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Numero do processo: 18470.724519/2013-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Mar 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2012
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVO. É definitiva a decisão de primeira instância quando não interposto recurso voluntário no prazo legal. Não se toma conhecimento de recurso intempestivo.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2402-005.608
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
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INTEMPESTIVO. É definitiva a decisão de primeira instância quando não interposto recurso voluntário no prazo legal. Não se toma conhecimento de recurso intempestivo. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 0. 72 45 19 /2 01 3- 39 Fl. 305DF CARF MF 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro – DRJ/RJO, que julgou parcialmente procedente Notificação de Lançamento relativa Imposto de Renda das Pessoas Físicas (IRPF), fls. 23/30, ano calendário 2011 / exercício 2012, a qual resultou em imposto suplementar no valor de R$ 27.803,09 (vinte e sete mil, oitocentos e três reais e nove centavos). De acordo com a Notificação de Lançamento, o crédito foi constituído em virtude de i) omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica, R$16.516,20 (dezesseis mil, quinhentos e dezesseis reais e vinte centavos); ii) dedução indevida de dependentes no valor de R$ 1.889,64 (um mil, oitocentos e oitenta e nove reais e sessenta e quatro centavos) e; iii) dedução indevida de despesas médicas no valor de R$ 97.054,90 (noventa e sete mil, cinquenta e quatro reais e noventa centavos). Mediante procedimento de revisão, a Delegacia da Receita Federal do Brasil no Rio de Janeiro II, retificou o lançamento, conforme Termo Circunstanciado/Despacho Decisório de fls. 188/193, procedendo às seguintes alterações: a) omissão de rendimentos e dedução indevida de dependentes: as infrações foram excluídas; b) despesas médicas, a glosa foi parcialmente mantida no valor de R$ 24.730,00, resultante da diferença entre os valores declarados (total de R$ 97.054,90) e os valores comprovados (R$ 72.324,90). Após retificação do lançamento, o Recorrente apresentou impugnação (fls. 198/200), cujas alegações se reproduz do Acórdão nº 1273.715, da 21ª Turma da DRJ/RJO (fls 269/274): Mônica Canhaço Filhote: R$ 21.600,00, sendo R$ 10.800,00 em nome do declarante e R$ 10.800,00 em nome da dependente; Danielle Araújo Souza: R$ 400,00 em nome da dependente, sendo que R$ 200,00 corresponde ao OE e R$ 200,00 ao OD; Leandro Bianchini Antonio: R$ 26.400,00, sendo R$ 13.200,00 em nome do declarante e R$ 13.200,00 em nome da dependente; Carlos Fernando Ferreira: R$ 180,00 em nome do declarante; Unita Medicina Especializada Ltda: R$ 350,00 em nome da dependente. A DRJ/RJO julgou a impugnação parcialmente procedente, restabelecendo a dedução a dedução de despesas médicas em conformidade com o quadro abaixo: Prestadores Glosa mantida na revisão Acatado no julgamento Observação fl. Carlos Fernando Ferreira R$ 180,00 R$ Recibo não possui endereço prestador 260 Danielle Araújo Souza R$ 200,00 R$ Instrumentação Cirúrgica. Sem previsão legal. 234/235 Unita Medicina Especializada Ltda R$ 350,00 R$ Nota Fiscal relativa a outro ano calendário 261 Leandro Bianchini R$ 13.200,00 R$ 13.200,00 Recibos preenchem os requisitos 236/259 Fl. 306DF CARF MF Processo nº 18470.724519/201339 Acórdão n.º 2402005.608 S2C4T2 Fl. 306 3 Antonio legais Monica Canhaço Filhote Guimarães R$ 10.800,00 R$ Recibos não trazem endereço prestador 210/233 R$ 24.730,00 R$ 13.200,00 Por ocasião do recurso voluntário (fls. 296/306), o contribuinte apresenta os seguintes argumentos em relação às glosas com despesas médicas mantidas: a) os recibos apresentados totalizam R$ 21.600,00, sendo R$ 10.800,00 em nome do Recorrente e R$ 10.800,00 em nome de sua dependente; b) a glosa não detalha quais os recibos não foram acatados, se do sujeito passivo ou da dependente, já que os documentos são de igual teor; c) para a efetiva comprovação dos serviços, foi juntada cópia de declaração assinada pela prestadora, atestando os serviços. Requer, por fim, que a decisão recorrida seja declarada insubsistente e improcedente. É o relatório. Fl. 307DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho Relator Quanto à tempestividade do recurso voluntário interposto, verificase que não houve cumprimento de tal requisito de admissibilidade. O Recorrente foi intimado da decisão de primeira instância em 29/3/2015, mediante correspondência postal acompanhada de Aviso de Recebimento (AR), conforme documento dos Correios juntado aos autos (fl. 275). Por sua vez, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário apresentando as alegações relatadas acima, e não se manifestou a respeito da tempestividade. Em decorrência dos elementos fáticos constantes nos autos, verificase que o recurso voluntário foi interposto em 10/7/2015, conforme verificase do exame do carimbo da Delegacia da Receita Federal do Brasil no Rio de Janeiro II aposto na primeira folha do referido apelo (fl. 292) e do Termo de Solicitação de Juntada de fl. 295. De acordo com o parágrafo único art. 5º do Decreto nº 70.235, de 1972 – diploma que trata do contencioso administrativo fiscal no âmbito federal – os prazos para a interposição de recurso voluntário iniciamse e vencem em dia de expediente normal e são contados de forma contínua, excluindose da contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Vejamos Art. 5º. Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Salientase que a tempestividade do recurso voluntário é aferida pela data do protocolo junto ao órgão preparador do processo (circunscrição do domicílio fiscal da Recorrente). Em outras palavras, o que importa, para verificar a tempestividade do recurso, é que ele tenha sido apresentado ao protocolo dentro do prazo legalmente previsto, nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/1972, transcrito abaixo: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos 30 (trinta) dias seguintes à ciência da decisão.(g.n.) Na espécie, o Recorrente teve ciência da decisão de primeira instância em 29/3/2015 (terçafeira). Assim, levandose em consideração que os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão, nos exatos termos do parágrafo único do art. 5º do Decreto 70.235/1972, o prazo para interposição de recurso teve início em 30/3/2015 (quartafeira). O trigésimo dia ocorreu em 28/4/2015 (quintafeira). Entretanto o recurso somente foi apresentado ao Fisco em 10/7/2015 (sextafeira), portanto, fora do prazo recursal. Com o mesmo entendimento, o art. 15 do Decreto 70.235/1972 estabelece que a peça recursal deverá ser apresentada no local do órgão preparador de circunscrição do sujeito passivo. Fl. 308DF CARF MF Processo nº 18470.724519/201339 Acórdão n.º 2402005.608 S2C4T2 Fl. 307 5 Decreto 70.235/1972 (Processo Administrativo Fiscal PAF): Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. (g.n.) O inciso II do art. 23 do Decreto 70.235/1972 exige apenas a prova de que a correspondência seja entregue no endereço do domicílio fiscal do contribuinte e depreendese que esta pode ser recebida por qualquer outra pessoa a quem o senso comum permita atribuir a responsabilidade pela entrega da mesma. Decreto 70.235/1972: Art. 23. Farseá a intimação: (...) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) O domicílio de intimação estava correto, pois ocorreu a intimação por via postal mediante AR enviado para o domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, a saber: Rua Visconde de Pirajá, 315, Apartamento 501, Ipanema, Rio de Janeiro/RJ. Nesse sentido, resta claro que o contribuinte (Recorrente) não verificou o prazo para apresentação do recurso, só vindo a apresentálo após o vencimento legal que seria o dia 28/4/2015 e não o dia 10/7/2015 como fora apresentado. Em face desse quadro fático, impõese afirmar a ocorrência da intempestividade da peça recursal do contribuinte, não devendo prosperar o exame das demais alegações postuladas no recurso de fls. 296/298. CONCLUSÃO: Diante do exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso voluntário em razão da sua intempestividade. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho. Fl. 309DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15586.720643/2013-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 23 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Apr 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2004, 2005, 2006, 2007
EMBARGOS DECLARATÓRIOS. OBSCURIDADE. OMISSÃO. INOCORRÊNCIA. EMBARGOS REJEITADOS.
Não se constatando a ocorrência dos alegados vícios de obscuridade e omissão, os embargos devem ser rejeitados.
Numero da decisão: 1301-002.261
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento aos embargos.
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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OBSCURIDADE. OMISSÃO. INOCORRÊNCIA. EMBARGOS REJEITADOS. Não se constatando a ocorrência dos alegados vícios de obscuridade e omissão, os embargos devem ser rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento aos embargos. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha. Relatório Trata o presente de embargos de declaração (fls. 810/817) opostos pelo contribuinte acima identificado em face do Acórdão nº 1302002.081 (fls. 778/789), de 06/07/2016, prolatado por este Colegiado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 72 06 43 /2 01 3- 30 Fl. 826DF CARF MF Processo nº 15586.720643/201330 Acórdão n.º 1301002.261 S1C3T1 Fl. 827 2 Na oportunidade, a Turma decidiu, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, com a seguinte ementa (apenas no que interessa à presente análise): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2011 LUCRO PRESUMIDO. INDÉBITO TRIBUTÁRIO RECUPERADO. ADIÇÃO À BASE DE CÁLCULO. ÔNUS DA PROVA. Os valores correspondentes a indébito tributário recuperado devem ser adicionados ao lucro presumido, para determinação do imposto de renda devido. Por expressa disposição legal, recai sobre o contribuinte o ônus de provar a ocorrência de alguma das hipóteses capazes de afastar a incidência tributária. [...] INDÉBITO TRIBUTÁRIO. JUROS. INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. Os juros compensatórios, incidentes sobre indébito tributário restituído, incluemse na categoria mais abrangente de juros ativos e, como tais, estão sujeitos à incidência tributária por expressa disposição legal. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2011 [...] DECISÕES DO STJ. REGIME DO ART. 543C DO CPC. DECISÃO NÃO DEFINITIVA. Não tendo as decisões do STJ invocadas pela recorrente transitado em julgado, não se pode falar em decisão definitiva de mérito no regime do art. 543C do CPC, que seriam de aplicação obrigatória pelo Colegiado. [...] Ciente da decisão em 16/08/2016 (AR à fl. 805) e com ela irresignada, a interessada apresentou em 22/08/2016 (carimbo de recepção à fl. 810) os embargos declaratórios ora analisados. Em apertada síntese, duas são as alegações: 1. Obscuridade do julgado no tocante ao exame a preliminar de nulidade do lançamento; Valendose de excerto do voto condutor do acórdão embargado, que transcreve, a interessada sustenta que o julgado, num primeiro momento, teria afirmado que a exigência não estaria calcada em presunção, mas sim em determinação legal que prevê essa hipótese de incidência. A seguir, o mesmo julgado teria afirmado que o lançamento estaria Fl. 827DF CARF MF Processo nº 15586.720643/201330 Acórdão n.º 1301002.261 S1C3T1 Fl. 828 3 amparado em presunção relativa. A seu ver, isso implicaria fundamentos incompatíveis para a decisão, o que seria inadmissível. Esta a obscuridade que pretende ver sanada. 2. Omissão quando do exame da matéria relativa à tributação da taxa SELIC (tratado no item 3.2.3 do recurso voluntário). Sustenta a embargante que o acórdão embargado não teria fundamentado seu posicionamento contrário à tese defendida pela então recorrente, no sentido de que os rendimentos decorrentes da incidência da Taxa Selic, na sua parcela que se refere à correção monetária plena, não compõem a base de cálculo para incidência do IRPJ e da CSLL, conforme jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça no regime de recursos repetitivos (REsp nº 1.143.677/RS). A interessada acrescenta que, embora o acórdão embargado tenha firmado entendimento no sentido da não obrigatoriedade de seguir o posicionamento do STJ, pois o mencionado REsp não teria transitado em julgado, ainda assim deveria ter expressamente declinado o motivo pelo qual decidiu de forma diferente. Não o tendo feito, caracterizada a omissão a ser sanada em sede de embargos. Ao final, a embargante pede o recebimento e acolhimento dos embargos, inclusive com efeitos modificativos. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator A embargante tomou ciência dos acórdãos ora embargados em 16/08/2016, terçafeira (AR à fl. 805). Tendo sido os embargos de fls. 810/817 apresentados em 22/08/2016, segundafeira (carimbo de recepção à fl. 810), tenho que são tempestivos, à luz do prazo de cinco dias estabelecido pelo § 1º do art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 e alterações supervenientes. Ademais, a embargante apontou objetivamente os vícios que pretende ver sanados, atendendo, desta forma, o requisito regimental. Atendidos os demais requisitos processuais, conheço dos embargos e passo a analisálos. 1. Obscuridade do julgado no tocante ao exame a preliminar de nulidade do lançamento O trecho do acórdão embargado que conteria a alegada obscuridade está às fls. 783/784, a seguir transcrito (grifos não constam do original): O texto do art. 53 da Lei nº 9.430/1996, acima transcrito, é claro no sentido de determinar a incidência tributária sobre as verbas de custos e despesas recuperados. O mesmo dispositivo legal ressalva as hipóteses que excepcionam essa incidência, e não deixa dúvidas de que é o contribuinte quem deve comprovar a ocorrência de alguma dessas hipóteses. Não se trata, em absoluto, de presunção Fl. 828DF CARF MF Processo nº 15586.720643/201330 Acórdão n.º 1301002.261 S1C3T1 Fl. 829 4 hominis, mas de determinação legal de incidência, e de inversão do ônus da prova igualmente estabelecida em lei. De fato, a lei presume que os custos e despesas já foram deduzidos da base tributável segundo o regime de competência. Em sendo esses valores recuperados, devem ser adicionados no período em que vier a ocorrer a recuperação. Tal presunção é, por certo, relativa, na medida em que é facultado ao contribuinte comprovar que, no período em que incorridas as despesas, não foram elas deduzidas, ou, ainda, que se refiram a período no qual o contribuinte tenha se submetido ao lucro presumido ou arbitrado. A interessada sustenta que o julgado, num primeiro momento, teria afirmado que a exigência não estaria calcada em presunção, mas sim em determinação legal que prevê essa hipótese de incidência. A seguir, o mesmo julgado teria afirmado que o lançamento estaria amparado em presunção relativa. A seu ver, isso implicaria fundamentos incompatíveis para a decisão, o que seria inadmissível. Verificase que não existe qualquer obscuridade. No máximo, pode haver desconhecimento por parte da embargante do que seria uma presunção hominis, também chamada presunção do homem ou presunção simples, em contraposição a uma presunção legal. Sem a pretensão de aprofundar assunto tão corriqueiro na doutrina, seguem alguns conceitos. A presunção hominis é aquela que se funda na experiência da vida, no fato comum, na associação lógica de causa e efeito, mediante a qual, a partir de um fato conhecido e provado se supõe (presume) a ocorrência de um outro fato, presunção esta calcada na experiência de que, na esmagadora maioria das vezes, é essa a verdade. Tal como afirmado no acórdão embargado e aqui reafirmado, a situação dos autos não cuida de presunção hominis. Contrapondose a essa espécie de presunção, o direito admite a existência de uma presunção estabelecida em lei, no ordenamento positivo, qual seja, a presunção legal. Com essa técnica, o legislador fixa inicialmente como verdadeira determinada situação descrita no ordenamento jurídico, sempre que ocorridas e comprovadas determinadas condições ou fatos também ali especificados. É o que ocorre no caso concreto sob exame, em que o dispositivo legal que estabelece a presunção (não hominis mas sim legal) é o art. 53 da Lei nº 9.430/1996, verbis: Art. 53. Os valores recuperados, correspondentes a custos e despesas, inclusive com perdas no recebimento de créditos, deverão ser adicionados ao lucro presumido ou arbitrado para determinação do imposto de renda, salvo se o contribuinte comprovar não os ter deduzido em período anterior no qual tenha se submetido ao regime de tributação com base no lucro real ou que se refiram a período no qual tenha se submetido ao regime de tributação com base no lucro presumido ou arbitrado. A presunção não é calcada na experiência humana nem nos fatos da vida (presunção hominis), mas no texto do ordenamento jurídico positivado (presunção legal). É nesse sentido que o acórdão embargado afirma que a lei presume que os custos e despesas já foram deduzidos da base tributável segundo o regime de competência. E, tratandose de presunção legal relativa, que admite prova em contrário, o mesmo texto legal faz recair sobre o contribuinte o direito de apresentar essa prova e o ônus de produzila. Fl. 829DF CARF MF Processo nº 15586.720643/201330 Acórdão n.º 1301002.261 S1C3T1 Fl. 830 5 Demonstrada a inexistência de obscuridade, os embargos devem ser rejeitados, neste ponto. 2. Omissão quando do exame da matéria relativa à tributação da taxa SELIC (tratado no item 3.2.3 do recurso voluntário). Sustenta a embargante que o acórdão embargado não teria fundamentado seu posicionamento contrário à tese defendida pela então recorrente, no sentido de que os rendimentos decorrentes da incidência da Taxa Selic, na sua parcela que se refere à correção monetária plena, não compõem a base de cálculo para incidência do IRPJ e da CSLL, conforme jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça no regime de recursos repetitivos (REsp nº 1.143.677/RS). A interessada acrescenta que, embora o acórdão embargado tenha firmado entendimento no sentido da não obrigatoriedade de seguir o posicionamento do STJ, pois o mencionado REsp não teria transitado em julgado, ainda assim deveria ter expressamente declinado o motivo pelo qual decidiu de forma diferente. Não o tendo feito, caracterizada a omissão a ser sanada em sede de embargos. Nada mais distante da realidade dos autos. Observese como a matéria foi tratada pelo acórdão embargado (fls. 785/788): [...] Ora, a classificação dos juros ativos como receitas operacionais, sujeitas à tributação, não é nova, bastando para tanto lembrar os arts. 373 e 521 do RIR/99 (grifos não constam do original): [...] No que se refere à natureza dos juros incidentes sobre o indébito, tenho que possuem natureza compensatória/remuneratória, ou seja, buscam remunerar o titular do direito pelo custo do dinheiro, em compensação pelo tempo em que o tributo indevido permaneceu na posse da Fazenda Nacional. O § único do art. 167 do CTN1 nada diz sobre sua natureza, e os atos normativos expedidos pela SRF e, posteriormente, pela RFB lhe atribuem expressamente natureza compensatória2. Em qualquer caso, não se trata de indenização em sentido estrito, acerca da qual seria possível questionar a incidência tributária. 1 Art. 167. [...] Parágrafo único. A restituição vence juros não capitalizáveis, a partir do trânsito em julgado da decisão definitiva que a determinar. 2 Confirase, por exemplo, o art. 38 da IN SRF nº 210/2002: JUROS COMPENSATÓRIOS Art. 38. As quantias recolhidas ao Tesouro Nacional a título de tributo ou contribuição administrado pela SRF serão restituídas ou compensadas com o acréscimo de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic) para títulos federais, acumulados mensalmente, e de juros de 1% (um por cento) no mês em que a quantia for disponibilizada ou utilizada na compensação de débitos do sujeito passivo, observandose, para o seu cálculo, o seguinte: [...] Fl. 830DF CARF MF Processo nº 15586.720643/201330 Acórdão n.º 1301002.261 S1C3T1 Fl. 831 6 Os juros compensatórios, incidentes sobre indébito tributário restituído, incluemse na categoria mais abrangente de juros ativos e, como tais, estão sujeitos à incidência tributária por expressa disposição legal, e a alegação da recorrente deve ser rejeitada. De toda sorte, registro que essa discussão está próxima de pacificação diante da decisão do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial nº 1.138.695SC3, proferida no regime do art. 543C do CPC. Confirase sua ementa (grifos no original): PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA JURÍDICA IRPJ E DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL. DISCUSSÃO SOBRE A EXCLUSÃO DOS JUROS SELIC INCIDENTES QUANDO DA DEVOLUÇÃO DE VALORES EM DEPÓSITO JUDICIAL FEITO NA FORMA DA LEI N. 9.703/98 E QUANDO DA REPETIÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO NA FORMA DO ART. 167, PARÁGRAFO ÚNICO DO CTN. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada, não estando obrigada a Corte de Origem a emitir juízo de valor expresso a respeito de todas as teses e dispositivos legais invocados pelas partes. 2. Os juros incidentes na devolução dos depósitos judiciais possuem natureza remuneratória e não escapam à tributação pelo IRPJ e pela CSLL, na forma prevista no art. 17, do Decreto lei n. 1.598/77, em cuja redação se espelhou o art. 373, do Decreto n. 3.000/99 RIR/99, e na forma do art. 8º, da Lei n. 8.541/92, como receitas financeiras por excelência. Precedentes da Primeira Turma: AgRg no Ag 1359761/SP, Primeira Turma, Rel. Min. Benedito Gonçalves, DJe 6/9/2011; AgRg no REsp 346.703/RJ, Primeira Turma, Rel. Min. Francisco Falcão, DJ de 02.12.02; REsp 194.989/PR, Primeira Turma, Rel. Min. Humberto Gomes de Barros, DJ de 29.11.99. Precedentes da Segunda Turma: REsp. n. 1.086.875 PR, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, Rel. p/acórdão Min. Castro Meira, julgado em 18.05.2012; REsp 464.570/SP, Segunda Turma, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 29.06.2006; AgRg no REsp 769.483/RJ, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, DJe de 02.06.2008; REsp 514.341/RJ, Segunda Turma, Rel. Min. João Otávio de Noronha, DJ de 31.05.2007; REsp 142.031/RS, Segunda Turma, Rel. Min. Franciulli Netto, DJ de 12.11.01; REsp. n. 395.569/RS, Segunda Turma, Rel. Min. João Otávio de Noronha, DJ de 29.03.06. 3. Quanto aos juros incidentes na repetição do indébito tributário, inobstante a constatação de se tratarem de juros moratórios, se encontram dentro da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, dada a sua natureza de lucros cessantes, compondo o lucro operacional da empresa a teor art. 17, do Decretolei n. 1.598/77, em cuja redação se espelhou o art. 373, do Decreto n. 3 1ª Seção do STJ, Rel. Min. Castro Meira, Data do Acórdão: 22/05/2013; Data da publicação no DJe: 31/05/2013. Fl. 831DF CARF MF Processo nº 15586.720643/201330 Acórdão n.º 1301002.261 S1C3T1 Fl. 832 7 3.000/99 RIR/99, assim como o art. 9º, §2º, do DecretoLei nº 1.381/74 e art. 161, IV do RIR/99, estes últimos explícitos quanto à tributação dos juros de mora em relação às empresas individuais. 4. Por ocasião do julgamento do REsp. n. 1.089.720 RS (Primeira Seção, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 10.10.2012) este Superior Tribunal de Justiça definiu, especificamente quanto aos juros de mora pagos em decorrência de sentenças judiciais, que, muito embora se tratem de verbas indenizatórias, possuem a natureza jurídica de lucros cessantes, consubstanciandose em evidente acréscimo patrimonial previsto no art. 43, II, do CTN (acréscimo patrimonial a título de proventos de qualquer natureza), razão pela qual é legítima sua tributação pelo Imposto de Renda, salvo a existência de norma isentiva específica ou a constatação de que a verba principal a que se referem os juros é verba isenta ou fora do campo de incidência do IR (tese em que o acessório segue o principal). Precedente: EDcl no REsp. nº 1.089.720 RS, Primeira Seção, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 27.02.2013. 5. Conhecida a lição doutrinária de que juros de mora são lucros cessantes: "Quando o pagamento consiste em dinheiro, a estimação do dano emergente da inexecução já se acha previamente estabelecida. Não há que fazer a substituição em dinheiro da prestação devida. Falta avaliar os lucros cessantes. O código os determina pelos juros de mora e pelas custas" (BEVILÁQUA, Clóvis. Código Civil dos Estados Unidos do Brasil Comentado , V. 4, Rio de Janeiro: Livraria Francisco Alves, 1917, p. 221). 6. Recurso especial parcialmente provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C, do CPC, e da Resolução STJ n. 8/2008. Contra esse acórdão foram opostos embargos declaratórios, os quais não conseguiram modificar o teor da decisão. No entanto, ainda se encontra pendente no STJ decisão de embargos de divergência, pelo que o processo ainda não transitou em julgado. Não se trata, pois, de decisão definitiva de mérito, que deva ser reproduzida pelos Conselheiros deste Colegiado, nos termos do § 2º do art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF em vigor (aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 e alterações supervenientes). Não obstante a decisão do STJ acima referida, alega a recorrente que existiria outro julgado, do mesmo Tribunal, o qual teria decidido que “a Taxa Selic decompõese em taxa de inflação e taxa de juros e que apenas a parcela relativa aos juros compõe a base de cálculo para a incidência do IRPJ e da CSLL”. Aqui, trata se do Recurso Especial nº 1.143.677RS, cujo acórdão da Corte Especial do STJ é datado de 02/12/2009 e foi publicado no DJe de 04/02/2010. Ao examinar o Acórdão acima referido, constatase que foi igualmente proferido no regime do art. 543C do CPC, e que também ainda não transitou em julgado, estando o processo “suspenso por Recurso Extraordinário com repercussão geral (TEMA 96)”. Assim, também não obriga os Conselheiros deste Colegiado, visto não se tratar de decisão definitiva de mérito. Fl. 832DF CARF MF Processo nº 15586.720643/201330 Acórdão n.º 1301002.261 S1C3T1 Fl. 833 8 Ademais, examinando o relatório e voto proferidos pelo Relator S. Exa. Ministro Luiz Fux, constatase que o objeto daquele processo é a incidência de correção monetária e juros moratórios entre a data da elaboração da conta de liquidação e o efetivo pagamento de Requisição de Pequeno Valor – RPV. Em apertadíssima síntese, a decisão foi de que não incidem juros, mas sim correção monetária, e que a taxa adequada para essa incidência é o IPCAE. A natureza da Taxa Selic é abordada tão somente de forma incidental, de modo que, quando esse acórdão vier a transitar em julgado, será necessário analisar se essa questão (a natureza da Taxa Selic) foi de fato a tese discutida e decidida em sede de recursos repetitivos. De toda forma, enfatizo que, não havendo ainda o trânsito em julgado, essa hipotética discussão não é pertinente neste processo administrativo. Afasto, assim, a aplicabilidade obrigatória tanto do REsp nº 1.138.695SC quanto do REsp nº 1.173.677RS. Em ambos os casos, ainda não ocorreu decisão definitiva de mérito. Pelo mesmo motivo, descabido o pedido de aplicação do Parecer PGFN/CDA/CRJ nº 396/2013, aprovado pelo Sr. Ministro da Fazenda. Na mesma linha, rejeito o pedido de decomposição dos juros incluídos na base tributável, para fazer incidir somente a parcela correspondente à diferença entre a Taxa Selic e o IPCAE. Como se vê, a questão trazida pela embargante, acerca da não obrigatoriedade de aplicação, pelo Colegiado, do quanto decidido pelo STJ no REsp nº 1.173.677RS é apenas parte da solução dada à lide pelo acórdão embargado. De fato, o voto condutor declinou expressamente os dispositivos legais e regulamentares aplicáveis, que classificam juros ativos (entre os quais se incluem os juros compensatórios sobre indébito tributário restituído, situação sob exame) como receitas operacionais, sujeitas à incidência tributária. Ainda, foi registrada a existência de dois diferentes julgados do STJ, ambos proferidos no regime de recursos repetitivos e nenhum dos dois ainda com trânsito em julgado na data do acórdão embargado (o que faz com que nenhum deles tenha efeito obrigatório para este CARF). Esses dois julgados cuidam de situações diferentes (vide penúltimo parágrafo acima transcrito), sendo certo que, quando transitarem em julgado, será necessária sua análise e interpretação cuidadosa para fins de aplicação em sede administrativa. Para os fins do acórdão embargado, o fundamento adotado pelo Colegiado foi o de que os juros compensatórios se incluem na categoria mais abrangente de juros ativos e, como tais, estão sujeitos à incidência tributária por expressa disposição legal. O fato de serem tais juros calculados mediante a aplicação da taxa SELIC em nada modifica tal entendimento. Inexiste qualquer disposição legal que autorize ou imponha a decomposição da taxa SELIC em taxa de inflação e taxa de juros, tal como pretende a embargante. Não sendo obrigatória a aplicação de decisão do STJ, os fundamentos expostos no acórdão embargado são mais do que suficientes para conduzir, como de fato conduziram, à negativa do pleito da interessada. Demonstrada a inexistência da alegada omissão, os embargos devem ser rejeitados, também aqui. Por todo o exposto, em conclusão, voto por negar provimento aos embargos, ratificando integralmente o quanto decidido pelo Acórdão nº 1301002.081, de 06/07/2016. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 833DF CARF MF Processo nº 15586.720643/201330 Acórdão n.º 1301002.261 S1C3T1 Fl. 834 9 Fl. 834DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.011588/2005-15
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Mar 13 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Apr 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
RECURSO ESPECIAL. NÃO CONHECIDO. FUNDAMENTO INATACADO.
O fundamento inatacado, que é suficiente para a manutenção da decisão recorrida, impede o conhecimento do recurso especial, nos termos das Súmulas nº 126 do STJ e 283 do STF.
RECURSO ESPECIAL. FALTA DE SIMILITUDE FÁTICA.
É negado conhecimento a recurso especial quando as situações descritas em acórdãos paradigmas não revelam similitude com os fatos dos autos.
Numero da decisão: 9101-002.575
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. Votou pelas conclusões o conselheiro Rafael Vidal de Araújo.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Cristiane Silva Costa - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente)
Nome do relator: CRISTIANE SILVA COSTA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2002 RECURSO ESPECIAL. NÃO CONHECIDO. FUNDAMENTO INATACADO. O fundamento inatacado, que é suficiente para a manutenção da decisão recorrida, impede o conhecimento do recurso especial, nos termos das Súmulas nº 126 do STJ e 283 do STF. RECURSO ESPECIAL. FALTA DE SIMILITUDE FÁTICA. É negado conhecimento a recurso especial quando as situações descritas em acórdãos paradigmas não revelam similitude com os fatos dos autos.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1293; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 124 1 123 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10980.011588/200515 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9101002.575 – 1ª Turma Sessão de 13 de março de 2017 Matéria SIMPLES Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado FERWAY FREIOS LTDA ME ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 RECURSO ESPECIAL. NÃO CONHECIDO. FUNDAMENTO INATACADO. O fundamento inatacado, que é suficiente para a manutenção da decisão recorrida, impede o conhecimento do recurso especial, nos termos das Súmulas nº 126 do STJ e 283 do STF. RECURSO ESPECIAL. FALTA DE SIMILITUDE FÁTICA. É negado conhecimento a recurso especial quando as situações descritas em acórdãos paradigmas não revelam similitude com os fatos dos autos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. Votou pelas conclusões o conselheiro Rafael Vidal de Araújo. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente. (Assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 01 15 88 /2 00 5- 15 Fl. 124DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente) Relatório Tratase de processo originado por Ato Declaratório Executivo DRF/OSA nº 126, de 7 de dezembro de 2005, pelo qual a contribuinte foi excluída do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples). Neste ato foi identificada como situação excludente a violação aos incisos XII, "f" e XIII, da Lei nº 9.317/1996, com efeitos produzidos a partir de 01/01/2002, na forma do artigo 15, II, da mesma Lei (fls. 15). Consta de despacho decisório às fls. 13/14: 2. De acordo com a cláusula segunda da sua Primeira Alteração Contratual, arquivada na Jucepar em 2/05/2000 (...) o ramo de atividade da interessada "que era prestação de serviços e assistência técnica em equipamentos e máquinas de transporte rodoferroviários, e representação comercial" passou a ser COMÉRCIO E MANUTENÇÃO DE SISTEMAS DE FREIOS, PEÇAS DE REPOSIÇÃO E ASSISTÊNCIA TÉCNICA. (grifos no original) 3. Todavia, as 4 notas fiscais que emitiu em 10/06/2003, com cópia às fls 8 e 9 do processo vertente, referemse a serviços de manutenção de locomotivas (...). 6. A manutenção de equipamentos ferroviários (locomotivas), inserese entre as atividades que exigem os préstimos de engenheiros técnicos ou assemelhados, com habilitação profissional exigida por lei. (...) 7. Contudo, o caso presente encerra, ainda, outra hipótese de vedação. Qual seja, não pode optar pela sistemática de tributação simplificada em causa, quem, a exemplo da interessada, é fornecedora da força de trabalho de seus operários à supervisão de terceiros, para que estes, sob o manto de tomadores de serviço, sejam, efetivamente, os verdadeiros empregadores dos trabalhadores envolvidos na execução das tarefas contratadas. 8. Em outras palavras, a notas fiscais mencionadas nos precedentes parágrafos 3 e 6 envolvem cessão de pessoal, o que carcteriza as operações a que se referem como relativas à locação de mãodeobra. A contribuinte, assim, apresentou Manifestação de Inconformidade contra a exclusão do Simples (fls. 20/29), que foi rejeitada pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba, conforme acórdão ementado da forma seguinte (42/49): ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 125DF CARF MF Processo nº 10980.011588/200515 Acórdão n.º 9101002.575 CSRFT1 Fl. 125 3 Anocalendário: 2002 INTIMAÇÃO. ENDEREÇO DO PROCURADOR. MATÉRIA DISCIPLINADA NO PAF. FALTA DE PREVISÃO. De acordo com a disciplina instituída no PAF, as intimações devem ser encaminhadas ao endereço do sujeito passivo, sem previsão para o envio de correspondências para o endereço do procurador da empresa. ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2002 EXCLUSÃO DO SIMPLES. SERVIÇO DE MANUTENÇÃO EM VAGÕES, LOCOMOTIVAS E TRENS. EXECUÇÃO DE FORMA ESPECÍFICA. COMPLEXIDADE. EXIGÊNCIA DE QUALIFICAÇÃO TÉCNICA. INCOMPATIBILIDADE COM O SIMPLES. Os serviços de manutenção de freios em vagões, locomotivas, quando prestados de forma específica, de acordo com especificações e necessidades do cliente, envolvendo alguma complexidade, exigem qualificação técnica, tornandoos incompatíveis com o regime privilegiado do Simples. SIMPLES. PROFISSIONAL CONTRATADO À DISPOSIÇÃO DO CONTRATANTE. CESSÃO DE MÃO DE OBRA. ATIVIDADE VEDADA. A prestação de serviços em que o profissional da contratada fica à disposição da contratante, seguindo suas ordens e orientações, caracteriza cessão de mão de obra, que é atividade vedada ao ingresso no Simples. Solicitação indeferida. A contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 53/54), na qual alega que (i) presta serviços de manutenção, inspeção e reparação de locomotivas e vagões, que tais serviços não dependem de qualificação técnica e são executados por mecânicos e metalúrgicos; (ii) não se trata de cessão de mãodeobra; (iii) a atividade não é privativa de engenheiro ou de técnico mecânico; (iv) que a Lei nº 11.052/2004 autorizou que serviços de manutenção e reparação de automóveis, caminhões, ônibus e outros serviços pesados possam permanecer no SIMPLES, conforme artigo 4º, inciso I e §1º. A 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção deste Conselho deu provimento ao recurso voluntário, em acórdão cuja ementa se transcreve a seguir (fls. 56/63): SIMPLES. EXCLUSÃO INDEVIDA. OBJETO SOCIAL SERVIÇOS MECÂNICOS. ÔNUS DA PROVA. A atividade de prestação de serviços mecânicos e manutenção de equipamentos pesados não está vedada à opção pelo SIMPLES. No procedimento de exclusão do regime cabe Administração Tributária provar que a pessoa jurídica exercia atividade vedada Fl. 126DF CARF MF 4 à opção pelo sistema. Não é cabível a exclusão do SIMPLOES (sic) sem a efetiva demonstração do exercício de atividade não permitida. Recurso Voluntário Provido. Destaquese trecho do voto do relator, acolhido à unanimidade pela Turma julgadora: Conforme se depreende dos autos, a administração tributária excluiu a recorrente do SIMPLES, apoiada exclusivamente no contexto das atividades do contrato social desta (fls. 05), onde consta ter sido ela registrada para exercer a atividade de "comércio e manutenção de sistemas de freios, peças de reposição e assistência técnica". Nessas condições, e forçoso afirmar que a simples menção de uma atividade impeditiva, dentre várias, e no caso sequer claramente impeditiva, não é, por si só, motivo de exclusão do Simples. Ainda mais, havendo dúvidas sobre a efetiva possibilidade de equipar a atividade exercida a "serviços de engenharia", caberia à administração tributária colher provas que demonstrassem, inquestionavelmente, que ao menos uma das atividades efetivamente desenvolvidas pela recorrente é vedada ao Simples. (...) Com a devida vênia, ouso discordar do entendimento expresso no acórdão recorrido, pois não existe sequer qualquer evidência que as atividades exercidas pela contribuinte exijam a interferência de engenheiro mecânico, ou que nela se desempenhem atividades de competência primordial de profissionais legalmente habilitados na área de engenharia. Além do mais, não há nos autos qualquer prova efetiva, cujo ônus é do fisco, que imponha o entendimento de que os serviços prestados na oficina da interessada são, no mínimo, de relativa complexidade. (...) Diante disto, de acordo com os precedentes citados, também por força do principio da retroatividade benigna, que teria amparo no art. 106, inciso II, alínea "b", da Lei n° 5.172/66 — Código Tributário Nacional, não poderia vingar a exclusão da recorrente do Simples a partir de 01/01/2002, conforme estabelece o Ato Declaratório Executivo DRF/CTA n° 126, de 07 de dezembro de 2005 (fls. 14). Na esteira destas considerações, tendo como suporte o entendimento de que os serviços prestados pela recorrente não se ajustam, em vista de sua pouca complexidade, as atividades próprias de engenheiro, e por expressamente admitidas no Simples conforme disposições do art. 4° da Lei n° 10.964/2004, posteriormente alterado pela Lei n° 11.051/2004, posteriormente regulamentada pelo Ato Declaratório Executivo n° 8, de 18 de janeiro de 2005, não vejo como manter a exclusão do Simples em relação as atividades exercidas pela recorrente. Em 24/01/2012, a Procuradoria da Fazenda Nacional tomou ciência do acórdão, apresentando recurso especial em 26/01/2012, no qual sustenta divergência jurisprudencial com o entendimento manifestado nos acórdãos paradigmas nº (i) 20212341, no qual consta que "ainda que não esteja exercendo, efetivamente, por estarem relacionados no Fl. 127DF CARF MF Processo nº 10980.011588/200515 Acórdão n.º 9101002.575 CSRFT1 Fl. 126 5 art. 9º, inciso XIII, da Lei nº 9.317/96, constituem impedimento à opção ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples" e (ii) 30239613, no qual se decidiu que: "A exclusão do Simples em razão da presença de atividade vedada no contrato social da empresa pode ser revertida, desde que a empresa comprove que nunca exerceu a atividade vedada". (fls. 67/73) O recurso especial foi admitido, conforme razões a seguir reproduzidas (fls. 97/100): (...) No acórdão recorrido, o relator entendeu que seria indevida a exclusão da contribuinte do Simples sem a efetiva demonstração do exercício de atividade não permitida. A Administração Tributária a teria excluído, apoiada exclusivamente no contexto das atividades de seu contrato social. Já no paradigma, Acórdão nº 20212.341, adotou o entendimento segundo o qual a previsão no objeto social da pessoa jurídica de qualquer das atividades vedadas pela Lei n.° 9.317/96, ainda que a empresa não as esteja exercendo efetivamente, é suficiente para excluíla do Simples. O Acórdão de n° 302 39.613, contrariamente ao acórdão recorrido, conclui que o ônus da prova de que não exerce efetivamente atividade vedada à opção pelo Simples prevista em seu contrato social é do próprio sujeito passivo. Num exame prelibatório, como o de admissibilidade de recurso especial, entendo que foram atendidos os pressupostos capazes de ensejar a subida desse recurso ao exame da Câmara superior de Recursos Fiscais. (...) Em cumprimento ao disposto no art. 18, III, do Anexo II do RICARF, e com base nas razões retro expostas, que aprovo e adoto como fundamentos deste despacho, DOU SEGUIMENTO ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. A contribuinte apresentou contrarrazões ao recurso especial, nas quais sustenta (fls. 109/116); (i) conforme seu contrato social, dedicase a atividades cujo exercício não impede a opção pelo Simples: comércio e manutenção de sistema de freios, peças de reposição e assistência técnica; (ii) questiona a similitude fática do acórdão recorrido com paradigmas, pois o primeiro trata de atividade de publicidade e propaganda e o segundo apenas trata do ônus da prova ao contribuinte para prova de suas atividades, enquanto no presente processo estaria devidamente demonstrada a natureza das atividades da ora Recorrida; (iii) o próprio CARF já teria assentado que a manutenção ou assistência de máquinas não é atividade vedada para ingresso no Simples, conforme Súmula CARF nº 57. Por tais razões requer seja negado provimento ao recurso especial. Fl. 128DF CARF MF 6 Voto Conselheira Cristiane Silva Costa, Relatora O acórdão recorrido deu provimento ao recurso voluntário da ora Recorrida pelas seguintes razões, cujos trechos se colaciona a seguir: (i) "A atividade de prestação de serviços mecânicos e manutenção de equipamentos pesados não está vedada à opção pelo SIMPLES". Nesse sentido, explicita que "não existe sequer qualquer evidência que as atividades exercidas pela contribuinte exijam a interferência de engenheiro mecânico, conforme disposições do art. 4° da Lei n° 10.964/2004, posteriormente alterado pela Lei n° 11.051/2004, posteriormente regulamentada pelo Ato Declaratório Executivo n° 8, de 18 de janeiro de 2005" (trechos do acórdão); (ii) "a simples menção de uma atividade impeditiva, dentre várias, e no caso sequer claramente impeditiva, não é, por si só, motivo de exclusão do Simples"; (iii) "não há nos autos qualquer prova efetiva, cujo ônus é do fisco, que imponha o entendimento de que os serviços prestados na oficina da interessada são, no mínimo, de relativa complexidade"; (iv) a retroatividade benigna (art. 106, II, do CTN) asseguraria a manutenção da contribuinte no Simples Federal. Dentre as razões acima, destacase a primeira delas, que seria isoladamente suficiente para a manutenção da decisão recorrida, sem que a Recorrente tenha apresentado recurso especial a esse respeito. Conforme entendimento da Turma de origem na primeira das razões acima sintetizadas , a atividade da contribuinte não é impeditiva de permanência no Simples, pois não é exercida por engenheiro, ou por profissional que exerça atividade regulamentada, como exige o artigo 9º, XIII, da Lei nº 9.317/1996, para fins de exclusão de pessoa jurídica do Simples Federal. Ainda no primeiro argumento acima citado, o acórdão recorrido identifica como fundamento legal para a manutenção da empresa no Simples, o artigo 4º, da Lei nº 10.964/2004, com redação conferida pela Lei nº11.051/2004, que prevê: Art. 4º Ficam excetuadas da restrição de que trata o inciso XIII do art. 9º da Lei no 9.317, de 5 de dezembro de 1996, as pessoas jurídicas que se dediquem às seguintes atividades: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I – serviços de manutenção e reparação de automóveis, caminhões, ônibus e outros veículos pesados; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (...) § 1o Fica assegurada a permanência no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Fl. 129DF CARF MF Processo nº 10980.011588/200515 Acórdão n.º 9101002.575 CSRFT1 Fl. 127 7 das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES, com efeitos retroativos à data de opção da empresa, das pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo que tenham feito a opção pelo sistema em data anterior à publicação desta Lei, desde que não se enquadrem nas demais hipóteses de vedação previstas na legislação. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) O acórdão recorrido tem apoio, inclusive, em Ato Declatório Executivo da SRF nº 8, de 18 de janeiro de 2005, mencionado na decisão recorrida, que prevê: "Artigo único. Ficam cancelados os Atos Declaratórios Executivos, emitidos pelas unidades descentralizadas da Secretaria da Receita Federal em 2004, para a exclusão do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples) em decorrência, exclusivamente, do disposto no inciso XIII do art. 9º da Lei no 9.317, de 5 de dezembro de 1996, das pessoas jurídicas que exerçam as seguintes atividades: I. serviços de manutenção e reparação de automóveis, caminhões, ônibus e outros veículos pesados." Vejase que o segundo fundamento da decisão recorrida ("a simples menção de uma atividade impeditiva, dentre várias, e no caso sequer claramente impeditiva, não é, por si só, motivo de exclusão do Simples") é insuficiente para a reforma da decisão recorrida, considerando sua subsidiariedade em relação ao primeiro fundamento, acima tratado. Pois bem. O fundamento inatacado e que é suficiente para a manutenção da decisão recorrida impede o conhecimento do recurso especial da Fazenda Nacional. Nesse sentido, são os Enunciados da Súmula do Superior Tribunal de Justiça e Supremo Tribunal Federal: Súmula 283, do STF: É inadmissível o recurso extraordinário, quando a decisão recorrida assenta em mais de um fundamento suficiente e o recurso não abrange todos êles. Súmula 126, do STJ É inadmissível recurso especial, quando o acórdão recorrido assenta em fundamentos constitucional e infraconstitucional, qualquer deles suficiente, por si só, para mantêlo, e a parte vencida não manifesta recurso extraordinário. Até porque o fundamento inatacado do acórdão recorrido não só é suficiente à manutenção daquela decisão, como é o principal fundamento da decisão recorrida. E, portanto, só é possível a reforma do acórdão recorrido se este fundamento tivesse sido tratado em razões de recurso especial, o que não ocorreu no presente caso. Destaco, ainda que a razão de exclusão da Recorrida do Simples Federal não foi unicamente a descrição de atividade supostamente vedada no seu contrato social, o que reforça a impossibilidade de conhecimento do recurso especial. Fl. 130DF CARF MF 8 Na verdade, o que efetivamente ocasionou a exclusão do Simples foi a constatação pelo agente da Receita Federal da emissão de notas fiscais relacionadas ao serviço de manutenção de locomotivas. Destaco trecho do Ato Declaratório Executivo: 2. De acordo com a cláusula segunda da sua Primeira Alteração Contratual, arquivada na Jucepar em 2/05/2000 (...) o ramo de atividade da interessada "que era prestação de serviços e assistência técnica em equipamentos e máquinas de transporte rodoferroviários, e representação comercial" passou a ser COMÉRCIO E MANUTENÇÃO DE SISTEMAS DE FREIOS, PEÇAS DE REPOSIÇÃO E ASSISTÊNCIA TÉCNICA. (grifos no original). 3. Todavia, as 4 notas fiscais que emitiu em 10/06/2003, com cópia às fls 8 e 9 do processo vertente, referemse a serviços de manutenção de locomotivas (...). 6. A manutenção de equipamentos ferroviários (locomotivas), inserese entre as atividades que exigem os préstimos de engenheiros técnicos ou assemelhados, com habilitação profissional exigida por lei. (...) Portanto, por estas razões já não conheço do recurso especial. Mas não é só. Passo a tratar da similitude fática entre o acórdão recorrido e os paradigmas. Enquanto o acórdão paradigma tem inúmeros fundamentos inclusive um dos quais muito mais relevante que o apontado em razões de recurso especial e analisa situação em que a contribuinte foi excluída do Simples por efetivamente exercer atividade que a Receita Federal entendeu seria impeditiva de permanência no Simples Federal; no primeiro acórdão paradigma (20212.341) atribuise relevância apenas à menção de atividade vedada no contrato social da contribuinte. Com efeito, consta do primeiro acórdão paradigma (20212.341, processo nº 10855.000849/9907): "o que deve preponderar no caso não é o efetivo exercício da atividade da pessoa jurídica, mas sim, sua capacidade, demonstrada em seu objeto social, de prestar um dos serviços elencados na norma restritiva." Inexiste, portanto, similitude fática que pudesse justificar a divergência com relação a este acórdão, razão pela qual não conheço da divergência relativamente a este primeiro acórdão paradigma (20212.341). O segundo acórdão paradigma (30239613, processo nº 13899.002183/2003 33) trata do ônus da prova a respeito do efetivo exercício de atividade vedada, na hipótese do contrato social prever a possibilidade de sua execução. Destaco trechos deste segundo paradigma: "A exclusão do Simples em razão da presença de atividade vedada no contrato social da empresa pode ser revertida, desde que a empresa comprove que nunca exerceu a atividade vedada". A Lei veda a opção pelo Sistema para as empresas que prestem serviços profissionais de, ao passo que a exclusão se deu pelo fato de constar no contrato social da empresa declaração que revela a intenção de prestar serviços de. (...) Fl. 131DF CARF MF Processo nº 10980.011588/200515 Acórdão n.º 9101002.575 CSRFT1 Fl. 128 9 A condição para opção pelo Simples de empresa que indique atividade social vedada em seu contrato social é a de nunca exercer tal atividade e, uma vez intimada, fazer prova de que, efetivamente, não a exerce. No presente caso, há notas fiscais que não fazem prova de que os serviços prestados não são de produção, pois os eles estão descritos simplesmente como serviços prestados. Por outro lado, há fortes indícios de que o contribuinte tenha prestado serviços de produção, como indica a nota fiscal 228 de 2002. Somase a isso o fato de que a não apresentação das notas fiscais não localizadas exclui a possibilidade de que o contribuinte faça prova de que nunca exerceu as atividades vedadas presentes no seu contrato social. (...) Não tendo o contribuinte comprovado a inocorrência da situação excludente, considerase como definitiva a exclusão a partir da data indicada no Ato Declaratório Executivo n° 466.895/03, qual seja, 01/01/2002. Novamente lembro que o fundamento principal do acórdão recorrido foi a inexistência de vedação à opção da contribuinte pelo Simples Federal, eis que o exercício de suas atividades independem da participação de engenheiros. Assim, não há como vislumbrar similitude fática com o acórdão paradigma. Vale ponderar que é inconteste nos autos que a atividade da Recorrida é a manutenção de locomotivas, tanto assim que a contribuinte Recorrida confirma em seu recurso voluntário que exerce atividade de manutenção de locomotivas e que esta atividade não é, necessariamente, exercida por engenheiros. Diante disso, não há como conhecer do recurso especial da Fazenda Nacional também quanto a este segundo paradigma (30239613). Por tais razões, voto por não conhecer do recurso especial da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Fl. 132DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13864.720232/2013-92
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Mar 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2009 a 30/04/2010
IPI. VALOR DESTACADO NAS NOTAS FISCAIS DE SAÍDA. FALTA OU ESCRITURAÇÃO A MENOR NOS LIVROS FISCAIS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE.
É cabível o lançamento de ofício do valor do IPI destacado na nota fiscal de saída não registrado, total ou parcialmente, no livro de registro de saídas ou, embora registrada no livro de registro de saídas, não registra no livro de apuração do IPI.
CRÉDITOS BÁSICO. INEXISTÊNCIA DE NOTAS FISCAIS DE ENTRADA OU OPERAÇÕES SEM DIREITO A CRÉDITO. GLOSA DOS CRÉDITOS ESCRITURADOS. POSSIBILIDADE.
É legítima a glosa de créditos básicos do IPI escriturados no livro registro de entradas, sem suporte em notas ficais de compra e relativos a operações de retorno de insumos e de prestação de serviços, que não asseguram o direito a crédito do imposto.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2009 a 30/04/2010
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. COMPROVADA A SONEGAÇÃO FISCAL. APLICAÇÃO DO PERCENTUAL DUPLICADO. POSSIBILIDADE.
É devida a aplicação da multa de ofício qualificada de 150% (cento e cinquenta por cento) se comprovada a prática de sonegação fiscal mediante ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal.
JUROS MORATÓRIOS. DÉBITOS TRIBUTÁRIOS. COBRANÇA COM BASE NA VARIAÇÃO DA TAXA SELIC. POSSIBILIDADE.
Após o vencimento, os débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) devem ser acrescidos dos juros moratórios, calculados com base na variação da Taxa Selic (Súmula Carf nº 4).
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2009 a 30/04/2010
DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU. CERCEAMENTO DO DIREITO DEFESA NÃO CONFIGURADADE. NULIDADE DA DECISÃO. IMPOSSIBILIDADE.
Não é passível de nulidade, por cerceamento ao direito de defesa, a decisão do órgão de julgamento de primeiro grau que se pronuncia de forma clara e suficiente sobre todas as razões de defesa suscitadas na peça impugnatória, cuja decisão revela-se apresenta-se congruente e devidamente fundamentada.
AUTO DE INFRAÇÃO. ADEQUADA CAPITULAÇÃO LEGAL E DESCRIÇÃO DOS FATOS. NULIDADE POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. IMPOSSIBILIDADE.
1. Não é passível de nulidade, por cerceamento do direito de defesa, o auto de infração que atende todos os requisitos materiais e formais, incluindo correta capitulação legal da infração e adequada descrição dos fatos.
2. Além disso, se o contribuinte revela conhecer plenamente as infrações que lhe foram imputadas, rebatendo-as, uma a uma, de forma meticulosa, mediante extensa e substanciosa impugnação, abrangendo não só as questões preliminares como também as de mérito, certamente, não tem cabimento a proposição nulidade da autuação por cerceamento do direito de defesa e ofensa aos princípios do contraditório e do amplo direito de defesa.
LEI TRIBUTÁRIA VIGENTE. AFASTAMENTO PELO CARF. IMPOSSIBILIDADE.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-003.610
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Hélcio Lafetá Reis, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2009 a 30/04/2010 IPI. VALOR DESTACADO NAS NOTAS FISCAIS DE SAÍDA. FALTA OU ESCRITURAÇÃO A MENOR NOS LIVROS FISCAIS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. É cabível o lançamento de ofício do valor do IPI destacado na nota fiscal de saída não registrado, total ou parcialmente, no livro de registro de saídas ou, embora registrada no livro de registro de saídas, não registra no livro de apuração do IPI. CRÉDITOS BÁSICO. INEXISTÊNCIA DE NOTAS FISCAIS DE ENTRADA OU OPERAÇÕES SEM DIREITO A CRÉDITO. GLOSA DOS CRÉDITOS ESCRITURADOS. POSSIBILIDADE. É legítima a glosa de créditos básicos do IPI escriturados no livro registro de entradas, sem suporte em notas ficais de compra e relativos a operações de retorno de insumos e de prestação de serviços, que não asseguram o direito a crédito do imposto. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2009 a 30/04/2010 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. COMPROVADA A SONEGAÇÃO FISCAL. APLICAÇÃO DO PERCENTUAL DUPLICADO. POSSIBILIDADE. É devida a aplicação da multa de ofício qualificada de 150% (cento e cinquenta por cento) se comprovada a prática de sonegação fiscal mediante ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal. JUROS MORATÓRIOS. DÉBITOS TRIBUTÁRIOS. COBRANÇA COM BASE NA VARIAÇÃO DA TAXA SELIC. POSSIBILIDADE. Após o vencimento, os débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) devem ser acrescidos dos juros moratórios, calculados com base na variação da Taxa Selic (Súmula Carf nº 4). Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2009 a 30/04/2010 DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU. CERCEAMENTO DO DIREITO DEFESA NÃO CONFIGURADADE. NULIDADE DA DECISÃO. IMPOSSIBILIDADE. Não é passível de nulidade, por cerceamento ao direito de defesa, a decisão do órgão de julgamento de primeiro grau que se pronuncia de forma clara e suficiente sobre todas as razões de defesa suscitadas na peça impugnatória, cuja decisão revela-se apresenta-se congruente e devidamente fundamentada. AUTO DE INFRAÇÃO. ADEQUADA CAPITULAÇÃO LEGAL E DESCRIÇÃO DOS FATOS. NULIDADE POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. IMPOSSIBILIDADE. 1. Não é passível de nulidade, por cerceamento do direito de defesa, o auto de infração que atende todos os requisitos materiais e formais, incluindo correta capitulação legal da infração e adequada descrição dos fatos. 2. Além disso, se o contribuinte revela conhecer plenamente as infrações que lhe foram imputadas, rebatendo-as, uma a uma, de forma meticulosa, mediante extensa e substanciosa impugnação, abrangendo não só as questões preliminares como também as de mérito, certamente, não tem cabimento a proposição nulidade da autuação por cerceamento do direito de defesa e ofensa aos princípios do contraditório e do amplo direito de defesa. LEI TRIBUTÁRIA VIGENTE. AFASTAMENTO PELO CARF. IMPOSSIBILIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento - Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Hélcio Lafetá Reis, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2009 a 30/04/2010 IPI. VALOR DESTACADO NAS NOTAS FISCAIS DE SAÍDA. FALTA OU ESCRITURAÇÃO A MENOR NOS LIVROS FISCAIS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. É cabível o lançamento de ofício do valor do IPI destacado na nota fiscal de saída não registrado, total ou parcialmente, no livro de registro de saídas ou, embora registrada no livro de registro de saídas, não registra no livro de apuração do IPI. CRÉDITOS BÁSICO. INEXISTÊNCIA DE NOTAS FISCAIS DE ENTRADA OU OPERAÇÕES SEM DIREITO A CRÉDITO. GLOSA DOS CRÉDITOS ESCRITURADOS. POSSIBILIDADE. É legítima a glosa de créditos básicos do IPI escriturados no livro registro de entradas, sem suporte em notas ficais de compra e relativos a operações de retorno de insumos e de prestação de serviços, que não asseguram o direito a crédito do imposto. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2009 a 30/04/2010 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. COMPROVADA A SONEGAÇÃO FISCAL. APLICAÇÃO DO PERCENTUAL DUPLICADO. POSSIBILIDADE. É devida a aplicação da multa de ofício qualificada de 150% (cento e cinquenta por cento) se comprovada a prática de sonegação fiscal mediante ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal. JUROS MORATÓRIOS. DÉBITOS TRIBUTÁRIOS. COBRANÇA COM BASE NA VARIAÇÃO DA TAXA SELIC. POSSIBILIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 86 4. 72 02 32 /2 01 3- 92 Fl. 1811DF CARF MF 2 Após o vencimento, os débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) devem ser acrescidos dos juros moratórios, calculados com base na variação da Taxa Selic (Súmula Carf nº 4). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2009 a 30/04/2010 DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU. CERCEAMENTO DO DIREITO DEFESA NÃO CONFIGURADADE. NULIDADE DA DECISÃO. IMPOSSIBILIDADE. Não é passível de nulidade, por cerceamento ao direito de defesa, a decisão do órgão de julgamento de primeiro grau que se pronuncia de forma clara e suficiente sobre todas as razões de defesa suscitadas na peça impugnatória, cuja decisão revelase apresentase congruente e devidamente fundamentada. AUTO DE INFRAÇÃO. ADEQUADA CAPITULAÇÃO LEGAL E DESCRIÇÃO DOS FATOS. NULIDADE POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. IMPOSSIBILIDADE. 1. Não é passível de nulidade, por cerceamento do direito de defesa, o auto de infração que atende todos os requisitos materiais e formais, incluindo correta capitulação legal da infração e adequada descrição dos fatos. 2. Além disso, se o contribuinte revela conhecer plenamente as infrações que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante extensa e substanciosa impugnação, abrangendo não só as questões preliminares como também as de mérito, certamente, não tem cabimento a proposição nulidade da autuação por cerceamento do direito de defesa e ofensa aos princípios do contraditório e do amplo direito de defesa. LEI TRIBUTÁRIA VIGENTE. AFASTAMENTO PELO CARF. IMPOSSIBILIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Hélcio Lafetá Reis, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo. Fl. 1812DF CARF MF Processo nº 13864.720232/201392 Acórdão n.º 3302003.610 S3C3T2 Fl. 1.811 3 Relatório Tratase de auto de infração (fls. 925/939), em que formalizada a cobrança do crédito tributário, no valor total de R$ 24.511.036,49, correspondente ao somatório do Imposto sobre Produtos Industrializados, acrescido de multa de oficio qualificada de 150% (cento e cinqueta por cento) e de dos juros moratórios, calculados até o mês de outubro de 2013. De acordo com a descrição dos fatos que integra o referido auto de infração, a fiscalização apurou que a autuada (i) escriturara a menor ou não escriturara, no livro de saída, o valor do IPI destacados nas notas fiscais de saída e (ii) escriturou créditos básicos indevidos do IPI, no livro registro de entrada, sem amparo em documento que lhes conferisse legitimidade (utilização de notas fiscais inexistentes), especificamente, compras fictícias de matériasprimas de empresas interdependentes, cujas notas fiscais não se referiam a operações de compra de insumos para industrialização. Em face dessas irregularidades, a fiscalização considerou que a conduta reiterada da autuada de se apropriar de créditos do IPI inexistentes e de não escriturar ou escriturar a menor, no livro registro de saídas, parcela do valor do IPI, consignado nas notas fiscais de saída, demonstrava a intenção deliberada (o dolo) de reduzir o imposto devido, o que caracterizava os ilícitos de sonegação e fraude, definidos nos arts. 480 e 481 do Decreto 4.544/2002 (RIPI/2002), circunstâncias que implicariam aplicação da multa de ofício qualificada de 150% (cento e cinqueta por cento). Em sede de impugnação, a autuada alegou, em preliminar: 1) nulidade da autuação por cerceamento do direito de defesa, nos termos do art. 59, II, do Decreto 70.235/1972, com base nos seguintes argumentos: a) não fora notificada das irregularidades previamente a autuação; b) a fiscalização limitarase a descrever de forma genérica as alegadas infrações cometidas pelo impugnante, deixando de acostar memorial descritivo e cópias das notas fiscais que supôs irregulares, prejudicando sobremaneira o conhecimento inequívoco dos fatos e a formulação das justificativas que ampararam o proceder da empresa autuada; e c) não foram atendidos os pressupostos formais, previstos nos arts. 10, VI, e 22 do Decreto 70.235/1972, que exige a assinatura do autuante, a numeração e rubrica de todas as folhas do processo; e b) decadência do crédito tributário lançado, porque fora autuada pelos mesmos fatos, no período de 31/1/2006 a 31/12/2007, logo, em face da preclusão, não se poderia falar em autuação sobre fatos anteriores e já fiscalizados. No mérito: 1) em relação à falta de escrituração ou escrituração a menor do IPI declarados nas notas fiscais de saída, alegou que, em momento algum, a fiscalização havia descrito e classificado os produtos nem calculado o imposto, limitandose a acostar algumas tabelas com a relação das notas fiscais; 2) em relação à apropriação de créditos fictícios, sem suporte em documento fiscal, alegou que não fora demonstrado que a empresa tenha cometido qualquer irregularidade nem que o crédito do IPI fora escriturado erroneamente; 3) em relação a multa qualificada, alegou que era desprovida de razoabilidade e tinha efeito confiscatório; e 4) era indevida o cálculo dos juros moratórios com base na variação da taxa Selic. Sobreveio a decisão de primeira instância (fls. 1704/1727), em que, por unanimidade de votos, a impugnação foi julgada procedente e o crédito tributário integralmente mantido, com base nos fundamentos resumidos nos enunciados das ementas que seguem transcritos: Fl. 1813DF CARF MF 4 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 2009, 2010 DESCRIÇÃO DOS FATOS E FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. NULIDADE. Restando evidenciado que a descrição dos fatos e enquadramento legal encontramse suficientemente claros para propiciar o entendimento das infrações imputadas, descabe acolher alegação de nulidade do auto de infração por cerceamento do direito de defesa. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. FASE FISCALIZATÓRIA. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em cerceamento do direito de defesa antes de iniciado o prazo para a impugnação do lançamento, haja vista que, no decurso da ação fiscal, inexiste litígio ou contraditório, por força do artigo 14 do Decreto n° 70.235/1972. DECADÊNCIA. O presente processo se refere à lançamento de IPI de Fatos Geradores compreendidos entre 01/01/2009 a 04/2010, cujo início de fiscalização se deu em 02/01/2013. O auto de infração foi lavrado 29/10/2013 e a ciência se deu em 18/11/2013, portanto dentro do prazo de 5 anos contados do fato gerador do tributo. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. IMPUGNAÇÃO. NEGATIVA GERAL. A impugnação administrativa de lançamento tributário deve estar fundamentada em questão de fato ou de direito objeto da exação. A contestação genérica, desacompanhada de provas, caracteriza omissão que impede a apreciação da alegação. JUROS DE MORA. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. A cobrança de juros de mora está em conformidade com a legislação vigente, não sendo da competência desta instância administrativa a apreciação da constitucionalidade de atos legais. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 1814DF CARF MF Processo nº 13864.720232/201392 Acórdão n.º 3302003.610 S3C3T2 Fl. 1.812 5 Em 16/4/2014 (fl. 1734), a autuada foi cientificada do referido acórdão, por decurso de prazo. Inconformada, em 16/5/2013, protocolou o recurso de voluntário de fls. 1767/1794, em que reproduz, parcialmente, as alegações apresentadas na fase impugnatória. Em aditamento, a recorrente alegou nulidade do acórdão recorrido por: a) cerceamento da defesa da recorrente, em face da ausência de intimação dos sues advogados, para comparecimento na audiência de julgamento da impugnação pela Delegacia Federal de Julgamento (DRJ), a fim de instruir de forma suficiente a formação do convencimento dos julgadores, o que afrontava o disposto no art. 7º do Lei 8.906/1994 (Estatuto da Advocacia e da Ordem dos Advogados do Brasil); e b) incompetência da DRJ em Ribeirão Preto, para proceder o julgamento da impugnação, por não ser o órgão de julgamento da sua jurisdição fiscal. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. O recurso é tempestivo, preenche os demais requisitos de admissibilidade e trata de matéria da competência deste Colegiado, portanto, deve ser conhecido. Inicialmente, cabe esclarecer que, no âmbito do processo administrativo fiscal federal (PAF), as intimações são feitas na forma do art. 23, II, do Decreto 70.235/1972, com a nova redação da Lei 9.532/1997. No caso, a contribuinte elegeu a forma de intimação por meio eletrônico e dessa forma foi e será intimada. A pretensão de que as intimações sejam feitas aos causídicos, que assinaram a peçam recursal, por falta de previsão legal, não há como ser atendida. Da preliminar de nulidade da decisão recorrida. Em relação a preliminar de nulidade do acórdão recorrido por cerceamento do direito de defesa, em razão da falta de intimação dos advogados, para comparecimento à sessão de julgamento, revela desconhecimento basilares acerca do rito processual, aplicável ao processo administrativo fiscal federal, regido pelo Decreto 70.235/1972. Nesse tipo de julgamento, sabidamente, não há previsão de sustentação oral e tampouco previsão do comparecimento de advogados à sessão de julgamento, para “instruir de forma suficiente a formação do convencimento dos julgadores”, pois, é princípio elementar de direito processual, inclusive do PAF, que a formação de convencimento dos julgadores é feita com base nas provas coligidas aos autos (art. 29 do Decreto 70.235/1972), o que deve ser feito juntamente com a peça impugnatória, sob pena de preclusão, conforme determina o art. 16, § 4º, do Decreto 70.235/1972. Portanto, descabido o alegado cerceamento do direito de defesa. Também não procede a alegação da recorrente de que a decisão recorrida proferida pela DRJ em Ribeirão Preto era nula, porque lhe falta competência para o julgamento da impugnação de contribuinte que não pertencia a sua jurisdição. Para a recorrente, o órgão competente para proferir o questionado julgamento era a DRF de São José dos Campos em São Paulo. Fl. 1815DF CARF MF 6 Mais uma vez, os representantes da recorrente revelam desconhecer pressupostos básicos acerca do rito processual do PAF. Desde o ano de 1993 que, por intermédio da Lei 8.748/1993, a competência para o julgamento de primeira instância, relativos aos processos de tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), foi transferido das DRF para DRJ. Atualmente, a competência geral encontrase disciplinada no art. 25, I, do Decreto 70.235/1972, com a redação da Media Provisória 2.15835/2001, as competências específicas definidas no art. 212 da Portaria MF 125/2009 (Regimento Interno da RFB) e, na data do julgamento em comento, a ainda vigente Portaria RFB 1.006/2013, atribui a competência por matéria das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ). E de acordo com essa legislação, a DRJ em Ribeirão era sim competente para julgamento da impugnação da autuada. Com base nessas considerações, rejeitase a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância. Da preliminar de nulidade do auto de infração. No recurso em apreço, a recorrente alegou nulidade da autuação por cerceamento do direito de defesa, com base nos seguintes argumentos: a) falta descrição precisa dos fatos; b) descumprimento dos pressupostos formais, determinados nos art. 10, VI, e 22 do Decreto 70.235/1972, atinentes à obrigatoriedade da assinatura do autuante, numeração e rubrica de todas as folhas do processo. Sem razão à recorrente. A nulidade suscitada pela recorrente não procede. A uma, porque a fiscalização descreveu com precisão e minúcia os fatos que motivaram a autuação. Com efeito, compulsando a descrição dos fatos (fls. 926/934), que integra o questionado auto de infração, verificase que foram descritos, em detalhes, as razões da glosa dos créditos indevidamente apropriados, relativos a compras fictícias ou não destinadas a produção, e da exigência dos valores do IPI informados nas notas fiscais de saída, porém omitidos nos livros fiscais nem declarados em DCTF. Assim, diferente do alegado pela recorrente, tais elementos evidenciam que o auto de infração em questão atende todos requisitos materiais e formais exigidos no art. 142 do CTN e no art. 10 do Decreto 70.235/1972. Também sem qualquer fundamento à alegação de descumprimento do pressupostos formais, atinentes à obrigatoriedade da assinatura do autuante, numeração e rubrica de todas as folhas do processo. A uma, porque, ao contrário do alegado, em consonância com o disposto no art. 10, VI, Decreto 70.235/1972, consta sim do auto de infração a assinatura da autoridade fiscal autuante. Quanto à falta de numeração e rubrica de todas as folhas do processo, conforme exige o art. 22 do Decreto 70.235/1972, no âmbito do processo eletrônico, como o presente, a primeira exigência foi substituída pela autenticação e assinatura eletrônica de todas as peças colacionadas aos autos e a segunda (a numeração das folhas do processo) é feita de forma automática, pelo próprio sistema. Além dessas condições já serem suficientes para configurar a higidez do auto de infração em apreço, compulsando as peças impugnatória e recursal coligidas autos, verifica se que a recorrente teve pleno conhecimento e compreendeu, perfeitamente, os motivos fático e jurídico da autuação, o que implica pleno e adequado exercício do direito defesa. Fl. 1816DF CARF MF Processo nº 13864.720232/201392 Acórdão n.º 3302003.610 S3C3T2 Fl. 1.813 7 Por todas essas razões, rejeitase a preliminar de nulidade do auto de infração. Das questões de mérito. No mérito, a recorrente limitouse em alegar que as infrações apuradas pela fiscalização e que serviram de fundamento da autuação destoavam da realidade dos fatos. Em relação à falta de escrituração ou escrituração a menor do IPI consignados nas notas fiscais de saída e não escriturados nos livros fiscais, a recorrente alegou que, em momento algum, a fiscalização havia descrito e classificado os produtos nem demonstrado o cálculo do imposto lançado, limitandose a acostar aos autos algumas tabelas com a relação das notas fiscais. Já em relação à apropriação de créditos fictícios, sem suporte em documento fiscal idôneo, alegou que não fora demonstrado que a empresa tenha cometido qualquer irregularidade nem que o crédito do IPI fora escriturado erroneamente. As alegações suscitadas pela recorrente não procedem, pois, se ela própria já havia descrito e classificado o produto nas notas fiscais de saída e apurado e lançado o valor do IPI devido nas respectivas operações de venda, acertadamente, a fiscalização limitouse apenas em lançar os valores do IPI, totais ou parciais, que autuada omitira nos livros fiscais. Diante dessa circunstância, obviamente, não havia necessidade de a fiscalização proceder a descrição e reclassificação fiscal do produto. Tal procedimento somente seria necessário se a fiscalização tivesse apurado erro de classificação fiscal e/ou valores declarados a menor nas respectivas notas fiscais de saída emitidas pela recorrente, o que não ocorreu na presente autuação. Enfatizase que a autuação em apreço deuse em razão de apuração de irregularidade cometida na escrituração dos livros fiscais da recorrente, ou seja, foram registrados créditos do IPI fictícios ou indevidos e de débitos do imposto destacados nas notas fiscais de saída, que não foram escriturados ou escriturados a menor no livro registro saída e de apuração do IPI, embora com o destaque do valor correto do IPI na respectiva nota fiscal de saída. Esse procedimento foi adotado com o nítido propósito e diminuir o saldo final do IPI devido, registrado na conta gráfica do livro de apuração do imposto, bem como nos declarações entregues à Administração Tributária. Na presente autuação, não houve alteração dos valores consignados nas notas fiscais. Os valores lançados no questionado auto de infração foram exatamente os mesmos que constavam dos referidos documentos fiscais emitidos pela recorrente. Em suma, não foram desconsiderados a descrição do produto, a base de calculo, a classificação fiscal e a alíquota declarada pela própria recorrente, mas apenas a glosa dos valores dos créditos indevidos e a inclusão dos valores dos débitos destacados nas notas fiscais de saída e não escriturados nos livros fiscais, conforme demonstrativo de recomposição da escrita do contribuinte, elaborado pela fiscalização. Além disso, não é verdade que a fiscalização limitouse a acostar aos autos algumas tabelas contendo a relação das notas fiscais. Diferentemente do alegado, integram o auto de infração (fls. 935/939) demonstrativos minuciosos dos valores dos débitos apurados, do crédito glosado, do imposto apurado, da multa imposta e dos juros moratórios. A fiscalização trouxe ainda à colação dos autos (fls. 940/941), o demonstrativo de reconstituição da escrita fiscal, em que informado os créditos e débitos escriturados pela recorrente, no livro de Registro Fl. 1817DF CARF MF 8 de Apuração do IPI (RAIPI), os valores do créditos glosados e do IPI não lançado e saldo reconstituído no final de cada período de apuração. Além disso, as Tabelas I, II,e III, mencionadas na descrição dos fatos (cuja ciência foi dada a contribuinte), demonstram as operações tributadas (saídas), o número de cada nota fiscal, a data da emissão, o CFOP (código da operação), valor do IPI destacado pelo contribuinte e os valores que foram escriturados, bem como as entradas escrituradas no CFOP 1.101 relativo a aquisições da empresa interdependente. Nesta Tabela constam o número da nota fiscal, a data de emissão, o valor da operação e o IPI a ser desconsiderado como crédito. A comparação das Tabelas I e II (saídas tributadas X escrituradas), fornece as diferenças dos valores do IPI apuradas pela fiscalização a partir do cotejo entre os valores registrados na escrituração da contribuinte e os valores consignados nas notas fiscais de saídas (débitos). Logo, a análise das referidas tabelas permite saber o valor que foi lançado em decorrência do cometimento de cada infração, nota fiscal por nota fiscal, para tanto é só comparar item por item e confrontálos com o que foi registrado na escrituração fiscal. Em relação a esses dados consignados nos referidos demonstrativos e tabelas, nada foi dito pela recorrente, o que significa confissão tácita dos valores neles consignados, bem como das respectivas irregularidades apuradas pela fiscalização. Aliás, desde o início do procedimento fiscal, apesar de intimada, a recorrente omitirase a prestar esclarecimentos sobre as graves irregulares apuradas pela fiscalização, a exemplo das que foram relatadas no Termo de Constatação Fiscal (fl. 911), por meio do qual a recorrente foi cientificada das enormes divergências apuradas entre o valor do IPI destacado nas notas fiscais de saída em papel e o valor que constava dos arquivos magnéticos por ela entregues à fiscalização. Portanto, desde o início da ação fiscal, a tática de defesa da recorrente foi a omissão em esclarecer as irregularidades que lhe foram imputadas. A estratégia consistiu em fugir da discussão de mérito e se apegar a detalhes sobre aspectos meramente formais e irrelevantes do lançamento, bem como apresentar alegações sem respaldo em qualquer elemento probatório. Porém, diferentemente do alegado, os robustos e fartos elementos coligidos aos autos pela fiscalização demonstram que ela agiu com acerto e em perfeita consonância com o que determina o art. 142 do CTN e o art. 10 do Decreto 70.235/1972. Portanto, deve ser mantido o valor integral dos débitos do IPI lançados. Em relação à apropriação de créditos fictícios, sem suporte em prova documental, a recorrente limitouse em alegar que não fora demonstrado que ela tivesse cometido qualquer irregularidade nem que o crédito do IPI fora escriturado erroneamente. Sem razão a recorrente. Diferentemente do alegado, a fiscalização demonstrou que a recorrente havia registrado no livro fiscal registro de entrada e de apuração do IPI créditos básicos do imposto relativos a compras fictícias para industrialização (CFOP 1.101), uma vez que não foram comprovadas com documento fiscal idôneo. No caso, ou autuada não apresentou notas fiscais que acobertassem às operações de compras de insumos para industrialização, ou as notas fiscais apresentadas referiamse a retornos de insumos (CFOP 5.902) e a cobrança de serviços prestados (CFOP 5.124), operações que, sabidamente, não asseguram o direito à apropriação do crédito do imposto. Em relação a essas irregularidades, a recorrente não se dignou apresentar qualquer elemento probatório que informassem tais fatos. Fl. 1818DF CARF MF Processo nº 13864.720232/201392 Acórdão n.º 3302003.610 S3C3T2 Fl. 1.814 9 No que tange à multa qualificada aplicada, a recorrente alegou que ela era desprovida de razoabilidade e tinha efeito confiscatória, pois alcançava percentual exorbitante, o que caracterizava inconstitucionalidade incidental. Mais uma vez sem razão a recorrente. O percentual da multa foi elevado, porque ficou caracterizada a sonegação praticada pela recorrente, com evidente intenção de reduzir o saldo do IPI a recolher, infração considerada grave, sancionada com a multa de ofício qualificada de 150% (cento e cinquenta por cento), estabelecida no artigo 80, I, da Lei 4.502/1964, com a redação dada pela Lei 11.488/2007, a seguir transcrito: Art. 80. A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto sobre produtos industrializados na respectiva nota fiscal ou a falta de recolhimento do imposto lançado sujeitará o contribuinte à multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) [...] § 6o O percentual de multa a que se refere o caput deste artigo, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, será: (Incluído pela Lei nº 11.488, de 2007) I aumentado de metade, ocorrendo apenas uma circunstância agravante, exceto a reincidência específica; (Incluído pela Lei nº 11.488, de 2007) II duplicado, ocorrendo reincidência específica ou mais de uma circunstância agravante e nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 desta Lei. (Incluído pela Lei nº 11.488, de 2007) [...]. As condutas atribuídas à recorrente se subsumem perfeitamente ao disposto no referido preceito. Ademais, a recorrente não apresentou argumentos, corroboradas com provas idôneas, que informassem as graves irregularidades que lhe foram imputadas, dentre quais merece destaque: (i) a reiterada escrituração de créditos sabidamente indevidos, a exemplo de entradas de matérias primas que sofreram industrialização por encomenda, que não possuíam o destaque de IPI, pois a operação se deu com suspensão do imposto) e (ii) a deliberada e intencional ausência escrituração do valor do IPI destacado nas notas fiscais de saída, ou os escrituração de operações sabidamente tributadas como operações isentas do imposto. Tais irregularidades, inequivocamente, implicam redução indevida do montante do imposto devido e ainda dificultaram/retardaram o conhecimento da ocorrência do fato gerador por parte da autoridade fiscal. Portanto, resta devidamente caracterizada a sonegação fiscal, qualificadora suficiente para a majoração da referida penalidade para percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento). Além disso, como se trata de penalidade instituída em preceito legal em plena vigência, sabidamente, não cabe a esta instância de julgamento afastar a sua aplicação por suposta exorbitância. Para tanto, seria necessário analisar a constitucionalidade da referida Fl. 1819DF CARF MF 10 norma legal, matéria excluída da competência deste Conselho, por expressa determinação do art. 26A1 do Decreto 70.235/1972, com redação dada pela Lei 11.941/2008. Com base no referido preceito legal, podese inferir que o julgamento na esfera do processo administrativo fiscal visa, fundamentalmente, o controle da legalidade do ato administrativo (auto de infração, despacho decisório, decisão de instâncias de julgamento de grau inferior etc.), mediante o exame da conformidade dos referidos atos com as normas legais vigentes. Em face dessa limitação, falecelhe competência para se pronunciar sobre a constitucionalidade de preceito de lei, validamente editada e em plena vigência, por se tratar de matéria reservada, com exclusividade, ao crivo do Poder Judiciário. No âmbito deste Conselho, tal vedação também se encontra expressamente determinada no art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343/2015, inclusive, tratase de jurisprudência consolidado neste Conselho por meio do enunciado da Súmula CARF nº 2, que tem o seguinte teor, in verbis: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Com base nessas considerações, deve ser mantida a cobrança da multa ofício qualificada, conforme propostos no auto de infração em apreço. Por fim, em relação à cobrança dos juros moratórios, a recorrente alegou que era indevida o cálculo deste acréscimo com base na variação da taxa Selic. Não procede a alegação da recorrente. A cobrança dos juros moratórios, com base na variação da taxa Selic, está em perfeita consonância com o disposto no art. 161, § 1º, do CTN, que estabelece o seguinte, in verbis: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantias previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º. Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. (...). (grifos não originais) Assim, em conformidade com o transcrito preceito legal, o § 3º do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, estabeleceu o seguinte regramento, in verbis: 1 "Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) [...] § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal;(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)" Fl. 1820DF CARF MF Processo nº 13864.720232/201392 Acórdão n.º 3302003.610 S3C3T2 Fl. 1.815 11 Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. A matéria foi objeto de julgamento do Recurso Especial (REsp) nº 1.111.175 SP2, submetido ao regime do recurso repetitivo, estabelecido no 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (Código de Processo Civil – CPC), e o Superior Tribunal de Justiça (STJ) reconheceu a legalidade da cobrança dos juros moratórios, calculados com base na variação da taxa Selic, nos termos do enunciado da ementa a seguir transcrito: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL SUBMETIDO À SISTEMÁTICA PREVISTA NO ART. 543C DO CPC. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. NÃOOCORRÊNCIA. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. JUROS DE MORA PELA TAXA SELIC. ART. 39, § 4º, DA LEI 9.250∕95. PRECEDENTES DESTA CORTE. 1. Não viola o art. 535 do CPC, tampouco nega a prestação jurisdicional, o acórdão que adota fundamentação suficiente para decidir de modo integral a controvérsia. 2. Aplicase a taxa SELIC, a partir de 1º.1.1996, na atualização monetária do indébito tributário, não podendo ser cumulada, porém, com qualquer outro índice, seja de juros ou atualização monetária. 3. Se os pagamentos foram efetuados após 1º.1.1996, o termo inicial para a incidência do acréscimo será o do pagamento indevido; no entanto, havendo pagamentos indevidos anteriores à data de vigência da Lei 9.250∕95, a incidência da taxa SELIC terá como termo a quo a data de vigência do diploma legal em tela, ou seja, janeiro de 1996. Esse entendimento prevaleceu na Primeira Seção desta Corte por ocasião do julgamento dos EREsps 291.257∕SC, 399.497∕SC e 425.709∕SC. 4. Recurso especial parcialmente provido. Acórdão sujeito à sistemática prevista no art. 543C do CPC, c∕c a Resolução 8∕2008 Presidência∕STJ. 2 STJ, Primeira Seção, Relatora Ministra Denise Arruda, julgado em 01/09/2009, DJe 18/09/2009. Fl. 1821DF CARF MF 12 Dessa forma, em cumprimento ao disposto no art. 623, § 2º, do RICARF, aqui se adota as mesmas razões de decidir consignadas no referido julgamento como fundamento da presente decisão. No mesmo sentido, também se firmou a jurisprudência deste Conselho, nos termos da Súmula Carf nº 4, a seguir transcrita: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Por todas essas considerações, deve ser mantida o cálculo dos juros moratórios, com base na variação da taxa Selic, conforme determinado no referido auto de infração. Da conclusão. Por todo o exposto, votase por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, para manter na íntegra a decisão de primeira instância. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento 3 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. [...] § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 1822DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.903767/2009-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 23 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Apr 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Exercício: 2006
COMPENSAÇÃO DE ESTIMATIVA. MUDANÇA NA SISTEMÁTICA DE APURAÇÃO. VEDAÇÃO.
A possibilidade de compensações de indébitos de estimativa tem por pressuposto a ocorrência de erro no cálculo ou no recolhimento da antecipação. Nessa hipótese não se inclui o desejo de mudança de opção, dentro de um mesmo mês, quanto à sistemática de cálculo das estimativas, seja com base na receita bruta e acréscimos ou em balancetes de suspensão/redução. Não é admissível que o contribuinte, após apurar e recolher estimativa com base em balancete de suspensão/redução, sem o prévio confronto com o valor devido com base na receita bruta e acréscimos, pretenda como indébito o excedente que se verificaria caso tivesse adotado esta segunda sistemática para cálculo da estimativa. Não demonstrado qualquer erro ou vício na forma de apuração da estimativa originalmente adotada pelo contribuinte, o valor assim recolhido não pode ser caracterizado como indevido ou maior que o devido.
Numero da decisão: 1301-002.251
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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ARRENDAMENTO MERCANTIL) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Exercício: 2006 COMPENSAÇÃO DE ESTIMATIVA. MUDANÇA NA SISTEMÁTICA DE APURAÇÃO. VEDAÇÃO. A possibilidade de compensações de indébitos de estimativa tem por pressuposto a ocorrência de erro no cálculo ou no recolhimento da antecipação. Nessa hipótese não se inclui o desejo de mudança de opção, dentro de um mesmo mês, quanto à sistemática de cálculo das estimativas, seja com base na receita bruta e acréscimos ou em balancetes de suspensão/redução. Não é admissível que o contribuinte, após apurar e recolher estimativa com base em balancete de suspensão/redução, sem o prévio confronto com o valor devido com base na receita bruta e acréscimos, pretenda como indébito o excedente que se verificaria caso tivesse adotado esta segunda sistemática para cálculo da estimativa. Não demonstrado qualquer erro ou vício na forma de apuração da estimativa originalmente adotada pelo contribuinte, o valor assim recolhido não pode ser caracterizado como indevido ou maior que o devido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha – Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 37 67 /2 00 9- 96 Fl. 143DF CARF MF Processo nº 16327.903767/200996 Acórdão n.º 1301002.251 S1C3T1 Fl. 144 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha. Relatório SANTANDER LEASING S/A ARRENDAMENTO MERCANTIL (nova denominação de REAL LEASING S.A. ARRENDAMENTO MERCANTIL), já devidamente qualificada nestes autos, recorre a este Conselho contra a decisão prolatada pela 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I / SP, que indeferiu os pedidos veiculados através de manifestação de inconformidade apresentada contra a decisão da DEINF/SP. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito, em parte. Trata o presente processo da declaração de compensação nº 09348.65364.270106.1.3.04.7529, de pagamento de CSLL, código de receita 2469, relativo a abril de 2005, no valor de R$ 474.322,06, com débito de CSLL relativo ao mês de dezembro do mesmo ano calendário. Em 20/04/2009 (fls. 16) foi emitido despacho decisório que não homologou a compensação declarada com base nos seguintes fundamentos: “Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 338.320,63 Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a titulo de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (1RPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período.” Reproduzo quadro do despacho decisório em que são demonstradas as características do pagamento utilizado como direito creditório: A contribuinte protocolou manifestação de inconformidade tempestiva, alegando, em síntese, o seguinte: [...] Fl. 144DF CARF MF Processo nº 16327.903767/200996 Acórdão n.º 1301002.251 S1C3T1 Fl. 145 3 Em 29 de abril de 2013 o julgamento foi convertido em diligência, a fim de que o contribuinte fosse intimado a explicitar e comprovar o erro cometido na declaração original, a fim de fique cabalmente demonstrada a liquidez e certeza do direito creditório pleiteado. Em resposta à intimação a impugnante alega o seguinte: a) Na competência abril/2005, o recolhimento da CSLL mensal a pagar foi efetuado com base no Balanço/Balancete Suspensão ou Redução, conforme quadro resumo abaixo: b) A justificativa para o erro de fato cometido, que ensejou o recolhimento a maior do DARF, competência abril/2005, foi ausência da comparabilidade entre os dois cálculos realizados pela Manifestante, ou seja, para o recolhimento da estimativa mensal de CSLL, deveria ter se optado pelo pagamento por Receita Bruta e não Balanço/Balancete Suspensão ou Redução. c) Com objetivo de demonstrar a certeza e a liquidez do crédito tributário pleiteado juntamos a presente, a cópia da Ficha 16 da DIPJ 2006/2005, pág. 13, o demonstrativo da base de cálculo da CSLL por Receita Bruta de abr/2005 e o balancete CADOC Bacen 4010 de abr/2005. Porém, salienta se que assim que o razão contábil for emitido, este será juntado ao presente PAF. d) A luz do acima exposto, a Requerente reforça a sua legitimidade no pleito da compensação do crédito tributário de R$ 338.320,63, oriundo do recolhimento a maior de CSLL mensal, competência abr/2005, uma vez que tal DARF deveria ter sido arrecadado considerando o valor do cálculo da Receita Bruta e não do Balanço/Balancete Suspensão ou Redução. E, nesse sentido atribuir o efeito de homologada a DComp nº 09348.65364.270106.1.3.04.7529. A 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I / SP analisou a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte e, mediante o Acórdão nº 1651.558, de 11/10/2013 (fls. 90/96), indeferiu a solicitação, conforme ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 31/05/2005 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Não se reconhece o direito creditório quando o contribuinte não logra comprovar com documentos hábeis e idôneos que houve pagamento indevido ou a maior. Fl. 145DF CARF MF Processo nº 16327.903767/200996 Acórdão n.º 1301002.251 S1C3T1 Fl. 146 4 Ciente da decisão de primeira instância em 10/01/2014, conforme documento de fl. 101, e com ela inconformada, a empresa apresentou recurso voluntário em 04/02/2014 (registro de recepção à fl. 103, razões de recurso às fls. 104/110), mediante o qual oferece, em apertada síntese, os seguintes argumentos: A recorrente lembra que IRPJ e CSLL pagos mensalmente por estimativa, seja por balanço seja por percentual da receita bruta, são meras antecipações do tributo devido no final do período de apuração anual. E prossegue (grifos no original): No presente caso, embora tenha recolhido uma estimativa de CSLL (2469) de Abr/2005 no valor de R$ 474.322,03 (DARF de fls. 24 do ePAF), a Recorrente informou em sua DIPJ 2006 (AC 2005) ter feito neste mesmo mês um pagamento de apenas R$ 136.001,43 (Ficha 16, linha 11 da Discriminação de Abril – fls. 28 do ePAF). Ao proceder desta forma, a Recorrente deixou de computar o recolhimento de R$ 338.320,63 (diferença entre o valor pago e o declarado) no saldo de CSLL pago no encerramento do anocalendário de 2005 (Linha 53 da Ficha 17 da DIPJ 2006/2005), reduzindo o Saldo Negativo de CSLL apurado no encerramento do ano calendário. Isto porque a Recorrente, após calcular a base de cálculo mensal (04/2005) mediante levantamento de balanço (art. 35 da Lei nº 8.981/95), constatou que a base de cálculo apurada sobre um percentual da receita bruta mensal (2º da Lei nº 9.430/96) implicaria no IRPJ mensal a pagar menor do que o efetivamente recolhido. [...] Além disso, tanto a DCTF Retificadora/Ativa referente a Abr/2005 quanto a CSLL apurada no encerramento do AnoCalendário 2005 foram devidamente homologadas pela Receita Federal do Brasil, não havendo o que se falar, neste momento, em comprovação da regularidade da base de cálculo (seja da estimativa mensal seja da base anual) da CSLL apurada pela Recorrente. No entender da recorrente, a decisão a quo teria contrariado disposições basilares atinentes ao fato gerador e à base de cálculo da CSLL, considerando que estimativas mensais representariam fatos geradores independentes da apuração anual. Colaciona jurisprudência administrativa no sentido da impossibilidade de lançamento de estimativas após o encerramento do período de apuração. A interessada acrescenta que, na pior das hipóteses (pedido subsidiário), o crédito de R$ 338.320,63 deveria ser acolhido como parte do saldo negativo de CSLL do ano calendário 2005, extinguindose por compensação os débitos da DCOMP até o limite do crédito disponível. Em outra linha argumentativa, a recorrente protesta que o acórdão recorrido teria ido além da verificação objetiva da existência do pagamento indevido/a maior, condicionando a validação da compensação à comprovação dos motivos pelos quais o débito informado na DCTF era inferior ao valor do DARF pago. Ao assim agir, a DRJ teria extrapolado sua competência e invadido a competência da DEINF (lavrar lançamento de ofício para constituir créditos tributários não confessados pelo contribuinte). O acórdão recorrido padeceria de vício insanável, por ter sido praticado por pessoa incompetente. Fl. 146DF CARF MF Processo nº 16327.903767/200996 Acórdão n.º 1301002.251 S1C3T1 Fl. 147 5 É o Relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O recurso é tempestivo e dele conheço. Gira a lide em torno do alegado direito creditório, a ser utilizado em compensação tributária, no montante de R$ 338.320,63, correspondente à diferença entre o valor recolhido em DARF (R$ 474.322,03, fl. 24) e o valor da estimativa mensal de CSLL do mês de abril de 2005. Sustenta a recorrente que o valor correto da estimativa seria R$ 136.001,43. Por outro lado, o total originalmente declarado em DCTF foi de exatos R$ 474.322,03, posteriormente retificado para R$ 136.001,43. A questão em discussão, como se vê, é qual seria o correto valor da estimativa de CSLL de abril de 2005. Inicialmente, foi negada homologação à compensação declarada, ao fundamento de que estimativas somente poderiam ser objeto de aproveitamento ao final do anocalendário, por ocasião do ajuste anual. Não se procedeu, naquele momento, a qualquer análise mais aprofundada do direito creditório, sendo a preliminar suficiente para a decisão então tomada. Essa preliminar foi superada já em primeira instância. A questão é atualmente pacífica, tanto no âmbito da Receita Federal quanto neste CARF, cabendo lembrar a Súmula CARF nº 84: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Nesta fase processual, não há mais qualquer litígio a esse respeito. No entanto, superada a questão preliminar ainda em primeira instância, a autoridade julgadora a quo avançou na análise do direito creditório, o que entendo correto. O reconhecimento do direito creditório para fins de homologação impõe o exame minucioso por parte da autoridade administrativa, não residindo aí qualquer nulidade. Ao contrário do que sustenta a recorrente, o que o julgador de primeira instância buscou, superada a preliminar, foi a comprovação da alegação de que teria havido erro na apuração da estimativa, a caracterizar pagamento a maior do que o devido. Não se trata, em absoluto, de lançamento de ofício para constituir créditos tributários não confessados pelo contribuinte, em invasão de competência de outro órgão da Receita Federal. A realização de diligência evidenciou a origem da diferença entre o valor da CSLL originalmente apurado pela contribuinte (R$ 474.322,03) e aquele a seguir tido por ela própria como correto (R$ 136.001,43). O alegado erro, como admite a própria interessada, foi na opção pelo recolhimento de estimativas com base em balanço/balancete de suspensão/redução (BSR art. 35 da Lei nº 8.981/1995). Após determinar o valor a recolher e efetuar o respectivo pagamento, a interessada teria descoberto que, caso houvesse optado pelo Fl. 147DF CARF MF Processo nº 16327.903767/200996 Acórdão n.º 1301002.251 S1C3T1 Fl. 148 6 recolhimento com base na receita bruta e acréscimos (RBA art. 2º da Lei nº 9.430/1996) o valor a recolher teria sido menor. Assim, promoveu a retificação da DCTF já apresentada e passou a pleitear o indébito ora discutido. Para a CSLL, a regra é a apuração trimestral, conforme previsto no art. 1º da Lei nº 9.430/1996, c/c art. 28 do mesmo diploma legal: Art.1º A partir do anocalendário de 1997, o imposto de renda das pessoas jurídicas será determinado com base no lucro real, presumido, ou arbitrado, por períodos de apuração trimestrais, encerrados nos dias 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro de cada anocalendário, observada a legislação vigente, com as alterações desta Lei. [...] Art.28. Aplicamse à apuração da base de cálculo e ao pagamento da contribuição social sobre o lucro líquido as normas da legislação vigente e as correspondentes aos arts. 1º a 3º, 5º a 14, 17 a 24, 26, 55 e 71, desta Lei. A lei permite, por opção da pessoa jurídica, a apuração anual da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, desde que o sujeito passivo promova recolhimentos mensais de estimativas, com base na receita bruta e acréscimos (RBA), conforme a disciplina do art. 2º c/c art. 30, ambos da Lei nº 9.430/1996. Art. 2o A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei no 9.249, de 26 de dezembro de 1995, sobre a receita bruta definida pelo art. 12 do DecretoLei no1.598, de 26 de dezembro de 1977, auferida mensalmente, deduzida das devoluções, vendas canceladas e dos descontos incondicionais concedidos, observado o disposto nos §§ 1oe 2o do art. 29 e nos arts. 30, 32, 34 e 35 da Lei no 8.981, de 20 de janeiro de 1995.(Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014)(Vigência) §1º O imposto a ser pago mensalmente na forma deste artigo será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo, da alíquota de quinze por cento. §2ºA parcela da base de cálculo, apurada mensalmente, que exceder a R$ 20.000,00 (vinte mil reais)ficará sujeita à incidência de adicional de imposto de renda à alíquota de dez por cento. §3º A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§1º e 2º do artigo anterior. §4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: Fl. 148DF CARF MF Processo nº 16327.903767/200996 Acórdão n.º 1301002.251 S1C3T1 Fl. 149 7 I dos incentivos fiscais de dedução do imposto, observados os limites e prazos fixados na legislação vigente, bem como o disposto no§ 4º do art. 3º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; II dos incentivos fiscais de redução e isenção do imposto, calculados com base no lucro da exploração; III do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; IV do imposto de renda pago na forma deste artigo. [...] Art.30. A pessoa jurídica que houver optado pelo pagamento do imposto de renda na forma do art. 2º fica, também, sujeita ao pagamento mensal da contribuição social sobre o lucro líquido, determinada mediante a aplicação da alíquota a que estiver sujeita sobre a base de cálculo apurada na forma dos incisos I e II do artigo anterior. Já anteriormente, o art. 35 da Lei nº 8.981/1995 trazia uma forma alternativa de apuração e recolhimento de estimativas mensais, não derrogada pela Lei 9.430/1996, antes por ela acolhida. Cuidavase da possibilidade de levantamento de balanços/balancetes mensais para reduzir ou mesmo interromper o recolhimento mensal diante do quanto já pago acumuladamente a título de estimativa nos meses anteriores. São os balanços/balancetes de suspensão ou redução do imposto (BSR). Confirase: Art. 35. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. § 1º Os balanços ou balancetes de que trata este artigo: a) deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário; b) somente produzirão efeitos para determinação da parcela do Imposto de Renda e da contribuição social sobre o lucro devidos no decorrer do anocalendário. § 2º Estão dispensadas do pagamento de que tratam os arts. 28 e 29 as pessoas jurídicas que, através de balanço ou balancetes mensais, demonstrem a existência de prejuízos fiscais apurados a partir do mês de janeiro do anocalendário.(Redação dada pela Lei nº 9.065, de 1995) § 3º O pagamento mensal, relativo ao mês de janeiro do ano calendário, poderá ser efetuado com base em balanço ou balancete mensal, desde que neste fique demonstrado que o imposto devido no período é inferior ao calculado com base no disposto nos arts. 28 e 29.(Incluído pela Lei nº 9.065, de 1995) Fl. 149DF CARF MF Processo nº 16327.903767/200996 Acórdão n.º 1301002.251 S1C3T1 Fl. 150 8 § 4º O Poder Executivo poderá baixar instruções para a aplicação do disposto neste artigo.(Incluído pela Lei nº 9.065, de 1995) Como se vê, é facultado ao contribuinte optar por uma ou outra forma de apuração das estimativas mensais. Feita essa opção, e sendo apurada estimativa a recolher, impõese o recolhimento, com o aproveitamento do total antecipado na declaração de ajuste anual. É certo que a jurisprudência administrativa já se firmou no sentido da possibilidade da compensação de estimativas mensais, nos termos da supramencionada súmula CARF nº 84. Mas essa possibilidade está vinculada à comprovação da existência de um pagamento indevido ou a maior que o devido. Feita a opção, em um dado mês, por uma das formas de apuração da estimativa, somente se caracterizaria erro dentro dessa mesma opção, nunca um "erro de opção", decorrente do posterior desejo de mudança de opção. A mudança de opção é possível de um mês para o outro, nunca dentro do mesmo mês. Melhor explicando: dentro da opção por RBA, é perfeitamente possível que, após o cálculo e o recolhimento da estimativa, o contribuinte verifique haver incluído entre as receitas que integraram a base de cálculo uma rubrica que não pertence àquele mês. Nessa hipótese, comprovado o erro, estarseá diante de um pagamento a maior do que o devido, ou seja, maior do que aquele previsto em lei. Da mesma forma, dentro da opção por BSR, é igualmente possível que, após o cálculo e o recolhimento da estimativa, o contribuinte verifique haver incorrido em erro na determinação da base de cálculo, impondose a mesma conclusão, desde que comprovado o erro. Em ambas as hipotéticas situações aqui delineadas é possível a recuperação imediata do indébito, via restituição ou compensação. Diferente é a situação dos autos. Não se trata de erro na apuração da base de cálculo, seja por BSR, seja por RBA. A alegação da interessada é de erro de opção, ou seja, apurou por BSR, fez o competente recolhimento da estimativa e, posteriormente, verificou que a forma de apuração por RBA lhe seria mais favorável, pretendendo alterar sua opção. Mas observese: o recolhimento na opção inicial, por BSR, não apresenta qualquer vício ou erro capaz de caracterizar o valor indevido ou maior que o devido. Feita a opção, apurado o valor da estimativa na forma da lei e efetuado o respectivo recolhimento, o indébito, se indébito vier a haver, será não mais de estimativa, mas de hipotético saldo negativo do tributo, a ser apurado ao final do período de apuração anual. Este CARF já decidiu nesse sentido. Confirase o Acórdão nº 1801002.227 de 03/02/2015, da lavra da Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, cuja ementa segue: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 COMPENSAÇÃO DE ESTIMATIVA. MUDANÇA NA SISTEMÁTICA DE APURAÇÃO. VEDAÇÃO. A possibilidade de compensações de indébitos de estimativa tem por pressuposto a ocorrência de erro no cálculo ou no recolhimento da antecipação, não se encontrando abarcada na hipótese do “erro”, a mudança de opção quanto à sistemática de cálculo das estimativas formalizada definitivamente quando o contribuinte determina o valor inicialmente recolhido com base Fl. 150DF CARF MF Processo nº 16327.903767/200996 Acórdão n.º 1301002.251 S1C3T1 Fl. 151 9 na receita bruta e acréscimos ou em balancetes de suspensão/redução. Logo, não é admissível que o contribuinte, após apurar e recolher estimativa com base em balancete de suspensão/redução, sem o prévio confronto com o valor devido com base na receita bruta e acréscimos, pretenda como indébito o excedente que se verificaria caso tivesse adotado esta segunda sistemática para cálculo da estimativa. Da mesma forma, não lhe cabe, após efetuar recolhimentos com base na receita bruta e acréscimos, apurar estimativas menores com base em balancetes de suspensão/redução, para pleitear a diferença como se indébitos fossem. Diante disso, não há como acolher o pleito da recorrente. Tendo sido a estimativa de abril de 2005 apurada originalmente (antes das retificações) e paga na forma prevista na legislação pertinente, não se caracteriza o pagamento indevido nem em valor maior que o devido, passível de restituição ou de compensação. Finalmente, cumpre acrescentar que não cabe falar em homologação de estimativas nem de DCTF. O que se homologa é o tributo devido ao final do período de apuração. E não há, nestes autos, qualquer notícia acerca da CSLL apurada ao final do ano calendário 2005, a menos da cópia de uma única folha da DIPJ, acostada pela própria interessada à fl. 71, nem é aqui que se discute um eventual direito creditório decorrente de saldo negativo apurado naquele ano. Por esse mesmo motivo, o pedido subsidiário da interessada (acolhimento do crédito de R$ 338.320,63 como parte do saldo negativo de CSLL do anocalendário 2005) se revela impossível de ser atendido. Tal pedido somente faria sentido no processo em que estivesse sendo analisado esse hipotético saldo negativo. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 151DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.721793/2013-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Feb 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2009
REVISÃO DE BASE NEGATIVA. ARTS. 150 e 173 do CTN. INAPLICÁVEL.
Não se pode aplicar uma regra decadencial do direito de o Fisco constituir o crédito tributário, seja o art. 173 ou o art. 150, § 4º, ambos do CTN, para limitar no tempo o direito de o Fisco verificar se o contribuinte tem saldo de prejuízo fiscal/base negativa.
A decadência decorre de uma inércia do titular no gozo de um direito potestativo, assim, quando falamos do direito de constituir o crédito tributário - que é um direito potestativo - a inércia do Fisco por um determinado prazo, faz com que tal direito pereça, evento que chamamos de decadência tributária, seja pela regra do art. 173 ou do art. 150, § 4º, ambos do CTN. Quando estamos tratando de prejuízo fiscal ou base negativa, o titular do direito (ou da mera expectativa de direito) não é o Fisco, mas o contribuinte. Assim, não há falar em inércia do Fisco se o gozo do direito que nasceu com a apuração da base negativa/prejuízo fiscal (compensação com tributos futuros) depende apenas de seu titular, o contribuinte, e de suas circunstâncias.
A Lei poderia criar um prazo para que o Fisco pudesse fiscalizar os registros de prejuízos fiscais/base negativa no LALUR, mas o legislador até agora não o fez por um motivo óbvio, qual seja, porque também não há mais prazo para que o contribuinte se compense do prejuízo fiscal/base negativa. Ora, se a inércia do contribuinte em gozar do seu direito de compensar prejuízo fiscal/base negativa não perece, não há também que decair o direito de o Fisco verificar se tal direito efetivamente existe.
REDUÇÃO DO SALDO DE BASE NEGATIVA DE CSLL.
Com a redação dada pela MPV 449/08 ao art. 9º do Decreto nº 70235/72, não há mais previsão de que a redução de prejuízo fiscal seja objeto de auto de infração. Isso não significa que exista óbice para que a redução de prejuízo fiscal/base negativa continue sendo feita por auto de infração, pois isso garante o direito de defesa do contribuinte, possibilitando a sua impugnação desde logo, antes que se constitua em glosa de compensação. Todavia, se o Fisco só toma conhecimento da indevida base negativa após o contribuinte compensá-la, não há obstáculos no ordenamento jurídico, para que se promova a glosa da compensação, com a conseqüente constituição do tributo e multa devida.
CSLL. ART. 33 do DL 2.341/87. APLICAÇÃO DO FG DE 31/12/2009.
A norma do art. 20 da Medida Provisória nº 1.858-6, de 29/06/1999, publicada no DOU de 30/06/1999, repetida em todas as reedições desta Medida Provisória e que, hoje, consta do art. 22 da MPV 2.158-35/2001, estendeu a aplicação do art. 33 do DL 2.341/87 à CSLL.
Uma medida provisória que altere a base tributável da CSLL incide sobre fatos geradores ocorridos após 90 dias da sua publicação, conforme dispõe o art. 195, §6º, da CF/88. Ora, fica claro assim que, em 31/12/1999, data do fato gerador da CSLL em tela, a recorrente encontrava um óbice legal no art. 33 do DL 2.341/87, para registrar como sua a base negativa de CSLL da empresa cindida da qual ela absorveu parte do patrimônio.
Numero da decisão: 1302-002.009
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de decadência, e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário quanto à ausência do direito à compensação de base de cálculo negativa da CSLL por vedação legal expressa, vencidos os conselheiros Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Ana de Barros Fernandes Wipprich e Talita Pimenta Félix, e, por maioria de votos, para manter a multa isolada, vencidos os Conselheiros Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa e Talita Pimenta Félix
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Relator.
LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO - Presidente.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Julio Lima Souza Martins (Suplente Convocado) Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Talita Pimenta Félix. O Conselheiro Suplente Julio Martins só votou neste julgamento no ponto relativo à multa isolada, pois a Conselheira Ana Wipprich já havia proferido seu voto com relação aos outros pontos na Sessão de 10/2016.
Nome do relator: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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ARTS. 150 e 173 do CTN. INAPLICÁVEL. Não se pode aplicar uma regra decadencial do direito de o Fisco constituir o crédito tributário, seja o art. 173 ou o art. 150, § 4º, ambos do CTN, para limitar no tempo o direito de o Fisco verificar se o contribuinte tem saldo de prejuízo fiscal/base negativa. A decadência decorre de uma inércia do titular no gozo de um direito potestativo, assim, quando falamos do direito de constituir o crédito tributário que é um direito potestativo a inércia do Fisco por um determinado prazo, faz com que tal direito pereça, evento que chamamos de decadência tributária, seja pela regra do art. 173 ou do art. 150, § 4º, ambos do CTN. Quando estamos tratando de prejuízo fiscal ou base negativa, o titular do direito (ou da mera expectativa de direito) não é o Fisco, mas o contribuinte. Assim, não há falar em inércia do Fisco se o gozo do direito que nasceu com a apuração da base negativa/prejuízo fiscal (compensação com tributos futuros) depende apenas de seu titular, o contribuinte, e de suas circunstâncias. A Lei poderia criar um prazo para que o Fisco pudesse fiscalizar os registros de prejuízos fiscais/base negativa no LALUR, mas o legislador até agora não o fez por um motivo óbvio, qual seja, porque também não há mais prazo para que o contribuinte se compense do prejuízo fiscal/base negativa. Ora, se a inércia do contribuinte em gozar do seu direito de compensar prejuízo fiscal/base negativa não perece, não há também que decair o direito de o Fisco verificar se tal direito efetivamente existe. REDUÇÃO DO SALDO DE BASE NEGATIVA DE CSLL. Com a redação dada pela MPV 449/08 ao art. 9º do Decreto nº 70235/72, não há mais previsão de que a redução de prejuízo fiscal seja objeto de auto de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 17 93 /2 01 3- 55 Fl. 708DF CARF MF 2 infração. Isso não significa que exista óbice para que a redução de prejuízo fiscal/base negativa continue sendo feita por auto de infração, pois isso garante o direito de defesa do contribuinte, possibilitando a sua impugnação desde logo, antes que se constitua em glosa de compensação. Todavia, se o Fisco só toma conhecimento da indevida base negativa após o contribuinte compensála, não há obstáculos no ordenamento jurídico, para que se promova a glosa da compensação, com a conseqüente constituição do tributo e multa devida. CSLL. ART. 33 do DL 2.341/87. APLICAÇÃO DO FG DE 31/12/2009. A norma do art. 20 da Medida Provisória nº 1.8586, de 29/06/1999, publicada no DOU de 30/06/1999, repetida em todas as reedições desta Medida Provisória e que, hoje, consta do art. 22 da MPV 2.15835/2001, estendeu a aplicação do art. 33 do DL 2.341/87 à CSLL. Uma medida provisória que altere a base tributável da CSLL incide sobre fatos geradores ocorridos após 90 dias da sua publicação, conforme dispõe o art. 195, §6º, da CF/88. Ora, fica claro assim que, em 31/12/1999, data do fato gerador da CSLL em tela, a recorrente encontrava um óbice legal no art. 33 do DL 2.341/87, para registrar como sua a base negativa de CSLL da empresa cindida da qual ela absorveu parte do patrimônio. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de decadência, e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário quanto à ausência do direito à compensação de base de cálculo negativa da CSLL por vedação legal expressa, vencidos os conselheiros Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Ana de Barros Fernandes Wipprich e Talita Pimenta Félix, e, por maioria de votos, para manter a multa isolada, vencidos os Conselheiros Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa e Talita Pimenta Félix ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR – Relator. LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Presidente. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Julio Lima Souza Martins (Suplente Convocado) Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Talita Pimenta Félix. O Conselheiro Suplente Julio Martins só votou neste julgamento no ponto relativo à multa isolada, pois a Conselheira Ana Wipprich já havia proferido seu voto com relação aos outros pontos na Sessão de 10/2016. Relatório Versa o presente processo sobre recurso voluntário, interposto pelo contribuinte em face do Acórdão nº 12067.139 da 15ª Turma da DRJ/RJ1, o qual foi assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 709DF CARF MF Processo nº 19515.721793/201355 Acórdão n.º 1302002.009 S1C3T2 Fl. 673 3 Anocalendário: 2009 COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE BASES NEGATIVAS DE CSLL DE PERÍODOS ATINGIDOS PELA DECADÊNCIA. O prazo decadencial a que se refere o art. 150, § 4º, do CTN, eventualmente deslocado para o art. 173, inciso I, do CTN, em razão da ocorrência de dolo, fraude ou simulação, tem a ver com a extinção do direito de o Fisco efetuar o lançamento, para fins de cobrança dos tributos devidos, mas não impede a autoridade fazendária de retificar prejuízos fiscais indevidos, que possam ser aproveitados em períodos subsequentes. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2009 CSLL. COMPENSAÇÃO DAS BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS DA SUCEDIDA. A pessoa jurídica sucessora por incorporação, fusão ou cisão não poderá compensar bases de cálculo negativas da sucedida. MULTA ISOLADA POR INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS. Verificada a insuficiência de recolhimento das estimativas mensais de CSLL, em virtude da compensação indevida de bases negativas de períodos anteriores, é cabível a exigência de multa isolada sobre os valores não recolhidos. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O recorrente tomou ciência do Acórdão nº 12067.139 em 28/08/2014 (cf. Termo a fls. 598) e interpôs, em 22/09/2014 (cf. Termo a fls. 599), o recurso voluntário a fls. 601 e segs, no qual alega as seguintes razões de defesa: “I. OS FATOS 1. A Recorrente é sociedade que, entre outras atividades, planeja e opera sistemas de produção e comercialização de energia elétrica, resultante do aproveitamento de rios e outras fontes, conforme descrito no Estatuto Social anexado aos presentes autos. Na consecução de suas atividades, a Recorrente e contribuinte da CSL na sistemática do lucro real. 2. Não obstante a regularidade dos procedimentos adotados na apuração e recolhimento deste tributo, a Recorrente foi surpreendida pela lavratura de Auto de Infração para exigência da CSL do anobase de 2009, no valor de R$ 15.968.500,01 (quinze milhões, novecentos e sessenta e oito mil, quinhentos reais e um centavo). 3. No ano calendário de 2009 a Recorrente apurou seu resultado e procedeu a compensação do montante devido a título de CSL com o saldo de base de cálculo negativa de CSL de períodos anteriores. Contudo, ao recompor o saldo negativo da Recorrente, as Autoridades Administrativas reduziram a base negativa acumulada originalmente no ano de 1999, e lavraram o presente Auto de Infração para a cobrança de CSL que supostamente deixou de ser recolhida no ano calendário de Fl. 710DF CARF MF 4 2009, em razão da glosa da compensação de CSL com base de cálculo negativa desta contribuição apurada em 1999. 4. Não podendo se conformar com a exigência fiscal em objeto, a Recorrente apresentou Impugnação em face do Auto de Infração. Contudo, em 28.8.2014, tomou conhecimento do V. Acórdão recorrido, o qual julgou a sua Impugnação integralmente improcedente. Em linhas gerais, as Autoridades Julgadoras sustentam (i) não haver decadência para a presente cobrança, uma vez que o Fisco poderia proceder a alterações no saldo negativo do contribuinte, inclusive em relação a períodos já alcançados pela decadência, e (ii) que no presente caso não se discute a existência do crédito correspondente a base de cálculo negativa apurada em 1999, mas sim a ausência de permissão legal para a utilização do saldo negativo de CSL pela Recorrente (empresa sucessora), em decorrência de cisão parcial. 5. Cumpre ressaltar que o acordão não foi unânime. Restou vencido o Auditor Fiscal Marcelo Franco de Matos, que houve por bem julgar parcialmente procedente a Impugnação da Recorrente para afastar a multa isolada aplicada, em razão da insuficiência de recolhimento das estimativas mensais da CSL, entendendo assim que tal penalidade decorre de um mesmo fato gerador (falta de recolhimento da CSL) em relação ao qual já foi aplicada multa de ofício de 75%. Em outras palavras, o D. Julgador aplicou ao presente caso o princípio da consunção, que objetiva garantir que o contribuinte não seja punido mais de uma vez pelo mesmo ato/fato. 6. Entretanto, a Recorrente não pode concordar com os fundamentos do V. Acórdão recorrido, que culminaram com a manutenção do lançamento fiscal, razão pela qual se socorre do presente Recurso Voluntário a fim de que seja integralmente reformado o V. Acórdão recorrido, de modo que a presente exigência fiscal seja totalmente cancelada. E o que se passa a expor. II. A NECESSIDADE DE REFORMA INTEGRAL DO V. ACÓRDÃO RECORRIDO II.l. PRELIMINAR DE NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO (a) A decadência do direito do Fisco contestar saldo negativo de CSL apurado no anobase 1999 7. Conforme ressaltado, o presente Auto de Infração foi lavrado para exigência da CSL do ano calendário 2009. De acordo com o Termo de Verificação anexo a autuação, a Recorrente teria compensado indevidamente no período base negativa acumulada de anos anteriores, inicialmente formulado no anocalendário de 1999, deixando de recolher CSL no período autuado. 8. Segundo alegado pela D. Fiscalização, a ilegalidade da compensação realizada pela Recorrente estaria relacionada a incorreção quanto ao valor apontado originalmente como saldo de base de cálculo negativa de CSL no anocalendário de 1999 que, por ser menor do que o apontado pela Recorrente, teria resultado na insuficiência de valores a compensar no anocalendário de 2009. Fl. 711DF CARF MF Processo nº 19515.721793/201355 Acórdão n.º 1302002.009 S1C3T2 Fl. 674 5 9. É evidente, portanto, que estamos diante de um questionamento extemporâneo, na medida em que as Autoridades Fiscais pretendem analisar a regularidade do saldo negativo de base de cálculo da CSL apurado pela Recorrente no anocalendário de 1999, tãosomente no ano de 2013 (ou seja, 9 anos após a permissão legal). 10. Contudo, a esse respeito o V. Acórdão recorrido afirma não haver decadência no presente caso, uma vez que está sendo cobrado tributo referente ao ano calendário de 2009, razão pela qual o prazo decadencial para o lançamento somente se encerraria em 2014. Em relação a revisão de saldo negativo de períodos anteriores, as Autoridades Julgadoras sustentam a possibilidade de serem efetuadas alterações na base de cálculo negativa de CSL, apurada pelo contribuinte, mesmo em relação a períodos já alcançados pela decadência. 11. Ora, tal entendimento não merece prosperar. Isso porque, nos termos dos artigos 150, §4°, do Código Tributário Nacional ("CTN") o direito de verificar a correção do saldo negativo de CSL apurado no ano de 1999 decaiu em 31.12.2004. Se a D. Fiscalização pretendesse averiguar a exatidão do saldo apurado no ano de 1999, deveria têlo feito até esta data, o que não ocorreu (a Recorrente foi intimada do presente AIIM apenas em 2013). 12. Ao alegar que está cobrando tributo referente ao anocalendário de 2009 as Autoridades Administrativas pretendem na verdade burlar o prazo decadencial. Ora, a revisão do saldo negativo da recorrente que culminou na lavratura do presente Auto de Infração e extemporânea, pois já se passaram mais de 15 anos desde a apuração do saldo negativo de CSL que ora está sendo questionado (apurado em 1999). 13. Não há dúvidas, portanto, de que não é possível a revisão do saldo negativo apurado em anocalendário 1999, já atingido pela decadência. Mesmo que essa revisão seja apenas para atingir o ano de 2009. 14. Nesse sentido, e contrariamente ao que restou decidido pelo V. Acórdão recorrido, e importante transcrever o entendimento majoritário do atual desse E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais ("CARF"): (...) 15. Admitir a possibilidade de revisão do saldo negativo de CSL a qualquer tempo implica em violação ao princípio da segurança jurídica do contribuinte, uma vez que tal entendimento desconsidera a limitação temporal para que o Poder Público conteste os atos dos administrados. Tal situação não pode ser admitida, pois gera instabilidade jurídica, e permite que o contribuinte seja surpreendido por questionamentos extemporâneos, em total contrariedade aos princípios constitucionais da legalidade, razoabilidade e proporcionalidade. 16. Diante disso, conforme os diversos precedentes expostos acima, nos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação (como é o caso da CSL), onde a D. Fiscalização proceda a glosa das bases Fl. 712DF CARF MF 6 negativas compensadas em períodosbase anteriores, o prazo de decadência contase na forma do artigo 150, §4°, do CTN, ou seja, a partir do momento da apuração do respectivo saldo a compensar. 17. Assim, resta demonstrada a incontestável ocorrência da decadência da presente exigência fiscal, uma vez que pretende contestar a formação de base negativa de CSL apurada há mais de quatorze anos (anocalendário de 1999), razão pela qual a Recorrente requer seja o V. Acórdão recorrido reformado para que se declare a nulidade da autuação. II.2. MÉRITO: A IMPROCEDÊNCIA DA EXIGÊNCIA FISCAL (a) Comprovação e existência de saldo negativo de CSL decorrente da cisão parcial da CESP 18. Conforme exposto na Impugnação apresentada em 12.9.2013, o saldo negativo apurado em 1999, que posteriormente foi utilizado para compensar a CSL devida no anocalendário de 2009, decorre da cisão da CESP e posterior transferência de 16,65% de seu patrimônio líquido a Recorrente. 19. Em razão da cisão parcial, coube a Recorrente a base de cálculo negativa apurada até então pela CESP na mesma proporção do patrimônio líquido que Ihe foi transferido, ou seja, R$ 2.071.272.000,00, que representava, à época, o montante de R$ 344.866.754,52 (16,65% do total). 20. Conforme afirma o V. Acórdão recorrido, a existência do saldo negativo apurado em 1999 foi devidamente comprovada pelos documentos juntados na Impugnação. Inclusive, a Recorrente demonstrou que eventuais erros formais constantes no sistema da Receita Federal não podem ser levados em consideração para a glosa de seu saldo negativo, tendo em vista a comprovação, pelos documentos juntadas aos autos, da existência do crédito decorrente de base de cálculo negativa de CSL. Tal argumento sequer foi contestado pelo V. Acórdão recorrido. 21. Desse modo, as Autoridades Administrativas consideraram estar correto o saldo negativo de CSL apurado em 1999 pela Recorrente, e afirmaram tãosomente que a base de cálculo negativa apurada não poderia ser utilizada para compensações futuras, em razão de suposta vedação legal constante na legislação do IRPJ. 22. Sendo assim, a Recorrente se reporta aos argumentos exposto no item IV (subitens 17 a 32) de sua Impugnação, como se aqui estivessem transcritos, e que demonstram a origem e suficiência da base de cálculo negativa de CSL apurada em 1999. A seguir, passa a demonstrar a possibilidade de utilização da base de cálculo negativa de CSL proveniente da empresa CESP para a compensação com períodos posteriores. (b) A possibilidade de utilização da base negativa apurada em 1999 Cisão parcial da CESP e inexistência de vedação legal 23. As Autoridades Administrativas afirmam que a Recorrente não poderia ter utilizado a base de cálculo negativa de CSL decorrente da Fl. 713DF CARF MF Processo nº 19515.721793/201355 Acórdão n.º 1302002.009 S1C3T2 Fl. 675 7 cisão e posterior incorporação do patrimônio da CESP, em razão do disposto no artigo 33 do DecretoLei n° 2.341/1987. 24. Entretanto, o artigo 33 do DecretoLei n° 2.341/1987 referese especificamente a compensação de prejuízos fiscais, e não de base negativa da CSL. Em relação a base de cálculo negativa, na época da incorporação da parcela cindida da CESP não havia qualquer vedação ao aproveitamento da base de cálculo negativa pela empresa sucessora. 25. Somente em 29.6.1999, com a edição da Medida Provisória n° 1.8586 (artigo 202), foi estendida a CSL a vedação à utilização de base de cálculo negativa pela empresa sucessora. Portanto, tal disposição se aplica somente aos casos em que a transferência da base negativa da CSL à empresa sucessora tenha ocorrido a partir do ano calendário de 2000, e não se trata de norma interpretativa, razão pela qual não pode retroagir, conforme disposto no artigo 106, inciso I do CTN. 26. Desse modo, mostrase completamente correta a apropriação da base de cálculo negativa da CSL em decorrência da cisão da CESP e parcial incorporação pela Recorrente, que ocorreu no anocalendário de 1999, tendo em vista que à época não havia qualquer vedação a utilização da base de cálculo negativa pela empresa sucessora decorrente de cisão ou incorporação. 27. Contrariamente ao que alegam as Autoridades Administrativas, não se aplica ao presente caso as regras referentes ao IRPJ, tendo em vista que foi editada norma (MP 1.8586) específica para que fosse aplicável tal vedação à CSL. É evidente, portanto, que antes da edição de tal norma os contribuintes sucessores poderiam utilizar a base de cálculo negativa de CSL da empresa sucedida, conforme fez a Recorrente. 28. Inclusive, tal entendimento é corroborado pela jurisprudência pacífica desse E. CARF, que admite a utilização de base negativa de CSL pelas empresas sucedidas em períodos anteriores a 2000. Confira se: (...) 29. Ora, o artigo 227 da Lei das Sociedades por Ações (6.404/1976) estabelece que a sociedade incorporadora sucede a empresa incorporada em todos os seus direitos e obrigações. Tal dispositivo, portanto, deixa claro que o direito à base de cálculo negativa de CSL apurada pela CESP deve ser transferido a Recorrente, a qual poderá utilizálo para posterior compensação com os débitos desta contribuição, tendo em vista que a transferência ocorreu antes da vigência da MP 1.8586. 30. Diante do exposto, resta demonstrada a possibilidade de utilização da base de cálculo negativa de CSL proveniente da CESP (sucedida), razão pela qual o V. Acórdão recorrido merece integral reforma para que a presente exigêcia fiscal seja totalmente cancelada. Caso assim não se entenda, o que se admite a título de argumentação, a Recorrente passa a expor os motivos pelos quais ao menos a multa isolada imposta deve ser cancelada. Fl. 714DF CARF MF 8 III. A NECESSÁRIA APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA CONSUNÇÃO E A IMPOSSIBILIDADE DE COBRANÇA DA MULTA ISOLADA CUMULADA COM MULTA DE OFÍCIO (...) 51. Resta demonstrada, portanto, a improcedência na conduta da D. Fiscalização, em aplicar, simultaneamente, a multa de ofício em razão da suposta redução indevida da base de cálculo da CSL; e da multa isolada pelo não recolhimento das estimativas mensais, razão pela qual é evidente a necessidade de cancelamento da multa isolada, sob pena de se exigir duas penalidades sob a mesma conduta, o que não se pode admitir, conforme os diversos e pacíficos precedentes expostos acima. IV. CONCLUSAO E PEDIDO 52. Diante de todo o exposto, a Recorrente requer seja ACOLHIDO E INTEGRALMENTE PROVIDO o presente Recurso Voluntário, para o fim de que seja reformado o V. Acórdão recorrido, reconhecendose, em preliminar, a NULIDADE da autuação fiscal, em razão da inquestionável ocorrência da decadência, conforme a regra do artigo 150, §4°, do CTN, na medida em que está se questionando apenas em 2013 a formação de base negativa da CSL que foi originada no ano de 1999, ou seja, quase 15 anos depois. 53. Caso assim não entendam V.Sas., a Recorrente requer, no mérito, seja reformado o V. Acordão recorrido para que seja cancelada a presente cobrança, uma vez que foi comprovada a existência e suficiência do saldo negativo de CSL apurado em 1999, bem como a possibilidade jurídica de sua utilização para compensação em períodos posteriores, na medida em que não havia na época qualquer vedação no ordenamento jurídico brasileiro para que a empresa sucessora pudesse receber a transferência da base negativa da CSL da empresa. 54. Caso ainda assim não entenda esse E. CARF, o que efetivamente se admite apenas para argumentar, a Recorrente requer, ao menos, seja cancelada a multa isolada aplicada, em obediência ao princípio da consunção, tendo em vista que representa cobrança em duplicidade, uma vez que a mesma conduta (falta de recolhimento da CSL) gerou a cobrança da multa de ofício de 75% sobre o tributo que supostamente deixou de ser recolhido. 55. Termos em que, protestando pela realização de outras diligências julgadas necessárias para a comprovação do direito creditório em discussão, bem como seja autorizada (e a Recorrente intimada para) a realização de sustentação oral.” É o relatório. Voto O recurso voluntário é tempestivo e foi subscrito por mandatários com poderes para tal, conforme procuração a fls. 623, razão pela qual dele conheço. Antes de adentrarmos no julgamento do recurso voluntário, cabe trazer à colação os seguintes trechos do Termo de Verificação Fiscal, para que fique claro o fundamento da autuação sub examine, in verbis: “Na planilha apresentada relativamente ao saldo inicial de Base de Fl. 715DF CARF MF Processo nº 19515.721793/201355 Acórdão n.º 1302002.009 S1C3T2 Fl. 676 9 Cálculo negativa da CSLL o contribuinte informa o valor de R$ 344.866.754,52, observando tratarse de saldo da empresa CESP da qual a Duke Energy se originou a partir de cisão do patrimônio daquela empresa. Conforme dados do Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) a empresa iniciou suas atividades em 22/02/1999, tendo absorvido parcela do patrimônio resultante da cisão da empresa CESP. Cabe observar que, o saldo existente de Base de Cálculo negativa da CSLL constante do Sistema SAPLI para a empresa CESP – Companhia Energética do Estado de São Paulo, inscrita no CNPJ sob o nº 60.933.603/000178 na DIPJ antes d evento da cisão era de R$ 327.208.009,94. Ressaltamos que mesmo este saldo não poderia ser objeto de compensação pela empresa sucessora. 6. A Lei que instituiu a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido se reporta a Legislação do Imposto de Renda como complementação para apuração e administração desta contribuição. Assim é que dispõe em seu art. 6º, parágrafo único da Lei nº 7689/88: Art. 6º A administração e fiscalização da contribuição social de que trata esta lei compete à Secretaria da Receita Federal. Parágrafo único. Aplicamse à contribuição social, no que couber, as disposições da legislação do imposto de renda referente à administração, ao lançamento, à consulta, à cobrança, às penalidades, às garantias e ao processo administrativo. Em adição a esta determinação temos posteriormente as determinações da Lei 8981/95 com as alterações introduzidas pela Lei 9065/95 a seguir transcritas: Art. 57. Aplicamse à Contribuição Social sobre o Lucro (Lei nº 7.689, de 1988) as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas, inclusive no que se refere ao disposto no art. 38, mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação em vigor, com as alterações introduzidas por esta Lei. Verificamos que conforme comando do art. 514 do RIR/99 (art. 33 do DecretoLei 2341/87) in verbis: Art. 514. A pessoa jurídica sucessora por incorporação, fusão ou cisão não poderá compensar prejuízos fiscais da sucedida (DecretoLei nº 2.341, de 1987, art. 33). 8. Verificamos assim que o contribuinte não possuía saldo de Base de Cálculo Negativa da CSLL de períodosbase anteriores, para utilizar na compensação com a base de Cálculo da CSLL devida no Fl. 716DF CARF MF 10 período conforme disposições da legislação pertinente a matéria conforme acima dissertamos.” Assim, podese perceber com clareza que o busílis reside em saber se a recorrente teria direito a compensar parcela de saldo de base negativa de empresa cindida em 1999 (CESP), cuja parcela do patrimônio foi por ela absorvida. Em preliminar, a recorrente alega a nulidade da autuação fiscal, por sustentar que teria ocorrido a decadência, conforme a regra do artigo 150, §4°, do CTN, na medida em que se questiona em 2013 a formação de base negativa da CSL que foi originada no ano de 1999, ou seja, quase 15 anos depois. Primeiramente, há que se observar que, no caso em tela, não estamos tratando de um lançamento para reduzir base negativa, mas de um lançamento que constituiu crédito de CSLL do AC 2009 em 2013, logo, não há que se falar em decadência do lançamento. Não obstante, como o crédito de CSLL/AC2009 se originou da glosa da compensação de base negativa feita pelo contribuinte, por entender a Fiscalização que ele não fazia jus à base negativa da CESP utilizada na referida compensação, é lógico que, ao não aceitar a base negativa oriunda da cisão ocorrida em 1999, a Fiscalização indiretamente retificou o saldo de base negativa da recorrente de 1999. Por essa razão, cabe perquirir se havia necessidade de a redução da base negativa ser feita em auto de infração próprio ou em item distinto do auto de infração em tela, bem como se poderia a glosa sob tal fundamento ocorrer em 2013. O acórdão recorrido afastou a decadência, por sustentar que: “Assim, como a base negativa glosada – R$ 69.011.193,23 tem sua origem em 1999, segundo se infere dos cálculos informados pelo contribuinte às fls. 207/210, entende, equivocadamente, haver sido infringido o artigo 150, § 4° do CTN. Caso houvesse sido efetuada cobrança de tributos, em 2013, relativa ao anocalendário de 1999, o contribuinte teria razão. Ocorre que não foi isso: o lançamento, seja da multa ou da CSLL devida, referese ao ano calendário de 2009.”. Correta a decisão da DRJ, pois não se pode aplicar uma regra decadencial do direito de o Fisco constituir o crédito tributário, seja o art. 173, I, ou o art. 150, § 4º, ambos do CTN, para limitar no tempo o direito de o Fisco verificar se o contribuinte tem saldo de prejuízo fiscal. Ora, por mais conhecidos que sejam, vale trazer à colação os artigos do CTN em tela, primeiro, vejamos o art. 150: “Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o Fl. 717DF CARF MF Processo nº 19515.721793/201355 Acórdão n.º 1302002.009 S1C3T2 Fl. 677 11 lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” Tal dispositivo trata de lançamento por homologação, ou seja, quando o contribuinte tem a obrigação de antecipar o pagamento do tributo antes de qualquer ação fiscal. A regra do § 4º apenas estipula um prazo para o Fisco verificar se o pagamento foi feito em conformidade com a legislação, sob pena de considerálo tacitamente homologado. É absurda a aplicação de tal norma na espécie, a não ser que os meus pares queiram instituir de lege ferenda uma nova homologação com base no § 4º em tela: a “homologação de base negativa/prejuízo fiscal” após 5 anos do seu registro no Lalur. Tal interpretação desborda por completo os parâmetros hermenêuticos da norma em tela, pois só a Lei poderia chegar a tanto. Melhor sorte também não tem aqueles que entendem ser aplicável o art. 173, I, se não vejamos como dispõe: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Ora, o art. 173 estipula prazo para o Fisco constituir o crédito tributário, não para reconhecer direitos de contribuintes (ou expectativas de direitos, sem querer entrar nesse debate no momento). Esse talvez seja o maior equívoco daqueles que falam em decadência tributária do lançamento que reduz saldo de prejuízo fiscal/base negativa. É um erro conceitual do que seja decadência. A decadência decorre de uma inércia do titular no gozo de um direito potestativo, assim, quando falamos do direito de constituir o crédito tributário – que é um direito potestativo – a inércia do Fisco por um determinado prazo, faz com que tal direito pereça, evento que chamamos de decadência tributária, seja pela regra do art. 173, I ou do art. 150, § 4º, ambos do CTN. Ora, quando estamos tratando de prejuízo fiscal ou base negativa, o titular do direito (ou da mera expectativa de direito) não é o Fisco, mas o contribuinte. Assim, como falar em inércia do Fisco se o gozo do direito que nasceu com a apuração da base negativa/prejuízo fiscal (compensação com tributos futuros) depende apenas de seu titular, o contribuinte. Conforme já dito, é verdade que a Lei poderia criar um prazo para que o Fisco pudesse fiscalizar os registros de prejuízos fiscais/base negativa no LALUR, mas o legislador até agora não o fez, mas por um motivo óbvio, ou seja, porque também não há mais prazo para que o contribuinte se compense do prejuízo fiscal/base negativa. Ora, se a inércia do contribuinte em gozar do seu direito – compensação do prejuízo fiscal/base negativa – não perece, como falar em perecimento do Fisco em verificar se tal direito efetivamente existe? Seria no mínimo desarrazoado, para não falar em perigoso do ponto de vista de administração tributária. É verdade que o Decreto nº 70235/72 chegou a prever a obrigatoriedade de auto de infração ou notificação de lançamento, para que fosse reduzido o saldo de prejuízo fiscal de um determinado contribuinte, se não vejamos como dispunha o art. 9º com a redação que lhe foi dada pela Lei 8748/93: Art. 9º A exigência de crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a aplicação de penalidade isolada serão formalizadas em autos de infração ou notificação de lançamento, distintos para cada imposto, contribuição ou penalidade, os quais deverão estar Fl. 718DF CARF MF 12 instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. Com a MPV 449/08 (posteriormente convertida em Lei 11.941/09), o art. 9º passou a viger com a seguinte redação: Art. 9º A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. Notese que, em nenhum momento o art. 9º dispôs expressamente sobre redução de base negativa, mas também não havia obstáculo para que as reduções feitas de ofício fossem formalizadas por auto de infração, mormente em função do que dispõe o art. 6º da Lei 7.689/88. Ademais, é óbvio que a esse auto de infração que reduzia prejuízo fiscal/base negativa não se aplicaria as regras dos arts. 150, §4º, e 173, I, do CTN, pois não ele constituía crédito tributário. Por outro lado, hoje, sob a égide do atual art. 9º que não prevê expressamente auto de infração para reduzir prejuízo fiscal, não há óbice que a redução de prejuízo fiscal/base negativa continue sendo feita por auto de infração, pois isso garante o direito de defesa do contribuinte, possibilitando a sua impugnação desde logo, antes que se constitua em glosa de compensação. Todavia, se o Fisco só toma conhecimento da indevida base negativa a compensar após o contribuinte utilizála, não há óbices no ordenamento jurídico, para que promova a glosa da compensação sob o fundamento de que o contribuinte não teria direito a compensar a aludida base negativa a qualquer tempo, já que, como já dito, também não há prazo para que o contribuinte goze do seu direito de compensar prejuízo fiscal/base negativa. Por essas razões, voto por afastar a preliminar de decadência apontada. Com relação ao mérito, cabe, inicialmente, ressaltar que o parágrafo único do art. 6º da Lei nº 7.689/88 não autoriza o intérprete a estender à CSLL a aplicação do disposto no art. 33 do DecretoLei nº 2.341/87. Notese que o art. 33 do DL 2.341/87 é uma norma antielesiva específica que estabeleceu uma limitação à compensação de prejuízos fiscais, nada tratando sobre compensação de bases negativas de CSLL, até mesmo porque a CSLL só viria a ser instituída no ano seguinte ao da edição do referido DecretoLei. Por sua vez, o parágrafo único do art. 6º da Lei 7.689/88 apenas autoriza que se aplique à CSLL disposições da legislação do imposto de renda referente à administração, ao lançamento, à consulta, à cobrança, às penalidades, às garantias e ao processo administrativo, ou seja, não autoriza que se aplique à CSLL qualquer norma que verse sobre a base tributável do IRPJ. Da mesma forma, o art. 57 da Lei 8.891/95 não autoriza que se aplique à CSLL normas do IRPJ que versem sobre exclusão e adição ao lucro líquido ou compensação de prejuízos fiscais, pois, não obstante disponha que se aplica à CSLL as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas, expressamente ressalva que a base de cálculo desses tributos são diferentes. Ou seja, as normas de apuração do lucro líquido aplicáveis ao IRPJ são também aplicáveis à CSLL, mas para por aí as semelhanças, pois as normas do IRPJ que versam sobre ajustes ao lucro líquido e compensação de prejuízos fiscais não se aplicam à CSLL, salvo logicamente quando expressamente previsto em Lei. Ocorre que o art. 20 da Medida Provisória nº 1.8586, de 29/06/1999, publicada no DOU de 30/06/1999, assim dispôs: “Art. 20. Aplicase à base de cálculo negativa da CSLL o disposto nos arts. 32 e 33 do DecretoLei no 2.341, de 29 de junho de 1987.”. Observo que tal norma foi repetida em todas as reedições desta Medida Provisória e, hoje, consta do art. 22 da MPV 2.15835/2001. Entretanto, o que se deve ressaltar é que uma medida provisória que altere a base tributável da CSLL incide sobre Fl. 719DF CARF MF Processo nº 19515.721793/201355 Acórdão n.º 1302002.009 S1C3T2 Fl. 678 13 fatos geradores ocorridos após 90 dias da sua publicação, conforme dispõe o art. 195, §6º, da CF/88. Ora, fica claro assim que, em 31/12/1999, data do fato gerador da CSLL em tela, a recorrente encontrava um óbice legal no art. 33 do DL 2.341, para registrar como sua a base negativa de CSLL da CESP, empresa cindida da qual absorveu parte do patrimônio. É verdade que o autuante não citou o art. 20 da MP 1.8586/99 em seu enquadramento legal, mas isso não retira a higidez da autuação em tela, pois o recorrente, não se defende do enquadramento legal, mas dos fatos que lhe são imputados, razão pela qual não houve qualquer cerceamento do direito de defesa. Ademais, na sua peça de defesa, o recorrente demonstra claramente que tinha conhecimento do teor do art. 20 da MPV 1.858 6, apenas se equivocou quanto ao momento em que tal norma começou a surtir efeitos, talvez por esquecimento do disposto no § 6º do art. 195 da CF/88. Durante a sessão do mês de setembro de 2016, a Conselheira Ana Barros suscitou dúvida sobre a possibilidade de a MP 1.8586, de 29/06/1999, atingir parcela de base de cálculo negativa oriunda da cisão efetivada em 24/06/1999 e, por isso, pediu vistas dos autos. Com a devida vênia da I. Conselheira, ouso divergir do seu entendimento, pois entendo que não há direito futuro deferido à compensação de base de cálculo negativa quando do seu registro. Em verdade, estamos diante de um direito futuro não deferido, pois não se incorporam de imediato ao patrimônio do contribuinte quando da apuração da base negativa e, pode até nunca vir a ser incorporado por razões alheias à vontade do contribuinte. Assim, o direito do contribuinte à compensação só se efetiva no momento em que apura uma base tributável e exista saldo de prejuízo fiscal/base negativa a compensar, observandose a lei em vigor neste momento e, não, a lei pretérita em vigor no momento em que foi apurado o prejuízo fiscal/base negativa. Por exemplo, quando da entrada em vigor da Lei 8.981/95, alterouse o regime de compensação de prejuízos fiscais/bases negativas, o qual deixou de prever uma limitação temporal, para estipular uma limitação quantitativa, sendo que todo o saldo existente antes da entrada em vigor da aludida lei foi submetido à nova sistemática. Ademais, o aspecto material da hipótese de incidência do IRPJ/CSLL (lucro real/base ajustada) deve ser aferido dentro do lapso temporal que constitui o seu aspecto temporal e não durante todo o tempo de vida da pessoa jurídica, razão pela qual, não há qualquer óbice que uma lei simplesmente revogue a permissão de compensação, atingindo todo ou parte do saldo existente de prejuízo fiscal/base negativa. Por essas razões, nego provimento ao recurso voluntário neste ponto. Da Multa Isolada Quanto à multa isolada, cabe alerta que já se trata de multa lançada com base no art. 44 da Lei 9.430/96 com as alterações da Lei 11488/07, razão pela qual peço vênia aos meus pares para transcrever voto que venho proferindo em vários outros julgamentos. Este Colegiado firmou, ao longo do tempo, diferentes posições sobre o tema, se não vejamos: a) que não se aplica a multa isolada após o encerramento do ano calendário, pois, a partir desse momento, só caberia a multa de ofício sobre o imposto de renda devido sobre o lucro real, já que não se pode penalizar duas vezes pela mesma infração; b) que só se aplica a multa isolada sobre o valor que o montante do imposto sobre as bases estimadas superarem o imposto de renda sobre o lucro real devido ao final do ano; Fl. 720DF CARF MF 14 c) que, até a entrada em vigor da redação dada pela Lei 11.488/07, a literalidade da redação original do art. 44, § 1o , IV, da Lei 9.430/96 impunha que a multa isolada só fosse devida quando a pessoa jurídica deixasse de pagar o IRPJ e a CSLL e que os valores calculados sobre a base estimada são meras antecipações, logo não se confundem com tais tributos; d) que a multa isolada não é devida juntamente com a multa de ofício por ser aplicável o instituto do Direito Penal da “consunção”. Em 08/12/2014, foi aprovada a Súmula CARF nº 105, cujo verbete assim dispõe: “A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício.”. Notese que que o teor da Súmula CARF nº 105 deixa claro que o Pleno deste Colegiado adotou a posição segundo a qual a multa isolada só pode ser cumulada com a multa de ofício a partir da entrada em vigor da MPv nº 351/2007 (que se converteu na Lei 11.488/07), a qual alterou o art. 44 da Lei 9.430/96, tanto que faz constar expressamente em seu verbete que só era inaplicável a cumulação de multas, quando a multa isolada fosse fundamentada no art. 44, § 1o, IV, da Lei 9430/96. Assim, como os lançamentos das multas isoladas em tela se fundamentaram no art. 44, inciso II, alínea “b”, da Lei 9.430/96, é inaplicável, na espécie, a Súmula CARF nº 105, razão pela qual adentro ao mérito. Tratase assim de questão de amplo conhecimento deste Colegiado, razão pela qual, peço vênia aos meus pares para reproduzir voto proferido em outras assentadas, no qual enfrentei cada uma dessas posições. Da inviabilidade de aplicação do princípio da consunção O princípio da consunção é princípio específico do Direito Penal, aplicável para solução de conflitos aparentes de normas penais, ou seja, situações em que duas ou mais normas penais podem aparentemente incidir sobre um mesmo fato. Primeiramente, há que se ressaltar que a norma sancionatória tributária não é norma penal stricto sensu. Vale aqui a lembrança que o parágrafo único do art. 273 do anteprojeto do CTN (hoje, art. 112 do CTN), elaborado por Rubens Gomes de Sousa, previa que os princípios gerais do Direito Penal se aplicassem como métodos ou processos supletivos de interpretação da lei tributária, especialmente da lei tributária que definia infrações. Esse dispositivo foi rechaçado pela Comissão Especial de 1954 que elaborou o texto final do anteprojeto, sendo que tal dispositivo não retornou ao texto do CTN que veio a ser aprovado pelo Congresso Nacional. À época, a Comissão Especial do CTN acolheu os fundamentos de que o direito penal tributário não tem semelhança absoluta com o direito penal (sugestão 789, p. 513 dos Trabalhos da Comissão Especial do CTN) e que o direito penal tributário não é autônomo ao direito tributário, pois a pena fiscal mais se assemelha a pena cível do que a criminal (sugestão 787, p.512, idem). Não é difícil, assim, verificar que, na sua gênese, o CTN afastou a possibilidade de aplicação supletiva dos princípios do direito penal na interpretação da norma tributária, logicamente, salvo aqueles expressamente previstos no seu texto, como por exemplo, a retroatividade benigna do art. 106 ou o in dubio pro reo do art. 112. Das condutas infracionais diferentes Ainda que aplicável fosse o princípio da consunção para solucionar conflitos aparentes de norma tributárias, não há no caso em tela qualquer conflito que Fl. 721DF CARF MF Processo nº 19515.721793/201355 Acórdão n.º 1302002.009 S1C3T2 Fl. 679 15 justificasse a sua aplicação. Conforme já asseverado, o conflito aparente de normas ocorre quando duas ou mais normas podem aparentemente incidir sobre um mesmo fato, o que não ocorre in casu, já que temos duas situações fáticas diferentes: a primeira, o não recolhimento do tributo devido; a segunda, a não observância das normas do regime de recolhimento sobre bases estimadas. Ressaltese que o simples fato de alguém, optante pela base ajustada anual, deixar de recolher a CSLL mensal sobre a base estimada não enseja per se a aplicação da multa isolada, pois esta multa só é aplicável quando, além de não recolher a CSLL mensal sobre a base estimada, o contribuinte deixar de levantar balanço de suspensão, conforme dispõe o art. 35 da Lei no 8.981/95. Assim, a multa isolada não decorre unicamente da falta de recolhimento da CSLL mensal, mas da inobservância das normas que regem o recolhimento sobre bases estimadas, ou seja, do regime. Temos, então, duas situações fáticas diferentes, sob as quais incidem normas também diferentes. O art. 44 da Lei no 9.430/96 na sua redação originária já albergava várias normas, das quais vale pinçar as duas sub examine: a decorrente da combinação do inciso I do caput com o inciso I do § 1o aplicável por falta de pagamento do tributo; e a decorrente da combinação do inciso I do caput com o inciso IV do § 1o – aplicável pela não observância das normas do regime de recolhimento por estimativa. Ora, a norma prevista da combinação do inciso I do caput com o inciso I do § 1o do art. 44 jamais poderia ser aplicada pela falta de recolhimento do IRPJ sobre a base estimada, então, como se falar em consunção, para que esta absorva a norma prevista da combinação do inciso I do caput com o inciso IV do mesmo § 1o . Assim, demonstrado que temos duas situações fáticas diferentes, sob as quais incidem normas diferentes, resta irrefutável que não há unidade de conduta, logo não existe qualquer conflito aparente entre as normas dos incisos I e IV do § 1º do art. 44 e, consequentemente, indevida a aplicação do princípio da consunção no caso em tela. Noutro ponto, refuto os argumentos de que a falta de recolhimento da estimativa mensal seria uma conduta menos grave, por atingir um bem jurídico secundário – que seria a antecipação do fluxo de caixa do governo. Conforme já demonstrado, a multa isolada é aplicável pela não observância do regime de recolhimento pela estimativa e a conduta que ofende tal regime jamais poderia ser tida como menos grave, já que põe em risco todo o sistema de recolhimento da CSLL sobre a base ajustada anual – pelo menos no formato desenhado pelo legislador. Em verdade, a sistemática de antecipação dos impostos ocorre por diversos meios previstos na legislação tributária, sendo exemplos disto, alem dos recolhimentos por estimativa, as retenções feitas pelas fontes pagadoras e o recolhimento mensal obrigatório (carnêleão), feitos pelos contribuintes pessoas físicas. O que se tem, na verdade são diferentes formas e momentos de exigência da obrigação tributária. Todos esses instrumentos visam ao mesmo tempo assegurar a efetividade da arrecadação tributária e o fluxo de caixa para a execução do orçamento fiscal pelo governo, impondose igualmente a sua proteção (como bens jurídicos). Portanto, não há um bem menor, nem uma conduta menos grave que possa ser englobada pela outra, neste caso. Ademais, é um equívoco dizer que o não recolhimento da CSLLestimada é uma ação preparatória para a realização da “conduta mais grave” – não recolhimento do tributo efetivamente devido no ajuste. O não pagamento de todo o tributo devido ao final do exercício pode ocorrer independente do fato de terem sido recolhidas as estimativas, pois o resultado final apurado não guarda necessariamente proporção com os valores devidos por estimativa. Ainda que o contribuinte recolha as antecipações, ao final pode ser apurado um saldo de tributo a pagar, com base no resultado do exercício. As infrações tributárias que Fl. 722DF CARF MF 16 ensejam a multa isolada e a multa de ofício nos casos em tela são autônomas. A ocorrência de uma delas não pressupõe necessariamente a existência da outra, logo inaplicável o princípio da consunção, já que não existe conflito aparente de normas. Das diferentes bases para cálculos das multas A tese de que as multas isolada e de ofício, no presente caso, estariam incidindo sobre a mesma base, também, não deve prosperar, seja porque as bases não são idênticas, seja porque, ainda que idênticas, o bis in idem só ocorreria se as duas sanções fossem aplicadas pela ocorrência da mesma conduta, o que já ficou demonstrado que não ocorre, se não vejamos. A multa isolada corresponde a um percentual da CSLL calculada sobre a base estimada, na qual o valor das despesas e custos decorrem de uma estimativa legal, ou seja, o legislador quando determina a aplicação de um percentual sobre a receita bruta, para o cálculo da base estimada, está, em verdade, estimando custos e despesas. A multa de ofício, in casu, corresponde a um percentual sobre a CSLL calculado sobre o lucro real, na qual se leva em conta as despesas e custos efetivamente incorridos. Em suma, se a base estimada difere do lucro real, se são valores distintos, inclusive com previsões legais distintas, os impostos delas resultantes são também valores distintos e, consequentemente, as multas ad valorem que incidem sobre elas, também, são valores que não se confundem. Todavia, ainda que as multas isolada e de ofício fossem calculadas sobre a CSLL incidente sobre a mesma base de cálculo, isso não significaria um bis in idem, pois, como já asseverado acima, a ocorrência de uma infração não importa necessariamente na ocorrência da outra, o que torna irrefutável que as infrações decorrem de condutas diversas. O contribuinte pode ter recolhido toda a CSLL devida sobre a base estimada em cada mês do anocalendário e não recolher a diferença calculada ao final do período, ficando sujeito assim a multa de ofício, mas não a multa isolada. Ao contrário, pode deixar de recolher a CSLL sobre a base estimada, mas pagar, ao final do ano, toda a CSLL sobre a base ajustada, hipótese na qual só ficará sujeito à multa isolada. A definição da infração, da base de cálculo e do percentual da multa aplicável é matéria exclusiva de lei, nos termos do art. 97, V do CTN, não cabendo ao intérprete questionar se a dosimetria aplicada em tal e qual caso é adequada ou excessiva, a não ser que adentre a seara da sua constitucionalidade, o que está expressamente vedado pela Súmula CARF no 2. Da redação original do art. 44, § 1o, IV, da Lei 9430/96 Aditese ainda, que o legislador dispôs expressamente, já na redação original do inciso IV do § 1o do art. 44, que é devida a multa isolada ainda que o contribuinte apure prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa ao final do ano, deixando claro, assim, que: a) primeiro, que estava se referindo ao imposto ou contribuição calculado sobre a base estimada, já que em caso de prejuízo fiscal e base negativa, não há falar em tributo devido no ajuste; e b) segundo, que o valor apurado como base de cálculo do tributo ao final do ano é irrelevante para se saber devida ou não a multa isolada; e c) terceiro, que a multa isolada é devida ainda que lançada após o encerramento do anocalendário, já que pode ser lançada mesmo após apurado prejuízo fiscal ou base negativa. . Em face do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Fl. 723DF CARF MF Processo nº 19515.721793/201355 Acórdão n.º 1302002.009 S1C3T2 Fl. 680 17 Alberto Pinto Souza Junior Relator Fl. 724DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10510.720040/2012-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
DESPESA COM PREVIDÊNCIA PRIVADA. DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. COMPROVAÇÃO. DEDUTIBILIDADE.
Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência do imposto de renda pessoa física, poderão ser deduzidas as contribuições à previdência privada devidamente comprovadas, que foi, parcialmente, o caso dos autos.
Apresentada documentação comprobatória das despesas com previdência privada que motivaram a autuação por dedução indevida da base de cálculo do imposto de renda, resta a glosa insubsistente.
PROVENTOS DE APOSENTADORIA OU REFORMA. RENDIMENTOS ISENTOS E NÃO TRIBUTÁVEIS. MOLÉSTIA GRAVE. LAUDO OFICIAL. Constituem rendimentos isentos e não-tributáveis os proventos de aposentadoria ou reforma percebido pelos portadores de moléstia grave especificada em lei, tendo em vista a comprovação mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados e dos Municípios.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-005.553
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso e dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente
(assinado digitalmente)
Bianca Felícia Rothschild - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, João Victor Ribeiro Aldinucci e Bianca Felicia Rothschild.
Nome do relator: BIANCA FELICIA ROTHSCHILD
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2010 DESPESA COM PREVIDÊNCIA PRIVADA. DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. COMPROVAÇÃO. DEDUTIBILIDADE. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência do imposto de renda pessoa física, poderão ser deduzidas as contribuições à previdência privada devidamente comprovadas, que foi, parcialmente, o caso dos autos. Apresentada documentação comprobatória das despesas com previdência privada que motivaram a autuação por dedução indevida da base de cálculo do imposto de renda, resta a glosa insubsistente. PROVENTOS DE APOSENTADORIA OU REFORMA. RENDIMENTOS ISENTOS E NÃO TRIBUTÁVEIS. MOLÉSTIA GRAVE. LAUDO OFICIAL. Constituem rendimentos isentos e não-tributáveis os proventos de aposentadoria ou reforma percebido pelos portadores de moléstia grave especificada em lei, tendo em vista a comprovação mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados e dos Municípios. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso e dar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo - Presidente (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, João Victor Ribeiro Aldinucci e Bianca Felicia Rothschild.
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DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. COMPROVAÇÃO. DEDUTIBILIDADE. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência do imposto de renda pessoa física, poderão ser deduzidas as contribuições à previdência privada devidamente comprovadas, que foi, parcialmente, o caso dos autos. Apresentada documentação comprobatória das despesas com previdência privada que motivaram a autuação por dedução indevida da base de cálculo do imposto de renda, resta a glosa insubsistente. PROVENTOS DE APOSENTADORIA OU REFORMA. RENDIMENTOS ISENTOS E NÃO TRIBUTÁVEIS. MOLÉSTIA GRAVE. LAUDO OFICIAL. Constituem rendimentos isentos e nãotributáveis os proventos de aposentadoria ou reforma percebido pelos portadores de moléstia grave especificada em lei, tendo em vista a comprovação mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados e dos Municípios. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 72 00 40 /2 01 2- 17 Fl. 63DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso e darlhe provimento. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, João Victor Ribeiro Aldinucci e Bianca Felicia Rothschild. Fl. 64DF CARF MF Processo nº 10510.720040/201217 Acórdão n.º 2402005.553 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Conforme relatório da decisão recorrida, tratase de Notificação de Lançamento (NL) nº 2010/294596988967236, para constituição do crédito tributário correspondente ao Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza da Pessoa Física (IRPF), relativo ao exercício de 2010, anocalendário de 2009, no valor de R$ 6.480,33, incluídos os acréscimos legais, calculados até 30/11/2011. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constantes da Notificação de Lançamento (NL), o lançamento de ofício foi efetuado em razão de dedução indevidamente declarada a título de Contribuição a Previdência Oficial, no valor de R$ 12.275,91, referente a fonte pagadora Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Nordeste, CNPJ nº 07.273.170/000199. O sujeito passivo foi cientificado, por via postal, com aviso de recebimento, da Notificação de Lançamento (NL) em 07/12/2011 (fl.21) e apresentou impugnação em 04/01/2012 (fl.02), alegando, em síntese, que foi cometido erro no preenchimento da declaração, visto que não diz respeito à contribuição para Previdência Oficial, devendo ser considerado como dedução de outra natureza, sendo que o correto é pagamento a Previdência Privada, Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Nordeste, CNPJ nº 07.273.170/000199 (CAPEF). No entanto, informa, ainda, que foi declarado isento do IRPF sobre a aposentadoria a partir de 24/05/2009, devendo sua declaração ser refeita, onde há restituição no valor de R$ 2.336,11, além do valor de R$ 10.513,40 indevidamente pago. A decisão da autoridade de primeira instancia julgou improcedente a impugnação da Recorrente alegando que a sua afirmação não tem o condão de elidir as informações prestadas na DIRPF. Aduz, também, que na Declaração acostada ao processo (fl.11), o médico perito informa que o contribuinte é portador de moléstia codificada sob nº CID G 83 (Outras síndromes paralíticas), sem indicar o sub item o qual classifica a moléstia a que foi acometido o sujeito passivo, sendo insuficientes as informações contidas nessa declaração para se firmar o convencimento do direito a isenção alegada pelo contribuinte. Cientificado da decisão de primeira instancia em 12.07.2013, o contribuinte apresentou tempestivamente, fl. 44/57, em 01.08.2013, o recurso voluntário aduzindo, em síntese que: · o valor retido na fonte a título de Previdência Privada, relativo ao pagamento realizado à Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Nordeste do Brasil encontrase comprovado pelo Informe de Rendimentos emitido pelo Banco do Nordeste do Brasil S/A (fl. 57) e; · que a alegação da autoridade de origem que o laudo apresentado no âmbito da Impugnação era insuficiente para comprovar a isenção invocada está refutado mediante Fl. 65DF CARF MF 4 apresentação de novo laudo médico, emitido pelo mesmo médico, mas que, diferentemente, do primeiro, desta vez indica o sub item o qual classifica a moléstia a que foi acometido o Recorrente, qual seja, paralisia irreversível e incapacitante CID 81.9 desde 24.05.2009 (fl. 55), moléstia esta prevista em lei, comprovando, portanto, jus à isenção de imposto de renda. É o relatório. Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10510.720040/201217 Acórdão n.º 2402005.553 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheira Bianca Felícia Rothschild Relatora O recurso é TEMPESTIVO, eis que intimado da decisão no dia 12.07.2013, interpôs recurso voluntário no dia 01.08.2013, atendendo também às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser CONHECIDO. Em análise ao caso, verificase que são duas as análises a serem realizadas, a primeira quanto a dedução indevida a título de previdência, objeto do notificação de lançamento lavrado pela fiscalização e o argumento trazido à baila pelo recorrente em sede da impugnação de que seria portador de moléstia grave, portanto, isento do imposto de renda. DEDUÇÃO DE PREVIDÊNCIA PRIVADA A decisão de primeira instancia entendeu que o Recorrente não comprovou as despesas realizadas a título de previdência privada, nos seguintes termos: Em sede de recurso, o Recorrente reapresenta a cópia de rendimentos da Informe de Rendimento feito pelo Banco do Nordeste (fl. 57) apontando, no ano de 2009, o pagamento do valor de R$ 19.634,88 para a previdência privada da Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Nordeste do Brasil. Isso permite afirma que o Recorrente comprovou, no anocalendário de 2009, o pagamento de R$ 19.634,88 para a previdência privada. Assim, não deve ser mantida a glosa oriunda da previdência privada, pois o Recorrente se desincumbiu satisfatoriamente do ônus de prova as despesas realizadas a título de previdência privada (PGBL) no valor de R$ 19.634,88 ISENÇÃO POR MOLÉSTIA GRAVE Para o gozo da isenção pleiteada, a Lei no 7.713/1988 estabelece os seguintes requisitos: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente sem serviços, e os percebidos pelos Fl. 67DF CARF MF 6 portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerosemúltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (Redação dada pela Lei nº 8.541, de 1992) (Vide Lei 9.250, de 1995) (...) XXI os valores recebidos a título de pensão quando o beneficiário desse rendimento for portador das doenças relacionadas no inciso XIV deste artigo, exceto as decorrentes de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão. (Incluído pela Lei nº 8.541, de 1992) (grifouse) Dos dispositivos transcritos, extraemse os dois requisitos para o exercício do direito à isenção pleiteada: a) que os rendimentos sejam oriundos de aposentadoria, reforma ou pensão; b) que o contribuinte seja portador de uma das doenças enumeradas no inciso XIV, do art. 6o, da Lei no 7.713/1988. Ademais, partir do anocalendário 1996, a Lei no 9.250/1995 qualificou a comprovação do segundo requisito nos seguintes termos: Art. 30 A partir de 1° de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6° da Lei n° 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei n° 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. (grifouse) O laudo apresentado em sede de recurso voluntário indica o código CID G 81.9, hemiplegia (tipo de paralisia) de caráter irreversível e incapacitante: Do exposto, concluo que há comprovação, por laudo pericial emitido por serviço médico oficial, de que o sujeito passivo foi diagnosticado com doença prevista no Fl. 68DF CARF MF Processo nº 10510.720040/201217 Acórdão n.º 2402005.553 S2C4T2 Fl. 5 7 inciso XIV, do art. 6o, da Lei no 7.713/1988, pelo que deve ser reconhecido o seu direito à isenção do imposto de renda incidente sobre os rendimentos de aposentadoria. CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para restabelecer a dedução da previdência privada no valor de R$ 19.634,88 e reconhecer a isenção do imposto de renda a partir de 24/05/2009, nos termos do voto. (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild. Fl. 69DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10882.908443/2011-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2009 a 30/09/2009
CRÉDITO DE IPI. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA SELIC. OPOSIÇÃO ESTATAL.
A resistência ilegítima, oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não-cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), sendo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009).
Nos pedidos de ressarcimento para utilização em declaração de compensação, de forma diferente do que ocorre com pedidos de ressarcimento em espécie, não há que se falar em aplicação da taxa SELIC.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3401-003.364
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário, sendo que os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida e Robson José Bayerl acompanharam pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Robson José Bayerl Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO. SELIC. Recorrente PROCOLOR QUÍMICA INDUSTRIAL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2009 a 30/09/2009 CRÉDITO DE IPI. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA SELIC. OPOSIÇÃO ESTATAL. A resistência ilegítima, oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da nãocumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), sendo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009). 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AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 84 43 /2 01 1- 87 Fl. 121DF CARF MF Processo nº 10882.908443/201187 Acórdão n.º 3401003.364 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de PER/DCOMP cujo direito creditório utilizado na compensação é oriundo de saldo credor do IPI referente ao período de apuração de 01/07/2009 a 30/09/2009. Conforme despacho decisório exarado pelo Seort/DRF/Osasco, apesar de o crédito alegado pela Recorrente ter sido integralmente reconhecido (pelo valor original do saldo credor solicitado em ressarcimento PER), parte das compensações declaradas não foi homologada, pois o montante dos débitos informados para compensação, vinculados ao saldo credor do período de apuração sob análise, superou o valor do crédito solicitado e reconhecido. Após ser intimada, a ora Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, julgada improcedente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto por intermédio do Acórdão 14053.021, que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2009 a 30/09/2009 NULIDADES. As causas de nulidade no âmbito do processo administrativo fiscal são somente aquelas elencadas na legislação de regência. O Despacho Decisório devidamente fundamentado é regularmente válido. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. JUROS SELIC. É incabível, por falta de previsão legal, a atualização monetária dos valores objeto de pedido de ressarcimento de créditos do IPI. Dessa decisão, a ora Recorrente foi intimada no dia 16/10/2014, apresentando tempestivo Recurso Voluntário no dia 14/11/2014, pelo qual requereu a reforma do acórdão recorrido, "para o fim de reconhecer e deferir o direito de correção monetária dos créditos de IPI, pois deixaram de ser escriturais, bem como aplicar a taxa SELIC, com a posterior homologação das compensações na integralidade", com base nos seguintes argumentos: (i) nulidade da decisão que não reconheceu o direito de crédito da Recorrente, por falta de fundamentação e por não ter intimado a Recorrente para esclarecer os motivos de ter pleiteado o ressarcimento; (ii) aplicação da correção monetária pela utilização da taxa SELIC em créditos objeto de pedidos de ressarcimento junto a Receita Federal. É o relatório. Fl. 122DF CARF MF Processo nº 10882.908443/201187 Acórdão n.º 3401003.364 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401003.340, de 25 de janeiro de 2017, proferido no julgamento do processo 10882.908423/201114, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401003.340): "O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para a sua admissibilidade, de modo que dele tomo conhecimento. Como relatado, a interposição do Recurso Voluntário pelo contribuinte coloca duas matérias para exame desse Colegiado: (i) nulidade da decisão que não reconheceu o direito creditório da Recorrente; e (ii) aplicação da Taxa Selic para atualização de crédito básico de IPI em pedidos de ressarcimento. Nulidade O Recorrente defende a nulidade da decisão que não homologou as compensações declaradas e indeferiu o pedido de ressarcimento, alegando que a fundamentação da decisão não é adequada, pois não permite à Recorrente conhecer os seus motivos, e que não foi intimada para esclarecer aspectos do pedido de ressarcimento por ela realizado, o que seria determinado à autoridade fiscal pelo artigo 65 da Instrução Normativa nº 900/2008. Esse argumento foi rejeitado pela decisão recorrida, pelas seguintes razões: "De plano não constato qualquer irregularidade que possa acarretar a nulidade do Despacho Decisório, claramente foi demonstrado no Despacho Decisório (Divergências na Compensação) que o direito creditório oferecido e reconhecido era inferior ao montante de débitos que a interessada quer compensar. (...) Pois bem, atendendo ao princípio da eficiência, as PERDCOMPs são processadas eletronicamente visando atender ao contribuinte agilmente e, para atingir tal fim, a busca da certeza e liquidez do crédito se dá, num primeiro momento, pelo cruzamento das informações prestadas pelo próprio interessado à SRF, ou seja, confrontandose o direito creditório pedido com os dados fornecidos pelo interessado na PERDCOMP. Ou seja, a verificação da certeza e liquidez do direito creditório alegado pelo contribuinte, que nada mais é que o estrito cumprimento da lei e a obediência ao princípio da verdade material, baseiase nas obrigações acessórias realizadas pelo próprio". Fl. 123DF CARF MF Processo nº 10882.908443/201187 Acórdão n.º 3401003.364 S3C4T1 Fl. 5 4 No que se refere à fundamentação inadequada do despacho decisório eletrônico que, segundo a Recorrente, não permitiria o pleno conhecimento dos motivos para o indeferimento total do seu pleito, com os prejuízos daí decorrentes para o exercício regular de sua defesa, não vejo como acompanhar a Recorrente. Apesar de o despacho decisório de fls. 75 ser bem objetivo, pelo seu exame, é possível a compreensão dos motivos que levaram à decisão: a Recorrente apurou determinado saldo credor de IPI em seus livros e pleiteou o ressarcimento, que foi deferido até o exato montante do crédito por ela apurado e solicitado, sendo indeferido pelo despacho decisório a compensação de débitos, assim como um pedido de ressarcimento, em montante superior ao crédito solicitado. Desse modo, estando devidamente fundamentada, não há que se falar em prejuízo à defesa da Recorrente que, conhecendo os motivos do indeferimento, apresentou defesa explicando que a divergência entre crédito e débito se deu pela não aplicação da taxa SELIC nos créditos básicos de IPI objeto de ressarcimento que, uma vez, aplicados, segundo a Recorrente, permitiriam a validação de todas as compensações vinculadas ao crédito de IPI. Não há, portanto, qualquer violação ao artigo 59, inciso II, do Decreto nº 70.235/1972, a ensejar a decretação de nulidade da decisão. Com relação à necessidade de intimação da Recorrente antes de qualquer decisão indeferindo o seu direito creditório, oportuno citar o dispositivo invocado pela Recorrente, que tem a seguinte redação: "Art. 65. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas". (Instrução Normativa RFB nº 900/2008) Pela leitura do dispositivo, entendo que se trata de um direito da autoridade fiscal, que pode ser exercido ou não, não podendo ser encarado tal dispositivo como uma obrigação da autoridade fiscal de intimar o contribuinte antes de toda e qualquer análise de pedidos de reconhecimento de direito de crédito. A Receita Federal poderá, nas hipóteses em que entender cabível, intimar o contribuinte para apresentar esclarecimentos ou realizar diligências adicionais, para fim de confirmar a existência do direito de crédito pleiteado. Por conseguinte, a ausência de intimação da Recorrente antes do não reconhecimento de crédito por ela pleiteado não implica nulidade da decisão tomada nesse sentido, motivo pelo qual proponho ao Colegiado rejeitar a nulidade também por esse segundo fundamento. Aplicação da Taxa SELIC nos pedidos de ressarcimento de crédito de IPI A Recorrente alega que, se aplicada a correção monetária pela taxa SELIC no saldo credor, as compensações declaradas teriam sido homologadas, não havendo qualquer valor a ser cobrado pela Receita Federal. Fl. 124DF CARF MF Processo nº 10882.908443/201187 Acórdão n.º 3401003.364 S3C4T1 Fl. 6 5 Para tanto, invoca como fundamento o artigo 153, parágrafo 3º, inciso II, da Carta da República, artigo 49 do Código Tributário Nacional ("CTN"), artigo 11 da Lei nº 9.779/1999, afirmando que, na hipótese de ressarcimento e/ou compensação, "o crédito de IPI deixa de ser crédito escritural e passa a ser um crédito oponível à União Federal para restituição ou compensação, do qual deverá sofrer a incidência da correção monetária, como qualquer outro crédito passível de restituição/compensação". Além disso, defende a Recorrente que "será totalmente inócua a utilização de valores de créditos sem a cobertura do desgaste inflacionário, ou seja, a devida correção monetária entre o período em que houve o acúmulo do crédito até o momento da utilização, sob pena de enriquecimento ilícito por parte da União Federal", afirmando ser aplicável a taxa SELIC que é a mesma que é aplicada pelo Fisco na correção de seus créditos. A decisão recorrida rejeitou esse argumento da Recorrente, fazendo a distinção entre os casos de ressarcimento de IPI e restituição, conforme a seguir: "(...) a atualização monetária não é aplicável à hipótese vertente, isto é, de crédito escritural suscetível de ressarcimento, pois a norma do art. 66, § 3º da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, e alterações, conforme orientação interna transmitida pelo Boletim Central nº 46, de 25 de março de 1992, abarca tãosomente as hipóteses de atualização monetária referentes à restituição, nos casos em que menciona". Ademais, a decisão recorrida fundamenta a impossibilidade de correção monetária no ressarcimento de IPI, com base em normas infra legais como o artigo 38, § 2º, da IN SRF nº 210, de 2002; e artigo 51, § 5º, da IN SRF nº 460, de 2004, sucedida pelo artigo 52 da IN SRF nº 600, de 2005; artigo 72, § 5º, da IN RFB nº 900/2008 e alterações posteriores, manifestandose ainda pela impossibilidade de correção de créditos escriturais de IPI. Sobre o tema, pedido de atualização pela SELIC de valores objeto do pedido de ressarcimento de IPI, oportuno mencionar que já foi pacificado pelo e. Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do Recurso Especial nº 1.035.847 RS, de relatoria do Ministro Luiz Fux, cujo acórdão foi submetido ao regime de recursos repetitivos do artigo 543C, do CPC. Essa decisão teve a seguinte ementa: "PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. Fl. 125DF CARF MF Processo nº 10882.908443/201187 Acórdão n.º 3401003.364 S3C4T1 Fl. 7 6 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o consequente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008". (REsp 1035847/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/06/2009, DJe 03/08/2009) Em julgados mais recentes, o STJ deixou claro que (i) a atualização dos pedidos de ressarcimento de IPI aplicase também aos processos administrativos iniciados antes da vigência da Lei nº 11.457/2007, que estipula em seu artigo 24 que os pedidos administrativos deveriam ser apreciados dentro do prazo de 360 (trezentos e sessenta) dias1; e (ii) o termo inicial para aplicação da SELIC, índice a ser adotado a partir de 1996, é a data de protocolo do pedido de ressarcimento. Nesse sentido, podese citar o precedente abaixo, de relatoria do Ministro Mauro Campbell Marques: "TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. PEDIDO ADMINISTRATIVO DE RESSARCIMENTO DOS CRÉDITOS DE IPI. CORREÇÃO MONETÁRIA. TERMO INICIAL. PROTOCOLO DOS PEDIDOS ADMINISTRATIVOS DE RESSARCIMENTO. 1. Em que pese o julgamento do Recurso Representativo da Controvérsia REsp. n. 1.138.206/RS (Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 9.8.2010), onde se definiu que o art. 24 da Lei 11.457/2007 se aplica também para os feitos inaugurados antes de sua vigência, o prazo de 360 (trezentos e sessenta) dias para o fim do procedimento de ressarcimento não pode ser confundindo com o termo inicial da correção monetária e juros SELIC. "Quanto ao termo inicial da correção monetária, este deve ser coincidente com o termo inicial da mora. Usualmente, tenho conferido o direito à correção monetária a partir da data em que os créditos poderiam ter sido aproveitados e não o foram em virtude da ilegalidade perpetrada pelo Fisco. Nesses casos, o termo inicial se dá com o protocolo dos pedidos administrativos de ressarcimento" (EAg nº 1.220.942/SP, 1 Art. 24. É obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte. Fl. 126DF CARF MF Processo nº 10882.908443/201187 Acórdão n.º 3401003.364 S3C4T1 Fl. 8 7 Primeira Seção, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 10.04.2013). 2. Agravo regimental não provido". (AgRg no REsp 1554806/PR, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 27/10/2015, DJe 05/11/2015) O assunto já foi, inclusive, apreciado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, que, em recente julgado2, negou provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, pois "especificamente no presente caso, verificase que houve oposição estatal, mas, ou seja, o pedido de ressarcimento de créditos escriturais de IPI foi expressamente rejeitado pela autoridade competente (despacho decisório de fls. 480 a 499), o que ocasionou, portanto, oposição injustificada a impedir o gozo do direito. Existindo oposição estatal injustificada, há incidência de atualização pela SELIC do crédito de IPI". Esse posicionamento decorre da distinção entre créditos escriturais de IPI e créditos não escriturais. Os créditos escriturais, ou seja, aqueles recebidos e inseridos na escrita fiscal da empresa em um período de apuração para efeito de dedução dos débitos de IPI decorrentes das saídas de produtos industrializados em períodos de apuração subseqüentes, não são passíveis de atualização, por ausência de previsão legal. Situação distinta ocorre com os créditos escriturais que passam a ser objeto de pedido de ressarcimento, em razão da impossibilidade de serem utilizados na dedução de débitos de IPI, quando as saídas estão sujeitas à alíquota zero ou à isenção, ou quando a diferença entre o volume de créditos e débitos resulta na acumulação de saldo credor. Nessa hipótese, tais créditos deixam de ser escriturais e passam a ser um direito de crédito do contribuinte contra o Fisco, que deve ser atualizado, desde o protocolo do pedido, pois, caso contrário, haveria um enriquecimento sem causa do Fisco. É que, nessas hipóteses, em que há "pedido de ressarcimento de créditos de IPI, PIS/COFINS (em dinheiro ou via compensação com outros tributos) e esses créditos são reconhecidos pela Receita Federal com mora, essa demora no ressarcimento enseja a incidência de correção monetária, posto que caracteriza a chamada "resistência ilegítima" (REsp 1216129/SC, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 01/03/2011, DJe 15/03/2011), a atrair a aplicação da Súmula STJ nº 411, com a seguinte redação: "É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco". Oportuno destacar que a resistência ilegítima fica caracterizada pelo reconhecimento do pedido, com mora, porém, em valor histórico, o que gera uma defasagem no valor do crédito a ser recebido pelo contribuinte, não havendo que se esperar determinado lapso de tempo na apreciação do pedido para que a mora fique caracterizada. 2 Processo nº 13678.000141/0076; Acórdão nº 9303003.253; 3ª Turma; Sessão de 03 de fevereiro de 2015; Matéria TAXA SELIC; Recorrente FAZENDA NACIONAL. Fl. 127DF CARF MF Processo nº 10882.908443/201187 Acórdão n.º 3401003.364 S3C4T1 Fl. 9 8 A respeito, merece destaque a doutrina de Eduardo Domingos Bottallo3, ao tratar da correção monetária nos pedidos de restituição, mas que, pelos mesmos fundamentos, entendo se aplicar aos casos de pedidos de ressarcimento: "A ausência de correção monetária nas obrigações pecuniárias em geral, inclusive, as de índole tributária, acarreta enriquecimento ilícito do devedor, ao que se soma, quando se trata do Poder Público, verdadeiro confisco. Ao revés, sua incidência não configura aumento patrimonial, porém simples mecanismo tendente a retratar, em unidades monetárias atuais, o valor representado por uma quantia identificada no passado. Na antiga lição de Amílcar de Araújo Falcão, ela é a técnica pelo direito consagrada de traduziremse em termos de idêntico poder aquisitivo, quantias ou valores que, fixados pro tempore, se apresentam expressos em moeda sujeita à depreciação. (...) Portanto, se os débitos fiscais ficam sujeitos a atualização monetária a partir do momento que devem ser satisfeitos, o mesmo há de ocorrer com os créditos dos contribuintes, até por força da analogia (ubi eadem ratio, ibi eadem juris dipositio), e da própria regra de isonomia que deve orientar as ações do Poder Público em seu relacionamento com a sociedade: "mais do que ninguém, o administrador público tem o dever de probidade e de seriedade no trato com a coisa pública. Em conseqüência, não pode pensar em não pagar a correção monetária de seus débitos, sob pena de se beneficiar indevidamente com o atraso no pagamento". Como se verifica, se o contribuinte deixa de adimplir sua obrigação tributária dentro do prazo de vencimento está sujeito ao recolhimento do tributo com a aplicação da SELIC, correta a aplicação do mesmo índice para atualização do crédito detido pelo contribuinte contra a Fazenda, pago no âmbito de pedidos de ressarcimento de IPI. Ademais, o artigo 11, da Lei nº 9.779/1999 prevê que o saldo credor do IPI "poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996", que são as normas que tratam da compensação e restituição de tributos federais. Por sua vez, o artigo 39, § 4º, da Lei nº 9.250/1995, estabelece que "§ 4º A partir de 1º de janeiro de 1996, a compensação ou restituição será acrescida de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir da data do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada". Desse modo, se a aplicação da SELIC aos pedidos de ressarcimento de IPI já não tivesse fundamento no princípio da isonomia e no que veda o enriquecimento sem causa, a própria remissão do artigo 11, da Lei nº 9.779/1999 às normas que tratam de restituição e compensação seria fundamento legal suficiente ao seu reconhecimento. 3 Bottalo, Eduardo Domingos. "Fundamentos do IPI". São Paulo. Editora Revista dos Tribunais. 2002. p. 136137. Fl. 128DF CARF MF Processo nº 10882.908443/201187 Acórdão n.º 3401003.364 S3C4T1 Fl. 10 9 Contudo, em que pese ter razão, em tese, o Recorrente quando defende a possibilidade de aplicação da taxa SELIC nos pedidos de ressarcimento, em seu caso concreto, fixado o entendimento de que a taxa SELIC deve ser aplicada desde a data de protocolo do pedido até o efetivo pagamento do ressarcimento pela Receita Federal, o pedido do Recorrente não merece prosperar. É que no caso da Recorrente não se trata de pedido de ressarcimento em espécie, mas de pedido de ressarcimento para utilização em declarações de compensação contemporâneas ao pedido de ressarcimento. Ora, nesse caso, não há que se falar em oposição injustificada da Receita Federal, pois o valor objeto de ressarcimento é utilizado no exato momento da apresentação do pedido. Em conseqüência, não há qualquer justificativa para a aplicação da taxa SELIC. E, se a Recorrente pretendia a aplicação da taxa SELIC desde a data da escrituração dos créditos nos livros fiscais até a data de apresentação do pedido de ressarcimento, o que não se depreende da defesa apresentada, tratarseia, de qualquer modo, de aplicação da taxa SELIC sobre o crédito escritural de IPI, o que é vedado, por ausência de previsão legal, como já exposto nas linhas acima. Ante o exposto, embora tenha o entendimento pela aplicação da taxa SELIC nos pedidos de ressarcimento de crédito de IPI, penso que esse entendimento não se aplica ao caso concreto, que trata de declaração de compensação contemporânea ao pedido de ressarcimento, motivo pelo qual voto pelo não provimento do Recurso Voluntário." Deixase de transcrever a íntegra da declaração de voto apresentada pelo Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira por ter sido apresentada no Acórdão 3401003.340 (processo paradigma), e por não ser essencial à solução do presente litígio. Transcrevese, tão somente, o seguinte fragmento da declaração de voto, que resume o entendimento do Conselheiro sobre a questão: "Data vênia do entendimento esposado pelo ilustre relator, a jurisprudência que acomete a atualização SELIC para o ressarcimento do IPI é justificada pela resistência da administração em reconhecer o direito creditório e efetivar o ressarcimento. Mas ela não acolhe a SELIC para os casos em que não se configure essa resistência da administração fazendária. Vejamos trecho das ementas dos citados julgados: (...) Além disso, a contribuinte aproveitou o crédito do ressarcimento do IPI imediatamente por meio de declaração de compensação, não havendo oposição por parte da administração tributária para essa compensação, nem postergação do aproveitamento do crédito por parte da contribuinte. Não houve desrespeito ao prazo de 360 dias posto pela Lei 11.457 de 2007. Não há que se falar em resistência da administração ao caso de modo a se justificar aplicar o entendimento jurisprudencial. Fl. 129DF CARF MF Processo nº 10882.908443/201187 Acórdão n.º 3401003.364 S3C4T1 Fl. 11 10 O texto do artigo 24 da Lei n. 11.457, de 2007, invocado pela contribuinte, não a socorre. Além do fato que o prazo de 360 dias não foi desrespeitado, a simples leitura desse artigo afasta a proposição da contribuinte de que o descumprimento do prazo máximo para a autoridade administrativa decidir implicaria em reconhecimento do seu direito. Essa é uma interpretação equivocada. Basta ler o artigo citado para se ver, indubitavelmente, que esse texto não autoriza a aplicação da taxa SELIC aos casos de ressarcimento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Fl. 130DF CARF MF
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Numero do processo: 13906.000109/2006-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Apr 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2002 a 31/12/2005
CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃO CUMULATIVIDADE. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DE ICMS.
Na sistemática da não cumulatividade, o valor do ICMS devido pela própria contribuinte integra a base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP.
Numero da decisão: 3401-003.441
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, André Henrique Lemos e Rodolfo Tsuboi.
ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Orlando Rutigliani Berri (suplente), André Henrique Lemos, Rodolfo Tsuboi (suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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NÃO CUMULATIVIDADE. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DE ICMS. Na sistemática da não cumulatividade, o valor do ICMS devido pela própria contribuinte integra a base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, André Henrique Lemos e Rodolfo Tsuboi. ROSALDO TREVISAN – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Orlando Rutigliani Berri (suplente), André Henrique Lemos, Rodolfo Tsuboi (suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 90 6. 00 01 09 /2 00 6- 99 Fl. 104DF CARF MF 2 Versa o presente sobre o Pedido de Restituição de fls. 2 a 61, apresentado em 12/07/2006, em formulário, relativo à Contribuição para o PIS/PASEP apurada de 2002 a 2005 (períodos de 04/2002, 07/2002, 09/2002, 10/2002, 11/2002, 04/2003, 07/2003, 09/2003, 10/2003, 11/2003, 12/2003, 02/2004, 04/2004, 05/2004, 06/2004, 10/2004, 11/2004, 12/2004, 03/2005, 04/2005, 05/2005, 07/2005, 09/2005, 10/2005 e 11/2005), em função de "exclusão de ICMS da base de cálculo" (fl. 4), em total de R$ 5.299,19. No Parecer de fls. 30 a 35, que fundamenta o Despacho Decisório de fl. 36, informase que não há amparo, na legislação de regência, para exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição, pela legislação de regência, e que o órgão administrativo não detém competência para análise de constitucionalidade, indeferindose a restituição, e verificandose não haver compensações a ela vinculadas. Cientificado da decisão em 18/03/2009 (AR à fl. 38), o contribuinte interpôs manifestação de inconformidade em 16/04/2009 (fls. 39 a 52), alegando, em síntese, que: (a) o ICMS, por ser tributo indireto, não deve integrar o faturamento para efeito de cálculo da contribuição, pois não constitui faturamento nem receita, a exemplo do IPI, expressamente excluído da base de cálculo da COFINS pela Lei Complementar no 70/1991; e (b) a inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição afronta o artigo 195, I da Constituição Federal. Em 12/08/2009 ocorre o julgamento de primeira instância (fls. 71 a 75), no qual se decide unanimemente pela improcedência da manifestação de inconformidade, sob os seguintes fundamentos: (a) não compete ao colegiado administrativo a apreciação de inconstitucionalidade de norma legal vigente; e (b) o ICMS, ao contrário do IPI, compõe o preço da mercadoria, e, por consequência, a base de cálculo da contribuição, não havendo permissivo legal para sua exclusão. Cientificada do acórdão da DRJ em 26/08/2009 (AR à fl. 78), a empresa apresenta Recurso Voluntário em 18/09/2009 (fls. 79 a 92), basicamente reiterando a argumentação expressa em sua manifestação de inconformidade. Em 19/05/2016 o processo foi distribuído a este relator, por sorteio, tendo sido indicado para a pauta em outubro de 2016, em sessão suspensa por determinação do CARF, assim como em novembro e dezembro do mesmo ano. Em janeiro e fevereiro de 2017, o processo também foi indicado para pauta, e retirado por falta de tempo hábil para julgamento. É o relatório. 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator Fl. 105DF CARF MF Processo nº 13906.000109/200699 Acórdão n.º 3401003.441 S3C4T1 Fl. 105 3 O recurso apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. A discussão levada a cabo no processo é essencialmente de direito, e se refere à inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP. Sustenta a recorrente que o valor do ICMS não compõe a receita, tampouco o faturamento, devendo ser excluído da base de cálculo das contribuições (Contribuição para o PIS/PASEP e COFINS). Sobre o tema, é de se destacar que as leis que regulam a matéria (no regime não cumulativo, que é o tratado nos autos) são as de no 10.637/2002 e no 10.833/2003, que dispunham, à época dos fatos, em seus arts. 1o: “Art. 1o A contribuição (...) tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2o A base de cálculo da contribuição (...) é o valor do faturamento, conforme definido no caput. § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: (...) III auferidas pela pessoa jurídica revendedora, na revenda de mercadorias em relação às quais a contribuição seja exigida da empresa vendedora, na condição de substituta tributária; (...) VII decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996.” (grifo nosso) O texto normativo apresenta a base de cálculo no § 2o de seu art. 1o, a partir do conceito de faturamento do caput, detalhado no § 1o. E no § 3o são relacionadas as exclusões, entre as quais não se encontra menção ao ICMS pago (apesar de haver menção expressa de exclusão à transferência onerosa a terceiros de ICMS originado de operações de exportação). Fl. 106DF CARF MF 4 Assim, por ausência de previsão legal, descabe a exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições. Entender de forma diversa da expressa na lei, acrescentando a hipótese de exclusão, em face de princípios de ordem constitucional, implicaria análise administrativa de constitucionalidade, o que é vedado a esta corte administrativa (embora seja demandado na peça recursal), conforme assenta a Súmula CARF no 2: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Nesse sentido decidiu de forma unânime este CARF: “CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃO CUMULATIVIDADE. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DE ICMS. Na sistemática da não cumulatividade, o valor do ICMS devido pela própria contribuinte integra a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep.” (Acórdão n. 3403001.774. Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, sessão de 26.set.2012) (No mesmo sentido o Acórdão n.3403003.449) “EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. Até que o Supremo Tribunal Federal venha a decidir definitivamente em Repercussão Geral o Recurso Extraordinário nº 574.706 e a Ação Direta de Constitucionalidade nº 18, em que há medida liminar deferida pelo plenário do STF, quando, a partir de então, a decisão será oponível contra todos e à própria administração, sendo ela positiva ou negativa aos contribuintes, não há como dar guarida ao pedido da Recorrente.” (Acórdão n. 3403003.045. Rel. Cons. Luiz Rogério Sawaya Batista, unânime, sessão de 29.mai.2014) BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. EXCLUSÃO DO ICMS. IMPOSSIBILIDADE. Ante a inexistência de uma posição judicial para a matéria, deve ser prestigiado o entendimento consagrado por este Tribunal administrativo para o tema, o que se dá em busca de segurança jurídica, tratamento igualitário entre diferentes contribuintes e, ainda, unidade judicativa. (Acórdão n. 3402003.091. Rel. Cons. Jorge Olmiro Lock Freire, unânime em relação à matéria, sessão de 21.jun.2016) A matéria está longe de ser pacífica, e é objeto de longa discussão no âmbito do Poder Judiciário, desenvolvida há mais de uma década. No entanto, não há como reconhecer, a nosso ver, administrativamente, tal direito, diante do conjunto normativo existente. Endossese que externamos o posicionamento aqui mantido na redação de voto vencedor em processo apreciado no seio desta turma, recentemente: COFINS. BASE DE CÁLCULO. ICMS. Por ausência de previsão legal, o valor do ICMS devido pela própria contribuinte integra a base de cálculo da COFINS, descabendo a sua exclusão. PIS. BASE DE CÁLCULO. ICMS. Por ausência de previsão legal, o valor do ICMS devido pela própria contribuinte integra a base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP, descabendo a sua exclusão. (Acórdão n. 3401003.165. Rel. Cons. Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, vencido, conjuntamente Fl. 107DF CARF MF Processo nº 13906.000109/200699 Acórdão n.º 3401003.441 S3C4T1 Fl. 106 5 com o Cons. Waltamir Barreiros Redator Designado Cons. Rosaldo Trevisan, maioria, sessão de 28.abr.2016) Destaquese que a matéria foi recentemente apreciada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, que chegou a conclusão alinhada com as aqui expostas. COFINS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO ICMS. Por se tratar de imposto próprio, que não comporta a transferência do encargo, a parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo das contribuições ao PIS e à COFINS. Precedentes do STJ (Súmulas n. 68 e 94). Às autoridades administrativas e tribunais que não dispõem de função legislativa não podem conceder, ainda que sob fundamento de isonomia, benefícios de exclusão da base de cálculo do crédito tributário em favor daqueles a quem o legislador não contemplou com a vantagem. A mesma conclusão se estende à Contribuição ao PIS. (Acórdão n. 9303003.549. Rel. Cons. Vanessa Marini Cecconello, Relator Designado Cons. Gilson Macedo Rosenburg Filho, maioria, sessão de 17.mar.2016) Por fim, acrescentese que se está ciente de que o Supremo Tribunal Federal recentemente apreciou o tema, no RE no 574.706/PR, chegando a conclusão diversa, pela exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições. No entanto, tal decisão, que ainda não é definitiva, estando, inclusive, sujeita a eventual modulação, não possui o condão nem de vincular as decisões deste colegiado (por ausência de previsão regimental), nem de reverter a vinculação existente por força do REsp no 1.144.469/PR (com expressa previsão regimental, no artigo 62 do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF no 343/2015). Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário apresentado. Rosaldo Trevisan Fl. 108DF CARF MF
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Numero do processo: 10467.902987/2009-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Apr 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2008 a 30/04/2008
DIREITO AO CRÉDITO DO PIS E DA COFINS.
Havendo a comprovação documental do direito creditório do contribuinte, este deve ser reconhecido.
MOMENTO DO CREDITAMENTO.
O cálculo do crédito de PIS e de COFINS deverá levar em conta as aquisições de bens, serviços e insumos ocorridas no mês, sendo que o termo "aquisição" exige o recebimento e contabilização do bem pelo destinatário. crédito não aproveitado em determinado mês poderá sê-lo nos meses subseqüentes.
PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. NÃO- CUMULATIVIDADE. INSUMOS. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. UTILIZAÇÃO DE BENS E SERVIÇOS COMO INSUMOS. CREDITAMENTO. AMPLITUDE DO DIREITO. DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO EM PARTE.
No regime de incidência não-cumulativa do PIS/Pasep e da COFINS, as Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 possibilitam o creditamento tributário pela utilização de bens e serviços como insumos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, ou ainda na prestação de serviços, com algumas ressalvas legais.
O escopo não se restringe à concepção de insumo tradicionalmente proclamada pela legislação do IPI, sendo mais abrangente, posto que não há, nas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, qualquer menção expressa à adoção do conceito de insumo destinado ao IPI, nem previsão limitativa à tomada de créditos relativos somente às matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem.
Assim, devem ser considerados como insumos os bens utilizados diretamente ou indiretamente no processo produtivo da empresa, ainda que não sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, mas que guardem estreita relação com a atividade produtiva.
Contudo, deve ser afastada a interpretação de dar ao conceito de insumo uma identidade com o de despesa dedutível prevista na legislação do imposto de renda.
Assim, são insumos os bens e serviços utilizados diretamente ou indiretamente no processo produtivo ou na prestação de serviços da empresa.
DESPESAS COM COMBUSTÍVEIS. DIREITO AO CRÉDITO.
A prestação de serviço que exige a utilização de automóveis autoriza o aproveitamento do crédito com despesas de combustível para a execução dos respectivos serviços, por se tratar de insumo na prestação do seu serviço, na forma autorizada pelo artigo 3º., inciso II, da Lei 10.833/2003.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3301-003.224
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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Voluntário Acórdão nº 3301003.224 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de agosto de 2016 Matéria COMPENSAÇÃO DCTF RETIFICADORA Recorrente ENERGISA PARAÍBA DISTRIBUIDORA DE ENERGIA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2008 a 30/04/2008 DIREITO AO CRÉDITO DO PIS E DA COFINS. Havendo a comprovação documental do direito creditório do contribuinte, este deve ser reconhecido. MOMENTO DO CREDITAMENTO. O cálculo do crédito de PIS e de COFINS deverá levar em conta as aquisições de bens, serviços e insumos ocorridas no mês, sendo que o termo "aquisição" exige o recebimento e contabilização do bem pelo destinatário. crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. UTILIZAÇÃO DE BENS E SERVIÇOS COMO INSUMOS. CREDITAMENTO. AMPLITUDE DO DIREITO. DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO EM PARTE. No regime de incidência nãocumulativa do PIS/Pasep e da COFINS, as Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 possibilitam o creditamento tributário pela utilização de bens e serviços como insumos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, ou ainda na prestação de serviços, com algumas ressalvas legais. O escopo não se restringe à concepção de insumo tradicionalmente proclamada pela legislação do IPI, sendo mais abrangente, posto que não há, nas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, qualquer menção expressa à adoção do conceito de insumo destinado ao IPI, nem previsão limitativa à tomada de créditos relativos somente às matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 7. 90 29 87 /2 00 9- 11 Fl. 8978DF CARF MF Processo nº 10467.902987/200911 Acórdão n.º 3301003.224 S3C3T1 Fl. 8.979 2 Assim, devem ser considerados como insumos os bens utilizados diretamente ou indiretamente no processo produtivo da empresa, ainda que não sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, mas que guardem estreita relação com a atividade produtiva. Contudo, deve ser afastada a interpretação de dar ao conceito de insumo uma identidade com o de despesa dedutível prevista na legislação do imposto de renda. Assim, são insumos os bens e serviços utilizados diretamente ou indiretamente no processo produtivo ou na prestação de serviços da empresa. DESPESAS COM COMBUSTÍVEIS. DIREITO AO CRÉDITO. A prestação de serviço que exige a utilização de automóveis autoriza o aproveitamento do crédito com despesas de combustível para a execução dos respectivos serviços, por se tratar de insumo na prestação do seu serviço, na forma autorizada pelo artigo 3º., inciso II, da Lei 10.833/2003. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Fl. 8979DF CARF MF Processo nº 10467.902987/200911 Acórdão n.º 3301003.224 S3C3T1 Fl. 8.980 3 Relatório Tratase de recurso voluntário em face do Despacho Decisório com rastreamento n° 848568336, proferido eletronicamente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em João Pessoa/PB (fl. 06), mediante o qual foi não homologada a Declaração de Compensação (DCOmP) de n°03273.02237.230109.1.3.045210 (fls. 01/05). Consoante se verifica As fls. 01/05, a contribuinte, por meio de supradita DCOMP, declarou a compensação de débito, alusivo ao período de apuração de dezembro de 2008, a titulo da contribuição para o Programa de Integração Social — PIS, devida pela sistemática nãocumulativa (código de receita: 6912), na importância principal de R$ 220.739,36, com conjecturado crédito, no montante original inicial de R$ 203.502,68, derivado de alegado pagamento a maior que o devido a titulo da COFINS sob a sistemática não cumulativa, período de apuração de abril/2008, vencimento em 20/05/2008, realizado aos 20/05/2008 no valor total de R$ 3.007.468,39. Inferese, do Despacho Decisório de fl. 06, que, com fundamento nos arts. 165 e 170, da Lei n° 5.172, de 25/10/1966 CTN) e no art. 74, da Lei n° 9.430, de27/12/1996, foi nãohomologada a compensação do débito declarada com o pretendido crédito pois o pagamento acima discriminado havia sido integralmente utilizado para a extinção do débito da COFINS, código de receita: 5856, concernente ao período de apuração de abril de 2008. Em face de referenciado Despacho Decisório, do qual tomou ciência aos 20/10/2009 (fl. 06 v), insurgese a contribuinte sob os argumentos de que: a) o crédito objeto do PER/DCOMP tratado nos correntes autos teria sido originado de correções efetuadas na apuração da COFINS e conseqüente reenvio do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais DACON com pagamento a maior de R$ 203.502,69. b) ao analisar o Despacho Decisório, o DARF e a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais — DCTF atinente ao mês de abril/2008 transmitida originariamente aos 02/06/2008, a defendente teria identificado que, por equivoco, não retificou esta última, incorrendo em indisponibilidade do crédito objeto do PER/DCOMP; c) desejando sanar a inconsistência, a manifestante retificou a DCTF, fazendo constar de sua página 14 o valor correto da susomencionada contribuição, razão pela qual entende inexistir prejuízo ao Erário, tanto porque "... os créditos sempre foram superiores aos débitos pleiteados para compensação" e como porque procedeu à devida retificação; d) não poderia ser apenada com cobrança dos supostos valores, acrescidos de multa e juros, pois "... o equivoco cometido na informação de um campo na Declaração de Compensação não acarretou prejuízo à Fazenda Pública, uma vez que o montante do crédito existente era suficiente para quitação do débito tributário." Em seguida, discursa a recorrente acerca do direito à compensação tributária, amparado pelos arts. 73 e 74, da Lei n° 9.430/96, com as alterações das Leis n° 10.637/2002 e 10.833/2003, e pelo art. 156, do cm , após o que conclui não ter a manifestante incidindo em Fl. 8980DF CARF MF Processo nº 10467.902987/200911 Acórdão n.º 3301003.224 S3C3T1 Fl. 8.981 4 quaisquer das limitações à compensação que estão elencadas no art. 74, §3°, do primeiro diploma legal aludido. Após, repisa que o fato de ter cometido um equivoco, posteriormente retificado, no preenchimento da DCTF não seria causa da nãohomologação da compensação declarada, até mesmo porque não teria havido majoração do crédito ou erro nos valores embutidos no PER/DCOMP, estando a questão examinada adstrita ao "... o descumprimento de uma obrigação acessória, cuja penalidade não pode ser a imposição da cobrança de um imposto inexistente, acrescido de juros e multa". Mais adiante, discorre a defendente em relação aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, que reputa vulnerados ante a transformação, visualizada pela contribuinte, do descumprimento de obrigação acessória em fonte de arrecadação de receitas pelo Fisco, com efeitos confiscatórios. Após, a contribuinte reservou especifico item em sua manifestação de inconformidade em que sustenta inexistir in casu prejuízo ao Erário, pois, apesar do equivoco, posteriormente sanado, no preenchimento de sua DCTF, teria sido corretamente calculado o valor do tributo devido, não tendo ocorrido falta de pagamento de imposto, cujo débito inexistiria em função dos créditos existentes e declarados e afirma que, uma vez que o Conselho de Contribuintes vem se manifestando contra a incidência de multa de mora quando não houver prejuízo ao Erário, muito menos ainda seria devida a cobrança de crédito tributário inexistente. A frente, articula que, na esteira do art. 74, §11, da Lei no 9.430/96, a exigibilidade do débito discutido deve ser suspensa enquanto pendente de julgamento o presente processo administrativo. Pelos fundamentos acima, a contribuinte requereu: (i) a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, até "... o trânsito em julgado do presente processo Administrativo"; e (ii) a reforma da decisão proferida nos autos deste processo administrativo e a homologação total da compensação objeto da Declaração de Compensação aqui analisada. A manifestação de inconformidade foram anexadas, dentre outras, cópias de: (i) Documento de Arrecadação de Tributos Federais — DARF (fl. 19); (ii) DCTF do mês de abril de 2008 enviadas aos 02/06/2008 (fls. 50 e 61/80) e aos 30/10/2009 (fls. 81/101); e (iii) DACON do mês de abril de 2008 enviados aos 06/06/2008 (fls. 20/39) e aos 12/02/2009 (fls. 40/49 e 51/60). A DRJ juntou aos presentes autos os seguintes extratos emitidos perante os sistemas informatizados da RFB: DACON (fls. 139/167) e DCTF/CONS(fls. 168/170). A decisão da DRJ foi assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2008 a 30/04/2008 Fl. 8981DF CARF MF Processo nº 10467.902987/200911 Acórdão n.º 3301003.224 S3C3T1 Fl. 8.982 5 TRIBUTO. PAGAMENTO ESPONTÂNEO. RESTITUIÇÃO. RECONHECIMENTO. REQUISITOS. O reconhecimento do direito à restituição requisita a comprovação da realização de pagamento de tributo indevido ou a maior que o devido em face da legislação aplicável ou das circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido. RESTITUIÇÃO. ÔNUS PROBANTE. É do sujeito passivo o ônus probante do direito à restituição. RESTITUIÇÃO. PROVAS. MOMENTO PARA APRESENTAÇÃO. Ressalvadas as hipóteses das alíneas "a" a "c", do art. 16, do Decreto n° 70.235/72, as provas comprobatórias da restituição devem ser apresentadas por ocasião da interposição da manifestação de inconformidade, precluindo o direito de posterior juntada. INDÉBITO INCOMPROVADO. COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Não se homologa compensação de débitos com suposto direito creditório incomprovado pelo sujeito passivo. Solicitação Indeferida. No recurso voluntário apresentado tempestivamente, o Recorrente renova as alegações apresentadas em sua Manifestação de Inconformidade, invocando, em síntese, a existência de provas com relação ao crédito indicado no pedido de compensação, em especial as declarações retificadas e, principalmente, a ausência de prejuízo ao erário, tendo em vista a suficiência de crédito passível de compensação para pagamentos dos débitos indicados no pedido de compensação. O CARF solicitou diligência para a Delegacia de origem para, com base no princípio da verdade material e no fato de não constar nos autos documentação contábil ou fiscal capaz de comprovar os exatos valores dos créditos tributários do Recorrente: (i) Apurar se os valores dos créditos indicados nas declarações retificadas pelo Recorrente, bem como os demais documentos contábeis e fiscais da empresa; (ii) Juntar aos autos cópia da documentação que demonstre a origem dos créditos declarados; (iii) Intimar a empresa a se manifestar acerca da diligência realizada, se assim desejar, no prazo de trinta dias de sua ciência; (iv) Retornar os presentes autos ao CARF para julgamento. A diligência foi realizada e chegou a seguinte conclusão: (...) Fl. 8982DF CARF MF Processo nº 10467.902987/200911 Acórdão n.º 3301003.224 S3C3T1 Fl. 8.983 6 Pelo quadro acima, podemos observar que as relações analíticas entregues pelo contribuinte já são inferiores ao valor total das bases de cálculo na ficha 16A do DACON em R$ 3.203.834,27 (37.404.894,46 34.201.060,19). Além disso, este trabalho de diligência somente confirma R$ 30.708.023,64 dos R$ 34.201.060,19 relacionados. Portanto, pela documentação apresentada pelo contribuinte, os créditos calculados na linha 14 da Ficha 16A do DACON não estão confirmados na sua totalidade por este trabalho de diligência, conforme resumido no quadro acima onde deixaram de ser comprovados R$ 6.889.164,46 no total. Esta diferença implica na redução de R$ 523.576,50 do crédito da COFINS indicado na linha 15 da Ficha 16A do DACON retificador. Acrescentamos a informação de que o crédito indicado na linha 15 foi aumentado de R$ 231.849,99 pela DACON retificadora em relação à original (2.842.771,98 2.610.921,99). Após a ciência deste relatório, o contribuinte poderá apresentar, caso deseje, manifestações no prazo de trinta dias, que serão anexadas ao processo e encaminhadas ao CARF. A contribuinte apresentou manifestação acerca do relatório fiscal da diligência solicitada pelo CARF, onde basicamente, concorda com os pontos do relatório que sustentaram a existência de parte do crédito pleiteado, e discorda, ponto a ponto, dos tópicos que não foram coincidentes com a sua interpretação acerca dos créditos não considerados. É o relatório. Fl. 8983DF CARF MF Processo nº 10467.902987/200911 Acórdão n.º 3301003.224 S3C3T1 Fl. 8.984 7 Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. Na Resolução Nº 3801000.390 da 1ª Turma Especial da 3ª Seção de Julgamento do CARF, há toda a fundamentação fática e de direito para a solicitação da diligência para a Delegacia de origem, com base no princípio da verdade material. Transcrevo as partes de interesse da solicitação: (...) No processo administrativo tributário, o julgador deve sempre buscar a verdade e, portanto, não pode basear sua decisão em apenas uma prova carreada nos autos. É permitido ao julgador administrativo, inclusive, ao contrário do que ocorre nos processos judiciais, não ficar restrito ao que foi alegado, trazido e provado pelas partes, devendo sempre buscar todos os elementos capazes de influir em seu convencimento. Isto porque, no processo administrativo não há a formação de uma lide propriamente dita, não há, em tese, um conflito de interesses. O objetivo é esclarecer a ocorrência dos fatos geradores de obrigação tributária, de modo a legitimar os atos da autoridade administrativa. A Resolução que solicitou a diligência entendeu também que havia indícios de que os créditos passíveis de compensação existiam: (...) Assim, devem ser considerados, in casu, as declarações retificadas pelo Recorrente, que, a princípio, em uma análise superficial, demonstram créditos passíveis de compensação. Contudo, só através de diligência, que deverá ser realizada pela DRF de João Pessoa, é que se poderá ter certeza de que os créditos utilizados são mesmo passíveis de serem compensados, como pretendeu o Recorrente. (...) Portanto, com base na fundamentação transcrita como justificativa para a busca da verdade material, foi realizada diligência pela delegacia de origem. Entretanto, a controvérsia do processo permaneceu, pois a contribuinte apresentou manifestação acerca do relatório fiscal da diligência solicitada pelo CARF, onde discorda dos tópicos que não foram coincidentes com a sua interpretação acerca dos créditos não considerados. A diligência concluiu que: (...) Fl. 8984DF CARF MF Processo nº 10467.902987/200911 Acórdão n.º 3301003.224 S3C3T1 Fl. 8.985 8 Pelo quadro acima, podemos observar que as relações analíticas entregues pelo contribuinte já são inferiores ao valor total das bases de cálculo na ficha 16A do DACON em R$ 3.203.834,27 (37.404.894,46 34.201.060,19). Além disso, este trabalho de diligência somente confirma R$ 30.708.023,64 dos R$ 34.201.060,19 relacionados. Portanto, pela documentação apresentada pelo contribuinte, os créditos calculados na linha 14 da Ficha 16A do DACON não estão confirmados na sua totalidade por este trabalho de diligência, conforme resumido no quadro acima onde deixaram de ser comprovados R$ 6.889.164,46 no total. Esta diferença implica na redução de R$ 523.576,50 do crédito da COFINS indicado na linha 15 da Ficha 16A do DACON retificador. Acrescentamos a informação de que o crédito indicado na linha 15 foi aumentado de R$ 231.849,99 pela DACON retificadora em relação à original (2.842.771,98 2.610.921,99). Após a ciência deste relatório, o contribuinte poderá apresentar, caso deseje, manifestações no prazo de trinta dias, que serão anexadas ao processo e encaminhadas ao CARF. O relatório de diligência foi divido nos seguintes tópicos: A) Da opção por regime especial de tributação; B) Do rateio proporcional dos valores contábeis para as bases de cálculo dos créditos; C) Dos insumos (bens e serviços) utilizados para calcular créditos; D) Das comprovações das origens das bases de cálculos dos créditos. Em relação aos tópicos A, B e C tanto a fiscalização quanto a recorrente concordam, sendo os temas incontroversos. Entretanto, em relação ao tópico D, isto é, "Das comprovações das origens das bases de cálculos dos créditos", a recorrente discordou da fiscalização e apresentou suas considerações. A diligência, preliminarmente, alega que a recorrente é empresa comercial, que compra e vende energia elétrica, pois seu Estatuto Social não prevê, nem produção e nem prestação de serviços, portanto, não poderia se utilizar de insumos para créditos de PIS e Cofins. Discordo da fiscalização. Nessa matéria, tenho o mesmo entendimento da Solução de Consulta Cosit nº 27, de 09 de setembro de 2008, que considera que a atividade de distribuição de energia elétrica pode ser entendida como prestação de serviços, independentemente do que consta no Estatuto Social do contribuinte, cuja ementa transcrevo: ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep Fl. 8985DF CARF MF Processo nº 10467.902987/200911 Acórdão n.º 3301003.224 S3C3T1 Fl. 8.986 9 EMENTA: ATIVIDADE DE DISTRIBUIÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA. REGIME DE APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. DESCONTO DE CRÉDITOS. A atividade de distribuição de energia elétrica pode ser entendida como prestação de serviço. Para fins de desconto de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep, no regime de apuração nãocumulativa, considerase insumo na atividade de distribuição de energia elétrica: I) o encargo de uso do Sistema de Transmissão, deduzidas as parcelas não correlacionadas com prestação de serviço; II) o encargo de Uso do Sistema de Distribuição, deduzidas as parcelas não correlacionadas com prestação de serviço; III) o encargo decorrente do Contrato de Conexão ao Sistema de Transmissão (CCT); IV) o Encargo de Serviços do Sistema (ESS). Adicionalmente, dão direito ao desconto de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep, no regime de apuração não cumulativa, na atividade de distribuição de energia elétrica: I) os gastos com materiais aplicados ou consumidos na atividade de fornecimento de energia elétrica, desde que não estejam, nem tenham sido incluídos, no ativo imobilizado; II) os encargos de depreciação de máquinas, equipamentos e outros bens do ativo imobilizado, observado o art. 31 da Lei nº 10.865, de 30/04/2004. Não se considera insumo na atividade de distribuição de energia elétrica, não concedendo direito a desconto de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep, no regime de apuração não cumulativa: I) a quota da Conta de Consumo de Combustíveis (CCC); II) a quota da Reserva Global de Reversão (RGR); III) os gastos a serem destinados à Conta de Desenvolvimento Energético (CDE). Logo, a conclusão da diligência de que, pela documentação apresentada pelo contribuinte, os créditos calculados na Ficha 16A do DACON não estariam confirmados na sua totalidade, não devem ser considerados na sua totalidade, por partir de premissas equivocadas. Ao se manifestar após a diligência, preliminarmente, a recorrente afirma que a fiscalização extrapolou a sua atribuição, ao fazer a análise dos créditos de PIS e Cofins tomados sobre insumos adquiridos pela recorrente. O contribuinte afirma que a fiscalização “extrapolou os limites da tarefa que lhe foi atribuída pelo órgão julgador”. Nesse aspecto, é a recorrente que está equivocada. A Resolução do CARF tem a intenção clara de verificar a existência dos créditos indicados no DACON, trabalho este que foi realizado pelo auditorfiscal. Ainda no tópico D e posteriormente, a recorrente discorda de 3 pontos do relatório, no que diz respeito a glosas dos créditos de PIS e Cofins apurados pela recorrente: 1) Créditos de Notas Fiscais de março de 2008, não Geram Créditos em abril de 2008; 2) Créditos Decorrentes de Despesas de Combustíveis; 3) Diferença de Aquisições no Grupo Bens Para Revenda. Fl. 8986DF CARF MF Processo nº 10467.902987/200911 Acórdão n.º 3301003.224 S3C3T1 Fl. 8.987 10 Antes de analisar cada ponto, cumprese destacar que na manifestação da recorrente há uma certa impropriedade de termos ao tratar do relatório de diligência. É preciso lembrar que, para contestar a conclusão atingida pelo Despacho Decisório de fl. 06, a contribuinte argumenta haver informado equivocadamente o valor devido da COFINS na DCTF, em relação à qual remeteu Declaração retificadora em 30/10/2009 reduzindo o débito para o valor de R$ 4.324.879,05, idêntico ao constante do DACON enviado em 07/08/2009. Como provas de suas alegações, a contribuinte anexou, apenas, cópias de DARF, de DCTF (enviadas aos 08/01/2009 e aos 30/10/2009) e de DACON (transmitido aos 07/08/2009). Tais documentos, não evidenciavam o direito ao pretendido indébito. Inclusive, seria impossível para a fiscalização acatar qualquer manifestação da contribuinte, já que a DCTF retificadora, foi apresentada após a sua ciência do Despacho Decisório. Logo, depois do relatório de diligência, em vários momentos, a recorrente afirma que o a fiscalização, no relatório de diligência glosou seus créditos indevidamente. Na verdade, é preciso lembrar que a recorrente pagou seu débito com o valor que entendia correto, posteriormente, sem apresentar nenhuma prova e retificou suas declarações, reduzindo sua base de cálculo. No relatório de diligência, a Delegacia de origem está tentando, com as provas apresentadas pela recorrente, encontrar a base de cálculo por ela retificada de maneira extemporânea. Em outro momento, afirma que o relatório de diligência não está devidamente fundamentado, sendo, portanto, nulo. Não custa lembrar que, caso o relatório de diligência deixasse de ser considerado pelo CARF, permaneceria o entendimento do acórdão recorrido, de que as provas apresentadas pela contribuinte não justificam a retificação de sua base de cálculo. Feitos esses esclarecimentos, analisarei os pontos elencados pela recorrente. 1) Créditos de Notas Fiscais de Outubro de 2008, não Podem Gerar Créditos em Novembro de 2008: Restaram parcialmente glosados os créditos de PIS/COFINS apurados pelo Recorrente, tendo o auditor fiscal apresentado as seguintes justificativas para a glosa: a) Parte dos créditos de PIS/COFINS estaria ligada a operações não comprovadas documentalmente, razão pela qual não teria como chancelar o creditamento realizado pelo contribuinte. Consoante manifestação da fiscalização, certas notas de aquisição de energia elétrica para distribuição pelo Recorrente estariam ilegíveis ou ausentes. Fl. 8987DF CARF MF Processo nº 10467.902987/200911 Acórdão n.º 3301003.224 S3C3T1 Fl. 8.988 11 Ao manifestarse sobre a perícia, o contribuinte tratou de trazer aos autos os documentos tidos como incompletos, defeituosos ou ausentes pelo ilustre auditor fiscal, os quais comprovariam as aludidas operações, objetivando sanar qualquer lapso anteriormente havido. Sobre a documentação juntada, o Fisco mantevese silente, deixando de apreciála. b) Parte desses créditos de PIS/COFINS estaria ligada a notas fiscais de aquisições de bens, insumos e serviços datadas de março de 2008, o que impediria o correspondente creditamento no mês de abril de 2008. Porém, entendo que tal posicionamento não deve persistir. Os dispositivos legais que tratam do creditamento do PIS e da COFINS estabelecem que o cálculo deverá levar em conta as aquisições de bens, serviços e insumos ocorridas no mês, sendo certo que o termo "aquisição" exige o recebimento e contabilização do bem pelo destinatário, sem, contudo, demonstrar se, de fato, os créditos indicados pelo Recorrente seriam suficientes para liquidar os débitos. Assim, embora parte dos créditos diga respeito a notas fiscais emitidas em outubro de 2008, não há porque não se admitir o aproveitamento do correspondente crédito em novembro de 2008, quando as aquisições geradoras do direito ao creditamento foram devidamente contabilizadas e não foram aproveitadas no período anterior. Assim prescreve o artigo 3º. § 1º. da Lei 10.833/2003: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) nos incisos III e IV do § 3º do art. 1° desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 413, de 2008) (Vide Lei nº 11.727, de 2008). b) nos §§ 1º e 1º A do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela lei nº 11.787, de 2008) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) § 1º Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput Fl. 8988DF CARF MF Processo nº 10467.902987/200911 Acórdão n.º 3301003.224 S3C3T1 Fl. 8.989 12 do art. 2o desta Lei sobre o valor: (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; II dos itens mencionados nos incisos III a V e IX do caput, incorridos no mês; Verifica se que a Lei não vincula a apropriação do crédito à data da emissão da nota fiscal. E, mesmo que o crédito fosse vinculado à data da emissão da nota fiscal, o seu aproveitamento não estaria prejudicado, conforme autoriza o artigo 3º. § 4º. da Lei 10.833/2003: § 4º O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes. Portanto, tal glosa não deve ser mantida. 2) Créditos Decorrentes de Despesas de Combustíveis: Segundo o relatório de diligência, as despesas com combustíveis, realizadas através da empresa Ticket Serviços S.A. , não geram direito ao creditamento. Ultrapassando a premissa já esclarecida de que as distribuidoras de energia podem ser consideradas como prestadoras de serviço, temos que analisar o conceito de insumo para a fiscalização e para a recorrente. A glosa está relacionada ao conceito de insumo no entendimento da recorrente ser diferente do conceito de insumo pelo entendimento da fiscalização. Preliminarmente, registro que a maioria das decisões proferidas no CARF vêm assentando o entendimento de que o conceito de insumos para creditamento de PIS e da Cofins demandam critérios próprios, nem iguais aos critérios para o creditamento do IPI e nem ao conceito de insumo aplicado na legislação do Imposto de Renda. Inicialmente o PIS e a Cofins foram instituídos de forma cumulativa. Posteriormente, as leis 10.637/02 e 10.833/03 modificaram o regime de apuração destas contribuições de cumulativo para nãocumulativo, no momento em que as alíquotas foram majoradas para 9,25% no total. Essa não cumulatividade foi desenhada segundo o entendimento do legislador ordinário, porque não havia qualquer preceito constitucional impondo regras sobre a não cumulatividade na apuração dos tributos. Estabeleceuse portanto um sistema legal de dedução de créditos em razão das despesas e aquisições de bens e serviços previstas nos artigos 3º das leis 10.637/02 e 10.833/03. As referidas leis não legislaram sobre o conceito de insumos para os casos de apuração dos créditos de PIS e Cofins, dando margem para diversas interpretações sobre o tema, no decorrer destes anos. Fl. 8989DF CARF MF Processo nº 10467.902987/200911 Acórdão n.º 3301003.224 S3C3T1 Fl. 8.990 13 Por esta razão, vem sendo discutido no âmbito administrativo, perante a Justiça Federal e o Superior Tribunal de Justiça o conceito de insumos para fins de créditos de PIS e Cofins. Como dito, as Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 são omissas quanto ao alcance do termo “insumo” para fins de cálculo do crédito das referidas contribuições. Tal amplitude terminológica encontrase disposta apenas em normas de natureza infralegal, como o § 5º, do artigo 66, da IN SRF no 247, de 21/11/2002, dispositivo incluído pela IN SRF no 358, de 09/09/2003, da nãocumulatividade do PIS/Pasep, bem como nos incisos I e II do § 4º, do artigo 8o, da IN SRF no 404, de 12/03/2004, da nãocumulatividade da COFINS. Segundo tais normas, para fins de aquisição de bens e serviços utilizados como insumos, deverão ser assim concebidos, aqueles: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. Especificamente sobre o critério adotado pela IN SRF no 404/2004 para a definição de insumo destacase que: [...] não é válida a equiparação [à legislação do IPI] realizada pela instrução normativa. A contribuição não incide apenas sobre operações que tenham por objeto produtos industrializados. Tais negócios jurídicos abrangem parte da materialidade da exação, que é muito mais ampla e alcança todos os atos de acréscimo ao patrimônio líquido do contribuinte (receita bruta). Desse modo, a aplicação do conceito de insumo da legislação do IPI gera como efeito prático a limitação da não cumulatividade da contribuição a uma parcela dos fatos tributados, mantendo o efeito cascata em relação às demais receitas auferidas pelo contribuinte. Ao mesmo tempo, compromete de forma irremediável a maior virtude da legislação: a previsão de um conceito amplo de insumo, capaz de garantir uma salutar e indispensável maleabilidade da lei em face do dinamismo da atividade empresarial. Uma restrição dessa natureza somente poderia ser prevista em lei formal, diretamente na Lei no 10.833/2003, inclusive porque, ao reduzir o montante do crédito dedutível, a instrução normativa implica o aumento do valor do tributo devido por meio de analogia, o que é vedado pelo art. 108, § 1o, do Código Tributário Nacional. (SEHN, Solon. PISCOFINS: Não Cumulatividade e Regimes de Incidência. São Paulo: Quartier Latin, 2011. p. 315) Fl. 8990DF CARF MF Processo nº 10467.902987/200911 Acórdão n.º 3301003.224 S3C3T1 Fl. 8.991 14 Aduz ainda que a Lei no 10.833/2003 adotaria “[...] um conceito de insumo claramente ligado à noção de custo de produção prevista de forma exemplificativa na legislação do imposto de renda (DecretoLei no 1.598, de 1977, art. 13, § 1o; Decreto no 3.000/1999, arts. 290 e 291)”1. Há ainda doutrinadores que apregoam a ampla consideração como insumo de todas as despesas da empresa, como Natanael Martins2, em sintonia com a tese sustentada pela recorrente. Segundo ele, pelo fato de as contribuições em comento alcançarem a receita total das entidades, a única forma de assegurar sua integral nãocumulatividade seria se “os créditos apropriáveis alcançarem todas as despesas necessárias à consecução das atividades da empresa”. Para Marco Aurélio Greco3 os insumos para fins de PIS/Pasep e Cofins não se equiparam àqueles indicados pela legislação do Imposto de Renda, uma vez que há distinção material entre receita e renda. Patrícia Madeira, ao estudar a questão da nãocumulatividade, e explicando a lição de Greco, assevera que os pressupostos de fato para o IRPJ e a CSLL são o resultado positivo (renda/lucro), e, nesse caso, deverão ser considerados todos os custos que interferirem na sua apuração. No entanto, “nem todos os custos da atividade empresarial interferem na formação da receita, que é materialidade do PIS e da Cofins”. A idéia de insumo proclamada pela legislação do IPI também não seria aplicável para o PIS/Pasep e para a COFINS4, dado ser o IPI [...] tributo cuja nãocumulatividade se opera pelo método subtrativo, variante imposto contra imposto (que, portanto, requer tenha havido incidência na operação anterior para que o insumo seja creditável) e cuja materialidade (industrialização) remete à ideia de algo fisicamente apreensível. Como a receita decorre de uma prestação de serviços ou da produção de bens, Marco Aurélio Greco conclui que só deve ser insumo o que for inerente àquilo que denomina de “processo formativo da receita”. Em suas palavras: relevante é determinar quais os dispêndios ligados à prestação de serviços e à fabricação/produção que digam respeito aos respectivos fatores de produção (= deles sejam insumos). Se entre o dispêndio e os fatores capital e trabalho houver uma relação de inerência, haverá – em princípio – direito à dedução. Há também outras teses doutrinárias sobre esse que é um dos mais intrincados assuntos relacionados ao regime da nãocumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS. Particularmente, no âmbito do presente foro de discussão destinado a buscar um 1 ob. cit., p. 315316. 2 MARTINS, Natanael. O conceito de insumos na sistemática nãocumulativa do PIS e da Cofins. In: PEIXOTO. Marcelo Magalhães, FISCHER, Octávio Campos (coord.). PISCofins: questões atuais e polêmicas. São Paulo: Quartier Latin, 2005. p. 204. apud MADEIRA, Patrícia Hermont Barcellos Gonçalves. Nãocumulatividade do PIS e da COFINS. Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo. Dissertação de Mestrado. 2009. p. 127. 3 GRECO, Marco Aurélio. Não cumulatividade no PIS e na COFINS. In: PAULSEN, Leandro (Coord.) et al. Não cumulatividade do PIS/Pasep e da Cofins. São Paulo: IOB Thompson. Porto Alegre: Instituto de Estudos Tributários, 2004. p. 112122. apud MADEIRA, Patrícia Hermont Barcellos Gonçalves. Nãocumulatividade do PIS e da COFINS. Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo. Dissertação de Mestrado. 2009. p. 127. 4 O trecho acima, que sintetiza a lição de Marco Aurélio Greco (op. cit., p. 117118), foi extraído da Dissertação de Mestrado de Patrícia Hermont Barcellos Gonçalves Madeira, p. 127128 – referência já citada. Fl. 8991DF CARF MF Processo nº 10467.902987/200911 Acórdão n.º 3301003.224 S3C3T1 Fl. 8.992 15 posicionamento justo para a lide, entendo que se a lei admite o direito de crédito decorrente de despesas incorridas pela pessoa jurídica, tais como pelo aluguel de prédios, de máquinas e de equipamentos utilizados nas atividades da empresa, bem como da energia consumida em seus estabelecimentos, dentre várias outras hipóteses, também permite que referido direito creditório decorra da aquisição de bens e de serviços utilizados como insumo, ressalvadas as exceções legais. Em consequência das limitações impostas ao creditamento pelo texto normativo, constatase que o legislador optou por um regime de nãocumulatividade parcial, posição que defendemos, muito embora reconheçamos que parte da doutrina tente dar ao regime um sentido mais amplo e próximo dos aspectos econômicos da produção, o que, contudo, não encontra alicerce na legislação pertinente. Esta, inclusive, também é a posição predominante no Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhece, para a definição do conceito de insumo, critério amplo/próprio em função da receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo ou à prestação do serviço. O entendimento daquela Corte pode ser visualizado no voto do Ministro Relator Mauro Campbell Marques, proferido nos autos do Recurso Especial nº 1.246.317MG: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃOCUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. Fl. 8992DF CARF MF Processo nº 10467.902987/200911 Acórdão n.º 3301003.224 S3C3T1 Fl. 8.993 16 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido. (REsp 1246317/MG, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/05/2015, DJe 29/06/2015) (grifouse) Portanto, quanto ao alcance do conceito de insumo segundo o regime da não cumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS, entendo que a acepção correta é aquela ligada à essencialidade do bem ou do serviço para o exercício da atividade empresarial: fabricação de bens ou produtos destinados à venda ou prestação de serviços. Também há relação estreita com o objeto social da empresa. Logo, muito embora entendamos que o conceito de insumo seja mais elástico que o adotado pela Receita Federal nas suas instruções normativas no 247, de 21/11/2002 e 404, de 12/03/2004, conforme razões acima desenvolvidas, e mesmo admitindo que muitos desses serviços e gastos são essenciais à dinâmica empresarial no seu aspecto macro, alguns deles dizem respeito a atividades de caráter meramente administrativo, não estando relacionados, de forma direta, à atividade de prestação de serviços da recorrente. No caso concreto, a Recorrente esclareceu que a prestação do seu serviço, nos termos em que delegado pelo Poder Público, exige que o delegatário tenha a disposição diversos automóveis voltados a atender as demandas surgidas em todo o território coberto pelo fornecimento de energia de responsabilidade do contribuinte fiscalizado. Por óbvio, tais veículos devem ser abastecidos com combustível para a execução dos respectivos serviços. Tratase, por conseguinte, de insumo na prestação do seu serviço. O abastecimento dos veículos do Recorrente se dá mediante a contratação de empresa especializada no fornecimento de cartões de abastecimento, como ocorre na prática das grandes empresas, para fins de se alcançar maior controle e menor custo. Em face do exposto, é possível o direito ao creditamento em decorrência desse dispêndio, na forma autorizada pelo artigo 3º., inciso II, da Lei 10.833/2003: Fl. 8993DF CARF MF Processo nº 10467.902987/200911 Acórdão n.º 3301003.224 S3C3T1 Fl. 8.994 17 Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entregados veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Portanto, entendo que a glosa não deve permanecer nessa matéria. 3) Diferença de Aquisições no Grupo Bens Para Revenda: A diligência identificou uma diferença de R$ 3.070.616,71 no grupo "bens para revenda". Indica que não haveria provas a amparálas. Entretanto a recorrente trouxe provas de que opera para a Câmara de Comercialização de Energia CCEE e que as operações de compra e venda no âmbito da CCEE são liquidadas dois meses após a negociação. Em abril de 2008 registrouse contabilmente na rubrica "despesas' encargos de uso da rede elétrica, referentes a energia comprada no mercado referente a março de 2008. No mesmo mês foi registrada a venda no mercado de R$ 466.390,25. Em maio de 2008, foi realizado o pagamento à CCEE de R$ 2.604.226,46 e baixouse R$ 466.390,25. Portanto, compulsandose os documentos acostados ao processo, entendo que assiste razão à recorrente nessa matéria. Conclusão: Logo, considerando que a diligência da delegacia de origem concordou com os argumentos da recorrente, com exceção dos 3 tópicos elencados no corpo do voto e que nesses 3 pontos entendo que assiste razão à recorrente. Portanto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 8994DF CARF MF Processo nº 10467.902987/200911 Acórdão n.º 3301003.224 S3C3T1 Fl. 8.995 18 Fl. 8995DF CARF MF
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