cofins faturamento, como uma resultante do confronto do saldo devedor e/ou credor de conta gráfica contida na escritura contábilfiscal. Por fim, aduz que por haver recolhido integralmente as contribuições Pis/Pasep faturamento e Cofins faturamento nas operações comerciais que sucederam respectivas importações, ou seja, em decorrência das saídas para o mercado interno dos produtos importados, sua exigência representa pagamento em duplicidade, pois não utilizou os créditos decorrentes da cobrança do Pis/Pasep importação e da Cofins importação que por ventura fazia jus. Nesse sentido, pede sejam declarados nulos os autos de infração ora impugnados.” A impugnação foi considerada improcedente unidade julgadora da RFB, nos termos do acórdão recorrido, cuja ementa está assim redigida: Fl. 210DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 11077.000157/200912 Acórdão n.º 3202000.373 S3C2T2 Fl. 182 3 “Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 06/10/2008, 08/10/2008, 13/10/2008, 28/10/2008, 29/10/2008 AÇÃO JUDICIAL E IMPUGNAÇÃO. REPERCUSSÃO DIRETA E DEPENDENTE. FATO SUPERVENIENTE. Em face do princípio constitucional de unicidade de jurisdição, a existência de impugnação em que se discute matéria cujo objeto, além de idêntico, tem repercussão direta no resultado da ação judicial movida também pela impugnante importa em renúncia às instâncias administrativas, sendo de se aplicar o que for definitivamente decidido no âmbito do poder judiciário. A alegação embasada em suposta circunstância ou evento superveniente e incerto, em face de decisão judicial não transitada em julgado, não tem o condão de instaurar o litígio administrativo. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido.” Contra a decisão, a contribuinte ingressou com o recurso voluntário em análise, no qual afirma e solicita o seguinte: i) não discutiu na impugnação, nem discute no recurso, a exigibilidade em si da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, incidentes na importação, mas, sim, que a exigência tratarseia de mera antecipação de caixa, pois os valores recolhidos a título destas contribuições poderiam ser abatidos em operações supervenientes, com fundamento na sua nãocumulatividade; ii) que, em consequência do nãorecolhimento, com amparo em ação judicial, das contribuições na importação, deixou de utilizálas como crédito em operações subseqüentes em que as contribuições foram recolhidas sobre o faturamento; iii) que a subsistência do auto de infração atacado implicaria duplicidade da exigência; iv) pede que seja reconhecida a necessidade de verificação da utilização do crédito do PIS/Pasep e COFINS importação, quando do recolhimento do PIS/Pasep e da COFINS sobre o faturamento, a fim de afastar a dupla exigência, inexistindo concomitância entre esta questão e a matéria em discussão na esfera judiciária. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. Conheço o recurso, por ser tempestivo, atender aos demais requisitos formais de admissibilidade e ser da competência da 3a. Seção de Julgamento. O auto de infração que deu origem a este processo, formalizado por autoridade competente, atende ao que determina o art. 142 do Código Tributário Nacional, verbis: Fl. 211DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI 4 “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo o caso, propor a aplicação da penalidade cabível Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” Concessão de medida judicial que suspenda determinada exação tributária não afasta o caráter vinculativo e a obrigatoriedade do lançamento, logo não impede sua formalização, entendimento que levou o CARF a editar a seguinte súmula: “Súmula CARF nº 48: A suspensão da exigibilidade do crédito tributário por força de medida judicial não impede a lavratura de auto de infração” Por outro lado, tendo em vista o princípio da unidade de jurisdição firmado constitucionalmente, as decisões judiciais prevalecem sobre as administrativas, o que motivou o CARF a editar sua súmula de número 1, cujo enunciado é o seguinte: “Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.” Estas primeiras considerações evidenciam que o auto de infração dever ser formalizado, não obstante exista medida judicial suspendendo exigibilidade do tributo, e não pode ser julgado nesta esfera administrativa em relação à matéria que seja concomitante com ação judicial proposta pelo sujeito passivo. Assim, não cabe às turmas de julgamento do CARF sequer conhecer recurso voluntário que tenha por objetivo combater a lavratura de auto de infração, cuja matéria seja a mesma discutida na via judicial. Isto é exatamente o que ocorre com relação à exigência, no presente caso, da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, incidentes, com base na Lei n.º 10.865/2004, nas importações de mercadorias promovidas pela ora recorrente, descritas nas Declarações de Importação discriminadas no auto de infração, pois esta matéria foi também submetida à justiça federal. Reconhecendo isto, vale dizer, reconhecendo a existência de concomitância entre a matéria do auto de infração e a discutida judicialmente, a recorrente assevera que não está a discutir a exigibilidade das contribuições, nem a pedir o afastamento da Lei n.º 10.865/2004, que as instituiu. Pretende, apenas, que este órgão colegiado discuta sobre a necessidade de verificação da utilização do crédito das referidas contribuições, incidentes na importação, quando do recolhimento das mesmas contribuições incidentes sobre o faturamento, a fim de afastar suposta dupla exigência. Fl. 212DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 11077.000157/200912 Acórdão n.º 3202000.373 S3C2T2 Fl. 183 5 Quanto a isto, repitase que o auto de infração foi lavrado para exigência de contribuições incidentes em operações de importação, as quais não se confundem com as contribuições incidentes sobre a receita ou o faturamento. A diferença entre estas contribuições se evidencia ao se identificarem os critérios material e temporal e a base de cálculo de suas regras matrizes de incidência. Para tanto, vejamos o que diz a Lei n.º 10.865/2004, com grifos meus: “Art. 1o Ficam instituídas a Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público incidente na Importação de Produtos Estrangeiros ou Serviços PIS/PASEPImportação e a Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social devida pelo Importador de Bens Estrangeiros ou Serviços do Exterior COFINS Importação, com base nos arts. 149, § 2o, inciso II, e 195, inciso IV, da Constituição Federal, observado o disposto no seu art. 195, § 6o.” “Art. 3o O fato gerador será: I a entrada de bens estrangeiros no território nacional; ou ... § 1o Para efeito do inciso I do caput deste artigo, consideramse entrados no território nacional os bens que constem como tendo sido importados e cujo extravio venha a ser apurado pela administração aduaneira. ... Art. 4o Para efeito de cálculo das contribuições, considerase ocorrido o fato gerador: I na data do registro da declaração de importação de bens submetidos a despacho para consumo; ... Parágrafo único. O disposto no inciso I do caput deste artigo aplicase, inclusive, no caso de despacho para consumo de bens importados sob regime suspensivo de tributação do imposto de importação.” “Art. 7o A base de cálculo será: I o valor aduaneiro, assim entendido, para os efeitos desta Lei, o valor que servir ou que serviria de base para o cálculo do imposto de importação, acrescido do valor do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS incidente no desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições, na hipótese do inciso I do caput do art. 3o desta Lei; ou ...” Fl. 213DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI 6 Verificase que, no caso da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, incidentes na importação, o elemento material é importar bens do exterior, o temporal é a data da entrada de bens estrangeiros no território nacional, assim considerada a data do registro da declaração de importação para os bens submetidos ao regime comum de importação, e a base de cálculo é o valor aduaneiro. Estes elementos estão de acordo com os critérios da regra matriz de incidência, ensinados por Paulo de Barros Carvalho (Direito Tributário, linguagem e método, 3a. ed. 2009. SP. Noeses, pp. 799/800), que, para as contribuições incidentes sobre as importações de bens, são os seguintes: critério material, importar bens do exterior; critério temporal, a data da entrada de bens estrangeiros no território nacional; base de cálculo, elemento do critério quantitativo, o valor aduaneiro. O Professor Paulo de Barros Carvalho, na mesma obra, enuncia os seguintes critérios para as contribuições sobre a receita ou o faturamento: critério material, auferir receita ou faturamento; critério temporal, momento em que a receita ou o faturamento são auferidos; e base de cálculo, parte do critério quantitativo, o montante da receita ou do faturamento auferidos. E, como sabemos, ocorrido no mundo concreto aquilo que está previsto na hipótese de incidência como necessário e suficiente para a imposição tributária, esta tem lugar. No caso, promovida a entrada no território nacional de bens do exterior, em especial, registradas as declarações de importação de bens sob o regime comum de importação, incidem a contribuição para o PIS/Pasep e a COFINS, devidas pelo importador, independentemente de qualquer outra operação superveniente que este importador possa realizar. Isto não se altera pelo fato de a Lei permitir ao importador creditarse dos valores recolhidos na importação para fins de reduzir o quanto devido em suas operações de saídas internas. Vale dizer, a nãocumulatividade destas contribuições não tem o condão de alterar os elementos da incidência em relação às contribuições sociais exigidas na importação de bens do exterior. A nãocumulatividade também não transforma um recolhimento tributário em mera antecipação de caixa, seja no caso das contribuições não cumulativas, seja nos casos de outros tributos não cumulativos, como o IPI e o ICMS. Especificamente em relação às contribuições em discussão, diz o parágrafo 1o. do artigo 15 da Lei n.º 10.865/2004, que “o direito ao crédito de que trata este artigo e o art. 17 desta Lei aplicase em relação às contribuições efetivamente pagas na importação de bens e serviços a partir da produção dos efeitos desta Lei”. Esta é a sequência lógica da nãocumulatividade: aquilo que é pago em um primeiro momento pode ser abatido de débitos de operações posteriores. Assim, todos os argumentos da recorrente com vistas a demonstrar uma suposta repercussão dos pagamentos efetuados em operações supervenientes sobre a exigência formalizada neste processo não merecem acolhida. Por todo o exposto, especialmente, por entender que não cabe, nesta instância, verificar a utilização do crédito do PIS/Pasep e COFINS importação, quando do Fl. 214DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 11077.000157/200912 Acórdão n.º 3202000.373 S3C2T2 Fl. 184 7 recolhimento do PIS/Pasep e da COFINS sobre o faturamento, a fim de afastar a exigência formalizada no auto de infração combatido, voto por negar provimento ao recurso.voluntário. Paulo Sergio Celani Fl. 215DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI
score : 1.0
Numero do processo: 10814.007086/2005-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 05 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO - II
Data do fato gerador: 28/12/2000
ISENÇÃO DE CARÁTER SUBJETIVO. EXIGÊNCIAS.
Na vigência da Lei n° 9.069, de 1995, o reconhecimento de qualquer incentivo ou beneficio fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais. Não comprovada tal regularidade, afasta-se o beneficio.
MOMENTO DO RECONHECIMENTO
Em consonância com o art. 179 do CTN, a isenção em caráter especial é reconhecida a cada fato gerador, mediante aquiescência da autoridade tributária competente.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-001.023
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Wilson Sampaio Sahade Filho e Nanci Gama, que davam provimento.
Nome do relator: Luis Marcelo Guerra de Castro
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201105
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO - II Data do fato gerador: 28/12/2000 ISENÇÃO DE CARÁTER SUBJETIVO. EXIGÊNCIAS. Na vigência da Lei n° 9.069, de 1995, o reconhecimento de qualquer incentivo ou beneficio fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais. Não comprovada tal regularidade, afasta-se o beneficio. MOMENTO DO RECONHECIMENTO Em consonância com o art. 179 do CTN, a isenção em caráter especial é reconhecida a cada fato gerador, mediante aquiescência da autoridade tributária competente. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
numero_processo_s : 10814.007086/2005-01
conteudo_id_s : 5230067
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jun 18 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 3102-001.023
nome_arquivo_s : Decisao_10814007086200501.pdf
nome_relator_s : Luis Marcelo Guerra de Castro
nome_arquivo_pdf_s : 10814007086200501_5230067.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Wilson Sampaio Sahade Filho e Nanci Gama, que davam provimento.
dt_sessao_tdt : Thu May 05 00:00:00 UTC 2011
id : 4579154
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:01:00 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041575075905536
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1788; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C1T2 Fl. 1 1 S3C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10814.007086/200501 Recurso nº 870.067 Voluntário Acórdão nº 3102001.023 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 5 de maio de 2011 Matéria IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO RESTITUIÇÃO Recorrente CONTINENTAL BRASIL INDÚSTRIA AUTOMOTIVA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 28/12/2000 ISENÇÃO DE CARÁTER SUBJETIVO. EXIGÊNCIAS. Na vigência da Lei n° 9.069, de 1995, o reconhecimento de qualquer incentivo ou beneficio fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais. Não comprovada tal regularidade, afastase o beneficio. MOMENTO DO RECONHECIMENTO Em consonância com o art. 179 do CTN, a isenção em caráter especial é reconhecida a cada fato gerador, mediante aquiescência da autoridade tributária competente. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Wilson Sampaio Sahade Filho e Nanci Gama, que davam provimento. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente e Relator Fl. 1DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 9/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Rosa, Álvaro Almeida Filho, Paulo Sergio Celani, Wilson Sampaio Sahade Filho, Nanci Gama e Luis Marcelo Guerra de Castro. Ausente o Conselheiro Luciano Pontes de Maya Gomes.. Relatório Por bem descrever a matéria litigiosa, adoto relatório que embasou o acórdão recorrido, que passo a transcrever: Trata o presente processo de pedido de restituição de Imposto de Importação alegadamente recolhido a maior, pago através de débito automático em contacorrente bancária na data do registro da DI nº 00/12593359, em 28/12/2000, fls. 6/9, no valor de R$ 681,68. O pleito de reconhecimento de direito creditório está cumulado com o de compensação de tributos, conforme PER / DCOMP de nº 31253.41996.060905.1.3.048222, cujo extrato está anexado às fls. 153/154, transmitida em 06/09/2005. A seguir seguemse os fatos e fundamentações legais sobre o pleito. Alega o interessado ter direito ao benefício fiscal concedido pelo art. 5º das Medidas Provisórias nºs. 193924,de 06/01/00; 2068 37, de 27/12/00 e 206838, de 25/01/01, convertidas em Lei nº 10.182, de 12 de fevereiro de 2001. Esse benefício consiste na redução de 40% do imposto de importação, para empresas devidamente habilitadas no Siscomex, referindose especificamente à importação de partes, peças, componentes, conjuntos e subconjuntos, acabados e semi acabados, e pneumáticos, destinadas aos processos produtivos das empresas e dos fabricantes de produtos relacionados no art. 5º, § 1º I a X (veículos leves: automóveis e comerciais leves, ônibus, caminhões, etc). Por entender que não se beneficiou de isenção a que fazia jus, tendo, recolhido tributos a maior que o devido, o contribuinte vinculou ao pleito de restituição o de compensação do mesmo com tributos diversos. PEDIDO DE RETIFICAÇÃO DE DI INDEFERIMENTO Em 28/12/2000, o interessado submeteu a despacho aduaneiro mercadorias beneficiárias da mencionada redução, pela Declaração de Importação nº 00/12593359, tendo deixado de pleitear o benefício em questão, e recolhido integralmente o Imposto de Importação. Em 01/09/2005, requereu, fls. 1/2, e pleiteou a restituição do valor que segundo a contribuinte teria recolhido a maior, no referido despacho de importação, no total de R$ 681,68, formulando Pedido de Restituição de fls. 1/2 e Pedido de Cancelamento de Declaração de Importação e Reconhecimento de Direito Creditório de fls. 3/4. Anexou às fls. 32, documento comprobatório fornecido pelo Decex/SecexMDIC, de habilitação de duas unidades dessa Fl. 2DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 9/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10814.007086/200501 Acórdão n.º 3102001.023 S3C1T2 Fl. 2 3 empresa, para fins de fruição do benefício instituído pela Lei 10.182/2001 desde 18/01/00 (MP Nº 1.93924/00, art. 5º). O processo teve seu exame inicial na Inspetoria da Receita Federal em São Paulo – IRF/SP, para revisão aduaneira e eventual retificação dessa Declaração de Importação. Dentro do procedimento de análise da retificação prevista no art. 45 da IN SRF nº 680/06, o contribuinte foi intimado a comprovar que era detentor das certidões negativas de débito (CND, FGTS e Dívida Ativa da União) na data de registro da DI.. Em atendimento ao termo em questão o contribuinte apresentou tempestivamente resposta onde se manifestou pelo não cabimento da exigência de certidões negativas no caso em tela e também que caberia à administração verificar internamente se a empresa estaria ou não em regularidade com os tributos administrados pela União. Tendo em vista o previsto no artigo 134 do Regulamento Aduaneiro vigente à época dos fatos, (Decreto nº 91.030/85), combinado com o artigo 60 da Lei n 9.069/95, a autoridade aduaneira entendeu que, da combinação dos dois dispositivo legais, fica caracterizado que a exigência de prova de quitação se renova a cada declaração de importação, para o pleito de redução pretendida, e que a comprovação deve ser feita pelo contribuinte, não se aplicando o disposto no art. 37, da Lei nº 9.784/99. Desse modo, ao final, foi indeferido o pedido de retificação da Declaração de Importação nº 00/12593359, em 28/12/2000, fls. 6/9, conforme Despacho Decisório da IRF/SPO, proferido em 04/10/2007, v. fls. 68/69. PEDIDO DE RECONSIDERAÇÃO DE DESPACHO DENEGATÓRIO DA RETIFICAÇÃO DE DI INDEFERIMENTO Ciente da decisão denegatória de seu pleito (retificação da DI), o interessado apresentou seu pedido de reconsideração de despacho, encaminhado ao InspetorChefe da IRF/SP, nos termos do § 4º . art; nº 45 da IN SRF nº 680/06. Em seu pedido de reconsideração o impetrante manteve posição pelo não cabimento da exigência de certidão negativa no caso sob exame.. 01 Argumentou que a Lei nº 10.182/01, não exige a apresentação de CND para fruição da redução do imposto, porém a Notícia Siscomex nº 21, de 23/07/01 não deixa qualquer dúvida quanto a aplicabilidade do disposto no art. 60 da Lei nº 9.069, de 29/06/95, para as retificações constantes no processo em tela. 02 Reapresentou jurisprudência das 1ª e 2ª Turmas do STJ, que, conforme já mencionado, não valem para o caso em tela, por tratarem de benefícios referentes a mercadorias beneficiadas Fl. 3DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 9/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 4 por drawback, benefício este de caráter objetivo, e não à redução ora discutida, que é um benefício condicional do tipo objetivosubjetivo ou misto (vinculado à qualidade do importador e à destinação do bem). Diante do exposto, e levandose em conta o previsto no artigo 134 do Regulamento Aduaneiro vigente à época dos fatos, aprovado pelo Decreto nº 91.030, de 05/03/85, combinado com o artigo 60 da Lei nº 9.069/95, foi mantido o indeferimento do pleito. O despacho denegatório do pleito encontrase às fls. 119/122, Despacho Decisório IRF/SPO nº 022/2009, de 12 de fevereiro de 2009. Tendo o interessado colocado diversos questionamentos quanto ao esgotamento administrativo de seu pedido de retificação de Declaração de Importação, após recurso ao Chefe da Unidade que o indeferiu inicialmente, foi solicitado o Parecer/DIANA/SRRF08 n º 042/09, de 19/03/09, fls. 124/125, cujo texto segue parcialmente transcrito: “O rito processual para o caso específico de recurso contra decisão que denega pedido de retificação de declaração de importação encontrase na IN SRF nº 680/06, em seu artigo 45: Art. 45. A retificação de declaração após o desembaraço aduaneiro, qualquer que tenha sido o canal de conferência aduaneira ou o regime tributário pleiteado, será realizada: I – de ofício, na unidade da SRF onde for apurada (...) II – mediante solicitação do importador, formalizada em processo (...) § 4º Do indeferimento do pleito de retificação caberá recurso, interposto no prazo de trinta dias, dirigido ao chefe da unidade da SRF onde foi proferida a decisão, nos termos dos artigos 56 a 65 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. Entretanto não há amparo legal para nova apreciação do assunto, já que a esfera administrativa se esgotou na decisão do InspetorChefe, conforme se conclui do parágrafo 4º do artigo da IN SRF nº 680/2006, acima transcrito.” (grifei) PEDIDO DE RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO – INDEFERIMENTO Tendo o interessado tomado ciência do despacho decisório que manteve o indeferimento de seu pleito quanto à retificação da DI, e esgotado administrativamente o pedido de retificação, a providência seguinte, nos termos do artigo 58 da IN RFB nº 900/008, foi a apreciação relativa ao reconhecimento ou não do direito creditório e conseqüências. Com base na mesma argumentação que servira de base ao indeferimento de seu pedido de retificação de DI ( posteriormente objeto de pedido de reconsideração), e levando em conta o referido indeferimento, que implicou em não ficar caracterizado terem os recolhimentos sido feitos a maior que o devido, foi indeferido também o pedido de reconhecimento de Fl. 4DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 9/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10814.007086/200501 Acórdão n.º 3102001.023 S3C1T2 Fl. 3 5 direito creditório. 119/122, Despacho Decisório IRF/SPO nº 022 de 12/02/2009. COMPENSAÇÃO VINCULADA AO RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO – NÃO HOMOLOGADA. O pleito de compensação de tributos consubstanciado na PER/DCOMP nº 31253.41996.060905.1.3.048222, cujo extrato encontrase anexado às fls 153/154, dos autos, também foi indeferido, já que estava vinculado ao reconhecimento do direito creditório aqui discutido, o que não ocorreu. A nãohomologação da compensação foi objeto do Despacho Decisório DRF/GUA/SEORT nº 52, de 18 de janeiro de 2010, fls. 157/159. .Inconformado com o indeferimento de seus pleitos (reconhecimento de direito creditório e compensação de débitos), o interessado apresentou sua Manifestação de Inconformidade, tempestivamente. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Analisandose a Manifestação de Inconformidade de fls. 132/146 e 161/176, constatase que são os seguintes os principais argumentos do recorrente: 01 – A Lei nº 10.182/01, que instituiu o benefício da redução de 40% do II na importação de determinados produtos , para empresas montadoras e dos fabricantes do setor automotivo não exige a apresentação de CND para a fruição da redução do imposto (comprovação já feita quando de sua habilitação ao regime, feita junto ao Secex). 02 – Entende que não se aplica ao caso o art. 60 da Lei nº 9.069/95, que condiciona à apresentação de CND apenas a concessão ou reconhecimento de benefício fiscal. Entende que o dispositivo legal prevê a apresentação em somente uma das ocasiões, e ele já apresentara as CND’s quando da habilitação do benefício. 03 – Alega que, pela doutrina, lei posterior derroga lei anterior e lei especial derroga lei geral. Portanto, a Lei nº 10182/01 teria prevalência sobre a Lei nº 9.069/5, já que lei posterior derroga a anterior. Também a derrogaria por ser a Lei nº 9.069/95 geral, e a lei 10182/01 especial. 04 – Considera que caberia à Receita Federal aferir a regularidade fiscal do interessado, pela simples verificação de seus sistemas informatizados, conforme art. 37 da Lei nº 9.784/99; 05 – Reapresenta jurisprudência administrativa e judicial, que entende reforçar seu ponto de vista. 06 – Entende que, sendo legítimo seu pleito quanto ao reconhecimento do direito creditório referido, isso dá Fl. 5DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 9/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 6 legitimidade a seu pleito a ele vinculado, de compensação de débitos diversos. Resumindose os fatos, o indeferimento do pleito quanto à retificação da DI e do reconhecimento do direito creditório prendeuse basicamente à não apresentação das CND (Certidão Negativa de Débito) à época do fato gerador, e a Manifestação de Inconformidade de fls. 132/146, também foca o mesmo assunto, ou seja, a pretendida inadmissibilidade de exigência de CND (Certidão Negativa de Débito) a cada despacho aduaneiro de importação onde seja pleiteado benefício de redução ou isenção de tributo. O não reconhecimento do direito creditório pleiteado pelo interessado, tira a legitimidade de seu pleito de compensação de débitos. Ponderando as razões aduzidas pela recorrente, juntamente com o consignado no voto condutor, decidiu o órgão de piso pelo indeferimento do pedido, conforme se observa na ementa abaixo transcrita: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 28/12/2000 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO PELA REDUÇÃO DA LEI Nº 10.182/2001 (REGIME AUTOMOTIVO). NÃO RECONHECIDO O DIREITO CREDITÓRIO PELA NÃO COMPROVAÇÃO DA REGULARIDADE QUANDO AOS TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES FEDERAIS À ÉPOCA DO FATO GERADOR. COMPENSAÇÃO VINCULADA AO RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. Não caracterizado o recolhimento como indevido ou a maior que o devido, conforme art. 165 da Lei nº 5.172/1966 (Código Tributário Nacional), não cabe a restituição de tributos, nem a compensação de tributos requerida, pois o não reconhecimento do direito creditório implica em nãohomologação do pleito de compensação. EXIGÊNCIA DE APRESENTAÇÃO DE CND NO ATO DO DESPACHO ADUANEIRO DA MERCADORIA BENEFICIADA POR ISENÇÃO / REDUÇÃO DE CARÁTER SUBJETIVO OU MISTO. A concessão ou reconhecimento de incentivo ou benefício fiscal de caráter subjetivo (vinculado à qualidade do importador) ou misto (vinculado tanto à qualidade e destinação da mercadoria quanto à qualidade do importador), relativos a tributos e contribuições administrados pela Receita Federal, fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, conforme disposto no artigo 60 da Lei nº 9.069/1995, no ato do despacho aduaneiro da mercadoria, quando do registro da declaração de importação, o que não ocorreu no caso, inviabilizando o direito ao benefício e o reconhecimento do crédito tributário requerido. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 9/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10814.007086/200501 Acórdão n.º 3102001.023 S3C1T2 Fl. 4 7 Após tomar ciência da decisão de 1ª instância, comparece a autuada mais uma vez ao processo para, em sede de recurso voluntário, essencialmente, reiterar as alegações manejadas por ocasião da instauração da fase litigiosa. É o Relatório Voto Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Relator Tomo conhecimento do presente recurso, que foi tempestivamente apresentado e trata de matéria afeta à competência desta Terceira Seção O ponto fulcral do litígio, como se percebe da leitura da ementa da decisão recorrida, é definir se, no momento do reconhecimento da isenção, o sujeito passivo reunia as condições exigidas pela legislação de regência. Para se chegar a tal definição é necessário que se responda a duas indagações: se o art. 60 da Lei nº 9.069/951 incide sobre a modalidade de isenção debatida e, caso incida, em qual momento se dá o reconhecimento da isenção de caráter subjetivo. Definido tal momento, definese, por consequência, quando o sujeito passivo deverá comprovar a quitação dos tributos federais. A redução em litígio encontrase prevista no art. 5º da Lei nº 10.181, de 2001, que criou o que se convencionou denominar “Novo Regime Automotivo”, em substituição àquele disciplinado pela Lei nº 9.449, de 1997, transcrevoos: Art. 5º Fica reduzido em quarenta por cento o imposto de importação incidente na importação de partes, peças, componentes, conjuntos e subconjuntos, acabados e semi acabados, e pneumáticos. §1oO disposto no caput aplicase exclusivamente às importações destinadas aos processos produtivos das empresas montadoras e dos fabricantes de: (...) X autopeças, componentes, conjuntos e subconjuntos necessários à produção dos veículos listados nos incisos I a IX, incluídos os destinados ao mercado de reposição. §2o O disposto nos arts. 17 e 18 do DecretoLei no 37, de 18 de novembro de 1966, e no DecretoLei no 666, de 2 de julho de 1969, não se aplica aos produtos importados nos termos deste artigo, objeto de declarações de importações registradas a partir de 7 de janeiro de 2000. 1 Art. 60. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 9/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 8 O parágrafo 2º acima transcrito, a meu ver, enumera taxativamente quais são as condições de caráter geral excepcionadas pela norma que disciplina especificamente os benefícios do Novo Regime Automotivo: exame de similaridade (art. 17 e 18 do DL nº 37/66)2 e transporte em navio de bandeira brasileira (art. 2º do DL nº 666/69)3: Como é possível verificar, o dispositivo é silente quanto às demais exigências de caráter geral, dentre as quais, evidentemente, está a comprovação da regularidade no pagamento dos tributos e contribuições, o que leva à conclusão de que tal exigência não foi afastada. Por outro lado, não vejo como aplicar a regra geral do art. 37 da Lei nº 9.784, de 19994 em detrimento da específica do art. 60 da Lei nº 9.069, de 1995, categórico ao determinar que o ônus de fazer prova da quitação de tributos federais é do Administrado. Subsistiria, portanto, dúvida acerca do momento em que o benefício é reconhecido, máxime em razão de que, a lei que o instituiu prevê a realização de um procedimento de habilitação prévia do importador, disciplinada no do seu art. 6º, que reza: (os grifos não constam do original) Art.6º A fruição da redução do imposto de importação de que trata esta Lei depende de habilitação específica no Sistema Integrado de Comércio Exterior SISCOMEX. Parágrafo único.A solicitação de habilitação será feita mediante petição dirigida à Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, contendo: Icomprovação de regularidade com o pagamento de todos os tributos e contribuições sociais federais; II cópia autenticada do cartão de inscrição no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica; III comprovação, exclusivamente para as empresas fabricantes dos produtos relacionados no inciso X do § 1o do artigo anterior, de que mais de cinqüenta por cento do seu faturamento líquido anual é decorrente da venda desses produtos, destinados à montagem e fabricação dos produtos relacionados nos incisos I a X do citado § 1o e ao mercado de reposição. 2 Art. 17 A isenção do impôsto de importação somente beneficia produto sem similar nacional, em condições de substituir o importado. Art. 18 O Conselho de Política Aduaneira formulará critérios, gerais ou específicos, para julgamento da similaridade, à vista das condições de oferta do produto nacional, e observadas as seguintes normas básicas: 3 Art 2º Será feito, obrigatoriamente, em navios de bandeira brasileira, respeitado o princípio da reciprocidade, o transporte de mercadorias importadas por qualquer Órgão da administração pública federal, estadual e municipal, direta ou indireta inclusive emprêsas públicas e sociedades de economia mista, bem como as importadas com quaisquer favores governamentais e, ainda, as adquiridas com financiamento, total ou parcial, de estabelecimento oficial de crédito, assim também com financiamento externos, concedidos a órgãos da administração pública federal, direta ou indireta. 4 Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Fl. 8DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 9/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10814.007086/200501 Acórdão n.º 3102001.023 S3C1T2 Fl. 5 9 Diferentemente do que se tem invocado, não vejo como reconhecer que a comprovação levada a efeito no momento da habilitação ao regime dispense a importadora de comprovar a regularidade fiscal no momento do fato gerador. Para entender os efeitos da conclusão do procedimento realizado pela Secex, mais relevante do que o nome que lhe foi atribuído (habilitação) é preciso lembrar do que diz o art. 179 do Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172/66): Art. 179. A isenção, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade administrativa, em requerimento com o qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para concessão. § 1º Tratandose de tributo lançado por período certo de tempo, o despacho referido neste artigo será renovado antes da expiração de cada período, cessando automaticamente os seus efeitos a partir do primeiro dia do período para o qual o interessado deixar de promover a continuidade do reconhecimento da isenção. Com efeito, como é possível concluir, a partir da leitura conjunta dos dois dispositivos, o procedimento de habilitação constituise mais uma exigência para reconhecimento da isenção e, não o próprio reconhecimento do benefício. Em primeiro lugar, a leitura do caput do art. 179, lido conjuntamente com seu parágrafo 1º, deixa claro que a autoridade competente para reconhecimento do benefício deve ser manifestar a cada fato gerador ou, tratandose de tributo lançado por período certo, antes do encerramento de cada período. Ora, como é cediço, nos termos do art. 23 do DL 37/665, para efeito de cálculo do imposto de importação incidente sobre mercadoria despachada para consumo, considerase ocorrido o fato gerador na data do registro da correspondente DI. Assim, ainda que se admita que a Secretaria de Comércio Exterior possuísse competência para conceder isenção, certamente a habilitação não preencheria a exigência do dispositivo insculpido no art. 179 do CTN. Como se percebe, a habilitação ocorre uma única vez. Finalmente, mesmo se superada a exigência de manifestação prévia, equiparando a habilitação ao despacho da autoridade competente, não haveria como reconhecer a definitividade dessa manifestação. Cabe relembrar o que dizem o parágrafo 2º do art. 179 e o art. 155 do CTN: § 2º O despacho referido neste artigo não gera direito adquirido, aplicandose, quando cabível, o disposto no artigo 155. Art. 155. A concessão da moratória em caráter individual não gera direito adquirido e será revogado de ofício, sempre que se apure que o beneficiado não satisfazia ou deixou de satisfazer as 5 Art. 23 Quando se tratar de mercadoria despachada para consumo, considerase ocorrido o fato gerador na data do registro, na repartição aduaneira, da declaração a que se refere o artigo 44. Fl. 9DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 9/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 10 condições ou não cumprira ou deixou de cumprir os requisitos para a concessão do favor, cobrandose o crédito acrescido de juros de mora: Ou seja, ainda que se considerasse que a isenção teria sido previamente concedida, verificado que a recorrente deixara de atender um dos requisitos para a sua concessão, revogado estaria o benefício. Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 5 de maio de 2011 (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Fl. 10DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 9/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
score : 1.0
Numero do processo: 10930.003831/2003-47
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 06 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998
DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS
As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62-A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo.
O prazo decadencial para a Fazenda Nacional constituir o crédito pertinente à Contribuição para o Programa de Integração Social - PIS-Pasep é de 05 anos, contados do fato gerador na hipótese de existência de antecipação de pagamento do tributo devido ou do primeiro dia do exercício seguinte em que o lançamento já poderia ter sido efetuado, na ausência de antecipação de pagamento. O depósito do montante integral, convertido em renda, equivale a pagamento para efeito da contagem do prazo de decadência.
Recurso Negado.
Numero da decisão: 9303-001.559
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso. Os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Marcos Tranchesi Ortiz e Maria Teresa Martínez López votaram pelas conclusões. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Gileno Gurjão Barreto.
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: HENRIQUE PINHEIRO TORRES
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : PIS - ação fiscal (todas)
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201107
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998 DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62-A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo. O prazo decadencial para a Fazenda Nacional constituir o crédito pertinente à Contribuição para o Programa de Integração Social - PIS-Pasep é de 05 anos, contados do fato gerador na hipótese de existência de antecipação de pagamento do tributo devido ou do primeiro dia do exercício seguinte em que o lançamento já poderia ter sido efetuado, na ausência de antecipação de pagamento. O depósito do montante integral, convertido em renda, equivale a pagamento para efeito da contagem do prazo de decadência. Recurso Negado.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
numero_processo_s : 10930.003831/2003-47
conteudo_id_s : 5237872
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Mar 27 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 9303-001.559
nome_arquivo_s : Decisao_10930003831200347.pdf
nome_relator_s : HENRIQUE PINHEIRO TORRES
nome_arquivo_pdf_s : 10930003831200347_5237872.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Marcos Tranchesi Ortiz e Maria Teresa Martínez López votaram pelas conclusões. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Gileno Gurjão Barreto.
dt_sessao_tdt : Wed Jul 06 00:00:00 UTC 2011
id : 4599320
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:02:04 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041575089537024
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2039; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 231 1 230 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10930.003831/200347 Recurso nº 237.587 Especial do Procurador Acórdão nº 930301.559 – 3ª Turma Sessão de 6 de julho de 2011 Matéria PIS AI decadência CTN 150, § 4º x 173, I depósito do montante integral Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado EDITORA JORNAL DE LONDRINA S/A ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998 DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo. O prazo decadencial para a Fazenda Nacional constituir o crédito pertinente à Contribuição para o Programa de Integração Social PISPasep é de 05 anos, contados do fato gerador na hipótese de existência de antecipação de pagamento do tributo devido ou do primeiro dia do exercício seguinte em que o lançamento já poderia ter sido efetuado, na ausência de antecipação de pagamento. O depósito do montante integral, convertido em renda, equivale a pagamento para efeito da contagem do prazo de decadência. Recurso Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Marcos Tranchesi Ortiz e Maria Teresa Martínez López votaram pelas conclusões. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Gileno Gurjão Barreto.. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Henrique Pinheiro Torres Relator Fl. 1DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/07/ 2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rodrigo Cardozo Miranda, Júlio César Alves Ramos, Marcos Tranchesi Ortiz, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López e Otacílio Dantas Cartaxo. Relatório Os fatos foram assim narrados no Acórdão recorrido: Tratase de recurso voluntário contra acórdão da 3a Turma da DRJ, que manteve auto de infração do PIS Faturamento eletrônico com ciência em 01/07/2003 (fl. 97), relativo aos fatos geradores de 01/1998 a 12/1998, no valor de R$ 121.843,90, incluindo juros de mora e multa de oficio no percentual de 75%. Conforme os demonstrativos que integral o Auto, o número do processo judicial informado nas DCTF do contribuinte pertencia a outro CNPJ. Argúi a Recorrente a decadência parcial do lançamento, nos períodos de janeiro a junho de 1998, bem como a exclusão da multa de oficio e dos juros de mora, em virtude depósito judicial integral. Informação à fl. 158, conjugada com as planilhas de fls. 149/158, dão conta da existência de depósitos judiciais integrais, realizados antes do lançamento. Julgando o feito, a Câmara recorrida assim decidiu: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/1998 a 30/06/1998 DECADÊNCIA. CINCO ANOS A CONTAR DO FATO GERADOR. SÚMULA VINCULANTE DO STF N° 8/2008. Editada a Súmula vinculante do STF n° 8/2008, segundo a qual é inconstitucional o art. 45 da Lei n° 8.212/91, o prazo para a Fazenda proceder ao lançamento do PIS é de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador, nos termos dos art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional, sendo irrelevante a antecipação do pagamento. LANÇAMENTO EFETUADO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. DEPÓSITO JUDICIAL INTEGRAL. Não cabe o lançamento de multa nem de juros de mora na constituição de, crédito destinado a prevenir a decadência, quando a exigibilidade houver sido suspensa por depósito judicial integral. Recurso provido em parte. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/07/ 2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10930.003831/200347 Acórdão n.º 930301.559 CSRFT3 Fl. 232 3 Irresignada, a Fazenda recorreu a este Colegiado pugnando pela reforma do acórdão vergastado, vez que, em seu entender, o prazo decadencial é o previsto no art. 173, inciso I, do CTN. Por meio do despacho de fl. 205, o recurso fazendário foi admitido. Regularmente cientificada, a autuada apresentou contrarrazões, fls. 212 a 219. É o relatório. Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Relator O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, dele conheço. A teor do relatado, a controvérsia a ser aqui dirimida cingese à questão do prazo e do termo inicial para contagem da decadência do direito de a Fazenda Publicar lançar crédito tributário relativo ao PIS/Pasep. A Câmara recorrida entendeu que o prazo é de 5 anos, contados a partir da ocorrência do fato gerador, nos termos do § 4º do art. 150 do CTN, enquanto a Fazenda Nacional, em seu apelo, defende o prazo de cinco anos, contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia ter sido efetuado, como previsto no inciso I do art. 173 do Código Tributário Nacional. Esse tema tem sido objeto de acirrados debates no CARF, ora prevalecendo a posição contrária da Fazenda Nacional ora a dos contribuintes, dependendo da composição das Turmas de Julgamento. Todavia, com a alteração regimental, que acrescentou o art. 62A ao Regimento Interno do Carf, as decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos devem ser observados no Julgamento deste Tribunal Administrativo. Assim, se a matéria foi julgada pelo STJ, em sede de recurso repetitivo, a decisão de lá deve ser adotada aqui, independentemente de convicções pessoais dos julgadores. Essa é justamente a hipótese dos autos, em que o STJ, em sede de recurso repetitivo versando sobre matéria idêntica à do recurso ora sob exame, decidiu que, nos tributos cujo lançamento é por homologação, o prazo para restituição de indébito é de 5 anos, contados a partir da ocorrência do fato gerador, quando houver antecipação de pagamento, e do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia ter sido efetuado, no caso de ausência de antecipação de pagamento. No caso dos autos, a teor do relatado, não houve antecipação de pagamento propriamente dito, mas depósito do montante integral, que, foi convertido em renda em favor da União, ao final da ação judicial. O depósito do montante integral equivale, quando convertidos em renda a favor da União, é considerado pagamento à vista, na data em que efetuado, conforme esclarece o item 23, nota 05, da Norma de Execução CSAr/CST/CSF nº 002/1992. Por conseguinte, o termo inicial da decadência é a data de ocorrência do fato gerador. De outro lado, a ciência do lançamento fiscal deuse em 1º de julho de 2003. Com Fl. 3DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/07/ 2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 isso, temse que o crédito tributário pertinente a fatos geradores ocorridos até 30 de junho de 1998, na data da autuação, encontravase alcançado pela decadência, como, corretamente, consignado no acórdão recorrido. Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Henrique Pinheiro Torres Fl. 4DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/07/ 2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 16004.720071/2011-93
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Apr 29 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010
Ementa:
AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA DE OBJETO. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. SÚMULA Nº 1 do Carf.
A matéria já suscitada perante o Poder Judiciário não pode ser apreciada na via administrativa.
A concomitância caracteriza-se pela irrefutável identidade entre o pedido e a causa de pedir dos processos administrativos e judiciais.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo.
ANÁLISE DE CONSTITUCIONALIDADE DE LEI. IMPOSSIBILIDADE.. SÚMULA CARF Nº 02.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
JUROS DE MORA. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário decorrente de depósitos judiciais não impede a constituição do crédito referente aos juros moratórios. Sobre os créditos tributários vencidos e não pagos incidem juros de mora, conforme legislação em vigor na data de sua aplicação.
Numero da decisão: 3402-002.013
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em não se conhecer da matéria referente à análise de inconstitucionalidade, e, na parte conhecida, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Relator e Presidente Substituto.
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Silvia de Brito Oliveira, Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva, Adriana Oliveira Ribeiro (Suplente) e Mário César Fracalossi Bais (suplente).
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201302
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 Ementa: AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA DE OBJETO. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. SÚMULA Nº 1 do Carf. A matéria já suscitada perante o Poder Judiciário não pode ser apreciada na via administrativa. A concomitância caracteriza-se pela irrefutável identidade entre o pedido e a causa de pedir dos processos administrativos e judiciais. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo. ANÁLISE DE CONSTITUCIONALIDADE DE LEI. IMPOSSIBILIDADE.. SÚMULA CARF Nº 02. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. JUROS DE MORA. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário decorrente de depósitos judiciais não impede a constituição do crédito referente aos juros moratórios. Sobre os créditos tributários vencidos e não pagos incidem juros de mora, conforme legislação em vigor na data de sua aplicação.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Apr 29 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 16004.720071/2011-93
anomes_publicacao_s : 201304
conteudo_id_s : 5234732
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Apr 29 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3402-002.013
nome_arquivo_s : Decisao_16004720071201193.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
nome_arquivo_pdf_s : 16004720071201193_5234732.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em não se conhecer da matéria referente à análise de inconstitucionalidade, e, na parte conhecida, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Relator e Presidente Substituto. Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Silvia de Brito Oliveira, Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva, Adriana Oliveira Ribeiro (Suplente) e Mário César Fracalossi Bais (suplente).
dt_sessao_tdt : Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2013
id : 4594377
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:01:39 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041575101071360
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2167; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 204 1 203 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16004.720071/201193 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402002.013 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 27 de fevereiro de 2013 Matéria IPI Recorrente USINA SANTA ISABEL S/A Recorrida DRJ RIBEIRÃO PRETO (SP) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 Ementa: AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA DE OBJETO. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. SÚMULA Nº 1 do Carf. A matéria já suscitada perante o Poder Judiciário não pode ser apreciada na via administrativa. A concomitância caracterizase pela irrefutável identidade entre o pedido e a causa de pedir dos processos administrativos e judiciais. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo. ANÁLISE DE CONSTITUCIONALIDADE DE LEI. IMPOSSIBILIDADE.. SÚMULA CARF Nº 02. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. JUROS DE MORA. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário decorrente de depósitos judiciais não impede a constituição do crédito referente aos juros moratórios. Sobre os créditos tributários vencidos e não pagos incidem juros de mora, conforme legislação em vigor na data de sua aplicação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, em não se conhecer da matéria referente à análise de inconstitucionalidade, e, na parte conhecida, em negar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 72 00 71 /2 01 1- 93 Fl. 596DF CARF MF Impresso em 29/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 8/04/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 16004.720071/201193 Acórdão n.º 3402002.013 S3C4T2 Fl. 205 2 (assinado digitalmente) GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO – Relator e Presidente Substituto. Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Silvia de Brito Oliveira, Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva, Adriana Oliveira Ribeiro (Suplente) e Mário César Fracalossi Bais (suplente). Relatório Como forma de elucidar os fatos ocorridos até a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, colaciono o relatório do Acórdão recorrido, in verbis: A empresa qualificada em epígrafe foi autuada para exigência de crédito tributário no valor total de R$ 14.904.861,10 (inclusos principal, multa de ofício e juros), em decorrência da falta de lançamento de imposto nas saídas de açúcar do estabelecimento (NCM 1701.99.00 alíquota de 5%) sobre a produção do açúcar nas safras de 2009/2010 e 2010/2011, períodos de 04/2009 a 03/2011, cujo destaque do IPI foi objeto de ações judiciais de números :000566138.2009.4.03.6106 (mandado de segurança), 000665884.2010.4.03.6106 (ação ordinária), conforme termo de descrição dos fatos e conclusão fiscal em anexo ao auto de infração. Devidamente cientificada do lançamento, a contribuinte apresentou impugnação a seguir sumariada: Em preliminar argüiu a existência de ações judiciais que dão respaldo ao não recolhimento do tributo, uma delas especialmente com tutela antecipada, concedida em sede de Agravo de Instrumento, não podendo o Fisco cobrar da requerente os juros de mora e a multa de 75%. Alegou, ainda, que os juros de mora são indevidos, pela inocorrência de mora, assim como a multa de ofício também é indevida, por ter caráter confiscatório. No mérito, contestou o laudo apresentado pelo Fisco, alegando que tanto no laudo da empresa, como no do Fisco, o açúcar produzido pela empresa apresentou polarização igual ou superior a 99,5%, que, no seu entender, é o único requisito da TIPI para o enquadramento e classificação pretendido pela empresa. Acrescentou que a jurisprudência do CARF já reconheceu que o único requisito previsto na TIPI para o enquadramento na subposição ora requerida é a polarização igual ou superior a 99,5% (citou acórdãos).. Fl. 597DF CARF MF Impresso em 29/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 8/04/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 16004.720071/201193 Acórdão n.º 3402002.013 S3C4T2 Fl. 206 3 A 8ª Turma da Delegacia de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) considerou improcedente a impugnação, nos termos do Acórdão nº 1435231, de 13 de setembro de 2011, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos, verbis: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/04/2006 a 31/03/2009 AÇÃO JUDICIAL. LANÇAMENTO. A constituição do crédito tributário pelo lançamento é atividade administrativa vinculada e obrigatória, ainda que o contribuinte tenha proposto ação judicial. CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. A busca de tutela jurisdicional, com o mesmo objeto da autuação, impede a apreciação das razões de mérito pela autoridade administrativa competente e importa em renúncia ao litígio administrativo. FALTA DE LANÇAMENTO. INEXISTÊNCIA DE SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. Cobrase o imposto não lançado nas notas fiscais de saída, com os consectários legais, quando inexistentes as hipóteses de suspensão da exigibilidade do crédito tributário na época da lavratura da peça acusativa. SUSPENSÃO DE EXIGIBILIDADE. Somente suspendem a exigibilidade do crédito tributário o depósito do seu montante integral ou a concessão de medida liminar em mandado de segurança ou em tutela antecipada, em outras espécies de ação judicial. ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. Argüições de inconstitucionalidade refogem à competência da instância administrativa, salvo se já houver decisão do Supremo Tribunal Federal declarando a inconstitucionalidade da lei ou ato normativo, hipótese em que compete à autoridade julgadora afastar a sua aplicação. MULTA. DECISÃO JUDICIAL. EXIGIBILIDADE SUSPENSA. A lavratura da multa de ofício, quando não há suspensão da exigibilidade do tributo, é procedimento obrigatório da autoridade administrativa. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. JUROS DE MORA. EXIGIBILIDADE. Fl. 598DF CARF MF Impresso em 29/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 8/04/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 16004.720071/201193 Acórdão n.º 3402002.013 S3C4T2 Fl. 207 4 Os juros de mora são exigíveis, exceto na hipótese de depósito do montante integral. Descontente com a decisão de primeiro grau, o sujeito passivo protocolou recurso voluntário, onde repisa os argumentos sobre a existência de ações judiciais que reconhecem o direito da requerente de enquadrar seu produto na subposição da TIPI que lhe confere alíquota zero, a impossibilidade de incidência dos juros de mora e da multa de ofício e sobre o crédito tributário não recolhido/declarado. Termina seu recurso requerendo que o auto de infração seja julgado insubsistente em sua totalidade, uma vez que está correta a classificação fiscal do açúcar para fins de incidência do IPI. É o Relatório. Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator. O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto. Quanto aos demais requisitos de admissibilidade, passo a apreciálos. Pela análise do recurso voluntário, há três matérias em litígio; a classificação fiscal do produto do recorrente para fins de incidência do IPI, a incidência da multa de ofício e dos juros de mora. Classificação Fiscal. Para passarmos à análise de mérito da matéria delimitada no momento da impugnação, devese investigar se foram observados os requisitos mínimos impostos por lei, cuja ausência implica a pronta inadmissão da peça recursal, sem que se investigue ser procedente ou improcedente a própria irresignação veiculada no recurso. As atividades do julgador direcionadas para aferição da presença desses pressupostos recebem o nome de juízo de admissibilidade. Esse juízo antecede lógica e cronologicamente um outro subseqüente juízo, qual seja o juízo de mérito, no qual é analisada a pretensão recursal. O professor Barbosa Moreira observa que a questão relativa à admissibilidade é, sempre e necessariamente, preliminar à questão de mérito. A apreciação desta fica excluída se àquela se responde em sentido negativo. Os requisitos viabilizadores do exame do mérito recursal são divididos pelo professor Barbosa Moreira em duas categorias: “requisitos intrínsecos (concernentes à própria existência do poder de recorrer) e requisitos extrínsecos (relativos ao modo de exercêlo)”. Alinhamse no primeiro grupo o cabimento, a legitimidade para recorrer, o interesse recursal e a inexistência de fato impeditivo ou extintivo do poder de recorrer. O segundo grupo é composto pela tempestividade, a regularidade formal e o preparo. Fl. 599DF CARF MF Impresso em 29/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 8/04/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 16004.720071/201193 Acórdão n.º 3402002.013 S3C4T2 Fl. 208 5 Temos a consciência de que nem todos os requisitos de admissibilidade devem ser observados no âmbito do processo administrativo. Contudo, ao examinar a possibilidade de seguimento do recurso, o julgador administrativo deve estar atento para alguns dos requisitos, a saber: o interesse recursal, a legitimidade, a inexistência de fato impeditivo ou extintivo do poder de recorrer, a regularidade formal e a tempestividade. Atendidos todos eles, fica permitida a análise do meritum causae. Após esse breve intróito, regressando aos autos, de acordo com o “Termo de Verificação Fiscal” a Autoridade Autuante constituiu os créditos tributários que não foram declarados em DCTF com o escopo de prevenir a decadência. Em sua defesa, a recorrente alega que a classificação fiscal do açúcar por ela produzido esta sendo discutida no âmbito do Poder Judiciário. Diante desses fatos, é inegável que há identidade entre as demandas administrativa e judicial, no que se refere à classificação fiscal do produto da recorrente. Quando há processos paralelos, com objeto e finalidade idênticos, podem resultar em efeitos redundantes ou antagônicos. Em qualquer das hipóteses, prevalecerá a decisão judicial, motivo pelo qual a concomitância de processos ofende o princípio da economia processual. Em face disso, a opção do contribuinte pela via judicial encerra o processo administrativo fiscal em definitivo, em qualquer das fases em que ele se encontre. Nestes casos, quando o sujeito passivo opta pela via judicial para a discussão de matéria tributária implica na renúncia ao poder de recorrer nesta instância, nos termos do parágrafo único do art. 38 da Lei nº 6.830/80 e do § 2º, art. 1º do Decretolei nº 1.737, de 1979. Ratificando este entendimento, foi aprovado o enunciado de Súmula CARF nº 01, publicada no DOU de 22/12/2009, in verbis: Súmula CARF nº 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Registrese que a coisa julgada a ser proferida no âmbito do Poder Judiciário jamais poderia ser alterada no processo administrativo, pois tal procedimento feriria a Constituição Federal, que adota como já mencionado, o modelo de jurisdição una, onde são soberanas as decisões judiciais. Posta assim a questão, entendo que este Colegiado não pode apreciar matéria já submetida ao Poder Judiciário, na linha da Súmula Carf nº 01. Neste norte, não conheço da matéria referente à classificação do produto da recorrente. Fl. 600DF CARF MF Impresso em 29/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 8/04/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 16004.720071/201193 Acórdão n.º 3402002.013 S3C4T2 Fl. 209 6 Multa de Ofício. Quanto a essa matéria observo todos os demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dela tomo conhecimento e passo a apreciar. O recorrente pretende demonstrar que a aplicação da multa de ofício em percentual de 75%, prevista na Lei nº 9.430/96, é inconstitucional por ferir o princípio do não confisco e da autonomia dos entes federativos. Assim, entendo que devo tratar desta matéria sob a ótica da possibilidade de tribunal administrativo afastar de lei vigente com fundamento de inconstitucionalidade. Partindo desta premissa, consoante noção cediça, os Órgãos judicantes do Poder Executivo não têm competência para apreciar a conformidade de lei, validamente editada segundo o processo legislativo constitucionalmente previsto, com preceitos emanados da própria Constituição Federal ou mesmo de outras leis, a ponto de declararlhe a nulidade ou inaplicabilidade ao caso expressamente previsto, haja vista tratarse de matéria reservada, por força de determinação constitucional, ao Poder Judiciário. Compete a esses órgãos tãosomente o controle de legalidade dos atos administrativos, consistente em examinar a adequação dos procedimentos fiscais com as normas legais vigentes, zelando, assim, pelo seu fiel cumprimento. Com efeito, a apreciação de assuntos desse tipo achase reservada ao Poder Judiciário, pelo que qualquer discussão quanto aos aspectos da inconstitucionalidade e/ou invalidade das normas jurídicas deve ser submetida ao crivo desse Poder. O Órgão Administrativo não é o foro apropriado para discussões dessa natureza. Os mecanismos de controle da constitucionalidade, regulados pela própria Constituição Federal, passam, necessariamente, pelo Poder Judiciário que detém, com exclusividade, essa prerrogativa. Noutro giro, não se pode olvidar que esta matéria já foi pacificada no âmbito do CARF, com a aprovação do enunciado de súmula CARF nº 02, publicada no DOU de 22/12/2009, in verbis: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ressalto, também, que na época da feitura do auto de infração, o recorrente não possuía qualquer decisão que possibilitasse o lançamento com a exigibilidade suspensa e que afastasse a multa de ofício. Essa informação está cravada no “Termo de Verificação Fiscal” e não foi contestada pelo sujeito passivo, conforme podese confirmar pela simples leitura do termo que abaixo reproduzo, verbis: Conforme se verifica a situação atual das ações impetradas pela autora, em nenhuma delas há decisões ou sentenças que proporcionam proteção jurisdicional que suspenda ou proíba a constituição do crédito tributário pelas autoridades fiscais. Quando às vendas dos açúcares da safra 2009/2010 o magistrado denegou segurança (item 1.1, acima ). Apelação Fl. 601DF CARF MF Impresso em 29/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 8/04/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 16004.720071/201193 Acórdão n.º 3402002.013 S3C4T2 Fl. 210 7 recebida apenas no efeito devolutivo não tem a qualidade de suspender a exigência do crédito tributário. No que se refere às vendas dos açúcares da safra 2010/2011 , a parte requereu por meio de ação ordinária, com pedido de antecipação dos efeitos da tutela, sendo decidido pelo magistrado o indeferimento do pedido de antecipação dos efeitos da tutela, com pedido de agravo, o qual o juiz manteve a decisão agravada. Portanto não há qualquer decisão que impeça a constituição dos créditos tributários nos períodos mencionados. Forte nestes argumentos, mantenho a incidência da multa de ofício. Juros de Mora. Quanto a essa matéria observo todos os demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dela tomo conhecimento e passo a apreciar. O recorrente afirma que os juros de mora são indevidos em virtude de possuir decisão judicial que permite enquadrar seu produto na subposição da TIPI, fato que lhe confere alíquota zero. Como não há tributo a recolher, não há mora. Ressalto que não há depósitos judiciais e que a exigibilidade não estava suspensa. Diante desses fatos jurídicos, passo a análise do mérito. A melhor lição a respeito do caráter dos juros de moratório é encontrada no voto do ilustre Professor Moreira Alves, nos autos do RE nº 906568, julgado pelo Pleno do STF, verbis: “Os juros são, portanto, uma compensação que aufere o credor pela privação em que fica e também pelo risco que corre com o empréstimo de seu capital: sob este aspecto, podese dizer que os juros de qualquer espécie são compensatórios. Mas pode também acontecer que os juros não representem essa compensação, mas antes constituam sob uma forma precisa e fixa o equivalente legal das perdas e danos que nas dívidas de dinheiro ou coisa fungível podem resultar da mora no cumprimento da obrigação; chamamse moratórios, por isso são devidos pela mora”. No direito tributário os juros de mora são regulados pelo art. 161 do CTN: Art. 161 O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês, formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito. Fl. 602DF CARF MF Impresso em 29/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 8/04/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 16004.720071/201193 Acórdão n.º 3402002.013 S3C4T2 Fl. 211 8 Sobre a natureza penal dos juros de mora, ouçamos a doutrina de Bernardo Ribeiro de Moraes: Do ponto de vista do direito tributário, a natureza jurídica dos juros de mora é de sanção pecuniária em razão da impontualidade do sujeito passivo no cumprimento da obrigação, objetivando não retardar o recolhimento da respectiva dívida. Os juros de mora são devidos independentemente da prova de prejuízo do credor pela demora do devedor. Os juros de mora são, portanto, uma sanção (conseqüência do ilícito) pecuniária que tem causa jurídica na impontualidade em relação ao adimplemento da obrigação”. Assim, os juros de mora serão devidos sempre que o principal for recolhido a destempo, seja qual for o motivo determinante da falta. Na verdade, a fluência dos juros moratórios, a partir do vencimento dos tributos e contribuições, decorre de expressas disposições legais, sendo que o ato administrativo do lançamento apenas formaliza a pretensão da Fazenda Pública, acrescentando à obrigação tributária, surgida com a ocorrência do fato gerador, o atributo da exigibilidade. Na forma da legislação em vigor, os juros de mora são devidos inclusive durante o período em que a respectiva cobrança estiver suspensa por decisão administrativa ou judicial (Decretolei nº 1.736/79, art. 5º), de sorte que a pretensão da interessada, ao alegar que os juros não incidem quando suspensa a exigibilidade do crédito tributário, não pode prosperar. Como dito alhures, o que afasta os juros de mora é o adimplemento da obrigação dentro do prazo estabelecido por lei. No em questão, não há notícias de depósito judicial em montante integral. Logo, o crédito tributário não se encontra a disposição da Fazenda Pública e, por consequência, caberão os juros de mora sobre o montante não adimplido tempestivamente, como forma de sanção pelo atraso no recolhimento. Ex Positis, não conheço do recurso na parte referente à classificação de mercadoria, em face da concomitância, e, na parte conhecida, nego provimento ao recurso voluntário. É como voto. Sala das Sessões, em 27/02/2013 Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 603DF CARF MF Impresso em 29/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 8/04/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 16004.720071/201193 Acórdão n.º 3402002.013 S3C4T2 Fl. 212 9 Fl. 604DF CARF MF Impresso em 29/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 8/04/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 10280.003775/2007-76
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2202-000.251
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Conselheiro Relator.
Nome do relator: RAFAEL PANDOLFO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201206
camara_s : Segunda Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
numero_processo_s : 10280.003775/2007-76
conteudo_id_s : 6385033
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed May 19 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 2202-000.251
nome_arquivo_s : 220200251_10280003775200776_201206.pdf
nome_relator_s : RAFAEL PANDOLFO
nome_arquivo_pdf_s : 10280003775200776_6385033.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Conselheiro Relator.
dt_sessao_tdt : Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2012
id : 4578247
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:00:41 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041575135674368
conteudo_txt : Metadados => date: 2020-03-10T19:34:28Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2020-03-10T19:34:28Z; Last-Modified: 2020-03-10T19:34:28Z; dcterms:modified: 2020-03-10T19:34:28Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:5e5a8012-48b6-47c9-8c0c-bb25b075da74; Last-Save-Date: 2020-03-10T19:34:28Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2020-03-10T19:34:28Z; meta:save-date: 2020-03-10T19:34:28Z; pdf:encrypted: true; modified: 2020-03-10T19:34:28Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2020-03-10T19:34:28Z; created: 2020-03-10T19:34:28Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; Creation-Date: 2020-03-10T19:34:28Z; pdf:charsPerPage: 1241; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:created: 2020-03-10T19:34:28Z | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 39 1 38 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10280.003775/200776 Recurso nº 168.943 Resolução nº 220200.251 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 20 de junho de 2012 Assunto Omissão de rendimentos. Recorrente MARIA DE LOURDES DE LIMA REIS Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Conselheiro Relator. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Presidente. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes. Fl. 39DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 20/08/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 10280.003775/200776 Resolução n.º 220200.251 S2C2T2 Fl. 40 2 Relatório 1 Auto de Infração Em revisão da Declaração de Ajuste Anual (fls. 610), a autoridade administrativa lançou Imposto de Renda com base em omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas, com vínculo empregatício, no anocalendário de 2002. O montante omitido seria de R$ 18.978,50, decorrente de seu emprego no DNER (em extinção) e no DNIT (novo órgão). Na correção foram incluídos tanto os rendimentos omitidos, quanto o IRRF não declarado. Com isto, o total do crédito tributário constituído foi de R$ 1.289,81, incluídos multa de ofício de 75% e juros de mora. O contribuinte foi notificado do auto de infração em 09/10/2007. 2 Impugnação Indignado com a autuação, o recorrente apresentou impugnação (fl. 1) tempestiva, alegando simplesmente que todas as declarações foram realizadas de acordo com o RIR/99 e com os comprovantes de rendimentos recebidos. Anexos à impugnação estão os comprovantes de rendimentos do DNER (fl. 03) e do Ministério dos Transportes (fl. 04) além de recibo de despesas médicas (fl. 5). 3 Acórdão de Impugnação A impugnação foi julgada pela 2ª Turma da DRJ/BEL, por unanimidade, pela procedência parcial da impugnação (fls. 1924). Os fundamentos foram os seguintes: a) os comprovantes de rendimentos demonstrados pela impugnante não são suficientes para comprovar a quantia recebida, devendo ela ter percebido o erro do documento quando da declaração de ajuste; b) não obstante, por ter sido induzida ao erro, não é aplicável a multa de 75%, mas tão somente a de 20%, por mora, considerada, por entendimento da Fazenda Nacional – IN SRF nº 185/2002 –, aplicável nos casos de inexatidão material por manifesto lapso no preenchimento ou erro de cálculo; 5 Recurso Voluntário Notificado da decisão em 13/05/08, a recorrente, não satisfeita com o resultado do julgamento, interpôs recurso voluntário (fls. 2829) em 30/05/08, repisando os argumentos da impugnação, adicionando: a) os valores foram declarados erroneamente pelas fontes pagadoras, pois ela teria recebido apenas aquilo que fora declarado, e que inclusive constava no comprovante de rendimentos apresentado; b) uma vez infirmada a presunção de que a fonte pagadora declarou corretamente, única prova da Fazenda Nacional, cabe ao Fisco investigar os fatos e apurar se os valores foram realmente recebidos. É o relatório. Fl. 40DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 20/08/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 10280.003775/200776 Resolução n.º 220200.251 S2C2T2 Fl. 41 3 Voto Conselheiro Relator Rafael Pandolfo O recurso atende a todos os requisitos legais do Decreto nº 70.235/72, motivo pelo qual merece conhecimento. No caso em análise, a contribuinte foi intimada de auto de infração que lhe imputava omissão de rendimentos com base nas DIRF’s apresentada pelas fontes pagadoras. Uma vez notificada, a contribuinte juntou comprovantes de rendimentos demonstrando ter recebido menos do que o declarado e DIRF. Uma vez apresentada prova que infirme a versão do Fisco, calcada em documento elaborado pela própria fonte pagadora, è dever da fiscalização verificar se os valores declarados pelas fontes foram efetivamente os valores repassados à recorrente. Por este motivo, voto no sentido de converter este julgamento em diligência, retornandoo à Delegacia da Receita Federal de Julgamento, para que esta contate as fontes pagadoras – Ministério dos Transportes – e verifique, através de provas suficientes (comprovantes de transferência bancária, contabilidade dos órgãos públicos) o efetivo pagamento dos valores declarados em DIRF à recorrente no anocalendário de 2002, prova sem a qual será considerado desconstituído o auto de infração. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Fl. 41DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 20/08/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO
score : 1.0
