Sistemas: Acordãos
Busca:
mostrar execução da query
6669315 #
Numero do processo: 19515.720891/2012-94
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 14 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Mar 09 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1402-000.415
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. ASSINADO DIGITALMENTE Leonardo de Andrade Couto – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Frederico Augusto Gomes de Alencar e Demetrius Nichele Macei.
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201702

camara_s : Quarta Câmara

turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção

dt_publicacao_tdt : Thu Mar 09 00:00:00 UTC 2017

numero_processo_s : 19515.720891/2012-94

anomes_publicacao_s : 201703

conteudo_id_s : 5691897

dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Mar 09 00:00:00 UTC 2017

numero_decisao_s : 1402-000.415

nome_arquivo_s : Decisao_19515720891201294.PDF

ano_publicacao_s : 2017

nome_relator_s : LEONARDO DE ANDRADE COUTO

nome_arquivo_pdf_s : 19515720891201294_5691897.pdf

secao_s : Primeira Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. ASSINADO DIGITALMENTE Leonardo de Andrade Couto – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Frederico Augusto Gomes de Alencar e Demetrius Nichele Macei.

dt_sessao_tdt : Tue Feb 14 00:00:00 UTC 2017

id : 6669315

ano_sessao_s : 2017

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:56:52 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713048950350544896

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1011; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C4T2  Fl. 5.706          1 5.705  S1­C4T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  19515.720891/2012­94  Recurso nº            De Ofício e Voluntário  Resolução nº  1402­000.415  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária  Data  14 de fevereiro de 2017  Assunto  GLOSA DE CUSTOS   Recorrentes  FAZENDA NACIONAL              FARMA LOGÍSTICA E ARMAZÉNS GERAIS LTDA    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Resolvem  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  converter  o  julgamento do recurso em diligência, nos  termos do relatório e voto que passam a  integrar o  presente julgado.               ASSINADO DIGITALMENTE   Leonardo de Andrade Couto – Presidente e Relator    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Leonardo  de  Andrade  Couto,  Fernando  Brasil  de  Oliveira  Pinto,  Leonardo  Luis  Pagano  Gonçalves,  Frederico  Augusto Gomes de Alencar e Demetrius Nichele Macei.                    RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .7 20 89 1/ 20 12 -9 4 Fl. 5706DF CARF MF Erro! A origem da  referência não foi  encontrada.  Fls. 5.707  ___________       Relatório  Por  bem  resumir  a  controvérsia,  adoto  o  relatório  da  decisão  recorrida  que  abaixo transcrevo:  Trata­se de autos de infração à legislação do Imposto sobre a Renda das Pessoas  Jurídicas –IRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, lavrados em  23/04/2012,  Delegacia  de  Fiscalização  de  São  Paulo/SP,  para  constituir  o  crédito  tributário no montante de R$ 33.330.824,25, incluídos o principal, a multa de ofício de  75%  e  os  juros  de  mora  devidos  até  a  data  da  lavratura,  tendo  em  conta  as  irregularidades apuradas, no ano­calendário 2007, e descritas no Termo de Verificação  Fiscal de fls. 271 e seguintes, parte integrante da peça acusatória.  Segundo  o  autor  do  procedimento,  a  pessoa  jurídica  teria  sido  intimada  a  discriminar  os  valores  informados  na DIPJ  2008  (ano­calendário  2007),  Ficha  04a  –  “Custos  dos  Bens  e  Serviços  Vendidos”,  Linha  29  “Serviços  Prestados  por  Pessoas  Jurídicas”,  e  Linha  37  –  “Outros  Custos”,  nos  valores  de  R$  52.360.685,29  e  R$  9.480.210,26,  representativo  de  84%  dos  custos  da  atividade.  Em  resposta,  foram  discriminados  os  lançamentos  contábeis  de  despesas  que  teriam  sido  informados  nas  linhas da DIPJ (fls. 98/99), tendo a fiscalização destacado os mais expressivos a serem  regularmente comprovados, mediante documentação hábil e idônea:  [...]    Por  intermédio  do  Termo  de  Intimação  Fiscal  nº  5  de  23/02/2012,  a  pessoa  jurídica foi  instada a comprovar os lançamentos discriminados em planilha anexa, por  meio de documentação idônea, coincidente em datas e valores.  Segundo a fiscalização, em 20/03/2012, a contribuinte teria entregado uma caixa  de  documentos  com  a  comprovação  de  pagamentos  a  três  empresas  (MATRA,  STYROCORTE, SPRYNT e INTEC), sem outra identificação, em valores menores, e  sem correspondência com os lançamentos contábeis, fato acerca do qual a empresa foi  notificada.  A reintimação teria sido formalizada no Termo de Intimação nº 6, de 27/03/2012,  e  em  02/04/2012  teria  sido  entregue  outra  caixa  com  documentos,  acompanhados  de  uma  planilha  com  a  relação  dos  documentos  apresentados,  e  que  foram  objeto  da  seguinte apreciação pela autoridade fiscal:  Algumas observações devem ser feitas por esta fiscalização:  1. Conta  Rodoviário  –  Os  documentos  comprobatórios  dos  lançamentos  na  Conta  Rodoviário  referem­se a  faturas da Intec – Integração Nacional de Transportes de Encomendas e Cargas Ltda, CNPJ  52.134.798/000168  e  é  empresa  do  mesmo  grupo  do  contribuinte.  Não  foram  reconhecidos  alguns  lançamentos referentes a Notas de Débito e que não constituem custo e nem despesa para o contribuinte.  2. A comprovação apresentada  referente  a  cinco  lançamentos na  conta Fretes  e Gerenciamento  não serão reconhecidas por esta fiscalização. O contribuinte apresentou faturas de números 1, 5, 6, 7 e 8 de  uma  empresa  Bonagura  Consultoria  Empresarial,  CNPJ  03.017.592/000142,  sem  contudo  apresentar  nenhuma comprovação de pagamento.  3. Não apresentou nenhuma comprovação relativa à planilha Seguro de Armazém.  Todas as outras comprovações apresentadas foram reconhecidas pela fiscalização e os lançamentos  comprovados  foram eliminados das planilhas acima. Os  lançamentos não comprovados  foram ordenados  por conta e reunidos na planilha “Custos e Serviços de Terceiros Não Comprovados”.  Fl. 5707DF CARF MF Processo nº 19515.720891/2012­94  Resolução nº  1402­000.415  S1­C4T2  Fl. 5.708          3 Para  apurar  a  matéria  tributável,  os  lançamentos  não  comprovados  foram  ordenados  por  data  e  totalizados mensalmente na planilha “Custos e Serviços de Terceiros Não Comprovados Totalizados por  Mês e resumidos abaixo  [...]  No mesmo procedimento fiscal, foram apuradas ainda infrações relativas ao PIS  e  Cofins  não  cumulativos,  cujos  lançamentos  foram  autuados  no  processo  administrativo nº 19515.720892/2012­39.  A pessoa jurídica foi cientificada dos lançamentos, por via postal, em 27/04/2012  (cópia de AR de fls. 298).  Em 17/05/2012, a Defis São Paulo/SP procedeu ao encaminhamento do processo  à  DRF  Osasco/SP  (fls.  303),  para  aguardar  prazo  regulamentar  para  pagamento  ou  impugnação do lançamento constituído. Em 18/05/2012, o processo foi encaminhado à  ARF Cotia/SP (fls. 304), que procedeu à lavratura de Termo de Revelia (fls. 305), em  13/06/2012.  Em  14/06/2012,  foi  encaminhada  pela  CAC/DRF  Barueri  para  ARF/Cotia  (cf.  Memo nº 1735/2012 –  fls.  310),  a  impugnação  de  fls.  311  e  seguintes,  protocolizada  pela  pessoa  jurídica,  em  28/05/2012,  por  intermédio  de  seu  advogado  e  bastante  procurador (cf. instrumento de mandato de fls. 329), com base nas seguintes razões de  fato e de direito.  Afirma a tempestividade da impugnação, e que a autoridade fiscal teria deixado  de  motivar  a  glosa  das  despesas  lançadas  nas  contas  “Aluguel  de  Armazém”,  “Vigilância”  e  “Pessoal Temporário”,  apesar  de  tê­las  incluído  na Planilha  “Custos  e  Serviços de Terceiros Não Comprovados”.  Questiona  com  base  em  doutrina  a  referência  feita  pela  fiscalização  a  custos,  quando todos os valores glosados se referem a despesas.  Quanto ao mérito, passa a abordar cada uma das contas contábeis.  No  caso  das  glosas  da  despesas  contabilizadas  na  Conta  “Fretes  – Gerenciamento”,  a  autoridade  fiscal  teria  procedido  à  glosa  porque  a  contribuinte  não comprovou os pagamentos das despesas registradas nessa conta e relacionadas na  planilha “Custos e Serviços de Terceiros Não Comprovados”.  Afirma que em observância ao regime de competência, desnecessária a prova da  quitação  para  que  a  despesa  seja  dedutível,  bastando  que  se  trate  de  despesas  necessárias e  incorridas. Observa que não  teria  sido questionada a necessidade destas  despesas  para  a  manutenção  da  atividade  empresarial.  Faz  referência  ao  art.  299  do  RIR/99 e à Solução de Consulta nº 229, de 2010, de seguinte ementa:  ASSUNTO: Imposto de Renda de Pessoa Jurídica –   IRPJ  EMENTA:  DESPESAS.  REGIME  DE  COMPETÊNCIA.  RETIFICAÇÃO.  As  despesas  devem ser  registradas na  contabilidade no período em que  incorridas,  entretanto,  a  despesa não lançada no período de competência poderá ser objeto de exclusão do lucro líquido  para fins de apuração do lucro real ou poderá ser registrada em período posterior, desde que  isso não cause redução indevida do lucro real. Erros na apuração do imposto devido devem ser  corrigidos pela entrega de declaração retificadora, o que poderá ser feito enquanto não extinto  o direito de o contribuinte pleitear a restituição”.  Fl. 5708DF CARF MF Processo nº 19515.720891/2012­94  Resolução nº  1402­000.415  S1­C4T2  Fl. 5.709          4 Colaciona também as lições de Ricardo Mariz de Oliveira e de Hiromi Higuchi,  no sentido de que a comprovação do pagamento não seria condição de dedutibilidade  das despesas.  Quanto às despesas contabilizadas na conta “Seguro de Armazém”, nota que  a glosa  se  refere  a dois  lançamentos mensais de  janeiro a dezembro de 2007  (um no  valor de R$ 5.182,28 e outro no valor de R$ 20.729,12), a totalizar R$ 310.936,80.  Conforme  comprovariam  as  Apólices  de  Seguro  que  instruem  a  impugnação  (ANEXO 1 – fls. 598/669), a contribuinte mantinha com a MAPFRE SEGUROS dois  contratos  destinados  a  cobrir  riscos  em  seus  estabelecimentos:  (a)  contra  incêndio/raio/explosão, queda de aeronave, vendaval, danos elétricos e lucros cessantes  decorrentes  (Apólice  nº  0096/109/2001/0000069/01)  e  (b)  responsabilidade  civil  –  operador portuário – roubo (Apólice nº 0033/331/2001/0000012/01).  O valor dos prêmios contratados para os dois seguros (despesas incorridas) teria  sido de R$ 1.111.510,53 e R$ 725.771,82, respectivamente, e como tais seguros teriam  sido  contratados  em  conjunto  com  as  demais  empresas  do  Grupo  Luft,  e  tendo  sido  discriminados nas apólices cada “Local de Risco”, sendo que cada um deles pertencia a  uma determinada empresa do grupo, o valor do prêmio devido à seguradora teria sido  rateado  entre  as  empresas  titulares  dos  estabelecimentos  segurados.  No  caso  da  fiscalizada, os locais segurados seriam: (a) Av. Piracema, 1605; (b) Av. Tamboré, 1180;  e (c) Rod. Presidente Castelo Branco, 11100.  O valor do prêmio relativo ao seguro contra incêndio e outros teria sido rateado  para a contribuinte no valor de R$ 260.567,09, pelo critério da proporcionalidade entre  o valor da cobertura total da Apólice, conforme “Cláusula 3 – Valores em Risco” e a  soma dos valores das coberturas de suas unidades, conforme demonstrado em planilha  de fls. 319/320.  Já o valor do prêmio relativo ao seguro de responsabilidade civil, por conta de a  apólice  estabelecer  um  valor  máximo  de  cobertura,  válido  para  todos  os  estabelecimentos segurados,  teria sido utilizado como critério de rateio o valor médio  das  mercadorias  armazenadas  em  cada  uma  das  unidades,  cabendo  à  fiscalizada  suportar o valor de R$ 171.121,80, conforme demonstrado em planilha de fls. 320/321.  Defende  assim  a  comprovação  das  despesas  com  seguros  incorridas  no  ano­ calendário de 2007 da ordem de R$ 431.688,89.  Já no que se  refere aos valores contabilizados na conta “Rodoviário”, explica  que, sendo uma operadora logística, a atividade da empresa envolveria a armazenagem  e o gerenciamento do transporte de mercadorias de seus clientes até o destino final. É  prática no mercado que o operador logístico não disponha de frota própria, mas apenas  gerencie  o  transporte  das  mercadorias,  mediante  subcontratação  de  transportadoras,  pelo que a maior parte de suas despesas é de subcontratação de transporte de carga.  No  caso,  a  contribuinte  teria  subcontratado a  INTEC –  Integração Nacional  de  Transportes de Encomendas e Cargas Ltda., e por força do Convênio ICMS nº 25, de  1990 e do art. 205 do Regulamento do ICMS, o conhecimento de transporte teria sido  emitido  exclusivamente  pela  subcontratante  (FARMA  LOGÍSTICA),  apesar  de  a  INTEC ter sido subcontratada para realizar o transporte das mercadorias. Isso porque,  no  caso de  subcontratação de prestação de  serviço de  transporte de  carga,  competiria  exclusivamente ao subcontratante a responsabilidade pelo pagamento do ICMS devido.  Assim, como a  lei  não  teria definido um documento  fiscal específico para  suportar o  pagamento dos serviços prestados pela INTEC, a contribuinte realizava os pagamentos  Fl. 5709DF CARF MF Processo nº 19515.720891/2012­94  Resolução nº  1402­000.415  S1­C4T2  Fl. 5.710          5 com  base  nas  Notas  de  Débito  ou  Fatura/Duplicata  (ANEXO  2  –  fls.  673/1474),  emitidas pela subcontratada.  Assevera que na ausência de documento fiscal próprio definido em lei,  tanto as  duplicatas, como as notas de débito, emitidas pela  INTEC, deveriam ser consideradas  documentos  hábeis  a  suportar  o  registro  das  despesas  incorridas  pela  contribuinte,  conforme relatório de notas fiscais das mercadorias transportadas (CD – 01 em anexo).  Destaca ainda que praticamente todos os pagamentos efetuados à INTEC teriam  sido realizados mediante depósitos bancários, conforme comprovado pelos extratos que  instruem a impugnação (ANEXO 3 – fls. 375/539).  Consigna que a autoridade fiscal não teria fundamentado a recusa em aceitar as  Notas de Débito como documentos hábeis para o registro das despesas incorridas, o que  tornaria nula essa parte da autuação, por ausência de motivação, requisito indispensável  a todos os atos administrativos.  De outro lado, reafirma que a subcontratação do transporte é despesa operacional  necessária  para  a  realização  das  transações  e  operações  exigidas  pela  atividade  da  empresa, pois que seria remunerada justamente para prestar serviços de armazenagem e  transporte de mercadorias.  Anotou ainda a defesa a contradição no termo de verificação fiscal: para fins de  crédito  de  PIS  e  Cofins  não  cumulativos,  teriam  sido  considerados  válidos  todos  os  pagamentos  efetuados  à  INTEC,  documentados  por  Faturas/Duplicatas;  todavia,  para  fins  de  apuração  do  IRPJ  e  CSLL,  teria  sido  mantida  a  glosa  de  várias  despesas  documentadas por Faturas/Duplicatas emitidas pela INTEC.  Por  sua  vez,  com  relação  às  despesas  contabilizadas  na  conta  “Aluguel  de  Armazém”,  os  valores  glosados  se  referem  a  pagamentos  efetuados  à  Jubran  Engenharia  S.A.,  CA  Frare  Adm,  e  Part.  Ltda.,  Baltimore  S.A.,  San  Michele  Emp.  Comerciais  Ltda.  e Oscar Kuzniec,  na  qualidade  de  procurador  dos  locadores  Felipe  Wroblewski  e  Hilda  Belia  Frischmann  Wroblewski.  Apresenta  juntamente  com  a  impugnação os contratos de locação, em vigor na data da ocorrência dos fatos geradores  em discussão, e os respectivos instrumentos de quitação (ANEXO 4 – fls. 540/576 ).  Diz  que  a  própria  autoridade  fiscal,  no  termo  de  verificação  fiscal  teria  constatado  a  existência  de DIMOB  apresentada  por  Jubran Eng.  S.A.  e  San Michele  Emp. Comerciais Ltda., o que demonstra a efetividade da despesa contabilizada, tanto  que  teria considerado os valores declarados na DIMOB para  fins de  crédito de PIS e  Cofins  não  cumulativo, mas manteve  a  glosa  das  despesas  para  fins  de  apuração  do  IRPJ e da CSLL.  Anota que eventual  irregularidade dos locadores de omissão na apresentação de  DIMOB não lhe pode ser imputada.  Quanto  às  despesas  contabilizadas  nas  contas  “Vigilância”  e  “Pessoal  Temporário  Ass”,  traz  a  documentação  correspondente  nos  ANEXOS  5  (fls.  577/590) e 6 (fls. 591/597).  Requer  o  cancelamento  dos  lançamentos  e  protesta  pela  juntada  posterior  dos  extratos bancários do período de janeiro a março de 2007, já solicitados mas ainda não  fornecidos pela instituição financeira.  Em  04/07/2012  (fls.  1477/1478),  a  contribuinte  intimada  em Carta Cobrança  a  pagamento  do  crédito  tributário,  informou  que  teria  apresentado  a  impugnação  em  Fl. 5710DF CARF MF Processo nº 19515.720891/2012­94  Resolução nº  1402­000.415  S1­C4T2  Fl. 5.711          6 28/05/2012  na  CAC  da  DRF  Barueri/SP,  e  que  por  conseguinte  o  crédito  tributário  estaria com a exigibilidade suspensa.  Na mesma data, protocolizou petição (fls. 1515/1516) na qual consigna que, na  impugnação, por motivo de força maior, em razão do não fornecimento pela instituição  financeira,  teria  requerido  a  juntada  posterior  dos  extratos  bancários  do  período  de  janeiro a abril de 2007, ora juntados ao processo (fls. 1517/1568).  Em 16/07/2012 (fls. 1511) foi providenciada a juntada pela contribuinte de cópia  do  documento  de  identificação  do  advogado  que  teria  subscrito  a  impugnação  (fls.  1513).  Em 17/07/2012 (fls. 1514), a autoridade preparadora reconheceu o equívoco na  emissão  do  Termo  de  Revelia  e  da  Carta  de  Cobrança,  haja  vista  a  protocolização  tempestiva de impugnação, e encaminhou o processo a julgamento.  Em 13/12/2012, a contribuinte solicitou cópia do processo (fls. 1588), o que lhe  foi entregue em 17/12/2012 (fls. 1603/1604).  Conforme  informação  do  SIEF/Processos,  o  crédito  tributário  se  encontra  regularmente suspenso até a ciência da presente decisão.  A Delegacia  da Receita  Federal  do Brasil  de  Julgamento  em  São  Paulo  –  SP  prolatou  o  Acórdão  16­46.144  acolhendo  parcialmente  a  impugnação  em  decisão  consubstanciada na seguinte ementa:  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL   Ano­calendário:2007   Nulidade.  Falta  de  Motivação.  Glosa  das  Despesas  Contabilizadas nas Contas “Aluguel de Armazém”, “Vigilância”  e “Pessoal Temporário.  Na verificação da regular comprovação dos custos e/ou despesas  escriturados,  quando  a  contribuinte  não  traz  durante  o  procedimento qualquer documento a respaldar a escrituração, o  fundamento  fático  e  jurídico  é  simplesmente  a  falta  de  comprovação dos custos e/ou despesas escriturados.  Notas de Débito. Documentação Inábil.  Como as notas de débito não são hábeis, segundo sua natureza,  ou  assim  definidos  na  legislação  a  comprovar  as  operações  de  prestação  de  serviços  de  transporte,  prescindível  outra  motivação para a recusa de aceitação pela autoridade fiscal.  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA  IRPJ   Ano­calendário: 2007   Glosa  de  Despesa.  Fretes  Gerenciamento.  Falta  de  Comprovação do Pagamento.  Fl. 5711DF CARF MF Processo nº 19515.720891/2012­94  Resolução nº  1402­000.415  S1­C4T2  Fl. 5.712          7 Quando  não  questionada  a  idoneidade  das  notas  fiscais  apresentadas,  e  nem  a  efetividade  da  prestação  dos  serviços,  devidamente  discriminados  nos  documentos  fiscais,  não  se  mantêm as glosas de despesas, baseadas unicamente na falta de  comprovação dos pagamentos escriturados.  Glosa de Despesa. Despesas de Seguro. Rateio.  Deve  ser  admitida  a  dedutibilidade  das  despesas  com  seguros  dos armazéns que se configuram como (i) necessárias, normais e  usuais  à  atividade  da  pessoa  jurídica,  (ii)  comprovadas  pelos  contratos  apresentados,  que  apesar  de  celebrados  por  outra  empresa  do  grupo  empresarial,  os  estabelecimentos  da  fiscalizada  constam  designados  entre  os  locais  de  riscos  abrangidos  pela  cobertura  dos  seguros,  e  (iii)  é  razoável  o  critério de rateio demonstrado.  Glosa de Despesa. Despesas de Aluguel de Armazém.  Devem  ser  admitidas  como  dedutíveis  as  despesas  com  os  aluguéis  pagos pelos imóveis em que funcionam a sede e as filiais da empresa,  devidamente comprovadas nos contratos de locação apresentados.  Entretanto, não comprovada a vinculação com a atividade da empresa  do imóvel locado, mantém­se a glosa da despesa.  Glosa de Despesa. Despesas de Vigilância e Pessoal Temporário.  Admite­se  a  dedutibilidade  das  despesas  de  vigilância  comprovadas  nas notas fiscais de serviços apresentadas, mantendo­se a exigência em  relação aos lançamentos contábeis sem suporte documental hábil.  Glosa de Despesa. Rodoviário. Subcontração de Serviço de Transporte.  Comprovação.  As  Notas  de  Débito  são  documentos  desprovidos  das  formalidades  necessárias  a  comprovar  as  operações,  e  configuram  meros  instrumentos de controle interno, com validade restrita entre as partes  envolvidas,  principalmente  quando  os  conhecimentos  de  transporte  porventura nelas abrangidos  sequer  foram ali mencionados, pelo que  as operações ficaram completamente sem substância.  Tributação Reflexa. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL.  Na medida em que as exigências reflexas têm por base os mesmos fatos  que ensejaram o lançamento do imposto de renda, a decisão de mérito  prolatada naquele constitui prejulgado na decisão do auto de infração  decorrente.  Devidamente  cientificada,  a  interessada  apresenta  recurso  voluntário  contra  â  decisão  na  parte  em  que  manteve  a  exigência,  ratificando  as  razões  expedidas  na  peça  impugnatória e acrescentando o argumento quanto à erro material na decisão no que se refere à  glosa mantida para o item “Despesas na conta rodoviário”.  Fl. 5712DF CARF MF Processo nº 19515.720891/2012­94  Resolução nº  1402­000.415  S1­C4T2  Fl. 5.713          8 Apresentou  documentação  adicional  denominada  laudo  técnico  que,  sustenta,  demonstraria a alegação.  É o relatório.                                                  Fl. 5713DF CARF MF Processo nº 19515.720891/2012­94  Resolução nº  1402­000.415  S1­C4T2  Fl. 5.714          9 Voto  Conselheiro Leonardo de Andrade Couto  O  recurso  foi  tempestivo  e  interposto  por  signatário  devidamente  legitimado,  motivo pelo qual dele conheço.  Após a decisão de primeira instância, remanesceu na exigência uma parcela dos  valores  glosados  a  título  de  "aluguel  de  armazém",  "Vigilância",  "Pessoal  Temporário  e  Assessoria em RH" e a maior parte dos valores glosados contabilizados na conta "Rodoviário".  Nesse  último  caso,  de  acordo  com  a  autoridade  lançadora,  no  que  foi  corroborado  pela  decisão  recorrida,  não  foram  aceitos  os  valores  que  não  estivessem  acobertados por Faturas/Duplicatas.  No recurso voluntário, a interessada questiona a decisão recorrida ­ que acolheu  uma  pequena  parcela  da  impugnação  nesse  item  ­  pois,  sustenta,  mesmo  que  se  considere  demonstrados apenas os valores albergados por nota fiscal/ fatura, o acórdão questionado teria  incorrido em erro material ao não considerar todas as faturas apresentadas.  Para  corroborar  os  argumentos,  traz  aos  autos  extensa  documentação  denominada laudo técnico que, sustenta, demonstraria o alegado.  Levando­se em consideração que este colegiado acata a juntada de documentos  antes que o processo seja pautado, e tendo em vista que no presente caso a atividade julgadora  envolve  fundamentalmente  um  juízo  de  valoração  probante,  penso  ser  razoável  que  a  documentação seja verificada.  Sendo assim, proponho a conversão do  julgamento do  recurso em diligência a  fim de que a Unidade Local designe Auditor Fiscal para examinar os documentos e, com base  no  critério  de  acatar  como  demonstrados  os  valores  lançados  na  conta  "Rodoviário"  sustentados por fatura/ nota fiscal, atestar ou não se alguma fatura não foi considerada, parcial  ou integralmente, pelo acórdão questionado.  Após, formalizar relatório circunstanciado tendo como ponto de partida a tabela  constante do  voto  condutor  da  decisão  recorrida,  relatório  este  que deverá  ser  cientificado  à  interessada com prazo para manifestação.     Leonardo de Andrade Couto ­ Relator                   Fl. 5714DF CARF MF

score : 1.0
6662984 #
Numero do processo: 11516.720524/2012-79
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 14 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Mar 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária Exercício: 2007 RECOLHIMENTOS. CRÉDITO CONSUMIDO. AUTO DE INFRAÇÃO. COMPENSAÇÃO. Descabe compensar recolhimentos efetuados relativos ao período autuado, se tais valores, que não haviam sido declarados, já foram consumidos em compensações declaradas pelo contribuinte de débitos relativos a auto de infração lavrado em procedimento fiscal e processo anteriores ao presente. ASSUNTO Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2007 IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 2007 RECEITA ESCRITURADA. NÃO DECLARADA. PROVA A escrituração contábil da receita bruta é prova inequívoca perante um processo administrativo fiscal federal, uma vez que atestada pelos responsáveis pela empresa, sendo que os documentos que estes apresentaram para provar o contrário não apoiaram as alegações apresentadas e mesmo confirmaram parte das receitas escrituradas. PEDRAS EXTRAÍDAS DE TERRENO PRÓPRIO. RECEITA DE VENDA. A venda de pedras extraídas de terreno de sua propriedade caracteriza receita de venda de produto, sujeita ao percentual de 8% (oito por cento) de lucro presumido e não se trata de venda do imóvel onde tais pedras se encontravam, sujeita à apuração do ganho de capital. LANÇAMENTOS REFLEXOS: PIS, COFINS e CSLL Dada a íntima relação de causa e efeito, aplica-se aos lançamentos reflexos o decidido no principal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2007 Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2007 DECADÊNCIA. DOLO O prazo decadencial é contado a partir do 1º dia do exercício àquele em que o lançamento poderia ser constituído, se constatado o dolo. DOLO. Caracteriza dolo a omissão de receitas escrituradas, reiteradamente, e em percentual superior a 70%. MULTA QUALIFICADA. DOLO. Caracterizada a presença do dolo, elemento específico da sonegação, cabível a aplicação da multa qualificada nos termos de legislação em vigor.
Numero da decisão: 1301-002.197
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha - Presidente. (documento assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha.
Nome do relator: AMELIA WAKAKO MORISHITA YAMAMOTO

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201702

camara_s : Terceira Câmara

ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Exercício: 2007 RECOLHIMENTOS. CRÉDITO CONSUMIDO. AUTO DE INFRAÇÃO. COMPENSAÇÃO. Descabe compensar recolhimentos efetuados relativos ao período autuado, se tais valores, que não haviam sido declarados, já foram consumidos em compensações declaradas pelo contribuinte de débitos relativos a auto de infração lavrado em procedimento fiscal e processo anteriores ao presente. ASSUNTO Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2007 IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 2007 RECEITA ESCRITURADA. NÃO DECLARADA. PROVA A escrituração contábil da receita bruta é prova inequívoca perante um processo administrativo fiscal federal, uma vez que atestada pelos responsáveis pela empresa, sendo que os documentos que estes apresentaram para provar o contrário não apoiaram as alegações apresentadas e mesmo confirmaram parte das receitas escrituradas. PEDRAS EXTRAÍDAS DE TERRENO PRÓPRIO. RECEITA DE VENDA. A venda de pedras extraídas de terreno de sua propriedade caracteriza receita de venda de produto, sujeita ao percentual de 8% (oito por cento) de lucro presumido e não se trata de venda do imóvel onde tais pedras se encontravam, sujeita à apuração do ganho de capital. LANÇAMENTOS REFLEXOS: PIS, COFINS e CSLL Dada a íntima relação de causa e efeito, aplica-se aos lançamentos reflexos o decidido no principal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2007 Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2007 DECADÊNCIA. DOLO O prazo decadencial é contado a partir do 1º dia do exercício àquele em que o lançamento poderia ser constituído, se constatado o dolo. DOLO. Caracteriza dolo a omissão de receitas escrituradas, reiteradamente, e em percentual superior a 70%. MULTA QUALIFICADA. DOLO. Caracterizada a presença do dolo, elemento específico da sonegação, cabível a aplicação da multa qualificada nos termos de legislação em vigor.

turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção

dt_publicacao_tdt : Thu Mar 02 00:00:00 UTC 2017

numero_processo_s : 11516.720524/2012-79

anomes_publicacao_s : 201703

conteudo_id_s : 5687229

dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Mar 02 00:00:00 UTC 2017

numero_decisao_s : 1301-002.197

nome_arquivo_s : Decisao_11516720524201279.PDF

ano_publicacao_s : 2017

nome_relator_s : AMELIA WAKAKO MORISHITA YAMAMOTO

nome_arquivo_pdf_s : 11516720524201279_5687229.pdf

secao_s : Primeira Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha - Presidente. (documento assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha.

dt_sessao_tdt : Tue Feb 14 00:00:00 UTC 2017

id : 6662984

ano_sessao_s : 2017

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:56:32 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713048950363127808

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 18; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1785; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C3T1  Fl. 1.179          1 1.178  S1­C3T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  11516.720524/2012­79  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  1301­002.197  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  14 de fevereiro de 2017  Matéria  IRPJ: RECEITA ESCRITURA NÃO COMPROVADA  Recorrente  TJ ADMINISTRADORA DE BENS S/A  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA  Exercício: 2007  RECOLHIMENTOS. CRÉDITO CONSUMIDO. AUTO DE INFRAÇÃO.  COMPENSAÇÃO.  Descabe compensar recolhimentos efetuados relativos ao período autuado, se  tais  valores,  que  não  haviam  sido  declarados,  já  foram  consumidos  em  compensações  declaradas  pelo  contribuinte  de  débitos  relativos  a  auto  de  infração lavrado em procedimento fiscal e processo anteriores ao presente.  ASSUNTO  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Exercício: 2007  IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ  Ano calendário: 2007  RECEITA ESCRITURADA. NÃO DECLARADA. PROVA  A  escrituração  contábil  da  receita  bruta  é  prova  inequívoca  perante  um  processo  administrativo  fiscal  federal,  uma  vez  que  atestada  pelos  responsáveis pela empresa, sendo que os documentos que estes apresentaram  para  provar  o  contrário  não  apoiaram  as  alegações  apresentadas  e  mesmo  confirmaram parte das receitas escrituradas.  PEDRAS EXTRAÍDAS DE TERRENO PRÓPRIO. RECEITA DE VENDA.  A venda de pedras extraídas de terreno de sua propriedade caracteriza receita  de venda de produto,  sujeita  ao percentual de 8%  (oito por  cento) de  lucro  presumido  e  não  se  trata  de  venda  do  imóvel  onde  tais  pedras  se  encontravam, sujeita à apuração do ganho de capital.  LANÇAMENTOS REFLEXOS: PIS, COFINS e CSLL     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 05 24 /2 01 2- 79 Fl. 1179DF CARF MF Processo nº 11516.720524/2012­79  Acórdão n.º 1301­002.197  S1­C3T1  Fl. 1.180          2 Dada a íntima relação de causa e efeito, aplica­se aos lançamentos reflexos o  decidido no principal.  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Ano calendário: 2007  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Exercício: 2007  DECADÊNCIA. DOLO  O prazo decadencial é contado a partir do 1º dia do exercício àquele em que o  lançamento poderia ser constituído, se constatado o dolo.   DOLO.  Caracteriza  dolo  a  omissão  de  receitas  escrituradas,  reiteradamente,  e  em  percentual superior a 70%.  MULTA QUALIFICADA. DOLO.  Caracterizada a presença do dolo, elemento específico da sonegação, cabível  a aplicação da multa qualificada nos termos de legislação em vigor.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR  provimento ao recurso voluntário.    (documento assinado digitalmente)  Waldir Veiga Rocha ­ Presidente.      (documento assinado digitalmente)  Amélia Wakako Morishita Yamamoto ­ Relatora.    Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio Franco Corrêa,  José  Eduardo  Dornelas  Souza,  Roberto  Silva  Junior,  Marcos  Paulo  Leme  Brisola  Caseiro,  Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha.  Fl. 1180DF CARF MF Processo nº 11516.720524/2012­79  Acórdão n.º 1301­002.197  S1­C3T1  Fl. 1.181          3 Relatório  TJ ADMINISTRADORA DE BENS S/A,  já qualificada nos autos, recorre  da decisão proferida pela 2a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento  em Curitiba (PR) ­ DRJ/CTA (fls. 1048/1064), que, por unanimidade de votos, não acolheu a  preliminar  de  decadência  parcial  do  lançamento  e  julgou  a  impugnação  improcedente,  mantendo o crédito tributário exigido.  Passo ao relato da decisão recorrida:  Trata o processo dos autos de infração relativos ao anos calendário 2007, na  sistemática do lucro presumido, segundo opção do contribuinte, em que se exigem:   a. Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ, págs. 611/619, no valor  de R$254.172,02, devido a:    i.  Receitas  de  prestação  de  serviços  de  locação  ou  administração  de  imóveis,  escrituradas  e  não  declaradas;  períodos  de  apuração  31/03/2007,  30/06/2007,  30/09/2007, 31/12/2007; base legal nos arts. 224, 518 e 519, § 1º, III e 841 do Regulamento do  Imposto de Renda RIR de 1999 (Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999);    ii. Receita bruta de produtos de fabricação própria, escrituradas e não  declaradas;  períodos  de  apuração  31/03/2007,  30/06/2007,  30/09/2007,  31/12/2007;  base  legal nos arts. 224, 518 e 519, § 1º, III e 841 do RIR de 1999;  b.  Contribuição  Social  sobre  o  Lucro  Líquido  –  CSLL,  págs.  620/627,  no  valor de R$101.729,77 relativa às mesmas infrações e mesmos períodos que o IRPJ, exigida  com base no art. 2º e §§ da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988; art. 20 da Lei nº 9.249,  de 26 de dezembro de 1995; art. 29, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; art. 37 da  Lei nº 10.637 de 30 de dezembro de 2002; art. 22 da Lei nº 10.684, de 30 de maio de 2003;  c. Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins, págs.  628/625, no valor de R$152.902,70, apurado com incidência cumulativa, relativa às mesmas  infrações, nos períodos de apuração de 01 a 12/2007, com base nos arts. 2º,  II e parágrafo  único, 3º, 10, 22, 51 e 91 do Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002;  d. Contribuição ao Programa de Integração Social – PIS, págs. 626/643, no  valor  de  R$33.128,88  cumulativa,  relativa  às  mesmas  infrações,  nos  períodos  de  apuração  mensais de 01 a 12/, com base nos arts. 1º e 3º da Lei Complementar nº 7, de 07 de setembro  de 1970; art. 24, § 2º, da Lei nº 9.249, de 1995; arts. 2º, I, “a” e parágrafo único, 3º, 10, 22,  51 e 91 do Decreto nº 4.524, de 2002.  2. Exige­se multa de ofício de 150% do art. 44, I e § 1º da Lei nº 9.430, de 27  de dezembro de 1996, com a redação dada pelo art. 14 da Medida Provisória nº 351, de 22 de  janeiro  de  2007  e  pelo  art.  14  da  Lei  nº  11.488,  de  15  de  junho  de  2007;  e  juros  de mora  segundo o art. 61, § 3º da Lei nº 9.430, de 1996.  Fl. 1181DF CARF MF Processo nº 11516.720524/2012­79  Acórdão n.º 1301­002.197  S1­C3T1  Fl. 1.182          4 3.  Às  págs.  584/609,  no  Relatório  da  Ação  Fiscal  RAF,  estão  descritos  os  procedimentos de fiscalização e a autuação.  4.  Foi  efetuada  Representação  Fiscal  para  Fins  Penais,  processo  nº  11516.720525/201213.  5. Cientificado em 22/03/2012, págs. 309, 612, 621, 629 e 637, o contribuinte  apresentou a tempestiva impugnação em 23/04/2012, págs. 651/673, e Anexos I a V de págs.  675/841.  6. Informa que efetuou recolhimentos tempestivos de 2089­IRPJ, 2372­CSLL,  8109­PIS  e  2172Cofins,  tempestivos,  no  total  de  R$216.632,58  relativos  a  01  a  03  e  06  a  12/2007; junta comprovantes no Anexo II e diz que o autuante foi  informado; que, por falha  operacional,  as  duas  Declaração  de  Débitos  e  Créditos  Tributários  Federais  –  DCTF  semestrais desse ano  foram enviadas sem conter a respectiva  informação sobre receitas; diz  que,  portanto,  o  autuante  se  equivocou  ao  afirmar  que  o  contribuinte  não  declarou  nem  recolheu qualquer valor (pág. 605).  7.  Relata  que  foi  alvo  de  procedimento  fiscal  anterior  (MPF  09.2.06.00.2010.20040,  processo  10909.001332/201011,  Termo  de  Verificação  e  Encerramento Parcial da Ação Fiscal e autos de infração, nos Anexo III e IV), ocasião em que  foram auditados  todos extratos de contas bancárias e aplicações  financeiras do contribuinte  dos anos 2006 e 2007 e autuado com base em depósitos bancários de origem não comprovada,  sendo  lhe  exigidos  IRPJ  e  contribuições  no  total  de  R$488.890,89,  relativos  ao  ano  2007;  como o contribuinte não havia declarado débitos nas DCTF, aquele autuante desconsiderou os  recolhimentos; o contribuinte não contestou as autuações e o débito foi compensado em parte  com os recolhimentos feitos e o restante foi objeto de parcelamento, conforme Anexo V.  8. Reclama da estratégia retórica do fiscal autuante neste processo, visando  induzir o  leitor a acreditar que o contribuinte  foi  totalmente omisso em relação a 2007, por  não ser verdadeiro, haja vista que parcelou a apenas a diferença da autuação que restou não  compensada com os recolhimentos que havia efetuado.  9. Reclama da ineficácia das pretensões probatórias, expondo que todo fato  jurídico é um fato (descrição de um evento), porém, nem todo fato é um fato jurídico; que, por  seu turno, todo fato gerador de obrigação tributária é um fato jurídico, todavia, nem todo fato  jurídico  é necessariamente um  fato gerador de obrigação  tributária,  pois,  para que assim o  seja, será imprescindível que a descrição fática hipotética da lei (hipótese de incidência) seja  rigorosamente condizente com o pretenso fato jurídico; destaca que ao constituir a obrigação  tributária e aplicar sanções nessa esfera do direito, não basta o observância às regras formais  que disciplinam a emissão de tais atos; a materialidade deve estar demonstrada, mediante a  produção de prova da existência do fato sobre o qual se fundam os normas constituidoras dos  relações  jurídicos  tributárias  e  qualquer  pretensão  que  fuja  dessa  premissa,  além  de  inviabilizar o direito ao contraditório, ofende o princípio da legalidade.  10.  Invoca o art. 177 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976 Lei das  Sociedades Anônimas, o art. 1.179 do Código Civil Brasileiro, Lei nº 10.406, de 10 de janeiro  de 2002, o art. 195 do Código Tributário Nacional CTN, Lei nº 5.172, de 25 de outubro de  1966, art. 923 do RIR de 1999, para destacar que, antes de buscar na escrituração contábil um  meio de prova de fatos jurídicos que evidenciem inequivocamente a ocorrência de um evento  que  possa  se  caracterizar  como  um  fato  gerador  de  obrigação  tributária,  deve­se  avaliar  a  Fl. 1182DF CARF MF Processo nº 11516.720524/2012­79  Acórdão n.º 1301­002.197  S1­C3T1  Fl. 1.183          5 validade  da  escrituração  contábil  como  ferramenta  informativa,  dado  que  esta  deverá,  imprescindivelmente, estar acompanhada dos documentos hábeis e idôneos que correspondam  aos  registros  nela  estampados;  em  contrário,  perde  totalmente  a  sua  juridicidade,  ou  seja,  deixa de ser considerada como um fato jurídico, servindo, quando muito, para demonstrar o  simples  fato  de  que  alguém  em  algum  momento  preencheu  imprimiu  relatórios  de  cunho  contábil  (evento),  porém,  sem  qualquer  relevância  informativa  ou  jurídica,  uma  vez  que  a  confiabilidade  será  destruída  pela  ausência  de  veracidade,  completeza  e  pertinência  do  seu  conteúdo;  se  assim  não  fosse,  o  RIR,  de  1999  não  teria  todo  um  conjunto  de  dispositivos  voltados para fundamentar a obrigatória desconsideração da escrituração contábil nos casos  de constatação de vícios, erros ou deficiências da mesma, como, por exemplo, o faz o art. 530  do referido Decreto.  11. Argumenta que, no caso concreto, a leitura dos autos deste processo, em  especial do RAF (Anexo I ou fl. 584 e seguintes deste PAF), mostra que os respectivos AFRFB  pautaram  toda  a  sua  autuação  nas  informações  obtidas  exclusivamente  a  partir  de  uma  escrituração contábil completamente desconectada de qualquer documentação hábil e idônea  comprobatória, ou seja, o único meio de prova por eles apresentado são os registros contábeis  de uma escrituração sem documentação correspondente.  12. Destaca que era optante pelo Lucro Presumido, fato esse que, por si só,  torna a escrituração contábil menos relevante para efeito de apuração tributária. Todavia, ao  conferir  o  conteúdo  dos  seus  livros  contábeis,  por  ocasião  do  atendimento  ao  Termo  de  Intimação  Fiscal  (TIF  nff  2011/004704  fl.  366),  o  contribuinte,  ao  perceber  equívocos  de  significativa  relevância  na  sua  escrituração  informou  imediatamente  os  AFRFB  sobre  esse  fato,  conforme  se  pode  constatar  pelo  conteúdo  da  sua  petição  de  resposta  (fl.  372)  e  argumenta  que  erro  faz  parte  da  natureza  humana,  como  os  próprios  AFRFB  puderam  experimentar (errar) e registrar através do seu Relatório da Atividade Fiscal RAF (fl. 588) e  diz que é inaceitável, diante de um erro identificado e comprovado pelo contribuinte (conforme  os  documentos  apresentados  contrato  e  notas  fiscais  fls.  397  a)  e,  ignorando  injustificadamente os documentos apresentados, servir­se do mesmo (erro) como ilusória fonte  de  arrecadação  tributária.  Pior,  exigir  que  o  contribuinte  provasse  que  os  registros  equivocados  e  duplicados  da  escrituração  contábil  não  se  referiam  a  eventos  efetivamente  ocorridos,  pois,  "em  regra,  não  se  pode  exigir  a  produção  de  prova  negativa  (como,  por  exemplo, a prova de que algo não foi feito)"; que, diante de tal contexto, no qual se constatou  a evidente inadequação da escrituração contábil para os fins pretendidos, o mínimo esperado  dos AFRFB, seria, por exemplo, que os mesmos realizassem uma verificação no conteúdo dos  extratos bancários do contribuinte, através da qual, caso os registros contábeis eventualmente  fossem verdadeiros, poderiam  identificar as movimentações  financeiras  respectivas, uma vez  que  ninguém  consegue  transacionar  quase  R$7.000.000,00  em  um  ano,  sem  que  isso  fique  evidenciado na movimentação bancária; mas, os mesmos deixaram de buscar essa potencial  prova inequívoca das suas afirmações, pautando suas alegações exclusivamente no conteúdo  evidentemente antijurídico da escrituração contábil.  13.  Argumenta  que,  num  contexto  de  tributação  pelo  lucro  presumido,  em  que  os  recursos  financeiros movimentados  pelo  contribuinte  já  foram alvo  de  fiscalização  e  tributação,  evidenciado  que  não  há  mais  qualquer  outra  transação  financeira  sem  identificação e/ou comprovação, pretender construir de forma ilusíonística um fato gerador de  obrigação  tributária,  apoiado  numa  presunção  não  legal  de  receitas  omitidas,  baseando­se  numa escrituração contábil sem a respectiva documentação comprobatória, seria o mesmo que  incorrer numa situação inusitada de bis in idem pleonástico, na qual o mesmo ente tributante  Fl. 1183DF CARF MF Processo nº 11516.720524/2012­79  Acórdão n.º 1301­002.197  S1­C3T1  Fl. 1.184          6 cobra o mesmo tributo sobre a mesma base de cálculo, o que é antijurídico, suscitando uma  "situação que, em tese, configura" o fato típico delineado pelo Art. 316, § lº do Código Penal  Brasileiro, excesso de exação.  14. Além disso, no regime do lucro presumido e tendo em vista o disposto na  Instrução Normativa SRF 104, de 1998, o contribuinte pode optar por tributar sua receita na  medida  do  recebimento  (regime  de  caixa),  ou  seja,  apenas  quando  o  recurso  financeiro  efetivamente estiver a sua disposição. Logo, sem a comprovação de que o contribuinte tenha  efetivamente recebido os valores alegados pelos AFRFB como suposta receita omitida, não há  como,  dentro  do  atual  ordenamento  jurídico  tributário  brasileiro,  aceitar  uma  construção  linguística sem base probatória que pretenda constituir uma ilusão fática que dê origem a uma  obrigação tributária evidentemente ilegal.  15.  E  questiona:  pode  a  escrituração  contábil  servir  de  prova  inequívoca  perante um processo administrativo fiscal federal sem que esteja acompanhada da respectiva  documentação  hábil  e  idônea  que  comprova  a  veracidade,  completeza  e  pertinência  do  seu  conteúdo?  16.  Reclama  de  ausência/insuficiência  de  compensação  dos  tributos  pagos/parcelados; diz que a leitura dos autos de infração impugnados (Anexo I desta petição  ou fls. 611 a 643) irá demonstrar que os AFRFB optaram por calcular os tributos a partir de  toda  a  receita  por  eles  apontada  e  não  só  sobre  as  diferenças  ainda  não  tributadas  e  que  deveriam compensar os valores já pagos/parcelados pelo contribuinte, o que não ocorreu de  forma  adequada:  pela  leitura  da  fl.  617  pode­se  constatar  que,  relativamente  ao  IRPJ,  os  AFRFB  compensaram  o  valor  de  R$258.390.09,  enquanto  pela  leitura  da  fl.  626,  que,  relativamente à CSLL, os AFRFB compensaram o valor de R$101.660.44, e estes valores de  IRPJ e CSLL compensados são oriundos do processo nº 10909.001332/201011  (Anexo  IV) e  Tabela  02  da  impugnação,  e  em  valores  insuficientes  em  relação  aos  efetivamente  pagos/parcelados  (Anexo  V)  e  Tabela  03;  sendo  que  relativamente  ao  PIS  e  à  Cofins  não  foram feitas compensações pelos AFRFB; na Tabela 01 relaciona os valores que arrecadou;  diz que comprando: a) os valores pagos pelo contribuinte (Anexo II e Tabela 01); b) os valores  (fora juros e multa) dos créditos constituídos pelos Autos de Infração anteriores (Anexo IV e  Tabela  02);  e  c)  os  valores  constantes  na  Tabela  03  (parcelamento),  demonstrará  que  o  contribuinte acabou acatando e parcelando valores maiores do que aqueles relativos às reais  diferenças entre o que já estava pago e o que o AFRFB anterior autuou sobre a movimentação  bancária; aduz que isso se deu por descuidos da equipe administrativa/contábil da empresa no  processo  de  compensação  dos  valores  junto  à  SRFB,  o  que  acabou  gerando  uma  dívida  tributária maior do que o efetivamente devido.  17. Assim, somadas as tabelas 01 e 03, que representam, respectivamente, os  valores pagos e os valores parcelados (fora juros e multa), tem­se os valores na Tabela 04 de  pág. 665,  totalizando R$576.532,74; e na Tabela 05, os valores que o  contribuinte  recolheu  ainda  pendentes  de  compensação,  no  total  de  R$216.482,21,  o  que  demonstra  a  falta  de  liquidez e certeza dos autos de infração, que devem ser cancelados.  18.  Reclama  de  equivoco  no  enquadramento  legal  da  venda  de  rachão  de  pedra, ao argumento de que o Código Civil, de 2002, considera bens imóveis "o solo e  tudo  quanto se lhe incorporar natural ou artificialmente" (Art. 79), derivando dai a noção de bem  imóvel, principal,  caracterizado por aquele "que existe  sobre si, abstrata ou concretamente"  (Art. 92), e de bem imóvel acessório "aquele cujo existência supõe a do principal” (Art. 92);  Fl. 1184DF CARF MF Processo nº 11516.720524/2012­79  Acórdão n.º 1301­002.197  S1­C3T1  Fl. 1.185          7 além disso,  o CC,  de 2002,  dispõe “apesar  de  não  separados  do  bem principal,  os  frutos  e  produtos  podem  ser  objeto  de  negócio  jurídico”  (Art.  95);  então,  ainda  que  os  recursos  naturais (não renováveis) extraídos de um imóvel sejam identificados pela lei e pela doutrina  através  da  palavra  produtos  (em  sentido  bem  estrito),  não  se  pode  confundi­los  com  os  produtos  industriais  e  agrícolas  em  sentido  amplo.  Logo,  não  há  como  enquadrar  a  receita  decorrente da venda de rachão de pedras como "receita bruta das vendas e serviços" (Art. 224  RIR/99), tendo em vista que tal receita (venda de pedras) se origina da venda de bens do ativo  imobilizado,  enquadrando­se  evidentemente  no  conceito  do  Ganho  de  Capital;  que  nesse  sentido, o valor apurado pelo Agente Fiscal não pode ser direta e totalmente acrescido à base  de  cálculo  do  Lucro  Presumido,  uma  vez  que,  no  contexto  da  venda  de  bens  do  ativo  imobilizado, o que se acresce ao Lucro Presumido é apenas o Ganho de Capital ("diferença  positiva verificada entre o valor da alienação e o respectivo valor contábil" Art. 521, § 1º do  RIR, de 1999) e não o valor total da venda.   19.  Pugna  pela  decadência  das  autuações  relativas  a  tributos  sujeitos  ao  lançamento por  homologação e portanto  regidos pelo art.  150, § 4º do CTN, dado que  está  provado  que  houve  pagamento  de  tributos  relativos  ao  período  que  foi  alvo  dos  Autos  de  Infração  e  o  Ato  Fiscal  questionado  deverá  se  submeter  à  contagem  do  prazo  decadencial  iniciada a partir do potencial fato gerador e não do primeiro dia do exercício seguinte; tendo  sido  autuados  em  20/03/2012  e  cientificados  em  22/03/2012,  todos  os  fatos  geradores  anteriores  a  20/03/2007  estarão  alcançados  decadência;  aduz  que,  para  poder  analisar  as  consequências  decorrentes  da  identificação  do  termo  de  inicio  da  contagem  do  prazo  decadencial, depara­se novamente com o nocivo resultado da conduta dos AFRFB no que se  refere à utilização de uma escrituração contábil desconectada de documentação hábil e idônea  comprobatória, uma vez que o contribuinte fica totalmente prejudicado quanto ao seu direito  de contraditar as provas que deveriam ter sido apontadas pelos AFRFB e questiona: se não há  nos  autos  documentos  hábeis  e  idôneos  dos  quais  possam  ser  extraídas  as  reais  datas  de  ocorrência  dos  fatos  geradores  das  obrigações  tributárias  constituídas  pelos  AFRFB,  qual  deverá  ser  a  fonte  para  a  identificação  desta  informação?  Serão  as  datas  dos  lançamentos  contábeis?  Como  comprovar  a  veracidade,  completeza  e  pertinência  do  conteúdo  de  tais  lançamentos  se  não  há  documentos  correspondentes?  Por  isso,  tolhido  no  seu  direito  ao  contraditório, resta­lhe aceitar o termo inicial de contagem como sendo 20/03/2007.  20.  Acusa  de  descabida  a  multa  qualificada  de  150%,  pois  fraude  não  se  presume e deve  ser demonstrada e que dolo não  se presume, prova­se; que o mero artifício  retórico,  configurado  pelo  descabido  uso  de  opressões  do  tipo  "delinquência  tributária  reiterada" (fl. 589) ou "reiteração de condutas tributários delituosos" (fl. 589), evidentemente  não são a forma técnica adequada para se caracterizar a existência de dolo, principalmente  diante  de  um  contexto  de  procedimento  administrativo  fiscal,  no  qual  os  Agentes  devem  obrigatoriamente  se  pautar  pelo  já  esfarrapado  Princípio  da Moralidade  da  Administração  Pública, estampado no Art. 37 da CF, de 1988; que se apoiar,  como único meio de prova  ,  numa escrituração contábil completamente desconectada de documentação hábil e idônea que  possa  comprovar  a  veracidade,  completeza  e  pertinência  do  seu  conteúdo,  caracteriza  uma  postura  completamente  vazia  de  juridicidade,  que,  diante  de  todo  dos  princípios  da CF,  de  1988, mostra­se como uma estratégia inaceitável para justificar a qualificação da multa, que  deve ser afastada.   21.  Resume  que  falta  liquidez  e  certeza  aos  valores  exigidos  pela  ausência/insuficiência  de  compensação  dos  valores  que  o  litigante  recolheu/parcelou;  Fl. 1185DF CARF MF Processo nº 11516.720524/2012­79  Acórdão n.º 1301­002.197  S1­C3T1  Fl. 1.186          8 enquadramento inadequado das vendas de pedra rachão, que é ganho de capital e não receita  de vendas; decadência parcial, descabimento da multa qualificada.  A  2ª  Turma  da  DRJ/CTA,  analisou  os  argumentos  apresentados  pela  impugnante,  e  prolatou  a  decisão  para  não  acolher  a  preliminar  de  decadência  parcial  do  lançamento e julgar improcedente sua manifestação de inconformidade, nos termos da ementa  abaixo transcrita:  ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA  Ano calendário: 2007  RECOLHIMENTOS. CRÉDITO CONSUMIDO. AUTO DE INFRAÇÃO.  COMPENSAÇÃO.  Descabe  compensar  recolhimentos  efetuados  relativos  ao  período  autuado,  se  tais  valores,  que  não  haviam  sido  declarados,  já  foram  consumidos  em  compensações  declaradas  pelo  contribuinte  de  débitos  relativos  a  auto  de  infração lavrado em procedimento fiscal e processo anteriores ao presente.  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ  Ano calendário: 2007  RECEITA ESCRITURADA. NÃO DECLARADA. PROVA  A  escrituração  contábil  da  receita  bruta  é  prova  inequívoca  perante  um  processo  administrativo  fiscal  federal,  uma  vez  que  atestada  pelos  responsáveis pela empresa, sendo que os documentos que estes apresentaram  para provar o contrário não apoiaram as alegações apresentadas e mesmo  confirmaram parte das receitas escrituradas.  LANÇAMENTO CONTÁBIL. ERRO. CONTRATO.  Não  faz  prova  de  erro  na  contabilização  de  receita  a  apresentação  de  contrato assinado por pessoas ligadas por parentesco, pai e filho, em nome  de empresas ligadas, e não registrado em cartório.  RECEITA DE ALUGUEL ESCRITURADA. CONTESTAÇÃO.  A  alegação  de  que  seria  pagamento  de  financiamento  e  não  receita  de  aluguel  de  câmara  fria  escriturada  na  contabilidade  da  empresa  não  está  comprovada se os documentos acostados não confirmam a alegação   PEDRAS EXTRAÍDAS DE TERRENO PRÓPRIO. RECEITA DE VENDA.  A  venda  de  pedras  extraídas  de  terreno  de  sua  propriedade  caracteriza  receita de venda de produto, sujeita ao percentual de 8% (oito por cento) de  lucro  presumido  e  não  se  trata  de  venda  do  imóvel  onde  tais  pedras  se  encontravam, sujeita à apuração do ganho de capital.  LANÇAMENTOS REFLEXOS: PIS, COFINS e CSLL  Dada a íntima relação de causa e efeito, aplica­se aos lançamentos reflexos  o decidido no principal.  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Ano calendário: 2007  Fl. 1186DF CARF MF Processo nº 11516.720524/2012­79  Acórdão n.º 1301­002.197  S1­C3T1  Fl. 1.187          9 DECADÊNCIA. DOLO  O prazo decadencial é contado a partir do 1º dia do exercício àquele em que  o lançamento poderia ser constituído, se constatado o dolo.   DOLO.  Caracteriza  dolo  a  omissão  de  receitas  escrituradas,  reiteradamente,  e  em  percentual superior a 70%.  MULTA QUALIFICADA. DOLO.  Caracterizada a presença do dolo, elemento específico da sonegação, cabível  a aplicação da multa qualificada nos termos de legislação em vigor.    A ora recorrente, devidamente cientificada do acórdão recorrido, apresentou  recurso  voluntário  tempestivo,  onde  reforça  os  argumentos  já  apresentados  em  sede  de  manifestação de inconformidade, atendo­se aos seguintes pontos:   ­ Ineficácia das provas, por ausência de provas ou indícios;  ­ ausência/insuficiência das compensações dos tributos pagos/parcelados;  ­ equívoco no enquadramento legal da venda de rachão de pedra;  ­ decadência parcial do PIS e da Cofins incidente sobre os fatos geradores de  01/2007 e 02/2007;  ­ descabimento da multa qualificada de 150%, por ausência de  fraude, dolo  ou simulação.  É o relatório.  Fl. 1187DF CARF MF Processo nº 11516.720524/2012­79  Acórdão n.º 1301­002.197  S1­C3T1  Fl. 1.188          10 Voto             Conselheira Amélia Wakako Morishita Yamamoto.  A contribuinte foi cientificada do teor do acórdão da DRJ/SDR e intimada ao  recolhimento  dos  débitos  de  IRPJ  e  reflexos  em  05/11/2013  (fl.  1065),  e  apresentou  em  04/12/2013, recurso voluntário e demais documentos, juntados às fls. 1067 à 1176.  Já  que  atendidos  os  requisitos  de  admissibilidade  previstos  no  Decreto  nº  70.235/72, e tempestivos, deles conheço.  Trata, o presente processo, dos autos de infração (fls. 610/646), lavrados em  22/03/2012,  relativos  ao  ano  calendário  2007,  na  sistemática  do  lucro  presumido,  segundo  opção do contribuinte, em que se exigiram:  a. Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ, págs. 611/619, no valor  de R$254.172,02, devido a:    i.  Receitas  de  prestação  de  serviços  de  locação  ou  administração  de  imóveis,  escrituradas  e  não  declaradas;  períodos  de  apuração  31/03/2007,  30/06/2007,  30/09/2007, 31/12/2007; base legal nos arts. 224, 518 e 519, § 1º, III e 841 do Regulamento do  Imposto de Renda RIR de 1999 (Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999);    ii.  Receita  bruta  de  produtos  de  fabricação  própria,  escrituradas  e  não  declaradas; períodos de apuração 31/03/2007, 30/06/2007, 30/09/2007, 31/12/2007; base legal  nos arts. 224, 518 e 519, § 1º, III e 841 do RIR de 1999;  b.  Contribuição  Social  sobre  o  Lucro  Líquido  –  CSLL,  págs.  620/627,  no  valor de R$101.729,77  relativa às mesmas  infrações e mesmos períodos que o  IRPJ, exigida  com base no art. 2º e §§ da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988; art. 20 da Lei nº 9.249,  de 26 de dezembro de 1995; art. 29, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; art. 37 da Lei  nº 10.637 de 30 de dezembro de 2002; art. 22 da Lei nº 10.684, de 30 de maio de 2003;  c. Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social  – Cofins,  págs.  628/625, no valor de R$152.902,70,  apurado com  incidência  cumulativa,  relativa  às mesmas  infrações,  nos  períodos  de  apuração  de  01  a  12/2007,  com  base  nos  arts.  2º,  II  e  parágrafo  único, 3º, 10, 22, 51 e 91 do Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002;  d. Contribuição ao Programa de  Integração Social – PIS, págs. 626/643, no  valor  de  R$33.128,88  cumulativa,  relativa  às  mesmas  infrações,  nos  períodos  de  apuração  mensais de 01 a 12/, com base nos arts. 1º e 3º da Lei Complementar nº 7, de 07 de setembro  de 1970; art. 24, § 2º, da Lei nº 9.249, de 1995; arts. 2º, I, “a” e parágrafo único, 3º, 10, 22, 51  e 91 do Decreto nº 4.524, de 2002.  Bem como, a exigência da multa de ofício de 150% do art. 44, I e § 1º da Lei  nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com a redação dada pelo art. 14 da Medida Provisória nº  Fl. 1188DF CARF MF Processo nº 11516.720524/2012­79  Acórdão n.º 1301­002.197  S1­C3T1  Fl. 1.189          11 351, de 22 de janeiro de 2007 e pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007; e juros  de mora segundo o art. 61, § 3º da Lei nº 9.430, de 1996.  Importante  esclarecer  também  que  a  recorrente  foi  autuada  nos  autos  do  processo 10909.0001332/2010­11, onde o ponto principal foi a omissão de receitas presumidas  a partir de créditos/depósitos bancários recebidos e de origem não justificada no ano calendário  de 2007, este auto foi parcialmente encerrado e teve seqüência no processo atual. Aquele auto  não  foi  impugnado,  bem  como  houve  recolhimento  de  parte  dos  valores,  e  quitação  com  compensações e adesão ao parcelamento da Lei 11.941/09.   A recorrente alega as seguintes matérias:    1)  Insubsistência dos auto de  infração pela  total ausência de provas ou  indícios  No presente caso a autuação se deu em razão da não declaração de receitas  escrituradas, uma parte referente à prestação de serviços e aluguéis, mais precisamente locação  de  imóveis  e  em  parte  às  vendas  de  pedra  rachão,  sujeitas  aos  percentuais  de  32%  e  8%,  respectivamente.  O objeto social da contribuinte na data dos fatos, de acordo com o contrato  social é a de exploração de serviços de obras marítimas e fluviais, serviços de construções de  edificações comerciais, industriais e de serviços, atividade de incorporação e compra e venda  de imóveis, aluguel de imóveis e administração de imóveis por conta de terceiros.   A  fiscalização  apurou  esses  valores  a  partir  da  receita  bruta  registrada  na  escrituração  contábil  (cópia  do  registro  contábil  relativo  aos  totais  anuais,  por  espécie  de  receita,  escriturados  pelo  contribuinte,  fls.  598,  totalizando  R$  10.337.830,58)  e  na  contabilidade  digital  apresentada  pelo  contribuinte  ao  fiscal;  dessa  receita  bruta  o  autuante  deduziu a receita omitida autuado no processo anterior (n. 10909.001332/2010­11); conforme  pág 603 e quadro a seguir :  Fl. 1189DF CARF MF Processo nº 11516.720524/2012­79  Acórdão n.º 1301­002.197  S1­C3T1  Fl. 1.190          12     A  recorrente  respondeu  às  fls.  371  que  as  diferenças  citadas  no  item  2.1  (Anexo I à pág. 369) do Termo referem­se a: R$2.826.531,83+5.241.071,50+2.270.227,15 (­)  3.529876,00, e que o valor R$2.826.531,83 já havia sido declarado (sic), na DIPJ.  A fiscalização analisou­se a resposta, com a seguinte conclusão:  a. os valores informados na DIPJ, págs. 425/435, no total de R$2.826.531,83,  são  exatamente  os  da  Receita  Bruta  de  prestação  de  serviços  escriturada  na  contabilidade,  conforme alega e sobre a qual aplicou 32% de presunção de  lucro; no entanto, os valores do  IRPJ e CSLL apurados na DIPJ não constituem declaração e confissão de dívida que autorizem  a  RFB  a  promover  a  cobrança  administrativa;  para  tanto,  é  necessário  que  o  contribuinte  confesse os débitos nas Declaração de Débitos  e Créditos Tributários Federais – DCTF que,  para  o  ano  de  2007,  o  contribuinte  entregou  zeradas;  não  estando  confessados  os  débitos  tributários, cabe à Autoridade Administrativa constituí­los de ofício;  b. A equação constante da resposta: R$2.826.531,83 (receita de prestação de  serviços  escriturada  e  informada  na DIPJ) +R$5.241.071,50  (receita  escriturada de  venda de  pedra  rachão) +R$2.270.227,15(receita  escriturada de  aluguéis)  (­) R$3.529.876,00  (valor da  receita  omitida  autuada  no  processo  10909.001332/201011),  resulta  R$6.807.954,48,  que  é  (com  diferença  de R$0,77),  o  valor  autuado  no  presente  processo  –  essa  resposta  é  o  óbvio  apontado no Anexo I e implica no reconhecimento de que as receitas escrituradas de vendas de  pedra rachão e de aluguéis não constavam da DIPJ.  Em suas razões de recurso, a recorrente afirma que quando da intimação ao  longo  da  fiscalização  alertou  a  autoridade  fiscal  de  que  os  dados  contidos  nos  registros  contáveis  estavam  incorretos  e  não  refletiam  a  realidade  dos  fatos  e  assim  verificou­se  em  relação a essas receitas não declaradas:  Fl. 1190DF CARF MF Processo nº 11516.720524/2012­79  Acórdão n.º 1301­002.197  S1­C3T1  Fl. 1.191          13 a.  do  valor  R$5.241.071,50  de  vendas  de  pedra  rachão,  afirma  que  teria  resultado  de  duplo  lançamento  e  juntou  os  documentos  de  págs.  397/408,  analisados  pelo  fiscal  às  págs.  598/600,  com  a  conclusão  que  o  contribuinte  não  provou  a  alegação;  o  autuante  também relatou a  impossibilidade de  confrontar as  informações da autuada com a  contabilidade  não  elaborada  e  em  atraso,  portanto,  inexistente,  da  compradora;  na  impugnação, o contribuinte não apresentou argumentos adicionais, apenas repetiu os que se  aqui  comenta  de  fato,  as  notas  fiscais  de  06,  08  e  10/2007,  que  relaciona,  confirmam  os  valores  contabilizados  de  vendas  de  pedra  rachão  no  2º,  3º  e  4º  trimestres,  ou  seja,  não  contesta  tais  valores  não  declarados;  apenas  em  relação  ao  1º  trimestre  o  valor  da  receita  teria  sido  de  R$289.521,50  (NF  754783  e  Mapa  de  22/03/2007,  págs.  399/400)  e  não  os  R$2.550.771,50 contabilizados,  isto  é, R$2.261.250,00  (que é o  valor  constante do  contrato,  pág. 398, datado de 05/01/2007, para fornecimento de 132.000m³) teriam sido indevidamente  lançados,  em duplicidade  –  no  entanto,  tal  contrato  não  faz  prova,  dado  que,  assinado  por  pessoas  com parentesco  (pai  e  filho,  respectivamente)  em nome de  empresas  ligadas,  e  não  registrado em cartório, não faz prova contra terceiros, podendo ter sido escrito e assinado em  qualquer momento, nos valores que lhes conviessem; também os mapas (1 da 1ª prest; 2 e 10  da 3ª prest; 6 da 4ª prest) e notas fiscais avulsas não demonstram a totalidade das operações  efetuadas  entre  ambas  empresas  e  mesmo  assim  divergem  do  contrato,  dado  que  o  preço  médio deste resultaria R$2.550.771,50/132.000=R$17,13/m³ e o total fornecido, só nas notas  apresentadas, foi maior:    b.  de R$2.270.227,15  que  seria  na  verdade  pagamento  de  financiamento  e  não receita de aluguel de câmara  fria e  juntou os documentos de págs. 409/421, analisados  pelo fiscal às págs. 600/602, com a conclusão que o contribuinte não provou a alegação; na  impugnação, o contribuinte não apresentou argumentos adicionais, apenas repetiu os que se  aqui  comenta  –  o  extrato  da  conta  Bradesco  agência  2656,  c/c  nº  20001,  não  confirma  a  Escritura Pública de Capital de Giro firmado entre a litigante e a empresa ligada Itazem, pois  não consta crédito de R$13.000.000,00 em 31/01/2007, nem débitos de prestações a partir de  01/09/2007  (constam  crédito  de  “transf  cc  para  cc  PJ”  de  R$269.500,00  em  30/11/2007  e  débito em 03/12/2007 “operação capital de giro” de R$345.600,00); os lançamentos na conta  Razão Itazém, têm histórico de aluguel de câmara fria, assim como, à pág. 602, o Visualizador  de Lançamentos com Contrapartidas das contas 1.02.01.01.01conta do Ativo Itazem Logística  Portuária e 3.01.05.04 – conta de receita Aluguéis Câmara Fria.  Alega  que  a  autoridade  fiscal  deveria  obrigatoriamente  ter  analisado  a  sua  movimentação  financeira,  ressalte­se  aqui,  que  isso  já  havia  sido  feito  em  auto  de  infração  próprio,  sendo  que  o  valor  aqui  autuado  advém  justamente  da  diferença  da  escrituração  contábil  com aquilo que foi declarado em DIPJ. Ou seja,  a  receita presumida decorrente dos  depósitos bancários não escriturados e autuados no outro processo foi de R$3.529.876,87 , pág  781, neste processo, a  receita bruta  totalizou R$6.807.953,71,  justamente a diferença daquilo  que foi escriturado R$10.337.830,58, menos a omissão anterior de R$3.529.876,87.  Fl. 1191DF CARF MF Processo nº 11516.720524/2012­79  Acórdão n.º 1301­002.197  S1­C3T1  Fl. 1.192          14 Em  sede  de  recurso,  a  recorrente  traz  planilhas,  em  que  se  pretendem  demonstrar  os  créditos  bancários  movimentados  em  2007,  perfazendo  o  valor  de  R$38.485.204,26  (planilha  A),  outra  planilha  B,  no  montante  de  R$798.244,40  referentes  à  redução  de  saldo  devedor  e  outra planilha C,  pretendendo demonstrar  também que  daqueles  valores  R$15.748.053,55  referem­se  a  lançamentos  de  resgate  de  aplicações  financeiras.  E  ainda outra planilha D,  no  valor de R$ 4.833.659,19,  que  se  refeririam  a  transferência  entre  contas próprias (mesma titularidade) e ainda, um valor de R$13.000.000,00, o qual se referiria  a um empréstimo obtido junto ao Bradesco.   E diante dessa documentação, pugna pela redução do valor da suposta receita  omitida de R$6.807.953,71 para R$575.370,28.  Importante, neste momento, lembrar a que se refere o montante autuado, qual  seja,  a  divergência  apresentada  entre  a  escrituração  contábil  e  a  DIPJ  apresentada  para  o  período de 2007 do recorrente.  Os  extratos  bancários  e  planilhas  apresentadas  tentam  justificar  valores  relacionados à movimentação bancária, que já foi alvo de fiscalização e outro auto de infração  conforme já mencionado. Dessa forma, a documentação trazida em sede de recurso não servem  para demonstrar a falta de tributação da parte contabilizada.  Ademais,  no  que  tange  ao  contrato  entre  a  recorrente  e  a  empresa  Teporti  Terminal  Portuário  de  Itajaí  S/A,  empresa  com  sócios  quase  que  idênticos  também  recebeu  notificação  da  RFB  para  que  esclarecesse  alguns  pontos,  inclusive  após  a  alegação  de  duplicidade  de  contabilização  na  empresa  recorrente,  conforme  o  TVF  (fls.  582  a  609),  no  entanto, a resposta foi no sentido de que não existiam àquela data os livros contábeis referentes  ao ano­calendário 2007, de forma que não podiam ser apresentados, ademais, consta ainda, que  o escritório de contabilidade não havia sequer organizado a documentação para proceder aos  lançamentos contábeis.  Assim, em que pese a alegação de duplicidade de lançamentos contábeis, tão  somente com a apresentação do contrato, ela não foi suportada com a própria compradora das  pedras  rachão,  empresa  do  mesmo  grupo,  que  da  mesma  forma,  não  possuía,  quando  da  fiscalização,  em  2012,  ou  seja,  mais  de  quatro  anos  após  as  ocorrência  dos  fatos,  a  contabilidade e livros organizados.  Facilmente se verifica, pela análise do Balancete de Verificação apresentado  pelo contribuinte em sede de fiscalização que, a sua receita bruta de vendas e serviços foi de  R$  10.337.830,58,  conforme  recorte  abaixo,  e  o  valor  declarado  em  DIPJ  2008/2007,  fls.  425/435,  foi  de  R$644.070,36,  R$688.259,23,  R$734.431,02  e  R$779.771,32  nos  quatro  trimestres, totalizando o valor oferecido à tributação de R$2.846.531,93.     Fl. 1192DF CARF MF Processo nº 11516.720524/2012­79  Acórdão n.º 1301­002.197  S1­C3T1  Fl. 1.193          15 Ressalte­se, ainda, que a DCTF no respectivo ano foi entregue zerada.  Dessa  forma,  o  contribuinte  em  sede  de  fiscalização  não  logrou  êxito  ao  tentar demonstrar a que se referia tal discrepância conforme já relatado acima.  Os  documentos  apresentados  agora  também,  a  meu  ver,  não  logram  em  demonstrar a divergência apontada pelo auto de infração.  Assim, restou caracterizada a omissão de receitas de prestação de serviços em  geral  e  de  locação  ou  administração  de  bens,  que  embora  devidamente  escrituradas  pela  recorrente não foram devidamente oferecidas à tributação do IRPJ/CSLL/PIS/COFINS.   Ademais, o art. 45 da Lei 8.981/95 determina a manutenção dos competentes  e regulares registros contábeis, mesmo no caso de opção pelo lucro presumido, como é o caso  da recorrente, isso, apesar dela mesma apresentar livros de apuração do LALUR/CS. O que ela  informa em DIPJ e DCTF são totalmente diversos do que escritura contabilmente.  Art.  45.  A  pessoa  jurídica  habilitada  à  opção  pelo  regime  de  tributação com base no lucro presumido deverá manter:  I ­ escrituração contábil nos termos da legislação comercial;  II  ­  Livro  Registro  de  Inventário,  no  qual  deverão  constar  registrados os estoques existentes no término do ano­calendário  abrangido pelo regime de tributação simplificada;  III ­ em boa guarda e ordem, enquanto não decorrido o prazo  decadencial  e  não  prescritas  eventuais  ações  que  lhes  sejam  pertinentes,  todos  os  livros  de  escrituração  obrigatórios  por  legislação fiscal específica, bem como os documentos e demais  papéis  que  serviram  de  base  para  escrituração  comercial  e  fiscal.  Parágrafo  único.  O  disposto  no  inciso  I  deste  artigo  não  se  aplica  à  pessoa  jurídica  que,  no  decorrer  do  ano­calendário,  mantiver  livro Caixa,  no  qual  deverá  estar  escriturado  toda  a  movimentação financeira, inclusive bancária.  Desse modo, deve ser mantida a autuação.     2)  Omissão  parcial  da  autoridade  fiscal  em  relação  à  compensação  de  tributos constituídos  Alega  ainda  o  recorrente  que  o  auditor  fiscal  não  reconheceu  os  tributos  anteriormente pagos ou parcelados.  No  entanto,  conforme  se  verifica  nos  controles  da  RFB,  os  recolhimentos  tempestivos efetuados em 2007 pelo recorrente foram consumidos na compensação dos débitos  tributários resultantes dos autos de infração do processo já mencionado acima e Declarações de  Compensações efetuados, fls. 996/1.047.  Fl. 1193DF CARF MF Processo nº 11516.720524/2012­79  Acórdão n.º 1301­002.197  S1­C3T1  Fl. 1.194          16 A  diferença  apontada  pelo  recorrente  entre  os  montantes  decorre  dos  acréscimo de multa de 75% (com redução em 50%), de tal forma que o não há que se falar em  não compensação dos montantes já recolhidos/compensados.  Ressalte­se,  ainda,  que  do  montante  autuado,  de  IRPJ  e  CSLL  foram  deduzidos os valores recolhidos, e valores compensados em razão do auto de infração anterior,  conforme consta inclusive do próprio auto de infração. Dessa forma, não merece prosperar.  Assim, como em relação aos débitos de PIS/Cofins, que no auto de infração a  base de cálculo não é a  totalidade das  receitas e  sim,  somente a parte da  receita omitida das  prestações de serviço de administração de bens deste auto, daí não merece guarida a alegação  do recorrente de que nada foi utilizado pela fiscalização.    3) Equívoco no enquadramento legal  Alega também, o recorrente que houve erro no enquadramento legal da venda  de pedra de rachão. No seu entendimento, tais receitas de vendas não devem ser consideradas  como  receita  bruta  de  vendas  e  serviços  e  sim  como  receita  de  alienação  de  bens  do  ativo  imobilizado,  e  devendo  ser  considerada  como  ganho  de  capital,  já  que  essas  pedras  são  extraídas de seu imóvel.  Em pese suas alegações, no meu entendimento ele não merece prosperar,  já  que se fosse dessa forma, qual seria o custo de tais pedras? Em seu ativo imobilizado consta  apenas o valor do terreno, ora o terreno não foi alienado, somente as pedras, se assim fossemos  tratar,  o  seu  custo  seria  zero,  devendo­se  adicionar  à  base  de  cálculo  presumida  o  valor  do  ganho em sua totalidade, ou seja em 100% do seu valor, nos termos do art. 225 do RIR:  Art. 225 ­ Os ganhos de capital, demais receitas e os resultados  positivos  decorrentes  de  receitas  não  abrangidas  pelo  artigo  anterior,  serão  acrescidos  à  base  de  cálculo  de  que  trata  esta  Subseção, para efeito de incidência do imposto.  Ademais, conforme documentação colacionada aos autos verifica­se que tais  vendas não foram pontuais ou esporádicas, verifica­se, inclusive com a emissão de notas fiscais  avulsas a cada operação de venda.  Dessa  forma,  de  se manter  a  autuação  dessas  receitas  de  vendas  de  pedras  rachão.   4) Descabimento da multa qualificada de 150%  No  que  tange  à  desqualificação  da  multa  qualificada,  alega  a  recorrente  descuido na sua escrituração contábil, agindo dessa forma com culpa e jamais com o intuito de  dolo ou fraude.  Já a decisão recorrida foi no sentido de que o dolo foi evidente, uma vez que  o  recorrente  deixou  de  declarar  receitas  que  efetivamente  estavam  escrituradas  em  sua  contabilidade. O que consubstancia em evidente sonegação, com a intenção de causar dano à  Fazenda Pública, num propósito deliberado de se subtrair no todo ou em parte uma obrigação  tributária.  Fl. 1194DF CARF MF Processo nº 11516.720524/2012­79  Acórdão n.º 1301­002.197  S1­C3T1  Fl. 1.195          17 Em que pese a existência da Súmula CARF 14: em que a simples apuração de  omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício,  sendo  necessária  a  comprovação  do  evidente  intuito  de  fraude  do  sujeito  passivo.  Pelas  documentações e provas trazidas no presente caso, verifica­se tal intuito de fraudar o erário.  O período fiscalizado é de 2007, o valor declarado em DIPJ é muito abaixo  do  apurado  e  daquele  efetivamente  escriturado  contabilmente  pela  empresa.  A  DCTF  foi  entregue  zerada,  nem  ao  menos  foi  entregue  com  os  valores  recolhidos  pelo  recorrente.  O  início da fiscalização se deu em 2011, ou seja, tempo suficiente para que o recorrente se fosse  efetivamente necessário proceder em correções dos eventuais equívocos que alega.  De se ressaltar, ainda, a proporção das receitas omitidas e não declaradas em  relação à receita total, de:    A  Lei  nº  4.502,  de  30  de  novembro  de  1964,  constante  do  dispositivo  que  qualifica a multa de ofício, na Lei nº 9.430, de 1996, caracterizou:  Art  .  71.  Sonegação é  tôda ação ou omissão dolosa  tendente a  impedir ou retardar,  total ou parcialmente, o conhecimento por  parte da autoridade fazendária:    I  ­  da  ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  tributária  principal, sua natureza ou circunstâncias materiais;    II ­ das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar  a  obrigação  tributária  principal  ou  o  crédito  tributário  correspondente.    Art  .  72.  Fraude  é  tôda  ação  ou  omissão  dolosa  tendente  a  impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato  gerador  da  obrigação  tributária  principal,  ou  a  excluir  ou  modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o  montante  do  impôsto  devido,  ou  a  evitar  ou  diferir  o  seu  pagamento.   Art  . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas  naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos  arts. 71 e 72.    Art . 74. Apurando­se, no mesmo processo, a prática de duas ou  mais infrações pela mesma pessoa natural ou jurídica, aplicam­ se  cumulativamente,  no  grau  correspondente,  as  penas  a  elas  cominadas,  se  as  infrações  não  forem  idênticas  ou  quando  ocorrerem as hipóteses previstas no art. 85 e em seu parágrafo.    § 1º Se idênticas as infrações e sujeitas à pena de multas fixas,  previstas no art.  84,  aplica­se,  no grau correspondente,  a pena  cominada a uma delas, aumentada de 10% (dez por cento) para  cada  repetição  da  falta,  consideradas,  em  conjunto,  as  circunstâncias  qualificativas  e  agravantes,  como  se  de  uma  só  Fl. 1195DF CARF MF Processo nº 11516.720524/2012­79  Acórdão n.º 1301­002.197  S1­C3T1  Fl. 1.196          18 infração se tratasse. (Vide Decreto­Lei nº 34, de 1966) (Grifou­ se.)  Assim,  no meu  entender  cabível  a multa  qualificada  já que  caracterizado  o  dolo, no evidente intuito de sonegação da recorrente.    5)  Decadência  parcial  do  PIS  e  da  COFINS  relativos  à  competência  01/2007 e 02/2007  Em  decorrência  da  aplicação  da  multa  qualificada  e  sua  manutenção,  não  cabe  o  argumento  do  recorrente  de  decadência  parcial  de  PIS  e  de  COFINS  relativos  à  competência 01/2007 e 02/2007.  Caso sejam constatados  a ocorrência de dolo,  fraude ou simulação, o prazo  decadencial desloca­se para a regra determinada no art. 173, I do CTN.  Art.  173.  O  direito  de  a  Fazenda  Pública  constituir  o  crédito  tributário extingue­se após 5 (cinco) anos, contados:  I  ­  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  àquele  em  que  o  lançamento poderia ter sido efetuado;  Assim, também a Súmula CARF nº 72:  Caracterizada  a  ocorrência  de  dolo,  fraude  ou  simulação,  a  contagem  do  prazo  decadencial  rege­se  pelo  art.  173,  inciso  I,  do CTN.  Dessa forma, diante da conduta dolosa do contribuinte, aplicável o art. 173, I  do CTN, e não o previsto no §4º do art. 150 do CTN, não havendo o que falar em decadência  parcial daquelas competências.  Conclusão  Dessa  forma,  voto  no  sentido  de  NEGAR  PROVIMENTO  ao  recurso  voluntário.  Sala de sessões,   (documento assinado digitalmente)  Amélia Wakako Morishita Yamamoto ­ Relatora                              Fl. 1196DF CARF MF

score : 1.0
6647375 #
Numero do processo: 16682.720203/2014-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 09 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Feb 13 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009 OBSERVÂNCIA AO ARTIGO 7º DA IN SRF Nº 213/02. ILEGALIDADE. EXCLUSÃO DE PENALIDADE E JUROS. A observância dos os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo.
Numero da decisão: 1302-001.946
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário, para excluir a penalidade e os juros de mora, nos termos do art. 100, parágrafo único do CTN. Vencidos os Conselheiros Talita Pimenta Félix (Relatora) e Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Ana de Barros Fernandes Wipprich. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente (assinado digitalmente) Talita Pimenta Félix - Relatora (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich - Redatora designada. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Souza Júnior, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Marcelo Calheiros Soriano, Rogério Aparceido Gil, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Talita Pimenta Félix e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: TALITA PIMENTA FELIX

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201608

camara_s : Terceira Câmara

ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009 OBSERVÂNCIA AO ARTIGO 7º DA IN SRF Nº 213/02. ILEGALIDADE. EXCLUSÃO DE PENALIDADE E JUROS. A observância dos os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo.

turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção

dt_publicacao_tdt : Mon Feb 13 00:00:00 UTC 2017

numero_processo_s : 16682.720203/2014-38

anomes_publicacao_s : 201702

conteudo_id_s : 5679048

dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Feb 13 00:00:00 UTC 2017

numero_decisao_s : 1302-001.946

nome_arquivo_s : Decisao_16682720203201438.PDF

ano_publicacao_s : 2017

nome_relator_s : TALITA PIMENTA FELIX

nome_arquivo_pdf_s : 16682720203201438_5679048.pdf

secao_s : Primeira Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário, para excluir a penalidade e os juros de mora, nos termos do art. 100, parágrafo único do CTN. Vencidos os Conselheiros Talita Pimenta Félix (Relatora) e Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Ana de Barros Fernandes Wipprich. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente (assinado digitalmente) Talita Pimenta Félix - Relatora (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich - Redatora designada. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Souza Júnior, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Marcelo Calheiros Soriano, Rogério Aparceido Gil, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Talita Pimenta Félix e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).

dt_sessao_tdt : Tue Aug 09 00:00:00 UTC 2016

id : 6647375

ano_sessao_s : 2016

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:56:03 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713048950384099328

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 20; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1660; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C3T2  Fl. 1.781          1 1.780  S1­C3T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  16682.720203/2014­38  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  1302­001.946  –  3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  09 de agosto de 2016  Matéria  TBU ­ Tributação de Lucros no Exterior  Recorrente  LIGHT SERVIÇOS DE ELETRICIDADE S/A  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2009  OBSERVÂNCIA AO ARTIGO 7º DA IN SRF Nº 213/02. ILEGALIDADE.  EXCLUSÃO DE PENALIDADE E JUROS.  A  observância  dos  os  atos  normativos  expedidos  pelas  autoridades  administrativas  exclui  a  imposição  de  penalidades,  a  cobrança  de  juros  de  mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  maioria  de  votos,  em  DAR  provimento  PARCIAL  ao  recurso  voluntário,  para  excluir  a  penalidade  e  os  juros  de mora,  nos  termos  do  art.  100,  parágrafo  único  do  CTN.  Vencidos  os  Conselheiros  Talita  Pimenta  Félix  (Relatora)  e Marcos  Antonio  Nepomuceno  Feitosa. Designada  para  redigir  o  voto  vencedor  a  Conselheira Ana de Barros Fernandes Wipprich.  (assinado digitalmente)  Luiz Tadeu Matosinho Machado ­ Presidente  (assinado digitalmente)  Talita Pimenta Félix ­ Relatora   (assinado digitalmente)  Ana de Barros Fernandes Wipprich ­ Redatora designada.  Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Souza Júnior,  Marcos  Antônio  Nepomuceno  Feitosa,  Marcelo  Calheiros  Soriano,  Rogério  Aparceido  Gil,     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 02 03 /2 01 4- 38 Fl. 1782DF CARF MF Processo nº 16682.720203/2014­38  Acórdão n.º 1302­001.946  S1­C3T2  Fl. 1.782          2 Ana de Barros Fernandes Wipprich, Talita Pimenta Félix  e Luiz Tadeu Matosinho Machado  (Presidente).  Fl. 1783DF CARF MF Processo nº 16682.720203/2014­38  Acórdão n.º 1302­001.946  S1­C3T2  Fl. 1.783          3 Relatório  O presente processo refere­se à exigência de IRPJ e CSLL, referentes ao ano  calendário de 2009, onde se apontam duas condutas da autuada que ora são questionadas pela  fiscalização, às quais ocasionaram:   i.  ausência de adição dos lucros auferidos no exterior por intermédio de suas  controladas sediadas nas Ilhas Cayman (Lir Energy Limited – LIR, e Light  Overseas Investments Limited – LOI)1, art. 74, parágrafo único da MP n.  2.158­35/01 e;  ii.  glosa  de  despesa  indedutível,  referente  à  multa  objeto  de  reversão  de  provisões em virtude da inclusão de débitos no Parcelamento Especial da  Lei n. 11.941/092;  iii.  aplicação  da multa  de  ofício  e  de  juros  à  taxa  Selic,  inclusive,  sobre  a  penalidade lançada de ofício.    Relata o TVF que:    Da falta de adição de lucros auferidos por empresa controlada no exterior – IRPJ e  CSSL.   Isto porque, durante 2009, a autuada possuía participação societária no exterior de  100% na empresa LIR ENERGY LTD. De acordo com as demonstrações financeiras  da  LIR,  disponibilizadas  pela  Light  em  18/02/2014,  a  LIR  apresentou  um  lucro  líquido de US$ 88.020.850,68, no ano­calendário de 2009, que convertidos à taxa  de câmbio de venda do Banco Central do Brasil do dia de 31/12/2009 (R$ 1,7412),  corresponde a R$ 154.653.472,24.     Intimada  a  informar  se  os  lucros  auferidos  no  exterior  foram  tributados  no  Brasil  na data do balanço em que  foram  apurados,  a autuada  respondeu que  sim. Todavia,  a  fiscalização concluiu que “o contribuinte simplesmente eliminou o resultado negativo do MEP  no LALUR e Livro de Apuração da Base de Cálculo da CSLL, não se deduzindo deste valor  negativo para fins tributários” (e­fl. 1018). Assim, a autuada “acabou por deixar de apurar os  lucros auferidos no exterior que deveriam ter sido tributados no Brasil” (e­fl. 1018). Por fim,  ressaltou que não ocorreram tributos pagos no exterior passíveis de compensações no Brasil.    Da falta de adição de custo/despesa indedutível – IRPJ e CSSL.   É que a autuada teria deduzido algumas multas tributárias impostas à empresa, as  quais não seriam dedutíveis. Argumentou que “as multas lavradas foram punitivas,  e,  portanto,  não  compensatórias,  não existe  previsão  legal  para  que  essas multas  sejam dedutíveis da base de cálculo do  imposto de renda e da base de cálculo da  contribuição social sobre o lucro líquido, como despesa ou custo operacional” (e­fl.  1024).   Deste  modo,  compilou  a  Tabela  7  (e­fl.  1023),  que  resume  os  débitos  deduzidos indevidamente:    Fl. 1784DF CARF MF Processo nº 16682.720203/2014­38  Acórdão n.º 1302­001.946  S1­C3T2  Fl. 1.784          4   A  contribuinte  noticia  a  impetração  do  Mandado  de  Segurança  n°  2003.51.01.005514­8, em que lhe foi concedida a liminar pleiteada, reconhecendo o direito da  autuada a não ser compelida a recolher o IRPJ e a CSLL sobre os lucros acumulados pelas suas  controladas  (LIR  e  LOI),  sediadas  no  exterior,  bem  como  futuros  lucros  a  serem  auferidos,  enquanto não fossem disponibilizados, tendo em vista as ilegalidades e inconstitucionalidades  do art. 74, caput, e parágrafo único, da MP n° 2.158­35/2001. Foi proferida sentença julgando a  improcedência do pedido. Todavia, o recurso de apelação interposto foi recebido em ambos os  efeitos, restaurando a liminar. Ocorre que a autuada requereu renúncia da ação com o fim de  aderir a parcelamento da Lei n. 11.941/09. Destarte, retomou­se a presunção de legitimidade do  ato normativo questionado (art. 7º, §1º da Instrução Normativa SRF n° 213/2002) e da eficácia  do ato legal reputado inconstitucional (art. 74 da Medida Provisória n° 2.15835/2001).  Irresignada,  apresenta  impugnação  ao  lançamento  fiscal  (e­fls.  1057/1095).  Todavia, a DRJ/Ribeirão Preto­SP julgou a improcedência da impugnação e manteve o crédito  tributário. Desta decisão foi dada ciência eletrônica à autuada em 22/10/2014 (e­fl. 1669). Não  obstante, consta dos autos também que foi dada ciência eletrônica a autuada em 05/11/2014 por  decurso de prazo (e­fl. 1670).   Em  19/11/2014,  foi  interposto,  em  meio  digital,  recurso  voluntário  pela  autuada (e­fls. 1672/1711). Neste, a autuada traz alguns esclarecimentos relativos ao Mandado  de Segurança anteriormente citado, e argumenta que:    a)  acerca  do  Método  de  Equivalência  Patrimonial  nos  anos  de  2002  e  posteriores, esclarecendo o procedimento realizado ao longo dos anos, especialmente no ano­ calendário 2009. Aduz que “a LIGHT, após a renúncia total da medida judicial e a formação de  coisa  julgada  contrária  aos  seus  interesses,  efetivamente  tributou  os  resultados  auferidos  no  exterior,  devidamente  reconhecidos  pelo  Método  da  Equivalência  Patrimonial,  nos  exatos  termos previstos na IN 213/02, tendo, para tanto, recomposto todas as bases de cálculo a partir  de 2002. Como dito e será explorado adiante, tal fato impactou significativamente o seu saldo  de prejuízos fiscais acumulados”;   b)  a  dedutibilidade  das  multas  oriundas  das  NFLD's  n°s  35.496.204­3,  35.496.206­0 e 35.496.211­6. Isto porque “as provisões referentes às multas de que ora se trata  foram objeto de reversão quando da inclusão desses débitos em Parcelamento especial”.    Em relação à denominada “Infração 01”,  inicia debatendo o  (i)  conceito de  equivalência patrimonial e, posteriormente, conclui acerca da (ii) inclusão da variação cambial  nos resultados de equivalência patrimonial. Outrossim, argumenta sobre (iii) o dever funcional  das  autoridades  fiscais  de  aplicarem  literalmente  a  IN  213/02.  Lado  outro,  aponta  (iv)  a  incongruência entre as posições da Fazenda Nacional na esfera judicial e da presente autuação,  pois  os  presentes  autos  foram  lavrados  baseando­se  em  argumentação  diversa  daquela  representada pela aplicação literal da IN 213/02. Aduz sobre (v) a impossibilidade de se exigir  comportamento da autuada oposto àquele decidido em decisão judicial transitada em julgado.  Por  outro  prisma,  argumenta  acerca  da  (vi)  inexistência  de  prejuízo  ao  Fisco,  pois  o  procedimento  adotado  pela  autuada  teria  ensejado  aumento  da  arrecadação  da  autuada  e  Fl. 1785DF CARF MF Processo nº 16682.720203/2014­38  Acórdão n.º 1302­001.946  S1­C3T2  Fl. 1.785          5 redução de seu saldo de prejuízos fiscais. Outrossim, discorre sobre o (vii) o crédito relativo ao  ano­calendário de 2008.   Em relação à denominada “Infração 02”, aduz que, ainda que se considere o  Parecer CST no 61/79, no caso específico das reduções do parcelamento instituído pela Lei n.  11.941/09, há norma específica que autoriza o procedimento adotado pela autuada.  Por  fim, discorre  sobre  a multa  e  juros  aplicados,  alegando que  (i)  a multa  aplicada deve ser cancelada; (ii) a impossibilidade de incidência de juros Selic sobre a multa de  ofício. Com base nestes argumentos, apresentou as seguintes conclusões e requereu:    i.  O presente recurso é tempestivo e deve ser conhecido e provido para que  seja cancelado o Auto de Infração;  ii.  a  LIGHT  impetrou  o Mandado  de Segurança  no  2003.51.01.005514­8,  para  que  ­  entre  outras  coisas  ­  não  oferecesse  à  tributação  os  valores  referentes  à  variação  cambial dos lucros auferidos por controladas no exterior;    (iii)  a  LIGHT  tentou  desistir  parcialmente  do  Mandado  de  Segurança  no  2003.51.01.005514­8 para incluir e tributar os lucros auferidos no exterior no  contexto  do  Programa  de  Parcelamento  da  Lei  no  11.941/09,  mantendo  a  discussão  no  tocante  ao  não  oferecimento  do  resultado  de  equivalência  patrimonial ­ que inclui a variação cambial;    (iv)  a  Fazenda  Nacional  discordou  de  tal  posicionamento  exigindo  que  a  LIGHT calculasse e oferecesse a tributação a integralidade dos resultados de  equivalência  patrimonial.  Por  diversas  razões,  é  possível  inferir  que  a  inclusão  da  variação  cambial  na  tributação  da  LIGHT  foi  exigida  pela  Fazenda Nacional e pelo juízo a quo, se não como resultado de equivalência,  como ganho auferido dentro do país;    (v) a decisão judicial do Mandado de Segurança no 2003.51.01.005514­8 que  exigiu  o  cumprimento  do  procedimento  atualmente  adotado  pela LIGHT  já  transitou em julgado, formando coisa julgada material;    (vi) a LIGHT, tomando por base o posicionamento acima, efetuou ajustes nos  prejuízos  fiscais  e  base  de  cálculo  negativa  da  CSL  em  todos  os  períodos,  desde  2002  para  aplicar  o  método  de  equivalência  patrimonial,  conforme  exigido pela referida decisão;    (vii) os resultados de equivalência patrimonial incluem os lucros auferidos no  exterior,  o  patrimônio  líquido  da  sociedade  coligada  ou  controlada  e  a  variação cambial de tais valores;    (viii)  a  tentativa  de  dar  base  legal  à  IN  213/02  pelo  artigo  46  na  MP  no  135/03 assenta de uma vez por todas o entendimento de que os resultados de  equivalência patrimonial incluem a variação cambial do período;    (ix) as D. Autoridades Fiscais tinham o dever funcional e aplicar a IN 213/02  literalmente ­ como foi feito pela LIGHT­ de modo incluir a variação cambial  nos  resultados  de  equivalência  patrimonial,  sob  pena  de  responsabilidade  funcional;    Fl. 1786DF CARF MF Processo nº 16682.720203/2014­38  Acórdão n.º 1302­001.946  S1­C3T2  Fl. 1.786          6 (x)  em  síntese,  as  D.  Autoridades  Fiscais  pretendem  exigir  pelo  Auto  de  Infração  uma  cobrança  que  diz  respeito  à  adoção  de  uma  prática  diametralmente contrária àquela defendida pela Fazenda Nacional nos autos  do Mandado de Segurança no 2003.51.01.005514­8;    (xi) as D. Autoridades Fiscais defendem a aplicação interpretativa e restritiva  da IN 213/02, enquanto a Fazenda Nacional defendia a aplicação literal da IN  213/02 no Mandado de Segurança no 2003.51.01.005514­8;    (xii) embora não concordasse com a aplicação literal da IN 213/02, a LIGHT  assim  o  fez  contrariamente  ao  seu  entendimento,  por  conta  de  decisão  transitada  em  julgado  que  assim  determinou  nos  autos  do  Mandado  de  Segurança no 2003.51.01.005514­8;    (xiii)  a  coisa  julgada  material  judicial  produz  efeitos  fora  do  processo,  de  modo que não cabe à LIGHT, às D. Autoridades Fiscais ou ao órgão julgador  administrativo decidir em sentido oposto;    (xiv) o não cancelamento do Auto de Infração iria de encontro ao já decidido  na esfera judicial, em afronta aos princípios da coisa julgada, da celeridade e  da economia processuais. Além disso, gera enorme insegurança jurídica para  a LIGHT;    (xv) fora isso, destaca a LIGHT que não houve prejuízo aos cofres públicos  pela tributação no Brasil da equivalência patrimonial integral. Ao contrário, a  LIGHT  recolheu  um valor  altamente maior  após  a  aplicação  do método  de  equivalência patrimonial com a inclusão da variação cambial.    (xvi)  além  do mais,  a  decisão  judicial  transitada  em  julgado  nos  autos  do  Mandado  de  Segurança  no  2003.51.01.005514­8  definiu  a  tributação  com  base  na  IN  213/02.  As  D.  Autoridades  Fiscais,  no  entanto,  ao  lavrarem  o  Auto  de  Infração,  apresentaram  posição  divergente  em  relação  ao  mesmo  dispositivo ­ IN 213/02, embora a própria Secretaria da Receita Federal não  tivesse  alterado  seu  entendimento,  em  clara  violência  aos  artigos  3o,  142  e  146 do CTN;    (xvii)  ad  argumentandum,  além  disso,  caso  o  Auto  de  Infração  não  seja  cancelado, a  imposição de multa no presente caso não faz sentido, uma vez  que significaria a penalização da LIGHT por adotar um procedimento com o  qual não concordava, mas que foi exigido pela Fazenda Nacional e  imposto  judicialmente nos autos do Mandado de Segurança no 2003.51.01.005514­8.  Nesse particular, destaca a LIGHT que o tributo em questão estava com sua  exigibilidade suspensa, não podendo ser cobrada multa sobre tais valores;    (xviii) a LIGHT aplicou disposição literal de ato normativo administrativo, de  modo  que  o  artigo  100,  parágrafo  único  do  CTN  impede  a  imposição  de  penalidades no presente caso;    (xix) ainda que, por absurdo não seja acolhido o entendimento da LIGHT, ela  possui direito a um crédito tributário a ser reconhecido para o ano de 2008,  Fl. 1787DF CARF MF Processo nº 16682.720203/2014­38  Acórdão n.º 1302­001.946  S1­C3T2  Fl. 1.787          7 apurado  sobre  uma  base  de  cálculo  de  R$  369.185.591,95,  efetivamente  reconhecido  pelas  DD.  Autoridades  Fiscais,  e  que  deve  efetivamente  ser  atualizado com base nos índices vigentes; e    (xx)  quanto  à  dedutibilidade  das  multas,  requer­se  o  reconhecimento  da  natureza  compensatória  das  multas  impostas  quando  do  lançamento  de  créditos  previdenciários,  tendo  em  vista  a  legislação  específica  e  suas  peculiaridades ou, caso assim não se entenda, que se reconheça a prevalência  das disposições especiais da Lei no 11.941/09, que autoriza o procedimento  adotado  pela  LIGHT  ao  não  estipular  qualquer  restrição  à  previsão  de  seu  artigo 40, parágrafo único;    (xxi)  ainda  que  se  admitisse  a  validade  do  crédito  tributário  principal,  a  exigência  de  juros  pela  Taxa  SELIC  deverá  também  ser  cancelada,  assim  como os juros incidentes sobre a multa de ofício.    Por  tudo,  requereu  o  conhecimento  e  provimento  do  recurso  voluntário,  cancelando­se o auto de infração relacionado e, consequentemente, arquivando­se o Processo  Administrativo.  Posteriormente,  a  Fazenda  Nacional  apresentou  contrarrazões  (e­fls.  1.746/1.774), onde alega que:     a) em relação aos lucros auferidos no exterior (i) inexiste a decisão transitada  em julgado a favor da recorrente; (ii) a não sujeição da variação cambial de investimentos de  pessoa  jurídica  coligada  e  controlada  no  exterior  à  tributação  do  IRPJ  e  da  CSLL,  tendo  concluído que a equivalência patrimonial não leva em conta a inclusão da variação cambial;  b) quanto à indedutibilidade das multas, “tendo em vista que a multa de mora  tratada  no  art.  35  da  Lei  8212/91,  imposta  à  recorrente,  quando  recolhida  em  razão  de  lançamento de oficio ou inscrição em dívida tem natureza punitiva em face do interesse público  de  se  onerar  o  inadimplente  mediante  a  aplicação  de  percentuais  mais  elevados  e,  ainda,  considerando­se  a  ausência de previsão  legal para a dedução  levada  a  efeito pela  recorrente,  correta a glosa de tais valores”;  c)  por  fim,  em  relação  à multa  de  ofício  e  juros  sobre  a multa,  defende  a  incidência de juros de mora sobre a multa de ofício e a utilização da taxa Selic.     Em síntese, é como relato.    Notas:    1 Enquadramento legal: art. 3 da Lei n. 9.249/95; arts. 247, 248 e 249, inciso II, 277  e 278 do RIR/99; arts. 251 e 349 do RIR/99, combinado com o art. 74 da MP n. 2.158­35/01; art. 1, da  Lei n. 9.532/97, com as alterações introduzidas pelo art. 3 da Lei n. 9.959/00 e pelo art. 74 da MP n.  2.158­35/01.  2  Enquadramento  legal:  art.  3  da  Lei  n.  9.249/95  e  arts.  247  e  249,  inciso  I,  do  RIR/99.  Fl. 1788DF CARF MF Processo nº 16682.720203/2014­38  Acórdão n.º 1302­001.946  S1­C3T2  Fl. 1.788          8 Voto Vencido  Conselheira Talita Pimenta Félix    LIGHT SERVIÇOS DE ELETRICIDADADE S/A, empresa que desenvolve  a atividade de distribuição de energia elétrica, recorre do Acórdão n. 14­54.013 proferido pela  15a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto que,  por  unanimidade  de  votos,  julgou  IMPROCEDENTE  a  Impugnação  interposta  contra  lançamento  formalizado  em  03/04/2014,  exigindo  crédito  tributário  no  montante  de  R$  84.200.303,85.    1. PRELIMINARMENTE    Da Tempestividade     Conforme enuncia o art. 33 do Decreto nº 70.235/72, o Recurso Voluntário  formalizado  por  escrito  e  instruído  com  os  documentos  em  que  se  fundamentar,  será  apresentado  no  prazo  de  trinta  dias,  contados  da  data  em  que  for  feita  a  intimação  da  exigência.     Nestes  termos, considerando que a Recorrente  foi  intimada do Acórdão n.  14­54.013 proferido pela 15a Turma da DRJ/RPO, pelo “Termo de Abertura de Documento”,  via  e­CAC,  em  21/10/2014,  o  prazo  final  transcorreu  em  19/11/2014  e,  sendo  o  Recurso  protocolizado em, satisfaz­se o requisito primordial da tempestividade.    2. DO MÉRITO    As  autuações  versam,  essencialmente,  sobre  a  exigência  de  inclusão  da  variação cambial no resultado de equivalência patrimonial, para tributação dos lucros auferidos  pelas controladas diretas da Recorrente, no ano­calendário de 2009.    O  deslinde  desta  controvérsia,  exige,  ainda  que  de  forma  indireta,  o  estabelecimento  e  enfrentamento  das  seguintes  premissas  fático­jurídicas:  primeira,  a  compreensão  dos  fatos  relacionados  ao  e  no  MS  n.  2003.51.01.005514­8;  segunda,  a  delimitação e efeitos da coisa julgada material; após, mais claro torna­se a trilha do voto. O que  faço a seguir.     2.1 Das Notas Fático­Jurídicas Presentes no Mandado de Segurança n.  2003.51.01.005514­8 que Transitou em Julgado    A ação mandamental,  impetrada pela contribuinte, em 20/02/2003, visava o  reconhecimento  do  direito  de  não  ser  obrigada  (i)  a  recolher  lucros  auferidos  por  suas  suas  controladas (Lir Energy Limited – LIR, e Light Overseas Investments Limited – LOI) sediadas  no exterior, na apuração do lucro real da Recorrente, bem como, (ii) de não incluir os valores  relativos  aos  “resultados  positivos  de  equivalência  patrimonial”,  concernentes  a  tais  investimentos (que não se confundem com “lucro”) detido nas suas controladas.     Fl. 1789DF CARF MF Processo nº 16682.720203/2014­38  Acórdão n.º 1302­001.946  S1­C3T2  Fl. 1.789          9 Em sua peça, a Recorrente alega que procedeu de acordo com o prescrito no  art. 248 do RIR/99, ou seja, contabilizou o  investimento mantido nas controladas pelo MEP,  incluindo  as  variações.  E  que,  quanto  ao  critério  temporal,  ainda  que  entenda  ilegal  e  inconstitucional o disposto no parágrafo único, art. 74, da MP 2.1158­35/01, registrou o lucro  no  momento  em  que  apurou  os  balanços  (31/12/2002),  independentemente  de  serem  distribuídos  ou  disponibilizados.  E  afirma  que  tais  lucros  não  foram,  de  nenhuma  forma,  repassados para a sociedade controladora, a ora Recorrente, por tais motivos impetra o MS para  requerer permissão para não tributar os lucros e outros valores gerados no exterior, e ainda não  disponibilizados à controladora brasileira. Quanto ao MS, assim transcorreu, vide:    i.  em  liminar  a  segurança  foi  deferida,  atendendo  a  todos  os  pleitos  da  Impetrante;    ii.  em  sentença,  com  fulcro  na  ADIN  n.  2.588,  estando  os  lucros  das  sociedades  controladas  submetidas  à  sua  disponibilidade  jurídica,  que  ocorre  no  momento  de  sua  apuração  no  balanço  da  controladora,  denega a segurança;    iii.  a contribuinte opõe embargos de declaração para que sejam sanadas as  omissões  relativas  às  considerações  realizadas  sobre  as  inconstitucionalidades  e  ilegalidades do art.  7o,  parágrafo 1o,  da  IN n.  213/02.  Ainda  que  procedentes,  o  dispositivo  foi  completado,  porém,  mantendo se inalterado;     iv.  em apelação,  requereu,  entre outros,  o  restabelecimento dos  efeitos  da  liminar;     v.  em  23/02/2010,  a  contribuinte  requereu  “desistência  parcial  e  a  renúncia  de  parte  das  alegações  de  direito  aduzidas  na  presente  ação  mandamental”.  Tal  pedido  se  sustenta  na  pretensão  em  aderir  ao  Programa de Parcelamento,  incluindo “apenas os valores relativos aos  lucros  auferidos  e  não  disponibilizados  pelas  suas  controladas  no  exterior”;    vi.  a  Fazenda  Nacional  peticiona  alegando  ser  impossível  ocorrer  a  renúncia parcial, por não ser “cabível continuar discutindo a questão do  método de equivalência patrimonial, eis que esse é o meio de que dispõe  o Fisco de apurar o  lucro real das empresas  controladas ou coligadas  brasileiras. A permanecer tal discussão, o Fisco poderá ser impedido de  cobrar créditos os quais a parte está renunciando, eis que a forma pela  qual eles serão calculados está ainda sob pendência judicial”;    vii.  em  contrapartida,  a  contribuinte  apresenta  Parecer  acerca  do MPE  e  suas diferenças em relação à apuração dos lucros auferidos no exterior  através de controladas ou coligadas, com o fim de embasar o pleito de  cisão da lide;    viii.  o  TRF  da  2a  Região,  indeferiu  o  pedido  de  homologação  parcial  da  renúncia;    Fl. 1790DF CARF MF Processo nº 16682.720203/2014­38  Acórdão n.º 1302­001.946  S1­C3T2  Fl. 1.790          10 ix.  a  contribuinte  interpõe  agravo  regimental,  requerendo  a  integral  reforma da decisão;    x.  em  simples  petição,  a  contribuinte  “requer  a  desistência  integral  do  presente processo, bem como a renúncia aos direitos sobre os quais ele  se  funda,  conforme  autoriza  o  artigo  269,  inciso  V,  do  Código  de  Processo Civil”;    xi.  em nova decisão, proferida em 18/06/2010, a Juíza Federal homologou a  desistência da ação, com a renúncia ao direito sobre o qual ele se funda,  para que produza os seus regulares e jurídicos efeitos, julgando extinto o  processo, com julgamento do mérito, nos termos do artigo 269, inciso V,  do Código de Processo Civil”, motivo pelo qual julgou “prejudicados os  recursos de apelação e agravo interno”.     Resumidamente,  esses  são  os  fatos  necessários  à  compreensão  da  ação  mandamental.    2.2.  Delimitação  da  Coisa  Julgada  Material,  e  os  Efeitos  da  Ação  Mandamental Sobre as Infrações ora Debatidas    Após  breve  exposição  dos  fatos  relatados  no  mandado  de  segurança,  imprescindível proceder­se a uma análise da formação da coisa julgada material e seus efeitos.  Eis que a grande divergência, entre Fisco e contribuinte, reside em saber quais efeitos o trânsito  em julgado do mandamus produziu para as partes litigantes.    2.2.1 Da coisa julgada: regime jurídico e seus efeitos    Nas  palavras  de  Eurico Marcos  Diniz  de  Santi  e  Paulo  Cesar  Conrado1,  a  coisa julgada é um:    (...)  conceito  criado  e  delineado  pelo  direito  que  funciona  como  termo  final  do  processo  de  positivação,  encerrando  o  percurso  narrativo  do  direito:  limite  ao  conhecimento de  fatos do mundo externo  (questões de  fato) e  limite à enunciação  das  possibilidades  interpretativas  que  toda  lei  enseja  (questões  de  direito).  Nada  mais  natural,  o  direito  é  artificial:  inicia  seu  processo  de  positivação  por  intervenção  formal  das  partes,  conforme  previsão  da  lei  (lançamento,  petição  inicial  etc.),  e  termina  quando  a  lei  definir,  no  caso  do  processo  judicial,  com a  coisa julgada.     Quanto  ao  posicionamento  da  Suprema  Corte  Brasileira,  me  valho  de  pesquisa  realizada por Gustavo Sampaio Valverde2, em sua obra Coisa Julgada em Matéria  Tributária,  que  ao  analisar  o  posicionamento  desta  Corte,  informa  que  no  julgamento do RE 146.331/SP, sob relatoria do Min. Marco Aurélio Mello, afirmou­ se  ser “induvidoso que o  instituto da coisa  julgada, agasalhado  sistematicamente  pelas  Cartas  brasileiras,  revela­se  possuidor  de  contornos  inerentes  a  cláusulas  pétreas,  cujo  afastamento  do  cenário  jurídico  pressupõe  sentença  proferida  em  ação  rescisória”3.  Bem  como,  que  no  RE  47.695/MG,  ressaltou  que  “a  coisa  julgada proclamada, tem a seu prol, garantia constitucional inequívoca e é dentro  desse princípio que o art. 287 diz que a sentença tem força de lei entre as partes”.  Conclui afirmando que “diante dessas premissas, o STF considera a coisa julgada  Fl. 1791DF CARF MF Processo nº 16682.720203/2014­38  Acórdão n.º 1302­001.946  S1­C3T2  Fl. 1.791          11 como  matéria  de  ordem  pública,  de  modo  que  até  ‘ex  ofício’  ela  pode  ser  reconhecida (RE 64.041­MG)”.     Distinguindo coisa julgada formal e coisa julgada material, o jurista4 assim  se posiciona:    A coisa julgada formal tem por objeto o procedimento de produção da decisão, vale  dizer, ela torna imutável o deslinde de uma relação jurídica processual específica.  Assim,  a  decisão  torna­se  imutável  no  processo  em  que  foi  produzida,  gerando  efeitos  adjetivos  dentro  do  procedimento.  (...)  A  coisa  julgada  formal  é  a  força  máxima da preclusão,  tendo  lugar quando as partes  já não podem mais discursar  naquele  sistema  comunicativo  constituído  pelo  processo  individualmente  considerado.  (...)  Por  outro  lado,  a  coisa  julgada  material  constitui  um  reforço  à  coisa  julgada  formal,  pois  se  refere  à  imutabilidade  dos  efeitos  –  declaratórios,  constitutivos,  condenatórios,  mandamentais,  executivos  –  da  decisão,  no  âmbito  da  relação  de  direito  material  externa  ao  processo  singularmente  considerado.  Nesse  caso,  a  decisão  é  denominada  definitiva.  Ela  tem  lugar  naquelas  relações  em  que  as  condições  da  ação  e  os  pressupostos  processuais  permitiram  a  tematização  do  conflito e a sua superação por meio de uma decisão de mérito (art. 269, do CPC).  Dela decorre que a relação jurídica substantiva não poderá ser rediscutida nem no  processo  findo  nem  em  qualquer  outro,  concomitante  ou  futuro,  seja  qual  for  o  órgão judiciário competente.     Por  limites objetivos e subjetivos da coisa julgada,  tem­se que os primeiros  se  prestam  a  estabelecer  os  parâmetros  do  que,  dentre  as  questões  decididas  pela  sentença,  quais, exatamente, estarão albergadas pela coisa julgada. Em relação aos limites subjetivos, o  foco  encontra­se  no  universo  de  pessoas  que  será  atingido  por  tal  decisão. Ou  seja,  o  limite  subjetivo  volta  suas  atenções  para  as  pessoas  que  estarão  submetidas  à  imutabilidade  da  decisão, e o limite objetivo às questões meritórias5.    Os  limites  objetivos  trazem  como  instrumental  hábil  à  sua  verificação  a  individualização da lide em partes, causa de pedir e pedido. Todos necessários à configuração  da coisa julgada (RE 97.825/PR). Nesta tônica, a aferição das partes dispensa menção, por sua  clareza na identificação. No que pertine, à causa de pedir, este “constitui aquela comunicação  endereçada ao juiz pelas partes, no sentido de fundamentar a procedência do seu pedido. (...) A  pretensão à produção dessa comunicação normativa representa exatamente o pedido formulado  na  ação”.  Por  fim,  tem­se  que  “o  pedido  e  a  causa  de  pedir  constantes  da  petição  inicial  e  reportados  na  fundamentação  da  sentença  integram  a  coisa  julgada,  na  medida  em  que  delimitam o conteúdo e a extensão do mandamento prescritivo constante da parte dispositiva  do decisium”6.    Feitos  tais  apontamentos,  passo  aos  esclarecimentos  das  premissas  e  conclusões  defendidas  pela  contribuinte  e  pela  Fazenda  Nacional,  sob  a  perspectiva  desta  conselheira. Segue.    2.2.2  Dos  Efeitos  da  Coisa  Julgada  Material  na  Ação  Mandamental:  Para Fins de Apreciação Destas Autuações     Fl. 1792DF CARF MF Processo nº 16682.720203/2014­38  Acórdão n.º 1302­001.946  S1­C3T2  Fl. 1.792          12 Com o  trânsito  em  julgado do MS,  a Recorrente  entendeu estar obrigada  a  oferecer  os  lucros  e a  variação  cambial,  apurados  por  suas  controladas  sediadas  no  exterior,  através  do  MEP,  à  tributação  no  Brasil.  Procedendo  deste  modo,  apurou  prejuízo  nas  controladas no montante de R$ 257.211.458,35 milhões de reais, os quais foram adicionados à  apuração do lucro real, relativo ao ano­calendário de 2009.     Pois bem, tem­se que a Recorrente impetra MS requerendo sua não sujeição  ao comando prescrito no art. 74, parágrafo único da MP n. 2.158­35/01, e, após uma demanda  que tramitou, aproximadamente, por 07 (sete) anos, desiste e renuncia ao direito de seguir com  a  discussão  judicial.  Uma  vez  que,  para  se  adequar  às  regras  impostas  pelo  programa  de  parcelamento, instituído pela Lei n. 11.941/09, foi obrigada a tal ato, caso contrário, a RFB não  aceitaria sua inclusão.    Importante  registar que, a Recorrente,  inicialmente, desejou  realizar a cisão  parcial  da  lide,  para  incluir  os  lucros  auferidos  pelas  coligadas  no  exterior no  parcelamento,  porém,  seguindo  na  lide  quanto  à  inclusão  da  variação  cambial.  Encontrou  oposição  da  Fazenda Nacional, no que toca à divisão dos pedidos da medida judicial.    Neste aspecto, o TRF da 2a Região, ainda que concordando com o fato de que  poderia  ter  havido  renúncia  parcial,  porém,  ao  final,  manifestando­se  de  forma  contrária  à  contribuinte, decide que:    Em  que  pese  a  relevância  das  alegações  formuladas  pela  impetrante,  que  traçou  de  maneira  inquestionável  a  distinção  e  o  exato  alcance  dos  pedidos  cumulados,  rebatendo de maneira competente os argumentos da ilustre representante da Fazenda Nacional,  entendo que o pedido não merece ser acolhido da forma pretendida.    Com efeito, diversamente do  alegado pela União Federal, o oferecimento à  tributação dos lucros auferidos, distribuídos ou não, por empresas coligadas ou controladas, no  exterior,  não  se  confunde  com  o  resultado  positivo  obtido  na  atualização  periódica  do  valor  contábil  dos  investimentos  realizados  nessas  empresas  mediante  utilização  do  critério  da  equivalência patrimonial.    Contudo, vale lembrar que o Código Tributário Nacional estabelece, em seu  artigo 44, que a base de cálculo do Imposto Sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza é  o montante real, presumido ou arbitrado, da renda ou dos proventos tributáveis, ou, em outras  palavras, será o lucro real, presumido ou arbitrado.    Ainda, argumenta que por entender que “os pedidos influenciam na base de  cálculo  do mesmo  período  de  apuração  de  ambos  os  tributos,  não  vejo  como  possa  haver  a  separação  pretendida  dentro  do  mesmo  período  base”.  Por  fim,  a  contribuinte  renuncia  totalmente ao direito em que se funda a ação.    Após  esse  delineamento,  faço  as  seguintes  indagações:  essa  ação  mandamental, que foi extinta com resolução de mérito, produz algum comando que vincule as  partes? Se sim, qual? Caso a resposta seja negativa, significaria que ambas estariam habilitadas  a,  novamente,  provocar  o  Poder  Judiciário,  rediscutindo  a  matéria?  Não  sendo  isso,  qual  mensagem deve ser compreendida?    Fl. 1793DF CARF MF Processo nº 16682.720203/2014­38  Acórdão n.º 1302­001.946  S1­C3T2  Fl. 1.793          13 Primeira  pergunta:  a  extinção  do MS,  com  resolução  de  mérito,  produz  comando jurídico, vinculando as partes? Se sim, qual?    Partindo­se da premissa que a renúncia ao direito de ação (nos termos do art.  269, inciso V, do CPC), faz coisa julgada material entre as partes, compreendo que a nenhuma  das duas mais caberia reabrir tal discussão. Deste modo, a norma que se constrói desta decisão  revela  em  seu  antecedente  que,  ao  renunciar  ao  direito  em  que  se  funda  a  ação,  como  consequência, a contribuinte se  tornará obrigada a  incluir a variação cambial do resultado de  equivalência patrimonial. Ou seja, estará proibida de não o fazê­lo.    A Recorrente, por compreender não caber a si, nem às D. Autoridades Fiscais  ou ao órgão julgador administrativo decidir em sentido aposto ao proferido no MS, cumpre o  disposto  na  norma  estabelecida  com  o  trânsito  em  julgado  do  MS,  e  passa  a  reconhecer  a  variação cambial em sua  tributação. Ocorre que, no período destes autos,  respectiva inclusão  gerou prejuízo à Recorrente, o que provocou redução de sua base tributável, montante que foi  desconsiderado e autuado, pela fiscalização. Situação que agora discutimos.     O fato­jurídico em discussão também foi objeto de manifestação pela 1a TO  da 4a Câmara, em 05/04/2016, Acórdão n. 1401­001.579, referente ao ano­calendário de 2005,  bem como, pela 1a TO da 1a Câmara, em 12/09/2013, Acórdão n. 1101­000.944, relativo aos  anos­calendários  de  2006  a  2008.  Em  ambos,  por maioria  de  votos,  foi  provido  o  pleito  da  Recorrente. E, em uma análise um pouco mais detida, nota­se que as premissas eleitas para o  desenho da argumentação jurídica, seja para prover, ou não o recurso, foi a mesma, conforme  se expõe a seguir.    Em voto  vencido,  proferido  no PAT que  tributou  o  ano­calendário  2005,  a  Conselheira Edeli Pereira Bessa, defende que:    Tem  razão,  portanto,  a  Fazenda  Nacional  quando  afirma  que  o  efeito  da  imutabilidade do manto da coisa  julgada que acoberta a decisão de renúncia ao  direito  que  se  funda  ação  é  tão  somente  no  sentido  de  não mais  ser  possível  a  reclamação  judicial  do direito  subjetivo que  se  renunciou, não  tendo o efeito de  formar qualquer  juízo de valor acerca do direito subjetivo que se  renunciou. Os  fatos  questionados  pela  autora  em  suas  petições  e  recursos,  os  argumentos  das  decisões judiciais proferidas antes da renúncia, e as razões de defesa apresentadas  pela Fazenda Nacional e pela autoridade impetrada, não se convertem em verdade  imutável  em razão da  sentença de mérito que homologa a  renúncia da autora em  discuti­los judicialmente.  (...)  Vê­se, daí, que diversamente do afirmado pela recorrente, a autoridade impetrada  reconheceu  que  a  tributação  do  resultado  da  equivalência  patrimonial  visava  alcançar o lucro das  investidas no exterior, o qual não poderia  ser excluído para  apuração do  lucro real  sob aquela  classificação. Ainda,  ressaltou o entendimento  da  Receita  Federal  de  que  a  variação  cambial  de  investimento  no  exterior  não  integraria  o  resultado  da  equivalência  patrimonial,  e  teria  tratamento  tributário  próprio. Não disse, em momento algum, que a variação cambial integraria a base  tributável do IRPJ e da CSLL por compor o resultado da equivalência patrimonial  tratado no art. 7o da Instrução Normativa SRF n. 213/2002.    Nesta  mesma  tônica,  o  Conselheiro  Ricardo  Marozzi  Gregório,  no  outro  PAT, argumenta que:    Fl. 1794DF CARF MF Processo nº 16682.720203/2014­38  Acórdão n.º 1302­001.946  S1­C3T2  Fl. 1.794          14 (...)  com  a  renúncia,  a  recorrente  não  pode  mais  discutir  a  legalidade  do  procedimento contido na IN/SRF n. 213/2002. Entretanto, isso não quer dizer que o  procedimento fosse legal e, muito menos, que o mérito da decisão proferida tenha  alcançado essa questão. O efeito da coisa julgada é meramente o de impedir nova  discussão  sobre  a matéria.  Não  se  enunciou  uma  norma  individual  e  concreta,  para a empresa, no sentido de ela seguir os ditames daquela IN/SRF. Nem mesmo,  de  ela  obedecer  ao  artigo  74  da MP n.  2.158­35/01. Permaneceram  erga  omnes.  Futuros  pronunciamentos  judiciais  e  administrativos  acerca  dessas  normas  se  aplicam, normalmente, à recorrente.    Em  direcionamento  posto,  redator  do  voto  vencedor,  o  Conselheiro  Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, expõe e compreende, de forma muito simples e clara,  que:  Quando  o  autor  renuncia  ao  direito  em  que  se  funda  uma  ação  a  outra  parte  guerreava  posição  oposta,  significa  que  o  réu  ganhou a  ação. É  equivalente ao  juiz  rejeitar  o  pedido  do  autor.  A  sentença  judicial  de mérito  faz  coisa  julgada  material.   (...)  fixou­se  o  poder  de  o Fisco  exigir  a  tributação  nos  termos  da  sua  Instrução  Normativa  IN  213/02  (reconhecimento  da  variação  cambial)  e  o  dever  de  o  particular  apurar  a  obrigação  tributária  nos  termos  da  mesma  normativa.  É  evidente  que  isso  não  significa  que  o  Fisco  possui  a  faculdade  para  alterar  seu  entendimento  para  o  caso  concreto  ao  seu  talante;  até  porque  a  atividade  de  lançamento  é  vinculada,  vinculação  esta  adstrita  na  presente  hipótese  à  norma  fixada pela decisão judicial.  Uma  vez  que  o  sujeito  passivo  apurou  o  valor  devido  conforme  o  art.  7o  da  IN  213/02, o qual havia fixado como direito a ser aplicado para as partes por meio de  sentença  de  mérito  transitada  em  julgado,  não  há  como  a  autoridade  fiscal  se  insurgir sob o pretexto de considerar equivocada a regulação promovida pelo ato  normativo.    No Acórdão  n.  1101­000.944,  de  relatoria  do Conselheiro Benedicto Celso  Benício Júnior, também, em voto vencedor, e nos moldes do relato acima, assim se manifestou:    Na  medida  em  que  foi  clara  a  causa  de  pedir  da  impetrante,  ora  Recorrente,  quanto  à  necessidade  também  de  exclusão  da  variação  cambial  da  apuração  do  IRPJ/CSLL  como  componente  do  resultado  de  equivalência  patrimonial  de  investimento no exterior,  sua negativa de  forma definitiva pelo Poder Judiciário,  ainda  que  de  forma  singela,  simplória  e  até  de  certa  forma  atécnica,  revela  a  criação pela decisão prolatada de norma individual e concreta entre a impetrante  a e Receita Federal do Brasil, no sentido de que o art. 7º, §1º, da IN SRF nº 213/02  além de  legal e constitucional, albergaria  todo e qualquer elemento pertinente ao  registro contábil de equity estrangeiro, inclusive da referida variação monetária de  moeda estrangeira atrelada ao investimento efetuado.    Com  base  neste  entendimento,  assiste  razão  a  Recorrente  em  ter  computado  à  apuração do lucro real e à base de cálculo da CSLL relativas ao ano­calendário de  2005  a  variação  cambial  do  investimento  detido  em  suas  controlada  no  exterior,  sob pena de descumprimento de decisão judicial transitada em julgado.  (...)  É ululante, ao meu sentir, o acerto da Recorrente em manter nas bases de cálculo  do IRPJ e da CSLL a variação cambial decorrente de investimento de controladas  no exterior, seja por conta do resultado final do mandado de segurança perpetrado,  seja,  por  sua  anuência  e  conivência,  por  conservadorismo,  ao  entendimento  Fl. 1795DF CARF MF Processo nº 16682.720203/2014­38  Acórdão n.º 1302­001.946  S1­C3T2  Fl. 1.795          15 correntemente  aplicado  pelas  autoridades  fiscais  nas  diversas  fiscalizações  e  lançamentos oriundos deste assunto.  (...)  Neste  liame,  vejo­me  no  dever  de  não  punir  o  contribuinte  que  tenha  agido  em  conformidade com entendimento reiteradamente aplicado pelas autoridades fiscais,  sendo  que  o  fato  de  o  mesmo  pouco  a  pouco  estar  sendo  defenestrado  pela  jurisprudência, não afeta a possibilidade de exigência na ótica do Fisco.  (...)  Diante de tal lacuna, não vejo como apenar a Recorrente pela lisura adotada em  suas apurações.    A citação acima faz­se necessária para que se possa, com respaldo, esclarecer  as premissas adotadas nas duas linhas de raciocínio. Pois bem, tem­se que os votos vencidos,  contrários ao pretendido pela Recorrente,  fundam­se no raciocínio  jurídico de que  (i) a coisa  julgada atua no sentido de “não mais ser possível a reclamação judicial do direito subjetivo que  se  renunciou”, ou seja,  impede “nova discussão sobre a matéria”, bem como,  (ii) de que não  tem o  efeito de  formar qualquer  juízo de valor acerca do direito  subjetivo que  se  renunciou,  noutro giro, que “não se enunciou uma norma individual e concreta, para a empresa, no sentido  de ela seguir os ditames daquela IN/SRF”.    Em  contrapartida,  os  votos  vencidos,  fundamentaram  sua  argumentação  no  sentido  de  que  a  (i)  renúncia  ao  direito  em  que  se  funda  a  ação,  por  parte  da  autora,  (ii)  significa que a ré ganhou a disputa, sendo o mesmo que o juiz rejeitar o pedido daquela.     Deste modo,  nota­se  que  para  os  primeiros  (votos  vencidos),  não  houve  a  constituição de uma norma individual e concreta, vinculando Fisco e contribuinte, nos limites  da  ação  proposta,  uma  vez  que  entendem  não  ter  sido  formado  qualquer  juízo  de  valor,  ou  mesmo, ante a “ausência” da prescrição desta regra pelo Poder Judiciário; já, para os segundos  (votos vencedores), ocorre exatamente o contrário.    Segunda  pergunta:  Caso  a  resposta  seja  negativa,  significaria  dizer  que  ambas  estariam  habilitadas  a,  novamente,  provocar  o  Poder  Judiciário,  rediscutindo  a  matéria?     Seguindo  a  linha  de  raciocínio,  acima  desenhada,  vale  a  abordagem  desta  pergunta.  Assim,  aos  que  entendem  que  a  extinção  da  ação,  com  resolução  de  mérito,  não  constitui  um  comando  que  determine  como  devem  se  comportar  as  partes,  o  que  poderia  representar o trânsito em julgado, como poderia ser observado?     Conforme diretriz estabelecida nos votos vencidos, não haveria um comando  determinado às partes, com a formação da coisa julgada, uma vez que não houve formação de  juízo de valor, ou seja, enunciação de norma individual e concreta. Pois bem, partindo­se desde  dado,  se  às  partes  não  caberia  mais  discutir  tal  direito,  se  a  contribuinte  renunciou  ao  seu  direito, o que isso representa, pragmaticamente? Ou entende­se que a contribuinte (a) deveria  incluir a variação cambial na apuração do tributo, ou, (ii) não.     Assim, lembrando que o pleito da contribuinte na ação mandamental foi pela  exclusão da variação  cambial,  a qual  foi  renunciada,  o  correto  seria  ela proceder de modo  a  exclui­lo, mesmo tendo desistido de brigar por esse direito? Ou, conforme se verifica no MS, a  própria Fazenda Nacional insistiu na renuncia da contribuinte ao direito.    Fl. 1796DF CARF MF Processo nº 16682.720203/2014­38  Acórdão n.º 1302­001.946  S1­C3T2  Fl. 1.796          16 Tal  pensamento  levaria  a  afronta  direta,  tanto  ao  instituto  jurídico  da  renúncia,  quanto  da  coisa  julgada.  À  contribuinte  não  poderia  ser  exigido  comportamento  diverso da qual teve.    Estabelecido  o  posicionamento  de  que  o  trânsito  em  julgado  da  ação  mandamental fez coisa julgada material, cuja norma individual e concreta atua como regra que  cria  uma  ineficácia  técnica,  nestes  autos,  em  sentido  favorável  à  contribuinte,  impedindo  as  partes de retomar a discussão travada na ação mandamental, julgo PROCEDENTE o Recurso  Voluntário, em todos os seus termos.    É como voto.    Talita Pimenta Félix ­ Relatora    Notas:  1 Gustavo Sampaio Valverde, fls. 132.  2 Fls. 129/130.  3 Ressalvada a  relatividade da definitividade prospectiva no  sentido de  direito  superveniente  que ilida a coisa julgada, independente de rescisória.  4 Fls. 133/134.  5 Fls. 135.  6 Fls. 137.  Fl. 1797DF CARF MF Processo nº 16682.720203/2014­38  Acórdão n.º 1302­001.946  S1­C3T2  Fl. 1.797          17 Voto Vencedor  Conselheira Ana de Barros Fernandes Wipprich, Redatora Designada  Em  que  pese  as  bem  colocadas  considerações  expostas  pela  Conselheira  Relatora nos presentes autos, divirjo, data vênia, da conclusão esposada.  Em primeira tônica, comungo da tese desenvolvida pelos Conselheiros cujos  votos  foram  vencidos  nos  Acórdãos  nºs  1101­000.944  e  1401­001.579,  a  respeito  da  coisa  julgada operada em razão da renúncia ao direito da ação proposta ora em questão. A renúncia  àquela ação anteriormente intentada, buscando uma tutela jurisdicional, implica exatamente em  não mais  ser  do  interesse  da  parte  que  propôs  a  ação,  a  tutela  jurisdicional  que  havia  sido  requerida. A parte abre mão de obter um pronunciamento jurisdicional a respeito da matéria em  si, renunciando à decisão que definiria, no caso em concreto, a declaração de ser titular de um  direito  ou  não,  de  estar  com  a  razão  ou  não  naquela  questão  que  buscou  uma  definição  no  âmbito judicial. A anuência da Fazenda Nacional é apenas para salvaguardar eventual interesse  do Estado que possa ter sido prejudicado com a propositura da ação e o cancelamento desta vir  a  concretizar  este  prejuízo.  Mas,  daí  para  se  entender  que  o  mérito  da  causa  em  si  restou  definido  judicialmente  e  que  a  desistência  equivale  a  uma  sentença  de  conhecimento  sobre  determinado assunto, não há como se estender os efeitos da coisa julgada a este ponto.  Partindo, pois, da premissa  totalmente avessa ao esposado pela Conselheira  Relatora,  entendendo  que  não  houve  decisão  de  mérito  da  causa,  capaz  de  constranger  à  contribuinte  a  computar  na  apuração  do  lucro  real  e  base  de  cálculo  da CSLL  as  variações  cambiais  dos  investimentos  detidos  em  suas  controladas  no  exterior,  outros  pontos  há  que  serem considerados no deslinde deste litígio.  Primeiramente,  e mais  importante,  ao meu ver,  é  o  fato  que  as  orientações  contidas na Instrução Normativa SRF nº 213/02, em seu controvertido artigo 7º, comportava o  entendimento  que  a  variação  cambial  deveria  ser  computada  em  seus  efeitos;  há  inúmeros  julgados administrativos que demonstram esta proposição.   De igual forma, o teor da decisão judicial a que se vinculava a recorrente deu,  de fato, alguma margem para que a contribuinte tenha agido da forma que agiu, tratando­se de  assunto  polêmico  os  efeitos  da  coisa  julgada  nas  situações  desta natureza  (renúncia  à  ação),  embora  tenha­se,  nestes  autos,  chegado  à  conclusão  de  que não  se  estendeu  até  o mérito  da  questão proposta.  Por este motivo, há que se reconhecer, sim, consoante voto vencido expôs, a  boa­fé da contribuinte. Mas, apesar de  ter agido uniformemente para os  anos­calendários em  questão,  não  se  importando  com o  resultado  apurado,  se  em prol  seu  ou  do  fisco,  por outro  lado,  não  se  pode  com  este  reconhecimento  ignorar,  por  tratar­se  de  questão  de  direito  já  pacificada  na  jurisprudência,  que  no  ano  atuado  houve  a  falta  de  recolhimento  dos  tributos  (IRPJ  e  CSLL)  devidos.  A  autuação  pautou­se  pela  norma  tributária  vigente  e  lavrou  as  exigências fiscais observando o dever de ofício inerente à atividade do lançamento tributário,  em estrita observância ao princípio da legalidade.  Fl. 1798DF CARF MF Processo nº 16682.720203/2014­38  Acórdão n.º 1302­001.946  S1­C3T2  Fl. 1.798          18 Os Autos de Infração objetos do presente processo não podem ser declarados  insubsistentes.  Os  tributos  no  ano­calendário  em  questão  são  devidos.  Se  a  contribuinte  em  vários  anos  recolheu  a  mais  do  que  o  devido,  por  ter  se  valido  de  critério  indevido,  não  justificaria, na análise do direito, deixar­se como está.   E  nem  se  argumente  que  compete  à  fiscalização  ao  se  deparar  com  vários  anos­calendários compensar os resultados destes entre si, por absoluta  falta de previsão  legal  neste procedimento. Muito menos promover a repetição do indébito tributário, cujo direito é de  natureza potestativa dos contribuintes. Assim compete exclusivamente à recorrente exercer os  meios  cabíveis  para  a  repetição  de  indébitos  provocados  pelo  entendimento  equivocado  dos  efeitos da sentença judicial quanto ao mérito da questão proposta em juízo.  Para concluir, tem­se de um lado a boa fé e o erro plausível da recorrente; por  outro lado a licitude e legitimidade das autuações impostas. Para sobrepesar ambos os lados, e  me  valendo  da  questão  discutida  em  outros  julgados  já  mencionados,  reproduzo  os  fundamentos  do  Conselheiro  Ricardo  Marozzi  Gregorio  no  acórdão  nº  1401­001.579,  que  adoto na íntegra:  "[...]  Nada obstante, a tributação do resultado positivo da equivalência patrimonial  com base nas regras contidas na IN/SRF nº 213/02, de fato, extrapola a previsão lega l contida  no  artigo  25  da  Lei  nº  9.249/95.  Isso  porque  a  redação  deste  último dispositivo somente permite que a tributação em bases universais alcance o lu cro da empresa residente num valor equiparado ao lucro apurado pela controlada no  exterior.   E é importante que isso fique bem claro.   A  lei  brasileira  tributa  uma  renda  ficta  da  própria  empresa  brasileira  (residente). Em outras  palavras,  ela  olha  para  a  empresa  brasileira  e,  sopesando o  fato  de  que  ela  possui  participação  societária  (é  controladora,  de  acordo  com  a  constitucionalidade  declarada  pelo  STF  na  ADI  nº  2.588)  em  uma  empresa  que  apurou lucro no exterior, assume que há disponibilidade de renda e determina que se  tribute como lucro da empresa brasileira um determinado valor estimado com base  no lucro apurado pela empresa do exterior.   A adequação dessa determinação ao conceito constitucional de  renda é uma  decisão que deve ser levada a efeito por quem tem competência para isso, no caso o  STF (que aliás  já  se  manifestou  na  ADI  nº  2.588),  à  luz  dos  princípios  constitucionais  envolvidos (igualdade,  capacidade  contributiva,  praticabilidade,  etc.). Nem se pode estranhar que seja assim, afinal, em várias situações a legislação  do  imposto  de  renda  tributa  algo  que  não  é necessariamente  renda.  Basta  ver  as  margens predeterminadas do controle dos preços de transferência. Aliás, as próprias  adições e exclusões ao lucro líquido, que o legislador arbitrariamente elege para se  chegar ao lucro real, não deixam de ser uma prova de que o lucro real é muito mais  uma ficção do que uma renda ideal. A bem da verdade, nem mesmo o lucro líquido  contábil  pode  se  enquadrar  exatamente  no  conceito  financeiro  de  renda  (modelo  SHS  –Schanz/Haig/Simons)  da  teoria  do  acréscimo  patrimonial  que  inspirou  os  elaboradores  do  CTN  na  positivação  do  seu  artigo  43.  Nada  obstante,  não  há  permissão  legal  para  que  a  tributação  do  lucro  da empresa  residente  ultrapasse a medida prevista  na lei,  qual  seja,  o  valor equivalente ao lucro apurado pela controlada no exterior.   Fl. 1799DF CARF MF Processo nº 16682.720203/2014­38  Acórdão n.º 1302­001.946  S1­C3T2  Fl. 1.799          19 [...]  Segundo  esse  método,  que  é  aplicável  aos  investimentos  relevantes  em  sociedades controladas e coligadas, o acréscimo patrimonial está sujeito à tributação  na  sociedade  investida  na  medida  em  que  é  contabilizado.  O  registro  desse  acréscimo é concomitantemente refletido no investimento da sociedade investidora,  porém, em atendimento a uma medida de política fiscal consoante com a técnica de  integração para alívio da bitributação econômica,  o  legislador deixa de  tributar  tal  acréscimo até mesmo quando ocorre a realização do investimento.  Daí,  então,  a  ilegalidade  do  artigo  7º  da  Instrução Normativa,  na  parte  que  extrapola  a  permissão  legal  para  a  tributação  de  um  valor  equivalente  ao  lucro  apurado pela controlada no exterior, quando determina que os valores  relativos ao  resultado positivo da equivalência patrimonial devem ser considerados para fins de  determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL.   Esse  é, inclusive,  o  entendimento já manifestado  pelo  STJ,  em  05/04/2011, no julgado do REsp nº 1.211.882­RJ. Confira­se:   PROCESSUAL  CIVIL.  PRAZO.  CONTAGEM.  CIÊNCIA  DA  DECISÃO  MEDIANTE CARGA DOS AUTOS.  OBSERVÂNCIA DO ART.  184  E  §§, DO  CPC. TRIBUTÁRIO.  IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA JURÍDICA  ­  IRPJ E  CONTRIBUIÇÃO SOCIAL  SOBRE O LUCRO LÍQUIDO  ­ CSLL. EMPRESAS  CONTROLADAS E COLIGADAS SITUADAS NO EXTERIOR. TRIBUTAÇÃO  DO  RESULTADO  POSITIVO  DA  EQUIVALÊNCIA  PATRIMONIAL.  IMPOSSIBILIDADE  NAQUILO QUE  EXCEDE  A  PROPORÇÃO A QUE  FAZ  JUS A  EMPRESA  INVESTIDORA NO  LUCRO AUFERIDO  PELA  EMPRESA  INVESTIDA. ILEGALIDADE DO ART. 7º, §1º, DA IN/SRF N. 213/2002. (...)   [...]  Portanto, não restam dúvidas de que os valores tributáveis são aqueles obtidos  segundo os estritos limites contidos na lei ao invés daqueles que se obteve seguindo  a orientação da Instrução Normativa. A própria recorrente não contesta isso.   Destarte,  a  discussão  se  resume  a  aferir  se  a  recorrente  agiu  dentro  da  literalidade do ato normativo reputado como ilegal. Isso porque o § único do artigo  100  do  CTN  exclui  a  imposição  de  penalidades  e  a  cobrança  de  juros  de  mora  quando são observadas as chamadas normas complementares de lei, dentre as quais,  as instruções normativas se incluem na categoria dos atos administrativos expedidos  por autoridades administrativas. Veja­se:  Art.  100.  São  normas  complementares  das  leis,  dos  tratados  e das convenções internacionais e dos decretos:   I  ­  os  atos  normativos  expedidos  pelas  autoridades administrativas;   (...)   Parágrafo  único.  A  observância  das  normas  referidas  neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de ju ros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálcu lo do tributo.   Fl. 1800DF CARF MF Processo nº 16682.720203/2014­38  Acórdão n.º 1302­001.946  S1­C3T2  Fl. 1.800          20 Pois bem. Diante de todo o contexto narrado, verifico que a recorrente, apesar  de  ter  se  beneficiado  em  alguns  dos  períodos  considerados,  agiu  dentro  da  literalidade da Instrução Normativa.   Concluindo,  voto  no  sentido  de  manter  as  autuações  em  lide,  no  que  concerne aos valores principais dos  tributos,  exonerando,  todavia,  a exigência da penalidade,  multa aplicada de ofício, e dos juros de mora, por força das disposições inseridas no parágrafo  único do artigo 100 do Código Tributário Nacional (CTN).   (assinado digitalmente)  Ana de Barros Fernandes Wipprich                     Fl. 1801DF CARF MF

score : 1.0
6665943 #
Numero do processo: 10480.917366/2011-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Mar 06 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3401-001.099
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201701

camara_s : Quarta Câmara

turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção

dt_publicacao_tdt : Mon Mar 06 00:00:00 UTC 2017

numero_processo_s : 10480.917366/2011-89

anomes_publicacao_s : 201703

conteudo_id_s : 5688981

dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Mar 06 00:00:00 UTC 2017

numero_decisao_s : 3401-001.099

nome_arquivo_s : Decisao_10480917366201189.PDF

ano_publicacao_s : 2017

nome_relator_s : ROBSON JOSE BAYERL

nome_arquivo_pdf_s : 10480917366201189_5688981.pdf

secao_s : Terceira Seção De Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.

dt_sessao_tdt : Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017

id : 6665943

ano_sessao_s : 2017

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:56:44 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713048950390390784

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1706; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C4T1  Fl. 2          1  1  S3­C4T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10480.917366/2011­89  Recurso nº            Voluntário  Resolução nº  3401­001.099  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária  Data  25 de janeiro de 2017  Assunto  PIS E COFINS. COMPENSAÇÃO. ALARGAMENTO.  Recorrente  RODOBENS CAMINHÕES PERNAMBUCO LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Resolvem  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  converter  o  julgamento em diligência.  (assinado digitalmente)  Robson José Bayerl ­ Presidente e Relator  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  Conselheiros  Robson  José  Bayerl,  Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique  Lemos,  Fenelon  Moscoso  de  Almeida,  Rodolfo  Tsuboi  e  Leonardo  Ogassawara  de  Araújo  Branco.  Relatório  Trata  o  presente  processo  administrativo  de  PER  que  pretende  obter  reconhecimento de direito creditório das contribuições por suposto pagamento a maior.  O  sistema  informatizado  da Receita  Federal  emitiu  o Despacho Decisório  em  processamento automatizado  indeferindo o pedido, afirmando que o valor do DARF de onde  viria  o  crédito  já  estava  totalmente  comprometido  em  quitação  de  débito  constante  de  declaração prestada pelo contribuinte ao Fisco.  A contribuinte manifestou inconformidade, explicando que:  1.  A  autoridade  de  administração  e  a  autoridade  fiscal  não  tomaram  conhecimento  das  razões  da  contribuinte  para  seu  direito,  nem  se  aprofundaram  em  sua  análise,  nem  buscaram  investigar  os  fatos;  a  contribuinte  não  foi  intimada  a  explicar  os  fundamento  do  seu  pedido  antes do despacho decisório;     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 80 .9 17 36 6/ 20 11 -8 9 Fl. 194DF CARF MF Processo nº 10480.917366/2011­89  Resolução nº  3401­001.099  S3­C4T1  Fl. 3          2  2.  seu  direito  repousa  no  fato  de  que  ela  indevidamente  tinha  incluído  na  base  de  cálculo  do  tributo  receitas  (tais  como  receitas  financeiras,  e  outras), face a declaração de inconstitucionalidade pelo STF para o § 1º  do artigo 3º da Lei 9.718/1998; pois a base de tributação deve se cingir às  receitas  de  faturamento  pela  venda  de  mercadorias  e  da  prestação  de  serviços.  3.  Pede  a  reunião  dos  vários  processos  administrativos  que  tratam  da  mesma matéria/tributo, mudando  apenas  os  períodos  de  apuração,  para  serem julgados na mesma ocasião.  Os  Julgadores  de  1º  piso  não  acolheram  o  pedido  de  reunião  dos  vários  processos. Eles também consideraram improcedente o recurso da contribuinte, entendendo pela  insuficiência de provas pelo alegado. Seria da contribuinte o ônus de provar o direito objeto do  seu  pedido,  no  momento  da  interposição  da  Manifestação  de  Inconformidade,  sob  pena  de  preclusão, ressalvadas as exceções legalmente previstas, nos termos do art. 16, caput, III e §4°,  do Decreto 70.235/72, conforme consta do voto da decisão recorrida.  Concluíram, os Julgadores a quo, pelo não reconhecimento do direito creditório,  nos termos do Acórdão 11­041.787.   Inconformada, a contribuinte ingressou com recurso voluntário por meio do qual  repisou  as  alegações  apresentadas  na  manifestação  de  inconformidade,  e  acrescentou  as  seguintes:  ●  não é verdade que houve insuficiência de provas, pois apresentou planilha,  balancete e livro obrigatório da contabilidade da contribuinte;  ●  a  autoridade  fiscal  não  questionou  a  efetividade  dos  pagamentos  em  discussão;  ●  não  pode  prevalecer  o  entendimento  ­  esposados  pelos  julgadores  de  1º  piso  ­  de  que  houve  preclusão  para  a  juntada  de  provas;  isso  fere  o  disposto na letra "c" do § 4º do artigo 16 do Decreto n. 70.235, de 1972  (apresentar provas que se destine a contrapor fatos e razões posteriormente  trazidas aos autos). Cita doutrina, acórdãos e jurisprudências;  ●  a falta de retificação da DCTF não deve servir de justificativa para não se  analisar e se deferir o direito da contribuinte;  ●  Não procede o entendimento dos Julgadores a quo de que a declaração de  inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei n. 9.718/1998 proferida pelo  STF não seja de observação obrigatória no processo administrativo fiscal;  ●  a  Verdade  Material  deve  prevalecer,  e  a  autoridade  deve  realizar  um  exame completo dos fatos.  É o relatório    Fl. 195DF CARF MF Processo nº 10480.917366/2011­89  Resolução nº  3401­001.099  S3­C4T1  Fl. 4          3  Voto  Conselheiro Robson José Bayerl, Relator  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de  junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido na Resolução 3401­000.984,  de  25  de  janeiro  de  2017,  proferida  no  julgamento  do  processo  10480.900040/2012­01,  paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.  Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  o  entendimento que prevaleceu naquela Resolução (3401­000.984):  "Tempestivo  o  Recurso  e  atendidos  os  demais  requisitos  de  admissibilidade.  Temos diante de nós mais um caso de despacho decisório processado  automaticamente,  sem  que  haja  qualquer  intervenção  humana  para  rever o seu teor e a eventual existência de razões para questionar sua  conclusão.  É freqüente, nessas situações, que a contribuinte somente compreenda  totalmente  a  situação  quando  recebe  a  decisão  da  Delegacia  da  Receita  Federal  de  Julgamento  mantendo  o  indeferimento  eletrônico  inicial, geralmente por falta de provas ou de contra argumentações por  parte da contribuinte. Nessa toada, há os que se escudam no instituto  da  preclusão  probatória  para  justificar  a  impossibilidade  de  reverter  as negativas até então impostas à contribuinte.  Coerente  com  minhas  propostas  de  votação  anteriores  em  situações  semelhantes,  baseado  no  argumento  de  que  o  princípio  da  verdade  material deve prevalecer, relativizando as formalidades e os institutos  preclusivos e assemelhados, e no argumento de que não é do interesse  público maior praticar a injustiça fiscal ­ qual seja, a manutenção no  Tesouro  do  pagamento  indevido  ­  ,  é  que  proponho  que  se  tome  providências  para  garantir  substantivamente  o  contraditório  (e  não  apenas  formalmente)  e  para  se  verificar  a  verdade  do  alegado  pelas  partes.  As  teses  que  esposo  divergem  das  postas  no  acórdão  de  1º  piso:  (a)  para uma visão absoluta do ônus probatório e do instituto da preclusão  probatória, argumento em favor de que prevaleça a Verdade Material,  e  que  os  julgadores  do  processo  administrativo  possam  agir  e  determinar  providências  nessa  direção,  aliás  como  expus  em  outros  votos quando fiz alusão aos modelos trazidos pelo novo CPC; (b) que a  negativa  em pedidos de  restituição e/ou  compensações motivada pela  inexistência  de  créditos  líquidos  e  certos  passe  a  considerar  que  a  liquidez  e  certeza  possam  ser  demonstradas  ao  longo  do  processo  administrativo,  não  se  limitando  ao  que  o  instruiu  antes  de  sua  chegada à instância de julgamento.  Ressalto que a contribuinte, segundo que foi relatado, em sua primeira  contestação havia juntado balancetes e planilhas, o que poderia ser no  mínimo considerado princípio de prova.  Fl. 196DF CARF MF Processo nº 10480.917366/2011­89  Resolução nº  3401­001.099  S3­C4T1  Fl. 5          4  Por  isso,  tendo em vista que a administração  tributária de  jurisdição  não apreciou as razões do suposto direito creditório, proponho a este  Colegiado  a  conversão  do  julgamento  em  diligência  para  que  a  unidade  de  jurisdição  local  analise  e  informe  a  respeito  do  alegado  pela  contribuinte,  e  também  a  respeito  da  existência  de  retificação  realizada  ou  tentada  pela  contribuinte  com  relação  ao  (débitos  e  créditos) discutido neste processo administrativo.  Que se dê ciência à contribuinte desta decisão e também do relatório  conclusivo e da informação fiscal resultantes da diligência, e prazo de  30 dias para ela se manifestar em cada uma dessas intimações."  Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática  prevista  nos  §§  1º  e  2º  do  art.  47  do  RICARF,  converto  o  julgamento  deste  processo em diligência para que a unidade de jurisdição local analise e informe a respeito do  alegado pela contribuinte, e também a respeito da existência de retificação realizada ou tentada  pela contribuinte com relação ao (débitos e créditos) discutido neste processo administrativo.   (assinado digitalmente)  Robson José Bayerl      Fl. 197DF CARF MF

score : 1.0
6735002 #
Numero do processo: 10768.005719/2001-16
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Apr 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/06/1994 a 31/12/1995 PIS . DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE N°08 Consoante entendimento pacificado do e. Supremo Tribunal Federal expresso na Súmula Vinculante n° 08: "São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5° do Decreto-Lei n° 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei n' 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". NORMAS REGIMENTAIS. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO CONTEÚDO DE DECISÃO PROFERIDA PELO STJ. NO RITO DO ART. 543-C DO CPC.
Numero da decisão: 9303-004.725
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento com retorno dos autos à turma a quo para análise do mérito. Votaram pelas conclusões as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: DEMES BRITO

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201703

camara_s : 3ª SEÇÃO

ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/06/1994 a 31/12/1995 PIS . DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE N°08 Consoante entendimento pacificado do e. Supremo Tribunal Federal expresso na Súmula Vinculante n° 08: "São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5° do Decreto-Lei n° 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei n' 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". NORMAS REGIMENTAIS. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO CONTEÚDO DE DECISÃO PROFERIDA PELO STJ. NO RITO DO ART. 543-C DO CPC.

turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS

dt_publicacao_tdt : Fri Apr 28 00:00:00 UTC 2017

numero_processo_s : 10768.005719/2001-16

anomes_publicacao_s : 201704

conteudo_id_s : 5715022

dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Apr 28 00:00:00 UTC 2017

numero_decisao_s : 9303-004.725

nome_arquivo_s : Decisao_10768005719200116.PDF

ano_publicacao_s : 2017

nome_relator_s : DEMES BRITO

nome_arquivo_pdf_s : 10768005719200116_5715022.pdf

secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento com retorno dos autos à turma a quo para análise do mérito. Votaram pelas conclusões as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello.

dt_sessao_tdt : Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2017

id : 6735002

ano_sessao_s : 2017

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:58:50 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713048950397730816

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1763; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRF­T3  Fl. 351          1 350  CSRF­T3  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS    Processo nº  10768.005719/2001­16  Recurso nº               Especial do Procurador  Acórdão nº  9303­004.725  –  3ª Turma   Sessão de  22 de março de 2017  Matéria  AUTO DE INFRAÇÃO ­ PIS   Recorrente  FAZENDA NACIONAL   Interessado  BANCO EQUITY DE INVESTIMENTO S/A    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Período de apuração: 01/06/1994 a 31/12/1995  PIS . DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE N°08  Consoante entendimento pacificado do e. Supremo Tribunal Federal expresso  na  Súmula  Vinculante  n°  08:  "São  inconstitucionais  o  parágrafo  único  do  artigo  5°  do  Decreto­Lei  n°  1.569/1977  e  os  artigos  45  e  46  da  Lei  n'  8.212/1991,  que  tratam  de  prescrição  e  decadência  de  crédito  tributário".  NORMAS  REGIMENTAIS.  OBRIGATORIEDADE  DE  REPRODUÇÃO  DO CONTEÚDO DE DECISÃO PROFERIDA PELO STJ. NO RITO DO  ART. 543­C DO CPC.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer  do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar­lhe provimento com retorno dos  autos à turma a quo para análise do mérito. Votaram pelas conclusões as conselheiras Tatiana  Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello  (assinado digitalmente)  Rodrigo da Costa Pôssas ­ Presidente em Exercício   (assinado digitalmente)  Demes Brito ­ Relator  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Rodrigo  da  Costa  Pôssas,  Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal,  Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini  Cecconello.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 00 57 19 /2 00 1- 16 Fl. 351DF CARF MF Processo nº 10768.005719/2001­16  Acórdão n.º 9303­004.725  CSRF­T3  Fl. 352          2   Relatório  Trata­se  de  Recurso  Especial  de  divergência  interposto  pela  Fazenda  Nacional com fundamento no art. 56, II, do Regimento Interno do Conselho de Contribuintes e  no  art.  7°,  II,  e  15  do  Regimento  Interno  da  Câmara  Superior  de  Recursos  Fiscais,  ambos  aprovados pela Portaria n° 147, publicada no DOU de 28/06/2007, contra ao acórdão nº 204­ 02.701, proferido pela 3º Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, que decidiu em dar  provimento  ao  Recurso  Voluntário,  anulando  o  auto  de  infração  em  decorrência  do  reconhecimento de oficio da decadência do direito de constituir o crédito  tributário  referente  aos fatos geradores lançados.  Transcrevo, inicialmente, excerto do relatório da decisão de primeiro grau:  Trata­se de auto de infração lavrado contra a Recorrente em que se cobram  valores  de  PIS  que  tem  como  base  de  cálculo  receitas  de  intermediação  financeira,  que  seriam  receitas  tributáveis por  tal  contribuição. Os  valores  cobrados referem­se aos meses de junho de 1994 a dezembro de 1995.    A Recorrente  foi  intimada do auto de  infração  em 29 de maio de 2001  (fl.  69).  Apresentou  impugnação  em  que  afirma  que  o  lançamento  é  indevido  porque a exclusão dos valores da base de calculo estão previstos em decisão  judicial que lhe beneficiou.  O Acórdão restou assim ementado:  PIS. RECONHECIMENTO DA DECADÊNCIA DE OFÍCIO.   A  decadência  pode  ser  reconhecida  de  oficio,  por  ser  matéria  de  ordem  pública. Para a contribuição ao PIS, aplica­se o prazo decadencial previsto  no art. 150, §4° do CTN, que é de cinco anos contados do fato gerador até a  intimação do contribuinte do lançamento de oficio.  Recurso provido.  Não  conformada  com  tal  decisão,  a  Fazenda  Nacional  interpõe  o  presente  Recurso, sustentando que:   "com  base  no  art.  56,  II,  do  Regimento  Interno  dos  Conselhos  de  Contribuintes  e  70,  II,  e  15  do Regimento  Interno  da Câmara  Superior  de  Recursos  Fiscais,  ambos  aprovados  pela  Portaria  MF  n°  147/2007,  publicada  em  28/06/2006,  requer  a  Unido  (Fazenda  Nacional)  seja  dado  provimento  ao  presente  recurso  para  reconhecer  a  ofensa  ao  art.  49  do  Regimento  Interno  do  Conselho  de  Contribuintes,  bem  assim  ao  art.  45,  inciso  I,  da  Lei  n°  8.212/1991,  reformando­se  o  acórdão  recorrido  para  afastar a decadência declarada".  Para comprovar o dissenso jurisprudencial, foi apontado, como paradigma o  Acórdão  n.  203­  11.553,  09/11/2006,  referente  ao  Processo  n.  18471.000474/2005­93,  cuja  Fl. 352DF CARF MF Processo nº 10768.005719/2001­16  Acórdão n.º 9303­004.725  CSRF­T3  Fl. 353          3 recorrente foi "RED TAB COMÉRCIO LTDA, da Terceira Câmara do Segundo Conselho de  Contribuintes, cuja ementa, na parte que aqui interessa, segue transcrita:  PIS. RECONHECIMENTO DA DECADÊNCIA DE OFÍCIO.  A  decadência  pode  ser  reconhecida  de  oficio,  por  ser matéria  de  ordem  pública.  Para  a  contribuição ao PIS, aplica­se o prazo decadencial previsto no art. 150, §4°  do CTN, que é de cinco anos contados do  fato gerador até a  intimação do  contribuinte do lançamento de oficio.  "(..)PIS/Pasep. DECADÊNCIA. 0 direito de a Fazenda Pública constituir o  crédito tributário do Pis/Pasep decai em dez anos, contados do primeiro dia  do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído,  consoante o art. 45 da Lei n°8.212/91.(..)".  O  recurso  teve  seguimento  nos  termos  do  Despacho  de  Admissibilidade,  fls.268/.  Devidamente  cientificada,  a  Contribuinte  apresentou  contrarrazões.  fls.273/283,  pugna  pelo  improvimento  do  recurso,  requerendo  que  seja  mantido  o  acórdão  recorrido.  É o relatório.   Voto             Conselheiro Demes Brito ­ Relator   O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos  demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dele tomo conhecimento e passo a decidir.  Compulsando os autos, verifico que a Autoridade Lançadora lavrou auto de  infração  em  que  se  cobram  valores  de  PIS  que  tem  como  base  de  cálculo  receitas  de  intermediação  financeira,  que  seriam  receitas  tributáveis  por  tal  contribuição.  Os  valores  cobrados  referem­se  aos  meses  de  junho  de  1994  a  dezembro  de  1995.  A  Contribuinte  foi  intimada do auto de infração em 29 de maio de 2001 (fl. 69).   Por outro lado, 3º Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes decidiu em  dar  provimento  ao  Recurso  Voluntário,  declarando  de  oficio  a  decadência  dos  tributos  cobrados, por ser matéria de ordem pública.   Com  efeito,  a  questão  do  prazo  para  a  Fazenda  Nacional  lançar  as  contribuições sociais foi objeto de intermináveis discussões e acirrados debates no CARF, ora  prevalecendo a posição contrária da Fazenda Nacional ora a dos contribuintes, dependendo da  composição das Turmas de Julgamento.  Contudo,  houve  posicionamentos  no  sentido  de  que  a  referida  contribuição  estava sujeita ao prazo decadencial estabelecido no art. 45 da Lei nº 8.212/1991. Todavia, em  virtude  da  Súmula  Vinculante  nº  08  do  STF,  e  da  jurisprudência  de  todas  as  Turmas  da  Câmara  Superior  de  Recursos  Fiscais,  passou  a  ser  adotado  o  prazo  limite  de  cinco  anos  estabelecido no Código Tributário Nacional ­CTN.   Fl. 353DF CARF MF Processo nº 10768.005719/2001­16  Acórdão n.º 9303­004.725  CSRF­T3  Fl. 354          4 Portanto, afasto a incidência do art. 45 da Lei 8.212/1991, e passo a decidir o  termo inicial dos 5 anos previstos no Código Tributário Nacional, se da data de ocorrência do  fato gerador ou se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia  haver sido efetuado.  Destarte,  com  a  alteração  regimental,  que  acrescentou  o  art.  62­A  ao  Regimento  Interno do CARF,  as decisões do Superior Tribunal de  Justiça,  em  sede  recursos  repetitivos devem ser observados no Julgamento deste Tribunal Administrativo.  Neste passo,  é  justamente a hipótese dos  autos,  em que o STJ,  em sede  de  recurso repetitivo versando sobre matéria idêntica à do recurso ora sob exame, decidiu que, nos  tributos cujo lançamento é por homologação, o prazo para constituição do crédito tributário é  de  5  anos,  contados  a  partir  da  ocorrência  do  fato  gerador,  quando  houver  antecipação  de  pagamento, e do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia ter  sido  efetuado,  no  caso  de  ausência  de  antecipação  de  pagamento,  ou  na  ocorrência de  dolo,  fraude ou simulação.  Para  reforçar  aplicação  do  art.  173,  inciso  I,  do CTN,  no  caso  em  espécie,  colaciono o paradigma julgado por esta turma, na sessão de 10 de dezembro de 2015, o qual,  versa  sobre  o  prazo  decadencial  para  Fazenda  Nacional  constituir  o  crédito  pertinente  a  contribuição:   ASSUNTO:  NORMAS  GERAIS  DE  DIREITO  TRIBUTÁRIO  Período  de  apuração:  01/01/1998  a  28/02/1998  Decadência para constituir crédito tributário.  As  decisões  do  Superior  Tribunal  de  Justiça,  em  sede  recursos  repetitivos,  por  força  do  art.  62A  do  Regimento  Interno  do  CARF,  devem  ser  observadas  no  Julgamento  deste Tribunal Administrativo.  O prazo decadencial para a Fazenda Nacional constituir o  crédito  pertinente  à  contribuição  para  o  programa  de  integração  social PIS  é de 05 anos,  contados do primeiro  dia  do  exercício  seguinte  àquele  em  que  o  lançamento  já  poderia haver sido efetuado, na ausência de antecipação de  pagamento ou quando houver dolo fraude ou simulação. A  declaração  do  tributo,  para  efeitos  legais,  não  equivale  a  pagamento.(Processo nº 16327.002657/200310).  Recurso Especial do Procurador Provido  Além disso,  não  consta  nos  autos  antecipação  de  pagamento,  portanto,  aplica­se a regra prevista no inciso I do art. 173 do CTN.   No que  tange, o prazo decadencial  para  lançamento dos  créditos  tributários  nos  casos  de  tributos  cujo  lançamento  é  por  homologação,  como  é  o  caso  do  PIS,  é  de  se  destacar que o Egrégio Superior Tribunal de Justiça (STJ)  já se posicionou na sistemática do  artigo 543­C do Código de Processo Civil, ou seja, através da análise dos chamados “recursos  repetitivos”. O precedente proferido tem a seguinte ementa:  Fl. 354DF CARF MF Processo nº 10768.005719/2001­16  Acórdão n.º 9303­004.725  CSRF­T3  Fl. 355          5 PROCESSUAL  CIVIL.  RECURSO  ESPECIAL  REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543­C, DO  CPC.  TRIBUTÁRIO.  TRIBUTO  SUJEITO  A  LANÇAMENTO  POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.  INEXISTÊNCIA  DE  PAGAMENTO  ANTECIPADO.  DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O  CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I,  DO  CTN.  APLICAÇÃO  CUMULATIVA  DOS  PRAZOS  PREVISTOS  NOS  ARTIGOS  150,  §  4º,  e  173,  do  CTN.  IMPOSSIBILIDADE.  1. O  prazo  decadencial  qüinqüenal  para  o  Fisco  constituir  o  crédito  tributário  (lançamento  de  ofício)  conta­se  do  primeiro  dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia  ter  sido  efetuado,  nos  casos  em  que  a  lei  não  prevê  o  pagamento  antecipado  da  exação  ou  quando,  a  despeito  da  previsão  legal,  o  mesmo  incorre,  sem  a  constatação  de  dolo,  fraude  ou  simulação  do  contribuinte,  inexistindo  declaração  prévia  do  débito  (Precedentes  da  Primeira  Seção:  REsp  766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ  25.02.2008;  AgRg  nos  EREsp  216.758/SP,  Rel.  Ministro  Teori  Albino  Zavascki,  julgado  em  22.03.2006,  DJ  10.04.2006;  e  EREsp  276.142/SP,  Rel.  Ministro  Luiz  Fux,  julgado  em  13.12.2004, DJ 28.02.2005).  2.  É  que  a  decadência  ou  caducidade,  no  âmbito  do  Direito  Tributário,  importa  no  perecimento  do  direito  potestativo  de  o  Fisco  constituir  o  crédito  tributário  pelo  lançamento,  e,  consoante  doutrina  abalizada,  encontra­se  regulada  por  cinco  regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra  da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos  ao  lançamento  de  ofício,  ou  nos  casos  dos  tributos  sujeitos  ao  lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o  pagamento  antecipado  (Eurico  Marcos  Diniz  de  Santi,  "Decadência  e  Prescrição  no  Direito  Tributário",  3ª  ed.,  Max  Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210).  3.  O  dies  a  quo  do  prazo  qüinqüenal  da  aludida  regra  decadencial  rege­se  pelo  disposto  no  artigo  173,  I,  do  CTN,  sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em  que  o  lançamento  poderia  ter  sido  efetuado"  corresponde,  iniludivelmente,  ao  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  à  ocorrência  do  fato  imponível,  ainda  que  se  trate  de  tributos  sujeitos  a  lançamento  por  homologação,  revelando­se  inadmissível  a  aplicação  cumulativa/concorrente  dos  prazos  previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante  a  configuração  de  desarrazoado  prazo  decadencial  decenal  (Alberto  Xavier,  "Do  Lançamento  no  Direito  Tributário  Brasileiro",  3ª  ed.,  Ed.  Forense,  Rio  de  Janeiro,  2005,  págs.  91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed.,  Ed.  Saraiva,  2004,  págs.  396/400;  e  Eurico  Marcos  Diniz  de  Santi,  "Decadência  e Prescrição  no Direito Tributário",  3ª  ed.,  Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199).  Fl. 355DF CARF MF Processo nº 10768.005719/2001­16  Acórdão n.º 9303­004.725  CSRF­T3  Fl. 356          6 5.  In casu, consoante assente na origem: (i) cuida­se de tributo  sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege  de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não  restou  adimplida  pelo  contribuinte,  no  que  concerne  aos  fatos  imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro  de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos  deu­se em 26.03.2001.  6.  Destarte,  revelam­se  caducos  os  créditos  tributários  executados,  tendo  em  vista  o  decurso  do  prazo  decadencial  qüinqüenal  para  que  o  Fisco  efetuasse  o  lançamento  de  ofício  substitutivo.  7.  Recurso  especial  desprovido.  Acórdão  submetido  ao  regime  do artigo 543­C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.  (REsp 973733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO,  julgado  em  12/08/2009,  DJe  18/09/2009)  (grifos  e  destaques  nossos)  Com isso, restou consolidado no âmbito do Egrégio STJ o entendimento de  que, nos  casos de  tributos  cujo  lançamento  é por homologação e não havendo pagamento,  o  termo inicial do prazo decadencial é o previsto no inciso I do artigo 173 do CTN, e não no § 4º  do artigo 150 do mesmo Código.  Verifica­se,  assim,  que  a  referida  decisão  do  Egrégio  Superior  Tribunal  de  Justiça  deve  ser  reproduzida  pelos  conselheiros  no  julgamento  dos  recursos  no  âmbito  do  CARF.   Pelo  exposto,  voto  pelo provimento  do Recurso  da Fazenda Nacional,  com  retorno dos autos à turma a quo para análise do mérito.   (assinado digitalmente)  Demes Brito   É como penso é como voto.                                  Fl. 356DF CARF MF

score : 1.0
6723237 #
Numero do processo: 10830.912278/2012-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Apr 20 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3402-000.947
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara /2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201703

camara_s : Quarta Câmara

turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção

dt_publicacao_tdt : Thu Apr 20 00:00:00 UTC 2017

numero_processo_s : 10830.912278/2012-54

anomes_publicacao_s : 201704

conteudo_id_s : 5713181

dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Apr 20 00:00:00 UTC 2017

numero_decisao_s : 3402-000.947

nome_arquivo_s : Decisao_10830912278201254.PDF

ano_publicacao_s : 2017

nome_relator_s : ANTONIO CARLOS ATULIM

nome_arquivo_pdf_s : 10830912278201254_5713181.pdf

secao_s : Terceira Seção De Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : ACORDAM os membros da 4ª Câmara /2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.

dt_sessao_tdt : Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017

id : 6723237

ano_sessao_s : 2017

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:58:38 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713048950406119424

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1918; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C4T2  Fl. 2          1  1  S3­C4T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10830.912278/2012­54  Recurso nº            Voluntário  Resolução nº  3402­000.947  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária  Data  28 de março de 2017  Assunto  IMUNIDADE. ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL.  Recorrente  CASA DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE DE VALINHOS ­ GRUPO  GENTE NOVO RUMO  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ACORDAM os membros da 4ª Câmara /2ª Turma Ordinária da Terceira Seção  de  Julgamento,  por  unanimidade  de  votos,  em  converter  o  julgamento  em  diligência,  nos  termos do voto do Relator.  (Assinado com certificado digital)  Antonio Carlos Atulim ­ Presidente e Relator.  Participaram da sessão de  julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim,  Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz,  Maria Aparecida Martins  de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne  e Carlos Augusto Daniel  Neto.  Relatório  Trata­se  de  manifestação  de  inconformidade  contra  Despacho  Decisório  eletrônico que indeferiu o Pedido de Restituição Eletrônico ­ PER, referente a alegado crédito  de pagamento indevido ou a maior efetuado por meio do DARF.   Segundo o Despacho Decisório, o DARF informado no PER foi  integralmente  utilizado na quitação do respectivo débito, não restando crédito disponível para restituição.  Em sua manifestação de inconformidade a interessada argumentou, em resumo,  que  o  pagamento  indevido  decorre  de  sua  condição  de  imune  às  contribuições  sociais,  nos  termos do § 7º do art. 195, c/c 146, inc. II, ambos da Constituição Federal, e do art. 14 do CTN.  Isso  porque  tem  a  natureza  jurídica  de  associação  civil  sem  fins  lucrativos  e  o  objetivo  de  prestar assistência integral à criança e ao adolescente, na forma dos arts. 203 da CF/88 e 2º do  Estatuto da Criança.     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .9 12 27 8/ 20 12 -5 4 Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10830.912278/2012­54  Resolução nº  3402­000.947  S3­C4T2  Fl. 3          2  Uma  vez  processada  a  manifestação  de  inconformidade,  esta  foi  julgada  improcedente nos termos da ementa abaixo transcrita:  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Ano­calendário: 2006  RESTITUIÇÃO.  PIS  –  FOLHA  DE  PAGAMENTO.  ATIVIDADE  DE  ASSISTÊNCIA SOCIAL. INCIDÊNCIA.  São  contribuintes  do  PIS/Pasep  incidente  sobre  a  folha  de  salário,  e  não  sobre  o  faturamento,  as  instituições  beneficentes  de  assistência  social,  de  caráter  filantrópico,  recreativo,  cultural,  científico  e  as  associações, quando atendidas as condições e requisitos legais.  Manifestação de Inconformidade Improcedente.  Direito Creditório Não Reconhecido..  Diante deste quadro, o contribuinte interpôs o recurso voluntário em que alegou,  em suma:  (i) que é imune ao pagamento do PIS, haja vista o disposto no art. 195, § 7º, c.c.  o art. 146, inciso II, ambos da Magna Lex, bem como o disposto no art. 14 do CTN; e, ainda  (ii) que a recorrente atende todos os  requisitos estabelecidos em lei para gozar  da imunidade citada e que, para o período em tela, foi declarada entidade pública federal, nos  termos da Portaria Federal n. 685, de 04/04/2007, bem como possui o CEBAS ­ Certificado de  Entidades Beneficentes de Assistência Social, sob o n. 71000.114296/2009­30.  É o relatório.    Resolução  Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator.  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de  junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido na Resolução nº 3402­000.939,  de  28  de  março  de  2017,  proferida  no  julgamento  do  processo  10830.912270/2012­98,  paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.  Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  o  entendimento que prevaleceu na Resolução 3402­000.939:  "5. O presente  recurso voluntário preenche os pressupostos  formais  de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento.  6. Como visto alhures, trata­se de pedido de ressarcimento com o fito  de  ver  reconhecido  crédito  de  PIS  decorrente  da  imunidade  da  recorrente,  uma  vez  que  a  mesma  enquadrar­se­ia  no  conceito  de  entidade beneficente.  Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10830.912278/2012­54  Resolução nº  3402­000.947  S3­C4T2  Fl. 4          3  7.  Para  provar  sua  condição  de  entidade  beneficente,  a  recorrente  anexa à sua manifestação de inconformidade os documentos de fls. 21/28  [(i) certificado de utilidade pública nacional, emitido pelo Ministério da  Justiça;  (ii)  atestado  de  registro  no  Conselho  Nacional  de  Assistência  Social;  (iii) Portaria Municipal que reconhece o caráter assistencial da  recorrente;  e,  ainda,  (iv)  cópia  da  lei  municipal  n.  4.812/2012,  que  autoriza  a  concessão  de  subvenções  às  entidades  assistenciais  do  Município de Valinhos, dentre as quais encontra­se a recorrente].  8.  Não  obstante,  juntamente  com  seu  recurso  voluntário,  o  contribuinte  apresenta  outro  documento  (fl.  65)  que  atestaria  sua  condição  de  entidade  beneficente.  Trata­se  do  ofício  n.  959/20013,  emitido  pela  Coordenação  Geral  de  Certificação  das  Entidades  Beneficentes de Assistência Social, que assim comunica:    9. Da análise de todos os documentos aqui tratados, é possível cogitar  que,  de  fato,  a  recorrente  enquadra­se  no  conceito  de  entidade  assistencial apta a gozar de imunidade tributária. Acontece que, todos os  documentos  trazidos nos autos pela  recorrente com o escopo de provar  tal  condição  referem­se  à momento  posterior ao  período  do  crédito  em  análise, o qual diz respeito ao mês de fevereiro de 2006 (fl. 32).  10. Neste diapasão, tendo em vista que o acervo probatório trazidos  aos autos aparentemente induz à conclusão de que a recorrente preenche  as  condições  para  gozar  de  imunidade  tributária,  bem  com  ainda  pautado  pela  ideia  de  instrumentalidade  do  processo,  resolvo  por  converter  o  presente  julgamento  em  diligência  para  que  a  unidade  preparadora providencie:  Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10830.912278/2012­54  Resolução nº  3402­000.947  S3­C4T2  Fl. 5          4  ·   a  intimação  do  contribuinte  para  apresentar  o  Certificado  de  Entidades  Beneficentes  de  Assistência  Social  ­  CEBAS  válido para o período do crédito aqui vindicado.  11. É a resolução."  Importante  frisar  que  os  documentos  juntados  pela  contribuinte  no  processo  paradigma, como prova do direito creditório alegado, também foram juntados em cópias nestes  autos. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no  caso do paradigma também a justificam no presente caso.  Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, converte­se o presente julgamento  em  diligência,  para  que  a  unidade  preparadora  intime  o  contribuinte  para  apresentar  o  Certificado de Entidades Beneficentes de Assistência Social ­ CEBAS válido para o período  do crédito aqui vindicado.  Após, retornem­se os autos para julgamento.  (Assinado com certificado digital)  Antonio Carlos Atulim  Fl. 74DF CARF MF

score : 1.0
6642880 #
Numero do processo: 10320.006798/2008-08
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Período de apuração: 09/08/2003 a 31/05/2008 EXONERAÇÃO DE VALORES DECORRENTES DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. AUSÊNCIA DE ELEMENTOS NECESSÁRIOS À MANUTENÇÃO DA TOTALIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO A falta de elementos aptos a respaldar o lançamento de parte do crédito tributário impõe a exoneração dos valores correspondentes. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. INAPLICABILIDADE. A multa de ofício qualificada de 150% (cento e ciquenta por cento) somente é aplicável mediante comprovação, pelo fisco, da ocorrência de hipóteses previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964. Recurso de Ofício Negado.
Numero da decisão: 2402-005.597
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e negar provimento ao recurso de ofício. Votou pelas conclusões o Conselheiro Ronnie Soares Anderson em relação à exclusão da qualificadora da multa. (Assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo - Presidente. (Assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho- Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201701

camara_s : Quarta Câmara

ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Período de apuração: 09/08/2003 a 31/05/2008 EXONERAÇÃO DE VALORES DECORRENTES DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. AUSÊNCIA DE ELEMENTOS NECESSÁRIOS À MANUTENÇÃO DA TOTALIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO A falta de elementos aptos a respaldar o lançamento de parte do crédito tributário impõe a exoneração dos valores correspondentes. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. INAPLICABILIDADE. A multa de ofício qualificada de 150% (cento e ciquenta por cento) somente é aplicável mediante comprovação, pelo fisco, da ocorrência de hipóteses previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964. Recurso de Ofício Negado.

turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção

dt_publicacao_tdt : Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017

numero_processo_s : 10320.006798/2008-08

anomes_publicacao_s : 201702

conteudo_id_s : 5676697

dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017

numero_decisao_s : 2402-005.597

nome_arquivo_s : Decisao_10320006798200808.PDF

ano_publicacao_s : 2017

nome_relator_s : MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO

nome_arquivo_pdf_s : 10320006798200808_5676697.pdf

secao_s : Segunda Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e negar provimento ao recurso de ofício. Votou pelas conclusões o Conselheiro Ronnie Soares Anderson em relação à exclusão da qualificadora da multa. (Assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo - Presidente. (Assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho- Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.

dt_sessao_tdt : Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2017

id : 6642880

ano_sessao_s : 2017

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:55:47 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713048950413459456

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1229; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C4T2  Fl. 5.014          1  5.013  S2­C4T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10320.006798/2008­08  Recurso nº               De Ofício  Acórdão nº  2402­005.597  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  19 de janeiro de 2017  Matéria  IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE ­ IRRF  Recorrente  DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DE JULGAMENTO FORTALEZA  (CE)  Interessado  COMPANHIA DE NAVEGAÇÃO NORSUL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE ­ IRRF  Período de apuração: 09/08/2003 a 31/05/2008  EXONERAÇÃO DE VALORES DECORRENTES DE LANÇAMENTO DE  OFÍCIO.  AUSÊNCIA  DE  ELEMENTOS  NECESSÁRIOS  À  MANUTENÇÃO DA TOTALIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO  A  falta  de  elementos  aptos  a  respaldar  o  lançamento  de  parte  do  crédito  tributário impõe a exoneração dos valores correspondentes.  MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. INAPLICABILIDADE.  A multa de ofício qualificada de 150% (cento e ciquenta por cento) somente é  aplicável  mediante  comprovação,  pelo  fisco,  da  ocorrência  de  hipóteses  previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964.  Recurso de Ofício Negado.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 0. 00 67 98 /2 00 8- 08 Fl. 5014DF CARF MF     2    Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer  e negar provimento ao recurso de ofício. Votou pelas conclusões o Conselheiro Ronnie Soares  Anderson em relação à exclusão da qualificadora da multa.    (Assinado digitalmente)  Kleber Ferreira de Araújo ­ Presidente.     (Assinado digitalmente)  Mário Pereira de Pinho Filho­ Relator.  Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros  Kleber  Ferreira  de  Araújo,  Ronnie  Soares  Anderson,  Jamed  Abdul  Nasser  Feitoza,  Túlio  Teotônio  de  Melo  Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild  e João Victor Ribeiro Aldinucci.  Fl. 5015DF CARF MF Processo nº 10320.006798/2008­08  Acórdão n.º 2402­005.597  S2­C4T2  Fl. 5.015          3    Relatório  Trata­se de Recurso de Ofício contra decisão da Delegacia da Receita Federal  do  Brasil  de  Julgamento  em  Fortaleza  (CE)  –  DRJ/FOR  em  face  de  Auto  de  Infração  de  Imposto de Renda Retido na Fonte –  IRRF (Fls. 2/44), relativo a diferenças apuradas entre o  valor escriturado e o declarado/pago. O lançamento resultou em crédito tributário no valor de  R$ 18.439.543,78, já incluídos os juros de mora e multa de ofício qualificada no percentual de  150% (cento e ciquenta por cento) sobre o valor principal.  Por  trazer  uma  clara  e  adequada  síntese  do  processo  até  o  julgamento  da  impugnação, transcrevo o relatório da decisão de primeira instância, ora recorrida:  Contra  o  Contribuinte  acima  identificado  foi  lavrado  Auto  de  Infração do Imposto de Renda Retido na Fonte ­ IRRF (e­fls. 02/43),  para formalização e cobrança do crédito tributário nele estipulado  no valor total de R$ 18.439.543,78, o qual inclui encargos de multa  de 150% e juros SELIC.  A  fiscalização  constatou,  durante  o  procedimento  de  verificações  obrigatórias,  diferenças  entre os  valores  de  IRRF declarados  e os  valores escriturados e/ou pagos, conforme consta de relato contido  no "Termo de Encerramento da Ação Fiscal" (e­fls. 45/51).  Naquele documento os  autuantes assim descrevem o  procedimento  de auditoria realizado:  05.  ­  A  análise  da  contabilidade  permitiu  identificar  que  o  contribuinte  escritura  as  retenções  na  fonte  em  duas  contas,  conforme discriminação abaixo:  a)IRRF  PRÓPRIO  ­  conta  contábil  original  211401,  onde  escritura  as  retenções  incidentes  sobre  os  rendimentos  de  trabalho com vínculo empregatício código 0561, subdividido em  duas  contas  originais:  211401992  ­  ADMINISTRAÇÃO  e  11401995 ­ MARÍTIMOS;  b)IRRF  TERCEIROS  ­  conta  contábil  original  211403,  onde  escritura  as  retenções  incidentes  sobre  os  rendimentos  sem  vínculo  empregatício(código  0588);  prestação  de  serviços  por  PJ  (código 1708); aluguéis  e  royalties  (código 3208)  e demais  rendimentos (código 8045);  05. ­ Através do Termo de Intimação datado de 05.03.2008, foi  solicitado  ao  sujeito  passivo  discriminativo  ou  memorial  de  cálculo  que  consolidou  os  valores  declarados  em  DCTF  do  IRRF TERCEIROS abrangendo o período de DEZEMBRO/2002  a  OUTUBRO/2007,  conta  cuja  análise  preliminar  da  contabilidade  já  apontava  diferenças  entre  os  valores  provisionados  e/ou  declarados/pagos(ver  demonstrativo  anexo  ao termo de intimação às fls. 60/61);  07. O contribuinte apresentou toda a documentação exigida em  23.06.2008,  conforme  expediente  anexado  às  fls.  67,  cuja  análise  das  justificativas  revelaram­se  insuficientes  para  elidir  as  diferenças  até  então  apontadas  no  Termo  de  Intimação  de  Fl. 5016DF CARF MF     4  05.03.2008,  ensejando  outro  Termo  de  Intimação  recebido  em  12.  08.2008  (ver  fls.68/69)  concedendo  novo  prazo  para  justificar  as  diferenças  encontradas  agora  decorrentes  da  utilização  do  sistema  CONTÁGIL  que  deu  uma  melhor  transparência para os fatos geradores e os valores divergentes  que  não  estavam  bem  definidos  no  Termo  de  Intimação  de  05.03.2008;  08.  ­  Com  a  utilização  do  CONTÁGIL  detectamos  na  contabilidade  do  contribuinte  a  inconsistência  a  seguir  discriminada a  qual  se  confirmada daria origem às diferenças  que estão sendo objeto deste lançamento e para as quais foram  solicitados  esclarecimentos  no  Termo  de  Intimação  recebidos  em 12.08.2008;  Na constituição da maioria das provisões o contribuinte efetuou  os  lançamentos  a  débito  na  conta  original  211401  ­  IRPF  PRÓPRIOS A RECOLHER e a crédito na conta original 211403  ­  IRPF TERCEIROS A RECOLHER e vice versa, os quais não  transitaram  por  quaisquer  outras  contas  e  não  foram  declaradas,  ou  seja,  não  transitaram  por  contas  de  resultados(DESPESAS),  conforme  cópias  dos  lançamentos  contábeis anexados ás fls. 70/97;  09.  ­  O  contribuinte  atendeu  a  fiscalização  em  21.09.2008,  apresentando as justificativas em meio magnético via CD­ROM  devidamente  validado  pelo  SVA  ­  Sistema  de  Validação  e  Autenticação de Arquivos Digitais (ver fls. 103/104)  10.  ­  As  justificativas  foram  consolidadas  nas  planilhas  RETIFICAÇÕES  CONTABILIDADE  CONFORME  RESPOSTA  CONTRIBUINTE anexadas às fls.111/116 e 117/128  11. ­ O contribuinte em relação ao IRRF TERCEIROS justificou  as  diferenças  encontradas  em  vários  grupos  conforme  discriminação abaixo:  a)Valores  que  foram  provisionados  e  cancelados  posteriormente, GRUPO (b.l);  b)Valores referentes à folha de pagamento (IRRF PRÓPRIO) e  que transitam pela conta IRRF TERCEIROS, GRUPO (b.2);  c)Reclassificação de Valores, GRUPO (b.3);  d) Valores que não identificaram o recolhimento, GRUPO (b.4);  d)  Valores  provisionados  e  devidamente  recolhidos  na  DCTF,  GRUPO (c);  e)Valor  recolhido  em  nome  da  empresa  coligada MAR  AZUL  TERMINAL E TRANSPORTE LTDA, GRUPO (d);  12.  ­ Da análise das justificativas acima descritas acatamos as  contidas  nos  GRUPOS  (b.l),  (b.3)  e  (d),  cujos  valores  consolidamos  nas  planilhas  COTEJO  DAS  INFORMAÇÕES  CONTÁBIL  FISCAIS,  coluna  CONTRIBUINTE  do  titulo  RETIFICAÇÕES  CONTABILIDADE  (ver  fls.218/245/246,313,371,434,513);  13. ­ Deixamos de acatar as justificativas contidas nos GRUPOS  (b.2), (b.4) e (c) pelos motivos abaixo expostos respectivamente:  a) O  próprio  contribuinte  laconicamente  admite  que  transitam  pela  conta  de  IRRF  TERCEIROS  valores  relativos  a  IRRF  PRÓPRIOS,  fato  que  a  fiscalização  já  havia  detectado  através  do  Termo  de  Intimação  recebido  em  12.08.2008,  mas  em  momento  algum  justificou  o  porquê  deste  procedimento  que  Fl. 5017DF CARF MF Processo nº 10320.006798/2008­08  Acórdão n.º 2402­005.597  S2­C4T2  Fl. 5.016          5  atenta contra a boa prática contábil e tão pouco justificou a não  declaração em DCTF destes valores(GRUPO b.2);  b)Acrescente­se ao argumento da alínea anterior que a maioria  dos  valores  apontados  pelo  contribuinte  como  passíveis  de  dedução  já  foram  deduzidos  nos  demonstrativos  APROPRIAÇÕES  MANUAIS  DE  TRIBUTOS  CONFORME  CONTABILIDADE  anexados  às  fis.  241,  306/308,  427/429,  364/367, 507/509, 544;  c)Não  há  como  acatar  valores  em  que  o  próprio  contribuinte  admite não ter identificado o recolhimento(GRUPO b.4);  d) A  fiscalização já  tinha lançado nas planilhas COTEJO DAS  INFORMAÇÕES  CONTÁBIL  FISCAIS,  coluna  DCTF,  os  valores declarados constantes dos sistemas cadastrais da RFB e  que  batem  com  os  discriminados  pelo  contribuinte  em  sua  justificativa, logo não há o que deduzir(GRUPO c);  (...)  20.  ­  Considerando  a  natureza  deste  tributo,  uma  vez  comprovado o não recolhimento do mesmo a Fazenda Pública  configura crime de apropriação indébita, elencado no Inciso II,  artigo 2° da Lei n° 8.137/90 que regulamenta os crimes contra a  ordem  tributária,  motivo  pelo  qual  qualificamos  a  multa  de  ofício  para  150%  (cento  e  cinqüenta  por  cento),  além  da  elaboração  de  Representação  Fiscal  para  Fins  Penais  a  ser  enviada ao Ministério Público Federal apreciar se cabe ou não  a denúncia em juízo.  (...)  Inconformada  com  a  exigência,  da  qual  tomou  ciência  em  26/11/2008  (e­fl.  4),  o  contribuinte  apresentou  impugnação  em  26/12/2008  (e­fls.  553/575),  fundamentando  sua  defesa  nos  argumentos abaixo sintetizados:  ­  a Cia  de Navegação Norsul  optou por  um  sistema de  gestão  adquirido no mercado à empresa Microsiga Software Ltda que  trabalha  com  diversos  módulos  "online",  tais  como  sigacom  (módulo  de  compras),  sigapes  (módulo  de  pessoal,  sigacon  (módulo  contábil),  dentre  outros  e  sobre  referidos  módulos  operam  os  próprios  usuários  que  conhecem  e  classificam  melhores  seus  centros  de  custo.  Para  tanto,  se  utilizam  de  códigos  de  naturezas  financeiras  que,  por  meio  de  parametrização,  fazem  interface  com  códigos  contábeis  do  sistema  contábil  (sigacon)  onde  são  lançadas  todas  as  operações  da  Impugnante,  sendo  algumas  efetuadas  automaticamente quando programadas;  ­  os  Auditores  parecem  não  haver  entendido  o  funcionamento  das  Contas  Contábeis  envolvidas,  2.1.1.4.01  ­  IRRF  ­  PRÓPRIOS  A  RECOLHER,  com  suas  subcontas  e  2.1.1.4.03  IRRF  ­  TERCEIROS  A  RECOLHER,  apesar  de  inúmeras  explicações  através  das  respostas  às  Intimações,  bem  como os  contatos  diretos  e  telefônicos  com  os  representantes  da  empresa;  ­  anexa  à  presente  impugnação  uma  folha  de  Razão  Contábil  demonstrando  como  ocorrem  os  lançamentos  da  Provisão  do  IRRF e o seu efetivo recolhimento (documento 03A), explicando  Fl. 5018DF CARF MF     6  o  funcionamento  das  contas  2.1.1.4.01  ­  IRRF  ­  PRÓPRIOS A  RECOLHER,  com  suas  subcontas  e  2.1.1.4.03  ­  IRRF  ­  TERCEIROS A RECOLHER, a saber:  a)IRRF  Próprios  (Contas  211.401.992  ­  Administrativos  e  211.401.995  ­  Marítimos)  ­  estas  contas  funcionam  única  e  exclusivamente  como  contas  de  transição,  onde  transitam  valores  relativos  ao  Imposto  de  Renda  sobre  os  rendimentos  com  vínculo  empregatício  (folha  de  pagamento),  sendo  CREDITADAS ao final de cada mês pela provisão dos impostos  retidos, quando da geração da folha de pagamento pelo módulo  de  gestão  de  pessoal  do  sistema  de  informação  chamado  de  Microsiga  (sigapes)  e  DEBITADAS  no  momento  em  que  os  recolhimentos  dos  impostos  são  analisados  e  corretamente  classificados entre Administrativos e Marítimos.  b)IRRF  Terceiros  a  recolher  (Conta  211.403)  ­  conta  CREDITADA pela provisão dos valores de impostos retidos na  fontes incidentes sobre os rendimentos sem vínculo empregatício  e com vínculo empregatício em contrapartida do débito descrito  no  item  "a"  e  DEBITADA  pelo  efetivo  recolhimento,  em  conjunto, de todos os impostos retidos;  ­  além dos  lançamentos acima citados,  no momento em que se  imputa no sistema de folhas (sigapes) o pedido de emissão dos  DARF das provisões dos valores do IRRF – PRÓPRIOS para o  recolhimento das referidas provisões, o próprio sistema produz  um lançamento de compensação e sem efeito algum de valor, a  DÉBITO e CRÉDITO nessa mesma conta 211.403, que tem por  objetivo  demonstrar  se  houve  a  emissão  do  DARF  e  que  esse  valor necessita ser analisado com os valores gerados pela folha  de pagamento e classificados entre Administrativos e Marítimos;  ­  compreendido  o  funcionamento  dessas  duas  contas,  pode­se  facilmente entender que se forem considerados somente todos os  créditos  constantes  na  conta  211.401  e  na  conta  211.403,  sem  considerarem  os  débitos  do  lançamento  sem  efeito  (compensação), estar­se­ão duplicando as provisões referentes à  folha  de  pagamento,  causando  a  impressão  que  ainda  faltaria  recolhimento,  o  que  acredita  a  impugnante  tenha  ocorrido  na  fiscalização durante a verificação amostrai;  ­ para maior clareza, traz à colação exemplo, com a utilização  de números fictícios, do funcionamento somente em relação aos  lançamentos  referentes  à  conta  IRRF  ­ Próprios,  código  0561,  da folha de pagamento, por acreditar a impugnante ser o ponto  de maior incompreensão; (...)  ­  no  tópico 4.2 da  impugnação o autuado afirma: “a Empresa  verificou  que,  para  a  formação  dos  valores  autuados,  os  Senhores  Auditores  efetuaram  retificações  de  valores  cujas  origens  lhe  é  desconhecida  e  que,  portanto,  de  difícil  conciliação  para  se  chegar  aos  valores  autuados”.(grifos  do  Acórdão da Impugnação)  A  4ª  Turma  de  Julgamento  da  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil em Fortaleza (DRJ/FOR) resolveu converter o julgamento em  diligência, através da Resolução nº 1553 de 08 de abril de 2009 (e­ fls 2894/2896) para que a Delegacia da Receita Federal do Brasil  em  São  Luis/MA  se  manifestasse  sobre  as  razões  de  defesa  apresentadas pelo contribuinte.  Fl. 5019DF CARF MF Processo nº 10320.006798/2008­08  Acórdão n.º 2402­005.597  S2­C4T2  Fl. 5.017          7  No curso da diligência o contribuinte, ao ser intimado a prestar os  seus  esclarecimentos,  admitiu  a  existência  de  diferenças  de  IRRF  não recolhidas, entretanto em valores  inferiores aos calculados na  autuação.  Apresentou  também  os  quadros  de  e­fls.  2903/2908  e  efetuou o recolhimento das quantias demonstradas nos DARF de e­ fls. 2944/2964.  Em  atenção  à  Resolução  requerida  pela  DRJ/FOR,  a  Unidade  de  Origem  produziu  o  Termo  de  Encerramento  de  Diligência  (e­fls.  4741/4743) e quadro resumo de e­fls. 4744/4745.  O referido termo apresenta, em resumo, as seguintes constatações:  Após  análise  da  documentação  apresentada  pelo  contribuinte,  em consonância com seus argumentos, concluímos que, de fato,  a fiscalização se limitou ao confronto dos valores declarados em  DCTF com aqueles escriturados no Livro Razão, o que induziu a  equívoco,  tendo  em  vista  a  existência  de  contas  transitórias  (auxiliares)  na  contabilidade  do  contribuinte,  tais  como  as  contas de transição 211.401.92 ­ Administrativos e 211.401.995  ­  Marítimos,  referentes  ao  IRRF  próprios,  o  que  parece  ter  levado à duplicação dos valores devidos.  Com  relação  às  diferenças  negativas  encontradas  no  mencionado  cruzamento,  que  resulta  dos  períodos  em  que  o  IRRF  foi  declarada  em  valor  inferior  ao  devido,  trata­se  de  débitos  do  contribuinte.  Valores  estes  que  foram  relacionados  no  "Quadro  Resumo  do  Cruzamento  DCTF  x  DIRF  ­  IRRF  Devido", em anexo, que apresenta um débito total atualizado e  acrescido  da  multa  de  ofício  de  75%,  no  montante  de  R$  1.773.700,91.  Percebe­se  facilmente que o débito ora apurado contrasta com  aquele encontrado e recolhido pela Impugnante, em 24/03/2011,  de apenas R$ 43.656,31. Esta considerável diferença decorre do  fato de o contribuinte, quando de seu cotejo, ter compensado as  diferenças a maior com aquelas a menor, realizando, na prática,  uma  verdadeira  autocompensação;  quando  sabemos  que  a  compensação de tributos exige procedimento específico, através  de Declaração de Compensação, consoante a IN RFB n° 900/08,  que deve ser realizada dentro do prazo decadencial dos créditos  favoráveis  ao  contribuinte.  Além  do  que  o  contribuinte  acrescentou ao imposto, que pressupôs devido, juros de mora de  20%,  quando  os  lançamentos  ora  analisados  são  de  ofício,  exigindo multa de 75%. (grifos do Acórdão da Impugnação)  Por seu  turno, o defendente  rebate as afirmações do agente  fiscal,  alegando que não realizou a auto­compensação do imposto.  Apresenta  explicação  que  contrapõe  os  valores  apurados  para  os  períodos de apuração de abril, julho, setembro e dezembro de 2004,  bem  como  dezembro  de  2006.  Aduz  que  o  auditor  não  levou  em  conta  que,  nesses  períodos  a  apuração  do  tributo  foi  semanal,  e  nesses  específicos  períodos  de  apuração  o  mês  de  informação  na  DIRF não coincide com aquele indicado na semana correspondente  da DCTF.  Os autos  foram novamente baixados em diligência demandada por  esta 4ª Turma de Julgamento (e­fls. 4878/4883) para que a Unidade  Fl. 5020DF CARF MF     8  de Origem detalhasse, por período de apuração, o procedimento de  cálculo realizado, bem como apurasse se as quantias provisionadas  nas  sub­contas  “administrativos”  e  “marítimos”  transitaram  pela  conta “irrf – terceiros a recolher”, identificando­as por período de  apuração.  A  diligência,  em  sua  essência,  requeria  da  Unidade  Local  as  seguintes providências:  1.  apresente  relatório  circunstanciado  e  conclusivo  onde  seja  especificado,  em  cada  período  considerado  na  autuação,  as  seguintes informações:  a.  valor  dos  lançamentos  contábeis  que  deveriam  ser  justificados pelo contribuinte;  b.  valor  aceito  pela  fiscalização,  separado  por  tipo  de  justificativa (grupos b1, b3 e d);  c.  valor  não  aceito  pela  fiscalização,  também  segregados  por  tipo de justificativa (grupos b2, b4 e c).  2.  apresente  relatório  circunstanciado  e  conclusivo  onde,  com  base  nos  assentamentos  contábeis  do  contribuinte,  esclareça  o  seguinte:  a. se as quantias provisionadas nas subcontas (Administrativos e  Marítimos) transitaram pela conta 211403 IRRF TERCEIROS A  RECOLHER;  b.  se  afirmativa  a  resposta  da  questão  anterior,  identificar  e  descontar,  em  cada  período  considerado  na  autuação,  os  valores  correspondentes àquelas provisões,  calculando o  saldo  devedor remanescente.  A Unidade  de Origem  apresentou  relatório  de diligência  fiscal  (e­fls.  4887/4889)  onde  relata  a  impossibilidade  de  efetuar  a  diligência  na  forma como solicitada.  Da análise da impugnação, e com fundamento nas diligências realizadas e nas  subsequentes  manifestações  apresentadas  pelo  sujeito  passivo,  a  DRJ/FOR  registra  que  a  “solução para a lide exigiria o recálculo do IRRF apurado no auto de infração realizando­se o  desconto,  em  cada  período  de  apuração,  dos  valores  replicados  nas  contas  transitórias,  contudo  tal  tarefa  não  pode  ser  executada”,  conforme  explicação  inseridas  no  segundo  relatório de diligência fiscal.  Aduz entretanto que, com base nas informações contidas nos autos é possível  realizar o cálculo do IRRF devido e não recolhido à época da autuação fiscal, sendo que, para  tanto,  faz­se  necessária  a  utilização  dos  valores  listados  às  fls.  2968/2992,  fornecidos  pelo  contribuinte, partindo­se do princípio que os dados informados em DIRF são corretos. Informa  que esta apuração já foi feita, em parte, pelo agente fiscal quando da preparação do relatório da  primeira diligência realizada.  Ressalva que:  os  demonstrativos  de  e­fls  4748/4765,  bem  como  o  quadro  resumo  de  e­fls.  4744/4745  (que  integram  o  Termo  de  Encerramento  de Diligência  Fiscal  –  Primeira Diligência),  preparados  pelo  auditor  fiscal,  somente  estão  aptos  a  ser  utilizados  nos  períodos  de  apuração  posteriores  ao  ano  de  2006,  pois  que  foram  consolidados  mensalmente,  não  se  prestando  a  retificar  lançamentos  realizados  sobre  fatos  Fl. 5021DF CARF MF Processo nº 10320.006798/2008­08  Acórdão n.º 2402­005.597  S2­C4T2  Fl. 5.018          9  geradores  semanais,  como  era  a  regra  aplicável  até  aquele  ano. (Grifos do original)  Consoante  inferiu  o  Colegiado  a  quo  o  sujeito  passivo  se  contrapõe  aos  demonstrativos da Fiscalização apenas em relação a períodos de apuração anteriores a 2007 e,  em função disso, julgou a impugnação parcialmente procedente, mantendo os lançamentos de  2007 e 2008, conforme detalhamento feito à fl. 4745.  Com relação à multa de ofício, o entendimento exarado no acórdão recorrido  foi  de que não  restaram  caracterizadas  as hipóteses previstas nos  arts.  71,  72  e 73 da Lei nº  4.502, de 1964, que possibilitariam o agravamento da multa, por conseguinte, resolveu­se por  reduzi­la ao percentual de 75% (setenta e cinco por cento), nos termos do inciso I do art. 44 da  Lei nº 9.430, de 1996.  É o relatório.  Fl. 5022DF CARF MF     10    Voto             Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho ­ Relator  Com  fulcro  no  inciso  I  do  art.  34  do  Decreto  nº  70.235/72  e  presentes  os  pressupostos  de  admissibilidade,  vez  que  o  valor  exonerado  ultrapassa  o  valor  de  alçada  previsto na Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008, conheço do Recurso de Ofício, passando  à análise do mérito.  No  que  se  refere  ao  valor  principal,  lançado  a  título  de  IRRF,  o  Auto  de  Infração  originário  (fls.  2/44)  apurou  o  correspondente  a  R$  6.388.298,69.  Por  ocasião  da  primeira  diligência  solicitada  pela DRJ/FOR,  o  lançamento  foi  ajustado  para R$  705.248,52  (vide quadro de fls. 4744/4745).  Intimado  a  se  manifestar  em  face  da  primeira  diligência,  o  contribuinte  admitiu a existência de diferenças de IRRF não recolhidas, entretanto em valores inferiores aos  calculados  na  autuação  e,  como  forma  de  demonstrar  os  cálculos  realizados,  apresentou  os  quadros de fls. 2903/2908,  tendo efetuado o recolhimento das quantias respectivas, conforme  DARF de fls. 2944/2964.  A  partir  das  manifestações  do  sujeito  passivo,  o  Colegiado  de  primeira  instância  demandou  nova  diligência,  com  o  fim  de  obter  informações  sobre  a  autuação  que  pudessem  esclarecer  questões  supervenientes.  Ocorre  que,  como  resposta  a  essa  segunda  diligência, o órgão preparador se manifestou no seguinte sentido:  5.  Impossível  efetuar  a  diligência  nos  moldes  solicitados  pelo  julgador  face  à  indisponibilidade  de  informações  no  processo  que  nos  permita  fazer  as associações aos grupos  criados  pelos  AFRFBs  autuantes  (bl,  b3,  d,  b2,  b4  e  c),  bem  como  compreender, em detalhes, o "passo­a­passo" por eles efetuados.  6.  A  grande  dificuldade  para  compreensão  da  sistemática  de  apuração reside na ausência dos conteúdos de arquivos em meio  magnético anexos ora a  intimações fiscais, ora a manifestações  do  contribuinte,  o  que  ocorreu  quando  da  digitalização  do  processo original, em que não foram importados tais arquivos.  Veja­se  que,  diante  das  informações  apresentadas,  ao  Órgão  Julgador  de  primeira instância não restou outra opção que não a de se socorrer dos valores informados pelo  contribuinte  para  efetuar  o  cálculo  do  IRRF  para  as  competências  até  12/2006,  pois  as  informações trazidas pela Fiscalização foram consolidadas mensalmente e, segundo relatado no  acórdão recorrido, os  fatos geradores nesse período eram semanais, ou seja,  tais  informações  não  se prestavam a  retificar os  lançamentos  realizados  em anos  anteriores  a 2007. Por outro  lado, foram mantidos incólumes os lançamentos de 2007 e 2008, conforme detalhamento feito  pelo órgão preparador à fl. 4745.  Pelas  razões apresentadas, entendo pela negativa de provimento ao Recurso  de Ofício com relação à presente matéria.  Quanto  à multa  de  ofício,  o  inciso  I  do  art.  44  da  Lei  nº  9.430,  de  1996,  dispõem:  Fl. 5023DF CARF MF Processo nº 10320.006798/2008­08  Acórdão n.º 2402­005.597  S2­C4T2  Fl. 5.019          11  Art. 44. Nos  casos de  lançamento de ofício,  serão aplicadas as  seguintes multas:  I  ­  de  75%  (setenta  e  cinco  por  cento)  sobre  a  totalidade  ou  diferença  de  imposto  ou  contribuição  nos  casos  de  falta  de  pagamento  ou  recolhimento,  de  falta  de  declaração  e  nos  de  declaração inexata;  [...]  § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste  artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da  Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de  outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.  Os arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, tratam de  hipóteses relacionadas a sonegação, fraude e conluio em âmbito fiscal. Vejamos:  Art  .  71.  Sonegação é  tôda ação ou omissão dolosa  tendente a  impedir ou retardar,  total ou parcialmente, o conhecimento por  parte da autoridade fazendária:  I  ­  da  ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  tributária  principal, sua natureza ou circunstâncias materiais;  II ­ das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar  a  obrigação  tributária  principal  ou  o  crédito  tributário  correspondente.  Art  .  72.  Fraude  é  tôda  ação  ou  omissão  dolosa  tendente  a  impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato  gerador  da  obrigação  tributária  principal,  ou  a  excluir  ou  modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o  montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento.  Art  . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas  naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos  arts. 71 e 72.  Consoante contextualizado no Termo de Encerramento da Ação Fiscal (fl. 50,  item  20),  com  base  na  natureza  do  IRRF  e  uma  vez  comprovado  o  não  recolhimento  do  mesmo, restou configurado o crime de apropriação indébita elencado no inciso II do art. 2° da  Lei n° 8.137/90 que regulamenta os crimes contra a ordem tributária, motivo pelo qual a multa  de ofício foi qualificada para 150% (cento e cinquenta por cento).  Sobre esse assunto, convém ressalvar que somente é aceitável a aplicação da  multa majorada nos casos previstos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964 e para isso o Fisco  tem o ônus de demonstrar a ocorrência das condutas de sonegação, fraude ou conluio. O fato de  o contribuinte não haver recolhido tributo retido de terceiros, mesmo isso configurando crime  de apropriação indébita, não é suficiente para a aplicação da qualificadora.  De se notar que os tipos previstos em lei exigem que haja a comprovação de  que  a  ação  ou  omissão  foram  praticadas  com  dolo,  o  que,  na  seara  tributária,  consiste  em  comportamento  intencional  de  suprimir  o  recolhimento  de  tributos  mediante  artifícios  que  Fl. 5024DF CARF MF     12  impeçam  ou  retardem  o  conhecimento  do  fato  gerador  pelo  fisco  ou,  no  caso  da  fraude,  excluam ou posterguem sua ocorrência, o que não se verifica no caso que ora se analisa.  Ademais,  é  esse  o  entendimento  que  tem  prevalecido  nas  decisões  do  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  ­  CARF,  quando  se  exige  comprovação  inequívoca  da  ocorrência  da  conduta  dolosa  para  qualificação  da  multa.  Nesse  sentido,  impende  reproduzir  recente  julgado  da  Câmara  Superior  de  Recursos  Fiscais  que  manifesta  claramente essa linha interpretativa:  MULTA  QUALIFICADA.  COMPROVAÇÃO  DE  CONDUTA  DOLOSA.  Havendo  nos  autos  provas  contundentes  da  conduta  dolosa  do  contribuinte,  decorrentes  do  conjunto  de  ações  irregulares  que  levaram  a  lavratura  do  lançamento  tributário,  caracterizando está o  tipo Fraude previsto no art. 72 da Lei nº  4.502/64. Correta a aplicação da multa qualificada.  (Acórdão nº 9202­003.827­08/03/2016)  Desta  feita,  mesmo  com  a  constatação  de  recolhimentos  de  IRRF  em  patamares inferiores aos devidos e, a despeito de tal conduta caracterizar a ocorrência, em tese,  de  crime  de  apropriação  indébita,  entendo  que  não  restaram  demonstradas  as  circunstâncias  previstas na norma legal que autorizam a qualificação da penalidade e, por essa razão, correta a  decisão  de  primeira  instância  que  entendeu  por  reduzir  o  percentual  da  multa  ao  patamar  ordinário de 75% (setenta e cinco por cento).  Conclusão  Ante o exposto, voto no sentido de CONHECER e NEGAR PROVIMENTO  ao recurso de ofício.    (assinado Digitalmente)  Mário Pereira de Pinho Filho.                              Fl. 5025DF CARF MF

score : 1.0
6642728 #
Numero do processo: 11330.000449/2007-37
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9202-004.889
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201612

camara_s : 2ª SEÇÃO

ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido.

turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS

dt_publicacao_tdt : Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017

numero_processo_s : 11330.000449/2007-37

anomes_publicacao_s : 201702

conteudo_id_s : 5676656

dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017

numero_decisao_s : 9202-004.889

nome_arquivo_s : Decisao_11330000449200737.PDF

ano_publicacao_s : 2017

nome_relator_s : LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS

nome_arquivo_pdf_s : 11330000449200737_5676656.pdf

secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.

dt_sessao_tdt : Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016

id : 6642728

ano_sessao_s : 2016

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:55:46 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713048950445965312

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1681; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRF­T2  Fl. 2          1 1  CSRF­T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS    Processo nº  11330.000449/2007­37  Recurso nº  1   Especial do Procurador  Acórdão nº  9202­004.889  –  2ª Turma   Sessão de  12 de dezembro de 2016  Matéria  RETROATIVIDADE BENIGNA, NATUREZA DA MULTA NOS  LANÇAMENTOS PREVIDENCIÁRIOS ANTERIORES A MP 449/2008,  CONVERTIDA NA LEI 11.941/2009  Recorrente  FAZENDA NACIONAL  Interessado  TRANS­EXPERT VIGIILANCIA  E TRANSPORTE DE VALORES S/A    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006  APLICAÇÃO  DE  PENALIDADE.  PRINCÍPIO  DA  RETROATIVIDADE  BENIGNA.  LEI  Nº  8.212/1991,  COM  A  REDAÇÃO  DADA  PELA  MP  449/2008,  CONVERTIDA  NA  LEI  Nº  11.941/2009.  PORTARIA  PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.   Na aferição  acerca  da  aplicabilidade  da  retroatividade  benigna,  não  basta  a  verificação  da  denominação  atribuída  à  penalidade,  tampouco  a  simples  comparação  entre dispositivos,  percentuais  e  limites. É necessário,  antes  de  tudo,  que  as  penalidades  sopesadas  tenham  a  mesma  natureza  material,  portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.  O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria  PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito  passivo.  Recurso Especial do Procurador Provido.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer  do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito,  em dar­lhe provimento. Votou pelas  conclusões a conselheira Patrícia da Silva.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 33 0. 00 04 49 /2 00 7- 37 Fl. 257DF CARF MF Processo nº 11330.000449/2007­37  Acórdão n.º 9202­004.889  CSRF­T2  Fl. 0          2   (assinado digitalmente)  Luiz Eduardo de Oliveira Santos ­ Presidente em exercício e Relator  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  Conselheiros  Luiz  Eduardo  de  Oliveira  Santos  (Presidente  em  exercício),  Maria  Helena  Cotta  Cardozo,  Patrícia  da  Silva,  Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior,  Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.  Relatório  O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º  e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o  relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10380.005876/2007­53.  A divergência em exame reporta­se à aplicação do princípio da  retroatividade  benigna  previsto  no  artigo  106,  inciso  II,  alínea  “c”,  do  CTN,  em  face  das  penalidades  aplicadas  às  contribuições  previdenciárias,  previstas  na  Lei  nº  8.212/1991,  com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na  Lei nº 11.941/2009.  A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a  retroatividade  benigna  fosse  aplicada,  essencialmente,  pelos  critérios  constantes  na  Portaria  PGFN/RFB  nº  14  de  04  de  dezembro de 2009.   Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos ­ Relator  Este  processo  foi  julgado  na  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de  junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido no Acórdão 9202­004.792, de  12/12/2016, proferido no julgamento do processo 10380.005876/2007­53, paradigma ao qual o  presente processo foi vinculado.  Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio  nos  termos  regimentais,  o  inteiro  teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202­004.792):  O  Recurso  Especial  interposto  pela  Fazenda  Nacional  é  tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade,  portanto deve ser conhecido.  Fl. 258DF CARF MF Processo nº 11330.000449/2007­37  Acórdão n.º 9202­004.889  CSRF­T2  Fl. 0          3 Cinge­se  a  controvérsia  às  penalidades  aplicadas  às  contribuições  previdenciárias,  previstas  na  Lei  nº  8.212/1991,  com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida  na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo.  A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II,  alínea “a” do CTN, a seguir transcrito:  Art. 106. A lei aplica­se a ato ou fato pretérito:  I  ­  em  qualquer  caso,  quando  seja  expressamente  interpretativa,  excluída  a  aplicação  de  penalidade  à  infração dos dispositivos interpretados;   II ­ tratando­se de ato não definitivamente julgado:  a) quando deixe de defini­lo como infração;  b)  quando  deixe  de  tratá­lo  como  contrário  a  qualquer  exigência de ação ou omissão, desde que não  tenha  sido  fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento  de tributo;  c)  quando  lhe  comine  penalidade  menos  severa  que  a  prevista  na  lei  vigente  ao  tempo  da  sua  prática.  (grifos  acrescidos)  De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos  Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de  que  na  aferição  acerca  da  aplicabilidade  da  retroatividade  benigna,  não  basta  a  verificação  da  denominação  atribuída  à  penalidade,  tampouco a  simples comparação entre dispositivos,  percentuais  e  limites.  É  necessário,  basicamente,  que  as  penalidades  sopesadas  tenham  a  mesma  natureza  material,  portanto  sejam  aplicáveis  ao mesmo  tipo  de  conduta.  Assim,  a  multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é  aplicável  quando  realizado  o  lançamento  de  ofício,  conforme  consta do Acórdão nº 9202­004.262  (Sessão de 23 de  junho de  2016), cuja ementa transcreve­se:  AUTO  DE  INFRAÇÃO  ­  OBRIGAÇÃO  ACESSÓRIA  ­  MULTA  ­  APLICAÇÃO NOS LIMITES DA  LEI  8.212/91  C/C  LEI  11.941/08  ­  APLICAÇÃO  DA  MULTA  MAIS  FAVORÁVEL  ­  RETROATIVIDADE  BENIGNA  NATUREZA DA MULTA APLICADA.  A  multa  nos  casos  em  que  há  lançamento  de  obrigação  principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei  11.941/2009,  mesmo  que  referente  a  fatos  geradores  anteriores a publicação da referida lei, é de ofício.  AUTO DE  INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E  ACESSÓRIA  ­  COMPARATIVO  DE  MULTAS  ­  APLICAÇÃO  DE  PENALIDADE.  RETROATIVIDADE  BENIGNA.  Fl. 259DF CARF MF Processo nº 11330.000449/2007­37  Acórdão n.º 9202­004.889  CSRF­T2  Fl. 0          4 Na  aferição  acerca  da  aplicabilidade  da  retroatividade  benigna,  não  basta  a  verificação  da  denominação  atribuída  à  penalidade,  tampouco  a  simples  comparação  entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que  as  penalidades  sopesadas  tenham  a  mesma  natureza  material,  portanto  sejam  aplicáveis  ao  mesmo  tipo  de  conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações  acessória e principal foram exigidas em procedimentos de  ofício,  ainda  que  em  separado,  incabível  a  aplicação  retroativa  do art.  32­A,  da Lei  nº  8.212,  de 1991,  com a  redação  dada  pela  Lei  nº  11.941,  de  2009,  eis  que  esta  última  estabeleceu,  em  seu  art.  35­A,  penalidade  única  combinando as duas condutas.  A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449,  de  2008,  determinava,  para  a  situação  em  que  ocorresse  (a)  recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da  verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de  ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o,  ambos  da  Lei  n°  8.212,  de  1991,  respectivamente.  Posteriormente,  foi  determinada,  para  essa  mesma  situação  (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art.  35­A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei  n° 9.430, de 1996.  Portanto,  para  aplicação  da  retroatividade  benigna,  resta  necessário  comparar  (a)  o  somatório  das  multas  previstas  nos  arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a  multa prevista no art. 35­A da Lei n° 8.212, de 1991.   A  comparação  de  que  trata  o  item  anterior  tem  por  fim  a  aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN  e,  caso  necessário,  a  retificação  dos  valores  no  sistema  de  cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa  aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP  não  exceda  o  percentual  de  75%.  Prosseguindo  na  análise  do  tema,  também  é  entendimento  pacífico  deste  Colegiado  que  na  hipótese  de  lançamento  apenas  de  obrigação  principal,  a  retroatividade  benigna  será  aplicada  se,  na  liquidação  do  acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008,  ultrapassar  a  multa  do  art.  35­A  da  Lei  n°  8.212/91,  correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96.  Caso  as  multas  previstas  nos  §§  4º  e  5º  do  art.  32  da  Lei  nº  8.212,  de  1991,  em  sua  redação  anterior  à  dada  pela MP  449  (convertida  na  Lei  11.941,  de  2009),  tenham  sido  aplicadas  isoladamente  ­  descumprimento  de  obrigação  acessória  sem  a  imposição  de  penalidade  pecuniária  pelo  descumprimento  de  obrigação  principal  ­  deverão  ser  comparadas  com  as  penalidades previstas no art. 32­A da Lei nº 8.212, de 1991, bem  assim  no  caso  de  competências  em  que  o  lançamento  da  obrigação principal  tenha sido atingida pela decadência. Neste  sentido,  transcreve­se  excerto  do  voto  unânime  proferido  no  Acórdão nº 9202­004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016):  Fl. 260DF CARF MF Processo nº 11330.000449/2007­37  Acórdão n.º 9202­004.889  CSRF­T2  Fl. 0          5 Até  a  edição  da  MP  449/2008,  quando  realizado  um  procedimento fiscal, em que se constatava a existência de  débitos  previdenciários,  lavrava­se  em  relação  ao  montante  da  contribuição  devida,  notificação  fiscal  de  lançamento de débito ­ NFLD. Caso constatado que, além  do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação  acessória,  ou  seja,  obrigação  de  fazer,  como  no  caso  de  omissão em GFIP  (que  tem correlação direta com o  fato  gerador),  a  empresa  era  autuada  também  por  descumprimento de obrigação acessória.  Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa ­  art.  35  para  a  NFLD  (24%,  que  sofria  acréscimos  dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100%  da  contribuição  devida  em  caso  de  omissões  de  fatos  geradores  em  GFIP)  para  o  Auto  de  infração  de  obrigação acessória.  Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009,  inseriu o art. 32­A, o qual dispõe o seguinte:  “Art.  32­A.  O  contribuinte  que  deixar  de  apresentar  a  declaração  de  que  trata  o  inciso  IV  do  caput  do  art.  32  desta  Lei  no  prazo  fixado  ou  que  a  apresentar  com  incorreções ou omissões será intimado a apresentá­la ou a  prestar  esclarecimentos  e  sujeitar­se­á  às  seguintes  multas:   I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez)  informações incorretas ou omitidas; e   II – de 2% (dois por cento) ao mês­calendário ou fração,  incidentes sobre o montante das contribuições informadas,  ainda  que  integralmente  pagas,  no  caso  de  falta  de  entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a  20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste  artigo.   § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso  II  do  caput  deste  artigo,  será  considerado  como  termo  inicial  o  dia  seguinte  ao  término  do  prazo  fixado  para  entrega  da  declaração  e  como  termo  final  a  data  da  efetiva  entrega  ou,  no  caso  de  não­apresentação,  a  data  da  lavratura  do  auto  de  infração  ou  da  notificação  de  lançamento.   § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas  serão reduzidas:   I – à metade, quando a declaração for apresentada após o  prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou   II  –  a  75%  (setenta  e  cinco  por  cento),  se  houver  apresentação  da  declaração  no  prazo  fixado  em  intimação.   Fl. 261DF CARF MF Processo nº 11330.000449/2007­37  Acórdão n.º 9202­004.889  CSRF­T2  Fl. 0          6 § 3o A multa mínima a ser aplicada será de:   I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratando­se de omissão de  declaração  sem  ocorrência  de  fatos  geradores  de  contribuição previdenciária; e   II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.”   Entretanto,  a  MP  449,  Lei  11.941/2009,  também  acrescentou o art. 35­A que dispõe o seguinte,   “Art. 35­A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às  contribuições  referidas  no  art.  35  desta  Lei,  aplica­se  o  disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de  1996.”   O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o  seguinte:  “Art.  44.  Nos  casos  de  lançamento  de  ofício,  serão  aplicadas as seguintes multas:  I ­ de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a  totalidade  ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta  de  pagamento  ou  recolhimento,  de  falta  de  declaração  e  nos de declaração inexata “  Com  a  alteração  acima,  em  caso  de  atraso,  cujo  recolhimento  não  ocorrer  de  forma  espontânea  pelo  contribuinte,  levando ao  lançamento de ofício,  a multa a  ser  aplicada  passa  a  ser  a  estabelecida  no  dispositivo  acima  citado,  ou  seja,  em  havendo  lançamento  da  obrigação principal  (a antiga NFLD), aplica­se multa de  ofício  no  patamar  de  75%.  Essa  conclusão  leva­nos  ao  raciocínio  que  a  natureza  da  multa,  sempre  que  existe  lançamento,  refere­se a multa de ofício e não a multa de  mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91.  Contudo,  mesmo  que  consideremos  que  a  natureza  da  multa  é  de  "multa  de  ofício"  não  podemos  isoladamente  aplicar  75%  para  as  Notificações  Fiscais  ­  NFLD  ou  Autos  de  Infração  de  Obrigação  Principal  ­  AIOP,  pois  estaríamos  na  verdade  retroagindo  para  agravar  a  penalidade aplicada.  Por outro lado, com base nas alterações  legislativas não  mais  caberia,  nos  patamares  anteriormente  existentes,  aplicação  de  NFLD  +  AIOA  (Auto  de  Infração  de  Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo  lançamento de ofício a multa passa a  ser  exclusivamente  de 75%.  Tendo  identificado  que  a  natureza  da multa,  sempre  que  há  lançamento,  é  de  multa  de  ofício,  considerando  o  princípio  da  retroatividade  benigna  previsto  no  art.  106.  inciso  II,  alínea “c”,  do Código Tributário Nacional,  há  Fl. 262DF CARF MF Processo nº 11330.000449/2007­37  Acórdão n.º 9202­004.889  CSRF­T2  Fl. 0          7 que  se  verificar  a  situação  mais  favorável  ao  sujeito  passivo, face às alterações trazidas.  No  presente  caso,  foi  lavrado  AIOA  julgada,  e  alvo  do  presente  recurso  especial,  prevaleceu  o  valor  de  multa  aplicado nos moldes do art. 32­A.  No  caso  da  ausência  de  informação  em GFIP,  conforme  descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos  do art.  32,  inciso  IV, § 5º,  da Lei nº 8.212/1991  também  revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem  por  cento)  da  contribuição  não  declarada,  limitada  aos  limites previstos no § 4º do mesmo artigo.  Face  essas  considerações  para  efeitos  da  apuração  da  situação mais  favorável,  entendo que há que  se observar  qual  das  seguintes  situações  resulta  mais  favorável  ao  contribuinte:  ·  Norma  anterior,  pela  soma  da  multa  aplicada  nos  moldes do art.  35,  inciso  II  com a multa prevista no art.  32,  inciso IV, § 5º, observada a  limitação imposta pelo §  4º do mesmo artigo, ou   · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco  por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer  limitação,  excluído  o  valor  de  multa  mantido  na  notificação.  Levando  em  consideração  a  legislação mais  benéfica  ao  contribuinte,  conforme  dispõe  o  art.  106  do  Código  Tributário  Nacional  (CTN),  o  órgão  responsável  pela  execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado  administrativo,  efetuar  o  cálculo  da  multa,  em  cada  competência, somando o valor da multa aplicada no AI de  obrigação  acessória  com  a  multa  aplicada  na  NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%,  previsto  no  art.  44,  I  da  Lei  n°  9.430/1996.  Da  mesma  forma,  no  lançamento  apenas  de  obrigação  principal  o  valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de  obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode  exceder  as  penalidades  previstas  no  art.  32A  da  Lei  nº  8.212, de 1991.  Observe­se  que,  no  caso  de  competências  em  que  a  obrigação  principal  tenha  sido  atingida  pela  decadência  (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, §  4º,  do  CTN),  subsiste  a  obrigação  acessória,  isoladamente,  relativa  às  mesmas  competências,  não  atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173,  I,  do  CTN,  e  que,  portanto,  deve  ter  sua  penalidade  limitada ao valor previsto no artigo 32­A da Lei nº 8.212,  de 1991.  Fl. 263DF CARF MF Processo nº 11330.000449/2007­37  Acórdão n.º 9202­004.889  CSRF­T2  Fl. 0          8 Cumpre  ressaltar  que  o  entendimento  acima  está  em  consonância  com  o  que  dispõe  a  Instrução  Normativa  RFB  nº  971,  de  13  de  novembro  de  2009,  alterada  pela  Instrução  Normativa  RFB  nº  1.027  em  22/04/2010,  e  no  mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB  nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os  lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação  acessória, em conjunto ou isoladamente.  Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a  autoridade  responsável  pela  execução  do  acórdão,  quando  do  trânsito  em  julgado administrativo,  deverá  observar a Portaria  PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 ­ que se reporta à  aplicação  do  princípio  da  retroatividade  benigna  previsto  no  artigo  106,  inciso  II,  alínea  “c”,  do  CTN,  em  face  das  penalidades  aplicadas  às  contribuições  previdenciárias  nos  lançamentos  de  obrigação  principal  e  de  obrigação  acessória,  em  conjunto  ou  isoladamente,  previstas  na  Lei  nº  8.212/1991,  com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na  Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria,  a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência  unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema:  Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009  Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35­A da Lei  nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela  Lei  nº  11.941,  de  27  de maio  de  2009,  às  prestações  de  parcelamento  e  aos  demais  débitos  não  pagos  até  3  de  dezembro  de  2008,  inscritos  ou  não  em  Dívida  Ativa,  cobrados por meio de processo ainda não definitivamente  julgado, observará o disposto nesta Portaria.  Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do  débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será  analisado  e  os  lançamentos,  se  necessário,  serão  retificados,  para  fins  de  aplicação  da  penalidade  mais  benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106  da  Lei  nº  5.172,  de  25  de  outubro  de  1966  ­  Código  Tributário Nacional (CTN).  § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito,  a  análise  do  valor  das  multas  referidas  no  caput  será  realizada no momento do ajuizamento da execução  fiscal  pela Procuradoria­Geral da Fazenda Nacional (PGFN).  §  2º  A  análise  a  que  se  refere  o  caput  dar­se­á  por  competência.  §  3º  A  aplicação  da  penalidade mais  benéfica  na  forma  deste artigo dar­se­á:  I  ­  mediante  requerimento  do  sujeito  passivo,  dirigido  à  autoridade  administrativa  competente,  informando  e  comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou  Fl. 264DF CARF MF Processo nº 11330.000449/2007­37  Acórdão n.º 9202­004.889  CSRF­T2  Fl. 0          9 II  ­  de  ofício,  quando  verificada  pela  autoridade  administrativa a possibilidade de aplicação.  § 4º Se o processo encontrar­se em trâmite no contencioso  administrativo  de  primeira  instância,  a  autoridade  julgadora  fará  constar  de  sua  decisão  que  a  análise  do  valor das multas para verificação e aplicação daquela que  for mais benéfica, se cabível,  será realizada no momento  do pagamento ou do parcelamento.  Art.  3º  A  análise  da  penalidade mais  benéfica,  a  que  se  refere  esta  Portaria,  será  realizada  pela  comparação  entre  a  soma  dos  valores  das  multas  aplicadas  nos  lançamentos por descumprimento de obrigação principal,  conforme  o art.  35  da  Lei  nº  8.212,  de  1991,  em  sua  redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de  obrigações acessórias,  conforme §§ 4º  e 5º do art.  32 da  Lei  nº  8.212,  de  1991,  em  sua  redação  anterior  à  dada  pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada  na forma do art. 35­A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido  pela Lei nº 11.941, de 2009.  § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da  Lei  nº  8.212,  de  1991,  em  sua  redação  anterior  à  dada  pela Lei  nº  11.941,  de  2009,  tenham  sido  aplicadas  isoladamente,  sem a  imposição de penalidade pecuniária  pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser  comparadas com as penalidades previstas no art. 32­A da  Lei  nº  8.212,  de  1991,  com  a  redação  dada  pela Lei  nº  11.941, de 2009.  § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada  em  relação  aos  processos  conexos,  devendo  ser  considerados,  inclusive,  os  débitos  pagos,  os  parcelados,  os não­impugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União  e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº  449, de 3 de dezembro de 2008.  Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35  da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada  pela Lei  nº  11.941,  de  2009,  sobre  as  contribuições  devidas  a  terceiros,  assim  entendidas  outras  entidades  e  fundos,  deverá  ser  comparado  com o  valor das multa  de  ofício  previsto  no art.  35­A daquela  Lei,  acrescido  pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico  ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar.  Art.  5º  Na  hipótese  de  ter  havido  lançamento  de  ofício  relativo  a  contribuições  declaradas  na  Guia  de  Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço  e  Informações  à  Previdência  Social  (GFIP),  a  multa  aplicada limitar­se­á àquela prevista no art. 35 da Lei nº  8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de  2009.  Fl. 265DF CARF MF Processo nº 11330.000449/2007­37  Acórdão n.º 9202­004.889  CSRF­T2  Fl. 0          10 Em  face  ao  exposto,  dou  provimento  ao  recurso  para  que  a  retroatividade  benigna  seja  aplicada  em  conformidade  com  a  Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009.  Em  face  do  acima  exposto,  voto  por  conhecer  do  Recurso  Especial  da  Fazenda  Nacional  e,  no  mérito,  dar­lhe  provimento,  para  que  a  retroatividade  benigna  seja  aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009.    (assinado digitalmente)  Luiz Eduardo de Oliveira Santos                              Fl. 266DF CARF MF

score : 1.0
6690498 #
Numero do processo: 11070.001677/2008-13
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Mar 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/2004 a 31/07/2008 COMERCIALIZAÇÃO DE PRODUTOS RURAIS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. SUB-ROGAÇÃO DA EMPRESA ADQUIRENTE. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. LIMITES. A inconstitucionalidade do artigo 1º, da Lei nº 8.540, de 1992, declarada pelo STF no RE nº 363.852/MG, não se estende à Lei nº 10.256, de 2001. INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
Numero da decisão: 9202-005.214
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencida a conselheira Patrícia da Silva, que lhe negou provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201702

camara_s : 2ª SEÇÃO

ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/2004 a 31/07/2008 COMERCIALIZAÇÃO DE PRODUTOS RURAIS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. SUB-ROGAÇÃO DA EMPRESA ADQUIRENTE. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. LIMITES. A inconstitucionalidade do artigo 1º, da Lei nº 8.540, de 1992, declarada pelo STF no RE nº 363.852/MG, não se estende à Lei nº 10.256, de 2001. INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).

turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS

dt_publicacao_tdt : Mon Mar 27 00:00:00 UTC 2017

numero_processo_s : 11070.001677/2008-13

anomes_publicacao_s : 201703

conteudo_id_s : 5701418

dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Mar 27 00:00:00 UTC 2017

numero_decisao_s : 9202-005.214

nome_arquivo_s : Decisao_11070001677200813.PDF

ano_publicacao_s : 2017

nome_relator_s : MARIA HELENA COTTA CARDOZO

nome_arquivo_pdf_s : 11070001677200813_5701418.pdf

secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencida a conselheira Patrícia da Silva, que lhe negou provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).

dt_sessao_tdt : Tue Feb 21 00:00:00 UTC 2017

id : 6690498

ano_sessao_s : 2017

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:57:39 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713048950463791104

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1526; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRF­T2  Fl. 247          1 246  CSRF­T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS    Processo nº  11070.001677/2008­13  Recurso nº               Especial do Procurador  Acórdão nº  9202­005.214  –  2ª Turma   Sessão de  21 de fevereiro de 2017  Matéria  SUB­ROGAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL  Recorrente  FAZENDA NACIONAL  Interessado  COOPERATIVA MISTA SÃO LUIZ LTDA    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/04/2004 a 31/07/2008  COMERCIALIZAÇÃO  DE  PRODUTOS  RURAIS  ADQUIRIDOS  DE  PESSOAS  FÍSICAS.  SUB­ROGAÇÃO  DA  EMPRESA  ADQUIRENTE.  DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. LIMITES.  A inconstitucionalidade do artigo 1º, da Lei nº 8.540, de 1992, declarada pelo  STF no RE nº 363.852/MG, não se estende à Lei nº 10.256, de 2001.   INCONSTITUCIONALIDADE.  O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade  de lei tributária (Súmula CARF nº 2).      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer  do  Recurso  Especial  da  Fazenda  Nacional  e,  no  mérito,  por  maioria  de  votos,  em  dar­lhe  provimento, vencida a conselheira Patrícia da Silva, que lhe negou provimento. Votaram pelas  conclusões as conselheiras Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.   (assinado digitalmente)  Luiz Eduardo de Oliveira Santos ­ Presidente em exercício   (assinado digitalmente)  Maria Helena Cotta Cardozo ­ Relatora       AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 0. 00 16 77 /2 00 8- 13 Fl. 247DF CARF MF     2 Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros  Maria  Helena  Cotta  Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de  Souza  Lima  Junior,  Fábio  Piovesan  Bozza  (suplente  convocado),  Rita  Eliza  Reis  da  Costa  Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).     Relatório  Trata­se  de  exigência  das  contribuições  destinadas  à  Seguridade  Social  e  a  outras  entidades  decorrentes  da  receita  bruta  auferida  pelo  segurado  especial  proveniente  da  comercialização  da  sua  produção.  Constituem  a  base  de  cálculo  do  lançamento  os  valores  distribuídos aos associados da Cooperativa a  título de sobras do exercício, conforme política  das cooperativas.  Em  sessão  plenária  de  18/09/2012,  foi  dado  provimento  ao  Recurso  Voluntário, prolatando­se o Acórdão nº 2403­001.603 (fls. 788 a 794), assim ementado:  “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/04/2004 a 31/07/2008  RURAL. INCONSTITUCIONALIDADE.  Julgada  inconstitucional  a  incidência  de  contribuições  previdenciárias sobre a comercialização da produção. art. 25 da  lei 8.212/1991, na redação dada pelo art. 1º da lei 8.540/1992.  Recurso Voluntário Provido"  Cientificada  em  05/12/2012  (fls.  133),  a  Fazenda  Nacional  interpôs,  na  mesma data (RM ­ Relação de Movimentação de fls. 136) o Recurso Especial de fls. 132 a 156,  visando rediscutir a questão da aplicabilidade do artigo 25, da Lei nº 8.212, de 1991, com a  redação da Lei nº 10.256, de 2001.   Ao  Recurso  Especial  foi  dado  seguimento,  conforme  Despacho  nº  2400­ 484/2013, de 23/04/2013 (fls. 236 a 239).   Em seu apelo, a Fazenda Nacional alega, em síntese:  ­ da análise da ementa do julgado é possível depreender como determinante à  conclusão  da  Corte  Constitucional,  no  que  interessa  à  presente  lide,  a  necessidade  de  lei  complementar para instituição da contribuição, à luz do art. 195, § 4º, da Constituição;  ­  nesse  contexto,  o  posicionamento  da Corte  referiu­se  ao  entendimento  de  que  a  exigência  de  lei  complementar  decorreria  do  art.  195,  §  4º,  da  Constituição  (na  sua  redação original, antes do advento da EC nº 20/1998), uma vez que a base econômica sobre a  qual  incide a contribuição não estaria prevista na Constituição na data de sua instituição pela  Lei nº 8.540/92;  ­ sendo assim, por se tratar de exercício da competência tributária residual da  União,  imprescindível  a  utilização  de  lei  complementar  para  instituição  da  contribuição  previdenciária;  Fl. 248DF CARF MF Processo nº 11070.001677/2008­13  Acórdão n.º 9202­005.214  CSRF­T2  Fl. 248          3 ­ aduziu­se que o texto constitucional, até a edição da Emenda Constitucional  nº 20 de 1998, não previa a  receita  como base  tributável,  existindo  tão  somente  a  alusão  ao  faturamento, lucro e folha de salários no inciso I do art. 195;  ­ portanto, como a Lei nº 8.540, de1992, alterando o disposto no art. 25 da  Lei  8.212,  de  1991,  fixou  a  base  de  cálculo  da  contribuição  como  sendo  a  "receita  bruta  proveniente da comercialização" da produção rural, teria havido afronta ao texto constitucional,  "até  que  legislação  nova,  arrimada  na Emenda Constitucional  nº  20/98,  venha  a  instituir  a  contribuição";  ­ o fundamento jurídico adotado pelo acórdão citado como basilar da decisão  ora  hostilizada  demonstra,  às  escâncaras,  que  apenas  foi  abordada  no  julgamento  a  constitucionalidade da redação do art. 25 da Lei nº 8.212, de 1991 conferida pela Lei nº 8.540,  de 1992;   ­ noutros termos, a Lei nº 8.540, editada em 1992, alterou o artigo 25 da Lei  nº 8.212/91;  ­ o dispositivo modificou a contribuição devida pelo empregador rural pessoa  física, substituindo as contribuições incidentes sobre a folha de pagamento por aquela incidente  sobre a comercialização da produção rural;  ­ apenas essa lei ­ Lei nº 8.540, de 1992 ­ foi objeto da decisão proferida no  RE nº 596.177/RS, fundamento da decisão ora recorrida,  tendo decidido o Supremo Tribunal  Federal pela sua inconstitucionalidade;  ­ ocorre que a Suprema Corte não se pronunciou sobre a atual redação do art.  25 da Lei n° 8.212/91 a qual, hodiernamente, dá suporte para a cobrança da contribuição.  ­  a  Lei  nº  10.256/2001,  editada  sob  o  manto  constitucional  aberto  pela  Emenda Constitucional nº 20/98, instituiu as contribuições a cargo do empregador rural pessoa  física,  em  substituição  à  contribuição  de  que  tratam  os  incisos  I  e  II  do  art.  22  da  Lei  nº  8.212/91, e a cargo do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea 'a' do inciso V e  no  inciso VII  do  art.  12  desse mesmo  diploma  legal,  às  alíquotas  de  2%  e  0,1%  incidentes  sobre a receita bruta proveniente da comercialização da sua produção, destinadas à Seguridade  Social e ao financiamento das prestações por acidente do trabalho, respectivamente;  ­  portanto,  atualmente,  a  contribuição  previdenciária  do  empregador  rural  pessoa física é recolhida com base na redação do art. 25 da Lei nº 8.212 conferida pela Lei nº  10.256, de 2001 ­ cuja constitucionalidade não foi apreciada pelo STF;  ­  isso  porque,  nos  termos  do  RE  nº  363.852/MG,  a  superveniência  de  lei  ordinária,  posterior  à  EC  nº  20  de  1998,  seria  suficiente  para  afastar  a  pecha  de  inconstitucionalidade da contribuição previdenciária do empregador rural pessoa física;  ­ com a edição da Lei nº 10.256, no ano de 2001, sanou­se o referido vício;  ­ assim, tratando o presente caso de fatos geradores ocorridos sob a égide da  Lei nº 10.256/2001, não há que se falar em inconstitucionalidade;  Fl. 249DF CARF MF     4 ­ acerca do tema há o recente posicionamento do Tribunal Regional Federal  da  4ª  Região  na  Apelação  Cível  nº  2007.70.03.004958­9/PR,  que  declarou  a  constitucionalidade  dessa  norma  e,  consequentemente,  a  constitucionalidade  da  cobrança  da  contribuição rural após 2001, verbis:  "TRIBUTÁRIO.  CONTRIBUIÇÃO  INCIDENTE  SOBRE  A  COMERCIALIZAÇÃO  DA  PRODUÇÃO  RURAL.  PRODUTOR  RURAL  PESSOA  FÍSICA  EMPREGADOR.  LEGITIMIDADE  ATIVA.  COMPENSAÇÃO.  HONORÁRIOS  ADVOCATÍCIOS.  SUMULAS 512 DO STF E 105 DO STJ.  1­  A  jurisprudência  é  uníssona  no  sentido  de  reconhecer  a  legitimidade  ativa  ad  causam  da  empresa  adquirente/consumidora/consignatária  e  da  cooperativa  para  discutir a legalidade da contribuição para o Funrural.  2­ O substituto tributário carece de legitimidade para compensar  ou repetir o indébito, porquanto o ônus financeiro não é por ele  suportado.  3­ O STF, ao julgar o RE nº 363.852, declarou inconstitucional  as  alterações  trazidas  pelo  art.  1º  da  Lei  nº  8.540/92,  eis  que  instituíram nova fonte de custeio por meio de lei ordinária, sem  observância da obrigatoriedade de lei complementar para tanto.  4­ Com o advento da EC nº 20/98, o art. 195, I, da CF/88 passou  a ter nova redação, com o acréscimo do vocábulo 'receita'.  5­ Em  face do novo permissivo  constitucional, o art.  25 da Lei  8.212/91,  na  redação  dada  pela  Lei  10.256/01,  ao  prever  a  contribuição do empregador rural pessoa  física como  incidente  sobre  a  receita  bruta  proveniente  da  comercialização  da  sua  produção, não se encontra eivado de inconstitucionalidade."  ­ logo, com a edição de lei posterior à EC nº 20/98 (Lei nº 10.256/2001), que  já foi inclusive considerada constitucional perante o Tribunal Regional Federal da 4ª Região, a  contribuição sobre a produção dos empregadores rurais pessoas físicas foi retomada;  ­ dessa forma, não foi declarada a inconstitucionalidade da sub­rogação após  a edição da  lei nova (Lei nº 10.256/2001) a que se referiu o Relator em seu pronunciamento  constante do acórdão a que faz referência a decisão hostilizada (RE nº 363.852/MG);  ­  como  é  possível  perceber  da  leitura  do  citado  acórdão  proferido  pela  Suprema  Corte,  a  subrogação  em momento  algum  foi  discutida  no  julgamento  do  Supremo  Sodalício;  ­  com  efeito,  o  Supremo  não  se  pronunciou  acerca  de  nenhum  vício  de  inconstitucionalidade  a macular  a  subrogação,  até  porque  esta  foi  expressamente  prevista na  própria Lex Excelsior;  ­  ainda,  verifica­se que  não houve a declaração  de  inconstitucionalidade do  inciso IV do art. 30 da Lei nº 8.212/91, mas, tão somente, a inconstitucionalidade do art. 1º da  Lei nº 8.540/92;  ­  veja­se  que,  no RE  nº  363.852/MG,  assim  como  no RE  nº  596177/RS,  o  Supremo Tribunal não estava processualmente autorizado a analisar a manutenção ou não da  vigência  das  Leis  nº  8.540/92  e  9.528/97  sob  a  égide  (após)  da  Emenda  Constitucional  nº  Fl. 250DF CARF MF Processo nº 11070.001677/2008­13  Acórdão n.º 9202­005.214  CSRF­T2  Fl. 249          5 20/98, porque o objeto processual analisado no recurso extraordinário era apenas a invalidação  das relações jurídicas tributárias inter partes e a declaração apenas incidental de invalidade das  normas jurídicas tributárias impugnadas perante o texto originário;  ­ a Corte, no referido RE 363.852/MG, também não examinou o art. 25 com a  redação dada pelas  leis ordinárias posteriores à Emenda Constitucional nº 20/98 porque estas  também não  integravam o  objeto  processual  delimitado  na petição  inicial,  dentre  as  quais  se  insere a Lei nº 10.256/2001 que fundamentou o lançamento;  ­ logo, invocado o art. 62, inciso I, do RICARF, era e é nesses precisos limites  nos quais deveria gizar­se o julgado ora hostilizado;  ­  nesse  teor,  veja­se  que  a Primeira Turma Ordinária  da Quarta Câmara  da  Terceira Seção de  Julgamento do CARF,  já  sob a égide do RICARF, aprovado pela Portaria  MF  nº  256,  de  22/06/2009,  já  decidiu  sobre  os  estreitos  limites  do  controle  de  constitucionalidade efetivado na via incidental:  "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA  SEGURIDADE SOCIAL ­ COFINS  Período  de  apuração:  31/12/1999  a  31/01/2000,31/03/2000  a  31/12/2000, 28/02/2001 a 31/03/2001, 31/08/2001 a 30/09/2001,  01/11/2001 a 30/11/2001, 01/10/2002 a 31/10/2002, 31/12/2002  a 30/06/2003, 31/08/2003 a 30/09/2003.  REGIME DA CUMULATIVIDADE. ALARGAMENTO DA BASE  DE  CALCULO.  FATURAMENTO.  DECISÃO  DO  STF.  REVOGAÇÃO EXPRESSA DO ART. 30, § 1°, LEI N° 9.718/98  PELA LEI N° 11.941, de 28/05/2009.  Não  promulgada  ainda  resolução  do  Senado  Federal  estendendo  a  todos  os  contribuintes  os  efeitos  de  decisão  do  STF que considerou inconstitucional o alargamento da base de  cálculo das contribuições, é de se aplicar a lei ainda em vigor A  época  da  ocorrência  dos  períodos  de  apuração,  qual  seja,  de  que  a  base  de  cálculo  do  PIS/Pasep  e  da  Cofins  é  a  receita  bruta, assim entendida a totalidade das receitas auferidas pela  pessoa  jurídica,  sendo  irrelevante  o  tipo  de  atividade  por  ela  exercida e a classificação contábil adotada para as receitas.  INCONSTITUCIONALIDADE DE LEIS. SÚMULA N° 2.  0 Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se  pronunciar  sobre  a  inconstitucionalidade  de  legislação  tributária. No  caso,  alegada a  inconstitucionalidade  do  art.  56  da  Lei  n°  9.430,  de  27  de  dezembro  de  1996,  que  revogou  a  isenção  da  Cofins  das  sociedades  civis  de  profissão  regulamentada.  (...)  Recurso Voluntário Provido em Parte." (acórdão n° 3401­00387,  processo administrativo n° 10580.011972/2003­51).    Fl. 251DF CARF MF     6   ­  delineado  esse  contexto,  ressalte­se  que  ainda  não  foi  superada  a  divergência jurídica na seara judicial, uma vez que a União vem defendendo a possibilidade e a  constitucionalidade  do  instituto  da  sub­rogação  diante  do  advento  da  Lei  nº  10.256/2001,  mesmo  após  o  RE  nº  363.852/MG,  o  que  inclusive  já  foi  acatado  por  diversos  órgãos  julgadores do Poder Judiciário, como é o caso do TRF da 4ª Região;  ­ registre­se que não se olvida a existência de repercussão geral sobre o tema,  Recurso  Extraordinário  n°  596.177.  Diante  do  julgamento  realizado  em  1°/08/2011,  foi  noticiada no sítio eletrônico do Supremo Tribunal Federal a seguinte informação:  "Segunda­feira, 01 de agosto de 2011  Empregador  rural  pessoa  física  não  precisa  recolher  contribuição sobre receita bruta  Por votação unânime, o Plenário do Supremo Tribunal Federal  (STF)  manteve  jurisprudência  firmada  anteriormente  e  deu  provimento, nesta segunda­feira (1º), ao Recurso Extraordinário  (RE) 596177 para declarar a inconstitucionalidade do artigo 10  da  Lei  8.540/92,  que  determina  o  recolhimento,  para  a  Previdência  Social,  da  contribuição  incidente  sobre  a  comercialização  da  produção  rural  (antigo  Funrural)  por  empregador  rural  pessoa  física,  com  aliquota  de  2%  sobre  a  receita bruta de sua produção.  Na  decisão,  que  seguiu  o  voto  do  relator,  ministro  Ricardo  Lewandowski, a Suprema Corte declarou a inconstitucionalidade  do  artigo  1º  da  Lei  8.540/92,  que  deu  nova  redação  a  dispositivos da Lei 8.212/91.  O  Plenário  determinou,  também,  a  aplicação  desse  mesmo  entendimento  aos  demais  casos  que  tratem  do mesmo  assunto.  Com  isso,  rejeitou  pedido  da  União  para  que,  caso  desse  provimento  ao  recurso,  modulasse  a  decisão  para  que  não  se  aplicasse a todos os casos.  O caso  0  recurso  foi  interposto  pelo  produtor  rural  Adolfo  Angelo  Marzari Junior contra acórdão (decisão colegiada) do Tribunal  Regional  Federal  da  4a  Região  (TRF­4)  que,  ao  negar  provimento a apelação em mandado de segurança, entendeu ser  constitucional  essa  contribuição  sobre  a  receita  bruta,  nos  termos  do  artigo  25  da  Lei  n°  8.212/91,  após  alteração  promovida pela Lei n° 8.540/92.  Ele alegou ofensa aos artigos 195, parágrafo 4 0, e 154, inciso I,  da  Constituição  Federal.  Em  síntese,  argumentou  que  tal  recolhimento significaria desrespeito ao principio constitucional  da igualdade, pois, além de contribuir para a Previdência sobre  a folha de seus empregados ­ como as pessoas jurídicas ­, ainda  teria  que  recolher  a  contribuição  sobre  a  receita  bruta  de  sua  produção,  exigência  essa  que  não  é  feita  a  nenhum  outro  segmento.  Fl. 252DF CARF MF Processo nº 11070.001677/2008­13  Acórdão n.º 9202­005.214  CSRF­T2  Fl. 250          7 Além disso, como se trata de uma nova base de contribuição, o  recorrente sustentou que essa somente poderia ser instituída por  lei  complementar,  e  não  por  lei  ordinária,  como  é  o  caso  da  norma  contestada  e  por  diversas  outras  que  a  validaram  posteriormente, até a Lei 10.256/2001.  Repercussão geral  0  RE  foi  protocolado  no  STF  em  dezembro  de  2008  e,  em  setembro  de  2009,  o  Plenário  Virtual  da  Suprema  Corte  reconheceu  a  existência  de  repercussão  geral  na  questão  constitucional  nele  suscitada.  Em  junho  de  2010,  o  relator,  ministro Ricardo  Lewandowski,  concedeu  liminar,  dando  efeito  suspensivo ao recurso, até  julgamento de seu mérito. Com isso,  nesse  período,  o  autor  do  RE  já  ficou  dispensado  do  recolhimento do tributo.  Na decisão de hoje, o Plenário se apoiou em sua decisão de 3 de  fevereiro  do  ano  passado,  quando,  no  julgamento  do  Recurso  Extraordinário  363852,  relatado  pelo  ministro Marco  Aurélio,  declarou a inconstitucionalidade do mesmo dispositivo.  A  Procuradoria­Geral  da  República  manifestou­se  pelo  provimento do recurso."  ­ assim, o CARF deve ater­se aos estritos limites objetivos da demanda, não  sendo  lícito  fazer  ilações  para,  mediante  interpretação  extensiva,  alcançar  situações  não  previstas,  não  alijadas  pela  pecha  de  inconstitucionalidade  e  assim  declaradas  pelo  Poder  incumbido pela Constituição Federal de tal mister;  ­  tal  situação  se  revela  ainda  de maior  gravidade  quando  se  constata  que  a  decisão  utilizada  como  parâmetro  de  referência  foi  tomada  em  controle  incidental  de  constitucionalidade,  com  efeitos  inter  partes,  portanto,  antes  da  edição  de  Resolução  pelo  Senado Federal;  ­  portanto,  no  caso  presente,  o  período  de  apuração  situa­se  de  07/2006  a  02/2007, ou seja, em período integralmente coberto pela regência da Lei nº 10.256/2001, não  havendo  que  se  falar  em  inconstitucionalidade  da  exação,  pois  esta  decorre  diretamente  da  norma tributária inserida no ordenamento pelo diploma legal suso referido, concebido e gerido  sob à luz da EC nº 20/98, e não pelas regras consignadas nas leis nº 8.540/92 e 9.528/97, estas,  sim, declaradas inconstitucionais pelo STF;  ­  logo,  por  todas  as  razões  acima  expostas,  impõe­se  a  reforma  do  aresto,  mantendo­se o lançamento em sua integralidade.  Ao  final,  a  Fazenda Nacional  pede  o  conhecimento  e  o  provimento  de  seu  recurso.  Cientificada  em  09/09/2013  (AR  ­  Aviso  de  Recebimento  de  fls.  187),  a  Contribuinte quedou­se silente (fls. 188).  Voto             Fl. 253DF CARF MF     8 Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo ­ Relatora  O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende  aos  demais  pressupostos  de  admissibilidade,  portanto  deve  ser  conhecido.  Não  foram  oferecidas Contrarrazões.  Trata­se  de  exigência  das  contribuições  destinadas  à  Seguridade  Social  e  a  outras  entidades  decorrentes  da  receita  bruta  auferida  pelo  segurado  especial  proveniente  da  comercialização  da  sua  produção.  Constituem  a  base  de  cálculo  do  lançamento  os  valores  distribuídos aos associados da Cooperativa a  título de sobras do exercício, conforme política  das cooperativas.  Os  valores  são  referentes  ao  período  de  01/04/2004  a 31/07/2008,  portanto  exigidos  já  sob  a  égide  da  Lei  nº  10.256,  de  2001,  sobre  a  qual  até  o  momento  não  paira  qualquer restrição acerca de sua constitucionalidade.  A Fazenda Nacional visa rediscutir a questão da aplicabilidade do artigo 25  da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação da Lei nº 10.256, de 2001.  Destarte, tendo em vista que esta foi a única matéria do acórdão recorrido e  do Recurso Especial, não há como sequer discutir­se a suposta inconstitucionalidade da Lei nº  10.256, de 2001, em face de determinação expressa da Súmula CARF nº 2:  Súmula  CARF  nº  2:  O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.  Ainda  que  se  pudesse  discutir  a  constitucionalidade  de  dispositivo  legal  vigente e não declarado inconstitucional pelo STF ­ o que se admite apenas para argumentar ­ a  decisão no RE nº 363.852/MG não deixa dúvidas acerca da  impossibilidade de estender­se à  Lei nº 10.256, de 2001, editada após a Emenda Constitucional nº 20/98, a inconstitucionalidade  declarada em relação ao art. 1º da Lei nº 8.540, de 1992, como se naquela assentada o Excelso  Pretório tivesse condenado o instituto da substituição tributária da contribuição previdenciária  do  produtor  agrícola  de  forma  ampla,  estendendo  seus  efeitos  a  legislação  superveniente,  editada após a Emenda Constitucional nº 20/98.   Esclareça­se  que  no  Recurso  Extraordinário  nº  363.852/MG,  discutiu­se  a  constitucionalidade da contribuição exigida com base no art. 25 da Lei n° 8.212, de 1991, com  a  redação  dada  pelas  Leis  nºs  8.540,  de  1992,  e  9.528,  de  1997,  incidente  sobre  o  valor  da  comercialização da produção rural, apenas quanto à sua extensão ao empregador rural pessoa  física. Nesse passo, decidiu­se que tal inovação não encontrava respaldo na Carta Magna, até a  Emenda  Constitucional  20/98.  Referido  precedente  foi  adotado  em  regime  de  repercussão  geral, por meio do julgamento do Recurso Extraordinário nº 596.177/RS (art. 543­B do Código  de Processo Civil), cuja ementa a seguir se transcreve:  CONSTITUCIONAL.  TRIBUTÁRIO.  CONTRIBUIÇÃO  SOCIAL  PREVIDENCIÁRIA. EMPREGADOR RURAL PESSOA FÍSICA.  INCIDÊNCIA  SOBRE  A  COMERCIALIZAÇÃO  DA  PRODUÇÃO.  ART.  25  DA  LEI  8.212/1991,  NA  REDAÇÃO  DADA  PELO  ART.  1º  DA  LEI  8.540/1992.  INCONSTITUCIONALIDADE.  I  ­  Ofensa  ao  art.  150,  II,  da  CF  em  virtude  da  exigência  de  dupla contribuição caso o produtor rural  seja empregador. II  ­  Necessidade  de  lei  complementar  para  a  instituição  de  nova  fonte de custeio para a seguridade social.   Fl. 254DF CARF MF Processo nº 11070.001677/2008­13  Acórdão n.º 9202­005.214  CSRF­T2  Fl. 251          9 III  ­  RE  conhecido  e  provido  para  reconhecer  a  inconstitucionalidade do art. 1º da Lei 8.540/1992, aplicando­se  aos casos semelhantes o disposto no art. 543­B do CPC.   (RE 596177, Relator Min. RICARDO LEWANDOWSKI, Tribunal  Pleno,  julgado  em  01/08/2011,  REPERCUSSÃO  GERAL  – MÉRITO, DJe­165 de 29­08­2011)  Com a entrada em vigor da Lei nº 10.256, de 2001, editada já sob a égide da  Emenda Constitucional nº 20/98, passaram a  ser devidas  as  contribuições  sociais  a  cargo do  empregador  rural  pessoa  física,  às  alíquotas  de  2%  e  0,1%,  incidentes  sobre  a  receita  bruta  proveniente da comercialização de sua produção, nos termos assinalados no art. 25, da Lei nº  8.212, de 1991, com a redação dada pela lei superveniente.  No  presente  caso,  repita­se  que  o  período  objeto  da  autuação  encontra­se  integralmente coberto pela  regência da Lei nº 10.256, de 2001, não havendo que se  falar em  inconstitucionalidade  da  exação,  já  que  ela  decorre  diretamente  da  nova  norma  inserida  no  ordenamento  jurídico,  e  não  dos  enunciados  das  Leis  nºs  8.540,  de  1992  e  9.528,  de  1997,  declarados inconstitucionais pelo STF.   Destarte, a exigência pela sistemática de sub­rogação, descrita no art. 30, IV,  da Lei nº 8212, de 1991, também encontra­se devidamente amparada pela legislação, já que o  Supremo Tribunal Federal não se pronunciou acerca de eventual vício de inconstitucionalidade  a maculá­la. Confira­se o voto do Min. Marco Aurélio:  "Ante  esses  aspectos,  conheço  e  provejo  o  recurso  interposto  para desobrigar os recorrentes da retenção e do recolhimento da  contribuição  social  ou  do  seu  recolhimento  por  sub­rogação  sobre  a  “receita  bruta  proveniente  da  comercialização  da  produção  rural”  de  empregadores,  pessoas  naturais,  fornecedores  de  bovinos  para  abate,  declarando  a  inconstitucionalidade  do  artigo  1º  da  Lei  nº  8.540/92,  que  deu  nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e  30,  inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com redação atualizada até a  Lei  nº  9.528/97, até  que  legislação  nova,  arrimada na Emenda  Constitucional nº 20/98, venha a instituir a contribuição, tudo na  forma do pedido inicial, invertidos os ônus da sucumbência.”  Com efeito, a referência ao termo “subrrogação”, e ao “inciso IV do art. 30  da Lei nº 8.212/91”, somente teve lugar na conclusão do acórdão, quando o Sr. Min. Relator  desobriga  os  recorrentes  da  retenção  e  do  recolhimento  da  contribuição  social  ou  do  seu  recolhimento  por  subrrogação  sobre  a  “receita  bruta  proveniente  da  comercialização  da  produção rural” de empregadores, pessoas naturais, fornecedores de bovinos para abate.  Por  fim,  ressalte­se  que  a  exigência  das  contribuições  do  adquirente,  consumidor, consignatário ou cooperativa, foi determinada pelo inciso III, do art. 30, da Lei nº  8.212,  de  1991,  que  não  foi  questionado  ou  mesmo  mencionado  na  declaração  de  inconstitucionalidade  proferida  no  RE  nº  363.852/MG,  permanecendo  vigente  e  eficaz,  inclusive em relação ao empregador rural pessoa física, após a publicação da Lei nº 10.256, de  2001, portanto produzindo todos os efeitos jurídicos.  Fl. 255DF CARF MF     10 Corroborando o entendimento de que a inconstitucionalidade de que se trata  não se estendeu à Lei nº 10.256, de 2001, como aventou o acórdão  recorrido, colaciona­se a  ementa dos Embargos de Declaração no RE n° 596.177/RS:   "Ementa:  EMBARGOS  DE  DECLARAÇÃO  NO  RECURSO  EXTRAORDINÁRIO.  FUNDAMENTO  NÃO  ADMITIDO  NO  DESLINDE DA CAUSA DEVE SER EXCLUÍDO DA EMENTA  DO  ACÓRDÃO.  IMPOSSIBILIDADE  DA  ANÁLISE  DE  MATÉRIA QUE NÃO FOI ADEQUADAMENTE ALEGADA NO  RECURSO  EXTRAORDINÁRIO  NEM  TEVE  SUA  REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. INEXISTÊNCIA DE  OBSCURIDADE,  CONTRADIÇÃO  OU  OMISSÃO  EM  DECISÃO  QUE  CITA  EXPRESSAMENTE  O  DISPOSITIVO  LEGAL CONSIDERADO INCONSTITUCIONAL. I ­ Por não ter  servido de fundamento para a conclusão do acórdão embargado,  exclui­se da ementa a seguinte assertiva: 'Ofensa ao art. 150, II,  da  CF  em  virtude  da  exigência  de  dupla  contribuição  caso  o  produtor  rural  seja  empregador'  (fl.  260).  II  ­  A  constitucionalidade da tributação com base na Lei 10.256/2001  não foi analisada nem teve repercussão geral reconhecida. III ­  Inexiste  obscuridade,  contradição  ou  omissão  em  decisão  que  indica  expressamente  os  dispositivos  considerados  inconstitucionais.  IV  ­  Embargos  parcialmente  acolhidos,  sem  alteração do resultado.'  (RE 596.177 ED, Relator(a): Min. RICARDO LEWANDOWSKI,  Tribunal  Pleno,  julgado  em  17/10/2013,  ACÓRDÃO  ELETRÔNICO  DJe‑ 226  DIVULG  14‑ 11‑ 2013  PUBLIC  18‑ 11‑ 2013)"  Diante do exposto, conheço e dou provimento ao Recurso Especial interposto  pela Fazenda Nacional.  (assinado digitalmente)  Maria Helena Cotta Cardozo                              Fl. 256DF CARF MF

score : 1.0
6750645 #
Numero do processo: 13896.907123/2009-24
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 15 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1302-000.482
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Declarou-se impedido o Conselheiro Rogério Aparecido Gil. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e José Roberto Adelino da Silva. RELATÓRIO Versa o presente processo sobre recurso voluntário, interposto pelo contribuinte em face do Acórdão nº 12-62.729 da 6ª Turma da DRJ/RJ1, o qual foi assim ementado: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano-calendário: 2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. REMUNERAÇÃO DE SERVIÇOS PROFISSIONAIS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS RETIDAS NA FONTE. Comprovado que as importâncias pagas pela prestação dos serviços profissionais estão sujeitas à retenção das contribuições sociais, não há direito creditório a ser reconhecido. Manifestação de Inconformidade Improcedente  A recorrente, cientificada do Acórdão nº 12-62.729 em 02/03/2015 (Termo a fls. 222), interpôs, em 30/03/2015 (vide Termo a fls. 318), recurso voluntário (doc. a fls. 225 e segs.), o qual aduz, em apertada síntese, as seguintes razões de defesa: 1. Trata-se, na origem, de declaração de compensação de débito com crédito decorrente de pagamento indevido, efetuado em 21/10/2005, a título de Contribuições Sociais Retidas na Fonte (código 5952), no valor original de R$ 47.066,43.  2. Com efeito, a Recorrente e pessoa jurídica de direito privado que se dedica a prestação de serviços de credenciamento de estabelecimentos comerciais e prestadores de serviços para a aceitação de cartões de crédito e de débito, bem como outros meios de pagamento ou meios eletrônicos para registro e aprovações de transações não-financeiras. 3. Para consecução de suas atividades empresariais, a Recorrente firmou contrato de prestação de serviços de tecnologia com a empresa Eds Data Systems do Brasil Ltda. ("EDS" - fls. 80/143), que, para sua remuneração, emitia fatura mensalmente, discriminando qual o serviço englobado no contrato de prestacao de serviços efetivamente prestado. 4. Assim, em 27/09/2005, a "EDS" emitiu a Fatura n° 8552, no valor total de R$ 4.706.642,63, para remuneração dos serviços prestados a titulo de processamento de dados (fl. 144), cuja abrangência esta minuciosamente descrita no item 5.1.4, do Anexo 2.1-A, do contrato firmado com a Recorrente (fl. 89). 5. Ao receber a fatura para pagamento, a Recorrente, de forma automática (mas precipitada), calculou a retenção na fonte dos tributos devidos, nos seguintes termos: Tributo Aliquota Valor da Retencao COFINS 3% R$ 141.199,28 CSLL 1% R$ 47.066,43 IRRF 1,50% R$ 70.599,64 PIS 0,65% R$ 30.593,18 Total R$ 289.458,53 6. Diante disso, a Recorrente procedeu a retenção do valor de R$ 289.458,53, pagando a "EDS" apenas a diferença da fatura comercial e recolhendo os tributos retidos. 7. Ocorre que o serviço tornado pela Recorrente relativo a Fatura n° 8552 (processamento de dados) não está sujeito a retenção das contribuições sociais, justamente por não estar incluído na lista de serviços constante no artigo 30 da Lei n° 10.833/2003. Confira-se o teor do dispositivo legal: (...) 8.Ao notar o equívoco, a Recorrente efetuou a devolução dos valores indevidamente retidos a "EDS", conforme comprovado nos autos (fls. 145/151), inclusive com a apresentação de comprovante de transferência bancária à prestadora. 9. Assim, considerando que foram pagos ao fisco os valores indevidamente retidos na Fatura n° 8552 e, posteriormente, foi efetuada a devolução deste montante a prestadora de serviços, a Recorrente faz jus ao reconhecimento do direito creditório, porquanto restou configurado o pagamento indevido, nos termos do inciso I do artigo 165 do Código Tributário Nacional. 10. Por estas razões, a Recorrente transmitiu declaração de compensação de débitos com crédito decorrente de pagamento indevido de CSRF, no valor original de R$ 47.066,43, relativamente a CSLL indevidamente retida por ocasião do pagamento da Fatura n° 8552. 11. No entanto, tendo em vista a ausência de retificação da DCTF, foi proferido despacho decisório eletrônico não homologando a compensação declarada. 12. Em face deste despacho decisório, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, sustentando, preliminarmente, a nulidade do despacho decisório por preterição do direito de defesa e, no mérito, demonstrou, através de farta documentação a origem do direito creditório pleiteado. 13.A par de toda a argumentação e da farta documentação acostada aos autos pela Recorrente, a r. decisão recorrida recusou a nulidade alegada na manifestação de inconformidade, ao argumento de que "a contestação das informações contidas no Despacho Decisório, dos documentos juntados ou até mesmo de eventuais irregularidades dever ser realizada no momento posterior a decisão, com a apresentação de manifestação de inconformidade, iniciando o devido processo administrativo " (fl. 207). 14. Quanto ao mérito, a r. decisão recorrida manteve o indeferimento do direito creditório, ao argumento de que "a peticionária não logrou comprovar nos autos que as importâncias pagas pela prestação dos serviços de que tratou a Nota Fiscal Fatura de Serviços n" 8552, de 27/09/2005 não estavam sujeitas a retenção das contribuições sociais e, por consequência, que ocorreu pagamento indevido da CSRF" (fl. 218). (...) II.1 – DA NULIDADE POR PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA II.1.1 – Do Efetivo Prejuízo Causado à Recorrente 17. Após a prolação do despacho decisório que não reconheceu o direito creditório pleiteado, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade demonstrando a sua nulidade, em razão da ausência de intimação prévia para apresentação de informações e documentos que se fizessem necessários para o esclarecimento da origem do direito creditório pleiteado. 18. Ocorre, porém, que, em atitude inovadora no processo administrativo e violadora do §3° do artigo 59 do Decreto n° 70.235/72, a 6ª Turma da DRJ/RJ1 superou a nulidade do despacho decisório (em desfavor da Recorrente) e, o que é pior, manteve o indeferimento do direito creditório por argumento absolutamente diverso daquele invocado pelo despacho decisório. 19. Vale dizer, a 6ª Turma da DRJ/RJ1 decidiu: (I) recusar a nulidade do despacho decisório, ignorando o fato concreto de que a Recorrente jamais foi intimada pela Receita Federal do Brasil para apresentação de documentos ou informações sobre a origem do direito creditório pleiteado; e (II) manteve o indeferimento do direito creditório ao (novo) argumento de que a Recorrente não teria apresentado provas suficientes para o reconhecimento do direito creditório, o que jamais havia sido suscitado no curso do processo administrativo. 20. Evidentemente, ao superar a nulidade do despacho decisório e manter o indeferimento do direito creditório pleiteado por argumentos absolutamente diversos dos invocados pelo despacho decisório, a 6ª Turma da DRJ/RJ1 efetivamente causou prejuízo a Recorrente, cerceando o seu direito de defesa e violando o disposto no §3° do artigo 59 do Decreto n° 70.235/72. 21. Por estas razões, o recurso voluntário deve ser provido para decretar a nulidade tanto do despacho decisório quanto da r. decisão recorrida, tendo em vista que efetivamente causaram prejuízo para a Recorrente, cerceando o seu direito de defesa e impedindo a devida e necessária comprovação do direito creditório pleiteado. (...) II.1.2 – Ausência de intimação específica para apresentação de informações e documentos necessários para o esclarecimento do direito creditório (...) 23. Por sua vez, na manifestação de inconformidade, a Recorrente demonstrou (e comprovou documentalmente) a origem do direito creditório, acostando para tanto os seguintes documentos para suportar sua argumentação: (I) cópia do Contrato de Prestação de Serviços firmado entre a Recorrente e a "EDS" (fls. 80/143); (II) cópia da Fatura n° 8552, emitida pela "EDS" para remuneração do serviço de processamento de dados, conforme devidamente discriminado na própria fatura comercial (fl. 144); (III) cópias dos comprovantes de devolução do montante indevidamente retido pela Recorrente a título de CSRF a "EDS", bem como a respectiva escrituração contábil (fls. 145/151); (IV) cópia do DARF indevidamente recolhido pela Recorrente a título de CSRF (fl. 161); e (V) copia da DCTF Retificadora relativa ao período de apuração de outubro de 2005, afastando a motivação do despacho decisório para o indeferimento do direito creditório (fls. 155/160). 24. No entanto, sobreveio a r. decisão recorrida mantendo o indeferimento do direito creditório pleiteado ao argumento de que, a despeito do que consta expressamente na fatura comercial objeto da retenção indevida, não seria possível concluir que a Fatura n° 8552 teria sido emitida apenas e tão somente para remunerar o serviço de processamento de dados, e não todos os serviços compreendidos pelo Contrato de Prestação de Serviços entre a Recorrente e a "EDS". Confira-se trecho da decisão recorrida: (...) 25.Entretanto, e em vista deste (novo) entendimento manifestado pela 6ª Turma da DRJ/RJ1, fato e que, no curso do processo administrativo, a Recorrente jamais foi intimada para apresentar documentos adicionais, para esclarecimento da dúvida suscitada na r. decisão recorrida. 26. Ora, diante das informações prestadas na manifestação de inconformidade e do incontestável acervo probatório acostado aos autos, persistindo dúvidas quanto a origem do direito creditório pleiteado ou havendo a necessidade de novos esclarecimentos e documentos, é evidente, razoável e jurídico que a 6ª Turma da DRJ/RJ1 deveria ter, ao menos devolvido os autos a repartição de origem e determinado a realização de diligência, intimando a Recorrente a apresentar as informações e os documentos que se fizessem necessários, e não simplesmente manter o indeferimento do direito creditório pleiteado. 27. Além de ter optado pelo "caminho mais fácil e, também, mais curto", a 6ª Turma da DRJ/SP manteve o indeferimento do direito creditório pleiteado ao argumento de que não haveria, nos autos, prova de fatos em momento algum contestados pelo despacho decisório e dos quais, no curso do processo administrativo e da diligência fiscal, jamais o Recorrente foi intimada especificamente para se manifestar. 28. Também por essas razões, a prolação de decisão administrativa sem o correto exame do direito creditório pleiteado violou o disposto no artigo 65 da Instrução Normativa n° 1.300/2012, que estabelece o dever da autoridade administrativa de realizar as diligências necessárias para o esclarecimento do direito creditório pleiteado. Confira-se: "Art. 65. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório a apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligencia fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. " (destaques da Recorrente) (...) 35. Assim, deve ser decretada a nulidade tanto do despacho decisório quanto da r. decisão recorrida, nos termos do inciso 11 do artigo 59 do Decreto n° 70.235/72, para que o credito pleiteado pela Recorrente seja corretamente analisado pela autoridade administrativa competente. II.2 - DO MÉRITO II.2.1 - Do Serviço Remunerado Pela Fatura nº 8552 39.Por exemplo, para remuneração dos serviços prestados a título de suporte técnico em informática, em 17/12/2008, a "EDS" emitiu a Fatura n° 019754 (doc. 02), discriminando o serviço prestado de acordo com o Contrato de Prestação de Serviços, e informando as retenções, inclusive da CSRF. uma vez que este serviço específico está sujeito a retenção das contribuições sociais, de acordo com a inteligência do artigo 30 da Lei n° 10.833/2003. 40. Por outro lado, quando a "EDS" prestava os serviços de processamento de dados, era emitida fatura discriminando o serviço prestado, sem, contudo, o destaque das contribuições sociais retidas na fonte, porquanto este serviço específico não está sujeito a esta retenção nos termos da legislação tributária de regência. 41. Neste contexto, em 27/09/2005, a "EDS" emitiu a Fatura n° 8552, tendo em vista a prestação de serviços de processamento de dados, conforme discriminado na própria fatura comercial e, em razão de este serviço não se enquadrar nas hipóteses de retenção de que trata o artigo 30 da Lei n° 10.833/2003, a prestadora não destacou a CSRF. 42. No entanto, ao receber a fatura, a Recorrente, de forma automática (mas precipitada), calculou a retenção dos tributos supostamente devidos, nos seguintes termos: 43.Diante disso, a Recorrente procedeu a retenção (indevida) do valor de R$ 289.458,53, pagando a "EDS" apenas a diferença da fatura e pagando ao fisco os tributos indevidamente retidos. Por decorrência, registrou a retenção em sua contabilidade. 44. Ao notar o equívoco cometido, a Recorrente procedeu a imediata devolução dos valores indevidamente retidos a "EDS", conforme comprovado nos autos inclusive com a juntada de comprovante de transferência bancária. 45. Assim, considerando que foram recolhidos os valores indevidamente retidos e que, posteriormente, foi efetuada a devolução deste montante a prestadora de serviços, restou configurado o pagamento indevido, nos termos do inciso I do art. 165 do CTN, de modo que a Recorrente faz jus ao direito creditório pleiteado. 46. Porém, segundo a r. decisão recorrida, pela documentação acostada aos autos, não seria possível concluir que a Fatura n° 8552 se prestou para remunerar unicamente o serviço de processamento de dados serviço este, aliás, que conforme reconhecido, não está sujeito a retenção da CSRF. 47. Entretanto, a premissa adotada pela r. decisão recorrida, absolutamente não pode prosperar, pois, conforme se observa do Contrato de Prestação de Serviços, cada serviço prestado pela "EDS" era faturado separadamente, com a devida discrição na própria fatura. 48. Com efeito, o Contrato de Prestação de Serviços firmado pela Recorrente abrangia, sim, diversos serviços de tecnologia a serem prestados pela empresa "EDS", tais como suporte técnico em informática, processamento de dados, entre outros. 49. Este contrato abrangia todos os serviços de tecnologia que poderiam ser prestados pela "EDS". Entretanto, como já destacado, cada serviço era faturado separadamente, discriminando-se cada serviço na respectiva fatura comercial, de acordo com o contrato de prestação de serviços firmado entre as partes. (...) 52. No caso concreto, por sua vez, na cláusula 9.10 do Contrato de Prestação de Serviços estão previstas regras de faturamento diversas para "Processamento de Dados Normal" e "Processamento de Dados nos Ambientes de Desenvolvimento e Homologação", evidenciando que cada serviço era faturado separadamente. 53. De fato, para o serviço de "Processamento de Dados Normal", o Contrato de Prestação de Serviços prévia a seguinte regra de faturamento: "Para cada mês, durante o prazo de vigência dos Serviços de Ambiente Mainframe a CBMP deverá pagar à EDS a remuneração mensal prevista neste Anexo 2.1-A. Tal remuneração será faturada até o 5º dia útil subsequente ao mês de prestação dos Serviços, devendo ser paga pela CBMP em até 07 (sete) dias após a sua data de emissão, ou dia útil imediatamente posterior, caso o dia subsequente seja sábado, domingo ou feriado na Cidade de São Paulo e desde que a CBMP tenha recebido a fatura com 06 (seis) dias de antecedência do seu vencimento, a CBMP poderá atrasar o seu pagamento na mesma proporção do atraso na entrega." (destaques da Recorrente) 54. Por sua vez, a regra de faturamento para o serviço de "Processamento de Dados nos Ambientes de Desenvolvimento e Homologação" prevista no Contrato de Prestação de Serviços era a seguinte: "Tendo em vista que o período de apuração dos volumes de recursos consumidos compreende o período do dia 16 de um determinado mês ao dia 15 do mês subsequente, a EDS poderá levar mais do que 20 (vinte) dias para apurar os volumes mensais. Neste caso os Preços por Insumos poderão ser faturados ao final do mês subsequente ao mês de apuração do volume de recursos consumidos, com vencimento para o 10° (décimo) dia subsequente a data de emissão da fatura, ou dia útil imediatamente posterior, caso o 10º dia subsequente seja sábado, domingo ou feriado na Cidade de São Paulo. Na hipótese de a EDS conseguir apurar os volumes mensais em um prazo menor do que 20 (vinte) dias, em qualquer mês, a EDS poderá antecipar o faturamento dos Preços por insumos, sendo o pagamento devido no 10º dia subsequente a data da emissão da fatura " (destaques da Recorrente) 55. Portanto, nos termos do Contrato de Prestação de Serviços firmado entre a Recorrente e a "EDS", é indiscutível que não poderia existir a cobrança conjunta dos serviços prestados, porquanto as regras de faturamento de cada serviço eram até mesmo incompatíveis. (...) 57. E, no caso dos autos, a "EDS" indicou na Fatura n° 8552 única e exclusivamente o serviço de processamento de dados, sendo exatamente esta a prova cabal para definir qual foi a prestação remunerada. 58.Diante dessas considerações, fica absolutamente desarticulada (e mesmo sem sentido) a premissa da r. decisão recorrida, de que a Fatura n° 8552 "poderia" representar a cobrança conjunta de todos os serviços objeto do contrato firmado entre a Recorrente e a "EDS". 59.Ademais, corroborando as alegações da Recorrente, e para reforçar o acervo probatório já acostado aos autos, no prazo para interposição do recurso voluntário, a própria prestadora de serviços ("EDS", atualmente incorporada a empresa Hewlett-Packard Brasil Ltda.) emitiu declaração atestando que o serviço remunerado pela Fatura n° 8552 foi, de fato, o serviço de processamento de dados, sendo esta prova irrefutável do direito creditório pleiteado. (...) 61. Embora já reconhecido pela r. decisão recorrida que o serviço de processamento de dados não está sujeito a retenção de contribuições sociais, cumpre a Recorrente repisar a correta interpretação que deve ser conferida ao artigo 30 da Lei n° 10.833/2003. (...) 63. Da leitura do dispositivo legal, nota-se que o serviço tomado pela Recorrente (processamento de dados) não consta expressamente do rol de serviços sujeitos a retenção das contribuições sociais. 64. Contudo, ao final das hipóteses de retenção das contribuições sociais listadas pelo artigo 30 da Lei n° 10.833/2003, o legislador fez referenda ao termo "remuneração de serviços profissionais" como um dos casos que se faz obrigatória a retenção da CSRF. 65.Diante da imprecisão do termo utilizado pelo legislador, sobreveio a Instrução Normativa n° 459/2004 dispondo sobre a retenção de tributos e contribuições nos pagamentos efetuados pelas pessoas jurídicas de direito privado a outras pessoas jurídicas pela prestação de serviços. Confira-se: "Art. 1° Os pagamentos efetuados pelas pessoas jurídicas de direito privado a outras pessoas jurídicas de direito privado, pela prestação de serviços de limpeza, conservação, manutenção, segurança, vigilância, transporte de valores e locação de mão-de-obra, pela prestação de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção e riscos, administração de contas a pagar e a receber, bem como pela remuneração de serviços profissionais, estão sujeitos à retenção na fonte da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofns) e da Contribuição para o PIS/Pasep (...). § 2° Para fins do disposto neste artigo, entende-se como serviços: (...) IV - profissionais aqueles relacionados no § 1° do art. 647 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 – Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999), inclusive quando prestados por cooperativas ou associações profissionais, aplicando-se, para fins da retenção das contribuições, os mesmos critérios de interpretação adotados em atos normativos expedidos pela Secretaria da Receita Federal para a retenção do imposto de renda. (destaques da Recorrente) 66. Como se observa, a própria Receita Federal do Brasil determinou que a interpretação do artigo 30 da Lei n° 10.833/2003 deve ser feita à luz do disposto no §1° do artigo 647 do Regulamento do Imposto de Renda. 67. Do mesmo modo, ao analisar o artigo 647 do Regulamento do Imposto de Renda, o serviço de processamento de dados não consta deste rol. Confira-se: (...) 69. E nem se alegue que o serviço de processamento de dados estaria inserido no tópico de "programação", uma vez que estes se diferenciam. 70. Com efeito, a primeira oportunidade em que os serviços de programação e processamento de dados surgiram nos textos legais foi na Lei Complementar n° 56/87, na qual ja se dispunha separadamente os serviços em questão, o primeiro como item n° 23 e o segundo n° 22. Confira-se: (...) 71. Posteriormente, corroborando a ideia de que esses serviços não se confundem, a Lei Complementar n° 116/2003 também veicula esses serviços em itens separados, quais sejam, item 1.02 (programação) e 1.03 (processamento de dados). (...) 80. Pelo exposto, e a presente para requerer o provimento do recurso voluntário. para: (I) decretar a nulidade da r. decisão recorrida ou, se o caso, do despacho decisório, com a prolação de nova decisão administrativa; ou, caso assim não se entenda, reformar a r. decisão recorrida, para reconhecer o direito creditório pleiteado e, por conseguinte, homologar a compensação declarada. (II) reformar a r. decisão recorrida, para reconhecer o direito creditório pleiteado e, por conseguinte, homologar a compensação declarada.” É o relatório.
Nome do relator: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201704

camara_s : Terceira Câmara

turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção

dt_publicacao_tdt : Mon May 15 00:00:00 UTC 2017

numero_processo_s : 13896.907123/2009-24

anomes_publicacao_s : 201705

conteudo_id_s : 5720349

dt_registro_atualizacao_tdt : Mon May 15 00:00:00 UTC 2017

numero_decisao_s : 1302-000.482

nome_arquivo_s : Decisao_13896907123200924.PDF

ano_publicacao_s : 2017

nome_relator_s : ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR

nome_arquivo_pdf_s : 13896907123200924_5720349.pdf

secao_s : Primeira Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

dt_sessao_tdt : Mon Apr 10 00:00:00 UTC 2017

id : 6750645

ano_sessao_s : 2017

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Declarou-se impedido o Conselheiro Rogério Aparecido Gil. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e José Roberto Adelino da Silva. RELATÓRIO Versa o presente processo sobre recurso voluntário, interposto pelo contribuinte em face do Acórdão nº 12-62.729 da 6ª Turma da DRJ/RJ1, o qual foi assim ementado: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano-calendário: 2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. REMUNERAÇÃO DE SERVIÇOS PROFISSIONAIS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS RETIDAS NA FONTE. Comprovado que as importâncias pagas pela prestação dos serviços profissionais estão sujeitas à retenção das contribuições sociais, não há direito creditório a ser reconhecido. Manifestação de Inconformidade Improcedente  A recorrente, cientificada do Acórdão nº 12-62.729 em 02/03/2015 (Termo a fls. 222), interpôs, em 30/03/2015 (vide Termo a fls. 318), recurso voluntário (doc. a fls. 225 e segs.), o qual aduz, em apertada síntese, as seguintes razões de defesa: 1. Trata-se, na origem, de declaração de compensação de débito com crédito decorrente de pagamento indevido, efetuado em 21/10/2005, a título de Contribuições Sociais Retidas na Fonte (código 5952), no valor original de R$ 47.066,43.  2. Com efeito, a Recorrente e pessoa jurídica de direito privado que se dedica a prestação de serviços de credenciamento de estabelecimentos comerciais e prestadores de serviços para a aceitação de cartões de crédito e de débito, bem como outros meios de pagamento ou meios eletrônicos para registro e aprovações de transações não-financeiras. 3. Para consecução de suas atividades empresariais, a Recorrente firmou contrato de prestação de serviços de tecnologia com a empresa Eds Data Systems do Brasil Ltda. ("EDS" - fls. 80/143), que, para sua remuneração, emitia fatura mensalmente, discriminando qual o serviço englobado no contrato de prestacao de serviços efetivamente prestado. 4. Assim, em 27/09/2005, a "EDS" emitiu a Fatura n° 8552, no valor total de R$ 4.706.642,63, para remuneração dos serviços prestados a titulo de processamento de dados (fl. 144), cuja abrangência esta minuciosamente descrita no item 5.1.4, do Anexo 2.1-A, do contrato firmado com a Recorrente (fl. 89). 5. Ao receber a fatura para pagamento, a Recorrente, de forma automática (mas precipitada), calculou a retenção na fonte dos tributos devidos, nos seguintes termos: Tributo Aliquota Valor da Retencao COFINS 3% R$ 141.199,28 CSLL 1% R$ 47.066,43 IRRF 1,50% R$ 70.599,64 PIS 0,65% R$ 30.593,18 Total R$ 289.458,53 6. Diante disso, a Recorrente procedeu a retenção do valor de R$ 289.458,53, pagando a "EDS" apenas a diferença da fatura comercial e recolhendo os tributos retidos. 7. Ocorre que o serviço tornado pela Recorrente relativo a Fatura n° 8552 (processamento de dados) não está sujeito a retenção das contribuições sociais, justamente por não estar incluído na lista de serviços constante no artigo 30 da Lei n° 10.833/2003. Confira-se o teor do dispositivo legal: (...) 8.Ao notar o equívoco, a Recorrente efetuou a devolução dos valores indevidamente retidos a "EDS", conforme comprovado nos autos (fls. 145/151), inclusive com a apresentação de comprovante de transferência bancária à prestadora. 9. Assim, considerando que foram pagos ao fisco os valores indevidamente retidos na Fatura n° 8552 e, posteriormente, foi efetuada a devolução deste montante a prestadora de serviços, a Recorrente faz jus ao reconhecimento do direito creditório, porquanto restou configurado o pagamento indevido, nos termos do inciso I do artigo 165 do Código Tributário Nacional. 10. Por estas razões, a Recorrente transmitiu declaração de compensação de débitos com crédito decorrente de pagamento indevido de CSRF, no valor original de R$ 47.066,43, relativamente a CSLL indevidamente retida por ocasião do pagamento da Fatura n° 8552. 11. No entanto, tendo em vista a ausência de retificação da DCTF, foi proferido despacho decisório eletrônico não homologando a compensação declarada. 12. Em face deste despacho decisório, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, sustentando, preliminarmente, a nulidade do despacho decisório por preterição do direito de defesa e, no mérito, demonstrou, através de farta documentação a origem do direito creditório pleiteado. 13.A par de toda a argumentação e da farta documentação acostada aos autos pela Recorrente, a r. decisão recorrida recusou a nulidade alegada na manifestação de inconformidade, ao argumento de que "a contestação das informações contidas no Despacho Decisório, dos documentos juntados ou até mesmo de eventuais irregularidades dever ser realizada no momento posterior a decisão, com a apresentação de manifestação de inconformidade, iniciando o devido processo administrativo " (fl. 207). 14. Quanto ao mérito, a r. decisão recorrida manteve o indeferimento do direito creditório, ao argumento de que "a peticionária não logrou comprovar nos autos que as importâncias pagas pela prestação dos serviços de que tratou a Nota Fiscal Fatura de Serviços n" 8552, de 27/09/2005 não estavam sujeitas a retenção das contribuições sociais e, por consequência, que ocorreu pagamento indevido da CSRF" (fl. 218). (...) II.1 – DA NULIDADE POR PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA II.1.1 – Do Efetivo Prejuízo Causado à Recorrente 17. Após a prolação do despacho decisório que não reconheceu o direito creditório pleiteado, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade demonstrando a sua nulidade, em razão da ausência de intimação prévia para apresentação de informações e documentos que se fizessem necessários para o esclarecimento da origem do direito creditório pleiteado. 18. Ocorre, porém, que, em atitude inovadora no processo administrativo e violadora do §3° do artigo 59 do Decreto n° 70.235/72, a 6ª Turma da DRJ/RJ1 superou a nulidade do despacho decisório (em desfavor da Recorrente) e, o que é pior, manteve o indeferimento do direito creditório por argumento absolutamente diverso daquele invocado pelo despacho decisório. 19. Vale dizer, a 6ª Turma da DRJ/RJ1 decidiu: (I) recusar a nulidade do despacho decisório, ignorando o fato concreto de que a Recorrente jamais foi intimada pela Receita Federal do Brasil para apresentação de documentos ou informações sobre a origem do direito creditório pleiteado; e (II) manteve o indeferimento do direito creditório ao (novo) argumento de que a Recorrente não teria apresentado provas suficientes para o reconhecimento do direito creditório, o que jamais havia sido suscitado no curso do processo administrativo. 20. Evidentemente, ao superar a nulidade do despacho decisório e manter o indeferimento do direito creditório pleiteado por argumentos absolutamente diversos dos invocados pelo despacho decisório, a 6ª Turma da DRJ/RJ1 efetivamente causou prejuízo a Recorrente, cerceando o seu direito de defesa e violando o disposto no §3° do artigo 59 do Decreto n° 70.235/72. 21. Por estas razões, o recurso voluntário deve ser provido para decretar a nulidade tanto do despacho decisório quanto da r. decisão recorrida, tendo em vista que efetivamente causaram prejuízo para a Recorrente, cerceando o seu direito de defesa e impedindo a devida e necessária comprovação do direito creditório pleiteado. (...) II.1.2 – Ausência de intimação específica para apresentação de informações e documentos necessários para o esclarecimento do direito creditório (...) 23. Por sua vez, na manifestação de inconformidade, a Recorrente demonstrou (e comprovou documentalmente) a origem do direito creditório, acostando para tanto os seguintes documentos para suportar sua argumentação: (I) cópia do Contrato de Prestação de Serviços firmado entre a Recorrente e a "EDS" (fls. 80/143); (II) cópia da Fatura n° 8552, emitida pela "EDS" para remuneração do serviço de processamento de dados, conforme devidamente discriminado na própria fatura comercial (fl. 144); (III) cópias dos comprovantes de devolução do montante indevidamente retido pela Recorrente a título de CSRF a "EDS", bem como a respectiva escrituração contábil (fls. 145/151); (IV) cópia do DARF indevidamente recolhido pela Recorrente a título de CSRF (fl. 161); e (V) copia da DCTF Retificadora relativa ao período de apuração de outubro de 2005, afastando a motivação do despacho decisório para o indeferimento do direito creditório (fls. 155/160). 24. No entanto, sobreveio a r. decisão recorrida mantendo o indeferimento do direito creditório pleiteado ao argumento de que, a despeito do que consta expressamente na fatura comercial objeto da retenção indevida, não seria possível concluir que a Fatura n° 8552 teria sido emitida apenas e tão somente para remunerar o serviço de processamento de dados, e não todos os serviços compreendidos pelo Contrato de Prestação de Serviços entre a Recorrente e a "EDS". Confira-se trecho da decisão recorrida: (...) 25.Entretanto, e em vista deste (novo) entendimento manifestado pela 6ª Turma da DRJ/RJ1, fato e que, no curso do processo administrativo, a Recorrente jamais foi intimada para apresentar documentos adicionais, para esclarecimento da dúvida suscitada na r. decisão recorrida. 26. Ora, diante das informações prestadas na manifestação de inconformidade e do incontestável acervo probatório acostado aos autos, persistindo dúvidas quanto a origem do direito creditório pleiteado ou havendo a necessidade de novos esclarecimentos e documentos, é evidente, razoável e jurídico que a 6ª Turma da DRJ/RJ1 deveria ter, ao menos devolvido os autos a repartição de origem e determinado a realização de diligência, intimando a Recorrente a apresentar as informações e os documentos que se fizessem necessários, e não simplesmente manter o indeferimento do direito creditório pleiteado. 27. Além de ter optado pelo "caminho mais fácil e, também, mais curto", a 6ª Turma da DRJ/SP manteve o indeferimento do direito creditório pleiteado ao argumento de que não haveria, nos autos, prova de fatos em momento algum contestados pelo despacho decisório e dos quais, no curso do processo administrativo e da diligência fiscal, jamais o Recorrente foi intimada especificamente para se manifestar. 28. Também por essas razões, a prolação de decisão administrativa sem o correto exame do direito creditório pleiteado violou o disposto no artigo 65 da Instrução Normativa n° 1.300/2012, que estabelece o dever da autoridade administrativa de realizar as diligências necessárias para o esclarecimento do direito creditório pleiteado. Confira-se: "Art. 65. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório a apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligencia fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. " (destaques da Recorrente) (...) 35. Assim, deve ser decretada a nulidade tanto do despacho decisório quanto da r. decisão recorrida, nos termos do inciso 11 do artigo 59 do Decreto n° 70.235/72, para que o credito pleiteado pela Recorrente seja corretamente analisado pela autoridade administrativa competente. II.2 - DO MÉRITO II.2.1 - Do Serviço Remunerado Pela Fatura nº 8552 39.Por exemplo, para remuneração dos serviços prestados a título de suporte técnico em informática, em 17/12/2008, a "EDS" emitiu a Fatura n° 019754 (doc. 02), discriminando o serviço prestado de acordo com o Contrato de Prestação de Serviços, e informando as retenções, inclusive da CSRF. uma vez que este serviço específico está sujeito a retenção das contribuições sociais, de acordo com a inteligência do artigo 30 da Lei n° 10.833/2003. 40. Por outro lado, quando a "EDS" prestava os serviços de processamento de dados, era emitida fatura discriminando o serviço prestado, sem, contudo, o destaque das contribuições sociais retidas na fonte, porquanto este serviço específico não está sujeito a esta retenção nos termos da legislação tributária de regência. 41. Neste contexto, em 27/09/2005, a "EDS" emitiu a Fatura n° 8552, tendo em vista a prestação de serviços de processamento de dados, conforme discriminado na própria fatura comercial e, em razão de este serviço não se enquadrar nas hipóteses de retenção de que trata o artigo 30 da Lei n° 10.833/2003, a prestadora não destacou a CSRF. 42. No entanto, ao receber a fatura, a Recorrente, de forma automática (mas precipitada), calculou a retenção dos tributos supostamente devidos, nos seguintes termos: 43.Diante disso, a Recorrente procedeu a retenção (indevida) do valor de R$ 289.458,53, pagando a "EDS" apenas a diferença da fatura e pagando ao fisco os tributos indevidamente retidos. Por decorrência, registrou a retenção em sua contabilidade. 44. Ao notar o equívoco cometido, a Recorrente procedeu a imediata devolução dos valores indevidamente retidos a "EDS", conforme comprovado nos autos inclusive com a juntada de comprovante de transferência bancária. 45. Assim, considerando que foram recolhidos os valores indevidamente retidos e que, posteriormente, foi efetuada a devolução deste montante a prestadora de serviços, restou configurado o pagamento indevido, nos termos do inciso I do art. 165 do CTN, de modo que a Recorrente faz jus ao direito creditório pleiteado. 46. Porém, segundo a r. decisão recorrida, pela documentação acostada aos autos, não seria possível concluir que a Fatura n° 8552 se prestou para remunerar unicamente o serviço de processamento de dados serviço este, aliás, que conforme reconhecido, não está sujeito a retenção da CSRF. 47. Entretanto, a premissa adotada pela r. decisão recorrida, absolutamente não pode prosperar, pois, conforme se observa do Contrato de Prestação de Serviços, cada serviço prestado pela "EDS" era faturado separadamente, com a devida discrição na própria fatura. 48. Com efeito, o Contrato de Prestação de Serviços firmado pela Recorrente abrangia, sim, diversos serviços de tecnologia a serem prestados pela empresa "EDS", tais como suporte técnico em informática, processamento de dados, entre outros. 49. Este contrato abrangia todos os serviços de tecnologia que poderiam ser prestados pela "EDS". Entretanto, como já destacado, cada serviço era faturado separadamente, discriminando-se cada serviço na respectiva fatura comercial, de acordo com o contrato de prestação de serviços firmado entre as partes. (...) 52. No caso concreto, por sua vez, na cláusula 9.10 do Contrato de Prestação de Serviços estão previstas regras de faturamento diversas para "Processamento de Dados Normal" e "Processamento de Dados nos Ambientes de Desenvolvimento e Homologação", evidenciando que cada serviço era faturado separadamente. 53. De fato, para o serviço de "Processamento de Dados Normal", o Contrato de Prestação de Serviços prévia a seguinte regra de faturamento: "Para cada mês, durante o prazo de vigência dos Serviços de Ambiente Mainframe a CBMP deverá pagar à EDS a remuneração mensal prevista neste Anexo 2.1-A. Tal remuneração será faturada até o 5º dia útil subsequente ao mês de prestação dos Serviços, devendo ser paga pela CBMP em até 07 (sete) dias após a sua data de emissão, ou dia útil imediatamente posterior, caso o dia subsequente seja sábado, domingo ou feriado na Cidade de São Paulo e desde que a CBMP tenha recebido a fatura com 06 (seis) dias de antecedência do seu vencimento, a CBMP poderá atrasar o seu pagamento na mesma proporção do atraso na entrega." (destaques da Recorrente) 54. Por sua vez, a regra de faturamento para o serviço de "Processamento de Dados nos Ambientes de Desenvolvimento e Homologação" prevista no Contrato de Prestação de Serviços era a seguinte: "Tendo em vista que o período de apuração dos volumes de recursos consumidos compreende o período do dia 16 de um determinado mês ao dia 15 do mês subsequente, a EDS poderá levar mais do que 20 (vinte) dias para apurar os volumes mensais. Neste caso os Preços por Insumos poderão ser faturados ao final do mês subsequente ao mês de apuração do volume de recursos consumidos, com vencimento para o 10° (décimo) dia subsequente a data de emissão da fatura, ou dia útil imediatamente posterior, caso o 10º dia subsequente seja sábado, domingo ou feriado na Cidade de São Paulo. Na hipótese de a EDS conseguir apurar os volumes mensais em um prazo menor do que 20 (vinte) dias, em qualquer mês, a EDS poderá antecipar o faturamento dos Preços por insumos, sendo o pagamento devido no 10º dia subsequente a data da emissão da fatura " (destaques da Recorrente) 55. Portanto, nos termos do Contrato de Prestação de Serviços firmado entre a Recorrente e a "EDS", é indiscutível que não poderia existir a cobrança conjunta dos serviços prestados, porquanto as regras de faturamento de cada serviço eram até mesmo incompatíveis. (...) 57. E, no caso dos autos, a "EDS" indicou na Fatura n° 8552 única e exclusivamente o serviço de processamento de dados, sendo exatamente esta a prova cabal para definir qual foi a prestação remunerada. 58.Diante dessas considerações, fica absolutamente desarticulada (e mesmo sem sentido) a premissa da r. decisão recorrida, de que a Fatura n° 8552 "poderia" representar a cobrança conjunta de todos os serviços objeto do contrato firmado entre a Recorrente e a "EDS". 59.Ademais, corroborando as alegações da Recorrente, e para reforçar o acervo probatório já acostado aos autos, no prazo para interposição do recurso voluntário, a própria prestadora de serviços ("EDS", atualmente incorporada a empresa Hewlett-Packard Brasil Ltda.) emitiu declaração atestando que o serviço remunerado pela Fatura n° 8552 foi, de fato, o serviço de processamento de dados, sendo esta prova irrefutável do direito creditório pleiteado. (...) 61. Embora já reconhecido pela r. decisão recorrida que o serviço de processamento de dados não está sujeito a retenção de contribuições sociais, cumpre a Recorrente repisar a correta interpretação que deve ser conferida ao artigo 30 da Lei n° 10.833/2003. (...) 63. Da leitura do dispositivo legal, nota-se que o serviço tomado pela Recorrente (processamento de dados) não consta expressamente do rol de serviços sujeitos a retenção das contribuições sociais. 64. Contudo, ao final das hipóteses de retenção das contribuições sociais listadas pelo artigo 30 da Lei n° 10.833/2003, o legislador fez referenda ao termo "remuneração de serviços profissionais" como um dos casos que se faz obrigatória a retenção da CSRF. 65.Diante da imprecisão do termo utilizado pelo legislador, sobreveio a Instrução Normativa n° 459/2004 dispondo sobre a retenção de tributos e contribuições nos pagamentos efetuados pelas pessoas jurídicas de direito privado a outras pessoas jurídicas pela prestação de serviços. Confira-se: "Art. 1° Os pagamentos efetuados pelas pessoas jurídicas de direito privado a outras pessoas jurídicas de direito privado, pela prestação de serviços de limpeza, conservação, manutenção, segurança, vigilância, transporte de valores e locação de mão-de-obra, pela prestação de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção e riscos, administração de contas a pagar e a receber, bem como pela remuneração de serviços profissionais, estão sujeitos à retenção na fonte da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofns) e da Contribuição para o PIS/Pasep (...). § 2° Para fins do disposto neste artigo, entende-se como serviços: (...) IV - profissionais aqueles relacionados no § 1° do art. 647 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 – Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999), inclusive quando prestados por cooperativas ou associações profissionais, aplicando-se, para fins da retenção das contribuições, os mesmos critérios de interpretação adotados em atos normativos expedidos pela Secretaria da Receita Federal para a retenção do imposto de renda. (destaques da Recorrente) 66. Como se observa, a própria Receita Federal do Brasil determinou que a interpretação do artigo 30 da Lei n° 10.833/2003 deve ser feita à luz do disposto no §1° do artigo 647 do Regulamento do Imposto de Renda. 67. Do mesmo modo, ao analisar o artigo 647 do Regulamento do Imposto de Renda, o serviço de processamento de dados não consta deste rol. Confira-se: (...) 69. E nem se alegue que o serviço de processamento de dados estaria inserido no tópico de "programação", uma vez que estes se diferenciam. 70. Com efeito, a primeira oportunidade em que os serviços de programação e processamento de dados surgiram nos textos legais foi na Lei Complementar n° 56/87, na qual ja se dispunha separadamente os serviços em questão, o primeiro como item n° 23 e o segundo n° 22. Confira-se: (...) 71. Posteriormente, corroborando a ideia de que esses serviços não se confundem, a Lei Complementar n° 116/2003 também veicula esses serviços em itens separados, quais sejam, item 1.02 (programação) e 1.03 (processamento de dados). (...) 80. Pelo exposto, e a presente para requerer o provimento do recurso voluntário. para: (I) decretar a nulidade da r. decisão recorrida ou, se o caso, do despacho decisório, com a prolação de nova decisão administrativa; ou, caso assim não se entenda, reformar a r. decisão recorrida, para reconhecer o direito creditório pleiteado e, por conseguinte, homologar a compensação declarada. (II) reformar a r. decisão recorrida, para reconhecer o direito creditório pleiteado e, por conseguinte, homologar a compensação declarada.” É o relatório.

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:59:34 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713048950503636992

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1099; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C3T2  Fl. 321          1 320  S1­C3T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  13896.907123/2009­24  Recurso nº            Voluntário  Resolução nº  1302­000.482  –  3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária  Data  10 de abril de 2017  Assunto  Saneamento.  Recorrente  COMPANHIA BRASILEIRA DE MEIOS DE PAGAMENTO (ATUAL  CIELO S/A)  Interessado  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter  o  julgamento  em  diligência,  nos  termos  do  voto  do  relator.  Declarou­se  impedido  o  Conselheiro Rogério Aparecido Gil.    (assinado digitalmente)  Luiz Tadeu Matosinho Machado ­ Presidente.    (assinado digitalmente)  Alberto Pinto Souza Junior ­ Relator.      Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho  Machado  (Presidente),  Alberto  Pinto  Souza  Júnior,  Marcos  Antonio  Nepomuceno  Feitosa,  Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e José Roberto Adelino da Silva.             RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 96 .9 07 12 3/ 20 09 -2 4 Fl. 327DF CARF MF Processo nº 13896.907123/2009­24  Resolução nº  1302­000.482  S1­C3T2  Fl. 322          2 RELATÓRIO    Versa o presente processo sobre recurso voluntário, interposto pelo contribuinte  em face do Acórdão nº 12‐62.729 da 6ª Turma da DRJ/RJ1, o qual foi assim ementado:  ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA  Ano­calendário: 2005  DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA.  REMUNERAÇÃO DE SERVIÇOS PROFISSIONAIS.  CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS RETIDAS NA FONTE.  Comprovado que as importâncias pagas pela prestação dos serviços  profissionais estão sujeitas à retenção das contribuições sociais, não há  direito creditório a ser reconhecido.  Manifestação de Inconformidade Improcedente     A recorrente, cientificada do Acórdão nº 12‐62.729 em 02/03/2015 (Termo a  fls. 222), interpôs, em 30/03/2015 (vide Termo a fls. 318), recurso voluntário (doc. a fls. 225 e  segs.), o qual aduz, em apertada síntese, as seguintes razões de defesa:  1. Trata­se,  na origem, de declaração de compensação  de  débito  com crédito  decorrente  de  pagamento  indevido,  efetuado  em  21/10/2005,  a  título  de  Contribuições Sociais Retidas na Fonte (código 5952), no valor original de R$  47.066,43.   2. Com efeito, a Recorrente e pessoa jurídica de direito privado que se dedica  a prestação de serviços de credenciamento de estabelecimentos comerciais e  prestadores de serviços para a aceitação de cartões de crédito e de débito, bem  como  outros  meios  de  pagamento  ou  meios  eletrônicos  para  registro  e  aprovações de transações não­financeiras.  3.  Para  consecução  de  suas  atividades  empresariais,  a  Recorrente  firmou  contrato  de  prestação  de  serviços  de  tecnologia  com  a  empresa  Eds  Data  Systems  do  Brasil  Ltda. ("EDS"  ­  fls.  80/143),  que,  para  sua  remuneração,  emitia fatura mensalmente, discriminando qual o serviço englobado no contrato  de prestacao de serviços efetivamente prestado.  4. Assim, em 27/09/2005, a "EDS" emitiu a Fatura n° 8552, no valor total de  R$  4.706.642,63,  para  remuneração  dos  serviços  prestados  a  titulo  de  processamento  de  dados  (fl.  144),  cuja  abrangência  esta  minuciosamente  descrita no item 5.1.4, do Anexo 2.1­A, do contrato firmado com a Recorrente  (fl. 89).  5.  Ao  receber  a  fatura  para  pagamento,  a  Recorrente,  de  forma  automática  (mas  precipitada),  calculou  a  retenção  na  fonte  dos  tributos  devidos,  nos  seguintes termos:  Tributo  Aliquota  Valor da Retencao  COFINS  3%  R$      141.199,28  CSLL  1%  R$       47.066,43  IRRF  1,50%  R$       70.599,64  PIS  0,65%  R$       30.593,18  Total    R$      289.458,53  6. Diante disso, a Recorrente procedeu a retenção do valor de R$ 289.458,53,  pagando  a  "EDS"  apenas  a  diferença  da  fatura  comercial  e  recolhendo  os  tributos retidos.   Fl. 328DF CARF MF Processo nº 13896.907123/2009­24  Resolução nº  1302­000.482  S1­C3T2  Fl. 323          3 7.  Ocorre  que  o  serviço  tornado  pela  Recorrente  relativo  a  Fatura  n°  8552  (processamento  de  dados)  não  está  sujeito  a  retenção  das  contribuições  sociais,  justamente  por  não  estar  incluído  na  lista  de  serviços  constante  no  artigo 30 da Lei n° 10.833/2003. Confira­se o teor do dispositivo legal:   (...)  8.  Ao  notar  o  equívoco,  a  Recorrente  efetuou  a  devolução  dos  valores  indevidamente  retidos  a  "EDS",  conforme  comprovado  nos  autos  (fls.  145/151),  inclusive  com  a  apresentação  de  comprovante  de  transferência  bancária à prestadora.   9. Assim,  considerando que  foram pagos  ao  fisco  os  valores  indevidamente  retidos  na  Fatura  n°  8552  e,  posteriormente,  foi  efetuada  a  devolução  deste  montante a prestadora de serviços, a Recorrente faz jus ao reconhecimento do  direito  creditório,  porquanto  restou  configurado  o  pagamento  indevido,  nos  termos do inciso I do artigo 165 do Código Tributário Nacional.   10.   Por  estas  razões,  a  Recorrente transmitiu declaração de compensação  de débitos com crédito decorrente de pagamento indevido de CSRF, no valor  original  de  R$  47.066,43,  relativamente  a  CSLL  indevidamente  retida  por  ocasião do pagamento da Fatura n° 8552.   11.  No  entanto,  tendo  em  vista  a  ausência  de  retificação  da  DCTF,  foi  proferido  despacho  decisório  eletrônico  não  homologando  a  compensação  declarada.   12. Em face deste despacho decisório, a Recorrente apresentou manifestação  de  inconformidade,  sustentando,  preliminarmente,  a  nulidade  do  despacho  decisório por preterição do direito de defesa e, no mérito, demonstrou, através  de farta documentação a origem do direito creditório pleiteado.   13.  A  par  de  toda  a  argumentação  e  da  farta  documentação  acostada  aos  autos  pela  Recorrente,  a  r.  decisão  recorrida  recusou  a  nulidade  alegada  na  manifestação  de  inconformidade,  ao  argumento  de  que  "a  contestação  das  informações contidas no Despacho Decisório, dos documentos juntados ou até  mesmo de eventuais irregularidades dever ser realizada no momento posterior  a decisão, com a apresentação de manifestação de inconformidade, iniciando  o devido processo administrativo " (fl. 207).  14.  Quanto  ao  mérito,  a  r.  decisão  recorrida  manteve  o  indeferimento  do  direito creditório, ao argumento de que "a peticionária não logrou comprovar  nos autos que as importâncias pagas pela prestação dos serviços de que tratou  a Nota Fiscal Fatura de Serviços n" 8552, de 27/09/2005 não estavam sujeitas  a  retenção  das  contribuições  sociais  e,  por  consequência,  que  ocorreu  pagamento indevido da CSRF" (fl. 218).   (...)  II.1 – DA NULIDADE POR PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA  II.1.1 – Do Efetivo Prejuízo Causado à Recorrente  17.  Após  a  prolação  do  despacho  decisório  que  não  reconheceu  o  direito  creditório pleiteado, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade  Fl. 329DF CARF MF Processo nº 13896.907123/2009­24  Resolução nº  1302­000.482  S1­C3T2  Fl. 324          4 demonstrando a sua nulidade, em razão da ausência de intimação prévia para  apresentação de informações e documentos que se fizessem necessários para o  esclarecimento da origem do direito creditório pleiteado.   18. Ocorre,  porém,  que,  em  atitude  inovadora  no  processo  administrativo  e  violadora  do  §3°  do  artigo  59  do  Decreto  n°  70.235/72,  a  6ª  Turma  da  DRJ/RJ1  superou  a  nulidade  do  despacho  decisório  (em  desfavor  da  Recorrente) e, o que é pior, manteve o indeferimento do direito creditório por  argumento absolutamente diverso daquele invocado pelo despacho decisório.  19.  Vale  dizer,  a  6ª  Turma  da  DRJ/RJ1  decidiu:  (I)  recusar  a  nulidade  do  despacho decisório, ignorando o fato concreto de que a Recorrente jamais foi  intimada pela Receita Federal do Brasil para apresentação de documentos ou  informações  sobre a origem do direito creditório pleiteado; e  (II) manteve o  indeferimento do direito creditório ao (novo) argumento de que a Recorrente  não  teria  apresentado  provas  suficientes  para  o  reconhecimento  do  direito  creditório,  o  que  jamais  havia  sido  suscitado  no  curso  do  processo  administrativo.   20. Evidentemente,  ao  superar  a nulidade do despacho decisório e manter o  indeferimento  do  direito  creditório  pleiteado  por  argumentos  absolutamente  diversos  dos  invocados  pelo  despacho  decisório,  a  6ª  Turma  da  DRJ/RJ1  efetivamente causou prejuízo a Recorrente, cerceando o seu direito de defesa  e violando o disposto no §3° do artigo 59 do Decreto n° 70.235/72.   21.  Por  estas  razões,  o  recurso  voluntário  deve  ser  provido  para  decretar  a  nulidade tanto do despacho decisório quanto da r. decisão recorrida, tendo em  vista que efetivamente causaram prejuízo para a Recorrente, cerceando o seu  direito de defesa e  impedindo a devida e necessária comprovação do direito  creditório pleiteado.   (...)  II.1.2  –  Ausência  de  intimação  específica  para  apresentação  de  informações  e  documentos  necessários  para  o  esclarecimento  do  direito  creditório  (...)  23. Por sua vez, na manifestação de inconformidade, a Recorrente demonstrou  (e  comprovou  documentalmente)  a  origem  do  direito  creditório,  acostando  para tanto os seguintes documentos para suportar sua argumentação:     (I)  cópia  do  Contrato  de  Prestação  de  Serviços  firmado  entre  a  Recorrente e a "EDS" (fls. 80/143);     (II) cópia da Fatura n° 8552, emitida pela "EDS" para remuneração do  serviço de  processamento de  dados,  conforme devidamente  discriminado na  própria fatura comercial (fl. 144);     (III) cópias dos comprovantes de devolução do montante indevidamente  retido  pela  Recorrente  a  título  de  CSRF  a  "EDS",  bem  como  a  respectiva  escrituração contábil (fls. 145/151);   Fl. 330DF CARF MF Processo nº 13896.907123/2009­24  Resolução nº  1302­000.482  S1­C3T2  Fl. 325          5   (IV) cópia do DARF indevidamente recolhido pela Recorrente a título  de CSRF (fl. 161); e     (V)  copia  da  DCTF  Retificadora  relativa  ao  período  de  apuração  de  outubro  de  2005,  afastando  a  motivação  do  despacho  decisório  para  o  indeferimento do direito creditório (fls. 155/160).   24. No entanto, sobreveio a r. decisão recorrida mantendo o indeferimento do  direito  creditório  pleiteado  ao  argumento  de  que,  a  despeito  do  que  consta  expressamente  na  fatura  comercial  objeto  da  retenção  indevida,  não  seria  possível concluir que a Fatura n° 8552 teria sido emitida apenas e tão somente  para remunerar o serviço de processamento de dados, e não todos os serviços  compreendidos pelo Contrato de Prestação de Serviços entre a Recorrente e a  "EDS". Confira­se trecho da decisão recorrida:   (...)  25.  Entretanto,  e  em vista  deste  (novo)  entendimento manifestado  pela  6ª  Turma  da  DRJ/RJ1,  fato  e  que,  no  curso  do  processo  administrativo,  a  Recorrente  jamais  foi  intimada  para  apresentar  documentos  adicionais,  para  esclarecimento da dúvida suscitada na r. decisão recorrida.   26. Ora, diante das informações prestadas na manifestação de inconformidade  e do  incontestável acervo probatório acostado aos autos, persistindo dúvidas  quanto a origem do direito creditório pleiteado ou havendo a necessidade de  novos esclarecimentos e documentos, é evidente, razoável e jurídico que a 6ª  Turma da DRJ/RJ1 deveria  ter, ao menos devolvido os autos a repartição de  origem  e  determinado  a  realização  de  diligência,  intimando  a  Recorrente  a  apresentar as informações e os documentos que se fizessem necessários, e não  simplesmente manter o indeferimento do direito creditório pleiteado.  27. Além de ter optado pelo "caminho mais fácil e, também, mais curto", a 6ª  Turma da DRJ/SP manteve o indeferimento do direito creditório pleiteado ao  argumento de que não haveria, nos autos, prova de fatos em momento algum  contestados  pelo  despacho  decisório  e  dos  quais,  no  curso  do  processo  administrativo  e  da  diligência  fiscal,  jamais  o  Recorrente  foi  intimada  especificamente para se manifestar.   28.  Também  por  essas  razões,  a  prolação  de  decisão  administrativa  sem  o  correto exame do direito creditório pleiteado violou o disposto no artigo 65 da  Instrução  Normativa  n°  1.300/2012,  que  estabelece  o  dever  da  autoridade  administrativa de realizar as diligências necessárias para o esclarecimento do  direito creditório pleiteado. Confira­se:   "Art.  65.  A  autoridade  da  RFB  competente  para  decidir  sobre  a  restituição,  o  ressarcimento,  o  reembolso  e  a  compensação  poderá  condicionar  o  reconhecimento  do  direito  creditório  a  apresentação  de  documentos  comprobatórios  do  referido  direito,  inclusive  arquivos  magnéticos, bem como determinar a realização de diligencia fiscal nos  estabelecimentos  do  sujeito  passivo  a  fim  de  que  seja  verificada,  mediante  exame  de  sua  escrituração  contábil  e  fiscal,  a  exatidão  das  informações prestadas. " (destaques da Recorrente)   (...)  Fl. 331DF CARF MF Processo nº 13896.907123/2009­24  Resolução nº  1302­000.482  S1­C3T2  Fl. 326          6 35. Assim, deve ser decretada a nulidade tanto do despacho decisório quanto  da  r. decisão  recorrida,  nos  termos do  inciso 11 do  artigo 59 do Decreto n°  70.235/72,  para  que  o  credito  pleiteado  pela  Recorrente  seja  corretamente  analisado pela autoridade administrativa competente.   II.2 ­ DO MÉRITO   II.2.1 ­ Do Serviço Remunerado Pela Fatura nº 8552   39.  Por  exemplo,  para  remuneração  dos  serviços  prestados  a  título  de  suporte  técnico em  informática, em 17/12/2008, a "EDS" emitiu a Fatura n°  019754 (doc. 02), discriminando o serviço prestado de acordo com o Contrato  de Prestação de Serviços, e informando as retenções, inclusive da CSRF. uma  vez  que  este  serviço  específico  está  sujeito  a  retenção  das  contribuições  sociais, de acordo com a inteligência do artigo 30 da Lei n° 10.833/2003.   40. Por outro lado, quando a "EDS" prestava os serviços de processamento de  dados,  era  emitida  fatura discriminando o  serviço prestado,  sem,  contudo, o  destaque  das  contribuições  sociais  retidas  na  fonte,  porquanto  este  serviço  específico não está sujeito a esta retenção nos termos da legislação tributária  de regência.   41. Neste contexto, em 27/09/2005, a "EDS" emitiu a Fatura n° 8552,  tendo  em  vista  a  prestação  de  serviços  de  processamento  de  dados,  conforme  discriminado na própria  fatura comercial e,  em razão de este  serviço não se  enquadrar  nas  hipóteses  de  retenção  de  que  trata  o  artigo  30  da  Lei  n°  10.833/2003, a prestadora não destacou a CSRF.   42. No entanto, ao receber a fatura, a Recorrente, de forma automática (mas  precipitada),  calculou  a  retenção  dos  tributos  supostamente  devidos,  nos  seguintes termos:   43.  Diante disso, a Recorrente procedeu a  retenção (indevida) do valor de  R$ 289.458,53, pagando a "EDS" apenas a diferença da fatura e pagando ao  fisco os tributos indevidamente retidos. Por decorrência, registrou a retenção  em sua contabilidade.   44.  Ao  notar  o  equívoco  cometido,  a  Recorrente  procedeu  a  imediata  devolução dos valores indevidamente retidos a "EDS", conforme comprovado  nos autos inclusive com a juntada de comprovante de transferência bancária.   45.  Assim,  considerando  que  foram  recolhidos  os  valores  indevidamente  retidos  e  que,  posteriormente,  foi  efetuada  a  devolução  deste  montante  a  prestadora de serviços, restou configurado o pagamento indevido, nos termos  do inciso I do art. 165 do CTN, de modo que a Recorrente faz jus ao direito  creditório pleiteado.   46.  Porém,  segundo  a  r.  decisão  recorrida,  pela  documentação  acostada  aos  autos,  não  seria  possível  concluir  que  a  Fatura  n°  8552  se  prestou  para  remunerar  unicamente  o  serviço  de  processamento  de  dados  serviço  este,  aliás, que conforme reconhecido, não está sujeito a retenção da CSRF.   47.  Entretanto,  a  premissa  adotada  pela  r.  decisão  recorrida,  absolutamente  não pode prosperar,  pois,  conforme  se observa do Contrato de Prestação de  Fl. 332DF CARF MF Processo nº 13896.907123/2009­24  Resolução nº  1302­000.482  S1­C3T2  Fl. 327          7 Serviços, cada serviço prestado pela "EDS" era faturado separadamente, com  a devida discrição na própria fatura.  48. Com efeito, o Contrato de Prestação de Serviços firmado pela Recorrente  abrangia, sim, diversos serviços de tecnologia a serem prestados pela empresa  "EDS",  tais  como  suporte  técnico  em  informática,  processamento  de  dados,  entre outros.   49. Este contrato abrangia todos os serviços de tecnologia que poderiam ser  prestados  pela  "EDS".  Entretanto,  como  já  destacado,  cada  serviço  era  faturado  separadamente,  discriminando­se  cada  serviço  na  respectiva  fatura  comercial, de acordo com o contrato de prestação de serviços firmado entre as  partes.   (...)  52. No caso concreto, por sua vez, na cláusula 9.10 do Contrato de Prestação  de  Serviços  estão  previstas  regras  de  faturamento  diversas  para  "Processamento  de  Dados  Normal"  e  "Processamento  de  Dados  nos  Ambientes  de  Desenvolvimento  e  Homologação",  evidenciando  que  cada  serviço era faturado separadamente.   53. De fato, para o serviço de "Processamento de Dados Normal", o Contrato  de Prestação de Serviços prévia a seguinte regra de faturamento:   "Para cada mês, durante o prazo de vigência dos Serviços de Ambiente  Mainframe  a  CBMP  deverá  pagar  à  EDS  a  remuneração  mensal  prevista neste Anexo 2.1­A. Tal remuneração será faturada até o 5º  dia útil subsequente ao mês de prestação dos Serviços, devendo ser  paga pela CBMP em até 07 (sete) dias após a sua data de emissão,  ou dia útil imediatamente posterior, caso o dia subsequente seja sábado,  domingo ou feriado na Cidade de São Paulo e desde que a CBMP tenha  recebido a fatura com 06 (seis) dias de antecedência do seu vencimento,  a CBMP poderá atrasar o seu pagamento na mesma proporção do atraso  na entrega." (destaques da Recorrente)  54. Por sua vez, a regra de faturamento para o serviço de "Processamento de  Dados  nos  Ambientes  de  Desenvolvimento  e  Homologação"  prevista  no  Contrato de Prestação de Serviços era a seguinte:   "Tendo em vista  que  o período  de  apuração dos  volumes  de  recursos  consumidos compreende o período do dia 16 de um determinado mês  ao  dia  15  do mês  subsequente,  a  EDS  poderá  levar mais  do  que  20  (vinte) dias para apurar os volumes mensais. Neste caso os Preços por  Insumos poderão ser faturados ao final do mês subsequente ao mês de  apuração do volume de  recursos  consumidos,  com vencimento para o  10°  (décimo) dia  subsequente a data de emissão da  fatura,  ou dia útil  imediatamente  posterior,  caso  o  10º  dia  subsequente  seja  sábado,  domingo  ou  feriado  na  Cidade  de  São  Paulo.  Na  hipótese  de  a  EDS  conseguir  apurar os  volumes mensais  em um prazo menor  do  que  20  (vinte) dias,  em qualquer mês,  a EDS poderá  antecipar o  faturamento  dos  Preços  por  insumos,  sendo  o  pagamento  devido  no  10º  dia  subsequente a data da emissão da fatura " (destaques da Recorrente)   Fl. 333DF CARF MF Processo nº 13896.907123/2009­24  Resolução nº  1302­000.482  S1­C3T2  Fl. 328          8 55. Portanto, nos termos do Contrato de Prestação de Serviços firmado entre a  Recorrente  e  a  "EDS",  é  indiscutível  que  não    poderia    existir  a    cobrança   conjunta  dos serviços prestados, porquanto as regras de faturamento de cada  serviço eram até mesmo incompatíveis.   (...)  57.  E,  no  caso  dos  autos,  a  "EDS"  indicou  na  Fatura  n°  8552  única  e  exclusivamente o serviço de processamento de dados, sendo exatamente esta a  prova cabal para definir qual foi a prestação remunerada.  58.  Diante  dessas  considerações,  fica  absolutamente  desarticulada  (e  mesmo  sem  sentido)  a  premissa  da  r.  decisão  recorrida,  de  que  a  Fatura  n°  8552 "poderia" representar a cobrança conjunta de todos os serviços objeto do  contrato firmado entre a Recorrente e a "EDS".   59.  Ademais,  corroborando  as  alegações  da Recorrente,  e  para  reforçar  o  acervo probatório já acostado aos autos, no prazo para interposição do recurso  voluntário, a própria prestadora de serviços ("EDS", atualmente incorporada a  empresa  Hewlett­Packard  Brasil  Ltda.)  emitiu  declaração  atestando  que  o  serviço  remunerado  pela  Fatura  n°  8552  foi,  de  fato,  o  serviço  de  processamento  de  dados,  sendo  esta  prova  irrefutável  do  direito  creditório  pleiteado.  (...)  61.  Embora  já  reconhecido  pela  r.  decisão  recorrida  que  o  serviço  de  processamento de dados não está sujeito a retenção de contribuições sociais,  cumpre a Recorrente repisar a correta interpretação que deve ser conferida ao  artigo 30 da Lei n° 10.833/2003.  (...)  63.  Da  leitura  do  dispositivo  legal,  nota­se  que  o  serviço  tomado  pela  Recorrente  (processamento  de  dados)  não  consta  expressamente  do  rol  de  serviços sujeitos a retenção das contribuições sociais.  64.  Contudo,  ao  final  das  hipóteses  de  retenção  das  contribuições  sociais  listadas  pelo  artigo  30 da Lei  n°  10.833/2003,  o  legislador  fez  referenda  ao  termo "remuneração de serviços profissionais" como um dos casos que se faz  obrigatória a retenção da CSRF.   65.  Diante  da  imprecisão  do  termo  utilizado  pelo  legislador,  sobreveio  a  Instrução  Normativa  n°  459/2004  dispondo  sobre  a  retenção  de  tributos  e  contribuições  nos  pagamentos  efetuados  pelas  pessoas  jurídicas  de  direito  privado a outras pessoas jurídicas pela prestação de serviços. Confira­se:    "Art.  1°  Os  pagamentos  efetuados  pelas  pessoas  jurídicas  de  direito  privado a outras pessoas jurídicas de direito privado, pela prestação de  serviços  de  limpeza,  conservação, manutenção,  segurança,  vigilância,  transporte  de  valores  e  locação  de  mão­de­obra,  pela  prestação  de  serviços  de  assessoria  creditícia,  mercadológica,  gestão  de  crédito,  seleção e riscos, administração de contas a pagar e a receber, bem como  pela remuneração de serviços profissionais, estão sujeitos à retenção na  fonte  da  Contribuição  Social  sobre  o  Lucro  Líquido  (CSLL),  da  Fl. 334DF CARF MF Processo nº 13896.907123/2009­24  Resolução nº  1302­000.482  S1­C3T2  Fl. 329          9 Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofns) e da  Contribuição para o PIS/Pasep  (...).   § 2° Para fins do disposto neste artigo, entende­se como serviços:   (...)   IV  ­  profissionais  aqueles  relacionados  no  §  1°  do  art.  647  do  Decreto  nº  3.000,  de  26  de  março  de  1999  –  Regulamento  do  Imposto  de  Renda  (RIR/1999),  inclusive  quando  prestados  por  cooperativas ou associações profissionais, aplicando­se, para fins da  retenção  das  contribuições,  os  mesmos  critérios  de  interpretação  adotados em atos normativos expedidos pela Secretaria da Receita  Federal  para  a  retenção  do  imposto  de  renda.  (destaques  da  Recorrente)   66. Como  se observa,  a própria Receita Federal  do Brasil determinou que a  interpretação  do  artigo  30  da  Lei  n°  10.833/2003  deve  ser  feita  à  luz  do  disposto no §1° do artigo 647 do Regulamento do Imposto de Renda.   67. Do mesmo modo, ao analisar o artigo 647 do Regulamento do Imposto de  Renda, o serviço de processamento de dados não consta deste rol. Confira­se:  (...)  69. E nem se alegue que o serviço de processamento de dados estaria inserido  no tópico de "programação", uma vez que estes se diferenciam.  70. Com efeito, a primeira oportunidade em que os serviços de programação e  processamento de dados surgiram nos textos legais foi na Lei Complementar  n°  56/87,  na  qual  ja  se  dispunha  separadamente  os  serviços  em  questão,  o  primeiro como item n° 23 e o segundo n° 22. Confira­se:   (...)  71.  Posteriormente,  corroborando  a  ideia  de  que  esses  serviços  não  se  confundem, a Lei Complementar n° 116/2003 também veicula esses serviços  em  itens  separados,  quais  sejam,  item  1.02  (programação)  e  1.03  (processamento de dados).   (...)  80.     Pelo    exposto,    e    a    presente    para  requerer o provimento do  recurso  voluntário. para:   (I)  decretar  a  nulidade  da  r.  decisão  recorrida  ou,  se  o  caso,  do  despacho  decisório, com a prolação de nova decisão administrativa; ou, caso assim não  se entenda, reformar a r. decisão recorrida, para reconhecer o direito creditório  pleiteado e, por conseguinte, homologar a compensação declarada.    (II)  reformar  a  r.  decisão  recorrida,  para  reconhecer  o  direito  creditório  pleiteado e, por conseguinte, homologar a compensação declarada.”  Fl. 335DF CARF MF Processo nº 13896.907123/2009­24  Resolução nº  1302­000.482  S1­C3T2  Fl. 330          10   É o relatório.  VOTO      Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior ­ Relator.        O recurso voluntário é tempestivo e foi subscrito por mandatário com poderes  para tal (Daniel Lacasa Maya), conforme procuração e substabelecimento a fls. 170/172, razão  pela qual voto por conhecê­lo.    Inicialmente,  afasto  a  preliminar  de  nulidade  da  decisão  recorrida,  pois  o  julgador está preso ao pedido, não aos fundamentos, ou seja, o julgador da DRJ poderia chegar  a mesma conclusão do despacho decisório por outros motivos, como também poderia ter dado  provimento à manifestação de inconformidade da recorrente por outros  fundamentos que não  aqueles por ela aduzidos. Em verdade, no novel CPC foi introduzido o princípio da vedação da  decisão surpresa (art. 10), para evitar situações como essa contra a qual se insurge a recorrente.  Ocorre porém que, ainda que se sustente que tal princípio se aplicaria ao PAF, por força do art.  15  da  Lei  13.105/15  (novo  CPC),  tal  lei  não  vigorava  quando  foi  proferida  a  decisão  de  primeira instância,  logo, não estava a DRJ obrigada a ouvir previamente a recorrente sobre o  fundamento orientador de sua decisão. Por essa razão, voto por afastar a preliminar de nulidade  da decisão de primeira instância.    No que toca a alegação de descumprimento do art. 76 da Instrução Normativa  n° 1.300/2012 (alerte­se que a recorrente se confundiu ao indicar como art. 65 o texto que na  verdade era do art. 76), a recorrente incorre em rotundo equívoco, pois tal dispositivo prevê a  possibilidade de a autoridade tributária realizar as diligências que achar necessária, mas não a  obriga a tomar tal providência se, ao seu juízo, elas não se fazem necessárias. Por esse motivo,  também voto por afastar a preliminar de nulidade neste ponto.    Quanto à alegação de nulidade do despacho decisório, não há também que ser  acolhida,  pois  a  própria  recorrente  admite,  em  seu  recurso,  que  só  retificou  a DCTF  após  a  ciência  do  teor  do  Despacho  Decisório,  logo,  só  cabia  à  Autoridade  Fiscal  negar  a  homologação da compensação, já que os créditos pleiteados tinham sido utilizados para pagar  débitos confessados pela própria recorrente.    Assim,  voto  também  por  afastar  a  preliminar  de  nulidade  do  despacho  decisório.    Ultrapassadas as preliminares, a primeira questão que se coloca para análise  deste Colegiado é saber se, admitido pela recorrente de que só retificou a DCTF (para excluir  débitos  antes  confessados  e  assim  fazer  nascer  o  indébito)  após  a  ciência  do  despacho  decisório,  haveria  como  reformar  o Despacho Decisório  que  decidiu  em  consonância  com  a  situação fática à época em que proferido.     Em outro julgado, no qual o recorrente não adotou a providência de retificar a  DCTF, assim decidi:  “Acrescento à bem fundamentada decisão da DRJ/REC que, enquanto  não  retificada  a  DCTF,  o  débito  ali  confessado  subsiste,  logo,  se  possível  fosse  restituir  o  alegado  direito  creditório,  sem  que  a  recorrente promovesse a prévia retificação da DCTF, teríamos o melhor  dos mundos para a recorrente, pois, além de ter sido restituída do valor  pago, passaria a estar formalmente protegida de qualquer multa sobre o  IRPJ lançado de ofício até o valor declarado na DCTF (já que não foi  Fl. 336DF CARF MF Processo nº 13896.907123/2009­24  Resolução nº  1302­000.482  S1­C3T2  Fl. 331          11 retificada), qualquer que fosse a infração constatada, já que não incide  multa de ofício sobre débito declarado em DCTF.”.    Ocorre que há duas diferenças importantes entre a situação ali julgada e a que  ora analisamos, pois nestes autos: primeiro, o recorrente retificou a DCTF antes de apresentar a  manifestação de inconformidade; segundo, o recorrente não é sujeito passivo direto da CSRF  declarada na DCTF, mas apenas assumiu um múnus público (de reter e recolher) por ser fonte  pagadora dos valores sobre os quais incidiu a CSRF.    Note­se que o  recorrente não estava sob  fiscalização, assim, o mero fato de  ter  sido proferido um despacho decisório não era obstáculo para que ele  retificasse  a DCTF.  Logo,  legítima  a  retificação  da DCTF  sob  o  ponto  de  vista  formal.  Se  era  ou  não  devida  a  CSRF  sobre  a  operação  em  tela,  é  algo  que  devemos  discutir  no  mérito,  sendo  que,  caso  positiva  a  resposta,  poderá  importar  na  não­homologação  da  compensação,  não  obstante  a  recorrente tenha retificado a DCTF.     In  casu,  a  DCTF  não  tem  o  efeito  constitutivo  do  crédito  tributário,  como  teria se estivéssemos tratando de tributo do qual o recorrente fosse efetivamente sujeito passivo  direto.  Note­se,  que  a  recorrente,  na  condição  de  fonte  pagadora,  não  era  contribuinte  das  contribuições  sociais  por  ela  retida  fonte,  logo,  se  não  houvesse  retenção  e  recolhimento,  estaria ela sujeita apenas a sanção prevista no art. 9º da Lei 10.426/02, razão pela qual, nesta  hipótese,  sustento  que  não  há  necessidade  de  prévia  retificação  de DCTF  para  se  pleitear  a  CSRF  indevidamente  recolhida  e  nela  declarado.  Sustento  que,  para  CSRF,  a  DCTF  tem  caráter meramente informativo ao Fisco.    Ademais,  a  decisão  proferida  em  despacho  decisório  decorre  de  um  juízo  ainda  precário  e  superficial,  pois  que  resultante  de  mera  análise  de  dados  constantes  de  sistemas  operacionais  da RFB,  sem que  seja  sequer  oportunizado  à  recorrente  expor  as  suas  razões.  Tanto  que,  se  a  recorrente  tivesse  tido  o  cuidado  de  retificar  a  DCTF  antes  de  apresentar o PerDcomp, talvez o despacho decisório tivesse outra conclusão acerca do pedido.    Por  essas  razões,  sustento  legítima  a  retificação  de DCTF  realizada  após  a  ciência do despacho decisório.    O objeto deste processo é o PER/Dcomp a fls. 2, no qual a recorrente pleiteia  a  compensação  de  crédito  relativo  a  Contribuições  sociais  retidas  na  fonte  (Cód.  de  receita  5952) no valor original de R$ 47.066,43.    O recolhimento feito com o código de arrecadação 5952 refere­se a “retenção  contribuições  pagt  de  PJ  a  PJ  dir  priv  –  CSLL/Cofins/PIS”,  ou  seja,  um  DARF  com  esse  código  significa  que  o  valor  ali  recolhido  se  refere  à  retenção  de CSLL,  PIS  e Cofins. Não  obstante, a recorrente alegue, em seu recurso, que os R$ 47.066,43 referem­se apenas à CSLL  por ele  retida na fonte  sobre o pagamento efetuado à EDS Eletronic Data Systems do Brasil  Ltda., relativo ao serviço faturado pela na nota de serviço nº 8552 (a fls. 147).    Tratando­se  de  tributo  do  qual  o  recorrente  não  é  contribuinte,  mas  mera  fonte  pagadora  obrigada  a  reter  e  recolher  a  referida  contribuição,  a  primeira  questão  a  ser  verificada reside em saber se a recorrente assumiu o encargo financeiro relativo a tributo por  ela retido na fonte ou se está autorizada pelo contribuinte (EDS) a pedir a restituição, ex vi art.  166 do CTN, in verbis:  “Art.  166.  A  restituição  de  tributos  que  comportem,  por  sua  natureza,  transferência  do  respectivo  encargo  financeiro  somente  será feita a quem prove haver assumido o referido encargo, ou, no  caso  de  tê­lo  transferido  a  terceiro,  estar  por  este  expressamente  autorizado a recebê­la.”.        Alega o recorrente que, ao concluir que não era devida a retenção da CSLL,  procedeu a  imediata devolução dos valores  indevidamente retidos ao contribuinte "EDS". De  Fl. 337DF CARF MF Processo nº 13896.907123/2009­24  Resolução nº  1302­000.482  S1­C3T2  Fl. 332          12 fato,  a  fls.  267  (vide  também  procuração  a  fls.  268),  consta  declaração  da  Hewlett­Packard  Brasil, sucessora da EDS Eletronic Data Systems do Brasil Ltda., na qual informa que recebeu  integralmente o valor de R$ 4.706.642,63 referente ao serviço faturado pela na nota de serviço  nº 8552 emitida em 27.09.2005 pela empresa EDS. Ora, a nota nº 8552 a fls. 147 tem por valor  total justamente R$ 4.706.642,63, o que significa que a recorrente pagou a nota nº 8552, sem  qualquer dedução a título de CSRF. Aliado a tudo isso, a fls. 173, consta comprovante de que a  recorrente fez uma transferência interbancária para EDS no valor de R$ 289.458,53, justamente  o valor dos tributos incidentes na fonte sobre a referida nota fiscal. Assim, sendo entendo que  resta demonstrado que a recorrente assumiu o encargo financeiro da CSLL em tela.       Ultrapassado  esse  ponto,  vale  perquirir  qual  o  documento  que  prova  que  a  recorrente recolheu aos Cofres públicos CSLL – retida na fonte no valor de R$ 47.066,43. O  único DARF que consta dos autos é aquele a fls. 164, cujo código de receita é 5952, o qual é  referido na PerDcomp em tela (a fls. 4) como origem do crédito em questão. Ora, pelo DARF a  fls. 164, cujo código de receita é 5952, houve o recolhimento de R$ 141.842,80, valor que não  coincide  com  a  CSRF  (CSLL,  PIS  e  Cofins)  que  o  recorrente  deveria  recolher  sobre  um  faturamento no valor de R$ 4.706.642,63 (valor da NF nº 8552 a fls. 147). Note­se que, pelo §  1º do art. 31 da Lei 10.833/03, sobre um pagamento a PJ no valor de R$ 4.706.642,63, deveria  ser retida CSLL no valor de R$ 47.066,42, Cofins no valor de R$ 141.199,28 e PIS no valor de  R$ 30.593,17, o que totalizaria R$ 218.858,87.    Por outro lado, na DCTF a fls. 155, foi declarado um débito no valor de R$  659.568,82,  código  de  receita  5952­02,  referente  ao  período  de  apuração  da  1ª  quinzena  de  outubro de 2005. Ocorre que também aqui falta a recorrente esclarecer como chegou no valor  de R$ 659.568,82 a partir dos faturamentos que foram informados em planilhas a fls. 151.    A recorrente alega, no seu recurso voluntário (parágrafos 42 e 43) o seguinte:  “42. No entanto, ao receber a  fatura, a Recorrente, de  forma automática  (mas  precipitada),  calculou  a  retenção  dos  tributos  supostamente  devidos,  nos  seguintes termos:   Tributo  Alíquota  Valor da Retenção  COFINS  3%  R$ 141.199,28  CSLL  1%  R$ 47.066,43  IRRF  1,50%  R$ 70.599,64  PIS  0,65%  R$ 30.593,18  Total    R$ 289.458,53  43.  Diante disso, a Recorrente procedeu a retenção (indevida) do valor de  R$ 289.458,53, pagando a "EDS" apenas a diferença da  fatura e pagando ao  fisco os tributos indevidamente retidos. Por decorrência, registrou a retenção  em sua contabilidade.” [grifo nosso]    Resta, então, saber por qual DARF o recorrente recolheu a CSRF (CSLL, PIS  e Cofins)  acima mencionada, pois,  conforme  já  visto,  há um descompasso  entre o valor que  deveria incidir sobre o valor da NF nº 8552.     Além  disso,  há  que  se  vincular  recolhimentos  de  CSRF  ao  pagamento  relativo  a  NF  8552,  para  que  se  possa  adentrar  ao mérito  deste  julgamento,  ou  seja,  se  era  indevida ou não a retenção de CSRF sobre o pagamento em tela.   Fl. 338DF CARF MF Processo nº 13896.907123/2009­24  Resolução nº  1302­000.482  S1­C3T2  Fl. 333          13   Vale  ressaltar que a situação em tela  torna­se ainda mais  intrincada porque,  pelo que  alega  a  recorrente,  além de  recolher  as  contribuições CSLL/PIS/Cofins  em DARFs  distintos, embora sob o código de receita 5259, cumulou em cada um dos DARF a contribuição  retida na fonte incidente sobre pagamentos feitos a diversos fornecedores. Note­se que não foi  efetuado um pagamento à EDS pela totalidade da NF 8552, pois, pela planilha e documentos  juntados pela recorrente a fls. 151/154, houve vários pagamentos parciais cujo somatório seria  o total devido a EDS em várias operações, inclusive aquela objeto da NF 8552.    Além disso, não foi juntada aos autos a DIRF relativa às retenções feitas no  ano  de  2005  (art.  12,  §  2º,  da  IN  SRF  nº  459/2004),  o  que  poderia,  s.m.j,  permitir  a  identificação do valor total das retenções feitas pela recorrente na primeira quinzena de outubro  de  2005,  valor  esse que  poderia  ser  confrontado  com  o  total  dos  recolhimentos  feitos  sob  o  código 5259 e assim apurar se efetivamente houve um recolhimento a maior no montante de  R$ 218.858,87 (valor da CSRF incidente sobre o pagamento da NF 8552).     Note­se  que  também  não  foi  juntado  aos  autos  o  Comprovante  Anual  de  Retenção de CSRF (art. 12, § 1º, da IN SRF SRF nº 459/2004) relativo ao fornecedor EDS, o  que poderia confirmar a planilha apresentada pela recorrente a fls. 151.    Como  as  questões  levantadas  nesta  resolução  nunca  foram  questionadas  à  recorrente, entendo que lhe deve ser concedida a oportunidade de aclarar os fatos.    Sustento  que  a  elucidação  dos  pontos  acima  ressaltados  é  questão  preliminar a ser ressolvida antes mesmo da discussão do mérito, ou seja, antes mesmo de  se julgar se havia ou não incidência de CSRF sobre a operação relativa à Nota Fiscal nº  8522 (doc. a fls. 147).    Vale,  ainda,  ressaltar  que,  tendo  sido  feitos  os  recolhimentos  sob  o  código  5259, não há que  se perquirir  por um  recolhimento de CSLL­retida na  fonte, mas  apenas  se  houve  ou  não  o  recolhimento  de CSRF  sobre  o  pagamento  relativo  a NF  8552. Assim,  esta  diligência se torna também relevante para o deslinde da questão posta nos autos dos PAFs nºs  13896.907124/2009‐79  e  13896.907122/2009­80,  os  quais  versam,  respectivamente,  sobre  pedidos  de  compensação  de  PIS­retido  na  fonte  e  Cofins­retido  na  fonte  sobre  o  mesmo  pagamento objeto da NF 8552, sendo que todos foram recolhidos em 21/10/2005 por meio de  DARFs  com  cód.  de  receita  5259,  os  quais,  conforme  já  dito  não  se  referiam  apenas  ao  pagamento em tela (NF 8552), mas há muitos outros e referentes a diversos fornecedores. Por  essa  razão,  entendo  que  esses  dois  processos  (13896.907124/2009­79  e  13896.907122/2009­ 80) devem ser vinculados a estes autos, para fins de julgamento conjunto.             Em  face  do  exposto,  voto  por  converter  o  julgamento  em  diligência,  para:      I­  a  Secam/3ªCâm./1ªSejul  vincular  os  autos  dos  PAFs  nº  13896.907124/2009­79 e 13896.907122/2009­80 a este processo e, posteriormente, remeter os  autos para a Unidade de Origem; e      II ­ a Unidade de Origem:      a) informar todas as retenções de CSRF declaradas pela recorrente relativas à  quinzena de 01/10/2005 a 15/10/2005, juntando, se possível, aos autos, as folhas da DIRF (art.  12, § 2º, da IN SRF nº 459/2004);    b)  informar  todos  os  recolhimentos  feitos  pela  recorrente  com  o  código  de  receita 5259 e referentes ao período de apuração: 1ª quinzena de outubro de 2005, juntando, se  possível, os extratos do Sinal­pagamento;  Fl. 339DF CARF MF Processo nº 13896.907123/2009­24  Resolução nº  1302­000.482  S1­C3T2  Fl. 334          14   c) verificar se o total dos recolhimentos de que trata a letra “b”acima supera  em  R$  218.858,87  o  montante  das  retenções  abordadas  na  letra  “a”  retro,  caso  contrário,  intimar a recorrente a responder como se deu o recolhimento da CSRF sobre o pagamento da  NF 8552;    d)  intimar  a  recorrente  a  apresentar  o  Comprovante Anual  de Retenção  de  CSRF em 2005 (art. 12, § 1º, da  IN SRF SRF nº 459/2004),  relativo ao  fornecedor EDS e a  esclarecer  outros  pontos  que  a Unidade  de Origem  entenda  necessários  para  o  deslinde  das  questões postas;    e) emitir relatório final de diligência, pronunciando­se sobre a existência de  recolhimento no montante de R$ 218.858,87, a  título de CSRF sobre o pagamento objeto da  NF 8552;    f) dar  ciência do  relatório  final  de diligência  ao  recorrente,  concedendo­lhe  prazo para se manifestar nos autos; e    g)  retornar  os  autos  para  este  Colegiado,  após  cumpridos  os  itens  da  diligência, para prosseguimento do feito.      Alberto Pinto Souza Junior                            Fl. 340DF CARF MF

score : 1.0