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Numero do processo: 19515.004847/2003-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Apr 24 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1301-000.221
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
VALMAR FONSECA DE MENEZES - Presidente.
(Assinado digitalmente)
CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (Presidente), Carlos Augusto de Andrade Jenier, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimaraes, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior
Relatório
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER
1.0 = *:*
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (Presidente), Carlos Augusto de Andrade Jenier, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimaraes, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .0 04 84 7/ 20 03 -4 2 Fl. 1892DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 19515.004847/200342 Resolução nº 1301000.221 S1C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase, no presente caso, de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte, em face das disposições contidas na r. decisão no 1615.270 exarada pela douta 3a Turma da DRJ/SPO1, que, declarando a procedência parcial, apresentou, na ementa de seu acórdão, o seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998 OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Configurase a presunção legal de omissão de receita no tocante aos créditos bancários cuja origem não restar cabalmente demonstrada pelo sujeito passivo. Exonerase a parcela comprovada na fase impugnatória. DECORRÊNCIA. A decisão relativa ao lançamento principal se aplica, no que couber, as exigências de CSLL, PIS e COFINS, devido A. estreita relação de causa e efeito existente entre eles. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1999 LANÇAMENTO. POSSIBILIDADE. MATÉRIA SUB JUDICE. O lançamento deve ser efetuado inclusive na hipótese em que a matéria esteja sob apreciação do Poder Judiciário. NORMAS PROCESSUAIS. CONCOMITÂNCIA. PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. A busca da tutela jurisdicional do Poder Judiciário acarreta a renúncia ao litígio na esfera administrativa, impedindo a apreciação da matéria objeto de ação judicial. Lançamento Procedente em Parte Regularmente intimada, pela contribuinte foi então apresentado o seu competente Recurso Voluntário, aduzindo, em suas razões, o seguinte: Da evidente conexão entre o presente processo administrativo e o Processo Administrativo registrado sob o no 19515.004848/2003 97 A matéria tratada no presente feito, pelo que se verifica, referese à efetivação de lançamento em decorrência de suposta não submissão tributação de receitas pela contribuinterecorrente em relação ao 4o Trimestre do Ano de 1998, ao passo que naquele outro processo (PAF no 19515.004848/2003 97), discutemse os mesmos e idênticos fatos, porém, relativos aos 2o e 3o Trimestres daquele mesmo ano. Fl. 1893DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 19515.004847/200342 Resolução nº 1301000.221 S1C3T1 Fl. 4 3 Aliado a esse fato, a contribuinte destaca que as decisões exaradas em sede de primeira instância administrativa são idênticas, apresentando os mesmos termos, e, por força disso, necessária se verifica o reconhecimento da apontada conexão, sobretudo, para que se evite eventuais decisões contraditórias. A não caracterização de omissão de receita tributável: Os valores supostamente não identificados após as diligências fiscais determinadas pela turma julgadora de primeira instância referirseiam, segundo sustenta a recorrente, aos procedimentos adotados pelas acionistas da contribuinte no sentido de promover o aumento de capital no ano de 1998, alterandoo de R$ 5.000,00 para R$ 14.496.094,00, conforme se verifica na Cláusula 1a do Instrumento Particular da Primeira Alteração Contratual da sociedade originária (Hotal Coral da Guanabara Ltda.). Nessa linha, todos os valores apontados pela fiscalização como supostamente ‘não comprovados’ constariam no demonstrativo anexado, com indicações, inclusive, das respectivas contas e registros mantidos na contabilidade da empresa, afastando, assim, definitivamente, qualquer discussão a respeito dessa matéria. A recorrente destaca que as provas ali apresentadas (no recurso) seriam adequadas e suficientes para espancar, definitivamente, as considerações mantidas pelas fiscalização, devendo, assim, ser analisadas nesta oportunidade por esta Turma Julgadora. Em face dessas circunstâncias, requer a contribuinte a CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para a análise desses novos documentos trazidos aos autos, privilegiando, sobretudo, a busca da verdade material. A par dessas considerações, afirma ainda a recorrente que, identificadas a natureza e origem dos referidos créditos, não se haveria como determinar a aplicação das disposições legais mencionadas (sobretudo art. 42 da Lei 9.430/96), uma vez que devidamente comprovada estaria a natureza e origem dos créditos respectivamente apontados. A recorrente afirma, insistentemente, que todos os registros teriam sido devidamente promovidos em sua contabilidade, não se havendo falar em materialização das hipóteses de “saldo credor de caixa”, “suprimento de caixa” ou mesmo “depósitos de origem não comprovada”. Da tributação reflexa da CSLL, do PIS e da COFINS Não havendo sustentação na consideração da suposta omissão de receitas, não se há falar na possibilidade de manutenção do lançamento reflexo respectivo. Da não ofensa ao regime de competência na alienação de participação societária e da absoluta inexistência de perda indedutível nessa operação Fl. 1894DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 19515.004847/200342 Resolução nº 1301000.221 S1C3T1 Fl. 5 4 Tendo a decisão de primeira instância reconhecido e rechaçado a suposta inobservância dos critérios de apuração dos montantes de tributos devidos relativos ao respeito ao regime de competência dos respectivos resultados, indevida se apresentaria a acusação de que a contribuinte não teria adicionado ao lucro líquido da empresa a perda dos respectivos investimentos considerados. Em junho/98 a recorrente adicionou sim as perdas na alienação de investimentos na apuração de seu respectivo lucro real. “Inegável, portanto, que a D. Fiscalização incorreu em grave erro ao deixar de considerar a adição do valor de R$ 1487.963,74 quando da apuração do lucro real da empresa nos segundos e terceiros trimestres de 1998, circunstância essa que torna de rigor que V.Sa. decrete a total improcedência do lançamento fiscal combatido, sob pena de se impor iniusta e ilegal BITRIBUTAÇÃO sob tais valores como demonstrado.” Da improcedência do lançamento da multa de mora em denúncia espontânea de infração tributária, suportada em medida judicial proposta pela recorrente A recorrente indica que, tendo proposto o respectivo Mandado de Segurança de no 2000.61.00251617, teria obtido, em sede de Recurso, o reconhecimento de seu direito. No caso, tratase de pretensão de afastamento da aplicação de multa moratória pela suposta realização de “denúncia espontânea” pela contribuinte, nos termos do art. 138 do CTN. Em sua alegação, destaca: “Ressaltese que a autoridade administrativa só tomou conhecimento da situação irregular da recorrente porque esta espontaneamente se denunciou, sob a forma de instauração de processo administrativo, o que se torna evidente, também, diante da forma de constituição do presente auto de infração, que foi lavrado somente diante da propositura de medida judicial pelo contribuinte.” Da tributação reflexa da CSLL, PIS e COFINS Em face da insubsistência do lançamento do IRPJ, mesma sorte pretende a recorrente em relação aos lançamentos reflexos. Apenas para fins de destaques necessários, afora o primeiro tópico aqui apresentado em relação ao Recurso interposto pela contribuinte, todos os demais elementos são, de fato, completamente idênticos aos termos do Recurso Voluntário interposto nos autos do PAF no 19515.004848/2003 97. É o que se tem a relatar. Fl. 1895DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 19515.004847/200342 Resolução nº 1301000.221 S1C3T1 Fl. 6 5 Voto Conselheiro CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, relator. Sendo tempestivo o recurso voluntário interposto, dele conheço. Conforme se verifica nos autos, existe, no presente feito, o pedido expresso da contribuinte de reconhecimento da conexão entre este feito e aquele tratado nos autos do PAF no 19515.004848/2003 97, sendo certo que, nesta oportunidade, trazendo os dois processos para julgamento, suscitamos o acolhimento da pretensão, e, com isso, o reconhecimento da conexão entre os dois processos, o que restou admitido por este Colegiado. A par dessas considerações, verificase que, naqueloutro processo, restou também, nesta data, acolhida a proposta deste relator no sentido de acolher os documentos anexados pela contribuinte a seu respectivo Recurso Voluntário e, nessas circunstâncias, determinar a CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, possibilitando, com isso, a análise e manifestação dos agentes da fiscalização fazendária federal em relação às considerações apresentadas pela recorrente, e, no caso, a suficiente e regularidade dos documentos apresentados para a comprovação de que os créditos mantidos pela r. decisão de primeira instância como se supostos depósitos de origem nãocomprovada poderiam, ou não, ser identificados a partir dos argumentos e documentos agora contidos nos autos. Em face dessas considerações, acolhendo a conexão dos feitos, mostrase fundamental, no presente caso, a determinação de idênticas providências em relação à matéria aqui então discutida, promovendose assim, então, em conjunto, a análise das considerações aduzidas e das respectivas provas contidas nos feitos. Por essa razão, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, determinando a apensação do presente feito ao PAF no 19515.004848/2003 97, e, por essa razão, determinar as idênticas providências lá determinadas por meio da Resolução no 1301000.220, determinando, assim, ambos para ulterior apreciação e julgamento. É como voto. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator Fl. 1896DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES
score : 1.0
Numero do processo: 13502.000505/2003-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jul 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 14/05/2003 a 31/05/2003
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE TERCEIROS. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA.
Não ocorre a homologação tácita em compensações baseadas em créditos de terceiros na vigência da Lei n° 10.637, de 2002. As compensações declaradas a partir de 1º de outubro de 2002, de débitos do sujeito passivo com crédito de terceiros, esbarravam em inequívoca disposição legal (MP n° 66, de 2002, convertida na Lei n° 10.637, de 2002), impeditiva de compensações da espécie.
COMPENSAÇÃO. DECISÃO JUDICIAL SUPERVENIENTE. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA.
Decisão judicial superveniente que autoriza compensações de débitos do requerente com crédito de terceiros declaradas após 1º de outubro de 2002 é de observância obrigatória para a administração tributária.
Numero da decisão: 3101-001.612
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Por maioria, afastou-se a preliminar de homologação tácita. Vencidas as Conselheiras Vanessa Albuquerque Valente e Fábia Regina de Freitas, que participou do julgamento em substituição ao Conselheiro Luiz Roberto Domingo, impedido de votar. Designado para redigir o voto vencedor, nesta parte, o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes; e, no mérito, por unanimidade, deu-se provimento parcial ao recurso voluntário para afastar o óbice da compensação de crédito a terceiro e determinar o retorno dos autos ao órgão de origem para analisar a compensação. Fez sustentação oral o Dr. Ricardo Alexandre Hidalgo Pace, OAB/SP nº 182.632, advogado do sujeito passivo.
(assinado digitalmente)
HENRIQUE PINHEIRO TORRES - Presidente.
(assinado digitalmente)
RODRIGO MINEIRO FERNANDES - Redator designado.
EDITADO EM: 25/06/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, José Henrique Mauri (suplente), Vanessa Albuquerque Valente, Fábia Regina de Freitas (suplente) e Henrique Pinheiro Torres (Presidente).
Nome do relator: VANESSA ALBUQUERQUE VALENTE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 14/05/2003 a 31/05/2003 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE TERCEIROS. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA. Não ocorre a homologação tácita em compensações baseadas em créditos de terceiros na vigência da Lei n° 10.637, de 2002. As compensações declaradas a partir de 1º de outubro de 2002, de débitos do sujeito passivo com crédito de terceiros, esbarravam em inequívoca disposição legal (MP n° 66, de 2002, convertida na Lei n° 10.637, de 2002), impeditiva de compensações da espécie. COMPENSAÇÃO. DECISÃO JUDICIAL SUPERVENIENTE. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. Decisão judicial superveniente que autoriza compensações de débitos do requerente com crédito de terceiros declaradas após 1º de outubro de 2002 é de observância obrigatória para a administração tributária.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Por maioria, afastou-se a preliminar de homologação tácita. Vencidas as Conselheiras Vanessa Albuquerque Valente e Fábia Regina de Freitas, que participou do julgamento em substituição ao Conselheiro Luiz Roberto Domingo, impedido de votar. Designado para redigir o voto vencedor, nesta parte, o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes; e, no mérito, por unanimidade, deu-se provimento parcial ao recurso voluntário para afastar o óbice da compensação de crédito a terceiro e determinar o retorno dos autos ao órgão de origem para analisar a compensação. Fez sustentação oral o Dr. Ricardo Alexandre Hidalgo Pace, OAB/SP nº 182.632, advogado do sujeito passivo. (assinado digitalmente) HENRIQUE PINHEIRO TORRES - Presidente. (assinado digitalmente) RODRIGO MINEIRO FERNANDES - Redator designado. EDITADO EM: 25/06/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, José Henrique Mauri (suplente), Vanessa Albuquerque Valente, Fábia Regina de Freitas (suplente) e Henrique Pinheiro Torres (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2330; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C1T1 Fl. 106 1 105 S3C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13502.000505/200316 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3101001.612 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de março de 2014 Matéria Compensação Recorrente ELIANE ARGAMASSAS E REJUNTES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 14/05/2003 a 31/05/2003 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE TERCEIROS. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA. Não ocorre a homologação tácita em compensações baseadas em créditos de terceiros na vigência da Lei n° 10.637, de 2002. As compensações declaradas a partir de 1º de outubro de 2002, de débitos do sujeito passivo com crédito de terceiros, esbarravam em inequívoca disposição legal (MP n° 66, de 2002, convertida na Lei n° 10.637, de 2002), impeditiva de compensações da espécie. COMPENSAÇÃO. DECISÃO JUDICIAL SUPERVENIENTE. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. Decisão judicial superveniente que autoriza compensações de débitos do requerente com crédito de terceiros declaradas após 1º de outubro de 2002 é de observância obrigatória para a administração tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Por maioria, afastouse a preliminar de homologação tácita. Vencidas as Conselheiras Vanessa Albuquerque Valente e Fábia Regina de Freitas, que participou do julgamento em substituição ao Conselheiro Luiz Roberto Domingo, impedido de votar. Designado para redigir o voto vencedor, nesta parte, o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes; e, no mérito, por unanimidade, deuse provimento parcial ao recurso voluntário para afastar o óbice da compensação de crédito a terceiro e determinar o retorno dos autos ao órgão de origem para analisar a compensação. Fez sustentação oral o Dr. Ricardo Alexandre Hidalgo Pace, OAB/SP nº 182.632, advogado do sujeito passivo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 00 05 05 /2 00 3- 16 Fl. 444DF CARF MF Impresso em 27/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/06 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 24/07/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 13502.000505/200316 Acórdão n.º 3101001.612 S3C1T1 Fl. 107 2 (assinado digitalmente) HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente. (assinado digitalmente) RODRIGO MINEIRO FERNANDES Redator designado. EDITADO EM: 25/06/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, José Henrique Mauri (suplente), Vanessa Albuquerque Valente, Fábia Regina de Freitas (suplente) e Henrique Pinheiro Torres (Presidente). Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida: O estabelecimento acima qualificado apresentou, em 07/05/2003 o formulário correspondente à Declaração de Compensação (fls. 01) e, às fls. 02, o documento intitulado "Créditos decorrentes de decisão judicial", com o objetivo de compensar os débitos apontados às fls. 01, no valor total de R$ 5.530,41, com créditos de terceiros, pertencentes à empresa Nitriflex S A Indústria e Comércio, estabelecimento inscrito no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) sob o 13.242.147.496/000170. O referido crédito da Nitriflex S A Indústria e Comércio decorreria da ação judicial ri 99.00.60542, da 4ª. Vara Federal de São João de Meriti/RJ, sem informação relativa ao trânsito em julgado da decisão favorável, conforme formulário de fls. 02. A interessada anexou às fls.03/11 cópias de peças da Apelação m Mandado de Segurança n. 40852 e dos Embargos de Declaração em Embargos de Declaração na Apelação em Mandado de Segurança n.40852, Processo n 2001.02.01.0352326, do Tribunal Regional Federal da 2 Região, no Rio de Janeiro/RJ. Tais documentos revelam a existência de decisão judicial, contra a União Federal/Fazenda Nacional, autorizando o estabelecimento Nitriflex S A Indústria e Comércio a compensar créditos, sem a restrição, julgada ilegal da Instrução Normativa SRF n2 41, de 2000, a qual se contrapunha ao direito do referido estabelecimento, de compensar créditos do IPI, reconhecidos em ação judicial, com débitos de terceiros. 1 Fl. 445DF CARF MF Impresso em 27/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/06 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 24/07/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 13502.000505/200316 Acórdão n.º 3101001.612 S3C1T1 Fl. 108 3 O Parecer Seort n° 255, de 2008 e respectivo Despacho Decisório (fls. 28/43) ambos proferidos pela Delegacia da Receita Federal em Nova Iguaçu/RJ, concluíram em síntese que: ... É de se observar que tal crédito, objeto de análise em processo n' 13746.000533/200117, bem como seu respectivo direito de cessão, encontramse ambos amparados em decisões judiciais transitadas em julgado: Mandados de Segurança 98.00166580 e 2001.51.10.0010250, tendo o primeiro garantido o direito ao crédito tributário e o segundo garantido o direito de ceder o crédito a terceiros para utilização em compensação tributária, afastados os efeitos da Instrução Normativa SRF n°41/2000. Após as considerações iniciais, o parecer passa a historiar acerca da legislação pertinente à compensação, detendose na observação de que o surgimento da compensação com créditos de terceiros se originou no caput do art. 15 da Instrução Normativa SRF n° 21, de 1997 e não em virtude de lei. E continua: Entretanto, tal direito não poderia ser exercido indefinidamente. A faculdade conferida por via infralegal foi vedada com a entrada em vigor da IN SRF 41/00, publicada em 10/04/00.Portanto, é fato que atos de igual status dispuseram a respeito tanto da permissão quanto da vedação desta forma de encontrar contas... Assim sendo, seria aceitável o direito em tese de a requerente, ao compensarse com a União, fazer valer uma maior abrangência conferida ao instituto tratado, desde que assim o fizesse dentro do período decorrido entre os dois já mencionados atos normativos, nunca depois. Entretanto, o direito de a empresa Nitriflex SA. Ceder crédito tributário foi reconhecido em decisão judicial e, uma vez formada coisa julgada, tornase necessário que lancemos olhar mais atento sobre a matéria. ... A Medida Provisória n° 66, de 29/08/2002, transformada na Lei n° 10.637/02, ao dar (art.49) nova redação ao art. 74 da Lei 9.430, de 27/12/1996, altera a sistemática em torno do aproveitamento da restituição e do ressarcimento (este relativo ao IP1) para compensálos tão somente com débitos tributários próprios e, assim fazendo, positiva no Direito Brasileiro a impossibilidade de serem trazidos ao encontro entre contas aqui estudado quaisquer créditos tributários que não o do próprio devedor do tributo a ser extinto. Ora, concluímos, portanto, estar perfeitamente claro o momento e que a vedação ao intento das empresas Nitriflex SÃ e Eliane Lida e compensar débitos tributários de uma com crédito tributário de outra adquire enfim força de lei. Mas ao considerarmos a existência de período em que tal cessão de crédito tributário seria permitida apenas em ato normativo, Fl. 446DF CARF MF Impresso em 27/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/06 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 24/07/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 13502.000505/200316 Acórdão n.º 3101001.612 S3C1T1 Fl. 109 4 cessão está garantida por decisão judicia transitada em julgado, surge então uma complexa questão a ser resolvida no caso em concreto. Assim, neste ato decisório, será adotado o entendimento da douta Procuradoria. A respeito ..., pronunciouse o órgão consultor no sentido de que a nova regra contida no artigo 74 da Lei n° 9.430/9,6 após a alteração que lhe foi dada pelo artigo 49 da MP 66, de 29.08.2002, convertido no artigo 49 da Lei n° 10.637/02 tem o condão de restringir a utilização do crédito em questão, sem contudo ofender à autoridade da coisa julgada e sem que represente aplicação retroativa da lei. ... quando o Mandado de Segurança n° 2001.51.10.0010250 ... foi ajuizado inexistia lei expressa que dispusesse sobre a compensação tributária de débito de um contribuinte mediante a utilização de crédito de terceiros, muito embora a Instrução Normativa SRF n° 41/2000 já vedasse esta espécie de compensação tributária. Desse modo, somente os pedidos de compensação tributária formalizados antes do dia 29.08.2002, data da publicação da Medida Provisória n°66/02 ... é que estão amparados pelo MS n° 2000.51100010250. Portanto, somente em tais pedidos de compensação é que poderia ser utilizado o crédito cedido pela sociedade empresária Nitriflex SA. A DRF/Nova Iguaçu/RJ continua sua decisão, transcrevendo partes do parecer expedido pela PSFN/Nova Iguaçu/RJ, dentre as quais cumpre evidenciar: ... quando ajuizado o MS 2001.51100010250, vigorava a IN SRF n° 41/00, cujo artigo 1° vedava a compensação de débitos do sujeito passivo com créditos de terceiros, administrados pela SRF, sendo certo que a Lei n° 9.430/96 em seus arts. 73 e 74, dispositivos estes expressamente mencionados no voto do relator, eram omissos a respeito, daí a razão pela qual ter o tribunal ad quem afastado a limitação imposta pela IN n° 41/00. Entretanto, os referidos arts. 73 e 74 sofreram total reformulação através do art. 49 da MP n°66/02, convertida na Lei n° 10.637/2002 ... ... se de uma decisão judicial decorre a coisa julgada, é certo que este efeito não prevalecerá se ocorrerem mudanças nas normas jurídicas que tratam da questão transitada em julgado. ... hoje a situação fáticajurídica é diversa. A Lei n° 9.430/96 que era, omissa sobre o tema, a partir de 30 de agosto de 2002 passou a se clara ao prever como única possibilidade de compensação de tributos administrados pela SRF, inclusive os judiciais transitados em julgado, a efetividade entre créditos e débitos do próprio sujeito passivo. Logo, se ao tempo daquele mandado de segurança inexistia lei expressa sobre o tema, fato que levou o Poder Judiciário a afastar a restrição veiculada por norma infralegal, tendo a decisão judicial transitado em Fl. 447DF CARF MF Impresso em 27/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/06 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 24/07/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 13502.000505/200316 Acórdão n.º 3101001.612 S3C1T1 Fl. 110 5 julgado, hoje a ordem jurídica neste aspecto sofreu total reformulação, pelo que cessam os efeitos daquela decisão a partir da vigência do novo regramento jurídico. Assim, a coisa julgada não pode ser invocada quando direito superveniente repercute na relação jurídica sobre a qual a coisa julgada se operou. Ao final o parecerista conclui pela falta de liquidez e certeza do crédito oferecido em compensação e houve por bem adotar o entendimento da PSFN para se opor a não homologação das compensações declaradas. O Despacho Decisório de fls. 43, aprovou integralmente o parecer e determinou fossem adotadas as providências propostas. Pelo requerimento de fls. 50/51 e arrazoado de fls. 52/76, instruídos pelos documentos de fls. 77/327, o interessado manifestou inconformidade, alegando em síntese que: Conforme o r. Despacho decisório recorrido tratase o presente processo de Declaração de Compensação protocolizado em 07/05/2003. A recorrente teve ciência do r. Despacho decisório recorrido em 11/08/2008, ou seja, após ultrapassarem 5 (cinco) anos do protocolo da declaração de compensação. Com o decurso de mais de 5 (cinco) anos entre o pedido de compensação e a manifestação formal da Fazenda Pública, com a ciência do contribuinte, ocorre a homologação tácita dos créditos tributários compensados, nos termos dos §,f4° e 5° do art. 74, da Lei n° 9.430/96... O MS 98.00166580 (Nitriflex) teve por objeto o reconhecimento do direito ao crédito de IPI, no período de 08/1988 até 07/1998, decorrente da aquisição de insumos isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero... ... a Nitriflex lançou mão de medida judicial para afastar a aplicação da IN/SRF 41/00 (que passou a proibir a cessão de crédito para terceiros não optantes do REFIS). Foi impetrado o MS' 2001.51.10.0010250 para se alcançar tal desiderato... Em 12/09/2003 transitou em julgado o v. acórdão proferido pelo E. TRF da 2° Região que, convalidando a medida liminar deferida initio litis e concedendo a ordem, decidiu pela irretroatividade da legislação então limitadora do direito à plena disponibilidade do crédito (IN/SRF 41/00) para alcançar fatos consumados sob a égide de normas que garantiam expressamente, a saber, art. 170 do CTN e arts. 73 e 74 da Lei n.° 9.430/96, regulamentados pela IN/SRF 21/97 Desta forma, entende o interessado que a coisa julgada material impede a aplicação da Lei n 10.637, de 2002, que limita a disponibilidade do crédito do 1PI, porque, no caso, esse crédito foi reconhecido por decisão judicial transitada em julgado. Alega que a limitação legal apontada no despacho decisório só é aplicável aos créditos nascidos posteriormente à Fl. 448DF CARF MF Impresso em 27/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/06 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 24/07/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 13502.000505/200316 Acórdão n.º 3101001.612 S3C1T1 Fl. 111 6 sua entrada em vigor, acrescentando que, admitir o contrário, resultaria no descumprimento de uma ordem judicial, no desrespeito à coisa julgada material e aos princípios da nãocumulatividade do TI e da irretroatividade das leis. Ressalta o requerente que também foi proposto o Mandado d Segurança n 2001.51.10.0010250, para impedir que a IN SRF if 41, de 2000, obstasse a livre disposição do crédito do IPI, conquistado, em juízo, pela Nitriflex S/A Indústria e Comércio. A reclamante afirma ainda: Noutros falares, o E. TRF da 2° Região fundamentou sua decisão de afastar a aplicação da IN/SRF 41/00 com base no princípio constitucional da irretroatividade das leis, segundo o qual a lei nova não pode retroagir para afetar fatos consumados antes de sua entrada em vigor. Entendeu a E. Corte que a instrução normativa, sobre ser ilegal, não poderia retroagir para afetar fatos consumados sob a égide de legislação que permitia a cessão para terceiros do crédito de IPI reconhecido no MS' 98.00166580, no caso o art. 170 do CTN e arts. 73 e 74 da Lei n°9.430/96, regulamentados pela IN/SRF 21/97. É dizer, a coisa julgada estabilizou, entre a Nitriflex e o Fisco, relação jurídica segundo a qual o crédito de IPI, no tocante ao seu aproveitamento, sujeitase à legislação em vigor na época da ocorrência dos fatos geradores ( crédito), ocorridos entre 08/88 e 07/98. A corroborar sua tese referente à irretroatividade da nova redação do art. 7 da Lei n° 9.430, de 1996, trouxe ao processo doutrina de Roque Antonio Carraza, Geraldo Ataliba e Vicente Rao. A reclamante se utilizou do princípio constitucional que trata da irretroatividade da lei como base de argumentação a respaldar a não utilização, no caso concreto, da nova redação do art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, trazida pela Lei n° 10.637, de 20021, salientando trecho da ADIMC 172, DJ 19/02/1993, p. 2.032, do Relator Min. Celso de Melo. Prossegue em seu documento asseverando que: Restou demonstrado ... que, por força do principio constitucional da irretroatividade das leis, a nova redação do art. 74 da Lei 9.430/96 (que passou a proibir a cessão de crédito para terceiros) só produz efeitos com relação a fatos geradores de créditos ocorridos posteriormente à sua entrada em vigor (na pior das hipóteses em 29/08/2002, quando entrou em vigor a MP 66/02), pelo que não pode afetar o crédito de 1P1 compensado pela recorrente, eis que decorrente de fatos ocorridos entre 08/88 e 07/98. Por derradeiro, transcreve, dentre outras, ementa do EREsp 4 . 8.992/MG, DJ 07/06/2004, p. 156, cuja relatoria pertenceu ao Min. Teori Albino Zavascki : Fl. 449DF CARF MF Impresso em 27/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/06 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 24/07/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 13502.000505/200316 Acórdão n.º 3101001.612 S3C1T1 Fl. 112 7 É inviável, na hipótese, apreciar o pedido à luz do direito superveniente, porque os novos preceitos normativos, ao mesmo tema, em que ampliaram o rol das espécies tributárias compensáveis, condicionaram a realização da compensação a outros requisitos, cuja existência não constou da causa de pedir e nem foi objeto de exame em instâncias ordinárias. Pede a reforma da decisão com a consequente homologação das compensações e a extinção dos créditos tributários compensados. A DRJ competente manteve o indeferimento do pleito e o contribuinte recorreu a este Conselho. Voto Vencido Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes – redator ad hoc Por intermédio do Despacho de fls. 443, nos termos da disposição do art. 17, III, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF 256, de 22 de junho de 2009, incumbiume o Presidente da Turma a formalizar o Acórdão 3101001.612, não entregue pela relatora original, Conselheira Vanessa Albuquerque Valente, que não integra mais nenhum dos colegiados do CARF. Desta forma, a elaboração deste voto deve refletir a posição adotada pela relatora original e pelos demais integrantes do colegiado. O recurso voluntário é tempestivo e, considerando o preenchimento dos requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Discutese nos presentes autos a regularidade da compensação de débitos da recorrente com crédito da empresa NITRIFLEX S/A IND. e COM., reconhecido por decisão judicial transitada em julgado anteriormente à data em que entrou em vigor a novel vedação do art. 74 da Lei n° 9.430/96 (Lei n° 10.637/02). O crédito encontravase amparado em decisões judiciais transitadas em julgado, nos Mandados de Segurança nºs 98.00166580 e 2001.51.10.0010250, tendo o primeiro garantido o direito ao crédito tributário e tendo o segundo garantido o direito de ceder o crédito a terceiros para utilização em compensação tributária, afastados os efeitos da Instrução Normativa SRF n°41/2000. A defesa da recorrente alega (i) que não havia previsão legal para considerar a compensação como não declarada, não podendo, o Fisco, deixar de reconhecer a homologação tácita in casu, fundamentando tal entendimento em legislação superveniente ou, até mesmo, no fato de que a compensação efetuada não era autorizada por lei; (ii) ofensa à coisa julgada consubstanciada na decisão transitada em julgado proferida no MS n° 98.00166580, que não só reconheceu o direito ao crédito, mas também o direito de dele dispor, e no MS n° 2001.51.10.0010250 impetrado para resguardar o direito de transferência do crédito, afastando a limitação à época em vigor (IN/SRF n° 41/00). Fl. 450DF CARF MF Impresso em 27/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/06 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 24/07/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 13502.000505/200316 Acórdão n.º 3101001.612 S3C1T1 Fl. 113 8 Quanto à existência de coisa julgada do MS 200151100010250, que garantiu a compensação do crédito com débitos de terceiros, entendo que assiste razão à recorrente. Ainda mais pela inequívoca e expressa decisão judicial do processo nº 000102518.2001.4.02.5110, emitida pela Juíza Federal Titular da 1ª Vara de Execução Fiscal de São João de Meriti, Srª.Vellêda Bivar Soares Dias Neta, em 25 de março de 2014, e confirmada em despacho de 15 de julho de 2014, que determinou o cumprimento imediato da decisão transitada em julgado de que tratava aquele processo. Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para afastar o óbice da compensação de crédito a terceiro e determinar o retorno dos autos ao órgão de origem para analisar a compensação E essas são as considerações possíveis para suprir a inexistência do voto. Rodrigo Mineiro Fernandes – Redator ad hoc Voto Vencedor Rodrigo Mineiro Fernandes – Redator designado O voto vencedor reportase apenas ao afastamento da preliminar de homologação tácita da compensação, matéria que ficaram vencidas as Conselheiras Vanessa Albuquerque Valente e Fábia Regina de Freitas. A alegada compensação, objeto do presente processo, iniciouse com o protocolo do formulário correspondente à Declaração de Compensação (formulário instituído pelo Anexo VI da Instrução Normativa SRF nº 210/2002), com o objetivo efetuar a compensação dos débitos nele apontados, com créditos de terceiros pertencentes à empresa Nitriflex S A Indústria e Comércio. A Instrução Normativa SRF nº 210/2002 expressamente vedava, em seu artigo 30, a compensação de débitos do sujeito passivo, relativos aos tributos e contribuições administrados pela SRF, com créditos de terceiros. Tal vedação decorreu da regra contida no artigo 74 da Lei n° 9.430/96, após a alteração que lhe foi dada pelo artigo 49 da MP 66, de 29.08.2002, convertido no artigo 49 da Lei n° 10.637/02, que teve o condão de restringir a compensação aos créditos próprios. A Lei n° 9.430/96, a partir de 30 de agosto de 2002 passou a ser clara ao prever como única possibilidade de compensação de tributos administrados pela SRF, a efetividade entre créditos e débitos do próprio sujeito passivo. Os créditos oferecidos para extinção dos débitos da requerente, não pertenciam à recorrente e sim à terceira Nitriflex SA, assim sendo, a Declaração de Compensação se encontrava sob a vigência da Lei n° 10.637/2002, com a restrição nela imposta para compensação com créditos de terceiros. O art. 74 da Lei nº 9.430/96, na redação dada pelo art. 49 da Lei nº 10.637/02, ao instituir a “declaração de compensação”, determinou que a mesma só poderia ser prestada pelo próprio detentor do crédito contra o Fisco, ou seja, para extinguir o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior Fl. 451DF CARF MF Impresso em 27/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/06 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 24/07/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 13502.000505/200316 Acórdão n.º 3101001.612 S3C1T1 Fl. 114 9 homologação, seria imprescindível que a “declaração de compensação” apresentada à Secretaria da Receita Federal utilizasse créditos próprios pelo contribuinte. Pedidos formulados pelo contribuinte mediante a utilização de créditos de terceiros, não se caracterizam como “Declaração de Compensação”, ainda que sob essa denominação, por total ausência de previsão legal para tanto. O requerimento apresentado pelo contribuinte, intitulado “Declaração de Compensação”, não podia ser caracterizado como tal na data de seu protocolo, uma vez que a Lei nº 10.637/2002 vedava esse tipo de compensação. Se não existe "declaração de compensação" com créditos de terceiro, por consequência lógica, os pedidos de compensação com créditos que não pertençam ao próprio contribuinte, não podem ser considerados como Declaração de Compensação, por total ausência de previsão legal para tanto, não ocorrendo a homologação tácita desses pedidos. Pelo exposto, concluise que os documentos ora examinados, intitulados Declarações de Compensação, não se caracterizam como tal por expressa vedação legal, e, em assim sendo, a homologação tácita não alcança o presente caso. Rodrigo Mineiro Fernandes [assinado eletronicamente] Fl. 452DF CARF MF Impresso em 27/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/06 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 24/07/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S
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Numero do processo: 11020.720034/2007-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jul 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006
PRELIMINAR DE NULIDADE. GLOSA PARCIAL DE CRÉDITO SEM LAVRATURA DE AUTO DE INFRAÇÃO.
Quando a análise do pedido de ressarcimento resulta em glosa do crédito informado, sem saldo a pagar, não se exige a lavratura de auto de infração. Ademais, a ausência de lavratura de auto de infração não constitui hipótese de nulidade nos termos do art. 59 do Decreto nº 70.235 de 1072.
CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS. TRANSFERÊNCIA DE CRÉDITOS DE ICMS NA BASE DE CÁLCULO DA COFINS. NÃO INCLUSÃO. UNIFORMIZAÇÃO DE JURISPRUDÊNCIA. TRIBUNAIS SUPERIORES (ART. 543-B E 543-C DO CPC). NECESSIDADE DE REPRODUÇÃO DAS DECISÕES PELO CARF (Art. 62-A DO RICARF).
Não compõe o faturamento ou receita bruta, para fins de tributação da Cofins e do PIS, o valor do crédito de ICMS transferido a terceiros. Entendimento firmado pelo STF no julgamento do RE nº 606.107.
RESSARCIMENTO DE COFINS. CABIMENTO DE JUROS. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC.
Há expressa vedação legal quanto ao cabimento de juros no ressarcimento de COFINS. O art. 39, § 4º, da Lei nº 9.250 de 1995 se aplica somente aos casos de compensação e restituição, que não se confundem com ressarcimento.
Numero da decisão: 3201-001.890
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer a não incidência da COFINS sobre a transferência onerosa a terceiros de créditos de ICMS referente a exportações, conforme termos da repercussão geral do STF, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
JOEL MIYAZAKI - Presidente.
DANIEL MARIZ GUDINO - Relator.
CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO - Redator designado para formalizar o acórdão (Despacho de designação emitido pelo Presidente da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF).
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: JOEL MIYAZAKI (Presidente), DANIEL MARIZ GUDINO, CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, WINDERLEY MORAIS PEREIRA e ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN.
Nome do relator: DANIEL MARIZ GUDINO
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GLOSA PARCIAL DE CRÉDITO SEM LAVRATURA DE AUTO DE INFRAÇÃO. Quando a análise do pedido de ressarcimento resulta em glosa do crédito informado, sem saldo a pagar, não se exige a lavratura de auto de infração. Ademais, a ausência de lavratura de auto de infração não constitui hipótese de nulidade nos termos do art. 59 do Decreto nº 70.235 de 1072. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS. TRANSFERÊNCIA DE CRÉDITOS DE ICMS NA BASE DE CÁLCULO DA COFINS. NÃO INCLUSÃO. UNIFORMIZAÇÃO DE JURISPRUDÊNCIA. TRIBUNAIS SUPERIORES (ART. 543B E 543C DO CPC). NECESSIDADE DE REPRODUÇÃO DAS DECISÕES PELO CARF (Art. 62A DO RICARF). Não compõe o faturamento ou receita bruta, para fins de tributação da Cofins e do PIS, o valor do crédito de ICMS transferido a terceiros. Entendimento firmado pelo STF no julgamento do RE nº 606.107. RESSARCIMENTO DE COFINS. CABIMENTO DE JUROS. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. Há expressa vedação legal quanto ao cabimento de juros no ressarcimento de COFINS. O art. 39, § 4º, da Lei nº 9.250 de 1995 se aplica somente aos casos de compensação e restituição, que não se confundem com ressarcimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer a não incidência da COFINS sobre a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 72 00 34 /2 00 7- 87 Fl. 161DF CARF MF Impresso em 27/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 24/07/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 24/07/2015 por JOEL MIYAZAKI 2 transferência onerosa a terceiros de créditos de ICMS referente a exportações, conforme termos da repercussão geral do STF, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. JOEL MIYAZAKI Presidente. DANIEL MARIZ GUDINO Relator. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Redator designado para formalizar o acórdão (Despacho de designação emitido pelo Presidente da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF). Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: JOEL MIYAZAKI (Presidente), DANIEL MARIZ GUDINO, CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, WINDERLEY MORAIS PEREIRA e ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN. Relatório Em cumprimento ao despacho de designação emitido pelo Presidente da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF, eu, Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, transcrevo voto depositado e não formalizado, realizado pela 1ª Turma da 2ª Câmara da Terceira Seção do CARF dado que o Relator, Conselheiro Daniel Mariz Gudino, não mais compõe o Colegiado. Tratase de recurso voluntário interposto por INDÚSTRIA DE MÓVEIS B & B LTDA., doravante apenas Recorrente, em razão do Acórdão nº 1018.082, de 17/12/2008, proferido pela 2ª Turma da Delegacia de Julgamento em Porto Alegre (RS). Por bem descrever os fatos ocorridos até o julgamento da instância a quo, transcrevese abaixo o relatório do acórdão recorrido: Trata o presente do Pedido de Ressarcimento — PER/DCOMP de fl. 01/04 relativo aos valores de Cofins não cumulativo do 3° trimestre de 2006, totalizando R$ 22.904,97, com base no DACON de fls.14/64. A DRF em Caxias do Sul/RS, ao proceder à análise dos créditos verificou que a contribuinte não incluiu na base de cálculo da contribuição os valores dos créditos de ICMS transferidos a terceiros. Sanada tal irregularidade, conforme consta dos elementos de fls. 65/80 provenientes daquela, DRF, redundou que o crédito foi inferior ao pretendido (R$ 19.762,59)). A interessada apresentou tempestivamente a manifestação de inconformidade (fls. 84/127), argumentando que o crédito de ICMS transferido a terceiros não pode ser considerado receita, pois a operação não gera aumento de patrimônio, mas mera recuperação de custos. Considerar que os valores dos créditos de ICMS transferidos a terceiros constituem base de cálculo das contribuições seria incorrer em bitributação, o que é rejeitado pelo direito tributário. Também argumenta que os créditos de ICMS seriam decorrentes de exportação e sua tributação configuraria grave ofensa ao comando constitucional da Fl. 162DF CARF MF Impresso em 27/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 24/07/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 24/07/2015 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 11020.720034/200787 Acórdão n.º 3201001.890 S3C2T1 Fl. 162 3 imunidade das exportações. Pleiteia que o valor do ressarcimento sofra atualização monetária pela Taxa Selic. A instância a quo julgou improcedente a manifestação de inconformidade nos termos do já citado acórdão, que restou assim ementado: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 BASE DE CÁLCULO O crédito de ICMS transferido para terceiros faz parte da base de cálculo do PIS e da Cofins não cumulativos. TAXA SELIC VEDAÇÃO LEGAL De acordo com o disposto nos arts. 13 e 15 da Lei n° 10.833/2003, não incide correção monetária e juros sobre os créditos de PIS e de Cofins objetos de ressarcimento. Solicitação Indeferida Inconformada com o resultado do julgamento, a Recorrente interpôs recurso voluntário tempestivamente, reiterando, em suma, os argumentos suscitados em sua defesa original. Acrescentou, todavia, a preliminar de nulidade do acórdão recorrido, tendo em conta que glosou parte do crédito objeto do pedido de ressarcimento, mediante alteração da base de cálculo da Cofins devida, sem que, para tanto, tenha constituído o crédito tributário com o lançamento. O processo foi distribuído e sorteado a este Conselheiro, seguindo o rito regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Daniel Mariz Gudino Por atender aos pressupostos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 1972, o recurso voluntário deve ser conhecido. Conforme já antecipado no relatório, o litígio surgiu pela divergência entre a fiscalização e a ora Recorrente quanto ao saldo credor de Cofins relativo ao 3º trimestre de 2006, objeto de pedido de ressarcimento na forma do art. 5º, § 2º, da Lei nº 10.637 de 2002. Segundo a fiscalização, durante o processo de análise do pedido em questão, apurouse saldo credor inferior ao pretendido pela Recorrente após ter sido constatado que créditos de ICMS por ela transferidos a terceiros não foram incluídos na sua base de cálculo da Cofins. A manifestação de inconformidade apresentada pela ora Recorrente não foi acolhida pela instância a quo, ocasionando o recurso voluntário em exame. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 27/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 24/07/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 24/07/2015 por JOEL MIYAZAKI 4 1 Preliminar A Recorrente alega que a decisão recorrida é nula, tendo em conta que glosou parte do crédito objeto do pedido de ressarcimento, mediante alteração da base de cálculo da Cofins devida, sem que, para tanto, tenha constituído o crédito tributário com o lançamento. Com isso, teria violado o art. 142 do Código Tributário Nacional. Ocorre que, de acordo com o art. 59 do Decreto nº 70.235 de 1972, as hipóteses de nulidade se restringem a duas: (i) atos e termos lavrados por pessoa incompetente; e (ii) despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. No caso concreto, a decisão recorrida foi proferida por autoridade competente e o seu direito de defesa foi garantido por meio da manifestação de inconformidade e do recurso voluntário. Portanto, deixo de acolher a preliminar de nulidade suscitada pela Recorrente. 2 Mérito 2.1 GLOSA DE CRÉDITO SEM LAVRATURA DE AUTO DE INFRAÇÃO A questão de mérito subjacente à preliminar ora afastada, todavia, merece consideração. Poderia a fiscalização revisar a base de cálculo da Cofins durante a análise do pedido de ressarcimento do crédito de exportação de Cofins? Ora, é evidente que sim. Se desse procedimento resultasse a cobrança de crédito tributário, neste caso, sim, farseia indispensável a lavratura de auto de infração, sob pena de afrontar o art. 142 do Código Tributário Nacional. Todavia, não foi o que ocorreu. Houve apenas a glosa de parte do crédito pretendido pela Recorrente, com o conseqüente ressarcimento, em dinheiro, da parcela incontroversa. Convém destacar que o direito ao ressarcimento de Cofins encontra seu fundamento legal no art. 6º, § 2º, da Lei nº 10.833 de 2003, que assim dispõe: Art. 6º A Cofins não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § 1º Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3o, para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2º A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas Fl. 164DF CARF MF Impresso em 27/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 24/07/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 24/07/2015 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 11020.720034/200787 Acórdão n.º 3201001.890 S3C2T1 Fl. 163 5 previstas no § 1º poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. A legislação específica aplicável à matéria à época em que o pleito foi formulado pela Recorrente era a Instrução Normativa SRF nº 600 de 2005, que, em seu art. 24, previa o seguinte: Art. 24. A autoridade da SRF competente para decidir sobre o pedido de ressarcimento de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos da pessoa jurídica a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. A partir da leitura desses excertos legais, é possível concluir que a análise do pedido de ressarcimento comporta a verificação da legitimidade do crédito informado. Logo, divirjo da jurisprudência administrativa que a Recorrente colacionou em sua peça recursal, e julgo improcedente a alegação de que a glosa parcial do crédito informado deve ser procedida mediante a lavratura de alto de infração. Em minha visão – repito – isso somente seria pertinente se dessa revisão de base de cálculo resultasse tributo a recolher. 2.2 TRIBUTAÇÃO DA TRANSFERÊNCIA DE CRÉDITOS DE ICMS A TERCEIROS A segunda questão sobre a qual se baseia a Recorrente para requerer a reforma da decisão a quo diz respeito à possibilidade de a fiscalização considerar na base de cálculo da Cofins os créditos de ICMS que a Recorrente transferiu a terceiros como forma de pagamento em transações comerciais por ela empreendidas. O E. STF no Rex 606.107, por seu tribunal Pleno afastou a incidência do PIS/COFINS sobre transferência de créditos de ICMS para terceiros por entender que o acatamento dessa premissa fere frontalmente preceito constitucional. Essa decisão abordou o conceito de receita constante do art. 195, I, “b” da CF/88 e acata a obviedade constitucional no sentido de não entender sujeito à prévia edição de lei complementar e ainda que a apropriação de créditos de ICMS na aquisição de mercadorias tem suporte na técnica da não cumulatividade imposta a esse tributo pelo art. 155, § 2º, I também da Carta Maior. Continua a decisão reverberando que o artr. 155, § 2º, X, “a” tem por finalidade “o incentivo às exportações, desonerando as mercadorias nacionais do seu ônus econômico, de modo a permitir que as empresas brasileiras exportem produtos, e não tributos”e conclui pela não incidência da COFINS sobre os créditos de ICMS cedidos a terceiros. Em vista do exposto acima, vêse que o Judiciário proferiu decisão definitiva, no sentido de que: i não incide a COFINS e o PIS sobre os créditos de ICMS cedidos a terceiros, sob pena de frontal violação do preceito constitucional e; Fl. 165DF CARF MF Impresso em 27/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 24/07/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 24/07/2015 por JOEL MIYAZAKI 6 ii O conceito de receita, acolhido pelo art. 195, item I, “b” da CF, não se confunde com o conceito contábil. Por conseguinte, a decisão do Pleno do STF assenta a tese da inconstitucionalidade da incidência do PIS e da COFINS não cumulativas sobre os valores auferidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos. Com a alteração regimental, que acrescentou o art. 62A do Regimento Interno do CARF, as decisões do STF, em sede recursos repetitivos devem ser observados no Julgamento deste Tribunal Administrativo. Assim, se a matéria foi julgada pelo STF, em sede de recurso repetitivo, a decisão deve ser adotada no CARF, independentemente de convicções pessoais dos julgadores. Verificase, assim, que a decisão do Egrégio STF, em caráter de definitividade, deve ser reproduzida pelos Conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Desta forma, deve ser reconhecido o direito da recorrente de excluir de sua base de cálculo tais valores, razão pela qual dou provimento a recorrente neste ponto. 2.3 APLICAÇÃO DE JUROS SOBRE OS CRÉDITOS PASSÍVEIS DE RESSARCIMENTO Por fim, a Recorrente alega que são devidos juros sobre os créditos quando seu aproveitamento, pelo contribuinte, sofre resistência oposta por ilegítimo ato administrativo ou normativo do Fisco. Além disso, sustenta que tais juros devem ser calculados pela Taxa Selic, consoante previsão legal contida no art. 39, § 4º, da Lei n° 9.250 de 1995. A instância a quo, a seu turno, aplicou o art. 13 da Lei nº 10.833 de 2003, com redação dada pela Lei nº 10.865 de 2004, que assim dispõem: Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4º do art. 3º, do art. 4º e dos §§ 1º e 2º do art. 6º, bem como do § 2º e inciso II do § 4º e § 5º do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. Inicialmente, convém consignar que o art. 39, § 4º, da Lei nº 9.250 de 1995 referese a casos de compensação ou restituição, e não de ressarcimento. A distinção é necessária, pois o crédito passível de compensação ou restituição é aquele decorrente de um pagamento indevido ou a maior, ao passo que o crédito passível de ressarcimento é aquele decorrente de um benefício fiscal a exemplo do crédito presumido de IPI. Desse modo, o referido dispositivo não é aplicável ao caso concreto. Por outro lado, os dispositivos que versam sobre o ressarcimento do saldo credor de Cofins vinculado a operações de exportação foram bem aplicados pela instância a quo. Em matéria de benefício fiscal, é legítimo ao poder concedente estabelecer como o beneficiário deverá usufruílo. Por essa razão, se a União estabeleceu que não aplicaria juros sobre os valores a serem ressarcidos, utilizandose do veículo legislativo próprio para tanto, não se pode contestar tal restrição, e, portanto, mantenho a decisão recorrida também nesse particular. 3 Conclusão Diante de todo o exposto, DOU PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, apenas para reconhecer a não incidência da COFINS sobre a transferência onerosa a Fl. 166DF CARF MF Impresso em 27/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 24/07/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 24/07/2015 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 11020.720034/200787 Acórdão n.º 3201001.890 S3C2T1 Fl. 164 7 terceiros de créditos de ICMS referente a exportações, conforme termos da repercussão geral do STF. Conselheiro Daniel Mariz Gudino Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto Redator designado para a formalização do acórdão Fl. 167DF CARF MF Impresso em 27/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 24/07/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 24/07/2015 por JOEL MIYAZAKI
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Numero do processo: 16095.000648/2009-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
DECADÊNCIA - LANÇAMENTO DE OFÍCIO - AUSÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DO TRIBUTO.
No caso de lançamento de ofício, como é o caso de Auto de Infração lavrado por descumprimento de obrigação acessória, aplica-se o prazo decadencial previsto no art. 173, do CTN.
AUTO DE INFRAÇÃO. NÃO APRESENTAÇÃO DE LIVROS OU DOCUMENTOS. NÃO ATENDIMENTO DAS FORMALIDADES LEGAIS. INFORMAÇÃO DIVERSA DA REALIDADE.
Constitui infração deixar a empresa de apresentar documentos solicitados pela auditoria fiscal e relacionados com as contribuições previdenciárias ou apresentá-los sem atendimento às formalidades legais exigidas.
PERÍCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO.
A perícia tem, como destinatária final, a autoridade julgadora, a qual possui a prerrogativa de avaliar a pertinência de sua realização para a consolidação do seu convencimento acerca da solução da controvérsia objeto do litígio, sendo-lhe facultado indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis.
AFERIÇÃO INDIRETA. ÔNUS DA PROVA. IMPUGNAÇÃO SEM ESTEIO EM PROVAS MATERIAIS.
A recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, assim como a constatação, pelo exame da escrituração contábil ou de qualquer outro documento de que a contabilidade da empresa não registra o movimento real das remunerações dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, constituem-se motivo justo, bastante, suficiente e determinante para Fisco lance de ofício, mesmo que por aferição indireta de sua base de cálculo, a contribuição previdenciária que reputar devida, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. O Recurso pautado unicamente em alegações verbais, sem o amparo de indício de prova material, não desincumbe o Recorrente do ônus probatório imposto pelos §§ 3º e 6º, in fine, do art. 33 da Lei nº 8.212/91, eis que alegar sem provar é o mesmo que nada alegar.
Numero da decisão: 2301-004.009
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 DECADÊNCIA - LANÇAMENTO DE OFÍCIO - AUSÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DO TRIBUTO. No caso de lançamento de ofício, como é o caso de Auto de Infração lavrado por descumprimento de obrigação acessória, aplica-se o prazo decadencial previsto no art. 173, do CTN. AUTO DE INFRAÇÃO. NÃO APRESENTAÇÃO DE LIVROS OU DOCUMENTOS. NÃO ATENDIMENTO DAS FORMALIDADES LEGAIS. INFORMAÇÃO DIVERSA DA REALIDADE. Constitui infração deixar a empresa de apresentar documentos solicitados pela auditoria fiscal e relacionados com as contribuições previdenciárias ou apresentá-los sem atendimento às formalidades legais exigidas. PERÍCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. A perícia tem, como destinatária final, a autoridade julgadora, a qual possui a prerrogativa de avaliar a pertinência de sua realização para a consolidação do seu convencimento acerca da solução da controvérsia objeto do litígio, sendo- lhe facultado indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis. AFERIÇÃO INDIRETA. ÔNUS DA PROVA. IMPUGNAÇÃO SEM ESTEIO EM PROVAS MATERIAIS. A recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, assim como a constatação, pelo exame da escrituração contábil ou de qualquer outro documento de que a contabilidade da empresa não registra o movimento real das remunerações dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, constituem-se motivo justo, bastante, suficiente e determinante para Fisco lance de ofício, mesmo que por aferição indireta de sua base de cálculo, a contribuição previdenciária que reputar devida, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Fl. 772DF CARF MF Impresso em 19/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/ 04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 2 O Recurso pautado unicamente em alegações verbais, sem o amparo de indício de prova material, não desincumbe o Recorrente do ônus probatório imposto pelos §§ 3º e 6º, in fine, do art. 33 da Lei nº 8.212/91, eis que alegar sem provar é o mesmo que nada alegar. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. MARCELO OLIVEIRA - Presidente. MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR – Relator. EDITADO EM: 14/01/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, MAURO JOSE SILVA, ADRIANO GONZALES SILVÉRIO. Relatório Nos termos do item 2 do relatório de fls. 61 a 63, o auto de infração em referência foi lavrado em virtude de a empresa haver deixado de apresentar à fiscalização o Livro Diário/Razão, os contratos de prestação de serviços celebrados com terceiros, as notas fiscais, faturas e recibos de mão-de-obra ou serviços prestados e o L i v r o de Registro de Notas Fiscais, embora notificada para esse fim, o que constitui infração ao disposto no § 2 o do art. 33 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991. Em razão disto, foi aplicada a multa de que trata o art. 283, inciso II , alínea " j " , do Regulamento da Previdência Social - R P S, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 6 de maio de 1999, no importe de R$ 13.291,66, em face da atualização veiculada pela Portaria Interministerial M P S / M F n° 48, de 12/02/2009. Inconformada com a autuação, a empresa impugnou-a por meio do expediente juntado às fls. 65 a 71, onde, em síntese, formula as seguintes alegações: a) o representante legal da empresa jamais se negou a apresentar a documentação solicitada, de modo que deve ter havido equívoco da fiscalização na lavratura deste auto; b) ademais, os livros e documentos estão à disposição para qualquer análise que se faça necessária; Fl. 773DF CARF MF Impresso em 19/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/ 04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 16095.000648/2009-51 Acórdão n.º 2301-004.009 S2-C3T1 Fl. 773 3 c) a autuada promove, nesta oportunidade, a juntada de alguns documentos, tais como contratos de prestação de serviços, cópia do l i v ro de registro municipal, e t c , e propõe-se a juntar os demais caso a autoridade julgadora entenda necessário; d) de fato, a contribuinte não apresentou todos os indigitados l i v r o s dentro do prazo que lhe foi assinalado para tanto, mas isto não causou, em princípio, dano algum à autarquia, uma vez que, sem maiores dificuldades, o Sr. Fiscal obteve as informações de que necessitava - tanto que lavrou outras N F L D contra a empresa, referentes a eventual débito previdenciário constatado no período auditado; e) a recorrente não agiu em momento algum com má-fé, pois deixou de apresentar os referidos documentos apenas porque estava passando por alterações internas em sua estrutura, o que dificultou a regularização de seus livros fiscais em tempo hábil, A 6º. Turma de Julgamento do DRJ através do acórdão nº. 05-29.568 de fls. 716 e ss proferido em 27.07.2010, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento, mantendo o crédito tributário exigido: A s s u n t o : O b r i g a ç õ e s A c e s s ó r i a s Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 P R E V I D E N C I Á R I O . O B R I G A Ç Ã O A C E S S Ó R I A . A P R E S E N T AR L I V R O S E D O C U M E N T O S R E L A C I O N A D O S COM AS C O N T R I B U I Ç Õ E S PRE V I D E N C I Á R I A S . DES C U M P R I M E N T O . M U L T A . Constitui infração, punível com multa pecuniária, a empresa deixar de exibir à fiscalização livros e documentos relacionados com as contribuições previdenciárias, quando regularmente intimada para esse fim. R E L E V A Ç Ã O D A M U L T A . C O N D I Ç Õ E S . C U M P R I M E N T O A P Ó S A R E V O G A Ç Ã O D O A R T . 291 D O R E G U L A M E N T O D A P R E V I D Ê N C I A S O C I A L - RPS, A P R O V A D O P E L O D E C R E T O N° 3.048/99. I M P O S S I B I L I D A D E . Juridicamente impossível a relevação da multa, na hipótese em que as condições estabelecidas no § I o do art. 291 do R P S foram cumpridas após a revogação deste dispositivo. C O N T E N C I O S O A D M I N I S T R A T I V O . CONTROLE DE C O N S T I T U C I O N A L I D A D E . D E S C A B I M E N T O. Não cabe às autoridades que atuam no contencioso administrativo proclamar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo em v i g o r , pois tal competência é e x c l u s i v a dos órgãos do Poder Judiciário.O órgão entendeu que, em que pese os protestos da autuada: Fl. 774DF CARF MF Impresso em 19/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/ 04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 4 Intimada do acórdão em 14.10.2011 (fls. 725) e inconformada com entendimento firmado, a recorrente interpôs recurso voluntário em 10.11.2011, repisando as mesmas alegações e acrescentando ainda que: a) o acórdão é nulo de pleno direito, por ser absolutamente contraditório: “uma vez que em sua decisão o relator manifestou que o lançamento não foi expressamente impugnado, ele deveria ter encaminhado o processo à área de arrecadação da Delegacia da Receita Federal do Brasil respectiva, de forma a que fosse dado prosseguimento à cobrança do crédito tributário constituído”; b) a autoridade julgadora de 1º instância adotou um entendimento híbrido, isto é, entendeu que o contribuinte não rechaçara, de maneira inconteste, a acusação que havia- lhe sido imputada, concordando, portanto, com a mesma, porém, apreciou, por meio de sua Decisão, mérito, que, em tese, inexistiria, visto que, não houvera sido expressamente contestado; c) requer que o presente processo administrativo retorne à Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas/SP, para que uma de suas Turmas Julgadoras se manifeste se houve – neste caso, que seja prolatado novo Acórdão, desta vez em boa e perfeita ordem, reabrindo-se, por conseqüência, após haver sido levado a conhecimento do contribuinte, o respectivo prazo para o oferecimento, em querendo, do devido recurso voluntário – ou se, em tendo inocorrido expressa impugnação da matéria, na forma do art. 17 do Decreto nº. 72350/1972 que o crédito tributário passe a ser, de pronto, exigido da ora Recorrente; d) que a ação fiscal gerou outros autos de infração, sendo que para uma delas foi proferido o acórdão nº. 05-29.246 pela mesma Turma Julgadora do presente acórdão em que o relator do voto simples fez valer a Súmula Vinculante nº, 08 do STF , exonerando na íntegra, o crédito tributário constituído, visto alcançado pela decadência; e) alega que o Acórdão ora recorrido, apesar de abranger as mesmas competências do acórdão nº. 05-29.246 sequer menciona referida Súmula 8, havendo portanto ao seu ver tratamentos distintos; f) requer seja aplicado a Sumula 8 do STF e na pior das hipóteses a anulação do acórdão ora recorrido. É relatório. Voto Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior O recurso é tempestivo e todos os pressupostos de admissibilidade foram cumpridos, não havendo óbice ao seu conhecimento. Da análise do recurso apresentado, registro o que se segue. Preliminarmente, a recorrente requer a reforma da decisão em relação à decadência, a fim de que seja reconhecida a decadência das parcelas anteriores à dezembro de 2001, com a aplicação da regra contida no art. 150, § 4o, do CTN, entendendo que não se Fl. 775DF CARF MF Impresso em 19/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/ 04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 16095.000648/2009-51 Acórdão n.º 2301-004.009 S2-C3T1 Fl. 774 5 apresenta legal e razoável a exigência de documentos referentes ao período temporal intangível à ação fiscal para constituição do crédito tributário através do presente auto de infração. Entretanto, o caso em tela se trata de Auto de Infração por descumprimento de obrigação acessória, ou seja, de lançamento de ofício, para o qual se a aplica o disposto no art. 173 do Código Tributário Nacional, transcrito a seguir: Art.173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva à decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo Único O direito a que se refere este artigo extingue-se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. O Auto de Infração foi lavrado em 03/12/2009, e sua cientificação ao sujeito passivo se deu em 11/12/2009. Dessa forma, considerando o exposto acima, constata-se que não há que se falar em decadência. Portanto, mantenho a decisão recorrida em relação à decadência. MÉRITO A recorrente argumenta, genericamente, quanto à necessidade de tornar insubsistente o Auto de Infração guerreado tendo em vista que o fiscal lavrou arbitrariamente o auto de infração, totalmente ao desamparo da lei. Ocorre que, compulsando os autos, ao contrário do que afirma a recorrente, o auto de infração foi lavrado em conformidade com as normas legais que regulam a matéria, tendo o Auditor Fiscal apontado com precisão e clareza a obrigação acessória não cumprida pela contribuinte e os fundamentos legais da multa cominada. Os argumentos da recorrente com vistas ao cancelamento do auto não procedem, como poderá ser constatado ao longo da presente análise. A lavratura do auto de infração em análise, teve como motivação o descumprimento de obrigação acessória, relativamente a não exibição de documentos e livros relacionados com as contribuições previdenciárias ou apresentá-los em desconformidade com as formalidades legais exigidas, consoante à determinação contida no art. 33, §§ 1° e 2°, da Lei 8.212/91, c/c. o art. 233, parágrafo único, do RPS, aprovado pelo Dec. n° 3.048/99, in verbis: “Art.33. (...). Fl. 776DF CARF MF Impresso em 19/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/ 04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 6 § 1o É prerrogativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil, por intermédio dos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil, o exame da contabilidade das empresas, ficando obrigados a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados o segurado e os terceiros responsáveis pelo recolhimento das contribuições previdenciárias e das contribuições devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (Grifei). § 2o A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (Grifei). O artigo 233, do RPS dispõe que: Art. 233 . Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social e a Secretaria da Receita Federal podem, sem prejuízo da penalidade cabível nas esferas devida, cabendo à empresa, ao empregador doméstico ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Parágrafo único. Considera-se deficiente o documento ou informação apresentada que não preencha as formalidades legais, bem como aquele que contenha informação diversa da realidade, ou, ainda, que omita informação verdadeira. (Grifei). Dos dispositivos acima transcritos, infere-se como sendo obrigação de toda empresa apresentar os livros relacionados com as contribuições previdenciárias, livros estes necessariamente revestidos das formalidade legais, quer de natureza intrínseca ou extrínseca. Do até aqui ponderado, verifica-se que não tem qualquer procedência a afirmativa da autuada no sentido de que o Agente fiscal lavrou arbitrariamente o auto de infração, totalmente ao desamparo da lei. Ainda, a recorrente em seu recurso voluntário afirma que “não se negou em momento algum de entregar os Livros e documentos solicitados” pela fiscalização. Apenas ad argumentandum tantum, imagine-se que não tenha a contribuinte se recusado a entrega dos livros e documentos e que tenha atendido o pedido do Agente autuante, mas se o atendeu foi de forma deficiente, conforme se depreende do relatório fiscal que aponta diversas irregularidades apuradas nos registros contábeis, o que resultou na desconsideração da contabilidade, e, por conseguinte, a aferição indireta para fins de lançamento. Isto porque a escrituração contábil, documentos, livros diário e razão foram adotados sem as formalidades legais pertinentes. Aliás, em relação à desconsideração da contabilidade para aferição indireta da base de cálculo das contribuições previdenciárias, trago a colação o Acórdão nº 2302001.993, 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, de 14/08/12, exarado nos autos do processo nº 10540.720158/201026, de relatoria do Conselheiro Arlindo da Costa e Silva: “DESCONSIDERAÇÃO DA CONTABILIDADE. AFERIÇÃO INDIRETA.CABIMENTO. Fl. 777DF CARF MF Impresso em 19/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/ 04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 16095.000648/2009-51 Acórdão n.º 2301-004.009 S2-C3T1 Fl. 775 7 A constatação, pelo exame da escrituração contábil ou de qualquer outro documento da empresa, de que a contabilidade não registra o movimento real das remunerações dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, é motivo justo, bastante, suficiente e determinante para a apuração, por aferição indireta, das contribuições previdenciárias efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. (...).”Código Tributário Nacional CTN, cujo art. 195 aponta, inflexivelmente, para o mesmo norte Código Tributário Nacional CTN. Art. 195. Para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibi-los. Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram. Quanto à perícia ventilada pela recorrente, cabe esclarecer que se trata de procedimento, do qual a prova pericial extraída tem como destinatária a autoridade julgadora que fará juízo de valor quanto a ser ela imprescindível ou não para a solução da controvérsia objeto do litígio. Acrescente a isto que, a diligência ou a prova pericial não são buscadas ou obtidas ao sabor do julgador, mas elas sempre serão necessárias nas hipóteses em que a verdade material não puder ser alcançada de outra forma mais célere e simples. No presente caso, entendo que estão presentes todas as informações suficientes para compreensão dos fatos e solução do litígio, razões pelas quais não vejo como necessária a realização de diligência ou perícia, aventada de forma vaga e imprecisa pela recorrente, eis que em nenhum momento o fez com observância ao que dispõe o inciso IV, do art. 16, do Dec. 70.235/72, in verbis: “ IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993).” Assim, tendo em conta que a Recorrente, em seu recurso voluntário apenas faz ilações da necessidade de diligência e perícia sem observar os requisitos estabelecidos no dispositivo acima transcrito, implica em considerar como não tendo sido feitos tais pedidos, nos termos do §1º, do mesmo artigo, o qual determina que “Considerar-se-á não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16”. Fl. 778DF CARF MF Impresso em 19/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/ 04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 8 Em face do até aqui arrazoado, resta patente a impossibilidade de invalidar ou ter como improcedente os procedimentos adotados pelo Agente Fiscal, bem como o deferimento de diligência ou perícia CONCLUSÃO Ante o exposto, VOTO no sentido de CONHECER o recurso voluntário e, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO. É o voto. Manoel Coelho Arruda Júnior - Relator Fl. 779DF CARF MF Impresso em 19/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/ 04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Relatório Voto
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Numero do processo: 13971.720049/2008-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed May 13 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2004
REPETIÇÃO DE INDÉBITO. COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. ONUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE
No âmbito especifico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório pleiteado.
CONCEITO DE INSUMOS. DIREITO DE CRÉDITO. CRITÉRIOS PRÓPRIOS
O conceito de insumos não se confunde com aquele definido na legislação do IPI - restrito às matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem aplicados diretamente na produção; por outro lado, também não é qualquer bem ou serviço adquirido pelo contribuinte que gera direito de crédito, nos moldes da legislação do IRPJ.
Ambas as posições (restritiva/IPI e extensiva/IRPJ) são inaplicáveis ao caso. Cada tributo tem sua materialidade própria (aspecto material), as quais devem ser consideradas para efeito de aproveitamento do direito de crédito dos insumos: o IPI incide sobre o produto industrializado, logo, o insumo a ser creditado só pode ser aquele aplicado diretamente a esse produto; o IRPJ incide sobre o lucro (lucro = receitas - despesas), portanto, todas as despesas necessárias devem ser abatidas das receitas auferidas na apuração do resultado.
No caso do PIS/Pasep e da Cofins, a partir dos enunciados prescritivos contidos nas Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, devem ser construídos critérios próprios para a apuração da base de cálculo das contribuições.
As contribuições incidem sobre a receita da venda do produto ou da prestação de serviços, portanto, o conceito de insumo deve abranger os custos de bens e serviços, necessários, essenciais e pertinentes, empregados no processo produtivo, imperativos na elaboração do produto final destinado à venda, gerador das receitas tributáveis.
Recurso Voluntário parcialmente provido.
Numero da decisão: 3202-001.593
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário. O conselheiro Charles Mayer de Castro Souza votou pelas conclusões, em relação à matéria tratada no item iv.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Luís Eduardo Garrossino Barbieri Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama.
Nome do relator: LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
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RESSARCIMENTO Recorrente KARSTEN S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2004 REPETIÇÃO DE INDÉBITO. COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. ONUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE No âmbito especifico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório pleiteado. CONCEITO DE INSUMOS. DIREITO DE CRÉDITO. CRITÉRIOS PRÓPRIOS O conceito de insumos não se confunde com aquele definido na legislação do IPI restrito às matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem aplicados diretamente na produção; por outro lado, também não é qualquer bem ou serviço adquirido pelo contribuinte que gera direito de crédito, nos moldes da legislação do IRPJ. Ambas as posições (“restritiva/IPI” e “extensiva/IRPJ”) são inaplicáveis ao caso. Cada tributo tem sua materialidade própria (aspecto material), as quais devem ser consideradas para efeito de aproveitamento do direito de crédito dos insumos: o IPI incide sobre o produto industrializado, logo, o insumo a ser creditado só pode ser aquele aplicado diretamente a esse produto; o IRPJ incide sobre o lucro (lucro = receitas despesas), portanto, todas as despesas necessárias devem ser abatidas das receitas auferidas na apuração do resultado. No caso do PIS/Pasep e da Cofins, a partir dos enunciados prescritivos contidos nas Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, devem ser construídos critérios próprios para a apuração da base de cálculo das contribuições. As contribuições incidem sobre a receita da venda do produto ou da prestação de serviços, portanto, o conceito de insumo deve abranger os custos de bens e AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 00 49 /2 00 8- 11 Fl. 1021DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 12/05/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/05/2015 por LU IS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI 2 serviços, necessários, essenciais e pertinentes, empregados no processo produtivo, imperativos na elaboração do produto final destinado à venda, gerador das receitas tributáveis. Recurso Voluntário parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário. O conselheiro Charles Mayer de Castro Souza votou pelas conclusões, em relação à matéria tratada no item iv. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente Luís Eduardo Garrossino Barbieri – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama. Relatório O presente litígio decorre de Pedido de Ressarcimento de créditos da contribuição para a Cofins não cumulativa – exportação, tendo como fundamento o art. 6° da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, relativamente ao 3º trimestre de 2004, no valor de R$ 46.789,14, formalizado por meio do PER/DCOMP n° 11994.47124.160107.1.1.099930 (fls. 01 a 05), transmitido em 16/01/2007. Esclareceu a fiscalização (efl. 728) que o montante de crédito passível de ressarcimento apurado pela contribuinte, no presente trimestre, é de R$ 681.711,40, sendo que a requerente limitou o pedido de ressarcimento ao crédito que remanesceu após as Declarações de Compensações tributárias apresentadas a RFB em 27/08/2004, nos autos do processo 13971.001367/200447, na qual utilizou R$ 224.189,26 referentes ao mês de julho/2004, em 23/09/2004, nos autos do processo 13971.001771/200411, na qual utilizou R$ 253.252,95 referentes ao mês de agosto/2004 e 28/10/2004, nos autos do processo 13971.001928/200416, na qual utilizou R$157.480,05 referentes ao mês de setembro/2004, restando o valor de R$ 46.789,14, objeto do presente Pedido de Ressarcimento. Para elucidar os fatos ocorridos transcrevese o relatório constante da decisão de primeira instância administrativa, verbis: Relatório Tratase de Pedido de Ressarcimento, PER/DCOMP nº 11994.47124.160107.1.1.099930, de créditos da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — Cofins, nãocumulativa, decorrentes das receitas de exportação referentes ao terceiro trimestre de 2004, no valor de R$ 46.789,14. Relatório de Auditoria Fiscal Fl. 1022DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 12/05/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/05/2015 por LU IS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 13971.720049/200811 Acórdão n.º 3202001.593 S3C2T2 Fl. 1.022 3 Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal do Brasil — DRF pelo seu indeferimento, em razão do não acatamento de valores inseridos pela contribuinte na base de calculo do crédito, como segue: a) o valor de R$ 590.984,43, informado na linha 28 da ficha 06 Apuração dos Créditos da Cofins (fl. 13), como Saldo de Créditos do Mês Anterior de Exportações, que foi objeto de outros Pedidos de Ressarcimento dos trimestres a que se referiam; b) em relação aos valores das operações de aquisição declarados na linha 02 do Dacon foram glosados os seguintes valores: a. as diferenças, a maior, entre estes (Dacon) e os informados na memória de cálculo apresentada; b. as diferenças, a maior, entre os valores informados na memória de cálculo apresentada e os apurados a partir do LRE (montantes mensais apurados por CFOP); deste foram excluídas as deduções decorrentes de devoluções de notas de aquisições que anteriormente compunham a base de créditos pleiteados e do IPI incluído no valor total das notas fiscais; c. das aquisições de bens de pessoa física, conforme as respectivas notas fiscais; d. das notas fiscais que não se referem a aquisição de bens, no caso, as notas escrituradas no CFOP 1.151 TRANSFERÊNCIA PARA INDUSTRIALIZAÇÃO, de emissão da própria requerente, referentes à entrada de lenha extraída de reflorestamentos de sua propriedade; c) em relação às devoluções de vendas, foram excluídas as diferenças, a menor, verificadas entre os valores apurados nos arquivos digitais do LRE e os declarados no Dacon. Consta que o montante de crédito passível de ressarcimento apurado pela contribuinte para o trimestre é de RS 681.711,40, limitando, a requerente, o pedido de ressarcimento de que se trata ao crédito que remanesceu após as compensações (anexas aos autos) apresentadas: uma em 27/08/2004, nos autos do processo 13971.001367/200447, na qual se utilizou de R$ 224.189,26; outra em 23/09/2004, nos autos do processo 13971.001771/200411, na qual se utilizou de R$ 253.252,95; e outra em 28/10/2004, nos autos do processo 13971.001928/200416, na qual se utilizou de R$ 157.480,05. Em análise ao crédito pretendido pela contribuinte, efetuadas as glosas de valores da base de cálculo da apuração deste, a DRF: • decidiu pelo reconhecimento parcial do direito creditório nos valores de R$ 154.384,96, R$ 130.787,94 e R$ 122.388,29, para os meses de julho, agosto e setembro de 2004, respectivamente; • não se manifestou em relação a declaração tratada nos autos do processo 13971.001367/200447, na qual a contribuinte se utilizou do valor de R$ 224.189,26 referente ao mês de julho/2004, em face de sua homologação tácita; • decidiu pela homologação parcial: da Declaração de Compensação tratada nos autos dos processos 13971.001771/200411, até o limite de R$ 130.787,94; da Declaração de Compensação tratada nos autos dos processos 13971.001928/2004 16, até o limite de R$ 122.388,29. Manifestação de Inconformidade A interessada, inicialmente, contestou a glosa das diferenças verificadas entre os valores informados na memória de cálculos e os declarados em Dacon alegando que "a informação fiscal válida é aquela prestada na DACON. A memória de Fl. 1023DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 12/05/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/05/2015 por LU IS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI 4 cálculo apresentada posteriormente não pode ser considerada como informação oficial, nos termos da lei". Nesse sentido, defende que "Eventuais diferenças devem ser levantadas com base nas informações fiscais prestadas nos termos da legislação: Livro Registro de Entradas e Dacon". No que se refere às operações de aquisição reconhecidas como geradoras de crédito, apuradas a partir do LRE, reclama que a Autoridade Fiscal não considerou na apuração do montante destas operações os valores das aquisições de matéria prima importada (CFOP 3.101), aquisições estas que geram créditos por se referirem a insumos. Também reclama da não inclusão dos valores referentes aos serviços de transporte nas aquisições de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem. A fim de corrigir os equívocos na apuração das divergências, pugna pela verificação dos conhecimentos de transporte registrados, inclusive no livro fiscal de entradas, que segue em anexo, em CD, para apurar os devidos registros. Em relação às aquisições de pessoas físicas, diz que, pelo fato terem ocorrido apenas no período de julho de 2004, em relação ao qual ocorreu a homologação tácita, não se manifestará. Quanto às notas referentes à entrada de lenha, informa que os custos referemse a serviço de extração de lenha utilizada nas caldeiras da empresa. Explica que a empresa contratada, para efetuar o corte da lenha e pôla a sua disposição, emitia "notas de serviço globais, por períodos" e que a "cada nota de serviço correspondiam várias cargas de lenha. Para o ingresso do produto nas dependências da empresa, eram emitidas notas fiscais de entrada, englobando várias cargas transportadas". Destaca que "como as notas de serviço não são escrituráveis no livro fiscal", não tomou o crédito com base nestas, como teria "pleno direito, com base nos dispositivos do art. 3° da Lei 10.833/2003", mas "Para fins de crédito e registro fiscal, a empresa lançou as notas fiscais de entrada, conforme cada lote de cargas, atribuindolhes valor proporcional ao serviço cobrado através das notas de serviço". Junta planilhas e notas, por amostragem, a fim de demonstrar a correlação entre os valores das notas de serviço e as notas de entrada de lenha. É o relatório. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis proferiu o Acórdão n.º 0726.534 de 28 de outubro de 2011 (efolhas 868/ss), o qual recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 REPETIÇÃO DE INDÉBITO. COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório pleiteado. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. APURAÇÃO DO CRÉDITO. DACON A apuração dos créditos das Contribuições para o PIS e da Cofins, não cumulativas, é realizada pelo contribuinte por meio do Dacon, não cabendo a autoridade tributária, em sede do contencioso administrativo, assentir com a inclusão, na base de cálculo desses crédito, de custos e despesas não informados ou incorretamente informados no respectivo Dacon. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Fl. 1024DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 12/05/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/05/2015 por LU IS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 13971.720049/200811 Acórdão n.º 3202001.593 S3C2T2 Fl. 1.023 5 Anocalendário: 2004 REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. No regime da nãocumulatividade, só são considerados como insumos, para fins de creditamento de valores: as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de sua aplicação direta no processo produtivo; e os serviços aplicados diretamente na produção ou fabricação do produto destinado à venda. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A interessada regularmente cientificada do Acórdão proferido pela DRJ – Florianópolis, em 23/11/2011 (efolha 890), interpôs Recurso Voluntário em 23/12/2011 (efls. 895/ss), onde repisa os argumentos trazidos na manifestação de inconformidade, os quais podem ser assim sintetizados: (a) Existem divergências entre os valores informados na memória de cálculo e os valores declarados em DACON. Afirma que o cálculo constante no Relatório de Auditoria (itens 3.2 – Glosa Divergência aquisições com créditos X memória de cálculo) desconsidera valores que certamente gerariam créditos em seu favor; (b) Em relação às aquisições de matériasprimas do exterior, afirma que de acordo com o Relatório Fiscal (item 3.2) não foi acatada a base de cálculo no montante de R$ 1.558.693,66 para o mês de agosto/2004. E, ainda, aduz não ter sido relacionado qualquer valor no campo “Aquisições com créditos apuradas com base nos arquivos digitais do LRE”, contudo, neste período assevera que o montante de matériasprimas importadas (DFOP 3101) foi de R$ 1.382.916,75. Conclui que o crédito indicado em relação aos insumos importados deve ser considerado para fins de cálculo do ressarcimento do tributo; (c) Em relação às aquisições de serviços de transporte/frete, alega não terem sido considerados pela fiscalização os custos havidos com os serviços de transporte nas aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem (CFOP 1.353 E 2.352) na apuração da base de cálculo efetuada pela fiscalização; (d) Em relação aos custos com extração de lenha que foram glosados pela fiscalização, afirma que eventual equívoco cometido pela empresa (ter informado referida despesa na DACON como “aquisição de insumo” ao invés de “prestação de serviço”) não tem o condão de desconsiderar a despesa em comento e, por conseguinte, os créditos dela decorrentes. Esclarece, a Recorrente, que não comentará sobre as glosas de valores apurados no mês de julho/2004 (aquisições de pessoas físicas, por exemplo), pelo fato de referidas aquisições terem ocorrido no período em relação ao qual ocorreu a homologação tácita. O processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator na forma regimental. Fl. 1025DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 12/05/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/05/2015 por LU IS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI 6 Em 23/04/2013, por meio da Resolução nº 3202000.098, esta Turma de julgamentos resolveu baixar os autos em diligência para que fossem esclarecidas as seguintes questões fáticas trazidas pela Recorrente em seu recurso: i. As divergências apontadas entre os valores informados na memória de cálculo e os valores declarados em DACON; ii. Se as aquisições de matériasprimas do exterior foram consideradas nos cálculos efetuados pela fiscalização, para fins de cálculo do ressarcimento do tributo; iii. Se as aquisições de serviços de transporte/frete foram consideradas nos cálculos efetuados pela fiscalização, para fins de cálculo do ressarcimento do tributo; iv. Se os custos com extração de lenha foram glosados pela fiscalização, como afirma a Recorrente. E se houve equívoco cometido pela empresa, ao informar referida despesa na DACON como “aquisição de insumo” ao invés de “prestação de serviço”. A diligência foi efetuada e os autos retornaram ao CARF (efls. 918/1018). É o relatório. Voto Conselheiro Luís Eduardo G. Barbieri, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende os requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Como relatado, os autos foram encaminhados à unidade de origem para o esclarecimento de questões fáticas. Assim, após as informações e documentos apresentados pela fiscalização e pela Recorrente, passemos a analise de cada uma das questões com vistas à solução do litígio: i. As divergências apontadas entre os valores informados na memória de cálculo e os valores declarados em DACON A fiscalização informou o que segue (efls. 972/ss): Verificaramse divergências de R$ 16.100,77 em julho, R$ 1.565,99 em agosto e R$ 5.231,90 em setembro entre os valores informados na memória de cálculo (fls. 39) e os demonstrados no DACON (fls. 12), conforme se constata da planilha a seguir, transcrita do Relatório de Auditoria Fiscal – fls. 744/745, o que demonstra que a memória de cálculo não convalida o DACON. (vide planilha a efl. 972/973) (...) Assim, depreendese da planilha de fls. 747 que na auditoria fiscal as aquisições com crédito apuradas com base no arquivo digital foram totalizadas por CFOP. Desses totais foram deduzidas parcelas relativas ao IPI recuperável, bem como as devoluções de compras, obtendose bases de cálculo das aquisições com direito ao crédito, líquidas, para cada CFOP. Tais bases de cálculo foram comparadas, por CFOP, com aquelas informadas na memória da fl. 39, e nos casos em que estas foram superiores àquelas foram aplicadas glosas. Malgrado as alegações trazidas à baila no Recurso Voluntário, não se pode olvidar que as informações tratadas pela auditoria foram trazidas aos autos pelo próprio Fl. 1026DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 12/05/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/05/2015 por LU IS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 13971.720049/200811 Acórdão n.º 3202001.593 S3C2T2 Fl. 1.024 7 contribuinte, que tem o dever de demonstrar a higidez do direito creditório pleiteado a ser pago. Ora se a própria interessada fornece um arquivo digital informando que certas aquisições não geram direito creditório, o mínimo que a fiscalização deve fazer com a devida acurácia é glosar o crédito. A Recorrente, em resposta às conclusões proferidas pela fiscalização (efls. 989), aduz que as “supostas divergências de bases de cálculo indicadas no DACON e no LRE (aquisições com crédito)”, contudo, a autoridade fiscal teria deixado de considerar as informações da DACON o que certamente gerariam créditos em favor da contribuinte. Alega, ainda, “que foram juntados à Manifestação de Inconformidade documentos (fls. 787 a 866) que comprovam a legitimidade dos créditos pleiteado pela Recorrente”. Pois bem. A Recorrente alega genericamente que a fiscalização não considerou informações da DACON, entretanto, não demonstra e não prova, de forma cabal, quais seriam esses supostos valores desconsiderados. A Recorrente não se desincumbiu de provar suas alegações. Nos casos de pedido de ressarcimento é do contribuinte o ônus de comprovar o direito alegado, por meio de sua escrituração contábilfiscal. Não o fez! Assim, não há como reconhecer o seu direito. Negase provimento do recurso nesta matéria. ii. Se as aquisições de matériasprimas do exterior foram consideradas nos cálculos efetuados pela fiscalização, para fins de cálculo do ressarcimento do tributo. Em relação a esta matéria a fiscalização faz os seguintes esclarecimentos (e fls. 974/ss): Com supedâneo na sobredita planilha elaborada pela fiscalização a partir do arquivo de notas fiscais de entrada fornecidos pelo contribuinte e já transcrita na presente informação, verificase que tais aquisições foram consideradas nos cálculos efetuados apenas no mês de setembro de 2004. Embora tenha havido o reconhecimento no mês de setembro de 2004, constatase um equívoco generalizado, porquanto o direito creditório oriundo de aquisições de insumos no mercado externo deflui da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, que traz regras próprias que não se compaginam com a legislação que rege o direito creditório de aquisições de insumos no mercado interno, que dimanam das Leis nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Diferentemente das aquisições de insumos no mercado interno cujo direito creditório é apurado segundo o critério de custo, obtendose uma base de cálculo sobre a qual aplicase a alíquota relativa ao tributo (7,60% para a COFINS), as aquisições no mercado externo possibilitavam, na época, o crédito para utilização em desconto na proporção das contribuições efetivamente pagas na importação dos bens e serviços conforme prescreve o § 1º, do artigo 15, da Lei nº 10.865/2004: (...) Assim, com espeque nos dispositivos legais trazidos à baila, concluise que no período em questão (julho a setembro de 2004) não havia sequer previsão legal a amparar pedido de ressarcimento das contribuições incidentes sobre aquisições no mercado externo. Sobreleva esclarecer, inclusive, por estranho que possa parecer, que a partir do período em que o ressarcimento de créditos associados às contribuições incidentes Fl. 1027DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 12/05/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/05/2015 por LU IS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI 8 sobre aquisições no mercado externo foi possível, tal ressarcimento deve ser solicitado através do Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação – PER/DCOMP – utilizandose o “Tipo de Crédito: Mercado Interno”, pois o PER/DCOMP relacionado ao “Tipo de Crédito: Exportação”, objeto da diligência, comporta apenas créditos associados às aquisições no mercado interno. A Recorrente, por sua vez, assevera que (efls. 990/ss) “a Informação Fiscal corrobora os argumentos da Recorrente no sentido de que, no mês de agosto/2004, não foi considerada pela fiscalização nenhuma aquisição de matériaprima importada (CFOP 3.101), ao consignar quanto a este ponto que foram consideradas nos cálculos efetuados pelo Fisco apenas as aquisições relativas ao mês de setembro de 2004 (fl. 974)”. Deste modo, afirma que “o parágrafo único, do art. 16, da Lei nº 11.116/2005, citado pela própria Informação Fiscal, assegura o direito de ressarcimento do saldo credor acumulado das contribuições para o PIS e a COFINS, no presente caso. Tanto é possível, que o Acórdão proferido pela DRJ/FNS confirmou a possibilidade de crédito no presente caso”. Alega, ainda, que a Informação Fiscal ao alegar “ausência de previsão legal”, trouxe evidente inovação, uma vez que tal questão não foi levantada autoridade fiscal que examinou o crédito e não motivou a glosa do referido crédito. De fato, nesta matéria a Informação Fiscal inovou, ao informar que “não havia sequer previsão legal a amparar pedido de ressarcimento das contribuições incidentes sobre aquisições no mercado externo”, argumento este que não foi utilizado pela autoridade fiscal que analisou o pedido de ressarcimento (efls. 728/ss). A meu ver, havia previsão legal autorizando a utilização de crédito de insumos adquiridos no exterior, ex vi do §1º, do artigo 15, da Lei nº 10.865, de 30/04/2004 (aliás, como citado na própria Informação Fiscal). Destarte, assiste razão a Recorrente ao afirmar que no mês de agosto/2004 não foi considerada pela fiscalização nenhuma aquisição de matériaprima importada, devendo, portanto, esses valores serem considerados para fins de ressarcimento dos tributos. iii. Se as aquisições de serviços de transporte/frete foram consideradas nos cálculos efetuados pela fiscalização, para fins de cálculo do ressarcimento do tributo. Neste item, a fiscalização informou o que segue (efls. 976/ss): Da mesma forma que no item anterior, da planilha elaborada pela fiscalização a partir de informações trazidas pela recorrente é possível afirmar que as aquisições de serviços de fretes não foram consideradas nos cálculos para fins de ressarcimento da contribuição. Importante destacar que o próprio contribuinte, ao relacionar as aquisições com direito ao crédito não incluiu os fretes, concluindose que não condiz com a realidade a alegação de glosa por erro na indicação da linha o DACON conforme se demonstra a seguir. (...) Considerando o objeto social da empresa, bem como o não preenchimento das linhas 03 e 07 da ficha 06 do DACON, concluise que a única hipótese possível de direito creditório seria aquela em que o frete, quando pago pelo adquirente, compõe o custo de um insumo a ser informado na linha 02 do DACON. Mas não basta que se informe a existência de despesas de fretes. É imprescindível que se comprove que o frete foi utilizado para o transporte de um insumo adquirido Fl. 1028DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 12/05/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/05/2015 por LU IS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 13971.720049/200811 Acórdão n.º 3202001.593 S3C2T2 Fl. 1.025 9 no mercado interno e que o mesmo foi efetuado por pessoa jurídica domiciliada no País. Isto significa dizer, por exemplo, que a contratação de um frete para o transporte de mercadoria para uma feira ou o transporte de amostras, ou ainda de mercadorias importadas (insumos) do porto até a empresa não geram créditos. Na busca pela verdade material foi encaminhada a Intimação Fiscal nº 1/2014 solicitandose informações relativas aos documentos comprobatórios dos fretes contratados. Em resposta foi encaminhada planilha juntada aos autos conforme termo (fls.966) contendo informações acerca dos conhecimentos de frete bem como das notas fiscais dos produtos transportados. Do referido arquivo, considerandose apenas os conhecimentos que contemplam fretes cuja base de cálculo do crédito das contribuições seja diferente de zero, verificase que há fretes associados ao transporte de ativo imobilizado (CFOP 1551 e 2551), transferência para industrialização (CFOP 1151) e transporte de amostra grátis (CFOP 2911) cujo crédito não é contemplado pela legislação. Adicionalmente empreendeuse diligência no estabelecimento da interessada amparada pelo Mandado de Procedimento Fiscal nº 0920400.2014.00111, cuja ciência deuse em 07/03/2014, conforme o Termo de Início (fls. 967), confirmando se por amostragem as informações prestadas nos arquivos digitais relativamente aos fretes cujo crédito é possível. Assim, obtémse as seguintes bases de cálculo dos créditos das contribuições relativas aos fretes que compõem o custo de insumos: MÊS CFOP BASE DE CÁLCULO JULHO 1352 16,46 2352 27.929,61 AGOSTO 1352 18,00 2352 34.725,15 SETEMBRO 1352 0,00 2352 30.567,26 A Recorrente, comentando as conclusões a que chegou a fiscalização no tocante à rubrica “fretes”, de forma genérica, sem, contudo, apresentar documentação probante capaz de demonstrar suas afirmações. Assim, devem ser considerados os valores dos fretes conforme calculado na diligência pela fiscalização para os meses de julho, agosto e setembro, constantes da planilha acima transcrita. v. Se os custos com extração de lenha foram glosados pela fiscalização, como afirma a Recorrente. E se houve equívoco cometido pela empresa, ao informar referida despesa na DACON como “aquisição de insumo” ao invés de “prestação de serviço”. Por fim, nesta matéria a fiscalização afirma: De fato, o contribuinte apropriouse de créditos relativos à transferência de lenha extraída de reflorestamento próprio, fato este relatado pela autoridade fiscal no item 3.3 do relatório e reiterado pela recorrente. Embora a autoridade fiscal tenha bem fundamento a glosa por constatar que a transferência de lenha do reflorestamento para o estabelecimento industrial não caracteriza uma aquisição, o que por si só impede o crédito, em que pesem as alegações da interessada relativas à aquisição dos serviços, há outro óbice ao Fl. 1029DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 12/05/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/05/2015 por LU IS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI 10 reconhecimento do direito creditório aventado no Recurso Voluntário. É que mesmo que fossem apresentadas notas fiscais de serviços e ainda que fossem informados na linha 03 da ficha 06 ao invés da linha 02 da ficha 06, tais serviços não poderiam ser considerados insumos, outro prérequisito indispensável ao crédito nos termos inciso II do artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. Isto porque o contribuinte possui como atividade a produção de artigos de cama, mesa e banho, cujos serviços apropriados a título de insumos poderiam ser, por exemplo: serviços de fiação, estamparia, beneficiamento, tingimento, corte, dentre outros, desde que contratados junto a pessoas jurídicas domiciliadas no País. Por outra banda, se a atividade da interessada fosse a produção, para a venda, de lenha, não haveria óbice ao crédito dos serviços pleiteados, desde que adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País. A Recorrente, em relação a este item, assegura que “os custos com os serviços de extração de lenha geram direito a crédito, tendose em vista que tais serviços são necessários à produção e à fabricação dos bens e produtos elaborados pela Recorrente”. Com razão a Recorrente. Isto porque a fiscalização adotou um critério restrito na definição do conceito de insumo (“critério do IPI”). Como já tivemos a oportunidade de demonstrar em diversos julgados (Acórdãos nº 3202001.023, 27/11/2013; 3202001.021, de 06/01/2014), a matéria em discussão – conceito de insumos para fins de creditamento do PIS/Cofins – tem dado azo a profundos debates no CARF e, também, à decisões com entendimentos divergentes. Existem julgados que têm dado interpretação mais restritiva ao conceito de insumos, equiparandoos ao conceito utilizado na legislação do IPI (vide Acórdãos nº 3801 001.855, de 23/05/2013 e nº 330100.929, de 3/05/2011), adotando o entendimento constante das IN SRF nº 247/2002 e 404/2004; há julgados que aplicaram conceito mais elástico, adotando o conceito de insumo como todo custo ou despesa necessária à atividade da empresa, nos moldes da legislação do IRPJ (vide Acórdãos nº 320200.226, de 08/12/2010 e nº 203 12.741, de 11/03/2008); há julgados, em uma linha intermediária, que têm aplicado critérios próprios para tentar definir o conceito de insumo para fins das citadas contribuições (vide Acórdãos CSRF nº 930301.741, 09/11/2011 e nº 930301.042, de 23/08/2010). Esta última posição, ao que nos parece, tem sido majoritária. A meu ver, ambas as posição extremas (“restritiva/IPI” e “extensiva/IRPJ”) são inaplicáveis ao caso. Cada tributo tem sua materialidade própria (aspecto material), as quais devem ser consideradas para efeito de aproveitamento do direito de crédito dos insumos: o IPI incide sobre o produto industrializado, logo, o insumo a ser creditado só pode ser aquele aplicado diretamente a esse produto; o IRPJ incide sobre o lucro (lucro = receitas despesas), portanto, todas as despesas necessárias devem ser abatidas das receitas auferidas na apuração do resultado; o PIS e a COFINS incidem sobre a receita da venda do produto ou da prestação de serviços, portanto, o conceito de insumo deve abranger os custos de bens e serviços, necessários, essenciais e pertinentes, empregados no processo produtivo, imperativos na elaboração do produto final destinado à venda, gerador das receitas tributáveis. Desse modo, é preciso deixar assentado que, de um lado, o conceito de insumos não se confunde com aquele definido na legislação do IPI – restrito às matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem aplicados diretamente na produção, de outro lado, não é qualquer bem ou serviço adquirido que gera direito de crédito, nos moldes da legislação do IRPJ. Fl. 1030DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 12/05/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/05/2015 por LU IS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 13971.720049/200811 Acórdão n.º 3202001.593 S3C2T2 Fl. 1.026 11 Dispõe o artigo 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002, que, do valor apurado na forma do art. 2º, a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a “bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI” (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004). Registrese, de antemão, que não há nenhum dispositivo legal indicando que se deva buscar o significado do termo “insumo”, de maneira restritiva, com base na legislação do IPI (como também não há estabelecendo a interpretação extensiva, nos moldes do IRPJ). Onde a lei não restringiu, não cabe ao intérprete fazêlo. A própria lei, portanto, ao introduzir no ordenamento jurídico a sistemática da não cumulatividade, já dispôs sobre a possibilidade do abatimento de determinados créditos com o intuito de afastar, ou ao menos atenuar, a cumulatividade, até então existente, das referidas contribuições, com fundamento no que dispôs o artigo 195, parágrafo 12, da CF/88 (não cumulatividade). Embora não muito claramente, o enunciado prescritivo acima referido (artigo 3º, II, Lei nº 10.637/2002) indicou que poderiam ser descontados créditos relativos aos insumos utilizados na produção ou fabricação de bens/produtos destinados à venda. Deste modo, a lei não restringiu o crédito apenas aos insumos diretamente aplicados no produto, como entendem alguns; ao contrário, prescreveu que os bens e serviços utilizados, diretamente ou indiretamente, indiferentemente a meu ver, como insumos, portanto todos aqueles necessários, pertinentes e inerentes ao processo produtivo, poderiam ser descontados, e desde que relacionado ao objeto social da empresa (porque somente as atividades ali previstas podem relacionarse com o processo produtivo da empresa). Devese, destarte, apurar quais foram os gastos (bens e serviços) utilizados no processo produtivo são necessários, pertinentes e inerentes para elaboração do produto final destinado a venda, que resultam no auferimento das receitas tributáveis, representativas da materialidade sobre as quais se dá a incidência do PIS e Cofins (aspecto material da regra matriz de incidência). A Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF manifestouse no Acórdão nº 930301.741, de 09/11/2011, Conselheira Relatora Nanci Gama, em consonância com a linha intermediária por nos adotada (definição de insumos por critérios próprios), conforme ementa abaixo transcrita: PIS. INDUMENTÁRIA. INSUMOS. DIREITO DE CRÉDITO. ART. 3º LEI 10.637/02. Os dispêndios, denominados insumos, dedutíveis do PIS não cumulativo, são todos aqueles relacionados diretamente com a produção do contribuinte e que participem, afetem, o universo das receitas tributáveis pela referida contribuição social. A indumentária imposta pelo próprio Poder Público na indústria de processamento de alimentos exigência sanitária que deve ser obrigatoriamente cumprida é insumo inerente à produção da indústria avícola, e, portanto, pode ser abatida no cômputo de referido tributo. No caso concreto tratado nos autos, os citados “custos com extração de lenha”, vinculados indiretamente à produção e à fabricação dos bens e produtos elaborados Fl. 1031DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 12/05/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/05/2015 por LU IS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI 12 pela Recorrente, a meu ver, são inerentes, pertinentes e necessários à realização de suas atividades, portanto, devem dar direito a crédito das contribuições. Conclusão Ante a tudo o que foi exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos seguintes termos: a) Negar provimento em relação ao item (i) “divergências apontadas entre os valores informados na memória de cálculo e os valores declarados em DACON”; b) Dar provimento em relação ao item (ii) “as aquisições de matérias primas do exterior foram consideradas nos cálculos efetuados pela fiscalização, para fins de cálculo do ressarcimento do tributo”; c) Dar provimento parcial em relação ao item (iii). “as aquisições de serviços de transporte/frete foram consideradas nos cálculos efetuados pela fiscalização, para fins de cálculo do ressarcimento do tributo”, apenas considerandose os valores dos fretes conforme calculado na diligência pela fiscalização para os meses de julho, agosto e setembro, constantes da planilha abaixo transcrita. MÊS CFOP BASE DE CÁLCULO JULHO 1352 16,46 2352 27.929,61 AGOSTO 1352 18,00 2352 34.725,15 SETEMBRO 1352 0,00 2352 30.567,26 d) Dar provimento em relação ao item (iv) “custos com extração de lenha foram glosados pela fiscalização” É como voto. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Fl. 1032DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 12/05/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/05/2015 por LU IS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
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Numero do processo: 10814.010015/2005-88
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Fri Jun 03 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO - II
Data do fato gerador: 09/01/2001
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. RECONHECIMENTO DO DIREITO À ISENÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
A isenção não concedida em caráter geral é efetivada, caso a caso, por despacho da autoridade administrativa, mediante requerimento do interessado, no qual comprove o preenchimento das condições e dos requisitos definidos em lei para a concessão do favor.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3102-001.070
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Nanci Gama.
Nome do relator: Ricardo Paulo Rosa
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1748; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C1T2 Fl. 1 1 S3C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10814.010015/200588 Recurso nº 875.081 Voluntário Acórdão nº 310201.070 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 03 de junho de 2011 Matéria Retificação de DI Recorrente SIEMENS VDO AUTOMOTIVE LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 09/01/2001 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. RECONHECIMENTO DO DIREITO À ISENÇÃO. ÔNUS DA PROVA. A isenção não concedida em caráter geral é efetivada, caso a caso, por despacho da autoridade administrativa, mediante requerimento do interessado, no qual comprove o preenchimento das condições e dos requisitos definidos em lei para a concessão do favor. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Nanci Gama. Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. Ricardo Paulo Rosa Relator. EDITADO EM: 03/06/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Luciano Pontes de Maya Gomes, Paulo Sergio Celani, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Nanci Gama. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 03/06/2011 por RICARDO PAULO ROSA 2 Trata o presente processo de pedido de restituição de Imposto de Importação alegadamente recolhido a maior, pago através de débito automático em conta corrente bancária na data do registro da DI n° 03/09703403, em 07/11/2003 (fls. 6/9), no valor de R$ 2.717,27 (Dois mil, setecentos e dezessete reais e vinte e sete centavos). Seguese um breve histórico dos fatos, conforme documentos nos autos. Alega o interessado ter direito ao beneficio fiscal concedido pelo art. 5º das Medidas Provisórias n’s 193924 (de 06/01/00), 206837 (de 27/12/00) e 206838 (de 25/01/01), convertidas em Lei n° 10.182, de 12 de fevereiro de 2001. Tal beneficio consiste na redução de 40 % (quarenta por cento) do imposto de importação, para empresas devidamente habilitadas quanto ao mesmo no Sistema Integrado de Comércio Exterior SISCOMEX, referindose especificamente à importação de partes, peças, componentes, conjuntos e subconjuntos, acabados e semiacabados, e pneumáticos, destinadas aos processos produtivos das empresas e dos fabricantes de produtos relacionados no art. 5º, § 1° I a X (veículos leves: automóveis e comerciais leves, ônibus, caminhões, etc). Tendo em vista que, em nome do mesmo interessado, na mesma Unidade da RFB e tratando de assunto idêntico (mas para Declarações de Importação diferentes) há diversos processos em tramitação, inicialmente todos foram apensados ao de n° 10814006.463/200587. Posteriormente, constatouse que parte dos processos apensados ao de n° 10814006.463/200587 apresentavam registro no Programa PerdComp, de Declaração de Compensação, e outros não (tratam apenas de restituição, como é o caso do presente PAF) , o que exige rito processual diferente. Optouse pela separação do presente processo, o qual foi desapensado do PAF 10814 006.463/200587 (fls. 41)., para nele discutirse apenas a viabilidade de reconhecimento do direito creditório pleiteado (e não a compensação, a qual não foi objeto de Declaração respectiva): Voltemos à síntese dos fatos: PEDIDO DE RETIFICAÇÃO DE DI INDEFERIMENTO Em 07/11/2003 o interessado submeteu a despacho aduaneiro mercadorias beneficiárias da mencionada redução, pela Declaração de Importação n° 03/09703403, tendo deixado de pleitear o benefício em questão, e recolhido integralmente o Imposto de Importação. Em 05/12/2005, por requerimento de fls. 1/2, pleiteou a restituição do valor que entende recolhido a maior, no total de R$ 2.717,27 (Dois mil, setecentos e dezessete reais e vinte e sete centavos), pelo Pedido de Restituição de fls. 1/2 e Pedido de Cancelamento de Declaração de Importação e Reconhecimento de Direito Creditório de fls. 3/4. . Anexou às fls. 21 documento comprobatório fornecido pelo DECEX, segundo o qual a empresa está habilitada a fruir o benefício da Lei 10.182/2001 desde 18/01/2000. O processo tramitou pela Inspetoria da Receita Federal em São (IRFSP), para revisão aduaneira e eventual retificação de Declaração de Importação. Dentro do procedimento de análise da retificação prevista no art. 45 da In n° 680/2006, o contribuinte em tela foi intimado a apresentar as certidões negativas de débito (CND, FGTS e Dívida Ativa da União) abrangendo as datas de registro da DI.. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 03/06/2011 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10814.010015/200588 Acórdão n.º 310201.070 S3C1T2 Fl. 2 3 Em atendimento ao termo em questão o contribuinte apresentou tempestivamente resposta onde se manifestou pelo não cabimento da exigência de certidões negativas no caso em tela e também que caberia à administração verificar internamente se a empresa estaria ou não em regularidade com os tributos administrados pela União. Tendo em vista o previsto no artigo 120 do Regulamento Aduaneiro vigente à época dos fatos, aprovado pelo Decreto n° 4.543/2002, combinado com o artigo 60 da Lei 9.069, de 29/06/1995, entendeu a autoridade aduaneira que, da combinação dos dois dispositivo legais, fica caracterizado que a exigência de prova de quitação se renova a cada despacho objeto de redução pretendida e que a comprovação em questão deve ser feita pelo contribuinte, não se aplicando aqui o disposto no art. 37, da Lei 9.784/99. Em decorrência do exposto, foi indeferido o pedido de retificação da Declaração de Importação (fls. 44). Em 15/05/2008 foi proferido despacho indeferindo a retificação da Declaração de Importação (v. fls. 44). PEDIDO DE RECONSIDERAÇÃO DE DESPACHO DENEGATÓRIO DA RETIFICAÇÃO DE DI INDEFERIMENTO Ciente da decisão denegatória de seu pleito (retificação da DI), o interessado apresentou seu pedido de reconsideração de despacho. Apresentou, tempestivamente, seu pedido de reconsiderado de despacho para ser encaminhada ao Sr. InspetorChefe, nos termos do § 4º . art; n° 45 da IN/SRF n° 680/2006. Em seu pedido de reconsideração o impetrante manteve posição pelo não cabimento da exigência de certidão negativa no caso em tela. 01 Argumentou que a Lei in° 10.182 não exige a apresentação de CND para fruição da redução do imposto, porém a Notícia Siscomex n° 21, de 23/07/2001 não deixa qualquer dúvida quanto a aplicabilidade do disposto no art. 60 da Lei n° 9.069, de 29/06/1995, para as retificações constantes no processo em tela. 02 Reapresentou jurisprudência das 1ª e 2ª Turmas do STJ, que , conforme já mencionado, ,não valem para o caso em tela, por tratarem de benefícios referentes a mercadorias beneficiadas por drawback, beneficio este de caráter objetivo, e não à redução ora discutida, que é um beneficio condicional do tipo objetivosubjetivo ou misto (vinculado à qualidade do importador e à destinação do bem). Diante do exposto, e levandose em conta o previsto no artigo 120 do Regulamento Aduaneiro vigente à época dos fatos, aprovado pelo Decreto n° 4.543/2002, combinado com o artigo 60 da Lei 9.069, de 29/06/1995, foi mantido o indeferimento do pleito. O despacho denegatório do pleito encontrase às fls. 45/46 — Despacho Decisório IRF/SPO n° 034/2009, de 18 de fevereiro de 2009. PEDIDO DE RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITORIO — INDEFERIMENTO Tendo o interessado tomado ciência do despacho decisório que manteve o indeferimento, e esgotado administrativamente o pedido de retificação, os autos foram enviados para a ALF/Aeroporto Internacional em São Paulo — Guarulhos SP, para prosseguimento, nos termos do artigo 58 da IN/RFB 900/2008, ou seja, apreciação relativo ao reconhecimento ou não do direito creditório e a restituição de Fl. 3DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 03/06/2011 por RICARDO PAULO ROSA 4 crédito relativo ao tributo administrado pela RFB, (no caso em estudo, o imposto de importação). Com base na mesma argumentação que servira de base ao indeferimento de seu pedido de retificação de DI ( posteriormente objeto de pedido de reconsideração), e levando em conta o referido indeferimento, que implicou em não ficar caracterizado terem os recolhimentos sido feitos a maior que o devido, foi indeferido também o pedido de reconhecimento de direito creditório. (fls. 45/46). Inconformado com o indeferimento de seu pleito, o interessado apresentou sua Manifestação de Inconformidade, tempestivamente. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Analisandose a Manifestação de Inconformidade de fls. 54/68, constatase que são os seguintes os principais argumentos do recorrente: 01 — A Lei 10.182/01, que instituiu o beneficio da redução de 40% do II na importação de determinados produtos , para empresas montadoras e dos fabricantes do setor automotivo não exige a apresentação de CND para a fruição da redução do imposto (comprovação já feita quando de sua habilitação ao regime, feita junto ao SECEX). 02 — Entende que não se aplica ao caso o art. 60 da Lei 9.069/95, que condiciona à apresentação de CND apenas a concessão ou reconhecimento de beneficio fiscal. Entende que o dispositivo legal prevê a apresentação em somente uma das ocasiões, e ele já apresentara as CND's quando da habilitação do beneficio. 03 — Alega que, pela doutrina, lei posterior derroga lei anterior e lei especial derroga lei geral. Portanto, a Lei 10182/2001 teria prelavência sobre a Lei 9.069/1995, já que lei posterior derroga a anterior. Também à derrogaria por ser a Lei 9.069/1995 geral, e a lei 10182/2001especial. . 04 — Considera que caberia à Receita Federal aferir a regularidade fiscal do interessado, pela simples verificação de seus sistemas informatizados, conforme art. 37 da Lei n° 9.784/99; 05 — Reapresenta jurisprudência administrativa e judicial, que entende reforçar seu ponto de vista. Resumindose os fatos, o indeferimento do pleito quanto à retificação da DI e do reconhecimento do direito creditório prendeuse basicamente à não apresentação das CNDs (Certidões Negativas de Débito) à época do fato gerador, e a Manifestação de Inconformidade de fls. 54/68 também foca o mesmo assunto, ou seja, a pretendida inadmissibilidade de exigência de CNDs (Certidões Negativas de Débito) a cada despacho aduaneiro de importação onde seja pleiteado beneficio de redução ou isenção de tributo. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 07/11/2003 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. ALEGAÇÃO DE RECOLHIMENTO A MAIOR POR NÃO UTILIZAÇÃO DA REDUÇÃO PREVISTA NA LEI 10.182/2001 (REGIME AUTOMOTIVO). NÃO RECONHECIDO O DIREITO CREDITÓRIO TENDO EM VISTA A NÃO Fl. 4DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 03/06/2011 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10814.010015/200588 Acórdão n.º 310201.070 S3C1T2 Fl. 3 5 COMPROVAÇÃO DE REGULARIDADE QUANDO AOS TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES FEDERAIS À ÉPOCA DO FATO GERADOR. Conforme art. 165 da Lei n° 5..172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional), cabe restituição de tributos recolhidos indevidamente ou a maior que o devido. Não caracterizado o recolhimento como indevido ou a maior que o devido, não cabe a restituição do mesmo ao sujeito passivo. APRESENTAÇÃO DE CNDs POR OCASIÃO DO DESPACHO ADUANEIRO DE MERCADORIA BENEFICIADA POR ISENÇÃO/REDUÇÃO DE CARÁTER SUBJETIVO OU MISTO. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou beneficio fiscal de caráter subjetivo (vinculado à qualidade do importador) ou misto (vinculado tanto à qualidade e destinação da mercadoria quanto à qualidade do importador), relativos a tributos e contribuições administrados pela Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais, sendo cabível o disposto no artigo 60 da Lei n° 9.069, de 29 de junho de 1995. Insatisfeita com a decisão de primeira instância, a recorrente apresenta recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio do qual repisa argumentos contidos na impugnação ao lançamento. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso voluntário. A lide cingese à possibilidade de que o contribuinte usufrua da redução do imposto de importação própria do Regime Automotivo, independentemente da apresentação da Certidão Negativa de Débitos CND por ocasião do registro das importações correspondentes. Todas as demais questões estão pacificadas. Essa exigência está expressa no artigo 60 da Lei 9.069/95. Art. 60. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais. Segundo entende a recorrente, a administração não pode fazer uma exigência não especificada na legislação própria do Regime, que determinava a apresentação da CND apenas no momento da habilitação da empresa no Siscomex. Uma vez habilitada, estaria apta à fruição do benefício, para o que não é exigida a apresentação da CND, sendo esta vinculada à concessão do mesmo, que, tudo segundo entende, ocorreu quando de sua habilitação no Siscomex. Por outro lado, sustenta que a lei mais específica, no caso a Lei 10.182/01, deve prevalecer ante uma Lei mais genérica, a 9.069/95. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 03/06/2011 por RICARDO PAULO ROSA 6 Não assiste razão à recorrente. Além de tudo o que até aqui já foi dito, cabe acrescentar o disposto no Código Tributário Nacional a respeito do processo de concessão de benefício fiscal. Art. 179. A isenção, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade administrativa, em requerimento com o qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para concessão. (grifos meus) § 1º Tratandose de tributo lançado por período certo de tempo, o despacho referido neste artigo será renovado antes da expiração de cada período, cessando automaticamente os seus efeitos a partir do primeiro dia do período para o qual o interessado deixar de promover a continuidade do reconhecimento da isenção. § 2º O despacho referido neste artigo não gera direito adquirido, aplicandose, quando cabível, o disposto no artigo 155. Depreendese do texto que (i) a isenção é efetivada por despacho da autoridade administrativa, em cada caso, e não, como advoga a recorrente, por meio da habilitação ao Regime e (ii) que cabe ao interessado fazer prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para concessão da isenção. Uma das condições definidas em lei é justamente a apresentação da Certidão Negativa de Débitos, sendo, conforme estabelecido no Código Tributário Nacional, de responsabilidade do contribuinte a adoção de tal providência, para que, somente depois de atestado o preenchimento da condição, a autoridade administrativa efetive a isenção prevista em lei. Quanto a isso, é óbvio que o Código estáse referindo à aplicação da isenção concedida por lei. Do contrário, não faria menção a despacho da autoridade administrativa, em requerimento, fazer prova, e em cada caso. A lei concede a isenção, e a administração efetiva a, analisando caso a caso, o pedido do administrado. Não há que se falar aqui em fruição. Essa depende de que o beneficiário mantenhase preenchendo as condições e requisitos, sob pena de revogação da isenção já efetivada. Assim determina o art. 155 do Código, ao qual faz remissão o artigo 179 acima transcrito. Art. 155. A concessão da moratória em caráter individual não gera direito adquirido e será revogado de ofício, sempre que se apure que o beneficiado não satisfazia ou deixou de satisfazer as condições ou não cumprira ou deixou de cumprir os requisitos para a concessão do favor, cobrandose o crédito acrescido de juros de mora: I com imposição da penalidade cabível, nos casos de dolo ou simulação do beneficiado, ou de terceiro em benefício daquele; II sem imposição de penalidade, nos demais casos. Parágrafo único. No caso do inciso I deste artigo, o tempo decorrido entre a concessão da moratória e sua revogação não se computa para efeito da prescrição do direito à cobrança do crédito; no caso do inciso II deste artigo, a revogação só pode ocorrer antes de prescrito o referido direito. Se a isenção não foi se quer efetivada, não há que se falar em fruição. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 03/06/2011 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10814.010015/200588 Acórdão n.º 310201.070 S3C1T2 Fl. 4 7 Também não se trata de aplicação de lei mais específica. As duas leis não estão em contradição, complementamse. Esse princípio seria oponível se a Lei 10.182/01 expressamente dispensasse a apresentação da CND, o que não é o caso. Neste mesmo contexto, importante destacar que o disposto no artigo 37 da lei 9.784/99 não é aplicável ao caso concreto, pois tratase de um comando genérico, regulador das situações que não dispõe de regulamentação própria, conforme ressalvado na própria Lei 9.784/99, artigo 69. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Art. 69. Os processos administrativos específicos continuarão a regerse por lei própria, aplicandoselhes apenas subsidiariamente os preceitos desta Lei. Finalmente, cumpre acrescentar que a decisão do Recurso Especial nº 1.047.237 – SP, tomada no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, em recurso repetitivo, referese textualmente ao Regime Aduaneiro Especial de Drawback, não sendo, por conseguinte, aplicável ao caso concreto. RECURSO ESPECIAL Nº 1.041.237 SP (2008/00604621) RELATOR : MINISTRO LUIZ FUX RECORRENTE : FAZENDA NACIONAL PROCURADORES : CLAUDIO XAVIER SEEFELDER FILHO MARIA FERNANDA DE FARO SANTOS E OUTRO(S) RECORRIDO : ROYAL CITRUS SA ADVOGADO : OSVALDO SAMMARCO E OUTRO(S) EMENTA PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. REGIME DE DRAWBACK. DESEMBARAÇO ADUANEIRO. CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITO (CND). INEXIGIBILIDADE. ARTIGO 60, DA LEI 9.069/95. 1. Drawback é a operação pela qual a matériaprima ingressa em território nacional com isenção ou suspensão de impostos, para ser reexportada após sofrer beneficiamento. 2. O artigo 60, da Lei nº 9.069/95, dispõe que: "a concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais" . 3. Destarte, ressoa ilícita a exigência de nova certidão negativa de débito no momento do desembaraço aduaneiro da respectiva importação, se a comprovação de quitação de tributos federais já fora apresentada quando da concessão do benefício inerente às operações pelo regime de drawback (Precedentes das Turmas de Direito Fl. 7DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 03/06/2011 por RICARDO PAULO ROSA 8 Público: REsp 839.116/BA, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 21.08.2008, DJe 01.10.2008; REsp 859.119/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 06.05.2008, DJe 20.05.2008; e REsp 385.634/BA, Rel. Ministro João Otávio de Noronha, Segunda Turma, julgado em 21.02.2006, DJ 29.03.2006). 4. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543 C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Ante o exposto, VOTO POR NEGAR provimento ao recurso voluntário apresentado pela recorrente. Sala de Sessões, 03 de junho de 2011. Ricardo Paulo Rosa – Relator. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 03/06/2011 por RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 10840.003063/2004-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Apr 28 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/04/2004
ESTOQUE DE ABERTURA. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE NÃO HOMOLOGAR A COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE DE AVALIAÇÃO DOS CRÉDITOS APURADOS RETROATIVAMENTE.
O direito da Fazenda Pública não homologar a compensação levada a efeito pelo contribuinte decai em 05 (cinco) anos contados da data da transmissão da Declaração de Compensação, nos termos do §5º, do art. 74, da Lei nº 9.430/96. Considerando que compensação declarada extingue o crédito tributário sob condição resolutória de sua ulterior homologação, afigura-se lícito retroagir até a data da apuração do crédito utilizado na Declaração de Compensação, para averiguar de sua aptidão para extinção do crédito tributário.
CRÉDITO SOBRE DISPÊNDIOS PREVISTOS NO ART. 3º, II, DA LEI 10.833/2003. CONCEITO DE INSUMOS. RELAÇÃO DE PERTINÊNCIA E DEPENDÊNCIA COM O PROCESSO DE PRODUÇÃO E FABRICAÇÃO DE BENS OU PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. DESCONTO DE CRÉDITOS, REFLEXOS NO CÁLCULO DO CRÉDITO PRESUMIDO DO ESTOQUE DE ABERTURA.
No regime de apuração não cumulativa das contribuições ao PIS e à COFINS, o desconto de créditos das aquisições de bens e direitos utilizados como insumo na produção ou fabricação de bens destinados a venda (art. 3°, II, das Leis n°s 10.637/02 e 10.833/03), está condicionado a relação de pertinência e dependência do insumo ao processo produtivo ou de fabricação do bem ou prestação de serviços pelo contribuinte, analisada em cada caso em concreto, não sendo aplicável o conceito restrito das INs 247/02 e 404/04, que equiparou o insumo aos produtos intermediários no âmbito do IPI e nem o conceito mais elástico de despesa necessária previsto para o IRPJ. Referidos insumos que estiverem no estoque, são passíveis de desconto de crédito presumido no estoque de abertura na migração para o sistema não cumulativo, nos termos dos arts. 12 c/c 15, da Lei nº 10.833/03.
RATEIO DE CUSTOS E DESPESAS E PROPORCIONALIZAÇÃO ENTRE RECEITAS DO MERCADO INTERNO E EXTERNO.
Admitido o direito de crédito sobre custos de produção e despesas necessárias a geração da receita tributável pelas Contribuições ao PIS e COFINS, tanto para cálculo do crédito presumido do estoque de abertura quanto para os créditos correntes, deve ser refeito o cálculo relativo ao rateio de custos e despesas sujeitas as receitas sujeitas ao regime não cumulativo e a ele não sujeitas, e ainda da proporcionalização entre as receitas do mercado interno e externo, para recompor o total do crédito passível de ressarcimento.
Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 3402-002.565
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente
(assinado digitalmente)
João Carlos Cassuli Junior Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente Substituto), MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO DEÇA, FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA (Suplente), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária.
Nome do relator: JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 30/04/2004 ESTOQUE DE ABERTURA. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE NÃO HOMOLOGAR A COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE DE AVALIAÇÃO DOS CRÉDITOS APURADOS RETROATIVAMENTE. O direito da Fazenda Pública não homologar a compensação levada a efeito pelo contribuinte decai em 05 (cinco) anos contados da data da transmissão da Declaração de Compensação, nos termos do §5º, do art. 74, da Lei nº 9.430/96. Considerando que compensação declarada extingue o crédito tributário sob condição resolutória de sua ulterior homologação, afigura-se lícito retroagir até a data da apuração do crédito utilizado na Declaração de Compensação, para averiguar de sua aptidão para extinção do crédito tributário. CRÉDITO SOBRE DISPÊNDIOS PREVISTOS NO ART. 3º, II, DA LEI 10.833/2003. CONCEITO DE INSUMOS. RELAÇÃO DE PERTINÊNCIA E DEPENDÊNCIA COM O PROCESSO DE PRODUÇÃO E FABRICAÇÃO DE BENS OU PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. DESCONTO DE CRÉDITOS, REFLEXOS NO CÁLCULO DO CRÉDITO PRESUMIDO DO ESTOQUE DE ABERTURA. No regime de apuração não cumulativa das contribuições ao PIS e à COFINS, o desconto de créditos das aquisições de bens e direitos utilizados como insumo na produção ou fabricação de bens destinados a venda (art. 3°, II, das Leis n°s 10.637/02 e 10.833/03), está condicionado a relação de pertinência e dependência do insumo ao processo produtivo ou de fabricação do bem ou prestação de serviços pelo contribuinte, analisada em cada caso em concreto, não sendo aplicável o conceito restrito das INs 247/02 e 404/04, que equiparou o insumo aos produtos intermediários no âmbito do IPI e nem o conceito mais elástico de despesa necessária previsto para o IRPJ. Referidos insumos que estiverem no estoque, são passíveis de desconto de crédito presumido no estoque de abertura na migração para o sistema não cumulativo, nos termos dos arts. 12 c/c 15, da Lei nº 10.833/03. RATEIO DE CUSTOS E DESPESAS E PROPORCIONALIZAÇÃO ENTRE RECEITAS DO MERCADO INTERNO E EXTERNO. Admitido o direito de crédito sobre custos de produção e despesas necessárias a geração da receita tributável pelas Contribuições ao PIS e COFINS, tanto para cálculo do crédito presumido do estoque de abertura quanto para os créditos correntes, deve ser refeito o cálculo relativo ao rateio de custos e despesas sujeitas as receitas sujeitas ao regime não cumulativo e a ele não sujeitas, e ainda da proporcionalização entre as receitas do mercado interno e externo, para recompor o total do crédito passível de ressarcimento. Recurso parcialmente provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente Substituto), MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO DEÇA, FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA (Suplente), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/04/2004 ESTOQUE DE ABERTURA. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE NÃO HOMOLOGAR A COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE DE AVALIAÇÃO DOS CRÉDITOS APURADOS RETROATIVAMENTE. O direito da Fazenda Pública não homologar a compensação levada a efeito pelo contribuinte decai em 05 (cinco) anos contados da data da transmissão da Declaração de Compensação, nos termos do §5º, do art. 74, da Lei nº 9.430/96. Considerando que compensação declarada extingue o crédito tributário sob condição resolutória de sua ulterior homologação, afigurase lícito retroagir até a data da apuração do crédito utilizado na Declaração de Compensação, para averiguar de sua aptidão para extinção do crédito tributário. CRÉDITO SOBRE DISPÊNDIOS PREVISTOS NO ART. 3º, II, DA LEI 10.833/2003. CONCEITO DE INSUMOS. RELAÇÃO DE PERTINÊNCIA E DEPENDÊNCIA COM O PROCESSO DE PRODUÇÃO E FABRICAÇÃO DE BENS OU PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. DESCONTO DE CRÉDITOS, REFLEXOS NO CÁLCULO DO CRÉDITO PRESUMIDO DO ESTOQUE DE ABERTURA. No regime de apuração não cumulativa das contribuições ao PIS e à COFINS, o desconto de créditos das aquisições de bens e direitos utilizados como insumo na produção ou fabricação de bens destinados a venda (art. 3°, II, das Leis n°s 10.637/02 e 10.833/03), está condicionado a relação de pertinência e dependência do insumo ao processo produtivo ou de fabricação do bem ou prestação de serviços pelo contribuinte, analisada em cada caso em concreto, não sendo aplicável o conceito restrito das IN’s 247/02 e 404/04, que equiparou o insumo aos produtos intermediários no âmbito do IPI e nem o conceito mais elástico de despesa necessária previsto para o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 00 30 63 /2 00 4- 11 Fl. 393DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 4/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 2 IRPJ. Referidos insumos que estiverem no estoque, são passíveis de desconto de crédito presumido no estoque de abertura na migração para o sistema não cumulativo, nos termos dos arts. 12 c/c 15, da Lei nº 10.833/03. RATEIO DE CUSTOS E DESPESAS E PROPORCIONALIZAÇÃO ENTRE RECEITAS DO MERCADO INTERNO E EXTERNO. Admitido o direito de crédito sobre custos de produção e despesas necessárias a geração da receita tributável pelas Contribuições ao PIS e COFINS, tanto para cálculo do crédito presumido do estoque de abertura quanto para os créditos correntes, deve ser refeito o cálculo relativo ao rateio de custos e despesas sujeitas as receitas sujeitas ao regime não cumulativo e a ele não sujeitas, e ainda da proporcionalização entre as receitas do mercado interno e externo, para recompor o total do crédito passível de ressarcimento. Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente Substituto), MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D’EÇA, FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA (Suplente), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Fl. 394DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 4/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 10840.003063/200411 Acórdão n.º 3402002.565 S3C4T2 Fl. 394 3 Relatório Retornam os autos da diligência determinada através da resolução nº. 3402 000.370, designada por esta Colenda Turma, para que “seja esclarecida a participação de cada item (bem ou direito) (...) no processo produtivo da empresa, ainda como, que seja efetuado descritivo minucioso do referido processo, a fim de que sejam constatados o emprego dos referidos bens e direitos no processo produtivo, aquilatando sua participação em relação ao produto final.” Consignase antes que se referem estes autos à Declaração de Compensação, apresentada pelo sujeito passivo, de crédito no valor de R$ 115.748,59 (cento e quinze mil, setecentos e quarenta e oito reais e cinqüenta e nove centavos), relativa ao período de Abr/2004, referente a Contribuição para o Cofins nãocumulativa. A compensação pretendida não foi homologada sob três fundamentos. 1) apuração incorreta dos créditos de Cofins em virtude da empresa ter utilizado receitas incorretas na apuração do rateio dos custos, despesas e encargos vinculados às receitas cumulativas e não cumulativas. Interpretação errônea quanto ao disposto no § 7º e no inciso I do § 8º, todos do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003. 2) bens e produtos não incluídos no conceito de insumos utilizados no processo produtivo da empresa, conforme o disposto no inciso II do artigo 3º da Lei nº 10.637/2002 e no art. 8º, inciso I, alínea “b” e “b1” e nos parágrafos 4º, item I, alínea “a”, e 9º, inciso I do mesmo art. 8º da Instrução Normativa nº 404, de 12 de março de 2004. Aquisição de produtos não considerados como insumos pela legislação vigente, para a fabricação/produção de bens destinados a venda. 3) Quanto ao cálculo do crédito correspondente ao estoque de abertura, cômputo indevido de valores relativos a itens não previstos na legislação. Diante dos recursos apresentados pelo contribuinte e das decisões até então prolatadas no processo, entendi que mesmo que houvessem demais matérias versadas no indeferimento adotado pela Autoridade Preparadora, ainda assim sua análise restaria prejudicada pela definição exata do conceito de insumos no caso em tela, uma vez que o mesmo interferiria em todos os cálculos dos créditos a serem considerados, tanto para rateio, quanto, para, por exemplo, estoques de abertura, ou créditos presumidos. Assim, a Turma designou que fossem esclarecidos, conforme acima, a função dos seguintes itens no processo produtivo da empresa: · Canadeaçúcar recebida de pessoa física; · Despesas de depreciação; · Energia elétrica; · Despesas com mãodeobra e encargos; Fl. 395DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 4/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 4 · Assistência técnica; · Material de expediente; · Licenciamento de veículos; · Materiais de consumo; · Materiais de limpeza e higiene; · Materiais e equipamentos de segurança; · Prêmio de Seguro; · Despesas de conservação e reparação de veículos; · Transporte de pessoal; · Manutenção elétrica; · Manutenção mecânica; · Construção Civil; · Carpintaria; · Laboratórios; · Automação Industrial; · Manutenção de entressafra; Cumprida formalmente a diligência, foi elaborada a Informação Fiscal de fls. 317 343 (numeração eletrônica), cujas conclusões, restaram, resumidamente, assim consignadas: · Que a glosa relativa aos valores de “mãodeobra e encargos” decorre do próprio texto da Lei 10.833/2003, segundo o qual não dará crédito o valor de mãodeobra paga à pessoa física, pelo que tais valores não devem compor o estoque de abertura; · Que a glosa dos valores de “despesas de depreciação”, está correta pois estas despesas possuem créditos previstos no inciso IV, do art. 3º da Lei 10.833/2003, não compreendidas, portanto, no conceito de insumos previsto no inciso II do mesmo artigo; · Que quanto aos montantes de crédito oriundos de “canadeaçúcar recebida de pessoa física”, o artigo 12 da Lei nº 10.833/20 delimitou os créditos sobre o estoque de abertura, incluindo em seu conceito apenas os bens de que tratam os incisos I e II do artigo 3º da Lei nº 10.833/2003 (mercadorias e insumos), desde que adquiridos de pessoa jurídica. A cana adquirida de pessoa física não se enquadra neste conceito em função de sua origem (adquirida de pessoa física) e, também, pelo fato de estar estabelecida em mandamentos legais diversos dos incisos I e II do artigo 3º, qual seja os parágrafos 5º e 6º do artigo 3º da Lei nº 10.833/2003. · A glosa dos valores correspondentes aos itens “outros custos e diretos”, “outros custos rateados” e “reparação de entressafra” está dividida na forma como o contribuinte segregou os créditos em sua contabilidade, de forma que correspondem, conforme respondeu o contribuinte nas respostas às intimações, aos seguintes centros de custo: a) Produção de açúcar (relacionado apenas a conta “outros custos diretos”): estão inseridas neste centro as despesas incorridas a título de assistência técnica, bens de valores irrelevantes, combustíveis, conservação e Fl. 396DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 4/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 10840.003063/200411 Acórdão n.º 3402002.565 S3C4T2 Fl. 395 5 reparação de bens, material de expediente, despesas diversas e materiais de limpeza e higiene à Verificadas as informações prestadas pelo contribuinte e tendo em vista os mais recentes entendimentos do CARF, podese dizer que os referidos custos se caracterizam como utilizados no sistema produtivo da empresa; b) Produção Comum (relacionados às contas “outros custos rateados e reparação de entressafra”): foram inseridos neste centro de despesas “outros custos rateados” as seguintes rubricas – assistência técnica, conservação e reparação de bens, despesas diversas, energia elétrica, lubrificantes, materiais de consumo, materiais de limpeza e higiene, serviços prestados por terceiros pessoa jurídica, transporte de pessoal e no centro “reparação de entressafra” as seguintes rubricas – assistência técnica, bens de valores irrelevantes, depreciações, despesas diversas, energia elétrica, lubrificantes, materiais de consumo, materiais de limpeza e higiene, conservação e reparação de bens, serviços prestados por terceiros pessoa jurídica e transporte de pessoal. à Verificadas as informações prestadas pelo contribuinte é de se manter a glosa relativas aos créditos de depreciação, pelo motivo já exposto anteriormente, bem como assim as despesas com transporte de pessoal, pois que os créditos relativos ao frete apenas e tão somente podem ser descontados na operação de venda quando o ônus for suportado pelo vendedor, ou quando assim não for, tal frete estará incluso no custo de aquisição da mercadoria; E, como se trata o caso de transporte de pessoas, o custo do frete compõe o custo de mãodeobra paga a pessoa física, despesa esta não suscetível de apropriação de créditos. Com relação aos demais itens relacionados, pela ampliação do conceito de insumos admitida no CARF, devem ser os mesmos serem computados nos créditos apropriados pelo contribuinte; c) Manutenção Elétrica (relacionado às contas “outros custos rateados e reparação de entressafra”): Foram inseridos neste centro as rubricas de conservação e reparação de bens e despesas diversas. à Tais itens não restaram caracterizados como insumos, afastandose da permissão contida nos inciso I e II do art. 3º da Lei 10.833/2003; d) Manutenção Mecânica (relacionado às contas “outros custos rateados e reparação de entressafra”): inserida a rubrica reparação de ferramentas à cujo entendimento é de que, na esteira do item acima, não se trata de insumo; e) Construção Civil (relacionado às contas “outros custos rateados e reparação de entressafra”): inseridas as rubricas despesas diversas , que segundo o contribuinte compreende diversos materiais utilizados em reparos nas instalações de industrias à e, não sendo possível considerá los como insumos, não dão direito ao crédito; Fl. 397DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 4/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 6 f) Carpintaria (relacionado às contas “outros custos rateados e reparação de entressafra”): (i) “outros custos rateados” conta na qual foram inseridas as rubricas de conservação e reparação de bens, materiais de consumo e, (ii) “reparação de entressafra” – onde foram inseridas as rubricas depreciações, ferramentas de valores irrelevantes e conservação e reparação de bens à cuja avaliação, diante da descrição do contribuinte, assevera não serem tais itens compreendidos no conceitos de insumos, pelo que não podem ensejar direito ao crédito; g) Transportes (relacionado às contas “outros custos rateados e reparação de entressafra”): no centro de “outros custos rateados” seguem as contas de bens de valores irrelevantes, conservação e reparação de bens, despesas diversas, licenciamento de veículos, lubrificantes, materiais de consumo, materiais de limpeza e higiene, serviços prestados por terceiros pessoa jurídica. No centro “reparação de entressafra” encontramse as rubricas – bens de valores irrelevantes, combustíveis (com direito a crédito), depreciações, despesas diversas, ferramentas de valores irrelevantes, licenciamento de veículos, lubrificantes, materiais de consumo, materiais de limpeza e higiene, materiais e equipamentos de segurança, material de expediente, premio seguro, conservação e reparação de bens, conservação e reparação de veículos. à No que tange a estes créditos, considerando que para o cálculo do estoque de abertura a empresa informou que não produziu (nem vendeu) canadeaçúcar no período de AbrNov/2003, de forma que todos os custos acima referemse a bens e serviços utilizados nos veículos da empresa para transporte de canade açúcar adquirida de terceiros e no transporte de pessoal, não se pode efetuar uma vinculação com os produtos efetivamente industrializados pela empresa no período, o que inviabiliza os créditos pretendidos pelo contribuinte. Mesmo que se admitisse uma parcial tomada de créditos, ainda assim estarias excluídas as rubricas depreciação, licenciamento de veículos, materiais de consumo (bateria para lanterna), materiais de limpeza e higiene, matérias e equipamentos de segurança, material de expediente, prêmios seguro, finalizando ainda que “Por outro lado, se prevalecer o entendimento de que os custos/despesas relativos ao “transporte” fazem parte do custo da canadeaçúcar com direito ao crédito, entendemos que o valor dos créditos se limita à canadeaçúcar recebida de pessoa jurídica na proporção de 49,62% (proporção conforme os valores relacionados no item 28 desta informação fiscal), tendo em vista que as aquisições de canadeaçúcar pessoa física (50,38%) não estariam contempladas no custo do estoque de abertura (vide os itens 29, 30 e 31). Por outro lado, os custos vinculados ao transporte de pessoal não devem também ser contemplados na apuração do estoque de abertura em função dos motivos expostos nos itens 45 a 47 desta informação fiscal.” h) Laboratório (relacionado às contas “outros custos rateados e reparação de entressafra”): inseridos na conta “outros custos rateados” estão as rubricas – conservação e reparação de bens, despesas diversas, materiais diversos, materiais de consumo, materiais de limpeza e higiene. Já na conta “reparação entressafra” estão as rubricas despesas diversas, materiais secundários diversos, material de expediente e conservação e reparação de bens à Analisada a descrição do contribuinte após a Fl. 398DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 4/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 10840.003063/200411 Acórdão n.º 3402002.565 S3C4T2 Fl. 396 7 intimação, foi constado que estes itens não se configuram como insumos da produção de açúcar, de forma que, não correspondendo as características legais previstas nos incisos I e II do art. 3º da Lei 10.833/2003, não merecem ensejar direito ao crédito; Ao final, a Autoridade Preparadora efetuou considerações quanto aos eventuais reflexos que o deferimento de outros créditos pode trazer ao estoque de abertura, concluindo que buscou obter junto ao contribuinte a participação de cada bem ou direito no processo produtivo da empresa, de modo a possibilitar um melhor entendimento dos fatos para o julgamento que se desenrolará. Intimado da Informação Fiscal em 30/04/2014, às fls. 343 (n.e), o contribuinte manifestouse às fls. 347358, aduzindo, em síntese que: Quanto à manutenção das glosas sobre “depreciação”, a fiscalização empreendeu interpretação excessivamente restritiva da abrangência do princípio da não cumulatividade, apegandose à literalidade do art. 12 da Lei 10.833/2003, olvidandose de observar a real intenção do instituto da nãocumulatividade, além de estar em descompasso com os recentes entendimentos do próprio CARF, de forma que a omissão do legislador no artigo 12 já citado da expressão “depreciação” não enseja sua exclusão do direito creditório pleiteado; Quanto à glosa dos montantes de canadeaçúcar recebidos de pessoa física, também equivocouse o Fiscal, efetuando uma interpretação restritiva do artigo 12 da Lei 10.833/2003, bem como, como bem consignou a própria Informação Fiscal, “como produtora de mercadoria de origem vegetal, classificada no código 1701 da NCM, tinha direito – à época dos fatos geradores – à apropriação dos créditos presumidos de COFINS, calculados sobre os valores de canadeaçúcar adquirida de pessoa física, como lhe facultava a então vigente redação dos parágrafos 5º e 6º da Lei 10.833/2003”; Quanto à glosa de valores relativos às despesas de transporte com pessoal, ao contrário do que afirma o fiscal, que se trataria de custo do produto, frisase que não se trata de transporte do trabalhador de sua casa até o local de trabalho, mas sim, de despesa decorrente do serviço prestado por terceiros para locomoção do rurícola dentro da lavoura de canade açúcar, tratandose, portanto, de insumo; Por fim, quanto à glosa de despesas relacionadas a “manutenção elétrica”, “manutenção mecânica”, “construção civil”, carpitaria”, “transportes” e “laboratório”, estão as mesmas em descompasso com os mais recentes julgados, os quais reconhecem o direito creditório sob bens de mesma espécie, e que, as referidas rubricas estão presentes em diversas etapas de seu processo produtivo, essenciais para a obtenção do produto final, sendo ainda que, sem tais gatos o maquinário produtivo fica obsoleto e a produção pára, interrompendo a manufatura do produto final, requerendo ao final a concessão total do crédito pleiteado. Tendo o processo retornado e designado novamente a esse relator, por meio de processo eletrônico, numerado até a folha 391 (trezentos e noventa e um) divididas em 02 (dois) Volumes, estando apto para análise desta Colenda 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da 3ª Seção do CARF. Fl. 399DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 4/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 8 É o relatório. Fl. 400DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 4/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 10840.003063/200411 Acórdão n.º 3402002.565 S3C4T2 Fl. 397 9 Voto Conselheiro João Carlos Cassuli Junior, Relator. Os pressupostos de admissibilidade do recurso em questão já haviam sido verificados por conta da ocasião em que julgado este processo pela conversão em diligência. Entretanto, reviso que se trata de recurso tempestivo e cuja representação está em conformidade com as exigências legais, pelo que, diante agora das considerações que anteriormente entedia necessárias ao deslinde da causa, merece o mesmo ser conhecido, passando em seguida às razões de julgamento. Inicialmente relembro que o processo consistia em diversas discussões a serem pontuadas, verificadas se necessário, no resumo da própria Resolução por esta Turma anteriormente proferida. Todavia, a solução da maioria das questões decorreria do conceito de insumos a ser considerado no caso em tela, bem como, de quais glosas de crédito seriam ou não mantidas, afetando cálculos, por exemplo, como os de estoque de abertura e rateio proporcional. Retornado o processo da diligência que entendeuse necessária à verificação da participação de cada bem ou direito no processo produtivo do sujeito passivo destes autos, consigno antes de mais nada que segregarei o voto pelas temáticas aduzidas no recurso voluntário (pois que afastada anteriormente sua análise) excetuandose, porém, a discussão sobre aqueles créditos deferidos pela Autoridade Preparadora, pois que neste caso aplico a Informação Fiscal por seus termos. Assim, restou controvertido nos autos: * decadência, na medida em que transcorreu mais de 05 (cinco) anos entre o levantamento do estoque de abertura (janeiro/2004) e da recomposição da escrita fiscal (março/2004) e a intimação da glosa dos créditos (setembro/2009); * conceito de insumo o que deverá ser observado, inclusive, em relação aos montantes que compuseram o seu estoque de abertura; * que o procedimento adotado pelo contribuinte com relação ao rateio de custos, despesas e encargos foi o correto, inexistindo elementos que justifiquem a exclusão de parcela das receitas sujeitas a incidência nãocumulativa da Cofins desse cálculo. I) Decadência: Preambularmente, enfrento a questão da decadência suscitada pelo interessado, que argumentou estar o direito da Fazenda Pública de não homologar as compensações por ele levadas a efeito, fulminado pela decadência. Segundo a ótica do contribuinte, o fato da nãohomologação de suas compensações se dar em razão da inexistência do direito creditório, transfere o marco da contagem do prazo decadencial para aquele período em que se funda o mérito da questão, ou Fl. 401DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 4/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 10 seja, para o mês em que apurado o direito creditório, havendo, com isso, “ajustes no passado com repercussão futura”, conforme jurisprudência transcrita em suas razões recursais. Daí, por conseguinte, estaria decaído o direito do Fisco de insurgirse quanto ao crédito utilizado, pois que atinente ao período de JanMar/2004, tendo sido a recorrente cientificada da nãohomologação apenas em Set/2009, após decorridos, portanto, mais de 5 (cinco) anos em relação ao mês em que gerados e escriturados os créditos. Ocorre, todavia, que este processo trata do exercício do comando contido no dispositivo do art. 74, da Lei 9.430/96, que regulamenta a compensação, sob condição resolutória de posterior verificação por parte da Autoridade competente. Reza o mencionado dispositivo: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1º. A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2º. A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (...) § 5º. O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Neste sentido, a compensação declarada pelo contribuinte possui condição resolutória de sua ulterior homologação, referindose tal análise, à extinção do crédito tributário “pago”, por meio do instituto extintivo da obrigação, que é a compensação. O dispositivo legal retro transcrito é expresso em estabelecer que o crédito tributário pago por meio de compensação é extinto, sob condição de posterior análise do Órgão Administrativo competente. Ou seja, a extinção do débito existente em nome do contribuinte (crédito da Fazenda Nacional) é que está sujeita à análise (condição resolutória) da Receita Federal do Brasil, e não, direta e objetivamente, o crédito nela utilizado. Evidentemente que para se avaliar se a “moeda de pagamento” era hábil para extinguir a obrigação, se deve analisar sua consistência, caso em que, para essa finalidade, poderá a autoridade proceder a essa análise. Na mesma esteira, o §5º do artigo citado é objetivo ao regulamentar o prazo de 5 (cinco) anos, contados da transmissão da declaração de compensação para a sua homologação, determinando que é a homologação da compensação que possui tal prazo decadencial e não o crédito tributário utilizado na mesma. Fl. 402DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 4/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 10840.003063/200411 Acórdão n.º 3402002.565 S3C4T2 Fl. 398 11 Se assim o fosse, os contribuintes poderiam transmitir Declarações de Compensação (DCOMP’S) à Receita Federal do Brasil às vésperas do vencimento do prazo de 5 (cinco) anos do período de geração do crédito, impedindo que o Órgão Administrativo tenha tempo hábil para uma resposta, que não a homologação tácita da declaração apresentada. Assim, no caso em concreto dessa alegação, entender de maneira diferente seria contrariar o preceito do §5º, do Art. 74, da Lei nº 9.430/96, o que é defeso a este órgão julgador, por inviável a via da argüição de inconstitucionalidade de Lei. Diferente, no entanto, seria se estivéssemos diante de hipótese de contribuinte com saldo devedor, que recolhera apenas o valor apurado, caso em que a Administração teria que lavrar Auto de Infração por pagamento a menor, hipótese em que, aí sim, deverseia contar o prazo decadencial do mês da apuração dos créditos, pois que coincidente com o de ocorrência do fato jurídico tributário (ou “fato gerador”). Portanto, as jurisprudências citadas, estão endereçadas para hipóteses de constituição de crédito tributário, e não para não homologação de compensação, pois que de tratam de situações diversas. Assim, voto no sentido de rejeitar a preliminar de decadência. II) Glosas de Créditos sobre Aquisição de Bens ou Serviços utilizados como INSUMOS Como se atesta da análise dos autos, uma das principais questões debatidas no processo diz respeito à interpretação e ao alcance da expressão “insumo”, contida no inciso II, do artigo 3°, das Leis n°s. 10.637/2002 e 10.833/2003, para as Contribuições ao PIS e à COFINS, respectivamente, e que muito tem rendido de debates na comunidade jurídica tributária e fiscal pátria nos últimos anos. Neste sentido, antes de adentrar nos itens que compuseram a glosa a título de insumo, no caso em concreto, é mister deixar firmadas as premissas que presidem o entendimento deste Relator acerca da interpretação do conceito de insumo, sendo o que passo a fazer. Inicialmente, é sabido que as Leis n°s 10.637/02 e 10.833/03 instituíram, para o PIS e a COFINS, um sistema de concessão e proibição de créditos expressamente mencionados, denominandoo de “nãocumulatividade”. Contudo, os contribuintes conheciam, até então, somente a sistemática de apuração nãocumulativa aplicável ao IPI e ao ICMS, para os quais o direito de crédito está relacionado ao pagamento (ou “incidência”) de tais tributos nas etapas anteriores de produção e circulação de bens, e, ainda, que estão balizados pela produção e circulação “física” de produtos ou mercadorias. Para melhor posicionar, convém destacar o dispositivo legal das leis citadas que em ambas estão no artigo 3º artigo, e que em seus incisos II, rezam especificamente haver direito ao crédito pela entrada de “... bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda...”. Ao assim dispor, considerando o grande número de produtos, bens e serviços utilizados pelos contribuintes na produção ou fabricação, nem tudo pôde ali ser contemplado. Ainda, as mesmas leis cometeram a grave omissão (sob o particular ponto de vista) de, ao se Fl. 403DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 4/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 12 referirem aos “insumos” como concessores de crédito, não definiram ou especificaram o alcance de seu conceito. É importante frisar que para fins tributários, o termo “insumo” nem sempre representa o mesmo universo de bens ou serviços, como se tem exemplificado na apuração do IPI e do Imposto sobre a Renda – para citar tais exemplos, por mais marcantes e frequentes. Enquanto no universo do primeiro o conceito de insumo está ligado aos bens “consumidos no processo produtivo” no do segundo, corresponde a “custos e despesas necessárias”. Assim, ao se referirem as Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03 ao direito de crédito relativo a insumos, sem lhes delimitar a extensão, trouxe consigo a dúvida se nesse conceito estarão incluídas as despesas que se demonstram necessárias, mas não representam entradas de bens ou serviços utilizados diretamente na produção, fabricação ou na comercialização dos produtos. Maior ainda a dificuldade de, ao elaborar uma “lista” de bens e serviços concedentes de crédito, discernir o que representa insumo para umas atividades e não para outras. O posicionamento da Receita Federal do Brasil, diante das dúvidas geradas, tem sido o de restringir a eficácia do sistema previsto como nãocumulativo para uma técnica de abatimento de créditos pontuais, sendo tal posicionamento externado através das Instruções Normativas n°s 247/02 e 404/04, que reconhecem como insumos concessivos de crédito somente aqueles bens ou serviços que são utilizados na fabricação ou produção dos bens tais como a matéria prima, produtos intermediários, as embalagens e “quaisquer outros bens que sofreram alterações, tais como desgaste, dano ou perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado” (§ 4° do art. 8° da IN 404/04), ou seja, buscou aplicar ao PIS e à COFINS o conceito de insumos utilizado para o IPI, desde o Parecer CST n° 65/79, que definiu o conceito de “produto intermediário” para fins deste tributo que grava a industrialização. No entanto, em que pese referida regulamentação decorrer de competência outorgada pelas próprias Leis nºs. 10.637/02 e 10.833/03, é assente que essa delegação de competência não permite às normas infralegais inovarem a ordem jurídica, mas apenas disciplinarem os procedimentos para o fiel cumprimento da lei (art. 84, IV, da CRFB1988). Ao pretenderem definir o alcance do conceito do que seja insumo, aplicando o mesmo raciocínio vigente para a disciplina do IPI, as citadas Instruções Normativas, no entendimento particular, olvidaram dos diversos aspectos vinculados a técnica da não cumulatividade, especialmente o fato de que as contribuições ao PIS e à COFINS gravam a “totalidade das receitas”, e não apenas produção e circulação de produtos/mercadorias, fisicamente considerados. E, ao partir dessa premissa por elas pressuposta (e não pela legislação) acabaram inovando a ordem jurídica, o que lhes é vedado. Nesta mesma linha temos o entendimento de José Antonio Minatel, ao pontuar que: Fl. 404DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 4/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 10840.003063/200411 Acórdão n.º 3402002.565 S3C4T2 Fl. 399 13 ...essa técnica adotada para a neutralização da incidência daqueles impostos, que como se disse gravam a circulação de bens (aqui tomada em seu sentido lato,) não tem a mesma pertinência que a recomende para ser introduzida no contexto da tributação da receita, por absoluta falta de afinidade entre os conteúdos do pressuposto material das diferentes realidades. 1 Na mesma linha de entendimento leciona Marco Aurélio Greco, destacando a impossibilidade de serem utilizados os conceitos do IPI na apuração do PIS e da COFINS não cumulativos: (...) não há um dispositivo que, categoricamente, determine que “insumo” deva ser entendido como algo assim regulado pela legislação daquele imposto (...) o regime de créditos existe atrelado à técnica da nãocumulatividade que, em se tratando de PIS/COFINS não encontra na Constituição perfil idêntico ao do IPI. (...) no âmbito da nãocumulatividade do IPI, a CF/88 (art. 153, § 3°, II) restringe o crédito ao valor do imposto cobrado nas operações anteriores... Por isso, insumo para fins de não cumulatividade de IPI é conceito de âmbito restrito, por alcançar, fundamentalmente, matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem. Por outro lado, nas contribuições, o § 12 do art. 195 da CF não fixa parâmetros para o desenho da nãocumulatividade o que permite às Leis mencionadas adotarem a técnica de mandar calcular o crédito sobre o valor dos dispêndios feitos com a aquisição de bens e também de serviços tributados, mas não restringe o crédito ao montante cobrado anteriormente. (...) No âmbito do IPI o referencial constitucional é um produto (objeto físico) e a ele deve ser reportada a relação funcional determinante que poderá, ou não, ser considerado “insumo”... no âmbito do PIS/COFINS a referência explícita é a “produção ou fabricação”, vale dizer às ATIVIDADES e PROCESSOS de produzir ou fabricar, de modo que a partir deste referencial deverá ser identificado o universo de bens e serviços reputados seus respectivos insumos.2 Com efeito, entendo que a pretensão das citadas Instruções Normativas editadas pela Receita Federal do Brasil está em desacordo com o comando normativo contido nos arts. 3º, das citadas Leis, pois que não se poderia vincular a não cumulatividade inerente as contribuições ao PIS e à COFINS, que gravam a receita bruta das empresas, ao pressuposto de que os dispêndios concessores de crédito fossem apenas aqueles ligados fisicamente ao processo produtivo, no sentido de entender como insumos apenas os itens que neles se desgastam. 1 MINATEL, José Antonio. Conteúdo do conceito de receita e regime jurídico para sua tributação. São Paulo, MP, 2005, p. 180. 2 GRECO, Marco Aurélio. Conceito de insumo à luz da legislação de PIS e COFINS. Revista Fórum de Direito Tributário, v. 34, jul/ago. 2008. Fl. 405DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 4/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 14 E isto porque, fundamentalmente inexiste previsão legal para tanto, sendo que a interpretação que se deve aplicar, em consonância com o comando do art. 109 do CTN, deve guardar relação de proporcionalidade com o fato jurídico gravado pelo tributo, no caso, a receita bruta, e não a produção ou circulação, fisicamente falando, de produtos ou mercadorias, estes sim, vinculados ao IPI e ICMS. É nesse sentido o entendimento contido no v. Acórdão proferido pelo TRF da 4ª Região, nos autos da Apelação Cível Nº 002904040.2008.404.7100/RS, em 14.07.2011, cuja Ementa, da lavra do Desembargador Federal Joel Ilan Paciornik, contém a afirmação que segue: Não há paralelo entre o regime não cumulativo de IPI/ICMS e o de PIS/COFINS, justamente porque os fatos tributários que os originam são completamente distintos. O IPI e o ICMS incidem sobre as operações com produtos industrializados e a circulação de bens e serviços em inúmeras etapas da cadeia econômica; a não cumulatividade visa evitar o efeito cascata da tributação, por meio da técnica de compensação de débitos com créditos. Já o PIS e a COFINS incidem sobre a totalidade das receitas auferidas, não havendo semelhança com a circulação característica de IPI e ICMS, em que existem várias operações em uma cadeia produtiva ou circulatória de bens e serviços. Assim, a técnica empregada para concretizar a não cumulatividade de PIS e COFINS se dá mediante redução da base de cálculo, com a dedução de créditos relativos às contribuições que foram recolhidas sobre bens ou serviços objeto de faturamento em momento anterior. (Grifouse) Igualmente pertinentes são as ponderações feitas por Leandro Paulsen3, as quais, dada sua total aplicabilidade ao caso, transcrevese: Preliminarmente à análise da dita nãocumulativade das contribuições PIS/PASEP e COFINS, importa ter em consideração alguns aspectos: a) a nãocumulatividade do PIS e da COFINS surgiu por força de leis ordinárias, e a EC 42/03, ao acrescentar o § 12 ao art. 195 da Constituição, apenas a refere, sem estabelecer critérios a serem observados; b) a receita é fenômeno que diz respeito a cada contribuinte individualmente considerado, não havendo que se falar propriamente em ciclo ou cadeia econômica; c) a nãocumulatividade em tributo sobre a receita é uma ficção que, justamente por ter em conta a receita, induz uma amplitude maior que a da nãocumulatividade dos impostos sobre operações com produtos industrializados ou mesmo sobre a circulação de mercadorias. Neste sentido, são as lições de Marco Aurélio Greco, que chama atenção para a necessidade de ser interpretar os dispositivos da legislação específica tendo como referência, sempre e 3 PAULSEN, Leandro. Contribuições: custeio da seguridade social. Porto Alegre, Livraria do Advogado, 2007, p. 184185. Fl. 406DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 4/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 10840.003063/200411 Acórdão n.º 3402002.565 S3C4T2 Fl. 400 15 necessariamente, a base econômica que é objeto de tributação a receita , a racionalidade da sua incidência e a necessária coerência interna do seu regime jurídico: (...) como não há subjacente à noção de receita um ciclo econômico a ser considerado (posto ser fenômeno ligado a uma única pessoa), os critérios para definir a dedutibilidade de valores devem ser construídos em função da realidade "receita" como figura atrelada subjetivamente ao contribuinte, isoladamente considerado. (...) enquanto o processo formativo de um produto aponta no sentido de eventos de caráter físico a ele relativos, o processo formativo de uma receita aponta na direção de todos os elementos (físicos ou funcionais) relevantes para sua obtenção. Vale dizer, o universo de elementos captáveis pela não cumulatividade de PIS/COFINS é mais amplo do que aquele, por exemplo, do IPI. (Grifouse) Portanto, de início afastase a interpretação que está contida nas citadas Instruções Normativas, passando a perquirir as premissas que sustentam a técnica da não cumulatividade aplicável às contribuições ao PIS e à COFINS. Neste sentido, é preciso lembrar que ao tempo em que foram editadas as Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, inexistia qualquer dispositivo constitucional dispondo sobre a não cumulatividade dessas contribuições. Somente a Emenda Constitucional nº 42/03, que introduziu o § 12, do art. 195 veio tratar do assunto. Contudo, não cuidou de estabelecer o modo e a forma dessa nãocumulatividade que deveria ser obedecida pelo PIS e pela COFINS. E após o advento da Emenda, nenhuma regulamentação àquela norma nova surgiu. Dessa forma, a nãocumulatividade do PIS e da COFINS deve obedecer ao regramento estabelecido pelas normas infralegais, ao mesmo tempo em que estas mesmas leis não se prestam com reguladoras dos dispositivos constitucionais acrescentados pela EC 42/03. As leis em comento e mesmo a Emenda Constitucional (EC) n° 42/03, ao determinarem a aplicação do regime nãocumulativo às contribuições de PIS e COFINS, não foram capazes de criar um novo sistema de nãocumulatividade, razão pela qual se deveria, ao meu sentir, admitir créditos relativos a todas as operações anteriores e não apenas as relacionadas com determinados produtos, sob pena de se estar inaugurando outro instituto jurídico apartado da conhecida “nãocumulatividade”, desde que tais itens concorressem positivamente para a geração da receita bruta sobre a qual incidirá a tributação das contribuições, para que se tenha, portanto, o sentido da nãocumulatividade. No entanto, apesar de ter havido diversas decisões que alargaram o conceito de insumo, mesmo neste tribunal (por exemplo: Processo nº 11065.101271/200647, Rel. Cons. Henrique Pinheiro Torres; Processo nº 13974.000199/200361, Cons. Júlio César Alves Ramos; Processo n° 11020.001952/200622, Rel. Cons. Gilberto de Castro Moreira Junior, entre outros), e ainda, que questão absolutamente encontrase em aberto, a verdade é que a única certeza que se tem é que o conceito de insumo não é nem aquele “importado” e restrito do IPI, e nem tão amplo como aquele previsto para custo e despesa necessária prevista para o Imposto sobre a Renda. Fl. 407DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 4/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 16 Embora com a ressalva de meu entendimento pessoal, decorrente de toda a gama de fundamentos jurídicos até aqui expostos, a verdade é que tem prevalecido o entendimento de que o direito ao crédito emerge da análise de cada caso em concreto, buscando a relação de pertinência do processo produtivo do sujeito passivo com o emprego do respectivo insumo naquele respectivo processo, para então, se perquirir de sua efetiva participação, decidindose pela concessão ou não do direito de crédito no caso concreto. Não há, portanto, um critério objetivo definido, mas há um critério que é a relação de pertinência e dependência do insumo ao processo produtivo ou de fabricação do bem pelo contribuinte, sendo essa a premissa que, por hora, se aplicará neste voto, com as observações que, ponto a ponto e quando necessário, se fará observar. Assim sendo, partindo destes entendimentos e das premissas colocadas, revelase que a decisão inicialmente recorrida glosou créditos mediante o emprego da interpretação contida nas Instruções Normativas n°s. 247/02 e 404/04, que trazem para as contribuições ao PIS e COFINS o conceito de insumo (ou de “produto intermediário”) empregado para o IPI desde o Parecer CST n° 65/79, porém que, com a designação da diligência, seguindo o novel entendimento que exsurge dos últimos julgados deste Conselho, a Autoridade Preparadora já opinou por consignar integrante do processo produtivo do sujeito passivo outras tantas rubricas anteriormente glosadas, as quais, me permito aqui aplicar em sua integralidade aquelas considerações, deferindo o direito creditório pelos termos lá expressos. Em seguida, passo à análise apenas das rubricas que restaram discutidas, cuja Informação Fiscal mencionou não corresponderem nem ao novo conceito de insumos considerado, rebatidas, entretanto, pelo contribuinte em sua manifestação. São elas: III) GLOSAS DE CRÉDITOS AFASTADOS PELA INFORMAÇÃO FISCAL: Por concordar plenamente com os fundamentos e com as conclusões empregadas pela autoridade preparadora responsável pela elaboração da diligência solicitada por esta Turma, adoto as considerações efetivadas pela Administração, nos seguintes termos: II.a) Produção de açúcar (relacionado apenas a conta “outros custos diretos”): despesas incorridas a título de assistência técnica, bens de valores irrelevantes, combustíveis, conservação e reparação de bens, material de expediente, despesas diversas e materiais de limpeza e higiene. Assim concluiu a Autoridade: “Verificadas as informações prestadas pelo contribuinte nesta fase da diligência, e, tendo em vista os entendimentos mais recentes presentes em Solução de Consulta e mesmo em julgados do CARF, com ampliação do conceito de insumos, no caso da apropriação de créditos da COFINS, podemos dizer que referidos custos se caracterizam como utilizados no sistema produtivo da empresa, devendo os valores correspondentes ser computados no cálculo do estoque de abertura da COFINS.” (fls. 330 = ne). Fl. 408DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 4/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 10840.003063/200411 Acórdão n.º 3402002.565 S3C4T2 Fl. 401 17 II.b) Produção Comum (relacionados às contas “outros custos rateados e reparação de entressafra”): despesas “outros custos rateados” as seguintes rubricas – assistência técnica, conservação e reparação de bens, despesas diversas, energia elétrica, lubrificantes, materiais de consumo, materiais de limpeza e higiene, serviços prestados por terceiros pessoa jurídica, transporte de pessoal. No centro “reparação de entressafra” analisou as mesmas rubricas. Nesta parte, assim concluiu a Autoridade: 44. Após o detalhamento da empresa efetuado neste procedimento fiscal, mesmo considerando a ampliação do conceito de insumos, entendemos que a contribuinte não poderia incluir no estoque de abertura as despesas com depreciações pelos motivos expostos nos itens 27 e 33 desta Informação Fiscal. 45. As despesas com transporte de pessoal também devem ser excluídas do cálculo do estoque de abertura para fins de apropriação de créditos da COFINS pelos motivos expostos abaixo. 46. A legislação da contribuição nãocumulativa da COFINS prevê no inciso IX do artigo 3º da Lei nº. 10.833/2003 que a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação ao frete, apenas e tão somente, na operação de venda quando o ônus for suportado pelo vendedor. Assim sendo, em princípio, somente são admissíveis descontos de crédito sobre as despesas com frete nas operações de venda, desde que a contribuinte tenha suportado o ônus pelo pagamento da referida despesa. Além disto, são, também, passíveis de desconto de créditos os fretes utilizados no transporte de insumos, tendo em vista o disposto no artigo 289, parágrafo 1º do Decreto nº. 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999), segundo o qual o frete, quando pago pelo adquirente (contribuinte) no transporte da matériaprima, integra o custo de aquisição destes bens. Ou seja, o valor do frete acompanha o custo do item a que está vinculado. 47. Como estamos tratando neste caso de transporte de pessoas, o custo do frete compõe o custo da mãodeobra paga a pessoas físicas, despesa esta não suscetível de apropriação de créditos da COFINS, visto que não se trata de aquisição de bens/serviços de pessoas jurídica, conforme previsto no artigo 12 da Lei nº 10.833/2003. 48. Com relação aos demais itens, com a ampliação do conceito de insumos, concluímos que estão caracterizados como utilizados no sistema produtivo da contribuinte e os valores correspondentes devem ser computados no cálculo do estoque de abertura da COFINS. Constatase, portanto, que a autoridade preparadora opina pelo afastamento da glosa de todos os itens analisados, com exceção aos itens de depreciação e de transporte de pessoal e de matériaprima (canadeaçúcar). Fl. 409DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 4/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 18 Coaduno com o afastamento de glosa de créditos sugerido pela Autoridade, pelo que voto neste sentido, e, quanto aos itens que não foram deferidos, analisarei em tópico oportuno. IV) GLOSAS MANTIDAS PELA INFORMAÇÃO FISCAL: Após apreciadas as conclusões da diligência e especialmente o processo empresarial da Recorrente, cumpre ainda analisar as rubricas de custos e despesas cuja glosa de créditos foi mantida pela Autoridade preparadora, seus motivos e fundamentos, para com isso, posicionar sobre cada uma delas. IV.a) Depreciação: Verificase que a Autoridade Fiscal fundamenta o indeferimento do direito ao desconto de créditos, baseado nos seguintes motivos: 27. Excluímos os valores das depreciações do “Estoque de Abertura”, pois se tratam de despesas cujos créditos estão previstos no inciso VI do referido artigo 3º, não compreendidas no conceito de insumo previsto no inciso II do referido artigo 3º da Lei nº 10.833/2003. Com a devida vênia da ilustre autoridade preparadora, a concordância com a mesma é apenas parcial, pois que limitase a composição da depreciação no estoque de abertura, já que com relação à tomada de créditos correntes, nos meses normais da apuração da empresa, tratase de um direito de desconto de créditos sobre os encargos de depreciação que efetivamente existe, pois que assim lhe garante o inciso VI, do art. 3º, em questão. Assim sendo, considerando o mês de apuração em questão (Abril/2004), os créditos sobre os encargos de depreciação incorridos no mês, concedem o direito ao crédito, enquanto que no que tange ao valor de 1/12 referente ao crédito presumido do estoque de abertura, os encargos de depreciação não devem compor a base de cálculo (estoque de 31.01.2004) do referido crédito. Portanto, mantenho a glosa apenas sobre o cômputo de créditos sobre os encargos de depreciação no cálculo do crédito presumido do estoque de abertura. IV.b) Montantes de crédito relativo à canadeaçúcar adquirida de pessoa física: Neste tópico, verificase que a autoridade preparadora houve por bem em indeferir o direito ao desconto de créditos ao fundamento de que: 29. De acordo com a legislação de regência da COFINS, vigente à época dos fatos geradores desta ação fiscal, os bens e direitos adquiridos de pessoa física não estavam compreendidos dentre aqueles sujeitos aos descontos de créditos da COFINS em virtude do disposto no artigo 3º, parágrafo 3º, inciso I da Lei nº 10.833/2003, segundo o qual “o direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País”. (grifamos) 30. Os parágrafos 5º e 6º do referido artigo 3º, abaixo transcritos, instituíram o denominado crédito presumido da Fl. 410DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 4/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 10840.003063/200411 Acórdão n.º 3402002.565 S3C4T2 Fl. 402 19 COFINS, o que possibilitou a tomada de créditos, no caso da contribuinte, dos valores da cana de açúcar adquirida de pessoa física, classificada nos códigos 1701 da NCM. “§ 5º Sem prejuízo do aproveitamento dos créditos apurados na forma deste artigo, as pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2 a 4, 8 a 12 e 23, e nos códigos 01.03, 01.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, 15.07 a 1514, 1515.2, 1516.20.00, 15.17, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul – NCM, destinados à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da COFINS, devida em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens e serviços referidos no inciso II do caput deste artigo, adquiridos, no mesmo período, de pessoas físicas residentes no País. § 6º Relativamente ao crédito presumido referido no § 5º: I – seu montante será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a 80% (oitenta por cento) daquela constante do art. 2º; II – o valor das aquisições não poderá ser superior ao que vier a ser fixado, por espécie de bem ou serviço, pela Secretaria da Receita Federal – SRF, do Ministério da Fazenda.” 31. Conforme informado nos itens 19 a 22 desta Informação Fiscal, o artigo 12 da Lei nº 10.833/20 delimitou os créditos sobre o estoque de abertura, incluindo em seu conceito apenas os bens de que tratam os incisos I e II do artigo 3º da Lei nº 10.833/2003 (mercadorias e insumos), desde que adquiridos de pessoa jurídica. A cana adquirida de pessoa física não se enquadra neste conceito em função de sua origem (adquirida de pessoa física) e, também, pelo fato de estar estabelecida em mandamentos legais diversos dos incisos I e II do artigo 3º, qual seja os parágrafos 5º e 6º do artigo 3º da Lei nº 10.833/2003. Com a devida vênia da ilustre autoridade preparadora, também aqui não é possível concordar inteiramente com sua glosa, pois que as aquisições de cana de açúcar, na proporção destinada a produção de açúcar (alimentação humana), pois que tal direito ao desconto de créditos sobre as aquisições de canadeaçúcar de pessoas físicas concede o direito ao crédito, pois que assim lhe garantem os §§ 5º e 6º. do art. 3º, da Lei nº 10.833/03, em questão. Já com relação a inclusão das compras de canadeaçúcar de pessoas físicas, no cálculo do crédito presumido do estoque de abertura, vejamos o teor do art. 12, da Lei nº 10.833/03: Art. 12. A pessoa jurídica contribuinte da COFINS, submetida à apuração do valor devido na forma do art. 3º., terá direito a desconto correspondente ao estoque de abertura dos bens de que tratam os incisos I e II daquele mesmo artigo, adquiridos de Fl. 411DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 4/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 20 pessoa jurídica domiciliada no País, existentes na data de início da incidência desta contribuição de acordo com esta Lei. Constatase que, tendo as aquisições de bens sido realizadas antes do início da vigência do regime nãocumulativo, sobre tais compras feitas junto a pessoas físicas, o direito ao crédito presumido será aquele regulado pelo art. 1º, da Lei nº 9.363/96, ou seja, concederá o direito ao “crédito presumido de IPI como ressarcimento de Pis e de Cofins”, em sendo atendidos aqueles desígnios legais. Com efeito, conceder o direito ao cômputo do crédito presumido dos §§ 5º e 6º. do art. 3º, da Lei nº 10.833/03, para as compras junto à pessoas físicas feitas anteriormente à vigência do regime não cumulativo, consiste em duplo creditamento, o que contrariaria a Lei em questão. Assim, mantemse a glosa dos créditos presumidos calculados sobre as compras de pessoas físicas unicamente quanto ao seu cômputo no estoque de abertura, afastando aquelas glosas dos créditos do mês corrente em questão (abril/2004). IV.c) Glosa de valores relativos as despesas de transporte de canade açúcar e de pessoal: Neste sentido, a autoridade preparadora entendeu que não haveria direito ao desconto de créditos sobre os dispêndios com transporte de pessoas, nos seguintes termos: 45. As despesas com transporte de pessoal também devem ser excluídas do cálculo do estoque de abertura para fins de apropriação de créditos da COFINS pelos motivos expostos abaixo. 46. A legislação da contribuição nãocumulativa da COFINS prevê no inciso IX do artigo 3º da Lei nº. 10.833/2003 que a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação ao frete, apenas e tão somente, na operação de venda quando o ônus for suportado pelo vendedor. Assim sendo, em princípio, somente são admissíveis descontos de crédito sobre as despesas com frete nas operações de venda, desde que a contribuinte tenha suportado o ônus pelo pagamento da referida despesa. Além disto, são, também, passíveis de desconto de créditos os fretes utilizados no transporte de insumos, tendo em vista o disposto no artigo 289, parágrafo 1º do Decreto nº. 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999), segundo o qual o frete, quando pago pelo adquirente (contribuinte) no transporte da matériaprima, integra o custo de aquisição destes bens. Ou seja, o valor do frete acompanha o custo do item a que está vinculado. 47. Como estamos tratando neste caso de transporte de pessoas, o custo do frete compõe o custo da mãodeobra paga a pessoas físicas, despesa esta não suscetível de apropriação de créditos da COFINS, visto que não se trata de aquisição de bens/serviços de pessoas jurídica, conforme previsto no artigo 12 da Lei nº 10.833/2003. (...) Fl. 412DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 4/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 10840.003063/200411 Acórdão n.º 3402002.565 S3C4T2 Fl. 403 21 61. Com relação ao setor de “TRANSPORTES”, a empresa informou que no período de formação do estoque de abertura (Abril a Novembro de 2003) não produziu nem vendeu canade açúcar (fls. 294). Desta forma, todos os custos inseridos neste centro de custos referemse a bens e serviços utilizados nos veículos da empresa que foram utilizados no transporte de cana deaçúcar adquirida de terceiros e no transporte de pessoal. 62. Verificamos que no período de formação do estoque a contribuinte não manteve controle de estoques integrado à sua contabilidade, o que significa dizer que todo rateio de custos deve seguir o disposto nos parágrafos 7º e 8º, inciso II do artigo 3º da Lei nº. 10.833/2003, ou seja, a empresa somente poderia tomar créditos sopre os custos, encargos e despesas vinculados às suas receitas não cumulativas (açúcar e outros). 63. Entendemos que os encargos do setor “Transportes” vinculados à canadeaçúcar adquirida de terceiros, que não foi produzida nem vendida pela empresa no período, não tem vinculação com os produtos efetivamente industrializados pela empresa no período (açúcar, álcool, etc.), o que inviabiliza os créditos pretendidos pela contribuinte. Mesmo que se admita a possibilidade de tomada de créditos relativos aos transportes há que se excluir os valores relacionados aos itens não passíveis de crédito (“Depreciação” (ver item 31), “Licenciamento de Veículos”, “Materiais de Consumo” (bateria para lanterna), “Materiais de Limpeza e Higiene”, “Materiais de Equipamentos e Segurança”, “Material de Expediente”, “Prêmios de Seguro”, etc.). Por outro lado, se prevalecer o entendimento de que os custos/despesas relativos ao “transporte” fazem parte do custo da canadeaçúcar com direito ao crédito, entendemos que o valor dos créditos se limita à canadeaçúcar recebida. Como se vê, entendeu que os serviços de transporte comporiam o custo dos salários e mãodeobra, como se fossem pagos às pessoas físicas dos trabalhadores, o que, data venia, não é aceitável. Do mesmo modo, entendeu que o transporte de canadeaçúcar nas aquisições feitas pela empresa, apenas geraria o direito ao crédito se não fosse na “entressafra”, pois que teria que estar vinculada a efetiva comercialização do produto final (vendas) por esta efetivada. Porém, tenho que tanto o transporte de pessoal, que é direcionado a preparação da terra, manutenção da lavoura, encerrando etapas que vão desde o plantio, manutenção, até sua colheita, reiniciando após, novo ciclo produtivo, quanto o transporte do próprio insumo adquirido, são etapas do processo produtivo da empresa. Ou seja, os trabalhadores são necessários para a produção da matériaprima principal da Recorrente, e os custos com o transporte de pessoal até a lavoura são incorridos mesmo nos períodos de entressafra, pois que os vegetais precisam ser trabalhados até que cheguem ao ponto de colheita, o que, sem dúvida alguma, faz parte do processo produtivo da empresa. Do mesmo modo, quando se adquire matériaprima, com o custo do transporte suportado pelo comprador, tais dispêndios compõem o custo das matériasprimas adquiridas. Desta forma, no tocante aos dispêndios com transportes (de matériaprima ou insumos em geral, ou de passageiros) desde o fornecedor e ou entre os diversos Fl. 413DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 4/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 22 estabelecimentos produtivos de uma mesma empresa, apesar de tratarse de questão que já gerou muitas discussões, na realidade é simples resolução, pois que se solucionada pela simples aplicação da ciência contábil. Tenho que os serviços de transporte na movimentação das pessoas, das matérias primas, dos produtos intermediários e mesmo dos produtos em elaboração, entre as unidades produtivas, compõem ainda o custo dos produtos vendidos ou CPV, pois que até o momento em que são colocados no ponto de venda, disponíveis para serem adquiridos pelos seus compradores, não se pode tratar tais dispêndios como “despesas comerciais”. O Comitê de Pronunciamentos Contábeis emitiu o pronunciamento técnico CPC nº 16, aprovado pela Comissão de Valores Mobiliários através da Deliberação CVM nº 575, de 05 de Junho de 2009, que regulamenta o registro dos estoques, dispondo, em seu itens 9 e 10, que: Mensuração de estoques 9. Os estoques objeto deste Pronunciamento devem ser mensurados pelo valor de custo ou pelo valor realizável líquido, dos dois o menor. Custos dos estoques 10. O valor de custo dos estoques deve incluir todos os custos de aquisição e de transformação, bem como outros custos incorridos para trazer os estoques à sua condição e localização atuais. (grifouse) Com efeito, o custo dos estoques das matériasprimas e produtos em elaboração englobam, sem sobra de dúvidas, os custos dos serviços de transportes desde o fornecedor (q1uando suportado pelo comprador) e também do pessoal empregado na preparação e na produção da matériaprima, compreendidos que estão no curso do processo produtivo. Neste mesmo sentido, cumpre citar os seguintes precedentes desta Corte: FRETE. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. CUSTO DE PRODUÇÃO. Gera direito a créditos do PIS e da Cofins nãocumulativos o dispêndio com frete pago pelo adquirente à pessoa jurídica domiciliada no País, para transportar bens adquiridos para serem utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados a venda, bem assim o transporte de bens entre os estabelecimentos industriais da pessoa jurídica, desde que estejam estes em fase de industrialização, vez que compõe o custo do bem. (CARF – Acórdão 330100.423 3ª Seção – 3ª Câmara – 1ª Turma – DOU 18.01.2011) COFINS EXPORTAÇÃO. NÃOCUMULATIVIDADE. FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. TRANSPORTE DE INSUMOS E PRODUTOS ACABADOS. DIREITO A CRÉDITO. LEI N° 10.833/2003, ART. 3°, INCS. II E IX. A norma introduzida pelo inc. IX do art. 3° da Lei n° 10.833/2003, segundo a qual a armazenagem e o frete na operação de venda suportado pela vendedora de mercadorias geram créditos, é ampliativa em relação aos créditos previstos no Fl. 414DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 4/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 10840.003063/200411 Acórdão n.º 3402002.565 S3C4T2 Fl. 404 23 inc. II do mesmo artigo. Com base nesses dois incisos, geram créditos, além do frete na operação de venda, para entrega das mercadorias vendidas aos seus adquirentes, os fretes entre estabelecimentos da própria empresa, desde que para o transporte de insumos, produtos acabados ou produtos já vendidos.” (CARF – Acórdão 340102.075 3ª Seção – 4ª Câmara – 1ª Turma – DOU 28.11.2012) Tenho, consequentemente, que os dispêndios com serviços de transporte de pessoal entre as unidades fabris da empresa, compõe os custos da fase de fabricação na acepção ampla do conceito de industrialização, devendo ser contabilizados no custo dos estoques, nos termos dos itens 9 e 10, do CPC n° 16 (aprovado pela Deliberação CVM nº 575/2009), de modo a gerar o direito ao desconto de créditos por atenderem ao conceito de insumo previsto no inciso II, do art. 3°, das Leis n° 10. 637/2002 e 10.833/2003, não podendo referido conceito ser alterado pelas normas de natureza tributária, na forma do art. 109, do CTN, de aplicação obrigatória às empresas por força do art. 177, da Lei das Sociedades Anônimas. Assim sendo, deve ser afastada a glosa quanto aos dispêndios com transporte de pessoal empregado na produção, e também para o transporte de matériaprima desde o fornecedor até a Recorrente, quando o frete for por esta suportado, seja para cômputo dos custos de estoque sobre o qual é calculado o crédito presumido do estoque de abertura, seja para as apurações correntes do mês em análise. IV.d) Glosa de despesas relacionadas a “manutenção elétrica”, “manutenção mecânica”, “construção civil”, “carpintaria” e “laboratório” Insurgese ainda a Recorrente quanto a glosa de despesas incorridas na “manutenção elétrica”, “manutenção mecânica”, “construção civil”, “carpintaria”, “transportes” e “laboratório”. No tocante aos dispêndios com “laboratório”, não ficou comprovada a destinação dos dispêndios com o processo produtivo e nem com o incremento de valor a algum imobilizado da empresa, pelo que mantémse a glosa. Já que que diz respeito aos demais itens (manutenção elétrica”, “manutenção mecânica”, “construção civil”, “carpintaria”), tenho que os mesmos importam em agregar aos bens sobre os quais são empregados tais dispêndios, tempo de vida útil, e, conforme o caso, deverão ser levados ao ativo imobilizado, passando a sofrer depreciação, cujos encargos pertinentes, se atinentes ao processo produtivo da empresa, garantem o direito ao desconto de crédito, mas através da depreciação. No caso em concreto tenho que o tratamento a ser dado os referidos dispêndios deve seguir ao regramento ditado pelo art. 15, do DecretoLei n° 1.598/77, pelo art. 30, da Lei n° 9.249/95, a saber: DecretoLei n° 1.598/77 Despesas Operacionais Fl. 415DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 4/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 24 Art. 15 O custo de aquisição de bens do ativo permanente não poderá ser deduzido como despesa operacional, salvo se o bem adquirido tiver valor unitário não superior a Cr$3.000,00 ou prazo de vida útil que não ultrapasse um ano. Lei n° 9.249/95 Art. 30. Os valores constantes da legislação tributária, expressos em quantidade de UFIR, serão convertidos em Reais pelo valor da UFIR vigente em 1º de janeiro de 1996. Conforme determinado pelo art. 301, do Decreto n° 3.000/99 (RIR/99), temos o seguinte: Art. 301. O custo de aquisição de bens do ativo permanente não poderá ser deduzido como despesa operacional, salvo se o bem adquirido tiver valor unitário não superior a trezentos e vinte e seis reais e sessenta e um centavos, ou prazo de vida útil que não ultrapasse um ano (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 15, Lei nº 8.218, de 1991, art. 20, Lei nº 8.383, de 1991, art. 3º, inciso II, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 30). Assim sendo, temse como acertado o posicionamento da Recorrente em lançar como despesa operacional o valor relativo às aquisições de tais serviços empregados em seus ativos permanentes, quando o tempo de vida útil deles decorrentes for inferior a 01 ano, ou que o seu valor unitário seja inferior a R$326,61. Considerando que não há prova atestando o tempo de vida útil das referidas partes e peças, ou mesmo o seu uso intensivo ou a existência de ato normativo específico excepcionando o tratamento como “despesa operacional” para tais itens (como ocorre, p.ex., como lâminas e facas na indústria calçadista), aqueles dispêndios que foram adquiridos pela Recorrente por preço superior a R$326,61, deverão ser levados ao imobilizado, em subconta relativa ao bem a que estiverem vinculadas, para que sejam depreciados, e, consequentemente, as taxas de depreciações pertinentes devem ser revertidas em créditos no trimestre em questão, já que nestes autos será recomposto o cálculo dos créditos ressarciendos. Já quanto aos gastos em valores inferiores a R$325,61, é admissível que sejam lançados diretamente em despesas, e, consequentemente, podem ser objeto de desconto de créditos no próprio mês em referência. Considerando que estamos diante, tanto de inserção destes dispêndios no cálculo do crédito presumido sobre o estoque de abertura, quanto sobre o crédito do mês corrente, entendo que não seja o caso de tomada de crédito sobre despesas operacionais quanto ao crédito presumido, pois que estas já concederam o direito de dedutibilidade anteriormente a formação dos estoques, não onerando o estoque anteriormente a vigência do regime não cumulativo de apuração da COFINS. O direito deve ser concedido apenas quanto aos créditos do mês corrente. Desta forma, merece parcial provimento o recurso, para reconhecer o direito ao cômputo de créditos correntes do mês em análise, apenas sobre os serviços tidos como despesa operacional quando o preço de aquisição for inferior a R$326,61, e quando em valor superior, deve ser mantida a glosa, pois que já reconheceu o crédito mediante cálculo através dos pertinentes encargos de depreciação. Fl. 416DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 4/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 10840.003063/200411 Acórdão n.º 3402002.565 S3C4T2 Fl. 405 25 V) Rateio de custos, despesas e encargos comuns e sua vinculação à Receita Bruta Total da Pessoa Jurídica: Outra questão que se apresenta sob litígio, reside no “refazimento” dos cálculos procedidos pela Autoridade Fiscal, que entendeu que o percentual do rateio entre as receitas de venda de produtos sujeitos ao regime cumulativo e os não cumulativos, para fins de apropriação de créditos sobre os custos, despesas e encargos comuns a ambos, deveria levar em consideração apenas as receitas que estiverem relacionadas aos referidos custos, despesas e encargos, e não a receita bruta total da pessoa jurídica. Por seu turno, a Recorrente sustenta que o cálculo do percentual do rateio deve levar em consideração a receita bruta proveniente da venda dos produtos sujeitos ao regime não cumulativo pela receita bruta total da pessoa jurídica, não efetuando a segregação intencionada pelo Fisco. Nesse sentido, tenho que assiste razão à Recorrente, pois a letra da lei faculta às empresas que possuam parte de suas receitas sujeitas ao regime não cumulativo da COFINS/PIS, a apuração dos créditos de duas formas diferentes, quais sejam, pela apropriação direta, ou então pelo rateio proporcional, previstos respectivamente nos incisos I e II do §8º do artigo 3º da Lei 10.833/03. Desta forma, da análise dos autos, observase que os produtos (açúcar e álcool), que a Recorrente comercializa têm origem nas mesmas matériasprimas e que a receita derivada destes dois únicos produtos recai parte no regime cumulativo (álcool) e parte no regime não cumulativo (açúcar), e, considerando que o contribuinte afirma não possuir sistema integrado e coordenado de estoques, restalhe a opção de proceder à apropriação dos créditos pelo método do rateio proporcional, previsto no inciso II do já mencionado artigo, que se concretiza “pela relação existente entre a receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês”. Como dito, o referido dispositivo é expresso em determinar esta relação de rateio (acima destacada), não fazendo a menção desejada pela Autoridade Administrativa, de que a relação percentual utilizada no rateio deve ser ater aos limites dos custos, despesas e encargos comuns, vinculados unicamente à receita não cumulativa. Não vislumbro, da leitura do comando legal ora em voga, que a expressão “receita bruta” trazida pelo legislador, possa ter sua interpretação modificada para qualquer outro tipo de “receita” que não a “receita total” da pessoa jurídica, pois que, em sentido estrito, receita bruta é, conforme definição extraída do próprio sítio da Receita Federal na internet: “A receita bruta compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido na operações de conta alheia, excluídas as vendas canceladas, as devoluções de vendas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados, destacadamente do comprador ou contratante, e dos quais o vendedor dos bens ou prestador dos serviços seja mero depositário” Desta feita, cumpre frisar que o comando legal no qual baseiase a regulamentação do rateio levado a efeito pela Recorrente designa a relação percentual entre as receitas sujeitas à incidência nãocumulativa e a receita bruta total, tão somente. Fl. 417DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 4/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 26 Não se denota nenhuma espécie derivada do conceito de receita bruta total, na qual se pudesse entender que dali caberia a interpretação de receitas apenas relacionadas a uma determinada atividade da empresa, ou adstrita aos custos, despesas ou encargos que geram os créditos. Deve ficar registrado, portanto, que no tocante às receitas provenientes de vendas de produtos ao exterior, que ocasionem receitas rotuladas como “receitas financeiras”, como quer a Administração”, ou como “complemento de preço”, como sustenta a recorrente, na realidade deverá compor a receita bruta (numerador), quando decorrer de venda de produtos sujeitos a não cumulatividade, e em qualquer hipótese (vendas de produtos sujeitos ou não à não cumulatividade), deverá compor a receita bruta total da pessoa jurídica (denominador). Assim, tenho que a forma como procedida ao rateio pelo contribuinte recorrente obedece a legislação, pelo que, no contexto do acima exposto, dou provimento ao recurso voluntário neste particular. Na esteira das considerações acima, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário do contribuinte. (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Jr. – Relator. Fl. 418DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 4/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR
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Numero do processo: 10814.009730/2005-78
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Fri Jun 03 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO - II
Data do fato gerador: 09/01/2001
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. RECONHECIMENTO DO DIREITO À ISENÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
A isenção não concedida em caráter geral é efetivada, caso a caso, por despacho da autoridade administrativa, mediante requerimento do interessado, no qual comprove o preenchimento das condições e dos requisitos definidos em lei para a concessão do favor.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3102-001.067
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Nanci Gama.
Nome do relator: Ricardo Paulo Rosa
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RECONHECIMENTO DO DIREITO À ISENÇÃO. ÔNUS DA PROVA. A isenção não concedida em caráter geral é efetivada, caso a caso, por despacho da autoridade administrativa, mediante requerimento do interessado, no qual comprove o preenchimento das condições e dos requisitos definidos em lei para a concessão do favor. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Nanci Gama. Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. Ricardo Paulo Rosa Relator. EDITADO EM: 03/06/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Luciano Pontes de Maya Gomes, Paulo Sergio Celani, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Nanci Gama. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 08/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 03/06/2011 por RICARDO PAULO ROSA 2 Trata o presente processo de pedido de restituição de Imposto de Importação alegadamente recolhido a maior, pago através de débito automático em conta corrente bancária na data do registro da DI n° 03/03393372, em 24/04/2003 (fls. 6/9), no valor de R$ 703,32 (setecentos e três reais e trinta e dois centavos). Seguese um breve histórico dos fatos, conforme documentos nos autos. Alega o interessado .ter direito ao beneficio fiscal concedido pelo art. 5º das Medidas Provisórias n’s 193924 (de 06/01/00), 206837 (de 27/12/00) e 206838 (de 25/01/01), convertidas em Lei n° 10.182, de 12 de fevereiro de 2001. Tal beneficio consiste na redução de 40 % (quarenta por cento) do imposto de importação, para empresas devidamente habilitadas quanto ao mesmo no Sistema Integrado de Comércio Exterior SISCOMEX, referindose especificamente à importação de partes, peças, componentes, conjuntos e subconjuntos, acabados e semiacabados, e pneumáticos, destinadas aos processos produtivos das empresas e dos fabricantes de produtos relacionados no art. 5°, § 1° I a X (veículos leves: automóveis e comerciais leves, ônibus, caminhões, etc). Tendo em vista que, em nome do mesmo interessado, na mesma Unidade da RFB e tratando de assunto idêntico (mas para Declarações de Importação diferentes) há diversos processos em tramitação, inicialmente todos foram apensados ao de n° 10814006.463/200587. Posteriormente constatouse que parte dos processos apensados ao de n° 10814006.463/200587 apresentam registre: no Programa PerdComp, de Declaração de Compensação, e outros não (tratamse apenas de restituição, como é o caso do presente PAF) , o que exige rito processual diferente. Optouse pela separação do presente processo, o qual foi desapensado do PAF 10814 006463/200587 (fls. 42), para nele discutirse apenas a viabilidade de reconhecimento do direito creditório pleiteado (e não a compensação, a qual não foi objeto de Declaração respectiva). Voltemos à síntese dos fatos: PEDIDO DE RETIFICAÇÃO DE DI – INDEFERIMENTO Em 24/04/2003 o interessado submeteu a despacho aduaneiro mercadorias beneficiárias da mencionada redução, pela Declaração de Importação n° 03/03393372, tendo deixado de pleitear o benefício em questão, e recolhido integralmente o Imposto de Importação. Em 24/11/2005, por requerimento de fls. 1/2, pleiteou a restituição do valor que entende recolhido a maior, no total de R$ 703,32 (setecentos e três reais e trinta e dois centavos), pelo Pedido de Restituição de fls. 1/2 e Pedido de Cancelamento de Declaração de Importação e Reconhecimento de Direito Creditório de fls. 3/4. Anexou às fls. 21 documento comprobatório fornecido pelo DECEX, segundo o qual a empresa está habilitada a fruir o benefício da Lei 10.182/2001 desde 18/01/2000. O processo tramitou pela Inspetoria da Receita Federal em São Paulo — (IRF SP), para revisão aduaneira e eventual retificação de Declaração de Importação. Dentro do procedimento de análise da retificação prevista no art. 45 da In n° 680/2006, o contribuinte em tela foi intimado a apresentar as certidões negativas de débito (CND, FGTS e Dívida Ativa da União) abrangendo as datas de registro da DI. Em atendimento ao termo em questão o contribuinte apresentou tempestivamente resposta onde se manifestou pelo não cabimento da exigência de Fl. 2DF CARF MF Emitido em 08/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 03/06/2011 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10814.009730/200578 Acórdão n.º 310201.067 S3C1T2 Fl. 2 3 certidões negativas no caso em tela e também que caberia à administração verificar internamente se a empresa estaria ou não em regularidade com os tributos administrados pela União. Tendo em vista o previsto no artigo 120 do Regulamento Aduaneiro vigente à época dos fatos, aprovado pelo Decreto n° 4.543/2002, combinado com o artigo 60 da Lei 9.069, de 29/06/1995, entendeu a autoridade aduaneira que, da combinação dos dois dispositivo legais, fica caracterizado que a exigência de prova de quitação se renova a cada despacho objeto de redução pretendida e que a comprovação em questão deve ser feita pelo contribuinte, não se aplicando aqui o disposto no art. 37, da Lei 9.784/99. Em decorrência do exposto, foi indeferido o pedido de retificação da Declaração de Importação (fls. 45). Em 15/05/2008 foi proferido despacho indeferindo a retificação da Declaração de Importação (v. fls. 45). PEDIDO DE RECONSIDERAÇÃO DE DESPACHO DENEGATÓRIO DA RETIFICAÇÃO DE DI INDEFERIMENTO Ciente da decisão denegatória de seu pleito (retificação da DI), o interessado apresentou seu pedido de reconsideração de despacho. Apresentou, tempestivamente, seu pedido de reconsiderado de despacho para ser encaminhada ao Sr. InspetorChefe, nos termos do § 4º . art; n° 45 da IN/SRF n° 680/2006. Em seu pedido de reconsideração o impetrante manteve posição pelo não cabimento da exigência de certidão negativa no caso em tela. 01 Argumentou que a Lei in° 10.182 não exige a apresentação de CND para fruição da redução do imposto, porém a Notícia Siscomex n° 21, de 23/07/2001 não deixa qualquer dúvida quanto a aplicabilidade do disposto no art. 60 da Lei n° 9.069, de 29/06/1995, para as retificações constantes no processo em tela. 02 Reapresentou jurisprudência das 1ª e 2ª Turmas do STJ, que , conforme já mencionado, ,não valem para o caso em tela, por tratarem de benefícios referentes a mercadorias beneficiadas por drawback, beneficio este de caráter objetivo, e não à redução ora discutida, que é um benefício condicional do tipo objetivosubjetivo ou misto (vinculado à qualidade do importador e à destinação do bem). Diante do exposto, e levandose em conta o previsto no artigo 120 do Regulamento Aduaneiro vigente à época dos fatos, aprovado pelo Decreto n° 4.543/2002, combinado com o artigo 60 da Lei 9.069, de 29/06/1995, foi mantido o indeferimento do pleito. O despacho denegatório do pleito encontrase às fls. 46/47 — Despacho Decisório IRF/SPO n° 034/2009, de 18 de fevereiro de 2009. PEDIDO DE RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO — INDEFERIMENTO Tendo o interessado tomado ciência do despacho decisório que manteve o indeferimento, e esgotado administrativamente o Pedido de retificação, os autos foram enviados para a ALF/Aeroporto Internacional em São Paulo — Guarulhos SP, para prosseguimento, nos termos do artigo 58 da IN/RÉB 900/2008, ou seja, apreciação relativo ao reconhecimento ou não do direito creditório e a restituição de crédito relativo ao tributo administrado pela RFB, (no caso em estudo, o imposto de importação). Fl. 3DF CARF MF Emitido em 08/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 03/06/2011 por RICARDO PAULO ROSA 4 Com base na mesma argumentação que servira de base ao indeferimento de seu pedido de retificação de DI ( posteriormente objeto de pedido de reconsideração), e levando em conta o referido indeferimento, que implicou em não ficar caracterizado terem os recolhimentos sido feitos a maior que o devido, foi indeferido também o pedido de reconhecimento de direito creditório. (fls. 48/51). Inconformado com o indeferimento de seu pleito, o interessado apresentou sua Manifestação de Inconformidade, tempestivamente. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Analisandose a Manifestação de Inconformidade de fls. 55/69, constatase que são os seguintes os principais argumentos do recorrente: 01 — A Lei 10.182/01, que instituiu o benefício da redução de 40% do II na importação de determinados produtos , para empresas montadoras e dos fabricantes do setor automotivo não exige a apresentação de CND para a fruição da redução do imposto (comprovação já feita quando de sua habilitação ao regime, feita junto ao SECEX). 02 — Entende que não se aplica ao caso o art. 60 da Lei 9.069/95, que condiciona à apresentação de CND apenas a concessão ou reconhecimento de benefício fiscal. Entende que o dispositivo legal prevê a apresentação em somente uma das ocasiões, e ele já apresentara as CND's quando da habilitação do benefício. 03 — Alega que, pela doutrina, lei posterior derroga lei anterior e lei especial derroga lei geral. Portanto, a Lei 10182/2001 teria prelavência sobre a Lei 9.069/1995, já que lei posterior derroga a anterior. Também a derrogaria por ser a Lei 9.069/1995 geral, e a lei 10182/2001 especial. 04 — Considera que caberia à Receita Federal aferir a regularidade fiscal do interessado, pela simples verificação de seus sistemas informatizados, conforme art. 37 da Lei n° 9.784/99; 05 — Reapresenta jurisprudência administrativa e judicial, que entende reforçar seu ponto de vista. Resumindose os fatos, o indeferimento do pleito quanto à retificação da DI e do reconhecimento do direito creditório prendeuse basicamente à não apresentação das CNDs (Certidões Negativas de Débito) à época do fato gerador, e a Manifestação de Inconformidade de fls. 55/69 também foca o mesmo assunto, ou seja, a pretendida inadmissibilidade de exigência de CNDs (Certidões Negativas de Débito) a cada despacho aduaneiro de importação onde seja pleiteado benefício de redução ou isenção de tributo. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 24/04/2003 PEDIDO 'DE RESTITUIÇÃO DE IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. ALEGACÃO DE RECOLHIMENTO A MAIOR POR NÃO UTILIZAÇÃO DA REDUÇÃO PREVISTA NA LEI 10.182/2001 (REGIME AUTOMOTIVO). NÃO RECONHECIDO O DIREITO CREDITORIO TENDO EM VISTA A NÃO COMPROVAÇÃO DE REGULARIDADE QUANDO AOS TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES FEDERAIS À ÉPOCA DO FATO GERADOR. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 08/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 03/06/2011 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10814.009730/200578 Acórdão n.º 310201.067 S3C1T2 Fl. 3 5 Conforme art. 165 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional), cabe restituição de tributos recolhidos indevidamente ou a maior que o devido. Não caracterizado o recolhimento como indevido ou a maior que o devido, não cabe a restituição do mesmo ao sujeito passivo. APRESENTAÇÃO DE CNDs POR OCASIÃO DO DESPACHO ADUANEIRO DE MERCADORIA BENEFICIADA POR ISENÇÃO/REDUÇÃO DE CARÁTER SUBJETIVO OU MISTO. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal de caráter subjetivo (vinculado à qualidade do importador) ou misto (vinculado tanto à qualidade e destinação da mercadoria quanto à qualidade do importador), relativos a tributos e contribuições administrados pela Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais, sendo cabível o disposto no artigo 60 da Lei no 9.069, de 29 de junho de 1995. Insatisfeita com a decisão de primeira instância, a recorrente apresenta recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio do qual repisa argumentos contidos na impugnação ao lançamento. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso voluntário. A lide cingese à possibilidade de que o contribuinte usufrua da redução do imposto de importação própria do Regime Automotivo, independentemente da apresentação da Certidão Negativa de Débitos CND por ocasião do registro das importações correspondentes. Todas as demais questões estão pacificadas. Essa exigência está expressa no artigo 60 da Lei 9.069/95. Art. 60. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais. Segundo entende a recorrente, a administração não pode fazer uma exigência não especificada na legislação própria do Regime, que determinava a apresentação da CND apenas no momento da habilitação da empresa no Siscomex. Uma vez habilitada, estaria apta à fruição do benefício, para o que não é exigida a apresentação da CND, sendo esta vinculada à concessão do mesmo, que, tudo segundo entende, ocorreu quando de sua habilitação no Siscomex. Por outro lado, sustenta que a lei mais específica, no caso a Lei 10.182/01, deve prevalecer ante uma Lei mais genérica, a 9.069/95. Não assiste razão à recorrente. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 08/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 03/06/2011 por RICARDO PAULO ROSA 6 Além de tudo o que até aqui já foi dito, cabe acrescentar o disposto no Código Tributário Nacional a respeito do processo de concessão de benefício fiscal. Art. 179. A isenção, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade administrativa, em requerimento com o qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para concessão. (grifos meus) § 1º Tratandose de tributo lançado por período certo de tempo, o despacho referido neste artigo será renovado antes da expiração de cada período, cessando automaticamente os seus efeitos a partir do primeiro dia do período para o qual o interessado deixar de promover a continuidade do reconhecimento da isenção. § 2º O despacho referido neste artigo não gera direito adquirido, aplicandose, quando cabível, o disposto no artigo 155. Depreendese do texto que (i) a isenção é efetivada por despacho da autoridade administrativa, em cada caso, e não, como advoga a recorrente, por meio da habilitação ao Regime e (ii) que cabe ao interessado fazer prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para concessão da isenção. Uma das condições definidas em lei é justamente a apresentação da Certidão Negativa de Débitos, sendo, conforme estabelecido no Código Tributário Nacional, de responsabilidade do contribuinte a adoção de tal providência, para que, somente depois de atestado o preenchimento da condição, a autoridade administrativa efetive a isenção prevista em lei. Quanto a isso, é óbvio que o Código estáse referindo à aplicação da isenção concedida por lei. Do contrário, não faria menção a despacho da autoridade administrativa, em requerimento, fazer prova, e em cada caso. A lei concede a isenção, e a administração efetiva a, analisando caso a caso, o pedido do administrado. Não há que se falar aqui em fruição. Essa depende de que o beneficiário mantenhase preenchendo as condições e requisitos, sob pena de revogação da isenção já efetivada. Assim determina o art. 155 do Código, ao qual faz remissão o artigo 179 acima transcrito. Art. 155. A concessão da moratória em caráter individual não gera direito adquirido e será revogado de ofício, sempre que se apure que o beneficiado não satisfazia ou deixou de satisfazer as condições ou não cumprira ou deixou de cumprir os requisitos para a concessão do favor, cobrandose o crédito acrescido de juros de mora: I com imposição da penalidade cabível, nos casos de dolo ou simulação do beneficiado, ou de terceiro em benefício daquele; II sem imposição de penalidade, nos demais casos. Parágrafo único. No caso do inciso I deste artigo, o tempo decorrido entre a concessão da moratória e sua revogação não se computa para efeito da prescrição do direito à cobrança do crédito; no caso do inciso II deste artigo, a revogação só pode ocorrer antes de prescrito o referido direito. Se a isenção não foi se quer efetivada, não há que se falar em fruição. Também não se trata de aplicação de lei mais específica. As duas leis não estão em contradição, complementamse. Esse princípio seria oponível se a Lei 10.182/01 expressamente dispensasse a apresentação da CND, o que não é o caso. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 08/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 03/06/2011 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10814.009730/200578 Acórdão n.º 310201.067 S3C1T2 Fl. 4 7 Neste mesmo contexto, importante destacar que o disposto no artigo 37 da lei 9.784/99 não é aplicável ao caso concreto, pois tratase de um comando genérico, regulador das situações que não dispõe de regulamentação própria, conforme ressalvado na própria Lei 9.784/99, artigo 69. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Art. 69. Os processos administrativos específicos continuarão a regerse por lei própria, aplicandoselhes apenas subsidiariamente os preceitos desta Lei. Finalmente, cumpre acrescentar que a decisão do Recurso Especial nº 1.047.237 – SP, tomada no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, em recurso repetitivo, referese textualmente ao Regime Aduaneiro Especial de Drawback, não sendo, por conseguinte, aplicável ao caso concreto. RECURSO ESPECIAL Nº 1.041.237 SP (2008/00604621) RELATOR : MINISTRO LUIZ FUX RECORRENTE : FAZENDA NACIONAL PROCURADORES : CLAUDIO XAVIER SEEFELDER FILHO MARIA FERNANDA DE FARO SANTOS E OUTRO(S) RECORRIDO : ROYAL CITRUS SA ADVOGADO : OSVALDO SAMMARCO E OUTRO(S) EMENTA PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. REGIME DE DRAWBACK. DESEMBARAÇO ADUANEIRO. CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITO (CND). INEXIGIBILIDADE. ARTIGO 60, DA LEI 9.069/95. 1. Drawback é a operação pela qual a matériaprima ingressa em território nacional com isenção ou suspensão de impostos, para ser reexportada após sofrer beneficiamento. 2. O artigo 60, da Lei nº 9.069/95, dispõe que: "a concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais" . 3. Destarte, ressoa ilícita a exigência de nova certidão negativa de débito no momento do desembaraço aduaneiro da respectiva importação, se a comprovação de quitação de tributos federais já fora apresentada quando da concessão do benefício inerente às operações pelo regime de drawback (Precedentes das Turmas de Direito Público: REsp 839.116/BA, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 21.08.2008, DJe 01.10.2008; REsp 859.119/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 06.05.2008, DJe 20.05.2008; e REsp 385.634/BA, Rel. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 08/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 03/06/2011 por RICARDO PAULO ROSA 8 Ministro João Otávio de Noronha, Segunda Turma, julgado em 21.02.2006, DJ 29.03.2006). 4. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543 C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Ante o exposto, VOTO POR NEGAR provimento ao recurso voluntário apresentado pela recorrente. Sala de Sessões, 03 de junho de 2011. Ricardo Paulo Rosa – Relator. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 08/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 03/06/2011 por RICARDO PAULO ROSA
score : 1.0
Numero do processo: 13839.001168/2006-25
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu May 14 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005
MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA. VERIFICAÇÃO APÓS O ENCERRAMENTO DO EXERCÍCIO. IMPOSSIBILIDADE.
O artigo 44, da Lei nº 9.430, de 1996, preceitua que a multa de ofício deve ser calculada sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição, materialidade que não se confunde com o valor calculado sob base estimada ao longo do ano. O Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido efetivamente devido pelo contribuinte surge com o lucro apurado em 31 de dezembro de cada ano-calendário. É improcedente a aplicação de penalidade pelo não recolhimento de estimativa quando a fiscalização apura, após o encerramento do exercício, valor de estimativas superior ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou Contribuição Social sobre o Lucro Líquido apurado em sua escrita fiscal ao final do exercício.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9101-001.771
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Declarou-se impedida a Conselheira Karem Jureidini Dias ,sendo substituída pelo Conselheiro Moises Giacomelli Nunes da Silva. Declarou-se impedido Conselheiro, Valmir Sandri sendo substituído pelo Conselheiro Paulo Roberto Cortez.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Marcos Vinícius Barros Ottoni Redator Ad Hoc Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, José Ricardo da Silva, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Karem Jureidini Dias, Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, João Carlos de Lima Júnior, Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente) e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento).
Nome do relator: JOSE RICARDO DA SILVA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Declarou-se impedida a Conselheira Karem Jureidini Dias ,sendo substituída pelo Conselheiro Moises Giacomelli Nunes da Silva. Declarou-se impedido Conselheiro, Valmir Sandri sendo substituído pelo Conselheiro Paulo Roberto Cortez. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente (Assinado digitalmente) Marcos Vinícius Barros Ottoni Redator Ad Hoc Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, José Ricardo da Silva, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Karem Jureidini Dias, Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, João Carlos de Lima Júnior, Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente) e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento).
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FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA. VERIFICAÇÃO APÓS O ENCERRAMENTO DO EXERCÍCIO. IMPOSSIBILIDADE. O artigo 44, da Lei nº 9.430, de 1996, preceitua que a multa de ofício deve ser calculada sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição, materialidade que não se confunde com o valor calculado sob base estimada ao longo do ano. O Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido efetivamente devido pelo contribuinte surge com o lucro apurado em 31 de dezembro de cada anocalendário. É improcedente a aplicação de penalidade pelo não recolhimento de estimativa quando a fiscalização apura, após o encerramento do exercício, valor de estimativas superior ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou Contribuição Social sobre o Lucro Líquido apurado em sua escrita fiscal ao final do exercício. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Declarouse impedida a Conselheira Karem Jureidini Dias ,sendo substituída pelo Conselheiro Moises Giacomelli Nunes da Silva. Declarouse impedido Conselheiro, Valmir Sandri sendo substituído pelo Conselheiro Paulo Roberto Cortez. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 00 11 68 /2 00 6- 25 Fl. 4290DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 0 7/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por MARCOS VINICIU S BARROS OTTONI 2 (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (Assinado digitalmente) Marcos Vinícius Barros Ottoni – Redator Ad Hoc – Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, José Ricardo da Silva, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Karem Jureidini Dias, Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, João Carlos de Lima Júnior, Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente) e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento). Relatório Cientificada da decisão de Segunda Instância, em 25/01/2008 (fl. 4266), a Fazenda Nacional interpõe, tempestivamente, em 25/01/2008, Recurso Especial de fls. 4270/4278, para a 1ª Turma de Julgamento da Câmara Superior de Recursos Fiscais, pleiteando a reforma da decisão proferida pela então Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, através do Acórdão nº 10323036, de 24/05/2007 (fls. 4256/4265), o qual, por maioria de votos, deu provimento ao recurso interposto pela contribuinte Tegula Soluções para Telhados Ltda. atual denominação de Lafarge Roofing Brasil Ltda. (fls. 4222/4246). O pleito da Fazenda Nacional busca amparo no então art. 7º, inciso I, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovada pela Portaria MF nº 147, de 2007, atualmente regido pelos arts. 64, II e 67, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações introduzidas pelas Portarias MF nºs 446, de 27 de agosto de 2009, e 586, de 21 de dezembro de 2010. Consta dos autos que, contra a contribuinte, Lafarge Roofing Brasil Ltda., foi lavrado, em 03/04/2006, pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Jundiaí SP, Auto de Infração de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido para exigência da Multa Isolada em razão da falta de recolhimentos das estimativas mensais (fls. 895/911), com ciência pessoal, em 07/04/2006 (fls. 895/911) exigindose o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 3.632.477,09, referente aos exercícios de 2001 a 2005. A exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização, onde a autoridade fiscal lançadora entendeu haver diferença apurada entre o valor escriturado e o declarado / pago – CSLL e IRPJ. Infração capitulada nos arts. 29, 30, 43, 44, § 1º, inciso IV, da Lei nº 9.430, de 1996; art. 841 do RIR/99 e nos arts. 222, 841, incisos III e IV, 843, e 957, parágrafo único, inciso IV, do RIR/99. O AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil responsável pela constituição do crédito tributário lançado fundamentou o lançamento com base nos seguintes argumentos: que durante o procedimento de verificações obrigatórias foram constatadas divergências entre os valores declarados e os valores escriturados gerando falta de pagamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, incidente sobre a base de calculo estimada em função da Fl. 4291DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 0 7/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por MARCOS VINICIU S BARROS OTTONI Processo nº 13839.001168/200625 Acórdão n.º 9101001.771 CSRFT1 Fl. 3 3 receita bruta e acréscimos e/ou balanços de suspensão ou redução, conforme Termos lavrados, respostas apresentadas, Livros Diários, DCTFs, DARFs, planilhas de bases de cálculos, demonstrativos elaborados, tudo consignado no Termo Conclusivo da Ação Fiscal, anexo. Impugnado, tempestivamente, o Auto de Infração, em 04/05/2006 (fls. 916/936), instruído pelos documentos de fls. (937/1016) e após resumir os fatos constantes da autuação e as principais razões apresentadas pela impugnante, a 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas SP, em 06/11/2006, decide julgar parcialmente procedente o lançamento, mantendo, em parte, o crédito tributário lançado (fls.4190/4199), lastreado, em síntese, nos seguintes argumentos básicos: que conforme se depreende do relatório, a fiscalização constatou que a empresa optou pela sistemática do Lucro Real Anual com pagamentos mensais antecipados do IRPJ e da CSLL nos anoscalendário de 2000 a 2004 e que deixou de fazer as referidas antecipações, nos meses relacionados no auto de infração. Por essa razão, a fiscalização considerou ter havido a materialização da hipótese de infração de que cuida a Lei n.° 9.430, de 27 de dezembro de 1996 art. 44, §1°, IV; que aplicação da multa isolada, decorre, exclusivamente, do descumprimento da obrigação de se efetuar o recolhimento por estimativa nos prazos e condições estabelecidos na legislação tributária, independentemente do resultado anual apurado pelo sujeito passivo. Excetuase do disposto nessa regra, a pessoa jurídica que comprovar que a falta de pagamento decorreu do levantamento, efetuado antes da data estipulada para o recolhimento do tributo ou contribuição, de balancete de suspensão ou redução na forma do art. 35 da Lei n.° 8.981, de 1995, e alterações posteriores; que desta forma, já que estava a empresa obrigada ao recolhimento por estimativa, por ter optado pela apuração do lucro real anual, não pairam dúvidas de que a constatação de falta ou insuficiência de recolhimentos mensais, por estimativa, dá ensejo ao lançamento da multa de ofício isolada, prevista no inciso IV do § 1° do artigo 44 da Lei n° 9.430, de 1996, incidente sobre as diferenças apuradas e perfeitamente demonstradas; que oportuno então destacar, tendo em vista o entendimento da Secretaria da Receita Federal emanante da norma citada, o qual o agente fiscal deve observar: a multa aplicada não é fruto da simples ausência de transcrição no Livro Diário dos balancetes, nos quais é demonstrado o prejuízo acumulado do período, mas da falta desse procedimento até a data fixada para o pagamento do imposto e da contribuição do respectivo mês; que como é sabido, a regra para as pessoas jurídicas optantes pela apuração do Lucro Real Anual é o pagamento das estimativas com base na receita bruta e acréscimos conforme preceitua o art. 2. °, caput, da Lei n.° 9.430, de 1996 , sendo exceção a redução ou suspensão do tributo mediante levantamento de balancete de suspensão ou redução até a data fixada para o respectivo pagamento. Nessa última situação, a legislação impõe o dever de transcrição, como condição de eficácia da suspensão ou redução do pagamento, para possibilitar a verificação da execução do procedimento dentro do prazo legal; que sem a transcrição no Livro Diário dos balancetes de suspensão ou redução, a contribuinte se sujeita à multa isolada em discussão, de acordo com a legislação vigente, passando a ser seu o ônus de provar que apurou dentro dos correspondentes prazos os resultados acumulados e tributos devidos até então; Fl. 4292DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 0 7/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por MARCOS VINICIU S BARROS OTTONI 4 que a aplicação da multa isolada prevista no art. 44, §1°, IV, da Lei n.° 9.430, de 1996, em decorrência da falta de transcrição dos balanços ou balancetes de suspensão, pode não subsistir, quando o sujeito passivo apresenta sua escrita contábil e fiscal, provando que, antes das datas previstas para os pagamentos mensais das estimativas do IRPJ e da CSLL, havia apurado prejuízos fiscais como resultados acumulados; que compulsando os autos, verificase que a impugnante não apresenta documentos hábeis, por si só, para comprovar a apuração dos prejuízos fiscais acumulados, os quais a dispensariam do recolhimento da estimativa mensal. Ora, as planilhas e os balancetes apresentados são documentos desprovidos de termos de abertura e de encerramento e não submetidos a qualquer tipo de controle e autenticação, como os exigidos para o Livro Diário. O mesmo é válido para o Livro de Apuração do Lucro Real, cujo registro não é exigido pelo Regulamento do Imposto de Renda de 1999, Decreto n.° 3.000, de 29 de março de 1999. Desta forma, a verificação da tempestividade da elaboração da contribuinte tem que ser efetuada de outra forma; que quando há redução do pagamento, podese inferir que existiu uma apuração vinculada ao valor recolhido. Coadunandose os registros contábeis e fiscais e a importância recolhida tempestivamente, é de se presumir que a apuração foi elaborada antes do prazo previsto para o pagamento. Nos casos de suspensão, entretanto, inexiste pagamento capaz de marcar no tempo a apuração efetuada; que cabe ressaltar que os pagamentos efetuados a destempo, apesar de não terem constituído prova hábil para reverter a desconsideração dos balancetes de redução, foram considerados na determinação da multa isolada, conforme Demonstrativo de Situação Fiscal Apurada (fl. 859/870). Assim, no tocante ao ano calendário de 2000, fica prestigiado o procedimento fiscal realizado; que no ano de 2001, além da ausência de comprovação da elaboração tempestiva dos balancetes de suspensão/redução, a própria declaração de rendimentos apresentada pela contribuinte reforça a pretensão fiscal de apurar as estimativas devidas a partir da receita bruta; que quanto ao ano calendário de 2003, as multas isoladas foram aplicadas pela insuficiência do recolhimento efetuado, tendo em vista as estimativas apuradas pela própria contribuinte na DIPJ/2004 com base na receita bruta e acréscimos. A defesa assevera que as antecipações referentes aos meses de abril a junho foram satisfeitas mediante pagamentos e compensações; que se poderia cogitar da correta incidência da multa nos caso de não homologação da compensação. Contudo, a aplicação de multa isolada somente é possível se caracterizada a prática das infrações previstas nos art. 71 a 73 da Lei n.° 4.502, de 1964, conforme determina o art.18 da Lei n.° 10.833, de 2003 (considerando as alterações introduzidas pela Lei n.° 11.051, de 2004, e pela Lei n.° 11.196, de 2005), o que não ocorre no presente caso. Cientificado da decisão de Primeira Instância, em 20/12/2006, conforme Termo constante à fl. 4221, e com ela não se conformando, a contribuinte interpôs, tempestivamente, em 08/01/2006, Recurso Voluntário de fls. 4222/4246, o qual, ao ser apreciado pela então Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, através do Acórdão nº 10323036, de 24/05/2007 (fls. 4256/4265), concluiu, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso para excluir a multa isolada, conforme se verifica de sua ementa e decisão: Fl. 4293DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 0 7/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por MARCOS VINICIU S BARROS OTTONI Processo nº 13839.001168/200625 Acórdão n.º 9101001.771 CSRFT1 Fl. 4 5 IRPJ e CSLL. RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. MULTA ISOLADA. Conforme precedentes desta E. Câmara (v.g., Recurso 124.946), a exigência da multa de lançamento de oficio isolada, sobre diferenças de IRPJ e CSLL não recolhidos mensalmente, somente faz sentido se operada no curso do próprio ano calendário ou, se após o seu encerramento, se da irregularidade praticada pela contribuinte (falta de recolhimento ou recolhimento a menor) resultar prejuízo ao fisco, como a insuficiência de recolhimento mensal frente à apuração, após encerrado o anocalendário, de tributo devido a maior do que o recolhido por estimativa. Recurso voluntário provido para afastar a incidência de multa isolada, ante os prejuízos informados em DIPJ pela Recorrente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso voluntário interposto por LAFARGE ROOFING BRASIL LTDA., ACORDAM os Membros da Terceira Câmara, do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso, vencido o Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes que o provia em parte para reduzir a multa isolada para 50% (cinquenta por cento), nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Cientificada, formalmente, da decisão de Segunda Instância, em 25/01/2008, conforme Termo constante às fls. 4266, a Fazenda Nacional, através do seu representante legal, interpôs, de forma tempestiva (25/01/2008), o Recurso Especial de fls. 4270/4278, com amparo no então art. 7º, inciso I, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 2007, qual seja, a demonstração da contrariedade à lei ou à evidência da prova, no qual demonstra irresignação contra a decisão supra ementada, baseado, em síntese, nas seguintes considerações: que insurgese a Fazenda Nacional contra o r. acórdão proferido pela e. Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, que deu provimento parcial ao recurso voluntário, por maioria, para afastar a multa de ofício, lançada com base no art. 44, inc. I e seu parágrafo 1°, inc. IV, da Lei 9.430/96, em função do descumprimento, pelo Recorrido, do modo de pagamento do IRPJ e CSSL sobre base de cálculo estimada (art. 2° da Lei 9.430/96); que conforme apurado pela fiscalização, o Recorrido optou por pagar os tributos devidos durante os anos de 2000 a 2005 pelo regime de estimativa; que tal opção, que é irretratável, conforme o art. 3° da Lei 9.430/96 significa que o contribuinte, nos termos dos artigos 29; §§1° e 2°; 30 a 32, 34 e 35 da Lei 8.981/95 (aos quais a III 9.430/96 faz remissão), deverá pagar o imposto mensalmente, sobre base de cálculo estimada, podendo suspender ou reduzir o valor a ser recolhido, desde que levante o chamado "balancete de suspensão"; que se, então, que o Recorrido, apesar de ter feito a opção pelo pagamento mensal do imposto por estimativa, não efetuou os recolhimentos mensais, e não elaborou balanços ou balancetes de suspensão que justificassem a ausência de recolhimentos mensais estimados no que tange aos anoscalendário 2000 a 2002 e 2004; Fl. 4294DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 0 7/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por MARCOS VINICIU S BARROS OTTONI 6 que teor art. 44, §1°, "IV", da Lei 9.430/96, a "multa isolada" é devida em função do não pagamento do imposto devido pelo regime de estimativa, ainda que o contribuinte tenha apurado, ao final do período, prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa; que como se viu acima, a e. Câmara a quo julgou que a multa prevista no art. 44, §1°, "IV", da Lei 9.430/96 somente se justificaria se exigida no curso do ano calendário em que o contribuinte não pagou o imposto devido por estimativa, ou se fosse constatado, ao final do ano calendário, a ocorrência de imposto devido maior do que o recolhido por estimativa vale dizer, prejuízo ao Fisco; que incoerente exigir a multa de que trata o art. 44, §1°, "IV", da Lei 9.430/96 durante o ano calendário por dois motivos, já evidenciados nos parágrafos acima. Primeiramente, porque é devido durante o ano calendário justamente o tributo. Caso o contribuinte não cumpra o regime de pagamento por estimativa, caberá à fiscalização exigir o tributo devido durante o ano, o que afasta a exigência de multa por descumprimento do regime de estimativa; que em segundo lugar, a norma estipula claramente que a multa é isolada, ainda que o contribuinte tenha incorrido em prejuízo ao final do ano. Tal dispositivo esclarece o critério temporal da hipótese de incidência da multa, qual seja deverá incidir após o final do ano calendário, pois nesse momento é que será possível saber se o contribuinte teve ou não prejuízo; que a multa decorre do descumprimento do regime de pagamento do tributo por estimativa, e que esse descumprimento pode ocorrer durante o ano base. Mas não é possível confundir o chamado critério objetivo da incidência da norma (descumprimento do regime) com o aspecto temporal; que é claríssima. Exigese a multa isolada se o contribuinte, que optou pelo regime de estimativa, deixar de fazer o pagamento do imposto, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente; que interpretandose a Lei 8.981/95, à qual a Lei 9.430/96, remissão, concluise que a única hipótese em que a penalidade imposta a quem não faz o pagamento do imposto por estimativa pode ser elidida, ocorre quando o contribuinte justifica o não pagamento com a transcrição dos balancetes no Livro Diário; que esse fato, que representa uma excludente de punibilidade, não aconteceu na espécie; que, portanto, concluise que, a partir da Lei 9.430/96, o contribuinte somente estará dispensado de recolher os tributos devidos, apurados pelo sistema de estimativa, quando transcrever no Livro Diário os balancetes de suspensão ou redução. Após o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial da Fazenda Nacional o Presidente da então Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes exarou o Despacho nº 1030376/2008 (fls. 4279/4280), dando seguimento ao Recurso por satisfazer os pressupostos regimentais. Ciente, nos termos regimentais, do Acórdão recorrido e do Despacho de Exame de Admissibilidade, em 26/01/2009 (fl. 4295), o contribuinte apresentou, tempestivamente, em 05/02/2009, as suas contrarrazões (fls. 4292/4307), baseado, em síntese, nas seguintes considerações: Fl. 4295DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 0 7/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por MARCOS VINICIU S BARROS OTTONI Processo nº 13839.001168/200625 Acórdão n.º 9101001.771 CSRFT1 Fl. 5 7 que a Fazenda Nacional sustenta em seu Recurso Especial, equivocadamente, que a multa isolada é devida no caso em questão porque a Recorrida não teria efetuado os recolhimentos mensais e os balancetes de suspensão; que a Recorrida sempre levantou balancetes mensais de suspensão ou redução, todos esses balancetes foram apresentados à fiscalização e juntados aos autos. Quando os balancetes apresentavam a redução do tributo, recolhiamse os valores devidos, conforme comprovam as guias de recolhimento anexas; que a acusação fiscal nada tem haver com os fatos narrados pelo Recurso Especial. A Fazenda Nacional, em verdade, pretende alterar o critério jurídico fixado no auto de infração, que adotou como motivação a mera falta de transcrição balancetes no Livro Diário, querendo fazer crer que a acusação está jungida a uma suposta falta de recolhimento mensal do imposto por estimativa e/ou a inexistência de balancetes como sustenta a Recorrente. Nada mais equivocado, pois existem todos os balancetes e, quando devido, os tributos foram devidamente pagos; que o Recurso Especial da Fazenda Nacional, por seu turno, pleiteia a manutenção da exigência ao argumento de que a multa isolada seria inafastável nos casos em que não há o pagamento do tributo, sendo que a única exceção seria a transcrição dos balancetes no livro diário. (fls. 4274/4275); que este é o ponto fundamental, D. Julgador, a Recorrida procedeu ao pagamento dos valores devidos calculados por meio de balancetes de suspensão ou redução; que não há dúvidas, D. Julgadores, a multa isolada é aplicável para os casos em que o IRPJ e a CSLL pela regra da estimativa sejam efetivamente devidos e o contribuinte simplesmente deixa de realizar o pagamento de tais valores, por entender que ao final do período será apurado prejuízo fiscal. Não é este o caso dos autos; que o parágrafo 2°, do artigo 35, da Lei n° 8.981/95 é de clareza solar ao dispensar do pagamento dos valores calculados no regime de apuração por estimativa as pessoas jurídicas que, através de balanço ou balancetes mensais, demonstrem a existência de prejuízos fiscais apurados a partir do mês de janeiro do respectivo anocalendário; que isto é demonstrado, ainda, na planilha "COMPARATIVO ENTRE BALANCETES DE SUSPENSÃO REDUÇÃO E DIÁRIOS REGISTRADOS", acostada anteriormente, em que a Recorrida demonstra que os balancetes refletem fielmente as informações constantes do Livro Diário, demonstrando os valores totais de cada período, o número do diário correspondente e a página totalizadora. Ademais, nesta planilha, constatase que o lucro/prejuízo de cada período corresponde exatamente ao que foi transcrito o Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR); que em suma, todos os documentos hábeis e idôneos, coincidem em datas e valores, quais sejam, balancetes, Livro Diário, LALUR, memórias de cálculo e planilhas demonstrativas, comprovam a existência de prejuízos fiscais apurados a partir do mês de janeiro nos anoscalendários de 2001, 2002 e 2004, razão pela qual a RECORRENTE estava DISPENSADA do pagamento tanto do "IRPJ" quando da "CSLL" no regime de apuração por estimativa, nos termos do parágrafo 2°, do artigo 35, da Lei n° 8.981/95; Fl. 4296DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 0 7/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por MARCOS VINICIU S BARROS OTTONI 8 que no anocalendário de 2000, diferentemente dos períodos acima mencionados, no mês de janeiro a Recorrida verificou que havia imposto a pagar. Pela sistemática do lucro real o "IRPJ" apurado foi de R$ 24.269,19 (vinte e quatro mil, duzentos e sessenta e nove reais e dezenove centavos), partindo de um lucro real de R$ 127.470,65 (cento e vinte e sete mil quatrocentos e setenta reais e sessenta e cinco centavos) (transcrito no LALUR), em conformidade com os balancetes e a planilha "Demonstrativo de Apuração do Lucro Real", que acompanharam a Impugnação O valor do imposto calculado pelo regime de estimativa seria substancialmente superior; que, assim, tendo em vista que ficou demonstrado que o imposto devido pelo lucro real no período é inferior ao calculado baseado na apuração por estimativa, a ora Recorrida recolheu o montante apurado pelo lucro real de R$ 24.269,19 (vinte e quatro mil, duzentos e sessenta e nove reais e dezenove centavos), conforme comprovante do recolhimento juntado aos autos; que nos demais períodos do anocalendário de 2000 houve a suspensão do pagamento posto que a Recorrida apurou prejuízos fiscais, aplicandose ao caso a regra do artigo 10 inciso I, da Instrução Normativa SRF n°93/97, que estabelece a suspensão do pagamento pela apuração por estimativa "desde que (se) demonstre que o valor do imposto devido, calculado com base no lucro real do período em curso, é igual ou inferior à soma do imposto de renda pago, correspondente aos meses do mesmo anocalendário, anteriores àquele a que se refere o balanço ou balancete levantado"; que no anocalendário de 2003 nos meses de janeiro a março a Recorrida apurou prejuízo fiscal, conforme documentação apresentada, razão pela qual estava dispensada do pagamento do IRPJ e CSLL pelo regime da estimativa; que abril a junho de 2003 a Recorrida apurou pela sistemática da estimativa IRPJ e CSLL a recolher, reduzindo o valor a ser pago para ajustálos ao valor dos tributos calculados pela sistemática do lucro real; que nestes períodos os pagamento dos débitos foram apurados, bem como mediante compensação com créditos a que fazia jus a Recorrida, conforme comprovantes e declarações de compensações apresentadas. É o relatório. Voto Conselheiro Marcos Vinícius Barros Ottoni, Redator Ad Hoc Designado Em face da necessidade de formalização da decisão proferida nos presentes autos, de competência da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais e, tendo em vista que o Conselheiro José Ricardo da Silva, relator do processo, não mais integra o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, este Conselheiro foi designado Redator Ad Hoc pelo Presidente da 1ª Turma da CSRF, nos termos do item III, do art. 17, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 (RICARF). Destarte, levandose em consideração a minuta de acórdão inicialmente apresentada pelo relator original quando do julgamento do recurso, bem como o resultado, Fl. 4297DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 0 7/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por MARCOS VINICIU S BARROS OTTONI Processo nº 13839.001168/200625 Acórdão n.º 9101001.771 CSRFT1 Fl. 6 9 proferido pela 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, expresso na Ata da sessão ocorrida em outubro de 2013, passo a formalizar o seu voto: Tendo a Fazenda Nacional tomado ciência do decisório recorrido em 25/01/2008 (fls. 4266) e protocolizado o presente apelo em 25/01/2008 (fls. 4270/4278), isto é, dentro do prazo de 15 (quinze) dias, evidenciase a tempestividade do mesmo nos termos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Por outro lado, constatase que a Fazenda Nacional cumpriu com os requisitos previstos na legislação de regência da época em que foi prolatada a decisão recorrida para interpor Recurso Especial do Procurador, conforme previsto no então art. 7º, inciso I, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovada pela Portaria MF nº 147, de 2007, já que a decisão da câmara recorrida não foi unânime e demonstrou que a decisão conflita com o contido no art. 44, § 1°, IV, da Lei n.° 9.430/1996 (atual art. 44, II, b, da mesma lei, conforme redação conferida pela Lei n.° 11.488, de 2007), c/c art. 97, VI, do Código Tributário Nacional. Assim sendo, o Recurso Especial, interposto pela Fazenda Nacional preenche os requisitos legais de admissibilidade merecendo ser conhecido pela turma julgadora. Observase, que a Fazenda Nacional insurgese contra decisão da então Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes (Acórdão 10323036, de 24/05/2007) que, por maioria de votos, deu provimento ao recurso do contribuinte para excluir a multa isolada, ao argumento de que encerrado o período de apuração do tributo, a exigência de recolhimentos por estimativa deixa de ter eficácia, urna vez que prevalece a exigência do tributo efetivamente devido apurado com base no lucro real ao final do anocalendário, não comporta, portando, a cobrança de multa isolada pela falta de seu recolhimento (estimativa). Como visto do relatório, o ponto nodal da presente discussão diz respeito tão somente no que se refere a aplicação da multa exigida isoladamente, cujo procedimento fiscal ocorreu após o encerramento dos exercícios questionados. Não há dúvidas de que o ordenamento jurídico pátrio rechaça a existência de bis in idem na aplicação de penalidades tributárias. Significa dizer que não é legítima a aplicação de mais de uma penalidade em razão do cometimento da mesma infração tributária, sendo líquido e certo que o contribuinte não pode ser apenado duas vezes pelo cometimento de um mesmo ilícito. Entretanto, não é essa a discussão no presente processo. Aqui a discussão se restringe aos casos em que a aplicação da multa exigida isoladamente foi realizada após o encerramento do exercício questionado. É de se observar que a pessoa física ou jurídica que apura resultados positivos (rendimentos ou receitas tributáveis), sofre a incidência da alíquota normal. Se omitiu rendimentos, receitas ou apresentou declaração de rendimentos inexata, sujeitase à multa de lançamento de oficio. Parece tranqüilo o raciocínio de que o imposto cobrado em virtude desse lançamento continua sendo tributo e que a multa constitui sanção pelas irregularidades levantadas pelo fisco. Ora, o tributo cobrado através de procedimento de ofício do fisco segue tendo por origem fato gerador concretizado pela atividade do contribuinte, ainda que este, por ação ou omissão, tenha contribuído para a ocultação, total ou parcial, do fato tributado. Não é o comportamento incorreto do contribuinte, eventualmente descoberto pelo fisco, que determina Fl. 4298DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 0 7/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por MARCOS VINICIU S BARROS OTTONI 10 o fato gerador. O fato gerador preexistiu. O fisco apenas sancionou, com multa legal, esse comportamento. Nesta linha de raciocínio entendo que a razão está com a decisão recorrida, isto porque depois de encerrado o anocalendário objeto da penalidade, havendo ou não base tributável em 31/12, não há como subsistir tal exigência, já que os dispositivos legais previstos nos incisos III e IV, § 1º, art. 44, da Lei 9.430, de 1996, em sua versão original, têm como objetivo obrigar o sujeito passivo da obrigação tributária ao recolhimento mensal de antecipações de um provável Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, que poderá ser devido ao final do anocalendário. A Lei nº 9.430, de 1996, que autoriza a aplicação da multa isolada, se manifesta da seguinte forma: Art. 2º. A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimado, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. [...] Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I – de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; §1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: I juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; [...] IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente. A Lei nº 8.981, de 1995, se manifesta da seguinte forma: Art. 35 – A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado excede o valor do imposto, calculado com base no lucro real do período em curso. [...] § 2º Estão dispensadas do pagamento de que tratam os arts. 28 e 29 as pessoas jurídicas que, através de balanço ou balancetes mensais, demonstrem a existência de base de cálculo negativas fiscais apurados a partir do mês de janeiro do anocalendário. Fl. 4299DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 0 7/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por MARCOS VINICIU S BARROS OTTONI Processo nº 13839.001168/200625 Acórdão n.º 9101001.771 CSRFT1 Fl. 7 11 Importante afirmar que o valor pago a título de estimativa não tem a natureza de tributo, eis que, juridicamente, o fato gerador do tributo só será tido por ocorrido ao final do período anual (31/12). O valor do lucro – base de cálculo do tributo só será apurado por ocasião do balanço no encerramento do exercício, momento em que são compensados os valores pagos antecipadamente em cada mês sob bases estimadas e realizadas outras deduções desautorizadas no cálculo estimado. A lógica do pagamento de estimativas é, portanto, de antecipar, para os meses do anocalendário respectivo, o recolhimento do tributo que, de outra forma, apenas seria devido ao final do exercício (em 31/12). Sob o sistema de estimativa mensal, permitese a redução dos pagamentos mensais caso o resultado tributável seja reduzido ou aumentado ao longo do anocalendário, desde que evidenciado por balancetes de suspensão (art. 29 da Lei nº 8.981/94). Assim, via de regra, o tributo sob a forma estimada não será devido antecipadamente em caso de inexistência de lucro tributável. Assim, não tenho dúvidas que é inerente ao dever de antecipar a existência da obrigação cujo cumprimento se antecipa, e sendo assim, a penalidade só poderá ser exigida durante o anocalendário em curso, tendo em vista que, com a apuração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou Contribuição Social sobre o Lucro Líquido efetivamente devido ao final do anocalendário (31/12), desaparece a base imponível daquela penalidade (antecipações), pela ausência da necessária ofensa a um bem juridicamente tutelado que a justifique. Ora, com o encerramento do anocalendário objeto das antecipações, surge, a partir daí, uma nova base imponível, ou seja, a base que irá suportar o tributo efetivamente devido ao final do anocalendário, surgindo assim à hipótese da aplicação, tãosomente, do inciso I, § 1º do referido artigo, caso o tributo não seja pago no seu vencimento e apurado ex offício, mas jamais a aplicação concomitante da penalidade prevista nos incisos III e IV, do § 1º do mesmo diploma legal, até porque a dupla penalidade afronta o disposto no artigo 97, V, c/c o artigo 113 do Código Tributário Nacional, que estabelece apenas duas hipóteses de obrigação de dar, sendo a primeira ligada diretamente à prestação de pagar tributo e seus acessórios, e a segunda relativamente à obrigação acessória decorrente da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas pecuniárias por descumprimento de obrigação acessória. No presente caso, conforme se depreende dos autos, o auto de infração foi lavrado após o encerramento dos anoscalendário objeto do lançamento, portanto, quando já apurada a base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro líquido efetivamente devido nos períodos. Logo, embora a contribuinte não tenha antecipado ou tenha antecipado a menor o tributo nos anoscalendário questionado, o fato é que a exigência da referida penalidade somente foi consubstanciada após os anoscalendário questionados, portanto, quando já conhecida a respectiva base de cálculo e o imposto e a contribuição efetivamente devidos, porquanto, impossível, coexistir num determinado momento (ocasião do lançamento), duas bases de cálculo para uma mesma exação, ou seja, uma com base nas estimativas mensais e outra ao final do anocalendário. Esta matéria já tem jurisprudência formada neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e com decisão favorável ao sujeito passivo e entre outros acórdãos, podem ser transcritas as seguintes ementas: Fl. 4300DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 0 7/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por MARCOS VINICIU S BARROS OTTONI 12 Acórdão nº 10320.662, de 20/07/2001: CSSL. LUCRO REAL ANUAL. ESTIMATIVA MENSAL. FALTA DE RECOLHIMENTO. FISCALIZAÇÃO ANTES E APÓS A ENTREGA DA DIRPJ. MULTAS DE OFÍCIO ISOLADA E EM CONJUNTO. SUBSISTÊNCIA PARCIAL DA TRIBUTAÇÃO. Não podem prosperar a incidência da multa de ofício isolada sobre os valores mensais estimados nãorecolhidos e a exigência de multa associada à parcela defluente da apuração anual, tendo em vista que aquela, por ser mera antecipação desta, esta aquela contém. Subsistirá a exigência da multa isolada quando a ação fiscal se der no curso do anocalendário, desde que indisponíveis as demonstrações financeiras, em toda a sua extensão e profundidade, do período investigado. Acórdão nº 10707.047, de 19/03/2003 PENALIDADE. MULTA ISOLADA LANÇAMENTO DE OFÍCIO FALTA DE RECOLHIMENTO PAGAMENTO POR ESTIMATIVA Não comporta a cobrança de multa isolada em lançamento de ofício, por falta de recolhimento da Contribuição Social Sobre o Lucro Liquido devido por estimativa em ajustes efetuados pela fiscalização após o encerramento do ano calendário. Acórdão CSRF nº 9101001.207, de 17/10/2011: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL Exercícios: 1998, 1999, 2001, 2002 CSLL. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA. O artigo 44 da Lei n° 9.430/96 precisa que a multa de oficio deve ser calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo, materialidade que não se confunde com o valor calculado sob base estimada ao longo do ano. O tributo devido pelo contribuinte surge quando é o lucro real apurado em 31 de dezembro de cada ano. Improcede a aplicação de penalidade isolada quando a base estimada exceder ao montante da contribuição devida, apurada ao final do exercício. Acórdão CSRF nº 9101001.335, de 26/04/2012: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL MULTA ISOLADA – FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA – O artigo 44 da Lei nº 9.430/96 preceitua que a multa de ofício deve ser calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo, materialidade que não se confunde com o valor calculado sob base estimada ao longo do ano. O tributo efetivamente devido pelo contribuinte surge com o lucro apurado em 31 de dezembro de cada anocalendário. Improcede a aplicação de penalidade pelo não recolhimento de estimativa quando a fiscalização apura, após o encerramento do exercício, valor de estimativas superior ao imposto apurado em sua escrita fiscal ao final do exercício. Acórdão CSRF nº 9101001.237, de 21/11/2011: FALTA DE RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA. A multa isolada por falta de recolhimento de imposto/contribuição sobre base de cálculo mensal estimada não Fl. 4301DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 0 7/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por MARCOS VINICIU S BARROS OTTONI Processo nº 13839.001168/200625 Acórdão n.º 9101001.771 CSRFT1 Fl. 8 13 pode ser aplicada cumulativamente com a multa de lançamento de oficio prevista no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/1996. No curso do período de apuração, descumprido o dever de antecipar, incide a penalidade sobre as estimativas não recolhidas. Porém, após o encerramento do período, quando já não existe mais o dever de antecipar, mas sim e unicamente o de promover o ajuste pelo confronto entre o valor devido efetivamente e os valores recolhidos na forma estimada, incide tão somente a multa de ofício proporcional ao imposto que está sendo exigido. Assim, o acórdão recorrido encontrase em consonância com a iterativa jurisprudência desta Corte, no sentido de que a exigência da multa isolada sobre diferenças de CSLL não recolhidas mensalmente somente se justifica se operada no curso do próprio ano calendário. Diante do conteúdo dos autos e pela associação de entendimento sobre todas as considerações expostas no exame da matéria, conheço do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, por tempestivo e por preencher os demais requisitos de admissibilidade e, no mérito, voto no sentido de negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) Marcos Vinícius Barros Ottoni Redator Ad Hoc Fl. 4302DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 0 7/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por MARCOS VINICIU S BARROS OTTONI
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Numero do processo: 13807.011935/00-70
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 26 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon May 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/1996 a 31/08/2000
PEDIDO DE DESISTÊNCIA. PARCELAMENTO. RECURSO QUE NÃO SE CONHECE.
A adesão do contribuinte a programa de parcelamento provoca o reconhecimento do débito, encerrando o litígio administrativamente e impondo o não conhecimento do recurso por perda do objeto.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 3402-002.690
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso em face da desistência.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
João Carlos Cassuli Junior - Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, ALEXANDRE KERN, FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA e ELAINE ALICE ANDRADE LIMA, Chefe da Secretaria, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária.
Nome do relator: JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/1996 a 31/08/2000 PEDIDO DE DESISTÊNCIA. PARCELAMENTO. RECURSO QUE NÃO SE CONHECE. A adesão do contribuinte a programa de parcelamento provoca o reconhecimento do débito, encerrando o litígio administrativamente e impondo o não conhecimento do recurso por perda do objeto. Recurso Voluntário Não Conhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso em face da desistência. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior - Relator Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, ALEXANDRE KERN, FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA e ELAINE ALICE ANDRADE LIMA, Chefe da Secretaria, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1996 a 31/08/2000 PEDIDO DE DESISTÊNCIA. PARCELAMENTO. RECURSO QUE NÃO SE CONHECE. A adesão do contribuinte a programa de parcelamento provoca o reconhecimento do débito, encerrando o litígio administrativamente e impondo o não conhecimento do recurso por perda do objeto. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso em face da desistência. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Substituto (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 7. 01 19 35 /0 0- 70 Fl. 1542DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 3/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 2 ALEXANDRE KERN, FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA e ELAINE ALICE ANDRADE LIMA, Chefe da Secretaria, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Fl. 1543DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 3/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 13807.011935/0070 Acórdão n.º 3402002.690 S3C4T2 Fl. 798 3 Relatório Por bem narrados os fatos ocorridos no processo, no relatório da 8ª Turma da DRJ/RPO recorrida, adoto o mesmo por fidelidade: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório resultante da apreciação do Pedido de Ressarcimento de fl. 01, protocolizado em 04/12/2000, retificado à fl. 23, e do Pedido de Compensação de fl. 02, protocolizado em 04/12/2000, retificado à fl. 24, por meio dos quais a contribuinte pretende ter compensado o "saldo credor em decorrência de diferença de alíquota", no valor de R$ 1.371.965,22, em débitos do estabelecimento. O valor a ser compensado é originário da apuração do crédito do IPI incidente sobre insumos adquiridos pela contribuinte em período com data de inicio não identificada nos autos e que se encerra em 31/08/2000. Foi identificada como também associada ao presente processo (fl. 172) a PER/DCOMP eletrônica n° 05159.72758.131204.1.7.014785 (fls. 180/202), entregue em 13/12/2004, que retificou e substituiu a anterior PER/DCOMP n° 31059.53616.13l204.1.3.016700, ambas no valor de R$ 1.552.576,00 (valor original de R$ 1.371.965,22 corrigido segundo critérios adotados pela contribuinte). A análise da liquidez e certeza do crédito pleiteado foi efetuada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo, em 11/10/2008, mediante Despacho Decisório de fls. 171/178, no qual a autoridade competente indeferiu o pedido de ressarcimento, não reconheceu o direito creditório e não homologou as compensações declaradas neste processo. O pedido foi indeferido por não haver previsão legal para o ressarcimento do crédito referente ao período anterior a 01/01/1999 e por não ter a contribuinte comprovado o crédito do período de 01/01/1999 a 31/08/2000. Cientificada do Despacho Decisório, em 03/11/2008 (fl. 179 verso), a contribuinte ingressou, em 19/11/2008, com a manifestação de inconformidade de fls. 214/225 e documentos anexos, na qual alega, em síntese, o disposto a seguir. 1. Afirma ser irregular o ato praticado pela fiscalização por não ter observado o prazo de validade de 60 (sessenta) dias para os atos do procedimento fiscal, conforme disposto no art. 7°, §2°, do Decreto 70.235/72, já que decorreram oito anos desde o Fl. 1544DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 3/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 4 pedido inicial (04/12/2000) até a ciência do Despacho Decisório (03/11/2008). 2. Alega que as notas fiscais solicitadas em 2007 e referentes ao período de janeiro/1999 a setembro/2000 não poderiam ter sido exigidas, pois já haviam se passado mais de cinco anos da obrigatoriedade da guarda dos referidos documentos fiscais, conforme preceitua o art. 446 do Regulamento do IPI. Aduz o argumento de que ainda que não tenham sido apresentados os referidos documentos fiscais, a documentação disponibilizada é suficiente ao atendimento do pedido. Em conseqüência pede a improcedência do Despacho Decisório, sem apreciação do mérito. 3. Contrapõese à decisão de que a compensação pleiteada só poderia se dar a partir de 1° de janeiro de 1999, argüindo que tal compensação está prevista no art. 74 da Lei 9.430/96, portanto poderia se dar a partir da vigência da referida lei. Além disso, a vedação encontrase somente nos arts. 4° e 5° da Instrução Normativa SRF n° 33, de 04 de março de 1999, que extrapolam as disposições legais acerca da compensação do IPI, já que o art. 11 da Lei 9.779/99 não prevê que a compensação somente poderia se dar a partir de 1° de janeiro de 1999. E o relatório. A 8ª Turma da DRJ/POR julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo contribuinte, mantendo o Despacho Decisório na sua integralidade, cuja ementa abaixo transcrevo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/1996 a 31/08/2000 COMPENSAÇÃO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO. O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ONUS DA PROVA. É ônus processual da interessada fazer a prova dos fatos constitutivos de seu direito. IPI. CRÉDITOS ALEGADOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Os créditos de IPI devem ser escriturados com esteio em notas fiscais que lhes confiram legitimidade. A falta dos documentos fiscais, restam não comprovados os créditos e, em conseqüência, inabilitados para serem utilizados em ressarcimento ou compensação. CRÉDITOS DE IPI. RESSARCIMENTO. INÍCIO EM 01/01/1999. Fl. 1545DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 3/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 13807.011935/0070 Acórdão n.º 3402002.690 S3C4T2 Fl. 799 5 O direito ao ressarcimento de créditos do IPI decorrentes da aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, conforme previsto na Lei n° 9.779, de 1999, alcança, exclusivamente, os insumos recebidos no estabelecimento industrial a partir de 1° de janeiro de 1999. LEI N°9.799/99. SALDO CREDOR EM 31/12/1998. Os saldo credor de IPI proveniente de 1998 deve ficar anotado á margem da escrita fiscal e somente pode ser utilizado na dedução de débitos decorrentes das saídas dos produtos acabados, existentes em 31 de dezembro de 1998, e dos fabricados a partir de 1° de janeiro de 1999, com a utilização dos insumos originadores desse mesmo crédito, considerandose, para tanto, que os produtos que primeiro saírem foram industrializados com a utilização dos insumos que primeiro entraram no estabelecimento. Manifestação de Inconformidade Improcedente Irresignado com a decisão de primeiro grau, o contribuinte apresentou, em 19/10/2010, recurso voluntário alegando os argumentos aduzidos na Manifestação de Inconformidade, objetivando a reforma total do acórdão proferido em sede de primeiro grau. O contribuinte, em 24/03/2014, protocolou petição nos autos requerendo a suspensão do feito até que a Receita Federal do Brasil dê início à fase de consolidação para contribuintes que fizeram a adesão na reabertura promovida pelo art. 17 da Lei n° 12.865/2013, tendo em vista a inclusão do débito relativo ao presente processo no parcelamento da Lei n° 11.941/2009 (REFIS). É o relatório. Fl. 1546DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 3/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 6 Voto Conselheiro João Carlos Cassuli Junior – Relator. Inicialmente consigno que houve desistência do recurso apresentado às fls. 533/566 – n.e, pois não é possível suspender o processo administrativo conforme requerido na petição protocolada pelo contribuinte nestes autos (de fls. 744/745 – n.e), uma vez que a adesão ao parcelamento não permite a suspensão do processo, consistindo como requisito a sua desistência, de modo que do referido recurso não tomo conhecimento. Ademais, a superveniência de adesão a programa de parcelamento (no caso, aquele instituído pela Lei nº 11.941/2009), importa em desistência do recurso, de modo que diante deste cenário, imperioso se faz observar ao que determina o artigo 78, do Regimento Interno desta Casa, in verbis: Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1° A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. § 2° O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. § 3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente, descabendo recurso da Procuradoria da Fazenda Nacional por falta de interesse. (grifouse) Logo, o simples fato do contribuinte ter aderido a programa de parcelamento provoca o reconhecimento do débito, encerrando o litígio administrativamente, o que, nos termos da regulamentação acima, implica na desistência de qualquer discussão que possa ter o sujeito passivo trazido aos autos. Ante o exposto, não conheço do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator Fl. 1547DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 3/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 13807.011935/0070 Acórdão n.º 3402002.690 S3C4T2 Fl. 800 7 Fl. 1548DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 3/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR
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