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Numero do processo: 16327.000009/2006-71
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jun 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
IRPJ - RATEIO DE CUSTOS - DESPESAS COMUNS A EMPRESAS DE UM MESMO GRUPO ECONÔMICO - Cabe ao sujeito passivo, devidamente intimado, demonstrar a regularidade do procedimento que adotou concernente ao rateio de custos entre empresas interligadas. Não logrando fazê-lo, correto o Fisco em utilizar o rateio indireto com base no faturamento.
APROPRIAÇÃO DE RECEITAS - REGIME DE COMPETÊNCIA - CONSTITUIÇÃO DE USUFRUTO ONEROSO DE AÇÕES - A receita decorrente da cessão onerosa de parcela do Ativo Permanente, pela constituição de usufruto, é tributável de acordo com o regime de competência. Os órgãos julgadores devem se limitar a rever e exercer o controle do lançamento tributário como colocado no processo, fugindo à sua competência alterá-lo.
Recurso Especial do Procurador Provido em Parte.
Numero da decisão: 9101-001.878
Decisão:
Acordam os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso. Em relação ao rateio de custos, dado provimento por maioria, vencidos os Conselheiros Valmir Sandri (Relator), Karem Jureidini Dias, Marcos Vinicius Barros Ottoni (Suplente Convocado) e Susy Gomes Hoffmann, sendo o redator designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Jorge Celso Freire da Silva. Em relação ao custeio de ações, negado provimento por maioria, vencidos os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão e Jorge Celso Freire da Silva. Declarou-se impedido o Conselheiro João Carlos de Lima Junior, sendo substituído pelo Conselheiro Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado).
(Assinado digitalmente)
Henrique Pinheiro Torres - Presidente Substituto
(Assinado digitalmente)
Marcos Vinícius Barros Ottoni - Redator Ad Hoc - Designado
(Assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Redator Ad Hoc - Designado
Participaram do julgamento os Conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Marcos Vinicius Barros Ottoni (Suplente Convocado), André Mendes de Moura (Suplente Convocado), Jorge Celso Freire da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado), Suzy Gomes Hoffmann e Henrique Pinheiro Torres (Presidente Substituto). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente).
Nome do relator: VALMIR SANDRI
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Não logrando fazêlo, correto o Fisco em utilizar o rateio indireto com base no faturamento. APROPRIAÇÃO DE RECEITAS REGIME DE COMPETÊNCIA CONSTITUIÇÃO DE USUFRUTO ONEROSO DE AÇÕES A receita decorrente da cessão onerosa de parcela do Ativo Permanente, pela constituição de usufruto, é tributável de acordo com o regime de competência. Os órgãos julgadores devem se limitar a rever e exercer o controle do lançamento tributário como colocado no processo, fugindo à sua competência alterálo. Recurso Especial do Procurador Provido em Parte. Acordam os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso. Em relação ao rateio de custos, dado provimento por maioria, vencidos os Conselheiros Valmir Sandri (Relator), Karem Jureidini Dias, Marcos Vinicius Barros Ottoni (Suplente Convocado) e Susy Gomes Hoffmann, sendo o redator designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Jorge Celso Freire da Silva. Em relação ao custeio de ações, negado provimento por maioria, vencidos os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão e Jorge Celso Freire da Silva. Declarouse impedido o Conselheiro João Carlos de Lima Junior, sendo substituído pelo Conselheiro Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 00 09 /2 00 6- 71 Fl. 939DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUT O, Assinado digitalmente em 11/06/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 16327.000009/200671 Acórdão n.º 9101001.878 CSRFT1 Fl. 3 2 (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres Presidente Substituto (Assinado digitalmente) Marcos Vinícius Barros Ottoni Redator Ad Hoc Designado (Assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Redator Ad Hoc Designado Participaram do julgamento os Conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Marcos Vinicius Barros Ottoni (Suplente Convocado), André Mendes de Moura (Suplente Convocado), Jorge Celso Freire da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado), Suzy Gomes Hoffmann e Henrique Pinheiro Torres (Presidente Substituto). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente). Relatório Em sessão de 28 de março de 2007, a 3ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, julgando recurso do contribuinte, deulhe provimento, sendo que em relação ao item omissão de receita de constituição de usufruto a decisão foi por maioria e em relação ao item glosa de rateio de custos foi por unanimidade. O Acórdão recebeu a seguinte ementa: CONSTITUIÇÃO DE USUFRUTO DE AÇÕES AVALIADAS PELO MÉTODO DE EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL CLASSIFICAÇÃO COMO RECEITA APROPRIADA PELO REGIME DE COMPETÊNCIA. LUCRO REAL. O valor correspondente à contrapartida pela constituição dc usufruto de ações avaliadas pelo método da equivalência patrimonial, recebido integralmente no início da vigência do contrato, constitui receita operacional da proprietária, a ser apropriada ao longo do prazo de vigência do usufruto segundo o regime de competência. RATEIO DE CUSTOS. CARACTERIZAÇÃO DA INFRAÇÃO. A indicação da infração pelo fisco deve vir acompanhada dos seus elementos caracterizadores. Não prospera o lançamento que rejeitou rateio de custo de despesas sem o necessário exame dos critérios adotados pelo sujeito passivo. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. A decisão relativa ao auto de infração matriz deve ser igualmente aplicada no julgamento do auto de infração decorrente ou reflexo, urna vez que ambos os lançamentos, matriz e reflexo, estão apoiados nos mesmos elementos de convicção. No prazo legal, a Fazenda Nacional ingressou com Recurso Especial alegando: Fl. 940DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUT O, Assinado digitalmente em 11/06/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 16327.000009/200671 Acórdão n.º 9101001.878 CSRFT1 Fl. 4 3 1 Quanto ao item “glosa do rateio de custos/despesas”, que o acórdão recorrido diverge do acórdão paradigma n° 10516141, proferido em julgamento de recurso voluntário interposto por sociedade do mesmo grupo econômico. 2 Quanto ao item “valores recebidos a título de usufruto oneroso de ações, que a decisão contrariou o art. 187, § 1° da Lei de S/A (Lei 6.404, de 1976). O Presidente da Câmara recorrida admitiu o recurso, por preenchidos os pressupostos legais e regimentais. É o relatório. Voto Vencido Marcos Vinícius Barros Ottoni, Redator Ad Hoc Designado Em face da necessidade de formalização da decisão proferida nos presentes autos, de competência da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais e, tendo em vista que o Conselheiro Valmir Sandri, relator do processo, não mais integra o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, este Conselheiro foi designado Redator Ad Hoc pelo Presidente da 1ª Turma da CSRF, nos termos do item III, do art. 17, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 (RICARF). Destarte, levandose em consideração a minuta de acórdão inicialmente apresentada pelo relator original quando do julgamento do recurso, bem como o seu resultado, proferido pela 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, expresso na Ata da sessão ocorrida em março de 2014, passo a formalizar o voto do relator: O recurso atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, razão pela qual dele tomo conhecimento. 1ª matéria: rateio de custos/despesas Para o recurso de divergência os acórdãos confrontados se referem ao mesmo fato, isto é, ao rateio de despesas/custos entre sociedades integrantes do “Grupo Itaú”. Essa matéria foi por diversas vezes submetida a julgamento pelo antigo Primeiro Conselho de Contribuintes, eis que todas as empresas do Grupo Itaú foram autuadas com base nela. O Acórdão paradigma, no que interessa, tem a seguinte ementa: RATEIO DE CUSTOS. DEDUTIBILIDADE. Não comprovado o critério utilizado para rateio das despesas de pessoal, entre empresas interligadas, prevalece o critério com base na receita bruta. A apreciação do ilustre Relator do voto condutor foi nos seguintes termos: A empresa sustenta que utiliza metodologia correta, apresentou ainda na fase de impugnação Laudos de Avaliação dos Critérios Utilizados no Convênio de Rateio de Custos Comuns pelo Banco Itaú, nos exercícios objeto da autuação. Fl. 941DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUT O, Assinado digitalmente em 11/06/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 16327.000009/200671 Acórdão n.º 9101001.878 CSRFT1 Fl. 5 4 É certo que os custos e despesas efetivamente suportados é que devem compor a equação matemática de apuração do lucro real, porém também é certo que tais custos e despesas devem ser necessários, efetivos, comprovados, escriturados e possíveis de aferição por parte das auditorias, quer independentes, para defesa dos acionistas minoritários, quer por parte da fiscalização tributária. A fiscalização não foi açodada e nem agiu sem motivação ao arbitrar os lucros por método aceito pela boa técnica, pois realizou diversas intimações para vários participantes do convênio e em todos obteve a mesma resposta. É certo que os laudos com data pretérita à ocorrência da fiscalização, poderiam ter sido apresentados aos AFRS no curso dos trabalhos de auditoria, porém assim não agiu a empresa. Realmente a fiscalização não teve acesso ao laudo, a empresa mormente o Itaú centralizadora dos custos, que foi intimado de forma clara, poderia ter já no curso da fiscalização apresentado os laudos que poderiam permitir a aferição, não só dos custos globais como os métodos de rateio pela auditoria. Diante de tal impossibilidade e consciente de que efetivamente a autuada utilizara a rede Itaú para colocar os seus produtos a fiscalização não teve outra alternativa, senão utilizar o método de repartição dos custos de acordo com o percentual de receita. Como não há arbitramento e nem lançamento condicional, não há como acatar os laudos, pois acatálos seria o equivalente a modificar a base de cálculo, alterar o critério de lançamento. Não se trata de entender os critérios adotados como base do rateio pois sem as planilhas previstas no convênio não havia possibilidade de auditagem. A jurisprudência citada quanto a ônus "probandi" não se aplica ao presente caso, pois somente seria aplicável se a empresa tivesse apresentado as planilhas de compartilhamento dos custos e se isso fosse possível de aferição, para glosar qualquer dos itens componentes deveria verbalizar a motivação e comprovar a infração dentro das normas legais que regem os custos e despesas. De fato é preferível o custo efetivo ao custo estimado ou arbitrado com base em outros critérios, porém no caso de custo efetivo é imprescindível a possibilidade de aferição por parte da fiscalização tributária, se a empresa sequer apresenta as planilhas de rateio não há possibilidade de aceitação de tal método. Os laudos não podem mudar o critério de fiscalização, pois se tais laudos de fato existiam por ocasião da auditoria deveriam ter sido apresentados de modo a demonstrar a correção no compartilhamento dos custos de acordo com o convênio assinado, assim seria possível a aferição por parte da fiscalização.”. Em um dos processos que tratam da mesma matéria, de interesse da Itaú Gestão de Ativos S.A, de que fui relator, reporteime à apreciação já feita pela Câmara no Fl. 942DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUT O, Assinado digitalmente em 11/06/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 16327.000009/200671 Acórdão n.º 9101001.878 CSRFT1 Fl. 6 5 Acórdão 10195.791, tendo por Relatora a Conselheira Sandra Maria Faroni, cujos argumentos e fundamentos adotei como razões de decidir, e o faço novamente, transcrevendoos: “(...), a questão a ser elucidada se prende ao rateio de despesas e custos entre empresas do Conglomerado Itaú, em decorrência de Convênio de Rateio de Custos Comuns (CRCC). (...) A elucidação do litígio requer diferentes abordagens de análise. Efetivamente, o fisco não nega a licitude de convênios para repartição de custos entre empresas do mesmo grupo, objetivando mais eficiência. O Termo de Constatação, reportandose a doutrina sobre o tema, menciona que critério de rateio dos custos/despesas pode seguir o método direto e o método indireto. No primeiro (método direto), o rateio é feito de acordo com a quantidade efetiva atribuível a cada um participante, apurável em planilhas nas quais a apropriação dos custos dos homens/hora, das máquinas/equipamentos, etc. observa sua utilização efetiva. No segundo (método indireto) não há uma relação efetiva entre o custo do serviço utilizado e sua remuneração em função do benefício recebido, aplicandose uma proporcionalização com base em determinado parâmetro, sendo o mais utilizado o volume de faturamento. No caso, o convênio firmado entre a Recorrente e as demais empresas do grupo prevê que os custos serão apurados e rateados de acordo com a efetiva utilização , segundo métodos estatísticos e matemáticos, e que o Banco Itaú S/A preparará os demonstrativos dos custos e do respectivo rateio. Durante o procedimento de fiscalização a instituição financeira foi regularmente intimada, com relação a cada uma das empresas participantes do convênio, a comprovar, com documentação hábil e idônea, a efetiva prestação dos serviços que teriam sido prestados pelo Banco Itaú às referidas empresas, identificando e quantificando os funcionários envolvidos na referida prestação e destacando a parcela dos serviços destes que teria sido debitada à empresa contratante, nada apresentando nesse sentido. Essa postura ofende o dever do contribuinte de colaborar com a fiscalização. Como bem destacou a decisão recorrida, a empresa, durante o procedimento de fiscalização, já estava de posse dos laudos elaborados pelos auditores independentes Boucinhas e Campos, e omitiuse de apresentálos. Com a impugnação, o Banco teve nova oportunidade para provar a idoneidade do rateio. Não obstante ter descumprido seu dever de colaboração, a lei faculta a discussão administrativa do lançamento, podendo o sujeito passivo contestálo, declinando os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. A prova documental deve acompanhar a impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, a não ser que ocorra uma das razões especiais previstas na lei ( Decreto nº 70.235/72, arts. 15 e 16) . Fl. 943DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUT O, Assinado digitalmente em 11/06/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 16327.000009/200671 Acórdão n.º 9101001.878 CSRFT1 Fl. 7 6 A questão do ônus da prova é assim abordada por Aurélio Pitanga Seixas1: “Para demonstrar (provar) que a verdadeira conduta tributável (fato gerador ocorrido ou fato imponível) é aquela representada em seus livros de contabilidade e declarações tributárias e, consequentemente, demonstrar (provar) o desacerto e o equívoco da representação do fato gerador escriturada pelo fiscal lançador deverá o contribuinte anexar ao recurso administrativo todos os meios de prova ao seu alcance., como cópias de documentos representativos das operações comerciais, cópias dos registros contábeis, etc., etc.” Ao repartir o ônus da prova, o direito processual tem em mente o objetivo do processo, que é chegar a uma solução final. Na lição de Antônio da Silva Cabral 2, “ a palavra processo, em sentido estrito, exprime a própria seqüência de atos e termos, para a obtenção da justiça no caso concreto. Supõe, portanto, a prática de atos que obedecem a uma ordem preestabelecida e cumprimento de prazos. Prática de atos preestabelecidos e observância de prazos são dois pilares do processo propriamente dito.”(negritos acrescentados). (...) (...), considerou a decisão recorrida que nem com a impugnação o sujeito passivo apresentou os elementos (demonstrativos, planilhas, etc.) para comprovar a regularidade do rateio. Dentro do que lhe foi apresentado, irretocável a decisão recorrida. Isso porque os elementos trazidos não eram foram suficientes para formação da convicção, e diligências ou perícias na fase de julgamento se justificam quando o sujeito passivo tiver trazido todos os elementos de que dispunha para provar a correção do seu procedimento e quando essas provas tiverem gerado dúvidas no espírito do julgador. Não, porém, se o impugnante não se desincumbiu desse ônus, como no caso concreto. Em que pese o princípio do formalismo moderado que informa o processo administrativo fiscal, não é razoável, depois da impugnação, a reabertura de oportunidade ao sujeito passivo para trazer a prova quando, sem qualquer justificativa aceitável, ele deixou de fazêlo em duas oportunidades anteriores (no curso da fiscalização e com a impugnação). Isso poderia significar a reabertura do procedimento fiscalizatório e a eternização do processo, com a frustração de seus objetivos. De se observar que a fiscalização não rejeitou o critério adotado pelo impugnante, mas se viu impossibilitada de conferilo, pela não apresentação dos demonstrativos que o respaldam. Não cabe exigir da fiscalização que, ante a ausência de fornecimento de elementos para averiguar o rateio feito, o homologue. Por outro lado, não é razoável impugnar o rateio de despesas, se não houver dúvidas quanto à efetiva repartição dos custos. Assim, a fiscalização agiu com ponderação e equilíbrio ao acatar o rateio 1 In “A Prova Pericial no Processo Administrativo Fiscal” Processo Administrativo Fiscal Dialética junho 1995 2 In “Processo Administrativo Fiscal” –São Paulo: Saraiva, 1993, p. 4 Fl. 944DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUT O, Assinado digitalmente em 11/06/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 16327.000009/200671 Acórdão n.º 9101001.878 CSRFT1 Fl. 8 7 aplicando o método indireto, o único a que pôde ter acesso e que, inclusive, é o mais freqüentemente adotado. Ocorre que o Recorrente está agora trazendo pareceres técnicos de renomadas entidades, que analisam procedimentos contábeis do Banco Itaú, relacionados ao convênio de rateio de custos, e relatam uma revisão e avaliação dos métodos utilizados no rateio de custos comuns do Conglomerado Itaú nos exercícios de 1999 a 2003. A primeira questão que se põe é definir se esses trabalhos devem ser levados em consideração nessa altura do processo. E essa definição demanda a ponderação de princípios, uma vez que, como já dito, não obstante o processo administrativo fiscal ser informado pelo princípio da verdade material e do formalismo moderado, a inobservância da prática de atos preestabelecidos e de prazos desvirtua o objetivo do processo. Sopesando os princípios da verdade material e do formalismo moderado com o princípio finalístico do processo, entendo que, caso os documentos trazidos com o memorial não permitissem ao julgador formar convicção, mas demandassem diligência, não deveriam ser considerados nessa fase processual. Da análise dos documentos trazidos, a primeira constatação que aflora é de que a possibilidade de verificação do rateio pelo fisco não se resumiria a analisar “planilhas e demonstrativos”, exigindo uma auditoria profunda, tal como as feitas, especialmente, pelo FIPECAFI e pela Moore Stephens, cujos relatórios se encontram anexados ao memorial. Essa constatação atenua a percepção de que o contribuinte teria descumprido seu dever de colaboração com a fiscalização. Veja se que, ao ser intimado a comprovar, com documentação hábil e idônea, a efetiva prestação dos serviços que teriam sido prestados pelo Banco Itaú às demais empresas, identificando e quantificando os funcionários envolvidos na referida prestação e destacando a parcela dos serviços destes que teria sido debitada à empresa contratante, o Banco esclareceu ser inviável, face ao sistema de compartilhamento de custos, identificar quais funcionários trabalham para cada uma das empresas. Aduziu que o processo de apuração do montante a ser rateado mensalmente toma como base os valores efetivamente utilizados, bem como os volumes produzidos pelos recursos compartilhados e que, para tanto, utiliza um modelo de apuração de custos, em que os custos departamentalizados são alocados aos produtos ou diretamente às empresas através da medição dos custos das áreas envolvidas. Esclareceu que o rateio abrange um imenso volume de informações, visto envolver praticamente toda a estrutura operacional do conglomerado, e se dispôs a prestar os esclarecimentos que se fizessem necessários. A análise do FIPECAFI contemplou aspectos conceituais e procedimentais relativos ao sistema de custos utilizado pelo Grupo Itaú e à forma de rateio, a abrangeu o período de 1999 a 2003. Convém pinçar alguns registros contidos no relatório produzido por aquele Instituto: (...) Fl. 945DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUT O, Assinado digitalmente em 11/06/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 16327.000009/200671 Acórdão n.º 9101001.878 CSRFT1 Fl. 9 8 Em sua conclusão, afirma o parecer do FIPECAFI que: (a) o procedimento está conceitualmente correto; (b) nas duas formas de ressarcimento (com base na grade de rateio e com base no custo dos produtos efetivamente comercializados) houve mensuração sistemática, direita e indireta, individualizada por empresa; (c) embora a empresa venha migrando, gradativamente, do ressarcimento feito com base na grade de custeio para o feito com base no custo dos produtos – na medida em que se aperfeiçoa o processo de mensuração de seus custos – não foi detectada utilização assistemática, errática ou aleatória de critérios de rateio, como se houvesse intuito de manipular resultados. Da mesma forma, a Moore Stephens Auditores Independentes, no item 2 do Relatório de Avaliação dos Métodos Utilizados, descreve as principais características do sistema de custos adotado pelo Grupo Itaú. No item 3, para melhor visualizálo, apresenta dois casos reais, e no item 5 conclui que o sistema atende a diversas e importantes finalidades, uma das quais é a mensuração dos valores devidos pelas empresas do Conglomerado Itaú pelo compartilhamento das estruturas administrativa, operacional e comercial do Itaubanco. Considero que os documentos trazidos, cuja anexação aos autos foi determinada, demonstram que os valores foram rateados tendo em vista a efetiva utilização dos serviços e à necessidade das empresas, não podendo prevalecer a glosa. Sendo assim, por comungar integralmente com os argumentos acima despendido em relação à matéria posta no presente item, voto no sentido de negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional quanto a este item. 2ª matéria: usufruto de ações Essa matéria deu azo a recurso da Fazenda Nacional fundado em contrariedade à lei. Sobre ela, o Termo de Verificação assentou que “o usufruto oneroso tem uma semelhança estreita com a locação, pois, tanto na locação como no usufruto uma das partes (locador, na locação; e proprietário/cedente, no usufruto) cede à outra (locatário e usufrutuário, respectivamente), por tempo determinado ou não e mediante retribuição previamente pactuada, o uso e gozo de uma coisa não fungível. A principal diferença consiste em que enquanto na locação o direito é pessoal, no usufruto é real; o direito do locatário se exerce contra o locador; o do usufrutuário, erga omnes.”. Ao apreciar o tema, o voto condutor do Acórdão recorrido assim se expressou: “O preço recebido como contraprestação pela constituição do usufruto independe de resultados futuros oriundos do seu investimento em participação societária. É, portanto, receita da proprietária (ora recorrente), referente a período de 12 meses, conforme item 2 do instrumento às fls. 12 do anexo 1, recebida no início do período de vigência. Os custos e despesas decorrentes do usufruto, devidamente contabilizados, terão Fl. 946DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUT O, Assinado digitalmente em 11/06/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 16327.000009/200671 Acórdão n.º 9101001.878 CSRFT1 Fl. 10 9 influência na apuração do resultado do exercício, como de resto ocorre com todos os custos e despesas legais da pessoa jurídica. Ressalvese que no caso concreto, o contrato não previu qualquer dispêndio para a proprietária.. Segundo a técnica contábil usualmente aceita, o montante recebido deve ser inicialmente apropriado a crédito em conta de passivo, pelo seu total, e a débito de conta ativa, representativa de disponibilidades, "caixa ou "bancos", conforme a situação. Com a fluência do prazo contratual, transferese mês a mês o valor correspondente a 1/12 do total recebido da conta passiva (débito) para conta de receita operacional (crédito), reconhecendose, dessa forma a receita relativa à constituição do usufruto pelo seu período de vigência, conforme recomenda o regime de competência (art. 177 da Lei 6.404/76). (...) Entretanto, em que pese o erro da recorrente, bem se vê que o esquema contábil acima descrito, com a distribuição do reconhecimento da receita pelos 12 meses de duração do contrato, pressupõe o oferecimento à tributação da receita na proporção de 2/12 em 2001, correspondente aos meses de novembro e dezembro daquele anocalendário, haja vista a opção da recorrente pela apuração da base de cálculo de IRPJ e CSLL pelo regime do lucro real. Assim, o lançamento foi equivocado quanto à mensuração da base de cálculo por tributar integralmente no anocalendário 2001 a receita de 12 meses (01/11/2001 a 31/10/2002), referente aos anoscalendário 2001 e 2002, nas proporções de 2/12 e 10/12, respectivamente. Tal critério, na prática, resultou na adoção do regime de caixa em detrimento do regime de competência. (...)”. Como visto, a Câmara recorrida reconheceu, por unanimidade, que o valor correspondente recebido pela constituição do usufruto é receita do proprietário, tal como entendeu o Fisco, mas cancelou o lançamento por ter entendido que, ao lançar o valor integralmente no anocalendário de 2001, restou violado o regime de competência, previsto no art. 177 da Lei nº 6.404/76, e adotado o regime de caixa. Estabelece o art. 177 da Lei 6.404/76. Art. 177. A escrituração da companhia será mantida em registros permanentes, com obediência aos preceitos da legislação comercial e desta Lei e aos princípios de contabilidade geralmente aceitos, devendo observar métodos ou critérios contábeis uniformes no tempo e registrar as mutações patrimoniais segundo o regime de competência.” A Fazenda Nacional alega violação ao art. 187, § 1º da Lei nº 6.404/76, que prevê: Art. 187. A demonstração do resultado do exercício discriminará: (...) Fl. 947DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUT O, Assinado digitalmente em 11/06/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 16327.000009/200671 Acórdão n.º 9101001.878 CSRFT1 Fl. 11 10 § 1º Na determinação do resultado do exercício serão computados: a) as receitas e os rendimentos ganhos no período, independentemente da sua realização em moeda; e b) os custos, despesas, encargos e perdas, pagos ou incorridos, correspondentes a essas receitas e rendimentos. Afirma que, além de violação ao referido dispositivo, restou violado o princípio da competência disciplinado na Resolução CFC 750, de 1993. Postula que somente deve ser excluída da tributação, em relação à constituição de usufruto, no máximo, os valores reconhecidos sem observância do regime de competência, e não a exclusão total do crédito tributário, como foi decidido pela Câmara. Argumenta, ainda, que o acórdão desrespeitou o princípio do aproveitamento dos atos administrativos quando o vício apresentado é passível de ser sanado, como o caso em análise, e não convalidou o auto de infração para adequar os valores tributados ao regime de competência. Como visto, o auto de infração violou o regime de competência, ao tributar num único períodobase uma receita que deveria ter sido rateada pelos 12 meses a que compete. Por seu turno, o não reconhecimento, no resultado do exercício de 2001, parcela da receita já recebida e que a ele competiria (no caso, 2/12 ) representa violação ao § 1º do art. 187 da Lei nº 6.404/76. A questão, no caso, é definir se a Câmara poderia alterar o lançamento produzido pelo fisco. Entendo que se assim o fizesse, a Câmara estaria alterando os critérios e o fundamento do lançamento original e procedendo a um novo lançamento. Ora, a competência legal para executar o lançamento cabe exclusivamente a autoridade lançadora (Auditor Fiscal). Os órgãos julgadores devem se limitar a rever e exercer o controle do lançamento tributário como colocado no processo, fugindo à sua competência alterálo. Pelas razões expostas, nego provimento ao recurso da Fazenda Nacional. É como voto. (Assinado digitalmente) Marcos Vinícius Barros Ottoni Voto Vencedor Leonardo de Andrade Couto Redator Ad Hoc Designado Em face da necessidade de formalização da decisão proferida nos presentes autos, de competência da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais e, tendo em vista que o Conselheiro Jorge Celso Freire da Silva, redator designado para redigir o voto vencedor, Fl. 948DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUT O, Assinado digitalmente em 11/06/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 16327.000009/200671 Acórdão n.º 9101001.878 CSRFT1 Fl. 12 11 não mais integra o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, este Conselheiro foi designado Redator Ad Hoc pelo Presidente da 1ª Turma da CSRF, nos termos do item III, do art. 17, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 (RICARF). O voto vencedor deve tratar do rateio de custos entre empresas ligadas. Manifestouse o I. Relator pela correção do procedimento do sujeito passivo, tendo como base voto proferido pela exConselheira Sandra Faroni em julgamento anterior sobre a mesma matéria. Apesar de reconhecer que a Fiscalização conduziu o procedimento de forma criteriosa e registrar as falhas cometidas pela interessada no atendimento às solicitações do Fisco, o relator entendeu que o demonstrativo elaborado pela empresa de auditoria seria suficiente para atestar a regularidade do rateio efetuado. Nesse ponto, partilho do entendimento da recorrente no serntido de que o laudo não supre as omissões praticadas pelo sujeito passivo no que se refere à regularidade dos valores lançados na contabilidade e a efetividade dos custos. Mais ainda, o laudo limitase a afirmar genericamente que os critérios utilizados pela recorrente estão conforme as normas mas não apresenta elementos analíticos que os justifiquem. Do exposto, voto por dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional nesse item. (Assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Fl. 949DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUT O, Assinado digitalmente em 11/06/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 19515.001937/2007-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue May 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
DECADÊNCIA. OMISSÃO DE RECEITA. NÃO OCORRÊNCIA.
O fato gerador da omissão de receita é o registro do passivo não comprovado, e não a origem da despesa da importação, pois são imputações e fundamentos diferentes. A autuação se dá em relação ao passivo não comprovado do ano de 2002, e não sobre a glosa das despesas de anos anteriores. Não houve a decadência quanto ao direito do Fisco exigir o IRPJ e a CSL relativo ao passivo registrado em 2002.
ITEM 1 - "OMISSÃO DE VENDAS"
A omissão de vendas devidamente reclassificada, ao transitar pela conta de resultado sob o titulo de "outras vendas", permite afirmar que foi devidamente oferecida tributação.
ITEM 2 - PASSIVO OUTRAS CONTAS A PAGAR
A autuação não se trata de glosa de despesa, mas de omissão de receita por passivo fictício.
Tratando-se de presunção legal de omissão de receitas, é irrelevante se as despesas foram ou não deduzidas no ano-calendário.
ITEM 3 - "PASSIVO NÃO COMPROVADO"
As provas trazidas nos autos demonstram que as importações ocorreram junto a sociedade controladora e o passivo fora registrado, portanto o passivo doi comprovado. Parte da dívida foi capitalizada em favor do sócio estrangeiro Roche Diagnostics para aumento de capital, não existindo irregularidades na operação visto que o passivo foi comprovado.
ITEM 4 - "PROVISÕES NÃO COMPROVADAS"
Não obstante a decisão recorrida ter aplicado o artigo 13 da Lei nº 9.249/95, em que veda a dedução de qualquer provisão, excetos as contidas para pagamento de férias de empregados e de décimo terceiro salário, o fato é que a contribuinte adicionou na base de cálculo do IRPJ e da CSLL o respectivo valor deduzido da provisão, portanto, podemos afirmar que o lucro tributável ficou preservado.
ITEM 5 - "DESPESAS NÃO NECESSÁRIAS"
As despesas não comprovadas com perdas com câmbio da importação está relacionada com a existência do passivo e as importações de mercadorias, consideradas como comprovadas e válidas.
CSLL. PIS e COFINS.
Tributação reflexa.
Recurso conhecido e parcialmente provido.
Numero da decisão: 1201-001.121
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, INDEFERIRAM as preliminares de nulidade e de decadência e, no mérito, DERAM provimento PARCIAL ao recurso voluntário, para cancelar os itens 1, 3, 4 e 5 do Auto de Infração.
(documento assinado digitalmente)
RAFAEL VIDA DE ARAÚJO - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
RAFAEL CORREIA FUSO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rafael Vidal de Araújo (Presidente), Marcelo Cuba Netto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado e Joselaine Boeira Zatorre.
Nome do relator: RAFAEL CORREIA FUSO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2002 DECADÊNCIA. OMISSÃO DE RECEITA. NÃO OCORRÊNCIA. O fato gerador da omissão de receita é o registro do passivo não comprovado, e não a origem da despesa da importação, pois são imputações e fundamentos diferentes. A autuação se dá em relação ao passivo não comprovado do ano de 2002, e não sobre a glosa das despesas de anos anteriores. Não houve a decadência quanto ao direito do Fisco exigir o IRPJ e a CSL relativo ao passivo registrado em 2002. ITEM 1 - "OMISSÃO DE VENDAS" A omissão de vendas devidamente reclassificada, ao transitar pela conta de resultado sob o titulo de "outras vendas", permite afirmar que foi devidamente oferecida tributação. ITEM 2 - PASSIVO OUTRAS CONTAS A PAGAR A autuação não se trata de glosa de despesa, mas de omissão de receita por passivo fictício. Tratando-se de presunção legal de omissão de receitas, é irrelevante se as despesas foram ou não deduzidas no ano-calendário. ITEM 3 - "PASSIVO NÃO COMPROVADO" As provas trazidas nos autos demonstram que as importações ocorreram junto a sociedade controladora e o passivo fora registrado, portanto o passivo doi comprovado. Parte da dívida foi capitalizada em favor do sócio estrangeiro Roche Diagnostics para aumento de capital, não existindo irregularidades na operação visto que o passivo foi comprovado. ITEM 4 - "PROVISÕES NÃO COMPROVADAS" Não obstante a decisão recorrida ter aplicado o artigo 13 da Lei nº 9.249/95, em que veda a dedução de qualquer provisão, excetos as contidas para pagamento de férias de empregados e de décimo terceiro salário, o fato é que a contribuinte adicionou na base de cálculo do IRPJ e da CSLL o respectivo valor deduzido da provisão, portanto, podemos afirmar que o lucro tributável ficou preservado. ITEM 5 - "DESPESAS NÃO NECESSÁRIAS" As despesas não comprovadas com perdas com câmbio da importação está relacionada com a existência do passivo e as importações de mercadorias, consideradas como comprovadas e válidas. CSLL. PIS e COFINS. Tributação reflexa. Recurso conhecido e parcialmente provido.
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 DECADÊNCIA. OMISSÃO DE RECEITA. NÃO OCORRÊNCIA. O fato gerador da omissão de receita é o registro do passivo não comprovado, e não a origem da despesa da importação, pois são imputações e fundamentos diferentes. A autuação se dá em relação ao passivo não comprovado do ano de 2002, e não sobre a glosa das despesas de anos anteriores. Não houve a decadência quanto ao direito do Fisco exigir o IRPJ e a CSL relativo ao passivo registrado em 2002. ITEM 1 "OMISSÃO DE VENDAS" A omissão de vendas devidamente reclassificada, ao transitar pela conta de resultado sob o titulo de "outras vendas", permite afirmar que foi devidamente oferecida tributação. ITEM 2 PASSIVO “OUTRAS CONTAS A PAGAR” A autuação não se trata de glosa de despesa, mas de omissão de receita por passivo fictício. Tratandose de presunção legal de omissão de receitas, é irrelevante se as despesas foram ou não deduzidas no anocalendário. ITEM 3 "PASSIVO NÃO COMPROVADO" As provas trazidas nos autos demonstram que as importações ocorreram junto a sociedade controladora e o passivo fora registrado, portanto o passivo doi comprovado. Parte da dívida foi capitalizada em favor do sócio estrangeiro Roche Diagnostics para aumento de capital, não existindo irregularidades na operação visto que o passivo foi comprovado. ITEM 4 "PROVISÕES NÃO COMPROVADAS" Não obstante a decisão recorrida ter aplicado o artigo 13 da Lei nº 9.249/95, em que veda a dedução de qualquer provisão, excetos as contidas para AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 19 37 /2 00 7- 13 Fl. 3499DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 08/05 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 2 pagamento de férias de empregados e de décimo terceiro salário, o fato é que a contribuinte adicionou na base de cálculo do IRPJ e da CSLL o respectivo valor deduzido da provisão, portanto, podemos afirmar que o lucro tributável ficou preservado. ITEM 5 "DESPESAS NÃO NECESSÁRIAS" As despesas não comprovadas com perdas com câmbio da importação está relacionada com a existência do passivo e as importações de mercadorias, consideradas como comprovadas e válidas. CSLL. PIS e COFINS. Tributação reflexa. Recurso conhecido e parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, INDEFERIRAM as preliminares de nulidade e de decadência e, no mérito, DERAM provimento PARCIAL ao recurso voluntário, para cancelar os itens 1, 3, 4 e 5 do Auto de Infração. (documento assinado digitalmente) RAFAEL VIDA DE ARAÚJO Presidente. (documento assinado digitalmente) RAFAEL CORREIA FUSO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rafael Vidal de Araújo (Presidente), Marcelo Cuba Netto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado e Joselaine Boeira Zatorre. Relatório Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado pela fiscalização federal, que cobra da contribuinte IRPJ, CSLL, Pis e Cofins, relativo ao anobase de 2002, conforme as seguintes imputações fiscais feitas no Termo de Verificação: a) Omissão de receita correspondente à venda não contabilizada e não declarada. Nota fiscal fatura n° 32.293, emitida em 04/01/2002 no valor de R$ 88.191,15; Fl. 3500DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 08/05 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 19515.001937/200713 Acórdão n.º 1201001.121 S1C2T1 Fl. 3 3 b) Omissão de receita em razão de passivo não comprovado. Provisão contabilizada para pagamento de confecção de notas fiscais e Pis e Cofins sobre remessa do exterior. Registrado na conta “outras contas a pagar”, cujo saldo em 31/12/2002 era de R$ 67.799,95; c) Omissão de receita por falta de comprovação da origem do passivo registrado na conta “fornecedores afiliadas”, no valor de R$ 28.010.027,25; d) Omissão de receita por falta de comprovação da origem do passivo registrado na conta provisão para litígios, no valor de R$ 1.001.432,60; e) Despesas não comprovadas. Perdas de câmbio. Despesas lançadas como perdas de câmbio na importação, sem apresentar comprovantes da despesa. A fiscalização alega que a contribuinte não comprova a existência da transação, muito menos qualquer tipo de variação cambial. Valor tributável de R$ 14.454.836,21. Com isso, a empresa foi intimada a reduzir o seu prejuízo fiscal do período de 2002, do valor de R$ 13.762.436,05 para zero e a base negativa da CSLL de R$ 13.762.439,78 para zero. O auto de infração foi lavrado em 30/07/2007, com multa de 75%. Não há imputação de dolo, fraude ou simulação. Inconformada com o lançamento, a contribuinte apresentou impugnação em 29/08/2007. Os autos, antes do julgamento, baixaram em diligência, conforme decisão abaixo transcrita: A empresa alega dentre outros argumentos, que quanto ao passivo não comprovado com fornecedores afiliados, no valor de R$ 28.010.027,25, o mesmo decorre de importações realizadas pela AVL Instrumentos Médicos Ltda. (AVL Brasil) – controlada pela AVL Biomedical Instruments AG (AVL Suíça) entre 1994 e 2001, conforme as notas Fiscais de compra, notas fiscais de entrada, guias de importação e pelos registros das operações no Banco Central, elementos agrupados conforme o ano da importação (docs n.° 6 a 534). A impugnante explica, também, um conjunto de alterações societárias, para concluir que a controladora prorrogou o prazo de vencimento das obrigações e que a situação do passivo em aberto foi resolvida somente em 2003, quando grande parte da dívida (R$ 19.893.292,64) foi capitalizada em favor do sócio estrangeiro Roche Diagnostics (doc n.° 544) e uma pequena parcela (R$ 1.195.681,20) foi objeto de perdão de dívida (doc n.° 545), nada tendo sido dito sobre a diferença. Quanto às despesas não comprovadas (perdas de câmbio) no valor de R$ 14.454.836,21, a impugnante explica que se trata de despesa com variação cambial passiva afeta à conta Fornecedores Afiliadas. Fl. 3501DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 08/05 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 4 As provas referentes ao passivo e à despesa desacompanhadas dos livros Razão e das memórias e/ou planilhas de cálculo da variação cambial não permitem concluir quanto desses valores estão comprovados, pois em relação ao passivo, só é possível cotejar os valores em dólares das "invoices" com os da planilha (docs n.° 6 a 534), havendo, todavia, discrepâncias, em moeda estrangeira, entre o total da planilha de fl. 255 e o total do quadro da primeira fl. do doc n.° 544, bem como em relação aos totais do doc n.° 535. Da mesma forma quanto às despesas, pois as memórias de cálculo não foram apresentadas. Assim, proponho encaminhar o processo à DEFIC/SPO para a realização de diligência em que a fiscalização examine, dentre outros documentos que julgar necessários, os livros Razão das contas Fornecedores Afiliadas, Perdas com Câmbio e Bancos, bem como as memórias de cálculo da variação cambial, para apurar os valores não comprovados das contas em tela. Foram requisitados ao contribuinte os seguintes documentos e informações: No exercício das atribuições inerentes ao cargo de Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, em cumprimento ao Mandado de Procedimento Fiscal em referência, o qual solicita informação no processo administrativo fiscal acima, tendo em vista a impugnação apresentada pelo contribuinte, intimo o contribuinte supra qualificado, a apresentar no prazo de 5 (cinco) dias, os documentos especificados abaixo. 1) Em face dos documentos apresentados tempestivamente na impugnação ao Auto de Infração, cujo Processo Administrativo Fiscal recebeu o numero mencionado acima, cuja análise não permitiu concluirse pela pretendida comprovação do passivo objeto de parte da citada autuação fiscal, pedese a apresentação de cópias autenticadas dos razões analíticos da conta Fornecedores Afiliadas 2131101101, das datas em que teriam havido os lançamentos dos valores contestados. 2) Pedese também as cópias dos razões analíticos da conta Perdas Câmbio Import. Afiliadas 31130203, com os lançamentos dos valores autuados e contestados, bem como planilha detalhada dos cálculos das variações cambiais e dos juros incidentes sobre as citadas obrigações. 3) Esclarecer o motivo da diferença de valor em US$ existente entre o valor do saldo da conta Fornec. Afiliadas (US$ 7.927.440,99), apresentada na planilha Doc. 544 da impugnação, e o valor que consta da planilha que inicia a apresentação dos Doc. 6 a 534 (US$7.914.802,46). A contribuinte apresentou petição, alegando o seguinte: 1. Em 29.8.2007, por não se conformar com a exigência tributária consubstanciada no Auto de Infração objeto deste processo administrativo, a Requerente apresentou sua Impugnação. Em complemento à documentação acostada à Impugnação, a D. Fiscalização lavrou Termo de Intimação, em 24.9.2008, no qual é requerido o que segue: Fl. 3502DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 08/05 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 19515.001937/200713 Acórdão n.º 1201001.121 S1C2T1 Fl. 4 5 (i) cópias autenticadas dos razões analíticos da conta Fornecedores Afiliadas 2131101101, das datas em que teriam havido os lançamentos dos valores contestados; (ii) cópias dos razões analíticos da conta Perdas Câmbio Import. Afiliadas 31130203, com os lançamentos dos valores autuados e contestados, bem como planilha detalhada dos cálculos das variações cambiais; e (iii) esclarecimento sobre a diferença entre o valor em US$ do saldo da conta Fornec. Afiliadas (US$ 7.927.644,99) e o valor que consta da planilha que inicia a apresentação dos Doc. 6 a 534 (US$ 7.914.802,46). 2. Neste Auto de Infração a D. Fiscalização exige valores que teriam supostamente reduzido o lucro real da Requerente no anocalendário de 2002. Ocorre que no período contestado não houve qualquer lançamento em sua conta de Fornecedores Afiliadas. 3. De fato, como amplamente demonstrado na Impugnação, a D. Fiscalização pretendeu glosar despesas que não foram deduzidas no anocalendário de 2002, mas que apenas constavam em aberto no seu balanço patrimonial. 4. Sendo assim, em atendimento à referida intimação, requerse, tempestivamente, a juntada de cópia dos razões analíticos do anocalendário de 2002, que demonstram a inexistência de quaisquer operações com fornecedores afiliados naquele ano calendário (Docs. no 2 e 3), bem como de planilha que demonstra o cálculo das variações cambiais no anocalendário de 2002 (Doc. 4) 5. Além disso, a Requerente informa que está apurando a origem da diferença entre os valores totais do saldo da conta de Fornecedores Afiliadas informados na documentação acostado aos autos. Em vista do volume de documentos a serem examinados, requerse prazo adicional de 15 dias para que a análise seja finalizada. Nova intimação foi feita pela fiscalização, para que o contribuinte possa atender o seguinte: 1) Em face dos documentos apresentados tempestivamente na impugnação ao Auto de Infração, cujo Processo Administrativo Fiscal recebeu o numero mencionado acima, cuja análise não permitiu concluirse pela pretendida comprovação do passivo objeto de parte da citada autuação fiscal, pedese a apresentação de cópias autenticadas dos razões analíticos da conta Fornecedores Afiliadas, das datas em que teriam havido os lançamentos dos valores contestados. 2) Pedese também as cópias dos razões analíticos da conta Perdas Câmbio Import. Afiliadas 31130203, com os lançamentos dos valores autuados e contestados, bem como planilha detalhada dos cálculos das variações cambiais e dos juros incidentes sobre as citadas obrigações. Fl. 3503DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 08/05 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 6 3) Esclarecer o motivo da diferença de valor em US$ existente entre o valor do saldo da conta Fornec. Afiliadas (US$ 7.927.440,99), apresentado na planilha Doc. 544 da impugnação, e o valor que consta da planilha que inicia a apresentação dos Doc. 6 a 534 (US$7.914.802,46). Em resumo, conforme consta do Termo de Informação Fiscal, ficou consignado pela fiscalização que: A análise dos documentos juntados mostrou que: a) Para o item 1 da intimação, o contribuinte juntou apenas cópias do razão da conta Fornecedores Afiliadas do ano de 2002, que não traz no seu bojo os lançamentos dos valores autuados e contestados, originários de períodos fiscais anteriores, em nada alterando a situação de não comprovação daquele passivo, nada havendo a considerar ou alterar na tributação havida; b) Para o item 2 da intimação, o contribuinte juntou o razão da conta Perdas Câmbio Import. Afiliadas 31130203, como solicitado, alem da planilha sintética de variação cambial, a qual contem apenas os saldos mês a mês, em US$ e R$, contemplando as supostas variações cambiais, sem apresentar as movimentações das faturas (invoices), tanto em US$ e R$, cuja falta de detalhamento permite apenas conhecer os valores lançados mensalmente, sem permitir a comprovação dos valores atribuídos a cada obrigação em moeda estrangeira pendente, por ocasião dos lançamentos, em resumo não atendendo o solicitado, nem demonstrando formalmente os valores debitados. c) Para o item 3 da intimação nada foi apresentado. No oficio apresentado o contribuinte solicita prazo adicional de 15 (quinze) dias para juntada de outros documentos, que desconsideramos por entender que o prazo dado na intimação de 5 (cinco) dias para resposta esgotouse no dia 15/09/2008, sendo a data de apresentação o dia 30/09/2008, portanto intempestiva, no mesmo procedimento que pautou o contribuinte durante a fiscalização, tendo sido o mesmo intimado e reintimado a apresentar as comprovações necessárias, recebendo ainda Termo de Constatação no qual foi comunicado mais uma vez da falta de comprovações, sem atender ao solicitado. Em obediência ao mandamento legal do Art. 44 da Lei 9784/99, será encaminhada cópia desta Informação Fiscal ao contribuinte, para sua manifestação sobre a instrução do Processo Administrativo Fiscal, no prazo de 10 (dez) dias, após o que o PAF será devolvido para a DRJ/SPO I, para prosseguimento. Intimado a se manifestar sobre o relatório conclusivo da fiscalização, em 24/11/2008, a contribuinte apresenta as seguintes considerações: 1. Em 29.8.2007, por não se conformar com a exigência tributária consubstanciada no Auto de Infração objeto deste processo administrativo, a Requerente apresentou sua Impugnação. Em complemento à documentação acostada à Fl. 3504DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 08/05 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 19515.001937/200713 Acórdão n.º 1201001.121 S1C2T1 Fl. 5 7 Impugnação, a D. Fiscalização lavrou Termo de Intimação, em 24.9.2008, no qual foram requeridos diversos documentos. 2. No dia 30.9.2008 a Requerente apresentou a documentação solicitada. Não obstante a demonstração de que os atos praticados pela Requerente estão em consonância com a legislação tributária vigente, a D. Fiscalização manifestouse no sentido de que "o contribuinte juntou apenas cópias do razão da conta Fornecedores Afiliadas para o ano de 2002, que não traz no seu bojo os lançamentos dos valores autuados e contestados, originários de períodos fiscais anteriores, em nada alterando a situação de não comprovação daquele passivo, nada havendo a considerar ou alterar na tributação havida. 3. Neste Auto de Infração a D. Fiscalização exige valores que teriam supostamente reduzido o lucro real da Requerente no anocalendário de 2002. 4. Ocorre que, como demonstrado na documentação acostada aos autos, no período contestado não houve qualquer lançamento em sua conta de Fornecedores Afiliadas. De fato, como amplamente demonstrado na Impugnação, a D. Fiscalização pretendeu glosar despesas que não foram deduzidas no anocalendário de 2002, mas que apenas constavam em aberto no seu balanço patrimonial. 5. Sendo assim, a Requerente reitera os termos de sua Impugnação, de forma que deve ser a Impugnação integralmente provida, com o conseqüente cancelamento do auto de infração. A DRJ de São Paulo manteve o lançamento fiscal, conforme decisão abaixo transcrita: PRELIMINAR. DECADÊNCIA. A impugnação, tempestiva, traz preliminar de decadência, com argumentos de praxe, apoiandose no fato de que as despesas que geraram a obrigação registrada no balanço em 2002, "não foi deduzida neste anocalendário", mas, sim, que as operações contestadas ocorreram entre 1994 e 2001, quando as importações foram realizadas pela AVL Brasil e as respectivas despesas foram deduzidas. Vejase que a infração de não comprovação de um passivo conta patrimonial – é totalmente diferente da infração de não comprovação de uma despesa conta de resultado mesmo que esta, eventualmente, lhe tenha dado causa. O fato gerador da despesa ocorre no anocalendário em que a mesma é apropriada ao resultado, ao passo que o fato gerador da omissão de receita caracterizada pelo passivo não comprovado ocorre sempre que um passivo conste no balanço de um certo anocalendário e o contribuinte não consiga comprovar sua existência naquele anocalendário. Fl. 3505DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 08/05 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 8 A autuação em tela trata de passivo não comprovado do ano calendário de 2002, e não de glosa das despesas de anos anteriores, que supostamente lhe teriam dado causa. Preliminar indeferida. MÉRITO. OMISSÃO DE RECEITA. PASSIVO FICTÍCIO. FORNECEDORES AFILIADOS. Este item da autuação diz respeito à própria alegação de decadência, estando em discussão o direito de o Fisco examinar a documentação de datas anteriores à da ocorrência do fato gerador, pois a impugnante não só alegou a decadência, como, mesmo intimada, não apresentou o Razão analítico dessa conte anos anteriores. Diz o RIR/99: "Conservação de Livros e Comprovantes Art. 264. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes , os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial (DecretoLei n° 486, de 1969, art. 4°). § 3° Os comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão conservados até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios (Lei n° 9.430, de 1996, art. 37)." (grifouse) Portanto, a teor do § 3°, está claro que os comprovantes, mesmo de períodos decaídos, devem ser apresentados, que foi o que a impugnante fez, na impugnação. No entanto, o § 3° não pode ser interpretado separadamente do "caput" do art. 264, ou seja, se os livros devem ser guardados enquanto se referirem a atos ou operações que possam vir a modificar sua situação patrimonial, é óbvio, que devem ser apresentados à fiscalização, mediante a respectiva intimação. Notese que esse dispositivo não representa uma "nova regra de decadência% como à primeira vista poderia aparentar. Por exemplo: a compensação de prejuízo fiscal, com a limitação de 30% do lucro real ajustado, pode levar vários anos para esgotar o saldo do prejuízo apurado num certo anocalendário. Se essa compensação findar no décimo ano, a empresa pode vir a ser intimada a comprovar a existência desse prejuízo no momento de sua compensação, apresentando a documentação de 10 anos atrás, para comprovar a origem do prejuízo. Contando do décimo ano (ano em se operou a compensação), o Fisco tem 5 anos para fiscalizar esse fato e, eventualmente, se não for comprovada a existência do prejuízo, a fiscalização poderá glosar as compensações, efetuando os lançamentos referentes aos períodos ainda não atingidos pela decadência.. Fl. 3506DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 08/05 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 19515.001937/200713 Acórdão n.º 1201001.121 S1C2T1 Fl. 6 9 Todavia, o resultado do períodobase em que se originou o prejuízo (10 anos atrás) não pode ser atingido, pois está protegido pela decadência. Vejase a jurisprudência administrativa: "LIVROS OBRIGATÓRIOS DE ESCRITURAÇÃO FISCAL E COMERCIAL COMPROVANTES DOS LANÇAMENTOS GUARDA Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram. (art. 195, parágrafo único, do CTN). 1° CC. / 5° Câmara / ACÓRDÃO 10513.083 em 22.02.2000 Publicado no DOU em: 07.04.2000. REGISTROS CONTÁBEIS Devem ser amparados por documentos hábeis, quais sejam, aqueles que tem os requisitos e qualidades indispensáveis para comprovar os lançamentos contábeis e produzir os efeitos jurídicos, sendo insuficiente para comproválos simples declarações de técnico de contabilidade. 1° CC./3ª Câmara /ACÓRDÃO 10320.008 em 08.06.1999 Publicado no DOU em: 17.08.1999." No que diz respeito a este item, a diligência foi baixada exatamente para apurar se o passivo vinha sendo corretamente contabilizado, pois o fato é que poderia, sim, ter sido pago. O fato de negociações posteriores, de 2003, feitas dentro do grupo, assumirem a existência do passivo, não é prova suficiente para comprovar a sua verdadeira existência. Portanto, há que se concluir do mesmo modo que a fiscalização. Argumentos improcedentes. DESPESAS NÃO COMPROVADAS (PERDAS DE CÂMBIO). Também este item, que trata da variação cambial da suposta obrigação acima examinada, foi objeto da diligência. Por óbvio, não estando comprovado o passivo, a respectiva variação cambial tampouco está comprovada. Notese, a propósito, que a planilha detalhada pedida pela fiscalização na diligência não foi apresentada, de forma que mesmo que o passivo tivesse sido comprovado, ainda assim este item seria mantido. Argumentos improcedentes. OMISSÃO DE RECEITA. PASSIVO FICTÍCIO. (PROVISÃO). A impugnante traz a demonstração de resultado de 2002 (doc n.° 536) e o LALUR (doc n.° 537) para demonstrar que esta provisão, de R$ 1.001.432,60, não foi deduzida das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Fl. 3507DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 08/05 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 10 Notese, entretanto, que a autuação, neste item, não trata de glosa de despesa, mas, sim, de omissão de receita caracterizada por passivo fictício. Tratandose de presunção legal de omissão de receitas, é irrelevante se as despesas foram ou não deduzidas no ano calendário em tela, sendo forçoso concluir que a impugnante não logrou comprovar a existência do passivo. Argumentos improcedentes. OMISSÃO DE RECEITA. VENDA NÃO CONTABILIZADA E NÃO DECLARADA. Quanto a esta omissão de vendas de R$ 88.191,15, registrada em "Contas a Receber de Afiliadas", de código 11310101, bem como no Livro de Registro de Saídas n.° 10 (fls. 80 e 81), representada pela Nota FiscalFatura n.° 32.293, emitida em 04/01/2002 (fl. 79), não declarada na DIPJ a impugnante diz que a receita transitou, sim, por resultado, mas em "outras vendas", constando na demonstração de resultado como "receita diversa", no valor de R$ 60.085,02, que corresponderia ao v o de venda (descontado do IPI, que não passa por resultado por ser ônus do adquirente). O argumento é improcedente, pois o IPI destacado na NF e no Livro de Registro de Saídas é de R$ 11.503,19, de forma que o valor líquido da NF é de R$ 76.687,96, e não de R$ 60.085,02, como alega a impugnante e como consta na demonstração de resultado, à fl. 2.594. No entanto, na DIPJ, o valor que consta em "Outras Receitas Operacionais" é de R$ 61.161,61 (fl. 20). Vejase que a impugnante não apresentou o Diário e o Razão para demonstrar a veracidade de sua alegação, por meio da correta escrituração dessa NF e do respectivo IPI. Argumento improcedente. OMISSÃO DE RECEITA. PASSIVO FICTÍCIO. (OUTRAS CONTAS A PAGAR). Quanto à omissão de receitas, de R$ 67.799,65, caracterizada por passivo não comprovado referente à conta 21211004, "Outras Contas a Pagar" (fl. 83), a impugnante diz que essa conta continha provisões para pagamento de confecção de notas fiscais, de PIS e de COFINS e duas delas foram adicionadas para fins de apuração de IRPJ e CSLL, como se vê na pág. 25 do LALUR de 2001, em 31/12/2001, totalizando R$ 58.768,65, do total da conta, de R$ 67.799,95, deduzido na demonstração de resultado (doc n.° 547). Assim, apenas R$ 9.031,30 não foram adicionados no LALUR de 2001, reduzindo indevidamente o lucro tributável. Diz que o DARF (doc n.° 548) comprova o recolhimento do IRPJ e da CSLL exigidos com relação a essa provisão e contesta a exigência de PIS e COFINS sobre estes valores, que seriam, na verdade, despesas. Fl. 3508DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 08/05 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 19515.001937/200713 Acórdão n.º 1201001.121 S1C2T1 Fl. 7 11 Notese que a autuação, neste item, novamente, não trata de glosa de despesa, mas, sim, de omissão de receita caracterizada por passivo fictício. Tratandose de presunção legal de omissão de receitas, é irrelevante se as despesas foram ou não deduzidas no ano calendário em tela, sendo forçoso concluir que a impugnante não logrou comprovar a existência do passivo, de forma que PIS e COFINS são devidos. Argumentos improcedentes. Os DARFs (às fls. 2.673 e 2.674) deverão ser objeto de AUDITORIA DE CÁLCULOS, para apurar a sua eventual dedução desta autuação. MULTA E TAXA SELIC. Quanto à aplicação da multa e utilização da taxa SELIC, há as respectivas previsões legais. AUTOS RELEXOS. PIS. COFINS. CSLL. O voto no mérito do IRPJ repercute e na tributação reflexa. Portanto, VOTO no sentido de o lançamento ser considerado PROCEDENTE, na íntegra, sujeito aos acréscimos legais, de acordo com a legislação vigente. A contribuinte foi intimada do acórdão da DRJ em 19/05/2009, e apresentou Recurso Voluntário em 17/06/2009, alegando em síntese que: a) a nulidade do Auto de Infração, já que os supostos fatos geradores de IRPJ, CSL, PIS e COFINS com relação a passivo não comprovado encontramse extintos pela decadência; b) se há algum fato gerador de IRPJ e CSL decorrente da dedutibilidade das operações contestadas pela D. Fiscalização, eles ocorreram entre os anoscalendário de 1994 a 2001, quando as operações de importação foram realizadas pela AVL Brasil e as respectivas despesas foram deduzidas; c) destaca que a presente autuação foi lavrada em 30.7.2007, para exigir tributos relativos a fatos geradores que teriam supostamente ocorrido nos períodosbase compreendidos entre 1994 e 2001 (data em que as importações foram realizadas pela AVL Brasil). Ora, como será demonstrado abaixo, os fatos geradores de IRPJ e CSL ocorridos nestes anoscalendário já se encontram irremediavelmente fulminados pela decadência; d) informa que está sujeita à apuração do IRPJ e da CSL com base no lucro real. A partir do advento do Decretolei n° 1.967, de 23.11.1982, o IRPJ passou a se submeter à modalidade de lançamento por homologação, já que essa norma fixou um prazo para pagamento do tributo desvinculado da apresentação da declaração de rendimentos. Ou seja, o recolhimento do IRPJ passou a ocorrer independentemente do prévio exame dos DD. Agentes Fiscais, sujeito à sua posterior homologação. Fl. 3509DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 08/05 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 12 e) Demonstrado, portanto, que o IRPJ é tributo que se sujeita ao lançamento por homologação, o prazo decadencial para o seu lançamento deslocase da regra geral contida no artigo 173 do CTN, para a regra específica prevista no artigo 150, § 4° desse mesmo Código; f) Nos termos do artigo 57 da Lei 8.981/95 e artigo 28 da Lei 9.430/96 aplicamse à CSL as mesmas normas de apuração e recolhimento do IRPJ. Por tal razão, a CSL também está sujeita à modalidade de lançamento por homologação; g) De forma a comprovar a aplicabilidade do artigo 150, § 4 0, do CTN, ao caso em análise, a Recorrente junta — exemplificativamente comprovante de pagamento do IRPJ e da CSL relativos a cada um dos anoscalendário em análise (Doc. n° 3); h) De todo o acima, não resta a menor dúvida que a exigência de tributos relativos a fatos geradores ocorridos ao longo dos anoscalendário de 1994 a 2001 deveriam, sob pena de invalidade, ter sido lavrada entre 1999 e 2006, o que não ocorreu. Ao contrário, como o lançamento em questão se deu apenas em 30.7.2007, operouse a decadência do direito de o Fisco pleitear esses créditos, em obediência ao disposto no artigo 150, § 4° do CTN; i) Por outro lado, mesmo se considerado o artigo 173, inciso I, do CTN como base legal para o cômputo do prazo decadencial aplicável ao caso em tela, ainda assim, a exigência fiscal ora formulada deveria ser cancelada por decadência; j) Portanto, resta comprovado que se operou decadência quanto ao direito de o Fisco exigir qualquer parcela do IRPJ e da CSL relativa a fatos geradores ocorridos entre 1994 e 2001; k) Quanto à operação, alega que o suposto passivo omitido tem origem em transações realizadas pela AVL Brasil entre os anos de 1994 e 2001. Tais transações correspondem a diversas operações de importação com empresas afiliadas. Essa era exatamente a função da AVL Brasil: importar a comercializar instrumentos para medições e ensaios para fins medicinais e bioquímicos; l) Entre os anos de 1994 e 2001, a AVL Brasil importou diversos produtos de sociedades afiliadas no exterior. Tal fato pode ser demonstrado pelas notas fiscais de compra , notas fiscais de entrada , pelas guias de importação e pelos registros das operações no Banco Central; m) O saldo da conta “Fornecedores” era composto por uma série de obrigações decorrentes da importação de produtos e equipamentos da AVL Suíça. Os débitos, em moeda estrangeira, são comprovados por meio das diversas notas fiscais de compra, notas fiscais de entrada, guias de importação e registro das operações no Banco Central acostadas à Impugnação (docs. n° 6 a 534 da Impugnação). Para melhor visualização, as notas fiscais foram agrupadas conforme o ano da importação, ou seja, o período em que a obrigação foi assumida pela AVL Brasil; n) Essas importações geravam para a AVL Brasil um passivo com a sociedade afiliada no exterior, em moeda estrangeira (portanto, sujeito a variação cambial), que geralmente deveria ser quitado em período inferior a 365 dias; o) Assim, o simples exame da documentação acostada a estes autos não deixa qualquer dúvida de que o passivo existente na contabilidade da AVL Brasil (antiga denominação da Recorrente) era real e possuía fundamentação econômica; Fl. 3510DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 08/05 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 19515.001937/200713 Acórdão n.º 1201001.121 S1C2T1 Fl. 8 13 p) Por diversos motivos negociais e financeiros, contudo, a AVL Brasil não pagou as importações realizadas, permanecendo com uma dívida em aberto no valor de R$ 28.010.027,25. Percebendo a situação da AVL Brasil, as sociedades afiliadas no exterior permitiram a prorrogação do prazo de vencimento (doc. n° 535 da Impugnação). Foi por essa razão que, ao analisar o balanço patrimonial da Recorrente em 2002, a D. Fiscalização encontrou um passivo em aberto no valor de R$ 28.010.027,25. q) Verificase, portanto, que: (i) o passivo registrado nas contas patrimoniais da Recorrente possuía origem em efetivas operações de importação de mercadorias junto à sociedade controladora; e (ii) este passivo estava comprovado por documentação hábil e idônea. r) A situação do passivo em aberto foi resolvida somente em 2003, quando grande parte da divida foi capitalizada em favor do sócio estrangeiro Roche Diagnostics (doc. n° 544 da Impugnação). Além disso, uma pequena parcela, correspondente a R$ 1.195.681,20, foi objeto de perdão de dívida (doc. n° 545 da Impugnação); s) Verificase, portanto, que além de a dívida ser existente e ter fundamento documental, ela foi utilizada como base para o aumento do capital social da sociedade brasileira (com o respectivo registro do investimento no Banco Central). Ora, se esta divida era inexistente — como pretende fazer crer a D. Fiscalização — não seria possível utilizála como fundamento para aumento de capital da Recorrente. t) Além da comprovação da efetiva existência do passivo, é importante ressaltar que, conforme as importações eram realizadas, a dívida com a sociedade estrangeira era reconhecida na contabilidade pelo regime de competência e deduzida corno despesa operacional da base de cálculo do IRPJ e da CSL . De fato, os valores das importações: (i) encontramse registrados somente no balanço patrimonial de 2002, não sendo contabilizado na Demonstração de Resultados, para fins de cálculo do lucro líquido do período; (ii) estão devidamente comprovados por documentação hábil e idônea (notas fiscais de compra, notas fiscais de entrada, pelas guias de importação e pelos registros das operações no Banco Central); e (ii) conseqüentemente, não foram deduzidos da base de cálculo do IRPJ e da CSL no anocalendário de 2002. u) Pelo contrário, os valores das operações foram deduzidos à medida que as operações de venda dos produtos importados eram contabilizadas pelo regime de competência. Dessa forma, as operações realizadas em 1994 foram contabilizadas no próprio anocalendário de 1994 as de 1995 seguiram o mesmo procedimento e assim sucessivamente. Para comprovar estas afirmações, a Recorrente juntou cópia dos seguintes documentos: (i) demonstração de resultados de 2002, que evidencia que o valor de R$ 28.010.027,25 não foi tratado como despesa operacional para fins da Demonstração de Resultados do Exercício ("DRE"), o que afasta a possibilidade de o valor ter sido tratado como despesa operacional para fins de apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSL (doc. n° 536 da Impugnação); (ii) cópia do Livro de Apuração do Lucro Real ("LALUR") de 2002, que demonstra que os valores não foram adicionados ou Fl. 3511DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 08/05 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 14 excluídos para determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSL (doc. n° 537 da Impugnação); e (iii) cópia das DREs de 1996, 1997, 1998, 1999, 20oo e 20oi, que atestam que as importações foram tratadas como despesa operacional (custo de mercadoria revendida , outras despesas operacionais , despesas com materiais etc.) e deduzidas na apuração do lucro líquido dos respectivos anoscalendário (docs. n° 538 a 543 da Impugnação). Além disso, estes documentos são aptos a comprovar que o passivo da Conta “Fornecedores” permaneceu em aberto, uma vez que os valores não foram quitados nos respectivos anoscalendário. v) outra questão abordada é o fato da existência de passivo no balanço patrimonial não implicar em redução no montante de IRPJ e CSL a pagar; x) não há qualquer passivo fictício registrado nas demonstrações contábeis. Por este motivo, não há qualquer presunção de omissão de receitas no presente caso. Além disso, cumpre destacar que o fato de a obrigação estar no passivo da Recorrente não representa, em hipótese alguma, lesão aos cofres públicos; y) a omissão de receitas, para fins tributários, presumese apenas quando as obrigações forem indevidamente registradas nos livros fiscais do contribuinte. Com efeito, o mero registro de determinado valor no balanço patrimonial não gera a presunção de omissão de receitas, já que não há qualquer impacto fiscal; z) a D. Fiscalização houve por bem presumir a omissão de receitas com fundamento exclusivo no balanço patrimonial da Recorrente, sem uma análise aprofundada dos livros fiscais. Se a investigação fosse realizada de forma correta, a D. Fiscalização só poderia chegar a uma conclusão: não existe omissão de receitas no presente caso, Ja que os valores foram apenas registrados no balanço patrimonial da Recorrente, sem qualquer impacto fiscal. z.1) quanto às despesas não comprovadas com a perda de câmbio, alega que a variação cambial é decorrente das operações de importação realizadas pela AVL Brasil com suas empresas afiliadas entre os anos de 1994 e 2001; z.2) tendo em vista diversas dificuldades financeiras e operacionais encontradas pela AVL Brasil, as importações não foram quitadas no momento do vencimento. Pelo contrário, os credores das obrigações aceitaram expressamente que a Recorrente pagasse as importações em momento posterior; z.3) essa dívida trouxe para a Recorrente (na qualidade de sucessora da AVL Brasil) despesas com variação cambial passiva que foram, com base na legislação pertinente, regularmente deduzidas do Lucro Real apurado no período base 2002, para fins de cálculo e recolhimento do IRPJ e da CSL devidos. Vale destacar que a Recorrente optou por apurar a variação cambial de todos os seus tributos em conformidade com o regime de competência; z.4) no mais, reitera os mesmos fundamentos trazidos na impugnação, destacando as seguintes conclusões: (i) o suposto passivo omitido pela Recorrente tem origem em importações realizadas pela AVL Brasil entre os anos de 1994 e 2001; Fl. 3512DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 08/05 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 19515.001937/200713 Acórdão n.º 1201001.121 S1C2T1 Fl. 9 15 (ii) o valor dessas importações foi deduzido da base de cálculo do IRPJ e da CSL nos anos que as transações foram realizadas (entre 1994 e 2001); (iii) por essa razão, operouse a decadência quanto ao direito de o Fisco exigir qualquer parcela do IRPJ, da CSL, de PIS e COFINS relativos a fatos geradores ocorridos entre 1994 e 2001, como é o caso das importações realizadas pela AVL Brasil; e (iv) não há omissão de receitas no presente caso, já que o passivo foi comprovado e a dívida com os fornecedores não foi deduzida da base de cálculo do IRPJ e da CSL (os valores encontravamse apenas registrados no balanço patrimonial da Recorrente). (v) as conclusões da diligência realizada pela D. Fiscalização são superficiais e não levam em conta toda a documentação acostada aos autos; (vi) não obstante, para fazer prova da correta contabilização das despesas e custos incorridos com seus fornecedores afiliados, a Recorrente junta ao presente cópia do seu Balanço Patrimonial para o período de 1994 a 2001, a fim de demonstrar a evolução dos valores na conta de Fornecedores Afiliadas. Especificamente em relação à alegação de não comprovação de despesas com perdas de câmbio (item 5 do auto de infração), podese concluir que: (i) a variação cambial e decorrente das operações de importação realizadas pela AVL Brasil com suas empresas afiliadas entre os anos de 1994 e 2001; (ii) por recolher os tributos pelo regime de competência, a Recorrente tem o direito de deduzir as perdas de variação cambial da base de cálculo do IRPJ e da CSL, em conformidade com o artigo 30, § 1° da MP 2.15835/01; e (iii) as operações realizadas pela AVL Brasil foram legítimas, de forma que é devida a dedutibilidade de perdas incorridas com a variação cambial (conforme demonstrado, em 2003, com a apuração do Real diante do dólar, a Recorrente reconheceu receita de variação cambial e ofereceu à tributação de IRPJ, CSL, PIS e COFINS); (iv) aqui também as conclusões da diligência não podem ser admitidas, uma vez que, comprovada a existência do passivo, com toda a documentação acostada à Impugnação e os documentos ora juntados ao Recurso, não subsiste a alegação de inexistência da conta de variação cambial do passivo. Já no que diz respeito ao suposto passivo não comprovado decorrente de provisão (item 4 do auto de infração), restou demonstrado que tais valores não foram em momento algum deduzidos da base de cálculo do IRPJ e da CSL, mas meramente registrados em sua contabilidade. Fl. 3513DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 08/05 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 16 No tocante ao item 1 do auto de infração, demonstrouse que não houve omissão de vendas, mas sim mera reclassificação contábil, sendo as receitas incluídas na DRE e oferecidas à tributação. Por último, com relação ao suposto passivo não comprovado decorrente da constituição de provisões para confecção de notas_ de PIS e COFINS, a Recorrente comprovou que apenas uma dentre as referidas provisões teve impacto em seu resultado fiscal. Ainda assim, somente podem ser exigidos IRPJ e CSL sobre os valores de provisão não adicionados no LALUR. Por tudo isso, a Recorrente tem demonstrada e comprovada a improcedência integral da exigência fiscal em questão, bem como o equívoco cometido pela D. Autoridade Julgadora de Primeira Instância ao interpretar os fatos e o direito aplicáveis na análise das operações da Recorrente. Junta guia de recolhimento de outubro de 1994, relativo ao IRRF relativos a alugueis e royalties pagos a pessoa física, guia de recolhimento de dezembro de 1995, relativo a IRPJ estimativa mensal, guia de recolhimento de dezembro de 1995, relativo à CSLL estimativa mensal, guia de recolhimento de dezembro de 1997, relativo à CSLL estimativa mensal, guia relativa a dezembro de 2008, relativo ao IRRF relativos a alugueis e royalties pagos a pessoa física, guia de recolhimento de dezembro de 1999, relativo ao IRRF relativos a alugueis e royalties pagos a pessoa física, guia de recolhimento de dezembro de 2000, relativa à CSLL estimativa e outros tributos, guia de recolhimento de outubro de 2001, relativa à CSLL estimativa mensal. A Recorrente juntou aos autos parecer técnico da empresa Deloitte, onde afirma ter restado concluído que "comprovada a existência do passivo e sua origem", razão pela qual "justificase a necessidade do reconhecimento contábil e fiscal da variação cambial desse passivo." O parecer enfrentou os seguintes itens dos lançamentos: (..) II. ITEM 1— OMISSÃO DE VENDAS VENDA NÃO CONTABILIZADA E NÃO DECLARADA NA DIPJ VALOR TRIBUTÁVEL R$ 88.191,95 Conforme citado no processo administrativo, o valor questionado referese à Nota Fiscal n°. 32.293 emitida pela AVL Ltda. (antiga razão social da Roche). A Sociedade nos disponibilizou o Livro de Registro de Saídas original, modelo 2, o qual demonstra que referida Nota Fiscal de saída foi devidamente registrada no dia 4 de janeiro de 2002. Além disso, verificamos o Livro Diário original, cuja página 5 do livro referente ao período de Janeiro a Junho de 2002, demonstra que a receita proveniente desta nota fiscal foi devidamente contabilizada no resultado, na conta 91110173 — "Vendas Valor Bruto Revenda — RDS", no dia 4 de janeiro de 2002. Verificamos que, no dia 28 de junho de 2002, o valor contabilizado na conta de Receita de Vendas (R$76.687,96) foi transferido para outras contas do resultado, conforme demonstrado abaixo: Fl. 3514DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 08/05 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 19515.001937/200713 Acórdão n.º 1201001.121 S1C2T1 Fl. 10 17 D/C Conta Valor D 91110173 Vendas Valor Bruto Revenda RDS ( Resultado) R$ 76.687,96 C 91110174 ICMS (Resultado) R$ 13.803,83 C 91110176 PIS (Resultado) R$ 498,47 C 91110177 COFINS (Resultado) R$ 2.300,64 C 98190198 Receitas Diversas Terceiros e Aliadas (Resultado) R$ 60.085,02 Desta forma, verificase que, mesmo depois de realizada referida transferência, o valor da nota fiscal que impactou o resultado não foi alterado. Corroborando com o exposto acima, identificamos no balancete analítico transcrito na página 184 do Livro Diário de Julho a Dezembro de 2002, o valor liquido da receita acima informada, qual seja, R$ 60.085,02. Além das demonstrações contábeis, analisamos, também, o Livro de Apuração do Lucro Real ("Lalur") original referente ao ano calendário 2002 e verificamos que nenhuma exclusão foi realizada no período de janeiro a dezembro de 2002, demonstrando, mais uma vez, que referida receita foi devidamente tributada. Verificamos, ainda, que o lucro liquido do período de 2002 informado na DIPJ 2003, anocalendário 2002, equivale ao lucro liquido informado no balancete analítico apresentado no Livro Diário e no Livro de Apuração do Lucro Real. Sendo assim, pudemos constatar que referida receita foi devidamente reconhecida no resultado do exercício de 2002 e devidamente tributada. Não encontramos qualquer outro lançamento nos livros fiscais e contábeis de estorno da referida receita de venda no resultado tributável. III. ITEM 3 — OMISSÃO DE RECEITA PASSIVO NÃO COMPROVADO — FORNECEDORES AFILIADAS VALOR TRIBUTÁVEL R$ 28.010.027,25 No processo de fiscalização, a D. Autoridade Fiscal questionou o saldo da conta de passivo referente a valores a pagar para afiliadas, que são relativos à importação de produtos, devido a não apresentação de documentos que comprovassem as operações que geraram o montante ora questionado. De acordo com informações fornecidas pela Roche, o saldo da conta 21310101 "Fornecedores Afiliadas", no valor de R$28.010.027,25, referese à aquisição de mercadorias importadas realizadas pela empresa no período de 1994 a 2000, sendo esta conta demonstrada no balancete analítico arquivado no Livro Diário de 2002 da Sociedade. Verificase, contudo, que no balancete analítico armazenado no sistema de contabilidade (SAP) da Sociedade, a conta 21310101 apresenta zero, sendo o valor de R$28.010.027,25 apresentado na conta 21310102. A Roche atribuiu a não coincidência entre os saldos e os respectivos códigos das contas à alteração ocorrida com a mudança do seu sistema de contabilidade, o que pudemos corroborar com a discriminação dos valores considerados e o somatório dos saldos. Fl. 3515DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 08/05 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 18 Com base na composição do valor registrado no passivo, o qual é composto pelas faturas comerciais internacionais ou invoices emitidas no período de 1994 a 2000, analisamos os registros nos livros contábeis de algumas das operações realizadas nos anos calendário 1999 e 2000 e os cotejamos com os respectivos documentos de suporte. Considerando este período,verificamos a cópia autenticada das invoices com valores mais relevantes emitidas referentes à importação da mercadoria, juntamente com as cópias autenticadas das Notas Fiscais de Entrada relacionadas a referidas operações. Além disso, em análise do Livro de Registro de Entradas — modelo 1, Livro Razão e Livro Diário originais, verificamos que foram realizadas as devidas contabilizações de compra e que nos históricos de lançamento foram informados (i) o valor da compra em dólares americanos, (ii) o número da Nota Fiscal de Entrada e, por vezes, (iii) o número da Declaração de Importação relacionada e (iv) o número da invoice. Sendo assim, com base nos dados informados nos históricos de lançamentos efetuados na conta de Fornecedores Afiliadas, pudemos identificar a relação entre as informações contábeis, as invoices e respectivas Notas Fiscais, de forma que o cotejamento entre as informações dos documentos de suporte com os respectivos lançamentos nos livros fiscais e contábeis comprovam a existência das compras e as dividas delas decorrentes. Em assim sendo, podemos atestar que: 1) o valor em dólares americanos informado no histórico de lançamento dos Livros Razão e Diário é igual ao valor da invoice; 2) a descrição das mercadorias importadas informadas na invoice é semelhantes descrição dos produtos informada nas Notas Fiscais de Entrada, assim como a quantidade de cada produto; 3) as informações de lançamento registradas no Livro Diário são iguais às informações apresentadas no Livro Razão, no que se refere à data, valores e histórico; 4) as datas em que foram realizados os lançamentos referentes à compra de mercadorias no Livro Razão, Livro Diário e Livro de Entradas são as mesmas; 5) é possível identificar no Livro de Entradas, o número e valor total da Nota Fiscal de Entrada, assim como os respectivos valores de crédito de IPI e ICMS. Informamos que, apesar das análises terem sido realizadas através de amostra, verificamos, através dos Razões Analíticos disponibilizados, que os procedimentos adotados foram semelhantes para o período de 1998 e 2000. Portanto, com base nos documentos disponibilizados, verificamos que a Sociedade possui, (i) Invoices, (ii) Recibos de Declarações de Importação, (ii) Notas Fiscais de Entrada, e (iii) Fl. 3516DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 08/05 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 19515.001937/200713 Acórdão n.º 1201001.121 S1C2T1 Fl. 11 19 evidências indicando que os lançamentos contábeis das referidas compras de mercadoria proveniente do exterior foram devidamente realizados nos livros contábeis Desta forma, pudemos afirmar que: (a) as operações de importação efetivamente ocorreram, conforme toda documentação apresentada; (b) a obrigação ainda existia em 2002, sendo exigível a essa época; (c) a obrigação registrada no passivo em 2002 atendia a critérios contábeis e fiscais; (d) o passivo deixou de existir em 2003, em virtude de liquidação e capitalização. IV. ITEM 4 — OMISSÃO DE RECEITAS — PASSIVO MO COMPROVADO — PROVISÃO NÃO PREVISTA VALOR TRIBUTÁVEL — R$ 1.001.432,60 No processo de fiscalização foi questionada a origem do passivo registrado na conta 22220701 —Provisão para Litígios, no valor de R$1.001.432,60. Inicialmente, verificamos que a provisão em comento foi constituída em junho de 2000 na conta 942. Posteriormente, o Plano de Contas da empresa foi alterado e o saldo da conta 942 foi transferido para a conta 22220701, objeto de questionamento. De acordo com a página 285 do Livro Diário relativo a junho de 2000, o saldo da conta questionada esta composto da seguinte forma: Provisão para despesa de garantia R$ 31.508,30 Provisão para Baixa de Cheques em Cobrança R$ 17.424,03 Provisão para Multa e Juros sobre ICMS R$ 497.329,15 ICMS sobre Demonstração R$ 178.511,12 ICMS a pagar R$ 276.660,00 TOTAL R$ 1.001.432,60 Ainda, em análise ao Livro Diário do mesmo período, nas páginas 147 e 148, identificamos as contrapartidas dos lançamentos das referidas provisões as quais demonstramos, abaixo: Conta Partida 942 Provisão para despesa de garantia 942 Provisão para Baixa de Cheques em Cobrança 942 Provisão para Multa e Juros sobre ICMS 942 ICMS sobre Demonstração 942 ICMS a pagar Conta Contrapartida 4314 Despesas com Garantia 5289 Perdas Extraordinárias 5300 Despesas Indedutiveis 5310 ICMS/IPI sobre Outras 5310 ICMS/IPI sobre Outras Sendo assim, em análises ao Livro Diário, verificamos que todas as partidas a crédito foram registradas em contas patrimoniais (Passivo) como provisões, enquanto que as contrapartidas a débito foram registradas em contas de resultado como despesas. Fl. 3517DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 08/05 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 20 Considerando que os lançamentos a débito constituem uma despesa, verificase que referidos lançamentos reduziram o resultado contábil da Roche em R$ 1.001.432,60 em 2000. De acordo com o artigo 13 da Lei Ordinária n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro liquido, é vedada a dedução de qualquer provisão, exceto as constituídas para o pagamento de férias de empregados e de décimo terceiro salário, e as provisões técnicas das companhias de seguro e de capitalização, bem como das entidades de previdência privada, cuja constituição é exigida pela legislação especial a elas aplicável. Através da análise do referido artigo, concluise que as demais provisões constituídas pelo contribuinte não podem afetar o lucro real e a base de cálculo da contribuição social sobre o lucro liquido. Em nossa análise do Livro de Apuração do Lucro Real da Roche relativo a anocalendário de 2000, pudemos verificar que a Sociedade efetuou a adição dos valores acima demonstrados nas bases de cálculo do Imposto de Renda e também na Contribuição Social sobre o Lucro Liquido. Sendo assim, restou comprovado que, apesar dos valores registrados na conta de provisão para litígios terem reduzido o lucro liquido da empresa, uma vez que as respectivas contrapartidas foram registradas em contas de despesa, o lucro tributável da Sociedade ficou preservado, devido à adição de referidos valores na apuração das bases de cálculo do Imposto de Renda e também na Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. V. ITEM 5 — DESPESAS NÃO COMPROVADAS PERDAS DE CÂMBIO VALOR TRIBUTÁVEL — R$ 14.454.836,21 No Auto de Infração, a D. Autoridade Fiscal questionou a necessidade da despesa registrada no resultado do anocalendário 2002, no valor de R$14.454.836,21, contabilizada na conta "31130203 Perdas Câmbio Import. AfiliadasRealiz.". Em análise do Razão Analítico de 2002, pudemos verificar a contabilização desta despesa na conta "311.30203 Perdas Câmbio Import. AfiliadasRealiz.". Pudemos verificar, também, que as partidas dos valores registrados na conta "31130203 Perdas Câmbio Import. AfiliadasRealiz." foram realizadas na conta "21310102 – Fornecedores Mercadorias Afiliadas Ajustes". Portanto, constatamos que a Sociedade efetuou os lançamentos de variação cambial, durante o ano de 2002, na conta "21310102 – Fornecedores Mercadorias Afiliadas Ajustes", em contrapartida A conta "31130203 Perdas Câmbio Import. AfiliadasRealiz.", conforme segue: (...) Com relação ao valor de R$8.533,21, lançado em 16/07/2002, verificamos que o lançamento de sua partida foi registrado na Fl. 3518DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 08/05 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 19515.001937/200713 Acórdão n.º 1201001.121 S1C2T1 Fl. 12 21 conta 11118326 — "Nossa Caixa — Paulista — Conciliação". De acordo com o inciso II do artigo 184 da Lei n°. 6.404, de 15 de dezembro de 1976, as obrigações em moeda estrangeira, com cláusula de paridade cambial, serão convertidas em moeda nacional à taxa de câmbio em vigor na data do balanço. Considerando que, em 2002, o Dólar Americano sofreu uma valorização de 52% (cinquenta e dois por cento) perante o Real e considerando que a Roche possuía registrada em seu passivo uma obrigação em dólares americanos decorrente de operações de importação conforme descrito no item III deste Parecer, podemos afirmar que o registro de despesa com variação cambial no resultado da empresa, no ano de 2002, se fez totalmente necessária e decorrente de obrigações necessárias às suas atividades pelo fornecimento de mercadorias para a fabricação ou venda. Sendo assim, comprovada a existência do passivo e sua origem na importação de mercadorias ou insumos e seu registro na conta "21310102 — Fornecedores Afiliadas", conforme demonstrado no item IV deste Parecer, justificase a necessidade do reconhecimento contábil e fiscal da variação cambial deste passivo, sendo a respectiva despesa dedutível na apuração do lucro real e base de calculo da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido, uma vez que a empresa optou por tributar por competência os ganhos e perdas decorrentes da variação da moeda estrangeira. A Fazenda Nacional, sem argumentos técnicos para refutar as informações trazidas no laudo, apresenta retórica padrão quanto ao não conhecimento do documento, visto que fora produzido a destempo. Em Resolução fora determinada nova baixa dos autos em diligência, para: Inicialmente, quanto ao laudo trazido pelo contribuinte, conheço do documento, visto que o mesmo atende ao princípio da verdade material, sendo mais uma prova que traduz e se reporta aos documentos já existentes no processo, além de trazer de forma mais organizada e conclusiva informações sobre as operações. Considerando que o laudo técnico investigou contas e livros fiscais supostamente não juntados pelo contribuinte em sua defesa, conforme inclusive menciona a decisão da DRJ. Considerando a necessidade da confirmação das constatações quanto aos registros que foram atestados como realizados pela empresa de auditoria independente, quanto ao transporte de valores em contas diversas, partidas e contrapartidas. Determino a baixa dos autos em diligência, para que a d. fiscalização confirme ou conteste as informações trazidas na perícia apresentada pela Recorrente, em todos os seus aspectos, devendo ainda exigir, caso não esteja juntado nos autos, os Fl. 3519DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 08/05 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 22 documentos que foram analisados e mencionados pela Deloitte no laudo, no prazo de 10 dias. A fiscalização abriu MPF para solicitar documentos ao contribuinte, que foram todos apresentados em CDRom, como Plano de Contas, DIPJs, LALUR – Parte A, Livro Diário, Invoices, Declarações de Importação, Notas Fiscais, Livro de Registro de Entradas, Livro Razão de Contas Contábeis etc. Vejamos o que constou no Relatório Fiscal: Fl. 3520DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 08/05 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 19515.001937/200713 Acórdão n.º 1201001.121 S1C2T1 Fl. 13 23 Fl. 3521DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 08/05 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 24 Fl. 3522DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 08/05 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 19515.001937/200713 Acórdão n.º 1201001.121 S1C2T1 Fl. 14 25 A contribuinte foi intimada do Relatório Fiscal em 27/02/2014 e apresentou manifestação nos seguintes termos: Item 1 "Omissão de Vendas" Descrição do Termo de Encerramento e conclusões da Deloitte: "Omissão de Vendas Nota Fiscal 32293 Valor Tributável R$ 88.191,95 Analisando o Livro de Registro de Saida (modelo 2), o Livro Diário de 2002 (página 5), o Balancete Analítico (pág. 184 do Diário), o Livro de Apuração do Lucro Real (Lalur) e a DIP] 2003, a Deloitte conclui: `...pudemos constatar que a referida foi devidamente reconhecida no resultado do exercício de 2002 e devidamente tributada'". (não destacado no original) Fl. 3523DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 08/05 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 26 "Omissão de Vendas Nota Fiscal 32293 Valor Tributável R$ 88.191,95 Documentos apresentados [no curso da diligência, após solicitação das DD. Autoridades Fiscais]: Balancete Analítico/2002, DIPJ 2003, LALUR 2002, Livro Registro de Saída/2002. Com exceção da página 5 e da página 180 do Livro Diário/2002, todos os demais documentos já haviam sido analisados pelo autor dos levantamentos e pela DRJ. Os registros da página 5 (registro da receita de venda) e da página 180 (transferência da receita), os quais discriminamos a seguir, confirmam as informações dos demais documentos apresentados anteriormente pela empresa .(...)" (não destacado no original) 7. Verificase que as DD. Autoridades Fiscais reconhecem que os documentos já apresentados em sede de Impugnação pela Requerente, em conjunto com os demais examinados no curso da Diligencia (página 5 e da página 180 do Livro Diário/2002), dão suporte às alegações trazidas pela Requerente (e confirmadas pela Deloitte) são suficientes para provar que a receita de venda referente à Nota Fiscal nº 32.293, no valor de R$ 88.191,15, foi contabilmente reclassificada, tendo transitado pelo resultado sob o titulo de "outras vendas" (conta nº 98190198), sendo devidamente oferecida tributação. Como consequência, resta clara a total improcedência das alegações relacionadas à suposta "receita não comprovada", pelo que deve ser prontamente cancelada a exigência fiscal correspondente. Item 3 "Passivo não comprovado" Descrição do Termo de Encerramento e conclusões da Deloitte: "Omissão de Receita Passivo não Comprovado Conta 'Fornecedores Afiliadas' Valor Tributável R$ 28.010.027,05 Analisando o Livro de Registro de Entradas (modelo 1), o Livro Diário/2002, o balancete analítico/2002, registros contábeis efetuados no período de 1999 a 2000, cópia autenticada dos invoices de maior relevância, as quais estavam acompanhadas das notas fiscais, e por vezes, das Declarações de Importação (DI), a Empresa Deloitte, Touche & Tohmatsu conclui: '... com base nos documentos analisados, verificamos que a Sociedade tem evidências indicando que os lançamentos contábeis das referidas compras de mercadorias provenientes do exterior foram devidamente realizadas nos livros contábeis'". (não destacado no original) Descrição dos documentos apresentados e conclusões das DD. Autoridades Fiscais sobre Diligência: "Omissão de Receita Passivo não Comprovado Conta 'Fornecedores Afiliadas' Valor Tributável R$ 28.010.027,05 Documentos apresentados [no curso da diligência, após solicitação das DD. Autoridades Fiscais]: Balancete Analítico/2002 e, por amostragem faturas comerciais (invoices) e respectivas notas fiscais, DI's e correspondentes registros nos Livros de Entradas de Mercadorias e nos Livros Diário e Razão. Somente os registros no Livro Diário, no Livro Razão e no Livro de Entradas de Mercadorias, correspondentes às faturas apresentadas por amostragem, não tinham sido apresentados anteriormente. Tais Fl. 3524DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 08/05 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 19515.001937/200713 Acórdão n.º 1201001.121 S1C2T1 Fl. 15 27 registros correspondem aos demais documentos a eles relacionados." 8. Com relação a esse item, ficou comprovado que os documentos trazidos pela Requerente durante a diligencia confirmam as informações constantes da documentação já juntada anteriormente aos autos. 9. Como visto no curso dos autos, no intuito de manter a exigência relacionada a ao item 3 do Auto de Infração, a r. decisão de primeira instância se limitou a alegar que a Recorrente teria deixado de apresentar os razões analíticos de 1994 a 2001, o que justificaria à desconsideração de todo o universo de documentos apresentado. 10. Ainda que não tivesse havido diligencia e a Requerente não tivesse trazido os documentos em questão e o parecer da Deloitte aos autos, o entendimento da D. Autoridade Julgadora não poderia prevalecer, pois: (i) as Demonstrações de Resultados de Exercícios ("DREs"), dos anos de 1996 a 2002 (docs. nos 536, 538 a 543 da Impugnação); (ii) o Livro de Apuração do Lucro Real ("LALUR"), de 2002 (doc. nº 537 da Impugnação); e (iii) cópia autenticada dos Balanços Patrimoniais de 1996 a 2001 (docs. Nºs 4 a 10 do Recurso Voluntário); são aptos a comprovar que o passivo da "conta fornecedores" permaneceu em aberto e que os valores não foram quitados pela Requerente. 11. A existência efetiva do passivo não quitado foi expressamente confirmada pelo parecer da Deloitte, justamente com base nos documentos acostados aos autos. Confirase trecho: "(a) as operações de importação efetivamente ocorreram, conforme toda documentação apresentada; (b) a obrigação ainda existia em 2002, sendo exigível a essa época; (c) a obrigação registrada no passivo em 2002 atendia a critérios contábeis e fiscais; (d) o passivo deixou de existir em 2003, em virtude de liquidação e capitalização" (pág. 8). 12. No curso da Diligencia, com a apresentação de todos os documentos solicitados ã Requerente, inclusive "os registros no Livro Diário, no Livro Razão e no Livro de Entradas de Mercadorias, correspondentes às faturas apresentadas por amostragem, que não tinham sido apresentados anteriormente", a alegação das D. Autoridade Julgadora perde sentido, restando clara a inexistência de "receita omitida" ou de "passivo não comprovado", pelo que deve ser prontamente cancelada a exigência fiscal correspondente. Item 4 "Provisões não comprovadas" Descrição do Termo de Encerramento e conclusões da Deloitte: "Omissão de Receita Passivo não Comprovado Conta 'Provisão para Litígios' Valor Tributável R$ 1.001.432,60 Analisando o Livro Diário (páginas 147.148 e 285) e o Livro de Apuração do Lucro Real (Lalur), a Empresa Deloitte, Touche & Tohmatsu conclui: '... restou comprovado que, apesar dos Fl. 3525DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 08/05 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 28 valores registrados na conta de provisão para litígios terem reduzido o lucro liquido da empresa, uma vez que as contrapartidas foram registradas em conta de despesa, o lucro tributável da sociedade ficou preservado, devido à adição de referidos valores na apuração das bases de cálculo do Imposto de Renda e também da Contribuição Social do Lucro Líquido'". (não destacado no original) Descrição dos documentos apresentados e conclusões das DD.Autoridades Fiscais sobre Diligência: "Omissão de Receita Passivo não Comprovado Conta 'Provisão para Litígios' Valor Tributável R$ 1.001.432,60 Documentos apresentados [no curso da diligência, após solicitação das DD. Autoridades Fiscais]: Livro Diário/2000, Livro Razão/2000 e LALUR/2000, os quais não haviam sido analisados anteriormente pela Empresa (...). OBS: Tendo em visa os registros discriminados nos livros contáveis, entendemos que a Empresa comprovou que os referidos valores reduziram as bases de cálculo do IRPJ e da CSL daquele ano calendário." 13. Da análise dos números trazidos pelas DD. Autoridades Fiscais, não há dúvida que: (i) embora os valores registrados na conta de provisão para litígios terem reduzido o lucro liquido da empresa; (H) os efeitos dessa redução são neutros sob o ponto de vista fiscal, pois a Requerente adicionou tais valores às bases de cálculo do IRPJ e da CSL. 14. Essa conclusão toma por base os documentos apresentados em Impugnação, Recurso Voluntário, no parecer da Deloitte e no curso da Diligência Fiscal. Apesar disso, as DD. Autoridades Fiscais examinam a questão apenas sob uma perspectiva (do item "i" acima), de que os valores da conta de provisão de litígios teriam reduzido o lucro liquido da empresa. 15. Em momento algum a Requerente refuta essa alegação, todavia chama a atenção para uma ponderação óbvia, e que não poderia ser desconsiderada pelas DD. Autoridades Fiscais: a de que os efeitos da redução são neutros sob o ponto de vista fiscal, pois foram adicionados ao lucro tributável da empresa. 16. A esse respeito, cabe transcrever a planilha trazida pelas próprias DD. Autoridades Fiscais no Termo de Encerramento, que reproduz os lançamentos da página 10 do LALUR/2000 e apontam os valores de provisões adicionadas ao lucro tributável da Requerente. 17. Em relação a esse item, as DD. Autoridades Fiscais alegam que a Requerente não teria comprovado provisões para litígios lançadas em sua contabilidade, que teriam afetado seu lucro liquido. Durante a diligência, conforme e possível verificar no quadro abaixo presente no próprio Termo de Encerramento, ficou comprovado que a Requerente adicionou tais provisões no LALUR, portanto incluindo tais provisões na base de cálculo do IRPJ e da CSL, tendo sido tais valores tributados: LALUR/2000 (página 10) Fl. 3526DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 08/05 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 19515.001937/200713 Acórdão n.º 1201001.121 S1C2T1 Fl. 16 29 Adição de Provisão Garantia (4314) R$ 31.508,30 Adição de Perdas Extraordinárias (5289) R$ 60.146,86 Adição de Despesas Indedutíveis (5300) R$ 710.993,30 Adição de ICMS/IPI sobre Outras (5310) R$ 455.171,12 18. Tais rubricas e valores, vale dizer, correspondem às indicadas nos lançamentos de despesas consideradas pelas DD. Autoridades Fiscais com base na análise do Livro Diário/2000 (páginas 147 e 148), que perfazem o montante de R$ 1.001.432,60. 19. Notase que: (i) os valores são idênticos no LALUR e no Livro Diário para as rubricas "Adição de Provisão Garantia" e "Adição de ICMS/IPI sobre Outras"; e (ii) os valores adicionados ao LALUR são ainda maiores do que as despesas indicadas no Lucro Diário para as rubricas "Adição de Perdas Extraordinárias" (R$ 17.424,03) e "Adição de Despesas Indedutiveis" (R$ 497.329,15). 20. Portanto, considerando que as deduções apontadas pelas DD. Autoridades Fiscais não podem ser consideradas isoladamente, mas em conjunto com as adições do LALUR que resultaram na neutralidade dos efeitos fiscais dos lançamentos, resta clara a improcedência da exigência fiscal objeto deste item. Item 5 "Despesas não Necessárias" Descrição do Termo de Encerramento e conclusões da Deloitte: "Despesas não comprovadas Conta 'Perdas com Câmbio Importação' Valor Tributável R$ 14.454.836,21 Analisando o Razão das contas: 31130203 Perdas de Câmbio', 21310102 Fornecedores Mercadorias Afiliadas Ajustes' e '11118326 Nossa Caixa Paulista Conciliação', a Empresa Deloitte, Touche & Tohmatsu conclui: comprovada a existência do passivo e sua origem na importação de mercadorias ou insumos e seu registro na conta '21310102, conforme demonstrado no item IV deste Parecer, justificase a necessidade de reconhecimento contábil e fiscal da variação cambial deste passivo sendo a respectiva despesa dedutível na apuração do lucro real e base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido, uma vez que a empresa optou por tributar por competência os ganhos e perdas decorrentes da variação da moeda estrangeira'". (não destacado no original) Descrição dos documentos apresentados e conclusões das DD. Autoridades Fiscais sobre Diligência: "Despesas não comprovadas Conta 'Perdas com Câmbio Importação' Valor Tributável R$ 14.454.836,21 Documentos apresentados [no curso da diligência, após solicitação das DD. Autoridades Fiscais]: Razão das contas 'Fornecedores Afiliadas', 'Perdas Câmbio Importação', 'Ajustes' e 'Nossa Caixa Paulista Conciliação'. Tendo em vista que apenas a conta Fl. 3527DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 08/05 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 30 'Nossa Caixa Paulista Conciliação', não havia sido analisada anteriormente, confirmamos, através desse documento, a contrapartida do lançamento efetuado em 16/07/2012, no valor de R$ 8.533,21, este mencionado no Parecer da Empresa Deloitte, Touche 8i Tohmatsu". 21. A exigência do item 5 do Auto de Infração está diretamente relacionada exigência do item 3 do Auto de Infração. No presente caso, por restar demonstrada a origem do passivo discutida no item 3 do Auto de Infração (vide itens 8 a 12 acima), deve ser também cancelada a glosa de despesas com variação cambial das obrigações contraídas no exterior. 22. Através dos documentos trazidos em Impugnação, Recurso Voluntário, parecer da Deloitte e Diligência, não á dúvida que as despesas com variação cambial estão diretamente relacionadas à existência do passivo e sua origem na importação de mercadorias ou insunnos e seu registro na conta 21310102. 23. Notase que as DD. Autoridades Fiscais não fazem nenhuma referência a essa conclusão, pelo que presumemse válidas e perfeitamente comprovadas as conclusões trazidas pela Requerente e confirmadas pelo parecer da Deloitte com relação ao item 5 do Auto de Infração, pelo que a exigência fiscal correspondente deve ser integralmente cancelada. (c) Itens não contemplados pela Diligência Fiscal 24. Em relação ao item "2" (passivo registrado na rubrica "outras contas a pagar", que não foi objeto de análise pelo parecer da Deloitte, tampouco da Diligencia Fiscal), a Requerente reitera que já sanou o equivoco de ter deduzido a provisão no valor de R$ 9.031,30, da base de cálculo do IRPJ e da CSL. Para tanto, recolheu a diferença de IRPJ e CSL correspondente (doc. nº 548 da Impugnação), devendo, por fim, ser afastada a exigência de PIS e COFINS, pois não se pode admitir a cobrança de tributo sobre valor de despesa. (d) Conclusão e pedido 25. Dessa forma, resta comprovada a improcedência do Auto de Infração, devendo o Recurso Voluntário ser julgado e provido integralmente pelo E. CARF, com o cancelamento total da exigência fiscal, contemplando principal, multa e juros, com o consequente arquivamento do presente processo administrativo. Este é o relatório! Voto Conselheiro Rafael Correia Fuso O Recurso é tempestivo e atende aos requisitos legais, por isso o conheço. Fl. 3528DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 08/05 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 19515.001937/200713 Acórdão n.º 1201001.121 S1C2T1 Fl. 17 31 Passemos a analisar as preliminares alegadas pela Recorrente. A) Nulidade do Auto de Infração e Decadência A contribuinte alega a nulidade do Auto de Infração, já que os supostos fatos geradores de IRPJ, CSL, PIS e COFINS com relação a passivo não comprovado encontramse extintos pela decadência. Afirma que se há algum fato gerador de IRPJ e CSL decorrente da dedutibilidade das operações contestadas pela D. Fiscalização, eles ocorreram entre os anos calendário de 1994 a 2001, quando as operações de importação foram realizadas pela AVL Brasil e as respectivas despesas foram deduzidas. Destacou ainda que a presente autuação foi lavrada em 30.7.2007, para exigir tributos relativos a fatos geradores que teriam supostamente ocorrido nos períodosbase compreendidos entre 1994 e 2001 (data em que as importações foram realizadas pela AVL Brasil). Afirma ainda que está sujeita à apuração do IRPJ e da CSL com base no lucro real. A partir do advento do Decretolei n° 1.967, de 23.11.1982, o IRPJ passou a se submeter à modalidade de lançamento por homologação, já que essa norma fixou um prazo para pagamento do tributo desvinculado da apresentação da declaração de rendimentos. Ou seja, o recolhimento do IRPJ passou a ocorrer independentemente do prévio exame dos DD. Agentes Fiscais, sujeito à sua posterior homologação. Não temos nenhuma dúvida que o IRPJ é um tributo sujeito ao lançamento por homologação, sendo que se houver pagamento a menor aplicase a regra do artigo 150, parágrafo 4º, e caso não haja pagamento, a regra a ser aplicada é o disposto no inciso I do artigo 173 do CTN. Da mesma forma é o entendimento quanto à CSL. Considerando que a contribuinte juntou aos autos comprovantes de pagamentos do IRPJ e da CSL relativos a cada um dos anoscalendários em análise. Não obstante, a grande discussão aqui é se eu considero o fato gerador os momentos da despesa que ocorreram em 1994 a 2001 nas importações ou o registro no balanço do passivo, que segundo a fiscalização não teria sido comprovado. Entendo que assiste razão da DRJ, pois o fato gerador da omissão de receita é o registro do passivo não comprovado, e não a origem da despesa da importação, pois são imputações e fundamentos diferentes. A autuação se dá em relação ao passivo não comprovado do ano de 2002, e não sobre a glosa das despesas de anos anteriores: Vejase que a infração de não comprovação de um passivo conta patrimonial – é totalmente diferente da infração de não comprovação de uma despesa conta de resultado mesmo que esta, eventualmente, lhe tenha dado causa. O fato gerador da despesa ocorre no anocalendário em que a mesma é apropriada ao resultado, ao passo que o fato gerador da omissão de receita caracterizada pelo passivo não comprovado ocorre sempre que um passivo conste no balanço Fl. 3529DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 08/05 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 32 de um certo anocalendário e o contribuinte não consiga comprovar sua existência naquele anocalendário. A autuação em tela trata de passivo não comprovado do ano calendário de 2002, e não de glosa das despesas de anos anteriores, que supostamente lhe teriam dado causa. Preliminar indeferida. Diante disso, não houve a decadência quanto ao direito do Fisco exigir o IRPJ e a CSL relativo ao passivo registrado em 2002. B) Mérito Item 1 "Omissão de Vendas": Na última diligência fiscal a matéria restou superada, pois a conta contábil foi reclassificada e a contribuinte apresentou os documentos faltantes: "Omissão de Vendas Nota Fiscal 32293 Valor Tributável R$ 88.191,95 Documentos apresentados [no curso da diligência, após solicitação das DD. Autoridades Fiscais]: Balancete Analítico/2002, DIPJ 2003, LALUR 2002, Livro Registro de Saída/2002. Com exceção da página 5 e da página 180 do Livro Diário/2002, todos os demais documentos já haviam sido analisados pelo autor dos levantamentos e pela DRJ. Os registros da página 5 (registro da receita de venda) e da página 180 (transferência da receita), os quais discriminamos a seguir, confirmam as informações dos demais documentos apresentados anteriormente pela empresa .(...)" (não destacado no original) Com isso, a omissão de vendas de R$ 88.191,15, registrada em "Contas a Receber de Afiliadas", de código 11310101, bem como no Livro de Registro de Saídas n.° 10 (fls. 80 e 81), representada pela Nota FiscalFatura n.° 32.293, emitida em 04/01/2002 (fl. 79), não declarada na DIPJ são suficientes para provar que a receita de venda referente à Nota Fiscal nº 32.293, foi contabilmente reclassificada, tendo transitado pelo resultado sob o titulo de "outras vendas" (conta nº 98190198), sendo devidamente oferecida tributação. Nestes termos, entendo pelo cancelamento do Auto de Infração quanto ao item 1, em razão das provas trazidas aos autos. Item 2 – Passivo “outras contas a pagar” Quanto ao passivo registrado na rubrica “outras contas a pagar”, a omissão de receitas de R$ 67.799,65, caracterizada por passivo não comprovado referente à conta 21211004 (fl. 83), a contribuinte afirma que essa conta continha provisões para pagamento de confecção de notas fiscais, de PIS e de COFINS e duas delas foram adicionadas para fins de apuração de IRPJ e CSLL, como se vê na pág. 25 do LALUR de 2001, em 31/12/2001, totalizando R$ 58.768,65, do total da conta, de R$ 67.799,95, deduzido na demonstração de resultado (doc n.° 547). Como bem decidiu a DRJ, o contribuinte confessa que apenas R$ 9.031,30 não foram adicionados no LALUR de 2001, reduzindo indevidamente o lucro tributável. Contudo, afirma o contribuinte que o DARF (doc n.° 548) comprova o recolhimento do IRPJ e da CSLL exigidos com relação a essa provisão e contesta a exigência de PIS e COFINS sobre estes valores, que seriam, na verdade, despesas. Fl. 3530DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 08/05 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 19515.001937/200713 Acórdão n.º 1201001.121 S1C2T1 Fl. 18 33 Entendo que não merece reparos a decisão da DRJ assim transcrita, sendo que os fundamentos do não acolhimento dos argumentos da contribuinte, visto que não se trata de glosa de despesa, mas de omissão de receita por passivo fictício: Notese que a autuação, neste item, novamente, não trata de glosa de despesa, mas, sim, de omissão de receita caracterizada por passivo fictício. Tratandose de presunção legal de omissão de receitas, é irrelevante se as despesas foram ou não deduzidas no ano calendário em tela, sendo forçoso concluir que a impugnante não logrou comprovar a existência do passivo, de forma que PIS e COFINS são devidos. Argumentos improcedentes. Item 3 "Passivo não comprovado" No caso de "Omissão de Receita Passivo não Comprovado Conta 'Fornecedores Afiliadas' Valor Tributável R$ 28.010.027,05, entendo que a última diligência confirmou aquilo que já havia sido atestado na decisão da DRJ, que o passivo existiu e foi confirmado. Para entender melhor a origem, cumpre fazer alguns esclarecimentos: As transações ocorreram junto à empresa AVL Brasil nos anos de 1994 a 2001, relativas a importações com empresas afiliadas. Conforme fora trazido nos autos, a referida empresa adquiriu produtos do exterior e apresentou notas fiscais de compra, notas fiscais de entrada, declarações de importação e registros das operações no Banco Central. Afirma a Recorrente, conforme se constata dos documentos juntados, que o saldo da conta “Fornecedores” era composto por obrigações decorrentes da importação de produtos da AVL Suíça. Essa obrigação foi assumida pela AVL Brasil, sendo que esses débitos em moeda estrangeira foram comprovados por documentos como notas fiscais de compra, notas fiscais de entradas, Declarações de Importação e registro de operações em Banco Central, juntados na impugnação. Com isso, criouse um passivo para a AVL Brasil com a AVL Suíça, em moeda estrangeira, com variação cambial, que deveria ter sido quitado em período menor que 1 (um) ano. Contudo, não se sabendo ao certo o motivo, a AVL Brasil não pagou as importações realizadas da sua fornecedora AVL Suíça, permanecendo uma dívida em aberto de R$ 28.010.027,25. Esse passivo registrado no balanço comercial em 2002 foi questionado pela Receita Federal. A despeito de não conhecermos o motivo do não pagamento, o fato é que as provas trazidas nos autos demonstram que as importações ocorreram junto a sociedade controladora e o passivo fora registrado, portanto é real. Fl. 3531DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 08/05 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 34 Todavia, em 2003, parte da dívida foi capitalizada em favor do sócio estrangeiro Roche Diagnostics para aumento de capital, conforme documento juntado aos autos (doc. 544 da defesa), existindo ainda um suposto perdão de dívida no valor de R$ 1.195.681,20. Observando documentos trazidos nos autos podemos concluir que ocorreu esse aumento de capital. A Recorrente, na qualidade de sucessora da AVL Brasil, registrou as despesas com variação cambial passiva que foram, com base na legislação pertinente, regularmente deduzidas do Lucro Real apurado no período base 2002, para fins de cálculo e recolhimento do IRPJ e da CSL devidos. Vale destacar que a Recorrente optou por apurar a variação cambial de todos os seus tributos em conformidade com o regime de competência. Da mesma forma, vejamos o que atestou o Laudo apresentado por empresa de auditoria independente: Portanto, com base nos documentos disponibilizados, verificamos que a Sociedade possui, (i) Invoices, (ii) Recibos de Declarações de Importação, (ii) Notas Fiscais de Entrada, e (iii) evidências indicando que os lançamentos contábeis das referidas compras de mercadoria proveniente do exterior foram devidamente realizados nos livros contábeis Desta forma, pudemos afirmar que: (a) as operações de importação efetivamente ocorreram, conforme toda documentação apresentada; (b) a obrigação ainda existia em 2002, sendo exigível a essa época; (c) a obrigação registrada no passivo em 2002 atendia a critérios contábeis e fiscais; (d) o passivo deixou de existir em 2003, em virtude de liquidação e capitalização. Diante do exposto, entendo pelo cancelamento do item 3 do Auto de Infração e acolho os argumentos trazidos pela Recorrente. Item 4 "Provisões não comprovadas" Quanto à "Omissão de Receita Passivo não Comprovado Conta 'Provisão para Litígios' Valor Tributável R$ 1.001.432,60 – a última diligência encerra a discussão a favor da contribuinte, ao afirmar que: "Omissão de Receita Passivo não Comprovado Conta 'Provisão para Litígios' Valor Tributável R$ 1.001.432,60 Documentos apresentados [no curso da diligência, após solicitação das DD. Autoridades Fiscais]: Livro Diário/2000, Livro Razão/2000 e LALUR/2000, os quais não haviam sido analisados anteriormente pela Empresa (...). OBS: Tendo em visa os registros discriminados nos livros contáveis, entendemos que a Empresa comprovou que os referidos valores reduziram as bases de cálculo do IRPJ e da CSL daquele ano calendário." Fl. 3532DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 08/05 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 19515.001937/200713 Acórdão n.º 1201001.121 S1C2T1 Fl. 19 35 A discussão que se põe a seguir é se os efeitos dessa redução atestados pela diligência são neutros sob o ponto de vista fiscal, pois a Requerente afirma que adicionou tais valores às bases de cálculo do IRPJ e da CSL. A Recorrente alega o seguinte: 17. Em relação a esse item, as DD. Autoridades Fiscais alegam que a Requerente não teria comprovado provisões para litígios lançadas em sua contabilidade, que teriam afetado seu lucro liquido. Durante a diligência, conforme e possível verificar no quadro abaixo presente no próprio Termo de Encerramento, ficou comprovado que a Requerente adicionou tais provisões no LALUR, portanto incluindo tais provisões na base de cálculo do IRPJ e da CSL, tendo sido tais valores tributados: LALUR/2000 (página 10) Adição de Provisão Garantia (4314) R$ 31.508,30 Adição de Perdas Extraordinárias (5289) R$ 60.146,86 Adição de Despesas Indedutíveis (5300) R$ 710.993,30 Adição de ICMS/IPI sobre Outras (5310) R$ 455.171,12 18. Tais rubricas e valores, vale dizer, correspondem às indicadas nos lançamentos de despesas consideradas pelas DD. Autoridades Fiscais com base na análise do Livro Diário/2000 (páginas 147 e 148), que perfazem o montante de R$ 1.001.432,60. 19. Notase que: (i) os valores são idênticos no LALUR e no Livro Diário para as rubricas "Adição de Provisão Garantia" e "Adição de ICMS/IPI sobre Outras"; e (ii) os valores adicionados ao LALUR são ainda maiores do que as despesas indicadas no Lucro Diário para as rubricas "Adição de Perdas Extraordinárias" (R$ 17.424,03) e "Adição de Despesas Indedutiveis" (R$ 497.329,15). 20. Portanto, considerando que as deduções apontadas pelas DD. Autoridades Fiscais não podem ser consideradas isoladamente, mas em conjunto com as adições do LALUR que resultaram na neutralidade dos efeitos fiscais dos lançamentos, resta clara a improcedência da exigência fiscal objeto deste item. A despeito da DRJ ter aplicado a letra fria do artigo 13 da Lei nº 9.249/95, em que veda a dedução de qualquer provisão, excetos as contidas para pagamento de férias de empregados e de décimo terceiro salário, o fato é que a contribuinte adicionou na base de cálculo do IRPJ e da CSLL o respectivo valor deduzido da provisão, portanto, podemos afirmar que o lucro tributável ficou preservado. Nestes termos, entendo pelo cancelamento quanto ao item 4 do Auto de Infração. Item 5 "Despesas não Necessárias" Fl. 3533DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 08/05 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 36 Por fim, quanto às despesas não comprovadas com perdas com câmbio da importação, valor tributável de R$ 14.454.836,21, relativos às contas '31130203 Perdas de Câmbio', 21310102 Fornecedores Mercadorias Afiliadas Ajustes' e '11118326 Nossa Caixa Paulista Conciliação', a diligência confirmou a contrapartida do lançamento efetuado em 16/07/2012, no valor de R$ 8.533,21, mencionado no Parecer da Empresa Deloitte, sendo que tal despesa está relacionada com a existência do passivo e as importações de mercadorias, consideradas como comprovadas e válidas nessa decisão. A presente decisão é aplicada para a CSLL, Pis e Cofins, visto tratarem de tributações reflexas. Diante do exposto, CONHEÇO do Recurso, e no mérito, DOULHE parcial provimento, para cancelar os itens 1, 3, 4 e 5 do Auto de Infração. É como voto! (assinado digitalmente) Rafael Correia Fuso Relator Fl. 3534DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 08/05 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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Numero do processo: 13964.000187/2009-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 21 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jun 08 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
IRPF. PENSÃO ALIMENTÍCIA. DEDUÇÃO. LIMITES.
São dedutíveis na DIRPF os valores pagos a título de pensão alimentícia desde que o contribuinte comprove ter efetuado o referido pagamento e desde que o mesmo esteja devidamente previsto em decisão judicial (ou acordo homologado judicialmente).
Numero da decisão: 2102-003.239
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para restabelecer a dedução de pensão no valor de R$ 2.902,61.
Assinado Digitalmente
Jose Raimundo Tosta Santos - Presidente
Assinado Digitalmente
Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti - Relatora
EDITADO EM: 13/02/2015
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS (Presidente), BERNARDO SCHMIDT, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, NUBIA MATOS MOURA, ALICE GRECCHI, CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA.
Nome do relator: ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para restabelecer a dedução de pensão no valor de R$ 2.902,61. Assinado Digitalmente Jose Raimundo Tosta Santos - Presidente Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti - Relatora EDITADO EM: 13/02/2015 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS (Presidente), BERNARDO SCHMIDT, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, NUBIA MATOS MOURA, ALICE GRECCHI, CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA.
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PENSÃO ALIMENTÍCIA. DEDUÇÃO. LIMITES. São dedutíveis na DIRPF os valores pagos a título de pensão alimentícia desde que o contribuinte comprove ter efetuado o referido pagamento e desde que o mesmo esteja devidamente previsto em decisão judicial (ou acordo homologado judicialmente). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para restabelecer a dedução de pensão no valor de R$ 2.902,61. Assinado Digitalmente Jose Raimundo Tosta Santos Presidente Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Relatora EDITADO EM: 13/02/2015 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS (Presidente), BERNARDO SCHMIDT, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, NUBIA MATOS MOURA, ALICE GRECCHI, CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 96 4. 00 01 87 /2 00 9- 41 Fl. 31DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 03/06/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por ROBERTA DE A ZEREDO FERREIRA PAGETTI 2 Relatório Em face do Contribuinte acima identificado, foi lavrado a Notificação de Lançamento de fls. 04/09, apurandose o crédito tributário no valor de R$5.165,55 (cinco mil, cento e sessenta e cinco reais e cinquenta e cinco centavos), já acrescidos de multa de ofício de 75% e juros de mora, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2007, ano calendário 2006, correspondente à Dedução Indevida de Despesas Médicas e Dedução Indevida de Pensão Alimentícia Judicial. Da descrição dos fatos e do enquadramento legal, o auditor fiscal assim sintetizou os fundamentos do lançamento: DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO LEGAL Dedução Indevida de Despesas Médicas. Glosa do valor de R$6.194,80, indevidamente deduzido a título de Despesas Médicas, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução. COMPLEMENTAÇÃO DA DESCRIÇÃO DOS FATOS O contribuinte foi intimado a apresentar os comprovantes das despesas médicas declaradas e apresentou documentos que totalizaram R$11.275,00. Dessa forma foram glosados R$6.194,80 por falta de comprovação. DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO LEGAL Dedução Indevida de Pensão Alimentícia. Glosa do valor de R$3.380,00, indevidamente deduzido a título de Pensão Alimentícia Judicial, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução. Conforme comprovante de rendimentos e demais documentos apresentados o valor da pensão alimentícia paga, comprovado, foi de R$8.380,51. Cientificado do lançamento, o Contribuinte apresentou a Impugnação de fls. 02, por meio da qual alegou em suma que: Atendendo ao Termo de Notificação de Lançamento, do Imposto de Renda Pessoa Física, N° 2007/609450380684062, no qual fui intimado a recolher IRPF suplementar, penso que deva ser justo argumentar sobre o que foi solicitado no Termo de Intimação Fiscal N° 2007/609317066571041 e os cálculos, baseados nos documentos apresentados. A Intimação Fiscal solicitava um rol de documentos e entre os documentos solicitados, não o foram os comprovantes de rendimentos. Por conta disto, foi encaminhado somente um dos comprovantes de rendimentos, justamente para comprovar o pagamento da contribuição a previdência privada e Fapi. Portanto, estou encaminhando, anexo, o comprovante de rendimentos do benefício do INSS, comprovando o desconto de pensão alimentícia, que não pode ser considerado nos cálculos efetuados. Fl. 32DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 03/06/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por ROBERTA DE A ZEREDO FERREIRA PAGETTI Processo nº 13964.000187/200941 Acórdão n.º 2102003.239 S2C1T2 Fl. 31 3 Na análise de suas alegações,os il. julgadores da DRJ/FNS constataram que o Contribuinte não se manifestou em relação à glosa da dedução de despesas médicas no valor de R$6.194,80, e, portanto, tal matéria restou considerada como não impugnada, a teor do que dispõe o art. 17 do Decreto n° 70.235/1972. Desta forma, os integrantes da 3ª Turma da DRJ/BSB decidiram, por unanimidade de votos, em julgar improcedente a impugnação, mantendose integralmente o crédito tributário exigido,conforme voto da il. Relatora, que diz: “Ora, de fato, o contribuinte tem direito, de acordo com a legislação tributária, à dedução da base de cálculo do imposto de renda dos valores comprovadamente pagos a título de pensão alimentícia, em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive alimentos provisionais. Entretanto, o contribuinte junta aos autos comprovação de apenas R$2.902,61, valor este muito aquém do já considerado pelo Fisco (R$8.380,81). Quisesse o contribuinte comprovar producentemente seu direito à dedução do total pleiteado na DIRPF/2007, deveria ter juntado aos autos documentos comprobatórios da determinação judicial bem como dos pagamentos desse montante. Ao que se tem dos autos, não se pode concluir que os R$2.902,61, informados no documento de fl. 6, já não está incluso nos R$8.380,81 considerados no lançamento. (...) Mantémse, assim, a glosa da dedução da pensão alimentícia judicial, conforme efetuada pela autoridade revisora”. O Contribuinte teve ciência de tal decisão e contra ela interpôs Recurso Voluntário de fls. 25, reiterando integralmente os termos de sua Impugnação e ressaltando ainda que: Encaminho, novamente, acordo homologado judicialmente com relação à pensão alimentícia nos termos: 1º) ‘Que o demandado comprometese a pagar à título de prestação alimentícia ..., conforme o seu demonstrativo salarial; Que a importância apurada será descontada em folha de pagamento e...; 2º) Que já estando o menor devidamente registrado junto a empresa empregadora do demandado como seu beneficiário, ficalhe assegurado toda a assistência médica, odontológica e hospitalar necessária, a qual será reembolsada se por ventura, pagas tais despesas pela mãe do menor; 3º) Que o demandado comprometese a reembolsar despesas extras necessárias ao bem estar do menor, uma vez devidamente provada tal necessidade e importância’. As exigências do acordo são incisivas e se cumprem nos momentos necessários sob o risco de consequências conhecidas. Houve manifestação e esclarecimentos com relação a despesas com o menor. Porém, os repasses determinados pelo acordo judicial foram exigidos e repassados. Na ocasião da declaração Fl. 33DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 03/06/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por ROBERTA DE A ZEREDO FERREIRA PAGETTI 4 do imposto de renda foi solicitada da mãe, a relação das despesas. Quando foram solicitados os comprovantes para atender ao termo de intimação, problemas típicos de separação litigiosa não permitiram resgatar os documentos. Como não há mais como comprovar as despesas médicas, há que se conformar. Com relação à dedução com pensão alimentícia, encaminho novamente demonstrativo da Universidade do Sul de Santa Catarina cujo desconto foi de R$8.380,51, e demonstrativo do Instituto Nacional do Seguro Social cujo desconto foi de R$2.902,61 acrescido do desconto da pensão alimentícia do 13º salário de R$477,93 (apontadas nas informações complementares do referido demonstrativo) perfazendo um total de R$3.380,54. Como pode ser percebido, o total da pensão alimentícia descontada (R$11.761,05), praticamente coincide com os valores declarados. Os autos então foram remetidos a este Conselho para julgamento. É o Relatório. Voto Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Relatora O contribuinte teve ciência da decisão recorrida em 19.10.2011, como atesta o AR de fls. 24. O Recurso Voluntário foi interposto em 04.11.2011 (dentro do prazo legal para tanto), e preenche os requisitos legais por isso dele conheço. Conforme relatado, tratase de recurso em que a matéria em discussão é a glosa de despesas com pensão alimentícia, considerando que a parcela relacionada à glosa de despesas médicas não foi objeto de Impugnação. O valor total declarado pelo Recorrente a este título foi de R$11.760,51, sendo que R$ 3.380,00 foram objeto de glosa em razão da falta de sua comprovação, já que o valor constante dos comprovantes de rendimentos apresentados foi de R$ 8.380,51. Em sede de Impugnação, o Recorrente trouxe aos autos o comprovante de rendimentos recebidos do INSS, por meio do qual comprovava o pagamento de R$ 2.902,61 a título de pensão alimentícia. A decisão recorrida, porém, deixou de considerar este valor como dedutível, pela falta de apresentação de outros documentos que afastassem a dúvida sobre quanto fora o total pago – já que o próprio lançamento já considerara parte da dedução pleiteada. No Recurso Voluntário, o Recorrente trouxe aos autos os documentos de fls. 27 e 28, consistentes nos informes de rendimentos emitidos pela Universidade do Sul de Santa Catarina, bem como pelo INSS. Destes documentos, ficam comprovados os descontos dos valores de R$ 8.380,51 e R$ 2.902,61, respectivamente, a título de pensão alimentícia. Fl. 34DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 03/06/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por ROBERTA DE A ZEREDO FERREIRA PAGETTI Processo nº 13964.000187/200941 Acórdão n.º 2102003.239 S2C1T2 Fl. 32 5 Considerando que os R$ 8.380,51 já foram considerados no lançamento, deve agora ser considerada como dedutível a parcela de R$ 2.902,61. Vale ressaltar, outrossim, que o montante de R$ 477,83, que foi deduzido do 13º salário do Recorrente não é dedutível na Declaração de Ajuste Anual, por se tratar de rendimento com tributação exclusiva, que não é levado ao ajuste. Com isso, o total da dedução a que o Recorrente teria direito a título de pensão alimentícia é de R$11.283,12, razão pela VOTO no sentido de DAR PARCIAL provimento ao Recurso para restabelecer a despesa de R$ 2.902,61. Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Fl. 35DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 03/06/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por ROBERTA DE A ZEREDO FERREIRA PAGETTI
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Numero do processo: 13822.000031/2005-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 19 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Aug 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005
ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA.
A arguição de inconstitucionalidade não pode ser oponível na esfera administrativa, por transbordar os limites de sua competência o julgamento da matéria, do ponto de vista constitucional.
CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. DESPESAS DE DEPRECIAÇÃO.
Apenas os bens integrantes do Ativo Imobilizado, adquiridos posteriormente a 01/05/2004 e diretamente ligados ao processo produtivo da empresa podem gerar despesas de depreciação que dão direito ao creditamento na apuração do PIS e da Cofins.
DESPESAS, CUSTOS E ENCARGOS COMUNS VINCULADOS A RECEITAS SUJEITAS À INCIDÊNCIA CUMULATIVA E NÃO CUMULATIVA. RATEIO PROPORCIONAL. NECESSIDADE.
No caso da existência de despesas, custos e encargos comuns vinculadas a receitas sujeitas à incidência cumulativa e não cumulativa, não havendo sistema contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração, necessário se faz a apropriação por meio de rateio proporcional, nos termos do disposto no § 8º, do art. 3º, da Lei nº 10.637, de 2002.
Numero da decisão: 3401-002.973
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente e redator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva Nogueira, Angela Sartori (Relatora) e Bernardo Leite de Queiroz Lima.
Este recurso voluntário, juntamente com outros quinze da mesma empresa e que versavam as mesmas matérias deste, foi julgado na sessão de 18 de março de 2015 com base em relatório, voto e ementa únicos, elaborados pela Relatora, Conselheira Angela Sartori, lidos na sessão com respeito apenas ao processo 13822000177/2005-05 aqui transcritos na íntegra. A Conselheira renunciou ao mandato antes que pudesse formalizar os acórdãos correspondentes, motivo pelo que auto-designei-me para a tarefa, no que valho-me das peças por ela elaboradas e entregues à Secretaria.
Nome do relator: ANGELA SARTORI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA. A arguição de inconstitucionalidade não pode ser oponível na esfera administrativa, por transbordar os limites de sua competência o julgamento da matéria, do ponto de vista constitucional. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. DESPESAS DE DEPRECIAÇÃO. Apenas os bens integrantes do Ativo Imobilizado, adquiridos posteriormente a 01/05/2004 e diretamente ligados ao processo produtivo da empresa podem gerar despesas de depreciação que dão direito ao creditamento na apuração do PIS e da Cofins. DESPESAS, CUSTOS E ENCARGOS COMUNS VINCULADOS A RECEITAS SUJEITAS À INCIDÊNCIA CUMULATIVA E NÃO CUMULATIVA. RATEIO PROPORCIONAL. NECESSIDADE. No caso da existência de despesas, custos e encargos comuns vinculadas a receitas sujeitas à incidência cumulativa e não cumulativa, não havendo sistema contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração, necessário se faz a apropriação por meio de rateio proporcional, nos termos do disposto no § 8º, do art. 3º, da Lei nº 10.637, de 2002.
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COMPETÊNCIA. A arguição de inconstitucionalidade não pode ser oponível na esfera administrativa, por transbordar os limites de sua competência o julgamento da matéria, do ponto de vista constitucional. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. DESPESAS DE DEPRECIAÇÃO. Apenas os bens integrantes do Ativo Imobilizado, adquiridos posteriormente a 01/05/2004 e diretamente ligados ao processo produtivo da empresa podem gerar despesas de depreciação que dão direito ao creditamento na apuração do PIS e da Cofins. DESPESAS, CUSTOS E ENCARGOS COMUNS VINCULADOS A RECEITAS SUJEITAS À INCIDÊNCIA CUMULATIVA E NÃO CUMULATIVA. RATEIO PROPORCIONAL. NECESSIDADE. No caso da existência de despesas, custos e encargos comuns vinculadas a receitas sujeitas à incidência cumulativa e não cumulativa, não havendo sistema contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração, necessário se faz a apropriação por meio de rateio proporcional, nos termos do disposto no § 8º, do art. 3º, da Lei nº 10.637, de 2002. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 82 2. 00 00 31 /2 00 5- 51 Fl. 518DF CARF MF Impresso em 05/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente e redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva Nogueira, Angela Sartori (Relatora) e Bernardo Leite de Queiroz Lima. Este recurso voluntário, juntamente com outros quinze da mesma empresa e que versavam as mesmas matérias deste, foi julgado na sessão de 18 de março de 2015 com base em relatório, voto e ementa únicos, elaborados pela Relatora, Conselheira Angela Sartori, lidos na sessão com respeito apenas ao processo 13822000177/200505 aqui transcritos na íntegra. A Conselheira renunciou ao mandato antes que pudesse formalizar os acórdãos correspondentes, motivo pelo que autodesigneime para a tarefa, no que valhome das peças por ela elaboradas e entregues à Secretaria. Relatório O Relatório a seguir é o que foi entregue à Secretaria pela relatora Angela: Trata o presente de Pedido de Ressarcimento de créditos apurados pela sistemática da não cumulatividade, compensado com créditos tributários do próprio interessado através de PER/DCOMP: Crédito: PIS não cumulativa, Período de apuração: 4º trimestre de 2005 cujo Valor pleiteado: R$ 295.007,33. Efetuada a verificação fiscal junto ao interessado, foi lavrado Auto de Infração para formalização da glosa dos créditos, onde foram apuradas irregularidades na formação do crédito objeto do presente processo, a saber: a) Bens utilizados como insumos. Baseado no conceito de insumo utilizado na fabricação ou produção de bens destinados à venda, dado pelo art. 8º, § 4º c/c § 9º, da Instrução Normativa nº 404, de 2004 a matéria prima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades químicas ou físicas, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não esteja incluído no ativo imobilizado – o auditor fiscal verificou a existência de registros de despesas não incluídos nesse conceito. Inicialmente, verificou diferenças entre os valores informados na planilha “Livro do PIS e Cofins Consolidado 2007” e no Fl. 519DF CARF MF Impresso em 05/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13822.000031/200551 Acórdão n.º 3401002.973 S3C4T1 Fl. 123 3 DACON. Intimado, o interessado informou que no DACON informou que, além dos insumos relacionados nas planilhas, incluiu as aquisições de cana de açúcar de pessoas jurídicas. A fiscalização ressaltou que, de acordo com a Lei nº 10.925/2004, arts. 8º e 9º, regulamentada pela Instrução Normativa SRF nº 606, de 2006, as aquisições de insumos de origem agropecuária geram direito a crédito presumido à alíquota de 2,66%, e não ao crédito referente aos insumos, da linha 02 dos DACON e, portanto, não serão considerados nesse item e serão analisados em item próprio, do Auto de Infração. A seguir, efetuou a análise referente aos grupos que compuseram a planilha de cálculo dos insumos. a.1) Material Intermediário – Serviço de Manutenção. Da análise da planilha correspondente e das notas fiscais nela relacionadas, verificou que parte dos gastos não se refere à aquisição de insumos, matéria prima, produto intermediário ou material de embalagem, utilizados ou aplicados diretamente no processo de fabricação do açúcar, referindo se a partes e peças de veículos, caminhões, ônibus, máquinas agrícolas e aquisição de pneus, assim como despesas diversas tais como: locação de veículos para uso administrativo e obras de recuperação de rodovias. Ressalta que tais gastos não se dão no âmbito do processo produtivo, mas sim em etapas anteriores ou posteriores à produção. Ressalta, também, que considerou somente os gastos referentes a combustíveis e lubrificantes, para os quais há expressa autorização para a inclusão no conceito de insumos. a.2) Material Intermediário – Serviço de Manutenção Industrial. Que efetuou a glosa referente a gastos com bens não diretamente consumidos na fabricação de bens destinados à venda, tais como gastos com construção civil, com reparação de caminhões, reboques, com tintas vernizes diluentes (Estoque tintas), cimento, etc. a.3) Fretes Glosou as despesas com fretes referentes a transporte de pessoas, por não se enquadrarem no disposto no art. 3º, § 3º, da Lei nº 10.833, de 2003. Fl. 520DF CARF MF Impresso em 05/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 b) Do método da apropriação do crédito presumido. Verificou que o interessado informou que o método de determinação dos créditos foi com base na proporção dos custos diretamente apropriados. Assim, intimou o interessado a comprovar que os valores dos créditos informados nos DACON e nos livros auxiliares do PIS e Cofins são referentes apenas aos custos, despesas e encargos vinculados à receita sujeita ao regime não cumulativo da exportação. Examinando a documentação apresentada, verificouse que, no preenchimento dos DACON, o interessado não utilizou o método de apropriação direta, uma vez que todo o custo da cana de açúcar (insumo), do preparo e processamento da cana, da extração do caldo e do suporte a produção industrial foram apropriados, na sua totalidade, para o produto açúcar, ou seja, todos os custos comuns, vinculados ás receitas sujeitas aos regimes cumulativos e não cumulativo foram aproveitados integralmente como sendo regime não cumulativo. Em resumo, nos DACON entendeu o interessado apropriar todo o gasto com a aquisição do insumo cana de açúcar para o produto açúcar, independentemente se dela foi produzido álcool. Verificou, também: a) Que a soma dos saldos mensais das contas é inferior ao valor mensal dos insumos informados nos DACON, para o que somou valores de materiais em estoque. conforme resumo de fls. 23 (numeração constante no relatório do Auto de Infração); b) Inconsistências nas informações das planilhas apresentadas, demonstrando que os Razões não comprovam o método de apropriação direta e nem condizem com os valores dos DACON, pois: b.1) conforme esclarecimento do interessado, no valor dos insumos informados nos DACON está incluído o valor da cana adquirida de pessoas jurídicas e na planilha de fls 24 a 26 (numeração constante no relatório do Auto de Infração), não consta a conta correspondente a tal insumo; b.2) a soma dos saldos mensais das contas é inferior ao valor mensal dos insumos informados nos DACON (e diferente do valor da cana adquirida de pessoa jurídica) e para chegar ao valor informado nos DACON, o interessado somou o valor dos materiais em estoque, conforme consta no resumo apresentado às fls. 23 (numeração constante no relatório do Auto de Infração); e b.3) na planilha há contas estranhas ao conceito de insumo, tais como “Consultoria”, Copa, cozinha e limpeza”, Gêneros Fl. 521DF CARF MF Impresso em 05/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13822.000031/200551 Acórdão n.º 3401002.973 S3C4T1 Fl. 124 5 Alimentícios”, Lanches e Refeições”, “Uniformes” e “Seguros Gerais”. Pelos fatos expostos, constatase que o método de aproveitamento dos créditos, informado nos DACON, não pode ser caracterizado como de apropriação direta, pois os custos comuns á receita sujeita ao regime não cumulativo e ao cumulativo foram informados integralmente como sendo de receita de exportação e os Razões apresentados não comprovam o declarado nos DACON e nas planilhas com a descrição dos insumos e, considerando que o interessado aufere receitas sujeitas a ambos os regimes de tributação, com base no disposto nos arts. 3º, §§ 7º e 8º, II, das Leis nº 10.637, de 2002 e nº 10.833, de 2003, deve ser utilizado o método de rateio proporcional da receita bruta. Assim, calculou os percentuais aplicáveis a cada regime de tributação e aplicou os aos valores dos gastos considerados como insumos, apurando o valor do crédito a aproveitar no período. b.1) Energia Elétrica e Contraprestações de arrendamento mercantil. Considerando a utilização do método de rateio proporcional para a apuração dos créditos, recalculou os valores dos gastos com energia elétrica e das contraprestações de arrendamento mercantil considerados como créditos apurados no regime não cumulativo. c) Base de cálculo do crédito a descontar referente ao Ativo Imobilizado– com base no valor de aquisição (linha 10 da Ficha 16 A do DACON) Cita A legislação regência e constatou que o interessado incluiu na base de cálculo dos créditos referentes a bens do ativo imobilizado: a) 1/48 de valores de aquisição de bens adquiridos antes de 01/05/2004, contrariando o art. 31 da Lei nº 10.865, de 2004, o art. 3º, § 14 c/c art. 15, da Lei nº 10.833, de 2003; b) 1/24 de valores de aquisição de bens diferentes de máquinas equipamentos, tais como edificações, veículos, motos, micro ônibus, caminhões, etc, contrariando o art. 31 da Lei nº 10.865, de 2004, o art. 3º, § 14 c/c art. 15, da Lei nº 10.833, de 2003; c) bens que não foram utilizados exclusivamente no processo industrial, tais como: rádio motorola, computadores de bordo, tratores, lavador de veículos, replantador de cana, colheitadeira de cana, etc, contrariando o disposto no art. 3º, inciso VI, e § 1º, inciso II, da Lei nº 10.837, de 2002, e art. 15, da Lei nº 10.833, de 2003, e art. 2º da Lei 11.051, de 2004, e demais dispositivos legacia acima citados; Fl. 522DF CARF MF Impresso em 05/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 6 d) bens vinculados ás receitas sujeitas ao regime cumulativo, tais como destilaria, tanque de álcool, fábrica de álcool, etc; e) bens comuns à fabricação de produtos sujeitos aos regimes cumulativo e não cumulativo, tais como balanças, picadores de cana, moendas, meã alimentadora, etc. Com base nas verificações, efetuou a glosa referente aos valores relacionados nos itens “a” a “d” acima. Aos valores referentes ao item “e”, aplicouse o percentual de rateio proporcional apurado para os períodos. d) Créditos presumidos – Atividades Agroindustriais. d.1) Apuração Conforme destacado no item “A”, e de acordo com a Lei nº 10.925/2004, arts. 8º e 9º, regulamentada pela Instrução Normativa (IN) SRF nº 606, de 2006, as aquisições de insumos de origem agropecuária geram direito a crédito presumido à alíquota de 2,66%, e não ao crédito referente aos insumos, da linha 02 dos DACON. Assim, relativamente aos valores das aquisições de cana efetuadas junto a pessoas jurídicas, aplicouse o percentual apurado para o rateio proporcional entre as receitas sujeitas aos regimes cumulativo e não cumulativo da contribuição. d.2) Forma de utilização do crédito Ressalta que, com base no disposto no art. 8º, caput, da Lei nº 10.925,de 2004, e no art. 8º, § 3º, II, da IN SRF nº 660, de 2006, o crédito presumido de atividades agroindustriais somente pode ser utilizado para dedução do valor devido da contribuição, não podendo ser objeto de compensação com outros tributos ou de pedido de ressarcimento, e que a apreciação desse item será feita pela Saort da DRF. e) Outros Créditos a descontar (linha 25 da ficha 12 do DACON Verificou que o interessado registrou créditos da contribuição, referente a valor do frete nas operações de venda, pago a pessoas físicas, contrariando as disposições do inciso IX, do art. 3º c/c art 15, ambos da Lei n º 10.833, de 2003. PARECER SAORT E DESPACHO DECISÓRIO A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Araçatuba, através do Parecer Saort, reproduziu as informações do Auto de Infração e propôs o deferimento do valor de R$ 190.764,88, como direito creditório do interessado passível de compensação. Fl. 523DF CARF MF Impresso em 05/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13822.000031/200551 Acórdão n.º 3401002.973 S3C4T1 Fl. 125 7 Através do Despacho Decisório (DD), acataramse as conclusões do Parecer Saort, deferindo em parte o pedido de ressarcimento, reconhecendo ao interessado o direito creditório ao valor proposto no Parecer, e homologando as compensações efetuadas até o limite do direito creditório reconhecido. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Ciente das conclusões do Despacho Decisório (DD), o interessado apresentou manifestação de inconformidade (MI), onde relata os fatos e faz as suas contrárias alegações onde, preliminarmente, alega que os créditos objeto do presente processo já foram apreciados nos autos do processo 15868.000039/201084 e, assim, constatase a duplicidade das glosas de créditos e da cobrança dos valores atinentes às referidas glosas. Junta cópia do Auto de Infração que seria objeto do referido processo. Em seguida, faz longa exposição a respeito do direito ao crédito da PIS/Cofins, relatando o histórico da edição dos atos legais, faz considerações sobre o conceito de não cumulatividade, destacando a diferença entre esse conceito, para o PIS e Cofins, e o conceito aplicável ao ICMS e IPI, que não foi observada pela fiscalização. Dizendo que mantidas as restrições impostas pela fiscalização, as contribuições tornamse cumulativas e as tornam inconstitucionais e ilegais, devendo ser observada a lei e os mandamentos constitucionais, em especial, a vontade do legislador, e que as Leis nº 10.637, de 2002 e nº 10.833, de 2003, ao impor um rol taxativo de créditos a serem aproveitados (art. 3º) não se mostram adequadas e subsumidas ao comando constitucional contido no § 12, do art. 195, da CF, ficando evidenciada a inconstitucionalidade das limitações ao direito de créditos de PIS/Cofins, tal como colocada nas referidas leis. Assim, na esteira do entendimento constitucional, é necessário o reconhecimento do direito de crédito em relação a todas as despesas necessárias à produção do resultado econômico e, não sendo esse o entendimento a ser esposado, é certo que o procedimento fiscal é absurdo pois glosou mais de 85% dos créditos levantados, sendo que todos os insumos glosados são aplicados no processo produtivo do requerente, a saber: Fl. 524DF CARF MF Impresso em 05/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 8 Material Intermediário – Serviço de Manutenção. Que o conceito de insumos, adotado pelo fisco, em totalmente distorcido, uma vez que é desconsiderado parte do processo industrial do requerente, qual seja, a produção do insumo cana de açúcar, onde temse o preparo do solo, o plantio da cana, os tratos culturais, o corte, e o transporte da cana para a fabricação dos produtos. Que nesse processo são utilizados tratores, caminhões e máquinas para tais procedimentos e, assim, as peças para esses veículos são indispensáveis para o processo de produção. Que as disposições da IN SRF nº 247, de 2002 está eivada de inconstitucionalidade, uma vez que subverte o estabelecido em lei e que, ao incluir os combustíveis e lubrificantes como insumos que dão direito a crédito, o objetivo do legislador foi estabelecer um rol exemplificativo de bens e serviços, e não taxativos, como quer o fisco. Assim, é de se reconsiderar tal glosa, pois o bens expressamente impugnados são materiais intermediários inseridos e que se desgastam no decorrer do processo produtivo. Material Intermediário – Serviço de Manutenção Industrial. Alega o mesmo entendimento do item anterior, contestando especificamente as glosas dos serviços de reparação de equipamentos, manutenção de moenda e outros pois são equipamentos e serviços utilizados no processo produtivo e que sem esse insumos o processo não decorre sem prejuízo para o requerente e que a falta dos mesmos inviabilizaria a continuidade empresarial. Que deve ser revisada a glosa, haja vista a existência de erro material, bem como equívoco conceitual sobre a interpretação da norma, e que as notas fiscais e fornecedores mencionados estão inseridos no processo produtivo. Do direito ao crédito do frete. Contesta a glosa referente a fretes pagos a pessoa jurídica quando atinentes a transporte de pessoal, de mercadorias para terceiros e aquisição de materiais. Alega que entre as glosas constam despesas de frete nas operações de venda, o que está expressamente previsto no inciso IX do art. 3º, da Lei nº 10.833, de 2003., que faz referência aos incisos I e II do próprio art. 3º, que definem o direito a crédito sobre os bens adquiridos para revenda ou bens e serviços utilizados como insumos, daí a razão Fl. 525DF CARF MF Impresso em 05/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13822.000031/200551 Acórdão n.º 3401002.973 S3C4T1 Fl. 126 9 para a inclusão dos serviços de transporte gasto em seu processo produtivo. Do método de Apuração de Créditos (Créditos Presumidos da CanadeAçúcar) Que a fiscalização, ao arrepio da lei, desconsiderou o método de apropriação de créditos elaborado pelo contribuinte, optando pelo mais oneroso, argumentando que todos os custos de cana, seu processamento, extração de caldo, suporte industrial e outros são apropriados para o produto açúcar, e que os Razões não permitem identificar quais os produtos, insumos ou fornecedores dos custos apropriados, bem como há Razões em que as notas fiscais e fornecedores não constam dos livros auxiliares de PIS/Cofins. Que a legislação é clara quanto ao direito do contribuinte optar entre o método de apropriação direta e o método de rateio proporcional, no caso de existência de receitas sujeitas a ambos os regimes de tributação Que o sistema de custo integrado separa os custos destinados à fabricação de açúcar e álcool, de modo que os insumos destinados a cada processo sejam diretamente direcionados a seus respectivos centros de requisição contábeis. Que todo o volume de cana, o processo de extração do caldo e o suporte industrial são exatamente custos de fabricação de açúcar, vez que cem pro cento do caldo resultante desse processo é destinado à fábrica de açúcar e que para a fábrica de álcool somente é destinado o “mel final” que resulta do processo de fabricação de açúcar, o qual vai juntamente com seu respectivo custo de resíduo industrial, e que não houve fabricação de álcool direto da cana. Quanto a outra alegação, de falta de identificação de fornecedores, produtos, insumos dos custos apropriados, alega que adota há trinta anos tal procedimento, nunca senso questionado pela fiscalização e que tal procedimento é reconhecido a adotado como parte integrante das melhores técnicas de escrituração, que todas as requisições e notas fiscais foram apresentadas, o que deu margem à discussão sobre o conceito de insumos. Quanto a argumentação de que há Razões nos quais notas fiscais e fornecedores relacionados não constam nos Livros Auxiliares, Fl. 526DF CARF MF Impresso em 05/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 10 que tais livros não são obrigatórios e não possuem regramento específico para se preenchimento. Que inexistem custos comuns que são apropriados somente para a parte de produção não cumulativa, conforme mostra o trabalho pericial anexo que o processo de fabricação de açúcar e de álcool são independentes e partem de pontos totalmente distintos e que deve ser respeitado o sistema de custo integrado existente e mantido pelo interessado, e que a fiscalização obteve acesso a todos os documentos atinentes aos créditos. Da energia elétrica e das contraprestações de arrendamento mercantil Nesses itens, reitera as alegações acima quanto a apropriação do crédito presumidos. Dos encargos de depreciação dos ativos Nesse caso, alega que a lei faz referência expressa aos bens do ativo imobilizado utilizados na fabricação ou produção dos bens e produtos destinados á venda, não estabelecendo a necessidade de contato direto e desgaste na composição do produto final, ou seja, os caminhões, tratores, reboques são inseridos no processo produtivo e, na comercialização, são necessários veículos, telefones, computadores e outros equipamentos para que o processo industrial seja completo. Quanto a limitação de apropriação desse tipo de crédito para os bens adquiridos anteriormente a maiô e outubro de 1994, o requerente entende que afronta o princípio da legalidade, pois o direito ao crédito foi previamente constituído com a entrada do bem no ativo, havendo direito adquirido desde tal evento e somente a apropriação do direito pré constituído se dá mês a mês, conforme previsto na lei. E que não há o que se falar em proporcionalidade de receitas, haja vista o sistema de custo integrado, conforme acima explanado. Da utilização do crédito presumido Que a requerente sempre se utilizou dos referidos créditos para compensar com débitos das próprias contribuições sociais, de modo que a acusação dos autos improcede. Fl. 527DF CARF MF Impresso em 05/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13822.000031/200551 Acórdão n.º 3401002.973 S3C4T1 Fl. 127 11 PARECER SAORT E DESPACHO DECISÓRIO RERATIFICADO– A DRF em Araçatuba, através do Parecer, reformulou o Parecer anteriormente exarado, para ressaltar que o crédito presumido de atividades agroindustriais somente pode ser utilizado para dedução do valor devido da contribuição, não podendo ser objeto de compensação com outros tributos ou de pedido de ressarcimento, á vista do disposto no art. 8º, caput, da Lei nº 10.925,de 2004, e no art. 8º, § 3º, II, da IN SRF nº 660, de 2006. Assim, glosouse o valor do crédito presumido da agroindústria – R$ 116.236,43 reduzindo o direito creditório anteriormente deferido, R$ 190.764,87, para R$ 74.528,44, Através do Despacho Decisório (DD), acatouse as conclusões do Parecer Saort, deferindo em parte o pedido de ressarcimento, reconhecendo ao interessado o direito creditório ao valor proposto, e homologando as compensações efetuadas até o limite do direito creditório reconhecido, abrindose prazo para o interessado para a apresentação de nova manifestação de inconformidade (MI). MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE (MI) – fls. 337188 Na sua nova MI, inicialmente, o interessado reafirma a preliminar anteriormente esposada, a respeito da apreciação anterior dos créditos no processo 15868.000039/201084. No mérito, também reafirma que sempre se utilizou dos referidos créditos para compensar com débitos das próprias contribuições, conforme pode se verificar nas próprias PER/DCOMP utilizadas no presente processo, e que o art. 74 da Lei nº 9.430/96 serve a garantir ao contribuinte o direito de compensar quaisquer créditos fiscais que possua com quaisquer débitos federais. A DRJ decidiu em síntese: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. JUNTADA POSTERIOR DE PROVAS. Fl. 528DF CARF MF Impresso em 05/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 12 A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente; ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PEDIDO DE PERÍCIA. Considerase não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV, do art. 57, do Decreto nº 7.574, de 2011. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA. A arguição de inconstitucionalidade não pode ser oponível na esfera administrativa, por transbordar os limites de sua competência o julgamento da matéria, do ponto de vista constitucional. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. INSUMOS. PROCESSO PRODUTIVO. UTILIZAÇÃO. Para efeitos de apuração dos créditos do PIS não cumulativo, entendese como insumos utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda apenas as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. FRETES E INSUMOS PAGOS A PESSOA FÍSICA. Somente custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País, dão direito ao crédito, por expressa previsão legal art. 3º, §§, 3º, da Lei nº 10.833, de 2003. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. DESPESAS DE DEPRECIAÇÃO. Apenas os bens integrantes do Ativo Imobilizado, adquiridos posteriormente a 01/05/2004 e diretamente ligados ao processo Fl. 529DF CARF MF Impresso em 05/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13822.000031/200551 Acórdão n.º 3401002.973 S3C4T1 Fl. 128 13 produtivo da empresa podem gerar despesas de depreciação que dão direito ao creditamento na apuração do PIS e da Cofins. DESPESAS, CUSTOS E ENCARGOS COMUNS VINCULADOS A RECEITAS SUJEITAS À INCIDÊNCIA CUMULATIVA E NÃOCUMULATIVA. RATEIO PROPORCIONAL. NECESSIDADE. No caso da existência de despesas, custos e encargos comuns vinculadas a receitas sujeitas à incidência cumulativa e não cumulativa, não havendo sistema contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração, necessário se faz a apropriação por meio de rateio proporcional, nos termos do disposto no § 8º, do art. 3º, da Lei nº 10.637, de 2002. CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDÚSTRIA. APROVEITAMENTO. Os créditos presumidos da agroindústria somente podem ser utilizados para a dedução dos valores devidos das contribuições para o PIS/Cofins, vedada a sua utilização para ressarcimento ou compensação com demais tributos. ADN SRF nº 15 de 2005. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido.” A Recorrente apresentou recurso voluntário, com as mesmas alegações acima. Voto Conselheiro Júlio César Alves Ramos Redator Como acima indicado, transcrevo, ipsis litteris, o voto entregue pela relatora à Secretaria. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende os pressupostos para sua admissibilidade, por isso, dele conheço. No presente caso, o feito fiscal contém todos os elementos necessários para seu prosseguimento, inexistindo nos autos qualquer dúvida de ordem técnica que dependa de novas ações a fim de aferir dados factuais. A argumentação da interessada encontrase desprovida de qualquer elemento concreto de sua Fl. 530DF CARF MF Impresso em 05/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 14 necessidade. Logo, diante do convencimento da desnecessidade de quaisquer esclarecimentos adicionais para o julgamento em tela, concluo pelo indeferimento do pedido de perícia. Das alegações de inconstitucionalidade Quanto à alegação de inconstitucionalidade da IN SRF nº 247, de 2002, e das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 cabe esclarecer que não cabe a apreciação dos dispositivos legais sob o ponto de vista de sua constitucionalidade pela autoridade administrativa. Dos Bens utilizados como insumos Da glosa dos bens utilizados como insumos A recorrente é uma empresa agroindustrial que tem por objeto social a produção e comercialização de açúcar, de álcool, de canadeaçúcar e demais derivados desta, entre outras atividades. Da análise do exposto nos prolegômenos acima, concluo que, além dos lubrificantes expressamente referidos no art. 3o, II, da Lei 10.637, de 2002, com redação dada pelo art. 37 da Lei 10.865/2005, considero "insumos", para fins de desconto de créditos na apuração da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins nãocumulativos, os bens e serviços adquiridos de pessoas jurídicas domiciliadas no País, aplicados ou consumidos na produção ou na fabricação do açúcar e dos outros produtos não cumulativos, como o álcool industrial. Também entendo que o termo "insumo" não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tão somente, como aqueles bens e serviços que, adquiridos de pessoa jurídica, efetivamente sejam aplicados ou consumidos no processo que produz açúcar e álcool. E, ainda, em se tratando de aquisição de bens, estes não poderão estar incluídos no ativo imobilizado da empresa. Mas os dispositivos legais que estabelecem o PIS e a COFINS não invocaram a legislação do IPI ou do IRPJ para subsidiar a determinação do direito de creditamento. Por todas essas considerações feitas, proponho que não pode prosperar a argumentação da recorrente de que os custos e despesas de operação orientados pelo entendimento do Imposto de Renda sejam critérios suficientes para justificar o creditamento. E também que não deve prevalecer a motivação da autoridade fiscal quando ela aplica apenas os conceitos da legislação do IPI para justificar as glosas. Cabe esclarecer qual o conceito de insumos para as contribuições não cumulativas: Fl. 531DF CARF MF Impresso em 05/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13822.000031/200551 Acórdão n.º 3401002.973 S3C4T1 Fl. 129 15 Em relação a Cofins não cumulativa, o inciso II do artigo 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004). Definido o conceito de insumos, cabe analisar se os itens glosados estão enquadrados no conceito legal. Foi glosado partes e peças de manutenção de veículos, caminhões, ônibus, máquinas agrícolas, recauchutagem, aquisição de pneus, gastos com construção civil, com serviços e peças para veículos, tratores, máquinas agrícolas, tintas. Foi glosado também o frete relativo a transporte de pessoas e a transporte de equipamentos do ativo permanente. A legislação adota, para fins de apuração de créditos na modalidade da não cumulatividade, a enumeração exaustiva dos bens e serviços capazes de gerar crédito e os vinculou a determinadas atividades, assim como ao modo de produção, no que respeita à questão do insumo. Dessa forma, a aquisição de um bem ou serviço poderá ou não gerar crédito a ser descontado da contribuição, dependendo da situação concreta do emprego ou aplicação do bem ou serviço na respectiva atividade econômica. Para qualquer análise sobre aquisições de bens e serviços que vise determinar a geração de crédito são indispensáveis o exato conhecimento da atividade e a forma de aplicação, em especial no caso de insumo. A Recorrente produz açúcar bruto e álcool carburante. Considerando a atividade da Recorrente é possível concluir que os itens glosados não se enquadram como insumos de sua produção. Fl. 532DF CARF MF Impresso em 05/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 16 Os itens relacionados no Auto de Infração, referente ao Material Intermediário – Serviços de Manutenção: partes e peças de veículos, caminhões, ônibus, máquinas agrícolas, recauchutagem e aquisição de pneus, manutenção de veículos, locação de veículos para uso administrativo, obras de recuperação de rodovias, etc, não podem efetivamente ser enquadrados na conceituação de insumos acima transcrita, porquanto não se tratam de matérias primas ou materiais de embalagem e tampouco utilizado no processo produtivo da recorrente portanto, mantenho a glosa. Em relação à glosa efetuada referente ao item Material Intermediário – Serviços de Manutenção Industrial, foram contabilizadas despesas referentes a gastos com construção civil, reparação de caminhões, reboques, e com tintas, vernizes e diluentes, e cimento que também não podem efetivamente ser enquadrados na conceituação de insumos acima transcrita. O mesmo se aplica ao frete relativo a transporte de pessoal e de ativo permanente, que também não se enquadram no conceito acima. Quanto à alegação de que entre as glosas constam despesas de frete nas operações de venda, o que está expressamente previsto no inciso IX do art. 3º, da Lei nº 10.833, de 2003, cabe esclarecer que: Com o advento da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que criou o regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), o legislador, além de permitir a apuração de créditos calculados sobre o valor dos bens adquiridos para revenda e dos bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens destinados à venda, passou a admitir também o aproveitamento de créditos sobre o valor do gasto efetuado com a armazenagem de mercadoria e frete, na operação de venda, quando o ônus for suportado pela própria empresa vendedora, conforme estabelece em seu art. 3o, caput, e incisos I, II e IX. O art. 15 da citada Lei no 10.833, de 2003, estendeu o benefício previsto no inciso IX do citado art. 3º acima transcrito também para as pessoas jurídicas enquadradas no regime de incidência não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep. Conforme já visto, tratase do direito de apuração de crédito calculado sobre despesas com armazenagem de mercadorias e frete pago ou creditado a pessoa jurídica domiciliada no País, na operação de venda. Fl. 533DF CARF MF Impresso em 05/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13822.000031/200551 Acórdão n.º 3401002.973 S3C4T1 Fl. 130 17 A fiscalização juntou lista e Notas fiscais (fls. 217/220). Verifica se que as Notas se referem a transporte com pessoal e de ativo imobilizado, que não geram crédito, por não se tratar de operações de venda de mercadoria. A interessada não comprova ou aponta quais Notas seriam referentes à venda e tampouco foi identificada qualquer nesta condição que tenha sido glosada. Portanto mantenho a glosa neste item. Do método de apuração do crédito comum O §§ 7º, 8º e 9º do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002 e Lei nº 10.833, de 2003 regulamentam a matéria e nos casos em que a pessoa jurídica se sujeita a incidência não cumulativa em relação a parte de suas receitas, deverá ser adotado um dos dois métodos em relação aos custos, despesas, e encargos comuns. O Recorrente informou no DACON que teria utilizado a apropriação direta e a fiscalização desconsiderou o critério adotado e aplicou o rateio proporcional já que todos os custos comuns foram vinculados ao produto açúcar. Apurouse também que foram incluídos valores que não são insumos. Inicialmente cabe esclarecer que apurado o custo do produto sujeito à sistemática da não cumulatividade pelo custeio por absorção, deve ser apurado o percentual deste perante o custo total. Apurado o percentual que representa o produto sujeito à sistemática não cumulativa, este percentual deve ser aplicado nos custos, encargos, despesas comuns que dão direito ao crédito da não cumulatividade. Assim, não será o custo apurado na contabilidade que irá gerar crédito, mesmo porque compõe o seu valor os custos fixos e variáveis, que abrangem elementos que não geram credito. Ressalte – se também que tal sistemática somente se aplica se existem custos, encargos ou despesas comuns e a pessoa jurídica se sujeita à incidência não cumulativa em relação a parte de suas receitas. A interessada produz açúcar, produto sujeito à sistemática não cumulativa, e álcool, produto sujeito a sistemática cumulativa. Assim, cabe apurar se existem custos, encargos ou despesas comuns aos dois produtos. A Recorrente alega que os processos produtivos são independentes, na primeira etapa é produzido o açúcar, este processo gera um resíduo chamado de “mel pobre”. A partir do mel se produz o álcool. Os custos incorridos numa produção conjunta até o ponto de cisão (inclusive), são chamados de custos conjuntos. É possível concluir que o processo produtivo da interessada é uma produção conjunta até o ponto de cisão, ou seja, até o momento que é produzido o açúcar e o mel final, a Fl. 534DF CARF MF Impresso em 05/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 18 partir daí, o processo produtivo segue em relação ao mel final sendo considerado um processo único até a fabricação do álcool. Não é possível considerar que o mel final (matéria prima) do álcool seja apenas resíduo, mesmo porque este é produto que não tem mercado certo, o que não ocorre com o mel final. A produção do mel final é onde ocorre o ponto de cisão da produção do açúcar e do álcool. Assim a produção do álcool somente é possível se realizado todo o processo produtivo desde a extração do caldo da cana. Estabelecido que se trata de processo de produção conjunta, cabe relatar brevemente o que seria o custeio por absorção. Na obra citada acima assim se define o custeio por absorção: Custeio por absorção é um processo de apuração de custos, cujo objetivo é ratear todos os seus elementos (fixos ou variáveis) em cada fase da produção. Logo um custo é absorvido quando for atribuído a um produto ou unidade de produção, assim cada unidade ou produto receberá sua parcela no custo até que o valor aplicado seja totalmente absorvido pelo custo dos produtos vendidos ou pelos estoques finais. Concluise que a produção da Recorrente é uma produção conjunta, e como tal, possui custos, encargos e despesas comuns, então o contribuinte poderia optar entre as duas formas de rateio quais sejam: custeio direto por absorção ou o rateio proporcional a receita. Para optar pelo custeio direto por absorção a interessada deve ter o sistema de custos integrado e coordenado com o restante da contabilidade. Contudo, analisando a contabilidade da interessada, constatouse que os custos da produção conjunta foram integralmente direcionados para a produção do açúcar, portanto, não houve um rateio, não sendo possível aceitar que tal sistemática seja considerada custeio por absorção, já que neste processo a empresa utilizase de métodos (valor das vendas, volume produzido, igualdade do lucro bruto, etc.) para atribuir os custos conjuntos aos produtos. Para a fabricação do álcool, é absolutamente necessária a existência da matéria prima, no caso, a cana, assim como todos os demais produtos e bens utilizados no processo. Sem a cana e todo o processo posterior para a produção do “mel final” não haveria a produção de álcool que gera receitas significantes para a empresa. Assim, sendo a cana de açúcar insumo necessário para a fabricação tanto do álcool como do açúcar, inferese que tal custo é comum, e deve ser apropriado proporcionalmente, uma vez que não há possibilidade de distinção de custos no Fl. 535DF CARF MF Impresso em 05/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13822.000031/200551 Acórdão n.º 3401002.973 S3C4T1 Fl. 131 19 processamento para fabricação de ambos os produtos. Tal entendimento aplicase a todos os custos, despesas e encargos envolvidos na produção de tais produtos. Quanto à verificação nos Razões, que não permitiram identificar quais os produtos, insumos, ou fornecedores dos custos apropriados, a empresa alega que adota há trinta anos tal procedimento e nunca foi questionada. Nos termos da lei, toda a escrituração deve ser fundamentada com documentação hábil e idônea e as aquisições de produtos e insumos devem ser comprovadas com a apresentação das notas fiscais correspondentes. Quanto às alegações a respeito da escrituração dos livros auxiliares, que não registraram dados a respeito de produtos, fornecedores e notas fiscais constantes dos Razões, o fato de tais livros não serem obrigatórios e não possuírem regramento específico para o seu preenchimento não muda o fato de que, se são complementares à escrituração e base para apuração de bases de cálculo de créditos das contribuições, obrigatoriamente os seus registros deverão ser baseados em documentação hábil e idônea. A falta de registros os inabilita para o objetivo a que se pretende – a comprovação da correta contabilização dos custos, despesas e encargos para apropriação por sistema integrado com a contabilidade. Correto, portanto, a decisão da DRJ de desqualificação do método de apropriado direta utilizado pelo interessado, pelas irregularidades na escrituração e pela inadequação do sistema adotado à vista do processo fabril da empresa, que tem uma única matéria prima(cana), que passa por procedimentos também únicos, para gerar, ao final, dois produtos tributados por sistemáticas diferentes. Em função da apropriação dos créditos da agroindústria pelo método do rateio proporcional, cujo percentual foi calculado de acordo com as normas legais, correta a glosa dos valores dos créditos referente aos gastos com insumos, energia elétrica, e demais custos comuns considerados na verificação fiscal. Cabe destacar que não foram alterados os valores da linha despesas de contraprestação de arrendamento mercantil Ressaltese que bens de natureza permanente, copa, cozinha e limpeza, gêneros alimentícios, lanches e refeições, uniformes, correios e malotes, comunicações, outros serviços, serviços de manutenção e reparos, não se enquadram no conceito de Fl. 536DF CARF MF Impresso em 05/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 20 insumo, portanto, não geram crédito, conforme já tratado neste voto. Do aproveitamento do crédito presumido das atividades industriais. O art. 8º da Lei nº 10.925/2004, assim dispõe: Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002 , e 10.833, de 29 de dezembro de 2003 , adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. ( Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004 ). O crédito presumido aplicase sobre o valor dos bens do inciso II do art. 3º da Lei 10.637 e 10.833, isto é, bens utilizados como insumo na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, adquiridos de pessoa física. Portanto, não se aplica ao frete adquirido de pessoa física, já que frete não é insumo, e somente é possível apurar crédito em relação ao frete na venda se adquirido de pessoa jurídica, conforme art. 3º,inciso IX e §3º da Lei 10.833/2003 c/c art. 15 da mesma lei. Dos encargos de depreciação do ativo Nesse item, temos duas situações distintas – (i) a contabilização de encargos referentes a bens não utilizados no processo de fabricação dos produtos, e (ii) a contabilização de encargos referentes a bens adquiridos anteriormente às datas previstas em lei. A discriminação dos bens para os quais foram apurados encargos de depreciação, constante do Auto de Infração – edificações, veículos, motos , microonibus, caminhões, etc, rádios motorola, computadores de bordo, tratores, lavador de veículos, replantador de cana, colheitadeira de cana, etc não deixa duvidas que os mesmos não são utilizados no processo industrial de fabricação de açúcar e álcool. Assim, por Fl. 537DF CARF MF Impresso em 05/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13822.000031/200551 Acórdão n.º 3401002.973 S3C4T1 Fl. 132 21 infringência ao dispositivo legal acima transcrito, devem ser glosados. Correta, também, a glosa dos encargos de depreciação dos bens vinculados a receitas sujeitas ao regime cumulativo da contribuição – destilaria, fábrica de álcool, tanque de álcool – uma vez que não podem gerar créditos relativamente à apuração no regime não cumulativo. As disposições legais são expressas quanto aos períodos de aproveitamento dos créditos referentes aos encargos de depreciação, vedando expressamente, a partir de 1º de agosto de 2004, o desconto referente à depreciação de bens e direitos do ativo imobilizado adquirido até 30/04/2004 e autorizando o aproveitamento desse tipo de crédito para os bens adquiridos a partir de 01/05/2004 (art. 31 e § 1º, da Lei nº 10.865). O aproveitamento dos créditos mediante a depreciação acelerada, somente é possível para as aquisições efetuadas após 1º de outubro de 2004 (art. 2 º e § 2º, da Lei nº 11,051, de 2004). Por todo exposto, mantenho a decisão da DRJ e nego provimento ao recurso voluntário. Acompanhou o colegiado, em sua integralidade, o voto acima, negando provimento, por unanimidade, ao recurso do contribuinte. Esse o acórdão que me exigi redigir. Conselheiro Júlio César Alves Ramos Redator Fl. 538DF CARF MF Impresso em 05/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
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Numero do processo: 14052.001321/92-95
Turma: Quinta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Apr 26 00:00:00 UTC 1995
Ementa: PIS-DEDUÇA0 - DECORRENCIA - Tratando-se de lançamento
reflexivo, a decisão proferida no processo
matriz é aplicável ao julgamento do processo decorrente,
dada a relação de causa e efeito que
vincula um ao outro.
Numero da decisão: 102-29.826
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, declarar a nulidade da decisão de ia instância a fim de que outra seja prolatada de acordo com o que for decidido no processo principal, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Júlio Cesar Gomes da Silva
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Numero do processo: 11686.000023/2009-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Jun 03 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/04/2006
DILIGÊNCIA A PEDIDO DO SUJEITO PASSIVO. ASÊNCIA DE REQUISITOS LEGAIS. IDEFERIMENTO.
Por força de disposição legal, considera-se não realizado o pedido de diligência que não atende aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16 do Decreto 70.235/72.
Recurso Voluntário Não Conhecido em Parte e, na parte conhecida, Provido em Parte
Direito Creditório Reconhecido em Parte
Numero da decisão: 3102-002.403
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em indeferir o pedido de diligência; não tomar conhecimento do Recurso Voluntário no que se refere ao direito de utilização do saldo remanescente de períodos anteriores ao mês de abril de 2006 para compensação dos débitos objeto da lide e em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito ao crédito na aquisição de Vapor; Nitrogênio/Nitrogênio Líquido; Nitrogênio Gasoso; Água Clarificada e do material de embalagem especificado como big bag, mag bag, filme tubular, caixa de papelão, capa, liner, tambor, tintas, etiquetas, container, folha de papelão e palet.
(assinatura digital)
Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator
EDITADO EM: 15/05/2015
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Luiz Feistauer de Oliveira, Andréa Medrado Darzé e Maria do Socorro Ferreira Aguiar. As Conselheiras Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz e Nanci Gama se declararam impedidas.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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APURAÇÃO. SISTEMA NÃO CUMULATIVO. LANÇAMENTO CREDOR. INSUMOS. CONCEITO. O sistema não cumulativo de apuração da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins admite que, do valor dos débitos lançados, sejam reduzidos os créditos calculados com base nos gastos incorridos na compra de insumos utilizados na fabricação de bens ou execução de serviços. A interpretação do texto normativo impõe o reconhecimento de que o conceito legal de insumo, terminologia empregada nas Leis 10.833/03 e 10637/02, não alcança a totalidade dos gastos necessários à realização do negócio da empresa. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2006 a 30/04/2006 OBJETO DA LIDE. DELIMITAÇÃO. IMPUGNAÇÃO/MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. MATÉRIA NÃO CONTESTADA. PRECLUSÃO. Nos termos da legislação de regência do Processo Administrativo Fiscal, a impugnação instaura a fase litigiosa do procedimento. Considerase precluso o direito de discutir matéria que não tenha sido expressamente contestada desde a manifestação de inconformidade/impugnação. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2006 a 30/04/2006 DILIGÊNCIA A PEDIDO DO SUJEITO PASSIVO. ASÊNCIA DE REQUISITOS LEGAIS. IDEFERIMENTO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 68 6. 00 00 23 /2 00 9- 15 Fl. 885DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/06/2015 p or RICARDO PAULO ROSA 2 Por força de disposição legal, considerase não realizado o pedido de diligência que não atende aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16 do Decreto 70.235/72. Recurso Voluntário Não Conhecido em Parte e, na parte conhecida, Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em indeferir o pedido de diligência; não tomar conhecimento do Recurso Voluntário no que se refere ao direito de utilização do saldo remanescente de períodos anteriores ao mês de abril de 2006 para compensação dos débitos objeto da lide e em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito ao crédito na aquisição de Vapor; Nitrogênio/Nitrogênio Líquido; Nitrogênio Gasoso; Água Clarificada e do material de embalagem especificado como big bag, mag bag, filme tubular, caixa de papelão, capa, liner, tambor, tintas, etiquetas, container, folha de papelão e palet. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa – Presidente e Relator EDITADO EM: 15/05/2015 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Luiz Feistauer de Oliveira, Andréa Medrado Darzé e Maria do Socorro Ferreira Aguiar. As Conselheiras Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz e Nanci Gama se declararam impedidas. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o Relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. Tratase de Manifestação de Inconformidade da interessada contra o Despacho Decisório nº 0025/2011 (fl. 269), proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Camaçari (DRF/CCI), que homologou apenas parcialmente a compensação pretendida através de PER/DCOMP (fls. 0105). A interessada pretendeu utilizar um crédito oriundo de ressarcimento da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins, apurado no regime nãocumulativo e relativo ao período de apuração de abril de 2006, para compensar débito próprio de tributo administrado pela Receita Federal. A autoridade fiscal, após a análise do Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais – Dacon, bem como dos documentos entregues pela contribuinte em resposta às intimações, reconheceu apenas em parte o direito creditório em favor da interessada, conforme apontado no Parecer DRF/CCI/Saort nº 005/2011 (fls. 238251). Foram realizadas, pela autoridade fiscal, glosas de créditos relacionados com insumos diversos e materiais de embalagem que não atenderiam aos preceitos da legislação da Cofins não cumulativa, em especial a Instrução Normativa SRF nº 404, de 2004. Fl. 886DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/06/2015 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11686.000023/200915 Acórdão n.º 3102002.403 S3C1T2 Fl. 3 3 Cientificada do despacho decisório em 28/03/11, a interessada apresentou a Manifestação de Inconformidade em 27/04/11 (fls. 284312), sendo esses os pontos de sua irresignação, em síntese: É inaplicável o conceito de insumo albergado na legislação do IPI, tomado por empréstimo pela IN nº 404/04, para operacionalizar a sistemática não cumulativa da Cofins. É inegável a ilegalidade dessa instrução normativa, ao recepcionar conceito restritivo de insumos, não veiculado pela própria Lei nº 10.833, de 2003, em nítida usurpação de competência. Assim, afiguramse como efetivos insumos do processo produtivo, dentre outros: 1) Vapor, utilizado como força motriz de diversos maquinários e equipamentos; 2) Nitrogênio Líquido, que possui diversas funções, como alimentação dos sistemas de reação e de purga, atuando como diluente, transportador, dispersor de oxigênio, e, embora não integrando o produto final, é imprescindível para a produção de polietileno; 3) Nitrogênio Gasoso, utilizado como fluido de selagem na tancagem dos produtos finais; 4) Água Clarificada, utilizada nas torres de resfriamento da planta industrial; 5) Materiais de Embalagem, utilizadas para identificação e transporte do produto final. Registrese que, em face da grande quantidade de produtos listados pela autoridade fiscal na relação de insumos glosados, a requerente priorizou aqueles cujas glosas montam maior expressão monetária, razão pela qual requer, desde já, a realização de diligência fiscal para que auditor estranho ao feito possa aferir que os demais produtos satisfazem aos mesmos requisitos Ainda quanto aos materiais de embalagem, é importante pontuar que a distinção entre “embalagem incorporada ao produto” e “embalagem de transporte”, engendrada pela fiscalização, não encontra amparo legal na legislação. Caso não se entenda pela ilegalidade da IN nº 404/04, cumpre então à ora requerente demonstrar, nessa hipótese, a única interpretação possível de tal norma regulamentar, que consiste em entender que a “ação direta” do insumo não está adstrita ao contato físico deste com o produto, mas sim à sua afetação direta ao processo produtivo. Quanto às divergências relativas aos itens “Despesas de Armazenagem de Mercadorias e Fretes na Operação de Vendas” e “IMP – Bens para Revenda”, em que pese o fato de não ter conseguido identificar a origem das diferenças dentro do prazo para a manifestação de inconformidade, a requerente está convicta de que não violou a legislação de regência da matéria. Protesta, desde já, pela juntada posterior de razões complementares, inclusive com novos documentos. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/04/2006 a 30/04/2006 INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. CRÉDITOS. INSUMOS. Somente geram créditos da Cofins as despesas com matériaprima, produto intermediário, material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou Fl. 887DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/06/2015 p or RICARDO PAULO ROSA 4 químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. O termo “insumo” não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tão somente aqueles, adquiridos de pessoa jurídica, que efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço da atividade. INSTRUÇÃO NORMATIVA. ILEGALIDADE. É inócuo suscitar na esfera administrativa alegação de ilegalidade de ato normativo editado pela Receita Federal. MATERIAL DE EMBALAGEM. Na sistemática não cumulativa de apuração da Cofins, o desconto de créditos apurados sobre a aquisição de insumos vinculados à produção de bens para venda não se estende aos materiais utilizados para permitir ou facilitar o transporte dos produtos, uma vez que essa operação não integra o processo produtivo. Insatisfeita com a decisão de primeira instância, a empresa apresenta Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Começa por esclarecer que, ao final do mês de abril de 2006, constatou na sua escrita a existência de uma saldo credor acumulado de Cofins Exportação no importe de R$ 2.028.059,88, composto pelo crédito acumulado no próprio mês de abril, no valor de R$ 687.539,85, e nos meses anteriores, no valor de R$ 1.340.520,03, tendo solicitado a compensação, por meio da PER/Dcomp objeto do presente litígio, do valor total, não apenas do valor apurado no mês de abril. Alongase a respeito desse assunto, defendendo a precedência do princípio da verdade material sobre as formalidades determinadas pela legislação infra legal. Reconhece ter cometido um erro ao preencher um único PER/Dcomp para o mês de abril de 2006, quando, conforme rezam as normas, deveria ter apresentado outro PER/Dcomp, segregando os créditos do primeiro trimestre de 2006, mas entende que essa formalidade não pode ser oposta a um direito que tem. Retorna à argumentação expendida em sede de manifestação de inconformidade acerca do correto conceito de insumo para fins de apuração não cumulativa da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins e, corolário, da impertinência da definição pretendida pelos Atos Normativos editados pela Secretaria da Receita Federal. Referindose especificamente aos produtos utilizados como insumo no processo fabril glosados pelo Fisco, esclarece que, "em face da grande quantidade de produtos listados pela autoridade administrativa fiscal na "RELAÇÃO DE NOTAS FISCAIS GLOSADAS", entendeu por bem priorizar, em sua defesa, os insumos de maior expressão monetária, ao tempo em que requer a realização de diligência para averiguação a respeito dos demais itens não contemplados por sua inconformidade aqui expressa. Por conta disso, esclarece a aplicação dos seguintes itens, que, sempre segundo entende, constituem insumos utilizados no processo produtivo: (i) Vapor; (ii) Nitrogênio/Nitrogênio Líquido; (iii) Nitrogênio Gasoso; (iv) Água Clarificada e (v) Material de Embalagem. É o Relatório. Fl. 888DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/06/2015 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11686.000023/200915 Acórdão n.º 3102002.403 S3C1T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do Recurso Voluntário. Utilização do Saldo Acumulado Dou início à análise do pleito pela contestação à circunscrição da lide ao valor acumulado durante o mês de abril de 2006, em detrimento do saldo acumulado em meses anteriores. A Informação Fiscal à folha 37 do Processo, do Serviço de Fiscalização da Delegacia da Receita Federal em Porto Alegre, assim fez constar. 4. O contribuinte transmitiu Declaração de Compensação em meio eletrônico em 12/05/2006 utilizando créditos de Cofins vinculados a receitas de exportação do mês de abril/06. Em Declarações de Compensação efetuadas antes do encerramento do trimestrecalendário, como é o caso, só podem ser utilizados créditos apurados no próprio mês, logo, apenas o valor apurado no mês de abril/06, que é de R$ 687.539,85 (fl.35/36), é passível de ser aproveitado para compensações, conforme art.21 da Instrução Normativa 600, de 28 de dezembro de 2005, vigente à época da utilização do crédito. O Parecer DRF/CCI/Saort N° 005/2011, da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Camaçari presta o seguinte esclarecimento. Acontece que, antes do final do procedimento de verificação da procedência dos créditos da Cofins, e da emissão do competente Despacho Decisório pela DRF Porto Alegre, a Petroquímica Triunfo S/A foi baixada por incorporação pela Braskem S/A, empresa cujo estabelecimento matriz encontrase sob a jurisdição desta DRF Camaçari. Ante o exposto, aquela DRF encaminhou os autos do presente processo a esta Unidade da RFB (fl. 40), razão pela qual foi dada continuidade aos procedimentos então em andamento. Em vista das circunstâncias narradas, o pleito foi analisado pela DRF Camaçari, que chegou a seguinte conclusão (folha 249), confirmada pelo Despacho Decisório DRF/CCI nº 25/2011 (folha 264) . 68. Face ao anteriormente exposto e com base nas verificações e glosas efetuadas, as respectivas Fichas do DACON de fls. 41 a 54, passam a ficar conforme planilhas representativas em anexo (Anexos IV). Vale dizer que, nas planilhas constitutivas do referido Anexo, foi feita uma recomposição dos saldos remanescentes dos meses anteriores, tendo sido levado em consideração para tanto, o Parecer DRF/CCI/Saort n° 003/2011, referente a janeiro de 2006 (cópia às fls. 213 a 237) e os DACON de fevereiro de 2006 (fls. 181 a 195) e março de 2006 (fls. 196 a 210), tudo conforme Anexos IV.4.2, IV.4.3, IV.5.2 e IV.5.3. Fl. 889DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/06/2015 p or RICARDO PAULO ROSA 6 69. Como resultado da análise, chegase à conclusão que o valor do crédito a que se refere a DCOMP n° 42200.96364.120506.1.3.097092 (fl. 01 a 05) é de R$599.673,99 (crédito da COFINS NãoCumulativa Exportação, PA: abril/2006), correspondente ao montante obtido no item 08, deduzido do item 10, ambos da Ficha 24 do DACON Crédito de Aquisição no Mercado Interno Vinculado à Receita de Exportação, conforme planilha DACON Anexo IV.5.1. Conforme estampado nas considerações acima transcritas, apenas o crédito da COFINS NãoCumulativa Exportação, PA: abril/2006 foi reconhecido, no valor de R$ 599.673,99, a toda evidência, bastante inferior ao valor pleiteado pela Recorrente. O problema é que, ciente desta decisão, o contribuinte deixou de fazer qualquer menção ao assunto em sede de Manifestação de Inconformidade ao Despacho Decisório, trazendo o assunto apenas na fase recursal. Como é cediço, a impugnação instaura a fase litigiosa da exigência, restando precluso o direito à contestação de matéria não impugnada. Por força disso, deixo de conhecer do Recurso Voluntário, na parte em que se refere à contestação dirigida à glosa do saldo remanescente de períodos anteriores ao mês de abril de 2006 na compensação dos débitos objeto da lide. Conceito de Insumo A questão do que deva ser entendido como insumo, na acepção da palavra empregada pelo legislador na regulamentação do Sistema de Apuração NãoCumulativo das Contribuições, não é assunto novo. A Secretaria da Receita Federal, com ninguém desconhece, baixou Atos Normativos interpretando de forma notadamente restritiva o termo. As Instruções Normativas n.º 247/02 e alterações posteriores e 404/04, definem que, em se tratando de empresas dedicadas à fabricação de bens para venda, insumo é, somente, a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; e aos serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. Contudo, tem sido entendimento majoritário na jurisprudência que vem se formando em segunda instância administrativa de julgamento, que o conceito de insumo no Sistema de Apuração NãoCumulativo das Contribuições situase em posição intermediária, nem tão restritivo quanto o determinado pelo Fisco, nem tão amplo quanto aquele frequentemente defendido pelos contribuintes. Tem sido admitido o aproveitamento do crédito calculado com base nos gastos incorridos pela empresa com produtos ou serviços aplicados na produção ou a ela diretamente vinculados, mesmo que, ao contrario de como pretendem limitar os Atos Normativos supra citados, não sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. Noutro vértice, não têm sido aceitas as despesas associadas à manutenção da atividade empresarial como um todo, sem qualquer vínculo especial com o processo produtivo propriamente dito. De fato, salvo melhor juízo, não se vê razão para que conceito de insumo seja determinado pelos mesmos critérios utilizados na apuração do Imposto sobre Produtos Industrializados, premissa por detrás das normas editadas pela Receita Federal do Brasil; tanto quanto parece não haver respaldo legal para inclusão de tudo o quanto admite o sistema de apuração do Imposto de Renda, como frequentemente defendem os contribuintes. Fl. 890DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/06/2015 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11686.000023/200915 Acórdão n.º 3102002.403 S3C1T2 Fl. 5 7 Esse balizamento, digase, está respaldado, de um lado, nas particularidades do método de apuração das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins e, de outro, na interpretação das disposições legais que autorizam a apropriação do crédito. A legislação que introduziu o Sistema NãoCumulativo de apuração das Contribuições define sua base de cálculo como sendo o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, compreendendo a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. Feitas as exclusões expressamente relacionadas nas Leis, tudo o mais deve ser incluído na base imponível. Levandose em conta que a incumulatividade tributária traz em si a ideia de que a incidência não ocorra ao longo das diversas etapas de um determinado processo sem que o contribuinte possa reduzir de seu encargo aquilo do que foi onerado no momento anterior, ainda que considerássemos todas as particularidades e atipicidades do Sistema não cumulativo próprio das Constribuições, terminaríamos por concluir que, a um débito tributário calculado sobre o total das receitas, haveria de fazer frente um crédito calculado sobre o total das despesas. Contudo, ainda que a interpretação teleológica conduza nessa direção, o fato é que os critérios de apuração das Contribuições não foram dessa forma definidos em Lei. Tal como consta no texto legal, o direito ao crédito, em definição genérica, admite apenas que se considerem as despesas com bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, jamais referindose à integralidade dos gastos da pessoa jurídica. Prova disso é que os gastos que não se incluem nesse conceito e dão direito ao crédito são listados um a um nos itens seguintes, de forma exaustiva. Outrossim, se admitíssemos a tese de que insumo, terminologia derivada da expressão input, denota conceito amplo, abrangendo todos os gastos destinados à obtenção do resultado da pessoa jurídica, nos depararíamos com uma flagrante distorção promovida no amplo reconhecimento ao direito de crédito para o setor industrial ou prestador de serviços, em detrimento ao setor comercial, para o qual o direito teria ficado restrito apenas aos gastos com bens adquiridos para revenda. É claro que essa interpretação não pode prevalecer. Insumo, tal como definido e para os fins a que se propõe o inciso II do artigo 3º, são apenas as mercadorias, bens e serviços que, assim como no comércio, estejam diretamente vinculados à operação na qual se realiza o negócio da empresa. Na atividade comercial, sendo o negócio a venda dos bens no mesmo estado em que foram comprados, o direito ao crédito restringese ao gasto na aquisição para revenda. Na indústria, uma vez que a transformação é intrínseca à atividade, o conceito abrange tudo aquilo que é diretamente empregado na produção do produto final, conceito igualmente válido para as empresas que atuam na prestação de serviços. Somente a partir desta lógica é que os créditos admitidos na indústria e na prestação de serviços observarão o mesmo nível de restrição determinado para os créditos admitidos no comércio. Produtos/gastos glosados Fl. 891DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/06/2015 p or RICARDO PAULO ROSA 8 Embora a Recorrente invoque a grande quantidade de produtos listados pela autoridade administrativa na Relação de Notas Fiscais Glosadas como razão para o retorno do julgamento á Unidade de Origem, o fato é que tal pedido não pode ser acolhido, já que omisso em relação a requisitos essenciais ao reconhecimento de pedido de realização de diligência1. Assim, será analisada exclusivamente a procedência do direito ao crédito em relação aos gastos especificados no corpo do Recurso Voluntário, quais sejam: (i) Vapor; (ii) Nitrogênio/Nitrogênio Líquido; (iii) Nitrogênio Gasoso; (iv) Água Clarificada e (v) Material de Embalagem. Em relação a eles, não vejo nenhum sentido em percorrer outro caminho, que não o de reproduzir a qualificada abordagem empreendida pelo i. Conselheiro José Fernandes do Nascimento, em decisão tomada por esta Turma, no mês de outubro passado, Acórdão 3102002.297, cujos fundamentos expendidos no excerto a seguir transcrito adoto, no couber à vertente lide, como se meus fossem. Em relação aos produtos intermediários, acima referenciados [Vapor (de 15 km/cm2 e 42 km/cm2); Nitrogênio; Nitrogênio Gasoso; Ar de Instrumento; Ar de Serviço; Água Clarificada; Água Desmineralizada e Solução de Limpeza], o motivo da glosa apresentado pela fiscalização fora que tais itens representavam “meras utilidades, não exercendo funções nem de matérias primas, nem de insumos, uma vez que não se desgastam ou deterioram em função de um contato direto com o produto em fabricação.” Da leitura do Laudo Técnico da recorrente (fls. 873/888) e do Parecer Técnico do IPT (fls. 956/1008), que descrevem a função de cada um dos referidos produtos intermediários utilizados no processo de produção do polietileno de alta densidade (PAD) e do polietileno de ultra alto peso molecular (UTEC), chegase a conclusão de que todos eles são empregados de forma direta e exclusiva na fabricação dos produtos vendidos/exportados pela recorrente, portanto, atendem plenamente o conceito de insumo de produção definido no art. 3º, II, da Lei 10.833/2003. No que concerne ao material de embalagem, informou a fiscalização, com base nas informações prestadas pela recorrente, que se tratava de embalagem para o transporte e não apresentação do produto. O material de embalagem não admitido como insumo pela fiscalização foram os seguintes: big bag, caixa de papelão, capa, container, folha de papelão, liner, lona, mag bag, palete, saco, filme tubular e tambor. Por sua vez, a recorrente informou que, após serem produzidos e embalados, os produtos fabricados eram empilhados sobre os paletes material adquirido com a finalidade de deslocar as embalagens dentro da planta para, então, serem transportados do setor de ensacamento para o de estoque; deixando, por fim, o estabelecimento da recorrente com destino aos seus compradores. Logo, era forçoso concluir que tais embalagens eram indispensáveis para a venda do polietileno produzido pela recorrente, diante do que os custos na sua aquisição deviam compor a base de cálculo do crédito da Cofins vinculado às receitas de exportação. Em 1 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (...) § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. Fl. 892DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/06/2015 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11686.000023/200915 Acórdão n.º 3102002.403 S3C1T2 Fl. 6 9 relação aos materiais utilizados no “acabamento” das embalagens, era importante esclarecer que eram estes utilizados, em verdade, na identificação final do produto. No subitem 5.2 do Parecer Técnico do IPT (fls. 992/998), encontrase descrita, em detalhes, a função de cada material e a forma como utilizado, de onde se extrai, para uma melhor compreensão, os fragmentos de textos a seguir transcritos: Isto posto, peço licença para propor parcial modificação no entendimento firmado na decisão contida no Acórdão 3102002.297, acima parcialmente transcrito e, ao assim fazêlo, alterar o meu próprio entendimento em relação à glosa dos gastos com material de embalagem. É que, revendo os apontamentos presentes no Parecer Técnico do IPT, ficou, a meu ver, esclarecido que os materiais de embalagens identificados como container, folha de papelão, filme tubular, tintas, etiquetas e paletes, cuja glosa foi mantida naquela decisão, não se prestam simplesmente, como lá pareceunos, à facilitação, qualificação ou, de qualquer outra forma, otimização do transporte da mercadoria, mas também e principalmente à proteção e identificação da mercadoria em si, independentemente do local onde as mesmas se encontrem. Os filmes tubulares tem função e finalidade equivalente aos Big Bags e aos Mag Bags. Eles são utilizados no ensacamento do produto, que pode ser vendido embalado em Big Bags, se granulado, Mag Bags, se em pó, ou em sacos, de acordo com a quantidade comercializada. Os filmes tubulares são o material do qual se obtém os sacos com as extremidades fechadas. Não há razão para que se aceitem os Big Bags e os Mag Bags como sendo parte integrante do produto e não se aceitem os filmes tubulares. Vale o mesmo para os contêneires flexíveis. Conforme exaustivamente comentado no Parecer Técnico esse é um dos nomes dados aos Big Bags. Portanto, são o mesmo produto. Por fim, os paletes de madeira (ou palets), embora por certo facilitem o transporte, têm também a finalidade de evitar o adernamento do conjunto, garantindo sustentação mecânica ao pacote final e isolandoo do contato com o solo, o que afasta a possibilidade de contaminação do produto, esteja ele onde estiver, ao passo que as folhas de papelão evitam que o contato do conjunto com o próprio palete cause perfurações ou outro tipos de danos, evitando, assim, também a possibilidade de contaminação. A conclusão a que chego é a de que nenhum desse elementos pode ser considerado como destinados ou utilizados exclusivamente no transporte da mercadoria e, por conseguinte, devem ser reconhecidos como parte integrante dela. VOTO por (i) indeferir o pedido de diligência; (ii) não conhecer do Recurso Voluntário no que se refere ao direito de utilização do saldo remanescente de períodos anteriores ao mês de abril de 2006 para compensação dos débitos objeto da lide e (iii) por dar lhe parcial provimento na parte em que foi conhecido, para reconhecer o direito ao crédito na aquisição de Vapor; Nitrogênio/Nitrogênio Líquido; Nitrogênio Gasoso; Água Clarificada e do material de embalagem especificado como big bag, mag bag, filme tubular, caixa de papelão, capa, liner, tambor, tintas, etiquetas, container, folha de papelão e palet. Sala de Sessões, 18 de março de 2015. Fl. 893DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/06/2015 p or RICARDO PAULO ROSA 10 (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Relator Fl. 894DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/06/2015 p or RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 15374.724372/2009-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 19 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Aug 21 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3201-000.543
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência. Vencido o relator Conselheiro Daniel Mariz Gudino. Redator designado: Conselheiro Winderley Morais Pereira.
(assinado digitalmente)
Joel Miyazaki - Presidente.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Redator ad hoc e designado.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Joel Miyazaki, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Luciano Lopes de Almeida Moraes e Daniel Mariz Gudino.
Nome do relator: DANIEL MARIZ GUDINO
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Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência. Vencido o relator Conselheiro Daniel Mariz Gudino. Redator designado: Conselheiro Winderley Morais Pereira. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki Presidente. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Redator ad hoc e designado. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Joel Miyazaki, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Luciano Lopes de Almeida Moraes e Daniel Mariz Gudino. Relatório RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 53 74 .7 24 37 2/ 20 09 -0 9 Fl. 4904DF CARF MF Impresso em 21/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 19/08/ 2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 18/08/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 15374.724372/200909 Resolução nº 3201000.543 S3C2T1 Fl. 4.904 2 Preliminarmente, ressaltase que nos termos do artigo 17, inciso III, do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF/2015, fui designado como redator ad hoc para formalização da respectivo resolução e redator designado para o voto vencedor, considerando o resultado do julgado, conforme o constante da ata da respectiva sessão de julgamento e determinação do Sr. Presidente da 2ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento. Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da Petróleo Brasileiro S/A Petrobras. Para bem contextualizar a controvérsia existente nos autos do presente processo, convém transcrever o relatório da decisão recorrida, in verbis: A contribuinte acima identificada transmitiu a Dcomp 22980.45181.150409.1.3.046650 em 15 de abril de 2009, consignando como crédito o valor de R$ 21.337.651,48 relativo à Cofins (código 5856) de fevereiro de 2009. A compensação não foi homologada, tendo em vista o resultado da análise que apurou de ofício o débito da Cofins do mês de fevereiro de 2009 (código 5856) no valor de R$ 207.717.218,96 e não somente R$ 168.990.135,01 conforme DCTFs apresentadas. Os fundamentos para o aumento do valor da Cofins devida no referido mês e o consequente não reconhecimento do direito creditório foram, em resumo, glosas de créditos relativos a serviços utilizados como insumos, de despesas de armazenagem de mercadorias e frete na operação de venda e de aluguéis de máquinas e equipamentos locados de pessoa jurídica. No Despacho Decisório acostado às fls. 4.531 a 4.543 há a descrição pormenorizada do procedimento efetuado e dos valores apurados. A ciência quanto ao despacho decisório ocorreu em 25 de julho de 2013, conforme Termo de fl. 4.547. Em 14 de agosto de 2013, foi protocolada a manifestação de fls. 4.549 a 4.571, na qual, após relato dos fatos, foi alegado, em apertada síntese, que: a) o valor do crédito foi apurado pelo abatimento das parcelas dedutíveis da base de cálculo que, por equívoco, não havia sido efetuado, no valor total de R$ 280.572.768,50; b) as glosas efetuadas de ofício estão baseadas na corrente restritiva que considera insumo apenas o bem ou serviço que integra o produto final, tese já superada pela melhor doutrina, no CARF e, inclusive, no STJ; c) é absurdo o entendimento de que, em uma empresa cuja atividade principal seja a extração de petróleo, principalmente em áreas marítimas distantes da costa, serviços como de rebocador, movimentação de cargas marítimas, praticagem, amarração de navios, manutenção de embarcações e de equipamentos de comunicação não sejam considerados insumos; Fl. 4905DF CARF MF Impresso em 21/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 19/08/ 2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 18/08/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 15374.724372/200909 Resolução nº 3201000.543 S3C2T1 Fl. 4.905 3 d) mesmo que informadas em campo impróprio do Dacon, as despesas com transportes internos e táxi, aéreo e terrestre, geram a possibilidade de crédito da Cofins, em face dos motivos já esposados (letra “c” acima) e , também, pela necessidade da movimentação de produtos da área de exploração para as refinarias; e) a glosa relativa ao transporte de gás da Bolívia merece ser revertida, já que efetuado após o desembaraço aduaneiro, entre municípios situados em território nacional; f) quanto às despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos locados de pessoa jurídica, apesar da classificação errônea no Dacon, elas são passíveis de dedução da Cofins; g) as notas de débito fazem prova em favor da contribuinte e são suficientes para a fruição dos créditos de Cofins, não havendo necessidade da emissão da Nota Fiscal para esse fim, uma vez não haver essa exigência na legislação; h) a alocação de créditos provenientes de meses anteriores, não representa prejuízo ao regime de competência do tributo, bastando ao contribuinte demonstrar a ocorrência do custo/despesa previsto em lei para ter direito ao crédito da contribuição em momento futuro; i) o descumprimento de obrigação acessória, quando possível a demonstração do crédito inerente à obrigação principal, está sujeito apenas à sanção administrativa por tal descumprimento, mas não à rejeição do crédito arguido para fins de compensação, devidamente demonstrado. Ao final, é requerido: a) a juntada posterior de documentos e a produção de outras provas necessárias ao deslinde da questão; b) as intimações sejam dirigidas ao endereço informado no preâmbulo da manifestação, mais precisamente à sala 1804; c) a homologação da compensação declarada. A decisão recorrida, consubstanciada no Acórdão nº 0434.173, de 19/11/2013, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campo Grande/MS, restou assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/2009 a 28/02/2009 APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal as provas documentais devem ser apresentadas junto com a impugnação. CRÉDITOS DE COFINS. APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. PRESCRIÇÕES LEGAIS. Os créditos relativos à Cofins não cumulativa só são reconhecidos no caso de as operações que lhe deram origem estarem balizadas nas estritas raias das prescrições legais. Fl. 4906DF CARF MF Impresso em 21/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 19/08/ 2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 18/08/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 15374.724372/200909 Resolução nº 3201000.543 S3C2T1 Fl. 4.906 4 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com o resultado do julgamento, a Recorrente interpôs o seu recurso voluntário tempestivamente, reiterando, em síntese, os argumentos suscitados em sua defesa inaugural. Além disso, pugnou pela reforma da decisão recorrida para que o seu direito creditório seja integralmente reconhecido. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Winderley Morais Pereira, Redator ad hoc. Inicialmente é necessário ressaltar que em razão da saída do Conselheiro Daniel Mariz Gudino deste Conselho, fui designado como redator ad hoc do voto vencido, nos termos previstos no art. 17, inciso III, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Ressalvado o meu entendimento pessoal, no sentido de dar a este processo tratamento diverso, que foi consignado no voto vencedor que faz parte desta resolução, passo a seguir ao voto vencido, proferido pelo Conselheiro Daniel Mariz Gudino na sessão do dia 19/03/2015 da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 3ª Seção. O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 1972, razão pela qual deve ser conhecido. Preliminares Não constam preliminares de nulidade no recurso voluntário. Mérito Para bem decidir todos os temas abrangidos pelo recurso voluntário, esclarecese que o mesmo está dividido nos seguintes itens temáticos: (i) serviços utilizados como insumos; (ii) despesas de armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda; (iii) serviço de transporte de óleo cru pela Companhia de Navegação da Amazônia; (iv) serviço de transporte de gás da Bolívia; (v) despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos locados de pessoa jurídica; e (vi) créditos de "despesas" ocorridas em competências diversas (crédito extemporâneo), sem a retificação do DACON. Serviços utilizados como insumos Os serviços utilizados como insumos que foram objeto de glosa são os seguintes: obras portuárias, rebocadores portuários, movimentação de cargas marítimas, serviços de praticagem, amarração de navios, manutenção em embarcações e unidades móveis; serviços de informática; serviços de consultoria; projetos; serviços médicos; serviços de apoio; administração e fiscalização de obras; construção de instalações; obras de edificação, conservação e limpeza predial; manutenção de equipamentos de telecomunicação e de ar condicionado. Fl. 4907DF CARF MF Impresso em 21/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 19/08/ 2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 18/08/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 15374.724372/200909 Resolução nº 3201000.543 S3C2T1 Fl. 4.907 5 Inicialmente, é importante situar a discussão neste tópico, e, para tanto, transcrevese, a seguir, o trecho de uma obra bastante elucidativa sobre o tema dos insumos no contexto da apuração do PIS e da Cofins não cumulativos. Confirase: Com base no núcleo de materialidade constitucional do PIS/COFINS, qual seja, o faturamento, o critério para se determinar se um bem ou serviço pode ser considerado insumo para fins de creditamento do PIS/COFINS deve estar vinculado com a formação da receita. Conforme já mencionado anteriormente, a receita é fruto do desempenho de atividade econômica. Aqui se retorna à questão da relevância da atividade econômica para o PIS/COFINS: se ela é importante para definir as receitas que serão objeto de incidência destas contribuições, também o serão quando se tratar dos gastos geradores de crédito. O estabelecimento da sistemática nãocumulativa do PIS/COFINS careceria de coerência interna se utilizasse um parâmetro para sua incidência e outro para a fruição dos créditos. Se o legislador quis tributar todas as receitas, para manter a coerência, deve ser considerado como insumo todo e qualquer gasto necessário para obtenção destas receitas. Neste sentido, o insumo engloba todos os gastos referentes aos elementos necessários para o auferimento das receitas. O insumo no PIS/COFINS está intimamente relacionado ao faturamento da empresa e, portanto, a todas as forças realizadas pela empresa para o desenvolvimento da sua atividade empresarial. Mas não é qualquer elemento usado pela empresa que ganha a qualidade de insumo, mas somente aqueles essenciais ao processo gerador de receitas. Assim, o insumo pode integrar as etapas que resultam no produto, no serviço ou na venda de mercadorias, ou até mesmo as posteriores, desde que seja imprescindível para a obtenção de suas receitas. Desta forma, o critério informador da qualificação de determinado bem ou serviço como insumo é a sua essencialidade ao processo de geração de receitas referentes à produção de bens, prestação de serviços ou venda de mercadorias. Este é o fator preponderante para geração de créditos de PIS/COFINS. O processo de geração de receitas não se concretizaria, ou se concretizaria em qualidade inferior à desejada, sem a presença de certo insumo. Este não pode faltar sob pena de paralisação ou comprometimento deste processo. O mesmo critério – da essencialidade – é seguido no âmbito da União Europeia. Neste sentido, o artigo 176 da Diretiva n° 2006/112/CE estabelece que as despesas que não tenham caráter estritamente profissional são excluídas do direito à dedução do IVA, tais como despesas “sumptuárias, recreativas ou de representação”. Sendo assim, podemos definir insumo no PIS/COFINS nãocumulativo como sendo a “qualidade do bem ou serviço considerado elemento Fl. 4908DF CARF MF Impresso em 21/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 19/08/ 2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 18/08/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 15374.724372/200909 Resolução nº 3201000.543 S3C2T1 Fl. 4.908 6 essencial para o processo de geração de receitas de determinada atividade econômica.1 O autor Janssen Murayama é bastante feliz ao fazer a vinculação entre a despesa considerada como insumo e a receita decorrente do processo produtivo da pessoa jurídica beneficiária do crédito, e mais ainda quando eleva o critério da vinculação à essencialidade. Há vários julgados no CARF que corroboram esse entendimento. Por essa razão, é de extrema importância que as pessoas jurídicas que apuram créditos de PIS e Cofins não cumulativos deixem muito claro qual é o seu processo produtivo e demonstrem a essencialidade daquela despesa para a conclusão desse processo. Tratase de uma condição sine qua non para a avaliação da conformação da despesa incorrida no caso concreto à prescrição normativa que autoriza a apropriação do crédito. Nesse contexto, verificase que a Recorrente indicou, ainda que superficialmente, qual é o papel dos itens glosados no seu processo produtivo, informando, inclusive, o grau de essencialidade de cada item nesse processo. A propósito, confirase o trecho extraído da peça recursal in verbis: Dito isso, temse como absurdo o entendimento de que, em uma empresa cuja principal atividade é a extração de petróleo, principalmente em áreas marítimas muito distantes da costa, os serviços de rebocador portuário, movimentação de cargas marítimas, praticagem, amarração de navios, manutenção em embarcações, manutenção de equipamentos de telecomunicações etc., não sejam considerados como insumos. Ora, eméritos julgadores, é possível que uma plataforma (na verdade várias delas) fique a milhares de quilômetros sem a automação de seus dutos realizadas por fibras óticas mantidas por serviços de telecomunicações? Ainda tendo em mente que a produção ocorre em altomar, caso os serviços de rebocador, movimentação de cargas marítimas, praticagem, amarração de navios e de manutenção de embarcações não possam ser considerados como insumos, o que poderia? Apenas serviços prestados diretamente na broca de perfuração? Com efeito, partindo desses novos contornos do conceito de insumos nem tão próximo ao conceito de insumos da legislação do IPI, nem tão distantes do conceito de despesas necessárias da legislação do Imposto de Renda , a autoridade preparadora deverá reavaliar as glosas realizadas e considerar as despesas essenciais ao processo produtivo da Recorrente. Despesas de armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda Em sua peça recursal, a Recorrente informa que algumas despesas foram informadas em campo impróprio do Dacon, nomeadamente o frete de empregados, matérias primas e produtos intermediários. Contudo, defende que tais dispêndios com transportes internos de produtos e com táxi, aéreo e terrestre, geram a possibilidade de crédito da Cofins, em face de se consubstanciarem em insumos da atividade. Isso porque, tais serviços de transporte são 1 MURAYAMA, Janssen. "O conceito de insumo no PIS/COFINS". Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2014, p. 7880 Fl. 4909DF CARF MF Impresso em 21/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 19/08/ 2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 18/08/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 15374.724372/200909 Resolução nº 3201000.543 S3C2T1 Fl. 4.909 7 necessários à movimentação de produtos da área de exploração para as refinarias, assim como ao deslocamento de empregados para as plataformas marítimas ou entre o seu local de trabalho em terra e essas plataformas. A decisão recorrida baseiase no fato de que, de acordo com a Instrução Normativa SRF nº 404, de 2004, a única despesa de frete que gera crédito é o frete na venda de produto acabado, quando o vendedor assume o ônus da entrega ao comprador. Tratase de uma interpretação restritiva há muito já superada no âmbito do CARF, conforme se depreende das ementas abaixo transcritas in verbis: FRETES. TRANSPORTE DE MATÉRIAPRIMA ENTRE A FLORESTA E A FÁBRICA Os custos incorridos com fretes no transporte de madeira entre a floresta de eucaliptos e a fábrica configuram o custo de produção da celulose e, por tal razão, integram a base de cálculo do crédito das contribuições nãocumulativas. (Acórdão nº 3402002.604, Rel. Cons. Alexandre Kern, Sessão de 28/01/2015) ......................................................................................................... CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. São exemplos de insumos, no caso analisado, ácido sulfúrico (assim como o frete relativo a seu transporte) e serviços de transporte de rejeitos industriais. (Acórdão nº 3401002.872, Rel. Cons. Eloy Eros da Silva Nogueira, Sessão de 29/01/2015) Com efeito, a autoridade preparadora deverá reavaliar as glosas realizadas, considerando que pode haver, sim, créditos decorrentes da contratação de serviços de transporte e armazenagem de matérias primas e produtos intermediários. Serviço de transporte de óleo cru pela Companhia de Navegação da Amazônia Conforme determinado no tópico anterior, a autoridade preparadora deverá reavaliar as glosas atinentes a este tópico, considerando que pode haver, sim, créditos decorrentes da contratação de serviços de transporte e armazenagem de matérias primas e produtos intermediários. No caso concreto, é inegável que o óleo cru está vinculado intrinsecamente ao processo produtivo da Recorrente, logo, o frete correspondente deve ser considerado para efeito de apuração de créditos de PIS e Cofins não cumulativos. Serviço de transporte de gás da Bolívia Conforme determinado no tópico anterior, a autoridade preparadora deverá reavaliar as glosas atinentes a este tópico, considerando que pode haver, sim, créditos decorrentes da contratação de serviços de transporte e armazenagem de matérias primas e produtos intermediários. No caso concreto, é inegável que o gás boliviano está vinculado intrinsecamente ao processo produtivo da Fl. 4910DF CARF MF Impresso em 21/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 19/08/ 2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 18/08/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 15374.724372/200909 Resolução nº 3201000.543 S3C2T1 Fl. 4.910 8 Recorrente, logo, o frete correspondente deve ser considerado para efeito de apuração de créditos de PIS e Cofins não cumulativos. Despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos locados de pessoa jurídica Neste tópico discutese despesas com a locação de aeronaves para transporte de pessoas e equipamentos, e de lanchas, rebocadores e embarcações de apoio marítimo, as quais foram informadas erroneamente no campo do DACON concernente a despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos locados pela pessoa jurídica. A Recorrente alega que esse erro formal não impede que seja aproveitado o crédito, uma vez que tais despesas são intrinsecamente conectadas ao seu processo produtivo. Extraise da decisão recorrida um trecho interessante para a presente análise, a saber: "Para que fosse possível a dedução, a contribuinte, após intimação, teria de ter comprovado que os afretamentos eram intimamente ligados à atividade operacional, o que não ocorreu". Ora, com a máxima vênia à instância a quo, se houve o afretamento de uma embarcação por uma empresa que extrai petróleo em alto mar, não é razoável crer que o mesmo teria sido contratado para finalidade diversa do objeto social da empresa, sobretudo diversas vezes. Nesse sentido, deverá a autoridade preparadora reavaliar a glosa das despesas atreladas a serviços de transporte erroneamente alocadas na Linha 06 da Ficha 16A do Dacon, tomando, como base para essa avaliação, o conceito de insumos já informado no tópico 2.1 supra. Registrese, por oportuno, que não é verdadeira a afirmação da Recorrente de que a mera alocação topográfica equivocada não é razão para nenhuma glosa. Na verdade, se a Recorrente tivesse alocado em insumos uma despesa que deveria integrar o ativo imobilizado, ela não poderia pretender que a autoridade preparadora fizesse o ajuste em tela, uma vez que a forma de apuração do crédito considera bases de cálculo diferentes. No caso dos créditos oriundos do ativo imobilizado, a base de cálculo corresponde à parcela do custo de aquisição correspondente à taxa de depreciação ou amortização, conforme o caso. Já no caso dos créditos oriundos de insumos, a base de cálculo é o valor integral da despesa correspondente. Créditos de "despesas" ocorridas em competências diversas (crédito extemporâneo), sem a retificação do DACON Finalmente, quanto aos créditos apurados extemporaneamente, sem a retificação do DACON, há farta jurisprudência do CARF no sentido de reconhecer esse procedimento como possível, desde que seja comprovada a não utilização anterior dos créditos. Confirase: PIS/COFINS NÃOCUMULATIVO. CRÉDITO EXTEMPORÂNEO. APROVEITAMENTO. Verificando que deixou de aproveitar crédito pretérito de PIS ou de COFINS no regime da nãocumulatividade, o sujeito passivo pode dele usufruir (i) mediante retificação do DACON pertinente ao período de apuração correspondente ao da formação do direito e dos DACONs subseqüentes (e das respectivas DCTFs), caso em que ressarcirá o principal acrescido de juros de mora; ou, a seu critério, (ii) no período de apuração corrente, sem a necessidade de Fl. 4911DF CARF MF Impresso em 21/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 19/08/ 2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 18/08/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 15374.724372/200909 Resolução nº 3201000.543 S3C2T1 Fl. 4.911 9 retificação de demonstrativos ou declarações anteriores, mas conformandose em aproveitar o crédito por seu valor nominal, sem atualização (art. 13 da Lei no 10.833/2003). (Acórdão nº 3403002.718, Rel. Cons. Marcos Tranchesi Ortiz, Sessão de 29/01/2014) ......................................................................................................... COFINS. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. RETIFICAÇÕES. COMPROVAÇÃO. Para utilização de créditos extemporâneos, é necessário que reste configurada a não utilização em períodos anteriores, mediante retificação das declarações correspondentes, ou apresentação de outra prova inequívoca da não utilização. (Acórdão nº 3403002.717, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, Sessão de 29/01/2014) ......................................................................................................... NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITO. APROVEITAMENTO EXTEMPORÂNEO. DESNECESSIDADE DE PRÉVIA RETIFICAÇÃO DO DACON. Desde que respeitado o prazo de cinco anos a contar da aquisição do insumo, o crédito apurado nãocumulatividade do PIS e Cofins pode ser aproveitado nos meses seguintes, sem necessidade prévia retificação do Dacon por parte do contribuinte. (Acórdão nº 3401001.581, Rel. Cons. Emanuel Carlos Dantas de Assis, Sessão de 01/09/2011) No caso concreto, a Recorrente limitouse a argumentar que o mero descumprimento de obrigação acessória não seria suficiente para fulminar o crédito apurado extemporaneamente, não fazendo qualquer prova de que o crédito alegado não fora utilizado anteriormente. De fato, desde que haja a prova da origem do crédito e da sua não utilização anterior, é possível que as autoridades fiscais competentes avaliem a sua liquidez e certeza. Contudo, sem que haja essas provas nos autos, é impossível que o crédito alegado seja avaliado corretamente pela repartição de origem, e muito menos pelas autoridades julgadoras. Por essa razão, em linha com a jurisprudência do CARF, deve ser mantida a glosa guerreada neste tópico. Conclusão Diante do exposto, DOU PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário para reconhecer, em parte, o direito creditório da Recorrente, devendo ser considerado o conceito de insumo concebido por este CARF e se relevando os erros meramente formais, o que não ocorre, todavia, com os créditos extemporâneos alegados pela Recorrente. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 4912DF CARF MF Impresso em 21/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 19/08/ 2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 18/08/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 15374.724372/200909 Resolução nº 3201000.543 S3C2T1 Fl. 4.912 10 Voto Vencedor Conselheiro Winderley Morais Pereira, Redator designado. Estáse as voltas novamente com a discussão sobre o creditamento de insumos para apuração das contribuições sobre o PIS e a COFINS. Matéria que tem sido objeto de julgamento em diversas turmas desta terceira seção. É cediço que a situação atual do julgamento no CARF é de aplicar o conceito de insumos em relação ao processo produtivo do contribuinte, adotando uma posição intermediária entre aquela considerada pela Receita Federal, com base na IN SRF 404/04 e aquela defendida por muitos contribuintes em que todas as despesas e aquisições realizadas estariam incluídas no conceito de insumo. Em razão destes posicionamentos, nos deparamos com situações distintas no processo. A Fiscalização ao auditar a empresa, utilizando as regras da IN 404/04, não se atem ao exame detalhado da situação das aquisições e despesas incorridas no processo produtivo da empresa, utilizando critérios que ao sentir da Fiscalização são suficientes para afastar tais despesas do conceito de insumo, procedendo assim, as glosas aos créditos informados pelo contribuinte. De outro giro, o contribuinte ao se deparar com a posição adotada pelo Fisco e considerando o seu próprio entendimento sobre o conceito de insumo. Apresenta os seus recursos administrativos alegando que as aquisições de bens e serviços informados como insumo em sua totalidade são procedentes, aplicando um conceito amplo de insumo em que todas as despesas seriam aptas a serem consideradas para fruição dos créditos das contribuições. Conforme dito alhures, as turmas do CARF vem entendendo que para a definição das despesas com aquisição de bens e serviços que possam ser consideradas insumos para aproveitamento de créditos é necessária uma definição clara de quais produtos e serviços estão sendo pleiteados, além de identificar em qual momento e fase da processo produtivo eles estão vinculados. Assim, em muitas situações, tanto os relatórios e trabalhos de auditoria realizada pela Fiscalização da Receita Federal, quanto os documentos e argumentos apresentados pelos contribuintes em seus recursos, não são suficientes para a definição de quais despesas estariam incluídas no conceito de insumo a serem consideradas possíveis de gerar créditos no cálculo das contribuições do PIS e da COFINS não cumulativos. Nos termos aqui expostos, entendo que os documentos e informações constantes dos autos não são suficientes para definir com exatidão quais são os insumos glosados pela Fiscalização e quais deles o contribuinte tenta pleitear seus créditos. Assim, fazse necessário a baixa dos autos em diligência para que seja determinada com acuracidade, quais são as aquisições de bens e as despesas de serviços que foram utilizadas a título de crédito pela Recorrente, quais foram glosadas pela Fiscalização e qual a implicação destes bens e serviços no processo produtivo. Diante do exposto, buscando os esclarecimentos necessários ao prosseguimento do julgamento, voto no sentido de converter o julgamento em diligência a fim de que unidade preparadora: Fl. 4913DF CARF MF Impresso em 21/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 19/08/ 2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 18/08/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 15374.724372/200909 Resolução nº 3201000.543 S3C2T1 Fl. 4.913 11 a) Intime a Recorrente, para no prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável por igual período, detalhar o seu processo produtivo e indicar de forma minuciosa qual a interferência de cada um dos bens e serviços, que pretende aferir créditos para apuração da COFINS não cumulativa; b) A Unidade Preparadora deverá elaborar relatório identificando quais dos bens e serviços utilizados foram objeto de glosa, indicando os motivos para tal indeferimento. Com a possibilidade, se julgar necessário, de manifestarse quanto as informações apresentadas, inclusive fazendo as diligências e intimações que julgar necessárias. Concluída tais verificações, os autos deverão ser devolvidos a este Conselho para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 4914DF CARF MF Impresso em 21/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 19/08/ 2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 18/08/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Numero do processo: 11080.918910/2012-66
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon May 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 20/12/2007
PROCESSO ADMINISTRATIVO. DESPACHO DECISÓRIO. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. NÃO ACATADA.
Não é nulo o Despacho Decisório que contém os elementos essenciais do ato administrativo.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO.
Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito.
MULTA E JUROS DE MORA.
Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora.
INCONSTITUCIONALIDADE. DE NORMA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2.
Não compete aos julgadores administrativos pronunciar-se sobre a inconstitucionalidade de leis ou atos normativos.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-005.093
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Participou do julgamento o Conselheiro Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo em substituição ao Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que se declarou impedido
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Sérgio Celani - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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DESPACHO DECISÓRIO. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. NÃO ACATADA. Não é nulo o Despacho Decisório que contém os elementos essenciais do ato administrativo. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito. MULTA E JUROS DE MORA. Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora. INCONSTITUCIONALIDADE. DE NORMA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 89 10 /2 01 2- 66 Fl. 125DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918910/201266 Acórdão n.º 3801005.093 S3TE01 Fl. 3 2 Não compete aos julgadores administrativos pronunciarse sobre a inconstitucionalidade de leis ou atos normativos. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Participou do julgamento o Conselheiro Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo em substituição ao Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que se declarou impedido (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo. Relatório Inicialmente, esclarecese que estão em julgamento nesta 1ª Turma Especial da 3ª Seção de Julgamento do CARF cento e quarenta e oito processos da mesma contribuinte, em que o cerne da discussão é o mesmo: a certeza e liquidez de crédito pleiteado, decorrente de pagamento indevido ou a maior de Cofins, ou contribuição para o PIS/Pasep ou IPI, e o ônus da prova deste direito. Feitas estas observações, passase ao relato propriamente dito. Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em CuritibaDRJ/CTA que julgou improcedente manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem. O processo se iniciou com PER/DCOMP, por meio do qual a contribuinte pleiteou o reconhecimento de direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo e a compensação de débitos tributários com o crédito pleiteado. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918910/201266 Acórdão n.º 3801005.093 S3TE01 Fl. 4 3 De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF informado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível suficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência/insuficiência de crédito, a compensação declarada não foi homologada ou foi homologada apenas parcialmente. Como enquadramento legal foram citados os arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional CTN), e o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, conforme quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório “ Extraio do relatório da decisão recorrida resumo das alegações apresentadas pela contribuinte contra o despacho decisório: “Na manifestação apresentada, a contribuinte argúi em preliminar a nulidade do Despacho Decisório, alegando o não atendimento ao requisito constitucional da fundamentação do ato administrativo, além de ferir os princípios de ampla defesa, contraditório e do devido processo legal, estando, outrossim, revestido de desvio de finalidade. Expõe que o ato administrativo resumiuse a informar a não homologação da compensação declarada com o parco fundamento da inexistência de crédito disponível; entende que o procedimento correto da fiscalização seria o de intimar a contribuinte para que prestasse informações sobre a origem do crédito, bem como do fundamento de validade; e ressalta a necessidade de fundamentação ou motivação dos atos administrativos para o exame de sua legalidade, finalidade e moralidade administrativa. Alega que o Despacho Decisório não se presta a dar início ao contraditório administrativo, eis que carente de fundamentação, restando prejudicado o seu direito de defesa, e que também extrapolou sua função precípua, tornandose meio oblíquo pelo qual a fiscalização buscou interromper o prazo de homologação da compensação declarada. Diz que a autoridade preparadora deixou de cumprir seu dever de ofício de bem instruir o procedimento fiscal, como a solicitação de informações, apreensão de documentos, diligências, dentre outros expedientes. Sob o tema “Do Mérito”, discorre especificamente sobre o princípio da verdade material, citando diversos doutrinadores. Mas nada aduz sobre o origem do suposto crédito, apenas alegando a posterior juntada de documentos que comprovariam as ‘alegações trazidas na presente manifestação’, eis que o direito creditório, diz, pode ser comprovado a qualquer tempo. Por fim, argumenta sobre a inaplicabilidade da multa de mora em face do princípio constitucional de não confisco e dos princípios administrativos da razoabilidade e da proporcionalidade.. A ementa do acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em CuritibaDRJ/CTA que julgou improcedente a manifestação de inconformidade contém o seguinte teor: “ASSUNTO: ... Data do Fato Gerador: ... CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INTIMAÇÃO PARA ESCLARECIMENTOS. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918910/201266 Acórdão n.º 3801005.093 S3TE01 Fl. 5 4 A ausência de pedido de esclarecimentos ou realização de diligência na fase preparatória do procedimento fiscal não caracteriza cerceamento do direito de defesa, que é assegurado na fase do contraditório, inaugurada com a manifestação de inconformidade. 1PIS/PASEP. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que não homologou a compensação declarada por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito está integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. PAGAMENTO A MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO. A mera alegação do direito creditório, desacompanhada de provas baseadas na escrituração contábil/fiscal do período, não é suficiente para demonstrar a existência de direito creditório pleiteado. MULTA E JUROS DE MORA. DÉBITOS NÃO HOMOLOGADOS. Os débitos indevidamente compensados sofrem a incidência de multa e juros de mora, nos percentuais determinados pela legislação, calculados a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento da contribuição até o dia em que se efetivar o seu pagamento, uma vez que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos não homologados.” No recurso voluntário a recorrente repete as alegações da manifestação de inconformidade. É o relatório. 1 Nos processos em que o crédito alegado se refere à Cofins, consta COFINS. Nos processos em que o crédito seria originado de Contribuição para o PIS/Pasep, consta PIS/PASEP. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918910/201266 Acórdão n.º 3801005.093 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. Admissibilidade do recurso voluntário. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para julgamento nesta turma especial. Preliminar de nulidade do despacho decisório. O processo se iniciou com PER/DCOMP da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior do tributo em discussão. A Secretaria da Receita Federal do BrasilRFB, baseandose em dados constantes de seus sistemas informatizados, alimentados por informações prestadas pelo próprio contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias, constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Isto está claro no quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório, no qual constam os artigos 165 e 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/66 (CTN), e o artigo 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, como fundamentos para a não homologação da compensação. No mesmo quadro 3, consta que diante da inexistência do crédito não se homologava a compensação declarada, bem como o valor devedor consolidado, correspondente aos débitos indevidamente compensados, e a data para pagamento. Há, ainda, a informação de que para verificação de valores devedores e emissão de DARF, deveria ser consultado o endereço da internet “www.receita.fazenda.gov.br”, na opção “Onde Encontro” ou através de certificação digital na opção “eCAC”, assunto “PER/DCOMP Despacho Decisório”. Logo, não procede a alegação de que o despacho decisório não contém fundamentação e de que houve desvio de finalidade. Por outro lado, a manifestação de inconformidade, a qual, por força do art. 74, §§ 9º a 11 da Lei nº 9.430, de 1996, aplicamse as regras previstas no Decreto nº 70.235, de 1972, demonstra que a contribuinte exerceu plenamente seu direito ao contraditório, sem nenhuma dificuldade, provando que não houve cerceamento do direito de defesa. Por estas razões, votase por negar provimento às alegações preliminares. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918910/201266 Acórdão n.º 3801005.093 S3TE01 Fl. 7 6 Certeza e liquidez do crédito pleiteado. Conforme visto acima: i) O processo se iniciou com PER/DCOMP da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior de tributo; ii) Foi constatado pela RFB que o pagamento informado como indevido ou a maior fora integralmente utilizado para quitar tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido; iii) Isto está claro no quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório; iv) Esta constatação baseouse em dados constantes do sistemas informatizados da RFB, alimentados por informações prestadas pelo próprio contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias. Uma vez que o pagamento informado como indevido ou a maior estava totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF como devido, o DARF a ele relativo não prova a existência de crédito algum A DRJ/CTA, tendo em vista que a contribuinte não apresentou documentação fiscal e contábil hábil e suficiente para comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado, manteve o despacho decisório. As decisões da DRF e da DRJ estão amparadas no fato de a legislação tributária dispor que a DCTF é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário (art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984) e que a compensação de débitos tributários somente pode ser efetuada mediante existência de créditos líquidos e certos do interessado perante a Fazenda Pública (art. 170 do Código Tributário NacionalCTN), e de a lei que trata do processo administrativo tributário federal estabelecer que a prova documental deve ser apresentada na impugnação (art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972). Apesar de a decisão de primeira instância ter sido fundamentada de modo a dar a conhecer à contribuinte as razões de fato e de direito que levaram ao indeferimento de sua manifestação de inconformidade, nenhum documento ou livro fiscal ou contábil foi apresentado com o recurso voluntário. A recorrente limitouse a discorrer sobre o princípio da verdade material. Tratandose de despacho eletrônico, admitese a apresentação destes documentos e livros após a decisão da DRJ, pois alguns Conselheiros entendem que o princípio da verdade material assim autoriza, outros entendem que se está diante de caso em que a prova se destina a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, hipótese prevista no art. 16, §4º, letra “c” do Decreto nº 70.235, de 1972. O importante é que a contribuinte, até o presente, não apresentou nenhum documento ou livro, fiscal ou contábil, que pudesse comprovar seu direito. Logo, não comprovou a certeza e liquidez do crédito pleiteado. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918910/201266 Acórdão n.º 3801005.093 S3TE01 Fl. 8 7 Não é só isso. A recorrente sequer argumentou sobre os fatos ou direito que ensejariam o crédito. Por estas razões, com fundamento no art. 170 do CTN e no art. 333 do CPC, aplicável subsidiariamente ao caso, que determina que o ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito, não cabe o reconhecimento do crédito pleiteado. Sobre multa e juros de mora Os artigos 61 e 74 da Lei nº 9.430, de 1996, deixam claro que são devidos juros de mora e multa no presente caso. Cito: “Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Medida Provisória nº 1.725, de 1998) (Vide Lei nº 9.716, de 1998)” “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) §1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) §2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) (...) §6º A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos Fl. 131DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918910/201266 Acórdão n.º 3801005.093 S3TE01 Fl. 9 8 indevidamente compensados. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §7º Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §8º Não efetuado o pagamento no prazo previsto no §7º, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no §9º. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §9º É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7º, apresentar manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) (...)” Vejase que os §§ 6º a 8º acima dispõem que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados e que, não homologada a compensação e não efetuado o pagamento no prazo previsto no §7º, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, sendo devidos juros de mora e multa. A exigência do pagamento destes débitos não se submete a julgamento administrativo. Além disso, os membros do CARF não podem afastar aplicação ou deixar de observar lei sob fundamento de inconstitucionalidade, salvo em casos excepcionais não presentes, a teor do disposto no art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/6/2009, e do disposto no art. 26A da Decreto nº 70.235, de 1972, com redação dada pela Lei nº 11.941, de 27/5/2009. O mesmo se conclui do enunciado da Súmula CARF nº 2, verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918910/201266 Acórdão n.º 3801005.093 S3TE01 Fl. 10 9 Conclusão Pelo exposto, em especial, pela não comprovação da existência de direito de crédito líquido e certo, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendose a decisão recorrida. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10980.002207/2007-61
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Aug 25 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2003,2004,2005
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA.
Identificada a ausência de registro de depósitos na escrita contábil da empresa cabe ao contribuinte apontar a sua origem e justificar a sua não escrituração. O efeito de sua desídia consiste na atribuição aos valores não justificados a condição de receitas omitidas, a teor do art. 42 da Lei nº 9.430/96.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. RENDA CONSUMIDA. DISPENSA DE COMPROVAÇÃO.
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada (Súmula CARF nº 26).
INCONSTITUCIONALIDADE OU ILEGALIDADE. LEI OU ATO NORMATIVO. APRECIAÇÃO.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula Carf nº 2), isso porque, a instância administrativa não é foro apropriado para discussões desta natureza, pois qualquer discussão sobre a constitucionalidade e/ou ilegalidade de normas jurídicas deve ser submetida ao crivo do Poder Judiciário que detém, com exclusividade, a prerrogativa dos mecanismos de controle repressivo de constitucionalidade, regulados pela própria Constituição Federal.
Numero da decisão: 1803-001.938
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Declarou-se impedido o conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes.
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Presidente e Redator para Formalização do Acórdão
Considerando que o Presidente à época do Julgamento não compõe o quadro de Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na data da formalização da decisão, que a 3ª Turma Especial da 1ª Seção foi extinta pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015 (que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF), e as atribuições dos Presidentes de Câmara previstas no Anexo II do RICARF, a presente decisão é assinada pelo Presidente da 4ª Câmara/1ª Seção André Mendes de Moura, para fins de formalização. Da mesma maneira, tendo em vista que, na data da formalização da decisão, o relator SÉRGIO LUIZ BEZERRA PRESTA não integra o quadro de Conselheiros do CARF, o Presidente André Mendes de Moura será o responsável pela formalização do voto.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Walter Adolfo Maresch (Presidente à Época do Julgamento), Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Raimundo Parente de Albuquerque Junior, Victor Humberto da Silva Maizman e Sérgio Rodrigues Mendes.
Nome do relator: SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Identificada a ausência de registro de depósitos na escrita contábil da empresa cabe ao contribuinte apontar a sua origem e justificar a sua não escrituração. O efeito de sua desídia consiste na atribuição aos valores não justificados a condição de receitas omitidas, a teor do art. 42 da Lei nº 9.430/96. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. RENDA CONSUMIDA. DISPENSA DE COMPROVAÇÃO. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada (Súmula CARF nº 26). INCONSTITUCIONALIDADE OU ILEGALIDADE. LEI OU ATO NORMATIVO. APRECIAÇÃO. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula Carf nº 2), isso porque, a instância administrativa não é foro apropriado para discussões desta natureza, pois qualquer discussão sobre a constitucionalidade e/ou ilegalidade de normas jurídicas deve ser submetida ao crivo do Poder Judiciário que detém, com exclusividade, a prerrogativa dos mecanismos de controle repressivo de constitucionalidade, regulados pela própria Constituição Federal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 22 07 /2 00 7- 61 Fl. 1438DF CARF MF Impresso em 25/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 21/08/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10980.002207/200761 Acórdão n.º 1803001.938 S1TE03 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Declarouse impedido o conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Presidente e Redator para Formalização do Acórdão Considerando que o Presidente à época do Julgamento não compõe o quadro de Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na data da formalização da decisão, que a 3ª Turma Especial da 1ª Seção foi extinta pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015 (que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF), e as atribuições dos Presidentes de Câmara previstas no Anexo II do RICARF, a presente decisão é assinada pelo Presidente da 4ª Câmara/1ª Seção André Mendes de Moura, para fins de formalização. Da mesma maneira, tendo em vista que, na data da formalização da decisão, o relator SÉRGIO LUIZ BEZERRA PRESTA não integra o quadro de Conselheiros do CARF, o Presidente André Mendes de Moura será o responsável pela formalização do voto. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Walter Adolfo Maresch (Presidente à Época do Julgamento), Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Raimundo Parente de Albuquerque Junior, Victor Humberto da Silva Maizman e Sérgio Rodrigues Mendes. Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao presente contencioso administrativo, adoto parte do relato do contido no Acórdão nº 0618.205 proferido pela 1ª Turma de Julgamento da DRJ em Curitiba PR, constante das fls. 805 e seguintes dos autos, a seguir transcrito: “Este processo trata do auto de infração de IRPJ (fls. 359372), de Contribuição para o PIS/PASEP (fls. 373381), de Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (fls. 382390), e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (fls. 391406), por meio do qual se exige da autuada o crédito tributário total de R$ 372.348,99, incluindo juros moratórios calculados até 31/01/2007, conforme Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo acostado às fls. 03. O Terno de Verificação e Encerramento de Ação fiscal (fls. 407411), peça componente do auto de infração, descreve os fatos e a apuração das infrações, a composição de sua base de cálculo, bem como as razões determinantes do agravamento da multa de oficio. Seus pontos mais relevantes, encontramse sintetizados na sequência: no dia 15/09/2006, no propósito de cientificar a contribuinte do início da ação fiscal, a fiscalização se deslocou ao seu domicílio tributário e constatou a inexistência do endereço informado em seu CNPJ. Tornouse, assim, necessário recorrer ao Poder Judiciário para obter autorização de acesso ao estabelecimento em Fl. 1439DF CARF MF Impresso em 25/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 21/08/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10980.002207/200761 Acórdão n.º 1803001.938 S1TE03 Fl. 4 3 que seu responsável legal, Sr. Roberto Bertholdo, se encontrava custodiado. Por consequência, a ciência veio a ocorrer apenas no dia 06/10/2006; no mesmo dia em que se intentou, debalde, dar ciência do início do procedimento (15/09/2006), a fiscalizada apresentou, via internet, DIPJ e DCTF retificadoras alusivas a todos os períodos sob fiscalização, as quais foram acatadas, em virtude de sua apresentação anterior à ciência do início da ação fiscal, em 17/10/2006, foi solicitada prorrogação do prazo para apresentação dos elementos solicitados pelo Fisco; em 08/11/2006, foi apresentado novo requerimento. Em 13/11/2006, o representante legal da empresa foi reintimado a apresentar os elementos Já solicitados, e também a comprovar a origem dos recursos utilizados em depósitos e créditos bancários devidamente relacionados da pessoa jurídica, coligidos em extratos bancários obtidos em decorrência de quebra judicial de sigilo bancário. Em 21/12/2006, o representante legal foi novamente intimado a apresentar os elementos solicitados, tendo sido também advertido de que o nãoatendimento no prazo marcado sujeitava a contribuinte ao agravamento da multa em 50%. O prazo se esgotou sem qualquer manifestação da contribuinte; à míngua de comprovação da origem dos recursos creditados nas contas bancárias, constantes da relação encaminhada, foram os respectivos depósitos e créditos considerados corno receitas; quanto à forma de tributação adotada, a fiscalização esclarece que a pessoa jurídica apresentou DIPJ manifestando opção pelo lucro presumido, mas essa modalidade não pôde ser acatada, dada a inexistência de recolhimentos sob esse código, que é a forma pela qual a opção deve ser manifestada. Por consequência, a contribuinte deveria submeterse à tributação com base no lucro real. Contudo, a falta de apresentação da escrituração contábil inviabiliza a apuração do lucro real. Por tais motivos, procedeuse ao arbitramento dos lucros, adicionandose à receita já declarada a receita omitida, conforme planilha "Demonstração da Receita Bruta Omitida e do Lucro Arbitrado Decorrente"; sobre a parcela da receita conhecida pelos valores declarados em DIPJ, não foram gerados lançamentos para as contribuições para o PIS e a COFINS. Foi lançada apenas a diferença entre o calculado pela própria contribuinte na modalidade de lucro presumido e o lucro arbitrado dele decorrente; a fiscalizada não formulou qualquer esclarecimento ou justificativa hábil e idônea para a nãoapresentação da escrituração, livros fiscais, notas fiscais de prestação de serviço ou qualquer outro documento contábil, elementos imprescindíveis para a apuração do lucro real, mesmo tendo retificado suas DCTF e DIPJ. Considerando que tal omissão caracteriza desatendi mento à intimação fiscal, ocasionando mora injustificada na conclusão do procedimento fiscal, foi aplicada a multa agravada de 112,5%, prevista no § 2% c/c inciso 1, do art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996; Também integram o auto de infração os seguintes documentos: 1 Telas de pesquisas SINAL, de recolhimentos efetuados pela autuada (fls.412413); 2 Planilha dos créditos bancários de origem não comprovada (fls. 414420); 3 Planilha de Demonstração da Receita Bruta Conhecida — DIPJ — e do Lucro Arbitrado Decorrente (fls. 421); Fl. 1440DF CARF MF Impresso em 25/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 21/08/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10980.002207/200761 Acórdão n.º 1803001.938 S1TE03 Fl. 5 4 4 Planilha de Demonstração da Receita Bruta Omitida e do Lucro Arbitrado Decorrente (fls. 422): 5 Planilha de Demonstração da Apuração da Cofins (fls. 423); 6 Planilha de Demonstração da Apuração da Contribuição ao PIS (fls. 424); 7 Planilha de Auditoria dos Valores Declarados em DIPJ e DCTF Relativos ao Lucro Presumido (fls. 425). Os enquadramentos legais de cada auto de infração se encontram transcritos no respectivo campo próprio. A autuada foi cientificada na pessoa de seu representante legal, em 23/02/2007 (fls. 359), c apresentou, em 23/03/2007, a impugnação de fls. 435511, tecendo as alegações a seguir sintetizadas: em preliminar, argui a nulidade do auto de infração, por autuação fora dos limites delineados no MPF, que teria sido expedido tãosomente para fiscalização/verificação do IRPJ, e não da tributação reflexa de CSLL, PIS/PASEP e COFINS. Mencionando a Súmula 373 do Supremo Tribunal Federal, acrescenta que compete ao julgador determinar, de oficio, a nulidade do auto de infração, por estar eivado de vícios insanáveis; também em preliminar, suscita a nulidade do auto de infração, argumentando que não houve intimação prévia para indicação de transferências bancárias e pagamentos de contas, baixas de aplicações e depósitos dos sócios para suprimento de caixa. Também justifica alguns créditos; ainda em preliminar, aponta nulidade do auto de infração por falta de observância de normas para a execução de procedimentos fiscais. O primeiro motivo seria a omissão, no MPF, do nome, número do telefone e endereço funcional do chefe do auditor responsável pela execução do procedimento fiscal. O segundo motivo é que o MPF foi expedido em 11/08/2006, razão pela qual já teria perdido sua validade em 23/02/2007, quando ocorreu a ciência do lançamento; em outra preliminar, aduz a nulidade do lançamento por impossibilidade de utilização de dados e documentos obtidos em processo criminal, para fins de lançamento de tributos. Também sustenta a impossibilidade de quebra de sigilo bancário, alegando tratarse de direito fundamental, e afirma que, no presente caso, a autoridade administrativa não demonstrou as condições de indispensabilidade da quebra do sigilo bancário; passando ao enfrentamento do mérito, afirma que não poderia ter sido desclassificada sua escrituração fiscal, mencionando DIPJ e DCTF, nem feito o arbitramento, pelas seguintes razões: a) porque apresentou DIPJ e DCTF; b) porque, quando da fiscalização, não foi intimada a apresentar dados sobre transferências bancárias e pagamentos de contas; c) porque, no momento da fiscalização, estava impossibilidade de apresentar os livros Diário e Razão, retidos por sócio da empresa; d) porque, apesar da impossibilidade de exame dos livros Diário e Razão, caso ainda existisse alguma diferença tributável, era possível ao Fisco verificar seu lucro Fl. 1441DF CARF MF Impresso em 25/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 21/08/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10980.002207/200761 Acórdão n.º 1803001.938 S1TE03 Fl. 6 5 real efetuando, inclusive, na determinação da base de cálculo, as exclusões e deduções legalmente permitidas, e que tal providência não foi tomada; contesta a assertiva, inserida no Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal, de que não existiria recolhimento apto a validar sua opção pelo Lucro Presumido. Afirma que efetuou pagamento dos tributos declarados nas DIPJ e DCTF, com outros códigos de receita, devido à sua adesão a parcelamentos. Informa que, para os débitos vencidos até 28/02/2003, optou pelo PAES, e que, em 15/0912006, desistiu do PAES e aderiu a outro parcelamento (PAEX); afirma que os valores encontrados pela fiscalização representam transferências entre contas correntes bancárias; que todos os seus rendimentos foram declarados e que a origem dos recursos financeiros consiste em contratos de prestação de serviços celebrados com clientes, cujas cópias traz à colação. Sustenta que os extratos bancários identificam perfeitamente seus clientes, e que, pelos serviços que lhes prestava, o pagamento era feito, por vezes, às pessoas físicas dos sócios, ou à pessoa jurídica Bertholdo & Costa Advogados Associados; aduz que o mero fato de terem ocorrido depósitos em contas correntes bancárias não é, por si só, comprobatório de que tenha auferido rendimentos tributáveis além dos que foram oferecidos à tributação. Afirma que a autuação se baseia em mera presunção, e que a fiscalização não comprovou que os depósitos sejam representativos de receitas; antecipando, talvez, o resultado do julgamento, salienta que a decisão, ao julgar procedente o lançamento, não se embasou em dispositivos de lei, mas invocou somente o RIR/99. Critica a autoridade julgadora, por suposta violação ao princípio da legalidade; reclama que a fiscalização não mencionou ou considerou que a autuada tem seus gastos próprios e também suporta gastos com pagamento de despesas/custas de seus clientes, motivo pelo qual muitas vezes recebe valores para fins de reembolso desses adiantamentos. Alega que, na ausência dos livros Razão e Diário, a fiscalização teria que lançar mão de todos os outros elementos possíveis para encontrar o lucro real da empresa, promover as exclusões e deduções permitidas e também verificar as transferências bancárias, e promover o lançamento pelo lucro real, de forma mais favorável ao contribuinte; afirma que o arbitramento é um procedimento que tem regaas próprias, que impõem um processo regular para se atingir sua finalidade, o que não ocorreu. Reclama que não foram observados os art. 148 do CTN, 20 da Lei n° 7.713, de 1988, e 6º da Lei n° 8.021, de 1991. Argumenta que em nenhum local do auto de infração consta o critério que determinou a aplicação do coeficiente de 38,4% sobre o valor considerado omitido, para fins de obter o valor do IRPJ lançado; sustenta que os esclarecimentos que prestou não foram impugnados adequadamente pela fiscalização, e que o auto de infração deve ser declarado nulo, porquanto o arbitramento não demonstra os fatos geradores ocorridos, e que a fiscalização não poderia desclassificas suas DIPJ e DCTF. Também afirma que sua contabilidade oferecia plenas condições para a apuração do lucro real, e que não há demonstração, por parte do Fisco, de que a falha por ela cometida resulte na impossibilidade de apuração do lucro real; Fl. 1442DF CARF MF Impresso em 25/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 21/08/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10980.002207/200761 Acórdão n.º 1803001.938 S1TE03 Fl. 7 6 argui a impossibilidade de imputação de omissão de receitas se não houve provas, pelo Fisco, de sinais exteriores de riqueza, incompatíveis com os rendimentos do contribuinte; combate a aplicação da multa agravada, no percentual de 112,5%, aduzindo a impossibilidade de apresentação dos livros solicitados, conforme boletim de ocorrência trazido à colação. Também pleiteia o cancelamento da multa agravada, em virtude do cumprimento de obrigações acessórias e recolhimento parcelado dos tributos; advoga o cancelamento da multa agravada, ao argumento de que caracteriza um verdadeiro excesso e desvio de finalidade, em violação à Constituição Federal e os princípios legais que devem regar tais procedimentos. Divaga sobre espécies de multas fiscais e aponta violação do princípio da capacidade contributiva e da isonomia. Também aponta o que chama de evidente efeito confiscatório da multa aplicada; contesta a aplicação da taxa Selic no cálculo dos juros moratórios, divaga longamente sobre supostas inconstitucionalidades e ilegalidades, sua natureza jurídica, etc. Respalda sua argumentação com julgado do STJ, de 17/06/2002, transcrito às fls. 507508; requer a produção de prova pericial, "para que seja devidamente analisada a documentação fiscal e contábil da empresa, que explicam girais as origens dos recursos creditados nas contas correntes de instituições financeiras mantidas pelo impugnante no período autuado, inclusive mediante verificação das exclusões e deduções permitidas no lucro real, eis que o arbitramento somente pode ser levado a efeito quando impossível tributar pelo lacro real; " informa (fls. 509) os quesitos que pretende sejam esclarecidos, e também declina a qualificação de seu perito. Em 14/06/2007, por meio do expediente de fls. 787788, a autuada encaminhou os documentos de fls. 787795”. A 1ª Turma de Julgamento da DRJ em Curitiba PR, na sessão de 29/05/2008, ao analisar a peça impugnatória apresentada, proferiu o Acórdão nº 0618.205 entendendo “por unanimidade de votos, considerar procedente em parte o lançamento, reduzindo a multa de oficio, do percentual agravado de 112,5% para 75%, e cancelando parcialmente as exigências, nos seguintes valores: RS 3.000,00, a título de COFINS; R$ 650,00, a título de PIS; R$ 9.600,00, a título de IRPJ; e R$ 2.880,00, a título de CSLL, todos relativos ao mês de dezembro ou ao último trimestre do ano de 200”, em decisão assim ementada: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2003, 2004 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. VÍCIOS. INEXISTÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal MPF é instrumento de controle administrativo e eventuais falhas ou vícios na sua emissão ou prorrogação, que não ocorreram no caso, não podem ensejar a nulidade do lançamento. PERÍCIA DESNECESSÁRIA. Fl. 1443DF CARF MF Impresso em 25/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 21/08/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10980.002207/200761 Acórdão n.º 1803001.938 S1TE03 Fl. 8 7 Indeferese a perícia cuja utilidade não ficar evidenciada. ARBITRAMENTO. MOTIVOS. Impõese o arbitramento dos lucros quando a contribuinte, intimada, não apresenta os livros contábeis que respaldaram o preenchimento de suas declarações anuais de ajuste. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO LEGAL. Por força de presunção legal expressa, caracterizam omissão de receita os recursos depositados/creditados em contas bancárias, cujas origens não sejam comprovadas mediante documentação idônea. MULTA AGRAVADA. Deve a multa ser reduzida ao percentual normal, quando não se encontrarem materializados, de forma inequívoca, os pressupostos ensejadores do agravamento previstos na legislação. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. É legítima a exigência de juros moratórios calculados pela taxa SELIC. LANÇAMENTOS REFLEXOS. Aplicamse aos lançamentos reflexos, no que couber, o que restar decidido, relativamente ao lançamento matriz, o IRPJ. Lançamento Procedente em Parte.” Encontramos às fls. 837 doas autos o termo de intimação nº. 1022/2008 com o seguinte teor: Fl. 1444DF CARF MF Impresso em 25/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 21/08/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10980.002207/200761 Acórdão n.º 1803001.938 S1TE03 Fl. 9 8 Desta forma o Sr. ROBERTO BERTHOLDO, representante legal da RECORRENTE foi cientificado da existência da decisão de primeira instância em 12/08/2008, (AR constante das fls. 838) e a procuradora da RECORRENTE tomou ciência da decisão em 29/08/2008 (sextafeira), termo de ciência às fls. 839 dos autos e a ANTECIPA ASSESSORIA, PLANEJAMENTO E CONSULTORIA ADMINISTRATIVA LTDA, qualificada nos autos em epígrafe, inconformada com a decisão contida no Acórdão nº 06 18.205, recorre em 29/09/2008 (844 e segs) a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais objetivando a reforma do julgado reiterando, basicamente, os argumentos da peça impugnativa. Cabe formalizar a presente decisão conforme apresentada em plenário, dado que o relator original não mais compõe o colegiado, nos termos do art. 17 e do art. 18 ambos do Anexo II do Regimento Interno aprovado pela Portaria MF nº 343, 09 de junho de 2015, que em seu art. 6º extinguiu as turmas especiais. Está registrada na Ata da Reunião de Julgamento formalizada no processo nº 15169.000109/201162: Aos cinco dias do mês de novembro do ano de dois mil e treze, às nove horas , reuniramse os membros da 3ªTE/4ªCÂMARA/1ªSEJUL/CARF/MF/DF, estando presentes WALTER ADOLFO MARESCH (Presidente), MEIGAN SACK RODRIGUES, SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, RAIMUNDO Fl. 1445DF CARF MF Impresso em 25/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 21/08/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10980.002207/200761 Acórdão n.º 1803001.938 S1TE03 Fl. 10 9 PARENTE DE ALBUQUERQUE JUNIOR, VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, SERGIO RODRIGUES MENDES, e eu, MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES, Chefe da Secretaria, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. [...] Relator(a): SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo: 10980.002207/200761 Recorrente: ANTECIPA ASSES CONS ADMINISTRATIVA e Recorrida: FAZENDA NACIONAL Acórdão 1803001.938 Decisão: Por unanimidade de votos negaram provimento ao recurso voluntário. Declarouse impedido o conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes. Declarações de impedimento: SERGIO RODRIGUES MENDES Outros eventos ocorridos: O conselheiro Roberto Armond Ferreira da Silva não participou da sessão por ter sido convocado para outra turma julgadora. Votação: Por Unanimidade Questionamento: RECURSO VOLUNTARIO Resultado: Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Fl. 1446DF CARF MF Impresso em 25/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 21/08/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10980.002207/200761 Acórdão n.º 1803001.938 S1TE03 Fl. 11 10 Voto Conselheiro André Mendes de Moura Redator para Formalização do Voto. Em face da necessidade de formalização da decisão proferida nos presentes autos, e tendo em vista que o relator originário do processo não mais integra o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, encontrome na posição de Redator, nos termos dos arts. 17 e 18, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015 (RICARF). Informo que, na condição de Redator, transcrevo literalmente a minuta que foi apresentada pelo Conselheiro durante a sessão de julgamento. Portanto, a análise do caso concreto reflete a convicção do relator do voto na valoração dos fatos. Ou seja, não me encontro vinculado: (1) ao relato dos fatos apresentado; (2) a nenhum dos fundamentos adotados para a apreciação das matérias em discussão; e (3) a nenhuma das conclusões da decisão incluindose a parte dispositiva e a ementa. A seguir, a transcrição do voto. Observando o que determina os arts. 5º e 33 ambos do Decreto nº. 70.235/1972 conheço a tempestividade do recurso voluntário apresentado, preenchendo os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele, portanto tomo conhecimento. Observando o Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal (fls. 407 e segs), constatase a existência de depósitos realizados em contas bancárias mantidas à margem da escrituração e tributação pela Recorrente; Tais valores são decorrentes da quebra do sigilo bancário da Recorrente autorizado no Procedimento Criminal Diverso n° 2005.70.00.0013699, que tramitava na 2ª Vara Federal de Curitiba, Estado do Paraná, fls. 06 e segs dos autos. Grande parte da peça recursal apresentada pela Recorrente, que nada mais é do que uma copia da impugnação, contudo não encontrei nos autos qualquer comprovação que a Recorrente tenha conseguido comprovar essa tese; muito menos que a contabilidade tenha espelhado tais operações. Isso simplesmente não aconteceu, segundo as informações e os documentos constantes dos autos. Na verdade, o lançamento de ofício restringiuse à receita bruta omitida (depósitos bancários sem origem); e caberia a Recorrente comprovar as suas alegações; o que não o fez. Desta forma e com base no art. 42 da Lei nº 9.430/96, não comporta restrições de qualquer ordem, sendo que é ônus exclusivo do contribuinte, comprovar e justificar a origem dos recursos movimentados em sua conta bancária, cabendo à autoridade fiscal tão somente relacionar os créditos e intimar regularmente o contribuinte. Conforme se constata, a autoridade fiscal cumpriu as determinações da norma legal, efetuando ajustes nos valores e expurgando aqueles que foram considerados Fl. 1447DF CARF MF Impresso em 25/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 21/08/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10980.002207/200761 Acórdão n.º 1803001.938 S1TE03 Fl. 12 11 comprovados ou não representavam novo ingresso de recursos. Ou seja, durante todo o curso do processo, cabia então a Recorrente, efetuar a comprovação demonstrando a origem dos créditos e depósitos, correlacionandoos eventualmente com a receita bruta já declarada e comprovando a origem um a um dos créditos/depósitos. Verificase que tal propósito ficou sensivelmente prejudicado com a notória desorganização e/ou equivoco da escrituração e documentação, fato que evidentemente acabou voltandose contra a própria Recorrente. E, como a questão dos autos trata de omissão de receita. Aqui temos que identificar se a conduta da Recorrente (ou a ausência dela) pode ser tipificada a luz do que determina o art. 42 da lei n°. 9.430/96, a seguir transcrito: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações”. O Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal (fls. 407 e segs) trouxe uma serie de situações que, smj, não foram contestadas, até a presente data, pela Recorrente; até porque a questão é muito simples: Houve ou não suprimento de numerário? Antes da minha resposta, gostaria de trazer a tona parte do voto proferido pela Ilustre Conselheira Selene Ferreira de Moraes, ExPresidente desta 3ª Turma Especial, nos autos do processo administrativo nº. 11030.000713/200806, Acórdão nº. 180301.220, proferido na Sessão de 14 de março de 2012, da qual participei: “(...) Como já ressaltado no tópico acerca da nulidade da decisão recorrida, a controvérsia a ser analisada no recurso gira em torno da aplicação do art. 282 do RIR/99, e não da sua legalidade ou inconstitucionalidade. O crédito tributário relativo a esta infração foi constituído com fundamento no art. 282 do RIR/99: ‘Art. 282. Provada a omissão de receita, por indícios na escrituração do contribuinte ou qualquer outro elemento de prova, a autoridade tributária poderá arbitrála com base no valor dos recursos de caixa fornecidos à empresa por administradores, sócios da sociedade não anônima, titular da empresa individual, ou pelo acionista controlador da companhia, se a efetividade da entrega e a origem dos recursos não forem comprovadamente demonstradas (Decreto Lei nº 1.598, de 1977, art. 12, § 3º, e Decreto Lei nº 1.648, de 18 de dezembro de 1978, art. 1º, inciso II).’ Extraise do artigo em destaque, em sintonia com os princípios basilares da contabilidade, que o simples registro contábil não constitui elemento suficientemente comprobatório, devendo a escrituração ser fundamentada em comprovantes hábeis para a perfeita validade dos atos e fatos administrativos. Fl. 1448DF CARF MF Impresso em 25/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 21/08/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10980.002207/200761 Acórdão n.º 1803001.938 S1TE03 Fl. 13 12 Inexistindo nos autos prova documental da origem e entrega do suprimento de numerário efetuado pelos sócios à pessoa jurídica, é de se reconhecer a ocorrência de omissão de receitas. A ausência dos documentos que comprovem a efetividade da entrega dos recursos ao “CAIXA” constitui falha inaceitável tanto pela legislação comercial como pela legislação fiscal. A comprovação exigida nesse caso seria a exibição de cópias dos cheques entregues à Autora e extratos bancários demonstrando a sua compensação. Contrariamente ao que alega a recorrente, a fiscalização trouxe aos autos os indícios na escrituração previstos no art. 282, quais sejam, a existência de lançamentos de suprimentos de caixa efetuados por sócio, sem comprovação da origem dos recursos e da efetividade de sua entrega”. Porém, tomando emprestado e fazendo um paralelo, com a devida vênia e necessárias homenagens a Conselheira Selene Ferreira de Moraes, os argumentos acima, vejo que falta aos autos a comprovação da Recorrente apontado no Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal. Na verdade a Recorrente silenciou sobre os argumentos do Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal; e, na falta de outros elementos, o fisco pode utilizar o total das movimentações para fins de determinar a base de cálculo na hipótese de omissão de rendimentos. Desta forma, pela ausência de documentos que possam contestar a omissão de receita e a consequente imputação tributária, não vejo como reparar a decisão proferida pela 1ª Turma de Julgamento da DRJ em Curitiba PR. Entendo que a Recorrente não observou que um dos princípios que lastreiam o processo administrativo fiscal é o Principio da Legalidade, também denominado de legalidade objetiva. Tal princípio determina que o processo deverá ser instaurado nos estritos ditames da lei. Ou seja, na administração privada se pode fazer tudo que a lei não proíbe; já na administração pública só é permitido fazer o que a lei autoriza expressamente, como forma de se atender as exigências do bem comum. Em suma enquanto que para o particular a lei significa “pode fazer assim”, para o Administrador público significa “deve fazer assim”, a atividade administrativa é plenamente vinculada, é regrada pelos limites impostos pela própria lei. E, foi com base nesse principio que a autoridade fiscal solicitou a Recorrente que comprovasse a origem dos recursos depositados em sua conta corrente e que não tinham sido levados a tributação. Veja que poderia a Recorrente juntar suas alegações antes do julgamento da DRJ ou deste Conselho, tendo em vista que a prova no processo Administrativo Fiscal é de fundamental importância e deveria ser criteriosamente produzida pela Recorrente nesses 2.539 (dois mil, quinhentos e trinta e nove) dias entre o recebimento do auto de infração e o presente julgamento. Isso porque é através da prova o julgador administrativo forma sua convicção. Diante deste fato se poderia perguntar: “Qual o momento para a apresentação das provas no PAF?”. A resposta encontrase inserta nos Artigos 3º e 38 da Lei 9.784/99, a seguir transcrito: Fl. 1449DF CARF MF Impresso em 25/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 21/08/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10980.002207/200761 Acórdão n.º 1803001.938 S1TE03 Fl. 14 13 “Art. 3º. O administrado tem os seguintes direitos perante a Administração, sem prejuízo de outros que lhe sejam assegurados: (...) III formular alegações e apresentar documentos antes da decisão, os quais serão objeto de consideração pelo órgão competente; (…)” “Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo” E, caso tenha alguma duvida o Art. 16 do Decreto nº 70.235/1972, assim determina: “Art. 16 (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997)” Diante da legislação acima, é importante acentuar que a responsabilidade pela comprovação da verdade material caberia a Recorrente; e, para isso deveria buscar na legislação de regência o substrato legal para juntar as provas que entendesse como necessárias a defesa da conduta realizada; e, isso não o fez! E, observando tudo que consta dos autos, fazse necessário aplicar as determinações contidas na Súmula CARF nº 26 cumulada com a Súmula CARF nº 34, a seguir transcritas: “Súmula CARF nº 26 A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada”. “Súmula CARF nº 34 Nos lançamentos em que se apura omissão de receita ou rendimentos, decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, é cabível a qualificação da multa de ofício, quando constatada a movimentação de recursos em contas bancárias de interpostas pessoas”. Aqui, não se está falando em indicio de receita tributável, mas em presunção definida em lei, que autoriza, no caso de ausência de comprovação por meios hábeis e idôneos, Fl. 1450DF CARF MF Impresso em 25/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 21/08/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10980.002207/200761 Acórdão n.º 1803001.938 S1TE03 Fl. 15 14 da existência de receita omitida pela Recorrente que, pela ausência de contestação, espontaneamente confessou a sua conduta. Diante da confissão fica claro que a Recorrente, deliberadamente, omitiu rendimentos e essa confissão outorga, de forma indiscutível, a autoridade fiscal a atribuição dos valores não justificados a condição de receitas omitidas, como determina o art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Neste sentido o CARF vem assim se posicionando, “verbis”: “Ementa: OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITO BANCÁRIO. Os valores creditados em conta bancária cuja origem não foi comprovada devem ser tributados como omissão de receitas da pessoa jurídica” (Processo nº. 10935.004082/200678, Recurso n° 157.047 Acórdão n° 110100.115 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 17 de junho de 2009) Já no que se refere à alegada inconstitucionalidade levantada pela Recorrente, aplicase a Súmula Carf nº 2, assim redigida: “Súmula Carf nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Assim, diante do exposto, observando tudo que consta nos autos, entendo que a decisão da 1ª Turma de Julgamento da DRJ em Curitiba PR deve ser mantida integralmente, voto no sentindo de negar provimento ao Recurso para manter a imposição tributária referente aos lançamentos relativos ao IRPJ e a CSLL. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Redator para Formalização do Voto Fl. 1451DF CARF MF Impresso em 25/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 21/08/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA
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Numero do processo: 16045.000680/2010-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue May 12 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1402-000.296
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, resolvem converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Moisés Giacomelli Nunes da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto (Presidente), Fernando Brasil De Oliveira Pinto, Frederico Augusto Gomes De Alencar, Paulo Roberto Cortez, Moises Giacomelli Nunes Da Silva e Carlos Pela
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, resolvem converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto (Presidente), Fernando Brasil De Oliveira Pinto, Frederico Augusto Gomes De Alencar, Paulo Roberto Cortez, Moises Giacomelli Nunes Da Silva e Carlos Pela
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, resolvem converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto (Presidente), Fernando Brasil De Oliveira Pinto, Frederico Augusto Gomes De Alencar, Paulo Roberto Cortez, Moises Giacomelli Nunes Da Silva e Carlos Pela RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 60 45 .0 00 68 0/ 20 10 -6 5 Fl. 2902DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 30/04/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/05/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16045.000680/201065 Resolução nº 1402000.296 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório Reportome ao relatório da Resolução de fls. 2.727/2.749, extraindo dela e do quanto consta dos autos a síntese contidas nos parágrafos seguintes: Tratase de exigência de crédito tributário, com multa de 150% (cento e cinquenta por cento), relacionada a cada um dos trimestres do anocalendário de 2005, tendo a notificação do lançamento se efetivado em 23/12/2010 (fl. 5) O início do procedimento fiscal deuse a partir das pessoas físicas de Djalma Azevedo Tavares Júnior e Maria Bernardete B. Tavares, sócios da clínica Plasticlin Clínica de Cirurgia Plástica, Estética e Reparadora S/C Ltda. Após análise das agendas dos anoscalendário de 2005 e 2006, a notoriedade e as fotografias da Clínica, fichas médicas de pacientes e os valores recebidos e não declarados como receitas da Plasticlin, extrato bancário dos sócios da Plasticlin e seus dependentes, extratos bancários da Plasticlin, cópia da documentação e da alienação de veículos, diligências junto aos contribuintes Cláudio Roberto, Elisabeth Miranda e Maria Bernardete1 (cotitulares de conta corrente em conjunto com Maria Bernardete e/ou Djalma Tavares), a autoridade fiscal chegou a conclusão de que os valores recebidos pela Clínica eram depositados na conta de seu sócio, o médico Djalma. Neste cenário, em relação aos valores que assim considerou, a autoridade fiscal lavrou autuação por infração aos artigos 281 a 288 do Regulamento do Imposto de Renda. Apesar de não fazer expressa referência ao artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, à fl. 11, a autoridade fiscal destaca que "com o advento da Lei nº 9.430/96, a existência de depósito bancário de origem não comprovada tornouse numa nova hipótese de presunção legal de omissão de rendimentos, o que implica inversão do ônus da prova." A contribuinte foi intimada "a comprovar a origem, por meio de documentação hábil e idônea, dos valores creditados/depositados em suas contas corrente, além de demonstrar que foram regularmente tributados e/ou não estavam sujeitos à tributação". Diz a autoridade fiscal que a empresa encaminhou "comprovantes de parte dos depósitos bancários em suas contas correntes (Banco do Brasil e UNICRED) de titularidade do sócioresponsável e de sua esposa Maria Tavares e de seu filho Felipe Tavares, como também explicou o processo de desconto de cheques realizado na UNICRED TAUBATÉ (fls. 82/92 do anexo I)". A relação dos depósitos de origem não comprovada consta das fls. 87 a 108. Do exame da planilha referida no anexo I não identifiquei a comprovação da origem de nenhum dos valores indicados. 1 Observo que em relação a valor creditado em conta bancária em nome de Cláudio Roberto, Elisabeth Miranda e Maria Bernardete e/ou Djalma, a DRJ concluiu que em tal conta não foram depositados recursos da Clínica Plasticlin e sim valor(es) proveniente(s) de herança recebida por Bernardete e familiares aqui citados. Inexiste litígio quanto a este ponto aser enfrentado no recurso. Fl. 2903DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 30/04/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/05/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16045.000680/201065 Resolução nº 1402000.296 S1C4T2 Fl. 4 3 Diz a recorrente que recebendo de forma parcelada, para cada nota fiscal existia ou podia existir mais de um cheque. Ademais, num único depósito, havia mais de um cheque, daí a razão pela qual o valor dos depósitos não coincidiam com as notas fiscais emitidas e tributadas. A exigência da multa deuse de forma qualificada porque, nos dizeres da autoridade fiscal, "ficou comprovado que a fiscalizada usou as contascorrentes dos sócios Djalma Azevedo Tavares Júnior e Maria Bernardete B. Tavares para depositar a receita das atividades da fiscalizada, mesmo tendo conta bancária em seu nome, sem, no entanto, oferecer à tributação. Os valores totais de depósitos/receita omitida foram de R$ 1.344.674,37 e R$ 1.514.490,76, nos anoscalendário de 2005 e 2006 e a receita declarada de R$ 264.030,00 e R$ 235.599,50, respectivamente. A recorrente sustenta que não houve utilização de interposta pessoa, tanto que não há nenhum depósito integrando a base de cálculo realizado em conta em nome da sócia Bernardete. Na verdade, segundo a recorrente, só foi usado a conta do sócio porque tais cheques eram depositados/descontados do Banco da Cooperativa UNICRED, da qual o sócio da recorrente era associado. No mais, a parte recorrente reconheceu a omissão de receita em relação aos valores creditados na conta bancária do sócio Djalma, oriundos da Plasticlin, que não foram oferecidos à tributação. A controvérsia prendese aos depósitos indicados em planilha apresentada nos autos, sem coincidência com a nota fiscal, mas que a recorrente alega que um único depósito contempla cheques relacionados a mais de uma cirurgia médica, razão pela qual, recorreu à instituição financeira para "abrir" tais depósitos, resultando nas planilhas que entregou em memoriais. É o relatório. Fl. 2904DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 30/04/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/05/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16045.000680/201065 Resolução nº 1402000.296 S1C4T2 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva Relator O recurso é tempestivo, está devidamente fundamentado e foi interposto por parte legítima que pretende ver a decisão reformada. Desta forma, preenche os requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço e passo ao exame das questões pertinentes ao julgamento da matéria. Este processo já foi convertido em diligência para que a autoridade fiscal se manifestasse quanto ao teor dos demonstrativos de fls. 550 e seguintes, juntados à peça recursal. Às fls. 2.823 a 2.825, a autoridade fiscal afirma que "os argumentos apresentados pela autuada não podem ser aceitos, posto não restarem comprovados serem correspondentes às Notas Fiscais emitidas", conforme demonstra tabela abaixo, citada a título de exemplo: Nota fiscal Data Livro Caixa Data depósito no Banco 1221 31/01/2005 26/01/2005 e 25/02/2005 1263 12/05/2005 04/05/2005 e 06/06/2005 1284 24/06/2005 15/06/2005 e 14/07/2005 1313 08/08/2005 17/08/2005 e 19/09/2005 1326 01/09/2005 19/08/2005 e 19/09/2005 1346 31/10/2005 11/11/2005 e 12/12/2005 1379 17/02/2006 16/02/2006 e 02/03/2006 1468 25/05/2006 17/05/2006 e 16/06/2006 Do exame da prova dos autos e das circunstâncias do pagamento de cirurgias mediante cheques prédatados, por vezes, descontados antecipadamente na Cooperativa em que o médico, sócio da fiscalizada e responsável pelas cirurgias era associado, somado ao fato de um único depósito contemplar mais de um cheque, de pacientes distintos, revelase nítido, para não dizer impossível, a conciliação dos depósitos bancários com as notas fiscais emitidas. Nestas circunstâncias o procedimento mais plausível é pegar a soma dos depósitos bancários e dele subtrair as transferências entre contas da mesma titularidade e a receita declarada. A diferença, sem comprovação de origem, será o valor omitido. A sistemática do procedimento aqui referido tem como razão de ser a forma como os fatos ocorrem no mundo real, pois não é crível que quem queira sonegar receita deposite os valores omitidos em conta bancária e mantenha à margem do sistema financeiro os valores regularmente declarados e tributados. No caso dos autos, do exame da planilha de fls. 256, anexa ao auto de infração, verificase que a autoridade fiscal excluiu da base de cálculo os valores de transferência da mesma titularidade, por assim dizer, já que considerou as transferências que o Sócio Djalma ou seus familiares fizeram à empresa como sendo recursos desta. Fl. 2905DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 30/04/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/05/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16045.000680/201065 Resolução nº 1402000.296 S1C4T2 Fl. 6 5 No entanto, a controvérsia surge a partir dos valores depositados na UNICRED DE TAUBATÉ, na conta nº 0001813, indicados a partir da fl. 259, a seguir exemplificados: Argumenta a recorrente que vários depósitos dos indicados às fls. 259/272 correspondem a notas fiscais emitidas e devidamente tributadas, assim, devem ser excluídos da base de cálculo. Em ocasião anterior, quando o processo esteve em pauta, o Colegiado converteu o julgamento em diligência para que a autoridade fiscal se manifestasse acerca das alegações da recorrente, tendo esta concluído que "os argumentos apresentados pela autuada não podem ser aceitos, posto não restarem comprovados serem correspondentes às Notas Fiscais emitidas", conforme demonstra a tabela acima transcrita, citada a título de exemplo. Pois bem, do exame da prova penso que a matéria merece maior atenção a alguns detalhes. A propósito, a título de exemplo, a autoridade fiscal mencionou que não estava comprovado que o valor de R$ 5.500,00, referente à nota fiscal nº 1379, emitida em 03/02/2006, tivesse transitado pelas contas e fizesse parte dos depósitos de origem não comprovada. Todavia, quando se aprecia a prova dos autos se vê que no dia 16/02/2006 tem um depósito bloqueado por 24h, no valor de R$ 6.250,00. Confrontando este dado com o anexo 02, apresentado em memoriais, constatase que no dia 16/02/2006 a recorrente remeteu para o Banco 3 cheques, nos valores abaixo indicados: Fl. 2906DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 30/04/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/05/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16045.000680/201065 Resolução nº 1402000.296 S1C4T2 Fl. 7 6 O outro cheque de R$ 2.500,00, vinculado à nota fiscal nº 1379, conforme documento abaixo, foi depositado em 02/03/2006, junto com mais três cheques totalizando R$ 7.400,00, que também integra a base de cálculo dos depósitos de origem não comprovada Na avaliação da prova, feita quando da sessão de julgamento, o colegiado, em análise preliminar, considerou verossímeis as alegações da recorrente, que inclusive apresentou, em memoriais, acompanhadas das respectivas notas fiscais e depósitos bancários, demonstrando possíveis equívocos na análise feita quando da diligência fiscal. Neste ponto, em relação ao anocalendário de 2005, transcrevo a seguinte parte da planilha contida nos memoriais: Fl. 2907DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 30/04/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/05/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16045.000680/201065 Resolução nº 1402000.296 S1C4T2 Fl. 8 7 Apesar da planilha acima e dos documentos que o acompanharam os memoriais permitir que se forme juízo de valor acerca da situação controvertida, o Colegiado se viu diante do impasse em saber se além dos valores analisado em memoriais existiam outros a serem considerados. A proposta do relator era por examinar o mérito acolhendo a exclusão da base de cálculo dos valores efetivamente demonstrados, à semelhança dos que foram relacionados à nota fiscal nº 1379. Todavia, a partir das considerações feitas pela defesa, em sustentação oral, o Colegiado decidiu converter o julgamento em diligência para que a recorrente, à semelhança do que fez quando dos exemplos apontados nos memoriais, relacione quais os valores que no seu entender correspondem a nota fiscal já oferecida à tributação, correlacionando as devidas provas. ISSO POSTO, voto por converter o julgamento em diligência para que a autoridade de origem intime a recorrente para, no prazo de 30 dias, relacionar quais os valores que no seu entender correspondem a nota fiscal já oferecida à tributação, indicando as provas existentes, à semelhança de como procedeu em relação à nota fiscal nº 1379. É o voto. (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Fl. 2908DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 30/04/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/05/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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