Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,279)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,712)
- Primeira Turma Ordinária (16,211)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,175)
- Primeira Turma Ordinária (16,078)
- Primeira Turma Ordinária (16,039)
- Segunda Turma Ordinária d (15,784)
- Segunda Turma Ordinária d (14,416)
- Primeira Turma Ordinária (13,020)
- Primeira Turma Ordinária (12,379)
- Segunda Turma Ordinária d (12,361)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,416)
- Quarta Câmara (84,742)
- Terceira Câmara (67,310)
- Segunda Câmara (55,745)
- Primeira Câmara (20,136)
- 3ª SEÇÃO (16,175)
- 2ª SEÇÃO (11,275)
- 1ª SEÇÃO (6,836)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (124,843)
- Segunda Seção de Julgamen (114,408)
- Primeira Seção de Julgame (76,513)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,961)
- Câmara Superior de Recurs (37,882)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,615)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,418)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,754)
- HELCIO LAFETA REIS (3,725)
- ROSALDO TREVISAN (3,220)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,924)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,728)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,630)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,833)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,918)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,471)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,503)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,134)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2026 (13,419)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 16327.900604/2009-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Período de apuração: 04/04/2004 a 10/04/2004
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO RECLAMADO RELATIVO A CSRF. INCOMPETÊNCIA MATERIAL DAS TURMAS DA TERCEIRA SEÇÃO DO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS. RECURSO NÃO CONHECIDO. ENVIO DOS AUTOS PARA A PRIMEIRA SEÇÃO DESTE CARF.
À Terceira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, não compete analisar recursos relativos a pedidos de compensação em que o crédito aduzido seja relativo a CSRF (retenção em fonte da CSLL/COFINS/PIS), uma vez que a matéria é da competência da Primeira Seção do mesmo Conselho, para onde os autos deverão ser movimentados para apreciação da lide.
Numero da decisão: 3802-003.382
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por falta de competência material para exame da lide, devendo os autos ser movimentados para a Primeira Seção deste Conselho, a quem compete o julgamento do feito.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: Solon Sehn
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201407
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Período de apuração: 04/04/2004 a 10/04/2004 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO RECLAMADO RELATIVO A CSRF. INCOMPETÊNCIA MATERIAL DAS TURMAS DA TERCEIRA SEÇÃO DO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS. RECURSO NÃO CONHECIDO. ENVIO DOS AUTOS PARA A PRIMEIRA SEÇÃO DESTE CARF. À Terceira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, não compete analisar recursos relativos a pedidos de compensação em que o crédito aduzido seja relativo a CSRF (retenção em fonte da CSLL/COFINS/PIS), uma vez que a matéria é da competência da Primeira Seção do mesmo Conselho, para onde os autos deverão ser movimentados para apreciação da lide.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Oct 10 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 16327.900604/2009-51
anomes_publicacao_s : 201810
conteudo_id_s : 5914823
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3802-003.382
nome_arquivo_s : Decisao_16327900604200951.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : Solon Sehn
nome_arquivo_pdf_s : 16327900604200951_5914823.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por falta de competência material para exame da lide, devendo os autos ser movimentados para a Primeira Seção deste Conselho, a quem compete o julgamento do feito. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
dt_sessao_tdt : Wed Jul 23 00:00:00 UTC 2014
id : 7463063
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:28:38 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050866538250240
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1546; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE02 Fl. 93 1 92 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.900604/200951 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3802003.382 – 2ª Turma Especial Sessão de 23 de julho de 2014 Matéria DCOMP ELETRÔNICO CSRF Recorrente ITAÚ SEGUROS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 04/04/2004 a 10/04/2004 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO RECLAMADO RELATIVO A CSRF. INCOMPETÊNCIA MATERIAL DAS TURMAS DA TERCEIRA SEÇÃO DO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS. RECURSO NÃO CONHECIDO. ENVIO DOS AUTOS PARA A PRIMEIRA SEÇÃO DESTE CARF. À Terceira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, não compete analisar recursos relativos a pedidos de compensação em que o crédito aduzido seja relativo a CSRF (retenção em fonte da CSLL/COFINS/PIS), uma vez que a matéria é da competência da Primeira Seção do mesmo Conselho, para onde os autos deverão ser movimentados para apreciação da lide. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por falta de competência material para exame da lide, devendo os autos ser movimentados para a Primeira Seção deste Conselho, a quem compete o julgamento do feito. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 06 04 /2 00 9- 51 Fl. 93DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I – SP (fls. 30/33), que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, com base nos fundamentos resumidos na ementa seguinte: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Data do fato gerador: 23/02/2005 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Afastada a nulidade por ficar evidenciada a inocorrência de preterição do direito de defesa haja vista que o despacho decisório consigna de forma clara e concisa o motivo da não homologação da compensação. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR.PAGAMENTO UTILIZADO PARA QUITAR DÉBITO DECLARADO EM DCTF. RETIFICAÇÃO. DESCABIMENTO. Considerase confissão de dívida o débito declarado em DCTF, descabendo à autoridade administrativa a sua retificação de ofício mormente se o contribuinte não comprova a existência do erro material alegado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em 13/12/2012, o Recorrente foi cientificada da decisão (ciência eletrônica fl. 37). Nas razões apresentadas em seu recurso voluntário protocolado em 07/01/2013 (fls. 39/44), alega ter recolhido indevidamente valores referente à CSRF (retenção em fonte da CSLL/COFINS/PIS), nos pagamentos efetuados a outras pessoas jurídicas prestadoras de serviços, argumentando que, na época, existiam algumas situações em que dos prestadores de serviços eram dispensados ou não exigida a referida retenção. Como se vê, o Recorrente entregou por via eletrônica a Declaração de Compensação de fls. 14/19 (PER/DCOMP nº 2226.12289.240205.1.3.041780), na qual declara a compensação de pretenso crédito de pagamento indevido ou a maior de RETENÇÃO de CONTRIBUIÇÕES sobre PAGTO DE PJ A PJ DIR PRIV CSLL/ COFINS/PIS, denominada CSRF (cód. receita 5952) relativo ao período de apuração encerrado em 10/04/2004. É o que basta, no presente momento, para a análise restrita a ser feita por este colegiado. É o Relatório. Fl. 94DF CARF MF Processo nº 16327.900604/200951 Acórdão n.º 3802003.382 S3TE02 Fl. 94 3 Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra Conforme relatado, constatase que o processo em epígrafe diz respeito a pedido de compensação cujo crédito em que se alicerça a interessada é relativo a alegado recolhimento a maior de RETENÇÃO de CONTRIBUIÇÕES sobre PAGAMENTO DE PJ A PJ DIR PRIV CSLL/ COFINS/PIS, denominada CSRF (cód. receita 5952), relativo ao período de apuração encerrado em 10/04/2004. De acordo com o artigo 7°, § 1º e § 3º, Inciso I, combinado com o art. 2º, inciso II e VII, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (aprovado pela Portaria MF no 256, de 22/06/2009) – RICARF, temos que: Art. 7º... § 1º A competência para o julgamento de recurso em processo administrativo de compensação é definida pelo crédito alegado, inclusive quando houver lançamento de crédito tributário de matéria que se inclua na especialização de outra Câmara ou Seção” (grifei). § 3º Na hipótese do § 1º, quando o crédito alegado envolver mais de um tributo com competência de diferentes Seções, a competência para julgamento será: ( Incluído pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010 ). I Da Primeira Seção de Julgamento, se envolver crédito alegado de competência dessa Seção e das demais; ( Incluído pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010 ). No caso presente, o assunto em debate se enquadra na hipótese de que trata o inciso II e VII do artigo 2o do Anexo II do RICARF: Art. 2º À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: I – ...; II Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); VII tributos, empréstimos compulsórios e matéria correlata não incluídos na competência julgadora das demais Seções. Esta Terceira Seção do CARF, portanto, não pode se manifestar sobre o mérito do litígio, uma vez que a competência para o seu exame é da Primeira Seção deste Conselho, como demonstrado. Conclusão Por todo o exposto, e considerando a falta de competência material desta Terceira Seção do CARF para o exame da contenda, voto para não conhecer do recurso Fl. 95DF CARF MF 4 voluntário interposto pela interessada, devendo os autos ser encaminhados à Primeira Seção deste Conselho, a quem compete o julgamento do feito. Sala de Sessões, em 23/07/2014. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator Fl. 96DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.727005/2009-08
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. DIFERENÇAS DE URV. TRIBUNAL DE JUSTIÇA DA BAHIA. NATUREZA TRIBUTÁVEL.
Sujeitam-se à incidência do Imposto de Renda as verbas recebidas acumuladamente pelos membros do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, denominadas "diferenças de URV", por absoluta falta de previsão legal para que sejam excluídas da tributação.
CONTRARRAZÕES. CONHECIMENTO. LIMITES.
Não se conhece das Contrarrazões, relativamente às matérias estranhas ao Recurso Especial. Assentada a natureza tributável da verba em tela, que constituiu o objeto do apelo interposto pela Fazenda Nacional, as demais questões suscitadas no Recurso Voluntário serão examinadas quando do retorno dos autos ao Colegiado a quo.
Numero da decisão: 9202-007.239
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões do recurso voluntário, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201809
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. DIFERENÇAS DE URV. TRIBUNAL DE JUSTIÇA DA BAHIA. NATUREZA TRIBUTÁVEL. Sujeitam-se à incidência do Imposto de Renda as verbas recebidas acumuladamente pelos membros do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, denominadas "diferenças de URV", por absoluta falta de previsão legal para que sejam excluídas da tributação. CONTRARRAZÕES. CONHECIMENTO. LIMITES. Não se conhece das Contrarrazões, relativamente às matérias estranhas ao Recurso Especial. Assentada a natureza tributável da verba em tela, que constituiu o objeto do apelo interposto pela Fazenda Nacional, as demais questões suscitadas no Recurso Voluntário serão examinadas quando do retorno dos autos ao Colegiado a quo.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10580.727005/2009-08
anomes_publicacao_s : 201810
conteudo_id_s : 5916718
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 9202-007.239
nome_arquivo_s : Decisao_10580727005200908.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : MARIA HELENA COTTA CARDOZO
nome_arquivo_pdf_s : 10580727005200908_5916718.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões do recurso voluntário, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
dt_sessao_tdt : Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
id : 7467336
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:29:05 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050866542444544
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1796; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 241 1 240 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10580.727005/200908 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202007.239 – 2ª Turma Sessão de 27 de setembro de 2018 Matéria RECLASSIFICAÇÃO DE RENDIMENTOS Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado MOACIR REIS FERNANDES FILHO ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. DIFERENÇAS DE URV. TRIBUNAL DE JUSTIÇA DA BAHIA. NATUREZA TRIBUTÁVEL. Sujeitamse à incidência do Imposto de Renda as verbas recebidas acumuladamente pelos membros do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, denominadas "diferenças de URV", por absoluta falta de previsão legal para que sejam excluídas da tributação. CONTRARRAZÕES. CONHECIMENTO. LIMITES. Não se conhece das Contrarrazões, relativamente às matérias estranhas ao Recurso Especial. Assentada a natureza tributável da verba em tela, que constituiu o objeto do apelo interposto pela Fazenda Nacional, as demais questões suscitadas no Recurso Voluntário serão examinadas quando do retorno dos autos ao Colegiado a quo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões do recurso voluntário, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício e Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 70 05 /2 00 9- 08 Fl. 241DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de Auto de Infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física dos anoscalendário de 2004, 2005 e 2006, acrescido de multa de ofício no percentual de 75% e juros de mora, tendo em vista a reclassificação, como tributáveis, de rendimentos declarados como isentos, recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08/09/2003. A citada verba corresponde a diferenças de remuneração verificadas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV, em 1994. Na apuração da exigência não foram considerados valores com origem em décimo terceiro salário e em abono de férias. A forma de cálculo aplicada foi a determinada no Parecer PGFN/CRJ nº 287/2009, aprovado pelo Ministro da Fazenda no DOU de 11/05/2009, que dispõe sobre rendimentos recebidos acumuladamente, levando em conta as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem os rendimentos, sendo o cálculo mensal e não global (Auto de Infração de fls. 3 a 11). Em sessão plenária de 28/09/2011, foi julgado o Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 210201.565 (fls. 127 a 135), assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 RESOLUÇÃO STF Nº 245/2002. DIFERENÇAS DE URV CONSIDERADAS PARA A MAGISTRATURA DA UNIÃO E PARA O MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL COMO VERBAS ISENTAS DO IMPOSTO DE RENDA PELO PRETÓRIO EXCELSO. DIFERENÇAS DE URV PAGAS AOS MAGISTRADOS DA BAHIA. NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA. A Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003 pagou as diferenças de URV aos Membros da Magistratura local, as quais, no caso dos Membros do Ministério Público Federal, tinham sido excluídas da incidência do imposto de renda pela leitura combinada das Leis nº 10.477/2002 e nº 9.655/98, com supedâneo na Resolução STF nº 245/2002, conforme Parecer PGFN nº 923/2003, endossado pelo Sr. Ministro da Fazenda. Ora, se o Sr. Ministro da Fazenda interpretou as diferenças do art. 2º da Lei federal nº 10.477/2002 nos termos da Resolução STF nº 245/2002, excluindo da incidência do imposto de renda, exemplificadamente, as verbas referentes às diferenças de URV, não parece juridicamente razoável sonegar tal interpretação às diferenças pagas a mesmo título aos Membros da Magistratura da Bahia, na forma da Lei Estadual da Bahia nº 8.730/2003. Fl. 242DF CARF MF Processo nº 10580.727005/200908 Acórdão n.º 9202007.239 CSRFT2 Fl. 242 3 Recurso Voluntário Provido.” A decisão foi assim registrada: "Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso. Fez sustentação oral o patrono do recorrente, o Dr. Izaak Broder, OABBA Nº 17.521." O processo foi encaminhado à PGFN em 27/10/2011 (Despacho de Encaminhamento de fls. 136) e, em 22/11/2011, foi interposto o Recurso Especial de fls. 137 a 145 (Despacho de Encaminhamento de fls. 146), com fundamento no art. 67, Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, visando rediscutir a incidência do Imposto de Renda sobre a verba denominada "diferenças de URV", recebida do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme despacho de 20/05/2012 (fls. 150/151). Em seu apelo, a Fazenda Nacional alega: a não incidência do IRPF sobre os “valores indenizatórios de URV”, pagos aos membros da Magistratura Federal e do MPU constitui isenção e como tal deve ter sua aplicação analisada sob o prisma mais restritivo possível; em face do que dispõe o art. 146, III, a, da Constituição Federal, a Lei 5.172, de 1966, assim definiu o fato gerador do Imposto de Renda: “Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior.” em conformidade com o § 1º do artigo transcrito, incluído pela Lei Complementar 104, de 2001, e também o § 4º do art. 3º da Lei 7.713, de 1988, a tributação independe da denominação dos rendimentos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título; em consonância ainda com o art. 16 da Lei 4.506, de 1964, serão classificados como rendimentos do trabalho assalariado, para fins de incidência do Imposto de Renda, todas as espécies de remuneração por trabalho ou serviços prestados no exercício de empregos, cargos ou funções; a partir da interpretação sistemática das normas jurídicas acima, temos que os valores recebidos a título de diferenças no cálculo da URV possuem natureza salarial e estão sujeitas ao imposto de renda; desta forma, a regra é a tributação destes valores e, somente, nas situações excepcionalmente elencadas nas Leis nºs 9.665, de 1998, e 10.477, de 2002, conforme Fl. 243DF CARF MF 4 Resolução º 245, de 2002, do STF, encampada pelo Ministro da Fazenda por meio do Parecer PGFN nº 923, de 2003, é que a incidência de IRPF deve ser afastada; a isenção é exceção feita expressamente à regra jurídica de tributação e deve ser veiculada por meio de lei; como exceção à regra, a isenção comporta interpretação e aplicação restritivas; somente as hipóteses clara e explicitamente consagradas pelo legislador podem gozar do “favor tributário” da isenção; no que se refere à Resolução STF nº 245, de 2002, cabe observar, que a mesma restringese ao abono variável aplicável aos membros da Magistratura da União; esse abono, especificamente, foi considerado de natureza indenizatória pelo STF e, por determinação expressa do Parecer PGFN n° 923, de 2003, aprovado pelo Ministro da Fazenda, está fora da incidência tributária do imposto de renda; em momento algum houve pronunciamento do STF ou do Ministro da Fazenda acerca das naturezas jurídica e tributária dos rendimentos recebidos com fulcro na referida Lei Estadual que criou a isenção; nesta seara, atribuir aos rendimentos em análise a mesma natureza do abono variável das Leis n°s 10.477, de 2002, e 9.655, de 1998, seria alargar as fronteiras da não incidência tributária sem previsão de Lei Federal para tanto; não se trata, no caso concreto, de mera equiparação de benefício previsto em lei federal (competente para reger a matéria) para a Magistratura Federal a membro da Magistratura Estadual, mas sim de elastecer a concessão de uma isenção por analogia, diante da inexistência de previsão legal, o que não se pode permitir. Ao final, a Fazenda Nacional requer seja conhecido e provido o Recurso Especial, reformandose a decisão recorrida. Cientificado do acórdão, do Recurso Especial da Procuradoria e do despacho que lhe deu seguimento em 18/07/2012 (AR Aviso de Recebimento de fls. 237), o Contribuinte ofereceu, em 01/08/2012 (carimbo de fls. 154), as Contrarrazões de fls. 154 a 179, contendo os seguintes argumentos: Da unicidade da magistratura Princípio da Isonomia o princípio constitucional da isonomia vem sendo violado em casos como o presente pela Procuradoria da Fazenda Nacional, que limitase a promover ações judiciais apenas contra Magistrados e membros do Ministério Público do Estado da Bahia, deixando de lado os casos dos "Magistrados Federais", que da mesma forma receberam a multicitada indenização; é público e notório o fato de que não houve tributação das indenizações pagas aos Membros da Magistratura e do Ministério Público da União a título de URV (nem mesmo qualquer ação fiscal nesse sentido), diante da edição, pelo próprio STF, da Resolução de n° 245, de 12/12/2002; Fl. 244DF CARF MF Processo nº 10580.727005/200908 Acórdão n.º 9202007.239 CSRFT2 Fl. 243 5 a referida Resolução autorizou o pagamento da verba da URV aos Magistrados da União como indenizatória e, portanto, não passível de incidência do imposto de renda (IR), reconhecendo a recomposição do patrimônio afetado pela não concessão de direito creditório em tempo e modo certos; o STJ em recente julgamento do Resp n° 1187109 de relatoria da Ministra Eliana Calmon, entendeu pela aplicabilidade da resolução n° 245 do STF também aos magistrados estaduais, sendo válida a transcrição da ementa: "TRIBUTÁRIO PROCESSO CIVIL CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA FUNDAMENTO CONSTITUCIONAL INCOMPETÊNCIA DO STJ IMPOSTO SOBRE A RENDA URV DIFERENÇAS RESOLUÇÃO N. 245/STF APLICAÇÃO 1. Falece competência ao Superior Tribunal de Justiça para conhecer de alegações de ofensa à Constituição Federal. 2. A utilização de fundamento constitucional pelo tribunal local impede a admissão do recurso especial quanto à questão controvertida. 3.Cuidandose de remuneração percebida por magistrado estadual, aplicase na resolução da controvérsia a Resolução n.245/STF, que considerou de natureza jurídica indenizatória o abono variável e provisório de que trata o artigo 2° da Lei n°10.474, de 2002. 4.Recurso especial conhecido em parte e não provido. (STJ, 2a T, Rei.Min. Eliana Calmon, Resp. 1187109, 27/08/2010 ) Da existência de lei estadual válida e eficaz a não retenção e não pagamento do Imposto de Renda sobre as verbas recebidas pelo Contribuinte a título de URV não foram realizadas em virtude de lei que até os dias de hoje permanece plenamente válida e eficaz no ordenamento jurídico, pois até hoje não foi formalmente declarada qualquer inconstitucionalidade sobre a mesma; os julgadores a quo nada mais fizeram que apreciar a (in)constitucionalidade da Lei Estadual, uma vez que afastou sua aplicabilidade por considerá la incompatível com dispositivo da Constituição Federal, o que é expressamente vedado pelo art. 62 do Regimento Interno do CARF; ainda que tenha prevalecido o fundamento de que a legislação estadual não seria competente e legítima para versar sobre norma de isenção relativa a imposto federal, a sua aplicação deveria ter sido preservada, até para preservar a segurança jurídica entre o Fisco e o Cidadão; em verdade, a autuação que deu origem ao processo sob análise nasceu eivada de vícios e nulidades, sendo a desconsideração de lei Estadual em face de suposta incompatibilidade com a Constituição Federal, sem prévio controle de Constitucionalidade nos moldes definidos em lei, a mais evidente de todas, não podendo sob nenhuma hipótese prosperar Fl. 245DF CARF MF 6 este CARF não possui competência regimental para afastar aplicação de lei válida e com eficácia plena, pois ao fazer isso estaria indo de encontro à Súmula n° 2, do CARF e ao art. 62 do Regimento Interno, de forma que a decisão recorrida deve ser preservada. "URV parcelas de natureza indenizatória toda a jurisprudência pátria vem se posicionando nessa mesma linha, a exemplo do despacho do então Presidente do Conselho da Justiça Federal (CJF), Ministro Raphael de Barros Monteiro Filho, que bem reflete o entendimento aqui esposado, foi referendado pelo colegiado do CJF, onde se decidiu seguir precedente do Supremo Tribunal Federal, em especial decisão dada em sessão administrativa de 21/02/2008, segundo a qual os juros da URV pagos com atraso não deveriam ser tributados pelo imposto de renda, tendo em vista sua natureza indenizatória; também cumpre destacar que não é novo o posicionamento manifestado no acórdão recorrido acerca da natureza indenizatória da "URV", já que a Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda há muito tempo analisou idêntico assunto ao aqui discutido, tendo concluído pelo caráter indenizatório da parcela recebida a título de URV; diferente não foi a conclusão do Ministério Público do Estado do Maranhão, que em elaborado parecer explicita todos os contornos jurídicos da questão ora debatida, cujos fundamentos se enfeixam com precisão à Impugnação e o Recurso ora apresentado, razão pela qual pede vénia para transcrever quase a íntegra: "Ora, à luz do princípio da isonomia (art. 5o, CF), não se pode negar ser possível o alcance dessa esteira pensamental aos membros do Ministério Público do Maranhão, pois se os Magistrados e Procuradores da República foram isentados do recolhimento do imposto de renda na fonte e da contribuição previdenciária, tendo incluído as parcelas das diferenças da URV, nada mais justo atender essa pretensão, exatamente por causa da sua natureza indenizatória. (...) Ante todo exposto, e do que mais consta dos autos, manifestase o Ministério Público Estadual, no sentido de que seja CONCEDIDA A SEGURANÇA, reconhecendo como INDEVIDA a cobrança do imposto de renda e da contribuição previdenciária sobre as parcelas da URV recebidas, e a receber pelos representantes da impetrante, por ser medida da mais inteira Justiça." (Processo n. ° 012011/2003; .Ação: Mandado de Segurança; Impetrante: Associação do Ministério Público do Estado do Maranhão AMPEM; Impetrado: Controladora de Folha de Pagamento do Estado do Maranhão.2.a Vara da Fazenda Pública Comarca de São Luís — MA) no caso em exame, toda a receita arrecadada com a eventual incidência do Imposto de Renda sobre as parcelas recebidas de "URV" será posteriormente revertida para o próprio Estado da Bahia, em vista da distribuição de receitas prevista constitucionalmente, e se o Estado já classificou legalmente tais pagamentos como "indenizações" foi porque evidentemente renunciou ao recebimento; Fl. 246DF CARF MF Processo nº 10580.727005/200908 Acórdão n.º 9202007.239 CSRFT2 Fl. 244 7 afinal, devese ter em mente que tal receita proveniente do recolhimento do IR incidente sobre rendimentos pagos, a qualquer título, pelo Estado, devem permanecer no Tesouro Estadual, sequer transitando pela Receita Federal, razão pela qual a União sequer possui legitimidade para figurar no pólo ativo dessa relação jurídicotributária. Da imprestabilidade da base de cálculo na forma em que se encontra isto porque deveria a fiscalização, ao invés de ter feito lançamentos isolados em cada valor de "URV" recebido, ter "refeito" as três DIRFs (2004, 2005 e 2006) da Contribuinte, a fim de apurar, mês a mês, os valores de imposto de renda supostamente devidos em conjunto com os salários auferidos afinal, é sabido que a legislação de Imposto de Renda prevê a declaração de ajuste anual, onde o Contribuinte tem a possibilidade de excluir da base de cálculo do tributo, por exemplo, determinadas parcelas isentas, passando normalmente a ter imposto a restituir no exercício seguinte; conquanto o modo de proceder da fiscalização tenha sido ajustado no sentido de que o cálculo do imposto devido não deveria ser sobre a totalidade dos valores recebidos nos anos de 2004, 2005 e 2006, mas sim sobre os valores mensais em que o pagamento seria realizado (1994 a 2001), permanece induvidoso que a forma de constituição do crédito tributário ainda não se mostra adequada posto que desconsiderados os demais rendimentos que foram auferidos naquele período; urge ressaltar que a omissão na identificação da totalidade do recebimento mensal pode ter repercutido no cálculo do imposto, bem como da própria restituição que o Contribuinte poderia ter direito. Da não incidência de IR sobre os juros moratórios/compensatórios da mesma forma que não há incidência de Imposto de Renda sobre o pagamento de URV (por ser verba de natureza indenizatória), é assente o entendimento da doutrina e da jurisprudência de que não há incidência de IR sobre os juros moratórios; ademais, não se pode olvidar os inúmeros precedentes nessa mesma linha, como o caso em que o Min. Eros Grau deferiu liminar em mandado de segurança para suspender os efeitos de atos do TCU (Acórdão n.° 3.131/04) e do TRT da Ia Região (Ofício Circular TRT.SRH.DIPA n.° 198/05), que determinavam a devolução ao erário de valores referentes a imposto de renda retido na fonte, calculado sobre os juros moratórios devidos em virtude de atualização da URV nos vencimentos de Magistrados; ainda que se entenda como tributável o valor decorrente do recebimento da indenização de URV o que se sustenta pelo princípio da eventualidade , não há que se falar em tributação dos juros incidentes sobre ele, diante de sua indubitável natureza indenizatória. Ao final, o Contribuinte requer seja negado provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Voto Fl. 247DF CARF MF 8 Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. O apelo visa rediscutir a incidência do Imposto de Renda sobre diferenças de URV recebidas do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia. A matéria não é nova neste Colegiado. Em sede de Contrarrazões, oferecidas tempestivamente, o Contribuinte suscita diversas matérias que não foram tratadas no acórdão recorrido, portanto não são objeto do Recurso Especial. Destarte, no que tange às matérias não tratadas no acórdão recorrido, portanto estranhas ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, as Contrarrazões não podem sequer ser conhecidas. Isso porque as Contrarrazões, como a própria denominação da peça está a indicar, devem abrigar unicamente os contrapontos às razões de recurso apresentadas pela parte recorrente. Tratase de Auto de Infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física dos anoscalendário de 2004, 2005 e 2006, tendo em vista a reclassificação, como tributáveis, de rendimentos declarados como isentos, recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08/09/2003. As verbas ora analisadas constituem diferenças salariais verificadas na conversão da remuneração do servidor público, quando da implantação do Plano Real, portanto tais valores referemse a salários (vencimentos) não recebidos ao longo dos anos. Nesse passo, o objetivo da ação judicial e/ou da lei do estado da Bahia foi simplesmente pagar ao Contribuinte aquilo que antes deixou de ser pago, que nada mais é que salário, portanto de natureza tributável. Assim, o recebimento da verba ora tratada configura acréscimo patrimonial e, consequentemente, sujeitase à incidência do Imposto de Renda, consoante dispõe o art. 43 do CTN: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1º A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. O dispositivo legal acima não deixa dúvidas acerca da abrangência da tributação do Imposto de Renda, abarcando qualquer evento que se traduza em aumento patrimonial, independentemente da denominação que seja dada ao ganho. Seguindo esta linha, a Lei nº 7.713, de 1988, assim dispõe: Fl. 248DF CARF MF Processo nº 10580.727005/200908 Acórdão n.º 9202007.239 CSRFT2 Fl. 245 9 Art. 1º Os rendimentos e ganhos de capital percebidos a partir de 1º de janeiro de 1989, por pessoas físicas residentes ou domiciliados no Brasil, serão tributados pelo imposto de renda na forma da legislação vigente, com as modificações introduzidas por esta Lei. Art. 2º O imposto de renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos. (...) § 1º Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. (...) § 4º A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. (...)” (grifei) Quanto à alegação de violação ao princípio da isonomia, o Contribuinte traz à baila o fato de que o Supremo Tribunal Federal, em sessão administrativa, atribuiu natureza indenizatória ao Abono Variável concedido aos membros da Magistratura da União pela Lei nº 10.474, de 2002. Ademais, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, por meio do Parecer PGFN nº 529, de 2003, manifestou entendimento no sentido de que a verba em tela não estaria sujeita à tributação. Entretanto, a Resolução nº 245, do STF, bem como o Parecer da PGFN, se referem especificamente ao abono concedido aos Magistrados da União pela Lei nº 10.474, de 2002; e o que se discute no presente processo é se tal entendimento deve ser aplicado à verba recebida pelos membros do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia. Primeiramente, verificase que a posição do Supremo Tribunal Federal – STF sobre a natureza do Abono Variável atribuído aos Magistrados da União foi definida em sessão administrativa e expedida por meio de Resolução, e não em sessão de julgamento daquela Corte e, assim, não se trata de uma decisão judicial, cujos efeitos são bem distintos dos de uma resolução administrativa. Destarte, obviamente que a Resolução do STF nunca vinculou a Administração Tributária da União. Com o advento do Parecer PGFN/Nº 529, de 2003, da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, aprovado pelo Ministro da Fazenda, portanto com força vinculante em relação aos Órgãos da Administração Tributária, concluiuse que o Abono Variável de que trata o art. 2º da Lei nº 10.474, de 2002, teria natureza indenizatória. Entretanto, dito parecer é claro quanto aos limites desse entendimento, conforme será demonstrado na sequência. Fl. 249DF CARF MF 10 O parecer destaca que o Superior Tribunal de Justiça – STJ consolidou entendimento no sentido de que abonos recebidos em substituição a aumentos salariais sofrem a incidência do Imposto de Renda. Após, faz a ressalva de que, segundo entendimento dessa mesma Corte, nos casos de abono concedido como reparação pela supressão ou perda de direito, ele tem natureza indenizatória. Ainda segundo o parecer da PGFN, seria este o entendimento do STF, manifestado por meio da Resolução nº 245, de 2002, relativamente ao abono variável e provisório previsto no art. 6º da Lei nº 9.655, de 1998, com a alteração estabelecida no art. 2º da Lei nº 10.474, de 2002. Assim, claro está que o Parecer da PGFN somente reconheceu a natureza indenizatória do Abono Variável, previsto nas Leis nºs 9.655, de 1998, e 10.474, de 2002, acolhendo entendimento do STF, no sentido de que tal verba destinarseia a reparar direito. Destarte, a Resolução nº 245, do STF, não possui efeitos de decisão judicial, e o Parecer PGFN/Nº 529, de 2003, apenas reconhece a natureza indenizatória do abono concedido aos Magistrados da União, acatando interpretação do STF quanto à natureza reparatória, especificamente para esse abono. Portanto, ambos os atos alcançam apenas o abono previsto no art. 6º da Lei nº 9.655, de 1998, com a alteração estabelecida no art. 2º da Lei nº 10.474, de 2002. Ademais, a Resolução nº 245, do STF, excluiu do abono a verba referente à diferença de URV, o que evidencia que esta não tem natureza indenizatória, mas sim de recomposição salarial. Confirase a manifestação do Superior Tribunal de Justiça, por meio de voto da Ministra Eliana Calmon, reconhecendo a falta de identidade entre o abono variável tratado na Resolução e as diferenças de URV: “TRIBUTÁRIO – IMPOSTO DE RENDA – DIFERENÇAS ORIUNDAS DA CONVERSÃO DE VENCIMENTOS DE SERVIDOR PÚBLICO ESTADUAL EM URV – VERBA PAGA EM ATRASO – NATUREZA REMUNERATÓRIA – RESOLUÇÃO 245/STF – INAPLICABILIDADE. 1. As diferenças resultantes da conversão do vencimento de servidor público estadual em URV, por ocasião da instituição do Plano Real, possuem natureza remuneratória. 2. A Resolução Administrativa n. 245 do Supremo Tribunal Federal não se aplica ao caso, pois faz referência ao abono variável concedido aos magistrados pela Lei n. 9.655/98. Ademais, não se trata de decisão proferida em ação com efeito erga omnes, de modo que não pode ser considerada como fato constitutivo, modificativo ou extintivo de direito suficiente para influir no julgamento da presente ação. 3. Agravo regimental não provido." (STJ, AgRg no Ag 1285786/MA, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20/05/2010) E também o Ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, em decisão no Recurso Extraordinário n.º 471.115: “Os valores assim recebidos pelo recorrido decorrem de compensação pela falta de oportuna correção no valor nominal do salário, quando da implantação da URV e, assim, constituem parte integrante de seus vencimentos. Fl. 250DF CARF MF Processo nº 10580.727005/200908 Acórdão n.º 9202007.239 CSRFT2 Fl. 246 11 As parcelas representativas do montante que deixou de ser pago, no momento oportuno, são dotadas dessa mesma natureza jurídica e, assim, incide imposto de renda quando de seu recebimento. No que concerne à Resolução no. 245/02, deste Supremo Tribunal Federal, utilizada na fundamentação do acórdão recorrido, temse que suas normas a tanto não se aplicam, para o fim pretendido pelo recorrido (...)” (STF, Recurso Extraordinário n.º 471.115, Ministro Relator Dias Toffoli, julgado em 03/02/2010) Assim, não há como estenderse o alcance dos atos legais acima referidos para verbas distintas, concedidas para outro grupo de servidores, por meio de ato específico, diverso daqueles referidos na Resolução do STF e no Parecer da PGFN. Com efeito, a norma que concede isenção deve ser interpretada sempre literalmente, conforme inciso II, do art. 111, do CTN. Ademais, o mesmo código veda o emprego da analogia ou de interpretações extensivas para alcançar sujeitos passivos em situação supostamente semelhante, o que implicaria concessão de isenção sem lei federal própria, o que ofenderia o § 6º, do art. 150, da Constituição Federal, e o art. 176, do CTN. Destarte, a verba em exame deve ser efetivamente tributada. Ressaltese que a verba ora analisada já foi objeto de inúmeros julgamentos pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, citandose como exemplo a oportunidade em que se deu provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, por meio do Acórdão nº 9202003.585, de 03/03/2015, assim ementado: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 IRPF. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV, CLASSIFICADOS A PARTIR DE INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA. INCIDÊNCIA. Incide o IRPF sobre os valores indenizatórios de URV, em virtude de sua natureza remuneratória. Precedentes do STF e do STJ. Recurso especial provido." A decisão foi assim registrada: "Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial da Fazenda, determinando o retorno dos autos à turma a quo, para analisar as demais questões trazidas no recurso voluntário do contribuinte. Vencido o Conselheiro Marcelo Oliveira, que votou por negar provimento ao recurso. Fez sustentação oral o Dr. Marcio Pinto Teixeira, OAB/BA nº 23.911, patrono da recorrida. Defendeu a Fl. 251DF CARF MF 12 Fazenda Nacional a Procuradora Dra. Patrícia de Amorim Gomes Macedo." Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, doulhe provimento, com retorno dos autos ao Colegiado de origem, para apreciação das demais questões constantes do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 252DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.722846/2012-27
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2012 a 28/02/2012
DACON. ENTREGA INTEMPESTIVA. MULTA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE
A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Aplicação da Súmula CARF 49.
Recurso Voluntário Improcedente
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3402-005.504
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz de Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais de Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado), Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201807
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2012 a 28/02/2012 DACON. ENTREGA INTEMPESTIVA. MULTA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Aplicação da Súmula CARF 49. Recurso Voluntário Improcedente Crédito Tributário Mantido
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Sep 17 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10830.722846/2012-27
anomes_publicacao_s : 201809
conteudo_id_s : 5904521
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Sep 17 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3402-005.504
nome_arquivo_s : Decisao_10830722846201227.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : WALDIR NAVARRO BEZERRA
nome_arquivo_pdf_s : 10830722846201227_5904521.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz de Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais de Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado), Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
dt_sessao_tdt : Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
id : 7430053
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:26:49 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050866607456256
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1252; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.722846/201227 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3402005.504 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 26 de julho de 2018 Matéria Multa DACON Recorrente IGNEA GESTAO DE MARCAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2012 a 28/02/2012 DACON. ENTREGA INTEMPESTIVA. MULTA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Aplicação da Súmula CARF 49. Recurso Voluntário Improcedente Crédito Tributário Mantido Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz de Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais de Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado), Waldir Navarro Bezerra (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 28 46 /2 01 2- 27 Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10830.722846/201227 Acórdão n.º 3402005.504 S3C4T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de auto de infração para exigência de multa por atraso na entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (DACON). Cientificada do lançamento, o sujeito passivo apresentou impugnação, alegando que apresentou a DACON de forma espontânea, o que excluiria a penalidade nos termos do artigo 138 do CTN. Por meio do acórdão nº 14039.786, o Colegiado a quo julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Regularmente cientificado, o contribuinte tempestivamente apresentou seu Recurso Voluntário, repisando a alegação de sua impugnação pela exclusão da penalidade nos termos do artigo 138 do CTN (denúncia espontânea). O processo foi encaminhado a este Conselho para julgamento e posteriormente distribuído a este Relator. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra , Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.503, de 26 de julho de 2018, proferido no julgamento do processo 10840.002032/201091, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402005.503): "O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. A questão trazida a este colegiado cingese à aplicação da denúncia espontânea, prevista no artigo 138 do CTN, em caso de entrega intempestiva de obrigação acessória (DACON), mas antes de qualquer ato de ofício da autoridade fiscal. Tratase de aplicação direta da Súmula CARF nº 49: Fl. 99DF CARF MF Processo nº 10830.722846/201227 Acórdão n.º 3402005.504 S3C4T2 Fl. 4 3 “A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração.” As Súmulas do CARF são de observância obrigatória pelos membros do colegiado, conforme disposto no artigo 72 do RICARF. Recentemente, por meio da Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, foi atribuído a determinadas súmulas do CARF, dentre as quais se encontra a Súmula 49, efeito vinculante em relação à administração tributária federal. Dessa forma, a matéria se encontra pacificada em sentido contrário àquele defendido pela recorrente, não restando qualquer análise a ser feita neste julgamento. Ante o exposto, nego provimento ao recurso voluntário do sujeito passivo, pela aplicação da Súmula CARF 49. É como voto." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (assinado com certificado digital) Waldir Navarro Bezerra Fl. 100DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.900775/2008-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/11/2003 a 30/11/2003
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO AO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA.
O direito a compensação demanda a comprovação do crédito pelo interessado. Alegações desprovidas de provas documentais resultam insuficientes para o deferimento do ato declarado.
Numero da decisão: 3401-005.181
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Cássio Schappo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: CASSIO SCHAPPO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201807
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/11/2003 a 30/11/2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO AO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. O direito a compensação demanda a comprovação do crédito pelo interessado. Alegações desprovidas de provas documentais resultam insuficientes para o deferimento do ato declarado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Oct 09 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10865.900775/2008-26
anomes_publicacao_s : 201810
conteudo_id_s : 5914144
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Oct 10 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3401-005.181
nome_arquivo_s : Decisao_10865900775200826.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : CASSIO SCHAPPO
nome_arquivo_pdf_s : 10865900775200826_5914144.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente. (assinado digitalmente) Cássio Schappo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).
dt_sessao_tdt : Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
id : 7449565
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:28:33 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050866615844864
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1277; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 2 1 1 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10865.900775/200826 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401005.181 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de julho de 2018 Matéria DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO PIS/PASEP Recorrente STEEL LOOP INDUSTRIAL DO BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/11/2003 a 30/11/2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO AO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. O direito a compensação demanda a comprovação do crédito pelo interessado. Alegações desprovidas de provas documentais resultam insuficientes para o deferimento do ato declarado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 07 75 /2 00 8- 26 Fl. 51DF CARF MF Processo nº 10865.900775/200826 Acórdão n.º 3401005.181 S3C4T1 Fl. 3 2 Tratam os autos de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 1ª Turma da DRJ/RPO, que não reconheceu o direito creditório, considerando improcedente a Manifestação de Inconformidade. Dos Fatos O Contribuinte buscou via PER/DCOMP nº 23431.27206.150704.1.3.04 8834 a compensação de débito de COFINS (cód.5856) do período de apuração 06/2004 com crédito de PIS/PASEP por recolhimento a maior que o devido, via DARF, do período de apuração 11/2003, arrecadado na data de 15/12/2003. Do Despacho Decisório A DRF LIMEIRA em apreciação ao pleito da contribuinte proferiu Despacho Decisório com data de emissão 09/05/2008 (efls.8), pela não homologação da compensação pretendida, em face de inexistência de crédito disponível, pois o valor do DARF foi integralmente utilizado para quitação de débito do PIS/PASEP do período de apuração 30/11/2003. Da Manifestação de Inconformidade Não satisfeito com a resposta, o interessado apresentou Manifestação de Inconformidade, justificando que: “Em janeiro de 2.003 houve um equivoco e aconteceu que a empresa recolheu a maior os valores do pis no período de dezembro de 2002 a dezembro de 2.003 e alguns pelo código indevido também ( 8109 — antigo) mas a Receita nos orientou a fazer o Redarf se viesse alguma cobrança apenas, pois a empresa optou pelo cálculo através do regime não cumulativo sobre receita bruta auferida”; anexou cópia do DARF que reflete o valor do crédito indicado na PER/DCOMP e diante desses fatos, elaborou e juntou planilha a seguir transcrita, acreditando no direito que lhe é conferido, comprovado a inexistência de má fé e demonstrada a insubsistência do despacho decisório, requer o deferimento de seu pleito. STEEL LOOP INDUSTRIAL DO BRASIL LTOA Saldo em 01/12/2002 Estoque: 0,65% de RS 574.328,40.............................................................................................. RS 3.733, 1 Mês/Ano 12/2002 Vendas R$ 144.543,59 Compras RS Saldo RS 72.799,26 PIS a Recolher R$ PIS Recolhido a Recuperar RS 1.183,78 01/2003 R$ 75.284,22 RS 71.120,90 RS 4.163,32 RS 68,69 R$ 1.243,01 R$ 1.174,32 02/2003 R$ 194.327,31 RS 142.238.41 RS 52.088,90 RS 859,47 R$ 3.206,40 R$ 2.346,93 03/2003 R$ 269.805,40 R$ 140.434, 12 RS 129.371,28 RS 2.134,63 RS 4.451,78 R$ 2.317,15 04/2003 RS 247.127,33 RS 167.687,22 RS 79.440, 11 RS 1.310,76 RS 4 077,60 RS 2.766,84 05/2003 RS 183.193,65 RS 141.965,71 RS 41.227,94 RS 680,26 RS 3.022,69 R$ 2.342,43 06/2003 RS 184.542,46 RS 180.365,51 RS 4.176,95 RS 68,92 R$ 3.044,95 R$ 2.976.03 07/2003 RS 115.829,07 RS 68.235,22 RS 47.593,85 RS 785,30 R$ 1.911,18 RS 1.125,88 08/2003 RS 80.982,53 RS 28.786,83 RS 52.195, 70 RS 861,23 R$ 1.336,22 RS 474,99 09/2003 RS 81.003,70 RS 38.669,64 RS 42.334,06 RS 698,51 RS 1.336,56 R$ 638,05 10/2003 RS 141.451,95 R$ 85.044,44 RS 56.407,51 RS 930,73 RS 2.333,96 R$ 1.403,23 11/2003 R$ 126.813,12 RS 87.247,01 RS 39.566. 11 RS 652,84 RS 2.092,42 RS 1.439,58 12/2003 R$ 120.042,52 RS 82.274,05 RS 37.768,47 RS 623,18 RS 1.980,70 RS 1.357,52 Total: R$ 1.964.946,85 R$ 1.305.813,39 R$ 659. 133,46 R$ 10.875,71 R$ 32.422,44 R$ 21.546,73 Fl. 52DF CARF MF Processo nº 10865.900775/200826 Acórdão n.º 3401005.181 S3C4T1 Fl. 4 3 Do Julgamento de Primeiro Grau Encaminhado os autos à 1ª Turma da DRJ/RPO, esta julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cujos fundamentos encontramse sintetizados na ementa assim elabora: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 15/12/2003 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. A homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo demanda a comprovação da liquidez e certeza do crédito. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/12/2003 IMPUGNAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. As alegações apresentadas na impugnação devem vir acompanhadas das provas documentais correspondentes, sob risco de impedir sua apreciação pelo julgador administrativo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Do Recurso Voluntário O sujeito passivo ingressou tempestivamente com recurso voluntário (efls. 37 a 40) contra a decisão de primeiro grau, com o intuito de ver seu pedido atendido, limitandose a repisar os fatos e argumentos da manifestação de inconformidade, sem apresentar as provas pertinentes ao caso como bem observado pela autoridade julgadora de primeiro grau. Dandose prosseguimento ao feito o presente processo foi objeto de sorteio e distribuição à minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Cássio Schappo O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. A questão que se discute teve início com a apresentação de PER/DCOMP declarando a compensação de débito de COFINS (cód. 5856) do período de apuração Junho/2004, com crédito por pagamento indevido ou a maior de PIS (vide efls.5): Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10865.900775/200826 Acórdão n.º 3401005.181 S3C4T1 Fl. 5 4 A unidade de origem informou no despacho decisório que inexiste o crédito, pois o valor do DARF foi integralmente utilizado para quitação do débito declarado de PIS/PASEP para o período 11/2003. A Contribuinte com base em alegações entende que não pode ser prejudicada pelo simples erro de forma, sem ter causado prejuízo ao erário. Demonstra na planilha acima reproduzida, que para o período de apuração 12/2002 a 12/2003, estaria sujeita ao recolhimento do PIS pelo regime não cumulativo na alíquota de 1,65% e por equívoco a empresa recolheu a respectiva contribuição, inclusive em alguns meses com o código 8109 (do regime cumulativo), sem levar em consideração, na apuração do valor devido, os créditos a que teria direito. Esse fato é que resultou no recolhimento indevido ou a maior, cuja diferença corresponde ao crédito que deu base à compensação realizada nas PER/DCOMP apresentadas. É de se destacar que o valor do PIS/PASEP apurado e declarado ao fisco é igual ao crédito vinculado, como pode ser observado pelas telas dos sistemas da Receita Federal do Brasil juntadas ao processo. Restringese a Recorrente a manifestar sua discordância com a não homologação da compensação praticada, sem nada comprovar quanto a disponibilidade do crédito através de seus registro contábeis ou apresentando declarações retificadoras (DACON e DCTF). Prendese única e exclusivamente ao fato alegado, consubstanciado pela planilha resumo, de que teriam ocorrido pagamentos a maior que o devido de PIS/PASEP no período de 12/2002 a 12/2003. O Auditor Fiscal da DRJ de Ribeirão Preto/SP, que conduziu o voto do acórdão recorrido, fez constar que: “para atestar a liquidez e certeza do crédito alegado, como a espécie demanda, deveria a interessada ter apresentado documentos contábeis/fiscais para a comprovação da ocorrência do indébito em foco. Contudo, a peça de contestação prendese em informar sobre alegado erro de apuração do tributo declarado em face da legislação regente, não trazendo qualquer documentação comprobatória sobre a efetiva base de cálculo da referida contribuição e também do indébito utilizado na declaração de compensação”. Cabe ainda destacar do voto do acórdão recorrido: Com efeito, conforme se observa no extrato de fl. 25, o pagamento realizado em 15/12/2003 correspondeu exatamente ao valor do débito do tributo declarado na DCTF, não restando, assim, qualquer crédito passível de compensação relativamente a este pagamento. E também no DACON entregue pela contribuinte (fls. 22/24) o valor do débito apurado corresponde àquele declarado em DCTF. Mas, como se viu, Fl. 54DF CARF MF Processo nº 10865.900775/200826 Acórdão n.º 3401005.181 S3C4T1 Fl. 6 5 informa a reclamante que o valor declarado não considerou a correta apuração do valor devido, conforme demonstrada em seu "resumo''. Ora, para atestar a liquidez e certeza do crédito alegado, como a espécie demanda, deveria a interessada ter apresentado documentos contábeis/fiscais para a comprovação da ocorrência do indébito em foco. Contudo, a peça de contestação prendese em informar sobre alegado erro de apuração do tributo declarado em face da legislação regente, não trazendo qualquer documentação comprobatória sobre a efetiva base de cálculo da referida contribuição e também do indébito utilizado na declaração de compensação. Portanto, foi oportunizado a contribuinte exercer o seu amplo poder de defesa, conforme direito prescrito na Lei do PAF, nº 9.430/1996 e nada foi feito na fase recursal, nenhum demonstrativo contábil/fiscal foi apresentado, como também, declarações retificadoras (DACON e DCTF) ou mesmo a DIPJ, que resultasse em meio de prova a dar convencimento a uma melhor análise passível de atender a compensação requerida. Reflete, nesse caso, completo desinteresse da Recorrente de agir em favor de sua causa, quando repete em seu recurso as alegações anteriormente produzidas, sem se dar ao trabalho ou se empenhar na produção de provas básicas a dar suporte ao crédito relacionado com a compensação pretendida. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Fl. 55DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10314.003813/2008-37
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 01/01/2001
RECURSO DE OFÍCIO. VALOR EXONERADO ABAIXO DO LIMITE DE ALÇADA. CONHECIMENTO PELAS TURMAS DO CARF. IMPOSSIBILIDADE.
Não se toma conhecimento de recurso de ofício que. na data do julgamento pelas Turmas de Julgamento deste Conselho, não atende o limite de alçada fixado em ato do Ministro Fazenda.
Numero da decisão: 3302-005.744
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso de Ofício, por não ter sido alcançando o atual limite de alçada.
(assinado digitalmente)
Fenelon Moscoso de Almeida - Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
Jorge Lima Abud - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Vinicius Guimaraes, Walker Araujo, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Fenelon Moscoso de Almeida.
Nome do relator: JORGE LIMA ABUD
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201808
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 01/01/2001 RECURSO DE OFÍCIO. VALOR EXONERADO ABAIXO DO LIMITE DE ALÇADA. CONHECIMENTO PELAS TURMAS DO CARF. IMPOSSIBILIDADE. Não se toma conhecimento de recurso de ofício que. na data do julgamento pelas Turmas de Julgamento deste Conselho, não atende o limite de alçada fixado em ato do Ministro Fazenda.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10314.003813/2008-37
anomes_publicacao_s : 201809
conteudo_id_s : 5911878
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3302-005.744
nome_arquivo_s : Decisao_10314003813200837.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : JORGE LIMA ABUD
nome_arquivo_pdf_s : 10314003813200837_5911878.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso de Ofício, por não ter sido alcançando o atual limite de alçada. (assinado digitalmente) Fenelon Moscoso de Almeida - Presidente Substituto (assinado digitalmente) Jorge Lima Abud - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Vinicius Guimaraes, Walker Araujo, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Fenelon Moscoso de Almeida.
dt_sessao_tdt : Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
id : 7439554
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:27:46 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050866734333952
conteudo_txt : Metadados => date: 2018-09-24T15:14:12Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2018-09-24T15:14:12Z; Last-Modified: 2018-09-24T15:14:12Z; dcterms:modified: 2018-09-24T15:14:12Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; xmpMM:DocumentID: uuid:d7a0cbeb-28f3-4ac3-867d-4af4ac3dd8ed; Last-Save-Date: 2018-09-24T15:14:12Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2018-09-24T15:14:12Z; meta:save-date: 2018-09-24T15:14:12Z; pdf:encrypted: true; modified: 2018-09-24T15:14:12Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2018-09-24T15:14:12Z; created: 2018-09-24T15:14:12Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2018-09-24T15:14:12Z; pdf:charsPerPage: 1399; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2018-09-24T15:14:12Z | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10314.003813/200837 Recurso nº De Ofício Acórdão nº 3302005.744 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 27 de agosto de 2018 Matéria CLASSIFICAÇÃO FISCAL. EXTARIFÁRIO. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado MODINE DO BRASIL SISTEMAS TÉRMICOS LTDA ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 01/01/2001 RECURSO DE OFÍCIO. VALOR EXONERADO ABAIXO DO LIMITE DE ALÇADA. CONHECIMENTO PELAS TURMAS DO CARF. IMPOSSIBILIDADE. Não se toma conhecimento de recurso de ofício que. na data do julgamento pelas Turmas de Julgamento deste Conselho, não atende o limite de alçada fixado em ato do Ministro Fazenda. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso de Ofício, por não ter sido alcançando o atual limite de alçada. (assinado digitalmente) Fenelon Moscoso de Almeida Presidente Substituto (assinado digitalmente) Jorge Lima Abud Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Vinicius Guimaraes, Walker Araujo, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Fenelon Moscoso de Almeida. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 00 38 13 /2 00 8- 37 Fl. 805DF CARF MF 2 Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 27/05/2008, formalizando a exigência de Imposto de Importação e Contribuições referentes ao PIS e da COFINS incidentes na importação, acrescidos de multa de ofício e juros de mora, além de multa do controle aduaneiro e multa regulamentar, no valor de R$ 2.026.701,05. O importador através da Declaração de Importação n° 08/00617554, registrada em 11/01/2008, submeteu a despacho a mercadoria descrita na adição 001, classificada na Tarifa Externa Comum no código 8514.10.10, solicitando, nesta classificação, um ex tarifário. Para tanto, foi utilizada a seguinte descrição: FORNO ELETRICO PARA BRASAGEM Ex 015 Fomos elétricos de aquecimento indireto, industriais, para brasagem de ' trocadores de calor do tipo "placa e barra" de alumínio, com duas bombas de difusão com capacidade para 50.000 litros/s, com uma bomba criogênica e criogerador com capacidade de bombeamento de 100.000 litros/s, com capacidade para brasar até 2.000Kg por ciclo, com ciclo de brasagem máximo de 2 horas, com temperatura máxima de 705 "C, equipados com 23 zonas de aquecimento independentes, com variação máxima de temperatura na carga de +/3"C, compostos por vaso selado, câmara térmica, sistema de aquecimento, sistema de bombeamento, sistema de refrigeração, controlador lógico programável (CLP) com sistema supervisório incluso e sistema automático de manipulação de carga. A presente Declaração tratase de Nacionalização de Admissão Temporária, concedida na Alfândega de Porto de Santos, através do PG. n° 11128.005918/200718, com vencimento até 17/01/2008. Por ocasião da Admissão foi feito Laudo, através da Alfândega de Porto de Santos, cuja cópia se encontra anexa ao presente processo. A fim de dirimir dúvidas, interrompeuse o despacho para solicitar Laudo Técnico, elaborado por perito credenciado, junto à IRF/SP, para que a mercadoria despachada na Declaração de Importação fosse descrita. O perito credenciado se dirigiu até a fábrica para examinar a máquina, e, solicitar documentos que comprovassem as especificações técnicas, descritas na Declaração de Importação; tirou algumas fotos e fez anotações. Solicitou ainda alguns documentos e a empresa alegou que quem os possuía era o fabricante da máquina. Após várias correspondências com o exportador, isso demandou um prazo longo para o término do Laudo. No "extarifário" que a empresa informou na adição, está disciplinado na Resolução Camex n° 36, de 06 de setembro de 2007, que altera a alíquota, para bens de capital, para 2%, até 31/12/2008. Após análises feitas no Manual Técnico, no Descritivo Técnico e na Vistoria feita na fábrica, o perito, concluiu o Laudo Técnico, atestando que a mercadoria descrita na Declaração de Importação tratavase de: Forno elétrico de aquecimento indireto, para brasagem de trocadores de calor do tipo placa e barra de alumínio, com duas bombas de difusão (modelo NHS35, números de série LDL/_60002. e LDL 60003, fabricantes Varian Vacuun Technologies) com capacidade para 50.OOOlitros/s cada, com uma bomba criogênica e o criogerador (modelo PFC1102 HC, n° de série LO6553761, fabricante BROOKS AUTOMATION, ano de fabricação 2006) com capacidade para bombeamento de 200.000 litros/s, com Fl. 806DF CARF MF Processo nº 10314.003813/200837 Acórdão n.º 3302005.744 S3C3T2 Fl. 3 3 capacidade para brasar até 2.000Kg por ciclo, com temperatura máxima de 750“C,equipado com 23 zonas de aquecimentos independentes, com variação máxima de temperatura na carga de +/3°C, composto por vaso selado, câmara térmica, sistema de aquecimento, sistema de bombeamento, sistema de refrigeração(modelo WRH242, n° de série AE43326M006S, fabricante BROOKS AUTOMATION, ano de fabricação 2006), controlador lógico programável (CLP) com sistema supervisório incluso e sistema automático de manipulação de carga, modelo TBHA 180/45/365, tipo BRAZVAC, n° de série 361, ano de fabricação 2007. A fiscalização entendeu que a mercadoria tem classificação tributária no código NCM 8514.10.10 sem o benefício do "ex" tarifário solicitado. Diante do exposto, foi lavrado o presente Auto de Infração para constituição do crédito tributário referente a diferença do Imposto de Importação, da Cofins e do Pis/Pasep pela descaracterização do ex tarifário pleiteado. Cientificado do auto de infração, via Aviso de Recebimento, em 29/05/2008 (fls. 367), o contribuinte, protocolizou impugnação, tempestivamente em 30/06/2008, na forma do artigo 56 do Decreto nº 7.574/2011, de fls. 375 à 395, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento. O impugnante em sua defesa alegou os seguintes pontos: ü É pessoa jurídica de direito privado que se dedica à indústria, comércio atacadista, importação, exportação, consignação, serviços de engenharia em desenvolvimento de projetos industriais, serviços de manutenção e conservação de radiadores, trocadores de calor, implementos de refrigeração e demais peças. ü Para o desenvolvimento de suas atividades, entendeu necessária a aquisição de forno elétrico para brasagem de trocadores de calor. ü Todavia, diante da impossibilidade de aquisição de similar no mercado nacional, à Impugnante não restou outra opção a não ser importar referido equipamento de fornecedor estrangeiro (TA V Tecnologie Alto Vuoto "TAV"). ü Foi então que a Impugnante pleiteou ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior a concessão de ex tarifário específico para o forno elétrico a ser importado (Doc. 02), ocasião na qual apresentou: (i) "Atestado de Inexistência de Produção Nacional" emitido pela Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos ABIMAQ (Doc. 03), (ii) "Atestado de Inexistência de Produção Nacional" emitido pela Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica ABINEE (Doc. 04) e (iii) catálogo técnico do equipamento com a respectiva tradução (Doc. 05). No laudo técnico o perito certificante apontou as seguintes divergências: Fl. 807DF CARF MF 4 Apresenta na defesa argumentos para cada um dos itens elencados pelo fiscalização, solicitando ao final a manutenção do equipamento no extarifário pleiteado. Insurgese também contra aplicação das multas. DO PEDIDO Em vista do exposto acima, a Impugnante requer seja reconhecida a total improcedência dos autos de infração de II, PIS/Importação e COFINS/Importação, na medida em que o equipamento por ela importado através da Dl n.° 08/00617554 coincide ipsis Utteris com aquele descrito no Ex 015 da posição NCM 8514,10.10. Sucessiva e alternativamente, a Impugnante requer seja reconhecida a improcedência da aplicação (i) da multa do controle aduaneiro, uma vez que a importação cm exame, quer sob o extarifário, quer na raiz da posição NCM 8514.10.10, não gera a obrigação de obtenção de Licença de Importação; (ii) da multa regulamentar, pois não se está diante de classificação fiscal incorreta na NCM; e, por fim, (iii) da multa de ofício, já que o equipamento foi corretamente descrito pela Impugnante. Em 17 de maio de 2012, através do Acórdão n° 1638.899, a 24ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento SP1, por maioria de votos, considerou PROCEDENTE A IMPUGNAÇÃO. Houve Recurso de Ofício. A impugnante foi cientificada da Decisão da Delegacia Regional de Julgamento, em 25/05/2012, via Aviso de Recebimento, às folhas 573 do processo digital. A empresa autuada não apresentou RECURSO VOLUNTÁRIO. Em 16 de setembro de 2014, a 2a Turma Ordinária, da 1a Câmara, da 3a Seção de Julgamento do CARF, baixou os autos em diligência através da Resolução n° 3102 000.316, para que a Fiscalização Aduaneira submetesse ao Perito responsável pelo Laudo Técnico realizado na importação promovida pela Declaração de Importação n° 08/00617554 as ponderações apresentadas em sede de impugnação ao lançamento, para que o mesmo ateste ou não, em Laudo Técnico Complementar, sua procedência e, corolário, o enquadramento ou não do equipamento no texto do "EX". Ainda foi ressaltado que na impossibilidade de designação do mesmo Perito, novo profissional deve ser indicado pela Fiscalização. Em atenção ao termo de ciência e de intimação DIFIS I nº 090/2015, a empresa MODINE DO BRASIL SISTEMAS TÉRMICOS LTDA (folhas 596 do processo Fl. 808DF CARF MF Processo nº 10314.003813/200837 Acórdão n.º 3302005.744 S3C3T2 Fl. 4 5 digital) designou Rafael Brandão como assistente técnico para a perícia, por ser o engenheiro responsável pelo equipamento para acompanhar a realização de perícia determinada pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Informou a empresa autuada que o equipamento (forno de brasagem) sobre o qual versa a perícia está localizado na sede da Sociedade, na Rua Av. Narain Singh, 200, Guarulhos, São Paulo ( folhas 597 do processo digital). Em resposta à solicitação da Resolução n° 3102000.316, de 16 de setembro de 2014, foi juntado o Laudo Técnico Complemento DI: 08/00617554, às folhas 633 do processo digital e seguintes, e seus anexos foram juntados a partir das folhas 689 do processo digital. A empresa autuada se manifestou sobre o Laudo Técnico Complemento DI: 08/00617554, às folhas 785 a 795 do processo digital. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Lima Abud – Relator. O recurso de ofício trata de matéria da competência deste Conselho e preenche os demais requisitos de admissibilidade, porém, como a seguir demonstrado, por não ultrapassar o limite de alçada determinado para o órgão de julgamento de primeiro grau, não será conhecido. I DO RECURSO DE OFÍCIO O presente recurso de ofício foi interposto em razão da exoneração de parte dos débitos objeto da autuação no valor de R$ 1.213.298,48. No caso, como a exclusão e a redução excederam o limite de alçada, fixado à época no valor de R$ 1.000.000,00, pela Portaria MF 3/2008, fora automaticamente interposto o Recurso de Ofício. Entretanto, a normativa acima referida foi revogada pela Portaria MF 63/2017, que alterou o referido limite alçada do órgão de julgamento de primeiro grau, para R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), no seu art. 1°, que segue transcrito: Art. 1° O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1° O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. Fl. 809DF CARF MF 6 § 2° Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Em relação ao assunto, cabe consignar que, no âmbito deste Conselho, o requisito atinente ao limite de alçada deve ser atendido na data da apreciação do recurso de ofício, conforme dispõe a Súmula CARF n° 103, a seguir transcrita: Súmula CARF n° 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Com base nessas considerações, não se toma conhecimento do referido recurso de ofício, por não atender o limite de alçada exigido no art. 34, I, do Decreto 70.235/1972 e fixado no art. 1° da Portaria MF 63/2017. II Conclusão Por todo o exposto, voto por não conhecer do Recurso de Ofício. É como voto. Jorge Lima Abud. Fl. 810DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.000532/2008-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Sep 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 15/12/2003, 14/01/2004, 12/02/2004, 15/03/2004, 15/04/2004, 15/06/2004, 12/08/2004, 15/10/2004, 15/12/2004, 14/01/2005, 15/03/2005, 15/08/2005, 14/10/2005
MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO OBJETO DE DECLARAÇÃO ANTES DO TRÂNSITO EM JULGADO DA DECISÃO JUDICIAL. CABIMENTO.
A apresentação de DCOMP calcada em crédito decorrente de decisão judicial sem trânsito em julgado acarreta a lavratura de auto de infração com a exigência de multa isolada.
Numero da decisão: 3402-005.554
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não tomar conhecimento do Recurso de Ofício e negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra Presidente.
(assinado digitalmente)
Rodrigo Mineiro Fernandes Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Pedro Sousa Bispo, Waldir Navarro Bezerra (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz, substituída pelo conselheiro Renato Vieira de Ávila.
Nome do relator: RODRIGO MINEIRO FERNANDES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201808
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 15/12/2003, 14/01/2004, 12/02/2004, 15/03/2004, 15/04/2004, 15/06/2004, 12/08/2004, 15/10/2004, 15/12/2004, 14/01/2005, 15/03/2005, 15/08/2005, 14/10/2005 MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO OBJETO DE DECLARAÇÃO ANTES DO TRÂNSITO EM JULGADO DA DECISÃO JUDICIAL. CABIMENTO. A apresentação de DCOMP calcada em crédito decorrente de decisão judicial sem trânsito em julgado acarreta a lavratura de auto de infração com a exigência de multa isolada.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Sep 28 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 19515.000532/2008-31
anomes_publicacao_s : 201809
conteudo_id_s : 5911894
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3402-005.554
nome_arquivo_s : Decisao_19515000532200831.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : RODRIGO MINEIRO FERNANDES
nome_arquivo_pdf_s : 19515000532200831_5911894.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não tomar conhecimento do Recurso de Ofício e negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo Mineiro Fernandes Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Pedro Sousa Bispo, Waldir Navarro Bezerra (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz, substituída pelo conselheiro Renato Vieira de Ávila.
dt_sessao_tdt : Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2018
id : 7439588
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:27:48 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050866777325568
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1746; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 799 1 798 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.000532/200831 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 3402005.554 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 29 de agosto de 2018 Matéria Auto de Infração multa isolada Recorrente ROSSET & CIA LTDA e FAZENDA NACIONAL Recorrida FAZENDA NACIONAL e ROSSET & CIA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 15/12/2003, 14/01/2004, 12/02/2004, 15/03/2004, 15/04/2004, 15/06/2004, 12/08/2004, 15/10/2004, 15/12/2004, 14/01/2005, 15/03/2005, 15/08/2005, 14/10/2005 MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO OBJETO DE DECLARAÇÃO ANTES DO TRÂNSITO EM JULGADO DA DECISÃO JUDICIAL. CABIMENTO. A apresentação de DCOMP calcada em crédito decorrente de decisão judicial sem trânsito em julgado acarreta a lavratura de auto de infração com a exigência de multa isolada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não tomar conhecimento do Recurso de Ofício e negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo Mineiro Fernandes Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Pedro Sousa Bispo, Waldir Navarro Bezerra (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz, substituída pelo conselheiro Renato Vieira de Ávila. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 05 32 /2 00 8- 31 Fl. 799DF CARF MF Processo nº 19515.000532/200831 Acórdão n.º 3402005.554 S3C4T2 Fl. 800 2 Relatório Trata o presente processo de autos de infração relativo a lançamento de multa isolada por compensação indevida (artigo 18, da Lei n° 10.833/03 e artigo 44, I, da Lei n°9.430/96) e falta de recolhimento da COFINS, período de apuração 02/2004. Conforme expresso no Termo de Constatação às fls. 85 a 89, foram apresentadas diversas DCOMP pleiteando a utilização de créditos decorrentes de ação judicial não transitado em julgado (n° 93.00153846), conforme despachos decisórios emitidos pela DERAT/DIORT/EQITD nos respectivos processos que analisaram os pedidos de compensação. As compensações pleiteadas foram NÃO CONHECIDAS pela Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária em São Paulo (DERAT/SPO). Regularmente cientificada da lavratura dos autos de infração, o sujeito passivo apresentou sua impugnação (fls. 121123 e 326 a 344), com as seguintes alegações, em síntese: (i) que o procedimento fiscal carece de MPF; (ii) que ocorreu erro no preenchimento da DCOMP, quanto a COFINS apurada em 02/04; (iii) que propôs Ação Cautelar Incidental com pedido de liminar, objetivando a compensação de créditos decorrentes do recolhimento indevido de FINSOCIAL, excedente a alíquota de 0,5%, processo n° 93.00180800, ingressou também com Ação de Repetição de Indébito, 93.00153846, requerendo a restituição dos valores pagos de forma indevida a título de FINSOCIAL; (iv) que ambos os processos foram sentenciados em 28/06/96, data em que foi confirmado o direito a compensação, sendo defeso qualquer medida coercitiva; (v) que ocorreu o transito em julgado da ação cautelar em 09/06/03, e em 02/07/03, no processo do crédito de FINSOCIAL quando a Fazenda Nacional se limitou a interpor Recurso especial somente quanto aos honorários de sucumbência; (vi) que a multa isolada surgiu apenas com a edição da Lei n° 11.051/04 que promoveu alterações na Lei n° 10.833/03; (vii) que a penalidade não poderia ser aplicada a fatos ocorridos antes de sua publicação; (viii) que o fato típico previsto na norma que instituiu a multa isolada não ocorreu, tendo em vista que não ficou caracterizada a ocorrência de sonegação, fraude ou conluio; (ix) que houve ofensa aos princípios da proporcionalidade e do não confisco; e (x) que deve ser excluída da base de cálculo da multa os débitos de PIS que foram objeto de parcelamento. Por meio do acórdão nº 1621.012, de 8 de abril de 2009 (fls. 745 a 757), a 6ªTurma da DRJ/SPO I considerou o lançamento procedente em parte, exonerando o valor lançado relativo à COFINS e à multa isolada quanto à compensação de COFINS, mantendo a multa isolada relativa à compensação indevida de PIS. O colegiado constatou que a multa isolada relativa à compensação de COFINS seria indevida, visto que no momento em que as DCOMP foram apresentadas havia trânsito em julgado da sentença, apenas quanto aos débitos da COFINS. O referido acórdão recebeu a seguinte ementa: Assunto: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2003, 2004 e 2005 FALTA DE RECOLHIMENTO. Comprovado que o débito informado em DCOMP não declarada estava informado em DCTF deve ser cancelada a exigência de Oficio. MPF. O MPF não será exigido nas hipóteses de procedimento de fiscalização interno. Fl. 800DF CARF MF Processo nº 19515.000532/200831 Acórdão n.º 3402005.554 S3C4T2 Fl. 801 3 MULTA ISOLADA. A apresentação de DCOMP calcada em crédito decorrente de decisão judicial sem trânsito em julgado acarreta a lavratura de auto de infração com a exigência de multa isolada. Assunto: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2003, 2004 e 2005 MPF. O MPF não será exigido nas hipóteses de procedimento de fiscalização interno. MULTA ISOLADA. A apresentação de DCOMP calcada em crédito decorrente de decisão judicial sem trânsito em julgado acarreta a lavratura de auto de infração com a exigência de multa isolada. Lançamento Procedente em Parte O presidente do colegiado a quo submeteu a decisão à apreciação deste Conselho, de acordo com o art. 34 do Decreto n° 70.235/72, e alterações introduzidas pela Lei n° 9.532/97, e Portaria MF n° 03/08, por força de recurso de oficio. Regularmente cientificado, o contribuinte apresentou seu Recurso Voluntário (fls.764 a 781), com as seguintes alegações, em síntese: 1. Nulidade do acórdão recorrido pela omissão no exame de parte dos argumentos vertidos na impugnação 2. Validade das compensações amparadas em decisão judicial 3. Irretroatividade da legislação que instituiu a multa isolada 4. Parcelamento dos valores dos tributos objetos das compensações efetuadas 5. Violação aos princípios da proporcionalidade e do nãoconfisco O processo foi encaminhado a este Conselho para julgamento e posteriormente distribuído a este Relator. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. Quanto ao Recurso de Ofício, a 6ªTurma da DRJ/SPO I, por meio do Acórdão nº 1621.012, exonerou o valor lançado relativo à COFINS, no valor de R$19.000, acrescido de multa de ofício de R$14.250,00, e relativo à multa isolada quanto à compensação de COFINS no valor de R$ 1.942.279,35, totalizando R$1.975.529,35. Este valor é inferior ao limite de alçada de R$2.500.000,00, estabelecido pela Portaria MF n° 63/17, pelo que não conheço do Recurso de Ofício. Quanto ao Recurso Voluntário, a questão trazida ao julgamento referese ao lançamento da multa isolada por compensação indevida (artigo 18, § 2°, da Lei n° 10.833/03 e artigo 44, I, da Lei n°9.430/96) quanto à compensação de PIS. Fl. 801DF CARF MF Processo nº 19515.000532/200831 Acórdão n.º 3402005.554 S3C4T2 Fl. 802 4 O julgador a quo apurou a improcedência do lançamento da multa isolada quanto à compensação de COFINS, tendo em vista a existência de trânsito em julgado de sentença judicial quanto aos débitos da COFINS no momento de apresentação das DCOMPs. No caso da multa isolada referente aos débitos de PIS constatouse que não havia nenhuma decisão judicial autorizando a compensação, ou seja, foi apresentada DCOMP com base em crédito sem sentença judicial favorável transitada em julgado. Preliminarmente, a recorrente alega nulidade do acórdão recorrido pela omissão no exame de parte dos argumentos vertidos na impugnação. Segundo seu entendimento, o julgador a quo não teria apreciado integralmente seus argumentos de defesa, especialmente quanto ao seu pedido alternativo de exclusão da base de cálculo da multa relativa às compensações com débitos de PIS e que teria parcelado os débitos decorrentes do PIS antes do início da ação fiscal e da imposição da multa. Não assiste razão à recorrente neste ponto. Nos parágrafos 35 a 38 (fls.753 e 754) consta a expressa manifestação do julgador acerca da questão, que entendeu que o fato típico previsto na norma teria ocorrido, ou seja, apresentação de DCOMP com base em crédito sem sentença judicial favorável transitada em julgado, independentemente do parcelamento alegado, ensejando o lançamento da multa regularmente prevista, não configurando a omissão do julgador nem a nulidade da decisão. No mérito, a recorrente alega a validade das compensações amparadas em decisão judicial. Segundo seu entendimento, como as compensações foram efetuadas no período compreendido entre dezembro de 2003 e outubro de 2005, elas teriam sido autorizadas pela medida liminar deferida na Ação Cautelar n°93.00180800, estando, portanto, amparadas em decisão judicial, fato que seria suficiente para afastar a incidência de qualquer penalidade. Também não assiste razão à recorrente neste ponto. Transcrevo excerto do voto condutor do acórdão a quo, com a expressa manifestação do julgador acerca da questão, cujos fundamentos utilizo no presente voto como minhas razões de decidir: “16. O contribuinte apresentou diversas DCOMP, no período compreendido entre em 15/12/03 e 14/10/05, fls. 07, 15, 16, 17, 18, 20, 21, 22, 23, 24, 25, 26, 27, 28 e 29, pleiteando a compensação de débitos de PIS e COFINS, com crédito oriundo de pagamentos indevidos ocorridos a título de FINSOCIAL no período compreendido entre 12/05/88 e 30/04/91, reconhecido em sentença judicial. 17. O contribuinte ingressou com Ação de Repetição de Indébito (fls. 390/398), processo no 93.00153846, em 15/06/93, requerendo a restituição dos valores pagos de forma indevida a título de FINSOCIAL, no período compreendido entre 09/89 e 03/92, na forma de compensação com tributos da mesma espécie. 18. Em seguida, o interessado propôs Ação Cautelar Incidental, com pedido de liminar, objetivando a compensação de créditos decorrentes do recolhimento indevido de FINSOCIAL, excedente à alíquota de 0,5%, processo n° 93.00180800 (fls. 54/65). 19. A Ação Cautelar transitou em julgado em 09/06/03 (fl. 51), com a extinção do processo sem julgamento do mérito, tendo em vista inadequação da via eleita para a compensação. Fl. 802DF CARF MF Processo nº 19515.000532/200831 Acórdão n.º 3402005.554 S3C4T2 Fl. 803 5 20. No que tange ao processo principal, em sede de recurso de apelação (fls. 38/39) o TRF 3a Região decidiu, em 14/11/01, que o FINSOCIAL era devido à alíquota de 0,5% possibilitando a compensação dos indébitos do FINSOCIAL com débitos da COFINS. 21. Este acórdão foi publicado em 23/05/03 (fl. 36) sendo interposto Recurso Especial pela Fazenda Nacional, em 02/07/03, somente quanto aos honorários advocatícios (fls. 630/637 e 651/655). 22. Portanto, a Fazenda Nacional ao interpor Recurso Especial, somente quanto aos honorários advocatícios, abriu mão de discutir o mérito da ação, ocorrendo o trânsito em julgado quanto a esta matéria. 23. O "caput" do artigo 74 da Lei n° 9.430/96, dispõe que: "O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado", portanto o trânsito em julgado a que se refere o legislador é o referente ao crédito. 24. No caso, houve o trânsito em julgado quanto ao crédito decorrente do FINSOCIAL em 02/07/03 quando a Fazenda Nacional recorreu apenas no que tange aos honorários advocaticios. 25. Importante ressaltar que quanto aos débitos de PIS não houve qualquer sentença judicial transitada em julgado favorável, tendo em vista que a decisão que transitou em julgado foi aquela proferida pelo TRF 3' Regido, em 14/11/01, que facultava a compensação com débitos da COFINS e não do PIS.” Não restam dúvidas de que não havia decisão transitada em julgado permitindo a compensação de PIS, o que impede a compensação pleiteada, e não havia decisão definitiva na Ação Cautelar n°93.00180800 que permitisse a compensação, ao contrário do que alega a recorrente, sendo totalmente improcedente sua alegação, neste ponto. A recorrente também alega a irretroatividade da legislação que instituiu a multa isolada, sendo possível sua aplicação apenas para fatos posteriores à vigência da Lei 11.051/2004. O fato que determinou o lançamento da multa isolada foi a tentativa de compensação mediante a utilização de crédito decorrente de ação judicial não transitado em julgado, o qual não é passível de compensação por expressa disposição legal (art. 170A, do CTN), conforme disposto no artigo 18, caput e §2° da Lei 10.833/2003 (texto original), para os pedidos de compensação protocolizados antes da vigência da Lei n° 11.051/2004 (30/12/2004). Incialmente, destacase o disposto no artigo 170A do CTN, incluído pela Lei Complementar 104/2001: Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. Assim dispunha o artigo 18 da Lei n° 10.833/03, antes da redação dada pela Lei 11.051/2004: Art. 18. O lançamento de oficio de que trata o art. 90 da Medida Provisória n° 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicar seá unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964. Fl. 803DF CARF MF Processo nº 19515.000532/200831 Acórdão n.º 3402005.554 S3C4T2 Fl. 804 6 Assim tratava a MP 2.15835: Art. 90. Serão objeto de lançamento de oficio as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Constatase, portanto, que as compensações indevidas informadas pelo contribuinte estavam sujeitas ao lançamento de multa isolada, nos casos de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, o que é o caso dos autos, ou de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficasse caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei n°4.502/64. Dessa forma, não procede a alegação da recorrente que aponta pela aplicação da multa isolada apenas para fatos posteriores à vigência da Lei 11.051/2004, visto que tal penalidade já existia na Medida Provisória n°135/03, que resultou na Lei 10.833/2003, aplicada nos casos de compensação calcada em crédito não passível de compensação por expressa disposição legal. A recorrente alega, ainda, que para o período posterior a vigência da Lei 11.051/2004 não seria possível a aplicação da multa isolada tendo em vista que não teria praticado qualquer conduta sujeita a penalização. Segundo seu entendimento, não há qualquer referência na acusação fiscal quanto a sonegação, fraude ou conluio, sendo que a penalidade teria sido exigida única e exclusivamente em decorrência da equivocada interpretação de que as compensações ocorreram antes do trânsito em julgado da ação judicial. Não assiste razão à recorrente. Com a publicação da Lei n° 11.051, de 29/12/2004, o artigo 18 da Lei n° 10.833/03, passou a ter a seguinte redação: Art. 18. O lançamento de oficio de que trata o art. 90 da Medida Provisória n° 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá a imposição de multa isolada em razão da nãohomologacão de compensação declarada pelo sujeito passivo nas hipóteses em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei n°4.502, de 30 de novembro de 1964. [...] § 4o A multa prevista no caput deste artigo também será aplicada quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. A alteração no texto do caput do artigo 18 da Lei 10.833/2003 restringiu a aplicação da multa isolada aos casos de nãohomologação de compensação declarada pelo sujeito passivo nas hipóteses em que ficasse caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964. Entretanto, o § 4° do citado artigo continuou a prever o lançamento da multa isolada nas hipóteses de compensação com crédito decorrente de decisão judicial não transitada em julgado (inciso II do § 12 do art. 74 da Lei n° 9.430/96). O artigo 18 da Lei n° 10.833/2003 sofreu nova alteração de redação com a edição da MP n°351/2007, convertida na Lei n° 11.488/07: Fl. 804DF CARF MF Processo nº 19515.000532/200831 Acórdão n.º 3402005.554 S3C4T2 Fl. 805 7 Art. 18. O lançamento de oficio de que trata o art. 90 da Medida Provisória n 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão de nãohomologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo § 4° Será também exigida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II § 12 do art. 74 da Lei n°9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicandose o percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicado na forma de seu § 1°, quando for o caso. Portanto, ainda que o texto legal tendo sido alterado pelas Leis 11.051/2004 e 11.196/2005 e pela MP n° 351/2007 (convertida na Lei 11.488/2007), permanece o cabimento de aplicação de multa isolada para o caso de compensação com crédito decorrente de decisão judicial não transitada em julgado, sujeitando à aplicação da penalidade prevista no art. 18 da Lei 10.833/2003 com redação dada pela Lei n° 11.196/2005 e art. 44, 1, da Lei no 9.430/96. A Recorrente alega que parcelou os valores dos tributos objetos das compensações efetuadas, e que não seria devida a multa isolada aplicada. Em que se pese a alegação da recorrente, tal fato não tem o condão de afastar a aplicação da penalidade imposta, pela constatação da ocorrência do fato típico previsto na norma sancionatória, ou seja, pela constatação de que foram apresentadas DCOMP com base em crédito sem sentença judicial favorável transitada em julgado. Por fim, a Recorrente alega a violação aos princípios da proporcionalidade e do nãoconfisco, matéria de fundo constitucional, cuja apreciação é vedada a este colegiado, conforme Súmula CARF nº 2. Também, por expressa previsão regimental, é vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, com as exceções previstas no § 1º do artigo 62 do RICARF. Ante o exposto, não conheço do Recurso de Ofício e nego provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (assinado com certificado digital) Rodrigo Mineiro Fernandes Fl. 805DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13433.000395/2005-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ
Ano-calendário: 2003
Ementa:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos
Numero da decisão: 1302-000.863
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer dos embargos, suprir a omissão, e dar-lhes efeitos infringentes para alterar a decisão de negar provimento ao recurso para não conhecer do recurso por perempto..
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: MARCOS RODRIGUES DE MELLO
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201204
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano-calendário: 2003 Ementa: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
numero_processo_s : 13433.000395/2005-15
conteudo_id_s : 6059840
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Sep 10 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1302-000.863
nome_arquivo_s : 130200863_13433000395200515_201204.pdf
nome_relator_s : MARCOS RODRIGUES DE MELLO
nome_arquivo_pdf_s : 13433000395200515_6059840.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer dos embargos, suprir a omissão, e dar-lhes efeitos infringentes para alterar a decisão de negar provimento ao recurso para não conhecer do recurso por perempto..
dt_sessao_tdt : Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2012
id : 7437828
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:27:30 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 2; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1357; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 1 1 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13433.000395/200515 Recurso nº Embargos Acórdão nº 1302000.863 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 10/04/2012 Matéria IRPJ Embargante MARCOS RODRIGUES DE MELLO Interessado MARANATA COMÉRCIO DE PETRÓLEO Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2003 Ementa: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer dos embargos, suprir a omissão, e darlhes efeitos infringentes para alterar a decisão de negar provimento ao recurso para não conhecer do recurso por perempto.. (documento assinado digitalmente) Marcos Rodrigues de Mello – relator e presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Rodrigues de Mello, Waldir Veiga Rocha, Eduardo de Andrade, Diniz Raposo e Silva, Guilherme Pollastri Gomes Da Silva e Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, Relatório Fl. 280DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 16/04 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13433.000395/200515 Acórdão n.º 1302000.863 S1C3T2 Fl. 2 2 Tratase de embargos de declaração opostos por este conselheiro, tendo em vista que ao formalizar o voto proferido no acórdão 1302000.750 na sessão de 19/10/2011, observou que o recurso foi conhecido, embora fosse intempestivo, sem eu se analisasse a tempestividade Voto Reconhecendo a omissão no acórdão, conheço dos embargos. Como se pode observar a fls. 215, a recorrente tomou ciência do acórdão DRJ em 14/05/2008 (quintafeira) e apresentou recurso em 16/06/2008 (segundafeira). O prazo de trinta dias, contados a partir do dia seguinte à ciência (15/05/2008) venceu no dia 13/06/2008 (sextafeira). Não consta que não tenha havido expediente normal tanto no dia 15 de maio como no dia 13 de junho. Diante do exposto, voto por conhecer dos embargos e darlhes efeitos infringentes para alterar a decisão de negar provimento ao recurso para não conhecer do recurso por perempto. (documento assinado digitalmente) Marcos Rodrigues de Mello Fl. 281DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 16/04 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
_version_ : 1713050866936709120
score : 1.0
Numero do processo: 10880.905825/2006-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Exercício: 2003, 2004
Ementa:
COMPENSAÇÃO DELIMITAÇÃO DA LIDE
A definição da lide nos processos relativos à compensação é similar àqueles exclusivos de repetição de indébito. Em ambos os tipos de processos, alterar o crédito implica mudar o seu próprio objeto, o que não pode ser admitido pelas instâncias recursais.
Numero da decisão: 1201-000.534
Decisão: Acordam os membros do colegiado em, Por unanimidade de votos,
CONHECERAM parcialmente do recurso para, na parte conhecida, NEGAR-LHE provimento, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201106
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2003, 2004 Ementa: COMPENSAÇÃO DELIMITAÇÃO DA LIDE A definição da lide nos processos relativos à compensação é similar àqueles exclusivos de repetição de indébito. Em ambos os tipos de processos, alterar o crédito implica mudar o seu próprio objeto, o que não pode ser admitido pelas instâncias recursais.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
numero_processo_s : 10880.905825/2006-10
conteudo_id_s : 5920820
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Oct 30 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1201-000.534
nome_arquivo_s : Decisao_10880905825200610.pdf
nome_relator_s : Guilherme Adolfo dos Santos Mendes
nome_arquivo_pdf_s : 10880905825200610_5920820.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado em, Por unanimidade de votos, CONHECERAM parcialmente do recurso para, na parte conhecida, NEGAR-LHE provimento, nos termos do voto do Relator.
dt_sessao_tdt : Thu Jun 30 00:00:00 UTC 2011
id : 7483534
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:30:02 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050867248136192
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1412; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 213 1 212 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.905825/200610 Recurso nº 875.885 Voluntário Acórdão nº 120100.534 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 30 de junho de 2011 Matéria IRPJ Recorrente ICATEL Telemática Serviços e Comércio Ltda Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2003, 2004 Ementa: COMPENSAÇÃO DELIMITAÇÃO DA LIDE A definição da lide nos processos relativos à compensação é similar àqueles exclusivos de repetição de indébito. Em ambos os tipos de processos, alterar o crédito implica mudar o seu próprio objeto, o que não pode ser admitido pelas instâncias recursais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em, Por unanimidade de votos, CONHECERAM parcialmente do recurso para, na parte conhecida, NEGARLHE provimento, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Claudemir Rodrigues Malaquias Presidente. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator. Fl. 224DF CARF MF Emitido em 31/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 9/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por GUILHERME ADOLF O DOS SANTOS ME Processo nº 10880.905825/200610 Acórdão n.º 120100.534 S1C2T1 Fl. 214 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudemir Rodrigues Malaquias (Presidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Rafael Correia Fuso, Marcelo Cuba Netto e Regis Magalhaes Soares De Queiroz . Relatório DO DESPACHO DECISÓRIO Conforme podemos constatar pelo despacho decisório eletrônico de fl. 01, a lide do presente feito diz respeito ao não foi reconhecido o crédito relativo ao saldo negativo de IRPJ do terceiro trimestre de 2002. O interessado informou no demonstrativo de crédito do PER/DCOMP nº 14661.23172.090803.1.3.026473 o valor de R$ 223.251,13, mas esse valor foi indeferido em razão de o crédito informado na DIPJ ser nulo. Em razão disso, no próprio despacho decisório, são cobrados os valores dos débitos indevidamente compensados na própria PER/DCOMP nº 14661.23172.090803.1.3.02 6473 e na de nº 2498.09785.130504.1.3.020678. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade às fls. 17 a 21, por meio da qual aduz que cometeu erro formal e não material. Por meio de uma planilha, procura demonstrar que os saldos negativos de IRPJ dos trimestres de 2002 seriam suficientes para quitar os débitos de apontados nas PER/DCOMP e ainda lhe sobraria um saldo de R$ 24.219,71; e as informações corretas que deveriam constar das PER/DCOMP seriam as constantes da referida planilha. A única planilha juntada pela defesa, em que constam valores de saldos negativos, é a de fl. 130. Nela, inclusive, está consignado o suposto saldo de R$ 24.219,71. Nada obstante, ela diz respeito ao ano de 2003. DA DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU A autoridade julgadora de primeiro grau identificou desta forma o objeto de litígio, in verbis: Em 18/07/2008, a Derat/SPO exarou DESPACHO DECISÓRIO (fls.01 n° 77589973) NÃO HOMOLOGANDO as compensações declaradas em DCOMP. Dessaforma, o litígio restringese ao seguinte valor original em Reais (R$): PA CSLL 3º Trimestre de 2002 17.065,69 Fl. 225DF CARF MF Emitido em 31/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 9/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por GUILHERME ADOLF O DOS SANTOS ME Processo nº 10880.905825/200610 Acórdão n.º 120100.534 S1C2T1 Fl. 215 3 4º Trimestre de 2003 39.097,13 PA IRPJ 3º Trimestre de 2002 41.404,70 4º Trimestre de 2003 100.077,85 A não homologação das compensações deuse pelo motivo exposto a seguir: Inexistência de saldo credor para a compensação em DCOMP, tendo em vista que não foi apurado saldo negativo na declaração de rendimentos da contribuinte. Em face dessa delimitação, indeferiu a manifestação de inconformidade, nos termos que se seguem. Entendeu que o 3º trimestre de 2002 estaria decaído. Como, na declaração de rendimentos apresentada pela interessada, não consta saldo negativo, seu pedido (a própria manifestação de inconformidade) corresponderia a solicitação de retificação da declaração original, direito que já estaria decaído em face do “transcurso de prazo superior a cinco anos entre as datas dos pagamentos ou apuração do saldo negativo do anocalendário de 2002 e a data do pedido de restituição/retificação”. Já, com relação ao 3º trimestre de 2003, a interessada não teria demonstrado o seu direito. Pelo contrário, a DIPJ juntada aponta inexistência de saldo negativo. DO RECURSO VOLUNTÁRIO No recurso voluntário, fls. 173 a 179, o interessado contesta a decadência do seu direito e reitera os demais pontos aduzidos na manifestação de inconformidade. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Pelo relatório, podemos constatar que a DRJ pautou o mérito da sua decisão pelo conteúdo da manifestação de inconformidade e não pela lide inicialmente estabelecida. Na PER/DECOMP o interessado pede um suposto crédito relativo ao terceiro trimestre de 2002. Já, na impugnação, afirma que se equivocou e que teria créditos suficientes relativos a outros trimestres de 2002 para promover as compensações pleiteadas. Ademais, na planilha demonstrativa aponta créditos de 2003 e não de 2002. Enfim, os supostos créditos apontados na planilha não se identificam sob qualquer aspecto com aquele pleiteado nas PER/DCOMP. Fl. 226DF CARF MF Emitido em 31/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 9/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por GUILHERME ADOLF O DOS SANTOS ME Processo nº 10880.905825/200610 Acórdão n.º 120100.534 S1C2T1 Fl. 216 4 É importante destacar que a declaração de compensação traz como pressuposto um pedido de reconhecimento de crédito tributário, cuja apreciação é, portanto, condição do encontro de contas. Aliás, por causa disso, a própria competência de julgamento das seções do CARF é definida em razão da natureza do crédito pleiteado e não em função do débito, conforma disposição do Regimento Interno, que abaixo reproduzimos: Art. 7° (...) (...) § 1° A competência para o julgamento de recurso em processo administrativo de compensação é definida pelo crédito alegado, inclusive quando houver lançamento de crédito tributário de matéria que se inclua na especialização de outra Câmara ou Seção. Desse modo, a refrega administrativa submetida ao contencioso é sempre em face do direito ao crédito ou ao direito do seu encontro com o débito para fins de extinção. Em outros termos, a lide sempre está vinculada ao crédito. A definição da lide nos processos relativos à compensação é similar àqueles exclusivos de repetição de indébito. Nestes processos, alterar o crédito implica mudar o próprio objeto do processo, o que não pode ser admitido pelas instâncias recursais. Se num pedido de restituição, foi requerido um certo valor e, depois, já nas instâncias recursais, o interessado afirma que se equivocou, uma vez que pretendida pedir outro valor, esse suposto equívoco comporta, na verdade, um novo pedido. O mesmo se diga em relação a pedidos de alteração do crédito nos processos de compensação. Evidentemente, isso não pode ser levado a um rigor cego. Às vezes, o sujeito passivo, erra apenas em alguma característica do valor pleiteado; informa, por exemplo, o valor correto, mas no campo para registrar o período, registra um ano diverso. Nesses casos, o reconhecimento do seu erro e a sua correção não implicam inovação do pedido, mas sim seu correto reconhecimento a despeito do equívoco cometido. A autoridade julgadora deve sempre se esforçar para identificar o pedido do interessado, ainda que ele cometa erros que dificultem tal identificação. Nesses casos, esses erros podem e devem ser reconhecidos em qualquer momento processual. Não é, contudo, o caso presente, uma vez que o crédito apontado nas declarações de compensação é perfeitamente identificável (saldo negativo do terceiro trimestre de 2002) e diverso daqueles que, em momento inoportuno, a defesa afirma terem sido os que realmente pretendia compensar. CONCLUSÃO Fl. 227DF CARF MF Emitido em 31/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 9/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por GUILHERME ADOLF O DOS SANTOS ME Processo nº 10880.905825/200610 Acórdão n.º 120100.534 S1C2T1 Fl. 217 5 Em face do exposto, voto por negar provimento ao recurso com o fito de manter o indeferimento do direito de crédito de saldo negativo de IRPJ para o terceiro trimestre de 2002 e não tomar conhecimento das razões da defesa relativas aos demais créditos. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator Fl. 228DF CARF MF Emitido em 31/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 9/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por GUILHERME ADOLF O DOS SANTOS ME
score : 1.0
Numero do processo: 10650.721605/2013-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2012
EMPRESAS INTEGRANTES DE GRUPO ECONÔMICO DE FATO E COM MESMA ADMINISTRAÇÃO. INTERDEPENDÊNCIA. CARACTERIZAÇÃO.
Está caracterizada, para fins de apuração de diferenças tributáveis do imposto por meio do Valor Tributável Mínimo, a interdependência de empresas comprovadamente integrantes de grupo econômico de fato, administrado pelas mesmas pessoas físicas.
IPI. OPERAÇÕES COM INTERDEPENDENTE. APURAÇÃO DE VALOR TRIBUTÁVEL MÍNIMO.
Demonstrada a relação de interdependência de que trata o artigo 42 da Lei 4.502/64, autoriza-se o emprego do Valor Tributário Mínimo - VTM.
VALOR TRIBUTÁVEL MÍNIMO. CONSIDERAÇÃO NA TRIBUTAÇÃO DO IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE VENDA DE PRODUTOS DE IDENTIDADES DISTINTAS. IMPROCEDÊNCIA DA AUTUAÇÃO. O Valor Tributário Mínimo não pode ser adotado para balizar operações de venda relativas a produtos de identidades distintas.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2012
AUTO DE INFRAÇÃO. PRESENÇA DOS ELEMENTOS ESSENCIAIS. GARANTIA DO DIREITO DE DEFESA. PRELIMINAR DE NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA
É improcedente a preliminar de nulidade de Auto de Infração em que presentes os seus elementos essenciais de modo a garantir a defesa do contribuinte, ainda mais quando a impugnante contesta a autuação por meio de Impugnação na qual demonstra plena consciência dos fundamentos do lançamento.
NÃO HÁ NULIDADE SEM COMPROVAÇÃO DE PREJUÍZO. No processo administrativo fiscal as alegações de nulidade de atos administrativos devem necessariamente vir acompanhadas da descrição do prejuízo processual sofrido pela parte com a prática do ato, pois se não houver comprovado prejuízo, devem ser aproveitados, em homenagem à busca da verdade material.
IMPUGNAÇÃO. MATÉRIA NÃO CONTESTADA. PRECLUSÃO.
Após a interposição da Impugnação, ocorre a preclusão do direito de o sujeito passivo discutir matéria não contestada quando da apresentação do recurso.
ANÁLISE E PESO DA PROVA INDIRETA OU PROVA POR INDÍCIOS, CUJO CONJUNTO COERENTE, COERENTE E LÓGICO CONSTITUI PROVA ADEQUADA NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL.
O Processo Administrativo Fiscal admite as provas indiretas, também chamadas provas por indícios, especialmente no que diz respeito à análise de mecanismos criados para, de forma ilícita, reduzir, retardar ou omitir fatos tributáveis, bem como caracterizar a responsabilidade solidária.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. APRECIAÇÃO DAS PROVAS.
A análise das provas das matérias fáticas em processo administrativo fiscal é regida pela combinação dos artigos 29 do Decreto Lei 70.235/72, combinado com o artigo 375 do Código de Processo Civil, que autorizam a autoridade julgadora a buscar, convencer-se e enunciar a verdade livremente a partir do conjunto de fatos provados nos autos, provas diretas e indiretas, que são estudadas e ponderadas por meio das regras de experiência comuns, ou seja, a partir da observação do que ordinariamente acontece.
INEXISTE DEVER DA AUTORIDADE JULGADORA DE TRATAR, PONTUALMENTE, TODAS AS MATÉRIAS MENCIONADAS NO RECURSO.
No processo administrativo fiscal a autoridade julgadora não é obrigada a tratar sobre todos os pontos mencionados no recurso administrativo, desde que a decisão esteja suficientemente motivada.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2012
PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PRIVADO. OBRIGAÇÕES TRIBUTÁRIAS RESULTANTES DE ATOS FRAUDULENTOS. RESPONSABILIZAÇÃO SOLIDÁRIA DOS EFETIVOS ADMINISTRADORES. CABIMENTO.
Independentemente de figurarem nesta condição nos contratos sociais, [ é cabível a responsabilização solidária dos efetivos administradores de pessoa jurídica de direito privado, bem como outros interessados, pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos fraudulentos.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM.
São solidariamente obrigadas pelo crédito tributário as pessoas naturais e jurídicas que tenham, comprovadamente, interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação tributária, na linha do que dispõe o artigo 124, I, do CTN
SIMULAÇÃO. FRAUDE. CONLUIO. MULTA QUALIFICADA.
Admite-se a multa qualificada quando há comprovação de fraude com o propósito de se esquivar de obrigações tributárias, inclusive quando realizada em conluio entre as partes envolvidas.
Numero da decisão: 3302-005.598
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e negar provimento aos recursos voluntários.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Raphael Madeira Abad - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Deroulede (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: RAPHAEL MADEIRA ABAD
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201807
camara_s : Terceira Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Sep 10 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10650.721605/2013-60
anomes_publicacao_s : 201809
conteudo_id_s : 5900908
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3302-005.598
nome_arquivo_s : Decisao_10650721605201360.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : RAPHAEL MADEIRA ABAD
nome_arquivo_pdf_s : 10650721605201360_5900908.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e negar provimento aos recursos voluntários. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente. (assinado digitalmente) Raphael Madeira Abad - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Deroulede (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad.
dt_sessao_tdt : Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
id : 7420972
ano_sessao_s : 2018
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2012 EMPRESAS INTEGRANTES DE GRUPO ECONÔMICO DE FATO E COM MESMA ADMINISTRAÇÃO. INTERDEPENDÊNCIA. CARACTERIZAÇÃO. Está caracterizada, para fins de apuração de diferenças tributáveis do imposto por meio do Valor Tributável Mínimo, a interdependência de empresas comprovadamente integrantes de grupo econômico de fato, administrado pelas mesmas pessoas físicas. IPI. OPERAÇÕES COM INTERDEPENDENTE. APURAÇÃO DE VALOR TRIBUTÁVEL MÍNIMO. Demonstrada a relação de interdependência de que trata o artigo 42 da Lei 4.502/64, autoriza-se o emprego do Valor Tributário Mínimo - VTM. VALOR TRIBUTÁVEL MÍNIMO. CONSIDERAÇÃO NA TRIBUTAÇÃO DO IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE VENDA DE PRODUTOS DE IDENTIDADES DISTINTAS. IMPROCEDÊNCIA DA AUTUAÇÃO. O Valor Tributário Mínimo não pode ser adotado para balizar operações de venda relativas a produtos de identidades distintas. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2012 AUTO DE INFRAÇÃO. PRESENÇA DOS ELEMENTOS ESSENCIAIS. GARANTIA DO DIREITO DE DEFESA. PRELIMINAR DE NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA É improcedente a preliminar de nulidade de Auto de Infração em que presentes os seus elementos essenciais de modo a garantir a defesa do contribuinte, ainda mais quando a impugnante contesta a autuação por meio de Impugnação na qual demonstra plena consciência dos fundamentos do lançamento. NÃO HÁ NULIDADE SEM COMPROVAÇÃO DE PREJUÍZO. No processo administrativo fiscal as alegações de nulidade de atos administrativos devem necessariamente vir acompanhadas da descrição do prejuízo processual sofrido pela parte com a prática do ato, pois se não houver comprovado prejuízo, devem ser aproveitados, em homenagem à busca da verdade material. IMPUGNAÇÃO. MATÉRIA NÃO CONTESTADA. PRECLUSÃO. Após a interposição da Impugnação, ocorre a preclusão do direito de o sujeito passivo discutir matéria não contestada quando da apresentação do recurso. ANÁLISE E PESO DA PROVA INDIRETA OU PROVA POR INDÍCIOS, CUJO CONJUNTO COERENTE, COERENTE E LÓGICO CONSTITUI PROVA ADEQUADA NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. O Processo Administrativo Fiscal admite as provas indiretas, também chamadas provas por indícios, especialmente no que diz respeito à análise de mecanismos criados para, de forma ilícita, reduzir, retardar ou omitir fatos tributáveis, bem como caracterizar a responsabilidade solidária. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. APRECIAÇÃO DAS PROVAS. A análise das provas das matérias fáticas em processo administrativo fiscal é regida pela combinação dos artigos 29 do Decreto Lei 70.235/72, combinado com o artigo 375 do Código de Processo Civil, que autorizam a autoridade julgadora a buscar, convencer-se e enunciar a verdade livremente a partir do conjunto de fatos provados nos autos, provas diretas e indiretas, que são estudadas e ponderadas por meio das regras de experiência comuns, ou seja, a partir da observação do que ordinariamente acontece. INEXISTE DEVER DA AUTORIDADE JULGADORA DE TRATAR, PONTUALMENTE, TODAS AS MATÉRIAS MENCIONADAS NO RECURSO. No processo administrativo fiscal a autoridade julgadora não é obrigada a tratar sobre todos os pontos mencionados no recurso administrativo, desde que a decisão esteja suficientemente motivada. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2012 PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PRIVADO. OBRIGAÇÕES TRIBUTÁRIAS RESULTANTES DE ATOS FRAUDULENTOS. RESPONSABILIZAÇÃO SOLIDÁRIA DOS EFETIVOS ADMINISTRADORES. CABIMENTO. Independentemente de figurarem nesta condição nos contratos sociais, [ é cabível a responsabilização solidária dos efetivos administradores de pessoa jurídica de direito privado, bem como outros interessados, pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos fraudulentos. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. São solidariamente obrigadas pelo crédito tributário as pessoas naturais e jurídicas que tenham, comprovadamente, interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação tributária, na linha do que dispõe o artigo 124, I, do CTN SIMULAÇÃO. FRAUDE. CONLUIO. MULTA QUALIFICADA. Admite-se a multa qualificada quando há comprovação de fraude com o propósito de se esquivar de obrigações tributárias, inclusive quando realizada em conluio entre as partes envolvidas.
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:26:19 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050867330973696
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 103; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1904; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10650.721605/201360 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 3302005.598 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 23 de julho de 2018 Matéria Impostos sobre Produtos Industrizalizados IPI Recorrente ANFIBIA INDUSTRIA E COMERCIO DE COSMETICOS EIRELI e FAZENDA NACIONAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2012 EMPRESAS INTEGRANTES DE GRUPO ECONÔMICO DE FATO E COM MESMA ADMINISTRAÇÃO. INTERDEPENDÊNCIA. CARACTERIZAÇÃO. Está caracterizada, para fins de apuração de diferenças tributáveis do imposto por meio do Valor Tributável Mínimo, a interdependência de empresas comprovadamente integrantes de grupo econômico de fato, administrado pelas mesmas pessoas físicas. IPI. OPERAÇÕES COM INTERDEPENDENTE. APURAÇÃO DE VALOR TRIBUTÁVEL MÍNIMO. Demonstrada a relação de interdependência de que trata o artigo 42 da Lei 4.502/64, autorizase o emprego do Valor Tributário Mínimo VTM. VALOR TRIBUTÁVEL MÍNIMO. CONSIDERAÇÃO NA TRIBUTAÇÃO DO IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE VENDA DE PRODUTOS DE IDENTIDADES DISTINTAS. IMPROCEDÊNCIA DA AUTUAÇÃO. O Valor Tributário Mínimo não pode ser adotado para balizar operações de venda relativas a produtos de identidades distintas. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2012 AUTO DE INFRAÇÃO. PRESENÇA DOS ELEMENTOS ESSENCIAIS. GARANTIA DO DIREITO DE DEFESA. PRELIMINAR DE NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA É improcedente a preliminar de nulidade de Auto de Infração em que presentes os seus elementos essenciais de modo a garantir a defesa do contribuinte, ainda mais quando a impugnante contesta a autuação por meio AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 65 0. 72 16 05 /2 01 3- 60 Fl. 52738DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 3 2 de Impugnação na qual demonstra plena consciência dos fundamentos do lançamento. NÃO HÁ NULIDADE SEM COMPROVAÇÃO DE PREJUÍZO. No processo administrativo fiscal as alegações de nulidade de atos administrativos devem necessariamente vir acompanhadas da descrição do prejuízo processual sofrido pela parte com a prática do ato, pois se não houver comprovado prejuízo, devem ser aproveitados, em homenagem à busca da verdade material. IMPUGNAÇÃO. MATÉRIA NÃO CONTESTADA. PRECLUSÃO. Após a interposição da Impugnação, ocorre a preclusão do direito de o sujeito passivo discutir matéria não contestada quando da apresentação do recurso. ANÁLISE E PESO DA PROVA INDIRETA OU PROVA POR INDÍCIOS, CUJO CONJUNTO COERENTE, COERENTE E LÓGICO CONSTITUI PROVA ADEQUADA NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. O Processo Administrativo Fiscal admite as provas indiretas, também chamadas provas por indícios, especialmente no que diz respeito à análise de mecanismos criados para, de forma ilícita, reduzir, retardar ou omitir fatos tributáveis, bem como caracterizar a responsabilidade solidária. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. APRECIAÇÃO DAS PROVAS. A análise das provas das matérias fáticas em processo administrativo fiscal é regida pela combinação dos artigos 29 do Decreto Lei 70.235/72, combinado com o artigo 375 do Código de Processo Civil, que autorizam a autoridade julgadora a buscar, convencerse e enunciar a verdade livremente a partir do conjunto de fatos provados nos autos, provas diretas e indiretas, que são estudadas e ponderadas por meio das regras de experiência comuns, ou seja, a partir da observação do que ordinariamente acontece. INEXISTE DEVER DA AUTORIDADE JULGADORA DE TRATAR, PONTUALMENTE, TODAS AS MATÉRIAS MENCIONADAS NO RECURSO. No processo administrativo fiscal a autoridade julgadora não é obrigada a tratar sobre todos os pontos mencionados no recurso administrativo, desde que a decisão esteja suficientemente motivada. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2012 PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PRIVADO. OBRIGAÇÕES TRIBUTÁRIAS RESULTANTES DE ATOS FRAUDULENTOS. RESPONSABILIZAÇÃO SOLIDÁRIA DOS EFETIVOS ADMINISTRADORES. CABIMENTO. Independentemente de figurarem nesta condição nos contratos sociais, [ é cabível a responsabilização solidária dos efetivos administradores de pessoa jurídica de direito privado, bem como outros interessados, pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos fraudulentos. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. Fl. 52739DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 4 3 São solidariamente obrigadas pelo crédito tributário as pessoas naturais e jurídicas que tenham, comprovadamente, interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação tributária, na linha do que dispõe o artigo 124, I, do CTN SIMULAÇÃO. FRAUDE. CONLUIO. MULTA QUALIFICADA. Admitese a multa qualificada quando há comprovação de fraude com o propósito de se esquivar de obrigações tributárias, inclusive quando realizada em conluio entre as partes envolvidas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e negar provimento aos recursos voluntários. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Raphael Madeira Abad Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Deroulede (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad. Relatório Tratase de Auto de Infração fls. 18.437/18.466 por meio do qual são exigidos os valores de IPI e acessórios atinentes aos períodos de apuração de janeiro/2009 a dezembro/2012, como bem descreveu a DRJ em seu relatório, que adoto e transcrevo. "I. Do Termo de Verificação Fiscal: 2. Expõe o Termo de Verificação Fiscal – TVF de fls. 18.467/18.648 que, a partir de documentos1, apreendidos na “Operação Quadrado das Bermudas” em cumprimento de Mandados de Busca e Apreensão e que foram fornecidos pela Secretaria de Estado da Fazenda de Minas Gerais, foi identificado um esquema montado por um grupo de pessoas. 3. Por meio do estratagema, que teria a autuada como vértice, dizem as autoridades fiscais que foram reduzidas as bases tributárias de impostos e contribuições devidas de modo concentrado na indústria mediante criação de empresas distribuidoras – quais sejam: Fl. 52740DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 5 4 (i) Distribuidora Nebraska Ltda; (ii) Distribuidora Noviça Ltda; (iii) Distribuidora Wanchovia Ltda; (iv) Doca Distribuidora de Cosméticos Ltda; (v) JS Comércio e Distribuição de Perfumaria Ltda; (vi) Master Line do Brasil Ltda; (vii) Platina Cosméticos Ltda; e (viii) Saga Distribuição de Cosméticos Ltda por meio das quais ocorria venda de produtos com preços favorecidos, redução indevida de lucro, confusão patrimonial, gerenciamento verticalizado, utilização de “caixa 2” único para as empresas envolvidas e subfaturamento de vendas. 4. Menciona que o Sr. Oscar José de Castro Lacerda seria a figura principal do esquema, no qual também estariam envolvidos os Srs. Sérgio Moraes Sampaio, Nadir de Castro Neves e Antônio Fernando Bonisatto (todos eles responsabilizados solidariamente pelo crédito tributário com fundamento nos arts. 124, I, e 135, ambos do CTN), formando os quatroo que o TVF chamou de “Núcleo Diretoria”. 5. Ademais, com a mesma fundamentação legal, foi responsabilizada a Sra. Keila Alves Martins Duarte – que na armação exerceria gerência financeira e liberaria recursos via empresa fictícia designada “Comercial Treze” para pagamento de despesas não contabilizadas em operações irregulares do Grupo – e a Sra. Maria das Graças Fernandes Oliveira, técnica de contabilidade da empresa Total Contabilidade e participante do arranjo analisado. E, de modo semelhante, a Fiscalização responsabilizou as empresas aludidas no item 2 acima. 6. Fala o TVF que as empresas acima formam um Grupo Econômico “anônimo” e apresentam, se individualmente analisadas, aparente regularidade, mas que, na realidade, valemse de contratos, procurações, gerenciamento disfarçado e de pessoas interpostas para encobrir as reais operações do Grupo. 7. A autuação afirma que o esquema aqui tratado consiste na criação de empresas visando a “quebra” do IPI e que para ele concorreu não apenas as empresas do próprio "Grupo Skala", mas também outros clientes da Anfíbia, que recebiam produtos por valores subfaturados em 40%, o que dava aparência de regularidade em virtude da equivalência entre os preços dos produtos praticados com empresas do Grupo e os com terceiros. 8. O TVF cita que o Sr. Oscar, de 16/11/1999 a 04/11/2002, integrou o quadro societário da empresa Layff Kosmetic Ltda, que detinha o direito de uso da marca Skala e que, quando ele saiu de sobredita empresa, foilhe dada a garantia, quase Fl. 52741DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 6 5 explícita, de que a marca Skala lhe seria repassada, pois estabelecidas cláusulas contratuais de impossível adimplemento e cujo descumprimento ensejou a transferência da marca Skala ao Sr. Oscar, nos termos de acordo firmado em ação judicial por ele interposta que lhe reservou o domínio da marca até o pagamento da dívida (como a dívida nunca foi adimplida, aos 28/10/2004 o Sr. Oscar passou a ser o proprietário da marca, repassada para a empresa Platina Comércio Ltda, da qual ele era sócio e hoje figura como único proprietário). 9. Registra que os Srs. Sérgio, Nadir e Antônio Fernando compunham os quadros societários das empresas Platina, Master Line, Anfíbia e Sogram, relativamente às quais o Sr. Oscar detinha poderes de gerência e administração conferidos mediante procurações. 10. Ainda sobre os integrantes do “Núcleo Diretoria”, o TVF faz as seguintes observações: (i) Oscar José de Castro Lacerda, considerado chefe do esquema de sonegação, é atualmente, o único sócio das empresas Platina Comércio, Saga e JS Distribuidora e antes foi sócio da empresa Layff Kosmetic; (ii) Nadir de Castro Neves: atual e único sócio da empresa Anfíbia; (iii) Sérgio Moraes Sampaio: atual sócio das empresas Master Line e Doca e exsócio da Anfíbia; e (iv) Antônio Fernando Bonisatto: atual sócio da Master Line e da Distribuidora Wanchovia e exsócio da Anfíbia e da Platina. 11. Diz que, conforme arquivo “Doc. 4 – Gráfico Societário”, aparecem, além de outras pessoas físicas interpostas, como sócios das empresas do "Grupo Skala" os Srs. Oscar (figura central), Sérgio, Nadir e Antônio Fernando (estes três, ex empregados da LayffKosmetics). Além disto, frisa que os integrantes do “Grupo Diretoria” têm relações, diretas ou indiretas, com as principais empresas do esquema, muitas das vezes administradas através de procurações e cujos supostos sócios são tratados como empregados. I.1. Dos Documentos Apreendidos na Operação Quadrado das Bermudas: 12. Destaca o TVF que foram apreendidos os seguintes documentos que evidenciariam o controle, pela Anfíbia, de direitos e deveres de outras empresas do "Grupo Skala", tais como faturamento, montantes de tributos devidos e importâncias a receber e a pagar: 12.1. “Doc. 07 – Distribuição de Vendas 2010_2011”, apreendido no arquivo digital de Nadir, que demonstraria o planejamento e a estruturação do Grupo e, inclusive, indicaria a distribuição do faturamento das empresas de forma mais Fl. 52742DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 7 6 proporcional, referindose o TVF ao “caso da Distribuidora Wanchovia que no ano de 2010 representou 46,79% do faturamento das vendas da Anfíbia e a determinação para que cedesse parte de seu faturamento para outras distribuidoras em 2011, como por exemplo, 8,15% para a JS Distribuidora, 6,08% para a Distribuidora Noviça e 8% para a Saga Distribuição”; 12.2. “Doc 10 – Faturamento Filiais”, apreendido na Anfíbia (AAD 6254), consistente numa série de controles que vão desde o faturamento, às DCTF e aos Dacons do ano de 2011 de todo o Grupo. Frisa o TVF que a planilha intitulada “FATURAMENTO DE TODAS AS FILIAIS” tratam as empresas do grupo como filiais e evidencia o controle gerencial do grupo no período de janeiro a agosto de 20112; 12.3. Planilhas de faturamento do ano de 2009 – componente do Conjunto Documental Doc. 14 apreendidas nas dependências da Anfíbia, dentre as quais uma intitulada “Planilha de Prestação de Contas – Conta da Wanchovia”, que controla o fluxo de caixa da Distribuidora Wanchovia e as várias saídas de caixa como, por exemplo, pagamento de “Sedex”, fretes, eletricistas, ICMS de fretes além de outros, todos relativos às movimentações da Distribuidora Wanchovia. Adita que compõe o conjunto documental “14” razão analítico das duplicatas a receber da empresa Platina Cosméticos Ltda e uma planilha denominada “DUPLICATAS A RECEBER – FILIAL – 1.1.2.01.01.003 – Posição: 01/01/2010 a 30/09/2010 – 21 – DISTRIBUIDORA NEBRASKA LTDA”; 12.4. “Doc. 11 – Encontro de Contas”, localizado na Anfíbia (AAD 6254), em que se verificaria o controle da Anfíbia sobre as duplicatas (a pagar e a receber) das distribuidoras e patentearia o controle de dados financeiros e contábeis que deveriam ser de acesso exclusivo às empresas interessadas; 12.5. “Doc. 19 – Controle Anfíbia x Saga”, apreendido na Anfíbia e que revelaria gerenciamento das vendas realizadas pelas distribuidoras. Reportase o TVF a uma tabela em Excel em que a Anfíbia possui todas as informações necessárias para seu controle, desde sua venda para sua filial, a venda de sua filial para seu cliente e, inclusive, a forma como é transportada a mercadoria, ocorrências até a entrega final e a data de recepção pelo varejista. Salienta que este controle apenas é possível em virtude do que se chama “Num.Trans.Origem”, a respeito do qual se comentará mais adiante; 12.6. “Doc. 8 – Extratos Bancários”, apreendido na Anfíbia e composto por extratos de movimentações financeiras, inclusive com informações de dados bancários e de cobrança de empresas do "Grupo Skala", a partir dos quais a Fiscalização concluiu que o Grupo detinha comando centralizado a fim de controlar também as movimentações de contascorrentes e de cobrança de títulos das empresas envolvidas; 12.7. “Doc. 15 – Faturamento 2008”, documento que atestaria minucioso controle de faturamento das empresas do "Grupo Fl. 52743DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 8 7 Skala" pela Anfíbia e anexado pela Fiscalização no intuito de expor que a prática adotada é anterior ao período fiscalizado; 13. O TVF também se remete à documentação integrante do “Doc. 18 – Grupo Econômico”, extraídos dos computadores da Anfíbia. 13.1. Inicialmente, alude a um documento, de 16/06/2006, firmado pelo consultor Sr. Márcio Carneiro e enviado ao Sr. Nadir, no qual há uma série de considerações, em bloco, da situação tributária das empresas Master, Anfíbia, Sogram, Platina, Nebraska e Noviça. 13.1.1. Dentre as considerações, uma expõe que as distribuidoras Platina, Nebraska e Noviça não se enquadrariam nas situações previstas na legislação relativa à equiparação a industrial, mas que “seria prudente, na atual situação, tomar as seguintes providências, tendo como objetivo a redução do risco existente”: (i) “Criar mais uma distribuidora” (ii) “Transformar a Matriz da Platina em Filial (Uberaba) criando a Matriz em outro Estado”; e (iii) “A utilização das marcas Skala e Bellsoft deve ser onerosa e não gratuita, conforme contratos em vigor”. 13.1.1.1 Registra o TVF que a menção à necessidade da “tomada das seguintes providências” revela a forma planejada do esquema de sonegação e a tentativa de disfarce mediante a criação de novas empresas, a mudança da matriz de um Estado para outro e a cobrança pelo uso da marca com o propósito de mostrar que seriam empresas distintas. 13.1.2. Também comenta: (i) a menção, pelo consultor, da fragilidade das empresas Master e Anfíbia em razão de suas proximidades territoriais, espaço físico, processo de estocagem, relacionamento operacional; e (ii) a apresentação de um roteiro para prevenir que fosse desconsiderada a pessoa jurídica na forma do parágrafo único, do art. 116, do CTN. 13.1.3. Fala, ainda, sobre o item “8 – Procedimentos Atuais”, do enfocado documento: “8 – Procedimentos Atuais: Relacionamos, abaixo, alguns bons procedimentos que já vêm sendo adotados pelo Grupo e que devem ser mantidos, visando minimizar o risco tributário: Manutenção de controle e movimentação financeira separada por empresa; Os documentos (internos e externos) de relacionamento operacional/ administrativo/financeiro estão sendo assinados e rubricados pelos “sócios contratuais”; Todos os pagamentos e recebimentos passam pela conta bancária normal das empresas (contábil); Os valores pagos a título de CPMF estão compatíveis com o faturamento do negócio; Cada empresa possui seu próprio contador; Projeto de informática (muito interessante) em andamento”. 13.1.3.1. Afirma o TVF que, ao qualificar como ponto positivo o controle e a movimentação separada por empresa, quis o Fl. 52744DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 9 8 consultor indicar que esse é o caminho certo para confundir a fiscalização tributária e qualquer outra investigação de Estado, pois, na lógica do consultor, este procedimento daria a aparência de inexistência de vínculos entre as empresas e lhe atribuiria aspecto de total independência. 13.1.3.2. Também consigna que a menção à assinatura dos atos internos e externos apenas pelos “sócios contratuais” evidencia a existência de pessoas interpostas. 13.1.3.3. Ademais, ressalta que a assertiva de que “Todos os pagamentos e recebimentos passam pela conta bancária normal das empresas (contábil)” confirmaria as fraudes cometidas pelo "Grupo Skala" não permitiria outra conclusão senão a de que haveria contas anormais das empresas e que não são contabilizadas (Caixa dois). 13.1.3.4. Outrossim, comenta que, segundo o consultor, as empresas têm equivalência entre “CPMF e faturamento, ou seja, há um controle de movimentação das contascorrentes bancárias, de acordo com o nível de faturamento e as declarações de Imposto de Renda, para que não sejam alcançadas por fiscalizações que tenham como foco as discrepâncias entre essas informações”. 13.1.3.5. Quanto ao registro de que “Cada uma das empresas possui seu próprio contador”, diz o TVF que “contadores diferentes para cada empresa vem dar um ar de regularidade e independência entre as mesmas. É o que se pretende como premissa básica: manter a identidade própria de cada empresa sem levantar suspeitas de que se trata de um conglomerado que atua conjuntamente”. 13.1.3.6. Relativamente ao registro, no comentado documento, da existência de interessante projeto de informática em andamento, a Fiscalização aduz que apenas a informática teria condições de controlar as milhares de operações anuais entre as empresas do Grupo e que, sem isto “a possibilidade de operações irregulares dentro das próprias operações irregulares poderia ser uma realidade, pois como relatado em vários pontos deste termo, apesar de serem várias empresas, há uma concentração das decisões no núcleo diretoria do Grupo Skala”. 13.2. Outro documento do Conjunto Documental 18, sobre o qual o TVF arrazoa, é um memorando do diretor comercial, Sr. Antônio Carlos de Souza (que assina como diretor comercial, mas é sócio da Distribuidora Noviça) que noticia alterações para melhoria dosserviços ao cliente no triênio 2010/2012 em cujo texto, de acordo com a Fiscalização, são abordadas “questões relacionadas à industrialização, estocagem, distribuição e transporte, ou seja, abrangeu não somente uma área de atuação, mas serviços que obviamente não estariam sendo prestados pela Anfíbia, como distribuição se essa não pertencesse a um Grupo de empresas”. Fl. 52745DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 10 9 13.3. Ainda relativamente ao Conjunto Documental 18, reporta se o TVF a uma resposta, apreendida nas dependências da Anfíbia, a um Termo de Intimação dirigido à Platina. 14. O TVF se referencia, ainda, aos seguintes documentos apreendidos: 14.1. “Doc. 5 – Cessão de Créditos Trabalhistas”, apreendidos na Master Line do Brasil LTDA (AAD 6181), que tem por objeto a transferência de créditos trabalhistas de empregados da extinta Layff Kosmetics para a Platina Comércio Ltda, apreendido nos escritórios da Master Line do Brasil Ltda, sendo que, de acordo com os autuantes, a finalidade da compra destes créditos trabalhistas foi a liberação da marca Skala, o que seria crucial para o prosseguimento das atividades das novas empresas constituídas, eis que já havia infraestrutura necessária à continuidade da produção dos itens vinculados à marca, que já detinha um mercado consumidor; 14.2. “Doc. 06 – Seguros Grupo”, do mesmo modo apreendidos na Master Line do Brasil (AAD 6181), consistentes em emails que tratam de cotação de seguros para mais de uma empresa do grupo Skala, o que, consoante a autuação, denotaria a centralização das demandas e seu tratamento por um único núcleo financeiro, cuja gerente era a Sra. Keila que autorizava os desembolsos de despesas, muitas das vezes por meio de “caixa dois”; 14.3. “Doc. 09 – Distribuição de Lucros 2011”, encontrado na Anfíbia (AAD 6254), consubstanciado em demonstrativo no qual há duas seqüências de tabelas que exibem os sócios e os supostos sócios e os valores a distribuir a cada um deles, distribuição esta que, de acordo com o TVF, era implementada por meio de “caixa 2”; 14.4. “Doc. 12 – Venda Entre Filiais”, apreendido na Anfíbia (AAD 00417) e que demonstra o controle das vendas da Anfíbia para suas “filiais” no ano de 2009; 14.5. “Doc. 13 – Roteiro de Contabilizações”, também apreendido na Anfíbia (AAD 00417), que unifica os procedimentos concernentes aos movimentos financeiros das operações irregulares, e evidencia “o interesse da empresa líder do "Grupo Skala" em camuflar movimentações bancárias ocorridas nos Bancos Itaú e Real para todas as empresas e no Banco Safra especialmente para a Platina e Nebraska”; 14.6. “Doc. 16 – Impostos Factoring”, apreendido na Anfíbia (AAD 0406) e intitulado “IMPOSTO FACTORING (base de cálculo com módulo arbitrário, correto para evitar fiscalização)”. 14.7. “Doc. 17 – Senhas”, formulário apreendido na Anfíbia com senhas para transmissão dos DAPIS e SAPI, com identificação de senha da própria empresa e as da Master Line, da Sogram e da Platina; Fl. 52746DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 11 10 14.8. “Doc. 20 – Nadir x Arena – Emails Trocados”, apreendido na Anfíbia (“qber402” e AAD 006228) consistentes em mensagens eletrônicas datadas de 31/07/2008 entre o Sr. Nadir e o Sr. Idelson Valentin Sanches Rezende, da Arena Informática e Consultoria Ltda, que indicam como obter o Razão analítico das empresas Master, Platina, Anfíbia, Sogram, Nebraska, Noviça, Saga e Wanchovia; 14.9. “Doc. 21 – Telefones do Grupo”, apreendidos na Anfíbia (“qber402” e AAD 006255), que é uma lista com os telefones de pessoas vinculadas às empresas Arena Informática, Platina, Máster Line, Anfíbia, Wanchovia, Doca, JS Comércio, Saga e Noviça, bem como seus respectivos números de celular, planos da operadora de telefonia TIM contratados, os valores das faturas e os consumos em minuto; a partir deste documento, o TVF conclui que a Anfíbia gerencia o uso de planos telefônicos das empresas do Grupo; 14.10. “Doc. 22 – Sistema Força Web”, documento apreendido na Platina (“qber301” e AAD 006228) e que comenta mudanças nos sistemas de vendas a partir de 31/01/2008, desde quando “cada empresas/distribuidora deverá ser acessada unicamente através do seu site individual. Ou seja, cada cliente estará disponível apenas para a empresa em que está cadastrada” (destaca o TVF que esta notícia foi dirigida às empresas Anfíbia, Distribuidora Nebrasca e Noviça e que do comunicado se depreenderia que, anteriormente, as informações de clientes eram globalmente acessadas por todas as empresas do Grupo”; 14.11. ”Doc. 23 – Lista de Ramais Grupo”: listagem de ramais, que, a princípio, relacionamse a pessoas de empresas distintas e que usam o mesmo PABX; 14.12. “Doc. 24 – Paulo Tamayossi”: email, intitulado “CONTAS DE FILIAIS”, enviado pelo Sr. Paulo Eduardo Castro Tamayossi aos destinatários makita@bellsoft.com.br, marcelo@bellsoft.com.br e jalves@bellsoft.com.br com informações sobre as contascorrentes das empresas Nebraska, Noviça, Wanchovia e Platina; 14.13. “Doc. 25 – Livros Fiscais”: Livros de Registro de Apuração do ICMS e de Entradas e de Saídas das Distribuidoras Wanchovia, Nebraska, Platina Cosméticos e Saga Distribuição apreendidos nas instalações da Anfíbia, o que mais uma vez demonstraria a centralização e o controle das operações do "Grupo Skala"; 14.14. “Doc. 26 – Planejamento Estratégico”, apreendido na Anfíbia: planejamento, relativo a empresas do "Grupo Skala" e alusivo aos anos de 2009 a 2011, de amortização de empréstimos e juros [aponta o TVF que, na coluna “Empresa”, figuram os tomadores dos créditos (Anfíbia, Distribuidora Nebraska, Platina Cosméticos, Máster Line e a “Comercial”) e realça que as empresas são tratadas como um Grupo, cujo planejamento estratégico depende do grau de endividamento de cada participante]; Fl. 52747DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 12 11 14.15. “Doc. 27 – Contadores”, documento, apreendido nas instalações da Anfíbia, em que listadas, com exceção da JS Distribuidora, as empresas do "Grupo Skala"; 14.16. “Doc. 28 – Colaboradores do Grupo – Planilha Original”: planilha encontrada nos computadores da Anfíbia que possui diversas informações com colaboradores de todas as empresas do "Grupo Skala" e da Total Contabilidade (nome, data de nascimento, conta bancária, número da empresa a que se vincula, data de admissão, seção onde trabalha, função, número de contacorrente, CPF, número do PIS, valor do salário) e que deveria estar sob cuidados das respectivas empresas. I.2. Procurações aos Integrantes do “Núcleo Diretoria”: 15. Alude o TVF que, por procurações recebidas do 2º Ofício de Notas de Uberaba, constatouse que o "Grupo Skala" era gerido pelas mesmas pessoas, as quais, quando não eram sócias das empresas, possuíam poderes de administração ilimitados (muitas das vezes sem prazo de validade) que eram conferidos por meio de procuração. 16. Como exemplos, menciona: (i) a procuração de 23/03/2007, em que a Anfíbia, por meio de seu sócio Nadir e da então sócia Flávia Maria Freire outorgaram aos Srs. Oscar, Antônio e Sérgio poderes irrestritos de administração; e (ii) a procuração, conferida aos 08/08/2007 pela Master Line a estes três senhores, de amplos poderes de representação. I.3. Procurações à Sra. Keila Alves Martins Duarte: 17. Cita que as empresas Platina, Master Line e Anfíbia lavraram aos 20/08/2003, perante o Cartório do 2º Ofício de Notas Uberaba, procurações conferindo amplos poderes de representação à Sra. Keila Alves Martins Duarte, que, naquela época era, formalmente de acordo com o CNIS e com as Declarações de Imposto de Renda entregues até 2012, empregada das Master Line e da Anfíbia, o que demonstraria o gerenciamento coletivo das empresas que, pela lógica mercadológica, contraporseiam numa relação comercial normal. 18. Externa, ainda, que a Sra. Keila “tornouse sócia majoritária da empresa Distribuidora Noviça Ltda, uma das empresas do grupo, no período de 09 de março de 2005 a 21 de setembro de 2006, sendo, então, sóciaadministradora” e comenta que, apesar de ter rompido o vínculo trabalhista com a Master Line aos 01/02/2005, a Sra. Keila foi nomeada aos 09/08/2007 procuradora desta empresa nas relações comerciais com o Grupo Irmãos Bretãs. 19. Realça que as procurações outorgadas pela Anfíbia e por seus sócios confere especiais poderes de representação à Sra. Keila, poderes estes que ultrapassaria a barreira das questões Fl. 52748DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 13 12 trabalhistas e comerciais e alcançavam, inclusive, movimentações bancárias. I.4. Da Operacionalização do Esquema: 20. Expõe que os clientes que se interessavam pela aquisição dos produtos Skala tinham as seguintes opções: (i) comprar diretamente da indústria, entrando no esquema; (ii) comprar das distribuidoras a preço de mercado; ou (iii) escolher outro fornecedor e produto. 21. Afirma que, na documentação apreendida, verificarseia que a Anfíbia vendeu produtos a clientes regulares com subfaturamento correspondente a 40% do real valor negociado e que a adesão destes clientes ao esquema dava margem ao não questionamento dos preços negociados pela Anfíbia com o "Grupo Skala", pois inexistentes diferenças relevantes entre os preços praticados com empresas do Grupo e com terceiros. 22. Reporta que o recebimento dos valores subfaturados das empresas do "Grupo Skala" era fácil, pois independia de gerenciamento externo e já havia uma política interna para tanto, e que o recebimento dos demais clientes ocorria desta forma: em regra, os valores das Notas Fiscais eram faturados para pagamento em três parcelas, para as quais eram emitidas três duplicatas com uma seqüência numérica após o número do documento (por exemplo, para uma Nota Fiscal de nº 1717, no valor de R$ 60,00, eram emitidas as Duplicatas 17171, 17172 e 17173, cada uma na importância de R$ 20,00) e que, para o valor correspondente aos 40% omitidos, eram expedidas outras três duplicatas controladas por sequência alfabética (no caso do exemplo, as Duplicatas nº 1717A, 1717B e 1717C, com valores individuais de R$ 13,33). 23. Diz que, com a codificação acima, era possível a identificação se o valor recebido representava, ou não, a parte sonegada da operação de venda. 24. Expõe que os pagamentos correspondentes à parcela subfaturada não eram feitos diretamente à Anfíbia, pois os correspondentes títulos eram negociados com factorings (cita a Caixaforte Factoring), que pagavam despesas da Anfíbia (contas de consumo e outras despesas) com a parte dos valores dos títulos que deveriam repassar à Anfíbia, sendo que, ao final, não sobravam saldos a pagar à Anfíbia, eis que a factoring recebia contas a liquidar em montantes quase equivalentes à totalidade dos valores descontados. 25. Frisa que, com o procedimento acima – que inclusive consta de manuaisinternos da Anfíbia, consoante anotações da Sra. Daniela Saad (“Doc. 33 – Daniela Saad”) – não eram tributados 40% dos valores das vendas da empresa e era abastecido o seu caixa dois. I.5. Clientes Externos Participantes do Esquema: Fl. 52749DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 14 13 26. Pontua que dois dos clientes que participaram do esquema da Anfíbia foram as empresas Global Distribuidora de Cosméticos e Cristiane Gaion da Rosa – ME. 27. Declara o TVF que a Global Distribuidora estava situada, no período fiscalizado, no mesmo Município da Anfíbia e com esta manteve relações comerciais diretas, tendo sido constatado, por comparação dos boletos identificados nos Autos de Apreensões e nas Notas Fiscais Eletrônicas, que a Global Distribuidora adquiriu produtos em cujas Notas Fiscais apenas constou 60% do efetivo custo de aquisição, pelo que a empresa foi intimada, por meio do Termo de Intimação Fiscal – TIF nº 01/20133, a: 27.1. apresentar declaração a respeito da forma usual de liquidação das compras de produtos adquiridos da Anfíbia e esclarecer se os títulos são liquidados diretamente em favor do fornecedor ou por intermédio de terceiros; 27.2. informar se os boletos 19.043B; 19.043C; 19.044B; 19.044C; 41.709A; 41.709B; 41.709C; 39.806C; 42.865 A ; 12.905C; 19.041A e 81.434A4 são relativos a compras efetuadas perante a Anfibia e, em caso positivo, apresentar cópia da Nota Fiscal de origem da compra e de comprovante de liquidação e, em caso negativo, apresentar os documentos que possam identificar a origem da operação e comprovar sua liquidação; 27.3. apresentar relação de todas as liquidações de duplicatas realizadas nos anos de 2009 a 2011, cujo cedente seja a empresa Caixaforte Factoring; 27.4. apresentar relação de todas as liquidações de duplicatas realizadas nos anos de 2009 a 2011, cujo cedente seja a empresa ANFÍBIA; 28. Pronuncia que, em resposta inicial datada de 31/05/2013, a Global comunicou que: (i) liquidava seus títulos diretamente ao fornecedor por meio de cheques de sua emissão ou mediante pagamento em espécie; (ii) especificamente em relação aos títulos descontados na Caixaforte, não localizou, até aquela data, qualquer pagamento; e (iii) que os boletos bancários citados na intimação têm números equivalentes aos de Notas Fiscais de compras feitas e pagas pela empresa diretamente ao fornecedor. 29. Registra que, aos 10/06/2013, a Global assim complementou suas informações iniciais: (i) os pagamentos das duplicatas emitidas pela Anfíbia ocorrem por meio de cheques de emissão da própria empresa e também em espécie; (ii) os boletos listados no item 27.2 se referem a compras efetuadas da Anfíbia. 30. Fazendo remissão às operações objeto das Notas Fiscal nº 19043 (emitida aos 09/06/2010) e 41709 (emitida aos 11/04/2011), o TFV mostra como procedia a Anfíbia. 31. Comenta que, em resposta ao TIF nº 17/2013, fls. 2.239/2.240, a Global, aos 21/06/2013 comunica que os boletos Fl. 52750DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 15 14 mencionados no item 27.2 acima se referem a compras efetuadas da Anfíbia e informa as correlatas Notas Fiscais destas compras e indica os respectivos comprovantes de liquidação. 32. Fala que, analisandose a Escrituração Contábil Digital – ECD da Anfíbia, verificouse que, na conta “1120101001000250 GLOBAL DISTRIBUIDORA DE COSMÉTICOS LTDA” 5, só foram lançados como duplicatas a receber 60% das vendas efetivas. 33. Avante, externa que Cristiane Gaion da Rosa ME foi intimada, fls. 2.535/2.537, a informar se os boletos de pagamentos realizados à Caixaforte Factoring que têm numerações idênticas às das Notas Fiscais emitidas pela Anfíbia, acrescidas de dígito final alfabético , estavam relacionadas a compras perante a Anfíbia e, em caso positivo, apresentar cópia das correspondentes Notas Fiscais e, caso negativo, entregar os documentos que pudessem identificar a origem da operação e suas correlatas liquidações, sendo que, em resposta, fls. 2.551/2.552, a intimada disse que encontrou alguns boletos bancários em nome da empresa Caixaforte Factoring liquidados em instituições financeiras, mas não localizou as respectivas Notas Fiscais, mas que “verificando as informações entre as demais Notas Fiscais emitidas pela Fornecedora e os Boletos, cremos que se tratam de pagamentos realizados a Anfíbia”. 34. Garante o TVF que o esquema de Cristiane Gaion da Rosa ME seria igual ao da Global e apresenta exemplos concretos de operações envolvendo aquela adquirente (Notas Fiscais 34.782 e 34.780). I.6. Da Empresa Caixa Forte Factoring: 35. Assegura a Fiscalização que por meio da empresa Caixaforte Factoring eram recebidas, no esquema analisado, as parcelas subfaturadas das vendas a clientes externos. 36. Registra que foi realizada diligência fiscal na mencionada empresa, ocasião em que lhe foi solicitado, dentre outros documentos: (i) cópia de seu contrato social e alterações; e (ii) relação com nome do CNPJ dos clientes e comprovantes de compras dos títulos atinentes aos boletos de cobranças cujos números têm caracteres alfabéticos como dígitos verificadores (fls. 2.585/2.588). 37. Consigna que a empresa foi constituída aos 13/05/2002 e que o Sr. Oscar Lacerda compunha seu quadro societário, do qual se retirou aos 15/06/2007, quando foi admitido na sociedade o Sr. Antônio Fernando Bonisatto (atual sócio da Master Lei e Wanchovia e exsócio da Anfíbia e da Platina), que atualmente ainda figura com outras três pessoas a sociedade, cada um deles com 25% do capital da empresa. 38. Após repisar a questão aludida no item 14.6 acima (recomendação de utilização de base arbitrada dos tributos devidos pela factoring para evitar fiscalização), o TVF anota Fl. 52751DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 16 15 que, em consulta às bases de dados da RFB, foi identificado que a comentada empresa entregou Declaração de Informações da Pessoa Jurídica – DIPJ pelo lucro arbitrado, o que esta justificou à Fiscalização em razão da dificuldade operacional de processamento exato de inúmeras transações diariamente efetuadas (realça a Fiscalização que tal opção dificulta a identificação individualizada das transações, que tem por duvidosas, entre a Anfíbia e seus clientes). 39. Também cita que a Caixaforte, em resposta ao item 36.ii acima, fls. 2.589/2.591, relacionou as importâncias dos títulos, os seus correspondentes valores de face, os montantes pagos e as datas em que adquiriu tais títulos e, assim, a partir de afirmações de clientes da Anfíbia, da Factoring que comprava e pagava os títulos, dos boletos apreendidos e das Notas Fiscais Eletrônicas, concluiu que a Anfíbia realmente subfaturava suas vendas a terceiros em um percentual padrão de 40%. 40. Assinala que, para evitar dúvidas, foi enviada à Caixaforte nova intimação (TIF nº 15/2013, fls. 2.680/2.681) e, em resposta, a intimada: (i) apresentou cópia dos contratos firmados com a Anfíbia e com o Sr. Oscar Lacerda; (ii) confirmou a quitação dos títulos descritos no item 4 do TIF nº 15/2013; e (iii) expressou que os valores devidos à Anfíbia pela cessão dos títulos eram adimplidos por meio de pagamento, pela Caixaforte, de contas de titularidade da cedente (como boletos de fornecedores, contas de consumo, transferências a prestadores de serviços) em valor equivalente ao devido em razão da aquisição dos títulos, sendo que eventual saldo remanescente era pago em espécie; (iv) comunicou que os comprovantes de pagamento de citadas despesas eram devolvidos à cedente (fls. 2.686/2.688). 41. Menciona o TVF que, no período de 2009 a 2011 foram negociados, de acordo com a relação de títulos cujo demonstrativo é parte do “Doc. 40 – Caixaforte Factoring”, R$ 1.154.968,12, equivalente aos 40% omitidos nas receitas da empresa. 42. Aponta que nova intimação foi expedida à Caixaforte solicitandolhe manifestação sobre as liquidações dos títulos e que, em resposta, ela elucidou que: (i) a Anfíbia cedeu títulos em valores muito próximos aos dos boletos apresentados para pagamento, de modo que restava saldo em valores sempre insignificantes; (ii) não possui cópia dos comprovantes de pagamento dos boletos de despesas titularizadas pela Anfíbia, pois a liquidação ocorria com o mero endosso no verso do título, sendo que os boletos quitados eram entregues à cedente para arquivamento. 43. Ademais, a intimada justificou que a prática acima “foi adotada pelo mercado para reduzir o grande volume de documentos que deveriam ser arquivados pelas factorings” pois “as factorings realizam diversas transações ao longo do dia e são pagos vários boletos para a liquidação de um mesmo título de crédito, de modo que, caso os boletos quitados não fossem Fl. 52752DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 17 16 devolvidos ao cedente, haveria um grande volume de documentos a ser arquivado pela factoring” e que, em razão disto, “é comum que as factorings, sendo conhecida sua receita bruta, apurem o lucro arbitrado”. 44. Apresenta o TVF situações concretas por meio das quais exemplifica o procedimento adotado pela Anfíbia (reconhecimento de 60% dos valores reais das operações de venda e subfaturamento do percentual de 40%), fls. 18.548/18.549. I.7. Do controle das Vendas por Empresas do "Grupo Skala" – NUM.TRANS.ORIGEM: 45. Afirma o TVF que, para controlar as etapas seguintes de suas vendas para as empresas do "Grupo Skala" e poder reaver a parcela do preço não adicionada ao valor da operação informada nas Notas Fiscais, a Anfíbia criou um mecanismo de rastreamento de suas vendas chamado “NUM.TRANS.ORIGEM”, que somente pôde ser identificado a partir do exame dos documentos e arquivos existentes nos discos rígidos e máquinas apreendidas. 46. Detalha que era criada uma codificação individualizada quando da venda às empresas do "Grupo Skala" pela qual a Anfíbia controlava e gerenciava os produtos vendidos mesmo após as suas saídas de seu parque industrial, pois este código é utilizado na revenda pelo distribuidor ao comerciante varejista. Ademais, diz por esta codificação a Anfíbia tinha condições de: (i) saber o estoque do distribuidor, o valor da operação, a data da saída e a de entrega da mercadoria; e (ii) evitar desvios dentro do próprio Grupo. 47. Explica que a comentada codificação é um dos principais elementos em função do qual a Fiscalização se convenceu que a Anfíbia é a principal unidade do "Grupo Skala", pois, além de realizar vendas com preços diferenciados, ainda controla as etapas posteriores. 48. Faz alusão aos Demonstrativos do Rastreamento das Operações Via Num.Trans.Origem6, os quais relacionam as Notas Fiscais emitidas pela Anfíbia para as suas distribuidoras e as destas para os seus respectivos clientes e exibe situação concreta de utilização da comentada codificação (fls. 18.551/18.552). 49. Esclarece que, para ilustrar com maior precisão ainda a questão, foram juntados dois anexos intitulados “Doc. 42 – Confronto Num.Trans.Origem – Platina7” e “Doc. 43 – Confronto Num.Trans.Origem – Wanchovia8” e, em seguida, passa a explicar mais dois exemplos (um, relativo à Platina e outro, concernente à Wanchovia) do uso desta codificação. 50. Assevera que as receitas omitidas e os lucros da prática adotada são gerenciados pelo chamado “Núcleo Diretoria” e Fl. 52753DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 18 17 pela Sra. Keila Alves Martins, que é quem possuía a “chave do caixa dois” do "Grupo Skala". I.8. Do ‘Caixa Dois” – Comercial Treze: 51. Garante a Fiscalização que a Comercial Treze (ou Comercial 13) não é uma empresa formal, pois não possui registro nos sistemas da RFB ou da Secretaria de Fazenda de Minas Gerais, nem foi localizado o seu contrato social nem o seu endereço, sendo, na realidade, a designação do “caixa dois” da Anfíbia, que beneficiava todas as empresas do "Grupo Skala". Ademais, menciona que a “existência” da Comercial Treze foi descoberta a partir das informações colhidas no material apreendido. 52. Apresenta vários emails (Conjunto Documental “Doc. 44 – Comercial Treze – Diversos”) que tratam de acertos de empregados do Grupo Skala direcionados à Comercial Treze. Abaixo, alguns dos emails transcritos pelo TVF: “Pagamento Comercial 13 sextafeira, 26 de junho de 2009 08:56:59 De: larissa@masterline.ind.br Para: renata@belsoft.com.br Bom Dia Renata, Favor programar pagamento 06/2009 pelo Comercial 13 para os colaboradores abaixo: (...)” “Pagamento pelo Comercial 13 quintafeira, 18 de junho de 2009 11:35:29 De: Humberto@anfibiacostmeticos,com.br Para: renata@belsoft.com.br Boa tarde Segue relação do colaborador que deverá receber 20 dias de salário pelo Comercial treze de acordo com o período de suas férias ref a com. 06/2009. São eles: (...)” “O pagamento deverá ser feito pelo comercial 13, este procedimento será na folha de julho” 9 “faça a aquisição de 10 dias no recibo de férias, e os demais 20 dias informalmente (13)” 10 53. Também se reporta o TVF a um email de 03/07/2009 em que o Sr. Maurinho (embalagem@anfibiacosmeticos.com.br), solicita à Sra. Pherla o pagamento, já autorizado pelo Fl. 52754DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 19 18 Sr. Sérgio Moraes Sampaio (sócio da Anfíbia até 12/2004 e atualmente sócio da Master Line e Doca), de valores ao Sr. Renato Batista Andrade, sendo que, após algumas trocas de e mails, a Sra. Pherla, da Master Line, consigna que: “Se no email eu fiz uma solicitação, determinada peloDiretor, e levantei a possibilidade de isso não ser possível pelo sistema, você mesmo já pode programar o pagamento pela 13 com a Renata e apenas me informar como procedeu ok??? Afinal terá que ser feitode alguma forma. Se não pelo sistema, pelas vias da Comercial 13...” 11 54. Narra, ainda, que, em material apreendido nas instalações da Platina Cosméticos, há extensa documentação atinente a pagamentos “extracaixa” 12, dentre os quais os abaixo identificados, a sócios e a supostos sócios de empresas do "Grupo Skala": 54.1. “ExtraCaixa Oscar 2011”, correspondente a pagamentos feitos ao Sr. Oscar Donizete, sócio da Nebraska de 19/12/2007 a 11/08/2009 (fls. 01 a 10 do arquivo); 54.2. Valores pagos a título de suposta distribuição de lucros ao Sr. Antônio Carlos de Souza, único sócio da Distribuidora Noviça (fls. 11 a 56 do arquivo). Observa o TVF que nas planilhas há montantes a título de salários e de prólabores que este senhor teria direito e, apesar de sócio, o Sr. Antônio Carlos recebe férias como se empregado fosse, o que testificaria que, na realidade, ele não passava de pessoa interposta; 54.3. Pagamentos de salários e planos de saúde e recolhimentos de FGTS em favor dos Srs. Cláudio Oliveira Ferreira e João Roberto Locatelli (fls. 57/103, 104/171). Anota o TVF que, como inexiste previsão legal para pagamento de FGTS a sócios de empresa, o Sr. Cláudio, formalmente sócio da Doca Distribuidora, também é pessoa interposta, o mesmo ocorrendo em relação ao Sr. João Roberto, suposto sócio da Saga Distribuidora de Cosméticos Ltda e realça que, assim como nos demais casos, os pagamentos foram efetuados pela Comercial Treze. 55. Prossegue expondo que no “Doc. 46 – Holerites Comercial 13”, composto por 456 páginas de imagens de holerites, folhas de pontos de funcionários e emails em que são tratadas remunerações de empregados da Anfíbia, da Master Line e da Platina, podese estabelecer uma relação direta entre a Anfíbia e a Comercial Treze. 56. Afirma que os holerites ou recibos de pagamento de salários apresentam o numeral “13”, a identificação da empresa, do cargo do beneficiário e o valor do salário sonegado à tributação previdenciária e enfatiza que nos documentos inexiste qualquer referência a contribuições previdenciárias, FGTS ou IRRF. 57. Externa que folhas de ponto de empregados da Anfíbia, Platina e Master Line foram encontradas num só local, dentro das pastas intituladas “Holerites Comercial 13”. Fl. 52755DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 20 19 58. Diz que a confusão de identidade de empresas é tamanha que empregados são constantemente trocados de uma empresa para outra. Cita três exemplos concretos, extraídos do conjunto documental 46: 58.1. o do Sr. John Clei Roberto Silva, que era funcionário da Anfíbia e cuja contratação pela Master Line foi autorizada, desde que as empresas não fossem oneradas com a “suposta demissão”; 58.2. o da Sra. Graziela Apda Santos, trocada da Master Line para a Anfíbia, consoante email de 03/03/2011; e 58.3. o do Sr. Fabiano Rodrigues de Oliveira, exempregado da Anfíbia que passou a trabalhar na Master Line, referido em e mail dirigido à auxiliar de departamento de pessoal da Platina (Sra. Renata): “Observação: Renata, gentileza providenciar o pagamento da diferença salarial do funcionário do antigo salário para o novo, pela comercial 13, tendo em vista que o novo salário deveria ser relativo a junho”. I.9. Das Intimações Enviadas à Autuada: 59. Registra o TVF que por meio do TIF nº 56/2013, fls. 4.828/4.841: (i) a fiscalizada tomou conhecimento dos documentos apreendidos e da conclusão inicial da Fiscalização de que estaria caracterizada a formação do "Grupo Skala"; e (ii) foram feitas várias perguntas sobre a situação. 60. Nas respostas, a contribuinte nega a existência de grupo econômico e a prática de preços diferenciados e expressa que deixa de se pronunciar sobre documentos anteriores aos períodos fiscalizados e sobre aqueles que teriam sido apreendidos fora da Anfíbia. 61. O sujeito passivo disse que desconhece o arquivo “COMERCIAL TREZE” e que ele poderia ser arquivo pessoal de alguém. E, de modo parecido, responde que: (i) não sabe do que se tratam os arquivos “Wanchovia Boleto Aluguel” e “Wanchovia ND Condomínio”, encontrados nos assentamentos da empresa e que “É possível que, por engano, tenham sido deixados nas dependências da empresa por contador externo”; (ii) não conhece os arquivos “faturamento 2008” e “faturamento 2009”, que possuem informações de outras empresas dogrupo e que seria “possível que sejam informações compiladas pela contabilidade externa”. 62. Nesta mesma diretriz, ponderou, sobre cobranças de títulos e extratos bancários de outras empresas encontrados na Anfíbia, que apenas parte da contabilidade da intimada é feita internamente e que seria possível que os arquivos pertencessem à contabilidade externa. 63. Assemelha resposta deu em relação a livros fiscais das empresas Distribuidoras Saga, Wanchovia, Noviça e Platina, encontrados em suas dependências. Fl. 52756DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 21 20 64. Atribuiu à contabilidade a responsabilidade pela elaboração do documento “Faturamento de Todas as Filiais”, de planilhas que controlam valores a receber (não só pela Anfíbia, mas pelas distribuidoras, e importâncias de adiantamento a clientes e fornecedores) e da planilha “Distribuição de Lucros – Abril 2011”. 65. Em torno do documento “Funcionários – Cestas – Uniformes”, em que são listadas pessoas empregadas nas diversas empresas do grupo, conjecturou que “Esse arquivo provavelmente foi apreendido na contabilidade externa. Talvez para algum estudo de redução de custo”. 66. Explicou que cedeu, a algumas empresas com as quais mantém constantes tratativas comerciais, ramais telefônicos para contato direto e exclusivo. E também em função desta parceria fundamenta suposta negociação em grupo de planos de saúde para diversos colaboradores de empresas que a fiscalização entendeu integrante do "Grupo Skala", mas destaca que os correlatos custos são arcados por cada uma das empresas. Além disto, externou, sobre a listagem de contadores das Distribuidoras Platina, Nebraska, Noviça, Wanchovia, Docaencontrada em suas dependências, que “As empresas relacionadas são clientes da Anfíbia. Portanto, sempre há necessidade de troca de informações, daí a existência do cadastro”. 67. Sobre o email datado de 22/10/2009 intitulado “Contas Correntes Grupo no BIC” no qual o gerente de negócios do BIC informa as contas correntes das empresas Anfíbia,Platina, Nebraska, Doca, Wanchovia, Noviça e Saga, contestou que “Não sabemos dizer porque o banco trata empresas distintas como grupo. Ademais, não temos como responder pelo banco”. 68. Quanto às procurações da empresa Distribuidora Noviça e da Platina que foram encontradas nas dependências da Anfíbia, asseverou que “Os documentos são apenas ‘modelos’ obtidos com terceiros para elaboração de outras procurações”. 69. A respeito de informações de faturamento de diversas empresas para obtenção de crédito consignado, aludiu que “Tratase de uma proposta de empréstimo consignado, cuja taxa depende do número de empregados. Com o objetivo de se obter taxas mais competitivas, foi contatado um grupo de amigos (empresas parceiras), que se mostrou interessado. Dadas as exigências e a dificuldade no levantamento das informações, o projeto foi abortado”. 70. A intimada disse, ainda, desconhecer os documentos vinculados a suposto subfaturamento e cogita que tenha havido equívoco em documentos/arquivos digitais. 71. Por fim, sobre planilha de boletos pagos pela Global Distribuidora à Caixaforte Factoring originados de operações de vendas feitas pela Anfíbia, respondeu não ter controle. Fl. 52757DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 22 21 72. Explicita o TVF que foram enviados à contribuinte todos os arquivos, pelo que lhe seria descabido alegar desconhecer as provas, e frisa que as respostas da intimada foram lacônicas e ardilosas, não tendo ela apresentado argumentos ou provas contrárias ao entendimento da Fiscalização. Objeta, ademais, que da fala da contribuinte se extrairia um suposto desconhecimento de seu negócio, uma ingerência externa sem seu consentimento e o uso de informações e dados sigilosos da empresa por terceiros sem sua anuência. 73. Ressalva que com as informações de períodos anteriores ao período fiscalizado se buscava identificar um procedimento padrão anterior, mas que, como a intimada não se manifestou a respeito, concluiuse, pelas apreensões, que o esquema é anterior ao período fiscalizado. 74. Na seqüência, narra que foi expedido à Anfíbia o TIF nº 59/2013, fls. 6.116/6.119, que solicita explicações sobre o “Num.Trans.Origem” e da razão por que a empresa mantém controle das operações de vendas de seus distribuidores, tendo a contribuinte apenas noticiado que tal código “permite controlar o carregamento de caminhões e a logística das mercadorias em geral, servindo também para atender a uma recente exigência do mercado: originação e rastreabilidade dos produtos”, mas que “não controla as operações de vendas das distribuidoras”. 75. Também menciona o TVF o TIF nº 80/2013, fls. 6.127/6.129, igualmente enviado à Anfíbia, que trata de diversos documentos vinculados à Comercial Treze, sobre os quais a contribuinte afiançou que não sabia do que se tratavam e que os pagamentos espelhados na documentação não foram por ela realizados. I.10. Das Intimações Remetidas às Demais Empresas do "Grupo Skala": 76. Narra o TVF que foram enviados, às empresas Master Line, Platina, Wanchovia, Nebrasca, Saga, Doca, JS e Noviça, TIF de semelhantes teores e por intermédio dos quais foram solicitadas: (i) cópias dos respectivos contratos sociais e alterações; (ii) informações relativas às relações comerciais existentes entre as empresas do Grupo; e (iii) explicações sobre a razão por que determinados documentos de suas empresas estariam em posse de terceiros. 77. Elucida que o TIF enviado à Distribuidora Nebraska não foi respondido, apesar de recebido no endereço da filial nº 05.694.370/000270 (registra que a intimação também foi postada ao endereço da matriz e ao dos sócios da empresa, mas não foi recebida). E, quanto ao segundo item objeto da intimação, reproduz as seguintes respostas das demais empresas: Fl. 52758DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 23 22 77.1. Master Line "A Master Line do Brasil Ltda. é uma empresa terceirista que vende serviços técnicos de manipulação, envase e controle de qualidade. Possui contrato comercial com a empresa Anfíbia Indústria e Comércio de Cosméticos Ltda. Produzindo para esta, por conta e ordem, cosméticos”; 77.2. Platina "A Platina é cliente da Anfíbia (compra cosméticos dela) A Platina não mantém relação comercial com a Master Line."; 77.3. Wanchovia "Atualmente, temos relação comercial apenas com a empresa Anfíbia Ind. e Com. de Cosméticos Ltda, da qual adquirimos produtos cosméticos; No passado, mantivemos relação comercial com a Platina Ltda., porém não compramos mais dela; Não temos (nem tivemos) nenhuma relação com as outras empresas citadas;" 77.4. Noviça "A Anfíbia Indústria e Comércio de Cosméticos Ltda. é nossa fornecedora e a Saga Distribuição de Cosméticos Ltda. é uma de nossas clientes. Não mantemos relação comercial com nenhuma das outras empresas citadas."; 77.5. Saga "Mantemos relação comercial com Anfíbia Ind. e Com. de Cosméticos Ltda., Distribuidora Noviça Ltda. e Distribuidora Wanchovia Ltda. Nos anos de 2011 e 2012, também efetuamos compras da Platina Cosméticos Ltda. Não mantivemos relação comercial com as demais empresas citadas."; 77.6. Doca "Nossa relação comercial se resume à empresa Anfíbia Indústria e Comércio de Cosméticos Ltda., da qual adquirimos cosméticos."; 77.7. JS "Somos clientes da Anfíbia Indústria e Comércio de Cosméticos Ltda, de quem compramos produtos para revendê los. Quanto às demais empresas, não temos nenhuma relação com elas." 78. Salienta a Fiscalização que “Os documentos seguiram um padrão de formatação, tendo inclusive os erros de pontuação repetidos, como pode ser visto nas respostas da Master Line, Wanchovia, Noviça, Saga e Doca, onde é colocado ‘ponto final’ após citar a empresa mesmo estando a frase inacabada” e que “verificase que a resposta dada pela Platina e Máster foram postadas sequencialmente na mesma agência de correios e obtiveram os números de rastreamento: Master: SX 19972898 2 BR e Platina: SX 19972899 6 BR”. 79. Também transcreveu as respostas das empresas ao item 3 da Intimação: 79.1. Master Line "Tais documentos são estranhos à nossa empresa e, com certeza, não foram apreendidos nas dependências da Master Line do Brasil Ltda. O mais provável é que eles tenham sido encontrados na Total Contabilidade." Fl. 52759DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 24 23 79.2. Platina "Esses documentos não foram encontrados nas dependências da Platina. Provavelmente, foram retidos no escritório de contabilidade, que presta serviços para ‘n’ empresas." 79.3. Wanchovia "Não faz sentido esses documentos terem sido encontrados nas sedes da Anfíbia e da Platina. Eles devem ter sido apreendidos na Total Contabilidade, a qual presta assessoria contábil para nós e para diversas outras empresas (entre elas, a Anfíbia e a Platina)." 79.4. Noviça "Desconhecemos essa situação. Provavelmente, os documentos referidos foram encontrados no escritório de contabilidade que nos dá apoio." 79.5. Saga "Estranhamos e desconhecemos isso. Não existe Grupo Skala, nem controle centralizado." 79.6. Doca "Tal alegação nos causa estranheza, pois desconhecemos tais fatos. Desconhecemos grupo SKALA, controle centralizado ou unidades dominantes." 79.7. JS "Não existe nenhum Grupo Skala. Pensamos que tal pergunta deve ser feita para a Anfíbia Indústria e Comércio de Cosméticos Ltda., pois desconhecemos o motivo." I.11. Das Intimações Encaminhadas à Total Contabilidade: 80. Alinhava o TVF que a Anfíbia e suas Distribuidoras tentaram atribuir responsabilidade à Total Contabilidade por diversos documentos e demonstrativos (tais como os que tratam de faturamento e de distribuição de lucros e as informações de bancos) e que, por sua vez, a empresa de contabilidade, em breves respostas, não lastreadas em documentos comprobatórios, aos TIF nº 67 e 78 traz para si a responsabilidade pela autoria destes documentos. 81. Desfia que, questionada sobre a autoria a ela imputada pelas empresas Anfíbia, Master Line e Platina sobre um demonstrativo de distribuição de lucros, a empresa, por meio de sua técnica, Sra. Maria das Graças Fernandes Oliveira, afirmou que o documento seria para consumo próprio, um “check list” de dados e que ele pode ter sido encontrado na Anfíbia porque os trabalhos são realizados nas dependências do cliente. 82. Conclui o TVF que haveria uma conivência da Total Contabilidade com os atos irregulares do "Grupo Skala" e que esta empresa não teria apresentado resposta substancial às indagações da Fiscalização e, orquestradamente com o "Grupo Skala", responsabilizouse por atos praticados a bem do Grupo em desfavor da sociedade. I.12. Das Intimações Enviada ao Sr. Oscar Lacerda: 83. Comenta o TVF as indagações ao Sr. Oscar Lacerda através do TIF nº 58/2013 e as correspondentes respostas. Fl. 52760DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 25 24 84. Dentre os questionamentos, a razão por que documentos da Anfíbia foram encontrados nas dependências da Master Line, o que o intimado justificou sob a alegação de que os referidos documentos não teriam sido apreendidos nos arquivos da Master Line do Brasil, mas no pessoal do Sr. Antônio Fernando Bonisatto (sócio daquela empresa e que nela possui sala de trabalho), procurador do Sr. Oscar desde 1986, consoante procuração que anexa. 84.1. Comenta a Fiscalização que, dentre supraditos documentos, há os relativos a operações da Comercial Treze, aos quais o Sr. Antônio Bonisatto não poderia ter acesso. 85. A Fiscalização indagou, ainda, o motivo por que na Anfíbia foram encontrados dados confidenciais de Platina, Nebraska, Noviça, Saga, Wanchovia, Doca, JS, Anfíbia e Master, e, em resposta, o Sr. Oscar Lacerda disse que não sabia informar, mas que “a contabilidade andou nos pedindo dados financeiros para elaboração de estudo relativo à marca SKALA, inclusive em relação à rentabilidade”. 86. Ademais, questionado porque divulgou o faturamento da Platina a quinze empresas, o Sr. Oscar disse que as distribuidoras concordaram abrir seus faturamentos e outros dados para subsidiar avaliação da marca Skala, a respeito do que o intimado não visualizou problema até mesmo diante do interesse na penetração e aceitação da marca Skala. 86.1. Registra o TVF que não foi apresentado qualquer documento de instituição financeira ou outra qualquer que solicitasse o estudo de valor da marca. 87. Sobre o documento “ExtraCaixa Oscar 2011”, retrucou que tal documentação se refere ao Sr. Oscar Donizeth, com o que concordou a Fiscalização, e que desconhece que ela tenha sido apreendida na Platina e ventila que a apreensão teria ocorrido na Total Contabilidade. Ademais, negou conhecer a denominada Comercial Treze S/A e a participação da Platina em grupo econômico. 87.1. Repisa o TVF que, apesar de alegar desconhecer a Comercial Treze, dentro da Anfíbia foram encontrados diversos documentos vinculados a esta suposta empresa. 88. Adiante, foi expedido o TIF nº 58/2013, que, reportandose a comprovantes de pagamentos ao Sr. Oscar Lacerda apreendidos nas instalações da Platina Cosméticos e indagou por que o intimado recebia valores da empresa Anfíbia por meio de um borderô cujo pagador é o Banco Caixa 33 e cujos controles de pagamento é feito pela Platina, tendo sido respondido que, na realidade, a apreensão teria ocorrido na Total Contabilidade e que os pagamentos feitos pela Anfíbia relevam “possivelmente, crédito que eu tinha para com ela” e que imaginava que “o tal controle não foi feito pela Platina Cosméticos e sim pela Total Contabilidade”. Fl. 52761DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 26 25 89. Elucida o TVF que, como a resposta acima não foi conclusiva, foi expedido ao Sr. Oscar Lacerda o TIF nº 72/2013, em que: (i) é ressaltado que os documentos aludidos no TIF nº 58/2013 eram uma amostra e que nos documentos apreendidos na Platina figuram desembolsos em favor do intimado e de outras pessoas físicas; (ii) é requerida a apresentação de documentos comprobatórios da real existência das operações de crédito alegadas. 89.1. Menciona que, refutando sobredita intimação, o Sr. Oscar Lacerda aduziu que: (i) desconheceria o universo de documentos, pelo que nada se pronuncia sobre ele; (ii) disse que, diante dos transtornos advindos da fiscalização, não tinha condições de apresentar os documentos originais comprobatórios das operações de crédito e sugere que a Fiscalização teria condições de checar o documento nos documentos de que ela dispunha. 89.2. Objeta o TVF que, se intimou o Sr Oscar Lacerda para apresentar a documentação acima, é porque não a encontrou. 90. Comenta a Fiscalização que, em atendimento a TIF nº 79/2013 pelo qual foi requerida manifestação sobre pagamentos, não citados em sua DIRPF do anocalendário de 2011 e que seguiam o padrão das omissões da Comercial Treze, feitos para ele pela Anfíbia – o Sr. Oscar Lacerda passou a sustentar que, apesar de constar seu nome nos recibos/borderôs, não foi identificada sua assinatura em nenhum deles e, como não se recordava de qualquer operação de crédito com a Anfíbia no ano de 2011, retratouse para dizer que não recebeu as apontadas importâncias. 90.1. Critica o TVF que os valores que, de início, possivelmente seriam empréstimos passam a não mais existir e que o Sr. Oscar Lacerda, sob o argumento de que os créditos não têm sua assinatura, não apresentou mais qualquer documentação que respaldasse suas alegações. 90.2. Reflete, ainda, que, apesar de não ter sua assinatura, em todos os recibos o Sr. Oscar figura como credor e que ele se utilizaria de prepostos para receber as importâncias. 90.3. Afirma, outrossim, que há um recibo, da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (EBCT) cujo pagador é o Sr. Oscar Lacerda, no valor de R$ 226,00 cujo histórico é “Vr. Ref. Sr. Oscar – Passar p/Lúcia – Despesas Correios” e logo abaixo a comprovação do desembolso, pela Comercial Treze, em favor do Sr. Oscar Lacerda. Frisa que tal recibo foi quitado no mesmo dia em que a importância foi recebida pelo preposto do Sr. Oscar. I.13. Da Interdependência Entre as Empresas e do Valor Tributável Mínimo: 91. Reputa o TVF que, pelo exposto, estaria caracterizada interdependência entre as empresas e realça que as direções Fl. 52762DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 27 26 concentradas no “Núcleo Diretoria”, o gerenciamento financeiro a cargo da Sra Keila Alves e a administração das empresas por procuradores são provas da sincronia do grupo. O TVF apresenta quadro semelhante ao abaixo reproduzido, no qual o preenchimento mais escuro significa “procurador” e o mais claro “sócio”: TABELA DE INTERDEPENDÊNCIA (...) 92. Comenta que, conquanto nem sempre os envolvidos sejam sócios formais das empresas, eles possuem poderes de administração conferidos por procurações e que o grupo é dirigido por administradores com interesses comuns e que as empresas, mesmo quando concorrentes em seu objeto contratual principal, são representadas pelas mesmas pessoas. 93. Aduz que estaria patente o uso de meios fraudulentos para fugir das disposições dos arts. 520, do Decreto nº 4.544, de 26/12/2002, e 612, do Decreto nº 7.212, de 15/06/2010, que tratam de hipóteses em que caracterizada a interdependência e que o inciso II, destes artigos, preceitua que são interdependentes as empresas quando “uma mesma pessoa fizer parte, na qualidade de diretor, ou sócio com funções de gerência, ainda que exercidas sob outra denominação”, hipótese em que se enquadrariam todos os sócios e procuradores acima listados. 94. Acrescenta que, na realidade, as distribuidoras e a prestadora de serviços de industrialização (Master Line) são filiais da Anfíbia, tal como, inclusive, designadas em grande parte dos documentos apreendidos. 95. Depois de reproduzir o inciso I, do art. 136, do Decreto nº 4.544/2002, e o inciso I, do art. 195, do Decreto nº 7.212/2010, que têm a mesma dicção13, prossegue o TVF afirmando que a Anfíbia vendeu produtos com preços diferenciados às empresas do "Grupo Skala" em desacordo com o art. 15, I, da Lei nº 4.502/64 e com o art. 2º, 5ª alteração, do Decretolei nº 34/1966 e que, para tanto, subfaturou vendas para as empresas do Grupo e para terceiros. 96. Fala que os dispositivos normativos acima referenciados claramente determinam que na especificação do Valor Tributável Mínimo VTM o preço deverá ser o corrente no mercado atacadista da praça do remetente e, assim, in casu, ele seria equivalente ao preço corrente, reajustado pelo subfaturamento, praticado nas vendas para a Global Distribuidora, situada no mesmo Município da Anfíbia (a apenas 2,4Km ou cinco minutos de automóvel, de conformidade com cálculo do aplicativo “Google Mapas” cuja imagem anexa) e elucida que, em atendimento aos critérios legais, elegeu a Global Distribuidora como parâmetro para definição do VTM em função de sua proximidade da Anfíbia. Fl. 52763DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 28 27 97. Ressalta que os preços de venda para a Global Distribuidora e para as empresas do "Grupo Skala" não têm substanciais diferenças e que embora os Regulamentos do IPI vincularam territorialmente o VTM à praça do remetente, a simulação não ocorreu somente com a Global Distribuidora, mas com dezenas de outros clientes da Anfíbia. 98. Externa que foram recompostos todos os preços de vendas praticados com a Global Distribuidora, que estavam reduzidos em 40%, para o valor efetivo da operação e explica que a fiscalizada fora intimada para se manifestar sobre os valores das vendas à Global Distribuidora levantados nas correspondentes Notas Fiscais, tendo, em resposta, apenas apontado inconsistência no tangente à Nota Fiscal nº 12.901, produtos 6241, 6242 e 6243. 99. Diz que, a partir do valor unitário de cada produto vendido apenas à Global Distribuidora, inclusive com data precisa das vendas, foram recalculados os valores reais unitários dos produtos por data de venda e foi elaborado o "Demonstrativo do Preço Unitário dos Produtos Idênticos no Mercado Atacadista da Praça do Remetente" (que pode ser consultado no “Doc 88 Pço Unit Prod Idênticos – VTM”) que serviram como parâmetro para os mesmos produtos vendidos pela Anfíbia às empresas do "Grupo Skala", tendo os cálculos realizados levado em consideração as datas das vendas. 100. Explica, por meio de dois produtos, como procedeu em relação aos preços em função das datas de venda e destaca que com a metodologia empregada foi resguardada, de forma individualizada por produto, a paridade dos produtos de acordo com os correspondentes tipos, marcas, modelos, espécies e qualidades e, assim, foram calculados os VTM nas transações realizadas entre a Anfíbia e suas “filiais” e afirma que não foram adotadas no cálculo médias ponderadas de preços. 101. Para deixar ainda mais evidente a prática de subfaturamento nas vendas à Global Distribuidora, narra o TVF que, no dia 02/09/2009, a Anfíbia, inadvertidamente, teria se esquecido de implementar o esquema no tocante às operações objeto da Notas Fiscal nº 68128 e 68129, cujos valores ali registrados são idênticos aos valores unitários recalculados pela Fiscalização em relação às demais transações desta natureza e frisa que, como era de se esperar, os montantes destas operações, em que inexistia subfaturamento, não foram negociadas com a Caixaforte Factoring14. I.14. Das Infrações Praticadas em Relação ao IPI: I.14.1. IPI Destacado a Menor nas Vendas ao "Grupo Skala" – Produtos Idênticos na Praça do Remetente: 102. Registra a Fiscalização que, a partir dos arquivos digitais das Notas Fiscais de saída da Anfíbia, foram segregadas as de produtos tributados pelo IPI Relativas à Platina, Wanchovia, Master Line, Nebraska, Noviça, Doca, Js e Saga, cujos montantes foram cotejados com os preços unitários recalculados Fl. 52764DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 29 28 constantes do “Doc 88 Pço Unit Prod Idênticos – VTM” e foram apresentados os cálculos relativos às diferenças das bases de cálculo, que podem ser consultados no “DOC 90 – Preço Praça Remetente Produtos Idênticos”. I.14.2. IPI Destacado a Menor nas Vendas ao "Grupo Skala" – Produtos Congêneres na Praça do Remetente: 103. Esclarece que, como os preços dos produtos comercializados pela Anfíbia foram definidos pelos preços dos produtos vendidos no mercado atacadista da praça do remetente, e, ainda, como a Global Distribuidora não comercializou 100% dos tipos de produtos da Anfíbia, enquanto as distribuidoras do "Grupo Skala" o fizeram, os produtos vendidos ao "Grupo Skala" foram definidos a partir da semelhança de tipo, espécie, embalagem e volume dos produtos vendidos à Global Distribuidora, segundo “Demonstrativo do Preço Unitário dos Produtos Congêneres no Mercado Atacadista da Praça do Remetente” presente no “Doc 91 Pço Pça Rem Produtos Congêneres” e “Doc 92 Congêneres Por Descrição”. 104. Exemplifica que “o código de produto 3117 cuja descrição é CR. ABACATE SK 300G CX12x1 não foi encontrado nas vendas da Anfíbia à Global Distribuidora. Por sua vez,identificamos o produto 3520 CRE. PENTEAR ABACATE SK 300GRS CX12X1que foi vendido à Global Distribuidora” e que assim foi atribuído o “o VTM encontrado nas operações com a Global Distribuidora do produto 3520 ao produto 3117” e que “Procedimento análogo, em novo exemplo, realizamos em relação ao código 4038 CR. KERATINA SK 300G CX12X1, quando lhe atribuímos o VTM relativo ao código 4040 CRE. PENTEAR SK KERATINA 300G CX12X1”. 105. Diz que, atribuído o VTM aos demais produtos a partir de suas características individualizadas, foi elaborado o "Demonstrativo do IPI Devido – Preço Corrente No Mercado Atacadista Para Produtos Congêneres Na Praça do Remetente”, constante do "Doc 93 IPI Devido Pça Remet Prod Congêneres” (no Doc. 92, fls. 11.235/11.239, consta a relação de produtos não comercializados com a Global Distribuidora e os produtos em relação aos quais foi atribuída equivalência). I.14.3. IPI Destacado a Menor nas Vendas Subfaturadas a Terceiros: 106. Noticia o TVF que os valores subfaturados nas vendas de produtos a não integrantes do "Grupo Skala" foram tributados pelo IPI, consoante “Demonstrativo do IPI Destacado a Menor nas Vendas Subfaturadas a Terceiros”, disponível no “Doc. 94 IPI Destacado Menor Terceiros”. Destaca que no Doc. 94 figuram as Notas Fiscais de venda a terceiros com o cálculo do IPI devido sobre as diferenças omitidas do produto. I.14.4. Diferença de Alíquota de IPI nas Notas Fiscais: Fl. 52765DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 30 29 107. Comunica o Termo de Verificação Fiscal que a contribuinte teria se utilizado de alíquotas menores do IPI devido em suas saídas tributáveis, na forma do “Demonstrativo de Classificação de Alíquotas do IPI nas NF x TIPI”, disponível no “Doc 95 Diferença Alíquota” e que no “Demonstrativo Do IPI Devido Diferença de Alíquota Sobre as Saídas Tributáveis”, parte integrante do “Doc 96 IPI Devido Dif Alíquota” há a relação e a apuração do IPI dos itens cujas alíquotas foram informadas erroneamente nos documentos fiscais, tendo sido ressaltado pela Fiscalização que referidos demonstrativos tratam apenas dos preços praticados nas Notas Fiscais, sem a atribuição do VTM ou recálculo do preço subfaturado. 108. No tocante aos produtos que tiveram equívoco na alíquota aplicada, a parcela subfaturada compõem os seguintes demonstrativos: 108.1. em relação às vendas realizadas a empresas do "Grupo Skala" de produtos idênticos aos comercializados com a Global Distribuidora, no “Demonstrativo do IPI Devido Diferença de Alíquota Sobre a Diferença Entre o VTM e o Valor em Notas Fiscais do "Grupo Skala" – Produtos Idênticos, que pode ser consultado no “Doc 97 Alíquota VTM x NF Skala Idênticos”; 108.2. em relação às vendas efetuadas a empresas do "Grupo Skala" de produtos congêneres aos comercializados com a Global Distribuidora, no Demonstrativo do IPI Devido Diferença de Alíquota Sobre a Diferença Entre o VTM e o Valor em Notas Fiscais do Grupo Skala Produtos Congêneres disponível para consulta no “‘Doc 98 – Alíquota VTM x NF Skala Congêneres”; 108.3. em relação às vendas de produtos a terceiros, no Demonstrativo do IPI Devido Diferença de Alíquota Sobre Vendas Subfaturadas a Terceiros (“Doc 99 IPI Devido Dif Aliq Sub Terceiros”). I.15. Devolução de Vendas: 109. Consigna o TVF que foi detectado que a contribuinte recebeu em devolução parte dos produtos por ela vendidos, que está identificada nos arquivos magnéticos entregues e nas Notas Fiscais Eletrônicas e explica que os créditos do imposto “foram calculados a partir dos mesmos valores dos produtos recalculados, quando das apurações das infrações na data da emissão da Nota Fiscal de devolução” e que nos Demonstrativos da 165ª lauda do TVF estão identificadas “as notas fiscais cujas devoluções foram subtraídas das bases de cálculo das infrações, lembrando que as notas fiscais canceladas não fazem parte de qualquer cálculo de infração deste Termo”. I.16. Multa Qualificada: 110. Para justificar a aplicação da multa qualificada de 150%, o TVF discorre sobre a transferência da marca Skala da Layff Kosmetic para o Sr. Oscar Lacerda e sobre a decretação da Fl. 52766DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 31 30 falência daquela empresa e se reporta à formação do denominado “Grupo Skala”, liderado pelo Sr. Oscar Lacerda e pelos demais integrantes do já comentado “Núcleo Diretoria”. 111. Repisa que a idéia central do esquema do "Grupo Skala" era pagar menos tributo, para o que simulou operações para se manter à margem das fiscalizações, criou distribuidoras e entrou em conluio com clientes externos, com a intermediação de factorings. 112. Rememora que a autuada vendia produtos às distribuidoras com preços artificiais e abaixo do mercado (o que ensejava a tributação do IPI sobre uma base subfaturada e a transferência de lucro para as distribuidoras, que nada mais eram que empresas dos próprios sócios ou de diretores do grupo e econômico) e que estas distribuidoras eram tratadas como filiais pela fiscalizada e por instituições financeiras. 113. Menciona, ainda, que terceiros uniramse ao esquema e adquiriam produtos com valores de Notas Fiscais menores que os efetivamente pagos e, com isto, davase aparência de similaridade dos preços praticados com empresas terceiras e as integrantes do "Grupo Skala". 114. Discorre sobre ensinamentos de Galvão Teles e de Alberto Xavier em relação à simulação e à sonegação e, em seguida, afiança distante “a intenção e a realidade dos acontecimentos, tendo o contribuinte lançado mão de todos os recursos disponíveis, omitindo informações, prestando declarações inexatas à autoridade fiscal na emissão de seus documentos fiscais, aliciando empresas a participarem de seu esquema”. 115. Comenta os três requisitos da fraude: o primeiro, subjetivo, consistente na conduta omissão ou comissiva de reduzir o montante do imposto devido, evitar ou diferir o seu pagamento; o segundo, também subjetivo, o caráter doloso da ação ou omissão; e o terceiro requisito, de caráter objetivo, o impedimento ou o retardamento, total ou parcialmente, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, ou excluir ou modificar as suas características essenciais. 116. Pondera que “A expressão ‘impedir ou retardar a ocorrência do fato gerador’ não pode ser interpretada literalmente, pois se a obrigação tributária principal só surge com a ocorrência do fato gerador (art. 113, § 1º do CTN), não pode haver infração por ato ilícito nos casos em que o fato gerador não ocorreu ou teve a sua realização retardada” e, em seguida, para respaldar esta afirmação, colaciona posição de Alberto Xavier sobre o art. 72, da Lei nº 4.502/64. 117. Diz que, diante do acima exposto, foi aplicada a multa qualificada de 150%, segundo arts. 488, caput e inciso I, do Decreto nº 4.544/2002 e, ainda, os arts. 559, 561 a 563 e 569, do Decreto nº 7.212/2010, que foram reproduzidos juntamente com os arts. 71 (caput e incisos I e II), 72, 73 e 80, da Lei nº 4.502/1964. Fl. 52767DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 32 31 I.17. Termos de Sujeição Passiva Solidária: 118. Foram expedidos os Termos de Sujeição Passiva Solidária de fls. 18.649/18.676, e, destes Termos e da Autuação, os responsabilizados tomaram conhecimento, segundo segue: Responsáveis solidários Data ciência Fl. Impugnação Data OSCAR JOSÉ DE CASTRO LACERDA 18/12/2013 18890 18.975/18.984 17/01/2014 NADIR DE CASTRO NEVES 13/12/2013 18695 18.942/18.950 14/01/2014 ANTONIO FERNANDO BONISATTO 20/01/2014 19047 18.966/18.969 17/01/2014 SÉRGIO MORAES SAMPAIO 18/12/2013 18891 18.966/18.969 17/01/2014 KEILA ALVES MARTINS DUARTE 13/12/2013 18709 Não havia notícias MARIA DAS GRAÇAS FERNANDES OLIVEIRA 18/12/2013 18892 18.910/18.914 15/01/2014 PLATINA COSMÉTICOS LTDA 18/12/2013 18893 18.989/18.999 17/01/2014 DISTRIBUIDORA NEBRASKA LTDA 29/12/2013 18902 18.989/18.999 17/01/2014 DISTRIBUIDORA NOVIÇA LTDA 07/02/2014 19.992/19.993 19.050/19.053 07/02/2014 DISTRIBUIDORA WANCHOVIA LTDA 19/12/2013 18894 18.989/18.999 17/01/2014 DOCA DISTRIBUIDORA DE COSMÉTICOS LTDA 20/12/2013 18895 18.989/18.999 17/01/2014 MASTER LINE DO BRASIL LTDA 18/12/2013 18896 18.958/18.961 17/01/2014 SAGA DISTRIBUIÇÃO DE COSMÉTICOS LTDA 23/12/2013 18897 18.989/18.999 17/01/2014 JS COMÉRCIO E DISTRIBUIÇÃO DE PERFUMARIA 19/12/2013 18898 18.989/18.999 17/01/2014 119. Por sua vez, a autuada tomou conhecimento da autuação aos 13/12/2013, fls. 18.680/18.681, e aos 14/01/2014 interpôs a Impugnação de fls. 19.216/19.262. II. Impugnação de Anfíbia Indústria e Cosméticos Ltda: 120. Na Impugnação, a autuada alega que a saída do Sr. Oscar Lacerda dos quadros societário da Layff Kosmetic Ltda foi regular e decorreu de discordâncias com a forma de trabalho de sócios que ingressaram na empresa em 2001 e que, após ter saído da Layff Kosmetic, o Sr. Oscar adquiriu as empresas Platina e Master Line, que já atuavam no ramo de cosméticos, negociando a marca “Bell Soft”, desde os anos de 1991 e 1997, respectivamente. 121. Expõe que, na mesma época, os Srs. Fernando, Nadir e Sérgio foram demitidos da Layff Kosmetics e que, dada a amizade estabelecida ao longo de anos, procuraram o Sr. Oscar Lacerda, o qual, por não ter como pagar os salários por eles pretendidos, propôslhes que se tornassem empresários, tendo ficado acertado que: (i) o Sr. Sérgio, engenheiro químico, produziria cosméticos; (ii) o Sr. Nadir ficaria responsável pela área financeira; (iii) o Sr. Fernando, pelos suprimentos (compras) e; (iv) o Sr. Oscar, pela distribuição dos produtos. 122. Consigna que, deste modo, o Sr. Oscar ficou com a Platina e, ainda em 2002, transferiu as quotas que detinha na Master Line para os Srs. Sérgio e Nadir e os Srs. Fernando, Nadir e Fl. 52768DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 33 32 Sérgio compraram a Anfíbia e, em seguida, constituíram a Sogram. 123. Menciona que, no início, o Sr. Oscar, por deter mais recursos e ser o único com experiência enquanto “dono de empresa”, acabou exercendo papel de liderança, mas que, com o tempo, cada um passou a explorar a atividade empresarial com a qual tinha maior afinidade. 124. Fala que, em 2004, o Sr. Nadir saiu da Master Line e passou a ser o único sócio proprietário da Anfíbia, responsável pela produção de embalagens e logística. 125. Diz que o Sr. Fernando saiu da Anfíbia e passou a distribuir cosméticos por intermédio da Sogram, mas como este segmento não lhe agradou muito na ocasião, suspendeu as atividades da Sogram e, em dezembro de 2007, ingressou como sócio minoritário na Master Line, em que Sérgio, sócio majoritário, cuida da produção de cosméticos. 126. Para demonstrar que as empresas não formam Grupo Econômico, faz alusão ao “Parecer Técnico de Engenharia Econômico” que anexa ao recurso. 127. Em seguida, aduz que teria sido regular a transferência da marca Skala para o Sr. Oscar Lacerda, consoante inclusive decidido por decisão judicial transitada em julgado nos autos do processo de falência da Layff, em que o tema foi debatido. 128. Alude que a questão acima fora examinada pela DRF/Uberaba, que, segundo Termo que reproduziu, não encontrou irregularidades em relação aos mesmos fatos aqui discutidos. II.1. Dos documentos e dos dados apreendidos e coletados: 129. Quanto às apreensões, ressalva a impugnante que ainda está analisando a correlação entre documentos e/ou dados apreendidos e o local da suposta retenção e se reserva o direito de retornar ao assunto, mas a respeito já apresenta os comentários abaixo: 130. Reclama inexistir identificação do computador em que estariam gravados os arquivos eletrônicos, contendo dados de terceiros ou informações globais, que teriam sido encontrados no estabelecimento da Anfíbia e supõe que “pode ser que um computador de terceiro, momentaneamente na empresa, tenha sido copiado como se da Anfíbia fosse” e realça que a própria Total Contabilidade se reconheceu autora de algumas das planilhas de compilação de dados. 131. Complementa que, de acordo com a Fiscalização, os documentos apreendidos por meio da AAD 6227 teriam sido encontrados em filial da Platina na Rua Onofre da Cunha, mas que tal endereço é da matriz da Platina, confusão esta que prejudicaria a fidedignidade da apreensão. E também ressalva Fl. 52769DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 34 33 que na Rua Onofre da Cunha Rezende, nº 23, 2º andar, funciona não uma filial da Platina, mas o escritório da Total Contabilidade. 132. Qualifica como truculenta a operação de apreensão, consoante declarações prestadas pelas Sra. Rosa Maria Caldeira dos Santos e Maria das Graças Fernandes Oliveira. 133. Exterioriza que “os documentos de uma empresa não foram apreendidos na sede da outra” e que “A mistura se deu em virtude da ‘violação’ de escritório de contabilidade autônomo”. 134. Ademais, censura a defendente que a autuação teria se valido de dados e documentos atinentes a outros exercícios para sustentar supostas infrações pertinentes aos anos de 2009 a 2012 e elucida que, no tocante a referidos documentos, sequer a autuada se pronunciou no curso do procedimento fiscal, tampouco o fará na Impugnação, pois desnecessário, e solicita a total desconsideração da enfocada documentação. 135. Sustenta que, diferentemente do que disse a Fiscalização, os documentos de cessão de crédito aludidos no item 14.1 acima não foram encontrados nos arquivos da Master Line, mas no arquivo pessoal do Sr. Fernando, sócio daquela empresa e procurador do Sr. Oscar desde o ano de 1986. 136. Argúi, no que se refere ao “Doc. 06 – Seguros”, que os e mails não foram enviados à Sra. Keila Alves Martins Duarte, mas a uma “colaboradora” da Master Line chamada Keila Bisinotto, e que o documento apenas retrataria uma tentativa de negociação conjunta, feita por um grupo de amigos, para obtenção de um preço melhor na contratação de seguros e que a palavra “gerentes” é ali usada apenas para efeito de orçamento, mas destaca que, se o negócio houvesse sido concretizado, cada empresa arcaria com os respectivos custos. 137. Censura, relativamente ao “Doc. 067 Distribuição de Vendas 2010_2011”, que, conquanto a Fiscalização assevere que ela foi apreendida nos arquivos digitais do Sr. Nadir, inexistiria, nos AAD correlatos, identificação de qual computador o arquivo fora copiado, peloque não se poderia afiançar que ele seria do Sr. Nadir, o qual não foi intimado para se explicar a respeito. Além disto, reprova que não há notícias nos autos se a suposta determinação de comportamento de vendas fora, ou não, implementada. 138. Na seqüência, afirma que os “Docs” nº 8, 9, 10, 11, 14, 25 e 28 não são de responsabilidade da Anfíbia, sendo “provável que alguns tenham sido apreendidos na sede da Total Contabilidade (AAD 6227) e outros podem ter sido deixados na Anfíbia por algum funcionário daquela contabilidade que prestou serviços intramuros”, hipótese esta inclusive confirmada pela Total Contabilidade, consoante pág. 128, do TVF. 139. Desfia que o descrédito da Fiscalização às respostas da Anfíbia e da Total Contabilidade seria genérico e não indicaria Fl. 52770DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 35 34 em que ponto tais respostas seriam imprecisas e conjectura que a autoridade fiscal teria extraído dos documentos apenas o conteúdo que lhe interessava, tomado como absoluta verdade. 140. Aduz que, como desconhecia os Docs. 12, 13, 21 e 26, eles foram submetidos à Total Contabilidade, que afirmou terem sido produzidos por empregados daquela empresa e ressalta que, tão logo a Total Contabilidade declare isto formalmente, juntará a declaração aos presentes autos e desde logo requer a posterior juntada do documento. 141. Sustenta que o “Doc. 16 – Imposto Factoring”, apreendido nos arquivos pessoais do Sr. Nadir, seria apenas um estudo da carga tributárias das factorings, elaborado a pedido da Sra. Cristina Maria dos Santos Neves, esposa do Sr. Nadir, que à época era sócia de uma empresa de factoring e solicitou ao marido que se informasse a respeito do assunto. 142. Diz que não sabe explicar o uso da expressão “filiais” pelo Sr. Paulo Tamayossi no conjunto documental Doc. 24 e indaga por que não foi ele intimado a se justificar. 143. Legitima a existência de lista de contadores que prestam serviços a alguns clientes da impugnante em virtude da necessidade de obtenção de alguma informação ou esclarecimento a respeito de tais clientes, para os quais realiza muitas vendas. II.2. Das Procurações: 144. Quanto ao que denominou a autuação de “Procurações do Grupo Skala”, frisa que, indubitavelmente, o expediente seria lícito e pondera que quem é dono não necessita de procuração e, ainda, que se os mandatos foram outorgados, é porque “deve ter havido alguma necessidade momentânea”, eis que “lá atrás, quando as empresas começaram as suas relações comerciais, havia o interesse de cada um acompanhar o que o outro estava fazendo”, mas que depois “à medida em que a confiança entre os parceiros foi aumentando, elas se tornaram desnecessárias e foram revogadas”. 145. Contradiz que “a Anfíbia revogou as operações sem prazo de vigência em 2011 (revogações anexas). A Platina também. A Distribuidora Noviça revogou uma delas em 2007 e a outra também em 2011.A Master revogou duas em 2011 e uma em 2007”. 146. Adita que a Fiscalização não apontou sequer um ato de gerência efetivamente praticado e que a simples existência de procurações não traduzem a real prática de atos de gestão pelos mandatários e condena a utilização, pela Fiscalização, de procurações já vencidas (como a da Distribuidora Nebraska, expirada aos 17/08/2008 fl. 1.904) para concluir pela prática de atos de gerência no decorrer dos anos de 2009 a 2012. II.3. Das Circularizações Feitas Pela Fiscalização: Fl. 52771DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 36 35 147. Enuncia a impugnante que a tese de subfaturamento teria sido erguida pela Fiscalização a partir de respostas de intimações feitas pela autoridade fiscal às empresas Global Distribuidora de Cosméticos, Cristiane Gaion da Rosa ME e Caixaforte Factoring. 148. Descreve ter percebido, nas intimações feitas pela fiscalização, a existência de uma seqüência numérica nos TIF, mas que há uma descontinuidade na numeração destes Termos de Intimação Fiscal, não se sabendo se existiram os TIF nº 4, 5, 6, 9, 11, 16, 18, 20 a 50, 54, 55, 60, 62, 64, 65 a 74 a 77, diante do que a autuada entrou em contato com diversos clientes, fornecedores, colaboradores, etc, mas apenas obteve respostas de dois clientes e de uma “excolaboradora”, a Sra. Daniela Aparecida Saad Silva. 149. Relata que as duas clientes enviaram à impugnante as intimações por elas recebidas e disseram que não arquivaram as respectivas respostas e que a Sra. Daniela Saad entregou duas intimações e as respostas que ela teria dado à Fiscalização, o que confirmou a suspeita da existência de outros TIF não juntados aos autos, não se sabendo por que não acostada ao presente processo administrativo a totalidade dos TIF expedidos, não se podendo ter certeza se as respostas aos TIF não entranhadas aos autos contrariam a tese da Fiscalização. 150. Registra que a Sra. Daniela Saad, ao responder a indagação embutida no TIF nº 06/2013 sobre o controle do percentual de 40% do faturamento não acobertado por Notas Fiscais, assegurou que desconhecia tal situação e que, não satisfeita, a Fiscalização enviou nova intimação à Sra. Daniela, na qual ficou consignado que a resposta ao TIF nº 06/2013 “não corroboram as constatações tomadas a partir da análise do caderno de anotações pertencente a V. Sª à época do desempenho de suas funções na referida empresa, sendo assim, solicitamos a V. Sª ratificar as informações ou retificálas” e que “a omissão de informação fiscal ou a prestação de declaração inexata (...) poderá caracterizar crime contra a ordem tributária”, mas que, mesmo pressionada, a Sra. Daniele manteve a declaração anterior. 151. Acusa que a Fiscalização omitiu a intimação da Sra. Daniela e indaga como não qualificar a atitude como desvio de finalidade e assevera que as “confirmações” feitas por Global Distribuidora, Cristiane Gaion e Caixaforte deveriam ser relativizadas, “pois, diante do que ocorreu com a Sra. Daniela, sabese lá que tipo de pressão sofreram”. 152. Aponta que, apesar de concluir que as empresas acima fariam parte do “esquema”, a Fiscalização conferiu credibilidade ao que elas disseram e indaga se quem disse o que a Fiscalização não queria ouvir também não mereceria confiabilidade. Fl. 52772DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 37 36 153. Menciona que, apesar de as empresas Global Distribuidora e Cristiane Gaion terem afirmado que pagaram boletos à Caixaforte e que esta empresa tenha alegado que teria repassado montantes atinentes a tais boletos à Anfíbia, nenhuma prova há destes repasses nem nada a respeito foi encontrado nos documentos apreendidos. 154. Alerta que a Fiscalização admite a necessidade de comprovação de supraditos repasses, eis que, pelo TIF nº 63/2013, requereu a apresentação de documentos comprobatórios de tais operações e destaca que, estivesse a Caixaforte sob fiscalização, esta falta de comprovação ensejaria a tributação desta empresa, que efetivamente ficou com os recursos. 155. Conclui o tema garantindo que os valores concernentes às Notas Fiscais emitidas teriam sido contabilizados e os valores correspondentes a estas Notas (recebidas via boletos com dígitos numéricos 1, 2 ou 3) também foram registrados e regularmente tributados, e, ainda, que ninguém teria dito que pagou à Anfíbia boletos com letras ao final (A, B ou C) e que inexistiria provas de qualquer repasse feito pela Caixaforte à Anfíbia. II. 4. Da Comercial Treze: 156. Sustenta que desconhece a Comercial Treze e que seriam insustentáveis as ilações da Fiscalização, eis que sequer provas há de que os supostos beneficiários de pagamentos feitos pela Comercial Treze realmente receberam os valores aludidos pela Fiscalização ou de que eles tenham sido intimados e que os e mails reproduzem apenas conversas particulares dos envolvidos alheias à Anfíbia e indaga se eles foram (e, na hipótese negativa, por que não) intimados a explicarem contexto e a razão dos diálogos. 157. Repisa que a documentação reunida nos “Docs.” 45 e 46 foi encontrada no escritório da Total Contabilidade e que nenhum dos documentos que integram o Doc. 45 está assinado e também diz que sequer há provas de que os valores nos documentos dos Doc. 45 e 46 hajam sido efetivamente recebidos nem de que eles foram pagos pela Anfíbia (novamente, indaga por que os beneficiários dos pagamentos não foram intimados e questiona se houve o recolhimento de FGTS que teria sido pago pela Comercial Treze). 158. Critica que, apesar de a Fiscalização afirmar que “a Comercial Treze não passa de uma entidade abstrata ou de um local onde, na prática, são armazenados recursos de suas operações regulares” não estaria esclarecido por que a busca e apreensão não achou dinheiro em espécie. 159. Interpela quais recursos teriam abastecido a Comercial Treze se não estaria comprovado o recebimento de recursos de boletos pagos à Caixaforte. Fl. 52773DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 38 37 160. Pondera, também, que “como as distribuidoras possuem contabilidade regular e nada foi apurado contra elas15, é óbvio que as receitas e lucros auferidos por estas empresas têm a destinação declinada em suas respectivas demonstrações financeiras, de modo que não se podem presumir desvios, ‘caixa dois’, etc”. II. 5. Das Respostas da Autuada, dos Demais Obrigados e da Total Contabilidade: 161. Perfilha que nas respostas da autuada e dos coobrigados inexistiria ardil e que a concatenação das manifestações é decorrência do fato de que todos falaram a verdade, pelo que não há contradições, e realça não ter havido erro de português idêntico nos pronunciamentos dos coobrigados, mas apenas a abreviatura da palavra “Limitada” por “Ltda.”. 162. Cita que, apesar de as empresas possuírem o seu contador, a Total Contabilidade presta serviços a todas elas e exerce papel importante de compilação de dados financeiros e faz estudos sobre o mercado e a penetração da marca Skala, tendo sentido a contratação da Total Contabilidade pois todas empresas dependem do sucesso da marca, sendo razoável a junção de dados para uma visão global, o que não acarreta “que é tudo uma coisa só”. 163. Acrescenta que a própria Fiscalização reconhece que a Total Contabilidade traz para si a responsabilidade pela autoria de documentos questionados e reproduz excerto de decisão do CARF (Acórdão nº 10613232) na linha de que a desconstituição de confissão exige documentação robusta que a invalide e em semelhante diretriz reproduz o art. 845, §1º, do RIR/99, segundo o qual “Os esclarecimentos prestados só podem ser impugnados pelos lançadores com elemento seguro de prova ou indício veemente de falsidade ou inexatidão”. Ademais, defendeque, in casu, nenhum indício haveria de inexatidão ou falsidade nas declarações da Total Contabilidade, pelo que não poderiam ser desacreditadas. II.6. Da Relação Entre as Empresas Autuadas, do Mercado de Cosméticos e do Num.Trans.Origem: 164. Afirma que, mesmo que tivesse ocorrido o “embolamento” visualizado pela Fiscalização, não há impedimento de que uma empresa releve seus dados e segredos à sua fornecedora, dada a autonomia da vontade assegurada pela Magna Carta (art. 5º, II, da CF/88). 165. Consigna, outrossim, que a disputa das empresas Anfíbia, Master Line, Platina, Wanchovia, Noviça, Saga, Doca, JS e Nebraska não é entre elas e que se “elas resolvessem pensar só em si mesmas, a marca Skala não venderia mais nem um mísero vidro de xampu”, sendo“claro que as empresas se ajudam (e não há nenhum problema nisto)” e que “O Fisco confunde interesse comum, complementariedade de funções, encadeamento de atividades e compartilhamento de informações com controle Fl. 52774DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 39 38 concentrado, administração única e artificialidade das relações” (25ª lauda, último parágrafo, da Impugnação, fl. 19.240). 166. Não nega a existência de vínculos de amizade entre as pessoas físicas, a articulação para racionalizar processos, reduzir custos, evitar retrabalho, mas que disto não resulta em falta de independência das empresas, que têm autonomias administrativa, econômica e financeira. 167. Sentencia não ter havido “reestruturação objetivando ‘pagar menos imposto’ e que “O negócio já foi gestado desta forma” e relembra que “quando o Sr. Oscar adquiriu as empresas Master Line e Platina (em 2002), ambas já atuavam de forma segmentada (com industrialização e distribuição separadas em duas pessoas jurídicas distintas)” e que “Com a inserção da Anfíbia neste contexto, aumentouse a eficiência (os rótulos e embalagens passaram a ser produzidos por alguém que também depende do sucesso da marca, frisese)”. 168. Discorre que com o aumento das vendas, foram agregados outros profissionais e distribuidoras e repisa existir entre todos uma “grande vigilância e concatenação”, pois “ se um andar mal, prejudicará a todos” e exemplifica: “se a Master Line não envasar, ninguém terá o que vender. Se o produto envasado não tiver qualidade, ninguém vende. Se a Anfíbia não ocupar grande parte da capacidade produtiva da Master Line, não conseguirá os preços e as condições que consegue. Se o distribuidor do CentroOeste não cumprir prazos, prejudicará as vendas no Sul”. 169. Comenta que a segmentação permitiu uma maior especialização e expressivos ganhos de desempenho, sinergia e potencialização das ações e que o compartilhamento de informações, a criação de dados comuns e proximidade física das sobreditas empresas ocasionou ganho logístico. 170. Referencia que, no contexto exposto, o “Num.Trans.Origem” seria mero balizador para fins de carregamento de caminhões e logística e também exerceria a recente necessidade mercadológica de originação e rastreamento de produtos, eis que na “Era da Informação” o consumidor não se contenta apenas com o produto bem embalado, mas quer saber quem produziu, como produziu, se as boas práticas foram observadas, etc. 171. Arrazoa que o “Num.Trans.Origem” revelaria uma administração moderna e concatenada com o mundo digital e com os anseios do consumidor moderno e que aquilo que a Fiscalização chamou de “venda casada” não representaria triangulação, mas o conhecido “just in time”, segundo o qual as distribuidoras apenas compram após a firme formalização de pedidos por seus correspondentes clientes. 172. Faz remissão a “Parecer de Engenharia Econômica”, do qual reproduz excertos, relativo a uma ferramenta informatizada empregada pela Protect & Gamble, que diz ser assemelhada ao Fl. 52775DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 40 39 “Num.Trans.Origem”, e realça que não apenas a autuada tem sistema de acompanhamento do que seus distribuidores estão fazendo. 173. Reportase à validação, pela Secretaria de Estado da Fazenda de Minas Gerais, da separação entre a unidade industrial e a de distribuição da empresa Bio Extratus. 174. Comenta que várias outras empresas (a exemplo da Unilever, Embelleze, etc) adotam o enfocado modelo de segmentação e conclui que “um dos modelos de negócio possíveis é separar indústria e distribuição” e que “Grande multinacionais atuam desta forma”. 175. Advoga haver racionalidade econômica (propósito negocial) justificadora do modelo adotado pelas empresas autuadas, tendo apresentado conclusão pericial neste sentido. 176. Diz inexistir qualquer negócio jurídico encobertado, sendo verídicas as operações questionadas, e, além disto, argumenta que haveria autonomia das distribuidoras e normalidade das relações e dos preços praticado, o que pretende comprovar por meio de dois laudos técnicos, já contratados, cujas juntadas aos autos serão oportunamente providenciadas. II.7. Dos Erros na Apuração do IPI Lançado: 177. A impugnante aponta que haveria três erros na apuração feita pela Fiscalização. 178. O primeiro, a inserção dos valores das Notas Ficais nº 68.128 e 68.129 (em relação às quais a Anfíbia teria esquecido de por em prática o esquema de sonegação) nos cálculos das diferenças de alíquota sobre vendas subfaturadas a terceiros (doc. 94, fl. 17.939). 179. O segundo equívoco consistiria no fato de que, conquanto a Fiscalização esteja exigindo, relativamente ao período de 01/01/2009 a 31/12/2012, valores a título de IPI que teriam sido destacados a menor em vendas subfaturadas (item 001 do Auto de Infração, fls. 18.439/18.440), no “Demonstrativo do IPI Destacado a Menor nas Vendas Subfaturadas a Terceiros, disponível no Doc. 94 (no qual, segundo pág. 161, do TVF, ‘são apresentadas as Notas de Vendas a terceiros com cálculo do IPI devido sobre as diferenças”) apenas figura apuração de diferenças concernentes aos períodos de 01/01/2009 a 27/08/2010 (fls. 12.508/14.780). Destarte, na visão da recorrente, levandose em conta a inexistência da demonstração da matéria tributável em relação ao período de 28/08/2010 a 31/12/2012, teria sido descumprido o art. 142, do CTN, pelo que seria nula esta parte da autuação por cerceamento do direito de defesa. 180. O terceiro engano seria o arbitramento dos preços de produtos que a Global Distribuidora não comercializa, para o Fl. 52776DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 41 40 que o TVF afirma que teria levado em consideração os códigos de produtos semelhantes em espécie, tamanho, quantidade, tipo e finalidade, pois, de acordo com a impugnante, ao atribuir um preço de um produto a outro, a Fiscalização teria deixado de levar em consideração o fundamental fator de qualidade da mercadoria. 181. Depois de transcrever o trecho em que o TVF exemplifica que adotou, para o produto “CR. ABACATE SK 300G CX 12x1”, código 3117, o mesmo valor do produto “CRE. PENTEAR ABACATE SK 300GRS CS12X1”, código 3520, critica a impugnante que “apesar (i) de o peso/volume dos produtos ser o mesmo (300g), (ii) de os dois serem vendidos em caixas com1 2 unidades e (iii) de o ‘abacate’ fazer parte da composição de ambos, a qualidade do ‘Creme de Pentear Abacate 300g’ (código 3520) é bem superior ao do ‘Creme Abacate 300g’. Na nota fiscal nº 065351 (anexa), emitida em 21/1/2009, o creme para pentear foi vendido a R$ 12,48 e o outro a R$ 7,68 (ou seja, o primeiro é 38,46% mais caro do que o segundo)”. 182. Conclui este item afiançando que “o preço de um produto não pode ser tomado como parâmetro para a apuração do preço de outro”. II.8. Da Ausência de Capacidade Contributiva em Relação ao Suposto Subfaturamento: 183. Alega a recorrente que não deteria capacidade contributiva em relação ao suposto subfaturamento, eis que incomprovado, segundo alega, o repasse à Anfíbia dos valores confessadamente recebidos pela Caixaforte. II.9. Da NãoCaracterização de Interdependência e da Existência de Erro na Base de Cálculo: 184. Inicialmente neste tópico, a recorrente aponta uma conjecturada contradição na autuação, materializada no fato de que o TVF, ao mesmo tempo em que conclui que as distribuidoras e a Master Line seriam filiais da Anfíbia, diz que estas empresas seriam interdependentes (critica a recorrente sem sentido alguém ser interdependente de si mesmo). 185. Expõe que, conquanto a autuação haja se reportado ao art. 612, do RIPI, ela caracterizou a interdependência com fundamento no inciso II, desde artigo, segundo o qual são interdependentes duas empresas “quando de ambas, uma mesma pessoa fizer parte, na qualidade de diretor, ou sócio com funções de gerência, ainda que exercidas sob outra denominação” e que a autoridade fiscal teria concluído pela interdependência a partir da tese de que as empresas seriam geridas pelas mesmas pessoas, ainda que por intermédio de procurações, que conferiam amplos poderes gerenciais (págs. 145, 148 e 149, do TVF). Fl. 52777DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 42 41 186. Refuta a recorrente a conclusão acima pelas seguintes circunstâncias: 186.1. no período de 2009 a 2012, os sócios da Anfíbia foram o Sr. Nadir e a esposa dele e “nenhum dos dois foi, formalmente, diretor ou sócio gerente de nenhuma das sete empresas supostamente pertencentes ao grupo. Do ponto de vista formal, portanto, não há interdependência”; 186.2. eventual procuração não torna ninguém diretor ou sócio gerente, além do que a simples existência de procuração não prova efetiva gestão; 186.3. indaga: se é o mandato que configura dupla administração, isto significaria que em relação à Nebraska não haveria interdependência? (relembra que a última procuração da empresa fora “cassada” em 17/08/2008, segundo documento anexado); 186.4. no ano de 2012, já não mais havia qualquer procuração vigente e, como a apreensão se deu aos 04/10/2011, não existiria, na documentação apreendida, nenhum documento concernente ao ano de 2012, pelo que a interdependência em relação ao período não estaria calcada em nada; 186.5. as alegações da autoridade fiscal seriam genéricas e as provas colhidas “até poderiam representar um começo de uma investigação mais profunda”, o que não foi feito; assim não se poderia dizer que a Anfíbia e as distribuidoras são interdependentes. 187. Encerra ponderando que, não configurada a interdependência, a base de cálculo da Fiscalização estaria equivocada e que o ponto de partida para apuração da base de cálculo, caso caracterizado subfaturamento, deveria ser o preço de venda praticado pelas distribuidoras, razão por que esta parcela da exigência deveria ser cancelada. 188. Na seqüência, sustenta, para argumentar, que, ainda que estivesse a prosperar, pois a autuação padeceria de dois equívocos: (i) o primeiro, que não foi levado em conta os preços praticados com terceiros pela Global Distribuidora, mas o preço de vendas a esta empresa; (ii) o segundo, que foi coletado o preço no atacado de uma única distribuidora, quando a própria COSIT, por intermédio da Solução de Consulta Interna nº 8, de 13/06/2012, já pacificou o entendimento de que a pesquisa de preços deve ocorrer no mercado atacadista (e não em qualquer outro) e que a amostra única apenas seria viável quando existisse um único distribuidor atacadista na praça do estabelecimento industrial – e, no caso vertente, haveria pelo menos dois: a Global e a Platina. 189. Acrescenta, sobre os produtos congêneres não vendidos pela Global, que a base de cálculo do IPI não seria a eleita pela Fiscalização, também balizada nos preços reajustados Fl. 52778DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 43 42 praticados pela Anfíbia, mas os preços praticados pela própria Platina com clientes dela. 190. Censura, ainda, a margem de sonegação presumida ao percentual de 40% seria equivocada, eis que, nos exemplos que a recorrente passa a discorrer, “em que se compara a NFe da Anfíbia com a da distribuidora e nos quais se anexa inclusive a página do doc. 41 com o num.trans.origem respectivo, vêse não só que a margem varia muito, mas também que, em nenhum dos casos selecionados, ela passou de 30%, ou seja, os 40% pressupostos pela auditoria, além de exagerados, trazem inequívoco prejuízo à autuada”. 191. Dadas as razões acima, requereu a nulidade da parte da autuação ora comentada. II. 10. Da Alegação de que a Fiscalização não Teria Levado em Conta o “Ex” Tarifário Aplicável aos Condicionadores: 192. Critica a defendente que, embora a Fiscalização trate como erro de aplicação de alíquota dos produtos listados no “Doc. 95 – Diferença Alíquota”, na realidade teria, sem dar explicações, feito a reclassificação de produtos fabricados pela Anfíbia, o que seria causa suficiente para a nulidade do Auto de Infração. 193. Defende que, de todo modo, os produtos descritos no Doc. 95 seriam condicionadores, sendolhe aplicável a alíquota de 7% prevista no Extarifário “01”, da NCM 3305.90.00. 194. Pontua que os comentados produtos foram registrados na Agência Nacional de Vigilância Sanitária –ANVISA (a quem, na forma do art. 8º, da Lei nº 9.782/99, compete para regulamentar, controlar e fiscalizar produtos de higiene pessoal) como condicionadores, devendo o registro em referida Agência ser levado em conta para efeito de classificação fiscal. 195. Salienta que nos rótulos de todos os produtos reclassificados figura a indicação de que eles são condicionadores e menciona que na composição destas mercadorias há princípios ativos que objetivam hidratar, amaciar, desembaraçar, proteger e reestruturar os cabelos, pelo que seria indubitável que, realmente, tratamse de condicionadores, aos moldes de diversas Soluções de Consulta, cujas ementas vazou. II.11. Da Vinculação à Busca e Apreensão: 196. Sustenta que a autuação está diretamente relacionada à busca e apreensão realizada aos 04/10/2011, razão por que, se a ordem judicial que deferiu a medida cautelar for revogada, o combatido Auto de Infração, baseado nas provas obtidas por meio dela, ficará automaticamente cancelado. Para respaldar sua assertiva, faz remissão a suposta decisão do STF no HC nº 92.050/RJ. II.12. Da Multa Qualificada: Fl. 52779DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 44 43 197. Defende que o argumento de que os Srs. Oscar, Nadir, Fernando e Sérgio teriam agido de forma simulada ao criar e manter operações irregulares com o propósito de afastar do conhecimento da autoridade fiscal as operações reais do "Grupo Skala" seria dirigido apenas a estas pessoas físicas e não poderia legitimar o aumento da multa em relação à pessoa jurídica. 198. Alude, ainda, que: (i) não houve venda de cosméticos a preços artificiais e que as margens praticadas são inferiores aos 40% indicados pela Fiscalização, o que repisa será comprovado com laudo pericial já contratado; (ii) nenhum dos intimados confirmou que teria combinado com a Anfíbia o subfaturamento de 40% e que não haveria provas de que os valores recebidos pela Caixaforte foram repassados à Anfíbia, não tendo naquela factoring sido encontrada nenhuma evidência de que ela teria feito pagamento de contas da Anfíbia. 199. Repete desconhecer a Comercial Treze e que os documentos a ela relativos não foram apreendidos na Anfíbia, mas no escritório da Total Contabilidade, e, ainda, repisa que não fez qualquer reestruturação para pagar menos tributos e novamente se reporta ao resultado da diligência feita pela DRF/Uberaba no ano de 2007, que não detectou irregularidades. 200. Também retoma a alegação de inexistência de esquema para diminuir a carga tributária, mas de uma especialização das atividades de distintas empresas e que, mesmo que tivesse sido implementado planejamento tributário, ainda assim a multa qualificada seria impertinente, consoante precedentes administrativos cujas ementas exibe. 201. Tem como incomprovado o evidente intuito de fraude necessário à aplicação da multa dobrada, eis que, mesmo que existisse algum ato desabonador, ele não teria sido deliberado e questiona onde estaria a prova do dolo, que afirma não poderia ser comprovado por meio de indícios. 202. Reproduz a Súmula nº 14, do CARF (“A simples apuração de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo”) e fala do princípio do in dúbio contra fiscum. 203. Encerrando este ponto, diz que o STF já firmou entendimento no sentido de que multa fixada em percentual superior a 100% seria confiscatória (AgRg no RE 748.257/SE). II.13. Do Pedido: 204. Por todas as razões acima, requereu a impugnante a nulidade, o cancelamento ou a improcedência total do Auto de Infração e, com fundamento no art. 16, §4º, “a”, do Decreto nº 70.235/72, c/c o art. 38, da Lei nº 9.784/99, no princípio da verdade material e na jurisprudência que menciona, pugnou a posterior juntada dos laudos técnicos anteriormente mencionados, já em fase de elaboração, bem como de outros dados e informações que ainda serão colhidos e pugna, apesar Fl. 52780DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 45 44 da aludida documentação ainda não ter sido acostada aos autos, que ela seja expressamente levada em conta no momento do julgamento. III. Da Impugnação do Sr. Nadir de Castro Neves: 205. No recurso por ele protocolizado, o Sr. Nadir de Castro Neves reitera os termos da Impugnação da Anfíbia e acrescenta os aspectos específicos abaixo: 206. Menciona inexistir, no ordenamento jurídico brasileiro, norma relativa aos Termos de Responsabilidade Solidária, o que, por si só, já nulificaria a imputação, eis que à Administração Pública apenas pode praticar atos que a lei lhe autoriza. 207. Ressalva que sobredito Termo não contém todos os requisitos do art. 10, do Decreto nº 70.235/72, especialmente a obrigatoriedade de intimação para pagar ou impugnar e, assim, mesmo se entendesse possível a sua emissão, o citado Termo seria nulo, o que corrobora com fragmento de voto proferido no Acórdão nº 110100.625. 208. Também indica haver erro no enquadramento legal do Termo de Sujeição Solidária, pois o inciso I, do art. 124, do CTN, pressupõe, consoante doutrina e jurisprudência que reproduz, participação pessoal e direta no ato ou fato que caracteriza a obrigação tributária, o que não teria ocorrido em relação ao recorrente na situação em testilha. 209. Afirma o impugnante que ele não tem vinculação pessoal e direta com o fato gerador dos tributos exigidos da Anfíbia, não industrializou nem vendeu cosméticos, não auferiu receita de venda destes produtos nem lucro desta atividade e que seria impossível que ele tivesse praticado fatos geradores dos tributos exigidos16 e, ainda, que ao qualificar como solidariedade algo que no máximo seria responsabilidade de terceiro, a Fiscalização cometeu erro de enquadramento legal que, por si só, bastava para “afastar o impugnante da autuação”. 210. Também vitupera que o impugnante não foi intimado a prestar esclarecimentos no curso do procedimento fiscal e que as assertivas da Fiscalização não apontariam um único ato específico que ele teria praticado, o que prejudica sua defesa. 211. Ao final, requereu o cancelamento ou a revogação de sua responsabilização e, com esteio no art. 16, §4º, “a”, do Decreto 70.235/72, no art. 38, da Lei nº 9.784/99, no princípio da verdade material e na jurisprudência que menciona, solicitou a posterior juntada de documentos. IV. Da Impugnação do Sr. Oscar Lacerda: Fl. 52781DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 46 45 212. No recurso que apresentou, o Sr. Oscar Lacerda reitera os termos da Impugnação da Anfíbia e pelo Sr. Nadir e adita as questões abaixo: 213. Reforça que a transferência da marca Skala da Layff Kosmetic para ele foi legal, o que inclusive foi judicialmente reconhecido. 214. Diz não ser chefe de nenhum esquema e que, como a marca Skala lhe pertence, tudo a ela referente é tratado com o impugnante, donde presume a impressão de “ascendência” do defendente em relação aos demais implicados na ação fiscal e que “a bem da verdade, digase que existe mesmo uma certa deferência de todos em relação ao Sr. Oscar (e da qual o impugnante muito se orgulha), pois, muitos dos amigos, hoje empresários, são ‘cria’ do defendente (aprenderam a administrar empresas com ele). E só isso, no entanto. Um não interfere na vida/empresa do outro” eafirma que apenas administra as empresas da qual é atualmente sócio (Platina, JS e Saga). 215. Afiança nunca ter ocorrido administração indireta, pois, apesar de todas as procurações, que informa hoje “cassadas”, nunca ninguém se intrometeu na empresa do outro eque tais procurações “foram outorgadas mais para que as pessoas envolvidas pudessem acompanhar e se inteirar do que o outro estava fazendo (sem ter que ficar pedindo abertura de dados a toda hora; daí os poderes amplos). Depois que cada um encontrou sua vocação, esta ‘vigilância’ acabou e os assuntos comuns (lançamento de um novo produto, p. ex.) passaram a ser tratados em reuniões periódicas”. 216. Menciona que, no início, realmente houve grande alteração societária das empresas fiscalizadas (o que explica em função de problemas de capital, sócios com distintas visões, etc), mas que houve uma acomodação nos anos de 2009 a 2012, período fiscalizado. 217. Na seqüência, o recorrente assim discorre as questões tratadas por meio das perguntas 2 a 8 do TIF nº 58/2013, que lhe foi enviado durante o curso do procedimento fiscal: 218. Relativamente à indagação nº 2 (a razão por que contas pessoais do impugnante foram encontradas na Master Line), ao avaliar a resposta dada pelo peticionante de que os documentos estavam guardados não na referida empresa, mas nos arquivos pessoais do Sr. Fernando, procurador do Sr. Oscar desde o ano de 1986, a Fiscalização, apesar de confirmar a existência da procuração, refuta que “nos documentos encaminhados, há operações sobre as quais não poderia o Sr. Antônio Bonisatto ter acesso, pois eram documentos tratados pela Comercial Treze”,tendo o recorrente redargüido que: 218.1. constatarseia, no Doc. 86, que foram pagas com seus recursos as contas pessoais do impugnante (o que ratifica) e alega desconhecer a documentação integrantedeste conjunto Fl. 52782DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 47 46 documental a partir do borderô de fl. 6648 até o de fl. 6653, que diz ter sido encontrado na Total Contabilidade, consoante inclusive inscrito no alto da fl. 6648 e na parte inferior da fl. 6650, em que figura a referência ao ‘AAD 6227’, que indica a apreensão que ocorreu na Total; 218.2. censura que a Fiscalização teria misturado documentos apreendidos nos arquivos pessoais do Sr. Fernando (dentro da Master Line) com documentos encontrados na Total Contabilidade, que não informou isto ao intimado e que ainda ela critica a resposta do recorrente. 219. No tocante à compilação de dados aludida na pergunta nº 3, disse que desconhecia a planilha e acenou a possibilidade de o documento tivesse sido elaborado pela Total Contabilidade, que inclusive confirmou tal ocorrência. 220. Sobre o questionamento de nº 4 (divulgação de dados de faturamento e ao lucro da Platina a outras empresas), justificou que, como proprietária da marca Skala, a Platina é a maior interessada em repassar tais informações para saber o andamento do intangível. 220.1. Rebate o apontamento da Fiscalização de que não fora apresentado documento de instituição financeira (ou outra) solicitando a avaliação da marca Skala, pois, como dito pela Platina durante o procedimento fiscal, o demonstrativo de faturamento de todas as empresas foi elaborado para subsidiar estudo de avaliação de marca requerido pela empresa Pátria Investimento (fl. 6305, Doc. 85, 2ª parte), tendo inclusive sido entregue tal solicitação à Fiscalização, tanto que, por intermédio do TIF nº 69/2013, os autuantes requereram que fosse apresentada “a solicitação original efetuada pela Pátria Investimentos”(fl. 6320) e afirma que a autoridade fiscal não teria acostado o documento apresentado pela peticionante, tal como fez em relação a uma resposta dada pela Sra. Daniela Saad (vide itens 150 e 151 acima). 221. Quanto às indagações de nº 6 e 7, relativas a supostos pagamentos efetuados pela Comercial Treze, aduz que os documentos a ele referentes foram apreendidos na sede da Total Contabilidade – e não da Platina , pelo que desconhece tal documentação. 222. Acerca da pergunta nº 8 (sobre recibos de pagamento em de valores pela Comercial Treze ao impugnante), o recorrente, equivocadamente, falou de início de que poderia se tratar de algum crédito, mas, em atendimento a reintimação da Fiscalização que lhe instava ser mais específico sobre o assunto, debruçouse sobre o material e retificou a tal informação e disse que não recebeu os valores descritos nestes documentos. 223. Por fim, no tangente ao recibo da EBCT citado no item 90, contrapõe que no impresso do Correio figura como vencimento a data de 12/09/2011 e há indicação de que o pagamento fora realizado em cheque, enquanto o recibo assinado por um senhor Fl. 52783DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 48 47 chamado João Pedro está datado de 20/09/2011. Ademais, questiona: se a Comercial Treze não tem existência, como ela poderia ter emitido um cheque? 224. Enfatiza que, apesar de toda a documentação apreendida, não fora encontrado um único ato indicativo de que o Sr. Oscar administrasse a Anfíbia e aduz que a atribuição da condição de administrador de fato deve estar perfeitamente demonstrada, sendo que ele apenas responde pessoalmente por atos praticados com dolo, máfé, imprudência ou imperícia, e que, como no caso vertente, não foi patenteado qualquer ato de gestão da Anfíbia praticado pelo Sr. Oscar, sua corresponsabilização deveria ser afastada. V. Da Defesa dos Srs. Antônio Fernando Bonisatto e Sr. Sérgio Moraes Sampaio: 225. Igualmente, os Srs. Antônio Fernando Bonisatto e Sr. Sérgio Moraes Sampaio reiteraram os termos das defesas da Anfíbia e do Sr. Nadir de Castro Neves e afirmam eles que nada têm com a transferência da marca Skala para o Sr. Oscar. 226. Dizem que o fato de serem sócios da Master Line e, concomitantemente, o Sr. Sérgio ser proprietário da empresa Doca e o Sr. Fernando da Wanchovia, não traduz conluio. 227. Grifam que inexistem relações comerciais entre as distribuidoras e que a Master Line apenas mantém relação comercial com a Anfíbia, diante do que não se poderia cogitar de grupo econômico (Acórdão 2401002.952). 228. Advogam que a simples circunstância de os requerentes serem administradores não é bastante para lhes atribuir responsabilidade pelos débitos das empresas por ele geridas, havendo necessidade de comprovação de culpa no desempenho da função, consoante precedente do STJ que colaciona. 229. Sustentam inexistir qualquer ato específico dos recorrentes que os possam responsabilizar, nem há evidências de que eles sejam sócios de fato da Anfíbia e que integravam o chamado “Núcleo Diretoria”, não tendo sido apresentado qualquer cheque ou contrato por eles assinados nem foram apontadas decisões que acaso tivessem tomado. 230. No que pertine à troca de emails aludido no item 53 acima, argumentam que, como se tratam de comunicações entre o Sr. Maurinho e a Sra. Pherla, eles deveriam ter sido intimados a esclarecer exatamente a que se refere o diálogo e acrescentam que o Sr. Sérgio sequer é ali mencionado, pelo que não teria como nada explicar a respeito. 231. Por todas as razões acima, requereram o cancelamento dos “Termos de Sujeição Passiva Solidária”. VI. Da Impugnação da Sra. Maria das Graças Fernandes Oliveira: 232. A Sra. Maria das Graças se reporta à declaração, por ela prestada perante o Primeiro Ofício de Notas de Uberaba, em que faz diversas críticas a suposta violência da busca e Fl. 52784DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 49 48 apreensão tratada nos presentes autos e expressa que jamais teve conhecimento do "Grupo Skala" ou da sonegação alegada pelos autuantes. 233. Reitera que jamais fora empregada das empresas autuadas, o que pretende testificar com cópia de sua Carteira de Trabalho que anexa, e assevera nem ela nem a empresa de que é sócia jamais se beneficiaram de qualquer esquema e pondera que, se empresas que gravitam em torno da marca Skala quiseram contratar seus trabalhos, não poderiam se recusar. 234. Qualifica a busca e apreensão como um erro e se declara mais chateada não com a sua responsabilização (já que não tem condições de pagar a dívida), mas com a insinuação de que teria participado e acobertado crimes. 235. Afirma que, após mistura de papéis e atribuição de documentos de sua autoria a terceiros, não poderia, mesmo sabendo das conseqüências, faltar com a verdade e deixar que um arquivo que foi elaborado dentro do escritório da Total Contabilidade (o que sabe ter ocorrido “porque nós é que o fizemos”) seja atribuído a um cliente. 236. Reputa como pessoal e maldosa retaliação a sua inclusão como responsável pelo débito lançado e indaga por que ela foi pessoalmente responsabilizada – e não a Total Contabilidade e argumenta que foi a empresa (que com a pessoa física é inconfundível, conforme decisões que transcreve) quem assinou as respostas dadas à Fiscalização. 237. Conclui que “como nada fiz em nome próprio e não há nos processos absolutamente nada contra a minha pessoa física (...), peço o cancelamento da coobrigação que me foi imputada”. VII. – Da Impugnação de Platina Cosméticos Ltda, Distribuidora Nebraska Ltda, Distribuidora Wanchovia Ltda, Doca Distribuidora de Cosméticos Ltda, Saga Distribuição de Cosméticos Ltda e JS Comércio e Distribuição de Perfumaria Ltda: 238. Na Impugnação por elas protocolizadas aos 17/01/2014, as recorrentes dizem que aproveitam os mesmos termos da defesa da Anfíbia e, em complementação, sustentam haver erro no enquadramento legal do Termo de Sujeição Solidária, pois o inciso I, do art. 124, do CTN, pressupõe, consoante doutrina e jurisprudência que reproduz, participação pessoal e direta no ato ou fato que caracteriza a obrigação tributária, o que não teria ocorrido em relação ao recorrente na situação em testilha. 239. Afirmam que não têm vinculação pessoal e direta ao fato gerador dos tributos exigidos da Anfíbia, não industrializaram nem venderam cosméticos, não auferiram receitas de venda destes produtos nem lucros decorrentes desta atividade tampouco se beneficiaram dos fatos geradores dos tributos exigidos, pelo que não poderiam ser responsabilizadas solidariamente com esteio no art. 124, I, do CTN (reproduzem Fl. 52785DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 50 49 excertos de votos dos Acórdãos nº 1402001.237, 10421662 e 10402001481 para respalda suas alegações). 240. Mencionam que a Fiscalização não teria correlacionado os fatos por ela narrados com os dispositivos legais pertinente, não tendo procedido à subsunção do fato à norma, constatação que, por si só, excluiria a responsabilidade dos recorrentes (reproduz trecho do voto no Acórdão nº 1101000817 neste sentido). 241. Criticam, também, que, apesar de afirmar que as distribuidoras seriam filiais da Anfíbia – o que conduziria à tributação de todos como uma única entidade – a auditoria atua apenas a indústria e corresponsabiliza as atacadistas, o que também justificaria o cancelamento da coobrigação (apóiam a conclusão no Acórdão nº 3202.000.675). 242. Afiançam que, ainda que formassem grupo econômico, ainda assim não haveria razão para responsabilizálas, consoante precedente do STJ no AgRg no AI nº 1.392.703/RS. Outrossim, defendem que, mesmo que existisse controle centralizado, não se poderia atribuir às distribuidoras eventuais falhas da Anfíbia (citam os Acórdãos nº 101.96.145 e 107.08692 para lhes dar sustentação). 243. Dizem que art. 135, do CTN, não serve para responsabilizar as distribuidoras, pois versa sobre responsabilidade pessoal e exclusiva (Acórdão nº 10422977). 244. Realçam que as impugnantes não foram fiscalizadas e possuem contabilidade regular, não podendo ser aqui responsabilizadas (Acórdão nº 10808981). 245. Alertam que nos documentos que comprovariam que os sócios das recorrentes seriam meros funcionários do grupo não há sequer uma assinatura e não serviriam como prova apta a desconstituir empresas regularmente registradas nas Juntas Comerciais. 246. Aduzem, ainda, não ter sido evidenciado um único ato por elas praticados que pudesse respaldar a corresponsabilização, pelo que não têm como se defender (remetemse aos Acórdãos nº 10708003 e 2402001937). 247. Acentuam, ainda, que ao concluir que haveria sócios de fato distinto dos formais e que as impugnantes não seriam empresas autônomas a Fiscalização teriam desconsiderado as suas correspondentes estruturas societárias com fundamento no art. 116, do CTN, que ainda depende de regulamentação (Acórdão nº 20216959). 248. Queixamse que foram responsabilizadas, de modo desproporcional, por toda a autuação e requereram que, se não aceitos os argumentos acima deduzidos, que suas respectivas responsabilidades sejam limitadas às operações de cada distribuidora com a Anfíbia, com exclusão dos valores atinentes ao subfaturamento. Fl. 52786DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 51 50 249. Por todo o exposto, requereram o cancelamento, ou a revogação, de suas correlatas responsabilidades passivas. VIII. Da Impugnação da Distribuidora Noviça Ltda: 250. Inicialmente, a Distribuidora Noviça reitera a impugnação da Anfíbia e das demais distribuidoras. 251. Depois, pondera que, como a “Anfíbia obteve novos documentos, identificou outros erros e pediu para que a ora impugnante os apresente à apreciação desta DRJ (afinal das contas, os quinze autuados estão ‘no mesmo barco’), a Noviça traz à discussão apenas essas ‘questões inéditas’”. 252. Aduz que inexistiria qualquer documento ou boleto de cobrança concernente às vendas realizadas pela Anfíbia à distribuidora Jota Forte Comércio de Alimentos Ltda, sediada em Contagem/MG e que não faz parte do suposto "Grupo Skala" e que teria sido subfaturada, mas, apesar disto, a Fiscalização considerou que as notas fiscais destas vendas também representavam apenas 60% dos valores reais das operações, não havendo respaldo para tanto e censura que esta tributação teria sido feita por presunção e seria despropositada e absurda. 253. Giza que os preços praticados pela Anfíbia com a Jota Forte seriam compatíveis com os praticados com as distribuidoras coobrigadas não porque haveria um estratagema para validação de preços dentro do "Grupo Skala", mas porque seriam os preços reais de venda. 254. Assegura que “nas vendas da Anfíbia para a Jota Forte e desta para o varejista, jamais se atingiu a margem de 40% estipulada pela fiscalização (planilha e notas fiscais anexas). Com isso, vêse não só que não era perfeitamente possível calcular a margem exata (o que revela a inviabilidade do arbitramento), mas também que o percentual estipulado está exagerado”. 255. Sobre o VTM, aduz que, na realidade, haveria, além da Global e da Platina, mais dois distribuidores dos produtos Skala e Bellsoft na praça de Uberaba: a LS Guarato Ltda e a Henrique Distribuidora de Perfumaria Ltda e, reportandose à Solução de Consulta Interna Cosit nº 8/2012, diz que a autuação deveria ser imediatamente cancelada. 256. Narra que, apesar de o TVF ter afirmado, em sua pág. 164, que as devoluções de mercadorias teriam sido subtraídas das bases de cálculo das infrações, não haveria, diferentemente do que ocorreu nos processos administrativos nº 10650.721602/201326 e 10650.721604/201315, demonstração da efetividade desta subtração, que solicita a recorrente seja procedida e complementa que “a Anfíbia identificou diversas operações de devoluções que não constam dos Docs. 100106. Assim, a impugnante pede a juntada da relação dessas NFs, de algumas amostras e pede que elas sejam excluídas do valor tributável”. Fl. 52787DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 52 51 257. Especificamente quanto às devoluções de alguns produtos vendidos pela Anfíbia à Distribuidora Nebraska, consigna que a Fiscalização não teria apurado crédito “relativo aos seguintes cremes: ‘Cr. Pentear Hyperlumi SK 300g’, ‘Cr. Genetiqs SK 300g.’ e ‘Creme Chocolate SK 1000g’”. 258. Ao final, requereu a anulação, o cancelamento ou a improcedência do Auto de Infração. IX. Do Pedido de Juntada de Declaração da Empresa Total Contabilidade LTDA – ME e de Laudo de Constatação: 259. Por meio da petição de fls. 20.007/20.008, protocolizada aos 04/04/2014, a autuada requer a juntada de: (i) Declaração, prestada aos 28/03/2014, pela empresa Total Contabilidade perante o 2º Ofício Notarial de Uberaba (fls. 20.010/20.012); e (ii) Laudo de Constatação (fls. 20.014/20.158). 260. Em resumo, de acordo com a Declaração de fls. 20.010/20.012, prestada pelo Sr. José Geraldo Alves Júnior (sócio da empresa), na data da apreensão noticiada nos correntes autos estaria nas instalações da Anfíbia um “hard disk”, de propriedade da Total Contabilidade, que fora apreendido, no qual estavam copiados dados de diversos clientes e relaciona diversos documentos (intitulados, no presente processo administrativo, como Doc. 07, 08, 09, 10, 11, 12, 13, 14, 21, 25, 26 e 28) que foram elaborados e/ou estavam na posse da empresa declarante. 261. Já no Laudo de Constatação de fls. 20.014/20.158, depois de diversas verificações, conclui o perito que: 261.1. “as pessoas indicadas nos Quadros Sociais das empresas são seus efetivos sócios/gestores. Tal constatação foi confirmada junto a vários colaboradores com os quais conversei quando das visitas aos estabelecimentos das empresas”; 261.2 “Anfíbia, Master Line, Platina, JS, Wanchovia, Saga, Noviça, Doca e Nebraska estão devidamente inscritas nos órgãos públicos pertinentes; todas elas apresentaram as Declarações e Demonstrativos exigidos pela legislação vigente, como, por exemplo, DIPJs, DACONS, DCTFs, DIRFs, RAIS, SPEDS, etc”; 261.3. “Os sócios/gestores das empresas apresentaram as Declarações de Ajuste do Imposto de Renda da Pessoa Física, as quais, tive oportunidade de analisar e que, pelo que pude observar, foram aceitas e processadas pela Receita Federal do Brasil”; 261.4. “Pelo que pude constatar no exame, por amostragem, da documentação apresentada pelas empresas à Receita Federal do Brasil, não vi nenhuma sonegação de impostos. As empresas recolhem os tributos apurados dentro dos prazos estipulados em Lei. Ainda via exame por amostragem, verifiquei que os valores dos Impostos Federais apurados e informados nas Declarações e Fl. 52788DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 53 52 Demonstrativos são aqueles descritos nos respectivos Documentos de Arrecadação de Receitas Federais – DARFs, devidamente quitados junto às Instituições Financeiras credenciadas”; 261.5. “Analisando a documentação que me foi fornecida, constatei que as empresas possuem CNDs relativas a impostos e contribuições federais e relativas à Previdência Social, possuem Certificados de Regularidade do FGTS, Alvarás de Localização e Funcionamento expedidos pelas Prefeituras Municipais onde elas estão estabelecidas. Constatei também que as empresas transacionam com Instituições Financeiras, uma vez que analisei diversos extratos bancários que me foram disponibilizados. Constatei, por outro lado, que a contabilidade de cada empresa é separada, organizada e, pelo que pude perceber, tudo está rigorosamente em dia”; 261.6. “Não constatei confusão patrimonial. Cada empresa é gerida pelos seus sócios/administradores com total independência. Cada uma delas possui a sua respectiva equipe de vendas e cada qual tem colaboradores que cuidam de suas respectivas áreas administrativas”; 261.7. “Não constatei gestão única. Se existe algum encadeamento, ele é apenas para otimizar custos, melhorar a logística e agilizar as entregas”; 261.8. “Perguntei a várias pessoas se havia alguma articulação central e controle único ou compartilhado e todos foram unânimes em afirmar que não. Também não notei nada diferente disso. Algumas grandes decisões da Anfíbia são comunicadas e, às vezes, as Distribuidoras até participam das análises, principalmente quando se trata de explorar um novo seguimento, linha ou produto. Mas é só. Percebi que são feitas muitas análises e monitoramento da Marca Skala”; 261.9. “Percebi que cada um dos sócios/gestores conhece bem apenas a sua própria empresa (e as potencialidades dela somente). Perguntei se um sabia da empresa do outro e me foi dito que cada um sabe apenas do que é seu. Cada um cumpre o seu papel da melhor maneira possível, todos buscam o engrandecimento da marca, cujo reflexo positivo será benéfico a todos. Percebi que existe um interesse comum entre as empresas, pois, se a Marca Skala crescer e ficar mais conhecida, provavelmente os preços aumentarão, as vendas se expandirão e as margens serão mais satisfatórias. Isso, no entanto, revela um interesse puramente comercial. Não vi nada diferente disso”; 261.10. “Constatei também que as Distribuidoras não têm apenas a Anfíbia como fornecedora de cosméticos, ou seja, não há dependência. A linha de desodorantes, por exemplo, é totalmente independente (o fabricante é a Baston). A Anfíbia também não terceiriza a sua produção apenas com a Master Line. A industrialização por encomenda de alisantes capilares, por exemplo, é feita pela Alona Laboratórios Ltda”; Fl. 52789DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 54 53 261.11. “Não percebi nenhum vínculo entre as empresas nas áreas administrativa, econômica e financeira. Observei, no entanto, uma vigilância entre todas, porque, se a Mater Line não envasar, não haverá produto a ser vendido; se a Anfíbia não municiala de matérias primas e embalagens, a Master Line deixará de produzir e não terá condições de oferecer preços satisfatórios. Se as distribuidoras não cumprirem os prazos acordados, irão prejudicar a todos”; 261.12. “Não percebi nada que indicasse a utilização de laranjas e/ou testas de ferro”; 261.13. “Pude constatar, ainda, que as operações efetuadas pelas empresas de fato ocorreram. Transportes de mercadorias foram efetuados, as empresas compram e pagam, vendem e recebem, relacionamse com os Fiscos, com clientes e fornecedores, com Instituições Financeiras, tudo em prol do crescimento de cada uma delas”; 261.14. “Na minha ótica, as empresas são realmente autônomas”. X. Do Pedido de Juntada de Relatório Fiscal e Dois Autos de Infração: 262. Através da petição de fls. 22.641/22.642, os responsáveis solidários Antônio Fernando Bonissato, Keila Alves Martins Duarte, Maria das Graças Fernandes de Oliveira, Nadir de Castro Neves e Sérgio Moraes Sampaio requereram a juntada de dois Autos de Infração e dos respectivos Relatórios Fiscais lavrados contra a Anfíbia aos 29/10/2014 por meio dos quais a Delegacia da receita Federal do Brasil responsável, dando continuidade à Fiscalização que gerou a autuação em altercação, deixou de corresponsabilizálos e, diante disto, requereram o cancelamento dos “Termos de Sujeição Passiva Solidária” expedidos em seus nomes. XI. Do Pedido de Anexação de Parecer Técnico: 263. Por fim, por intermédio da petição de fls. 22.679/22.680, datada de 20/02/2015, a autuada encaminha o Parecer Técnico de fls, 22.685/22.735. 264. Referido Parecer critica a conclusão da autuação quanto à existência de um “manual” de subfaturamento porque ela teria se pautado apenas em anotações pessoais da Sra. Daniela Saad, ao qual outros empregados da Anfíbia não tiveram acesso e não constituiria documento emitido pela empresa. 265. Assegura inexistir “subsídios técnicos e documentais (registros contábeis, movimentos bancários, caixa ou qualquer outro meio) que forneçam base para a realização de testes da suposta movimentação financeira subfaturada de 40% entre a Caixaforte e a Anfíbia” e menciona que a possibilidade de tributação da Caixaforte pelo lucro arbitrado é legalmente prevista e que “Tendo em vista que o procedimento fiscal adotado pela Caixaforte cumpriu os ritos contábeis e legais demandados pela legislação, não encontramos elementos para confirmar as alegações subjetivas da fiscalização”. Fl. 52790DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 55 54 266. Aponta que a autoridade fiscal, nos cálculos que fez com o objetivo de comprovar o subfaturamento no percentual de 40%, não teria incluído o ICMS devido por substituição tributária informado na Nota Fiscal e critica que “ao não inserir na composição do valor da nota fiscal o valor do ICMS ST, a fiscalização distorceu os cálculos, de modo a atingir a margem de subfaturamento de 40% que ela pretendia comprovar”. Dá exemplos de sua afirmação (Notas Fiscais nº 19.043 e 41.709). 267. Censura que, se a fiscalização mantiver o entendimento de que a Caixaforte e as distribuidoras fazem parte da Anfíbia, “deveria levar em consideração os tributos recolhidos por essas outras empresas citadas e abater esses valores dos tributos lançados, pois, de outra forma, ela estaria tributando duas vezes a mesma materialidade”. 268. Reportase à eleição da Distribuidora Global como empresa modelo do suposto esquema de subfaturamento e expõe que “O confronto entre os preços médios praticados pela Anfíbia com as diversas distribuidoras e entre ela e a Global demonstrou que não há diferenças significativas. Dessa forma, foi possível demonstrar, por documentos, que não existem grandes diferenças de preços entre as vendas para Global e as feitas para outras distribuidoras” e que, segundo se observaria na planilha apresentada no laudo e no Anexo 5, “ao utilizar, englobadamente, o preço médio praticado pela Anfíbia nos 118 produtos analisados, não foram identificadas diferenças de preços substanciais, comprovando, assim, a afirmativa da própria fiscalização. De fato, praticamente não há diferenças nos preços médios globais praticados com as distribuidoras, de um lado, e com a Global, de outro”. 269. Comenta que, no entanto, o exame individualizado dos produtos comercializados, indicaria distorções (apresenta tabela com diferenças positivas para alguns produtos e negativas para outros), “é possível afirmar que existem relevantes diferenças de preços entre as médias, por produto, praticadas com as distribuidoras analisadas e com a Global”, diante do que o perito tem por “equivocado considerar que os preços praticados pela Anfíbia com a Global poderiam ser um ‘modelo’ para a comprovação de um suposto esquema de subfaturamento. Utilizar esse parâmetro faz com que os cálculos da autuação sejam questionáveis do ponto de vista técnico. É que, as quantidades vendidas podem influenciar de forma significativa os valores apurados pela fiscalização”. 270. Diz que a maior venda de determinado produto “é muito comum no mercado. Toda empresa possui um produto que é carrochefe (campeão de vendas) e, por outro lado, aqueles que existem apenas para compor um determinado ‘mix’. A falta de análise dos volumes vendidos compromete, como visto, a qualidade técnica do trabalho fiscal. Essa importante variável (extremamente relevante) sequer foi noticiada no relatório fiscal”. Fl. 52791DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 56 55 271. Fala que “Devido à Global não ter adquirido todas as linhas de produtos fabricadas pela Anfíbia, a fiscalização criou um complexo e confuso critério de nivelamento de produtos similares. Os produtos considerados ‘idênticos’ pela fiscalização tiveram seus preços balizados pelos preços praticados com a Global. Outro ponto questionável foi a sistemática criada para a atualização dos valores dos produtos que a fiscalização balizou com os vendidos à Global para utilização em períodos diferentes”. 272. Afirma que “Conforme demonstrado no Anexo 5, dos 195 produtos vendidos pela Anfíbia para as empresas selecionadas no ano de 2012, cerca de 118 produtos também foram alienados para a Global. Em proporção, não foram vendidos para a Global cerca de 39,49% do total dos produtos analisados” e que “Com essa desproporção, partir de parâmetros criados a partir da empresa Global torna a autuação ‘forçada’, sem fundamento técnico”. 273. Indaga: “Se a afirmação fiscal de que há subfaturamento de 40% em todas as vendas feitas pela Anfíbia fosse correta, por que criar uma sistemática de preços baseados somente nas vendas à Global Distribuidora?”. 274. Aduz que, com base nos documentos apresentados pela Caixaforte à Fiscalização, teria sido possível constatar que 89 empresas teriam feito descontos perante a Caixaforte, mas que a Fiscalização teria concluído pela existência de subfaturamento em relação a 472 empresas. 275. Destaca que o percentual de clientes com títulos negociados na Caixaforte equivaleria a apenas 18,86% do universo de clientes que compõem a autuação e externa que “Em critérios técnicos, entendemos que a porcentagem de 18,86% dos clientes da Anfíbia negociados junto à Caixaforte não pode ser utilizado como base para afirmar que 100% dos clientes da Anfíbia participavam de um suposto esquema de subfaturamento. Se considerarmos as outras 8 empresas participantes do suposto “Grupo Skala” no total de clientes que compõem a base da autuação, o percentual passaria para 18,54%, o que também não daria subsídios à afirmação”. E conclui neste aspecto que “como não foram apresentadas outras provas demonstrando o envolvimento de cerca de 80% dos clientes da Anfíbia, não é sustentável dizer e generalizar o suposto esquema de subfaturamento, ainda mais por meio de arbitramentos”. 276. O Parecer Técnico registra, ainda, que a autuação, segundo expressamente dito no TVF, não levou em consideração as operações das distribuidoras com os seus correspondentes clientes e que a alegação de subfaturamento somente não tem condições de prosperar se os preços dos produtos praticados entre as distribuidoras e seus clientes forem inferiores aos respectivos preços, levando em consideração o suposto subfaturamento, praticados pela Anfíbia às distribuidoras. Fl. 52792DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 57 56 277. Diante do que consta acima, narra o perito que solicitou à Anfíbia “que solicitasse aos clientes dela cópias das notas fiscais de venda para que pudéssemos verificar se os preços praticados pelos distribuidores confirmariam (ou não) o alegado subfaturamento” ao que a empresa respondeu que “em geral, as distribuidoras não abrem essa informação para a fabricante (por questões gerenciais e estratégicas). Apesar disso, ela conseguiu 3 NFs emitidas pela empresa Jota Forte em maio de 2012”. 278. Expõe que selecionou aleatoriamente nestas Notas para análise os produtos classificados sob os códigos 839 e 840 e disse que, comparandose os preços praticados nas operações de vendas destas mercadorias da Anfíbia para a Jota Forte (levantados nas correlatas Notas Fiscais de venda fornecidas pela Anfíbia) e os adotados pela Jota Forte com seus correspondentes clientes, apurou diferenças de 36% e 35%, respectivamente (ressalta que os preços praticados pela Jota Forte com seus clientes foram definidos a partir da seguinte equação: Valor unitário final = valor do produto unitário conforme descrito na nota fiscal da Anfíbia + valor do ICMS ST + o valor do IPI). 279. Além disto, cita que, no mês de agosto de 2011, a Anfíbia vendeu para a Platina 1.500 unidades do produto “Cond. BS Abacate 350ml – CX12X1 Novo” ao preço unitário de R$ 1,42 e que, por seu turno, a Platina revendo o produto por R$ 1,54 cada e que, aplicandose a margem de 40% adotada pela Fiscalização, o preço final de venda da mercadoria pela Anfíbia teria sido de R$ 2,37, superior em R$ 0,83 ao praticado pela Platina com seu cliente, e, por consequencia, neste exemplo a base de cálculo apurada pelo procedimento fiscal estaria majorada em R$ 1.245,00 (=R$ 0,83*1.500,00). 280. Apresenta, em relação a produtos fabricados pela Anfíbia, quadros com levantamento da margem de lucro auferido pela Distribuidora Platina Cosméticos Ltda – MG (mês de agosto de 2011), Platina Cosméticos Ltda – GO (janeiro de 2012), Distribuidora Noviça Ltda (fevereiro de 2012), Distribuidora Nebraska Ltda (mês de junho de 2012), Js Com Distribuição de Perfumaria Ltda (mês de maio de 2012), Distribuidora Wanchovia – SP (mês de maio de 2012) e Distribuidora Wanchovia – GO (mês de maio de 2012) e, diante destes quadros, assevera que “Com os quadros acima, fica evidente que a alegação de um esquema de subfaturamento nas vendas da Anfíbia para as distribuidoras não se sustenta” e que “qualquer argumentação nessa linha deveria, necessariamente, checar os preços de venda praticados pelas distribuidoras. Caso contrário, a realidade desmente a conclusão fiscal”. 281. O perito pondera, ainda, que, levandose em conta que “a fiscalização possui em sua base de dados todas as notas fiscais emitidas pela Anfíbia, bem como todas as notas fiscais emitidas por todos os clientes da Anfíbia, não seria sustentável, a nosso ver, generalizar e arbitrar”. Fl. 52793DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 58 57 282. Menciona que o produto “6146”, comercializado para a Distribuidora Wanchovia pelo preço unitário de R$ 1,20, teve “o preço arbitrado (PMUA)” em R$ 1,86 e que a diferença entre os valores atingiu R$ 0,66, que, multiplicado pela quantidade vendida (120 produtos), gerou uma omissão, de acordo com a Fiscalização, de R$ 79,20. No entanto, as notas fiscais de saída da Wanchovia para os seus clientes demonstram um preço médio de comercialização de R$ 1,60, o que evidenciaria que os cálculos da autuação seriam distorcidos e que os preços considerados pela Fiscalização são muito superiores aos reais de mercado (apresenta espelhos das Notas Fiscais emitidas pela Anfíbia e pela Distribuidora Wanchovia). 283. Avante, comentando sobre a Comercial Treze, acentua que “Como a própria fiscalização descreveu, não foram encontrados registros societários e fiscais, concluindose, assim, que a empresa Comercial 13 não existe legalmente. Além disso, como não constam dos autos movimentações financeiras da referida entidade, não há elementos que possam subsidiar testes de auditoria. Assim, sem lastros materiais, não temos como comprovar a movimentação financeira via Comercial 13 afirmada pela fiscalização”. 284. Ademais, assegura que os critérios, que diz sem fundamentação legal, aplicados às distribuidoras também foram utilizados ao chamado "Grupo Skala", ao qual também podem ser aplicadas as conclusões do trabalho pericial realizado. 285. Na seqüência, indaga: “Se as alegações da fiscalização fossem corretas e todos os clientes da Anfíbia participassem de um enorme esquema de subfaturamento e sonegação fiscal, não deveria a fiscalização considerar que todos os pagamentos por fora deveriam ser abatidos para recompor as bases de cálculos dos tributos? E os próprios tributos recolhidos não deveriam ser deduzidos?”. Destaca que “Nos cálculos apresentados pela fiscalização não vimos o abatimento dos tributos recolhidos pelas distribuidoras envolvidas no suposto esquema. Sem essa dedução a fiscalização está cobrando tributos duas vezes sobre o mesmo valor, sendo um com base na real venda da distribuidora e o outro pelo arbitramento do valor dessa mesma venda (atribuída à Anfíbia)”. 286. Aponta que seriam distintas as bases de atuação do IPI, do IRPJ e da CSLL (R$ 95.851,333,97) e da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS (R$ 105.624.393,66). 287. Por fim, consigna não terem sido apresentadas provas contundentes da movimentação financeira do suposto esquema de subfaturamento, que nos anos de 2009 a 2012 superariam os R$ 130 milhões, montante que, segundo o perito, não é movimentado sem deixar vestígios. 288. Depois de resumir as conclusões atingidas nos trabalhos realizados, encerra dizendo que os trabalhos fiscais analisados são bastantes questionáveis e têm a sua composição e a sua Fl. 52794DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 59 58 confiabilidade comprometidas. XII. Da Diligência: XII. 1. Da Resolução: 289. Em sessão realizada aos 17/06/2015, esta 2ª Turma determinou a realização de diligência, consoante Resolução de fls. 39.045/39.091. 290. Após o Relatório, a Resolução expõe não ter sido detectada, nos presentes autos, a juntada de Impugnação pela responsável solidária Keila Alves Martins Duarte, mas que, em consulta aos processos administrativos nº 10650.721602/201326 e 10650.721604/2013 15, que versam sobre autuações do IRPJ e da CSLL e da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS expedidas ao final da mesma ação fiscal aqui tratada. 291. Consigna, ainda, a Resolução que no “Demonstrativo do IPI Destacado a Menor nas Vendas Subfaturadas a Terceiros”, disponível no Doc. 94 (no qual, segundo pág. 161, do TVF, “são apresentadas as Notas de Vendas a terceiros com o cálculo do IPI devido sobre as diferenças omitidas por produto”), apenas figura a apuração de diferenças concernentes aos períodos de 01/01/2009 a 27/08/2010 (fls. 12.508/14.780) e que o “DEMONSTRATIVO DO IPI DEVIDO PREÇO CORRENTE NO MERCADO ATACADISTA DA PRAÇA DO REMETENTE – VTM”, constante do Doc. 90 (fls. 8.225/10.605) engloba o período de 02/01/2009 a 05/10/2009. 291.1. quanto ao primeiro Demonstrativo, expõe que, compulsandose o processo administrativo nº 10650.721602/201326, verificouse a existência de documento intitulado “DEMONSTRATIVO DE OMISSÕES DE RECEITAS CLIENTES ANFÍBIA COSMÉTICOS”, cuja cópia foi traslada aos presentes autos às fls. 24.784/24.850 e no qual figuram, para todo o período autuado, os valores das Notas Fiscais emitidas em nome de terceiros (entendase, empresas não integrantes do “Grupo Skala”), as datas de emissão de tais notas, o CNPJ do adquirente, o Valor Tributável em cada Nota Fiscal e o Valor Tributável Recalculado e no qual inexiste detalhamento do valor resultante da aplicação da alíquota de IPI sobre o valor tributável recalculado. 291.2. sobre o segundo Demonstrativo, externo que, às fls. 6.807/21.000 de sobredito processo, está anexado “DEMONSTRATIVO DO PREÇO UNITÁRIO DE MERCADO ARBITRADO DOS PRODUTOS IDÊNTICOS – ANFÍBIA”, cuja cópia foi trasladada às fls. 24.851/39.004 deste processo administrativo, no qual há detalhamento de todas as omissões, mas inexistem os valores resultantes da aplicação da alíquota de IPI sobre o valor da omissão. 292. Ademais, ressalta a necessidade de confirmar se, dentre os produtos listados no DOC. 95 – “Diferenças de Alíquotas”, algum que poderia ser considerado condicionador, sobre cujas saídas deve incidir a alíquota de 7%, no lugar da alíquota de 22%, aplicada pelo autuante. Fl. 52795DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 60 59 293. Outrossim, a Resolução aponta que deveria ser verificada a consistência da alegação da impugnante Distribuidora Noviça no sentido de que não estaria evidenciado, nos presentes autos, que as devoluções de vendas referenciadas nas 164ª e 165ª lauda do TVF, detalhadas às fls. 18.283/18.430, fora, ou não, levadas em conta na autuação examinada. 294. Finalmente, aponta a Resolução a necessidade de que a Fiscalização expusesse e comprovasse, de forma individualizada e detalhada para cada produto constante do documento de fls. 111.235/11.239, a razão por que foi estabelecida a equivalência de preços entre os produtos ali descritos e, na hipótese de as autoridades fiscais concluíssem pela eventual impropriedade de um ou mais produtos, que informassem, se possível, o respectivo valor do produto a ser considerado, refazendose os cálculos do IPI devido. 295. Em face de todo o exposto, decidiu a Turma converter o julgamento em diligência no sentido de que a Unidade de Origem: 295.1. confirmasse a ausência de interposição de impugnação pela Sra. Keila Alves Martins Duarte em relação ao lançamento discutido no presente processo administrativo e se procedesse às demais medidas decorrentes; 295.2. expusesse e comprovasse, de forma individualizada e detalhada para cada produto constante do documento de fls. 11.235/11.239, a razão por que foi estabelecida equivalência de preços entre os produtos ali descritos e, na hipótese de as autoridades fiscais concluíssem pela eventual impropriedade de um ou mais produtos, que informassem, se possível, o respectivo valor do produto a ser considerado, refazendose os cálculos do IPI devido; 295.3. confirmasse e demonstrasse se as devoluções de vendas detalhadas às fls. 18.283/18.430 foram, ou não, efetivamente consideradas na definição das diferenças autuadas e, ainda, verificar se há, ou não, devoluções não consideradas pela autuação (vide alegação de fl. 19.052) e, na hipótese positiva, refazer os demonstrativos de apuração nos quais a circunstância impacta; 295.4. expusesse e comprovasse, de forma individualizada e detalhada para cada produto constante do documento de fls. 111.235/11.239, a razão por que foi estabelecida a equivalência de preços entre os produtos ali descritos e, na hipótese de as autoridades fiscais concluíssem pela eventual impropriedade de um ou mais produtos, que informassem, se possível, o respectivo valor do produto a ser considerado, refazendose os cálculos do IPI devido. XII.2. Do Termo de Encerramento de Diligência: 296. Realizada a diligência, foi elaborado o Termo de Encerramento de Diligência de fls. 52.112/52.125, que, inicialmente, noticia que a Sra. Keila Alves Martins havia Fl. 52796DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 61 60 apresentado, aos 14/01/2014, Impugnação cuja cópia foi anexada às fls. 39.106/39.139. 297. Em seguida, comenta o Termo de Encerramento de Diligência que o “Demonstrativo do IPI Destacado a Menor nas Vendas Subfaturadas a Terceiros”, integrante do Doc. 94, foi complementado, consoante “Anexo I. – 8 – Demonstrativo do IPI Destacado a Menor nas Vendas Subfaturadas a Terceiros”, tendo elucidado que o “Demonstrativo de Omissões de Receitas – Clientes Anfíbia Cosméticos”, trasladado aos presentes autos por este Relator, espelha o resultado do arbitramento da base de cálculo do IRPJ e da CSLL e foi exclusivamente elaborado para fundamentar as omissões de receitas no Auto de Infração destes dois tributos, não tendo sido este último Demonstrativo projetado para atender as questões referentes à autuação do IPI, cuja base de valoração se deu a partir da identificação do Valor Tributável Mínimo por item de produto vendido. 298. Acrescenta que “No Doc. 94 – ‘Demonstrativo do IPI Destacado a Menor nas Vendas Subfaturadas a Terceiros’ e já complementado pelo Anexo I Resolução, conforme Item 291, há toda informação necessária à certificação dos cálculos apresentados, os quais esse DD julgador tem acesso. Neste demonstrativo, além das informações de identificação da operação, há a quantidade de produtos, o valor subfaturado na operação do item, as alíquotas do IPI e a diferença do IPI devido, elementos que garantem a transparência da apuração efetuada item a item”. 299. Em semelhante diretriz, menciona que o “Demonstrativo do IPI Devido – Preço Corrente no Mercado Atacadista da Praça do Remetente – VTM”, constante do DOC. 90, foi complementado, segundo “Anexo II – Resolução 3 – Demonstrativo do IPI Devido – preço Corrente no Mercado Atacadista da Praça do Remetente – VTM”, tendo esclarecido que o “Demonstrativo do Preço Unitário de Mercado Arbitrado dos Produtos Idênticos – Anfíbia”, trasladado aos presentes autos por este Relator, espelha o resultado do arbitramento da base de cálculo do IRPJ e da CSLL e foi exclusivamente elaborado para fundamentar as omissões de receitas no Auto de Infração destes dois tributos, não tendo sido este último Demonstrativo projetado para atender as questões referentes à autuação do IPI, cuja base de valoração se deu a partir da identificação do Valor Tributável Mínimo por item de produto vendido. 300. Acerca dos produtos descritos no DOC. 95 – Diferenças de Alíquotas, o Termo de Encerramento de Diligência ratifica que eles não podem ser considerados condicionadores. 301. Quanto a este aspecto, inicialmente consigna que “os produtos de códigos 6240 – Defrisante Supplements Gloss 120grscx6x1; 6241 – Pomada de Brilho Supplements 120g cx6x1; 6242 – Pomada Supplments mod. Curtos 120gcx6x1 e 6243, não foram objeto de contestação pelo Fl. 52797DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 62 61 contribuinte, conforme resposta ao nosso Termo de Diligência – 01/2015, datado de 28/07/2015. Portanto, sendo parte incontroversa esses produtos devem ter sua tributação mantida conforme Auto de Infração”. 302. Sobre os demais produtos, explica que a contribuinte fora intimada a apresentar as diversas informações e, após análise detalhada e individualizada, contida no Anexo II – “Demonstrativo Item 292 Resolução nº 00.001.931 – Condicionadores – Classificação Fiscal”, concluíram as autoridades fiscais que a autuação deveria ser mantida no peculiar. 303. O Termo de Encerramento de Diligência explica que as conclusões concernentes ao aspecto enfocado se baseiam nas distintas características de cada um dos itens em contraponto com o produto condicionador e, para tanto, foram solicitadas imagens dos rótulos de cada um dos produtos questionados, bem como informações básicas de suas funções, componentes, princípios e descrições resumidas do funcionamento dos produtos. 304. Diz que condicionador se diferencia de máscara hidratante e creme para pentear. 305. Baseado em estudo da engenheira química Jennifer Rocha Vargas Fogaça disponível em http://www.brasilescola.com/quimica/condicionadores.htm, conclui que “o condicionador age para neutralizar as cargas negativas deixadas pelo shampoo complementando o processo de lavagem dos cabelos, sua ação se dá na parte externa dos fios ao selar ou fechar as cutículas capilares. Ele vem complementar o processo de lavagem, pois as cargas elétricas negativas que passam a impregnar os fios capilares após a aplicação do shampoo fazem com que estes se tornem embaraçados, menos macios e difíceis de pentear. O condicionador anula as cargas negativas deixadas pela lavagem com shampoo e com isso proporciona uma neutralização dos efeitos indesejados, aumentando a maciez, o brilho e a facilitação do processo de pentear”. 306. Menciona que enquanto os condicionadores complementam o processo de lavagem capilar, os cremes de pentear “vêm com a finalidade de proteger os cabelos e ajudar no processo de penteálos. Devem permanecer no cabelo e não devem ser enxaguados como os condicionadores. Essa permanência nos fios proporciona maciez e hidratação. As máscaras e cremes de hidratação atuam internamente nos fios dos cabelos, pois tem mais concentração de ativos e podem ser aplicados após o shampoo, mecha a mecha, utilizados com touca térmica, dependendo do alcance que se pretende e de duas a três vezes por semana, ou em alguns casos específicos quantas vezes for a recomendação do fabricante”. 307. Complementa que os cremes para pentear e as máscaras hidratantes são produtos “que se diferenciam do condicionador Fl. 52798DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 63 62 por terem como finalidades principais a hidratação e restauração dos cabelos, o transporte de elementos químicos necessários aos fios capilares para manteremse saudáveis e com boa aparência, além de facilitar a ação de pentear, ou seja, são produtos de tratamento específico, enquanto que o condicionador tem suas funções voltadas basicamente para a complementação da lavagem capilar, restauração do ph do fio (por ser mais ácido do que o shampoo) e o fechamento de cutículas”. 308. Logo, dada a empregabilidade dos produtos questionados pela contribuinte, concluem as autoridades fiscais inexistir, no particular, alteração a ser realizada na autuação. 309. Adiante, quanto às devoluções de mercadorias que a contribuinte alega não teriam sido deduzidas quando da autuação, consigna que o sujeito passivo foi intimado a apresentar os correspondentes arquivos digitais das Notas Fiscais de devolução, a partir do que foi elaborado o “Anexo VI – Devoluções já computadas no Auto de Infração”, que contém todos os itens cujos créditos a estornar já haviam sido computados na apuração original do Auto de Infração e, assim, nem todas as devoluções pretendidas foram aceitas pelas autoridades fiscais. 310. Ademais, adita que “as análises das demais devoluções não contempladas anteriormente nos cálculos do Auto de Infração, obedeceram algumas singularidades dessa auditoria fiscal. Notese que no cômputo final da auditoria não foram lançados débitos apurados pelo contribuinte em seus assentamentos contábeis e fiscais, pelo contrário, foram lançados somente aqueles valores que essa auditoria entendeu as bases de cálculos estarem subfaturadas ou cujos produtos foram vendidos por valor abaixo de mercado para seu próprio grupo. Sendo assim, no auto original, nos ocupamos em lançar somente as diferenças daquilo que o contribuinte camuflou em suas operações”. 311. As autoridades fiscais apresentaram demonstrativos das devoluções de mercadorias que, aos moldes acima, foram consideradas na diligência e apresentou suas repercussões no lançamento. 312. Passando aos chamados produtos congêneres, o Termo de Encerramento de Diligência expõe que, para dirimir dúvidas suscitadas pela contribuinte em sua Impugnação, “revisou as classificações adotadas na apuração original e através do Termo de Diligência 01/2015 em seu item 6, solicitou ao contribuinte sua manifestação a respeito do novo entendimento adotado. Solicitamos em relação aos produtos considerados “congêneres”, informações sobre seus rótulos, formulações, apresentações e finalidades. Em sua resposta apresentou dados sobre tais produtos controversos, ou seja, aqueles cujos códigos foram atribuídos e aqueles que foram a base da atribuição”. 313. Explica que a nova análise comparou a identidade dos produtos questionados com a dos que serviram para a valoração Fl. 52799DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 64 63 da base tributável, sendo que, de acordo com as autoridades fiscais, foi possível verificar “nas imagens apresentadas e nas observações listadas, que a atribuição dos códigos pela auditoria aos produtos sem o valor tributável mínimo não guardou todas as condições previstas no Ato Declaratório (Normativo) CST1 nº 05, de 29 de abril de 1982, que determina que ‘o termo produto, constante do subitem 6.1 do Parecer Normativo CST nº44, de 23 de novembro de 1981, indica uma mercadoria perfeitamente caracterizada e individualizada por marca, tipo, modelo espécie, qualidade e número, se houver, na forma indicada no inciso VIII do artigo 205 do Regulamento aprovado pelo Decreto nº 83.263, de 9 de março de 1979 (RIPI)’, anotação também grafada nos Decretos nºs 4.544/2002 e 7.212/2010 – RIPI/2002 e 2010 respectivamente”. 314. Aponta, como exemplo, que “o produto 3117 cuja descrição é CR. ABACATE SK 300G XC12x1 foi atribuído o código 3520 do produto CRE.PENTEAR ABACATE SK 300GRS CX12X1. No primeiro momento a impressão é que se trata de um mesmo produto, apenas codificados de formas diferentes, porém, ao analisar as imagens verificamos diferenças entre um e outro. No caso do produto 3117 tratase de um creme de tratamento condicionador, enquanto que o de código 3520 tratase de um creme para pentear condicionador sem enxágue. Portanto, produtos diferentes, não só na função como também em sua própria apresentação, conforme rotulagens e embalagens”. 315. Diz que a mesma conclusão se aplica “aos produtos de código 4038 CR. KERATINA SK 300G CX12X1 e o 4040 CRE.PENTEAR SK KERATINA 300G CX12X1. O primeiro é um creme de tratamento condicionador, enquanto o segundo é um creme para pentear condicionador, com finalidades diferentes, rotulados e embalados de forma diferentes”. 316. Ressalta que “em muitos casos as próprias formulações destacadas dos rótulos pelo contribuinte divergem entre si, o que por si só já os tornam diferentes”. 317. Especificamente em torno dos produtos referenciados no item 294.4, da Resolução, elucidou que “apesar de terem uma nomenclatura muito próxima: “Código 3230 – CREME SK ABACATE 1000G CX6X1 EXP” x “Código 3108 – CREME ABACATE SK 1000G CX6X1”, não são produtos equivalentes, além das diferenças visuais de rotulagem e embalagem, nas formulações há componentes diferentes entre um e outro, citamos como exemplo a presença dos substratos Methylchloroisolthiazolinone e Methylisothiazolinone no produto 3108, vendido no mercado nacional, e não encontrado no produto 3230 fabricado para exportação”. 318. Expõe, também, que “os produtos 6234,8559 e 6224 que são listados nessa infração já se apresentam com lançamentos na infração 0002Produto Saído do Estabelecimento Industrial ou Equiparado a Industrial Com Emissão de Nota Fiscal – Saída Fl. 52800DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 65 64 de Produtos Sem Lançamento do IPI – Inobservância do Valor Tributável Mínimo”. 319. Diante dos fundamentos expostos, concluem as autoridades fiscais que houve impropriedade no alinhamento dos “produtos congêneres”, devendo ser excluídas todas as infrações a eles relativas, consoante demonstrativo constante do Anexo XI, do Termo de Encerramento de Diligência. XII.3. Do pronunciamento da autuada sobre as conclusões do Termo de Encerramento de Diligência: 320. Ao se pronunciar sobre o resultado da diligência, a autuada, por meio da petição de fls. 52.141/52.147, sustenta que, na impugnação “a autuada arguiu a nulidade de parte do lançamento, uma vez que ‘não há nos autos demonstração da matéria tributável e cálculo do tributo devido’ (fls. 19247). Esta DRJ constatou a falha (itens 291 e 291.1 à fl. 39087), tentou corrigila através do traslado de planilhas inseridas em outro processo e, por fim, acabou sendo ‘desautorizada’ pela autoridade lançadora, para quem os ‘referidos demonstrativos não devem compor os autos do processo do IPI, uma vez que já foi anexado o demonstrativo apropriado do IPI nos autos’ (fl. 52114)”. 321. Assevera que, conforme jurisprudência que colaciona, descabe à DRJ trasladar peças para tentar emendar erro cometido pela Fiscalização, nem lhe compete mandar complementar parte dos cálculos, elemento intrínseco, essencial e inerente à própria autuação. Para corroborar esta assertiva, reproduz excerto de ementa do Acórdão nº 210100488, proferido pelo CARF, segundo a qual “Nos termos do artigo 142 do CTN, c/c o artigo 59, II, do Decreto 70235/72, o lançamento deve determinar a matéria tributável, sob pena de nulidade absoluta”. 322. Ressalta que, de todo modo, o lançamento não poderia ser saneado, porque, ao tomar como referência “o preço corrente praticado nas VENDAS À GLOBAL DISTRIBUIDORA, REAJUSTADO DO SUBFATURAMENTO” a autuação “levou em conta não os preços da Global praticados com terceiros (preços de atacado), mas o próprio preço de indústria recomposto”, no que desatendeu o comando embutido no art. 195 e 196, do RIPI 2010. 323. Outrossim, aponta que não foram apurados os preços de mercado praticados no mercado de Uberaba, pois, consoante Solução de Consulta Interna COSIT nº 8, de 13/06/2012, “existindo diversos estabelecimentos atuantes no mercado atacadista, não será válida a determinação do valor tributável mínimo tomando por base o preço praticado por apenas um estabelecimento, isoladamente considerado”. 324. Critica, ainda, que, apesar de a norma determinar que a aferição seja balizada pela média ponderada de preços no mês anterior ao da saída, a Fiscalização confessa, à fl. Fl. 52801DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 66 65 18.623, que “esses preços (...) não foram calculados através de médias ponderadas de preços” (fl. 18623). Além disso, há bases que levam em conta preços praticados no próprio mês (e não no anterior, como determina o RIPI) e até em meses posteriores, o que, convenhase, é completamente despropositado”. 325. Para evidenciar sua alegação, reproduziu o seguinte excerto do TVF: "Para aqueles produtos que a primeira venda identificada para a Global Distribuidora tenha sido num período intermediário, não abrangendo o primeiro dia da fiscalização, retroagimos esse valor até o primeiro dia do período da fiscalização...” (fls. 1862118622). 326. Avante, quanto à conclusão da diligência de que nenhum dos produtosrelacionados no DOC. 95 seria condicionador, censura que este entendimento contrariaria manifestação da própria RFB na Solução de Consulta SRRF 6ª RF nº 25/2007. 327. Sobre as pomadas e defrizante, ressalva que, diversamente do que disseram as autoridades diligenciantes, sobre tais produtos continua a discussão, pois “O fato de a autuada não ter defendido que esses produtos seriam condicionadores não significa que ela concorda com o IPI adicional que está sendo cobrado”. 328. Continuando, consigna que “não é o enxágue (ou não) que define um condicionador.Nem a doutrina citada pela autoridade lançadora defende esse ponto de vista. Aliás, a própria RFB classifica cremes capilares não enxaguáveis como condicionadores”. Em seguida, transcreveu as ementas de três Soluções de Consulta para respaldar seu posicionamento: "Código TIPI Mercadoria 3305.90.00 'Ex' 01 Condicionador capilar sem enxágue para crianças, contendo extrato orgânico de frutas, destinado a hidratar e condicionar os cabelos cacheados, úmidos ou secos, acondicionado em frasco plástico, denominadocomercialmente Infantil Finalizador Cabelos Cacheados, marca Bio Extratus Kids."(Solução de Consulta n° 87/10, da SRRF da 6ª RF Aduaneira, de 21/09/2010)."3305.90.00 'Ex' 01 Condicionador capilar sem enxágue composto de Queratina, Macadâmia, PróVitamina B5, Filtro Solar e Tensoativo Catiônico, dentre outros componentes, destinado a proteger os cabelos dos raios solares e restaurar os fiosdanificados, acondicionado para venda a retalho, em frasco plástico de 150 g, denominado comercialmente 'Oueravit Restaurador Antiestático Finalizador ProteçãoSolar', marca Bio Extratus.''' (Solução de Consulta nº 9/08, da SRRF da 6a RF Aduaneira, de 07/02/2008) "Código TIPI Mercadoria 3305.90.00 'Ex' 01 Gel capilar composto, dentre outros, de tensoativos canónicos, destinado a condicionar e hidratar os cabelos, agindo como condicionador sem enxágue, denominado comercialmente de 'Tanogel', acondicionado em bisnaga de 150 gr." (Solução de Consulta n° 17/03, da SRRF da 6a RF Aduaneira, de 13/3/2003) Fl. 52802DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 67 66 329. Acrescenta que “(i) que cabe à Agência Nacional de Vigilância Sanitária regulamentar, controlar e fiscalizar os cosméticos e produtos de higiene pessoal , (ii) que, nos anos de2009 a 2012, nenhum dos produtos submetidos ao regime de inspeção sanitária poderia ser industrializado, exposto à venda ou entregue a consumo antes de registrado4, (iii) que os cremes e as máscaras em análise aqui estão devidamente registrados na Anvisa como condicionadores (docs. anexos) e (iv) que o registro na Anvisa deve ser observado para efeito de classificação fiscal5, não resta a menor dúvida de que os 42 produtos listados às fls. 3953939540 se enquadram no extarifário 01 do código n° 3305.90.00 da TIPI”. 330. Encerrando este tópico, ressalta que, como a Fiscalização se valeu de textotécnico divulgado na internet – o qual, segundo a defendente, confirmaria o que ela defende da Impugnação – submeteu os produtos ora discutidos a uma farmacêutica industrial especializada em cosmetologia, que chegou às seguintes conclusões (vide "Laudo Técnico" de fls. 52.148/52.156): "Considerando que: para que um Condicionador cumpra o fim a que se destina, ele precisa ter em sua composição um tensoativo catiônico que possa neutralizar as cargas negativas geradas pelo uso do shampoo, escovação, uso de secadores, etc, permitindo assim que as cutículas do cabelo se fechem, se alinhem, deixandoo liso, fácil de pentear, com brilho e sedoso ao toque; Que cabelos que passaram por vários e severos processos químicos, como alisamentos, tinturações, descolorações, exposição à água do mar e ao cloro de piscina, demandam uma carga condicionador a extra, ou seja, uma carga catiônica maior, mais eficaz, por mais tempo e que maximize o efeito Condicionador, criouse no mercado produtos "enxaguáveis" e "não enxaguáveis " (leavein e leaveon); Que os produtos aqui discutidos Condicionadores, Creme para Pentear Condicionador, Máscaras Condicionadoras e Cremes de Tratamento Condicionador, pela sua estrutura química, têm a mesma função, ou seja, neutralizar as cargas negativas fechando as cutículas do cabelo; Que o composto principal utilizado nos Condicionadores Tradicionais (Cloreto de Cetil Trimetil Amôneo vide anexo 1) é o mesmo utilizado no Creme para Pentear Condicionador, Máscara Condicionador a e Cremes de Tratamento Condicionador do contribuinte, sendo os demais componentes totalmente secundários e dependentes do efeito do componente primário ; Que todos os produtos aqui discutidos são legalizados na Anvisa como Condicionadores; Podese afirmar que, quimicamente, os produtos do Contribuinte descritos no anexo III, itens 1 ao 42 (fls. 51996 a 52017), por cumprirem o objetivo principal e primordial de neutralizar Fl. 52803DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 68 67 cargas negativas e condicionar os cabelos, são, em sua essência, natureza e quimicamente falando, Condicionadores”. 331. Então, pelos motivos delineados, entende a impugnante que “todos os 42 produtos listados às fls. 3953939540 são espécies do gênero condicionador, razão pela qual a eles se aplica alíquota de IPI de 7%”. 332. Adiante, quanto às devoluções de vendas, reputa que “tudo foi devidamente computado. A exceção diz respeito aos meses de outubro e novembro de 2012, cujas devoluções não foram subtraídas do total mantido”. 333. Passando aos “produtos congêneres”, avalia que “andou bem a autoridade lançadora de excluílos da tributação. De fato, não havia nenhuma consistência na equiparação de mercadorias que não se confundem”. XII.4. Do pronunciamento dos responsáveis solidários (com exceção do espólio do Sr. Oscar Lacerda) sobre o Termo de Encerramento de Diligência: 334. Por meio da petição de fls. 52.289/52.290, os responsáveis solidários (com exceção do espólio do Sr. Oscar Lacerda) aderiram aos termos da manifestação da autuada sobre o resultado da diligência e requereram “que este colegiado: (i) exclua da tributação os valores cujos cálculos só foram apresentados após a diligência (fls. 3987251995); (ii) reconheça que o VTM aferido pela autoridade lançadora destoa daquele previsto em lei, sendo, por isso mesmo, imprestável; (iii) reconheça que os cremes para pentear, os cremes de tratamento e as máscaras fabricadas pela contribuinte são condicionadores; (iv) acate as devoluções de vendas apuradas pela diligência e determine a subtração das devoluções ocorridas em outubro e novembro de 2012, as quais, apesar de calculadas, deixaram de ser deduzidas (por um mero erro material); e (v) acate a exclusão dos produtos congêneres proposta pela autoridade diligenciada”. XII.5. Do pronunciamento do espólio do Sr. Oscar Lacerda sobre o Termo de Encerramento de Diligência: 335. Já o espólio do Sr. Oscar Lacerda se pronunciou sobre o resultado da diligência por intermédio da petição de fls. 52.293/52.294, por meio da qual se filia à fala da autuada e dos demais responsáveis solidários, acrescentando, quanto à caracterização dos produtos relacionados no Doc. 95 como condicionadores, ementas, abaixo reproduzidas, de Soluções de Consulta publicadas no DOU de 06/06/2016. "Código NCM 3305.90.00 "Ex" 01 da TIPI Mercadoria: Condicionador para cabelos, contendo proteína hidrolisada de colágeno e queratina, próprio para recuperar o brilho e maciez dos cabelos após tratamentos químicos, acondicionado em Fl. 52804DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 69 68 frasco plástico de 140 ml" (Solução de Consulta n° 96, de 20/5/2016) "Código NCM 3305.90.00 "Ex" 01 da TIPI Mercadoria: Condicionador para cabelos,contendo óleo de gérmen de trigo, lanolina e ácido cítrico, próprio para ser utilizado após processos químicos de alisamento, relaxamento e coloração, acondicionado emfrasco plástico de 280 ml." (Solução de Consulta n° 97, de 20/5/2016) "Código NCM 3305.90.00 "Ex" 01 da TIPI Mercadoria: Condicionador para cabelos, contendo óleo Semi di Lino e glicerina, próprio para recuperar o brilho e maciez dos cabelos após tratamentos químicos de coloração, acondicionado em ampola plástica de 15 ml." (Solução de Consulta n° 99, de 20/5/2016) 336. Afirma que “a Receita Federal do Brasil entende que os produtos próprios para recuperar os cabelos após tratamento químico são condicionadores, aplicandose a eles, portanto, o Extarifário “01” da NCM 3305.90.00 e, consequentemente, alíquota de IPI de 7%” e, assim, solicitou que “este colegiado reconheça que os cremes para pentear, os cremes para tratamento e as máscaras fabricadas pela Anfíbia são condicionadores”. XIII. Da Impugnação da responsável solidária Keila Alves Martins Duarte: 337. Consoante relatado no item “XII.2. Do Termo de Encerramento de Diligência”,a Unidade de Origem identificou a existência de Impugnação, interposta aos 14/01/2014 pela Sra. Keila Alves Martins Duarte, que, por lapso, não fora antes juntada aos presentes autos, mas que durante a diligência foi anexada às fls. 39.106/39.139. 338. Em sobredita Impugnação, a recorrente adota como razões de defesa os mesmos fundamentos constantes das defesas da autuada e dos demais responsáveis solidários. 339. Além disto, complementa que, de acordo com sua Carteira de Trabalho e com a Ficha de Registro de Empregado que anexa, é gerente financeira da autuada desde o ano de 2003, sendo que, de 2009 a 2012, seu salário variou entre R$ 5.805,00 a R$ 7.500,00, sendo que, no anocalendário de 2012, recebei aproximadamente uma média mensal de R$ 8.000,00. 340. Qualificase como empregada com vida modesta, que não se beneficiou das operações realizadas pela autuada, e reputa despropositado supor que ela detivesse poder de decisão no “esquema” citado pela Fiscalização. 341. Reportase a declaração firmada pelo Sr. Nadir no sentido de que a impugnante é funcionária da Anfíbia e de que “no período de toda vigência de seu contrato de trabalho (...) todaatuação da Sra. Keila foi feita sob inteira responsabilidade Fl. 52805DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 70 69 de seu sócio, Sr Nadir de Castro Neves, não tendo a Sra. Keila, no desempenho de suas funções, tomado nenhuma decisão ou ato por sua conta própria e sem anuência do Sr. Nadir”. 342. Sustenta que não tem autonomia para decidir sem a anuência do Sr. Nadir,circunstância que tem por atestada pelo e mail anexado pela Fiscalização à fl. 4327 (no Doc. 46 – Holetites Comercial 13), que revela a necessidade de autorização deste senhor. Também no intuito de evidenciar que não possuía autonomia, acostou à impugnação dois emails de instituições bancárias. 343. Pondera que a autuação não incluiu no pólo passivo pessoas que são (ou já foram) sócias das distribuidoras, sob alegação de que elas são, na verdade, empregados, e diz inexistir qualquer diferença entre a situação destas pessoas e a da ora impugnante. Ademais, questiona porque somente a recorrente fora responsabilização já que, de acordo com a fl. 120, do TVF, outras duas funcionárias, que não foram responsabilizadas, também interviriam no chamado “Caixa Dois”. 344. Em torno dos emails constantes do “doc. 06 – Seguros Grupos”, realça que eles não foram enviados pela impugnante, mas pela Sra. Keila Cristina Bisinotto. 345. Relativamente às doze procurações que lhe foram outorgadas, às quais se referem o TVF em sua fl. 53, consigna que: (i) sete foram outorgadas pela ANFÍBIA e duaspelo Sr. Nadir, sendo que a maior parte destes instrumentos de mandato tiveram curta vigência; (ii) duas procurações, expedidas em 2003, referemse à representação da Master Line e da Planita perante repartições públicas e uma procuração diz respeito à representação, em nome da Master Line, de assuntos comerciais da marca SKALA perante os Supermercados Bretãs. 346. Sobreleva que as três últimas procurações acima foram expedidas a pedido das empresas Master Line e da Platina ao Sr. Nadir, que as autorizou, pois estas empresas pretendiam evitar novos custos, já que a impugnante já realizava este trabalho para a ANFÍBIA, mas, posteriormente, as requerentes contrataram outras pessoas para a realização da atividade, mas se esqueceram, na ocasião, de revogar as procurações antes conferidas. 347. Enfatiza, outrossim, que todas as doze procurações foram revogadas, consoante documentos que anexa (fls. 39.132/39.137). 348. Avante, sustenta que desconhece a chamada “Comercial 13”, inexistindo provas nos autos de que a impugnante gerenciasse caixa dois, ponderando, quanto a um email em que a Fl. 52806DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 71 70 recorrente utilizou s expressões “extracaixa” e “autorizado” o pagamento de férias a um colaborador, pondera que, se o fez, foi cumprindo ordens. Complementa que um simples email não pode ser considerado prova a ensejar a sua responsabilização. 349. Argumenta, ainda, que o fato de não ter sido intimada durante o procedimento fiscal para prestar esclarecimentos evidenciaria que a impugnante não tem poder decisório. 350. Por todas as razões expostas, requereu o cancelamento de sua responsabilização. A DRJ, quando da análise das impugnações, entendeu pela parcial procedência da Impugnação apresentada, para manter em parte os créditos tributários autuados e para excluir a responsabilização solidária da Sra. Maria das Graças Fernandes Oliveira, gerando as seguintes ementas. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2012 EMPRESAS INTEGRANTES DE GRUPO ECONÔMICO DE FATO E COM MESMA ADMINISTRAÇÃO. INTERDEPENDÊNCIA. CARACTERIZAÇÃO. Está caracterizada, para fins de apuração de diferenças tributáveis do imposto por meio do Valor Tributável Mínimo, a interdependência de empresas comprovadamente integrantes de grupo econômico de fato, administrado pelas mesmas pessoas físicas. VALOR TRIBUTÁVEL MÍNIMO. CONSIDERAÇÃO NA TRIBUTAÇÃO DO IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE VENDA DE PRODUTOS DE IDENTIDADES DISTINTAS. IMPROCEDÊNCIA DA AUTUAÇÃO. É improcedente a autuação na parte em que adota o Valor Tributável Mínimo de determinado produto para fins de tributação do imposto incidente sobre as operações de venda de outros produtos de identidades distintas. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2012 AUTO DE INFRAÇÃO. PRESENÇA DOS ELEMENTOS ESSENCIAIS. GARANTIA DO DIREITO DE DEFESA. PRELIMINAR DE NULIDADE IMPROCEDÊNCIA. É improcedente a preliminar de nulidade de Auto de Infração em que presentes os seus elementos essenciais de modo a garantir a defesa do contribuinte, ainda mais quando a impugnante contesta a autuação por meio de Impugnação na qual demonstra plena consciência dos fundamentos do lançamento. IMPUGNAÇÃO. MATÉRIA NÃO CONTESTADA. PRECLUSÃO. Fl. 52807DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 72 71 Após a interposição da Impugnação, ocorre a preclusão do direito de o sujeito passivo discutir matéria não contestada quando da apresentação do recurso. INDÍCIOS. CONJUNTO LÓGICO, COERENTE E CONVERGENTE. PROVA DO LANÇAMENTO E DA RESPONSABILIZAÇÃO SOLIDÁRIA. O conjunto lógico, coerente e convergente de indícios é, especialmente nos eventos simulados e/ou fraudulentos, prova legítima para respaldar o lançamento tributário e da responsabilização solidária. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. EQUÍVOCO DO SUJEITO PASSIVO. ÔNUS PROBANTE DA AUTUAÇÃO. Recai sobre a autuação o ônus probante de atestar eventual equívoco na classificação fiscal de produto adotada pelo sujeito passivo. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2012 FATO GERADOR. INTERESSE COMUM. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Respondem solidariamente pelo crédito tributário as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, devendo ser excluída do pólo passivo apenas a pessoa física cujo interesse comum não restou configurado. PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PRIVADO. OBRIGAÇÕES TRIBUTÁRIAS RESULTANTES DE ATOS FRAUDULENTOS. RESPONSABILIZAÇÃO SOLIDÁRIA DOS EFETIVOS ADMINISTRADORES. CABIMENTO. Independentemente de figurarem nesta condição nos contratos sociais, cabível a responsabilização solidária dos efetivos administradores de pessoa jurídica de direito privado pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos fraudulentos. SIMULAÇÃO. FRAUDE. CONLUIO. MULTA QUALIFICADA. Comprovada a fraude, com o propósito de se esquivar de obrigações tributárias, realizada em conluio entre as partes envolvidas, deve ser qualificada a multa de ofício exigida. Os Recorrentes apresentaram seus Recursos ao CARF onde, sinteticamente alegaram: ANFIBIA INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE COSMÉTICOS EIRELI, doravante denominada apenas ANFÍBIA, apresentou seu recurso às fls. 52512 e seguintes onde sustentou sinteticamente: Fl. 52808DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 73 72 Preliminarmente, que o lançamento é nulo por haver sido "aperfeiçoado" pela DRJ, causando cerceamento de defesa, sem contudo evidenciar qual teria sido o prejuízo causado à defesa. No mérito, que a alienação da marca SKALA ao Sr. Oscar decorreu da quitação de débitos trabalhistas que a empresa possuia com ele, e que isto não foi gratuito. Que não existe o dito "Grupo Skala". Que o fato de documentos das empresas haverem sido encontrados no mesmo escritório de contabilidade não prova o grupo. Que o fato de existirem contratos de cessões de créditos entre as empresas não prova o grupo. Que o fato das empresas entabularem, ou tentarem entabular um seguro em grupo é apenas em razão de serem "um grupo de amigos" não prova a existência de um grupo. Que o fato da Total Contabilidade haver assumido, em documento por ela assinado, a propriedade de documentos encontrados no computador do Sr. Nadir é verdade em razão da presunção de veracidade dos documentos assinados. Que há nulidade em razão do Sr. Nadir não haver sido intimado sobre o teor dos documentos durante a fiscalização sem, contudo, especificar o prejuízo advindo de tal omissão. Que a documentação que menciona o Grupo Skala, encontrado na sede da ANFÍBIA não passa de uma das propostas que ela, a exemplo de outras empresas, frequentemente recebe de profissionais liberais que buscam a prospecção de clientela. Que o documento 18 que trata do Grupo Econômico não passa de uma ação motivacional da empresa. Que a documentação relacionada à empresa de factoring que alegadamente atende todo o grupo não passa de um estudo sobre a carga tributária das empresas de factoring. Que o fato das empresas do suposto Grupo Skala usarem o mesmo PABX decorre de uma praticidade para que as empresas parceiras, mas não integrantes do mesmo grupo, pudessem realizar tratativas entre si. Que desconhece a razão pela qual o Sr. Paulo Tamayossi tratou as empresas como um GRUPO ECONÔMICO em comunicações, questionando: "Com a devida vênia, uma palavra ma colocada por um terceiro e um email indica grupo econômico?" Que o fato de o fato de haver uma lista denominada "Contadores do Grupo" não é suficiente para caracterizar o grupo econômico, e tal documento existe em razão da ANFIBIA necessitar estabelecer contato com os contadores de empresas parceiras comerciais. Afirma que "... do documento também não se extrai absolutamente nada de extraordinário." Que o fato de existirem várias procurações outorgadas aos Srs. Oscar, Nadir, Fernando e Sérgio não implicaria o reconhecimento de que seriam os reais administradores das empresas, com controle único e centralizado. Esclareceu que as procurações já foram revogadas e que muitas sequer eram válidas à época dos fatos geradores. Que "... a relação comercial entre elas (as empresas do suposto grupo) sempre foi escancarada". Fl. 52809DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 74 73 Que é inverídica a alegação de que os sócios das empresas eram interpostas pessoas de Oscar, Fernando, Sérgio e Nadir. Que o fisco não juntou aos autos as respostas de todos os TIF, lamentando a falta de transparência. Que o termo [ANFIBIA 60% c/NF e 40% s/NF], encontrado no caderno de anotação de uma funcionária da ANFIBIA, apreendido não passa da proposta formulada por algum comprador. Que apesar da CASAFORTE afirmar que repassou parte dos boletos à ANFIBIA, não há provas de que tenham sido repassados. Que não há nos autos qualquer boleto liquidado pela CASAFORTE. Que não há nos autos nenhuma prova de que o dinheiro da CASAFORTE tenha alimentado o suposto caixa dois da empresa, que a fiscalização denomina de COMERCIAL 13. Que todas as Notas Fiscais emitidas pela ANFIBIA foram submetidas à tributação. Que não há nos autos qualquer afirmação de alguém que tenha pago os boletos com letras A, B ou C. Que o ônus de provar é de quem acusa e que o fisco dele não se desincumbiu. Que a empresa COMERCIAL 13, suposto caixa dois da empresa não existe. A RECORRENTE questiona a razão pela qual nem todas as TIF foram juntadas aos autos. No que tange aos holerites, a recorrente questiona a razão pela qual as pessoas mencionadas não foram instadas a responder se realmente receberam as quantias e a que título. Que a COMERCIAL 13, enquanto empresa informal, não pode ter pago nada a ninguém. Que não há provas de que funcionários da ANFÍBIA tenham recebido dinheiro da Comercial 13. Que os documentos "Extra Caixa" não foram assinados e que recibos sem assinatura não fazem prova de pagamento. Que cabe ao Auditor aprofundar a investigação e obter mais provas que levem a evidenciar a inconsistência e, havendo indícios de que a operação era diversa da declarada, cabe à fiscalização aprofundar a investigação. Que a acusação de subfaturamento e omissão de receitas dirigida à Anfíbia não pode ser transposta diretamente às distribuidoras. Que não há provas da entrega dos recursos decorrentes do suposto subfaturamento à ANFÍBIA, nem de que os valores teriam sido desviados das distribuidoras, sendo caso de ausência de provas. Que as respostas homogêneas das empresas do suposto grupo não foram fruto de maliciosa combinação prévia, mas sim por refletirem a realidade. Fl. 52810DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 75 74 Que a TOTAL CONTABILIDADE reconhece a responsabilidade por todos os documentos questionados. Que o fato de uma empresa contar para a sua fornecedora as suas informações não é prova de que ela é um departamento da outra e se tal conduta não é proibida ela é permitida. Que o que ocorre entre as empresas do suposto GRUPO SKALA não passa de busca por um interesse comum, complementariedade de funções, encadeamento de atividade e compartilhamento de informações. Que o vínculo de amizade existente entre as pessoas físicas não significa inexistir independência entre elas. Que não houve reestruturação com o objetivo de pagar menos imposto. Que o compartilhamento de informações, a criação de uma base de dados comum e a proximidade física trouxe ganho logístico, havendo razões econômicas para tanto. Que o fato de existir um mecanimo que permite à SKALA rastrear os produtos até a entrega ao cliente final não passa de estratégia logística e da exigência do mercado consumidor e que neste sentido a fiscalização confunde a eficiência das empresas com fantasiosa malícia e arranjo. Que a Procter & Gamble e outras empresas também possueum ferramenta de rastreamento. Que não existe artificialidade na relação da ANFIBIA com as distribuidoras. Que não ocorreu o subfaturamento de 40% para as empresas não integrantes do "GRUPO SKALA". Que não há provas do subfaturamento. Que há ausência de elementos probantes suficientes para sustentar a acusação de fraude documental e subfaturamento, cujo ônus incumbia à administração. Que a DRJ resposicionou a acusação vez que a fiscalização afirmou que as empresas acusadas eram filiais da ANFÍBIA e a DRJ as trata como Grupo Econômico, fato suficiente para o cancelamento do Auto de Infração, segundo a Recorrente. Que não há provas de que havia interdependência entre a ANFÍBIA e as demais empresas. Que há irregularidade na eleição da GLOBAL DISTRIBUIDORA como balizadora do VTM Valor Tributário Mínimo. Que o Auto de Infração é nulo por inovar na questão de que a GLOBAL atuava como comerciante atacadista nas vendas realizadas a revendedores. Que o Auto de Infração é nulo por levar em consideração apenas os preços da GLOBAL para apuração do Valor Tributário Médio VTM, nas suas palavras erro na aferição da base de cálculo. Que a eventual revogação da busca e apreensão da qual resultou a obtenção de provas terá o condão, no seu entendimento, de macular todo o procedimento, segundo ela. Fl. 52811DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 76 75 Que a multa qualificada não pode atingir as pessoas jurídicas pois a acusação é tecida apenas contra as pessoas físicas. Que a ANFÍBIA não vendeu produtos com preços artificiais. Que a ANFÍBIA não combinou preços com terceiros. Que não há provas de que a CASAFORTE pagou contas da ANFIBIA. Que a ANFIBIA desconhece a empresa COMERCIAL 13 e que não há provas de que ela tenha pago contas da ANFÍBIA. Que cada empresa possui individualidade e total autonomia administrativa. Que todos os documentos foram emitidos, escriturados e informados ao fisco. Que o fato da fiscalização em 2017 não haver encontrado irregularidades seria suficiente para demonstrar que não houve ilícito penal, razão pela qual não podem prosperar as multas qualificadas. Que, no máximo, houve planejamento tributário, fato que não pode ser considerado criminoso. Que não restou demonstrado o evidente intuito de fraude. Que quer a aplicação da decisão proferida no pelo Supremo Tribunal Federal, especificamente o AgRg no RE 748.257/SE, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, j. 06.08.2013, DJE de 20.08.2013, no sentido de que "... são confiscatórias as multas fixadas em 100% ou mais do valor do tributo devido.". Finalmente, requereu a cassação do Acórdão DRJ/REC n. 11.55.476, determinando que a DRJ se manifeste explicitamente sobre todos os argumentos e lados anexados aos autos, com apreciação de todos os argumentos da recorrente. NADIR DE CASTRO NEVES, apresentou Recurso Administrativo às fls. 52611 e seguintes aduzindo, em síntese, os seguintes fatos: Que o "termo de sujeição passiva tributária" é nulo eis que entende não haver previsão jurídica para tal expediente, eis que na Administração Pública só é permitido fazer o que alei autoriza, sem contudo demonstrar em que medida e por qual razão o alegado vício prejudicoulhe o seu direito de defesa. Que no "termo de sujeição passiva tributária" não foi expressa a intimação para pagar ou impugnar, sem contudo demonstrar em que medida e por qual razão o alegado vício prejudicoulhe o seu direito de defesa. Que a ausência da menção ao artigo 135 III do CTN maculou o seu direito a defesa, sem contudo demonstrar em que medida e por qual razão o alegado vício prejudicoulhe o seu direito de defesa. Que houve erro na utilização do artigo 124 I do CTN que, segundo ele, só pode ser aplicado a quem já compõe o polo passivo da obrigação tributária, o que segundo ele não seria o caso e não seria a correta fundamentação legal, um erro de enquadramento legal, pois não seria apto a inserir terceiro no processo. Fl. 52812DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 77 76 Que houve responsabilização genérica e sem provas do Sr. NADIR, acusado de participar da diretoria que concentraria as decisões do grupo, sem citar atos específicos do Sr. NADIR. O Sr. Nadir afirma que as informações contidas no computador apreendido em sua casa não eram dele, mas sim da TOTAL CONTABILIDADE que, inclusive, teria confessado expressamente ser a proprietária do arquivo de fls. 20009 a 20013. Que as " considerações do consultor Marcio Carneiro", de 2006, referese a período distinto do autuado, qual seja 2009 a 2012. Que não há prova de que houve subfaturamento, muito menos que o Sr. Nadir tenha sido o perpetrador do referido subfaturamento, razão pela qual não há coobrigação imputável ao Sr. Nadir. Que o fato do Conselho de Contribuintes do Estado de Minas Gerais haver mantido a responsabilidade solidária do Sr. Nadir na Operação "Quadrado das Bermudas" não pode ser aplicado ao presente processo, pois deve ser analisado "caso a caso". Que o Sr. Nadir não praticou qualquer ato que justificasse a sua responsabilização. Que o fato da ANFIBIA haver sido mantida no polo passivo do processo torna a responsabilização do Sr. Nadir descabida. MASTER LINE DO BRASIL, doravante denominada apenas MASTER, apresentou seu recurso às fls. 52503 e seguintes onde sustentou que a atuação da empresa teria se dado em etapa anterior da cadeia produtiva, eis que teria industrializado por encomenda da ANFIBIA antes ela vender a terceiros, sob os seguintes argumentos: Que o fato de possuir como sócios as mesmas pessoas que constituem o "Núcleo Diretoria do Esquema" não é capaz de justificar a responsabilidade. Que a documentação de outras empresas do alegado grupo apreendida na sede da MASTER não são suficientes a ensejar a responsabilidade. Que o uso do mesmo número telefônico entre a MASTER e as outras empresas do grupo de deu apenas para que elas pudessem falar "de graça" umas com as outras e que o fato de usarem o mesmo PABX não é suficiente para ensejar a responsabilidade. Por estes motivos, requerer o provimento do recurso para que seja cancelada a responsabilidade atribuída à MASTER. ANTONIO FERNANDO BONISATTO e SERGIO MORAES SAMPAIO apresentaram Recurso Administrativo às fls. 52631 e seguintes, alegando, em síntese. Que as alegações tecidas por ANFIBIA e pelo Sr. NADIR aproveitamse a eles. Que eles não poderiam ter influenciado o Sr. JOÃO e a RAPPIDA HOLDING a solicitar a substituição da garantia e depois a inadimplência do Sr. JOÃO. Que o fato de uma pessoa ser sócia de mais de uma empresa é lícito. Que não há comprovação da vinculação comercial entre uma das empresas, unidade de comando e confusão societária, patrimonial e contábil, ensejadores da caracterização do grupo econômico. Fl. 52813DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 78 77 Que o simples fato dos administradores de suas respectivas empresas não é suficiente para responsabilizálos por débito delas, muito menos por débitos de terceiros. A fiscalização não apontou ato específico do Sr. ANTÔNIO e do Sr. SÉRGIO que pudesse responsabilizálos. Que o dito GRUPO SKALA não existe. Que desconhecem o "ESTUDO" onde consta uma tabela com a situação das empresas, seus sócios, a forma de tributação dos seus lucros, a lista de ramais do grupo, onde há os seus nomes. Que a utilização do mesmo PABX foi para facilitar a comunicação entre empresas parceiras. Que enquanto pessoas físicas não podem responder pelo fato dos ramais haverem sido cedidos a pessoas jurídicas. Que apesar de terem procurações para representar os demais, não há prova de que tais procurações foram utilizadas, e que já foram revogadas. Que não há indicação que o Sr. SÉRGIO e o Sr. FERNANDO tenham praticado algum ilícito, e não há nenhum documento que ligue os recorrentes a qualquer ato específico capaz de gerar a corresponsabilização. PLATINA COSMÉTICOS LTDA apresentou Recurso Voluntário alegando em síntese. Que as alegações tecidas por ANFÍBIA se aproveitam a ela. Que houve erro no enquadramento responsabilidade solidária, eis que foi embasada no artigo 124, I do CTN por não restar demonstrada vinculação pessoal e direta dela com o fato gerador dos tributos exigidos da anfíbia, e que o artigo 124 não pode se prestar a incluir um terceiro no polo passivo da relação tributária, mas sim graduar a responsabilidade dos sujeitos que já a compõem. Que não houve correlação entre os fatos alegados e a norma jurídica. Que ainda que houvesse um grupo econômico, ainda assim não haveria razão para corresponsabilizar a PLATINA. Que não há provas de que as distribuidoras teriam praticados atos em conjunto com a ANFIBIA. Que não há provas de que as distribuidoras se aproveitaram dos resultados obtidos pela ANFIBIA. Que não foram indicados os atos que levaram à responsabilização da PLATINA, que sequer foi auditada pela fiscalização. Que não há provas de que a PLATINA deixou de contabilizar alguma operação. Que a afirmação de que as distribuidoras " nada mais eram do que empresas do Sr. Oscar Lacerda e de seus parceiros do núcleo Diretoria", com "sócios de fato" distintos daqueles indicados nos respectivos atos constitutivos é falsa. Fl. 52814DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 79 78 Que o artigo 116 do CTN não poderia ter sido utilizado no caso concreto, desconsiderando ato ou negócio jurídico. Que o fato da fiscalização atribuir TODOS os débitos apurados a todos os coobrigados é desproporcional. Que, ao contrário do que afirma a DRJ, não há uma "enorme confusão de interesses entre todas as empresas" que impeça o fracionamento dos débitos. A DISTRIBUIDORA WANCHOVIA LTDA, JS COMÉRCIO E DISTRIBUIÇÃO DE PERFUMARIA LTDA, DISTRIBUIDORA NEBRASKA LTDA e DISTRIBUIDORA NOVIÇA LTDA, apresentaram Recurso Voluntário às fls. 52665 e seguintes onde alegaram: Que as alegações tecidas por ANFÍBIA se aproveitam a elas. Que houve erro no enquadramento legal da exigência quando do uso do artigo 124, I do CTN. Que não há subsunção de qualquer fato a norma jurídica. Que há erro quando da autuação específica da ANFÍBIA e CORRESPONSABILIZAÇÃO das atacadistas, o que seria equivocado partindose da premissa de que todas eram tratadas como apêndices ou filiais. Que não há do aproveitamento comum do fruto do suposto ilícito. Que não foram indicados atos específicos que liguem à responsabilização das Recorrentes. Que todas as operações foram contabilizadas. Que todas as empresas possuem contabilidade própria Que não há prova de que foi apontado um único ato específico que as distribuidoras teriam praticado, e que pudessem atrair a responsabilidade para si. Que o artigo 116 do CTN não poderia ter sido utilizado no caso concreto, desconsiderando ato ou negócio jurídico. Que o fato da fiscalização atribuir TODOS os débitos apurados a todos os coobrigados é desproporcional. Que, ao contrário do que afirma a DRJ, não há uma "enorme confusão de interesses entre todas as empresas" que impeça o fracionamento dos débitos. KEILA ALVES MARTINS DUARTE apresentou Recurso Voluntário, fls. 52760 e seguintes, alegando as razões abaixo sintetizadas. Que as alegações tecidas pelo Sr. NADIR e pela ANFIBIA se aproveitam a ela. Que é funcionária da ANFIBIA, especificamente gerente financeira, com recebimentos e patrimônios incompatíveis com pessoa acusada de poder de decisão em suposto esquema de sonegação de dezena de milhões de reais. Fl. 52815DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 80 79 Que é dependente em relação ao representante legal da pessoa jurídica, qual seja o Sr. NADIR, que se responsabilizou expressa e integralmente pelos atos dela. Que a KEILA de que tratam as fls. 18486 18487 é, na verdade a KEILA BISINOTTO. Que a existência de procurações conferindo poderes à Sra. Keila não significa que ela praticou qualquer ato de gestão e que não há qualquer cheque, contrato ou decisão tomada pela Sra. Keila. Que somente o Sr. NADIR e a ANFIBIA outorgaram poderes para a Sra. Keila perante instituições financeiras. Que como a Sra. KEILA geria assuntos comercias da ANFIBIA perante fornecedores envolvendo a marca SKALA, outras empresas MASTER LINE e PLATINA, também pediram que fizesse para elas, com o objetivo de evitar novos custos, o que foi autorizado pelo Sr. Nadir, mas que tais procurações, por esquecimento, não foram revogadas. Que o fato da Sra Keila já ter sido sócia da DISTRIBUIDORA NOVIÇA em período anterior não é relevante. Que o fato da Sra Keila ter usado, no email de fls. 3913 a expressão EXTRACAIXA e autorizado o pagamento de férias de um funcionários, se ocorreu, foi por ordem do Sr. NADIR, e este fato isolado não pode ensejar a responsabilidade solidária dela. A Sra. KEILA é apenas uma gerente financeira. Que a condição patrimonial e financeira da Sra. KEILA, os emails e a declaração de inocência firmada pelo Sr. NADIR são provas CONCRETAS E IRREFUTÁVEIS da sua inoncência. Que outro serviço de fiscalização da RFB deixou de responsabilizar a Sra. KEILA, este motivo seria suficiente para ensejar a nulidade do Auto de Infração. SAGA DISTRIBUIÇÃO DE COSMÉTICOS LTDA apresenta RECURSO VOLUNTÁRIO às fls. 52684 por meio do qual alega: Que as alegações tecidas por ANFÍBIA se aproveitam a elas. Que houve erro no enquadramento legal da exigência quando do uso do artigo 124, I do CTN. Que não há subsunção de qualquer fato a norma jurídica. Que não há o aproveitamento comum do fruto do suposto ilícito. Que não foram indicados atos específicos que liguem à responsabilização das Recorrentes. Que todas as operações foram contabilizadas. Que todas as empresas possuem contabilidade própria Que não há prova de que foi apontado um único ato específico que as distribuidoras teriam praticado, e que pudessem atrair a responsabilidade para si. Fl. 52816DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 81 80 Que o artigo 116 do CTN não poderia ter sido utilizado no caso concreto, desconsiderando ato ou negócio jurídico. Que o fato da fiscalização atribuir TODOS os débitos apurados a todos os coobrigados é desproporcional. Que, ao contrário do que afirma a DRJ, não há uma "enorme confusão de interesses entre todas as empresas" que impeça o fracionamento dos débitos. O ESPÓLIO DE OSCAR JOSÉ DE CASTRO LACERDA apresentou Recurso Voluntário de fls. 52705 onde sinteticamente aduz: Que as alegações tecidas pelos demais devedores solidários se aproveitam a ele. Que a impressão da ascendência do Sr. OSCAR em relação aos Srs. NADIR, FERNANDO SÉRGIO, ANTÔNIO CARLOS, LOCATELLI, CLÁUDIO e LUIZ CARLOS (e outros) talvez decorra do fato de que a marca SKALA pertence à PLATINA, empresa que já foi dele, e que muitos empresários admiravam e até "APRENDERAM A ADMINISTRAR EMPRESAS COM ELE" (fls. 52707) Que não restou provado que o Sr. OSCAR administrava empresas das quais não era sócio. Que não há provas de que os Srs. OSCAR, SÉRGIO, FERNANDO E NADIR comandassem um sofisticado esquema de fraude, muito bem arquitetado, implementado por meio da ANFIBIA e demais empresas daquilo que se passou a denominar por GRUPO SKALA, supostamente administrado de fato pelos empresários que integravam o denominado NÚCLEO DIRETORIA (fls. 52426) que seria liderada pelo Sr. OSCAR (52429) Que apesar das procurações, ninguém jamais influenciou na empresa do outro, foram outorgadas para que um pudesse saber o que o outro estava fazendo. Que a simples existência de procurações não demonstra que as empresas eram administradas pela diretoria do grupo, e a fiscalização deveria demonstrar que houve efetivo exercício do mandato. Que o "entra e sai muito grande de pessoas" na empresa decorreu de problemas de capital e pessoas com visões diferentes. Que o fato de contas pessoais do Sr. OSCAR haverem sido localizadas na empresa MASTER LINE devese ao fato de que não estavam nos guardados da empresa, mas do Sr. Fernando, procurador dele desde 1986. Que a fiscalização misturou documentos apreendidos nos arquivos pessoais do Sr. FERNANDO, dentro da MASTER LINE com os encontrados na TOTAL CONTABILIDADE. Que a compilação de dados encontrados na ANFÍBIA na verdade foi um documento reparado pela TOTAL CONTABILIDADE, que mais uma vez confirmou tudo, e que a compilação serve para extrair dados do setor. Que não é estranho que a PLATINA não se importe em abrir seus dados para outras 14 empresas. Que não há provas de que o Sr. OSCAR tenha administrado a ANFIBIA. Fl. 52817DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 82 81 DOCA DISTRIBUIDORA DE COSMÉTICOS LTDA apresentou Recurso Voluntário às fls. 52718 se seguintes aduzindo, em síntese, o seguinte. Que as alegações tecidas por ANFÍBIA se aproveitam a elas. Que houve erro no enquadramento legal da exigência quando do uso do artigo 124, I do CTN. Que não há subsunção de qualquer fato a norma jurídica. Que não há o aproveitamento comum do fruto do suposto ilícito. Que não foram indicados atos específicos que liguem à responsabilização das Recorrentes. Que todas as operações foram contabilizadas. Que todas as empresas possuem contabilidade própria Que não há prova de que foi apontado um único ato específico que as distribuidoras teriam praticado, e que pudessem atrair a responsabilidade para si. Que o artigo 116 do CTN não poderia ter sido utilizado no caso concreto, desconsiderando ato ou negócio jurídico. Que o fato da fiscalização atribuir TODOS os débitos apurados a todos os coobrigados é desproporcional. Que, ao contrário do que afirma a DRJ, não há uma "enorme confusão de interesses entre todas as empresas" que impeça o fracionamento dos débitos. RECURSO DE SAGA DISTRIBUIÇÃO DE COSMÉTICOS LTDA apresentou Recurso Voluntário às fls. 52684 e seguintes aduzindo, em síntese, o seguinte. Que houve erro no enquadramento legal da exigência, eis que fundado no artigo 124, I do CTN, o que não seria juridicamente possível. Que não foram indicados os atos que levaram à sua responsabilização Que a decisão da DRJ desconsiderou ato e/ou negócio jurídico aplicando indevidamente o artigo 116 do CTN. Que houve desproporcionalidade na imputação dos tributos e das sanções, eis que os débitos não foram individualizados. A Sra. MARIA DAS GRAÇAS FERNANDES OLIVEIRA interpõe Contrarrazões ao Recurso de Ofício (fls. 52681) reiterando tudo o que foi dito na defesa de fls. 18910 18914, afirmando qeu não há nos processos nada contra a pessoa física dela e requerendo a manutenção da decisão de primeira instância que cancelou a coobrigação que lhe foi imputada. Foi interposto Recurso de Ofício em razão da exoneração da Sra. Maria das Graças Fernandes Oliveira, da exoneração dos valores de que tratam as tabelas de fls. 52.437, que tratam da exoneração dos produtos nos quais houve impropriedade no alinhamento de cogêneres, exoneração dos casos de devolução de mercadorias, e exoneração dos produtos que não podem ser classificados como "condicionadores". Fl. 52818DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 83 82 É o relatório. Voto Conselheiro Raphael Madeira Abad Relator. 1. ADMISSIBILIDADE Os Recursos Voluntários foram apresentados de modo tempestivo, se revestem dos demais requisitos de admissibilidade previstos na legislação e a matéria é de competência deste colegiado, que serão apreciados individualmente. 2. RECURSO DA ANFÍBIA 2.1. Preliminar de nulidade de lançamento por ter sido alegadamente "aperfeiçoado" pela DRJ. A Recorrente alega nulidade do lançamento por ter sido supostamente "aperfeiçoado" pela DRJ, uma vez que a fiscalização não teria trazido aos autos toda a matéria tributável, sem contudo apontar exatamente qual matéria foi omitida e de que maneira a suposta ausência maculou o seu direito de defesa. Neste sentido admitese que não há nulidade sem prejuízo, razão pela qual é de se negar provimento ao RECURSO neste sentido. 2.2. O mérito do Recurso. Em relação da transferência da marca SKALA ao Sr. OSCAR, a documentação trazida aos autos, especialmente os termos do contrato, indicam que se tratou de uma manobra para a transferência da marca, aliás, uma fraude extremamente contumaz onde se utiliza o Poder Judiciário como meio de se tentar dar uma roupagem de legalidade a um fato que não ocorreu, fato que se deduz a partir dos elementos trazidos aos autos e apreciados na forma dos artigos 29 do Decreto Lei 70.235/72 combinado com o artigo 375 do Código de Processo Civil, razão pela qual é de se negar provimento ao recurso, mantendo a decisão atacada. Quanto à alegação de que "não existe Grupo Skala", entendo que as provas carreadas aos autos são mais que suficientes para demonstrar não apenas a existência do grupo, mas também que ele era capitaneado pela ANFIBIA, levandose em consideração, especialmente, os seguintes elementos. 1 Arquivo digital " “Distribuição de Vendas 2010_2011”, apreendido no arquivo digital de Nadir, que demonstraria o planejamento e a estruturação do Grupo. 2 Arquivo denominado “Faturamento Filiais”, Doc 10, apreendido na Anfíbia e que contém controles de faturamentos, DCTF e Dacons de todo o grupo, tratando todas as empresas como um grupo e as distribuidoras como filiais. Fl. 52819DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 84 83 3 Na ANFIBIA foram apreendidas Planilhas de Faturamento do ano de 2009, onde há o controle de prestação de contas da empresa WANCHOVIA. 4 Na ANFÍBIA foram apreendidas documentos relativos à DISTRIBUIDORA NEBRASKA 5 Na ANFÍBIA foi apreendido o "Encontro de Contas”, onde se verifica que a ANFÍBIA estabelece o controle sobre as duplicatas (a pagar e a receber) das distribuidoras e patentearia o controle de dados financeiros e contábeis que deveriam ser de acesso exclusivo às empresas interessadas. 6 NA ANFÍBIA Foi apreendido um documento DOC. 19 denominado "Controle Anfíbia x Saga” que revelaria gerenciamento das vendas realizadas pelas distribuidoras, inclusive uma tabela em Excel em que a Anfíbia possui todas as informações necessárias para seu controle, desde sua venda para sua filial, a venda de sua filial para seu cliente e, inclusive, a forma como é transportada a mercadoria, ocorrências até a entrega final e a data de recepção pelo varejista. 7 NA ANFÍBIA foram apreendidos Extratos Bancários de todas as Recorrentes, onde há menção ao GRUPO SKALA, o que demonstra que a ANFÍBIA possuía o controle das movimentações financeiras de todas as empresas, bem como controle sobre a cobrança de títulos. 8 Documento denominado “Faturamento 2008” onde a ANFÍBIA demonstra exercer controle do faturamento das empresas do "Grupo Skala" 9 Há um documento firmado em 16.06.2006 onde o Sr. Marcio Carneiro envia ao Sr. NADIR uma série de considerações sobre o a situação tributária das empresas Master, Anfíbia, Sogram, Platina, Nebraska e Noviça, recomendando que o grupo crie mais uma distribuidora, recomendando a forma de utilização de marcas, em típico planejamento tributário ilícito, onde são adotadas medidas para reduzir o risco de identificação de esquema fraudulento e confundir a fiscalização. 10 Dentre o que o Consultor Marcio Carneiro recomenda ao Sr. NADIR se encontra a advertência de que os documentos devem ser assinados pelos sócios contratuais, levando a crer que existem sócios não contratuais, ou seja, interpostas pessoas. 11 Dentre as advertências o que o Consultor Marcio Carneiro recomenda ao Sr. NADIR também se encontra a necessidade de que os pagamentos e recebimentos passem pela conta bancária normal das empresas, denotando que existem contas anormais, também chamadas de caixa dois. 12 Dentre o que o Consultor Marcio Carneiro recomenda ao Sr. NADIR se encontra a advertência de que os faturamentos sejam proporcionais ao CPMF e as declarações de Imposto de Renda, sendo que empresas que operam regularmente não necessitam tomar cuidado com esta equivalência. 13 O Sr. Marcio Carneiro também atesta que o fato de cada empresa ter um contador dá ar de regularidade e independência entre as empresas " ... sem levantar suspeitas de que se trata de um conglomerado que atua conjuntamente." Fl. 52820DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 85 84 14 Foi identificado, nas dependências da ANFÍBIA, documentação destinada à PLATINA. 15 Na MASTER LINE foram apreendidos documentos relativos à LAYFF KOSMETICS, atinentes à transferência de créditos trabalhistas relativos ao acordo para liberação da marca SKALA. (doc. 05) 16 Foram apreendidos emais que tratam da contratação de seguro para todas as empresas do "Grupo Skala". (Doc. 06) 17 Foi encontrado um documento denominado relativo a distribuição de lucros 2011 (doc. 09) que contém tabelas onde há os sócios os valores a serem distribuidos entre cada um deles. 18 Foi encontrado um documento que demonstra a "venda entre filiais" no ano de 2009 (doc. 12) onde as demais empresas do "grupo" são tratadas como filiais da ANFIBIA. 19 Foram encontrados documentos pelos quais é estabelecido um verdadeiro "Roteiro de Contabilizações" (Doc. 13), onde está registrado o movimento financeiro das operações irregulares do grupo e fica evidenciado o interesse de ocultar movimentações financeiras. 20 Foi encontrado o documento "Impostos Factoring" onde se pode verificar o mecanismo para evitar a fiscalização. Doc 16. 21 Foram encontradas senhas (Doc. 17) de outras empresas do grupo, para transmissão de DAPIS e SAPI. 22 Foram juntados aos autos diversos emails onde o Sr. NADIR e o Sr. IDELSON, de empresa de informática conversam sobre como obter o livro razão analítico das demais empresas do grupo. 23 O Doc. 21 demonstra que a ANFIBIA gerenciava os minutos das ligações de pessoas vinculadas às empresas do "grupo". 24 O Doc. 22 demonstra que a partir de 31.01.2008 surgiu uma determinação de que “cada empresas/distribuidora deverá ser acessada unicamente através do seu site individual. Ou seja, cada cliente estará disponível apenas para a empresa em que está cadastrada” (destaca o TVF que esta notícia foi dirigida às empresas Anfíbia, Distribuidora Nebrasca e Noviça e que do comunicado se depreenderia que, anteriormente, as informações de clientes eram globalmente acessadas por todas as empresas do Grupo”; 25 O Doc. 23 – "Lista de Ramais Grupo”: denota que pessoas de diversas das empresas do "grupo" possuíam ramais do mesmo PABX. 26 Há um email intitulado “CONTAS DE FILIAIS”, enviado pelo Sr. Paulo Eduardo Castro Tamayossi aos destinatários makita@bellsoft.com.br, marcelo@bellsoft.com.br e jalves@bellsoft.com.br com informações sobre as contascorrentes das empresas Nebraska, Noviça, Wanchovia e Platina, que são tratadas como filiais. Fl. 52821DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 86 85 27 O Doc. 25 – Livros Fiscais”: é composto de Livros de Registro de Apuração do ICMS e de Entradas e de Saídas das Distribuidoras Wanchovia, Nebraska, Platina Cosméticos e Saga Distribuição apreendidos nas instalações da Anfíbia, o que mais uma vez demonstraria a centralização e o controle das operações do "Grupo Skala"; 28 Também foi apreendido na ANFIBIA um documento que trata do Planejamento Estratégico das empresas do "Grupo Skala" ”, alusivo aos anos de 2009 a 2011, de amortização de empréstimos e juros aponta o TVF que, na coluna “Empresa”, figuram os tomadores dos créditos (Anfíbia, Distribuidora Nebraska, Platina Cosméticos, Máster Line e a “Comercial”) e realça que as empresas são tratadas como um Grupo, cujo planejamento estratégico depende do grau de endividamento de cada participante. 29 Também foi apreendido na ANFIBIA o documento 27, onde são listadas as empresas do "Grupo Skala", com exceção da JS Distribuidora. 30 Nos computadores da ANFÍBIA foram encontradas informações pessoais de colaboradores de todas as empresas do "Grupo Skala" e da Total Contabilidade, inclusive data de nascimento, conta bancária, data de admissão, seção onde trabalha, função, CPF, número do PIS, valor do salário e outras informações que são típicas de estar sob guarda do empregador e que normalmente não são divulgadas entre outras empresas, ainda que parceiras. 31 Finalmente, nos cadernos da Sra. Daniela Saad, apreendido na Operação Quadrado das Bermudas, há a seguinte anotação: "FORMA DE FATURAMENTO: ANFIBIA : 60% c/NF e 40%s/NF". As razões recursais, muito bem construídas por patronos de escol tentam explicar de forma mirabolante algo que os fatos, observados por um intérprete minimamente cauteloso não ocultam. A verdade é simples e não pode ser ilidida sequer por confissões de escritórios de contabilidade ou por alegações de que o computador que estava na casa de alguém não era dele, ou mesmo que um grupo de amigos quis orçar um seguro em conjunto e que estes amigos se chamavam entre si pelo termo "gerente", que usavam o mesmo PABX para economizar com as ligações, que sócios de empresas distintas outorgam procurações para sócios de outras empresas, ou que um verdadeiro estudo tributário tendente a administrar um grupo e ocultar fatos imponíveis foi apenas uma proposta comercial, ou que planilhas de faturamento do grupo não passam de um estudo, para citar alguns exemplos. Efetivamente, de tantas provas, diretas ou indiretas, pois admitese não haver distinção entre elas, algumas delas podem apenas indicar que os fatos alegados pela fiscalização efetivamente ocorreram, contudo o conjunto delas, já tratado acima, combinado com inverossimilhança das razões recursais, também já tratadas acima, indicam com grande grau de certeza que os fatos ocorreram conforme narrados pela fiscalização em sua tese, e confirmados pela DRJ, e não conforme as alegações que a Recorrente expôs em sua antítese. De fato, os grupos de empresas, quando se organizam para criar alguma maneira ilícita para evitar, retardar ou reduzir a tributação, principalmente quando o fazem de forma meticulosa, organizada e bem assessorada, ordinariamente não tornam tal fato ostensivo, como por exemplos placas, crachás, nem pastas entituladas "caixa dois", por exemplo, pois isto seria absolutamente contrário ao referido propósito e incompativel com o grau de requinte utilizado na arquitetura do grupo e da fraude, muito embora algum funcionário do grupo, menos zeloso com o seu dever de ocultar o verdadeiro propósito, ou mais seguro da Fl. 52822DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 87 86 impunidade, descuidese e crie, ou deixe de destruir, uma prova mais contundente, como ocorreu. Por esta razão a fiscalização deve lançar mão das técnicas exegéticas que colimam a busca pela verdade material a partir das provas indiretas, e dos indícios, largamente aceitas em todo o mundo, especialmente no Brasil, onde recentemente a partir delas foram desvendadas incomensuráveis ilegalidades. No que diz respeito à alegação de que o fisco não se desincumbiu do dever de provar as suas alegações, admitese que diante dos elementos trazidos aos autos, resta mais que provada a existência do apontado grupo, sua liderança, seu modo de operar, bem como o tributo evadido. Em relação à juntada das TIF, efetivamente não se pode exigir que o fisco junte aos autos todos os elementos de prova colhidos, não havendo qualquer mácula ao contraditório o fato do fisco deixar de juntar aos autos as provas que entende impertinentes. Quando afirma que a Comercial 13, por ser informal, não poderia ter pago quantias a qualquer pessoa, confundese a Recorrente acerca da função das empresas informais, que inexistem de direito mas existem de fato pois, repitase, não se imagina que os empresários, ao orquestraremse para praticar a evasão fiscal, usem apenas entidades oficiais, pois não é o que ordinariamente acontece, no Brasil ou em todo o mundo. Da mesma forma, não se imagina que um sofisticado sistema de evasão fiscal exija a assinatura de quem recebeu importâncias não contabilizadas de um "extra caixa", daí a razão de se fazer uso da prova indiciária que, por meio de induções lógicas, permite ao intérprete buscar a tão proclamada verdade material, que no processo administrativo deve sobreporse à verdade formal. No que diz respeito à homogeneidade das respostas fornecidas por todas as empresas, bem como o fato de respostas haverem sido remetidas no mesmo momento, no mesmo local, admitese que seja fruto de prévio ajustamento, mais um fato indiciário de que as empresas orquestravam suas operações sob a mesma cadeia de comando. O fato da empresa de contabilidade assumir ou confessar a titularidade de documentos comprometedores apreendidos em diversas empresas não possui presunção de veracidade, pois cotejandose esta tese com aquela adotada pelo fisco, diante de todo o acervo probatório e das regras de experiência de como as coisas usualmente acontecem, que deve ser levado em conta em homenagem à verdade material, a tese adotada pelo fisco é muito mais verossímil. Também não é verossímil que empresas, embora parceiras comerciais, dividam tamanhas intimidades como as que foram demonstradas nos autos, que extrapolam o que geralmente ocorre entre empresas, inclusive quando parceiras, levando a crer que realmente tratavase de um grupo. Efetivamente é de se admitir que empresas parceiras possuam um grau de sigilo menor do que as concorrentes, contudo, a ausência de qualquer limitação de troca de informações, bem como o já mencionado controle concentrado das operações subsumese ao conceito de grupo econômico. Em relação ao subfaturamento, as respostas fornecidas pela Recorrente não são revestidas da verosimilhança necessária a ilidir os já mencionados argumentos e as robustas provas trazidas aos Autos. Fl. 52823DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 88 87 Ao contrário do que afirma a Recorrente, há sim nos autos elementos probantes, todos já mencionados, mais que suficientes a sustentar a acusação. Em relação ao alegado reposicionamento realizado pela DRJ, admitese que não houve mudança e critério jurídico, pois independente do termo filiais ou grupo econômico, durante todo o processo foi apontado que se trata de uma organização estruturada com o objetivo de, mediante o emprego de mecanismos ilícitos, reduzir, retardar ou suprimir a incidência dos tributos. No que diz respeito à relação de interdependência entre as empresas, esta hipótese foi prevista abstratamente no artigo 42 da lei 4502/64, abaixo transcrito: Art . 42. Para os efeitos desta lei, considerase existir relação de interdependência entre duas firmas: I quando uma delas tiver participação na outra de quinze por cento ou mais do capital social, por si, seus sócios ou acionistas, bem assim por intermédio de parentes destes até o segundo grau e respectivos cônjuges, se a participação societária for de pessoa física. (Redação dada pela Lei nº 7.798, de 1989) II quando, de ambas, uma mesma pessoa fizer parte, na qualidade de diretor ou de sócio que exerçam funções de gerência, ainda que essas funções sejam exercidas sob outra denominação; III Quando uma delas tiver vendido ou consignado à outra, no ano anterior, mais de 20% (vinte por cento) no caso de distribuição com exclusividade em determinada área do território nacional, e mais de 50% (cinqüenta por cento), nos demais casos, do volume das vendas dos produtos tributados de sua fabricação, importação ou arrematação. Parágrafo único. Considerase ainda haver interdependência entre duas firmas, com relação a determinado produto: I quando uma delas fôr a única adquirente, por qualquer forma ou título inclusive por padronagem, marca ou tipo de um ou de mais de um dos produtos, industrializados, importados ou arrematados pela outra; II quando uma delas vender à outra produto tributado de sua fabricação, importação, ou arrematação, mediante contrato de comissão, participação e ajustes semelhantes. Os fartos elementos de prova encontrados nos autos, já mencionados neste voto, possuem o condão de demonstrar de forma contundente, portanto provar, a ocorrência do Grupo Econômico, bem como da relação de interdependência existente entre as empresas, o que por sua vez autoriza a aplicação das regras previstas no artigo 136 e seguintes do RIPI/2002, vigente à época dos fatos. Efetivamente, a decisão sob exame não merece reparos no que diz respeito à utilização dos valores das vendas realizadas pela Anfíbia à Global Distribuidora como parâmetro para a definição do Valor Tributário Mínimo VTM, que foi empregado para balizar Fl. 52824DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 89 88 as operações de vendas para empresas pertencentes ao Grupo, portanto interdependentes, corretamente aplicados na forma dos artigos 520 do Decreto 4.544/2002 e 612 do Decreto 7.212/10. De fato, a adoção do VTM encontrase autorizada a partir da constatação da existência de um grupo econômico, com empresas interdependentes, na forma da lei. Assim, quanto ao cálculo do Valor Tributário Mínimo, reputado irregular pela Recorrente, admitese que foi calculado corretamente conforme exposto pela fiscalização e confirmado pela DRJ. Neste sentido, não deve proceder o argumento de que havia discrepância entre as vendas realizadas pela Anfíbia à Global e outras empresas do Grupo. Merece destaque a conclusão chegada pela DRJ, verbis: 490. Então, desde que os requisitos para utilização do VTM tenham sido observados – e se ele tiver sido corretamente apurado – restará atendido o dispositivo da legislação e, consequentemente, a autuação, neste peculiar, deve ser mantida. Então, em princípio, pouco importa se há discrepância entre as vendas realizadas pela Anfíbia à Global Distribuidora LTDA e as efetuadas para as distribuidoras do “Grupo Skala”. Aliás, é o pressuposto de que exista favorecimento de preços nas operações realizadas com empresas interdependentes – o que a autuação disse ter ocorrido nas operações da ANFÍBIA com as empresas do “Grupo Skala” que justifica a adoção do VTM. 491. Por isto é que são inócuos os levantamentos realizados pelo “Parecer Técnico” no sentido de evidenciar que a margem de preços praticada pelas distribuidoras do "Grupo Skala" não teria atingido o percentual de 40% em relação ao suposto preço de aquisição, pois, nas vendas às empresas deste Grupo, consideradas interdependentes, houve indevido favorecimento de preços em prejuízo do Erário e não subfaturamento – e, em função desta interdependência, foi adotado o critério legal da tributação com observância do VTM, para o qual a margem da revenda pelos distribuidores é irrelevante, pois, na hipótese, a tributação é, segundo o figurino legal, realizada pelo preço no mercado atacadista na praça do remetente, independentemente do preço no varejo ou mesmo do preço no atacado em outras praças. 492. Quanto aos terceiros (empresas não integrantes do “Grupo Skala”), o lançamento observou os valores de vendas praticados pela ANFÍBIA, constantes das Notas Fiscais por esta emitidas, que foram corrigidos pelo subfaturamento de 40%, não havendo aqui qualquer interferência do VTM apurado. Consequentemente, são impertinentes as alegações encerradas no item “ 8. Nivelamento, pela fiscalização, dos preços médios praticados pela Anfíbia com seus clientes, sem levar em conta as diferenças de preços dos produtos industrializados”, do Parecer Técnico sob análise, pois, ao levar em conta os valores das Notas Fiscais de vendas da Anfíbia aos terceiros, é de meridiana Fl. 52825DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 90 89 clareza que a diferença de preços nestas operações (decorrentes, por exemplo, do volume de vendas) foi, sim, considerada pela Fiscalização. A Anfíbia sustenta que apenas 18.86% de 472 clientes, ou seja, 89 empresas, teriam negociado títulos com a Casaforte Factoring, com o intuito de demonstrar que apenas nestes casos poderia ter havido subfaturamento. Acerca deste argumento, inicialmente vale destacar que tal cálculo diz respeito ao número de empresas, e não ao volume de negócios realizado com cada uma delas, o que faria muito mais sentido em termos estatísticos e argumentativo. Este fato também foi identificado pela DRJ, quando da prolação da decisão ora sob análise, que está precisa, verbis. Oportuno elucidar que, apesar do percentual de 18,86%, mencionado no item 497 acima despertar, de início pelo menos, a atenção, a esmagadora maioria das operações de venda da autuada com terceiros foi feita com empresas que estão relacionadas na planilha de fls. 2.720/2.728. Para ilustrar: nos anos de 2009 a 2012, foram realizadas apenas 05 operações de venda para o Minimercado Talismã e para a empresa Adriana Bombarda, enquanto, neste mesmo período, foram efetuadas cerca de 134 operações de venda para a Global Distribuidora (vide tabelas de fls 12.508/14.780 e de fls. 39.871/40.179). A DRJ com propriedade identifica três raras situações, envolvendo apenas uma empresa, seja ela a Jota Forte, onde os preços praticados foram diferentes, e o mais importante, ocorreram após a busca e apreensão de documentos na Operação Quadrado das Bermudas, o que efetivamente pode ter sido realizado de forma proposital para gerar a exceção, verbis. 501. Outrossim, observo que o “Parecer Técnico” foi apresentado mais de um ano após a protocolização da Impugnação da Anfíbia, mas, apesar disto, apenas conseguiu apontar três situações, todas envolvendo a empresa Jota Forte, nas quais a diferença entre o preço de venda praticado pela ANFÍBIA, considerado o subfaturamento, e o de revenda pela Jota Forte ensejaria prejuízo. Esta amostra, além de insignificante, pode muito bem ter sido intencionalmente “plantada” com o propósito de respaldar a defesa das implicadas na fraude, pois diz respeito a ocorrências do mês de maio de 2012, ou seja, posterior à apreensão de documentos pela “Operação Quadrado das Bermudas” O mencionado argumento de que existem outras transações com valor semelhante possui conteúdo notoriamente excludente, e encerra a lógica de que, se a mercadoria não foi vendida para empresa do grupo, então não foi subfaturada. Contudo, diante da robustez das provas que levaram a fiscalização e a DRJ a entender pelo subfaturamento das operações, estes argumentos são deveras frágeis para contrapôlos. No que diz respeito ao fato de que foram apreendidos documentos até o ano de 2011, contudo, foi presumida a continuidade da prática do subfaturamento no ano de 2012, é Fl. 52826DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 91 90 importante destacar que as planilhas de fls. 39.871 a 40.179 demonstram que não houve, em 2012, alteração significativa do "modus operandi" da recorrente. Também não foi apresentado, pela Recorrente, qualquer fato ou argumento que pudesse ilidir a presunção da continuidade das atividades como vinham sendo realizadas, razão pela qual é de se entender perfeita e irreparável a decisão proferida pela DRJ, merecendo destaque: Diante de todos os fundamentos expostos, concluo comprovada a ocorrência de subfaturamento do percentual de 40% nas vendas realizadas pela autuada a terceiros no período de 2009 a 2012. 505. Elucido que, apesar de apenas terem sido apreendidos documentos até o ano de 2011, a conduta das implicadas ao longo de vários anos que antecederam ao período autuado permite que se conclua que a fraude teve continuidade no ano de 2012. Por sinal, a continuidade da fraude no ano de 2012 pode ser atestada na planilha de fls. 39.871/40.179, na qual se identifica que, no geral, não houve em 2012 significativas alterações dos preços de vendas constantes das Notas Fiscais em relação àqueles embutidos nas Notas Fiscais de 2011, no qual a fraude patentemente ocorreu (as pequenas alterações para mais, ocorridas em alguns casos, são compatíveis com a inflação do período). Para exemplificar: 505.1. por meio da Nota Fiscal nº 49.825 foi vendido, no dia 24/08/2011, o produto de código 7267 para a Global Distribuidora LTDA (CNPJ nº: 04.754.317/000174) pelo preço unitário de R$ 28,03 (já acrescido o subfaturamento), enquanto, por meio da Nota Fiscal nº 60.215, foi vendido no dia 25/04/2012 este mesmo produto para a empresa RAMAVI PERFUMARIA LTDA (CNPJ nº: 04.741.235/000438) pelo preço unitário de R$ 29,02 (já computada a margem subfaturada); 505.2. por intermédio da Nota Fiscal nº 49764 foi vendido aos 23/08/2011 para a Global Distribuidora o produto de código 3092 pelo preço unitário de R$ 25,80 (já acrescido o subfaturamento), ao passo que, no dia 18/10/2012 este mesmo produto, por meio da Nota Fiscal nº 67.026, foi vendido para esta empresa pelo preço unitário de R$ 27,10 (já acrescido o subfaturamento). Assim, também por estes motivos deve ser mantida a decisão ora atacada. Ao contrário do que alega a Recorrente, que eventual revogação, pelo Judiciário, da busca e apreensão por meio da qual foram obtidas muitas provas dos autos não terá o condão de anular o presente processo, e este colegiado não é foro para discussão de tal questão. Ao contrário do que alega a Recorrente, a fiscalização agiu corretamente ao aplicar a multa qualificada pois restou demonstrada a participação das pessoas físicas e jurídicas em operação especialmente orquestrada para, com infração à legislação, reduzir, ou suprimir a incidência do tributo. Fl. 52827DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 92 91 Ao contrário do que alega a Recorrente, restou demonstrado nos autos que mercadorias foram vendidas com preços artificiais, combinados com terceiros, que a CASAFORTE pagou contas da ANFÍBIA, que a empresa COMERCIAL 13 existe de fato embora não exista de direito, que as empresas não possuem total e real autonomia, bem como o intuito de fraude que extrapola o planejamento tributário, devendo por estes motivos ser mantida a decisão atacada. Ao contrário do alegado em Recurso, as provas trazidas aos autos demonstram manifesto intuito de fraude, bem como de ocultar os atos fraudulentos, até sob o aspecto penal, o que justifica a aplicação das multas qualificadas, devendo também por estes motivos ser mantida a decisão atacada. Ao contrário do alegado em Recurso, o STF não proferiu decisão no sentido de declarar, erga omnes, as multas superiores a 100%, razão pela qual entendese correto o entendimento do fisco, devendo também por estes motivos ser mantida a decisão atacada. 2.3. Conclusões. Toda a documentação, analisada em conjunto à luz do já mencionado dever da autoridade julgadora de apreciar e interpretar o conjunto probatório como um todo, de maneira a formar livremente a sua convicção, à luz das máximas de experiência, ou seja, daquilo que geralmente ocorre, faz prova de que efetivamente existia um GRUPO composto por diversas empresas, e que este grupo utilizava meios ilícitos para reduzir ou até suprimir a tributação incidente sobre a sua atividade, bem como para evitar ou reduzir o risco de que este estrategema fosse identificado pelas autoridades fiscais, , razão pela qual neste ponto é de se negar provimento ao presente recurso, mantendo a decisão atacada. Lastreado nos já expostos fundamentos, especialmente no fato da Recorrente não haver logrado êxito em demonstrar a existência de fatos que pudessem se contrapor às robustas provas trazidas aos autos, entendo que deve ser mantida decisão proferida pela DRJ. 3. RECURSO DO SR. NADIR DE CASTRO NEVES 3.1. Mérito do Recurso. Não havendo preliminares, passase ao mérito do Recurso apresentado pelo Sr. Nadir de Castro Neves. A Recorrente alega nulidade do presente processo administrativo por nele haver sido utilizado o "termo de sujeição passiva tributária" bem como sob a alegação de que nele não há expressa intimação para pagar ou impugnar e, sem entrar no mérito da previsão ou não do expediente. A alegação de nulidade foi tecida sem que houvesse sido demonstrado qualquer prejuízo processual advindo de sua utilização, requisito indispensável para que exista a declaração de nulidade de ato administrativo à luz do artigo 60 do Decreto 70.235/72. Também alega que não foi mencionado o artigo 135, III do CTN, o que lhe teria maculado o direito de defesa, sem contudo especificar qual foi o prejuízo processual, imprescindível para que seja declarada a nulidade do ato, razão pela qual deve ser mantido. Neste sentido admitese que não há nulidade sem prejuízo, razão pela qual é de se negar provimento ao RECURSO neste sentido. Fl. 52828DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 93 92 Alega que o artigo 124 I do CTN não poderia ter sido utilizado neste caso, eis que prestase apenas a quem já integra o polo passivo da demanda e não a terceiros, como é o seu caso. Acerca disso, a Recorrente também limitouse a tratar do formalismo, sem mencionar em qual medida a utilização do artigo 124 I do CTN teria prejudicado o seu direito de defesa. Como se não bastasse, admitese que o referido artigo 124, I pode ser perfeitamente utilizado no caso concreto, eis que a recorrente nitidamente possui interesse comum na situação que constitui interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Ele não é um terceiro, mas sim pessoa interessada no sucesso do propósito também por ele engendrado para reduzir o aspecto material do fato gerador., razão que, também por este motivo deve ser negado provimento ao presente Recurso Voluntário, com a manutenção da decisão proferida pela DRJ. Acerca do argumento de que houve responsabilização genérica, há nos autos diversos elementos de prova que indicam o Sr. NADIR como figura relevante no esquema em comento, tratado como quem, por sua experiência, liderava o Grupo Econômico, e que por esta razão deve negado provimento ao presente Recurso Voluntário, com a manutenção da decisão proferida pela DRJ. Em relação à alegação de que as informações contidas no computador apreendido em sua residência não eram suas, mas sim da empresa de contabilidade que, inclusive, teria confessado tal fato, o contundente acervo probatório produzido nos autos leva a crer que esta "confissão" praticada pela contabilidade não condiz com a realidade, até porque o sistema jurídico brasileiro não aceita a confissão como presunção absoluta, mormente quando há outras provas que apontam em sentido distinto. Também por esta razão deve negado provimento ao presente Recurso Voluntário, com a manutenção da decisão proferida pela DRJ. Sobre as " considerações do consultor Marcio Carneiro", de 2006, referirem se a período anterior à prática dos atos dos quais é acusado, que segundo o Recurso teria o condão de desqualificar a prova, entendese que tal fato demonstra com ainda mais veemência a tese do fisco e a importância do documento, eis que o planejamento é algo classicamente realizado antes da execução, razão pela qual deve ser negado provimento ao recurso. O Recorrente alega que não há provas de que ele praticou o subfaturamento declarado na decisão sob foco, contudo, há nos autos há farto material probatório no sentido inverso, havendo sim coobrigação, e a sua manutenção na operação "Quadrado das Bermudas" é mais uma prova disso. A respeito da alegada impossibilidade da manutenção simultânea da ANFIBIA e do Sr. NADIR no polo passivo da demanda, também não merece abrigo a tese da Recorrente pois a responsabilidade de ambos é distinta, o que justifica a inclusão de ambos no polo passivo da relação tributária. 3.2. Conclusões. Por todas as razões acima elencadas, deve ser negado provimento ao Recurso Voluntário, para que seja mantida integralmente a decisão atacada. 4. RECURSO DE MASTER LINE DO BRASIL 4.1. Mérito do Recurso. Fl. 52829DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 94 93 Não havendo preliminares, passase ao mérito do Recurso apresentado pela Master Line do Brasil. A Recorrente afirma que o simples fato dela possuir como sócios as mesmas pessoas que constituem o "Núcleo Diretoria" do alegado esquema não seria suficiente para ensejar a sua responsabilidade, o que está parcialmente correto, se não fossem as outras dezenas de provas, já tratadas neste processo. Todo o acervo probatório trazido aos autos conduz o à interpretação de que a Recorrente é mais uma empresa do Grupo Econômico, comandada pelos mesmos que dirigem o referido Grupo, com documentos importantes e internos localizados uns nas outras, que usam o mesmo telefone, que se tratam e são tratados como sócios, que conhecem e compartilham intimidades empresariais, dentre tantas outras evidências, já mencionadas, que induzem a Autoridade Julgadora a crer tratarse de um Grupo Econômico. 4.2. Conclusões. Por todas as razões acima elencadas, especialmente as provas trazidas aos autos que demonstram tratarse de um Grupo Econômico, admitese que deve ser negado provimento ao Recurso Voluntário apresentado pela Master Line do Brasil, para que a decisão atacada seja mantida incólume. 5. RECURSO DE ANTONIO FERNANDO BONISATTO e SERGIO MORAES SAMPAIO 5.1. Mérito do Recurso. Não havendo preliminares, passase ao mérito do Recurso. Os Recorrentes alegam que as alegações tecidas por ANFIBIA e pelo Sr. NADIR a eles se aproveitam, razão pela qual aplicamse a eles as mesmas conclusões recursais. Em relação ao argumento de que é lícito a eles serem sócios de mais de uma empresa, e que este fato não conduz à automaticamente à presunção de que se trata de um grupo, é de se destacar que este raciocínio é perfeito. Contudo, foram juntados aos autos dezenas de provas no sentido de que os recorrentes não eram apenas sócios comuns da mesma empresa, mas sim dirigentes do Grupo Econômico, ainda que procurações, ainda que informalmente, de fato, pois a referida liderança, assim como a direção são situações fáticas que independem de documentos escritos, bem como pelo fato de haver sido juntadas aos autos diversas provas no sentido de que o referido "Grupo Econômico" existia de fato, embora pudesse não existir de direito, grupo este que utilizava o mesmo telefone, compartilhava informações que geralmente não são repartidas entre empresas, ainda que parcerias, onde os referidos sócios se tratam como tais em suas comunicações, dentre tantas evidências já devidamente relacionadas. 5.2. Conclusões. Por todas as razões acima elencadas, especialmente as provas trazidas aos autos que demonstram tratarse de um Grupo Econômico do qual os Recorrentes participam, se tratam e são tratados como sócios, com bem evidenciado pela decisão da DRJ sob exame, é de Fl. 52830DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 95 94 se negar provimento aos Recursos Voluntários apresentados por Antônio Bonisatto e Sergio Sampaio. 6. RECURSO DE PLATINA COSMÉTICOS LTDA 6.1. Mérito do Recurso. Não havendo preliminares, passase ao mérito do Recurso apresentado por Platina Cosméticos Ltda. A Recorrente alega que o artigo 124 I do CTN não poderia ter sido utilizado neste caso, eis que se prestaria apenas a quem já integra o pólo passivo da demanda e não a terceiros, como seria o seu caso, requerendo, por este motivo, a nulidade do procedimento. Acerca deste argumento, a Recorrente limitouse a tratar do formalismo consistente na aplicação do referido artigo, sem mencionar em qual medida a utilização do artigo 124 I do CTN teria prejudicado o seu direito de defesa, o que por si só Como se não bastasse, admitese que o referido artigo 124, I pode ser perfeitamente utilizado no caso concreto, eis que a recorrente nitidamente possui interesse comum na situação apresentada, que que constitui o fato gerador da obrigação principal. A Recorrente não é um terceiro, mas sim pessoa interessada no sucesso do propósito também por ele engendrado para reduzir o aspecto material do fato gerador, razão que, também por este motivo, o recurso deve ser julgado improcedente, com a consequente manutenção da decisão de piso. Diante desses fatos narrados e das robustas provas trazidas aos autos, parece me inequívoco que os responsáveis solidários mencionados realmente possuem "interesse comum", sujeitandose à responsabilidade solidária prevista no artigo 124, I, do CTN. Em relação à alegada ausência de correlação entre os fatos geradores e a norma jurídica, admitese que a fiscalização realizou cotejo suficiente entre os fatos e as normas, não havendo qualquer omissão em relação a isto na decisão atacada, muito menos qualquer alegação de prejuízo processual advindo da hipotética ocorrência da citada violação. Toda a documentação, analisada em conjunto à luz do já mencionado dever da autoridade julgadora de apreciar e interpretar o conjunto probatório como um todo de maneira a formar livremente a sua convicção, à luz das máximas de experiência, ou seja, daquilo que geralmente ocorre, faz prova de que efetivamente existia um GRUPO composto por diversas empresas, e que este grupo utilizava meios ilícitos para reduzir o tributo incidente sobre a sua atividade, bem como para evitar ou reduzir o risco de que este estrategema fosse identificado pelas autoridades fiscais, , razão pela qual neste ponto é de se negar provimento ao presente recurso, mantendo a decisão atacada. Quanto à proporcionalidade da aplicação da punição, admitese que o fisco agiu corretamente em considerar que se trata de um grupo, responsável por todos os créditos identificados, havendo de se manter a decisão atacada, negando provimento ao recurso em relação a isto. 6.2. Conclusões. Por todas as razões acima elencadas, especialmente as provas trazidas aos autos que demonstram tratarse de um Grupo Econômico, admitese que deve ser negado Fl. 52831DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 96 95 provimento ao Recurso Voluntário apresentado, para que a decisão atacada seja mantida em sua integralidade. 7. RECURSO DE DISTRIBUIDORA WANCHOVIA LTDA, JS COMÉRCIO E DISTRIBUIÇÃO DE PERFUMARIA LTDA, DISTRIBUIDORA NEBRASKA LTDA e DISTRIBUIDORA NOVIÇA LTDA 7.1. Mérito do Recurso. Não havendo preliminares, passase ao mérito do Recurso. Os Recorrentes alegam que as alegações tecidas por ANFIBIA a elas aproveitam, razão pela qual aplicamse a eles as mesmas conclusões recursais. Alegam que o artigo 124 I do CTN não poderia ter sido utilizado neste caso, eis que prestase apenas a quem já integra o polo passivo da demanda e não a terceiros, como é o seu caso. Acerca disso, a Recorrente também limitouse a tratar do formalismo, sem mencionar em qual medida a utilização do artigo 124 I do CTN teria prejudicado o seu direito de defesa. Como se não bastasse, admitese que o referido artigo 124, I pode ser perfeitamente utilizado no caso concreto, eis que a recorrente nitidamente possui interesse comum na situação que constitui interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Ele não é um terceiro, mas sim pessoa interessada no sucesso do propósito também por ele engendrado para reduzir o aspecto material do fato gerador., razão que, também por este motivo o recurso deve ser julgado improcedente, com a consequente manutenção do Auto de Infração. Em relação à alegada ausência de correlação entre os fatos geradores e a norma jurídica, admitese que a fiscalização realizou corretamente cotejo entre os fatos e as normas, não havendo qualquer reparo a se realizar na decisão sob exame, razão pela qual entendese que deve ser mantida. Toda a documentação, analisada em conjunto à luz do já mencionado dever da autoridade julgadora de apreciar e interpretar o conjunto probatório como um todo de maneira a formar livremente a sua convicção, à luz das máximas de experiência, ou seja, daquilo que geralmente ocorre, faz prova de que efetivamente existia um GRUPO composto por diversas empresas, e que este grupo utilizava meios ilícitos para reduzir o tributo incidente sobre a sua atividade, bem como para evitar ou reduzir o risco de que este estrategema fosse identificado pelas autoridades fiscais, , razão pela qual neste ponto é de se negar provimento ao presente recurso, mantendo a decisão atacada. Em relação à alegação de que não há prova do aproveitamento comum do ilícito, bem como quanto à falta de indicação da prática de atos específicos por parte das Recorrentes, partindose da premissa de que se trata de um grupo de empresas unidas e comandadas pela mesma diretoria, na qual as empresas e os seus integrantes, ostensivos ou ocultos, de fato, ou de direito se aproveitam dos frutos de atos ilícitos, a responsabilidade de todos decorre da existência e da participação no grupo, fato que já restou deveras demonstrado por todos os já mencionados elementos de provas constantes nos autos e mencionados nesta decisão, razão mais que suficiente para ensejar a responsabilidade solidária de todos que participaram do esquema, sejam eles pessoas naturais ou jurídicas, pois à medida de que todos integram o grupo e com ele auferem vantagens ilícitas cabe a todos responder pelos tributos e pelas sanções. Aliás, se os integrantes do grupo possuíam entre si um acordo acerca da divisão Fl. 52832DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 97 96 do produto do ato ilícito, este pacto sequer pode ser oponível ao fisco por força do artigo 123 do CTN, cabendo aos integrantes resolver a controvérsia conforme o que foi entre eles combinado. Ao contrário do que foi afirmado na tese recursal, a fiscalização não utilizou o artigo 116 do CTN para desconfigurar os negócios jurídicos e assim buscar a verdade material, eis que no caso concreto ele é absolutamente inútil, diante do fato de que cabe à administração 7.2. Conclusões. Por todas as razões acima elencadas, especialmente as provas trazidas aos autos que demonstram tratarse de um Grupo Econômico, admitese que deve ser negado provimento ao Recurso Voluntário apresentado, para que a decisão atacada seja mantida em sua integralidade. 8. RECURSO DE KEILA ALVES MARTINS DUARTE 8.1. Mérito do Recurso. Não havendo preliminares, passase ao mérito do Recurso. A Recorrente afirma que as alegações apresentadas pelo Sr. NADIR e pela ANFIBIA lhe aproveitam, razão pelas quais admitese que os argumentos relativos às suas alegações também. Alega que o artigo 124 I do CTN não poderia ter sido utilizado neste caso, eis que prestase apenas a quem já integra o polo passivo da demanda e não a terceiros, como é o seu caso. Acerca disso, a Recorrente também limitouse a tratar do formalismo, sem mencionar em qual medida a utilização do artigo 124 I do CTN teria prejudicado o seu direito de defesa. Como se não bastasse, admitese que o referido artigo 124, I pode ser perfeitamente utilizado no caso concreto, eis que a recorrente nitidamente possui interesse comum na situação que constitui interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Ele não é um terceiro, mas sim pessoa interessada no sucesso do propósito também por ele engendrado para reduzir o aspecto material do fato gerador., razão que, também por este motivo o recurso deve ser julgado improcedente, com a consequente manutenção do Auto de Infração. Em relação à alegada ausência de correlação entre os fatos geradores e a norma jurídica, admitese que a fiscalização realizou cotejo entre os fatos e as normas Toda a documentação, analisada em conjunto à luz do já mencionado dever da autoridade julgadora de apreciar e interpretar o conjunto probatório como um todo de maneira a formar livremente a sua convicção, à luz das máximas de experiência, ou seja, daquilo que geralmente ocorre, faz prova de que efetivamente existia um GRUPO composto por diversas empresas, e que este grupo utilizava meios ilícitos para reduzir o tributo incidente sobre a sua atividade, bem como para evitar ou reduzir o risco de que este estrategema fosse identificado pelas autoridades fiscais, , razão pela qual neste ponto é de se negar provimento ao presente recurso, mantendo a decisão atacada. Fl. 52833DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 98 97 Em relação à alegação de que não há prova do aproveitamento comum do ilícito, bem como quanto à falta de indicação da prática de atos específicos por parte das Recorrentes, partindose da premissa de que se trata de um grupo de empresas unidas e comandadas pela mesma diretoria, na qual as empresas e os seus integrantes, ostensivos ou ocultos, de fato, ou de direito se aproveitam dos frutos de atos ilícitos, a responsabilidade de todos decorre da existência e da participação no grupo, fato que já restou deveras demonstrado por todos os já mencionados elementos de provas constantes nos autos e mencionados nesta decisão, razão mais que suficiente para ensejar a responsabilidade solidária de todos que participaram do esquema, sejam eles pessoas naturais ou jurídicas, pois à medida de que todos integram o grupo e com ele auferem vantagens ilícitas cabe a todos responder pelos tributos e pelas sanções. Aliás, se os integrantes do grupo possuíam entre si um acordo acerca da divisão do produto do ato ilícito, este pacto sequer pode ser oponível ao fisco por força do artigo 123 do CTN, cabendo aos integrantes resolver a controvérsia conforme o que foi entre eles combinado. Ao contrário do que foi afirmado na tese recursal, a fiscalização não utilizou o artigo 116 do CTN para desconfigurar os negócios jurídicos e assim buscar a verdade material, eis que no caso concreto ele é absolutamente inútil, diante do fato de que cabe à administração. 8.2. Conclusões. Por todas as razões acima elencadas, especialmente as provas trazidas aos autos que demonstram tratarse de um Grupo Econômico, admitese que deve ser negado provimento ao Recurso Voluntário apresentado, para que a decisão atacada seja mantida em sua integralidade. 9. RECURSO DO ESPÓLIO DE OSCAR JOSÉ DE CARLOS LACERDA 9.1. Mérito do Recurso. Não havendo preliminares, passase ao mérito do Recurso. Inicialmente, por economia processual, requer que as alegações tecidas pelos demais devedores solidários lhe aproveitem, o que por razão lógica faz com que também lhe aproveitem as decisões proferidas nos Recursos deles. Em relação à alegação de que ele não teria a ascendência sobre os demais integrantes do "quadrado das bermudas", a antítese apresentada pelo Recorrente não merece prosperar pois a documentação carreada aos autos, sobre a qual já se discorreu à exaustão, demonstra que o Sr. OSCAR era pessoa de muita influência no grupo, até porque, como a própria Recorrente alega, tinha larga experiência no ramo e muitos empresários "APRENDERAM A ADMINISTRAR EMPRESAS COM ELE" (fls. 52707) No que diz respeito à alegação de que ele não administrava empresas das quais não era sócio, este argumento colide com uma questão fática relevante ,qual seja a de que a documentação trazida aos autos demonstra o inverso, qual seja que ele centralizava atividades, possuía procurações, detinha o controle e o conhecimento do fluxo de produtos de todo o grupo, usava o mesmo telefone que os demais integrantes do grupo, apenas para citar alguns exemplos. Fl. 52834DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 99 98 9.2. Conclusões. Por todas as razões acima elencadas, especialmente as provas trazidas aos autos que demonstram tratarse de um Grupo Econômico, admitese que deve ser negado provimento ao Recurso Voluntário apresentado, para que a decisão atacada seja mantida em sua integralidade. 10. RECURSO DE DOCA DISTRIBUIDORA DE COSMÉTICOS 10.1. Mérito do Recurso. Não havendo preliminares, passase ao mérito do Recurso. A Recorrente alega que as alegações tecidas por ANFIBIA a ela aproveitam, razão pela qual aplicamse a eles as mesmas conclusões recursais. Alega que o artigo 124 I do CTN não poderia ter sido utilizado neste caso, eis que prestase apenas a quem já integra o pólo passivo da demanda e não a terceiros, como é o seu caso. Acerca disso, a Recorrente também limitouse a tratar do formalismo, sem mencionar em qual medida a utilização do artigo 124 I do CTN teria prejudicado o seu direito de defesa. Como se não bastasse, admitese que o referido artigo 124, I pode ser perfeitamente utilizado no caso concreto, eis que a recorrente nitidamente possui interesse comum na situação que constitui interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Ele não é um terceiro, mas sim pessoa interessada no sucesso do propósito também por ele engendrado para reduzir o aspecto material do fato gerador., razão que, também por este motivo o recurso deve ser julgado improcedente, com a consequente manutenção do Auto de Infração. Em relação à alegada ausência de correlação entre os fatos geradores e a norma jurídica, admitese que a fiscalização realizou cotejo entre os fatos e as normas, tendo, de forma exaustiva, correlacionado os atos praticados pelo grupo de empresas com o objetivo de reduzir, ilegalmente, a carga tributária incidente sobre as operações. Ademais, não foi trazido aos autos qualquer argumento que venha a demonstrar a ocorrência de prejuízo pela suposta ausência de correlação alegada Toda a documentação, analisada em conjunto à luz do já mencionado dever da autoridade julgadora de apreciar e interpretar o conjunto probatório como um todo de maneira a formar livremente a sua convicção, à luz das máximas de experiência, ou seja, daquilo que geralmente ocorre, faz prova de que efetivamente existia um GRUPO composto por diversas empresas, e que este grupo utilizava meios ilícitos para reduzir o tributo incidente sobre a sua atividade, bem como para evitar ou reduzir o risco de que este estrategema fosse identificado pelas autoridades fiscais, , razão pela qual neste ponto é de se negar provimento ao presente recurso, mantendo a decisão atacada. Em relação à alegação de que não há prova do aproveitamento comum do ilícito, bem como quanto à falta de indicação da prática de atos específicos por parte das Recorrentes, partindose da premissa de que se trata de um grupo de empresas unidas e comandadas pela mesma diretoria, na qual as empresas e os seus integrantes, ostensivos ou ocultos, de fato, ou de direito se aproveitam dos frutos de atos ilícitos, a responsabilidade de todos decorre da existência e da participação no grupo, fato que já restou deveras demonstrado por todos os já mencionados elementos de provas constantes nos autos e mencionados nesta Fl. 52835DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 100 99 decisão, razão mais que suficiente para ensejar a responsabilidade solidária de todos que participaram do esquema, sejam eles pessoas naturais ou jurídicas, pois à medida de que todos integram o grupo e com ele auferem vantagens ilícitas cabe a todos responder pelos tributos e pelas sanções. Aliás, se os integrantes do grupo possuíam entre si um acordo acerca da divisão do produto do ato ilícito, este pacto sequer pode ser oponível ao fisco por força do artigo 123 do CTN, cabendo aos integrantes resolver a controvérsia conforme o que foi entre eles combinado. Ao contrário do que foi afirmado na tese recursal, a fiscalização não utilizou o artigo 116 do CTN para desconfigurar os negócios jurídicos e assim buscar a verdade material, eis que no caso concreto ele é absolutamente inútil, diante do fato de que cabe à administração 10.2. Conclusões. Por todas as razões acima elencadas, especialmente as provas trazidas aos autos que demonstram tratarse de um Grupo Econômico, admitese que deve ser negado provimento ao Recurso Voluntário apresentado, para que a decisão atacada seja mantida em sua integralidade. 11. RECURSO DE SAGA DISTRIBUIÇÃO DE COSMÉTICOS LTDA 11.1. Mérito do Recurso. Não havendo preliminares, passase à análise do mérito do Recurso. A Recorrente alega que houve erro no enquadramento legal da exigência, eis que fundado no artigo 124, I do CTN, o que não seria juridicamente possível. Alega que o artigo 124 I do CTN não poderia ter sido utilizado neste caso, eis que prestase apenas a quem já integra o polo passivo da demanda e não a terceiros, como é o seu caso. Acerca disso, a Recorrente também limitouse a tratar do formalismo, sem mencionar em qual medida a utilização do artigo 124 I do CTN teria prejudicado o seu direito de defesa. Como se não bastasse, admitese que o referido artigo 124, I pode ser perfeitamente utilizado no caso concreto, eis que a recorrente nitidamente possui interesse comum na situação que constitui interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Ele não é um terceiro, mas sim pessoa interessada no sucesso do propósito também por ele engendrado para reduzir o aspecto material do fato gerador., razão que, também por este motivo o recurso deve ser julgado improcedente, com a consequente manutenção do Auto de Infração. Alega ainda que não foram indicados os atos que levaram à sua responsabilização. Em relação à alegada ausência de correlação entre os fatos geradores e a norma jurídica, admitese que a fiscalização realizou cotejo entre os fatos e as normas, tendo, de forma exaustiva, correlacionado os atos praticados pelo grupo de empresas com o objetivo de reduzir, ilegalmente, a carga tributária incidente sobre as operações. Toda a documentação, analisada em conjunto à luz do já mencionado dever da autoridade julgadora de apreciar e interpretar o conjunto probatório como um todo de maneira a formar livremente a sua convicção, à luz das máximas de experiência, ou seja, daquilo que geralmente ocorre, faz prova de que efetivamente existia um GRUPO composto Fl. 52836DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 101 100 por diversas empresas, e que este grupo utilizava meios ilícitos para reduzir o tributo incidente sobre a sua atividade, bem como para evitar ou reduzir o risco de que este estrategema fosse identificado pelas autoridades fiscais, , razão pela qual neste ponto é de se negar provimento ao presente recurso, mantendo a decisão atacada. Insurgese contra a decisão da DRJ em razão de haver desconsiderado ato e/ou negócio jurídico aplicando indevidamente o artigo 116 do CTN. Ao contrário do que foi afirmado na tese recursal, a fiscalização não utilizou o artigo 116 do CTN para desconfigurar os negócios jurídicos e assim buscar a verdade material, eis que no caso concreto ele é absolutamente inútil, diante do fato de que cabe à administração, diante do fato concreto, aplicar a norma pertinente. Finalmente, questiona a desproporcionalidade na imputação dos tributos e das sanções, eis que os débitos não foram individualizados. Em relação à alegação de que não há prova do aproveitamento comum do ilícito, bem como quanto à falta de indicação da prática de atos específicos por parte das Recorrentes, partindose da premissa de que se trata de um grupo de empresas unidas e comandadas pela mesma diretoria, na qual as empresas e os seus integrantes, ostensivos ou ocultos, de fato, ou de direito se aproveitam dos frutos de atos ilícitos, a responsabilidade de todos decorre da existência e da participação no grupo, fato que já restou deveras demonstrado por todos os já mencionados elementos de provas constantes nos autos e mencionados nesta decisão, razão mais que suficiente para ensejar a responsabilidade solidária de todos que participaram do esquema, sejam eles pessoas naturais ou jurídicas, pois à medida de que todos integram o grupo e com ele auferem vantagens ilícitas cabe a todos responder pelos tributos e pelas sanções. Aliás, se os integrantes do grupo possuíam entre si um acordo acerca da divisão do produto do ato ilícito, este pacto sequer pode ser oponível ao fisco por força do artigo 123 do CTN, cabendo aos integrantes resolver a controvérsia conforme o que foi entre eles combinado. 11.2. Conclusões. Por todas as razões acima elencadas, especialmente as provas trazidas aos autos que demonstram tratarse de um Grupo Econômico, admitese que deve ser negado provimento ao Recurso Voluntário apresentado, para que a decisão atacada seja mantida em sua integralidade. 12. DO RECURSO DE OFÍCIO (Fls. 52.335) Pela análise da decisão proferida pela DRJ resultou na exoneração da responsabilidade da Sra. Maria das Graças Fernandes Oliveira, bem como dos valores contidos nas tabelas de fls. 52437 e seguintes, que passo a analisar. 12.1. EXONERAÇÃO DA SRA MARIA DAS GRAÇAS FERNANDES OLIVEIRA A Recorrente vem aos autos requerer a manutenção da decisão proferida pela DRJ que afastou a sua responsabilidade solidária no que lhe assiste razão, eis que não foram evidenciados, nos autos, elementos que pudessem ensejala. Fl. 52837DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 102 101 Efetivamente, pela análise dos autos foi possível aferir que a Sr. Maria das Graças Fernandes Oliveira não integrou formalmente qualquer das empresas autuadas, nem há provas de que ela haveria participado informalmente da administração, razão pela qual não é possível aplicar a ela o artigo 135, nem o artigo 124 I do CTN, eis que não foi possível demonstrar que possui interesse comum na situação que constituiu o fato gerador. Conclusivamente, por todas as razões acima elencadas, é se negar provimento ao Recurso de Ofício, para que a decisão atacada seja mantida em sua integralidade. 12.2. EXONERAÇÃO DOS VALORES DE QUE TRATAM AS TABELAS DE FLS. 52.437. As exonerações realizadas pela DRJ podem se resumir aos seguintes tópicos: 12.2.1. Exoneração dos produtos nos quais houve impropriedade no alinhamento dos produtos cogêneres. Inicialmente, no que diz respeito aos produtos semelhantes, fls. 52411, entendo que assiste razão à DRJ quando conclui que "houve impropriedade no alinhamento dos “produtos congêneres”, pelo que deveriam ser excluídas todas as infrações a eles relativas, consoante demonstrativo constante do Anexo XI, do Termo de Encerramento de Diligência." Neste sentido, reproduzo e acolho como razões de decidir as conclusões da decisão de piso que bem motivou os fatos e argumentos: "Especificamente em torno dos produtos referenciados no item 294.4, da Resolução, elucidou que “ apesar de terem uma nomenclatura muito próxima: “Código 3230 – CREME SK ABACATE 1000G CX6X1 EXP” x “Código 3108 – CREME ABACATE SK 1000G CX6X1”, não são produtos equivalentes, além das diferenças visuais de rotulagem e embalagem, nas formulações há componentes diferentes entre um e outro, citamos como exemplo a presença dos substratos Methylchloroisolthiazolinone e Methylisothiazolinone no produto 3108, vendido no mercado exportação”. nacional, e não encontrado no produto 3230 fabricado para exportação. Expõe, também, que “os produtos 6234,8559 e 6224 que são listados nessa infração já se apresentam com lançamentos na infração 0002Produto Saído do Estabelecimento Industrial ou Equiparado a Industrial Com Emissão de Nota Fiscal – Saída de Produtos Sem Lançamento do IPI – Inobservância do Valor Tributável Mínimo”. Diante dos fundamentos expostos, concluem as autoridades fiscais que houve impropriedade no alinhamento dos “produtos congêneres”, pelo que deveriam ser excluídas todas as infrações a eles relativas, consoante demonstrativo constante do Anexo XI, do Termo de Encerramento de Diligência. Ora, detectada a situação acima, realmente é inviável a manutenção do lançamento sobre as operações de vendas dos chamados produtos congêneres às empresas do “Grupo Skala”, pois isto apenas poderia ser implementado por meio de Fl. 52838DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 103 102 significativa alteração dos fundamentos do Auto de Infração, o que é inviável ocorrer por meio de diligência; por isto, acato a exoneração dos créditos tributários apurados sobre as operações de vendas destes produtos, aos moldes indicados pelas autoridades diligenciantes. Assim, exonero, integralmente, os valores correspondentes à segunda parte da infração 002, fls. 18.444/18.445, bem como à segunda parte da infração 004, fls. 18.451/18.453, conforme tabela a seguir:" 12.2.2. Exoneração das devoluções de mercadorias A DRJ também exonerou do cálculo dos tributos devidos os valores correspondentes à devolução de mercadorias, no que lhe assiste razão diante da impossibilidade jurídica de se tributar tais fatos, motivo pelo qual é de se manter a referida exoneração, negando provimento ao presente Recurso de Ofício. 12.2.3. Exoneração dos produtos que não podem ser classificados como CONDICIONADORES. A DRJ em sua decisão ora sob exame excluiu da autuação os produtos que se classificam como CONDICIONADORES, no que lhe assiste razão com fundamento nas suas propriedades particulares que os tornam distintos dos demais produtos utilizados como paradigma, independente do fato de serem lavados ou não. Forte nos fundamentos acima, consoante detalhado nas planilhas de fls. 52.307/52.316, 52.317/52.327 e 52.328/52.332 elaboradas por este Relator e consolidado na conclusão deste Voto, afasto a exigência decorrente da diferença de alíquota de 22% para 7% sobre os cremes para pentear e máscaras para pentear que estão relacionados no DOC. 95, mantendo a incidência apenas em relação aos seguintes produtos: DEFRIZANTE (código de produto SUPPLEMENTS GLOSS 120GRSCX6X1 6240), POMADA DE BRILHO (código de produto 6241), SUPLEMMENTS 120G CX6X1 POMADA SUPPLEMENTS MOD. (código de produto 6242) CURTOS 120GCX6X1 e POMADA SUPPLEMENTS MOD. MÉDIOS (código de produto 6243) pois não há a menor condição, diante de suas 120GCX6X1 correspondentes funções, de reputar que estes quatro produtos sejam condicionadores. 12.3. Conclusões. Por todas as razões acima elencadas, admitese que deve ser negado provimento ao Recurso de Ofício, para que a decisão atacada seja mantida em sua integralidade. 13. CONCLUSÕES FINAIS Fl. 52839DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 104 103 Por todo o arrazoado, é de se afastar as preliminares arguidas para negar provimento aos Recurso Voluntários apresentados pelas pessoas naturais e jurídicas, bem como também negar provimento ao Recurso de Ofício, mantendose integralmente a decisão sob exame. Raphael Madeira Abad Fl. 52840DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10882.720502/2011-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO ESPECÍFICA. FALHA DO ENQUADRAMENTO LEGAL. CERCEAMENTO DE DEFESA.
Ainda que bem descritos os fatos, faz-se necessário que o auto de infração indique claramente e com precisão os fundamentos legais que conduziram à sua lavratura, não podendo fazêlo de maneira genérica ou com vagueza, sob pena de se inviabilizar o direito de defesa. Arts. 3º e 142, parágrafo único da Lei nº 5.172/1966 (CTN), artigos 10 e 59, do Decreto nº 70.235/1970
Numero da decisão: 3401-005.221
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, para reconhecer a nulidade do auto de infração, por cerceamento do direito de defesa, vencido o Conselheiro Lazaro Antonio Souza Soares, que votava por analisar o mérito do lançamento.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Tiago Guerra Machado - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Cassio Schappo e Lázaro Antonio Souza Soares. Ausente justificadamente o conselheiro André Henrique Lemos,.
Nome do relator: TIAGO GUERRA MACHADO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201807
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO ESPECÍFICA. FALHA DO ENQUADRAMENTO LEGAL. CERCEAMENTO DE DEFESA. Ainda que bem descritos os fatos, faz-se necessário que o auto de infração indique claramente e com precisão os fundamentos legais que conduziram à sua lavratura, não podendo fazêlo de maneira genérica ou com vagueza, sob pena de se inviabilizar o direito de defesa. Arts. 3º e 142, parágrafo único da Lei nº 5.172/1966 (CTN), artigos 10 e 59, do Decreto nº 70.235/1970
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Oct 01 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10882.720502/2011-97
anomes_publicacao_s : 201810
conteudo_id_s : 5912179
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3401-005.221
nome_arquivo_s : Decisao_10882720502201197.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : TIAGO GUERRA MACHADO
nome_arquivo_pdf_s : 10882720502201197_5912179.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, para reconhecer a nulidade do auto de infração, por cerceamento do direito de defesa, vencido o Conselheiro Lazaro Antonio Souza Soares, que votava por analisar o mérito do lançamento. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente. (assinado digitalmente) Tiago Guerra Machado - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Cassio Schappo e Lázaro Antonio Souza Soares. Ausente justificadamente o conselheiro André Henrique Lemos,.
dt_sessao_tdt : Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
id : 7441140
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:28:01 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050867359285248
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1472; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 1.456 1 1.455 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10882.720502/201197 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401005.221 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de julho de 2018 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO IPI Recorrente REHAU INDUSTRIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO ESPECÍFICA. FALHA DO ENQUADRAMENTO LEGAL. CERCEAMENTO DE DEFESA. Ainda que bem descritos os fatos, fazse necessário que o auto de infração indique claramente e com precisão os fundamentos legais que conduziram à sua lavratura, não podendo fazêlo de maneira genérica ou com vagueza, sob pena de se inviabilizar o direito de defesa. Arts. 3º e 142, parágrafo único da Lei nº 5.172/1966 (CTN), artigos 10 e 59, do Decreto nº 70.235/1970 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, para reconhecer a nulidade do auto de infração, por cerceamento do direito de defesa, vencido o Conselheiro Lazaro Antonio Souza Soares, que votava por analisar o mérito do lançamento. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Tiago Guerra Machado Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 72 05 02 /2 01 1- 97 Fl. 1456DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Cassio Schappo e Lázaro Antonio Souza Soares. Ausente justificadamente o conselheiro André Henrique Lemos,. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário (fls. e seguintes) contra decisão da 12ª Turma, DRJ/RPO , que considerou improcedente as razões da Recorrente contra o Auto de Infração, referente a insuficiência de lançamento e recolhimento do IPI, em virtude de erro de classificação fiscal e de alíquota, no período de 01/01/2007 a 31/12/2007. Do Lançamento Naquela ocasião, a D. Fiscalização lançou crédito tributário (fls. 272 e seguintes) de R$1.008.353,07 (um milhão, oito mil, trezentos e cinquenta e três reais e sete centavos) mais consectários de mora, totalizando a exigência em R$2.128.632,10 (dois milhões, cento e vinte e oito mil, seiscentos e trinta e dois reais e dez centavos). As razões que levaram ao lançamento de ofício foram: Da Impugnação A Contribuinte tomou ciência do Auto de Infração, em 30.03.2011 (fl. 273), e interpôs impugnação, em 27.04. 2011(fls.1270 ), alegando, em síntese, o seguinte: Fl. 1457DF CARF MF Processo nº 10882.720502/201197 Acórdão n.º 3401005.221 S3C4T1 Fl. 1.457 3 a) segundo o relatório fiscal: “os produtos comercializados pela Impugnante não correspondem aos perfis descritos na Nota 8 do Capítulo 39, na medida em que não se constituem tubos com seção transversal interna diferente da redonda, oval ou retangular ou em forma poligonal retangular, não podendo, portanto serem enquadrados como perfis”; e “em conclusão, os produtos comercializados pela Impugnante devem ser enquadrados na posição ‘3920’ (outras chapas, folhas, películas, tiras e lâminas, de plásticos não alveolares, não reforçadas nem estratificadas, nem associadas de forma semelhante a outras matérias, sem suporte)”; b) segundo as Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado, a posição mais específica prevalece sobre as mais genéricas, conforme inclusive jurisprudência do STJ e do TRF da 4ª Região; contudo, a fiscalização resolveu enquadrar os produtos em classificação mais genérica, sendo que o enquadramento mais específico dos produtos é na posição 3916 ; c) a empresa industrializa, mediante o processo produtivo chamado de extrusão, perfis denominados “fitas de borda” (denominação meramente comercial) para a indústria moveleira; o processo de extrusão tem como finalidade a transformação da matéria prima em peça alongada, filamentosa e contínua, conforme “Parecer Técnico para Enquadramento de Produto” anexado; d) os diversos perfis em “I”, são de PVC (policloreto de vinila), com espessuras entre 0,45mm e 3mm e larguras entre 19 e 64 mm; ABS (acrilomitrila butadienoestireno), com espessuras entre 1 mm e 3 mm e larguras entre 19 e 62 mm; e PP (polímeros de propileno), com espessura de 1,5 mm e larguras entre 19 e 62 mm; e o enquadramento mais adequado é na posição 3916 em razão da extrusão, conforme a NESH; a posição 3920, em contrapartida, se refere a tiras oriundas de um processo descontínuo de fabricação (corte ou laminagem); há laudo técnico, elaborado pela empresa Theragon, que corrobora o exposto pela impugnante, além de relatório técnico do Instituto Nacional de Tecnologia sobre as características técnicas do produto “fita de borda” e que aponta a classificação fiscal a ser adotada: 3916.20.00; (...) Da Decisão de 1ª Instância Sobreveio Acordão 1447.029, exarado pela 12ª Turma, da DRJ/RPO, em 27.11.2013 (fls 1397 e seguites), do qual a Contribuinte tomou conhecimento em 18.12.2013 (fl. 1449) , através do qual foi mantido integralmente o crédito tributário lançado nos seguintes termos: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 FITAS DE BORDA As tiras de plástico para revestimento de bordas de chapas de madeira para móveis, comercialmente denominadas “fitas de borda”, têm classificação fiscal NCM 3926.49.00, com alíquota de 15%. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 FALTA DE LANÇAMENTO DO IMPOSTO Fl. 1458DF CARF MF 4 É devido o imposto não lançado nas notas fiscais de saída por erros de classificação fiscal e de alíquota. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 PEDIDO DE PERÍCIA TÉCNICA. INDEFERIMENTO. Indeferese pedido de perícia que não apresente a indicação do perito e que, de qualquer modo, seja prescindível à vista dos elementos do processo. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Dessa decisão, importante destacar os seguintes excertos: 2. O interessado pretende a classificação dos produtos na posição 39.16, como perfis. A Nota 8 do Capítulo 39 estabelece que "os tubos que apresentem uma seção transversal interna diferente da redonda, oval, retangular (o comprimento não excedendo a 1,5 vezes a largura) ou em forma poligonal regular, não se consideram como tubos, mas sim como perfis''. Não existe, no entanto, no âmbito do Capítulo 39, uma definição para perfis. 3. As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado/Nesh, versão luso brasileira, aprovadas pelo Decreto n° 435, de 28 de janeiro de 1992, e atualizações posteriores, referentes à posição 39.16, citam "os perfis para vedar as juntas de janelas" como incluídos nessa posição. Daí se concluir que não só os perfis referidos na Nota 8 estão incluídos na posição 39.16. 4. A fim de esclarecer o que seja perfil, buscamos os subsídios da Nota l.e) do Capítulo 74 que diz: "e) Perfis: "os produtos laminados, extrudados. estirados, forjados, modelados ou dobrados, mesmo em rolos, de seção transversal constante em todo o comprimento e gue não correspondam a qualquer das definições de barras, fios, chapas, tiras, folhas ou tubos. Também se consideram perfis os produtos com as mesmas formas, obtidos por moldação, vazamento ou sinterização, que tenham sofrido posteriormente à sua obtenção um trabalho mais adiantado do que a simples eliminação de rebarbas, desde que tal trabalho não lhes confira as características de artefatos ou obras incluídos em outras posições. " (os grifos não são do original) 5. Os artigos em questão não correspondem aos perfis descritos pela Nota 8 do Capítulo 39, pois não são tubos com seção transversal interna diferente da redonda, oval, retangular (o comprimento não excedendo a 1,5 vezes a largura) ou em forma poligonal regular. Correspondem, outrossim, a tiras e folhas de poli (cloreto de vinila). Dessa forma, de acordo com as Nesh retrocitadas, não podem ser entendidos como perfis. 6. As tiras, bem como as folhas de plástico (PVC) ainda não cortadas (apresentadas em bobinas), são classificadas na posição 39.20 "Outras chapas, folhas, películas, tiras e lâminas, de plásticos não alveolares, não reforçadas nem estratificadas, nem associadas de forma semelhante a outras matérias, sem suporte", pois são de plástico não alveolar (PVC), não reforçado, não estratificado e não associado a outras matérias. Fl. 1459DF CARF MF Processo nº 10882.720502/201197 Acórdão n.º 3401005.221 S3C4T1 Fl. 1.458 5 7. Como se tratam de artigos de polímero do cloreto de vinila [poli(cloreto de vinila)], estão abrangidos pela subposição de 1° nível 3920.4 e, como não contêm plastificantes, pela subposição de 2° nível 3920.49, que não tem desdobramentos regionais. CONCLUSÃO 8. Com base nas Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado/RGI/SH 1 (texto da posição 39.20) e 6 (textos das subposições 3920.4 e 3920.49), da Tarifa Externa Comum/TEC, aprovada pelo Decreto n.° 2.376, de 1997, com a redação dada pelas Resoluções Camex n° 42, de 2001, e n° 35, de 2002, e com subsídios extraídos das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado/Nesh, versão lusobrasileira, aprovadas pelo Decreto n° 435, de 1992, e alteradas pela IN SRF n° 157, de 2.002, CONCLUO que as mercadorias consultadas são classificadas no código 3920.49.00. Irresignado, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, que veio a repetir os argumentos apresentados na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Tiago Guerra Machado relator Da Admissibilidade O Recurso é tempestivo, e reúne os demais requisitos de admissibilidade constantes na legislação; de modo que admito seu conhecimento. Da Nulidade Reconhecida de Ofício – Cerceamento de Defesa Como se aduz do relatório, as razões de o auto de infração haver reclassificado não restaram claras em nenhum momento do lançamento ou no respectivo termo de verificação fiscal; na verdade, somente a decisão proferida pela DRJ é que faz análise da classificação fiscal à luz da TIPI, das Notas Explicativas e das Regras de Interpretação do Sistema Harmonizado. Isso, por si só, já macularia o lançamento, já que, ausentes as motivações para sustentar a posição da Fazenda Pública no momento da lavratura do auto de infração, já caracterizaria cerceamento de defesa – confrontante ao artigo 59, do PAF – e, em razão disso, nulidade do lançamento. Em caso análogo, essa mesma Turma já reconheceu essa nulidade. Vejamos Fl. 1460DF CARF MF 6 ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/2009 a 31/08/2009 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO ESPECÍFICA. FALHA DO ENQUADRAMENTO LEGAL. CERCEAMENTO DE DEFESA. Ainda que bem descritos os fatos, fazse necessário que o auto de infração indique claramente e com precisão os fundamentos legais que conduziram à sua lavratura, não podendo fazêlo de maneira genérica ou com vagueza, sob pena de se inviabilizar o direito de defesa. Arts. 3º e 142, parágrafo único da Lei nº 5.172/1966 (CTN), art. 10 do Decreto nº 70.235/1970 e art. 50 da Lei nº 9.784/1999, do inciso II do art. 489 da Lei nº 13.105/2015 (CPC). (Acórdão 3401003.751 – Relator Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco – Julgado em 26.04.2017) Portanto, reconheço a nulidade de ofício, por entender esta ser matéria de ordem pública. Pelo exposto, conheço do Recurso e doulhe provimento (assinado digitalmente) Tiago Guerra Machado Relator Fl. 1461DF CARF MF
score : 1.0
