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Numero do processo: 10711.724209/2012-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Apr 04 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 09/07/2009
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INOBSERVÂNCIA AO PRAZO ESTABELECIDO PREVISTO EM NORMA. AUSÊNCIA DE PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO.
É obrigação do contribuinte prestar informações sobre a desconsolidação de carga dentro dos prazos previstos no artigo 22 c/c o artigo 50 da IN SRF nº 800/2007, sob pena de sujeitar-se à aplicação da multa prevista no artigo 107, inciso I, IV, alínea "e", do Decreto Lei nº 37/66.
MULTA POR ATRASO NA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE A CARGA. APLICAÇÃO POR MANIFESTO DE CARGA. IMPOSSIBILIDADE. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE.
A multa regulamentar sancionadora da infração por omissão ou atraso na prestação de informação sobre a carga transportada por empresa de transporte internacional de carga deve ser aplicada uma única vez por viagem do veículo transportador e não por cada manifesto de carga da mesma viagem. Contudo, se não estiverem presentes nos autos informações suficientes que comprovem a penalização por cada manifesto de carga, não há como cancelar o lançamento.
Numero da decisão: 3201-002.523
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
WINDERLEY MORAIS PEREIRA PRESIDENTE SUBSTITUTO.
(assinado digitalmente)
PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA - RELATOR.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: WINDERLEY MORAIS PEREIRA (Presidente), JOSE LUIZ FEISTAUER DE OLIVEIRA, MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, CASSIO SCHAPPO, ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA, TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO.
Nome do relator: PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
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camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 09/07/2009 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INOBSERVÂNCIA AO PRAZO ESTABELECIDO PREVISTO EM NORMA. AUSÊNCIA DE PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO. É obrigação do contribuinte prestar informações sobre a desconsolidação de carga dentro dos prazos previstos no artigo 22 c/c o artigo 50 da IN SRF nº 800/2007, sob pena de sujeitar-se à aplicação da multa prevista no artigo 107, inciso I, IV, alínea "e", do Decreto Lei nº 37/66. MULTA POR ATRASO NA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE A CARGA. APLICAÇÃO POR MANIFESTO DE CARGA. IMPOSSIBILIDADE. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. A multa regulamentar sancionadora da infração por omissão ou atraso na prestação de informação sobre a carga transportada por empresa de transporte internacional de carga deve ser aplicada uma única vez por viagem do veículo transportador e não por cada manifesto de carga da mesma viagem. Contudo, se não estiverem presentes nos autos informações suficientes que comprovem a penalização por cada manifesto de carga, não há como cancelar o lançamento.
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INOBSERVÂNCIA AO PRAZO ESTABELECIDO PREVISTO EM NORMA. AUSÊNCIA DE PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO. É obrigação do contribuinte prestar informações sobre a desconsolidação de carga dentro dos prazos previstos no artigo 22 c/c o artigo 50 da IN SRF nº 800/2007, sob pena de sujeitarse à aplicação da multa prevista no artigo 107, inciso I, IV, alínea "e", do Decreto Lei nº 37/66. MULTA POR ATRASO NA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE A CARGA. APLICAÇÃO POR MANIFESTO DE CARGA. IMPOSSIBILIDADE. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. A multa regulamentar sancionadora da infração por omissão ou atraso na prestação de informação sobre a carga transportada por empresa de transporte internacional de carga deve ser aplicada uma única vez por viagem do veículo transportador e não por cada manifesto de carga da mesma viagem. Contudo, se não estiverem presentes nos autos informações suficientes que comprovem a penalização por cada manifesto de carga, não há como cancelar o lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) WINDERLEY MORAIS PEREIRA– PRESIDENTE SUBSTITUTO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 1. 72 42 09 /2 01 2- 41 Fl. 112DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA RELATOR. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: WINDERLEY MORAIS PEREIRA (Presidente), JOSE LUIZ FEISTAUER DE OLIVEIRA, MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, CASSIO SCHAPPO, ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA, TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO. Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 81 em face da decisão de primeira instância proferida pela DRJ/CE em fls. 65, que indeferiu a impugnação e manteve o lançamento de cobrança de multa por prestação de informação intempestiva de transporte internacional de carga, consubstanciado no AI de fls. 13. Como de costume desta Turma de Julgamento, segue a transcrição do relatório do ocorrido, conforme relatado pela DRJ/CE em sua decisão de primeira instância administrativa: "Tratase de processo referente à exigência de multa pelo descumprimento da obrigação de prestar informação sobre veículo, operação realizada ou carga transportada, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. O lançamento, que totalizou R$ 5.000,00 à época de sua formalização, foi contestado pela empresa autuada. Da Autuação Antes de adentrar na descrição dos fatos que ensejaram a autuação, a autoridade lançadora fez longa explanação acerca do comércio marítimo internacional (fls. 13 24), na qual esclarece quem são os intervenientes nessa atividade, a documentação utilizada, as informações a serem prestadas e seus respectivos prazos e a sistemática de utilização delas. Foram apresentados tópicos específicos sobre a obrigatoriedade de prestar informação pelo agente de carga, bem como sobre a importância, para o controle aduaneiro, de os dados exigidos serem prestados correta e tempestivamente. A fiscalização expôs detalhadamente os tipos de transportadores, as informações que devem ser prestadas e os respectivos prazos estabelecidos na legislação regente, inclusive as formas de correção das informações prestadas. Em seguida, a autoridade lançadora comentou sobre os casos de exclusão da espontaneidade previstos no Regulamento Aduaneiro e esclareceu os danos causados à fiscalização pelo inadimplemento da obrigação em foco. Na sequência apresentou o dispositivo legal que tipifica a infração que deu ensejo ao lançamento e comina a multa aplicável. Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10711.724209/201241 Acórdão n.º 3201002.523 S3C2T1 Fl. 113 3 A irregularidade identificada foi descrita no tópico Dos Fatos (fl. 22) e, de acordo com o relatado, consistiu na prestação de informação intempestiva referente ao conhecimento eletrônico (CE) ali indicado, o que acarretou o bloqueio automático dele no Siscomex Carga, conforme extrato em anexo. Diante dos fatos apurados, a fiscalização entendeu configurada a infração tipificada no art. 107, IV, “e”, do DecretoLei nº 37/1966, com redação dada pela Lei nº 10.833/2003, e aplicou a multa ali cominada. Da Impugnação O sujeito passivo foi cientificado da exação em 21/6/2012 e, em 5/7/2012, apresentou impugnação (fls. 2731) na qual aduz os seguintes argumentos. a) Princípio da razoabilidade. O atraso incorrido pela impugnante não causou embaraço ao controle aduaneiro, eis que as informações foram prestadas com suficiente antecedência da chegada do navio ao porto, o que comprova, também, o fato de a autuada não ter agido com intuito de cometer qualquer infração. Dessa forma, a aplicação de multa no presente caso ofende ao princípio da razoabilidade, que impõe à Administração Pública o dever de agir com bom senso, prudência e moderação, levando em conta a relação de proporcionalidade entre os meios empregados e a finalidade a ser alcançada, bem como as circunstâncias que envolvem a prática do ato. b) Bis in Idem. A impugnante foi penalizada mais de uma vez pela mesma conduta, uma vez que foram cobradas multas pelo atraso na entrega de informações referentes a cargas transportadas no mesmo navio/viagem, conforme processos administrativos indicados, não podendo subsistir mais de uma penalidade para o mesmo fato, conforme estabelece a legislação de regência. Assim, se infração houve, nesses casos só poderia ser aplicada multa uma única vez, consoante já decidiu a própria Receita Federal na Solução de Consulta Interna (SCI) nº 8, de 14/2/2008. Ao final a impugnante requer que seja cancelado o lançamento ou, subsidiariamente, que seja aplicado o entendimento de que só é cabível uma multa em relação a cada navio/viagem, excluindo se as penalidades excedentes." A DRJ/SP proferiu este Acórdão n.º 1453.331 em Agosto de 2014, de fls. 952, com a seguinte Ementa: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 09/07/2009 NORMA EM PLENO VIGOR. AFASTAMENTO POR CONTA DO PRINCÍPIO DA RAZOABILIDADE. VEDAÇÃO. Fl. 114DF CARF MF 4 A atuação do julgador administrativo é vinculada aos ditames legais, sendolhe vedado afastar a aplicação de norma em pleno vigor a pretexto de ofensa ao princípio da razoabilidade. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 09/07/2009 PRESTAÇÃO INTEMPESTIVA DE INFORMAÇÃO SOBRE CARGA TRANSPORTADA. MULTA. DELIMITAÇÃO DA INCIDÊNCIA. Em conformidade com o disposto no Ato Declaratório Executivo Corep nº 3, de 28/3/2008 (DOU 1/4/2008), a prestação intempestiva de dados sobre veículo, operação ou carga transportada é punida com multa específica que, em regra, é aplicável em relação a cada escala, manifesto, conhecimento ou item incluído ou retificado após o prazo para prestar a devida informação, independente da quantidade de campos alterados. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido." Os autos foram regularmente distribuídos a este Conselheiro e pautados para julgamento nos termos do regimento interno deste Conselho. Relatório proferido. Voto Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Conforme o Direito Tributário, a legislação, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme portaria de condução e Regimento Interno deste Conselho, apresento e relato o seguinte voto. Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e considerando o tempestivo Recurso Voluntário, dele conheço. A alegação da fiscalização de "Não Prestação de Informação sobre Carga Transportada e a consequente aplicação de multa de R$ 5.000,00 prevista no Art. 107 do DL 37/66, em razão do descumprimento do prazo previsto na IN RFB 800/2007, Art. 22, ocorreu em razão da fiscalização ter constatado que o contribuinte era consignatário e deveria ter cumprido o prazo em no máximo até 29/07/09 às 07:58, sendo que desconsolidou o mercante agregado HBL de fls. 23 e 24 às 18:00 do mesmo dia 29. Conforme alegação de bis in idem do contribuinte em seu Recurso Voluntário, a autuação seria atrelada a dois outros autos de infração, Processos Administrativos de n°. 10711.724.250/201218 e 10711.724.251/201262, com os mesmos fatos e penalidade. Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10711.724209/201241 Acórdão n.º 3201002.523 S3C2T1 Fl. 114 5 Vencido no voto de diligência, para que fossem juntadas aos autos cópias dos mencionados processos e fosse verificada a possibilidade da duplicidade da pena, conforme Resolução por mim proposta na sessão de Janeiro deste ano, é certo que devo proceder à análise do mérito desta lide. Em que pese existir precedente favorável à situação do contribuinte, como o encontrado no Acórdão 3102001.988 deste Conselho, que determinou que a multa regulamentar sancionadora da infração por omissão ou atraso na prestação de informação sobre a carga transportada por empresa de transporte internacional de carga deve ser aplicada uma única vez por viagem do veículo transportador e não por cada manifesto de carga da mesma viagem, como fora consignado na autuação, não houve comprovação da existência de duplicidade ou do bis in idem, tampouco argumentos capazes de prejudicar o lançamento fiscal ou contradizer os argumentos utilizados pela turma de origem que afirmou " que as multas aplicadas foram decorrentes de condutas similares, porém, relativas a fatos distintos". Mas cópias dos Autos de Infração, um demonstrativo analítico, com os registros relativos às operações tratadas em cada processo apontado no recurso, não foram juntados pelo contribuinte. Esta situação (não juntada de documentos ou provas) diverge do previsto no Art. 16, inciso III e §4º, do inciso V , do Decreto nº 70.235/72, bem como do artigo 373, inciso II, do Código de Processo Civil. Nestes termos, considerando que a Recorrente deixou de comprovar suas alegações, não há como acolher o pedido de nulidade do lançamento suscitado pela contribuinte. Restam prejudicados os demais argumentos do contribuinte, pois todos são decorrentes da alegação de bis in idem, exceto pela alegação de aplicação do princípio da razoabilidade, o que certamente teria valia porque é um princípio constitucional, contudo, está correta a fundamentação legal do lançamento, vigente e aplicável aos fatos narrados. O lançamento capitulou corretamente a multa regulamentar pela não prestação de informação sobre veículo ou carga transportada, ou sobre operações que executar, prevista no artigo 107, inciso IV, alínea "e", do Decreto Lei º 37/66, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei nº 10.833/2003, pelo fato da Recorrente ter prestado informações sobre a desconsolidação da carga fora do preceitos e prazos previstos nos artigo 22 e 50, da Instrução Normativa SRF nº 800/2007. Assim, deve ser aplicada a multa prevista pela letra “e” do inciso IV, art. 107 do Decreto nº 37, isso é, no montante de R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Diante do exposto, votase por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para manter o lançamento em uma só multa no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Voto proferido. (assinatura digital) Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Fl. 116DF CARF MF 6 Fl. 117DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.907542/2009-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Feb 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/04/2006
PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COFINS.
Considerando a comprovação documental da validade do crédito, não pode ser o sujeito passivo deixar de ter atendido o seu pleito creditório negado em virtude de mero equívoco material no preenchimento da documentação fiscal. Aplicação do art. 165 do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário provido. Direito creditório reconhecido.
Numero da decisão: 3401-003.278
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
ROBSON BAYERL - Presidente.
LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (Presidente), Rosaldo Trevisan, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-presidente), Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Rodolfo Tsuboi.
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 30/04/2006 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COFINS. Considerando a comprovação documental da validade do crédito, não pode ser o sujeito passivo deixar de ter atendido o seu pleito creditório negado em virtude de mero equívoco material no preenchimento da documentação fiscal. Aplicação do art. 165 do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário provido. Direito creditório reconhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. ROBSON BAYERL - Presidente. LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (Presidente), Rosaldo Trevisan, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-presidente), Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Rodolfo Tsuboi.
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COFINS. Considerando a comprovação documental da validade do crédito, não pode ser o sujeito passivo deixar de ter atendido o seu pleito creditório negado em virtude de mero equívoco material no preenchimento da documentação fiscal. Aplicação do art. 165 do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário provido. Direito creditório reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. ROBSON BAYERL Presidente. LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (Presidente), Rosaldo Trevisan, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vicepresidente), Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Rodolfo Tsuboi. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 75 42 /2 00 9- 86 Fl. 280DF CARF MF 2 Tratase de PER/Dcomp nº 00901.23674.310807.1.3.047427, apresentada pela contribuinte em 31/08/2007, para a compensação de débitos de tributos federais diversos com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de COFINS apurado no regime não cumulativo recolhido a maior em 15/05/2006, com período de apuração relativo a abril de 2006. Por meio de Despacho Decisório eletrônico, a DRF/ManausAM não reconheceu o credito e não homologou a compensação sob o argumento de que o pagamento localizado nos sistemas da Receita Federal não revelaram a existência de valor disponível para suportar a compensação declarada. Por considerar que o crédito pleiteado teria sido integralmente utilizado para quitar o débito de COFINS da competência de abril/2006, foi emitido despacho decisório eletrônico de fl. 11 pela DRF/Manaus não homologando a compensação objeto deste processo. Inconformada, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade informando que a única razão para a não visualização da validade do crédito seria a divergência de informações entre o DACON e a DCTF, tendo sido esta última retificada para indicar a inexistência de débitos de COFINS no código de receita 2172, conforme DACON originário acostado ao presente processo. Por considerar que não foram trazidas aos autos provas suficientes para comprovar o alegado, e que a DCTF original implicaria confissão de dívida, a DRJ em Belém/PA julgou improcedente a manifestação de inconformidade. A contribuinte apresentou Recurso Voluntário, oportunidade na qual apresentou novos documentos para respaldar a validade do crédito (planilha de composição das receitas, planilha de composição dos créditos, livro razão, balancete e DCTF retificada) invocando, por conseguinte, a aplicação ao caso do princípio da busca da verdade material. Por considerar que existia indício de que a contribuinte teria direito ao crédito, este Conselho resolveu converter o julgamento em diligência conforme Resolução CARF nº 3101.000.246 de fls. 192 a 196 para que a Delegacia de origem apurasse "o valor a recolher da contribuição Cofins com base na escrituração fiscal e contábil, com todos os documentos existentes nos autos, período de apuração de Abril de 2006 e se existe o recolhimento a maior no valor de R$ 29.668,01 recolhido através de DARF em 15/05/2006" (fl. 189) Em cumprimento da diligência foi proferido o Parecer SEORT/DRF/MNS nº 13 no qual a autoridade fiscal da DRF/Manaus indicou com clareza a validade do crédito e a sua suficiência para a liquidação total dos débitos objeto deste processo e dos processos correlatos mencionados acima. A proposição do parecer foi exarada nos seguintes termos: "a) INFORMAR que, após análise da escrituração fiscal e contábil da empresa, bem como a análise das declarações entregues à Receita Federal (DACON e DCTF), o contribuinte, de fato, efetuou pagamento indevido ou a maior no valor de R$ 122.740,39 (cento e vinte e dois mil setecentos e quarenta reais e trinta e nove centavos), de COFINS NãoCumulativa (5856), ocorrido em 15/05/2006, para o período de apuração 04/2006; b) INFORMAR ainda que, após as análises já citadas, é entendimento deste SEORT/DRF/MNS que deva haver a homologação total das Declarações de Compensação nos 00901.23674.310807.1.3.047427, 04885.65173.011107.1.3.04 3727 e 37896.95455.011107.1.3.040736, haja vista a existência do crédito Fl. 281DF CARF MF Processo nº 10283.907542/200986 Acórdão n.º 3401003.278 S3C4T1 Fl. 283 3 indicado como origem da compensação e este ser suficiente para a liquidação total do débito; c) ENCAMINHAR o presente processo à Equipe de Apoio para DAR CIÊNCIA desta decisão à empresa TABATINGA FREE SHOP IMPORTAÇÃO, EXPORTAÇÃO E COMÉRCIO LTDA., CNPJ nº 34.552.042/000157; e d) DEVOLVER o processo no 10283.908109/200968 para a 1a Turma Ordinária, 1a Câmara, da Terceira Seção de Julgamento do CARF, para conclusão do julgamento, conforme determinado no voto da Resolução no 3101000.421; e os processos nos 10283.907542/200986 e 10283.908110/200992 para a 4a Turma Ordinária, 1a Câmara, da Terceira Seção de Julgamento do CARF, para conclusão do julgamento, conforme determinado no voto das Resoluções nos 3401000.246 e 3401000.25" (seleção e grifos nossos, com destaque para a DCOMP objeto deste processo). É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Observase que, após a conversão do processo em diligência, a própria unidade de origem confirmou a validade do crédito aproveitado propugnado pela contribuinte, em seguida à análise da documentação pertinente. Transcrevese, a seguir, trecho do Parecer nº 13/2016: " 16. Observarmos que o contribuinte apresentou 2 (duas) DCTF’s para o período de apuração de 04/2006. Verificamos que na DCTF Original (fls. Vide Tabela) foi informado, equivocadamente, débito apurado de COFINS (5856) no valor de R$ 157.999,39. Há ainda a informação que este débito foi extinto através de pagamento em DARF, pagamento este ocorrido em 15/05/2006. Já na DCTF Retificadora (fls. Vide Tabela), constatase que o valor do débito apurado de COFINS (5856) foi retificado para R$ 35.258,97, estando a DCTF em conformidade com a DACON apresentada. 17. Em consulta realizada no sistema SIEF/Documentos de Arrecadação (fls. Vide Tabela), observase que o contribuinte, de fato, efetuou o recolhimento de DARF, em 15/05/2006, no valor de R$ 157.999,36, para o tributo COFINS, código de receita 5856. 18. Observase ainda na mesma consulta, que há alocação para este pagamento, no valor de R$ 35.258,97, para quitação do débito de COFINS (5856), período de apuração 04/2006, com vencimento em 15/05/2006. O restante do valor, R$ 122.740,39, encontrase disponível. Fl. 282DF CARF MF 4 19. Portanto, com base em análise dos documentos apresentados pelo contribuinte, bem como na análise de sua DACON e DCTF, entendo que, de fato, ocorreu pagamento indevido ou a maior de COFINS (5856), para o período de apuração 04/2006, no valor de R$ 122.740,39, conforme DARF recolhido em 15/05/2006. Entendo também que, apesar da DCTF ter poder de confissão de dívida, não pode ser o contribuinte penalizado por um equívoco no preenchimento da mesma, ainda mais quando apresentou declaração retificadora, tendo sido esta aceita e processada pela Receita Federal. 20. Desta forma, pelo até aqui exposto, entendo que o contribuinte faz jus a Homologação Total das DCOMP’s nos 00901.23674.310807.1.3.047427, 04885.65173.011107.1.3.043727 e 37896.95455.011107.1.3.040736, já que o crédito alegado na referida DCOMP encontrase integralmente disponível" (seleção e grifos nossos). PARECER Nº 12/2016 Processo Administrativo DCOMP 10283907542200986 00901.23674.310807.1.3.047427 10283908110200992 37896.95455.011107.1.3.040736 10283908109200968 04885.65173.011107.1.3.043727 Como bem consignado pela autoridade fiscal, atestada a comprovação documental da validade do crédito, não pode ser o sujeito passivo penalizado pelo simples equívoco no preenchimento da documentação fiscal (no caso, a DCTF) uma vez que o Código Tributário Nacional não dispõe sobre limitação formal para o reconhecimento do direito creditório. Neste ponto, inclusive para que se proveja prestação jurisdicional coesa à contribuinte, uma vez que os diversos processos administrativos que comungam idêntica origem creditícia foram distribuídos para as duas turmas ordinárias desta 4ª Câmara, transcrevese, a seguir, trecho do escorreito voto da Conselheira Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne no Processo nº 10283.907541/200931 e noProcesso nº 10283.908109/2009 68 sob sua relatoria: "Ora, de fato, o art. 165 do Código Tributário Nacional não traz qualquer limite de ordem formal para o reconhecimento do direito creditório do sujeito passivo, devendo ser reconhecido quando comprovada a sua validade material, inclusive no caso de elaboração indevida de qualquer documento relativo ao pagamento: "Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: Fl. 283DF CARF MF Processo nº 10283.907542/200986 Acórdão n.º 3401003.278 S3C4T1 Fl. 284 5 I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento." (grifei) Ademais, restou fartamente demonstrado que o caso se trata, apenas, de simples erro formal de preenchimento da DCTF, atraindo a aplicação do Princípio da Verdade Material, que exige o acolhimento e análise das provas acostadas pelo sujeito passivo. Esse é o entendimento sólido deste E. CARF: “ERRO FORMAL PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL PREVALÊNCIA. Embora a DCTF seja o documento válido para constituir o crédito tributário, se o contribuinte demonstra que as informações nela constantes estão erradas, pois foram por ele prestadas equivocadamente, deve ser observado o princípio da verdade material, afastando quaisquer atos da autoridade fiscal que tenham se baseado em informações equivocadas. Recurso parcialmente provido.” (Acórdão 3302002.208. Sessão de 27/06/2013. Relatora Fabíola Cassiano Keramidas.– grifei). ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/05/2003 a 30/05/2003 COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. INFORMAÇÕES CONSTANTES DA DOCUMENTAÇÃO DE SUPORTE. LIQUIDEZ E CERTEZA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. O direito creditório pleiteado não pode ser vinculado a requisitos meramente formais, nos termos do art. 165 do Código Tributário Nacional. Assim, ainda que a DCTF seja instrumento de confissão de dívida, a comprovação por meio de outros elementos contábeis e fiscais que denotem erro na informação constante da obrigação acessória, acoberta a declaração de compensação, em apreço ao princípio da verdade material. Recurso Voluntário Provido." (Acórdão 3301 002.677. Sessão de 08/12/2015. Relator Luiz Augusto do Couto Chagas grifei) “AUTOS DE INFRAÇÃO. DIVERGÊNCIA ENTRE DCTF E DACON. ARGUIÇÃO DE MERO ERRO MATERIAL PELO SUJEITO PASSIVO NO PREENCHIMENTO DA DACON. COMPROVAÇÃO DA RETENÇÃO PELO RECORRENTE. PREVALÊNCIA DA VERDADE MATERIAL . Restando comprovado pelo sujeito passivo que houve retenções dos tributos indicados em DCTF, e que houve apenas erro material no preenchimento da DACON, a verdade material recomenda sejam acolhidas as provas apresentadas pelo sujeito passivo. Remanescem, todavia, as receitas não comprovadas no processo. Recurso Voluntário parcialmente provido.” (Acórdão 3802 001.071. Sessão de 16/09/2013. Relator Bruno Mauricio Macedo Curi)" (seleção e grifos nossos). Fl. 284DF CARF MF 6 Assim, diante do exposto, voto no sentido de dar provimento integral ao recurso voluntário para reconhecer a integralidade do crédito objeto da DCOMP nº 00901.23674.310807.1.3.047427 e homologar integralmente as compensações nela indicadas, nos termos do Parecer SEORT/DRF/MNS nº 13. É como voto. Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Fl. 285DF CARF MF
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Numero do processo: 11040.721380/2015-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Mar 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2013
DEDUÇÃO DE DESPESAS COM SAÚDE. RECIBOS DE PAGAMENTO. REQUISITOS LEGAIS.
Os recibos de pagamento firmados por profissionais de saúde devem preencher requisitos mínimos legais para sua validade. Documentos que estejam em consonância com a legislação, se prestam para comprovar a regularidade da dedução da base de cálculo do Imposto de Renda sobre a Pessoa Física das despesas médicas efetuadas.
Numero da decisão: 2201-003.410
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao Recurso Voluntário.
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente
Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA (Presidente), ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, DIONE JESABEL WASILEWSKI, MARCELO MILTON DA SILVA RISSO, CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO, DANIEL MELO MENDES BEZERRA e RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM.
Nome do relator: DANIEL MELO MENDES BEZERRA
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RECIBOS DE PAGAMENTO. REQUISITOS LEGAIS. Os recibos de pagamento firmados por profissionais de saúde devem preencher requisitos mínimos legais para sua validade. Documentos que estejam em consonância com a legislação, se prestam para comprovar a regularidade da dedução da base de cálculo do Imposto de Renda sobre a Pessoa Física das despesas médicas efetuadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao Recurso Voluntário. Carlos Henrique de Oliveira Presidente Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA (Presidente), ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, DIONE JESABEL WASILEWSKI, MARCELO MILTON DA SILVA RISSO, CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO, DANIEL MELO MENDES BEZERRA e RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 04 0. 72 13 80 /2 01 5- 54 Fl. 83DF CARF MF Processo nº 11040.721380/201554 Acórdão n.º 2201003.410 S2C2T1 Fl. 84 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto contra a decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação da contribuinte ofertada em face da lavratura de Notificação de Lançamento de IRPF, que é objeto do presente processo. Os aspectos principais do lançamento estão delineados no relatório da decisão de primeira instância, nos seguintes termos: Contra a contribuinte acima identificada foi emitida a notificação de lançamento de fls. 14/19, relativa ao imposto sobre a renda das pessoas físicas, anocalendário 2012, por meio da qual se apurou a dedução indevida de despesas médicas, no valor de R$ 5.598,60, declaradas como pagas a Unimed Porto Alegre Cooperativa Médica Ltda., CNPJ n° 87.096.616/000196. A fiscalização esclarece que, conforme Declaração de Serviços Médicos – DMED transmitida pela beneficiária dos pagamentos, o ônus da despesa com o plano de saúde foi de Patrícia Fuhro Vilas Boas, CPF n° 507.638.73004, e que a contribuinte não comprovou a transferência de recursos, nem a entidade familiar. Cientificada do lançamento em 26/05/2015 (fl. 21), a contribuinte apresentou, em 24/06/2015, a impugnação de fl. 3, na qual alega que o valor glosado se refere a despesas dela própria, conforme documentos que anexa. A DRJ julgou improcedente a impugnação da contribuinte, sob o argumento principal de que o ônus de realizar o pagamento do plano de saúde é de outra pessoa e não da recorrente. Aduziu ainda, que a contribuinte não comprovou o repasse do valor referente ao plano de saúde, como também não demonstrou qualquer relação de parentesco com a responsável financeira pelo plano de assistência médica. Cientificada do acórdão da DRJ em 19/11/2015, a contribuinte apresentou, tempestivamente, Recurso Voluntário em 09/12/2015, alegando, em síntese, que: A responsável financeira pelo plano de saúde é sua enteada, que faz parte do mesmo grupo familiar no plano médico com o objetivo de obter os melhores serviços com baixo custo, tendo em vista que a titular do plano é médica cooperada da UNIMED. Juntou os comprovantes das transferências bancárias referentes ao pagamento do plano de assistência médica da contribuinte e de seu marido. Requer, por fim, que as novas informações sejam acolhidas e suficientes para comprovar o seu direito à dedução, consequentemente reformando a decisão de primeira instância. Voto Daniel Melo Mendes Bezerra, Conselheiro Relator Admissibilidade Como relatado, o Recurso Voluntário é tempestivo. Ademais, preenche os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Fl. 84DF CARF MF Processo nº 11040.721380/201554 Acórdão n.º 2201003.410 S2C2T1 Fl. 85 3 Produção de prova documental na fase recursal Com relação à apresentação de provas o Decreto nº 70.235/1972 dispõe em seu art.16: Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993). IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993). V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005). § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993). § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993). § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993.) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997). a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; ( Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente ;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (grifei) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das Fl. 85DF CARF MF Processo nº 11040.721380/201554 Acórdão n.º 2201003.410 S2C2T1 Fl. 86 4 condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997). Como se vê, o § 4º, “c” do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972 autoriza a apresentação de provas novas quando utilizadas para contrapor razões posteriormente trazidas aos autos, no caso os argumentos utilizados no acórdão da primeira instância. Dedução de despesas médicas A lide gira em torno da falta de documentos que comprove o ônus do pagamento do plano de saúde por parte da contribuinte. Em sede de razões recursais, a recorrente apresentou provas complementares, cabendo a esta turma valorálos e julgálos como suficientes ou não para comprovar a veracidade dos argumentos expendidos. Sobre as provas para a dedução de despesas médicas, preceitua o artigo 80, §1º, III do Decreto 3.000/99: Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. § 1º O disposto neste artigo I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento;(grifei). Ainda sobre as provas para dedução, prevê o artigo 73 do Decreto 3.000/99: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora. (grifei) Fl. 86DF CARF MF Processo nº 11040.721380/201554 Acórdão n.º 2201003.410 S2C2T1 Fl. 87 5 Os documentos apresentados às fls. 65/77 cumprem os requisitos exigidos na legislação acima colacionada, sendo suficientes para a comprovação do alegado pela recorrente. Cumpre salientar, ainda, que, o montante deduzido a título de despesa médica equivale a aproximadamente 6% (seis por cento) dos rendimentos tributáveis da contribuinte, valor plausível e que quando analisados em conjunto com os documentos apresentados, se harmonizam e não deixa a menor dúvida quanto à regularidade da dedução. Conclusão Diante de todo o exposto, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário. Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Fl. 87DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.900017/2012-78
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 15/01/2003
BASE DE CÁLCULO PIS/PASEP E COFINS. EXCLUSÃO DO ICMS SOBRE VENDAS DEVIDO NA CONDIÇÃO DE CONTRIBUINTE. IMPOSSIBILIDADE.
A parcela relativa ao ICMS, devido sobre operações de venda na condição de contribuinte, inclui-se na base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3302-003.558
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a Conselheira Lenisa Rodrigues Prado, que dava provimento.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède e Lenisa Rodrigues Prado.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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BASE DE CÁLCULO. ICMS. Recorrente BEBIDAS NOVA GERAÇÃO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 15/01/2003 BASE DE CÁLCULO PIS/PASEP E COFINS. EXCLUSÃO DO ICMS SOBRE VENDAS DEVIDO NA CONDIÇÃO DE CONTRIBUINTE. IMPOSSIBILIDADE. A parcela relativa ao ICMS, devido sobre operações de venda na condição de contribuinte, incluise na base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a Conselheira Lenisa Rodrigues Prado, que dava provimento. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède e Lenisa Rodrigues Prado. Relatório Tratase de Pedido de Restituição cujo direito creditório é oriundo de recolhimento informado como indevido ou a maior que o devido a título de Cofins, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 90 00 17 /2 01 2- 78 Fl. 47DF CARF MF Processo nº 10980.900017/201278 Acórdão n.º 3302003.558 S3C3T2 Fl. 3 2 A Delegacia da Receita Federal de jurisdição do contribuinte emitiu despacho decisório eletrônico indeferindo a restituição pleiteada, sob o argumento de que o pagamento foi utilizado na quitação integral de débito(s) do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Após ser intimada, a Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade que foi julgada improcedente por intermédio do Acórdão 06045.784. Em síntese, entendeu a DRJ que não existe previsão legal para excluir o ICMS da base de cálculo das contribuições, do que resultou mantido o indeferimento do pleito de restituição. Inconformada, a Recorrente interpôs recurso voluntário pugnando pelo reconhecimento de seu direito creditório. O principal argumento da defesa é o de que o ICMS não pode ser considerado como faturamento da empresa, não podendo, desta forma, compor a base de cálculo das contribuições. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.520, de 26 de janeiro de 2017, proferido no julgamento do processo 10875.906543/201249, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão, na parte aplicável ao presente caso (Acórdão 3302003.520): "O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. No que tange à exclusão do ICMS devido nas operações de venda, na condição de contribuinte, o §2º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998 estabeleceu as hipóteses de exclusão da base de cálculo das contribuições, à época dos fatos: § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; II as reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, Fl. 48DF CARF MF Processo nº 10980.900017/201278 Acórdão n.º 3302003.558 S3C3T2 Fl. 4 3 que tenham sido computados como receita; (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) III os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo; (Vide Medida Provisória nº 1.99118, de 2000) (Revogado pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) IV a receita decorrente da venda de bens do ativo permanente. Verificase no inciso I, que o ICMS incidente nas operações na condição de contribuinte (próprio) não foi elencado como parcela a ser excluída da base de cálculo. Juridicamente e contabilmente, o ICMS compõe a receita de venda e consiste em redutor da receita bruta. A legislação, ao longo do tempo, dispôs sobre a receita bruta, sempre indicando que os impostos incidentes sobre a venda a compunham. Assim, citamse o artigo 12 do Decretolei nº 1.598/1977, o artigo 187 da Lei nº 6.404, o artigo 31 da Lei nº 8.981/1995, bem como a IN SRF nº 51/1978: Decretolei nº 1.598/1977: Art 12 A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria e o preço dos serviços prestados. Art. 12. A receita bruta compreende: (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) I o produto da venda de bens nas operações de conta própria; (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) II o preço da prestação de serviços em geral; (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) III o resultado auferido nas operações de conta alheia; e (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) IV as receitas da atividade ou objeto principal da pessoa jurídica não compreendidas nos incisos I a III. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) § 1º A receita líquida de vendas e serviços será a receita bruta diminuída das vendas canceladas, dos descontos concedidos incondicionalmente e dos impostos incidentes sobre vendas. § 1o A receita líquida será a receita bruta diminuída de: (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) I devoluções e vendas canceladas; (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) II descontos concedidos incondicionalmente; (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) III tributos sobre ela incidentes; e (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) IV valores decorrentes do ajuste a valor presente, de que trata o inciso VIII do caput do art. 183 da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976, das operações vinculadas à receita bruta. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) Lei nº 6.404/1976: Art. 187. A demonstração do resultado do exercício discriminará: I a receita bruta das vendas e serviços, as deduções das vendas, os abatimentos e os impostos; Fl. 49DF CARF MF Processo nº 10980.900017/201278 Acórdão n.º 3302003.558 S3C3T2 Fl. 5 4 II a receita líquida das vendas e serviços, o custo das mercadorias e serviços vendidos e o lucro bruto; IN SRF nº 51/1978: 1. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens, nas operações de conta própria, e o preço dos serviços prestados (artigo 12 do Decretolei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977). 2. Na receita bruta não se incluem os impostos nãocumulativos cobrados do comprador ou contratante impostos nãocumulativos cobrados do comprador ou contratante (imposto sobre produtos industrializados e imposto único sobre minerais do País) e do qual o vendedor dos bens ou prestador dos serviços seja mero depositário. Imposto não cumulativo é aquele em que se abate, em cada operação, o montante de imposto cobrado nas anteriores. 3. Igualmente não se computam no custo de aquisição das mercadorias para revenda e das matériasprimas os impostos mencionados no item anterior, que devam ser recuperados. 4. A receita líquida de vendas e serviços é a receita bruta da vendas e serviços, diminuídas (a) das vendas canceladas, (b) dos descontos e abatimentos concedidos incondicionalmente e (c) dos impostos incidentes sobre as vendas. 4.1 Vendas canceladas correspondentes a anulação de valores registrados como receita bruta de vendas e serviços; eventuais perdas ou ganhos decorrentes de cancelamento de venda, ou de rescisão contratual, não devem afetar a receita líquida de vendas e serviços, mas serão computados nos resultados operacionais. 4.2 Descontos incondicionais são parcelas redutoras do preço de vendas, quando constarem da nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços e não dependerem de evento posterior à emissão desses documentos. 4.3 Para os efeitos desta Instrução Normativa reputamse incidentes sobre as vendas os impostos que guardam proporcionalmente com o preço da venda ou dos serviços, mesmo que o respectivo montante integra a base de cálculo, tais como o imposto de circulação de mercadorias, o imposto sobre serviços de qualquer natureza, o imposto de exportação, o imposto único sobre energia elétrica, o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes etc. Neste sentido o STJ publicou as súmulas 69 e 94, cujos enunciados dispõem: Súmula n. 68 : "A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS". Súmula n. 94: "A parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do FINSOCIAL". É de se concluir que a legislação inclui o ICMS incidente sobre as vendas no conceito de receita bruta, excluindoo apenas do conceito de receita líquida. Sobre o tema, há decisões recentes do STJ entendendo pela inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições, como o AgRg no REsp 1576424 / RS, de 10/03/2016, cuja ementa transcrevese: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SUBSTITUTIVA. ARTS. 7º e 8º DA LEI Nº 12.546/2011. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. INCLUSÃO DO ICMS. POSSIBILIDADE. APLICAÇÃO, MUTATIS Fl. 50DF CARF MF Processo nº 10980.900017/201278 Acórdão n.º 3302003.558 S3C3T2 Fl. 6 5 MUTANDIS, DA ORIENTAÇÃO FIRMADA NO RESP Nº 1.330.737/SP, REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA RELATIVA À INCLUSÃO DO ISSQN NA BASE DE CÁLCULO DO PIS/PASEP E DA COFINS NA SISTEMÁTICA NÃOCUMULATIVA. 1. A possibilidade de inclusão, na receita bruta, de parcela relativa a tributo recolhido a título próprio foi pacificada, por maioria, pela Primeira Seção desta Corte em 10.6.2015, quando da conclusão do julgamento do recurso representativo da controvérsia REsp nº 1.330.737/SP, de relatoria do Ministro Og Fernandes, ocasião em que se concluiu que o ISSQN integra o conceito maior de receita bruta, base de cálculo do PIS/Pasep e da COFINS. 2. As razões que fundamentam o supracitado recurso especial representativo de controvérsia se aplicam, mutatis mutandis, à inclusão das parcelas relativas ao ICMS na base de cálculo da contribuição substitutiva prevista nos arts. 7º e 8º da Lei nº 12.546/2011. Precedente: REsp nº 1.528.604, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 17.9.2015. 3. A contribuição substitutiva prevista nos arts. 7º e 8º da Lei nº 12.546/2011, da mesma forma que as contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS na sistemática não cumulativa previstas nas Leis n.s 10.637/2002 e 10.833/2003, adotou conceito amplo de receita bruta, o que afasta a aplicação ao caso em tela do precedente firmado no RE n. 240.785/MG (STF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 08.10.2014), eis que o referido julgado da Suprema Corte tratou das contribuições ao PIS/Pasep e COFINS regidas pela Lei n. 9.718/98, sob a sistemática cumulativa que adotou, à época, um conceito restrito de faturamento. Precedente. 4. Agravo regimental não provido. Ressaltase que a inclusão do ISS na base de cálculo das contribuições foi considerada legítima e julgada sob a sistemática de recursos repetitivos no REsp 1.330.737/SP, em 10/06/2015, que possuiu a seguinte ementa: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C DO CPC E RESOLUÇÃO STJ N. 8/2008. PRESTADOR DE SERVIÇO. PIS E COFINS. INCLUSÃO DO ISSQN NO CONCEITO DE RECEITA OU FATURAMENTO. POSSIBILIDADE. INEXISTÊNCIA DE VIOLAÇÃO DOS ARTS. 109 E 110 DO CTN. 1. Para efeitos de aplicação do disposto no art. 543C do CPC, e levando em consideração o entendimento consolidado por esta Corte Superior de Justiça, firmase compreensão no sentido de que o valor suportado pelo beneficiário do serviço, nele incluindo a quantia referente ao ISSQN, compõe o conceito de receita ou faturamento para fins de adequação à hipótese de incidência do PIS e da COFINS. 2. A orientação das Turmas que compõem a Primeira Seção deste Tribunal Superior consolidouse no sentido de que "o valor do ISSQN integra o conceito de receita bruta, assim entendida como a totalidade das receitas auferidas com o exercício da atividade econômica, de modo que não pode ser dedutível da base de cálculo do PIS e da COFINS" (REsp 1.145.611/PR, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 8/9/2010; AgRg no REsp 1.197.712/RJ, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 9/6/2011; AgRg nos EDcl no REsp 1.218.448/RS, Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, Primeira Turma, DJe 24/8/2011; AgRg no AREsp 157.345/SE, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 2/8/2012; AgRg no AREsp 166.149/CE, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, julgado em 28/08/2012, DJe 4/9/2012; EDcl no AgRg no Fl. 51DF CARF MF Processo nº 10980.900017/201278 Acórdão n.º 3302003.558 S3C3T2 Fl. 7 6 REsp 1.233.741/PR, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 7/3/2013, DJe 18/3/2013; AgRg no AREsp 75.356/SC, Rel. Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, julgado em 15/10/2013, DJe 21/10/2013). 3. Nas atividades de prestação de serviço, o conceito de receita e faturamento para fins de incidência do PIS e da COFINS deve levar em consideração o valor auferido pelo prestador do serviço, ou seja, valor desembolsado pelo beneficiário da prestação; e não o fato de o prestador do serviço utilizar parte do valor recebido pela prestação do serviço para pagar o ISSQN Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza. Isso por uma razão muito simples: o consumidor (beneficiário do serviço) não é contribuinte do ISSQN. 4. O fato de constar em nota fiscal informação no sentido de que o valor com o qual arcará o destinatário do serviço compreende quantia correspondente ao valor do ISSQN não torna o consumidor contribuinte desse tributo a ponto de se acolher a principal alegação das recorrentes, qual seja, de que o ISSQN não constituiu receita porque, em tese, diz respeito apenas a uma importância que não lhe pertence (e sim ao município competente), mas que transita em sua contabilidade sem representar, entretanto, acréscimo patrimonial. 5. Admitir essa tese seria o mesmo que considerar o consumidor como sujeito passivo de direito do tributo (contribuinte de direito) e a sociedade empresária, por sua vez, apenas uma simples espécie de "substituto tributário", cuja responsabilidade consistiria unicamente em recolher aos cofres públicos a exação devida por terceiro, no caso o consumidor. Não é isso que se tem sob o ponto de vista jurídico, pois o consumidor não é contribuinte (sujeito passivo de direito da relação jurídicotributária). 6. O consumidor acaba suportando o valor do tributo em razão de uma política do sistema tributário nacional que permite a repercussão do ônus tributário ao beneficiário do serviço, e não porque aquele (consumidor) figura no polo passivo da relação jurídicotributária como sujeito passivo de direito. 7. A hipótese dos autos não se confunde com aquela em que se tem a chamada responsabilidade tributária por substituição, em que determinada entidade, por força de lei, figura no polo passivo de uma relação jurídico tributária obrigacional, cuja prestação (o dever) consiste em reter o tributo devido pelo substituído para, posteriormente, repassar a quantia correspondente aos cofres públicos. Se fosse essa a hipótese (substituição tributária), é certo que a quantia recebida pelo contribuinte do PIS e da COFINS a título de ISSQN não integraria o conceito de faturamento. No mesmo sentido se o ônus referente ao ISSQN não fosse transferido ao consumidor do serviço. Nesse caso, não haveria dúvida de que o valor referente ao ISSQN não corresponderia a receita ou faturamento, já que faticamente suportado pelo contribuinte de direito, qual seja, o prestador do serviço. 8. Inexistência, portanto, de ofensa aos arts. 109 e 110 do CTN, na medida em que a consideração do valor correspondente ao ISSQN na base de cálculo do PIS e da COFINS não desnatura a definição de receita ou faturamento para fins de incidência de referidas contribuições. 9. Recurso especial a que se nega provimento. De fato, as mesmas razões utilizadas no repetitivo acima são aplicáveis na análise da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins, o que restou Fl. 52DF CARF MF Processo nº 10980.900017/201278 Acórdão n.º 3302003.558 S3C3T2 Fl. 8 7 configurado no julgamento do REsp nº 1.144.469, em 10/08/2016, sob a sistemática de recursos repetitivos, embora não possa ser aplicado pelo artigo 62 do RICARF, pois que ainda não transitado em julgado. A certidão deste julgamento constante no site do Superior Tribunal de Justiça traz o seguinte teor: AUTUAÇÃO RECORRENTE : FAZENDA NACIONAL ADVOGADO : PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL RECORRENTE: HUBNER COMPONENTES E SISTEMAS AUTOMOTIVOS LTDA ADVOGADOS: ANETE MAIR MACIEL MEDEIROS HENRIQUE GAEDE E OUTRO(S) RECORRIDO : OS MESMOS ASSUNTO: DIREITO TRIBUTÁRIO Crédito Tributário Base de Cálculo CERTIDÃO Certifico que a egrégia PRIMEIRA SEÇÃO, ao apreciar o processo em epígrafe na sessão realizada nesta data, proferiu a seguinte decisão: "Prosseguindo no julgamento, a Seção, por unanimidade, deu provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional e, por maioria, vencidos os Srs. Ministros Relator e Regina Helena Costa, negou provimento ao recurso especial da empresa recorrente, nos termos do voto do Sr. Ministro Mauro Campbell Marques, que lavrará o acórdão." Votaram com o Sr. Ministro Mauro Campbell Marques os Srs. Ministros Benedito Gonçalves, Assusete Magalhães, Sérgio Kukina, Gurgel de Faria, Diva Malerbi (Desembargadora convocada do TRF da 3a. Região) e Humberto Martins. Quanto à jurisprudência do STF, não obstante o RE 240.785 ter sido julgado favorável à tese defendida pela recorrente, não há, ainda, posicionamento definitivo no STF, uma vez que o RE 574.906 RG/PR, sob repercussão geral, ainda não foi julgado. Assim, enquanto não julgado o recurso extraordinário sob repercussão geral, devese prestigiar a legislação vigente que considera o ICMS das operações próprias como componente do preço de venda. Neste mesmo sentido, é a posição pacífica deste Conselho, como decidido no Acórdão nº 9303003549, de 17/03/2016, cuja ementa transcrevese: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 Cofins. Base de Cálculo. Exclusão ICMS. Por se tratar de imposto próprio, que não comporta a transferência do encargo, a parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo das contribuições ao PIS e à COFINS. Precedentes do STJ (Súmulas n°s 68 e 94). Às autoridades administrativas e tribunais que não dispõem de função legislativa não podem conceder, ainda que sob fundamento de isonomia, benefícios de exclusão da base de cálculo do crédito tributário em favor daqueles a quem o legislador não contemplou com a vantagem A mesma conclusão se estende à Contribuição ao PIS. (...) Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10980.900017/201278 Acórdão n.º 3302003.558 S3C3T2 Fl. 9 8 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Fl. 54DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13896.910987/2011-48
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Apr 20 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3402-000.932
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Antônio Carlos Atulim - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (“DRJ”) de Fortaleza/CE que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Contribuinte, a qual pretendeu a reforma do despacho decisório que, por sua vez, indeferiu a homologação da compensação de créditos da Contribuição ao Programa de Integração Social (“PIS”) com outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil. Por bem consolidar os fatos ocorridos até a decisão da DRJ, colaciono o relatório do acórdão recorrido in verbis: Consta no referido Despacho Decisório o seguinte motivo para indeferimento do Pedido: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 96 .9 10 98 7/ 20 11 -4 8 Fl. 97DF CARF MF Processo nº 13896.910987/201148 Resolução nº 3402000.932 S3C4T2 Fl. 112 2 Contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. ... De acordo com a Defesa, as operações que destinem mercadorias à Zona Franca de Manaus – ZFM se equiparam, para todos os efeitos fiscais, a uma exportação para o exterior, conforme disposto no art. 4º da Decretolei nº 288/1967. O disposto no referido artigo foi recepcionado pelo art. 40 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias – ADCT, que garante a manutenção do referido benefício por prazo determinado. No entanto, o § 2º, inciso I, do art. 14 da Medida Provisória nº 1.858/1999, posteriormente reeditada pela Medida Provisória nº 2.037/2000, excluiu da isenção das receitas de exportação das Contribuições PIS/COFINS, as vendas efetuadas a Empresas instaladas na Zona Franca de Manaus. Ocorre que o Plenário do Supremo Tribunal Federal, no julgamento de Medida Cautelar na Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 2.348, em 07/12/2000, por unanimidade, concedeu a liminar pleiteada, para “suspender a eficácia do artigo 51 da Medida Provisória nº 2.03724, de 23 de Novembro de 2000, relativamente ao inciso I do § 2º do artigo 14 quanto à expressão ‘na Zona Franca de Manaus’ ”. Assim, tendo em vista a suspensão da eficácia do disposto no art. 14, § 2º, inciso I, quanto às Empresas instaladas na Zona Franca de Manaus, entende o Manifestante que restou assegurada a isenção das Contribuições PIS/COFINS sobre a receita de vendas efetuadas à Empresa estabelecida na citada região. Com efeito, nos termos do art. 165 do Código Tributário Nacional, deve ser reconhecido o direito à restituição dos valores indevidamente recolhidos pelo Manifestante. Sobreveio então o Acórdão 0831.129, da 3ª Turma da FOR/CE, negando provimento à manifestação de inconformidade da Contribuinte, cuja ementa foi lavrada nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2000 Ementa: PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. Mantémse o Despacho Decisório de não homologação da compensação, quando a Defesa não comprova a certeza e liquidez do crédito pretendido. Irresignada, a Contribuinte apresentou Recurso Voluntário a este Conselho repisando os argumentos trazidos em sede de manifestação de inconformidade, bem como apresentando notas fiscais por amostragem que dizem respeito às vendas à Zona Franca de Manaus, o que, no seu entender, suprimiria o problema da falta de prova Fl. 98DF CARF MF Processo nº 13896.910987/201148 Resolução nº 3402000.932 S3C4T2 Fl. 113 3 É o relatório Voto Conselheiro Antônio Carlos Atulim, relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3402000.905, de 28 de março de 2017, proferida no julgamento do processo 13896.910963/201199, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3402000.905: "Como se depreende do relato acima, o pedido de restituição da Recorrente fundase na alegação de ter tributado indevidamente a Contribuição ao PIS sobre receitas de vendas de produtos à estabelecimentos localizados na Zona Franca de Manaus, sendo que tais receitas seriam isentas pela legislação federal, uma vez que foram equiparadas às exportações (artigo 4º do Decreto lei nº 288/1967). Tal direito ao indébito, em tese, foi reconhecido pelo julgamento da DRJ, que somente não conferiu o direito em concreto por falta de provas a certeza e liquidez do crédito pretendido. Para suprir tal falta, a Recorrente trouxe em seu recurso voluntário cópias de notas fiscais de vendas, do período em questão, de bens para empresas localizadas na Zona Franca de Manaus. Tais provas, apesar de induzirem à conclusão do direito ao crédito, não lhe confere certeza e liquidez, de modo que não foi completamente suprido o ônus da prova da Recorrente, nos moldes do artigo 373 do Código de Processo Civil, uma vez que se trata de pedido de restituição de indébito, de sua iniciativa. Assim é que tem decidido esse Colegiado, conforme se depreende do conteúdo do Acórdão 3402002.881. 1 Pelos os motivos acima expostos, justifico a necessidade de conversão do presente processo em diligência, como requer o artigo 18 caput do Decreto 70.235/72 (PAF), para o arremate do convencimento deste Colegiado sobre os fatos em discussão. Para tanto, devem ser tomadas as seguintes providências pela Repartição Fiscal de origem: i) analisar os documentos adequados para a verificação do crédito, quais sejam: o Demonstrativo de Apuração da Contribuição ao PIS, cópias das folhas dos livros fiscais (Registro de Saídas e de Apuração 1 Nas palavras do Conselheiro Relator do caso, Antonio Carlos Atulim: “É certo que a distribuição do ônus da prova no âmbito do processo administrativo deve ser efetuada levandose em conta a iniciativa do processo. Em processos de repetição de indébito ou de ressarcimento, onde a iniciativa do pedido cabe ao contribuinte, é óbvio que o ônus de provar o direito de crédito oposto à Administração cabe ao contribuinte. Já nos processos que versam sobre a determinação e exigência de créditos tributários (autos de infração), tratandose de processos de iniciativa do fisco, o ônus da prova dos fatos jurígenos da pretensão fazendária cabe à fiscalização (art. 142 do CTN e art. 9º do PAF). Assim, realmente andou mal a turma de julgamento da DRJ, pois o ônus da prova incumbe a quem alega o fato probando. Se a fiscalização não provar os fatos alegados, a consequência jurídica disso será a improcedência do lançamento em relação ao que não tiver sido provado e não a sua nulidade." Fl. 99DF CARF MF Processo nº 13896.910987/201148 Resolução nº 3402000.932 S3C4T2 Fl. 114 4 do ICMS ou do IPI) e contábeis (Razão) do respectivo período de apuração do crédito pleiteado, notas fiscais, entre outros; ii) elaborar relatório conclusivo a respeito do crédito pleiteado; iii) dar ciência do Relatório à Recorrente, abrindolhe prazo regulamentar para manifestação; e iv) devolver o processo para esta 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, 3ª Seção do CARF, para prosseguimento do julgamento. Importante registrar que os documentos apresentados pelo contribuinte no paradigma são os mesmos que instruem o presente processo, de tal sorte que os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso daquele também se justificam neste. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, determino a conversão do autos em diligência para que a Repartição Fiscal de origem adote as seguintes providências: i) analisar os documentos adequados para a verificação do crédito, quais sejam: o Demonstrativo de Apuração da Contribuição ao PIS/COFINS, cópias das folhas dos livros fiscais (Registro de Saídas e de Apuração do ICMS ou do IPI) e contábeis (Razão) do respectivo período de apuração do crédito pleiteado, notas fiscais, entre outros; ii) elaborar relatório conclusivo a respeito do crédito pleiteado; iii) dar ciência do Relatório à Recorrente, abrindolhe prazo regulamentar para manifestação; e iv) devolver o processo para esta 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, 3ª Seção do CARF, para prosseguimento do julgamento. (Assinado com certificado digital) Antônio Carlos Atulim Fl. 100DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10280.904435/2011-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Mar 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 09/04/1999
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO DIREITO CREDITÓRIO.
Comprovada a liquidez e certeza do direito creditório, reconhece-se o pedido de restituição efetuado pelo contribuinte, nos termos do artigo 165 do CTN.
Recurso Voluntário Provido.
Direito Creditório Reconhecido.
Numero da decisão: 3302-003.525
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa
Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède
Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 09/04/1999 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO DIREITO CREDITÓRIO. Comprovada a liquidez e certeza do direito creditório, reconhece-se o pedido de restituição efetuado pelo contribuinte, nos termos do artigo 165 do CTN. Recurso Voluntário Provido. Direito Creditório Reconhecido.
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COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO DIREITO CREDITÓRIO. Comprovada a liquidez e certeza do direito creditório, reconhecese o pedido de restituição efetuado pelo contribuinte, nos termos do artigo 165 do CTN. Recurso Voluntário Provido. Direito Creditório Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 90 44 35 /2 01 1- 41 Fl. 312DF CARF MF Processo nº 10280.904435/201141 Acórdão n.º 3302003.525 S3C3T2 Fl. 312 2 Relatório Trata o presente de pedido de restituição PER nº 04556.58955.150906.1.6.049013, transmitido em 15/09/2006, relativo a recolhimento indevido ou a maior de Cofins, no valor de R$ 1.947,78. Por bem resumir a situação fática, transcrevese o relatório do Acórdão da DRJ: "A DRF de São José do Rio Preto (SP), por meio do despacho decisório de fl. 5, indeferiu o pedido, em função de não ter sido encontrado o DARF indicado no PER/DCOMP. Cientificada, a contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade fls. 7/14, requerendo, preliminarmente, a reunião do presente processo a outros por ela relacionados, que tratam da mesma matéria e tem os mesmos fundamentos. Para tanto, baseouse no princípio da economia processual, na posição da doutrina, no Código de Processo Civil e precedente do antigo Conselho de Contribuintes. Alegou ter cometido erro na informação dos dados do DARF, fazendo constar equivocadamente a data de arrecadação de 16/04/1999, quando o correto seria 09/04/1999. Argumentou que, não obstante o erro cometido, faz jus à restituição do recolhimento indevido, por se tratar de erro material escusável. Discorreu sobre o erro de fato, transcrevendo jurisprudência administrativa." A Quarta Turma da DRJ em Ribeirão Preto indeferiu a manifestação de inconformidade, mediante o Acórdão nº 1441.252, cuja ementa transcrevese abaixo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/03/1999 REPETIÇÃO DE INDÉBITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, alegando: 1. A necessidade de reunião por conexão de diversos pedidos de restituição de recolhimentos indevidos ou a maior de PIS/Pasep e Cofins, para julgamento em conjunto em um único processo, por se referirem à mesma causa de pedir, ou seja, recolhimento Fl. 313DF CARF MF Processo nº 10280.904435/201141 Acórdão n.º 3302003.525 S3C3T2 Fl. 313 3 indevido com base na declaração de inconstitucionalidade do §1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998; 2. A falta de aprofundamento dos fatos pela autoridade fiscal que elaborou o despacho decisório e a necessidade de busca da verdade material; 3. A efetiva comprovação do indébito, pois que decorrente de recolhimento sobre receitas financeiras incluídas no alargamento declarado inconstitucional, comprovado pela juntada do Livro Razão; 4. A necessidade de conversão em diligência, se os documentos acostados aos autos se revelarem insuficientes para a comprovação do direito creditório. Na sessão de 17/09/2014, a Terceira Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento acolheu o pleito da recorrente de reunião dos processos para que pudessem ser apreciados simultaneamente e converteu o julgamento em diligência para que "possa ser efetivamente apurado e informado, DETALHADAMENTE, o valor do débito e do crédito existentes na data de transmissão dos PER/DCOMPs dos processos retromencionados. Vencida esta etapa deve a autoridade administrativa informar se há o direito creditório alegado pela contribuinte, se o mesmo é suficiente para a extinção do débito existente nessa data." Em cumprimento da resolução requerida, a autoridade fiscal elaborou relatório fiscal, reconhecendo o direito creditório de R$ 1.947,69, tendo retornado a este conselho para prosseguimento do julgamento. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Verificase que o pedido de restituição foi no montante de R$ 1.947,78, ao passo que a informação fiscal em cumprimento da diligencia requerida por este Conselho reconheceu o direito creditório no montante de R$ 1.947,69, decorrentes de recolhimento indevido sobre receitas que compuseram o alargamento de base de cálculo previsto no §1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998, declarado inconstitucional pelo STF. Destarte, voto para dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 314DF CARF MF Processo nº 10280.904435/201141 Acórdão n.º 3302003.525 S3C3T2 Fl. 314 4 Fl. 315DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11128.004302/2006-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu May 04 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 14/07/2004
MULTA PELA NÃO PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE VEÍCULO OU CARGA TRANSPORTADA.
Cabível a multa pela não prestação de informação sobre veiculo ou carga nele transportada, na forma e prazo estabelecidos pela Receita Federal do Brasil.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-002.632
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, a negar provimento ao recurso voluntário.
Winderley Morais Pereira - Presidente.
Cleber Magalhães - Relator.
Também participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Luiz Feistauer de Oliveira; Mércia Helena Trajano Damorim; Cassio Schappo; Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo; Pedro Rinaldi de Oliveira e Tatiana Josefovicz Belisário.
Nome do relator: CLEBER MAGALHAES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, a negar provimento ao recurso voluntário. Winderley Morais Pereira - Presidente. Cleber Magalhães - Relator. Também participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Luiz Feistauer de Oliveira; Mércia Helena Trajano Damorim; Cassio Schappo; Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo; Pedro Rinaldi de Oliveira e Tatiana Josefovicz Belisário.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1492; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11128.004302/200631 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201002.632 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 29 de março de 2017 Matéria MULTA POR ATRASO NA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE VEÍCULO OU CARGA NELE TRANSPORTADA Recorrente ALIANÇA NAVEGAÇÃO E LOGÍSTICA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 14/07/2004 MULTA PELA NÃO PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE VEÍCULO OU CARGA TRANSPORTADA. Cabível a multa pela não prestação de informação sobre veiculo ou carga nele transportada, na forma e prazo estabelecidos pela Receita Federal do Brasil. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, a negar provimento ao recurso voluntário. Winderley Morais Pereira Presidente. Cleber Magalhães Relator. Também participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Luiz Feistauer de Oliveira; Mércia Helena Trajano Damorim; Cassio Schappo; Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo; Pedro Rinaldi de Oliveira e Tatiana Josefovicz Belisário. Relatório Tratase de questionamento a Auto de Infração lavrado em razão de aplicação de multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 43 02 /2 00 6- 31 Fl. 168DF CARF MF 2 prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. A DRJ/São Paulo II assim relatou o processo que lhe foi encaminhado: Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a exigência da multa pela não prestação de informação sobre veículo ou carga nele transportada no prazo estabelecido pela Receita Federal do Brasil, preceituada no art. 107, inciso IV, alínea "e" do Decreto Lei nº 37/66, com a redação dada pelo art. 77 da Lei n° 10.833/03, devido à apuração dos fatos a seguir descritos. Relata a autoridade fiscal que as mercadorias objeto da Declaração Simplificada de Exportação (DSE) n° 2040100390/7 foram desembaraçadas em 05/07/2004 (f1.11) e embarcadas ao amparo do Conhecimento Marítimo 003758535 em 13/07/2004 (f.10). No entanto, a empresa responsável pelo transporte das mercadorias só informou os dados de embarque, conforme extrato do Siscomex (na fl. 11), em 21/01/2005, quando o prazo legal era de 24h após o embarque. Intimada a recolher a multa prevista no inciso IV, alínea "e" combinado com a alínea "c", do art. 107 do DecretoLei n° 37/66, alterado pelo art. 77 da Lei nº 10.833/03 (cópia da Intimação no 130/05EQDEX/ GMAX, na fl. 14), a empresa não atendeu à intimação dentro do prazo determinado. Diante do não atendimento à intimação pelo transportador, foi lavrado o presente auto de infração, formalizando a exigência da multa pela não prestação de informação sobre veículo ou carga nele transportada no prazo estabelecido pela Receita Federal do Brasil, preceituada no art. 107, inciso IV, alínea "e" do DecretoLei n° 37/66, com a redação dada pelo art. 77 da Lei n° 10.833/03, no valor de R$ 5.000,00 (fl.05). Cientificado da lavratura da peça fiscal em 26/07/2006 (fl. 17 verso), o contribuinte, por intermédio de seu procurador (Instrumento de Mandato nas fls. 23/24), protocolizou impugnação, tempestivamente, em 18/08/2006, de fls. 18 a 22, alegando, resumidamente, que: 1) o que se discute é se a impugnante causou ou não embaraço e impedimento à fiscalização, pois essa é a conduta descrita na norma para impor a penalidade; que a autoridade fiscal não aponta qual seria o embaraço ou dificuldade causada à fiscalização em razão do atraso na entrega da DDE; 2) o atraso apontado não quer dizer que a impugnante tenha fiscalização aduaneira; que foi a própria requerente quem comunicou A alfândega o registro da DDE, cuja fiscalização sequer havia reparado a sua falta; 3) a impugnante não deixou de prestar informação sobre o veículo ou carga nele transportada, apenas o fez com atraso, hipótese diferenciada da penalidade estipulada e nela não se encontra tipificada; que a conduta da impugnante não secencontra tipificada na alínea "c" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei n° 37/66, com a redação dada pela Lei n° 10.833/03, portanto, resta descaracterizada a infração; 4) não seria cabível a aplicação de penalidade, pois os dados relativos à DDE objeto do presente processo foram inseridos no Siscomex, antes da lavratura deste auto de infração; que o procedimento fiscalizatório só foi iniciado após o fato ter sido noticiado pela impugnante; sendo assim, a denúncia espontânea da infração Fl. 169DF CARF MF Processo nº 11128.004302/200631 Acórdão n.º 3201002.632 S3C2T1 Fl. 3 3 que sequer existiu, exclui o pagamento de qualquer penalidade, nos exatos temos do art. 138 do CTN; 5) diante do disposto no art. 97 do CTN, constatase que o Sr. Secretário da Receita Federal, ao baixar a Instrução Normativa SRF no 28/94, extrapolou sua competência, na medida que tal ato administrativo, por seu artigo 37, define conduta antijurídica e estabelece a penalidade que seria aplicável a sua prática, o que lhe é vedado pela lei complementar e implica na invalidade de tal dispositivo; como instrução normativa não é lei, a penalidade não pode ser mantida. A 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo II julgou improcedente a impugnação da Contribuinte, conforme Acórdão n° 1733.124, de 06 de julho de 2009. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 14/07/2004 MULTA PELA NÃO PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE VEICULO OU CARGA TRANSPORTADA. Cabível a multa pela não prestação de informação sobre veículo ou carga nele transportada, na forma e prazo estabelecidos pela Receita Federal do Brasil, prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e" do DL no 37/66, com a redação dada pelo art. 77 da Lei n° 10.833/03. No caso, o registro dos dados do embarque marítimo da carga foi efetuado no Siscomex após o prazo de 7 (sete) dias, estabelecido no art. 37 da IN SRF nº28/94, com a redação dada pela IN SRF nº 510/2005. Lançamento Procedente Inconformada com a decisão da, A Recorrente ingressou com Recurso Voluntário nesse Conselho, alegando que: 1. Não foi respeitado o princípio da reserva legal, haja vista que: Somente a LEI — em sentido estrito — equivalente no Brasil à LEI ORDINÁRIA poderia instituir penalidades. No caso, entretanto, a penalidade foi instituída pelo art. 44 da INSTRUÇÃO NORMATIVA N. 28/94, que definiu a conduta praticada pelo Requerente como suscetível de causar embaraço e impedimento fiscalização. Entretanto, como INSTRUÇÃO NORMATIVA não é lei, a penalidade, manifestamente, não pode ser mantida. 2. Ocorreu denúncia espontânea, já que: Ainda que a destempo, as informações foram prestadas pela própria Recorrente antes da lavratura do Auto de Infração em questão. Ou seja; o procedimento fiscalizatório só foi iniciado após o registro das informações no Siscomex. Fl. 170DF CARF MF 4 3. Houve falta de elemento essencial de validade da obrigação acessória. Segundo a Recorrente: Sequer há urn fim especifico e próprio que justificasse a penalidade. Muito pior, falta o elemento essencial da finalidade de estar "no interesse da arrecadação ou fiscalização dos tributos", 'conforme se verifica no § 2°, do art. 113, do CTN. Em julgamento do feito, essa 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara deu provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do Acórdão 3201001.107, na sessão de 23 de outubro de 2012, acatando a aplicação da denúncia espontânea para afastar a exigência da multa. A PGFN, em razão desse acórdão, apresentou Recurso Especial suscitando divergência quanto à exoneração da penalidade em comento por aplicação da denúncia espontânea prevista no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a nova redação dada pela Lei 12.350, de 2010. Em 26 de abril de 2016, a Câmara Superior de Recursos Fiscais, no acórdão 9303 003.805, deu provimento parcial ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, ementando nos seguintes termos: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 14/07/2004 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. Recurso Especial Provido em Parte. E conclui: Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado acima do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF, dáse provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. O p.p., finalmente, foi distribuído a mim. É o relatório. Fl. 171DF CARF MF Processo nº 11128.004302/200631 Acórdão n.º 3201002.632 S3C2T1 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Cleber Magalhães, Relator. O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 1972, razão pela qual deve ser conhecido. Com a decisão da CSRF, de afastar a aplicação da denúncia espontânea ao caso em comento, restam a ser analisadas por essa Turma as alegações de que 1. não foi respeitado o princípio da reserva legal e 2. houve falta de elemento essencial de validade da obrigação acessória. Inicialmente, em relação ao alegado desrespeito ao princípio da reserva legal, verifica se que o caso em tela revelase claramente como uma aplicação da chamada “norma aberta”, ou seja, aquela que depende de previsão normativa posterior. A base legal para a autuação foi a alínea '"e" do inciso IV do artigo 107 do Decretolei 37/66, com redação dada pela Lei 10.833/03, haja vista o descumprimento da obrigação acessória prevista no artigo 37 da IN/SRF 28/94, alterado pelo artigo I da IN/SRF 510/05, in verbis: Decretolei 37/66. Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: IV de RS 5.000.00 (cinco mil reais): (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso porta a porta, ou ao agente de carga, IN/SRF 28/94. Art. 37. O transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes no embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de 7 (sete) dias, contados da data da realização do embarque. (Redação dada pela Instrução Normativa RFB n° 1.096, de 13 de dezembro de 2010). Como facilmente se depreende da leitura do texto legal, a lei ordinária é um caso típico de norma aberta que transfere à regulamentação posterior as hipóteses de sua aplicação. Lá está expresso, literalmente, que a multa será aplicada: “por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal. Fl. 172DF CARF MF 6 A Secretaria da Receita Federal, por sua vez, regulamentou forma e prazo com a edição da IN/SRF 28/94. Assim, o art. 37 da IN/SRF 28/94 tem como base legal o art. 107, IV, do Decretolei 37/66, com redação dada pela Lei 10.833/03. Não pode prosperar, assim, a alegação de falta de reserva legal. Quanto à alegada falta de elemento essencial de validade da obrigação acessória, entendo que há uma pequena confusão em relação ao papel da Receita Federal no comércio internacional e controle de fronteiras. O Regimento Interno da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF Nº 203,de 2012, estabelece que: Art. 1º A Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, órgão específico singular, diretamente subordinado ao Ministro de Estado da Fazenda, tem por finalidade: (Redação dada pelo(a) Portaria MF nº 512, de 02 de outubro de 2013) I planejar, coordenar, supervisionar, executar, controlar e avaliar as atividades de administração tributária federal e aduaneira, inclusive as relativas às contribuições sociais destinadas ao financiamento da seguridade social e às contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, na forma da legislação em vigor; ... III interpretar e aplicar a legislação tributária, aduaneira, de custeio previdenciário e correlata, editando os atos normativos e as instruções necessárias à sua execução; IV estabelecer obrigações tributárias acessórias, inclusive disciplinar a entrega de declarações;... XVII dirigir, supervisionar, orientar, coordenar e executar os serviços de administração, fiscalização e controle aduaneiros, inclusive no que diz respeito a alfandegamento de áreas e recintos; XVIII dirigir, supervisionar, orientar, coordenar e executar o controle do valor aduaneiro e de preços de transferência de mercadorias importadas ou exportadas, ressalvadas as competências do Comitê Brasileiro de Nomenclatura; XIX dirigir, supervisionar, orientar, coordenar e executar as atividades relacionadas com nomenclatura, classificação fiscal e econômica e origem de mercadorias, inclusive representando o País em reuniões internacionais sobre a matéria; XX planejar, coordenar e realizar as atividades de repressão ao contrabando, ao descaminho, à contrafação e pirataria e ao tráfico ilícito de entorpecentes e de drogas afins, e à lavagem e ocultação de bens, direitos e valores, observada a competência específica de outros órgãos; XXI administrar, controlar, avaliar e normatizar o Sistema Integrado de Comércio Exterior SISCOMEX, ressalvadas as competências de outros órgãos; Fl. 173DF CARF MF Processo nº 11128.004302/200631 Acórdão n.º 3201002.632 S3C2T1 Fl. 5 7 Na aduana, como bem podemos ver na importância que se dá ao assunto no Regimento Interno da RFB, é fundamental o controle administrativo da entrada e saída de mercadorias do país. Tão ou mais importante que o caráter arrecadatório da atuação do fisco em relação ao comércio exterior está sua responsabilidade no controle das fronteiras, com o objetivo de proteger a economia e a sociedade nacionais. Em seu Recurso Voluntário (fls. 59 a 62), a Recorrente alega que “falta o elemento essencial da finalidade de estar ‘no interesse da arrecadação ou fiscalização dos tributos’ (...) Isto porque eventual descumprimento de prestar informações no prazo estipulado, não gera qualquer efeito no âmbito arrecadatório ou fiscalizatório de tributos”. Entretanto, o controle administrativo da saída de mercadorias do país é de fundamental importância para a fiscalização do comércio internacional. A multa regulamentar administrativa, imposta ao Recorrente no caso em comento, possibilita ao fisco acesso célere às informações necessárias à correta fiscalização das mercadorias saídas do país. Se a autoridade fiscal não tem acesso aos dados do embarque em tempo hábil, a fiscalização de mercadorias embarcadas para o exterior pode ser muito prejudicada ou até se tornar impossível. Diante de todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, mantendo o crédito tributário integralmente. Cleber Magalhães Relator Fl. 174DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15553.720250/2011-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Feb 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009
DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.
Atendida solicitação relativa à irregularidade no recibo da despesa médica, há que se aceitar a dedutibilidade da mesma.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-004.590
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, para, no mérito, dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Cleci Coti Martins - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros:
Nome do relator: MARIA CLECI COTI MARTINS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2009 DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. Atendida solicitação relativa à irregularidade no recibo da despesa médica, há que se aceitar a dedutibilidade da mesma. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, para, no mérito, dar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente (assinado digitalmente) Maria Cleci Coti Martins - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros:
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 784; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 2 1 1 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15553.720250/201141 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401004.590 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 7 de fevereiro de 2017 Matéria IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Recorrente NEUZA MARIA CUNHA BASTOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2009 DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. Atendida solicitação relativa à irregularidade no recibo da despesa médica, há que se aceitar a dedutibilidade da mesma. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 55 3. 72 02 50 /2 01 1- 41 Fl. 51DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, para, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Maria Cleci Coti Martins Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Fl. 52DF CARF MF Processo nº 15553.720250/201141 Acórdão n.º 2401004.590 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Recurso Voluntário interposto em 22/06/2012, em face do Acórdão 1340540 7a. Turma da DRJ/RJ2, que considerou procedente em parte a impugnação da contribuinte para o crédito tributário objeto deste processo. A ciência à decisão recorrida deuse em 14/06/2012. A autuação feita através de Notificação de Lançamento decorreu do não atendimento, pela contribuinte, para apresentar a documentação comprobatória das despesas dedutíveis declaradas. Na impugnação a contribuinte apresentou todos os comprovantes, entretanto, a autoridade a quo não aceitou o recibo relativo à despesas com fisioterapia, no valor de R$ 5.000,00 porque nele não constava o endereço do local da prestação dos serviços. No Recurso Voluntário, a contribuinte apresenta o recibo, desta vez refeito e constando o endereço do prestador dos serviços fisioterápicos (efl. 46). É o relatório. Fl. 53DF CARF MF 4 Voto Conselheira Maria Cleci Coti Martins Relatora O recurso é tempestivo, atende aos requisitos legais e dele conheço. Considerando que a recorrente corrigiu irregularidade do recibo médico, apontada na decisão a quo, entendo que estão satisfeitas as exigências feitas pela administração fazendária para o aceite dos recibos com despesas dedutíveis da declaração de imposto de renda. Dado o exposto, voto pelo provimento do recurso. (assinado digitalmente) Maria Cleci Coti Martins. Fl. 54DF CARF MF
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Numero do processo: 10280.901695/2009-40
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2007
ESTIMATIVA. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE.
Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação (Súmula CARF nº 84).
Numero da decisão: 9101-002.621
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento, com retorno dos autos à Unidade de origem para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário.
[assinado digitalmente]
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2007 ESTIMATIVA. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação (Súmula CARF nº 84).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento, com retorno dos autos à Unidade de origem para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário. [assinado digitalmente] Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto.
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COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação (Súmula CARF nº 84). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento, com retorno dos autos à Unidade de origem para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário. [assinado digitalmente] Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Tratase de Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 120200.664, que julgou o recurso voluntário interposto pela contribuinte acerca da possibilidade de compensação de créditos de pagamentos de estimativas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 90 16 95 /2 00 9- 40 Fl. 214DF CARF MF Processo nº 10280.901695/200940 Acórdão n.º 9101002.621 CSRFT1 Fl. 3 2 O Acórdão recorrido deu provimento parcial ao recurso voluntário para afastar o argumento jurídico da não homologação, entendendo ser possível a compensação de créditos de pagamentos de estimativas. Em seguida, para comprovar a divergência de interpretação necessária ao conhecimento do seu recurso, a Fazenda Nacional interpôs o presente recurso especial de divergência, por entender que a decisão de reconhecer a possibilidade de compensação do valor indevidamente pago, ou pago a maior, de estimativa é fruto de interpretação da legislação tributária que conflita com a interpretação adotada no acórdão paradigma colacionado aos autos. O recurso foi admitido por meio do despacho do Presidente da Câmara. Após, sobrevieram contrarrazões em que o sujeito passivo defende o acerto da decisão questionada e pugna pela sua manutenção. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9101002.610, de 16/03/2017, proferido no julgamento do processo 10280.900603/200912, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9101002.610): O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento, na forma como foi admitido. O contribuinte apresentou DCOMP apontando indébito oriundo de pagamento a maior de estimativa. Ao apreciar a referida declaração, a Receita Federal não homologou a compensação, sob o fundamento de que o pagamento de estimativa não é passível de compensação, devendo compor a apuração anual do tributo. A decisão recorrida foi no sentido oposto, reconhecendo o direito de o contribuinte compensar o indébito de estimativa, devolvendo os autos para a unidade de origem, para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário pleiteado, vez que essa matéria ainda não sofreu apreciação pela Administração Tributária. O recurso especial veio para que esta Câmara Superior reforme a decisão recorrida, restabelecendo a declaração de impossibilidade de o contribuinte compensar crédito de estimativa, nos termos da legislação infralegal então em vigor. Fl. 215DF CARF MF Processo nº 10280.901695/200940 Acórdão n.º 9101002.621 CSRFT1 Fl. 4 3 Todavia, a IN RFB nº 900, de 2008, retirou a referida proibição do ordenamento tributário e é pacífico na jurisprudência administrativa o entendimento de que seus efeitos devem retroagir para alcançar as compensações pendentes de decisão administrativa. Esse entendimento é adotado pela própria Administração Tributária, exteriorizado por meio da Solução de Consulta Interna Cosit n° 19, de 05/12/2011, assim ementada: ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. Caracterizase como indébito de estimativa inclusive o pagamento a maior ou indevido efetuado a este título após o encerramento do período de apuração, seja pela quitação do débito de estimativa de dezembro dentro do prazo de vencimento, seja pelo pagamento em atraso da estimativa devida referente a qualquer mês do período, realizado em ano posterior ao do período da estimativa apurada, mesmo na hipótese de a restituição ter sido solicitada ou a compensação declarada na vigência das IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005. A nova interpretação dada pelo art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, aplicase inclusive aos PER/DCOMP retificadores apresentados a partir de 1º de janeiro de 2009, relativos a PER/DCOMP originais transmitidos durante o período de vigência da IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005, desde que estes se encontrem pendentes de decisão administrativa. No âmbito deste Tribunal Administrativo, a matéria foi pacificada por meio da Súmula CARF nº 84: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial da Procuradoria, com retorno dos autos à unidade de origem para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial da Fazenda Nacional, e, no mérito, negolhe provimento, com retorno dos autos à unidade de origem para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário. assinado digitalmente Fl. 216DF CARF MF Processo nº 10280.901695/200940 Acórdão n.º 9101002.621 CSRFT1 Fl. 5 4 Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 217DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.720778/2014-08
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 23 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Apr 10 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1201-000.249
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(documento assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida Relator e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Luiz Paulo Jorge Gomes e José Carlos de Assis Guimarães.
Relatório
Nome do relator: ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Relator e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Luiz Paulo Jorge Gomes e José Carlos de Assis Guimarães. Relatório
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida – Relator e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Luiz Paulo Jorge Gomes e José Carlos de Assis Guimarães. Relatório Como os fatos e a matéria jurídica foram bem relatados pela decisão de primeira instância, reproduzoa a seguir: O presente processo trata sobre impugnação contra os lançamentos tributários referentes a períodos de apuração dos anoscalendário 2009 e 2010, consubstanciados nos seguintes autos de infração: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .7 20 77 8/ 20 14 -0 8 Fl. 4140DF CARF MF Processo nº 16327.720778/201408 Resolução nº 1201000.249 S1C2T1 Fl. 3 2 A descrição dos fatos do lançamento de IRPJ contém resumidamente as seguintes infrações (fls. 2618/2620): DESCONTOS NO RECEBIMENTO DE OPERAÇÕES DE DERIVATIVO INOBSERVÂNCIA DOS REQUISITOS LEGAIS Perda no recebimento de créditos deduzida indevidamente, por inobservância dos requisitos legais, conforme relatório fiscal em anexo. ADIÇÕES NÃO COMPUTADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL Perdas em NDF que excederam os ganhos nas mesmas operações; Valor não adicionado ao lucro líquido do período, para a determinação do lucro real, conforme relatório fiscal em anexo. CUSTO / DESPESA INDEDUTÍVEL / EXCLUSÃO INDEVIDA DO LUCRO REAL Perdas em Derivativo lançadas em perdas em Operações de Crédito; Valores referentes a Operações com Derivativos que foram lançados em despesas contra Provisão de Créditos de Liquidação Duvidosa ou excluídos do Lucro Real em desacordo com as determinações legais, conforme relatório fiscal em anexo. ADIÇÕES NÃO COMPUTADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL Perdas em Operações com TARN (TM) feitas com o Fundo Ágata; Valor não adicionado ao lucro líquido do período, para a determinação do lucro real, conforme relatório fiscal em anexo, referente as perdas com o Fundo Ágata em Operações TARN (TM), conforme Termo de Verificação em anexo. ADIÇÕES NÃO COMPUTADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL Perdas com SWAP que excederam os ganhos nas mesmas operações; Fl. 4141DF CARF MF Processo nº 16327.720778/201408 Resolução nº 1201000.249 S1C2T1 Fl. 4 3 Valor das Perdas em Operações de SWAP com o Fundo Ágata que excederam os ganhos nas mesmas operações de SWAP, conforme Termo de Verificação em anexo. As infrações estão detalhadas no Termo de Verificação (TV) de fls. 2555/2616 e no Termo de Verificação Complementar (TVC) de fls. 2645/2648, a seguir resumidas: Fl. 4142DF CARF MF Processo nº 16327.720778/201408 Resolução nº 1201000.249 S1C2T1 Fl. 5 4 Cientificado dos autos de infração em 10/05/2012, o contribuinte apresentou impugnação, em 08/06/2012 (fls. 2583/2967), com os seguintes argumentos, em síntese: a) Requereu a nulidade dos lançamentos tributários, tendo em vista as seguintes falhas: Equivocadas premissas fiscais obtidas em artigos da internet sem a citação da fonte correspondente. Ausência de coerência da fiscalização lavratura de autos de infração complementares no mesmo dia da lavratura dos principais. Fundamentação legal obscura para a cobrança do crédito tributário ofensa aos princípios do contraditório e da ampla defesa. Menção a outros contribuintes no termo de verificação fiscal. Diversos vícios do mandado de procedimento fiscal. b) Quanto à Infração 1 do TV: A interpretação do artigo 9° da lei n° 9.430, de 1996, pelo agente fiscal não busca explorar o significado das palavras contidas na redação da Lei, mas, sim, inserir uma expressão inexistente na norma (“operações de crédito” no lugar do vocábulo “créditos”). A Resolução CMN n° 3.505, de 2007, dispõe sobre a realização de operações de derivativos pelas instituições financeiras. A redação do artigo 9° é clara ao prever que qualquer crédito não recebido, que seja decorrente da atividade da pessoa jurídica, poderá ser deduzido como despesa na determinação do Lucro Real e, consequentemente, da base de cálculo da CSLL, desde que atendidas as suas condições. c) Quanto à Infração 2 do TV: Não é lógico admitir em um determinado item do TV que a Lei n° 9.430/96 seria inaplicável ao caso do Impugnante e, em outra parte, defender que as perdas no recebimento dos lucros por ela auferidos nas operações de derivativos não seriam dedutíveis por não terem sido respeitados os critérios dessa mesma lei. O regramento estabelecido no art. 9° da Lei n° 9.430/96 é aplicável apenas às perdas provisórias e não se estendem às perdas definitivas, como é o caso dos descontos concedidos para a liquidação de créditos inadimplidos. Nesse sentido encontrase a exceção trazida no parágrafo 1° do seu inciso I, o qual possibilita o registro imediato como perda para aqueles créditos nos quais já tenha havido declaração de insolvência do devedor. Outro argumento diz respeito à impossibilidade de ingresso/manutenção de ação judicial ou procedimento de cobrança Fl. 4143DF CARF MF Processo nº 16327.720778/201408 Resolução nº 1201000.249 S1C2T1 Fl. 6 5 administrativa para aqueles créditos cuja liquidação já foi realizada com desconto (perdas efetivas). Chegase à conclusão de que as prescrições estabelecidas na Lei n° 9.430/96 não são aplicáveis aos descontos concedidos para a liquidação de créditos inadimplidos, cuja dedutibilidade se dá nos termos do artigo 299 do RIR/99, por representarem uma “perda efetiva”. d) Quanto à Infração 3 do TV e à descaracterização do hedge: A sistemática fixada pela Lei n° 8.981, de 1995, não é aplicável à tributação de operações com derivativos realizadas por instituições financeiras. Isso porque o artigo 71 da Lei n° 9.430, de 1996, alçou as operações de liquidação futura realizadas no mercado de balcão não organizado ao mesmo status daquelas realizadas em bolsa, o que significa, a um só tempo, incluílas no escopo da regra geral de ganhos líquidos prevista no prevista no artigo 72 da Lei n° 8.981/95 e na exceção prevista para as instituições financeiras constante do inciso III do artigo 77 da mesma lei. A Lei n° 11.196, de 2005, veio a detalhar o regime de tributação das operações realizadas nos mercados de liquidação futura pelas instituições financeiras, por meio de seu artigo 110, regulamentado pelo Decreto n° 5.730, de 20 de março de 2006. Dessa forma, conforme determina o inciso I, ‘a’, do artigo 110 da Lei n° 11.196/05, nas operações de derivativos (caracterizadas como Swap e Termo) realizadas pelo Impugnante, o resultado tributável deve ser quantificado a partir da diferença de curvas apurada no último dia útil do mês, entre as variações de taxas, preços ou índices contratados, sendo irrelevante a caracterização como hedge. O agente fiscal tratou as operações com derivativos realizadas de maneira independente (produto por produto), individualizando equivocadamente os resultados de tais operações para fins de justificar a glosa das perdas incorridas. Conforme juízo do impugnante, tendo por base o artigo 30 da IN SRF n° 25, de 2001, e o artigo 53 da IN RFB nº 1.022, de 2010, ainda que as operações em questões não se qualificassem como hedge, a aplicação correta do artigo 76, § 4º, da Lei n° 8.981, de 1995, demandaria a consolidação entre ganhos e perdas em todas as modalidades de operações de renda variável descritas nos artigos 72 a 74 da mesma lei. No mesmo sentido invocou o artigo 55, § 7º, da IN RFB nº 1.022, de 2010. A limitação à dedutibilidade de perdas previstas na Lei n° 8.981, de 1995, sequer seria aplicável para a CSLL, conforme Solução de Consulta COSIT n°. 198, de 9 de julho de 2014. Tal proteção não é feita necessariamente operação por operação, ou seja, riscos associados a uma dada operação podem não ser protegidos especificamente com outra operação, já que as exposições opostas são consolidadas em termos globais e os saldos cobertos por meio de transações adicionais. Tratase do conceito de proteção global, onde se Fl. 4144DF CARF MF Processo nº 16327.720778/201408 Resolução nº 1201000.249 S1C2T1 Fl. 7 6 extraem os riscos de todas as operações para que então seja tomada a decisão de proteção a tais riscos, daí inferese a impossibilidade de associação individualizada das operações com respectivos e específicos hedges. Na página 33 do Relatório Basiléia II Pilar 3 fica demonstrado de maneira inequívoca o efeito do hedge global, vez que, no final de cada um dos períodos, a posição dos riscos é controlada, atendendo aos requisitos regulatórios exigidos pelo BACEN. A tabela indicada no item 8.7 da página 33 do Relatório, referese à evolução dos valores referentes às posições compradas e posições vendidas (gerenciamento de risco) de todos os produtos financeiros do impugnante, inclusive os instrumentos de derivativos, de modo a confirmar o conceito do hedge global. Conforme fica claro a partir da análise dos contratos de TARN anexos (Doc. 12 e Doc. 13), os limitadores de ganho (para o cliente, ou limitador de perda para o Impugnante) são fixados por fluxo de pagamento e não por contrato, sendo que tais instrumentos prevêem 12 fluxos de pagamentos. e) Quanto à Infração 4 do TV: A única menção à base legal para se efetuar tal glosa encontrase na página 60 do TV e limitase a apontar o artigo 3º da Lei nº 9.718, de 1998, mas tal artigo possui 13 parágrafos e não cabe ao impugnante interpretálos de modo a concluir em qual deles sua situação se enquadraria, ainda mais sem o agente fiscal ter confrontado os fatos narrados com a legislação mencionada, decorrendo, pois, a nulidade do lançamento. O fato de o agente fiscal afirmar que os resultados das operações de SWAP não poderiam ser negativos mostra total desconhecimento desta para com a forma de contabilizar os resultados de tais operações e, mais ainda, com a forma global como as operações de hedge devem ser consideradas. O fato de as operações com derivativos serem ou não classificadas como hedge não deve afetar a possibilidade de dedução das despesas incorridas nestas quando da apuração da base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS. A finalidade de hedge foi fartamente demonstrada pelo impugnante; Especificamente no que concerne às operações nos mercados de liquidação futura, o regramento para a apuração da base de cálculo das mencionadas contribuições sofreu alteração com o advento do artigo 110 da Lei n° 11.196, de 2005, que, por ter regulado inteiramente a matéria, derrogou o artigo 3º, § 6º, inciso I, alíneas “d” e “e”, da Lei nº 9.718, de 1998. O agente fiscal confundiuse ao lançar os valores de PIS e Cofins, especificamente nos períodos de apuração março e agosto/2010, culminando em valor a pagar a maior. Fl. 4145DF CARF MF Processo nº 16327.720778/201408 Resolução nº 1201000.249 S1C2T1 Fl. 8 7 Demais disso, foram desconsiderados os estornos de receita realizados no curso do mesmo mês nas operações de SWAP, culminando em uma diferença na base de cálculo das contribuições ao PIS e à COFINS de aproximadamente R$ 470 milhões, conforme demonstrado na tabela da págs. 93/94 da impugnação. f) Quanto aos juros de mora sobre multa de ofício: Os juros calculados com base nessa taxa não poderão ser exigidos sobre a multa de ofício lançada, por absoluta ausência de previsão legal, considerando que multa não é tributo e só há previsão legal para que os juros calculados à taxa Selic incidam sobre tributo (e não sobre multa). Por fim, o impugnante: a) requer o conhecimento e o provimento da presente Impugnação, com o cancelamento dos autos de infração, pelas razões de fato e de direito anteriormente expostas. b) caso assim não se entenda, o que se alega apenas a título argumentativo, requer que o julgamento da presente impugnação seja convertido em diligência, com fundamento nos artigos 16, inciso IV, e 18, § 3°, do Decreto n° 70.235/72, com o objetivo de se confirmar todos os erros de cálculo demonstrados nos tópicos desenvolvidos pelo impugnante, os quais resultaram no agravamento do crédito tributário cobrado. Em 09/03/2015, o administrado apresentou aditamento (fls. 3452/3458) a sua impugnação, com os seguintes argumentos e pedidos: a) Requereu a nulidade do lançamento, devido à “ausência de vinculação exata entre os fatos narrados e o fundamento legal”. b) O art. 50 da IN RFB nº 1.515, de 2014, confirmou a inaplicabilidade da Lei nº 8.981, de 1995, às instituições financeiras. c) Em novo precedente do CARF (Acórdão nº 3403003.325), reconheceuse a desnecesidade de atendimento objetivo a todas as exigências previstas nos normativos regulatórios apara que a operação com derivativo seja considerada como “hedge”. Em sessão de 19 de maio de 2015, a 4a Turma da Delegacia de Julgamento de Fortaleza, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a impugnação, nos seguintes termos: (a) Considerar procedente em parte o lançamento de IRPJ (fls. 2617/2628), de forma a manter os seguintes valores: Fl. 4146DF CARF MF Processo nº 16327.720778/201408 Resolução nº 1201000.249 S1C2T1 Fl. 9 8 (b) Considerar procedente em parte o lançamento de CSLLREFLEXO (fls. 2546/2554), de forma a manter os seguintes valores: (c) Considerar improcedentes os lançamentos de IRPJ COMPLEMENTAR (fls. 2638/2644) e CSLLCOMPLEMENTAR REFLEXO (fls. 2632/2637). (d) Considerar procedentes os lançamentos de PIS/Pasep (fls. 2536/2545), PIS/PasepREFLEXO (fls. 2521/2526) e COFINS REFLEXO (fls. 2515/2520). (e) Considerar procedente em parte o lançamento de COFINS (fls. 2527/2535), de modo a: em relação ao mês de agosto/2010, reduzir o valor devido de R$1.888.542,74 para R$1.888.542,53; manter integralmente os valores lançados referentes aos demais períodos de apuração. (f) Os valores mantidos nas alíneas anteriores (de “a” a “e”) devem sofrer a incidência da multa de ofício de 75%. (g) Os valores mantidos nas alíneas anteriores (de “a” a “f”) devem sofrer a incidência de juros Selic. Com a decisão foi apresentado Recurso de Ofício. Por seu turno, a interessada interpôs Recurso Voluntário, no qual repetiu, basicamente, os argumentos da impugnação, com acréscimos específicos em relação à decisão de piso, no que tange à parte em que foi vencida. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões, pugnando pela manutenção dos lançamentos efetuados. Os autos foram encaminhados a este Conselho para apreciação e julgamento. Posteriormente, em dezembro de 2016, a Recorrente apresentou Petição, para trazer aos autos Termo de Constatação de Empresa de Auditoria Independente que, em seu entendimento, corrobora a linha de defesa apresentada, especialmente no que refere a erros na apuração do resultado observado e na definição da base de cálculo do PIS e da COFINS. É o relatório. Fl. 4147DF CARF MF Processo nº 16327.720778/201408 Resolução nº 1201000.249 S1C2T1 Fl. 10 9 Voto Conselheiro Roberto Caparroz de Almeida, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos pressupostos legais, razão pela qual dele conheço. A questão em debate nos autos diz respeito às diversas infrações imputadas à Recorrente, com ênfase nas operações envolvendo derivativos. Sem prejuízo dos vários argumentos trazidos pela defesa no longo Recurso Voluntário, a interessada juntou aos autos petição, em dezembro de 2016, na qual apresenta os seguintes fundamentos (grifos no original): Nesse cenário, considerando (i) que mesmo se o regime aplicável ao Requerente fosse aquele previsto pela Lei n° 8.981/95, os ganhos auferidos ainda teriam superado as perdas, sendo improcedente a acusação fiscal de dedução de perdas em excesso, bem como que (ii) a incorreta aplicação da diferença de curvas pela Fiscalização majorou indevidamente a base do PIS e da COFINS autuados em, aproximadamente, R$ 470 milhões, o Requerente solicitou a emissão de um Termo de Constatação elaborado pela KPMG (doc. anexo "DOC_COMPROBATORIOS"), empresa de auditoria independente, com o objetivo de se atestar a veracidade das referidas premissas. Destaquese que os argumentos relativos aos alegados erros de cálculo já haviam sido apresentados ao tempo da Impugnação e do Recurso Voluntário, de sorte que não se trata de nova linha de defesa, mas da tentativa de confirmar a existência de tais impropriedades. Com efeito, a análise dos documentos constantes dos autos (aliada às conclusões do Relatório da KPMG), assim como os argumentos veiculados pela própria decisão de piso, ensejam dúvida quanto aos cálculos objeto da autuação. Destacamos os excertos a seguir, que constam do citado Relatório a título de conclusão (negritos no original): 1) Dos ganhos e perdas apurados nas operações com renda variável Mediante a realização dos testes descritos ao longo deste termo de constatação, pudemos observar que os ganhos obtidos pelo Bank of America em operações de renda variável excederam as perdas incorridas nessas mesmas operações tanto no anobase de 2009 quanto no anobase de 2010, conforme constatado pela comparação dos saldos contábeis registrados em contas de resultado credoras (receitas) e devedoras (despesas) dos períodos, totalizando um montante líquido de ganho nestas operações de R$ 133.615.777,29 para anocalendário de 2009 e de R$ 45.676.056,29 para o anocalendário de 2010. Com base nos documentos que nos foram disponibilizados, entendemos que a Autoridade Fiscal também poderia ter chegado à conclusão de que os ganhos em operações de renda variável superaram as perdas Fl. 4148DF CARF MF Processo nº 16327.720778/201408 Resolução nº 1201000.249 S1C2T1 Fl. 11 10 incorridas nestas mesmas operações para os anoscalendário de 2009 e 2010, fato este que teria impacto direto no auto de infração lavrado e que está vinculado ao Processo Administrativo nº 16327.720778/2014 08. 2) Das bases de cálculo do PIS e da COFINS objeto da Autuação Fiscal (PA. 16327.720778/201408) Como já comentado anteriormente, em fiscalização realizada pela Receita Federal do Brasil, foi lavrado auto de infração em face do Bank of America Merrill Lynch sob alegação de que foi realizada exclusão indevida de despesas incorridas em operações de hedge, para fins da apuração do PIS e da COFINS dos períodosbase compreendidos entre os anos de 2009 e 2010. Neste sentido e com base nos testes realizados em nosso trabalho mediante amostragem, conseguimos mapear a sistemática de contabilização adotada pelo Bank of America e, em decorrência, apresentamos as seguintes conclusões: (a) Os resultados líquidos negativos (prejuízos/perdas) revisados em nossos testes correspondem à variação mensal do diferencial a receber/a pagar no final dos meses analisados; (b) A Autoridade Fiscal considerou somente os valores negativos demonstrados para cada contrato integrante da planilha chamada “Posicao SWAP 2009 e 2010_RFB” (documento suporte para a Autuação Fiscal), sem, no entanto, avaliar a sistemática de contabilização adotada pelo Bank of America, em especial: (i) a realização de lançamentos contábeis de reversão do valor de accrual acumulado do dia anterior em contas de despesas, aplicados somente para o primeiro dia útil dos meses subsequentes aos encerramentos semestrais de balanço em junho e dezembro; e (ii) a existência de variações negativas de valor de accrual ocorridas dentro do próprio mês de apuração, entre as datas de préfechamento do Banco e último dia útil do mês. (c) Considerando que a Autoridade Fiscal desprezou as variações negativas na apuração das bases de cálculo dos tributos, entendemos que, por via de consequência, deixou de observar o disposto no art. 110, inciso I, alínea “a” da Lei 11.196/2006 (que determina o cômputo da diferença apurada no último dia útil do mês, entre as variações das taxas, dos preços ou dos índices contratados “diferença de curvas”), o que, pela sistemática contábil do Bank of America, implicaria na somatória das diferenças positivas e negativas reconhecidas ao longo do mês de apuração. (d) Em razão das conclusões atingidas nos itens b) e c) acima, é possível afirmar que a Autoridades Fiscal apurou erroneamente a base de cálculo do PIS e da COFINS objeto da referida autuação fiscal, no montante de R$ 469.367.570,05. Dada a complexidade da matéria em discussão e a diligência dos procedimentos de fiscalização, em que foram lavrados diversos e detalhados termos de intimação, entendo, em Fl. 4149DF CARF MF Processo nº 16327.720778/201408 Resolução nº 1201000.249 S1C2T1 Fl. 12 11 homenagem ao princípio da verdade material, que os documentos, cálculos e argumentos trazidos pela Recorrente devam ser apreciados pela autoridade fiscal. Creio ser relevante, ainda, que a autoridade fiscal se manifeste acerca da parte da autuação excluída pela decisão da Delegacia de Julgamento, que fundamentou o Recurso de Ofício, posto que naquela instância também foram questionados alguns dos cálculos efetuados. Nesse contexto, voto por converter o julgamento em diligência para que: a) A autoridade fiscal analise os documentos, cálculos e argumentos formulados pela Recorrente, com especial destaque para os pontos levantados pelo Relatório de Auditoria, que questiona os procedimentos adotados na lavratura dos Autos de Infração, como a não consideração das variações negativas (diferenças de curvas) e o suposto erro na definição das bases de cálculo tributáveis; b) As conclusões da autoridade diligenciante deverão constar de relatório conclusivo, que deverá se manifestar acerca das seguintes afirmações: (i) de que os ganhos nas operações de renda variável excederam as perdas incorridas nessas mesmas operações, tanto no anobase de 2009 quanto no anobase de 2010, conforme constatado no mencionado Relatório e nos cálculos e tabelas apresentados pela Recorrente no Recurso Voluntário; (ii) de que houve erro na apuração da base de cálculo do PIS e da COFINS, da ordem de R$ 470 milhões; (iii) de que a capitulação legal não foi adequada e que deixaram de ser observados dispositivos legais aplicáveis à espécie. c) A autoridade poderá intimar a interessada a apresentar documentos e informações complementares, aptos a subsidiar suas alegações, caso assim entenda necessário. d) O parecer conclusivo deverá ratificar ou retificar, por meio de planilhas ou outros instrumentos pertinentes, o montante passível de tributação, com base nos argumentos de defesa, além de apreciar o recálculo dos valores efetuado pela DRJ, além de justificar a base legal utilizada. e) O parecer conclusivo deverá ser notificado à Recorrente, para que esta se manifeste, se assim desejar, no prazo de 30 dias. Adotadas as providências ao norte, o processo deverá retornar a este Conselho para que seja concedida vista e oportunidade para que a Fazenda Nacional se manifeste, no prazo legal e se assim desejar, sobre os documentos colacionados pela defesa e as conclusões da diligência fiscal. Concluído o trâmite proposto, os autos deverão ser encaminhados a esta Turma e Relator, para apreciação e posterior julgamento. Ante o exposto CONHEÇO do Recurso e, no mérito, voto por CONVERTER O julgamento em diligência, nos termos propostos. É como voto. Fl. 4150DF CARF MF Processo nº 16327.720778/201408 Resolução nº 1201000.249 S1C2T1 Fl. 13 12 (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Relator Fl. 4151DF CARF MF
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