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Numero do processo: 11128.730801/2014-97
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 03/12/2012 a 17/01/2013
INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. CESSÃO DE NOME.
Aplica-se a multa de dez por cento do valor da operação exclusivamente à pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários.
Recurso Voluntário Negado.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 3302-004.150
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Domingos de Sá Filho - Relator.
(assinado digitalmente)
Walker Araújo - Redator "ad hoc".
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente), Jose Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho (relator), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Deroulede, Sarah Maria Linhares de Araujo e Walker Araujo.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 03/12/2012 a 17/01/2013 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. CESSÃO DE NOME. Aplicase a multa de dez por cento do valor da operação exclusivamente à pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente. (assinado digitalmente) Domingos de Sá Filho Relator. (assinado digitalmente) Walker Araújo Redator "ad hoc". Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente), Jose Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho (relator), Maria do Socorro AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 73 08 01 /2 01 4- 97 Fl. 210DF CARF MF 2 Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Deroulede, Sarah Maria Linhares de Araujo e Walker Araujo. Relatório Conselheiro Walker Araújo, redator "ad hoc". Na condição de redator "ad hoc" para formalização deste acórdão, passo a transcrever o relatório constante da minuta do voto do relator Conselheiro Domingos de Sá Filho. "Cuidase de Recurso Voluntário apresentados pela empresa ALIANÇA COMERCIAL, IMPORTAÇÃO E EXPORTADORA LTDA. visando modificar a decisão de piso que manteve aplicação da penalidade prevista pelo artigo 33 da Lei nº 11.488/2007. Acusa a Recorrente de ceder o nome em realização de operações de comércio exterior com vista acobertamento de reais intervenientes ou benficiários. No caso concreto atribui a a condição de real adquirente das mercadorias importadas a empresa ARAGON PERFURAÇÕES E SONDAGENS LTDA.., mantida oculta aos controles aduaneiros., quando as operações foram registradas em nome da ALIANÇA. Adoto o relatório da decisão recorrida por bem representar os fatos: “Relatório Trata o presente processo do Auto de Infração, de fls. 2/5, por meio do qual é feita a exigência de R$ 65.760,29, relativa à multa correspondente a 10% do valor aduaneiro de que trata o art. 33, da Lei nº 11.488/2007. A fiscalização relata que a autuada cedeu o nome para a realização de operação de comércio exterior de terceiros com vistas ao acobertamento dos reais intervenientes ou beneficiários da operação de importação das mercadorias submetidas a despacho aduaneiro, por meio das Declarações de Importação (DI) n° 1222641307, 1223550682 e 1301170323, conforme consta do relatório fiscal (fls. 11/32), no qual se verifica a ocultação da real adquirente a empresa ARAGON PERFURAÇÕES E SONDAGENS LTDA., CNPJ 09.629.907/000199. Informa que as mercadorias contempladas na Nota Fiscal de entrada nº 532, emitida pela Aliança em 05/12/2012, são exatamente as mesmas constantes da DI nº 12/22641307, sendo que, nesta mesma data, foi dada a saída das mercadorias consubstanciada na NF de venda nº 535, para a empresa ARAGON. Já para as DI nº 1223550682 e nº 1301170323, ocorreu situação muito semelhante envolvendo as NF nº 552 e 582, sendo que a venda das mercadorias foi formalizada em data imediatamente posterior àquela da nota fiscal de entrada. Fl. 211DF CARF MF Processo nº 11128.730801/201497 Acórdão n.º 3302004.150 S3C3T2 Fl. 211 3 Além disto, foram constatados adiantamentos para o custeio destas importações, conforme tabela demonstrada, cujas transferências ocorreram em datas anteriores aos registros das DI, à exceção do valor R$ 71.314,84, ocorrido em fevereiro de 2013. Assim, concluiu a fiscalização que as mercadorias, desde antes de suas importações, já se destinavam à real adquirente ARAGON, porém, não foram seguidos os passos e as condições que devem ser observadas para tais operações, por meio da Instrução Normativa RFB nº 225, de 18 de outubro de 2002, e que o seu descumprimento traz prejuízo ao controle aduaneiro. Cientificada do lançamento (fls.66/69), a empresa ALIANÇA apresentou impugnação (fls. 71/94), na qual, em síntese: Alega que o entendimento do auditor fiscal encontrase equivocado, pois, somandose os valores dos adiantamentos, não é possível chegar ao real valor descrito nas notas fiscais; que não houve ocultação do sujeito passivo; e que por falta de motivo o auto de infração deve ser anulado. Aduz que não houve ocultação do sujeito passivo, pois o auditor fiscal sabia para quem fora vendida a mercadoria, intimando a suposta empresa ocultada para prestar informações, e que falta clareza na descrição dos fatos, não atendendo a todos os requisitos de validade. Argumenta que deve ser declarada a nulidade do auto de infração, por não haver a perfeita subsunção do fato concreto à hipótese prevista legalmente, e pela imprecisão dos elementos probatórios. Afirma que realizou as importações por encomenda e não por conta e ordem, e que, em momento algum, agiu com o intuito de ceder seu nome para acobertar a real adquirente das mercadorias importadas, a fim de obter alguma vantagem ilícita, não incorrendo em dano efetivo ao Erário. Alega incompetência do agente, pois a equipe que formaliza os autos de infração nas importações onde existam indícios de fraude em matéria aduaneira é da Eqpea e não da Eqaufi, que foi responsável pelo lançamento. Aduz que houve a prática de atos com excesso de poderes com relação ao Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), pois não lhe foram atribuídos poderes para solicitar extratos bancários das contas correntes, ferindo princípios constitucionais. Argumenta, ainda, que há vício material passível de nulidade, eis que a auditoria descreve a fundamentação legal da pena de perdimento no item 4 do relatório fiscal, no entanto, o enquadramento legal correto do presente lançamento seria do art. 33 da Lei nº 11.488/2007 (cessão do nome da pessoa jurídica com vistas ao acobertamento dos reais intervenientes ou beneficiários). Fl. 212DF CARF MF 4 No mérito, alega que a pena de perdimento aplicada não se encontra amparada legalmente, pois o auditor sabe para quem foi vendida a mercadoria, não havendo que se falar em ocultação do sujeito passivo. Relaciona os seus procedimentos de importação e venda das mercadorias, caracterizandoa como por encomenda. Afirma que não existem provas cabais das alegações do fisco e que a pena aplicável seria tão somente a disposta no art. 711, III, da Lei nº 6.759/2009, ou seja, 1% do valor aduaneiro, conforme art. 712, 736, I, e 737, da mesma lei, pois, havendo o pagamento dos tributos a multa há de ser relevada. Requer seja declarada a nulidade do presente auto de infração, pelos motivos expostos, ou que seja desconstituído o lançamento, ou, que seja reduzido o valor da multa para 1%, pelo erro de preenchimento da DI, abstendose dos procedimentos de cobrança pela suspensão da exigibilidade do crédito tributário. Requer a produção de provas, inclusive sustentação oral”. Sobreveio o Voluntário, tempestivo, apresentado pela empresa Aliança Comercial Importadora e Exportadora Ltda.Mantém os mesmos argumentos da fase inicial, bem como, preliminar de Ausência de Motivo do Lançamento, por entender que faltou o motivo que conduziram o agente público a elaboração do ato administrativo, constaria que a situação fática e jurídica que levou a lavratura do auto de infração não teria ocorrido, segundo o seu raciocínio, não existiu ocultação do real adquirente para realização de operações de comércio exterior. Sustenta também incompetência do agente, alegando, no caso de fraude em matéria aduaneira é da “Eqcol” e não da “Equafi”, quem lavrou o auto em discussão, menciona o artigo 59 do Decreto 70.235/72. Alega, ainda, pratica excedente ao MPF e indeferimento de PRODUÇÃO DE PROVA. Não há voluntário apresentada pela empresa ARAGON. É o relatório." Voto Conselheiro Walker Araújo, redator "ad hoc". Na condição de redator "ad hoc" para formalização deste acórdão, passo a transcrever as razões do julgado, constantes da minuta do voto do Conselheiro Domingos de Sá Filho. "Tratase de recurso tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. A matéria devolvida ao exame se refere acessão de nome para realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento dos reais intervenientes ou beneficiários sujeitos a multa de 10% (dez por cento). Fl. 213DF CARF MF Processo nº 11128.730801/201497 Acórdão n.º 3302004.150 S3C3T2 Fl. 212 5 Há preliminares, antes de se dirigir ao ponto nodal da situação controvertida, impõese examinar questões atinentes admissibilidade do recurso, que propiciam acesso ao pedido propriamente dito. 1. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO Não merece prosperar, a sustentação por si só confunde com o mérito, pois trata de situação fática e jurídica, se existiu ou não ocultação do real adquirente nas operações realizadas de comércio exterior é o objeto principal do processo. Ademais, o fato do auditor entender tratarse de situação que configure a ocultação, revela o convencimento da autoridade para proceder ao lançamento, por essa razão não se vislumbra existência de elementos capaz de macular o lançamento. Sendo assim, o assunto será examinado quando da apreciação do mérito. 2. COMPETÊNCIA DO AGENTE. A competência do auditor da Receita Federal para proceder à auditoria e lançamento decorre de força de lei desde que inerentes à função, por isso o acerto da decisão recorrida. A parda alegação de que a matéria aduaneira é da “Eqcol” e não da “Equafi”, não se sustenta, basta exame da legislação, dispõe o art. 9º do Decreto 70.235/72 e o art. 9º da Lei nº 11.457, de 2007, in verbis: “Art. 9º) A exigência de crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a aplicação de penalidade isolada serão formalizadas em autos de infração ou notificação de lançamento, distintos para cada imposto, contribuição ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. § 2º Os procedimentos de que tratam este artigo e o art. 7º, serão válidos, mesmo que formalizados por servidor competente de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. § 3º A formalização da exigência, nos termos do parágrafo anterior, previne a jurisdição e prorroga a competência da autoridade que dela primeiro conhecer. Lei nº 11.457, de 2007: Art. 9º) A Lei no 10.593, de 6 de dezembro de 2002, passa a vigorar com a seguinte redação: Art. 6º São atribuições dos ocupantes do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil: I no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo: a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições. Fl. 214DF CARF MF 6 b) elaborar e proferir decisões ou delas participar em processo administrativofiscal, bem como em processos de consulta, restituição ou compensação de tributos e contribuições e de reconhecimento de benefícios fiscais. c) executar procedimentos de fiscalização, praticando os atos definidos na legislação específica, inclusive os relacionados com o controle aduaneiro, apreensão de mercadorias, livros, documentos, materiais, equipamentos e assemelhados. d) examinar a contabilidade de sociedades empresariais, empresários, órgãos, entidades, fundos e demais contribuintes, não se lhes aplicando as restrições previstas nos arts. 1.190 a 1.192 do Código Civil e observado o disposto no art. 1.193 do mesmo diploma legal.” (...) Sendo assim, não merece prosperar, rejeito. 3. VÍCIO NO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. O MPF disciplina a execução do procedimento fiscal relativo aos tributos e contribuições sociais administrados pela Receita Federal, sendo assim, se revela instrumento de controle administrativo e de informação ao contribuinte, em síntese a meu ver é meramente autorização para que o agente se apresente ao Contribuinte. A ausência desse documento abre a porta para o contribuinte recusar o atendimento das solicitações efetivadas, entretanto, quaisquer omissão não macula o lançamento. Portanto, não vislumbro qualquer macula capaz de dar azo nulidade. 4. PRODUÇÃO DE PROVA. INDEFERIMENTO. A produção de prova é direito constitucional. Os códigos de rito disciplinam os momentos oportunos as quais devem ser exibidas, com exceções daquelas que podem ser objeto ao longo do curso do procedimento, e, não há dúvida de que o impedimento configura o cerceamento de defesa. No caso dos autos a irresignação está vinculada ao pedido de produção posterior de provas sustentado na fase de impugnação como se extraí da narração da peça recursal. Como restou bem contornado a questão pelo julgador de piso, a produção de prova deve ocorrer no momento da impugnação, cabe a parte provar as alegações por meio idôneos, juntar os documentos pertinentes ao assunto debatido, requerer outras, pericia desde que justificável, ficando a cargo da autoridade julgar se é conexas deferir ou não. Mesmo em nome da verdade material, deve o Interessado fazer prova mínima do alegado, o complemento para momento diferente encontra disciplinado no artigo 16 do Decreto nº 70.235/72, se demonstrado cabe o Julgador deferir, não é o caso dos autos, pois não há qualquer justificativa capaz de convencer o deferimento para outro momento. Sendo assim, deve ser afastada alegação de cerceamento de defesa. Fl. 215DF CARF MF Processo nº 11128.730801/201497 Acórdão n.º 3302004.150 S3C3T2 Fl. 213 7 NO MÉRITO. Nesse aspecto os elementos probatórios na autuação encontram fincados no grau de parentesco entre os sócios das três em pesas envolvidas nesse processado, ALIANÇA e ARAGON PERFURAÇÕES E SONDAGENS LTDA. , incapacidade financeira de alguns dos sócios em integralizar o capital, transferência de quotas por meio de doação entre sócios, empréstimos por meio de contrato de mútuos entre ALIANÇA e a DIRECT, esses fatos revelam a capacidade financeira real da Recorrida. Contra essas acusações a defesa não traçou uma linha sequer, contentou em sustenta a inexistência de ocultação de real interessado que não fosse a própria Aliança. A fiscalização toma como elementos de convicção a incapacidade financeira dos sócios, bem como, da Aliança, demonstra por meio de fluxo saída de recursos financeiros da empresa ARAGON para Aliança sempre antes de fechamento de câmbio e mesmo antes da emissão da nota fiscal de venda. Apenas um item dos elementos da autuação é contestado na impugnação e no recurso voluntário, que não logra afastar a caracterização da ocultação. Aduz que os valores pagos à Aliança pela ARAGON são decorrentes de outras transações efetuadas entre as empresa não revela suficiente para fazer prova contrária, necessita de muito mais, cabia vincular as operações de venda com as respectivas notas fiscais demonstrando que valor recebido se referia aquela transação. Não basta alegar licitude das operações realizadas entre as duas empresas, no caso concreto impõe provar por meio de documentos idôneos que tratava de operação de compra e venda por se referir empresa que guarda estreito vinculo familiar, cujos recursos financeiros são oriundos de empréstimo de mútuo de outra empresa familiar. O fato de a empresa ter adquirido com dinheiro próprio ou de terceiro as mercadorias, não afasta a existência de acobertamento. Não logrando êxito em afastar acusação além de sofrer pena em substituição perda de mercadoria, também ficou a mercer da aplicação da penalidade por cessão do nome por tratr de penalidades distintas, no primeiro caso de conversão de perda de mercadorias importadas pela multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias, no caso concreto o percentual de 10% (dez por cento) do valor das mercadorias. Dúvida não há de que a ALIANÇA se colocou na condição interposta nas operações de importação para empresa ARAGON, cedendo o nome fazendo com que a interessada permanece oculta aos controles aduaneiros. A sustentação pelo Recorrente de que no caso em tela aplicase o disposto no art. 711, III, da Lei nº 6.759/2009, multa equivalente a 1% do valor aduaneiro, conforme os artigos 712, 736, I, e 737 do mesmo diploma legal, improcede, pois no caso não se refere omissão, prestação de informação inexata ou incompleta. Assim sendo, não há como acudir o pleito. Diante do exposto, conheço do recurso e nego provimento. É como voto." Fl. 216DF CARF MF 8 (assinado digitalmente) Domingos de Sá Filho Fl. 217DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.000635/2008-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 03 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Oct 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004
INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO.
Por intempestivo, não se conhece do Recurso Voluntário protocolizado após o prazo de trinta dias, a contar da ciência da decisão de primeira instância, nos termos do art. 33 do Decreto n° 70.235/72.
Numero da decisão: 2201-003.958
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso em razão da intempestividade verificada.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator.
EDITADO EM: 24/10/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Daniel Melo Mendes Bezerra, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2002, 2003, 2004 INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. Por intempestivo, não se conhece do Recurso Voluntário protocolizado após o prazo de trinta dias, a contar da ciência da decisão de primeira instância, nos termos do art. 33 do Decreto n° 70.235/72.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso em razão da intempestividade verificada. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator. EDITADO EM: 24/10/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Daniel Melo Mendes Bezerra, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
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NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. Por intempestivo, não se conhece do Recurso Voluntário protocolizado após o prazo de trinta dias, a contar da ciência da decisão de primeira instância, nos termos do art. 33 do Decreto n° 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso em razão da intempestividade verificada. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator. EDITADO EM: 24/10/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Daniel Melo Mendes Bezerra, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 06 35 /2 00 8- 09 Fl. 769DF CARF MF Processo nº 19515.000635/200809 Acórdão n.º 2201003.958 S2C2T1 Fl. 770 2 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário de fls. 684/697, interposto contra decisão da DRJ em São Paulo/SP, de fls. 665/676 que julgou procedente o lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física – IRPF, relativo aos anoscalendário 2002, 2003 e 2004, conforme auto de infração de fls. 472/481, lavrado em 25/03/2008, com ciência do RECORRENTE em 18/04/2008 (fl. 482). O crédito tributário apurando no auto de infração perfaz o valor de R$ 1.115.462,92, já inclusos juros de mora (até o mês da lavratura) e multa de ofício de 75%. Conforme descrição dos fatos de fl. 473/476, o lançamento teve origem na omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas, assim como omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. O Termo de Verificação Fiscal – TVF encontrase acostado às fls. 462/471. O RECORRENTE apresentou sua Impugnação de fls. 485/492 em 19/05/2008. Quando da apreciação do caso, a DRJ em São Paulo/SP julgou procedente o lançamento (fls. 665/676). Tal decisão contém o seguinte relatório, que adoto, por sua clareza e precisão: “2. A autuação decorreu de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo sujeito passivo, tendo sido constatadas as seguintes infrações: a) Omissão de rendimentos recebidas da pessoa jurídica Keela Wee Viagens e Turismo Ltda., CNPJ 01.306.076/000102, decorrente do trabalho sem vínculo empregatício e sem a competente comprovação de a que título foram recebidos, nos meses de maio de 2003; julho, setembro, outubro, novembro e dezembro de 2004; b) Omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários comorigem não comprovada, nos anoscalendário 2002, 2003 e 2004. 3. Às fls. 457/466, é acostado o Termo de Verificação Fiscal, onde a fiscalização relata o desenrolar dos fatos. 4. Cientificado da exigência tributária em 18/04/2008, por via postal, conforme Aviso de Recebimento AR de fl. 477, o sujeito passivo apresenta impugnação à exigência tributária às fls. 480/487, de onde se extrai os seguintes argumentos: a) na qualidade de agente de viagens, é sócio proprietário da empresa Keela Wee Viagens e Turismo Ltda., CNPJ 01.306.076/000102, juntamente com sua esposa Reni Peres Patrício, esta somente figura como sócia para a constituição necessária da pluralidade de sócio para atender à disposição legal da definição de sociedade empresária; Fl. 770DF CARF MF Processo nº 19515.000635/200809 Acórdão n.º 2201003.958 S2C2T1 Fl. 771 3 b) é uma empresa de pequeno porte, com capital social de R$ 60.000,00 e em dados momentos, houve confusão patrimonial entre as pessoas do contribuinte e a empresa, ocorrendo transferência de valores de uma para outra conta corrente; c) "A alegação do Sr. Agente Fiscal de que o Contribuinte não apresentou comprovação das transferências e pagamentos da empresa "Keela Wee", não é de todo verdade, uma vez que os próprios extratos fornecidos dão conta das comprovações, pela simples análise dos débitos e créditos lançados nas contas correntes fiscalizadas do contribuinte, e nas contas correntes da "Keela Wee", realçandose que o mesmo extrato foi utilizado para apurar as transferências intituladas 'Rendimentos Omitidos Recebido de Pessoa Jurídica. Outro ponto a ser destacado é a questão da comprovação levada a termo retratada na apresentação da planilha fornecida pela empresa 'Fly Tour " comprovando as compras efetuadas pela empresa 'Keela Wee', tendo sido referida planilha rejeitada pelo Sr. Agente Fiscal, sob a alegação de falta de assinatura. Todavia aquela planilha foi emitida pelo próprio computador da 'Fly Tour'. Ademais, na qualidade de Agente Fiscal poderia ele proceder à intimação da referida empresa, para que ela procedesse a todas as informações necessárias à realização dos seus trabalhos."; d) quanto aos rendimentos omitidos, grande parte das transferências da empresa para o contribuinte já sofreu a tributação na pessoa jurídica, cujo faturamento corresponde à comissão de 9% dos serviços prestados; e) os 91% restantes dos valores atribuídos como omissão de rendimentos foram destinados ao pagamento de fornecedores; f) no ano de 2003, transferiu a sua empresa Keela Wee o valor de R$ 172.414,52, dos quais R$ 28.300,00 são relativos a transferências bancárias e R$ 118.723,65 relativos a pagamentos de títulos da pessoa jurídica da aludida empresa; g) O financiamento obtido junto ao Unibanco não pode ser caracterizado como rendimento omitido, já que foi obtido para pagamento do Refis, no valor parcial de R$ 25.390,87; h) o valor de R$ 13.400,85, lançamento realizado em 04/1212003, não pode ser considerado rendimento omitido, já que este valor é relativo a um resgate de previdência privada e informado na sua Declaração de Ajuste Anual; i) as supostas imputações de omissão de rendimentos é fruto de presunção fiscal ou ficção do fato gerador; j) contesta a multa de oficio, por ser abusiva e confiscatória; k) ao final, pede a realização de diligências para produção de prova pericial contábilfiscal, por contador habilitado, a fim de Fl. 771DF CARF MF Processo nº 19515.000635/200809 Acórdão n.º 2201003.958 S2C2T1 Fl. 772 4 positivar a não ocorrência do fato gerador e de inexistência das diferenças apontadas.” Conforme já exposto, a DRJ de origem julgou procedente o lançamento, conforme acórdão de fls. 665/676, cuja ementa transcrevo abaixo: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003, 2004, 2005 PEDIDO DE APRESENTAÇÃO DE NOVAS PROVAS E DOCUMENTOS. O art. 16 do Decreto na 70.235, de 1972, ressalva da preclusão as provas apresentadas a destempo, somente quando comprovada a impossibilidade de sua apresentação nas hipóteses ali elencadas. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. Para a incidência do imposto, basta que haja o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título, de rendimentos auferidos de pessoa jurídica, o que restou demonstrado por meio dos documentos acostados aos autos. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FATOS GERADORES A PARTIR DE 01/01/1997 . A Lei nº 9430/96, vigente a partir de 01/01/1997, estabeleceu, em seu artigo 42, uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente quando o titular da conta bancária não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores depositados em sua conta de depósito ou investimento. ENCARGOS LEGAIS. MULTA DE OFÍCIO. A cobrança dos acessórios juntamente com o principal decorre de previsão legal nesse sentido, não merecendo prosperar a tese de que é confiscatória, por estar a autoridade lançadora aplicando tão somente o que determina a lei tributária. Lançamento Procedente” O RECORRENTE, devidamente intimado da decisão da DRJ em 23/03/2009, conforme AR de fl. 678, apresentou em 22/04/2009 petição de fl. 681 requerendo autorização para entregar o recurso diretamente no Conselho de Contribuintes em Brasília/DF e informando que foi furtado naquela data, ocasião em que lhe foi subtraída a pasta contendo a minuta de seu recurso. Posteriormente, em 30/04/2009, apresentou o seu Recurso Voluntário de fls. 684/697. Fl. 772DF CARF MF Processo nº 19515.000635/200809 Acórdão n.º 2201003.958 S2C2T1 Fl. 773 5 Este recurso voluntário compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator O recurso voluntário não merece ser conhecido pois é intempestivo. De acordo com os arts. 5º e 33 do Decreto n° 70.325/72, que regula o processo administrativo no âmbito federal, o prazo de 30 (trinta) dias para a interposição de Recurso Voluntário é contínuo, excluindose, na sua contagem, o dia de início e incluindose o do vencimento. Os prazos se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que tramite o processo ou deva ser praticado o ato. No caso concreto, o RECORRENTE teve ciência do acórdão recorrido no dia 23/03/2009 (segundafeira), conforme “Aviso de Recebimento” acostado à fl. 678 dos autos. Ocorre que, de acordo com o registro de protocolo, de fl. 684 dos autos, o presente recurso somente foi interposto em 30/04/2012 (quintafeira), depois de já transcorridos mais de 30 dias contados da intimação do contribuinte, sendo, portanto, manifestamente intempestivo o recurso. Esclareço que o prazo para a interposição do recurso findou em 22/04/2009 (quartafeira), oito dias antes da data em que apresentou o seu recurso voluntário. A petição de fl. 681, apresentada justamente no último dia do prazo, em que o RECORRENTE informa que teve furtada, naquela data, uma pasta contendo a minuta de seu recurso, não é capaz de dilatar o prazo recursal de 30 dias concedido. Note que no último dia do prazo (22/04/2009), o RECORRENTE informou que havia sido furtado e, dentre os objetos levados, estava a minuta de seu recurso. Contudo, o recurso poderia ser interposto em qualquer momento durante a fluência do prazo de 30 dias. Sendo assim, ao deixar para apresentar sua defesa no último dia, o contribuinte assume os riscos de eventuais obstáculos que possa causar o impedimento de apresentação do recurso. Ademais, o próprio RECORRENTE apresenta (anexos ao seu recurso apresentado intempestivamente) boletins de ocorrência que afastam a verossimilhança de suas alegações. É que, em um primeiro boletim de ocorrência emitido em ainda em 18/04/2009 (antes do findar o prazo recursal), o RECORRENTE informa que foi vítima de roubo ocorrido naquela mesma data (18/04/2009), oportunidade em que foram subtraídos seus dois telefones (fls. 699/700). Já em um segundo boletim de ocorrência, emitido apenas em 28/04/2009 (posterior ao fim do prazo), o RECORRENTE informa que, em decorrência do mesmo roubo praticado em 18/04/2009, teve subtraída uma pasta contendo o recurso do presente processo Fl. 773DF CARF MF Processo nº 19515.000635/200809 Acórdão n.º 2201003.958 S2C2T1 Fl. 774 6 (fls. 701/702). Esta última informação, prestada em boletim de ocorrência emitido após o prazo final para apresentação do recurso e 10 dias após o alegado roubo, carece de verossimilhança pois, caso tivesse sua pasta sido subtraída durante o roubo, o lógico é que este fato constasse no primeiro BO emitido em 18/04/2009. Também não merece prosperar a alegação de que, ante o roubo de seu aparelho celular, não conseguiu localizar o seu defensor. Ora, entre a data do roubo e o prazo fatal se passaram quatro dias, tempo suficiente para o RECORRENTE ir pessoalmente ao encontro de qualquer um de seus 04 procuradores constituídos nos autos (fl. 655). Seguindo o procedimento do Decreto n° 70.325/72, bem como a jurisprudência deste Conselho, o recurso intempestivo não deverá ser objeto de conhecimento. A decisão transcrita a seguir serve como exemplo desse entendimento: “ASSUNTO: SIMPLES Anocalendário: 2002 Ementa: INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. Por intempestivo, não se conhece do Recurso Voluntário protocolizado após o prazo de trinta dias, a contar da ciência da decisão de primeira instância, nos termos do art. 33 do Decreto n° 70.235/72. (Recurso nº 158.682; processo 10510.000945/200629; 1ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, julgado em 17/10/2008.” Isto posto, voto por NÃO CONHECER do recurso voluntário em razão da sua intempestividade. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator Fl. 774DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.910670/2011-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF
Data do fato gerador: 05/03/2005
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA
Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-004.541
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF Data do fato gerador: 05/03/2005 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1618; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.910670/201154 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402004.541 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 26 de setembro de 2017 Matéria PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Recorrente BANCO VOLKSWAGEN S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Data do fato gerador: 05/03/2005 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 91 06 70 /2 01 1- 54 Fl. 88DF CARF MF Processo nº 16327.910670/201154 Acórdão n.º 3402004.541 S3C4T2 Fl. 3 2 Trata o presente processo de Recurso Voluntário contra a Decisão da DRJ em Ribeirão Preto (SP), que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendo o Despacho Decisório eletrônico proferido, que, por sua vez, indeferiu o Pedido de Restituição, referente a suposto pagamento de IOF a maior no ano de 2005. Conforme o que consta do referido Despacho Decisório, o pleito foi negado tendo em vista que o DARF discriminado no PER estava integralmente utilizado para a quitação do débito de IOF, não restando saldo de crédito disponível para a restituição almejada. Cientificada da decisão proferida, a empresa interpôs a Manifestação de Inconformidade alegando homologação por decurso de prazo, já que ultrapassado o prazo de cinco anos entre a data de envio, tanto do Pedido de Restituição (PER) quanto da Declaração de Compensação (DCOMP) a ele atrelada, e a data de proferimento do Despacho Decisório. Com base nessas considerações requer a reforma da decisão, com a consequente homologação da compensação declarada. No entanto, os argumentos aduzidos pelo Recorrente não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme Ementa do Acórdão nº 14061.038, prolatado pela DRJ em Ribeirão Preto (SP): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Data do fato gerador: 05/03/2005 RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO DECLARADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito está integralmente alocado à débito validamente declarado em DCTF. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para a homologação tácita de pedido de restituição, nem previsão de perda do poder de decidir por decurso de prazo em pedidos desta natureza. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Devidamente cientificada desta decisão a recorrente interpôs, tempestivamente, o presente recurso voluntário, alegando as seguintes razões: (i) consta do Despacho Decisório que "foram localizados pagamentos, mas que foram integralmente utilizados para a quitação de débitos do Recorrente, não restando crédito disponível para restituição". Porém, tanto o Pedido de Restituição (PER) quanto a respectiva Compensação (DCOMP), foram realizados em dezembro/2006, operandose, portanto, a homologação da compensação em dezembro de 2011; Fl. 89DF CARF MF Processo nº 16327.910670/201154 Acórdão n.º 3402004.541 S3C4T2 Fl. 4 3 (ii) cita e transcreve como base legal, o §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN), bem como, registra o Acórdão nº 3801000.530, de 29/09/2010, proferido pelo CARF nos autos do PAF nº 10830.007499/9736; (iii) conclui que, dessa forma operouse a homologação tácita em dezembro de 2011, não havendo sequer a possibilidade de discussão acerca da existência do crédito do Recorrente por meio de Despacho Decisório proferido em 2012, ou seja, após o decurso do mencionado prazo qüinqüenal. Por fim, requer que o presente Recurso Voluntário seja recebido e julgado, com a conseqüente reforma da decisão recorrida e homologação da compensação declarada. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.467, de 26 de setembro de 2017, proferido no julgamento do processo 16327.910558/201113, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402004.467): "1. Da admissibilidade do Recurso O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido por este Colegiado. 2. Objeto da lide Verificase que o Recorrente não contesta a inexistência do indébito tributário demonstrada no Despacho Decisório. O que se discute no recurso é a alegação de homologação tácita quanto ao Pedido de Restituição (PER). 3. Análise do Pedido Como relatado, o Recorrente pede o provimento do seu recurso unicamente sob o argumento da homologação tácita do seu Pedido de Restituição (PER) nº 01445.28437.211206.1.2.046453, como base no §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional. Aduz que tanto o Pedido de Restituição (PER) quanto a respectiva Compensação (DCOMP), foram realizados em 21 e 26 dezembro de 2006, respectivamente e, como base no §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional, operouse a homologação tácita da compensação em 26/12/2011, não havendo sequer a possibilidade de discussão acerca da existência do crédito do Recorrente, por meio de Fl. 90DF CARF MF Processo nº 16327.910670/201154 Acórdão n.º 3402004.541 S3C4T2 Fl. 5 4 Despacho Decisório proferido em 03/01/2012, ou seja, após o decurso do mencionado prazo qüinqüenal. Pois bem. É cediço que o Código Tributário Nacional (CTN), regulamenta o prazo decadencial de 5 anos para o agente fiscal homologar o lançamento por homologação, que ocorre quando o contribuinte, por determinação legal, em substituição ao agente arrecadador, possui a obrigação de apurar o tributo devido, em face da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, efetuar o seu recolhimento e realizar a respectiva declaração. No contexto do procedimento de homologação das compensações, no qual se atesta a existência e a suficiência do direito creditório invocado para a extinção dos débitos compensados, a única limitação imposta à atuação da Administração Tributária é o prazo de cinco anos da data da apresentação das declarações de compensação, depois do qual os débitos compensados devem ser extintos, independentemente da existência e suficiência dos créditos, conforme determina o artigo 74, §5° da Lei n° 9.430, de 1996. Destaco a seguir seu conteúdo: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Medida Provisória nº 66, de 2002) § 1º (...). § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) (Grifei). No mesmo sentido, define a Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012, assim como as Instruções Normativas que a sucederam na regulamentação dessa matéria. Como se vê, por disposição legal expressa, a homologação tácita é aplicável unicamente à Declaração de Compensação, não havendo possibilidade de sua aplicação aos Pedidos de Restituição e Ressarcimento (PER). Isto ocorre porque quando o contribuinte realiza um pedido de compensação, nada mais está fazendo do que um lançamento por homologação: apura o tributo devido, realiza a declaração, e substitui o pagamento em espécie, por um pagamento com crédito tributário que possui junto ao ente tributante. E é por essa razão que, quando não há a apreciação expressa do pedido de compensação, passados 5 anos após a sua apresentação, ocorre a respectiva homologação. Em última análise, o que há é a homologação do lançamento realizado pelo contribuinte, sendo que o pagamento da obrigação tributária se dá com a utilização do seu direito creditório. Portanto, tal regra não se aplica ao caso do Recorrente com relação ao Pedido de Restituição de fls. 25/27, datado de 21/12/2006, justamente por se tratar de Pedido de Restituição e não de uma Fl. 91DF CARF MF Processo nº 16327.910670/201154 Acórdão n.º 3402004.541 S3C4T2 Fl. 6 5 Declaração de Compensação. O Pedido de Restituição não pode ser confundido com uma Declaração de Compensação, muito embora em ambos os casos esteja a se tratar de direito a um crédito tributário. A compensação está sempre atrelada a um lançamento. E é por isso que a ela se aplica o prazo decadencial de 5 anos previsto no art. 150 do CTN. O pedido de restituição não. Ele é independente de qualquer lançamento e requer necessariamente um pronunciamento do Fisco. Contudo, embora o Fisco deva nortear seus atos observando a eficiência e a celeridade, pois sua ação deve preservar os interesses públicos, nada o impede de, quase seis anos após o Pedido de Restituição (PER) formulado pelo Recorrente, indeferilo, por não vislumbrar o direito pleiteado. Não há a homologação tácita desse pedido, porquanto não ocorre qualquer lançamento que enseje a aplicação do artigo 150, § 4º, do CTN, como defende a Recorrente. Não há previsão legal para essa homologação. De se observar, também, que o Recorrente não rebate a alocação do pagamento (crédito solicitado no PER) ao débito de IOF do período de apuração tratado neste processo, o qual consta confessado em DCTF. Não contesta, portanto, a inexistência do indébito tributário demonstrada no Despacho Decisório, dando margem ao entendimento de que o crédito almejado no Pedido de Restituição, não existe. Desta forma, considerando que o Recorrente se limitou a argüir a homologação tácita do Pedido de Restituição, com base no artigo 150, § 4º, do CTN, sem trazer qualquer documentação ou argumentação que comprovasse a existência de seu crédito, não há mesmo como acatar o seu pedido. 4. Dispositivo Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 92DF CARF MF
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Numero do processo: 16561.720128/2014-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jan 16 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1401-000.469
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência. Vencida a Conselheira Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin. Designada a Conselheira Livia De Carli Germano para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto De Souza Gonçalves - Presidente
(assinado digitalmente)
Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin - Relatora
(assinado digitalmente)
Livia De Carli Germano - Redatora designada
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia De Carli Germano (vice-presidente), Daniel Ribeiro Silva, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. O Conselheiro José Roberto Adelino da Silva declarou-se impedido de votar.
Nome do relator: LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência. Vencida a Conselheira Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin. Designada a Conselheira Livia De Carli Germano para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Luiz Augusto De Souza Gonçalves Presidente (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia De Carli Germano (vicepresidente), Daniel Ribeiro Silva, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. O Conselheiro José Roberto Adelino da Silva declarouse impedido de votar. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 65 61 .7 20 12 8/ 20 14 -8 1 Fl. 8551DF CARF MF Processo nº 16561.720128/201481 Resolução nº 1401000.469 S1C4T1 Fl. 8.552 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte em face do Acórdão 1668.521 2ª Turma da DRJ/SPO que por unanimidade de votos julgou procedente o lançamento, sob fundamento de que não produz o efeito tributário almejado pelo sujeito passivo a incorporação de pessoa jurídica, em cujo patrimônio constava registro de ágio com fundamento em expectativa de rentabilidade futura, sem comprovação com documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, os dispêndios apropriados como despesas, pois compete ao contribuinte o ônus da prova da dedutibilidade das despesas que importem redução do crédito tributário, condicionadas à sua efetiva realização, necessidade, normalidade e usualidade. Mantida a multa de ofício, multa isolada, juros de mora e Taxa Selic. Por bem descrever os fatos, adoto e transcrevo parcialmente o relatório que integra a decisão de piso: Contra a contribuinte, acima qualificada, foi lavrado em 24/11/2014, o Auto de Infração de fls. 4.898/4.929, através do qual foi formalizado o crédito tributário referente ao IRPJ no valor de R$ 13.490.311,77 e de CSLL no valor de R$ 4.302.778,15, para os anoscalendário de 2009 a 2012. Fundamento legal: 1) IRPJ: fls.4.899 2) CSLL: fls.4.916. De acordo com o Termo de Verificação fiscal (fls.4.866/4.896), a fiscalização, para os períodos de 2009 a 2012, sob o amparo do Mandado de Procedimento Fiscal nº 08.1.85.002014.000155, atevese à verificação das amortizações de ágio contabilizados a partir das aquisições das empresas: CONSENSUS COMÉRCIO VAREJISTA DE PRODUTOS ALIMENTÍCIOS LTDA, LOJAS AMERICANAS S/A – LASA, ORGANIZAÇÃO MINEIRA DE SUPERMERCADOS S/A, SUPERMERCADOS PLANALTÃO LTDA, RDC SUPERMERCADOS LTDA, CRL COMÉRCIO, IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO S/A, REDE POSTOS ZAP, SUPERMERCADOS GIMENES S/A. Cientificada do feito em 28/11/2014 (fl.4.934) apresenta, em 24/12/2014, impugnação, de fls. 4.948/5.043, argüindo, em síntese, o seguinte: · O presente Auto de Infração é nulo pois cerceou o direito de defesa da contribuinte; Houve a decadência da exigência fiscal das aquisições realizadas nos anoscalendário de 1998 a 2008, quando o prazo é contado a partir da data do registro do ágio na aquisição do investimento; · Constatase a decadência do ativo diferido formado há mais de 5 anos, pois nas operações de amortização de ágio não importa se os seus efeitos ocorrem futuramente, ou seja, levase em consideração a data de formação do ativo diferido; · Defende que não é possível a exigência de documentos relacionados a operações ocorridas há mais de 5 anos, pois não era mais obrigada a guardar os documentos fiscais referentes aos anos calendário de 1998 a 2008; · A contribuinte requer a anulação do Auto de Infração, pois a matéria está fundamentada em regras contábeis que não eram aplicáveis à época dos fatos geradores (Lei nº 11.638/2007). Aplicase o RTT – Regime Tributário de Transição aplicável a partir de 2008 e que perdurou até a Lei nº 12.973/2014; Fl. 8552DF CARF MF Processo nº 16561.720128/201481 Resolução nº 1401000.469 S1C4T1 Fl. 8.553 3 · Aquisição do Supermercado Planaltão: O Carrefour adquiriu a participação no Planaltão pelo preço de R$ 73.800.000,00 pago a favor dos cotistas mediante subscrição em aumento de capital e outro desembolso de R$ 28.804,00 destinada ao capital da Planaltão (docs.05, 06 e 07). Após a aquisição houve uma cisão em que a JJPA (única cotista à época da compra) ficou com participação de 10% e o Carrefour passou a deter 90% (com registro de ágio). Com isso o Carrefour passou a ser possuidor de R$ 70.311.600,00 (decorrente da participação de 90%) cuja base de cálculo para o ágio foi de R$ 3.876.000,00 (doc.08); · O ágio pago pela requerente foi fundamentado em laudo de avaliação econômicofinanceira da Planaltão preparado pela CCF Brasil; O Carrefour efetuou a compra do restante de 10% de participação da Planaltão (doc.09) pelo preço de R$ 9.500.000,00 mediante a emissão de uma nota promissória prosoluto, emitida em favor da JJPA com vencimento em 05/01/2001. A operação gerou um ágio de R$ 9.329.672,76 decorrente de um desembolso de R$ 9.500.000,00 subtraído de um patrimônio líquido de R$ 1.703.272,39 e de R$ 170.327,24 do PL adquirido pela requerente (10%). Dessa forma, o ágio total na operação resultou em R$ 79.641.272,76 (docs.12 e 13). A operação foi amplamente anunciada (doc.14) e aprovada pelo CADE (doc.15); · Aquisição da Organização Mineira de Supermercados Ltda (OMS): foi deliberado aumento de capital social da OMS no valor de R$ 225.000.000,00 a ser integralizado pela Belopar Ltda, empresa do Grupo Carrefour (docs.16/21). Na mesma data, a OMS foi cindida com incorporação da parcela cindida na Nova Ltda e, portanto se retirou da OMS, passando a Belopar a ser a única acionista. O patrimônio líquido cindido da OMS, após a cisão, era de R$ 61.000.504,15, valor este adquirido pela Belopar na aquisição. O ágio resultante da operação foi de R$ 163.999.495,85, pois foi pago R$ 225.000.000,00 deduzido do PL líquido da OMS na data da aquisição de R$ 61.000.504,15 (doc.23); · O ágio pago pela Belopar está fundamentado em laudo de avaliação da OMS, preparado pela CCF Brasil (doc.24) com base no método de fluxo de caixa descontado (valor econômico de R$ 227.859.000,00 em 18/07/1999). Em 30/12/1999, a OMS incorporou sua controladora Belopar, a valor de livros (doc.26) e passou a ser detentora do ágio antes registrado na Belopar, passível de amortização fiscal (arts.7º e 8º da Lei nº 9.532/97); · Em 01/01/2001, a OMS foi incorporada pela requerente, a valor de livros (doc.27). A operação foi amplamente anunciada (doc.29) e aprovada pelo CADE (doc.30); Aquisição da Consensus Comércio Varejista de Produtos Alimentícios Ltda. A transferência das quotas da Consensus para a requerente foi realizada em 15/06/2005 (doc.36) por R$ 313.040.000,00 (doc.34), a qual resultou em pagamento de ágio de R$ 151.365.887,37 em razão de o patrimônio líquido de a investida totalizar R$ 176.871.257,00 (doc.37). Este valor inclui o montante pago de R$ 15.197.144,37 relativo ao ajuste de estoque e reclassificação de ativos imobilizados (doc.38). O laudo de avaliação foi preparado pela KPMG (doc.39) com base no método de fluxo de caixa descontado, o qual concluiu que o valor econômico da sociedade era de R$ 379.479.000,00 em 30/06/2005 (doc.40); · Em 31/07/2006, a requerente incorporou a Consensus, a valor de livros (doc.43) o que possibilitou que o ágio antes registrado se tornasse ativo diferido passível de amortização fiscal nos termos dos arts.7º e 8º da Lei nº 9.532/97; Fl. 8553DF CARF MF Processo nº 16561.720128/201481 Resolução nº 1401000.469 S1C4T1 Fl. 8.554 4 · Aquisição da 5329 Comércio e Participações (Lojas Americanas): o Grupo Carrefour decidiu pela compra da 5329 mediante o intermédio da Compoirs Modernes S/A pertencente a interessada (doc.47). O depósito do valor pela transação foi efetuado em 21/10/1998 pela Stoc Supermercados, pertencente à Compoirs Modernes S/A por R$ 326.534.000,00 (docs.48 e 49). Em decorrência da compra foi apurado um ágio de R$ 266.579.000,00, pois o patrimônio líquido da adquirida era de R$ 59.955.000,00, conforme laudo elaborado pela CCF Brasil (doc.46 e 50). O laudo com base no fluxo de caixa descontado que o valor econômico da 5329 era de R$ 340.000.000,00 em 21/10/1998; · Em 30/04/1999, a Compoirs Modernes S/A foi incorporada pela Brepa a valores contábeis (doc.51) passando a ser a controladora da Stoc. Em 30/04/1999, a Stoc foi incorporada pela requerente a valor de livros (doc.52) e, assim, registrou o ágio; Em 30/04/1998, a requerente incorporou a 5239 a valor de livros (doc.53) passando o ágio antes registrado a ser um ativo diferido passível de amortização fiscal; · Aquisição da CRL Comércio, Importação e Exportação S/A: o Grupo Carrefour decidiu pela compra da CRL mediante o intermédio da Saintpar pertencente a interessada (docs.56 a 59). O valor da transação acertado em 02/07/1999 foi de R$ 90.000.000,00. Em decorrência da compra foi apurado um ágio de R$ 87.500.000,00, pois o patrimônio líquido da adquirida era de R$ 30.636.000,00. O referido valor é resultado de um investimento de R$ 118.136.000,00 e dedução do valor do patrimônio líquido de R$ 30.636.000,00, conforme laudo elaborado pela CCF Brasil (doc.60). O laudo com base no fluxo de caixa descontado que o valor econômico da CRL era de R$ 92.776.000,00 em 30/06/1999; · Em 29/12/1999, a CRL incorporou a sua controladora a valor de livros (doc.62) passando o ágio antes registrado a ser um ativo diferido passível de amortização fiscal. Por fim, em 31/03/2001, a CRL foi incorporada à requerente a valor de livros (doc.63) passando o ágio para o Grupo Carrefour; · Aquisição da RDC Supermercados Ltda: o Grupo Carrefour decidiu pela compra da RDC mediante o intermédio da Brepa pertencente a interessada (docs.66 a 68). O valor da transação acertado em 02/07/1999 foi de R$ 664.837.252,00 (doc.69). Em decorrência da compra foi apurado um ágio de R$ 661.438.252,00, pois o patrimônio líquido da adquirida era de R$ 3.399.000,00. O referido valor devidamente fundamentado, conforme laudo elaborado pela CCF Brasil (doc.71). O laudo com base no fluxo de caixa descontado que o valor econômico da CRL era de R$ 688.038.000,00; · Em 05/09/2000, a Carrefour Part., uma das sócias da Rivierepar Participações Ltda, foi incorporada pela requerente (doc.72); Em 02/10/2000, a RDC incorporou a sua controladora a valor de livros (doc.74) passando o ágio antes registrado a ser um ativo diferido passível de amortização fiscal. Por fim, a RDC foi incorporada à requerente a valor de livros (docs.75/85) passando o ágio para o Grupo Carrefour; · Aquisição da Elysee Comércio e Indústria Ltda (Supermercado Gimenes S/A): O preço pago pela requerente (doc.96) para a aquisição da Elysee foi de R$ 54.997.452,12 pago em 04/08/2009 (doc.97) resultando em apuração de ágio de R$ 44.507.130,12, pois o valor da investida era de R$ 10.490.322,00 (doc.98) na data de 31/08/2009. O referido valor devidamente fundamentado, conforme laudo elaborado pela KPMG (doc.99). O laudo com base no fluxo de caixa descontado que o valor econômico da Elysee era de R$ 61.300.000,00 em 31/07/2009; Fl. 8554DF CARF MF Processo nº 16561.720128/201481 Resolução nº 1401000.469 S1C4T1 Fl. 8.555 5 · Em 31/07/2000, a requerente incorporou a Elysee a valor de livros (docs.101 e 102) passando o ágio antes registrado a ser um ativo diferido passível de amortização fiscal; · Aquisição da Rede ZAP: O preço pago pela requerente (doc.106) para a aquisição da ZAP foi de R$ 45.000.000,00 resultando em apuração de ágio de R$ 36.674.677,64, pois o valor da investida era de R$ 12.157.495,55 (doc.110) na data de 30/07/2009. O referido valor devidamente fundamentado, conforme laudo elaborado pela KPMG (doc.111). O laudo com base no fluxo de caixa descontado que o valor econômico era de R$ 45.900.000,00 em 09/08/2008; · Em 30/09/2009, a requerente incorporou a ZAP a valor de livros (docs.115) passando o ágio antes registrado a ser um ativo diferido passível de amortização fiscal; · Do Direito relacionado à Glosa das Despesas de Amortização de Ágio: os documentos exigidos para as operações originárias dos ágios são apenas os contratos firmados pelas partes interessadas e as atas societárias, cujos efeitos devem ser refletidos na contabilidade; · Cabe ao Fisco o ônus da prova de que os valores das transações societárias não foram efetuadas bem como a inexistência dos ágios; · No caso do Planaltão os contratos avençados entre as partes comprovam a compra e a venda bem como o processo de formação do ágio; · Na aquisição da OMS, o preço de aquisição foi demonstrado por meio da Carta de Intenção, assinada em 19/05/1999 bem como os outros documentos apresentados reforçam não só os pagamentos bem como o processo de formação do ágio; · Na aquisição da Consensus, o preço de aquisição foi demonstrado por meio do Instrumento Particular de Cessão e Transferência de Quotas e Outras Avenças, assinado em 08/06/2005 bem como os outros documentos apresentados reforçam não só os pagamentos bem como o processo de formação do ágio; · Na aquisição da 5239, o preço de aquisição foi demonstrado por meio do Contrato de Compromisso de compra e Venda de Ações, bem como os outros documentos apresentados reforçam não só os pagamentos bem como o processo de formação do ágio; · Na aquisição da CRL, o preço de aquisição foi demonstrado por meio do Instrumento Particular de Compromisso de Compra e Venda Condicional de Novas Ações, assinada em 02/07/1999 bem como os outros documentos apresentados reforçam não só os pagamentos bem como o processo de formação do ágio; · Na aquisição da RDC, o preço de aquisição foi demonstrado pelo pagamento efetuado pela Brepa bem como os outros documentos apresentados reforçam não só os pagamentos bem como o processo de formação do ágio. Cabe destacar que a maioria das lojas da RDC foram fechadas devendo as parcelas dos fundos de comércio ou ágio ser baixadas como perdas dedutíveis; · Na aquisição da Elysee, o preço de aquisição foi demonstrado por meio do Instrumento Particular de Cessão e Transferência de Quotas e Outras Avenças, bem como os outros documentos apresentados reforçam não só os pagamentos bem como o processo de formação do ágio; · Na aquisição da Rede ZAP, o preço de aquisição foi demonstrado por meio do Instrumento Particular de Cessão e Transferência de Quotas e Outras Avencas bem Fl. 8555DF CARF MF Processo nº 16561.720128/201481 Resolução nº 1401000.469 S1C4T1 Fl. 8.556 6 como os outros documentos apresentados reforçam não só os pagamentos bem como o processo de formação do ágio; · A contabilidade da empresa bem como os demais documentos apresentados nestes autos seriam suficientes para a prova da formação dos ágios apurados bem como sua dedutibilidade; · O art.20 do DecretoLei nº 1.598/77 permite a alocação exclusiva para expectativa de rentabilidade futura. Somente com a edição da Lei n º 12.973/2014 passou a existir a obrigatoriedade de alocação do ágio como maisvalia de ativo e só o restante ser alocada como rentabilidade futura; · A Fiscalização deve apresentar um laudo específico para invalidar os documentos apresentados pela contribuinte; · As formalidades exigidas pela Lei nº 12.973/2014, em relação ao laudo de avaliação, não se aplicam para participações societárias adquiridas até 31/12/2013 (para optantes) ou até 31/12/2014 (para os não optantes); · Todos os laudos apresentados pela contribuinte estão de acordo com a legislação tributária. No caso de laudos feitos depois da aquisição da participação societária, os mesmos são igualmente válidos, pois não há na legislação tributária qualquer proibitivo neste sentido; · Nas lojas fechadas, o ágio correspondente, poderia ser deduzido de acordo com a Lei nº 9.532/97, art.7º; · É vedada a incidência de juros SELIC sobre a multa; · É inaplicável a taxa SELIC para a atualização de débitos tributários; Apreciada as impugnação, afastada a preliminar de nulidade da autuação, cerceamento de defesa e a prejudicial de decadência, e o lançamento foi mantido integralmente, pois após minuciosa análise documental, verificouse a pendência da necessária documentação que comprovasse tanto o valor total pago quanto o montante do ágio lançado, quanto demonstração de ser o ágio proveniente da expectativa de rentabilidade futura da adquirida, não sendo possível aceitar como válida a parcela da mais valia deduzida no lucro real. Portanto, foi mantida glosa das amortizações de ágio contabilizados a partir das aquisições das empresas: CONSENSUS COMÉRCIO VAREJISTA DE PRODUTOS ALIMENTÍCIOS LTDA, LOJAS AMERICANAS S/A – LASA, ORGANIZAÇÃO MINEIRA DE SUPERMERCADOS S/A, SUPERMERCADOS PLANALTÃO LTDA, RDC SUPERMERCADOS LTDA, CRL COMÉRCIO, IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO S/A, REDE POSTOS ZAP, SUPERMERCADOS GIMENES S/A, mantida a multa de ofício em 75%. Inconformada, interpôs Recurso Voluntário, no qual levanta preliminar de nulidade por cerceamento de defesa da Recorrente e no mérito reproduz os argumentos levantados na impugnação, embora de forma mais aprimorada. Era o essencial a ser relatado. Passo a decidir. Fl. 8556DF CARF MF Processo nº 16561.720128/201481 Resolução nº 1401000.469 S1C4T1 Fl. 8.557 7 Voto Vencido Conselheira Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, por isso, dele tomo conhecimento. Preliminar Cerceamento de defesa. A Recorrente reclama nulidade da autuação por cerceamento de defesa, pois o exímio prazo de 30 (trinta) dias para elaborar e organizar a respectiva documentação de um questionamento altamente complexo, que envolve 8 (oito) operações realizadas entre 1998 e 2009. Ainda que razoável o argumento, destaco que o prazo para apresentação da peça impugnatória é de 30 (trinta) dias por expressa previsão legal constante no art. 15 do Decreto 70.235/70: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Portando, não há nulidade possível quando a autuação oportunizou a ampla defesa nos moldes da lei pertinente. Decadência. A Recorrente alega decadência da exigência fiscal das aquisições realizadas nos anos calendários de 1998 a 2008, isto porque, segundo ela: "o prazo decadencial para as autoridades fiscais questionarem as operações dos contribuintes deve ser contado a partir do momento em que a adquirente registra o ágio na aquisição do investimento". Assim, com base nesse argumento, defende que as despesas de amortização de ágio geradas nas oito aquisições de participação societária distintas da recorrente: 1) operação de aquisição da RDC Supermercados Ltda ocorrida em 4.12.1999; 2) operação de aquisição da 5239 Comercio e Participações S.A. ocorrida em 19.08.1998; 3) operação de aquisição da Consensus Comercio Varesgista de Produtos Alimentícios Ltda ocorrida em 8.6.2005; 4) operação de aquisição da Organização Mineira de Supermercados Ltda, ocorrida em 12.07.1999; 5) operação de aquisição da CRL Comércio Importação e Exportação S.A. ocorrida em 2.7.1999; 6) operação de aquisição dos Supermercados Planaltão Ltda ocorrida em 13.05.1999; 7) operação de aquisição das quotas de 12 empresas que atuavam no ramo de combustível (Rede ZAP) em 9.6.2008, restariam decaídas. Contudo, tal argumento não procede, pois como bem consignado pela DRJ, para efeitos fiscais, somente quando a interessada passa a utilizarse da prerrogativa de amortização Fl. 8557DF CARF MF Processo nº 16561.720128/201481 Resolução nº 1401000.469 S1C4T1 Fl. 8.558 8 do ágio, o fato adquire relevância para fins tributários. Desse modo, em razão dos efeitos para fins fiscais surgirem a partir da amortização do ágio, a contagem do prazo decadencial deve ser contado a partir do momento de sua amortização, que no presente caso ocorreu a partir do ano calendário de 2009. O prazo decadencial deve ser contado a partir do fato gerador do tributo (§4º do art. 150 do CTN) lançamento por homologação ou do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (inc. I do art. 173 do CTN) lançamento direto. Ou seja, a contagem do prazo decadencial tem pertinência com o fato gerador do tributo, com o fato que reduziu a base de cálculo do tributo, não cabendo interpretar que os eventos de geração do ágio e de incorporação têm seus efeitos diferidos no tempo para fins do pagamento do IRPJ decorrente da amortização de ágio, como quer fazer crer a recorrente. Neste caso, conforme informação colacionada aos autos pela própria Recorrente (fls. 4859/4863) as amortizações do ágio surgido das operações de aquisição acima relacionadas se processaram nos anos de 2009, 2010, 2011 e 2012, nos valores e datas abaixo: De maneira que, em sendo a data do fato gerador (amortização do ágio) o termo inicial da contagem do prazo decadencial e em tendo sido a atuação fiscal lavrada em 24.11.2014, não há que se falar em decadência. Também não cabe o argumento de que o termo inicial da contagem do prazo decadencial se daria a partir da data da incorporação que transformou o ágio em ativo diferido, Fl. 8558DF CARF MF Processo nº 16561.720128/201481 Resolução nº 1401000.469 S1C4T1 Fl. 8.559 9 posto que conforme já posicionado, o prazo decadencial tem início não a partir da formação do ágio, mas sim da sua amortização. Isso porque o registro contábil do ágio não é fato gerador de tributo nem há, aí, lançamento. Ora, sendo o prazo decadencial aquele após o qual o fisco perde o direito de constituir o crédito tributário, e sendo tal constituição possível apenas quando ocorre o fato gerador, fica fácil perceber que não há que se falar em início de contagem do prazo decadencial pelo mero registro contábil de uma potencial despesa. Assim se pronunciou a Câmara Superior de Recursos Fiscais a respeito dos prejuízos fiscais, cujo paralelo pode ser traçado com o ágio: ÁGIO. CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL O prazo decadencial para a lavratura de auto de infração para a glosa de despesas de amortização de ágio tem início com a efetiva dedução de tais despesas pelo contribuinte. Não ocorrência de decadência no caso concreto. (acórdão 9101002.387, julgado em 13/07/2016) Da guarda de documentos possibilidade de exigência de documentos relacionados à operações ocorridas. Aduz a recorrente que por disposição legal, no momento da fiscalização (2014) não tinha mais a obrigação de guardar mais os documentos relativos às operações realizadas nos anos calendários 1998 a 2008, tendo em vista inclusive a decadência do direito de a fiscalização constituir os créditos tributários em relação à questão. Ao disciplinar sobre a necessidade de guarda de documentos contábeis, a Lei da S.A, regulamenta em seu art. 37., que "Os comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão conservados até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios". De acordo com este preceito legal, uma vez não decaído o direito da Fisco de lançar os créditos tributários correspondentes as amortizações do ágio surgido das operações de aquisição em questão, era sim dever da Recorrente a manutenção e guarda dos documentos aptos a prova do direito por ela alegado, independentemente do transcurso do prazo de 5 anos da data das operações de aquisição das empresas mencionadas. Além do mais, uma análise mais detida a legislação revela que o requisito de que o destaque do ágio esteja respaldado em demonstração que o contribuinte deve arquivar como comprovante de sua escrituração existiu desde a redação original do artigo 20 Decreto Lei 1.598/1977, não sendo assim uma novidade trazida pela Lei 9.532/1997. Vejase: Art. 20 O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em: I valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo 21; e II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o número I. Fl. 8559DF CARF MF Processo nº 16561.720128/201481 Resolução nº 1401000.469 S1C4T1 Fl. 8.560 10 § 1º O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento. § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico: a) valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; b) valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; c) fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. § 3º O lançamento com os fundamentos de que tratam as letras a e b do § 2º deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração. Portanto, não procede a alegação da Recorrente quando a desobrigatoriedade da guarda dos documentos contábeis necessários ao respaldo das operações por ela praticadas. Da legislação utilizada para fundamentar a autuação. Como bem observado na decisão DRJ, ao discorrer a respeito da legislação aplicada na autuação inclusive com a transcrição dos dispositivos nos quais fundamentou a decisão, o ágio surge na aquisição de investimento avaliado pelo método da equivalência patrimonial e corresponde à diferença a maior entre o preço de aquisição e o valor do patrimônio líquido contábil da participação societária adquirida. Sendo que essa parcela faz parte do custo de aquisição da participação societária e tem grande relevância na determinação do valor do eventual ganho de capital. Nos termos do art. 20 do Decreto Lei 1.598/77, aplicado: “Art 20 O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em: I valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo 21; e II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o número I. § Io O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento. § 2" O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico: a) valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; Fl. 8560DF CARF MF Processo nº 16561.720128/201481 Resolução nº 1401000.469 S1C4T1 Fl. 8.561 11 b) valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; c) fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. § 3o O lançamento com os fundamentos de que tratam as letras a e b do §2° deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração.” O ágio, decorrente de negociações societárias, deve obedecer a determinadas diretrizes estabelecidas pela Lei nº 9.532/97, vigente à época dos fatos, na qual legislador definiu os contornos das situações em que os encargos dessa amortização podem ser deduzidos para a apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL como consta do parágrafo 11 da Exposição de Motivos n° 644/MF, relacionada à Medida Provisória n° 1.602, que por sua vez foi convertida (com alterações) na Lei n° 9.532/97, transcrito abaixo: “O art. 8o estabelece o tratamento do ágio ou deságio decorrente da aquisição, por uma pessoa jurídica, de participação no capital de outra, avaliada pelo método da equivalência patrimonial. Atualmente, pela inexistência de regulamentação legal relativa a esse assunto, diversas empresas, utilizando dos já referidos "planejamentos tributários ", vêm utilizando o expediente de adquirir empresas deficitárias, pagando ágio pela participação, com a finalidade única de gerar ganhos de natureza tributária mediante o expediente, nada ortodoxo, de incorporação da empresa lucrativa pela deficitária. Com as normas previstas no Projeto, esses procedimentos não deixarão de acontecer, mas, com certeza, ficarão restritos às hipóteses de casos reais, tendoem vista o desaparecimento de toda vantagem de natureza fiscal que possa incentivar a sua adoção exclusivamente por esse motivo.” Como bem descrito no Termo de Verificação Fiscal, “a Lei n° 9.532/97 passou a estabelecer as condições para a dedutibilidade dos encargos de amortização do ágio pago, cujo descumprimento implica a impossibilidade de o sujeito passivo deduzilos na apuração de seu lucro real e da base de cálculo da CSLL.” Os artigos 7º e 8º da Lei n° 9.532/97 disciplinam o tratamento tributário a ser dado na hipótese de apuração de ágio nas operações societárias: “Art. 7o A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do DecretoLei n° 1.598, de 26 de dezembro de 1977: (Vide Medida Provisória n° 135, de 30.10.2003) I deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "a" do § 2o do art. 20 do DecretoLei n° 1.598, de 1977, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; II deverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "c" do § 2odo art. 20 do DecretoLei n° 1.598, de 1977, Fl. 8561DF CARF MF Processo nº 16561.720128/201481 Resolução nº 1401000.469 S1C4T1 Fl. 8.562 12 em contrapartida a conta de ativo permanente, não sujeita a amortização; III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2° do art. 20 do Decretolei n° 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; (Redação dada pela Lei n°9.718, de 1998) IV deverá amortizar o valor do deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2o do art. 20 do DecretoLei n° 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados durante os cinco anoscalendários subseqüentes à incorporação, fusão ou cisão, à razão de 1/60 (um sessenta avos), no mínimo, para cada mês do período de apuração. § Io O valor registrado na forma do inciso I integrará o custo do bem ou direito para efeito de apuração de ganho ou perda de capital e de depreciação, amortização ou exaustão. § 2o Se o bem que deu causa ao ágio ou deságio não houver sido transferido, na hipótese de cisão, para o patrimônio da sucessora, esta deverá registrar: a) o ágio, em conta de ativo diferido, para amortização na forma prevista no inciso III; b) o deságio, em conta de receita diferida, para amortização na forma prevista no inciso IV. § 3o O valor registrado na forma do inciso lido caput: a) será considerado custo de aquisição, para efeito de apuração de ganho ou perda de capital na alienação do direito que lhe deu causa ou na sua transferência para sócio ou acionista, na hipótese de devolução de capital; b) poderá ser deduzido como perda, no encerramento das atividades da empresa, se comprovada, nessa data, a inexistência do fundo de comércio ou do intangível que lhe deu causa. § 4o Na hipótese da alínea "b" do parágrafo anterior, a posterior utilização econômica do fundo de comércio ou intangível sujeitará a pessoa física ou jurídica usuária ao pagamento dos tributos e contribuições que deixaram de ser pagos, acrescidos de juros de mora e multa, calculados de conformidade com a legislação vigente. § 5o O valor que servir de base de cálculo dos tributos e contribuições a que se refere o parágrafo anterior poderá ser registrado em conta do ativo, como custo do direito. Art. 8o O disposto no artigo anterior aplicase, inclusive, quando: a) o investimento não for, obrigatoriamente, avaliado pelo valor de patrimônio líquido; b) a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária.” Fl. 8562DF CARF MF Processo nº 16561.720128/201481 Resolução nº 1401000.469 S1C4T1 Fl. 8.563 13 Os artigos 385 e 386 do Regulamento do Imposto de Renda, Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999, tendo como base os dispositivos legais citados anteriormente, disciplinam o tratamento Tributário do Ágio ou Deságio nos Casos de Incorporação, Fusão ou Cisão. Desdobramento do Custo de Aquisição Art. 385. O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em (DecretoLei n° 1.598, de 1977, art. 20): I valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo seguinte; e ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o inciso anterior. § 1" O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento (DecretoLei n° 1.598, de 1977, art. 20, § Io). § 2" O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico (DecretoLei n° 1.598, de 1977, art. 20, §2°): I valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; II valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; III fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. §3" O lançamento com os fundamentos de que tratam os incisos I e II do parágrafo anterior deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração (Decreto Lei n° 1.598, de 1977, art. 20, §3°). Tratamento Tributário do Ágio ou Deságio nos Casos de Incorporação, Fusão ou Cisão Art. 386. A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no artigo anterior (Lei n" 9.532, de 1997, art. 7o, e Lei n°9.718, de 1998, art. 10): I deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata o inciso I do § 2o do artigo anterior, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; II deverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata o inciso III do § 2° do artigo anterior, em contrapartida a conta de ativo permanente, não sujeita a amortização; III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata o inciso II do § 2odo artigo anterior, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; Fl. 8563DF CARF MF Processo nº 16561.720128/201481 Resolução nº 1401000.469 S1C4T1 Fl. 8.564 14 IV deverá amortizar o valor do deságio cujo fundamento seja o de que trata o inciso II do § 2o do artigo anterior, nos balanços correspondentes à apuração do lucro real, levantados durante os cinco anoscalendário subseqüentes à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no mínimo, para cada mês do período de apuração. § Io O valor registrado na forma do inciso I integrará o custo do bem ou direito para efeito de apuração de ganho ou perda de capital e de depreciação, amortização ou exaustão (Lei n° 9.532, de 1997, art. 7°, § Io). §2" Se o bem que deu causa ao ágio ou deságio não houver sido transferido, na hipótese de cisão, para o patrimônio da sucessora, esta deverá registrar (Lei n" 9.532, de 1997, art. 7o, §2°): I o ágio em conta de ativo diferido, para amortização na forma prevista no inciso III; II o deságio em conta de receita diferida, para amortização na forma prevista no inciso IV. § 3o O valor registrado na forma do inciso II (Lei n° 9.532, de 1997, art. 7° § 3o): I será considerado custo de aquisição, para efeito de apuração de ganho ou perda de capital na alienação do direito que lhe deu causa ou na sua transferência para sócio ou acionista, na hipótese de devolução de capital; II poderá ser deduzido como perda, no encerramento das atividades da empresa, se comprovada, nessa data, a inexistência do fundo de comércio ou do intangível que lhe deu causa. § 4o Na hipótese do inciso II do parágrafo anterior, a posterior utilização econômica do fundo de comércio ou intangível sujeitará a pessoa física ou jurídica usuária ao pagamento dos tributos ou contribuições que deixaram de ser pagos, acrescidos de juros de mora e multa, calculados de conformidade com a legislação vigente (Lei n°9.532, de 1997, art. 7o, § 4o). § 5° O valor que servir de base de cálculo dos tributos e contribuições a que se refere o parágrafo anterior poderá ser registrado em conta do ativo, como custo do direito (Lei n°9.532, de 1997, art. 7° § 5o). § 6" O disposto neste artigo aplicase, inclusive, quando (Lei n" 9.532, de 1997, art. 8o): I o investimento não for, obrigatoriamente, avaliado pelo valor do patrimônio líquido; II a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária. § 7o Sem prejuízo do disposto nos incisos III e IV, a pessoa jurídica sucessora poderá classificar, no patrimônio líquido, alternativamente Fl. 8564DF CARF MF Processo nº 16561.720128/201481 Resolução nº 1401000.469 S1C4T1 Fl. 8.565 15 ao disposto no § 2o deste artigo, a conta que registrar o ágio ou deságio nele mencionado (Lei n° 9.718, de 1998, art. 11). O art. 385 do RIR/99 faz menção ao ágio pago na aquisição de participação societária, pela contribuinte a qual avalia seu investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido. Por este dispositivo legal entendese que a existência de ágio pressupõe a identificação de seu fundamento econômico e o cumprimento de todos os requisitos legais, de acordo com o parágrafo 2º do referido artigo, ponto relevante paraa determinação do tratamento tributário a ser dado ao ágio. Já o artigo 426 do RIR/99, diz que se a participação societária for alienada, o ágio verificado na aquisição do investimento faz parte do valor contábil para a determinação do ganho (tributável) ou perda (dedutível) de capital. A base legal da presente infração está prevista no art. 249, I, do RIR/99 (Art. 6º, § 2º , alínea "a", do Decreto Lei n° 1.598/77) , o qual é transcrito a seguir: “Art.249. Na determinação do lucro real, serão adicionados ao lucro líquido do período de apuração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º, §2º): Ios custos, despesas, encargos, perdas, provisões, participações e quaisquer outros valores deduzidos na apuração do lucro líquido que, de acordo com este Decreto, não sejam dedutíveis na determinação do lucro real;” Dado esse contexto legislativo, que aponta o correto enquadramento legal da atuação a decisão de piso fundamenta a manutenção da glosa do ágio das 8 (oito) operações de aquisição mencionadas pela ausência de provas. Observase que a Recorrente, em suas razões, não se contrapõe aos fatos apurados pela fiscalização e pela DRJ, no que tange à comprovação dos pagamentos. Apenas entende que os contratos de compra e venda de ações/quotas, os recibos de pagamento, as atas societárias referentes às reorganizações e os lançamentos contábeis fazem prova suficiente de que o valor foi efetivamente pago. Em que pese a Recorrente tenha trazido documentos relativos às negociações que deram ensejo aos ágios, o efetivo sacrifício patrimonial oferecido em troca das participações societárias adquiridas não foi comprovado. Asseverese que não foram juntados novos documentos no recurso voluntário, de modo que o que há nos autos são os documentos sobre os quais já se manifestaram a autoridade fiscal lançadora e a DRJ. Para a demonstração da existência do ágio, não basta a comprovação do negócio que lhe deu origem, mas sim a prova de que houve o efetivo pagamento do preço que inclui o ágio. Sem essa comprovação, não há como atestar que o ágio exista, pois, não obstante um acordo ser celebrado, ele pode não ser cumprido, ou ser cumprido de forma diversa do que inicialmente foi combinado entre as partes. Diante de tal possibilidade, nos termos do artigo 923 do RIR/99, a documentação hábil a comprovar o pagamento de um ágio só pode ser aquela que evidencia Fl. 8565DF CARF MF Processo nº 16561.720128/201481 Resolução nº 1401000.469 S1C4T1 Fl. 8.566 16 não apenas os termos de um acordo inter partes, mas também o efetivo desembolso da quantia correspondente. Como será detalhado adiante, diversos dos compromissos de aquisição firmados pela recorrente dispunham de cláusula que sujeitava os valores contratados a ajustes, a depender do resultado de auditorias a serem realizadas após o fechamento da negociação. DOS LAUDOS DE AVALIAÇÃO Outra razão que levou à lavratura do auto de infração foram os questionamentos fiscais acerca dos laudos apresentados pela recorrente. A autoridade fiscal discordou da fundamentação econômica dos ágios como sendo a expectativa de rentabilidade futura das participações adquiridas, apurada pelo método do fluxo de caixa descontado. Isto porque o contribuinte deveria proceder à avaliação do valor de mercado dos ativos das adquiridas, sendo que apenas o valor pago que, porventura, viesse a exceder essa avaliação poderia ser considerado ágio por expectativa de rentabilidade futura. Segundo a fiscalização, “os laudos econômicofinanceiros apresentados não se prestam para quantificar o valor do ágio fundamentado no valor de rentabilidade. A expectativa da rentabilidade é valor residual a ser apurado depois de valorados a mercado os ativos e passivos identificáveis, e este levantamento não se encontra presente naqueles relatórios técnicos e nem em qualquer outro documento que o Carrefour juntou por cópia ao longo deste procedimento de fiscalização” (pág. 15 do Termo de Encerramento e Constatação). Segundo a recorrente, a autoridade fiscal queria que a recorrente “alocasse” parte do valor do ágio à avaliação da empresa a valor de mercado. Mas, no seu entender, foi apenas em 2014 que a Lei passou a indicar uma ordem de alocação para o fundamento econômico do ágio (pág. 57 do RV). E, segundo se depreende de seu raciocínio, se a lei não determinava essa alocação prévia do ágio aos ativos da empresa adquirida, ela poderia atribuir o ágio a qualquer um dos fundamentos citados no art. 20 do DL 1598/77. Menciona que a própria decisão recorrida admite não haver qualquer disposição legal que “determine” a “alocação” do ágio para os ativos da sociedade adquirida. Equivocase a recorrente. Em primeiro lugar, registrese que é incontroverso que os laudos de avaliação trazidos pela recorrente não trouxeram os ativos das empresas adquiridas a valor de mercado. Isto posto, cumpre esclarecer que a autoridade fiscal não está a exigir que a recorrente “aloque” parte do ágio nos ativos da empresa adquirida. O que se está a afirmar é que os laudos apresentados negligenciaram a avaliação dos ativos a valor de mercado, o que, por imperativo lógico, inviabiliza a correta determinação do valor pago especificamente pela expectativa de rentabilidade futura do empreendimento. Para fins legais tributários, entretanto, denominouse ágio toda diferença entre o valor de patrimônio liquido do investimento e o seu custo de aquisição. Isto a que a lei chamou de ágio, por sua vez, pode ter 3 fundamentos: (i) valor de mercado dos ativos; (ii) valor de rentabilidade prevista para o futuro; e (iii) fundo de comércio/intangíveis e outras razões econômicas. Fl. 8566DF CARF MF Processo nº 16561.720128/201481 Resolução nº 1401000.469 S1C4T1 Fl. 8.567 17 Assim, sempre que um investimento é adquirido por valor superior ao valor contábil, a diferença entre o patrimônio líquido na época da aquisição e o valor efetivamente pago pode ter causa em qualquer um desses aspectos, em qualquer proporção. É possível que a diferença seja inteiramente fundada na expectativa de rentabilidade futura, como parece defender a recorrente nos casos concretos. Basta, para isso, que seja demonstrado que o valor de mercado dos ativos/passivos adquiridos correspondia exatamente ao valor contábil desses ativos/passivos. É perfeitamente possível que isso ocorra, porém é imprescindível que seja demonstrado. Até porque, quando se trata de negócios realizados entre terceiros independentes, foge à lógica econômica que, possuindo os ativos valor de mercado superior ao valor contábil, a parte os venderia considerando este último. Por isso é que a autoridade fiscal fala que “a expectativa da rentabilidade é valor residual a ser apurado depois de valorados a mercado os ativos e passivos identificáveis”. De fato, não há que se falar em ágio por expectativa de rentabilidade futura sem antes avaliar o valor de mercado do patrimônio adquirido. Em que pese a imprecisão da terminologia utilizada no texto legal (que sugere ser ágio a diferença entre valor de patrimônio liquido e valor de mercado), está claro que apenas o valor pago em função da rentabilidade futura é que é passível de ter sua amortização deduzida para fins fiscais. Assim, o laudo que atesta o valor da empresa tomando como base apenas a valoração contábil do seu PL, sem valorar a mercado seus ativos e passivos (ainda que essa valoração viesse a demonstrar que o valor de mercado era exatamente igual ao valor contábil), não se presta a quantificar com precisão a parte do valor desembolsado que se refere ao ágio fundado na expectativa de rentabilidade futura da adquirida. Esta é a questão primordial levantada pela autoridade fiscal, e que a recorrente não logrou infirmar. Pelo contrário, no entender da recorrente, como a lei não especifica em detalhes como deve se dar a demonstração da diferença entre o valor de PL e o custo de aquisição (art. 385 §3º do RIR/99), essa demonstração pode ser feita ao bel critério do contribuinte. Ao contrário do que afirma a recorrente, não se trata de tese baseada meramente na doutrina contábil posterior à adoção das novas regras contábeis pela Lei 11.638/07. Tais observações decorrem da lógica econômica e contábil, e são extraídas do próprio texto legal, tal qual consta do RIR/99 desde sua edição (arts. 385 e 386). Até porque, mesmo antes da vigência da Lei 12.973/2014, o Decreto 1.598/77 exigia que o lançamento contábil do ágio com base no valor de mercado ou na expectativa de rentabilidade futura fosse baseado em demonstração que o contribuinte deveria arquivar como comprovante, segundo a antiga redação de seu art. 20, parágrafo 3o. É bem verdade que, conforme a legislação vigente à época dos fatos, tal demonstração poderia se dar tanto através de laudo ou por meio de qualquer outro elemento de prova que efetivamente comprovasse o fundamento econômico do ágio com base na expectativa de sua rentabilidade futura, contanto que de fato fossem trazidos aos autos elementos suficientes para o preenchimento deste requisito. Fl. 8567DF CARF MF Processo nº 16561.720128/201481 Resolução nº 1401000.469 S1C4T1 Fl. 8.568 18 Neste sentido: ÁGIO. FUNDAMENTO. DEMONSTRAÇÃO CONTEMPORÂNEA AOS FATOS. NECESSIDADE. A lei exige que o lançamento do ágio com base no valor de mercado ou na expectativa de rentabilidade futura seja baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração. Não há a exigência de que a comprovação se dê por laudo, mas por qualquer forma de demonstração, contemporânea aos fatos, que indique por que se decidiu por pagar um sobrepreço. Contudo, não é possível se admitir que laudo elaborado mais de um ano após os fatos, sem qualquer suporte em documentos contemporâneos à aquisição de terceiros, sirva para fundamentar o ágio em uma das modalidades que permitam o benefício fiscal. Acórdão CARF 1102001.182, Rel. Jose Evande Carvalho Araujo Sessão de 27/08/2014. ÁGIO. GLOSA DE AMORTIZAÇÃO. DEMONSTRAÇÃO QUE JUSTIFIQUE A AQUISIÇÃO DA PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA PARA FUNDAMENTAR O ÁGIO COM BASE NA RENTABILIDADE FUTURA. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. LAUDO POSTERIOR. IMPOSSIBILIDADE. A demonstração do fundamento econômico da mais valia paga deve ser contemporânea ao reconhecimento do ágio na escrita contábil do contribuinte. Embora a legislação não estabeleça a forma dessa demonstração, o corolário é que esta deva existir ao menos na data do registro da aquisição da participação societária, com vistas ao seu desdobramento contábil. Tratase de requisito legal indispensável, à cargo do sujeito passivo para fruição do benefício fiscal estabelecido. Não tem o Fisco que demonstrar qual seria o “outro fundamento econômico” para o ágio pago, mas sim ao contribuinte comprovar, mediante documentação hábil e idônea, que pagou o ágio baseado na rentabilidade futura projetada para o investimento. Acórdão CARF 1301001.637, Rel. Luiz Tadeu Matosinho Machado. Sessão em 28/08/2014. Diante dessas considerações, passase a análise dos elementos de prova referentes a cada uma das operações de aquisição que geraram o ágio em questão. a) Da Aquisição do Supermercado Planaltão. Segundo a Fiscalização, não foi apresentado nenhum relatório com as conclusões do trabalho dos auditores a respeito do valor do patrimônio da adquirida nem tampouco qualquer comprovante de pagamento do valor da aquisição. A apresentação de cópia de página 399 do Diário Geral onde estaria registrado o pagamento referente à aquisição da primeira parcela do patrimônio do supermercado PLANALTÃO não foram suficientes como prova do valor pago, isto porque os lançamentos contábeis não esclarecem o impacto da auditoria mencionada, passível de modificar o preço acordado. Ademais, não foi apresentado o laudo contábil que deveria ter sido levantado na data da aquisição ou até trinta dias, no máximo, antes dessa data. Portanto, na pendência da necessária documentação que Fl. 8568DF CARF MF Processo nº 16561.720128/201481 Resolução nº 1401000.469 S1C4T1 Fl. 8.569 19 comprovasse tanto o valor total pago quanto o montante do ágio lançado, bem como em razão da inexistente demonstração de ser ágio proveniente da expectativa de rentabilidade futura da adquirida, não foi possível aceitar como válida a parcela da mais valia deduzida no lucro real. Por seu lado, a Recorrente aduz que a operação de aquisição do Supermercado Planaltão está suficientemente demonstrada, pois foi objeto de análise pelo CADE no Ato de Concentração nº 08012.004818/9941, no qual o órgão regulador concluiu pela aprovação da operação, sem quaisquer restrições. De modo que, a primeira aquisição no valor de R$ 73.800.000,00 foi devidamente demonstrada por meio do contrato de compra e venda celebrado pelas partes, por meio do Diário da Recorrente do período de 1.6.1999 a 30.6.1999 e por meio da ata de aumento de capital da Planaltão datada de 31.5.1999. O valor de patrimônio líquido da Planaltão nessa primeira aquisição era de R$ 3.876.000,00, conforme balanço patrimonial datado de 31.12.1998. Na segunda aquisição, referente aos 10% da Planaltão, o pagamento do preço foi estabelecido no contrato de Opção Preferencial de Compra e Venda de Ações (Quotas) de Participação em Sociedade, assinado em 28.12.2000, e no Instrumento Particular de Contrato de Venda e Compra de Ações. Neste contrato, foi declarado que o preço desta segunda fase da operação foi de R$ 9.500.000,00, pago por meio da emissão de uma nota promissória pro soluto. O patrimônio líquido da sociedade Planaltão era de R$ 1.703.272,39, conforme se depreende do balanço patrimonial da Planaltão apontado no Laudo de Avaliação, a valores contábeis, preparado para fins de incorporação da sociedade na Recorrente (database de 31.12.2000). Desta forma, segundo a Recorrente, o ágio foi suportado por laudo de avaliação preparado de acordo com a legislação tributária em vigor ao tempo dos fatos. A exigência da D. Fiscalização no sentido de que ela deveria ter apresentado novo laudo de avaliação econômicofinanceira para a segunda aquisição não merece prosperar, uma vez que a legislação vigente à época não estipulava qualquer requisito a ser obedecido pelo contribuinte na demonstração de suporte do ágio. A aquisição da Planaltão foi um negócio único, de forma que o Grupo Carrefour utilizou a mesma avaliação econômica que havia sido preparada ao tempo da primeira aquisição, em completa consonância com a legislação tributária. De fato a Recorrente apresentou cópia de Laudo de Avaliação Econômico Financeiro da PLANALTÃO, elaborado em maio de 1999, firmado e com identificação de seus autores. Esse relatório concluiu, com base na metodologia do fluxo de caixa descontado, que o valor de 100% do capital da empresa seria de R$ 82.100.000,00, em 31/12/1998. O Contrato de Aquisição de Participação Acionária e Outras Avenças, firmado em 13/05/1999, preço a ser pago pela aquisição foi fixado em R$ 73.800.000,00, por 90% das ações. Em relação a este valor o laudo é valido e suficiente. Para os 10% remanescentes, o laudo de 18 meses reflete a expectativa de rentabilidade futura na data da formação do preço, contudo não resta comprovado o pagamento do preço. No dia 28/12/2000, a Recorrente acordou a compra dos 10% restantes das ações de PLANALTÃO, de propriedade de JJPA EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA, pelo valor de R$ 9.500.000,00 (Cláusula Terceira do Contrato de fls. 2.006 a 2.016) Fl. 8569DF CARF MF Processo nº 16561.720128/201481 Resolução nº 1401000.469 S1C4T1 Fl. 8.570 20 Em 18/02/2013, o CARREFOUR apresentou cópia de página 399 do Diário Geral onde estaria registrado o pagamento referente à aquisição da primeira parcela do patrimônio do supermercado PLANALTÃO. No entanto, a pretensão de que esses documentos sirvam como prova do valor pago não se concretiza, isto porque os lançamentos contábeis não esclarecem o impacto da auditoria mencionada no item acima, passível de modificar o preço acordado. Não fica de modo algum claro qual teria sido o impacto da auditoria sobre o preço final, posto que não nos foi apresentado nenhum relatório com as conclusões do trabalho dos auditores nem tampouco qualquer comprovante de pagamento do valor da aquisição Mantenho a glosa do àgio correspondente a parte correspondente aos 10% referidos como segunda parcela remanesce, pela falta de comprovação do efetivo desembolso. Aquisição da Organização Mineira de Supermercados Ltda. Segundo a Fiscalização, não foi apresentado nenhum relatório com as conclusões do trabalho dos auditores a respeito do valor do patrimônio da adquirida nem tampouco qualquer comprovante de pagamento do valor da aquisição. Ademais, não foi apresentado o laudo contábil que deveria ter sido levantado na data da aquisição ou até trinta dias, no máximo, antes dessa data. Portanto, na pendência da necessária documentação que comprovasse tanto o valor total pago quanto o montante do ágio lançado, bem como em razão da inexistente demonstração de ser ágio proveniente da expectativa de rentabilidade futura da adquirida, não foi possível aceitar como válida a parcela da mais valia deduzida no lucro real. Na aquisição da OMS, alega a Recorrente o preço de aquisição é demonstrado por meio da Carta de Intenção, assinada em 19/05/1999 bem como os outros documentos apresentados reforçam os pagamentos efetuados bem como o processo de formação do ágio. Tal operação foi objeto de análise pelo CADE no Ato de Concentração nº JUR_SP 26802733v1 514016.370244 9 08012.006899/9914, no qual o órgão regulador concluiu pela aprovação da operação, sem quaisquer restrições. Além disso, em decisão proferida nos autos do Processo Administrativo nº 16561.720140/201224, que discute a glosa de despesas de amortização de ágio que foram deduzidas pela Recorrente no anocalendário de 2007, as DD. Autoridades Julgadoras de 1ª Instância reconheceram 100% do ágio decorrente da aquisição da OMS pela Recorrente. Informa também que o pagamento do preço foi comprovado por meio Carta de Intenção, assinada em 19.5.1999, do Contrato de Compromisso de Venda e Compra de Ações e Outras Avenças, datado de 12.7.1999, e por meio da ata societária de aumento de capital da OMS pela Belopar (sociedade do Grupo Carrefour), de 18.7.1999. Além disso, foram apresentados todos os cheques relacionados à aquisição, que atingem o exato montante de R$ 225.000.000,00. Não bastasse isso, foi apresentada também a ata de cisão da OMS, por meio da qual os vendedores se retiraram da sociedade e receberam o valor do preço a que faziam jus pela transferência da participação societária. O valor do patrimônio líquido da OMS na data da aquisição pela Belopar atingia o montante de R$ 61.000.504,15, conforme Laudo de Avaliação do acervo líquido cindido da OMS. Assim, o ágio foi suportado por laudo de avaliação preparado de acordo com a legislação tributária em vigor ao tempo dos fatos. A legislação tributária não estipula qualquer requisito no sentido de que a demonstração de suporte de ágio deve corresponder a laudo preparado por empresa terceira e especializada, elaborado ao tempo da aquisição. Ainda que Fl. 8570DF CARF MF Processo nº 16561.720128/201481 Resolução nº 1401000.469 S1C4T1 Fl. 8.571 21 referido laudo de avaliação tenha sido elaborado após a data da aquisição, a sua database e os dados utilizados como base para a avaliação estão relacionados ao tempo da aquisição. Além disso, em decisão proferida nos autos do Processo Administrativo 16561.720140/201224, que se discute a glosa de despesas de amortização de ágio foram deduzidas pela Recorrente no ano calendário 2007, no qual foi reconhecida a dedutibilidade de 100% do ágio decorrente da aqusição da OMS. Assim afasto a glosa do ágio pela presença de comprovação do efetivo desembolso. Aquisição da Consensus: Segundo a Fiscalização, não foi apresentado nenhum relatório com as conclusões do trabalho dos auditores a respeito do valor do patrimônio da adquirida nem tampouco qualquer comprovante de pagamento do valor da aquisição. Ademais, não foi apresentado o laudo contábil que deveria ter sido levantado na data da aquisição ou até trinta dias, no máximo, antes dessa data. No Termo de Verificação Fiscal, a autoridade fiscal ressalta que a contribuinte apresentou cópia de Laudo de Avaliação EconômicoFinanceiro da CONSENSUS, elaborado em janeiro de 2006. O citado relatório concluiu, com base na metodologia do fluxo de caixa descontado, que o valor de 100% do capital da empresa seria de R$ 379.479.000,00, em 30/05/2005 . Primeiro, celebrase o contrato, fixase o preço, depois, encomendase Laudo que se espera dê suporte ao fundamento econômico escolhido para o registro do ágio, em claro confronto com o disposto no § 3º do artigo 385 do RIR/99. Ressalta a autoridade fiscal que o Diário Geral registra ágio sobre estoques da CONSENSUS, no valor de R$ 13.286.000,00.e alerta que esse tipo de mais valia não pode ser confundido com ágio sobre a expectativa de rentabilidade futura, devendo ser registrado em conta própria. Conclui a autoridade fiscal que na pendência da necessária documentação que comprove tanto o valor total pago quanto o montante do ágio lançado, bem como em razão da inexistente demonstração de ser ágio proveniente da expectativa de rentabilidade futura da adquirida, não é possível aceitar como válida a parcela da mais valia deduzida no lucro real. Na aquisição da Consensus, a interessada afirma que o preço de aquisição foi demonstrado por meio do Instrumento Particular de Cessão e Transferência de Quotas e Outras Avenças, assinado em 08/06/2005 bem como os outros documentos apresentados reforçam não só os pagamentos bem como o processo de formação do ágio. Destaca a Recorrente que a operação foi objeto de análise pelo CADE no Ato de Concentração nº 08012.004692/200551, no qual o órgão regulador concluiu pela aprovação da transação sem quaisquer restrições. O pagamento do preço foi comprovado por meio do Instrumento Particular de Cessão e Transferência de Quotas e Outras Avenças, de 8.6.2005, e por meio dos lançamentos contábeis da Recorrente que evidenciam a saída do dinheiro. O ajuste de preço da aquisição, no valor de R$ 15.197.144,37 foi comprovado por meio do demonstrativo de ajuste de estoque e reclassificação de ativos imobilizados. Fl. 8571DF CARF MF Processo nº 16561.720128/201481 Resolução nº 1401000.469 S1C4T1 Fl. 8.572 22 Demonstra ela que o valor do patrimônio líquido da Consensus era de R$ 176.871.257,00, conforme balanço patrimonial datado de 15.6.2005. Foi também juntado demonstrativo de cálculo efetuado para alcançar o valor do ágio. Ágio suportado por laudo de avaliação preparado de acordo com a legislação tributária em vigor ao tempo dos fatos. Ainda que referido laudo de avaliação tenha sido elaborado após a data da aquisição, a sua database e os dados utilizados como base para a avaliação estão relacionados ao tempo da aquisição. Aquisição da LASA 5239. Na aquisição da 5239, segundo a contribuinte, o preço de aquisição foi demonstrado por meio do Contrato de Compromisso de compra e Venda de Ações, bem como os outros documentos apresentados reforçam não só os pagamentos bem como o processo de formação do ágio. No Termo de Verificação Fiscal, a autoridade fiscal ressalta que a contribuinte apresentou cópia de Laudo de Avaliação EconômicoFinanceiro da STOC, elaborado em janeiro de 31/10/1998. O citado relatório concluiu, com base na metodologia do fluxo de caixa descontado, que o valor de 100% do capital da empresa seria de U$ 285.800.000,00, o qual equivaleria a R$ 340.100.000,00 em 21/10/1998. Neste presente caso, o trabalho fiscal constatou algumas inconsistências em análise da documentação apresentada pela contribuinte, as quais merecem ser reproduzidos a seguir: Na cópia do relatório preliminar, que estaria sendo elaborado para fornecer subsídios para ampliação do prazo de amortização do saldo remanescente do ágio, consta que o CARREFOUR teria desembolsado a quantia e R$ 326.534.000,00 na aquisição, que frente ao valor dos investimentos na rede STOC, avaliado em R$ 57.777.000,00, geraria o ágio de R$ 68.757.000,00, registrado pelo CARREFOUR; Vejase, no entanto, que o montante de R$ 57.777.000,00 provavelmente se refere ao capital social da empresa e não ao valor do patrimônio líquido da sociedade adquirida, conforme se depreende do Laudo de avaliação Contábil elaborado em 29/04/1999 (fls. 1.518 a 1538), para fins de incorporação da STOC ao CARREFOUR, que foi objeto da 9ª Alteração do Contrato Social do CARREFOUR; Na hipótese de que os valores de aquisição e do patrimônio líquido a STOC refletirem a realidade, colhidos indiretamente por menção nos documentos citados nos itens anteriores, o ágio máximo que se poderia contabilizar seria de R$ 259.134.000,00. Ainda assim, a amortização estaria condicionada a demonstração de que todo o excesso pago na aquisição poderia ser atribuído à expectativa de rentabilidade dos exercícios futuros da empresa adquirida; Em 10/02/2014, foram juntadas cópias de recibos firmados pela vendedora que totalizam apenas US$ 204.437.660,40. Esse valor, convertido para reais pela taxa de câmbio fornecida pelo Banco Central do Brasil para o dia da assinatura do contrato de compra e venda (R$ 1,1756), resultaria em R$ 240.336.913,00; Fl. 8572DF CARF MF Processo nº 16561.720128/201481 Resolução nº 1401000.469 S1C4T1 Fl. 8.573 23 Na ausência de qualquer outro comprovante de pagamento, o ágio máximo admitido seria de R$ 172.936.913,00. A amortização acumulada, até o ano de 2008, alcança a quantia de R$ 234.713.000,00 e nada haveria para ser deduzido nos períodos sob análise. Conclui a autoridade fiscal que na pendência da necessária documentação que comprove tanto o valor total pago quanto o montante do ágio lançado, bem como em razão da inexistente demonstração de ser ágio proveniente da expectativa de rentabilidade futura da adquirida, não é possível aceitar como válida a parcela da mais valia deduzida no lucro real. Na defesa de seu interesse a Recorente aduz que a operação foi analisada pelo CADE, que concluiu pela aprovação da operação sem quaisquer restrições, conforme Ato de Concentração nº 08012.008782/9867. O pagamento do preço de aquisição da 5239 pelo Grupo Carrefour foi comprovado pelo Contrato de Compromisso de Compra e Venda de Ações e Outras Avenças, pelo laudo de rentabilidade futura citado pela D. Fiscalização, demonstrando que o valor pago foi de R$ 326.534.000,00, e pelos contratos de depósito e recibos. O valor do patrimônio líquido da 5239 era de R$ 59.955.000,00, conforme o Laudo de Avaliação preparado para fins de contribuição dos bens das Lojas Americanas em aumento de capital da sociedade. Assim, o ágio suportado por laudo de avaliação preparado de acordo com a legislação tributária em vigor ao tempo dos fatos. Aquisição CRL Segundo a Fiscalização, não foi apresentado nenhum relatório com as conclusões do trabalho dos auditores a respeito do valor do patrimônio da adquirida nem tampouco qualquer comprovante de pagamento do valor da aquisição. Ademais, não foi apresentado o laudo contábil que deveria ter sido levantado na data da aquisição ou até trinta dias, no máximo, antes dessa data. Ressalta a autoridade fiscal que o CARREFOUR apresentou cópia de Laudo de Avaliação Econômico Financeiro da CRL, elaborado em 30/07/1999. Esse relatório concluiu, com base na metodologia do fluxo de caixa descontado, que o valor de 100% do capital da empresa seria de R$ 92.776.000,00, em 30/06/1999. Primeiro, celebrase o contrato, fixase o preço, depois, encomendase Laudo que se espera dê suporte ao fundamento econômico escolhido para o registro do ágio, em claro confronto com o disposto no § 3º do artigo 385 do RIR/99. Portanto, na pendência da necessária documentação que comprovasse tanto o valor total pago quanto o montante do ágio lançado, bem como em razão da inexistente demonstração de ser ágio proveniente da expectativa de rentabilidade futura da adquirida, não foi possível aceitar como válida a parcela da mais valia deduzida no lucro real. Na aquisição da CRL, afirma a interessada que o preço de aquisição foi demonstrado por meio do Instrumento Particular de Compromisso de Compra e Venda Condicional de Novas Ações, assinada em 02/07/1999 bem como os outros documentos apresentados reforçam não só os pagamentos bem como o processo de formação do ágio, a operação foi objeto de análise pelo CADE no Ato de Concentração nº 08012.006526/9915, concluindo pela aprovação da transação, sem quaisquer restrições. O pagamento do preço de aquisição foi demonstrado por meio do Instrumento Particular de Compromisso de Compra e Fl. 8573DF CARF MF Processo nº 16561.720128/201481 Resolução nº 1401000.469 S1C4T1 Fl. 8.574 24 Venda Condicional de Novas Ações e Outras Avenças, de 2.7.1999, e por meio da ata societária de aumento de capital da sociedade pela Saintpar, de 2.8.1999. Demonstra também que o pagamento também foi evidenciado pela ata de cisão da CRL, na qual houve a retirada dos vendedores e o recebimento do preço acordado contratualmente. O valor de patrimônio líquido da CRL era de R$ 30.636.000,00, conforme Protocolo e Justificação de Cisão Parcial da CRL que estabeleceu que a parcela remanescente do patrimônio da CRL após a cisão passou a ser de R$ 30.636.000,00. Desta forma, o ágio suportado por laudo de avaliação preparado de acordo com a legislação tributária em vigor ao tempo dos fatos. Mais uma vez, a Recorrente esclarece que a legislação tributária não estipula qualquer requisito no sentido de que a demonstração de suporte de ágio deve corresponder a laudo preparado por empresa terceira e especializada, elaborado ao tempo da aquisição. Essa exigência não se encontra no artigo 385, §3º, do RIR/99, ao contrário do que foi afirmado na r. Decisão recorrida. A contribuinte apresentou a mesma documentação já analisada pela Fiscalização (fls.6.415/6.685) não havendo a comprovação dos pagamentos efetuados nas transações bem como não foi apresentado laudo contábil que deveria ter sido levantado na data da aquisição ou até trinta dias, no máximo, conforme já solicitado pela autoridade fiscal. Mantenho a glosa do ágio pela falta de comprovação do efetivo desembolso, pois o contrato prevê hipótese de ajustes no preço acertado, a depender de futura auditoria a ser realizada, sendo que não há notícia do resultado dessa auditoria, e nem comprovante dos valores efetivamente desembolsados. Aquisição RDC Segundo a Fiscalização, o documento apresentado pela interessada (Compromisso de Aquisição de Participação Societária e Outras Avenças firmado em 04/12/1999) a cláusula 4.1 do Contrato, estipulou que parte do preço total a ser pago pela aquisição estava vinculada a evento futuro, que dependia da apuração do faturamento de algumas lojas. Somemse a isso as previsões dispostas na seção nº 4 do Contrato, que estipulam que o preço a ser pago poderia também ser alvo de ajustes, a depender da conclusão de auditorias a serem realizadas para avaliar o patrimônio que estava sendo adquirido. A autoridade fiscal faz em seu TVF menção à apresentação da documentação apresentada no curso da fiscalização entre eles o quadro demonstrativo dos valores que, na data do fechamento, teriam sido disponibilizados pela BREPA aos exproprietários do RDC equivalente a R$ 664.837.252,00, R$ 175.000.000,00 liberados aos vendedores e o restante depositado em contas bloqueadas (fl. 1.207) e recibos que totalizam R$ 13.101.000,00, referentes a reembolsos feitos pelos antigos sócios da empresa adquirida em virtude de ajustes apurados pelo confronto entre o faturamento estimado e o realizado em algumas das lojas que compunham o acervo transacionado (fls.1.226 a 1.230). Neste caso, não foi apresentado nenhum relatório com as conclusões do trabalho dos auditores a respeito dos valores e das quantidades dos ativos que seriam transferidos e também para apuração de diferença entre saldos dos valores do ativo circulante mais realizável a longo prazo, inclusive estoque, e dos valores do passivo circulante mais exigível a longo prazo, nos termos da cláusula 3.4.2 do Contrato. Fl. 8574DF CARF MF Processo nº 16561.720128/201481 Resolução nº 1401000.469 S1C4T1 Fl. 8.575 25 Ademais, não foi apresentado o laudo contábil que deveria ter sido levantado na data da aquisição ou até trinta dias, no máximo, antes dessa data. Ressalta a autoridade fiscal que o CARREFOUR apresentou cópia de Laudo de Avaliação Econômico Financeiro da RDC, elaborado em 21/01/2000. Esse relatório concluiu, com base na metodologia do fluxo de caixa descontado, que o valor do capital da empresa seria de R$ 688.038.000,00. A autoridade fiscal verificou que não consta entre as declarações de imposto de renda do RDC apresentadas no período nenhuma menção a qualquer outro evento societário, dentre os previstos no artigo 386 do RIR/99, que autorizem a amortização do ágio. Frisa a Fiscalização que na pendência da necessária documentação que comprove tanto o valor total pago quanto o montante do ágio lançado, bem como em razão da inexistente demonstração de ser o ágio proveniente da expectativa de rentabilidade futura da adquirida, é motivo suficiente para não aceitar como válida a parcela da mais valia deduzida no lucro real. Concluiu a autoridade fiscal ser inadmissível a amortização do ágio registrado na apuração do lucro real, mormente a pendência de comprovação tanto em relação ao seu montante quanto ao seu correto enquadramento em um dos fundamentos ditados no § 2º do artigo 385 do Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99,cuja matriz legal é o § 2º do artigo 20 do Decretolei nº 1.598/77. Por seu lado, na aquisição da RDC, a Recorrente diz que o preço de aquisição foi demonstrado pelo pagamento efetuado pela Brepa bem como os outros documentos apresentados reforçam não só os pagamentos bem como o processo de formação do ágio. Cabe destacar que a maioria das lojas da RDC foram fechadas devendo as parcelas dos fundos de comércio ou ágio ser baixadas como perdas dedutíveis. A operação foi objeto de análise pelo CADE no Ato de Concentração nº 08012.008326/9999, concluindo pela sua aprovação, sem quaisquer restrições. Além disso, a decisão proferida nos autos do Processo Administrativo nº 16561.720140/201224, que discute a glosa de despesas de amortização de ágio que foram deduzidas pela Recorrente no anocalendário de 2007, as DD. Autoridades Julgadoras de 1ª Instância reconheceram o ágio decorrente da aquisição da RDC pelo Grupo Carrefour. O pagamento do preço de aquisição foi demonstrado por meio do Compromisso de Aquisição Societária e Outras Avenças e por meio dos recibos e contratos de depósito do total do preço. O valor de patrimônio líquido da RDC era de R$ 3.399.000,00, identificado por meio dos Laudos de Avaliação das parcelas que foram cindidas da Rainha, Dallas e Continente para fins de incorporação ao patrimônio da RDC, em momento anterior à transferência das quotas da sociedade para o Grupo Carrefour. Além disso, foi comprovada e demonstrada a forma como o valor total do ativo diferido, antes registrado na RDC, foi transferido para a Recorrente: (i) duas cisões da RDC, com posterior incorporação da parcela cindida na Recorrente, em que houve transferência de R$ 199.718.715,40 do ativo diferido (soma da primeira cisão, no valor de R$ 112.331.958,50, com a segunda cisão no valor de R$ 87.386.756,91) e (ii) a venda dos estabelecimentos Fl. 8575DF CARF MF Processo nº 16561.720128/201481 Resolução nº 1401000.469 S1C4T1 Fl. 8.576 26 anteriormente operados pela RDC à Recorrente, na qual foi transferida parcela de R$ 427.834.125,32 do ativo diferido, acrescido do JUR_SP 26802733v1 514016.370244 12 valor de R$ 5.801.877,60 que corresponde ao custo adicional que a Recorrente teve para assumir o ativo diferido no âmbito da aquisição dos estabelecimentos. Assim, o ágio teria sido suportado por laudo de avaliação preparado de acordo com a legislação tributária em vigor ao tempo dos fatos. Além disso, a Recorrente destaca que a parcela de ágio no valor de R$ 20.766.411,27 foi alocada para a maisvalia dos bens do ativo da RDC. Mantenho parcialmente a glosa do ágio pela falta de comprovação do total do efetivo desembolso, pois o contrato prevê hipótese de ajustes no preço acertado, a depender de futura auditoria a ser realizada, sendo que não há notícia do resultado dessa auditoria, e nem comprovante dos valores efetivamente desembolsados. Anoto que a autoridade fiscal faz em seu Termo de Encerramento e Constatação menção à apresentação da documentação apresentada no curso da fiscalização entre eles o quadro demonstrativo dos valores que, na data do fechamento, teriam sido disponibilizados pela BREPA aos exproprietários do RDC equivalente a R$ 664.837.252,00, R$ 175.000.000,00 liberados aos vendedores e o restante depositado em contas bloqueadas. Foram encontrados recibos que totalizam R$ 13.101.000,00, referentes a reembolsos feitos pelos antigos sócios da empresa adquirida em virtude de ajustes apurados pelo confronto entre o faturamento estimado e o realizado em algumas das lojas que compunham o acervo transacionado (fls.1.226 a 1.230). Consta nos autos que a Recorrente firmou, em 04/12/1999, o Compromisso de Aquisição de Participação Societária e Outras Avenças para a aquisição de todas as cotas de RDC SUPERMERCADOS LTDA. No dia 21/01/2000, data do “closing”, momento no qual se transfeririam as quotas, o CARREFOUR indicou sua controladora, BREPA COMÉRCIO E PARTICIPAÇÃO LTDA, como sucessora de seus direitos e obrigações criados por meio do Contrato. Foi nos fornecida cópia do Laudo EconômicoFinanceiro, que concluiu, com base no método do fluxo de caixa descontado, que o valor econômico do RDC era, em 21/01/2000, de R$ 688.038.000,00. Desta forma equivocouse a DRJ ao manter a glosa de 100% quando deveria ter glosado apenas a diferença, vez que considerase comprovado o ágio de 622.552.841,73 Aquisição Elysee Na aquisição da Elysee (Supermercados Gimenes), o preço de aquisição, segundo a Recorrente, foi demonstrado por meio do Instrumento Particular de Cessão e Transferência de Quotas e Outras Avenças, bem como os outros documentos apresentados reforçam não só os pagamentos bem como o processo de formação do ágio. No referido instrumento, o pagamento do preço restaria demonstrado pelo Instrumento Particular de Cessão e Transferência de Quotas e Outras Avenças, pela proposta para aquisição judicial de 22 (vinte e duas) filiais, apresentada junto com a Nações Unidas, e Fl. 8576DF CARF MF Processo nº 16561.720128/201481 Resolução nº 1401000.469 S1C4T1 Fl. 8.577 27 pelos comprovantes de pagamento. Após os ajustes realizados, o preço efetivamente pago pela Recorrente pela aquisição da sociedade Elysee foi de R$ 54.997.452,12. Segundo informação prestada pelo CARREFOUR, o ágio que vem sendo amortizado teve como fundamento econômico a rentabilidade prevista em exercícios futuros da adquirida, conforme previsto no § 2º, do inciso II, do art. 385, do RIR/99. Não nos foi fornecido, no entanto, nenhum demonstrativo de que demonstre e comprove que todo o ágio foi pago em razão de expectativa de rentabilidade futura da adquirida. Diante disso, concluiu a autoridade fiscal que na pendência da necessária documentação que comprove tanto o valor total pago quanto o montante do ágio lançado, bem como em razão da inexistente demonstração de ser o ágio proveniente da expectativa de rentabilidade futura da adquirida, não é possível aceitar como válida a parcela da mais valia deduzida no lucro real. Ágio suportado por laudo de avaliação preparado de acordo com a legislação tributária em vigor ao tempo dos fatos Mantenho a glosa do ágio pela falta de comprovação do efetivo desembolso, pois o contrato prevê hipótese de ajustes no preço acertado, a depender de futura auditoria a ser realizada, sendo que não há notícia do resultado dessa auditoria, e nem comprovante dos valores efetivamente desembolsados. Dessa forma, mantémse a glosa, conforme proposto pela autoridade fiscal. Aquisição Rede ZAP Na aquisição da Rede ZAP, o preço de aquisição, segundo a Recorrente, foi demonstrado por meio do Instrumento Particular de Cessão e Transferência de Quotas e Outras Avencas bem como os outros documentos apresentados reforçam não só os pagamentos bem como o processo de formação do ágio. A operação foi objeto de análise pelo CADE no Ato de Concentração nº 08012.005888/200813, concluindo pela sua aprovação, sem quaisquer restrições. Após todos os ajustes decorrentes da negociação, o preço efetivamente pago pela Recorrente foi de $ 24.517.182,09 e o valor de patrimônio líquido das 12 (doze) empresas da Rede ZAP, na data da aquisição pela Recorrente, era negativo em R$ 12.157.495,55, conforme balanço patrimonial datado de 30.7.2009. A autoridade fiscal constatou que, segundo informação prestada pelo CARREFOUR, o ágio que vem sendo amortizado teve como fundamento econômico a rentabilidade prevista em exercícios futuros da adquirida, conforme previsto no § 2º, do inciso II, do art. 385, do RIR/99. Não nos foi fornecido, no entanto, nenhum demonstrativo de que demonstre e comprove que todo o ágio foi pago em razão de expectativa de rentabilidade futura da adquirida. Conclui a autoridade fiscal que na pendência da necessária documentação que comprove tanto o valor total pago quanto o montante do ágio lançado, bem como em razão da inexistente demonstração de ser ágio proveniente da expectativa de rentabilidade futura da adquirida, não é possível aceitar como válida a parcela da mais valia deduzida no lucro real. Ágio suportado por laudo de avaliação preparado de acordo com a legislação tributária em vigor ao tempo dos fatos. Fl. 8577DF CARF MF Processo nº 16561.720128/201481 Resolução nº 1401000.469 S1C4T1 Fl. 8.578 28 A contribuinte apresentou a mesma documentação já analisada pela Fiscalização (fls.7.790/ 8.287) não havendo apresentação do laudo contábil que deveria ter sido levantado na data da aquisição ou até trinta dias, no máximo, conforme já solicitado pela autoridade fiscal. Mantenho a glosa do ágio pela falta de comprovação do efetivo desembolso, pois o contrato prevê hipótese de ajustes no preço acertado, a depender de futura auditoria a ser realizada, sendo que não há notícia do resultado dessa auditoria, e nem comprovante dos valores efetivamente desembolsados. Juros sobre multa de ofício Como é sabido, a multa de ofício, ex vi art. 44 da Lei nº 9.430/96, deverá incidir sobre o crédito tributário não pago (diferença entre o tributo devido e o recolhido). A partir da leitura do Código Tributário Nacional, concluise que a multa, apesar de não ter a natureza de tributo, faz parte do crédito tributário. É a inteligência dos artigos 3º e 113 do CTN, conjugado com art. 139 que assim dispõe “O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta” Ou seja, enquanto o art. 3° exclui as multas da definição de tributo, os dispositivos seguintes (art. 113, §1°, e art. 139) trazemnas para compor o crédito tributário. Por conseguinte, a cobrança das multas lançadas de ofício deve receber o mesmo tratamento dispensado pelo CTN ao crédito tributário. Por sua vez, o art. 161 do Código Tributário Nacional dispõe que os juros de mora passam a integrar o crédito tributário não pago, de forma a que a incidência da multa alcança tanto o crédito tributário principal quanto os juros de mora sobre ele incidentes. Em resumo, é cabível a aplicação de juros de mora sobre multa de ofício, pois a teor do art. 161 do Código Tributário Nacional sobre o crédito tributário não pago correm juros de mora, como a multa de ofício também constitui o crédito tributário sobre ela também necessariamente incide os juros de mora na medida em que também não é paga no vencimento. Assim, não procede o argumento no sentido de afirmar que apenas a partir da existência do parágrafo único do art. 43 da Lei nº 9.430/96 é que poderá incidir juros de mora sobre a multa aplicada. Ora, tal previsão diz respeito à aplicação de multa isolada sem crédito tributário. Assim, a teleologia de tal dispositivo legal vem a reboque de se ratificar a incidência dos juros sobre a multa que não toma como base de incidência valores de crédito tributário sujeitos à incidência ordinária da multa de ofício. Assim, mantenho os juros sobre a multa de ofício. Juros Selic No que se refere aos juros de mora, a questão resta pacificada pela Súmula CARFnº 4, segundo a qual "A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais". Confisco e Multa de Ofício. Fl. 8578DF CARF MF Processo nº 16561.720128/201481 Resolução nº 1401000.469 S1C4T1 Fl. 8.579 29 A multa de ofício foi aplicada por ter sido constatada, pela fiscalização, indedutibilidade das despesas a amortização ágio por permuta de ativos, sendo o montante da penalidade aplicado sobre o valor apurado dos tributos, nos termos do artigo 44, I, da Lei nº 9.430/96. Ademais, em relação a questões relacionadas a constitucionalidade do instituto, vale lembrar o conteúdo da Súmula CARF n. 2, segundo a qual: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Mantenho a multa de ofício em 75%. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário para afastar as preliminares e no mérito DAR PARCIAL PROVIMENTO para afastar a glosa dos valores referidos às operações de aquisição das empresas Supermercado Planaltão (comprovado 73.800.000,00), OMS (comprovado em R$ 225.000.000,00), RDC (comprovado o ágio de R$ 622.552.841,73). É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Fl. 8579DF CARF MF Processo nº 16561.720128/201481 Resolução nº 1401000.469 S1C4T1 Fl. 8.580 30 Voto Vencedor Conselheira Livia De Carli Germano Redatora Designada Tratase de auto de infração que glosa as despesas relativas à amortização de ágio nos anos de 2009 a 2012. Observo que os mesmos ágios (mesmas operações societárias) relativos aos anoscalendário de 2007 e 2008 foram objeto do processo 16561.720.140/2012 24, já julgado por outra turma deste CARF nos termos do acórdão 1402002.144. Conforme relatado, os argumentos utilizados no Termo de Verificação Fiscal para a glosa dos ágios objeto do presente processo são, basicamente: (i) inidoneidade do laudo de avaliação do investimento em alguns casos por ausência de laudo, em outros porque o documento foi elaborado após a operação e em outros ainda porque o fundamento de rentabilidade futura deveria ser residual; e (ii) ausência da comprovação do pagamento aos vendedores. Quanto ao fundamento de que o fundamento em rentabilidade futura deve ser residual comum a todos os casos em que a contribuinte apresentou o demonstrativo entendo que este deve ser superado eis que não procede. A legislação não traz qualquer exigência de que a classificação sob o fundamento econômico citado na letra “b”, do § 2º, do DL 1.598/77 (rentabilidade futura) seja residual aos fundamentos constantes das letras “a” e “c”. Na verdade, tal exigência só veio a existir com a publicação da Lei n. 12.973/2014. É verdade que renomados autores na doutrina contábil sempre entenderam que a classificação sob o fundamento de rentabilidade deveria ser residual. Mas tanto a norma não estabelecia tal exigência que esta era uma das críticas que tais autores faziam a ela crítica esta que só veio a ser positivada juridicamente em 2014, e que portanto não era de observância obrigatória por parte dos contribuintes antes disso. A própria Receita Federal reconheceu que, antes da edição da Medida Provisória nº 627/2013 (convertida na Lei nº 12.973/2014), os fundamentos para justificar o ágio não eram sobrepostos, mas sim excludentes entre si. Vejase neste sentido trechos da Solução de Consulta Cosit nº 3/2016: 62. Relativamente aos fundamentos econômicos do ágio apurado na aquisição de participação societária, considerando a legislação fiscal anterior às alterações trazidas pela Medida Provisória nº 627, de 2013, convertida na Lei nº 12.973, de 2014, esses estão exaustivamente relacionados no § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, já transcrito acima. Em síntese, o adquirente da participação societária, que paga um preço superior ao valor do patrimônio líquido à época da aquisição deve justificar e comprovar esse ágio com base em três fundamentos, a saber: a) diferença entre o valor de mercado de bens do ativo da investida e seu valor contábil; b) expectativa de rentabilidade futura; Fl. 8580DF CARF MF Processo nº 16561.720128/201481 Resolução nº 1401000.469 S1C4T1 Fl. 8.581 31 c) fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. 63. A legislação não determina uma ordem a ser seguida, mas a interpretação literal do texto legal permite concluir que esses três fundamentos não são sobrepostos entre si, ao contrário, são excludentes entre si. Luis Eduardo Schoueri trata dessa questão, ao analisar os incisos do § 2º do art. 385 do RIR/1999: Em síntese, enquanto nas hipóteses dos incisos I e III se procura avaliar, exclusivamente, o investimento por conta de seus ativos (contabilizados ou não), o inciso II busca antecipar os lucros a serem gerados pelo empreendimento, remunerando o vendedor. Nos primeiros, o comprador paga o preço por algo que ele recebe, no ato; no último caso, o preço contempla algo que se espera venha a ser concretizado. (Schoueri, Luís Eduardo. Ágio em reorganizações societárias (aspectos tributários). São Paulo, Dialética, 2012. p.27.) 64. Desta forma, não cabe o entendimento da Consulente de que a fundamentação do ágio é de livre escolha do contribuinte. Ademais, a “alocação” dependerá do demonstrativo a que se refere o § 3º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, o qual deve apontar as verdadeiras razões que justificam o pagamento do ágio pelo Comprador. 65. Nesse mesmo sentido discorre Heleno Taveira Torres: Esta eleição do fundamento econômico, como se pode dessumir, não é uma faculdade do investidor, uma liberalidade. Tratase de uma evidente obrigação imputada ao titular do ágio, pelo § 2º, do art. 20, do Decretolei nº 1.598/77. Não basta, porém, indicar o fundamento econômico que motivou o surgimento do ágio. Imperioso será a sua demonstração por provas cabais da sua verificação. Necessário demonstrar, mediante provas coerentes e adequadas, a justificativa daquele que fora indicado. E a importância desta opção é inequívoca, pois, como bem observa Edmar Oliveira, "determinará o regime contábil e tributário a que aquela parcela (o ágio) será submetida, entre os diversos regimes existentes” (Torres, Heleno Taveira. O ágio fundamentado por rentabilidade futura e suas repercussões tributárias. Em: http://www.fiscosoft.com.br/a/5wy8/oagiofundamentadopor rentabilidadefuturaesuasrepercussoestributariasheleno taveiratorres. Acesso em: 24/04/2015) Quanto aos demais fundamentos, passo a analisar brevemente cada ágio, a fim de contextualizar as diligências solicitadas: OMS No caso da OMS o laudo/demonstrativo foi apresentado e é contemporâneo à operação. Fl. 8581DF CARF MF Processo nº 16561.720128/201481 Resolução nº 1401000.469 S1C4T1 Fl. 8.582 32 De fato, o Contrato de Compromisso de Compra e Venda de Ações e Outras Avenças, firmado em 12/07/1999, estabelece que o preço a ser pago pela aquisição foi fixado em R$ 225.000.000,00, por 100% das ações. O Laudo de Avaliação EconômicoFinanceira da OMS, de 18/07/1999, conclui, com base na metodologia do fluxo de caixa descontado, que o valor de 100% do capital da empresa seria de R$ 227.859.000,00, em 30/06/1999 (fl. 2.897). Não obstante o laudo tenha sido elaborado 6 dias após a assinatura do contrato, o fechamento da operação e o respectivo pagamento dos valores ocorreu após a emissão do laudo, em 19/07/1999. Neste caso, podese considerar o laudo como contemporâneo à operação já que, nos termos da legislação aplicável, o demonstrativo/laudo tem por objetivo comprovar a escrituração (art. 20 § 3o do DecretoLei 1.598/1977, em sua redação original) e esta só ocorre quando do fechamento da operação. Quanto à prova do pagamento, a Recorrente apresentou cópia de 4 cheques emitidos em favor de OMS, totalizando o valor de R$ 225.000.000,00, no entanto os cheques nos valores de R$ 42.000.000,00 e R$ 10.000.000,00 foram depositados em conta bloqueada, a serem liberados depois de satisfeitas determinadas condições contratuais, a teor do disposto nas cláusulas 3.1.1 e 3.1.3 do Contrato de Compra e Venda das Ações e a exemplo do contrato de depósito de fls. (fls. 997 a 1.005). Diante disso, o TVF conclui que a pretensão de que tais cheques comprovem o pagamento do preço não se concretiza. De fato, quanto aos valores depositados em contas bloqueadas, estes não podem ser considerados como preço final do negócio, estando pendente de comprovação se realmente foram levantados pelos vendedores ou se retornaram ao adquirente. Esta conclusão também vai ao encontro do entendimento da Receita Federal manifestado na Solução de Consulta Cosit nº 3/2016 que, após citar os artigos 481 e 487 do Código Civil, resume: "41. Em síntese, o preço de aquisição da participação societária não restou determinado no contrato apresentado pela Consulente, pois, em razão das diversas condições estipuladas no texto, é possível que o montante total a ser pago pelo Comprador seja ajustado para mais ou para menos, a depender de eventos futuros e incertos. Contudo, os valores já transferidos aos Vendedores correspondem a pagamento do preço acordado entre as partes, caracterizandose, desta forma, como custo de aquisição da participação societária para fins de apuração do ágio verificado no negócio celebrado pela Consulente. E, contrario sensu, os valores devolvidos pelos Vendedores representam redução desse custo de aquisição. Por óbvio, essas alterações influenciarão a apuração do ágio na transação, o que será melhor visto a seguir." A Recorrente, embora solicitada ainda por ocasião da fiscalização, não fez prova do ajuste de preço previsto no contrato. Neste sentido, quanto ao valor depositado em conta de bloqueada, sua natureza de preço efetivamente pago não resta comprovada. A conclusão acima resultaria em alteração no valor do ágio, como resultado reflexo de se considerar um valor menor de preço pago no caso, poderia ser considerado como preço pago pela OMS não os R$225.000.000,00, mas apenas o valor final do negócio, isto é, o valor entregue aos vendedores não depositado em conta bloqueada, de 173.000.000,00, mais (eventualmente) o valor depositado em conta bloqueada que foi efetivamente levantado pelos vendedores, se aceita tal prova posterior. Fl. 8582DF CARF MF Processo nº 16561.720128/201481 Resolução nº 1401000.469 S1C4T1 Fl. 8.583 33 Todavia, a partir das informações constantes dos autos não é possível dizer qual seria o valor da glosa para os anos de 2009 a 2012 considerando tais parâmetros, seja pela falta da informação quanto aos valores das contas bloqueadas que foram levantados pelos vendedores, seja pela ausência de informação completa quanto aos critérios utilizados para o cálculo do ágio glosado, já que a glosa foi integral. Neste sentido, após deliberar sobre o tema a Turma resolveu baixar o processo em diligência para, no caso do ágio referente à OMS: (i) intimar a Recorrente a apresentar prova do valor depositado em conta bloqueada que foi efetivamente entregue aos vendedores da OMS e indicar os motivos pelos quais tal documento não foi apresentado por ocasião da fiscalização; (ii) recalcular o valor da glosa para cada anocalendário (2009 a 2012) considerando como preço pago o valor de R$173.000.000,00, indicando os critérios adotados para este cálculo, ou seja, informando (a) o valor do investimento (valor de patrimônio líquido), (b) o valor do ágio (diferença entre preço pago e o valor em "a"); (c) o prazo de amortização utilizado; e (d) a data de início de amortização considerada. Da mesma forma, resolveuse aplicar o raciocínio acima aos demais casos em que a despesa de amortização de ágio pode ser considerada não dedutível por ausência de pagamento, conforme se explica abaixo. RDC No caso do ágio RDC, o demonstrativo existe e é contemporâneo à operação. O Compromisso de Aquisição de Participação Societária e Outras Avenças para a aquisição de todas as cotas de RDC SUPERMERCADOS LTDA foi firmado em 04/12/1999 e o fechamento da operação e efetiva transferência das quotas ocorreu em 21/01/2000. Nesta mesma data foi elaborado o Laudo EconômicoFinanceiro, que concluiu, com base no método do fluxo de caixa descontado, que o valor econômico do RDC era de R$ 688.038.000,00. Já quanto à prova do pagamento, à fl. 2107 há quadro demonstrativo dos valores que, na data do fechamento, teriam sido disponibilizados aos vendedores do RDC. Ali consta que do valor total, equivalente a R$ 664.837.252,00, R$175.000.000,00 foram liberados aos vendedores e o restante depositado em contas bloqueadas. Diante disso, no caso do ágio referente à RDC a diligência servirá para: (i) intimar a Recorrente a apresentar prova do valor depositado em conta bloqueada que foi efetivamente entregue aos vendedores da RDC e indicar os motivos pelos quais tal documento não foi apresentado por ocasião da fiscalização; (ii) recalcular o valor da glosa para cada anocalendário (2009 a 2012) considerando como preço pago o valor de R$175.000.000,00, indicando os critérios adotados para este cálculo, ou seja, informando (a) o valor do investimento (valor de patrimônio líquido), (b) o valor do ágio (diferença entre preço pago e o valor Fl. 8583DF CARF MF Processo nº 16561.720128/201481 Resolução nº 1401000.469 S1C4T1 Fl. 8.584 34 em "a"); (c) o prazo de amortização utilizado; e (d) a data de início de amortização considerada. Supermercados Planaltão No caso dos Supermercados Planaltão, o demonstrativo existe e é contemporâneo à operação, pelo menos em parte, já que esta foi realizada em duas etapas. O Contrato de Aquisição de Participação Acionária e Outras Avenças, firmado em 13/05/1999, fixa o preço a ser pago pela aquisição de 90% das ações em R$73.800.000,00. O Laudo de Avaliação EconômicoFinanceiro da PLANALTÃO, elaborado em maio de 1999, concluiu, com base na metodologia do fluxo de caixa descontado, que o valor de 100% do capital da empresa seria de R$ 82.100.000,00, em 31/12/1998. No dia 28/12/2000, a Recorrente acordou a compra dos 10% restantes das ações de PLANALTÃO, pelo valor de R$ 9.500.000,00 (Cláusula Terceira do Contrato de fls. 2.006 a 2.016). Quanto à prova do pagamento, a Recorrente apresentou, além dos respectivos contratos de compra e venda, cópia de página 399 do Diário Geral onde estaria registrado o pagamento referente à aquisição da primeira parcela do patrimônio do supermercado PLANALTÃO, bem como a ata de aumento de capital da sociedade de 31 de maio de 1999. O TVF considerou que "a pretensão de que esses documentos sirvam como prova do valor pago não se concretiza, isto porque os lançamentos contábeis não esclarecem o impacto da auditoria mencionada no item acima, passível de modificar o preço acordado. (...) 38. Não fica de modo algum claro qual teria sido o impacto da auditoria sobre o preço final, posto que não nos foi apresentado nenhum relatório com as conclusões do trabalho dos auditores nem tampouco qualquer comprovante de pagamento do valor da aquisição." Diante disso, no caso do ágio referente ao Supermercados Planaltão a diligência servirá para: (i) intimar a Recorrente a apresentar prova do preço final efetivamente pago aos vendedores, após os ajustes de preço previstos nos respectivos contratos, bem como indicar os motivos pelos quais tal documento não foi apresentado por ocasião da fiscalização; (ii) recalcular o valor da glosa para cada anocalendário (2009 a 2012) considerando como preço pago o valor de R$73.800.000,00, indicando os critérios adotados para este cálculo, ou seja, informando (a) o valor do investimento (valor de patrimônio líquido), (b) o valor do ágio (diferença entre preço pago e o valor em "a"); (c) o prazo de amortização utilizado; e (d) a data de início de amortização considerada. Consensus Fl. 8584DF CARF MF Processo nº 16561.720128/201481 Resolução nº 1401000.469 S1C4T1 Fl. 8.585 35 Na aquisição da Consensus o demonstrativo existe mas é posterior inclusive ao fechamento da operação. O Instrumento Particular de Cessão e Transferência de Quotas e Outras Avenças, firmado em 08/06/2005, estabelece que o preço a ser pago pela aquisição foi fixado em R$ 317.000.000,00, por 100% das ações. O fechamento da operação ocorreu em 15/06/2005. O Laudo de Avaliação EconômicoFinanceira da CONSENSUS, elaborado apenas em 25/01/2006, concluiu, com base na metodologia do fluxo de caixa descontado, que o valor de 100% do capital da empresa seria de R$ 379.479.000,00 em 30/05/2005. Diante disso, no caso do ágio referente à Consensus a diligência servirá para: (i) intimar a Recorrente a apresentar prova do preço final efetivamente pago aos vendedores, após os ajustes de preço previstos no respectivo contrato, bem como indicar os motivos pelos quais tal documento não foi apresentado por ocasião da fiscalização; (ii) recalcular o valor da glosa para cada anocalendário (2009 a 2012) considerando como preço pago o valor trazido na resposta do item (i) imediatamente acima, indicando os critérios adotados para este cálculo, ou seja, informando (a) o valor do investimento (valor de patrimônio líquido), (b) o valor do ágio (diferença entre preço pago e o valor em "a"); (c) o prazo de amortização utilizado; e (d) a data de início de amortização considerada. 5239/STOC No caso da 5239/STOC o demonstrativo existe mas é posterior inclusive ao fechamento da operação. O Contrato de Compromisso de Compra e Venda de Ações e Outras Avenças, firmado em 19/08/1998, entre LASA TRADING S/A, pessoa jurídica brasileira, e COMPTOIRS MODERNES S/A, sociedade francesa, estabelece que o preço a ser pago pela aquisição foi fixado em US$ 260.000.000,00, por 100% das ações. O Laudo de Avaliação EconômicoFinanceira da STOC, elaborado em 31/10/1998, concluiu, com base na metodologia do fluxo de caixa descontado, que o valor de 100% do capital da empresa seria de US$ 285.800.000,00, que equivaleria a R$ 340.100.000,00 em 21/10/1998. O fechamento da operação, com o depósito dos valores em questão ocorreu em 21/10/1998. Quanto à prova dos pagamentos, a Recorrente apresentou cópias de recibos firmados pela vendedora que totalizam apenas US$ 204.437.660,40. Esse valor, convertido para reais pela taxa de câmbio fornecida pelo Banco Central do Brasil para o dia da assinatura do contrato de compra e venda (R$ 1,1756), resultaria em R$ 240.336.913,00. Assim, o TVF conclui que "74 Na ausência de qualquer outro comprovante de pagamento, o ágio máximo admitido seria de R$ 172.936.913,00. A amortização acumulada, até o ano de 2008, alcança a quantia de R$ 234.713.000,00 e nada haveria para ser deduzido nos períodos sob análise." Diante disso, no caso do ágio referente à 5239/STOC a diligência servirá para: (i) intimar a Recorrente a apresentar prova do preço final efetivamente pago aos vendedores, após os ajustes de preço previstos no respectivo contrato, bem como Fl. 8585DF CARF MF Processo nº 16561.720128/201481 Resolução nº 1401000.469 S1C4T1 Fl. 8.586 36 indicar os motivos pelos quais tal documento não foi apresentado por ocasião da fiscalização; (ii) recalcular o valor da glosa para cada anocalendário (2009 a 2012) considerando como preço pago o valor de R$240.336.913,00, indicando os critérios adotados para este cálculo, ou seja, informando (a) o valor do investimento (valor de patrimônio líquido), (b) o valor do ágio (diferença entre preço pago e o valor em "a"); e (c) o prazo de amortização utilizado; e (d) a data de início de amortização considerada. CRL No caso da CRL o demonstrativo existe e é contemporâneo à operação. O Instrumento Particular de Compromisso de Compra e Venda Condicional de Novas Ações e Outras Avenças, firmado em 02/07/1999, estabelece que o preço a ser pago pela aquisição foi fixado em R$ 90.000.000,00, por 100% das ações. O Laudo de Avaliação Econômico Financeira da CRL, elaborado em 30/07/1999, concluiu, com base na metodologia do fluxo de caixa descontado, que o valor de 100% do capital da empresa seria de R$ 92.776.000,00, em 30/06/1999. O fechamento ocorreu em 2/08/1999 quando ocorreu a subscrição de capital da CRL pela SaintPar. Diante disso, no caso do ágio referente à CRL a diligência servirá para: (i) intimar a Recorrente a apresentar prova do preço final efetivamente pago aos vendedores, após os ajustes de preço previstos no respectivo contrato, bem como indicar os motivos pelos quais tal documento não foi apresentado por ocasião da fiscalização; (ii) recalcular o valor da glosa para cada anocalendário (2009 a 2012) considerando como preço pago o valor trazido na resposta do item (i) imediatamente acima, indicando os critérios adotados para este cálculo, ou seja, informando (a) o valor do investimento (valor de patrimônio líquido), (b) o valor do ágio (diferença entre preço pago e o valor em "a"); (c) o prazo de amortização utilizado; e (d) a data de início de amortização considerada. Rede de Postos ZAP A fiscalização considera que não foi fornecido nenhum demonstrativo que demonstre e comprove que o ágio foi pago em razão de expectativa de rentabilidade futura da adquirida. no caso da Rede de Postos ZAP. Quanto à prova de pagamento, a Recorrente juntou cópia de transferências bancárias destinadas aos exproprietários da REDE DE POSTOS ZAP que somam o montante de R$ 19.835.575,47. Diante disso, no caso do ágio referente à Rede de Postos ZAP a diligência servirá para: Fl. 8586DF CARF MF Processo nº 16561.720128/201481 Resolução nº 1401000.469 S1C4T1 Fl. 8.587 37 (i) intimar a Recorrente a apresentar (a) demonstrativo de avaliação do investimento baseado em rentabilidade futura e (b) prova do preço final efetivamente pago aos vendedores, após os ajustes de preço previstos no respectivo contrato, bem como indicar os motivos pelos quais tais documentos não foram apresentados por ocasião da fiscalização; (ii) recalcular o valor da glosa para cada anocalendário (2009 a 2012) considerando como preço pago o valor trazido na resposta do item (i.b) imediatamente acima se não houver, considerando o valor de R$ 19.835.575,47 , indicando os critérios adotados para este cálculo, ou seja, informando (a) o valor do investimento (valor de patrimônio líquido), (b) o valor do ágio (diferença entre preço pago e o valor em "a"); (c) o prazo de amortização utilizado; e (d) a data de início de amortização considerada. Supermercados Gimenes A fiscalização considera que não foi fornecido nenhum demonstrativo que demonstre e comprove que o ágio foi pago em razão de expectativa de rentabilidade futura da adquirida no caso dos Supermercados Gimenes. Diante disso, no caso do ágio referente ao Supermercados Gimenes, a diligência servirá para: (i) intimar a Recorrente a apresentar (a) demonstrativo de avaliação do investimento baseado em rentabilidade futura e (b) prova do preço final efetivamente pago aos vendedores, após os ajustes de preço previstos no respectivo contrato , bem como indicar os motivos pelos quais tais documentos não foram apresentados por ocasião da fiscalização; (ii) recalcular o valor da glosa para cada anocalendário (2009 a 2012) considerando como preço pago o valor trazido na resposta do item (i.b) imediatamente acima, indicando os critérios adotados para este cálculo, ou seja, informando (a) o valor do investimento (valor de patrimônio líquido), (b) o valor do ágio (diferença entre preço pago e o valor em "a"); (c) o prazo de amortização utilizado; e (d) a data de início de amortização considerada. Após a adoção das providências acima referentes a cada ágio, solicitase a elaboração de parecer conclusivo, sobre o qual as partes serão intimadas a se manifestar, após o que deverão os autos retornar a este CARF para que se prossiga o julgamento. (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Fl. 8587DF CARF MF
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Numero do processo: 10530.901196/2009-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Nov 13 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1201-000.280
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que sejam informadas todas as PER/DCOMP que requerem créditos relativos ao ano-calendário de 2004.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa.
Nome do relator: ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que sejam informadas todas as PER/DCOMP que requerem créditos relativos ao anocalendário de 2004. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa. Relatório Trata o processo da Declaração de Compensação PER/DComp, em que o COMPERAÇO COMÉRCIO E INDÚSTRIA DE FERRO E ACO LTDA., CNPJ 00.363.548/000104 requer crédito de pagamento indevido ou a maior da estimativa mensal, para compensação de débitos. O Despacho Decisório não reconheceu o crédito e não homologou as compensações declaradas; o contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade que a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador DRJ/SDR considerou improcedente. Cientificado, o contribuinte apresentou, recurso voluntário, tempestivo, reclamando da impossibilidade/desarrazoabilidade/desproporcionalidade de se evitar a RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 30 .9 01 19 6/ 20 09 -6 3 Fl. 318DF CARF MF Processo nº 10530.901196/200963 Resolução nº 1201000.280 S1C2T1 Fl. 3 2 compensação dos prejuízos por mero erro de preenchimento da declaração nas Fichas 12A e 17 da DIPJ apresentada, a qual deveria ser retificada; contudo, dado o lapso de tempo decorrido, tal retificação se fez inviável, pela Recorrente. Contudo, o crédito existe, o que comprova mediante a juntada do Balanço Patrimonial em que apurou o prejuízo de R$()675.524,73; pleiteia que a verdade material seja reconhecida, consoante precedentes do CARF. É o Relatório. Voto Conselheiro Roberto Caparroz de Almeida Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1201 000.273, de 20.09.2017, proferido no julgamento do Processo nº 10530.901191/200931, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1201000.273): O contribuinte apresentou a Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica DIPJ do anocalendário 2004, no regime de apuração anual com estimativas mensais com base na receita bruta e acréscimos; na Ficha 09A Demonstração do Lucro Real, apurou lucro real R$() 675.524,73, isto é, prejuízo fiscal; na Ficha 11 Cálculo do Imposto de Renda mensal por estimativa apurou Imposto de Renda a Pagar nos meses de 01 a 12/2004, que pagou nos prazos, via DARF; e na Ficha 12A Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real, todos os campos estão zerados, não estando demonstrada a existência de eventual Saldo Negativo de IRPJ; já no caso das estimativas mensais de CSLL, demonstrou na Ficha 16 Calculo da CSLL Mensal por Estimativa, os valores de CSLL a pagar nos meses de 01 a 12/2004, os quais recolheu nos prazos via DARF; mas na da Ficha 17 Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, o contribuinte informou na linha 36. Base de Cálculo da CSLL, o valor de R$() 675.524,73, porém os demais campos como a linha 43. () CSLL Mensal Paga por Estimativa, restaram zerados, e deixou de demonstrar eventual o Saldo Negativo de Base de Cálculo da CSLL, passível de reconhecimento como direito creditório. Requereu crédito de pagamento indevido da estimativa de IRPJ de 08/2017, no mesmo valor recolhido via DARF, no PER/Dcomp objeto deste processo. O Despacho Decisório indeferiu o pleito porque o valor recolhido correspondia ao débito confessado em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, portanto tal pagamento foi alocado ao correspondente débito confessado, não restando saldo para compensar outros débitos. Fl. 319DF CARF MF Processo nº 10530.901196/200963 Resolução nº 1201000.280 S1C2T1 Fl. 4 3 Por sua vez, a DRJ, em relação às estimativas mensais de IRPJ, esclareceu que, como o contribuinte apurou prejuízo fiscal no ajuste anual do anocalendário de 2004 e os pagamentos efetuados por estimativa referentes ao IRPJ/CSLL deveriam compor o saldo negativo de IRPJ/CSLL, respectivamente do anocalendário de 2004, que deveria ter sido apurado na forma do art. 2º, §4º, I a IV, da Lei n° 9.430, de 1996, e passível de ser restituído ou compensado com débitos do contribuinte, a partir do mês de janeiro de 2005, conforme disposto no art. 5º combinado com o art. 26, da Instrução Normativa SRF n° 460, de 18 de outubro de 2004, vigente à época da transmissão do PER/Dcomp; em outras palavras, a estimativa mensal paga somente poderá compor eventual crédito de saldo negativo, na apuração anual, sendo a sua data base 31/12/2004, no caso; por isso, a apuração anual do IRPJ/CSLL deveria ter sido demonstrada, para comprovar eventual crédito de Saldo Negativo de IRPJ/CSLL. No presente caso, verificase que constam os seguintes valores, informados/confessados/pagos pelo contribuinte: IRPJ DIPJ original Ficha 11 DCTF original cód 5993 Darf pago CSLL DIPJ original Ficha 16 DCTF original cód 2484 Darf pago jan/04 11.405,68 11.405,68 11.405,66 jan/04 7.239,06 7.239,06 7.239,06 fev/04 15.272,70 15.272,70 15.272,70 fev/04 9.327,26 9.327,26 mar/04 23.478,90 23.478,90 23.478,88 mar/04 13.758,60 13.758,60 13.758,60 abr/04 18.582,76 18.582,75 18.585,75 abr/04 11.114,69 11.114,69 11.114,69 mai/04 26.483,23 26.483,23 26.483,23 mai/04 15.380,95 15.380,95 15.380,95 jun/04 31.322,78 31.322,78 31.322,78 jun/04 17.994,30 17.994,30 17.994,30 jul/04 20.592,38 20.592,38 20.592,38 jul/04 12.199,89 12.199,89 12.199,89 ago/04 23.701,60 23.701,60 23.701,60 ago/04 13.878,86 13.878,86 13.878,86 set/04 20.732,09 20.732,08 20.732,08 set/04 12.275,33 12.275,33 12.275,33 out/04 20.230,82 20.230,82 20.230,82 out/04 12.004,64 12.004,64 12.004,64 nov/04 24.363,07 24.363,06 24.363,07 nov/04 14.236,08 14.236,08 14.236,06 dez/04 26.126,33 26.126,33 26.126,33 dez/04 15.188,22 15.188,22 15.188,22 Total 262.292,34 262.292,31 262.295,28 Total 154.597,88 145.270,62 154.597,86 E na apuração anual: Apuração anual Ficha 12A Apuração anual Ficha 17 36. BC da CSLL 675.524,73 IRPJ 0,00 CSLL 0,00 () IR Mensal pago por estimativa 0,00 ()CSLL Mensal pago por estimativa 0,00 (=) IR a pagar 0,00 (=)CSLL a pagar 0,00 O contribuinte juntou também Demonstrativo de Resultados do Exercício, data de encerramento 31/12/2004, em que apurou Lucro Líquido R$() 675.524,73. Observase na DIPJ do anocalendário 2004 que o contribuinte, para uma receita líquida de R$11.148.363,19, informou R$11.130.026,04 de custo das mercadorias revendidas, e apurou prejuízo fiscal e lucro líquido negativo de R$()675.524,73; e sua DIPJ foi aceita e regularmente processada. Fl. 320DF CARF MF Processo nº 10530.901196/200963 Resolução nº 1201000.280 S1C2T1 Fl. 5 4 À vista destes dados, adoto entendimento prevalente no CARF, expresso no Acórdão nº 9101002.913, da 1ª Turma da CSRF, em 8 de junho de 2017, cujos excertos transcrevo e que se aplicam tanto a estimativas mensais de IRPJ, como de CSLL: Ementa: ANÁLISE DO DIREITO CREDITÓRIO COMO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR DE ESTIMATIVA MENSAL OU COMO SALDO NEGATIVO. POSSIBILIDADE. Até a edição da Súmula CARF nº 84, a questão sobre a possibilidade de restituição/compensação de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal foi objeto de longa controvérsia. Os recolhimentos a título de estimativa são referentes, no seu conjunto, a um mesmo período (anocalendário), e embora a contribuinte tenha indicado como crédito a ser compensado nestes autos apenas a estimativa de outubro/2002, e não o saldo negativo total do ano, o pagamento reivindicado como indébito corresponde ao mesmo período anual (2002) e ao mesmo tributo (CSLL) do saldo negativo que seria restituível/compensável. Há que se considerar ainda que em muitos outros casos com contextos fáticos semelhantes ao presente, os contribuintes, na pretensão de melhor demonstrar a origem e a liquidez e certeza do indébito, indicavam como direito creditório o próprio pagamento (DARF) das estimativas que geravam o excedente anual, em vez de indicarem o saldo negativo constante da DIPJ. Tais considerações levam a concluir que a indicação do crédito como sendo uma das estimativas mensais (antecipação), e não o saldo negativo final, não pode ser obstáculo ao pleito da contribuinte. (Grifei.) Relatório: Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), fundamentado atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em que se alega divergência jurisprudencial em relação a duas matérias: a) possibilidade de deferimento da Per/DComp, cujo pretenso direito creditório se refere ao pagamento de estimativa em valor indevido; e b) ser possível a formação de indébito de saldo negativo de CSLL no ano calendário de 2002, quando na Dcomp apresentada constou direito creditório decorrente de pagamento indevido ou a maior que o devido da estimativa mensal de CSLL. No voto, foi adotado entendimento de recurso repetitivo, nos seguintes termos, e com os quais esta Relatora concorda: "O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1o e 2°; do RICARF. aprovado pela Portaria MF 343. de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9101002.903. de 08/06/2017 proferido no julgamento do processo 10166.901000/2009 36. paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese. como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9101 002.903): Fl. 321DF CARF MF Processo nº 10530.901196/200963 Resolução nº 1201000.280 S1C2T1 Fl. 6 5 "A PGFN pretende reverter a decisão recorrida, sustentando que a lei não permite a restituição/compensação de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal (primeira divergência); e também que, após a Delegacia de origem ter indeferido o Per/Dcomp, não seria mais possível alterar o direito creditório, de pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal para saldo negativo de IRPJ (segunda divergência). A matéria tratada na primeira divergência está atualmente pacificada, inclusive com edição de súmula pelo CARF: Súmula CARF n° 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. De acordo com o art. 5o da Portaria MF n° 343, de 09 de junho de 2015, que aprovou o atual Regimento Interno do CARF, o exame de admissibilidade dos recursos especiais deverá observar o nela disposto, o que alcança inclusive os recursos que já haviam sido apresentados antes dela. Essa mesma portaria estabelece no § 3° do art. 67 de seu Anexo II que: Art. 67 [...] []§ 3o Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso. Assim, tratandose de matéria já sumulada pelo CARF, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso especial da PGFN quanto à primeira divergência, suscitada em relação ao fato de o crédito indicado no Per/Comp decorrer de pagamento indevido ou a maior a titulo de estimativa mensal. Quanto à segunda divergência, o recurso merece mesmo ser conhecido, conforme o despacho de admissibilidade exarado, e adoto as suas razões de decidir. Em primeiro lugar, cabe registrar que as estimativas mensais "normalmente" não configuram mesmo objeto de restituição, e nem de compensação direta com outros tributos. O que se restitui ou compensa, via de regra, é o saldo negativo, a menos que o recolhimento da própria estimativa se caracterize, desde aquele primeiro momento, como um pagamento indevido ou a maior que o devido, levando em conta o valor que seria devido a título da própria estimativa, conforme o regime adotado pelo contribuinte para o seu cálculo (receita bruta ou balancete de suspensão/redução). Essa questão sobre a possibilidade de restituição/compensação de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal foi objeto de longa controvérsia. Contudo, conforme mencionado acima, a matéria foi definitivamente solucionada pelo CARF, nos termos da Súmula CARF n° 84. Mas a questão que deve ser agora analisada é se o acórdão recorrido realmente admitiu uma inovação/mudança do direito creditório no curso do processo administrativo, caracterizadora de ilegalidade. Conforme o despacho de admissibilidade do recurso, contrariamente ao acórdão paradigma, o acórdão recorrido admitiu indiretamente tal situação na medida em que reconheceu a possibilidade de apuração de Fl. 322DF CARF MF Processo nº 10530.901196/200963 Resolução nº 1201000.280 S1C2T1 Fl. 7 6 indébito de saldo negativo da IRPJ com base em Dcomp cujo direito creditório indicado foi pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal de IRPJ. Para o exame da alegada divergência, vale observar que não é incomum a ocorrência de processos em que pedidos de restituição/compensação de IR/fonte ou IRPJ/estimativa são examinados (inclusive pelas DRF e DRJ da Receita Federal) na ótica de sua repercussão no resultado final do período, como elementos que contribuem para a formação de saldo negativo. Isto porque tanto as retenções na fonte quanto as estimativas representam antecipações do devido ao final do período. Na sistemática da apuração anual, caso haja tributo devido no encerramento do ano, as antecipações se convertem em pagamento definitivo. Por outro lado, se houver prejuízo fiscal, ou ainda se as antecipações superarem o valor do tributo devido ao final do período, fica configurado o indébito, a ser restituído ou compensado (ainda que somente a partir do ajuste). Também é importante destacar que os recolhimentos a título de estimativa são referentes, no seu conjunto, a um mesmo período (ano calendário), e que embora a contribuinte tenha indicado como crédito a ser compensado nestes autos apenas a estimativa de dezembro/2004, e não o saldo negativo total do ano, o pagamento reivindicado como indébito corresponde ao mesmo período anual (2004) e ao mesmo tributo (IRPJ) do saldo negativo que seria restituível/compensável. Há que se considerar ainda que em muitos outros casos com contextos fáticos semelhantes ao presente, os contribuintes, na pretensão de melhor demonstrar a origem e a liquidez e certeza do indébito, indicavam como direito creditório o próprio pagamento (DARF) das estimativas que geravam o excedente anual, em vez de indicarem o saldo negativo constante da DIPJ. Tais considerações levam a perceber que a indicação do crédito como sendo uma das estimativas mensais (antecipação), e não o saldo negativo final, não pode ser obstáculo ao pleito da contribuinte. O que houve no presente caso não foi mudança de direito creditório, mas sim indicação da parte, e não do todo, o que não pode prejudicar a caracterização do indébito, porque mesmo no caso de se verificar direito creditório decorrente da estimativa em si (parte), caberia examinar aspectos da apuração do ajuste anual (todo). É que mesmo havendo excesso mensal no pagamento de uma determinada estimativa, esse excedente pode ser necessário para a quitação de ajuste, e isso resulta na sua indisponibilidade para fins de restituição/compensação. Uma estimativa e o saldo negativo formado por ela guardam relação de parte e todo, com elementos constitutivos comuns. Como mencionado, a questão sobre a possibilidade de restituição/ compensação de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal foi objeto de longa controvérsia, até a edição da Súmula CARF n° 84. Inicialmente, a linha de interpretação da Receita Federal, e que foi adotada nestes autos, era de que a lei não permitia a Fl. 323DF CARF MF Processo nº 10530.901196/200963 Resolução nº 1201000.280 S1C2T1 Fl. 8 7 restituição/compensação de pagamento indevido ou a maior a título de estimativas mensais, mas apenas do saldo negativo formado por elas. Em vista disso, os contribuintes, também como ocorreu nestes autos, procuravam demonstrar que as estimativas (com seus excedentes) eram suficientes para a formação de saldo negativo. Para o indeferimento do pleito, então, buscavase outro fundamento, que era a impossibilidade de modificar o direito creditório. Ocorre que essa modificação era motivada justamente porque a Receita Federal se recusava a restituir/compensar pagamentos indevidos ou a maior a título de estimativa, o que restou afastado pela referida Súmula CARF n° 84. É diante de todo esse contexto que o acórdão recorrido, corretamente, admitiu a possibilidade de formação de indébito, passível de restituição/compensação, pelo pagamento indevido ou a maior a título da estimativa mensal referente ao mês de dezembro/2004, ao mesmo tempo em que também reconheceu a possibilidade de formação de indébito de saldo negativo neste mesmo ano, e determinou o retomo dos autos à unidade de origem para que ela se pronunciasse sobre o valor do direito creditório pleiteado e sobre os pedidos de compensação dos débitos. Se a Delegacia de origem constatar que houve pagamento indevido ou a maior, seja como excedente mensal disponível (estimativa), seja como excedente anual que engloba a estimativa (saldo negativo), a compensação deverá ser homologada, no limite do crédito que assim for reconhecido. Assim, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso especial da PGFN quanto à primeira divergência, suscitada em relação ao fato de o crédito indicado no Per/Comp decorrer de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal, e de NEGAR PROVIMENTO ao recurso quanto à segunda divergência, relativa à questão da inovação/ mudança do direito creditório no curso do processo administrativo, mantendo o que restou decidido no acórdão recorrido. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1o e 2o do art. 47 do RICARF. conheço parcialmente do Recurso Especial, apenas quanto à questão da inovação/mudança do direito creditório no curso do processo administrativo e. no mérito, na parte conhecida, negolhe provimento para manter o que foi decidido no acórdão recorrido. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto" Conclusão. Recomposição da apuração anual. 2004. Apuração anual Ficha 12A Apuração anual Ficha 17 36. BC da CSLL 675.524,73 IRPJ 0,00 CSLL 0,00 () IR Mensal pago por estimativa 262.295,28 ()CSLL Mensal pago por estimativa 154.597,86 (=) IR a pagar ()262.295,28 (=)CSLL a pagar () 154.597,86 Evidenciase o direito creditório até o limite do Saldo Negativo de IRPJ em 31/12/2004, de R$()262.295,28, a ser observado para o conjunto de todos as PER/Dcomp deste contribuinte que requerem Fl. 324DF CARF MF Processo nº 10530.901196/200963 Resolução nº 1201000.280 S1C2T1 Fl. 9 8 créditos de pagamento indevido ou a maior de estimativas mensais de IRPJ, ou de Saldo Negativo de IRPJ deste anocalendário; e analogamente, até o limite de R$() 154.597,86, de Saldo Negativo da CSLL em 31/12/2004. Diligência. Constam para julgamento nesta Turma do CARF, 19 (dezenove) processos requerendo créditos de recolhimentos indevidos ou a maior de estimativas mensais de IRPJ e de CSLL do anocalendário 2004; contudo, não se dispõe de informação se estes esgotam todos os pedidos de restituição/compensação, pelo contribuinte, relativos ao anocalendário 2004. A fim de se evitar dar provimento a créditos, em duplicidade, fazse necessária diligência que: a) efetue um levantamento e informe todas as PER/Dcomp apresentadas pelo contribuinte, em que este requereu créditos de recolhimentos indevidos ou a maior de estimativas mensais de IRPJ e de CSLL do anocalendário 2004 e crédito de Saldo Negativo de IRPJ e de CSLL, relativamente ao anocalendário 2004, com o seguinte detalhamento, para cada PER/Dcomp: 1 nº da PER/DComp 2 nº do processo administrativo 3 informar se o crédito requerido é de recolhimento indevido ou a maior de estimativa de IRPJ, ou de CSLL, e o mês 4 informar se crédito requerido é de Saldo Negativo de IRPJ ou de CSLL 5 valor do crédito requerido 6 valor do crédito já reconhecido e consumido em compensação de débitos 7 localização do processo. b) Elaborar os demonstrativos de compensação dos Saldos Negativos de IRPJ e CSLL reconhecidos, co m os débitos declarados em todas PER/Dcomp. Conclusão. À vista do exposto, voto por efetuar a diligência nos termos descritos. Nos presentes autos o contribuinte solicita a restituição do pagamento indevido de estimativa mensal de CSLL com apuração de base de cálculo negativa ao final do exercício. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, voto por converter o julgamento em diligência, para que sejam informadas todas as PER/DCOMP que requerem créditos relativos ao anocalendário de 2004. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Fl. 325DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10920.002857/2002-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Exercício: 2002
COMPENSAÇÃO. ALEGADO ERRO DE PREENCHIMENTO DE DCTF. DESCABIMENTO.
Não sendo o caso de erros apuráveis pelo mero exame das respectivas
DCTFs, não se acata a manifestação de inconformidade apresentada.
Compensação não Homologada
Recurso Negado
Numero da decisão: 1401-000.951
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: Maurício Pereira Faro
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2002 COMPENSAÇÃO. ALEGADO ERRO DE PREENCHIMENTO DE DCTF. DESCABIMENTO. Não sendo o caso de erros apuráveis pelo mero exame das respectivas DCTFs, não se acata a manifestação de inconformidade apresentada. Compensação não Homologada Recurso Negado
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ALEGADO ERRO DE PREENCHIMENTO DE DCTF. DESCABIMENTO. Não sendo o caso de erros apuráveis pelo mero exame das respectivas DCTFs, não se acata a manifestação de inconformidade apresentada. Compensação não Homologada Recurso Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Jorge Celso Freire da Silva Presidente Assinado digitalmente Maurício Pereira Faro – Relator Participaram do julgamento os conselheiros Jorge Celso Freire da Silva, Roberto Armond Ferreira da Silva, Antônio Bezerra Neto, Mauricio Pereira Faro e Fernando Luiz Gomes de Mattos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 28 57 /2 00 2- 14 Fl. 254DF CARF MF Impresso em 17/07/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 16/07/201 3 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 10920.002857/200214 Acórdão n.º 1401000.951 S1‐C4T1 Fl. 3 2 Relatório Transcrevese o Relatório constante do Despacho Decisório de fls. 152 a 160, proferido pela Delegacia da Receita Federal de JoinvilleSC: “O presente processo teve origem em Declaração de Compensação apresentada no formulário em papel disponibilizado no Anexo VI da Instrução Normativa SRF e 210/2002, por meio da qual o contribuinte acima identificado informou a utilização de crédito concernente a saldo negativo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ apurado no anocalendário de 2001, no valor de R$ 412.019,03, posteriormente retificado para R$ 226.518,45 (duzentos e vinte e seis mil, quinhentos e dezoito reais e quarenta e cinco centavos). Este alegado crédito foi inicialmente empregado pelo interessado em compensações, cujas declarações foram protocoladas em outros três processos, de nºs 10920.003245/200231, 10920.000095/200394 e 10920.000356/200376, os quais foram, posteriormente, juntados por anexação ao presente, em cumprimento ao disposto nos arts. 1º, III, e 2º da Portaria SRF nº 6.129/2005 (f1. 56). Assim, o crédito em questão foi indicado pelo contribuinte nas compensações abaixo discriminadas, a contemplar débitos de COFINS e PIS (códigos 2172 e 8109, respectivamente): [...] Ademais, o contribuinte transmitiu declarações de compensação eletrônicas, por meio das quais informou a integral utilização do saldo negativo de IRPJ remanescente do anocalendário de 2001 na compensação de débitos de IRRF Rendimentos do trabalho assalariado, IRRF Demais rendimentos de capital e CSLL (códigos 0561, 0924 e 2484, respectivamente), a seguir discriminados: [...] Intimado em 22/06/2007 (fls. 104/105), o contribuinte esclareceu que as estimativas de IRPJ dos períodos de apuração 01/2001 a 08/2001,não informadas em DCTF, foram adimplidas mediante compensação com crédito reconhecido na via judicial, sob os autos da ação ordinária nº 96.01023712, que tramitou na 32 Vara Federal de Joinville, juntando, então, a respectiva sentença de primeiro grau e o acórdão do TRF/42Região (fls. 112/129). Na oportunidade, apresentou também os recibos de entrega das DCTF retificadoras dos 1º, 2° e 3º trimestres de 2001, as quais introduziram os débitos de IRPJ dos períodos de apuração 01/2001 a 08/2001 (fls. 106/108) e minuta de cálculo do crédito obtido judicialmente (fl. 111). Posteriormente, apresentou os documentos de fls. 138/142, informando, então, que o crédito obtido na supramencionada ação judicial somente havia sido empregado na Fl. 255DF CARF MF Impresso em 17/07/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 16/07/201 3 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 10920.002857/200214 Acórdão n.º 1401000.951 S1‐C4T1 Fl. 4 3 compensação das estimativas dos períodos de apuração 02/2001 a 08/2001 (fls. 138) e que o IRPJ apurado na competência 01/2001 havia sido compensado com saldos negativos do imposto obtidos nos anoscalendário de 1997 (R$ 4.684,35) e 1998 (R$33.429,72), de acordo com planilhas de fls. 141/142.” Por aquele Despacho Decisório, datado de 02/08/2007, foi deferido, em parte, o pleito da interessada, sendo reconhecido o direito creditório parcial de R$ 81.769,37 de saldo negativo relativo ao exercício de 2002, sob o seguinte fundamento: “No entanto, antes de utilizar tal crédito nas compensações indicadas nas declarações listadas no relatório do presente despacho decisório, o interessado o empregou em compensações por conta própria, concernentes a débitos de IRRF Rendimentos do trabalho assalariado (código 0561) dos períodos de apuração na 1ª Sem/04/2002 (R$ 22.612,84), 2ª Sem/04/2002 (R$ 173,98), 3ªSem 104/2002 (R$ 126,39),4ªSen2/04/2002 (R$ 1.042,16), 1ªSem/05/2002 (R$ 24.470,28), 2ªSem/05/2002 (R$ 11.000,00), 3ªSem/05/2002 (R$ 315,13), 4ªSem/05/2002 (R$ 444,77), 1ªSem/06/2002 (R$ 2.680,37), 2ªSem/06/2002 (R$ 20.272,82), 4ªSem/06/2002 (R$ 12,86), 5ªSem/06/2002 (R$ 538,17), lªSem/07/2002 (R$ 21.871,52), 2ªSem/07/2002 (R$ 749,71), 3ªSem/07/2002 (R$ 1.311,54), 4ªSem/07/2002 (R$ 11,21), 1ªSem/08/2002 (R$ 2.590,04), 2ªSem/08/2002 (R$ 20.745,16), 5ªSem/08/2002 (R$ 2.713,31), 1ªSem/09/2002 (R$ 22.693,57), 2ªSem/09/2002 (R$ 146,66) e 3ªSem/09/2002 (R$ 648,51), de acordo com informações constantes das respectivas DCTF (fls. 82/103). Consoante listagens de créditos/débitos e respectivos saldos remanescentes de fls. 145/150, após a efetivação das compensações, acima listadas, remanesceu, dos R$ 226.518,45 inicialmente reconhecidos, o montante de R$ 81.769,37 a titulo de saldo negativo de1RPJ obtido no anocalendário de 2001.” Já do despacho de fls. 163 e 164, constou o seguinte: “O contribuinte apresentou pedido de restituição do saldo negativo IRPJ, no valor de R$ 226.518,45, sendo deferido somente R$ 81.769,37. Com base em tal crédito, apresentou declarações de compensação e perdcomp's eletrônicas para quitação dos seguintes débitos (fls.01/02, 38 a 43 e 52 a 71): [...] Efetuados os procedimentos de compensação (fls. 161), verificouse que o crédito acima foi suficiente para liquidar todos os débitos, com exceção de 1RRF (0561) no valor de R$ 124.814,88, IRRF (0924) no valor de R$ 1.209,99, COFINS (2172) no valor de R$ 29.147,47 e CSLL (2484) no valor de R$ 1.191,00. Diante do exposto, no uso da competência definida pelo artigo 243. II, do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF nº 95/2007, e delegada pelo art. 41, IV da Portaria DRF/Joinville nº Fl. 256DF CARF MF Impresso em 17/07/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 16/07/201 3 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 10920.002857/200214 Acórdão n.º 1401000.951 S1‐C4T1 Fl. 5 4 48/2007, não homologo a compensação dos débitos citados no parágrafo anterior.” Inconformada com o deferimento apenas parcial de seu pedido, do qual tomou ciência em 04/09/2007 (Aviso de Recebimento KR. de fls. 167), apresenta a interessada, em 04/10/2007, manifestação de inconformidade de fls. 168 a 172, da qual se extrai o seguinte: “No ano calendário de 2000, exercido 2001, a Requerente/Manifestante apurou saldo negativo de 1RPJ no montante de R$ 377.204,97 (trezentos e setenta e sete mil duzentos e quatro reais e noventa e sete centavos), saldo este que foi utilizado para compensar diversos débitos no período de 12/2001 a 09/2002, bem como o saldo restante compensado em 07/2003. Fazem parte destas compensações os valores relativos ao IRRF gerado no período de 04/2002 a 09/2002, no montante de R$ 157.170,97 (cento e cinquenta e sete mil cento e setenta reais e noventa e sete centavos). Entretanto, nas DCTFs relativas ao 2º e 3º trimestre de 2002 (documentos anexos), a contribuinte informou que, os valores a pagar de IRRF teriam sido integralmente compensados com saldo negativo de 1RPJ do ano calendário de 2001. No entanto, restou equivocada esta informação, pois os valores supra, em verdade, foram compensados com saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 2000, conforme planilha anexa. Houve, portanto, uma troca indevida na inserção dos anoscalendário. [...] Tratouse de equivoco, plenamente escusável, da Requerente/Manifestante ao inserir os dados na declaração, e que ensejam a revisão do cálculo fazendário.” Foram anexadas à manifestação de inconformidade procuração, planilha e cópias de documentos de identificação da signatária da manifestação de inconformidade, de documentos societários e de documentos já constantes do processo (fls. 173 a 199, e 202 a 205). Em face de tais argumentos, entendeu a DRJ/CuritibaPR considerar não homologadas as compensações objeto da manifestação de inconformidade apresentadas pelo Contribuinte, nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO DE TRIBUTÁRIO Exercício: 2002 COMPENSAÇÃO. ALEGADO ERRO DE PREENCHIMENTO DE DCTF. DESCABIMENTO. Não sendo o caso de erros apuráveis pelo mero exame das respectivas DCTFs, não se acata a manifestação de inconformidade apresentada. Compensação não Homologada. Em face do referido acórdão de Primeira Instância a Drogaria e Farmácia Catarinense S/A interpôs Recurso Voluntário. Fl. 257DF CARF MF Impresso em 17/07/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 16/07/201 3 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 10920.002857/200214 Acórdão n.º 1401000.951 S1‐C4T1 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Relator Maurício Pereira Faro A questão básica a ser examinada no presente processo é a seguinte: pode ser acatada a alegação da interessada de que, nas DCTFs relativas aos trimestres de 2002, por cópias de fls. 82 a 103, teria havido erro de preenchimento? As compensações nelas indicadas se referiram expressamente a saldo negativo apurado em 31/12/2001, e assim foram consideradas pelo Despacho Decisório de fls. 152 a 160. Por seu turno, a Recorrente alega que no ano calendário de 2000, exercido 2001, apurou saldo negativo de 1RPJ no montante de R$ 377.204,97 trezentos e setenta e sete mil duzentos e quatro reais e noventa e sete centavos), saldo este que foi utilizado para compensar diversos débitos no período de 12/2001 a 09/2002, bem como o saldo restante compensado em 07/2003. Fazem parte destas compensações os valores relativos ao IRRF gerado no período de 04/2002 a 09/2002, no montante de R$ 157.170,97 (cento e cinqüenta e sete mil cento e setenta reais e noventa e sete centavos). Entretanto, nas DCTFs relativas ao 22 e 32 trimestre de 2002 (documentos anexos), a contribuinte informou que, os valores a pagar de IRRF teriam sido integralmente compensados com saldo negativo de 1RPJ do anocalendário de 2001. No entanto, informa que restou equivocada esta informação, pois os valores supra, em verdade, foram compensados com saldo negativo de 1RPJ do anocalendário de 2000, conforme planilha anexa. Houve, portanto, uma troca indevida na inserção dos anos calendário. Sustenta a Recorrente que tratouse de equivoco, plenamente escusável, razao pela qual requereu a revisao dos valores compensados. Dispõe o art. 147 do Código Tributário Nacional — CTN ( Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissivel mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. Fl. 258DF CARF MF Impresso em 17/07/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 16/07/201 3 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 10920.002857/200214 Acórdão n.º 1401000.951 S1‐C4T1 Fl. 7 6 § 2º Os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de oficio pela autoridade administrativa a Que competir a revisão daulela. Conforme bem indicado no acórdão proferido pelo órgão julgador a quo, não sendo o caso de erros apuráveis pelo mero exame das respectivas DCTFs, não como se acolheu o presente recurso. Ante o exposto, nego provimento ao recurso voluntário Assinado digitalmente Relator Maurício Pereira Faro Fl. 259DF CARF MF Impresso em 17/07/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 16/07/201 3 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO
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Numero do processo: 13116.000250/2005-15
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Nov 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 1997
VÍCIO NO LANÇAMENTO. NATUREZA.VÍCIO MATERIAL
O defeito apresentado reveste a natureza de vício material, em função da existência de erro substancial no ato de ofício, cometido na determinação da matéria tributável. O vício é material quando relacionado aos aspectos intrínsecos da hipótese de incidência tributária descrita no art. 142, caput, do CTN.
Numero da decisão: 9202-006.135
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Patrícia da Silva - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Júnior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
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NATUREZA.VÍCIO MATERIAL O defeito apresentado reveste a natureza de vício material, em função da existência de erro substancial no ato de ofício, cometido na determinação da matéria tributável. O vício é material quando relacionado aos aspectos intrínsecos da hipótese de incidência tributária descrita no art. 142, caput, do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Júnior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 6. 00 02 50 /2 00 5- 15 Fl. 224DF CARF MF 2 Relatório Em sessão plenária de 19/06/2008, foi julgado o Recurso de Ofício em epígrafe, prolatandose o Acórdão nº 30335.414 (fls. 67 a 74), assim ementado: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 1997 ITR/97. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA DAS ÁREAS DE PASTAGEM. O prazo decadencial do direito de a Fazenda constituir o crédito tributário, na hipótese dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, é regido pelo art. 150, § 4°, do Código Tributário Nacional (CTN), ou seja, será de 5 (cinco) anos a contar da ocorrência do fato gerador, o qual, a partir da vigência da Lei n° 9.393, de 19 de dezembro de 1996, se perfaz em 1° de janeiro de cada ano. SUSPENSÃO DO RECURSO DE OFÍCIO ATÉ JULGAMENTO, PELA AUTORIDADE DE PRIMEIRA INSTANCIA, DOS PONTOS IMPUGNADOS PELA DEFESA, PERTINENTES As ÁREAS DE RESERVA LEGAL E PRESERVAÇÃO PERMANENTE. RECURSO DE OFICIO PROVIDO EM PARTE" Em 08/12/2008 deuse a ciência da Fazenda Nacional (fls. 75), com aposição da expressão "Apenas com Ciência". Os autos retornaram à DRJ, a qual editou Resolução que converteu o julgamento em diligência com o objetivo de obter esclarecimentos do CARF sobre o cumprimento do Acórdão de Recurso de Ofício. A referida Resolução foi conhecida como Embargos de Declaração, consoante Despacho de fls. 89 a 92. Passo seguinte, em sessão plenária de 15/05/2012, a 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção do CARF prolatou o Acórdão nº 220201.797 (fls. 93 a 121), assim ementado: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 1997 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Verificada a existência de contradição no julgado, é de se acolher os Embargos de Declaração opostos pela Fazenda Nacional. Fl. 225DF CARF MF Processo nº 13116.000250/200515 Acórdão n.º 9202006.135 CSRFT2 Fl. 225 3 NULIDADE DE LANÇAMENTO ANTERIOR POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NATUREZA DE VÍCIO MATERIAL. Constatado que houve cancelamento de Auto de Infração lavrado anteriormente, sob os fundamentos de ausência de descrição minuciosa dos fatos tidos como infracionais e de insuficiência na capitulação legal da matéria tributável, os quais impediam ou dificultavam o exercício, por parte do contribuinte, do contraditório e da ampla defesa, deve ser reconhecida a natureza jurídica de nulidade por vício material, ainda que tenha sido consignado na decisão anterior se tratar de vício formal, em homenagem e aplicação do Princípio da Legalidade que orienta o Direito Público. NULIDADE POR VÍCIO MATERIAL. INTERRUPÇÃO DA DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. ANÁLISE DE OFÍCIO. Em havendo a decretação da nulidade de lançamento tributário sob o fundamento de ocorrência de nulidade calcada em vício material, não ocorre a hipótese de interrupção da contagem do prazo decadencial de que trata o inciso II, do art. 173, do Código Tributário Nacional, cabendo a sua análise de ofício por se tratar de matéria de Ordem Pública. DECADÊNCIA DO DIREITO DA FAZENDA NACIONAL CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. GANHOS DE CAPITAL. IMPOSTO DE RENDARETIDO NA FONTE. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. CARACTERIZAÇÃO DO EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. TERMO INICIAL PARA A CONTAGEM DO PRAZO. A tributação sobre a propriedade territorial rural fica sujeita declaração anual, e, independente, de qualquer exame prévio da autoridade administrativa o lançamento é por homologação, o mesmo se aplica ao imposto sobre a renda das pessoas físicas, ao ganhos de capital e imposto de renda retido na fonte. Havendo pagamento antecipado o direito de a Fazenda Nacional lançar decai após cinco anos contados do fato gerador, que no caso do imposto de sobre a propriedade territorial rural ocorre em 01 de janeiro do ano seguinte de cada anocalendário base para a apuração e que, nos casos de ganhos de capital e imposto de renda retido na fonte, ocorre no mês da alienação do bem e/ou direito ou pagamento do rendimento. Entretanto, na inexistência de pagamento antecipado ou nos casos em que for Fl. 226DF CARF MF 4 caracterizado o evidente intuito de fraude, a contagem dos cinco anos deve ser a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, em conformidade com o art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Somente ultrapassado esse lapso temporal sem a expedição de lançamento de ofício operase a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4° e do artigo 156, inciso V, ambos do Código Tributário Nacional." O processo foi encaminhado à PGFN em 31/05/2012 (Despacho de Encaminhamento de fls. 122). De acordo com o disposto no art. 7º, §§ 3º e 5º, da Portaria MF nº 527, de 2010, a intimação presumida da Fazenda Nacional ocorre 30 dias após essa data. Em 02/07/2012, tempestivamente, foram opostos os Embargos de Declaração de fls. 123 a 126 (Despacho de Encaminhamento de fls. 127), os quais foram rejeitados por meio do Despacho de fls. 128 a 132. O processo foi novamente movimentado para a PGFN em 02/08/2012 (Despacho de Encaminhamento de fls. 133), dessa vez para ciência da rejeição dos embargos. Em 07/08/2012, portanto, tempestivamente, foi interposto o Recurso Especial de fls. 134 a 148 (Despacho de Encaminhamento de fls. 186), com fundamento no art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF 256, de 2009, contudo, o Regimento Interno do CARF RICARF ora em vigor é o que foi aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, de forma que é com base nesse último que o recurso será analisado. O apelo suscitou as seguintes matérias: natureza do vício do lançamento original, resultante da insuficiente descrição dos fatos e do enquadramento legal, se formal ou material; possibilidade de ser apreciada a natureza do vício que maculou o lançamento original; e decadência integral do lançamento substitutivo em razão de inovação, ao invés de tão somente afastamento da exigência decorrente de tal prática. SOMENTE FOI DADO SEGUIMENTO quanto à primeira matéria natureza do vício do lançamento original, resultante da insuficiente descrição dos fatos e do enquadramento legal, se formal ou material , a Fazenda Nacional descreve a situação fática do recorrido da forma abaixo: "Neste ponto, a controvérsia reside na natureza do vício que anulou o auto de infração original em processo administrativo precedente. A Turma julgadora entendeu que o vício seria material, por se referir à falha na descrição dos fatos e no enquadramento legal da matéria tributada. Firmada a convicção sobre a natureza da mácula do lançamento anulado, o colegiado, por consectário, afastou a aplicação do art. 173, II do CTN, para reconhecer a decadência." Em seguida, a Fazenda Nacional indica como paradigmas os Acórdãos 302 38.086 e 30333.365. Fl. 227DF CARF MF Processo nº 13116.000250/200515 Acórdão n.º 9202006.135 CSRFT2 Fl. 226 5 Analisandose o cotejo realizado pela Fazenda Nacional concluise que foi demonstrada a divergência alegada. De fato, no acórdão recorrido o lançamento original foi anulado por vício material, em virtude de falha na descrição dos fatos e respectivos enquadramentos legais. De outro lado, nesse primeiro paradigma entendeuse que a falta de descrição dos fatos e de enquadramento legal espécie integrante do gênero falha na descrição dos fatos e respectivos enquadramentos legais caracteriza vício formal. Da análise do presente processo, verificase que o referido lançamento decorreu da Nulidade, por vicio formal, do lançamento originariamente constituído através do processo n° 13116.000887/200170 (apensado aos autos), conforme Acórdão DRJ/BSA N 08.218, de 19/11/2003, As fls. 49/55, do processo apensado. Tal nulidade foi declarada de oficio por falha na descrição dos fatos e respectivos enquadramentos legais das matérias tributadas, no que diz respeito as irregularidades apontadas pela autoridade fiscal, que deram origem ao auto de infração lavrado naquela oportunidade, por constar registrado na "Descrição dos Fatos e Enquadramento (s) Legal (is)" apenas "Falta de recolhimento do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, apurado conforme ..." de se observar que nesse lançamento, após ter sido exigido apenas a apresentação de "Laudo Técnico" emitido por Engenheiro Agrônomo/Florestal, a autoridade fiscal se contentou em glosar integralmente as Areas declaradas como de preservação permanente (4.031,0 ha) e como utilização limitada (4.031,0 ha), além de rejeitar o VTN declarado (R$ 200.000,00, arbitrando o valor de R$ 2.200.000,00, apurandose um imposto suplementar no valor de apenas R$ 140.260,00 (As fls. 01 e 12, do processo apensado). Apesar de a autoridade fiscal dispor de um prazo de 05 (cinco) anos para efetuar novo lançamento, a contar da data em que a decisão declaratória da nulidade se tornar definitiva na esfera administrativa (art. 173, inciso II, do CTN), a mesma deveria se limitar a melhorar a descrição dos fatos, além de capitular as infrações então apuradas em consonância com a legislação de regência de cada matéria, observandose os mesmos critérios jurídicos adotados por ocasião do primeiro lançamento. Enfim, não poderia a autoridade fiscal se valer desse prazo especial de decadência para submeter a DITR11997 apresentada pelo requerente a uma nova ação fiscal, estendendose a exigência de comprovação a todos os dados dessa declaração, além de adotar outro critério para comprovação das Áreas ambientais do imóvel, ao se a exigir o Ato Declaratório Ambiental, não solicitado anteriormente, além atribuir ao imóvel um VTN maior do que o valor anteriormente arbitrado, com apuração de um imposto suplementar superior ao apurado no lançamento primitivo, sendo o seu valor alterado de RS 140.260,00 para R$ 1.116.257,52. Assim, tendo ocorrido inovação e agravamento da exigência, não cabe ser considerado, para efeito de contagem do prazo decadencial, o disposto no art. 173, item II, da Lei n° 5.172/66 — CTN, mas sim o prazo de 05 (cinco) anos, a contar da data do fato gerador do imposto, no caso, 1°/01/1997, nos termos do art. 150, § 4 do mesmo CTN, combinado com o disposto no art. 10 da Lei no 9393/1996, ou, na melhor das hipóteses, a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, no caso, 01/01/1998, nos termos do art. 173, inciso I, do mesmo CTN, também combinado com o disposto no art. 1° da Lei n° 9393/1996, conforme conclusão firmada na Solução de Consulta Interna n° 16, de 05/06/2003, editada pela CoordenaçãoGeral de Tributação (Cosit). Fl. 228DF CARF MF 6 Adotandose, no caso, para efeito de início de contagem do prazo quinquenal legalmente previsto, a data mais favorável â Fazenda Nacional (1°/01/1998), a autoridade fiscal deveria ter realizado esse novo lançamento, referente ao ITR/1997, até 31 de dezembro de 2002, decaindo, em 1° de janeiro de 2003, o direito de constituilo. No entanto, no presente caso a nova ação fiscal somente teve início com a Intimação de lis. 11/12, recepcionada em 11/02/2005 (AR de fls. 13) — que, aliás, faz referência equivocadamente aos dados cadastrais relativos DITR/2000 (anobase 1999) e não DITR/1997 (anobase 1996), como seria correto , ocorrendo a ciência do novo auto de infração apenas em 17/03/2005 (AR de fls. 51), portanto, nessa data já se encontrava decaído o direito da Fazenda Nacional de efetuar o lançamento nele consubstanciado. Assim, entendo que deva ser reconhecida procedente, de oficio, a tese da decadência, pois o direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário extinguiuse em 01/01/2003. É o relatório. Voto Conselheira Patrícia da Silva Relatora. Na interposição do presente recurso, entendo cumpridos todos os pressupostos de admissibilidade. Além das hipóteses citadas importante é o estabelecimento da distinção entre nulidades por vício formal e nulidades de caráter material. As por vício formal referemse especificamente à relação processual estabelecida em um dado processo, sem invadir a esfera do direito argüido; as de caráter material viciam o próprio direito, inviabilizando que qualquer relação processual se estabeleça a partir dele. Assim, declarada a nulidade por força de disposições de vicio formal, extinguese a relação processual, mas o direito do fisco pode voltar a ser pleiteado, depois de sanada a irregularidade; já a nulidade do direito material significa a extinção do próprio direito, não podendo o mesmo voltar a ser pleiteado. Como exemplo, declarada a nulidade por ilegitimidade passiva, extinguese a relação processual, dado que contribuinte era outro. De tais observações, inferese, então, que não são apenas os casos do artigo 59 do Decreto n.º 70.235/1972 que se conformam como hipóteses de nulidade, tanto quanto se conclui, que não são todos os casos de nulidade que dão margem a novo lançamento por parte do fisco. Só são passíveis de novo lançamento as matérias constantes de processos que foram anulados por vícios processuais (falta de emissão de MPF, falta de descrição da irregularidade cometida, falta de intimação das partes, etc.); em relação aos processos que foram anulados por vícios materiais (erro de direito, decadência, etc.), o novo procedimento deve ser vedado. Da decisão recorrida: Cumpre observar, que os vícios materiais dificilmente podem ser sanados, pois atingem o motivo do ato, ou seja, o vício se refere à norma e aos fatos que fundamentam o ato administrativo. Já os vícios formais são passíveis de serem corrigidos e da continuação do processo. Assunto, que foi abordado de forma Fl. 229DF CARF MF Processo nº 13116.000250/200515 Acórdão n.º 9202006.135 CSRFT2 Fl. 227 7 brilhante pelo Conselheiro Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, no voto proferido no Acórdão 10706.695 da Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, com a devida vênia, transcrevo os seguintes excertos: Quanto à existência de vício formal no lançamento, relativamente às irregularidades descritas no item 002 do Auto de Infração, entendo que andou bem a autoridade julgadora de primeiro grau ao declarar a nulidade do lançamento, porém discordo da fundamentação de que a nulidade davase pela existência de vício meramente formal. De fato, são inquestionáveis os defeitos presentes no lançamento, porém, com a devida vênia, lanço dúvida quanto à caracterização do vício como sendo de forma, à falta de uma definição precisa, ou, pelo menos, mais debatida, a respeito, pelo que externo minha inquietação diante da situação atual em que, na espécie, temse adotado idêntica solução para situações fáticas diversas. Questiono, portanto, se em certos casos, como no presente, não estaríamos diante de um vício substancial, não meramente formal, sob a ótica de que a verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação, a determinação da matéria tributável, o cálculo do montante do tributo devido e a identificação do sujeito passivo, definidos no art. 142 do Código Tributário Nacional – CTN, bem como a competência da autoridade que praticou o ato, constituirseiam em elementos fundamentais, intrínsecos, do lançamento, sem cuja delimitação precisa não se poderia admitir a existência da obrigação tributária em concreto. O levantamento e observância desses elementos básicos antecedem e seriam preparatórios à formalização do lançamento, a qual se dá no momento seguinte, mediante a lavratura do auto de infração e a conseqüente notificação ao sujeito passivo, quando, aí sim, deverão estar presentes os seus requisitos formais, extrínsecos, como, por exemplo, a assinatura do autuante, com a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula; a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado, com a indicação de seu cargo ou função e o número da matrícula, regrados nos artigos 10 e 11 do Decreto n.º 70.235/72, que rege o Processo Administrativo Fiscal – PAF. Mal comparando, poderíamos dizer que o vício substancial está para a constituição do crédito tributário assim como o cálculo estrutural está para a edificação, no ramo da construção civil, enquanto que a forma seria, para o lançamento de ofício, o equivalente ao acabamento, à “fachada”, na edificação civil. Deduzse daí que o vício substancial pressupõe a ocorrência de defeito na estrutura, que é o sustentáculo de toda edificação, seja na construção civil ou na constituição do crédito tributário, possuindo sua ocorrência, assim, efeito demolidor, que joga por terra a obra erigida com esse insanável vício. Em outro passo, o defeito de forma, de acabamento ou na “fachada”, não possui os tais efeitos devastadores causados pelo vício de estrutura, sendo contornáveis, sem que dano de Fl. 230DF CARF MF 8 morte cause à edificação. Fazemse os acertos ou até mesmo as modificações pertinentes, porém, sem reflexo algum sobre as bases em que a obra tenha sido erigida ou à sua própria condição de algo que existe, apesar dos defeitos. E, a meu ver, são esses “defeitos menores” que o legislador quis contemplar quando admite que tais vícios, apenas eles, podem e devem ser sanados, e que somente a partir da decisão que declarar a nulidade desse ato é que passaria a fluir o prazo de decadência para o sujeito ativo da obrigação tributária, exercer o direito a novo lançamento de ofício. Buscando na doutrina, encontrei referências que se enquadram perfeitamente ao tema sob estudo, no consagrado trabalho de Antonio da Silva Cabral, sobre o processo administrativo fiscal, nos tópicos relativos aos “efeitos da nulidade” 1 e ao “vício formal” 2, conforme segue: 5. Efeitos da nulidade. “...”. O julgador deverá sanar o processo, determinando, inclusive, se repitam os atos posteriores àquele que foi declarado nulo. Acontece, entretanto, que o efeito do ato do julgador é “ex tunc”. Deste modo, o ato nulo pode, até, tornarse ato insanável. Suponhase que um processo chegue a julgamento no Conselho de Contribuintes após sete anos da lavratura do auto de infração que o motivou e o Conselho apure ter ocorrido erro na identificação do sujeito passivo. O erro seria insanável, pois se a repartição quisesse proceder ao lançamento contra o verdadeiro sujeito passivo verseia impossibilitada (pela decadência.)” O texto acima nos leva a concluir que o autor considera o erro na identificação do sujeito passivo como sendo um vício substancial, pois, se assim não fosse, estaria afastada a hipótese da caducidade do direito de a Fazenda Nacional efetuar novo lançamento, como sói acontecer quando a nulidade do ato se dá por vício de forma. Mais adiante, na mesma obra, contrapondo se ao caso acima descrito, brindanos esse consagrado autor e eminente ex Conselheiro deste Primeiro Conselho de Contribuintes, com as seguintes colocações: “4. O vício formal. O art. 173 do CTN diz que o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após cinco anos contados da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Um dos motivos da declaração de nulidade, portanto, é o chamado vício formal, antes mencionado. O art. 642 do RIR/80 também determina que os auditores fiscais procederão ao exame dos livros e documentos de contabilidade dos contribuintes e realizarão diligências e investigações necessárias para apurar a exatidão das declarações, balanços e Fl. 231DF CARF MF Processo nº 13116.000250/200515 Acórdão n.º 9202006.135 CSRFT2 Fl. 228 9 documentos apresentados etc. Acrescenta o § 2º desse artigo que, em relação ao mesmo exercício, só é possível um segundo exame mediante ordem escrita do superintendente, do delegado ou do inspetor da Receita Federal. Se, após terminada a ação numa empresa, o fiscal aí reaparecer e tornar a examinar documentos sem a devida autorização poderá ter o respectivo auto de infração, que porventura vier a lavrar, totalmente anulado por vício de forma, isto é, por não ter obedecido à formalidade necessária, que era a autorização do superior. (...). Embora no texto supra se esteja fazendo referência à distinção entre ato nulo ou anulável, entendo que a questão fulcral não está nessa discussão, mesmo porque a doutrina não admite tais institutos como sendo próprios do Direito Público3 pátrio, como o são do Direito Privado, pois é consabido que o princípio da oficialidade rege o ato administrativo, que, por seu turno, é praticado visando e em função do interesse público. Nada impede, entretanto, que utilizemos essa distinção apenas para que dimensionemos os diferentes efeitos que, quanto à sua natureza e intensidade, cada um desses erros podem ter sobre o crédito tributário constituído. Trago a lume tal avaliação para corroborar a tese anteriormente posta, colocando o erro como sendo “menos ou mais gravoso” e reforçando a idéia de que, também daí, poderíamos extrair subsídios com vistas à classificação do vício como sendo de forma ou de substância. A dita questão fulcral residiria, assim, no estudo da natureza e intensidade do erro cometido, de cujas conclusões extrairseia a classificação necessária para se definir a existência, ou não, do direito de o sujeito ativo da obrigação efetuar novo lançamento, tudo em homenagem ao princípio da segurança jurídica e dos limites temporais dos atos administrativos. Sem embargo, cumpre à administração tributária acercarse dos cuidados necessários para que o lançamento seja efetuado de acordo com os preceitos legais, mormente quando se está a estabelecer as bases do próprio ato de ofício, que precedem sua formalização e lhe são intrínsecos. Se é válido dizerse que o ato administrativo defeituoso pode e deve ser declarado nulo pela autoridade competente, também é justo admitirse que não se pode expor o administrado à incerteza da viabilidade do lançamento de ofício, diante da possibilidade de, a qualquer tempo e hora, ser submetido ao constrangimento de um novo lançamento, sem que tenha dado causa à ocorrência do erro que o inquinara de nulidade. Em suma, entendo que o vício formal pressupõe que novo lançamento, se viabilizado, não poderá ultrapassar os limites estabelecidos no lançamento primitivo, relativamente aos seus Fl. 232DF CARF MF 10 elementos estruturais, substanciais. No presente caso, ao se proceder a um novo lançamento estarseia aperfeiçoando crédito tributário já constituído e, portanto, acabado, quanto aos seus aspectos estruturais, providência que entendo inviabilizada pelo transcurso do prazo decadencial. (...). Isso posto, entendo que, no caso sob análise, a nulidade se deu não por vício formal, mas em função da existência de erro substancial no ato de ofício, cometido na determinação da matéria tributável, não cabendo, pois, seu aperfeiçoamento mediante novo lançamento, por não estar caracterizada a situação prevista no inciso II do art. 173 do CTN. Diante do exposto, NEGO PROVIMENTO ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Fl. 233DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13555.000194/2011-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 03 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Oct 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007
IMÓVEL RURAL. ALIENAÇÃO. MEAÇÃO. GANHO DE CAPITAL. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Tratando-se de imóvel adquirido na constância da sociedade conjugal por doação, a meação posteriormente alienada deverá ter data de aquisição coincidente com a da doação, momento em que o cônjuge supérstite adquiriu a propriedade.
A modificação da base de cálculo para preservar a legalidade do ato administrativo de lançamento, em favor do contribuinte, reduzindo o valor do imposto devido, não pode ser considerado como cerceamento ao direito de defesa.
Numero da decisão: 2201-003.951
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votou pelas conclusões o Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente
(assinado digitalmente)
Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator
EDITADO EM: 19/10/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: DANIEL MELO MENDES BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2007 IMÓVEL RURAL. ALIENAÇÃO. MEAÇÃO. GANHO DE CAPITAL. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Tratando-se de imóvel adquirido na constância da sociedade conjugal por doação, a meação posteriormente alienada deverá ter data de aquisição coincidente com a da doação, momento em que o cônjuge supérstite adquiriu a propriedade. A modificação da base de cálculo para preservar a legalidade do ato administrativo de lançamento, em favor do contribuinte, reduzindo o valor do imposto devido, não pode ser considerado como cerceamento ao direito de defesa.
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ALIENAÇÃO. MEAÇÃO. GANHO DE CAPITAL. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Tratandose de imóvel adquirido na constância da sociedade conjugal por doação, a meação posteriormente alienada deverá ter data de aquisição coincidente com a da doação, momento em que o cônjuge supérstite adquiriu a propriedade. A modificação da base de cálculo para preservar a legalidade do ato administrativo de lançamento, em favor do contribuinte, reduzindo o valor do imposto devido, não pode ser considerado como cerceamento ao direito de defesa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votou pelas conclusões o Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente (assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Relator EDITADO EM: 19/10/2017 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 55 5. 00 01 94 /2 01 1- 80 Fl. 217DF CARF MF Processo nº 13555.000194/201180 Acórdão n.º 2201003.951 S2C2T1 Fl. 218 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 210/214) interposto em face do Acórdão nº 1532.423 3ª Turma da DRJ/SDR (fls. 195/197), que julgou procedente em parte a impugnação apresentada para desconstituir o lançamento pelo qual se exige Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF incidente sobre ganho de capital apurado na alienação de imóvel rural. Contra a recorrente foi lançado crédito tributário consolidado, à época de sua constituição, no valor de R$ 180.789,81, sendo R$ 61.980,12 de Imposto, R$ 25.839,51 de multa de mora e R$ 92.970,18 de multa de ofício (150%) tendo como fato gerador a alienação de propriedade rural denominada Sítio Alvorada, com área total de 14 ha. De acordo com a autoridade fiscal (Termo de Verificação Fiscal fls. 132/137), a escritura de compra e venda que serviram de instrumento ao negócio realizado revelariam que o imóvel foi alienado em 23/08/2007 pelo valor de R$ 1.300.000,00. Desse valor, R$ 910.000,00 coube à recorrente e o remanescente de R$ 390.000,00 coube a cada um dos outros três herdeiros. A contribuinte não apurou o ganho de capital auferido na alienação da propriedade rural à empresa Veracel Celulose S/A, não obstante declarar possuir dinheiro recebido por herança. A autoridade fiscal aponta, ainda, que levou em consideração todos os ajustes de atualização da moeda para real, assim como todos os redutores previstos em lei, conforme demonstrativo de fls. 34/38, tendo como referência a escritura pública de compra e venda de fls. 39/43. Como não teria ficado demonstrado que as benfeitorias foram lançadas como despesa da atividade rural, todo o rendimento obtido na alienação do imóvel foi tributado como ganho de capital. A Fiscalização utilizou o valor das escrituras corrigido com base nos índices constantes da tabela anexa à IN SRF nº 84, de 2001, o que teria resultado em um custo de aquisição de R$ 4.057,37. Foi aplicado o percentual de redução para imóveis adquiridos até 31/12/1995 e foi, por fim, apurado um ganho de capital de R$ 413.200,84 e imposto de renda de R$ 61.980,13. Foi apresentada impugnação, resultando no proferimento do Acórdão nº 15 32.423 3a Turma da DRJ/SDR, que a julgou procedente em parte, reduzindo o valor do Imposto de Renda devido. A DRJ considerou que o ano de aquisição foi 1988, e não a data da sentença que homologou a partilha, que foi 05/04/1993. Referida decisão foi emendada nos seguintes termos: Fl. 218DF CARF MF Processo nº 13555.000194/201180 Acórdão n.º 2201003.951 S2C2T1 Fl. 219 3 DATA DE AQUISIÇÃO. BENS ADQUIRIDOS PELO CASAL. No caso de bens adquiridos pelo casal sob comunhão universal de bens, a data de aquisição de imóvel vendido pela viúva meeira após a partilha é a data da sua aquisição pelo casal, e não a data da partilha. MULTA. QUALIFICAÇÃO INDEVIDA. Para qualificação da multa deve restar comprovado o evidente intuito de fraude. A ciência dessa decisão ocorreu em 31/05/2013 (fl.203) e o recurso voluntário foi tempestivamente apresentado em 18/06/2013 (fls. 210/214). Em suas razões recursais, a contribuinte alega, em síntese, que: O lançamento é nulo, posto que há uma incerteza quanto à base de cálculo. Em um primeiro momento houve uma informação equivocada no lançamento quanto à data de aquisição, posteriormente alterada pela decisão recorrida; No regime da comunhão universal de bens transmitemse todos os bens presentes e futuros dos cônjuges, ressalvados aqueles gravados com cláusula de incomunicabilidade. A decisão de primeira instância modificou a data de aquisição para o ano de 1988, mas não apontou a forma de como se deram os cálculos para apurar o ganho de capital. Não foi apontado o valor de aquisição, nem como foi atualizado esse valor, o que gera incerteza e insegurança na autuação, o que impede a contribuinte exercer plenamente as garantias constitucionais da ampla defesa e o direito ao contraditório. Por fim, requer seja dado provimento ao presente recurso, reformando a decisão de primeira instância para que o Auto de Infração seja julgado nulo. É relatório. Voto Conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra – Relator Admissibilidade O recurso voluntário apresentado preenche os requisitos de admissibilidade, devendo, pois, ser conhecido. Considerações Iniciais Fl. 219DF CARF MF Processo nº 13555.000194/201180 Acórdão n.º 2201003.951 S2C2T1 Fl. 220 4 De início, impende ressaltar que as alegações recursais circunscrevemse a alegação de um vício no lançamento quanto à incerteza da base de cálculo, o que resultaria em ofensa aos princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa. Destarte, temse que a preliminar arguida confundese com o mérito, razão pela qual será apreciada em conjunto com este. Do mérito A decisão de primeira instância se manifestou acerca da data de aquisição da propriedade rural objeto do ganho de capital apurado no lançamento, nos termos seguintes: Tem razão a impugnante quanto à data de aquisição do imóvel. No auto de infração foi considerada a data da partilha, em 1993. Mas o imóvel havia sido adquirido durante a vigência da sociedade conjugal, sob o regime de comunhão universal de bens, em 1988, por doação, como está anotado no Cartório de Registro de Imóveis, Mat. 1.069, reg. n° 034 (fls. 113). Recalculandose o ganho de capital com data de aquisição em 1988, o imposto se reduz para R$ 58.881,12, como demonstrado às fls. 192/194. Depreendese do teor do excerto da decisão de piso supra que a recorrente teve, quanto à data de aquisição da propriedade, procedentes as alegações defensivas, o que resultou em um recálculo do valor do Imposto de Renda devido decorrente da apuração do ganho de capital. Contudo, em sede recursal, a contribuinte utiliza os fundamentos da decisão recorrida para sustentar a tese de que há uma incerteza quanto à base de cálculo, uma vez que a instância a quo alterou a data de aquisição do imóvel considerada pela autoridade lançadora. Impende ressaltar que o crédito tributário encontrase definitivamente constituído quando não couber mais qualquer espécie de recurso na esfera administrativa. O processo administrativo fiscal tem por escopo exercer o controle de legalidade do ato administrativo de lançamento. Constatando que a aquisição do imóvel rural se deu por doação à recorrente e ao seu excônjuge no ano de 1988, na vigência do casamento por comunhão universal de bens, a DRJ procedeu à alteração da data de aquisição, considerada pela autoridade lançadora como adquirida no ano de 1993. A impugnação ao lançamento do crédito tributário instaura o contencioso administrativo fiscal. No exercício da função administrativa de autocontrole (legalidade), a Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ) aprecia os fatos e circunstâncias comprobatórias da situação que poderá ensejar a alteração do lançamento. A alteração da data de aquisição da propriedade rural é um poder/dever da autoridade julgadora para adequar o lançamento aos elementos e provas carreadas aos autos. Esse fato, por óbvio, não gerou nenhuma incerteza quanto à base de cálculo, como pretende fazer crer a recorrente. Fl. 220DF CARF MF Processo nº 13555.000194/201180 Acórdão n.º 2201003.951 S2C2T1 Fl. 221 5 A matéria é tratada na Instrução Normativa SRF nº 84, de 2001, que trata da apuração e tributação do ganho de capital apurado por pessoa física: Art. 21. Considerase data de aquisição: I a da abertura da sucessão, na transferência causa mortis, inclusive na hipótese de cessão de direitos hereditários; II a data da transferência do bem, na doação; III na meação por morte, na dissolução da sociedade conjugal ou união estável: a) a do instrumento original, se se tratar de bens ou direitos preexistentes à sociedade conjugal ou união estável, se pertencentes ao alienante; b) a do casamento, se pertencentes ao outro cônjuge e o regime for de comunhão de bens; c) a da aquisição, se adquiridos na constância da sociedade conjugal ou união estável; IV a da sentença, na partilha ou sobrepartilha decorrente da dissolução da sociedade conjugal ou união estável, para os bens e direitos havidos fora da meação ou da divisão do condomínio. (grifo não constante do original). Desse modo, agiu com acerto a decisão de piso ao modificar a data de aquisição e, com isso, reduzir o valor devido de Imposto de Renda a pagar decorrente do ganho de capital apurado na alienação do imóvel rural denominado Sítio Alvorada. Não assiste razão à recorrente, quando afirma que a decisão não apontou a forma de como se deram os cálculos para apurar o ganho de capital. O demonstrativo de apuração de ganho de capital colacionado às fls. 192/194 reúne todas as informações necessárias à compreensão da exação, inclusive demonstrando os percentuais de redução do ganho de capital estabelecidos pelas Leis 7.713/1988 e 11.196/2005. Resta claro, pois, que o recorrente teve a exata compreensão do Auto de Infração, sendo improcedente a alegada ocorrência de cerceamento ao direito de defesa, não se vislumbrando nenhum vício no lançamento que possa eivalo de nulidade. Conclusão Diante do exposto, voto por conhecer do recurso voluntário para rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, negarlhe provimento. Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Fl. 221DF CARF MF Processo nº 13555.000194/201180 Acórdão n.º 2201003.951 S2C2T1 Fl. 222 6 Fl. 222DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15504.015546/2008-27
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 15/05/2008
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-005.907
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 55 46 /2 00 8- 27 Fl. 119DF CARF MF Processo nº 15504.015546/200827 Acórdão n.º 9202005.907 CSRFT2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 15979.000274/200701. Tratase de auto de infração, referente às contribuições devidas ao INSS, destinadas à Seguridade Social. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Fl. 120DF CARF MF Processo nº 15504.015546/200827 Acórdão n.º 9202005.907 CSRFT2 Fl. 0 3 Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202005.782, de 26/09/2017, proferido no julgamento do processo 15979.000274/200701, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202005.782): Pressupostos De Admissibilidade O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Do mérito Aplicação da multa retroatividade benigna Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade Fl. 121DF CARF MF Processo nº 15504.015546/200827 Acórdão n.º 9202005.907 CSRFT2 Fl. 0 4 benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdãonº9202004.262 (Sessão de23dejunhode2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. Fl. 122DF CARF MF Processo nº 15504.015546/200827 Acórdão n.º 9202005.907 CSRFT2 Fl. 0 5 A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º doart. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pelaMP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas noart. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdãonº9202004.499 (Sessão de 29desetembrode2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: Fl. 123DF CARF MF Processo nº 15504.015546/200827 Acórdão n.º 9202005.907 CSRFT2 Fl. 0 6 I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao Fl. 124DF CARF MF Processo nº 15504.015546/200827 Acórdão n.º 9202005.907 CSRFT2 Fl. 0 7 raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na Fl. 125DF CARF MF Processo nº 15504.015546/200827 Acórdão n.º 9202005.907 CSRFT2 Fl. 0 8 NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). Fl. 126DF CARF MF Processo nº 15504.015546/200827 Acórdão n.º 9202005.907 CSRFT2 Fl. 0 9 § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de Fl. 127DF CARF MF Processo nº 15504.015546/200827 Acórdão n.º 9202005.907 CSRFT2 Fl. 0 10 ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Por fim, destacase que, independente do lançamento fiscal analisado referirse a Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) e Acessória (AIOA), este último consubstanciado na omissão de fatos geradores em GFIP, lançados em conjunto, ou seja formalizados em um mesmo processo, ou em processos separados, a aplicação da legislação não sofrerá qualquer alteração, posto que a Portaria PGFN/RFB nº 14/2009 contempla todas as possibilidades, já que a tese ali adotada tem por base a natureza das multas. Conclusão Face o exposto, voto no sentido de CONHECER do recurso ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL, para, no mérito, DAR LHE PROVIMENTO, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. É como voto. Face o exposto, voto por conhecer do Recurso Especial e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 128DF CARF MF Processo nº 15504.015546/200827 Acórdão n.º 9202005.907 CSRFT2 Fl. 0 11 Fl. 129DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 17883.000082/2007-81
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003, 2004
OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - RENDIMENTOS CONFESSADOS NAS DECLARAÇÕES DE AJUSTE ANUAL - TRÂNSITO PELAS CONTAS DE DEPÓSITOS - EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO LANÇADO POSSIBILIDADE.
Uma vez que se pode presumir relação entre os rendimentos tributáveis declarados e os créditos bancários caracterizados como rendimentos omitidos, deve-se fazer a competente exclusão da base de cálculo do imposto lançado dos rendimentos tributáveis constantes da declaração de ajuste anual do contribuinte.
Recurso Especial Provido
Numero da decisão: 9202-005.634
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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Uma vez que se pode presumir relação entre os rendimentos tributáveis declarados e os créditos bancários caracterizados como rendimentos omitidos, devese fazer a competente exclusão da base de cálculo do imposto lançado dos rendimentos tributáveis constantes da declaração de ajuste anual do contribuinte. Recurso Especial Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 88 3. 00 00 82 /2 00 7- 81 Fl. 204DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e João Victor Ribeiro Aldinucci. Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pela Fazenda Nacional face ao acórdão 220101.342, proferido pela 1ª Turma Ordinária / 2ª Câmara / 2ª Seção de Julgamento. Tratase o presente processo de Auto de Infração referente ao imposto sobre a renda da pessoa física anoscalendário 2002 e 2003, decorrente de omissão de rendimentos proveniente de depósitos bancários com origem não comprovada, no valor de R$ 281.846,44 (duzentos e oitenta e um mil, oitocentos e quarenta e seis reais e quarenta e quatro centavos), sendo: Imposto de R$ 122.243,72; Juros de Mora (calculados até 30/04/2007) de R$ 67.919,94; Multa proporcional (passível de redução) de R$ 91.682,78. O Contribuinte, às fls. 94/95, apresentou a impugnação alegando, em síntese, solicita que dos valores tributados sejam abatidos os valores declarados a titulo de rendimentos tributáveis e rendimentos isentos e não tributáveis, nos anos calendário 2002 e 2003. Disse ainda que mantinha em atividade, juntamente com sua esposa, uma pessoa jurídica que não possuía conta corrente em bancos. A DRJ/RJ2, às fls. 141/144, julgou improcedente a impugnação. O Contribuinte apresentou Recurso Voluntário às fls. 148/152, alegando, dentre outras, que o valor não declarado pelo recorrente, foi movimentado pela referida sociedade empresária denominada CENTRAL DA AMARAL PEIXOTO ESTACIONAMENTO LTDA., inscrita no CNPJ/MF sob o n°03.320.106/000160, da qual este era sócio, juntamente com sua esposa, a época dos fatos. Destacou que os rendimentos da citada sociedade empresária já haviam sido devidamente declarados, como constou nos próprios autos. Portanto, como já provado nos autos, conforme fls. 108 a 135, o valor que excedeu aquele declarado pelo recorrente, foi utilizado pela citada sociedade empresária, evidenciando interposição de pessoa, não fazendo jus ao Fisco considerar o crédito tributário expresso no Auto de Infração. A 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 157/164, DEU PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Ordinário, para excluir da base de cálculo os valores de R$ 119.917,86 e R$ 108.830,22, informados nas declarações de ajuste do contribuinte nos anoscalendário 2002 e 2003, respectivamente. A Decisão restou assim ementada: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2003, 2004 NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. Fl. 205DF CARF MF Processo nº 17883.000082/200781 Acórdão n.º 9202005.634 CSRFT2 Fl. 10 3 Não padece de nulidade o lançamento que contém todos os requisitos exigidos na legislação processual. A peça produzida pelo julgador singular enfrentou e fundamentou os questionamentos efetuados pelo recorrente, inclusive, fez referência à fragilidade da prova constituída. IRPF. CONTRIBUINTE QUE MOVIMENTA RECURSOS DA ATIVIDADE EMPRESARIAL EM SUA CONTA BANCÁRIA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. O lançamento do imposto de renda com base em depósitos bancários só é possível quando não comprovada a origem. O contribuinte não logrou comprovar que movimenta recursos da atividade comercial em sua conta bancária. Nos autos, há um longo rol de depósitos sem origem comprovada. IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS INFORMADOS NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE. Os rendimentos tributáveis informados na declaração de ajuste devem ser excluídos da base de cálculo do lançamento. (Precedentes da Câmara Superior de Recursos Fiscais – CSRF) Às fls. 167/180, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, no qual argumentou que Colegiado a quo presumiu que o valor declarado em DAA pode ser considerado como comprovação de origem dos depósitos bancários, independente de identificação entre as fontes e os depósitos bancários, independente de identificação entre as fontes e os depósitos. De outro modo, os acórdãos paradigmas firmaram entendimento de que é necessária a demonstração efetiva da origem dos recursos depositados, sendo incabíveis meras alegações, tais como a de que o valor declarado em DAA estaria englobando entre os depósitos. Cada depósito deve ser justificado individualizadamente como determina a lei. Ao realizar o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial, às fls. 186/188, a 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, DEU SEGUIMENTO ao recurso, concluindo restar demonstrada a divergência de interpretação em relação à seguinte matéria: omissão de depósito bancário, pois, os paradigmas, à semelhança do acórdão recorrido, tratam de lançamento de imposto de renda de pessoa física, baseado na presunção legal disposta no art. 42 da Lei nº 9.430/1996. No recorrido, a turma decidiu excluir os rendimentos declarados (tributáveis, isentos ou não tributáveis) da base de cálculo da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Já os paradigmas consideraram indispensável a individualização e a vinculação de cada depósito aos rendimentos declarados para a comprovação da sua origem. Resta, portanto, patente a divergência jurisprudencial alegada. Cientificado à fl. 193, o Contribuinte apresentou contrarrazões às fls. 195/201, arguindo, preliminarmente, serem os acórdãos paradigmas ultrapassados, visto que ocorreram em 2008, restando superada, diferentemente daqueles que foram apresentados na decisão recorrida, que foram julgados em 2011. Assim, o entendimento expresso nos recentes Acórdãos adotados pela decisão recorrida já é defendido pelo Conselho Administrativo e pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, o que traduz a possibilidade de os rendimentos tributáveis informados em DAA serem excluídos da base de cálculo de eventual lançamento efetuado pelo Fisco. No mérito, reforçou os argumentos anteriores e os adotados pelo acordão recorrido. Fl. 206DF CARF MF 4 Vieram os autos conclusos para julgamento. É o relatório. Voto Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora DO CONHECIMENTO O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merece ser conhecido. Observo que a simples menção da data para obstar a utilização de um acórdão como paradigma não deve prosperar. O que se leva em conta é se existe similitude fática entre o acórdão recorrido e o paradigma e se a divergência entre ambos se deu em razão de interpretação da mesma norma vigente. Sendo assim, conheço do Recurso interposto pela Fazenda Nacional. DO MÉRITO Tratase o presente processo de Auto de Infração referente ao imposto sobre a renda da pessoa física anoscalendário 2002 e 2003, decorrente de omissão de rendimentos proveniente de depósitos bancários com origem não comprovada, no valor de R$ 281.846,44 (duzentos e oitenta e um mil, oitocentos e quarenta e seis reais e quarenta e quatro centavos), sendo: Imposto de R$ 122.243,72; Juros de Mora (calculados até 30/04/2007) de R$ 67.919,94; Multa proporcional (passível de redução) de R$ 91.682,78. O Acórdão recorrido deu parcial provimento ao Recurso Ordinário. O Recurso Especial, apresentado pela Fazenda Nacional trouxe para análise a seguinte divergência: omissão de depósito bancário, tendo em vista que, diferente do entendimento do acórdão recorrido, os paradigmas consideram indispensável a individualização e a vinculação de cada depósito aos rendimentos declarados para a comprovação da sua origem. Observese que a discussão em tela trata de presunção legal, que permite à Fazenda tributar depósitos bancários sem origem e/ou tributação justificados, cabendo prova em contrário, por parte da contribuinte. Utilizase aqui das lições de Alfredo Augusto Becker, para que possamos compreender o sentido axiológico do instituto em discussão. Assim, "presunção é o resultado Fl. 207DF CARF MF Processo nº 17883.000082/200781 Acórdão n.º 9202005.634 CSRFT2 Fl. 11 5 de processo lógico mediante o qual do fato conhecido cuja existência é certa se infere o fato desconhecido cuja existência é provável (Teoria Geral do Direito Tributário, 3. ed. São Paulo: Lejus. 1998. pg. 508). No caso da técnica de apuração baseada em presunção estabelecida pelo art. 42 da Lei 9.430/96, o fato conhecido é a existência de depósitos bancários, que denotam, a priori, acréscimo patrimonial. Tendo em vista que renda, para fins de imposto de renda, é considerada como o acréscimo patrimonial em determinado período de tempo, a existência de depósitos sem origem e sem tributação comprovados levam à presunção de que houve acréscimo patrimonial não oferecido à tributação; logo, omitido o fato desconhecido de existência provável. Vejamos o que diz o artigo: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.” Podemos, deste dispositivo, destacar os comandos principais: caracterizase omissão de receitas + contribuinte regularmente intimado + não comprove origem com documentação hábil e idônea. Isso significa que temse uma autorização legal para considerar ocorrido o “fato gerador” quando o contribuinte não logra comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, não havendo a necessidade do fisco juntar qualquer outra prova. Não há dúvidas, portanto, de que o art.42 da Lei 9430/96 é uma presunção legal a favor do fisco que inverte o ônus da prova, trazendo ao contribuinte (caso não se trate de omissão) o dever de fazer prova em contrário capaz de refutar essa presunção disposta em lei. Contudo, se cabe ao contribuinte fazer prova a seu favor, isso rende a esta “presunção legal" uma nota de relatividade. Remetendo a análise das provas dos autos, sob as quais se manifesta pontualmente o acórdão recorrido. No caso em tela, a discussão fica por conta de considerar omitidos também aqueles depósitos cujos valores estejam englobados na declaração de imposto de renda pessoa física DIRPF. Ou seja, para os valores constantes da DIRPF também são necessária aa comprovações pormenorizadas da origem dos depósitos? A insurgência apontada pela Fazenda consiste na alegada necessidade de comprovação da origem mesmo quando se tratar de rendimentos declarados. A insurgência principal do contribuinte neste caso é o de que os valores por ele declarados em suas Declarações de Imposto de Renda não foram excluídos da base de cálculo da omissão de rendimentos, quando deveriam ter sido. Deixo de proceder a análise probatória dos depósitos e das provas, pois a valoração probatória não cabe a esta Câmara Superior, cabendo aqui neste caso tão somente Fl. 208DF CARF MF 6 decidir a respeito da tese jurídica matéria que foi admitida qual seja, se os valores declarados na DIRPF prescindem ou não de comprovação de origem, tais como os depósitos não declarados (omitidos). O acórdão recorrido deu razão ao contribuinte, conforme excerto abaixo: Ainda, em relação ao mérito, solicita o recorrente que seja abatido do montante que originou o auto de infração o rendimento tributário informado em sua Declaração de Ajuste dos anos de 2002 e 2003. A jurisprudência deste Conselho Administrativo tem defendido que é razoável que não apenas os rendimentos omitidos, mas também aqueles declarados tenham transitado pelas contas bancárias do contribuinte. Neste sentido, não aceitar tal situação significa presumir que os rendimentos declarados foram movimentados em espécie, o que não é possível. Portanto, os rendimentos próprios e do cônjuge (sócia da pessoa jurídica) informados nas declarações de ajuste do contribuinte no valor de R$ 119.917,86 e R$ 108.830,22, relativo aos anos calendário 2002 e 2003, respectivamente, devem ser excluídos da exigência. A alegação do Contribuinte de que os rendimentos declarados na DIRPF devem ser excluídos dos valores objeto de tributação tem fundamento, caso contrário, estaríamos tributando novamente algo que foi declarado e tributado, ou apenas declarado nos casos de rendimentos isentos e não tributáveis. Desta forma, devemos manter a exclusão concedida no acórdão recorrido para retirar da base de cálculo os valores informados nas Declarações de Rendimentos a título de rendimento tributável o valor de R$ 228.748,08 (R$ 119.917,86 em relação ao ano‑ calendário 2002 e R$ 108.830,22 em relação ao ano ‑ calendário 2003). Neste ponto, entendo, inclusive, de modo mais abrangente, pois o valor declarado pelo sujeito passivo como rendimento da DIRPF pode ser considerado como prova de origem, independentemente de sua natureza (tributável, não tributável ou isento), pois uma vez que não foi objeto de glosa, não precisa sobre ele ser provada a identidade entre fonte e depósito. Assim, os valores declarados nas DIRPF's deveriam ser excluídos da base de cálculo da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, já que tais rendimentos não foram objeto de glosa pela autoridade fiscal, ou seja, estes recursos foram tacitamente confirmados pelo Fisco. Ressalto que a maioria do colegiado entende de modo diverso, devendo tão somente o valor declarado pelo sujeito passivo como rendimento tributável ter sua origem como comprovada. Fl. 209DF CARF MF Processo nº 17883.000082/200781 Acórdão n.º 9202005.634 CSRFT2 Fl. 12 7 Diante do exposto voto no sentido de conhecer do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional para no mérito negarlhe provimento, mantendo o acórdão recorrido na sua integralidade. É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 210DF CARF MF
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