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Numero do processo: 16366.000244/2009-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Apr 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008
COFINS.NÃO CUMULATIVIDADE.CRITÉRIO MATERIAL DIVERSO DAQUELE DO IPI.INSUMOS.TAXA DE SEGURO.
Inexiste coincidência entre o regime não cumulativo do IPI e o da COFINS, pois os fatos tributários são diferentes já que esta última incide sobre a totalidade das receitas e aquele sobre a operação de industrialização de bens. Ademais, a legislação federal confere direito ao contribuinte em utilizar serviços como insumo na produção de bens destinados à venda e por isso não cabe ao Poder Executivo restringir este benefício.
Numero da decisão: 3803-003.862
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Presidente
(assinado digitalmente)
Juliano Lirani - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Souza, Jorge Victor Rodrigues e Fábia Regina Freitas.
Nome do relator: Juliano Lirani
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Inexiste coincidência entre o regime não cumulativo do IPI e o da COFINS, pois os fatos tributários são diferentes já que esta última incide sobre a totalidade das receitas e aquele sobre a operação de industrialização de bens. Ademais, a legislação federal confere direito ao contribuinte em utilizar serviços como insumo na produção de bens destinados à venda e por isso não cabe ao Poder Executivo restringir este benefício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente (assinado digitalmente) Juliano Lirani Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Souza, Jorge Victor Rodrigues e Fábia Regina Freitas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 36 6. 00 02 44 /2 00 9- 20 Fl. 317DF CARF MF 2 Relatório Cuidase de recurso voluntário contra o indeferimento parcial do Pedido de Ressarcimento de Créditos da Cofins Exportação apurados no regime de incidência não cumulativa, com fulcro no art. 6º da Lei no 10.833/2003, referente ao 1º trimestre de 2008, cumulado com pedido de compensação. A DRF de Londrina exarou decisão à fl. 214/215 e deferiu parcialmente o pedido de ressarcimento e homologou as compensações apresentadas pelo contribuinte. A matéria controvertida nos autos referese ao indeferimento do ressarcimento no tocante a valores de “taxa de seguro”. O recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade às fls. 240/258, sob o pressuposto de que possui direito aos créditos pertinentes as despesas afetas a taxa de seguro, com fundamento no art. 3º da Lei n.º 10.833/2003, uma vez que esta lei confere direito a crédito em relação a despesas geradas com armazenagem nas operações de venda. Às fls. 267/269 sobreveio o Acórdão n.º 0633.547– 3ª Turma da DRJ de Curitiba, nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 CRÉDITOS. INSUMOS. DESPESAS COM ARMAZENAGEM DE PRODUTOS. TAXAS DE SEGURO DE MERCADORIAS. Por falta de previsão legal, não dá direito a crédito o gasto com seguro de mercadorias, ainda que cobrado juntamente com despesas de armazenagem. RESSARCIMENTO. JUROS EQUIVALENTES A TAXA SELIC. É incabível a incidência de juros compensatórios com base na taxa SELIC sobre valores recebidos a titulo de ressarcimento de créditos das contribuições ao PIS e A Cofins. Já no recurso voluntário, o contribuinte afirma que o armazém emite nota fiscal de prestação de serviços e inclui o seguro e não há condições de contratar o serviço de armazenagem sem a referida taxa, bem como que esta despesa deve ser compreendida como insumo, pois configura um custo de produção e despesa operacional de seu processo produtivo. Já no recurso voluntário, o contribuinte afirma que o armazém emite nota fiscal de prestação de serviços e inclui o seguro e não há condições de contratar o serviço de armazenagem sem a referida taxa, bem como que esta despesa deve ser compreendida como insumo, pois configura um custo de produção e despesa operacional de seu processo produtivo. Fl. 318DF CARF MF Processo nº 16366.000244/200920 Acórdão n.º 3803003.862 S3TE03 Fl. 271 3 Por derradeiro, requer a aplicação da atualização monetária e juros sobre os valores a serem ressarcidos. Voto Conselheiro Juliano Lirani O recurso voluntário é tempestivo e merece ser conhecido. A empresa tem como objeto social e finalidade principal o comércio, importação, exportação, beneficio de café, adquiridos de terceiros, conforme 31ª Alteração do Contrato Social e Contrato Social Consolidado, sendo que consta nos autos a informação de que a empresa tem registrado no sistema de comércio exterior da receita federal os valores de suas exportações. Na realidade a contribuinte tem direito ao crédito presumido destinado a empresas que tenham por atividade a agropecuária, conforme previsto no art. 29 da Lei 11.051/2004, sendo que o cerne da questão está justamente na interpretação do conceito de insumo. Analisando o caso concreto, compreendo que a DRJ realizou uma interpretação por demais restritiva para o art. 3º da Lei n.º 10.833/2003, que possui a seguinte redação. Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 22 a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. O CARF no PAF n.º 13053.000112/200518 Câmara Superior de Recursos Fiscais, por meio do Acórdão n.º 930301.740, julgado em 09.11.2011 – 3ª Turma, tem sinalizado para uma interpretação menos restritiva para o conceito de insumo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 COFINS. INDUMENTÁRIA. INSUMOS. DIREITO DE CRÉDITO.ART. 3º LEI 10.833/03. Os dispêndios, denominados insumos, dedutíveis da Cofins não cumulativa, são todos aqueles relacionados diretamente com a produção do contribuinte e que participem, afetem, o universo das receitas tributáveis pela referida contribuição social. A indumentária imposta pelo próprio Poder Público na indústria de processamento de alimentos exigência sanitária que deve ser obrigatoriamente cumprida é insumo inerente à produção da indústria avícola, e, portanto, pode ser abatida no cômputo de referido tributo. (grifo) Fl. 319DF CARF MF 4 Conforme extraise do julgado acima, o insumo não deve em hipótese alguma estar restrito às matériasprimas, aos produtos intermediários e aos materiais de embalagem e outros bens que sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, em razão do caráter restritivo não imposto pela lei e pelo Texto Constitucional. Além do que, é sabido que a não cumulatividade é uma técnica, com o objetivo de dimensionar o montante da exigência e de evitar a incidência em cascata e ela deve estar atrelada à materialidade do tributo. Logo, o critério material da tributação deve estar condicionaria a outros aspectos do tributo, inclusive a técnica de não cumulatividade. Com efeito, reconheço o direito ao creditamento em relação a despesa com seguro, uma vez que o conceito de insumo não pode ser o mesmo utilizado para fins do IPI, quando as materialidades da tributação são distintas – produto e receita –, assim os conceitos de insumos também deveriam ser distintos e por esse motivo que é insumo para geração de receita não é exatamente a mesma coisa do que é insumo para a industrialização de um produto, sendo que neste sentido cito a o Acórdão nº 320200.226, sessão de 08/12/2010, 2ª Câmara, 2ª Turma Ord., 3ª Seção. Ante o exposto, voto por dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Juliano Lirani Relator Fl. 320DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.003974/2007-58
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 11 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 15 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1302-000.483
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Ausente, momentaneamente o Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Alberto Pinto Souza Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa.
RELATÓRIO
Nome do relator: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Ausente, momentaneamente o Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .0 03 97 4/ 20 07 -5 8 Fl. 1704DF CARF MF Processo nº 19515.003974/200758 Resolução nº 1302000.483 S1C3T2 Fl. 1.705 2 RELATÓRIO Versa o presente processo sobre recurso voluntário, interposto pelo contribuinte em face do Acórdão nº 1624.412 da 4ª Turma da DRJ/SP1, cuja ementa assim dispõe: Assunto: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2003, 2004 RELATÓRIO DE AVALIAÇÃO ECONÔMICA DE PESSOA JURÍDICA INCORPORADA. RENTABILIDADE FUTURA. É indispensável, para a aceitação do relatório, a apresentação dos elementos que deram suporte a avaliação apresentada. INCORPORAÇÃO DE EMPRESA DO MESMO GRUPO. CUSTO DE INTEGRALIZAÇÃO DE CAPITAL. ÁGIO. RENTABILIDADE FUTURA. Não é aceita, para fins fiscais, a amortização de ágio obtido com a integralização de capital através de crédito relativo a suprimento de numerário realizado entre empresas do mesmo grupo. Não há como reconhecer ágio com base em rentabilidade futura, por faltar, à luz da Teoria da Contabilidade, a necessária independência entre as partes envolvidas. AUTO REFLEXO CSLL. O decidido, no mérito do IRPJ, repercute na tributação reflexa. SALDO DE BASE NEGATIVA DA CSLL. Deve ser provada a existência de saldo de bases negativas de exercícios anteriores, através da apresentação do LALUR, para poder ser considerada na apuração da base tributável da CSLL. Mantido o lançamento realizado. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A recorrente, cientificada do Acórdão nº 1624.412 em 31/05/2010 (AR a fls. 1438), interpôs, em 29/06/2010, recurso voluntário (doc. a fls. 1446 e segs.), no qual alega as seguintes razões de defesa: a) que se tratase de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão DRJ/SP1 n.° 1624.412, de 25 de fevereiro de 2010, proferido pela C. Quarta Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de São Paulo I, o qual julgou procedente o lançamento originado das retificações de oficio que o I. Fiscal autuante efetuou em sua Declaração de Imposto de Renda do anobase 2003/Exercício 2004, glosando as amortizações de valores de ágio realizadas, por entender que tais valores não seriam dedutíveis; b) que a síntese da autuação descrita pelo Auditor Fiscal: “amortização indevida dos ágios contabilizados na incorporação de, (?) pela incorreta identificação da sua natureza e pela falta de comprovação dos fundamentos dos mesmos”; c) que foram os seguintes os pontos equivocados trazidos pelo I. Fiscal no Termo de Verificação Fiscal que integra o lançamento ora combatido: Fl. 1705DF CARF MF Processo nº 19515.003974/200758 Resolução nº 1302000.483 S1C3T2 Fl. 1.706 3 c.1) contabilizou como ágio em investimento pelas incorporações o valor de R$ 62.450.126,62 e o amortizou contabilmente levando a débito de despesas; c.2) que o Relatório de Avaliação Econômica da Incorporada Óticas Grande Visão Ltda. pretendeu efetuar a avaliação econômicofinanceira baseada na metodologia da Rentabilidade Futura com base em fluxos de caixa descontados, não informando os critérios utilizados para os cálculos, não havendo sequer o valor final da avaliação adotada para a incorporação, tampouco se concretizaram as previsões consideradas para a rentabilidade futura; c.3) o comprovante documental utilizado como fundamento para o cálculo da rentabilidade futura não espelhou fatos concretos que pudessem resultar na geração de lucros contra os quais se pudessem confrontar os recursos despendidos no pagamento do ágio; e c.4) os recursos despendidos no pagamento do ágio foram obtidos mediante cessão de créditos que a controladora da ora Recorrente (Companhia de Participações Alpha) efetuoulhe, no montante de R$ 96.224.714,08, aduzindo, ainda, e mais uma vez de maneira completamente equivocada, que a controladora da Recorrente também era controladora da incorporada; c.5) concluiu o I. Fiscal que restou “caracterizada a ocorrência da apuração irregular do lucro real dos períodosbase 2002 a 2004, por infringência dos dispositivos legais insertos no parágrafo 2º, alínea “b”, do artigo 20 do DecretoLei 1598/77, c/c com parágrafo 3° do citado artigo, além dos dispositivos legais insertos no art. 7º e 8º da Lei 9.532/97 alterado pela Lei 9.718/98.”; d) que indignada, a Recorrente interpôs, tempestivamente, a Impugnação cabível, oportunidade na qual esclareceu que o lançamento de oficio não merece prosperar haja vista que: d.1) o ágio efetivamente existiu (como afirmado pelo próprio I. Fiscal autuante); d.2) o ágio foi contabilizado quando do investimento realizado em 2001 pela Recorrente na sociedade Alta Vista Ltda.; d.3) o ágio tem por fundamento econômico a perspectiva de rentabilidade futura, que foi embasado em Relatório de Avaliação, em atendimento ao § 3° do artigo 20 do DecretoLei n.° 1.598/77; e d.4) tal ágio só passou a ser amortizado após a incorporação da referida sociedade Alta Vista Ltda., em 2002, e sempre respeitando a limitação temporal imposta pelo artigo 7° da Lei n.° 9.532/97, não havendo, portanto, que se falar em amortização indevida de ágio no caso em tela; d.5) subsidiariamente, requereu ainda o recálculo do valor exigido a título de CSLL, para que fosse levado em conta o saldo de base negativa existente no anobase 2003, respeitada a limitação percentual legal; Fl. 1706DF CARF MF Processo nº 19515.003974/200758 Resolução nº 1302000.483 S1C3T2 Fl. 1.707 4 e) que, ao analisar a referida Impugnação a Quarta Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I houve por bem julgála improcedente, mantendo a integralidade do crédito tributário exigido; f) que a Recorrente não contabilizou o referido ágio em investimento (R$ 62.450.126,62) no momento das incorporações das sociedades Alta Vista Ltda. e Óticas Grande Visão Ltda. (fevereiro de 2002), pois este ágio foi contabilizado, nos estritos termos das leis vigentes, por ocasião da aquisição do investimento pela Recorrente na sociedade Alta Vista, em maio de 2001, mediante a subscrição de capital no valor de R$ 10.000.000,00; g) que, posteriormente, houve um novo aumento de capital por parte da Recorrente na sociedade Alta Vista, no valor de R$ 86.224.714,00 (p. 124 a 135 do Processo Administrativo), mas que não integra o valor do ágio em referência (R$ 62.450.126,62); h) que, assim, não houve contabilização de ágio algum quando das incorporações das sociedades em fevereiro de 2002, como equivocadamente entendeu o I. Fiscal autuante, pois o ágio já havia sido contabilizado em maio de 2001, por ocasião do investimento, pela Recorrente, na sociedade Alta Vista Ltda.; i) que bastaria que o I. Auditor Fiscal analisasse: (i) o nome da conta do razão contábil n. 1300102 (Ágio em Investimento Alta Vista Ltda. p. 86 do Processo Administrativo) e (ii) a DIPJ referente ao ano calendário 2002 (p. 196 do Processo Administrativo), para constatar que o valor do ágio (R$ 62.450.126,62) já existia no ano calendário de 2001; j) que valor do referido ágio (R$ 62.450.126,62), que, repitase, foi contabilizado na Recorrente por ocasião do investimento de R$ 10.000.000,00 na sociedade Alta Vista Ltda., foi gerado neste mesmo momento (do investimento), mais precisamente em 17/05/2001; l) que o ágio objeto destes autos – do investimento realizado na pessoa jurídica Alta Vista Ltda. foi devidamente contabilizado nos exatos termos do artigo 20 do DecretoLei n.° 1.598/77, não havendo qualquer irregularidade passível de ser reprimida e tampouco penalizada pelo Fisco; m) que o fundamento econômico do referido ágio foi a 'rentabilidade futura da sociedade Óticas Grande Visão Ltda., praticamente o único ativo da sociedade Alta Vista Ltda.. Referida rentabilidade futura está, nos termos do parágrafo 3° do artigo 20 do Decreto Lei n.° 1.598/77, devidamente demonstrada no Relatório de Avaliação Econômica Óticas Grande Visão (fls. 19 a 64 do Processo Administrativo) e arquivada na contabilidade da Recorrente; n) que o referido relatório trás, diferentemente do que afirma o I. Fiscal autuante, o valor da empresa pelo método de fluxos de caixa descontados em 30.04.2001 (data anterior ao investimento), valor este demonstrado às fls. 38 do Relatório/56 do Processo Administrativo; o) que tal ágio não foi amortizado pela Recorrente antes da incorporação da sociedade na qual havia investido (Alta Vista), tendo permanecido todo este tempo em sua contabilidade, como determina a legislação regente da matéria; Fl. 1707DF CARF MF Processo nº 19515.003974/200758 Resolução nº 1302000.483 S1C3T2 Fl. 1.708 5 p) que somente após a incorporação da sociedade Alta Vista Ltda., incorporada juntamente com a sua investida, Óticas Grande Visão Ltda., ocorridas em 1/2/2002, que a Recorrente passou a amortizar tal valor referente ao ágio havido no investimento anteriormente efetuado; q) que as incorporações das sociedades Alta Vista e Óticas Grande Visão foram efetivadas com base nos valores contábeis das sociedades, ratificados por Laudo de Avaliação Contábil realizado pela empresa Asscont Assessoria Contábil e Auditoria S/C (fls. 09 a 13 do Processo Administrativo); r) que não tem sentido algum a observação do I. fiscal autuante em seu relatório quando afirmou que havia incongruência pelo fato da incorporação da sociedade Alta Vista ter sido feita pelo valor contábil e a incorporação da Óticas Grande Visão ter se dado por valor referente “à expectativa de rentabilidade futura”; s) que há uma clara confusão do I. Fiscal autuante e D. Turma Julgadora de Primeira Instância. Ambas as incorporações foram feitas por seus valores contábeis, conforme está inclusive prescrito no Protocolo e Justificação de Incorporação pela Fotóptica Ltda. das sociedades Alta Vista Ltda. e Óticas Grande Visão Ltda. (fls. 81 a 85 do Processo Administrativo); t) que relatório contendo a análise sobre a rentabilidade futura da empresa Óticas Grande Visão Ltda. foi utilizado pela Recorrente, como já dito, para justificar o ágio pago por ocasião do primeiro investimento da Recorrente na sociedade Alta Vista Ltda., quase um ano antes das incorporações; u) que sendo a natureza econômica de referido ágio pautada em perspectiva de Rentabilidade Futura (alinea “b” do §2° do artigo 20 do DecretoLei n.° 1.598/77), os artigos 7° e 8° da Lei n.° 9.732/97, com as alterações introduzidas pela Lei n.° 9.718/98, permitem que a incorporadora passe a amortizar o ágio contabilizado por ocasião do investimento anteriormente realizado na incorporada; v) que contrariamente ao “apurado” no Auto de Infração ora combatido e, data máxima vênia. equivocadamente ratificado pela r. decisão a quo, referido Relatório de Avaliação Econômica é apto, idôneo e suficiente a demonstrar a avaliação econômico financeira feita pela Recorrente quando do investimento e conseqüente aquisição da sociedade Alta Vista, bem como para justificar que o ágio pago referiuse à expectativa de Rentabilidade Futura (alínea “b” do §2° do artigo 20 do DecretoLei n.° 1.598/77); x) que tal Relatório informa, sim, os critérios utilizados para os cálculos e o valor final da avaliação adotada para a incorporação; z) que inexistindo dúvidas da efetiva existência do ágio, se por algum motivo o I. Fiscal entendesse que seu fundamento econômico não era a perspectiva de Rentabilidade Futura, como afirma a Recorrente, a ele caberia, no mínimo, apontar qual é, então, a natureza do ágio que ele mesmo reconheceu como existente, o que não ocorreu, demonstrando, mais uma vez, a fragilidade dos trabalhos que resultaram no lançamento ora combatido; aa) que a alegação de que os recursos despendidos no pagamento do ágio foram obtidos mediante cessão de créditos que a controladora da Recorrente (Companhia de Participações Alpha) efetuoulhe, no montante de R$ 96.224.714,08, cumpre destacar que o I. Fl. 1708DF CARF MF Processo nº 19515.003974/200758 Resolução nº 1302000.483 S1C3T2 Fl. 1.709 6 Fiscal autuante analisou referida operação (o instrumento particular de cessão está às fls. 146 a 150 do Processo Administrativo), não encontrando qualquer irregularidade ou anormalidade, sendo que sua menção a tal fato, repitase, totalmente regular, não tem nada de relevante ao presente caso; ab) que o §3° do art. 20 do DL 1.598/77 não exige qualquer documentação especifica para o embasamento do ágio que tenha como fundamento econômico a perspectiva de Rentabilidade Futura, determinando, apenas, que tal espécie de ágio deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração; ac) que embora tenha a Recorrente informado que o ágio pago na aquisição da pessoa jurídica Alta Vista Ltda. tem fundamento jurídico em perspectiva de Rentabilidade Futura e, ainda, cumprido o requisito constante do §3° do artigo 20 do DecretoLei n.° 1.598/77, com a elaboração e manutenção em sua contabilidade de Relatório apto a embasar referido ágio, o I. Fiscal autuante e a r. decisão recorrida houveram por bem, de forma arbitrária, desconsiderar tais fatos e direitos e glosar as amortizações efetuadas pela Recorrente por “achar” que o respectivo ágio não está fundamentado na perspectiva de rentabilidade futura; ad) que tal avaliação não compete à Fiscalização, e sim ao contribuinte, sendo que as desconsiderações feitas pelo l. Fiscal para a lavratura do Auto de Infração são completamente arbitrárias, imotivadas, ilegais e afrontam praticamente todos os princípios constitucionais previstos no artigo 37 da Carta Magna, os quais devem reger os atos da administração pública, sob pena de nulidade; ae) que nem se alegue, como feito pela r. Decisão recorrida, que tal norma não aplicarseia ao caso vertente em razão de só ser possivel “caso a maisvalia tenha sido efetivamente paga por terceiros independentes”, pois tal argumento não possui base firme a lhe dar arrimo na legislação fiscal; af) que não bastassem todas as irregularidades supra apontadas, que demonstram não haver qualquer ilegalidade nas amortizações de ágio realizadas pela Recorrente, sendo, portanto, completamente indevida a exigência consubstanciada nesta autuação, temos, ainda, que mesmo que assim não o fosse o que se admite apenas por amor à argumentação, o Auto de Infração objeto destes autos ainda mereceria ser prontamente anulado, posto que viciado; ag) que conforme se verifica do referido lançamento em confronto com os documentos anexados aos autos, certo é que este contém grave erro quanto à apuração do suposto valor devido a título da CSLL, na medida em que deixou de considerar a base negativa existente no respectivo ano, tributando, assim, base maior do que a correta; ah) considerando que o saldo de base negativa de CSLL só pode ser compensado com a base de cálculo positiva apurada até o limite de 30%, no caso dos autos, em existindo no anobase 2003 saldo negativo no valor de R$ 21.173.655,35 (conforme DIPJ anteriormente anexada aos autos), dúvida não há de que, caso mantido o lançamento, deste deverá ser exonerado o valor de R$ 57.762,26 a título de CSLL, já que sua correta apuração resulta no valor de R$ 134.778,65; ai) que o ágio objeto destes autos existiu, foi contabilizado quando do investimento realizado em 2001 na sociedade Alta Vista Ltda. sob o fundamento econômico de perspectiva de rentabilidade futura (embasado em Relatório de Avaliação, em atendimento ao § Fl. 1709DF CARF MF Processo nº 19515.003974/200758 Resolução nº 1302000.483 S1C3T2 Fl. 1.710 7 3° do artigo 20 do Decreto Lei n.° 1.598/77), bem como que tal ágio só passou a ser amortizado após a incorporação da referida sociedade Alta Vista Ltda., em 2002, e sempre respeitando a limitação temporal imposta pelo artigo 7° da Lei n.° 9.532/97, certo é que não há o que se falar em amortização indevida de ágio no caso em tela, motivo pelo qual pede e espera a ora Recorrente seja dado integral provimento ao presente Recurso Voluntário. Na sessão de 5 março de 2015, esta Turma resolveu, por unanimidade, converter o julgamento em diligência (Resolução nº 1302000.367, a fls. 1471 e segs.), pelas seguintes razões: “O recurso voluntário é tempestivo e foi subscrito por mandatários com poderes para tal, conforme procuração a fls. 1141 e substabelecimento a fls. 1443, razão pela qual dele conheço. Inicialmente, transcrevo o seguinte excerto do Termo de Verificação Fiscal (doc. a fls. 1092 e segs.): “Em 21/11/2007 a fiscalizada foi intimada a apresentar elementos comprobatórios dos critérios utilizados para elaboração do relatório de avaliação econômica da sociedade Óticas Grande Visão Ltda baseado na projeção de rentabilidade futuras, tais como projeção do balanço patrimonial, projeção do fluxo de caixa descontado, análise de sensibilidade das variáveis de risco do fluxo de caixa, premissa utilizada para o cálculo da taxa de descontos e esclarecimento quanto à conclusão de ágio no montante de R$ 62.450.126,62, com prazo de 5 (cinco) dias. [sic] Segundo consta do Laudo de Avaliação da pessoa jurídica Alta Vista Ltda, efetuado por Asscont Assessoria Contábil e Auditoria S/C, o resultado do trabalho de avaliação contábil dos valores registrados na contabilidade, de acordo com os exames efetuados na companhia, diante da apresentação dos livros contábeis, fiscais e auxiliares previstos em lei, na data de 1° de fevereiro de 2002, confirmou os valores das contas contábeis que integram o patrimônio líquido da incorporada que corresponde a R$ 14.610.546,40 (quatorze milhões, seiscentos e dez mil, quinhentos e quarenta e seis reais, e quarenta centavos). O Relatório de Avaliação Econômica da incorporada Óticas Grande Visão Ltda, efetuada pela própria fiscalizada, pretendeu efetuar a avaliação econômicofinanceira de 100% das quotas baseada na metodologia da Rentabilidade Futura com base em fluxos de caixa descontados, não informando os critérios utilizados para os cálculos das mesmas, nem tão pouco outros elementos solicitados por esta fiscalização, não havendo sequer o valor final da avaliação adotada para a incorporação, tampouco se concretizou as previsões consideradas para a rentabilidade futura, pois, logo a partir do primeiro Fl. 1710DF CARF MF Processo nº 19515.003974/200758 Resolução nº 1302000.483 S1C3T2 Fl. 1.711 8 ano não houve apuração dos resultados esperados, isto é não houve apuração de lucros, conforme consta nos quadros referentes às Declarações de IRPJ.”. Por sua vez, a recorrente quando alega que as autoridades fiscais se equivocaram, pois afirma que o ágio em tela não foi contabilizado no momento das incorporações, mas por ocasião da aquisição do investimento pela Recorrente na sociedade Alta Vista, em maio de 2001, mediante a subscrição de capital no valor de R$ 10.000.000,00 e que bastaria que o I. Auditor Fiscal analisasse: (i) o nome da conta do razão contábil n. 1300102 (Ágio em Investimento Alta Vista Ltda. p. 86 do Processo Administrativo) e (ii) a DIPJ referente ao ano calendário 2002 (p. 196 do Processo Administrativo), para constatar que o valor do ágio (R$ 62.450.126,62) já existia no ano calendário de 2001. Ao se compulsar os autos, entretanto, não se encontra documentos comprobatórios da subscrição de capital alegada pela recorrente. Em face do exposto, voto por converter o julgamento em diligência, para que: a) a recorrente seja intimada a: a.1) comprovar, com documentos idôneos, a subscrição de capital, em maio de 2001, na Alta Vista S.A., no valor de R$ 10 milhões, com pagamento de ágio no montante de R$ 62.450.126,62, apresentando o laudo que o fundamentou o ágio; e a.2) comprovar que houve o registro contábil da reserva de capital (ágio na subscrição) no mesmo valor, no patrimônio líquido da Alta Vista S.A. e justificar porque a DIPJ AC 2001 da Alta Vista S.A., a fls. 1026, não informa saldo nessa conta. b) a DEFIC/SP (0819000) informe qual o saldo de base negativa de CSLL existente à época: do fato gerador, da data em que o lançamento foi efetuado; e o saldo hoje existente.”. Em 05/08/2015, a recorrente apresentou a primeira resposta à intimação (a fls. 1497 e segs.), na qual alega o seguinte: “Nesse sentido, e em atenção ao item “1” da intimação em tela, requer a Peticionária a juntada das anexas cópias (i) do Livro Geral da Alta Vista S.A., (ii) Balancete da Alta Vista S.A. (maio/2001); (iii) Conciliação de Contas da Operação e (iv) Recibo da Integralização de Capital no valor de R$ 10.000.000,00, os quais entende a Peticionária, são aptos comprovar a subscrição com ágio questionada. Fl. 1711DF CARF MF Processo nº 19515.003974/200758 Resolução nº 1302000.483 S1C3T2 Fl. 1.712 9 Requer, ainda, a juntada do anexo (v) Laudo que embasou a operação de subscrição desses R$ 10.000.000,00 e de cópia de página do (iv) Livro Razão da Peticionária, referente a tal integralização (maio/2001). Notese que o Laudo em questão discorre sobre a empresa Óticas Grande Visão, já que a Alta Vista S.A. era sua controladora e a expectativa de rentabilidade futura que deu origem ao ágio sob enfoque baseavase na projeção de lucratividade e crescimento de tal empresa. Por fim, informa a Peticionária que está buscando, junto a seus arquivos terceirizados, a via original do Livro Razão supra mencionado, as DIRPJs do período em questão e os documentos embasadores do Laudo ora apresentado, razão pela qual pede e espera sejalhe deferida a dilação de prazo por 10 dias, para tanto.”. Em 14/08/2015, a recorrente apresentou nova resposta, na qual assim se manifesta (a fls. 1559): “Assim, em 05/08/2015 a Peticionária trouxe ao conheciemnto de V.Sa. a seguinte documentação: (i) cópia do Livro Geral da Alta Vista S.A.; (ii) cópia do Balancete da Alta Vista S.A. (maio/2001); (iii) cópia da conciliação de contas da operação; (iv) cópia do recibo de integralização de capital no valor de R$ 10.000.000,00; (v) cópia do Laudo que fundamentou a operação de subscrição com ágio em questão; e (vi) cópia da página do Livro Razão da Peticionária, de maio de 2001, onde consta tal integralização com ágio. Complementarmente, a Impugnante pede vênia para anexar aos autos os seguintes documentos : (vii) cópia da DIPJ anocalendário 2001 da peticionária, de onde se denota a correta informação acerca do ágio (doc. 01); (viii) cópia dos balancetes dos anos de 1999 e 2000 da Óticas Grande Visão Ltda., empresa detida pela Alta Vista S.A. e em razão da qual foi constituído o ágio com fundamento em rentabilidade futura (doc. 02); (ix) cópia da ficha 44 da DIPJ da Alta Vista S.A., anocalendário 2001, mostrando que o valor da empresa Óticas Grande Visão Ltda,, por equivalência patrimonial era de R$ 26.637.688,16 (doc. 03); Fl. 1712DF CARF MF Processo nº 19515.003974/200758 Resolução nº 1302000.483 S1C3T2 Fl. 1.713 10 (x) cópia do Balancete da Peticionária, de dezembro de 2001, demonstrando a devida contabilização da participação na empresa e do respectivo ágio (doc. 04); (xi) cópia do Livro Diário da Peticionária, de maio de 2001, onde se verifica a correta contabilização dos 02 (dois) investimentos havidos na Alta Vista S.A., nos valores de R$ 10.000.000,00 em 15/05/2001, e de R$ 86.224.714,00 em 27/05/2001, com a formação do ágio de R$ 62.450.126,62 (valor referente à rentabilidade futura da empresa Óticas Grande Visão Ltda. , conforme laudo) (doc. 05); (xii) cópias das Atas da Assembleia Geral referentes às subscrições em referência (doc. 06). Com relação aos Balancetes mencionados no item (viii), cumpre ressaltar que foram os que deram origem aos estudos efetuados em razão dos investimentos na empresa Alta Vista, com se verifica de seu simples confronto com a planilha constante do laudo então elaborado, ora novamente anexado para facilitação das análises (doc. 07); Como se nota, a receita bruta da empresa Óticas Grande Visão Ltda. foi de, aproximadamente, R$ 27.395.000,00 em 1999 e de R$ 29.498.000,00 em 2000, demonstrando um crescimento real na ordem de 8,4%, que projetados para os próximos 10 anos resultou na expectativa de rentabilidade futura que o ágio sob discussão. É de se ressaltar, ainda, que antes da negociação em pauta, mas já almejando, houve grande investimento estrutural e de modernização e expansão na empresa Óticas Grande Visão Ltda., como se comprova pela análise dos valores dos gastos préoperacionais constantes de seus balancetes (aproximadamente R$ 50.000.000,00 em 1999 e R$ 43.000.000,00 em 2000), fato que corrobora a expectativa de rentabilidade futura criada entre as partes, já que nenhuma empresa realiza tais investimentos préoperacionais se não almejando expandir! Por fim, e nos termos dos documentos anteriormente anexados (itens i, ii, iii e iv, supra elencados), informa a Peticionária que o valor do ágio sob análise não consta da DIPJ 2001 da empresa Alta Vista S.A. por mero erro de contabilização cometido por aquela empresa, que em vez de desmembrar os valores, lançou sua totalidade na conta de capital em vez de dividilo entre capital e reserva de ágio, o que de forma alguma causou qualquer prejuízo ao erário. Assim, a Peticionária entende ter demonstrado todos os fundamentos que embasaram a ocorrência efetiva das subscrições com ágio, bem como seus registros contábeis nas empresas envolvidas na operação e, consequentemente, a legalidade das amortizações realizadas.”. Fl. 1713DF CARF MF Processo nº 19515.003974/200758 Resolução nº 1302000.483 S1C3T2 Fl. 1.714 11 Em 28/09/2015, a recorrente apresentou petição ( a fls. 1641), na qual solicita prazo de 5 dias para localização das vias originais do Recibo de Integralização de Capital e da Ata de Assembleia ordinária e Extraordinária datada de 15 de maio de 2001. Em 27/12/2015, a recorrente apresenta nova resposta à intimação (a fls. 1643), na qual assim se manifesta: “...vem...em complementação à documentação anteriormente apresentada, requerer a juntada aos autos das anexas Demonstrações Financeiras em 31 de dezembro de 2001 e 2000, com parecer dos auditores independentes e notas explicativas acerca do investimento nas Óticas Grande Visão Ltda. (doc. 01), bem como as Demonstrações Financeiras da empresa Óticas Grande Visão Ltda. (doc. 02). Nesta oportunidade, apresenta, ainda, os originais dos Livros Diário 2001 e 2002 da empresa Alta Vista Ltda., para análise e validação das cópias simples anteriormente apresentadas. Ademais, informa que solicitou à Junta Comercial de São Paulo vias do Recibo de Integralização de Capital e da Ata de Assembleia Geral Ordinária e Extraordinária datada de 15 de maio de 2001, anteriormente apresentadas através de cópias simples, mas, até o momento, não as obteve.”. Em 5 de abril de 2016, esta Turma decidiu, por meio da Resolução 1302000.414 (a fls. 1681 e segs.), novamente, em converter o julgamento em diligência, para que a DEFIS/SPO cumprisse o item “b” da Resolução 1302000.367 a fls. 1471/1478. Em resposta a diligência, o Relatório Fiscal, a fls. 1700, assim se manifestou: “Tendo em vista o determinado no item “b” da Resolução nº 1302 000.367 segue o Demonstrativo da Base de Cálculo Negativa da CSLL referentes aos anoscalendários de 2002, 2003 e 2004. Informo que não foram feitas compensações de ofício à época do lançamento do crédito tributário.”. A fls. 1698/1699, a autoridade diligenciada juntou aos autos o Demonstrativo de Base de Cálculo Negativa da CSLL dos anos de 2002, 2003 e 2004. É o relatório. VOTO Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior Relator. Conforme já afirmado na Resolução nº 1302000.367 (a fls. 1471 e segs) o recurso voluntário é tempestivo e foi subscrito por mandatários com poderes para tal, conforme procuração a fls. 1141 e substabelecimento a fls. 1443, razão pela qual dele conheço. Fl. 1714DF CARF MF Processo nº 19515.003974/200758 Resolução nº 1302000.483 S1C3T2 Fl. 1.715 12 Preliminarmente, voto por converter o julgamento pela terceira vez consecutiva, pois a DEFIS/SPO não cumpriu o solicitado no item “b”da Resolução 1302000.367, a fls. 1471 e segs., se não vejamos o que solicitava tal item: “b) a DEFIC/SP (0819000) informe qual o saldo de base negativa de CSLL existente à época: do fato gerador, da data em que o lançamento foi efetuado; e o saldo hoje existente.”. Vale salientar que, caso essa turma acolha o pedido da recorrente, para que se compense o saldo de base de cálculo negativa com a base ajustada lançada no auto de infração da CSLL em tela, farseá necessário saber se havia saldo de base negativa na data de cada fato gerador lançado (2002, 2003 e 2004), pois, só se pode compensar bases negativas com resultados futuros. Isso foi respondido pelo documento juntado pela DEFIS/SPO a fls. 1698/1699. Ocorre, que também foi solicitado informar o saldo de base negativa no momento do lançamento (07/12/2007), ou seja, se tais bases negativas ainda existiam ou se já tinham sido compensadas espontaneamente com bases ajustadas de outros fatos geradores. O que não foi respondido pela DEFIS/SPO. Por fim, foi solicitado informar também se há, atualmente, base negativa a ser compensada, tendo em vista que a recorrente poderia ter usado seu saldo de bases negativas, para compensar bases ajustadas de fatos geradores ocorridos entre a data do lançamento (2007) e a data deste julgamento. Questão que também não foi respondida pela DEFIS/SPO. Saliento que a solução da questão acima não significa qualquer posicionamento prévio deste Relator quanto ao julgamento do mérito, apenas, por não saber o que a maioria deste Colegiado iria decidir, não poderíamos deixar tal questão pendente de resposta, sob pena de eventualmente termos que proferir um decisão condicionada, o que não é admitido em Direito. Por essa razão, voto por converter o julgamento em diligência, para que, mais um vez, a DEFIS/SPO seja instada a cumprir, na sua inteireza, o que foi solicitado na letra “b”da Resolução 1302000.367, a fls. 1471 e segs., ou seja, complementando a resposta dada à Resolução 1302000.414 (a fls. 1681 e segs.) e informando: a) qual o saldo de base negativa de CSLL em 07/12/2007; e b) qual o saldo de base negativa de CSLL hoje existente. Alberto Pinto Souza Junior Fl. 1715DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.906282/2013-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Apr 04 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2008
SOLUÇÃO DE CONSULTA DESFAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE.
Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal.
SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES.
A instalação de elevadores subsume-se ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3201-002.488
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. O Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira votou pelas conclusões. Vencidos os Conselheiros José Luiz Feistauer de Oliveira, que votou por serem as operações da Recorrente enquadradas no regime de apuração cumulativa e o Conselheiro Winderley Morais Pereira, que votou por não ser possível a discussão administrativa no CARF de matéria com solução de consulta exarada pela Receita Federal, cuja consulente seja a própria Recorrente.
(assinado com certificado digital)
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Mércia Helena Trajano D'Amorim; Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE. Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal. SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES. A instalação de elevadores subsumese ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços. Recurso Voluntário Provido. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. O Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira votou pelas conclusões. Vencidos os Conselheiros José Luiz Feistauer de Oliveira, que votou por serem as operações da Recorrente enquadradas no regime de apuração cumulativa e o Conselheiro Winderley Morais Pereira, que votou por não ser possível a discussão administrativa no CARF de matéria com solução de consulta exarada pela Receita Federal, cuja consulente seja a própria Recorrente. (assinado com certificado digital) Winderley Morais Pereira Presidente Substituto e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 90 62 82 /2 01 3- 57 Fl. 370DF CARF MF Processo nº 11080.906282/201357 Acórdão n.º 3201000.488 S3C2T1 Fl. 0 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Mércia Helena Trajano D'Amorim; Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado pelo Contribuinte em face do acórdão nº 09054.954, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG), em apreciação de DCOMP eletrônica transmitida com objetivo de compensar débitos nela apontados com créditos oriundos de pagamento indevido. Por economia processual, utilizarseá o relatório da autoridade recorrida no que interessa ao exame dos autos em apreço: "A matéria foi objeto de decisão proferida por intermédio do Despacho Decisório, no qual a Delegacia de origem, com base em informação fiscal resultante de diligência do Serviço de Fiscalização para apuração do direito creditório referente à DCOMP acima identificada, onde ficou constatada a improcedência do crédito original nela informado, revisou de ofício o reconhecimento do direito creditório automático para não reconhecimento do direito creditório por inexistência do crédito e também de ofício revisou a homologação total da compensação efetuada através da mencionada declaração para compensação não homologada. A autoridade fiscal que proferiu a referida informação tomou por base a Solução de Consulta 446 SRRF/8ª RF/Disit, de 18/08/2007, uma vez que a Solução de Consulta 104 SRRF/10ª RF/Disit, de 18/08/2008, foi anulada pelo Parecer 52 SRRF10/Disit, de 13/09/2011, sob o seguinte argumento: É vedada a coexistência de duas soluções de consulta vigentes e eficazes sobre o mesmo fato, relativas a um mesmo sujeito passivo(...). Por sua vez, a Solução de Consulta vigente tem a seguinte ementa para o PIS: ELEVADORES. NÃOCUMULATIVIDADE. A instalação de elevador por seu produtor não caracteriza obra de construção civil, descabendo a aplicação do art. 10, XX, da Lei nº 10.833, de 2003. Caracterizase como operação de industrialização, na modalidade montagem, a reunião de partes, peças e componentes da qual resulte elevador, inclusive quando realizada fora do estabelecimento do executor, no próprio prédio onde esse equipamento será utilizado. Sofre incidência da contribuição para o PIS/Pasep em regime de apuração nãocumulativo o total das receitas decorrentes do fornecimento de elevador por seu produtor, o qual se conclui ao final do processo de montagem. Para a Cofins foi proferida ementa com igual teor. Fl. 371DF CARF MF Processo nº 11080.906282/201357 Acórdão n.º 3201000.488 S3C2T1 Fl. 0 3 Regularmente cientificada da não homologação, a contribuinte protocolou suas razões de defesa alegando, em resumo, que: (...) Como ficará exaustivamente demonstrado ao longo da presente manifestação de inconformidade, o direito creditório da REQUERENTE decorre do pagamento indevido do PIS/COFINS na modalidade nãocumulativa. A atividade de instalação de elevadores realizada REQUERENTE tem a natureza de obra de construção civil, o que já foi declarado pelo Poder Judiciário no passado, e as receitas decorrentes da mesma estão sujeitas ao PIS/COFINS na modalidade cumulativa, nos termos do inciso XX do artigo 10 da Lei n° 10.833/03, que se aplica às duas contribuições (cfr. inciso V do artigo 15). Qualquer pagamento realizado a outro título reputase indevido e, portanto, é passível de compensação nos termos do artigo 74 da Lei n° 9.430/96. (...) O direito creditório da REQUERENTE decorre (i) da natureza do serviço prestado (obra de construção civil), o que se verifica pela aplicação da legislação do PIS/COFINS combinada com a legislação do IPI; (ii) da sujeição das receitas decorrentes dessa atividade à sistemática cumulativa do PIS/COFINS; e (iii) do pagamento indevido do PIS/COFINS na modalidade não cumulativa. O Despacho Decisório, para não reconhecer o direito creditório em discussão, recorre à primeira consulta fiscal formulada pela REQUERENTE (Consulta SSRF08/Disit n° 446/2007) e invoca o conceito de industrialização presente na legislação do IPI para concluir que o serviço de instalação não tem a natureza de serviço de construção civil. Data máxima vênia, o Despacho Decisório não merece prosperar: · em preliminar, porque afronta e contradiz decisão judicial transitada em julgado na Ação Ordinária n° 88.00.03357 1, movida pela REQUERENTE, a qual declarou que o IPI não incide sobre o preço dos serviços decorrentes da realização de obras de instalação de elevadores, haja visto que tais serviços não consubstanciam operação de industrialização, na modalidade montagem, mas sim obra de construção civil; · no mérito, porque: (i) as atividades de instalação de elevadores não se caracterizam como operação de industrialização, na modalidade de montagem, mas sim como obra de construção civil; (ii) a legislação do PIS/COFINS é silente quanto à definição do que se deva compreender por "obras de construção civil"; (iii) o Código Civil considera bem imóvel tudo quanto se incorporar ao solo, natural ou artificialmente; (iv) a Instrução Normativa RFB N n° 971/093, "considera (... ) obra de construção civil, a construção, a demolição, a reforma, a ampliação de edificação ou qualquer outra benfeitoria agregada ao solo ou ao subsolo"; (v) os elevadores fabricados e instalados pela REQUERENTE são incorporados às edificações, o que caracteriza o serviço de instalação como uma verdadeira obra de construção civil; (vi) a lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito Fl. 372DF CARF MF Processo nº 11080.906282/201357 Acórdão n.º 3201000.488 S3C2T1 Fl. 0 4 privado, a teor do disposto pelos artigos 109 e 110 do Código Tributário Nacional. (...) O Despacho Decisório, ao não reconhecer o crédito compensado pela REQUERENTE e deixar de homologar a compensação declarada, com base nos mesmos fundamentos da Solução de Consulta SRRF08/DISIT n° 446/2007 (os serviços prestados pela REQUERENTE decorrentes da realização de obras de instalação de elevadores consistiriam em suposta industrialização, na modalidade montagem), vai de encontro à coisa julgada, devendo, por isso, ser reformado. Como há declaração judicial no sentido de que os serviços prestados pela REQUERENTE — de instalação de elevadores não consubstanciam operação de industrialização, na modalidade montagem, mas sim obra de construção civil, obviamente que a Administração Tributária Federal deve respeitar o julgado, interpretando a legislação de regência nos termos da decisão passada em julgado, levando em consideração o seu conteúdo. (...) Ao assim proceder, interpretando o conceito de industrialização (montagem) da legislação de IPI de forma diametralmente oposta àquela que lhe foi conferida pela decisão passada em julgado, a União Federal, por meio de seus agentes, adota comportamento nitidamente contraditório e incompatível com interpretação da legislação tributária. (...) Nesse passo, cumpre destacar que o "principio da moralidade obriga que a Administração Pública, no desempenho das atividades por meio de seus agentes, atue de forma ética", sob pena de ser considerado ilegítimo o ato administrativo que deixa de observar tal mandamento. O E. Supremo Tribunal Federal, a propósito, em diversas oportunidades confirmou que a Administração Pública está subordinada ao Princípio da Moralidade, como se pode verificar, exemplificativamente, do acórdão que segue (...) Assim sendo, independentemente da anulação da Solução de Consulta SRRF10/DISIT n° 104/2008, que se deu por questões formais, o reconhecimento do direito creditório da REQUERENTE e a homologação da compensação declarada decorrem da interpretação do inciso XX do artigo 10 da Lei n° 10.833/2003, que tem de ser harmoniosa com o que decidiu o Poder Judiciário nos autos Ação Ordinária n° 88.00.033571/RS, transitada em julgado desde 08/05/1997. (...)" Após exame da Manifestação de Inconformidade apresentada pelo Contribuinte, a DRJ proferiu acórdão assim ementado: COMPENSAÇÃO. Fl. 373DF CARF MF Processo nº 11080.906282/201357 Acórdão n.º 3201000.488 S3C2T1 Fl. 0 5 A compensação pressupõe a existência de direito creditório líquido e certo. NULIDADE. Não procedem as arguições de nulidade quando não se vislumbra no despacho decisório qualquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72. COISA JULGADA. A decisão judicial transitada em julgado é, na verdade, a lei aplicada ao caso concreto e, tratandose de exclusão do crédito tributário, deve ser interpretada literalmente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário a este CARF, reiterando a existência do direito creditório postulado. É o relatório. Voto Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.448, de 26 de janeiro de 2017, proferido no julgamento do processo 11080.729874/201349, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Ressaltese que a decisão do paradigma foi contrária ao meu entendimento pessoal. Todavia, como fui vencido na votação, ao presente processo deve ser aplicada a posição vencedora, conforme consta da ata da sessão do julgamento. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão, (Acórdão 3201002.448): "O Recurso é próprio e tempestivo e dele tomo conhecimento. (...) A princípio, temse que o cerne da questão é definir qual a natureza da atividade exercida pela Recorrente (instalação de elevadores): se construção civil ou se industrialização. Tal definição determinará se a Recorrente deveria, à época dos fatos geradores, apurar o recolhimento do PIS e da COFINS pelo regime não cumulativo ou pelo cumulativo. Fl. 374DF CARF MF Processo nº 11080.906282/201357 Acórdão n.º 3201000.488 S3C2T1 Fl. 0 6 Há peculiar situação no feito, consistente no fato de que a Recorrente teria apresentado duas Consultas Fiscais acerca do tratamento tributário mais adequado, obtendo Soluções conflitantes. Na primeira delas, Solução de Consulta nº 446/2007, da 8ª Região Fiscal, concluiuse que se tratava de industrialização e que, portanto, as receitas estariam sujeitas ao regime não cumulativo das citadas contribuições. A segunda, Solução de Consulta nº 104/2008, da 10ª Região Fiscal, afirmou que as receitas estariam sob o regime cumulativo. No caso, o crédito postulado pela Recorrente origina da aplicação do segundo entendimento. Os créditos postulados, portando, decorrem da reapuração do PIS e da COFINS outrora calculados pelo regime não cumulativo e reajustados para o cumulativo. Idêntica questão já foi examinada por esta mesma Turma na sessão de 24 de fevereiro de 2016, em decisão por maioria proferida nos autos do Processo nº 11080.726628/201335, da mesma THYSSENKRUPP ELEVADORES S/A, no qual a Conselheira Doutora Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo foi designada Relatora para o Voto Vencedor. O referido Acórdão nº 3201002.070 recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/06/2008 a 31/12/2009 SOLUÇÃO DE CONSULTA DESFAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE. Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal. SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES. A instalação de elevadores subsumese ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. No lançamento de ofício, o valor originário do crédito tributário compreende o valor do tributo e da multa por lançamento de ofício. Sobre a multa por lançamento de oficio não paga no vencimento incidem juros de mora. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/2008 a 31/12/2009 SOLUÇÃO DE CONSULTA DESFAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE. Fl. 375DF CARF MF Processo nº 11080.906282/201357 Acórdão n.º 3201000.488 S3C2T1 Fl. 0 7 Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal. SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES. A instalação de elevadores subsumese ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. No lançamento de ofício, o valor originário do crédito tributário compreende o valor do tributo e da multa por lançamento de ofício. Sobre a multa por lançamento de oficio não paga no vencimento incidem juros de mora. Recurso Voluntário Provido e Recurso de Ofício Negado Vistos,relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Winderley Morais Pereira, relator. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Como consta em ata, o voto da i. Conselheira Doutora Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo foi por mim acompanhado integralmente. Por essa razão, peço vênia para transcrevêlo como fundamento do presente julgado: Como se depreende do voto do eminente relator, o mérito da presente demanda não foi conhecido, por se entender que havia solução de consulta, proferida para a situação específica dos autos e proposta pela própria Recorrente. Com efeito, no mérito a Recorrente alega que o regime jurídico de apuração das contribuições sociais, tome a sua atividades de instalação de elevadores como prestação de serviços de construção civil, o que determinaria a aplicação do regime cumulativo. A Recorrente obteve a solução de consulta SRRF/8ªRF/DISIT nº 446, de 18/09/2007, que ao analisar as atividades realizadas pela Recorrente de instalação de elevadores, decidiu não ser atividade de construção civil e portanto, estariam sujeita a apuração do PIS e da COFINS no regime não cumulativo. Não obstante, a Recorrente protocolou nova consulta, na Superintendência da Receita Federal do Brasil na 10ª Região Fiscal (Solução de Consulta SRRF/10ªRF/DISIT nº 104, de 18 de agosto de 2008), que considerou a atividade da Recorrente como prestação de serviços de construção civil e portanto, enquadrada nas disposições do art. 10, XX, da Lei nº 10.833/2003, determinando a apuração do PIS e da COFINS no regime cumulativo.(fls. 391 a 397). Fl. 376DF CARF MF Processo nº 11080.906282/201357 Acórdão n.º 3201000.488 S3C2T1 Fl. 0 8 O entendimento do eminente Conselheiro Winderley Morais Pereira foi no sentido de que, em sendo a solução de consulta instrumento de garantia do contribuinte para esclarecimentos quanto a aplicação da legislação, a possibilidade de consultas do mesmo contribuinte tratando da mesma matéria serem protocoladas em unidades diversas da RFB, poderia mitigar a força normativa das consultas. Por essa razão, a decisão anterior não produziria efeito, nos termos do art. 54, IV do Decreto nº 70.235/72. Contudo, a questão que se põe e da qual se diverge do ilustre relator, é precisamente sobre a possibilidade de a decisão proferida no âmbito do contencioso administrativo fiscal, se sobrepor a decisão em solução de consulta, para o mesmo contribuinte. Ora, embora pelo processo de consulta possa se entender que o contribuinte recorra à Administração para buscar a correta exegese de determinada norma jurídica, verificase o que se busca, invariavelmente, é uma medida protetiva, de cunho preventivo, para a estruturação tributária de suas operações. O fato é que no âmbito do processo de consulta, o contribuinte não comparece na condição de mero consulente, até mesmo porque, já traz em seu pedido o posicionamento que entende cabível, com a respectiva fundamentação legal, o que aliás, é condição para o processamento de sua consulta, de acordo com a legislação em vigor, sob pena de sua ineficácia. Embora o procedimento de consulta não se equipare lógica e juridicamente ao processo administrativo fiscal, o fato é que este também possui conteúdo persuasivo, buscandose convencimento da Administração, acerca de determinada interpretação. E se assim for o caso, a solução em consulta conferelhe medida protetiva, um verdadeiro escudo contra eventuais futuros entendimentos administrativos contrários. Por essa razão, apenas a solução de consulta favorável ao contribuinte tem repercussões no contencioso administrativo fiscal, no sentido de coibir o lançamento. Observese que, nessa toada, dispõe o art. 100 do Decreto n. 7574/2011: Art.100. Se, após a resposta à consulta, a administração alterar o entendimento expresso na respectiva solução, a nova orientação atingirá apenas os fatos geradores que ocorrerem após ser dada ciência ao consulente ou após a sua publicação na imprensa oficial (Lei no 9.430, de 1996, art. 48, § 12). Parágrafo único. Na hipótese de alteração de entendimento expresso em solução de consulta, a nova orientação alcança apenas os fatos geradores que ocorrerem após a sua publicação na Imprensa Oficial ou após a ciência do consulente, exceto se a nova orientação lhe for mais favorável, caso em que esta atingirá, também, o período abrangido pela solução anteriormente dada. Acresçase, por fim, que as decisões proferidas em procedimentos de consulta e no processo administrativo fiscal são lógica e juridicamente distintas, de sorte que não se verifica quaisquer relações de hierarquia entre elas. Fl. 377DF CARF MF Processo nº 11080.906282/201357 Acórdão n.º 3201000.488 S3C2T1 Fl. 0 9 Superadas a questão, partese para o conhecimento do mérito da lide. A atividade de instalação de elevadores deve ser caracterizada como serviço, e não como atividade de industrialização, frisandose que, na hipótese dos autos, a Recorrente aparta a atividade de fabricação dos elevadores, da de sua instalação. Além de todas os fundamentos jurídicos trazidos pela Recorrente, como o fato de que a instalação de elevadores sob encomenda ser complemento da obra de construção civil, esta, indubitavelmente subsumida ao conceito de serviço, por se agregarem ao solo, dentre outras, temse que, para efeitos da legislação federal, que passou a tributar os serviços pelas contribuições sociais, bem como instituir o instrumental necessário para o controle do comércio exterior de serviços, com a edição da Nomenclatura Brasileira de Serviços, Decreto n. 7708/2011, não há mais dúvidas quanto ao enquadramento. Destarte, de acordo com o art. 2o do decreto, a NBS será adotada como nomenclatura única na classificação das transações com serviços, intangíveis e outras operações que produzam variações no patrimônio das pessoas físicas, pessoas jurídicas e entes despersonalizados. Os serviços de instalação de elevadores estão assim dispostos: SEÇÃO ISERVIÇOS DE CONSTRUÇÃO Capítulo 1Serviços de construção 1.0131Outros serviços de instalação 1.0131.10.00Serviços de instalação de elevadores, esteiras e escadas rolantes O direito positivo brasileiro não traz um conceito conotativo de "serviço' nem mesmo para efeitos de incidência do ISSQN, operando sempre com definições denotativas, ou seja, com listas que arrolam o que são considerados os "serviços" para efeitos de tributação. Portanto, não se questiona a validade, vigência e eficácia da Nomenclatura Brasileira de Serviços, para esse fim. Não se olvide, finalmente, que os decretos são de aplicação obrigatória para o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, de maneira que considerada a atividade em questão como serviço, deve ser a aplicação do regime cumulativo das contribuições sociais. Por essas razões, entendo que há de ser dado provimento ao recurso voluntário.Com efeito, não vislumbro a possibilidade de uma Solução de Consulta expedida pela Receita Federal do Brasil vincular, ad eternum, uma exigência tributária que se mostre claramente ilegítima. Não se trata aqui de discutir se o contribuinte poderia ou não ter formulado uma segunda Consulta Fiscal, ou mesmo qual das respostas deveria prevalecer. Tratase aqui de reconhecer a legalidade ou ilegalidade de uma exigência tributária, ou, melhor dizendo, de definição acerca do alcance de uma norma tributária. Mesmo se admitisse que, de acordo com as normas procedimentais, a segunda Solução de Consulta deveria ser tida por inexistente, tal Fl. 378DF CARF MF Processo nº 11080.906282/201357 Acórdão n.º 3201000.488 S3C2T1 Fl. 0 10 constatação, por óbvio, não chancela a legitimidade da primeira Solução de Consulta. Afinal, este não é o meio adequado para se definir fato gerador de obrigação tributária. E, nesse sentido, trago o seguinte precedente do Superior Tribunal de Justiça que reconhece o serviço de instalação e montagem de elevadores como obra de engenharia, e não como industrialização (portanto, atraindo a incidência do regime cumulativo do PIS e da COFINS à época dos fatos geradores): TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. FORNECIMENTO DE ELEVADORES. IPI. NÃO INCIDÊNCIA. 1. A atividade de fornecimento de elevadores, que envolve a produção sob encomenda e a instalação no edifício, encerra, precipuamente, uma obra de engenharia que complementa o serviço de construção civil, não se enquadrando no conceito de montagem industrial, para fins de incidência do IPI. 2. Recurso especial provido. (REsp 1231669/RS, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 07/11/2013, DJe 16/05/2014) Diante do exposto, voto por CONHECER e DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do Contribuinte, exonerando o crédito tributário lançado." Apenas uma observação, que em nada afeta o resultado do julgamento do presente processo: não há que se falar em exonerar o crédito tributário lançado, uma vez que tanto o processo paradigma quanto o presente tratam de PER/DCOMP. Assim, a consequência do provimento ao recurso é o reconhecimento do direito creditório postulado pela Contribuinte, com a homologação da compensação declarada. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dou provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Winderley Morais Pereira Fl. 379DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12448.732089/2014-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2010
EMBARGOS INOMINADOS. INEXATIDÃO MATERIAL. LAPSO MANIFESTO. EXISTÊNCIA. NOVA DECISÃO.
Conforme preleciona o art. 66 do RICARF, as alegações de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, provocados pelos legitimados para opor embargos, deverão ser recebidos como embargos inominados para correção, mediante a prolação de um novo acórdão
Embargos Acolhidos
Numero da decisão: 2402-005.547
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer dos
embargos e acolhê-los, dando-lhes efeitos integrativos, conforme o voto do Relator.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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INTEMPESTIVIDADE Embargante RECEITA FEDERAL DO BRASIL (DELEGACIA DA RECEITA NO RIO DE JANEIRO) Interessado INSTITUTO DE PROFESSORES PUBLICOS E PARTICULARES ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2010 EMBARGOS INOMINADOS. INEXATIDÃO MATERIAL. LAPSO MANIFESTO. EXISTÊNCIA. NOVA DECISÃO. Conforme preleciona o art. 66 do RICARF, as alegações de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, provocados pelos legitimados para opor embargos, deverão ser recebidos como embargos inominados para correção, mediante a prolação de um novo acórdão Embargos Acolhidos Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1998DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer dos embargos e acolhê-los, dando-lhes efeitos integrativos, conforme o voto do Relator. (Assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo - Presidente (Assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Tulio Teotonio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 1999DF CARF MF Processo nº 12448.732089/2014-19 Acórdão n.º 2402-005.547 S2-C4T2 Fl. 3 3 Relatório O presente processo foi julgado neste Colegiado, conforme decisão assim ementada: NORMAS PROCESSUAIS. PRAZO. IMPUGNAÇÃO. INTEMPESTIVIDADE. 1. A impugnação apresentada após o decurso do prazo estabelecido na legislação é intempestiva. 2. A falta de impugnação no prazo legal obsta a instauração da fase litigiosa do procedimento. 3. Atacada pelo contribuinte a intempestividade da impugnação declarada na decisão recorrida, impõe-se ao CARF conhecer do recurso voluntário no tocante apenas às razões contrárias àquela declaração, para negar-lhe provimento. Recurso Voluntário Negado. Ato contínuo, a autoridade administrativa proferiu despacho de devolução nos seguintes termos: Haja vista que no Acórdão 2402-005.320 da 4a Câmara da 2a Turma Ordinária da 2a Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, na sua penúltima linha do Relatório, pagina 1989, consta que “os responsáveis solidários foram intimados da decisão da DRJ mas não interpuseram recurso” e que no entanto os referidos responsáveis solidários apresentaram seus Recursos Voluntários, conforme paginas 1941/1980, proponho o retorno do presente processo ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, para avaliação. (como no original) Sendo assim, os autos retornaram a este Colegiado, para análise. É o relatório. Fl. 2000DF CARF MF 4 Voto Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator 1 Dos embargos inominados A autoridade administrativa apontou, objetivamente, a inexatidão do relatório da decisão, no qual constou, equivocadamente, que os responsáveis solidários não teriam interposto recurso. Sendo assim, e presentes os demais requisitos legais, as alegações da autoridade serão recebidas como embargos inominados. 2 Da inexatidão material Conforme preleciona o art. 66 do RICARF, as alegações de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, provocados pelos legitimados para opor embargos, deverão ser recebidos como embargos inominados para correção, mediante a prolação de um novo acórdão. Veja-se: Art. 66. As alegações de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, provocados pelos legitimados para opor embargos, deverão ser recebidos como embargos inominados para correção, mediante a prolação de um novo acórdão. No caso concreto, a autoridade administrativa, mediante despacho, demonstrou ter havido inexatidão material devida a lapso manifesto. Isso porque, no relatório do acórdão, constou, equivocadamente, que os responsáveis solidários não teriam interposto recurso, quando, em verdade, os responsáveis solidários interpuseram seus recursos às fls. 1941/1980. Sendo assim, e com base no art. 66 do RICARF, deve ser proferida nova decisão, a fim de clarear e corrigir a inexatidão da decisão embargada. Nesse sentido, observa-se que os responsáveis solidários foram intimados da decisão da DRJ em 16/06/2015 (v. fls. 1798/1799) e interpuseram seus recursos em 16/07/2015 (v. fls. 1941 e 1961). Logo, os recursos são tempestivos, de forma que deve ser integrado ao voto do acórdão embargado o seu conhecimento. Contudo, muito embora todas as partes tenham interposto seu recurso voluntário tempestivamente, verifica-se que as suas impugnações foram apresentadas depois de transcorrido, integralmente, o prazo legal, conforme tabela constante do acórdão embargado, que se transcreve novamente: Fl. 2001DF CARF MF Processo nº 12448.732089/2014-19 Acórdão n.º 2402-005.547 S2-C4T2 Fl. 4 5 Contribuinte ou responsável Data do recebimento do Auto de Infração Data de apresentação da impugnação Instituto de Professores Públicos e Particulares 16/12/2014 (fl. 1530) 04/02/2015 (fl. 1546) Roberto Francisco Marchesini 16/12/2014 (fl. 1535) 24/02/2016 (fl. 1721) João Batista de Morais Júnior 15/12/2014 (fl. 1540) 24/02/2016 (fl. 1703) Isto é, os recursos voluntários dos responsáveis solidários também devem ser parcialmente conhecidos, mas não devem ser providos, pois, como já constou no voto condutor do acórdão, "evidente, assim, a intempestividade das impugnações do contribuinte e responsáveis solidários, não devendo prosperar o exame das demais alegações recursais". O pressuposto básico para o conhecimento das matérias suscitadas em sede de impugnação é que ela tenha sido apresentada tempestivamente. Expressando-se de outra forma, a intempestividade da impugnação impede o exame das matérias nela suscitadas, fato este atribuível única e exclusivamente à inércia do contribuinte. Logo, a decisão embargada deve ser corrigida, a fim de: (a) constar no seu relatório a interposição de recurso voluntário também pelos responsáveis solidários, conforme fls. 1941/1980; (b) constar no seu voto e no seu dispositivo o conhecimento parcial dos referidos recursos e o seu não provimento. 3 Conclusão Diante do exposto, vota-se no sentido de RECEBER o despacho como embargos inominados e ACOLHÊ-LOS, nos termos da fundamentação. (Assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Fl. 2002DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.725280/2009-89
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Mar 31 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 9202-000.074
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à câmara recorrida, para que esta cientifique a Fazenda Nacional do despacho que admitiu parcialmente o recurso especial do processo nº 18050.001428/2008-13, cujo julgamento é prejudicial ao do presente recurso, com retorno à relatora, para prosseguimento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Relatório
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à câmara recorrida, para que esta cientifique a Fazenda Nacional do despacho que admitiu parcialmente o recurso especial do processo nº 18050.001428/2008-13, cujo julgamento é prejudicial ao do presente recurso, com retorno à relatora, para prosseguimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à câmara recorrida, para que esta cientifique a Fazenda Nacional do despacho que admitiu parcialmente o recurso especial do processo nº 18050.001428/200813, cujo julgamento é prejudicial ao do presente recurso, com retorno à relatora, para prosseguimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 80 .7 25 28 0/ 20 09 -8 9 Fl. 596DF CARF MF Processo nº 10580.725280/200989 Resolução nº 9202000.074 CSRFT2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de crédito lançado através do Auto de Infração (AI) DEBCAD nº 37.238.3882, por descumprimento de obrigação principal, em nome da empresa em epígrafe, referente às competências 01/05 a 13/06, recebido em 21/09/2009, no valor atualizado de R$ 5.124.030,97 (cinco milhões, cento e vinte e quatro mil, trinta reais e noventa e sete centavos), juntamente com os acréscimos legais correspondentes. De acordo com os Relatórios do Auto de Infração, fls. 01/101, os valores que integram a presente autuação referemse às contribuições destinadas a outras entidades e fundos. Consta dos autos o seguinte levantamento: "FP – FOLHA DE PAGAMENTO. As contribuições previdenciárias incluídas nesse levantamento foram apuradas pela folha de pagamento e não foram declaradas em GFIP; 3. Expõe o Relatório Fiscal, fls 94/101, que o débito foi apurado a partir da análise exclusiva da Folha de Pagamento de empregados (meio papel e arquivos digitais) e de médicos residentes, e das Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP." A cobrança da contribuição de Terceiros fezse necessária devido ao fato de ter sido emitido o Ato Cancelatório de Isenção de Contribuições Sociais n. 002/2009, em 19 de maio de 2009, cancelando a isenção a partir de 01/01/1997. Importante ressaltar que o AIOP ora lavrado é resultante de Informação Fiscal de Cancelamento de Isenção, fls. 1/24 do Processo 18050001428/200813, das Contribuições Sociais emitida em 26/12/2007, na qual é sugerido o cancelamento a partir de 01/01/1997. A DRJ em Salvador/BA, ao analisar o presente caso (fls. 453/464), julgou a impugnação improcedente e manteve o crédito tributário, entendendo, em suma, que: (i) a inexistência de decisão definitiva no processo administrativo no qual se discute o cancelamento da isenção da entidade não constitui óbice à constituição do crédito tributário; (ii) a decisão definitiva no processo de isenção é requisito apenas para que a União proceda à cobrança das contribuições lançadas; e (iii) a instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre a constitucionalidade ou legalidade de ato normativo em vigor. Apresentado Recurso Voluntário pela autuada, os autos foram encaminhados ao CARF para julgamento do mesmo. O Recorrente sustenta, em síntese, que: (i) o auto de infração é nulo por ofensa ao direito à ampla defesa, ao contraditório e ao devido processo legal; (ii) a autuação é nula pois não existia Ato Regulatório Cancelatório regular antes da sua lavratura; (iii) é detentora do direito à imunidade tributária; (iv) os fatos instigados que levaram à lavratura do ato Cancelatório ocorreram em período prescrito; (v) a informação fiscal que deu origem ao cancelamento da isenção tem como objeto fatos que já estão sendo analisados pela Receita Federal do Brasil, o que configura litispendência administrativa e, consequentemente, dupla condenação da Instituição, por idênticos fatos e fundamentos; (vi) é inviável a rediscussão da matéria, pois o extinto Conselho de Recursos da Previdência Social já tinha dado ganho de causa à Instituição em relação ao cancelamento da isenção; (v) a multa é confiscatória; e (vi) a multa não pode ser cumulada com a SELIC. Fl. 597DF CARF MF Processo nº 10580.725280/200989 Resolução nº 9202000.074 CSRFT2 Fl. 4 3 No Acórdão de Recurso Voluntário, fls. 555 e seguintes, o Colegiado, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso. Portanto, em sessão plenária de 10/3/2015, deuse provimento ao recurso, prolatandose o Acórdão nº 2402004.609, assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 ATO CANCELATÓRIO DE ISENÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. CANCELAMENTO. EXTINÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS DECORRENTES. Tendo sido o Ato Cancelatório de Isenção baixado, é mister que sejam extintas as contribuições previdenciárias exigidas em decorrência dele. Recurso Voluntário Provido. Ressaltese que o presente processo foi apensado ao processo de nº 10580.725281/200923, tido como principal, consoante despacho de folhas 115. Encaminhados os autos à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN), em 27 de abril de 2015 (fls. 595 do processo principal), foi interposto no dia 15 de maio de 2015 (fls. 610, idem), tempestivamente, recurso especial (fls. 560), com fundamento no artigo 67, Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015. O apelo da Fazenda Nacional visa a rediscutir a decisão que cancelou o crédito tributário antes do trânsito em julgado do processo que anulou o ato cancelatório de isenção da entidade beneficente. Ao Recurso Especial foi dado seguimento para que seja reapreciado o crédito tributário discutido em consonância com o que for decidido no processo de nº 18050.001428/200813. conforme o Despacho 2400118/2015, fls. 573 da Quarta Câmara, de 17/6/2015. A recorrente traz como alegações, que: · Partindose desta premissa, impende destacar que existe uma diferença latente em (i) concordar com os fundamentos adotados em outra decisão e utilizálos também como motivação, e (ii) adotar o decidido em outro processo como único fundamento para afastar a tributação, ou seja, dizer que um lançamento não irá subsistir porque o outro também foi afastado. · Nesta última hipótese, a decisão proferida em outro processo é a própria razão de decidir daquele que está sob análise. É o que geralmente ocorre com processos ditos decorrentes, cujo único pretexto de existência é o próprio processo principal. · Neste diapasão, por serem os processos resultantes dos mesmos fatos e dos mesmos fundamentos jurídicos, é de se concluir que deverá ser dada a mesma solução a ambos, sob pena de se estar proferindo decisões contraditórias. Daí porque, normalmente, ao se decidir o processo decorrente, costumase determinar a aplicação, in casu, do que restou deliberado no processo principal. · Porém, para que a Administração exonere o contribuinte dos gravames decorrentes do processo administrativo fiscal, é necessário que a decisão Fl. 598DF CARF MF Processo nº 10580.725280/200989 Resolução nº 9202000.074 CSRFT2 Fl. 5 4 administrativa que determinou o cancelamento da exigência tributária tenha transitado em julgado. Antes disso, a exigência subsiste. · Somente após o julgamento da referida insurgência é que poderá a decisão do processo conexo se tornar imutável, apta a produzir seus efeitos de forma ampla, inclusive no que tange à sua aplicabilidade ao presente processo. Antes disso, a contribuinte possui apenas uma expectativa de direito. · Ante o exposto, a União (Fazenda Nacional) requer seja conhecido e provido o presente Recurso Especial para que seja reformado o acórdão proferido nestes autos, restaurandose o teor da r. decisão de primeira instância. · Alternativamente, requer a declaração da nulidade do Acórdão recorrido e a suspensão do feito até que seja proferida decisão definitiva no processo n. 18050.001428/200813. · Ante o exposto, requer a Fazenda Nacional que: o seja conhecido o presente recurso, face à observância aos requisitos de admissibilidade previstos art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009; o seja dado total provimento ao presente recurso, para reformar o acórdão recorrido, mantendose o lançamento em sua integralidade. o caso não acatado o pedido formulado no item anterior, seja dado total provimento ao presente recurso, anulandose o acórdão recorrido e suspendendose o presente feito até que seja proferida decisão definitiva no processo n. 18050.001428/200813. Cientificado do Acórdão nº Acórdão nº 2402004.608, do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e do Despacho de Admissibilidade do Recurso Especial, em 13/12/2011, o contribuinte apresentou contrarrazões. · Em decorrência do resultado do julgamento, que culminou no cancelamento do Ato Cancelatório, não restou outra alternativa ao Relator e à Turma Julgadora senão, em consequência, dar provimento ao recurso voluntário determinando a anulação dos débitos lançados contra a entidade. · No caso do presente lançamento, não houve delimitação da data em que houve o descumprimento do requisito motivador da emissão do Ato Cancelatório anulado e sim, a fixação do periodo de 01/01/2005 a 31/12/2006, sendo o Ato Cancelatório emitido em 2009. · E o mais importante, o Ato Cancelatório anulado foi emitido na vigência do artigo 55 da Lei nO 8.212/91, legislação esta que não dispunha de Fl. 599DF CARF MF Processo nº 10580.725280/200989 Resolução nº 9202000.074 CSRFT2 Fl. 6 5 previsão para a emissão de tais cancelamentos, tanto que foi introduzida pela Lei nO9.732, de 11 de dezembro de 1998, que veio introduzir 094° no artigo 55 da referida Lei nº 8212/91, assim redigido: · Diante do acima exposto e considerando que o recurso da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional não aborda os aspectos de mérito do lançamento anulado, mas, simplesmente, pede a sua anulação por questões de prejudicialidade processualadministrativa, que, por sua vez, também desmerecem provimento, a Recorrida espera que sejam também examinados os aspectos legais de mérito afetos a este lançamento, com a consequente deliberação hábil de ser proclamada no sentido de ser reconhecida a total rejeição de tal pretensão recursal administrativa extrema. É o relatório. Fl. 600DF CARF MF Processo nº 10580.725280/200989 Resolução nº 9202000.074 CSRFT2 Fl. 7 6 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Pressupostos de Admissibilidade O Recurso Especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, conforme Despacho de Exame de Admissibilidade de Recurso Especial. Contudo, identifico um incidente que merece ser reparado. Primeiramente, importante ressaltar que o AIOP ora lavrado é resultante de Informação Fiscal de Cancelamento de Isenção, fls. 1/24 do Processo nº 18050001428/2008 13, das Contribuições Sociais, emitida em 26/12/2007, na qual é sugerido o cancelamento a partir de 01/01/1997. Identificase, naqueles autos, que após ter sido proferido o despacho de admissibilidade que deu seguimento parcial ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, não houve cientificação da Procuradoria, conforme determina o art. 81, §3º do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria 256/2009 e, posteriormente, pela Portaria 343/2015. Isto posto, considerando a necessidade de saneamento do processo nº 18050001428/200813, com o encaminhamento à Procuradoria da Fazenda Nacional, no intuito de tomar ciência do despacho de admissibilidade que deu seguimento parcial ao seu recurso, bem como, do despacho de reexame de admissibilidade de recurso especial, conforme previsto no Regimento Interno à época da Elaboração dos despachos, mesmo destino deve ser dado aos presente autos, face a correlação entre os mesmos e o necessário julgamento em conjunto. Tão logo seja saneado com a cientificação da Fazenda Nacional, deve o processo retornar a esta relatora, para que se possa dar continuidade ao julgamento. Conclusão Face o exposto, voto por CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA à câmara recorrida, para que esta cientifique a Fazenda Nacional do despacho que admitiu parcialmente o recurso especial do processo nº 18050.001428/200813, cujo julgamento é prejudicial ao do presente recurso, com retorno à relatora, para prosseguimento. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 601DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.910500/2012-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Mar 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/11/2005 a 30/11/2005
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. ERRO EM DECLARAÇÃO.
O contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos. As informações prestadas unicamente na DIPJ não têm o condão de provar o direito creditório que o contribuinte alega possuir.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3302-003.673
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente Substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Orlando Rutigliani Berri, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ÔNUS DA PROVA. Recorrente ARMAZÉM CORAL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/11/2005 a 30/11/2005 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. ERRO EM DECLARAÇÃO. O contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos. As informações prestadas unicamente na DIPJ não têm o condão de provar o direito creditório que o contribuinte alega possuir. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Orlando Rutigliani Berri, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 91 05 00 /2 01 2- 00 Fl. 219DF CARF MF Processo nº 10480.910500/201200 Acórdão n.º 3302003.673 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de PER/DCOMP em que a Contribuinte informa ter efetuado recolhimento a maior que o devido. A DRF/Recife proferiu Despacho Decisório indeferindo o pleito sob o fundamento de que o DARF discriminado no PER/DCOMP foi localizado, mas encontrase integralmente utilizado para quitação de débitos declarados do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição/compensação. Cientificada da decisão, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, que houve mera falha em não retificar a DCTF, mas que devem ser reconhecidas as informações de sua DIPJ retificadora, que atesta a ocorrência de pagamento a maior. Em análise dos argumentos apresentados pela Recorrente, a DRJ/Recife julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 11049.550. O Colegiado a quo entendeu que a Contribuinte não havia comprovado o suposto pagamento a maior. Cientificada da decisão de piso, a Recorrente interpôs recurso voluntário sustentando, em síntese: (i) que o erro cometido pela Recorrente de não retificar as DCTFs não anula a existência dos créditos, vez que decorrem da realização de pagamento efetuados a maior; e (ii) que a existência de pagamento a maior é constatada pela simples verificação das DIPJs retificadoras, onde constam os ajustes necessários para atestar a existência do crédito pleiteado. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulede, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.657, de 22 de fevereiro de 2017, proferido no julgamento do processo 10480.910482/201258, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.657): "I Tempestividade Fl. 220DF CARF MF Processo nº 10480.910500/201200 Acórdão n.º 3302003.673 S3C3T2 Fl. 4 3 A Recorrente foi intimada da decisão de piso 25.06.2013 e protocolou Recurso Voluntário em 01.07.2013, dentro do prazo de 30 (trinta) dias previsto no artigo 33, do Decreto 70.235/721. Desta forma, considerando que o recurso preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. II Questões de Mérito Conforme exposto anteriormente, a Recorrente alega (i) que o erro cometido pela Recorrente de não retificar as DCTFs não anula a existência dos créditos, vez que decorrem da realização de pagamento efetuados a maior; e (ii) que a existência de pagamento a maior é constatada pela simples verificação das DIPJs retificadoras, onde constam os ajustes necessários para atestar a existência do crédito pleiteado. Com todo respeito aos argumentos explicitados pela Recorrente, não concordo com suas alegações. Isto porque, a alegação de que a existência do crédito poderia ser facilmente comprovado por meio das Declarações de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (DIPJ) em nada socorre a Recorrente, posto que além da DIPJ não se constituir em confissão de dívida como é o caso da DCTF, não consta dos autos qualquer documento, a exemplo de livros e documentos fiscais e contábeis, que viesse evidenciar a apuração da contribuinte na sua DIPJ retificadora. Com efeito, a DIPJ contêm dados e informações declarados pelo próprio contribuinte que devem ser lastreados com a correspondente documentação fiscal que comprove os lançamentos contábeis, do contrário, o direito ao crédito não deve ser reconhecido. Ora, a simples apresentação de cópias das referidas declarações são insuficientes para comprovar a origem do pretenso crédito almejado pela Recorrente, inviabilizando a confirmação dos valores registrados nas declarações. Não bastasse isso, os argumentos apresentados pela Recorrente não fazem prova de crédito algum, sequer demonstram qual a composição e/ou origem do crédito que ela alegar possuir. Mais uma vez, repitase, que é necessário que sejam colacionados aos autos excertos da escrituração contábil e fiscal do contribuinte, lastreados em documentação idônea que dê suporte a tais lançamentos. Logo, dúvida não há quanto a inexistência do direito creditório perseguido pela Recorrente. Diante deste cenário, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário." No que diz respeito à tempestividade, o recurso apresentado neste processo também é tempestivo (ciência em 24/04/2015, apresentação do RV em 21/05/2015). E, da mesma forma que no processo paradigma, a Contribuinte também não juntou nestes autos "excertos da escrituração contábil e fiscal do contribuinte, lastreados em documentação idônea" capaz de comprovar a legalidade e materialidade do direito creditório alegado. 1 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 221DF CARF MF Processo nº 10480.910500/201200 Acórdão n.º 3302003.673 S3C3T2 Fl. 5 4 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 222DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10183.002447/2007-51
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Ano calendário: 2002
PEREMPÇÃO.
Não se conhece do recurso voluntário apresentado depois de decorrido o prazo legal para sua interposição nos termos dos artigos 33 e 35 do Decreto nº 70.235/72 que rege o processo administrativo fiscal federal.
Numero da decisão: 1803-000.868
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: Walter Adolfo Maresch
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Ano calendário: 2002 PEREMPÇÃO. Não se conhece do recurso voluntário apresentado depois de decorrido o prazo legal para sua interposição nos termos dos artigos 33 e 35 do Decreto nº 70.235/72 que rege o processo administrativo fiscal federal.
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Não se conhece do recurso voluntário apresentado depois de decorrido o prazo legal para sua interposição nos termos dos artigos 33 e 35 do Decreto nº 70.235/72 que rege o processo administrativo fiscal federal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira De Moraes Presidente. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes (Presidente), Benedicto Celso Benício Júnior, Sérgio Rodrigues Mendes, Walter Adolfo Maresch e Sérgio Luiz Bezerra Presta. Relatório Fl. 117DF CARF MF Emitido em 23/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 23/05/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 09/05/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH Processo nº 10183.002447/200751 Acórdão n.º 180300.868 S1TE03 Fl. 107 2 AERO AGRÍCOLA SAPEZAL LTDA, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida pela DRJ CAMPO GRANDE (MS), interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. Adoto o relatório da DRJ por bem retratar os fatos. Aero Agrícola Sapezal Ltda., empresa acima qualificada, foi excluída do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — SIMPLES, a partir de 01/01/2002, conforme Ato Declaratório Executivo DRF/CBA n° 92, de 22 de junho de 2007 (fls. 37), nos termos do art. 9°, inciso XIII da Lei n° 9.317/1996, alterado pelo art. 6° da Lei n° 9.779/99 e nos arts. 22, 23 e 24 da Instrução Normativa RFB n° 608 de 09/01/2006, e tendo em vista a Representação Fiscal de fls. 0102. Intimada desta decisão em 03/10/2007 (AR fls. 57), a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 10/10/2007 (fls. 60), onde alegou, em síntese o seguinte; a) seu objeto social é a exploração de serviços aéreos especializados de aviação agrícola e prestação de serviços para a agricultura em geral, e em determinadas atividades tem a obrigação de contratar entre outros profissionais, pilotos e engenheiros agrônomos, os quais são responsáveis pela execução de alguns trabalhos para a empresa. Sendo assim, a empresa de aviação agrícola não é uma sociedade de pilotos ou engenheiros, e sim uma pessoa jurídica de direità privado constituído por empresários dedicados à aviação agrícola, não havendo como ser en4uadrada na hipótese prevista no art. 9° inciso XIII, da Lei n° 9.317/96; b) a contratação de pilotos e engenheiros é meio para a execução dos serviços, e se fosse esta a atividade fim, ou seja, se fosse uma prestadora de serviços profissionais de pilotos e engenheiros, não poderia optar pelo Simples, mas, como não é, está perfeitamente legal sitia inclusão na Lei n° 9.317/96; c) dedicandose à atividade de aviação agrícola, atua como mera executora no emprego de defensivos e fertilizantes, cujo receituárioprescrição é da responsabilidade do engenheiro agrônomo vinculado à área cultivada, o piloto da aeronave executa o trabalho aplicando o defensivo ou fertilizante receitado, pois se estabelece uma relação de direito • material, de natureza contratual, onde a empresa uma vez contratada, presta serviços específico de aviação; d) sendo assim, inexiste vinculação entre o engenheiro agrônomo que prescreve o defensivo ou fertilizante a ser empregado na área cultivada e as empresas de Aviação Agrícola que vão executar a tarefa de aplicação; e) a exclusão viola o art. 9°, inciso XIII, da Lei n° 9.317, posto que não depende para seu exercício de habilitação profissional Fl. 118DF CARF MF Emitido em 23/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 23/05/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 09/05/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH Processo nº 10183.002447/200751 Acórdão n.º 180300.868 S1TE03 Fl. 108 3 legalmente exigida, tampouco existe a profissão de aeroagrícola, ou seja, não existe o profissional habilitado aeroagrícola, assim não estão presentes os requisitos restritivos estabelecidos no inciso referido. Por fim requereu o direito de permanecer no Simples sendo declarada nula a decisão que a exclui do referido sistema. Juntou cópias de documentos de fls. 66 e seguintes. A DRJ CAMPO GRANDE/MS, através do acórdão 0417.512, de 08 de maio de 2009 (fls. 77/80), julgou improcedente a manifestação de inconformidade, ementando assim a decisão: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2002 EXCLUSÃO. SERVIÇO AÉREO DE PROTEÇÃO À LAVOURA. VEDADA A OPÇÃO. A empresa que tem por atividade o serviço aéreo (I, proteção à lavoura está impedida de optar ao Simples vez que a atividade envolve obrigatoriamente o serviços de profissionais cujo exercício depende de habilitação legalmente exigida. Ciente da decisão em 30/10/2009, conforme Aviso de Recebimento – AR (fl. 85), apresentou o recurso voluntário em 04/12/2009 fls. 96/103, onde reitera os argumentos da inicial de que não exerce atividade vedada para ingresso na sistemática do SIMPLES FEDERAL (Lei nº 9.317/96). É o relatório. Fl. 119DF CARF MF Emitido em 23/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 23/05/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 09/05/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH Processo nº 10183.002447/200751 Acórdão n.º 180300.868 S1TE03 Fl. 109 4 Voto Conselheiro Walter Adolfo Maresch Antes que se possa apreciar o teor do recurso voluntário, impende analisar se o mesmo preenche os requisitos para o seu conhecimento. Neste mister, constato que infelizmente o recurso foi apresentado a destempo devendo ser declarada a sua perempção. Com efeito, conforme se constata do Aviso de Recebimento (AR) – fl. 85, a ciência da decisão de primeira instância ocorreu em 30/10/2009 (sextafeira) enquanto o ingresso do recurso voluntário ocorreu em 04/12/2009 (fl. 96). Destarte, considerando que a contagem se iniciou no dia 03/11/2009 (terça feira) após o feriado de finados e o prazo de 30 (trinta) dias definido no art. 33 do Decreto nº 70.235/72, culminou no dia 02/12/2009 (quartafeira), o recurso voluntário protocolizado apenas em 04/12/2009 encontrase intempestivo. Apenas e tão somente para fins de dirimir quaisquer dúvidas, constatase que na mesma data (04/12/2009) o contribuinte formulou pedido de extração de cópias do processo (fl. 89), espancando quaisquer dúvidas quanto a data de seu acesso ao processo. Diante do exposto, e nos termos do art. 35 do Decreto nº 70.235/72, voto por declarar a perempção da pretensão da recorrente em relação ao processo. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch Relator Fl. 120DF CARF MF Emitido em 23/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 23/05/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 09/05/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH
score : 1.0
Numero do processo: 15504.726864/2013-84
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Mar 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE.
Não se conhece de apelo à segunda instância, contra decisão de autoridade julgadora de primeira instância, quando formalizado depois de decorrido o prazo regulamentar de trinta dias da ciência da decisão.
INTIMAÇÃO POR MEIO ELETRÔNICO. VALIDADE. DATA DA CIÊNCIA.
É válida a intimação por meio eletrônico quando o contribuinte regularmente opta pela utilização do Domicílio Tributário Eletrônico.
Considera-se feita a intimação, por meio eletrônico, 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo, ou na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes (art. 23, § 2º, III, do Decreto 70.235/72).
Numero da decisão: 2202-003.676
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestividade. Por maioria de votos, rejeitar a preliminar de decadência suscitada pela Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio, vencidos também os Conselheiros Martin da Silva Gesto e Dilson Jatahy Fonseca Neto. A Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio informou que apresentará declaração de voto.
Assinado digitalmente
MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Cecília Dutra Pillar, Márcio Henrique Sales Parada, Rosemary Figueiroa Augusto, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto.
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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INTEMPESTIVIDADE. Não se conhece de apelo à segunda instância, contra decisão de autoridade julgadora de primeira instância, quando formalizado depois de decorrido o prazo regulamentar de trinta dias da ciência da decisão. INTIMAÇÃO POR MEIO ELETRÔNICO. VALIDADE. DATA DA CIÊNCIA. É válida a intimação por meio eletrônico quando o contribuinte regularmente opta pela utilização do Domicílio Tributário Eletrônico. Considerase feita a intimação, por meio eletrônico, 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo, ou na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes (art. 23, § 2º, III, do Decreto 70.235/72). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestividade. Por maioria de votos, rejeitar a preliminar de decadência suscitada pela Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio, vencidos também os Conselheiros Martin da Silva Gesto e Dilson Jatahy Fonseca Neto. A Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio informou que apresentará declaração de voto. Assinado digitalmente MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 68 64 /2 01 3- 84 Fl. 2004DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Cecília Dutra Pillar, Márcio Henrique Sales Parada, Rosemary Figueiroa Augusto, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto. Relatório Reproduzo o relatório do Acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) DRJ/BHE , o qual relata resumidamente os fatos ocorridos até a decisão de primeira instância. Trata este processo de Auto de Infração lavrado em desfavor do contribuinte acima identificado, com apuração de imposto de renda da pessoa física, código 2904, relativo ao ano calendário de 2008, exercício de 2009, registrando um crédito tributário no valor total de R$8.145.884,97, assim discriminado: Imposto R$2.820.401,97 Juros R$1.094.880,04 Multa R$4.230.602,96 Total R$8.145.884,97 De acordo com os documentos e termos que integram este Auto de Infração, o lançamento tem como fato gerador: omissão de rendimento recebido de pessoa jurídica em decorrência de prestação de serviço sem vínculo empregatício, no valor total de R$10.265.848,01 e omissão de rendimento recebido de pessoa jurídica com origem em aluguéis, no valor de R$14.108,00. O Termo de Verificação Fiscal juntado nas fls. 12 a 32, destes autos, informa o que abaixo segue de forma resumida: o contribuinte foi selecionado para ter sua declaração de ajuste relativa ao ano calendário de 2008 auditada, tendo em vista a incompatibilidade entre sua movimentação financeira realizada durante este ano calendário e o valor dos rendimentos informados em sua Declaração de Rendimento, a saber: Rendimentos informados: recebidos de pessoa jurídica (fonte pagadora INSS) R$ 8.671,13 sujeitos à tributação exclusiva (aplicações financeiras) R$ 416.158,06 Movimentação financeira apurada R$ 23.201.522,13 Fl. 2005DF CARF MF Processo nº 15504.726864/201384 Acórdão n.º 2202003.676 S2C2T2 Fl. 2.005 3 o contribuinte foi cientificado do início da ação fiscal por intermédio de Termo de Início de Fiscalização, e intimado a apresentar documentos relativos as suas movimentações financeiras – extratos bancários identificando com documentação hábil e idônea, a origem, a natureza dos depósitos e os respectivos depositantes; os cotitulares das contas que acaso fossem conjuntas; justificar/esclarecer o motivo de sua movimentação financeira bancária apresentarse expressivamente maior que dos rendimentos declarados e a apresentar os comprovantes dos rendimentos tributáveis, isentos, não tributáveis e sujeitos a tributação exclusiva na fonte recebidos de pessoas físicas e jurídicas durante o ano calendário de 2008; no Termo de Intimação constou a informação de que a não comprovação da origem e natureza dos recursos depositados/creditados em contascorrentes ou de investimento mantidas junto a instituições financeiras ensejaria lançamento por omissão de rendimento, nos termos do contido no artigo 42, da Lei nº 9.430, de 1996; em resposta, o contribuinte informou à fiscalização que os depósitos realizados em suas contas bancárias têm origem em transferência entre contas corrente e de aplicação financeira e os valores a receber em 31.12.2007, recebidos em 2008; apresentou cópias de extratos bancários; de notas de resgate CDB/RDB; de TED e planilhas com detalhamento de movimentação financeira; de posse dos documentos apresentados e depois de sua análise, emitiuse novo Termo de Intimação para que fossem comprovadas, mediante apresentação de documentação hábil e idônea, coincidentes e datas e valores, a origem e natureza dos créditos efetuados nas contas correntes mantidas junto ao Banco Mercantil do Brasil S/A. e Caixa Econômica Federal relacionados no Anexo I do Termo de Intimação; quanto aos valores depositados por SINALMIG/SINAIS SISTEMAS E PROGRAMAÇÃO VISUAL LTDA., e informados como “TED – parte do valor recebido constante da declaração de imposto de renda do anobase de 31.12.2007” o contribuinte deveria apresentar documentação que comprovasse a origem efetiva e a natureza dos créditos; atendendo a intimação, foram apresentados os documentos que estão listados no item 1.12, do TVF, informando que os depósitos no valor total de R$55.446,77 feitos no Banco Mercantil do Brasil, conta de nº 010315980, Ag .0040, no ano de 2008, se referem a pequenas movimentações relativas a despesas de cunho pessoal; os depósitos que tiveram origem em transferências entre contas do próprio contribuinte foram aceitos pela fiscalização em face dos elementos probantes apresentados e quanto aos créditos que ficaram sem comprovação e que de acordo com o ora autuado se constituem em “pequenas movimentações diárias...” foram Fl. 2006DF CARF MF 4 desconsiderados para efeito de tributação em face de omissão de rendimentos representados por depósito bancário de origem não comprovada, haja vista serem de valor individual menor que R$12.000,00 e seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapassou o limite de R$80.000,00, e em conformidade com o disposto no inciso II do artigo 3º do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996; relativamente aos créditos efetuados por SINALMIG/SINAIS SISTEMAS E PROGRAMAÇÃO VISUAL LTDA., o contribuinte afirmou referiremse eles a distribuição de lucros; sobre a origem do depósito no valor de R$14.108,00, feito na conta do contribuinte na Caixa Econômica Federal, informou se tratar de rendimento com origem em aluguel de um galpão tendo como locador o contribuinte e locatário a empresa Atmo Comércio Ltda., no período de 12.02.2008 a 11.02.2012; apresentou com prova do alegado, cópia microfilmada de dois cheques emitidos pela empresa Atmo Comércio Ltda.; o contribuinte foi intimado a apresentar os originais dos livros diário e razão referentes aos anoscalendários de 2006 a 2008, da Sociedade em Conta de Participação formalizada em parceria com a empresa SINALMIG/SINAIS SISTEMAS E PROGRAMAÇÃO VISUAL LTDA, tendo informado ser sócio oculto nesta empresa, e que nesta espécie societária a atividade constitutiva do objeto é exercida somente pelo sócio ostensivo, na conformidade do artigo 991, do Código Civil Brasileiro. Apresentou os documentos solicitados; de posse de todas as informações, esclarecimentos e elementos de prova trazidos ao procedimento fiscal, e diante dos dados armazenados no sistema da Receita Federal, concluiuse que o contribuinte: a) omitiu rendimento com origem em aluguéis, no valor total de R$14.108,00, cujo recebimento foi comprovado nos autos por intermédio de cheques emitidos pela locatária, e não foi informado em sua declaração de ajuste e b) omitiu rendimento tributável recebido da pessoa jurídica SINALMIG – Sinais/Sistemas e Programação Visual Ltda., no total de R$10.265.848,01, depositados em suas contas correntes, nos valores e bancos abaixo discriminados: Banco Ag. Conta Corrente Data Histórico Valor depositado(R$) Caixa E.Fed. 2984 0749 01/04/2008 CRED TED 265.848,01 Caixa E.Fed. 2984 0749 01/04/2008 CRED TED 1.500.000,00 Caixa E.Fed. 2984 0749 01/04/2008 CRED AUTOR 3.500,000,00 Fibra 001 655 5241 24/04/2008 TED RECEBIDO 500.000,00 Fibra 001 655 5241 25/04/2008 TRANS.AUT.CREDITO 4.500.000,00 Total 10.265.848,01 Para a apuração da omissão de rendimento acima apontada, a autoridade lançadora informa que: Fl. 2007DF CARF MF Processo nº 15504.726864/201384 Acórdão n.º 2202003.676 S2C2T2 Fl. 2.006 5 durante o procedimento fiscal e quando intimado, o contribuinte alegou que os valores creditados em suas contas pela SINALMG/SINAIS SISTEMAS E PROGRAMAÇÃO VISUAL LTDA, decorreram do resultado positivo obtido pela empresa “ Projeto BRDistribuidora”, que é uma sociedade em conta de participação SCP na qual figurava como sócio participante, tendo como sócio ostensivo a empresa Sinalmig Sinais/Sistemas e Programação Visual Ltda; que conforme Declarações de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ apresentadas à Receita Federal, a Sócia Ostensiva Sinalmig apurou seus resultados próprios, ano a ano no período de 2000 a 2008, oferecendo seus lucros à tributação. Entretanto, a apuração e a tributação em separado dos lucros da SCP – Projeto BRDistribuidora nunca foi efetuado; que ao apurar a veracidade da informação de que os depósitos tinham origem em lucros distribuídos face resultados positivos alcançados em sociedade de conta e participação e diante dos termos de constituição da empresa SPC – denominada Projetos BRDistribuidora, firmados no seu contrato social, não restaram dúvidas do fato de que o sócio participante/oculto, no caso, o contribuinte autuado, é quem exercia a atividade constitutiva do objeto discriminado no Contrato de constituição da empresa SCP, o que “desvela uma discrepância entre o que se prevê na legislação acerca da atribuição dos participantes de uma sociedade em conta de participação e os atos efetivamente praticados por seus sócios.”; que depois de analisados os documentos apresentados pelo contribuinte, principalmente o contrato de constituição da SCP “Projetos BRDistribuidora”, cujas cláusulas, em parte, foram reproduzidas no TVF, e diante dos fatos apurados durante o procedimento fiscal, verificouse que as partes contratantes distorceram as regras e princípios que norteiam o instituto jurídico das sociedades em conta de participação com a clara intenção de ilidir a incidência de imposto de renda sobre os valores recebidos pelo sócio participante; que o sócio participante não atuava como um mero investidor em uma SCP e sim que, de fato, prestava serviços para a sócia ostensiva , ou, como diz o contrato social lhe “ presta cooperação técnica e comercial”; relativamente à escrituração, apuração de resultados e tributação dos lucros da “pretensa SCP”, a autoridade lançadora afirma que de acordo com o artigo 254 do Decreto nº 3.000, de 1999, sua escrituração pode ser feita segundo opção do sócio ostensivo: ou com utilização de livros da empresa ou de livros próprios do sócio. Porém, independentemente da forma escolhida, os resultados correspondentes à SPC devem ser apurados e demonstrados destacadamente dos resultados do sócio ostensivo. Fl. 2008DF CARF MF 6 a SCP “Projetos BRDistribuidora” optou por efetuar escrituração em separado da escrituração de sua sócia ostensiva, SINALMIG, desde sua constituição até a sua extinção em 2008”conforme previsão contida no parágrafo quarto da cláusula 7ª do seu contrato de constituição, fato que foi comprovado por intermédio de documentos apresentados à fiscalização intitulados 4ILivro Caixa da SCP. Depois de detalhar todos os procedimentos contábeis adotados pela empresa Sinalmig, sócia ostensiva e da SCP “Projetos BR Distribuidora”, examinar a documentação apresentada à fiscalização e as DIPJ respectivas, como descrito no TVF, afirma a autoridade lançadora que sendo a SCP uma sociedade distinta da empresa do sócio ostensivo e sendo a SCP uma sociedade de fato, da qual o contribuinte alega possuir 80% de participação societária e o restante de 20% de propriedade da Sinalmig, deveria apurar seus resultados e efetuar a tributação de seus lucros separadamente dos resultados e do lucro do sócio ostensivo, com observância das normas legais aplicáveis às pessoas jurídicas em geral. No entanto, verificando o registro feito no Livro Caixa do ano calendário de 2008 elaborado pela SCP, fls. 44, dos autos, consta a informação de que esta empresa teria auferido receitas próprias no total de R$12.895.555,71 em decorrência de participação de 8% sobre as vendas efetuadas pela empresa do Sócio ostensivo nos anos de 2000 a 2006, bem como alocação de “Despesas Administrativas e outras”, no valor de R$63.245,70, mas o resultado apurado não foi em nenhum momento oferecido à tributação; não sofreu a incidência de imposto de renda, de contribuição para a previdência social, tendo todo o resultado tratado como distribuição ao sócio. Acresce a autoridade lançadora que consta das DIPJ apresentadas à Receita Federal , que a sócia ostensiva , Sinalmig, apurou seus resultados próprios, ano a ano no período de 2000 a 2008, oferecendo seus lucros à tributação, entretanto a apuração e tributação em separado dos lucros da dita SCP “Projetos BRDistribuidora” nunca foi efetuado; na DIPJ 2009 da empresa Sinalmig apresentada à Receita Federal, no item 10 que abriga a rubrica “Sócio ostensivo de SCP – Total da SCP” não trouxe qualquer informação relativa à receita de 8% auferida pela SCP (que corresponde ao valor de R$12.985.555,71 informado no Livro Caixa da Sinalmig – fls. 44). que, consta da DIRPF 2008, ano calendário de 2009 do contribuinte no quadro Declaração de Bens e Direitos, sob o código 99, a informação sobre distribuição de resultados provisionados em dezembro de 2007, no valor de R$10.265,848,01, a serem pagos durante o exercício de 2008. Entretanto, afirma a autoridade lançadora, a simples informação de um direito a receber na declaração do ano calendário de 2007 não comprova a origem de recursos, tampouco a tributação de valores que efetivamente foram recebidos em 2008, tendo sido constatado no curso do procedimento fiscal que aquele valor não foi tributado, quer seja Fl. 2009DF CARF MF Processo nº 15504.726864/201384 Acórdão n.º 2202003.676 S2C2T2 Fl. 2.007 7 no regime de fonte, quer seja no ajuste de 2009, onde a recepção daquele montante sequer foi informada, sob qualquer título; Acerca do rendimento com origem em aluguéis, a autoridade lançadora informa que a omissão foi constatada por intermédio de documentos apresentados à fiscalização, sendo eles cópia microfilmada de 02 cheques emitidos pela empresa Atmo Comércio Ltda., de valores individuais de R$8.500,00 e R$5.608,00, no total de R$14.108,00 e que intimado, o contribuinte informou ter origem em contrato de locação celebrado com a empresa acima dita. Como o rendimento não foi oferecido à tributação na forma da lei, o respectivo foi apurado e lançado. De forma detalhada no TVF, autoridade lançadora conclui que, ao contrário do afirmado pelo contribuinte de que o rendimento omitido tem origem em lucros distribuídos, de fato sua origem é a prestação de serviços técnicos e comerciais para a empresa SINALMIG – Sistemas/Sinais e Programação Visual Ltda., constituindose em rendimento tributável do ano calendário de 2008. Foi aplicada à infração por omissão de rendimento a multa de ofício qualificada, no percentual de 150%, tendo em vista que de acordo com a autoridade lançadora, ficou “caracterizada a existência de uma simulação, com a finalidade de ilidir o pagamento do tributo devido, por meio de criação de uma SCP não condizente com a realidade dos fatos pois, na verdade, os valores recebidos pelo contribuinte foram creditados em contrapartida a serviços prestados para a Sócia Ostensiva” fato que denota a conduta do contribuinte em ocultar fato gerador de imposto de renda da pessoa física. Também foi feita uma Representação Fiscal para fins penais, tendo em vista a constatação de conduta que, em tese, configura a ocorrência de Crime contra a ordem tributária, bem como o Termo de Arrolamento de Bens, porque o valor do tributo devido ultrapassou os 30% do patrimônio conhecido do contribuinte fiscalizado. Todos os demais termos, atos e considerações que precederam ao lançamento estão de forma discriminada apontados no Termo de Verificação Fiscal. Ciente do Auto de Infração, contribuinte impugnou o lançamento, peça de defesa de fls. 604 a 636, argumentando o que abaixo segue de forma resumida. De início, alega como preliminar de mérito, a decadência do direito de lançar o crédito apurado no Auto de Infração, com fundamento no artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional CTN, porque, com a ciência do lançamento em 19.07.2013, “houve intervalo superior a 5 (cinco) anos contados da ocorrência do fato gerador mais recente, 31/10/2006 (data da extinção da SCP),...”. Fl. 2010DF CARF MF 8 Acresce que caso o fisco não reconheça a extinção do crédito pela decadência com base no artigo 150,§ 4º, há que ser aceita com fundamento no artigo 173, inciso I, do CTN, porque, como fartamente provado, ao desconsiderar no lançamento a existência da sociedade em conta de participação, emprestou à relação do contribuinte com a empresa Sinalmig a natureza de prestação de serviços técnicos e comerciais. Assim, o fato gerador da exação ocorreu no momento da disponibilidade sobre a renda em forma de “lucros distribuídos”, a teor do artigo 43, I, do CTN. Segue afirmando que se os lucros atribuídos ao impugnante seriam produto do trabalho realizado no período de 30.08.2000 a 31.12.2006, os quais foram informados à Receita Federal em DIRPF do ano calendário de 2007 e considerando que o contribuinte informou ter incorrido em expressivo aumento patrimonial de “nada menos que R$10.000.000,00, temse que o prazo para a respectiva tributação se rege pelas disposições contidas nos artigos 806 e 807, do Regulamento do Imposto de Renda, que faz transcrever. Assim, entende que por ter informado valores na DIRPF do exercício de 2008, a data da ocorrência do fato gerador foi em 31.12.2007, o que demanda o reconhecimento da decadência com base no citado artigo 173, I, do CTN. Cita julgados do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para corroborar suas afirmativas. Assevera que há ilegalidade no lançamento porque o fisco desconsiderou contratos e disposições normativas para atribuir ao contribuinte a condição de prestador de serviços, quando na verdade era sócio de empresa, devendo ser levado a juízo crítico a compreensão do fisco acerca do instituto da sociedade em conta de participação. Colaciona doutrina sobre esta espécie societária, diz que a SCP foi constituída em meados do ano de 2000, sob a égide do artigo 325 do Código Comercial e que a tese fazendária de que a SCP possuiria natureza jurídica de contrato de investimento é totalmente insubsistente. Tece comentários sobre a natureza e estrutura jurídica das sociedades em conta de participação, transcreve doutrina acerca do que afirma. Diz que não necessariamente, um dos sócios na SCP há que ser um mero investidor, embora o ordenamento jurídico permita ao sócio participante a possibilidade de manterse alheio aos atos de gestão societária, não descaracterizando esta espécie societária a circunstância de o sócio participante tomar comportamento ativo nos negócios sociais. Caso isto ocorra, não se tem como descaracterizado o instituto jurídico, mas tão somente acarreta em responsabilidade solidária ao sócio participante, nos termos do artigo 993, do Código Civil, que transcreve bem como de doutrina para corroborar sua assertiva. Acrescenta que a forma como foram feitos os lançamentos contábeis não pode prevalecer diante da verdade dos fatos, estando eles suportados por documentação hábil e dotada de fé, Fl. 2011DF CARF MF Processo nº 15504.726864/201384 Acórdão n.º 2202003.676 S2C2T2 Fl. 2.008 9 não tendo o fisco feito prova em contrário. Ilustra a afirmativa com o artigo 332, do CPC. Afirma que tendo em vista artigo 992, do CPC, a constituição da sociedade em conta de participação independe de formalidade podendo provarse por todos os meios de direito. Acerca da distribuição de lucros, assegura que o artigo 10 da Lei nº 9.249, de 1995 configura hipótese de isenção e afirma ser inadmissível tributar na pessoa do sócio uma renda já tributada pela empresa Sinalmig, como comprovado nos autos, ainda mais que os valores recebidos a título de lucros distribuídos foram contabilmente demonstrados em documentação elaborada com respeito às regras e aos princípios contábeis geralmente aceitos e que sem poder negar força probante a estes documentos, a fiscalização trilhou pela “vereda sumaria da desconsideração da SCP” . Transcreve excertos de julgados do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para ilustrar sua afirmativa. Requer o reconhecimento da improcedência do lançamento. Sobre a aplicação de multa agravada, diz que o agravamento da sanção é um ato de manifesta irrazoabilidade; cita o artigo 167, do Código Civil, transcrevendo seu inteiro teor; tece considerações doutrinárias acerca dos tipos de simulação afirmando que o negócio jurídico perpetrado entre o impugnante e a empresa Sinalmig foi feito com a pretensão “de estabelecer um vínculo societário destituído de personalidade jurídica própria e inoperante junto a terceiros, com eficácia circunscrita aos contratantes nos termos em que pactuado, o que foi concretizado por intermédio da constituição de uma SCP, não tendo havido descompasso entre a vontade dos agentes e os resultados próprios do negócio jurídico celebrado não tendo havido quaisquer simulações no negócio realizado com o fim de ilidir fato gerador de tributo.” Diz que não houve intenção do impugnante em encobrir fatos geradores de imposto, tanto que apresentou todos os documentos à fiscalização e informou em sua DIRPF de 2008/2007, o recebimento dos valores ora discutidos. Citando as súmulas 25 e 73 do CARF, afirma ser descabida a aplicação de multa qualificada porque as informações foram declaradas em DIRPF de 2008, constaram em contratos, extratos bancários e na escrituração contábil regular da empresa Sinalmig, sendo cabível somente nos casos em que se encontra presente o flagrante intuito de lesar o Erário, o que não ocorreu. Requer o reconhecimento da decadência do direito de lançar o crédito em apreço, ou sua total improcedência bem como da ilegalidade de aplicação da multa agravada. A Nona Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) DRJ/BHE , por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, em decisão que foi consubstanciada no Acórdão nº 0254.208, assim ementado: Fl. 2012DF CARF MF 10 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2009 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RENDIMENTO COM ORIGEM EM ALUGUÉIS. Descabe manifestação do órgão julgador acerca de matéria sobre a qual não se instaurou o contencioso administrativo. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. RENDIMENTOS SUJEITOS À DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. FATO GERADOR EM 31 DE DEZEMBRO. O fato gerador do imposto de renda, em relação aos rendimentos sujeitos à declaração de ajuste anual, ocorre em 31 de dezembro e não mensalmente; dessa forma, quando da ciência do lançamento, em 19.07.2013, ainda não havia transcorrido o prazo decadencial para fatos geradores ocorridos no ano calendário de 2008. OMISSÃO DE RENDIMENTO. OCORRÊNCIA Ausente nos autos as provas de que o valor do rendimento creditado na conta corrente do contribuinte não teve como origem a prestação de serviços para pessoa jurídica e que decorreu de distribuição de lucros em função de sua participação em sociedade em conta de participação, fica mantido o lançamento por omissão de rendimento recebido de pessoa jurídica pelo contribuinte. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO. Demonstrada a intenção deliberada do contribuinte em simular situação de fato cuja existência não caracteriza ocorrência de fato gerador de imposto, tornase perfeitamente aplicável a multa qualificada de 150%. DECISÕES ADMINISTRATIVAS DE ÓRGÃOS COLEGIADOS. As decisões administrativas não obrigam o contencioso administrativo porque não se constituem em normas gerais de direito tributário. PROVA. ÔNUS. O ônus da prova é encargo daquele que alega a ocorrência do fato alegado. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Conforme Termo de Ciência por Decurso de prazo de fl. 1.865, o Contribuinte foi cientificado da decisão em 19/04/2014, por meio eletrônico e interpôs recurso voluntário em 23/10/2014 (fls. 1.881 a 1.964). Fl. 2013DF CARF MF Processo nº 15504.726864/201384 Acórdão n.º 2202003.676 S2C2T2 Fl. 2.009 11 O Recurso Voluntário interposto foi considerado intempestivo pela DRF de origem e foi negado o seu seguimento, uma vez que o crédito tributário já havia sido inscrito em dívida ativa da União. O Contribuinte impetrou Mandado de Segurança, cuja decisão liminar foi no sentido de determinar o encaminhamento do presente processo administrativo ao CARF para análise dos pressupostos legais de admissibilidade do recurso interposto e julgamento do mérito (caso se admita o recurso), além de cancelar a inscrição em Dívida Ativa da União do crédito discutido (fls. 1.975 a 1.979). Em 08/05/2015 foi proferida sentença de mérito (fls. 1.986 a 1.998), revogando a decisão liminar em parte, para restabelecer a inscrição em Dívida Ativa da União e deixar de suspender a exigibilidade do crédito tributário, porém foi concedida em parte a segurança para determinar às autoridades impetradas que encaminhem o Processo Administrativo (PA) nº 15504.726864/201384 ao órgão ad quem para análise de pressupostos legais de admissibilidade do recurso voluntário interposto pelo impetrante e julgamento de mérito (caso o órgão ad quem admita o recurso). Em seu recurso, o Contribuinte alega, preliminarmente, a sua tempestividade, pelas seguintes razões: somente tomou ciência da existência e conteúdo do acórdão em 23/09/2014, quando necessitou obter certidão de regularidade fiscal e verificou que o crédito tributário objeto deste processo havia sido encaminhado para inscrição em dívida ativa; a DRF em Belo Horizonte agiu com erro de procedimento, pois em todas as modalidades de intimação postal, pessoal e eletrônica exigese a prova do recebimento pelo sujeito passivo e a leitura da intimação somente ocorreu em 23/09/2014; não cabe à autoridade administrativa presumir a ocorrência de preclusão, sendo dever da Administração Pública buscar outro meio dotado de efetividade; mesmo ciente da ineficácia objetiva da intimação eletrônica, a autoridade administrativa não buscou ou dos outros meios mais eficazes (pessoal ou postal), tampouco de aperfeiçoála pela forma ficta, por edital, conforme exige expressamente o § 1º do art. 23 do Decreto nº 70.235/72; para o lançamento houve intimação pessoal, porém para a decisão foi feita uma intimação reconhecidamente ineficaz; em seguida, todas as intimações (arrolamento de bens, carta de cobrança) foram feitas pela PGFN por via postal; não bastasse a violação ao art. 23, incisos I, II e II, e § 1º, impende considerar ainda que a intimação da decisão recorrida não satisfaz as exigência contidas nos §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72, uma vez que não houve autorização por parte do sujeito passivo, tampouco a administração tributária o informou acerca da utilização do eCPF para o fim que aqui se atribuiu; a emissão do eCPF se materializou como exigência específica para abertura de matrícula CEI; Fl. 2014DF CARF MF 12 não houve autorização pelo sujeito passivo nem informação por parte da autoridade tributária de que aquele instrumento seria utilizado para outros fins, o que viola o primado da segurança jurídica; resta indubitável que o prazo recursal somente começou a fluir em 23/09/2014. Quanto ao mérito, o Recorrente repisa os argumentos da impugnação. Durante a sessão de julgamento, em 07/02/2017, a Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio suscitou, de ofício, a preliminar de decadência. É o relatório. Voto Conselheiro MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA Relator Cabe inicialmente analisar a questão da tempestividade do recurso. Alega o Recorrente que somente foi intimado em 23/09/2014, quando necessitou obter certidão de regularidade fiscal e verificou que o crédito tributário objeto deste processo havia sido encaminhado para inscrição em dívida ativa. Argumenta que o procedimento utilizado pela DRF em Belo Horizonte de intimação por via eletrônica foi ineficaz e contrariou a legislação, uma vez que não foi autorizado por ele. Não assiste razão ao Recorrente. O Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, assim estabelece: Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. [...] Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 2015DF CARF MF Processo nº 15504.726864/201384 Acórdão n.º 2202003.676 S2C2T2 Fl. 2.010 13 III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1º Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado: (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) I no endereço da administração tributária na internet; (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) III uma única vez, em órgão da imprensa oficial local. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) III se por meio eletrônico: (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) a) 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) b) na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea a; ou (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) c) na data registrada no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; (Incluída pela Lei nº 12.844, de 2013) IV 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 3º Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) Fl. 2016DF CARF MF 14 § 4º Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 5º O endereço eletrônico de que trata este artigo somente será implementado com expresso consentimento do sujeito passivo, e a administração tributária informarlheá as normas e condições de sua utilização e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) [...] Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos 30 (trinta) dias seguintes à ciência da decisão. A ciência da decisão de primeira instância deuse em 19/04/2014, por meio eletrônico. Assim, ao apresentar o recurso voluntário (fls. 1.881 a 1.964) somente no dia 23/10/2014, estava exaurido o prazo legal de trinta dias. Embora o Contribuinte somente tenha aberto os documentos (Acórdão de Impugnação, Intimação de Resultado de Julgamento e DARF) em seu endereço eletrônico no dia 10/12/2014, conforme Termo de Abertura de Documento de fl. 1.973, estes se encontravam à sua disposição desde o dia 04/04/2014, de acordo com o Termo de Ciência por Decurso de Prazo (fl. 1.865). Consoante o art. 23, § 2º, III, considerase feita a intimação, por meio eletrônico, 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo, ou na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo de 15 dias previsto na alínea "a". Como a data em que o Contribuinte efetuou a consulta (10/12/2014) foi posterior ao prazo de 15 dias contados da entrega no seu domicílio tributário (19/04/2014), a data a ser considerada como da intimação é esta última, ou seja, 19/04/2014. Sobre o argumento do Contribuinte de que não havia autorizado a intimação por meio eletrônico, verificase pelo documento de fl. 1.967 que ele aderiu ao Domicílio Tributário Eletrônico em 25/07/2013, mediante assinatura digital. O Recorrente alega, ainda, que para o lançamento houve intimação pessoal, porém para a decisão foi feita uma intimação por meio eletrônico, causando insegurança jurídica. No entanto, observase que a ciência do auto de infração deuse em 19/07/2013 (fl. 3), portanto, anterior à adesão do Contribuinte ao Domicílio Tributário Eletrônico, a qual foi espontânea e se deu em 25/07/2013. Dessa forma, entendo que o recurso não deve ser conhecido, por ser intempestivo. Fl. 2017DF CARF MF Processo nº 15504.726864/201384 Acórdão n.º 2202003.676 S2C2T2 Fl. 2.011 15 Quanto à preliminar de decadência, suscitada de ofício pela Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio durante a sessão de julgamento, entendo que não deve ser reconhecida, uma vez que sendo o recurso intempestivo não há como se analisar a questão da decadência. É que, segundo o Código de Processo Civil, o processo extinto em razão da intempestividade ocorre sem julgamento de mérito, enquanto aquele em virtude da decadência é extinto com julgamento do mérito, conforme abaixo: Art. 485. O juiz não resolverá o mérito quando: [...] V reconhecer a existência de perempção, de litispendência ou de coisa julgada; [...] Art. 487. Haverá resolução de mérito quando o juiz: [...] II decidir, de ofício ou a requerimento, sobre a ocorrência de decadência ou prescrição; Assim, mesmo que tratada como preliminar, a decadência é matéria de mérito, não podendo, assim, ser conhecida de ofício, pois o recurso voluntário não atendeu a um dos pressupostos legais para seu conhecimento. Nesse sentido temos a seguinte decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais: RECURSO INTEMPESTIVO E DECADÊNCIA SUSCITADA DE OFÍCIO. A intempestividade impede o conhecimento da peça recursal, inclusive para fins de se suscitar decaído o direito do Fisco de efetuar o lançamento. (Acórdão nº 910100.216, de 28/07/2009, Rel. Adriana Gomes Rego). Ante o exposto, voto por não conhecer do recurso, por ser intempestivo, e por rejeitar a preliminar de decadência suscitada de ofício. Assinado digitalmente MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA Relator Fl. 2018DF CARF MF
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Numero do processo: 10850.721625/2015-46
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 14 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Mar 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2014
Ementa:
DIRPF RETIFICADORA. PAGAMENTO FEITO COM BASE NA DECLARAÇÃO ORIGINAL. COMPROVAÇÃO.
No caso de DIRPF Retificadora que pleiteia restituição indevida, somente se exclui a multa de ofício e os juros de mora incidentes sobre os valores de imposto exigidos quando restar comprovado nos autos o pagamento tempestivo realizado pelo contribuinte com base na declaração original.
Numero da decisão: 2202-003.701
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar, Márcio Henrique Sales Parada, Theodoro Vicente Agostinho (Suplente convocado).
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2014 Ementa: DIRPF RETIFICADORA. PAGAMENTO FEITO COM BASE NA DECLARAÇÃO ORIGINAL. COMPROVAÇÃO. No caso de DIRPF Retificadora que pleiteia restituição indevida, somente se exclui a multa de ofício e os juros de mora incidentes sobre os valores de imposto exigidos quando restar comprovado nos autos o pagamento tempestivo realizado pelo contribuinte com base na declaração original.
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PAGAMENTO FEITO COM BASE NA DECLARAÇÃO ORIGINAL. COMPROVAÇÃO. No caso de DIRPF Retificadora que pleiteia restituição indevida, somente se exclui a multa de ofício e os juros de mora incidentes sobre os valores de imposto exigidos quando restar comprovado nos autos o pagamento tempestivo realizado pelo contribuinte com base na declaração original. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar, Márcio Henrique Sales Parada, Theodoro Vicente Agostinho (Suplente convocado). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 72 16 25 /2 01 5- 46 Fl. 129DF CARF MF 2 Trata o presente processo de Notificação de Lançamento em virtude de uma omissão de rendimentos do trabalho recebidos pela pessoa física acima identificada, no valor total de R$ 291.074,45, referente à fonte pagadora São Paulo Previdência (SPPREV), no ano calendário de 2013, resultando em um crédito tributário apurado de R$ 7.497,84, incluídos juros de mora e multa de ofício de 75%. O contribuinte apresentou impugnação alegando que os rendimentos considerados como omitidos são isentos, por se tratar de proventos de aposentadoria, reforma ou pensão recebidos por portador de moléstia grave (cardiopatia grave) desde o ano de 2002. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife (PE) julgou improcedente a impugnação, cuja decisão foi assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2013 PROVENTOS DE APOSENTADORIA. MOLÉSTIA GRAVE. AUSÊNCIA DE REQUISITO ESSENCIAL AO GOZO DA ISENÇÃO PRETENDIDA. Para o gozo da isenção pretendida o interessado há de ser aposentado e apresentar laudo médico oficial que comprove a moléstia grave definida nos termos da lei. No caso faltou comprovação da moléstia grave através de laudo médico expedido por entidade oficial competente. Não atendido requisito legal essencial. A conclusão da DRJ foi no seguinte sentido: No caso concreto, quanto ao anocalendário focado (2013), conforme foi corretamente registrado pela autoridade lançadora, embora seja a alegação de que o contribuinte era portador de moléstia grave, o laudo médico apresentado não foi emitido por entidade oficial competente, isto é, tratase de laudo preparado por médico particular, o qual não satisfaz para fins de comprovação do adimplemento dos requisitos legais para o gozo da isenção pleiteada. Cientificado dessa decisão em 11/09/2015, por via postal (A.R. de fl. 90), o Espólio da Contribuinte, por meio de procurador, apresentou Recurso Voluntário em 09/10/2015 (fl. 91), alegando apenas que o imposto já fora efetivamente pago em DIRPF original do exercício 2014. Esse Colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência (Resolução nº 2202000.725, de 22/09/2016), para que a repartição de origem tomasse as seguintes providências: 1. Anexe aos autos cópia da Declaração de Ajuste Anual original do exercício 2014 (anocalendário 2013); 2. anexe aos autos os comprovantes de pagamentos (DARFs) correspondentes ao imposto de renda do exercício 2013 (ano calendário 2012), informando se os mesmos encontramse disponíveis ou se foram restituídos; Fl. 130DF CARF MF Processo nº 10850.721625/201546 Acórdão n.º 2202003.701 S2C2T2 Fl. 130 3 3. após, dê vista ao Recorrente do resultado essa diligência, com prazo de 30 (trinta) dias para, querendo, se pronunciar. Em atendimento à diligência, a DRF de origem anexou a DIRPF/2014 (ano calendário de 2013) original do Contribuinte (fls. 115/125) e o intimou a comprovar os pagamentos (DARFs) correspondentes ao imposto de renda do referido exercício (fls. 127/128). O Contribuinte não apresentou resposta (fl. 129). É o relatório. Voto Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. O Contribuinte não se insurgiu, em seu recurso voluntário, contra a decisão da DRJ em relação ao não atendimento de uma das condições para o gozo da isenção, qual seja, a comprovação da moléstia grave por meio de laudo médico oficial. Ele somente alegou que o imposto já havia sido pago por ocasião da apresentação da DIRPF original do exercício 2014. Dessa forma, não cabe aqui analisar a questão da isenção por moléstia grave, posto que essa matéria se encontra fora do litígio, por não ter sido recorrida. Resta, portanto, discutir o tema relativo ao pagamento tempestivo do imposto devido. Entendo que os valores recolhidos pelo Contribuinte antes do início do procedimento fiscal, quando ele gozava de espontaneidade, não podem ser exigidos com multa de ofício. CTN Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Não se pode exigir, por meio de Notificação de Lançamento, multa de ofício sobre um crédito tributário que foi extinto pelo pagamento, nos termos do artigo 156, inciso I, do Código Tributário Nacional – CTN. O pagamento antecipado, conforme dispõe o § 1º do Fl. 131DF CARF MF 4 artigo 150 do CTN, extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. Mesmo que não ocorra a homologação, o pagamento feito extingue a obrigação tributária. Apenas se o pagamento realizado não for suficiente para extinguila totalmente, caberá o lançamento de ofício para exigência da diferença. CTN Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. [..] Art. 156. Extinguem o crédito tributário: I o pagamento; [...] Muito embora a declaração retificadora realmente substitua a declaração original, fato é que o pagamento extingue o crédito tributário, conforme prevê o inciso I do art. 156 do CTN. Entretanto, no presente caso, não consta dos autos comprovação de que realmente os pagamentos alegados tenha sido efetivados. O Contribuinte não apresentou nenhuma resposta à intimação feita pela delegacia de origem para comprovar os pagamentos alegados, conforme se verifica da diligência efetuada a pedido desse Colegiado (fls. 115/127), embora tenha sido cientificado da intimação em 18/10/2016 (fl. 127). É regra geral no Direito que o ônus da prova é uma conseqüência do ônus de afirmar e, portanto, cabe a quem alega. Nesse caso, o Recorrente apenas alegou e nada provou e, segundo brocardo jurídico por demais conhecido, "alegar e não provar é o mesmo que não alegar". Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (Assinatura digital) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Relator Fl. 132DF CARF MF Processo nº 10850.721625/201546 Acórdão n.º 2202003.701 S2C2T2 Fl. 131 5 Fl. 133DF CARF MF
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Numero do processo: 13710.003013/2004-16
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Mar 13 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Apr 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2001
ATIVIDADE VEDADA. SIMPLES FEDERAL. CONTRATO SOCIAL. INDÍCIO. NOTAS FISCAIS. PROVA.
A mera descrição de atividade vedada no contrato social é insuficiente para a exclusão do Simples, sendo necessária a demonstração do efetivo exercício desta atividade por outros meios de prova.
Além disso, a prova pela contribuinte do não exercício de atividade vedada, com a apresentação de notas fiscais sequenciais, infirma a descrição genérica de atividade vedada no contrato social.
SIMPLES. FIGURINISTA. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 9º, XIII, DA LEI Nº 9.317/1996.
Não é vedada a inclusão no Simples Federal de figurinista, que exerce atividade distinta da produção de espetáculos, afastando-se a vedação constante do artigo 9º, XIII, da Lei nº 9.317/1996.
Numero da decisão: 9101-002.576
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencido o conselheiro Rafael Vidal de Araújo, que lhe deu provimento.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Cristiane Silva Costa- Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente)
Nome do relator: CRISTIANE SILVA COSTA
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SIMPLES FEDERAL. CONTRATO SOCIAL. INDÍCIO. NOTAS FISCAIS. PROVA. A mera descrição de atividade vedada no contrato social é insuficiente para a exclusão do Simples, sendo necessária a demonstração do efetivo exercício desta atividade por outros meios de prova. Além disso, a prova pela contribuinte do não exercício de atividade vedada, com a apresentação de notas fiscais sequenciais, infirma a descrição genérica de atividade vedada no contrato social. SIMPLES. FIGURINISTA. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 9º, XIII, DA LEI Nº 9.317/1996. Não é vedada a inclusão no Simples Federal de figurinista, que exerce atividade distinta da produção de espetáculos, afastandose a vedação constante do artigo 9º, XIII, da Lei nº 9.317/1996. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencido o conselheiro Rafael Vidal de Araújo, que lhe deu provimento. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 71 0. 00 30 13 /2 00 4- 16 Fl. 215DF CARF MF 2 (Assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente) Relatório Tratase de processo originado por Ato Declaratório Executivo DRF/OSA nº 538.393, de 2 de agosto de 2004, pelo qual a contribuinte foi excluída do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples). Neste ato foi identificada como situação excludente o exercício de atividade econômica vedada (92312/99: outros serviços especializados ligados às atividades artísticas), com ocorrência em 02/09/2000 (fls. 5). . A contribuinte apresentou solicitação de revisão da Exclusão do Simples (fls. 2) em 22 de setembro de 2004, que foi indeferida pela Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária no Rio de Janeiro (DERAT/RJ), por decisão proferida em 11 de fevereiro de 2008. Consta como justificativa desta decisão da DERAT/RJ (fls. 3): Atividade vedada: prestação de serviços na área artística técnica, no setor de produção, realização, criação e promoção de show, teatro, cinema. televisão, rádio, enfim todos e quaisquer espetáculos artísticos em geral (conforme contrato social de fls. 05). A contribuinte, assim, apresentou Manifestação de Inconformidade contra a exclusão do Simples (fls. 29), que foi rejeitada pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ), conforme acórdão ementado da forma seguinte (31/36): ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO D IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESA E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Data do fato gerador: 01/01/2001 EXCLUSÃO DO SIMPLES. ATIVIDADE ECONÔMICA. Uma vez que o contrato social faz menção à atividade econômica impeditiva da opção pela Sistemática do SIMPLES, referida no artigo 9°, inciso XIII, da Lei n° 9.317/96, cabe ao interessado o ônus de comprovar que não a realiza. Na falta de provas, infere se que o interessado realiza as atividades descritas no contrato social, o que o impede de estar no Simples. Solicitação indeferida. Fl. 216DF CARF MF Processo nº 13710.003013/200416 Acórdão n.º 9101002.576 CSRFT1 Fl. 216 3 A contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 53/54, ao qual foi dado provimento pela 1ª Turma Especial da 1ª Seção deste Conselho, em acórdão cuja ementa se transcreve a seguir (fls. 160/165): ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Exercício: 2003 COMPROVAÇÃO. IMPRESCINDIBILIDADE. É imprescindível para a exclusão do Simples que seja comprovado que a pessoa jurídica se dedique à prestação de serviços profissional impeditiva indicada no ato administrativo. Vale reproduzir trechos do voto da Conselheira Relatora, acolhido à unanimidade: Para a solução do litígio, cabe buscar esclarecimentos na Classificação Brasileira de Ocupações – CBO que determina (fonte: http://www.mtecbo.gov.br/cbosite/pages/pesquisas/BuscaPorTitu loResultado.jsf, acesso em 20/03/2011): 2622 : Diretores de espetáculos e afins [...] Descrição Sumária Os diretores de cinema, teatro, televisão e rádio dirigem, criando, coordenando, supervisionando e avaliando aspectos artísticos, técnicos e financeiros referentes a realização de filmes, peças de teatro, espetáculos de dança, ópera e musicais, programas de televisão e rádio, vídeos, multimídia e peças publicitárias Compulsando os autos, verificase que no Contrato Social está registrado, fls.04/08: O objeto da sociedade será a prestação de serviços na área artística técnica, no setor de produção, realização, criação e promoção de show, teatro, cinema, televisão, rádio, enfim todos e quaisquer espetáculos artísticos em geral. As atividades objeto do contrato social podem ser um indicativo, mas não são, por si sós, determinantes da ocorrência de exclusão da pessoa jurídica do Simples. (...) Os autos estão instruídos com as cópias das Notas Fiscais, fls. 48/92, nas quais se comprova a efetiva prestação de serviços de figurinista, que também é a atividade profissional exercida pelo sóciogerente Reinaldo Elias, CPF 353.173.37704. No dicionário eletrônico Houaiss da língua portuguesa 1.0, o verbete figurinista está assim definido: Fl. 217DF CARF MF 4 que ou aquele que, na produção artística, cuida da indumentária dos atores, projetando figurinos e acompanhandolhes a confecção. É imprescindível para a exclusão do Simples que seja comprovado que a pessoa jurídica se dedique à prestação de serviços profissional impeditiva indicada no ato administrativo. Não constam dos autos evidências de que a Recorrente exerça a prestação de serviços profissional de diretor ou produtor de espetáculos de que trata a legislação de regência. Não restando evidenciada a subsunção do fato à hipótese legal de exclusão do Simples, é admissível a manutenção no mencionado sistema. Em 18/11/2011, a Procuradoria da Fazenda Nacional tomou ciência do acórdão, apresentando recurso especial em 23/11/2012, no qual sustenta divergência jurisprudencial com o entendimento manifestado pelo acórdão paradigma nº 20212341, no qual consta que "ainda que não esteja exercendo, efetivamente, por estarem relacionados no art. 9º, inciso XIII, da Lei nº 9.317/96, constituem impedimento à opção ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples". (fls. 169/173) O recurso especial foi admitido, conforme razões a seguir reproduzidas (fls. 176/178): Da contraposição dos fundamentos expressos nas ementas e nos votos condutores dos acórdãos, evidenciase que a recorrente logrou êxito em comprovar a ocorrência do alegado dissenso jurisprudencial, pois em situações fáticas semelhantes, chegou se a conclusões distintas. O voto do relator do acórdão recorrido consigna que “as atividades objeto do contrato social podem ser um indicativo, mas não são, por si sós, determinantes da ocorrência de exclusão da pessoa jurídica do Simples”. Em sentido inverso é o entendimento do acórdão paradigma, qual seja, “o que deve preponderar no caso não é o efetivo exercício da atividade da pessoa jurídica, mas sim, sua capacidade, demonstrada em seu objeto social, de prestar um dos serviços elencados na norma restritiva”. (...) Atendidos os pressupostos de tempestividade e legitimidade, previstos no art. 67 do Regimento Interno do CARF, e tendo sido comprovada a divergência jurisprudencial em relação ao ponto questionado do acórdão recorrido, nos termos acima examinados, DOU SEGUIMENTO ao presente recurso especial. A contribuinte apresentou contrarrazões ao recurso especial, sustentando que: (i) a mera previsão no contrato social não é suficiente para a exclusão do Simples, sendo necessário o efetivo exercício de atividade impeditiva; e que (ii) as vedações ao ingresso no Simples estão dispostas no artigo 17, da Lei Complementar nº 123/2006 e esta atividade deve ser efetivamente exercida pela pessoa jurídica. A então recorrida aponta precedentes no sentido de suas razões. (fls. 182/186) Fl. 218DF CARF MF Processo nº 13710.003013/200416 Acórdão n.º 9101002.576 CSRFT1 Fl. 217 5 Voto Conselheira Cristiane Silva Costa, Relatora O recurso especial da Fazenda Nacional é tempestivo. Passo à análise da divergência indicada neste recurso, para julgar o seu conhecimento. A divergência apontada no recurso especial referese ao ônus da prova para exclusão do Simples na hipótese de previsão em contrato social de atividade vedada para ingresso neste Sistema Simplificado de Recolhimento de Tributos. A Fazenda Nacional Recorrente aponta como acórdão paradigma o de nº 202 12341, no qual consta que "ainda que não esteja exercendo, efetivamente, por estarem relacionados no art. 9º, inciso XIII, da Lei nº 9.317/96, constituem impedimento à opção ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples". De outro lado, constou do acórdão recorrido: "É imprescindível para a exclusão do Simples que seja comprovado que a pessoa jurídica se dedique à prestação de serviços profissional impeditiva indicada no ato administrativo " Como apontado na decisão que conheceu do recurso especial, há divergência na interpretação entre o acórdão recorrido e o acórdão paradigma a respeito da possibilidade de exclusão com fundamento no contrato social. Não obstante isso, ressalto que o acórdão recorrido foi além deste fundamento, tratando da prova nos autos do exercício de atividade que no entendimento dos julgadores da Turma de origem não se subsumiria ao artigo 9º, XIII. A despeito da existência de outro fundamento relevante no acórdão recorrido, conheço do recurso especial, pois entendo que esta Turma da Câmara Superior deve enfrentar a interpretação do artigo 9º, XIII, para decidir se a atividade desenvolvida pela Recorrente amoldase ao citado inciso XIII, para fins de exclusão do Simples, para, depois disso, então interpretar da lei tributária sobre a forma de prova admitida neste caso. Passo à análise do seu mérito. A exclusão do Simples Federal no caso dos autos teve fundamento no artigo 9º, XIII, da Lei nº 9.317/1996, que prevê: Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: (...) XIII que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, físico, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor, jornalista, publicitário, fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida; Fl. 219DF CARF MF 6 Consta do acórdão recorrido a descrição das atividades da contribuinte conforme seu contrato social: Compulsando os autos, verificase que no Contrato Social está registrado, fls.04/08: O objeto da sociedade será a prestação de serviços na área artística técnica, no setor de produção, realização, criação e promoção de show, teatro, cinema, televisão, rádio, enfim todos e quaisquer espetáculos artísticos em geral. Além disso, consta do acórdão recorrido que: "Os autos estão instruídos com as cópias das Notas Fiscais, fls. 48/92, nas quais se comprova a efetiva prestação de serviços de figurinista, que também é a atividade profissional exercida pelo sóciogerente Reinaldo Elias, CPF 353.173.37704." Primeiro ponto que se coloca é se existe diferença entre a atividade efetivamente desenvolvida pela contribuinte e o que prescreve o artigo 9º, XIII. Afinal, caso se entenda que o "figurinista" equivale ao "produtor de espetáculo", ou mesmo assemelhado a este, a contribuinte não poderia aderir ao Simples Federal. De outro lado, se decidido que há distinção entre estas atividades, a Turma deverá avaliar outras questões jurídicas tratadas nos autos, como a prova de que a Recorrida exerce de fato a atividade de figurinista. Sobreleva considerar que a distinção entre figurinista e produtor de espetáculo não foi objeto de recurso especial a esta Câmara Superior, embora seja fundamental para análise do mérito do recurso especial. Diante disso, colaciono trecho do acórdão recorrido tratando da diferença entre a atividade de figurinista e diretor de espetáculo: Para a solução do litígio, cabe buscar esclarecimentos na Classificação Brasileira de Ocupações – CBO que determina (fonte: http://www.mtecbo.gov.br/cbosite/pages/pesquisas/BuscaPorTitu loResultado.jsf, acesso em 20/03/2011): 2622 : Diretores de espetáculos e afins [...] Descrição Sumária Os diretores de cinema, teatro, televisão e rádio dirigem, criando, coordenando, supervisionando e avaliando aspectos artísticos, técnicos e financeiros referentes a realização de filmes, peças de teatro, espetáculos de dança, ópera e musicais, programas de televisão e rádio, vídeos, multimídia e peças publicitárias Compulsando os autos, verificase que no Contrato Social está registrado, fls.04/08: O objeto da sociedade será a prestação de serviços na área artística técnica, no setor de produção, realização, criação e promoção de show, teatro, cinema, televisão, rádio, enfim todos e quaisquer espetáculos artísticos em geral. As atividades objeto do contrato social podem ser um indicativo, mas não são, por si sós, determinantes da ocorrência de Fl. 220DF CARF MF Processo nº 13710.003013/200416 Acórdão n.º 9101002.576 CSRFT1 Fl. 218 7 exclusão da pessoa jurídica do Simples. A hipótese de indeferimento da opção da Requerente pelo Simples com efeito desde 01/01/2002 fundamentada na prestação de serviço profissional de diretor ou produtor de espetáculo, pressupõe a obtenção efetiva de receita proveniente de atividade vedada, qualquer que seja a sua proporção em relação à totalidade auferida pela pessoa jurídica. Os autos estão instruídos com as cópias das Notas Fiscais, fls. 48/92, nas quais se comprova a efetiva prestação de serviços de figurinista, que também é a atividade profissional exercida pelo sóciogerente Reinaldo Elias, CPF 353.173.37704. No dicionário eletrônico Houaiss da língua portuguesa 1.0, o verbete figurinista está assim definido: que ou aquele que, na produção artística, cuida da indumentária dos atores, projetando figurinos e acompanhandolhes a confecção. É imprescindível para a exclusão do Simples que seja comprovado que a pessoa jurídica se dedique à prestação de serviços profissional impeditiva indicada no ato administrativo. Não constam dos autos evidências de que a Recorrente exerça a prestação de serviços profissional de diretor ou produtor de espetáculos de que trata a legislação de regência. Não restando evidenciada a subsunção do fato à hipótese legal de exclusão do Simples, é admissível a manutenção no mencionado sistema. Em que pese divirja da fundamentação do acórdão recorrido como tratarei ao final , vislumbro distinção relevante entre a função de figurinista e de produtor de espetáculo. Com efeito, a Instrução Normativa nº 1/2013, do Ministério da Cultura, trata da definição de produtor, relacionandoo ao orçamento da produção artística: Art. 3º Para aplicação desta Instrução Normativa, serão consideradas as seguintes definições: XIII – produtor majoritário: aquele que, em coproduções, tiver participação em mais de cinquenta por cento do orçamento total; XIV – produção cultural independente: aquela cujo produtor majoritário não seja empresa concessionária de serviço de radiodifusão e cabodifusão de som ou imagem, em qualquer tipo de transmissão, ou entidade a esta vinculada, e que: a) na área da produção audiovisual, não seja vinculada a empresa estrangeira nem detenha, cumulativamente, as funções de distribuição ou comercialização de obra audiovisual, bem como a de fabricação de qualquer material destinado à sua produção; Fl. 221DF CARF MF 8 b) na área de produção fonográfica, não seja vinculada a empresa estrangeira nem detenha, cumulativamente, as funções de fabricação ou distribuição de qualquer suporte fonográfico; c) na área da produção de imagem não detenha, cumulativamente, as funções de fabricação, distribuição ou comercialização de material destinado à fotografia ou às demais artes visuais, ou que não seja empresa jornalística ou editorial; De outro lado, a Lei nº 6.533/1978 trata do exercício de atividade por artistas e técnicos em espetáculos e diversões: Art . 2º Para os efeitos desta lei, é considerado: I Artista, o profissional que cria, interpreta ou executa obra de caráter cultural de qualquer natureza, para efeito de exibição ou divulgação pública, através de meios de comunicação de massa ou em locais onde se realizam espetáculos de diversão pública; II Técnico em Espetáculos de Diversões, o profissional que, mesmo em caráter auxiliar, participa, individualmente ou em grupo, de atividade profissional ligada diretamente à elaboração, registro, apresentação ou conservação de programas, espetáculos e produções. O Decreto nº 82.385/1978, que regulamenta a Lei nº 6.533/1978, define o figurinista como aquele que "cria e projeta os trajes e complementos usados pelo elenco e figurantes, de acordo com a equipe de criação; indica os materiais a serem utilizados; acompanha, supervisiona e detalha a execução do projeto (Anexo, tratando dos títulos e descrições das funções em que se desdobram as atividades de artistas e téncicos em espetáculos de diversões) Notese que a função do figurinista, assim, limitase ao projeto e execução do figurino, submetendose à equipe de criação, não tendo o profissional dedicado a esta área responsabilidade pela produção do espetáculo. No mesmo sentido, a Lei nº 6.533/1978 menciona que a "produção" é responsável pela convocação de figurantes1, função, portanto, de muito mais relevância na obra que o mero figurinista. Diante disso, confirmo a possibilidade de figurinista, que não se confunde com a função de produtor de espetáculo. Por fim, pondero que é equivocado o acórdão recorrido, ao distinguir o figurinista do diretor do espetáculo, na medida em que o diretor de espetáculo executa função distinta do produtor e a exclusão do Simples no caso deste processo foi pela descrição no contrato social de atividade no"setor de produção, realização, criação e promoção de show". A esse respeito, colaciono definição de diretor, constante do Decreto nº 82.385/1978: "aquele que cria, elabora e coordena a encenação do espetáculo a partir de uma idéia, texto, roteiro, obra literária, música ou qualquer outro estímulo utilizandose de recursos técnicosartísticos, procurando assegurar o alcance dos resultados objetivados com a 1 Art. 57. Considerase figurante a pessoa convocada pela produção para se colocar a serviço da empresa, em local e horário determinados, para participar, individual ou coletivamente, como complementação de cena. Fl. 222DF CARF MF Processo nº 13710.003013/200416 Acórdão n.º 9101002.576 CSRFT1 Fl. 219 9 encenação; estuda a obra a ser representada, analisando o tema, personagem e outros elementos importantes, para obter uma percepção geral do espírito da mesma; define com o coreógrafo, figurinista, cenógrafo, iluminador e outros técnicos, quais as melhores soluções para o espetáculo, preservando assim a unidade da obra; assume uma linha filosófica ou ideológica individual ou coletiva para o trabalho, norteado pelos princípios da liberdade criativa; decide sobre quaisquer alterações no espetáculo; opina e sugere sobre a divulgação do espírito do espetáculo; presta assistência durante o período de apresentação; na relação com o produtor fica preservada a sua autonomia quanto à criação; define com o produtor a equipe técnica e artística" A definição acima colaciona demonstra que o diretor relacionase com o produtor e figurinista, o que reforça a distinção entre todas estas atividades. Passo ao ponto seguinte, isto é, analisar se a menção de atividade de "produção, realização, criação e promoção de show" no contrato social da contribuinte seria suficiente para a sua exclusão do Simples Federal pela DRF, sem que exista prova de que a contribuinte exerça tais atividades, distintas da atividade de figurinista. A respeito do objeto social da sociedade, são os ensinamentos de Modesto Carvalhosa: "Para os efeitos de se poder responsabilizar administradores e controladores, devese entender o objeto social como limite da atividade societária. Nesse sentido, o objeto social é o fim para o que a sociedade é constituída. Esse aspecto substancial do objeto societário é o que mais interessa aos acionistas, aos credores, aos concorrentes e à coletividade. Para os efeitos de responsabilidade dos administradores e controladores, o objeto social representa o limite da atividade, não podendo extravasar os precisos termos contidos nos estatutos sociais." (Comentários à Lei de Sociedades Anônimas: Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, São Paulo, Saraiva, 1997, p. 16) Nesse sentido, decidiu o acórdão recorrido, ao expressar que "As atividades objeto do contrato social podem ser um indicativo, mas não são, por si sós, determinantes da ocorrência de exclusão da pessoa jurídica do Simples." De fato, a descrição de atividade vedada no contrato social é indício do exercício desta atividade, mas não é suficiente à sua prova, cabendo ao auditor fiscal da Receita Federal demonstrar o efetivo exercício desta atividade vedada para exclusão do Simples. Ressalto que o auditor fiscal da DERAT /RJ não intimou a contribuinte a apresentar qualquer documento antes da exclusão do Simples, limitandose a analisar o contrato social, como se observa às fls. 4, ao explicitar: "Atividade vedada....(conforme contrato social de fls. 05)" Na própria decisão da DRJ (fls. 35 dos autos) consta voto vencido que confirma que a única análise procedida nos autos foi do contrato social da contribuinte: Fl. 223DF CARF MF 10 No presente caso, não constam dos autos do processo, outras informações que trouxessem evidências de que a Interessada exercesse, efetivamente, atividade impeditiva de integrar ao SIMPLES, isto é, que tivesse produzido espetáculos e eventos culturais e caracterizado o exercício da prestação de serviços de "diretor ou produtor de espetáculos" de que trata a norma impeditiva. O que se tem nos autos é que a referida SRS somente foi analisada em 11/02/2008, fl. 02, sendo julgada improcedente a solicitação, cujo resultado da análise/ justificativa cita como atividades vedadas: trechos do Contrato Social —fl. 05. Em contrapartida, a contribuinte trouxe aos autos notas fiscais sequenciais (fls. 66/155) que demonstram que prestou serviços de figurinista exclusivamente à TV Globo Ltda. Tal fato foi mencionado pelo voto condutor do acórdão recorrido (Conforme trecho reproduzido: "Os autos estão instruídos com as cópias das Notas Fiscais, fls. 48/92, nas quais se comprova a efetiva prestação de serviços de figurinista"). Nesse panorama, tanto porque a descrição de atividade vedada no contrato social é, isoladamente, insuficiente à prova do exercício desta atividade, na medida em que é mero "fim" pretendido pelo empresário; quanto porque há prova dos autos da atividade de figurinista, que infirma a descrição genérica do contrato social de prestação de serviço de " produção, realização, criação e promoção de show ", voto por negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Por tais razões, voto por conhecer e negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Fl. 224DF CARF MF
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