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Numero do processo: 10882.903770/2009-28
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1999
COMPENSAÇÃO. RESTITUIÇÃO. PRAZO DECADENCIAL.
A transmissão de declaração de compensação, antes de findo o prazo decadencial de cinco anos para a formalização de pedido de restituição, não tem o mesmo efeito atribuído a pedido de restituição ou de ressarcimento, não se lhe aplicando a possibilidade de garantir a utilização de saldo de créditos em declarações de compensação transmitidas posteriormente ao prazo decadencial referido.
Numero da decisão: 1402-003.141
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário em face de decadência.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente.
(assinado digitalmente)
Demetrius Nichele Macei - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei, Paulo Mateus Ciccone (Presidente) e Ailton Neves da Silva (Suplente convocado).
Nome do relator: DEMETRIUS NICHELE MACEI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1999 COMPENSAÇÃO. RESTITUIÇÃO. PRAZO DECADENCIAL. A transmissão de declaração de compensação, antes de findo o prazo decadencial de cinco anos para a formalização de pedido de restituição, não tem o mesmo efeito atribuído a pedido de restituição ou de ressarcimento, não se lhe aplicando a possibilidade de garantir a utilização de saldo de créditos em declarações de compensação transmitidas posteriormente ao prazo decadencial referido.
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RESTITUIÇÃO. PRAZO DECADENCIAL. A transmissão de declaração de compensação, antes de findo o prazo decadencial de cinco anos para a formalização de pedido de restituição, não tem o mesmo efeito atribuído a pedido de restituição ou de ressarcimento, não se lhe aplicando a possibilidade de garantir a utilização de saldo de créditos em declarações de compensação transmitidas posteriormente ao prazo decadencial referido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário em face de decadência. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente. (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 37 70 /2 00 9- 28 Fl. 75DF CARF MF 2 Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei, Paulo Mateus Ciccone (Presidente) e Ailton Neves da Silva (Suplente convocado). Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10882.903770/200928 Acórdão n.º 1402003.141 S1C4T2 Fl. 75 3 Relatório O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório que indeferiu compensação. O PER/DCOMP foi transmitido com o objetivo de compensar o(s) débito(s) nele discriminado(s) com crédito de IRPJ, decorrente de recolhimento com Darf. Constatouse, no Despacho Decisório, que, na data de transmissão do documento em análise, já estava extinto o direito de utilização do crédito, por terem se passado mais de cinco anos entre a data de arrecadação do DARF e a data de transmissão do PER/DCOMP. Diante do exposto, a compensação declarada NÃO foi HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, alegando que o DCOMP original com demonstrativo de crédito foi transmitido dentro do prazo de cinco anos para recuperação de pagamentos indevidos. Alegou, ainda, que, uma vez feita a declaração do crédito dentro do prazo legal, não se há de mencionar a extinção do direito de sua utilização. A decisão de primeira instância julgou improcedente a manifestação de inconformidade, para não reconhecer o direito creditório postulado e não homologar as compensações em litígio. Extraise do voto: A existência de DCOMP transmitida antes da extinção do direito de pleitear restituição de determinado pagamento não legitima compensações com ele efetuadas depois da extinção. A declaração de compensação não interrompe a contagem do prazo para extinção do direito de pedir restituição. O art. 42 da IN RFB n.º 1.300, de 2012, dispõe que o crédito do sujeito passivo para com a Fazenda Nacional que exceder ao total dos débitos por ele compensados mediante a entrega da “Declaração de Compensação” somente será restituído ou ressarcido pela RFB caso tenha sido requerido mediante “Pedido de Restituição” ou “Pedido de Ressarcimento” formalizado dentro do prazo previsto no art. 168 do Código Tributário Nacional (idêntica disposição se encontra no art. 27 da IN SRF n.º 460, de 2004, no art. 27 da IN SRF n.º 600, de 2006, e no art. 35 da IN RFB n.º 900, de 2008). Portanto, o fato de o crédito ser superior ao débito não altera a natureza da “Declaração de Compensação”, que não supre a falta do “Pedido de Restituição” do saldo remanescente. A legislação de regência, ao detalhar o direito de restituição de pagamentos indevidos ou maior que o devido, garantido pelo CTN, dentro do prazo de cinco anos contados do pagamento em questão (art. 168, I), no caso, o art. 42 da IN RFB 1300, de 2012 e, anteriormente, o art. 35 da IN RFB 900, de 2008, trazem a regra. Fl. 77DF CARF MF 4 Vejase: Art. 35. O crédito do sujeito passivo para com a Fazenda Nacional que exceder ao total dos débitos por ele compensados mediante a entrega da Declaração de Compensação somente será restituído ou ressarcido pela RFB caso tenha sido requerido pelo sujeito passivo mediante pedido de restituição ou pedido de ressarcimento formalizado dentro do prazo previsto no art. 168 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN) ou no art. 1º do Decreto nº20.910, de 6 de janeiro de 1932. Art. 42. O crédito do sujeito passivo, para com a Fazenda Nacional, que exceder ao total dos débitos por ele compensados mediante a entrega da Declaração de Compensação somente será restituído ou ressarcido pela RFB caso tenha sido requerido pelo sujeito passivo mediante pedido de restituição ou pedido de ressarcimento formalizado dentro do prazo previsto no art. 168 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN) ou no art. 1º do Decreto nº20.910, de 6 de janeiro de 1932. Inconformado, o autuado interpôs Recurso Voluntário a esta Colenda Turma, requerendo:sejam acolhidas todas as razões de fato e de direito expendidas na peça recursal, homologandose, por decorrência, a compensação objeto da Declaração de Compensação que instrui o presente contencioso administrativo fiscal. É o relatório. Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10882.903770/200928 Acórdão n.º 1402003.141 S1C4T2 Fl. 76 5 Voto Conselheiro Demetrius Nichele Macei Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual, dele conheço. Consignase, ainda, que o Recurso Voluntário em questão é representativo de controvérsia e, desta forma, foi designado para ser julgado sob o regime de recursos repetitivos. Em síntese, o contribuinte transmitiu PER/DCOMP no qual pretendia compensar recolhimento indevido e/ou maior que o devido, feito em DARF, com débitos de PIS e COFINS. A DRF de origem, em despacho decisório, não reconheceu o direito creditório, uma vez que havia transcorrido prazo maior do que 5 (cinco) anos entre a data de pagamento do DARF e a data de transmissão da PER/DCOMP. Apresentada manifestação de inconformidade, a DRJ competente consignou no v. acórdão recorrido que o contribuinte não tinha apresentado, antes do escoamento do prazo de 5 (cinco) anos contados do pagamento do DARF, pedido de restituição ou de ressarcimento de seus créditos. A transmissão de declaração de compensação, antes do final do prazo de 5 (cinco) anos da data de pagamento do DARF não tem o mesmo efeito de pedido de ressarcimento ou restituição, ou seja, não interrompe a contagem do prazo para extinção do direito de pedir a restituição. Em recurso voluntário, o contribuinte reitera que transmitiu PER/DCOMP antes de esgotado o prazo de 5 (cinco) anos para a utilização do pagamento indevido ou maior que o devido feito com DARF; que retificou essa PER/DCOMP original posteriormente ao prazo, bem como transmitiu outras PER/DCOMP, após o prazo de cinco anos, mas referentes ao crédito original, vinculado à primeira PER/DCOMP transmitida antes do decurso do prazo de cinco anos. Por inexistir preliminares, passo a análise de mérito. Ressaltase, inicialmente, que não há questionamentos quanto ao DARF que originou o crédito utilizado para fins de compensação. A data de seu pagamento é o termo a quo para a contagem do prazo decadencial de cinco anos para que o contribuinte exerça o seu direito à restituição do pagamento indevido ou maior do que o devido, nos termos do art. 168, I, do CTN. Antes de transcorrido o prazo decadencial de cinco anos, o contribuinte transmitiu uma DCOMP informando o seu crédito, bem como declarando a compensação com débitos próprios. Fl. 79DF CARF MF 6 Vejase cópia do documento originário de toda a controvérsia, em que se pode observar o "tipo do documento": Adiante vejase o registro do crédito (R$ 17.604,89): Agora vejase as mesmas telas, que o contribuinte chama de PER/DCOMP retificadora: Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10882.903770/200928 Acórdão n.º 1402003.141 S1C4T2 Fl. 77 7 Finalmente, a tela relativa ao crédito informado: Contudo, transcorrido o prazo de cinco anos da data do pagamento do DARF objeto dos créditos do contribuinte, este não fez, conforme relatado anteriormente, "pedido de restituição" do saldo restante de seus créditos. Em verdade, apresentou, posteriormente ao prazo, outras DCOMP, sendo que uma delas retificava a original e outras utilizavam o saldo do crédito em novas compensações declaradas. A questão controvertida a ser decidida, em sede de recurso repetitivo, é se as demais DCOMP, transmitidas após o prazo de cinco anos contados do pagamento indevido ou maior que o devido, sem prévio "pedido de restituição" dentro do prazo de cinco anos, seriam meios hábeis a permitir o exercício do direito de restituição garantido ao contribuinte pelo art. 168, I, do CTN, tomando por origem a DCOMP original, transmitida dentro do prazo decadencial. Vejase que as normas complementares não trazem a possibilidade de uma declaração de compensação ser utilizada para o exercício do direito de restituição nos moldes do art. 168, I, do CTN, demonstrando que, no caso concreto, a DCOMP transmitida antes do encerramento do prazo decadencial de cinco anos não garantiu ao contribuinte o direito de, posteriormente, utilizarse dos créditos remanescentes daquela primeira compensação, os quais restaram fulminados pela decadência. Desta forma, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário do contribuinte, reconhecendo que a transmissão de declaração de compensação, antes de findo o prazo decadencial de cinco anos para a formalização de pedido de restituição, não tem o mesmo efeito atribuído a um pedido de restituição ou de ressarcimento, não se lhe aplicando a possibilidade de garantir a utilização de saldo de créditos em declarações de compensação transmitidas posteriormente ao prazo decadencial referido. É o voto (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei Fl. 81DF CARF MF 8 Fl. 82DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10768.908975/2006-63
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1001-000.511
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
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Incabível a retificação de DCOMP através de manifestação de inconformidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva Relatório Tratase Recurso Voluntário contra o acórdão, número 1226.668, da 5ª Turma da DRJ/RJ1, o qual indeferiu a Manifestação de Inconformidade contra o despacho AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 90 89 75 /2 00 6- 63 Fl. 312DF CARF MF 2 decisório que não homologou a declaração de compensação DCOMP n° 40694.12471.300703.1.3.046132, em 30/07/2003 (fl.2),cujo voto reproduzo (parcialmente) a seguir: Voto 4. A manifestação de inconformidade é tempestiva e refine os demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n° 70.235/1972. Portanto, dela conheço. 5. A interessada contesta a decisão que não homologou a compensação declarada, mas admite que errou e só tomou conhecimento dos erros através do despacho decisório recepcionado em 30/07/2008, quando não havia mais tempo para efetuar as retificações. 6. Consultado o sistema SIEF/FISCEL verificamos que, para o pagamento n° 0485378369 no valor de R$ 1.148,33 referese ao PA 30/06/2000, código de receita 2362 (fl.109). 7. A legislação de regência abrange o Código Tributário Nacional (CTN) — Lei 5.172/66, artigos 156 e 170, a Lei 9430/96, artigos 73 e 74 e Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal e da Receita Federal do Brasil: CTN Art. 156. Extinguem o crédito tributário: (..) 11 a compensação; Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Lei 9.430/96: Restituição e Compensação de Tributos e Contribuições. Art. 73. Para efeito do disposto no art. 70 do Decretolei n° 2.287, de 23 de julho de 1986, a utilização dos créditos do contribuinte e a quitação de seus débitos serão efetuadas em procedimentos infernos à Secretaria da Receita Federal, observado o seguinte: 1 o valor bruto da restituição ou do ressarcimento será debitado e) conta do tributo ou da contribuição a que se referir; contribuinte ou responsável será creditada 6 conta do respectivo tributo ou da respectiva contribuição. Art. 74. 0 sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer Fl. 313DF CARF MF Processo nº 10768.908975/200663 Acórdão n.º 1001000.511 S1C0T1 Fl. 3 3 tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei n° 10.637, de 2002) § 1° A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. (Incluído pela Lei n° 10.637, de 2002) § 2° A compensação declarada Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei n° 10.637, de 2002) § 3° Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1°: (Redação dada pela Lei no 10.833, de 2003) 1 o saldo a restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física; (Incluído pela Lei n° 10.637, de 2002) II os débitos relativos a tributos e contribuições devidos no registro da Declaração de Importação. (Incluído pela Lei n° 10.637, de 2002) Ill os débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal que já .tenham sido encaminhados à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional pare inscrição em Divide Ativa da União; (Incluído pela Lei n° 10.833, de 2003) V o débito que j6 tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; e (Redação dada pela Lei n° 11.051, de 2004) VI o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento já indeferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal SRF, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. (Incluído pela Lei n°11.051, de 2004) § 4° Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo.(Incluído pela Lei n° 10.637, de 2002) § 5° 0 prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei n° 10.833, de 2003) § 6° A declaração de compensação constitui confissão de divida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. (Incluído pela Lei n° 10.833, de 2003) § 70 Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento Fl. 314DF CARF MF 4 dos débitos indevidamente compensados.(Incluído pela Lei n° 10.833, de 2003) § 8° Não efetuado o pagamento no prazo previsto no § 7°, o débito será encaminhado 5 Procuradoria Geral da Fazenda Nacional para inscrição em Divida Ativa da União, ressalvado o disposto no § 9°. (incluído pela Lei n° 10.833, de 2003) § 9° 8 facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7°, apresentar manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação. (Incluído pela Lei n° 10.833, de 2003) § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes.(Incluído pela Lei n° 10.833, de 2003) § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9° e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso Ill do art. 151 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (Incluído pela Lei n° 10.833, de 2003) § 12. Será considerada não declarada a compensa cão nas hipóteses: (Redação dada pela Lei n° 11.051, de 2004) I previstas no § 30 deste artigo; (Incluída pela Lei n° 11.051, de 2004) II em que o crédito: (Incluída pela Lei n° 11.051, de 2004) a) seja de terceiros; (Incluída pela Lei n° 11.051, de 2004) b) refirase a "créditoprêmio" instituído pelo art. 1° do DecretoLei n° 491, de 5 de março de 1969; (incluída pela Lei n° 11.051, de 2004) c) refirase a titulo público; (Incluída pela Lei n° 11.051, de 2004) d) seja decorrente de decisão judicial do transitada em julgado; ou (incluída pela Lei no 11.051, de 2004) e) não se refira a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal SRF. (Incluída pela Lei n°11.051, de 2004) f) tiver como fundamento a alegação de inconstitucionalidade de lei, exceto nos casos em que a lei: (Redação dada pela Lei no 11.941, de 27 de maio de 2009) 1. tenha sido declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação direta de inconstitucionalidade ou em ação declaratória de constitucionalidade; (Incluído pela Lei n° 11.941, de 27 de maio de 2009) 2.tenha tido sua execução suspensa pelo Senado Federal; (Incluído pela Lei n° 11.941, de 27 de maio de 2009) 3.tenha sido julgada inconstitucional em sentença judicial transitada em julgado a favor do contribuinte; ou (Incluído pela Lei n° 11.941, de 27 de maio de 2009) Fl. 315DF CARF MF Processo nº 10768.908975/200663 Acórdão n.º 1001000.511 S1C0T1 Fl. 4 5 4.seja objeto de súmula vinculante aprovada pelo Supremo Tribunal Federal nos termos do art. 103A da Constituição FederaL (Incluído pela Lei n° 11.941, de 27 de maio de 2009) § 13. 0 disposto nos §§ 2° e 5° a 11 deste artigo não se aplica às hipóteses previstas no § 12 deste artigo. (Incluído pela Lei no 11.051, de 2004) § 14. A Secretaria da Receita Federal SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto 6 fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação. (Incluído pela Lei n° 11.051, de 2004) 8. Ao tempo da transmissão da DCOMP sub análise, estava em vigor a Instrução Normativa SRF n° 210/02, alterada pela IN SRF n° 226/2002, mas a retificação pretendida pela interessada em 15/08/2008 e apresentada em 22/08/2008 foi feita quando em vigor a IN SRF 600, de 28/12/2005, abaixo reproduzida: "Retificação de Pedido de Restituição, de Pedido de Ressarcimento e de Declaração de Compensação Art. 56. A retificação do Pedido de Restituição, do Pedido de Ressarcimento e da Declaração de Compensação gerados a partir do Programa PER/DCOMP, nas hipóteses em que admitida, deverá ser requerida pelo sujeito passivo mediante a apresentação à SRF de documento retificador gerado a partir do referido Programa. Parágrafo único. A retificação do Pad do de Restituição, do Pedido de Ressarcimento e da Declaração de Compensação apresentados em formulário (papel), nas hipóteses em que admitida, deverá ser requerida pelo sujeito passivo mediante a apresentação à SRF de formulário retificador, o qual será juntado ao processo administrativo de restituição, de ressarcimento ou de compensação para posterior exame pela autoridade competente da SRF. Art. 57. 0 Pedido de Restituição, o Pedido de Ressarcimento e a Declaração de Compensação somente poderão ser retificados pelo sujeito passivo caso se encontrem pendentes de decisão administrativa à data do envio do documento retificador e, no que se refere Declaração de Compensação, que seja observado o disposto nos arts. 58 e 59. Art. 58. A retificação da Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP ou elaborada mediante utilização de formulário (papel) somente será admitida na hipótese de inexatidões materiais verificadas no preenchimento do referido documento e, ainda, da inocorrência da hipótese prevista no art. 59. Art. 59. A retificação da Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP ou elaborada mediante utilização de formulário (papel) não será admitida quanto tiver por objeto a inclusão de novo débito ou o aumento do valor do débito compensado mediante a apresentação da Declaração de Compensação à SRF. Fl. 316DF CARF MF 6 Parágrafo único. Na hipótese prevista no caput, o sujeito passivo que desejar compensar o novo débito ou a diferença de débito deverá apresentar à SRF nova Declaração de Compensação. Art. 60. Admitida a retificação da Declaração de Compensação, o termo inicial da contagem do prazo previsto no § 2° do art. 29 será a data da apresentação da Declaração de Compensação retificadora." 9. A interessada admite ter cometido erro no preenchimento da PER/DCOMP n° 40694.12471.300703.1.3.046132 e pretende que seja feita a retificação desse documento, juntada em papel às fls. 40/3. 10. Da análise da legislação de regência, vemos que a retificação da DCOMP não é admitida quando já houve decisão administrativa ao tempo da elaboração do documento retificador. A ciência da decisão pela interessada da não homologação da DCOMP sub analise ocorreu em 30/07/2008 (fl.8) e a apresentação da DCOMP retificadora se deu em 22/08/2008 por ocasião da apresentação da manifestação de inconformidade. 11. Por outro lado, ao retificar a DCTF para modificar o valor de débito informado, não apresentou memória de cálculo da formação do débito, nem cópias dos seus livros contábeis e fiscais onde constassem valores que pudessem formar convicção inequívoca da veracidade dos fatos alegados, comprovando a liquidez e certeza do seu crédito. 12. Não há, no presente processo, condições de se averiguar a liquidez e certeza do crédito da interessada, como exige o CTN em seu artigo 170, para que seja possível homologar a compensação declarada pela PER/DCOMP n'40694.12471.300703.1.3.046132.. 13. Por todo o exposto, voto pela não homologação da DCOMP sub analise, pelo indeferimento dos pedidos constantes da manifestação de inconformidade. Voto Conselheiro José Roberto Adelino da Silva Relator Inconformada, a recorrente apresentou o Recurso Voluntário, que considerei tempestivo, visto a informação constante do documento de fl. 545, como segue: Tendo em vista que o contribuinte foi cientificado do Acórdão ng 1226.667 54 Turma da DRJ / RJ I (fls. 85/92) e apresentou recurso voluntário 18/12/2009 (fls. 98/99), proponho encaminhamento do presente processo ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, para apreciação. OBS: 0 Aviso de Recebimento (AR) não foi localizado e não há como rastreálo em virtude da falta de registro do seu número nas planilhas de controle de envio de correspondência. Em seu recurso, a recorrente apresenta preliminar que, na realidade, representa uma descrição dos fatos. A seguir, transcrevo as alegações da recorrente: Fl. 317DF CARF MF Processo nº 10768.908975/200663 Acórdão n.º 1001000.511 S1C0T1 Fl. 5 7 · Os perdcomp's nos 14009.86355.300703.1.3.045635; 40694.12471.300703.1.3.04 6132 e 07906.27081.300703.1.3.046146 (em anexo) foram confeccionados com o intuito de se compensar um débito de IRPJ código da receita 2362 período de apuração 30/06/2003 vencimento 31/07/2003 no valor de R$ 2.951,06 (anexo DIPJ e DCTF do período para analise) utilizando para isto três darf s de recolhimento a maior. O equivoco ocorreu ao repetirmos nos três perdcomps o valor integral do débito (R$ 2.951,06) não o fracionando de acordo com o crédito existente em cada darf. · Sendo cada documento processado individualmente nos controles da SRF, tivemos parte do primeiro crédito no valor principal de R$ 525,00 aceita através do despacho decisório (processo 10768908.976/200616) e a diferença no valor de R$ 2.158,58 não homologada, gerando assim a primeira cobrança deste tributo. · A segunda cobrança do mesmo tributo ocorreu com a não homologação do perdcomp n° 40694.12471.300703.1.3.046132 (processo 10768 908.975/200663) onde o valor nos foi cobrado integralmente, pois havíamos retificado a DCTF no momento em que tomamos ciência da falha cometida, o que causou duvidas a SRF sobre a existência do crédito, gerando assim uma segunda cobrança no valor de R$ 2.951,06 do referido débito. · E por fim, a terceira cobrança deste mesmo tributo ocorreu com a não homologação do perdcomp 07906.27081.300703.1.3.046146 (processo 10768 908.977/200652) onde o mesmo valor de R$ 2.951,06 nos foi cobrado integralmente, em virtude de não ter sido mais possível o processamento dos perdcomps retificadores. · Facultados pela Lei 10833/2003 que nos permite julgar parcialmente improcedente a decisão proferida a nossa manifestação de inconformidade, solicitamos a analise da DIPJ e DCTF do período em questão, que demonstra a existência de um só debito de IRPJ no valor de R$ 2.951,06, a fim de se proceder ao cancelamento dos perdcomp's nos 40694.12471.300703.1.3.04 6132 e 07906.27081.300703.1.3.046146, visto não ser possível mais a realização da compensação pretendida e com isto corrigir a cobrança indevida que originou os darfs nos valores de R$ 3.455,23; R$ 2.647,84; R$ 5.094,18 e R$ 1.008,89 (em anexo), que representam o valor original de R$ 5.902,12 (R$ 2.951,06 x 2), vide extratos dos processos recebidos da SRFMadureira, em anexo. Senhores Conselheiros, é este, em síntese, o ponto de discordância apontado neste Recurso:...; e Fl. 318DF CARF MF 8 · por fim, pede provimento ao seu recurso voluntário. O artigo 170, do Código Tributário Nacional (CTN) dispôe: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (grifei) O Parecer Normativo COSIT n° 2/2015, assim dispõe: 2 Em caso positivo, a retificação da DCTF, sozinha, é suficiente para a comprovação do pagamento indevido ou a maior? Se a retificação da DCTF for suficiente, há um limite temporal para que ela produza os efeitos de uma declaração original (antes da ciência do despacho decisório, a qualquer tempo ou antes de 5 anos do fato gerador)? a. Não, a DCTF por si só não é suficiente para a comprovação do pagamento indevido ou a maior. É necessário que os valores informados na DCTF estejam coerentes com outras declarações enviadas à RFB, a exemplo da DIPJ, Dacon, DIRF, em cada caso, ou confirmados por documentos fiscais ou contábeis acostados aos autos. Isso porque a existência de crédito líquido e certo é requisito legal para a concessão da compensação (CTN, art. 170). A divergência entre os valores informados na DCTF em relação a outras declarações não elidida por provas, afasta a certeza do crédito e é razão suficiente para o indeferimento da compensação.(grifei) Cita, ainda,o referido PN: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF.(Acórdão nº 3801¬002.926, Rel. Cons. Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Sessão de 25/02/2014) (grifouse) Com a devida venia, peço para adotar o voto da DRJ por concordar com o seu teor, o qual reproduzo (a parte final, apenas), mais uma vez: 9. A interessada admite ter cometido erro no preenchimento da PER/DCOMP n° 40694.12471.300703.1.3.046132 e pretende que seja feita a retificação desse documento, juntada em papel às fls. 40/3. 10. Da análise da legislação de regência, vemos que a retificação da DCOMP não é admitida quando já houve decisão administrativa ao tempo da elaboração do documento retificador. A ciência da decisão pela interessada da não homologação da DCOMP sub analise Fl. 319DF CARF MF Processo nº 10768.908975/200663 Acórdão n.º 1001000.511 S1C0T1 Fl. 6 9 ocorreu em 30/07/2008 (fl.8) e a apresentação da DCOMP retificadora se deu em 22/08/2008 por ocasião da apresentação da manifestação de inconformidade. ... 12. Não há, no presente processo, condições de se averiguar a liquidez e certeza do crédito da interessada, como exige o CTN em seu artigo 170, para que seja possível homologar a compensação declarada pela PER/DCOMP n'40694.12471.300703.1.3.046132.. 13. Por todo o exposto, voto pela não homologação da DCOMP sub analise, pelo indeferimento dos pedidos constantes da manifestação de inconformidade.Portanto, nego provimento ao presente recurso. Portanto, nego provimento ao presente recurso, direito creditório negado. É como voto. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Fl. 320DF CARF MF
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Numero do processo: 13971.916336/2011-11
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2003
BASE DE CÁLCULO. REGIME CUMULATIVO.
A declaração de inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, resultou no entendimento de que o conceito de faturamento, para fins de incidência dessas contribuições sociais, corresponde às receitas vinculadas à atividade mercantil típica da pessoa jurídica.
Numero da decisão: 9303-006.460
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado FEY PARTICIPAÇÕES E EMPREENDIMENTOS LTDA. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2003 BASE DE CÁLCULO. REGIME CUMULATIVO. A declaração de inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, resultou no entendimento de que o conceito de faturamento, para fins de incidência dessas contribuições sociais, corresponde às receitas vinculadas à atividade mercantil típica da pessoa jurídica. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 91 63 36 /2 01 1- 11 Fl. 153DF CARF MF Processo nº 13971.916336/201111 Acórdão n.º 9303006.460 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela Procuradoria da Fazenda Nacional PFN contra o Acórdão nº 3402003.958, de 28/03/2017, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção do CARF, que fora assim ementado: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2003 COFINS. ART. 3º, §1º DA LEI 9.718/98. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. RECEITA. ALARGAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE. APLICAÇÃO DO ART. 62, §2º, do RICARF. RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. CABIMENTO. A base de cálculo das contribuições ao PIS e a COFINS é o faturamento e, em virtude de inconstitucionalidade declarada em decisão plenária definitiva do STF, devem ser excluídas da base de cálculo as receitas que não decorram da venda de mercadorias ou da prestação de serviços. Aplicação do art. 62, §2º do RICARF. Recurso Voluntário Provido. Intimada da decisão, a PFN apresentou embargos de declaração, os quais, todavia, foram rejeitados mediante despacho do Presidente da 4ª Câmara. Também interpôs recurso especial, por meio do qual suscita divergência quanto ao conceito de faturamento, especialmente com relação à incidência do PIS/Cofins sobre receitas de aluguéis recebidas por empresa que se dedica à atividade de locação, face à declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Alega divergência com relação ao que decidido nos Acórdãos nº 3401002.726 e nº 330200.289. O recurso foi admitido por intermédio do Despacho de Admissibilidade do Presidente da 4ª Câmara. Intimada, a contribuinte apresentou contrarrazões ao recurso. É o Relatório. Fl. 154DF CARF MF Processo nº 13971.916336/201111 Acórdão n.º 9303006.460 CSRFT3 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303006.426, de 13/03/2018, proferido no julgamento do processo 13971.916300/201138, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303006.426): "Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso especial interposto pela PFN deve ser conhecido. Cumpre observar, inicialmente, que o objeto social principal da contribuinte é a exploração das atividades de locação, loteamento e arrendamento de bens próprios, construídos ou a construir, bem como a comercialização de bens móveis e imóveis, abrangendo a compra e venda, permuta, exceto a intermediação, assessoria e orientação técnica em negociações imobiliárias (vide fl. 25). Pois bem. O acórdão recorrido, aplicando decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal STF, deu provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito à restituição dos valores de PIS calculados sobre receitas não operacionais auferidas pela contribuinte com fulcro em dispositivo inconstitucional da Lei nº 9.718/98. As receitas que expressamente reconheceu não tributáveis foram as receitas financeiras ("JUROS RECEBIDOS", "VARIAÇÃO CAMBIAL") e os valores de "ALUGUÉIS RECEBIDOS". O primeiro paradigma, contudo, em flagrante dissenso interpretativo, concluiu o contrário, conforme facilmente comprova a simples leitura de sua ementa: Acórdão nº 3401002.726: LOCAÇÃO DE BENS IMÓVEIS. FATURAMENTO. PIS/PASEP E COFINS. INCIDÊNCIA. Na esteira da jurisprudência dos tribunais superiores, mormente o Superior Tribunal de Justiça, as receitas provenientes da locação de bens imóveis, quando objeto das atividades mercantis da pessoa jurídica, sujeitamse à incidência das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, tanto sob a regência da Lei Complementar nº 70/91, quanto pela Lei nº 9.718/98, não prejudicando tal entendimento a declaração de inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo promovida pelo art. 3º, § 1º deste último diploma legal (g.n.) No mérito, entendemos assistir razão à Recorrente. Como já é do conhecimento geral e referido no acórdão recorrido, o STF considerou incompatível com o então Texto Constitucional a ampliação da base de cálculo do PIS/Cofins (§ 1º do art. 3º da Lei n.º 9.718, de 1998), pacificando o entendimento de que o faturamento corresponde apenas à receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços (Rel. p/ Acórdão Min. Marco Aurélio Mello, RE 346.084, DJ de 1/09/2006). Contudo, alguns votos dos ministros que participaram do julgamento indicaram – e não como obiter dictum – o verdadeiro sentido que a esta expressão deve ser conferido. Fl. 155DF CARF MF Processo nº 13971.916336/201111 Acórdão n.º 9303006.460 CSRFT3 Fl. 5 4 Segundo o Min. Cezar Peluso, que foi acompanhado pelo Min. Sepúlveda Pertence: Faturamento nesse sentido, isto é, entendido como resultado econômico das operações empresariais típicas, constitui a base de cálculo da contribuição, enquanto representação quantitativa do fato econômico tributado. Noutras palavras, o fato gerador constitucional da COFINS são as operações econômicas que se exteriorizam no faturamento (sua base de cálculo), porque não poderia nunca corresponder ao ato de emitir faturas, coisa que, como alternativa semântica possível, seria de todo absurda, pois bastaria à empresa não emitir faturas para se furtar à tributação. (g.n.). E, concluindo, asseverou: Por todo o exposto, julgo inconstitucional o § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, por ampliar o conceito de receita bruta para “toda e qualquer receita”, cujo sentido afronta a noção de faturamento pressuposta no art. 195, I, da Constituição da República, e, ainda, o art. 195, § 4º, se considerado para efeito de nova fonte de custeio da seguridade social. Quanto ao caput do art. 3º, julgoo constitucional, para lhe da r interpretação conforme à Constituição, nos termos do julgamento proferido no RE nº 150.755/PE, que tomou a locução receita bruta como sinônimo de faturamento, ou seja, no significado de “receita bruta de venda de mercadoria e de prestação de serviços”, adotado pela legislação anterior, e que, a meu juízo, se traduz na soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. (g.n.). Ainda mais preciso, o Min. Ayres Britto, a partir da redação original do art. 195 da Constituição Federal (anterior à promulgação da Emenda Constitucional – EC n.º 20, de 1998), claramente identificou o conceito de faturamento com equivalente à receita operacional: A Constituição de 88, pelo seu art.195, I, redação originária, usou do substantivo “faturamento”, sem a conjunção disjuntiva “ou” receita”. Em que sentido separou as coisas? No sentido de que faturamento é receita operacional, e não receita total da empresa. Receita operacional consiste naquilo que já estava definido pelo Decretolei 2397, de 1987, art.22, § 1º, “a”, assim redigido – parece que o Ministro Velloso acabou de fazer também essa remissão à lei: Art.22 [...] § 1º [...] a) a receita bruta das vendas de mercadorias e de mercadorias e serviços, de qualquer natureza, das empresas públicas ou privadas definidas como pessoa jurídica ou a elas equiparadas pela legislação do Imposto de Renda;” Por isso, estou insistindo na sinonímia “faturamento” e “receita operacional”, exclusivamente, correspondente àqueles ingressos que decorrem da razão social da empresa, da sua finalidade institucional, do seu ramo de negócio, enfim. Logo, receita operacional é receita bruta de tais vendas ou negócios, mas não incorpora outras modalidades de ingresso financeiro: royalties, aluguéis, rendimentos de aplicações financeiras, indenizações etc. (g.n.). E isso porque o inciso I do art. 195 da CF, na redação anterior à EC n.º 20, de receita não falava, mas apenas de faturamento e lucro, como que a abraçar todas as dimensões de riqueza geradas pela pessoa jurídica a partir da realização de seu objeto social. No caso ora em exame, a locação de bens integra, conforme demonstrado, a receita decorrente da realização das atividades típicas da contribuinte, de sorte que constitui, parte Fl. 156DF CARF MF Processo nº 13971.916336/201111 Acórdão n.º 9303006.460 CSRFT3 Fl. 6 5 integrante do seu faturamento – base de cálculo da contribuição. Não, porém, as receitas financeiras. Ante o exposto, com essas considerações, conheço do recurso especial e, no mérito, doulhe provimento, para que, na base de cálculo do PIS, incluamse as receitas com locação de bens." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial da Fazenda Nacional foi conhecido e, no mérito, o colegiado deulhe provimento, para que, na base de cálculo das contribuições, incluamse as receitas com locação de bens. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 157DF CARF MF
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Numero do processo: 19647.007683/2007-33
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2000 a 30/06/2005
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-006.915
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 00 76 83 /2 00 7- 33 Fl. 629DF CARF MF 2 Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo. Relatório Contra o contribuinte foi lavrado o presente auto de infração para cobrança de contribuições previdenciárias destinadas à Seguridade Social. Após o trâmite processual, a turma a quo deu provimento parcial ao recurso voluntário do Contribuinte para determinar o recálculo da multa aplicada haja vista alterações promovidas na redação da Lei nº 8.212/1991. Inconformada com o resultado do julgamento, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial cujo objeto é a discussão acerca da aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora O recurso preenche os pressuposto de admissibilidade razão pela qual deve ser conhecido. A controvérsia levantada pela Fazenda Nacional é relativa às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; Fl. 630DF CARF MF Processo nº 19647.007683/200733 Acórdão n.º 9202006.915 CSRFT2 Fl. 630 3 b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Fl. 631DF CARF MF 4 Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499: Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. Fl. 632DF CARF MF Processo nº 19647.007683/200733 Acórdão n.º 9202006.915 CSRFT2 Fl. 631 5 § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Fl. 633DF CARF MF 6 Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 634DF CARF MF Processo nº 19647.007683/200733 Acórdão n.º 9202006.915 CSRFT2 Fl. 632 7 Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora Fl. 635DF CARF MF 8 fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional para determinar que a multa seja aplicada nos termos em que fixado pela Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 636DF CARF MF Processo nº 19647.007683/200733 Acórdão n.º 9202006.915 CSRFT2 Fl. 633 9 Fl. 637DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11543.720370/2014-50
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jun 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2013
IMPUGNAÇÃO. INTEMPESTIVIDADE.
Considerada intempestiva a impugnação apresentada após o decurso do prazo de trinta dias a contar da data em que foi feita a intimação da exigência, não se instaura a fase litigiosa do procedimento fiscal.
Numero da decisão: 2202-004.501
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Junia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Reginaldo Paixão Emos e Ronnie Soares Anderson
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
1.0 = *:*
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DESPESAS MÉDICAS. INTEMPESTIVIDADE Recorrente CARLOS FERREIRA NUNES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2013 IMPUGNAÇÃO. INTEMPESTIVIDADE. Considerada intempestiva a impugnação apresentada após o decurso do prazo de trinta dias a contar da data em que foi feita a intimação da exigência, não se instaura a fase litigiosa do procedimento fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente. (Assinado digitalmente) Junia Roberta Gouveia Sampaio Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Reginaldo Paixão Emos e Ronnie Soares Anderson AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 54 3. 72 03 70 /2 01 4- 50 Fl. 65DF CARF MF 2 Relatório Tratase de lançamento decorrente de procedimento de revisão interna da Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física DIRPF, referente ao exercício de 2013, ano calendário 2012, tendo em vista a apuração de dedução indevida de Dedução Indevida de Pensão Alimentícia Judicial no valor de R$15.000,00. O contribuinte apresentou impugnação, alegando, em síntese: a) Que o lançamento impugnado se refere à pensão alimentícia a sua ex esposa, ao passo que a notificação do lançamento teria sido recebida por terceiros (fls. 02). b) Juntou documentação a fim de corroborar/fundamentar suas alegações, sendo ela composta por: oficio endereçado ao INSS determinado a retenção de 40% de seus vencimentos em benefício de Vanda dos Santos Nunes (fls. 09); acordo judicial homologado por sentença entabulado entre o Recorrente e Vanda dos Santos Nunes (fls. 10/12); detalhamento de crédito do Recorrente (fls. 13); comprovantes de rendimentos pagos e retenção de imposto de renda retido na fonte (fls. 14); declaração de ajuste anual de Vanda dos Santos Nunes (fls. 15/18) A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DF) não conheceu da Impugnação em razão da sua intempestividade (fls. 42). A decisão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2012 IMPUGNAÇÃO. INTEMPESTIVIDADE. Considerase intempestiva a impugnação apresentada após o decurso do prazo de trinta dias a contar da data em que foi feita a intimação da exigência, não tendo a faculdade, portanto, de instaurar a fase litigiosa do procedimento fiscal. Impugnação Não Conhecida Crédito Tributário Mantido Cientificado, o contribuinte apresentou o Recurso Voluntário (fls. 53/54), requerendo o cancelamento do débito fiscal reclamado. É o relatório. Fl. 66DF CARF MF Processo nº 11543.720370/201450 Acórdão n.º 2202004.501 S2C2T2 Fl. 66 3 Voto Conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora O recurso preenche os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual, dele conheço. Nos termos do art. 15 do Decreto 70.235/72, o prazo para interposição da Impugnação é de 30 (trinta) dias contados da data da assinatura do aviso de recebimento da notificação de lançamento. Conforme se verifica pelo Aviso de Recebimento referente à Impugnação (fls. 08) o domicílio do Recorrente constante da correspondência é o mesmo utilizado pelo Aviso de Recebimento relativo ao Recurso Voluntário, qual seja, Rua Treze, 01, Santa Cecília, Cariacica/ES. Não houve, portanto, mudança de endereço por parte do Recorrente. A Notificação de Lançamento foi recebida em 27/06/2014, sextafeira, conforme Aviso de Recebimento – AR de fl. 80 e a impugnação só foi apresentada em 12/08/2014, terçafeira (fls. 2/3), portanto, após o prazo legal de 30 dias estabelecido no art. 56 do Decreto nº 7.574, de 2011. Assim, a impugnação é claramente intempestiva, como já reconhecido pela decisão recorrida. A notificação de lançamento foi recebida por terceiro. Todavia, é de esclarecer que não existe exigência legal para que as comunicações sejam feitas pessoalmente ao contribuinte. De acordo com a Súmula CARF nº 9 "É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário." Sendo assim, considerada intempestiva a impugnação apresentada após o decurso do prazo de trinta dias a contar da data em que foi feita a intimação da exigência, não se instaura fase litigiosa do procedimento fiscal. Diante do exposto, nego provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Fl. 67DF CARF MF 4 Fl. 68DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10950.900842/2008-43
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/11/2001 a 30/11/2001
LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. TRIBUTOS NÃO DECLARADOS EM DCTF. PAGAMENTO EM ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OCORRÊNCIA. MULTA DE MORA. EXCLUSÃO.
O instituto da denúncia espontânea aproveita àqueles que recolhem a destempo o tributo sujeito ao lançamento por homologação, nos casos em que não tenha havido prévia declaração do débito em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais - DCTF.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/11/2001 a 30/11/2001
SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. DECISÃO EM REGIME DE RECURSOS REPETITIVOS. CONSELHEIROS DO CARF. OBSERVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE
As decisões proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça - STJ em regime de recursos repetitivos deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte, por força do disposto no artigo 62, § 2º, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - Portaria 343/2015 e alterações.
Numero da decisão: 9303-006.578
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/11/2001 a 30/11/2001 LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. TRIBUTOS NÃO DECLARADOS EM DCTF. PAGAMENTO EM ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OCORRÊNCIA. MULTA DE MORA. EXCLUSÃO. O instituto da denúncia espontânea aproveita àqueles que recolhem a destempo o tributo sujeito ao lançamento por homologação, nos casos em que não tenha havido prévia declaração do débito em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais - DCTF. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/11/2001 a 30/11/2001 SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. DECISÃO EM REGIME DE RECURSOS REPETITIVOS. CONSELHEIROS DO CARF. OBSERVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE As decisões proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça - STJ em regime de recursos repetitivos deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte, por força do disposto no artigo 62, § 2º, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - Portaria 343/2015 e alterações.
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MULTA DE MORA. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CACAU'S DISTRIBUIDORA LTDA. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/11/2001 a 30/11/2001 LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. TRIBUTOS NÃO DECLARADOS EM DCTF. PAGAMENTO EM ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OCORRÊNCIA. MULTA DE MORA. EXCLUSÃO. O instituto da denúncia espontânea aproveita àqueles que recolhem a destempo o tributo sujeito ao lançamento por homologação, nos casos em que não tenha havido prévia declaração do débito em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/11/2001 a 30/11/2001 SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. DECISÃO EM REGIME DE RECURSOS REPETITIVOS. CONSELHEIROS DO CARF. OBSERVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE As decisões proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça STJ em regime de recursos repetitivos deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte, por força do disposto no artigo 62, § 2º, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Portaria 343/2015 e alterações. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 90 08 42 /2 00 8- 43 Fl. 140DF CARF MF Processo nº 10950.900842/200843 Acórdão n.º 9303006.578 CSRFT3 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional contra decisão tomada no Acórdão nº 3403001.063. No caso, o colegiado a quo considerou aplicável o instituto da denúncia espontânea, afastando a exigência da multa de mora sobre recolhimento de tributo efetuado antes de apresentada a declaração do montante devido, acrescido dos juros de mora. A divergência suscitada no recurso especial referese à exigência de multa de mora no caso de tributos sujeitos a lançamento por homologação pagos a destempo sem prévia declaração em DCTF. O Recurso Especial foi admitido por intermédio de despacho de admissibilidade do Presidente da Câmara competente. O contribuinte apresentou Contrarrazões defendendo a manutenção da decisão recorrida. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303006.571, de 10/04/2018, proferido no julgamento do processo 10950.900696/200856, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303006.571): "Conhecimento do Recurso Especial Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso. Mérito A matéria em litígio não é novidade para este Colegiado. Pelo menos por meio dos acórdãos nºs 9303004.191, 9303003.489, 9303003.490, 9303003.364, 9303003.220, 9303 003.203 , 9303003.202, o assunto foi discutido e decidido no mérito. Fl. 141DF CARF MF Processo nº 10950.900842/200843 Acórdão n.º 9303006.578 CSRFT3 Fl. 4 3 Como é de sabença, o Superior Tribunal de Justiça, na pessoa do então Ministro Teori Albino Zavascki, decidiu, nos autos do processo nº 2007/01428689, sobre a aplicação do instituto da denúncia espontânea nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação previamente declarados pelo contribuinte e pagos a destempo, nos seguintes termos. EMENTA 1. Nos termos da Súmula 360/STJ, "O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo". É que a apresentação de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, de Guia de Informação e Apuração do ICMS GIA, ou de outra declaração dessa natureza, prevista em lei, é modo de constituição do crédito tributário, dispensando, para isso, qualquer outra providência por parte do Fisco. Se o crédito foi assim previamente declarado e constituído pelo contribuinte, não se configura denúncia espontânea (art. 138 do CTN) o seu posterior recolhimento fora do prazo estabelecido. (REsp 962379 RS, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 22/10/2008, DJe 28/10/2008) Mais tarde, no REsp 1149022, da relatoria do Ministro Luiz Fux, ficou consignado o entendimento de que a denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do tributo sujeito a lançamento por homologação, acompanhado do respectivo pagamento integral, retifica a declaração. A intelecção induvidosa da decisão acima transcrita é no sentido de que o pagamento que não fora previamente declarado em DCTF está albergado pela denúncia espontânea quando pago antes de qualquer procedimento fiscal. Noutro giro, é translúcido o entendimento de que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte (item 7 da ementa a seguir transcrita). EMENTA 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). Fl. 142DF CARF MF Processo nº 10950.900842/200843 Acórdão n.º 9303006.578 CSRFT3 Fl. 5 4 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Conseqüentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine. 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. (REsp 1149022 SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 09/06/2010, DJe 24/06/2010) O artigo 62, § 2º, do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 e alterações, determina que as matérias decididas em Repercussão Geral, pelo STF, sejam reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pela contribuinte. Em acréscimo, destacase que, por força do disposto no art. 21 da Lei nº 12.844/2013, que deu nova redação ao art. 19 da Lei nº 10.522/2002, a própria Procuradoria da Fazenda Nacional, com base nas disposições do art. 2º, inciso VII, da Portaria PGFN nº 502/2016, especifica em seu site uma relação de temas que não devem mais ser objeto de recurso. Dentre eles está elencado a denúncia espontânea, nos seguintes termos. 1.13 Denúncia espontânea a) Declaração parcial Diferença a maior Multa moratória REsp 1.149.022/SP (tema nº 385 de recursos repetitivos) Resumo: (i) A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente; e (ii) A denúncia espontânea exclui a multa moratória. Vide Atos Declaratórios nº 08/2011 e nº 04/2011. Ressaltase que ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ entendem, de maneira pacífica, que, ainda que se trate de tributo sujeito a lançamento por homologação, se o crédito não foi previamente declarado pelo contribuinte, mas foi pago, podese configurar a denúncia espontânea, desde que ocorram as demais hipóteses do art. 138 do CTN (REsp 1155146/AM, AgRg nos EDcl no Ag 1009777/SP, AgRg no REsp 1046285/MG e AgRg no REsp 1046285/MG). Todavia, isso não afasta a tese Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10950.900842/200843 Acórdão n.º 9303006.578 CSRFT3 Fl. 6 5 firmada no tema nº 61 de recursos repetitivos (REsp's nº 962.379/RS e nº 886.462/RS), no sentido de que "Não resta caracterizada a denúncia espontânea, com a consequente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos declarados, porém pagos a destempo pelo contribuinte, ainda que o pagamento seja integral". Vide, ainda, a Súmula 360/STJ. I (grifos meus) Neste mesmo sentido, recente decisão tomada por meio do acórdão nº 9303004.431, de 07 de dezembro de 2016, da relatoria do i. Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 30/12/2003 a 31/07/2007 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ART. 138 CTN. AFASTAMENTO DA MULTA MORATÓRIA. POSSIBILIDADE. A denúncia espontânea, em relação aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, se aplica aos casos em que não houve a declaração do tributo, porém houve o pagamento antes de iniciado qualquer procedimento administrativo fiscal visando sua exigência. No caso concreto, é incontroverso que o pagamento do contribuinte não foi precedido de declaração, razão pela qual não está sujeito à incidência de multa moratória. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional." Ressaltese que, da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo também "é incontroverso que o pagamento do contribuinte não foi precedido de declaração, razão pela qual não está sujeito à incidência de multa moratória". Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial da Fazenda Nacional foi conhecido e, no mérito, o colegiado negoulhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 144DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10930.003975/2005-65
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2001
RECURSO ESPECIAL. CONTEXTOS FÁTICOS DIFERENTES. COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE.
O Recurso Especial da Divergência somente deve ser conhecido se restar comprovado que, em face de situações equivalentes, a legislação de regência tenha sido aplicada de forma divergente, por diferentes colegiados.
Hipótese em que o acórdão recorrido se fundamenta em situação jurídica não existente quando do julgamento do acórdão paradigma.
Numero da decisão: 9202-006.840
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. Votaram pelas conclusões os conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Pedro Paulo Pereira Barbosa.,
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2001 RECURSO ESPECIAL. CONTEXTOS FÁTICOS DIFERENTES. COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE. O Recurso Especial da Divergência somente deve ser conhecido se restar comprovado que, em face de situações equivalentes, a legislação de regência tenha sido aplicada de forma divergente, por diferentes colegiados. Hipótese em que o acórdão recorrido se fundamenta em situação jurídica não existente quando do julgamento do acórdão paradigma.
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CONTEXTOS FÁTICOS DIFERENTES. COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE. O Recurso Especial da Divergência somente deve ser conhecido se restar comprovado que, em face de situações equivalentes, a legislação de regência tenha sido aplicada de forma divergente, por diferentes colegiados. Hipótese em que o acórdão recorrido se fundamenta em situação jurídica não existente quando do julgamento do acórdão paradigma. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. Votaram pelas conclusões os conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Pedro Paulo Pereira Barbosa., (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 00 39 75 /2 00 5- 65 Fl. 245DF CARF MF 2 Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela Fazenda Nacional contra acórdão que deu provimento ao recurso voluntário do contribuinte para determinar o cancelamento do lançamento por meio do qual exigese IRPF sobre rendimentos recebidos acumuladamente em razão de decisão proferida em ação judicial. O acórdão recorrido recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2001 IRPF. RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. APLICAÇÃO DE ALÍQUOTAS VIGENTES A ÉPOCA EM QUE OS VALORES DEVERIAM TER SIDO ADIMPLIDOS. O RE 614.406/RS, julgado sob o rito do art. 543B do CPC, consolidou o entendimento de que a aplicação irrestrita do regime previsto na norma do art. 12 da Lei nº 7.713/88 implica em tratamento desigual aos contribuintes. Assim, ainda que seja aplicado o regime de caixa aos rendimentos recebidos acumuladamente pelas pessoas físicas, o dimensionamento da obrigação tributária deve observar o critério quantitativo (base de cálculo e alíquota) dos anos calendários em que os valores deveriam ter sido recebidos, sob pena de violação aos princípios constitucionais da isonomia, da capacidade contributiva e da proporcionalidade. O art. 62A do Regimento Interno do CARF torna obrigatória a aplicação deste entendimento. Recurso Voluntário Provido. Inconformado com a decisão, a Fazenda Nacional apresentou o presente recurso. A recorrente requer a aplicação ao caso do entendimento externado no acórdão paradigma o qual encaminhou pela manutenção do auto de infração, apenas determinando a retificação do montante do crédito tributário com a aplicação das tabelas progressiva vigentes à época da aquisição dos rendimentos regime de competência. Intimado o contribuinte apresentou contrarrazões pugnando pela manutenção do acórdão recorrido por seus próprios fundamentos. É o relatório. Voto Fl. 246DF CARF MF Processo nº 10930.003975/200565 Acórdão n.º 9202006.840 CSRFT2 Fl. 246 3 Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Do Conhecimento: Antes de analisarmos passarmos ao mérito, julgo necessário que este Colegiado faça uma reanálise quanto ao cumprimento dos requisitos essenciais ao conhecimento do recurso. Conforme exposto no relatório, por meio do Recurso Especial a Fazenda Nacional devolve a este Colegiado a discussão acerca do critério utilizado para o cálculo do IRPF incidente sobre rendimento recebidos acumuladamente, mais especificamente sobre a possibilidade de retificação de lançamento que na origem utilizouse do critério de caixa para o cálculo do imposto. Discutese sobre a possibilidade ou não do órgão julgador refazer o lançamento na tentativa de corrigir o equívoco perpetrado pela autoridade lançadora. Lembramos que o recurso é baseado no art. 67, do Regimento Interno (RICARF), o qual define que caberá Recurso Especial de decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais. Assim tratase de recurso com cognição restrita, não podendo a CSRF ser entendida como uma terceira instância, ela é instância especial, responsável pela pacificação de conflitos interpretativos e, conseqüentemente, pela garantia da segurança jurídica. Assim, para caracterização de divergência interpretativa exigese como requisito formal que os acórdãos recorrido e aqueles indicados como paradigmas sejam suficientemente semelhantes para permitir o 'teste de aderência', ou seja, deve ser possível avaliar que o entendimento fixado pelo Colegiado paradigmático seja perfeitamente aplicável ao caso sob análise, assegurando assim o provimento do recurso interposto. No presente caso entendo que este requisito não foi cumprido. Embora a tese enfrentada nos acórdãos envolva o critério de apuração do IRPF sobre rendimentos recebidos acumuladamente, discutindose pela aplicação do regime de caixa ou de competência e divergindo sobre a possibilidade de se manter o lançamento com o mero recálculo dos valores, entendo que a fundamentação das decisões são diversas. Me refiro ao fato de o acórdão recorrido ter aplicado para solução da lide o art. 62A do RICARF em razão da decisão do Supremo Tribunal Federal no Recurso Extraordinário nº 614.406, julgado sob a sistemática da Repercussão Geral, cujo acórdão transitou em julgado em 09.12.2014. O acórdão indicado como paradigma foi proferido em contexto diverso. Na ocasião ainda não tínhamos a decisão vinculante do STF sobre o tema, razão pela qual aquele Colegiado não fez qualquer consideração sobre sua aplicação ao caso. O Colegiado paradigmático, embora tenha entendido pela possibilidade de refazimento do lançamento do IRPF sob o regime de competência o fez exclusivamente com base no entendimento externado pelo Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial nº 1.118.429. Assim, considerando que o Colegiado paradigmático não analisou a matéria sob o mesmo prisma da turma a quo pela completa impossibilidade de se debruçar sobre Fl. 247DF CARF MF 4 decisão ainda não existente no mundo jurídico, entendo que estamos diante de situações fáticas distintas o que impede o conhecimento do presente recurso especial. Diante de todo o exposto, deixo de conhecer do recurso interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 248DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13808.004961/2001-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 11 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jul 07 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2001, 2002
GANHO DE CAPITAL. PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. REVOGAÇÃO DA ISENÇÃO CONCEDIDA NO DECRETO-LEI Nº 1.510, DE 1976.
A isenção prevista no artigo 4º do DecretoLei nº 1.510, de 1976, por ter sido expressamente revogada pelo artigo 58 da Lei nº 7.713, de 1988, não se aplica a fato gerador (alienação) ocorrido a partir de 1º de janeiro de 1989 (vigência da Lei nº 7.713, de 1988), pois inexiste direito adquirido a regime jurídico.
RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO.
O contribuinte somente tem direito à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, quando restar comprovado erro ou recolhimento indevido do crédito tributário.
Numero da decisão: 2202-003.412
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Dílson Jatahy Fonseca Neto (Relator), Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto, que deram provimento ao recurso. Foi designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa.
Fez sustentação oral, pelo contribuinte, a advogada Ana Carolina Borges de Oliveira, OAB/DF nº 32.282. Acompanhou o julgamento o advogado Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, OAB/DF nº 16.746.
(Assinado digitalmente)
MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA - Presidente e Redator designado.
(Assinado digitalmente)
DILSON JATAHY FONSECA NETO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Marcio de Lacerda Martins (Suplente convocado) e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: DILSON JATAHY FONSECA NETO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2001, 2002 GANHO DE CAPITAL. PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. REVOGAÇÃO DA ISENÇÃO CONCEDIDA NO DECRETO-LEI Nº 1.510, DE 1976. A isenção prevista no artigo 4º do DecretoLei nº 1.510, de 1976, por ter sido expressamente revogada pelo artigo 58 da Lei nº 7.713, de 1988, não se aplica a fato gerador (alienação) ocorrido a partir de 1º de janeiro de 1989 (vigência da Lei nº 7.713, de 1988), pois inexiste direito adquirido a regime jurídico. RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO. O contribuinte somente tem direito à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, quando restar comprovado erro ou recolhimento indevido do crédito tributário.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Dílson Jatahy Fonseca Neto (Relator), Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto, que deram provimento ao recurso. Foi designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa. Fez sustentação oral, pelo contribuinte, a advogada Ana Carolina Borges de Oliveira, OAB/DF nº 32.282. Acompanhou o julgamento o advogado Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, OAB/DF nº 16.746. (Assinado digitalmente) MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA - Presidente e Redator designado. (Assinado digitalmente) DILSON JATAHY FONSECA NETO - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Marcio de Lacerda Martins (Suplente convocado) e Marcio Henrique Sales Parada.
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PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. REVOGAÇÃO DA ISENÇÃO CONCEDIDA NO DECRETOLEI Nº 1.510, DE 1976. A isenção prevista no artigo 4º do DecretoLei nº 1.510, de 1976, por ter sido expressamente revogada pelo artigo 58 da Lei nº 7.713, de 1988, não se aplica a fato gerador (alienação) ocorrido a partir de 1º de janeiro de 1989 (vigência da Lei nº 7.713, de 1988), pois inexiste direito adquirido a regime jurídico. RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO. O contribuinte somente tem direito à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, quando restar comprovado erro ou recolhimento indevido do crédito tributário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Dílson Jatahy Fonseca Neto (Relator), Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto, que deram provimento ao recurso. Foi designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa. Fez sustentação oral, pelo contribuinte, a advogada Ana Carolina Borges de Oliveira, OAB/DF nº 32.282. Acompanhou o julgamento o advogado Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, OAB/DF nº 16.746. (Assinado digitalmente) MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA Presidente e Redator designado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 8. 00 49 61 /2 00 1- 39 Fl. 649DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 23/06/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO 2 (Assinado digitalmente) DILSON JATAHY FONSECA NETO Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Marcio de Lacerda Martins (Suplente convocado) e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Em breves traços, o Contribuinte apresentou Pedido de Restituição (PER) em função da isenção de IRPF sobre o ganho de capital na alienação de participação societária estabelecida no art. 4º, ‘d’, do DecretoLei nº 1.510/1976. Tanto a DRF quanto a DRJ negaram provimento ao pedido, fundamentando que a referida isenção foi revogada. O Contribuinte insiste em seu direito, argumentando ter direito adquirido, uma vez que já possuía as ações a mais de 5 (cinco) anos quando da revogação pela Lei nº 7.713/1988. Feito o breve resumo, passamos ao relato pormenorizado do processo. O PER foi protocolado em protocolado em 04/09/2001, no valor original de R$ 1.200.297,64 ao argumento de se tratar de “Pagamentos efetuados indevidamente de imposto de renda da pessoa física – IRPF na alienação de participação societária” (fl. 2). Em petição anexa (fls. 4/7 e docs. anexos fls. 8/264), o Contribuinte explicou que o pagamento era indevido em razão da nãoincidência estabelecida no DecretoLei nº 1.510/1976. Analisando o pedido, a Autoridade Fiscalizadora proferiu o Despacho Decisório nº 794/2004 (fls. 265/268), que entendeu pelo indeferimento do PER. A decisão foi assim fundamentada: “Ao revogar expressamente uma hipótese de não incidência, como aquela inscrita no art. 4º, do DecretoLei nº 1.510/76, abaixo transcrito, constitui ‘mens legislatoris’ (vontade do legislador) tributário incluir no campo de incidência as alienações de participações societárias que ocorressem a partir da entrada em vigor da nova legislação. Editada a Lei nº 7.713/88, os fatos geradores que ocorressem sob sua égide estaria, conforme é preceito do Código Tributário Nacional (art. 144, abaixo transcrito), já sob a regência da nova lei.” (fl. 266) (...) “Dessa forma, fica claro que não se pode falar em direito adquirido, mas sim mera expectativa de direito, devendo ser reportado à ocorrência do fato gerador ara então se Fl. 650DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 23/06/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO Processo nº 13808.004961/200139 Acórdão n.º 2202003.412 S2C2T2 Fl. 650 3 verificar a incidência ou não do imposto sobre o ganho de capital.” (fl. 268) Cientificado em 25/10/2014 (fl. 270), o Contribuinte apresentou Manifestação de inconformidade em 12/11/2004 (fls. 271/284 e 308/314, além de docs. anexos fls. 315/500)1, na qual insistiu na questão da nãoincidência do IRPF sobre ganho de capital no caso concreto uma vez que teria direito adquirido ao regime estabelecido pelo Decreto Lei nº 1.510/1976. Para fundamentar seu direito adquirido, indicou o art. 5º, XXXVI da CF/1988; o art. 41, §2º dos ADCT; e o art. 6º da LICC; transcreveu também doutrina e jurisprudência. Ainda, apontou o benefício da redução do IRPF na venda de imóvel à taxa de 5% ao ano, que foi respeitado como direito adquirido pela Lei nº 7.713/1976. O processo foi então levado a julgamento em 10/10/2007, data em que a DRJ/SPOII proferiu o acórdão nº 1721.087 (fls. 502/513), que restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Anocalendário: 2000, 2001 ISENÇÃO – DIREITO ADQUIRIDO – DL. Nº 1.510/1975 – NÃO OCORRÊNCIA No direito brasileiro, quanto à isenção, prevalece o princípio da revogabilidade, que pode ocorrer a qualquer tempo, sem que se gere direito adquirido ao contribuinte. Para que possa haver a fruição do incentivo, a lei isentiva deve estar em vigor no momento em que ocorre o fato gerador. Em se tratando de ganho de capital por parte de pessoa física, o fato gerador ocorre no momento da alienação do bem ou direito. A nãoincidência prevista no Decretolei nº 1.510/76, art. 4º, alínea “d”, não produziu direito adquirido ao contribuinte, eis que não era onerosa e nem foi estabelecida a prazo determinado. Estão sujeitos ao imposto sobre o ganho de capital as vendas efetuadas após 1º. 01.1989, ainda que, nessa data, a participação societária já contasse com mais de cinco anos no domínio do alienante. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EXTENSÃO. 1 Há falha de continuidade na digitalização do processo. A “manifestação de inconformidade” é interrompida à fl. 284 somente retornando à fl. 308. Nesse intervalo (fls. 285/307) há uma petição de “Razões Aditivas” ao Recurso Voluntário e docs. anexos, datada 17/05/2012. Fl. 651DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 23/06/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO 4 As decisões administrativas, inclusive as proferidas pelo Conselho de Contribuintes, não têm caráter de norma geral, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência senão àquela objeto da decisão. Solicitação Indeferida.” A fundamentação do acórdão recorrido foi: · Não há direito adquirido pelo contribuinte, uma vez que não se tratava de isenção onerosa nem estabelecida por prazo determinado; · Que, à época dos fatos, o art. 4º, ‘d’, do DecretoLei nº 1.510/1976 já havia sido revogado pelo art. 58 da Lei nº 7.713/1988; · Que, mesmo na vigência do DecretoLei nº 1.510/1976, havia mera expectativa de direito enquanto não ocorresse a efetiva alienação da participação societária; · O art. 178 do CTN estabelece a revogabilidade da norma isencional; · Que as condições impostas pelo DecretoLei nº 1.510/1976 para o gozo da isenção não tem nenhuma relação com as isenções condicionadas; · Que a jurisprudência do Conselho de Contribuintes não vincula a Administração Pública Federal. Cientificado em 28/12/2007 (fl. 516), o Contribuinte, insatisfeito, apresentou Recurso Voluntário em 24/01/2008 (fls. 518/541 e docs. anexos fls. 542/558). Em resumo, · Explicou os fatos: a aquisição das ações em 1969 e a sua alienação em 2000; · Afirmou que a DRF e a DRJ não questionaram a legitimidade da situação fática, i.e., da titularidade das ações, da alienação e do valor do IRPF recolhido; · Afirmou que se tratava de nãoincidência do IRPF, e não de isenção; · Relembrou que a Lei nº 7.713/1988 respeitou o direito adquirido da redução do IRPF à taxa de 5% nos casos de venda de imóvel; · Insistiu que a condição estabelecida no DecretoLei nº 1.510/1976 (manutenção das cotas por 5 anos ou mais) já fora cumprida, havendo Fl. 652DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 23/06/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO Processo nº 13808.004961/200139 Acórdão n.º 2202003.412 S2C2T2 Fl. 651 5 direito adquirido ao não recolhimento de imposto no caso de alienação da participação societária; · Nesse contexto, diferençou direito adquirido, expectativa de direito e direito consumado; · Indicou novamente como fundamentação o art. 5º, XXXVI da CF/1988; o art. 41, §2º dos ADCT; e o art. 6º da LICC; e · Indicou também doutrina e jurisprudência, especialmente da CSRF e do STJ. Consta ainda nos autos petição do Contribuinte (fl. 559/561 e docs. anexos fls. 562/602), datada de 22/12/2008, na qual informa que diligenciava o seguimento do processo e, para tanto, juntava novamente o Recurso Voluntário. Protocolou ainda, em 17/05/2012, “Razões Aditivas” (fls. 287/299 e 604/616 e docs. anexos fls. 300/305 e 617/622)2 ao Recurso Voluntário, na qual busca esmiuçar a jurisprudência e a legislação. Como dado novo, apresenta apenas a Portaria PGFN nº 294/2010, segundo a qual o a PGFN estabeleceria que essa matéria já não mais deveria ser objeto de Recurso Especial, frente à jurisprudência do STJ. É o relatório. 2 Na verdade, a petição e os documentos foram digitalizadas duas vezes nos autos, razão pela qual apontamos ambos os trechos. Voto Vencido Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator Juízo de Admissibilidade: Os pressupostos e requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário, determinados pelo Decreto 70.235/1972 e pelo Regimento Interno do CARF, fazemse presentes. DOS PONTOS CONTROVERTIDOS Fl. 653DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 23/06/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO 6 Ultrapassado o juízo de admissibilidade, o único ponto controvertido dos autos é definir se o Contribuinte tem ou não direito adquirido à isenção estabelecida no art. 4º, ‘d’, do DecretoLei nº 1.510/1976, mesmo após a entrada em vigor da Lei nº 7.713/1988. DO MÉRITO O Contribuinte apresentou Pedido de Restituição de tributos ao argumento de que os valores foram recolhidos indevidamente. Fundamenta seu pleito na isenção estabelecida no art. 4º, alínea ‘d’, do DecretoLei nº 1.510/1976, o qual tem a seguinte redação: “Art. 4º Não incidirá o imposto de que trata o artigo 1º. ... d) nas alienações efetivadas após decorrido o período de cinco anos da data da subscrição ou aquisição da participação.” O Recorrente teve seu pedido de restituição indeferido pela DRF e novamente pela DRJ. Em ambos os casos, o fundamento foi o mesmo: (i) não sendo a isenção onerosa nem estabelecida por prazo determinado, poderia ser revogada a qualquer momento; e (ii) a Lei nº 7.713/1988 revogou o benefício, com validade a partir de 1989. Nesse caminho, tendo a alienação ocorrido apenas em 2000, com pagamentos em 2000 e 2001, impossível dar provimento ao pedido. Em seu Recurso Voluntário, o Contribuinte reafirmou tudo quanto apontado no Pedido de Restituição e na Manifestação de Inconformidade, acrescentando mais doutrina e jurisprudência para embasar seu pedido. Pois bem. A isenção é estabelecida com o propósito de proteger determinado fato jurídico ou de incentivar certa conduta ou atividade econômica. Nesse contexto, a norma isentiva pode ser estabelecida para abarcar apenas determinado território ou região; também pode ser estabelecida por prazo certo ou indeterminado; ainda, pode ser estabelecida de forma que apenas os Contribuintes que observem determinadas condições é que dela gozação. O art. 178 do CTN estabelece que a isenção pode ser revogada ou modificada a qualquer momento. Estabelece como exceção as hipóteses em que a regra isentiva seja estabelecida por prazo certo e que seja concedida sob determinadas condições. A norma ora observada não estabelece prazo para a sua vigência. Consequentemente, pode ser revogada a qualquer momento. Defender diferentemente seria operar pela renúncia eterna da receita do fisco, o que não pode ser aceito. Efetivamente, a isenção contida no DecretoLei nº 1.510/1976 tanto podia ser revogada (ou modificada) a qualquer momento, como efetivamente o foi: a Lei nº 7.713/1988 revogou o art. 4º do referido DecretoLei, de sorte que a partir de 1989 não mais poderia garantir isenção a novos Contribuintes. Fl. 654DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 23/06/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO Processo nº 13808.004961/200139 Acórdão n.º 2202003.412 S2C2T2 Fl. 652 7 Acontece que o DecretoLei nº 1.510/1976 estabelecia sim uma condição para o advento do benefício fiscal: só estaria isento do IRPF a pessoa que detivesse a propriedade da participação por período mínimo de 5 (cinco) anos. E o Contribuinte adimpliu essa condição: era proprietário das ações da empresa alienada desde 1969. Nesse caminho, quando a Lei nº 7.713/1988 revogou a isenção do IRPF sobre o ganho de capital nas operações de alienação de participação societária, o Contribuinte já tinha adimplido a condição necessária para exercer o direito ao benefício. Efetivamente, como bem fundamentou o Recorrente, tinha direito adquirido à isenção. A Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) já decidiu de maneira similar em mais de uma hipótese. Exemplo é o acórdão nº 920200.102, de 18 de agosto de 2009, votado à unanimidade, que restou assim ementado: “IRPF – ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA – DIREITO ADQUIRIDO – DECRETOLEI Nº 1.510/76. Não incide imposto de renda quando da alienação de participações societárias adquiridas há mais de cinco anos contados do início de vigência da Lei nº 7.713/88, nos termos do artigo 4º, alínea “d”, do Decretolei nº 1.510/76, em razão do direito adquirido.” No voto, explicou que: “Sob minha ótica, o benefício fiscal previsto no DecretoLei nº 1.510/76 tinha por objetivo excluir da tributação os ganhos auferidos quando da alienação de participações societárias, após decorrido o prazo de cinco anos da aquisição ou subscrição das participações. Salvo melhor juízo, esta foi a intenção do legislador. Neste sentido, não se pode olvidar que ao tempo da edição da Lei nº 7.713/88, o interessado já havia cumprido a exigência prevista no artigo 4º, alínea “d”, do Decretolei nº 1.510/76, pois era proprietário das ações da empresa Pardelli S.A. Indústria e Comércio desde 22/08/1979 e 15/04/1983, quando as recebeu por doação. Entendo que a incidência do imposto de renda pessoa física sobre o ganho de capital apurado na alienação de participações societárias não se aplica quando tais ações foram adquiridas há mais de cinco anos contados do início da vigência da Lei nº 7.713/88, como ocorre no caso em tela. Deve se respeitar o direito adquirido, previsto no artigo 5º, inciso XXXVI, da Constituição Federal e no artigo 6º da Lei de Introdução ao Código Civil – LICC. Fl. 655DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 23/06/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO 8 (...) Por isso, sob o ponto de vista da retroatividade das leis, não somente se consideram adquiridos os direitos aperfeiçoados ao tempo em que se promulga a lei nova, como os que estejam subordinados a condições ainda não verificadas, desde que não se indiquem alteráveis ao arbítrio de outrem. Sob minha ótica, a edição da Lei nº 7.713/88 não pode prejudicar o direito do contribuinte previsto no artigo 4º, alínea “d”, do Decretolei nº 1.512/76, apenas pelo fato de a alienação da participação societária não ter ocorrido anteriormente, ou seja, antes da revogação do benefício fiscal.” Ainda no voto, transcreveu ementas de diversos processos julgados no mesmo sentido na CSRF e no Conselho de Contribuintes. Não se trata de posição antiga. O acórdão CSRF nº 9202003.542, de 28 de janeiro de 2015, manteve o mesmo entendimento: “IRPF. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. DIREITO ADQUIRIDO. ISENÇÃO. DECRETO Nº 1.510/76. APLICAÇÃO. A manutenção da participação societária da empresa pelo período de 05 (cinco) no decorrer da vigência do DecretoLei nº 1.510/76, importa na não incidência do imposto de renda sobre o ganho de capital auferido a partir da alienação de aludido direito, nos termos do artigo 4º, alínea d, daquele Diploma Legal, ainda que o ato negocial tenha ocorrido posteriormente à revogação da referida benesse fiscal, em face do direito adquirido pelo contribuinte no período sob a égide do precitado comando legal.” E no voto explicou que: “Desta forma, com arrimo no direito adquirido do contribuinte, inscrito no artigo 5º, inciso XXXVI, da CF, sustenta que o fato de sua participação societária ser alienada na vigência da Lei nº 7.713/88, a qual revogou aludida isenção, não tem o condão de afastar seu direito ao gozo do benefício fiscal em comento, porque cumpriu com os pressupostos legais exigidos à época da vigência do DecretoLei 1.510/76, conforme se extrai da jurisprudência e doutrina transcritas na peça recursal, corroborando seu entendimento. Consoante se positiva dos autos, os argumentos do recorrente têm o condão de reformar o Acórdão atacado, por representar a melhor interpretação a propósito do tema, garantindo a segurança jurídica em homenagem ao direito adquirido à isenção de ganho de capital sobre a alienação de participação societária, posteriormente à vigência do Decretolei 1.510/76, conquanto que tenha permanecido com a propriedade de sua Fl. 656DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 23/06/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO Processo nº 13808.004961/200139 Acórdão n.º 2202003.412 S2C2T2 Fl. 653 9 participação por 05 (cinco) anos durante o período de validade de aludido Diploma Legal, impondo o acolhimento do pleito do contribuinte, com o fito de se restabelecer a ordem legal nesse sentido.” Também na esfera judicial, especificamente no Superior Tribunal de Justiça (STJ), encontramos jurisprudência majoritária no sentido de que a não incidência do IRPF nesses casos é hipótese de direito adquirido: “REsp 1570781/RS.2015/03049014 Julgado 08/03/2016 Publicado 14/03/2016 Ementa TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA SOBRE A ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS. ARTS. 4º, "D" E 5º, DO DECRETOLEI N. 1.510/76. ISENÇÃO. 1. A jurisprudência do STJ já se firmou no sentido de que a isenção concedida pelo art. 4º, "d", do DL 1.510/1976, pode ser aplicada a alienações ocorridas após a sua revogação pelo art. 58 da Lei n. 7.713/1988, desde que já implementada a condição da isenção antes da revogação. Precedentes: AgRg no REsp 1.243.855/PR, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 7.6.2011; e REsp 1.133.032/PR, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, Rel. p/Acórdão Min. Castro Meira, julgado em 14.3.2011. 2. A condição para efeito de não sofrer a tributação é completar cinco anos como titular das ações na vigência do art. 4º, "d" do DecretoLei n. 1.510/76. Precedente: REsp. n. 1.257.437 RS, Segunda Turma, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 18.08.2011. 3. Recurso Especial não provido. Unanimidade. REsp 1241131/RJ.2011/00452194 Julgado 27/08/2013 Publicado 04/09/2013 Ementa TRIBUTÁRIO ACÓRDÃO PROLATADO EXCLUSIVAMENTE POR JUÍZES CONVOCADOS À SEGUNDA INSTÂNCIA AUSÊNCIA DE NULIDADE ISENÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA SOBRE ALIENAÇÃO DE AÇÕES SOCIETÁRIAS DECRETOLEI 1.510/76 REVOGAÇÃO PELA LEI 7.713/88 DIREITO ADQUIRIDO – RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO. Fl. 657DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 23/06/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO 10 1. Inexiste nulidade em julgamento promovido exclusivamente por juízes de primeiro grau convocados para substituição no Tribunal de Justiça. Precedentes. 2. Tem prevalecido nesta Corte o entendimento de que a isenção conferida pelo Decretolei nº 1.510/1976, art. 4º, 'd', é isenção onerosa, hipótese em que, nos termos do art. 178 do CTN e da Súmula 544/STF não poderia ser revogada se atendidos os seus requisitos, configurandose direito adquirido à isenção. Precedentes. 3. Recurso especial parcialmente provido. Unanimidade. EDcl no REsp 1133032/PR.EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO ESPECIAL 2009/01214660 – Julgado 14/09/2011 – Publicado 27/09/2011 Ementa PROCESSO CIVIL. TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS. ISENÇÃO FISCAL. HIPÓTESES DO ART. 535 DO CPC. INEXISTÊNCIA. USURPAÇÃO DE COMPETÊNCIA DO STF. NÃO OCORRÊNCIA. VIOLAÇÃO DA CLÁUSULA DE RESERVA DE PLENÁRIO. AUSÊNCIA. REDISCUSSÃO DE MATÉRIA JÁ DECIDIDA. IMPOSSIBLIDADE. 1. Os embargos de declaração destinamse a suprir omissão, afastar obscuridade ou eliminar contradição existente no julgado. Também temse admitido os aclaratórios para a correção de meros erros materiais, passíveis de conhecimento de ofício pelo órgão julgador. Entretanto, subverte a finalidade do recurso a tentativa de rediscutir as questões já enfrentadas pelo julgado impugnado. 2. Não há contradição em se afirmar que, via de regra, as isenções fiscais por prazo indeterminado são revogáveis, nos termos do art. 178 do CTN e concluirse, no caso das alienações das participações societárias regulamentadas pelo art. 4º, alínea 'd', do DecretoLei 1.510/76, que o contribuinte tem direito adquirido à benesse fiscal. 3. Não procede a suscitada usurpação de competência da Suprema Corte, pois o acolhimento da tese de que a isenção fiscal persiste, no caso, deuse com base na interpretação dos dispositivos infraconstitucionais aplicáveis à espécie, não se tendo feito, em nenhum momento, juízo de valor sobre as normas insculpidas no Texto Maior. 4. Não se confunde a revogação da isenção fiscal com a revogação da lei isentiva. O legislador, ao exercer a função Fl. 658DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 23/06/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO Processo nº 13808.004961/200139 Acórdão n.º 2202003.412 S2C2T2 Fl. 654 11 legislativa inserida no âmbito da liberdade de conformação, pode revogar a lei isentiva. No entanto, a força normativa do novo diploma legal não atinge, na hipótese, quem já cumpriu com os requisitos para a fruição da isenção, em momento anterior ao da revogação da lei. Logo, não se declarou a inconstitucionalidade do art. 58 da Lei 7.713/88, o qual permanece válido, tanto é que, após a edição desse normativo, não é mais possível adquirirse novo direito à isenção. 5. Embargos de declaração rejeitados. Unanimidade AgRg no AgRg no REsp 1137701/RS.AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL.2009/00823207 – Julgado 23/08/2011 – Publicado 08/09/2011 Ementa DIREITO TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. ALIENAÇÃO DE AÇÕES SOCIETÁRIAS. ISENÇÃO CONDICIONADA OU ONEROSA. DECRETOLEI 1.510/1976. REVOGAÇÃO PELA LEI 7.713/1988. DIREITO ADQUIRIDO AO BENEFÍCIO FISCAL. 1. A discussão nos autos consiste na caracterização ou não de direito adquirido de isenção de Imposto de Renda sobre lucro auferido na alienação de ações societárias, isenção esta instituída pelo DecretoLei 1.510/1976 e revogada pela Lei 7.713/1988, tendo em vista que a venda das ações ocorreu em janeiro de 2007, ou seja, após a revogação. 2. A legislação em regência (arts. 1º e 4º, "d", do Decreto Lei 1.510/76) concede isenção de Imposto de Renda sobre lucro auferido por pessoa física em virtude de venda de ações mediante o cumprimento de determinado requisito (condição), qual seja, o de a alienação ocorrer somente após decorridos cinco anos da subscrição ou da aquisição da participação societária. Tratase, portanto, de isenção sob condição onerosa. 3. A isenção onerosa ou condicionada não pode ser revogada ou modificada por lei. Acerca do tema, o Supremo Tribunal Federal editou a Súmula 544, que dispõe: "Isenções tributárias concedidas, sob condição onerosa, não podem ser livremente suprimidas". 4. Em minuciosa leitura do art. 4º, "d", do DecretoLei 1.510/1976, constatase que o referido dispositivo legal estabelecia isenção do Imposto de Renda sobre lucro Fl. 659DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 23/06/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO 12 auferido por pessoa física pela venda de ações, se a alienação ocorresse após cinco anos da subscrição ou da aquisição da participação societária. 5. In casu, o contribuinte cumpriu os requisitos para o gozo da isenção do Imposto de Renda, nos termos da referida lei, antes mesmo da revogação da norma, tendo direito adquirido ao benefício fiscal. 6. A Primeira Seção passou a adotar orientação em sentido contrário à que foi acolhida pelo Tribunal local, entendendo ser isento do Imposto de Renda o ganho de capital decorrente da alienação de ações societárias após cinco anos da respectiva aquisição, ainda que transacionadas após a vigência da Lei 7.713/1988, conforme previsão do DecretoLei 1.510/1976. 7. Agravo Regimental não provido. Unanimidade.” No presente caso, tendo o Contribuinte adquirido sua participação em 1969, já tinha completado os 5 (cinco) anos exigido pelo DecretoLei nº 1.510/1976 quando da sua revogação; consequentemente, ainda que a alienação tenha ocorrido apenas em 2000/2001, correto o contribuinte ao entender que o IRPF foi pago erroneamente, devendo ser provido o seu Pedido de Restituição. DISPOSITIVO: Por todo o exposto, voto no sentido de conhecer e dar provimento integral ao recurso voluntário, pelas razões de fato e de direito acima expostas. (Assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto – Relator. Voto Vencedor Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Redator designado Inobstante o bem fundamentado voto do Relator, peço vênia para divergir. Tratase de Pedido de Restituição (PER) em função da isenção de IRPF sobre o ganho de capital na alienação de participação societária estabelecida no art. 4º, "d", do DecretoLei nº 1.510/1976. O Contribuinte pleiteia seu direito, sob a alegação de ter direito adquirido, uma vez que já possuía as ações a mais de 5 (cinco) anos quando da revogação pela Lei nº 7.713/1988. Fl. 660DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 23/06/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO Processo nº 13808.004961/200139 Acórdão n.º 2202003.412 S2C2T2 Fl. 655 13 Como já é sabido, o dispositivo em referência foi revogado pela Lei nº 7.713, de 23 de dezembro de 1988. A controvérsia reside em saber se a revogação citada alcança o ganho de capital obtido em alienações efetuadas após 1º/01/1989, desde que, naquela data, a participação societária já contasse com mais de cinco anos no domínio do alienante. Nessa matéria, entendo que as alienações em apreço ocorreram já sob a égide da Lei nº 7.713/1988, que restabeleceu a tributação desse ganho de capital. Vejase que o artigo 58 dessa lei revogou expressamente, sem qualquer ressalva, o art. 4º, "d", do DecretoLei nº 1.510/1976, que dispunha sobre a isenção pleiteada, conforme abaixo. Lei nº 7.713/1988: Art. 58. Revogamse o art. 50 da Lei nº 4.862, de 29 de novembro de 1965, os arts. 1º a 9º do DecretoLei nº 1.510, de 27 de dezembro de 1976, os arts. 65 e 66 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, os arts. 1º a 4º do DecretoLei nº 1.641, de 7 de dezembro de 1978, os arts. 12 e 13 do DecretoLei nº 1.950, de 14 de julho de 1982, os arts. 15 e 100 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, o art. 18 do DecretoLei nº 2.287, de 23 de julho de 1986, o item IV e o parágrafo único do art. 12 do DecretoLei nº 2.292, de 21 de novembro de 1986, o item III do art. 2º do DecretoLei nº 2.301, de 21 de novembro de 1986, o item III do art. 7º do DecretoLei nº 2.394, de 21 de dezembro de 1987, e demais disposições em contrário. O artigo 178 do Código Tributário Nacional CTN assim dispõe: Art. 178 A isenção, salvo se concedida por prazo certo e em função de determinadas condições, pode ser revogada ou modificada por lei, a qualquer tempo, observado o disposto no inciso III do art. 104. (Redação dada pela Lei Complementar nº 24, de 1975) A isenção aqui discutida foi concedida de forma genérica e ficou vigente por prazo indeterminado, não se amoldando à ressalva contida no artigo em referência, que diz respeito àquelas concedidas por prazo certo ou em função de determinadas condições. O artigo 144 do CTN dispõe que "o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada". No presente caso, o fato gerador ocorreu quando da alienação das participações societárias, já sob a vigência da Lei nº 7.713/1988, que revogou expressamente a isenção pretendida. Nesse sentido as seguintes decisões deste Conselho: GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO. INEXISTÊNCIA DE DIREITO ADQUIRIDO. A isenção prevista no art. 4º do DecretoLei nº 1.510, de 1976, por ter sido expressamente revogada pelo artigo 58 da Lei nº 7.713, de 1988, não se aplica a fato gerador (alienação) ocorrido a partir de 1º de janeiro de 1989 (vigência da Lei nº 7.713, de 1988), pois inexiste direito adquirido a regime jurídico. (Acórdão nº 2201002.861, Rel. Eduardo Tadeu Farah, publicado em 18/03/2016). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2009 Fl. 661DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 23/06/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO 14 GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO. INEXISTÊNCIA DE DIREITO ADQUIRIDO. PRECEDENTES DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. A isenção prevista no art. 4º, do DecretoLei nº 1.510, de 1976, foi expressamente revogada pelo art. 58, da Lei nº 7.713, de 1988 e não se aplica a fato gerador (alienação) ocorrido a partir de 1º de janeiro de 1989 (vigência da Lei nº 7.713, de 1988), pois inexiste direito adquirido a regime jurídico. (Acórdão nº 2101002.495, Rel. Alexandre Naoki Nishioka, Redator designado Heitor de Souza Lima Junior, publicado em 07/08/2014). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004 GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO. INEXISTÊNCIA DE DIREITO ADQUIRIDO. A isenção prevista no artigo 4º do DecretoLei nº 1.510, de 1976, por ter sido expressamente revogada pelo artigo 58 da Lei nº 7.713, de 1988, não se aplica a fato gerador (alienação) ocorrido a partir de 1º de janeiro de 1989 (vigência da Lei nº 7.713, de 1988), pois inexiste direito adquirido a regime jurídico. (Acórdão nº 2201002.450, Rel. Francisco Marconi de Oliveira, publicado em 26/08/2014). [...] Dessa forma, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA Redator designado Fl. 662DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 23/06/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO
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Numero do processo: 10530.003089/2005-44
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 03 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Apr 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000
A autuação justificada na omissão de receitas decorrentes de ordens de pagamentos do exterior como garantias bancárias de operações de exportação, mas que ao final aponta a não contabilização de receitas, deve ser compreendida como relacionada ao registro dos adiantamentos, sobretudo em função do período fiscalizado, o que não revela necessariamente renda tributável, considerando que as operações podem sequer se concretizarem ou podem ser negociadas por valores diversos dos originais.
Nesse sentido, embora tornada incontroversa a questão da existência de provas capazes de demonstrar a relação entre ordens de pagamento, contratos de câmbio e faturas de exportação, infirmando-se assim a presunção de omissão de receitas, torna-se irrelevante discussão sobre este aspecto.
A constituição de crédito tributário fundamentada na não contabilização das receitas de exportação propriamente ditas impõe a precisa identificação dos montantes efetivamente praticados, em operações concretizadas e nos intervalos temporais apropriados, para que verdadeiramente se alcance uma materialidade tributável, determinação esta imprescindível, que compete à autoridade fiscal, assim como a produção probatório para sustenta-la.
Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL. Contribuição ao Pis. Cofins.
Anos-calendário: 2000
Tributação decorrente, à qual aplicam-se as mesmas conclusões relativas ao Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica.
Numero da decisão: 1302-001.816
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, 1) Por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, votou pelas conclusões os Conselheiros Alberto Pinto Souza Junior, Luiz Tadeu Matosinho Machado e Ana de Barros Fernandes Wipprich; e 2) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado
(documento assinado digitalmente)
DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO - Relatora
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Rogério Aparecido Gil, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Daniele Souto Rodrigues Amadio (Relatora), Ana de Barros Fernandes Wipprich e Talita Pimenta Félix.
Nome do relator: DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2000 A autuação justificada na omissão de receitas decorrentes de ordens de pagamentos do exterior como garantias bancárias de operações de exportação, mas que ao final aponta a não contabilização de receitas, deve ser compreendida como relacionada ao registro dos adiantamentos, sobretudo em função do período fiscalizado, o que não revela necessariamente renda tributável, considerando que as operações podem sequer se concretizarem ou podem ser negociadas por valores diversos dos originais. Nesse sentido, embora tornada incontroversa a questão da existência de provas capazes de demonstrar a relação entre ordens de pagamento, contratos de câmbio e faturas de exportação, infirmando-se assim a presunção de omissão de receitas, torna-se irrelevante discussão sobre este aspecto. A constituição de crédito tributário fundamentada na não contabilização das receitas de exportação propriamente ditas impõe a precisa identificação dos montantes efetivamente praticados, em operações concretizadas e nos intervalos temporais apropriados, para que verdadeiramente se alcance uma materialidade tributável, determinação esta imprescindível, que compete à autoridade fiscal, assim como a produção probatório para sustenta-la. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL. Contribuição ao Pis. Cofins. Anos-calendário: 2000 Tributação decorrente, à qual aplicam-se as mesmas conclusões relativas ao Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica.
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Recorrente PIRELLI PNEUS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000 A autuação justificada na omissão de receitas decorrentes de ordens de pagamentos do exterior como garantias bancárias de operações de exportação, mas que ao final aponta a não contabilização de receitas, deve ser compreendida como relacionada ao registro dos adiantamentos, sobretudo em função do período fiscalizado, o que não revela necessariamente renda tributável, considerando que as operações podem sequer se concretizarem ou podem ser negociadas por valores diversos dos originais. Nesse sentido, embora tornada incontroversa a questão da existência de provas capazes de demonstrar a relação entre ordens de pagamento, contratos de câmbio e faturas de exportação, infirmandose assim a presunção de omissão de receitas, tornase irrelevante discussão sobre este aspecto. A constituição de crédito tributário fundamentada na não contabilização das receitas de exportação propriamente ditas impõe a precisa identificação dos montantes efetivamente praticados, em operações concretizadas e nos intervalos temporais apropriados, para que verdadeiramente se alcance uma materialidade tributável, determinação esta imprescindível, que compete à autoridade fiscal, assim como a produção probatório para sustentala. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL. Contribuição ao Pis. Cofins. Anoscalendário: 2000 Tributação decorrente, à qual aplicamse as mesmas conclusões relativas ao Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 00 30 89 /2 00 5- 44 Fl. 6947DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 08/04/2 016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO Processo nº 10530.003089/200544 Acórdão n.º 1202001.816 S1C2T2 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, 1) Por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, votou pelas conclusões os Conselheiros Alberto Pinto Souza Junior, Luiz Tadeu Matosinho Machado e Ana de Barros Fernandes Wipprich; e 2) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado (documento assinado digitalmente) DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO Relatora (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Rogério Aparecido Gil, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Daniele Souto Rodrigues Amadio (Relatora), Ana de Barros Fernandes Wipprich e Talita Pimenta Félix. Fl. 6948DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 08/04/2 016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO Processo nº 10530.003089/200544 Acórdão n.º 1202001.816 S1C2T2 Fl. 4 3 Relatório PIRELLI PNEUS S/A, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador/BA, que, por maioria de votos, julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada contra lançamento que constituiu crédito tributário relativo ao Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, Contribuição ao PIS e COFINS, referentes aos anos calendário 2000, no valor total de R$ 9.277.124,95, incluindo multa de ofício de 150% e juros de mora. As autuações tiveram como objeto duas infrações, ambas delas qualificadas como omissão de receitas, a primeira indicada como receitas não contabilizadas e a segunda depósito bancário não contabilizado, no caso deste item 2, no valor de U$ 70.000.000,00, consequentes de um processo fiscalizatório que questionava a relação entre as ordens de pagamento emitidas por instituições financeiras no exterior em favor da Recorrente, contratos de câmbio e faturas de exportação. Insurgindose, a Recorrente interpôs impugnação, iniciada com questionamento sobre a regularidade do procedimento fiscalizatório, demonstração do curso da apresentação de documentos e esclarecimentos acerca das características das operações de exportação que realiza. Na sequência, aduziuse a invalidade do lançamento fundado em presunções, quando a autoridade administrativa deveria analisar toda a escrita contábil e fiscal apresentada pela contribuinte; o equívoco da premissa de que a ordem de pagamento emitida equivaleria à receita auferida; a escrituração e contabilização de todas as ordens de pagamento objeto da autuação; e o dever da Fiscalização de determinar corretamente o fato gerador. No que se refere ao segundo item da autuação, afirmou não ser a beneficiária do rendimento e a decadência do direito de constituir o crédito e concluiu pela inaplicabilidade da multa de 150% e da Taxa Selic. Levada a questão à Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador/BA, o processo foi baixado em diligência para se solicitar às instituições financeiras, exclusivamente, a relação entre as ordens de pagamento emitidas em face da Recorrente e os respectivos contratos de câmbio. Na sequência, foi então proferida decisão pela 1ª Turma dessa Delegacia, que, por maioria de votos, julgou parcialmente procedente a impugnação, desconstituindo o item 2, desqualificando a multa de 150%, mantendo a aplicação da Taxa Selic e, com relação ao item 1, preservando as autuações, sob a alegação de que seria necessária a comprovação da contabilização das receitas de exportação, para que fosse desconstituído o crédito tributário. Registrase que houve declaração de voto, basicamente, no sentido de que esse argumento adotado pela turma julgadora fugiria do objeto da fiscalização e, portanto, não poderia ser adotado neste momento do curso do processo. Fl. 6949DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 08/04/2 016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO Processo nº 10530.003089/200544 Acórdão n.º 1202001.816 S1C2T2 Fl. 5 4 Cientificada da decisão de primeira instância a contribuinte interpôs recurso voluntário, no qual substancialmente reprisa os argumentos apresentados na impugnação, complementados por manifestação quanto ao resultado da diligência realizada e alegações de que teria se tornado incontroversa a relação entre ordens de pagamento, contrato de câmbio e faturas, o que impliaria logicamente a anulação das autuações; manifesta alteração de critério jurídico pela decisão recorrida, quando argúi a necessidade de prova da contabilização das receitas de exportação; e incorreta determinação do ônus da prova. Concluise assim o relatório e passase, então, a enfrentar os temas em questão, sob a ótica apresentada pelo recurso voluntário e também de ofício interposto. É o Relatorio Fl. 6950DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 08/04/2 016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO Processo nº 10530.003089/200544 Acórdão n.º 1202001.816 S1C2T2 Fl. 6 5 Voto Conselheira DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO Considerando que a ciência da decisão de primeira instância ocorreu em 28 de abril de 2009 (fl. 4598) e o recurso voluntário foi interposto em 26 de maio de 2009 (fl. 4611/4650), entendoo tempestivo e, portanto, o conheço, pois também regular a correspondente representação processual, passando a analisar as razões deduzidas. Confrontando as razões apresentadas no Recurso Voluntário e a decisão recorrida, para o que se remete à descrição feita no relatório acima, a questão central que primeiramente se infere para apreciação está em se definir se o objeto das autuações firmouse exclusivamente na omissão de receitas, bastando então a comprovação da relação entre as ordens de pagamento emitidas pelos bancos estrangeiros, os contratos de câmbio e faturas a que vinculados, para se definitivamente identificálas e, assim, infirmar a infração imputada, ou se abrangeria eventul falta de contabilizaçãoo das receitas de exportação pela Recorrente. Entendendose pelo primeiro ponto, concluirseia que o conjunto probatório construído tanto pelos documentos apresentados pela contribuinte ao longo do processo, assim como em virtude da diligência realizada, seriam suficientes a demonstrar a correspondência entre os elementos citados, tal qual reconhecido e tornado incontroverso pela própria decisão recorrida proferida pela DRJ após a instrução probatória e análise técnica por ela determinada. Na oportunidade, inclusive se esclareceu a questão de que um só contrato de câmbio poderia justificar mais de uma ordem de pagamento, assim como a possibildade de não correlação precisa entre a ordem bancária dada em garantia à uma futura operação de exportação e o real valor do negócio quando efetivamente realizado e definida sua quantia. Por outro lado, considerandose que as autuações fundamentaramse, sim, desde o princípio na ausência de contabilização das ordens de pagamento, receitas estas tidas inicialmente como as omitidas, surge então a questão que exige que se posicione quanto à prova capaz de suportar a imputação, paralelamente à definição quanto ao ônus de produzíla. Pois bem. Analisandose concretamente os autos e as alegações da Recorrente, face ao acórdão recorrido, considerase que, muito embora as autuações tenham partido da omissão de receitas por falta de identificação da origem das ordens de pagamento, constou dos seus termos, em conclusão, imputação de não contabilização de receitas, o que já afastaria, portanto, a alegação de mudança de critério jurídico pela autoridade julgadora. Por eventualidade, se quisesse se adentrar na questão do ônus probatório, diriase que, ultrapassado o ponto da omissão de receitas, quando à autoridade fiscal está legalmente autorizada a partir de indícios que, se não infirmados pelo sujeito passivo, configuram presunção válida, chegarseia à obrigação da autoridade fiscal de produzir prova que sustentasse a norma constitutiva do crédito tributário produzida. Ressalvase, porém, que tal ônus persistiria até o ponto em que demonstrado que envidados todos os esforços instrutórios ao seu alcance, sem que fosse definitivo a partir Fl. 6951DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 08/04/2 016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO Processo nº 10530.003089/200544 Acórdão n.º 1202001.816 S1C2T2 Fl. 7 6 do instante em que não se verifica atividade colaborativa do contribuinte, dentro daquilo que certamente está também obrigado a oferecer, como a manutenção e disponibilização de documentos e registros contábeis de suas operações. O que não se admite é a autoridade fiscal intimar o sujeito passivo a fazêlo e, diante de qualquer insuficiência, autuálo por não contabilização de receitas, quando o ônus de provála ainda era seu, não se podendo tratar a questão como espécie de presunção, tal qual ocorre nas exigências decorrentes de omissão de receitas, quando esta possibilidade é expressamente prevista por lei e, por isso, validada. No presente voto, porém, registrase, não se adentra na análise concreta da existência de prova da não contabilização de receitas correspondentes às ordens de pagamento, porque se tem outro entendimento sobre a questão posta em julgamento. Entendese que, muito embora a autoridade fiscal tenha iniciado o procedimento fiscalizatório buscando identificar transações em moeda com instituições bancárias no exterior e tenha fundamentado suas autuações na omissão de receitas também em função da impossibilidade de identificação das ordens de pagamento, remeteuse, ao final, à não contabilização dos respectivos valores pela Recorrente. Ocorre que – e aqui é o ponto determinante do entendimento formado nesse julgado –, quando a autoridade autuante aponta a não contabilização e a relaciona à omissão de receitas por não identificação da ordem de pagamento, pensase que está a se referir a eventual valor que deveria corresponder a essa garantia bancária, a ser registrado no momento de sua emissão. Por isso, possivelmente não localizado, seja porque o montante da ordem de pagamento não necessariamente corresponde à efetiva quantia recebida pela Recorrente em função da exportação realizada, na medida em que pode ser altardo a posteriori ou sequer recebido, seja em razão justamente da sua natureza de garantia e não de transferência efetiva, de modo que haja descasamento temporal entre a emissão da ordem e o registro da receita. Portanto, pensase que se o que pretendia autuar a fiscalização era a não contabilização da efetiva receita decorrente das operações de exportação, pelas próprias características da natureza do negócio, seus lançamentos deveriam possuir outra fundamentação, forma de produção de prova e inclusive verificação adequada dos períodos dos registros contábeis, o que, aliás, revela forte indicativo de que não foi esse o caminho adotado, considerandose que o ano calendário fiscalizado unicamente de 2010 se refere às ordens de pagamento e não ao momento em que deveriam ter sido contabilizadas as receitas, podendose somente a partir de então, sim, dizer que não foram devidamente registradas. Afinal, antes disso, sequer obrigação havia a Recorrente de tributálas, mas apenas uma expectativa de direito, ainda não definido quanto ao seu recebimento e montante que o liquidasse, e , consequentemente, a possibilidade de imputação de infração pelo seu não reconhecimento e recolhimento dos tributos eventualmente devidos. Mais que isso, faltouse definir então o fato gerador da obrigação e seu critério temporal, correndose principalmente o risco de se tributar um mero adiantamento, como se renda fosse. Portanto, pela linha de raciocínio adotada, pensase que a decisão recorrida não deve prosperar quanto ao primeiro tópico, por exigir prova desvinculada do objeto da autuação, que se entende referir a eventuais receitas relacionadas extamante às ordens de pagamento. Passo seguinte, caso se considere seja este o seu verdadeiro objeto, não há como se Fl. 6952DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 08/04/2 016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO Processo nº 10530.003089/200544 Acórdão n.º 1202001.816 S1C2T2 Fl. 8 7 exigir do contribuinte a produção desta prova, pelo simples motivo de que a correspondente receita quando da emissão das referidas ordens bancárias não é algo necessariamente existente. Para se exigir prova da contabilizaçãoo das receitas advindas das operações de exportação, terseia que admitir, então, o alargamento do objeto da autuação no curso do processo e que essas provas fossem primeiramente produzidas pelo Fisco, o que não parece ser admitido no sistema jurídico brasileiro, haja vista as normas de competência e princípios constitucionais, o artigo 142 do Código Tributário Nacional e dispositivos que regem o Processo Admnistrativo Fiscal, especialmente aqueles previsto no Decreto n. 70235/1972. Registrase que não se trata aqui, também, de alteração de critério jurídico por esta decisão, mas de descaracterização do argumento utilizado pela decisão recorrida para a manutenção do crédito tributário relativo ao item 1, que justifica o afastamento da prova que foi exigida como requisito para a anulação do lançamento. Portanto, nesse ponto, votase por reformar a decisão de primeira instância, desconstituindose as autuações quanto ao item 1. No que se refere ao item 2, ratificase a decisão da DRJ, para também desconstituir o crédito tributário, pelos seus fundamentos. MULTA QUALIFICADA Em breves linhas, no tocante à qualificação da multa, primeiramente há de se pontuar que como a conclusão do julgamento foi pela desconstituição do crédito tributário, entendese que também não poderia prosperar a imputação de penalidade pelo descumprimento das obrigações fiscais. De todo modo, esclareçase que, quanto à sua qualificação, também não se veria causa para que ocorresse, uma vez não demonstrada nos autos qualquer atitude da Recorrente que revele intuito doloso, tampouco reiteraçãoo de conduta, obstacularização de fiscalização, ausência de respostas a intimações, ou outras atitudes da espécie capazes de configurar o pressuposto de sua aplicação. TAXA SELIC Relativamente à aplicação da Taxa Selic pontuase, objetivamente, que da leitura do artigo 161, parágrafo primeiro, do Código Tributário Nacional compreendese sua autorização para que lei ordinária fixe taxa com percentual diverso da regra geral de 1% ao mês, como se observa de seu texto: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1o Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. Daí se considerar legalmente possível e aplicável à questão a previsão da Lei n. 9.430/96 para equiparar os juros moratórios incidentes sobre os tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, a partir do anocalendário de 1997, Fl. 6953DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 08/04/2 016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO Processo nº 10530.003089/200544 Acórdão n.º 1202001.816 S1C2T2 Fl. 9 8 à Taxa Selic, portanto, rejeitandose a alegação de que o crédito tributário objeto da presente autuação deveriam ser atualizados com juros moratórios mensais de 1%. De todo modo, como se vota por desconsituir as obrigações principais, resta prejudicada a apreciação do tema. Por esses motivos, votase por DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, que se refere ao Item 1 da autuação, restando prejudicadas a aplicação da multa qualificada e correção pela Taxa Selic, e NEGAR PROVIMENTO ao Recurso de Ofício quanto ao item 2. (documento assinado digitalmente) DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO Fl. 6954DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 08/04/2 016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO
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Numero do processo: 10425.000116/2001-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 05 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jul 14 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 1994, 1995, 1996, 1997, 1998, 1999, 2000
RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. PRAZO PARA PLEITEAR. APLICAÇÃO DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. TERMO INICIAL.
O direito de pleitear restituição ou compensação de indébito extingue-se com o decurso do prazo de cinco anos, contados a partir do pagamento tido por indevido, para os pedidos de restituição e declarações de compensação apresentados a partir de 09/06/2005. Para pedidos e declarações apresentados antes dessa data, o prazo é de dez anos, contados do fato gerador tributário. Decisão definitiva de mérito do Supremo Tribunal Federal no Recurso Extraordinário nº 566.621, no regime do art. 543-B do CPC. Aplicabilidade do § 2º do art. 62 do Regimento Interno do CARF.
Numero da decisão: 1301-002.073
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, José Roberto Adelino da Silva e Waldir Veiga Rocha.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 1994, 1995, 1996, 1997, 1998, 1999, 2000 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. PRAZO PARA PLEITEAR. APLICAÇÃO DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. TERMO INICIAL. O direito de pleitear restituição ou compensação de indébito extinguese com o decurso do prazo de cinco anos, contados a partir do pagamento tido por indevido, para os pedidos de restituição e declarações de compensação apresentados a partir de 09/06/2005. Para pedidos e declarações apresentados antes dessa data, o prazo é de dez anos, contados do fato gerador tributário. Decisão definitiva de mérito do Supremo Tribunal Federal no Recurso Extraordinário nº 566.621, no regime do art. 543B do CPC. Aplicabilidade do § 2º do art. 62 do Regimento Interno do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do Relator. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, José Roberto Adelino da Silva e Waldir Veiga Rocha. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 42 5. 00 01 16 /2 00 1- 09 Fl. 191DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/07/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 10425.000116/200109 Acórdão n.º 1301002.073 S1C3T1 Fl. 192 2 Relatório VEPEL VEÍCULOS E PEÇAS LTDA, já devidamente qualificada nestes autos, recorre a este Conselho contra a decisão prolatada pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife/PE, que indeferiu os pedidos veiculados através de manifestação de inconformidade apresentada contra a decisão da Delegacia da Receita Federal em Campina Grande/PB. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito1. Tratase de Pedido de Restituição protocolizado em 08/02/01, com vistas a compensação de débitos, no montante de R$ 448.602,38 (quatrocentos e quarenta e oito mil, seiscentos e dois reais e trinta e oito centavos), cujo direito creditório adviria de pagamentos indevidos 30 (trinta) DARF, conforme documento de fl.02. O Setor de Administração Tributária SORAT da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Campina Grande (PB), por meio do Parecer nº 85/2007, propôs o reconhecimento do direito creditório no valor de R$ 39,04 (trinta e nove reais e quatro centavos), bem como a homologação da compensação objeto da DECOMP de fls. 71 a 87 até aquele valor, e a cobrança do crédito tributário remanescente, com base nos seguintes fundamentos: a) de acordo com o art.168, I, c/c art.165 do CTN, encontrarseia extinto o direito do contribuinte pleitear restituição com relação aos pagamentos realizados até 08/02/1996; b) com relação ao pagamento efetuado em 04/12/96, no valor de R$ 183.855,77 (cento e oitenta e três mil, oitocentos e cinqüenta e cinco reais e setenta e sete centavos), seria referente à conversão em renda a favor da União de demanda judicial relacionada a FINSOCIAL, haja vista o código de receita (2836), e, como tal, qualquer crédito oriundo daquele depósito judicial haveria que ser levantado diretamente no juízo competente; c) quanto aos demais DARF, em consonância com os sistemas informatizados da Receita Federal, apenas estaria disponível o valor de R$ 39,04 (trinta e nove reais e quatro centavos). Em 12/03/07, o DRF Campina Grande (PB), em despacho decisório (fl. 91), acatou as razões de fato e de direito constantes do mencionado Parecer, ocasião em que o aprovou. Devidamente cientificada em 07/05/07 (fl.105), a interessada apresentou tempestivamente manifestação de inconformidade em 06/06/07 (fls.106/114), por meio da qual destaca, em síntese: a) com relação ao período de 09/02/96 a 31/12/99 os DARF anexados comprovariam o recolhimento; b) a extinção do direito de pleitear a restituição com relação a tributo sujeito a lançamento por homologação, em não havendo homologação expressa, só ocorreria 1 A numeração de folhas, na transcrição, se refere à numeração por carimbo manual, e não à numeração do sistema eprocesso. Fl. 192DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/07/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 10425.000116/200109 Acórdão n.º 1301002.073 S1C3T1 Fl. 193 3 após o transcurso do prazo de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador, acrescido de mais cinco anos contados da data em que se deu a homologação tácita, consoante decisões do Conselho de Contribuintes e do Superior Tribunal de Justiça STJ; c) a Lei Complementar nº 118, de 09/02/05, não se aplicaria a processos administrativos ou judiciais em curso quando da sua entrada em vigor (09/06/05), conforme já decidira o STJ. Ao final, requer a restituição dos valores recolhidos indevidamente, com a inclusão “dos expurgos inflacionários reiteradamente reconhecidos pelos Conselhos de Contribuintes e o acréscimo de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic) para títulos federais, acumulados mensalmente, conforme previsto na IN SRF nº 600/2005”, e “a homologação das compensações declaradas, conforme previsto na Lei 9.430/96, regulamentada pelo Decreto 2.138/97 e pela IN SRF nº 600/2005”. A 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife/PE analisou a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte e, mediante o Acórdão nº 1120.213, de 12/09/2007 (fls. 135/143), indeferiu a solicitação, conforme ementa a seguir transcrita: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Data do fato gerador: 19/01/1993, 01/02/1993, 07/06/1993, 14/06/1993, 21/09/1994, 11/01/1995, 10/10/1995, 10/01/1996, 04/12/1996, 17/03/1997, 15/04/1997, 30/04/1997, 09/05/1997, 15/05/1997, 21/05/1997, 28/05/1997, 13/06/1997, 16/07/1997, 10/10/1997, 29/04/1998, 29/05/1998, 26/02/1999 PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. PRAZO. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos contados do pagamento indevido ou maior que o devido (art.165, I, 168, I, do Código Tributário Nacional, e arts. 3º e 4º da Lei Complementar nº 118/05). In casu, o requerente sequer preocupouse em explicar o porquê de seus pagamentos terem sido recolhidos indevidamente, resumindose a relacionálos. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 19/01/1993, 01/02/1993, 07/06/1993, 14/06/1993, 21/09/1994, 11/01/1995, 10/10/1995, 10/01/1996, 04/12/1996, 17/03/1997, 15/04/1997, 30/04/1997, 09/05/1997, 15/05/1997, 21/05/1997, 28/05/1997, 13/06/1997, 16/07/1997, 10/10/1997, 29/04/1998, 29/05/1998, 26/02/1999 ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE E/OU ILEGALIDADE. Não compete à autoridade administrativa, com fundamento em juízo sobre constitucionalidade de norma tributária, negar aplicação da lei ao caso concreto. Prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário por força de dispositivo constitucional. Fl. 193DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/07/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 10425.000116/200109 Acórdão n.º 1301002.073 S1C3T1 Fl. 194 4 PROVAS. APRESENTAÇÃO. MOMENTO. IMPUGNAÇÃO. A impugnação deve estar instruída com todos os documentos e provas que o sujeito passivo possuir (artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/72). Por relevante, devese esclarecer que a decisão acima não abordou a integralidade dos créditos pleiteados, em face da especialização a que se sujeitavam, à época, as turmas julgadoras das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento. Assim, a parte dispositiva do acórdão supra foi redigida como segue: Acordam os membros da 5ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos: a) NÃO CONHECER a manifestação de inconformidade relativamente ao direito creditório oriundo de pagamentos de COFINS, PIS/PASEP e FINSOCIAL, supostamente realizados indevidamente; b) PROCEDER À FORMAÇÃO DE NOVOS AUTOS, instruído integralmente com cópias deste processo, com as devidas justificativas para a sua protocolização, e posterior remessa à Segunda Turma desta Delegacia de Julgamento para a apreciação das alegações relacionadas àqueles recolhimentos; c) NÃO ACATAR as alegações de defesa concernentes ao direito de crédito decorrente de pagamentos indevidos de IRPJ, CSLL e IRRF, MANTENDOSE integralmente o Despacho Decisório, inclusive com relação à compensação decorrente do pagamento de IRRF que estava disponível nos sistemas da RFB (R$ 19,25 – dezenove reais e vinte e cinco centavos). Os novos autos a que se refere o item (b), acima, foram formados, consubstanciandose no processo administrativo fiscal nº 10425/000888/200817. Os alegados direitos creditórios de COFINS, PIS/PASEP e FINSOCIAL foram analisados pela 2ª Turma da DRJ Recife/PE, sendo prolatado o acórdão nº 1123.167, de 21/07/2008 (fls. 287/295 do processo nº 10425/000888/200817). A solicitação foi, de igual modo, indeferida. A partir daí, a discussão prosseguiu em dois diferentes processos administrativos, de acordo com os alegados créditos trazidos à compensação: Neste processo nº 10425.000116/200109, os créditos de IRPJ, CSLL e IRRF; no outro processo nº 10425/000888/2008172, os créditos de COFINS, PIS/PASEP e FINSOCIAL. Não obstante, o 2 Notícias do processo nº 10425.000888/200817: A interessada apresentou recurso voluntário contra o acórdão nº 1123.167. Esse recurso foi julgado e parcialmente provido pela 1ª Turma Especial da 3ª Seção de Julgamento do CARF, resultando no Acórdão nº 3801001.021, de 15/02/2012, com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1993 a 31/12/1999 DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. NECESSIDADE DE NOVA DECISÃO. A reforma do Despacho Decisório, que não tomou conhecimento do requerimento de fls. 01 para o período compreendido até 08.02.1996, requer o retorno dos autos h DRF de origem, para que o mérito seja apreciado, aplicandose o rito do PAF. DECADÊNCIA. INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. LEI COMPLEMENTAR 118/05. 0 prazo estabelecido na Lei Complementar 118/05 somente se aplica para os processos protocolizados a partir 9 de junho de 2005, e que anteriormente a este limite temporal aplicase a tese de que o prazo para repetição ou compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação é de dez anos, contado de seu fato gerador, de acordo com decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. Em 13/05/2016, consulta ao sistema eprocesso revela que o processo se encontra na DRF Campina Grande/PB. Fl. 194DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/07/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 10425.000116/200109 Acórdão n.º 1301002.073 S1C3T1 Fl. 195 5 pedido de restituição é um só (fl. 03 deste processo), e a DCOMP também é uma só (fls. 86 e segs. deste processo). Retomo, então, o relatório no que respeita ao presente processo nº 10425/000116/200109: Ciente da decisão de primeira instância em 14/08/2008, conforme documento de fl. 168, e com ela inconformada, a interessada apresentou recurso voluntário em 12/09/2008 (registro de recepção à fl. 171, razões de recurso às fls. 171/178). Em apertada síntese, seus argumentos se dirigem contra o entendimento de que estaria prescrito seu direito de solicitar restituição dos pagamentos efetuados, no prazo de cinco anos, contados da data do pagamento antecipado do tributo. Discorre sobre os arts, 168, 156 e 150, todos do CTN, colaciona jurisprudência administrativa e judicial e acrescenta: Destarte, não operouse decadência ou prescrição quanto ao direito de requerer a restituição de nenhum dos valores objeto do presente processo, considerando o decurso de 5 anos para a homologação tácita, quando somente então iniciase o curso do prazo decadencial de 5 anos previsto no art. 168, I, do CTN. Ressaltamos que, conforme assentado recentemente pelo STJ, a Lei Complementar 118, de 09 de fevereiro de 2005, não se aplica a processos administrativos ou judiciais em curso, quando da sua entrada em vigor, em 09 de junho de 2005. Conclui com o seguinte pedido: Ante o exposto, e de tudo mais que dos autos constam, é a presente para requerer a reforma do acórdão recorrido, de forma a deferir: a) a restituição dos valores indevidamente recolhidos sob a rubrica de IRPJ e CSLL, no período de 19/01/1993 a 26/02/1999, segundo os valores constantes do Pedido de Restituição, com a inclusão dos expurgos inflacionários reiteradamente reconhecidos pelos Conselhos de Contribuintes e o acréscimo de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic) para títulos federais, acumulados mensalmente, conforme previsto na IN SRF n° 600/2005; b) a homologação das compensações declaradas, conforme previsto na Lei 9.430/96, regulamentada pelo Decreto 2.138/97 e pela lN SRF n° 600/2005. É o Relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O recurso é tempestivo e dele conheço. Trata o processo de pedido de restituição no qual o alegado crédito teria origem em pagamentos de IRPJ, IRRF, CSLL (neste processo) e de COFINS, PIS/PASEP e Fl. 195DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/07/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 10425.000116/200109 Acórdão n.º 1301002.073 S1C3T1 Fl. 196 6 FINSOCIAL (no processo nº 10425.000888/200817) efetuados entre 19/01/1993 e 26/02/1999. Da leitura do Parecer e do Despacho Decisório (fls. 103/106) se observa que a DRF Campina Grande/PB não fez qualquer análise de mérito sobre serem ou não indevidos os pagamentos efetuados até 08/02/1996, limitandose a declarar que o direito de pleitear a restituição do indébito se encontrava prescrito com o decurso do prazo de cinco anos contados a partir do pagamento. Quanto aos pagamentos feitos entre 09/02/1996 e 31/12/1999, o mérito do pedido foi apreciado, e reconhecida tão somente a parcela de R$ 39,04. De igual modo, a decisão de primeira instância (fls. 135/143) reafirmou que o prazo para pleitear a restituição do indébito seria de cinco anos. Acrescentou, ainda, que “mesmo que ultrapassada tal questão, com o eventual acolhimento da tese dos 10 (dez) anos, ainda assim o pleito não poderia ser deferido, vez que o interessado não trouxe qualquer documento que lastreasse o direito creditório. Sequer preocupouse em explicar o porquê dos pagamentos terem sido recolhidos indevidamente, resumindose a relacionálos (anexou cópias de alguns DARF) e a requerer a restituição”. A primeira questão a ser abordada, então, diz respeito ao prazo para pleitear o indébito. Entende a recorrente que esse prazo seria de dez anos a contar do fato gerador, tese consolidada pelo Superior Tribunal de Justiça e que ficou conhecida como “cinco mais cinco”. Tanto a DRF Campina Grande/PB quanto a DRJ Recife/PE decidiram de modo diferente, aplicando o prazo de cinco anos a contar da data do pagamento. Com isso, consideraram que parte do pedido de restituição teria sido formulado a destempo. Ao ser trazida ao CARF, a questão ganha contornos diferentes, diante do § 2º do art. 62 do Anexo II da Portaria MF nº 343/2015 (RICARF), verbis: Art. 62. [...] § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Pois bem. A controvérsia acerca da contagem do prazo para repetição ou compensação de indébitos, especialmente diante das alterações legislativas introduzidas pelos ars. 3º e 4º da Lei Complementar nº 118/2005, foi levada à apreciação do Supremo Tribunal Federal, e cumpre destacar o quanto decidido no Recurso Extraordinário nº 566.621, assim ementado3: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. 3 RE 566.621, em 04/08/2011, DJe nº 195 Divulgação 10/10/2011 Publicação 11/10/2011, Relatora Min. Ellen Gracie. Trânsito em julgado em 17/11/2011. Fl. 196DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/07/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 10425.000116/200109 Acórdão n.º 1301002.073 S1C3T1 Fl. 197 7 Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Fl. 197DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/07/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 10425.000116/200109 Acórdão n.º 1301002.073 S1C3T1 Fl. 198 8 Essa decisão definitiva de mérito da Suprema Corte é, como se vê, de aplicação obrigatória pelos conselheiros no julgamento de recursos no âmbito do CARF. Passo, pois, a fazêlo. A decisão do STF é de que a inovação legislativa da Lei Complementar nº 118/2005 somente seria válida para as ações ajuizadas a partir de 9 de junho de 2005. No âmbito administrativo, devese entender que o ajuizamento de ações equivale ao protocolo do pedido de restituição. Melhor explicando: para pedidos de restituição formalizados até 8 de junho de 2005 deve ser considerado o prazo de dez anos contados do fato gerador tributário. Para pedidos de restituição formalizados a partir de 9 de junho de 2005, o prazo a ser considerado é de cinco anos contados a partir do pagamento tido por indevido. No caso concreto, constato que a data do protocolo do pedido de restituição foi 08 de fevereiro de 2001 (fl. 3, numeração do sistema eprocesso). Ainda que o crédito pleiteado se refira a tributos diversos, o que dificulta a fixação da data em que se teria completado o fato gerador tributário, tenho por certo que os fatos geradores não serão anteriores ao ano de 1992, visto que o pagamento mais antigo é de janeiro de 1993. Em assim sendo, e com o prazo de 10 anos, é de se concluir que o pedido de restituição formulado em 08/02/2001 é tempestivo, não cabendo recusálo sob a alegação de ser extemporâneo. Por consequência, o recurso voluntário deve ser provido, no que tange a esta parte. No mérito, conforme constatado anteriormente, nenhuma análise foi feita até o momento quanto aos pagamentos efetuados até 08/02/1996, pelo que entendo que não incumbe a este Colegiado fazêlo, sob pena de supressão de instância administrativa. Tendo em vista todo o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar a decadência do direito de repetir o indébito e restituir os autos do presente processo à DRF Campina Grande/PB para que prossiga na apreciação dos aspectos ainda não analisados do pedido. Recomendase que a Unidade preparadora avalie a possibilidade e a conveniência de que o exame deste processo nº 10425.000116/2001/09 se dê em conjunto com o processo administrativo nº 10425.000888/200817. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 198DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/07/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA
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