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Numero do processo: 19515.720891/2012-94
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 14 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Mar 09 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1402-000.415
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
ASSINADO DIGITALMENTE
Leonardo de Andrade Couto Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Frederico Augusto Gomes de Alencar e Demetrius Nichele Macei.
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. ASSINADO DIGITALMENTE Leonardo de Andrade Couto – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Frederico Augusto Gomes de Alencar e Demetrius Nichele Macei. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .7 20 89 1/ 20 12 -9 4 Fl. 5706DF CARF MF Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 5.707 ___________ Relatório Por bem resumir a controvérsia, adoto o relatório da decisão recorrida que abaixo transcrevo: Tratase de autos de infração à legislação do Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas –IRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, lavrados em 23/04/2012, Delegacia de Fiscalização de São Paulo/SP, para constituir o crédito tributário no montante de R$ 33.330.824,25, incluídos o principal, a multa de ofício de 75% e os juros de mora devidos até a data da lavratura, tendo em conta as irregularidades apuradas, no anocalendário 2007, e descritas no Termo de Verificação Fiscal de fls. 271 e seguintes, parte integrante da peça acusatória. Segundo o autor do procedimento, a pessoa jurídica teria sido intimada a discriminar os valores informados na DIPJ 2008 (anocalendário 2007), Ficha 04a – “Custos dos Bens e Serviços Vendidos”, Linha 29 “Serviços Prestados por Pessoas Jurídicas”, e Linha 37 – “Outros Custos”, nos valores de R$ 52.360.685,29 e R$ 9.480.210,26, representativo de 84% dos custos da atividade. Em resposta, foram discriminados os lançamentos contábeis de despesas que teriam sido informados nas linhas da DIPJ (fls. 98/99), tendo a fiscalização destacado os mais expressivos a serem regularmente comprovados, mediante documentação hábil e idônea: [...] Por intermédio do Termo de Intimação Fiscal nº 5 de 23/02/2012, a pessoa jurídica foi instada a comprovar os lançamentos discriminados em planilha anexa, por meio de documentação idônea, coincidente em datas e valores. Segundo a fiscalização, em 20/03/2012, a contribuinte teria entregado uma caixa de documentos com a comprovação de pagamentos a três empresas (MATRA, STYROCORTE, SPRYNT e INTEC), sem outra identificação, em valores menores, e sem correspondência com os lançamentos contábeis, fato acerca do qual a empresa foi notificada. A reintimação teria sido formalizada no Termo de Intimação nº 6, de 27/03/2012, e em 02/04/2012 teria sido entregue outra caixa com documentos, acompanhados de uma planilha com a relação dos documentos apresentados, e que foram objeto da seguinte apreciação pela autoridade fiscal: Algumas observações devem ser feitas por esta fiscalização: 1. Conta Rodoviário – Os documentos comprobatórios dos lançamentos na Conta Rodoviário referemse a faturas da Intec – Integração Nacional de Transportes de Encomendas e Cargas Ltda, CNPJ 52.134.798/000168 e é empresa do mesmo grupo do contribuinte. Não foram reconhecidos alguns lançamentos referentes a Notas de Débito e que não constituem custo e nem despesa para o contribuinte. 2. A comprovação apresentada referente a cinco lançamentos na conta Fretes e Gerenciamento não serão reconhecidas por esta fiscalização. O contribuinte apresentou faturas de números 1, 5, 6, 7 e 8 de uma empresa Bonagura Consultoria Empresarial, CNPJ 03.017.592/000142, sem contudo apresentar nenhuma comprovação de pagamento. 3. Não apresentou nenhuma comprovação relativa à planilha Seguro de Armazém. Todas as outras comprovações apresentadas foram reconhecidas pela fiscalização e os lançamentos comprovados foram eliminados das planilhas acima. Os lançamentos não comprovados foram ordenados por conta e reunidos na planilha “Custos e Serviços de Terceiros Não Comprovados”. Fl. 5707DF CARF MF Processo nº 19515.720891/201294 Resolução nº 1402000.415 S1C4T2 Fl. 5.708 3 Para apurar a matéria tributável, os lançamentos não comprovados foram ordenados por data e totalizados mensalmente na planilha “Custos e Serviços de Terceiros Não Comprovados Totalizados por Mês e resumidos abaixo [...] No mesmo procedimento fiscal, foram apuradas ainda infrações relativas ao PIS e Cofins não cumulativos, cujos lançamentos foram autuados no processo administrativo nº 19515.720892/201239. A pessoa jurídica foi cientificada dos lançamentos, por via postal, em 27/04/2012 (cópia de AR de fls. 298). Em 17/05/2012, a Defis São Paulo/SP procedeu ao encaminhamento do processo à DRF Osasco/SP (fls. 303), para aguardar prazo regulamentar para pagamento ou impugnação do lançamento constituído. Em 18/05/2012, o processo foi encaminhado à ARF Cotia/SP (fls. 304), que procedeu à lavratura de Termo de Revelia (fls. 305), em 13/06/2012. Em 14/06/2012, foi encaminhada pela CAC/DRF Barueri para ARF/Cotia (cf. Memo nº 1735/2012 – fls. 310), a impugnação de fls. 311 e seguintes, protocolizada pela pessoa jurídica, em 28/05/2012, por intermédio de seu advogado e bastante procurador (cf. instrumento de mandato de fls. 329), com base nas seguintes razões de fato e de direito. Afirma a tempestividade da impugnação, e que a autoridade fiscal teria deixado de motivar a glosa das despesas lançadas nas contas “Aluguel de Armazém”, “Vigilância” e “Pessoal Temporário”, apesar de têlas incluído na Planilha “Custos e Serviços de Terceiros Não Comprovados”. Questiona com base em doutrina a referência feita pela fiscalização a custos, quando todos os valores glosados se referem a despesas. Quanto ao mérito, passa a abordar cada uma das contas contábeis. No caso das glosas da despesas contabilizadas na Conta “Fretes – Gerenciamento”, a autoridade fiscal teria procedido à glosa porque a contribuinte não comprovou os pagamentos das despesas registradas nessa conta e relacionadas na planilha “Custos e Serviços de Terceiros Não Comprovados”. Afirma que em observância ao regime de competência, desnecessária a prova da quitação para que a despesa seja dedutível, bastando que se trate de despesas necessárias e incorridas. Observa que não teria sido questionada a necessidade destas despesas para a manutenção da atividade empresarial. Faz referência ao art. 299 do RIR/99 e à Solução de Consulta nº 229, de 2010, de seguinte ementa: ASSUNTO: Imposto de Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ EMENTA: DESPESAS. REGIME DE COMPETÊNCIA. RETIFICAÇÃO. As despesas devem ser registradas na contabilidade no período em que incorridas, entretanto, a despesa não lançada no período de competência poderá ser objeto de exclusão do lucro líquido para fins de apuração do lucro real ou poderá ser registrada em período posterior, desde que isso não cause redução indevida do lucro real. Erros na apuração do imposto devido devem ser corrigidos pela entrega de declaração retificadora, o que poderá ser feito enquanto não extinto o direito de o contribuinte pleitear a restituição”. Fl. 5708DF CARF MF Processo nº 19515.720891/201294 Resolução nº 1402000.415 S1C4T2 Fl. 5.709 4 Colaciona também as lições de Ricardo Mariz de Oliveira e de Hiromi Higuchi, no sentido de que a comprovação do pagamento não seria condição de dedutibilidade das despesas. Quanto às despesas contabilizadas na conta “Seguro de Armazém”, nota que a glosa se refere a dois lançamentos mensais de janeiro a dezembro de 2007 (um no valor de R$ 5.182,28 e outro no valor de R$ 20.729,12), a totalizar R$ 310.936,80. Conforme comprovariam as Apólices de Seguro que instruem a impugnação (ANEXO 1 – fls. 598/669), a contribuinte mantinha com a MAPFRE SEGUROS dois contratos destinados a cobrir riscos em seus estabelecimentos: (a) contra incêndio/raio/explosão, queda de aeronave, vendaval, danos elétricos e lucros cessantes decorrentes (Apólice nº 0096/109/2001/0000069/01) e (b) responsabilidade civil – operador portuário – roubo (Apólice nº 0033/331/2001/0000012/01). O valor dos prêmios contratados para os dois seguros (despesas incorridas) teria sido de R$ 1.111.510,53 e R$ 725.771,82, respectivamente, e como tais seguros teriam sido contratados em conjunto com as demais empresas do Grupo Luft, e tendo sido discriminados nas apólices cada “Local de Risco”, sendo que cada um deles pertencia a uma determinada empresa do grupo, o valor do prêmio devido à seguradora teria sido rateado entre as empresas titulares dos estabelecimentos segurados. No caso da fiscalizada, os locais segurados seriam: (a) Av. Piracema, 1605; (b) Av. Tamboré, 1180; e (c) Rod. Presidente Castelo Branco, 11100. O valor do prêmio relativo ao seguro contra incêndio e outros teria sido rateado para a contribuinte no valor de R$ 260.567,09, pelo critério da proporcionalidade entre o valor da cobertura total da Apólice, conforme “Cláusula 3 – Valores em Risco” e a soma dos valores das coberturas de suas unidades, conforme demonstrado em planilha de fls. 319/320. Já o valor do prêmio relativo ao seguro de responsabilidade civil, por conta de a apólice estabelecer um valor máximo de cobertura, válido para todos os estabelecimentos segurados, teria sido utilizado como critério de rateio o valor médio das mercadorias armazenadas em cada uma das unidades, cabendo à fiscalizada suportar o valor de R$ 171.121,80, conforme demonstrado em planilha de fls. 320/321. Defende assim a comprovação das despesas com seguros incorridas no ano calendário de 2007 da ordem de R$ 431.688,89. Já no que se refere aos valores contabilizados na conta “Rodoviário”, explica que, sendo uma operadora logística, a atividade da empresa envolveria a armazenagem e o gerenciamento do transporte de mercadorias de seus clientes até o destino final. É prática no mercado que o operador logístico não disponha de frota própria, mas apenas gerencie o transporte das mercadorias, mediante subcontratação de transportadoras, pelo que a maior parte de suas despesas é de subcontratação de transporte de carga. No caso, a contribuinte teria subcontratado a INTEC – Integração Nacional de Transportes de Encomendas e Cargas Ltda., e por força do Convênio ICMS nº 25, de 1990 e do art. 205 do Regulamento do ICMS, o conhecimento de transporte teria sido emitido exclusivamente pela subcontratante (FARMA LOGÍSTICA), apesar de a INTEC ter sido subcontratada para realizar o transporte das mercadorias. Isso porque, no caso de subcontratação de prestação de serviço de transporte de carga, competiria exclusivamente ao subcontratante a responsabilidade pelo pagamento do ICMS devido. Assim, como a lei não teria definido um documento fiscal específico para suportar o pagamento dos serviços prestados pela INTEC, a contribuinte realizava os pagamentos Fl. 5709DF CARF MF Processo nº 19515.720891/201294 Resolução nº 1402000.415 S1C4T2 Fl. 5.710 5 com base nas Notas de Débito ou Fatura/Duplicata (ANEXO 2 – fls. 673/1474), emitidas pela subcontratada. Assevera que na ausência de documento fiscal próprio definido em lei, tanto as duplicatas, como as notas de débito, emitidas pela INTEC, deveriam ser consideradas documentos hábeis a suportar o registro das despesas incorridas pela contribuinte, conforme relatório de notas fiscais das mercadorias transportadas (CD – 01 em anexo). Destaca ainda que praticamente todos os pagamentos efetuados à INTEC teriam sido realizados mediante depósitos bancários, conforme comprovado pelos extratos que instruem a impugnação (ANEXO 3 – fls. 375/539). Consigna que a autoridade fiscal não teria fundamentado a recusa em aceitar as Notas de Débito como documentos hábeis para o registro das despesas incorridas, o que tornaria nula essa parte da autuação, por ausência de motivação, requisito indispensável a todos os atos administrativos. De outro lado, reafirma que a subcontratação do transporte é despesa operacional necessária para a realização das transações e operações exigidas pela atividade da empresa, pois que seria remunerada justamente para prestar serviços de armazenagem e transporte de mercadorias. Anotou ainda a defesa a contradição no termo de verificação fiscal: para fins de crédito de PIS e Cofins não cumulativos, teriam sido considerados válidos todos os pagamentos efetuados à INTEC, documentados por Faturas/Duplicatas; todavia, para fins de apuração do IRPJ e CSLL, teria sido mantida a glosa de várias despesas documentadas por Faturas/Duplicatas emitidas pela INTEC. Por sua vez, com relação às despesas contabilizadas na conta “Aluguel de Armazém”, os valores glosados se referem a pagamentos efetuados à Jubran Engenharia S.A., CA Frare Adm, e Part. Ltda., Baltimore S.A., San Michele Emp. Comerciais Ltda. e Oscar Kuzniec, na qualidade de procurador dos locadores Felipe Wroblewski e Hilda Belia Frischmann Wroblewski. Apresenta juntamente com a impugnação os contratos de locação, em vigor na data da ocorrência dos fatos geradores em discussão, e os respectivos instrumentos de quitação (ANEXO 4 – fls. 540/576 ). Diz que a própria autoridade fiscal, no termo de verificação fiscal teria constatado a existência de DIMOB apresentada por Jubran Eng. S.A. e San Michele Emp. Comerciais Ltda., o que demonstra a efetividade da despesa contabilizada, tanto que teria considerado os valores declarados na DIMOB para fins de crédito de PIS e Cofins não cumulativo, mas manteve a glosa das despesas para fins de apuração do IRPJ e da CSLL. Anota que eventual irregularidade dos locadores de omissão na apresentação de DIMOB não lhe pode ser imputada. Quanto às despesas contabilizadas nas contas “Vigilância” e “Pessoal Temporário Ass”, traz a documentação correspondente nos ANEXOS 5 (fls. 577/590) e 6 (fls. 591/597). Requer o cancelamento dos lançamentos e protesta pela juntada posterior dos extratos bancários do período de janeiro a março de 2007, já solicitados mas ainda não fornecidos pela instituição financeira. Em 04/07/2012 (fls. 1477/1478), a contribuinte intimada em Carta Cobrança a pagamento do crédito tributário, informou que teria apresentado a impugnação em Fl. 5710DF CARF MF Processo nº 19515.720891/201294 Resolução nº 1402000.415 S1C4T2 Fl. 5.711 6 28/05/2012 na CAC da DRF Barueri/SP, e que por conseguinte o crédito tributário estaria com a exigibilidade suspensa. Na mesma data, protocolizou petição (fls. 1515/1516) na qual consigna que, na impugnação, por motivo de força maior, em razão do não fornecimento pela instituição financeira, teria requerido a juntada posterior dos extratos bancários do período de janeiro a abril de 2007, ora juntados ao processo (fls. 1517/1568). Em 16/07/2012 (fls. 1511) foi providenciada a juntada pela contribuinte de cópia do documento de identificação do advogado que teria subscrito a impugnação (fls. 1513). Em 17/07/2012 (fls. 1514), a autoridade preparadora reconheceu o equívoco na emissão do Termo de Revelia e da Carta de Cobrança, haja vista a protocolização tempestiva de impugnação, e encaminhou o processo a julgamento. Em 13/12/2012, a contribuinte solicitou cópia do processo (fls. 1588), o que lhe foi entregue em 17/12/2012 (fls. 1603/1604). Conforme informação do SIEF/Processos, o crédito tributário se encontra regularmente suspenso até a ciência da presente decisão. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo – SP prolatou o Acórdão 1646.144 acolhendo parcialmente a impugnação em decisão consubstanciada na seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário:2007 Nulidade. Falta de Motivação. Glosa das Despesas Contabilizadas nas Contas “Aluguel de Armazém”, “Vigilância” e “Pessoal Temporário. Na verificação da regular comprovação dos custos e/ou despesas escriturados, quando a contribuinte não traz durante o procedimento qualquer documento a respaldar a escrituração, o fundamento fático e jurídico é simplesmente a falta de comprovação dos custos e/ou despesas escriturados. Notas de Débito. Documentação Inábil. Como as notas de débito não são hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos na legislação a comprovar as operações de prestação de serviços de transporte, prescindível outra motivação para a recusa de aceitação pela autoridade fiscal. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 Glosa de Despesa. Fretes Gerenciamento. Falta de Comprovação do Pagamento. Fl. 5711DF CARF MF Processo nº 19515.720891/201294 Resolução nº 1402000.415 S1C4T2 Fl. 5.712 7 Quando não questionada a idoneidade das notas fiscais apresentadas, e nem a efetividade da prestação dos serviços, devidamente discriminados nos documentos fiscais, não se mantêm as glosas de despesas, baseadas unicamente na falta de comprovação dos pagamentos escriturados. Glosa de Despesa. Despesas de Seguro. Rateio. Deve ser admitida a dedutibilidade das despesas com seguros dos armazéns que se configuram como (i) necessárias, normais e usuais à atividade da pessoa jurídica, (ii) comprovadas pelos contratos apresentados, que apesar de celebrados por outra empresa do grupo empresarial, os estabelecimentos da fiscalizada constam designados entre os locais de riscos abrangidos pela cobertura dos seguros, e (iii) é razoável o critério de rateio demonstrado. Glosa de Despesa. Despesas de Aluguel de Armazém. Devem ser admitidas como dedutíveis as despesas com os aluguéis pagos pelos imóveis em que funcionam a sede e as filiais da empresa, devidamente comprovadas nos contratos de locação apresentados. Entretanto, não comprovada a vinculação com a atividade da empresa do imóvel locado, mantémse a glosa da despesa. Glosa de Despesa. Despesas de Vigilância e Pessoal Temporário. Admitese a dedutibilidade das despesas de vigilância comprovadas nas notas fiscais de serviços apresentadas, mantendose a exigência em relação aos lançamentos contábeis sem suporte documental hábil. Glosa de Despesa. Rodoviário. Subcontração de Serviço de Transporte. Comprovação. As Notas de Débito são documentos desprovidos das formalidades necessárias a comprovar as operações, e configuram meros instrumentos de controle interno, com validade restrita entre as partes envolvidas, principalmente quando os conhecimentos de transporte porventura nelas abrangidos sequer foram ali mencionados, pelo que as operações ficaram completamente sem substância. Tributação Reflexa. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL. Na medida em que as exigências reflexas têm por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do imposto de renda, a decisão de mérito prolatada naquele constitui prejulgado na decisão do auto de infração decorrente. Devidamente cientificada, a interessada apresenta recurso voluntário contra â decisão na parte em que manteve a exigência, ratificando as razões expedidas na peça impugnatória e acrescentando o argumento quanto à erro material na decisão no que se refere à glosa mantida para o item “Despesas na conta rodoviário”. Fl. 5712DF CARF MF Processo nº 19515.720891/201294 Resolução nº 1402000.415 S1C4T2 Fl. 5.713 8 Apresentou documentação adicional denominada laudo técnico que, sustenta, demonstraria a alegação. É o relatório. Fl. 5713DF CARF MF Processo nº 19515.720891/201294 Resolução nº 1402000.415 S1C4T2 Fl. 5.714 9 Voto Conselheiro Leonardo de Andrade Couto O recurso foi tempestivo e interposto por signatário devidamente legitimado, motivo pelo qual dele conheço. Após a decisão de primeira instância, remanesceu na exigência uma parcela dos valores glosados a título de "aluguel de armazém", "Vigilância", "Pessoal Temporário e Assessoria em RH" e a maior parte dos valores glosados contabilizados na conta "Rodoviário". Nesse último caso, de acordo com a autoridade lançadora, no que foi corroborado pela decisão recorrida, não foram aceitos os valores que não estivessem acobertados por Faturas/Duplicatas. No recurso voluntário, a interessada questiona a decisão recorrida que acolheu uma pequena parcela da impugnação nesse item pois, sustenta, mesmo que se considere demonstrados apenas os valores albergados por nota fiscal/ fatura, o acórdão questionado teria incorrido em erro material ao não considerar todas as faturas apresentadas. Para corroborar os argumentos, traz aos autos extensa documentação denominada laudo técnico que, sustenta, demonstraria o alegado. Levandose em consideração que este colegiado acata a juntada de documentos antes que o processo seja pautado, e tendo em vista que no presente caso a atividade julgadora envolve fundamentalmente um juízo de valoração probante, penso ser razoável que a documentação seja verificada. Sendo assim, proponho a conversão do julgamento do recurso em diligência a fim de que a Unidade Local designe Auditor Fiscal para examinar os documentos e, com base no critério de acatar como demonstrados os valores lançados na conta "Rodoviário" sustentados por fatura/ nota fiscal, atestar ou não se alguma fatura não foi considerada, parcial ou integralmente, pelo acórdão questionado. Após, formalizar relatório circunstanciado tendo como ponto de partida a tabela constante do voto condutor da decisão recorrida, relatório este que deverá ser cientificado à interessada com prazo para manifestação. Leonardo de Andrade Couto Relator Fl. 5714DF CARF MF
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Numero do processo: 11516.720524/2012-79
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 14 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Mar 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Exercício: 2007
RECOLHIMENTOS. CRÉDITO CONSUMIDO. AUTO DE INFRAÇÃO.
COMPENSAÇÃO.
Descabe compensar recolhimentos efetuados relativos ao período autuado, se tais valores, que não haviam sido declarados, já foram consumidos em compensações declaradas pelo contribuinte de débitos relativos a auto de infração lavrado em procedimento fiscal e processo anteriores ao presente.
ASSUNTO
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2007
IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano calendário: 2007
RECEITA ESCRITURADA. NÃO DECLARADA. PROVA
A escrituração contábil da receita bruta é prova inequívoca perante um processo administrativo fiscal federal, uma vez que atestada pelos responsáveis pela empresa, sendo que os documentos que estes apresentaram para provar o contrário não apoiaram as alegações apresentadas e mesmo confirmaram parte das receitas escrituradas.
PEDRAS EXTRAÍDAS DE TERRENO PRÓPRIO. RECEITA DE VENDA.
A venda de pedras extraídas de terreno de sua propriedade caracteriza receita de venda de produto, sujeita ao percentual de 8% (oito por cento) de lucro presumido e não se trata de venda do imóvel onde tais pedras se encontravam, sujeita à apuração do ganho de capital.
LANÇAMENTOS REFLEXOS: PIS, COFINS e CSLL
Dada a íntima relação de causa e efeito, aplica-se aos lançamentos reflexos o decidido no principal.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano calendário: 2007
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2007
DECADÊNCIA. DOLO
O prazo decadencial é contado a partir do 1º dia do exercício àquele em que o lançamento poderia ser constituído, se constatado o dolo.
DOLO.
Caracteriza dolo a omissão de receitas escrituradas, reiteradamente, e em percentual superior a 70%.
MULTA QUALIFICADA. DOLO.
Caracterizada a presença do dolo, elemento específico da sonegação, cabível a aplicação da multa qualificada nos termos de legislação em vigor.
Numero da decisão: 1301-002.197
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Amélia Wakako Morishita Yamamoto - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha.
Nome do relator: AMELIA WAKAKO MORISHITA YAMAMOTO
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Exercício: 2007 RECOLHIMENTOS. CRÉDITO CONSUMIDO. AUTO DE INFRAÇÃO. COMPENSAÇÃO. Descabe compensar recolhimentos efetuados relativos ao período autuado, se tais valores, que não haviam sido declarados, já foram consumidos em compensações declaradas pelo contribuinte de débitos relativos a auto de infração lavrado em procedimento fiscal e processo anteriores ao presente. ASSUNTO Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2007 IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 2007 RECEITA ESCRITURADA. NÃO DECLARADA. PROVA A escrituração contábil da receita bruta é prova inequívoca perante um processo administrativo fiscal federal, uma vez que atestada pelos responsáveis pela empresa, sendo que os documentos que estes apresentaram para provar o contrário não apoiaram as alegações apresentadas e mesmo confirmaram parte das receitas escrituradas. PEDRAS EXTRAÍDAS DE TERRENO PRÓPRIO. RECEITA DE VENDA. A venda de pedras extraídas de terreno de sua propriedade caracteriza receita de venda de produto, sujeita ao percentual de 8% (oito por cento) de lucro presumido e não se trata de venda do imóvel onde tais pedras se encontravam, sujeita à apuração do ganho de capital. LANÇAMENTOS REFLEXOS: PIS, COFINS e CSLL Dada a íntima relação de causa e efeito, aplica-se aos lançamentos reflexos o decidido no principal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2007 Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2007 DECADÊNCIA. DOLO O prazo decadencial é contado a partir do 1º dia do exercício àquele em que o lançamento poderia ser constituído, se constatado o dolo. DOLO. Caracteriza dolo a omissão de receitas escrituradas, reiteradamente, e em percentual superior a 70%. MULTA QUALIFICADA. DOLO. Caracterizada a presença do dolo, elemento específico da sonegação, cabível a aplicação da multa qualificada nos termos de legislação em vigor.
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CRÉDITO CONSUMIDO. AUTO DE INFRAÇÃO. COMPENSAÇÃO. Descabe compensar recolhimentos efetuados relativos ao período autuado, se tais valores, que não haviam sido declarados, já foram consumidos em compensações declaradas pelo contribuinte de débitos relativos a auto de infração lavrado em procedimento fiscal e processo anteriores ao presente. ASSUNTO ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2007 IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 2007 RECEITA ESCRITURADA. NÃO DECLARADA. PROVA A escrituração contábil da receita bruta é prova inequívoca perante um processo administrativo fiscal federal, uma vez que atestada pelos responsáveis pela empresa, sendo que os documentos que estes apresentaram para provar o contrário não apoiaram as alegações apresentadas e mesmo confirmaram parte das receitas escrituradas. PEDRAS EXTRAÍDAS DE TERRENO PRÓPRIO. RECEITA DE VENDA. A venda de pedras extraídas de terreno de sua propriedade caracteriza receita de venda de produto, sujeita ao percentual de 8% (oito por cento) de lucro presumido e não se trata de venda do imóvel onde tais pedras se encontravam, sujeita à apuração do ganho de capital. LANÇAMENTOS REFLEXOS: PIS, COFINS e CSLL AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 05 24 /2 01 2- 79 Fl. 1179DF CARF MF Processo nº 11516.720524/201279 Acórdão n.º 1301002.197 S1C3T1 Fl. 1.180 2 Dada a íntima relação de causa e efeito, aplicase aos lançamentos reflexos o decidido no principal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2007 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2007 DECADÊNCIA. DOLO O prazo decadencial é contado a partir do 1º dia do exercício àquele em que o lançamento poderia ser constituído, se constatado o dolo. DOLO. Caracteriza dolo a omissão de receitas escrituradas, reiteradamente, e em percentual superior a 70%. MULTA QUALIFICADA. DOLO. Caracterizada a presença do dolo, elemento específico da sonegação, cabível a aplicação da multa qualificada nos termos de legislação em vigor. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Presidente. (documento assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha. Fl. 1180DF CARF MF Processo nº 11516.720524/201279 Acórdão n.º 1301002.197 S1C3T1 Fl. 1.181 3 Relatório TJ ADMINISTRADORA DE BENS S/A, já qualificada nos autos, recorre da decisão proferida pela 2a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (PR) DRJ/CTA (fls. 1048/1064), que, por unanimidade de votos, não acolheu a preliminar de decadência parcial do lançamento e julgou a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário exigido. Passo ao relato da decisão recorrida: Trata o processo dos autos de infração relativos ao anos calendário 2007, na sistemática do lucro presumido, segundo opção do contribuinte, em que se exigem: a. Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ, págs. 611/619, no valor de R$254.172,02, devido a: i. Receitas de prestação de serviços de locação ou administração de imóveis, escrituradas e não declaradas; períodos de apuração 31/03/2007, 30/06/2007, 30/09/2007, 31/12/2007; base legal nos arts. 224, 518 e 519, § 1º, III e 841 do Regulamento do Imposto de Renda RIR de 1999 (Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999); ii. Receita bruta de produtos de fabricação própria, escrituradas e não declaradas; períodos de apuração 31/03/2007, 30/06/2007, 30/09/2007, 31/12/2007; base legal nos arts. 224, 518 e 519, § 1º, III e 841 do RIR de 1999; b. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, págs. 620/627, no valor de R$101.729,77 relativa às mesmas infrações e mesmos períodos que o IRPJ, exigida com base no art. 2º e §§ da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988; art. 20 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; art. 29, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; art. 37 da Lei nº 10.637 de 30 de dezembro de 2002; art. 22 da Lei nº 10.684, de 30 de maio de 2003; c. Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins, págs. 628/625, no valor de R$152.902,70, apurado com incidência cumulativa, relativa às mesmas infrações, nos períodos de apuração de 01 a 12/2007, com base nos arts. 2º, II e parágrafo único, 3º, 10, 22, 51 e 91 do Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002; d. Contribuição ao Programa de Integração Social – PIS, págs. 626/643, no valor de R$33.128,88 cumulativa, relativa às mesmas infrações, nos períodos de apuração mensais de 01 a 12/, com base nos arts. 1º e 3º da Lei Complementar nº 7, de 07 de setembro de 1970; art. 24, § 2º, da Lei nº 9.249, de 1995; arts. 2º, I, “a” e parágrafo único, 3º, 10, 22, 51 e 91 do Decreto nº 4.524, de 2002. 2. Exigese multa de ofício de 150% do art. 44, I e § 1º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com a redação dada pelo art. 14 da Medida Provisória nº 351, de 22 de janeiro de 2007 e pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007; e juros de mora segundo o art. 61, § 3º da Lei nº 9.430, de 1996. Fl. 1181DF CARF MF Processo nº 11516.720524/201279 Acórdão n.º 1301002.197 S1C3T1 Fl. 1.182 4 3. Às págs. 584/609, no Relatório da Ação Fiscal RAF, estão descritos os procedimentos de fiscalização e a autuação. 4. Foi efetuada Representação Fiscal para Fins Penais, processo nº 11516.720525/201213. 5. Cientificado em 22/03/2012, págs. 309, 612, 621, 629 e 637, o contribuinte apresentou a tempestiva impugnação em 23/04/2012, págs. 651/673, e Anexos I a V de págs. 675/841. 6. Informa que efetuou recolhimentos tempestivos de 2089IRPJ, 2372CSLL, 8109PIS e 2172Cofins, tempestivos, no total de R$216.632,58 relativos a 01 a 03 e 06 a 12/2007; junta comprovantes no Anexo II e diz que o autuante foi informado; que, por falha operacional, as duas Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF semestrais desse ano foram enviadas sem conter a respectiva informação sobre receitas; diz que, portanto, o autuante se equivocou ao afirmar que o contribuinte não declarou nem recolheu qualquer valor (pág. 605). 7. Relata que foi alvo de procedimento fiscal anterior (MPF 09.2.06.00.2010.20040, processo 10909.001332/201011, Termo de Verificação e Encerramento Parcial da Ação Fiscal e autos de infração, nos Anexo III e IV), ocasião em que foram auditados todos extratos de contas bancárias e aplicações financeiras do contribuinte dos anos 2006 e 2007 e autuado com base em depósitos bancários de origem não comprovada, sendo lhe exigidos IRPJ e contribuições no total de R$488.890,89, relativos ao ano 2007; como o contribuinte não havia declarado débitos nas DCTF, aquele autuante desconsiderou os recolhimentos; o contribuinte não contestou as autuações e o débito foi compensado em parte com os recolhimentos feitos e o restante foi objeto de parcelamento, conforme Anexo V. 8. Reclama da estratégia retórica do fiscal autuante neste processo, visando induzir o leitor a acreditar que o contribuinte foi totalmente omisso em relação a 2007, por não ser verdadeiro, haja vista que parcelou a apenas a diferença da autuação que restou não compensada com os recolhimentos que havia efetuado. 9. Reclama da ineficácia das pretensões probatórias, expondo que todo fato jurídico é um fato (descrição de um evento), porém, nem todo fato é um fato jurídico; que, por seu turno, todo fato gerador de obrigação tributária é um fato jurídico, todavia, nem todo fato jurídico é necessariamente um fato gerador de obrigação tributária, pois, para que assim o seja, será imprescindível que a descrição fática hipotética da lei (hipótese de incidência) seja rigorosamente condizente com o pretenso fato jurídico; destaca que ao constituir a obrigação tributária e aplicar sanções nessa esfera do direito, não basta o observância às regras formais que disciplinam a emissão de tais atos; a materialidade deve estar demonstrada, mediante a produção de prova da existência do fato sobre o qual se fundam os normas constituidoras dos relações jurídicos tributárias e qualquer pretensão que fuja dessa premissa, além de inviabilizar o direito ao contraditório, ofende o princípio da legalidade. 10. Invoca o art. 177 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976 Lei das Sociedades Anônimas, o art. 1.179 do Código Civil Brasileiro, Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002, o art. 195 do Código Tributário Nacional CTN, Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, art. 923 do RIR de 1999, para destacar que, antes de buscar na escrituração contábil um meio de prova de fatos jurídicos que evidenciem inequivocamente a ocorrência de um evento que possa se caracterizar como um fato gerador de obrigação tributária, devese avaliar a Fl. 1182DF CARF MF Processo nº 11516.720524/201279 Acórdão n.º 1301002.197 S1C3T1 Fl. 1.183 5 validade da escrituração contábil como ferramenta informativa, dado que esta deverá, imprescindivelmente, estar acompanhada dos documentos hábeis e idôneos que correspondam aos registros nela estampados; em contrário, perde totalmente a sua juridicidade, ou seja, deixa de ser considerada como um fato jurídico, servindo, quando muito, para demonstrar o simples fato de que alguém em algum momento preencheu imprimiu relatórios de cunho contábil (evento), porém, sem qualquer relevância informativa ou jurídica, uma vez que a confiabilidade será destruída pela ausência de veracidade, completeza e pertinência do seu conteúdo; se assim não fosse, o RIR, de 1999 não teria todo um conjunto de dispositivos voltados para fundamentar a obrigatória desconsideração da escrituração contábil nos casos de constatação de vícios, erros ou deficiências da mesma, como, por exemplo, o faz o art. 530 do referido Decreto. 11. Argumenta que, no caso concreto, a leitura dos autos deste processo, em especial do RAF (Anexo I ou fl. 584 e seguintes deste PAF), mostra que os respectivos AFRFB pautaram toda a sua autuação nas informações obtidas exclusivamente a partir de uma escrituração contábil completamente desconectada de qualquer documentação hábil e idônea comprobatória, ou seja, o único meio de prova por eles apresentado são os registros contábeis de uma escrituração sem documentação correspondente. 12. Destaca que era optante pelo Lucro Presumido, fato esse que, por si só, torna a escrituração contábil menos relevante para efeito de apuração tributária. Todavia, ao conferir o conteúdo dos seus livros contábeis, por ocasião do atendimento ao Termo de Intimação Fiscal (TIF nff 2011/004704 fl. 366), o contribuinte, ao perceber equívocos de significativa relevância na sua escrituração informou imediatamente os AFRFB sobre esse fato, conforme se pode constatar pelo conteúdo da sua petição de resposta (fl. 372) e argumenta que erro faz parte da natureza humana, como os próprios AFRFB puderam experimentar (errar) e registrar através do seu Relatório da Atividade Fiscal RAF (fl. 588) e diz que é inaceitável, diante de um erro identificado e comprovado pelo contribuinte (conforme os documentos apresentados contrato e notas fiscais fls. 397 a) e, ignorando injustificadamente os documentos apresentados, servirse do mesmo (erro) como ilusória fonte de arrecadação tributária. Pior, exigir que o contribuinte provasse que os registros equivocados e duplicados da escrituração contábil não se referiam a eventos efetivamente ocorridos, pois, "em regra, não se pode exigir a produção de prova negativa (como, por exemplo, a prova de que algo não foi feito)"; que, diante de tal contexto, no qual se constatou a evidente inadequação da escrituração contábil para os fins pretendidos, o mínimo esperado dos AFRFB, seria, por exemplo, que os mesmos realizassem uma verificação no conteúdo dos extratos bancários do contribuinte, através da qual, caso os registros contábeis eventualmente fossem verdadeiros, poderiam identificar as movimentações financeiras respectivas, uma vez que ninguém consegue transacionar quase R$7.000.000,00 em um ano, sem que isso fique evidenciado na movimentação bancária; mas, os mesmos deixaram de buscar essa potencial prova inequívoca das suas afirmações, pautando suas alegações exclusivamente no conteúdo evidentemente antijurídico da escrituração contábil. 13. Argumenta que, num contexto de tributação pelo lucro presumido, em que os recursos financeiros movimentados pelo contribuinte já foram alvo de fiscalização e tributação, evidenciado que não há mais qualquer outra transação financeira sem identificação e/ou comprovação, pretender construir de forma ilusíonística um fato gerador de obrigação tributária, apoiado numa presunção não legal de receitas omitidas, baseandose numa escrituração contábil sem a respectiva documentação comprobatória, seria o mesmo que incorrer numa situação inusitada de bis in idem pleonástico, na qual o mesmo ente tributante Fl. 1183DF CARF MF Processo nº 11516.720524/201279 Acórdão n.º 1301002.197 S1C3T1 Fl. 1.184 6 cobra o mesmo tributo sobre a mesma base de cálculo, o que é antijurídico, suscitando uma "situação que, em tese, configura" o fato típico delineado pelo Art. 316, § lº do Código Penal Brasileiro, excesso de exação. 14. Além disso, no regime do lucro presumido e tendo em vista o disposto na Instrução Normativa SRF 104, de 1998, o contribuinte pode optar por tributar sua receita na medida do recebimento (regime de caixa), ou seja, apenas quando o recurso financeiro efetivamente estiver a sua disposição. Logo, sem a comprovação de que o contribuinte tenha efetivamente recebido os valores alegados pelos AFRFB como suposta receita omitida, não há como, dentro do atual ordenamento jurídico tributário brasileiro, aceitar uma construção linguística sem base probatória que pretenda constituir uma ilusão fática que dê origem a uma obrigação tributária evidentemente ilegal. 15. E questiona: pode a escrituração contábil servir de prova inequívoca perante um processo administrativo fiscal federal sem que esteja acompanhada da respectiva documentação hábil e idônea que comprova a veracidade, completeza e pertinência do seu conteúdo? 16. Reclama de ausência/insuficiência de compensação dos tributos pagos/parcelados; diz que a leitura dos autos de infração impugnados (Anexo I desta petição ou fls. 611 a 643) irá demonstrar que os AFRFB optaram por calcular os tributos a partir de toda a receita por eles apontada e não só sobre as diferenças ainda não tributadas e que deveriam compensar os valores já pagos/parcelados pelo contribuinte, o que não ocorreu de forma adequada: pela leitura da fl. 617 podese constatar que, relativamente ao IRPJ, os AFRFB compensaram o valor de R$258.390.09, enquanto pela leitura da fl. 626, que, relativamente à CSLL, os AFRFB compensaram o valor de R$101.660.44, e estes valores de IRPJ e CSLL compensados são oriundos do processo nº 10909.001332/201011 (Anexo IV) e Tabela 02 da impugnação, e em valores insuficientes em relação aos efetivamente pagos/parcelados (Anexo V) e Tabela 03; sendo que relativamente ao PIS e à Cofins não foram feitas compensações pelos AFRFB; na Tabela 01 relaciona os valores que arrecadou; diz que comprando: a) os valores pagos pelo contribuinte (Anexo II e Tabela 01); b) os valores (fora juros e multa) dos créditos constituídos pelos Autos de Infração anteriores (Anexo IV e Tabela 02); e c) os valores constantes na Tabela 03 (parcelamento), demonstrará que o contribuinte acabou acatando e parcelando valores maiores do que aqueles relativos às reais diferenças entre o que já estava pago e o que o AFRFB anterior autuou sobre a movimentação bancária; aduz que isso se deu por descuidos da equipe administrativa/contábil da empresa no processo de compensação dos valores junto à SRFB, o que acabou gerando uma dívida tributária maior do que o efetivamente devido. 17. Assim, somadas as tabelas 01 e 03, que representam, respectivamente, os valores pagos e os valores parcelados (fora juros e multa), temse os valores na Tabela 04 de pág. 665, totalizando R$576.532,74; e na Tabela 05, os valores que o contribuinte recolheu ainda pendentes de compensação, no total de R$216.482,21, o que demonstra a falta de liquidez e certeza dos autos de infração, que devem ser cancelados. 18. Reclama de equivoco no enquadramento legal da venda de rachão de pedra, ao argumento de que o Código Civil, de 2002, considera bens imóveis "o solo e tudo quanto se lhe incorporar natural ou artificialmente" (Art. 79), derivando dai a noção de bem imóvel, principal, caracterizado por aquele "que existe sobre si, abstrata ou concretamente" (Art. 92), e de bem imóvel acessório "aquele cujo existência supõe a do principal” (Art. 92); Fl. 1184DF CARF MF Processo nº 11516.720524/201279 Acórdão n.º 1301002.197 S1C3T1 Fl. 1.185 7 além disso, o CC, de 2002, dispõe “apesar de não separados do bem principal, os frutos e produtos podem ser objeto de negócio jurídico” (Art. 95); então, ainda que os recursos naturais (não renováveis) extraídos de um imóvel sejam identificados pela lei e pela doutrina através da palavra produtos (em sentido bem estrito), não se pode confundilos com os produtos industriais e agrícolas em sentido amplo. Logo, não há como enquadrar a receita decorrente da venda de rachão de pedras como "receita bruta das vendas e serviços" (Art. 224 RIR/99), tendo em vista que tal receita (venda de pedras) se origina da venda de bens do ativo imobilizado, enquadrandose evidentemente no conceito do Ganho de Capital; que nesse sentido, o valor apurado pelo Agente Fiscal não pode ser direta e totalmente acrescido à base de cálculo do Lucro Presumido, uma vez que, no contexto da venda de bens do ativo imobilizado, o que se acresce ao Lucro Presumido é apenas o Ganho de Capital ("diferença positiva verificada entre o valor da alienação e o respectivo valor contábil" Art. 521, § 1º do RIR, de 1999) e não o valor total da venda. 19. Pugna pela decadência das autuações relativas a tributos sujeitos ao lançamento por homologação e portanto regidos pelo art. 150, § 4º do CTN, dado que está provado que houve pagamento de tributos relativos ao período que foi alvo dos Autos de Infração e o Ato Fiscal questionado deverá se submeter à contagem do prazo decadencial iniciada a partir do potencial fato gerador e não do primeiro dia do exercício seguinte; tendo sido autuados em 20/03/2012 e cientificados em 22/03/2012, todos os fatos geradores anteriores a 20/03/2007 estarão alcançados decadência; aduz que, para poder analisar as consequências decorrentes da identificação do termo de inicio da contagem do prazo decadencial, deparase novamente com o nocivo resultado da conduta dos AFRFB no que se refere à utilização de uma escrituração contábil desconectada de documentação hábil e idônea comprobatória, uma vez que o contribuinte fica totalmente prejudicado quanto ao seu direito de contraditar as provas que deveriam ter sido apontadas pelos AFRFB e questiona: se não há nos autos documentos hábeis e idôneos dos quais possam ser extraídas as reais datas de ocorrência dos fatos geradores das obrigações tributárias constituídas pelos AFRFB, qual deverá ser a fonte para a identificação desta informação? Serão as datas dos lançamentos contábeis? Como comprovar a veracidade, completeza e pertinência do conteúdo de tais lançamentos se não há documentos correspondentes? Por isso, tolhido no seu direito ao contraditório, restalhe aceitar o termo inicial de contagem como sendo 20/03/2007. 20. Acusa de descabida a multa qualificada de 150%, pois fraude não se presume e deve ser demonstrada e que dolo não se presume, provase; que o mero artifício retórico, configurado pelo descabido uso de opressões do tipo "delinquência tributária reiterada" (fl. 589) ou "reiteração de condutas tributários delituosos" (fl. 589), evidentemente não são a forma técnica adequada para se caracterizar a existência de dolo, principalmente diante de um contexto de procedimento administrativo fiscal, no qual os Agentes devem obrigatoriamente se pautar pelo já esfarrapado Princípio da Moralidade da Administração Pública, estampado no Art. 37 da CF, de 1988; que se apoiar, como único meio de prova , numa escrituração contábil completamente desconectada de documentação hábil e idônea que possa comprovar a veracidade, completeza e pertinência do seu conteúdo, caracteriza uma postura completamente vazia de juridicidade, que, diante de todo dos princípios da CF, de 1988, mostrase como uma estratégia inaceitável para justificar a qualificação da multa, que deve ser afastada. 21. Resume que falta liquidez e certeza aos valores exigidos pela ausência/insuficiência de compensação dos valores que o litigante recolheu/parcelou; Fl. 1185DF CARF MF Processo nº 11516.720524/201279 Acórdão n.º 1301002.197 S1C3T1 Fl. 1.186 8 enquadramento inadequado das vendas de pedra rachão, que é ganho de capital e não receita de vendas; decadência parcial, descabimento da multa qualificada. A 2ª Turma da DRJ/CTA, analisou os argumentos apresentados pela impugnante, e prolatou a decisão para não acolher a preliminar de decadência parcial do lançamento e julgar improcedente sua manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano calendário: 2007 RECOLHIMENTOS. CRÉDITO CONSUMIDO. AUTO DE INFRAÇÃO. COMPENSAÇÃO. Descabe compensar recolhimentos efetuados relativos ao período autuado, se tais valores, que não haviam sido declarados, já foram consumidos em compensações declaradas pelo contribuinte de débitos relativos a auto de infração lavrado em procedimento fiscal e processo anteriores ao presente. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 2007 RECEITA ESCRITURADA. NÃO DECLARADA. PROVA A escrituração contábil da receita bruta é prova inequívoca perante um processo administrativo fiscal federal, uma vez que atestada pelos responsáveis pela empresa, sendo que os documentos que estes apresentaram para provar o contrário não apoiaram as alegações apresentadas e mesmo confirmaram parte das receitas escrituradas. LANÇAMENTO CONTÁBIL. ERRO. CONTRATO. Não faz prova de erro na contabilização de receita a apresentação de contrato assinado por pessoas ligadas por parentesco, pai e filho, em nome de empresas ligadas, e não registrado em cartório. RECEITA DE ALUGUEL ESCRITURADA. CONTESTAÇÃO. A alegação de que seria pagamento de financiamento e não receita de aluguel de câmara fria escriturada na contabilidade da empresa não está comprovada se os documentos acostados não confirmam a alegação PEDRAS EXTRAÍDAS DE TERRENO PRÓPRIO. RECEITA DE VENDA. A venda de pedras extraídas de terreno de sua propriedade caracteriza receita de venda de produto, sujeita ao percentual de 8% (oito por cento) de lucro presumido e não se trata de venda do imóvel onde tais pedras se encontravam, sujeita à apuração do ganho de capital. LANÇAMENTOS REFLEXOS: PIS, COFINS e CSLL Dada a íntima relação de causa e efeito, aplicase aos lançamentos reflexos o decidido no principal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2007 Fl. 1186DF CARF MF Processo nº 11516.720524/201279 Acórdão n.º 1301002.197 S1C3T1 Fl. 1.187 9 DECADÊNCIA. DOLO O prazo decadencial é contado a partir do 1º dia do exercício àquele em que o lançamento poderia ser constituído, se constatado o dolo. DOLO. Caracteriza dolo a omissão de receitas escrituradas, reiteradamente, e em percentual superior a 70%. MULTA QUALIFICADA. DOLO. Caracterizada a presença do dolo, elemento específico da sonegação, cabível a aplicação da multa qualificada nos termos de legislação em vigor. A ora recorrente, devidamente cientificada do acórdão recorrido, apresentou recurso voluntário tempestivo, onde reforça os argumentos já apresentados em sede de manifestação de inconformidade, atendose aos seguintes pontos: Ineficácia das provas, por ausência de provas ou indícios; ausência/insuficiência das compensações dos tributos pagos/parcelados; equívoco no enquadramento legal da venda de rachão de pedra; decadência parcial do PIS e da Cofins incidente sobre os fatos geradores de 01/2007 e 02/2007; descabimento da multa qualificada de 150%, por ausência de fraude, dolo ou simulação. É o relatório. Fl. 1187DF CARF MF Processo nº 11516.720524/201279 Acórdão n.º 1301002.197 S1C3T1 Fl. 1.188 10 Voto Conselheira Amélia Wakako Morishita Yamamoto. A contribuinte foi cientificada do teor do acórdão da DRJ/SDR e intimada ao recolhimento dos débitos de IRPJ e reflexos em 05/11/2013 (fl. 1065), e apresentou em 04/12/2013, recurso voluntário e demais documentos, juntados às fls. 1067 à 1176. Já que atendidos os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72, e tempestivos, deles conheço. Trata, o presente processo, dos autos de infração (fls. 610/646), lavrados em 22/03/2012, relativos ao ano calendário 2007, na sistemática do lucro presumido, segundo opção do contribuinte, em que se exigiram: a. Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ, págs. 611/619, no valor de R$254.172,02, devido a: i. Receitas de prestação de serviços de locação ou administração de imóveis, escrituradas e não declaradas; períodos de apuração 31/03/2007, 30/06/2007, 30/09/2007, 31/12/2007; base legal nos arts. 224, 518 e 519, § 1º, III e 841 do Regulamento do Imposto de Renda RIR de 1999 (Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999); ii. Receita bruta de produtos de fabricação própria, escrituradas e não declaradas; períodos de apuração 31/03/2007, 30/06/2007, 30/09/2007, 31/12/2007; base legal nos arts. 224, 518 e 519, § 1º, III e 841 do RIR de 1999; b. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, págs. 620/627, no valor de R$101.729,77 relativa às mesmas infrações e mesmos períodos que o IRPJ, exigida com base no art. 2º e §§ da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988; art. 20 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; art. 29, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; art. 37 da Lei nº 10.637 de 30 de dezembro de 2002; art. 22 da Lei nº 10.684, de 30 de maio de 2003; c. Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins, págs. 628/625, no valor de R$152.902,70, apurado com incidência cumulativa, relativa às mesmas infrações, nos períodos de apuração de 01 a 12/2007, com base nos arts. 2º, II e parágrafo único, 3º, 10, 22, 51 e 91 do Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002; d. Contribuição ao Programa de Integração Social – PIS, págs. 626/643, no valor de R$33.128,88 cumulativa, relativa às mesmas infrações, nos períodos de apuração mensais de 01 a 12/, com base nos arts. 1º e 3º da Lei Complementar nº 7, de 07 de setembro de 1970; art. 24, § 2º, da Lei nº 9.249, de 1995; arts. 2º, I, “a” e parágrafo único, 3º, 10, 22, 51 e 91 do Decreto nº 4.524, de 2002. Bem como, a exigência da multa de ofício de 150% do art. 44, I e § 1º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com a redação dada pelo art. 14 da Medida Provisória nº Fl. 1188DF CARF MF Processo nº 11516.720524/201279 Acórdão n.º 1301002.197 S1C3T1 Fl. 1.189 11 351, de 22 de janeiro de 2007 e pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007; e juros de mora segundo o art. 61, § 3º da Lei nº 9.430, de 1996. Importante esclarecer também que a recorrente foi autuada nos autos do processo 10909.0001332/201011, onde o ponto principal foi a omissão de receitas presumidas a partir de créditos/depósitos bancários recebidos e de origem não justificada no ano calendário de 2007, este auto foi parcialmente encerrado e teve seqüência no processo atual. Aquele auto não foi impugnado, bem como houve recolhimento de parte dos valores, e quitação com compensações e adesão ao parcelamento da Lei 11.941/09. A recorrente alega as seguintes matérias: 1) Insubsistência dos auto de infração pela total ausência de provas ou indícios No presente caso a autuação se deu em razão da não declaração de receitas escrituradas, uma parte referente à prestação de serviços e aluguéis, mais precisamente locação de imóveis e em parte às vendas de pedra rachão, sujeitas aos percentuais de 32% e 8%, respectivamente. O objeto social da contribuinte na data dos fatos, de acordo com o contrato social é a de exploração de serviços de obras marítimas e fluviais, serviços de construções de edificações comerciais, industriais e de serviços, atividade de incorporação e compra e venda de imóveis, aluguel de imóveis e administração de imóveis por conta de terceiros. A fiscalização apurou esses valores a partir da receita bruta registrada na escrituração contábil (cópia do registro contábil relativo aos totais anuais, por espécie de receita, escriturados pelo contribuinte, fls. 598, totalizando R$ 10.337.830,58) e na contabilidade digital apresentada pelo contribuinte ao fiscal; dessa receita bruta o autuante deduziu a receita omitida autuado no processo anterior (n. 10909.001332/201011); conforme pág 603 e quadro a seguir : Fl. 1189DF CARF MF Processo nº 11516.720524/201279 Acórdão n.º 1301002.197 S1C3T1 Fl. 1.190 12 A recorrente respondeu às fls. 371 que as diferenças citadas no item 2.1 (Anexo I à pág. 369) do Termo referemse a: R$2.826.531,83+5.241.071,50+2.270.227,15 () 3.529876,00, e que o valor R$2.826.531,83 já havia sido declarado (sic), na DIPJ. A fiscalização analisouse a resposta, com a seguinte conclusão: a. os valores informados na DIPJ, págs. 425/435, no total de R$2.826.531,83, são exatamente os da Receita Bruta de prestação de serviços escriturada na contabilidade, conforme alega e sobre a qual aplicou 32% de presunção de lucro; no entanto, os valores do IRPJ e CSLL apurados na DIPJ não constituem declaração e confissão de dívida que autorizem a RFB a promover a cobrança administrativa; para tanto, é necessário que o contribuinte confesse os débitos nas Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF que, para o ano de 2007, o contribuinte entregou zeradas; não estando confessados os débitos tributários, cabe à Autoridade Administrativa constituílos de ofício; b. A equação constante da resposta: R$2.826.531,83 (receita de prestação de serviços escriturada e informada na DIPJ) +R$5.241.071,50 (receita escriturada de venda de pedra rachão) +R$2.270.227,15(receita escriturada de aluguéis) () R$3.529.876,00 (valor da receita omitida autuada no processo 10909.001332/201011), resulta R$6.807.954,48, que é (com diferença de R$0,77), o valor autuado no presente processo – essa resposta é o óbvio apontado no Anexo I e implica no reconhecimento de que as receitas escrituradas de vendas de pedra rachão e de aluguéis não constavam da DIPJ. Em suas razões de recurso, a recorrente afirma que quando da intimação ao longo da fiscalização alertou a autoridade fiscal de que os dados contidos nos registros contáveis estavam incorretos e não refletiam a realidade dos fatos e assim verificouse em relação a essas receitas não declaradas: Fl. 1190DF CARF MF Processo nº 11516.720524/201279 Acórdão n.º 1301002.197 S1C3T1 Fl. 1.191 13 a. do valor R$5.241.071,50 de vendas de pedra rachão, afirma que teria resultado de duplo lançamento e juntou os documentos de págs. 397/408, analisados pelo fiscal às págs. 598/600, com a conclusão que o contribuinte não provou a alegação; o autuante também relatou a impossibilidade de confrontar as informações da autuada com a contabilidade não elaborada e em atraso, portanto, inexistente, da compradora; na impugnação, o contribuinte não apresentou argumentos adicionais, apenas repetiu os que se aqui comenta de fato, as notas fiscais de 06, 08 e 10/2007, que relaciona, confirmam os valores contabilizados de vendas de pedra rachão no 2º, 3º e 4º trimestres, ou seja, não contesta tais valores não declarados; apenas em relação ao 1º trimestre o valor da receita teria sido de R$289.521,50 (NF 754783 e Mapa de 22/03/2007, págs. 399/400) e não os R$2.550.771,50 contabilizados, isto é, R$2.261.250,00 (que é o valor constante do contrato, pág. 398, datado de 05/01/2007, para fornecimento de 132.000m³) teriam sido indevidamente lançados, em duplicidade – no entanto, tal contrato não faz prova, dado que, assinado por pessoas com parentesco (pai e filho, respectivamente) em nome de empresas ligadas, e não registrado em cartório, não faz prova contra terceiros, podendo ter sido escrito e assinado em qualquer momento, nos valores que lhes conviessem; também os mapas (1 da 1ª prest; 2 e 10 da 3ª prest; 6 da 4ª prest) e notas fiscais avulsas não demonstram a totalidade das operações efetuadas entre ambas empresas e mesmo assim divergem do contrato, dado que o preço médio deste resultaria R$2.550.771,50/132.000=R$17,13/m³ e o total fornecido, só nas notas apresentadas, foi maior: b. de R$2.270.227,15 que seria na verdade pagamento de financiamento e não receita de aluguel de câmara fria e juntou os documentos de págs. 409/421, analisados pelo fiscal às págs. 600/602, com a conclusão que o contribuinte não provou a alegação; na impugnação, o contribuinte não apresentou argumentos adicionais, apenas repetiu os que se aqui comenta – o extrato da conta Bradesco agência 2656, c/c nº 20001, não confirma a Escritura Pública de Capital de Giro firmado entre a litigante e a empresa ligada Itazem, pois não consta crédito de R$13.000.000,00 em 31/01/2007, nem débitos de prestações a partir de 01/09/2007 (constam crédito de “transf cc para cc PJ” de R$269.500,00 em 30/11/2007 e débito em 03/12/2007 “operação capital de giro” de R$345.600,00); os lançamentos na conta Razão Itazém, têm histórico de aluguel de câmara fria, assim como, à pág. 602, o Visualizador de Lançamentos com Contrapartidas das contas 1.02.01.01.01conta do Ativo Itazem Logística Portuária e 3.01.05.04 – conta de receita Aluguéis Câmara Fria. Alega que a autoridade fiscal deveria obrigatoriamente ter analisado a sua movimentação financeira, ressaltese aqui, que isso já havia sido feito em auto de infração próprio, sendo que o valor aqui autuado advém justamente da diferença da escrituração contábil com aquilo que foi declarado em DIPJ. Ou seja, a receita presumida decorrente dos depósitos bancários não escriturados e autuados no outro processo foi de R$3.529.876,87 , pág 781, neste processo, a receita bruta totalizou R$6.807.953,71, justamente a diferença daquilo que foi escriturado R$10.337.830,58, menos a omissão anterior de R$3.529.876,87. Fl. 1191DF CARF MF Processo nº 11516.720524/201279 Acórdão n.º 1301002.197 S1C3T1 Fl. 1.192 14 Em sede de recurso, a recorrente traz planilhas, em que se pretendem demonstrar os créditos bancários movimentados em 2007, perfazendo o valor de R$38.485.204,26 (planilha A), outra planilha B, no montante de R$798.244,40 referentes à redução de saldo devedor e outra planilha C, pretendendo demonstrar também que daqueles valores R$15.748.053,55 referemse a lançamentos de resgate de aplicações financeiras. E ainda outra planilha D, no valor de R$ 4.833.659,19, que se refeririam a transferência entre contas próprias (mesma titularidade) e ainda, um valor de R$13.000.000,00, o qual se referiria a um empréstimo obtido junto ao Bradesco. E diante dessa documentação, pugna pela redução do valor da suposta receita omitida de R$6.807.953,71 para R$575.370,28. Importante, neste momento, lembrar a que se refere o montante autuado, qual seja, a divergência apresentada entre a escrituração contábil e a DIPJ apresentada para o período de 2007 do recorrente. Os extratos bancários e planilhas apresentadas tentam justificar valores relacionados à movimentação bancária, que já foi alvo de fiscalização e outro auto de infração conforme já mencionado. Dessa forma, a documentação trazida em sede de recurso não servem para demonstrar a falta de tributação da parte contabilizada. Ademais, no que tange ao contrato entre a recorrente e a empresa Teporti Terminal Portuário de Itajaí S/A, empresa com sócios quase que idênticos também recebeu notificação da RFB para que esclarecesse alguns pontos, inclusive após a alegação de duplicidade de contabilização na empresa recorrente, conforme o TVF (fls. 582 a 609), no entanto, a resposta foi no sentido de que não existiam àquela data os livros contábeis referentes ao anocalendário 2007, de forma que não podiam ser apresentados, ademais, consta ainda, que o escritório de contabilidade não havia sequer organizado a documentação para proceder aos lançamentos contábeis. Assim, em que pese a alegação de duplicidade de lançamentos contábeis, tão somente com a apresentação do contrato, ela não foi suportada com a própria compradora das pedras rachão, empresa do mesmo grupo, que da mesma forma, não possuía, quando da fiscalização, em 2012, ou seja, mais de quatro anos após as ocorrência dos fatos, a contabilidade e livros organizados. Facilmente se verifica, pela análise do Balancete de Verificação apresentado pelo contribuinte em sede de fiscalização que, a sua receita bruta de vendas e serviços foi de R$ 10.337.830,58, conforme recorte abaixo, e o valor declarado em DIPJ 2008/2007, fls. 425/435, foi de R$644.070,36, R$688.259,23, R$734.431,02 e R$779.771,32 nos quatro trimestres, totalizando o valor oferecido à tributação de R$2.846.531,93. Fl. 1192DF CARF MF Processo nº 11516.720524/201279 Acórdão n.º 1301002.197 S1C3T1 Fl. 1.193 15 Ressaltese, ainda, que a DCTF no respectivo ano foi entregue zerada. Dessa forma, o contribuinte em sede de fiscalização não logrou êxito ao tentar demonstrar a que se referia tal discrepância conforme já relatado acima. Os documentos apresentados agora também, a meu ver, não logram em demonstrar a divergência apontada pelo auto de infração. Assim, restou caracterizada a omissão de receitas de prestação de serviços em geral e de locação ou administração de bens, que embora devidamente escrituradas pela recorrente não foram devidamente oferecidas à tributação do IRPJ/CSLL/PIS/COFINS. Ademais, o art. 45 da Lei 8.981/95 determina a manutenção dos competentes e regulares registros contábeis, mesmo no caso de opção pelo lucro presumido, como é o caso da recorrente, isso, apesar dela mesma apresentar livros de apuração do LALUR/CS. O que ela informa em DIPJ e DCTF são totalmente diversos do que escritura contabilmente. Art. 45. A pessoa jurídica habilitada à opção pelo regime de tributação com base no lucro presumido deverá manter: I escrituração contábil nos termos da legislação comercial; II Livro Registro de Inventário, no qual deverão constar registrados os estoques existentes no término do anocalendário abrangido pelo regime de tributação simplificada; III em boa guarda e ordem, enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica, bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Parágrafo único. O disposto no inciso I deste artigo não se aplica à pessoa jurídica que, no decorrer do anocalendário, mantiver livro Caixa, no qual deverá estar escriturado toda a movimentação financeira, inclusive bancária. Desse modo, deve ser mantida a autuação. 2) Omissão parcial da autoridade fiscal em relação à compensação de tributos constituídos Alega ainda o recorrente que o auditor fiscal não reconheceu os tributos anteriormente pagos ou parcelados. No entanto, conforme se verifica nos controles da RFB, os recolhimentos tempestivos efetuados em 2007 pelo recorrente foram consumidos na compensação dos débitos tributários resultantes dos autos de infração do processo já mencionado acima e Declarações de Compensações efetuados, fls. 996/1.047. Fl. 1193DF CARF MF Processo nº 11516.720524/201279 Acórdão n.º 1301002.197 S1C3T1 Fl. 1.194 16 A diferença apontada pelo recorrente entre os montantes decorre dos acréscimo de multa de 75% (com redução em 50%), de tal forma que o não há que se falar em não compensação dos montantes já recolhidos/compensados. Ressaltese, ainda, que do montante autuado, de IRPJ e CSLL foram deduzidos os valores recolhidos, e valores compensados em razão do auto de infração anterior, conforme consta inclusive do próprio auto de infração. Dessa forma, não merece prosperar. Assim, como em relação aos débitos de PIS/Cofins, que no auto de infração a base de cálculo não é a totalidade das receitas e sim, somente a parte da receita omitida das prestações de serviço de administração de bens deste auto, daí não merece guarida a alegação do recorrente de que nada foi utilizado pela fiscalização. 3) Equívoco no enquadramento legal Alega também, o recorrente que houve erro no enquadramento legal da venda de pedra de rachão. No seu entendimento, tais receitas de vendas não devem ser consideradas como receita bruta de vendas e serviços e sim como receita de alienação de bens do ativo imobilizado, e devendo ser considerada como ganho de capital, já que essas pedras são extraídas de seu imóvel. Em pese suas alegações, no meu entendimento ele não merece prosperar, já que se fosse dessa forma, qual seria o custo de tais pedras? Em seu ativo imobilizado consta apenas o valor do terreno, ora o terreno não foi alienado, somente as pedras, se assim fossemos tratar, o seu custo seria zero, devendose adicionar à base de cálculo presumida o valor do ganho em sua totalidade, ou seja em 100% do seu valor, nos termos do art. 225 do RIR: Art. 225 Os ganhos de capital, demais receitas e os resultados positivos decorrentes de receitas não abrangidas pelo artigo anterior, serão acrescidos à base de cálculo de que trata esta Subseção, para efeito de incidência do imposto. Ademais, conforme documentação colacionada aos autos verificase que tais vendas não foram pontuais ou esporádicas, verificase, inclusive com a emissão de notas fiscais avulsas a cada operação de venda. Dessa forma, de se manter a autuação dessas receitas de vendas de pedras rachão. 4) Descabimento da multa qualificada de 150% No que tange à desqualificação da multa qualificada, alega a recorrente descuido na sua escrituração contábil, agindo dessa forma com culpa e jamais com o intuito de dolo ou fraude. Já a decisão recorrida foi no sentido de que o dolo foi evidente, uma vez que o recorrente deixou de declarar receitas que efetivamente estavam escrituradas em sua contabilidade. O que consubstancia em evidente sonegação, com a intenção de causar dano à Fazenda Pública, num propósito deliberado de se subtrair no todo ou em parte uma obrigação tributária. Fl. 1194DF CARF MF Processo nº 11516.720524/201279 Acórdão n.º 1301002.197 S1C3T1 Fl. 1.195 17 Em que pese a existência da Súmula CARF 14: em que a simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Pelas documentações e provas trazidas no presente caso, verificase tal intuito de fraudar o erário. O período fiscalizado é de 2007, o valor declarado em DIPJ é muito abaixo do apurado e daquele efetivamente escriturado contabilmente pela empresa. A DCTF foi entregue zerada, nem ao menos foi entregue com os valores recolhidos pelo recorrente. O início da fiscalização se deu em 2011, ou seja, tempo suficiente para que o recorrente se fosse efetivamente necessário proceder em correções dos eventuais equívocos que alega. De se ressaltar, ainda, a proporção das receitas omitidas e não declaradas em relação à receita total, de: A Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, constante do dispositivo que qualifica a multa de ofício, na Lei nº 9.430, de 1996, caracterizou: Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Art . 74. Apurandose, no mesmo processo, a prática de duas ou mais infrações pela mesma pessoa natural ou jurídica, aplicam se cumulativamente, no grau correspondente, as penas a elas cominadas, se as infrações não forem idênticas ou quando ocorrerem as hipóteses previstas no art. 85 e em seu parágrafo. § 1º Se idênticas as infrações e sujeitas à pena de multas fixas, previstas no art. 84, aplicase, no grau correspondente, a pena cominada a uma delas, aumentada de 10% (dez por cento) para cada repetição da falta, consideradas, em conjunto, as circunstâncias qualificativas e agravantes, como se de uma só Fl. 1195DF CARF MF Processo nº 11516.720524/201279 Acórdão n.º 1301002.197 S1C3T1 Fl. 1.196 18 infração se tratasse. (Vide DecretoLei nº 34, de 1966) (Grifou se.) Assim, no meu entender cabível a multa qualificada já que caracterizado o dolo, no evidente intuito de sonegação da recorrente. 5) Decadência parcial do PIS e da COFINS relativos à competência 01/2007 e 02/2007 Em decorrência da aplicação da multa qualificada e sua manutenção, não cabe o argumento do recorrente de decadência parcial de PIS e de COFINS relativos à competência 01/2007 e 02/2007. Caso sejam constatados a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial deslocase para a regra determinada no art. 173, I do CTN. Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Assim, também a Súmula CARF nº 72: Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial regese pelo art. 173, inciso I, do CTN. Dessa forma, diante da conduta dolosa do contribuinte, aplicável o art. 173, I do CTN, e não o previsto no §4º do art. 150 do CTN, não havendo o que falar em decadência parcial daquelas competências. Conclusão Dessa forma, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Sala de sessões, (documento assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto Relatora Fl. 1196DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.720203/2014-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 09 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Feb 13 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009
OBSERVÂNCIA AO ARTIGO 7º DA IN SRF Nº 213/02. ILEGALIDADE. EXCLUSÃO DE PENALIDADE E JUROS.
A observância dos os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo.
Numero da decisão: 1302-001.946
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário, para excluir a penalidade e os juros de mora, nos termos do art. 100, parágrafo único do CTN. Vencidos os Conselheiros Talita Pimenta Félix (Relatora) e Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Ana de Barros Fernandes Wipprich.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Talita Pimenta Félix - Relatora
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Wipprich - Redatora designada.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Souza Júnior, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Marcelo Calheiros Soriano, Rogério Aparceido Gil, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Talita Pimenta Félix e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: TALITA PIMENTA FELIX
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ILEGALIDADE. EXCLUSÃO DE PENALIDADE E JUROS. A observância dos os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário, para excluir a penalidade e os juros de mora, nos termos do art. 100, parágrafo único do CTN. Vencidos os Conselheiros Talita Pimenta Félix (Relatora) e Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Ana de Barros Fernandes Wipprich. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente (assinado digitalmente) Talita Pimenta Félix Relatora (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich Redatora designada. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Souza Júnior, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Marcelo Calheiros Soriano, Rogério Aparceido Gil, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 02 03 /2 01 4- 38 Fl. 1782DF CARF MF Processo nº 16682.720203/201438 Acórdão n.º 1302001.946 S1C3T2 Fl. 1.782 2 Ana de Barros Fernandes Wipprich, Talita Pimenta Félix e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Fl. 1783DF CARF MF Processo nº 16682.720203/201438 Acórdão n.º 1302001.946 S1C3T2 Fl. 1.783 3 Relatório O presente processo referese à exigência de IRPJ e CSLL, referentes ao ano calendário de 2009, onde se apontam duas condutas da autuada que ora são questionadas pela fiscalização, às quais ocasionaram: i. ausência de adição dos lucros auferidos no exterior por intermédio de suas controladas sediadas nas Ilhas Cayman (Lir Energy Limited – LIR, e Light Overseas Investments Limited – LOI)1, art. 74, parágrafo único da MP n. 2.15835/01 e; ii. glosa de despesa indedutível, referente à multa objeto de reversão de provisões em virtude da inclusão de débitos no Parcelamento Especial da Lei n. 11.941/092; iii. aplicação da multa de ofício e de juros à taxa Selic, inclusive, sobre a penalidade lançada de ofício. Relata o TVF que: Da falta de adição de lucros auferidos por empresa controlada no exterior – IRPJ e CSSL. Isto porque, durante 2009, a autuada possuía participação societária no exterior de 100% na empresa LIR ENERGY LTD. De acordo com as demonstrações financeiras da LIR, disponibilizadas pela Light em 18/02/2014, a LIR apresentou um lucro líquido de US$ 88.020.850,68, no anocalendário de 2009, que convertidos à taxa de câmbio de venda do Banco Central do Brasil do dia de 31/12/2009 (R$ 1,7412), corresponde a R$ 154.653.472,24. Intimada a informar se os lucros auferidos no exterior foram tributados no Brasil na data do balanço em que foram apurados, a autuada respondeu que sim. Todavia, a fiscalização concluiu que “o contribuinte simplesmente eliminou o resultado negativo do MEP no LALUR e Livro de Apuração da Base de Cálculo da CSLL, não se deduzindo deste valor negativo para fins tributários” (efl. 1018). Assim, a autuada “acabou por deixar de apurar os lucros auferidos no exterior que deveriam ter sido tributados no Brasil” (efl. 1018). Por fim, ressaltou que não ocorreram tributos pagos no exterior passíveis de compensações no Brasil. Da falta de adição de custo/despesa indedutível – IRPJ e CSSL. É que a autuada teria deduzido algumas multas tributárias impostas à empresa, as quais não seriam dedutíveis. Argumentou que “as multas lavradas foram punitivas, e, portanto, não compensatórias, não existe previsão legal para que essas multas sejam dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, como despesa ou custo operacional” (efl. 1024). Deste modo, compilou a Tabela 7 (efl. 1023), que resume os débitos deduzidos indevidamente: Fl. 1784DF CARF MF Processo nº 16682.720203/201438 Acórdão n.º 1302001.946 S1C3T2 Fl. 1.784 4 A contribuinte noticia a impetração do Mandado de Segurança n° 2003.51.01.0055148, em que lhe foi concedida a liminar pleiteada, reconhecendo o direito da autuada a não ser compelida a recolher o IRPJ e a CSLL sobre os lucros acumulados pelas suas controladas (LIR e LOI), sediadas no exterior, bem como futuros lucros a serem auferidos, enquanto não fossem disponibilizados, tendo em vista as ilegalidades e inconstitucionalidades do art. 74, caput, e parágrafo único, da MP n° 2.15835/2001. Foi proferida sentença julgando a improcedência do pedido. Todavia, o recurso de apelação interposto foi recebido em ambos os efeitos, restaurando a liminar. Ocorre que a autuada requereu renúncia da ação com o fim de aderir a parcelamento da Lei n. 11.941/09. Destarte, retomouse a presunção de legitimidade do ato normativo questionado (art. 7º, §1º da Instrução Normativa SRF n° 213/2002) e da eficácia do ato legal reputado inconstitucional (art. 74 da Medida Provisória n° 2.15835/2001). Irresignada, apresenta impugnação ao lançamento fiscal (efls. 1057/1095). Todavia, a DRJ/Ribeirão PretoSP julgou a improcedência da impugnação e manteve o crédito tributário. Desta decisão foi dada ciência eletrônica à autuada em 22/10/2014 (efl. 1669). Não obstante, consta dos autos também que foi dada ciência eletrônica a autuada em 05/11/2014 por decurso de prazo (efl. 1670). Em 19/11/2014, foi interposto, em meio digital, recurso voluntário pela autuada (efls. 1672/1711). Neste, a autuada traz alguns esclarecimentos relativos ao Mandado de Segurança anteriormente citado, e argumenta que: a) acerca do Método de Equivalência Patrimonial nos anos de 2002 e posteriores, esclarecendo o procedimento realizado ao longo dos anos, especialmente no ano calendário 2009. Aduz que “a LIGHT, após a renúncia total da medida judicial e a formação de coisa julgada contrária aos seus interesses, efetivamente tributou os resultados auferidos no exterior, devidamente reconhecidos pelo Método da Equivalência Patrimonial, nos exatos termos previstos na IN 213/02, tendo, para tanto, recomposto todas as bases de cálculo a partir de 2002. Como dito e será explorado adiante, tal fato impactou significativamente o seu saldo de prejuízos fiscais acumulados”; b) a dedutibilidade das multas oriundas das NFLD's n°s 35.496.2043, 35.496.2060 e 35.496.2116. Isto porque “as provisões referentes às multas de que ora se trata foram objeto de reversão quando da inclusão desses débitos em Parcelamento especial”. Em relação à denominada “Infração 01”, inicia debatendo o (i) conceito de equivalência patrimonial e, posteriormente, conclui acerca da (ii) inclusão da variação cambial nos resultados de equivalência patrimonial. Outrossim, argumenta sobre (iii) o dever funcional das autoridades fiscais de aplicarem literalmente a IN 213/02. Lado outro, aponta (iv) a incongruência entre as posições da Fazenda Nacional na esfera judicial e da presente autuação, pois os presentes autos foram lavrados baseandose em argumentação diversa daquela representada pela aplicação literal da IN 213/02. Aduz sobre (v) a impossibilidade de se exigir comportamento da autuada oposto àquele decidido em decisão judicial transitada em julgado. Por outro prisma, argumenta acerca da (vi) inexistência de prejuízo ao Fisco, pois o procedimento adotado pela autuada teria ensejado aumento da arrecadação da autuada e Fl. 1785DF CARF MF Processo nº 16682.720203/201438 Acórdão n.º 1302001.946 S1C3T2 Fl. 1.785 5 redução de seu saldo de prejuízos fiscais. Outrossim, discorre sobre o (vii) o crédito relativo ao anocalendário de 2008. Em relação à denominada “Infração 02”, aduz que, ainda que se considere o Parecer CST no 61/79, no caso específico das reduções do parcelamento instituído pela Lei n. 11.941/09, há norma específica que autoriza o procedimento adotado pela autuada. Por fim, discorre sobre a multa e juros aplicados, alegando que (i) a multa aplicada deve ser cancelada; (ii) a impossibilidade de incidência de juros Selic sobre a multa de ofício. Com base nestes argumentos, apresentou as seguintes conclusões e requereu: i. O presente recurso é tempestivo e deve ser conhecido e provido para que seja cancelado o Auto de Infração; ii. a LIGHT impetrou o Mandado de Segurança no 2003.51.01.0055148, para que entre outras coisas não oferecesse à tributação os valores referentes à variação cambial dos lucros auferidos por controladas no exterior; (iii) a LIGHT tentou desistir parcialmente do Mandado de Segurança no 2003.51.01.0055148 para incluir e tributar os lucros auferidos no exterior no contexto do Programa de Parcelamento da Lei no 11.941/09, mantendo a discussão no tocante ao não oferecimento do resultado de equivalência patrimonial que inclui a variação cambial; (iv) a Fazenda Nacional discordou de tal posicionamento exigindo que a LIGHT calculasse e oferecesse a tributação a integralidade dos resultados de equivalência patrimonial. Por diversas razões, é possível inferir que a inclusão da variação cambial na tributação da LIGHT foi exigida pela Fazenda Nacional e pelo juízo a quo, se não como resultado de equivalência, como ganho auferido dentro do país; (v) a decisão judicial do Mandado de Segurança no 2003.51.01.0055148 que exigiu o cumprimento do procedimento atualmente adotado pela LIGHT já transitou em julgado, formando coisa julgada material; (vi) a LIGHT, tomando por base o posicionamento acima, efetuou ajustes nos prejuízos fiscais e base de cálculo negativa da CSL em todos os períodos, desde 2002 para aplicar o método de equivalência patrimonial, conforme exigido pela referida decisão; (vii) os resultados de equivalência patrimonial incluem os lucros auferidos no exterior, o patrimônio líquido da sociedade coligada ou controlada e a variação cambial de tais valores; (viii) a tentativa de dar base legal à IN 213/02 pelo artigo 46 na MP no 135/03 assenta de uma vez por todas o entendimento de que os resultados de equivalência patrimonial incluem a variação cambial do período; (ix) as D. Autoridades Fiscais tinham o dever funcional e aplicar a IN 213/02 literalmente como foi feito pela LIGHT de modo incluir a variação cambial nos resultados de equivalência patrimonial, sob pena de responsabilidade funcional; Fl. 1786DF CARF MF Processo nº 16682.720203/201438 Acórdão n.º 1302001.946 S1C3T2 Fl. 1.786 6 (x) em síntese, as D. Autoridades Fiscais pretendem exigir pelo Auto de Infração uma cobrança que diz respeito à adoção de uma prática diametralmente contrária àquela defendida pela Fazenda Nacional nos autos do Mandado de Segurança no 2003.51.01.0055148; (xi) as D. Autoridades Fiscais defendem a aplicação interpretativa e restritiva da IN 213/02, enquanto a Fazenda Nacional defendia a aplicação literal da IN 213/02 no Mandado de Segurança no 2003.51.01.0055148; (xii) embora não concordasse com a aplicação literal da IN 213/02, a LIGHT assim o fez contrariamente ao seu entendimento, por conta de decisão transitada em julgado que assim determinou nos autos do Mandado de Segurança no 2003.51.01.0055148; (xiii) a coisa julgada material judicial produz efeitos fora do processo, de modo que não cabe à LIGHT, às D. Autoridades Fiscais ou ao órgão julgador administrativo decidir em sentido oposto; (xiv) o não cancelamento do Auto de Infração iria de encontro ao já decidido na esfera judicial, em afronta aos princípios da coisa julgada, da celeridade e da economia processuais. Além disso, gera enorme insegurança jurídica para a LIGHT; (xv) fora isso, destaca a LIGHT que não houve prejuízo aos cofres públicos pela tributação no Brasil da equivalência patrimonial integral. Ao contrário, a LIGHT recolheu um valor altamente maior após a aplicação do método de equivalência patrimonial com a inclusão da variação cambial. (xvi) além do mais, a decisão judicial transitada em julgado nos autos do Mandado de Segurança no 2003.51.01.0055148 definiu a tributação com base na IN 213/02. As D. Autoridades Fiscais, no entanto, ao lavrarem o Auto de Infração, apresentaram posição divergente em relação ao mesmo dispositivo IN 213/02, embora a própria Secretaria da Receita Federal não tivesse alterado seu entendimento, em clara violência aos artigos 3o, 142 e 146 do CTN; (xvii) ad argumentandum, além disso, caso o Auto de Infração não seja cancelado, a imposição de multa no presente caso não faz sentido, uma vez que significaria a penalização da LIGHT por adotar um procedimento com o qual não concordava, mas que foi exigido pela Fazenda Nacional e imposto judicialmente nos autos do Mandado de Segurança no 2003.51.01.0055148. Nesse particular, destaca a LIGHT que o tributo em questão estava com sua exigibilidade suspensa, não podendo ser cobrada multa sobre tais valores; (xviii) a LIGHT aplicou disposição literal de ato normativo administrativo, de modo que o artigo 100, parágrafo único do CTN impede a imposição de penalidades no presente caso; (xix) ainda que, por absurdo não seja acolhido o entendimento da LIGHT, ela possui direito a um crédito tributário a ser reconhecido para o ano de 2008, Fl. 1787DF CARF MF Processo nº 16682.720203/201438 Acórdão n.º 1302001.946 S1C3T2 Fl. 1.787 7 apurado sobre uma base de cálculo de R$ 369.185.591,95, efetivamente reconhecido pelas DD. Autoridades Fiscais, e que deve efetivamente ser atualizado com base nos índices vigentes; e (xx) quanto à dedutibilidade das multas, requerse o reconhecimento da natureza compensatória das multas impostas quando do lançamento de créditos previdenciários, tendo em vista a legislação específica e suas peculiaridades ou, caso assim não se entenda, que se reconheça a prevalência das disposições especiais da Lei no 11.941/09, que autoriza o procedimento adotado pela LIGHT ao não estipular qualquer restrição à previsão de seu artigo 40, parágrafo único; (xxi) ainda que se admitisse a validade do crédito tributário principal, a exigência de juros pela Taxa SELIC deverá também ser cancelada, assim como os juros incidentes sobre a multa de ofício. Por tudo, requereu o conhecimento e provimento do recurso voluntário, cancelandose o auto de infração relacionado e, consequentemente, arquivandose o Processo Administrativo. Posteriormente, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões (efls. 1.746/1.774), onde alega que: a) em relação aos lucros auferidos no exterior (i) inexiste a decisão transitada em julgado a favor da recorrente; (ii) a não sujeição da variação cambial de investimentos de pessoa jurídica coligada e controlada no exterior à tributação do IRPJ e da CSLL, tendo concluído que a equivalência patrimonial não leva em conta a inclusão da variação cambial; b) quanto à indedutibilidade das multas, “tendo em vista que a multa de mora tratada no art. 35 da Lei 8212/91, imposta à recorrente, quando recolhida em razão de lançamento de oficio ou inscrição em dívida tem natureza punitiva em face do interesse público de se onerar o inadimplente mediante a aplicação de percentuais mais elevados e, ainda, considerandose a ausência de previsão legal para a dedução levada a efeito pela recorrente, correta a glosa de tais valores”; c) por fim, em relação à multa de ofício e juros sobre a multa, defende a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício e a utilização da taxa Selic. Em síntese, é como relato. Notas: 1 Enquadramento legal: art. 3 da Lei n. 9.249/95; arts. 247, 248 e 249, inciso II, 277 e 278 do RIR/99; arts. 251 e 349 do RIR/99, combinado com o art. 74 da MP n. 2.15835/01; art. 1, da Lei n. 9.532/97, com as alterações introduzidas pelo art. 3 da Lei n. 9.959/00 e pelo art. 74 da MP n. 2.15835/01. 2 Enquadramento legal: art. 3 da Lei n. 9.249/95 e arts. 247 e 249, inciso I, do RIR/99. Fl. 1788DF CARF MF Processo nº 16682.720203/201438 Acórdão n.º 1302001.946 S1C3T2 Fl. 1.788 8 Voto Vencido Conselheira Talita Pimenta Félix LIGHT SERVIÇOS DE ELETRICIDADADE S/A, empresa que desenvolve a atividade de distribuição de energia elétrica, recorre do Acórdão n. 1454.013 proferido pela 15a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE a Impugnação interposta contra lançamento formalizado em 03/04/2014, exigindo crédito tributário no montante de R$ 84.200.303,85. 1. PRELIMINARMENTE Da Tempestividade Conforme enuncia o art. 33 do Decreto nº 70.235/72, o Recurso Voluntário formalizado por escrito e instruído com os documentos em que se fundamentar, será apresentado no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Nestes termos, considerando que a Recorrente foi intimada do Acórdão n. 1454.013 proferido pela 15a Turma da DRJ/RPO, pelo “Termo de Abertura de Documento”, via eCAC, em 21/10/2014, o prazo final transcorreu em 19/11/2014 e, sendo o Recurso protocolizado em, satisfazse o requisito primordial da tempestividade. 2. DO MÉRITO As autuações versam, essencialmente, sobre a exigência de inclusão da variação cambial no resultado de equivalência patrimonial, para tributação dos lucros auferidos pelas controladas diretas da Recorrente, no anocalendário de 2009. O deslinde desta controvérsia, exige, ainda que de forma indireta, o estabelecimento e enfrentamento das seguintes premissas fáticojurídicas: primeira, a compreensão dos fatos relacionados ao e no MS n. 2003.51.01.0055148; segunda, a delimitação e efeitos da coisa julgada material; após, mais claro tornase a trilha do voto. O que faço a seguir. 2.1 Das Notas FáticoJurídicas Presentes no Mandado de Segurança n. 2003.51.01.0055148 que Transitou em Julgado A ação mandamental, impetrada pela contribuinte, em 20/02/2003, visava o reconhecimento do direito de não ser obrigada (i) a recolher lucros auferidos por suas suas controladas (Lir Energy Limited – LIR, e Light Overseas Investments Limited – LOI) sediadas no exterior, na apuração do lucro real da Recorrente, bem como, (ii) de não incluir os valores relativos aos “resultados positivos de equivalência patrimonial”, concernentes a tais investimentos (que não se confundem com “lucro”) detido nas suas controladas. Fl. 1789DF CARF MF Processo nº 16682.720203/201438 Acórdão n.º 1302001.946 S1C3T2 Fl. 1.789 9 Em sua peça, a Recorrente alega que procedeu de acordo com o prescrito no art. 248 do RIR/99, ou seja, contabilizou o investimento mantido nas controladas pelo MEP, incluindo as variações. E que, quanto ao critério temporal, ainda que entenda ilegal e inconstitucional o disposto no parágrafo único, art. 74, da MP 2.115835/01, registrou o lucro no momento em que apurou os balanços (31/12/2002), independentemente de serem distribuídos ou disponibilizados. E afirma que tais lucros não foram, de nenhuma forma, repassados para a sociedade controladora, a ora Recorrente, por tais motivos impetra o MS para requerer permissão para não tributar os lucros e outros valores gerados no exterior, e ainda não disponibilizados à controladora brasileira. Quanto ao MS, assim transcorreu, vide: i. em liminar a segurança foi deferida, atendendo a todos os pleitos da Impetrante; ii. em sentença, com fulcro na ADIN n. 2.588, estando os lucros das sociedades controladas submetidas à sua disponibilidade jurídica, que ocorre no momento de sua apuração no balanço da controladora, denega a segurança; iii. a contribuinte opõe embargos de declaração para que sejam sanadas as omissões relativas às considerações realizadas sobre as inconstitucionalidades e ilegalidades do art. 7o, parágrafo 1o, da IN n. 213/02. Ainda que procedentes, o dispositivo foi completado, porém, mantendo se inalterado; iv. em apelação, requereu, entre outros, o restabelecimento dos efeitos da liminar; v. em 23/02/2010, a contribuinte requereu “desistência parcial e a renúncia de parte das alegações de direito aduzidas na presente ação mandamental”. Tal pedido se sustenta na pretensão em aderir ao Programa de Parcelamento, incluindo “apenas os valores relativos aos lucros auferidos e não disponibilizados pelas suas controladas no exterior”; vi. a Fazenda Nacional peticiona alegando ser impossível ocorrer a renúncia parcial, por não ser “cabível continuar discutindo a questão do método de equivalência patrimonial, eis que esse é o meio de que dispõe o Fisco de apurar o lucro real das empresas controladas ou coligadas brasileiras. A permanecer tal discussão, o Fisco poderá ser impedido de cobrar créditos os quais a parte está renunciando, eis que a forma pela qual eles serão calculados está ainda sob pendência judicial”; vii. em contrapartida, a contribuinte apresenta Parecer acerca do MPE e suas diferenças em relação à apuração dos lucros auferidos no exterior através de controladas ou coligadas, com o fim de embasar o pleito de cisão da lide; viii. o TRF da 2a Região, indeferiu o pedido de homologação parcial da renúncia; Fl. 1790DF CARF MF Processo nº 16682.720203/201438 Acórdão n.º 1302001.946 S1C3T2 Fl. 1.790 10 ix. a contribuinte interpõe agravo regimental, requerendo a integral reforma da decisão; x. em simples petição, a contribuinte “requer a desistência integral do presente processo, bem como a renúncia aos direitos sobre os quais ele se funda, conforme autoriza o artigo 269, inciso V, do Código de Processo Civil”; xi. em nova decisão, proferida em 18/06/2010, a Juíza Federal homologou a desistência da ação, com a renúncia ao direito sobre o qual ele se funda, para que produza os seus regulares e jurídicos efeitos, julgando extinto o processo, com julgamento do mérito, nos termos do artigo 269, inciso V, do Código de Processo Civil”, motivo pelo qual julgou “prejudicados os recursos de apelação e agravo interno”. Resumidamente, esses são os fatos necessários à compreensão da ação mandamental. 2.2. Delimitação da Coisa Julgada Material, e os Efeitos da Ação Mandamental Sobre as Infrações ora Debatidas Após breve exposição dos fatos relatados no mandado de segurança, imprescindível procederse a uma análise da formação da coisa julgada material e seus efeitos. Eis que a grande divergência, entre Fisco e contribuinte, reside em saber quais efeitos o trânsito em julgado do mandamus produziu para as partes litigantes. 2.2.1 Da coisa julgada: regime jurídico e seus efeitos Nas palavras de Eurico Marcos Diniz de Santi e Paulo Cesar Conrado1, a coisa julgada é um: (...) conceito criado e delineado pelo direito que funciona como termo final do processo de positivação, encerrando o percurso narrativo do direito: limite ao conhecimento de fatos do mundo externo (questões de fato) e limite à enunciação das possibilidades interpretativas que toda lei enseja (questões de direito). Nada mais natural, o direito é artificial: inicia seu processo de positivação por intervenção formal das partes, conforme previsão da lei (lançamento, petição inicial etc.), e termina quando a lei definir, no caso do processo judicial, com a coisa julgada. Quanto ao posicionamento da Suprema Corte Brasileira, me valho de pesquisa realizada por Gustavo Sampaio Valverde2, em sua obra Coisa Julgada em Matéria Tributária, que ao analisar o posicionamento desta Corte, informa que no julgamento do RE 146.331/SP, sob relatoria do Min. Marco Aurélio Mello, afirmou se ser “induvidoso que o instituto da coisa julgada, agasalhado sistematicamente pelas Cartas brasileiras, revelase possuidor de contornos inerentes a cláusulas pétreas, cujo afastamento do cenário jurídico pressupõe sentença proferida em ação rescisória”3. Bem como, que no RE 47.695/MG, ressaltou que “a coisa julgada proclamada, tem a seu prol, garantia constitucional inequívoca e é dentro desse princípio que o art. 287 diz que a sentença tem força de lei entre as partes”. Conclui afirmando que “diante dessas premissas, o STF considera a coisa julgada Fl. 1791DF CARF MF Processo nº 16682.720203/201438 Acórdão n.º 1302001.946 S1C3T2 Fl. 1.791 11 como matéria de ordem pública, de modo que até ‘ex ofício’ ela pode ser reconhecida (RE 64.041MG)”. Distinguindo coisa julgada formal e coisa julgada material, o jurista4 assim se posiciona: A coisa julgada formal tem por objeto o procedimento de produção da decisão, vale dizer, ela torna imutável o deslinde de uma relação jurídica processual específica. Assim, a decisão tornase imutável no processo em que foi produzida, gerando efeitos adjetivos dentro do procedimento. (...) A coisa julgada formal é a força máxima da preclusão, tendo lugar quando as partes já não podem mais discursar naquele sistema comunicativo constituído pelo processo individualmente considerado. (...) Por outro lado, a coisa julgada material constitui um reforço à coisa julgada formal, pois se refere à imutabilidade dos efeitos – declaratórios, constitutivos, condenatórios, mandamentais, executivos – da decisão, no âmbito da relação de direito material externa ao processo singularmente considerado. Nesse caso, a decisão é denominada definitiva. Ela tem lugar naquelas relações em que as condições da ação e os pressupostos processuais permitiram a tematização do conflito e a sua superação por meio de uma decisão de mérito (art. 269, do CPC). Dela decorre que a relação jurídica substantiva não poderá ser rediscutida nem no processo findo nem em qualquer outro, concomitante ou futuro, seja qual for o órgão judiciário competente. Por limites objetivos e subjetivos da coisa julgada, temse que os primeiros se prestam a estabelecer os parâmetros do que, dentre as questões decididas pela sentença, quais, exatamente, estarão albergadas pela coisa julgada. Em relação aos limites subjetivos, o foco encontrase no universo de pessoas que será atingido por tal decisão. Ou seja, o limite subjetivo volta suas atenções para as pessoas que estarão submetidas à imutabilidade da decisão, e o limite objetivo às questões meritórias5. Os limites objetivos trazem como instrumental hábil à sua verificação a individualização da lide em partes, causa de pedir e pedido. Todos necessários à configuração da coisa julgada (RE 97.825/PR). Nesta tônica, a aferição das partes dispensa menção, por sua clareza na identificação. No que pertine, à causa de pedir, este “constitui aquela comunicação endereçada ao juiz pelas partes, no sentido de fundamentar a procedência do seu pedido. (...) A pretensão à produção dessa comunicação normativa representa exatamente o pedido formulado na ação”. Por fim, temse que “o pedido e a causa de pedir constantes da petição inicial e reportados na fundamentação da sentença integram a coisa julgada, na medida em que delimitam o conteúdo e a extensão do mandamento prescritivo constante da parte dispositiva do decisium”6. Feitos tais apontamentos, passo aos esclarecimentos das premissas e conclusões defendidas pela contribuinte e pela Fazenda Nacional, sob a perspectiva desta conselheira. Segue. 2.2.2 Dos Efeitos da Coisa Julgada Material na Ação Mandamental: Para Fins de Apreciação Destas Autuações Fl. 1792DF CARF MF Processo nº 16682.720203/201438 Acórdão n.º 1302001.946 S1C3T2 Fl. 1.792 12 Com o trânsito em julgado do MS, a Recorrente entendeu estar obrigada a oferecer os lucros e a variação cambial, apurados por suas controladas sediadas no exterior, através do MEP, à tributação no Brasil. Procedendo deste modo, apurou prejuízo nas controladas no montante de R$ 257.211.458,35 milhões de reais, os quais foram adicionados à apuração do lucro real, relativo ao anocalendário de 2009. Pois bem, temse que a Recorrente impetra MS requerendo sua não sujeição ao comando prescrito no art. 74, parágrafo único da MP n. 2.15835/01, e, após uma demanda que tramitou, aproximadamente, por 07 (sete) anos, desiste e renuncia ao direito de seguir com a discussão judicial. Uma vez que, para se adequar às regras impostas pelo programa de parcelamento, instituído pela Lei n. 11.941/09, foi obrigada a tal ato, caso contrário, a RFB não aceitaria sua inclusão. Importante registar que, a Recorrente, inicialmente, desejou realizar a cisão parcial da lide, para incluir os lucros auferidos pelas coligadas no exterior no parcelamento, porém, seguindo na lide quanto à inclusão da variação cambial. Encontrou oposição da Fazenda Nacional, no que toca à divisão dos pedidos da medida judicial. Neste aspecto, o TRF da 2a Região, ainda que concordando com o fato de que poderia ter havido renúncia parcial, porém, ao final, manifestandose de forma contrária à contribuinte, decide que: Em que pese a relevância das alegações formuladas pela impetrante, que traçou de maneira inquestionável a distinção e o exato alcance dos pedidos cumulados, rebatendo de maneira competente os argumentos da ilustre representante da Fazenda Nacional, entendo que o pedido não merece ser acolhido da forma pretendida. Com efeito, diversamente do alegado pela União Federal, o oferecimento à tributação dos lucros auferidos, distribuídos ou não, por empresas coligadas ou controladas, no exterior, não se confunde com o resultado positivo obtido na atualização periódica do valor contábil dos investimentos realizados nessas empresas mediante utilização do critério da equivalência patrimonial. Contudo, vale lembrar que o Código Tributário Nacional estabelece, em seu artigo 44, que a base de cálculo do Imposto Sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza é o montante real, presumido ou arbitrado, da renda ou dos proventos tributáveis, ou, em outras palavras, será o lucro real, presumido ou arbitrado. Ainda, argumenta que por entender que “os pedidos influenciam na base de cálculo do mesmo período de apuração de ambos os tributos, não vejo como possa haver a separação pretendida dentro do mesmo período base”. Por fim, a contribuinte renuncia totalmente ao direito em que se funda a ação. Após esse delineamento, faço as seguintes indagações: essa ação mandamental, que foi extinta com resolução de mérito, produz algum comando que vincule as partes? Se sim, qual? Caso a resposta seja negativa, significaria que ambas estariam habilitadas a, novamente, provocar o Poder Judiciário, rediscutindo a matéria? Não sendo isso, qual mensagem deve ser compreendida? Fl. 1793DF CARF MF Processo nº 16682.720203/201438 Acórdão n.º 1302001.946 S1C3T2 Fl. 1.793 13 Primeira pergunta: a extinção do MS, com resolução de mérito, produz comando jurídico, vinculando as partes? Se sim, qual? Partindose da premissa que a renúncia ao direito de ação (nos termos do art. 269, inciso V, do CPC), faz coisa julgada material entre as partes, compreendo que a nenhuma das duas mais caberia reabrir tal discussão. Deste modo, a norma que se constrói desta decisão revela em seu antecedente que, ao renunciar ao direito em que se funda a ação, como consequência, a contribuinte se tornará obrigada a incluir a variação cambial do resultado de equivalência patrimonial. Ou seja, estará proibida de não o fazêlo. A Recorrente, por compreender não caber a si, nem às D. Autoridades Fiscais ou ao órgão julgador administrativo decidir em sentido aposto ao proferido no MS, cumpre o disposto na norma estabelecida com o trânsito em julgado do MS, e passa a reconhecer a variação cambial em sua tributação. Ocorre que, no período destes autos, respectiva inclusão gerou prejuízo à Recorrente, o que provocou redução de sua base tributável, montante que foi desconsiderado e autuado, pela fiscalização. Situação que agora discutimos. O fatojurídico em discussão também foi objeto de manifestação pela 1a TO da 4a Câmara, em 05/04/2016, Acórdão n. 1401001.579, referente ao anocalendário de 2005, bem como, pela 1a TO da 1a Câmara, em 12/09/2013, Acórdão n. 1101000.944, relativo aos anoscalendários de 2006 a 2008. Em ambos, por maioria de votos, foi provido o pleito da Recorrente. E, em uma análise um pouco mais detida, notase que as premissas eleitas para o desenho da argumentação jurídica, seja para prover, ou não o recurso, foi a mesma, conforme se expõe a seguir. Em voto vencido, proferido no PAT que tributou o anocalendário 2005, a Conselheira Edeli Pereira Bessa, defende que: Tem razão, portanto, a Fazenda Nacional quando afirma que o efeito da imutabilidade do manto da coisa julgada que acoberta a decisão de renúncia ao direito que se funda ação é tão somente no sentido de não mais ser possível a reclamação judicial do direito subjetivo que se renunciou, não tendo o efeito de formar qualquer juízo de valor acerca do direito subjetivo que se renunciou. Os fatos questionados pela autora em suas petições e recursos, os argumentos das decisões judiciais proferidas antes da renúncia, e as razões de defesa apresentadas pela Fazenda Nacional e pela autoridade impetrada, não se convertem em verdade imutável em razão da sentença de mérito que homologa a renúncia da autora em discutilos judicialmente. (...) Vêse, daí, que diversamente do afirmado pela recorrente, a autoridade impetrada reconheceu que a tributação do resultado da equivalência patrimonial visava alcançar o lucro das investidas no exterior, o qual não poderia ser excluído para apuração do lucro real sob aquela classificação. Ainda, ressaltou o entendimento da Receita Federal de que a variação cambial de investimento no exterior não integraria o resultado da equivalência patrimonial, e teria tratamento tributário próprio. Não disse, em momento algum, que a variação cambial integraria a base tributável do IRPJ e da CSLL por compor o resultado da equivalência patrimonial tratado no art. 7o da Instrução Normativa SRF n. 213/2002. Nesta mesma tônica, o Conselheiro Ricardo Marozzi Gregório, no outro PAT, argumenta que: Fl. 1794DF CARF MF Processo nº 16682.720203/201438 Acórdão n.º 1302001.946 S1C3T2 Fl. 1.794 14 (...) com a renúncia, a recorrente não pode mais discutir a legalidade do procedimento contido na IN/SRF n. 213/2002. Entretanto, isso não quer dizer que o procedimento fosse legal e, muito menos, que o mérito da decisão proferida tenha alcançado essa questão. O efeito da coisa julgada é meramente o de impedir nova discussão sobre a matéria. Não se enunciou uma norma individual e concreta, para a empresa, no sentido de ela seguir os ditames daquela IN/SRF. Nem mesmo, de ela obedecer ao artigo 74 da MP n. 2.15835/01. Permaneceram erga omnes. Futuros pronunciamentos judiciais e administrativos acerca dessas normas se aplicam, normalmente, à recorrente. Em direcionamento posto, redator do voto vencedor, o Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, expõe e compreende, de forma muito simples e clara, que: Quando o autor renuncia ao direito em que se funda uma ação a outra parte guerreava posição oposta, significa que o réu ganhou a ação. É equivalente ao juiz rejeitar o pedido do autor. A sentença judicial de mérito faz coisa julgada material. (...) fixouse o poder de o Fisco exigir a tributação nos termos da sua Instrução Normativa IN 213/02 (reconhecimento da variação cambial) e o dever de o particular apurar a obrigação tributária nos termos da mesma normativa. É evidente que isso não significa que o Fisco possui a faculdade para alterar seu entendimento para o caso concreto ao seu talante; até porque a atividade de lançamento é vinculada, vinculação esta adstrita na presente hipótese à norma fixada pela decisão judicial. Uma vez que o sujeito passivo apurou o valor devido conforme o art. 7o da IN 213/02, o qual havia fixado como direito a ser aplicado para as partes por meio de sentença de mérito transitada em julgado, não há como a autoridade fiscal se insurgir sob o pretexto de considerar equivocada a regulação promovida pelo ato normativo. No Acórdão n. 1101000.944, de relatoria do Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior, também, em voto vencedor, e nos moldes do relato acima, assim se manifestou: Na medida em que foi clara a causa de pedir da impetrante, ora Recorrente, quanto à necessidade também de exclusão da variação cambial da apuração do IRPJ/CSLL como componente do resultado de equivalência patrimonial de investimento no exterior, sua negativa de forma definitiva pelo Poder Judiciário, ainda que de forma singela, simplória e até de certa forma atécnica, revela a criação pela decisão prolatada de norma individual e concreta entre a impetrante a e Receita Federal do Brasil, no sentido de que o art. 7º, §1º, da IN SRF nº 213/02 além de legal e constitucional, albergaria todo e qualquer elemento pertinente ao registro contábil de equity estrangeiro, inclusive da referida variação monetária de moeda estrangeira atrelada ao investimento efetuado. Com base neste entendimento, assiste razão a Recorrente em ter computado à apuração do lucro real e à base de cálculo da CSLL relativas ao anocalendário de 2005 a variação cambial do investimento detido em suas controlada no exterior, sob pena de descumprimento de decisão judicial transitada em julgado. (...) É ululante, ao meu sentir, o acerto da Recorrente em manter nas bases de cálculo do IRPJ e da CSLL a variação cambial decorrente de investimento de controladas no exterior, seja por conta do resultado final do mandado de segurança perpetrado, seja, por sua anuência e conivência, por conservadorismo, ao entendimento Fl. 1795DF CARF MF Processo nº 16682.720203/201438 Acórdão n.º 1302001.946 S1C3T2 Fl. 1.795 15 correntemente aplicado pelas autoridades fiscais nas diversas fiscalizações e lançamentos oriundos deste assunto. (...) Neste liame, vejome no dever de não punir o contribuinte que tenha agido em conformidade com entendimento reiteradamente aplicado pelas autoridades fiscais, sendo que o fato de o mesmo pouco a pouco estar sendo defenestrado pela jurisprudência, não afeta a possibilidade de exigência na ótica do Fisco. (...) Diante de tal lacuna, não vejo como apenar a Recorrente pela lisura adotada em suas apurações. A citação acima fazse necessária para que se possa, com respaldo, esclarecer as premissas adotadas nas duas linhas de raciocínio. Pois bem, temse que os votos vencidos, contrários ao pretendido pela Recorrente, fundamse no raciocínio jurídico de que (i) a coisa julgada atua no sentido de “não mais ser possível a reclamação judicial do direito subjetivo que se renunciou”, ou seja, impede “nova discussão sobre a matéria”, bem como, (ii) de que não tem o efeito de formar qualquer juízo de valor acerca do direito subjetivo que se renunciou, noutro giro, que “não se enunciou uma norma individual e concreta, para a empresa, no sentido de ela seguir os ditames daquela IN/SRF”. Em contrapartida, os votos vencidos, fundamentaram sua argumentação no sentido de que a (i) renúncia ao direito em que se funda a ação, por parte da autora, (ii) significa que a ré ganhou a disputa, sendo o mesmo que o juiz rejeitar o pedido daquela. Deste modo, notase que para os primeiros (votos vencidos), não houve a constituição de uma norma individual e concreta, vinculando Fisco e contribuinte, nos limites da ação proposta, uma vez que entendem não ter sido formado qualquer juízo de valor, ou mesmo, ante a “ausência” da prescrição desta regra pelo Poder Judiciário; já, para os segundos (votos vencedores), ocorre exatamente o contrário. Segunda pergunta: Caso a resposta seja negativa, significaria dizer que ambas estariam habilitadas a, novamente, provocar o Poder Judiciário, rediscutindo a matéria? Seguindo a linha de raciocínio, acima desenhada, vale a abordagem desta pergunta. Assim, aos que entendem que a extinção da ação, com resolução de mérito, não constitui um comando que determine como devem se comportar as partes, o que poderia representar o trânsito em julgado, como poderia ser observado? Conforme diretriz estabelecida nos votos vencidos, não haveria um comando determinado às partes, com a formação da coisa julgada, uma vez que não houve formação de juízo de valor, ou seja, enunciação de norma individual e concreta. Pois bem, partindose desde dado, se às partes não caberia mais discutir tal direito, se a contribuinte renunciou ao seu direito, o que isso representa, pragmaticamente? Ou entendese que a contribuinte (a) deveria incluir a variação cambial na apuração do tributo, ou, (ii) não. Assim, lembrando que o pleito da contribuinte na ação mandamental foi pela exclusão da variação cambial, a qual foi renunciada, o correto seria ela proceder de modo a excluilo, mesmo tendo desistido de brigar por esse direito? Ou, conforme se verifica no MS, a própria Fazenda Nacional insistiu na renuncia da contribuinte ao direito. Fl. 1796DF CARF MF Processo nº 16682.720203/201438 Acórdão n.º 1302001.946 S1C3T2 Fl. 1.796 16 Tal pensamento levaria a afronta direta, tanto ao instituto jurídico da renúncia, quanto da coisa julgada. À contribuinte não poderia ser exigido comportamento diverso da qual teve. Estabelecido o posicionamento de que o trânsito em julgado da ação mandamental fez coisa julgada material, cuja norma individual e concreta atua como regra que cria uma ineficácia técnica, nestes autos, em sentido favorável à contribuinte, impedindo as partes de retomar a discussão travada na ação mandamental, julgo PROCEDENTE o Recurso Voluntário, em todos os seus termos. É como voto. Talita Pimenta Félix Relatora Notas: 1 Gustavo Sampaio Valverde, fls. 132. 2 Fls. 129/130. 3 Ressalvada a relatividade da definitividade prospectiva no sentido de direito superveniente que ilida a coisa julgada, independente de rescisória. 4 Fls. 133/134. 5 Fls. 135. 6 Fls. 137. Fl. 1797DF CARF MF Processo nº 16682.720203/201438 Acórdão n.º 1302001.946 S1C3T2 Fl. 1.797 17 Voto Vencedor Conselheira Ana de Barros Fernandes Wipprich, Redatora Designada Em que pese as bem colocadas considerações expostas pela Conselheira Relatora nos presentes autos, divirjo, data vênia, da conclusão esposada. Em primeira tônica, comungo da tese desenvolvida pelos Conselheiros cujos votos foram vencidos nos Acórdãos nºs 1101000.944 e 1401001.579, a respeito da coisa julgada operada em razão da renúncia ao direito da ação proposta ora em questão. A renúncia àquela ação anteriormente intentada, buscando uma tutela jurisdicional, implica exatamente em não mais ser do interesse da parte que propôs a ação, a tutela jurisdicional que havia sido requerida. A parte abre mão de obter um pronunciamento jurisdicional a respeito da matéria em si, renunciando à decisão que definiria, no caso em concreto, a declaração de ser titular de um direito ou não, de estar com a razão ou não naquela questão que buscou uma definição no âmbito judicial. A anuência da Fazenda Nacional é apenas para salvaguardar eventual interesse do Estado que possa ter sido prejudicado com a propositura da ação e o cancelamento desta vir a concretizar este prejuízo. Mas, daí para se entender que o mérito da causa em si restou definido judicialmente e que a desistência equivale a uma sentença de conhecimento sobre determinado assunto, não há como se estender os efeitos da coisa julgada a este ponto. Partindo, pois, da premissa totalmente avessa ao esposado pela Conselheira Relatora, entendendo que não houve decisão de mérito da causa, capaz de constranger à contribuinte a computar na apuração do lucro real e base de cálculo da CSLL as variações cambiais dos investimentos detidos em suas controladas no exterior, outros pontos há que serem considerados no deslinde deste litígio. Primeiramente, e mais importante, ao meu ver, é o fato que as orientações contidas na Instrução Normativa SRF nº 213/02, em seu controvertido artigo 7º, comportava o entendimento que a variação cambial deveria ser computada em seus efeitos; há inúmeros julgados administrativos que demonstram esta proposição. De igual forma, o teor da decisão judicial a que se vinculava a recorrente deu, de fato, alguma margem para que a contribuinte tenha agido da forma que agiu, tratandose de assunto polêmico os efeitos da coisa julgada nas situações desta natureza (renúncia à ação), embora tenhase, nestes autos, chegado à conclusão de que não se estendeu até o mérito da questão proposta. Por este motivo, há que se reconhecer, sim, consoante voto vencido expôs, a boafé da contribuinte. Mas, apesar de ter agido uniformemente para os anoscalendários em questão, não se importando com o resultado apurado, se em prol seu ou do fisco, por outro lado, não se pode com este reconhecimento ignorar, por tratarse de questão de direito já pacificada na jurisprudência, que no ano atuado houve a falta de recolhimento dos tributos (IRPJ e CSLL) devidos. A autuação pautouse pela norma tributária vigente e lavrou as exigências fiscais observando o dever de ofício inerente à atividade do lançamento tributário, em estrita observância ao princípio da legalidade. Fl. 1798DF CARF MF Processo nº 16682.720203/201438 Acórdão n.º 1302001.946 S1C3T2 Fl. 1.798 18 Os Autos de Infração objetos do presente processo não podem ser declarados insubsistentes. Os tributos no anocalendário em questão são devidos. Se a contribuinte em vários anos recolheu a mais do que o devido, por ter se valido de critério indevido, não justificaria, na análise do direito, deixarse como está. E nem se argumente que compete à fiscalização ao se deparar com vários anoscalendários compensar os resultados destes entre si, por absoluta falta de previsão legal neste procedimento. Muito menos promover a repetição do indébito tributário, cujo direito é de natureza potestativa dos contribuintes. Assim compete exclusivamente à recorrente exercer os meios cabíveis para a repetição de indébitos provocados pelo entendimento equivocado dos efeitos da sentença judicial quanto ao mérito da questão proposta em juízo. Para concluir, temse de um lado a boa fé e o erro plausível da recorrente; por outro lado a licitude e legitimidade das autuações impostas. Para sobrepesar ambos os lados, e me valendo da questão discutida em outros julgados já mencionados, reproduzo os fundamentos do Conselheiro Ricardo Marozzi Gregorio no acórdão nº 1401001.579, que adoto na íntegra: "[...] Nada obstante, a tributação do resultado positivo da equivalência patrimonial com base nas regras contidas na IN/SRF nº 213/02, de fato, extrapola a previsão lega l contida no artigo 25 da Lei nº 9.249/95. Isso porque a redação deste último dispositivo somente permite que a tributação em bases universais alcance o lu cro da empresa residente num valor equiparado ao lucro apurado pela controlada no exterior. E é importante que isso fique bem claro. A lei brasileira tributa uma renda ficta da própria empresa brasileira (residente). Em outras palavras, ela olha para a empresa brasileira e, sopesando o fato de que ela possui participação societária (é controladora, de acordo com a constitucionalidade declarada pelo STF na ADI nº 2.588) em uma empresa que apurou lucro no exterior, assume que há disponibilidade de renda e determina que se tribute como lucro da empresa brasileira um determinado valor estimado com base no lucro apurado pela empresa do exterior. A adequação dessa determinação ao conceito constitucional de renda é uma decisão que deve ser levada a efeito por quem tem competência para isso, no caso o STF (que aliás já se manifestou na ADI nº 2.588), à luz dos princípios constitucionais envolvidos (igualdade, capacidade contributiva, praticabilidade, etc.). Nem se pode estranhar que seja assim, afinal, em várias situações a legislação do imposto de renda tributa algo que não é necessariamente renda. Basta ver as margens predeterminadas do controle dos preços de transferência. Aliás, as próprias adições e exclusões ao lucro líquido, que o legislador arbitrariamente elege para se chegar ao lucro real, não deixam de ser uma prova de que o lucro real é muito mais uma ficção do que uma renda ideal. A bem da verdade, nem mesmo o lucro líquido contábil pode se enquadrar exatamente no conceito financeiro de renda (modelo SHS –Schanz/Haig/Simons) da teoria do acréscimo patrimonial que inspirou os elaboradores do CTN na positivação do seu artigo 43. Nada obstante, não há permissão legal para que a tributação do lucro da empresa residente ultrapasse a medida prevista na lei, qual seja, o valor equivalente ao lucro apurado pela controlada no exterior. Fl. 1799DF CARF MF Processo nº 16682.720203/201438 Acórdão n.º 1302001.946 S1C3T2 Fl. 1.799 19 [...] Segundo esse método, que é aplicável aos investimentos relevantes em sociedades controladas e coligadas, o acréscimo patrimonial está sujeito à tributação na sociedade investida na medida em que é contabilizado. O registro desse acréscimo é concomitantemente refletido no investimento da sociedade investidora, porém, em atendimento a uma medida de política fiscal consoante com a técnica de integração para alívio da bitributação econômica, o legislador deixa de tributar tal acréscimo até mesmo quando ocorre a realização do investimento. Daí, então, a ilegalidade do artigo 7º da Instrução Normativa, na parte que extrapola a permissão legal para a tributação de um valor equivalente ao lucro apurado pela controlada no exterior, quando determina que os valores relativos ao resultado positivo da equivalência patrimonial devem ser considerados para fins de determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Esse é, inclusive, o entendimento já manifestado pelo STJ, em 05/04/2011, no julgado do REsp nº 1.211.882RJ. Confirase: PROCESSUAL CIVIL. PRAZO. CONTAGEM. CIÊNCIA DA DECISÃO MEDIANTE CARGA DOS AUTOS. OBSERVÂNCIA DO ART. 184 E §§, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA JURÍDICA IRPJ E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL. EMPRESAS CONTROLADAS E COLIGADAS SITUADAS NO EXTERIOR. TRIBUTAÇÃO DO RESULTADO POSITIVO DA EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL. IMPOSSIBILIDADE NAQUILO QUE EXCEDE A PROPORÇÃO A QUE FAZ JUS A EMPRESA INVESTIDORA NO LUCRO AUFERIDO PELA EMPRESA INVESTIDA. ILEGALIDADE DO ART. 7º, §1º, DA IN/SRF N. 213/2002. (...) [...] Portanto, não restam dúvidas de que os valores tributáveis são aqueles obtidos segundo os estritos limites contidos na lei ao invés daqueles que se obteve seguindo a orientação da Instrução Normativa. A própria recorrente não contesta isso. Destarte, a discussão se resume a aferir se a recorrente agiu dentro da literalidade do ato normativo reputado como ilegal. Isso porque o § único do artigo 100 do CTN exclui a imposição de penalidades e a cobrança de juros de mora quando são observadas as chamadas normas complementares de lei, dentre as quais, as instruções normativas se incluem na categoria dos atos administrativos expedidos por autoridades administrativas. Vejase: Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; (...) Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de ju ros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálcu lo do tributo. Fl. 1800DF CARF MF Processo nº 16682.720203/201438 Acórdão n.º 1302001.946 S1C3T2 Fl. 1.800 20 Pois bem. Diante de todo o contexto narrado, verifico que a recorrente, apesar de ter se beneficiado em alguns dos períodos considerados, agiu dentro da literalidade da Instrução Normativa. Concluindo, voto no sentido de manter as autuações em lide, no que concerne aos valores principais dos tributos, exonerando, todavia, a exigência da penalidade, multa aplicada de ofício, e dos juros de mora, por força das disposições inseridas no parágrafo único do artigo 100 do Código Tributário Nacional (CTN). (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich Fl. 1801DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.917366/2011-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Mar 06 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3401-001.099
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Robson José Bayerl - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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COMPENSAÇÃO. ALARGAMENTO. Recorrente RODOBENS CAMINHÕES PERNAMBUCO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Trata o presente processo administrativo de PER que pretende obter reconhecimento de direito creditório das contribuições por suposto pagamento a maior. O sistema informatizado da Receita Federal emitiu o Despacho Decisório em processamento automatizado indeferindo o pedido, afirmando que o valor do DARF de onde viria o crédito já estava totalmente comprometido em quitação de débito constante de declaração prestada pelo contribuinte ao Fisco. A contribuinte manifestou inconformidade, explicando que: 1. A autoridade de administração e a autoridade fiscal não tomaram conhecimento das razões da contribuinte para seu direito, nem se aprofundaram em sua análise, nem buscaram investigar os fatos; a contribuinte não foi intimada a explicar os fundamento do seu pedido antes do despacho decisório; RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 80 .9 17 36 6/ 20 11 -8 9 Fl. 194DF CARF MF Processo nº 10480.917366/201189 Resolução nº 3401001.099 S3C4T1 Fl. 3 2 2. seu direito repousa no fato de que ela indevidamente tinha incluído na base de cálculo do tributo receitas (tais como receitas financeiras, e outras), face a declaração de inconstitucionalidade pelo STF para o § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/1998; pois a base de tributação deve se cingir às receitas de faturamento pela venda de mercadorias e da prestação de serviços. 3. Pede a reunião dos vários processos administrativos que tratam da mesma matéria/tributo, mudando apenas os períodos de apuração, para serem julgados na mesma ocasião. Os Julgadores de 1º piso não acolheram o pedido de reunião dos vários processos. Eles também consideraram improcedente o recurso da contribuinte, entendendo pela insuficiência de provas pelo alegado. Seria da contribuinte o ônus de provar o direito objeto do seu pedido, no momento da interposição da Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legalmente previstas, nos termos do art. 16, caput, III e §4°, do Decreto 70.235/72, conforme consta do voto da decisão recorrida. Concluíram, os Julgadores a quo, pelo não reconhecimento do direito creditório, nos termos do Acórdão 11041.787. Inconformada, a contribuinte ingressou com recurso voluntário por meio do qual repisou as alegações apresentadas na manifestação de inconformidade, e acrescentou as seguintes: ● não é verdade que houve insuficiência de provas, pois apresentou planilha, balancete e livro obrigatório da contabilidade da contribuinte; ● a autoridade fiscal não questionou a efetividade dos pagamentos em discussão; ● não pode prevalecer o entendimento esposados pelos julgadores de 1º piso de que houve preclusão para a juntada de provas; isso fere o disposto na letra "c" do § 4º do artigo 16 do Decreto n. 70.235, de 1972 (apresentar provas que se destine a contrapor fatos e razões posteriormente trazidas aos autos). Cita doutrina, acórdãos e jurisprudências; ● a falta de retificação da DCTF não deve servir de justificativa para não se analisar e se deferir o direito da contribuinte; ● Não procede o entendimento dos Julgadores a quo de que a declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei n. 9.718/1998 proferida pelo STF não seja de observação obrigatória no processo administrativo fiscal; ● a Verdade Material deve prevalecer, e a autoridade deve realizar um exame completo dos fatos. É o relatório Fl. 195DF CARF MF Processo nº 10480.917366/201189 Resolução nº 3401001.099 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3401000.984, de 25 de janeiro de 2017, proferida no julgamento do processo 10480.900040/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela Resolução (3401000.984): "Tempestivo o Recurso e atendidos os demais requisitos de admissibilidade. Temos diante de nós mais um caso de despacho decisório processado automaticamente, sem que haja qualquer intervenção humana para rever o seu teor e a eventual existência de razões para questionar sua conclusão. É freqüente, nessas situações, que a contribuinte somente compreenda totalmente a situação quando recebe a decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento mantendo o indeferimento eletrônico inicial, geralmente por falta de provas ou de contra argumentações por parte da contribuinte. Nessa toada, há os que se escudam no instituto da preclusão probatória para justificar a impossibilidade de reverter as negativas até então impostas à contribuinte. Coerente com minhas propostas de votação anteriores em situações semelhantes, baseado no argumento de que o princípio da verdade material deve prevalecer, relativizando as formalidades e os institutos preclusivos e assemelhados, e no argumento de que não é do interesse público maior praticar a injustiça fiscal qual seja, a manutenção no Tesouro do pagamento indevido , é que proponho que se tome providências para garantir substantivamente o contraditório (e não apenas formalmente) e para se verificar a verdade do alegado pelas partes. As teses que esposo divergem das postas no acórdão de 1º piso: (a) para uma visão absoluta do ônus probatório e do instituto da preclusão probatória, argumento em favor de que prevaleça a Verdade Material, e que os julgadores do processo administrativo possam agir e determinar providências nessa direção, aliás como expus em outros votos quando fiz alusão aos modelos trazidos pelo novo CPC; (b) que a negativa em pedidos de restituição e/ou compensações motivada pela inexistência de créditos líquidos e certos passe a considerar que a liquidez e certeza possam ser demonstradas ao longo do processo administrativo, não se limitando ao que o instruiu antes de sua chegada à instância de julgamento. Ressalto que a contribuinte, segundo que foi relatado, em sua primeira contestação havia juntado balancetes e planilhas, o que poderia ser no mínimo considerado princípio de prova. Fl. 196DF CARF MF Processo nº 10480.917366/201189 Resolução nº 3401001.099 S3C4T1 Fl. 5 4 Por isso, tendo em vista que a administração tributária de jurisdição não apreciou as razões do suposto direito creditório, proponho a este Colegiado a conversão do julgamento em diligência para que a unidade de jurisdição local analise e informe a respeito do alegado pela contribuinte, e também a respeito da existência de retificação realizada ou tentada pela contribuinte com relação ao (débitos e créditos) discutido neste processo administrativo. Que se dê ciência à contribuinte desta decisão e também do relatório conclusivo e da informação fiscal resultantes da diligência, e prazo de 30 dias para ela se manifestar em cada uma dessas intimações." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, converto o julgamento deste processo em diligência para que a unidade de jurisdição local analise e informe a respeito do alegado pela contribuinte, e também a respeito da existência de retificação realizada ou tentada pela contribuinte com relação ao (débitos e créditos) discutido neste processo administrativo. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Fl. 197DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10768.005719/2001-16
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Apr 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/06/1994 a 31/12/1995
PIS . DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE N°08
Consoante entendimento pacificado do e. Supremo Tribunal Federal expresso na Súmula Vinculante n° 08: "São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5° do Decreto-Lei n° 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei n' 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". NORMAS REGIMENTAIS. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO CONTEÚDO DE DECISÃO PROFERIDA PELO STJ. NO RITO DO ART. 543-C DO CPC.
Numero da decisão: 9303-004.725
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento com retorno dos autos à turma a quo para análise do mérito. Votaram pelas conclusões as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: DEMES BRITO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento com retorno dos autos à turma a quo para análise do mérito. Votaram pelas conclusões as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello.
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DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE N°08 Consoante entendimento pacificado do e. Supremo Tribunal Federal expresso na Súmula Vinculante n° 08: "São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5° do DecretoLei n° 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei n' 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". NORMAS REGIMENTAIS. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO CONTEÚDO DE DECISÃO PROFERIDA PELO STJ. NO RITO DO ART. 543C DO CPC. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento com retorno dos autos à turma a quo para análise do mérito. Votaram pelas conclusões as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 00 57 19 /2 00 1- 16 Fl. 351DF CARF MF Processo nº 10768.005719/200116 Acórdão n.º 9303004.725 CSRFT3 Fl. 352 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional com fundamento no art. 56, II, do Regimento Interno do Conselho de Contribuintes e no art. 7°, II, e 15 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, ambos aprovados pela Portaria n° 147, publicada no DOU de 28/06/2007, contra ao acórdão nº 204 02.701, proferido pela 3º Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, que decidiu em dar provimento ao Recurso Voluntário, anulando o auto de infração em decorrência do reconhecimento de oficio da decadência do direito de constituir o crédito tributário referente aos fatos geradores lançados. Transcrevo, inicialmente, excerto do relatório da decisão de primeiro grau: Tratase de auto de infração lavrado contra a Recorrente em que se cobram valores de PIS que tem como base de cálculo receitas de intermediação financeira, que seriam receitas tributáveis por tal contribuição. Os valores cobrados referemse aos meses de junho de 1994 a dezembro de 1995. A Recorrente foi intimada do auto de infração em 29 de maio de 2001 (fl. 69). Apresentou impugnação em que afirma que o lançamento é indevido porque a exclusão dos valores da base de calculo estão previstos em decisão judicial que lhe beneficiou. O Acórdão restou assim ementado: PIS. RECONHECIMENTO DA DECADÊNCIA DE OFÍCIO. A decadência pode ser reconhecida de oficio, por ser matéria de ordem pública. Para a contribuição ao PIS, aplicase o prazo decadencial previsto no art. 150, §4° do CTN, que é de cinco anos contados do fato gerador até a intimação do contribuinte do lançamento de oficio. Recurso provido. Não conformada com tal decisão, a Fazenda Nacional interpõe o presente Recurso, sustentando que: "com base no art. 56, II, do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes e 70, II, e 15 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, ambos aprovados pela Portaria MF n° 147/2007, publicada em 28/06/2006, requer a Unido (Fazenda Nacional) seja dado provimento ao presente recurso para reconhecer a ofensa ao art. 49 do Regimento Interno do Conselho de Contribuintes, bem assim ao art. 45, inciso I, da Lei n° 8.212/1991, reformandose o acórdão recorrido para afastar a decadência declarada". Para comprovar o dissenso jurisprudencial, foi apontado, como paradigma o Acórdão n. 203 11.553, 09/11/2006, referente ao Processo n. 18471.000474/200593, cuja Fl. 352DF CARF MF Processo nº 10768.005719/200116 Acórdão n.º 9303004.725 CSRFT3 Fl. 353 3 recorrente foi "RED TAB COMÉRCIO LTDA, da Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, cuja ementa, na parte que aqui interessa, segue transcrita: PIS. RECONHECIMENTO DA DECADÊNCIA DE OFÍCIO. A decadência pode ser reconhecida de oficio, por ser matéria de ordem pública. Para a contribuição ao PIS, aplicase o prazo decadencial previsto no art. 150, §4° do CTN, que é de cinco anos contados do fato gerador até a intimação do contribuinte do lançamento de oficio. "(..)PIS/Pasep. DECADÊNCIA. 0 direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário do Pis/Pasep decai em dez anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído, consoante o art. 45 da Lei n°8.212/91.(..)". O recurso teve seguimento nos termos do Despacho de Admissibilidade, fls.268/. Devidamente cientificada, a Contribuinte apresentou contrarrazões. fls.273/283, pugna pelo improvimento do recurso, requerendo que seja mantido o acórdão recorrido. É o relatório. Voto Conselheiro Demes Brito Relator O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dele tomo conhecimento e passo a decidir. Compulsando os autos, verifico que a Autoridade Lançadora lavrou auto de infração em que se cobram valores de PIS que tem como base de cálculo receitas de intermediação financeira, que seriam receitas tributáveis por tal contribuição. Os valores cobrados referemse aos meses de junho de 1994 a dezembro de 1995. A Contribuinte foi intimada do auto de infração em 29 de maio de 2001 (fl. 69). Por outro lado, 3º Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes decidiu em dar provimento ao Recurso Voluntário, declarando de oficio a decadência dos tributos cobrados, por ser matéria de ordem pública. Com efeito, a questão do prazo para a Fazenda Nacional lançar as contribuições sociais foi objeto de intermináveis discussões e acirrados debates no CARF, ora prevalecendo a posição contrária da Fazenda Nacional ora a dos contribuintes, dependendo da composição das Turmas de Julgamento. Contudo, houve posicionamentos no sentido de que a referida contribuição estava sujeita ao prazo decadencial estabelecido no art. 45 da Lei nº 8.212/1991. Todavia, em virtude da Súmula Vinculante nº 08 do STF, e da jurisprudência de todas as Turmas da Câmara Superior de Recursos Fiscais, passou a ser adotado o prazo limite de cinco anos estabelecido no Código Tributário Nacional CTN. Fl. 353DF CARF MF Processo nº 10768.005719/200116 Acórdão n.º 9303004.725 CSRFT3 Fl. 354 4 Portanto, afasto a incidência do art. 45 da Lei 8.212/1991, e passo a decidir o termo inicial dos 5 anos previstos no Código Tributário Nacional, se da data de ocorrência do fato gerador ou se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia haver sido efetuado. Destarte, com a alteração regimental, que acrescentou o art. 62A ao Regimento Interno do CARF, as decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos devem ser observados no Julgamento deste Tribunal Administrativo. Neste passo, é justamente a hipótese dos autos, em que o STJ, em sede de recurso repetitivo versando sobre matéria idêntica à do recurso ora sob exame, decidiu que, nos tributos cujo lançamento é por homologação, o prazo para constituição do crédito tributário é de 5 anos, contados a partir da ocorrência do fato gerador, quando houver antecipação de pagamento, e do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia ter sido efetuado, no caso de ausência de antecipação de pagamento, ou na ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Para reforçar aplicação do art. 173, inciso I, do CTN, no caso em espécie, colaciono o paradigma julgado por esta turma, na sessão de 10 de dezembro de 2015, o qual, versa sobre o prazo decadencial para Fazenda Nacional constituir o crédito pertinente a contribuição: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1998 a 28/02/1998 Decadência para constituir crédito tributário. As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo. O prazo decadencial para a Fazenda Nacional constituir o crédito pertinente à contribuição para o programa de integração social PIS é de 05 anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia haver sido efetuado, na ausência de antecipação de pagamento ou quando houver dolo fraude ou simulação. A declaração do tributo, para efeitos legais, não equivale a pagamento.(Processo nº 16327.002657/200310). Recurso Especial do Procurador Provido Além disso, não consta nos autos antecipação de pagamento, portanto, aplicase a regra prevista no inciso I do art. 173 do CTN. No que tange, o prazo decadencial para lançamento dos créditos tributários nos casos de tributos cujo lançamento é por homologação, como é o caso do PIS, é de se destacar que o Egrégio Superior Tribunal de Justiça (STJ) já se posicionou na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, ou seja, através da análise dos chamados “recursos repetitivos”. O precedente proferido tem a seguinte ementa: Fl. 354DF CARF MF Processo nº 10768.005719/200116 Acórdão n.º 9303004.725 CSRFT3 Fl. 355 5 PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo incorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). Fl. 355DF CARF MF Processo nº 10768.005719/200116 Acórdão n.º 9303004.725 CSRFT3 Fl. 356 6 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) (grifos e destaques nossos) Com isso, restou consolidado no âmbito do Egrégio STJ o entendimento de que, nos casos de tributos cujo lançamento é por homologação e não havendo pagamento, o termo inicial do prazo decadencial é o previsto no inciso I do artigo 173 do CTN, e não no § 4º do artigo 150 do mesmo Código. Verificase, assim, que a referida decisão do Egrégio Superior Tribunal de Justiça deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Pelo exposto, voto pelo provimento do Recurso da Fazenda Nacional, com retorno dos autos à turma a quo para análise do mérito. (assinado digitalmente) Demes Brito É como penso é como voto. Fl. 356DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.912278/2012-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Apr 20 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3402-000.947
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara /2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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decisao_txt : ACORDAM os membros da 4ª Câmara /2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1918; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.912278/201254 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3402000.947 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 28 de março de 2017 Assunto IMUNIDADE. ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. Recorrente CASA DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE DE VALINHOS GRUPO GENTE NOVO RUMO Recorrida FAZENDA NACIONAL ACORDAM os membros da 4ª Câmara /2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório eletrônico que indeferiu o Pedido de Restituição Eletrônico PER, referente a alegado crédito de pagamento indevido ou a maior efetuado por meio do DARF. Segundo o Despacho Decisório, o DARF informado no PER foi integralmente utilizado na quitação do respectivo débito, não restando crédito disponível para restituição. Em sua manifestação de inconformidade a interessada argumentou, em resumo, que o pagamento indevido decorre de sua condição de imune às contribuições sociais, nos termos do § 7º do art. 195, c/c 146, inc. II, ambos da Constituição Federal, e do art. 14 do CTN. Isso porque tem a natureza jurídica de associação civil sem fins lucrativos e o objetivo de prestar assistência integral à criança e ao adolescente, na forma dos arts. 203 da CF/88 e 2º do Estatuto da Criança. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .9 12 27 8/ 20 12 -5 4 Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10830.912278/201254 Resolução nº 3402000.947 S3C4T2 Fl. 3 2 Uma vez processada a manifestação de inconformidade, esta foi julgada improcedente nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 RESTITUIÇÃO. PIS – FOLHA DE PAGAMENTO. ATIVIDADE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. INCIDÊNCIA. São contribuintes do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salário, e não sobre o faturamento, as instituições beneficentes de assistência social, de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, quando atendidas as condições e requisitos legais. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido.. Diante deste quadro, o contribuinte interpôs o recurso voluntário em que alegou, em suma: (i) que é imune ao pagamento do PIS, haja vista o disposto no art. 195, § 7º, c.c. o art. 146, inciso II, ambos da Magna Lex, bem como o disposto no art. 14 do CTN; e, ainda (ii) que a recorrente atende todos os requisitos estabelecidos em lei para gozar da imunidade citada e que, para o período em tela, foi declarada entidade pública federal, nos termos da Portaria Federal n. 685, de 04/04/2007, bem como possui o CEBAS Certificado de Entidades Beneficentes de Assistência Social, sob o n. 71000.114296/200930. É o relatório. Resolução Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3402000.939, de 28 de março de 2017, proferida no julgamento do processo 10830.912270/201298, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3402000.939: "5. O presente recurso voluntário preenche os pressupostos formais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. 6. Como visto alhures, tratase de pedido de ressarcimento com o fito de ver reconhecido crédito de PIS decorrente da imunidade da recorrente, uma vez que a mesma enquadrarseia no conceito de entidade beneficente. Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10830.912278/201254 Resolução nº 3402000.947 S3C4T2 Fl. 4 3 7. Para provar sua condição de entidade beneficente, a recorrente anexa à sua manifestação de inconformidade os documentos de fls. 21/28 [(i) certificado de utilidade pública nacional, emitido pelo Ministério da Justiça; (ii) atestado de registro no Conselho Nacional de Assistência Social; (iii) Portaria Municipal que reconhece o caráter assistencial da recorrente; e, ainda, (iv) cópia da lei municipal n. 4.812/2012, que autoriza a concessão de subvenções às entidades assistenciais do Município de Valinhos, dentre as quais encontrase a recorrente]. 8. Não obstante, juntamente com seu recurso voluntário, o contribuinte apresenta outro documento (fl. 65) que atestaria sua condição de entidade beneficente. Tratase do ofício n. 959/20013, emitido pela Coordenação Geral de Certificação das Entidades Beneficentes de Assistência Social, que assim comunica: 9. Da análise de todos os documentos aqui tratados, é possível cogitar que, de fato, a recorrente enquadrase no conceito de entidade assistencial apta a gozar de imunidade tributária. Acontece que, todos os documentos trazidos nos autos pela recorrente com o escopo de provar tal condição referemse à momento posterior ao período do crédito em análise, o qual diz respeito ao mês de fevereiro de 2006 (fl. 32). 10. Neste diapasão, tendo em vista que o acervo probatório trazidos aos autos aparentemente induz à conclusão de que a recorrente preenche as condições para gozar de imunidade tributária, bem com ainda pautado pela ideia de instrumentalidade do processo, resolvo por converter o presente julgamento em diligência para que a unidade preparadora providencie: Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10830.912278/201254 Resolução nº 3402000.947 S3C4T2 Fl. 5 4 · a intimação do contribuinte para apresentar o Certificado de Entidades Beneficentes de Assistência Social CEBAS válido para o período do crédito aqui vindicado. 11. É a resolução." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório alegado, também foram juntados em cópias nestes autos. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, convertese o presente julgamento em diligência, para que a unidade preparadora intime o contribuinte para apresentar o Certificado de Entidades Beneficentes de Assistência Social CEBAS válido para o período do crédito aqui vindicado. Após, retornemse os autos para julgamento. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 74DF CARF MF
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Numero do processo: 10320.006798/2008-08
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Período de apuração: 09/08/2003 a 31/05/2008
EXONERAÇÃO DE VALORES DECORRENTES DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. AUSÊNCIA DE ELEMENTOS NECESSÁRIOS À MANUTENÇÃO DA TOTALIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO
A falta de elementos aptos a respaldar o lançamento de parte do crédito tributário impõe a exoneração dos valores correspondentes.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. INAPLICABILIDADE.
A multa de ofício qualificada de 150% (cento e ciquenta por cento) somente é aplicável mediante comprovação, pelo fisco, da ocorrência de hipóteses previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964.
Recurso de Ofício Negado.
Numero da decisão: 2402-005.597
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e negar provimento ao recurso de ofício. Votou pelas conclusões o Conselheiro Ronnie Soares Anderson em relação à exclusão da qualificadora da multa.
(Assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho- Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
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AUSÊNCIA DE ELEMENTOS NECESSÁRIOS À MANUTENÇÃO DA TOTALIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO A falta de elementos aptos a respaldar o lançamento de parte do crédito tributário impõe a exoneração dos valores correspondentes. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. INAPLICABILIDADE. A multa de ofício qualificada de 150% (cento e ciquenta por cento) somente é aplicável mediante comprovação, pelo fisco, da ocorrência de hipóteses previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964. Recurso de Ofício Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 0. 00 67 98 /2 00 8- 08 Fl. 5014DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e negar provimento ao recurso de ofício. Votou pelas conclusões o Conselheiro Ronnie Soares Anderson em relação à exclusão da qualificadora da multa. (Assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente. (Assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 5015DF CARF MF Processo nº 10320.006798/200808 Acórdão n.º 2402005.597 S2C4T2 Fl. 5.015 3 Relatório Tratase de Recurso de Ofício contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza (CE) – DRJ/FOR em face de Auto de Infração de Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF (Fls. 2/44), relativo a diferenças apuradas entre o valor escriturado e o declarado/pago. O lançamento resultou em crédito tributário no valor de R$ 18.439.543,78, já incluídos os juros de mora e multa de ofício qualificada no percentual de 150% (cento e ciquenta por cento) sobre o valor principal. Por trazer uma clara e adequada síntese do processo até o julgamento da impugnação, transcrevo o relatório da decisão de primeira instância, ora recorrida: Contra o Contribuinte acima identificado foi lavrado Auto de Infração do Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF (efls. 02/43), para formalização e cobrança do crédito tributário nele estipulado no valor total de R$ 18.439.543,78, o qual inclui encargos de multa de 150% e juros SELIC. A fiscalização constatou, durante o procedimento de verificações obrigatórias, diferenças entre os valores de IRRF declarados e os valores escriturados e/ou pagos, conforme consta de relato contido no "Termo de Encerramento da Ação Fiscal" (efls. 45/51). Naquele documento os autuantes assim descrevem o procedimento de auditoria realizado: 05. A análise da contabilidade permitiu identificar que o contribuinte escritura as retenções na fonte em duas contas, conforme discriminação abaixo: a)IRRF PRÓPRIO conta contábil original 211401, onde escritura as retenções incidentes sobre os rendimentos de trabalho com vínculo empregatício código 0561, subdividido em duas contas originais: 211401992 ADMINISTRAÇÃO e 11401995 MARÍTIMOS; b)IRRF TERCEIROS conta contábil original 211403, onde escritura as retenções incidentes sobre os rendimentos sem vínculo empregatício(código 0588); prestação de serviços por PJ (código 1708); aluguéis e royalties (código 3208) e demais rendimentos (código 8045); 05. Através do Termo de Intimação datado de 05.03.2008, foi solicitado ao sujeito passivo discriminativo ou memorial de cálculo que consolidou os valores declarados em DCTF do IRRF TERCEIROS abrangendo o período de DEZEMBRO/2002 a OUTUBRO/2007, conta cuja análise preliminar da contabilidade já apontava diferenças entre os valores provisionados e/ou declarados/pagos(ver demonstrativo anexo ao termo de intimação às fls. 60/61); 07. O contribuinte apresentou toda a documentação exigida em 23.06.2008, conforme expediente anexado às fls. 67, cuja análise das justificativas revelaramse insuficientes para elidir as diferenças até então apontadas no Termo de Intimação de Fl. 5016DF CARF MF 4 05.03.2008, ensejando outro Termo de Intimação recebido em 12. 08.2008 (ver fls.68/69) concedendo novo prazo para justificar as diferenças encontradas agora decorrentes da utilização do sistema CONTÁGIL que deu uma melhor transparência para os fatos geradores e os valores divergentes que não estavam bem definidos no Termo de Intimação de 05.03.2008; 08. Com a utilização do CONTÁGIL detectamos na contabilidade do contribuinte a inconsistência a seguir discriminada a qual se confirmada daria origem às diferenças que estão sendo objeto deste lançamento e para as quais foram solicitados esclarecimentos no Termo de Intimação recebidos em 12.08.2008; Na constituição da maioria das provisões o contribuinte efetuou os lançamentos a débito na conta original 211401 IRPF PRÓPRIOS A RECOLHER e a crédito na conta original 211403 IRPF TERCEIROS A RECOLHER e vice versa, os quais não transitaram por quaisquer outras contas e não foram declaradas, ou seja, não transitaram por contas de resultados(DESPESAS), conforme cópias dos lançamentos contábeis anexados ás fls. 70/97; 09. O contribuinte atendeu a fiscalização em 21.09.2008, apresentando as justificativas em meio magnético via CDROM devidamente validado pelo SVA Sistema de Validação e Autenticação de Arquivos Digitais (ver fls. 103/104) 10. As justificativas foram consolidadas nas planilhas RETIFICAÇÕES CONTABILIDADE CONFORME RESPOSTA CONTRIBUINTE anexadas às fls.111/116 e 117/128 11. O contribuinte em relação ao IRRF TERCEIROS justificou as diferenças encontradas em vários grupos conforme discriminação abaixo: a)Valores que foram provisionados e cancelados posteriormente, GRUPO (b.l); b)Valores referentes à folha de pagamento (IRRF PRÓPRIO) e que transitam pela conta IRRF TERCEIROS, GRUPO (b.2); c)Reclassificação de Valores, GRUPO (b.3); d) Valores que não identificaram o recolhimento, GRUPO (b.4); d) Valores provisionados e devidamente recolhidos na DCTF, GRUPO (c); e)Valor recolhido em nome da empresa coligada MAR AZUL TERMINAL E TRANSPORTE LTDA, GRUPO (d); 12. Da análise das justificativas acima descritas acatamos as contidas nos GRUPOS (b.l), (b.3) e (d), cujos valores consolidamos nas planilhas COTEJO DAS INFORMAÇÕES CONTÁBIL FISCAIS, coluna CONTRIBUINTE do titulo RETIFICAÇÕES CONTABILIDADE (ver fls.218/245/246,313,371,434,513); 13. Deixamos de acatar as justificativas contidas nos GRUPOS (b.2), (b.4) e (c) pelos motivos abaixo expostos respectivamente: a) O próprio contribuinte laconicamente admite que transitam pela conta de IRRF TERCEIROS valores relativos a IRRF PRÓPRIOS, fato que a fiscalização já havia detectado através do Termo de Intimação recebido em 12.08.2008, mas em momento algum justificou o porquê deste procedimento que Fl. 5017DF CARF MF Processo nº 10320.006798/200808 Acórdão n.º 2402005.597 S2C4T2 Fl. 5.016 5 atenta contra a boa prática contábil e tão pouco justificou a não declaração em DCTF destes valores(GRUPO b.2); b)Acrescentese ao argumento da alínea anterior que a maioria dos valores apontados pelo contribuinte como passíveis de dedução já foram deduzidos nos demonstrativos APROPRIAÇÕES MANUAIS DE TRIBUTOS CONFORME CONTABILIDADE anexados às fis. 241, 306/308, 427/429, 364/367, 507/509, 544; c)Não há como acatar valores em que o próprio contribuinte admite não ter identificado o recolhimento(GRUPO b.4); d) A fiscalização já tinha lançado nas planilhas COTEJO DAS INFORMAÇÕES CONTÁBIL FISCAIS, coluna DCTF, os valores declarados constantes dos sistemas cadastrais da RFB e que batem com os discriminados pelo contribuinte em sua justificativa, logo não há o que deduzir(GRUPO c); (...) 20. Considerando a natureza deste tributo, uma vez comprovado o não recolhimento do mesmo a Fazenda Pública configura crime de apropriação indébita, elencado no Inciso II, artigo 2° da Lei n° 8.137/90 que regulamenta os crimes contra a ordem tributária, motivo pelo qual qualificamos a multa de ofício para 150% (cento e cinqüenta por cento), além da elaboração de Representação Fiscal para Fins Penais a ser enviada ao Ministério Público Federal apreciar se cabe ou não a denúncia em juízo. (...) Inconformada com a exigência, da qual tomou ciência em 26/11/2008 (efl. 4), o contribuinte apresentou impugnação em 26/12/2008 (efls. 553/575), fundamentando sua defesa nos argumentos abaixo sintetizados: a Cia de Navegação Norsul optou por um sistema de gestão adquirido no mercado à empresa Microsiga Software Ltda que trabalha com diversos módulos "online", tais como sigacom (módulo de compras), sigapes (módulo de pessoal, sigacon (módulo contábil), dentre outros e sobre referidos módulos operam os próprios usuários que conhecem e classificam melhores seus centros de custo. Para tanto, se utilizam de códigos de naturezas financeiras que, por meio de parametrização, fazem interface com códigos contábeis do sistema contábil (sigacon) onde são lançadas todas as operações da Impugnante, sendo algumas efetuadas automaticamente quando programadas; os Auditores parecem não haver entendido o funcionamento das Contas Contábeis envolvidas, 2.1.1.4.01 IRRF PRÓPRIOS A RECOLHER, com suas subcontas e 2.1.1.4.03 IRRF TERCEIROS A RECOLHER, apesar de inúmeras explicações através das respostas às Intimações, bem como os contatos diretos e telefônicos com os representantes da empresa; anexa à presente impugnação uma folha de Razão Contábil demonstrando como ocorrem os lançamentos da Provisão do IRRF e o seu efetivo recolhimento (documento 03A), explicando Fl. 5018DF CARF MF 6 o funcionamento das contas 2.1.1.4.01 IRRF PRÓPRIOS A RECOLHER, com suas subcontas e 2.1.1.4.03 IRRF TERCEIROS A RECOLHER, a saber: a)IRRF Próprios (Contas 211.401.992 Administrativos e 211.401.995 Marítimos) estas contas funcionam única e exclusivamente como contas de transição, onde transitam valores relativos ao Imposto de Renda sobre os rendimentos com vínculo empregatício (folha de pagamento), sendo CREDITADAS ao final de cada mês pela provisão dos impostos retidos, quando da geração da folha de pagamento pelo módulo de gestão de pessoal do sistema de informação chamado de Microsiga (sigapes) e DEBITADAS no momento em que os recolhimentos dos impostos são analisados e corretamente classificados entre Administrativos e Marítimos. b)IRRF Terceiros a recolher (Conta 211.403) conta CREDITADA pela provisão dos valores de impostos retidos na fontes incidentes sobre os rendimentos sem vínculo empregatício e com vínculo empregatício em contrapartida do débito descrito no item "a" e DEBITADA pelo efetivo recolhimento, em conjunto, de todos os impostos retidos; além dos lançamentos acima citados, no momento em que se imputa no sistema de folhas (sigapes) o pedido de emissão dos DARF das provisões dos valores do IRRF – PRÓPRIOS para o recolhimento das referidas provisões, o próprio sistema produz um lançamento de compensação e sem efeito algum de valor, a DÉBITO e CRÉDITO nessa mesma conta 211.403, que tem por objetivo demonstrar se houve a emissão do DARF e que esse valor necessita ser analisado com os valores gerados pela folha de pagamento e classificados entre Administrativos e Marítimos; compreendido o funcionamento dessas duas contas, podese facilmente entender que se forem considerados somente todos os créditos constantes na conta 211.401 e na conta 211.403, sem considerarem os débitos do lançamento sem efeito (compensação), estarseão duplicando as provisões referentes à folha de pagamento, causando a impressão que ainda faltaria recolhimento, o que acredita a impugnante tenha ocorrido na fiscalização durante a verificação amostrai; para maior clareza, traz à colação exemplo, com a utilização de números fictícios, do funcionamento somente em relação aos lançamentos referentes à conta IRRF Próprios, código 0561, da folha de pagamento, por acreditar a impugnante ser o ponto de maior incompreensão; (...) no tópico 4.2 da impugnação o autuado afirma: “a Empresa verificou que, para a formação dos valores autuados, os Senhores Auditores efetuaram retificações de valores cujas origens lhe é desconhecida e que, portanto, de difícil conciliação para se chegar aos valores autuados”.(grifos do Acórdão da Impugnação) A 4ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Fortaleza (DRJ/FOR) resolveu converter o julgamento em diligência, através da Resolução nº 1553 de 08 de abril de 2009 (e fls 2894/2896) para que a Delegacia da Receita Federal do Brasil em São Luis/MA se manifestasse sobre as razões de defesa apresentadas pelo contribuinte. Fl. 5019DF CARF MF Processo nº 10320.006798/200808 Acórdão n.º 2402005.597 S2C4T2 Fl. 5.017 7 No curso da diligência o contribuinte, ao ser intimado a prestar os seus esclarecimentos, admitiu a existência de diferenças de IRRF não recolhidas, entretanto em valores inferiores aos calculados na autuação. Apresentou também os quadros de efls. 2903/2908 e efetuou o recolhimento das quantias demonstradas nos DARF de e fls. 2944/2964. Em atenção à Resolução requerida pela DRJ/FOR, a Unidade de Origem produziu o Termo de Encerramento de Diligência (efls. 4741/4743) e quadro resumo de efls. 4744/4745. O referido termo apresenta, em resumo, as seguintes constatações: Após análise da documentação apresentada pelo contribuinte, em consonância com seus argumentos, concluímos que, de fato, a fiscalização se limitou ao confronto dos valores declarados em DCTF com aqueles escriturados no Livro Razão, o que induziu a equívoco, tendo em vista a existência de contas transitórias (auxiliares) na contabilidade do contribuinte, tais como as contas de transição 211.401.92 Administrativos e 211.401.995 Marítimos, referentes ao IRRF próprios, o que parece ter levado à duplicação dos valores devidos. Com relação às diferenças negativas encontradas no mencionado cruzamento, que resulta dos períodos em que o IRRF foi declarada em valor inferior ao devido, tratase de débitos do contribuinte. Valores estes que foram relacionados no "Quadro Resumo do Cruzamento DCTF x DIRF IRRF Devido", em anexo, que apresenta um débito total atualizado e acrescido da multa de ofício de 75%, no montante de R$ 1.773.700,91. Percebese facilmente que o débito ora apurado contrasta com aquele encontrado e recolhido pela Impugnante, em 24/03/2011, de apenas R$ 43.656,31. Esta considerável diferença decorre do fato de o contribuinte, quando de seu cotejo, ter compensado as diferenças a maior com aquelas a menor, realizando, na prática, uma verdadeira autocompensação; quando sabemos que a compensação de tributos exige procedimento específico, através de Declaração de Compensação, consoante a IN RFB n° 900/08, que deve ser realizada dentro do prazo decadencial dos créditos favoráveis ao contribuinte. Além do que o contribuinte acrescentou ao imposto, que pressupôs devido, juros de mora de 20%, quando os lançamentos ora analisados são de ofício, exigindo multa de 75%. (grifos do Acórdão da Impugnação) Por seu turno, o defendente rebate as afirmações do agente fiscal, alegando que não realizou a autocompensação do imposto. Apresenta explicação que contrapõe os valores apurados para os períodos de apuração de abril, julho, setembro e dezembro de 2004, bem como dezembro de 2006. Aduz que o auditor não levou em conta que, nesses períodos a apuração do tributo foi semanal, e nesses específicos períodos de apuração o mês de informação na DIRF não coincide com aquele indicado na semana correspondente da DCTF. Os autos foram novamente baixados em diligência demandada por esta 4ª Turma de Julgamento (efls. 4878/4883) para que a Unidade Fl. 5020DF CARF MF 8 de Origem detalhasse, por período de apuração, o procedimento de cálculo realizado, bem como apurasse se as quantias provisionadas nas subcontas “administrativos” e “marítimos” transitaram pela conta “irrf – terceiros a recolher”, identificandoas por período de apuração. A diligência, em sua essência, requeria da Unidade Local as seguintes providências: 1. apresente relatório circunstanciado e conclusivo onde seja especificado, em cada período considerado na autuação, as seguintes informações: a. valor dos lançamentos contábeis que deveriam ser justificados pelo contribuinte; b. valor aceito pela fiscalização, separado por tipo de justificativa (grupos b1, b3 e d); c. valor não aceito pela fiscalização, também segregados por tipo de justificativa (grupos b2, b4 e c). 2. apresente relatório circunstanciado e conclusivo onde, com base nos assentamentos contábeis do contribuinte, esclareça o seguinte: a. se as quantias provisionadas nas subcontas (Administrativos e Marítimos) transitaram pela conta 211403 IRRF TERCEIROS A RECOLHER; b. se afirmativa a resposta da questão anterior, identificar e descontar, em cada período considerado na autuação, os valores correspondentes àquelas provisões, calculando o saldo devedor remanescente. A Unidade de Origem apresentou relatório de diligência fiscal (efls. 4887/4889) onde relata a impossibilidade de efetuar a diligência na forma como solicitada. Da análise da impugnação, e com fundamento nas diligências realizadas e nas subsequentes manifestações apresentadas pelo sujeito passivo, a DRJ/FOR registra que a “solução para a lide exigiria o recálculo do IRRF apurado no auto de infração realizandose o desconto, em cada período de apuração, dos valores replicados nas contas transitórias, contudo tal tarefa não pode ser executada”, conforme explicação inseridas no segundo relatório de diligência fiscal. Aduz entretanto que, com base nas informações contidas nos autos é possível realizar o cálculo do IRRF devido e não recolhido à época da autuação fiscal, sendo que, para tanto, fazse necessária a utilização dos valores listados às fls. 2968/2992, fornecidos pelo contribuinte, partindose do princípio que os dados informados em DIRF são corretos. Informa que esta apuração já foi feita, em parte, pelo agente fiscal quando da preparação do relatório da primeira diligência realizada. Ressalva que: os demonstrativos de efls 4748/4765, bem como o quadro resumo de efls. 4744/4745 (que integram o Termo de Encerramento de Diligência Fiscal – Primeira Diligência), preparados pelo auditor fiscal, somente estão aptos a ser utilizados nos períodos de apuração posteriores ao ano de 2006, pois que foram consolidados mensalmente, não se prestando a retificar lançamentos realizados sobre fatos Fl. 5021DF CARF MF Processo nº 10320.006798/200808 Acórdão n.º 2402005.597 S2C4T2 Fl. 5.018 9 geradores semanais, como era a regra aplicável até aquele ano. (Grifos do original) Consoante inferiu o Colegiado a quo o sujeito passivo se contrapõe aos demonstrativos da Fiscalização apenas em relação a períodos de apuração anteriores a 2007 e, em função disso, julgou a impugnação parcialmente procedente, mantendo os lançamentos de 2007 e 2008, conforme detalhamento feito à fl. 4745. Com relação à multa de ofício, o entendimento exarado no acórdão recorrido foi de que não restaram caracterizadas as hipóteses previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964, que possibilitariam o agravamento da multa, por conseguinte, resolveuse por reduzila ao percentual de 75% (setenta e cinco por cento), nos termos do inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. É o relatório. Fl. 5022DF CARF MF 10 Voto Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho Relator Com fulcro no inciso I do art. 34 do Decreto nº 70.235/72 e presentes os pressupostos de admissibilidade, vez que o valor exonerado ultrapassa o valor de alçada previsto na Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008, conheço do Recurso de Ofício, passando à análise do mérito. No que se refere ao valor principal, lançado a título de IRRF, o Auto de Infração originário (fls. 2/44) apurou o correspondente a R$ 6.388.298,69. Por ocasião da primeira diligência solicitada pela DRJ/FOR, o lançamento foi ajustado para R$ 705.248,52 (vide quadro de fls. 4744/4745). Intimado a se manifestar em face da primeira diligência, o contribuinte admitiu a existência de diferenças de IRRF não recolhidas, entretanto em valores inferiores aos calculados na autuação e, como forma de demonstrar os cálculos realizados, apresentou os quadros de fls. 2903/2908, tendo efetuado o recolhimento das quantias respectivas, conforme DARF de fls. 2944/2964. A partir das manifestações do sujeito passivo, o Colegiado de primeira instância demandou nova diligência, com o fim de obter informações sobre a autuação que pudessem esclarecer questões supervenientes. Ocorre que, como resposta a essa segunda diligência, o órgão preparador se manifestou no seguinte sentido: 5. Impossível efetuar a diligência nos moldes solicitados pelo julgador face à indisponibilidade de informações no processo que nos permita fazer as associações aos grupos criados pelos AFRFBs autuantes (bl, b3, d, b2, b4 e c), bem como compreender, em detalhes, o "passoapasso" por eles efetuados. 6. A grande dificuldade para compreensão da sistemática de apuração reside na ausência dos conteúdos de arquivos em meio magnético anexos ora a intimações fiscais, ora a manifestações do contribuinte, o que ocorreu quando da digitalização do processo original, em que não foram importados tais arquivos. Vejase que, diante das informações apresentadas, ao Órgão Julgador de primeira instância não restou outra opção que não a de se socorrer dos valores informados pelo contribuinte para efetuar o cálculo do IRRF para as competências até 12/2006, pois as informações trazidas pela Fiscalização foram consolidadas mensalmente e, segundo relatado no acórdão recorrido, os fatos geradores nesse período eram semanais, ou seja, tais informações não se prestavam a retificar os lançamentos realizados em anos anteriores a 2007. Por outro lado, foram mantidos incólumes os lançamentos de 2007 e 2008, conforme detalhamento feito pelo órgão preparador à fl. 4745. Pelas razões apresentadas, entendo pela negativa de provimento ao Recurso de Ofício com relação à presente matéria. Quanto à multa de ofício, o inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, dispõem: Fl. 5023DF CARF MF Processo nº 10320.006798/200808 Acórdão n.º 2402005.597 S2C4T2 Fl. 5.019 11 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; [...] § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Os arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, tratam de hipóteses relacionadas a sonegação, fraude e conluio em âmbito fiscal. Vejamos: Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Consoante contextualizado no Termo de Encerramento da Ação Fiscal (fl. 50, item 20), com base na natureza do IRRF e uma vez comprovado o não recolhimento do mesmo, restou configurado o crime de apropriação indébita elencado no inciso II do art. 2° da Lei n° 8.137/90 que regulamenta os crimes contra a ordem tributária, motivo pelo qual a multa de ofício foi qualificada para 150% (cento e cinquenta por cento). Sobre esse assunto, convém ressalvar que somente é aceitável a aplicação da multa majorada nos casos previstos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964 e para isso o Fisco tem o ônus de demonstrar a ocorrência das condutas de sonegação, fraude ou conluio. O fato de o contribuinte não haver recolhido tributo retido de terceiros, mesmo isso configurando crime de apropriação indébita, não é suficiente para a aplicação da qualificadora. De se notar que os tipos previstos em lei exigem que haja a comprovação de que a ação ou omissão foram praticadas com dolo, o que, na seara tributária, consiste em comportamento intencional de suprimir o recolhimento de tributos mediante artifícios que Fl. 5024DF CARF MF 12 impeçam ou retardem o conhecimento do fato gerador pelo fisco ou, no caso da fraude, excluam ou posterguem sua ocorrência, o que não se verifica no caso que ora se analisa. Ademais, é esse o entendimento que tem prevalecido nas decisões do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, quando se exige comprovação inequívoca da ocorrência da conduta dolosa para qualificação da multa. Nesse sentido, impende reproduzir recente julgado da Câmara Superior de Recursos Fiscais que manifesta claramente essa linha interpretativa: MULTA QUALIFICADA. COMPROVAÇÃO DE CONDUTA DOLOSA. Havendo nos autos provas contundentes da conduta dolosa do contribuinte, decorrentes do conjunto de ações irregulares que levaram a lavratura do lançamento tributário, caracterizando está o tipo Fraude previsto no art. 72 da Lei nº 4.502/64. Correta a aplicação da multa qualificada. (Acórdão nº 9202003.82708/03/2016) Desta feita, mesmo com a constatação de recolhimentos de IRRF em patamares inferiores aos devidos e, a despeito de tal conduta caracterizar a ocorrência, em tese, de crime de apropriação indébita, entendo que não restaram demonstradas as circunstâncias previstas na norma legal que autorizam a qualificação da penalidade e, por essa razão, correta a decisão de primeira instância que entendeu por reduzir o percentual da multa ao patamar ordinário de 75% (setenta e cinco por cento). Conclusão Ante o exposto, voto no sentido de CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício. (assinado Digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho. Fl. 5025DF CARF MF
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Numero do processo: 11330.000449/2007-37
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9202-004.889
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 33 0. 00 04 49 /2 00 7- 37 Fl. 257DF CARF MF Processo nº 11330.000449/200737 Acórdão n.º 9202004.889 CSRFT2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10380.005876/200753. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.792, de 12/12/2016, proferido no julgamento do processo 10380.005876/200753, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.792): O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Fl. 258DF CARF MF Processo nº 11330.000449/200737 Acórdão n.º 9202004.889 CSRFT2 Fl. 0 3 Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 259DF CARF MF Processo nº 11330.000449/200737 Acórdão n.º 9202004.889 CSRFT2 Fl. 0 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Fl. 260DF CARF MF Processo nº 11330.000449/200737 Acórdão n.º 9202004.889 CSRFT2 Fl. 0 5 Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Fl. 261DF CARF MF Processo nº 11330.000449/200737 Acórdão n.º 9202004.889 CSRFT2 Fl. 0 6 § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há Fl. 262DF CARF MF Processo nº 11330.000449/200737 Acórdão n.º 9202004.889 CSRFT2 Fl. 0 7 que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 263DF CARF MF Processo nº 11330.000449/200737 Acórdão n.º 9202004.889 CSRFT2 Fl. 0 8 Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 264DF CARF MF Processo nº 11330.000449/200737 Acórdão n.º 9202004.889 CSRFT2 Fl. 0 9 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 265DF CARF MF Processo nº 11330.000449/200737 Acórdão n.º 9202004.889 CSRFT2 Fl. 0 10 Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Em face do acima exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 266DF CARF MF
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Numero do processo: 11070.001677/2008-13
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Mar 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2004 a 31/07/2008
COMERCIALIZAÇÃO DE PRODUTOS RURAIS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. SUB-ROGAÇÃO DA EMPRESA ADQUIRENTE. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. LIMITES.
A inconstitucionalidade do artigo 1º, da Lei nº 8.540, de 1992, declarada pelo STF no RE nº 363.852/MG, não se estende à Lei nº 10.256, de 2001.
INCONSTITUCIONALIDADE.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
Numero da decisão: 9202-005.214
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencida a conselheira Patrícia da Silva, que lhe negou provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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SUBROGAÇÃO DA EMPRESA ADQUIRENTE. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. LIMITES. A inconstitucionalidade do artigo 1º, da Lei nº 8.540, de 1992, declarada pelo STF no RE nº 363.852/MG, não se estende à Lei nº 10.256, de 2001. INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencida a conselheira Patrícia da Silva, que lhe negou provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 0. 00 16 77 /2 00 8- 13 Fl. 247DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório Tratase de exigência das contribuições destinadas à Seguridade Social e a outras entidades decorrentes da receita bruta auferida pelo segurado especial proveniente da comercialização da sua produção. Constituem a base de cálculo do lançamento os valores distribuídos aos associados da Cooperativa a título de sobras do exercício, conforme política das cooperativas. Em sessão plenária de 18/09/2012, foi dado provimento ao Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2403001.603 (fls. 788 a 794), assim ementado: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2004 a 31/07/2008 RURAL. INCONSTITUCIONALIDADE. Julgada inconstitucional a incidência de contribuições previdenciárias sobre a comercialização da produção. art. 25 da lei 8.212/1991, na redação dada pelo art. 1º da lei 8.540/1992. Recurso Voluntário Provido" Cientificada em 05/12/2012 (fls. 133), a Fazenda Nacional interpôs, na mesma data (RM Relação de Movimentação de fls. 136) o Recurso Especial de fls. 132 a 156, visando rediscutir a questão da aplicabilidade do artigo 25, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação da Lei nº 10.256, de 2001. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme Despacho nº 2400 484/2013, de 23/04/2013 (fls. 236 a 239). Em seu apelo, a Fazenda Nacional alega, em síntese: da análise da ementa do julgado é possível depreender como determinante à conclusão da Corte Constitucional, no que interessa à presente lide, a necessidade de lei complementar para instituição da contribuição, à luz do art. 195, § 4º, da Constituição; nesse contexto, o posicionamento da Corte referiuse ao entendimento de que a exigência de lei complementar decorreria do art. 195, § 4º, da Constituição (na sua redação original, antes do advento da EC nº 20/1998), uma vez que a base econômica sobre a qual incide a contribuição não estaria prevista na Constituição na data de sua instituição pela Lei nº 8.540/92; sendo assim, por se tratar de exercício da competência tributária residual da União, imprescindível a utilização de lei complementar para instituição da contribuição previdenciária; Fl. 248DF CARF MF Processo nº 11070.001677/200813 Acórdão n.º 9202005.214 CSRFT2 Fl. 248 3 aduziuse que o texto constitucional, até a edição da Emenda Constitucional nº 20 de 1998, não previa a receita como base tributável, existindo tão somente a alusão ao faturamento, lucro e folha de salários no inciso I do art. 195; portanto, como a Lei nº 8.540, de1992, alterando o disposto no art. 25 da Lei 8.212, de 1991, fixou a base de cálculo da contribuição como sendo a "receita bruta proveniente da comercialização" da produção rural, teria havido afronta ao texto constitucional, "até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional nº 20/98, venha a instituir a contribuição"; o fundamento jurídico adotado pelo acórdão citado como basilar da decisão ora hostilizada demonstra, às escâncaras, que apenas foi abordada no julgamento a constitucionalidade da redação do art. 25 da Lei nº 8.212, de 1991 conferida pela Lei nº 8.540, de 1992; noutros termos, a Lei nº 8.540, editada em 1992, alterou o artigo 25 da Lei nº 8.212/91; o dispositivo modificou a contribuição devida pelo empregador rural pessoa física, substituindo as contribuições incidentes sobre a folha de pagamento por aquela incidente sobre a comercialização da produção rural; apenas essa lei Lei nº 8.540, de 1992 foi objeto da decisão proferida no RE nº 596.177/RS, fundamento da decisão ora recorrida, tendo decidido o Supremo Tribunal Federal pela sua inconstitucionalidade; ocorre que a Suprema Corte não se pronunciou sobre a atual redação do art. 25 da Lei n° 8.212/91 a qual, hodiernamente, dá suporte para a cobrança da contribuição. a Lei nº 10.256/2001, editada sob o manto constitucional aberto pela Emenda Constitucional nº 20/98, instituiu as contribuições a cargo do empregador rural pessoa física, em substituição à contribuição de que tratam os incisos I e II do art. 22 da Lei nº 8.212/91, e a cargo do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea 'a' do inciso V e no inciso VII do art. 12 desse mesmo diploma legal, às alíquotas de 2% e 0,1% incidentes sobre a receita bruta proveniente da comercialização da sua produção, destinadas à Seguridade Social e ao financiamento das prestações por acidente do trabalho, respectivamente; portanto, atualmente, a contribuição previdenciária do empregador rural pessoa física é recolhida com base na redação do art. 25 da Lei nº 8.212 conferida pela Lei nº 10.256, de 2001 cuja constitucionalidade não foi apreciada pelo STF; isso porque, nos termos do RE nº 363.852/MG, a superveniência de lei ordinária, posterior à EC nº 20 de 1998, seria suficiente para afastar a pecha de inconstitucionalidade da contribuição previdenciária do empregador rural pessoa física; com a edição da Lei nº 10.256, no ano de 2001, sanouse o referido vício; assim, tratando o presente caso de fatos geradores ocorridos sob a égide da Lei nº 10.256/2001, não há que se falar em inconstitucionalidade; Fl. 249DF CARF MF 4 acerca do tema há o recente posicionamento do Tribunal Regional Federal da 4ª Região na Apelação Cível nº 2007.70.03.0049589/PR, que declarou a constitucionalidade dessa norma e, consequentemente, a constitucionalidade da cobrança da contribuição rural após 2001, verbis: "TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO INCIDENTE SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA EMPREGADOR. LEGITIMIDADE ATIVA. COMPENSAÇÃO. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. SUMULAS 512 DO STF E 105 DO STJ. 1 A jurisprudência é uníssona no sentido de reconhecer a legitimidade ativa ad causam da empresa adquirente/consumidora/consignatária e da cooperativa para discutir a legalidade da contribuição para o Funrural. 2 O substituto tributário carece de legitimidade para compensar ou repetir o indébito, porquanto o ônus financeiro não é por ele suportado. 3 O STF, ao julgar o RE nº 363.852, declarou inconstitucional as alterações trazidas pelo art. 1º da Lei nº 8.540/92, eis que instituíram nova fonte de custeio por meio de lei ordinária, sem observância da obrigatoriedade de lei complementar para tanto. 4 Com o advento da EC nº 20/98, o art. 195, I, da CF/88 passou a ter nova redação, com o acréscimo do vocábulo 'receita'. 5 Em face do novo permissivo constitucional, o art. 25 da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 10.256/01, ao prever a contribuição do empregador rural pessoa física como incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da sua produção, não se encontra eivado de inconstitucionalidade." logo, com a edição de lei posterior à EC nº 20/98 (Lei nº 10.256/2001), que já foi inclusive considerada constitucional perante o Tribunal Regional Federal da 4ª Região, a contribuição sobre a produção dos empregadores rurais pessoas físicas foi retomada; dessa forma, não foi declarada a inconstitucionalidade da subrogação após a edição da lei nova (Lei nº 10.256/2001) a que se referiu o Relator em seu pronunciamento constante do acórdão a que faz referência a decisão hostilizada (RE nº 363.852/MG); como é possível perceber da leitura do citado acórdão proferido pela Suprema Corte, a subrogação em momento algum foi discutida no julgamento do Supremo Sodalício; com efeito, o Supremo não se pronunciou acerca de nenhum vício de inconstitucionalidade a macular a subrogação, até porque esta foi expressamente prevista na própria Lex Excelsior; ainda, verificase que não houve a declaração de inconstitucionalidade do inciso IV do art. 30 da Lei nº 8.212/91, mas, tão somente, a inconstitucionalidade do art. 1º da Lei nº 8.540/92; vejase que, no RE nº 363.852/MG, assim como no RE nº 596177/RS, o Supremo Tribunal não estava processualmente autorizado a analisar a manutenção ou não da vigência das Leis nº 8.540/92 e 9.528/97 sob a égide (após) da Emenda Constitucional nº Fl. 250DF CARF MF Processo nº 11070.001677/200813 Acórdão n.º 9202005.214 CSRFT2 Fl. 249 5 20/98, porque o objeto processual analisado no recurso extraordinário era apenas a invalidação das relações jurídicas tributárias inter partes e a declaração apenas incidental de invalidade das normas jurídicas tributárias impugnadas perante o texto originário; a Corte, no referido RE 363.852/MG, também não examinou o art. 25 com a redação dada pelas leis ordinárias posteriores à Emenda Constitucional nº 20/98 porque estas também não integravam o objeto processual delimitado na petição inicial, dentre as quais se insere a Lei nº 10.256/2001 que fundamentou o lançamento; logo, invocado o art. 62, inciso I, do RICARF, era e é nesses precisos limites nos quais deveria gizarse o julgado ora hostilizado; nesse teor, vejase que a Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF, já sob a égide do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, já decidiu sobre os estreitos limites do controle de constitucionalidade efetivado na via incidental: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 31/12/1999 a 31/01/2000,31/03/2000 a 31/12/2000, 28/02/2001 a 31/03/2001, 31/08/2001 a 30/09/2001, 01/11/2001 a 30/11/2001, 01/10/2002 a 31/10/2002, 31/12/2002 a 30/06/2003, 31/08/2003 a 30/09/2003. REGIME DA CUMULATIVIDADE. ALARGAMENTO DA BASE DE CALCULO. FATURAMENTO. DECISÃO DO STF. REVOGAÇÃO EXPRESSA DO ART. 30, § 1°, LEI N° 9.718/98 PELA LEI N° 11.941, de 28/05/2009. Não promulgada ainda resolução do Senado Federal estendendo a todos os contribuintes os efeitos de decisão do STF que considerou inconstitucional o alargamento da base de cálculo das contribuições, é de se aplicar a lei ainda em vigor A época da ocorrência dos períodos de apuração, qual seja, de que a base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins é a receita bruta, assim entendida a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEIS. SÚMULA N° 2. 0 Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. No caso, alegada a inconstitucionalidade do art. 56 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que revogou a isenção da Cofins das sociedades civis de profissão regulamentada. (...) Recurso Voluntário Provido em Parte." (acórdão n° 340100387, processo administrativo n° 10580.011972/200351). Fl. 251DF CARF MF 6 delineado esse contexto, ressaltese que ainda não foi superada a divergência jurídica na seara judicial, uma vez que a União vem defendendo a possibilidade e a constitucionalidade do instituto da subrogação diante do advento da Lei nº 10.256/2001, mesmo após o RE nº 363.852/MG, o que inclusive já foi acatado por diversos órgãos julgadores do Poder Judiciário, como é o caso do TRF da 4ª Região; registrese que não se olvida a existência de repercussão geral sobre o tema, Recurso Extraordinário n° 596.177. Diante do julgamento realizado em 1°/08/2011, foi noticiada no sítio eletrônico do Supremo Tribunal Federal a seguinte informação: "Segundafeira, 01 de agosto de 2011 Empregador rural pessoa física não precisa recolher contribuição sobre receita bruta Por votação unânime, o Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) manteve jurisprudência firmada anteriormente e deu provimento, nesta segundafeira (1º), ao Recurso Extraordinário (RE) 596177 para declarar a inconstitucionalidade do artigo 10 da Lei 8.540/92, que determina o recolhimento, para a Previdência Social, da contribuição incidente sobre a comercialização da produção rural (antigo Funrural) por empregador rural pessoa física, com aliquota de 2% sobre a receita bruta de sua produção. Na decisão, que seguiu o voto do relator, ministro Ricardo Lewandowski, a Suprema Corte declarou a inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei 8.540/92, que deu nova redação a dispositivos da Lei 8.212/91. O Plenário determinou, também, a aplicação desse mesmo entendimento aos demais casos que tratem do mesmo assunto. Com isso, rejeitou pedido da União para que, caso desse provimento ao recurso, modulasse a decisão para que não se aplicasse a todos os casos. O caso 0 recurso foi interposto pelo produtor rural Adolfo Angelo Marzari Junior contra acórdão (decisão colegiada) do Tribunal Regional Federal da 4a Região (TRF4) que, ao negar provimento a apelação em mandado de segurança, entendeu ser constitucional essa contribuição sobre a receita bruta, nos termos do artigo 25 da Lei n° 8.212/91, após alteração promovida pela Lei n° 8.540/92. Ele alegou ofensa aos artigos 195, parágrafo 4 0, e 154, inciso I, da Constituição Federal. Em síntese, argumentou que tal recolhimento significaria desrespeito ao principio constitucional da igualdade, pois, além de contribuir para a Previdência sobre a folha de seus empregados como as pessoas jurídicas , ainda teria que recolher a contribuição sobre a receita bruta de sua produção, exigência essa que não é feita a nenhum outro segmento. Fl. 252DF CARF MF Processo nº 11070.001677/200813 Acórdão n.º 9202005.214 CSRFT2 Fl. 250 7 Além disso, como se trata de uma nova base de contribuição, o recorrente sustentou que essa somente poderia ser instituída por lei complementar, e não por lei ordinária, como é o caso da norma contestada e por diversas outras que a validaram posteriormente, até a Lei 10.256/2001. Repercussão geral 0 RE foi protocolado no STF em dezembro de 2008 e, em setembro de 2009, o Plenário Virtual da Suprema Corte reconheceu a existência de repercussão geral na questão constitucional nele suscitada. Em junho de 2010, o relator, ministro Ricardo Lewandowski, concedeu liminar, dando efeito suspensivo ao recurso, até julgamento de seu mérito. Com isso, nesse período, o autor do RE já ficou dispensado do recolhimento do tributo. Na decisão de hoje, o Plenário se apoiou em sua decisão de 3 de fevereiro do ano passado, quando, no julgamento do Recurso Extraordinário 363852, relatado pelo ministro Marco Aurélio, declarou a inconstitucionalidade do mesmo dispositivo. A ProcuradoriaGeral da República manifestouse pelo provimento do recurso." assim, o CARF deve aterse aos estritos limites objetivos da demanda, não sendo lícito fazer ilações para, mediante interpretação extensiva, alcançar situações não previstas, não alijadas pela pecha de inconstitucionalidade e assim declaradas pelo Poder incumbido pela Constituição Federal de tal mister; tal situação se revela ainda de maior gravidade quando se constata que a decisão utilizada como parâmetro de referência foi tomada em controle incidental de constitucionalidade, com efeitos inter partes, portanto, antes da edição de Resolução pelo Senado Federal; portanto, no caso presente, o período de apuração situase de 07/2006 a 02/2007, ou seja, em período integralmente coberto pela regência da Lei nº 10.256/2001, não havendo que se falar em inconstitucionalidade da exação, pois esta decorre diretamente da norma tributária inserida no ordenamento pelo diploma legal suso referido, concebido e gerido sob à luz da EC nº 20/98, e não pelas regras consignadas nas leis nº 8.540/92 e 9.528/97, estas, sim, declaradas inconstitucionais pelo STF; logo, por todas as razões acima expostas, impõese a reforma do aresto, mantendose o lançamento em sua integralidade. Ao final, a Fazenda Nacional pede o conhecimento e o provimento de seu recurso. Cientificada em 09/09/2013 (AR Aviso de Recebimento de fls. 187), a Contribuinte quedouse silente (fls. 188). Voto Fl. 253DF CARF MF 8 Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Não foram oferecidas Contrarrazões. Tratase de exigência das contribuições destinadas à Seguridade Social e a outras entidades decorrentes da receita bruta auferida pelo segurado especial proveniente da comercialização da sua produção. Constituem a base de cálculo do lançamento os valores distribuídos aos associados da Cooperativa a título de sobras do exercício, conforme política das cooperativas. Os valores são referentes ao período de 01/04/2004 a 31/07/2008, portanto exigidos já sob a égide da Lei nº 10.256, de 2001, sobre a qual até o momento não paira qualquer restrição acerca de sua constitucionalidade. A Fazenda Nacional visa rediscutir a questão da aplicabilidade do artigo 25 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação da Lei nº 10.256, de 2001. Destarte, tendo em vista que esta foi a única matéria do acórdão recorrido e do Recurso Especial, não há como sequer discutirse a suposta inconstitucionalidade da Lei nº 10.256, de 2001, em face de determinação expressa da Súmula CARF nº 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ainda que se pudesse discutir a constitucionalidade de dispositivo legal vigente e não declarado inconstitucional pelo STF o que se admite apenas para argumentar a decisão no RE nº 363.852/MG não deixa dúvidas acerca da impossibilidade de estenderse à Lei nº 10.256, de 2001, editada após a Emenda Constitucional nº 20/98, a inconstitucionalidade declarada em relação ao art. 1º da Lei nº 8.540, de 1992, como se naquela assentada o Excelso Pretório tivesse condenado o instituto da substituição tributária da contribuição previdenciária do produtor agrícola de forma ampla, estendendo seus efeitos a legislação superveniente, editada após a Emenda Constitucional nº 20/98. Esclareçase que no Recurso Extraordinário nº 363.852/MG, discutiuse a constitucionalidade da contribuição exigida com base no art. 25 da Lei n° 8.212, de 1991, com a redação dada pelas Leis nºs 8.540, de 1992, e 9.528, de 1997, incidente sobre o valor da comercialização da produção rural, apenas quanto à sua extensão ao empregador rural pessoa física. Nesse passo, decidiuse que tal inovação não encontrava respaldo na Carta Magna, até a Emenda Constitucional 20/98. Referido precedente foi adotado em regime de repercussão geral, por meio do julgamento do Recurso Extraordinário nº 596.177/RS (art. 543B do Código de Processo Civil), cuja ementa a seguir se transcreve: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. EMPREGADOR RURAL PESSOA FÍSICA. INCIDÊNCIA SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO. ART. 25 DA LEI 8.212/1991, NA REDAÇÃO DADA PELO ART. 1º DA LEI 8.540/1992. INCONSTITUCIONALIDADE. I Ofensa ao art. 150, II, da CF em virtude da exigência de dupla contribuição caso o produtor rural seja empregador. II Necessidade de lei complementar para a instituição de nova fonte de custeio para a seguridade social. Fl. 254DF CARF MF Processo nº 11070.001677/200813 Acórdão n.º 9202005.214 CSRFT2 Fl. 251 9 III RE conhecido e provido para reconhecer a inconstitucionalidade do art. 1º da Lei 8.540/1992, aplicandose aos casos semelhantes o disposto no art. 543B do CPC. (RE 596177, Relator Min. RICARDO LEWANDOWSKI, Tribunal Pleno, julgado em 01/08/2011, REPERCUSSÃO GERAL – MÉRITO, DJe165 de 29082011) Com a entrada em vigor da Lei nº 10.256, de 2001, editada já sob a égide da Emenda Constitucional nº 20/98, passaram a ser devidas as contribuições sociais a cargo do empregador rural pessoa física, às alíquotas de 2% e 0,1%, incidentes sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção, nos termos assinalados no art. 25, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela lei superveniente. No presente caso, repitase que o período objeto da autuação encontrase integralmente coberto pela regência da Lei nº 10.256, de 2001, não havendo que se falar em inconstitucionalidade da exação, já que ela decorre diretamente da nova norma inserida no ordenamento jurídico, e não dos enunciados das Leis nºs 8.540, de 1992 e 9.528, de 1997, declarados inconstitucionais pelo STF. Destarte, a exigência pela sistemática de subrogação, descrita no art. 30, IV, da Lei nº 8212, de 1991, também encontrase devidamente amparada pela legislação, já que o Supremo Tribunal Federal não se pronunciou acerca de eventual vício de inconstitucionalidade a maculála. Confirase o voto do Min. Marco Aurélio: "Ante esses aspectos, conheço e provejo o recurso interposto para desobrigar os recorrentes da retenção e do recolhimento da contribuição social ou do seu recolhimento por subrogação sobre a “receita bruta proveniente da comercialização da produção rural” de empregadores, pessoas naturais, fornecedores de bovinos para abate, declarando a inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com redação atualizada até a Lei nº 9.528/97, até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional nº 20/98, venha a instituir a contribuição, tudo na forma do pedido inicial, invertidos os ônus da sucumbência.” Com efeito, a referência ao termo “subrrogação”, e ao “inciso IV do art. 30 da Lei nº 8.212/91”, somente teve lugar na conclusão do acórdão, quando o Sr. Min. Relator desobriga os recorrentes da retenção e do recolhimento da contribuição social ou do seu recolhimento por subrrogação sobre a “receita bruta proveniente da comercialização da produção rural” de empregadores, pessoas naturais, fornecedores de bovinos para abate. Por fim, ressaltese que a exigência das contribuições do adquirente, consumidor, consignatário ou cooperativa, foi determinada pelo inciso III, do art. 30, da Lei nº 8.212, de 1991, que não foi questionado ou mesmo mencionado na declaração de inconstitucionalidade proferida no RE nº 363.852/MG, permanecendo vigente e eficaz, inclusive em relação ao empregador rural pessoa física, após a publicação da Lei nº 10.256, de 2001, portanto produzindo todos os efeitos jurídicos. Fl. 255DF CARF MF 10 Corroborando o entendimento de que a inconstitucionalidade de que se trata não se estendeu à Lei nº 10.256, de 2001, como aventou o acórdão recorrido, colacionase a ementa dos Embargos de Declaração no RE n° 596.177/RS: "Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. FUNDAMENTO NÃO ADMITIDO NO DESLINDE DA CAUSA DEVE SER EXCLUÍDO DA EMENTA DO ACÓRDÃO. IMPOSSIBILIDADE DA ANÁLISE DE MATÉRIA QUE NÃO FOI ADEQUADAMENTE ALEGADA NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO NEM TEVE SUA REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. INEXISTÊNCIA DE OBSCURIDADE, CONTRADIÇÃO OU OMISSÃO EM DECISÃO QUE CITA EXPRESSAMENTE O DISPOSITIVO LEGAL CONSIDERADO INCONSTITUCIONAL. I Por não ter servido de fundamento para a conclusão do acórdão embargado, excluise da ementa a seguinte assertiva: 'Ofensa ao art. 150, II, da CF em virtude da exigência de dupla contribuição caso o produtor rural seja empregador' (fl. 260). II A constitucionalidade da tributação com base na Lei 10.256/2001 não foi analisada nem teve repercussão geral reconhecida. III Inexiste obscuridade, contradição ou omissão em decisão que indica expressamente os dispositivos considerados inconstitucionais. IV Embargos parcialmente acolhidos, sem alteração do resultado.' (RE 596.177 ED, Relator(a): Min. RICARDO LEWANDOWSKI, Tribunal Pleno, julgado em 17/10/2013, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe‑ 226 DIVULG 14‑ 11‑ 2013 PUBLIC 18‑ 11‑ 2013)" Diante do exposto, conheço e dou provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 256DF CARF MF
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Numero do processo: 13896.907123/2009-24
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 15 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1302-000.482
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Declarou-se impedido o Conselheiro Rogério Aparecido Gil.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Alberto Pinto Souza Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e José Roberto Adelino da Silva.
RELATÓRIO
Versa o presente processo sobre recurso voluntário, interposto pelo contribuinte em face do Acórdão nº 12-62.729 da 6ª Turma da DRJ/RJ1, o qual foi assim ementado:
ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
Ano-calendário: 2005
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA.
REMUNERAÇÃO DE SERVIÇOS PROFISSIONAIS.
CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS RETIDAS NA FONTE.
Comprovado que as importâncias pagas pela prestação dos serviços
profissionais estão sujeitas à retenção das contribuições sociais, não há
direito creditório a ser reconhecido.
Manifestação de Inconformidade Improcedente
A recorrente, cientificada do Acórdão nº 12-62.729 em 02/03/2015 (Termo a fls. 222), interpôs, em 30/03/2015 (vide Termo a fls. 318), recurso voluntário (doc. a fls. 225 e segs.), o qual aduz, em apertada síntese, as seguintes razões de defesa:
1. Trata-se, na origem, de declaração de compensação de débito com crédito decorrente de pagamento indevido, efetuado em 21/10/2005, a título de Contribuições Sociais Retidas na Fonte (código 5952), no valor original de R$ 47.066,43.
2. Com efeito, a Recorrente e pessoa jurídica de direito privado que se dedica a prestação de serviços de credenciamento de estabelecimentos comerciais e prestadores de serviços para a aceitação de cartões de crédito e de débito, bem como outros meios de pagamento ou meios eletrônicos para registro e aprovações de transações não-financeiras.
3. Para consecução de suas atividades empresariais, a Recorrente firmou contrato de prestação de serviços de tecnologia com a empresa Eds Data Systems do Brasil Ltda. ("EDS" - fls. 80/143), que, para sua remuneração, emitia fatura mensalmente, discriminando qual o serviço englobado no contrato de prestacao de serviços efetivamente prestado.
4. Assim, em 27/09/2005, a "EDS" emitiu a Fatura n° 8552, no valor total de R$ 4.706.642,63, para remuneração dos serviços prestados a titulo de processamento de dados (fl. 144), cuja abrangência esta minuciosamente descrita no item 5.1.4, do Anexo 2.1-A, do contrato firmado com a Recorrente (fl. 89).
5. Ao receber a fatura para pagamento, a Recorrente, de forma automática (mas precipitada), calculou a retenção na fonte dos tributos devidos, nos seguintes termos:
Tributo
Aliquota
Valor da Retencao
COFINS
3%
R$ 141.199,28
CSLL
1%
R$ 47.066,43
IRRF
1,50%
R$ 70.599,64
PIS
0,65%
R$ 30.593,18
Total
R$ 289.458,53
6. Diante disso, a Recorrente procedeu a retenção do valor de R$ 289.458,53, pagando a "EDS" apenas a diferença da fatura comercial e recolhendo os tributos retidos.
7. Ocorre que o serviço tornado pela Recorrente relativo a Fatura n° 8552 (processamento de dados) não está sujeito a retenção das contribuições sociais, justamente por não estar incluído na lista de serviços constante no artigo 30 da Lei n° 10.833/2003. Confira-se o teor do dispositivo legal:
(...)
8.Ao notar o equívoco, a Recorrente efetuou a devolução dos valores indevidamente retidos a "EDS", conforme comprovado nos autos (fls. 145/151), inclusive com a apresentação de comprovante de transferência bancária à prestadora.
9. Assim, considerando que foram pagos ao fisco os valores indevidamente retidos na Fatura n° 8552 e, posteriormente, foi efetuada a devolução deste montante a prestadora de serviços, a Recorrente faz jus ao reconhecimento do direito creditório, porquanto restou configurado o pagamento indevido, nos termos do inciso I do artigo 165 do Código Tributário Nacional.
10. Por estas razões, a Recorrente transmitiu declaração de compensação de débitos com crédito decorrente de pagamento indevido de CSRF, no valor original de R$ 47.066,43, relativamente a CSLL indevidamente retida por ocasião do pagamento da Fatura n° 8552.
11. No entanto, tendo em vista a ausência de retificação da DCTF, foi proferido despacho decisório eletrônico não homologando a compensação declarada.
12. Em face deste despacho decisório, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, sustentando, preliminarmente, a nulidade do despacho decisório por preterição do direito de defesa e, no mérito, demonstrou, através de farta documentação a origem do direito creditório pleiteado.
13.A par de toda a argumentação e da farta documentação acostada aos autos pela Recorrente, a r. decisão recorrida recusou a nulidade alegada na manifestação de inconformidade, ao argumento de que "a contestação das informações contidas no Despacho Decisório, dos documentos juntados ou até mesmo de eventuais irregularidades dever ser realizada no momento posterior a decisão, com a apresentação de manifestação de inconformidade, iniciando o devido processo administrativo " (fl. 207).
14. Quanto ao mérito, a r. decisão recorrida manteve o indeferimento do direito creditório, ao argumento de que "a peticionária não logrou comprovar nos autos que as importâncias pagas pela prestação dos serviços de que tratou a Nota Fiscal Fatura de Serviços n" 8552, de 27/09/2005 não estavam sujeitas a retenção das contribuições sociais e, por consequência, que ocorreu pagamento indevido da CSRF" (fl. 218).
(...)
II.1 DA NULIDADE POR PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA
II.1.1 Do Efetivo Prejuízo Causado à Recorrente
17. Após a prolação do despacho decisório que não reconheceu o direito creditório pleiteado, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade demonstrando a sua nulidade, em razão da ausência de intimação prévia para apresentação de informações e documentos que se fizessem necessários para o esclarecimento da origem do direito creditório pleiteado.
18. Ocorre, porém, que, em atitude inovadora no processo administrativo e violadora do §3° do artigo 59 do Decreto n° 70.235/72, a 6ª Turma da DRJ/RJ1 superou a nulidade do despacho decisório (em desfavor da Recorrente) e, o que é pior, manteve o indeferimento do direito creditório por argumento absolutamente diverso daquele invocado pelo despacho decisório.
19. Vale dizer, a 6ª Turma da DRJ/RJ1 decidiu: (I) recusar a nulidade do despacho decisório, ignorando o fato concreto de que a Recorrente jamais foi intimada pela Receita Federal do Brasil para apresentação de documentos ou informações sobre a origem do direito creditório pleiteado; e (II) manteve o indeferimento do direito creditório ao (novo) argumento de que a Recorrente não teria apresentado provas suficientes para o reconhecimento do direito creditório, o que jamais havia sido suscitado no curso do processo administrativo.
20. Evidentemente, ao superar a nulidade do despacho decisório e manter o indeferimento do direito creditório pleiteado por argumentos absolutamente diversos dos invocados pelo despacho decisório, a 6ª Turma da DRJ/RJ1 efetivamente causou prejuízo a Recorrente, cerceando o seu direito de defesa e violando o disposto no §3° do artigo 59 do Decreto n° 70.235/72.
21. Por estas razões, o recurso voluntário deve ser provido para decretar a nulidade tanto do despacho decisório quanto da r. decisão recorrida, tendo em vista que efetivamente causaram prejuízo para a Recorrente, cerceando o seu direito de defesa e impedindo a devida e necessária comprovação do direito creditório pleiteado.
(...)
II.1.2 Ausência de intimação específica para apresentação de informações e documentos necessários para o esclarecimento do direito creditório
(...)
23. Por sua vez, na manifestação de inconformidade, a Recorrente demonstrou (e comprovou documentalmente) a origem do direito creditório, acostando para tanto os seguintes documentos para suportar sua argumentação:
(I) cópia do Contrato de Prestação de Serviços firmado entre a Recorrente e a "EDS" (fls. 80/143);
(II) cópia da Fatura n° 8552, emitida pela "EDS" para remuneração do serviço de processamento de dados, conforme devidamente discriminado na própria fatura comercial (fl. 144);
(III) cópias dos comprovantes de devolução do montante indevidamente retido pela Recorrente a título de CSRF a "EDS", bem como a respectiva escrituração contábil (fls. 145/151);
(IV) cópia do DARF indevidamente recolhido pela Recorrente a título de CSRF (fl. 161); e
(V) copia da DCTF Retificadora relativa ao período de apuração de outubro de 2005, afastando a motivação do despacho decisório para o indeferimento do direito creditório (fls. 155/160).
24. No entanto, sobreveio a r. decisão recorrida mantendo o indeferimento do direito creditório pleiteado ao argumento de que, a despeito do que consta expressamente na fatura comercial objeto da retenção indevida, não seria possível concluir que a Fatura n° 8552 teria sido emitida apenas e tão somente para remunerar o serviço de processamento de dados, e não todos os serviços compreendidos pelo Contrato de Prestação de Serviços entre a Recorrente e a "EDS". Confira-se trecho da decisão recorrida:
(...)
25.Entretanto, e em vista deste (novo) entendimento manifestado pela 6ª Turma da DRJ/RJ1, fato e que, no curso do processo administrativo, a Recorrente jamais foi intimada para apresentar documentos adicionais, para esclarecimento da dúvida suscitada na r. decisão recorrida.
26. Ora, diante das informações prestadas na manifestação de inconformidade e do incontestável acervo probatório acostado aos autos, persistindo dúvidas quanto a origem do direito creditório pleiteado ou havendo a necessidade de novos esclarecimentos e documentos, é evidente, razoável e jurídico que a 6ª Turma da DRJ/RJ1 deveria ter, ao menos devolvido os autos a repartição de origem e determinado a realização de diligência, intimando a Recorrente a apresentar as informações e os documentos que se fizessem necessários, e não simplesmente manter o indeferimento do direito creditório pleiteado.
27. Além de ter optado pelo "caminho mais fácil e, também, mais curto", a 6ª Turma da DRJ/SP manteve o indeferimento do direito creditório pleiteado ao argumento de que não haveria, nos autos, prova de fatos em momento algum contestados pelo despacho decisório e dos quais, no curso do processo administrativo e da diligência fiscal, jamais o Recorrente foi intimada especificamente para se manifestar.
28. Também por essas razões, a prolação de decisão administrativa sem o correto exame do direito creditório pleiteado violou o disposto no artigo 65 da Instrução Normativa n° 1.300/2012, que estabelece o dever da autoridade administrativa de realizar as diligências necessárias para o esclarecimento do direito creditório pleiteado. Confira-se:
"Art. 65. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório a apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligencia fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. " (destaques da Recorrente)
(...)
35. Assim, deve ser decretada a nulidade tanto do despacho decisório quanto da r. decisão recorrida, nos termos do inciso 11 do artigo 59 do Decreto n° 70.235/72, para que o credito pleiteado pela Recorrente seja corretamente analisado pela autoridade administrativa competente.
II.2 - DO MÉRITO
II.2.1 - Do Serviço Remunerado Pela Fatura nº 8552
39.Por exemplo, para remuneração dos serviços prestados a título de suporte técnico em informática, em 17/12/2008, a "EDS" emitiu a Fatura n° 019754 (doc. 02), discriminando o serviço prestado de acordo com o Contrato de Prestação de Serviços, e informando as retenções, inclusive da CSRF. uma vez que este serviço específico está sujeito a retenção das contribuições sociais, de acordo com a inteligência do artigo 30 da Lei n° 10.833/2003.
40. Por outro lado, quando a "EDS" prestava os serviços de processamento de dados, era emitida fatura discriminando o serviço prestado, sem, contudo, o destaque das contribuições sociais retidas na fonte, porquanto este serviço específico não está sujeito a esta retenção nos termos da legislação tributária de regência.
41. Neste contexto, em 27/09/2005, a "EDS" emitiu a Fatura n° 8552, tendo em vista a prestação de serviços de processamento de dados, conforme discriminado na própria fatura comercial e, em razão de este serviço não se enquadrar nas hipóteses de retenção de que trata o artigo 30 da Lei n° 10.833/2003, a prestadora não destacou a CSRF.
42. No entanto, ao receber a fatura, a Recorrente, de forma automática (mas precipitada), calculou a retenção dos tributos supostamente devidos, nos seguintes termos:
43.Diante disso, a Recorrente procedeu a retenção (indevida) do valor de R$ 289.458,53, pagando a "EDS" apenas a diferença da fatura e pagando ao fisco os tributos indevidamente retidos. Por decorrência, registrou a retenção em sua contabilidade.
44. Ao notar o equívoco cometido, a Recorrente procedeu a imediata devolução dos valores indevidamente retidos a "EDS", conforme comprovado nos autos inclusive com a juntada de comprovante de transferência bancária.
45. Assim, considerando que foram recolhidos os valores indevidamente retidos e que, posteriormente, foi efetuada a devolução deste montante a prestadora de serviços, restou configurado o pagamento indevido, nos termos do inciso I do art. 165 do CTN, de modo que a Recorrente faz jus ao direito creditório pleiteado.
46. Porém, segundo a r. decisão recorrida, pela documentação acostada aos autos, não seria possível concluir que a Fatura n° 8552 se prestou para remunerar unicamente o serviço de processamento de dados serviço este, aliás, que conforme reconhecido, não está sujeito a retenção da CSRF.
47. Entretanto, a premissa adotada pela r. decisão recorrida, absolutamente não pode prosperar, pois, conforme se observa do Contrato de Prestação de Serviços, cada serviço prestado pela "EDS" era faturado separadamente, com a devida discrição na própria fatura.
48. Com efeito, o Contrato de Prestação de Serviços firmado pela Recorrente abrangia, sim, diversos serviços de tecnologia a serem prestados pela empresa "EDS", tais como suporte técnico em informática, processamento de dados, entre outros.
49. Este contrato abrangia todos os serviços de tecnologia que poderiam ser prestados pela "EDS". Entretanto, como já destacado, cada serviço era faturado separadamente, discriminando-se cada serviço na respectiva fatura comercial, de acordo com o contrato de prestação de serviços firmado entre as partes.
(...)
52. No caso concreto, por sua vez, na cláusula 9.10 do Contrato de Prestação de Serviços estão previstas regras de faturamento diversas para "Processamento de Dados Normal" e "Processamento de Dados nos Ambientes de Desenvolvimento e Homologação", evidenciando que cada serviço era faturado separadamente.
53. De fato, para o serviço de "Processamento de Dados Normal", o Contrato de Prestação de Serviços prévia a seguinte regra de faturamento:
"Para cada mês, durante o prazo de vigência dos Serviços de Ambiente Mainframe a CBMP deverá pagar à EDS a remuneração mensal prevista neste Anexo 2.1-A. Tal remuneração será faturada até o 5º dia útil subsequente ao mês de prestação dos Serviços, devendo ser paga pela CBMP em até 07 (sete) dias após a sua data de emissão, ou dia útil imediatamente posterior, caso o dia subsequente seja sábado, domingo ou feriado na Cidade de São Paulo e desde que a CBMP tenha recebido a fatura com 06 (seis) dias de antecedência do seu vencimento, a CBMP poderá atrasar o seu pagamento na mesma proporção do atraso na entrega." (destaques da Recorrente)
54. Por sua vez, a regra de faturamento para o serviço de "Processamento de Dados nos Ambientes de Desenvolvimento e Homologação" prevista no Contrato de Prestação de Serviços era a seguinte:
"Tendo em vista que o período de apuração dos volumes de recursos consumidos compreende o período do dia 16 de um determinado mês ao dia 15 do mês subsequente, a EDS poderá levar mais do que 20 (vinte) dias para apurar os volumes mensais. Neste caso os Preços por Insumos poderão ser faturados ao final do mês subsequente ao mês de apuração do volume de recursos consumidos, com vencimento para o 10° (décimo) dia subsequente a data de emissão da fatura, ou dia útil imediatamente posterior, caso o 10º dia subsequente seja sábado, domingo ou feriado na Cidade de São Paulo. Na hipótese de a EDS conseguir apurar os volumes mensais em um prazo menor do que 20 (vinte) dias, em qualquer mês, a EDS poderá antecipar o faturamento dos Preços por insumos, sendo o pagamento devido no 10º dia subsequente a data da emissão da fatura " (destaques da Recorrente)
55. Portanto, nos termos do Contrato de Prestação de Serviços firmado entre a Recorrente e a "EDS", é indiscutível que não poderia existir a cobrança conjunta dos serviços prestados, porquanto as regras de faturamento de cada serviço eram até mesmo incompatíveis.
(...)
57. E, no caso dos autos, a "EDS" indicou na Fatura n° 8552 única e exclusivamente o serviço de processamento de dados, sendo exatamente esta a prova cabal para definir qual foi a prestação remunerada.
58.Diante dessas considerações, fica absolutamente desarticulada (e mesmo sem sentido) a premissa da r. decisão recorrida, de que a Fatura n° 8552 "poderia" representar a cobrança conjunta de todos os serviços objeto do contrato firmado entre a Recorrente e a "EDS".
59.Ademais, corroborando as alegações da Recorrente, e para reforçar o acervo probatório já acostado aos autos, no prazo para interposição do recurso voluntário, a própria prestadora de serviços ("EDS", atualmente incorporada a empresa Hewlett-Packard Brasil Ltda.) emitiu declaração atestando que o serviço remunerado pela Fatura n° 8552 foi, de fato, o serviço de processamento de dados, sendo esta prova irrefutável do direito creditório pleiteado.
(...)
61. Embora já reconhecido pela r. decisão recorrida que o serviço de processamento de dados não está sujeito a retenção de contribuições sociais, cumpre a Recorrente repisar a correta interpretação que deve ser conferida ao artigo 30 da Lei n° 10.833/2003.
(...)
63. Da leitura do dispositivo legal, nota-se que o serviço tomado pela Recorrente (processamento de dados) não consta expressamente do rol de serviços sujeitos a retenção das contribuições sociais.
64. Contudo, ao final das hipóteses de retenção das contribuições sociais listadas pelo artigo 30 da Lei n° 10.833/2003, o legislador fez referenda ao termo "remuneração de serviços profissionais" como um dos casos que se faz obrigatória a retenção da CSRF.
65.Diante da imprecisão do termo utilizado pelo legislador, sobreveio a Instrução Normativa n° 459/2004 dispondo sobre a retenção de tributos e contribuições nos pagamentos efetuados pelas pessoas jurídicas de direito privado a outras pessoas jurídicas pela prestação de serviços. Confira-se:
"Art. 1° Os pagamentos efetuados pelas pessoas jurídicas de direito privado a outras pessoas jurídicas de direito privado, pela prestação de serviços de limpeza, conservação, manutenção, segurança, vigilância, transporte de valores e locação de mão-de-obra, pela prestação de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção e riscos, administração de contas a pagar e a receber, bem como pela remuneração de serviços profissionais, estão sujeitos à retenção na fonte da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofns) e da Contribuição para o PIS/Pasep
(...).
§ 2° Para fins do disposto neste artigo, entende-se como serviços:
(...)
IV - profissionais aqueles relacionados no § 1° do art. 647 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999), inclusive quando prestados por cooperativas ou associações profissionais, aplicando-se, para fins da retenção das contribuições, os mesmos critérios de interpretação adotados em atos normativos expedidos pela Secretaria da Receita Federal para a retenção do imposto de renda. (destaques da Recorrente)
66. Como se observa, a própria Receita Federal do Brasil determinou que a interpretação do artigo 30 da Lei n° 10.833/2003 deve ser feita à luz do disposto no §1° do artigo 647 do Regulamento do Imposto de Renda.
67. Do mesmo modo, ao analisar o artigo 647 do Regulamento do Imposto de Renda, o serviço de processamento de dados não consta deste rol. Confira-se:
(...)
69. E nem se alegue que o serviço de processamento de dados estaria inserido no tópico de "programação", uma vez que estes se diferenciam.
70. Com efeito, a primeira oportunidade em que os serviços de programação e processamento de dados surgiram nos textos legais foi na Lei Complementar n° 56/87, na qual ja se dispunha separadamente os serviços em questão, o primeiro como item n° 23 e o segundo n° 22. Confira-se:
(...)
71. Posteriormente, corroborando a ideia de que esses serviços não se confundem, a Lei Complementar n° 116/2003 também veicula esses serviços em itens separados, quais sejam, item 1.02 (programação) e 1.03 (processamento de dados).
(...)
80. Pelo exposto, e a presente para requerer o provimento do recurso voluntário. para:
(I) decretar a nulidade da r. decisão recorrida ou, se o caso, do despacho decisório, com a prolação de nova decisão administrativa; ou, caso assim não se entenda, reformar a r. decisão recorrida, para reconhecer o direito creditório pleiteado e, por conseguinte, homologar a compensação declarada.
(II) reformar a r. decisão recorrida, para reconhecer o direito creditório pleiteado e, por conseguinte, homologar a compensação declarada.
É o relatório.
Nome do relator: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Declarou-se impedido o Conselheiro Rogério Aparecido Gil. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e José Roberto Adelino da Silva. RELATÓRIO Versa o presente processo sobre recurso voluntário, interposto pelo contribuinte em face do Acórdão nº 12-62.729 da 6ª Turma da DRJ/RJ1, o qual foi assim ementado: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano-calendário: 2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. REMUNERAÇÃO DE SERVIÇOS PROFISSIONAIS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS RETIDAS NA FONTE. Comprovado que as importâncias pagas pela prestação dos serviços profissionais estão sujeitas à retenção das contribuições sociais, não há direito creditório a ser reconhecido. Manifestação de Inconformidade Improcedente A recorrente, cientificada do Acórdão nº 12-62.729 em 02/03/2015 (Termo a fls. 222), interpôs, em 30/03/2015 (vide Termo a fls. 318), recurso voluntário (doc. a fls. 225 e segs.), o qual aduz, em apertada síntese, as seguintes razões de defesa: 1. Trata-se, na origem, de declaração de compensação de débito com crédito decorrente de pagamento indevido, efetuado em 21/10/2005, a título de Contribuições Sociais Retidas na Fonte (código 5952), no valor original de R$ 47.066,43. 2. Com efeito, a Recorrente e pessoa jurídica de direito privado que se dedica a prestação de serviços de credenciamento de estabelecimentos comerciais e prestadores de serviços para a aceitação de cartões de crédito e de débito, bem como outros meios de pagamento ou meios eletrônicos para registro e aprovações de transações não-financeiras. 3. Para consecução de suas atividades empresariais, a Recorrente firmou contrato de prestação de serviços de tecnologia com a empresa Eds Data Systems do Brasil Ltda. ("EDS" - fls. 80/143), que, para sua remuneração, emitia fatura mensalmente, discriminando qual o serviço englobado no contrato de prestacao de serviços efetivamente prestado. 4. Assim, em 27/09/2005, a "EDS" emitiu a Fatura n° 8552, no valor total de R$ 4.706.642,63, para remuneração dos serviços prestados a titulo de processamento de dados (fl. 144), cuja abrangência esta minuciosamente descrita no item 5.1.4, do Anexo 2.1-A, do contrato firmado com a Recorrente (fl. 89). 5. Ao receber a fatura para pagamento, a Recorrente, de forma automática (mas precipitada), calculou a retenção na fonte dos tributos devidos, nos seguintes termos: Tributo Aliquota Valor da Retencao COFINS 3% R$ 141.199,28 CSLL 1% R$ 47.066,43 IRRF 1,50% R$ 70.599,64 PIS 0,65% R$ 30.593,18 Total R$ 289.458,53 6. Diante disso, a Recorrente procedeu a retenção do valor de R$ 289.458,53, pagando a "EDS" apenas a diferença da fatura comercial e recolhendo os tributos retidos. 7. Ocorre que o serviço tornado pela Recorrente relativo a Fatura n° 8552 (processamento de dados) não está sujeito a retenção das contribuições sociais, justamente por não estar incluído na lista de serviços constante no artigo 30 da Lei n° 10.833/2003. Confira-se o teor do dispositivo legal: (...) 8.Ao notar o equívoco, a Recorrente efetuou a devolução dos valores indevidamente retidos a "EDS", conforme comprovado nos autos (fls. 145/151), inclusive com a apresentação de comprovante de transferência bancária à prestadora. 9. Assim, considerando que foram pagos ao fisco os valores indevidamente retidos na Fatura n° 8552 e, posteriormente, foi efetuada a devolução deste montante a prestadora de serviços, a Recorrente faz jus ao reconhecimento do direito creditório, porquanto restou configurado o pagamento indevido, nos termos do inciso I do artigo 165 do Código Tributário Nacional. 10. Por estas razões, a Recorrente transmitiu declaração de compensação de débitos com crédito decorrente de pagamento indevido de CSRF, no valor original de R$ 47.066,43, relativamente a CSLL indevidamente retida por ocasião do pagamento da Fatura n° 8552. 11. No entanto, tendo em vista a ausência de retificação da DCTF, foi proferido despacho decisório eletrônico não homologando a compensação declarada. 12. Em face deste despacho decisório, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, sustentando, preliminarmente, a nulidade do despacho decisório por preterição do direito de defesa e, no mérito, demonstrou, através de farta documentação a origem do direito creditório pleiteado. 13.A par de toda a argumentação e da farta documentação acostada aos autos pela Recorrente, a r. decisão recorrida recusou a nulidade alegada na manifestação de inconformidade, ao argumento de que "a contestação das informações contidas no Despacho Decisório, dos documentos juntados ou até mesmo de eventuais irregularidades dever ser realizada no momento posterior a decisão, com a apresentação de manifestação de inconformidade, iniciando o devido processo administrativo " (fl. 207). 14. Quanto ao mérito, a r. decisão recorrida manteve o indeferimento do direito creditório, ao argumento de que "a peticionária não logrou comprovar nos autos que as importâncias pagas pela prestação dos serviços de que tratou a Nota Fiscal Fatura de Serviços n" 8552, de 27/09/2005 não estavam sujeitas a retenção das contribuições sociais e, por consequência, que ocorreu pagamento indevido da CSRF" (fl. 218). (...) II.1 DA NULIDADE POR PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA II.1.1 Do Efetivo Prejuízo Causado à Recorrente 17. Após a prolação do despacho decisório que não reconheceu o direito creditório pleiteado, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade demonstrando a sua nulidade, em razão da ausência de intimação prévia para apresentação de informações e documentos que se fizessem necessários para o esclarecimento da origem do direito creditório pleiteado. 18. Ocorre, porém, que, em atitude inovadora no processo administrativo e violadora do §3° do artigo 59 do Decreto n° 70.235/72, a 6ª Turma da DRJ/RJ1 superou a nulidade do despacho decisório (em desfavor da Recorrente) e, o que é pior, manteve o indeferimento do direito creditório por argumento absolutamente diverso daquele invocado pelo despacho decisório. 19. Vale dizer, a 6ª Turma da DRJ/RJ1 decidiu: (I) recusar a nulidade do despacho decisório, ignorando o fato concreto de que a Recorrente jamais foi intimada pela Receita Federal do Brasil para apresentação de documentos ou informações sobre a origem do direito creditório pleiteado; e (II) manteve o indeferimento do direito creditório ao (novo) argumento de que a Recorrente não teria apresentado provas suficientes para o reconhecimento do direito creditório, o que jamais havia sido suscitado no curso do processo administrativo. 20. Evidentemente, ao superar a nulidade do despacho decisório e manter o indeferimento do direito creditório pleiteado por argumentos absolutamente diversos dos invocados pelo despacho decisório, a 6ª Turma da DRJ/RJ1 efetivamente causou prejuízo a Recorrente, cerceando o seu direito de defesa e violando o disposto no §3° do artigo 59 do Decreto n° 70.235/72. 21. Por estas razões, o recurso voluntário deve ser provido para decretar a nulidade tanto do despacho decisório quanto da r. decisão recorrida, tendo em vista que efetivamente causaram prejuízo para a Recorrente, cerceando o seu direito de defesa e impedindo a devida e necessária comprovação do direito creditório pleiteado. (...) II.1.2 Ausência de intimação específica para apresentação de informações e documentos necessários para o esclarecimento do direito creditório (...) 23. Por sua vez, na manifestação de inconformidade, a Recorrente demonstrou (e comprovou documentalmente) a origem do direito creditório, acostando para tanto os seguintes documentos para suportar sua argumentação: (I) cópia do Contrato de Prestação de Serviços firmado entre a Recorrente e a "EDS" (fls. 80/143); (II) cópia da Fatura n° 8552, emitida pela "EDS" para remuneração do serviço de processamento de dados, conforme devidamente discriminado na própria fatura comercial (fl. 144); (III) cópias dos comprovantes de devolução do montante indevidamente retido pela Recorrente a título de CSRF a "EDS", bem como a respectiva escrituração contábil (fls. 145/151); (IV) cópia do DARF indevidamente recolhido pela Recorrente a título de CSRF (fl. 161); e (V) copia da DCTF Retificadora relativa ao período de apuração de outubro de 2005, afastando a motivação do despacho decisório para o indeferimento do direito creditório (fls. 155/160). 24. No entanto, sobreveio a r. decisão recorrida mantendo o indeferimento do direito creditório pleiteado ao argumento de que, a despeito do que consta expressamente na fatura comercial objeto da retenção indevida, não seria possível concluir que a Fatura n° 8552 teria sido emitida apenas e tão somente para remunerar o serviço de processamento de dados, e não todos os serviços compreendidos pelo Contrato de Prestação de Serviços entre a Recorrente e a "EDS". Confira-se trecho da decisão recorrida: (...) 25.Entretanto, e em vista deste (novo) entendimento manifestado pela 6ª Turma da DRJ/RJ1, fato e que, no curso do processo administrativo, a Recorrente jamais foi intimada para apresentar documentos adicionais, para esclarecimento da dúvida suscitada na r. decisão recorrida. 26. Ora, diante das informações prestadas na manifestação de inconformidade e do incontestável acervo probatório acostado aos autos, persistindo dúvidas quanto a origem do direito creditório pleiteado ou havendo a necessidade de novos esclarecimentos e documentos, é evidente, razoável e jurídico que a 6ª Turma da DRJ/RJ1 deveria ter, ao menos devolvido os autos a repartição de origem e determinado a realização de diligência, intimando a Recorrente a apresentar as informações e os documentos que se fizessem necessários, e não simplesmente manter o indeferimento do direito creditório pleiteado. 27. Além de ter optado pelo "caminho mais fácil e, também, mais curto", a 6ª Turma da DRJ/SP manteve o indeferimento do direito creditório pleiteado ao argumento de que não haveria, nos autos, prova de fatos em momento algum contestados pelo despacho decisório e dos quais, no curso do processo administrativo e da diligência fiscal, jamais o Recorrente foi intimada especificamente para se manifestar. 28. Também por essas razões, a prolação de decisão administrativa sem o correto exame do direito creditório pleiteado violou o disposto no artigo 65 da Instrução Normativa n° 1.300/2012, que estabelece o dever da autoridade administrativa de realizar as diligências necessárias para o esclarecimento do direito creditório pleiteado. Confira-se: "Art. 65. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório a apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligencia fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. " (destaques da Recorrente) (...) 35. Assim, deve ser decretada a nulidade tanto do despacho decisório quanto da r. decisão recorrida, nos termos do inciso 11 do artigo 59 do Decreto n° 70.235/72, para que o credito pleiteado pela Recorrente seja corretamente analisado pela autoridade administrativa competente. II.2 - DO MÉRITO II.2.1 - Do Serviço Remunerado Pela Fatura nº 8552 39.Por exemplo, para remuneração dos serviços prestados a título de suporte técnico em informática, em 17/12/2008, a "EDS" emitiu a Fatura n° 019754 (doc. 02), discriminando o serviço prestado de acordo com o Contrato de Prestação de Serviços, e informando as retenções, inclusive da CSRF. uma vez que este serviço específico está sujeito a retenção das contribuições sociais, de acordo com a inteligência do artigo 30 da Lei n° 10.833/2003. 40. Por outro lado, quando a "EDS" prestava os serviços de processamento de dados, era emitida fatura discriminando o serviço prestado, sem, contudo, o destaque das contribuições sociais retidas na fonte, porquanto este serviço específico não está sujeito a esta retenção nos termos da legislação tributária de regência. 41. Neste contexto, em 27/09/2005, a "EDS" emitiu a Fatura n° 8552, tendo em vista a prestação de serviços de processamento de dados, conforme discriminado na própria fatura comercial e, em razão de este serviço não se enquadrar nas hipóteses de retenção de que trata o artigo 30 da Lei n° 10.833/2003, a prestadora não destacou a CSRF. 42. No entanto, ao receber a fatura, a Recorrente, de forma automática (mas precipitada), calculou a retenção dos tributos supostamente devidos, nos seguintes termos: 43.Diante disso, a Recorrente procedeu a retenção (indevida) do valor de R$ 289.458,53, pagando a "EDS" apenas a diferença da fatura e pagando ao fisco os tributos indevidamente retidos. Por decorrência, registrou a retenção em sua contabilidade. 44. Ao notar o equívoco cometido, a Recorrente procedeu a imediata devolução dos valores indevidamente retidos a "EDS", conforme comprovado nos autos inclusive com a juntada de comprovante de transferência bancária. 45. Assim, considerando que foram recolhidos os valores indevidamente retidos e que, posteriormente, foi efetuada a devolução deste montante a prestadora de serviços, restou configurado o pagamento indevido, nos termos do inciso I do art. 165 do CTN, de modo que a Recorrente faz jus ao direito creditório pleiteado. 46. Porém, segundo a r. decisão recorrida, pela documentação acostada aos autos, não seria possível concluir que a Fatura n° 8552 se prestou para remunerar unicamente o serviço de processamento de dados serviço este, aliás, que conforme reconhecido, não está sujeito a retenção da CSRF. 47. Entretanto, a premissa adotada pela r. decisão recorrida, absolutamente não pode prosperar, pois, conforme se observa do Contrato de Prestação de Serviços, cada serviço prestado pela "EDS" era faturado separadamente, com a devida discrição na própria fatura. 48. Com efeito, o Contrato de Prestação de Serviços firmado pela Recorrente abrangia, sim, diversos serviços de tecnologia a serem prestados pela empresa "EDS", tais como suporte técnico em informática, processamento de dados, entre outros. 49. Este contrato abrangia todos os serviços de tecnologia que poderiam ser prestados pela "EDS". Entretanto, como já destacado, cada serviço era faturado separadamente, discriminando-se cada serviço na respectiva fatura comercial, de acordo com o contrato de prestação de serviços firmado entre as partes. (...) 52. No caso concreto, por sua vez, na cláusula 9.10 do Contrato de Prestação de Serviços estão previstas regras de faturamento diversas para "Processamento de Dados Normal" e "Processamento de Dados nos Ambientes de Desenvolvimento e Homologação", evidenciando que cada serviço era faturado separadamente. 53. De fato, para o serviço de "Processamento de Dados Normal", o Contrato de Prestação de Serviços prévia a seguinte regra de faturamento: "Para cada mês, durante o prazo de vigência dos Serviços de Ambiente Mainframe a CBMP deverá pagar à EDS a remuneração mensal prevista neste Anexo 2.1-A. Tal remuneração será faturada até o 5º dia útil subsequente ao mês de prestação dos Serviços, devendo ser paga pela CBMP em até 07 (sete) dias após a sua data de emissão, ou dia útil imediatamente posterior, caso o dia subsequente seja sábado, domingo ou feriado na Cidade de São Paulo e desde que a CBMP tenha recebido a fatura com 06 (seis) dias de antecedência do seu vencimento, a CBMP poderá atrasar o seu pagamento na mesma proporção do atraso na entrega." (destaques da Recorrente) 54. Por sua vez, a regra de faturamento para o serviço de "Processamento de Dados nos Ambientes de Desenvolvimento e Homologação" prevista no Contrato de Prestação de Serviços era a seguinte: "Tendo em vista que o período de apuração dos volumes de recursos consumidos compreende o período do dia 16 de um determinado mês ao dia 15 do mês subsequente, a EDS poderá levar mais do que 20 (vinte) dias para apurar os volumes mensais. Neste caso os Preços por Insumos poderão ser faturados ao final do mês subsequente ao mês de apuração do volume de recursos consumidos, com vencimento para o 10° (décimo) dia subsequente a data de emissão da fatura, ou dia útil imediatamente posterior, caso o 10º dia subsequente seja sábado, domingo ou feriado na Cidade de São Paulo. Na hipótese de a EDS conseguir apurar os volumes mensais em um prazo menor do que 20 (vinte) dias, em qualquer mês, a EDS poderá antecipar o faturamento dos Preços por insumos, sendo o pagamento devido no 10º dia subsequente a data da emissão da fatura " (destaques da Recorrente) 55. Portanto, nos termos do Contrato de Prestação de Serviços firmado entre a Recorrente e a "EDS", é indiscutível que não poderia existir a cobrança conjunta dos serviços prestados, porquanto as regras de faturamento de cada serviço eram até mesmo incompatíveis. (...) 57. E, no caso dos autos, a "EDS" indicou na Fatura n° 8552 única e exclusivamente o serviço de processamento de dados, sendo exatamente esta a prova cabal para definir qual foi a prestação remunerada. 58.Diante dessas considerações, fica absolutamente desarticulada (e mesmo sem sentido) a premissa da r. decisão recorrida, de que a Fatura n° 8552 "poderia" representar a cobrança conjunta de todos os serviços objeto do contrato firmado entre a Recorrente e a "EDS". 59.Ademais, corroborando as alegações da Recorrente, e para reforçar o acervo probatório já acostado aos autos, no prazo para interposição do recurso voluntário, a própria prestadora de serviços ("EDS", atualmente incorporada a empresa Hewlett-Packard Brasil Ltda.) emitiu declaração atestando que o serviço remunerado pela Fatura n° 8552 foi, de fato, o serviço de processamento de dados, sendo esta prova irrefutável do direito creditório pleiteado. (...) 61. Embora já reconhecido pela r. decisão recorrida que o serviço de processamento de dados não está sujeito a retenção de contribuições sociais, cumpre a Recorrente repisar a correta interpretação que deve ser conferida ao artigo 30 da Lei n° 10.833/2003. (...) 63. Da leitura do dispositivo legal, nota-se que o serviço tomado pela Recorrente (processamento de dados) não consta expressamente do rol de serviços sujeitos a retenção das contribuições sociais. 64. Contudo, ao final das hipóteses de retenção das contribuições sociais listadas pelo artigo 30 da Lei n° 10.833/2003, o legislador fez referenda ao termo "remuneração de serviços profissionais" como um dos casos que se faz obrigatória a retenção da CSRF. 65.Diante da imprecisão do termo utilizado pelo legislador, sobreveio a Instrução Normativa n° 459/2004 dispondo sobre a retenção de tributos e contribuições nos pagamentos efetuados pelas pessoas jurídicas de direito privado a outras pessoas jurídicas pela prestação de serviços. Confira-se: "Art. 1° Os pagamentos efetuados pelas pessoas jurídicas de direito privado a outras pessoas jurídicas de direito privado, pela prestação de serviços de limpeza, conservação, manutenção, segurança, vigilância, transporte de valores e locação de mão-de-obra, pela prestação de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção e riscos, administração de contas a pagar e a receber, bem como pela remuneração de serviços profissionais, estão sujeitos à retenção na fonte da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofns) e da Contribuição para o PIS/Pasep (...). § 2° Para fins do disposto neste artigo, entende-se como serviços: (...) IV - profissionais aqueles relacionados no § 1° do art. 647 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999), inclusive quando prestados por cooperativas ou associações profissionais, aplicando-se, para fins da retenção das contribuições, os mesmos critérios de interpretação adotados em atos normativos expedidos pela Secretaria da Receita Federal para a retenção do imposto de renda. (destaques da Recorrente) 66. Como se observa, a própria Receita Federal do Brasil determinou que a interpretação do artigo 30 da Lei n° 10.833/2003 deve ser feita à luz do disposto no §1° do artigo 647 do Regulamento do Imposto de Renda. 67. Do mesmo modo, ao analisar o artigo 647 do Regulamento do Imposto de Renda, o serviço de processamento de dados não consta deste rol. Confira-se: (...) 69. E nem se alegue que o serviço de processamento de dados estaria inserido no tópico de "programação", uma vez que estes se diferenciam. 70. Com efeito, a primeira oportunidade em que os serviços de programação e processamento de dados surgiram nos textos legais foi na Lei Complementar n° 56/87, na qual ja se dispunha separadamente os serviços em questão, o primeiro como item n° 23 e o segundo n° 22. Confira-se: (...) 71. Posteriormente, corroborando a ideia de que esses serviços não se confundem, a Lei Complementar n° 116/2003 também veicula esses serviços em itens separados, quais sejam, item 1.02 (programação) e 1.03 (processamento de dados). (...) 80. Pelo exposto, e a presente para requerer o provimento do recurso voluntário. para: (I) decretar a nulidade da r. decisão recorrida ou, se o caso, do despacho decisório, com a prolação de nova decisão administrativa; ou, caso assim não se entenda, reformar a r. decisão recorrida, para reconhecer o direito creditório pleiteado e, por conseguinte, homologar a compensação declarada. (II) reformar a r. decisão recorrida, para reconhecer o direito creditório pleiteado e, por conseguinte, homologar a compensação declarada. É o relatório.
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Recorrente COMPANHIA BRASILEIRA DE MEIOS DE PAGAMENTO (ATUAL CIELO S/A) Interessado FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Declarouse impedido o Conselheiro Rogério Aparecido Gil. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e José Roberto Adelino da Silva. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 96 .9 07 12 3/ 20 09 -2 4 Fl. 327DF CARF MF Processo nº 13896.907123/200924 Resolução nº 1302000.482 S1C3T2 Fl. 322 2 RELATÓRIO Versa o presente processo sobre recurso voluntário, interposto pelo contribuinte em face do Acórdão nº 12‐62.729 da 6ª Turma da DRJ/RJ1, o qual foi assim ementado: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. REMUNERAÇÃO DE SERVIÇOS PROFISSIONAIS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS RETIDAS NA FONTE. Comprovado que as importâncias pagas pela prestação dos serviços profissionais estão sujeitas à retenção das contribuições sociais, não há direito creditório a ser reconhecido. Manifestação de Inconformidade Improcedente A recorrente, cientificada do Acórdão nº 12‐62.729 em 02/03/2015 (Termo a fls. 222), interpôs, em 30/03/2015 (vide Termo a fls. 318), recurso voluntário (doc. a fls. 225 e segs.), o qual aduz, em apertada síntese, as seguintes razões de defesa: 1. Tratase, na origem, de declaração de compensação de débito com crédito decorrente de pagamento indevido, efetuado em 21/10/2005, a título de Contribuições Sociais Retidas na Fonte (código 5952), no valor original de R$ 47.066,43. 2. Com efeito, a Recorrente e pessoa jurídica de direito privado que se dedica a prestação de serviços de credenciamento de estabelecimentos comerciais e prestadores de serviços para a aceitação de cartões de crédito e de débito, bem como outros meios de pagamento ou meios eletrônicos para registro e aprovações de transações nãofinanceiras. 3. Para consecução de suas atividades empresariais, a Recorrente firmou contrato de prestação de serviços de tecnologia com a empresa Eds Data Systems do Brasil Ltda. ("EDS" fls. 80/143), que, para sua remuneração, emitia fatura mensalmente, discriminando qual o serviço englobado no contrato de prestacao de serviços efetivamente prestado. 4. Assim, em 27/09/2005, a "EDS" emitiu a Fatura n° 8552, no valor total de R$ 4.706.642,63, para remuneração dos serviços prestados a titulo de processamento de dados (fl. 144), cuja abrangência esta minuciosamente descrita no item 5.1.4, do Anexo 2.1A, do contrato firmado com a Recorrente (fl. 89). 5. Ao receber a fatura para pagamento, a Recorrente, de forma automática (mas precipitada), calculou a retenção na fonte dos tributos devidos, nos seguintes termos: Tributo Aliquota Valor da Retencao COFINS 3% R$ 141.199,28 CSLL 1% R$ 47.066,43 IRRF 1,50% R$ 70.599,64 PIS 0,65% R$ 30.593,18 Total R$ 289.458,53 6. Diante disso, a Recorrente procedeu a retenção do valor de R$ 289.458,53, pagando a "EDS" apenas a diferença da fatura comercial e recolhendo os tributos retidos. Fl. 328DF CARF MF Processo nº 13896.907123/200924 Resolução nº 1302000.482 S1C3T2 Fl. 323 3 7. Ocorre que o serviço tornado pela Recorrente relativo a Fatura n° 8552 (processamento de dados) não está sujeito a retenção das contribuições sociais, justamente por não estar incluído na lista de serviços constante no artigo 30 da Lei n° 10.833/2003. Confirase o teor do dispositivo legal: (...) 8. Ao notar o equívoco, a Recorrente efetuou a devolução dos valores indevidamente retidos a "EDS", conforme comprovado nos autos (fls. 145/151), inclusive com a apresentação de comprovante de transferência bancária à prestadora. 9. Assim, considerando que foram pagos ao fisco os valores indevidamente retidos na Fatura n° 8552 e, posteriormente, foi efetuada a devolução deste montante a prestadora de serviços, a Recorrente faz jus ao reconhecimento do direito creditório, porquanto restou configurado o pagamento indevido, nos termos do inciso I do artigo 165 do Código Tributário Nacional. 10. Por estas razões, a Recorrente transmitiu declaração de compensação de débitos com crédito decorrente de pagamento indevido de CSRF, no valor original de R$ 47.066,43, relativamente a CSLL indevidamente retida por ocasião do pagamento da Fatura n° 8552. 11. No entanto, tendo em vista a ausência de retificação da DCTF, foi proferido despacho decisório eletrônico não homologando a compensação declarada. 12. Em face deste despacho decisório, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, sustentando, preliminarmente, a nulidade do despacho decisório por preterição do direito de defesa e, no mérito, demonstrou, através de farta documentação a origem do direito creditório pleiteado. 13. A par de toda a argumentação e da farta documentação acostada aos autos pela Recorrente, a r. decisão recorrida recusou a nulidade alegada na manifestação de inconformidade, ao argumento de que "a contestação das informações contidas no Despacho Decisório, dos documentos juntados ou até mesmo de eventuais irregularidades dever ser realizada no momento posterior a decisão, com a apresentação de manifestação de inconformidade, iniciando o devido processo administrativo " (fl. 207). 14. Quanto ao mérito, a r. decisão recorrida manteve o indeferimento do direito creditório, ao argumento de que "a peticionária não logrou comprovar nos autos que as importâncias pagas pela prestação dos serviços de que tratou a Nota Fiscal Fatura de Serviços n" 8552, de 27/09/2005 não estavam sujeitas a retenção das contribuições sociais e, por consequência, que ocorreu pagamento indevido da CSRF" (fl. 218). (...) II.1 – DA NULIDADE POR PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA II.1.1 – Do Efetivo Prejuízo Causado à Recorrente 17. Após a prolação do despacho decisório que não reconheceu o direito creditório pleiteado, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade Fl. 329DF CARF MF Processo nº 13896.907123/200924 Resolução nº 1302000.482 S1C3T2 Fl. 324 4 demonstrando a sua nulidade, em razão da ausência de intimação prévia para apresentação de informações e documentos que se fizessem necessários para o esclarecimento da origem do direito creditório pleiteado. 18. Ocorre, porém, que, em atitude inovadora no processo administrativo e violadora do §3° do artigo 59 do Decreto n° 70.235/72, a 6ª Turma da DRJ/RJ1 superou a nulidade do despacho decisório (em desfavor da Recorrente) e, o que é pior, manteve o indeferimento do direito creditório por argumento absolutamente diverso daquele invocado pelo despacho decisório. 19. Vale dizer, a 6ª Turma da DRJ/RJ1 decidiu: (I) recusar a nulidade do despacho decisório, ignorando o fato concreto de que a Recorrente jamais foi intimada pela Receita Federal do Brasil para apresentação de documentos ou informações sobre a origem do direito creditório pleiteado; e (II) manteve o indeferimento do direito creditório ao (novo) argumento de que a Recorrente não teria apresentado provas suficientes para o reconhecimento do direito creditório, o que jamais havia sido suscitado no curso do processo administrativo. 20. Evidentemente, ao superar a nulidade do despacho decisório e manter o indeferimento do direito creditório pleiteado por argumentos absolutamente diversos dos invocados pelo despacho decisório, a 6ª Turma da DRJ/RJ1 efetivamente causou prejuízo a Recorrente, cerceando o seu direito de defesa e violando o disposto no §3° do artigo 59 do Decreto n° 70.235/72. 21. Por estas razões, o recurso voluntário deve ser provido para decretar a nulidade tanto do despacho decisório quanto da r. decisão recorrida, tendo em vista que efetivamente causaram prejuízo para a Recorrente, cerceando o seu direito de defesa e impedindo a devida e necessária comprovação do direito creditório pleiteado. (...) II.1.2 – Ausência de intimação específica para apresentação de informações e documentos necessários para o esclarecimento do direito creditório (...) 23. Por sua vez, na manifestação de inconformidade, a Recorrente demonstrou (e comprovou documentalmente) a origem do direito creditório, acostando para tanto os seguintes documentos para suportar sua argumentação: (I) cópia do Contrato de Prestação de Serviços firmado entre a Recorrente e a "EDS" (fls. 80/143); (II) cópia da Fatura n° 8552, emitida pela "EDS" para remuneração do serviço de processamento de dados, conforme devidamente discriminado na própria fatura comercial (fl. 144); (III) cópias dos comprovantes de devolução do montante indevidamente retido pela Recorrente a título de CSRF a "EDS", bem como a respectiva escrituração contábil (fls. 145/151); Fl. 330DF CARF MF Processo nº 13896.907123/200924 Resolução nº 1302000.482 S1C3T2 Fl. 325 5 (IV) cópia do DARF indevidamente recolhido pela Recorrente a título de CSRF (fl. 161); e (V) copia da DCTF Retificadora relativa ao período de apuração de outubro de 2005, afastando a motivação do despacho decisório para o indeferimento do direito creditório (fls. 155/160). 24. No entanto, sobreveio a r. decisão recorrida mantendo o indeferimento do direito creditório pleiteado ao argumento de que, a despeito do que consta expressamente na fatura comercial objeto da retenção indevida, não seria possível concluir que a Fatura n° 8552 teria sido emitida apenas e tão somente para remunerar o serviço de processamento de dados, e não todos os serviços compreendidos pelo Contrato de Prestação de Serviços entre a Recorrente e a "EDS". Confirase trecho da decisão recorrida: (...) 25. Entretanto, e em vista deste (novo) entendimento manifestado pela 6ª Turma da DRJ/RJ1, fato e que, no curso do processo administrativo, a Recorrente jamais foi intimada para apresentar documentos adicionais, para esclarecimento da dúvida suscitada na r. decisão recorrida. 26. Ora, diante das informações prestadas na manifestação de inconformidade e do incontestável acervo probatório acostado aos autos, persistindo dúvidas quanto a origem do direito creditório pleiteado ou havendo a necessidade de novos esclarecimentos e documentos, é evidente, razoável e jurídico que a 6ª Turma da DRJ/RJ1 deveria ter, ao menos devolvido os autos a repartição de origem e determinado a realização de diligência, intimando a Recorrente a apresentar as informações e os documentos que se fizessem necessários, e não simplesmente manter o indeferimento do direito creditório pleiteado. 27. Além de ter optado pelo "caminho mais fácil e, também, mais curto", a 6ª Turma da DRJ/SP manteve o indeferimento do direito creditório pleiteado ao argumento de que não haveria, nos autos, prova de fatos em momento algum contestados pelo despacho decisório e dos quais, no curso do processo administrativo e da diligência fiscal, jamais o Recorrente foi intimada especificamente para se manifestar. 28. Também por essas razões, a prolação de decisão administrativa sem o correto exame do direito creditório pleiteado violou o disposto no artigo 65 da Instrução Normativa n° 1.300/2012, que estabelece o dever da autoridade administrativa de realizar as diligências necessárias para o esclarecimento do direito creditório pleiteado. Confirase: "Art. 65. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório a apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligencia fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. " (destaques da Recorrente) (...) Fl. 331DF CARF MF Processo nº 13896.907123/200924 Resolução nº 1302000.482 S1C3T2 Fl. 326 6 35. Assim, deve ser decretada a nulidade tanto do despacho decisório quanto da r. decisão recorrida, nos termos do inciso 11 do artigo 59 do Decreto n° 70.235/72, para que o credito pleiteado pela Recorrente seja corretamente analisado pela autoridade administrativa competente. II.2 DO MÉRITO II.2.1 Do Serviço Remunerado Pela Fatura nº 8552 39. Por exemplo, para remuneração dos serviços prestados a título de suporte técnico em informática, em 17/12/2008, a "EDS" emitiu a Fatura n° 019754 (doc. 02), discriminando o serviço prestado de acordo com o Contrato de Prestação de Serviços, e informando as retenções, inclusive da CSRF. uma vez que este serviço específico está sujeito a retenção das contribuições sociais, de acordo com a inteligência do artigo 30 da Lei n° 10.833/2003. 40. Por outro lado, quando a "EDS" prestava os serviços de processamento de dados, era emitida fatura discriminando o serviço prestado, sem, contudo, o destaque das contribuições sociais retidas na fonte, porquanto este serviço específico não está sujeito a esta retenção nos termos da legislação tributária de regência. 41. Neste contexto, em 27/09/2005, a "EDS" emitiu a Fatura n° 8552, tendo em vista a prestação de serviços de processamento de dados, conforme discriminado na própria fatura comercial e, em razão de este serviço não se enquadrar nas hipóteses de retenção de que trata o artigo 30 da Lei n° 10.833/2003, a prestadora não destacou a CSRF. 42. No entanto, ao receber a fatura, a Recorrente, de forma automática (mas precipitada), calculou a retenção dos tributos supostamente devidos, nos seguintes termos: 43. Diante disso, a Recorrente procedeu a retenção (indevida) do valor de R$ 289.458,53, pagando a "EDS" apenas a diferença da fatura e pagando ao fisco os tributos indevidamente retidos. Por decorrência, registrou a retenção em sua contabilidade. 44. Ao notar o equívoco cometido, a Recorrente procedeu a imediata devolução dos valores indevidamente retidos a "EDS", conforme comprovado nos autos inclusive com a juntada de comprovante de transferência bancária. 45. Assim, considerando que foram recolhidos os valores indevidamente retidos e que, posteriormente, foi efetuada a devolução deste montante a prestadora de serviços, restou configurado o pagamento indevido, nos termos do inciso I do art. 165 do CTN, de modo que a Recorrente faz jus ao direito creditório pleiteado. 46. Porém, segundo a r. decisão recorrida, pela documentação acostada aos autos, não seria possível concluir que a Fatura n° 8552 se prestou para remunerar unicamente o serviço de processamento de dados serviço este, aliás, que conforme reconhecido, não está sujeito a retenção da CSRF. 47. Entretanto, a premissa adotada pela r. decisão recorrida, absolutamente não pode prosperar, pois, conforme se observa do Contrato de Prestação de Fl. 332DF CARF MF Processo nº 13896.907123/200924 Resolução nº 1302000.482 S1C3T2 Fl. 327 7 Serviços, cada serviço prestado pela "EDS" era faturado separadamente, com a devida discrição na própria fatura. 48. Com efeito, o Contrato de Prestação de Serviços firmado pela Recorrente abrangia, sim, diversos serviços de tecnologia a serem prestados pela empresa "EDS", tais como suporte técnico em informática, processamento de dados, entre outros. 49. Este contrato abrangia todos os serviços de tecnologia que poderiam ser prestados pela "EDS". Entretanto, como já destacado, cada serviço era faturado separadamente, discriminandose cada serviço na respectiva fatura comercial, de acordo com o contrato de prestação de serviços firmado entre as partes. (...) 52. No caso concreto, por sua vez, na cláusula 9.10 do Contrato de Prestação de Serviços estão previstas regras de faturamento diversas para "Processamento de Dados Normal" e "Processamento de Dados nos Ambientes de Desenvolvimento e Homologação", evidenciando que cada serviço era faturado separadamente. 53. De fato, para o serviço de "Processamento de Dados Normal", o Contrato de Prestação de Serviços prévia a seguinte regra de faturamento: "Para cada mês, durante o prazo de vigência dos Serviços de Ambiente Mainframe a CBMP deverá pagar à EDS a remuneração mensal prevista neste Anexo 2.1A. Tal remuneração será faturada até o 5º dia útil subsequente ao mês de prestação dos Serviços, devendo ser paga pela CBMP em até 07 (sete) dias após a sua data de emissão, ou dia útil imediatamente posterior, caso o dia subsequente seja sábado, domingo ou feriado na Cidade de São Paulo e desde que a CBMP tenha recebido a fatura com 06 (seis) dias de antecedência do seu vencimento, a CBMP poderá atrasar o seu pagamento na mesma proporção do atraso na entrega." (destaques da Recorrente) 54. Por sua vez, a regra de faturamento para o serviço de "Processamento de Dados nos Ambientes de Desenvolvimento e Homologação" prevista no Contrato de Prestação de Serviços era a seguinte: "Tendo em vista que o período de apuração dos volumes de recursos consumidos compreende o período do dia 16 de um determinado mês ao dia 15 do mês subsequente, a EDS poderá levar mais do que 20 (vinte) dias para apurar os volumes mensais. Neste caso os Preços por Insumos poderão ser faturados ao final do mês subsequente ao mês de apuração do volume de recursos consumidos, com vencimento para o 10° (décimo) dia subsequente a data de emissão da fatura, ou dia útil imediatamente posterior, caso o 10º dia subsequente seja sábado, domingo ou feriado na Cidade de São Paulo. Na hipótese de a EDS conseguir apurar os volumes mensais em um prazo menor do que 20 (vinte) dias, em qualquer mês, a EDS poderá antecipar o faturamento dos Preços por insumos, sendo o pagamento devido no 10º dia subsequente a data da emissão da fatura " (destaques da Recorrente) Fl. 333DF CARF MF Processo nº 13896.907123/200924 Resolução nº 1302000.482 S1C3T2 Fl. 328 8 55. Portanto, nos termos do Contrato de Prestação de Serviços firmado entre a Recorrente e a "EDS", é indiscutível que não poderia existir a cobrança conjunta dos serviços prestados, porquanto as regras de faturamento de cada serviço eram até mesmo incompatíveis. (...) 57. E, no caso dos autos, a "EDS" indicou na Fatura n° 8552 única e exclusivamente o serviço de processamento de dados, sendo exatamente esta a prova cabal para definir qual foi a prestação remunerada. 58. Diante dessas considerações, fica absolutamente desarticulada (e mesmo sem sentido) a premissa da r. decisão recorrida, de que a Fatura n° 8552 "poderia" representar a cobrança conjunta de todos os serviços objeto do contrato firmado entre a Recorrente e a "EDS". 59. Ademais, corroborando as alegações da Recorrente, e para reforçar o acervo probatório já acostado aos autos, no prazo para interposição do recurso voluntário, a própria prestadora de serviços ("EDS", atualmente incorporada a empresa HewlettPackard Brasil Ltda.) emitiu declaração atestando que o serviço remunerado pela Fatura n° 8552 foi, de fato, o serviço de processamento de dados, sendo esta prova irrefutável do direito creditório pleiteado. (...) 61. Embora já reconhecido pela r. decisão recorrida que o serviço de processamento de dados não está sujeito a retenção de contribuições sociais, cumpre a Recorrente repisar a correta interpretação que deve ser conferida ao artigo 30 da Lei n° 10.833/2003. (...) 63. Da leitura do dispositivo legal, notase que o serviço tomado pela Recorrente (processamento de dados) não consta expressamente do rol de serviços sujeitos a retenção das contribuições sociais. 64. Contudo, ao final das hipóteses de retenção das contribuições sociais listadas pelo artigo 30 da Lei n° 10.833/2003, o legislador fez referenda ao termo "remuneração de serviços profissionais" como um dos casos que se faz obrigatória a retenção da CSRF. 65. Diante da imprecisão do termo utilizado pelo legislador, sobreveio a Instrução Normativa n° 459/2004 dispondo sobre a retenção de tributos e contribuições nos pagamentos efetuados pelas pessoas jurídicas de direito privado a outras pessoas jurídicas pela prestação de serviços. Confirase: "Art. 1° Os pagamentos efetuados pelas pessoas jurídicas de direito privado a outras pessoas jurídicas de direito privado, pela prestação de serviços de limpeza, conservação, manutenção, segurança, vigilância, transporte de valores e locação de mãodeobra, pela prestação de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção e riscos, administração de contas a pagar e a receber, bem como pela remuneração de serviços profissionais, estão sujeitos à retenção na fonte da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), da Fl. 334DF CARF MF Processo nº 13896.907123/200924 Resolução nº 1302000.482 S1C3T2 Fl. 329 9 Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofns) e da Contribuição para o PIS/Pasep (...). § 2° Para fins do disposto neste artigo, entendese como serviços: (...) IV profissionais aqueles relacionados no § 1° do art. 647 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 – Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999), inclusive quando prestados por cooperativas ou associações profissionais, aplicandose, para fins da retenção das contribuições, os mesmos critérios de interpretação adotados em atos normativos expedidos pela Secretaria da Receita Federal para a retenção do imposto de renda. (destaques da Recorrente) 66. Como se observa, a própria Receita Federal do Brasil determinou que a interpretação do artigo 30 da Lei n° 10.833/2003 deve ser feita à luz do disposto no §1° do artigo 647 do Regulamento do Imposto de Renda. 67. Do mesmo modo, ao analisar o artigo 647 do Regulamento do Imposto de Renda, o serviço de processamento de dados não consta deste rol. Confirase: (...) 69. E nem se alegue que o serviço de processamento de dados estaria inserido no tópico de "programação", uma vez que estes se diferenciam. 70. Com efeito, a primeira oportunidade em que os serviços de programação e processamento de dados surgiram nos textos legais foi na Lei Complementar n° 56/87, na qual ja se dispunha separadamente os serviços em questão, o primeiro como item n° 23 e o segundo n° 22. Confirase: (...) 71. Posteriormente, corroborando a ideia de que esses serviços não se confundem, a Lei Complementar n° 116/2003 também veicula esses serviços em itens separados, quais sejam, item 1.02 (programação) e 1.03 (processamento de dados). (...) 80. Pelo exposto, e a presente para requerer o provimento do recurso voluntário. para: (I) decretar a nulidade da r. decisão recorrida ou, se o caso, do despacho decisório, com a prolação de nova decisão administrativa; ou, caso assim não se entenda, reformar a r. decisão recorrida, para reconhecer o direito creditório pleiteado e, por conseguinte, homologar a compensação declarada. (II) reformar a r. decisão recorrida, para reconhecer o direito creditório pleiteado e, por conseguinte, homologar a compensação declarada.” Fl. 335DF CARF MF Processo nº 13896.907123/200924 Resolução nº 1302000.482 S1C3T2 Fl. 330 10 É o relatório. VOTO Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior Relator. O recurso voluntário é tempestivo e foi subscrito por mandatário com poderes para tal (Daniel Lacasa Maya), conforme procuração e substabelecimento a fls. 170/172, razão pela qual voto por conhecêlo. Inicialmente, afasto a preliminar de nulidade da decisão recorrida, pois o julgador está preso ao pedido, não aos fundamentos, ou seja, o julgador da DRJ poderia chegar a mesma conclusão do despacho decisório por outros motivos, como também poderia ter dado provimento à manifestação de inconformidade da recorrente por outros fundamentos que não aqueles por ela aduzidos. Em verdade, no novel CPC foi introduzido o princípio da vedação da decisão surpresa (art. 10), para evitar situações como essa contra a qual se insurge a recorrente. Ocorre porém que, ainda que se sustente que tal princípio se aplicaria ao PAF, por força do art. 15 da Lei 13.105/15 (novo CPC), tal lei não vigorava quando foi proferida a decisão de primeira instância, logo, não estava a DRJ obrigada a ouvir previamente a recorrente sobre o fundamento orientador de sua decisão. Por essa razão, voto por afastar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância. No que toca a alegação de descumprimento do art. 76 da Instrução Normativa n° 1.300/2012 (alertese que a recorrente se confundiu ao indicar como art. 65 o texto que na verdade era do art. 76), a recorrente incorre em rotundo equívoco, pois tal dispositivo prevê a possibilidade de a autoridade tributária realizar as diligências que achar necessária, mas não a obriga a tomar tal providência se, ao seu juízo, elas não se fazem necessárias. Por esse motivo, também voto por afastar a preliminar de nulidade neste ponto. Quanto à alegação de nulidade do despacho decisório, não há também que ser acolhida, pois a própria recorrente admite, em seu recurso, que só retificou a DCTF após a ciência do teor do Despacho Decisório, logo, só cabia à Autoridade Fiscal negar a homologação da compensação, já que os créditos pleiteados tinham sido utilizados para pagar débitos confessados pela própria recorrente. Assim, voto também por afastar a preliminar de nulidade do despacho decisório. Ultrapassadas as preliminares, a primeira questão que se coloca para análise deste Colegiado é saber se, admitido pela recorrente de que só retificou a DCTF (para excluir débitos antes confessados e assim fazer nascer o indébito) após a ciência do despacho decisório, haveria como reformar o Despacho Decisório que decidiu em consonância com a situação fática à época em que proferido. Em outro julgado, no qual o recorrente não adotou a providência de retificar a DCTF, assim decidi: “Acrescento à bem fundamentada decisão da DRJ/REC que, enquanto não retificada a DCTF, o débito ali confessado subsiste, logo, se possível fosse restituir o alegado direito creditório, sem que a recorrente promovesse a prévia retificação da DCTF, teríamos o melhor dos mundos para a recorrente, pois, além de ter sido restituída do valor pago, passaria a estar formalmente protegida de qualquer multa sobre o IRPJ lançado de ofício até o valor declarado na DCTF (já que não foi Fl. 336DF CARF MF Processo nº 13896.907123/200924 Resolução nº 1302000.482 S1C3T2 Fl. 331 11 retificada), qualquer que fosse a infração constatada, já que não incide multa de ofício sobre débito declarado em DCTF.”. Ocorre que há duas diferenças importantes entre a situação ali julgada e a que ora analisamos, pois nestes autos: primeiro, o recorrente retificou a DCTF antes de apresentar a manifestação de inconformidade; segundo, o recorrente não é sujeito passivo direto da CSRF declarada na DCTF, mas apenas assumiu um múnus público (de reter e recolher) por ser fonte pagadora dos valores sobre os quais incidiu a CSRF. Notese que o recorrente não estava sob fiscalização, assim, o mero fato de ter sido proferido um despacho decisório não era obstáculo para que ele retificasse a DCTF. Logo, legítima a retificação da DCTF sob o ponto de vista formal. Se era ou não devida a CSRF sobre a operação em tela, é algo que devemos discutir no mérito, sendo que, caso positiva a resposta, poderá importar na nãohomologação da compensação, não obstante a recorrente tenha retificado a DCTF. In casu, a DCTF não tem o efeito constitutivo do crédito tributário, como teria se estivéssemos tratando de tributo do qual o recorrente fosse efetivamente sujeito passivo direto. Notese, que a recorrente, na condição de fonte pagadora, não era contribuinte das contribuições sociais por ela retida fonte, logo, se não houvesse retenção e recolhimento, estaria ela sujeita apenas a sanção prevista no art. 9º da Lei 10.426/02, razão pela qual, nesta hipótese, sustento que não há necessidade de prévia retificação de DCTF para se pleitear a CSRF indevidamente recolhida e nela declarado. Sustento que, para CSRF, a DCTF tem caráter meramente informativo ao Fisco. Ademais, a decisão proferida em despacho decisório decorre de um juízo ainda precário e superficial, pois que resultante de mera análise de dados constantes de sistemas operacionais da RFB, sem que seja sequer oportunizado à recorrente expor as suas razões. Tanto que, se a recorrente tivesse tido o cuidado de retificar a DCTF antes de apresentar o PerDcomp, talvez o despacho decisório tivesse outra conclusão acerca do pedido. Por essas razões, sustento legítima a retificação de DCTF realizada após a ciência do despacho decisório. O objeto deste processo é o PER/Dcomp a fls. 2, no qual a recorrente pleiteia a compensação de crédito relativo a Contribuições sociais retidas na fonte (Cód. de receita 5952) no valor original de R$ 47.066,43. O recolhimento feito com o código de arrecadação 5952 referese a “retenção contribuições pagt de PJ a PJ dir priv – CSLL/Cofins/PIS”, ou seja, um DARF com esse código significa que o valor ali recolhido se refere à retenção de CSLL, PIS e Cofins. Não obstante, a recorrente alegue, em seu recurso, que os R$ 47.066,43 referemse apenas à CSLL por ele retida na fonte sobre o pagamento efetuado à EDS Eletronic Data Systems do Brasil Ltda., relativo ao serviço faturado pela na nota de serviço nº 8552 (a fls. 147). Tratandose de tributo do qual o recorrente não é contribuinte, mas mera fonte pagadora obrigada a reter e recolher a referida contribuição, a primeira questão a ser verificada reside em saber se a recorrente assumiu o encargo financeiro relativo a tributo por ela retido na fonte ou se está autorizada pelo contribuinte (EDS) a pedir a restituição, ex vi art. 166 do CTN, in verbis: “Art. 166. A restituição de tributos que comportem, por sua natureza, transferência do respectivo encargo financeiro somente será feita a quem prove haver assumido o referido encargo, ou, no caso de têlo transferido a terceiro, estar por este expressamente autorizado a recebêla.”. Alega o recorrente que, ao concluir que não era devida a retenção da CSLL, procedeu a imediata devolução dos valores indevidamente retidos ao contribuinte "EDS". De Fl. 337DF CARF MF Processo nº 13896.907123/200924 Resolução nº 1302000.482 S1C3T2 Fl. 332 12 fato, a fls. 267 (vide também procuração a fls. 268), consta declaração da HewlettPackard Brasil, sucessora da EDS Eletronic Data Systems do Brasil Ltda., na qual informa que recebeu integralmente o valor de R$ 4.706.642,63 referente ao serviço faturado pela na nota de serviço nº 8552 emitida em 27.09.2005 pela empresa EDS. Ora, a nota nº 8552 a fls. 147 tem por valor total justamente R$ 4.706.642,63, o que significa que a recorrente pagou a nota nº 8552, sem qualquer dedução a título de CSRF. Aliado a tudo isso, a fls. 173, consta comprovante de que a recorrente fez uma transferência interbancária para EDS no valor de R$ 289.458,53, justamente o valor dos tributos incidentes na fonte sobre a referida nota fiscal. Assim, sendo entendo que resta demonstrado que a recorrente assumiu o encargo financeiro da CSLL em tela. Ultrapassado esse ponto, vale perquirir qual o documento que prova que a recorrente recolheu aos Cofres públicos CSLL – retida na fonte no valor de R$ 47.066,43. O único DARF que consta dos autos é aquele a fls. 164, cujo código de receita é 5952, o qual é referido na PerDcomp em tela (a fls. 4) como origem do crédito em questão. Ora, pelo DARF a fls. 164, cujo código de receita é 5952, houve o recolhimento de R$ 141.842,80, valor que não coincide com a CSRF (CSLL, PIS e Cofins) que o recorrente deveria recolher sobre um faturamento no valor de R$ 4.706.642,63 (valor da NF nº 8552 a fls. 147). Notese que, pelo § 1º do art. 31 da Lei 10.833/03, sobre um pagamento a PJ no valor de R$ 4.706.642,63, deveria ser retida CSLL no valor de R$ 47.066,42, Cofins no valor de R$ 141.199,28 e PIS no valor de R$ 30.593,17, o que totalizaria R$ 218.858,87. Por outro lado, na DCTF a fls. 155, foi declarado um débito no valor de R$ 659.568,82, código de receita 595202, referente ao período de apuração da 1ª quinzena de outubro de 2005. Ocorre que também aqui falta a recorrente esclarecer como chegou no valor de R$ 659.568,82 a partir dos faturamentos que foram informados em planilhas a fls. 151. A recorrente alega, no seu recurso voluntário (parágrafos 42 e 43) o seguinte: “42. No entanto, ao receber a fatura, a Recorrente, de forma automática (mas precipitada), calculou a retenção dos tributos supostamente devidos, nos seguintes termos: Tributo Alíquota Valor da Retenção COFINS 3% R$ 141.199,28 CSLL 1% R$ 47.066,43 IRRF 1,50% R$ 70.599,64 PIS 0,65% R$ 30.593,18 Total R$ 289.458,53 43. Diante disso, a Recorrente procedeu a retenção (indevida) do valor de R$ 289.458,53, pagando a "EDS" apenas a diferença da fatura e pagando ao fisco os tributos indevidamente retidos. Por decorrência, registrou a retenção em sua contabilidade.” [grifo nosso] Resta, então, saber por qual DARF o recorrente recolheu a CSRF (CSLL, PIS e Cofins) acima mencionada, pois, conforme já visto, há um descompasso entre o valor que deveria incidir sobre o valor da NF nº 8552. Além disso, há que se vincular recolhimentos de CSRF ao pagamento relativo a NF 8552, para que se possa adentrar ao mérito deste julgamento, ou seja, se era indevida ou não a retenção de CSRF sobre o pagamento em tela. Fl. 338DF CARF MF Processo nº 13896.907123/200924 Resolução nº 1302000.482 S1C3T2 Fl. 333 13 Vale ressaltar que a situação em tela tornase ainda mais intrincada porque, pelo que alega a recorrente, além de recolher as contribuições CSLL/PIS/Cofins em DARFs distintos, embora sob o código de receita 5259, cumulou em cada um dos DARF a contribuição retida na fonte incidente sobre pagamentos feitos a diversos fornecedores. Notese que não foi efetuado um pagamento à EDS pela totalidade da NF 8552, pois, pela planilha e documentos juntados pela recorrente a fls. 151/154, houve vários pagamentos parciais cujo somatório seria o total devido a EDS em várias operações, inclusive aquela objeto da NF 8552. Além disso, não foi juntada aos autos a DIRF relativa às retenções feitas no ano de 2005 (art. 12, § 2º, da IN SRF nº 459/2004), o que poderia, s.m.j, permitir a identificação do valor total das retenções feitas pela recorrente na primeira quinzena de outubro de 2005, valor esse que poderia ser confrontado com o total dos recolhimentos feitos sob o código 5259 e assim apurar se efetivamente houve um recolhimento a maior no montante de R$ 218.858,87 (valor da CSRF incidente sobre o pagamento da NF 8552). Notese que também não foi juntado aos autos o Comprovante Anual de Retenção de CSRF (art. 12, § 1º, da IN SRF SRF nº 459/2004) relativo ao fornecedor EDS, o que poderia confirmar a planilha apresentada pela recorrente a fls. 151. Como as questões levantadas nesta resolução nunca foram questionadas à recorrente, entendo que lhe deve ser concedida a oportunidade de aclarar os fatos. Sustento que a elucidação dos pontos acima ressaltados é questão preliminar a ser ressolvida antes mesmo da discussão do mérito, ou seja, antes mesmo de se julgar se havia ou não incidência de CSRF sobre a operação relativa à Nota Fiscal nº 8522 (doc. a fls. 147). Vale, ainda, ressaltar que, tendo sido feitos os recolhimentos sob o código 5259, não há que se perquirir por um recolhimento de CSLLretida na fonte, mas apenas se houve ou não o recolhimento de CSRF sobre o pagamento relativo a NF 8552. Assim, esta diligência se torna também relevante para o deslinde da questão posta nos autos dos PAFs nºs 13896.907124/2009‐79 e 13896.907122/200980, os quais versam, respectivamente, sobre pedidos de compensação de PISretido na fonte e Cofinsretido na fonte sobre o mesmo pagamento objeto da NF 8552, sendo que todos foram recolhidos em 21/10/2005 por meio de DARFs com cód. de receita 5259, os quais, conforme já dito não se referiam apenas ao pagamento em tela (NF 8552), mas há muitos outros e referentes a diversos fornecedores. Por essa razão, entendo que esses dois processos (13896.907124/200979 e 13896.907122/2009 80) devem ser vinculados a estes autos, para fins de julgamento conjunto. Em face do exposto, voto por converter o julgamento em diligência, para: I a Secam/3ªCâm./1ªSejul vincular os autos dos PAFs nº 13896.907124/200979 e 13896.907122/200980 a este processo e, posteriormente, remeter os autos para a Unidade de Origem; e II a Unidade de Origem: a) informar todas as retenções de CSRF declaradas pela recorrente relativas à quinzena de 01/10/2005 a 15/10/2005, juntando, se possível, aos autos, as folhas da DIRF (art. 12, § 2º, da IN SRF nº 459/2004); b) informar todos os recolhimentos feitos pela recorrente com o código de receita 5259 e referentes ao período de apuração: 1ª quinzena de outubro de 2005, juntando, se possível, os extratos do Sinalpagamento; Fl. 339DF CARF MF Processo nº 13896.907123/200924 Resolução nº 1302000.482 S1C3T2 Fl. 334 14 c) verificar se o total dos recolhimentos de que trata a letra “b”acima supera em R$ 218.858,87 o montante das retenções abordadas na letra “a” retro, caso contrário, intimar a recorrente a responder como se deu o recolhimento da CSRF sobre o pagamento da NF 8552; d) intimar a recorrente a apresentar o Comprovante Anual de Retenção de CSRF em 2005 (art. 12, § 1º, da IN SRF SRF nº 459/2004), relativo ao fornecedor EDS e a esclarecer outros pontos que a Unidade de Origem entenda necessários para o deslinde das questões postas; e) emitir relatório final de diligência, pronunciandose sobre a existência de recolhimento no montante de R$ 218.858,87, a título de CSRF sobre o pagamento objeto da NF 8552; f) dar ciência do relatório final de diligência ao recorrente, concedendolhe prazo para se manifestar nos autos; e g) retornar os autos para este Colegiado, após cumpridos os itens da diligência, para prosseguimento do feito. Alberto Pinto Souza Junior Fl. 340DF CARF MF
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