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Numero do processo: 10140.902292/2011-37
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004.
É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-003.811
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado.
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DIREITO DE CRÉDITO. INCIDÊNCIA CONCENTRADA. Recorrente COMERCIAL FAYAD LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 CRÉDITO DA NÃOCUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1ºA DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 14 0. 90 22 92 /2 01 1- 37 Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10140.902292/201137 Acórdão n.º 3302003.811 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Restituição e Ressarcimento – PER, formulado através do programa PER/Dcomp, pelo qual a Recorrente pleiteia o ressarcimento em espécie do saldo credor acumulado de PIS/PASEP incidência não cumulativa – mercado interno. O Pedido de Ressarcimento foi indeferido, por ausência de direito ao crédito pleiteado, devido a vedação legal de aproveitamento de créditos incidente nas operações de aquisição de produtos sujeitos a tributação monofásica/concentrada. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 06052.242. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, não ampara o creditamento das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, com base na sistemática da não cumulatividade, pelas revendedoras de veículos automotores, em decorrência de vedação legal expressa para o aproveitamento do crédito nas vendas submetidas à incidência monofásica. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reiterando as alegações deduzidas em manifestação de inconformidade, calcadas nas seguintes premissas: 1. Que a recorrente se sujeita à incidência nãocumulativa; 2. Que havia uma vedação ao creditamento conforme o disposto no artigo 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003; 3. Que foi atribuída alíquota zero aos produtos da recorrente, portanto, não se trata de monofasia, o que ocorreria se houvesse apenas uma incidência na cadeia; 4. Que a nãocumulatividade foi aperfeiçoada com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e que esta é uma norma multitemática, ou seja, não restrita ao REPORTO; 5. Que o artigo 16 da Lei 11.116/2005 robusteceu o caráter abrangente do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004; 6. Ambas as leis não ressalvaram quais os casos permaneceriam na regra antiga e que o direito ao creditamento é coerente à técnica da nãocumulatividade das contribuições (método subtrativo indireto); 7. O artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 veio justamente para os casos em que havia vedação ao creditamento; 8. Que pretendeuse mitigar a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 com a edição das MP nº 413/2008 e 451/2008, criando vedações ao creditamento, as quais não foram mantidas na conversão de ambas medidas provisórias; 9 Que a nãocumulatividade das contribuições não guarda relação com o arrecadado anteriormente ou posteriormente na cadeia produtiva. É o relatório. Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10140.902292/201137 Acórdão n.º 3302003.811 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.750, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.720142/201145, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.750): "O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. O pedido de ressarcimento foi efetuado com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 combinado com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, abaixo transcritos: Lei nº 11.116/2005: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Lei nº 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. O fundamento da recorrente recai essencialmente na possibilidade de se tomar créditos da nãocumulatividade de Cofins em razão do disposto no artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e de se pedir o ressarcimento com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005. A Lei nº 10.485/2002 estabeleceu a concentração de tributação no fabricante e importadores de determinados veículos e autopeças, dispondo no §2º que os comerciantes atacadistas e varejistas ficassem sujeitos à alíquota zero sobre suas receitas de revendas: Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10140.902292/201137 Acórdão n.º 3302003.811 S3C3T2 Fl. 5 4 § 2o Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I o caput deste artigo; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II o caput do art. 1o desta Lei, exceto quando auferida pelas pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5o, da Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001. (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) Com base, nesta receita sujeita à alíquota zero, é que a recorrente entende possível a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, isto é, a tomada de créditos sobre a revenda de máquinas e veículos constantes das posições da TIPI constantes do artigo 1º da Lei nº 10.485/2002 e de autopeças constantes dos Anexos I e II da referida lei. Ocorre que, não obstante estar sujeita ao regime nãocumulativo das contribuições, as alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 vedam expressamente a tomada de créditos sobre bens adquiridos para revenda pelas pessoas jurídicas que comercializam os produtos referidos nos artigos 1º e 3º da Lei nº 10.485/2002, como transcrevese a seguir: Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) § 1o Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) [...] III no art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) IV no inciso II do art. 3o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) [...] Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10140.902292/201137 Acórdão n.º 3302003.811 S3C3T2 Fl. 6 5 I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) Por sua vez, o artigo 17 dispôs genericamente que as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Ora, este artigo não traz nenhuma hipótese de creditamento, mas apenas esclarece que nas situações ali previstas, os créditos vinculados àquelas vendas são mantidos. E tais créditos são, justamente, as hipóteses que a legislação faculta ao contribuintes a sua tomada, como por exemplo, os artigos 3º das leis acima citadas, o artigo 15 da Lei nº 10.865/2004 e outros quaisquer artigos que veiculem hipóteses de creditamento. O item 191 da exposição de motivos da MP nº 206/2004, cuja conversão resultou na Lei nº 11.033/2004, confirma este entendimento na medida que dispôs que a redação do artigo 16, convertido no artigo 17 acima referido, visava "esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS." Não por outro motivo, que o artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 dispôs sobre a possibilidade de ressarcimento e compensação do saldo credor vinculado às vendas mencionadas no artigo 17, vinculandoos à forma de apuração do artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 e do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004, reconhecendo, por óbvio, que ali estavam listadas as hipóteses de creditamento e não que o artigo 17 inovara toda a legislação, revogando o artigo 3º e redefinindo as hipóteses de creditamento, o que seria a consequência inevitável da tese da recorrente. Ressaltase, porém, que o artigo 17 não proibiu a tomada de créditos vinculados às receitas sujeitas à alíquota zero decorrentes das revendas dos bens de que tratam este processo em relação às demais hipóteses previstas no artigo 3º, proibição esta que foi, conforme mencionado pela recorrente, objeto de duas tentativas propostas pelo Executivo Federal nas MPs nº 413/2008 e 451/2008. Ocorre que, como também já mencionado na peça recursal, tais dispositivos não foram contemplados na conversão das duas MPs, mantendose a possibilidade de creditamento em relação às demais hipóteses do artigo 3º, entendimento confirmado na Solução de Consulta nº 218/2014. Assim, referidas MP´s pretenderam impedir o creditamento das demais hipóteses legais previstas nos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, mas foram irrelevantes em relação à vedação específica contida na alínea "b" do inciso I do artigo 3º, que se destina justamente à vedação do creditamento relativo aos bens adquiridos para revenda de que tratam os §§1º e 1ºA do artigo 2º das referidas leis. 1 19. As disposições do art. 16 visam esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10140.902292/201137 Acórdão n.º 3302003.811 S3C3T2 Fl. 7 6 Neste diapasão, citase o Acórdão nº 340301.566: Ementa: COFINS – REGIME MONOFÁSICO – IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS O artigo 17 da Lei 11.033/2004, que garante a manutenção do crédito às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, só se aplica aos setores ou produtos sujeitos regime nãocumulativo, não se aplicando aos produtos sujeitos ao regime monofásico. Portanto, diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Nos termos do entendimento exarado no paradigma, a impossibilidade de creditamento, no regime nãocumulativo, na aquisição de bens para revenda adquiridos por comerciantes atacadistas e varejistas de produtos sujeitos à tributação concentrada referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis, se aplica tanto à Contribuição para o PIS/Pasep quanto à COFINS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Fl. 98DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13811.001881/98-70
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon May 15 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/09/1998 a 30/09/1998
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA
Aos pedidos de compensação formalizados antes da entrada em vigor da Lei 10.637, convertidos em Dcomp nos termos do art. 49 daquela Lei, aplica-se o prazo de cinco anos para homologação, contado este a partir de 31 de outubro de 2003, data da publicação da Medida Provisória 135, que o instituiu.
Numero da decisão: 9303-005.053
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama (relatora), Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Júlio César Alves Ramos.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama Relatora
(assinado digitalmente)
Júlio César Alves Ramos Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/09/1998 a 30/09/1998 COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA Aos pedidos de compensação formalizados antes da entrada em vigor da Lei 10.637, convertidos em Dcomp nos termos do art. 49 daquela Lei, aplica-se o prazo de cinco anos para homologação, contado este a partir de 31 de outubro de 2003, data da publicação da Medida Provisória 135, que o instituiu.
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HOMOLOGAÇÃO TÁCITA Aos pedidos de compensação formalizados antes da entrada em vigor da Lei 10.637, convertidos em Dcomp nos termos do art. 49 daquela Lei, aplicase o prazo de cinco anos para homologação, contado este a partir de 31 de outubro de 2003, data da publicação da Medida Provisória 135, que o instituiu. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama (relatora), Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Júlio César Alves Ramos. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 1. 00 18 81 /9 8- 70 Fl. 425DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama – Relatora (assinado digitalmente) Júlio César Alves Ramos – Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão nº 3102002.219, da 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso voluntário, consignando a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/09/1998 a 30/09/1998 RESSARCIMENTO DE CRÉDITO DO IPI. INSUMOS UTILIZADOS NA FABRICAÇÃO DE BENS DE INFORMÁTICA E AUTOMAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DOS REQUISITOS E CONDIÇÕES DO BENEFÍCIO FISCAL. IMPOSSIBILIDADE. 1. A manutenção e utilização dos créditos do IPI, relativos aos insumos empregados na industrialização dos bens de informática isentos do referido Imposto, nos termos do art. 1° da Lei n° 8.191, de 1991, combinado com o art. 4° da Lei n° 8.248, de 1991, depende do cumprimento dos requisitos e condições estabelecidos na Lei n° 8.248/91 e no Decreto nº 792, de 1993. 2. Nos autos, ficou comprovado o descumprimento de tais exigências, o que impossibilita o ressarcimento do crédito do IPI decorrente da utilização do mencionado benefício fiscal. Fl. 426DF CARF MF Processo nº 13811.001881/9870 Acórdão n.º 9303005.053 CSRFT3 Fl. 426 3 COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. TRIBUTO ADMINISTRADO PELA RECEITA FEDERAL. COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO DE UM CONTRIBUINTE COM DÉBITO DE OUTRO. VIGÊNCIA TEMPORÁRIA. PEDIDOS PENDENTES DE ANÁLISE. CONVERSÃO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. 1. Os pedidos de compensação de crédito de um contribuinte com débito de outro, protocolados até 9/4/2000, pendentes de apreciação em 1/10/2002, data de início do regime de compensação declarada, instituído pelo art. 49 da Medida Provisória nº 66 de 2002, convertida na Lei nº 10.637, de 20002, por não atender os requisitos e condições do novo regime de compensação, não se converteram em declaração de compensação, em decorrência, não estão sujeitos à extinção, sob condição resolutória da sua ulterior homologação, e tampouco ao prazo quinquenal fixado para que fosse realizada a homologação expressa. 2. As normas aplicáveis aos referidos pedidos de compensação são aquelas atinentes ao regime de compensação a requerimento, instituído pelo art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, na sua redação original, complementado pelo disposto na Instrução Normativa SRF nº 21, de 1997.” Insatisfeito, o sujeito passivo interpôs Recurso Especial contra o r. acórdão, trazendo, entre outros, que: · O sujeito passivo apresentou pedido de ressarcimento de IPI cumulado com pedido de compensação de débitos de terceiros, decorrente de crédito incentivado de IPI; · Os pedidos de compensação foram protocolados em 10 de fevereiro de 2000, sob a égide da IN SRF 21/97 e, principalmente, antes das determinações da IN SRF 41/00; · Somente em 10 de abril de 2000, com o advento da IN SRF 41/00, passou a ser vedada a compensação de débitos do sujeito passivo com créditos de terceiros; o que, por conseguinte, a compensação feita era plenamente válida e possível; Fl. 427DF CARF MF 4 · Ademais, com a edição da Lei 10.637/03, o prazo para que a autoridade fazendária homologue a compensação realizada foi formalmente previsto, alterandose a redação atribuída à Lei 9.430/96 – evidenciando que as compensações efetuadas foram tacitamente homologadas, em virtude do transcurso do quinquênio legal. Requer, assim, o sujeito passivo a reforma do r. acórdão, reconhecendo a homologação tácita dos pedidos de compensação com débitos de terceiros, que foram convertidos em declaração de compensação, conforme §§ 4º e 5º do art. 74 da Lei 9.430/96. Em Despacho às fls. 395 a 397, foi admitido o Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo. Contrarrazões foram apresentadas pela Fazenda Nacional, trazendo, em breve síntese, que: · O art. 74, § 4º, da Lei 9.430/96 deve ser interpretado em consonância com as disposições do caput e do § 1º do mesmo dispositivo legal, que estabelecem que as declarações de compensação são instrumento hábil para a formalização de compensação de débitos próprios, e não de débitos de terceiros, impedindo que se entenda que os pedidos relativos a débitos de terceiro sejam convertidos em declarações de compensação; · A legislação tributária não permite a cessão de créditos a terceiros com a finalidade de compensação. Assim, no mesmo diapasão do Direito Privado, a compensação do regime de Direito Público exige a existência de duas pessoas, simultaneamente credoras e devedoras uma da outra, havendo duas obrigações recíprocas entre as partes, sendo que o que diferencia aqueles regimes de compensação é o fato de que no Direito Tributário (Direito Público) as partes têm de ser credor e devedor recíprocos “ex lege” e “ab initio”; · Tendo em vista o disposto no citado art. 170 do CTN e no art. 74 da Lei 9.430/96, e a despeito do que dispunha o art.15 da IN SRF Fl. 428DF CARF MF Processo nº 13811.001881/9870 Acórdão n.º 9303005.053 CSRFT3 Fl. 427 5 21/97, temse que a compensação com crédito de terceiro não encontra amparo legal; · Não há que se cogitar, no presente caso, de homologação tácita, ainda que decorridos mais de cinco anos entre a data de protocolização do pedido e a ciência do respectivo despacho decisório, pelo fato de que, à época do pleito (apresentação do pedido de compensação), marco definidor da legislação aplicável, não estava a administração tributária obrigada ao cumprimento de qualquer prazo para referida apreciação. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Tatiana Midori Migiyama Relatora Depreendendose da análise do recurso especial interposto pelo sujeito passivo, entendo que devo conhecêlo, eis que observados os pressupostos para a admissibilidade do r. recurso, conforme reza o art. 67 do RICARF/2015. Ora, do confronto dos arestos, evidente se tratar de mesmo contexto fático com conclusões distintas, vez que nos acórdãos indicados como paradigma há o reconhecimento da homologação tácita das compensações, ao contrário da decisão recorrida. Contrarrazões devem ser consideradas, vez que tempestivas. O que cabe lembrar que a Fazenda Nacional entende, a rigor, que os pedidos de compensação de créditos com débitos de terceiro não podem ser convertidos em declaração de compensação, não havendo, assim, que se falar em homologação tácita do pedido pelo transcurso do prazo de cinco anos. Cita como fundamento de seu entendimento a norma contida no artigo 74, parágrafo 1º, da Lei 9.430/96, com redação dada pela Lei nº 10.637/02. Fl. 429DF CARF MF 6 Ventiladas tais considerações passo para o cerne da lide – qual seja – se há ou não o reconhecimento da homologação tácita das compensações para o caso vertente. Para tanto, é de se recordar que o sujeito passivo apresentou pedido de ressarcimento de IPI cumulado com pedido de compensação de débitos de terceiros decorrente de crédito incentivado de IPI. Tais pedidos de compensação foram protocolados em 10 de fevereiro de 2000. Á época, estava vigente a IN SRF 21/97 que, por sua vez, trazia em seu art. 15: “Compensação de Crédito de um Contribuinte com Débito de Outro Art. 15. A parcela do crédito a ser restituído ou ressarcido a um contribuinte, que exceder o total de seus débitos, inclusive os que houverem sido parcelados, poderá ser utilizada para a compensação com débitos de outro contribuinte, inclusive se parcelado. § 1º A compensação de que trata este artigo será efetuada a requerimento dos contribuintes titulares do crédito e do débito, formalizado por meio do formulário "Pedido de Compensação de Crédito com Débito de Terceiros", de que trata o Anexo IV. § 2º Se os contribuintes estiverem sob jurisdição de DRF ou IRFA diferentes, o formulário a que se refere o parágrafo anterior deverá ser preenchido em duas vias, devendo cada contribuinte protocolizar uma via na DRF ou IRFA de sua jurisdição. § 3º Na hipótese do parágrafo anterior, a via do Pedido de Compensação de Crédito com Débito de Terceiros, entregue à DRF ou IRFA da jurisdição do contribuinte titular do débito terá caráter exclusivo de comunicado. § 4º Na hipótese do § 2º, a competência para analisar o pleito, efetuar a compensação e adotar os procedimentos internos Fl. 430DF CARF MF Processo nº 13811.001881/9870 Acórdão n.º 9303005.053 CSRFT3 Fl. 428 7 de que trata o § 2º do art. 13 é da DRF ou IRFA da jurisdição do contribuinte titular do crédito. § 5º Nas compensações de que trata este artigo, o Documento Comprobatório de Compensação de que trata o Anexo V será emitido em duas vias, devendo ser entregue uma via para cada contribuinte. § 6º A utilização de crédito decorrente de sentença judicial, transitada em julgado, para compensação, somente poderá ser efetuada após atendido o disposto no art. 17.” Vêse que à época era totalmente legítima a compensação ora realizada pelo sujeito passivo. A IN SRF 41/00, publicada em 10.4.00: “Veda a utilização de créditos de terceiros para fins de compensação de débitos relativos a impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições, e tendo em vista o disposto no art. 170 da Lei No 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional), no art. 66 da Lei No 8.383, de 30 de dezembro de 1991, com a redação dada pelo art. 58 da Lei No 9.069, de 29 de junho de 1995, e nos arts. 73 e 74 da Lei No 9.430, de 27 de dezembro de 1996, resolve: Art. 1º É vedada a compensação de débitos do sujeito passivo, relativos a impostos ou contribuições administradas pela Secretaria da Receita Federal, com créditos de terceiros. Parágrafo único. A vedação referida neste artigo não se aplica aos débitos consolidados no âmbito do Programa de Recuperação Fiscal REFIS e do parcelamento alternativo instituídos pela Medida Provisória No 2.0045, de 11 de fevereiro de 2000, bem assim em relação aos pedidos de compensação formalizados perante a Secretaria da Receita Federal até o dia Fl. 431DF CARF MF 8 imediatamente anterior ao da entrada em vigor desta Instrução Normativa. Art. 2º Fica revogado o art. 15, caput e parágrafos, da Instrução Normativa SRF No 021, de 10 de março de 1997. Art. 3º Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação. EVERARDO MACIEL” Somente com o advento da IN 41/00, houve a vedação da utilização de créditos de terceiros para fins de compensação de débitos. Sendo assim, inegável que o pedido de compensação formalizado até 10 de abril de 2000 foi convertido em declaração de compensação nos termos do art.74 da Lei 9.430/96 com a alteração dada pela Lei 10.637/02: “Art. 74...... [...] § 4º Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002)” § 5º A Secretaria da Receita Federal disciplinará o disposto neste artigo. (Incluído pela Medida Provisória nº 66, de 2002) § 5o A Secretaria da Receita Federal disciplinará o disposto neste artigo. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de cinco anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Medida Provisória nº 135, de 2003) § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) Fl. 432DF CARF MF Processo nº 13811.001881/9870 Acórdão n.º 9303005.053 CSRFT3 Fl. 429 9 Aplicar os ditames da Lei 10.637/02 quanto à vedação da compensação de créditos de terceiros, tal como ocorre nesse processo administrativo (pedido de compensação apresentado antes de 10 de abril de 2000), implica patente violação ao princípio da irretroatividade e fere a segurança jurídica. No caso em tela, ocorreu a homologação tácita da compensação, considerando o decurso do quinquênio legal. Somente em 10 de abril de 2000, com a publicação da IN SRF 41/00 é que foi vedada a compensação de débitos do sujeito passivo com créditos de terceiros. Antes dessa data, a compensação era plenamente válida e possível. Com a edição da Lei 10.637/02, o prazo para que a autoridade fazendária homologue a compensação realizada foi formalmente previsto, alternando se a redação atribuída à Lei 9.430/96: O que resta por óbvio se concluir que as compensações efetuadas foram tacitamente homologadas em virtude do transcurso do quinquênio legal. O próprio parecer da PGFN/CDA/CAT 1.499/2005, de 28/09/2105, traz no item anterior de suas conclusões que foram convertidos em declaração de compensação todos os pedidos pendentes de apreciação, apresentados de acordo com a Lei nº 9.430/06 e legislação correlata. Nessa linha, dispõe o art. 96 do Código Tributário Nacional — CTN, que a expressão "legislação tributária" compreende as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes. E o art. 100 do mesmo código esclarece que são normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas. Fl. 433DF CARF MF 10 Não há dúvida de que a IN SRF 21/97 é norma complementar da Lei 9.430/96. E esta norma autorizou a compensação de créditos de um contribuinte com débitos de outro em seu art. 15. Portanto, no caso vertente, quando da apresentação dos pedidos de compensação de seus créditos com débitos de terceiros, a legislação tributária (correlata à Lei 9.430/96), dava amparo ao sujeito passivo para que pudesse requerer o deferimento desta modalidade de compensação. Assim, não há como distinguir este tipo de pedido de compensação dos demais previstos na legislação tributária, pois a Lei 10.637/2002, quando determinou a conversão dos pedidos pendentes de apreciação em declaração de compensação não fez esta distinção. Se a lei não distinguiu, não cabe ao interprete fazêlo. Consequentemente, todos os pedidos de compensação tratados no presente processo, incluindo aqueles em que os débitos são de terceiros, foram homologados tacitamente, com o transcurso do prazo de cinco anos sem que a autoridade competente tenha se manifestado. Ou seja, considerando que os pedidos de compensação com débitos de terceiros em questão foram apresentados antes da vigência da Lei 10.637/02, quando, portanto, nos termos do artigo 15 da IN SRF 21/97, era permitida a compensação de débitos com créditos de terceiros, não há razão para se distinguir, para os efeitos da homologação tácita, entre os pedidos de compensação com créditos próprios ou de terceiros. Ademais, a Lei 10.637/02 quando determinou a conversão dos pedidos pendentes de apreciação em declaração de compensação não fez qualquer distinção entre aqueles cujo crédito era próprio ou de terceiros. Em vista de todo o exposto, dou provimento ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo. É como voto. (assinado digitalmente) Fl. 434DF CARF MF Processo nº 13811.001881/9870 Acórdão n.º 9303005.053 CSRFT3 Fl. 430 11 Tatiana Midori Migiyama Voto Vencedor Conselheiro Júlio César Ramos – Redator Designado Divergi do voto da i. relatora no tocante à matéria aqui discutida, qual seja, a homologação, ou não, de compensação requerida à Administração ainda sob a forma de pedido previsto na IN 21/97. Para ela, as disposições introduzidas pelas Leis 10.637 e 10.833 têm vigência retroativa e alcançam todos os pedidos inclusive aqueles formalizados há mais de cinco anos da edição dos atos legais, de sorte que sequer poderiam ser mais examinados pela Administração. Vale registrar que a decisão de primeira instância adota tese mais amena, reconhecendo a retroatividade, mas dela excluindo, entre outras, a hipótese concreta destes autos: pedido de homologação de débito de um sujeito passivo com crédito de outro. A posição que defendo, e que acabou prevalecendo no colegiado, é a da irretroatividade, que está muito bem exposta em voto do Conselheiro Odassi Guerzoni que peço vência para transcrever: Descumprimento do prazo de trinta dias para proferir a decisão x Homologação tácita da compensação Ainda que a irresignação da recorrente tenha se apoiado em dispositivo legal incorreto, fez, ao final, surgir uma questão das mais relevantes, qual seja, a ocorrência ou não da homologação tácita da compensação, por ter transcorrido o prazo de cinco anos entre a data da entrega do pedido de compensação e a data em que o mesmo foi decidido pela autoridade administrativa. Primeiramente, há que se afastar o dispositivo invocado o artigo 49 da Lei 9.784/99, e trazer à baila os que realmente se aplicam ao caso. Dispõe o artigo 49 da Lei 9.784/99: "Art. 49. Concluída a instrução de processo administrativo, a Administração tem o prazo de até trinta dias para decidir, salvo prorrogação por igual período expressamente motivada." Ora, a Lei n* 9.784/99 expressamente prevê sua aplicação subsidiária, ao definir, no seu artigo 69, que os procedimentos administrativos específicos ''continuarão a regerse por lei própria, aplicandoselh.es apenas subsidiariamente os preceitos desta Lei". Assim, havendo disposição específica, vale esta por conta do princípio da especialidade. A "lei própria" a que se refere o dispositivo acima é o Decreto 70.235/72, que trata exclusivamente do Processo Administrativo Fiscal Tributário, e nele, não há mais qualquer menção ou delimitação de prazo para que a autoridade administrativa conclua seus julgamentos. Havia, de fato, na redação original do artigo 27, a determinação "O processo será julgado no prazo de trinta dias, a partir de sua entrada no órgão incumbido do julgamento". Porém, em face de seu difícil, senão impossível, cumprimento conseqüência da carência de recursos humanos suficientes para atender a demanda processual , desde 10 de Fl. 435DF CARF MF 12 dezembro de 1997, com a edição da Lei n° 9.532, passou a ser esta a sua redação: "Art. 27. Os processos remetidos para apreciação da autoridade julgadora de primeira instância de tercio ser qualificados e identificados, tendo prioridade no julgamento aqueles que estiverem presentes as circunstancias de crime contra a ordem tributária ou de elevado valor, este definido em ato do Ministro da Fazenda." Assim, as regras do PAF não mais impõem aquela camisa de força às atividades de julgamento de processo, de modo que este tema do presente processo não está no descumprimento do prazo de trinta dias e deve ser analisado sob o lume de outros dispositivos legais, notadamente os relacionados ao instituto da compensação. E sobre a compensação tributária, há que se destacar as alterações havidas nos últimos anos quanto aos procedimentos de sua execução, senão vejamos. O artigo 49 da Medida Provisória n° 66, de 29 de agosto de 2002, convertida na Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, deu no\a redação ao art. 74 da Lei n° 9.430/96, passando este a dispor que "o sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele órgão". Em outras palavras, com essa alteração foi instituída a Declaração de Compensação, procedida pelo próprio contribuinte, tendo a mesma o efeito de extinguir o crédito tributário sob condição resolutoria de sua ulterior homologação pela autoridade administrativa competente. Assim, dispõe o parágrafo Io do art. 74 da Lei n° 9430/96 (incluído pela Lei n° 10.637/2002), que a compensação será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração (DCOMP) na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. O parágrafo 2o, incluído pela Lei n° 10.637/2002, dá à compensação declarada à SRF o efeito de extinguir o crédito tributário sob condição resolutória de sua ulterior homologação. O parágrafo 3o, incluído pela Lei n° 10.637/2002, trata das hipóteses em que os débitos ou créditos não podem ser objeto de compensação. O parágrafo 4o, incluído pela Lei n° 10.637/2002, merece sua reprodução literal, qual seja: "§ 4" Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo" (redação dada pelo artigo 49 da Lei 10.637, de 30/12/2002, conversão da MP 66, de 29/08/2002). O alcance temporal desse novo dispositivo está previsto no artigo 68 da mesma lei, que diz: "Art. 68. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos: / a partir de 1° de outubro de 2002, em relação aos arts. 29 e 49 (...)" (grifo meu) Assim, subsumindo os fatos do presente processo às regras acima descrita, temos que os pedidos de compensação entregues pela interessada nas datas de 19/11/1999, 10/12/1999, 10/01/2000, Fl. 436DF CARF MF Processo nº 13811.001881/9870 Acórdão n.º 9303005.053 CSRFT3 Fl. 431 13 12/02/2000, 10/07/2000 e 25/08/2000, ainda se encontravam pendentes de apreciação pela autoridade administrativa em 17/10/2002, tendo, por força do citado § 4o acima reproduzido, sido convertidos em declarações de compensação (DCOMP). No ano seguinte, foram feitas novas alterações no artigo 74 da Lei n° 9.430/96, merecendo destaque para o presente caso a do parágrafo 5o, a saber: "§ 5° O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação" (redação dada pelo artigo 17 da Lei n" 10.833. de 29/12/2003, conversão da MP a" 135, de 30/10/2003). Até a edição desse ato legal, portanto, não havia prazo limite para que a administração tributária homologasse os pedidos de compensação então entregues pelos contribuintes, de maneira que toda DCOMP entregue anteriormente a 30/10/2003 e cuja análise ou apreciação pela autoridade administrativa tenha se dado em período superior a cinco anos, contado a partir da data de sua protocolização, não pode ser considerada , tenha sido homologada tacitamente, a teor do parágrafo § 5o acima reproduzido. Se, de um lado, o alcance temporal do § 4o acima mencionado está claramente delineado quando diz que "Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo (...)", o mesmo não se pode dizer, de outro, do § 5o, que deixa no ar uma ambigüidade por mim posta nos seguintes termos: retroagiria e alcançaria a todos pedidos de compensação convertidos em DCOMP entregues em data anterior a 30 de outubro de 2003, ou se aplicaria somente às DCOMP entregues após referida data. Essa minha suposição quanto à ambigüidade presente no referido. § 5o parece não existir se interpretados literalmente os enunciados dos artigos 29 e 70, da IN SRF 460, de 18/10/2004. que regulavam os procedimentos da autoridade administrativa para a análise das Declarações de Compensação, após as alterações acima mencionadas, senão vejamos: "Art. 29. A autoridade da SRF que nãohomologar a compensação cientificará o sujeito passivo e intimáloá a efetuar, no prazo de trinta dias. contados da ciência do despacho de nãohomologação, o pagamento dos débitos indevidamente compensados". "§ 2S O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de cinco anos, contados da data da entrega da Declaração de Compensação" Ou seja, a própria Secretaria da Receita Federal admitiu o efeito retroativo do citado parágrafo 5o. Tenho comigo, porém, que a segunda das alternativas deve prevalecer, haja vista a aplicação do princípio da irretroatividade das leis, ou seja, em princípio, os fatos regulamse juridicamente pela lei em vigor na época de sua ocorrência. Em princípio, pois o Código Tributário Nacional trata das hipóteses em que é possível a aplicação de lei nova a fatos ocorridos em momento anterior ao de sua vigência. Tais hipóteses estão previstas no artigo 106, incisos I e II, quais sejam, quando as leis forem interpretativas, ou quando, se referindo a atos ou fatos não definitivamente julgados, deixar de definilos como infração; deixar de tratálo como contrário a Fl. 437DF CARF MF 14 qualquer exigência de ação ou omissão; e quando lhe cominar penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática. E para o caso em que estamos debruçados nenhuma dessas hipóteses ocorreu. Invoco julgado do Superior Tribunal de Justiça em que, embora tenha tratado de matéria envolvendo a decadência de ato administrativo, bem pode servir de lume para o presente caso, senão vejamos a sua ementa: "MANDADO DE SEGURANÇA N' 9.115DF (2003/01018996). ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. ATO ADMINISTRATIVO. REVOGAÇÃO. VANTAGEM FUNCIONAL DECADÊNCIA. LEI N" 9.784/99. DIREITO ADQUIRIDO. A Lei n° 9.784/99. que disciplina o processo administrativo, estabeleceu em seu art. 54, o prazo de cinco anos para que a Administração Pública possa revogar seus atos. Contudo, dentro de uma lógica interpretativa, esse lapso temporal há de ser contado da vigência do dispositivo, e não da data em que o ato foi praticado, sob pena de se emprestar efeito retroativo à citada Lei. (...)". (destaques meus) Dito isto, podese afirmar que o argumento da interessada, ainda que formulado mediante a indicação de dispositivo legal inapropriado, não procede, ou seja, aquele seu pedido de compensação entregue no dia 19/11/1999, por força de dispositivo legal convertido em DCOMP, não foi homologado tacitamente, ainda que entre a data de sua protocolização e a data de sua apreciação tenha transcorrido o prazo de cinco anos. Devo concluir reiterando como em outros julgados que não defendo a inexistência de prazo homologatório ou de que aquele previsto na Lei 10.833 não se aplicaria aos pedidos convertidos em Dcomp. Ele se aplica. Mas o marco inicial para sua contagem, como bem exposto pelo dr. Odassi, é a própria data de publicação da Medida Provisória 135, que o estabeleceu, ou seja, 31 de outubro de 2003, de sorte que, para eles, a homologação tácita só ocorrerá se a Administração não os apreciar até 31 de outubro de 2008. No caso concreto, a análise foi realizada antes de tal data limite não havendo que se falar em homologação tácita. Essas as razões que me levaram a negar provimento ao recurso do contribuinte e que acabou prevalecendo no colegiado, sendo esse o acórdão que me coube redigir. (assinado digitalmente) Júlio César Alves Ramos Fl. 438DF CARF MF
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Numero do processo: 13603.000422/2007-12
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jul 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 31/03/2002 a 31/01/2005
COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS.
Inserem-se no conceito de insumos, para fins de créditos da não cumulatividade do PIS e da Cofins, os bens consumidos diretamente na prestação de serviços, nos termos dos art. 3º, inc. II das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003. No caso uniformes e materiais de segurança de uso obrigatório na prestação dos serviços, são bens que se consomem gradualmente com o tempo na prestação dos serviços executados pelo contribuinte.
Numero da decisão: 9303-005.192
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Júlio César Alves Ramos, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado) e Rodrigo da Costa Pôssas, que lhe deram provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Solicitou apresentar declaração de voto a conselheira Vanessa Marini Cecconello.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio Cesar Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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CONCEITO DE INSUMOS. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CONSTRUTORA E DRAGAGEM PARAOPEBA LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 31/03/2002 a 31/01/2005 COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. Inseremse no conceito de insumos, para fins de créditos da não cumulatividade do PIS e da Cofins, os bens consumidos diretamente na prestação de serviços, nos termos dos art. 3º, inc. II das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003. No caso uniformes e materiais de segurança de uso obrigatório na prestação dos serviços, são bens que se consomem gradualmente com o tempo na prestação dos serviços executados pelo contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Júlio César Alves Ramos, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado) e Rodrigo da Costa Pôssas, que lhe deram provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Solicitou apresentar declaração de voto a conselheira Vanessa Marini Cecconello. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio Cesar Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 00 04 22 /2 00 7- 12 Fl. 2655DF CARF MF Processo nº 13603.000422/200712 Acórdão n.º 9303005.192 CSRFT3 Fl. 3 2 Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recurso especial de divergência apresentado pela Fazenda Nacional, com fundamento no art. 67 do antigo Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, em face do Acórdão nº 3102001.585, de 21/08/2012, o qual possui a seguinte ementa, transcrita somente na parte que interessa ao presente exame. (...) PIS NÃO CUMULATIVO. DESPESAS COM BENS E SERVIÇOS INCLUÍDOS NO CONCEITO DE INSUMOS DO ART. 3º DA LEI Nº 10.833/03. As despesas com uniformes, material de segurança para utilização individual dos funcionários que prestam os serviços de limpeza e conservação estão abarcados pelo conceito de insumo previsto no art. 3º da Lei nº 10.833/2003. Assim, as aquisições destes produtos são consideradas insumos, necessárias a realização dos serviços de limpeza e manutenção, sendo permitida a utilização destas aquisições no cálculo dos créditos do PIS e COFINS não cumulativo. (...) COFINS NÃO CUMULATIVA. DESPESAS COM BENS E SERVIÇOS INCLUÍDOS NO CONCEITO DE INSUMOS DO ART. 3º DA LEI Nº 10.833/03. As despesas com uniformes, material de segurança para utilização individual dos funcionários que prestam os serviços de limpeza e conservação estão abarcados pelo conceito de insumo previsto no art. 3º da Lei nº 10.833/2003. Assim, as aquisições destes produtos são consideradas insumos, necessárias a realização dos serviços de limpeza e manutenção, sendo permitida a utilização destas aquisições no cálculo dos créditos do PIS e COFINS não cumulativo. Trata o presente processo de autos de infração relativos às exigências de PIS e Cofins correspondente aos períodos de apuração de março/2002 a julho/2005. A Fazenda Nacional pede o provimento do seu recurso especial, com o entendimento de que não existe base legal para aceitar créditos da não cumulatividade do PIS e Fl. 2656DF CARF MF Processo nº 13603.000422/200712 Acórdão n.º 9303005.192 CSRFT3 Fl. 4 3 da Cofins, sobre as despesas com uniformes e material de segurança utilizados pelos funcionários que prestam os serviços de limpeza e conservação. O recurso especial foi admitido nos termos do Despacho de Exame de Admissibilidade, efls. 2636/2638, exarado pelo então Presidente da 1ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento. O contribuinte foi cientificado do acórdão recorrido, bem como do recurso especial e do despacho de admissibilidade e não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, relator. O recurso especial da Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais para o seu conhecimento. Não havendo preliminares quanto ao conhecimento do recurso, passemos à análise de seu mérito. A discussão gira em torno do conceito de insumos para fins do creditamento do PIS e da Cofins no regime da nãocumulatividade previstos nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003. O tema é recorrente no âmbito do contencioso administrativo fiscal e existem várias teses sobre o que se entende do conceito de insumos. Confesso que já compartilhei da tese de que o conceito de insumos estaria ligada à sua essencialidade em relação ao processo produtivo. Porém, refleti melhor, e hoje entendo que a legislação do PIS/Cofins traz uma espécie de numerus clausus em relação aos bens e serviços considerados como insumos para Fl. 2657DF CARF MF Processo nº 13603.000422/200712 Acórdão n.º 9303005.192 CSRFT3 Fl. 5 4 fins de creditamento, ou seja, fora daqueles itens expressamente admitidos pela lei, não há possibilidade de aceitálos dentro do conceito de insumo. A decisão recorrida concedeu os créditos amparada nos seguintes argumentos, transcritos do voto do relator: (...) Entendo que em regra geral as despesas glosadas não tem nenhum efeito direto sobre a prestação de serviços de limpeza e conservação realizados pela Recorrente, visto trataremse atividades auxiliares ao funcionamento da empresa e portanto, não pode ser utilizado para gerar os créditos do PIS e da COFINS não cumulativos. Entretanto, as despesas com uniforme e material de segurança para utilização individual dos funcionários que prestam os serviços de limpeza e conservação estariam abarcados pelo conceito de insumo previsto no art. 3º da Lei nº 10.833/2003. Pois, as despesas com uniforme e material de segurança individual fornecidos aos funcionários integram os custos referentes a produção sendo despesas vinculadas a prestação dos serviços, pois no caso da prestação de serviços de limpeza e manutenção a utilização de uniformes e equipamentos de proteção individual e necessária para realização dos serviços, pois, como é cediço a realização de serviços de limpeza e manutenção não podem ser realizados sem que as pessoas responsáveis pela prestação de serviços estejam utilizando uniforme apropriado e os equipamentos de proteção individual. Assim, as aquisições destes produtos podem ser consideradas insumos, necessárias a realização dos serviços de limpeza e manutenção, sendo permitida a utilização destas aquisições no cálculo dos créditos de PIS e COFINS não cumulativos. (...) Não vejo reparos a serem feitos na decisão recorrida. Veja o que dispõe o art. 3º da Lei nº 10.833/2003, para a Cofins, que possui a mesma redação do art. 3º da Lei nº 10.637/2002: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) Fl. 2658DF CARF MF Processo nº 13603.000422/200712 Acórdão n.º 9303005.192 CSRFT3 Fl. 6 5 Penso que, resguardando a hipótese de se tratar de bem ativado, os uniformes de uso obrigatório assim como os materiais de segurança utilizados diretamente pelos funcionários que prestam os serviços fins da empresa inseremse no conceito de insumos previstos na norma legal. Posso estar equivocado, mas entendo que tanto os uniformes quanto os materiais de segurança são efetivamente consumidos com o tempo em sua aplicação direta no serviço prestado. Neste sentido, não é por outra razão, que o próprio acórdão recorrido afastou o crédito para outras despesas que, embora essenciais, não guardariam relação direta com a prestação de serviços. Importante frisar que o meu entendimento atual em relação ao conceito de insumos guarda certa sintonia com a tese defendida no recurso especial da PFN, porém para o caso em questão penso que tratamse de insumos que se encaixam perfeitamente no inc. II do art. 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 2659DF CARF MF Processo nº 13603.000422/200712 Acórdão n.º 9303005.192 CSRFT3 Fl. 7 6 Declaração de Voto Conselheira Vanessa Marini Cecconello Conforme consignado no excelente voto do Ilustre Conselheiro Relator, trata se de processo administrativo no qual se discute o conceito de insumos para creditamento das contribuições do PIS e da COFINS, no regime de incidência nãocumulativa, nos termos das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. No caso dos autos, debruçouse o Colegiado sobre as despesas com os seguintes itens empregados no processo produtivo: (a) uniforme e (b) material de segurança, ambos para utilização individual dos funcionários que prestam os serviços de limpeza e conservação. Em seu voto, acompanhado pela maioria dos membros da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, entendeu o Nobre Relator por reconhecer os créditos relativos às despesas com uniforme e material de segurança utilizados pelos funcionários nos serviços de limpeza e conservação, serviços fins da empresa, sob o critério de os mesmos serem consumidos com o tempo e com aplicação direta na prestação dos serviços. De outro lado, esta Conselheira votou com o Relator pelas conclusões pois, embora também reconheça como insumos os itens em discussão, o faz considerando o critério da essencialidade dos materiais no desenvolvimento da atividade da Contribuinte, motivando a declaração de voto. Pois bem. A sistemática da nãocumulatividade para as contribuições do PIS e da COFINS foi instituída, respectivamente, pela Medida Provisória nº 66/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002 (PIS) e pela Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003 (COFINS). Em ambos os diplomas legais, o art. 3º, inciso II, autorizase a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda. O princípio da nãocumulatividade das contribuições sociais foi também estabelecido no §12º, do art. 195 da Constituição Federal, por meio da Emenda Constitucional nº 42/2003, consignandose a definição por lei dos setores de atividade econômica para os quais as contribuições sociais dos incisos I, b; e IV do caput, dentre elas o PIS e a COFINS. Fl. 2660DF CARF MF Processo nº 13603.000422/200712 Acórdão n.º 9303005.192 CSRFT3 Fl. 8 7 A disposição constitucional deixou a cargo do legislador ordinário a regulamentação da sistemática da nãocumulatividade do PIS e da COFINS. Por meio das Instruções Normativas nºs 247/02 (com redação da Instrução Normativa nº 358/2003) (art. 66) e 404/04 (art. 8º), a Secretaria da Receita Federal trouxe a sua interpretação dos insumos passíveis de creditamento pelo PIS e pela COFINS. A definição de insumos adotada pelos mencionados atos normativos é excessivamente restritiva, assemelhandose ao conceito de insumos utilizado para utilização dos créditos do IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados, estabelecido no art. 226 do Decreto nº 7.212/2010 (RIPI). As Instruções Normativas nºs 247/2002 e 404/2004, ao admitirem o creditamento apenas quando o insumo for efetivamente incorporado ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, aproximandose da legislação do IPI que traz critério demasiadamente restritivo, extrapolaram as disposições da legislação hierarquicamente superior no ordenamento jurídico, a saber, as Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, e contrariaram frontalmente a finalidade da sistemática da nãocumulatividade das contribuições do PIS e da COFINS. Patente, portanto, a ilegalidade dos referidos atos normativos. Nessa senda, entendese igualmente impróprio para conceituar insumos adotar se o parâmetro estabelecido na legislação do IRPJ Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, pois demasiadamente amplo. Pelo raciocínio estabelecido a partir da leitura dos artigos 290 e 299 do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99), poderseia enquadrar como insumo todo e qualquer custo da pessoa jurídica com o consumo de bens ou serviços integrantes do processo de fabricação ou da prestação de serviços como um todo. Em Declaração de Voto apresentada nos autos do processo administrativo nº 13053.000211/200672, em sede de julgamento de recurso especial pelo Colegiado da 3ª Turma da CSRF, o ilustre Conselheiro Gileno Gurjão Barreto expôs os seguintes argumentos, que passam a integrar a presente fundamentação: [...] permaneço não compartilhando do entendimento pela possibilidade de utilização isolada da legislação do IR para alcançar a definição de "insumos" Fl. 2661DF CARF MF Processo nº 13603.000422/200712 Acórdão n.º 9303005.192 CSRFT3 Fl. 9 8 pretendida. Reconheço, no entanto, que o raciocínio é auxiliar, é instrumento que pode ser utilizado para dirimir controvérsias mais estritas. Isso porque a utilização da legislação do IRPJ alargaria sobremaneira o conceito de "insumos" ao equiparálo ao conceito contábil de "custos e despesas operacionais" que abarca todos os custos e despesas que contribuem para a atividade de uma empresa (não apenas a sua produção), o que distorceria a interpretação da legislação ao ponto de tornála inócua e de resultar em indesejável esvaziamento da função social dos tributos, passando a desonerar não o produto, mas sim o produtor, subjetivamente. As Despesas Operacionais são aquelas necessárias não apenas para produzir os bens, mas também para vender os produtos, administrar a empresa e financiar as operações. Enfim, são todas as despesas que contribuem para a manutenção da atividade operacional da empresa. Não que elas não possam ser passíveis de creditamento, mas tem que atender ao critério da essencialidade. [...] Estabelece o Código Tributário Nacional que a segunda forma de integração da lei prevista no art. 108, II, do CTN são os Princípios Gerais de Direito Tributário. Na exposição de motivos da Medida Provisória n. 66/2002, in verbis, afirmase que “O modelo ora proposto traduz demanda pela modernização do sistema tributário brasileiro sem, entretanto, pôr em risco o equilíbrio das contas públicas, na estrita observância da Lei de Responsabilidade Fiscal. Com efeito, constitui premissa básica do modelo a manutenção da carga tributária correspondente ao que hoje se arrecada em virtude da cobrança do PIS/Pasep.” Assim sendo, o conceito de "insumos", portanto, muito embora não possa ser o mesmo utilizado pela legislação do IPI, pelas razões já exploradas, também não pode atingir o alargamento proposto pela utilização de conceitos diversos contidos na legislação do IR. Ultrapassados os argumentos para a não adoção dos critérios da legislação do IPI nem do IRPJ, necessário estabelecerse o critério a ser utilizado para a conceituação de insumos. Diante do entendimento consolidado deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, inclusive no âmbito desta Câmara Superior de Recursos Fiscais, o conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, inciso II da Lei 10.833/2003, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade. Referido critério traduz uma posição "intermediária" construída pelo CARF, na qual, para definir insumos, buscase a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte. Fl. 2662DF CARF MF Processo nº 13603.000422/200712 Acórdão n.º 9303005.192 CSRFT3 Fl. 10 9 Conceito mais elaborado de insumo, construído a partir da jurisprudência do próprio CARF e norteador dos julgamentos dos processo no referido órgão, foi consignado no Acórdão nº 9303003.069, resultante de julgamento da CSRF em 13 de agosto de 2014: [...] Portanto, "insumo" para fins de creditamento do PIS e da COFINS não cumulativos, partindo de uma interpretação histórica, sistemática e teleológica das próprias normas instituidoras de tais tributos (Lei no. 10.637/2002 e 10.833/2003), deve ser entendido como todo custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à venda, e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo. Nessa linha relacional, para se verificar se determinado bem ou serviço prestado pode ser caracterizado como insumo para fins de creditamento do PIS e da COFINS, impende analisar se há: pertinência ao processo produtivo (aquisição do bem ou serviço especificamente para utilização na prestação do serviço ou na produção, ou, ao menos, para tornálo viável); essencialidade ao processo produtivo (produção ou prestação de serviço depende diretamente daquela aquisição) e possibilidade de emprego indireto no processo de produção (prescindível o consumo do bem ou a prestação de serviço em contato direto com o bem produzido). Portanto, para que determinado bem ou prestação de serviço seja considerado insumo gerador de crédito de PIS e COFINS, imprescindível a sua essencialidade ao processo produtivo ou prestação de serviço, direta ou indiretamente, bem como haja a respectiva prova. Não é diferente a posição predominante no Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhece, para a definição do conceito de insumo, critério amplo/próprio em função da receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo ou à prestação do serviço. O entendimento está refletido no voto do Ministro Relator Mauro Campbell Marques ao julgar o recurso especial nº 1.246.317MG, sintetizado na ementa: Fl. 2663DF CARF MF Processo nº 13603.000422/200712 Acórdão n.º 9303005.192 CSRFT3 Fl. 11 10 PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃOCUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização Fl. 2664DF CARF MF Processo nº 13603.000422/200712 Acórdão n.º 9303005.192 CSRFT3 Fl. 12 11 quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido. (REsp 1246317/MG, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/05/2015, DJe 29/06/2015) (grifouse) Ainda no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, o tema está novamente em julgamento no recurso especial nº 1.221.170 PR, pela sistemática dos recursos repetitivos, contendo até o momento voto do Ministro Relator Napoleão Nunes Maia Filho pelo reconhecimento da ilegalidade das Instruções Normativas SRF nºs 247/2002 e 404/2004 e aplicação de critério amplo/próprio na conceituação de insumo para os créditos de PIS e COFINS no regime não cumulativo. O processo encontrase com vista ao Ministro Og Fernandes. A posição do Superior Tribunal de Justiça, para definição de insumo, mantémse pela adoção de critério próprio/amplo em função da receita, atendendo aos requisitos da pertinência, relevância e essencialidade. Embora existam casos isolados cujas decisões adotaram o critério restritivo (IPI), não há fato novo ou mudança de entendimento do Tribunal da Cidadania suficiente para acarretar mudança de posição da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Do contrário, estarseia adotando premissa de julgamento equivocada e, ainda, violando frontalmente o princípio da segurança jurídica. Portanto, são insumos, para efeitos do art. 3º, II da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, II da Lei nº 10.833/2003, todos os bens e serviços pertinentes ao processo produtivo e à prestação de serviços, ou ao menos que os viabilizem, podendo ser empregados direta ou indiretamente, e cuja subtração implica a impossibilidade de realização do processo produtivo e da prestação do serviço, objetando ou comprometendo a qualidade da própria atividade da pessoa jurídica. De posse do critério a ser adotado para definição dos insumos aptos a gerar créditos de PIS e COFINS não cumulativos, o critério intermediário, da essencialidade, adentrarseá a análise do caso concreto. A Contribuinte é pessoa jurídica que atua no ramo da construção civil, tendo desenvolvido a atividade de higienização e saneamento ambiental, no Município de Fl. 2665DF CARF MF Processo nº 13603.000422/200712 Acórdão n.º 9303005.192 CSRFT3 Fl. 13 12 Contagem/MG, por ser uma das partes de consórcio contratado pelo município para tanto. Assim, inequivocamente os uniformes e materiais de segurança utilizados pelos funcionários são itens essenciais à prestação dos serviços. Além disso, do exame dos autos verificase a juntada das notas fiscais comprovando a aquisição dos referidos insumos empregados na sua atividade. Com base nessas considerações, acompanhouse o voto do nobre Relator para negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. É o voto. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Fl. 2666DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13830.901051/2013-52
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2008
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2.
É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico.
ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso.
Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72.
Numero da decisão: 1302-002.205
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2. É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso. Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 90 10 51 /2 01 3- 52 Fl. 74DF CARF MF Processo nº 13830.901051/201352 Acórdão n.º 1302002.205 S1C3T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Tratam os autos de análise eletrônica de Pedido de Restituição, por intermédio do qual o contribuinte pretende a restituição de suposto crédito de pagamento indevido ou a maior de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Como resultado da análise foi proferido despacho decisório que decidiu pelo indeferimento do pedido de restituição, haja vista que o montante recolhido pelo Darf apontado como origem do crédito foi integralmente utilizado para liquidar débito confessado em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Cientificado da decisão o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade onde argumenta, em síntese, que os créditos de PIS e Cofins nãocumulativos não devem afetar a determinação do lucro real, nem a base de cálculo da CSLL. A exigência de IRPJ e CSLL sobre tais créditos desrespeita o princípio constitucional da neutralidade tributária. A DRJ ao apreciar a matéria assim decidiu, litteris: ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO. É o administrador um mero executor de leis não lhe cabendo questionar a legalidade ou constitucionalidade do comando legal. A análise de teses contra a legalidade ou a constitucionalidade de normas é privativa do Poder Judiciário, conforme competência conferida constitucionalmente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado com o decisium, o recorrente interpôs Recurso Voluntário, alegando, em síntese, os mesmos argumentos da impugnação, acrescentando que a Administração não pode eximirse da competência sobre o controle de constitucionalidade das leis, decretos e portarias, bem como o fato de não ser razoável que a Administração Pública desconsidere as informações prestadas pelo Contribuinte na DCOMP, as quais apresentam presunção de legitimidade. É o relatório. Voto Fl. 75DF CARF MF Processo nº 13830.901051/201352 Acórdão n.º 1302002.205 S1C3T2 Fl. 4 3 Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.134, de 18.05.2017, proferido no julgamento do processo nº 13830.900610/201226, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.134): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Conforme depreendese da leitura do Relatório acima, o Recorrente sustenta seus argumentos com base em supostas inconstitucionalidades perpetradas pela autoridade fiscal e ratificadas pela decisão recorrida. Contudo, é vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. As autoridades administrativas, enquanto responsáveis pela execução das determinações legais, devem sempre partir do pressuposto de que o legislador tenha editado leis compatíveis com a Constituição Federal e Código Tributário Nacional. Assim, não há que se cogitar de desobediência aos dispositivos legais elencados, no âmbito da Administração Tributária, quando esta, no exercício da sua atividade de fiscalização, logre efetuar o lançamento de crédito tributário, lastreado em fatos e atos atribuídos ao sujeito passivo, que ensejam a exigência de tributos e dos acréscimos legais pertinentes, desde que referido lançamento seja devidamente fundamentado em regular procedimento de ofício e de acordo com os dispositivos legais que regem a espécie. O tema é pacificado no âmbito deste Conselho Administrativo, nos termos da Súmula 02: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de Lei Tributária”. Afasto, portanto, o presente argumento, por não ser o CARF competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Noutra banda, verificase que o recorrente sem acostar documentos comprobatórios aos presentes autos, em seu recurso voluntário, faz referências genéricas aos fatos que motivaram a presente autuação, bem como em relação a decisão proferida em Fl. 76DF CARF MF Processo nº 13830.901051/201352 Acórdão n.º 1302002.205 S1C3T2 Fl. 5 4 primeira instância, sem com isto trazer objetivamente os fundamentos e provas com base nas quais pede para que seja homologado o seu pedido de compensação. Para esse Relator fica claro que o Recorrente se insurge contra decisão proferida pela DRJ de forma genérica, fazendo mera referência parte das razões apresentadas em sede da impugnação e a necessidade de observação das provas já juntadas aos autos, não merecendo prosperar e, por conseguinte, não surte o efeito pretendido em alterar a decisão do julgador a quo. Nesse sentido já decidiu esta Corte Administrativa, conforme se extrai do decidido nos autos do processo nº 10935.720364/2013 45 que teve como relator Amílcar Barca Teixeira Júnior, como segue: "(...) 1. O contribuinte, em seu recurso, no concernente à obrigação principal, limitas se a prestar informações genéricas e não ataca o mérito, situação que não o favorece, enquadrando se, assim, na disciplina do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972 (Acórdão nº 2803003.497. Rel. Amílcar Barca Teixeira Júnior. Sessão de 12/08/2014)." Diante do exposto, NEGO provimento ao Recurso Voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 77DF CARF MF
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Numero do processo: 10730.005255/2001-67
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jul 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1999
INTEMPESTIVIDADE. PRAZO RECURSAL. NÃO CONHECIMENTO DE RECURSO VOLUNTÁRIO.
O prazo para interposição de recurso voluntário é de trinta dias a contar da ciência da decisão recorrida, sendo intempestivo o recurso quando protocolizado após o prazo legal, não devendo ser conhecido.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2202-003.995
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestividade.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurelio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestividade. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurelio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto.
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PRAZO RECURSAL. NÃO CONHECIMENTO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. O prazo para interposição de recurso voluntário é de trinta dias a contar da ciência da decisão recorrida, sendo intempestivo o recurso quando protocolizado após o prazo legal, não devendo ser conhecido. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestividade. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurelio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 00 52 55 /2 00 1- 67 Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10730.005255/200167 Acórdão n.º 2202003.995 S2C2T2 Fl. 112 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 10730.005255/200167, em face do acórdão nº 1313.769, julgado pela 3ª Turma da Delegacia Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (DRJ/RJOII), no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem que assim os relatou: "1. Trata o processo do auto de infração de fls.05 a 08, com exigência de imposto de renda pessoa física suplementar no valor de R$4.480,00 (quatro mil, quatrocentos e oitenta reais), multa de 75% e demais acréscimos legais. 2 A cópia da declaração processada consta nas fls. 22 a 27 (exercício 1999). 3 0 lançamento é decorrente da apuração de compensação indevida a titulo de imposto retido na fonte. Glosado o total declarado de R$ 8.120,00 por ausência de comprovação. A fonte pagadora não apresentou DIRF. 4 Fundamentação legal: art. 12, inciso V, da Lei n° 9.250, de 1995. Impugnação. 5 Cientificado em 30/10/2001 (aviso de recebimento de fl.30), o Contribuinte apresenta em 07/11/2001 a impugnação de fls.01 a 04. Junta cópia da carteira profissional (fls.09 e 10), recibos de pagamento dos meses de maio e agosto de 1998 (f1.13), demonstrativo de contas (fl.14) e outros documentos relativos ao lançamento do ano anterior (exercício 1998)." Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, às fls. 46/50, reiterando as alegações expostas em impugnação, tendo juntado documentação a respeito do aviso prévio de sua dispensa na Companhia Láctea da Bahia, termo de rescisão, bem como comprovantes do FGTS. A 2a. Turma Especial do Primeiro Conselho de Contribuintes, em 06 de outubro de 2008, proferiu a Resolução n° 19200.007, onde assim foi relatado o processo: "Conforme consta dos autos, o presente Auto de Infração originouse da revisão da Declaração de Rendimentos correspondente ao anocalendário de 1998. Por tal razão, restariam como infringidos os arts. 788, 835 a 839, 841, 844, 871, 926 e 992, todos do Decreto n° 3.000/99. Devidamente cientificado da autuação, o contribuinte impugnou o feito fiscal por meio do arrazoado de fls. 01/04, no qual defende em síntese que seu salário é objeto de retenção na fonte feito pela empresa onde trabalha. Sustenta ainda que se a Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10730.005255/200167 Acórdão n.º 2202003.995 S2C2T2 Fl. 113 3 empresa não efetuou o devido repasse das importâncias ao fisco, descabe ao funcionário tomar qualquer providência. Ademais, não pode o fisco cobrar o mesmo tributo duas vezes. A autoridade julgadora de Primeira Instância, através da decisão de fls. 38/40, julgou procedente o lançamento, tendo em vista que na ausência de documentos hábeis que comprovem a retenção do imposto informado na declaração de ajuste, não há corno restabelecer as compensações requeridas, mantendose a glosa do imposto retido na fonte, conforme decisão assim ementada: "Assunto: Imposto de Renda Pessoa Física — IRPF Exercício: 1999 IMPOSTO RETIDO NA FONTE Na ausência de apresentação o de DIRF é cabível a compensação do imposto retido quando o contribuinte possuir comprovante da retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora. IMPUGNAÇÃO. PROVAS. A impugnação deve ser instruída com os elementos de prova que fundamentem os argumentos de defesa. Simples alegações desacompanhadas dos meios de prova que as justifiquem não tem qualquer relevância. Lançamento Procedente" Inconformado com a r. decisão, o interessado interpôs recurso voluntário de fls. 45/48, onde reitera os mesmos argumentos utilizados em sua impugnação. Acrescenta ainda, que a própria Relatora, no item 10 da decisão recorrida, assevera que a empresa Cia Láctea da Bahia não apresentou DIRF relativa ao ano de retenção 1998 e foi declarada inapta em 17.07.2004. Assim, a sanção deve recair sobre a empresa que reteve esses valores." Pela Resolução 2a. Turma Especial do Primeiro Conselho de Contribuintes, foi convertido o julgamento em diligência para que seja possível a aferição a respeito dos documentos constantes das fls. 55 e seguintes no valor do crédito tributário constituído. É o relatório. Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator O recurso voluntário de fls. fls. 47/50 foi apresentado em 23/11/2006, conforme se verifica pelo carimbo da Receita Federal. Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10730.005255/200167 Acórdão n.º 2202003.995 S2C2T2 Fl. 114 4 No presente caso, a ciência se deu por via postal comprovada por aviso de recebimento –AR com data de 23/10/2006, conforme fl. 45. O prazo para interposição de recurso voluntário é de 30 dias, tendo ele findado em 22 de novembro de 2006. Assim, considerando que o contribuinte tomou ciência do resultado do acórdão ora recorrido em 23/10/2006 (segundafeira), iniciase o prazo recursal em 24/10/2006 (terçafeira), tendo por término em 22/11/2006 (quartafeira). Logo, temse que o recurso voluntário apresentado em 23/11/2006 após o término do prazo recursal é intempestivo e, portanto, não deve ser conhecido. Os artigos 5° e 33 do Decreto 70.235, de 1972 estabelecem as regras para contagem do prazo de interposição do recurso voluntário: Art. 5° Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia de início e incluindo se o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. [...] Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Ante ao exposto, voto por não conhecer do recurso, por intempestividade. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Fl. 114DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.720680/2013-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. INCORPORAÇÃO DE EMPRESA. AUMENTO DE CAPITAL COM SUBSCRIÇÃO DE AÇÕES. OPERAÇÕES DISTINTAS. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. AUMENTO DE CAPITAL COM BENS. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DO ART. 26 DA LEI 4.595/64
A incorporação de ações prevista no art. 252 da Lei das S.A constitui operação de natureza distinta da incorporação de empresas cuja previsão se encontra no art. 227 da mesma lei. A incorporação da totalidade das ações de uma empresa por outra visa a criação de uma subsidiária integral enquanto que a incorporação de uma empresa provoca a extinção da empresa incorporada com a absorção de todos os ativos e passivos pela empresa incorporadora.
A incorporação de ações também não se confunde com o aumento de capital com subscrição de ações da forma como prevista no art, 170 da Lei das S.A, vez esta última tem como objetivo o incremento do patrimônio líquido de uma sociedade, enquanto que na primeira o objetivo é a criação de uma subsidiária integral. Na primeira não há direito de retirada de dos dissidentes mas há direito de preferência. Na última verifica-se o inverso.
Em se tratando de instituição financeira, o art. 26 da Lei n. 4595/64 prevê que o capital inicial das instituições financeiras públicas e privadas será sempre realizado em moeda corrente.
MÉTODO DE EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL - MEP. INTRIBUTABILIDADE. APLICAÇÃO DOS ART. 389 E 428 DO RIR/99.
O MEP consiste na avaliação do investimento de uma sociedade em outra sociedade em função da participação da investidora no patrimônio líquido da investida. No caso de investimentos relevantes, o registro pelo MEP é mandatório.
Através do MEP a empresa investidora reflete diretamente em sua contabilidade a variação patrimonial ocorrida na investida. Se a investida apurou lucro, a investidora contabilizará igual resultado de forma proporcional à sua participação na investida.
Sendo a receita de MEP na investidora mero reflexo de lucro apurado e tributado na investida, não há que se falar em tributação da receita de MEP, conforme disposto no art. 389 do RIR.
Não há que se falar em tributação decorrente de ganho ou perda de capital por variação na percentagem de participação do contribuinte no capital social da coligada ou controlada em razão do disposto no art. 428 do RIR/99.
PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. LEGALIDADE E VERACIDADE DAS OPERAÇÕES. APROVAÇÃO DA REORGANIZAÇÃO SOCIETÁRIA POR AUTORIDADES FISCALIZADORAS E REGULADORAS. AUSÊNCIA DE SIMULAÇÃO OU ARTIFICIALIDADE. EXISTÊNCIA DE PROPÓSITO NEGOCIAL "BUSINESS PURPOSE". OPONIBILIDADE AO FISCO.
Não pode o fisco desconsiderar operações sob entendimento de terem sido executadas de forma simulada ou artificial quando todo o conjunto das operações foi monitorado, avaliado e aprovado pelos órgãos fiscalizadores e reguladores como o BACEN, CADE e CVM.
O contribuinte não é obrigado e optar pela via onerosa do ponto de vista fiscal quando existem outras opções que se apresentam mais eficientes, desde que possuam essência alinhada com a forma adotada e possuam propósito negocial (business purpose).
A existência de "step transactions" e a execução de diversas etapas no mesmo dia, por si só, não são suficientes para viciar a operação ou negar-lhe oponibilidade ao fisco, ainda mais quando todas as possíveis opções identificadas pelo autoridade fiscal também se baseiam em "step transactions" executadas num curto espaço de tempo.
IMPOSTO DE RENDA. GANHO DE CAPITAL. TRIBUTAÇÃO DO COMPRADOR. IMPOSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE GANHO.
A tributação pelo Imposto de Renda sobre Ganho de Capital pressupõe a existência de ganho do contribuinte na alienação de um bem ou direito, sendo certo que tal tributação, portanto, sempre deve incidir sobre o vendedor e não sobre o comprador.
Também não há ganho de capital quando não existiu alienação de qualquer bem ou direito ou quando o valor de suposta alienação não é superior ao valor de aquisição do objeto da venda em virtude de óbvia falta de preenchimento dos aspectos material e quantitativo da hipótese de incidência do tributo.
Numero da decisão: 1201-001.618
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em DAR provimento ao Recurso Voluntário. A Conselheira Eva Maria Los acompanhou o Relator pelas conclusões e apresentará declaração de voto. Vencidos os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Roberto Caparroz de Almeida, que negavam provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente
(assinado digitalmente)
Luis Fabiano Alves Penteado - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Luiz Paulo Jorge Gomes, José Carlos de Assis Guimarães e Gustavo Guimarães da Fonseca.
Nome do relator: LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em DAR provimento ao Recurso Voluntário. A Conselheira Eva Maria Los acompanhou o Relator pelas conclusões e apresentará declaração de voto. Vencidos os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Roberto Caparroz de Almeida, que negavam provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida - Presidente (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Luiz Paulo Jorge Gomes, José Carlos de Assis Guimarães e Gustavo Guimarães da Fonseca.
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008 INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. INCORPORAÇÃO DE EMPRESA. AUMENTO DE CAPITAL COM SUBSCRIÇÃO DE AÇÕES. OPERAÇÕES DISTINTAS. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. AUMENTO DE CAPITAL COM BENS. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DO ART. 26 DA LEI 4.595/64 A incorporação de ações prevista no art. 252 da Lei das S.A constitui operação de natureza distinta da incorporação de empresas cuja previsão se encontra no art. 227 da mesma lei. A incorporação da totalidade das ações de uma empresa por outra visa a criação de uma subsidiária integral enquanto que a incorporação de uma empresa provoca a extinção da empresa incorporada com a absorção de todos os ativos e passivos pela empresa incorporadora. A incorporação de ações também não se confunde com o aumento de capital com subscrição de ações da forma como prevista no art, 170 da Lei das S.A, vez esta última tem como objetivo o incremento do patrimônio líquido de uma sociedade, enquanto que na primeira o objetivo é a criação de uma subsidiária integral. Na primeira não há direito de retirada de dos dissidentes mas há direito de preferência. Na última verifica-se o inverso. Em se tratando de instituição financeira, o art. 26 da Lei n. 4595/64 prevê que o capital inicial das instituições financeiras públicas e privadas será sempre realizado em moeda corrente. MÉTODO DE EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL - MEP. INTRIBUTABILIDADE. APLICAÇÃO DOS ART. 389 E 428 DO RIR/99. O MEP consiste na avaliação do investimento de uma sociedade em outra sociedade em função da participação da investidora no patrimônio líquido da investida. No caso de investimentos relevantes, o registro pelo MEP é mandatório. Através do MEP a empresa investidora reflete diretamente em sua contabilidade a variação patrimonial ocorrida na investida. Se a investida apurou lucro, a investidora contabilizará igual resultado de forma proporcional à sua participação na investida. Sendo a receita de MEP na investidora mero reflexo de lucro apurado e tributado na investida, não há que se falar em tributação da receita de MEP, conforme disposto no art. 389 do RIR. Não há que se falar em tributação decorrente de ganho ou perda de capital por variação na percentagem de participação do contribuinte no capital social da coligada ou controlada em razão do disposto no art. 428 do RIR/99. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. LEGALIDADE E VERACIDADE DAS OPERAÇÕES. APROVAÇÃO DA REORGANIZAÇÃO SOCIETÁRIA POR AUTORIDADES FISCALIZADORAS E REGULADORAS. AUSÊNCIA DE SIMULAÇÃO OU ARTIFICIALIDADE. EXISTÊNCIA DE PROPÓSITO NEGOCIAL "BUSINESS PURPOSE". OPONIBILIDADE AO FISCO. Não pode o fisco desconsiderar operações sob entendimento de terem sido executadas de forma simulada ou artificial quando todo o conjunto das operações foi monitorado, avaliado e aprovado pelos órgãos fiscalizadores e reguladores como o BACEN, CADE e CVM. O contribuinte não é obrigado e optar pela via onerosa do ponto de vista fiscal quando existem outras opções que se apresentam mais eficientes, desde que possuam essência alinhada com a forma adotada e possuam propósito negocial (business purpose). A existência de "step transactions" e a execução de diversas etapas no mesmo dia, por si só, não são suficientes para viciar a operação ou negar-lhe oponibilidade ao fisco, ainda mais quando todas as possíveis opções identificadas pelo autoridade fiscal também se baseiam em "step transactions" executadas num curto espaço de tempo. IMPOSTO DE RENDA. GANHO DE CAPITAL. TRIBUTAÇÃO DO COMPRADOR. IMPOSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE GANHO. A tributação pelo Imposto de Renda sobre Ganho de Capital pressupõe a existência de ganho do contribuinte na alienação de um bem ou direito, sendo certo que tal tributação, portanto, sempre deve incidir sobre o vendedor e não sobre o comprador. Também não há ganho de capital quando não existiu alienação de qualquer bem ou direito ou quando o valor de suposta alienação não é superior ao valor de aquisição do objeto da venda em virtude de óbvia falta de preenchimento dos aspectos material e quantitativo da hipótese de incidência do tributo.
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INCORPORAÇÃO DE EMPRESA. AUMENTO DE CAPITAL COM SUBSCRIÇÃO DE AÇÕES. OPERAÇÕES DISTINTAS. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. AUMENTO DE CAPITAL COM BENS. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DO ART. 26 DA LEI 4.595/64 A incorporação de ações prevista no art. 252 da Lei das S.A constitui operação de natureza distinta da incorporação de empresas cuja previsão se encontra no art. 227 da mesma lei. A incorporação da totalidade das ações de uma empresa por outra visa a criação de uma subsidiária integral enquanto que a incorporação de uma empresa provoca a extinção da empresa incorporada com a absorção de todos os ativos e passivos pela empresa incorporadora. A incorporação de ações também não se confunde com o aumento de capital com subscrição de ações da forma como prevista no art, 170 da Lei das S.A, vez esta última tem como objetivo o incremento do patrimônio líquido de uma sociedade, enquanto que na primeira o objetivo é a criação de uma subsidiária integral. Na primeira não há direito de retirada de dos dissidentes mas há direito de preferência. Na última verificase o inverso. Em se tratando de instituição financeira, o art. 26 da Lei n. 4595/64 prevê que o capital inicial das instituições financeiras públicas e privadas será sempre realizado em moeda corrente. MÉTODO DE EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL MEP. INTRIBUTABILIDADE. APLICAÇÃO DOS ART. 389 E 428 DO RIR/99. O MEP consiste na avaliação do investimento de uma sociedade em outra sociedade em função da participação da investidora no patrimônio líquido da investida. No caso de investimentos relevantes, o registro pelo MEP é mandatório. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 06 80 /2 01 3- 61 Fl. 2983DF CARF MF Processo nº 16327.720680/201361 Acórdão n.º 1201001.618 S1C2T1 Fl. 3 2 Através do MEP a empresa investidora reflete diretamente em sua contabilidade a variação patrimonial ocorrida na investida. Se a investida apurou lucro, a investidora contabilizará igual resultado de forma proporcional à sua participação na investida. Sendo a receita de MEP na investidora mero reflexo de lucro apurado e tributado na investida, não há que se falar em tributação da receita de MEP, conforme disposto no art. 389 do RIR. Não há que se falar em tributação decorrente de ganho ou perda de capital por variação na percentagem de participação do contribuinte no capital social da coligada ou controlada em razão do disposto no art. 428 do RIR/99. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. LEGALIDADE E VERACIDADE DAS OPERAÇÕES. APROVAÇÃO DA REORGANIZAÇÃO SOCIETÁRIA POR AUTORIDADES FISCALIZADORAS E REGULADORAS. AUSÊNCIA DE SIMULAÇÃO OU ARTIFICIALIDADE. EXISTÊNCIA DE PROPÓSITO NEGOCIAL "BUSINESS PURPOSE". OPONIBILIDADE AO FISCO. Não pode o fisco desconsiderar operações sob entendimento de terem sido executadas de forma simulada ou artificial quando todo o conjunto das operações foi monitorado, avaliado e aprovado pelos órgãos fiscalizadores e reguladores como o BACEN, CADE e CVM. O contribuinte não é obrigado e optar pela via onerosa do ponto de vista fiscal quando existem outras opções que se apresentam mais eficientes, desde que possuam essência alinhada com a forma adotada e possuam propósito negocial (business purpose). A existência de "step transactions" e a execução de diversas etapas no mesmo dia, por si só, não são suficientes para viciar a operação ou negarlhe oponibilidade ao fisco, ainda mais quando todas as possíveis opções identificadas pelo autoridade fiscal também se baseiam em "step transactions" executadas num curto espaço de tempo. IMPOSTO DE RENDA. GANHO DE CAPITAL. TRIBUTAÇÃO DO COMPRADOR. IMPOSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE GANHO. A tributação pelo Imposto de Renda sobre Ganho de Capital pressupõe a existência de ganho do contribuinte na alienação de um bem ou direito, sendo certo que tal tributação, portanto, sempre deve incidir sobre o vendedor e não sobre o comprador. Também não há ganho de capital quando não existiu alienação de qualquer bem ou direito ou quando o valor de suposta alienação não é superior ao valor de aquisição do objeto da venda em virtude de óbvia falta de preenchimento dos aspectos material e quantitativo da hipótese de incidência do tributo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em DAR provimento ao Recurso Voluntário. A Conselheira Eva Maria Los acompanhou o Relator pelas Fl. 2984DF CARF MF Processo nº 16327.720680/201361 Acórdão n.º 1201001.618 S1C2T1 Fl. 4 3 conclusões e apresentará declaração de voto. Vencidos os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Roberto Caparroz de Almeida, que negavam provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Luiz Paulo Jorge Gomes, José Carlos de Assis Guimarães e Gustavo Guimarães da Fonseca. Relatório Trata o presente processo de Auto de Infração lavrado em 25/06/2013 contra a ora Recorrente para cobrança de IRPJ e CSLL do ano de 2008 no montante de R$ 18.711.592.619,85. Para o completo entendimento da autuação, transcrevo abaixo, trechos do relatório da decisão da DRJ: I. Linhas gerais da transação ocorrida entre os controladores da Itaú Holding, atualmente Itaú Unibanco Holding, e os controladores do Unibanco Holdings – UBBH: I.1. Composição societária do Unibanco – Banco e Holding em 28/11/2008 Fl. 2985DF CARF MF Processo nº 16327.720680/201361 Acórdão n.º 1201001.618 S1C2T1 Fl. 5 4 I.2. Eventos societários aprovados em 27 e 28/11/2008 1 Incorporação de ações da Itaúsa Export S/A Incorporação de 10.919.497.223 ações ordinárias, representativas de 44,26% do capital da Itaúsa Export S/A, pelo Banco Itaú, com a entrega à Itaúsa – Investimento Itaú S/A de 20.954.935 ações ordinárias de emissão do Banco Itaú. Lançamentos contábeis no Banco Itaú (fl. 825) D Investimento VP – (2114.0926) 550.000.000,00 C PL aumento de capital (6121.1017) 549.466.841,83 C Reserva de capital (6310.0010) 533.158,18 *D Investimento Ágio 39.246.080,01 C Investimento VP 39.246.080,01 *No demonstrativo consolidado das incorporações de ações pelo Banco Itaú foi informado registro de ágio. Por isso, apesar de não constar nos demonstrativos de lançamentos efetuados, indicamos o registro contábil do ágio. 2 Incorporação de ações da E.Johnston. (controladores Unibanco) pelo Banco Itaú Incorporação de 525.776.500 ações ordinárias pelo Banco Itaú, com a entrega aos acionistas da E. Johnston Representação e Participações S/A de 445.686.615 ações ordinárias de emissão do Banco Itaú. Relação de troca – uma ordinária do Itaú para cada 1,1797 ações ordinárias da E. Johnston. Preço das ações emitidas = 26,246800574661. Este valor foi utilizado para cálculo do valor do investimento (ações emitidas x Fl. 2986DF CARF MF Processo nº 16327.720680/201361 Acórdão n.º 1201001.618 S1C2T1 Fl. 6 5 preço de emissão = 445.686.615 x 26,246800574661 = 11.697.847.702,70) Lançamentos contábeis no Banco Itaú (fl. 825) D Investimento VP – (2114.1932) 11.697.847.702,70 C PL aumento de capital (6121.1017) 11.697.847.702,70 D Investimento Ágio ( 2114.3029) 9.363.891.964,19 C Investimento VP ( 2114.1932) 9.363.891.964,19 Efeitos na Itaú Unibanco Holding – Resultado de Equivalência Patrimonial A Itaú Unibanco Holding registrou resultado positivo de equivalência patrimonial não operacional, em virtude de redução no percentual de participação societária. Fl. 2987DF CARF MF Processo nº 16327.720680/201361 Acórdão n.º 1201001.618 S1C2T1 Fl. 7 6 3 Incorporação de ações da Unibanco Holdings pelo Banco Itaú Incorporação de 28.337.832 ações ordinárias, e 1.041.082.702 ações preferenciais pelo Banco Itaú, com a entrega aos acionistas da Unibanco Holdings S/A de um total de 323.337.724, sendo 24.021.210 ações ordinárias, e 299.316.514 ações preferenciais, de emissão do Banco Itaú Relação de troca – uma ordinária do Itaú para cada 1,1797 ações ordinárias da Unibanco Holdings e uma ordinária do Itaú para cada 3,4782 ações preferenciais. Preço das ações emitidas = 26,246800574661. Este valor foi utilizado para cálculo do valor do investimento (ações emitidas x preço de emissão = 323.337.724 x 26,246800574661 = 8.486.580.760,09) Lançamentos contábeis no Banco Itaú (fl. 825) D Investimento VP – (2114.1957) 2.946.620.115,70 5.539.960.854,37 C PL aumento de capital (6121.1017) 630.480.118,41 (6121.1025) 7.856.100.851,66 Fl. 2988DF CARF MF Processo nº 16327.720680/201361 Acórdão n.º 1201001.618 S1C2T1 Fl. 8 7 D Investimento Ágio ( 2114.3060) 105.799.967,34 3.886.906.940,29 C Investimento VP (2114.1932) 105.799.967,34 3.886.906.940,29 Efeitos na Itaú Unibanco Holding – Resultado de Equivalência Patrimonial A Itaú Unibanco Holding registrou resultado positivo de equivalência patrimonial não operacional, em virtude de redução no percentual de participação societária. (...) 4 Incorporação de ações do Unibanco pelo Banco Itaú Incorporação de 43.752.918 ações ordinárias, e 1.095.356.887 ações preferenciais pelo Banco Itaú, com a entrega aos acionistas do Unibanco – União de Bancos Brasileiros S/A de um total de 352.009.089, sendo 37.088.173 ações ordinárias, e 314.920.916 ações preferenciais, de emissão do Banco Itaú. Relação de troca – uma ordinária do Itaú para cada 1,1797 ações ordinárias do Unibanco e uma ordinária do Itaú para cada 3,4782 ações preferenciais. Preço das ações emitidas = 26,246800574661. Este valor foi utilizado para cálculo do valor do investimento (ações emitidas x preço de emissão = 352.009.089 x 26,246800574661 = 8.486.580.760,09). O valor do investimento contabilizado é menor porque tomou por base o número de ações do demonstrativo abaixo, e não o da ata (352.008.789 x 26,246800574661 = 9.239.104.455,41). Lançamentos contábeis no Banco Itaú (fl.825) D Investimento VP – (2114.1940) 5.106.466.946,71 4.132.637.538,70 C PL aumento de capital (6121.1017) 973.445.880,41 (6121.1025) 8.265.658.605,00 DInvestimento Ágio (2114.3045) 174.080.925,01 4.358.126.242,18 Fl. 2989DF CARF MF Processo nº 16327.720680/201361 Acórdão n.º 1201001.618 S1C2T1 Fl. 9 8 C Investimento VP (2114.1932) 174.080.925,01 4.358.126.242,18 Efeitos na Itaú Unibanco Holding – Resultado de Equivalência Patrimonial A Itaú Unibanco Holding registrou resultado positivo de equivalência patrimonial não operacional, em virtude de redução no percentual de participação societária (...) Efeito conjunto das operações no Banco Itaú Situação inicial Capital de R$ 10.202.000.000,00, representado por 2.953.439.742 ações, sendo 1.553.418.582 ordinárias e 1.400.021.160 preferenciais. Após incorporações Capital de R$ 40.175.000.000,00, representado por 4.095.427.813 ações, sendo 2.081.169.523 ordinárias e 2.014.258.290 preferenciais. Foi atribuído o valor de R$ 26,24 a cada uma as ações incorporadas pelo Banco Itaú, incluindo as da Itaúsa Export (29.973.533.158,18 / 1.141.988.571 = 26,24678908). Resumo e totalização dos lançamentos contábeis. Ágio total relativo ao Unibanco e à Unibanco Holdings = R$ 17.888.806.039,01 Fl. 2990DF CARF MF Processo nº 16327.720680/201361 Acórdão n.º 1201001.618 S1C2T1 Fl. 10 9 Valor contábil do Unibanco e da Unibanco Holdings = R$ 11.534.727.119,17 Ágio relativo à Itaú Export = 39.246.080,01 Valor contábil relativo à Itaú Export = 510.753.919,99 Total após incorporações = R$ 29.973.533.158,18 Ágio total = R$ 17.928.052.119,02 Valor contábil total = R$ 12.045.481.039,16 5 Incorporação de ações do Banco Itaú pelo Itaú Holding Situação inicial Capital de R$ 17.000.000.000,00, representado por 3.013.408.492 ações, sendo 1.553.418.582 ordinárias e 1.459.989.910 preferenciais. Após incorporação Capital de R$ 29.000.000.000,00, representado por 4.155.396.563 ações, sendo 2.081.169.523 ordinárias e 2.074.227.040 preferenciais. Incorporadas e emitidas – 1.141.988.071 (527.750.941 ordinárias e 614.237.130 preferenciais) Relação de troca – uma ação do Itaú Holding para cada ação do Banco Itaú. Aumento de capital= R$ 12.000.000.000,00. Reserva de Capital: R$ 5.539.762,00 ( R$ 533.158,18 oriundo da incorporação de ações da Itaú Export fls. 160 e 517) Critério de avaliação: a incorporação das ações foi efetuada pelo montante de R$ 12.005.539.762,00, que é equivalente ao valor patrimonial contábil das ações do Banco Itaú em 30/9/2008, ajustado por eventos subsequentes. Lançamentos contábeis D Investimento VP – (2114.2047) 5.545.601.966,27 6.454.398.033,73 CPL aumento de capital (6121.1017) 5.545.601.966,27 (6121.1025) 6.454.398.033,73 D Investimento Ágio ( 2114.2047) 2.560.109,01 2.979.652,41 Fl. 2991DF CARF MF Processo nº 16327.720680/201361 Acórdão n.º 1201001.618 S1C2T1 Fl. 11 10 CPL Reserva de ágio (6310.0010) 5.539.762,00 DInvestimento Ágio – (2114.2062) 32.196.004,27 31.160.877,27 CInvestimento VP (2114.2047) 32.196.004,27 31.160.877,27 Quadro resumo da troca de ações e dos valores totais contabilizados: Composição acionária do Banco Itaú Holding após a incorporação de ações do Banco Itaú (fls. 629) (...) * Nesta etapa a Família Moreira Salles detinha participação na Itaú Holding no percentual de 10,88242%. No acordo de acionistas foi pactuado que a Família Moreira Salles (Grupo B) seria titular de 50% das ações ordinárias de emissão da IUPAR, que representaria, indiretamente o percentual de 8,68% da totalidade das ações de emissão do Itaú Holding (fls. 664). Em resposta à questão levantada na teleconferência realizada em 4/11/2008 – se houve alguma venda de ações por parte do grupo Moreira Salles para a Itaúsa – Roberto Setúbal afirma que a relação de troca traduziu um prêmio implícito, que é o prêmio de participação no controle do Banco” (fls. 20). Observase ainda Fl. 2992DF CARF MF Processo nº 16327.720680/201361 Acórdão n.º 1201001.618 S1C2T1 Fl. 12 11 que a participação da Itaúsa aumentou em 8,3%, “o que seria bem acima dos 21 milhões de ações que foram emitidos em função da venda do Banco Itaú Europa para o Banco Itaú”. 6 Aumento de capital na empresa IUPAR – Itaú Unibanco Participações, aprovado em 27/11/2008 Mencionamos este evento por último porque a integralização do capital foi efetuada em 28/11/2008, mediante a conferência à Sociedade de ações ordinárias de emissão do Banco Itaú Holding Financeira S/A Aumento de capital – R$ 5.999.999.000,00 Capital de R$ 6.000.000.000,00, representado por 1.061.396.457 ações, sendo 355.227.092 ações ordinárias classe “A”, 355.227.092 ações ordinárias classe “B”, e 350.942.273 ações preferenciais. As 120 ações ordinárias originais foram convertidas em 120 ações ordinárias classe “B”. As 355.227.092 ações ordinárias classe “A” foram emitidas ao preço de R$ 9,68, e integralizadas pela Itaúsa – Investimentos Itaú S/A. O preço de emissão foi retificado para R$ 13,97, na assembléia realizada em 26/2/2009 (fls. 1045). As 355.226.972 ações ordinárias classe “B” foram emitidas ao preço de R$ 8,66, e integralizadas pela família Moreira Salles. As 350.942.273 ações preferenciais ao preço de R$ 8,66, e integralizadas pela Itaúsa – Investimentos Itaú S/A. O preço de emissão foi retificado para R$ 13,97, na assembléia realizada em 26/2/2009 (fls. 1045). Quadro resumo da subscrição de ações na IUPAR com base na assembleia realizada em 27/11/2008: Fl. 2993DF CARF MF Processo nº 16327.720680/201361 Acórdão n.º 1201001.618 S1C2T1 Fl. 13 12 Segundo esclarecimentos da IUPAR , os acionistas avaliaram as ações Itaú Unibanco entregues em aumento de capital da IUPAR, cada um deles, pelo valor contábil da participação decada um, fato que resultou na atribuição de valores diferentes, por serem diferentes os respectivos custos contábeis. Os controladores do Unibanco iriam deter 8,68% da Itaú Unibanco Holding, exclusivamente por via indireta através da IUPAR A IUPAR ficou com o controle de 51% do capital votante da Itaú Unibanco Holding. A Itaúsa aumentou sua participação na Itaú Unibanco Holding em 8,28%, sendo que o número de ações que detinha passou de 1.344.632.753 para 1.455.387.271, parte mantida diretamente e parte indiretamente através da IUPAR. Em teleconferência realizada em 4/11/2008, Roberto Egydio Setúbal afirmou que a relação de troca das 445.686.615 ações da Itaú Holding por 355.226.972 ações ordinárias classe “B”, “traduz um prêmio implícito, que é o prêmio exatamente de participação no controle do Banco”, e que “não houve pagamento em dinheiro mesmo, foi na troca de ações, na integralização da holding”. A Ata de subscrição da IUPAR foi rerratificada em 26/2/2009 e com esta retificação, o valor das mesmas 615.709.849 ações ordinárias da Itaú Unibanco Holding representaram R$ 9.866.072.162,41 de capital. O valor de integralização por ação é de R$ 16,00. O recálculo do valor da ação originouse da inclusão no cálculo do MEP do ganho de R$ 18 bilhões contabilizado na Itaú Unibanco Holding. Gráfico da situação inicial e da resultante após a reorganização societária. I.3. Eventos societários aprovados em 28/02/2009 1 Cisão da Unibanco Seguros, sendo que a parcela cindida a ser formada pelo investimento na Unibanco Vida e Previdência (UVP) é incorporada pelo Unibanco. Fl. 2994DF CARF MF Processo nº 16327.720680/201361 Acórdão n.º 1201001.618 S1C2T1 Fl. 14 13 2 Cisão da Unibanco Holdings, com versão de parcela cindida para a E. Johnston 3 Incorporação da E. Johnston pelo Banco Itaú 4 Cisão parcial do Unibanco, com incorporação de parcela cindida pelo Banco Único 5 Cisão parcial do Unibanco, com incorporação de parcela cindida pelo Banco Itaú 6 Banco Itaú aliena participação no Banco Único para o Itaú BBA 7 Incorporação do Banco Único pelo Itaú BBA 8 Banco Itaú aumenta o capital da Itauseg com o aporte da participação que detém na Unibanco Seguros 9 Banco Itaú aumenta o capital da Itaú Vida e Previdência com o aporte da participação que detém no Unibanco Vida e Previdência (UVP) 10 Banco Itaú aliena participação na Dibens Leasing para a Itaubank Leasing 11 Banco Itaú aumenta o capital da Itaucap com aporte da participação que detém na Unicap 12 Cisão do Banco Itaú, com versão de parcela cindida composta pelas participações detidas no Fininvest e UAM DTVM para a Itaucard 13 Unibanco Seguros é incorporada pela Itauseg 14 Unibanco Vida e Previdência (UVP) incorpora Itaú Vida e Previdência 15 UAM DTVM será incorporada na Itaucard 16 Cisão total da Itaubank Leasing com versão de parcela cindida para Banco Itaú e incorporação remanescente pela Dibens Leasing . Dibens Leasing incorpora Itaubank Leasing. 17Banco Finivest será incorporada na Itaucard 18 Unicap será incorporada na Itaucap I.4. Relação de documentos apresentados pela contribuinte: • Protocolo e justificação de incorporação de ações da E. Jonhston Representação e Participações S/A pelo Banco Itaú S/A e Ata sumária (fls. 121/127, 695/696 e 702/706). • Protocolo e justificação de incorporação de ações da Unibanco Holdings S/A pelo Banco Itaú S/A e Ata sumária (fls. 128/138, 708/731 e 737/743). Fl. 2995DF CARF MF Processo nº 16327.720680/201361 Acórdão n.º 1201001.618 S1C2T1 Fl. 15 14 • Protocolo e justificação de incorporação de ações da Unibanco – União de Bancos Brasileiros S/A pelo Banco Itaú S/A e Ata sumária (fls. 140/154 e 745/776). • Ata da Assembléia Geral do Banco Itaú S/A realizada em 28/11/2008, às 14:30 (fls. 155/158, 697/701, 732/736 e 777/789). • Protocolo e justificação de incorporação de ações do Banco Itaú S/A pelo Banco Itaú Holding Financeira S/A e Ata da Assembléia Geral do Banco Itaú Holding Financeira S/A (fls. 159/169, 793/803). • Ata da Assembléia Geral do Banco Itaú S/A realizada em 28/11/2008, às 15:00 horas (fls. 170/171 e 791/792). • Protocolo e justificação de incorporação de E. Jonhston Representação e Participações S/A pelo Banco Itaú S/A, Atas sumárias das duas instituições e Laudo de avaliação (fls. 172/179 e 809/824). • Protocolo e justificação de cisão parcial do Unibanco – União de Bancos Brasileiros S/A, com versão de parcela do seu patrimônio para o Banco Itaú S/A., Atas sumárias das duas instituições e Laudo de avaliação do patrimônio líquido contábil do Unibanco – União de Bancos Brasileiros S/A (fls. 180/218) • Contrato de compra e venda de ações emitidas pelo Banco Único S/A (fls. 219/220). • Ata sumária da Assembléia Geral da Itaú Seguros S/A (fls. 221/226). • Ata sumária da Assembléia Geral da Itaú Vida e Previdência S/A (fls. 227/233). • Contrato de compra e venda de ações emitidas pela Dibens Leasing S/A Arrendamento Mercantil (fls. 234/235). • Ata sumária da Assembléia Geral da Cia. Itaú de Capitalização S/A (fls. 236/240). • Protocolo e justificação de cisão parcial do Banco Itaú S/A, com versão de parcela do seu patrimônio para o Banco Itaucard S/A., Atas sumárias das duas instituições e Laudo de avaliação do patrimônio líquido contábil do Banco Itaú S/A (fls. 241/253). • Protocolo e justificação de cisão total da Itaubank Leasing S/A – Arrendamento Mercantil, com versão das parcelas cindidas para a Dibens Leasing S/A – Arrendamento Mercantil e para o Banco Itaú S/A, Atas sumárias das duas instituições e Laudo de avaliação do patrimônio líquido contábil da Itaubank Leasing S/A – Arrendamento Mercantil (fls. 254/286). • Carta ao Banco Central do Brasil (Ref. Associação Unibanco) (fls. 286/337). Fl. 2996DF CARF MF Processo nº 16327.720680/201361 Acórdão n.º 1201001.618 S1C2T1 Fl. 16 15 • Exposição de motivos – versão pública com tarja de confiabilidade – apresentada ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica – CADE (fls. 338/375). • Voto do Diretor de Normas e Organização do Sistema Financeiro do Bacen (fls. 376/404). • Aprovação da reorganização pelo Bacen, pela Secretaria de Direito Econômico e pelo CADE (fls. 405/509 e 2419/2510). • Protocolo e justificação de incorporação das ações da Itaúsa Export pelo Banco Itaú e Ata da Assembléia da Itaúsa Export S/A (fls. 516/520). • Laudo de avaliação da metodologia para cálculo de médias de cotações das ações preferenciais para estabelecer relação de troca de ações (fls. 523/566). • Laudo de avaliação do cálculo da relação de troca para as ações preferenciais (fls. 567/572). • Fato relevante – associação entre Itaú e Unibanco e complementação (fls. 573/586 e 2403/2416). Laudo de avaliação econômicofinanceira Unibanco – Hirashima e PricewaterhouseCoopers (fls. 587/626, 804/808 e 1889/2030). • Esclarecimentos adicionais sobre as trocas de ações (fls. 628/635). • Registro de ações e termos de transferência (fls. 638/657). • Instrumento particular de contrato de associação de 3/11/2008 e 27/1/2009 (fls. 661/680 e 1090/1164). • Contabilização dos eventos – Razão e Balancetes (fls. 826/855, 1210/1221 e (1761/1776). • Memória de cálculo de apuração do resultado de Equivalência Patrimonial do Itaú Holding e registros contábeis (fls. 903/904, 1227/1229, 1235/1268 e 1781/1784). • Atas sumárias da MPC Participações (atual IUPAR – Participações – fls. 912/917 e 957/1053) . • Balancetes e Razão da MPC Participações (fls. 1055/1078). • Acordo de acionistas da IUPAR – Itaú Unibanco Participações S/A e do Itaú Unibanco Banco Múltiplo S/A (fls. 1116/1209). • Contrato de venda de ações da empresa E. Johnston Representação e Participações S/A para a empresa Brasil Warrant Administração de Bens e Empresas, Ordem de transferência de Ações Escriturais, Razões das operações e demonstrativo do cálculo do ganho (fls. 1271/1280). Fl. 2997DF CARF MF Processo nº 16327.720680/201361 Acórdão n.º 1201001.618 S1C2T1 Fl. 17 16 • Contrato de venda das quotas da empresa Klabin S/a da E. Johnston Representação e Participações S/A para a empresa Brasil Warrant Administração de Bens e Empresas, comprovante de recebimento (fls. 1283/1289). • Contrato de venda de ações da empresa Marília Investimentos Ltda. da E. Johnston Representação e Participações S/A para a empresa Brasil Warrant Administração de Bens e Empresas, Razões das operações (fls. 1295/1303). • Esclarecimentos sobre a Iupar (fls. 1314/13515 e 1321/1324). • Reratificação do Laudo de Avaliação das ações ordinárias do Itaú Unibanco Banco Múltiplo S/A (nova denominação social do Banco Itaú Holding Financeira S/A fls. 1325/1354); Atas sumárias da Iupar Participações S/A (fls. 1355/1378). • Registros e operações na Itaúsa S/A (fls. 1380/1417). • Esclarecimentos sobre o cálculo da relação de troca das ações do Itaú Unibanco S/A e do Itaú Unibanco Holding S/A e sobre os efeitos na balanço consolidado (fls. 1421/1538). • LALUR da ItaúUnibanco Holding S/A (fls. 1543/1587). • LALUR da Itaúsa Investimentos Itaú S/A (fls. 1599/1647). • Demonstrativo de resultado de equivalência patrimonial de Itaúsa – Investimentos Itaú S/A (fls. 1650/1667). • Esclarecimentos sobre a relação de troca de ações (fls. 1670/1675 e 1710/1715). • Acordo de acionistas da UBB Holding de 28/12/00 e aditamento, termo de adesão (fls. 1678/1691). • Cálculo do deságio e do resultado de equivalência operacional na IUPAR (fls. 1694/1696 e 1698/1699). • Esclarecimentos sobre os aumentos de capital no Banco Itaú (fls. 1701/1708). • Esclarecimentos sobre o aumento de capital na IUPAR (fls. 1718/1723). • Demonstrativos da CSLL devida em 2008 (fls. 1728/1752). • Esclarecimentos sobre o registro do ágio no Banco Itaú S/A, em 28/2/2009 (fls. 1787/1788). • Esclarecimentos prestados em 5/2/2013 e 4/3/2013(fls. 1789/1843 e 1846/1848). • Processo de reorganização societária no Bacen (fls. 1849/1888). • Demonstrações financeiras padronizadas – CVM e ITR – Informações trimestrais (fls. 2031/2081). Fl. 2998DF CARF MF Processo nº 16327.720680/201361 Acórdão n.º 1201001.618 S1C2T1 Fl. 18 17 • Demonstrações financeiras (fls. 2082/2181). • Laudo de avaliação econômica da Dibens Leasing S/A – database 31/12/2008 (fls. 2182/2351). • Decisão no processo administrativo sancionador CVM nº 24/04 (fls. 2511/2530). II. Análise da fiscalização • Considerada a totalidade de ações emitidas pela Itaú Unibanco Holding na transação, valoradas ao preço de mercado das preferenciais praticado na Bovespa (R$ 26,2468), o valor atribuído a 100% das ações emitidas atingiria a cifra de R$ 29.973.546.276,26. • Independentemente das partes terem negociado, na formação da relação de troca, a transação em bases de mercado, tais valores não foram efetivamente reconhecidos na subscrição de ações realizada que deu vida à associação e que culminou com aumento de capital da Itaú Unibanco Holding, o qual se efetivou com base no valor de Patrimônio Líquido da ação, equivalente a R$ 10,51. Entretanto, os grupos desejavam reconhecer a mais valia do investimento Unibanco recebido e utilizar esta mais valia para registrar, deduzir e amortizar o ágio no próprio Banco Itaú e nas empresas coligadas congêneres, além de permitir o aumento de capital no Banco Itaú, na soma de R$ 29.973.000.000,00. • No incomum expediente que o contribuinte declarou como tendo ocorrido, no primeiro momento emitiramse ações do Banco Itaú, atribuindose a estas o valor de R$ 26,24 por ação, que representava o valor de mercado das ações PN da Itaú Unibanco Holding, o qual não se confunde com o próprio Banco Itaú. Esta emissão, na forma como o contribuinte apresentou permitiu a entrada do investimento Unibanco no ativo permanente do Banco Itaú (empresa operacional) pelo montante de R$29,973 bilhões de reais, com registro de ágio que atingiu a cifra de R$18,0 bilhões de reais, dado que o Patrimônio Líquido do Unibanco encontravase próximo aos R$12,0 bilhões de reais. • Ordem das emissões de ações apresentada pelo contribunte: a) a primeira, no Banco Itaú, sociedade anônima de capital fechado, subsidiária integral da Itaú Unibanco Holding, para o qual os antigos acionistas do Unibanco entregaram suas ações e receberam em troca ações do Banco Itaú, pagando por estas como se estivessem adquirindo ações da Itaú Unibanco Holding (R$26,24 por ação); b) a segunda, poucas horas depois no mesmo dia, na Itaú Unibanco Holding, na qual todas, as ações recém adquiridas do Banco Itaú S/A, pelas quais, repisese, os antigos acionistas do Unibanco teriam pago R$26,24, agora foram trocadas por ações da Itaú Unibanco Holding, que foram emitidas a R$10,51, preço inferior ao de mercado destas ações e inferior inclusive ao próprio valor de Patrimônio Liquido de Fl. 2999DF CARF MF Processo nº 16327.720680/201361 Acórdão n.º 1201001.618 S1C2T1 Fl. 19 18 cada ação da Itaú Unibanco Holding, o qual, na ordem colocada pelo contribuinte, seria superior, a R$15,60 por ação, elevado por conta do registro do ganho de R$ 18.031.350.399, 47 contabilizado como ganho de redução de participação societária. • A emissão de ações não poderia ter ocorrido na ordem apresentada pelo contribuinte. Se os fatos tivessem acontecido nesta ordem, “as emissões teriam afrontado de forma clara o que dispõe a lei das sociedades anônimas, bem como a própria lógica humana, segundo a qual não se concebe pagar mais por algo que vale menos, o que teriam feito os antigos acionistas do Unibanco na primeira emissão, comprando ações do Banco Itaú e pagando como se fossem títulos da Itaú Unibanco Holding e também vender por menos algo que vale mais, o que teria feito a própria Itaú Unibanco Holding ao entregar suas ações por preço muito inferior ao de mercado e inclusive ao do seu Patrimônio Líquido”. • A situação é atípica: i) subscrever capital no Banco Itaú, companhia de capital fechado, subsidiária integral, não se confunde com subscrever capital na Itaú Holding, empresa de capital aberto, com ações negociadas nas bolsas de São Paulo e Nova York; ii) não se pode alegar que Itaú Unibanco Holding e Banco Itaú tivessem valores econômicos similares. • Por todo o que se vislumbra da situação criada na montagem desta operação societária, resta evidente que o fato efetivamente ocorrido foi o ingresso dos antigos acionistas do Unibanco no capital da Itaú Unibanco Holding. Este ponto é incontestável não somente pela total falta de propósito da ordem e dos valores praticados, como pelas declarações, publicações e respostas apresentadas pelo contribuinte, nas quais nunca pairaram dúvidas que o destino final dos antigos acionistas do Unibanco seria a propriedade das ações da Itaú Holding. • O aumento do capital do Banco Itaú, mediante a entrega dos investimentos do grupo Unibanco e o reconhecimento da mais valia destes investimentos em sua contabilidade foi jurídica e economicamente realizado pela Itaú Unibanco Holding, a qual, deixou de escriturar ganho de capital, correspondente à diferença apurada entre o custo do investimento recebido e o valor efetivamente entregue no aumento de capital. • Não se materializou o fato que a Itaú Unibanco Holding chamou de ganho por redução de participação societária, sendo este apenas fruto da criação de um passo intermediário no qual os antigos acionistas do Unibanco entraram no capital do Banco Itaú, para saírem poucas horas depois. Desde o início da transação já estava estabelecido que a associação contemplaria a migração dos acionistas do Unibanco para a Itaú Unibanco Holding Financeira, não havendo possibilidade que esta deixasse de possuir 100% das ações do Banco Itaú. • Não se justifica “incorporar ações” e transformar uma companhia em subsidiária integral, quando se pretende de fato Fl. 3000DF CARF MF Processo nº 16327.720680/201361 Acórdão n.º 1201001.618 S1C2T1 Fl. 20 19 “incorporar uma sociedade”. Sob a ótica dos alienantes a “incorporação de ações” da E. Johnston foi ato desprovido de qualquer propósito justificável por i) atentar contra o próprio objeto social da companhia, que era uma holding; ii) porque afrontou o que dispunha o Acordo de Acionistas da Unibanco Holdings, datado de 2000, segundo o qual a E. Jonhston era sua controladora; iii) porque a alijou de realizar um ganho que estava naquela altura dos acontecimentos materializado. • As ações da Itaú Unibanco Holding apenas passearam pelos patrimônios das pessoas físicas e depois retornaram para a pessoa jurídica que originalmente as detinha, ainda que esta pessoa jurídica tenha outro nome e outro CNPJ. • A transferência para as pessoas físicas beneficiou diretamente a Itausa, pois o aporte das ações na IUPAR realizado pelas pessoas físicas a custo histórico acabou por beneficiar a outra subscritora, no caso Itausa. • No novo Fato Relevante, as partes confundem a E. Johnston Participações com o ativo que ela detinha, na medida em que ao tratar da estrutura da incorporação das ações da E. Johnston foi considerado o fato de possuir 525.398.072 ações ON do Unibanco Holdings e 378.434 ações ON do Unibanco. Não foi estabelecida nenhuma relação de troca das ações da E. Johnston com as da Itaú Unibanco Holding ou ainda com o Banco Itaú. • Estas observações são relevantes para reforçar o entendimento de que o evento societário que os contribuintes intitularam de “incorporação das ações da E. Johnston”, nada mais foi do que a aquisição das ações ordinárias do Unibanco Holdings, sobre as quais recaíam o direito de controle da instituição. • A utilização do valor de Patrimônio Líquido das ações do Banco Itaú para a emissão das ações da Itaú Unibanco Holdings desatendeu o disposto no art. 170 da Lei nº 6.404/1976. • Destacase a argumentação de que o valor do aumento de capital na Itaú Unibanco Holding Financeira (R$ 12.000.000.000,00) teria se realizado com base no valor patrimonial contábil das ações, do ITAÚBANCO, leiase Banco Itaú S A, em 30.09.2008, ajustado por eventos subsequentes, como se a lei societária permitisse que a emissão de ações de uma companhia aberta fosse realizada com base no preço de Patrimônio Liquido de outra companhia, ainda que sua subsidiária integral. • O contribuinte alega que a relação de troca das ordinárias foi estabelecida com base no valor econômico do Unibanco. Entretanto, da análise mais aprofundada do fato concluímos que a relação de troca nasceu do percentual que foi avençado na transação, de tal forma que foram as condições pactuadas nas negociações, as quais determinavam a entrega do percentual de participação na Itaú Unibanco Holding de 27,4% aos antigos acionistas do Unibanco, que determinaram a relação constituída. Fl. 3001DF CARF MF Processo nº 16327.720680/201361 Acórdão n.º 1201001.618 S1C2T1 Fl. 21 20 • Dos termos do acordo de acionistas datado de 28/12/2000, não restam dúvidas que a condição de controlador da Unibanco Holdings pertencia à pessoa jurídica E. Johnston Participações. • As operações de alienações dos demais ativos da E. Johnston Participações demonstram que não havia nenhum interesse na companhia E. Johnston em si, mas que o interesse residia apenas nas ações ordinárias que davam ao seu titular o controle da Unibanco Holdings. • Não há laudo de avaliação do valor econômico da sociedade E. Johnston. • É fato que interessava às partes a transferência da titularidade das ações da Unibanco Holdings às pessoas físicas sócias da E. Johnston, tendo em vista que a incorporação de ações da E. Johnston permitiu que, na subscrição de capital da IUPAR, as ações da Itaú Unibanco Holding recebidas pelos Moreira Salles fossem integralizadas a custo histórico, nos termos do artigo 23 da Lei 9.249/95, fato este que favoreceu diretamente a ITAUSA, sua sócia, na parcela tocante à sua obrigação de integralizar o capital subscrito. • Evidente que ao deliberar por ter suas ações incorporadas, os controladores da E. Johnston pretenderam evitar o registro de ganhos certos e naquele momento mensurados, que seriam obtidos na liquidação do investimento Unibanco Holdings. No entanto, a verdade está depositada no fato de que a E. Johnston, ou ainda seus controladores, e os demais acionistas do grupo Unibanco, em nenhuma hipótese, sob nenhum argumento e em nenhum momento intentaram deter ações do Banco Itaú. • Não foram os antigos acionistas do Unibanco que efetivamente aumentaram o capital no Banco Itaú. É inadmissível se atribuir a condição de sócio a determinada pessoa que apenas por poucos momentos permanece no capital de uma companhia, cuja saída já está acordada e com todas as condições pré estabelecidas, como foi o que aconteceu no caso ora tratado. Ser sócio ou acionista de uma empresa significa assumir riscos e partilhar os resultados, significa contribuir para o capital social que será utilizado na perseguição do objetivo social. • Resta claro que os antigos acionistas do grupo Unibanco apenas aceitaram a entrada no capital do Banco Itaú pelo fato de que na transação já estava certo e acordado a troca daquelas ações por ações do Itaú Unibanco Holding. • O negócio tratado e executado foi a participação daqueles acionistas na Itaú Unibanco Holding. O propósito da passagem pelo Banco Itaú foi o agrupamento das empresas operacionais, especialmente dos dois bancos. Sendo assim, podemos concluir que no mundo dos fatos reais quem efetivamente aumentou o capital do Banco Itaú foi a Itaú Unibanco Holding sua única acionista, desconsiderando a passagem dos antigos acionistas do Grupo Unibanco pelo Banco Itaú. Fl. 3002DF CARF MF Processo nº 16327.720680/201361 Acórdão n.º 1201001.618 S1C2T1 Fl. 22 21 • O Banco Itaú, que antes dos eventos era subsidiária integral da Itaú Unibanco Holding, assim permaneceu. O Banco Itaú nunca deixou sua condição de subsidiária integral da Itaú Unibanco Holding e sendo assim foi esta companhia, sua única sócia, que efetivamente arcou com o aumento de capital registrado. • Se o fato ocorrido foi entrada e subscrição de capital da Itaú Unibanco Holding pelos antigos acionistas do grupo Unibanco, resta saber por qual valor esta subscrição se efetivou. Não restam dúvidas que o valor da subscrição do capital se efetivou pelo valor do aumento do capital social aprovado na assembleia geral da Itaú Unibanco Holding e que fez frente ao recebimento das ações do grupo Unibanco. • A soma total do capital emitido pela Itaú Unibanco Holding para a aquisição dos investimentos foi de R$ 12.000.000.000,00, os quais foram subscritos pelos antigos acionistas do grupo Unibanco e pela Itausa no que se refere à entrega de investimentos ITAUSA Export. • Se na precificação adotada para a emissão de ações o valor atribuído a cada título emitido foi de R$ 10,51, foi do estabelecimento da relação de troca que se exteriorizou a comutatividade da operação. Não seria razoável supor que os antigos acionistas do grupo Unibanco entregassem um patrimônio, que segundo, o laudo apresentado, estaria avaliado em aproximadamente R$ 29.000.000.000,00, para receber como contrapartida somente R$ 12.000.000.000,00. Seria um ato insano no mundo, dado que ninguém age para perder dinheiro. • A realidade fática demonstra que as partes adotaram na consecução da reorganização societária duas medidas diferentes. Se da negociação, na construção da relação de troca foram utilizados os valores considerados econômicos; na valoração jurídica do aumento de capital, nos termos do art. 170 da Lei nº 6.404/76, foi utilizado o valor de patrimônio líquido das ações. Esta forma de proceder denota a intenção das partes de não reconhecer no momento da subscrição as maisvalias dos investimentos que estão se associando. Nas palavras da fiscalização: “aqui visualizamos a operação executada pelas partes: a diferença entre a avaliação das ações incorporadas, as quais deram vida ao aumento de capital de R$ 12.000.000.000,00 e a fixação das relações de troca, nas quais foram considerados os valores econômicos dos dois conglomerados financeiros. • Sobre a utilização do valor do Patrimônio Líquido na emissão das ações, estranhamente o contribuinte alegou ter utilizado como critério para emissão das ações da Itaú Unibanco Holding o valor de patrimônio líquido do Banco Itaú. Se este fato efetivamente tivesse acontecido, esta emissão de ações estaria afrontando a lei societária no já mencionado artigo 170, §1° e seus incisos de I a III. • A emissão das ações da Itaú Unibanco Holding foi realizada com base no valor do seu Patrimônio Líquido antes do início da Fl. 3003DF CARF MF Processo nº 16327.720680/201361 Acórdão n.º 1201001.618 S1C2T1 Fl. 23 22 operação. Ao alegar que teria emitido ações a preço de Patrimônio Líquido do Banco Itaú, o contribuinte apenas descortina a ordem dos fatos realmente ocorridos. Se admitido fosse que o aumento de capital do Banco Itaú tivesse ocorrido antes da emissão das ações da Itaú Unibanco Holding teríamos que conviver com o absurdo da emissão dos títulos por valor inferior ao seu Patrimônio Líquido, ao completo arrepio da norma societária e consequente aumento do capital. Há de se recordar que na ordem apresentada, com a emissão das ações do Banco Itaú, a Itaú Unibanco Holding permitiuse, contabilizar ganho por redução de participação societária de R$18.031.350.399,47, o qual elevaria naquele instante o valor de PL de cada uma de suas ações para aproximados R$15,60. • Notase claramente que a instituição financeira busca em suas alegações argumentar que o Ganho por Redução da Participação Societária que foi registrado poderia ser entendido como custo do investimento adquirido. Utiliza nesta alegação a expressão "contrapartida do aumento "restante"". Ora, tal ideia não pode ser considerada, dado que estamos diante de duas situações jurídicas completamente diversas, não há como se confundir as figuras de custo de investimento com Ganho por Redução na Variação de Participação Societária. • Quanto à alegação final "e esse ágio não foi gerado", a assertiva apenas corrobora nosso entendimento que na formalização da associação foram utilizados os valores patrimoniais dos grupos, enquanto que para o aumento de capital do Banco Itaú utilizouse o valor econômico do Unibanco. • Resta clara que a pretensa passagem dos antigos acionistas do grupo Unibanco pelo Banco Itaú objetivou reconhecer naquela instituição a maisvalia do investimento que foi recebido, utilizando para tanto o valor econômico apontado no laudo de avaliação, mas pelo qual a Itau Unibanco Holding emitiu suas ações, pelo preço total de R$12.000.000.000,00. O modus operandi buscou reconhecer na contabilidade ,do Banco Itaú o valor econômico do investimento Unibanco, com as vantagens inerentes ao aumento de capital e o reconhecimento de ágio de investimento naquela instituição financeira. • Sendo certo, portanto, que o valor de aquisição dos investimentos do grupo Unibanco e da Itausa Export para a Itaú Unibanco Holding Financeira está refletido no valor do seu aumento de capital, de R$12.000.000.000,00, aprovado pela assembleia geral e efetivado com a emissão das 1.141.988.571 ações, correspondente ao valor subscrito pelos antigos detentores, de ações do grupo Unibanco e pela Itausa, em relação ao investimento Itausa Export. • A inaplicabilidade do art. 428 (ganho de capital por variação na percentagem de participação) quanto aos fatos que ocorreram no processo de reorganização societária é patente. No caso ora tratado não ocorreu redução no percentual de Fl. 3004DF CARF MF Processo nº 16327.720680/201361 Acórdão n.º 1201001.618 S1C2T1 Fl. 24 23 participação societária que a Itau Unibanco Holding detinha no Banco Itaú. Sua participação não se alterou, permaneceu em 100% antes e depois da operação, de tal forma que o Banco Itaú em nenhum momento deixou a condição de subsidiária integral da Itaú Unibanco Holding. • Quando nos abstraímos das formalizações que não se coadunaram com a realidade, seja em razão de seu completo despropósito, seja porque estão vinculadas das vontades das partes, surge o fato verdadeiro: a entrada dos antigos acionistas do Unibanco no capital da Itaú Unibanco Holding ao preço de Patrimônio Líquido das ações, que totalizou R$12.000.000.000,00 (doze bilhões de reais), externado juridicamente pelo aumento de capital aprovado nesta Holding, única e definitiva adquirente dos investimentos. • Na sequência dos atos ocorridos, uma vez recebidos os investimentos, a Itaú Unibanco Holding conferiuos ao Banco Itaú, sua subsidiária integral, pelo valor econômico do laudo de avaliação em aumento de capital, materializado pela entrega dos investimentos: ITAUSA Export, E. Johnston, Unibanco Holdings e Banco Unibanco. Neste ato, nasce o ganho registrado pela Itaú Holding Financeira, fruto da diferença entre o valor da subscrição do seu capital R$ 12.000.000.000,00 e o valor que utilizou para aumentar o capital do Banco Itaú R$ 29.973.000.000,00. Foi exatamente, esta diferença que a Itaú Unibanco Holding, deixou de tributar ao inverter a ordem dos acontecimentos. • A diferença entre o custo dos investimentos recebidos e o valor pelo qual estes foram integralizados no aumento do capital do Banco Itaú nada mais representa, do que puro Ganho de Capital, reconhecido contabilmente na Itaú Unibanco Holding sob a equivocada interpretação de Ganho por Redução na Variação Percentual do investimento e que integrou o Lucro Líquido do ano de 2008, aumentou o valor do seu Patrimônio Líquido, com todas as implicações advindas, contabilizado como resultado do exercício e levado à conta de reserva de lucros, sem a devida tributação. • Ao final desta reorganização societária, a riqueza gerada na transação acarretou o acréscimo patrimonial verificado na Itaú Unibanco Holding, com a conseqüente elevação do valor do seu Patrimônio Líquido, via reserva de Lucros. • No sentido de afastarmos definitivamente os efeitos da chamada "incorporação de ações do Banco Itaú pela Itaú Unibanco Holding", a qual repisamos, analisada isoladamente carece de propósitos, temos que na incorporação de ações de empresa, controlada, como seria o caso ocorrido na ordem posta pelo grupo Itaú, deveriam ser apresentados aos acionistas de ambas as companhias, as avaliações de seus patrimônios a preços de mercado, haja vista a inexistência de pessoas distintas para deliberar na assembleia em que os poderes permanecem restritos ao acionista controlador. Fl. 3005DF CARF MF Processo nº 16327.720680/201361 Acórdão n.º 1201001.618 S1C2T1 Fl. 25 24 • Evidente que a relação de troca de uma ação do Banco Itaú para uma ação da Itaú Unibanco Holding estabelecida naquela chamada "incorporação de ações" não se encaixa nos preceitos do Parecer de Orientação da CVM. Entretanto, não queremos aqui indicar a desobediência ao ato daquela autarquia, ao contrário, o que buscamos demonstrar é a inexistência fática desta incorporação de ações e por consequência da redução de participação, ainda que temporária, da Itau Unibanco Holding no capital do Banco Itaú. Impugnação A empresa apresentou impugnação (fls. 2355/2377), por meio da qual traz as seguintes alegações: a) Entre inúmeras outras digressões, que não apresentam efeitos sobre a autuação ora impugnada, alegou a fiscalização que as operações societárias realizadas foram apartadas da realidade. Quis reconstituir a operação, entendendo que as ações do grupo Unibanco, antes de aportarem no Banco Itaú, teriam sido entregues à Itaú Holding, que teria realizado ganho de capital, pois teria adquirido as ações por R$ 12 bilhões e transferido ao Banco Itaú por R$ 29,973 bilhões. A exigência fiscal incide sobre esse alegado ganho b) Essa exigência é ilegal, seja por serem legítimas as operações societárias realizadas, seja porque, mesmo se considerada a estrutura reconstituída pelo fiscal, os efeitos tributários seriam os mesmos, tudo conforme o Impugnante demonstrará. c) Para integrar as estruturas societárias e operacionais dos dois grupos a Associação foi realizada em duas etapas consecutivas e sucessivas: (i) a unificação das operações financeiras dos dois bancos e (ii) a união das estruturas acionárias, com a integração de todos os acionistas numa única companhia aberta. d) A incorporação das ações de emissão das sociedades que integravam o grupo Unibanco (Unibanco, Unibanco Holdings e E. Johnston) ao patrimônio do Banco Itaú assegurou a unificação das operações financeiras dos dois bancos. e) A incorporação das ações de emissão do Banco Itaú ao patrimônio da Itaú Holdings promoveu a união das estruturas acionárias, com a integração de todos os acionistas numa única companhia aberta. f) Seria praticamente impossível implementar a Associação por meio de simples aumentos de capital do Banco Itaú ou da Itaú Holding a serem integralizados com ações de emissões do Unibanco e da Unibanco Holdings, pois, para tanto, seria necessária a manifestação individual de cada um dos milhares de acionistas destes últimos. g) A Lei nº 4.595/1964 proíbe o aumento de capital de instituições financeiras em bens, a não ser em hipóteses excepcionais. h) Seria também praticamente impossível utilizar o instituto da fusão, na medida em que este pressuporia a extinção de todas as sociedades existentes e a criação de pessoas jurídicas novas, que deveriam, a partir de sua constituição, obter as necessárias Fl. 3006DF CARF MF Processo nº 16327.720680/201361 Acórdão n.º 1201001.618 S1C2T1 Fl. 26 25 autorizações do Banco Central do Brasil – Bacen e da Comissão de Valores Mobiliários – CVM para poderem funcionar e ter suas ações admitidas à negociação no mercado. i) Tendo em vista a rapidez com que foi deliberada e concretizada a associação entre os grupos Itaú e Unibanco, era importantíssimo que, ao menos no primeiro momento, fosse mantida a personalidade jurídica de todas as companhias envolvidas, a fim de que fosse possível avaliar, com tranqüilidade, os eventuais impactos que a extinção de algumas delas poderia acarretar sobre seus contratos e demais negócios jurídicos. j) A manutenção das diferentes pessoas jurídicas teve motivações de ordem regulatória. Dado que a Associação precisaria passar pela aprovação das autoridades (Bacen, CADE), extinguir as empresas poderia criar uma situação de difícil reversão na hipótese de a Associação não ser aprovada. k) Posteriormente, o Banco Itaú complementou a reorganização dos negócios financeiros (antes segregados nas várias sociedades por ele "incorporadas"), alocandoos aos vários segmentos (varejo, corporate, seguros etc). l) As operações societárias realizadas foram submetidas ao escrutínio das autoridades reguladoras. O Banco Central do Brasil e o Conselho Administrativo de Defesa Econômica CADE analisaram detidamente as estruturas, aprovandoas. m) Se não fosse proibida pela Lei nº 4.595/64, a alternativa aventada pelo autuante levaria a igual resultado. Abstraída a ilegalidade dessa alternativa aventada pelo autuante, se ela pudesse ser realizada não se alterariam nem os valores de mercado a serem praticados, nem a relação de troca. A posição acionária, afinal, seria a mesma. Ou seja, os acionistas oriundos do Unibanco receberiam a mesma quantidade de ações da Itaú Holding que teriam recebido nessa alternativa ilegal. n) Tendo em vista que o patrimônio da E. Johnston correspondia praticamente apenas às ações de emissão do Unibanco e da Unibanco Holding, e o patrimônio desta correspondia praticamente apenas às ações de emissão do Unibanco, o valor de mercado das três companhias equivalia ao valor de mercado do Unibanco. o) Por isso, a incorporação das três companhias pelo Banco Itaú foi efetuada pelo valor econômico do Unibanco, apurado pelo método do fluxo de caixa descontado, conforme laudo de empresa independente: R$ 29,423 bilhões. p) Não teria nenhum propósito supor que os acionistas do grupo Unibanco trocassem seu investimento por ações de uma companhia fechada (o Banco Itaú), sem a consecução da etapa seguinte, prevista na Associação, no sentido de que as ações recebidas do Banco Itaú seriam incorporadas pela companhia aberta (Itaú Holding), de cujo quadro societário passariam a participar. q) E não teria nenhuma lógica econômica esses acionistas receberem menos (ou mais, o problema é o mesmo) do que o valor justo dos investimentos incorporados mensurada a contrapartida desses investimentos pelo valor das ações da Itaú Holding sociedade na qual seria aportada (via incorporação de ações) a participação societária no Banco Itaú recebida na primeira etapa. Fl. 3007DF CARF MF Processo nº 16327.720680/201361 Acórdão n.º 1201001.618 S1C2T1 Fl. 27 26 r) Em suma, se, por exemplo, o valor justo da Itaú Holding era 700,00 e o valor justo do Unibanco era 300,00, a Itaú Holding (após a implementação das duas comentadas etapas da Associação) teria um patrimônio, do qual 70% caberiam aos antigos acionistas da Itaú Holding e 30% aos antigos acionistas do grupo Unibanco. s) Assim sendo, a relação de troca (de ações do grupo Unibanco por ações da Itaú Holding) foi definida tendo como parâmetros: a) o valor de mercado da Itaú Holding (segundo a média de cotações de suas ações preferenciais na bolsa de valores, ou seja, R$ 26,2468); b) e o valor de mercado do Unibanco (adotandose, para as ações preferenciais, a média de sua cotação na bolsa de valores R$ 7,546087 e, para as ordinárias, o seu valor econômico apurado com base no laudo citado no início deste tópico: R$ 22,248708). t) A Itaú Holding entregou aos antigos acionistas do grupo Unibanco quantidade de ações cujo preço ("valor de mercado") correspondia ao valor econômico ("valor de mercado") do acervo recebido: R$ 29,423 bilhões. u) Se o acervo fosse recebido por um valor menor (que é o fundamento utilizado na autuação), obviamente terseia emitido uma quantidade menor de ações. Em suma, o valor pago pela Itaú Holding foi R$ 29,423 bilhões, ou seja: 1.121.033.136 ações x R$ 26,2468. v) Não se pode confundir, assim como fez o fiscal, o valor de mercado da ação utilizado na operação com o "valorquociente" da ação, resultante da mera divisão do valor do capital pela quantidade de ações emitidas (R$ 12 bi/1.121.033.136 = R$ 10,51). w) O preço unitário não foi R$ 10,51, como considerou o autuante. Aliás, o valor de R$ 10,51 nunca foi atribuído às ações emitidas pela Itaú Holding. Tal montante não se encontra em nenhum documento societário da operação. Seu preço, seu valor efetivo, corresponde àquele de sua cotação de mercado. x) A utilização da mesma relação na incorporação de ações do grupo Unibanco pelo Banco Itaú implicou o reconhecimento de R$ 18 bilhões (dos R$ 29,423 bi recebidos pelo Banco Itaú) na Itaú Holding (controladora do Banco Itaú), como receita não operacional de equivalência patrimonial, não tributável na investidora, por força do disposto no art. 428 do RIR/994. y) A fiscalização questiona o fato de a incorporação de ações não se ter efetuado segundo os critérios do art. 170 da Lei das S.A. Não se cuidava de aumento de capital por subscrição regulado no citado dispositivo. A matéria está regulada no art. 252, que manda aplicar os arts. 224 e 225. As relações de substituição previstas no Protocolo (art. 224, I) são livremente decididas pelas assembleias das companhias, e aprovadas majoritariamente, com direito de recesso dos dissidentes. z) O autuante insurgese contra as chamadas step transactions, como se houvesse necessariamente alguma artificialidade nesse tipo de operação. Pode haver atos societários intermediários, alinhados para um determinado fim, em qualquer reestruturação societária, sem que esse fato contamine a licitude da operação. aa) No caso, basta verificar que o caminho proposto pelo Fisco como base para a autuação, além ser mais longo e tortuoso do que o adotado pelas partes, também envolveria uma step transaction: ele pretende que os acionistas do grupo Unibanco teriam Fl. 3008DF CARF MF Processo nº 16327.720680/201361 Acórdão n.º 1201001.618 S1C2T1 Fl. 28 27 primeiro aportado suas ações na Itaú Holding (no "andar de cima") para que, depois, essas ações fossem para o "andar de baixo" (Banco Itaú), que era o seu destino natural. Ora, também aí haveria uma step transaction que duraria poucos instantes. bb) A Itaú Holding, adotada a visão do autuante, teria recebido um ativo de R$ 29,423 bilhões e teria pago exatamente esse mesmo valor, que, igualmente, seria o valor de registro do investimento. Como proclamou a Fiscalização, não faz sentido alguém entregar um patrimônio de R$ 29 bilhões para receber como contrapartida somente R$ 12 bilhões: ninguém age para perder dinheiro. cc) No percurso aventado pelo autuante, a Itaú Holding não teria apurado receita de equivalência patrimonial não operacional (ganho de capital por variação no percentual da participação societária, art. 428 do RIR/99). Muito menos ela teria apurado ganho de capital (art. 418 do RIR/99). Simplesmente a Itaú Holding teria recebido o acervo no valor e pelo valor de R$ 29,423 bilhões e teria entregue em contrapartida ações de sua emissão correspondentes a esse mesmo valor, pois, como já visto, só assim se justifica a emissão de 1.121.033.136 ações em favor dos antigos acionistas do grupo Unibanco. dd) Os recolhimentos efetuados por estimativa nada mais são do que uma antecipação do tributo que será devido no encerramento do anobase. Após seu encerramento, eventuais insuficiências de recolhimento do IRPJ e da CSL, não poderão dar ensejo à cobrança da multa isolada prevista na alínea "b" do inciso II do artigo 44 da Lei nº 9.430/967, pois a mencionada multa somente pode ser exigida caso o Fisco constate a falta ou insuficiência de recolhimento dos tributos antes do término do ano base. ee) Além disso, a autoridade fiscal está exigindo o IRPJ e a CSLL supostamente não recolhidos no ajuste, bem como a multa de ofício incidente sobre os tributos lançados, concomitantemente com a multa de ofício isolada, sobre a insuficiência calculada em decorrência da mesma infração (mesmos períodos). ff) Não se pode acolher a duplicidade de penalidades de ofício sobre uma mesma infração, pois o valor do tributo (supostamente não recolhido), tanto fez parte do crédito tributário lançado de ofício e sobre o qual incidiu a multa de 75%, quanto foi utilizado a título de base de cálculo da multa isolada por falta de recolhimento de estimativa. gg) No caso deste processo, tratase de dupla incidência sobre a mesma materialidade, pois o valor do pagamento mensal é exatamente a totalidade ou diferença do tributo incluído pela autoridade fiscal no cálculo do ajuste anual. hh) Não são aplicáveis à multa de ofício os juros de 1% ao mês, referidos no § 1º do art. 161 do CTN. ii) Se os juros de mora não incidem sobre a multa de mora, por iguais razões não cabe aplicar tais juros sobre a multa de ofício. Se a multa de ofício estivesse compreendida na referência (feita pelo caput do artigo citado) aos débitos de tributos e contribuições, chegar seia ao absurdo de concluir que o § 35 do artigo prevê a incidência de multa de mora sobre a multa de ofício. Decisão da DRJ Fl. 3009DF CARF MF Processo nº 16327.720680/201361 Acórdão n.º 1201001.618 S1C2T1 Fl. 29 28 Em decisão de 10/01/14 a 8°Turma da DRJ/SP1, por maioria de votos, tendo sido vencida a relatora, negou provimento à Impugnação da Contribuinte, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 REORGANIZAÇÃO SOCIETÁRIA. OPERAÇÕES ISOLADAS DESPROVIDAS DE LÓGICA. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO EXTRATRIBUTÁRIA. INOPONIBILIDADE AO FISCO. São inoponíveis ao Fisco os efeitos fiscais advindos de reorganização societária praticada por meio de operações que, isolada ou conjuntamente analisadas, se mostram desprovidas de lógica econômica ou societária, quando inexista, para sua prática, motivação outra que não seja preponderantemente a economia de tributos. GANHO POR REDUÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. OPERAÇÕES FORMAIS. REALIDADE FÁTICA. GANHO DE CAPITAL TRIBUTÁVEL. Não se materializa o ganho por redução de participação societária decorrente de operações formalmente realizadas, quando comprovado que o real encadeamento dos fatos resultou em efetivo ganho de capital indevidamente excluído da tributação. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTOS DE ESTIMATIVAS. MULTA ISOLADA. APÓS ENCERRAMENTO DO EXERCÍCIO.CABIMENTO.. Cabível a multa exigida isoladamente, quando a pessoa jurídica sujeita ao pagamento mensal do IRPJ, determinada sobre a base de cálculo estimada, deixar de efetuar o seu recolhimento dentro do prazo legal de vencimento, por expressa previsão legal. A referida multa é aplicável quando a falta é detectada após o encerramento do exercício de apuração da base de cálculo destes tributos, por interpretação lógica do disposto no artigo 44, II, b da Lei 9.430/96. MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. MULTA DE OFÍCIO PELA FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE TRIBUTO. MATERIALIDADES DISTINTAS. A partir do advento da MP 351/2007, convertida na Lei 11.488/2007 a multa isolada passa a incidir sobre o valor não recolhido da estimativa mensal independentemente do valor do tributo devido ao final do ano, cuja falta ou insuficiência, se apurada, estaria sujeita à incidência da multa de ofício. São duas materialidades distintas, uma referese ao ressarcimento ao Fl. 3010DF CARF MF Processo nº 16327.720680/201361 Acórdão n.º 1201001.618 S1C2T1 Fl. 30 29 Estado pela não entrada de recursos no tempo determinado e a outra pelo não oferecimento à tributação de valores que estariam sujeitos à mesma. Em seu voto vencido, a julgadora relatora Selena Ferreira de Moraes, aduz o seguinte para concluir pela improcedência da autuação: 1) é impossível enxergar hipótese de incidência do Imposto de Renda por Ganho de Capital na reorganização societária perpetrada; 2) os alienantes das ações foram os antigos controladores do Unibanco, sendo que o Banco Itaú e o Itaú Holding foram adquirentes dos bens, no caso ações. 3) Se houvesse ganho de capital, este teria sido auferidos pelos alienantes e não pelos adquirentes; 4) a interpretação dos fatos pela fiscalização distanciase da substância econômica do ato de concentração ocorrido e, até mesmo, da realidade objetiva; 5) a fiscalização analisa a incorporação das ações do Banco Itaú pelo Itaú Holding de forma isolada, e não como uma etapa para serem alcançados os dois objetivos acordados pelos controladores dos dois conglomerados, quais sejam, o de transferência da titularidade das ações do conglomerado Unibanco para o Banco Itaú (unificação operacional das atividades financeiras) e o de reunir todos os acionistas dos grupos Itaú e Unibanco numa única companhia aberta; 6) se pensarmos as empresas envolvidas na fusão como grupos econômicos, sem diferenciarmos cada pessoa jurídica formalmente constituída, desde o início, os ativos do conglomerado Unibanco ingressaram no patrimônio do conglomerado Itaú pelo valor do laudo de avaliação; 7) é perfeitamente possível que a troca das ações seja efetuada pelo critério econômico, mas o valor a elas atribuído para efeito de registro no patrimônio da incorporadora seja feito com base no critério contábil; 8) como no primeiro negócio jurídico celebrado (incorporação das ações da E. Johnston, do Unibanco Holdings e do Unibanco) foi adotado o critério econômico para determinar o valor das ações a ser registrado no patrimônio líquido da incorporadora, de duas uma: ou o ágio gerado na operação é indedutível, porque deve ser desconsiderado para fins fiscais; ou os antigos acionistas do conglomerado Unibanco auferiram renda na troca de suas ações. No caso de indedutibilidade do ágio, o sujeito passivo seria o Banco Itaú, e o fato gerador ocorreria no momento de sua amortização; 9) no caso de ganho de capital, os sujeitos passivos seriam os detentores das ações da E. Johnston, do Unibanco Holdings e do Unibanco, e o fato gerador ocorreria no momento da alienação das ações, ou seja, no momento das incorporações; 10) em nenhuma destas hipóteses, “o reconhecimento da mais valia destes investimentos na contabilidade” teria sido jurídica e economicamente realizado pela Itaú Unibanco; Fl. 3011DF CARF MF Processo nº 16327.720680/201361 Acórdão n.º 1201001.618 S1C2T1 Fl. 31 30 11) não é possível reconstruir os negócios jurídicos, alterandose seus elementos essenciais, ou a ordem em que foram praticados. Apenas podem ser desconsiderados, para fins fiscais, os efeitos dos negócios jurídicos, os seus resultados, quando eles não têm nenhuma substância econômica, ou são praticados de maneira artificial com o único propósito de reduzir a incidência tributária. 12) é possível descaracterizar o negócio jurídico como um todo, provandose que na realidade ocorreu um outro negócio jurídico que não aquele formalizado. No entanto, não é possível aceitar uma parte do instrumento jurídico, no caso o valor do aumento de capital, e desconsiderar o objeto incorporado (no protoloco a Itaú Holding incorporou ações do Banco Itaú e não do Unibanco Holding e do Unibanco). Em sentido oposto, o voto vencedor do julgador Wilson Tsutomu Hachisuga, traz os seguintes fundamentos: 1) ao falar em ingresso dos acionistas do Unibanco no capital da Itaú Holding é possível pensar tanto no aumento de capital direto, como na incorporação de ações. A fiscalização insurgiuse apenas contra a ordem dos fatos, e não contra a forma adotada.; 2) caem por terra os argumentos da impugnante relativos à proibição legal e a impossibilidade prática da realização de aumento de capital direto na Itaú Holding. A forma adotada seria a mesma, a incorporação de ações. Só que teria havido primeiro a incorporação de ações do conglomerado Unibanco pela Itaú Holding, e posteriormente o aumento de capital do Banco Itaú com as ações do Grupo Unibanco, pessoa jurídica que ficou com os ativos, avaliados pelo valor de mercado; 3) O termo fusão empregado pela fiscalização não corresponde ao conceito jurídico definido no art. 228 da Lei nº 6.404/1976, tendo sido utilizado no sentido mais genérico, para expressar a idéia de “união íntima resultante de combinação ou interpenetração de seres e coisas”; 4) o TVF demonstra de forma cabal que a incorporação das ações do Grupo Unibanco pelo Banco Itaú, de fato, nunca ocorreu, sendo apenas uma etapa formal com objetivo único de economia tributária, quer pela possível dedução da amortização do ágio, quer pela geração de um ganho por equivalência patrimonial que não seria tributado pelo IRPJ e pela CSLL; 5) todo o raciocínio do autuante foi feito através da lógica de mercado no intuito de verificar a necessidade das etapas formalmente realizadas; 6) a sequência adotada pelo impugnante possui etapas que isoladamente analisadas são desprovidas de qualquer lógica negocial e de motivação outra que não seja a economia tributária. Já aquela considerada como normal pelo Fisco, tanto isolada como conjuntamente conduzem ao mesmo objetivo pretendido pelas partes, porém com coerência e respeito ao senso comum; 7) no caso havia um duplo objetivo, qual seja a manutenção das ações do Grupo Unibanco no Banco Itaú e dos acionistas na Itaú Holding. Se este duplo objetivo também seria atingido na sequência normal e coerente apontada pela fiscalização, qual teria Fl. 3012DF CARF MF Processo nº 16327.720680/201361 Acórdão n.º 1201001.618 S1C2T1 Fl. 32 31 sido o motivo para a implementação de um encadeamento de etapas, que embora formalmente válidas, analisadas isoladamente, fossem desprovidas de lógica e coerência, seja do ponto de vista do instituto utilizado ou da ótica econômica dos fatos? 8) A doutrina moderna, capitaneada pelo professor Marco Aurélio Greco, entende que o contribuinte pode organizar sua vida como bem entender, entretanto se a reorganização efetivada resultar em economia de tributos sem motivação extratributária que possam justificar a utilização de determinados institutos jurídicos de forma incoerente ou desviadas de seus fins, então os efeitos fiscais de tais negócios não podem ser oponíveis ao Fisco; 9) visto que ambos os caminhos (contribuinte e fisco) conduziriam à realização dos mesmos objetivos então a justificativa para o encadeamento adotado pelo contribuinte não poderia ser simplesmente o atingimento destes fins. Deveria haver algum impedimento de ordem legal, prática, concorrencial, etc. que viesse a justificar a adoção da sequencia com etapas ilógicas e sem propósito negocial ao invés daquele normal apontado pela fiscalização; 10) é nítido que o caminho utilizado pelo autuado, além de possuir uma série de inconsistências, é muito mais longo, tortuoso e indireto. 11) não há que se falar de dupla incidência sobre uma mesma materialidade, uma vez que a nova redação legal dada ao art. 44 da Lei nº 9.430/1996 pela MP nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007, deixa claro que a base de cálculo da multa isolada é o pagamento mensal. Recurso Voluntário Inconformada, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário por meio do qual repisa os argumentos de Impugnação e adiciona tópico adicional por ser decorrente da decisão da DRJ. Alega a Recorrente que, indevidamente, a decisão da DRJ reescreveu os fundamentos fáticos do auto. Segundo a Recorrente, a fiscalização afirmou por diversas vezes que os fatos reais apontavam que o que teria ocorrido seria um aumento de capital do Itaú Holding com aporte de ações do grupo Unibanco, seguido de um aporte dessas mesmas ações pelo Itaú Holding em aumento de capital do Banco Itaú. Assim, a fiscalização questionou o fato da incorporação de ações não ter sido efetuado com observância do art. 170 da Lei das S.A. Contudo, segundo a Recorrente, a DRJ "consertou" o auto de infração ao alegar que o fiscal, quando mencionou aumento de capital, só pode ter pensado em incorporação de ações. Ao fazer isso, a DRJ reconheceu que o caminho, de fato, aventado pela fiscalização (aumento de capital direto) era ilegal e materialmente impossível. Assim, argumenta a Recorrente, caberia à DRJ cancelar o Auto de Infração e não refazêlo. Fl. 3013DF CARF MF Processo nº 16327.720680/201361 Acórdão n.º 1201001.618 S1C2T1 Fl. 33 32 Pareceres Nos autos do processo e em sede de memoriais, a Recorrente apresentou diversos pareceres legais e contábeis, conforme abaixo elencado: a) Prof. Nelson Eizirik (aspectos societários); b) Profs. Eliseu Martins e Nelson Carvalho (aspectos contábeis); c) Profs. Alberto Xavier, Ricardo Mariz de Oliveira, Luís Eduardo Schoueri e Marco Aurélio Greco (aspectos tributários). Contrarrazões da PGFN A PGFN apresentou contrarrazões em 27/05/2014, por meio do qual traz os seguintes argumentos: i) apesar de não requerer expressamente a invalidade da decisão recorrida por possível inovação do lançamento, o recorrente afirma em sua peça que a DRJ tentou “consertar” o auto de infração, contudo, vêse que, ao destacar que o capital do BIHF fora subscrito com as ações do grupo UNIBANCO, o Fiscal não afastou a ocorrência de uma incorporação de ações, mas apenas destacou um dos aspectos do resultado final das operações auditadas, que, por óbvio, é igual ao aumento de capital mediante a entrega de bens; ii) em que pese o recorrente insistir na tese de que os acionistas do UNIBANCO receberam ações do BIHF que patrimonialmente valiam R$ 12 bilhões, mas economicamente R$ 29 bilhões, vêse que, na verdade, tais acionistas receberam ações que valiam R$ 12 bilhões, pois este é o montante correspondente ao valor do capital social do BIHF subscrito, e à participação do PL do grupo UNIBANCO no PL do novo grupo ITAU UNIBANCO; iii) não há como as ações do BIHF valerem R$ 29 bilhões se o valor do capital social subscrito com esses títulos é de R$ 12 bilhões (se o seu preço de emissão é de R$ 12 bilhões). É surreal imaginar a situação de os acionistas do UNIBANCO deterem ações do BIHF cujo preço de emissão é de R$12 bilhões, mas economicamente o seu valor é de R$ 29 bilhões. De acordo com a ciência contábil, economicamente tais ações devem ser reconhecidas pelo seu preço de emissão, pois este valor corresponde à riqueza efetivamente transferida para a sociedade a título de aumento de capital; iv) ao final das operações, o investimento reconhecido pelo BANCO ITAU no UNIBANCO a valor de mercado, com o surgimento de ágio, na verdade não decorre de um ganho de realização auferido pelos antigos acionistas do UNIBANCO, mas sim de um ganho de realização auferido pelo BIHF; Fl. 3014DF CARF MF Processo nº 16327.720680/201361 Acórdão n.º 1201001.618 S1C2T1 Fl. 34 33 v) em decorrência de quatro operações de incorporação de ações realizadas entre as 8h:15m e as 16h:00m, o BIHF aumentou o valor do investimento que detinha no BANCO ITAU em R$ 29 bilhões, a um custo de R$ 12 bilhões, sendo que a diferença registrou como uma variação na participação deste banco que foi cancelada ao final. A variação foi cancelada, mas a não tributação do seu ganho permaneceu; vi) os antigos acionistas do UNIBANCO transferiram suas ações a valor contábil e o UNIBANCO acabou sendo registrado a valor de mercado pelo BANCO ITAU. Ora, nesse caso, o ganho não foi auferido pelos antigos acionistas do UNIBANCO, mas sim pelo BIHF, em face da realização das ações do UNIBANCO a valor de mercado; vii) embora fosse uma subscrição de ações do grupo ITAU com as ações do grupo UNIBANCO a valor de PL, as partes elaboraram uma seqüência de operações que a faria parecer a mesma subscrição, mas pelo valor de mercado do UNIBANCO. Contudo, sem a tributação do correspondente ganho, mas apenas com o aproveitamento do ágio; viii) os grupos não negociaram a transferência do UNIBANCO por um determinado valor de mercado, mas sim a troca de 100% das ações do UNIBANCO por 25% das ações do ITAU UNIBANCO; ix) ao final das operações, as quais foram realizadas todas no mesmo dia e em questão de horas, atendendo aos interesses de ambas as partes, os acionistas do UNIBANCO transferem suas ações a valor contábil para o grupo ITAU, o qual, contudo, registra o UNIBANCO pelo valor de mercado, registra um ágio passível de dedução fiscal e deixa de tributar o correspondente ganho. x) as multas de ofício e isolada não decorrem da mesma infração e não incidem sobre a mesma base de cálculo. São multas inteiramente diversas, previstas em lei, e não configuram nenhum bis in idem. xi) nada há que afaste a incidência da taxa SELIC sobre débitos de qualquer natureza devidos à União, o que inclui a multa de ofício. Em razão da apresentação pela Recorrente de pareceres contábeis aos autos, a PGFN apresentou argumentos complementares de contrarrazões em 01/10/2014, como segue: i) os pareceres destacam que as ações do BIHF entregues aos antigos acionistas do UNIBANCO valiam R$ 29 bilhões, e não R$ 12 bilhões. Em síntese, para os pareceristas, o que importa para a avaliação desses títulos é o seu valor de mercado, e não o preço pelo qual as ações foram emitidas pelo BIHF. Os documentos ressaltam que, independentemente do seu valor de emissão, os acionistas do UNIBANCO receberam ações que valiam R$ 29 bilhões, haja vista que fora esse o valor pelo qual transferiram suas ações, contudo, o preço de emissão das ações corresponde ao preço recebido pelo subscritor, haja vista que ambos os números correspondem a uma mesma medida: o valor negociado entre as partes; ii) no valor de emissão das ações recebidas pelos acionistas do UNIBACO, temse o verdadeiro valor negociado entre as partes e o preço pago pelo grupo ITAU a esses acionistas. Fl. 3015DF CARF MF Processo nº 16327.720680/201361 Acórdão n.º 1201001.618 S1C2T1 Fl. 35 34 iii) como não era intuito das partes que a transferência das ações do UINBANCO ocorresse por R$ 29 bilhões, mas por R$ 12 bilhões, o BIHF não pagou aos acionistas do UNIBANCO o valor de mercado de suas ações, mas apenas o valor patrimonial. E, dessa maneira, o BIHF trouxe para si o ganho que seria dos referidos acionistas, todavia, como um ganho não tributável. iv) os acionistas do UNIBANCO trocaram suas antigas ações por ações do BIHF pelo mesmo valor. A emissão de ações pelo BANCO ITAU no valor de R$ 29 bilhões em favor deles foi prontamente substituída pela emissão de ações pelo BIHF no valor de R$ 12 bilhões. A diferença de R$ 17 bilhões não foi paga aos acionistas, mas sim incorporada pelo BIHF a título de uma inexistente variação na participação do BANCO ITAU. É o relatório. Voto Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado Relator Admissibilidade O Recurso é tempestivo e preenche todos os demais requisitos previsto no PAF, por isso, merece ser apreciado. Resumo da discussão A discussão gira em torno de suposto ganho de capital da Recorrente em decorrência de processo de reorganização societária que culminou na associação operacional e acionária dos grupos Itaú e Unibanco. A autuação decorreu do fato da autoridade fiscal ter interpretado o conjunto de atos societários perpetrados no mencionado processo de associação como artificiais e carentes de real propósito negocial (business purpose), cujo objetivo único fora a economia tributária decorrente da contabilização de um ágio dedutível e de uma ganho não tributável. Da leitura do TVF, pareceume que a autoridade fiscal questiona a forma adotada no processo de reorganização societária que fora executada através da chamada incorporação de ações, quando, na opinião do fiscal, deveria ser ou teria sido na realidade um aumento de capital com subscrição de ações. Contudo, ao analisar a decisão de 1°instância da DRJ/SP1, no qual os julgadores (voto vencedor) explicam melhor qual teria sido a real intenção da autoridade fiscal, entendi que o autuante não se voltou contra a forma adotada incorporação de ações mas apenas contra a ordem em que ocorreram os atos societários, qual seja, que a primeira etapa seria ou deveria ter sido a incorporação das ações do Grupo Unibanco pela Itaú Holding (e Fl. 3016DF CARF MF Processo nº 16327.720680/201361 Acórdão n.º 1201001.618 S1C2T1 Fl. 36 35 conseqüente aumento de capital da Itaú Holding) e posterior conferência de tais ações no Banco Itaú. O ganho de capital da Recorrente teria ocorrido no momento em que incorporou as ações do Banco Itaú pertencentes ao antigos controladores do Grupo Unibanco (em razão de antecedente operação em que o Banco Itaú incorporou ações das empresas Unibanco e emitiu ações próprias aos controladores do Grupo Unibanco) que valiam R$ 29,4 bilhões por R$ 12 bilhões, tendo emitido ações próprias em pagamento de tais ações e aumentado seu capital social em igual montante (R$ 12 bilhões), sendo que neste momento o Banco Itaú volta a ser subsidiária integral da Recorrente. Na página 66 do TFV, temos o exato trecho em que o fiscal identifica a infração que em seu ver fora cometida: " A infração que descrevemos no presente TVF decorre da contabilização e correta aplicação da norma tributária correspondente ao ganho de R$ 18.031.350.399,47, escriturado na rubrica Renda Ajustes Investimento Coligadas e Controladas REP/Variação na Participação COSIF 7.1.8.20.00.6, informado na DIPJ/2009 a título de " Ganhos Capital por Variação Percentual em Participação Societária Aval. p/ PL", cuja tributação não se efetivou por conta de exclusão realizada linha 52 da Ficha 09B " Demonstração do Lucro Real"." Pois bem, para chegar a uma conclusão tecnicamente acertada quanto à procedência da autuação, o presente julgador irá: i) abordar o conceito técnico das operações executadas pelo contribuinte e também daquelas abordadas pelo fiscal; ii) identificar de forma concreta os atos societários ocorridos e respectivos valores; iii) analisar o tratamento contábil e fiscal das operações; iv) analisar a existência ou inexistência de artificialidade no conjunto de atos societários formalmente executados ou na ordem adotada; v) analisar existência ou inexistência de propósito negocial (business purpose) e, por fim vi) identificar se houve a efetiva ocorrência do fato gerador do Imposto de Renda por Ganho de Capital na Recorrente. É importante mencionar aqui que os laudos de avaliação referentes ao Unibanco elaborado pela Hirashima Associados e ao Itaú (PwC) não foram contestados pela fiscalização, o que nos permite considerar que o valor de mercado do Unibanco era de fato R$ 29,4 bilhões (fls. 596) e que o valor de mercado das ações da Recorrente era de R$ 26,24. Incorporação de Ações versus Aumento de Capital com subscrição de ações Tendo em vista que o Sr. Auditor Fiscal mencionou na TVF uma eventual operação de aumento de capital com subscrição de ações no Banco Itaú pela Recorrente através da conferência de ações do Unibanco, é importante trazer alguns conceitos relacionados ao aumento de capital com subscrição de ações em comparação à operação de incorporação de ações. A Incorporação de Ações está prevista no art. 252 da Lei das S.A: Fl. 3017DF CARF MF Processo nº 16327.720680/201361 Acórdão n.º 1201001.618 S1C2T1 Fl. 37 36 Art. 252. A incorporação de todas as ações do capital social ao patrimônio de outra companhia brasileira, para convertêla em subsidiária integral, será submetida à deliberação da assembléiageral das duas companhias mediante protocolo e justificação, nos termos dos artigos 224 e 225. Os mencionados artigos 224 e 225 trazem a seguinte previsão: Protocolo Art. 224. As condições da incorporação, fusão ou cisão com incorporação em sociedade existente constarão de protocolo firmado pelos órgãos de administração ou sócios das sociedades interessadas, que incluirá: I o número, espécie e classe das ações que serão atribuídas em substituição dos direitos de sócios que se extinguirão e os critérios utilizados para determinar as relações de substituição; II os elementos ativos e passivos que formarão cada parcela do patrimônio, no caso de cisão; III os critérios de avaliação do patrimônio líquido, a data a que será referida a avaliação, e o tratamento das variações patrimoniais posteriores; IV a solução a ser adotada quanto às ações ou quotas do capital de uma das sociedades possuídas por outra; V o valor do capital das sociedades a serem criadas ou do aumento ou redução do capital das sociedades que forem parte na operação; VI o projeto ou projetos de estatuto, ou de alterações estatutárias, que deverão ser aprovados para efetivar a operação; VII todas as demais condições a que estiver sujeita a operação. Parágrafo único. Os valores sujeitos a determinação serão indicados por estimativa. Justificação Art. 225. As operações de incorporação, fusão e cisão serão submetidas à deliberação da assembléiageral das companhias interessadas mediante justificação, na qual serão expostos: I os motivos ou fins da operação, e o interesse da companhia na sua realização; Fl. 3018DF CARF MF Processo nº 16327.720680/201361 Acórdão n.º 1201001.618 S1C2T1 Fl. 38 37 II as ações que os acionistas preferenciais receberão e as razões para a modificação dos seus direitos, se prevista; III a composição, após a operação, segundo espécies e classes das ações, do capital das companhias que deverão emitir ações em substituição às que se deverão extinguir; IV o valor de reembolso das ações a que terão direito os acionistas dissidentes. A bíblia dos contadores Manual de Contabilidade Societária Fipecafi, traz a seguinte definição de Incorporação de Ações (edição 2010, pg 413): " É chamada de incorporação de ações (art. 252 da Lei das S.A) a situação em que a Cia. A adquire as ações (ou quotas) de todos os demais acionistas da Cia. B, o que transforma B em subsidiária integral de A, mediante emissão e entrega de ações (ou quotas) de A a esses exsócios de B. Notese que, nesse caso, não há incorporações de sociedades, já que continuam a existir, normalmente, tanto A quanto B, sendo que o que ocorre é que os antigos sócios de B passam a ser sócios de A, e 100% do capital de B passa a pertencer a A. Assim, na B não há lançamento contábil algum, enquanto na A existe um débito em investimento em B e um crédito em Capital Social." Cabe aqui observar que a incorporação de ações não se confunde com a incorporação de empresas, vez que na incorporação de um empresa ocorre a extinção da empresa incorporada e na incorporação de ações não há extinção de qualquer das partes envolvidas. Conforme disposto no art. 227 da Lei das S.A, a incorporação de sociedade constitui operação mediante a qual uma ou mais sociedades são absorvidas por outra já existente. A sociedade incorporada desaparece e o seu patrimônio é absorvido pela sociedade incorporadora, que, em regra, realiza um aumento de capital a ser subscrito com a versão do patrimônio da incorporada. Em suma, temos que a incorporação de sociedade culmina em dissolução sem liquidação, ou seja, a extinção da sociedade incorporada. Ainda que óbvia, faço tais observações, pois, como se verá adiante, tal diferença é de suma importância para entender os motivos pelos quais a reorganização societária ocorreu da forma que ocorreu. Já a operação de aumento de capital através de subscrição de ações está prevista no art. 170 da mesma Lei das S.A: Art. 170. Depois de realizados 3/4 (três quartos), no mínimo, do capital social, a companhia pode aumentálo mediante subscrição pública ou particular de ações. Fl. 3019DF CARF MF Processo nº 16327.720680/201361 Acórdão n.º 1201001.618 S1C2T1 Fl. 39 38 Pois bem, tendo as bases legais conhecidas, podemos fazer algumas análises. De fato, ainda que contenham um elemento em comum aumento de capital existem diferenças abissais entre a operação de incorporação de ações e de aumento de capital com subscrição de ações. A própria Lei das S.A. nos mostra de forma clara algumas dessas diferenças. No aumento de capital com subscrição de ações há direito de preferência, o que é inexistente na incorporação de ações, por outro lado, há direito de retirada para os dissidentes nesta, o que em geral não ocorre naquela. Além disso, temos que o objetivo perseguido em cada uma dessas operações é muito distinto, vez que na incorporação de ações o que se busca é a inserção de outra empresa como subsidiária integral da companhia incorporadora das ações e o aumento de capital puro com subscrição de ações tem o propósito único de mero incremento do patrimônio líquido de uma determinada sociedade. Vejam, no aumento de capital puro com subscrição de ações, o aumento de capital é o fim perseguido em si, enquanto que na incorporação de ações, o aumento de capital que se dá na empresa incorporadora de ações é mera conseqüência, sendo que o fim perseguido, como já dito, é a constituição de uma subsidiária integral. Destaco aqui, trecho do parecer do Prof. Ricardo Mariz de Oliveira apresentado pela Recorrente, no qual se faz menção às lições de outro ilustre jurista, o Prof. Nelson Eizirik: " Para confirmação das presentes afirmações, muito contribuem as lições de NELSON EIZIRIK, já referidas atrás e que passo a abordar resumindoas ao essencial para se compreender em sua plenitude o conteúdo e os efeitos (causa e substância) do ato de incorporação de ações, e sua identidade definitivamente distinta dos simples aumentos de capital. Esse preclaro autor ressalva de pronto a distinção entre a subscrição de aumento de capital regido pelo art. 170 da Lei n.6404 e o ato de incorporação de ações, no qual "não se trata de um aumento de capital voluntário, mas meramente de ato decorrente da incorporação de ações", acrescentando que as disposições do artigo 252 da Lei das Sociedades Anônimas "disciplinam integralmente a matéria, e não aquelas do artigo 170 do mesmo diploma legal, que versam sobre o aumento de capital". Destaca, ainda, que "a subscrição de capital em bens, portanto, encerra um contrato entre a sociedade e o novo acionista", ao passo que "na incorporação, por outro lado, é estabelecida uma relação entre as duas sociedades". É como apontei antes: o aumento de capital é um ato interno a uma só sociedade, ao passo que a incorporação de ações reúne duas diferentes sociedades, e nesta o aumento de capital é decorrência, não fim. Fl. 3020DF CARF MF Processo nº 16327.720680/201361 Acórdão n.º 1201001.618 S1C2T1 Fl. 40 39 EIZIRIK prossegue seu texto acima dizendo que, nestas circunstâncias, ocorre "a convergência de vontades entre as duas companhias ", o que está diretamente ligado ao seguinte trecho, mais abaixo: "Uma outra diferença entre subscrição e a incorporação de ações centrase no elemento vontade. Com efeito, na subscrição, o subscritor manifesta sua vontade de se tornar sócio da companhia. Tratase de ato unilateral e voluntário, pelo qual a pessoa que deseja se tomar acionista da sociedade manffesta a sua vontade de contribuir para o capital social, obrigandose por determinado número de ações. Na incorporação de ações, ao contrário, prescindese da vontade do acionista da companhia cujas ações serão incorporadas. A operação é aprovada por maioria e independentemente da vontade do acionista minoritário, cabendo lhe, apenas, no caso de dissidência, o exercício do direito de recesso. Conclui se, assim, que a incorporação de ações não se confunde com o aumento de capital, seja a subscrição em dinheiro ou em bens. Na incorporação de ações, haverá subscrição, independentemente da vontade do acionista minoritário, de ações da sociedade incorporadora com a totalidade das ações do capital social da companhia cujas ações serão incorporadas. Apenas como conseqüência é que haverá o aumento de capital da sociedade incorporadora das ações. (...) Isto significa, digo eu, que, mesmo que se perceba a vontade subjacente do acionista, por exemplo, quando ele antecipadamente tenha votado a favor da incorporação das suas ações por outra entidade, ou quando não manifeste intenção de se retirar, há uma distinção nítida entre os dois atos, dado que na subscrição de aumento de capital sob o art. 170 cada acionista exerce ou não o seu direito de preferência , sempre por ato individual perante uma mesma sociedade, enquanto que na incorporação de ações o acionista da sociedade cujas ações vão ser incorporadas é compelido pela maioria e, assim, a vontade de incorporar as ações é uma vontade coletiva ou social, ademais exercida perante o capital de outra sociedade, na qual seus acionistas não têm preferência para subscrever as novas ações então emitidas. Por isto mesmo, a vontade de cada acionista não é suficiente para a concretização do ato, se não for acompanhada pela vontade da maioria. Em síntese, há enorme e insuperável distinção entre o aumento de capital e a incorporação de ações, sobressaindose diversas conseqüências que conduzem a uma conclusão diversa da apresentada numa primeira e parcial interpretação do ato de incorporação de ações, isto é, naquela que a equipara a qualquer aumento de capital, e nada mais. Ainda com relação à operação de aumento de capital com bens, cabe aqui trazer uma importante característica própria das instituições financeiras que é a vedação deste tipo de operação prevista na Lei .4.595/64 em seu art. 26, in verbis: Fl. 3021DF CARF MF Processo nº 16327.720680/201361 Acórdão n.º 1201001.618 S1C2T1 Fl. 41 40 Art. 26. O capital inicial das instituições financeiras públicas e privadas será sempre realizado em moeda corrente. Explicações sobre o Método de Equivalência Patrimonial MEP Tendo em vista que o lançamento em análise decorre, originalmente, de receita decorrente do reconhecimento do investimento da Recorrente no Banco Itaú pelo Método de Equivalência Patrimonial MEP, cabe aqui fazer algumas considerações a respeito deste método de registro de investimento em outras empresas. Pois bem, existe na legislação dois métodos para o registro contábil de investimentos de uma sociedade em outra: o método do custo de aquisição e o denominado MEP. Os investimentos em empresas não controladas ou coligadas, ou que não sejam relevantes para a empresa investidora, geralmente, são registrados pelo método de custo de aquisição no qual os investimentos são avaliados pelo seu efetivo custo de aquisição, qual seja, o valor efetivamente pago pelo investimento na transação. No caso de investimentos relevantes, o registro pelo MEP é mandatório. O MEP consiste na avaliação do investimento em outras sociedades em função da participação da investidora no patrimônio líquido da investida. Tal método se mostra dinâmico na contabilidade da empresa investidora vez que o investimento é registrado por seu valor patrimonial, sendo que qualquer alteração patrimonial ocorrida na empresa controlada ou coligada será refletido, proporcionalmente , na contabilidade da investidora. Em outras palavras, o MEP consiste em instrumento que seja permite efetuar uma relação proporcional direta entre a conta de investimentos, constante do ativo da investidora, e a conta de patrimônio líquido da controlada ou coligada. Segundo Fábio Piovesan Bozza (Tratamento fiscal do ágio na aquisição de investimentos", in Revista dialética de direito tributário, n. 178, São Paulo, Dialética, 2010, p. 55): "O MEP procura, numa única linha do balanço da investidora ("one fine consolidation"), apresentar uma visão agregada da posição econômica das empresas investidas, direta ou indiretamente, na proporção da participação societária detida. O método ganhou proeminência na Inglaterra e nos Estados Unidos, países que dão ênfase à apresentação das demonstrações financeiras dos conglomerados econômicos de empresas de forma consolidada, em um único balanço." Tal conceito de visão econômica de grupo justifica a razão de o resultado do reconhecimento pelo MEP ser registrado contabilmente como uma receita da investidora, vindo a compor o resultado operacional desta. Vejam, através do MEP a empresa investidora reflete diretamente em sua contabilidade a variação patrimonial ocorrida na investida. Desta sorte, se a investida apurou Fl. 3022DF CARF MF Processo nº 16327.720680/201361 Acórdão n.º 1201001.618 S1C2T1 Fl. 42 41 lucro, a investidora contabilizará igual resultado de forma proporcional à sua participação na investida. Assim, é correto afirmar que a empresa investidora apurou lucro por intermédio da investida, sendo que, da mesma forma ocorre quando da apuração de prejuízo pela investida. Tratamento tributário do MEP e o caso concreto Não é preciso grande esforço intelectual para concluir que, sendo a receita de MEP na investidora mero reflexo de lucro apurado e tributado na investida, não há que se falar em tributação da receita de MEP. Pensar o contrário seria admitir bis in idem e afronta clara ao Princípio da Capacidade Contributiva. O art. 389 do RIR/99 dispõe sobre a intributabilidade da receita dos ajuste pelo MEP: "Art. 389. A contrapartida do ajuste de que trata o art. 388, por aumento ou redução no valor de patrimônio líquido do investimento, não será computada na determinação do lucro real." Percebese pela leitura do art. 389 do RIR/99 que o MEP não denuncia apuração de renda por que o registra, tratandose apenas de instrumento contábil para avaliação de investimentos nas sociedades investidas. Neste ponto, trago aqui algumas observações feitas a este respeito pelo Prof. Luís Eduardo Schoueri no parecer apresentado pela Recorrente: "Acaso pretendesse a legislação tributar os "ganhos" de equivalência patrimonial , então uma mesma realidade econômica estaria sujeita a múltipla incidência tributária. Dadas as estruturas societárias complexas, então não é difícil conceber que, em muitas vezes, a somatória dos tributos recolhidos pelas empresas componentes do grupo ultrapassaria a própria riqueza gerada pela empresa localizada no elo inferior da cadeia. Essa múltipla incidência facilmente ultrapassaria as raias da capacidade contributiva revelada pelo grupo, chegando por que não? ao confisco. Foi, assim, de bom senso a medida do legislador tributário, ao assegurar que não se tributem ganhos de equivalência patrimonial que apenas refletem contabilmente lucros já oferecidos à tributação brasileira por controladas e coligadas. Desse modo, as participações societárias, de regra, não produzem efeitos na seara fiscal, sendo o lucro tributado apenas na unidade (pessoa jurídica) em que ele foi efetivamente produzido. Fl. 3023DF CARF MF Processo nº 16327.720680/201361 Acórdão n.º 1201001.618 S1C2T1 Fl. 43 42 Podese compreender, ante o exposto, o fato de o art. 248 da LSA determinar que os investimentos relevantes devem ser avaliados com base na variação do patrimônio líquido. Caso a sociedade coligada ou controlada verifique um aumento patrimonial, a sociedade detentora de participação em seu capital social deverá também identificar esta valorização em seu balanço patrimonial. Esse acréscimo patrimonial estaria, em tese, sujeito à tributação em ambas as empresas. Entretanto, por reconhecer tratarse de uma única realidade econômica, o legislador tributário dispensa o resultado positivo de equivalência patrimonial de nova tributação. Afinal, como já mostrado, o mesmo lucro já fora tributado na empresa na qual ele foi originariamente verificado. Daí o resultado positivo de equivalência patrimonial constituir uma exclusão na apuração do lucro real." (nossos grifos) Podemos tirar dos ensinamentos acima que o MEP aponta tão somente que o investimento tem um valor em potencial, apurado segundo o patrimônio da sociedade investida, o que não significa a disponibilidade daquele valor. Tal disponiblidade apenas ocorrerá por ocasião da efetiva realização através de dividendos ou alienação do investimento. Uma vez entendidos os conceitos contábeis e tributários básicos do MEP, podemos abordar a regra prevista no art. 428 do RIR o qual constitui a espinha dorsal da discussão travada nestes autos. Dispõe assim o art. 428 do RIR: "Art. 428. Não será computado na determinação do lucro real o acréscimo ou a diminuição do valor de patrimônio líquido de investimento, decorrente de ganho ou perda de capital por variação na percentagem de participação do contribuinte no capital social da coligada ou controlada". Uma possível situação de ocorrência do ganho ou da perda prevista no art. 428 do RIR é a diferença apurada entre o valor do aumento de capital e o valor patrimonial da participação adquirida/cedida. Isso porque, é possível que ao haver uma capitalização da empresa, o valor que passa a integrar o capital não corresponda ao valor patrimonial da participação adquirida. O presente processo trata desta situação. Isso porque, os excontroladores do Unibanco subscreveram, por conta da incorporação das ações do Unibanco pelo Banco Itaú, um aumento de capital que fora contribuído com bens (ações) avaliados a valor justo, que no caso foi de R$ 29,4 bilhões. Fl. 3024DF CARF MF Processo nº 16327.720680/201361 Acórdão n.º 1201001.618 S1C2T1 Fl. 44 43 Assim, ocorreu um acréscimo patrimonial no Banco Itaú no mesmo montante de R$ 29,4 bilhões. Como o patrimônio do Banco Itaú, naquela ocasião, era de aproximadamente R$ 12 bilhões, seria compreensível imaginar que ao deter R$ 29,4 bilhões de participação no Banco Itaú, os excontroladores do Unibanco passariam a deter o controle do Banco Itaú. Mas não é isso. Pois, uma vez que o valor de mercado do Banco Itaú na data da operação era de aproximadamente R$ 77 bilhões, seria ilógico que o controlador do Banco Itaú, que é a ora Recorrente, tivesse sua participação acionária diluída a ponto de perder o controle da empresa, uma vez que os excontroladores do Unibanco contribuíram apenas com R$ 29,4 bilhões, pois, tal valor corresponderia a parcela de 27% aproximadamente do novo valor de mercado do Banco Itaú que passou a ser de R$ 106 bilhões. Esta matemática explica o ganho na diluição, pois, muito embora a Recorrente tenha tido sua participação diluída, o valor patrimonial da participação, efetivamente aumentou. Isso ocorreu em decorrência do fato dos bens do Banco Itaú não estarem contabilizados a valores de mercado, antes da incorporação de ações. Assim, muito embora tivesse em seus livros contábeis um investimento de R$ 12 bilhões, a Recorrente detinha, na realidade, uma instituição financeira que valia R$ 77 bilhões. Assim, como a incorporação de ações se deu a valor de mercado (valor do Unibanco era de R$ 29,4 bilhões), temos que ingressaram no Banco Itaú bens (ações) a valor de mercado, que se somaram aos que ali já estavam contabilizados, contudo, a valor histórico. O resultado disso é um acréscimo no patrimônio do Banco Itaú, por conta da capitalização e tal acréscimo no patrimônio afetou o valor patrimonial de todas as ações, inclusive aquelas detidas pela Recorrente. Os excontroladores do Unibanco, embora tenham contribuído com bens a valor justo, receberam ações do Banco Itaú cujo valor patrimonial é menor que o valor da contribuição. Por outro lado, a Recorrente, embora tenha mantido a mesma quantidade de ações, percebeu o valor patrimonial destas aumentar uma vez que o valor patrimonial é positivamente impactado pelo ingresso de bens (ações) lançados a valores de mercado, assim, apurouse um acréscimo na avaliação do investimento efetuada pelo MEP. Contudo, não ocorreu qualquer realização, ou seja, a Recorrente alienou uma ação sequer, vez que continuou detendo o mesmo número de ações. Apenas o valor patrimonial destas é que cresceu. E aqui cabe trazer de volta o artigo 428 do RIR que possibilita a não tributação do resultado vindo de mera reavaliação do investimento relacionada à capitalização na qual ocorreu diluição do capital social, pois, não tendo ocorrido realização, não há que se falar em disponibilização e portanto não há renda a ser tributada. Desta sorte, resta claro que o art. 428 do RIR não tem natureza de benefício fiscal, mas de dispositivo elaborado em estrita observância ao Princípio da Capacidade Contributiva. Fl. 3025DF CARF MF Processo nº 16327.720680/201361 Acórdão n.º 1201001.618 S1C2T1 Fl. 45 44 Cabe concluir também que diante deste racional, o ganho na investidora, ora Recorrente, não é disponibilidade dela. Pelo contrário, eventualmente, tal ganho ocorrerá na investida (Banco Itaú) quando ocorresse realização de seus ativos a valor de mercado. Neste momento, ocorreria fato gerador do Imposto de Renda. Cabe lembrar que no momento inicial, o Banco Itaú tinha bens contabilizados a valores históricos (R$ 12 bilhões) e embora tenham ingressado novos bens (ações do Unibanco), aqueles originais mantiveram o seu valor intacto. Isso significa que quando vierem a ser alienados, serão tributados. Neste ponto, cabe uma conclusão: se os dividendos são isentos no Brasil, não há qualquer justificativa para se tributar o investidor em razão de ganho que virá a ser auferido pela investida. Quando esta tiver o ganho, será tributada. Mas não há dispositivo legal algum que permita uma segunda tributação. Em suma, o ganho por variação na participação auferido pela Recorrente não poderia ser tributado vez que não houve realização. Acaso os bens que deram origem à participação societária originária fossem alienados, ocorreria tributação no Banco Itaú e, digo novamente, não há previsão legal que permita nova tributação na pessoa de seus acionistas. Neste ponto do voto, considero pertinentes as observações do Prof. Luís Eduardo Schoueri no parecer trazido a este Conselheiro: " A partir do que se viu acima na análise do artigo 428 do Regulamento do Imposto de Renda, notase que em verdade o que se tem é um tratamento tributário daquilo que, no direito comparado, é conhecido como reserva oculta. Denominase reserva oculta (stille Reserven) a diferença não contabilizada entre o valor contábil e o valor de mercado dos bens de uma empresa empregados no seu negócio. No direito tributário alemão, a matéria é plenamente regulada, determinandose que os incrementes de valor ( Werteinseigerung) não tenham efeitos tributários, a não ser que os bens que lhes deram causa sejam realizados, por exemplo por revenda . Notese que a reserva oculta é tida por existente, embora não contabilizada. Daí a regra de sua tributação, quando da realização. Não obstante, o legislador cuida de excepcionar situações, envolvendo reorganizações societárias, em que se toma possível não dar por realizada a reserva, a qual é transferida (Übertragung) juntamente com o bem que lhe deu causa. Não era diverso o tratamento que o legislador tributário brasileiro reservava, à época da ocorrência dos fatos que ora examino (e portanto antes mesmo da promulgação da Medida Provisória nº 627/2013), à matéria. Também por aqui, o acréscimo do valor dos bens do ativo de uma pessoa jurídica não produzia efeitos tributários, enquanto não realizado. É a questão da disponibilização, acima apontada. Assim é que quando se efetuava a reavaliação de ativos, não havia que se falar em tributação, enquanto mantida a reserva de reavaliação a que se referia o artigo 434 do RIR. A nossa Fl. 3026DF CARF MF Processo nº 16327.720680/201361 Acórdão n.º 1201001.618 S1C2T1 Fl. 46 45 reavaliação de ativos nada mais era que a própria reserva oculta alienígena. Enquanto, para nós, era procedimento facultativo, noutras praias era obrigatório. Num e noutro caso, neutros para efeitos tributários, enquanto não realizadas." (nossos grifos) Diante das observações acima resta claro que o ganho registrado pela Recorrente tem natureza de mera reserva oculta e, como tal, não realizada. Afinal, o valor patrimonial de sua participação no Banco Itaú de R$ 12 bilhões, enquanto o respectivo valor de mercado somava aproximadamente R$ 77 bilhões. Desta sorte, o montante de R$ 18 bilhões registrado como ganho pela Recorrente é explicado pelo fato de que a participação societária detida tinha um valor de mercado superior ao contábil. Assim, concluímos que o valor de R$ 18 bilhões é diferença entre o valor contábil e o valor de mercado da participação diluída. Basta imaginar que se a Recorrente tivesse alienado toda a sua participação a valor de mercado, teria apurado um ganho equivalente à diferença entre o valor de R$ 77 bilhões (valor de mercado de sua participação) e de R$ 12 bilhões (valor patrimonial da mesma participação). Aspectos Contábeis Antes de aprofundarmos a análise mais detalhada das razões negociais das operações societárias em questão e eventual ganho de capital tributado pelo Imposto de Renda, cabe aqui trazer algumas observações sobre o correto tratamento contábil das operações. Pois bem. Cabe aqui lembrar de forma resumidamente didática (e com números arredondados para facilitar o entendimento), o conjunto de operações societárias e valores. A Recorrente (Itaú Holding) detinha 100% das ações do Banco Itaú, cujo valor contábil era de R$ 12 bilhões e valor de mercado de R$ 77 bilhões. Excontroladores do Unibanco detinham 100% de suas ações, cujo valor contábil era de R$ 12 bilhões e valor de mercado de R$ 29 bilhões. Valor de mercado dos dois bancos (Itaú e Unibanco) somavam R$ 106 bilhões. Itaú adquire 100% das ações do Unibanco por R$ 29 bilhões e vê seu capital aumentar de R$ 12 bilhões para R$ 41 bilhões . A contrapartida do aumento de capital no Banco Itaú é um investimento de R$ 29 bilhões dividido em R$ 12 bilhões de equivalência patrimonial e ágio de R$ 17 bilhões. A Recorrente (controladora do Banco Itaú), que antes tinha um investimento de R$ 12 bilhões (100% do Banco Itaú) passa a ter um investimento de cerca de Fl. 3027DF CARF MF Processo nº 16327.720680/201361 Acórdão n.º 1201001.618 S1C2T1 Fl. 47 46 R$ 29 bilhões que corresponde a 72,5% do "novo" Banco Itaú cujo patrimônio é de R$ 41 bilhões. A Recorrente reconhece o valor de R$ 17 bilhões (diferença entre R$ 12 bilhões e R$ 29 bilhões) como receita de equivalência patrimonial derivada de mudança do percentual de participação no capital da investida e exclui tal receita do cálculo de seu Lucro Real conforme previsto no art. 428 do RIR/99. A receita descrita no último item acima é o foco do auto de infração ora em análise, vez que a fiscalização a trata como um ganho de capital tributável. Na seqüência, a Recorrente (Itaú Holding) adquire (incorpora) as ações do Banco Itaú detidos pelos excontroladores do Unibanco e emite ações próprias para os alienantes. A Recorrente contabiliza tais ações pelo valor patrimonial (R$ 12 bilhões) e não pelo valor de mercado (R$ 29 bilhões). Há um acréscimo de R$ 12 bilhões no capital da Recorrente. Ao final de todas essas etapas, temos um "filme" que mostra que antes da primeira operação, a Recorrente detinha um investimento de R$ 12 bilhões (100% do Banco Itaú) e ao final passa a ter um investimento de R$ 41 bilhões (100% do "novo" Banco Itaú"). Vejam, a Recorrente já detinha R$ 12 bilhões, somou mais R$ 17 bilhões por equivalência patrimonial e por fim mais R$ 12 bilhões pela compra das ações detidas pelo ex controladores do Unibanco. Tudo isso soma o montante de R$ 41 bilhões que é exatamente o valor de livros do Banco Itaú. Acaso tivesse a Recorrente contabilizado o valor de R$ 29 bilhões quando incorporou as ações vendidas pelos excontroladores do Unibanco teríamos a seguinte conta: R$ 12 bilhões (investimento inicial) + R$ 17 bilhões (equivalência patrimonial) + R$ 29 bilhões pela compra das ações. Tudo isso somaria o valor de R$ 58 bilhões o que seria discrepante do valor do investimento (100% do Banco Itaú) que era de R$ 41 bilhões. A diferença seria um ágio. Pois bem, é indubitável, ainda que existam ajustes determinados por lei, que a contabilidade é a matériaprima principal para se determinar a tributação de qualquer entidade. Assim, precisamos esclarecer se todo o tratamento contábil adotado pela Recorrente e pelo Banco Itaú foram corretos. Para tanto, me socorro das observações do Prof. Eliseu Martins, cuja competência e autoridade sobre assuntos contábeis é incontestável, que apresentou algumas respostas a quesitos pontuais relacionados ao caso concreto em ora exame (parecer juntados aos autos), que transcrevo abaixo: " 3. A incorporação de ações exige que haja aumento de capital pela companhia incorporadora das ações, com a entrega das ações emitidas por conta de tal aumento aos acionistas da companhia que teve suas ações incorporadas. Está em conformidade com a lei estipular que o aumento de capital do Banco Itaú seja realizado de acordo com o valor econômico do Unibanco? Fl. 3028DF CARF MF Processo nº 16327.720680/201361 Acórdão n.º 1201001.618 S1C2T1 Fl. 48 47 Sim, não há dúvida alguma quanto a isso, e nem poderia ser diferente. Os vendedores têm que receber o valor justo do que entregam. Assim, precisam receber ações cujo valor econômico seja totalmente equivalente ao valor econômico das ações que entregam. O que ocorre é que pode haver confusão entre valor econômico e valor contábil. À época eram totalmente aceitos que esses aumentos se dessem tanto pelo valor contábil quanto pelo valor econômico, mas depois de atendido o critério do valor justo nas relações de troca. Por isso o Itaú utilizou ambos os critérios (o valor econômico na incorporação de ações no Banco Itaú e o valor contábil na incorporação de ações no Itaú Holding), sem qualquer ilegalidade. Hoje, por força do Pronunciamento Técnico CPC 15 Combinação de Negócios, as instituições não financeiras são obrigadas a registrar a emissão de ações dessa natureza pelo seu valor justo. Não têm mais a alternativa de utilização do valor de mercado. As instituições financeiras que sejam companhias abertas também, por força do que dispõe a Lei nº 6.385, são hoje obrigadas à utilização apenas do valor econômico, já que o Banco Central é omisso na matéria e a CVM obriga à adoção desse Pronunciamento. Mas, em 2008, quando se deram essas operações, era totalmente opcional o uso de um ou outro critério tanto pela CVM quanto pelo Banco Central. 7. Qual deve ser considerado o valor pago pelo Banco Itaú na incorporação de ações do grupo Unibanco, considerando que a relação de troca das ações do grupo Unibanco pelas ações do Banco Itaú tomou por base o valor de mercado da Itaú Holding? Somente pode ser considerado como valor pago o valor de mercado das ações da Itaú Holding, já que a negociação foi feita em função do valor justo das duas instituições. A relação de troca foi feita em função desse valor. Assim, o valor pago pelo conglomerado Itaú aos excontroladores do Unibanco foi o valor de mercado da Itaú Holding. 8. Qual deve ser considerado o valor entregue pelo Itaú Holding aos exacionistas do Unibanco, quando da incorporação de ações do Banco Itaú? O correspondente valor de mercado dessas ações,conforme item anterior. 10. Dado que,na segunda etapa da Associação,foi definida a entrega de ações do Itaú Holding no valor de mercado de R$ 29,423 bilhões, seria legal o Itaú Holding efetuar aumento de Fl. 3029DF CARF MF Processo nº 16327.720680/201361 Acórdão n.º 1201001.618 S1C2T1 Fl. 49 48 capital nesse valor (R$ 29,423 bilhões), apurando um novo ágio igual à diferença entre esse montante e o valor de patrimônio líquido do investimento dos exacionistas do Unibanco no Banco Itaú? Ou o procedimento correto foi o de registrar como aumento de capital apenas o valor de R$ 12 bilhões,tendo em vista que a diferença já havia sido reconhecida como receita de equivalência patrimonial pelo Itaú Holding? 1 O procedimento adotado pela consulente foi decorrente de que isso levaria à apuração de novo ágio, conforme descrito na folha 11 deste Parecer Técnico. Se isso fosse feito,esse segundo ágio não teria fundamento econômico e não estaria respaldado em propósito negocial. 12. Considerando que se tratou de uma Associação negociada entre partes não relacionadas, sob a fiscalização das autoridades reguladoras, seria possível sustentar que, à vista dos fatos, o Itaú Holding teria pago apenas R$ 12 bilhões pelas ações do grupo Unibanco e, em seguida,aportado as ações do grupo Unibanco no Banco Itaú por R$ 29,423 bilhões, apropriando para si a diferença? É totalmente visível que não. Conforme demonstrado no item III deste Parecer Técnico, se a Associação fosse feita segundo o caminho da autoridade fiscal, o registro das ações incorporadas pelo Itaú Holding seria pelo valor de R$ 29,423 bilhões, pois, nesse caminho não haveria a questão do segundo ágio, que foi o que motivou o Itaú Holding na seqüência real das operações de incorporação a registrar as ações pelo valor contábil. Das respostas acima me parece claro que do ponto de vista contábil, não seria correto registrar um aumento no Patrimônio Líquido da Recorrente no valor de R$ 29 bilhões como sustenta o Fiscal. Isso porque, a Contabilidade sempre deve privilegiar a essência econômica das operações e, dentro deste enfoque temos que a incorporação das ações do Banco Itaú detidas pelos excontroladores do Unibanco pela Recorrente, teve natureza de mera transferência de sócios do Banco Itaú para a Recorrente, uma vez que o evento econômico de relevância ocorreu quando da incorporação das ações do Unibanco pelo Banco Itaú. Em outras palavras, a incorporação de ações feita pela Recorrente teve como objetivo a concentração de todos os sócios em uma única holding, sem que isso gerasse efeitos econômicos entre as partes, vez que tais efeitos já haviam ocorrido. Vejam: lá no início, caso os excontroladores do Unibanco resolvessem vender todas as suas ações no mercado, o valor (caixa) recebido seria de R$ 29 bilhões. Pois bem, caso resolvessem vender todas as ações recebidas da Recorrente, o valor gerado seria também de R$ 29 bilhões! É simples assim. Fl. 3030DF CARF MF Processo nº 16327.720680/201361 Acórdão n.º 1201001.618 S1C2T1 Fl. 50 49 Além disso, entendo que a contabilização de um ágio pela Recorrente, decorrente de eventual reconhecimento do valor de R$ 29 bilhões, certamente seria questionado pelo Fisco sob alegação de se tratar de ágio interno sem fundamento econômico. Desta sorte, entendo que o tratamento contábil dispensado pela Recorrente ao conjunto de operações societárias que resultou na Associação dos Grupos Itaú e Unibanco foi a mais correta. Opção Fisco x Opção Contribuinte Para concluir pela autuação da ora Recorrente, a fiscalização se baseou num racional que defende que o encadeamento de eventos executados pelas partes envolvidas foi artificial, irracional do ponto de vista econômico e operacional e visou apenas gerar um ganho tributário à Recorrente. De forma a subsidiar tal linha de raciocínio, o fiscal propõe o que entende deveria ter sido a operação. Para tanto, o fiscal altera a natureza das operações (aumento de capital x incorporação de ações), as partes envolvidas em cada etapa, a ordem em que ocorre cada etapa e, por fim, o valor envolvido em cada uma das etapas da reorganização. Primeiramente, devo dizer que seria muito estranho, para não dizer temerário, que uma operação de tal magnitude, que não somente envolveu dois dos três maiores bancos privados do país, mas também contou com a análise e aprovação do Banco Central do Brasil e do CADE, além de ter sido monitorado pela CVM, tenha incorrido em tamanha artificialidade e irracionalidade econômica e com desrespeito à Lei das S.A e normas contábeis e regulatórias vigentes. Vejam, não se trata aqui de simples infração à legislação tributária, em que uma determinada receita deveria ter sido tributada ou despesa não deduzida, o que somente a Receita Federal, no âmbito federal, teria competência para avaliar. O que temos aqui é o questionamento da operação como um todo. Isso porque, para concluir pela ocorrência de um ganho de capital tributável pela Recorrente, o fisco desqualifica toda a operação, a ponto de dizer que não foi o Banco Itaú que incorporou as ações do Unibanco, mas sim a Recorrente. Isto é, tratase de simulação. Assim, tratandose de uma operação simulada, como poderia o Bacen e CADE terem aprovado? Se isso for verdade, os analistas do Bacen e os conselheiros do CADE devem, urgentemente, passar por um treinamento intensivo na Receita Federal. Logicamente, não é nada disso. Assim, como os auditores fiscais da Receita Federal do Brasil são extremamente capacitados para a análise de assuntos tributários dentre os melhores do mundo os analistas do Bacen e os conselheiros do CADE são capacitados para analisar o tipo de operação que se coloca nos autos. Assim, vale aqui analisar a opção inferida pelo Sr. Fiscal como a mais correta do ponto de negocial, operacional e tributário. Para tanto, primeiro, precisamos confirmar se o caminho dado pelo fiscal seria legal e estaria em conformidade com as normas contábeis e Fl. 3031DF CARF MF Processo nº 16327.720680/201361 Acórdão n.º 1201001.618 S1C2T1 Fl. 51 50 regulatórias. Após isso, podemos analisar se, do ponto de vista de simplificação e eficiência, a opção dada pelo fiscal é a melhor. Primeiramente, devemos ter em mente quais eram os objetivos do Grupo Itaú e Unibanco neste processo de associação. Para tanto, utilizo trecho do parecer do Prof. Alberto Xavier emitido à Recorrente, por meio do qual se faz uma análise do caso concreto: No caso em exame, o objetivo final deste procedimento era a unificação de dois grandes conglomerados ITAÚ e UNIBANCO controlados cada um, antes do início do procedimento de Associação, respectivamente , pelos GRUPOS A (famílias Setúbal e Villela) e B (família Moreira Salles). Esse objetivo, porém, visava um duplo resultado que denominaremos de integração objetiva e de integração subjetiva e que se realizou por um procedimento bifásico. Com a integração objetiva pretendeuse, numa primeira fase, uma unificação operacional das atividades financeiras dos dois conglomerados, de modo a fortalecer a posição dos conglomerados no mercado de serviços financeiros, obter ganhos de escala e sinergia. Mas a vontade das partes não estava apenas na integração objetiva ou operacional, mantendose separados os dois grupos de controle. Tornavase ainda necessária uma integração subjetiva de modo a concentrar as participações societárias dos dois grupos familiares e dos acionistas minoritários em uma só entidade, a ITAÚ HOLDING, que seria a única companhia aberta do conglomerado, com maior liquidez e valorização, detentora da totalidade do capital do BANCO ITAÚ e indiretamente do UNIBANCO". Destaco aqui que, ainda que mencionadas nos autos do processo, vou desconsiderar neste voto qualquer alternativa que viesse a envolver a incorporação ou fusão de sociedades no presente caso. Isso porque, tendo em vista que estamos falando de 02 instituições financeiras com milhões de correntistas e aplicadores e de uma operação que dependia da aprovação do Bacen e do CADE, qualquer opção que envolvesse a extinção das sociedades envolvidas seria desastrosa no caso de reprovação da operação pelos reguladores em razão da irreversabilidade de tais atos. Tais operações só trariam insegurança para todos os interessados, o que envolve as partes envolvidas (Itaú e Unibanco), os milhões de correntistas, investidores, aplicadores, órgãos reguladores e o mercado financeiro como um todo. E, sabemos que, insegurança é tudo aquilo que uma instituição financeira não pode gerar. Assim, estou aqui a tratar da opção posta pelo fiscal em que a Recorrente incorpora as ações do Unibanco e, na seqüência, efetua um aumento de capital no Banco Itaú com a conferência de tais ações. Fl. 3032DF CARF MF Processo nº 16327.720680/201361 Acórdão n.º 1201001.618 S1C2T1 Fl. 52 51 De partida, me parece que a opção trazida pela fiscalização encontraria uma vedação legal, face o que dispõe o art. 26 da Lei n. 4.595/64: Art. 26. O capital inicial das instituições financeiras públicas e privadas será sempre realizado em moeda corrente. Não obstante tal vedação já ser um argumento importante para mostrar que a opção dada pelo Fiscal não era a melhor, até porque nem possível era, vamos analisar outros pontos. Pois bem, a incorporação de ações (opção do contribuinte) é uma operação que se dá entre sociedades, por outro lado, a subscrição de capital em bens (ações) como proposto pelo Fisco, é uma operação que tem como partes acionistas e empresas. Assim, para implementação da operação de subscrição de capital com ações, a constituição de uma subsidiária integral que era o objetivo primeiro dos grupos Itaú e Unibanco, exigiria a aceitação de todos os acionistas da sociedade de tal modo que bastaria a discordância de um acionista para que o objetivo final não fosse alcançado. Certamente, isso não seria interessante, pois, estaríamos tratando de uma sociedade aberta com alta pulverização de suas ações. Tal risco é mitigado na operação de incorporação de ações em que basta uma aprovação simples em AGE, conforme disposto no art. 252 da Lei das S.A para que todas as ações sejam incorporadas. A alternativa trazida pela fiscalização é, portanto, ilegal e traria mais riscos de não aprovação dos acionistas. Cientes disso, os julgadores da DRJ/SPI, no afã de salvarem o auto de infração, corrigiram em parte o racional do fiscal. Não obstante restar claro na leitura do TVF que o fiscal recomenda um aumento de capital no Banco Itaú com a subscrição das ações incorporadas pela Recorrente, não por acaso é mencionado o art. 170 da Leis das S.A (que dispõe sobre aumento de capital com subscrição de ações), os julgadores de 1° instância propõem uma segunda rodada de incorporação de ações, fazendo assim um "mix" composto por parte dos atos perpetrados pelas partes, ordem proposta pelo fiscal e, por uma, uma etapa final imaginada pela DRJ. Não obstante o absurdo desta situação, em que a DRJ ao invés de cancelar o auto de infração, busca consertála, vamos analisar tal opção também, de forma a subsidiar os julgadores desta turma com todos os elementos necessários para a melhor decisão. Assim, temos aqui que do ponto de vista de simplificação, me parece que a alternativa do fiscal devidamente corrigida pela DRJ, não era a mais adequada. Isso porque, estaríamos diante de 06 operações de incorporação de ações, sendo que numa primeira fase, ocorreriam 03 operações para incorporação das ações de Unibanco, Unibanco Holding e E.Johnston pela Recorrente e, após isso, mais 03 outros atos de incoporação de ações, desta vez, para a transferência do controle das empresas Unibanco da Recorrente para o Banco Itaú. Daí surge a questão: por que adotar uma opção mais complicada? Fl. 3033DF CARF MF Processo nº 16327.720680/201361 Acórdão n.º 1201001.618 S1C2T1 Fl. 53 52 Além disso, considerando que o objetivo final sempre foi manter o investimento nas empresas Unibanco no Banco Itaú, teríamos uma desnecessária passagem de tais investimentos pela Recorrente (Itaú Holding). Não bastasse tudo isso, podemos ir além. Vamos agora desconsiderar que a opção dada pelo fisco e "melhorada" pela DRJ fosse ilegal, ineficiente, mais arriscada, demorada e complicada e, vamos tentar imaginar o seguinte: caso fosse adotado o modelo do fisco, os efeitos tributários seriam os mesmos? Ou, neste caso, haveria o ganho de capital apontado pela fiscalização? Para responder essa questão, vou arriscar ser extremamente objetivo, vez que a esta altura, já ultrapassei 50 páginas de relatório e voto e penso eu, a operação já está bem compreendida. Pois bem, a primeira etapa seria a incorporação de ações do Unibanco pela Recorrente (Itaú Holding). O valor contábil do Unibanco é de R$ 12 bilhões mas seu valor de mercado é de R$ 29 bilhões. Assim, o "preço" a ser pago seria os mesmos R$ 29 bilhões. Para "pagar" esse preço, a Recorrente emitiria ações no valor de R$ 29 bilhões e contabilizaria, portanto, um investimento de R$ 12 bilhões e um ágio de R$ 17 bilhões. Vejam: as ações da Recorrente seriam emitidas a valor de mercado, assim como ocorreu na segunda etapa da operação ocorrida de forma concreta. Passo seguinte, teríamos a incorporação das ações do Unibanco pelo Banco Itaú pelo valor de R$ 29 bilhões. Assim, o Banco Itaú sairia de um patrimônio de R$ 12 bilhões para R$ 41 bilhões. E a Recorrente permaneceria com 100% do Banco Itaú (subsidiária integral) e com um valor contabilizado de R$ 41 bilhões. Pois bem, comparando ambas as opções, temos que a única diferença é que o ágio trocaria de lugar, ou seja, ao invés de ser contabilizado no Banco Itaú, passaria a ser contabilizado na Recorrente. Somente isso. O mais importante é que em uma ou outra situação, não haveria ganho de capital tributável. Diante disso, resta claro que, não obstante produzirem os mesmo efeitos fiscais (opção fisco e contribuinte), o caminho escolhido pelos grupos Itaú e Unibanco se mostrou o mais correto, simples, eficiente e menos arriscado, bem como, legal, real e em concordância com todos os aspectos regulatórios envolvidos, não por acaso, fora aprovado pelo Bacen e pelo CADE. Planejamento Tributário e Business Purpose Como já dito, a fiscalização parte do racional que a Recorrente executou reorganização societária que cujas etapas vistas de forma isolada ou em conjunto, se mostraram artificiais e desconexas com a realidade e cujo objetivo único foi o ganho fiscal representado pela não tributação de um ganho de capital que deveria ter sido tributado. Fl. 3034DF CARF MF Processo nº 16327.720680/201361 Acórdão n.º 1201001.618 S1C2T1 Fl. 54 53 Além de questionar a natureza de cada uma etapas, a ordem em que ocorreram e os valores pelos quais foram registrados, a fiscalização propõe alternativas (devidamente corrigidas pela DRJ) para que a Associação entre Itaú e Unibanco ocorresse e, claro, o tributo tido como devido fosse pago. Diz a fiscalização que a operacionalização de diversos atos "step transactions" num período diminuto de tempo demonstra de forma clara a artificialidade da operação. Enxergo aqui uma contradição enorme no argumento do fiscal. Isso porque, ao mesmo tempo em que depõe contra as chamadas "step transactions", traz alternativas que também se operacionalizam através de várias etapas, ou seja, que também são "step transactions". Aliás, conforme acima demonstrado, a opção trazida pelo fiscal e pela DRJ incorporam mais "steps" que o modelo adotado pela Recorrente. De qualquer forma, me abstraindo de qualquer preconceito, vejo no caso concreto ser plenamente justificável a adoção de uma reorganização societária baseada em diversas etapas que ocorrem quase que simultaneamente. Devemos ter em mente que toda a estruturação da Associação entre Itaú e Unibanco ocorreu em 2008, período de alta turbulência no mercado financeiro internacional causada pela crise dos derivativos nos EUA e quebra do Lehman Brothers. Tais eventos causaram pânico no mercado financeiro e o efeito imediato foi uma drástica redução de liquidez no mercado que afetou o "funding" de todas as instituições no mundo, mas de uma forma mais grave as pequenas e médias instituições. Para enfrentar essa nova realidade, os grupos Itaú e Unibanco se reuniram com o objetivo de formar um grupo mais maior (talvez o maior do Hemisfério Sul), mais forte e com maior solidez financeira com grande ganho de escala e economia financeira decorrente da sinergia a ser alcançada. Certamente, uma operação dessa magnitude é avaliada por muito tempo e não de uma hora para outra. E isso é feito de forma altamente sigilosa. A partir do momento em que se toma a decisão, a ação deve ser rápida e certeira, pois, qualquer vazamento de informações privilegiadas do que está por vir, pode comprometer a operação como um todo em razão de eventual ação de especuladores. Essa é a realidade do mercado. A realidade impôs a simultaneidade dos atos. Ao mesmo tempo, a partir do momento em que a operação foi informada, fora necessário um forte trabalho de diálogo com o mercado como um todo (investidores, reguladores, acionistas e etc...) de forma a tranquilizar todos os que seriam afetados. Neste momento, o pânico do público é algo que deve ser evitado. Contudo, só diálogo não basta. Deve haver conteúdo e ações concretas. Deve restar claro que a operação se dará de forma legal, segura e previsível. Os objetivos eram unir as operações dos bancos no Banco Itaú (que era uma companhia fechada) e unir os acionistas no Itaú Holding (ora Recorrente). Para alcançar tais objetivos era inevitável o cumprimento de etapas em seqüência, sendo impossível fazer isso através de um único ato. Fl. 3035DF CARF MF Processo nº 16327.720680/201361 Acórdão n.º 1201001.618 S1C2T1 Fl. 55 54 Por outro lado, não haveria sentido que se aguardasse um tempo entre uma etapa e outra, pois, os objetivos finais que eram a união de bancos e acionistas deveria ser alcançado o mais rápido possível. Aliás, cabe aqui uma pergunta: existe uma regra quanto ao tempo que deve transcorrer entre uma operação e outra para tornar o conjunto de atos legal? Seria uma semana, um mês, um ano? Logicamente, não existe essa regra. O que deve ser avaliado é se o caso concreto justifica tal encadeamento simultâneo de atos societários. E tal justificativa se apresenta no caso em tela. Neste sentido, trago jurisprudência deste Conselho: l° Seção / l° Turma da 4° Câmara / ACÓRDÃO 140100.155 em 28/01/2010 ASSUNTO: NEGÓCIO JURÍDICO INDIRETO A simulação existe quando.a vontade declarada no negócio jurídico não se coaduna com a realidade do negócio firmado, Para se identificar a natureza do negócio praticado pelo contribuinte, deve ser identificada qual é a sua causalidade, ainda que esta causalidade seja verificada na sucessão de vários negócios intermediários sem causa, na estruturação das chamadas step transactions. Assim, negócio jurídico sem causa não pode ser caracterizado como negócio jurídico indireto. O fato gerador decorre da identificação da realidade e dos efeitos dos fatos efetivamente ocorridos, e não de vontades formalmente declaradas pelas partes contratantes ou pelos contribuintes. (...) Recorrente: KLABIN S.A. Recorrida: 5ª TURMA/DRJSÃO PAULO/SP PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO, SIMULAÇÃO. Ressalto novamente: no caso em tela tanto a fiscalização quanto a DRJ reconhecem a necessidade de etapas diversas para o alcance do objetivo final. Minha intenção neste tópico é discorrer sobre o direito do contribuinte de efetuar suas escolhas que, desde que legais e não artificiais ou simuladas, são válidas, ainda que isso leve à uma redução da tributação. Tratase do direito do contribuinte de escolher o melhor caminho, não cabendo ao Fisco apontar qual seria e, menos ainda, desconsiderar as opções escolhidas pelo contribuinte para definir uma diferente que implique em maior tributação. Ora, parece óbvio mas o óbvio tem que ser dito: se o contribuinte tem a opção de escolher o melhor caminho, aquele que seja mais eficaz do ponto de vista fiscal, temos também que inexiste lei que obrigue o contribuinte, diante de 02 opções legais e válidas, a escolher aquela que lhe traga tributação mais severa. Se um contribuinte pode optar pelo Lucro Real ou Lucro Presumido, estaria obrigado a optar por aquele que gerasse maior tributação? Óbvio que não. Fl. 3036DF CARF MF Processo nº 16327.720680/201361 Acórdão n.º 1201001.618 S1C2T1 Fl. 56 55 Ora, faria sentido, diante da magnitude e complexidade da operação de Associação, que Itaú e Unibanco parassem a operação, deixando todo o mercado, órgãos reguladores e clientes em "stand by" e apresentassem uma consulta à Receita Federal sobre como unir 02 dos maiores bancos privados do país? O fato do fisco apontar opções diversas e válidas não torna, de forma alguma, inválida a opção do contribuinte, pelo simples fato de culminar em menor tributação. Contudo, é interessante refletir que, sequer, esta situação existe no presente caso. Isso porque, conforme já amplamente abordado neste voto, a fiscalização não apontou uma opção legal ou válida. E mesmo após as correções feitas pela DRJ, a opção apontada se mostrou ineficiente, demorada, mais complicada. Trago aqui um trecho do voto vencedor da DRJ/SPI (pg 49 do acórdão): A doutrina moderna, capitaneada pelo professor Marco Aurélio Greco, entende que o contribuinte pode organizar sua vida como bem entender, entretanto se a reorganização efetivada resultar em economia de tributos sem motivação extratributária que possam justificar a utilização de determinados institutos jurídicos de forma incoerente ou desviadas de seus fins, então os efeitos fiscais de tais negócios não podem ser oponíveis ao Fisco por afrontar os princípios constitucionais tributários, mormente o da capacidade contributiva, redesenhado pela Constituição Federal de 1988 e visto no seu sentido mais objetivo, no qual, dentro de um determinado pressuposto fático realizado, não se pode admitir que alguém, pertencente a este grupo (do pressuposto realizado), deixe de contribuir para o custeio das ações do Estado na mesma proporção que os outros em igual situação. Seria o princípio da solidariedade aplicado ao Direito Tributário. Visto que ambos os caminhos conduziriam à realização dos mesmos objetivos então a justificativa para o encadeamento adotado pelo contribuinte não poderia ser simplesmente o atingimento destes fins. Deveria haver algum impedimento de ordem legal, prática, concorrencial, etc. que viesse a justificar a adoção da seqüência com etapas ilógicas e sem propósito negocial ao invés daquele normal apontado pela fiscalização. Falecendo os argumentos a respeito do impedimento legal e da inviabilidade prática apostos pelo impugnante em sua peça recursal e restando a economia fiscal pela não tributação do ganho de capital obtido pela Itaú Holding e eventualmente pela localização do ágio na contabilidade do Banco Itaú, correta está a fiscalização em considerar tais efeitos como inoponíveis ao Fisco. (grifos nossos) No trecho acima destacado é possível perceber o racional que dirigiu não somente o trabalho da autoridade fiscal mas também a decisão de primeira instancia que manteve o lançamento, qual seja: se 02 caminhos levam ao mesmo resultado, deve haver um impedimento legal ou similar que justifique a opção do contribuinte, caso contrário, deve ser utilizado o caminho da fiscalização que leve á maior tributação. Fl. 3037DF CARF MF Processo nº 16327.720680/201361 Acórdão n.º 1201001.618 S1C2T1 Fl. 57 56 Trago aqui, observações do Prof. Marco Aurélio Greco a este respeito em parecer que analisa o caso concreto em análise: "Decisão é escolha entre alternativas. Prestigiar uma, abandonar as demais. A vida é cheia de decisões, um semnúmero delas com efeitos tributários que vão desde o consumir determinado produto (sujeito a certo imposto) até escolher o tipo de regime de bens no momento do casamento. Sempre existirão alternativas que são abandonadas para ser prestigiada apenas uma. Não é o fato de existirem alternativas não adotadas que torna aquela escolhida passível de impugnação. Impugnável pelo (ou não oponível ao) Fisco é aquela escolha que padecer de vícios ou não possuir certas qualidades,naquilo que expus ao tratar dos crivos negativos e positivos de análise aos quais deve ser submetida uma operação: Negativos = ilegalidade ou vícios do negócio jurídico; Positivos = de caráter interno:motivo extratributário,finalidade e congruência; e de caráter externo: inserção no planejamento estratégico do empreendimento econômico. Por isso é preciso estar muito atento para não confundir possibilidade de existirem outras alternativas (possibilidade à época da tomada da decisão) com o fato (realidade) de aquela determinada alternativa escolhida ser inoponível ao Fisco por ter um defeito ou faltarlhe urna qualidade. Alternativas sempre existirão; sempre é possível agir de outra forma. Não é este o ponto! Frisese que não cabe ao Fisco se substituir ao contribuinte para dizer que seria melhor, ou mais adequado tomar esta ou aquela decisão. O viver em sociedade e o exercer uma atividade econômica asseguram ao indivíduo, ou à reunião deles, a possibilidade de procederem às escolhas que entenderem mais adequadas. E o crivo a posteriori não pode isto ignorar. Além disso, a experiência mostra que as decisões não estão cercadas apenas de elementos objetivos e matematicamente mensuráveis; envolvem, mu tas vezes, a experiência, o tino ou a percepção dos que dela participam quanto a variáveis às vezes imponderáveis que pedem uma sensibilidade subjetiva para caminhar na imprecisão e decidir sobre os riscos a serem, ou não, assumidos. Fl. 3038DF CARF MF Processo nº 16327.720680/201361 Acórdão n.º 1201001.618 S1C2T1 Fl. 58 57 Por isso, cabe, sim, ao Fisco, compreender o contexto em que as decisões são tomadas e proceder à análise da sua consistência etc., à luz daquele contexto. O ponto a sublinhar e a prova a cargo do Fisco consiste em demonstrar que a escolha feita pelo contribuinte tem vícios ou não possui certas qualidades e que a qualificação jurídica adequada é diferente daquela sustentada pelo contribui n te. Se isto não for feito, prevalece o realizado pelo contribuinte." A leitura que faço da preciosa lição do Prof. Marco Aurélio é de que os atos e negócios jurídicos regularmente executados não pode ser desqualificados ou requalificados pelo Fisco, como ocorreu no presente caso. No presente tópico não posso me abster de abordar o tão comentado e discutido parágrafo único do art. 116 do CTN que assim dispõe: Art. 116. Salvo disposição de lei em contrário, considerase ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos: (...) Parágrafo único. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária. Não vejo como aplicar a "norma antielisiva" no caso em tela. Primeiramente, porque esse dispositivo legal não tem eficácia plena para ser aplicada, vez que necessita ser regulada por lei que até hoje não existe. Além disso, ainda que ultrapassássemos essa barreira, pois, não temos a ocorrência da hipótese de incidência desta norma, qual seja, a ocorrência de atos ou negócios praticados com o intuito de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo. Tal dissimulação não existe no caso ora em análise. Aliás, é importante perceber que o parágrafo único do art. 116 do CTN não trata de uma norma antielisiva mas sim de uma norma antisimulação, conforme leciona o Prof. Alberto Xavier no já mencionado parecer: "Sempre entendemos que o art. 116 do Código Tributário Nacional não previa (porque não podia fazêlo) uma cláusula geral antielisiva, mas uma cláusula antisimulação. Com efeito, o fundamento expresso do poder de desconsiderar é a finalidade do ato de "dissimular" a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária. Ou, a expressão "dissimular", tem há décadas, para não dizer séculos, um significado técnico preciso que o auditor fiscal não pode "desconsiderar" . Significa ela o fenômeno que ocorre na simulação relativa em que a vontade declarada resulta ou encobre uma outra vontade real subjacente." Fl. 3039DF CARF MF Processo nº 16327.720680/201361 Acórdão n.º 1201001.618 S1C2T1 Fl. 59 58 Tendo em vista que não há no Auto de Infração qualquer alegação de simulação contra a Recorrente, até porque não houve sequer a aplicação de multa qualificada de 150%, vejo ainda mais distante a aplicação do parágrafo único ao art. 116 do CTN para fins da fiscalização desconsiderar os atos executados pela Recorrente. Em suma, entendo ter demonstrado no presente tópico não somente os fundamentos pelos quais entendo tem o contribuinte de escolher opções válidas e legais que culminem em menor tributação mas também o propósito negocial perseguido pela Recorrente que justifica a operação em sua forma, ordem e valores. Imposto de Renda sobre Ganho de Capital A autuação em análise se refere a suposto ganho de capital tributável auferido pela Recorrente. Assim, passo a analisar a hipótese de incidência do IRPJ sobre ganho de capital e a ocorrência ou não desta hipótese no caso concreto. Para tanto, transcrevo abaixo os artigos 418 e 428 do RIR/99 que são vitais para a presente análise: Art. 418. Serão classificados como ganhos ou perdas de capital, e computados na determinação do lucro real, os resultados na alienação, na desapropriação, na baixa por perecimento, extinção, desgaste, obsolescência ou exaustão, ou na liquidação de bens do ativo permanente. (...) Art. 428. Não será computado na determinação do lucro real o acréscimo ou a diminuição do valor de patrimônio líquido de investimento, decorrente de ganho ou perda de capital por variação na percentagem de participação do contribuinte no capital social da coligada ou controlada. A Recorrente contabilizou o ganho não tributável previsto no art. 428 do RIR/99 em decorrência do aumento de capital ocorrido no Itaú por ocasião da incorporação das ações do Unibanco feito a valor de mercado (R$ 29 bilhões). Isso porque, a Recorrente detinha 100% do Banco Itaú e por isso tinha registrado em seus livros o valor de R$ 12 bilhões referente a tal investimento, que correspondia ao valor de livros do Banco Itaú. Assim, em decorrência do aumento de capital no Banco Itaú que passou a ser de R$ 41 bilhões, a Recorrente viu sua participação subir para cerca de R$ 29 bilhões, conforme já explicado no presente voto e relatório. Contudo, entendeu a fiscalização que ocorreu ganho de capital tributável previsto no art. 418 do RIR/99, em razão da posterior incorporação de ações do Banco Itaú detidas pelos excontroladores do Unibanco executada pela Recorrente registrada contabilmente pelo valor de R$ 12 bilhões. Logicamente, para chegar a tal conclusão, a fiscalização desconsiderou, alterou e criou fatos, conforme já abordado anteriormente. Fl. 3040DF CARF MF Processo nº 16327.720680/201361 Acórdão n.º 1201001.618 S1C2T1 Fl. 60 59 De qualquer forma, vamos analisar o fato gerador do Imposto de Renda sobre o ganho de capital de forma isolada. Em primeiro lugar, devemos ter em mente que para a ocorrência de ganho de capital é indispensável uma ação do contribuinte: alienar um bem. Em outras palavras, para que aufira ganho de capital, é necessário que o contribuinte aliene algo, pois, se não alienar, não há ganho. Isso é óbvio, até pela própria leitura do art. 418 do RIR/99. Diante de tudo o que já foi exaustivamente explanado anteriormente, me parece claro que a Recorrente (Itaú Holding) atuou como adquirente e não como alienante no conjunto de operações que se sucedeu. Veja, para admitir a tributação ora analisada é preciso concluir que a Recorrente alienou ações, contudo, só consigo enxergar não só a Recorrente mas o Grupo Itaú como adquirentes. Quem alienou ações foram os excontroladores do Unibanco! Agora, vem a segunda questão: como tributar por ganho de capital o adquirente do bem? Confesso que nunca vislumbrei tal possibilidade. Ainda que estivéssemos diante de uma situação "compra vantajosa" em que o adquirente adquire bem por preço notoriamente inferior ao de mercado, ainda assim, não há que se falar em ganho de capital, pois, isso somente ocorreria por ocasião da posterior alienação do bem comprado, vez que não se pode admitir tributação de ganho em potencial. Mas nem este é o caso! Neste mesmo sentido, transcrevo abaixo, trecho do parecer do Prof. Ricardo Mariz de Oliveira em parecer emitido à Recorrente no qual analisa o caso em concreto ora em discussão: " (...) O primeiro deles, e o mais importante, é o art. 31 do Decretolei n. 1598, que está tomado pelo TVF através do seu correspondente regulamentar, que é o art. 418 do RIR/99. Segundo a norma desse artigo, devem ser classificados como ganhos de capital (ou perdas) os resultados na alienação, desapropriação, baixa por perecimento, extinção, desgaste, obsolescência ou exaustão, ou na liquidação de bens do ativo permanente. Ora, a Itaú Holding somente adquiriu ações do Banco Itaú, e não ações de companhias do grupo Unibanco, não tendo procedido a qualquer dos atos aludidos no referido dispositivo legal porque não alienou essas ações, assim como o Banco Itaú não alienou as ações que recebeu dos acionistas vindos do Unibanco. Como dito antes, ninguém adquire renda tributável somente pela aquisição de um bem, sendo necessário um ato posterior que agregue ganho ao patrimônio do contribuinte em relação ao custo de aquisição. Isto é assim por decorrência do Sistema Fl. 3041DF CARF MF Processo nº 16327.720680/201361 Acórdão n.º 1201001.618 S1C2T1 Fl. 61 60 Tributário Nacional, mas o art. 31vem confirmálo também no nível da lei ordinária,dado que não cometeu o absurdo de prescrever ganho de capital no ato de aquisição, ao lado dos de alienação ou baixa. Na verdade,o art. 31 demonstra que somente adquire ganho aquele que aliena. Logo, não há subsunção do fato à norma na qual a fiscalização pretende embasar suas pretensões tributárias. Também há referência aos art. 425 e 426, que definem o custo de aquisição para a apuração de ganho ou perda de capital na liquidação ou alienação de investimento, mas sua utilidade dependeria de ter havido alienação ou liquidação por um dos atos ou fatos aludidos no art.418. Assim, como não ocorreu qualquer desses atos ou fatos, os dois dispositivos regulamentares não têm qualquer serventia para fundamentar lançamentos válidos." (grifos nossos) Cabe ressaltar aqui que a transferência de ações efetuada pela Recorrente para o Banco Itaú não gera ganho de capital, conforme disposto no Parecer PGFN/PGA n. 454/92 e exaustivamente confirmado no Judiciário: Recurso Extraordinário n. 959050PR,julgado em 22.6.1982 pela Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal; Recurso Especial n. 238412CE, decidido em 17.5.1995 pela Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça; Embargos Declaratórios no Recurso Especial n. 1027799CE, decidido em 11.8.2008 pela Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça; Agravo Regimental no Recurso Especial n. 870132AL, em decisão monocrática do MINISTRO FRANCISCO FALCÃO proferida em 28.9 .2006. Por fim, para fins de auferir a ocorrência de ganho de capital, devemos fazer uma comparação entre o valor por qual determinado bem foi adquirido e posteriormente alienado. Assim, com o fim de exercitar o raciocínio e desconsiderando o que fora exposto até aqui neste tópico, vamos considerar que houve uma aquisição e posterior alienação de bens (ações) pela Recorrente. Qual teria sido o valor de aquisição? A resposta é simples e para tanto basta considerar a quantidade de ações emitidas pela Recorrente (1.121.033.136 ações) e multiplicar pelo valor de mercado (R$ 26,2468) que chegamos ao resultado de R$ 29,4 bilhões. E, qual teria sido o valor da alienação? Fl. 3042DF CARF MF Processo nº 16327.720680/201361 Acórdão n.º 1201001.618 S1C2T1 Fl. 62 61 Considerando que o valor do investimento da Recorrente no Banco Itaú permaneceu sendo o mesmo de antes (R$ 29 bilhões), este pode ser considerado o valor de alienação. Partindo de tais premissas, não teria havido ganho de capital tributável em razão da inexistência de diferença a maior entre o valor da alienação e o custo de aquisição. Assim, temos que seja considerando o aspecto material da hipótese de incidência do Imposto de Renda sobre ganho de capital que é a alienação de um bem, seja considerando o aspecto quantitativo (alienação por valor superior que o custo de aquisição) não há que se falar em ocorrência do fato gerador no caso em tela. Resumo Por fim, considerando que: i) os atos e negócios jurídicos praticados pela Recorrente se mostraram em sua natureza, ordem, valores e velocidade legais, obedientes às normas regulatórias/contábeis, coerentes com os propósitos buscados e justificados por motivações negociais diversas (business purpose) que vão muito além do ganho fiscal; ii) que a fiscalização não conseguiu demonstrar qualquer vício, atipicidade, simulação ou dissimulação nos atos praticados pela Recorrente; iii) que não cabe ao fisco criar ou recriar atos ou fatos ocorridos no mundo real, nem tampouco exercitar qualquer tipo de ingerência sobre os negócios do contribuinte; iv) que a fiscalização não conseguiu demonstrar qualquer outra opção legal, válida e coerente com o contexto negocial em substituição ao caminho percorrido pela Recorrente; v) que ainda que existissem caminhos alternativos válidos, tal fato, por si só, não desqualifica a opção escolhida pela Recorrente; vi) que não há possibilidade de ocorrência de fato gerador do Imposto de Renda sobre ganho de capital na figura do adquirente de um bem, como é o caso da Recorrente; vii) tampouco há ganho de capital quando não existe alienação do bem ou quando o valor da suposta alienação não é superior ao valor de aquisição (no caso R$ 29 bilhões); Entendo que a autuação é insubsistente e deve ser cancelada. Fl. 3043DF CARF MF Processo nº 16327.720680/201361 Acórdão n.º 1201001.618 S1C2T1 Fl. 63 62 Conclusão Diante do exposto, CONHEÇO do RECURSO VOLUNTÁRIO para no mérito DARLHE PROVIMENTO. É como voto! (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Fl. 3044DF CARF MF Processo nº 16327.720680/201361 Acórdão n.º 1201001.618 S1C2T1 Fl. 64 63 Declaração de Voto Conselheira Eva Maria Los Em 1973 foi criado o International Accounting Standard Board (IASB), uma entidade independente do setor privado, visando dentre, outras funções, a preparação e emissão das normas internacionais chamadas de International Financial Reporting Standards IFRS, que foram trazidas para o Brasil pela Lei nº 11.638, de 2007 e Lei nº 11.941, de 2009, que fizeram parte do processo de harmonização contábil e alteraram a Lei 6.404, de 1976, também conhecida como Lei das Sociedades Anônimas. No contexto da harmonização, algumas das principais mudanças foram relativas aos critérios de reconhecimento dos elementos patrimoniais. De acordo com as IFRS, a mensuração dos elementos patrimoniais do Ativo deve ser feita pelo valor histórico com limitação à probabilidade de recuperação de seu valor no futuro; também houve a introdução do conceito de valor justo, relacionado à capacidade de geração de benefícios econômicos futuros por meio de sua venda ou uso; a utilização do valor justo para mensuração de propriedades para investimento, como imóveis de uso administrativo ou industrial; os estoques passaram a ser mensurados por seu valor recuperável líquido. Assim, a partir de 2010, ficaram obrigadas todas as empresas, a elaborar seus demonstrativos financeiros conforme as novas normas. O conjunto completo de IFRS deve ser observado pelas sociedades de grande porte e as pequenas e medias empresas; e as principais mudanças se referem a nova estruturação do Balanço Patrimonial e os critérios de avaliação dos ativos e passivos. Os princípios fundamentais da estrutura conceptual da contabilidade internacional estão definidos no texto chamado em inglês “Framework” (“Estrutura Conceptual”). O texto não é uma norma internacional de contabilidade, mas uma descrição dos conceitos básicos que devem ser respeitados na preparação e apresentação das demonstrações financeiras internacionais; dentre os principais conceitos apresentados na Estrutura Conceptual, temse os objetivos das demonstrações financeiras: "dar informações sobre a posição financeira, os resultados, e as mudanças na posição financeira de uma entidade, que sejam úteis a um grande número de usuários (investidores, empregados, fornecedores, clientes, instituições financeiras ou governamentais, agencias de notação e publico) em suas tomadas de decisão." Como se vê, a "antiga" contabilidade brasileira não lograva apresentar o real valor patrimonial de uma empresa. Os fatos objeto da presente autuação fiscal ocorreram em 2008, portanto, os elementos contábeis são anteriores à adoção dos padrões internacionais na avaliação do patrimônio de uma entidade societária. Nesse contexto, a contabilização de aumento de capital por incorporação de ações poderia ocorrer seja pelo valor contábil, seja pelo valor de mercado; se este for superior ao valor contábil, é apurado e contabilizado ágio. Fl. 3045DF CARF MF Processo nº 16327.720680/201361 Acórdão n.º 1201001.618 S1C2T1 Fl. 65 64 Nesta última situação o valor total do capital social posterior à operação, será composto por valores a custo histórico/contábil e valores avaliados ao mercado. 1 Associação dos dois grupos empresariais A Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, Lei das SA's, definiu: Art. 228. A fusão é a operação pela qual se unem duas ou mais sociedades para formar sociedade nova, que lhes sucederá em todos os direitos e obrigações. § 1º A assembléiageral de cada companhia, se aprovar o protocolo de fusão, deverá nomear os peritos que avaliarão os patrimônios líquidos das demais sociedades. (...) Art. 252. A incorporação de todas as ações do capital social ao patrimônio de outra companhia brasileira, para convertêla em subsidiária integral, será submetida à deliberação da assembléiageral das duas companhias mediante protocolo e justificação, nos termos dos artigos 224 e 225. § 1º A assembléiageral da companhia incorporadora, se aprovar a operação, deverá autorizar o aumento do capital, a ser realizado com as ações a serem incorporadas e nomear os peritos que as avaliarão; (...) § 3º Aprovado o laudo de avaliação pela assembléiageral da incorporadora, efetivarseá a incorporação e os titulares das ações incorporadas receberão diretamente da incorporadora as ações que lhes couberem. § 4o A Comissão de Valores Mobiliários estabelecerá normas especiais de avaliação e contabilização aplicáveis às operações de incorporação de ações que envolvam companhia aberta. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) No presente caso, não se tratou de operação de fusão, porém as transformações societárias empreendidas, de forma semelhante, resultaram em um único banco operacional denominado Itaú Unibanco Banco Múltiplo S/A (2º fato relevante publicado em 12/11/2008), que unificou as operações financeiras dos bancos Itaú S/A e Unibanco S/A, numa holding controlada pelos antigos acionistas dos dois grupos empresariais. Portanto, a lógica que determinou os parágrafos relativos à avaliação do patrimônio, transcritos, é que a participação de cada grupo independente foi pactuada mediante atribuição de valor a cada um dos grupos antes da associação, e a participação final de cada um no conglomerado final resultaria dessa avaliação. 2 Operações societárias realizadas Descabe repetir, dado que tanto o Termo de Verificação Fiscal, como o relatório contido no Acórdão nº 1654.019, da DRJ/SP1, listaram e descreveram as operações societárias realizadas no âmbito da associação entre os dois grupos e concordo com a conclusão da relatora vencida: No presente caso, ocorreram mais de 20 eventos societários, sendo que a infração aqui descrita envolve apenas aqueles aprovados em 27 e 28/11/2008, ou seja, basicamente as Fl. 3046DF CARF MF Processo nº 16327.720680/201361 Acórdão n.º 1201001.618 S1C2T1 Fl. 66 65 incorporações de ações das empresas do conglomerado Unibanco (E. Johnston, Unibanco Holdings e Unibanco) pelo Banco Itaú; a incorporação das ações do Banco Itaú pela Itaú Holding (atual Itaú Unibanco Holding); e o aumento de capital na empresa IUPAR – Itaú Unibanco Participações mediante a conferência de ações da Itaú Holding (atual Itaú Unibanco Holding). Os controladores de dois grupos empresarias independentes, Itaú e Unibanco, assinaram Contrato de Associação e outras Avenças, em 03/11/2008, visando formar uma única organização composta pelos acervos dos dois banco controlados pelos grupos e com o processo decisório compartilhado por ambos grupos de acionistas: Grupo Unibanco: E. Johnston Participações S/A (fechada), 100% da família Moreira Salles, detentora de 32,9% do capital e 95% do capital votante do Unibanco Holdings S/A (aberta), por sua vez detentor de 58,3% do capital e 97% do capital votante do Unibanco União de Bancos Brasileiros S/A (aberta). Grupo Itaú: Investimentos Itaú S/A Itaúsa (aberta), das famílias Setubal e Villela, detentora de 45,5% do capital e 87% do capital votante da Banco Itaú Holding Financeira S/A (aberta), por sua vez detentora de 100% do Banco Itaú S/A (fechada). 3 Operações alvo da autuação Relação de troca, pág. 37, 2ª fato relevante: 1,1797 ON Unibanco = 1 ON Itau 3,4782 PN Unibanco = 1 PN Itau Foi determinado que 27% do Itaú Holding Financeira correspondia a 1.121.033.136 ações38 38 O número de ações foi determinado em virtude das negociações nas quais foi estipulada a participação percentual que os antigos acionistas do Unibanco teriam no novo banco. A relação de nasceu desta premissa. ON PN Total Total R$ bi R$/ação média ações Banco Itaú (Itau Holding) 527.750.941 614.237.130 1.141.988.071 29,4 25,74 ações Unibanco 622.587.785 2.136.439.586 2.759.027.371 29,4 10,66 ON PN nº ações Unibanco/ ação Itaú ações Unibanco/ação Itaú 1,1797 3,4782 2,41 O valor de mercado dos dois bancos determinou o percentual de participação de cada grupo de acionistas, na controladora do Itaú Unibanco Banco Multiplo S/A. A resultante final das operações societárias realizadas foi: Iupar Itaú Unibanco Participações S/A (fechada) (nova holding não financeira), controladora do Fl. 3047DF CARF MF Processo nº 16327.720680/201361 Acórdão n.º 1201001.618 S1C2T1 Fl. 67 66 Itaú Unibanco Holding S/A (aberta) (antiga Banco Itaú Holding Financeira S/A), controladora do Itaú Unibanco Banco Múltiplo S/A (antigo Banco Itaú S/A, fechada). O Contrato de Associação e outras Avenças, págs. 23/32, previu a participação direta na Iupar de: Os antigos controladores do grupo Itaú (A) 50% do capital votante e das ações preferenciais até totalizar 51% do capital; Os antigos controladores do grupo Unibanco (B) 50% do capital votante (ordinárias) da Iupar, que representará, indiretamente, 8,68 % do capital da Itaú Unibanco Holding. Fato relevante publicado em 12/11/2008, pág. 34: Os antigos controladores do grupo Itaú (A) 50% ON e 100% PN, correspondentes a 66% do capital da Iupar, mais 38% ON e 0% PN correspondente a 18% do capital da Itaú Unibanco Holding; Os antigos controladores do grupo Unibanco (B) 50% ON, correspondentes a 33% do total da Iupar a) capital acionário Itau Unibanco Holding S/A: 18% Itausa+26% Iupar+50,6% mercado+5,4%; Bank of America=100% b) capital votante Itau Unibanco Holding S/A: 51% Iupar; 36% Itausa; 10,5% Mercado; 2,5% Bank of América = 100% c) capital total no Itaú Unibanco Holding S/A, em poder dos antigos acionistas do grupo Itaú: 66% x 26%+18%= 35,16% c) capital total no Itaú Unibanco Holding S/A, em poder dos antigos acionistas do grupo Unibanco: 33% x 26% =8,58% e) capital votante no Itaú Unibanco Holding S/A, em poder dos antigos acionistas do grupo Itaú: 50% x 51%+36% = 61,5% (2,41 vezes o do Unibanco) f) capital votante no Itaú Unibanco Holding S/A, em poder dos antigos acionistas do grupo Unibanco: 50% x 51% = 25,5% Como se vê, uma composição complexa e a transformação societária foi empreendida em etapas, das quais as seguintes foram alvo da ação fiscal: a) 1ª operação de incorporação por ações: fonte, pág. 635 Fl. 3048DF CARF MF Processo nº 16327.720680/201361 Acórdão n.º 1201001.618 S1C2T1 Fl. 68 67 Banco Itaú incorpora as ações => do grupo Unibanco, cujo valor contábil é 11,5 bi, e valor de mercado (Hirashima) é 29,4, bi Banco Itaú incorpora as ações => Itausa Export, cujo valor contábil é 0,51 bi, pelo valor de 0,55 bi Banco Itaú aumenta CS em 29,9 bi=> apura ágio 29,4()11,5=17,9 bi Itaú Holding Fin registra REP positivo b) 2º operação de incorporação de ações: fonte pág. 635 Itaú Holding Fin incorpora ações=>do Banco Itaú, pelo valor contábil 11,9 bi Citese a relatora vencida: "De fato, se analisarmos a incorporação das ações do Banco Itaú pela Itaú Holding, isoladamente; e não como uma etapa necessária para a concretização da estrutura societária almejada pelas partes, teria havido uma infração ao § 1º, do art. 170, uma vez, que o valor atribuído às ações da Itaú Holding foi inferior ao valor de mercado e até ao seu valor patrimonial, se considerado o registro do ganho por variação na percentagem de participação no capital (valor de emissão das ações da Itaú Holding = 10,51; valor de mercado = 26,24; valor patrimonial calculado com a inclusão do ganho de capital no valor de R$ 18.031.350.399, 47 = 15,60). No entanto, a aprovação da operação pelo Bacen, órgão competente para a análise dos aspectos societários da operação, afasta a existência de infrações àquela legislação. Friso mais uma vez, eventual patologia do negócio jurídico deve ser analisada pela Secretaria da Receita Federal única e exclusivamente pela ótica de seus efeitos tributários. Deve ser demonstrada a relação existente entre a “forma patológica” adotada e o prejuízo causado ao Fisco. Se considerarmos as operações de forma conjunta, que a meu ver, é a que reflete melhor a substância econômica da reestruturação societária, e a que guarda maior correspondência com a realidade objetiva; a diferença a menor no valor do preço das ações da Itaú Holding foi compensada pela diferença a maior na precificação das ações do Banco Itaú. Na realidade, do ponto de vista econômico, a etapa da incorporação das ações do Banco Itaú pela Itaú Holding deve ser efetivamente desconsiderada, por não ter gerado renda tributável. O patrimônio do conglomerado Unibanco entrou no conglomerado Itaú (seja na holding ou no banco) pelo valor definido no primeiro negócio jurídico realizado, ou seja, pelo valor equivalente ao primeiro aumento de capital registrado. Neste momento ocorre a transferência da titularidade das ações Fl. 3049DF CARF MF Processo nº 16327.720680/201361 Acórdão n.º 1201001.618 S1C2T1 Fl. 69 68 da E. Johnston, do Unibanco Holdings e do Unibanco para o conglomerado Itaú. (...) A origem do ganho contestado pela fiscalização não é a transferência das ações do conglomerado Unibanco para o Banco Itaú. Na lógica da fiscalização, o valor do ganho de capital corresponderia a R$ 17.423.533.158,18, ou seja, à diferença entre o valor do aumento de capital no Banco Itaú e o custo de aquisição (29.423.533.158,18 – 12.000.000.000,00), e não ao valor do ganho de capital não operacional excluído pela contribuinte, no montante de R$ 18.031.350.399,47. Há uma diferença de R$ 607.817.241,29. Em outras palavras, no auto de infração o valor da base de cálculo não foi apurado nos termos do art. 418 do Decreto nº 3.000/1999." Avaliou o Autuante, pág. 66, no Termo de Verificação Fiscal TVF: "6) O contribuinte em sua. resposta alega que a relação de troca "das ordinárias foi, estabelecida com base no valor econômico do Unibanco. Entretanto, da análise mais aprofundada do fato concluímos que a relação de troca nasceu do percentual que foi avençado na transação, de tal forma que foram as condições pactuadas nas negociações, as quais determinavam a entrega do percentual de participação na Itau Unibanco Holding de 27,4%. aos antigos acionistas do Unibanco, que determinaram a relação constituída. " O valor R$11,9 bi, da 2ª incorporação de ações, se refere à proporção no capital pactuada entre os grupos: 72,7% antigos acionistas Itaú e 27,3% antigos acionistas Unibanco. Eis que o capital social do Banco Itaú na contabilidade resultou em R$42,8bi, em que foram somados o valor contábil do Banco Itaú, mais os valores de mercado do Unibanco (e Itaú Export), ou seja, o valor de 29,4bi que compunha esse total não refletia a realidade do valor (de mercado) das ações do Banco Itaú S/A. A alteração na proporção de participação no capital do Banco Itaú resultou na apuração de ganho de capital por redução na participação acionária da Itaú Holding Financeira no Banco Itaú, calculado em R$18.031.370,00 que, a teor do art. 428 do RIR de 1999: " Art. 428. Não será computado na determinação do lucro real o acréscimo ou a diminuição do valor de patrimônio líquido de investimento, decorrente de ganho ou perda de capital por variação na percentagem de participação do contribuinte no capital social da coligada ou controlada (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 33, § 2º, e DecretoLei nº 1.648, de 1978, art. 1º, inciso V)." O valor R$18.031.370,00 foi contabilizado pela Autuada como receita e excluído na apuração do Lucro Real. Este valor foi glosado pelo Autuante e objeto da autuação: Fl. 3050DF CARF MF Processo nº 16327.720680/201361 Acórdão n.º 1201001.618 S1C2T1 Fl. 70 69 Pág. 68, no TVF: "A infração que descrevemos no presente TVF decorre da contabilização e correta aplicação da norma tributária correspondente ao ganho de R$18.031.350.399,47, escriturado na rubrica Rendas Ajustes Investimento Coligadas e Controladas REP/Variação na. Participação COSIF 7.1.8.20.00.6, informado na DIPJ/2009 a título de "Ganhos Capital por Variação Percentual em Participação Societária Aval. p/ PL", cuja tributação não se efetivou por conta de exclusão realizada. linha 52 da Ficha 09B. "Demonstração do Lucro Real"." Cabe transcrever conclusões do Autuante: Pág. 9, no Termo de Verificação Fiscal TVF: "Conforme se demonstrará em momento adequado, não se materializou o fato que a Itaú Unibanco Holding chamou de ganho por redução de participação societária, sendo este apenas fruto da criação de um passo intermediário no qual os antigos acionistas do Unibanco entraram no capital do Banco Itaú, para saírem poucas horas depois. Desde o inicio da transação já estava estabelecido que a associação contemplaria a migração dos acionistas do Unibanco Holdings e do Unibanco para a Itaú Unibanco Holding Financeira, não havendo possibilidade que esta deixasse de possuir 100% das ações do Banco Itaú." (Grifouse.) Avalio que autuante glosou a exclusão do REP apurado pela Autuada, relativo à redução de participação no capital do Banco Itaú S/A; no entanto, se tal ganho inexistiu porque inexistiu a redução de capital que o causou, então, assim como a exclusão foi glosada, cabia glosar o ganho de capital, isto é, não seria afetada a base de cálculo de IRPJ e CSLL; a glosa da exclusão do ganho de capital, em confronto com as conclusões do Autuante, são elementos contraditórios. Cito ainda o voto vencido do Acórdão DRJ, que evidencia discrepância nos valores autuado e o ganho de capital: O ganho por variação na percentagem de participação no capital, no valor de R$ 18.031.350.399,47, tem embutido o valor do resultado positivo da equivalência patrimonial relativo à Itaú Export S/A. De acordo com a planilha de fls. 903, o resultado da equivalência pelas incorporações da E. Jonhston, do Unibanco Holding e do Unibanco, foi de R$ 17.576.781.784,36. Na base de cálculo da autuação está incluído o valor do “REP não operacional” relativo à incorporação de ações da Itaú Export S/A (fls. 1227/1229). (Grifouse.) Cito também excertos do item II.Análise da Fiscalização, no Relatório contido no Acórdão DRJ, bem como do TVF: · à pág. 2.560, págs. 75/76, no TVF: Fl. 3051DF CARF MF Processo nº 16327.720680/201361 Acórdão n.º 1201001.618 S1C2T1 Fl. 71 70 "Se na precificação adotada para a emissão de ações o valor atribuído a cada título emitido foi de R$10,51, foi do estabelecimento da relação de troca que se exteriorizou a comutatividade da operação. Não seria razoável supor que os antigos acionistas do grupo Unibanco entregassem um patrimônio, que segundo, o laudo apresentado, estaria avaliado em aproximadamente R$29.000.000.000,00, para receber como contrapartida somente R$12.000.000.000,00. Seria um ato insano no mundo, dado que ninguém age para perder dinheiro. Assim a operação não pode estar dissociada de outros elementos conjunturais do negócio como um todo. A realidade fática demonstra que as partes adotaram na consecução da reorganização societária duas medidas diferentes. Se da negociação, na construção da relação de troca foram utilizados os valores considerados econômicos; na valoração jurídica do aumento de capital, nos termos do art. 170 da Lei nº 6.404/76, foi utilizado o valor de patrimônio líquido das ações. Esta forma de proceder denota a intenção das partes de não reconhecer no momento da subscrição as mais valias dos investimentos que estão se associando. Nas palavras da fiscalização: “aqui visualizamos a operação executada pelas partes: a diferença entre a avaliação das ações incorporadas, as quais deram vida ao aumento de capital de R$ 12.000.000.000,00 e a fixação das relações de troca, nas quais foram considerados os valores econômicos dos dois conglomerados financeiros." (Grifouse.) (...) · pág. 2.561, pág. 77, no TVF: "Notase claramente que a instituição financeira busca em suas alegações argumentar que o Ganho por Redução da Participação Societária que foi registrado poderia ser entendido como custo do investimento adquirido. Utiliza nesta alegação a expressão "contrapartida do aumento "restante". Ora, tal idéia não pode ser considerada, dado que estamos diante de duas situações jurídicas completamente diversas, não há como se confundir as figuras de custo de investimento com Ganho por Redução na Variação de Participação Societária. Quanto à alegação final "e esse ágio não foi gerado", a assertiva apenas corrobora nosso entendimento que na formalização da associação foram utilizados os valores patrimoniais dos grupos, enquanto que para o aumento de capital do Banco Itaú utilizou se o valor econômico do Unibanco."(Grifouse.) (...) · pág. 2.561, pág. 78 no TVF: "Desta forma, resta clara que a pretensa passagem dos antigos acionistas do grupo Unibanco pelo Banco Itaú objetivou reconhecer naquela instituição a mais valia do investimento que foi recebido, utilizando para tanto o valor econômico apontado no laudo de avaliação, mas pelo qual a Itau Unibanco Holding emitiu suas ações, pelo preço total de R$12.000.000.000,00. O modus operandi buscou reconhecer na contabilidade, do Banco Fl. 3052DF CARF MF Processo nº 16327.720680/201361 Acórdão n.º 1201001.618 S1C2T1 Fl. 72 71 Itaú o valor econômico do investimento Unibanco, com as vantagens inerentes ao aumento de capital e o reconhecimento de ágio de investimento naquela instituição financeira. Sendo certo, portanto, que o valor de aquisição dos investimentos do grupo Unibanco e da Itausa Export para a Itaú Unibanco Holding Financeira está refletido no valor do seu aumento de capital, de R$12.000.000.000,00, aprovado pela assembleia geral e efetivado com a emissão das 1.141.988.571 ações, correspondente ao valor subscrito pelos antigos detentores, de ações do grupo Unibanco e pela Itausa, em relação ao investimento Itausa Export. "(Grifouse.) · pág. 2.561, pág. 79 no TVF: "(Inobstante toda a complexidade das operações sequenciadas praticadas no decorrer da reorganização,) quando nos abstraímos das formalizações que não se coadunaram com a realidade, seja em razão de seu completo despropósito, seja porque estão vinculadas das vontades das partes, surge o fato verdadeiro: a entrada dos antigos acionistas do Unibanco no capital da Itaú Unibanco Holding ao preço de Patrimônio Líquido das ações, que totalizou R$12.000.000.000,00 (doze bilhões de reais), externado juridicamente pelo aumento de capital aprovado nesta Holding, única e definitiva adquirente dos investimentos." (Grifouse.) pág. 79, do TVF: "Ocorre que o suposto resultado de equivalência, a que se refere o contribuinte não existiu. A informação veiculada considera a subscrição, de capital do Banco Itaú pelos novos sócios na ordem de R$29 bilhões, o que, impactaria o resultado da equivalência da Itaú Unibanco Holding em R$18 bilhões, no entanto, conforme sabemos, o que efetivamente se passou foi a subscrição de capital dos novos sócios na Itaú Unibanco Holding em R$12.000.000.000,00, com valor de emissão das ações com base no. preço de patrimônio liquido (R$10,51). Quanto a amortização do ágio, esta acabou se realizando e afetando.o resultado contábil e fiscal do Banco Itaú e de suas empresas coligadas. (...) A inaplicabilidade, deste dispositivo quanto aos fatos que ocorrera ,no processo de reorganização societária é patente. No caso ora tratado não ocorreu redução no percentual de participação societária que a Itau Unibanco Holding detinha no Banco Itaú. Sua participação não se alterou, permaneceu em 100% antes e depois da operação, de tal forma que o Banco Itaú em nenhum momento deixou a :condição de subsidiária intergral da Itaú Unibanco Holding. Inobstante toda a complexidade das operações sequenciadas praticadas no decorrer da reorganização, quando nos abstraímos das formalizações que não se coadunaram com a realidade, (...)a, surge o fato verdadeiro: a entrada dos antigos acionistas do Unibanco no capital da Itaú Unibanco Holding ao preço: de Patrimônio Líquido das ações, que totalizou Fl. 3053DF CARF MF Processo nº 16327.720680/201361 Acórdão n.º 1201001.618 S1C2T1 Fl. 73 72 R$12.000.000.000,00 externado juridicamente pelo aumento de capital aprovado nesta Holding, única e definitiva adquirente dos investimentos." · pág. 2.562, pág. 80 no TVF: ". Na sequência dos atos ocorridos, uma vez recebidos os investimentos, a Itaú Unibanco Holding conferiuos ao Banco Itaú, sua subsidiária integral, pelo valor econômico do laudo de avaliação em aumento de capital, materializado pela entrega dos investimentos: ITAUSA Export, E. Johnston, Unibanco Holdings e Banco Unibanco. Neste ato, nasce o ganho registrado pela Itaú Holding Financeira, fruto da diferença entre o valor da subscrição do seu capital R$ 12.000.000.000,00 e o valor que utilizou para aumentar o capital do Banco Itaú R$ 29.973.000.000,00. Foi exatamente, esta diferença que a Itaú Unibanco Holding, deixou de tributar ao inverter a ordem dos acontecimentos. • A diferença entre o custo dos investimentos recebidos e o valor pelo qual estes foram integralizados no aumento do capital do Banco Itaú nada mais representa, do que puro Ganho de Capital, reconhecido contabilmente na Itaú Unibanco Holding sob a equivocada interpretação de Ganho por Redução na Variação Percentual do investimento e que integrou o Lucro Líquido do ano de 2008, aumentou o valor do seu Patrimônio Líquido, com todas as implicações advindas, contabilizado como resultado do exercício e levado à conta de reserva de lucros, sem a devida tributação. . Ao final desta reorganização societária, a riqueza gerada na transação acarretou o acréscimo patrimonial verificado na Itaú Unibanco Holding, com a consequente elevação do valor do seu Patrimônio Líquido, via reserva de Lucros. " (Grifouse.) Cabe destacar que, no caso do investimento da Itaú Holding no Banco Itaú, aplicase a obrigatoriedade de avaliar o investimento pelo MEP; o Resultado de Equivalência Patrimonial REP , no caso, não é computado na determinação do lucro real (art. 389, do RIR de 1999). 4 Situação ocorrida em síntese: Na operação de união de dois grupos empresariais num só, a negociação entre as partes determinou o valor a ser atribuído a cada um; após essa avaliação, decidiram qual a proporção na empresa e no processo decisório na empresa resultante dessa união, que caberia a cada um. Numa arranjo neste moldes, não há lógica que haja ocorrência de ágio ou ganho de capital para alguma das partes, pois se trata de uma associação que agrega patrimônios e acionistas num novo conglomerado, em que cada parte tem direitos em conformidade com a negociação pactuada. Não houve transações em moeda, mas em ações das empresas envolvidas. E pág. 74, no TVF: Fl. 3054DF CARF MF Processo nº 16327.720680/201361 Acórdão n.º 1201001.618 S1C2T1 Fl. 74 73 "Resta claro que.os antigos acionistas do grupo Unibanco apenas aceitaram a entrada no capital do Banco Itaú pelo fato de que na transação já estava certo e acordado a troca daquelas ações por ações do Itaú Unibanco Holding. Da simples constatação da forma como foi desenhada a operação, não se faz necessário o aprofundamento da análise para se concluir que não existia nos antigos acionistas do Unibanco a intenção ou propósito verdadeiro de participar diretamente do capital do Banco Itaú. O negócio tratado e executado foi a participação daqueles acionistas, na Itaú Unibanco Holding. 0 propósito da passagem pelo Banco Itaú foi o agrupamento das empresas operacionais, especialmente dos dois bancos. A forma como se deu a participação do Banco Itaú na reorganização.foi o caminho encontrado para que.o investimento Unibanco a ele se agregasse e não tem nenhuma.relação com evetual entrada de sócios no seu capital. Sendo assim, podemos concluir que no mundo dos fatos reais quem efetivamente, aumentou o capital do Banco Itaú foi a Itaú Unibanco Holding sua única acionista; desconsiderando a passagem dos antigos acionistas do Grupo Unibanco pelo Banco Itaú. Voltamos a recorrer à seqüência de operações que foram formalizadas no dia 28/11/2008, na qual se pela manhã os acionistas do grupo Unibanco ingressaram no capital do Banco Itaú, na parte da tarde de lá partiram em direção ao capital da Itaú Unibanco Holding. Evidente que esta movimentação foi apenas escriturai e não ocorreu como fato real. O Banco Itaú, que antes dos eventos era subsidiária integral da Itaú Unibanco Holding, assim . permaneceu Tratase de uma subsidiária integral permanente, não se vislumbrou na sua única acionista a intenção de buscar um novo sócio e compartilhar o capital. O simples fato de se registrarem em livros, boletins ou em lançamentos contábeis movimentações, escriturais não modifica a verdade real, que neste ponto aparece de forma; cristalina. O Banco Itaú nunca deixou sua condição de subsidiária integral da Itaú Unibanco, Holding e sendo assim foi esta companhia, sua única sócia, que efetivamente arcou com o aumento." (Grifouse.) Também relevante a constatação no voto vencedor da DRJ: "Feito este breve resumo das argumentações, antes de adentrar no julgamento do mérito, cumpre destacar que, nas reorganizações societárias, diversas são as possibilidades a serem implementadas para o alcance de um determinado objetivo. Para averiguar a intenção das partes envolvidas na transação é preciso analisar a situação inicial e a final. O resultado de toda a reorganização é o que demonstra a real intenção dos praticantes. No caso em tela o que se viu ao final foi que os antigos acionistas do Grupo Unibanco passaram a deter participações, direta ou indiretamente, no Itaú Unibanco Holding, esta com o capital aumentado em cerca de R$ 12 bilhões e o Banco Itaú passou a deter as ações das empresas do Grupo Unibanco com o capital aumentado em cerca de R$ 29 bilhões (valor de mercado das ações). Assim, não restam dúvidas que, a despeito da forma que se encadearam as etapas da Fl. 3055DF CARF MF Processo nº 16327.720680/201361 Acórdão n.º 1201001.618 S1C2T1 Fl. 75 74 reorganização, este foi o resultado pretendido pelas partes desde o início. Então, qualquer outra configuração hipotética que seja diferente desta atingida não presta como alternativa por não se coadunar com o real intento dos envolvidos." Cabe analisar de onde surgiram 29,4 bi, que teriam sido aportados pela Itaú Holding na subsidiária Banco Itaú; como já relatado, são resultantes do ágio nas ações do Unibanco, que os antigos acionistas do mesmo entregaram ao Banco Itaú S/A. Esse montante foi contabilizado pelo Banco Itaú S/A, com a apuração do ágio. 5 Conclusão. Concluo que não restou comprovada a infração omissão de ganho de capital pela Itaú Unibanco Holding; para tanto, deveria ter sido demonstrado este ganho, por parte da Autuada, segundo as numerosas operações societárias, as proporções de participação pactuadas, as relações de troca de ações, na sequência de operações apontada pelo Autuante. Assim: .sobre a apuração de ágio pelo Banco Itaú, na 1ª incorporação de ações, concluo que, ou resultou em ganho de capital pela outra parte ou, se considerada a operação como sendo fictícia, então resulta no não reconhecimento e glosa do ágio pelo Banco Itaú e do REP fictício na Itaú Holding Financeira; .o ganho de capital na variação de participação acionária no Banco Itaú pela Itaú Holding, excluído do lucro real conforme autorização art. 428 do RIR, não impacta no resultado tributável deste; porém se considerada fictícia a operação, então não ocorreu o ganho e não há impacto no resultado tributável. Concluo que não se identifica o ganho de capital objeto da autuação, no conjunto das operações de associação dos dois grupos empresariais. (assinado digitalmente) Eva Maria Los Fl. 3056DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13609.000059/2007-85
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu May 25 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2003
SÚMULA 105 DO CARF. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO ESPECIAL.
Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso.
Numero da decisão: 9101-002.729
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional.
(assinatura digital)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente.
(assinatura digital)
Luís Flávio Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: LUIS FLAVIO NETO
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Concomitância. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado EMPRESA DE CIMENTOS LIZ S.A ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003 SÚMULA 105 DO CARF. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO ESPECIAL. Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. (assinatura digital) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente. (assinatura digital) Luís Flávio Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 9. 00 00 59 /2 00 7- 85 Fl. 560DF CARF MF Processo nº 13609.000059/200785 Acórdão n.º 9101002.729 CSRFT1 Fl. 101 2 Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional (doravante “PFN” ou “recorrente”), em que é recorrida EMPRESA DE CIMENTOS LIZ SA (doravante “contribuinte” ou “recorrido”), em face do acórdão nº 101 96.699 (doravante “acórdão a quo” ou “acórdão recorrido”), proferido pela 1a Câmara do extinto 1a Conselho de Contribuintes (doravante “Turma a quo”). No caso, foi lavrado auto de infração para a exigência de (i) créditos tributários de IRPJ e CSLL, por adições não computadas na apuração do lucro real, e (ii) multa de ofício (75%) cumulada com multa isolada com fundamento na falta de recolhimento de estimativas mensais (75%) e, ainda, juros de mora. A autuação em questão diz respeito ao ano calendário de 2003. Ao analisar a impugnação administrativa apresentada pelo contribuinte, a DRJ/BHE, por meio do acórdão nº 0213.913, julgou procedente os lançamentos, conforme decisão assim ementada (efls. 289 e seg.): Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 2003 Ementa: ERRO DE FATO. OPÇÃO PELO REGIME DE COMPETÊNCIA. Infundada a alegação de erro de fato quando não se evidencia nos autos o efetivo exercício da opção pelo regime de competência previsto na legislação que rege a tributação das variações cambiais. MULTA ISOLADA. A pessoa jurídica que deixar de recolher o imposto de renda devido sob o regime de estimativa mensal em função da receita bruta e acréscimos e/ou balanços de suspensão e redução fica sujeita à multa exigida Isoladamente. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL Exercício: 2003 Ementa: LANÇAMENTO DECORRENTE. O lançamento reflexo deve observar o mesmo procedimento adotado no principal, em virtude da relação de causa e efeito que os vincula. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2003 Ementa: JUROS DE MORA. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante de sua falta, calculados à taxa referencial do Sistema de Liquidação e Custódia — SELIC, nos termos da legislação em vigor. INCONSTITUCIONALIDADE. A argüição de inconstitucionalidade não pode ser oponível na esfera administrativa. MULTA DE OFÍCIO. A multa lançada em procedimento de oficio deve corresponder ao percentual previsto na legislação tributária. Lançamento Procedente Cientificado da decisão, o contribuinte interpôs recurso voluntário (efls. 310 e seg.), o qual foi julgado parcialmente procedente pela Turma a quo, para a exclusão da multa isolada exigida concomitantemente com a multa de ofício. O acórdão restou assim ementado (efls. 325 e seg.): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Fl. 561DF CARF MF Processo nº 13609.000059/200785 Acórdão n.º 9101002.729 CSRFT1 Fl. 102 3 Anocalendário: 2003 Ementa: MULTA ISOLADA — NÃO CUMULATIVIDADE COM A MULTA DE OFICIO — Se aplicaria a multa de oficio ao tributo apurado em lançamento de oficio, a ausência de anterior recolhimento mensal, por estimativa, do IRPJ ou CSLL não deve ocasionar a aplicação cumulativa da multa isolada, já que esta somente e aplicável de forma isolada, de modo a se evitar a dupla penalização sobre a mesma base de incidência. Cientificada da decisão, a PFN interpôs recurso especial com base no artigo 7°, I do antigo regimento do CARF (Portaria MF n. 147/2007), por contrariedade a lei, quanto à matéria da concomitância da multa de ofício com a multa isolada por não recolhimento de estimativas, em período anterior a 2007 (efls. 337 e seg.). O recurso foi admitido por despacho. (efls. 342 e seg.). Em suas razões recursais, aduz a PFN, em síntese, que: as multas aplicadas teriam se dado em razão de infrações diversas, uma vez que a aplicação da multa de oficio, prevista no art. 44, I da Lei n° 9.430/96, teria resultado da omissão de receitas relativa, enquanto a multa isolada, teria sido aplicada em razão da falta ou insuficiência de recolhimento do tributo devido por estimativa; a Turma a quo teria criado nova hipótese de dispensa da multa isolada, não prevista na legislação, de modo que esta não poderia ter sido afastada apenas porque ao Recorrido já havia sido exigida multa em decorrência de outro ilícito; a Lei n° 9.430/96 teria estipulado que a multa isolada somente poderia ser dispensada quando o contribuinte, que não recolheu o tributo devido por estimativa, justificasse o não pagamento pela transcrição no Livro Diário, dos balancetes de suspensão. O contribuinte apresentou contrarrazões ao recurso especial (efls. 365 e seg.) nas quais aduz, em resumo: estaria correta a decisão a quo. A jurisprudência do CARF teria se firmado no sentido de não permitir a cumulação da multa isolada com a multa de oficio quando incidentes sobre a mesma base de cálculo, como ocorre no caso em questão; não haveria que se falar em infrações diversas a justificar a incidência da multa isolada e de oficio como afirma a recorrente, uma vez que nos dois casos a base de cálculo do imposto seria a mesma, de modo que estaria correta a decisão recorrida, não podendo ser sustentada a alegação de criação de nova hipótese de dispensa da multa isolada, não prevista na legislação. o cancelamento da multa isolada teria se dado com a edição da MP 303/2006 que alterou o artigo 44 da Lei n° 9430/96, fato que deveria ser aplicado ao caso em tela, mesmo com a perda da eficácia da referida MP em razão do principio da irretroatividade da lei já que quando em vigor o contribuinte foi beneficiado com a exclusão da multa. A Contribuinte também opôs embargos de declaração em face do acórdão a quo (efls. 353 e seg.). Os aludidos embargos, no entanto, foram rejeitados (efls. 376 e seg.; e fls. 400 e seg.). Quanto à matéria que lhe foi desfavorável no acórdão a quo, o contribuinte também interpôs recurso especial. No entanto, o referido recurso não foi admitido por Fl. 562DF CARF MF Processo nº 13609.000059/200785 Acórdão n.º 9101002.729 CSRFT1 Fl. 103 4 despacho irrecorrível em sede administrativa (efls. 402 e 405). Quanto a essa parcela, o contribuinte apresentou petição informando a adesão ao programa de parcelamento previsto na Lei 11.941/09, requerendo que não fossem tomadas “quaisquer medidas voltadas à cobrança amigável e nem iniciada conduta voltada à inscrição do débito em divida ativa na PGFN e ajuizamento da execução fiscal, nem mesmo encaminhamento do débito para inscrição no CADIN, na forma da legislação pertinente” (efls. 409). Tomadas as providências necessárias ao desmembramento dos débitos, o processo foi encaminhado a esta CSRF para apreciação do recurso especial interposto pela PGFN (efls. 556). Concluise, com isso, o relatório. Voto Conselheiro Luís Flávio Neto, Relator O recurso especial tem como objeto a exigência cumulativa de multa de ofício e de multa isolada pelo não pagamento de estimativas, no anocalendário de 2003, compreendendo, portanto, período anterior à vigência da Lei n. 11.488/2007. A questão já foi pacificada no âmbito deste Tribunal, não cabendo o conhecimento de recurso especial da PFN para a sua discussão (RICARF, art. 67, § 3º), por força da Súmula n. 105 do CARF, aprovada em 08.12.2014: “A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44, § 1º, inciso IV, da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício.” Nesse cenário, voto por NÃO CONHECER o recurso especial interposto pela PFN. (assinatura digital) Luís Flávio Neto Fl. 563DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10140.902295/2011-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005
CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004.
É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-003.814
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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DIREITO DE CRÉDITO. INCIDÊNCIA CONCENTRADA. Recorrente COMERCIAL FAYAD LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 CRÉDITO DA NÃOCUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1ºA DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 14 0. 90 22 95 /2 01 1- 71 Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10140.902295/201171 Acórdão n.º 3302003.814 S3C3T2 Fl. 3 2 Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa. Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Restituição e Ressarcimento – PER, formulado através do programa PER/Dcomp, pelo qual a Recorrente pleiteia o ressarcimento em espécie do saldo credor acumulado de COFINS incidência não cumulativa – mercado interno. O Pedido de Ressarcimento foi indeferido, por ausência de direito ao crédito pleiteado, devido a vedação legal de aproveitamento de créditos incidente nas operações de aquisição de produtos sujeitos a tributação monofásica/concentrada. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 06052.245. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, não ampara o creditamento das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, com base na sistemática da não cumulatividade, pelas revendedoras de veículos automotores, em decorrência de vedação legal expressa para o aproveitamento do crédito nas vendas submetidas à incidência monofásica. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reiterando as alegações deduzidas em manifestação de inconformidade, calcadas nas seguintes premissas: 1. Que a recorrente se sujeita à incidência nãocumulativa; 2. Que havia uma vedação ao creditamento conforme o disposto no artigo 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003; 3. Que foi atribuída alíquota zero aos produtos da recorrente, portanto, não se trata de monofasia, o que ocorreria se houvesse apenas uma incidência na cadeia; 4. Que a nãocumulatividade foi aperfeiçoada com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e que esta é uma norma multitemática, ou seja, não restrita ao REPORTO; 5. Que o artigo 16 da Lei 11.116/2005 robusteceu o caráter abrangente do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004; 6. Ambas as leis não ressalvaram quais os casos permaneceriam na regra antiga e que o direito ao creditamento é coerente à técnica da nãocumulatividade das contribuições (método subtrativo indireto); 7. O artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 veio justamente para os casos em que havia vedação ao creditamento; 8. Que pretendeuse mitigar a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 com a edição das MP nº 413/2008 e 451/2008, criando vedações ao creditamento, as quais não foram mantidas na conversão de ambas medidas provisórias; Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10140.902295/201171 Acórdão n.º 3302003.814 S3C3T2 Fl. 4 3 9 Que a nãocumulatividade das contribuições não guarda relação com o arrecadado anteriormente ou posteriormente na cadeia produtiva. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.750, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.720142/201145, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.750): "O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. O pedido de ressarcimento foi efetuado com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 combinado com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, abaixo transcritos: Lei nº 11.116/2005: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Lei nº 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. O fundamento da recorrente recai essencialmente na possibilidade de se tomar créditos da nãocumulatividade de Cofins em razão do disposto no artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e de se pedir o ressarcimento com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005. Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10140.902295/201171 Acórdão n.º 3302003.814 S3C3T2 Fl. 5 4 A Lei nº 10.485/2002 estabeleceu a concentração de tributação no fabricante e importadores de determinados veículos e autopeças, dispondo no §2º que os comerciantes atacadistas e varejistas ficassem sujeitos à alíquota zero sobre suas receitas de revendas: § 2o Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I o caput deste artigo; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II o caput do art. 1o desta Lei, exceto quando auferida pelas pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5o, da Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001. (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) Com base, nesta receita sujeita à alíquota zero, é que a recorrente entende possível a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, isto é, a tomada de créditos sobre a revenda de máquinas e veículos constantes das posições da TIPI constantes do artigo 1º da Lei nº 10.485/2002 e de autopeças constantes dos Anexos I e II da referida lei. Ocorre que, não obstante estar sujeita ao regime nãocumulativo das contribuições, as alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 vedam expressamente a tomada de créditos sobre bens adquiridos para revenda pelas pessoas jurídicas que comercializam os produtos referidos nos artigos 1º e 3º da Lei nº 10.485/2002, como transcrevese a seguir: Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) § 1o Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) [...] III no art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) IV no inciso II do art. 3o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) [...] Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10140.902295/201171 Acórdão n.º 3302003.814 S3C3T2 Fl. 6 5 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) Por sua vez, o artigo 17 dispôs genericamente que as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Ora, este artigo não traz nenhuma hipótese de creditamento, mas apenas esclarece que nas situações ali previstas, os créditos vinculados àquelas vendas são mantidos. E tais créditos são, justamente, as hipóteses que a legislação faculta ao contribuintes a sua tomada, como por exemplo, os artigos 3º das leis acima citadas, o artigo 15 da Lei nº 10.865/2004 e outros quaisquer artigos que veiculem hipóteses de creditamento. O item 191 da exposição de motivos da MP nº 206/2004, cuja conversão resultou na Lei nº 11.033/2004, confirma este entendimento na medida que dispôs que a redação do artigo 16, convertido no artigo 17 acima referido, visava "esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS." Não por outro motivo, que o artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 dispôs sobre a possibilidade de ressarcimento e compensação do saldo credor vinculado às vendas mencionadas no artigo 17, vinculandoos à forma de apuração do artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 e do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004, reconhecendo, por óbvio, que ali estavam listadas as hipóteses de creditamento e não que o artigo 17 inovara toda a legislação, revogando o artigo 3º e redefinindo as hipóteses de creditamento, o que seria a consequência inevitável da tese da recorrente. Ressaltase, porém, que o artigo 17 não proibiu a tomada de créditos vinculados às receitas sujeitas à alíquota zero decorrentes das revendas dos bens de que tratam este processo em relação às demais hipóteses previstas no artigo 3º, proibição esta que foi, conforme mencionado pela recorrente, objeto de duas tentativas propostas pelo Executivo Federal nas MPs nº 413/2008 e 451/2008. Ocorre que, como também já mencionado na peça recursal, tais dispositivos não foram contemplados na conversão das duas MPs, mantendose a possibilidade de creditamento em relação às demais hipóteses do artigo 3º, entendimento confirmado na Solução de Consulta nº 218/2014. Assim, referidas MP´s pretenderam impedir o creditamento das demais hipóteses legais previstas nos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, mas 1 19. As disposições do art. 16 visam esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10140.902295/201171 Acórdão n.º 3302003.814 S3C3T2 Fl. 7 6 foram irrelevantes em relação à vedação específica contida na alínea "b" do inciso I do artigo 3º, que se destina justamente à vedação do creditamento relativo aos bens adquiridos para revenda de que tratam os §§1º e 1ºA do artigo 2º das referidas leis. Neste diapasão, citase o Acórdão nº 340301.566: Ementa: COFINS – REGIME MONOFÁSICO – IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS O artigo 17 da Lei 11.033/2004, que garante a manutenção do crédito às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, só se aplica aos setores ou produtos sujeitos regime nãocumulativo, não se aplicando aos produtos sujeitos ao regime monofásico. Portanto, diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Nos termos do entendimento exarado no paradigma, a impossibilidade de creditamento, no regime nãocumulativo, na aquisição de bens para revenda adquiridos por comerciantes atacadistas e varejistas de produtos sujeitos à tributação concentrada referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis, se aplica tanto à Contribuição para o PIS/Pasep quanto à COFINS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Fl. 98DF CARF MF
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Numero do processo: 10510.721076/2015-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jul 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/2014 a 31/12/2014
CRÉDITO TRIBUTÁRIO INEXISTENTE. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. GLOSA.
É vedada a compensação de contribuições previdenciárias se ausentes os atributos de liquidez e certeza do crédito compensado. A compensação de contribuições previdenciárias com créditos não materialmente comprovados será objeto de glosa e consequente lançamento tributário.
COMPENSAÇÃO. MULTA DE 150% POR FALSIDADE NA DECLARAÇÃO. NORMA LEGAL QUE NÃO EXIGE O DOLO. FALSIDADE CARACTERIZADA POR DECLARAÇÃO DA EXISTÊNCIA DE CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO QUE NA REALIDADE JURÍDICA NÃO EXISTE.
Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual de 150% (cento e cinquenta por cento). A norma legal não exige dolo expressamente o que deixa tal sanção submetida à regra geral das infrações tributárias prevista no Código Tributário Nacional. A responsabilidade por infrações independe da intenção do agente. Se o contribuinte declara possuir crédito líquido e certo que, na realidade, não revelam ter tais qualidades, está caracterizada a falsidade, a informação diversa da realidade jurídica.
Numero da decisão: 2201-003.672
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(Assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente
(Assinado digitalmente)
Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: DANIEL MELO MENDES BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/2014 a 31/12/2014 CRÉDITO TRIBUTÁRIO INEXISTENTE. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. GLOSA. É vedada a compensação de contribuições previdenciárias se ausentes os atributos de liquidez e certeza do crédito compensado. A compensação de contribuições previdenciárias com créditos não materialmente comprovados será objeto de glosa e consequente lançamento tributário. COMPENSAÇÃO. MULTA DE 150% POR FALSIDADE NA DECLARAÇÃO. NORMA LEGAL QUE NÃO EXIGE O DOLO. FALSIDADE CARACTERIZADA POR DECLARAÇÃO DA EXISTÊNCIA DE CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO QUE NA REALIDADE JURÍDICA NÃO EXISTE. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual de 150% (cento e cinquenta por cento). A norma legal não exige dolo expressamente o que deixa tal sanção submetida à regra geral das infrações tributárias prevista no Código Tributário Nacional. A responsabilidade por infrações independe da intenção do agente. Se o contribuinte declara possuir crédito líquido e certo que, na realidade, não revelam ter tais qualidades, está caracterizada a falsidade, a informação diversa da realidade jurídica.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente (Assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
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COMPENSAÇÃO INDEVIDA. GLOSA. É vedada a compensação de contribuições previdenciárias se ausentes os atributos de liquidez e certeza do crédito compensado. A compensação de contribuições previdenciárias com créditos não materialmente comprovados será objeto de glosa e consequente lançamento tributário. COMPENSAÇÃO. MULTA DE 150% POR FALSIDADE NA DECLARAÇÃO. NORMA LEGAL QUE NÃO EXIGE O DOLO. FALSIDADE CARACTERIZADA POR DECLARAÇÃO DA EXISTÊNCIA DE CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO QUE NA REALIDADE JURÍDICA NÃO EXISTE. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual de 150% (cento e cinquenta por cento). A norma legal não exige dolo expressamente o que deixa tal sanção submetida à regra geral das infrações tributárias prevista no Código Tributário Nacional. A responsabilidade por infrações independe da intenção do agente. Se o contribuinte declara possuir crédito líquido e certo que, na realidade, não revelam ter tais qualidades, está caracterizada a falsidade, a informação diversa da realidade jurídica. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 72 10 76 /2 01 5- 61 Fl. 2160DF CARF MF Processo nº 10510.721076/201561 Acórdão n.º 2201003.672 S2C2T1 Fl. 2.161 2 (Assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente (Assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão nº 0835.149 6ª Turma da DRJ/FOR (fls. 2.092/2.102), que julgou improcedente a impugnação apresentada para desconstituir os seguintes lançamentos: • Auto de Infração de Obrigação Principal DEBCAD nº 51.066.2080, no qual foi lançada glosa de compensação indevida de contribuições, informadas em Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP. • Auto de Infração DEBCAD nº 51.066.2099, com multa isolada de 150%. O Relatório Fiscal informa que os valores compensados foram glosados integralmente e foi aplicada a multa isolada de 150% dos valores compensados, uma vez que: Ao contrário do defendido pelo contribuinte, o reenquadramento no CNAE para o código 86305/03 (atividade médica ambulatorial restrita a consultas) não está correto, tendo em vista que a maioria dos segurados do órgão fiscalizado são agentes de saúde e devem ser enquadrados no código 86909/99 (outras atividades de atenção à saúde humana não especificados anteriormente), conforme documento de fls. 504/527. O código correto (86909/99) prevê no ano de 2009 a alíquota de 1% e nos anos de 2010 a 2014 a alíquota de 2%. O código reenquadrado equivocadamente, prevê alíquota de 2% para o ano de 2009 e 1% no ano de 2010 a 2014. Mesmo que se considere o reenquadramento correto, o que não está, conforme fl. 21, não houve o pagamento a maior, tendo em vista que na grande maioria (79%) das competências, fora utilizado, de forma equivocada, o FAP 0,5%, o que transformou a alíquota de 2% em 1%. O valor compensado, 5,46% sobre o total da remuneração da folha de pagamento, mais 1% de atualização pela taxa SELIC, é resultado da soma de 2,46% (diferença do reenquadramento do RAT/FAP) com 2,5% referentes a contribuição de terceiros. Segundo a Fiscalização, a compensação foi equivocada, tendo em vista a inexistência de crédito referente a RAT e a impossibilidade de utilizar contribuição a terceiros Fl. 2161DF CARF MF Processo nº 10510.721076/201561 Acórdão n.º 2201003.672 S2C2T1 Fl. 2.162 3 para compensar RAT. Ainda sobre a inviabilidade da compensação glosada, temse a falta de autorização judicial para a validar a compensação. O relatório fiscal menciona ainda que, as GFIP das competências 11/2014 a 13/2014, tem como origem o período compreendido entre 09/2013 a 10/2014, ou seja, realizou a compensação de períodos que ainda não tinham sido transmitidos através de GFIP, aumentando o seu crédito fictício. A Fiscalização concluiu como falsas as declarações feitas pelo contribuinte, uma vez que os créditos utilizados para a compensação eram claramente inexistentes, tendo em vista que mesmo considerando correto o reenquadramento feito pela empresa, ainda assim esta não teria crédito a ser compensado. Irresignado com o lançamento, sujeito passivo apresentou a impugnação que dormita às fls. 537/563. A decisão de primeira instância foi exarada às fls.2.092/2.102. Transcrevese abaixo a sua ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2013 a 31/12/2014 RAT. MUNICÍPIO. ATIVIDADE PREPONDERANTE POR ESTABELECIMENTO COM CNPJ PRÓPRIO. FAP. COMPETÊNCIA PARA O CÁLCULO. A apuração da atividade preponderante do município segue as mesmas regras das empresas em geral, levandose em consideração o grau de risco da atividade de cada estabelecimento individualizado por CNPJ próprio. O Fator Acidentário de Prevenção FAP é um fator que reduz em até cinquenta por cento ou aumenta em até cem por cento a alíquota do RAT, sendo calculado pelo Ministério da Previdência Social, com base nos índices de frequência, gravidade e custo das doenças e lesões por empresa. Da decisão proferida cabe recurso, no prazo de trinta dias, no âmbito do Ministério da Previdência Social, que examinará a matéria em caráter terminativo. RAT. CONTRIBUIÇÕES DESTINADAS A FUNDAMENTOS CONSTITUCIONAIS DIVERSOS. TERCEIROS. As contribuições destinadas a outras entidades (terceiros), instituídas com fulcro no art. 240 da Constituição Federal de 1988 não se confundem com a contribuição instituída na Lei no 8.212/1991, art. 22, II (RAT) com base no art. 195, I, “a”, da mesma carta constitucional. A compensação somente pode ser efetuada com parcelas de contribuição da mesma espécie. É vedada a compensação das contribuições previdenciárias com as contribuições destinadas a outras entidades e fundos. COMPENSAÇÃO INDEVIDA.FALSIDADE NA DECLARAÇÃO. MULTA ISOLADA. PROVA. Fl. 2162DF CARF MF Processo nº 10510.721076/201561 Acórdão n.º 2201003.672 S2C2T1 Fl. 2.163 4 Quando há compensação indevida com falsidade na declaração apresentada pelo sujeito passivo, este estará sujeito à multa isolada prevista no art. 89, §10, da Lei no 8.212/1991. Se o Auditor Fiscal discorreu sobre a ausência de amparo legal e de medida judicial que albergasse a compensação do órgão público, resta comprovada a falsidade da declaração da compensação indevida, mormente porque seus agentes sabem que apenas podem fazer o que a lei permite, estando totalmente adstritos às normas legais. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado do inteiro teor da decisão em 03/05/2016 (fl.2.109), o sujeito passivo interpôs Recurso Voluntário, tempestivamente, em 31/05/2016 (fls. 2.112/2.142), alegando, em síntese, que: É nulo o acórdão de piso, tendo em vista que não considerou todos os documentos acostados e indeferiu o pedido de realização de perícia, o que era imprescindível para a sua plena defesa. A atividade prestada pelo Fundo Municipal de Saúde é de baixa e média complexidade, sendo leve o risco de acidente de trabalho, devendo sua alíquota ser fixada em 1%, nos termos do artigo 72, II da Instrução Normativa RFB nº 971/2009. Juntou julgados do STJ, fls. 2.119/2.121, que tratam como leve, os riscos da atividade exercida pela administração pública. Não é necessária autorização judicial para a redução de alíquota, tendo em vista que o parecer PGFN/CRJ/N. 2120/2011, recomenda a não interposição de recurso ou contestação nesses casos. Juntou julgados do TRF 5ª Região fls. 2.127/2.128 que coadunam com a tese do baixo risco das atividades desenvolvidas pela administração pública. Há correspondência entre os códigos CNAE e FPAS, sendo plenamente cabível a compensação entre RAT e Contribuições para Terceiros. Contesta também a aplicação da multa isolada, pedindo a sua reavaliação. Por fim, pede a nulidade o cancelamento do crédito tributário previsto nos autos infracionais. É o relatório. Voto Daniel Melo Mendes Bezerra, Conselheiro Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche aos demais requisitos de admissibilidade, devendo, pois, ser conhecido. Fl. 2163DF CARF MF Processo nº 10510.721076/201561 Acórdão n.º 2201003.672 S2C2T1 Fl. 2.164 5 Preliminarmente Da ausência de nulidade Não prospera a tese de nulidade levantada pelo contribuinte, tendo em vista que cabe ao órgão julgador decidir sobre a necessidade ou não de perícia para a formação de seu convencimento. Os documentos colacionados aos autos, principalmente os de fls. 504/527, são suficientes para a formação do convencimento do julgador, sendo prescindível a realização da perícia. Ainda sobre a nulidade do acórdão de piso, aduziu o contribuinte que o mesmo era nulo, uma vez que não houve a menção e a análise de todos os documentos acostados. Também não prospera o presente argumento, tendo em vista que o acórdão impugnado fora produzido através da análise e valoração de todos os documentos apresentados pelo contribuinte, sendo dispensável a menção expressa de cada um deles. Dessa forma, não procede a argüição de nulidade efetuada pelo recorrente. Dos motivos para a Glosa de Compensação Diferença entre RAT/FAP De início, é de bom grado salientar que a glosa ora contestada baseiase na inexistência de crédito a ser compensado. Ao explicar a origem dos créditos oriundos do RAT, o contribuinte alega que houve pagamento a maior, tendo em vista o reenquadramento do CNAE 86909/99 que prevê a alíquota de 2% para o CNAE 86305/03 que prevê a alíquota de 1%, sendo a diferença entre alíquotas a origem do crédito compensando. Colacionou entendimentos jurisprudenciais, no sentido de reconhecer o baixo risco das atividades da administração pública e mencionou parecer da PGFN recomendando a não interposição de recursos ou qualquer meio de contestação, no sentido de reconhecer que as atividades da administração pública devem ser analisadas de acordo com o CNPJ individualizado de cada órgão. Os argumentos do contribuinte vão de encontro à sua própria tese. Os julgados colacionados, assim como todos os fundamentos de seu posicionamento, referemse a administração pública em geral e as suas atividades burocráticas. O caso em tela analisa um órgão responsável pela saúde pública que tem agentes de saúde como maioria dos segurados, não se enquadrando nos casos analisados nos julgados colacionados. O parecer alegado pelo recorrente fora fielmente seguido, já que a Fiscalização levou em consideração apenas os segurados do CNPJ 06.113.056/000139 (Fundo Municipal de Saúde de Nossa Senhora do Socorro). Nesses termos, também menciona a Solução de Consulta RFB/Cosit nº 44/2014. O artigo 202, §3º, do Decreto 3.048/99, assim define a atividade preponderante da empresa: Fl. 2164DF CARF MF Processo nº 10510.721076/201561 Acórdão n.º 2201003.672 S2C2T1 Fl. 2.165 6 Art. 202. A contribuição da empresa, destinada ao financiamento da aposentadoria especial, nos termos dos arts. 64 a 70, e dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho corresponde à aplicação dos seguintes percentuais, incidentes sobre o total da remuneração paga, devida ou creditada a qualquer título, no decorrer do mês, ao segurado empregado e trabalhador avulso: (...) § 3º Considerase preponderante a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. Da análise dos documentos de fls. 504/527, sob a ótica do artigo supramencionado, concluise que o enquadramento correto é o CNAE 86909/99, tendo em vista que a maioria dos segurados encontramse no referido código. O enquadramento correto (CNAE 86909/99) traz a alíquota de 2%, nos termos do anexo V do RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99, com redação dada pelo Decreto 6.957/09. Portanto, inexiste qualquer crédito a ser compensado, tendo em vista que o reenquadramento no CNAE que daria ensejo ao suposto crédito compensado, é contrário à lei e, consequentemente, inválido. Mesmo considerando, apenas a título de esclarecimento, que o reenquadramento está correto, ainda assim inexiste crédito a ser compensado, uma vez que na maioria das competências analisadas foi utilizado, erroneamente, o FAP de 0,5% para ajustar a alíquota do RAT, conforme relatório fiscal de fl. 20, portanto, em nenhum momento houve recolhimento a maior capaz de ensejar a compensação glosada pelo Fisco. Contribuição para terceiros Completamente descabido o entendimento do contribuinte de que há ligação entre o código CNAE e o código FPAS. Os referidos códigos tratam de contribuições completamente diferentes, inexistindo qualquer relação entre os dois capaz de ensejar a compensação entre um e outro. Preceitua o artigo 251, §2° do RPS: Art. 251. A partir de 1º de janeiro de 1992, nos casos de pagamento indevido ou a maior de contribuições, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte pode efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importâncias correspondentes a períodos subseqüentes. (...) § 2º A compensação somente poderá ser efetuada com parcelas de contribuição da mesma espécie. Ainda no sentido da irregularidade da compensação realizada, prevê o artigo 59 da Instrução Normativa RFB 1.300/12 Fl. 2165DF CARF MF Processo nº 10510.721076/201561 Acórdão n.º 2201003.672 S2C2T1 Fl. 2.166 7 Art. 59. É vedada a compensação, pelo sujeito passivo, das contribuições destinadas a outras entidades ou fundos. Corroborando com o entendimento de que as contribuições compensadas são de espécie distintas, estabelecem os arts. 195, I, “a” e 240, ambos da Constituição Federal, abaixo transcritos: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; Art. 240. Ficam ressalvadas do disposto no art. 195 as atuais contribuições compulsórias dos empregadores sobre a folha de salários, destinadas às entidades privadas de serviço social e de formação profissional vinculadas ao sistema sindical. Ainda sobre o acerto da glosa, temse o julgado do CARF no acórdão 2401 004.030, relatado por Arlindo da Costa e Silva: (...)CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. COMPENSAÇÃO. TITULARIDADE DO CRÉDITO. Somente poderão ser utilizados na compensação de contribuições previdenciárias os créditos líquidos e certos de titularidade do próprio sujeito passivo em face da Fazenda pública decorrentes do recolhimento indevido ou a maior que o devido das parcelas referidas nas alíneas "a", "b" e "c" do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212/91. CRÉDITO TRIBUTÁRIO INEXISTENTE. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. GLOSA. É vedada a compensação de contribuições previdenciárias se ausentes os atributos de liquidez e certeza do crédito compensado. A compensação de contribuições previdenciárias com créditos não materialmente comprovados será objeto de glosa e consequente lançamento tributário, revertendo ao sujeito passivo o ônus da prova em contrário. PENALIDADE PECUNIÁRIA. VIOLAÇÃO A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. INOCORRÊNCIA. (...). O arcabouço legal, assim como o entendimento da esfera administrativa supramencionados são claros quanto a identidade e a impossibilidade de compensação entre as contribuições de espécies distintas, não restando saída diversa da manutenção da glosa apurada pelo Fisco. Da Multa Isolada Fl. 2166DF CARF MF Processo nº 10510.721076/201561 Acórdão n.º 2201003.672 S2C2T1 Fl. 2.167 8 De acordo com a Fiscalização, o sujeito passivo praticou as condutas abaixo relacionadas que, no seu entendimento, justificaram a aplicação da multa isolada: a) O contribuinte alegou diferença de RAT/FAP para justificar os valores compensados, no entanto, conforme descrito acima neste relatório fiscal, os percentuais de RAT e os fatores FAP informados não foram superiores ao devido, mesmo que se considerasse correto o código 86305/03 na CNAE (Atividade médica ambulatorial restrita a consultas) como atividade preponderante. Inclusive, porque os recolhimentos feitos não superaram os valores declarados na GFIP, mesmo considerando esse reenquadramento como correto, já que em 79% das competências do período de origem do suposto crédito o FAP foi informado no valor mínimo de 0,50. Portanto, houve falsidade nessa declaração com a inserção de créditos inexistentes de fato; (...) Conforme descrito acima, no item 8 deste relatório fiscal, o contribuinte disse que utilizou o percentual de 5,46% sobre o valor da folha de pagamento para encontrar o valor mensal compensado e que este percentual é a soma de 2,96% de diferença de RAT/FAP com 2.5% de diferença de Terceiros. Ao compensar esse percentual, a título de contribuição para os Terceiros com origem no reenquadramento de RAT/FAP, o contribuinte inseriu evidentemente créditos inexistentes de fato, já que a contribuição para os Terceiros não tem relação com o RAT/FAP; (...) Na fiscalização constatouse, conforme demonstrado acima neste relatório fiscal e tendo em vista os documentos anexos, que essa compensação teve início com as GFIP das competências 09/2013 e 10/2013 enviadas em 19/11/2013. No entanto, o contribuinte, de forma incoerente com as suas alegações, informou na GFIP da competência 10/2014, no campo compensação, como origem do crédito o período de 10/2013 a 07/2014 e nas GFIP das competências 11/2014 a 13/2014 como origem do crédito o período de 09/2013 a 10/2014. Assim, incluiu competências que ainda não tinham sido enviadas, quando ele iniciou a compensação, ou seja, aumentou o seu crédito fictício com fatos posteriores ao início da compensação. A inserção de crédito inexistente na GFIP caracteriza a falsidade da declaração e, consequentemente, enseja a aplicação da multa de 150%, prevista no artigo 89, § 10 da Lei 8.212/91. Nesse sentido entende a jurisprudência administrativa majoritária desse CARF, conforme acórdão de n° 2401003.389, relatado por Carolina Wanderley Landim: (...) COMPENSAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES COM CRÉDITOS MANIFESTAMENTE INEXISTENTES. CONDUTA DOLOSA. APLICAÇÃO DE MULTA ISOLADA. Considerase dolosa a conduta do sujeito passivo que declara ao Fl. 2167DF CARF MF Processo nº 10510.721076/201561 Acórdão n.º 2201003.672 S2C2T1 Fl. 2.168 9 fisco a quitação de tributos com créditos manifestamente imprestáveis para o fim pretendido, justificandose a imposição da multa isolada de 150%, prevista no § 10 do art. 89 da Lei n.º 8.212/1991. Recurso Voluntário Negado. Como visto, restou clara a imprestabilidade do crédito de Contribuições de Terceiros para fins de compensação de RAT. Ainda sobre a invalidade da compensação e o acerto da multa aplicada temse o acórdão 9202003.780, relatado por Gerson Macedo Guerra: PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL COMPENSAÇÃO REQUISITOS. COMPROVAÇÃO CRÉDITOS LÍQUIDOS E CERTOS GLOSA DOS VALORES COMPENSADOS INDEVIDAMENTE Somente as compensações procedidas pela contribuinte com estrita observância da legislação previdenciária, especialmente o artigo 89 da Lei n° 8.212/91, bem como pagamentos e/ou recolhimentos de contribuições efetivamente comprovados, respaldam a declaração do direito a compensação no documento GFIP. COMPENSAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES COM CRÉDITOS INEXISTENTES. INSERÇÃO DE DECLARAÇÃO FALSA NA GFIP. APLICAÇÃO DE MULTA ISOLADA. PROCEDÊNCIA. O sujeito passivo deve sofrer imposição de multa isolada de 150%, incidente sobre as quantias indevidamente compensadas, quando insere informação falsa na GFIP, declarando créditos decorrentes de recolhimentos de contribuições sem efetivamente desincumbirse de demonstrar o efetivo recolhimento. Para a aplicação de multa de 150% prevista no art. 89, §10º da lei 8212/91, necessário que a autoridade fiscal demonstre a efetiva falsidade de declaração, ou seja, a inexistência de direito "líquido e certo" a compensação, sem a necessidade de imputação de dolo, fraude ou mesmo simulação na conduta do contribuinte. Recurso Especial do Procurador Provido Restou comprovado pelo fisco a Inexistência de direito líquido e certo, principalmente quando constatou que o contribuinte utilizou para compensação créditos que ainda não tinham sido enviados à Receita Federal. Destarte, não resta alternativa diversa da manutenção da multa isolada aplicada. Conclusão Diante de todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, rejeitar as preliminares, e, no mérito, negarlhe provimento. Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Fl. 2168DF CARF MF Processo nº 10510.721076/201561 Acórdão n.º 2201003.672 S2C2T1 Fl. 2.169 10 Fl. 2169DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10840.002713/2004-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jul 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
IRPF. RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. APLICAÇÃO DO REGIME DE COMPETÊNCIA.
O Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a exigência do imposto de renda com parâmetro no montante global pago extemporaneamente.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2202-003.978
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, para cancelar a exigência fiscal, vencidos os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa e Cecília Dutra Pillar, que deram provimento parcial ao recurso para aplicar aos rendimentos pagos acumuladamente as tabelas e alíquotas do imposto de renda vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurelio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1577; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 459 1 458 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10840.002713/200410 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202003.978 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 08 de junho de 2017 Matéria IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Recorrente MAURO TODESCHINI Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 IRPF. RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. APLICAÇÃO DO REGIME DE COMPETÊNCIA. O Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a exigência do imposto de renda com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, para cancelar a exigência fiscal, vencidos os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa e Cecília Dutra Pillar, que deram provimento parcial ao recurso para aplicar aos rendimentos pagos acumuladamente as tabelas e alíquotas do imposto de renda vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 00 27 13 /2 00 4- 10 Fl. 459DF CARF MF Processo nº 10840.002713/200410 Acórdão n.º 2202003.978 S2C2T2 Fl. 460 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurelio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 10840.002713/200410, em face do acórdão nº 1736.194 julgado pela 7ª Turma da Delegacia Federal do Brasil em São Paulo (DRJ/SP2), no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem que assim os relatou: "Contra o contribuinte em epígrafe foi lavrado o Auto de Infração de fl. 142, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, anocalendário 2002, que lhe exige crédito tributário no montante de R$ 6.259,00 correspondente a imposto suplementar (R$ 3.175,87), multa de ofício (R$ 2.381,90) e juros de mora calculados até 07/2004 (R$ 701,23). Conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fl. 143), o lançamento teve origem na constatação de dedução indevida do imposto de renda retido na fonte. A referida dedução passou da quantia declarada de R$ 6.761,73 para a quantia de R$ 3.559,77. Segundo o Termo de Verificação e Intimação Fiscal de fls. 149/150 e planilhas de fls.151/154, o lançamento decorreu do confronto dos valores constantes na declaração de ajuste anual com os documentos juntados às fls. 18/132, referentes à ação trabalhista n° 867/93, movida pelo contribuinte contra a fonte pagadora Unibanco S/A. Em sua impugnação (fls. 01/11), o contribuinte requer a retificação do lançamento alegando, em síntese, que: por conta da reclamação trabalhista n° 867/93, que tramitou pela 2" Vara do Trabalho em Ribeirão Preto, movida contra o Unibanco — União de Bancos Brasileiros S/A, levantou a importância de R$ 96.281,15 em novembro de 2000. Em 2001, procedeu ao levantamento da quantia de R$ 55.833,31 .e em 2002 levantou R$ 22.790,57; a fonte pagadora, Unibanco S/A, envioulhe os comprovantes de rendimentos que anexa às fls. 13/15, informando a retenção de imposto na fonte nos valores de R$ 25.018,42, R$ 15.276,09 e R$ 6.761,12 em 2000, 2001 e 2002, respectivamente, valores que considerou em suas declarações de ajuste anual; Fl. 460DF CARF MF Processo nº 10840.002713/200410 Acórdão n.º 2202003.978 S2C2T2 Fl. 461 3 dos rendimentos informados nos citados comprovantes deduziu os honorários advocatícios nos valores de R$ 19.605,67, R$ 12.258,35 e R$ 5.225,31, nos anoscalendário de 2000, 2001 e 2002, respectivamente. Agiu conforme determinado no art. 56 do RIR/99, tributando os rendimentos de acordo com o regime de caixa e deduzindo da base de cálculo os honorários advocatícios; nos termos do art. 718 do RIR199, a responsabilidade pela retenção e pelo recolhimento do imposto é da fonte pagadora; assim, efetuou suas declarações em conformidade com os valores constantes nos comprovantes de rendimentos emitidos pelo Unibanco S/A, descontando os honorários advocatícios, conforme permitido pela legislação, não podendo prosperar o lançamento fiscal; o fato gerador da multa punitiva é a caracterização de conduta dolosa ou fraudulenta por parte do contribuinte, o que não ocorreu, pois o lançamento derivou de interpretações distintas quanto à tributação de verbas recebidas em virtude de ação trabalhista; a multa fixada no patamar de 75% tem nítido efeito confiscatório ofendendo o Princípio da Vedação da Tributação com Efeito de Confisco encartado no art. 150, inciso IV da Constituição Federal. Transcreve jurisprudência judicial e requer a exclusão da multa ou, no mínimo, sua redução para 20%; a incidência de juros moratórios com base na taxa SELIC não encontra respaldo jurídico. Em matéria tributária os juros moratórios visam recompor o patrimônio do Estado em face do inadimplemento da obrigação. A taxa SELIC é resultado das negociações dos títulos públicos e da variação de seus valores de mercado, que são publicados diariamente. Reflete, pois, um autêntico pagamento pelo uso do dinheiro alheio, um meio de remunerar o capital, o que confere a natureza remuneratória. Sua adoção como supostos juros moratórios é expediente ilegal e inconstitucional; a Lei n° 9.065/95, que determinou a utilização da taxa SELIC no cálculo dos juros de mora, não encontra amparo no art. 161, § 1° do CTN, que autoriza a definição de outra taxa de juros desde que reflita natureza moratória e não remuneratória. Além disso, a Lei combatida não definiu o percentual a ser cobrado, delegando a quantificação dos juros ao Banco Central do Brasil, órgão integrante do Poder Executivo, que é parte interessada na cobrança do tributo. Transcreve jurisprudência emanada do STJ contrária à utilização da referida taxa no cálculo dos juros moratórios;" A DRJ de origem entendeu pela improcedência da impugnação apresentada pelo contribuinte. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, às fls. 182/190, reiterando as alegações expostas em impugnação. Fl. 461DF CARF MF Processo nº 10840.002713/200410 Acórdão n.º 2202003.978 S2C2T2 Fl. 462 4 É o relatório. Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. O contribuinte aduz que por conta da reclamação trabalhista n° 867/93, que tramitou pela 2ª Vara do Trabalho em Ribeirão Preto, movida contra o Unibanco — União de Bancos Brasileiros S/A, levantou a importância de R$ 96.281,15 em novembro de 2000. Em 2001, procedeu ao levantamento da quantia de R$ 55.833,31 e em 2002 levantou R$ 22.790,57. No presente caso, a lide referese ao exercício 2003 (anocalendário 2002). Assim, somente o contribuinte recebeu os valores da referida ação judicial no anocalendário 2002, de forma acumulada. Portanto, verificase que a fiscalização realizou o lançamento utilizando o regime de caixa e não o de competência, conforme regra estabelecida no art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988. O lançamento em questão não pode prosperar. Isso porque a constitucionalidade da utilização do art. 12 da Lei nº 7.713/88 para a cobrança do IRPF incidente sobre rendimentos recebidos de forma acumulada, através da aplicação da alíquota vigente no momento do pagamento sobre o total recebido teve sua inconstitucionalidade reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do Recurso Extraordinário nº 614.406/RS, o qual foi submetido à sistemática da repercussão geral prevista no artigo 543B do Código de Processo Civil. De acordo com a referida decisão, transitada em julgado em 09/12/2014, ainda que seja aplicado o regime de caixa aos rendimentos recebidos acumuladamente pelas pessoas físicas (nascimento da obrigação tributária), é necessário, sob pena de violação aos princípios constitucionais da isonomia, da capacidade contributiva e da proporcionalidade, que o dimensionamento da obrigação tributária observe o critério quantitativo (base de cálculo e alíquota) dos anos calendários em que os valores deveriam ter sido recebidos, e não o foram. O julgamento recebeu a seguinte ementa: IMPOSTO DE RENDA – PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES – ALÍQUOTA. A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos. (RE 614406, Relator(a): Min. ROSA WEBER, Relator(a) p/ Acórdão: Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 23/10/2014 ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe233 DIVULG 26112014 PUBLIC 27112014) Fl. 462DF CARF MF Processo nº 10840.002713/200410 Acórdão n.º 2202003.978 S2C2T2 Fl. 463 5 O entendimento da Suprema Corte, em sede de repercussão geral, é de observância obrigatória pelos membros deste Conselho, conforme disposto no art. 62, § 2º da Portaria nº 343, de 09 de junho de 2015 (novo Regimento Interno do CARF), assim descrito: Art.62 (...) §2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Assim, considerando que o lançamento foi amparado na interpretação jurídica do art. 12 da Lei nº 7.713/88, que foi declarado inconstitucional pelo STF, é de se reconhecer que houve um vício material no lançamento, que utilizou fundamento legal inválido. Por fim, referese que, nos termos do § 3º do artigo 59 do Decreto nº 70.235/72, com a redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993, "Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta.", logo, em razão disso, haja vista que está sendo decidido no mérito em favor do contribuinte, deixase de ser pronunciado sobre as preliminares invocadas. Ante o exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário, para cancelar a exigência fiscal. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Fl. 463DF CARF MF
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