7718135
#
Numero do processo: 15374.900602/2008-53
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 02 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1995
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO ANTERIOR A 09/06/2005. PRESCRIÇÃO/DECADÊNCIA. SUMULA 91.
Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente ou declaração de compensação apresentada antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional/decadencial de 10 (dez) anos, contado do fato gerador.
RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA.
O reconhecimento do direito creditório depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela DRF que jurisdiciona o sujeito passivo. A apreciação presente restringiu-se a aspecto preliminar de possibilidade de reconhecimento de direito creditório decorrente do pleito apresentado antes de 09.06.2005 dentro do prazo de dez anos contado do fato gerador.
Numero da decisão: 1003-000.557
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reconhecimento da possibilidade de formação de indébito, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito, com o consequente retorno dos autos à DRF que jurisdiciona a Recorrente, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório pleiteado no PER/DCOMP.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Wilson Kazumi Nakayama - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Participaram do presente julgamento os conselheiros: Barbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Wilson Kazumi Nakayama e Carmen Ferreira Saraiva( (Presidente)
Nome do relator: WILSON KAZUMI NAKAYAMA
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Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1995
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO ANTERIOR A 09/06/2005. PRESCRIÇÃO/DECADÊNCIA. SUMULA 91.
Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente ou declaração de compensação apresentada antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional/decadencial de 10 (dez) anos, contado do fato gerador.
RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA.
O reconhecimento do direito creditório depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela DRF que jurisdiciona o sujeito passivo. A apreciação presente restringiu-se a aspecto preliminar de possibilidade de reconhecimento de direito creditório decorrente do pleito apresentado antes de 09.06.2005 dentro do prazo de dez anos contado do fato gerador.
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reconhecimento da possibilidade de formação de indébito, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito, com o consequente retorno dos autos à DRF que jurisdiciona a Recorrente, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório pleiteado no PER/DCOMP.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Wilson Kazumi Nakayama - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Participaram do presente julgamento os conselheiros: Barbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Wilson Kazumi Nakayama e Carmen Ferreira Saraiva( (Presidente)
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S1C0T3
Fl. 2
1
1
S1C0T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA
CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS
PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO
Processo nº 15374.900602/200853
Recurso nº Voluntário
Acórdão nº 1003000.557 – Turma Extraordinária / 3ª Turma
Sessão de 09 de abril de 2019
Matéria DCOMP
Recorrente CRENOR CARBONATOS DO NORDESTE LTDA
Recorrida FAZENDA NACIONAL
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Anocalendário: 1995
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO ANTERIOR A
09/06/2005. PRESCRIÇÃO/DECADÊNCIA. SUMULA 91.
Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente ou declaração de
compensação apresentada antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo
sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo
prescricional/decadencial de 10 (dez) anos, contado do fato gerador.
RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE
INTERROMPIDA.
O reconhecimento do direito creditório depende da análise da existência,
suficiência e disponibilidade do crédito pela DRF que jurisdiciona o sujeito
passivo. A apreciação presente restringiuse a aspecto preliminar de
possibilidade de reconhecimento de direito creditório decorrente do pleito
apresentado antes de 09.06.2005 dentro do prazo de dez anos contado do fato
gerador.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso, para reconhecimento da possibilidade de formação de indébito,
mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito, com o consequente
retorno dos autos à DRF que jurisdiciona a Recorrente, para verificação da existência,
suficiência e disponibilidade do direito creditório pleiteado no PER/DCOMP.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente.
AC
ÓR
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N
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PG
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CA
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15
37
4.
90
06
02
/2
00
8-
53
Fl. 65DF CARF MF
2
(assinado digitalmente)
Wilson Kazumi Nakayama Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Participaram do
presente julgamento os conselheiros: Barbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa
Mendonça, Wilson Kazumi Nakayama e Carmen Ferreira Saraiva( (Presidente)
Relatório
Tratase de recurso voluntário contra o acórdão 1232.375, de 28 de julho de
2010, da 4ª Turma da DRJ/RJ I, que considerou a manifestação de inconformidade
improcedente e não reconheceu o direito creditório pleiteado.
A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou
Restituição/Declaração de Compensação (PER/DCOMP) nº 15320.17885.080904.1.7.027307,
em 08/09/2004, efls. 413, utilizandose do crédito relativo saldo negativo do Imposto de
Renda da Pessoa Jurídica IRPJ, código 2362, determinado sobre a base de cálculo estimada
relativo período de 01/01/1995 a 31/12/1995 no valor de R$ 12.030,90 para compensação dos
débitos ali confessados.
O Despacho Decisório Eletrônico, efl. 17, concluiu pelo indeferimento do
pedido nos seguintes termos:
Analisadas as informações prestadas no documento acima
identificado, constatouse que na data de transmissão do
PER/DCOMP original com demonstrativo de crédito já
estava extinto o direito de utilização do saldo negativo em
virtude do decurso do prazo de cinco anos entre a data de
transmissão do PER/DCOMP original e a data de
apuração do saldo negativo.
CNPJ do detentor do crédito: 29.548.468/000105
PER/DCOMP original com demonstrativo de crédito:
16675.40234.141103.1.3.025972
Data de apuração do saldo negativo: 31/12/1995
Data de transmissão do PER/DCOMP original com
demonstrativo do crédito: 14/11/2003
Valor original do saldo negativo Informado no
PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 12.030,90
Diante do exposto, NÃO HOMOLOGO a compensação
declarada no PER/DCOMP acima identificado.
Inconformada, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade em
que apresenta decisão do Superior Tribunal de Justiça que reconhece que o prazo para o
contribuinte haver a restituição de crédito fiscal "só se inicia após decorridos 5(cinco) anos da
ocorrência do fato gerador, acrescidos de mais um quinquênio, a partir da homologação tácita
do lançamento".
Fl. 66DF CARF MF
Processo nº 15374.900602/200853
Acórdão n.º 1003000.557
S1C0T3
Fl. 3
3
Afirma que a inovação trazida pela Lei Complementar n° 118/2005, que
fixou prazo de 5 (cinco) anos somente tem aplicação aos fatos geradores ocorridos após a sua
publicação. Embasa sua afirmação no REsp 861777/SP, cujo entendimento foi que o prazo
para a repetição do indébito é de dez anos a contar do fato gerador.
A DRJ considerou improcedente a manifestação de inconformidade, cujo
acórdão foi assim ementado:
Assunto : Normas Gerais de Direito Tributário
Anocalendário: 2004
PRAZO PARA PLEITEAR RECONHECIMENTO DE
DIREITO CREDITÓRIO. TERMO INICIAL.
O prazo decadencial para reconhecimento de direito
creditório, relativo a tributo ou contribuição pago
indevidamente ou em valor maior que o devido, ainda que
tenha sido efetuado com base em lei posteriormente
declarada inconstitucional pelo STF, extinguese após o
transcurso de cinco anos, contados da data da extinção do
crédito tributário, inclusive na hipótese de tributos lançados
por homologação, nos termos dos artigos 150, § 1° , 165 e
168, todos do Código Tributário Nacional.
A DRJ afirma que o Ato Declaratório 96, de 26 de novembro de 1999 fixou a
interpretação no âmbito da Receita Federal que o prazo para o contribuinte ingressar com
pedido de restituição de indébito, extinguese após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos,
contado da data da extinção do crédito tributário, e como a Recorrente ingressou com o pedido
em 08/09/2004, o decurso de prazo já teria ocorrido.
Assevera que a contagem do prazo decadencial de 10 anos (cinco mais cinco)
para tributos sujeitos a lançamento de homologação não se ajustaria às disposiçãos do Código
Tributário Nacional. Indica os arts. 168 e 150 do CTN para embasar o seu entendimento.
Notificada em 17/10/2012, efl. 55, a Recorrente apresentou o recurso
voluntário em 16/11/2012, efls. 5861, no qual em síntese aduz o seguinte:
1 Que a fundamentação para a falta de acolhimento da manifestação de
inconformidade foi devido ao indevido reconhecimento da prescrição do crédito fiscal,
decorrente da aplicação do art. 168 do CTN, com a redação dada pela Lei Complementar n°
118, de 09/02/2005;
2 Que por força da nova redação do referido dispositivo legal, restou
afastado o antigo entendimento pelo STJ, quanto a prazo decadencial de 10 anos (cinco anos
mais cinco);
3Que no entanto, o crédito objeto da PER/DCOMP
15320.17885.080904.1.7.027307, transmitida em 08/09/2004, relativo a saldo negativo de
IRPJ e apurado no anocalendário de 2005 foi utilizado pela Recorrente antes da vigência da
LC n° 188/2005, e portanto ainda na jurisprudência anterior do STJ que estabelecia o prazo
decadencial de 10 anos;
Fl. 67DF CARF MF
4
4 Por fim, ressalta que o STJ, em consonância com o decidido no RE
566.621/RS, manifestou o entendimento que o novo critério de contagem de prazo
prescricional somente teria vigência a partir de 09/06/2005.
Em seu pedido requer a reforma do acórdão a quo, afastando a aplicação
retroativa da Lei Complementar n° 118/2005
É o relatório.
Voto
Conselheiro Wilson, Kazumi Nakayama, Relator
O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos
formais de admissibilidade assim, dele tomo conhecimento.
No Despacho Decisório, bem como na decisão de primeira instância de
julgamento consta o indeferimento do pedido da Recorrente ao argumento da prescrição do
direito de pleitear a repetição do indébito. Portanto há que ser enfrentada preliminarmente
arguição de prescrição do direito ao indébito.
Entendo que o pedido da Recorrente, relativo a PER/DCOMP n°
15320.17885.080904.1.7.027307, transmitida em 08/09/2004 (fls. 211), diz respeito ao
reconhecimento do direito creditório de saldo negativo de IRPJ, pode ser analisado, tendo em
vista o entendimento adotado pelo CARF, que “ao pedido de restituição pleiteado
administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por
homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador”
(Súmula Vinculante CARF nº 91 e Portaria MF nº 277, de 07 de junho de 2018).
Contudo, o que foi analisado foi a possibilidade de reconhecimento de direito
creditório decorrente do pleito apresentado antes de 09/06/2005 dentro do prazo de dez anos
contado do fato gerador. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de
restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e
disponibilidade do crédito pela DRF que jurisdiciona o sujeito passivo, o que verifico não foi
realizado nas instâncias inferiores.
Dessa forma, voto por dar provimento em parte ao recurso voluntário para
aplicação da Súmula Vinculante CARF nº 91 e reconhecimento da possibilidade de análise do
indébito, determinando o retorno dos autos à DRF que jurisdiciona a Recorrente para que seja
analisado o mérito do pedido, ou seja, a origem e a procedência do crédito pleiteado, em
conformidade com a escrituração mantida com observância das disposições legais, desde que
comprovada por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos
legais, bem como com os registros internos da RFB para verificação da existência, suficiência e
disponibilidade do direito creditório pleiteado , de modo a evitar a supressão de instância e o
cerceamento de defesa.
(assinado digitalmente)
Wilson Kazumi Nakayama
Fl. 68DF CARF MF
Processo nº 15374.900602/200853
Acórdão n.º 1003000.557
S1C0T3
Fl. 4
5
Fl. 69DF CARF MF
score :
1.0
7738714
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Numero do processo: 10166.723944/2017-76
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 16 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2014
DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA.
Na determinação da base de cálculo do imposto de renda, poderão ser deduzidas as importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se referia o art. 1.124-A da Lei n° 5.869, de 1973, e que, atualmente, se refere o art. 733 da Lei n° 13.105, de 2015.
Numero da decisão: 2002-001.059
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente.
(assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL
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Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2014
DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA.
Na determinação da base de cálculo do imposto de renda, poderão ser deduzidas as importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se referia o art. 1.124-A da Lei n° 5.869, de 1973, e que, atualmente, se refere o art. 733 da Lei n° 13.105, de 2015.
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Segunda Seção de Julgamento
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente.
(assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
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S2C0T2
Fl. 2
1
1
S2C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA
CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS
SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO
Processo nº 10166.723944/201776
Recurso nº Voluntário
Acórdão nº 2002001.059 – Turma Extraordinária / 2ª Turma
Sessão de 25 de abril de 2019
Matéria IRPF PENSÃO ALIMENTICIA
Recorrente NELIEDJA ROCHA LIMA
Recorrida FAZENDA NACIONAL
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Anocalendário: 2014
DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA.
Na determinação da base de cálculo do imposto de renda, poderão ser
deduzidas as importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das
normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial,
inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado
judicialmente, ou de escritura pública a que se referia o art. 1.124A da Lei n°
5.869, de 1973, e que, atualmente, se refere o art. 733 da Lei n° 13.105, de
2015.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente.
(assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil Relator.
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76
Fl. 67DF CARF MF
Processo nº 10166.723944/201776
Acórdão n.º 2002001.059
S2C0T2
Fl. 3
2
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira
Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e
Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Relatório
Tratase de Recurso Voluntário (fls. 44/49) contra decisão de primeira
instância (fls. 28/34), que julgou procedente em parte a impugnação do sujeito passivo.
Em razão da riqueza de detalhes, adoto o relatório da DRJ, que assim diz:
Para a contribuinte retro qualificada foi emitida a
Notificação de Lançamento – IRPF/2015 de fls. 12/17, que lhe exige o
recolhimento do crédito tributário no montante de R$25.706,40, sendo,
consoante ali discriminado, R$12.856,42 de imposto suplementar e o
restante de acréscimos legais correspondentes.
O lançamento decorreu do processamento da Declaração
de Ajuste Anual – DAA IRPF/2015, apresentada à RFB pela contribuinte,
cujo resultado foi de imposto a restituir no valor de R$4.066,78 fl. 16, já
restituídos. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, a
fls. 13/15, foram verificadas deduções indevidas de:
1) pensão alimentícia judicial, no valor de R$42.024,31:
Devidamente intimada, a contribuinte informou não possuir
documentação comprobatória relativa a pagamento de
pensão alimentícia.
2) despesas médicas, no valor de R$4.726,32:
Assistência Saúde Câmara dos Deputados R$1.826,32
despesa de não dependente Terezinha Rodrigues da Silva
R$2.000,00 despesas não comprovada
Elena Garcia Orta R$900,00 Despesas não comprovada
Cientificada do lançamento, a interessada apresentou a
peça impugnatória de fls. 3/4, instruída com os elementos de fls. 5/9,
contestando parcialmente o feito fiscal, haja vista que concorda com a
infração de dedução indevida de despesas médicas. Discute a consideração
da dedução a título de pensão alimentícia, e argumenta que não esclareceu
de forma clara a situação, oferecendo nesta oportunidade os documentos
para comprovação de sua dedução, comprovante de rendimentos, declaração
do Departamento de Pessoal da Câmara dos Deputados de Brasília/DF e
Ofícios do Juiz de Direto da Quarta Vara de Família de Brasília/DF.
O resumo da decisão revisanda está condensado na seguinte ementa do
julgamento:
Fl. 68DF CARF MF
Processo nº 10166.723944/201776
Acórdão n.º 2002001.059
S2C0T2
Fl. 4
3
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Consolidase administrativamente o lançamento relativo à matéria não
impugnada (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 17).
PENSÃO ALIMENTÍCIA. PAGAMENTO DE PENSÃO A FILHA QUE
PASSA A RESIDIR NO MESMO ENDEREÇO DA CONTRIBUINTE.
DIREITO DE FAMÍLIA. DEVER DE SUSTENTO DOS PAIS AOS
FILHOS. INDEDUTIBILIDADE.
Somente é dedutível da base de cálculo do IRPF a pensão alimentícia
paga a filho por um dos pais que em razão de ruptura da sociedade
conjugal e acordo homologado judicialmente se ausenta do lar,
ficando o outro pai ou mãe com o dever de sustento. Passando os filhos
a residirem com o pai ou mãe ausente não se caracteriza mais como
dedutível a pensão paga por este, pai ou mãe, invertendo a situação,
passando este a ter o dever de sustento e aquele com o dever de pagar
a dedutível pensão alimentícia.
RESTITUIÇÃO INDEVIDA A DEVOLVER. MULTA DE OFÍCIO.
Quando da alteração dos dados da declaração de ajuste anual resulta
a redução do imposto a restituir ou em imposto suplementar, devese
proceder ao lançamento de ofício para exigir a devolução da parcela
da restituição indevidamente recebida, acrescida apenas de juros de
mora, sem aplicação de multa.
Inconformada, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, atacando a
decisão de primeira instância, juntando documentos.
É o relatório. Passo ao voto.
Voto
Conselheiro Virgílio Cansino Gil Relator
Recurso Voluntário aviado a modo e tempo, portanto dele conheço.
A contribuinte foi notificada em 10/07/2017 (fl. 41); Recurso Voluntário
protocolado em 08/08/2017 (fl. 44), assinado por procurador legalmente constituído (fl.50).
Responde a contribuinte nestes autos, pelas seguintes infrações:
a) Dedução Indevida de Pensão Alimentícia Judicial e/ou por Escritura
Pública;
b) Dedução Indevida de Despesas Médicas.
Em fase de impugnação, a contribuinte concordou com as glosas de despesas
médicas.
Quanto a dedução de pensão alimentícia, relata o Sr. AFRF, que:
“REGULARMENTE INTIMADA, A CONTRIBUINTE INFORMOU NÃO POSSUIR
Fl. 69DF CARF MF
Processo nº 10166.723944/201776
Acórdão n.º 2002001.059
S2C0T2
Fl. 5
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DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA RELATIVA A PAGAMENTO DE PENSÃO
ALIMENTÍCIA”.
A r. decisão, julgou procedente em parte, assim se manifestando:
Destarte, ao contrário do entendimento adotado quando do lançamento, e
considerando que não ficou demonstrado/considerado ter havido dolo ou má fé pela
contribuinte, não é cabível a aplicação da multa de ofício e/ou multa de mora sobre o valor
correspondente à Restituição Indevida a Devolver, sobre o qual deverão incidir apenas os
juros, por falta de previsão legal para aplicação de multa de ofício e/ou de mora à época dos
fatos geradores autuados, no caso, sobre o valor de R$4.066,78, sendo que uma parte deste,
R$1.299,74, teve sua cobrança transferida para o processo 11853.720985/201725.
A parcela restante de restituição recebida indevidamente a devolver,
R$2.767,04, teve sua exigência mantida no presente. Diante disso, a parcela referente a
imposto suplementar a pagar nos autos seria de R$8.789,64.
Irresignada, a contribuinte maneja recurso próprio juntando documentos,
requerendo em síntese:
Pois bem, a contribuinte em sua peça de impugnação, concordou com as
infrações de dedução indevida de despesas médicas, apenas se opondo quanto à infração de
dedução indevida de pensão alimentícia, insta salientar que como tratouse de matéria
incontroversa a dedução indevida de despesas médicas, foi transferida para o processo
n°11853.720985/201725, assim sendo finda a fase de conhecimento do respectivo crédito
tributário.
A recorrente em suas razões recursais requer que no processado, seja dado o
efeito suspensivo recursal cogente, nos termos do art. 33 do Decreto nº 70235/72, a fim de que
Fl. 70DF CARF MF
Processo nº 10166.723944/201776
Acórdão n.º 2002001.059
S2C0T2
Fl. 6
5
se suspenda, ao menos até o final do pleito, os efeitos dos débitos advindos deste processo
administrativo.
O processado nestes autos terá o seu tramite normal seguindo seu curso de
acordo com as normas de regência.
Relativamente em relação à dedução da pensão alimentícia temos a seguinte
situação:
A r.decisão revisanda, entendeu que pelo fato da recorrente ter a guarda da
alimentanda, e a mesma residir na mesma casa, ou seja com a mãe, seria o pai obrigado a pagar
a pensão e não mais a mãe.
Alega a recorrente que a alimentanda não reside com a recorrente, uma vez
que mantém um relacionamento afetivo com o Sr. Marcelo Sebastião Machado Lafetá, também
incapaz.
Pois bem a recorrente alega, porém não traz aos autos sequer a menor prova
da sua alegação, sendo certo que este ônus a ela incumbia.
Nesta quadra de entendimento, razão não assiste à recorrente.
Isto posto, e pelo que mais consta dos autos, conheço do Recurso Voluntário,
e no mérito negase provimento.
É como voto.
(assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil
Fl. 71DF CARF MF
score :
1.0
7736517
#
Numero do processo: 10580.900112/2014-46
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 13 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3302-001.108
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar o julgamento na unidade administrativa de origem para juntar a decisão definitiva a ser proferida no processo nº 10580.731563/2013-46 e esclarecer, após liquidação da referida decisão, se remanesceu algum valor do direito creditório pleiteado, conforme informado no documento "Informações Complementares da Análise de Crédito".
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente
(assinado digitalmente)
Jorge Lima Abud - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede.
Relatório
Aproveita-se o Relatório do Acórdão de Manifestação de Inconformidade.
Trata-se de Declaração de Compensação (DCOMP) Eletrônica, por meio das quais a Empresa pretende compensar débitos de sua responsabilidade com supostos créditos referentes a Pagamento Indevido ou a Maior da Cofins não cumulativa, código de receita 5856, no valor original de R$ 1.095.693,97.
2. O direito creditório foi parcialmente reconhecido, no valor de R$ 647.636,02, em virtude da inexistência da totalidade do saldo no DARF apontado, uma vez que o referido crédito foi em parte utilizado, segundo as Informações Complementares da Análise do Crédito no processo 10580.731563/2013-46, referente a autos de infração de PIS/Pasep e Cofins dos períodos em questão e objeto de julgamento por esta Turma da DRJ/Belém em 17.06.2014 (Acórdão 29.411). Na época foram apontadas pela fiscalização as seguintes irregularidades:
a) Glosa de itens não considerados como insumos feita com base na descrição do processo produtivo e na relação de insumos fornecidos pelo contribuinte em atendimento à Intimação SEORT DRF/SDR n° 0181/2013;
b) Glosa de créditos extemporâneos, sob o argumento de que o dispositivo que permite o aproveitamento de créditos em meses subseqüentes refere-se ao aproveitamento (utilização) de créditos já apropriados e não à apropriação dos mesmos;
c) Quanto aos serviços utilizados como insumos, foi efetuada a glosa correspondente à diferença entre a base de cálculo do crédito informada no último DACON e o somatório do valor das notas fiscais do arquivo digital, nos meses de abril a junho e agosto/2011;
d) Glosa de parte das despesas com energia elétrica, uma vez que nos meses de abril/2011 e junho/2011 as Notas Fiscais com indicação de crédito da Cofins e PIS/Pasep nos arquivos digitais totalizam um valor menor que a base de cálcu2lo dos créditos informada no último DACON transmitido pelo contribuinte.
e) Com relação às despesas de aluguéis de prédios locados de pessoas jurídicas, foram feitas as seguintes glosas:
1) Os comprovantes referentes aos fornecedores FOZ DE JAGUARIBE CONSTRUÇÃO E LOCAÇÃO S. A., CNPJ 09.608.734/0001-22, e FOZ DE JAGUARIBE S. A., CNPJ 08.529.701/0001-24, estão vinculados ao Contrato n° 424/06 - Contrato de concessão administrativa para construção e operação do Sistema de Disposição Oceânica do Jaguaribe (SDO)'.
Trata-se de contrato firmado com fundamento na Lei n° 11.079/2004, que institui normas gerais para licitação e contratação de parceria público-privada no âmbito da administração pública, visando a construção e operação do SDO (...)
Constata-se que as contraprestações pagas pela contribuinte não podem ser confundidas com despesas de aluguéis de prédios. Afinal, trata-se de um contrato para construção e operação de um sistema que após prazo determinado (18 anos) será entregue definitivamente à contratante, conforme previsto na cláusula 6.1.
Está claro que tais pagamentos são decorrentes da execução do objeto do contrato, incluindo a construção do SDO, que ao término do contrato será definitivamente da EMPRESA BAIANA DE ÁGUAS E SANEAMENTO S/A. Ressalte-se que são características da locação a temporariedade do uso e a restituição integral da coisa locada.
Ainda que se tratasse de uma locação, o que se admite apenas a título de argumentação, é expressamente vedado o crédito relativo a aluguel e contraprestação de arrendamento mercantil de bens que já tenham integrado o patrimônio da pessoa jurídica, conforme §3°, do art. 31 da Lei n° 10.865/2004:
Os itens indicados com o n° 2' no motivo da glosa', referem-se a despesas de condomínio, que são destinadas às áreas comuns e rateadas entre os condôminos. Tais despesas não se confundem com o aluguel, e não havendo previsão legal específica, não é admitida a dedução do crédito correspondente. (...)
Os itens com a indicação 3' no motivo da glosa', tratam de despesas para um Fundo de Promoção e Propaganda', que estão previstas no contrato, mas não se confundem com as despesas de aluguéis.
A indicação 4' no motivo da glosa', refere-se a despesas com IPTU, que também não geram direito a crédito por falta de previsão legal. Não são despesas com aluguéis de prédios.
Os contratos referentes aos itens com motivo da glosa igual a 5' incluem no valor do aluguel' outras despesas alheias ao conceito de aluguel: condomínio, IPTU, etc. Por não ser possível a segregação dessas despesas, que não têm previsão legal para creditamento na sistemática não-cumulativa da COFINS e da Contribuição para o PIS/PASEP, foi efetuada a glosa total do item.
Não foram apresentados os contratos de locação referentes às supostas despesas de aluguéis que estão com indicação 6' no motivo da glosa'. A ausência do contrato impossibilita a convalidação desses créditos.
O documento apresentado para comprovar a despesa de locação junto ao fornecedor HOTEL ALDEIA DA PRAIA LTDA', CNPJ 03.541.503/0001-62, emitido em 25/04/2011, traz a descrição: DESPESA COM ALUGUEL DE ESPAÇO PARA REUNIÃO DE AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO...'.
Já o documento emitido em 18/05/2011, fornecedor LOJA MAÇÔNICA AREOPAGO JEQUIEENSE', CNPJ 13.771.936/0001-68, traz a descrição: ALUGUEL DO SALÃO DE EVENTOS DA LOJA MACONICA AREOPAGO, PARA REALIZAÇÃO DA CONFRATERNIZAÇÃO JUNINA DOS FUNCIONÁRIOS DA EMBASA...'.
A Nota Fiscal de Serviços emitida por R RAMOS HOTÉIS E RESTAURANTE LTDA', CNPJ 01.975.518/0002-94, em 08/06/2011, assim discrimina os serviços: DESPESAS REFERENTE A LOCAÇÃO DE ESPAÇO PARA OFICINA DA EMBASA'.
Esses itens têm indicação 7' no motivo da glosa por não serem relativos a aluguéis de prédios utilizados nas atividades da empresa. Conforme previsto no inciso IV do art. 3o da Lei n° 10.833/2003 e da Lei 10.637/2002, somente geram créditos as despesas de aluguéis de prédios quando utilizados nas atividades da empresa, o que não se verifica nesses casos.
No caso da subvenção para investimentos, a empresa excluiu da base de cálculo tais valores, tendo a fiscalização entendido que não restou comprovada a intenção do Estado em destinar as subvenções para investimento, nem a aplicação de tais recursos pelo beneficiário. Esclarece: Para usar os termos do Parecer Normativo CST n° 112/1978, não houve a perfeita sincronia da intenção do subvencionador com a ação do subvencionado'. Não havendo a comprovação de tal requisito, não há como caracterizar o crédito presumido do ICMS, no presente caso, como subvenção para investimento, devendo ser incluído, portanto, na base de cálculo da contribuição ao PIS/PASEP e da COFINS.
Cientificada do presente despacho decisório em 19.02.2014, a interessada apresentou, tempestivamente, em 20.03.2014, manifestação de inconformidade (fls. 11/47) na qual apresenta os mesmos argumentos do processo n° 10580.731563/2013-46, referente a autos de infração, abaixo sintetizados:
Tece comentários acerca da sistemática da não cumulatividade das contribuições, afirmando:
Considerando que as Leis n° 10.637/02 e n° 10.833/03 implantaram a sistemática do crédito financeiro' às contribuições ao PIS e COFINS, é lícito concluir que o rol de situações que fazem nascer o direito ao crédito não pode ser interpretado de forma restrita. Todos os gastos que estejam relacionados com a atividade do contribuinte geram créditos, sendo excepcionados apenas os bens, serviços e despesas pagos a pessoa jurídica não domiciliada no Brasil, e os valores de mão-de-obra pagos a pessoa física
No que diz respeito aos insumos, refere-se aos atos normativos da Receita Federal, aduzindo:
Ocorre que, como já demonstramos, é inadmissível pretender-se aplicar ao PIS e à COFINS as regras procedimentais atinentes à não cumulatividade do ICMS e do IPI, pois têm sistemática absolutamente diversas, tal como demonstrado até então. Diante das peculiaridades dos fatos descritos nas hipóteses de incidência do IPI e do ICMS, a jurisprudência tem se posicionado no sentido de que só dá direito a crédito o bem ou serviço que integre o produto final, objeto da industrialização ou da comercialização. Tal conclusão, porém, é inadmissível em se tratando de créditos da contribuição ao PIS e da COFINS, visto que incidentes sobre a totalidade das receitas da pessoa jurídica.
Transcreve decisões administrativas e judiciais que vão ao encontro do seu entendimento, concluído que Insumo', para fins de creditamento de PIS e COFINS, corresponde aos custos ou despesas necessárias à atividade da pessoa jurídica;
Cita itens glosados pela fiscalização, afirmando que:
Em verdade, a grande maioria dos materiais listados no anexo I. glosados pelo Fiscal são utilizados pela EMBASA através da sua Superintendência de Manutenção Eletromecânica-MM que é a responsável pela manutenção preditiva, preventiva e corretiva de aproximadamente 10.000 (dez mil) equipamentos eletromecânicos (bombas, motores, transformadores, etc.) e de automação instalados em mais de 500 unidades operacionais de abastecimento de água e esgotamento sanitário da RMS (ETAs, Estações Elevatórias, ETEs) no Estado da Bahia.
Para um leigo em engenharia mecânica, não há qualquer dúvida de que os materiais glosados pelo Fiscal correspondem aos custos ou despesas necessárias à atividade da pessoa jurídica, no caso, uma empresa de economia mista responsável pelo saneamento básico e distribuição de água potável em todo o Estado da Bahia.
No caso dos créditos extemporâneos, entende que a interpretação realizada pelo Fiscal foi restritiva, prática vedada pelo princípio constitucional da estrita legalidade, tendo o fiscal ampliado a interpretação da norma ao utilizar como parâmetro na definição de créditos extemporâneos o período de 30 dias. A definição ou classificação quanto à extemporaneidade tem correlação com a data de competência do crédito e não com a data da aquisição ou da emissão de nota fiscal, como entendeu, mais uma vez de forma equivocada, o Fiscal;
Quanto às despesas de aluguel, argumenta:
Primeiramente, o Fiscal partiu de uma interpretação simplória, entendendo se tratar de um bem comum, como se a locação tivesse sido realizada entre dois particulares. Assim, concluiu, equivocadamente, que a devolução do bem descaracteriza o contrato de locação'. Por esta interpretação, desconsiderou todo um processo licitatório, todas as complexas regras existentes em um PARCERIA PUBLICO PRIVADA realizada pela EMBASA em que fizeram parte o Estado da Bahia e o Município de Salvador, além da própria empresa vencedora da licitação.
De logo, cabe explicitar que o segundo argumento utilizado pelo Fiscal, de que o bem estaria contabilizado no ativo imobilizado da EMBASA é ABSOLUTAMENTE INVERÍDICO. Conforme balanço patrimonial da FOZ DO JUAGUARIBE CONSTRUÇÃO E LOCAÇÃO S.A, publicada no Diário Oficial da União de 24.04.2010, o imóvel objeto da locação FAZ PARTE do ativo imobilizado da referida empresa, ANEXADAS NO PROCESSO ADMINISTRATIVO 10580.731563/2013-46.
De outro lado, a mudança de titularidade do imóvel após o final do contrato de locação, por si só, não é, objetivamente, um fator excludente da realização de um contrato de locação. Vamos a um exemplo, utilizando um contrato de locação entre particulares de um imóvel de R$ 100.000,00. O acerto entre as partes foi o seguinte: R$ 500,00 seria um aluguel e R$ 1.000,00 seria um preço para a venda do imóvel, antecipado ao longo de 100 meses. Ao final dos 100 meses, o imóvel passará para o nome do locatário. Não existiu a locação? O locatário não poderia comprar um imóvel que foi locado?
A solução para a questão posta em exame está no próprio contrato aqui anexado, ANEXADAS NO PROCESSO ADMINISTRATIVO 10580.731563/2013-46, no qual, por diversas oportunidades, as partes afirmam se tratar de um imóvel que será construído e, posteriormente, locado à EMBASA.
Podemos retirar do contrato as seguintes passagens que comprovam, indubitavelmente, tratar-se de uma locação, todas devidamente marcadas na cópia que segue em anexo à presente Impugnação:
(transcreve partes do contrato)
Pelo contrato, percebe-se a complexidade da questão, na medida em que se trata de um bem específico; que será construído por uma empresa, com capital próprio; receberá aluguel durante 18 anos, será ressarcida do investimento e, no final, transmitirá o bem à EMBASA. Bem este que somente poderá ser operado pela Impugnante, única pessoa jurídica na cidade de Salvador, responsável pelo saneamento ambiental.
Também está sendo anexado, ANEXADAS NO PROCESSO ADMINISTRATIVO 10580.731563/2013-46, o contrato assinado pela Jaguaribe Construção e Locação S.A com a Caixa Econômica Federal, tendo a Impugnante, juntamente com o Município de Salvador e o Estado da Bahia, assinado como intervenientes anuentes. Ora Eméritos Julgadores, o financiamento foi realizado em nome do LOCADOR. O bem pertence ao seu patrimônio, ao seu ativo imobilizado. Daí porque, a locação é plenamente possível, mesmo que o bem seja entregue à EMBASA ao final, da locação.
Com referência às despesas de condomínio e IPTU, defende que como a Embasa não é sujeito passivo da obrigação tributária do IPTU, em relação aos imóveis por ela alugados, não se trata de pagamento do tributo, mas do próprio aluguel, valendo o raciocínio para o condomínio, pois como grava o imóvel, o sujeito passivo é o proprietário, ainda que o locatário seja o responsável pelo pagamento, por contrato;
Contesta também a glosa das despesas com ALUGUEL DE ESPAÇO PARA REUNIÃO DE AVALIAÇÃO E DESEMPENHO e LOCAÇÃO DE ESPAÇO PARA OFICINA DA EMBASA, julgando que por ser uma empresa de saneamento básico e distribuição de água potável, presente em mais de 400 municípios da Bahia, precisa fazer reuniões de avaliação de desempenho e oficinas de treinamento para funcionários e tais atividades, ainda que indiretamente, fazem parte das atividades da empresa;
No caso das subvenções para investimento, alega:
No caso em comento, observa-se que o crédito presumido do ICMS, instituído pelo Decreto ora examinado, corresponde a uma redução nos custos da empresa. Em contrapartida, para o Estado da Bahia, a perda na arrecadação implica em renúncia fiscal.
Entendida a natureza do incentivo fiscal decorrente do Decreto 6.734/1997 - redução de custos - revela-se sua incompatibilidade com o conceito de receita bruta ou faturamento, fato gerador do PIS e COFINS.
D'outro prisma, seria um contrassenso admitir que sobre a renúncia fiscal praticada pelo Estado, utilizada justamente para acelerar seu próprio crescimento econômico, viessem incidir as contribuições sociais arrecadas pela União. Seria admitir que a União interferisse, com a tributação, em matéria privativa dos Estados, limitando, com isso, a eficácia do beneficio fiscal pretendido pelo Estado. De fato, se tal ocorresse, implicaria em transferência, de forma oblíqua, de receitas das quais o Estado abriu mão, para engordar os cofres da União.
Em suma, dada à sua natureza de redução de custos, o incentivo fiscal prodigalizado pelo Estado não constitui receita do ponto de vista econômico- financeiro, não se amoldando, portanto, na base de cálculo do PIS e COFINS.
Nesse sentido, firme é o posicionamento do STJ pelas suas duas Turmas especializadas:
(cita decisões judiciais)
Do visto, pode-se concluir, com segurança, que os incentivos fiscais advindos da legislação do ICMS, Decreto n° 6.734/1997, editado pelo Estado da Bahia, não se amoldam ao conceito de receita bruta ou faturamento, passando, assim, ao largo da incidência do PIS e COFINS.
Dito em outras palavras, o fato do Fiscal exigir que a EMBASA comprovasse a intenção do Estado em destinar as subvenções para investimento, sem a aplicação de tais recursos pelo beneficiário, é absolutamente ilegal. Isto porque, JAMAIS, em NENHUMA HIPÓTESE, a receita proveniente do ICMS poderá fazer parte da base de cálculo do PIS e COFINS, pois o crédito presumido do ICMS configura incentivo voltado à redução de custos, com a finalidade de proporcionar maior competitividade no mercado para as empresas de um determinado Estado-membro, não assumindo natureza de receita ou faturamento.
Ao final, requer:
a) Devem ser considerados insumos todos os dispêndios necessários à operatividade da pessoa jurídica, glosados pelo Fiscal;
b) Devem ser incluídos os créditos tidos por extemporâneos, as despesas de aluguel realizadas junto à FOZ DE JAGUARIBE CONSTRUÇÃO E LOCAÇÃO S.A, CNPJ 09.608734/0001-22 E FOZ JAGUARIBE S.A, CNPJ 08.529.701/0001- 24, vinculados ao contrato n° 424/06 - Contrato de Concessão Administrativa para Construção e Operação do Sistema de Disposição Oceânica do Jaguaribe, bem como as realizadas com o HOTEL ALDEIA DA PRAIA e da R RAMOS HOTÉIS E RESTAURANTES;
c) Deve ser excluída da base de cálculo todas as receitas provenientes do ICMS, pois o crédito presumido deste tributo configura incentivo voltado à redução de custos, com a finalidade de proporcionar maior competitividade no mercado para as empresas de um determinado Estado-membro, não assumindo natureza de receita ou faturamento.
Em 30 de agosto de 2016, através do Acórdão n° 01-33.305, a 3a Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Belo Horizonte/MG, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade.
A EMPRESA BAIANA DE ÁGUAS E SANEAMENTO S/A foi cientificada do Acórdão de Manifestação de Inconformidade, em 16/09/2016, via Aviso de Recebimento, e-folhas 205, e apresentou Recurso Voluntário em 14/10/2016 (e-folhas 140).
No Recurso Voluntário, de e-folhas 141 a 202, foi alegado em síntese:
Insumos são todos os dispêndios necessários à operatividade da pessoa jurídica;
Os créditos tidos por extemporâneos no auto de infração, nos termos realizados pelo Fiscal, viola o princípio da estrila legalidade da administração pública, causando, ainda, enriquecimento ilícito da União;
As despesas de aluguel realizadas junto à FOZ DE JAGUARIBE CONSTRUÇÃO E LOCAÇÃO S.A, CNPJ 09.608734/0001-22 E FOZ JAGUARIBE S.A, CNPJ 08.529.701/0001- 24, vinculados ao contrato n° 424/06 - Contrato de Concessão Administrativa para Construção e Operação do Sistema de Disposição Oceânica do Jaguaribe, não deveria ter sido glosadas pelo Fiscal, pois poderiam ser excluídas da base de cálculo da COFINS e do PIS;
As despesas de condomínio e IPTU realizadas pela EMBASA em seus imóveis locados devam ser entendidas com aluguel;
Serem aceitas as despesas realizadas com o HOTEL ALDEIA DA PRAIA e da R RAMOS HOTÉIS E RESTAURANTES;
Ser excluída da base de cálculo todas as receitas provenientes do ICMS, pois o crédito presumido deste tributo configura incentivo voltado à redução de custos, com a finalidade de proporcionar maior competitividade no mercado para as empresas de um determinado Estado-membro, não assumindo natureza de receita ou faturamento.
Ao final, em face das declarações supra requeridas, ser julgada PROCEDENTE a Manifestação de Inconformidade e, em consequência, deferida a compensação inicialmente pleiteada pela Recorrente.
É o relatório.
Nome do relator: JORGE LIMA ABUD
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar o julgamento na unidade administrativa de origem para juntar a decisão definitiva a ser proferida no processo nº 10580.731563/2013-46 e esclarecer, após liquidação da referida decisão, se remanesceu algum valor do direito creditório pleiteado, conforme informado no documento "Informações Complementares da Análise de Crédito".
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente
(assinado digitalmente)
Jorge Lima Abud - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede.
Relatório
Aproveita-se o Relatório do Acórdão de Manifestação de Inconformidade.
Trata-se de Declaração de Compensação (DCOMP) Eletrônica, por meio das quais a Empresa pretende compensar débitos de sua responsabilidade com supostos créditos referentes a Pagamento Indevido ou a Maior da Cofins não cumulativa, código de receita 5856, no valor original de R$ 1.095.693,97.
2. O direito creditório foi parcialmente reconhecido, no valor de R$ 647.636,02, em virtude da inexistência da totalidade do saldo no DARF apontado, uma vez que o referido crédito foi em parte utilizado, segundo as Informações Complementares da Análise do Crédito no processo 10580.731563/2013-46, referente a autos de infração de PIS/Pasep e Cofins dos períodos em questão e objeto de julgamento por esta Turma da DRJ/Belém em 17.06.2014 (Acórdão 29.411). Na época foram apontadas pela fiscalização as seguintes irregularidades:
a) Glosa de itens não considerados como insumos feita com base na descrição do processo produtivo e na relação de insumos fornecidos pelo contribuinte em atendimento à Intimação SEORT DRF/SDR n° 0181/2013;
b) Glosa de créditos extemporâneos, sob o argumento de que o dispositivo que permite o aproveitamento de créditos em meses subseqüentes refere-se ao aproveitamento (utilização) de créditos já apropriados e não à apropriação dos mesmos;
c) Quanto aos serviços utilizados como insumos, foi efetuada a glosa correspondente à diferença entre a base de cálculo do crédito informada no último DACON e o somatório do valor das notas fiscais do arquivo digital, nos meses de abril a junho e agosto/2011;
d) Glosa de parte das despesas com energia elétrica, uma vez que nos meses de abril/2011 e junho/2011 as Notas Fiscais com indicação de crédito da Cofins e PIS/Pasep nos arquivos digitais totalizam um valor menor que a base de cálcu2lo dos créditos informada no último DACON transmitido pelo contribuinte.
e) Com relação às despesas de aluguéis de prédios locados de pessoas jurídicas, foram feitas as seguintes glosas:
1) Os comprovantes referentes aos fornecedores FOZ DE JAGUARIBE CONSTRUÇÃO E LOCAÇÃO S. A., CNPJ 09.608.734/0001-22, e FOZ DE JAGUARIBE S. A., CNPJ 08.529.701/0001-24, estão vinculados ao Contrato n° 424/06 - Contrato de concessão administrativa para construção e operação do Sistema de Disposição Oceânica do Jaguaribe (SDO)'.
Trata-se de contrato firmado com fundamento na Lei n° 11.079/2004, que institui normas gerais para licitação e contratação de parceria público-privada no âmbito da administração pública, visando a construção e operação do SDO (...)
Constata-se que as contraprestações pagas pela contribuinte não podem ser confundidas com despesas de aluguéis de prédios. Afinal, trata-se de um contrato para construção e operação de um sistema que após prazo determinado (18 anos) será entregue definitivamente à contratante, conforme previsto na cláusula 6.1.
Está claro que tais pagamentos são decorrentes da execução do objeto do contrato, incluindo a construção do SDO, que ao término do contrato será definitivamente da EMPRESA BAIANA DE ÁGUAS E SANEAMENTO S/A. Ressalte-se que são características da locação a temporariedade do uso e a restituição integral da coisa locada.
Ainda que se tratasse de uma locação, o que se admite apenas a título de argumentação, é expressamente vedado o crédito relativo a aluguel e contraprestação de arrendamento mercantil de bens que já tenham integrado o patrimônio da pessoa jurídica, conforme §3°, do art. 31 da Lei n° 10.865/2004:
Os itens indicados com o n° 2' no motivo da glosa', referem-se a despesas de condomínio, que são destinadas às áreas comuns e rateadas entre os condôminos. Tais despesas não se confundem com o aluguel, e não havendo previsão legal específica, não é admitida a dedução do crédito correspondente. (...)
Os itens com a indicação 3' no motivo da glosa', tratam de despesas para um Fundo de Promoção e Propaganda', que estão previstas no contrato, mas não se confundem com as despesas de aluguéis.
A indicação 4' no motivo da glosa', refere-se a despesas com IPTU, que também não geram direito a crédito por falta de previsão legal. Não são despesas com aluguéis de prédios.
Os contratos referentes aos itens com motivo da glosa igual a 5' incluem no valor do aluguel' outras despesas alheias ao conceito de aluguel: condomínio, IPTU, etc. Por não ser possível a segregação dessas despesas, que não têm previsão legal para creditamento na sistemática não-cumulativa da COFINS e da Contribuição para o PIS/PASEP, foi efetuada a glosa total do item.
Não foram apresentados os contratos de locação referentes às supostas despesas de aluguéis que estão com indicação 6' no motivo da glosa'. A ausência do contrato impossibilita a convalidação desses créditos.
O documento apresentado para comprovar a despesa de locação junto ao fornecedor HOTEL ALDEIA DA PRAIA LTDA', CNPJ 03.541.503/0001-62, emitido em 25/04/2011, traz a descrição: DESPESA COM ALUGUEL DE ESPAÇO PARA REUNIÃO DE AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO...'.
Já o documento emitido em 18/05/2011, fornecedor LOJA MAÇÔNICA AREOPAGO JEQUIEENSE', CNPJ 13.771.936/0001-68, traz a descrição: ALUGUEL DO SALÃO DE EVENTOS DA LOJA MACONICA AREOPAGO, PARA REALIZAÇÃO DA CONFRATERNIZAÇÃO JUNINA DOS FUNCIONÁRIOS DA EMBASA...'.
A Nota Fiscal de Serviços emitida por R RAMOS HOTÉIS E RESTAURANTE LTDA', CNPJ 01.975.518/0002-94, em 08/06/2011, assim discrimina os serviços: DESPESAS REFERENTE A LOCAÇÃO DE ESPAÇO PARA OFICINA DA EMBASA'.
Esses itens têm indicação 7' no motivo da glosa por não serem relativos a aluguéis de prédios utilizados nas atividades da empresa. Conforme previsto no inciso IV do art. 3o da Lei n° 10.833/2003 e da Lei 10.637/2002, somente geram créditos as despesas de aluguéis de prédios quando utilizados nas atividades da empresa, o que não se verifica nesses casos.
No caso da subvenção para investimentos, a empresa excluiu da base de cálculo tais valores, tendo a fiscalização entendido que não restou comprovada a intenção do Estado em destinar as subvenções para investimento, nem a aplicação de tais recursos pelo beneficiário. Esclarece: Para usar os termos do Parecer Normativo CST n° 112/1978, não houve a perfeita sincronia da intenção do subvencionador com a ação do subvencionado'. Não havendo a comprovação de tal requisito, não há como caracterizar o crédito presumido do ICMS, no presente caso, como subvenção para investimento, devendo ser incluído, portanto, na base de cálculo da contribuição ao PIS/PASEP e da COFINS.
Cientificada do presente despacho decisório em 19.02.2014, a interessada apresentou, tempestivamente, em 20.03.2014, manifestação de inconformidade (fls. 11/47) na qual apresenta os mesmos argumentos do processo n° 10580.731563/2013-46, referente a autos de infração, abaixo sintetizados:
Tece comentários acerca da sistemática da não cumulatividade das contribuições, afirmando:
Considerando que as Leis n° 10.637/02 e n° 10.833/03 implantaram a sistemática do crédito financeiro' às contribuições ao PIS e COFINS, é lícito concluir que o rol de situações que fazem nascer o direito ao crédito não pode ser interpretado de forma restrita. Todos os gastos que estejam relacionados com a atividade do contribuinte geram créditos, sendo excepcionados apenas os bens, serviços e despesas pagos a pessoa jurídica não domiciliada no Brasil, e os valores de mão-de-obra pagos a pessoa física
No que diz respeito aos insumos, refere-se aos atos normativos da Receita Federal, aduzindo:
Ocorre que, como já demonstramos, é inadmissível pretender-se aplicar ao PIS e à COFINS as regras procedimentais atinentes à não cumulatividade do ICMS e do IPI, pois têm sistemática absolutamente diversas, tal como demonstrado até então. Diante das peculiaridades dos fatos descritos nas hipóteses de incidência do IPI e do ICMS, a jurisprudência tem se posicionado no sentido de que só dá direito a crédito o bem ou serviço que integre o produto final, objeto da industrialização ou da comercialização. Tal conclusão, porém, é inadmissível em se tratando de créditos da contribuição ao PIS e da COFINS, visto que incidentes sobre a totalidade das receitas da pessoa jurídica.
Transcreve decisões administrativas e judiciais que vão ao encontro do seu entendimento, concluído que Insumo', para fins de creditamento de PIS e COFINS, corresponde aos custos ou despesas necessárias à atividade da pessoa jurídica;
Cita itens glosados pela fiscalização, afirmando que:
Em verdade, a grande maioria dos materiais listados no anexo I. glosados pelo Fiscal são utilizados pela EMBASA através da sua Superintendência de Manutenção Eletromecânica-MM que é a responsável pela manutenção preditiva, preventiva e corretiva de aproximadamente 10.000 (dez mil) equipamentos eletromecânicos (bombas, motores, transformadores, etc.) e de automação instalados em mais de 500 unidades operacionais de abastecimento de água e esgotamento sanitário da RMS (ETAs, Estações Elevatórias, ETEs) no Estado da Bahia.
Para um leigo em engenharia mecânica, não há qualquer dúvida de que os materiais glosados pelo Fiscal correspondem aos custos ou despesas necessárias à atividade da pessoa jurídica, no caso, uma empresa de economia mista responsável pelo saneamento básico e distribuição de água potável em todo o Estado da Bahia.
No caso dos créditos extemporâneos, entende que a interpretação realizada pelo Fiscal foi restritiva, prática vedada pelo princípio constitucional da estrita legalidade, tendo o fiscal ampliado a interpretação da norma ao utilizar como parâmetro na definição de créditos extemporâneos o período de 30 dias. A definição ou classificação quanto à extemporaneidade tem correlação com a data de competência do crédito e não com a data da aquisição ou da emissão de nota fiscal, como entendeu, mais uma vez de forma equivocada, o Fiscal;
Quanto às despesas de aluguel, argumenta:
Primeiramente, o Fiscal partiu de uma interpretação simplória, entendendo se tratar de um bem comum, como se a locação tivesse sido realizada entre dois particulares. Assim, concluiu, equivocadamente, que a devolução do bem descaracteriza o contrato de locação'. Por esta interpretação, desconsiderou todo um processo licitatório, todas as complexas regras existentes em um PARCERIA PUBLICO PRIVADA realizada pela EMBASA em que fizeram parte o Estado da Bahia e o Município de Salvador, além da própria empresa vencedora da licitação.
De logo, cabe explicitar que o segundo argumento utilizado pelo Fiscal, de que o bem estaria contabilizado no ativo imobilizado da EMBASA é ABSOLUTAMENTE INVERÍDICO. Conforme balanço patrimonial da FOZ DO JUAGUARIBE CONSTRUÇÃO E LOCAÇÃO S.A, publicada no Diário Oficial da União de 24.04.2010, o imóvel objeto da locação FAZ PARTE do ativo imobilizado da referida empresa, ANEXADAS NO PROCESSO ADMINISTRATIVO 10580.731563/2013-46.
De outro lado, a mudança de titularidade do imóvel após o final do contrato de locação, por si só, não é, objetivamente, um fator excludente da realização de um contrato de locação. Vamos a um exemplo, utilizando um contrato de locação entre particulares de um imóvel de R$ 100.000,00. O acerto entre as partes foi o seguinte: R$ 500,00 seria um aluguel e R$ 1.000,00 seria um preço para a venda do imóvel, antecipado ao longo de 100 meses. Ao final dos 100 meses, o imóvel passará para o nome do locatário. Não existiu a locação? O locatário não poderia comprar um imóvel que foi locado?
A solução para a questão posta em exame está no próprio contrato aqui anexado, ANEXADAS NO PROCESSO ADMINISTRATIVO 10580.731563/2013-46, no qual, por diversas oportunidades, as partes afirmam se tratar de um imóvel que será construído e, posteriormente, locado à EMBASA.
Podemos retirar do contrato as seguintes passagens que comprovam, indubitavelmente, tratar-se de uma locação, todas devidamente marcadas na cópia que segue em anexo à presente Impugnação:
(transcreve partes do contrato)
Pelo contrato, percebe-se a complexidade da questão, na medida em que se trata de um bem específico; que será construído por uma empresa, com capital próprio; receberá aluguel durante 18 anos, será ressarcida do investimento e, no final, transmitirá o bem à EMBASA. Bem este que somente poderá ser operado pela Impugnante, única pessoa jurídica na cidade de Salvador, responsável pelo saneamento ambiental.
Também está sendo anexado, ANEXADAS NO PROCESSO ADMINISTRATIVO 10580.731563/2013-46, o contrato assinado pela Jaguaribe Construção e Locação S.A com a Caixa Econômica Federal, tendo a Impugnante, juntamente com o Município de Salvador e o Estado da Bahia, assinado como intervenientes anuentes. Ora Eméritos Julgadores, o financiamento foi realizado em nome do LOCADOR. O bem pertence ao seu patrimônio, ao seu ativo imobilizado. Daí porque, a locação é plenamente possível, mesmo que o bem seja entregue à EMBASA ao final, da locação.
Com referência às despesas de condomínio e IPTU, defende que como a Embasa não é sujeito passivo da obrigação tributária do IPTU, em relação aos imóveis por ela alugados, não se trata de pagamento do tributo, mas do próprio aluguel, valendo o raciocínio para o condomínio, pois como grava o imóvel, o sujeito passivo é o proprietário, ainda que o locatário seja o responsável pelo pagamento, por contrato;
Contesta também a glosa das despesas com ALUGUEL DE ESPAÇO PARA REUNIÃO DE AVALIAÇÃO E DESEMPENHO e LOCAÇÃO DE ESPAÇO PARA OFICINA DA EMBASA, julgando que por ser uma empresa de saneamento básico e distribuição de água potável, presente em mais de 400 municípios da Bahia, precisa fazer reuniões de avaliação de desempenho e oficinas de treinamento para funcionários e tais atividades, ainda que indiretamente, fazem parte das atividades da empresa;
No caso das subvenções para investimento, alega:
No caso em comento, observa-se que o crédito presumido do ICMS, instituído pelo Decreto ora examinado, corresponde a uma redução nos custos da empresa. Em contrapartida, para o Estado da Bahia, a perda na arrecadação implica em renúncia fiscal.
Entendida a natureza do incentivo fiscal decorrente do Decreto 6.734/1997 - redução de custos - revela-se sua incompatibilidade com o conceito de receita bruta ou faturamento, fato gerador do PIS e COFINS.
D'outro prisma, seria um contrassenso admitir que sobre a renúncia fiscal praticada pelo Estado, utilizada justamente para acelerar seu próprio crescimento econômico, viessem incidir as contribuições sociais arrecadas pela União. Seria admitir que a União interferisse, com a tributação, em matéria privativa dos Estados, limitando, com isso, a eficácia do beneficio fiscal pretendido pelo Estado. De fato, se tal ocorresse, implicaria em transferência, de forma oblíqua, de receitas das quais o Estado abriu mão, para engordar os cofres da União.
Em suma, dada à sua natureza de redução de custos, o incentivo fiscal prodigalizado pelo Estado não constitui receita do ponto de vista econômico- financeiro, não se amoldando, portanto, na base de cálculo do PIS e COFINS.
Nesse sentido, firme é o posicionamento do STJ pelas suas duas Turmas especializadas:
(cita decisões judiciais)
Do visto, pode-se concluir, com segurança, que os incentivos fiscais advindos da legislação do ICMS, Decreto n° 6.734/1997, editado pelo Estado da Bahia, não se amoldam ao conceito de receita bruta ou faturamento, passando, assim, ao largo da incidência do PIS e COFINS.
Dito em outras palavras, o fato do Fiscal exigir que a EMBASA comprovasse a intenção do Estado em destinar as subvenções para investimento, sem a aplicação de tais recursos pelo beneficiário, é absolutamente ilegal. Isto porque, JAMAIS, em NENHUMA HIPÓTESE, a receita proveniente do ICMS poderá fazer parte da base de cálculo do PIS e COFINS, pois o crédito presumido do ICMS configura incentivo voltado à redução de custos, com a finalidade de proporcionar maior competitividade no mercado para as empresas de um determinado Estado-membro, não assumindo natureza de receita ou faturamento.
Ao final, requer:
a) Devem ser considerados insumos todos os dispêndios necessários à operatividade da pessoa jurídica, glosados pelo Fiscal;
b) Devem ser incluídos os créditos tidos por extemporâneos, as despesas de aluguel realizadas junto à FOZ DE JAGUARIBE CONSTRUÇÃO E LOCAÇÃO S.A, CNPJ 09.608734/0001-22 E FOZ JAGUARIBE S.A, CNPJ 08.529.701/0001- 24, vinculados ao contrato n° 424/06 - Contrato de Concessão Administrativa para Construção e Operação do Sistema de Disposição Oceânica do Jaguaribe, bem como as realizadas com o HOTEL ALDEIA DA PRAIA e da R RAMOS HOTÉIS E RESTAURANTES;
c) Deve ser excluída da base de cálculo todas as receitas provenientes do ICMS, pois o crédito presumido deste tributo configura incentivo voltado à redução de custos, com a finalidade de proporcionar maior competitividade no mercado para as empresas de um determinado Estado-membro, não assumindo natureza de receita ou faturamento.
Em 30 de agosto de 2016, através do Acórdão n° 01-33.305, a 3a Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Belo Horizonte/MG, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade.
A EMPRESA BAIANA DE ÁGUAS E SANEAMENTO S/A foi cientificada do Acórdão de Manifestação de Inconformidade, em 16/09/2016, via Aviso de Recebimento, e-folhas 205, e apresentou Recurso Voluntário em 14/10/2016 (e-folhas 140).
No Recurso Voluntário, de e-folhas 141 a 202, foi alegado em síntese:
Insumos são todos os dispêndios necessários à operatividade da pessoa jurídica;
Os créditos tidos por extemporâneos no auto de infração, nos termos realizados pelo Fiscal, viola o princípio da estrila legalidade da administração pública, causando, ainda, enriquecimento ilícito da União;
As despesas de aluguel realizadas junto à FOZ DE JAGUARIBE CONSTRUÇÃO E LOCAÇÃO S.A, CNPJ 09.608734/0001-22 E FOZ JAGUARIBE S.A, CNPJ 08.529.701/0001- 24, vinculados ao contrato n° 424/06 - Contrato de Concessão Administrativa para Construção e Operação do Sistema de Disposição Oceânica do Jaguaribe, não deveria ter sido glosadas pelo Fiscal, pois poderiam ser excluídas da base de cálculo da COFINS e do PIS;
As despesas de condomínio e IPTU realizadas pela EMBASA em seus imóveis locados devam ser entendidas com aluguel;
Serem aceitas as despesas realizadas com o HOTEL ALDEIA DA PRAIA e da R RAMOS HOTÉIS E RESTAURANTES;
Ser excluída da base de cálculo todas as receitas provenientes do ICMS, pois o crédito presumido deste tributo configura incentivo voltado à redução de custos, com a finalidade de proporcionar maior competitividade no mercado para as empresas de um determinado Estado-membro, não assumindo natureza de receita ou faturamento.
Ao final, em face das declarações supra requeridas, ser julgada PROCEDENTE a Manifestação de Inconformidade e, em consequência, deferida a compensação inicialmente pleiteada pela Recorrente.
É o relatório.
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S3C3T2
Fl. 2
1
1
S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA
CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS
TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO
Processo nº 10580.900112/201446
Recurso nº Voluntário
Resolução nº 3302001.108 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária
Data 24 de abril de 2019
Assunto COFINS. COMPENSAÇÃO. PAG2AMENTO INDEVIDO OU A MAIOR.
Recorrente EMPRESA BAIANA DE ÁGUAS E SANEAMENTO S/A
Recorrida FAZENDA NACIONAL
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar o
julgamento na unidade administrativa de origem para juntar a decisão definitiva a ser proferida
no processo nº 10580.731563/201346 e esclarecer, após liquidação da referida decisão, se
remanesceu algum valor do direito creditório pleiteado, conforme informado no documento
"Informações Complementares da Análise de Crédito".
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède Presidente
(assinado digitalmente)
Jorge Lima Abud Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo
Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus,
Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente
Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede.
Relatório
Aproveitase o Relatório do Acórdão de Manifestação de Inconformidade.
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Fl. 208DF CARF MF
Processo nº 10580.900112/201446
Resolução nº 3302001.108
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Fl. 3
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Tratase de Declaração de Compensação (DCOMP) Eletrônica, por
meio das quais a Empresa pretende compensar débitos de sua
responsabilidade com supostos créditos referentes a “Pagamento
Indevido ou a Maior” da Cofins não cumulativa, código de receita
5856, no valor original de R$ 1.095.693,97.
2. O direito creditório foi parcialmente reconhecido, no valor de R$
647.636,02, em virtude da inexistência da totalidade do saldo no DARF
apontado, uma vez que o referido crédito foi em parte utilizado,
segundo as “Informações Complementares da Análise do Crédito” no
processo 10580.731563/201346, referente a autos de infração de
PIS/Pasep e Cofins dos períodos em questão e objeto de julgamento
por esta Turma da DRJ/Belém em 17.06.2014 (Acórdão 29.411). Na
época foram apontadas pela fiscalização as seguintes irregularidades:
a) Glosa de itens não considerados como insumos feita com base na
descrição do processo produtivo e na relação de insumos fornecidos
pelo contribuinte em atendimento à Intimação SEORT DRF/SDR n°
0181/2013;
b) Glosa de créditos extemporâneos, sob o argumento de que o
dispositivo que permite o aproveitamento de créditos em meses
subseqüentes referese ao aproveitamento (utilização) de créditos já
apropriados e não à apropriação dos mesmos;
c) Quanto aos serviços utilizados como insumos, foi efetuada a glosa
correspondente à diferença entre a base de cálculo do crédito
informada no último DACON e o somatório do valor das notas fiscais
do arquivo digital, nos meses de abril a junho e agosto/2011;
d) Glosa de parte das despesas com energia elétrica, uma vez que nos
meses de abril/2011 e junho/2011 as Notas Fiscais com indicação de
crédito da Cofins e PIS/Pasep nos arquivos digitais totalizam um valor
menor que a base de cálcu2lo dos créditos informada no último
DACON transmitido pelo contribuinte.
e) Com relação às despesas de aluguéis de prédios locados de pessoas
jurídicas, foram feitas as seguintes glosas:
“1) Os comprovantes referentes aos fornecedores FOZ DE
JAGUARIBE CONSTRUÇÃO E LOCAÇÃO S. A., CNPJ
09.608.734/000122, e FOZ DE JAGUARIBE S. A., CNPJ
08.529.701/000124, estão vinculados ao ‘Contrato n° 424/06
Contrato de concessão administrativa para construção e operação do
Sistema de Disposição Oceânica do Jaguaribe (SDO)'.
Tratase de contrato firmado com fundamento na Lei n° 11.079/2004,
que institui normas gerais para licitação e contratação de parceria
públicoprivada no âmbito da administração pública, visando a
construção e operação do SDO (...)
Constatase que as contraprestações pagas pela contribuinte não
podem ser confundidas com despesas de aluguéis de prédios. Afinal,
tratase de um contrato para construção e operação de um sistema que
após prazo determinado (18 anos) será entregue definitivamente à
contratante, conforme previsto na cláusula 6.1.
Fl. 209DF CARF MF
Processo nº 10580.900112/201446
Resolução nº 3302001.108
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Está claro que tais pagamentos são decorrentes da execução do objeto
do contrato, incluindo a construção do SDO, que ao término do
contrato será definitivamente da EMPRESA BAIANA DE ÁGUAS E
SANEAMENTO S/A. Ressaltese que são características da locação a
temporariedade do uso e a restituição integral da coisa locada.
Ainda que se tratasse de uma locação, o que se admite apenas a título
de argumentação, é expressamente vedado o crédito relativo a aluguel
e contraprestação de arrendamento mercantil de bens que já tenham
integrado o patrimônio da pessoa jurídica, conforme §3°, do art. 31 da
Lei n° 10.865/2004:
Os itens indicados com o n° ‘2' no ‘motivo da glosa', referemse a
despesas de condomínio, que são destinadas às áreas comuns e
rateadas entre os condôminos. Tais despesas não se confundem com o
aluguel, e não havendo previsão legal específica, não é admitida a
dedução do crédito correspondente. (...)
Os itens com a indicação ‘3' no ‘motivo da glosa', tratam de despesas
para um ‘Fundo de Promoção e Propaganda', que estão previstas no
contrato, mas não se confundem com as despesas de aluguéis.
A indicação ‘4' no ‘motivo da glosa', referese a despesas com IPTU,
que também não geram direito a crédito por falta de previsão legal.
Não são despesas com aluguéis de prédios.
Os contratos referentes aos itens com motivo da glosa igual a ‘5'
incluem no valor do ‘aluguel' outras despesas alheias ao conceito de
aluguel: condomínio, IPTU, etc. Por não ser possível a segregação
dessas despesas, que não têm previsão legal para creditamento na
sistemática nãocumulativa da COFINS e da Contribuição para o
PIS/PASEP, foi efetuada a glosa total do item.
Não foram apresentados os contratos de locação referentes às supostas
despesas de aluguéis que estão com indicação ‘6' no ‘motivo da glosa'.
A ausência do contrato impossibilita a convalidação desses créditos.
O documento apresentado para comprovar a despesa de locação junto
ao fornecedor ‘HOTEL ALDEIA DA PRAIA LTDA', CNPJ
03.541.503/000162, emitido em 25/04/2011, traz a descrição:
‘DESPESA COM ALUGUEL DE ESPAÇO PARA REUNIÃO DE
AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO...'.
Já o documento emitido em 18/05/2011, fornecedor ‘LOJA
MAÇÔNICA AREOPAGO JEQUIEENSE', CNPJ 13.771.936/000168,
traz a descrição: ‘ALUGUEL DO SALÃO DE EVENTOS DA LOJA
MACONICA AREOPAGO, PARA REALIZAÇÃO DA
CONFRATERNIZAÇÃO JUNINA DOS FUNCIONÁRIOS DA
EMBASA...'.
A Nota Fiscal de Serviços emitida por ‘R RAMOS HOTÉIS E
RESTAURANTE LTDA', CNPJ 01.975.518/000294, em 08/06/2011,
assim discrimina os serviços: ‘DESPESAS REFERENTE A LOCAÇÃO
DE ESPAÇO PARA OFICINA DA EMBASA'.
Fl. 210DF CARF MF
Processo nº 10580.900112/201446
Resolução nº 3302001.108
S3C3T2
Fl. 5
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Esses itens têm indicação ‘7' no motivo da glosa por não serem
relativos a aluguéis de prédios utilizados nas atividades da empresa.
Conforme previsto no inciso IV do art. 3o da Lei n° 10.833/2003 e da
Lei 10.637/2002, somente geram créditos as despesas de aluguéis de
prédios quando utilizados nas atividades da empresa, o que não se
verifica nesses casos.
No caso da subvenção para investimentos, a empresa excluiu da base
de cálculo tais valores, tendo a fiscalização entendido que não restou
comprovada a intenção do Estado em destinar as subvenções para
investimento, nem a aplicação de tais recursos pelo beneficiário.
Esclarece: “Para usar os termos do Parecer Normativo CST n°
112/1978, não houve a ‘perfeita sincronia da intenção do
subvencionador com a ação do subvencionado'. Não havendo a
comprovação de tal requisito, não há como caracterizar o crédito
presumido do ICMS, no presente caso, como subvenção para
investimento, devendo ser incluído, portanto, na base de cálculo da
contribuição ao PIS/PASEP e da COFINS.”
Cientificada do presente despacho decisório em 19.02.2014, a
interessada apresentou, tempestivamente, em 20.03.2014, manifestação
de inconformidade (fls. 11/47) na qual apresenta os mesmos
argumentos do processo n° 10580.731563/201346, referente a autos
de infração, abaixo sintetizados:
Tece comentários acerca da sistemática da não cumulatividade das
contribuições, afirmando:
“Considerando que as Leis n° 10.637/02 e n° 10.833/03 implantaram a
sistemática do ‘crédito financeiro' às contribuições ao PIS e COFINS,
é lícito concluir que o rol de situações que fazem nascer o direito ao
crédito não pode ser interpretado de forma restrita. Todos os gastos
que estejam relacionados com a atividade do contribuinte geram
créditos, sendo excepcionados apenas os bens, serviços e despesas
pagos a pessoa jurídica não domiciliada no Brasil, e os valores de
mãodeobra pagos a pessoa física”
No que diz respeito aos insumos, referese aos atos normativos da
Receita Federal, aduzindo:
“Ocorre que, como já demonstramos, é inadmissível pretenderse
aplicar ao PIS e à COFINS as regras procedimentais atinentes à não
cumulatividade do ICMS e do IPI, pois têm sistemática absolutamente
diversas, tal como demonstrado até então. Diante das peculiaridades
dos fatos descritos nas hipóteses de incidência do IPI e do ICMS, a
jurisprudência tem se posicionado no sentido de que só dá direito a
crédito o bem ou serviço que integre o produto final, objeto da
industrialização ou da comercialização. Tal conclusão, porém, é
inadmissível em se tratando de créditos da contribuição ao PIS e da
COFINS, visto que incidentes sobre a totalidade das receitas da pessoa
jurídica.”
Transcreve decisões administrativas e judiciais que vão ao encontro do
seu entendimento, concluído “que ‘Insumo', para fins de creditamento
de PIS e COFINS, corresponde aos custos ou despesas necessárias à
atividade da pessoa jurídica”;
Fl. 211DF CARF MF
Processo nº 10580.900112/201446
Resolução nº 3302001.108
S3C3T2
Fl. 6
5
Cita itens glosados pela fiscalização, afirmando que:
“Em verdade, a grande maioria dos materiais listados no anexo I.
glosados pelo Fiscal são utilizados pela EMBASA através da sua
Superintendência de Manutenção EletromecânicaMM que é a
responsável pela manutenção preditiva, preventiva e corretiva de
aproximadamente 10.000 (dez mil) equipamentos eletromecânicos
(bombas, motores, transformadores, etc.) e de automação instalados
em mais de 500 unidades operacionais de abastecimento de água e
esgotamento sanitário da RMS (ETAs, Estações Elevatórias, ETEs) no
Estado da Bahia.
Para um leigo em engenharia mecânica, não há qualquer dúvida de
que os materiais glosados pelo Fiscal correspondem aos custos ou
despesas necessárias à atividade da pessoa jurídica, no caso, uma
empresa de economia mista responsável pelo saneamento básico e
distribuição de água potável em todo o Estado da Bahia.”
No caso dos créditos extemporâneos, entende que a interpretação
realizada pelo Fiscal foi restritiva, prática vedada pelo princípio
constitucional da estrita legalidade, tendo o fiscal ampliado a
interpretação da norma ao utilizar como parâmetro na definição de
créditos extemporâneos o período de 30 dias. “A definição ou
classificação quanto à extemporaneidade tem correlação com a data de
competência do crédito e não com a data da aquisição ou da emissão
de nota fiscal, como entendeu, mais uma vez de forma equivocada, o
Fiscal”;
Quanto às despesas de aluguel, argumenta:
“Primeiramente, o Fiscal partiu de uma interpretação simplória,
entendendo se tratar de um bem comum, como se a locação tivesse sido
realizada entre dois particulares. Assim, concluiu, equivocadamente,
que ‘a devolução do bem descaracteriza o contrato de locação'. Por
esta interpretação, desconsiderou todo um processo licitatório, todas
as complexas regras existentes em um PARCERIA PUBLICO
PRIVADA realizada pela EMBASA em que fizeram parte o Estado da
Bahia e o Município de Salvador, além da própria empresa vencedora
da licitação.
De logo, cabe explicitar que o segundo argumento utilizado pelo
Fiscal, de que o bem estaria contabilizado no ativo imobilizado da
EMBASA é ABSOLUTAMENTE INVERÍDICO. Conforme balanço
patrimonial da FOZ DO JUAGUARIBE CONSTRUÇÃO E LOCAÇÃO
S.A, publicada no Diário Oficial da União de 24.04.2010, o imóvel
objeto da locação FAZ PARTE do ativo imobilizado da referida
empresa, ANEXADAS NO PROCESSO ADMINISTRATIVO
10580.731563/201346.
De outro lado, a mudança de titularidade do imóvel após o final do
contrato de locação, por si só, não é, objetivamente, um fator
excludente da realização de um contrato de locação. Vamos a um
exemplo, utilizando um contrato de locação entre particulares de um
imóvel de R$ 100.000,00. O acerto entre as partes foi o seguinte: R$
500,00 seria um aluguel e R$ 1.000,00 seria um preço para a venda do
imóvel, antecipado ao longo de 100 meses. Ao final dos 100 meses, o
Fl. 212DF CARF MF
Processo nº 10580.900112/201446
Resolução nº 3302001.108
S3C3T2
Fl. 7
6
imóvel passará para o nome do locatário. Não existiu a locação? O
locatário não poderia comprar um imóvel que foi locado?
A solução para a questão posta em exame está no próprio contrato
aqui anexado, ANEXADAS NO PROCESSO ADMINISTRATIVO
10580.731563/201346, no qual, por diversas oportunidades, as partes
afirmam se tratar de um imóvel que será construído e, posteriormente,
locado à EMBASA.
Podemos retirar do contrato as seguintes passagens que comprovam,
indubitavelmente, tratarse de uma locação, todas devidamente
marcadas na cópia que segue em anexo à presente Impugnação:
(transcreve partes do contrato)
Pelo contrato, percebese a complexidade da questão, na medida em
que se trata de um bem específico; que será construído por uma
empresa, com capital próprio; receberá aluguel durante 18 anos, será
ressarcida do investimento e, no final, transmitirá o bem à EMBASA.
Bem este que somente poderá ser operado pela Impugnante, única
pessoa jurídica na cidade de Salvador, responsável pelo saneamento
ambiental.
Também está sendo anexado, ANEXADAS NO PROCESSO
ADMINISTRATIVO 10580.731563/201346, o contrato assinado pela
Jaguaribe Construção e Locação S.A com a Caixa Econômica Federal,
tendo a Impugnante, juntamente com o Município de Salvador e o
Estado da Bahia, assinado como intervenientes anuentes. Ora Eméritos
Julgadores, o financiamento foi realizado em nome do LOCADOR. O
bem pertence ao seu patrimônio, ao seu ativo imobilizado. Daí porque,
a locação é plenamente possível, mesmo que o bem seja entregue à
EMBASA ao final, da locação.”
Com referência às despesas de condomínio e IPTU, defende que “como
a Embasa não é sujeito passivo da obrigação tributária do IPTU, em
relação aos imóveis por ela alugados, não se trata de pagamento do
tributo, mas do próprio aluguel”, valendo o raciocínio para o
condomínio, pois “como grava o imóvel, o sujeito passivo é o
proprietário, ainda que o locatário seja o responsável pelo pagamento,
por contrato”;
Contesta também a glosa das despesas com “ALUGUEL DE ESPAÇO
PARA REUNIÃO DE AVALIAÇÃO E DESEMPENHO” e “LOCAÇÃO
DE ESPAÇO PARA OFICINA DA EMBASA”, julgando que por ser
uma empresa de saneamento básico e distribuição de água potável,
presente em mais de 400 municípios da Bahia, precisa fazer reuniões
de avaliação de desempenho e oficinas de treinamento para
funcionários e tais atividades, ainda que indiretamente, fazem parte
das atividades da empresa;
No caso das subvenções para investimento, alega:
“No caso em comento, observase que o crédito presumido do ICMS,
instituído pelo Decreto ora examinado, corresponde a uma redução
nos custos da empresa. Em contrapartida, para o Estado da Bahia, a
perda na arrecadação implica em renúncia fiscal.
Fl. 213DF CARF MF
Processo nº 10580.900112/201446
Resolução nº 3302001.108
S3C3T2
Fl. 8
7
Entendida a natureza do incentivo fiscal decorrente do Decreto
6.734/1997 redução de custos revelase sua incompatibilidade com
o conceito de receita bruta ou faturamento, fato gerador do PIS e
COFINS.
D'outro prisma, seria um contrassenso admitir que sobre a renúncia
fiscal praticada pelo Estado, utilizada justamente para acelerar seu
próprio crescimento econômico, viessem incidir as contribuições
sociais arrecadas pela União. Seria admitir que a União interferisse,
com a tributação, em matéria privativa dos Estados, limitando, com
isso, a eficácia do beneficio fiscal pretendido pelo Estado. De fato, se
tal ocorresse, implicaria em transferência, de forma oblíqua, de
receitas das quais o Estado abriu mão, para engordar os cofres da
União.
Em suma, dada à sua natureza de redução de custos, o incentivo fiscal
prodigalizado pelo Estado não constitui receita do ponto de vista
econômico financeiro, não se amoldando, portanto, na base de cálculo
do PIS e COFINS.
Nesse sentido, firme é o posicionamento do STJ pelas suas duas
Turmas especializadas:
(cita decisões judiciais)
Do visto, podese concluir, com segurança, que os incentivos fiscais
advindos da legislação do ICMS, Decreto n° 6.734/1997, editado pelo
Estado da Bahia, não se amoldam ao conceito de receita bruta ou
faturamento, passando, assim, ao largo da incidência do PIS e
COFINS.
Dito em outras palavras, o fato do Fiscal exigir que a EMBASA
comprovasse a intenção do Estado em destinar as subvenções para
investimento, sem a aplicação de tais recursos pelo beneficiário, é
absolutamente ilegal. Isto porque, JAMAIS, em NENHUMA
HIPÓTESE, a receita proveniente do ICMS poderá fazer parte da base
de cálculo do PIS e COFINS, pois o crédito presumido do ICMS
configura incentivo voltado à redução de custos, com a finalidade de
proporcionar maior competitividade no mercado para as empresas de
um determinado Estadomembro, não assumindo natureza de receita
ou faturamento.
Ao final, requer:
a) Devem ser considerados insumos todos os dispêndios necessários à
operatividade da pessoa jurídica, glosados pelo Fiscal;
b) Devem ser incluídos os créditos tidos por extemporâneos, as
despesas de aluguel realizadas junto à FOZ DE JAGUARIBE
CONSTRUÇÃO E LOCAÇÃO S.A, CNPJ 09.608734/000122 E FOZ
JAGUARIBE S.A, CNPJ 08.529.701/0001 24, vinculados ao contrato
n° 424/06 Contrato de Concessão Administrativa para Construção e
Operação do Sistema de Disposição Oceânica do Jaguaribe, bem como
as realizadas com o HOTEL ALDEIA DA PRAIA e da R RAMOS
HOTÉIS E RESTAURANTES;
Fl. 214DF CARF MF
Processo nº 10580.900112/201446
Resolução nº 3302001.108
S3C3T2
Fl. 9
8
c) Deve ser excluída da base de cálculo todas as receitas provenientes
do ICMS, pois o crédito presumido deste tributo configura incentivo
voltado à redução de custos, com a finalidade de proporcionar maior
competitividade no mercado para as empresas de um determinado
Estadomembro, não assumindo natureza de receita ou faturamento.”
Em 30 de agosto de 2016, através do Acórdão n° 0133.305, a 3a Turma da
Delegacia Regional de Julgamento de Belo Horizonte/MG, por unanimidade de votos, julgou
improcedente a manifestação de inconformidade.
A EMPRESA BAIANA DE ÁGUAS E SANEAMENTO S/A foi cientificada do
Acórdão de Manifestação de Inconformidade, em 16/09/2016, via Aviso de Recebimento, e
folhas 205, e apresentou Recurso Voluntário em 14/10/2016 (efolhas 140).
No Recurso Voluntário, de efolhas 141 a 202, foi alegado em síntese:
ü Insumos são todos os dispêndios necessários à operatividade da
pessoa jurídica;
ü Os créditos tidos por extemporâneos no auto de infração, nos termos
realizados pelo Fiscal, viola o princípio da estrila legalidade da
administração pública, causando, ainda, enriquecimento ilícito da
União;
ü As despesas de aluguel realizadas junto à FOZ DE JAGUARIBE
CONSTRUÇÃO E LOCAÇÃO S.A, CNPJ 09.608734/000122 E
FOZ JAGUARIBE S.A, CNPJ 08.529.701/0001 24, vinculados ao
contrato n° 424/06 Contrato de Concessão Administrativa para
Construção e Operação do Sistema de Disposição Oceânica do
Jaguaribe, não deveria ter sido glosadas pelo Fiscal, pois poderiam ser
excluídas da base de cálculo da COFINS e do PIS;
ü As despesas de condomínio e IPTU realizadas pela EMBASA em
seus imóveis locados devam ser entendidas com aluguel;
ü Serem aceitas as despesas realizadas com o HOTEL ALDEIA DA
PRAIA e da R RAMOS HOTÉIS E RESTAURANTES;
ü Ser excluída da base de cálculo todas as receitas provenientes do
ICMS, pois o crédito presumido deste tributo configura incentivo
voltado à redução de custos, com a finalidade de proporcionar maior
competitividade no mercado para as empresas de um determinado
Estadomembro, não assumindo natureza de receita ou faturamento.
Ao final, em face das declarações supra requeridas, ser julgada
PROCEDENTE a Manifestação de Inconformidade e, em consequência, deferida a
compensação inicialmente pleiteada pela Recorrente.
É o relatório.
Fl. 215DF CARF MF
Erro! A origem da
referência não foi
encontrada.
Fls. 10
___________
Voto
Conselheiro Jorge Lima Abud
Da admissibilidade.
Por conter matéria desta E. Turma da 3a Seção do Conselho Administrativo de
Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário
tempestivamente interposto pelo contribuinte, considerando que a recorrente teve ciência da
decisão de primeira instância em 16/09/2016, via Aviso de Recebimento, efolhas 184, quando,
então, iniciouse a contagem do prazo de 30 (trinta) dias para apresentação do presente recurso
voluntário, feito em 14/10/2016 (efolhas 119).
O Recurso Voluntário é tempestivo.
Da controvérsia.
· A consideração da totalidade dos créditos, insumos e serviços
necessários à operacionalização da pessoa jurídica, glosados pelo
Fiscal;
· Da equivocada glosa dos Créditos Extemporâneos;
· A reversão da glosa da demanda contratada de energia elétrica. A
consideração do pagamento 7da demanda contratada como sendo
passível de creditamento do PIS e COFINS;
· A reversão da glosa das despesas de condomínio e IPTU realizadas
pela EMBASA em seus imóveis locados devam ser entendidas com
aluguel;
· A reversão da glosa das despesas de aluguel realizadas junto à FOZ
DE JAGUARIBE CONSTRUÇÃO E LOCAÇÃO S.A;
· A reversão da glosa das despesas de locação junto ao HOTEL
ALDEIA DA PRAIA e da R RAMOS HOTÉIS E
RESTAURANTES;
· O repasse de ICMS do Estado da Bahia para a EMBASA,
caracterizado pela fiscalização como subvenção de custeio.
Passase à análise.
De acordo com as “Informações Complementares da Análise do Crédito”, e
folhas 09, a EMPRESA BAIANA DE AGUAS E SANEAMENTO S/A ingressou com o
PER/DCOMP n° 34074.41422.190112.1.3.041033, transmitido em 19/01/2012, tendo por
alegação “Pagamento Indevido ou a Maior”, com crédito original na data de transmissão
informado no PER/DCOMP no valor de R$ 408.723,52.
Fl. 216DF CARF MF
Processo nº 10580.900112/201446
Resolução nº 3302001.108
S3C3T2
Fl. 11
10
O presente processo é decorrente do pleito de direito creditório não reconhecido
nas instâncias inferiores pela inexistência de saldo no DARF apontado, uma vez que o referido
crédito foi utilizado, segundo as “Informações Complementares da Análise do Crédito”, no
processo 10580.731563/201346, referente a autos de infração de PIS/Pasep e Cofins.
Assim, considerando que o referido é o processo principal, onde será
decidido se prospera a alegação de “Pagamento Indevido ou a Maior” ou não, é de se aguardar
a decisão definitiva, já que aqui estamos tratando apenas de processo reflexo, na forma do
artigo 6º do Regimento Interno do CARF:
Art. 6° Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observando se
a seguinte disciplina:
(...)
§ 4° Nas hipóteses previstas nos incisos II e III do § 1°, se o processo principal não
estiver localizado no CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em
diligência para a unidade preparadora, para determinar a vinculação dos autos ao
processo principal.
Diante do exposto, RESOLVESE baixar os autos em diligência, para que a
autoridade preparadora:
1. Aguarde a decisão definitiva a ser proferida no processo nº
10580.731563/201346; e
2. Após liquidar o Acórdão, informar a existência de crédito
remanescente para atender o pleito do contribuinte, conforme
informado no documento "Informações Complementares da Análise
de Crédito".
Ao final, deve ser facultado à recorrente o prazo de trinta dias para se
pronunciar sobre o relatório fiscal, nos termos do parágrafo único do artigo 35 do Decreto nº
7.574, de 2011.
Jorge Lima Abud Relator.
Fl. 217DF CARF MF
score :
1.0
7710916
#
Numero do processo: 10215.900327/2009-68
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/01/2004
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ALTERAÇÃO DAS INFORMAÇÕES SOBRE O CRÉDITO. INEXATIDÃO MATERIAL NÃO CONFIGURADA.
O julgamento de manifestação de inconformidade não pode desbordar do objeto da declaração de compensação apresentada e do despacho decisório, sobretudo quando não configurada inexatidão material no preenchimento do PER/DCOMP.
Numero da decisão: 1001-001.188
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso
(assinado digitalmente)
Sérgio Abelson - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson (Presidente), José Roberto Adelino da Silva e Andréa Machado Millan.
Nome do relator: SERGIO ABELSON
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Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/01/2004
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ALTERAÇÃO DAS INFORMAÇÕES SOBRE O CRÉDITO. INEXATIDÃO MATERIAL NÃO CONFIGURADA.
O julgamento de manifestação de inconformidade não pode desbordar do objeto da declaração de compensação apresentada e do despacho decisório, sobretudo quando não configurada inexatidão material no preenchimento do PER/DCOMP.
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
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(assinado digitalmente)
Sérgio Abelson - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson (Presidente), José Roberto Adelino da Silva e Andréa Machado Millan.
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S1C0T1
Fl. 220
1
219
S1C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA
CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS
PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO
Processo nº 10215.900327/200968
Recurso nº Voluntário
Acórdão nº 1001001.188 – Turma Extraordinária / 1ª Turma
Sessão de 11 de abril de 2019
Matéria DCOMP
Recorrente RAINBOW TRADING IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA
Recorrida FAZENDA NACIONAL
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Data do fato gerador: 30/01/2004
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ALTERAÇÃO DAS
INFORMAÇÕES SOBRE O CRÉDITO. INEXATIDÃO MATERIAL NÃO
CONFIGURADA.
O julgamento de manifestação de inconformidade não pode desbordar do
objeto da declaração de compensação apresentada e do despacho decisório,
sobretudo quando não configurada inexatidão material no preenchimento do
PER/DCOMP.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso
(assinado digitalmente)
Sérgio Abelson Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson
(Presidente), José Roberto Adelino da Silva e Andréa Machado Millan.
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21
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90
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27
/2
00
9-
68
Fl. 220DF CARF MF
Processo nº 10215.900327/200968
Acórdão n.º 1001001.188
S1C0T1
Fl. 221
2
Relatório
Tratase de recurso voluntário contra o acórdão de primeira instância (folhas
176/178) que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada contra o
despacho decisório à folha 174, que não homologou a compensação constante da DCOMP
35754.88616.130906.1.3.042960 (folhas 19/23), de crédito correspondente a pagamento
indevido ou a maior, tendo em vista que os valores do DARF de período de apuração
31/12/2003, data de vencimento e arrecadação 30/01/2004, código de receita 5993 (IRPJ
OPTANTES APURAÇÃO C/ BASE NO LUCRO REALESTIMATIVA MENSAL) e valor
total de R$ 14.086,61, informado como origem do crédito, foram integralmente utilizados para
quitação do débito da contribuinte discriminado no DARF, não restando crédito disponível
para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP.
Em sua manifestação de inconformidade (folhas 169/170), a contribuinte
alega, em síntese, que relativamente ao anocalendário de 2003, pagou IRPJ por estimativas
mensais no valor total de R$ 92.547,81 e apurou, em sua DIPJ, débito total de IRPJ naquele
anocalendário de R$ 79.932,00, correspondendo a um crédito de saldo negativo no montante
de R$ 12.615,81.
No acórdão a quo, a nãohomologação foi mantida tendo em vista a
impossibilidade de substituir os créditos inexistentes utilizados na DCOMP (pagamento
indevido ou a maior) por outro de natureza distinta (saldo negativo).
Ciência do acórdão DRJ em 18/10/2011 (folha 182). Recurso voluntário
apresentado em 17/11/2011 (folha 183).
A recorrente, às folhas 183/200, alega, em síntese o erro de preenchimento da
DCOMP já alegado na manifestação de inconformidade, que vinculou a compensação ao
pagamento por estimativa e não ao saldo negativo de Imposto de Renda apurado. Argumenta
que a análise conjunta dos DARF recolhidos e declarações apresentadas demonstra que há
crédito de saldo negativo de IRPJ no ano calendário de 2003 para lastrear a referida
compensação. Cita jurisprudência administrativa em casos supostamente semelhantes.
Argumenta que a desconsideração do alegado saldo negativo fere os princípios da primazia da
realidade, da razoabilidade, da proporcionalidade, da moral pública, gerando confisco e
enriquecimento ilícito da Fazenda Federal. Requer a atualização monetária dos supostos
créditos, apreciação dos documentos comprobatórios juntados à manifestação de
inconformidade, bem como perícia contábil, estipulando quesitos e nomeando perito assistente.
É o relatório.
Fl. 221DF CARF MF
Processo nº 10215.900327/200968
Acórdão n.º 1001001.188
S1C0T1
Fl. 222
3
Voto
Conselheiro Sérgio Abelson, Relator
O recurso voluntário é tempestivo, portanto dele conheço.
A pretensão da contribuinte corresponde a retificar a DCOMP apresentada,
substituindo o crédito declarado (pagamento indevido ou a maior da estimativa de IRPJ relativa
a dezembro de 2003) pelo crédito que afirma efetivamente possuir (saldo negativo de IRPJ do
ano calendário de 2003).
A possibilidade de retificar PER/DCOMP foi instituída originariamente pela
Instrução Normativa 460/04, que permitiu efetuar alterações, em caso de inexatidões materiais,
mas vedou incluir novos débitos ou aumentar o valor do débito compensado:
Art. 57. A retificação da Declaração de Compensação gerada a partir do
Programa PER/DCOMP ou elaborada mediante utilização de formulário (papel)
somente será admitida na hipótese de inexatidões materiais verificadas no
preenchimento do referido documento e, ainda, da inocorrência da hipótese prevista
no art. 58.
Art. 58. A retificação da Declaração de Compensação gerada a partir do
Programa PER/DCOMP ou elaborada mediante utilização de formulário (papel)
não será admitida quanto tiver por objeto a inclusão de novo débito ou o aumento
do valor do débito compensado mediante a apresentação da Declaração de
Compensação à SRF
Parágrafo único. Na hipótese prevista no caput, o sujeito passivo que desejar
compensar o novo débito ou a diferença de débito deverá apresentar à SRF nova
Declaração de Compensação.
Os dispositivos citados foram reproduzidos, em essência, nas instruções
normativas SRF 600/05, RFB 900/08 e subsequentes.
O erro alegado pela contribuinte não configura inexatidão material de
preenchimento da declaração. Por inexatidão material entendemse os pequenos erros
involuntários, desvinculados da vontade do agente, cuja correção não inove o teor do ato
formalizado, tais como a escrita errônea, o equívoco de datas, os erros ortográficos e de
digitação. No presente caso, não se trata de erro material, mas de erro de direito, o que não é
escusável.
A regra é de que o PER/DCOMP somente pode ser retificado pela Recorrente
caso se encontre pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retificador,
em conformidade com o art. 56 da Instrução Normativa SRF nº 460, de 17 de outubro de 2004,
o art. 57 da Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005, o art. 77 da
Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008, o art. 88 da Instrução Normativa
RFB nº 1.300, de 20 de dezembro de 2012 e o art. 107 da Instrução Normativa RFB nº 1.717,
de 17 de julho de 2017, todos editadas com fundamento no poder disciplinar da RFB previsto
no § 14 do art. 74 da Lei n º 9.430, de 1996.
A pretensão de retificação do PER/DCOMP para fins de constar direito
creditório diverso do originalmente identificado, apenas trazida em sede de impugnação,
Fl. 222DF CARF MF
Processo nº 10215.900327/200968
Acórdão n.º 1001001.188
S1C0T1
Fl. 223
4
constitui inovação da matéria tratada nos autos, não podendo ser objeto de análise neste
processo. Ainda, a manifestação de inconformidade não é meio adequado para retificação dos
dados declarados pela incompatibilidade dos instrumentos e pela preclusão da possibilidade de
referida retificação após a decisão administrativa exarada pela autoridade preparadora.
Ademais, como a alteração do pedido ou da causa de pedir não é admitida após ciência do
Despacho Decisório, houve a estabilização da lide.
Apenas nas situações comprovadas de inexatidões materiais devidas a lapso
manifesto e erros de escrita ou de cálculos podem ser corrigidas de ofício ou a requerimento da
Requerente. O erro de fato é aquele que se situa no conhecimento e compreensão das
características da situação fática tais como inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os
erros de escrita ou de cálculos. A Administração Tributária tem o poder/dever de revisar de
ofício o procedimento quando se comprove erro de fato quanto a qualquer elemento definido
na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória. A este poder/dever corresponde
o direito de a Recorrente retificar e ver retificada de ofício a informação fornecida com erro de
fato, desde que devidamente comprovado.
O conceito de erro material apenas abrange a inexatidão quanto a aspectos
objetivos, não resultantes de entendimento jurídico, como um cálculo errado, a ausência de
palavras, a digitação errônea, e hipóteses similares. Somente podem ser corrigidas de ofício ou
a pedido as informações declaradas no caso de verificada a circunstância objetiva de inexatidão
material e congruentes com os demais dados constantes nos registros internos da RFB (art. 32
do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e incisos I e III do art. 145 e inciso IV do art.
149 do Código Tributário Nacional). Por inexatidão material entendemse os pequenos erros
involuntários, desvinculados da vontade do agente, cuja correção não inove o teor do ato
formalizado, tais como a escrita errônea, o equívoco de datas, os erros ortográficos e de
digitação. Diferentemente o erro de direito, que não é escusável, diz respeito à norma jurídica
disciplinadora e aos parâmetros previstos nas normas de regência da matéria.
Assim, o fato de dados constantes de declarações e comprovantes de
pagamento de DARF guardarem coerência com a suposta existência de crédito de saldo
negativo naquele ano não socorrem as pretensões da recorrente, pois não se configurou erro
material ou de fato na declaração apresentada, não se justificando a aceitação de um pedido
equivalente à retificação da DCOMP após o proferimento da decisão administrativa original,
que não a homologou.
É importante esclarecer que o direito a restituição ou compensação de
créditos tributários é uma faculdade da contribuinte, que pode exercêla mediante pedido ou
declaração regularmente apresentados, bem como devida comprovação da liquidez e certeza
dos referidos créditos. Não se trata de direito potestativo da contribuinte.
A jurisprudência administrativa citada pela recorrente se aplica aos casos em
que foi proferida em suas especificidades, não vinculando o entendimento nos julgamentos
administrativos. A suposta violação dos princípios invocados em sede de recurso voluntário
pela recorrente não se verifica, já que apenas se dá seguimento ao pleito elaborado pela própria
contribuinte com respeito aos regramentos já expostos. A atualização monetária de eventuais
créditos declarados estaria assegurada, caso fossem devidos e comprovados (Lei nº 9.250/95,
art. 39, § 4º). Ainda que fosse aceitável a mudança no crédito alegado na DCOMP, os
documentos acostados pela contribuinte, por sua vez, seriam insuficientes para comprovar o
referido crédito, já que a mera apresentação de DIPJ, acompanhada dos DARF que comprovam
os pagamentos e planilhas elaboradas pela própria contribuinte, não supre a necessidade de
Fl. 223DF CARF MF
Processo nº 10215.900327/200968
Acórdão n.º 1001001.188
S1C0T1
Fl. 224
5
comprovação do crédito alegado mediante livros contábeis regularmente registrados e
documentos fiscais. Por fim, o pedido de perícia contábil é prescindível, pela impossibilidade
da retificação da referida DCOMP, bem como por decorrer da própria falta de apresentação de
comprovação hábil por parte da contribuinte, além de conter quesitos que extrapolariam as
funções de uma perícia contábil, como os que indagam sobre apropriação indébita e confisco.
Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso.
É como voto.
(assinado digitalmente)
Sérgio Abelson
Fl. 224DF CARF MF
score :
1.0
7726023
#
Numero do processo: 10580.902404/2014-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/07/2000
PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS.
A declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei Federal 9.718/1998 não alcança as receitas operacionais das instituições financeiras, de forma que devem compor a base de cálculo das contribuições ao PIS e Cofins, em razão de provirem do exercício de suas atividades empresariais.
JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. EXCLUSÃO. POSSIBILIDADE.
Durante a vigência da redação original da Lei Federal 9.718/1998, a remuneração sobre juros sobre o capital próprio, a despeito de ser tratada como receita financeira, não pode ser considerada uma receita típica de instituições financeiras, vez que se trata de efetiva receita decorrente de participações societárias perante outras pessoas jurídicas, não se coadunando com o objeto social da Recorrente.
Numero da decisão: 3401-005.838
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer os créditos em relação a juros sobre o capital próprio, em função do REsp 1.104.184/RS, e receitas de locação de imóveis. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco acompanhou o relator pelas conclusões. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco indicou a intenção de apresentar Declaração de Voto, o que foi feito no processo paradigma.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
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PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS.
A declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei Federal 9.718/1998 não alcança as receitas operacionais das instituições financeiras, de forma que devem compor a base de cálculo das contribuições ao PIS e Cofins, em razão de provirem do exercício de suas atividades empresariais.
JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. EXCLUSÃO. POSSIBILIDADE.
Durante a vigência da redação original da Lei Federal 9.718/1998, a remuneração sobre juros sobre o capital próprio, a despeito de ser tratada como receita financeira, não pode ser considerada uma receita típica de instituições financeiras, vez que se trata de efetiva receita decorrente de participações societárias perante outras pessoas jurídicas, não se coadunando com o objeto social da Recorrente.
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer os créditos em relação a juros sobre o capital próprio, em função do REsp 1.104.184/RS, e receitas de locação de imóveis. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco acompanhou o relator pelas conclusões. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco indicou a intenção de apresentar Declaração de Voto, o que foi feito no processo paradigma.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).
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S3C4T1
Fl. 2
1
1
S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA
CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS
TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO
Processo nº 10580.902404/201413
Recurso nº 1 Voluntário
Acórdão nº 3401005.838 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária
Sessão de 25 de fevereiro de 2019
Matéria COMPENSAÇÃO PIS/COFINS
Recorrente BANCO ALVORADA S.A.
Recorrida FAZENDA NACIONAL
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE
SOCIAL COFINS
Data do fato gerador: 31/07/2000
PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS.
A declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei Federal
9.718/1998 não alcança as receitas operacionais das instituições financeiras,
de forma que devem compor a base de cálculo das contribuições ao PIS e
Cofins, em razão de provirem do exercício de suas atividades empresariais.
JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. EXCLUSÃO. POSSIBILIDADE.
Durante a vigência da redação original da Lei Federal 9.718/1998, a
remuneração sobre juros sobre o capital próprio, a despeito de ser tratada
como “receita financeira”, não pode ser considerada uma receita típica de
instituições financeiras, vez que se trata de efetiva receita decorrente de
participações societárias perante outras pessoas jurídicas, não se coadunando
com o objeto social da Recorrente.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
parcial provimento ao recurso, para reconhecer os créditos em relação a juros sobre o capital
próprio, em função do REsp 1.104.184/RS, e receitas de locação de imóveis. O Conselheiro
Leonardo Ogassawara de Araújo Branco acompanhou o relator pelas conclusões. O
Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco indicou a intenção de apresentar
Declaração de Voto, o que foi feito no processo paradigma.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan Presidente e Relator
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01
4-
13
Fl. 157DF CARF MF
Processo nº 10580.902404/201413
Acórdão n.º 3401005.838
S3C4T1
Fl. 3
2
Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes,
Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, Maria Eduarda Alencar Câmara
Simões, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Ogassawara de
Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Relatório
Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da DRJ/POR, que considerou
insubsistente a Manifestação de Inconformidade contra despacho decisório que indeferiu
pedido de restituição de COFINS.
Do Pedido de Compensação e do Despacho Decisório
O contribuinte pleiteou compensação, referente a pagamento efetuado
indevidamente ou a maior, transmitido através de PER. Em despacho decisório, o pedido foi
indeferido sob a alegação que o “recolhimento apontado como origem do crédito encontrase
integralmente alocado ao débito informado pelo contribuinte, não restando qualquer saldo de
pagamento a ser restituído. ”
Da Manifestação de Inconformidade
O Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, argumentando o
seguinte:
1. O Supremo Tribunal Federal declarou incidentalmente a
inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e da
Cofins, contida no §1º do artigo 3º da Lei nº 9.718, de 1998 e que o
presente pedido de restituição se mostra subsistente, pois os
recolhimentos da contribuição em tela foram realizados nos estritos
lindes do artigo 3º, §1º da Lei nº 9.718/1998, cujo descompasso com o
sistema normativo acabou por provocar o recolhimento a maior nesse
tocante e, por conseguinte, não há como prosperar o indeferimento do
presente pedido de restituição.
2. O STF declarou a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei 9.718/98
porque reconheceu que as contribuições sociais ao PIS e à Cofins só
poderiam incidir sobre o faturamento das empresas, assim entendida “a
receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de
serviços de qualquer natureza”, não podendo incluir na base de cálculo
receitas não operacionais.
3. O conceito de faturamento não varia em função do objeto social de cada
contribuinte, pois a base de cálculo ficaria sujeita a um grau de incerteza
absolutamente incompatível com uma obrigação tributária. Assim sendo,
não há qualquer relação de identidade entre o conceito de faturamento
com a atividade principal dos contribuintes.
Fl. 158DF CARF MF
Processo nº 10580.902404/201413
Acórdão n.º 3401005.838
S3C4T1
Fl. 4
3
4. Mesmo que se entenda que as receitas financeiras auferidas por
instituições financeiras têm natureza de receita de prestação de serviços,
integrando o conceito de faturamento, o que se admite apenas para
argumentar, não podem integrar referida base de cálculo as receitas
financeiras decorrentes da aplicação de seus recursos próprios e ou de
terceiros em hipóteses que não envolvam intermediação financeira.
5. A base de cálculo, deveria ficar restrita somente às receitas auferidas no
exercício de seu objeto social, com a prestação de serviços bancários, tais
como administração de fundos de investimentos, assessoria em
operações de fusão e aquisição, intermediação financeira e concessão de
crédito, dentre outras atividades.
6. As receitas financeiras obtidas com a aplicação de seu próprio capital de
giro e capital de terceiros, bem como em razão da remuneração dos
depósitos compulsórios realizados junto ao Banco Central e aplicações
próprias, realizadas no seu único e exclusivo interesse, sem
intermediação, não configuram prestação de serviços, uma vez que
ninguém presta serviço para si próprio.
Junto com a impugnação, o recorrente apresentou planilhas de cálculo, e
balancete analítico do mês de referência.
Da Decisão de Primeiro Grau
O colegiado a quo julgou improcedente a manifestação de inconformidade,
nos termos do Acórdão 14061.512.
Do Recurso Voluntário
Irresignado, o contribuinte apresentou Recurso, reprisando as razões
apresentadas na Manifestação de Inconformidade.
É o relatório.
Voto
Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator
O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos,
regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF
343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão
3401005.809, de 25 de fevereiro de 2019, proferido no julgamento do processo
10580.902382/201491, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os
entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3401005.809):
"Da Admissibilidade
Fl. 159DF CARF MF
Processo nº 10580.902404/201413
Acórdão n.º 3401005.838
S3C4T1
Fl. 5
4
O Recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de
admissibilidade; de modo que tomo seu conhecimento.
Do Mérito
O núcleo do litígio reside na forma de aplicação da
declaração de inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei
Federal 9718/1998 pelo STF – quando do julgamento do RE nº
585.235, sob a forma do art. 543B, do CPC, sobre o
alargamento da base de cálculo das contribuições PIS e
COFINS, no que tange às instituições financeiras.
Naquela oportunidade, restou pacificado que, para fins de
incidência cumulativa das contribuições sociais, o faturamento é
o resultado das atividades típicas, ou seja, que decorram do
objeto social do contribuinte.
Como não poderia ser diferente, esse vem sendo o
entendimento adotado nessa Seção, e na Câmara Superior de
Recursos Fiscais:
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O
FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL
COFINS
Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2000
COFINS. FATURAMENTO. LEI 9.784/98 [SIC]. BASE
DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS.
Consoante entendimento firmado pelo STF, as receitas
operacionais obtidas pelas instituições financeiras,
decorrentes de sua atividade fim, integram o conceito de
receita bruta utilizado pelo art. 3º da Lei nº 9.718/98.
RECUPERAÇÃO DE ENCARGOS E DESPESAS E
REVERSÃO DE PROVISÕES OPERACIONAIS.
Lançamentos que não representes ingressos de receita
oriundos das atividades típicas das instituições financeiras
não podem ser alcançados pela incidência da COFINS.
(Acórdão nº 3201004.445, Relatora Tatiana Josefovicz
Belisário, sessão de 27.11.2018)
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Data do fato gerador: 31/01/2004
PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. LEI 9.718/98.
INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO STF.
REPERCUSSÃO GERAL.
Fl. 160DF CARF MF
Processo nº 10580.902404/201413
Acórdão n.º 3401005.838
S3C4T1
Fl. 6
5
As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal,
reconhecidas como de Repercussão Geral, sistemática
prevista no artigo 543B do Código de Processo Civil,
deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso
apresentado pelo contribuinte. Artigo 62A do Regimento
Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
Declarado inconstitucional o § 1º do caput do artigo 3º da
Lei 9.718/98, integra a base de cálculo da Contribuição
para o Financiamento da Seguridade Social COFINS e da
Contribuição para o PIS/Pasep o faturamento mensal,
representado pela receita bruta advinda das atividades
operacionais típicas da pessoa jurídica.
(Acórdão nº 9303002.934, Redator designado: Ricardo
Paulo Rosa, sessão de 03.06.2014).
Acertadamente, a decisão ora recorrida destacou que as
atividades operacionais das instituições financeiras se
encontram elencadas no Plano de Conta COSIF, nos termos
emanados pelo Banco Central do Brasil:
O Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro
Nacional, instituído pela Circular do Banco Central do
Brasil nº 1.273, de 29 de dezembro de 1987, traz em seu
Capítulo 1 Normas Básicas, Seção 17 Receitas e
Despesas, item 3, que as rendas obtidas tanto com as
operações ativas como com a prestação de serviços, ambas
referentes a atividades típicas, regulares e habituais da
instituição financeira, são classificadas como
operacionais. Confirase:
3 As rendas operacionais representam remunerações
obtidas pela instituição em suas operações ativas e de
prestação de serviços, ou seja, aquelas que se referem a
atividades típicas, regulares e habituais. (grifos nossos)
No Cosif, as contas de receitas operacionais são divididas
em:
7.1 RECEITAS OPERACIONAIS
7.1.1.00.001 Rendas de Operações de Crédito
7.1.2.00.004 Rendas de Arrendamento Mercantil
7.1.3.00.007 Rendas de Câmbio
7.1.4.00.000 Rendas de Aplicações Interfinanceiras de
Liquidez
7.1.5.00.003 Rendas com Títulos e Valores Mobiliários e
Instrumentos Financeiros Derivativos
Fl. 161DF CARF MF
Processo nº 10580.902404/201413
Acórdão n.º 3401005.838
S3C4T1
Fl. 7
6
7.1.7.00.009 Rendas de Prestação de Serviços
7.1.8.00.002 Rendas de Participações
7.1.9.00.005 Outras Receitas Operacionais
(...)
Portanto, em uma instituição financeira as receitas
financeiras decorrem de serviços prestados aos clientes
(financiamentos, empréstimos, operações de câmbio na
importação ou exportação, colocação e negociação de
títulos e valores mobiliários, aplicações e investimentos,
capitalização, seguros, arrendamento mercantil,
administração de planos de previdência privada e tantas
outras mais) não constituindo mero ganho financeiro
como acontece em outras empresas. São, portanto, receitas
operacionais, que compõem a base de cálculo do PIS e da
Cofins.
(...)
Especificamente quanto a instituições financeiras e
contribuintes a ela equiparadas por força do artigo 22, § 1°
da Lei 8.212/91, devese entender por faturamento os
ganhos obtidos com operações financeiras realizadas por
tais entidades, quanto à captação, movimentação e
aplicação de ativos que proporcionem alguma forma de
ganho pecuniário, posto não ser outro o objeto social de
tais sociedades.
Observando o caso concreto, tratase de instituição
financeira que tem por objeto social “efetuar operações
bancárias em geral, inclusive câmbio”. Esse, portanto, é o limite
das atividades típicas que devem ser objeto de escrutínio para
sua inclusão na base de cálculo das contribuições sociais.
No presente processo, a Recorrente pleiteia crédito de
COFINS no montante calculado sobre a diferença entre a
totalidade de receitas operacionais e a receita de prestação de
serviços bancários (conta 7.1.7.00.00.9), entendendo, a despeito
do entendimento acima esposado, que somente as atividades de
prestação de serviços bancários poderiam vir a ser objeto de
incidência das contribuições sociais, ignorando que a atividade
bancária per si não se restringe, por óbvio, aos serviços
prestados aos clientes.
Adicionese aos argumentos anteriores que a própria Lei
Federal 9.718/1998 partiu da premissa que as receitas
financeiras geradas nas atividades das instituições bancárias
eram tributadas, quando previu, em seus parágrafos 5º e 6º,
hipóteses específicas de dedução:
Fl. 162DF CARF MF
Processo nº 10580.902404/201413
Acórdão n.º 3401005.838
S3C4T1
Fl. 8
7
I no caso de bancos comerciais, bancos de investimentos,
bancos de desenvolvimento, caixas econômicas,
sociedades de crédito, financiamento e investimento,
sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras,
distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de
arrendamento mercantil e cooperativas de crédito:
a) despesas incorridas nas operações de intermediação
financeira;
b) despesas de obrigações por empréstimos, para repasse,
de recursos de instituições de direito privado;
c) deságio na colocação de títulos;
d) perdas com títulos de renda fixa e variável, exceto com
ações;
e) perdas com ativos financeiros e mercadorias, em
operações de hedge;
II no caso de empresas de seguros privados, o valor
referente às indenizações correspondentes aos sinistros
ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias
recebidas a título de cosseguro e resseguro, salvados e
outros ressarcimentos.
III no caso de entidades de previdência privada, abertas e
fechadas, os rendimentos auferidos nas aplicações
financeiras destinadas ao pagamento de benefícios de
aposentadoria, pensão, pecúlio e de resgates;
IV no caso de empresas de capitalização, os rendimentos
auferidos nas aplicações financeiras destinadas ao
pagamento de resgate de títulos.
Assim, todas as receitas decorrentes da atividade
bancária, seja pela prestação de serviços, seja pela fruição de
resultados financeiros dos ativos próprios e de terceiros, devem
ser tributadas pelas contribuições sociais, observadas das
deduções acima.
Por outro lado, a remuneração sobre juros sobre o capital
próprio, a despeito de ser tratada como “receita financeira”,
não pode ser considerada uma receita típica de instituições
financeiras, vez que se trata de efetiva receita decorrente de
participações societárias perante outras pessoas jurídicas, não
se coadunando com o objeto social da Recorrente, nos termos do
RE 1.104.184/RS, do STJ, julgado sob efeitos do artigo 543C do
antigo CPC.
Sob a mesma ótica, não é possível admitir na base de
cálculo das contribuições as receitas decorrentes da locação de
imóveis, eis que essa atividade não se encontra contemplada no
seu contrato social.
Fl. 163DF CARF MF
Processo nº 10580.902404/201413
Acórdão n.º 3401005.838
S3C4T1
Fl. 9
8
Tratase, portanto, de resultados que não decorre da
atividade bancária, de forma que a parcela do lançamento
referente a essa rubrica deve ser cancelada.
Por todo o exposto, conheço do Recurso, e doulhe
parcial provimento para afastar a glosa sobre as receitas
decorrentes da remuneração de juros sobre o capital próprio e
locação de imóveis próprios."
Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica
encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá
esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. . Da mesma forma, a Declaração de Voto do
Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, apresentada no processo paradigma, é
extensível ao presente processo.
Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da
sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por
conhecer do recurso voluntário, e darlhe parcial provimento para reconhecer os créditos em
relação a juros sobre o capital próprio, em função do REsp 1.104.184/RS, e receitas de locação
de imóveis.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan
Fl. 164DF CARF MF
Processo nº 10580.902404/201413
Acórdão n.º 3401005.838
S3C4T1
Fl. 10
9
Fl. 165DF CARF MF
score :
1.0
7755964
#
Numero do processo: 13520.000191/2007-67
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 27 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
IRRF. COMPENSAÇÃO. DEDUÇÕES. AÇÃO TRABALHISTA.
Somente pode ser acolhida a pretensão de compensação de IRRF quando devidamente comprovado o imposto retido, por ocasião do recebimento de rendimentos decorrentes de ação trabalhista.
Numero da decisão: 9202-007.743
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
IRRF. COMPENSAÇÃO. DEDUÇÕES. AÇÃO TRABALHISTA.
Somente pode ser acolhida a pretensão de compensação de IRRF quando devidamente comprovado o imposto retido, por ocasião do recebimento de rendimentos decorrentes de ação trabalhista.
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
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CSRFT2
Fl. 9
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CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA
CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS
CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS
Processo nº 13520.000191/200767
Recurso nº Especial do Procurador
Acórdão nº 9202007.743 – 2ª Turma
Sessão de 28 de março de 2019
Matéria IRPF
Recorrente FAZENDA NACIONAL
Interessado JORGE LUIZ DA SILVEIRA SILVA
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2004
IRRF. COMPENSAÇÃO. DEDUÇÕES. AÇÃO TRABALHISTA.
Somente pode ser acolhida a pretensão de compensação de IRRF quando
devidamente comprovado o imposto retido, por ocasião do recebimento de
rendimentos decorrentes de ação trabalhista.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer
do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes – Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina
Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes,
Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri,
Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
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Fl. 269DF CARF MF
2
Relatório
O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência
motivado pela Fazenda Nacional face ao acórdão 1801002.802, proferido pela 1ª Turma
Especial / 2ª Seção de Julgamento.
Tratase de auto de infração do imposto de renda do anocalendário 2003,
onde foi glosado imposto de renda na fonte de R$ 43.239,54 que teria sido retido sobre
rendimentos pagos em ação judicial trabalhista pela empresa Aventis Pharma Ltda. De acordo
com o relatório fiscal (fls. 06) o contribuinte apresentara para comprovar o imposto na fonte
declarado cópia de alvará de liberação de R$ 139.747,46 a seu favor e de R$ 39.687,19 em
favor do seu advogado (fls. 42). Não trouxera, porém, documentos que comprovassem a efetiva
retenção do imposto.
O Contribuinte apresentou a impugnação.
A DRJ/SDR, às fls. 182/184, julgou pela improcedência da impugnação
apresentada, mantendo o crédito tributário na forma originalmente lançado.
O Contribuinte apresentou Recurso Voluntário às fls. 189 e ss.
A 1ª Turma Especial de Julgamento da 2ª Seção de Julgamento, às fls.
219/222, DEU PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para restabelecer a
parcela de R$ 31.564,86 de imposto de renda retido na fonte. A Decisão restou assim
ementada:
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2004
IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE OU PAGO.
COMPENSAÇÃO.
Somente será compensado o imposto de renda retido na fonte ou pago pelo
contribuinte correspondente a rendimentos incluídos na base de cálculo do
ajuste anual.
Recuso Voluntário Provido em Parte.
Às fls. 248/253, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, arguindo
divergência jurisprudencial acerca das seguintes matérias: 1. Prova do recolhimento do
imposto retido na fonte para fins de compensação do IRPF. Enquanto do r. acórdão
desafiado sustenta que o contribuinte somente tem o ônus da prova da retenção do IRF, o r.
paradigma pontifica que o contribuinte tanto tem o ônus da prova da retenção, quanto do
recolhimento do IRF. 2. Meio de prova da retenção do IRF. Afirma que o direito processual
brasileiro adota o sistema do meio de prova legal, de maneira que, em relação à prova de
retenção do IRF, não pode o Julgador se valer do princípio da livre convicção motivada.
Fl. 270DF CARF MF
Processo nº 13520.000191/200767
Acórdão n.º 9202007.743
CSRFT2
Fl. 10
3
Ao realizar o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pela
Fazenda Nacional, às fls. 255/257, a 1ª Turma Especial da 2ª Seção de Julgamento, DEU
PARCIAL SEGUIMENTO ao recurso, concluindo restar demonstrada a divergência de
interpretação SOMENTE em relação à: Prova do recolhimento do imposto retido na fonte
para fins de compensação do IRPF.
A Fazenda manifestou ciência do Despacho à fl. 259 e o Contribuinte foi
cientificado à fl. 263, mantendose inerte, vindo os autos conclusos para julgamento.
É o relatório.
Voto
Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora
O Recurso Especial interposto pela Fazenda é tempestivo e atende aos demais
pressupostos de admissibilidade, portanto, merece ser conhecido.
Tratase de auto de infração do imposto de renda do anocalendário 2003,
onde foi glosado imposto de renda na fonte de R$ 43.239,54 que teria sido retido sobre
rendimentos pagos em ação judicial trabalhista pela empresa Aventis Pharma Ltda. De acordo
com o relatório fiscal (fls. 06) o contribuinte apresentara para comprovar o imposto na fonte
declarado cópia de alvará de liberação de R$ 139.747,46 a seu favor e de R$ 39.687,19 em
favor do seu advogado (fls. 42). Não trouxera, porém, documentos que comprovassem a efetiva
retenção do imposto.
O Acórdão recorrido deu parcial provimento ao Recurso Ordinário.
O Recurso Especial, apresentado pela Fazenda Nacional trouxe para análise a
seguinte divergência: Prova do recolhimento do imposto retido na fonte para fins de
compensação do IRPF.
O Contribuinte alega em sua defesa que durante a liquidação da ação judicial
houve o recolhimento de imposto de renda pessoa física, contribuições previdenciárias se
imposto retido na fonte.
Observando atentamente os documentos constantes dos autos observo que a
liquidação presente nas fls. 820 a 823, se prestam a resolver a questão.
A DRJ manifestouse pontualmente quanto estes documentos nos seguintes
termos, fls 826:
Fl. 271DF CARF MF
4
Todos estes elementos comprovam que não houve qualquer desconto de
imposto na fonte sobre os rendimentos liberados a favor do contribuinte em
2003. Se estas provas não bastassem, o próprio demonstrativo judicial de
correção do valor liberado em 04/11/2003, às fls. 133, revela que somente a
parcela de R$ 139.747,46 foi computada como verba liberada a seu favor.
0 impugnante argumenta que este seria o seu crédito liquido, descontado o
imposto na fonte. Se fosse correto o seu argumento, os cálculos indicariam o
valor bruto, incluindo o imposto, que teria corrido evidentemente por conta
do reclamante. Não sendo este o caso, é certo que somente houve a liberação
de R$ 139.747,46 em 2003, sem qualquer retenção de imposto na fonte.
Diante destes fatos, a declaração do analista judicial as fls. 03, atestando
que haveria ocorrido retenção de imposto na fonte de R$ 39.687,19 sobre o
pagamento liberado ao reclamante em 2003, não corresponde à realidade.
Por estas razões, voto pela procedência do lançamento.
Para o melhor deslinde da questão é importante observar a questão de prova
bem delimitada e decidida pelo acórdão do colegiado a quo:
Com a devida vênia do Nobre Relator, permitome divergir de seu voto no
que se refere à aceitação da compensação do imposto de renda retido na
fonte no valor de R$ 48.375,07 que incidiu sobre o valor liberado ao
contribuinte de R$ 227.809,72. Isto porque entendo que somente poderá ser
compensado o imposto de renda retido na fonte ou pago pelo contribuinte
correspondente a rendimentos incluídos na base de cálculo do ajuste anual.
No caso, o Contribuinte não declarou a integralidade dos rendimentos
recebidos (R$ 227.809,72), mas apenas a parcela de R$ 155.037,54,
devendo, portanto, ser acatada apenas a compensação proporcional do
imposto de renda retido na fonte que corresponde a R$ 31.564,86. Diante do
exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso para restabelecer a
parcela de R$ 31.564,86 de imposto de renda retido na fonte.
A Fazenda Nacional por sua vez ingressou com Recurso para discutir os
meios de prova aceitos pela Turma Ordinária considerando que elas não comprovam a
retenção.
Neste ponto não assiste razão ao Contribuinte, isso por que nos casos de
obrigação supletiva esta não exime o devedor originário, devendo este no momento de sua
prestação de informações declaração de ajuste anual proceder estes apontamentos.
O Contribuinte poderia, portanto, se utilizar de qualquer meio de prova,
contudo os excertos da ação judicial não são suficientes para a comprovação em comento.
Em face ao exposto, conheço do Recurso Especial da Fazenda Nacional para
no mérito darlhe provimento.
Fl. 272DF CARF MF
Processo nº 13520.000191/200767
Acórdão n.º 9202007.743
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É como voto.
(assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes
Fl. 273DF CARF MF
score :
1.0
7746095
#
Numero do processo: 10680.915700/2009-99
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 20 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO.
Rejeita-se preliminar de nulidade do Despacho Decisório, quando não configurado vício ou omissão de que possa ter decorrido o cerceamento do direito de defesa
ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE.
Somente são dedutíveis do IRPJ apurado no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subsequente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB n° 900/2008.
RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA EM ASPECTOS PRELIMINARES.
Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação restringe-se a aspectos preliminares, como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superada esta preliminar, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte.
Numero da decisão: 1402-003.794
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário com retorno à DRF para análise do direito credito como indébito de estimativa. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 10680.903881/2010-44, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Edeli Pereira Bessa - Presidente e Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Paulo Mateus Ciccone, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Evandro Correa Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Edeli Pereira Bessa. Ausente o conselheiro Caio Cesar Nader Quintella, substituído pelo conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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Quarta Câmara
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Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO.
Rejeita-se preliminar de nulidade do Despacho Decisório, quando não configurado vício ou omissão de que possa ter decorrido o cerceamento do direito de defesa
ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE.
Somente são dedutíveis do IRPJ apurado no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subsequente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB n° 900/2008.
RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA EM ASPECTOS PRELIMINARES.
Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação restringe-se a aspectos preliminares, como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superada esta preliminar, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte.
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Primeira Seção de Julgamento
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário com retorno à DRF para análise do direito credito como indébito de estimativa. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 10680.903881/2010-44, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Edeli Pereira Bessa - Presidente e Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Paulo Mateus Ciccone, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Evandro Correa Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Edeli Pereira Bessa. Ausente o conselheiro Caio Cesar Nader Quintella, substituído pelo conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues.
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S1C4T2
Fl. 2
1
1
S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA
CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS
PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO
Processo nº 10680.915700/200999
Recurso nº Voluntário
Acórdão nº 1402003.794 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária
Sessão de 21 de fevereiro de 2019
Matéria IRPJ
Recorrente RÁDIO ITATIAIA LIMITADA
Recorrida FAZENDA NACIONAL
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Anocalendário: 2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE DO DESPACHO
DECISÓRIO.
Rejeitase preliminar de nulidade do Despacho Decisório, quando não
configurado vício ou omissão de que possa ter decorrido o cerceamento do
direito de defesa
ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR.
COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE.
Somente são dedutíveis do IRPJ apurado no ajuste anual as estimativas pagas
em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza
indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa
SELIC, acumulados a partir do mês subsequente ao do recolhimento
indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia
retroativa da Instrução Normativa RFB n° 900/2008.
RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE
INTERROMPIDA EM ASPECTOS PRELIMINARES.
Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação
da restituição/compensação restringese a aspectos preliminares, como a
possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do
pedido de restituição, uma vez superada esta preliminar, depende da análise
da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade
administrativa que jurisdiciona a contribuinte.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento
parcial ao recurso voluntário com retorno à DRF para análise do direito credito como indébito de
AC
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Fl. 82DF CARF MF
Processo nº 10680.915700/200999
Acórdão n.º 1402003.794
S1C4T2
Fl. 3
2
estimativa. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto,
aplicase o decidido no julgamento do processo nº 10680.903881/201044, paradigma ao qual
o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Edeli Pereira Bessa Presidente e Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio
Borges, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Paulo Mateus Ciccone, Lucas Bevilacqua Cabianca
Vieira, Evandro Correa Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Eduardo Morgado Rodrigues
(Suplente Convocado) e Edeli Pereira Bessa. Ausente o conselheiro Caio Cesar Nader
Quintella, substituído pelo conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues.
Relatório
Tratase de julgamento de Recurso Voluntário interposto face v. acórdão da
DRJ que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da Recorrente.
Tratase de declaração de compensação transmitida pela contribuinte acima
identificada, na qual indicou crédito resultante de pagamento indevido ou a maior de estimativa
mensal de IRPJ.
O r. Despacho Decisório negou o direito ao crédito da Recorrente e não
homologou a compensação requerida.
Em seguida, após o oferecimento da manifestação de inconformidade, o v.
acórdão decidiu indeferir o pedido da Recorrente aplicando o artigo 10 da Instrução Normativa
600/2005 que não permite a compensação do indébito da estimativa mensal antes do ajuste no
final do exercício/período de apuração.
Inconformada, a Recorrente interpôs Recuso Voluntário rebatendo o
entendimento do r. Despacho Decisório e do v. acórdão recorrido.
É o relatório.
Voto
Conselheira Edeli Pereira Bessa Relatora.
O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos,
regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF
343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº
1402003.786, de 21/02/2019, proferido no julgamento do Processo nº 10680.903881/2010
44, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado.
Fl. 83DF CARF MF
Processo nº 10680.915700/200999
Acórdão n.º 1402003.794
S1C4T2
Fl. 4
3
Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o
entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402003.786):
Recurso Voluntário:
O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria de
competência desta Corte Administrativa e preenche todos os
demais requisitos de admissibilidade previstos em lei, portanto,
dele tomo conhecimento.
O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos
repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo
II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho
de 2015. Portanto, o que for decidido no presente litígio será
aplicado aos demais processos vinculados.
Segundo o r. Despacho Decisório proferido nos autos do
processo em epigrafe, o crédito que a Recorrente pretende
compensar não foi homologado devido ao fato de o crédito ser
composto por estimativa mensal, que somente pode ser utilizado
na dedução do imposto de renda devido ao final do período de
apuração ou para compor o saldo negativo do IRPJ ou da CSLL
do mesmo período.
Tal fundamentação do r. Despacho Decisório não se coaduna
com o entendimento do verbete da Súmula 84 do E. CARF/MF
que descreve o seguinte:
É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou
compensação, na data do recolhimento de estimativa. (Súmula
revisada conforme Ata da Sessão Extraordinária de 03/09/2018,
DOU de 11/09/2018).
Esta mesma situação dos autos, já foi analisada nos processos
cujas decisões fundamentaram a elaboração do verbete da
Súmula CARF/MF 84, conforme pode se verificar nas ementas
de alguns dos v. acórdão abaixo colacionadas:
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE DO
DESPACHO DECISÓRIO.
Rejeitase preliminar de nulidade do Despacho Decisório,
quando não configurado vício ou omissão de que possa ter
decorrido o cerceamento do direito de defesa.
ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR.
COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE.
Somente são dedutíveis do IRPJ apurado no ajuste anual as
estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento
a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu
recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC,
acumulados a partir do mês subsequente ao do
recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante
apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução
Normativa RFB n° 900/2008.
Fl. 84DF CARF MF
Processo nº 10680.915700/200999
Acórdão n.º 1402003.794
S1C4T2
Fl. 5
4
RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO.
ANÁLISE INTERROMPIDA EM ASPECTOS
PRELIMINARES.
Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório
quando a apreciação da restituição/compensação restringe
se a aspectos preliminares, como a possibilidade do pedido.
A homologação da compensação ou deferimento do pedido
de restituição, uma vez superada esta preliminar, depende da
análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito
pela autoridade administrativa que jurisdiciona a
contribuinte.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Desta forma, de acordo com a jurisprudência consolidada deste
E. Tribunal acima colacionada, não resta dúvida de que merece
reforma o v. acórdão (assim como o r. Despacho Decisório), vez
que lícita e viável a postura procedimental da Recorrente.
Assim, como em momento algum foi feita a devida analise do
direito creditório em discussão, relativamente a alegação de
recolhimento a maior/indevido de CSLL no respectivo período de
apuração, entendo que os autos devem retornar a Unidade de
Origem, para verificar a existência do crédito objeto dos autos.
Diante do exposto, entendo que o r. Despacho Decisório e o v.
acórdão recorrido devem ser reformados, eis que a
fundamentação de ambas decisões para não homologar a
compensação em análise contraria a Súmula 84 deste E.
CARF/MF, devendo os autos retornarem para a Unidade de
Origem para que se verifique a existência do crédito que a
Recorrente pretende compensar.
É como voto.
Aplicase a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da
sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, no sentido de que o
r. Despacho Decisório e o v. acórdão recorrido devem ser reformados, eis que a fundamentação
de ambas decisões para não homologar a compensação em análise contraria a Súmula 84 deste
E. CARF/MF, devendo os autos retornarem para a Unidade de Origem para que se verifique a
existência do crédito que a Recorrente pretende compensar.
(assinado digitalmente)
Edeli Pereira Bessa
Fl. 85DF CARF MF
Processo nº 10680.915700/200999
Acórdão n.º 1402003.794
S1C4T2
Fl. 6
5
Fl. 86DF CARF MF
score :
1.0
7735754
#
Numero do processo: 10680.902468/2015-77
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2013
PER/DCOMP. ERRO NO PREENCHIMENTO. RETIFICAÇÃO APÓS PROLAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. PRINCÍPIOS DA VERDADE MATERIAL E DA INFORMALIDADE. POSSIBILIDADE.
Constatando-se dos documentos acostados ao processo que o contribuinte apresentou equivocadamente PER/DCOMP relativo a pagamento a maior ou indevido quando seu crédito deveria ser manejado como saldo negativo de IRPJ e/ou CSLL, refaz-se a análise do crédito sob a forma de Saldo Negativo, e, apurando-se crédito disponível, aplica-se ao mesmo a sistemática de atualização aplicável aos saldos negativos para fins de compensação com os débitos declarados nos PER/DCOMP.
Numero da decisão: 1401-003.213
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para reconhecer o direito creditório relativo ao saldo negativo de CSLL do ano calendário de 2013, no valor de R$ 217.754,18, determinando que o mesmo seja atualizado pela taxa SELIC a partir de 01/01/2014, e homologando as compensações efetuadas no âmbito deste processo até o limite do valor reconhecido. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 10680.902443/2015-73, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Letícia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2013
PER/DCOMP. ERRO NO PREENCHIMENTO. RETIFICAÇÃO APÓS PROLAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. PRINCÍPIOS DA VERDADE MATERIAL E DA INFORMALIDADE. POSSIBILIDADE.
Constatando-se dos documentos acostados ao processo que o contribuinte apresentou equivocadamente PER/DCOMP relativo a pagamento a maior ou indevido quando seu crédito deveria ser manejado como saldo negativo de IRPJ e/ou CSLL, refaz-se a análise do crédito sob a forma de Saldo Negativo, e, apurando-se crédito disponível, aplica-se ao mesmo a sistemática de atualização aplicável aos saldos negativos para fins de compensação com os débitos declarados nos PER/DCOMP.
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para reconhecer o direito creditório relativo ao saldo negativo de CSLL do ano calendário de 2013, no valor de R$ 217.754,18, determinando que o mesmo seja atualizado pela taxa SELIC a partir de 01/01/2014, e homologando as compensações efetuadas no âmbito deste processo até o limite do valor reconhecido. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 10680.902443/2015-73, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Letícia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
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S1C4T1
Fl. 2
1
1
S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA
CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS
PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO
Processo nº 10680.902468/201577
Recurso nº 1 Voluntário
Acórdão nº 1401003.213 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária
Sessão de 19 de março de 2019
Matéria PER/DCOMP PAGAMENTO A MAIOR
Recorrente MONTESANTO TAVARES LOGÍSTICA E TRANSPORTE S/A?????
Recorrida FAZENDA NACIONAL
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Anocalendário: 2013
PER/DCOMP. ERRO NO PREENCHIMENTO. RETIFICAÇÃO APÓS
PROLAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. PRINCÍPIOS DA VERDADE
MATERIAL E DA INFORMALIDADE. POSSIBILIDADE.
Constatandose dos documentos acostados ao processo que o contribuinte
apresentou equivocadamente PER/DCOMP relativo a pagamento a maior ou
indevido quando seu crédito deveria ser manejado como saldo negativo de
IRPJ e/ou CSLL, refazse a análise do crédito sob a forma de Saldo Negativo,
e, apurandose crédito disponível, aplicase ao mesmo a sistemática de
atualização aplicável aos saldos negativos para fins de compensação com os
débitos declarados nos PER/DCOMP.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento
ao recurso para reconhecer o direito creditório relativo ao saldo negativo de CSLL do ano
calendário de 2013, no valor de R$ 217.754,18, determinando que o mesmo seja atualizado pela
taxa SELIC a partir de 01/01/2014, e homologando as compensações efetuadas no âmbito deste
processo até o limite do valor reconhecido. O julgamento deste processo segue a sistemática dos
recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo nº
10680.902443/201573, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Abel Nunes de Oliveira
Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin,
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01
5-
77
Fl. 409DF CARF MF
Processo nº 10680.902468/201577
Acórdão n.º 1401003.213
S1C4T1
Fl. 3
2
Carlos André Soares Nogueira, Letícia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues,
Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Relatório
Iniciemos com a transcrição de trechos do relatório da Decisão de Piso.
Versa o presente processo sobre a controvérsia instaurada, em razão do
indeferimento pela Administração Tributária do pleito compensatório
apresentado pelo interessado através de PER/DCOMP, alegando que o
DARF foi integralmente utilizado para a compensação de débitos do
contribuinte, não restando crédito disponível.
Devidamente intimado, o interessado apresentou, manifestação de
inconformidade, alegando que:
Houve uma antecipação de IRPJ e CSLL que, ao final do exercício,
verificouse que foi maior que o tributo devido, uma vez que o contribuinte
encerrou o exercício com prejuízo;
O pedido foi indeferido sob o argumento de inexistência de crédito.
Foi, no entanto, em razão de mudança legislativa acerca do instituto dos
pagamentos por estimativa, utilizado o teor do Parecer Normativo COSIT nº
08/2014 (atualmente Parecer Normativo Cosit nº 02/2016) para afastar o
motivo e realizar a análise do mérito, o que ocorreu, entendendo a
administração tributária que, efetivamente, no caso dos autos inexistia crédito
disponibilizado nas estimativas recolhidas, eis que, foram utilizadas
integralmente para compor o saldo negativo, não havendo recolhimentos
efetuados de forma indevida ou a maior.
A interessada apresentou manifestação de inconformidade, alegando que
poderia compensar estimativas pagas a maior ou indevida independentemente
do final do período de apuração, fato esse que, antes era pautado na
Instruções Normativas vigentes, mas a partir da IN RFB nº 900/2008, tal
situação deixou de existir, requerendo, ainda a nulidade do despacho
decisório.
A Delegacia de Julgamento, na análise da manifestação de inconformidade
julgou pela sua improcedência em razão de não ser possível a modificação do tipo de crédito
após a emissão do despacho decisório e que analisando os pedidos de pagamento a maior e que
os valores devidos de estimativa são idênticos inexiste o crédito pretendido.
Cientificada de decisão a interessada apresentou recurso voluntário no qual
repisa os argumentos aduzidos na manifestação de inconformidade, junta precedentes deste
CARF e pleiteia que lhe seja reconhecido o direito de crédito.
É o breve relatório.
Fl. 410DF CARF MF
Processo nº 10680.902468/201577
Acórdão n.º 1401003.213
S1C4T1
Fl. 4
3
Voto
Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Relator.
O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos,
regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF
343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº
1401003.188, de 19/03/2019, proferido no julgamento do Processo nº10680.902443/201573,
paradigma ao qual o presente processo fica vinculado.
Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o
entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº1401003.188):
O recurso é tempestivo e preenche os requisitos legais, por isso
dele tomo conhecimento.
O caso em análise no presente processo diz respeito á
possibilidade de o contribuinte, que apresentou declaração de
compensação pretendendo créditos de pagamento indevido por
estimativa de IRPJ/CSLL, possa ter reconhecido o direito de
crédito relativo a Saldo Negativo de IRPJ/CSLL no exercício.
Verificase, no presente caso que o contribuinte, optante pelo
lucro real, recolheu IRPJ e CSLL por estimativa em diversos
meses do ano de 2013. Apresentou regularmente as DCTFs
destes períodos informando os débitos e a sua quitação por
DARF que, posteriormente, entendeu se referirem a pagamentos
indevidos.
Em sua DIPJ apresentou informações de que apurou o IRPJ e
CSLL devidos por estimativa com base na receita bruta, e que,
no final do exercício, inexistindo lucro a ser tributado, os valores
dos pagamentos realizados a título de estimativa transformaram
se em crédito em benefício da empresa.
Na manifestação de inconformidade e no recurso voluntário
pretende que, em razão da apuração de prejuízo no exercício,
seja reconhecido o crédito como saldo negativo de IRPJ e CSLL
no exercício.
Diante dos fatos acima narrados e da confirmação da existência
dos pagamentos realizados temos a seguinte decisão a tomar:
O contribuinte cometeu os seguintes equívocos:
1 – Optou pelo lucro real e pela apuração das estimativas no
ano de 2013, recolheu os valores e os confessou em DCTF tendo,
posteriormente, solicitado o crédito destes mesmos pagamentos
sem retificar suas DCTF e DIPJ;
2 – Apresentou a DIPJ informando a correta apuração dos
saldos negativos de IRPJ e CSLL a que faria jus;
Fl. 411DF CARF MF
Processo nº 10680.902468/201577
Acórdão n.º 1401003.213
S1C4T1
Fl. 5
4
3 Ao requer os créditos que entendia fazer jus o fez por meio de
PER/DCOMP relativo a pagamento indevido ou a maior em vez
de saldo negativo;
Por sua vez a decisão que não reconheceu o crédito está
juridicamente correta vez que analisou o pedido de pagamento
indevido a partir das informações da DCTF e DARF da
empresa.
Constatamos, no entanto, com base nos documentos acostados
ao processo, que efetivamente o contribuinte faz jus aos saldos
negativos de CSLL do anocalendário 2013 no montante
equivalente aos pagamentos realizados por estimativa, visto
inexistir saldo de devido de CSLL.
Com base nestas informações a nossa análise prendese ao fato
de considerar que, no presente caso, o contribuinte incidiu
apenas em erro de fato ao preencher a PER/DCOMP ou se
houve um erro de direito ao pleitear crédito diferente do que
deveria ter sido solicitado.
A este respeito entende este relator que não se trata de simples
erro de fato. Ora, errarse o período de apuração, o exercício ou
mesmo o tipo de tributo solicitado no PER/DCOMP pode se
considerar um erro de fato. Neste caso o problema não é tão
simples. Aqui o contribuinte solicitou crédito absolutamente
diverso do crédito que efetivamente lhe assistia direito. Tratase,
claramente de erro material que, digase de passagem, sequer é
escusável, haja vista o porte da empresa, a apuração pelo lucro
real e o período de tempo decorrido entre a instituição dos
PER/DCOMP eletrônicos (2003) e os pedidos do contribuinte
(2012).
Ocorre, entretanto, que por mais que este relator entenda que o
erro cometido na empresa não se adequa aos precedentes
apresentados em sede recursal, sou firme na corrente que
entende no sentido de que a verdade material deve prevalecer
como fundamento de decidir em todos os processos, sejam
administrativos, sejam judiciais.
VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO.
A verdade material é composta pelo dever de investigação da
Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular,
unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade
formalizadora com a realidade dos acontecimentos. (Acórdão nº 3401
003.096, de 23/02/2016)
DCOMP. CRÉDITO. ERRO NO PREENCHIMENTO DA DCTF.
PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. RECONHECIMENTO
Na hipótese de mero equívoco no preenchimento da DCTF, contrastando
com as informações acertadas da DIPJ e com a comprovação do
recolhimento a maior através de DARF juntado aos autos, não há razão
para penalizar o contribuinte, sendo medida certa o reconhecimento do
crédito pleiteado. (Acórdão nº 1201002.106, de 16/03/2018)
Fl. 412DF CARF MF
Processo nº 10680.902468/201577
Acórdão n.º 1401003.213
S1C4T1
Fl. 6
5
COMPENSAÇÃO ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO
E/OU PEDIDO
Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração e/ou
pedido, deve a verdade material prevalecer sobre a formal. (Acórdão nº
1302002.031, de 26/01/2017)
Neste sentido é que não pode este relator se furtar a decidir
contra a verdade apresentada nos autos. A verdade é que, com
base na apuração do lucro do exercício, não existiu lucro
tributável e, assim, não era devido, ao final do exercício a
apuração do IRPJ e CSLL devidos.
Em razão deste fatos os recolhimentos abaixo realizados,
relativos aos pagamentos de CSLL por estimativa, tornaramse
saldo negativo de CSLL ao final do exercício. À vista do exposto
e em atenção ao princípio da informalidade e da fungibilidade,
precedentes abaixo, que rege o processo administrativo fiscal,
constatandose que, no mérito, assiste razão ao contribuinte
quanto à existência de créditos, mesmo que não da espécie
originalmente pleiteada, entendo que deve ser reconhecido o
direito de crédito da empresa, não em relação aos pagamentos
indevidos da forma por ela solicitada, mas sim em razão da
existência de saldos negativos de CSLL que se formaram a partir
destes mesmos pagamentos.
Registro, para bem deixar delineado meu entendimento, que não
entendo que o princípio da informalidade e da fungibilidade
sejam aplicáveis de qualquer forma e em qualquer situação. Esta
aplicação deve ser casuística e se adequar à realidade de cada
processo. Neste processo, em específico, a utilização da
informalidade prendese a um fato singelo. Para a aferição da
existência do crédito, a partir das informações apresentadas em
petição simples de duas páginas, se daria apenas pela análise da
ficha de apuração do IRPJ e CSLL a pagar, nas quais resta
demonstrada a inexistência de saldos dos tributos a serem pagos.
Em razão da facilidade de conhecimento do verdadeiro direito
da empresa é que entendo poder ser aplicada a informalidade e
a fungibilidade neste processo de modo a garantir um direito
que, de fato, sempre assistiu ao contribuinte.
IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de
apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 PROCESSO ADMINISTRATIVO
FISCAL. RESSARCIMENTO DE IPI. DEFERIMENTO PARCIAL.
INCONFORMIDADE POSTERIOR A PARECER DA
ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA E ANTERIOR A DESPACHO
DECISÓRIO QUE O HOMOLOGA. APRECIAÇÃO PELA DRJ.
CABIMENTO. Contra indeferimento de ressarcimento do IPI cabe
manifestação de inconformidade, a ser apreciada pelas Delegacias da
Receita Federal do Brasil de Julgamento nos termos do Decreto n°
70.235/72. Tendo o contribuinte tomado ciência de parecer da
administração tributária que propõe o deferimento parcial do seu
pedido, e ingressado com manifestação de inconformidade antes do
Fl. 413DF CARF MF
Processo nº 10680.902468/201577
Acórdão n.º 1401003.213
S1C4T1
Fl. 7
6
despacho decisório que homologa tal parecer, considerase instaurado
o litígio e, por isso, deve a primeira instância analisar a
inconformidade, sob pena de ofensa à ampla defesa e ao contraditório
e desprezo pelos princípios da informalidade moderada e da
fungibilidade, que norteiam o processo administrativo fiscal. Por não
ter sido conhecida pela DRJ a inconformidade, anulase a decisão a
quo para que outra seja produzida com apreciação das razões de
inconformismo. (Acórdão nº 3102001.572, de 19/07/2012)
PAGAMENTO A MAIOR. SALDO NEGATIVO.
TRANSMUTABILIDADE. POSSIBILIDADE.
Em nome do princípio da verdade material e da fungibilidade devese
permitir a retificação da Dcomp quando se trata de erro material no seu
preenchimento. A homologação da compensação ou deferimento do
pedido de restituição, uma vez admitida que outra é a natureza do
crédito, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade
do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a
contribuinte, como foi o caso.(Acórdão nº 1401001.655, de 09/06/2016)
Ementa: PAGAMENTO A MAIOR. SALDO NEGATIVO.
TRANSMUTABILIDADE. POSSIBILIDADE.
Em nome do princípio da verdade material e da fungibilidade devese
permitir a retificação da Dcomp quando é patente o erro material no
seu preenchimento e que tenha ficado bem configurada a divergência,
facilmente perceptível, entre o que foi apresentado e o que queria ser
apresentado, revelado no próprio contexto em que foi feita a
declaração. (Acórdão nº 1401000.737, de 15/03/2012)
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO E DA DECISÃO RECORRIDA.
Não padece de nulidade o Auto de Infração que seja lavrado por
autoridade competente, com observância ao art. 142, do CTN, e arts. 10
e 59, do Decreto nº 70.235/72, contendo a descrição dos fatos e
enquadramentos legais, permitindo ao contribuinte o pleno exercício do
direito de defesa, mormente quanto se constata que o mesmo conhece a
matéria fática e legal e exerceu, com lógica e nos prazos devidos, o seu
direito de defesa.
A competência das DRJ pode ser alterada por ato interno da RFB, para
melhor distribuição de quantidade de processos ou concentração de
assuntos, sem que isso fira, de plano, qualquer direito do Contribuinte.
As formalidades não são um fim, em si mesmas, mas um instrumento
para assegurar o exercício da ampla defesa. Alegada eventual
irregularidade, cabe, à autoridade administrativa ou judicial, verificar,
pois, se tal implicou efetivo prejuízo à defesa do contribuinte. Daí
falarse do princípio da informalidade do processo administrativo.
(Acórdão nº 2202003.053, de 08/12/2015)
Fl. 414DF CARF MF
Processo nº 10680.902468/201577
Acórdão n.º 1401003.213
S1C4T1
Fl. 8
7
NULIDADE DO LANÇAMENTO. VÍCIO FORMAL.
Padece de nulidade o Auto de Infração com inobservância ao art. 10,
inciso IV, do Decreto nº 70.235/72, não contendo a descrição dos fatos
e enquadramentos legais individualizados por infração, em diferentes
fatos geradores do imposto de renda retido na fonte, levando o
contribuinte a equivocadas interpretações que confundiram a
impugnação.
A nulidade não decorre propriamente do descumprimento do requisito
formal, mas dos seus efeitos comprometedores do direito de defesa. As
formalidades não são um fim em si mesmas, mas um instrumento para
assegurar o exercício da ampla defesa. Daí falarse do princípio da
informalidade do processo administrativo. (Acórdão nº 2202003.671,
de 07/02/2017)
Por isso, entendo que assiste razão ao recorrente quanto à
existência de saldo negativo de CSLL do exercício 2014, ano
calendário 2013, no montante de R$ 217.754,18 , formados a
partir dos recolhimentos das estimativas destes tributos
realizados durante o ano.
Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento ao
recurso, em obediência ao Princípio da Verdade Material, a fim
de:
Reconhecer, em atenção ao princípio da informalidade e da
fungibilidade, o direito do contribuinte de crédito relativo a
saldo negativo de CSLL do exercício 2014, anocalendário 2013,
no valor original de R$ 217.754,18;
Fl. 415DF CARF MF
Processo nº 10680.902468/201577
Acórdão n.º 1401003.213
S1C4T1
Fl. 9
8
Determinar que estes valores devem ser acrescidos pela taxa
SELIC apenas a partir de 01/01/2014, haja vista se tratar se
saldo negativo que, desta forma deve ser atualizado e,
Determinar que os créditos, agora reconhecidos, podem ser
utilizados na compensação dos débitos informados nos
PER/DCOMP de pagamento indevido de CSLL relativos aos
recolhimentos que formaram o saldo acima e que foram
requeridos sob a forma de PER/DCOMP de pagamento a maior,
cobrandose as diferenças ao final apuradas após a realização
dos procedimentos de compensação
Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da
sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido de
dar provimento ao recurso, em obediência ao Princípio da Verdade Material, a fim de:
a) Reconhecer, em atenção ao princípio da informalidade e da
fungibilidade, o direito do contribuinte de crédito relativo a saldo
negativo de CSLL do exercício 2014, anocalendário 2013, no valor
original de R$ 217.754,18;
b) Determinar que estes valores devem ser acrescidos pela taxa
SELIC apenas a partir de 01/01/2014, haja vista se tratar se saldo
negativo que, desta forma deve ser atualizado e,
c) Determinar que os créditos, agora reconhecidos, podem ser
utilizados na compensação dos débitos informados nos PER/DCOMP
de pagamento indevido de CSLL relativos aos recolhimentos que
formaram o saldo acima e que foram requeridos sob a forma de
PER/DCOMP de pagamento a maior, cobrandose as diferenças ao
final apuradas após a realização dos procedimentos de compensação
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves
Fl. 416DF CARF MF
score :
1.0
7758096
#
Numero do processo: 10880.662838/2012-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 20/07/2007
DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA.
Considera-se confissão de dívida os débitos declarados em DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), motivo pelo qual qualquer alegação de erro no seu preenchimento deve vir acompanhada de declaração retificadora munida de documentos idôneos para justificar as alterações realizadas no cálculo dos tributos devidos.
Nesses termos, não pode ser acatada a mera alegação de erro de preenchimento desacompanhada de elementos de prova que justifique a alteração dos valores registrados em DCTF.
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA.
Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170, do Código Tributário Nacional.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO.
Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia.
Numero da decisão: 3301-006.000
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade devotos, negar provimento ao recurso voluntário.
assinado digitalmente
Winderley Morais Pereira Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo da Costa Marques D'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Junior, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Marco Antonio Nunes Marinho e Ari Vendramini
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 20/07/2007
DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA.
Considera-se confissão de dívida os débitos declarados em DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), motivo pelo qual qualquer alegação de erro no seu preenchimento deve vir acompanhada de declaração retificadora munida de documentos idôneos para justificar as alterações realizadas no cálculo dos tributos devidos.
Nesses termos, não pode ser acatada a mera alegação de erro de preenchimento desacompanhada de elementos de prova que justifique a alteração dos valores registrados em DCTF.
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA.
Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170, do Código Tributário Nacional.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO.
Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia.
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade devotos, negar provimento ao recurso voluntário.
assinado digitalmente
Winderley Morais Pereira Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo da Costa Marques D'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Junior, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Marco Antonio Nunes Marinho e Ari Vendramini
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S3C3T1
Fl. 2
1
1
S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA
CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS
TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO
Processo nº 10880.662838/201229
Recurso nº Voluntário
Acórdão nº 3301006.000 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária
Sessão de 28 de março de 2019
Matéria COFINS
Recorrente STAMPTEC INDUSTRIA E COMERCIO DE PECAS ESTAMPADAS
LTDA
Recorrida FAZENDA NACIONAL
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE
SOCIAL COFINS
Data do fato gerador: 20/07/2007
DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA.
Considerase confissão de dívida os débitos declarados em DCTF
(Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), motivo pelo qual
qualquer alegação de erro no seu preenchimento deve vir acompanhada de
declaração retificadora munida de documentos idôneos para justificar as
alterações realizadas no cálculo dos tributos devidos.
Nesses termos, não pode ser acatada a mera alegação de erro de
preenchimento desacompanhada de elementos de prova que justifique a
alteração dos valores registrados em DCTF.
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis,
da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda
Nacional, para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade
administrativa.
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA.
Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária,
conforme artigo 170, do Código Tributário Nacional.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO.
Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à
adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de
diligência ou perícia.
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Fl. 189DF CARF MF
Processo nº 10880.662838/201229
Acórdão n.º 3301006.000
S3C3T1
Fl. 3
2
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade devotos, negar
provimento ao recurso voluntário.
assinado digitalmente
Winderley Morais Pereira – Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais
Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo da Costa Marques D'Oliveira, Salvador
Cândido Brandão Junior, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Marco Antonio Nunes
Marinho e Ari Vendramini
Relatório
Tratase de processo formalizado para o tratamento manual da Declaração de
Compensação onde se pleiteia a compensação de crédito oriundo de pagamento a maior de
COFINS não cumulativa, com débitos tributários de sua titularidade.
Em análise da Declaração de Compensação transmitida, a unidade de origem
emitiu o Despacho Decisório, tendo como resultado a não homologação da compensação.
Contra esta decisão a recorrente apresentou manifestação de inconformidade,
onde alega, em síntese:
Que após o pagamento da contribuição, verificou que não
havia considerado em sua apuração o desconto de créditos que
lhe são conferidos pelo art. 3º da Lei nº 10.833/03;
Que seu crédito pode ser aferido pela análise do DACON
Retificador, juntado ao presente, que comprova a correta
apuração da COFINS sob o regime nãocumulativo;
Que a falta de retificação da DCTF não é suficiente para
negarlhe o crédito a quem tem direito;
Que deve prevalecer o princípio da verdade material.
Que o Parecer Normativa Cosit nº 02/2015 ampara seu pleito;
Requer a realização de diligência bem como a juntada
posterior de documentos;
Anexa cópias da DACON original e retificadora e memória de
cálculo de apuração da contribuição.
5. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente, nos termos do
Acórdão nº 14067.489.
Inconformado com tal decisão, o requerente apresentou Recurso Voluntário,
onde traz, como razões de defesa os mesmos fundamentos e argumentos apresentados na
Manifestação de Inconformidade dirigida á DRJ, requerendo in fine :
Fl. 190DF CARF MF
Processo nº 10880.662838/201229
Acórdão n.º 3301006.000
S3C3T1
Fl. 4
3
seja reconhecida a procedência integral dos argumentos
narrados neste Recurso Voluntário, a fim de que, nos termos do
Parecer Normativo COSIT nº 02/2015, seja reconhecida a
totalidade do direito creditório pleiteado sob os auspícios da
verdade material, com a sequente homologação das
compensações declaradas e a respectiva extinção do crédito
tributário nos termos do artigo 156, inciso II, do Código
Tributário Nacional
Subsidiariamente, na remota hipótese do não reconhecimento
imediato do direito invocado, o que não se acredita, requer
sejam considerados todos os elementos probatórios carreados
aos autos – sobretudo a memória de cálculo de apuração da
COFINS do período e respetiva Ficha 16A do DACON
Retificador –como indícios suficientes à veracidade do crédito
tributário para, novamente à luz do Parecer Normativo COSIT
nº 02/2015, autorizar/determinar a realização de diligência
fiscal para análise/validação da apuração do tributo efetivada
pela Recorrente, em observância à necessária busca pela
verdade material dos fatos e relativização de questões
meramente formais / burocráticas (entre elas o erro de
preenchimento da DCTF).
É o relatório.
Voto
Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator
O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos,
regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF
343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão
3301005.990, de 28 de março de 2019, proferido no julgamento do processo
10880.662828/201293, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os
entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3301005.990):
"8. O recurso voluntário é tempestivo, preenche os
requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço.
9. O próprio recurso voluntário traz a síntese fática
base da discussão nestes autos que, em breve resumo, trata da
não homologação de compensação declarada, diante da
inexistência de crédito, pois o crédito pleiteado é oriundo de
recolhimento efetuado por documento DARF totalmente
vinculado a débito confessado em DCTF, ou seja, o débito
confessado em DCTF foi totalmente liquidado pelo pagamento
efetivado pelo DARF utilizado como argumento como
nascedouro do crédito a ser utilizado na compensação.
Fl. 191DF CARF MF
Processo nº 10880.662838/201229
Acórdão n.º 3301006.000
S3C3T1
Fl. 5
4
10. Assim se manifesta a recorrente, em sua tese
recursal :
I – SÍNTESE DOS FATOS
Tratase de processo administrativo instaurado para
controle e análise depedido de compensação de créditos de
COFINS formulado pela Recorrente, devidamente
declarado via sistema PER/DCOMP que, ao ser analisado
pela Autoridade Fiscal, não foi homologado, com amparo
na seguinte motivação:
“[...] A partir das características do DARF discriminado
no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados
um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas
integralmente utilizados para quitação de débitos do
contribuinte, não restando crédito disponível para
compensação dos débitos informados no
PER/DCOMP.
[...] Diante da inexistência do crédito, NÃO
HOMOLOGO a compensação declarada. [...]”
(destacado e grifado)
Como se verifica, o fundamento do r. despacho decisório
em questão reside unicamente na suposta inexistência do
crédito oriundo do pagamento a maior efetuado através do
DARF indicado no PER/DCOMP, pois a integralidade do
crédito pleiteado estaria vinculada a débito declarado pela
Recorrente, ou seja, o DARF em referência teria quitado,
sem qualquer saldo remanescente, o débito correspondente
à COFINS apurada no período. No entanto, o crédito
constante no PER/DCOMP transmitido decorre do
indébito de COFINS, o qual pode ser aferido pela análise
do DACON retificador que comprova a correta apuração
da COFINS sob o regime da nãocumulatividade. Com
efeito, o DARF vinculado no PER/DCOMP teve por base
o valor indicado no primeiro DACON transmitido, cuja
apuração, por equívoco da Recorrente, não considerou os
créditos inerentes ao regime da nãocumulatividade, tais
como (i) os valores pagos à pessoa jurídica, referentes a
aluguéis de máquinas e equipamentos utilizados em suas
atividades empresariais, (ii) as despesas incorridas na
aquisição de bens e serviços caracterizados como insumos,
(iii) custos com armazenagem de mercadoria e frete na
operação de venda, (iv) encargos de depreciação e
amortização de máquinas e equipamentos incorporados ao
seu ativo imobilizado,
(v) encargos de depreciação e amortização relativos a
edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de
terceiros, também utilizados nas atividades da Recorrente,
entre outros.
Desta forma, com a retificação da apuração da COFINS, a
Recorrente verificou a existência de crédito tributário
Fl. 192DF CARF MF
Processo nº 10880.662838/201229
Acórdão n.º 3301006.000
S3C3T1
Fl. 6
5
decorrente do pagamento a maior praticado, com o
consequente direito à compensação do indébito correlato,
nos termos do art. 74, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro
de 1996, bem como da Instrução Normativa RFB nº
900/08, à época vigente, motivo pelo qual é medida
imperiosa a homologação da compensação em tela,
justamente diante da inequívoca existência do crédito
regularmente compensado. Nesse sentido, a Recorrente
apresentou tempestivamente sua Manifestação de
Inconformidade, demonstrando e comprovando pelos
diversos documentos juntados aos autos que o r. despacho
decisório carece de reforma integral, tendo em vista a total
e incontroversa existência do saldo credor de COFINS
pleiteado, consoante detalhadamente exposto.
12. Ou seja, defende a recorrente que o crédito objeto
de pretensa compensação teria origem em erro da recorrente, ao
deixar de apurar créditos da não cumulatividade, por aquisições
no mercado interno de insumos e serviços, o que teria a levado a
recolher a maior o valor da COFINS. Ao refazer a apuração de
tais créditos, a recorrente alega que os créditos apurados foram
utilizados para dedução da COFINS devida, o que teria reduzido
o valor da COFINS a pagar, sendo que o valor utilizado para tal
pagamento teria se tornado, desta forma, maior do que o devido,
gerando um crédito a seu favor, crédito este que a recorrente
utilizou para quitação de débitos via compensação.
13. A rigor, pretende a recorrente que se reconheça o
direito creditório originado desta apuração de créditos da não
cumulatividade, e que se homologue a compensação pleiteada,
para que seja autorizada a sua utilização para liquidação de
débitos indicado na DCOMP.
14. Entretanto, negase a recorrente a proceder a
correção da DCTF, para desvincular o pagamento do débito
confessado, o que teria como consequencia, se aceito o pedido
da recorrente (de se reconhecer o direito creditório oriundo de
pagamento a maior), um débito confessado em DCTF, portanto
auto lançado e exigível, em aberto, o que traria á recorrente um
prejuízo de igual monta, diante da liquidação dos débitos
declarados em DCOMP.
15. Temos ainda a alegação da recorrente que não é
mais possível a retificação da DCTF, por ter decorrido o prazo
de cinco anos, portanto o sistema eletrônico não admitiria mais
nenhuma alteração no documento DCTF, o que obrigaria a
recorrente a possuir, em sua integralidade, os documentos
comprobatórios da origem dos créditos e sua apuração.
16. Em sua defesa, a recorrente alega que seria
necessária diligência, por parte da Fiscalização da Secretaria
da Receita Federal, uma vez que “ a realização de diligências
teria o condão de afastar toda e qualquer dúvida acerca de seu
direito creditório, prevalecendo a verdade material dos fatos em
Fl. 193DF CARF MF
Processo nº 10880.662838/201229
Acórdão n.º 3301006.000
S3C3T1
Fl. 7
6
face da existência de meros erros formais / obrigações
acessórias.” .
17. Assim, o que deseja a recorrente não é comprovar o
seu direito, e sim que a Fiscalização, através de diligências,
apure o seu direito, uma vez que alega que retificou a DACON e
apresentou planilhas demonstrando seu direito, o que seria
suficiente para o reconhecimento do direito creditório. Desta
forma, considero correta a decisão da DRJ, o que corroboro, em
não ver necessidade de realização de diligências, uma vez que as
provas apresentadas pela recorrente, como portadora do ônus
da prova de demonstrar seu direito, são aquelas que a
recorrente julgou aptas a tal demonstração, e são estas que
devem ser a base do julgamento.
18. Diz a recorrente : “ Além do mais, relembrese o
amplo acervo probatório juntado pela Recorrente nos presentes
autos, especialmente a Memória de Cálculo (Doc. 05 da
Manifestação de Inconformidade), que traz a abertura de todos os
créditos utilizados na apuração da COFINS posteriormente
retificada. Referido documento, em conjunto com a Ficha 16A,
do DACON Retificador (Doc. 03 da manifestação de
Inconformidade), demonstra especificamente cada uma das
modalidades de crédito apuradas, a exemplo dos (i) bens e
serviços utilizados como insumos, (ii) despesas de energia
elétrica, (iii) armazenagem e frete, (iv) depreciação do ativo
imobilizado e (v) devoluções de venda. Dessa forma, as referidas
informações, com seus valores analiticamente expostos,
comprovam a liquidez e validade dos créditos da COFINS
apurados no período, afastando de plano qualquer alegação
contrária da D. Autoridade Fiscal a esse respeito.' , reafirmando
que julgue os elementos que trouxe aos autos suficientes para
comprovar seu direito.
19. Aduz a recorrente que o despacho decisório estaria
incorreto, pois carreou, como demonstrado, aos autos, as provas
suficientes para que o seu direito creditório fosse reconhecido e
que, em respeito ao princípio da verdade material, deveriam os
julgadores terem buscado tal verdade, admitindo provas após a
impugnação e solicitado diligências para apuração dos créditos.
20. Afirma a recorrente que “ sem prejuízo, a
Recorrente reconhece que, por lapso, não adotou as providências
adequadas relativas à retificação das informações sobre a
apuração da contribuição e do recolhimento via código DARF
errôneo (2172), pois deveria primeiramente promover a
retificação do DARF recolhido (Redarf), nos termos do Anexo I,
da Instrução Normativa SRF nº 672, de 30 de agosto de 2006,
adequando o pagamento efetuado para o código de receita nº
5856 (COFINS NÃOCUMULATIVA), com a posterior
retificação da DCTF correspondente. Todavia, o descumprimento
destas obrigações acessórias não invalida a existência do crédito
pleiteado, devidamente declarado no DACON retificador, sob
pena de ofensa ao princípio da verdade material, o qual compele
a Autoridade Fiscal à realização de todas a diligências
Fl. 194DF CARF MF
Processo nº 10880.662838/201229
Acórdão n.º 3301006.000
S3C3T1
Fl. 8
7
necessárias à efetiva verificação do crédito pleiteado pelo
contribuinte, assim como exposto no tópico a seguir.” Tal
afirmativa demonstra o reconhecimento da recorrente de que a
vinculação do documento DARF ao débito confessado em DCTF
deveria ter sido corrigida, para que restasse crédito disponível
para reconhecimento do direito creditório, o que não foi feito.
21. Portanto, resta claro que, diante dos documentos
carreados aos autos – DACON RETIFICADORA e planilhas de
cálculo – o acervo probatório se mostrou insuficiente para
comprovar o direito creditório, qual seja a origem documental
dos créditos e a sua apuração registrada em documentos
contábeis, devidamente conciliados, para tais créditos da não
cumulatividade restassem indubitavelmente reconhecidos. Sem
tais elementos, correta a decisão de piso em não reconhecer o
direito creditório.
22. Quanto a considerarse como erro de fato o
preenchimento da DCTF, tal argumento não socorre a
recorrente, pois não há erro de fato na situação descrita, há sim
uma nova apuração de valores que culminou, nas alegações da
recorrente, em crédito a seu favor, e defende que as planilhas
apresentadas demonstram tal crédito de forma inconteste, desta
forma, realmente não se pode aceitar o argumento de erro de
fato.
23. Defende ainda a recorrente que o seu
descumprimento de suas obrigações – retificação do DARF e da
DCTF – não ocasionaram dano ao erário, por tal razão, deve
ser reconhecido o direito creditório. Assim se defende a
recorrente: “ conquanto a necessária observância ao princípio da
verdade material, por si só, resguarde o direito creditório da
Recorrente, justamente pelo confronto do montante recolhido
versus o valor declarado no DACON retificador, destacase que o
não cumprimento das obrigações acessórias relativas ao Redarf
(correção do código de recolhimento) e à consequente retificação
da DCTF correspondente, também não seriam suficientes a não
homologação da compensação em tela, quando analisadas sob a
ótica da ausência de prejuízo ao Erário. Isto porque, se é verdade
que a situação fática vivenciada pela Recorrente demonstra a
regularidade da compensação praticada, pois não há dúvida
quanto à existência do crédito tributário (apuração de créditos em
decorrência da nãocumulatividade da contribuição recolhida),
igualmente verdadeira é a completa ausência de prejuízo ao
Erário advindo pelo não cumprimento das obrigações acessórias,
principalmente diante da declaração idônea e devidamente
entregue ao Fisco que permite a perfeita identificação da origem
do crédito apurado (DACON Retificador). Neste sentido, o não
cumprimento destas obrigações acessórias não apenas não seria
idôneo para invalidar o crédito pleiteado (princípio da verdade
material), como também não criou óbices à fiscalização ou,
muito menos, resultou em prejuízos aos cofres públicos, o que
impõe a conclusão pela absoluta ausência de prejuízos ao Erário,
contexto este que da mesma maneira sinaliza a necessidade
premente de homologação da compensação, seja pela
Fl. 195DF CARF MF
Processo nº 10880.662838/201229
Acórdão n.º 3301006.000
S3C3T1
Fl. 9
8
comprovação do crédito requerido, seja pela inexistência de
desfalques financeiros à Autoridade Fiscal na conduta da
Recorrente. Em relação às autuações fiscais que padecem deste
tipo de vício, consistente na exigência de tributo devidamente
pago, com inexistência de prejuízo do Erário, há vários
precedentes jurisprudenciais, administrativos e judiciais,
favoráveis sendo oportuno destacar os seguintes ….” (grifamos).
24. Portanto, a própria recorrente admite que o tributo
foi devidamente pago, o que traz duas possibilidades : uma a
compensação, no ver da recorrente, deve ser homologada, o que
ensejaria a consideração de pagamento a maior e a abertura de
débito confessado em DCTF, assim o débito confessado em
DCOMP estaria liquidado e o débito confessado em DCTF
restaria em aberto e exigível, duas o débito confessado em
DCTF estaria liquidado pelo recolhimento efetuado em DARF e
não restaria direito creditório, pois não haveria pagamento a
maior, o que deixaria em aberto os débitos confessados em
DCOMP. Pelas duas análises, não haveria possibilidade de
reconhecimento do direito sem a retificação da DCTF , ou do
DARF, ou comprovação do direito por elementos de prova mais
consistentes.
25. Quanto á aplicação do Parecer COSIT nº 2/2015,
utilizandose do formalismo moderado, como defende a
recorrente, o próprio parecer esclarece que a DCTF pode ser
retificada mesmo após a emissão do despacho decisório
eletrônico, ou ainda pode ter sua retificação objeto de análise
administrativa, abrindo uma única possibilidade quando do
impedimento para tal retificação, diz o Parecer citado : “ a não
retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla
em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº
1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em
PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por
outros meios”, o que obriga a recorrente a carrear aos autos
todos os elementos que se façam necessários para a
demonstração do seu direito ao reconhecimento dos créditos da
não cumulatividade oriundos de aquisições no mercado interno,
como já dito, por meio de documentos fiscais, notas fiscais de
aquisição, demonstração da apuração dos créditos e sua devida
conciliação na sua escrita contábil e fiscal, o que definitivamente
não foi apresentado pela recorrente.
26. Por fim, quanto ao pedido subsidiário de '
realização de diligência fiscal para o levantamento e constatação
in concreto de todo o conjunto de elementos fático jurídicos que
dão suporte aos procedimentos realizados, levandose em
consideração a realidade fática efetivamente vivenciada e
devidamente comprovada.” , este mostrase completamente
descabido, pois caberia á recorrente, que alega possuir o direito,
carrear aos autos os elementos de prova, uma vez que confessou
em Declaração de Compensação que os possuía, o que nos leva
a concluir que a recorrente possuía, á época da transmissão da
DCOMP, todos os elementos de prova já citados. O que propõe
a recorrente, é que a Fiscalização da Secretaria da Receita
Fl. 196DF CARF MF
Processo nº 10880.662838/201229
Acórdão n.º 3301006.000
S3C3T1
Fl. 10
9
Federal atue como sua consultoria contábil para localizar,
apurar e demonstrar os seus créditos da não cumulatividade.
27. Por todo o exposto, indefiro o pedido de
diligência, por concordar com o julgador da DRJ, de que tal
procedimento se mostra desnecessário, sendo suficientes os
elementos trazidos aos autos pela recorrente para formar o
convencimento deste relator.
Conclusão
28. Por todo o exposto, voto por NEGAR
PROVIMENTO ao recurso voluntário apresentado, não
reconhecendo o direito creditório por não ter a recorrente
retificado a DCTF, não ter retificado o documento DARF e não
ter apresentado elementos comprobatórios suficientes para que
se possa aferir o seu direito aos créditos da não cumulatividade
pleiteados. "
Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica
encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá
esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado.
Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da
sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por
negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira
Fl. 197DF CARF MF
score :
1.0
7733204
#
Numero do processo: 10840.904915/2011-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Ano-calendário: 2006
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO MATERIAL. OMISSÃO.
Verificada contradição ou omissão no acórdão embargado, cumpre acolher os embargos, sem efeitos infringentes.
Numero da decisão: 3301-005.862
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos, sem efeitos infringentes e corrigir a parte dispositiva para negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira Presidente
(assinado digitalmente)
Liziane Angelotti Meira
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D' Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Júnior, Marco Antônio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: LIZIANE ANGELOTTI MEIRA
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos, sem efeitos infringentes e corrigir a parte dispositiva para negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira Presidente
(assinado digitalmente)
Liziane Angelotti Meira
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D' Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Júnior, Marco Antônio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
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S3C3T1
Fl. 391
1
390
S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA
CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS
TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO
Processo nº 10840.904915/201119
Recurso nº Embargos
Acórdão nº 3301005.862 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária
Sessão de 26 de março de 2019
Matéria AUTO DE INFRACAO IPI
Embargante EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA
Interessado FAZENDA NACIONAL
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI
Anocalendário: 2006
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO MATERIAL.
OMISSÃO.
Verificada contradição ou omissão no acórdão embargado, cumpre acolher os
embargos, sem efeitos infringentes.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os
embargos, sem efeitos infringentes e corrigir a parte dispositiva para negar provimento ao recurso
voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira Presidente
(assinado digitalmente)
Liziane Angelotti Meira
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Liziane
Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D' Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido
Brandão Júnior, Marco Antônio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e
Winderley Morais Pereira (Presidente).
Relatório
AC
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O
10
84
0.
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15
/2
01
1-
19
Fl. 391DF CARF MF
Processo nº 10840.904915/201119
Acórdão n.º 3301005.862
S3C3T1
Fl. 392
2
Por bem descrever os fatos, adoto o relatório constante do despacho de
embargos:
Tratase de embargos de declaração manejados em tempo hábil
pelo contribuinte, em face do Acórdão proferido por este
colegiado, sob os pressupostos regimentais da obscuridade e da
omissão.
Segundo a embargante, houve obscuridade no Acórdão porque
enquanto a conclusão da relatora foi no sentido de negar
provimento ao recurso, na folha de rosto do Acórdão constou que
o recurso não fora conhecido pelo colegiado.
Segundo a embargante, houve omissão na fundamentação do
voto da relatora, uma vez que existindo decisão judicial
transitada em julgado, deixou de constar o motivo pelo qual esta
não prevaleceu no caso concreto.
A decisão embargada teve a seguinte ementa:
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS
INDUSTRIALIZADOS IPI
Anocalendário: 2006
RESSARCIMENTO. PENDÊNCIA JUDICIAL.
É vedado o ressarcimento à pessoa jurídica com processo judicial
em que a decisão definitiva a ser proferida pelo Poder Judiciário
possa alterar o valor do ressarcimento solicitado.
RESSARCIMENTO. SALDO CREDOR.
Tendo o saldo credor de IPI do trimestre sido reduzido em
decorrência de procedimento fiscal, é este (novo) saldo que deve
ser usado para a compensação dos débitos apresentados em
Dcomp.
Recurso Voluntário Negado
Os embargos de declaração foram aceitos para "quanto à obscuridade aferida
entre a conclusão da relatora e o resultado consignado na folha de rosto" e foram rejeitados nos
demais aspectos.
Voto
Conselheira Liziane Angelotti Meira
O contribuinte apresentou embargos de declaração os quais foram admitidos
em relação à obscuridade aferida entre a conclusão da relatora e o resultado consignado na folha de
rosto.
Afirma, a Embargante, que o Acórdão em pauta contém obscuridades cujos
esclarecimentos são essências ao correto desfecho do processo e conclui:
Fl. 392DF CARF MF
Processo nº 10840.904915/201119
Acórdão n.º 3301005.862
S3C3T1
Fl. 393
3
A razão assiste à Recorrente. Realmente houve um erro entre o relatório, a
votação e o resultado consignado.
Transcrevo integralmente o voto da decisão embargada:
O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais
pressupostos legais de admissibilidade e deve ser conhecido.
Quanto ao pedido de de julgamento simultâneo do processo no
0611000/639/11 (na verdade, este é o número do Mandado de
Procedimento Fiscal), cumpre anotar que os processos conexos
estão sendo julgamos neste mesma sessão, a saber:
13603.724419/201174 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA
10840.904913/201120 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA
10840.904915/201119 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA
10840.904916/201163 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA
10840.904917/201116 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA
10840.904918/201152 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA
10840.904919/201105 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA
10840.904920/201121 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA
10840.904921/201176 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA
10840.904922/201111 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA
10840.904923/201165 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA
10840.904924/201118 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA
10840.904925/201154 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA
10840.904926/201107 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA
10840.904927/201143 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA
10840.904928/201198 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA
10840.904929/201132 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA
10840.904930/201167 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA
Fl. 393DF CARF MF
Processo nº 10840.904915/201119
Acórdão n.º 3301005.862
S3C3T1
Fl. 394
4
A Recorrente alegou que o fato de possuir tutela antecipada na
Ação Ordinária n° 2003.61.00.0295233 lhe garante o não
destaque do IPI nas notas fiscais, a não escrituração destes
valores no livro de apuração de IPI e o conseqüente saldo credor
nele apurado para ressarcimento, ou seja, que tem o direito
líquido e certo ao ressarcimento em discussão.
Defende, nesse sentido, inaplicabilidade do art. 20 da IN RFB no
600/2005, e o seu direito de destacar o IPI em suas notas fiscais
de saída, em decorrência da ação judicial.
Cabe, contudo, colacionar o art. 20 da IN mencionada (que
regulava a matéria na época):
Art. 20. É vedado o ressarcimento a estabelecimento
pertencente a pessoa jurídica com processo judicial ou com
processo administrativo fiscal de determinação e exigência de
crédito do IPI cuja decisão definitiva, judicial ou
administrativa, possa alterar o valor a ser ressarcido.
Parágrafo único. Ao requerer o ressarcimento, o representante
legal da pessoa jurídica deverá prestar declaração, sob as penas
da lei, de que a pessoa jurídica não se encontra na situação
mencionada no caput.
Importante também transcrever o artigo que exige, mesmo para o
caso de decisão judicial definitiva, a habilitação do crédito:
Art. 51. Na hipótese de crédito reconhecido por decisão judicial
transitada em julgado, a Declaração de Compensação, o Pedido
Eletrônico de Restituição e o Pedido Eletrônico de
Ressarcimento, gerados a partir do Programa PER/DCOMP,
somente serão recepcionados pela SRF após prévia habilitação
do crédito pela Delegacia da Receita Federal (DRF),
Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária
(Derat) ou Delegacia Especial de Instituições Financeiras (Deinf)
com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo.
§ 1º A habilitação de que trata o caput será obtida mediante
pedido do sujeito passivo, formalizado em processo
administrativo instruído com:
I o formulário Pedido de Habilitação de Crédito Reconhecido
por Decisão Judicial Transitada em Julgado, constante do Anexo
V desta Instrução Normativa, devidamente preenchido;
II a certidão de inteiro teor do processo expedida pela Justiça
Federal;
III a cópia do contrato social ou do estatuto da pessoa jurídica
acompanhada, conforme o caso, da última alteração contratual
em que houve mudança da administração ou da ata da assembléia
que elegeu a diretoria;
IV cópia dos atos correspondentes aos eventos de cisão,
incorporação ou fusão, se for o caso;
Fl. 394DF CARF MF
Processo nº 10840.904915/201119
Acórdão n.º 3301005.862
S3C3T1
Fl. 395
5
V a cópia do documento comprobatório da representação legal
e do documento de identidade do representante, na hipótese de
pedido de habilitação do crédito formulado por representante
legal do sujeito passivo; e
VI a procuração conferida por instrumento público ou particular
e cópia do documento de identidade do outorgado, na hipótese de
pedido de habilitação formulado por mandatário do sujeito
passivo.
§ 2º O pedido de habilitação do crédito será deferido pelo titular
da DRF, Derat ou Deinf, mediante a confirmação de que:
I o sujeito passivo figura no pólo ativo da ação;
II a ação tem por objeto o reconhecimento de crédito relativo a
tributo ou contribuição administrados pela SRF;
III houve reconhecimento do crédito por decisão judicial
transitada em julgado;
IV foi formalizado no prazo de 5 anos da data do trânsito em
julgado da decisão; e
V na hipótese de ação de repetição de indébito, houve a
homologação pelo Poder Judiciário da desistência da execução
do título judicial ou a comprovação da renúncia à sua execução,
bem assim a assunção de todas as custas e os honorários
advocatícios referentes ao processo de execução.
§ 3º Constatada irregularidade ou insuficiência de informações
nos documentos a que se referem os incisos I a V do § 1º, o
requerente será intimado a regularizar as pendências no prazo de
30 (trinta) dias, contado da data de ciência da intimação.
§ 4º No prazo de 30 (trinta) dias, contado da data da
protocolização do pedido ou da regularização de pendências de
que trata o § 3º, será proferido despacho decisório sobre o pedido
de habilitação do crédito.
§ 5º Será indeferido o pedido de habilitação do crédito nas
seguintes hipóteses:
I não forem atendidos os requisitos constantes nos incisos I a V
do § 2º; ou
II as pendências a que se refere o § 3º não forem regularizadas
no prazo nele previsto.
§ 6º O deferimento do pedido de habilitação do crédito não
implica homologação da compensação ou o deferimento do
pedido de restituição ou de ressarcimento.
Seguimos o entendimento da decisão recorrida de não há
qualquer direito ao ressarcimento deferido pela sentença judicial
não definitiva.
Fl. 395DF CARF MF
Processo nº 10840.904915/201119
Acórdão n.º 3301005.862
S3C3T1
Fl. 396
6
De acordo com o art. 170A do CTN, é defeso efetuar
compensações de débitos mediante aproveitamento de tributo
objeto de contestação judicial em trâmite, ou seja, ainda não
julgado definitivamente. Ou seja, só há crédito oponível à
Fazenda Pública com o desfecho em definitivo favorável ao
particular da demanda judicial.
Conforme se destacou na decisão recorrida, o direito pretendido
com a ação judicial somente será liquido e certo quando a
sentença, se favorável ao contribuinte, transitar em julgado e
operar seus efeitos. No entanto, este direito, não respaldava o
ressarcimento, que era expressamente vedado pelo art. 20 da IN
SRF nº 600, de 2005 (disposição idêntica encontrase vigente no
art. 42 da IN RFB nº 1717, de 2017).
Dessa forma, adotase o entendimento da decisão recorrida de
que somente é permitido o ressarcimento do imposto após a
utilização dos créditos de IPI escriturados pelo contribuinte na
dedução, em sua escrita fiscal, dos débitos de IPI decorrentes das
saídas de produtos tributados, além de ser vedado o
ressarcimento a estabelecimento pertencente a pessoa jurídica
com processo judicial ou com processo administrativo fiscal de
determinação e exigência de crédito do IPI cuja decisão
definitiva, judicial ou administrativa, possa alterar o valor a ser
ressarcido.
Portanto, a matéria discutida na ação judicial altera o valor do
saldo de IPI apurado nos trimestres em referência e,
consequentemente, correto o procedimento do Fisco que refez a
escrita fiscal, incluindo os débitos discutidos judicialmente, para
calcular o real saldo (devedor/credor) dos trimestres analisados.
Por outro lado, mesmo que se concordasse com a Recorrente,
contrariamente a determinação expressa da legislação, que ela
poderia utilizar créditos com fulcro em decisão judicial não
transitada em julgado, ela estaria sujeita à habilitação do seu
crédito, o que não efetuou. O cumprimento dessa obrigação
acessória é imprescindível para que o Fisco tenha conhecimento
e controle deste crédito e é condição para o exercício do direito
de creditamento. Portanto, ainda que se adotasse este
entendimento, defendido pela Recorrente o qual não adotamos
deveria ser mantida a glosa por falta de habilitação do crédito.
Dessarte, mantémse, por seus próprios fundamentos, o
entendimento constante da decisão recorrida.
Quanto à informação juntada pela Recorrente de que houve
trânsito em julgado em seu favor na Ação Anulatória no
0029523662003.4.03.6100, não há efeito direto sobre o presente
processo administrativo. Não se pode tratar aqui do mérito
levado ao Judiciário, pois, conforme a Súmula nº 1 do CARF,
importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo
sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade
processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o
mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas
Fl. 396DF CARF MF
Processo nº 10840.904915/201119
Acórdão n.º 3301005.862
S3C3T1
Fl. 397
7
a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de
matéria distinta da constante do processo judicial.
Diante do exposto, proponho manter integralmente a decisão
recorrida e voto por negar provimento ao Recurso Voluntário.
Tendo em consideração o voto transcrito, proponho que seja alterado o
resultado do julgamento para o seguinte:
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que
integram o presente julgado.
Dessarte, voto no sentido de acolher os embargos, sem efeitos infringentes e
corrigir a parte dispositiva para negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Liziane Angelotti Meira
Fl. 397DF CARF MF
score :
1.0