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Numero do processo: 10314.002291/97-32
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Dec 07 00:00:00 UTC 2005
Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
Retifica-se o Acórdão n° 301-30.029 para alterar a ementa. Passando a ter o seguinte teor:
DRAWBACK SUSPENSÃO. INADIMPLEMENTO DO COMPROMISSO DE EXPORTAR.
Decorrido o prazo de cinco anos sem que a Fazenda Pública tenha se pronunciado, se impõe a decadência pela aplicação do art 150, § 4o, do CTN, apenas sobre os valores dos impostos cujos vencimentos ocorreram no ano de 1991.
Cabível a cobrança de tributos, multa e juros quando ocorrer o inadimplemento do compromisso de exportação, mesmo parcial. RECURSO VOLUNTÁRIO PARCIALMENTE PROVIDO
Numero da decisão: 301-30.029
Decisão: Decidem os membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, acolher e dar provimento aos Embargos de Declaração para retificar a ementa do acórdão recorrido, mantida a decisão prolatada, nos termos do Voto do Relator.
Nome do relator: Carlos Henrique Klaser Filho
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Numero do processo: 10920.720557/2012-84
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Dec 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2009
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA ESCRITURAÇÃO FCONT.
Mantêm-se a aplicação da multa por atraso na entrega do FCONT quando inexistirem razões previstas em lei ou normas que, diante das razões apresentadas.
Numero da decisão: 1001-000.098
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
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Mantêmse a aplicação da multa por atraso na entrega do FCONT quando inexistirem razões previstas em lei ou normas que, diante das razões apresentadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues. Relatório Trata o presente processo de Notificação de Lançamento, no valor original de R$ 90.000,00 (noventa mil reais), e que após a decisão de primeira instância foi reduzida para AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 72 05 57 /2 01 2- 84 Fl. 148DF CARF MF 2 R$ 13.500,00 (treze mil e quinhentos reais), referente a Multa por Atraso na Entrega da Escrituração FCONT – Controle Fiscal Contábil de Transição (anocalendário 2009). Cientificada eletronicamente, a contribuinte apresentou impugnação em 16/01/2012 (efls. 02/13). As razões da impugnação foram assim resumidas no acórdão recorrido: Preliminar de Nulidade – os dispositivos legais citados no enquadramento legal (art. 16 da Lei nº 9.779, de 1999, art. 57, inciso I, Art. 2º da IN RFB 967/2009 e inciso I do artigo 54 da Medida Provisória 2.15835/01), transcritos, não servem como suporte à descrição dos fatos, pois são, em parte, inaplicáveis e, em parte, insuficientes para fundamentar a presente imposição descrita nos fatos, sendo, portanto, flagrante a ausência de enquadramento legal na notificação ora combatida; – o art. 50 da Lei nº 9.784, de 1999 (transcrito), estabelece de maneira explícita a tipologia dos atos que devem ser, obrigatoriamente, motivados. Além disso, o inciso II do art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972 estabelece que são nulos: (...) os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Assim, temse que a capitulação legal é requisito essencial para a fundamentação de todo e qualquer ato administrativo, e sua ausência, além de cercear o direito de defesa do contribuinte, é fator de absoluta nulidade; – logo, diante da ausência dos elementos identificadores do objeto da obrigação tributária, violando garantia constitucional prevista no inciso LV do art. 5º, não restam dúvidas quanto à nulidade da presente Notificação de Lançamento, haja vista manifesto vício insanável; Do Direito – de acordo com a descrição dos fatos contida na notificação do presente lançamento: A entrega dos dados para o Controle Fiscal de Transição (FCONT) fora do prazo enseja a aplicação da multa de R$5.000,00 por mês calendário ou fração de atraso. – como a Escrituração FCONT do exercício de 2009, com prazo de entrega de 30/07/2010, foi entregue em 19/12/2011, a autoridade fiscal entendeu pela aplicação da penalidade de R$5.000,00 por “18 meses de atraso”, num total de R$90.000,00 (noventa mil reais); – o entendimento da autoridade fiscal foi no sentido de que a pena pecuniária deveria ser aplicada por “mês de atraso”, a partir da data em que a escrituração deveria ter sido entregue; Fl. 149DF CARF MF Processo nº 10920.720557/201284 Acórdão n.º 1001000.098 S1C0T1 Fl. 149 3 – tal entendimento não merece prosperar tendo em vista que a presente discussão trata, na sua essência, a respeito da aplicação do correto conceito de “mês calendário” ; – uma vez que a referencia é “mês calendário” e não “mês de atraso”, a aplicação da multa de R$5.000,00 deve incidir uma única vez a cada obrigação acessória descumprida; – caso a multa incidisse repetidamente, em todos os meses do período de atraso do cumprimento da obrigação, a referência seria expressa por mês de atraso e não por mês calendário; – ao entender que “mês calendário” abrange todos os meses durante o atraso no cumprimento da obrigação, a autoridade incorre em interpretação extensiva e, além de prejudicar o contribuinte, contraria totalmente a orientação trazida pelo art. 112 do CTN; – assim sendo, a cada vez que o contribuinte deixar de entregar escrituração, na data determinada, ele só pode ser penalizado uma única vez. Além do mais, a fixação da multa de forma cumulativa configurase totalmente desproporcional, pois se estaria transformando a multa que é punitiva em moratória; – isso se justifica ainda, pelo fato de que nem toda obrigação acessória tem periodicidade mensal. Assim, mesmo que a periodicidade seja trimestral ou anual, o termo “mês calendário” deve ser interpretado conforme essa peculiaridade, de modo que cada escrituração que deixe de ser apresentada gerará uma única multa. Se a obrigação é mensal, a multa incide por mês; se trimestral, a multa será para cada trimestre, e assim por diante (cita ementa do Ac 523020074013801 do TRF1, em julgamento de multa pelo atraso na entrega de Declaração Especial de Informações Relativas ao Controle de Papel Imune, conhecida como “DIFPapel Imune”. cujo título é “ATRASO NA ENTREGA. MULTA REGULAMENTAR. NÃO CUMULATIVIDADE”); – no presente caso, como a periodicidade é anual, o termo “por mês calendário” significa a cada ano em que permanecer o atraso. Assim, a forma correta de aplicar a multa de R$5.000,00 é apenas a cada ano, até que a escrituração seja entregue; – dessa forma, o termo “mês calendário”, que é uma previsão genérica, estará sendo interpretado, corretamente, em relação a cada espécie de obrigação Fl. 150DF CARF MF 4 descumprida, e não aplicado cumulativamente em todos os casos; – portanto, no presente caso, é indevida a multiplicação do valor da multa pelo número de meses que durou o atraso, sob pena de a multa assumir caráter confiscatório e malferir os princípios constitucionais da proporcionalidade e da razoabilidade; Dos Pedidos – por todo o exposto, requer que se acate integralmente a impugnação, julgandoa procedente, seja pela preliminar, seja pelas demais razões, no sentido de cancelar o lançamento na sua totalidade. Do contrário, que seja aplicada a penalidade na forma exposta. A decisão de primeira instância (efls. 66/73) manteve em parte o crédito tributário, exonerando em parte o crédito por constatar a superveniência de lei nova (Lei nº 12.766/2012) que prevê, para a mesma infração, a aplicação de penalidade menos severa do que a lei vigente na data da prática da infração, o que autorizaria a aplicação da retroatividade benigna, prevista no art. 106, II, “c”, do CTN. Cientificada da decisão de primeira instância em 23/11/2013 (efl. 76) a Interessada interpôs recurso voluntário em 06/12/2013 (efls. 78/114), em que repete os argumentos da impugnação e aduz, em resumo, julgados do CARF e do STJ (CARF Acórdão n° 340200.754 e STJ REsp n° 252.095PE) em que se teria decidido a favor da tese do recorrente, de que seria indevida a multiplicação do valor da multa (prevista para cada infração à obrigação formal falta de declaração) pelo número de meses que durou o atraso: (...) Com relação a este julgado, o r. Acórdão recorrido afirmou que "não cabe ao agente do Fisco deixar de aplicar a legislação tributária com base em decisões judiciais sem efeito erga omnes, ou decisões judiciais em que o sujeito passivo não foi parte do processo, uma vez que a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional". Data vénia, ainda que o Fisco tenha que cumprir a atividade vinculada e obrigatória de lançar, não pode, de forma desarrazoada, impor penalidades ao contribuinte, extrapolando o que determina a legislação tributária, sob pena de violação de princípios constitucionais já citados, tais como razoabilidade, proporcionalidade e não confisco. Ademais, ainda que os julgados não tenham efeito erga omnes, não se pode ignorar atuais entendimentos acerca do tema, sendo que este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em caso análogo, se manifestou também no seguinte sentido: (...) (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, Processo n° 19515001106/200571, Recurso Voluntário n° 25.3366, Acórdão n° 340200.754 — 4° Câmara/2° Turma Ordinária, Sessão: 26/08/2010). Fl. 151DF CARF MF Processo nº 10920.720557/201284 Acórdão n.º 1001000.098 S1C0T1 Fl. 150 5 Ora, se a própria lei prevê a aplicação das referidas multas até o limite máximo de R$ 1.500,00 (mil e quinhentos reais) ao mês calendário da inadimplência de informação, não parece razoável que esse limite legal possa ser extrapolado pela Fiscalização, mediante a simples multiplicação de seu valor pelo número de meses em que a Recorrente permaneceu inadimplente, mormente considerandose que os referidos limites se encontram sob expressa previsão no CTN em seu artigo 97, V, instituído exatamente para refrear os abusos, a irrazoabilidade ou a desproporcionalidade na sua aplicação. No presente caso, como a periodicidade de entrega é anual, o termo "por mêscalendário" significa "a cada ano" em que permanecer o atraso. Assim, a forma correta seria aplicar a multa de R$ 1.500,00 (mil e quinhentos reais) apenas uma vez a cada ano, até que a escrituração seja entregue, havendo ainda no caso da Contribuinte a redução de 50% acima mencionada. Ainda que a lei não tivesse limitado a aplicação da referida multa, sendo pressuposto de sua aplicação o fato de que as infrações sejam continuadas e persistentes, parece evidente que esse fato por si só, já desautoriza cogitar de aplicação mensal cumulada em razão do número de meses em que a Impugnante permaneceu inadimplente, pois como já assentou a Jurisprudência: "o STJ firmou o entendimento de que a sequência de várias infrações apuradas em uma única autuação caracteriza a chamada infração de natureza continuada, com aplicação de uma única multa fixada de acordo com a gravidade da transgressão cometida" (STJ REsp n° 252.095PE, Reg. n° 2000/00264008, 06/12/2005, Rei. Min, JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, DJU de 13/03/06, p. 235). Dessa forma, o termo "mêscalendário", que é uma previsão genérica, deve ser interpretado em relação a cada espécie de obrigação descumprida, e não aplicado cumulativamente em todos os casos. Portanto, no presente caso, é indevida a multiplicação do valor da multa pelo número de meses que durou o atraso, sob pena da multa assumir caráter confiscatório e malferir os princípios constitucionais da proporcionalidade e da razoabilidade. Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator O recurso voluntário é tempestivo. Considerando que a recorrente repete os fundamentos que apresentou na impugnação, adoto aqui as razões daquela decisão de primeira instância (efls. 66/73) por entender que refletem a melhor interpretação dos fatos e do direito aplicável. Fl. 152DF CARF MF 6 Constato que não passou despercebido pelo acórdão recorrido o protesto da impugnante de que teria havido cerceamento do direito de defesa devido ao equívocos cometidos na citação do enquadramento legal da infração, que para o impugnante seria hipótese de nulidade, neste caso formal, se confirmada, prevista no art. 59, II do Decreto 70235/72. A respeito concluiu propriamente o acórdão recorrido que apesar da deficiência apontada, e que realmente ocorreu, no enquadramento legal do lançamento, o enfrentamento das questões abordadas na impugnação denota a compreensão da descrição dos fatos que ensejaram a notificação de lançamento, sem o alegado prejuízo à defesa da Impugnante, não havendo por que se cogitar a nulidade do lançamento em exame. Ou seja, não ficou caracterizado prejuízo à defesa do contribuinte quanto à infração Atraso na Entrega da Escrituração FCONT – Controle Fiscal Contábil de Transição (anocalendário 2009). A multa em análise encontra fundamentação legal no art. 57, inciso I, da Medida Provisória nº 2.15835de 2001, que prescreve: Art. 57. O descumprimento das obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 16 da Lei no 9.779, de 1999, acarretará a aplicação das seguintes penalidades: I R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por mêscalendário, relativamente às pessoas jurídicas que deixarem de fornecer, nos prazos estabelecidos, as informações ou esclarecimentos solicitados;” Entendo que é clara a previsão de que o descumprimento das obrigações acessórias exigidas (nos termos do art. 16 da Lei no 9.779, de 1999) acarretará a aplicação, entre outras, da penalidades de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por mêscalendário. ou seja, para dada mês de atraso deve o contribuinte a quantia de R$ 5.000,00. Queria fazer crer a Impugnante que não haveria como imputar uma penalidade (R$ 5.000,00) para cada mês calendário, e sim pelo simples atraso, independentemente do tamanho do atraso. Mas tal conclusão tornase insustentável não só pela redação já descrita (por mês calendário) como pelo complemento do inciso I do art. 57, que traz a razão da imputação: o atraso no fornecimento nos prazos estabelecidos, as informações ou esclarecimentos solicitados. Reafirmamos que não cabe ao agente do Fisco nem a este CARF deixar de aplicar a legislação tributária com base em decisões judiciais ou de seus próprios colegiados em que o sujeito passivo não foi parte do processo ou decisões sem efeito erga omnes. Esta última assertiva está reforçada no próprio Regimento Interno deste tribunal, em especial em seus artigos 62, 72 e 74. Também não cabe a este CARF deixar de aplicar a legislação tributária por entendêla inconstitucional (Súmula CARF nº 2). Desta forma, voto por conhecer e negar provimento ao recurso voluntário. Como apresentado após o julgamento, cabe à Unidade de Origem avaliar o documento de fl. 147. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10920.720557/201284 Acórdão n.º 1001000.098 S1C0T1 Fl. 151 7 Fl. 154DF CARF MF
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Numero do processo: 10166.005609/2002-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Dec 04 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ.
Comprovado, em sede de diligência fiscal, a existência de saldo negativo de IRPJ, este deve ser reconhecido para fins de compensação regularmente requerida.
Numero da decisão: 1301-002.687
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer o crédito no valor de R$ 45.711,74, e homologar a compensação pleiteada até esse valor.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
Milene de Araújo Macedo - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Ângelo Abrantes Nunes, Bianca Felicia Rothschild, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Roberto Silva Junior.
Nome do relator: MILENE DE ARAUJO MACEDO
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SALDO NEGATIVO DE IRPJ. Comprovado, em sede de diligência fiscal, a existência de saldo negativo de IRPJ, este deve ser reconhecido para fins de compensação regularmente requerida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer o crédito no valor de R$ 45.711,74, e homologar a compensação pleiteada até esse valor. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) Milene de Araújo Macedo Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Ângelo Abrantes Nunes, Bianca Felicia Rothschild, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Roberto Silva Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 00 56 09 /2 00 2- 14 Fl. 394DF CARF MF Processo nº 10166.005609/200214 Acórdão n.º 1301002.687 S1C3T1 Fl. 395 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o acórdão nº 0318.587, de 25/09/06, proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília, que julgou improcedente, por unanimidade de votos, a manifestação de inconformidade para indeferir a compensação pleiteada. Por bem relatar o ocorrido até a presente fase de julgamento, valhome do relatório constante da Resolução nº 1051.353, de 08/11/2007, por meio da qual a 5ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes converteu o julgamento em diligência: "Tratase de recurso voluntário contra acórdão que manteve a decisão exarada no despacho decisório de fls. 15 a 18, que não homologou compensação requerida pelo contribuinte. No despacho decisório, destacase: "Do exposto, depreendese que o imposto de renda retido na fonte (IRRF), incidente sobre os rendimentos decorrentes da prestação de serviços, tanto para órgãos públicos, quanto para as demais pessoas jurídicas, é considerado antecipação e pode ser deduzido daquele (IRPJ) apurado no trimestre, ou em períodos subseqüentes quando seu montante for superior ao devido, sendo incabível sua compensação diretamente com tributos e contribuições de diferentes espécies." Na manifestação de inconformidade destaco: "Ora, de toda a documentação apresentada, identificase apenas duas incorreções: a primeira que a compensação pleiteada não foi objeto da respectiva informação na DCTF, procedimento esse aliás já regularizado pela entrega de declaração retificadora em 07/12/2005 e a segunda que, no Pedido de Compensação, no item Ordem do Quadro 3, deveria ter sido especificado que o crédito era oriundo de saldo negativo de imposto de renda de períodos anteriores e não de retenções s/ faturamento. Poderseia querer argumentar que o saldo de imposto de renda retido na fonte não estaria entre as hipóteses permitidas de compensação, raciocínio válido para eventual pedido nesse sentido efetuado para a liquidação de débito no mesmo período de apuração que originou a retenção, mas que não é o caso em comento." Em outro trecho: "Assim, para a liquidação da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido do 1o trimestre de 2002, o contribuinte utilizou o montante de R$ 62.585,95 do saldo negativo de imposto de renda gerado no exercício de 1998, cujo valor naquela data era de R$ 185.148,72, valor esse demonstrado na Ficha 13 Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real, da DIPJ desse anocalendário" Também é importante destacar: "A retificação da DIPJ do Anocalendário de 1998 se fez necessária visando demonstrar a origem do saldo negativo de IRPJ apurado naquele exercício, uma vez que na DIPJ entregue anteriormente esse evento não foi demonstrado, já que o Fl. 395DF CARF MF Processo nº 10166.005609/200214 Acórdão n.º 1301002.687 S1C3T1 Fl. 396 3 contribuinte adotou como procedimento zerar o tributo apurado, ou seja não demonstrando a formação do saldo negativo para utilização em compensações futuras." A decisão DRJ foi ementada como abaixo: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2001 Compensação Imposto de Renda Retido na Fonte Impossibilidade com Tributos e Contribuições de diferentes Espécies O imposto sobre a renda retido na fonte IRRF, incidente na prestação de serviços, é considerado antecipação e pode ser deduzido daquele apurado no trimestre, ou em períodos subseqüentes, quando seu montante for superior ao devido, sendo incabível sua compensação diretamente com tributos e contribuições de diferentes espécies. iNa decisão DRJ destaco: "Assim, está literalmente expresso na lei que o IRRF incidente na prestação de serviços, é considerado antecipação e pode ser deduzido daquele apurado no trimestre, ou em períodos subseqüentes, quando seu montante for superior ao imposto de renda devido, entretanto, a compensação é cabível com o que for devido em relação ao imposto de renda e não com a contribuição social sobre o lucro líquido." O contribuinte foi cientificado do acórdão DRJ em 23/10/2006 e apresentou recurso em 22/11/2006. O recurso foi encaminhado inicialmente à Segunda Câmara do 1o CC que entendeu ser incompetente para decidir e enviou para uma das câmaras com competência para julgamento de IRPJ. No recurso, o contribuinte repete os argumentos da manifestação de inconformidade, principalmente que teria utilizado os valores de IRRF para compensar com IRPJ e que a compensação pleiteada seria de saldo negativo de IRPJ e não de IRRF É o Relatório. Ao apreciar o Recurso Voluntário da recorrente, a 5ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converteu o julgamento diligência, nos seguintes termos: "Tendo em vista que as alegações do contribuinte seriam demonstradas apenas na DIPJ retificadora de fls. 16 e que esta foi entregue em 30/11/2005, após, portanto, o despacho decisório editado em 21/10/2005 e que é relevante saber se realmente o que foi declarado na retificadora espelha o que está registrado nos livros fiscais do contribuinte, tornase necessário baixar o processo em diligência para que a autoridade preparadora possa analisar a conformidade da retificadora apresentada." Em cumprimento à Resolução, a unidade de origem elaborou a "Informação Fiscal Diligência" (fls. 379 a 382), onde constam as seguintes informações: Fl. 396DF CARF MF Processo nº 10166.005609/200214 Acórdão n.º 1301002.687 S1C3T1 Fl. 397 4 7. Na DCTF, (retificadora) do 1o trimestre/2002 consta que a compensação solicitada neste processo é de débito de CSLL, código de receita 6012, período de apuração do 1o trimestre de 2002, no valor de R$ 65.585,95, com crédito de saldo negativo de IRPJ relativo ao anocalendário 1998 (fl. 66). 8. "Na DIPJ/1999 (ano:calendário 1998), consta o saldo negativo de IRPJ no valor de R$ 185.148,72 (fl. 93). Em relação a validação desse montante, cabe ressaltar que essa análise já foi efetuada por esta Delegacia, conforme Despacho Decisório/DRF/BSB/Diort extraído do processo administrativo n° 10166.016811/200182 (fls. 348 a 359). No referido despacho foi proferida decisão reconhecendo o montante de R$ 80.953,61 como saldo negativo do anocalendário. 1998 (fl. 353), entretanto, inconformada com tal decisão, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade à Delegacia de Julgamento em Brasília DRJ/BSB, que em Acórdão n° 0320324 da 4ª Turma, fls. 360 a 363, decidiu por restabelecer o saldo negativo do imposto apurado na linha 17 da Ficha 13 da DIPJ/1999 no valor de R$ 185.148,72. Assim, "reconheceuse o, montante de.R$ 185.148,72 como saldo negativo de IRPJ do anocalendário 1998. 9. Diante disso, verificouse possíveis declarações de compensações ou , autocompensações informadas em DCTF que utilizassem como crédito saldo negativo de IRPJ do anocalendário 1998, constatandose o que segue: COMPENSAÇÕES EM DCTF ATIVAS COM CRÉDITO DE SN IRPJ 1998\ ~ Receita Grupo Trimestre Ano Débito Compensado Processo Processo fls 2484 CSLL 02/2000 R$ 8.198,95 Administrativo 10166.016811/200182 348 a 353 0220 IRPJ 4o Trim/2001 R$ 97.297,83 AutocompensaçãoSem Processo 364 ■ 0220 IRPJ • 1°Trim/2002 R$41.242,51 AutocompensaçãoSem Processo 48 5706 IRRF 1 Sem/Abril/2002 R$ 15.000,00 Autocompensação Sem Processo 365 6012 CSLL 4o Trim/2001 R$ 76.188,04 Administrativo 10166.005610/200231 366 6012 CSLL 1o Trim/2002 R$ 62.585,95 Administrativo 10166.005609/200214 Tabela 1: Utilização de Crédito de Saldo Negativo IRPJ AC 1998 10. Em 19/12/2001, protocolou o processo de n° 10166.016811/200182, no qual solicita a compensação de débito de estimativa de CSLL referente a fevereiro de 2000 no valor de R$ 8.198,95, com crédito de saldo negativo do anocalendário 1998. Tal compensação foi homologada conforme Despacho Decisório/DRF/BSB/Diort de 08/11/2006 fls. 348 a 353. 11. Em 07/05/2002, protocolou o processo de nº 10166.005610/200231 (que também está sendo objeto de diligência) compensando débitos de CSLL, no valor R$ 76.188,04, período de apuração 4o trimestre de 2001, com crédito de saldo negativo do ano calendário 1998. Ainda, na mesma data, protocolou o presente processo de n° 10166.0005609/200214, compensando débitos de CSLL, 1º Trimestre de 2002, no valor de R$ 62.585,95, com crédito de saldo negativo relativo ao anocalendário 1998. 12. Quanto às autocompensações informadas em DCTF, a contribuinte efetuou em DCTFs retificadoras, utilizandose de créditos de saldo negativo de IRPJ 1998, compensação de débitos de IRPJ (código de receita 0220) referentes ao período de apuração 4o Trimestre 2001, no valor, de R$ 97.297,83 (fl. 364) e ao período de apuração 1º Trimestre de 2002, no valor de R$ 41.242,51 (fl. 48) e, ainda, débito de IRRF, período de apuração 1ª semana de Abril de 2002;no montante de R$ 15.000,00 (fl. 365). Fl. 397DF CARF MF Processo nº 10166.005609/200214 Acórdão n.º 1301002.687 S1C3T1 Fl. 398 5 13. Assim, considerando as compensações efetuadas em DCTF e as declarações de compensação mediante processos administrativos de n° 10166.016811/200182 e n°10166.005610/200231, o valor do saldo negativo de IRPJ, de 1998, utilizado como crédito nessas compensações, foi inserido no Sistema de Apoio Operacional (SAPO) para que se fosse feito o demonstrativo de compensação e verificouse que ele é insuficiente para compensar integralmente o débito indicado na compensação à fl.01 do presente processo, restando deste saldo a pagar no valor original de R$ 16.874,21 (fls. 367 a 370)." Devidamente intimada do Termo de Diligência, a interessada, ora recorrente, não se manifestou, retornando os autos ao CARF para o julgamento. É o relatório. Voto Conselheira Milene de Araújo Macedo, Relatora O recurso é tempestivo e dele conheço. Consta do Despacho Decisório/DRF/BSB/Diort de 21/10/2005, que o pedido de compensação de créditos IRRF retidos no anocalendário de 2001 com débito de CSLL relativo ao 1º trimestre/2002, apresentado pela contribuinte, em 07/05/2002, não foi homologado. A unidade de origem considerou que o imposto de renda retido na fonte (IRRF) é antecipação do IRPJ devido e somente pode ser deduzido do IRPJ devido no trimestre ou em períodos subsequentes quando seu montante for superior ao devido, sendo incabível a compensação diretamente com outros tributos e contribuições. Na Manifestação de Inconformidade apresentada em 16/12/2005, a contribuinte informou que a origem do crédito informada no pedido de compensação estava incorreta pois tratavase na verdade de saldo negativo de IRPJ no valor de R$ 185.148,72, gerado no anocalendário de 1998, bem assim, que a compensação pleiteada não havia sido informada em DCTF original. Com o objetivo de comprovar suas alegações, anexou a DIPJ/1999 retificadora entregue em 30/11/2005, e a DCTF retificadora do 1º trimestre de 2002, entregue em 07/12/2005, além da planilha com demonstração da apuração do saldo negativo. A 4ª Turma da DRJ/BSA indeferiu o pedido da contribuinte e manteve o Despacho Decisório proferido pela unidade de origem. De fato, as retificações da DCTF e DIPJ, bem assim, a informação de que o crédito se refere, na verdade, a saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1998, podem ser consideradas como uma forma de se retificar a declaração de compensação após a ciência de seu despacho decisório, o que não é permitido. Porém, no caso concreto, por meio da Resolução nº 1051.353, de 09/11/2007, a 5ª Câmara do 1ª Conselho de Contribuintes, prestigiando o princípio da verdade material, converteu o julgamento em diligência para que fosse verificado se as informações prestadas na da DIPJ/1999 retificadora espelhavam os valores registrados nos livros fiscais da contribuinte e, assim, fosse apurada a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Na "Informação Fiscal Diligência" consta que nos autos do processo administrativo n° 10166.016811/200182, o Acórdão n° 0320324 da 4ª Turma da DRJ/BSB, reconheceu o montante de R$ 185.148,72 como saldo negativo de IRPJ do anocalendário Fl. 398DF CARF MF Processo nº 10166.005609/200214 Acórdão n.º 1301002.687 S1C3T1 Fl. 399 6 1998. No curso do procedimento de diligência fiscal foram também identificadas as declarações de compensações e autocompensações informadas em DCTFs que utilizaram como crédito o saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1998: COMPENSAÇÕES EM DCTF ATIVAS COM CRÉDITO DE SN IRPJ 1998 Receita Grupo Trimestre Ano Débito Compensado . ' . / v T'P0 Processo Processo fls 2484 CSLL 02/2000 ' ■ R$8.198,95 Administrativo ■ < 10166.016811/200182 348 a 353 0220 IRPJ 4o Trim/2001 R$97.297,83 AutocompensaçãoSem Processo 364 ■ 0220 IRPJ • 1°Trim/2002 • R$41.242,51 AutocompensaçãoSem Processo ■ 48 5706 IRRF 1 Sem/Abril/2002 R$15.000,00 Autocompensação Sem Processo 365 6012 \ CSLL 4o Trim/2001 ■ R$76.188,04 Administrativo 10166.005610/200231 366 6012 CSLL 1o Trim/2002 R$62.585,95 Administrativo ■ 10166.005609/200214 Tabela 1: Utilização de Crédito de Saldo Negativo IRPJ AC 1998 Ainda em diligência fiscal, o saldo negativo reconhecido no valor de R$ 185.148,72 foi inserido no Sistema da Apoio Operacional (SAPO) para que fosse identificado o valor disponível para a compensação objeto do presente processo, tendo sido constatado, no Demonstrativo Analítico de compensação emitido pelo sistema, que o saldo disponível para compensação do débito indicado no presente processo, CSLL relativa ao 1º trimestre/2002 no valor de R$ 62.585,95, é de R$ 45.711,74, restando saldo a pagar no valor original de R$ 16.874,21. Importante ressaltar que, em conformidade com o "Demonstrativo Analítico de Compensação" (fls. 376 a 377), o valor disponível reconhecido de R$ 45.711,74, referese ao principal de R$ 29.136,17, corrigido pelo índice Selic de 56,89%. Conclusão Diante do exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário, para reconhecer o crédito no valor de R$ 45.711,74, homologando a compensação pleiteada até esse valor. (assinado digitalmente) Milene de Araújo Macedo Fl. 399DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 14041.001079/2008-80
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Dec 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 21/10/2008
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-005.873
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Data do fato gerador: 21/10/2008 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
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AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 04 1. 00 10 79 /2 00 8- 80 Fl. 395DF CARF MF Processo nº 14041.001079/200880 Acórdão n.º 9202005.873 CSRFT2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 15979.000274/200701. Tratase de auto de infração, referente às contribuições devidas ao INSS, destinadas à Seguridade Social. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Fl. 396DF CARF MF Processo nº 14041.001079/200880 Acórdão n.º 9202005.873 CSRFT2 Fl. 0 3 Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202005.782, de 26/09/2017, proferido no julgamento do processo 15979.000274/200701, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202005.782): Pressupostos De Admissibilidade O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Do mérito Aplicação da multa retroatividade benigna Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade Fl. 397DF CARF MF Processo nº 14041.001079/200880 Acórdão n.º 9202005.873 CSRFT2 Fl. 0 4 benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdãonº9202004.262 (Sessão de23dejunhode2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. Fl. 398DF CARF MF Processo nº 14041.001079/200880 Acórdão n.º 9202005.873 CSRFT2 Fl. 0 5 A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º doart. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pelaMP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas noart. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdãonº9202004.499 (Sessão de 29desetembrode2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: Fl. 399DF CARF MF Processo nº 14041.001079/200880 Acórdão n.º 9202005.873 CSRFT2 Fl. 0 6 I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao Fl. 400DF CARF MF Processo nº 14041.001079/200880 Acórdão n.º 9202005.873 CSRFT2 Fl. 0 7 raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na Fl. 401DF CARF MF Processo nº 14041.001079/200880 Acórdão n.º 9202005.873 CSRFT2 Fl. 0 8 NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). Fl. 402DF CARF MF Processo nº 14041.001079/200880 Acórdão n.º 9202005.873 CSRFT2 Fl. 0 9 § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de Fl. 403DF CARF MF Processo nº 14041.001079/200880 Acórdão n.º 9202005.873 CSRFT2 Fl. 0 10 ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Por fim, destacase que, independente do lançamento fiscal analisado referirse a Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) e Acessória (AIOA), este último consubstanciado na omissão de fatos geradores em GFIP, lançados em conjunto, ou seja formalizados em um mesmo processo, ou em processos separados, a aplicação da legislação não sofrerá qualquer alteração, posto que a Portaria PGFN/RFB nº 14/2009 contempla todas as possibilidades, já que a tese ali adotada tem por base a natureza das multas. Conclusão Face o exposto, voto no sentido de CONHECER do recurso ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL, para, no mérito, DAR LHE PROVIMENTO, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. É como voto. Face o exposto, voto por conhecer do Recurso Especial e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 404DF CARF MF Processo nº 14041.001079/200880 Acórdão n.º 9202005.873 CSRFT2 Fl. 0 11 Fl. 405DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10768.007902/2005-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES
Anocalendário: 2000
LANÇAMENTO DECORRENTE.
Aplica-se, aos lançamentos de CSLL, PIS e COFINS, o mesmo entendimento aplicado no julgamento do auto de infração de IRPJ decorrentes do mesmo procedimento fiscal.
PERÍCIA CONTÁBIL.
No processo administrativo fiscal, é pressuposto do exercício da própria atividade que os operadores detenham conhecimento suficiente para verificar a escrituração contábil do contribuinte, atribuindo-lhe os efeitos fiscais
próprios. A prova pericial, neste sentido, somente seria cabível para a solução de questões que fugissem ao conhecimento técnico necessário à solução das questões que são postas em julgamento, como atinentes à medicina, à física, à engenharia etc. Não que seja proibitiva a realização de perícia contábil no processo administrativo. Todavia, a sua aceitação deveria estar condicionada a um grau de dificuldade que fugisse às questões ordinárias próprias da vida da empresa questões essas que são de conhecimento e aplicação próprios dos operadores da máquina administrativa tributária estatal.
DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal decretou a inconstitucionalidade da lei nº 8.212, que fixava prazo decenal para lançamento das contribuições sociais, a elas se aplicando o prazo de cinco anos previsto no Código Tributário Nacional.
No que toca à data de início do prazo decadencial, o Superior Tribunal de Justiça solidificou entendimento, em sede de repercussão geral no RESP 973.733 que, havendo pagamento parcial no curso do período de apuração e na ausência de dolo ou fraude, o prazo decadencial deve ser contato a partir da data da ocorrência do fato gerador, salvo se identificado dolo ou fraude.
OMISSÃO DE RECEITAS. PAGAMENTOS NÃO CONTABILIZADOS
Constitui omissão de receita a não contabilização de pagamentos
identificados, nos termos do art. 281, inciso II do RIR/99, mormente se, em procedimento de circularização, referidos pagamentos são identificados por meio idôneo, no caso, extratos bancários com depósitos realizados em nome da contribuinte na conta de terceiros.
OMISSÃO DE RECEITA. MANUTENÇÃO NO PASSIVO DE OBRIGAÇÕES JÁ PAGAS.
Caracteriza omissão de receita a manutenção, no passivo, de obrigações já pagas, cuja presunção encontra-se respaldada pelo inciso III do art. 281 do RIR/99.
Numero da decisão: 1401-000.991
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara
da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, acolher a decadência relativa aos três primeiros trimestres de 2000, assim como a decadência do PIS e Cofins relativos aos
meses janeiro a novembro de 2000; rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso.
Matéria: CSL - ação fiscal (exceto glosa compens. bases negativas)
Nome do relator: Alexandre Antonio Alkmim Teixeira
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Aplicase, aos lançamentos de CSLL, PIS e COFINS, o mesmo entendimento aplicado no julgamento do auto de infração de IRPJ decorrentes do mesmo procedimento fiscal. PERÍCIA CONTÁBIL. No processo administrativo fiscal, é pressuposto do exercício da própria atividade que os operadores detenham conhecimento suficiente para verificar a escrituração contábil do contribuinte, atribuindolhe os efeitos fiscais próprios. A prova pericial, neste sentido, somente seria cabível para a solução de questões que fugissem ao conhecimento técnico necessário à solução das questões que são postas em julgamento, como atinentes à medicina, à física, à engenharia etc. Não que seja proibitiva a realização de perícia contábil no processo administrativo. Todavia, a sua aceitação deveria estar condicionada a um grau de dificuldade que fugisse às questões ordinárias próprias da vida da empresa questões essas que são de conhecimento e aplicação próprios dos operadores da máquina administrativa tributária estatal. DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal decretou a inconstitucionalidade da lei nº 8.212, que fixava prazo decenal para lançamento das contribuições sociais, a elas se aplicando o prazo de cinco anos previsto no Código Tributário Nacional. No que toca à data de início do prazo decadencial, o Superior Tribunal de Justiça solidificou entendimento, em sede de repercussão geral no RESP 973.733 que, havendo pagamento parcial no curso do período de apuração e na ausência de dolo ou fraude, o prazo decadencial deve ser contato a partir da data da ocorrência do fato gerador, salvo se identificado dolo ou fraude. OMISSÃO DE RECEITAS. PAGAMENTOS NÃO CONTABILIZADOS AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 00 79 02 /2 00 5- 71 Fl. 841DF CARF MF Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.0218.10306.89E1. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 2 Constitui omissão de receita a não contabilização de pagamentos identificados, nos termos do art. 281, inciso II do RIR/99, mormente se, em procedimento de circularização, referidos pagamentos são identificados por meio idôneo, no caso, extratos bancários com depósitos realizados em nome da contribuinte na conta de terceiros. OMISSÃO DE RECEITA. MANUTENÇÃO NO PASSIVO DE OBRIGAÇÕES JÁ PAGAS. Caracteriza omissão de receita a manutenção, no passivo, de obrigações já pagas, cuja presunção encontrase respaldada pelo inciso III do art. 281 do RIR/99. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, acolher a decadência relativa aos três primeiros trimestres de 2000, assim como a decadência do PIS e Cofins relativos aos meses janeiro a novembro de 2000; rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Mauricio Pereira Faro, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes De Mattos e Karem Jureidini Dias. Fl. 842DF CARF MF Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.0218.10306.89E1. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10768.007902/200571 Acórdão n.º 1401000.991 S1C4T1 Fl. 3 3 Relatório Trata o presente feito de auto de infração de contribuição social sobre o lucro líquido – CSLL, contribuição para a assistência social – COFINS e contribuição para o programa de integração social – PIS, acrescidos de SELIC e multa de ofício de 75%, cujo IRPJ foi lançado pelo processo nº 10768.007904/200561, fundado nas seguintes imputações: 1) Omissão de receitas por manutenção, no passível, de obrigações já pagas; 2) Omissão de receitas caracterizada por falta de escrituração de pagamentos. Em sede de impugnação, a Recorrente apresentou às seguintes razões, bem sintetizadas pelo relatório da decisão recorrida, in verbis: o lançamento é nulo — a utilização de informações prestadas por terceiros se traduziu em ato lesivo ao devido processo legal; quanto à Cofins e ao PIS, com relação aos fatos geradores em 10/00 e 11/00, ocorreu a decadência, nos termos do art. 150, § 4°, do CTN; pagamentos supostamente não registrados: não há prova irrefutável do pagamento; solicita diligência para provar que não realizou os negócios jurídicos em tela; lançamentos ditos postergados: os lançamentos contábeis, relativos a pagamentos a fornecedores, ocorreram em data posterior ao efetivo pagamento por erro; o único o modo seguro de se assegurar a omissão de receita é por meio da recomposição da conta Caixa; solicita prova pericial para confirmar a inexistência de saldo credor de Caixa; a multa de 75% viola o princípio do não confisco; o STJ já decidiu que a taxa Selic é inconstitucional, devendo ser aplicada a orientação do Poder Judiciário. Em julgamento na primeira instância, a DRJ manteve o lançamento, tendo a decisão restado assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Fl. 843DF CARF MF Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.0218.10306.89E1. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 4 Anocalendário: 2000 NORMAS GERAIS I DE DIREITO TRIBUTÁRIO. NULIDADE. Não está inquinado de nulidade o Auto de Infração lavrado por autoridade competente e em consonância com o que preceituam os artigos 142, do CTN, e 10 e 59, do PAF. DECADÊNCIA. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário se extingue após cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. PEDIDO DE PERÍCIA OU DILIGÊNCIA. A impugnação deve, necessariamente, mencionar. Os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. O contribuinte não pode se eximir do ônus da I prova mediante solicitação de perícia ou diligência. OMISSÃO DE RECEITAS. MANUTENÇÃO NO PASSIVO DE OBRIGAÇÃO JÁ PAGA. A manutenção, no Passivo, de obrigação já paga autoriza a presunção de omissão de receita. OMISSÃO DE RECEITAS. PAGAMENTOS NÃO ESCRITURADOS. A falta de escrituração de pagamentos efetuados autoriza a presunção de omissão de receita. MULTA E JUROS. Não compete à Autoridade Administrativa de ar a inconstitucionalidade ou a ilegalidade de lei, pois essa competência foi atribuída pela Constituição Federal (art. 102), em caráter privativo, ao Poder Judiciário. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2000 DECADÊNCIA. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário se extingue após dez anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS. CSLL. COFINS. • Aplicase ao lançamento reflexo o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz, em razão Fl. 844DF CARF MF Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.0218.10306.89E1. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10768.007902/200571 Acórdão n.º 1401000.991 S1C4T1 Fl. 4 5 Inconformada, a Recorrente apresentou recurso voluntário, em que repisa as razões de impugnação, acrescentando que: 1) O julgamento realizado pela DRJ é nulo por ausência de fundamentação quanto à negativa de realização de perícia; 2) Inobservância do prazo decadencial e da inconstitucionalidade da multa e juros aplicados. É o relatório. Fl. 845DF CARF MF Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.0218.10306.89E1. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 6 Voto Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira O recurso é tempestivo e, atendidos os demais requisitos legais, dele conheço. A questão jpá foi analisada por este colegiado no julgamento do processo nº 10768.007904/200561. Vejase: PRELIMINAR DE NULIDADE. PERÍCIA CONTÁBIL. Argui a Recorrente, em se de preliminar, cerceamento de defesa e nulidade do julgamento realizado perante a DRJ do Rio de Janeiro, que indeferiu o pedido de perícia contábil solicitada em sede de impugnação. Em suas razões de impugnação, a perícia requestada está fundada nos seguintes quesitos, a saber: b.1.) quesitos: (i) Indique, a partir do exame das notas fiscais n° 113.769 e 121.710 ou de outros documentos, emitidas pela Rio de Janeiro Refrescos, se consta comprovante de entrega das mercadorias constantes das referidas notas; (ii) Indique, caso positivo o exame anterior, o nome da empresa que recebeu as mercadorias, bem como do funcionário que assinou a via de entrega destas mercadorias; (iii) Indique, se positivo o exame acima, se o funcionário pertence ou pertencia ao quadro de empregados da Impugnante na data em que foram entregues as mercadorias; (iv) indique, após os exames feitos, se as mercadorias constantes das notas fiscais n° 113.769 e 121.710, foram entregues à Impugnante; (v) indique se é possível afirmar, com toda a certeza, a partir dos mesmos documentos examinados pela autoridade fiscal, se as duplicatas referentes às notas fiscais acima indicadas foram efetivamente pagas pela Impugnante; (vi) indique, após recomposição da conta Caixa da Impugnante referente ao 40 Trim/2000, com a inclusão dos valores dós pagamentos constantes do Item 4.2 do Termo de Verificação Fisca se há saldo credor desta conta ou se a Impugnante possuía recursos suficientes a suportar os referidos pagamentos; (vii) indique, .apartir do exame dos documentos da Impugnante, de Fl. 846DF CARF MF Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.0218.10306.89E1. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10768.007902/200571 Acórdão n.º 1401000.991 S1C4T1 Fl. 5 7 que forma foram efetuados estes pagamentos, se por meio de cheque, doc e/ou\ transferência bancária ou em dinheiro. b.2.) Assistente Técnico: KARLO DANIEL BRAVIM: Contador — CRC/ES 009885/02; Endereço: Rua Joaquim Távora, n.° 39 — 5.° andar (salas 501/504), Centro, Campos dos Goytacazes/RJ De fato, o art. 16, inciso IV do decreto nº 70.235, prevê a possibilidade de o Impugnante requerer a realização de perícia. Todavia, vejo com prudente cautela a possibilidade de se realizar perícia contábil em processo administrativo fiscal. Isso porque, no processo administrativo fiscal, é pressuposto do exercício da própria atividade, que os operadores detenham conhecimento suficiente para verificar a escrituração contábil do contribuinte, atribuindolhe os efeitos fiscais próprios. A prova pericial, neste sentido, somente seria cabível para a solução de questões que fugissem ao conhecimento técnico necessário à solução das questões que são postas em julgamento, como atinentes à medicina, à física, à engenharia etc. Não que seja proibitiva a realização de perícia contábil no processo administrativo. Todavia, a sua aceitação deveria estar condicionada a um grau de dificuldade que fugisse às questões ordinárias próprias da vida da empresa – questões essas que são de conhecimento e aplicação próprios dos operadores da máquina administrativa tributária estatal. Analisando os quesitos requeridos pela Requerente, não encontro essa peculiaridade e aprofundamento necessários para o deferimento da prova pericial. Ao contrário, o que quer a Recorrente é que o perito adéqüe a argumentação de suas razões de impugnação aos documentos contábeis que apresentou, o que não pede a presença de um perito, senão vejase: (i) Os quesitos 1, 2 e 3 demandam a mera leitura dos documentos acostados pela Recorrente, e dispensam a presença de Expert em contabilidade; (ii) Os quesitos 4, 5 e 7 demandam a juntada de prova pela própria Recorrente, e não de perícia contábil; (iii) O quesito 6 referese à recomposição da conta caixa da Recorrente, o que é obrigação sua, e não da autoridade fiscal. Ademais, não He relevância no pedido, como restará provado a frente. Desnecessária, pois, a realização de perícia contábil, não havendo justificativa suficiente ao seu deferimento. Neste sentido, acompanho o entendimento da DRJ ao dizer que “o contribuinte não pode eximirse do ônus da prova mediante solicitação de perícia ou diligência”. Fl. 847DF CARF MF Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.0218.10306.89E1. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 8 Pelo exposto, voto no sentido de afastar a preliminar argüida. DECADÊNCIA Aduz a Recorrente, ainda em sede preliminar, que parte do débito objeto de lançamento encontravase alcançado pela decadência. Referido argumento foi afastado pela decisão recorrida, com base em dois fundamentos: (i) O prazo do art. 150, §4º do CTN referese à homologação do pagamento, e não ao lançamento a ser promovido pela Autoridade Fiscal, razão pela qual deve ser aplicado o disposto no art. 173, inciso I do CTN; (ii) No caso do PIS e da COFINS, o prazo para se realizar o lançamento seria de 10 anos, e não de 5 anos. Tem razão a Recorrente. Inicialmente, registro que o Supremo Tribunal Federal decretou a inconstitucionalidade da lei nº 8.212, que fixava prazo decenal para lançamento das contribuições sociais, a elas se aplicando o prazo de cinco anos previsto no Código Tributário Nacional. No que toca à data de início do prazo decadencial, o Superior Tribunal de Justiça solidificou entendimento, em sede de repercussão geral no RESP 973.733 que, havendo pagamento parcial no curso do período de apuração e na ausência de dolo ou fraude, o prazo decadencial deve ser contato a partir da data da ocorrência do fato gerador. Analisando os autos, identifico que a DIPJ 2001, acostada às fls. 09 e seguintes, apontam tributo a pagar de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS no anocalendário 2000, não existindo nada que aponte o inadimplemento de referidas obrigações por parte da Recorrente. Lado outro, no que se refere à constatação de dolo ou fraude, apesar de a decisão recorrida tomar esse argumento como reforço à negativa de reconhecimento da decadência, não identifiquei, no termo de verificação fiscal às fls. 287 e seguintes, qualquer imputação nesse sentido. Ao contrário, a multa aplicada à Recorrente foi fixada no patamar de 75%, o que afasta o pressuposto exigido pela lei e jurisprudência acerca da aplicação do art. 173, inciso I do CTN. Neste particular, cumpre esclarecer que, de fato, o art. 150, § 4º não dispõe acerca do prazo para se realizar o lançamento, mas sim para a homologação tácita do pagamento realizado pelo contribuinte. No entanto, a homologação do pagamento realizado pelo contribuinte tem como efeito reflexo impedir que seja demandado pagamento complementar por meio do lançamento direto. Neste sentido, o lançamento para cobrar aquilo que eventualmente deixara de ser pago pelo contribuinte somente pode ser realizado antes da homologação do pagamento por ele realizado, sob pena de ser alcançado pela decadência. Diante do exposto, aplicável o prazo decadencial do art. 150, §4º do CTN. No caso dos autos, tratase de apuração do imposto de renda apurado pelo lucro real, com recolhimentos trimestrais e PIS/COFINS com recolhimentos mensais, devidos Fl. 848DF CARF MF Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.0218.10306.89E1. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10768.007902/200571 Acórdão n.º 1401000.991 S1C4T1 Fl. 6 9 no ano calendário de 2000. O auto de infração foi notificado ao contribuinte no dia 13 de dezembro de 2005. Assim, encontramse alcançados pela decadência os lançamento de IRPJ e CSLL relativos aos 1º, 2º e 3º trimestres do anocalendário 2000, que deveriam ter sido notificados aos contribuintes, respectivamente, até os dias 31 de março de 2005, 30 de junho de 2005 e 30 de setembro de 2005; bem como os lançamentos de PIS e COFINS de janeiro a novembro do anocalendário 2000, que deveriam ter sido notificados aos contribuintes, em cada último dia do respectivo mês anterior em 2005, sendo o último no dia 30 de novembro de 2005. OMISSÃO DE RECEITA. PAGAMENTOS NÃO CONTABILIZADOS A Autoridade Fiscal, em procedimento de circularização, identificou que as notas fiscais nº 113.769 e 121.710, emitidas pela Rio de Janeiro Refrescos Ltda. e pagas, respectivamente, nos dias 24 de outubro de 2000 e 13 de novembro de 2000, não haviam sido escrituradas pela Recorrente, razão pela qual adotouse o disposto no art. 281, inciso II do RIR/99, que considera omissão de receitas “a falta de escrituração de pagamentos efetuados”. Em sua defesa, a Recorrente alega que não reconhece referidas notas fiscais como sendo de sua responsabilidade, assim como afirma, textualmente, que não realizou referidos pagamentos, razão pela qual não pode ser aplicada a presunção constante de referido dispositivo legal. Reclama, ainda, a Recorrente, que não pode a palavra de terceiros, chamados a apresentar documentos no curso da circularização, valer mais do que a dela própria, pelo que deveria ter sido produzido prova suficiente para a aplicação da presunção. No entanto, a assertiva sobre a qual fundouse a autuação não se ateve às notas fiscais emitidas pela Rio de Janeiro Refrescos Ltda., mas também nos extratos de pagamento emitidos pelo Banco Bradesco, acostado às fls. 193 e 195, em que a Recorrente aparece como pagadora das notas fiscais acostadas às fls. 192 e 194. Diante desses documentos, principalmente da instituição financeira, que apontam a Recorrente como fonte pagadora das notas fiscais em litígio, não vejo como deva prevalecer a palavra da Recorrente. Com isso, afasto a argumentação da Recorrente e mantenho a imputação, devendo ser observada, pela instância preparadora, a decadência supra reconhecida. OMISSÃO DE RECEITA. MANUTENÇÃO NO PASSIVO DE OBRIGAÇÕES JÁ PAGAS. Fl. 849DF CARF MF Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.0218.10306.89E1. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 10 Por fim, a autuação fiscal imputa à Recorrente omissão de receita caracterizada pela manutenção, no passivo, de obrigações já pagas, cuja presunção encontrase respaldada pelo inciso III do art. 281 do RIR/99. Intimado pela Autoridade Fiscal para justificar a manutenção de referidos débitos no passivo, a Recorrente “não apresentou qualquer esclarecimento em relação à origem dos recursos utilizados para efetuar a quitação das duplicatas relacionadas no anexo II da intimação fiscal”. Em sede de recurso, a Recorrente novamente não trouxe qualquer informação relevante ao deslinde da questão, insistindo que deveria ser promovida a reconstituição de sua conta caixa, pelo que eventual saldo apurado após referida recomposição respaldaria o pagamento. No entanto, como bem decidiu a instância originária, “a existência de saldo na conta Caixa não elide o lançamento”. Diante do exposto, deve ser mantido o lançamento, observada a decadência supra reconhecida. DISPOSITIVO Pelo exposto, entendo deva ser acolhida a preliminar de decadência de IRPJ e CSLL relativa aos 1º, 2º e 3º trimestres de 2000, assim como de PIS/COFINS relativa aos meses de janeiro a novembro de 2000, rejeitadas as demais preliminares e, no mérito, negado provimento ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator Fl. 850DF CARF MF Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.0218.10306.89E1. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA em 08/10/2013 11:11:22. Documento autenticado digitalmente por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA em 08/10/2013. Documento assinado digitalmente por: JORGE CELSO FREIRE DA SILVA em 17/10/2013 e ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA em 08/10/2013. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 09/02/2018. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP09.0218.10306.89E1 Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 982E768AC8323C59EB0AEC2BD1DB1688823D5122 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Outros". 3) Selecione a opção "eAssinaRFB - Validação e Assinatura de Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10768.007902/2005-71. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 10730.000516/2011-24
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Nov 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 30/06/2007
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-006.154
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Patrícia da Silva - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Júnior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 00 05 16 /2 01 1- 24 Fl. 693DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Júnior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência, previsto nos arts. 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, interposto pelo contribuinte em face da decisão proferida pela 3ª Turma Especial da 2ª Seção de Julgamento do CARF, consubstanciada no Acórdão n° 280301.708 (efls. 579 a 587), em que o colegiado, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário, para que o valor da multa aplicada seja calculado segundo o art. 35 da Lei n.º 8.212/91, na redação anterior a Lei n.º 11.941/09, e comparado aos valores que constam do lançamento, para se determinar o resultado mais favorável ao contribuinte. Em sessão plenária de 04 de novembro de 2014, foi julgado o Recurso Voluntário de folhas 187 a 202, proferindose a decisão consubstanciada no Acórdão n° 2803 003.772 (fls 750 a 756), assim ementado : INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO NA VIA ADMINISTRATIVA. É vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, conforme regimento interno aprovado pela portaria nº 256, de 22 de junho de 2009. SALÁRIO EDUCAÇÃO Salário Educação. Aplicabilidade da súmula 732, do Supremo Tribunal Federal, pela constitucionalidade da contribuição. JUROS CALCULADOS À TAXA SELIC. APLICABILIDADE. A cobrança de juros está prevista na legislação tributária federal, desse modo foi correta a aplicação do índice pela fiscalização previdenciária. CONTRIBUIÇÕES A SEGURIDADE SOCIAL DECLARADAS EM GFIP. As informações apuradas em Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP são suficientes ao lançamento tributário. A não comprovação de erro no que declarado, confirma o acerto dos valores apurados. MULTA APLICÁVEL. LEI SUPERVENIENTE. APLICABILIDADE SOMENTE SE MAIS BENÉFICA AO CONTRIBUINTE. Os valores da multas referentes a descumprimento de obrigação principal foram alterados pela MP 449/08, de 03.12.2008, convertida na lei n º 11.941/09. Assim sendo, como os fatos geradores se referem ao ano de 2006 e 2007, o valor da multa aplicada deve ser calculado segundo o art. 35 da lei 8.212/91, na redação anterior a lei 11.941/09, e comparado aos valores que constam do presente auto, para se determinar o resultado mais favorável ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte Fl. 694DF CARF MF Processo nº 10730.000516/201124 Acórdão n.º 9202006.154 CSRFT2 Fl. 694 3 O Recurso Especial da Fazenda é contra a multa, em face da retroatividade benigna, tomando como paradigmas: Acórdão n.º 2401002.453 e Acórdão n.º 920202.086 Na origem: Tratase de Autos de Infração, DEBCAD n° 37.305.4610 e 37.305.4629, lavrados para exigência de contribuições destinadas A Seguridade Social referentes a COTA PATRONAL; contribuição para o financiamento da APOSENTADORIA ESPECIAL e aqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT) e TERCEIROS (FNDE, INCRA, SENAC, SESC e SEBRAE), respectivamente. No Relatório Fiscal, As fls. 31/34 (verso), informa a fiscalização que os fatos geradores das contribuições lançadas foram as remunerações auferidas por segurados empregados e contribuintes individuais, no meses de janeiro a dezembro de 2006 e janeiro a junho de 2007, informações essas declaradas pelo contribuinte em GFIP. Ainda, segundo a fiscalização, a empresa foi excluída do Simples, conforme ADE N°. 10, de 5 de fevereiro de 2009, fls. 54, com efeitos a partir de 01/2005, mas manteve a declaração em GFIP, como se optante fosse, no período 01/2006 a 06/2007. Informa, também, a fiscalização que as contribuições lançadas foram calculadas incidindo sobre os totais mensais da base de calculo constantes das GFIP e que as contribuições recolhidas antes do inicio da ação fiscal correspondem as contribuições declaradas pelo contribuinte em GFIP, sendo que o total das contribuições recolhidas encontra se listado no Relatório de Documentos Apresentados — RDA; Que, quanto A multa, nesta ação fiscal aplicamse as disposições previstas no art. 32 — A e 35 — A, da Lei n° 8.212/91, introduzidas pela Medida Provisória n° 449/2008, convertida na Lei n° 11.941/2009, face ao disposto no inciso II, do art. 106, do Código Tributário Nacional — CTN. Intimada do acórdão, do recurso especial da Fazenda, e do seu despacho de admissibilidade a contribuinte apresentou contrarrazões alegando ausência de similitude fática e de cotejo analítico e ainda apresentou Recurso Especial não conhecido. É o relatório. Voto Conselheira Patrícia da Silva Relatora O recurso é tempestivo, e, ao contrário do que genericamente alegado nas contrarrazões o recurso atende aos demais requisitos de admissibilidade, por isso dele conheço. Em litígio aplicação da retroatividade benigna no cálculo de multas de Contribuições Sociais Previdenciárias: A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Fl. 695DF CARF MF 4 Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, Fl. 696DF CARF MF Processo nº 10730.000516/201124 Acórdão n.º 9202006.154 CSRFT2 Fl. 695 5 respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no auto de infração de obrigação acessória AIOA somado com a multa aplicada na NFLD do auto de infração da obrigação principal AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: Fl. 697DF CARF MF 6 I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Fl. 698DF CARF MF Processo nº 10730.000516/201124 Acórdão n.º 9202006.154 CSRFT2 Fl. 696 7 Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 699DF CARF MF 8 Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 700DF CARF MF Processo nº 10730.000516/201124 Acórdão n.º 9202006.154 CSRFT2 Fl. 697 9 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Conclusão Fl. 701DF CARF MF 10 Pelo exposto, conheço do recurso especial da Fazenda Nacional e, no mérito, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Fl. 702DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10384.006597/2007-77
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 03 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE DE ÓRGÃO PÚBLICO. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 65.
Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige (Súmula CARF nº 65).
Numero da decisão: 2202-004.184
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto.
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE DE ÓRGÃO PÚBLICO. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 65. Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige (Súmula CARF nº 65).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto.
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RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE DE ÓRGÃO PÚBLICO. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 65. Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige (Súmula CARF nº 65). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 4. 00 65 97 /2 00 7- 77 Fl. 141DF CARF MF 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 19515.001700/200813. "Tratase de recurso voluntário interposto contra o acórdão de Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve a cobrança do crédito tributário. O Auto de Infração foi lavrado por descumprimento de obrigação acessória verificada durante ação fiscal realizada em órgão público. A autuação ocorreu em nome do sujeito passivo, na condição de dirigente de órgão público, por força do disposto no art. 41 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, vigente à época dos fatos geradores. O recorrente tomou ciência do lançamento e apresentou defesa, entretanto, a primeira instância de julgamento manteve a autuação. Inconformado com a decisão, o sujeito passivo apresentou recurso voluntário ao CARF, onde alega a improcedência da autuação. É o relatório." Voto Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 2202004.158, de 03/10/2017, proferido no julgamento do processo 19515.001700/200813, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 2202004.158): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. O lançamento em questão foi efetuado contra o dirigente do órgão público com base no art. 41 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, que, à época dos fatos geradores, estabelecia: Art. 41. O dirigente de órgão ou entidade da administração federal, estadual, do Distrito Federal ou municipal, responde pessoalmente pela multa aplicada por infração de dispositivos desta Lei e do seu regulamento, sendo obrigatório o respectivo desconto em folha de pagamento, mediante requisição dos órgãos competentes e a partir do primeiro pagamento que se seguir à requisição. Fl. 142DF CARF MF Processo nº 10384.006597/200777 Acórdão n.º 2202004.184 S2C2T2 Fl. 3 3 Contudo, o dispositivo transcrito foi revogado pela Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, não mais se aplicando, contra dirigente de órgão público, a penalidade por descumprimento de obrigação acessória. Sobre a matéria, a Súmula CARF nº 65 dispõe o seguinte: Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige. Em função disso, aplicase ao caso, a retroatividade benigna de que trata a alínea “c” do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN): Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: [...] II tratandose de ato não definitivamente julgado: [...] c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifei) Portanto, o lançamento em questão deve ser cancelado. Conclusão Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias Relator" Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Fl. 143DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13822.000030/2005-15
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Dec 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004
CRÉDITOS. FASE AGRÍCOLA DO PROCESSO PRODUTIVO. REGIME NÃO CUMULATIVO.
Os gastos realizados na fase agrícola da agroindústria não geram créditos de PIS/COFINS apurados no regime não cumulativo.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-005.804
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento integral e o conselheiro Demes Brito que lhe deu provimento parcial, para excluir o frete no transporte de pessoal e itens do ativo permanente. Votou pelas conclusões o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Jorge Olmiro Lock Freire, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Valcir Gassen.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 CRÉDITOS. FASE AGRÍCOLA DO PROCESSO PRODUTIVO. REGIME NÃO CUMULATIVO. Os gastos realizados na fase agrícola da agroindústria não geram créditos de PIS/COFINS apurados no regime não cumulativo. Recurso Especial do Contribuinte Negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento integral e o conselheiro Demes Brito que lhe deu provimento parcial, para excluir o frete no transporte de pessoal e itens do ativo permanente. Votou pelas conclusões o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Jorge Olmiro Lock Freire, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Valcir Gassen.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1634; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13822.000030/200515 Recurso nº 1 Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303005.804 – 3ª Turma Sessão de 17 de outubro de 2017 Matéria CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. CONCEITO DE INSUMO. Recorrente CLEALCO AÇÚCAR E ÁLCOOL S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 CRÉDITOS. FASE AGRÍCOLA DO PROCESSO PRODUTIVO. REGIME NÃO CUMULATIVO. Os gastos realizados na fase agrícola da agroindústria não geram créditos de PIS/COFINS apurados no regime não cumulativo. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento integral e o conselheiro Demes Brito que lhe deu provimento parcial, para excluir o frete no transporte de pessoal e itens do ativo permanente. Votou pelas conclusões o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Jorge Olmiro Lock Freire, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 82 2. 00 00 30 /2 00 5- 15 Fl. 915DF CARF MF Processo nº 13822.000030/200515 Acórdão n.º 9303005.804 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela contribuinte contra o Acórdão nº 3401002.972, de 18/03/2015, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção do CARF, que possui a seguinte ementa, transcrita na parte de interesse: (...) ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA. A arguição de inconstitucionalidade não pode ser oponível na esfera administrativa, por transbordar os limites de sua competência o julgamento da matéria, do ponto de vista constitucional. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. DESPESAS DE DEPRECIAÇÃO. Apenas os bens integrantes do Ativo Imobilizado, adquiridos posteriormente a 01/05/2004 e diretamente ligados ao processo produtivo da empresa podem gerar despesas de depreciação que dão direito ao creditamento na apuração do PIS e da Cofins. DESPESAS, CUSTOS E ENCARGOS COMUNS VINCULADOS A RECEITAS SUJEITAS À INCIDÊNCIA CUMULATIVA E NÃO CUMULATIVA. RATEIO PROPORCIONAL. NECESSIDADE. No caso da existência de despesas, custos e encargos comuns vinculadas a receitas sujeitas à incidência cumulativa e não cumulativa, não havendo sistema contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração, necessário se faz a apropriação por meio de rateio proporcional, nos termos do disposto no § 8º, do art. 3º, da Lei nº 10.637, de 2002. Intimada da decisão, a contribuinte apresentou embargos de declaração, os quais, todavia, não foram admitidos. Irresignada, interpôs recurso especial suscitando divergência em relação às seguintes matérias: a) quanto ao que constitui o seu processo produtivo para identificação dos gastos que dão direito a crédito da contribuição não cumulativa; e b) quanto ao conceito de insumo. Alega divergência com relação ao que decidido nos Acórdãos nº 3402002.396, 3402 002.605 e 9903003.069 (primeiro tema) e 320200.226 (segundo tema). Por intermédio do despacho de admissibilidade do Presidente da Quarta Câmara da Terceira Seção do CARF, foi dado seguimento ao recurso. Intimada, a PFN apresentou contrarrazões ao recurso. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator Fl. 916DF CARF MF Processo nº 13822.000030/200515 Acórdão n.º 9303005.804 CSRFT3 Fl. 4 3 O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303005.802, de 17/10/2017, proferido no julgamento do processo 13822.000009/200773, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303005.802): "Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso especial interposto pela contribuinte deve ser conhecido. Malgrado o recurso especial pretenda discutir dois temas – o processo produtivo da Recorrente e o conceito de insumo –, no fundo está a debater apenas o último, uma vez que, a depender da definição que se venha a emprestar ao termo "insumo" adotado na legislação do PIS/Cofins não cumulativos os gastos realizados em etapa anterior à produção do produto final – vale dizer, aquela anterior à industrialização propriamente dita – pode vir ou não a ser assim considerados (como insumos!), de modo que ensejaria, no primeiro caso, a apropriação de créditos sobre eles incidentes (p. ex., os gastos realizados na etapa agrícola, portanto, anterior à industrialização). A própria ementa do Acórdão paradigma de nº 3402002.605 comprova esse fato: NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos, para fins de creditamento da Contribuição Social não cumulativa, são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade empresária, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. As Leis de Regência da não cumulatividade atribuem o direito de crédito em relação ao custo de bens e serviços aplicados na "produção ou fabricação" de bens destinados à venda, inexistindo amparo legal para secção do processo produtivo da sociedade empresária agroindustrial em cultivo de matériaprima para consumo próprio e em industrialização propriamente dita, a fim de expurgar do cálculo do crédito os custos incorridos na fase agrícola da produção. Os custos incorridos com bens e serviços aplicados na floresta de eucaliptos guardam relação de pertinência e essencialidade com o processo produtivo da pasta de celulose e configuram custo de produção, razão pela qual integram a base de cálculo do crédito das contribuições nãocumulativas. (g.n.) Feita essa breve introdução, vemos que, de fato, enquanto o acórdão recorrido consubstanciou o entendimento de que o termo "insumo" não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gere despesa necessária para a atividade da empresa, mas apenas aqueles bens e serviços que, adquiridos de pessoa jurídica, sejam efetivamente aplicados ou consumidos na produção de açúcar e álcool (os produtos fabricados pela Recorrente), o Acórdão paradigma de nº 320200.226, em divergência, adotou conceito bem mais largo, a conhecida tese do IRPJ. Contudo, a despeito de conhecido o recurso, vemos que o acórdão recorrido não merece reparos. Fl. 917DF CARF MF Processo nº 13822.000030/200515 Acórdão n.º 9303005.804 CSRFT3 Fl. 5 4 No regime não cumulativo do PIS/Cofins, os créditos a que tem direito a pessoa jurídica estão elencados no art. 3º das Leis nº 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, que, no ponto, apresentam redação bastante semelhante. Na Lei nº 10.833, de 2003, é a seguinte: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela lei nº 11.787, de 2008) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (g.n.) Fl. 918DF CARF MF Processo nº 13822.000030/200515 Acórdão n.º 9303005.804 CSRFT3 Fl. 6 5 Não há, nos diplomas legais referidos, qualquer dispositivo conceituando o termo “insumo”, tampouco atribuindo a sua definição àquela adotada pela legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, o que só o legislador infralegal fez ao editar as Instruções Normativas RFB n.º 247, de 2002, e 404, de 2004. Aqui também reproduziremos apenas uma delas, uma vez que idênticas na parte que nos interessa: IN SRF nº 247, de 2002: Art. 66 A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep não cumulativo pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: (...) § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: I – utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) as matériasprimas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II – utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. Daí a controvérsia que se instaurou no âmbito do Contencioso Administrativo, uma vez que muitos contribuintes passaram a emprestar ao termo “insumo” significado muito mais elástico do que aquele aparentemente conferido pelas normas infralegais que regulamentaram as Leis n.ºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, e cuja origem é, evidentemente, a legislação do IPI, mas apenas quanto a uma parte dos créditos – aqueles bens fisicamente ligados ao produto final (alínea “a” do inciso I do § 5º do art. 66, supra) –, já que os serviços, dada a impossibilidade de ligação física, encontramse autorizados em alínea diversa (alínea “b”). O cerne da questão, portanto, está em definir o conceito de insumo para fins de creditamento do PIS e da Cofins: se este se apresenta numa perspectiva muito ampla, em ordem a abarcar, como querem alguns, todo ou qualquer custo ou despesa operacional da pessoa jurídica (tese do IRPJ), ou se, como pretendem outros, apresentase de modo mais restritivo, mais próximo ao que ocorre na legislação do IPI. Há, ainda, uma posição intermédia, aceitando o creditamento sobre tudo que for pertinente ou necessário na produção ou na prestação de serviço. De todo modo, entendemos que, no presente caso, não cabe conceituar o termo "insumo" a ponto de alcançar etapas anteriores à efetiva produção do açúcar e do álcool. Um pesticida, por exemplo, não é – nem jamais poderia ser! – insumo na industrialização do açúcar, uma vez que, fosse nele empregado, o inutilizaria completamente para o consumo. O legislador deixou cristalino, na Exposição de Motivos da Medida Provisória – MP n.º 135, de 30/10/2003, posteriormente convertida na Lei n.º 10.833, de 2003, que um dos Fl. 919DF CARF MF Processo nº 13822.000030/200515 Acórdão n.º 9303005.804 CSRFT3 Fl. 7 6 principais motivos para o estabelecimento do regime não cumulativo na apuração do PIS e da Cofins foi combater a verticalização artificial das empresas, a fim de que as diversas etapas da fabricação de um produto ou da prestação de um serviço pudesse ser realizado por empresas diversas, de sorte a gerar condições para o crescimento da economia. Vejam: 1.1. O principal objetivo das medidas ora propostas é o de estimular a eficiência econômica, gerando condições para um crescimento mais acelerado da economia brasileira nos próximos anos. Neste sentido, a instituição da Cofins nãocumulativa visa corrigir distorções relevantes decorrentes da cobrança cumulativa do tributo, como por exemplo a indução a uma verticalização artificial das empresas, em detrimento da distribuição da produção por um número maior de empresas mais eficientes – em particular empresas de pequeno e médio porte, que usualmente são mais intensivas em mão de obra. Assim, considerar como insumos todos os gastos realizados da etapa agrícola da produção do açúcar e do álcool, como pretende a Recorrente, é admitir que, no referido conceito, estejam todos os “insumos dos insumos". Explicitamente, não foi esta a intenção do legislador. Diverso, contudo, é, a nosso juízo, o caso, por exemplo, de uma mineradora, cuja atividade, a mineração, consiste no processo de extração de minerais da terra. Ainda que posteriormente à retirada do minério algum beneficiamento seja por ela mesma realizado, como, por exemplo, a fragmentação da pedra, dando origem à conhecida "brita", a verdade é que há, neste caso, um todo indissociável, não se podendo cindir a retirada do minério do solo, para o efeito de determinar o que é ou não é insumo, sob pena de descaracterizar a própria atividade realizada pela mineradora, uma vez que, no exemplo, a quebra da pedra não tem existência autônoma em relação à sua retirada do solo. Não é caso da Recorrente, porém. As usinas de açúcar e álcool, como se sabe, são estabelecimentos agroindustriais que produzem, a partir da cana, o açúcar, o melaço, a aguardente e o álcool. Além de sua fabricação própria, costumam adquirir a cana de outros estabelecimentos produtores. Pelos motivos aqui adotados (existência autônoma da atividade industrial propriamente dita), a aquisição de cana gera, sim, o direito à apropriação dos créditos correspondentes, não, contudo, os gastos realizados, pela própria Recorrente, no plantio e colheita da cana de açúcar. Podese até achar inconveniente, mas é assim que a lei é. No caso específico, foram os seguintes os itens glosados (apenas os referidos no recurso especial e na ordem em que elencados), glosa com a qual, pelas razões antes explicitadas, concordamos: a) Material Intermediário – Serviços de Manutenção: partes e peças de veículos, caminhões, ônibus, máquinas agrícolas, recauchutagem e aquisição de pneus, manutenção de veículos, locação de veículos para uso administrativo, obras de recuperação de rodovias, etc.; b) Frete no transporte de pessoal e itens do ativo permanente. À falta de maiores informações, entendemos que os bens do ativo permanente são aqueles empregados na fase agrícola, tal como indica um dos paradigmas trazidos no recurso (Acórdão nº 3402002.605). Nesse contexto, não há o direito ao crédito, conforme, a contrario sensu, indica o inciso VI do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003 (inciso VI do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002). Ante o exposto, conheço do recurso especial interposto pela contribuinte e, no mérito, negolhe provimento." Fl. 920DF CARF MF Processo nº 13822.000030/200515 Acórdão n.º 9303005.804 CSRFT3 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial foi conhecido e, no mérito, o colegiado negoulhe provimento. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 921DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13706.006495/2008-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 05 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO. EXISTÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. RECONHECIMENTO DA IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. NECESSIDADE.
A existência de decisão judicial que reconhece direito à isenção tributária, devidamente comunicada ao Órgão Administrativo, é motivo para a declaração de improcedência do lançamento tributário decorrente da discussão sobre o direito à isenção.
Numero da decisão: 2201-003.983
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Carlos Alberto do Amaral Azeredo e Daniel Melo Mendes Bezerra que negavam provimento.
(assinado digitalmente)
CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Presidente e Relator.
EDITADO EM: 16/10/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA
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EXISTÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. RECONHECIMENTO DA IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. NECESSIDADE. A existência de decisão judicial que reconhece direito à isenção tributária, devidamente comunicada ao Órgão Administrativo, é motivo para a declaração de improcedência do lançamento tributário decorrente da discussão sobre o direito à isenção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Carlos Alberto do Amaral Azeredo e Daniel Melo Mendes Bezerra que negavam provimento. (assinado digitalmente) CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Presidente e Relator. EDITADO EM: 16/10/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 6. 00 64 95 /2 00 8- 41 Fl. 204DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso de Voluntário interposto contra acórdão da 2ª Turma da DRJ Rio de Janeiro II que manteve na integralidade o lançamento tributário relativo ao IRPF supostamente devido no anocalendário de 2004, em razão de declaração como isentos/não tributáveis de rendimentos decorrentes do pagamento de aposentadoria. Tal crédito foi constituído por meio de notificação de lançamento (fls. 6 do processo digitalizado), devidamente explicitado às folhas 7, pelo qual foi apurado o crédito tributário correspondente a imposto suplementar (R$ 2.214,44), juros de mora (R$ 927,18), multa proporcional (R$ 1.660,83), valores consolidados em maio de 2008. Em 22 de agosto de 2008 (fls 2), foi apresentada, tempestivamente conforme despacho de folhas 50 impugnação ao lançamento. A decisão da 2ª Turma da DRJ Rio de Janeiro, II contém o seguinte relatório, que adoto por sua precisão e clareza (fls 100): "Contra o contribuinte foi lavrada notificação de lançamento relativa ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (fls.4 a 6), relativa ao anocalendário 2004 para apurar imposto de renda pessoa física suplementar de R$2.2214,44, acrescido de multa de oficio de 75% no valor de R$1.660,83 e juros moratórios perfazendo crédito tributário no valor de R$4.802,45. De acordo com a descrição dos fatos e enquadramento legal à fl.5 foi apurada omissão de rendimentos da fonte pagadora Fundação Eletrobrás de Seguridade Social ELETROS. Inconformado com o indeferimento da SRL (fl.9),o interessado alega que é portador de moléstia grave desde outubro de 1997,e que retificou suas declarações de IRPF com o intuito de reaver os valores descontados a título de imposto de renda retido na fonte.No seu entender, o indeferimento da SRL desqualificou o laudo médico emitido pelo serviço médico oficial doHSE, do Ministério da Saúde, e os servidores médicos que o assinaram. Entende que a moléstia grave foi provada e que faz jus à devolução de R$26460,62 somado ao valor de R$136,49 pago por meio de DARF, totalizando R$26.597,11.Caso não se acatado o seu pleito, pede que a declaração original entregue seja aceita para os efeito legais,não sendo devedor de imposto de renda. Afirma que, ao preencher a declaração retificadora sem valores discriminados no campo de rendimentos tributáveis, o programa do imposto de renda não permite a dedução de contribuição previdenciária privada do ano em questão. Sendo assim, não foi considerado no campo de deduções o valor de R$7.556,17. Alega que na declaração original foi calculado imposto a pagar de R$136,49, devidamente pago por meio de DARF(fl.11). Além disso, alega que a notificação de lançamento não levou em Fl. 205DF CARF MF Processo nº 13706.006495/200841 Acórdão n.º 2201003.983 S2C2T1 Fl. 205 3 consideração estes fatos e na apuração do crédito tributário considerou uma base de cálculo maior do que a devida. Menciona, ainda, que levando em consideração a declaração original e a retificadora, ele estaria quite com a Receita Federal, e desta forma carece de sentido lógico a cobrança,razão pela qual solicita que seja anulado o presente lançamento." A decisão de primeira instância restou assim ementada (Acórdão 1328.338, fls 99): "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 OMISSÃO DE RENDIMENTOS OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA. Tendo o contribuinte optado pela discussão da matéria perante o Poder Judiciário, há renúncia às instâncias administrativas, não mais cabendo, nestas esferas, a discussão da matéria de mérito, debatida no âmbito da ação judicial. CONTRIBUIÇÃO À PREVIDÊNCIA PRIVADA. Deve ser acatado o dispêndio lastreado em documento idôneo. MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA. APLICABILIDADE. Uma vez instaurado o procedimento de oficio, o crédito tributário apurado pela autoridade fiscal somente pode ser satisfeito com os encargos do lançamento de oficio. A decisão de piso entendeu que a propositura de ação judicial pela qual o Contribuinte pleiteava o direito a isenção do IRPF em razão de ser portador de moléstia grave, implicava em renúncia a discussão administrativa do crédito lançado. O impugnante teve ciência da decisão desfavorável em 09 de agosto de 2010 (AR. fls. 104) Ressaltese, que se observa às folhas 63, petição inicial de ação declaratória, com pedido de antecipação de tutela, proposta perante a Justiça Federal do Rio de Janeiro, que tem por objeto a declaração do direito do autor a isenção do imposto sobre a renda decorrente dos proventos de aposentadoria em razão da moléstia grave existente. Inconformado com a decisão de primeiro grau que manteve o lançamento tributário, o Recorrente interpôs, em 03 de setembro de 2010, o presente recurso voluntário (fls. 106), no qual aduz em apertada síntese que: Fl. 206DF CARF MF 4 · não se verifica renúncia a esfera administrativa posto que não há concomitância de instancias, vez que a discussão judicial proposta em 2009 versa sobre as parcelas vincendas do IRPF por força da isenção tributária que se pretende ver reconhecida; · a Lei nº 5.172/66 permite a retificação da declaração tributária, por meio de recurso de ofício, no caso de erro ou omissão, o que se aplica ao caso em apreço; · Assim, é cabível o cancelamento da autuação por força do reconhecimento da isenção por existência de moléstia grave, devidamente comprovada, não havendo renúncia a discussão administrativa. O processo foi distribuído para este Conselheiro, por sorteio eletrônico, em sessão pública. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira, Relator. O recurso voluntário proposto atende aos requisitos de admissibilidade e portanto, dele conheço. Porém, antes de iniciar a apreciação dos argumentos recursais, verifico a existência de uma matéria prejudicial ao julgamento do mérito. Conforme relatado, foi proposto pelo Recorrente, em 2009, perante a Justiça Federal, Seção Judiciária do Rio de Janeiro, uma ação declaratória que foi protocolizada sob o nº 001552538.2009.4.02.5101 (2009.51.01.0155250), que tramitou perante a 23ª Vara Federal. Tal ação restou favorável ao Contribuinte. Observo às folhas 176, o Ofício SEC nº OFI.0023.0000412/2017, endereçado a este Conselho, com o seguinte teor: Fl. 207DF CARF MF Processo nº 13706.006495/200841 Acórdão n.º 2201003.983 S2C2T1 Fl. 206 5 Tal determinação judicial decorre da decisão tomada pelo Egrégio Tribunal Federal da 2ª Região, na apreciação da Apelação Cível 2009.51.01.0155250, acostada as folhas 182, que apresenta a seguinte conclusão (fls. 185): A simples leitura excerto acima, permite concluir que o reconhecimento pelo Poder Judiciário do direito do Recorrente a isenção do imposto sobre a renda proveniente da aposentadoria percebida. Em sede de Embargos de Declaração, foi esclarecido pelo Tribunal Federal, conforme se observa pela cópia do acórdão acostado às folhas 187, que o direito a isenção deve ser reconhecido desde outubro de 1997, posto que: Fl. 208DF CARF MF 6 "(...) documentos apresentados pelo Demandante (docs ...), declaramno portador de neoplastia de próstata CID 61 (neoplastia maligna), desde outubro de 1997. Portanto esta é a data de início do benefício de isenção fiscal." Por todo o exposto, forçoso reconhecer a existência de ordem judicial determinando que este Conselho Administrativo reconheça a improcedência do lançamento tributário contido na notificação de lançamento que se aprecia por meio do presente processo administrativo fiscal. CONCLUSÃO Diante dos fatos e fundamentos apresentados, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Relator Fl. 209DF CARF MF
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Numero do processo: 10831.001740/2001-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Dec 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 18/01/2001
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. AUTO DE INFRAÇÃO. IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO E IPI. MÁQUINA DE IMPRESSÃO JATO DE TINTA.
Impressora Scitex, modelo Grandjet V2 S/N 1260 Year 2000, não possui as características para enquadramento no "EX TARIFÁRIO 012", posição NCM 8443.59.90, prevalecendo a posição NCM 8443.51.00.
Numero da decisão: 3401-004.012
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado, vencido o relator. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Mara Cristina Sifuentes.
ROSALDO TREVISAN Presidente.
ANDRÉ HENRIQUE LEMOS - Relator.
MARA CRISTINA SIFUENTES Redatora designada
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Mara Cristina Sifuentes, Augusto Fiel Jorge O'Oliveira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos (relator) e Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ANDRE HENRIQUE LEMOS
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AUTO DE INFRAÇÃO. IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO E IPI. MÁQUINA DE IMPRESSÃO JATO DE TINTA. Impressora Scitex, modelo Grandjet V2 S/N 1260 Year 2000, não possui as características para enquadramento no "EX TARIFÁRIO 012", posição NCM 8443.59.90, prevalecendo a posição NCM 8443.51.00. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado, vencido o relator. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Mara Cristina Sifuentes. ROSALDO TREVISAN – Presidente. ANDRÉ HENRIQUE LEMOS Relator. MARA CRISTINA SIFUENTES – Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Mara Cristina Sifuentes, Augusto Fiel Jorge O'Oliveira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos (relator) e Tiago Guerra Machado. Relatório Tratase de auto de infração lavrado pelo fisco diante da insuficiência de recolhimento do Imposto de Importação e do IPI vinculado à exportação, o qual aduz que: AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 1. 00 17 40 /2 00 1- 23 Fl. 534DF CARF MF Processo nº 10831.001740/200123 Acórdão n.º 3401004.012 S3C4T1 Fl. 535 2 A contribuinte “submeteu, através da Declaração de Importação n° 01/00618787 (fls.14/23), a despacho aduaneiro mercadorias descritas na adição 001 da seguinte maneira: "Máquina impressora rotativa por processo digital com 4 cores, alimentada por bobina, com unidade controladora, não acoplada a sistema de acabamento gráfico integrado em linha, marca Scitex, modelo Grandjet V2". Requereu a contribuinte o “enquadramento das mercadorias no "Ex" 012 do subitem 8443.59.90 da Tarifa Externa Comum (fls.31) que possui o seguinte texto: "Máquina impressora rotativa por processo ionográfico ou digital, com uma ou mais cores, alimentada por folha ou bobina, com ou sem unidade controladora, acopladas ou não a um ou mais sistema de acabamento gráficos integrados em linha" Por meio de conferência física, Laudo Técnico n° 012/2001, foi constatado que “as mercadorias examinadas constituem uma impressora a jato de tinta com 04 (quatro) cores, controle piezoelétrico, digital, com capacidade de imprimir em vários tipos de mídia ou substrato (lona furada, vinil adesivo, lona vinílica, PVC, carpete, papel, tecido, etc), cuja alimentação para a máquina é feita por bobina, a gravação/impressão é feita por um conjunto de cabeças montadas sobre um carro, através do jateamento de tinta.” Ficou evidenciado que não se trata de “impressora rotativa, pois, conforme o Laudo Técnico, as impressoras rotativas usam um sistema de impressão indireto, no qual a impressão das imagens ou caracteres no substrato é realizada através da transferência de uma matriz metálica flexível para um cilindro de material macio rotativo que entra em contato com o substrato e imprime as imagens ou caracteres no substrato; e a máquina em questão efetua a impressão por jateamento de tinta diretamente na mídia.” Assim, “a máquina em questão foi indevidamente enquadrada no "Ex" anteriormente citado, e que sua correta classificação tarifária é no subitem 8443.51.00 Máquinas de impressão de jato de tinta, (fls.32) cujas alíquotas são de 14% (quatorze por cento) para o imposto de Importação e 5% (cinco por cento) para o IPIvinculado.” Conforme aponta o Termo de Encerramento, fl. 277, foi apurado crédito tributário no montante de R$ 82.575,39 à título de Imposto de Importação e R$ 867,39 à título de IPI. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, no qual alega: “O "EX" 012 da citada posição 84.43.59.90 da TEC, é completamente aplicável à máquina GRANDJET "V2", pois tratase efetivamente de uma máquina impressora rotativa, uma vez que no caso o processo de alimentação da mídia é rotativo, por processo ionográfico ou digital, nesse caso o processo é "inkjet" (jato de tinta), logo se trata de um tipo de processo digital, com uma ou mais cores (no presente caso possui quatro cores), alimentada por folha ou bobina (em nosso caso bobina), com ou sem unidade controladora (em nosso caso, existe unidade controladora), acopladas ou não a um ou mais sistema de acabamento gráficos integrados em linha (no presente caso não há acoplamento a sistema de acabamento).” Apresentou uma “análise detalhada dos elementos individuais constitutivos da descrição do "EX" 012 da posição 84.43.59.90 da TEC”. Sustenta que o auto de infração está atrelado a um laudo técnico (012/2001) superficial, eivado de erros e contradições, motivo pelo qual deve ser julgado integralmente improcedente o presente processo. Alega que a multa “relativa ao artigo 169, inciso I, alínea "b" do DecretoLei 37/66 alterado pelo artigo 2 o da Lei n° 6.562/78, regulamentado pelo artigo 526, inciso II, do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n° 91.030/85, não pode em hipótese alguma Fl. 535DF CARF MF Processo nº 10831.001740/200123 Acórdão n.º 3401004.012 S3C4T1 Fl. 536 3 prosperar, em virtude, de que se não bastasse o explanado nessa defesa, há, ainda o ATO DECLARATORIO (Normativo) n° 12/97, publicado no D.O.U. de 220197, que é muito claro no que diz respeito à inaplicabilidade da citada multa.” Citou o Ato declaratório abaixo e ao final pugnou pela total improcedência da demanda. "O CoordenadorGeral do Sistema de Tributação, no aso das atribuições que lhe confere o item II da Instrução Normativa n° 34, de 18 de setembro de 1974, e tendo em vista o disposto no inciso II do art. 526 do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto n° 91.030, de 5 de março de 1985, e no art. 112, inciso IV, do Código Tributário Nacional Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966. Declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados, que não constitui infração administrativa ao controle das importações, nos termos do inciso II do art. 526 do Regulamento Aduaneiro, a declaração de importação de mercadoria objeto de licenciamento no Sistema Integrado de Comércio Exterior SISCOMEX, cuja classificação tarifária errônea ou indicação indevida de destaque "EX" exija novo licenciamento, automático ou não, desde que o produto seja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou má fé por parte do declarante ". A DRJ São Paulo II SP, fl. 363, julgou pela procedência da ação. Exarou: “Esclarecese que ainda exista outras conceituações para MÁQUINAS DE IMPRESSÃO ROTATIVAS, por força de Ato Normativo, Instrução 157, de 10/05/2002 (DOU do dia 01/07/2002) deve prevalecer o entendimento exposto nas Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias. Correto o entendimento por parte da fiscalização quanto ao caso em questão ao não permitir o tratamento tributário diferenciado relativo ao o "EX TARIFÁRIO" 012 da posição NCM 8443.59.90 para a mercadoria em questão.” Irresignada com a decisão, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, fl. 383, no qual sustenta: Fl. 536DF CARF MF Processo nº 10831.001740/200123 Acórdão n.º 3401004.012 S3C4T1 Fl. 537 4 “A máquina impressora objeto da importação ajustase, perfeitamente, à classificação declarada, cuja redação se encontra acima transcrita e, abaixo, minudenciada: máquina impressor a rotativa é o equipamento destinado à impressão em substrato (no presente cas o não há menção a qualquer tipo de substrato específico, tal com metal, plástico, papel etc), cuja alimentação s e dá por processo rotativo; por processo ionográfico ou digital ao contrário dos sistemas de impressão convencionais, que utilizam chapas (isto é., chapas metálicas ou chapas de fotopolímero), ou clichês (ex. clichês tipográficos), ou cilindros (i.e., cilindros para impressão em rotogravura) ou telas (i.e., matrizes vazados para impressão serigráfica), o processo ionográfico ou digital dispensa o uso de chapas , ou clichês, ou cilindros, ou telas, ou qualquer outro tipo de matriz para a transferência da tinta até o substrato. Sã o exemplos de sistemas ionográficos ou digitais o sistema jatode tinta, também denominado "inkjet", ou o sistema eletrostático, ou o sistema de transferência térmica de transferência dos pontos a serem impressos no substrato. Com uma ou mais cores o processo pode utilizar uma só cor (em geral, o preto) ou mais cores . Nesse último caso, a policromia tradicional utiliza a s cores de processo "CMYK", ciam, magenta, amarelo e preto. A partir dessa s cores, é possível a reprodução de todas a s demais cores do chamado "color gamut". Há ainda impressoras que utilizam cores especiais, tais como cores metálicas, fosforecentes etc. Alimentada por folha ou bobina a s impressoras com alimentação rotativa podem ser alimentadas por bobina, que, pela sua própria natureza física, tem caráter rotativo. Podem, ainda, ser alimentadas por folhas que são agarradas por sistemas de ventosas e/ou pinças e transferidas através de cilindros, que transferem o substrato através da impressora, por meio de sua s revoluções, até a saída do substrato. Com ou se m unidade controladora em geral, a s impressoras mais sofisticadas possuem unidade controladora para gerenciamento e controle de sua s funções. Acopladas ou não a um sistema de acabamentos gráficos integrados em linha tratase de sistemas que efetuam operações , tais como corte, perfuração, picote, dobra etc. do substrato impresso.” Sustenta ser o produto importado, “máquina rotativa, alimentada por bobina, possuindo cilindros e controle digitais, sendo sua impressão realizada por meio digital (isto é, não por uma chapa matriz, mas por meio direto), utilizando jato de tinta.” Fl. 537DF CARF MF Processo nº 10831.001740/200123 Acórdão n.º 3401004.012 S3C4T1 Fl. 538 5 Em sequência menciona os sistemas de alimentação, de carga, de gravação e de impressão. Alega que para que ocorra a correta classificação, necessário se faz o uso das Regras Gerais de Interpretação do Sistema. A contribuinte cruza tais informações e ao final sustenta que: “Está evidente que o simples fato de uma máquina de impressão utilizar jato de tinta não implica sua classificação na subposição 51.00.” “fica claro que jato de tinta não é uma característica essencial, a qual não possa ser afastada. Pelo contrário, nas máquinas da posição 59.90, o fato de se utilizar jato de tinta é aspecto acessório; pois, se assim não fosse, o EX 008 deveria estar aposto na posição 51.00 e, não na 59.90”. “em não sendo o jato de tinta uma característica essencial da mercadoria, de acordo com a regra 3 b), também estaria afastada a classificação 51.00.” “Por fim, mesmo se após a utilização das regras 3 a) e 3b), ainda restasse alguma dúvida sobre a classificação da importação sob análise, seria perfeitamente possível determinar a posição correta, valendose da regra 3 c).” “Ou seja, a posição 8443.5990 está, indubitavelmente, situada em último lugar da ordem numérica, se comparada com a 8443.51.00; devendo, portanto, ser a escolhida como a mais adequada à máquina impressora objeto da Declaração de Importação”. Sustenta que a conclusão do parecer técnico está equivocado, apontando supostas incongruências. Requer a reforma da decisão de Primeira Instância, uma vez que naquela, os lançamentos foram deferidos sob o fundamento de que “a característica essencial das MÁQUINAS DE IMPRESSÃO ROTATIVAS é a presença de cilindro”, o que é controverso segundo a contribuinte. Expõe que: “assim como a impressão por jato de tinta, a tipografia e a rotografia, citadas no texto da NESH invocado, são sistemas de impressão direta. Logo, a própria NESH estaria desdizendo a conclusão do laudo que embasara o lançamento, mostrando que as máquinas de impressão rotativas são, sim, compatíveis com sistemas de impressão diretos.” Aduz que: “os próprios fundamentos do julgamento em primeira instância apontam para a regularidade da importação sob análise e, particularmente, para o acerto da classificação adotada pela Recorrente.” Por fim, combate a aplicação da multa de 75%, defendendo a não incidência, e da inexistência de erro na classificação fiscal. Ascendendo os autos a este Conselho, sobreveio Resolução 310200.038 (efl. 405), à unanimidade de votos, convertendose o julgamento em diligência para que o Instituto Nacional de Tecnologia INT, respondesse aos seguintes quesitos: Fl. 538DF CARF MF Processo nº 10831.001740/200123 Acórdão n.º 3401004.012 S3C4T1 Fl. 539 6 À efl. 422, o INT informou: Após, foram os autos encaminhados para este Tribunal. É o relatório. Voto Vencido Fl. 539DF CARF MF Processo nº 10831.001740/200123 Acórdão n.º 3401004.012 S3C4T1 Fl. 540 7 Conselheiro André Henrique Lemos, relator O recurso voluntário é tempestivo, vez que a Recorrente fora cientificada da decisão da DRJ em 13/08/2007 (AR, efl. 367), expirando seu prazo dia 12/09/2017, vindo a apresentar seu recurso voluntário em 11/09/2007 (fl. 383), o que, aliás, fora atestado à efl. 408, quando da Resolução 310200.038. Assim, preenchido os requisitos formais de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Como expôs em seu recurso voluntário (efl. 386), a celeuma se resume, da seguinte forma: Demais disso, por meio de sua classificação, a Recorrente entendeu que incidira o Imposto de Importação sob a alíquota de 4% e o IPI de 5%. Já a fiscalização, em 14% e 5%, respectivamente. Vêse que a divergência está na suposição "5 outras máquinas de impressão". Pelo lado da Recorrente, "59.90", e pela fiscalização, "51.00". Em seu recurso voluntário (efls. 386387), a Contribuinte defendeu seu intento no tópico "O Perfeito Ajuste das Características Técnicas com o Texto da NCM": Fl. 540DF CARF MF Processo nº 10831.001740/200123 Acórdão n.º 3401004.012 S3C4T1 Fl. 541 8 Às efls. 428526, juntou o Manual do equipamento (Scitex, modelo Grandjet V2), enfatizando que se constitui de "uma impressora rotativa, alimentada por bobina, possuindo cilindros e controle digitais, sendo sua impressão realizada por meio digital (isto é, não por uma chapa matriz, mas por meio direto), utilizando jato de tinta." (efl. 387). Pois bem, consabido que havendo dúvida sobre a classificação fiscal, devese recorrer às Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado RGI constante nas Notas Explicativas do Sistema Harmonizado e de Codificação de Mercadorias NESH. Fl. 541DF CARF MF Processo nº 10831.001740/200123 Acórdão n.º 3401004.012 S3C4T1 Fl. 542 9 Determina a Regra "3a" das NESH que, ocorrendo possível classificação da mercadoria em duas ou mais posições por aplicação da Regra "2b" ou por qualquer outra razão, a classificação deve se dar pela "posição mais específica prevalece sobre as mais genéricas". Pelo que se vê, a posição 51.00 é genérica ou seja, máquina de impressão tipo jato de tinta é um gênero , ao passo que a posição 5990 é mais específica máquina impressora rotativa por processo iconográfico ou digital, com uma ou mais cores, alimentada por fola ou bobina, com ou sem unidade controladora, acopladas ou não a um ou mais sistemas de acabamento gráficos integrados em linha. Cumpre saber se a classificação específica é a adequada ao caso dos autos ou não. O Laudo Técnico de efls. 290291, disse que a mercadoria "é uma impressora jato de tinta com 4 cores (CMYK)", "digital"; que imprime em várias mídias: "lona furada, vinil adesivo, lona vinílica, PVC, carpete, flexface banner, papel, tecido, etc" e que "deve ser acoplada a um computador para funcionamento" (resposta a pergunta 2, efl. 290). Disse ainda que "o sistema de impressão é por jateamento de tinta diretamente na mídia sendo rotativo apenas o sistema de alimentação/armazenamento da mídia", tratandose de uma "impressora jato de tinta e não rotativa." (efl. 291). De encontro ao Laudo, defendeu a Recorrente (efl. 391): Fl. 542DF CARF MF Processo nº 10831.001740/200123 Acórdão n.º 3401004.012 S3C4T1 Fl. 543 10 Um pouco mais a frente, no tópico " A Necessidade de Reforma da Decisão de Primeira Instância", efls. 392/393, advoga a Recorrente: Fl. 543DF CARF MF Processo nº 10831.001740/200123 Acórdão n.º 3401004.012 S3C4T1 Fl. 544 11 Ao que se denota, o Laudo Técnico ao invés de clarear o contencioso, trouxe contradições. Primeiro, o Código Tarifa Externa Comum TEC da Mercadoria (efl. 296) 8443.59.90, traz como descrição da Nomenclatura Comum do MERCOSUL, como "outros", "Ex" 012 Máquina impressora rotativa por processo ionográfico ou digital, com uma ou mais cores, alimentada por folha ou bobina, com ou sem unidade controladora, acopladas ou não a um ou mais sistema de alimentação e descarga. Pelo que se vê, a Recorrente seguiu a orientação da TEC. Segundo, entende este relator que o produto "impressora jato de tinta" se revela um gênero, não sendo esta a pedra de toque para se classificar o produto importado no caso concreto, na suposição 51.00. Corrobora tal assertiva, o texto da posição 8443.5990, "Ex" 008: "Máquina de impressão tipo jato de tinta, com funções cumulativas ou não de marcar, codificar, personalizar, endereçar e datar produto ou embalagem de qualquer formato ou superfície." Terceiro, afirmou o Laudo que o produto não se trata de impressora rotativa. Pelas pesquisas feitas (https://clube.design/2014/producaografica3 maquinasplanasourotativas/ e www.tecnologiagrafica.com.br/offset/offsettrotativacomercial.htm), bem assim, pelas explicações dados pela gerência técnica da Recorrente ao perito (efls. 292/294), tratase de uma impressora rotativa, já que alimentada por bobinas, entrando na máquina, de forma contínua. Do contrário, seria uma impressora plana, esta alimentada por folhas soltas, ou seja, o papel entra cortado na máquina. Reduzindo estas expressões técnicas à linguagens mais simples, designers e produtos gráficos usam tais expressões ao modo de como o papel entra na máquina e não no Fl. 544DF CARF MF Processo nº 10831.001740/200123 Acórdão n.º 3401004.012 S3C4T1 Fl. 545 12 mecanismo que se dá a impressão. Referemse à "máquinas de folha" para as impressoras planas e "máquinas de bobina" para as impressoras rotativas. Noutro falar, podem ocorrer 2 (dois) processos rotativos, um referente ao sistema de impressão rotativo, e outro, relativo ao sistema de alimentação rotativo. Aqui, aliás, as contradições, quiçá fragilidades do Laudo, mormente no que toca às respostas aos quesitos 3 e 4, os quais, digase de passagem, até podem ter induzido o perito em erro, pois misturaram conceitos de "impressora rotativa", com sistema de impressão direito e indireto. Demais disso, temse também, que a impressora rotativa possui mais tecnologia. Quarto, ao que se viu, a impressora importada se utiliza de sistema digital ou ionográfico. À mão de ilustrar, o item 3c da RGI das NESH, determina que, caso as regras 3a e 3b não permitam efetuar a classificação, a mercadoria deve ser classificada na posição situada em último lugar na ordem numérica, e assim, por esta regra também, prevaleceria a classificação adotada pela Recorrente. Estas são as razões para se perceber a especificidade do equipamento, de modo que a classificação feita pela Recorrente é a mais adequada ao caso dos autos. Dispositivo Com essas considerações, voto em conhecer do recurso voluntário e lhe dar provimento. André Henrique Lemos Voto Vencedor Conselheira Mara Cristina Sifuentes, redatora designada. Em que pese os bens concatenados argumentos trazidos no voto do ilustre relator, deste ouso divergir. O contribuinte importou mercadoria que classificou na NCM 8443.59.90 “Outras máquinas de impressão. Outros” com a utilização do EX Tarifário 012 "Máquina impressora rotativa por processo ionográfico ou digital, com uma ou mais cores, alimentada por folha ou bobina, com ou sem unidade controladora, acopladas ou não a um ou mais sistema de acabamento gráficos integrados em linha". Fl. 545DF CARF MF Processo nº 10831.001740/200123 Acórdão n.º 3401004.012 S3C4T1 Fl. 546 13 A fiscalização entendeu que a correta classificação da mercadoria seria na NCM 8443.51.00 “máquinas de impressão de jato de tinta”, baseando seu entendimento no laudo técnico que informou que a: A mercadoria examinada é uma impressora jato de tinta com 4 cores (CMYK), controle piezoelétrico, digital, fabricada pela Scitex, fábrica isaraelense, modelo Grandjet V2, N. série 1260, CAR n. 50152D699, sendo esses dois últimos dados visíveis em etiqueta de papel anexada à impressora. Largura da bobina de alimentação 2,2m. Velocidade máxima de impressão 51 m2/h. Pode imprimir em várias mídias: lona furada, vinil adesivo, lona vinílica, PVC, carpete, flexface banner, papel, tecido, etc. Deve ser acoplada a um computador para funcionamento. Peso do equipamento: 1600kg. A divergência encontrase em determinar a subposição da mercadoria dentro da NCM e se cabível o enquadramento no Ex tarifário pleiteado, já que ambas as NCMs em julgamento possuem o mesmo código de posição 8443. A recorrente alega em sua defesa que a impressora importada: ... tratase efetivamente de uma máquina impressora rotativa, uma vez que no caso o processo de alimentação da mídia é rotativo, por processo ionográfico ou digital, nesse caso o processo é "inkjet" (jato de tinta), logo se trata de um tipo de processo digital, com uma ou mais cores (no presente caso possui quatro cores), alimentada por folha ou bobina (em nosso caso bobina), com ou sem unidade controladora (em nosso caso, existe unidade controladora), acopladas ou não a um ou mais sistema de acabamento gráficos integrados em linha (no presente caso não há acoplamento a sistema de acabamento). Importante esclarecer que a realização de perícia técnica é disciplinada pelo Regulamento Aduaneiro e por Instrução Normativa da RFB. À época, a perícia estava disciplinada pelo art. 567 do Decreto nº 91.030/1985 (antigo RA) e pela IN SRF nº 157/1998, concluindose que os laudos periciais gozam de presunção de legalidade e veracidade, e que a empresa poderia ter apresentado contra prova. Consta também dos autos que foi solicitado pelo CARF a realização de diligência para emissão de novo laudo pericial e que não foi possível encontrar o equipamento para ser periciado, e nem a empresa envidou esforços para apresentar o novo proprietário do equipamento ou sua localização. Art. 567 – A assistência técnica para identificação e quantificação de mercadoria importada ou a exportar será proporcionada: I – pelos laboratórios da Secretaria da Receita Federal; II – por outros órgãos ou entidades da administração pública; III – por entidades privadas e técnicos, especializados, previamente credenciados. §1º O Secretário da Receita Federal expedirá ato normativo em que: a) Regulará o processo de credenciamento das entidades e pessoas a que se refere o inciso III deste artigo; Fl. 546DF CARF MF Processo nº 10831.001740/200123 Acórdão n.º 3401004.012 S3C4T1 Fl. 547 14 [...] Art. 1º A assistência técnica para identificação ou quantificação de mercadoria importada ou a exportar, quando necessária no curso de procedimento fiscal, será efetivada de acordo com os procedimentos estabelecidos nesta Instrução Normativa. Art. 2º A assistência técnica será prestada por: I instituição pública; ou II perito, autônomo ou vinculado a empresa privada. Parágrafo único. A assistência técnica prestada por instituição pública poderá ser realizada nos laboratórios instalados na própria unidade local da Secretaria da Receita Federal SRF. Art. 3º Os procedimentos destinados ao credenciamento de instituições ou peritos serão adotados sempre que se fizerem necessários, a juízo do titular da unidade local da SRF. Com a finalidade de solucionar o contencioso, primeiro devemos buscar a correta classificação tarifária, já que a mercadoria foi identificada pelo laudo técnico solicitado pela fiscalização, que entendo ter identificado a mercadoria perfeitamente. Para tanto devemos aplicar as Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado RGI e as Regras Gerais Complementares – RGC da NCM/Mercosul, e como não há dúvida quanto a posição da NCM (8443), podemos ir diretamente para as regras para encontrar a subposição aplicável. Dentro da posição da NCM 8443 temos as seguintes subposições, aplicáveis, sendo, também, que não foi questionada a subposição de 1º nível da NCM 8443.5: 8443.2 MÁQUINAS E APARELHOS DE IMPRESSÃO, TIPOGRÁFICOS, EXCLUÍDOS AS MÁQUINAS E APARELHOS, FLEXOGRÁFICOS 8443.21 Alimentados por bobinas 8443.29 Outros 8443.30 MÁQUINAS E APARELHOS DE IMPRESSÃO, FLEXOGRÁFICOS 8443.40 MÁQUINAS E APARELHOS DE IMPRESSÃO, HELIOGRÁFICOS 8443.5 OUTRAS MÁQUINAS DE IMPRESSÃO 8443.51 Máquinas de impressão de jato de tinta 8443.59 Outras No relatório fiscal consta que foi efetuada a conferência física da mercadoria, subsidiada pelo Laudo Técnico e que foi constatado que a impressora é jato de tinta com 4 (quatro) cores: Em ato de conferência física, subsidiado pelo Laudo Técnico n°012/2001, constatamos que as mercadorias examinadas constituem uma impressora a jato de tinta com 04 (quatro) cores, controle piezoelétrico, digital, com capacidade de imprimir em vários tipos de mídia ou substrato (lona furada, vinil adesivo, lona vinílica, PVC, carpete, papel, tecido, etc), Fl. 547DF CARF MF Processo nº 10831.001740/200123 Acórdão n.º 3401004.012 S3C4T1 Fl. 548 15 cuja alimentação para a máquina é feita por bobina, a gravação/impressão é feita por um conjunto de cabeças montadas sobre um carro, através do jateamento de tinta. Logo, não resta dúvida que a subposição 8443.51 deve ser aplicada ao caso, já que pela aplicação da regra RGI 6 temos que a classificação de uma mercadoria nas subposições de uma posição é determinada pelos textos dessas subposições e das notas de subposição respectivas. A subposição 8443.51 somente possuía um desdobramento na NCM 8443.51.00, sendo portanto esse o subitem aplicável conforme RGC 1. Após a classificação da mercadoria resta agora esclarecer se a máquina importada satisfaz as condições para usufruir o Extarifário. Independente da classificação fiscal da mercadoria, para usufruir do benefício da redução tarifária a mercadoria deve ser exatamente a mesma descrita no Extarifário. Sendo que a RFB já se posicionou sobre a prevalência da descrição do Extarifário para fins de concessão do benefício, conforme Ato Declaratório Normativo Cosit nº 12, de 21 de janeiro de 1997. Portanto dois são os requisitos que a mercadoria deve cumprir, ambos independentes: ser classificado corretamente, o que evita a aplicação de multa, e estar perfeitamente enquadrado na descrição do Extarifário, para fins de obtenção do benefício fiscal O regime de Extarifário consiste na redução temporária da alíquota do imposto de importação de bens de capital (BK) e de informática e telecomunicação (BIT), assim grafados na Tarifa Externa Comum do MERCOSUL (TEC), quando não houver a produção nacional equivalente. A concessão do regime é dada por meio de Resolução da Câmara de Comércio Exterior (Camex), após análise, pelo Comitê de Análise de Extarifários (CAEx), dos pareceres elaborados pela SDCI/MDIC, sendo que à época da importação a concessão era efetuada por meio de Portaria do Ministro da Fazenda. Para aderir ao regime de redução do imposto de importação, o produto deve cumprir uma série de requisitos, sendo que o principal é estar enquadrado nas categorias de bens de capital (BK), ou bens de informática e telecomunicação (BIT). A solicitação do benefício é efetuada por meio do preenchimento de um formulário detalhado justificando o pedido da redução da alíquota. Entre os dados que devem ser fornecidos estão informações técnicas, quantidade de itens que serão importados, preço do produto, razão pela qual ele não tem equivalente no Brasil, entre outras. Na sequência, o governo analisa o material enviado e abre uma consulta pública para que fabricantes nacionais se manifestem a favor ou contra o pleito de Ex Tarifário. Após, o pleito segue para deferimento a partir de análises internas por parte do Governo. O detalhamento da descrição da mercadoria é de crucial importância para a definição do Extarifário já que a partir dele se identifica qual o segmento do mercado objetivase promover. É essencial detalhar em minúcias a mercadoria para que outros setores não se beneficiem indevidamente do pleito. Caso a descrição seja muito genérica, pode haver um alargamento do benefício tarifário, ampliando para outros setores e prejudicando fabricantes nacionais, pela redução do custo do produto importado. Fl. 548DF CARF MF Processo nº 10831.001740/200123 Acórdão n.º 3401004.012 S3C4T1 Fl. 549 16 Por isso para a concessão do Extarifário devese verificar o correto e minucioso enquadramento da mercadoria à descrição do Ex, não valendo aqui a máxima de “quem pode mais pode menos”, ou seja, se o Ex foi concedido para a mercadoria “xyz” não cabe a concessão para a mercadoria “xyzt”. A alegação, recorrente dos importadores, é que a sua mercadoria apresenta as mesmas especificações do Extarifário e mais alguma outra funcionalidade, sendo, portanto mais moderna. Entretanto, quando da análise e concessão do Extarifário pelo governo, foi analisada uma mercadoria específica e somente a essa mercadoria cabe a redução. Voltando ao caso em debate, após esclarecimentos necessários, temos que a mercadoria importada para usufruir da redução tarifária deve ser exatamente o que está descrito no Extarifário: EX Tarifário 012 "Máquina impressora rotativa por processo ionográfico ou digital, com uma ou mais cores, alimentada por folha ou bobina, com ou sem unidade controladora, acopladas ou não a um ou mais sistema de acabamento gráficos integrados em linha". A mercadoria foi identificada no laudo técnico e na conferência física como: A mercadoria examinada é uma impressora jato de tinta com 4 cores (CMYK), controle piezoelétrico, digital, fabricada pela Scitex, fábrica isaraelense, modelo Grandjet V2, N. série 1260, CAR n. 50152D699, sendo esses dois últimos dados visíveis em etiqueta de papel anexada à impressora. Largura da bobina de alimentação 2,2m. Velocidade máxima de impressão 51 m2/h. Pode imprimir em várias mídias: lona furada, vinil adesivo, lona vinílica, PVC, carpete, flexface banner, papel, tecido, etc. Deve ser acoplada a um computador para funcionamento. Peso do equipamento: 1600kg. ... o sistema de impressão é por jateamento de tinta diretamente na mídia sendo rotativo apenas o sistema de alimentação/armazenamento da mídia, tratandose de uma impressora jato de tinta e não rotativa.(grifos nossos) Portanto, a partir da comparação da descrição da mercadoria no laudo técnico e o Extarifário 012 podemos observar que o cerne da questão está em definir se a impressora é rotativa ou não. Sendo que somente pode ser concedido o Ex se ela for uma impressora rotativa. A recorrente anexou aos autos, fls. 428526, o Manual do equipamento (Scitex, modelo Grandjet V2), enfatizando que se constitui de "uma impressora rotativa, alimentada por bobina, possuindo cilindros e controle digitais, sendo sua impressão realizada por meio digital (isto é, não por uma chapa matriz, mas por meio direto), utilizando jato de tinta.". A descrição do Extarifário deixa claro que duas características, dentre outras, deve cumprir a mercadoria: ser rotativa e ser alimentada por folha ou bobina. Como não existem palavras inúteis nas normas legais, devemos entender que quando a descrição do Fl. 549DF CARF MF Processo nº 10831.001740/200123 Acórdão n.º 3401004.012 S3C4T1 Fl. 550 17 Ex descreve a impressora como rotativa ela não está se referindo ao processo de alimentação, já que existe na descrição a referência ao processo de alimentação por folha ou bobina. O que nos leva a conclusão sobre a necessidade de se identificar o que vem a ser uma impressora rotativa. Para isto devemos nos socorrer as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias – NESH, aprovadas pelo Decreto nº 435, de 27 de janeiro de 1992, que constituem um elemento subsidiário para a interpretação do conteúdo das posições e subposições bem como das Notas de Seção, Capítulo, posições e subposições, já que nas notas de seção, capítulo e subposição do SH não aparece a explicação do que vem a ser uma impressora rotativa. Art. 1° São aprovadas as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias, do Conselho de Cooperação Aduaneira, com sede em Bruxelas, Bélgica, na versão lusobrasileira, efetuada pelo Grupo Binacional Brasil/Portugal, anexas a este Decreto. Parágrafo único. As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado constituem elemento subsidiário de caráter fundamental para a correta interpretação do conteúdo das posições e subposições, bem como das Notas de Seção, Capítulo, posições e subposições da Nomenclatura do Sistema Harmonizado, anexas à Convenção Internacional de mesmo nome. Abro um parêntese para esclarecer que quando o decreto informa que as Nesh são “elemento subsidiário” significa que elas não são elemento principal mas que elas reforçam ou esclarecem algum aspecto importante na descrição da mercadoria. As Nesh auxiliam na elucidação de certos termos e expressões verificadas nos textos das posições, subposições e Notas do Sistema Harmonizado, mas não são exaustivas nesse propósito. Já a expressão “de caráter fundamental” significa que é essencial sua utilização para o correto enquadramento da mercadoria. Como consequência, podemos afirmar que as Nesh, no que tange à classificação de objetos merceológicos (nunca é demais enfatizar que estamos tratando de classificação para fins fiscais e não para outra finalidade), reforçam e esclarecem os textos das posições, subposições e Notas de Seção e de Capítulo. Também é importante frisar que os esclarecimentos providos pelas Nesh se sobrepõem àqueles provenientes de outras fontes de conhecimento, em especial da legislação específica, aplicáveis ao caso concreto, visto a combinação do art. 98 da Lei nº 5.172/66 (CTN) e o Princípio da Autonomia do Direito Tributário: Art. 98 – Os tratados e as convenções internacionais revogam ou modificam a legislação tributária interna, e serão observados pelo que lhes sobrevenha. Como consequência, a utilização das Nesh é de suma importância para o trabalho do classificador, uma vez que são elas que vão propiciar a correta definição e esclarecimento para fins de classificação fiscal de mercadoria e não as definições que possam ser buscadas em outras fontes, que frisese, são importantes para aquela área do conhecimento específico. Assim é que a definição de uma mercadoria para, por exemplo, o Fl. 550DF CARF MF Processo nº 10831.001740/200123 Acórdão n.º 3401004.012 S3C4T1 Fl. 551 18 campo da engenharia, pode não ser a utilizada para fins fiscais, claro que na medida do possível buscase harmonizar as definições. Entretanto, as Nesh não contemplam todas as definições existentes no campo merceológico, não sendo exaustivas. Por isso que o classificador pode, na falta de um esclarecimento satisfatório nos diplomas legais utilizados para fins de classificação, utilizar, de modo cauteloso e racional, os conhecimentos oriundos da legislação específica, ou de publicações técnicas. Após essas digressões necessárias, vamos buscar o esclarecimento do que seja uma impressora rotativa na Nesh da posição 8443, e lá encontramos que: Nestas, máquinas, a própria mesa (mármore) é substituída por um cilindro que transporta dois clichês semiclindricos (tipografia) ou por dois cilindros gravados (heliogravura, rotogravura, etc...) ou impressionados (rotocalcografia) as rotativas de impressão em cores comportam vários cilindros impressores e os seus rolos para pintar, justapostos. O laudo técnico traz esclarecimentos adicionais sobre o que vem a ser uma impressora rotativa: conforme o Laudo Técnico, as impressoras rotativas usam um sistema de impressão indireto, no qual a impressão das imagens ou caracteres no substrato é realizada através da transferência de uma matriz metálica flexível para um cilindro de material macio rotativo que entra em contato com o substrato e imprime as imagens ou caracteres no substrato; e a máquina em questão efetua a impressão por jateamento de tinta diretamente na mídia. Tal conclusão é reforçada pela descrição do funcionamento do equipamento fornecida pelo sr. Roberto Meira, Gerente Técnico da empresa (fls.24/29) com o seguinte texto (fls.29): "Assim sendo verificamos que o sistema de alimentação da Grandjet se faz de forma contínua através da alimentação por rolos. O substrato é armazenado também em um cilindro, localizado na parte posterior. Para iniciar um ciclo de impressão, é necessário que se faça a carga do substrato através do cilindro de tração até o cilindro de armazenamento. O sistema de gravação no substrato se faz através de um conjunto de cabeças montadas sobre um carro, através do "jateamento de tinta", o que dá a impressora a identificação de impressora jato de tinta." Logo, pela definição apresentada pela Nesh é fundamental a presença de cilindro para a impressão, e não cilindro para alimentação, o que são duas funções diferentes, e a presença de cilindro para a impressão não consta na especificação do equipamento importado. Sendo claro, tanto no laudo quanto nas informações prestadas pelo gerente técnico da empresa que a impressora importada não imprime com a utilização de sistema rotativo. Apesar da farta argumentação apresentada pela recorrente, nos autos, restou provado que a correta classificação fiscal da mercadoria é na NCM 8443.51.00, e que a mesma não se enquadra na descrição do Extarifário, não sendo cabível o usufruto do benefício fiscal. Fl. 551DF CARF MF Processo nº 10831.001740/200123 Acórdão n.º 3401004.012 S3C4T1 Fl. 552 19 Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Mara Cristina Sifuentes Fl. 552DF CARF MF
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