Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,279)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,763)
- Primeira Turma Ordinária (16,221)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,176)
- Primeira Turma Ordinária (16,104)
- Primeira Turma Ordinária (16,039)
- Segunda Turma Ordinária d (15,797)
- Segunda Turma Ordinária d (14,451)
- Primeira Turma Ordinária (13,020)
- Primeira Turma Ordinária (12,381)
- Segunda Turma Ordinária d (12,367)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,422)
- Quarta Câmara (84,834)
- Terceira Câmara (67,389)
- Segunda Câmara (55,826)
- Primeira Câmara (20,245)
- 3ª SEÇÃO (16,176)
- 2ª SEÇÃO (11,281)
- 1ª SEÇÃO (6,836)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (125,132)
- Segunda Seção de Julgamen (114,469)
- Primeira Seção de Julgame (76,587)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,961)
- Câmara Superior de Recurs (37,889)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,615)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,487)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,754)
- HELCIO LAFETA REIS (3,725)
- ROSALDO TREVISAN (3,220)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,925)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,728)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,630)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,840)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,921)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,471)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,515)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2026 (13,849)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10680.901863/2012-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 31 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008
PRELIMINAR. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. PRODUÇÃO DE PROVAS. DILIGÊNCIA REALIZADA.
Não há que se falar em nulidade da autuação pela ausência de diligência in loco. Os princípios do contraditório e do devido processo legal foram respeitados durante o transcurso processual.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008
PIS/COFINS NÃO-CUMULATIVO. ATIVIDADE DE MINERAÇÃO. HIPÓTESES DE CRÉDITO. INSUMOS.
O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à Cofins refere-se aos produtos e serviços necessários ao processo produtivo.
Geram direito a crédito a ser descontado da contribuição para o PIS e da Cofins apuradas de forma não-cumulativa na atividade exercida pela recorrente os gastos incorridos com (i) serviços prestados no mineroduto; (ii) aluguel de veículos, de máquinas e equipamentos; (iii) locação de dragas, reboque, serviço de rebocador e portuários; (iv) serviços de limpeza, recolhimento e transporte de rejeitos; (v) serviços de topografia, operações de efluentes, serviços de drenagens, análises físicas e químicas; (vi) usinas manutenção e conservação; (vii) obras de construção civil e (viii) combustíveis.
Aos créditos concedidos em relação (i) aos serviços prestados no mineroduto e (ii) a obras civis e outros serviços sobre máquinas e equipamentos devem ser respeitadas as regras de depreciação, conforme inc. III, do § 1° do art. 3° das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003.
Numero da decisão: 3201-003.319
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, que negava provimento ao aluguel de veículos leves e caminhão munck 10 ton.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente em exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201801
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 PRELIMINAR. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. PRODUÇÃO DE PROVAS. DILIGÊNCIA REALIZADA. Não há que se falar em nulidade da autuação pela ausência de diligência in loco. Os princípios do contraditório e do devido processo legal foram respeitados durante o transcurso processual. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 PIS/COFINS NÃO-CUMULATIVO. ATIVIDADE DE MINERAÇÃO. HIPÓTESES DE CRÉDITO. INSUMOS. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à Cofins refere-se aos produtos e serviços necessários ao processo produtivo. Geram direito a crédito a ser descontado da contribuição para o PIS e da Cofins apuradas de forma não-cumulativa na atividade exercida pela recorrente os gastos incorridos com (i) serviços prestados no mineroduto; (ii) aluguel de veículos, de máquinas e equipamentos; (iii) locação de dragas, reboque, serviço de rebocador e portuários; (iv) serviços de limpeza, recolhimento e transporte de rejeitos; (v) serviços de topografia, operações de efluentes, serviços de drenagens, análises físicas e químicas; (vi) usinas manutenção e conservação; (vii) obras de construção civil e (viii) combustíveis. Aos créditos concedidos em relação (i) aos serviços prestados no mineroduto e (ii) a obras civis e outros serviços sobre máquinas e equipamentos devem ser respeitadas as regras de depreciação, conforme inc. III, do § 1° do art. 3° das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10680.901863/2012-90
anomes_publicacao_s : 201804
conteudo_id_s : 5849662
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3201-003.319
nome_arquivo_s : Decisao_10680901863201290.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : WINDERLEY MORAIS PEREIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10680901863201290_5849662.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, que negava provimento ao aluguel de veículos leves e caminhão munck 10 ton. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
dt_sessao_tdt : Wed Jan 31 00:00:00 UTC 2018
id : 7193601
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:14:51 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050007041474560
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 35; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1986; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.901863/201290 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3201003.319 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 31 de janeiro de 2018 Matéria RESSARCIMENTO Recorrente SAMARCO MINERAÇÃO S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 PRELIMINAR. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. PRODUÇÃO DE PROVAS. DILIGÊNCIA REALIZADA. Não há que se falar em nulidade da autuação pela ausência de diligência in loco. Os princípios do contraditório e do devido processo legal foram respeitados durante o transcurso processual. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 PIS/COFINS NÃOCUMULATIVO. ATIVIDADE DE MINERAÇÃO. HIPÓTESES DE CRÉDITO. INSUMOS. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à Cofins referese aos produtos e serviços necessários ao processo produtivo. Geram direito a crédito a ser descontado da contribuição para o PIS e da Cofins apuradas de forma nãocumulativa na atividade exercida pela recorrente os gastos incorridos com (i) serviços prestados no mineroduto; (ii) aluguel de veículos, de máquinas e equipamentos; (iii) locação de dragas, reboque, serviço de rebocador e portuários; (iv) serviços de limpeza, recolhimento e transporte de rejeitos; (v) serviços de topografia, operações de efluentes, serviços de drenagens, análises físicas e químicas; (vi) usinas manutenção e conservação; (vii) obras de construção civil e (viii) combustíveis. Aos créditos concedidos em relação (i) aos serviços prestados no mineroduto e (ii) a obras civis e outros serviços sobre máquinas e equipamentos devem ser respeitadas as regras de depreciação, conforme inc. III, do § 1° do art. 3° das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 90 18 63 /2 01 2- 90 Fl. 1870DF CARF MF Processo nº 10680.901863/201290 Acórdão n.º 3201003.319 S3C2T1 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, que negava provimento ao aluguel de veículos leves e caminhão munck 10 ton. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório SAMARCO MINERAÇÃO S/A apresentou Pedido de Ressarcimento e Declaração de Compensação relativos a crédito da contribuição (PIS/Cofins) não cumulativa. A repartição de origem emitiu Despacho Decisório reconhecendo em parte o direito creditório e, por conseguinte, homologando parcialmente a compensação, em razão de glosas de créditos que não se encontravam em consonância com a legislação de regência. Em Manifestação de Inconformidade, o Requerente reconheceu o creditamento indevido em relação aos insumos adquiridos com alíquota zero, sendo alegado, em relação às demais matérias, que a fiscalização não detalhara os produtos e serviços glosados, nem motivara suas glosas, ferindo o seu direito de defesa, sendo ora destacados os seguintes argumentos: a) nulidade da ação fiscal em razão da ausência de diligência in loco, por falta de motivação e pela ausência de provas; b) a fiscalização demonstrou contradição entre a própria autuação e a sua descrição do objeto social1 da empresa, posto que diversos créditos glosados eram oriundos de autênticos insumos para as atividades ali relacionadas; c) a fiscalização deu ao conceito de insumos a mesma interpretação restritiva do IPI, a qual, além de ultrapassada, não consta em lei e ainda fere o princípio da confiança, já que havia uma promessa de que os contribuintes poderiam creditarse de toda despesa e todo custo necessários à sua produção e ao exercício de sua atividade; d) direito a crédito sobre os dispêndios com o uso dos sistemas de conexão e de distribuição de energia, e não apenas sobre a compra de energia, já que não se pode dissociar uma coisa da outra, havendo dispositivo expresso autorizando o creditamento sobre o custo de tal energia, por se tratar de insumo essencial ao seu processo produtivo; 1 pesquisa, lavra de minério em todo o território nacional, industrialização e comercialização de minérios, transporte e navegação no interior do porto, inclusive para terceiros, importação, para seu uso, de equipamentos, peças sobressalentes e matérias primas, produção e distribuição de energia elétrica e comercialização de carvão, podendo ainda participar do capital de outras empresas como acionista ou quotista. Fl. 1871DF CARF MF Processo nº 10680.901863/201290 Acórdão n.º 3201003.319 S3C2T1 Fl. 4 3 e) a sistemática da não cumulatividade autoriza o creditamento em relação a (i) insumos e serviços utilizados no mineroduto, (ii) aluguel de veículos, máquinas e equipamentos utilizados na produção, (iii) locação de dragas, locação de reboque, serviço de rebocador, serviços portuários, (iv) serviços de limpeza, recolhimento e transporte de rejeitos, (v) serviços de topografia, operações de efluentes, serviços de drenagem, análises físicas e químicas, (vi) serviços e insumos utilizados na operação, manutenção e conservação das usinas hidrelétricas próprias e em obras de manutenção de barragens, (vii) gases e combustíveis que a empresa utiliza nos fornos e os relativos a óleos combustíveis utilizados nos caminhões que transitam na mina; f) falta de manifestação da fiscalização sobre a possibilidade de se creditar pro rata, nos termos do inciso VI do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, caso se considere o bem como parte integrante do ativo imobilizado; g) necessidade de realização de perícia, dada a complexidade e o volume de informações apresentadas e tendo em vista que as discussões travadas no presente processo dizem respeito à análise do processo produtivo da empresa e aos gastos vinculados à sua atividade, em confronto com os fatos levantados pela autoridade administrativa. Posteriormente, o contribuinte trouxe novos documentos aos autos, solicitando que fossem tomados como “aditamento” às razões apresentadas anteriormente, repisando alguns dos argumentos encetados na manifestação de inconformidade e se insurgindo, especificamente, contra as glosas efetuadas sobre os créditos relativos a óleo combustível. A par da manifestação de inconformidade, a Delegacia de Julgamento converteu o julgamento em diligência, a fim de que fossem verificadas a origem e as utilizações das máquinas e equipamentos que tiveram seus créditos glosados e a consequente possibilidade de descontos dos créditos relativos aos respectivos encargos com depreciação. Na realização da diligência, a repartição de origem analisou a documentação então apresentada pelo contribuinte, concluindo o seguinte: a) as máquinas e equipamentos haviam sido adquiridos de pessoas jurídicas e utilizados na produção de bens destinados à venda e/ou à prestação de serviços, em conformidade com a legislação de regência; b) ratificouse a veracidade dos cálculos juntados aos autos na manifestação de inconformidade relativamente aos valores de créditos do PIS/Pasep e da Cofins não cumulativos calculados sobre os encargos de depreciação dos bens do ativo imobilizado que haviam sido objeto de glosas, conforme determinado nos dispositivos legais pertinentes à matéria (art. 3º, § 14, art. 15 II, da Lei nº 10.833/2003, cujo § 14 foi incluído pelo art. 21 da Lei nº 10.865/2004; art. 1º da Lei nº 11.774/2008). Cientificado do Relatório Fiscal resultante da diligência, o contribuinte não apresentou, no prazo que lhe foi facultado, quaisquer outros questionamentos. Nos termos do Acórdão nº 02046.015, a Manifestação de Inconformidade foi julgada parcialmente procedente, tendo a Delegacia de Julgamento (DRJ) reconhecido o direito a créditos em relação aos (i) encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado, adquiridos de pessoa jurídica e utilizados na produção de bens destinados à venda, bem como a Fl. 1872DF CARF MF Processo nº 10680.901863/201290 Acórdão n.º 3201003.319 S3C2T1 Fl. 5 4 créditos relativos a (ii) despesas e custos relacionados à energia elétrica adquirida de pessoa jurídica domiciliada no país, incluindose os gastos com transmissão e distribuição de energia elétrica produzida pelo contribuinte ou adquirida de terceiros e a (iii) combustível consumido nos fornos no processo produtivo (excetuandose o combustível consumido nos veículos utilizados na mina). A DRJ não reconheceu como insumos geradores de créditos os demais produtos e serviços pleiteados pelo contribuinte, por ausência de prova de sua aplicação direta no processo produtivo. Inconformado, o Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, repisou os pedidos e os argumentos de defesa anteriormente apresentados, aqueles não acolhidos pela DRJ, e requereu o reconhecimento de conexão entre os 24 (vinte e quatro) recursos voluntários ali identificados, sendo arguido, ainda, o seguinte: a) necessidade de baixa dos autos à origem para que se comprovasse a recomposição dos cálculos determinada pela Delegacia de Julgamento; b) nulidade da recomposição dos créditos eis que não foi observado o acórdão da DRJ quanto aos combustíveis utilizados no processo produtivo; c) a decisão recorrida está em confronto com o consolidado entendimento do CARF quanto aos insumos geradores de créditos das contribuições e cita precedentes jurisprudenciais do Poder Judiciário e deste Colegiado Administrativo; d) indevida a glosa sobre serviços utilizados como insumos consistentes em: 1) serviços prestados no mineroduto; 2) aluguel de veículos; 3) locação de dragas, de reboque, serviço de rebocador, serviços portuários; 4) serviços de limpeza, recolhimento e transporte de rejeitos; 5) serviços de topografia, operações de efluentes, serviços de drenagens, análises físicas e químicas; 6) consórcio UHE GuilmanAmorim, operação, manutenção e conservação UHE Muniz Freire; 7) obras de construção civil. Por fim, pleiteou a produção de prova pericial, ou, alternativamente, a conversão do feito em diligência. O processo foi distribuído à 3ª Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF tendo sido deliberado pela conversão do feito em diligência para que a unidade de origem tomasse as seguintes providências: ● Intime a Recorrente a apresentar laudo de renomada instituição que descreva detalhadamente o seu processo Fl. 1873DF CARF MF Processo nº 10680.901863/201290 Acórdão n.º 3201003.319 S3C2T1 Fl. 6 5 produtivo, apontando a utilização dos insumos, despesas, custos ora glosados na produção do referido bem destinado à exportação, ou na prestação de serviços vinculados ao processo produtivo e ao seu objeto social; Considerando também que tal laudo deverá, entre outros: ○ demonstrar a função de cada bem que pretende o reconhecimento como insumo e o motivo pelo qual ele é indispensável ao processo produtivo; ○ esclarecer o teor de cada uma das atividades exercidas pela recorrente vinculando ao processo produtivo ou ao seu objeto social. ● Cientifique a fiscalização para se manifestar sobre o resultado da diligência, se houver interesse e caso entenda ser necessário; ●·Cientifique o contribuinte sobre o resultado da diligência, para que, se assim desejar, apresente no prazo legal de 30 (trinta) dias, manifestação, nos termos do art. 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574/11; ● Findo o prazo acima, devolva os autos ao CARF para julgamento." Conforme consta do Relatório Fiscal produzido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Belo Horizonte, a diligência foi devidamente cumprida, tendo a autoridade administrativa consignado que o contribuinte apresentara dois laudos técnicos, confeccionados por MiningMath Associates e Ernest & Young (EY), contendo o primeiro a descrição do processo produtivo da Samarco, com identificação dos insumos utilizados nas várias etapas da produção, e o segundo a descrição e função dos materiais e serviços empregados como insumos, laudos esses que embasaram os novos cálculos realizados pela fiscalização. Após, o recorrente manifestouse aduzindo: (i) a Fiscalização tão somente reafirma os pressupostos jurídicos que ensejaram a glosa fiscal; (ii) tece comentários sobre os dois laudos técnicos produzidos; (iii) que a Fiscalização não contestou a idoneidade ou materialidade do trabalho realizado, e (iv) reitera os fundamentos dos 24 recursos voluntários interpostos e reafirma a procedência dos seus créditos dada a essencialidade dos insumos glosados para o seu processo produtivo. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira Relator Fl. 1874DF CARF MF Processo nº 10680.901863/201290 Acórdão n.º 3201003.319 S3C2T1 Fl. 7 6 O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.316, de 31/01/2018, proferido no julgamento do processo 10680.901861/201209, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.316): Das preliminares arguidas Com relação as nulidades arguidas pela recorrente entendo que não procedem. O fato de o lançamento fiscal ter sido efetivado sem as diligências in loco conforme aduzido pela recorrente não conduzem à nulidade da autuação, pois teve a recorrente o amplo direito de defesa e contraditório respeitados, inclusive com a produção de provas e realização de diligência determinada pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. O conjunto probatório formado no caderno processual não conduz à nulidade do processo. No caso em apreço, não há que se cogitar de nulidade pelo fato de o lançamento fiscal preencher os requisitos legais, o processo administrativo fiscal proporcionar plenas condições à empresa de contestar o lançamento e inexistir qualquer indício de violação às determinações contidas no Código Tributário Nacional CTN ou Decreto 70.235, de 1972. Desta forma, por inexistir o vício alegado pela recorrente, inacolho a preliminar. Com relação aos argumentos de que (i) os autos devem retornar à origem para que a DRF comprove junto a recorrente a recomposição dos cálculos determinada pela Delegacia de Julgamento e (ii) que há nulidade da recomposição dos créditos, por não observância ao acórdão da DRJ quanto aos combustíveis utilizados, entendo, também, que não são causas de nulidade do processo e que tais circunstâncias devem ser apreciadas após a decisão de mérito e definitiva do processo, quando do retorno dos autos à instância de origem para o cumprimento do julgado. Salientese que, em relação aos créditos sobre combustíveis em sua totalidade, conforme argumentado pela recorrente, tal circunstância será apreciada em tópico específico, no mérito da presente decisão. Diante do exposto, inacolho estas preliminares levantadas pela recorrente. Do mérito recursal Em relação ao mérito do recurso algumas considerações introdutórias se fazem necessárias. Fl. 1875DF CARF MF Processo nº 10680.901863/201290 Acórdão n.º 3201003.319 S3C2T1 Fl. 8 7 Marco Aurélio Greco (in "Conceito de insumo à luz da legislação de PIS/COFINS", Revista Fórum de Direito Tributário RFDT, ano1, n. 1, jan/fev.2003, Belo Horizonte: Fórum, 2003) diz que será efetivamente insumo ou serviço com direito ao crédito sempre que a atividade ou a utilidade forem necessárias à existência do processo ou do produto ou agregarem (ao processo ou ao produto) alguma qualidade que faça com que um dos dois adquira determinado padrão desejado. O escólio de Aliomar Baleeiro é elucidativo para a questão posta em debate: "É uma algaravia de origem espanhola, inexistente em português, empregada por alguns economistas para traduzir a expressão inglesa "input", isto é, o conjunto dos fatores produtivos, tais como matérias primas, energia, trabalho, amortização de capital, etc, empregados pelo empresário para produzir o "output" ou o produto final (...)" (Direito Tributário Brasileiro, Forense Rio de Janeiro, 1980, 9ª edição, pág.214) Equivocadamente, a decisão recorrida utilizou para o caso concreto o conceito de insumos da legislação do IPI, conforme consignado no voto nos seguintes termos: "Em resumo, concluise que, para fins de apuração de créditos do IPI, somente podem ser considerados insumos os bens que se incorporem ao produto industrializado ou que nele se consumam, mediante contato físico direto, razão pela qual, neste arcabouço, não podem ser considerados insumos combustíveis, lubrificantes e energia elétrica, bem como outras despesas e custos que, embora necessárias à atividade da contribuinte, não se encaixem nos mencionados requisitos. Agora, analisase o que se extrai do art. 3º, II, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003 sobre a noção do termo “insumos”, para comparála à concepção deste mesmo termo no âmbito do IPI e ao conceito de custos de produção e de despesas operacionais para o IRPJ. No texto do art. 3º, II, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, verificase que nem todos os bens e serviços podem, com vistas ao desconto de créditos da contribuição para o PIS e da Cofins, ser considerados insumos, mas, apenas e tãosomente, aqueles “bens e serviços, utilizados (...) na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda” (grifo nosso). Como visto, de modo semelhante para o IPI, somente é possível, nos termos do Regulamento do imposto, a apuração de crédito “ ... do imposto relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização ...” (grifo nosso). E, igualmente, a noção de custos de produção e de despesas operacionais do imposto de renda se restringe às atividades da empresa." Ainda, adotou como fundamento decisório, as Instruções Normativas 247/2002 e 404/2004, conforme segue: "Nesta linha de pensamento, a Receita Federal, no uso do poder regulamentar que lhe foi conferido pelo art. 66 da Lei nº 10.637/2002 e pelo art. 92 da Lei nº 10.833/2003, expediu a IN nº 247, de 21.11.2002 (relativamente à contribuição para o PIS) e a IN SRF nº 404, de 12.03.2004 (no tocante à Cofins), que identicamente conceituam insumos, com adoção da mesma noção do IPI, em seus correspondentes art. 66 Fl. 1876DF CARF MF Processo nº 10680.901863/201290 Acórdão n.º 3201003.319 S3C2T1 Fl. 9 8 (com as alterações da IN SRF nº 358, de 09.09.2003) e 8º, a seguir vazados:" E prossegue: "Portanto, em que pese todos os julgados, tanto na esfera administrativa quanto na judicial, citados pela reclamante, em que se prima pelos critérios da essencialidade, especialmente do que diz respeito ao ICMS, destacase que o conceito de insumos dados pelas instruções normativas acima, além de se adequar aos contornos legais, não poderia, se assim não fosse, ser afastado pela autoridade administrativa julgadora de primeira instância, vinculada aos ditames legais e regulamentares (art. 116, inc. III, da Lei n.º 8.112/1990). É que as instruções normativas são atos normativos expedidos por autoridade administrativa competente e que visam regulamentar ou implementar a lei – e, no caso analisado, as IN SRF nºs 247/2002 e 404/2004 foram editadas com fundamento no poder regulamentar expressamente conferido pelo art. 66 da Lei nº 10.637/2002, e pelo art. 92 da Lei nº 10.833/2003. Por decorrência, compõem a legislação tributária (art. 96, do Código Tributário Nacional – CTN) e são de observância obrigatória pela autoridade administrativa." O Superior Tribunal de Justiça entende que são ilegais as Instruções Normativas 247/2002 e 404/2004 que embasaram a decisão recorrida, conforme a seguir: "PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃOCUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Fl. 1877DF CARF MF Processo nº 10680.901863/201290 Acórdão n.º 3201003.319 S3C2T1 Fl. 10 9 Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido." (REsp 1246317/MG, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/05/2015, DJe 29/06/2015) Excerto do voto proferido pelo Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda, no processo 10247.000002/200663 é elucidativo para o caso em debate: "Portanto, “insumo” para fins de creditamento do PIS e da COFINS não cumulativos, partindo de uma interpretação histórica, sistemática e teleológica das próprias normas instituidoras de tais tributos (Lei n° 10.637/2002 e 10.833/2003), deve ser entendido como todo custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à venda, e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo." Ainda, de processo relatado pelo Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. CONCEITO DE INSUMO. O termo “insumo” utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracterizase como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens Fl. 1878DF CARF MF Processo nº 10680.901863/201290 Acórdão n.º 3201003.319 S3C2T1 Fl. 11 10 produzidos, atendidas as demais exigências legais." (Processo 11065.101167/200652; Acórdão 9303005.612; Relator Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Sessão de 19/09/2017). Imperioso,também, nesta parte inicial, citar também, parte do laudo pericial produzido, em que se tem, em breve síntese, resumo do ciclo de operações de recorrente: Dentro do ciclo de operações podemos distinguir três principais: • Remoção de estéril Este processo envolve a movimentação de material para exposição do corpo mineralizado, bem como de material com teores abaixo do teor econômico (teor de corte). As operações unitárias envolvem perfuração e desmonte mecânico e por explosivos, escavação e carregamento. • Lavra do minério O ciclo desta operação é muito semelhante ao empregado na remoção de estéril. Quanto mais semelhante for a rocha estéril, da rocha hospedeira da mineralização, maior será a similaridade das operações de remoção de estéril e lavra de minério, de maneira que possa ser empregada a mesma frota de equipamentos e técnicas de desmonte, escavação e transporte para ambos. • Operações auxiliares Nestas estão envolvidas uma extensa gama de áreas, sendo: Saúde e segurança. Controle e monitoramento do meio ambiente. Abastecimento de energia e água. Gerenciamento de águas superficiais e subterrâneas. Disposição de estéril; Suprimento de material de operação. Manutenção e reparo. Iluminação. Sistema de comunicação e despacho. Construção e manutenção de acessos e estradas. Transporte de pessoal. O processo produtivo da recorrente, conforme alegado, se divide, portanto, nas seguintes etapas, a saber: (i) processo de tratamento do minério bruto (objeto da lavra); (ii) processo de concentração do teor do minério de ferro; (iii) processo de bombeamento do concentrado para a usina; (iv) processo de preparação do minério concentrado; (v) processo de adição de insumos e formação das pelotas; e (vi) processo de separação das pelotas e embarque para exportação. Como visto, pela complexidade da atividade produtiva da recorrente é de fácil percepção que são utilizadas diversas máquinas e equipamentos, tais como, tratores; carregadeiras; caminhões forade estrada; perfuratrizes; escavadeiras; motoniveladoras; lokotrack/lololink e transportador de correia. No laudo confeccionado pela empresa MiningMath Associates estão descritas as funções e atividades exercidas por cada máquina e equipamento. Fl. 1879DF CARF MF Processo nº 10680.901863/201290 Acórdão n.º 3201003.319 S3C2T1 Fl. 12 11 Exemplificativamente, temse: (i) Escavadeira Utilizada, principalmente, na lavra, na escavação de rochas e carregamento de caminhões, alimentando lokotrackers (Figura 9) (item 1, mostrado na figura 1 ilustração do processo produtivo da Samarco) ou correias transportadoras de bancada. Pode ser utilizado, também, em operações auxiliares de lavra. Os insumos consumidos nesse equipamento são: (ii) Trator O trator é utilizado na lavra, no desmonte mecânico das rochas e, na pilha de estéril, na disposição do estéril (Figura 4) (item 1, mostrado na figura 1 ilustração do processo produtivo da Samarco). Pode ser utilizado, também, em operações auxiliares de lavra. Os insumos consumidos nesse equipamento são: O laudo descreve, ainda, quais insumos e serviços são utilizados em cada máquina e equipamento, dispondo, de forma expressa, os serviços de manutenção. O conserto, manutenção e a reposição de peças são considerados como insumos indispensáveis ao processo produtivo, devido ao fato de que sem o maquinário e o ferramental adequado e em condições de uso e produtividade não há como se produzir um bem. Vejamos o que tem decidido o CARF sobre a matéria: "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/03/2008 a 30/09/2009 PIS/COFINS NÃOCUMULATIVO. HIPÓTESES DE CRÉDITO. CONCEITO DE INSUMO. APLICAÇÃO E PERTINÊNCIA COM AS CARACTERÍSTICAS DA ATIVIDADE PRODUTIVA. O termo “insumo” utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracterizase como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais. PIS/COFINS NÃOCUMULATIVO. AGROINDÚSTRIA. USINA DE AÇUCAR E ÁLCOOL. HIPÓTESES DE CRÉDITO. INSUMO. Em relação à atividade agroindustrial de usina de açúcar e álcool, configuram insumos as aquisições de serviços de análise de calcário e fertilizantes, serviços de carregamento, análise de solo e adubos, transportes de adubo/gesso, transportes de bagaço, transportes de barro/argila, transportes de calcário/fertilizante, transportes de combustível, transportes de sementes, transportes de equipamentos/materiais agrícola e industrial, transporte de fuligem,/cascalho/pedras/terra/tocos, transporte de materiais diversos, transporte de mudas de cana, transporte de resíduos industriais, transporte de torta de filtro, transporte de vinhaças, serviços de Fl. 1880DF CARF MF Processo nº 10680.901863/201290 Acórdão n.º 3201003.319 S3C2T1 Fl. 13 12 carregamento e serviços de movimentação de mercadoria, bem como os serviços de manutenção em roçadeiras, manutenção em ferramentas e manutenção de rádiosamadores, e a aquisição de graxas e de materiais de limpeza de equipamentos e máquinas." (grifo nosso) (Processo 10410.723727/201151; Acórdão 9303004.918; Relator Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas; sessão de 10/04/2017) (destaque nosso) "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 Por decisão plenária do STF, não incide as contribuições para o PIS e a Cofins na cessão de créditos de ICMS para terceiros. CRÉDITO. DESPESA. MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS. Atendidas as demais condições, as despesas realizadas com manutenção de máquinas e equipamentos, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado, geram direito a crédito do PIS nãocumulativo. RECURSO ESPECIAL DO PROCURADOR NEGADO." (Processo 13052.000441/200307; Acórdão 9303002.801; Relator Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas; sessão de 23/01/2014) (destaque nosso) "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 CONCEITO DE INSUMO. PIS E COFINS NÃO CUMULATIVOS. CREDITAMENTO. CRITÉRIOS PRÓPRIOS E NÃO DA LEGISLAÇÃO DO IPI OU DO IRPJ. A legislação do PIS e da COFINS não cumulativos estabelece critérios próprios para a conceituação de “insumos” para fins de creditamento. É um critério que se afasta da simples vinculação ao conceito do IPI, presente na IN SRF nº 247/2002, e que também não se aproxima do conceito de despesa necessária prevista na legislação do IRPJ. CONCEITO DE INSUMO. INTERPRETAÇÃO HISTÓRICA, SISTEMÁTICA E TELEOLÓGICA. LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2003. CRITÉRIO RELACIONAL.“ Insumo” para fins de creditamento do PIS e da COFINS não cumulativos, partindo de uma interpretação histórica, sistemática e teleológica das próprias normas instituidoras de tais tributos (Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003), deve ser entendido como todo custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à venda, e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo. COFINS. CRÉDITO. RESSARCIMENTO. CUSTOS, DESPESAS E ENCARGOS VINCULADOS À RECEITA DE EXPORTAÇÃO. EMPRESA DE CELULOSE. Fl. 1881DF CARF MF Processo nº 10680.901863/201290 Acórdão n.º 3201003.319 S3C2T1 Fl. 14 13 São passíveis de ressarcimento os créditos de COFINS apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, inclusive os relativos à produção de matériaprima usada na fabricação do produto exportado. No caso da recorrente, as despesas com a implantação, manutenção e exploração de florestas (ou produção de madeira) estão vinculadas ao produto exportado (celulose). A produção e a exportação de celulose somente é possível com a utilização de madeira na sua fabricação, sua principal matériaprima. As despesas incorridas na obtenção de madeira empregada no processo produtivo (produção própria ou aquisição de terceiros) são custos ou despesas de produção e estão, inexoravelmente, vinculados à receita de exportação. EMPRESA DE CELULOSE. CRÉDITOS RECONHECIDOS. Tratandose de uma empresa produtora de celulose, foram reconhecidos créditos com relação aos seguintes insumos: 1 Serviços Silviculturais; 2 Serviços Florestais Produção; 3 Outros Serviços Florestais, exceto os seguintes serviços, por não se enquadrarem no conceito de insumo: 3.1 Manutenção de Vias Permanentes; 3.2 Terraplanagem e Manutenção de Estradas; 3.3 Serviço de Pesquisa/Desenvolvimento/Planejamento/Controle Florestal. 4 Despesas com fertilizantes, formicida, Herbicida, Calcário, Vermiculita e outros insumos, e os respectivos fretes, combustíveis e lubrificantes, utilizados na produção de madeira usada como matériaprima na fabricação de pasta de celulose; 5 Serviços industriais, ou seja, as despesas realizadas com a manutenção de máquinas e equipamentos industriais (partes, peças e serviços de manutenção), desde que não incorporados ao ativo imobilizado; 6 Despesas realizadas com a manutenção de máquinas e equipamentos agrícolas (partes, peças e serviços de manutenção), desde que não incorporados ao ativo imobilizado. Recurso Especial do Procurador Negado" (Processo 10247.000002/2006 23; Acórdão 9303003.069; Relator Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda; sessão de 13/08/2014) (destaque nosso) "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 REGIME NÃO CUMULATIVO. DEDUÇÃO DE CRÉDITO. DEFINIÇÃO DE INSUMO. 1. No âmbito do regime não cumulativo da Cofins, enquadramse na definição de insumo tanto a matéria prima, o produto intermediário e o material de embalagem, que integram o produto final, quanto aqueles bens ou serviços aplicados ou consumidos no curso do processo de Fl. 1882DF CARF MF Processo nº 10680.901863/201290 Acórdão n.º 3201003.319 S3C2T1 Fl. 15 14 produção ou fabricação, mas que não se agregam ao bem produzido ou fabricado. 2. Também são considerados insumos de produção ou fabricação os bens ou serviços previamente incorporados aos bens ou serviços diretamente aplicados no processo de produção ou fabricação, desde que estes bens ou serviços propiciem direito a créditos da referida contribuição. INSUMOS DE PRODUÇÃO. PARTES E PEÇAS DE REPOSIÇÃO APLICADAS NA MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS DE PRODUÇÃO. MOMENTO DE REGISTRO DO CRÉDITO. As partes e peças de reposição empregadas na manutenção das máquinas e equipamentos utilizados diretamente na produção de bens destinados à venda são consideradas insumos para fins de desconto de créditos da Cofins e o registro/apuração do crédito deve ser feito no mês da aquisição dos bens." (Processo 13656.721196/201259; Acórdão 3302004.156; Relator Conselheiro Domingos de Sá Filho; sessão de 22/05/2017) (destaque nosso) Tecidas tais considerações, para melhor compreensão das matérias recursais, passasse a tratálas de modo individualizado e alegado em sede recursal, conforme a seguir: Serviços prestados no mineroduto Geram direito a crédito a ser descontado da contribuição para o PIS e da Cofins apuradas de forma nãocumulativa os gastos com serviços relacionados ao mineroduto, por se classificarem como insumos na produção de minério. A decisão recorrida adota como fundamento decisório para negar o direito ao crédito da recorrente o seguinte: "Ao contrário desse entendimento, podemos afirmar que o processo produtivo da recorrente possui duas etapas distintas: a extração do minério e a industrialização (no caso, a transformação em pelotas). Dentro desse entendimento, o mineroduto não se vincula a nenhuma das duas etapas, em que pese sua importância na atividade da empresa, mas apenas a uma etapa intermediária, que, nas palavras da contribuinte, se caracteriza como “ponto de ligação de sua peculiar planta industrial”. Nesse sentido, nenhum serviço nele empregado se enquadra no conceito de insumo, por não ser aplicado ou consumido na produção ou fabricação do produto." Com o devido respeito, mas tal assertiva é desprovida de embasamento técnico apto a lhe dar sustentabilidade. Do laudo produzido pela empresa MiningMath Associates temse que: Mineração é um termo que abrange os processos, atividades e indústrias cujo objetivo é a extração de substâncias minerais a partir de depósitos ou massas minerais e o seu tratamento ou processamento para o seu mercado consumidor. Ainda: As operações estão nas minas da unidade de Germano, nos municípios de Ouro Preto e Mariana (MG), onde extrai o minério de ferro e o beneficia em Fl. 1883DF CARF MF Processo nº 10680.901863/201290 Acórdão n.º 3201003.319 S3C2T1 Fl. 16 15 três usinas de tratamento de minérios, e em Ubu, na cidade de Anchieta (ES), onde possui quatro usinas de pelotização e um terminal marítimo próprio. Atualmente, tem capacidade para produzir 30 milhões de toneladas. As unidades são conectadas por três minerodutos de aproximadamente 400 quilômetros de extensão cada um, que transportam a polpa de minério de ferro ao longo de 25 municípios. Prossegue o laudo: A tecnologia do mineroduto, sistema de tubulações por onde se transporta minérios a longas distâncias, foi implantada no país pela Samarco, de forma pioneira, e evita o uso de outros modais viários, o que reduz o número de veículos nas estradas e minimiza as emissões de particulados e gases de efeito estufa. Além disso, por meio de sistemas de recirculação, cerca de 90% da água utilizada no sistema é reaproveitada nas operações. As tubulações passam por uma faixa de servidão uma pista com 35 metros de largura e atravessam 25 municípios. Em sua quase totalidade estão enterradas a uma profundidade média de l,30m, o que facilita a movimentação da fauna e dos seres humanos, causa pouca interferência no uso e ocupação do solo, diminui a exposição e suscetibilidade a acidentes. Somente em alguns pequenos trechos, não totalizando 200m, a tubulação se encontra elevada. A polpa de concentrado é inicialmente bombeada na unidade de Germano e no caminho estações de bombeamento e sistemas de válvulas (item 3, subitens 3.1, 3.2, 3.3 e 3.4, mostrados na figura 1 ilustração do processo produtivo da Samarco)controlam o fluxo da polpa, que viaja a uma velocidade média de 6 km/h, levando em torno de 66 horas para percorrer todo o trajeto. Estas unidades possuem funções diferenciadas, sendo as estações de bombas utilizadas para impulsionar a polpa de concentrado no seu percurso ao longo da tubulação e vencer as elevações que chegam a 1.180 metros e as estações de válvulas a de minimizar os esforços bruscos ou permanentes, de pressão dinâmica e estática, a que a tubulação está submetida durante variações de fluxo, ou seja, alivia a pressão na tubulação causada pela diminuição de elevação até Ubu, que fica no nível do mar, garantindo total segurança à operação e as pessoas. Conclui o laudo técnico: Os minerodutos são essenciais no processo de produção das pelotas, assim, a Samarco realiza manutenção corretiva, preventiva e preditiva nos elementos que os compõem e desenvolve programas de monitoramento de processos erosivos. Essas manutenções podem ser próprias ou de empresas contratadas. Para o correto funcionamento e bom desempenho dos minerodutos são consumidos, ainda, insumos como elementos mecânicos, elétricos e hidráulicos, de instrumentação, cal, serviços de limpeza nas instalações e faixa de servidão, elementos das bombas como camisas, pistões, anéis, válvulas, etc. Por sua vez, no laudo produzido pela empresa EY consta que os minerodutos são utilizados no transporte da polpa do minério resultante do processo de concentração até a área de pelotização. É de se observar, ainda, que no laudo da empresa EY há descrição pormenorizada dos créditos relacionados aos serviços aplicados ao mineroduto que liga os complexos operacionais da recorrente e com a indicação se é ou não um dispêndio vinculado ao processo produtivo e à geração de receita. Fl. 1884DF CARF MF Processo nº 10680.901863/201290 Acórdão n.º 3201003.319 S3C2T1 Fl. 17 16 Não logrou êxito a Fiscalização em sua manifestação sobre os aludidos laudos técnicos (Relatório Fiscal) derruir a prova técnica produzida. Aduz a Fiscalização: Da análise dos laudos em questão, verificamos que os mesmos se fundamentaram em conceitos de insumos mais elásticos que aqueles definidos na legislação pertinente, ou seja no artigo 3o das leis n°s 10.637, de 30/12/2002 (PIS) e 10.833, de 29/12/2003 (Cofins), combinados com os artigos 66 e 8o das Instruções Normativas SRF n°s 247, de 21/11/2002 (PIS) e 404, de 12/03/2004 (Cofins). Sendo assim, fazse necessário esclarecermos mais uma vez que o termo "insumo", para fins de creditamento de PIS e Cofins, não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera custo/despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tão somente, como aqueles que, adquiridos de pessoa jurídica, efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados ã venda ou na prestação do serviço da atividade. Percebese, então, que a Fiscalização limitouse a reiterar que a glosa teve por base o conceito restritivo das Instruções Normativas 247/2002 e 404/2004, as quais, como já dito, são consideradas ilegais pelo Superior Tribunal de Justiça STJ. É clara, portanto, a essencialidade do mineroduto na atividade produtiva da recorrente, consistindo em instrumento necessário e indispensável para a produção do minério. Neste sentido, assim deliberou o CARF: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 CRÉDITO. SERVIÇOS USADOS NA LAVRA MINÉRIO OU NA MANUTENÇÃO DE EQUIPAMENTO DE TRANSPORTE DE MINÉRIO. As despesas com serviços utilizados na lavra de minério e na manutenção de mineroduto, cujo minério extraído e transportado é utilizado pela empresa para a produção do bem vendido, geram direito a crédito de Cofins não cumulativa." (Processo 10280.003607/200608; Acórdão 3302002.308; Relator Conselheiro Walber José da Silva; sessão de 25/09/2013). Do voto do relator sobre o direito ao crédito pelos serviços prestados em mineroduto, destaco o seguinte excerto: "Conforme Laudo Técnico, o serviço de bombeamento é empregado na manutenção do mineroduto para efetuar o seu desentupimento e inibir a sua corrosão. É, portanto, um serviço de manutenção de um equipamento utilizado no transporte do minério da mina até a unidade fabril em Barcarema. Dois aspectos precisam ser destacados sobre a possibilidade de aproveitamento de crédito em relação à essa despesa. Primeiro, a despesa com transporte de insumo que dá direito ao crédito é a despesa com frete. Fl. 1885DF CARF MF Processo nº 10680.901863/201290 Acórdão n.º 3201003.319 S3C2T1 Fl. 18 17 Segundo, a despesa com a manutenção de máquinas e equipamentos empregados na produção do bem destinado a venda dá direito a crédito. No caso em tela, a situação é bastante peculiar. O minério é extraído no município de Ipixuna e transportado por um mineroduto de 178,3 km para o município de Barcarema, onde fica a planta industrial da Recorrente. Neste transporte, não há que se falar em despesa com frete, posto que frete não há. Resta definir se o mineroduto é ou não um equipamento utilizado na produção do caulim vendido pela Recorrente. No entendimento deste Conselheiro Relator, o mineroduto é um equipamento utilizado, sim, na produção do caulim vendido pela Recorrente porque é um equipamento indispensável para fazer a matériaprima adentrar na planta industrial da Recorrente. O fato dele ser longo (178,3 km) não lhes tira a característica de integrar o processo produtivo, como o são os equipamentos que utilizam correias transportadoras de minérios do pátio da fábrica para dentro dos galpões onde estão os demais equipamentos de uma indústria de beneficiamento de minério (p. ex.: indústria cerâmica, indústria siderúrgica, etc.). Sendo, pois, a despesa com bombeamento uma despesa com serviço de manutenção de equipamento utilizado na fabricação do caulim, há que se reconhecer o direito ao crédito da Cofins sobre a mesma." Podese, também, por analogia, por ser o mineroduto um equipamento de transporte, adotar o entendimento de que o transporte (frete) de um produto não acabado como um insumo. Neste sentido, são os precedentes jurisprudenciais a seguir colacionados: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 COFINS NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE. DIREITO A CRÉDITO. DESPESAS COM O DESCARREGAMENTO DE MERCADORIAS NO PORTO E SEU TRANSPORTE ATÉ A UNIDADE FABRIL POR TUBOVIA. DESPESAS DE ARMAZENAGEM E FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA. POSSIBILIDADE. De acordo com artigo 3º da Lei nº 10.833/03, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos de COFINS não cumulativa sobre despesas com o descarregamento de mercadorias no porto e seu transporte até a unidade fabril por Tubovia, e despesas de armazenagem e fretes na operação de venda. (...) (Processo 11080.722778/200993; Acórdão 9303005.939; Relator Conselheiro Demes Brito; Sessão de 28/11/2017) "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 INSUMOS. DEFINIÇÃO. CONTRIBUIÇÕES NÃOCUMULATIVAS. Fl. 1886DF CARF MF Processo nº 10680.901863/201290 Acórdão n.º 3201003.319 S3C2T1 Fl. 19 18 (...) CRÉDITOS DE FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS DE INSUMOS. Os custos com fretes entre estabelecimentos do mesmo contribuinte para o transporte de insumos a serem utilizados no processo produtivo geram direito a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS não cumulativos. (...)." (Processo 10925.002182/200921; Acórdão 3302 004.883; Relator Conselheiro José Renato Pereira de Deus; Sessão de 25/10/2017) "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/04/2006 a 31/07/2006 CRÉDITOS. GASTOS FASES PREPARATÓRIAS DA PRODUÇÃO. POSSIBILIDADE. As etapas de preparação material da planta para acesso, extração e obtenção dos recursos e insumos minerais, bem como as atividades de acesso, extração, movimentação e tratamento dos minerais assim obtidos, constituem parte do processo de produção para fins de apuração dos créditos dessas contribuições sociais." (Processo 13116.000674/20073; Acórdão 3401003.434; Relator Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira; sessão de 28/03/2017) (nosso destaque) Assim, voto em dar provimento ao Recurso Voluntário no que diz respeito aos créditos relacionados aos insumos e serviços utilizados no mineroduto por ser este um elemento essencial na atividade produtiva da recorrente, respeitadas as regras de depreciação, conforme inc. III, do § 1° do art. 3° das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. Aluguel de veículos, máquinas e equipamentos. Com razão a recorrente. Geram direito a crédito a ser descontado da contribuição para o PIS e da Cofins apuradas de forma nãocumulativa os gastos com aluguel de veículos, bem como, os gastos com aluguel de máquinas e equipamentos, que são empregados na produção de minério. Anota a decisão recorrida para negar o direito ao crédito: "Assim, ratificando o entendimento da fiscalização, não há previsão legal para o desconto de créditos relativos a aluguel de veículos. E, quanto ao argumento de que a locação em questão seria, em parte, de máquinas e equipamentos, e, portanto, não poderiam ser glosados os créditos relacionados às respectivas faturas, é preciso esclarecer que o simples fato de se tratarem de máquinas e equipamentos os objetos da locação não implica necessariamente no direito ao crédito relativo a essas despesas. (...) Sobre a utilização dos equipamentos locados, a reclamante apenas alega que se tratam de caminhões, tratores, etc, sem especificar exatamente qual a sua utilização. Do contrato apresentado, também não se extrai Fl. 1887DF CARF MF Processo nº 10680.901863/201290 Acórdão n.º 3201003.319 S3C2T1 Fl. 20 19 elementos capazes de esclarecer acerca do emprego de tais equipamentos, e nem tampouco foi juntado aos autos qualquer outro elemento que pudesse fazer prova de que tais equipamentos são, de fato, empregados diretamente em seu processo de extração ou pelotização do minério, em contraponto ao entendimento firmado no procedimento fiscal. Portanto, devem ser mantidas as glosas efetuadas neste item, inclusive as relativas aos serviços de locação de máquina." Os veículos, máquinas e equipamentos locados mostramse como imprescindíveis na atividade produtiva da recorrente sendo utilizados em diversas etapas de seu processo produtivo. Novamente, para o correto deslinde da questão é importante se reportar ao laudo produzido pela empresa. Sirvome do laudo elaborado pela empresa MiningMath Associates: (i) Cava No processo de lavra em cava ou de encosta, praticada pela Samarco (Figura 13) (item 1, mostrado na figura 1 ilustração do processo produtivo da Samarco), a remoção do estéril e minério é conduzida na forma de bancadas (...) Pela sua própria natureza, a operação envolve o transporte de quantidades moderadas a grandes de material estéril e minério para fora da cava, à distâncias relativamente longas e à declividades elevadas. Para complementação das operações de lavra propriamente ditas, são necessárias operações auxiliares que envolvem uma extensa gama de atividades que interagem com diversas áreas da empresa. Essas operações auxiliares, apesar do nome, desempenham papéis fundamentais e são essenciais na lavra dos materiais. Algumas delas ocorrem paralelamente à lavra e outras são preliminares à lavra, ou seja, se algumas dessas operações auxiliares não ocorrerem, não é possível à lavra, por exemplo, a construção e manutenção dos acessos e estradas. Por consequência, sem eles não é possível se chegar à frente de lavra. Na Samarco, muitas dessas operações auxiliares são executadas por empresas contratadas, sendo os principais serviços prestados relacionados a: (...) . Locação de equipamentos (trator, carregadeira, escavadeira, etc.) para a mina. (ii) Pilha de estéril Fisicamente o planejamento de lavra objetiva extrair a maior quantidade de minério e a menor quantidade de estéril (material que não é minério e nem possui qualquer interesse econômico, mas que cobre ou não permite a lavra direta do minério e, portanto, necessita ser removido). Entretanto, muitas vezes a extração do minério ou a sua liberação (minério pronto para extração, livre de estéril, mas que não foi ainda extraído) só é possível quando o estéril é retirado dentro de um cronograma planejado economicamente. O estéril é descartado em pilhas na sua condição natural. A disposição desse material se dá de forma contínua durante toda a etapa de extração do Fl. 1888DF CARF MF Processo nº 10680.901863/201290 Acórdão n.º 3201003.319 S3C2T1 Fl. 21 20 minério, depende das áreas disponíveis nas proximidades do empreendimento e deve respeitar normas de segurança e proteção ambiental (Figura 14) (item 1, mostrado na figura 1 ilustração do processo produtivo da Samarco). Na Samarco, as diversas atividades que envolvem a construção e operação da pilha de estéril são realizadas por empresas contratadas. Os principais serviços consumidos são: (...) . Locação de equipamentos (trator, carregadeira, escavadeira, etc.). (iii) Britador A fragmentação ou cominuição é a operação, ou conjunto de operações, que se caracteriza pela redução das dimensões físicas de um dado conjunto de blocos ou partículas. Os principais mecanismos para a quebra são compressão, impacto e cisalhamento. Genericamente, britagem pode ser definida como conjunto de operações que objetiva a fragmentação de blocos de minérios vindos da mina, levandoos a uma granulometria final ou compatível para posterior processamento. Dentre os insumos consumidos neste tipo de equipamento temse a locação de andaimes (equipamento). (iv) Peneira e grelha O objetivo do peneiramento é a separação do material em duas ou mais frações, com partículas de tamanhos distintos, levandose em conta o tamanho geométrico das partículas em relação às aberturas geométricas existentes no equipamento. Na Samarco essa operação é realizada a seco. Na Figura 17 (item 2, subitem 2.1, mostrado na figura 1 ilustração do processo produtivo da Samarco) é possível ver um conjunto de peneiras. Os insumos consumidos nesse tipo de equipamento são: Dentre os insumos consumidos neste tipo de equipamento temse a locação de andaimes (equipamento). (v) Moinho A moagem é o último estágio da fragmentação. Opera, normalmente, na faixa do centímetro ao micrômetro. Constituise de cilindros rotativos onde a fragmentação dos materiais se dá através da movimentação da carga interna, minério e corpos moedores (bolas de aço). Em Germano são utilizados diversos tipos de moinhos de bolas (Figura 18) (item 2, subitem 2.3, mostrado na figura 1 ilustração do processo produtivo da Samarco) e em duas etapas. É na moagem que é adicionado água ao minério e a essa mistura, água mais minério, dáse o nome de polpa. Os insumos consumidos nesse tipo de equipamento são: Dentre os insumos consumidos neste tipo de equipamento temse a locação de andaimes (equipamento) (vi) Flotação A flotação é um processo de separação aplicado a partículas minerais que explora diferenças nas características de superfície entre as várias espécies presentes numa suspensão aquosa (polpa). Fl. 1889DF CARF MF Processo nº 10680.901863/201290 Acórdão n.º 3201003.319 S3C2T1 Fl. 22 21 A utilização de reagentes específicos, denominados coletores, depressores e modificadores, permite a recuperação seletiva dos minerais por adsorção em bolhas de ar. As operações de flotação da Samarco se dão em várias etapas e em equipamentos diferentes, mas o processo é o mesmo. As bolhas de ar sobem à superfície líquida carregando os minerais sem interesse, os quais são removidos numa espuma, enquanto os de interesse econômico são retirados pela parte inferior do equipamento. Dentre os insumos consumidos neste tipo de equipamento temse a locação de andaimes (equipamento). (vii) Espessador A operação de espessamento faz a separação sólidolíquido (minério mais água). Pode ter como objetivos a recuperação/recirculação de água, a preparação de polpas com porcentagem de sólidos adequada a etapas subsequentes, desaguamento final de concentrados e preparação de rejeitos para o descarte (Figura 22) (item 2, subitens 2.6 e 2.12, mostrado na figura 1 ilustração do processo produtivo da Samarco). Dentre os insumos consumidos neste tipo de equipamento temse a locação de andaimes (equipamento). (viii) Bombas, tanques e tubulações A partir do momento que é adicionado água ao processo, temse o que é chamado de polpa (minério mais água). A partir de então, todo o transporte de polpa e alimentação dos equipamentos seguintes são realizados por conjuntos de bombas, tanques e tubulações (item 2, subitens 2.10 e 2.13, mostrado na figura 1 ilustração do processo produtivo da Samarco). Assim, nos circuitos e processos de moagem, ciclonagem, flotação e espessamento temse conjuntos de bombas, tanques e tubulações necessários para que essas operações possam ocorrer. Os insumos consumidos nesses equipamentos são: Dentre os insumos consumidos neste tipo de equipamento temse a locação de andaimes (equipamento). (ix) Barragem de rejeito Inerente à atividade de mineração, está a geração de enorme quantidade de rejeitos, resíduos dos processos de beneficiamento e que apresentam na sua composição partículas de rocha, água e as substâncias químicas envolvidas no processo de beneficiamento. Realizar a disposição desses rejeitos de forma segura e econômica, levando em consideração as melhores técnicas e tecnologias disponíveis, é primordial para as mineradoras. Além disso, devido a sua importância e essencialidade no empreendimento mineiro, o plano para a disposição desses rejeitos (item 2, subitem 2.11, mostrado na figura 1 ilustração do processo produtivo da Samarco) é uma requisito legal, está previsto nas normas reguladoras de mineração (NRM19), deve fazer parte do plano de lavra junto aos requerimentos de registro de extração, licença e concessão de lavra, do plano de aproveitamento econômico (PAE), para obtenção de guia de utilização e quando exigido pelo DNPM. Dentre os principais serviços consumidos temse: . Locação de equipamentos (escavadeiras, carregadeiras e caminhões) para barragem. Fl. 1890DF CARF MF Processo nº 10680.901863/201290 Acórdão n.º 3201003.319 S3C2T1 Fl. 23 22 (x) Barragem captação de água As águas das minas, dos concentradores, de drenagem e das barragens de rejeito são direcionadas para uma barragem de água, conhecida como barragem Santarém (item 2, subitem 2.11, mostrado na figura 1 ilustração do processo produtivo da Samarco), e dessa é feita a captação de água que retorna para o processo. A recirculação de águas dentro de um projeto mineiro é uma requisição legal e está prevista nas normas reguladoras de mineração (NRM19). Assim, essa barragem é de fundamental importância para as operações da empresa. Dentre os principais serviços consumidos temse: . Locação de equipamentos (escavadeiras, carregadeiras e caminhões) para barragem. (xi) Barragem No município de Matipó, na estação de bombas, existe uma barragem de segurança (item 3, mostrado na figura 1 ilustração do processo produtivo da Samarco) para atender emergência. Ela pode ser utilizada em casos de ruptura ou entupimento da tubulação, manutenção na tubulação ou estação de bombas ou quando necessário. Nesses casos a polpa pode ser direcionada para essa barragem para posterior recuperação e bombeamento. Dentre os principais serviços consumidos temse: . Locação de equipamentos (escavadeiras, carregadeiras e caminhões) para barragem. (xii) Espessador A operação de espessamento faz a separação sólidolíquido (minério mais água). Pode ter como objetivos a recuperação/recirculação de água, a preparação de polpas com porcentagem de sólidos adequada a etapas subsequentes, desaguamento final de concentrados e preparação de rejeitos para o descarte. Dentre os insumos consumidos neste tipo de equipamento temse a locação de andaimes (equipamento). (xiii) Preparação de matériasprimas Para que as pelotas adquiram características físicas, químicas e metalúrgicas específicas para utilização em reatores de redução, insumos essenciais são acrescentados, tais como calcário, bentonita ou aglomerante orgânico e carvão. Esses insumos são recebidos e passam por processos de preparação, específico para cada insumo (item 4, subitens 4.6, 4.11, 4.12 e 4.13, mostrados na figura 1 ilustração do processo produtivo da Samarco). Dentre os insumos consumidos neste tipo de equipamento temse a locação de andaimes (equipamento). (xiv) Píer É toda estrutura que avança sobre o mar (Figura 43) (item 6, mostrado na figura 1 ilustração do processo produtivo da Samarco). Essa estrutura suporta o transportador de correia, o carregador de navio e é onde ocorre toda a operação de carregamento de navios. Fl. 1891DF CARF MF Processo nº 10680.901863/201290 Acórdão n.º 3201003.319 S3C2T1 Fl. 24 23 O píer faz parte do processo dinâmico e integrado de produção, tem capacidade para receber e atracar dois navios a mesmo tempo, visando dar flexibilidade às etapas de carregamento de navios, que podem ocorrer a qualquer momento fora do horário comercial, em finais de semana e feriados e está sujeito a condições do tempo, de maré e características próprias dos navios. Dentre os principais serviços consumidos temse: . Contratação de serviços e aluguel de equipamentos Para algumas operações no píer, pode ocorrer que equipamentos da Samarco estejam indisponíveis ou sejam inadequados ou, ainda, que ela não possua os equipamentos necessários. Assim, para esses casos, se faz necessária à contratação de serviços e/ou aluguel de equipamentos, como exemplos, serviços de rebocador e portuários para atracagem de navios e/ou locação de rebocadores, locação de dragas para serviços de manutenção do píer, etc. Todos esses serviços são essenciais para as operações de carregamento, pois visam otimizar o tempo dos carregamentos e, por consequência, todo o processo produtivo da Samarco, garantindo a segurança das embarcações, tripulantes e trabalhadores, de toda estrutura e operação do píer e permitindo que a Samarco possa exportar seus produtos. Como visto, a locação de máquinas, equipamentos e veículos é imprescindível para a atividade produtiva de recorrente, sendo lícito o crédito. A própria legislação permite tal creditamento, conforme expressamente disposto nas Leis 10637/2002 e 10833/03): Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa;" Da Câmara Superior de Recursos Fiscais, destaco os seguintes precedentes que vão ao encontro da tese da recorrente: "Asunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/08/2004 a 31/08/2004 CONCEITO DE INSUMO. O termo “insumo” utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracterizase como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais.No caso julgado, são exemplos de insumos: serviços de decapeamento, de lavra, de locação, serviços de limpeza e passagem (remoção de minério para permitir a passagem de veículos extratores de caulim), óleo diesel e o óleo combustível tipo ABPF. (Processo 13204.000114/200447; Acórdão Fl. 1892DF CARF MF Processo nº 10680.901863/201290 Acórdão n.º 3201003.319 S3C2T1 Fl. 25 24 9303005.629; Relator Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza; Sessão de 19/09/2017) (destaque nosso) Do voto condutor, ressalto: "Sobre os dispêndios com a locação de equipamentos empregados na produção (extração do minério), a própria RFB já a entende cabível o creditamento, conforme dispôs na Solução de Consulta Cosit nº 2, de 14 de janeiro de 2016: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. ALUGUEL DE PRÉDIOS, MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. UTILIZAÇÃO NAS ATIVIDADES DA EMPRESA. IMÓVEL LOCADO PARA ALOJAMENTO DE TRABALHADORES EM LOCALIDADE ONDE A PESSOA JURÍDICA NÃO POSSUI SEDE OU FILIAL. As despesas relativas a aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos admitem a apuração de créditos para os fins previstos no art. 3o , IV da Lei nº 10.833, de 2003, desde que atendidos todos os requisitos normativos e legais, entre eles, o de serem efetivamente utilizados nas atividades da empresa. Para tanto, é irrelevante se a locação e a utilização dos bens se dão em localidade onde a pessoa jurídica possua sede ou filial." (destaque do original) "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. REMOÇÃO DE REJEITOS / RESÍDUOS NA MINERAÇÃO. INSUMOS. GASTOS COM COMBUSTÍVEIS .Cabe a constituição de crédito da COFINS nãocumulativa sobre os valores relativos as despesas com bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumo na produção da empresa atividade de extração mineral, incluindo a etapa de remoção de rejeitos / resíduos, em respeito ao critério da essencialidade à atividade do sujeito passivo. COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. REMOÇÃO DE REJEITOS / RESÍDUOS NA MINERAÇÃO. ATIVIDADE DA EMPRESA. ALUGUEL DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. Cabe a constituição de crédito da COFINS nãocumulativa sobre os valores relativos as despesas com aluguel de máquinas e equipamentos, utilizados na atividade da empresa atividade de extração mineral, incluindo a etapa de remoção de rejeitos / resíduos, por força do art. 3º, inciso IV, da Lei 10.833/03." (Processo 10680.724278/200964. Acórdão 9303005.288; Relatora Conselheira Tatiana Midori Migiyama; sessão de 22/06/2017) Fl. 1893DF CARF MF Processo nº 10680.901863/201290 Acórdão n.º 3201003.319 S3C2T1 Fl. 26 25 Assim, voto em dar provimento ao Recurso Voluntário no que diz respeito aos créditos relacionados às locações de veículos, máquinas e equipamentos. Locação de Dragas, locação de reboque, serviço de rebocador, serviços portuários Novamente, possui razão a recorrente em seu pleito. A decisão recorrida assim anota: "Como já explicitado no item anterior (sobre aluguel de veículos), os créditos relacionados a despesas com aluguéis de máquinas e equipamentos, previstos no art. 3º, IV, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, não podem ser entendidos de forma ampla e irrestrita. Tais equipamentos precisam ser utilizados nas atividades da empresa, no caso, de mineração. Assim, no que diz respeito às despesas de locação ou afretamento aqui tratadas, tiveram como objeto embarcação, dragas, e reboques, o que, por si só, já implica em outro tipo de utilidade, que não a de servir à extração ou industrialização do minério, mas de seu transporte. Desta forma, não poderiam tais despesas terem seus créditos descontados, nos termos no referido dispositivo legal. (...) Somente é devido o crédito da contribuição para o PIS e da Cofins incidente sobre as essas despesas, caso os serviços tenham sido aplicados ou consumidos na prestação de serviços portuários. Desta forma, seria preciso ficar caracterizado que a contribuinte exerceu atividade de transporte e navegação, inclusive auferindo receitas na prestação desses serviços, de forma que pudesse aproveitar os créditos relativos aos serviços constantes nas planilhas 20, 21 e 22 , que fossem essenciais ao exercício dessa atividade. Essa condição, contudo, não foi comprovada, ou seja, não foram apresentados elementos capazes de atestar que as despesas incorridas foram empregadas na atividade de transporte e navegação no interior do porto ou se nas atividades de escoagem do minério produzido pela própria empresa. Para tanto, necessário se faz que a interessada mantenha escrituração efetuada de forma individualizada, acompanhada dos documentos que lhe dêem suporte, que permitam a correta distinção entre as despesas vinculadas à exportação de minério e as despesas vinculadas aos serviços de transporte e navegação prestados a terceiros, inclusive com a comprovação das receitas auferidas em função da atividade portuária mencionada. Por fim, há ainda a alegação da empresa de que as dragas locadas não foram utilizadas somente nas atividades do porto, mas também na própria mineração, em Mariana/MG. Nas notas fiscais apontadas pela reclamante, os serviços discriminados se referem a drenagem e bombeamento de águas da barragem de Fundão. Ora, a barragem é o local onde são depositados e tratados os rejeitos industriais e, portanto, embora imprescindível para a atividade de produção do minério, não se confunde com a atividade de produção, não podendo os serviços nela empregados serem considerados como “insumos” para a produção de minério." Fl. 1894DF CARF MF Processo nº 10680.901863/201290 Acórdão n.º 3201003.319 S3C2T1 Fl. 27 26 A decisão merece ser reformada. Geram direito a crédito a ser descontado da contribuição para o PIS e da Cofins apuradas de forma nãocumulativa os gastos com locações de dragas e reboques. Também, dão direito ao crédito os serviços relacionados ao porto, por serem essenciais a atividade da recorrente O laudo da empresa MiningMath Associates pontua a essencialidade de tais serviços para a consecução das atividades da recorrente. As dragas locadas foram utilizadas na atividade denominada no laudo como "bacias de polpa" assim descrita: Bacias de polpa (item 4, subitem 4.7, mostrado na figura 1 ilustração do processo produtivo da Samarco) são bacias existentes, dentro da unidade de Ubu, para recebimento de polpa. Tem também a função de proteger a operação em casos de emergência, como exemplos, queda de energia elétrica, paradas nas usinas, quebra de equipamentos que causem parada de produção, etc. Em tal atividade é insumido o serviço de locação de dragas. Já em relação às locações de reboque, serviços portuários e de rebocador, também é de se prover o recurso. Consta do laudo referido: Dos pátios de estocagem as pelotas são retiradas por retomadoras de roda de caçambas e enviadas por transportadores de correia até o terminal marítimo próprio, para clientes em todo o mundo. No porto (item 6, mostrado na figura 1 ilustração do processo produtivo da Samarco), localizado em Ponta Ubu, em Anchieta (ES), a Samarco possui um píer com 313 metros de comprimento, dois berços de atracação e profundidade de até 18,7 metros, com capacidade para receber embarcações de até 308 metros de comprimento e cargas de até 210 mil toneladas. Denotase, então, preenchido o requisito da essencialidade para que faça jus a recorrente ao seu pleito. Desta forma, dou provimento ao recurso. Serviços de limpeza, recolhimento e transporte de rejeitos Geram direito a crédito a ser descontado da contribuição para o PIS e da Cofins apuradas de forma nãocumulativa os gastos com serviços que são comprovadamente empregados diretamente na produção de minério. Os serviços de limpeza, recolhimento e transporte de rejeitos estão vinculados ao processo produtivo da recorrente e por isso lhe dão o direito ao creditamento. No caso específico, nas atividades produtivas desenvolvidas pela recorrente, a necessidade de limpeza, recolhimento e transporte de rejeitos são indissociáveis do seu processo produtivo, ou seja, são intrínsecos à atividade produtiva, a limpeza, recolhimento e transporte de Fl. 1895DF CARF MF Processo nº 10680.901863/201290 Acórdão n.º 3201003.319 S3C2T1 Fl. 28 27 rejeitos, pois sem isso, inclusive prejuízos de orcem ambiental podem ser gerados. Dos argumentos da recorrente, destaco: Como já foi visto, o minério de ferro passa por diversos subprocessos durante a sua produção. Tais mecanismos possuem sistemas de perdas indesejadas, contudo não são 100% eficazes ao ponto de evitar o escape de material. Estas perdas acabam ficando acumuladas no chão ou depositadas nos equipamentos e, com o passar do tempo, passam a atrapalhar o próprio funcionamento do maquinário. Dessa feira, a limpeza industrial ganha vital importância na medida em que evita o acúmulo desses resíduos e possibilita a sua reutilização no processo produtivo. Aqui é preciso deixar claro que o resíduo não é descartado após a limpeza, mas sim é reinserido no processo produtivo da Recorrente. Foram acostados aos autos elementos suficientes para a caracterização como indispensáveis ao processo produtivo os serviços de limpeza, recolhimento e transporte de rejeitos. A Câmara Superior de Recursos Fiscais acolhe a tese da recorrente, conforme decisão a seguir reproduzida: "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2006 a 31/10/2006 COFINS. CONCEITO DE INSUMO. O termo “insumo” utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracterizase como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais. No caso julgado, são exemplos de insumos ácido sulfúrico, óleo combustível BPF, inibidor de corrosão e serviços de remoção de rejeitos industriais. Recurso Especial do Procurador negado" (Processo 10280.722549/2011 74; Acórdão 9303004.657; Relator Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza; Sessão de 15/02/2017) (destaque nosso) Em recente julgado proferido no processo 15504.724365/201271, que tratava da atividade de mineração, por maioria de votos, foi dado provimento ao recurso para reverter a glosa em relação aos serviços de tratamento de resíduos industriais e serviços de transporte de resíduos industriais. Vejamos: "Por maioria de votos, em dar provimento ao recurso para reverter a glosa em relação aos serviços de tratamento de resíduos industriais e serviços de transporte de resíduos industriais. Vencido o Conselheiro Jorge Freire. Designada redatora a Conselheira Thais de Laurentiis para o voto vencedor." Fl. 1896DF CARF MF Processo nº 10680.901863/201290 Acórdão n.º 3201003.319 S3C2T1 Fl. 29 28 Outras decisões do CARF são favoráveis à recorrente: "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2006 a 31/10/2006 PIS NÃOCUMULATIVO. HIPÓTESES DE CRÉDITO. ART. 3º, II, DAS LEIS 10.637/2002 E 10.833/2003. CONCEITO DE INSUMO. APLICAÇÃO E PERTINÊNCIA COM AS CARACTERÍSTICAS DA ATIVIDADE PRODUTIVA. DEMONSTRAÇÃO. O conceito de insumo, que confere o direito de crédito de PIS/Cofins não cumulativo, não se restringe aos conceitos de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, tal como traçados pela legislação do IPI. A configuração de insumo, para o efeito das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, depende da demonstração da aplicação do bem e serviço na atividade produtiva concretamente desenvolvida pelo contribuinte. A falta desta demonstração impede o reconhecimento do direito de crédito. INDÚSTRIA DE ALUMINA. BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMO NA PRODUÇÃO. Em relação à atividade industrial de produção de alumina, deve ser reconhecido o direito de crédito pela aquisição de óleo combustível BPF, ácido sulfúrico e inibidor de corrosão, bem como de transporte de remoção de rejeitos e resíduos, por se tratarem de bens e serviços aplicados na produção. (...)" (Processo 10280.722549/201174; Acórdão 3403002.765; Relator Conselheiro IVAN ALLEGRETTI; Sessão de 25/02/2014) (nosso destaque) "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. CRÉDITOS DE ICMS CEDIDOS A TERCEIROS. NÃO INCIDÊNCIA. RE 606.107/RSRG. Não incidem a Contribuição para o PIS/PASEP e a COFINS sobre créditos de ICMS cedidos a terceiros, conforme decidiu definitivamente o pleno do STF no RE no 606.107/RS, de reconhecida repercussão geral, decisão esta que deve ser reproduzida por este CARF, em respeito ao disposto no art. 62A de seu Regimento Interno. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. São exemplos de insumos os combustíveis utilizados em caminhões da empresa para transporte de matérias primas, produtos intermediários e embalagens entre seus estabelecimentos, e as despesas de remoção de resíduos industriais. (...)." (Processo 11065.001083/2009 62; Acórdão 3403002.783; Relator Conselheiro Rosaldo Trevisan; Sessão de 25/02/2014) (nosso destaque) Assim, voto em dar provimento ao Recurso Voluntário no que diz respeito ao item serviços de limpeza, recolhimento e transporte de rejeitos. Fl. 1897DF CARF MF Processo nº 10680.901863/201290 Acórdão n.º 3201003.319 S3C2T1 Fl. 30 29 Serviços de topografia, operações de efluentes, serviços de drenagem, análises físicas e químicas Geram direito a crédito a ser descontado da contribuição para o PIS e da Cofins apuradas de forma nãocumulativa os gastos com serviços empregados na produção de minério. A decisão recorrida afirma: "Nenhum dos serviços aqui tratados, como ensaios químicos e análises minerológicas, constantes na(s) Nota(s) Fiscal(ais) apresentada(s), são empregados diretamente na produção do minério, embora não se possa negar a sua importância para o melhor desempenho dessa atividade. Portanto, estão corretos os fundamentos utilizados pela fiscalização para glosar esses créditos." O decisum merece reforma. Tais serviços são necessários e indispensáveis na atividade da recorrente, o que lhe garante o direito ao creditamento. Na atividade desenvolvida pela recorrente não há como se processar a extração de minério sem a realização dos serviços de topografia, operação de efluentes,serviços de drenagem, análises físicas e químicas. Novamente, importante repisar os argumentos da recorrente: Novo engano: no processo integrado, as análises físicas e químicas são realizadas ao longo do processo, pois sem a composição correta do produto em elaboração, o produto final estará comprometido. A nota fiscal em anexo expedida pela empresa PCM Processamento e Caracterização Mineral Ltda, localizada no município de Ouro Preto/MG, traz em seu corpo todos os serviços prestados, o que comprova a irregularidade da autuação (...). (...) Quanto ao tratamento de efluentes, temos exigência legal que não pode ser ignorada. De um lado, a legislação ambiental diz que isso é essencial e obrigatório e a legislação tributária diz que não é essencial e sim dispensável? Está claro que serviços de topografia, operação de efluentes,serviços de drenagem, análises físicas e químicas são essenciais à atividade de recorrente. A Câmara Superior de Recursos Fiscais, em relação ao tema e envolvendo empresa mineradora, assim tem decidido: "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 PIS/PASEP. NÃO CUMULATIVIDADE. MINERAÇÃO. INSUMOS. Cabe a constituição de crédito do PIS/Pasep nãocumulativo sobre os valores relativos as despesas com bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumo na produção da empresa atividade de extração mineral, incluindo a etapa de remoção de rejeitos / resíduos, em respeito ao critério da essencialidade à atividade do sujeito Fl. 1898DF CARF MF Processo nº 10680.901863/201290 Acórdão n.º 3201003.319 S3C2T1 Fl. 31 30 passivo. No caso vertente, é de se constituir, por conseguinte, o r. crédito sobre os serviços de remoção de camada vegetal, trator de esteira para depósito de estéril, análise e testes em laboratório, escavação de estéril, remoção de rejeito, escavação e carga, serviços auxiliares de deslocamento, raspagem e transporte do solo, transporte de estéril, serviços auxiliares de desmatamento e desmatamento/destocamento, bem assim os gastos com óleo diesel consumido na escavação de estéril, transporte de estéril e escavação e carga de rejeitos. (...)" (Processo 10680.724275/200921; Acórdão 9303005.287; Relatora Conselheira TATIANA MIDORI MIGIYAMA; Sessão de 22/06/2017) (destaque nosso) No mesmo sentido: "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2010 a 31/12/2010 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos, para fins de creditamento da contribuição social não cumulativa, são todos aqueles bens e serviços que são pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, que sejam neles empregados direta ou indiretamente. Os gastos com a contratação de serviços de prospecção, sondagens e de geologia guardam relação de pertinência e essencialidade com o processo de lavra de minérios e ensejam o creditamento com base nos gastos efetivamente comprovados." (Processo 16682.720441/201281; Acórdão 3402002.669; Relatora Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula; sessão de 24/02/2015) (nosso destaque) Assim, considerando a atividade da recorrente, voto em dar provimento ao Recurso Voluntário no que diz respeito ao item serviços de topografia, operações de efluentes, serviços de drenagem, análises físicas e químicas. Serviços e insumos utilizados na operação, manutenção e conservação das Usinas Hidrelétricas próprias Mais uma vez, com razão a recorrente. Para evitar o enfado, adoto como fundamento decisório, a jurisprudência do CARF que se amolda ao caso. Cito os seguintes precedentes: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/10/2008 a 30/06/2010 (...) NÃOCUMULATIVIDADE. ENERGIA ELÉTRICA. DISPÊNDIOS COM OS ENCARGOS PELO USO DOS SISTEMAS DE TRANSMISSÃO E DISTRIBUIÇÃO DA ENERGIA ELÉTRICA. DIREITO AO CRÉDITO. Na apuração do PIS e Cofins nãocumulativos podem ser descontados créditos sobre os encargos pelo uso dos sistemas de transmissão e distribuição da energia elétrica produzida pelo contribuinte ou adquirida de terceiros." (Processo 19515.720304/201267; Acórdão 3302004.821; Fl. 1899DF CARF MF Processo nº 10680.901863/201290 Acórdão n.º 3201003.319 S3C2T1 Fl. 32 31 Relatora Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar; Sessão de 24/10/2017). "(...) Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/10/2008 a 30/06/2010 .NÃOCUMULATIVIDADE. ENERGIA ELÉTRICA. DISPÊNDIOS COM OS ENCARGOS PELO USO DOS SISTEMAS DE TRANSMISSÃO E DISTRIBUIÇÃO DA ENERGIA ELÉTRICA. DIREITO AO CRÉDITO. Na apuração do PIS e Cofins nãocumulativos podem ser descontados créditos sobre os encargos pelo uso dos sistemas de transmissão e distribuição da energia elétrica produzida pelo contribuinte ou adquirida de terceiros. (...)" (Processo 19515.720304/201267; Acórdão 3302 004.821; Relatora Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar; sessão de 24/10/2017) Importante, também, o consignado pelo Conselheiro Valcir Gassen no processo 10972.000033/200962: "Como está claro nos autos a atividade de produção de nióbio pelo Contribuinte requer, além do sistema de abastecimento e tratamento de água, a existência de uma subestação de energia elétrica, visto que a energia elétrica recebida da concessionária CEMIG precisa, necessariamente, receber um processo de adequação da tensão para que possa ser aplicada aos equipamentos industriais. Observase ademais que no Laudo de Funcionalidade elaborado pela requerente (fls. 445 a 586 processo n° 13.646.000183/200451) se demonstra que 99% da energia consumida é destinada ao processo produtivo do Contribuinte e que menos de 1% destinase as atividades administrativas da indústria. Em conclusão, a água e a energia elétrica são indispensáveis as atividades de processamento do minério pelo Contribuinte, e, assim sendo, os equipamentos e as máquinas utilizados no tratamento desses insumos com o fito de tornar possível a sua utilização, pela adequação técnica que a atividade requer, devem ser considerados como itens utilizados no processo produtivo de acordo com o previsto na Lei n° 10.833/03, que assim dispõe: 'Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços;' Logo, respeitando o princípio da essencialidade, é cabível o creditamento dos valores relativos a depreciação do Centro de Custo ENE – Subestação Energia Elétrica, visto que está sendo diretamente utilizado, no sentido de necessário e essencial, ao sistema produtivo em discussão, portanto, voto em prover o Recurso Voluntário neste tema." Fl. 1900DF CARF MF Processo nº 10680.901863/201290 Acórdão n.º 3201003.319 S3C2T1 Fl. 33 32 Ora, se o entendimento perfilhado nos acórdãos referidos admitem os créditos sobre os encargos pelo uso dos sistemas de transmissão e distribuição da energia elétrica produzida pelo contribuinte ou adquirida de terceiros, nada mais justo que, de igual modo, seja reconhecido o direito pelo serviços e insumos utilizados na operação, manutenção e conservação das usinas hidrelétricas próprias que geram a energia elétrica indispensável à recorrente. Assim, dou provimento ao recurso neste tópico. Serviços relacionados à manutenção civil Em relação a tal tópico comungo com o entendimento da recorrente. As barragens da recorrente são indissociáveis do seu processo produtivo de mineração, pois sem elas é impossível efetuar o beneficiamento do minério de ferro. O mesmo se aplica aos demais itens deste tópico, como por exemplo, desassoreamento, manutenção mecânica e paradas técnicas. Como alegado pela recorrente as benfeitorias foram realizadas em imóvel de sua propriedade e essencial à sua atividade produtiva. Não há como a empresa operar se não efetuar serviços de construção civil, como por exemplo, na barragem de rejeitos, barragem da captação de água, barragem, Assim, considerando a complexidade das atividades da empresa e por todo o exposto na presente decisão é de se prover o recurso neste tópico, respeitadas as regras de depreciação, conforme inc. III, do § 1° do art. 3° das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. Combustíveis Mais uma vez, com razão a recorrente. A decisão recorrida, data venia, de modo equivocado, limitou a apuração da Contribuição para o PIS e da Cofins nãocumulativas, afirmando ser possível ser descontados créditos relativos aos gastos com combustível consumido nos fornos no processo produtivo, mas não podem ser descontados os relativos ao combustível consumido nos veículos utilizados na mina. Considerando a atividade produtiva de recorrente os combustíveis consumidos nos veículos utilizados na mina geram crédito em seu favor. O CARF assim tem decidido de modo reiterado, inclusive pela Câmara Superior de Recursos Fiscais: "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 (...) CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. Fl. 1901DF CARF MF Processo nº 10680.901863/201290 Acórdão n.º 3201003.319 S3C2T1 Fl. 34 33 O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. São exemplos de insumos os combustíveis utilizados em caminhões da empresa para transporte de matérias primas, produtos intermediários e embalagens entre seus estabelecimentos, e as despesas de remoção de resíduos industriais." (Processo 11065.001083/200962; Acórdão 3403002.783; Relator Conselheiro Rosaldo Trevisan; Sessão de 25/02/2014) (destaque nosso). "COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES UTILIZADOS NOS SETORES PRODUTIVOS Constatado que os combustíveis e lubrificantes são utilizados no processo fabril, eis que direcionados aos equipamentos de fabricação das rações balanceadas para as aves, ao sistema de comedouros, às campânulas de aquecimento ou às máquinas de aquecimento, aos motores de ventilação, dentre outros, é de se impor a constituição de crédito das contribuições sobre os gastos com os referidos combustíveis e lubrificantes. CONCEITO DE INSUMO. SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. Os gastos com serviços de conserto de motores elétricos, de aferição de balanças, de lavagem de veículos, de pá carregadeira, de retroescavadeira, mecânicos, de recapagem de pneus, de assistência técnica em veículos, de aferição elétrica de troca de rolamentos e de conserto de motor utilizados diretamente no processo produtivo devem ser considerados serviços essenciais à atividade do sujeito passivo, gerando direito a constituição de crédito das contribuições ao PIS e à Cofins." (Processo 10935.004861/201050; Acórdão 9303005.679; Relator Conselheiro Demes Brito, sessão de 19/09/2017) "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 PIS/PASEP. NÃO CUMULATIVIDADE. MINERAÇÃO. INSUMOS. Cabe a constituição de crédito do PIS/Pasep nãocumulativo sobre os valores relativos as despesas com bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumo na produção da empresa atividade de extração mineral, incluindo a etapa de remoção de rejeitos / resíduos, em respeito ao critério da essencialidade à atividade do sujeito passivo.No caso vertente, é de se constituir, por conseguinte, o r. crédito sobre os serviços de remoção de camada vegetal, trator de esteira para depósito de estéril, análise e testes em laboratório, escavação de estéril, remoção de rejeito, escavação e carga, serviços auxiliares de deslocamento, raspagem e transporte do solo, transporte de estéril, serviços auxiliares de desmatamento e desmatamento/destocamento, bem assim os gastos com óleo diesel consumido na escavação de estéril, transporte de estéril e escavação e carga de rejeitos." (Processo 10680.724275/200921; Acórdão 9303005.287; Relatora Conselheira Tatiana Midori Migiyama; Sessão de 22/06/2017) (destaque nosso) Fl. 1902DF CARF MF Processo nº 10680.901863/201290 Acórdão n.º 3201003.319 S3C2T1 Fl. 35 34 "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/07/2006 a 31/07/2006 COFINS NÃO CUMULATIVA.CRÉDITOS. ÁCIDO SULFÚRICO. COMBUSTÍVEIS E SERVIÇOS DE REMOÇÃO DE REJEITOS INDUSTRIAIS. É legítima a tomada de crédito da contribuição não cumulativa em relação às aquisições de insumos como por exemplo óleo BPF, o carvão energético, o ácido sulfúrico, o inibidor de corrosão e os serviços de transporte de rejeitos industriais por integrarem o custo de produção do produto exportado (alumina)." (Processo 10280.004605/200628; Acórdão 3301003.654; Relator Conselheiro Valcir Gassen; sessão de 24/05/2017) "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 CRÉDITOS DA NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO. A expressão "bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda" deve ser interpretada como bens e serviços aplicados ou consumidos na produção ou fabricação e na prestação de serviços, no sentido de que sejam bens ou serviços inerentes à produção ou fabricação ou à prestação de serviços, independentemente do contato direto com o produto em fabricação, a exemplo dos combustíveis e lubrificantes." (Processo 12893.000363/200882; Acórdão 3302004.628; Conselheiro Relator Paulo Guilherme Déroulède; sessão de 27/07/2017) Assim, dou provimento ao recurso neste tópico, ressaltando, ainda, que deve a unidade de origem proceder à correta recomposição do crédito. Diante do exposto, dou provimento parcial ao recurso para manter o direito ao creditamento da recorrente em relação ao PIS, referente a (i) serviços prestados no mineroduto; (ii) aluguel de veículos, de máquinas e equipamentos; (iii) locação de dragas, reboque, serviço de rebocador e portuários; (iv) serviços de limpeza, recolhimento e transporte de rejeitos; (v) serviços de topografia, operações de efluentes, serviços de drenagens, análises físicas e químicas; (vi) usinas manutenção e conservação; (vii) obras de construção civil e (viii) combustíveis. Por fim, esclareço no que tange aos créditos concedidos em relação (i) aos serviços prestados no mineroduto e (ii) a obras civis e outros serviços sobre máquinas e equipamentos concedese, respeitadas as regras de depreciação, conforme inc. III, do § 1° do art. 3° das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir à Contribuição para o PIS, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Cofins. Fl. 1903DF CARF MF Processo nº 10680.901863/201290 Acórdão n.º 3201003.319 S3C2T1 Fl. 36 35 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, a turma decidiu por dar provimento parcial ao recurso para manter o direito ao creditamento da recorrente em relação ao PIS, referente a (i) serviços prestados no mineroduto; (ii) aluguel de veículos, de máquinas e equipamentos; (iii) locação de dragas, reboque, serviço de rebocador e portuários; (iv) serviços de limpeza, recolhimento e transporte de rejeitos; (v) serviços de topografia, operações de efluentes, serviços de drenagens, análises físicas e químicas; (vi) usinas manutenção e conservação; (vii) obras de construção civil e (viii) combustíveis. No que tange aos créditos concedidos em relação (i) aos serviços prestados no mineroduto e (ii) a obras civis e outros serviços sobre máquinas e equipamentos, devem ser respeitadas as regras de depreciação, conforme inc. III, do § 1° do art. 3° das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. É o voto. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 1904DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.000591/2005-95
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Jan 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2001 RATEIO DE CUSTOS COMUNS. CARACTERIZAÇÃO DA INFRAÇÃO. A indicação da infração pelo Fisco deve vir acompanhada dos seus elementos caracterizadores. Não prospera o lançamento que rejeitou rateio de custos e despesas sem o necessário exame dos critérios adotados pelo contribuinte fiscalizado (acórdão 1103-00.337/2010).
Numero da decisão: 1402-000.844
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Albertina Silva Santos de Lima
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201201
camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2001 RATEIO DE CUSTOS COMUNS. CARACTERIZAÇÃO DA INFRAÇÃO. A indicação da infração pelo Fisco deve vir acompanhada dos seus elementos caracterizadores. Não prospera o lançamento que rejeitou rateio de custos e despesas sem o necessário exame dos critérios adotados pelo contribuinte fiscalizado (acórdão 1103-00.337/2010).
turma_s : 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
numero_processo_s : 16327.000591/2005-95
conteudo_id_s : 5848748
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Mar 29 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1402-000.844
nome_arquivo_s : Decisao_16327000591200595.pdf
nome_relator_s : Albertina Silva Santos de Lima
nome_arquivo_pdf_s : 16327000591200595_5848748.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
dt_sessao_tdt : Mon Jan 16 00:00:00 UTC 2012
id : 7187656
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:14:34 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050007092854784
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1678; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 1 1 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.000591/200595 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 140200.844 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 16 de janeiro de 2012 Matéria IRPJ e outro Recorrente BANCO ITAÚ DE INVESTIMENTO S/A (atual Itaucard S/A) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 RATEIO DE CUSTOS COMUNS. CARACTERIZAÇÃO DA INFRAÇÃO. A indicação da infração pelo Fisco deve vir acompanhada dos seus elementos caracterizadores. Não prospera o lançamento que rejeitou rateio de custos e despesas sem o necessário exame dos critérios adotados pelo contribuinte fiscalizado (acórdão 110300.337/2010). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima – Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Albertina Silva Santos de Lima. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 16327.000591/200595 Acórdão n.º 140200.844 S1C4T2 Fl. 2 2 Relatório Tratase de lançamento do IRPJ e da CSLL, em razão de glosa de custos, despesas operacionais e encargos não necessários. A fiscalização inicialmente intimou o Banco Itaú S/A a prestar as seguintes informações e fornecer a respectiva documentação, para o período de 1999 a 2003: I) Identificar e qualificar os funcionários do Banco Itaú S/A que teriam prestados os serviços, acima mencionados, ao Itaú Banco de Investimentos S/A., discriminando os custos salariais, mensais, de cada funcionário (salário, gratificações, férias, 13° salário, encargos previdenciários, etc.); II) Do custo total, mensal, de cada funcionário, destacar a parcela que teria sido debitada à empresa contratante, pela utilização dos respectivos serviços; e III) Comprovar, com documentação hábil e idônea, a efetiva prestação dos serviços que teriam sido prestados pelo Banco Itau S/A ao Itaú Banco de Investimentos S/A . O Banco Itaú S/A respondeu: O contrato denominado Convênio de Rateio de Custos Comuns (CRCC), existente entre o Banco Itaú S.A. (Banco) e as empresas acima listadas (empresas), considera que as empresas necessitam de estrutura material e de pessoal que atenda às necessidades operacionais de ambas e que há interesse em obter a otimização dos recursos disponíveis, a nível de pessoal especializado e equipamentos em geral, ganhando em economia de escala e que o Banco manterá estrutura que atenda às necessidades comuns. Assim, os custos decorrentes do compartilhamento dessa estrutura serão apurados e rateados de acordo com a efetiva utilização entre as referidas empresas. O processo de apuração do montante a ser rateado mensalmente toma como base os valores efetivamente utilizados bem como os volumes produzidos pelos recursos compartilhados. Para tanto, utilizase um modelo de apuração de custos, em que os custos departamentalizados são alocados aos produtos ou diretamente às empresas, através da medição dos custos das áreas envolvidas, a saber: Área de negócios, Unidade de Processamento de Serviços às Agências (UPSA), Sistemas e Órgãos Gestores (como a contabilidade, por exemplo). Sendo assim, como é utilizado o modelo acima, que é válido para o conjunto de empresas envolvidas no compartilhamento de custos, a identificação/qualificação dos funcionários envolvidos Fl. 3DF CARF MF Impresso em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 16327.000591/200595 Acórdão n.º 140200.844 S1C4T2 Fl. 3 3 fica prejudicada, visto que eles não se dedicam exclusivamente ao produto ou à empresa. Por outro lado, os recursos envolvidos no compartilhamento e o processo de rateio abrangem um imenso volume de informações visto envolver praticamente toda a estrutura operacional do Conglomerado ITAU. Em relação a todo o exposto acima, colocamonos ao seu inteiro dispor para os esclarecimentos que se fizerem necessários, inclusive pessoalmente Posteriormente, a fiscalização intimou a autuada, conforme trecho abaixo transcrito: a) Ratificar, por escrito, que os valores, acima relacionados, foram efetivamente pagos ao BANCO ITAU S/A., face ao contrato denominado "Convênio de Rateio de Custos Comuns", retificando eventuais divergências; b) Informar em que conta de "despesas operacionais" os mencionados valores foram apropriados, bem como, se os mesmos foram excluídos do lucro líquido do exercício para determinação do lucro real e da base de cálculo da C.S.L.L.; c) Manifestarse, também por escrito, relativamente aos "esclarecimentos" prestados à esta fiscalização pelo Banco Itaú S/A., acima mencionados; e d) Comprovar, com documentação hábil e idônea: d.1) a efetiva utilização dos serviços que teriam sido prestados pelo Banco Itaú S/A ao BANCO DE INVESTIMENTO S/A; d.2) o rateio dos valores pagos, mensalmente, em decorrência desses mesmos serviços, elaborado com base no item d.1 acima, discriminando funcionários que teriam sido utilizados, custo bruto desses funcionários, total de horas trabalhadas, total de ‘horas’ apropriadas no rateio, e valor apropriado; e d.3) que os referidos gastos foram necessários às transações ou operações exigidas para a exploração das atividades, principais ou acessórias, bem como, que estão vinculadas com as fontes produtoras de rendimentos. A autuada respondeu: a) os valores relacionados no Termo foram registrados nas contas contábeis descritas em anexo (doc.2) e correspondem aos que foram entregues ao Banco Itaú S/A em razão do Convênio de Rateio de Custos Comuns celebrado entre as partes; b) o Itaú Banco de Investimento, concorda com os termos da resposta do Banco Itaú S/A ao Termo de Intimação Fiscal n° 13/2004; Fl. 4DF CARF MF Impresso em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 16327.000591/200595 Acórdão n.º 140200.844 S1C4T2 Fl. 4 4 c) o Convênio de Rateio de Custos Comuns não envolve prestação de serviços do Banco Itaú para o Itaü Banco de Investimento, pois se trata de compartilhamento de estrutura material e pessoal para o atendimento das necessidades operacionais de ambas as partes, com custos atribuídos a cada uma delas segundo os critérios apontados pelo Banco Itaú S/A na resposta ao Termo acima referido; d) os custos incluídos no Convênio referemse a despesas operacionais, tais quais a manutenção de estrutura de pessoal para atendimento das necessidades das contratantes, nas áreas de auditoria, contencioso judicial, consultoria jurídica, contabilidade/finanças, recursos operacionais e recursos humanos; e) as referidas despesas operacionais foram deduzidas na determinação do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, nos termos da legislação em vigor. Segundo a fiscalização, apesar do Banco Itaú S/A estar obrigado, nos termos do contrato firmado em 10.03.98, a preparar demonstrativos de custos, esta instituição financeira, bem como, a autuada, deixaram de apresentar, demonstrativos dos custos incorridos e respectivos rateios com base na efetiva utilização dos serviços, utilização que também não foi devidamente comprovada. Essas empresas e as demais empresas do grupo, no total de 26, deixaram de apresentar as planilhas de rateio, elaboradas pelo custo dos homens/hora utilizados, bem como, qualquer prova ou indício de prova da efetiva utilização dos serviços. O autuante registra que não há dúvidas de eventual participação de funcionários do Banco Itaú, em serviços junto às empresas do conglomerado Itaú Banco de Investimentos, mas que o cerne da irregularidade está nos montantes atribuídos às empresas participantes do “Convênio de Rateio de Custos Comuns”, ou seja, o contribuinte não teria demonstrado e nem apresentado qualquer prova material no sentido de que os valores rateados são compatíveis à necessidade das empresas. Explica que tendo sido utilizado o método do rateio direto, teria que ser demonstrado as operações nas quais houve a utilização efetiva de funcionários do Banco Itaú, bem como, demonstrar o custo homens/hora das áreas de auditoria, contencioso judicial, consultoria jurídica, contabilidade/financeira, marketing, recursos operacionais e recursos humanos utilizados nas operações que modificaram a situação patrimonial da Itaú Banco de Investimentos, entretanto, não tendo sido apresentados esses elementos de prova, restaria comprovado que o rateio está em desacordo com o pactuado no Convênio. A fiscalização concluiu que ao não ser apresentado qualquer prova relativa à efetiva utilização dos serviços disponibilizados pelo Banco Itaú, e não tendo sido apresentada a forma de rateio desses serviços, restou a busca da verdade material dos fatos, razão pela qual aplicou o método de custeio indireto, parametrizado pelo conceito de renda bruta, em obediências aos princípios contábeis geralmente aceitos. Observa que caso a fiscalização não exercesse seu poder dever, de demandar critérios de rateio de dispêndios, os conglomerados econômicos financeiros poderiam manipular resultados, como bem lhes conviesse, sob o manto de um contrato particular, afrontando a harmonia do sistema tributário. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 16327.000591/200595 Acórdão n.º 140200.844 S1C4T2 Fl. 5 5 Calculou a participação da receita bruta da autuada no total da receita bruta do conglomerado financeiro participante do convênio, que corresponde a 0,00847348%. Aplicou esse percentual sobre o total das despesas apropriadas pelo Banco Itaú, no ano calendário de 2001, a débito da conta “despesas com pessoal”, que resultou no valor de R$ 97.761,42, importância que deveria ter sido reembolsada pela autuada. Tendo em vista que os custos apropriados pela autuada foram de R$ 171.730,00, resultando no valor deduzido irregularmente de R$ 73.968,58. O mesmo cálculo foi efetuado, para os anos de 1999, 2000 e 2002, mas não foram apuradas diferenças, pois os valores rateados pelo Banco Itaú foram inferiores aos rateados com base na receita bruta. A base legal para o lançamento do IRPJ são os artigos 249, I, 251 e § único, 264, 299, §§ 1º e 2º, 300, do RIR/99. Para o IRPJ foi compensado o prejuízo fiscal apurado no anocalendário de 2001, de R$ 400,69. Foi recomposta a base de cálculo negativa da CSLL, e face à reversão da base negativa apurada para o anocalendário de 2001, a contribuinte compensou indevidamente, no anocalendário de 2002, a quantia de R$ 46.060,46. Tudo resultou na base de cálculo do IRPJ de R$ 73.567,89, no anocalendário de 2001, e base de cálculo da CSLL de R$ 27.906,12 para o anocalendário de 2001 e de R$ 46.060,46 para o anocalendário de 2002. Transcrevo da decisão de primeira instância, os argumentos contidos na impugnação: Em sua defesa a impugnante alega, preliminarmente, a nulidade do presente auto de infração, por ofensa ao princípio da motivação, posto que não existe prova de que os custos e despesas incorridos pelo impugnante não eram passíveis de dedução da base de cálculo do IRPJ e CSLL, uma vez que a fiscalização não procurou entender os critérios adotados como base do rateio de custos, nem mesmo apurou a dedutibilidade ou não dos custos. Reclama, assim, que "o Sr. agente fiscal apurou crédito do imposto de renda e contribuição social sobre o lucro líquido pois, segundo um critério por ele escolhido, nem todos os custos e despesas incorridos pelo Impugnante seriam dedutíveis". Tratarseia, pois, da comum inversão do ônus da prova, procedimento de praxe dos órgãos fiscalizadores, mas repelido pela doutrina e jurisprudência administrativa, conforme entendimentos e julgados que colaciona. Passa então a discorrer sobre a natureza e a forma dos contratos de rateio de custos despesas, citando manifestações doutrinárias e ementa do Primeiro Conselho de Contribuintes sobre o tema, para concluir que a receita líquida não é o único, mas apenas o procedimento mais utilizado. Portanto, além da imputação direta, poderseão aplicar outros critérios (dos quais a receita líquida é apenas um deles), uma vez que o critério a ser Fl. 6DF CARF MF Impresso em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 16327.000591/200595 Acórdão n.º 140200.844 S1C4T2 Fl. 6 6 escolhido não é fator absolutamente determinante da correção do procedimento. A respeito dos critérios de rateio utilizados, a impugnante explicita que, com a adesão ao CRCC, passou a utilizar determinadas áreas do Banco Itaú, tais como, Área Financeira; Área de Controle Econômico; Área de Consultoria Jurídica e de Contencioso Administrativo; Área de Recursos Humanos e Suporte Administrativo; e Área de Recursos Operacionais. Neste diapasão alega que, diferentemente do que entende a fiscalização, a impugnante não aplicaria somente o critério de imputação direta, posto que o critério de apropriação de custos varia em função do tipo da atividade exercida por cada um dos departamentos e utilidades. Assevera, ainda, que, em razão da diversidade dos critérios adotados, o aproveitamento de pessoal, de sistemas, de produtos e de tantos outros estão devidamente esclarecidos e respaldados em Laudos de Avaliação dos Critérios Adotados para a Apuração do Convênio de Rateio de Custos Comuns, elaborados pela Boucinhas e Campos Auditores Independentes para todos os períodos autuados (docs. 03/06 — fls. 156 a 203); A título exemplificativo, em relação ao mês de janeiro de 2001, a impugnante, reportandose aos documentos de fls. 156 a 203, informa que utilizou a estrutura das áreas de consultoria jurídica, recursos operacionais e recursos humanos e suporte administrativo, áreas que podem ser subdivididas em superintendências, assessorias e departamento, que adotam critérios de apropriação de custos de diversas maneiras, a saber: • No que tange à Área de Consultoria Jurídica (ACJ), verificase que o Impugnante utilizou a estrutura da Superintendência de Assuntos Corporativos (que calcula seus custos com base nos processos por ela administrados) e do Departamento Administrativo de Assuntos Corporativos (cujo cálculo para o rateio parte do relatório de custos administrativos — R7, e subtrai os valores referentes a eventuais honorários pagos a terceiros); • também utilizou a estrutura do Departamento de Atos Societários, que apresenta dois critérios de apuração dos custos: a) para os eventos de pouca complexidade, considerase a quantidade de eventos; b) para os eventos de maior grau de complexidade, além da quantidade, levase em consideração as horas despendidas; • A Área de Recursos Operacionais também foi utilizada e tem como critério de alocação de custos, por exemplo: tempo de utilização do sistema, hora análise de programação, toques digitados, fotocópias e microfichas. No mês em análise foi utilizado apenas um sistema compartilhado: O CR (Administração de compras e Contratos) • o Impugnante utilizouse do Departamento de Pagadoria, integrante da Área de RH e Suporte Administrativo do Banco Fl. 7DF CARF MF Impresso em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 16327.000591/200595 Acórdão n.º 140200.844 S1C4T2 Fl. 7 7 Itaú que, por ser o gestor do Sistema LP, possui o controle de todos os pagamentos e órgãos autorizantes ("grau de rateio') Conclui assim, que os critérios de rateio adotados, por serem objetivos e perfeitamente coerentes com as atividades compartilhadas, devem ser reconhecidos para impedir a glosa dos custos e recomposição do prejuízo fiscal por parte da fiscalização. Por fim, a impugnante requer seja julgado nulo o auto de infração, ou seja reconhecida a dedutibilidade total dos custos e despesas decorrentes do CRCC, ou caso as alegações acima não sejam suficientes, protesta o Impugnante pela realização de perícia técnica. A Turma Julgadora, por maioria de votos, considerou o lançamento procedente, conforme as ementas a seguir transcritas: VALOR DAS DESPESAS SEM DOCUMENTAÇÃO HÁBIL. RATEIO.DEDUTIBILIDADE. Para que sejam dedutíveis as despesas com comprovante em nome de outra empresa do mesmo grupo, em razão de rateio, é imprescindível que, além de atenderem aos requisitos previstos na legislação do Imposto de Renda, fique justificado e comprovado o critério de rateio. LANÇAMENTO. NULIDADE. Não procede a argüição de nulidade do lançamento quando não se vislumbra nos autos qualquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto n° 70.235/72. ÔNUS DA PROVA A atribuição do ônus da prova ao Fisco não o impede de efetuar o lançamento de ofício com base nos elementos de que dispuser, quando o contribuinte, obrigado a prestar declaração ou intimado a informar sobre fatos de interesse fiscal registrados em sua escrituração, se omite, recusese a fazêlo, ou o faz de forma insatisfatória. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. CSLL. DECORRÊNCIA. O resultado do julgamento do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ espraia seus efeitos sobre a CSLL lançada em decorrência da omissão de receitas apurada. A Turma Julgadora rejeitou a preliminar de falta de motivação porque a autuação traz a respectiva capitulação legal e por terem sido observados os requisitos previstos no art. 10 do Decreto 70.235/72, e porque conforme arrazoado disposto na impugnação, a Fl. 8DF CARF MF Impresso em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 16327.000591/200595 Acórdão n.º 140200.844 S1C4T2 Fl. 8 8 requerente evidenciou ter pleno conhecimento da exigência que lhe foi imputada. Também rejeitou a preliminar de inversão do ônus da prova, por entender que é ônus da interessada a comprovação da regularidade da escrituração, sendo que no caso, houve falta de apresentação de documentos que dessem validade aos registros contábeis relativos ao rateio entre as empresas do grupo. Rejeitou o pedido de diligência/perícia. Em relação ao mérito, afirmou que para que o fisco possa verificar a dedutibilidade das despesas, deveria haver, em documentação hábil e idônea, descrição detalhada, especificando o tipo de serviço, quem efetivamente o forneceu, como ou quando fora prestado e como se deu seu rateio, e que no caso de rateio de despesas, a empresa repassante deve discriminar as despesas em documentos fiscais ou em relatórios e demonstrativos, devidamente identificadas e individualizadas. Citou o art. 299 do RIR/99, o PN CST32/81 e o art. 251 do RIR/99. Ressalta que muito embora tenha insistido a defesa que as despesas glosadas referemse aos gastos necessários à sua atividade principal, não estão devidamente identificadas nos documentos apresentados, e que a falta de comprovação da efetiva realização dos serviços, que subsidiaram o rateio, impossibilita a fiscalização de verificar os três requisitos fundamentais para a dedutibilidade das despesas: necessidade, usualidade e normalidade. Em relação aos laudos elaborados pela Boucinhas e Campos Auditores Independentes, embora datados de 02.02.2011, 23.10.2011, 12.12.2002 e 16.03.2004, antes dos procedimentos fiscais que deram origem à autuação, os mesmos não foram apresentados ao autuante, mesmo tendo sido intimada a fazer prova dos critérios de rateio. Observa que tais laudos somente foram trazidos aos autos em sede de impugnação e se limitam a afirmar genericamente que os critérios de rateio estão de acordo com as normas contábeis, sem trazer qualquer demonstrativo que possibilite determinar com precisão se os critérios adotados acarretaram efetivamente a distribuição das despesas levado a efeito pelas empresas signatárias do convênio de rateio. Afirma que a autuada limitase a apontar os critérios, mas não traz a prova da correção dos valores por ela adotados. A decisão não foi unânime, sendo que para o voto vencido, foi elaborada declaração de voto. Analisou a alegação de inversão de ônus da prova, como matéria de mérito. Transcrevo trecho dessa declaração de voto: Fazendo uma breve síntese do que anteriormente expusemos, destacamos as seguintes conclusões: • É dever da fiscalização comprovar a ocorrência das hipóteses de ilicitude contidas no art. 149 do CTN. • A presente autuação deveuse basicamente ao entendimento da fiscalização de que a contribuinte não demonstrou, nem comprovou que o rateio foi realizado com base na efetiva utilização dos serviços. • No entanto, a fiscalização apenas solicitou um tipo de relatório, qual seja, o da identificação/qualificação dos funcionários, com os respectivos custos mensais alocados para cada empresa conveniada. Notese que a requisição genérica de Fl. 9DF CARF MF Impresso em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 16327.000591/200595 Acórdão n.º 140200.844 S1C4T2 Fl. 9 9 "documentação hábil e idônea" é insuficiente para caracterizar a hipótese prevista no inciso III do art. 149 do CTN. • A contribuinte reiterou os termos da resposta da pelo Banco Itau S/A, que considerou prejudicada a apresentação de tal demonstrativo, em virtude do modelo de apuração de custos utilizado, colocandose à disposição para qualquer esclarecimento adicional. • Os laudos juntados na impugnação comprovam que os recursos envolvidos no compartilhamento e o processo de rateio dos custos abrangem informações sobre a toda a estrutura organizacional do ITAUBANCO. • A fiscalização não efetuou nenhuma diligência em face dos esclarecimentos 53 e 57. Diante de todo o exposto, consideramos improcedente o lançamento, por não estarem suficientemente concretizadas as hipóteses de ilicitude previstas no art. 149 do CTN. Por fim, ressaltamos que deixamos de apreciar os argumentos da Impugnante acerca da validade e objetividade dos critérios de rateio adotados e sobre a aplicação do método utilizado pela fiscalização para todas as empresas conveniadas. A ciência da decisão de primeira instância foi dada em 15.04.2008 e o recurso voluntário foi apresentado em 02.05.2008. Argumenta que durante os trabalhos fiscais realizados junto ao Banco Itaú S/A, o mesmo foi intimado a: (i) identificar e qualificar os funcionários que teriam prestado serviços ao Banco Itaú de Investimentos, discriminando os custos salariais mensais, (ii) custo total de cada funcionário, destacar a parcela debitada à empresa contratante pela utilização dos respectivos serviços, (iii) Comprovar com documentação hábil e idônea a efetiva prestação de serviços que teriam sido prestados pelo Banco Itaú ao Banco Itaú de Investimentos. O Banco Itaú respondeu que em razão do conjunto de empresas envolvidas no compartilhamento de custos, a identificação/qualificação dos funcionários envolvidos ficaria prejudicada, visto que eles não se dedicam exclusivamente ao produto ou à empresa. Na mesma época, esclareceu que o processo de rateio envolve “um imenso volume de informações visto envolver praticamente toda estrutura operacional do conglomerado Itaú”, motivo pelo qual se colocou ao inteiro dispor, “para os esclarecimentos que se fizessem necessários, inclusive pessoalmente”. Apesar do Banco Itaú ter prestado esses esclarecimentos, a recorrente foi intimada a comprovar as prestações de serviços, realizados pelo Banco Itaú. Em resposta, ratificou as informações prestadas pelo Banco Itaú e esclareceu não tratarse de prestação de serviços, mas sim de compartilhamento de estrutura material e pessoal para atendimento nas áreas de auditoria, contencioso judicial, consultoria jurídica, contabilidade/finanças, recursos operacionais e humanos. Apesar de terem respondido a todas as intimações da fiscalização, inclusive colocandose à disposição para eventuais esclarecimentos em razão da quantidade de documentos comprobatórios do rateio, a fiscalização lavrou o auto de infração, sob o Fl. 10DF CARF MF Impresso em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 16327.000591/200595 Acórdão n.º 140200.844 S1C4T2 Fl. 10 10 argumento de que não foram apresentados demonstrativos de rateio e demais elementos que comprovassem que os referidos gastos foram necessários às suas atividades. Entretanto, em conformidade com o art. 142 do CTN, somente após a verificação de todos os elementos que dão causa ao nascimento da obrigação tributária caberia à administração efetuar o lançamento para fins de constituição do crédito tributário, e que a administração pública está sujeita ao princípio da motivação, cabendo a ela o ônus da prova, e que a fiscalização não procurou entender os critérios adotados como base do rateio de custos, apesar do Banco Itaú e da recorrente terem se colocado à disposição para esclarecimentos e comprovações. Acrescenta que da mesma forma, os julgadores de primeira instância não procuraram entender os critérios descritos nos laudos apresentados com a impugnação, limitandose a afirmar que o critério deve ser objetivo e que a recorrente é que deve comprovar a dedutibilidade dos custos, com irregular inversão do ônus da prova. Reproduz trechos da declaração de voto que integrou o acórdão da DRJ. Cita doutrina e jurisprudência, para afirmar que a receita líquida não é o único, mas apenas o procedimento mais utilizado, e que além da imputação direta, outros critérios podem ser aplicados, uma vez que o critério a ser escolhido não é fator determinante da correção do procedimento. Explica que com a adesão ao CRCC, passou a utilizar diversas áreas do Banco Itaú, tais como, financeira, controle econômico, consultoria jurídica, recursos operacionais, recursos humanos e suporte administrativo, e que, aplica não somente o critério de imputação direta, como também, o critério de apuração de custos varia em função do tipo de atividade exercida por cada uma das áreas e utilidades, e que em razão da diversidade dos critérios adotados, o aproveitamento de pessoal, de sistemas, de produtos e de tantos outros estariam devidamente esclarecidos e respaldados em laudos de avaliação dos critérios adotados para a apuração do rateio de convênio de rateio de custos comuns, elaborados por Boucinhas e Campos Auditores Independentes para todos os períodos autuados. Esclarece que de acordo com os laudos utilizou a estrutura das várias áreas de controle econômico, financeira, consultoria jurídica, recursos humanos e materiais, suporte administrativo, área comercial e correspondência, e que essas áreas podem ser divididas em superintendências, assessorias e departamentos, que em razão das características das atividades exercidas, adota critérios de apropriação de custos de diversas maneiras. Com o recurso foram apresentados: a) Parecer Técnico quanto aos procedimentos contábeis do Banco Itaú, relacionados ao convênio rateio de custos comuns com empresas ligadas, face a termos de verificação fiscal da Receita Federa, produzido pela FIPECAFI, de junho de 2006, doc. 4; b) Relatório de revisão especial sobre convênio de rateio de custos comuns de janeiro/99 a dezembro/2003, produzido pela BDO Trevisan, de julho de 2006, doc. 5; c) Relatório de avaliação dos métodos utilizados no convênio de rateio de custos comuns do conglomerado Itaú nos exercícios de 2002 e 2003 produzido por Moore Stephens de junho de 2006, doc. 6. Fl. 11DF CARF MF Impresso em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 16327.000591/200595 Acórdão n.º 140200.844 S1C4T2 Fl. 11 11 Afirma a recorrente que tais laudos validam os critérios e os procedimentos relativos ao referido convênio, que os critérios são objetivos e perfeitamente coerentes com as atividades compartilhadas, que estão devidamente demonstrados. A seguir, a recorrente aborda os efeitos das autuações nas empresas conveniadas. Aduz que na remota hipótese do lançamento vier a ser mantido, o mesmo critério deve ser usado para todas as empresas conveniadas, com todos os efeitos fiscais daí decorrentes, pois o autuante em nenhum momento contesta o montante global dos custos rateados, e limita sua discordância ao critério de apuração dos custos, substituindoo, sob o pretexto de ausência de prova documental, por outro critério. Ressalta que nas empresas conveniadas em que, segundo o método de apuração pelo custo indireto tido como correto no auto de infração, foi apurada despesa a maior do que a efetivamente imputada pelo critério adotado pela recorrente, a fiscalização limitouse a encerrar a ação fiscal, sem nada dizer, o que significa, que o fisco está exigindo do recorrente, tributo, que ao final das contas, já foi pago por outra empresa conveniada, o que ofende a moralidade administrativa. Acrescenta que a autoridade autuante da DEINF/RJ (processo 19740.000090/200606), decorreu da auditoria realizada no Banerj no ano de 2003, a qual revelou a existência de um contrato de rateio de custos comuns celebrado entre o Banco Itaú e as empresas conveniadas. Explica que o autuante da DEINF/RJ glosou todas as despesas incorridas a título de rateio de custos comuns de empresa domiciliada em RJ, sem estabelecer um critério de rateio, o que evidenciaria, arbitrariedade no procedimento fiscal adotado pelo autuante no caso em dissídio, assim como, no caso da empresa conveniada em RJ, denunciando a fragilidade do critério imposto. Salienta que ainda que nenhuma das alegações prospere, verificouse que no ano de 2001, apesar de o autuante ter partido das informações que lhe foram prestadas, relativas à receita bruta das empresas conveniadas, tais informações tinham equívoco de digitação, o que gerou distorção na proporcionalização efetuada. Anexa demonstrativo que evidencia o efeito do equívoco, que permitiria verificar que a receita bruta auferida pela recorrente, em 2001, corresponde a 0,02710318%, da receita total das empresas conveniadas, e não a 0,00847348%, calculados pelo autuante, o que faz com que a base de cálculo dos créditos que teriam deixado de ser recolhidos se altere substancialmente (doc. 7). Aduz que na remota possibilidade de o auto de infração ser mantido, o cálculo deve ser corrigido a fim de que a exigência esteja pautada na correta proporcionalização dos custos, a qual foi reconhecida na decisão proferida nos autos do proc. 16327.001718/200593 (doc. 8), o que resultará no cancelamento do auto de infração por falta de base de cálculo no período auditado. Pede ao final (i) que seja reconhecida a nulidade do auto de infração, em razão de ausência de provas capazes de motivar o auto de infração, (ii) que os critérios de rateio adotados pela recorrente sejam acolhidos, com a finalidade de reconhecer a dedutibilidade total dos custos e despesas decorrentes do contrato de rateio de custos comuns, incorridos no período para a recomposição do saldo do prejuízo fiscal (iii) caso essas alegações não sejam suficientes, pede perícia técnica. Este é o relatório. Fl. 12DF CARF MF Impresso em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 16327.000591/200595 Acórdão n.º 140200.844 S1C4T2 Fl. 12 12 Voto Conselheira Albertina Silva Santos de Lima O recurso atende às condições de admissibilidade e deve ser conhecido. Tratase de lançamento decorrente de glosa de custos, no valor de R$ 73.968,58, do anocalendário de 2001. Para o IRPJ foi compensado o prejuízo fiscal apurado no anocalendário de 2001, de R$ 400,69. Foi recomposta a base de cálculo negativa da CSLL, e face à reversão da base negativa apurada para o anocalendário de 2001, a contribuinte compensou indevidamente, no anocalendário de 2002, a quantia de R$ 46.060,46. Tudo resultou na base de cálculo do IRPJ de R$ 73.567,89, no anocalendário de 2001, e base de cálculo da CSLL de R$ 27.906,12 para o anocalendário de 2001 e de R$ 46.060,46 para o anocalendário de 2002. Ao não ser apresentada qualquer prova relativa à efetiva utilização dos serviços disponibilizados pelo Banco Itaú, e não tendo sido apresentada a forma de rateio desses serviços, a fiscalização aplicou o método de custeio indireto, com base na participação da receita bruta da autuada em relação ao total da receita bruta das empresas do grupo Itaú participantes do “Convênio de Rateio de Custos Comuns” e aplicou esse percentual ao total das despesas a que se refere o Convênio e tributou a diferença entre os valores deduzidos e os obtidos por esse método. A Turma Julgadora manteve o lançamento por entender que a falta da comprovação da efetiva utilização dos serviços, que subsidiaram o rateio, impossibilita a fiscalização de verificar os três requisitos fundamentais para a dedutibilidade das despesas: necessidade, usualidade e normalidade. As preliminares de nulidade pela falta de motivação e por inversão do ônus da prova, confundemse com as questões de mérito do lançamento, devendo ser apreciadas no contexto do enfrentamento do mérito. A fiscalização realizou ação fiscal em empresas do grupo Itaú, participantes do Convênio de Rateio de Custos Comuns, relativas ao período de 1999 a 2003. O Banco Itaú S/A foi intimado a identificar e qualificar os funcionários que teriam prestado serviços ao Banco Itaú de Investimento, para: a) discriminar os custos salariais mensais, o custo total de cada funcionário; b) destacar a parcela debitada à empresa contratante pela utilização dos respectivos serviços; c) Comprovar com documentação hábil e idônea a efetiva prestação de serviços que teriam sido prestados pelo Banco Itaú ao Banco Itaú de Investimento. O Banco Itaú respondeu que em razão do conjunto de empresas envolvidas no compartilhamento de custos, a identificação/qualificação dos funcionários envolvidos Fl. 13DF CARF MF Impresso em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 16327.000591/200595 Acórdão n.º 140200.844 S1C4T2 Fl. 13 13 ficaria prejudicada, visto que eles não se dedicavam exclusivamente ao produto ou à empresa. Esclareceu ainda que o processo de rateio abrange imenso volume de informações, por envolver praticamente toda estrutura operacional do conglomerado Itaú, motivo pelo qual se colocou ao inteiro dispor, para os esclarecimentos que fossem necessários, inclusive pessoalmente. A recorrente também foi intimada a comprovar a efetiva utilização dos serviços prestados pelo Banco Itaú, o rateio dos valores pagos, com discriminação dos funcionários que teriam sido utilizados, custo bruto desses funcionários, total de horas trabalhadas, total de horas apropriadas ao rateio, e a comprovação de que os referidos gastos foram necessários às atividades realizadas. Em resposta, ratificou as informações prestadas pelo Banco Itaú e esclareceu não tratarse de prestação de serviços, mas sim de compartilhamento de estrutura material e pessoal e que referemse a despesas operacionais para atendimento das necessidades das contratantes, nas áreas de auditoria, contencioso judicial, consultoria jurídica, contabilidade/finanças, recursos operacionais e humanos. Em seguida, a ação fiscal foi encerrada, e a empresa foi autuada com base no método indireto, tendo como parâmetro, a participação da receita bruta da autuada no total da receita bruta das empresas participantes do Convênio. A fiscalização com os dados que dispunha até então, adotou o método indireto mencionado, entretanto, constatase que a ação fiscal foi encerrada precipitadamente sem o devido aprofundamento para a caracterização da infração. Registrese que não há acusação de que o grupo Itaú tenha manipulado os valores de despesas rateados. Transcrevo trecho do voto condutor do acórdão 110300.337/2010, de relatoria do Conselheiro Aloysio José Percínio da Silva, pois, cotejandose os elementos destes autos com os dados do respectivo acórdão, constatase, que tratase dos mesmos fatos e razões de direito. No mérito, conforme relatado, a autoridade fiscal rejeitou o critério de rateio de custos comuns adotado pelas conveniadas do conglomerado Itaú por falta de comprovação documental, mediante apresentação de planilhas demonstrativas de homens/hora utilizados, bem como de “qualquer prova, ou indícios de prova” da efetiva utilização dos serviços. A recorrente, por sua vez, procurou provar o acerto do rateio por meio dos laudos e pareceres das fls. 139/209, 317/359, 360/372 e 376/456. Inexiste controvérsia quanto à classificação dos dispêndios como despesa operacional dedutível na apuração das bases tributáveis. Em que pese a infração estar baseada também em ausência de prova do contribuinte da efetiva utilização dos serviços, o TVF contém informação suficiente para afastar tal acusação (fls. 64): “Outrossim, é inegável a eventual participação de funcionários do Banco Itaú S/A em serviços junto às empresas do Fl. 14DF CARF MF Impresso em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 16327.000591/200595 Acórdão n.º 140200.844 S1C4T2 Fl. 14 14 “conglomerado Itaú”, participantes do Convênio de Rateio de Custos Comuns, incluindo a ITAÚ CORRETORA DE VALORES S/A. Assim, não há que se negar que, por exemplo, gerentes de agências do Banco Itaú S/A teriam vendido títulos de capitalização (Itaú Capitalização S/A); teriam vendido apólices de seguros (Itaú Seguros), teriam vendido títulos de renda fixa ou variável; teriam vendido cartões de crédito; que funcionários de seu departamento de contabilidade teriam feito a contabilidade dessas empresas, como também advogados do departamento jurídico do Banco Itaú S/A teriam elaborado defesas, impugnações, em processos nos quais tais empresas sejam demandadas.” A descrição fornecida pela autoridade fiscal, acima transcrita, confirma a efetiva utilização compartilhada da estrutura de recursos centralizada no Itaubanco, ratificando o que se encontra estipulado no item 1 do CRCC. Também reforçam a minha convicção as descrições exaustivas dos procedimentos encontradas nos laudos e pareceres citados e a notoriedade da adoção de tais práticas entre empresas integrantes de grupos societários. Em suma, pareceme incontestável a existência da estrutura compartilhada e a sua efetiva utilização. O problema maior está localizado na quantificação dos custos rateados. (...) Examinandose o procedimento fiscal resumidamente descrito acima, constatase que a fiscalizada respondeu às intimações informando que o dado solicitado – custo salarial – era irrelevante na sua apuração e se pôs à disposição da fiscalização para os esclarecimentos necessários. Em seguida, o auto de infração foi lavrado sem verificação pela autoridade fiscal do método adotado pela contribuinte. Dessa forma, vêse que a fiscalizada forneceu os elementos que considerou suficientes para corroborar os seus lançamentos contábeis, enquanto a fiscalização abdicou da realização do exame necessário à comprovação da infração indicada. Na minha visão, a exigência não deve prosperar. Merece destaque a observação da julgadora Selene Ferreira de Moraes, que assim se manifestou na declaração de voto integrante do acórdão refutado: “No presente caso, não ficou comprovada a recusa ou a prestação insatisfatória de esclarecimentos por parte da contribuinte, pois os documentos e esclarecimentos apresentados permitiam à fiscalização diligenciar no sentido de desfazer a veracidade ou as condições de dedutibilidade das despesas rateadas. De mais a mais, os elementos coligidos pela fiscalização são insuficientes Fl. 15DF CARF MF Impresso em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 16327.000591/200595 Acórdão n.º 140200.844 S1C4T2 Fl. 15 15 para comprovar que não foi utilizado o método direto para o rateio de custos. Frisese, não só das despesas de pessoal, como também dos outros custos operacionais decorrentes do compartilhamento da estrutura material.” Concordo com os fundamentos acima descritos, razão pela qual considero que a glosa de despesas é indevida. Ressaltese que sobre o rateio de despesas centralizadas no Banco Itaú, há vários julgados no extinto 1º CC e atual CARF, 1ª Seção, que convergem para a conclusão da improcedência da glosa de despesas. São eles: a) acórdão 10196.357, de 17.10.2007, proc. 16327.000014/200501, Itaú Gráfica Ltda, de relatoria do Cons. Valmir Sandri; b) acórdão 10196.525, de 23.01.2008, proc. 16327.000016/200592, Itaú Gestão de Ativos S/A, de relatoria do Cons. Valmir Sandri; c) acórdão 10709.588, de 17.12.2008, proc. 19740.000004/200656, BANERJ S/A, de relatoria do Cons. Luiz Martins Valero; neste a glosa de despesas relativas ao rateio foi total; d) acórdão 10196.600, de 06.03.2008, proc. 16327.001227/200542, Banco Itaú BBA S/A, voto vencido do Cons. Valmir Sandri, mas vencedor nessa parte; e) acórdão 110300.453, de 24.05.2011, proc. 16327.001718/200593, Banco Itaú S/A, de relatoria do Cons. Aloysio José Percínio da Silva. Deixo de apreciar os demais argumentos da recorrente, por não serem necessários à solução da lide. Em razão da estreita relação de causa e efeito, aplicase esta decisão também à exigência da CSLL, por decorrer dos mesmos fatos. Do exposto, oriento meu voto para dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Relatora Fl. 16DF CARF MF Impresso em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 16327.000591/200595 Acórdão n.º 140200.844 S1C4T2 Fl. 16 16 Fl. 17DF CARF MF Impresso em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 13888.916056/2011-52
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 13 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/08/2001
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ADMISSIBILIDADE.
A admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido.
Conseqüentemente, não há que se falar divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas, que atraem incidências específicas, cada qual regida por legislação própria.
Da mesma forma, se os acórdãos apontados como paradigma só demonstram divergência com relação a um dos fundamentos assentados no acórdão recorrido e o outro fundamento, por si só, é suficiente para a manutenção do decisum, não há como se considerar demonstrada a necessária divergência de interpretação.
Recurso Especial do Contribuinte não Conhecido.
Numero da decisão: 9303-006.160
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201712
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/08/2001 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ADMISSIBILIDADE. A admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido. Conseqüentemente, não há que se falar divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas, que atraem incidências específicas, cada qual regida por legislação própria. Da mesma forma, se os acórdãos apontados como paradigma só demonstram divergência com relação a um dos fundamentos assentados no acórdão recorrido e o outro fundamento, por si só, é suficiente para a manutenção do decisum, não há como se considerar demonstrada a necessária divergência de interpretação. Recurso Especial do Contribuinte não Conhecido.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Fri Feb 09 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 13888.916056/2011-52
anomes_publicacao_s : 201802
conteudo_id_s : 5829603
dt_registro_atualizacao_tdt : Sat Feb 10 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 9303-006.160
nome_arquivo_s : Decisao_13888916056201152.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : RODRIGO DA COSTA POSSAS
nome_arquivo_pdf_s : 13888916056201152_5829603.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
dt_sessao_tdt : Wed Dec 13 00:00:00 UTC 2017
id : 7112978
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:12:21 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050007115923456
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1936; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13888.916056/201152 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303006.160 – 3ª Turma Sessão de 13 de dezembro de 2017 Matéria DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. Recorrente FÊNIX EMPREENDIMENTOS S.A. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/08/2001 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ADMISSIBILIDADE. A admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido. Conseqüentemente, não há que se falar divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas, que atraem incidências específicas, cada qual regida por legislação própria. Da mesma forma, se os acórdãos apontados como paradigma só demonstram divergência com relação a um dos fundamentos assentados no acórdão recorrido e o outro fundamento, por si só, é suficiente para a manutenção do decisum, não há como se considerar demonstrada a necessária divergência de interpretação. Recurso Especial do Contribuinte não Conhecido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 91 60 56 /2 01 1- 52 Fl. 157DF CARF MF Processo nº 13888.916056/201152 Acórdão n.º 9303006.160 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pela Contribuinte com fundamento nos artigos 64, inciso II, 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, contra ao Acórdão nº 3802002.826, que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/08/2001 PIS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718, DE 1998, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC Nº 20/98. A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal. Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, “b”, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional no 20, de 1998. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/08/2001 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO MATERIAL NÃO DEMONSTRADO. RECURSO NÃO PROVIDO. Realidade em que o sujeito passivo, embora abrigado, em tese, pela inconstitucionalidade do § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98, não demonstrou nos autos o alegado recolhimento indevido, requisito indispensável ao gozo do direito à restituição previsto no inciso I do artigo 165 do Código Tributário Nacional. A não comprovação, portanto, do indébito, impede seja reconhecido o direito à restituição pleiteada. Recurso a que se nega provimento". Não conformada com tal decisão a Contribuinte interpôs o presente recurso. Visando comprovar o dissenso jurisprudencial apontou como paradigmas os Acórdãos nºs 3302002.226 e 330201.748. Mediante despacho de admissibilidade do Presidente da Segunda Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF foi dado seguimento ao recurso. Fl. 158DF CARF MF Processo nº 13888.916056/201152 Acórdão n.º 9303006.160 CSRFT3 Fl. 4 3 Devidamente cientificada, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões nas quais requer o nãoconhecimento do recurso especial interposto pela Contribuinte. Alternativamente, requer, no mérito, que seja negado provimento ao recurso, mantendose o acórdão proferido pela eg. Turma a quo por seus próprios fundamentos. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303006.142, de 13/12/2017, proferido no julgamento do processo 13888.916042/201139, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303006.142): "O Recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, restando contudo investigar adequadamente o atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade, prerrogativa, em última análise, da composição plenária da Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, a qual tem competência para não conhecer de recurso especiais nos quais não estejam presentes os pressupostos de admissibilidade respectivos. Primeiramente, se faz necessário relembrar e reiterar que a interposição de Recurso Especial junto à Câmara Superior de Recursos Fiscais, ao contrário do Recurso Voluntário, é de cognição restrita, limitada à demonstração de divergência jurisprudencial, além da necessidade de atendimento a diversos outros pressupostos, estabelecidos no artigo 67 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Por isso mesmo, essa modalidade de apelo é chamada de Recurso Especial de Divergência e tem como objetivo a uniformização de eventual dissídio jurisprudencial, verificado entre as diversas Turmas do CARF. Neste passo, ao julgar o Recurso Especial de Divergência, a Câmara Superior de Recursos Fiscais não constitui uma Terceira Instância, mas sim a Instância Especial, responsável pela pacificação dos conflitos interpretativos e, conseqüentemente, pela garantia da segurança jurídica dos conflitos. Após essa breve introdução, passemos, então, ao exame de admissibilidade do Recurso Especial. A divergência suscitada pela Contribuinte em razão do acórdão recorrido ter decidido que o Recorrente não teria demonstrado nos autos o recolhimento indevido, pois apesar de ter acostado documentos, deixou de retificar a DCTF e o DACON, sendo que este último seria imprescindível para se confirmar a alegada inclusão indevida de receitas não tributáveis, na base de cálculo da contribuição em questão. Verificase que o voto condutor da decisão recorrida, o recurso voluntário não mereceu provimento sob o fundamento de que: Fl. 159DF CARF MF Processo nº 13888.916056/201152 Acórdão n.º 9303006.160 CSRFT3 Fl. 5 4 "Agora, além dos documentos acima citados, a suplicante acosta aos autos cópias das folhas do Livro Razão inerentes à contabilização das receitas financeiras do período (ver fls. 80/81). Todavia, permanece sem apresentar a DCTF retificadora, o mesmo podendo ser dito em relação à DIPJ retificadora e ao DACON retificador. Ou seja, mesmo considerando a possibilidade de retificação de ofício da DCTF por parte da autoridade administrativa – acaso demonstrada a legitimidade da correção dos valores declarados – , entendimento que esta Turma tem adotado em muitos de seus julgados, não se pode olvidar da necessidade de apresentação dos documentos comprobatórios do reclamado indébito, dentre os quais o DACON retificador, imprescindível para verificar se, na base de cálculo da contribuição, foram originalmente consideradas as receitas financeiras do sujeito passivo, fonte do direito creditório reclamado. Sem a devida comprovação não há como afirmar que o crédito reclamado é indevido, ainda que admitidas as novas provas acostadas aos autos (Livro Razão) em homenagem ao princípio da efetividade do processo, que tem como norte um processo menos formalista, que deságua na busca pela verdade material. Mas esta há que ser harmonizada com a segurança e a celeridade exigidas nas lides administrativas, não se podendo transferir para o Fisco o ônus de comprovar o direito creditório alegado, que é do sujeito passivo, a teor do disposto no artigo 333, inciso I, do CPC". Como se observa, a decisão recorrida, fundamentou que a Contribuinte não comprovou o direito ao crédito reclamado, se desincumbiu do ônus probatório consistente em demonstrar o seu direito creditório. Isto é, não comprovou que houve erro ou pagamento a maior hábil a gerar o indébito alegado. Por outro lado, o acórdão paradigma nº 330201748, analisou tão somente a questão relativa a necessidade de retificação da DCTF em momento anterior à apresentação da DCOMP. Além disso, naquele caso o Sujeito Passivo providenciou a retificação da DCTF, circunstância que não se verifica no presente caso. Transcrevo parte do aresto: “Como relatado, a empresa Recorrente apurou a existência de pagamento indevido de Cofins e o utilizou para compensação de débito seu, apresentando a competente PER/DCOMP sem, contudo, efetuar a retificação da DCTF anteriormente apresentada. Corretamente, a DRF verificou que o valor do pagamento (Darfs) informado pela Recorrente foi integralmente aproveitado no débito informado na DCTF e, por esta razão, não reconheceu a existência de crédito e não homologou a compensação declarada. Somente após a ciência da decisão que não homologou a compensação declarada é que a Recorrente providenciou a retificação da DCTF e ingressou com manifestação de inconformidade, esta indeferida pela DRJ porque a DCTF fora apresentada após a ciência do Despacho Decisório da DRF e porque a Recorrente não apresentou a prova da existência do crédito alegado. Por seu turno, no recurso voluntário a empresa Recorrente sustente que o crédito efetivamente existe e está devidamente provado nos autos e que efetuou a retificação da DCTF após a ciência do despacho decisório. Concluindo: à mingua de previsão legal, a falta de apresentação de DCTF retificadora, ou a sua apresentação após a emissão do Despacho Decisório, por si só, não se constitui em motivo para o indeferimento do pedido de restituição e, conseqüentemente, para a não homologação da compensação declarada pela Recorrente. Deve, portanto, a autoridade administrativa da RFB apurar a liquidez e a certeza do crédito pleiteado considerando todas as provas trazidas aos autos e outras que julgar imprescindível para apurar a verdade material e formar sua convicção.” Fl. 160DF CARF MF Processo nº 13888.916056/201152 Acórdão n.º 9303006.160 CSRFT3 Fl. 6 5 Neste mesmo sentido, o acórdão paradigma nº 3302002.226, trata de situação na qual foi apresentado o DACON retificador. Vejamos: Por seu turno, no recurso voluntário a empresa Recorrente sustente que o crédito efetivamente existe e está devidamente provado nos autos e que efetuou a retificação da DCTF após a ciência do despacho decisório. Relatório “Por bem retratar a matéria tratada no presente processo, transcrevo o relatório produzido pela DRJ de Brasília: (...) Considerado cientificado dessa decisão em 22/10/2009, bem como da cobrança dos débitos confessados na Dcomp, o sujeito passivo apresentou em 23/11/2009, manifestação de inconformidade à fl. 2 a 6, acrescida de documentação anexa. A contribuinte alega que houve inúmeros erros na consolidação dos dados da apuração da contribuição, o que teria originado o crédito pleiteado. Retificou a Dacon do período para demonstrar o valor que seria realmente devido. Anexa cópias das declarações retificadas. Voto “Em síntese, a Recorrente advoga a existência de pagamentos indevidos e junta ao processo a Dacon retificadora transmitida em data anterior ao despacho decisório exarado pela DRF.” Como se vê, as decisões paragonadas não se identifica semelhança fática, o acórdão recorrido entendeu imprescindível a apresentação dos documentos comprobatórios do indébito, dentre os quais o DACON retificador, para verificar se, na base de cálculo da contribuição, foram originalmente consideradas as receitas financeiras da Contribuinte, fonte do direito creditório guerreado. Por outro lado, Os acórdãos indicados como paradigmas, não apresentam similitude fática, considerada relevante para o resultado do julgamento. No que tange o acórdão nº 330201748, nada fala sobre a questão da apresentação do DACON retificador. Além disso, traz o fundamento com o qual concorda a Turma a quo, relativa à necessidade ou não de retificação da DCTF em momento anterior à emissão do despacho decisório. Se a presente controvérsia girasse apenas em torno dessa matéria, a Turma a quo poderia ter acatado a pretensão da Contribuinte. A decisão recorrida encampou o fundamento de que: “mesmo considerando a possibilidade de retificação de ofício da DCTF por parte da autoridade administrativa – acaso demonstrada a legitimidade da correção dos valores declarados –, entendimento que esta Turma tem adotado em muitos de seus julgados”. Sem embargo, a retificação do DACON, embora, possa parecer irrelevante para o Acórdão n. 3302002.226, o mesmo não ocorre em relação a decisão recorrida. Entretanto, o fato é que essa retificação do DACON ocorreu no caso discutido no acórdão indicado como paradigma (Acórdão nº 3302002.226), ao passo que o mesmo não se verificou no presente caso. Fl. 161DF CARF MF Processo nº 13888.916056/201152 Acórdão n.º 9303006.160 CSRFT3 Fl. 7 6 Com efeito, a situação examinada pelo Acórdão n. 3302002.226, poderia a Turma a quo ter decidido de forma diversa, ou acolhendo a pretensão da contribuinte, ou determinando o retorno dos autos em diligência. O fato é que ocorreu na situação abordada pelo Acórdão n. 3302002.226 circunstância relevante, não presente na decisão recorrida, que poderia ter alterado a convicção ou a fundamentação do colegiado a quo. O contexto fático exposto nas decisões paradigmas e no acórdão recorrido, patente pela leitura das passagens acima transcritas, demanda do mesmo modo, que o recurso especial não seja conhecido em face da ausência de demonstração de que, discutindo casos similares, foi dada interpretação jurídica diversa. Neste sentido, O Manual de Exame de Admissibilidade de Recurso Especial (versão atualizada, pg.30) estabelece que: O RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, assim estabeleceu, em seu art. 67, § 1º, do Anexo II: "§ 1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar de forma objetiva qual a legislação que está sendo interpretada de forma divergente." Em 15 de fevereiro de 2016, foi publicada a Portaria MF nº 39, de 12 de fevereiro de 2016, com a seguinte redação: “§ 1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar a legislação tributária interpretada de forma divergente.” Neste sentido, não tomo conhecimento do Recurso interposto pela Contribuinte, em razão de não ter sido comprovada divergência, e similitude fática, nos termos do § 1º da Portaria MF nº 39, de 12 de fevereiro de 2016." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do contribuinte não foi conhecido. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 162DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12045.000399/2007-76
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Apr 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/1999 a 30/11/1999
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE.
Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista a ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigma.
Numero da decisão: 9202-006.616
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 12045.000438/2007-35, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Júnior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201803
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/1999 a 30/11/1999 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista a ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigma.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Fri Apr 20 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 12045.000399/2007-76
anomes_publicacao_s : 201804
conteudo_id_s : 5855367
dt_registro_atualizacao_tdt : Sat Apr 21 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 9202-006.616
nome_arquivo_s : Decisao_12045000399200776.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : MARIA HELENA COTTA CARDOZO
nome_arquivo_pdf_s : 12045000399200776_5855367.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 12045.000438/2007-35, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Júnior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
dt_sessao_tdt : Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
id : 7237410
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:16:18 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050007120117760
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1644; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 2 1 1 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 12045.000399/200776 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202006.616 – 2ª Turma Sessão de 21 de março de 2018 Matéria PAF NULIDADE CERCEAMENTO DE DEFESA Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado M.I. MONTREAL INFORMÁTICA S.A. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/1999 a 30/11/1999 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista a ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigma. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 12045.000438/200735, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Júnior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 04 5. 00 03 99 /2 00 7- 76 Fl. 864DF CARF MF 2 Relatório Em sessão plenária foi julgado o Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão assim ementado: LANÇAMENTO DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. ESTABELECIMENTO CENTRALIZADOR. DIREITO ASSEGURADO AO CONTRIBUINTE. CTN. Da leitura do caput do artigo 127 do CTN verificase que a eleição de domicilio tributário é prerrogativa do contribuinte e somente pode ser recusado pela autoridade fiscalizadora nas hipóteses comprovadas de impossibilidade ou dificuldade de realização da ação fiscal. O prejuízo para a defesa do contribuinte é patente, uma vez que a documentação fiscal exigida estava em localidade diversa daquela eleita pelos auditores, o que dificultou a sua apresentação. Processo Anulado. Cientificada do acórdão, a Fazenda Nacional não interpôs Recurso Especial. A Contribuinte, por sua vez, intimada do acórdão, opôs Embargos de Declaração, o que motivou a prolação de Acórdão de Embargos, assim ementado: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO. Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado pelo Conselho correto o acolhimento dos embargos de declaração visando sanar o vicio apontado. LANÇAMENTO. VÍCIO MATERIAL. A impossibilidade do contribuinte de apresentar sua defesa, por estar a documentação fiscal exigida em localidade diversa daquela eleita pelos auditores, caracteriza vício substancial, material, uma nulidade absoluta. Embargos Acolhidos A decisão foi assim registrada: Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em acolher os embargos de declaração nos termos do voto do Relator; b) em declarar a nulidade do lançamento, nos termos do voto do Relator; II) Por maioria de votos: a) em conceituar o vício no lançamento como material, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em conceituar o vício como formal. Cientificada do Acórdão de Embargos, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, com fundamento no art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado Fl. 865DF CARF MF Processo nº 12045.000399/200776 Acórdão n.º 9202006.616 CSRFT2 Fl. 3 3 pela Portaria MF nº 256, de 2009, vigente à época, visando rediscutir a nulidade do lançamento. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme Despacho de Admissibilidade. Em seu apelo, a Fazenda Nacional alega, em síntese: dispõe o Decreto n 70.235, de 1972, arts. 59 c/c 60, que o processo administrativo fiscal somente será declarado nulo na ocorrência de uma das seguintes hipóteses: a) quando se tratar de ato/decisão lavrado ou proferido por pessoa incompetente; b) resultar em inequívoco cerceamento de defesa à parte; na hipótese em apreço, o equívoco no procedimento adotado pela autoridade fiscal, que realizou a fiscalização em local distinto daquele eleito pelo contribuinte como domicílio tributário, acarretando, em tese, prejuízo ao seu direito de defesa, tem, nitidamente, caráter formal; conforme já salientado, tratase de defeito procedimental que gera, no máximo, vício de natureza formal; os atos eivados de vício material não são passíveis de convalidação, não podem ser corrigidos, devendo ser obrigatoriamente anulados; por sua vez, os atos com vício de forma, podem ser convalidados ou repetidos, dessa vez sem o defeito original; na seara tributária, então, tal distinção tem o condão de permitir o reinício do prazo decadencial para o lançamento, uma vez que o art. 173, II, do CTN, estabelece que o prazo de 5 (cinco) anos para constituição do crédito tributário será contado a partir da “data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado”; assim, ante todo o até aqui exposto, a única conclusão possível é a de que o vício procedimental gera defeito de ordem formal, o que permite: (i) a convalidação do ato, mediante o suprimento do vício, ou (ii) a repetição do ato, desta vez sem o vício que culminou na sua anulação; nesse contexto, concluise que o vício no procedimento fiscalizatório que acarretou cerceamento ao direito de defesa da parte tem natureza formal (e não material), razão pela qual merece ser reformado o acórdão ora recorrido. Ao final, a Fazenda Nacional requer, seja conhecido e provido o Recurso Especial, para que a decisão recorrida seja reformada, considerandose que o vício observado no acórdão é formal e não material. Em alguns casos desse lote repetitivo, o pedido é no sentido de que se mantenha incólume o lançamento. Cientificada do Acórdão de Embargos, do Recurso Especial da Procuradoria e do despacho que lhe deu seguimento, a Contribuinte quedouse silente. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Fl. 866DF CARF MF 4 Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202006.613, de 20/03/2018, proferido no julgamento do processo 12045.000438/200735, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202006.613): O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, restando perquirir se atende aos demais pressupostos de admissibilidade. Tratase de ação fiscal desenvolvida em estabelecimento diverso daquele eleito como domicílio tributário pela Contribuinte. No acórdão recorrido, considerouse que ocorreu nulidade por vício material. No Recurso Especial, a Fazenda Nacional visa rediscutir a nulidade do lançamento, sob o pressuposto de que o domicílio tributário deve ser interpretado sempre no interesse da fiscalização e de que, se não houve demonstração do prejuízo ao Contribuinte pelo fato de a ação fiscal ter ocorrido em outro estabelecimento, não há nulidade. Salientese que, em um primeiro momento, o Colegiado a quo declarou a nulidade do lançamento por vício formal, oportunidade em que a Fazenda Nacional expressamente informou que não haveria a interposição de Recurso Especial. Em face de Embargos de Declaração opostos pela Contribuinte, a natureza do vício foi alterada para material. Nesse passo, embora o paradigma indicado pela Fazenda Nacional em seu Recurso Especial conclua pela inexistência de nulidade, na maioria dos processos que compõem esse lote repetitivo o pedido é no sentido de que seja declarada a ocorrência de vício formal, embora em alguns poucos o pedido seja para que se considere incólume o lançamento. Entretanto, independentemente do pedido da Recorrente, de plano cabe consignar que a divergência jurisprudencial somente resta demonstrada quando, confrontadas situações fáticas similares, são adotadas soluções diversas, em face de interpretação divergente da legislação tributária. Nesse passo, é de fundamental importância averiguar as situações fáticas retratadas nos julgados em cotejo. No caso do acórdão recorrido, conforme consta do voto e não foi contraditado pela Fazenda Nacional tratase de fiscalização de períodos posteriores a 1996, sendo que a Contribuinte já havia, desde 1995, alterado sua matriz e domicílio tributário, da Rua São José, 90, 7° andar, Centro, Rio de Janeiro/RJ, para a Rua Capitão Jorge Soares, 04, Rio das Flores/RJ. Entretanto, a ação fiscal foi realizada no estabelecimento 42.563.692/001289, endereço da antiga sede, no Centro do Rio de Janeiro. A questão foi levada ao Poder Judiciário, que decidiu que o domicílio tributário a ser considerado era aquele eleito pela Contribuinte, ou seja, em Rio das Flores. Confirase: Fl. 867DF CARF MF Processo nº 12045.000399/200776 Acórdão n.º 9202006.616 CSRFT2 Fl. 4 5 "DAS QUESTÕES PRELIMINARES 2. Creio que o Colegiado deve enfrentar, primeiramente, a irregularidade cometida pelo fisco e que é suficiente para determinar a anulação do lançamento fiscal, qual seja o desrespeito, por parte da autoridade fiscalizadora, do domicílio tributário do sujeito passivo. 3. Compulsando os autos, verificase que a auditoria fiscal realizada no estabelecimento da recorrente, através do Termo de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD, determinou que a documentação fosse apresentada no estabelecimento 42.563.692/001289 situado na Rua São José, 90 7° andar Centro Rio de Janeiro/RJ e lá permanecesse até o encerramento da ação fiscal. 4. O contribuinte argumenta que, de acordo com seu contrato social e outros documentos acostados aos autos, o domicílio tributário estava situado na Rua Capitão Jorge Soares, 04 Rio das Flores Volta Redonda/RJ. 5. O fisco, por sua vez, tenta afastar os argumentos do contribuinte trazendo aos autos indícios de prova no sentido de que a empresa elegeu como domicílio tributário o estabelecimento em que se desenvolveu o procedimento fiscalizatório, portanto não haveria razão alguma para anular o lançamento fiscal. 6. A questão foi levada ao Judiciário. Em consulta realizada sobre o andamento do processo, constatase que houve trânsito em julgado em favor do recorrente. Com efeito, o Tribunal Regional Federal da 2" Região entendeu que os motivos trazidos pela Procuradoria do INSS para justificar a fiscalização em estabelecimento distinto ao eleito como domicílio tributário foram insuficientes para a aplicação do artigo 127, §2° do CTN. Segue transcrição do voto vencedor, ementa, acórdão e fase processual: "VOTO O Código Tributário Nacional proclama, em seu art. 127, inciso II, que, na falta de eleição, pelo contribuinte ou responsável, de domicilio tributário, será este o do lugar de sua sede, em se tratando de pessoa jurídica de direito privado. A Autora, de acordo com dado constante em seu CNPJ, encontra se em atividade desde o ano de 1976 (fls. 14). Por conta da 20ª alteração de seu Contrato Social, datada de 30 de janeiro de 1995 (fls. 202/204), promoveu a transferência de sua sede, originariamente estabelecida na Rua São José, nº 90 Centro, Rio de Janeiro/RJ, para a Rua Capitão Jorge Soares, nº 04, no Município de Rio das Flores, Estado do Rio de Janeiro. Fl. 868DF CARF MF 6 Entendeu a Autarquiaprevidenciária que a Autora, ao promover a mudança de sua sede, e, por consectário legal, de seu domicílio tributário, buscou criar empecilhos à atuação fiscal da Divisão de Cobrança de Grandes Devedores, porquanto circunscrita ao limite territorial da Capital do Estado. Em razão desta situação, aplicou ao caso a regra positivada no § 2º do art. 127 do CTN, o qual permite que a autoridade administrativa recuse o domicílio eleito pelo contribuinte quando se torne impossível ou dificultosa a arrecadação ou a fiscalização do tributo. (...) a ilação feita pela autoridade administrativa a respeito do verdadeiro objetivo a ser alcançado pela parte autora com a alteração de sua sede não se sustenta diante de uma leitura mais apropriada dos dispositivos do CTN reguladores da matéria, nem tampouco se verificarmos atentamente a cronologia dos fatos ocorridos. Primeiramente, cabe consignar ser evidente a distinção existente entre (a) autonomia da pessoa jurídica para definir, em seus atos constitutivos, o local de sua sede e (b) faculdade de eleição, pelo contribuinte, de seu domicílio tributário. Da leitura do caput do artigo 127 do CTN verificase que, a princípio, a eleição de domicílio tributário é prerrogativa do contribuinte. Se o mesmo não o elege, passa a Administração a avaliar as alternativas legais para .sua definição, enumeradas nos incisos do referido artigo. Nesta situação, em se tratando de pessoa jurídica de direito privado, temse como domicílio tributário, ex vi do inciso II, o local de sua sede. A incidência, na espécie, da regra do §2º do art. 127 do CTN "A autoridade administrativa pode recusar o domicílio eleito... " não se revela apropriada, visto que a definição do domicílio fiscal da Autora em Rio das Flores não se deu em razão do exercício da faculdade de eleição, mas sim por conta da fixação de sua sede naquele Município, hipóteses que não guardam .similitude entre si. Noutro giro, entendo que o fato de a Autora figurar no rol de contribuintes sujeitos à atuação fiscal da Divisão de Cobrança de Grandes Devedores do INSS não se revela, por si só, motivo razoável a justificar a desconsideração de sua nova sede como sendo o seu domicilio tributário. O Município de Rio das Flores está localizado a apenas 180 Km de distancia da Cidade do Rio de Janeiro, não podendo tal circunstancia ser considerada como impeditiva do exercício, pelos agentes públicos vinculados ao aludido Órgão autárquico, da atividade de fiscalização /arrecadação de tributos. A opção administrativa do INSS de circunscrever aos limites territoriais da Capital do Estado a atuação da Divisão de Cobrança de Grandes Devedores, como consignado na contestação (fls. 93), não pode implicar restrição ao legítimo direito do contribuinte de, no livre exercício de sua atividade empresarial, e diante das conveniências e vantagens econômicas a serem eventualmente auferidas com a medida adotada, estabelecer sua sede onde melhor lhe aprouver. Ainda que não dispondo de dados estatísticos para dar esteio a presente ilação, podemos presumir que, tal como na Capital, há, Fl. 869DF CARF MF Processo nº 12045.000399/200776 Acórdão n.º 9202006.616 CSRFT2 Fl. 5 7 também, no interior do Estado do RJ, grandes devedores do INSS, o que não significa dizer que, por tal razão, deixe a Autarquia previdenciária de adotar as medidas administrativas necessárias para inscrição dos débitos existentes em Dívida Ativa e posterior ajuizamento de execuções fiscais, mesmo que sem a participação da Divisão de Cobrança de Grandes Devedores. Outro ponto merecedor de destaque, relevante ao deslinde da questão jurídica em testilha, é a constatação de que, da análise dos atos normativos administrativos expedidos pelo Ministério da Previdência Social, concernentes à definição da estrutura organizacional do INSS, as Divisões de Cobrança de Grandes Devedores só passaram a ter expressa previsão a partir do advento da Portaria MPAS nº 6.247, de 28 de dezembro de 1999, que, revogando a Portaria n" 458/92, aprovou o novo Regimento Interno daquela Autarquia. Cabe indagar, assim, como poderia a Autora, no ano de 1995. promover a mudança de sua sede buscando dificultar a atuação fiscal de um Órgão até então inexistente? Destarte, entendo que os motivos invocados pelo Réu para recusar a sede da Autora como sendo o seu domicílio tributário carecem de maior consistência, impondose, portanto, no âmbito desta E. Corte, a reforma da r. sentença recorrida. Face ao acima exposto, dou provimento ao recurso para, reformando a sentença, julgar procedente o pedido e declarar como domicílio tributário da Autora a sua sede, situada na Rua Capitão Jorge Soares n" 04, Centro, Município de Rio das Flores RJ." EMENTA ADMINISTRATIVO ALTERAÇÃO DE SEDE DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO RECUSA PELA ADMINISTRAÇÃO ART. 127, § 2°, DO CTN. I Da leitura do caput do artigo 127 do CTN verificase que, a princípio, a eleição de domicílio tributário é prerrogativa do contribuinte. Se o mesmo não o elege, passa a Administração a avaliar as alternativas legais para sua definição, enumeradas nos incisos do referido artigo. Nesta situação, em se tratando de pessoa Jurídica de direito privado, temse como domicílio tributário, ex vi do inciso II, o local de sua sede. II A autonomia que a pessoa jurídica possui para definir, em seus atos constitutivos, o local de sua sede, não se confunde com exercício da faculdade de eleição do seu domicílio tributário. O § 2º do art. 127 do CTN permite que a autoridade administrativa recuse domicílio fiscal apenas quando este tenha sido fixado por eleição, e não em virtude de mudança de sede promovida por conta de alteração de contrato social da empresa. Fl. 870DF CARF MF 8 III Recurso provido." 7. Considerando a decisão judicial, temos como assegurado que o domicílio tributário da empresa recorrente é a sua sede, situada na Rua Capitão Jorge Soares nº 04, Centro, Município de Rio das Flores RJ, conforme defendido em suas razões recursais. Portanto, está eivado de nulidade o lançamento fiscal em seu nascedouro. 8. E o prejuízo para a defesa do contribuinte é patente, uma vez que a documentação fiscal exigida estava em localidade diversa daquela eleita pelos auditores, o que certamente dificultou a sua apresentação para o fisco. (...) 13. Há que se destacar ainda, porque importante, que o cerceamento do direito de defesa é nitidamente reconhecido, tendo em vista as autuações por falta de documentos e recusa em prestar esclarecimentos além dos inúmeros lançamentos por arbitramento, todos realizados com enorme gravame para o sujeito passivo. 14. Sem falar que ficou prejudicado o direito da empresa em acompanhar a ação fiscal e prestar os esclarecimentos necessários, o que denota clara afronta aos preceitos constitucionais garantidores da ampla defesa e do contraditório." Nesse contexto, o paradigma apto a demonstrar a alegada divergência seria representado por acórdão em que, em situação similar alteração da sede da empresa, e consequentemente do domicílio tributário, em data anterior ao início da fiscalização, com decisão judicial referendando o procedimento da Contribuinte e reconhecimento do prejuízo à defesa a conclusão fosse no sentido de se considerar como correto o estabelecimento eleito pela fiscalização, declarandose nulidade por vício formal. Entretanto, o paradigma indicado pela Fazenda Nacional Acórdão nº 20601.429 não se reveste destas características, já que trata de situação em que o Contribuinte intentou alterar o domicílio tributário, que era a sua sede e onde se desenvolvia a ação fiscal, após lavrada a NFLD, sem qualquer notícia acerca de decisão judicial ou de prejuízo à defesa. Pelo contrário, consta no paradigma que o Contribuinte apresentou toda a documentação solicitada. Ademais, o lançamento foi mantido na integralidade, e não anulado por vício formal, como pleiteia a Fazenda Nacional em quase todos os processos integrantes do lote. Confirase: "Quanto ao argumento de que não caberia fiscalização tributária em domicílio tributário diferente do local de origem dos fatos geradores, não assiste razão à recorrente. Não se pode esquecer que o domicilio tributário é interpretado pleiteia sempre no interesse na fiscalização e da arrecadação de tributos, conforme disposto no art. 127, § 2° do CTN, tanto a possibilidade de recusa do mesmo. A fiscalização foi feita em Fl. 871DF CARF MF Processo nº 12045.000399/200776 Acórdão n.º 9202006.616 CSRFT2 Fl. 6 9 estabelecimento diverso do eleito pelo recorrente, em função de já ter sido iniciado o procedimento fiscal no domicílio anterior, e só haver sido encerrado parcialmente por trâmites administrativos. Ressaltese que a comunicação da mudança só foi realizada em dezembro de 2003, sendo que o início da ação se deu em data anterior e a continuidade do procedimento por outro auditor fiscal poderia causar prejuízo ao bom andamento dos trabalhos, para não dizer gastos desnecessários com a prorrogação de procedimentos. Ademais, as relações entre Fisco e contribuinte devem se basear na lealdade e na boafé, desse modo não é lícito ao contribuinte receber a fiscalização, tolerar o procedimento fiscal, apresentar toda a documentação, esperar a lavratura da NFLD e somente então alegar que aquele não seria o seu verdadeiro domicílio tributário. Uma vez que o domicílio tributário, previsto no CTN, é apenas uma referência para fiscalização e arrecadação de tributos, se não houve demonstração do prejuízo para o contribuinte de a ação fiscal se realizar em tal estabelecimento, não há que se reconhecer a nulidade do procedimento fiscal. Há permissão legal para a autoridade fiscal fiscalizar a pessoa jurídica de direito privado no local da sede, conforme previsto no art. 127, inciso Ido CTN. Voto pelo CONHECIMENTO DO RECURSO, para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO." Destarte, não se verifica a necessária similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigma, de sorte que os dois julgados não podem ser sequer comparados, para fins de demonstração de divergência jurisprudencial. Diante do exposto, não conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, nos termos dos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, voto por não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 872DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.905417/2008-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Feb 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004
Ementa:
CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. COMPENSAÇÃO. REQUISITO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA E DA LIQUIDEZ DO CRÉDITO.
A comprovação da existência e da liquidez do crédito são requisitos essenciais à acolhida de pedidos de compensação.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3401-004.073
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201710
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2004 Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. COMPENSAÇÃO. REQUISITO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA E DA LIQUIDEZ DO CRÉDITO. A comprovação da existência e da liquidez do crédito são requisitos essenciais à acolhida de pedidos de compensação. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Feb 21 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10120.905417/2008-13
anomes_publicacao_s : 201802
conteudo_id_s : 5831403
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Feb 21 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3401-004.073
nome_arquivo_s : Decisao_10120905417200813.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : ROSALDO TREVISAN
nome_arquivo_pdf_s : 10120905417200813_5831403.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
dt_sessao_tdt : Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
id : 7128348
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:12:43 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050007157866496
conteudo_txt : Metadados => date: 2018-02-19T17:12:37Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: pdfsam-console (Ver. 2.4.0e); access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2018-02-19T17:12:37Z; Last-Modified: 2018-02-19T17:12:37Z; dcterms:modified: 2018-02-19T17:12:37Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2018-02-19T17:12:37Z; pdf:docinfo:creator_tool: pdfsam-console (Ver. 2.4.0e); access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2018-02-19T17:12:37Z; meta:save-date: 2018-02-19T17:12:37Z; pdf:encrypted: true; modified: 2018-02-19T17:12:37Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2018-02-19T17:12:37Z; created: 2018-02-19T17:12:37Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; Creation-Date: 2018-02-19T17:12:37Z; pdf:charsPerPage: 1637; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2018-02-19T17:12:37Z | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 2 1 1 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10120.905417/200813 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401004.073 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 24 de outubro de 2017 Matéria DCOMP PIS ELETRÔNICO Recorrente UNIDROGAS INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE MEDICAMENTOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. COMPENSAÇÃO. REQUISITO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA E DA LIQUIDEZ DO CRÉDITO. A comprovação da existência e da liquidez do crédito são requisitos essenciais à acolhida de pedidos de compensação. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Versa o presente sobre PER/DCOMP invocando créditos referentes a pagamento indevido ou maior de CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. Não tendo sido localizado tal pagamento nos sistemas da RFB, a empresa foi intimada a se manifestar, e, diante de seu silêncio, o crédito foi indeferido e a compensação não homologada, por Despacho Decisório Eletrônico, tendo a empresa apresentado Manifestação AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 90 54 17 /2 00 8- 13 Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10120.905417/200813 Acórdão n.º 3401004.073 S3C4T1 Fl. 3 2 de Inconformidade, na qual alegou, em síntese, que: (a) é inconstitucional a majoração de alíquota promovida pelos Decretos no 2.445/1988 e no 2.449/1998, já reconhecida pelo Poder Judiciário e declarada por ato do Senado (Resolução no 49, de 9/10/1995), e a aplicação retroativa (sistemática da semestralidade) do art. 18 da Lei no 9.715/1998 (conforme ADIn no 1.4170, publicada em 23/03/2011 e também reconhecida por ato do Senado – Resolução no 10, de 08/06/2005); e (b) o prazo para pedir a restituição é fixado a partir da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa / judicial / Resolução do Senado. A decisão de primeira instância foi, unanimemente, pela improcedência da manifestação de inconformidade, sob os seguintes fundamentos. (a) a empresa não alegou nem comprovou o suposto pagamento a maior ou indevido que teria efetuado, a despeito de ter sido intimada para tanto; (b) em pesquisa aos sistemas da RFB, verificouse a existência de DARF de recolhimento com a data de arrecadação diversa da indicada no pedido, parecendo a empresa buscar com a data incorreta em seu pedido frustrar eventual extinção de prazo para pedir restituição, que ocorre após cinco anos do pagamento indevido, com vem decidindo o STJ na sistemática dos recursos repetitivos (REsp no 1.110.578/SP) e o CARF. Ciente da decisão de piso, a empresa interpôs Recurso Voluntário, basicamente repisando o argumento de que não poderia o artigo 18 da norma legal (hoje Lei no 9.715/1998) ter retroagido, como decidiu o STF na ADIn no 1.417 (e Resolução no 10/2005), e reconheceu a própria Receita Federal, na IN SRF no 6/2000; e acrescentando que a Lei no 9.715/1998 revogou a Lei Complementar no 7/70, e que a cobrança também estaria com prazo decaído. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.025, de 24 de outubro de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.901000/200962, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.025): "O recurso voluntário apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Diante da imputação fiscal e das defesas apresentadas, há pouco a discutir no presente processo. Isso porque em nenhuma das peças de defesa a empresa informa, objetivamente, aquilo que foi intimada a esclarecer desde antes do início do contencioso: qual foi exatamente o recolhimento indevido e qual o motivo para que especificamente essa quantia seja considerada de fato indevida. Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10120.905417/200813 Acórdão n.º 3401004.073 S3C4T1 Fl. 4 3 Enquanto a defesa se alonga em discussões de direito que, em geral, já estão pacificadas administrativa e judicialmente, não dedica uma linha sequer a informar como os valores que entende indevidos o são pela ocorrência, no caso concreto, de tais situações jurídicas genericamente descritas. Como bem destacou a instância de piso, a empresa jamais comprovou o suposto pagamento a maior ou indevido, mesmo tendo sido intimada a tanto, na fase précontenciosa. Persiste, assim, a ausência de liquidez e certeza sobre o débito, ainda antes de se iniciar a discussão jurídica, que deixa de ser relevante, por não se saber, de forma peremptória, se é relacionada ao caso concreto aqui narrado. Não se desincumbe, assim, a postulante ao crédito, de seu ônus probatório, acreditando que as alegações de direito genéricas socorrem sua demanda, sem realizar qualquer esforço para vincular tais discussões jurídicas ao caso em análise, dotando de certeza e de liquidez o crédito. Em relação a alegação de decadência para cobrança, cabe destacar que não se está aqui a analisar lançamento, mas pedido de restituição, cumulado com compensação. E, como destacou a DRJ, a existência de Resolução do Senado reconhecendo eventual inconstitucionalidade é despicienda para fins de contagem do prazo prescricional (REsp no 1.110.578SP, julgado na sistemática dos recursos repetitivos). Poderseia agregar aos argumentos de defesa, de ofício, o tratamento reconhecido aos pedidos administrativos pelo STF (RE no 566.621/RS) e pelo CARF (Súmula CARF no 91). No entanto, como destacado de início, a discussão sobre haver ou não expirado o prazo para pedir restituição se afigura secundária, diante da ausência de liquidez e certeza do crédito. E a comprovação da existência e da liquidez do crédito são requisitos essenciais à acolhida de pedidos de compensação. Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário apresentado." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 75DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10477.000097/2007-92
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 03/04/2006
CIGARRO DE PROCEDÊNCIA ESTRANGEIRA. INTRODUÇÃO E TRANSPORTE CLANDESTINOS PELO PAÍS. INFRAÇÃO ÀS MEDIDAS DE CONTROLE FISCAL. MULTA REGULAMENTAR. LEGITIMIDADE PASSIVA DO PROPRIETÁRIO DO VEÍCULO POR PRESUNÇÃO RELATIVA. POSSIBILIDADE.
O proprietário do veículo transportador, por presunção relativa (juris tantum), responde pela multa regulamentar sancionadora da infração às medidas especial de controle fiscal, relativas à aquisição e transporte de cigarro de procedência estrangeira introduzido clandestinamente no País e sem a devida identificação do respectivo proprietário.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-005.240
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Raphael Madeira Abad, Jorge Lima Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201802
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 03/04/2006 CIGARRO DE PROCEDÊNCIA ESTRANGEIRA. INTRODUÇÃO E TRANSPORTE CLANDESTINOS PELO PAÍS. INFRAÇÃO ÀS MEDIDAS DE CONTROLE FISCAL. MULTA REGULAMENTAR. LEGITIMIDADE PASSIVA DO PROPRIETÁRIO DO VEÍCULO POR PRESUNÇÃO RELATIVA. POSSIBILIDADE. O proprietário do veículo transportador, por presunção relativa (juris tantum), responde pela multa regulamentar sancionadora da infração às medidas especial de controle fiscal, relativas à aquisição e transporte de cigarro de procedência estrangeira introduzido clandestinamente no País e sem a devida identificação do respectivo proprietário. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10477.000097/2007-92
anomes_publicacao_s : 201803
conteudo_id_s : 5841406
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3302-005.240
nome_arquivo_s : Decisao_10477000097200792.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
nome_arquivo_pdf_s : 10477000097200792_5841406.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento - Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Raphael Madeira Abad, Jorge Lima Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
dt_sessao_tdt : Mon Feb 26 00:00:00 UTC 2018
id : 7170628
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:13:55 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050007201906688
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1575; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 139 1 138 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10477.000097/200792 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302005.240 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 26 de fevereiro de 2018 Matéria MULTA REGULAMENTAR AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente LUIZ CARLOS PEREIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 03/04/2006 CIGARRO DE PROCEDÊNCIA ESTRANGEIRA. INTRODUÇÃO E TRANSPORTE CLANDESTINOS PELO PAÍS. INFRAÇÃO ÀS MEDIDAS DE CONTROLE FISCAL. MULTA REGULAMENTAR. LEGITIMIDADE PASSIVA DO PROPRIETÁRIO DO VEÍCULO POR PRESUNÇÃO RELATIVA. POSSIBILIDADE. O proprietário do veículo transportador, por presunção relativa (juris tantum), responde pela multa regulamentar sancionadora da infração às medidas especial de controle fiscal, relativas à aquisição e transporte de cigarro de procedência estrangeira introduzido clandestinamente no País e sem a devida identificação do respectivo proprietário. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Raphael AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 47 7. 00 00 97 /2 00 7- 92 Fl. 139DF CARF MF 2 Madeira Abad, Jorge Lima Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus. Relatório Por bem descrever os fatos, adotase o relatório que integra o acórdão recorrido, que segue integralmente transcrito: Neste processo tratase do lançamento da Multa Regulamentar no valor de R$ 278.000,00, lavrada contra LUIZ CARLOS PEREIRA, [...]. Em meio à ação de controle fiscal de fumo, cigarro e charuto de procedência estrangeira foram constadas infrações que levam, além da aplicação da pena de perdimento, também à exigência de multa regulamentar, com o enquadramento legal descrito às fls.3 no auto de infração (AI). Neste processo tratase apenas do lançamento da Multa Regulamentar lavrada contra LUIZ CARLOS PEREIRA, CPF nº [...]. Em meio à ação de controle fiscal de fumo, cigarro e charuto de procedência estrangeira foram constadas infrações que levaram, além da aplicação da pena de perdimento (objeto de outro processo, nº 10140.000309/200652, conforme informado às fls.64), também à exigência da multa prevista no Dl nº 399/68, art.3º, parágrafo único, c/a redação dada pela Lei nº 10.833/2003, art.78, objeto do presente processo. Conforme descrito nestes autos, em decorrência de diligência policial foram localizados 15 caminhões de carga sendo 03 caminhões tanque. Que nos 12 caminhões de carga foram encontrados cigarros contrabandeados (sic), todos de fabricação paraguaia. Que no local não foi encontrada qualquer pessoa, mas pelos restos de alimentos no local, havia indícios que os que ali estavam empreenderam fuga pela vegetação local. Que não foi encontrado ali nenhuma documentação de identificação dos envolvidos, contudo foram encontrados alguns documentos dos caminhões. Que todos os veículos seriam levados pela autoridade policial para depósito da Receita Federal. Entre os caminhões apreendidos pela Polícia Federal estava o Mercedes Benz L1516, cor vermelha, Placa AEN9650, de Guairá/PR, carregado com 278 caixas de cigarros provenientes do Paraguai, de diversas marcas, contendo cada caixa cinquenta (50) pacotes de dez (10) maços, conforme consta do Laudo de Exame às fls.27 – veículo 11). Que por estar com problemas mecânicos foi levado para a Delegacia de Polícia Federal em Dourados/MS Compõem estes autos o Boletim de Ocorrências (BO nº 004/MRG/DOF/2006 –05/04/2006), autos de recolhimento dos veículos e mercadorias, bem como o relato dos policiais que efetuaram a apreensão, tudo conforme Termo de Depoimento prestado no curso do inquérito policial (IPL) nº 045/2006/DPF/NVI/MS, instaurado pela Polícia Federal em Naviraí/MS, assim como o LAUDO nº 1.137/DOF/SEJUSP/MS relativo ao exame pericial dos veículos, cargas e local da Fl. 140DF CARF MF Processo nº 10477.000097/200792 Acórdão n.º 3302005.240 S3C3T2 Fl. 140 3 apreensão, contendo fotografias do local e dos veículos, retratando inclusive a adulteração desses veículos, conforme fotos tiradas no depósito da DRF/Campo Grande/MS (ver documentos de fls.7 e fls.18/34). Consta nestes autos a descrição das circunstâncias em que ocorreram as apreensões desses veículos juntamente como outros 14 veículos, conforme foi detalhado no BO anexo, de modo a caracterizar as infrações que motivaram a aplicação da pena de perdimento dos veículos e das mercadorias, objeto de outro processo já mencionado acima. Nos termos da legislação regente, além da pena de perdimento objeto do processo nº 10140.000309/200652, e conforme auto de infração de fls.2/6, foi também aplicada a multa por maço de cigarro apreendido, nos termos do Dl nº 399/68, art.3º, parágrafo único, c/a redação dada pelo art.78 da Lei 10.833/2003. Sendo a aplicação desta penalidade o objeto específico deste processo. Devidamente cientificado do lançamento em 23/05/2007, o interessado protocolou tempestivamente em 24/05/2007 sua impugnação (ver fls.46 e 48), cuja íntegra está às fls. 48/49, e suas razões essenciais podem ser assim resumidas: 1. Em 05/04/2006 o Caminhão M. Benz, RENAVAM nº 520012445, chassis n 34530512632296, Placa AEN 9650, ano fabricação 1983, foi apreendido com mercadoria ilegal, sendo autuado o ora impugnante no AITAGF nº 10140/sma/273/06. Ocorre que o Impugnante ao tempo da infração não era mais o proprietário do veículo acima descrito (rectius, segundo doc fls.12, a apreensão do veículo e da carga respectiva, pela Polícia Federal ocorreu em 03/04/2006; a data do BO foi 05/04/2006 (fls.10), cf AITAGF nº 273/06 às fls.7; a entrega à Receita Federal ocorreu em 05/04/2006, mas o auto de infração aponta e confirma a data de 03/04/2006 como a de ocorrência do fato infracional) 2. Em 28/03/2006, ou seja, antes de ser apreendido, o Impugnante vendeu o referido caminhão para o Sr. IZEQUIEL DE SOUZA, conforme contrato de compra e venda celebrado (documento incluso). 3. No ato da venda o ora Impugnante entregou todos os documentos ao comprador, o qual se responsabilizou por efetuar a transferência do mesmo para o seu nome. O recibo de quitação do caminhão foi entregue devidamente preenchido em nome do comprador, o qual não efetuou a referida transferência. Mas, o ora Impugnante, por precaução, efetuou junto ao DETRAN/PR a comunicação da venda do caminhão. 4. O fato é que o ora Impugnante, ao tempo da apreensão, não era mais o proprietário do caminhão, fato que o exime de qualquer responsabilidade, estando somente o veículo em seu nome, mas de fato já tinha sido vendido anteriormente. Toda a responsabilidade sobre os fatos relacionados ao caminhão não deve recair sobre o ora Impugnante, que já não era o seu proprietário. Fl. 141DF CARF MF 4 Por força da Portaria RFB nº 453, de 11/04/2013, c/c o disposto na Portaria RFB nº 1.006, de 24/07/2013, este processo foi encaminhado para julgamento pela DRJ/REC. Sobreveio a decisão de primeira instância (fls. 68/77), em que, por unanimidade de votos, a impugnação foi julgada improcedente e o crédito tributário integralmente mantido, com base no fundamento resumido no enunciado da ementa que segue transcrito: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 03/04/2006 LEGITIMIDADE PASSIVA. CIGARROS APREENDIDOS. TRANSPORTE DE MERCADORIA INTRODUZIDA CLANDESTINAMENTE NO PAÍS. MULTA ADMINISTRATIVA. Na dicção do Código Tributário Nacional, art. 123, salvo disposição legal em contrário, as convenções entre particulares, no que tange à responsabilidade pelo pagamento de tributos ou penalidades tributárias, não podem ser opostas à Fazenda Pública para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. Na data da infração constatada, conforme registrado no DETRAN competente, o formal proprietário do veículo apreendido transportando cigarros de procedência estrangeira introduzidos clandestinamente no país é legítimo responsável perante a administração aduaneira fiscal, e está sujeito à multa prevista no Dl nº 399/68, art.3º, com a redação dada pelo art. 78 da Lei 10.833/2003, independentemente de quem seja o real proprietário dessas mercadorias. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em 2/9/2013, o recorrente foi cientificado da decisão. Inconformado, em 23/9/2013, protocolou o recurso voluntário de fls. 91/96, em que reafirmou as razões de defesa suscitadas na peça impugnatória. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. O recurso foi apresentado tempestivamente, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. De acordo com a descrição dos fatos integrante do presente auto de infração (fls. 2/3) e do Auto de Infração e Termo de Apreensão e Guarda Fiscal nº 273/06 (fls. 7/9), baseada nos relatos registrados no Boletim de Ocorrência nº 004/MRG/DOF/2006 (fls. 10/12), estes dois últimos extraídos do processo nº l0140.000.309/200652 (processo de perdimento), a inclusão do recorrente no polo passivo da presente autuação foi motivada pelo fato dele ser, na data da ocorrência da infração, o proprietário do veículo do tipo caminhão, marca e modelo Fl. 142DF CARF MF Processo nº 10477.000097/200792 Acórdão n.º 3302005.240 S3C3T2 Fl. 141 5 Mercedes Benz L1516, cor vermelha, Placa AEN9650 de Guairá/PR (fls. 15/16), no qual foram encontradas e apreendidas, no dia 3/4/2006, 278 (duzentos e setenta e oito) caixas de cigarros de procedência estrangeira (provenientes do Paraguai), de diversas marcas, contendo cada caixa cinquenta (50) pacotes de dez (10) maços, conforme relatado no Laudo de Exame Pericial colacionado aos autos (fls. 19/34), sem documentação comprobatória da regular importação. No referido laudo pericial (fl. 27), o citado veículo foi identificado como o veículo de nº 11 (onze), dentre os 15 (quinze) caminhões de carga apreendidos na mesma operação, sendo 3 (três) caminhões do tipo tanque. Em decorrência do fato de ser o proprietário do citado caminhão, na data da apreensão, ao autuado foi imputada a infração e penalidade definidas no 3º do Decretolei 399/1968, com a redação dada pelo art. 78 da Lei 10.833/2003, que segue transcrito juntamente com o art. 2º do mesmo diploma legal, ao qual faz referência: Art 2º O Ministro da Fazenda estabelecerá medidas especiais de contrôle fiscal para o desembaraço aduaneiro, a circulação, a posse e o consumo de fumo, charuto, cigarrilha e cigarro de procedência estrangeira. Art 3º Ficam incursos nas penas previstas no artigo 334 do Código Penal os que, em infração às medidas a serem baixadas na forma do artigo anterior adquirirem, transportarem, venderem, expuserem à venda, tiverem em depósito, possuirem ou consumirem qualquer dos produtos nêle mencionados. Parágrafo único. Sem prejuízo da sanção penal referida neste artigo, será aplicada, além da pena de perdimento da respectiva mercadoria, a multa de R$ 2,00 (dois reais) por maço de cigarro ou por unidade dos demais produtos apreendidos. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) grifos não originais. Os fatos relatados nos citados documentos não deixam qualquer dúvida que o motivo da inclusão do recorrente no polo passivo da autuação foi a sua condição de proprietário do veículo transportador dos cigarros apreendidos em situação irregular. Dada essa particularidade, a condição de proprietário do veículo, na data da apreensão dos cigarros, induvidosamente, revestese de elemento essencial para a definição da pessoa legitimada a integrar o polo passivo da presente autuação, especialmente, tendo em conta o que dispõe o art. 74, § 3º, da Lei 10.833/2003, a seguir transcrito: Art. 74. O transportador de passageiros, em viagem internacional, ou que transite por zona de vigilância aduaneira, fica obrigado a identificar os volumes transportados como bagagem em compartimento isolado dos viajantes, e seus respectivos proprietários. § 1º No caso de transporte terrestre de passageiros, a identificação referida no caput também se aplica aos volumes portados pelos passageiros no interior do veículo. § 2º As mercadorias transportadas no compartimento comum de bagagens ou de carga do veículo, que não constituam bagagem identificada dos passageiros, devem estar acompanhadas do respectivo conhecimento de transporte. Fl. 143DF CARF MF 6 § 3º Presumese de propriedade do transportador, para efeito fiscais, a mercadoria transportada sem a identificação do respectivo proprietário, na forma estabelecida no caput ou nos §§ 1º e 2º deste artigo. § 4º Compete à Secretaria da Receita Federal disciplinar os procedimentos necessários para fins de cumprimento do previsto neste artigo. Assim, em face dessa presunção relativa (juris tantum), o recorrente tinha o ônus de apresentar prova em contrário, no sentido de infirmar o documentos colacionado aos autos e demonstrar que, na data da infração, não era o proprietário do citado veículo e, por conseguinte, dos cigarros nele transportados. E com esse propósito, o recorrente alegou que fora proprietário do veículo somente até 28/3/2006, quando o alienou ao Sr. Izequiel de Souza. E para comprovar o alegado, o recorrente trouxe à colação dos autos, na fase impugnatória, as cópias autenticadas dos seguintes documentos: a) “Termo de Comunicação de Venda de Veiculo” de fl. 52, com data de 1º/6/2006, em que o Chefe da Ciretran da cidade de Guaíra/PR informou que fora comunicado ao Detran/PR, no dia 31/5/2006, a venda do citado veículo; b) Contrato Particular de Venda e Compra do citado caminhão de fls. 54/56, celebrado entre o recorrente e o Sr. Izequiel de Souza no dia 28/3/2006, com firma reconhecida no dia 17/4/2006; c) Certificado de Registro de Veículo (CRV), com autorização de transferência no dia 28/3/2006 e reconhecimento de firma no dia 31/5/2006; e d) 2 Notas Promissórias de fl. 58, com datas de vencimento nos dias 28/4/2006 e 28/5;2006. Dada a evidente precariedade e as incongruências, a seguir mencionadas, para este Relator, todos esses documentos não servem de prova de que, na data da apreensão dos cigarros, o citado veículo não era de propriedade do recorrente. Com efeito, embora tenham sido emitidos no 28/3/2006, o reconhecimento de firma consignado na Autorização para Transferência de Veículos e no Contrato de Venda Compra, somente ocorreu, respectivamente, nos dias 17/4/2006 e 31/5/2006, ou seja, após a data da apreensão dos cigarros, ocorrida no dia 3/4/2006. Também, não por acaso, somente no dia 31/5/2006 o recorrente comunicou ao Detran/PR a venda do citado veículo, quando já havia expirado o prazo máximo de 30 (trinta) dias, determinado no art. 1341 da Lei 9.503/1997 (Código de Trânsito Brasileiro CTB). Esse fatos conjuntamente sopesados demonstram que, somente após tomar conhecimento da apreensão do veículo e dos cigarros nele transportados, o recorrente adotou as providências de reconhecer firma dos referidos documentos e comunicar a alienação do veículo ao Detran/PR, com o nítido propósito de descaracterizar a condição de proprietário do veículo na data da ocorrência da infração. Além disso, para fim de comprovar a efetiva realização da alegada operação de venda do veículo, o recorrente limitouse a apresentar cópias de duas notas promissórias, desacompanhada de qualquer outro documento bancário ou emitido por outra fonte externa 1 "Art. 134. No caso de transferência de propriedade, o proprietário antigo deverá encaminhar ao órgão executivo de trânsito do Estado dentro de um prazo de trinta dias, cópia autenticada do comprovante de transferência de propriedade, devidamente assinado e datado, sob pena de ter que se responsabilizar solidariamente pelas penalidades impostas e suas reincidências até a data da comunicação. Parágrafo único. O comprovante de transferência de propriedade de que trata o caput poderá ser substituído por documento eletrônico, na forma regulamentada pelo Contran. (Incluído pela Lei nº 13.154, de 2015)" Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10477.000097/200792 Acórdão n.º 3302005.240 S3C3T2 Fl. 142 7 idônea, com vistas a confirmar a efetiva realização do pagamento do veículo pelo suposto adquirente. Em face dessas evidentes deficiências e precariedades, tais documentos não se prestam como meio de prova da venda e transferência da propriedade do citado veículo e, por decorrência, para afastar a condição de proprietário do veículo e a presunção relativa (juris tantum) de que também era proprietário e o transportador dos cigarros apreendidos, objeto da presente autuação, o que o qualifica como o verdadeiro legitimado a integrar o polo passivo da autuação, na condição de autor da infração. E essa circunstância revelase suficiente não só para configurar a prática da infração às medidas especiais de controle fiscal em comento, bem como para ratificar o acerto da atribuição da autoria do fato infracional ao recorrente, o que afasta a alegação de ilegitimidade passiva por ele suscitada no recurso em apreço. Em suma, por ter cometido a infração tipificada no art. 3º do Decretolei 399/1968, com redação dada pela Lei 10.833/2003, o recorrente deve responder pela multa regulamentar fixado no referido preceito legal, na condição de autor da infração. Por todo o exposto, votase por negar provimento ao recurso, para manter na íntegra o acórdão recorrido. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 145DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.000836/99-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 03 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 1995
LUCRO REAL. GLOSA DE DESPESAS. PLANO DE SAÚDE.
Consideram-se despesas operacionais os gastos realizados pelo sujeito passivo com serviços de assistência à saúde desde que destinados indistintamente a todos os empregados.
LUCRO REAL. GLOSA DE CUSTOS OU DESPESAS. DESNECESSIDADE. ÔNUS DA PROVA.
Cabe ao fisco provar que os custos ou despesas são desnecessários ao cumprimento das obrigações contratuais do sujeito passivo, não sendo possível a inversão do ônus da prova.
TRIBUTAÇÃO DECORRENTE.
Tratando-se dos mesmos elementos de prova, aplica-se o decidido em relação ao tributo principal, às exigências decorrentes, em razão da estreita relação de causa e efeito.
Numero da decisão: 1402-000.263
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: Albertina Silva Santos de Lima
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201009
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 1995 LUCRO REAL. GLOSA DE DESPESAS. PLANO DE SAÚDE. Consideram-se despesas operacionais os gastos realizados pelo sujeito passivo com serviços de assistência à saúde desde que destinados indistintamente a todos os empregados. LUCRO REAL. GLOSA DE CUSTOS OU DESPESAS. DESNECESSIDADE. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao fisco provar que os custos ou despesas são desnecessários ao cumprimento das obrigações contratuais do sujeito passivo, não sendo possível a inversão do ônus da prova. TRIBUTAÇÃO DECORRENTE. Tratando-se dos mesmos elementos de prova, aplica-se o decidido em relação ao tributo principal, às exigências decorrentes, em razão da estreita relação de causa e efeito.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
numero_processo_s : 15374.000836/99-00
conteudo_id_s : 5838080
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Mar 07 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1402-000.263
nome_arquivo_s : Decisao_153740008369900.pdf
nome_relator_s : Albertina Silva Santos de Lima
nome_arquivo_pdf_s : 153740008369900_5838080.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício
dt_sessao_tdt : Fri Sep 03 00:00:00 UTC 2010
id : 7150401
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:13:15 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050007242801152
conteudo_txt : Metadados => date: 2010-09-24T22:11:37Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; pdf:docinfo:title: Microsoft Word - 9566512; xmp:CreatorTool: PScript5.dll Version 5.2; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dc:creator: e_processo; dcterms:created: 2010-09-24T22:11:37Z; Last-Modified: 2010-09-24T22:11:37Z; dcterms:modified: 2010-09-24T22:11:37Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; title: Microsoft Word - 9566512; xmpMM:DocumentID: uuid:63558484-f51d-4c9a-b8f7-4c5bcfea93b3; Last-Save-Date: 2010-09-24T22:11:37Z; pdf:docinfo:creator_tool: PScript5.dll Version 5.2; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2010-09-24T22:11:37Z; meta:save-date: 2010-09-24T22:11:37Z; pdf:encrypted: true; dc:title: Microsoft Word - 9566512; modified: 2010-09-24T22:11:37Z; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: e_processo; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: e_processo; meta:author: e_processo; meta:creation-date: 2010-09-24T22:11:37Z; created: 2010-09-24T22:11:37Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; Creation-Date: 2010-09-24T22:11:37Z; pdf:charsPerPage: 1585; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; Author: e_processo; producer: Acrobat Distiller 6.0.1 (Windows); access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Acrobat Distiller 6.0.1 (Windows); pdf:docinfo:created: 2010-09-24T22:11:37Z | Conteúdo => S1-C4T2 Fl. 1 1 S1-C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15374.000836/99-00 Recurso nº 173.407 De Ofício Acórdão nº 1402-00.263 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 3 de setembro de 2010 Matéria IRPJ e outros Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CROWLEY AGÊNCIA MARÍTIMA LTDA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 1995 LUCRO REAL. GLOSA DE DESPESAS. PLANO DE SAÚDE. Consideram-se despesas operacionais os gastos realizados pelo sujeito passivo com serviços de assistência à saúde desde que destinados indistintamente a todos os empregados. LUCRO REAL. GLOSA DE CUSTOS OU DESPESAS. DESNECESSIDADE. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao fisco provar que os custos ou despesas são desnecessários ao cumprimento das obrigações contratuais do sujeito passivo, não sendo possível a inversão do ônus da prova. TRIBUTAÇÃO DECORRENTE. Tratando-se dos mesmos elementos de prova, aplica-se o decidido em relação ao tributo principal, às exigências decorrentes, em razão da estreita relação de causa e efeito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima – Presidente e Relatora. EDITADO EM: 24/09/2010 Fl. 1DF CARF MF Emitido em 22/10/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/09/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Assinado digitalmente em 24/09/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 22/10/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/09/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Assinado digitalmente em 24/09/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 15374.000836/99-00 Acórdão n.º 1402-00.263 S1-C4T2 Fl. 2 3 Relatório Trata-se de lançamento do IRPJ, CSLL, Contribuição para o PIS, do ano- calendário de 1995, com imposição da multa de ofício de 75%, em razão das seguintes infrações: a) dedução indevida, na apuração do lucro real (mensal), de desembolsos referentes a serviços assistenciais a empregados: A fiscalização glosou os pagamentos efetuados à administradora de plano de saúde Golden Cross e outros, a título de assistência médica por entender que tais benefícios não contemplavam todos os empregados. Como prova, a fiscalização anexou aos autos planilha de gastos efetuados com a Golden Cross, cópia do livro razão contendo a “conta assistência médica – outros” e relação de empregados, confirmando que nem todos eram beneficiados pelo plano assistencial. Fundamento legal: arts. 195, I, 197, § único, 300, 301 do RIR/94; b) dedução indevida de custos ou despesas na apuração do lucro real: Foram glosados diversos valores deduzidos como despesas operacionais, que não seriam da recorrente e que não guardariam relacionamento com a atividade social desenvolvida pela interessada e respectiva fonte produtora de receitas. Fundamento legal: arts. 195, I, 197 e § único e 339 do RIR/94. Explicou a fiscalização que a interessada representa com exclusividade, no território brasileiro, uma sociedade americana CROWLEY AMERICAN TRANSPORT, INC, aqui denominada Transportadora, recebendo uma remuneração mensal pelo cumprimento das obrigações assumidas, que esta reembolsou a autuada pelos custos diretos em seu nome, no cumprimento das atividades relacionadas no respectivo contrato de agenciamento, além de ter fornecido, sem ônus, materiais promocionais, ficando a publicidade, sob responsabilidade da transportadora, que somente não se responsabilizou pelas despesas administrativas, de escritório, comunicação e pessoal da interessada. Em relação a infração descrita na letra “b”, a fiscalização chega às seguintes conclusões: a) Trata-se de despesas contabilizadas e declaradas como sendo suas pelo Agente, porém assumidas e pagas pela Transportadora; b) Trata-se de despesas incorridas para obtenção de utilidades repassadas a terceiros; exemplifica esta hipótese com o fato da interessada ter enviado para o exterior, em nome da Transportadora, quantia superior a R$ 100 milhões, a título de receitas de fretes, isenta de tributação na fonte, conforme art. 749 do RIR/94, ao mesmo tempo em que mantinha uma equipe de vendas no Brasil, o que comprovaria que as despesas ficaram a cargo da interessada e a receita isenta, para a transportadora. As despesas são: • com salários: equipe de vendas (essa atividade não faria parte do objeto social e que não aparece a respectiva receita), de marketing (estas despesas seriam da transportadora) e operação Brasil (o próprio nome já diria que é uma equipe da transportadora), equipe de manutenção de equipamentos (o contrato especifica que o Agente contratará pessoal Fl. 3DF CARF MF Emitido em 22/10/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/09/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Assinado digitalmente em 24/09/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA 4 especializado, para este fim, se necessário e aprovado pela transportadora), equipe de operação de navios (o contrato especifica que o Agente deverá providenciar pessoal especializado, um pouco antes, durante a estadia e logo após a saída do navio), equipe de estivagem (segue os critérios de operações de navios); • despesas com representações/refeições: valores gastos pelas equipes acima, principalmente, as de vendas; • despesas de capatazia: valores gastos com taxas aeroportuárias, relativas a operações de carga e descarga dos navios; • cursos e seminários: gastos com propagandas, banquetes e reuniões de vendas; • despesas com veículos de terceiros e despesas com táxi: valores gastos pelos funcionários das equipes de vendas; • despesas com ajuda de custo: valores gastos pela equipe de vendas, com combustível e lubrificantes; • despesas com brindes: valores gastos pela equipe de vendas; • despesas com passagens aéreas nacionais e internacionais e despesas de hospedagem: valores gastos pela diretoria e equipe de vendas; • despesas com ISS: lançou como despesa operacional um valor a título de ISS, apesar de já ter abatido outro valor, também como ISS, de sua receita bruta. Segundo a fiscalização o contrato de agenciamento abrange: • solicitar, reservar e providenciar o carregamento e a descarga em navios e chatas da Transportadora, contêineres e passageiros e por parte da Transportadora, assinar contratos de afretamento, conhecimentos de embarque e bilhetes de passageiros; • por parte da Transportadora,cobrar e receber quantias a título de fretes, utilização de contêineres e bilhetes de passageiros devidos, emitindo recibos ou quitações pelas mesmas; • representar a Transportadora, junto a empreiteiras e ou fornecedoras de serviços e pessoal; • cuidar dos navios, contêineres, chatas e equipamentos da Transportadora, inclusive lidar com: desembaraço alfandegário na entrada, compra das provisões necessárias para os navios, providenciar reparos de emergências dos equipamentos do navios conforme orientação do comandante ou chefe de máquinas, providenciar assistência médica ou hospitalar, para o pessoal embarcado e passageiros e providenciar o pessoal de bordo que for preciso; • providenciar a supervisão dos serviços de estiva e terminais para os navios e chatas da Transportadora,antes da chegada do navio,durante a estadia e após sua partida; • controlar e guardar os contêineres, reboques e outros equipamentos da Transportadora,enquanto estiverem no território brasileiro; Fl. 4DF CARF MF Emitido em 22/10/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/09/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Assinado digitalmente em 24/09/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 15374.000836/99-00 Acórdão n.º 1402-00.263 S1-C4T2 Fl. 3 5 • inspecionar danos sofridos pelos equipamentos da Transportadora, consertando-os, se para isso for autorizado pela Transportadora; • efetuar auditoria minuciosa,quanto a exatidão dos faturamentos vindos de terceiros a titulo de mercadorias, impostos, taxas ou outros encargos incorridos por parte da Transportadora no transcorrer das atividades,antes de pagar as quantias faturadas; • negociar preços e taxas para bens e serviços utilizados pela Transportadora no território do agenciamento, no transcorrer normal das atividades. Transcrevo da decisão de primeira instância os argumentos apresentados na impugnação: 6.1. Que todos os seus empregados foram contemplados com os planos de assistência médica, conforme comprovantes de pagamentos em nome de Golden Cross e Unimed juntados à impugnação (fl. 899/1017), que totalizam R$ 224.568,98. Alega que a fiscalização não se ateve a todos os documentos que foram colocados à sua disposição, deixando de considerar as faturas em nome da Unimed referente aos funcionários das filiais de Curitiba, Novo Hamburgo, Santos e São Paulo; 6.2. Que tem como objeto social o agenciamento ou representação de empresas de navegação marítima, tendo celebrado contrato de agenciamento, com cláusula de exclusividade, para representação da empresa estrangeira de transporte marítimo “Crowley American Transport Inc”, que lhe assegura comissão fixa, a qual foi reconhecida pela própria auditoria fiscal, com sendo a única remuneração recebida pelo cumprimento das obrigações assumidas. O objetivo social principal da representação como agente é angariar cargas para embarque, o que significa o mesmo que efetuar vendas de fretes. À transportadora cabe prestar o serviço de transporte marítimo. Obviamente, a receita do frete marítimo é do armador/transportador, cabendo ao agente somente a comissão; 6.3. Que para cumprir as obrigações assumidas no referido contrato de agenciamento necessita manter uma estrutura técnico-econômica, razão pela qual incorre em despesas operacionais relacionadas à atividade de agente marítimo, como despesas de vendas de fretes para exportação, serviços de estiva e de terminais, supervisão de navios, manutenção de equipamentos, etc., atendendo tais despesas aos requisitos previstos no art. 242 do RIR/94. Entretanto, tais despesas operacionais foram injustamente consideradas desnecessárias e glosadas, mesmo sendo despesas associadas a seu objeto social e necessárias à obtenção da receita de comissão por representação, na forma do contrato de agenciamento. Ademais, ao contrário do alegado pela fiscalização, não foi reembolsado pelo transportadora por qualquer despesa assumida e paga por força das obrigações contraídas no contrato de agenciamento; 6.4. Quanto à contribuição para o Pis, alega que o Decreto-lei nº2.445/88 foi considerado inconstitucional e, em decorrência, o Fl. 5DF CARF MF Emitido em 22/10/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/09/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Assinado digitalmente em 24/09/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA 6 Senado Federal suspendeu sua execução pela Resolução nº 49, de 09/10/95. Com a suspensão do referido Decreto-lei, o Poder Executivo editou a Medida Provisória nº 1.212/95 para regular a cobrança ao Pis e ao Pasep, a qual determinava, em seu artigo 13, que as pessoas jurídicas que auferissem receita exclusivamente de prestação de serviços somente seriam tributadas a partir de março de 1996. Dessa forma, sendo a empresa que aufere receitas exclusivamente da prestação de serviços, o interessado entende que não seria devido o Pis – Repique no ano-calendário de 1995; 6.2. Que relativamente ao lançamento da CSLL, o autuante aplicou a alíquota de 10% incidente sobre o montante das despesas glosadas, considerando estas como base de cálculo integral. Entende o interessado que a alíquota da CSLL deve ser aplicada sobre a base de cálculo na forma do art. 15, inc. III, “a”, por ser empresa prestadora de serviços. A DRJ determinou a realização de diligência por meio da Resolução de fls. 1118/1119, para que fossem atendidos os seguintes quesitos, transcritos a partir do relatório condutor do acórdão: 7.1. Verificar, a partir dos documentos juntados pela interessada às fls. 899/1017, se todos os empregados foram contemplados com os planos de assistência médica e, no caso de existirem empregados que não tenham sido beneficiados, apresentar relação identificando os mesmos; 7.2 Juntar elementos de prova que confirmem que a empresa estrangeira de transporte reembolsou a interessada pelos custos diretos incorridos em virtude do contrato de agenciamento e representação firmado entre as partes; e 7.3 Verificar se os valores remetidos pela interessada à transportadora estrangeira a título de receitas de fretes, como mencionado na descrição dos fatos, à fl. 764, se tratam de valores integrais das receitas de fretes ou se já eram valores líquidos, já deduzidos os custos diretos incorridos pela interessada. As informações constantes do Termo de Constatação e Encerramento de Diligência de fls. 1201/1203, em síntese, são as seguintes, transcritas a partir do relatório condutor do acórdão: 8.1. Não foi possível obter provas que confirmem que a empresa estrangeira de transporte reembolsou a interessada pelos custos diretos incorridos em virtude do contrato de agenciamento e representação, ou de que os valores remetidos pela interessada à transportadora estrangeira a título de receita de fretes se tratavam de valores líquidos, já deduzidos os custos direitos incorridos pela interessada; 8.2. Que foram identificados quatro funcionários que, admitidos no ano de 1995, não constavam das cobranças da “Golden Cross”, sendo que destes quatro, dois foram admitidos somente em novembro de 1995, um foi admitido em 01/09/95 e demitido em 30/09/95, e um foi admitido em 04/05/95 e demitido em 31/07/95. Também são acusadas divergências entre as datas de Fl. 6DF CARF MF Emitido em 22/10/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/09/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Assinado digitalmente em 24/09/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 15374.000836/99-00 Acórdão n.º 1402-00.263 S1-C4T2 Fl. 4 7 admissões informadas na Relação Anual de Informações Sociais – RAIS e as datas das inclusões informadas no plano de saúde, relativamente aos funcionários admitidos em 1995. Tais divergências de datas são em geral de 15 dias, sendo que em dois casos chegou a um mês. A relação completa dos funcionários, com a indicação de desconto para os respectivos planos de saúde, foi juntada às fls. 1204/1208. Transcrevo também do voto condutor do acórdão da DRJ, a manifestação da interessada em relação ao relatório de diligência: 9.1. Que o lançamento é nulo por cerceamento do direito de defesa, visto que não há a especificação de quais valores comporiam cada uma das despesas glosadas, limitando-se a pontuar a base tributável total de cada mês; 9.2. Que as divergências temporais apontadas na diligência fiscal entre a admissão dos funcionários e suas respectivas inclusões ao programa de assistência médica se devem a procedimentos burocráticos para o cadastramento de novos beneficiários, muitos dos quais admitidos e demitidos no mesmo mês; 9.3. Que as despesas glosadas pela fiscalização são diretamente relacionadas ao serviço que presta, não tendo sido reembolsadas pela empresa transportadora estrangeira. A Turma Julgadora deixou de apreciar a preliminar de nulidade, em razão da alegação não dizer respeito à diligência e de ter sido trazida aos autos após o prazo de impugnação. Quanto ao mérito, a Turma Julgadora excluiu do lançamento a glosa de despesas com serviços assistenciais a empregados, por ter restado confirmado, conforme relatório de diligência que os benefícios de assistência à saúde eram destinados indistintamente a todos os funcionários. Sobre a glosa de despesas ou custos considerados indedutíveis, a Turma Julgadora assim se pronunciou: 13.1. A fiscalização glosou diversas despesas que a interessada teria contabilizado e declarado como sendo suas, mas que, na verdade, teriam sido assumidas e pagas pela transportadora estrangeira, que, além disso, teria reembolsado a interessada pelos custos diretos efetivamente incorridos.Segundo a fiscalização, tais despesas foram incorridas para obtenção de utilidades que foram repassadas a terceiros. 13.2. Sobre a dedução de despesas operacionais na apuração do lucro real, convém citar o artigo 242 do RIR/94, verbis: (...) 13.3. O dispositivo legal citado, em particular os §§ 1º e 2º, quando colocados em confronto com as atividades previstas no contrato de agenciamento firmado entre a interessada e a Fl. 7DF CARF MF Emitido em 22/10/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/09/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Assinado digitalmente em 24/09/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA 8 empresa de transporte estrangeira, cuja cópia consta às fls. 1065/1106 e, ainda, considerando os termos da resposta à diligência constante do Termo de Constatação e Encerramento de Diligência de fls. 1201/1203, em que não ficou comprovado que teria havido reembolso das despesas à interessada, dão o entendimento de que as despesas operacionais glosadas são necessárias à atividade de agenciamento desenvolvida pela interessada. 13.4. Aliás, a afirmação da fiscalização de que as despesas incorridas teriam sido reembolsadas à interessada foi um dos fundamentos principais da glosa, pois a ocorrência do reembolso configuraria que, de fato, a despesa pertencia a terceiros. Entretanto, a diligência não logrou obter provas que confirmassem a afirmação da fiscalização de que houve os alegados reembolsos.Não ficou confirmada a existência de qualquer reembolso ou, ainda, que as remessas da interessada à empresa estrangeira teriam sido líquidas, já deduzidos os custos ou despesas. 13.5. O certo é que a auditoria não verificou qualquer receita da interessada prevista no contrato de agenciamento tenha sido subtraída da tributação ou, ainda, alguma despesa assumida expressamente em nome da empresa estrangeira de transporte. 13.6. Ademais, deve-se considerar que de acordo com o § 1º do art. 223 do RIR/94, “a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais”, e que o § 2º do mesmo artigo determina que “cabe à autoridade administrativa a prova da inveracidade dos fatos registrados com observância do disposto no § 1º”. 13.7. Assim, entendo que cabe ao Fisco provar que as despesas glosadas eram realmente desnecessárias para o cumprimento das obrigações contratuais da interessada com a empresa estrangeira de transporte, não se aplicando ao caso a inversão do ônus da prova, que é característica apenas das presunções legais. Concluiu que os lançamentos do IRPJ, da contribuição para o PIS e da CSLL, consequentemente são improcedentes. É o relatório. Voto Conselheiro Albertina Silva Santos de Lima O recurso de ofício atende às condições de admissibilidade e deve ser conhecido. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 22/10/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/09/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Assinado digitalmente em 24/09/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 15374.000836/99-00 Acórdão n.º 1402-00.263 S1-C4T2 Fl. 5 9 Em relação à glosa de despesas com plano de saúde, a Turma Julgadora considerou o lançamento improcedente, porque após a realização de diligência, ficou comprovado que os benefícios de assistência à saúde eram destinados indistintamente a todos os funcionários. Concordo com o decidido pela Turma Julgadora. Com relação à glosa dos custos/despesas por serem consideradas indedutíveis pela fiscalização, também foi realizada diligência que tinha os seguintes objetivos: Juntar elementos de prova que confirmem que a empresa estrangeira de transporte reembolsou a interessada pelos custos diretos incorridos em virtude do contrato de agenciamento e representação firmado entre as partes; e Verificar se os valores remetidos pela interessada à transportadora estrangeira a título de receitas de fretes, como mencionado na descrição dos fatos, à fl. 764, se tratam de valores integrais das receitas de fretes ou se já eram valores líquidos, já deduzidos os custos diretos incorridos pela interessada. Verifica-se no contrato de agenciamento às fls. 134/193, no item II, que o agente deverá executar os deveres e as funções costumeiras de agente da companhia de navegação no Território, inclusive, dentre outros os mencionados no relatório descritos pela fiscalização no auto de infração. Consta no item IV do contrato, que o Agente deverá ser remunerado pela Transportadora, conforme anexo B; e que a Transportadora deverá reembolsar o Agente pelos custos diretos efetivamente incorridos por ele e em nome da Transportadora, na medida em que tais custos fossem incorridos se razoáveis e devidamente comprovados. Consta no item V, que as despesas gerais e administrativas do Agente não seriam reembolsadas pela Transportadora, inclusive os custos e despesas indiretos ao arcar com sua folha de pagamento e encargos, despesas de viagem, representação, despesas de escritório e de comunicação. Consta no item VI que a Transportadora fornecerá ao Agente, sem ônus, material promocional e que a publicidade ficará condicionada às instruções da Transportadora. Do exposto, Concordo com a Turma Julgadora que concluiu que nos termos do art. 242 do RIR/94, em particular os §§ 1º e 2º quando em confronto com as atividades previstas no contrato de agenciamento firmado entre a interessada e a empresa de transporte estrangeira e considerando os termos da resposta de diligência de fls. 1201/1203, em que não ficou comprovado que teria havido reembolso das despesas à interessada, e também não ficou provado que o valor de remessas da interessada à empresa estrangeira teriam sido líquidas, já deduzidos os custos e despesas, levam ao entendimento de que as despesas operacionais glosadas são necessárias à atividade de agenciamento desenvolvida pela interessada. Ressalte- se que o contrato prevê que o agente deverá executar os deveres e as funções costumeiras de Agente da Transportadora, dentre outros especificados. Concordo também com a afirmação da Turma Julgadora de que caberia ao fisco provar que as despesas glosadas eram desnecessárias para o cumprimento das obrigações Fl. 9DF CARF MF Emitido em 22/10/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/09/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Assinado digitalmente em 24/09/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA 10 contratuais da interessada com a empresa de transporte, não se aplicando a inversão do ônus da prova. Concluo que faltou o aprofundamento da investigação fiscal. Tratando-se dos mesmos elementos de prova, aplica-se o decidido em relação ao tributo principal às exigências decorrentes de tributação reflexa, em razão da estreita relação de causa e efeito. Do exposto, voto por negar provimento ao recurso de ofício. Albertina Silva Santos de Lima - Relatora Fl. 10DF CARF MF Emitido em 22/10/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/09/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Assinado digitalmente em 24/09/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 10835.902594/2009-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2000
SERVIÇOS HOSPITALARES CARACTERIZAÇÃO
À luz do entendimento fixado pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, a expressão serviços hospitalares para fins de quantificação do lucro presumido por meio do percentual mitigado de 8%, inferior àquele de 32% dispensado aos serviços em geral, deve ser objetivamente interpretado e alcança todas as atividades tipicamente promovidas em hospitais, mesmo eventualmente prestadas por outras pessoas, como clínicas.
Numero da decisão: 1401-002.237
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito da recorrente de tributar suas receitas em relação ao IRPJ e à CSLL, pelas alíquotas reduzidas de 8% e 12% respectivamente, na forma Lei nº 9.249/95, art. 15, III, "a" e art. 20. Ausente momentaneamente a Conselheira Lívia De Carli Germano.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram do presente Julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201802
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2000 SERVIÇOS HOSPITALARES CARACTERIZAÇÃO À luz do entendimento fixado pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, a expressão serviços hospitalares para fins de quantificação do lucro presumido por meio do percentual mitigado de 8%, inferior àquele de 32% dispensado aos serviços em geral, deve ser objetivamente interpretado e alcança todas as atividades tipicamente promovidas em hospitais, mesmo eventualmente prestadas por outras pessoas, como clínicas.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10835.902594/2009-72
anomes_publicacao_s : 201804
conteudo_id_s : 5849538
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1401-002.237
nome_arquivo_s : Decisao_10835902594200972.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
nome_arquivo_pdf_s : 10835902594200972_5849538.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito da recorrente de tributar suas receitas em relação ao IRPJ e à CSLL, pelas alíquotas reduzidas de 8% e 12% respectivamente, na forma Lei nº 9.249/95, art. 15, III, "a" e art. 20. Ausente momentaneamente a Conselheira Lívia De Carli Germano. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator Participaram do presente Julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
dt_sessao_tdt : Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
id : 7193191
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:14:45 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050007266918400
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1831; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 2 1 1 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10835.902594/200972 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1401002.237 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 22 de fevereiro de 2018 Matéria PER/DCOMP PAGAMENTO A MAIOR Recorrente INSTITUTO DE RADIOLOGIA DE PRESIDENTE PRUDENTE Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2000 SERVIÇOS HOSPITALARES CARACTERIZAÇÃO À luz do entendimento fixado pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, a expressão “serviços hospitalares” para fins de quantificação do lucro presumido por meio do percentual mitigado de 8%, inferior àquele de 32% dispensado aos serviços em geral, deve ser objetivamente interpretado e alcança todas as atividades tipicamente promovidas em hospitais, mesmo eventualmente prestadas por outras pessoas, como clínicas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito da recorrente de tributar suas receitas em relação ao IRPJ e à CSLL, pelas alíquotas reduzidas de 8% e 12% respectivamente, na forma Lei nº 9.249/95, art. 15, III, "a" e art. 20. Ausente momentaneamente a Conselheira Lívia De Carli Germano. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram do presente Julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 5. 90 25 94 /2 00 9- 72 Fl. 168DF CARF MF Processo nº 10835.902594/200972 Acórdão n.º 1401002.237 S1C4T1 Fl. 0 2 Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP apresentado pela empresa no qual solicita a compensação de pretensos créditos relativos a pagamento a maior de IRPJ/CSLL. A origem dos créditos, consoante informado pelo recorrente desde sua impugnação, baseiamse no entendimento que, sendo empresa prestadora de serviços de radiologia, estes seriam equivalentes aos serviços hospitalares prestados e, assim, ao invés de estar sujeito às alíquotas de lucro presumido no percentual de 32%, estaria submetida às alíquotas de 8% para o IRPJ e 12% para a CSLL. A compensação não foi homologada pela Delegacia de Origem com base na alegação constante no Despacho Decisório. Ou seja, os serviços prestados pela recorrente não seriam caracterizados como serviços hospitalares em função de a empresa não possuir estrutura permanente e de funcionamento ininterrupto para atendimento de casos de internação de pacientes para tratamento de saúde. Assim, os serviços por ela prestados não poderiam se submeter aos percentuais estabelecidos para os serviços hospitalares. Inconformada com a nãohomologação das compensações a empresa apresentou manifestação de inconformidade na qual argumenta que realizou consulta à SRRF, formulada sob o nº 10835.001313/200610, com vistas a esclarecer o seu enquadramento como prestadora de serviços hospitalares e argumentou que realizou a retificação de suas DIPJ, DCTF para que pudesse usufruir dos créditos. A delegacia de julgamento considerou improcedente a manifestação de inconformidade emitindo a seguinte decisão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000 DCOMP. CRÉDITO. INDEFERIMENTO. Pendente, nos autos, a comprovação do crédito indicado na declaração de compensação formalizada, impõese o seu indeferimento. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTARIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Ou seja, a Delegacia de Julgamento entendeu que os créditos da empresa não estariam devidamente comprovados com a documentação apresentada pela recorrente. Inconformada com a decisão a empresa apresentou recurso voluntário no qual apresenta as seguintes alegações: Da apresentação de novos documentos. Alega que a decisão recorrida considerou que não foi comprovado que os serviços prestados referiamse apenas a serviços de Fl. 169DF CARF MF Processo nº 10835.902594/200972 Acórdão n.º 1401002.237 S1C4T1 Fl. 0 3 radiologia e radiodiagnóstico inseridos em seu objeto social. Mas que a documentação apresentada comprovaria o exercício destas atividades e, ainda, apresenta cópia do razão e declaração do contador da empresa, pelo que suscita que seja aceita a referida documentação como suficiente para caracterização dos serviços da empresa; Da realização de diligência. Entende que tendo em vista a apresentação dos novos documentos e que essa apresentação é possível em sede de recurso voluntário, haja vista que essa alegação somente foi trazida pela decisão da DRJ e, mais ainda, conforme farta jurisprudência que admite esta apresentação posterior. Do ônus da apresentação de prova impossível. Entende a empresa que a Delegacia de Julgamento pretende a formação de prova impossível visto que, mesmo que apresentasse todas as notas fiscais da empresa ainda assim não seria possível comprovar que somente realizou serviços indicados no seu objeto social. Nulidade por vícios formais. Entende que a decisão que considerou não homologadas as compensações padece de vícios, vez que indicou apenas o dispositivos que tratam da não homologação das compensações sem que exista dispositivo legal que constitua o crédito tributário. Do fato de a empresa não ser sociedade empresária e dos serviços realizados. Neste ponto apresenta farta jurisprudência deste CARF e do STJ, nos quais encontrase o entendimento de que a redução de alíquota decorre da efetiva prestação de serviços de natureza hospitalar e não do local em que se realizam, com exceção da realização de consultas. Com relação à natureza da sociedade entende que a decisão do STJ, relativa a sociedade simples e que este fato não foi impeditivo do direito, visto que a base para a sua concessão foi a natureza objetiva dos serviços realizados. Traz colações da doutrina no sentido de que a empresa se define mais pela verificação das atividades que desenvolve do que pelo seu simples registro formal. Assim eventual irregularidade seria apenas formal e não impeditiva do exercício do direito. Da natureza dos serviços prestados. Repisa os argumentos já trazidos para indicar que os serviços prestados pela sociedade são, efetivamente de radiologia e radiodiagnóstico. É o Relatório Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.211, de 22.02.2018, proferido no julgamento do processo nº 10835.901959/200941, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.211): A análise do presente processo prendese, em síntese, à verificação acerca de, em face de solução de consulta que reconheceu a possibilidade de a empresa tributar seus lucros pelas alíquotas equivalentes a 8%, poder a Receita Federal desconsiderar este direito em razão de alegar a não Fl. 170DF CARF MF Processo nº 10835.902594/200972 Acórdão n.º 1401002.237 S1C4T1 Fl. 0 4 comprovação da inscrição da empresa como sociedade empresária e do exercício de atividades que possam ser consideradas como hospitalares. Vejamos o que determina a norma relativa à aplicação das alíquotas de serviços hospitalares: Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de 8% (oito por cento) sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto no art. 12 do DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, deduzida das devoluções, vendas canceladas e dos descontos incondicionais concedidos, sem prejuízo do disposto nos arts. 30, 32, 34 e 35 da Lei no 8.981, de 20 de janeiro de 1995. (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: ..... III trinta e dois por cento, para as atividades de: (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) ..... Art. 20. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal a que se referem os arts. 27 e 29 a 34 da Lei no 8.981, de 20 de janeiro de 1995, e pelas pessoas jurídicas desobrigadas de escrituração contábil, corresponderá a doze por cento da receita bruta, na forma definida na legislação vigente, auferida em cada mês do anocalendário, exceto para as pessoas jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do § 1o do art. 15, cujo percentual corresponderá a trinta e dois por cento. (Redação dada Lei nº 10.684, de 2003) (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) (Vide Lei nº 11.119, de 205) Base de cálculo da CSLL Estimativa e Presumido Art. 20. A base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal ou trimestral a que se referem os arts. 2º, 25 e 27 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, corresponderá a 12% (doze por cento) sobre a receita bruta definida pelo art. 12 do DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, auferida no período, deduzida das devoluções, vendas canceladas e dos descontos incondicionais concedidos, exceto para as pessoas jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do § 1o do art. 15, cujo percentual Fl. 171DF CARF MF Processo nº 10835.902594/200972 Acórdão n.º 1401002.237 S1C4T1 Fl. 0 5 corresponderá a 32% (trinta e dois por cento). (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) Pelo que se depreende da norma acima, a redação da norma ao tempo dos fatos geradores dos pagamentos a maior realizados apenas estabelecia a aplicação da alíquota reduzida àqueles que realizassem o exercício de serviços hospitalares. A solução de consulta em que se baseou a empresa para a apuração dos seus créditos assim dispôs sobre os requisitos a serem atendidos para fins de fruição dos benefícios da alíquota reduzida. Em contraparida, verificase a existência de Recurso Repetitivo nº 217, do STJ que, tratando do assunto, assim dispôs sobre os serviços hospitalares sujeitos à alíquota reduzida do lucro presumido. Fl. 172DF CARF MF Processo nº 10835.902594/200972 Acórdão n.º 1401002.237 S1C4T1 Fl. 0 6 Vejase que o critério apresentado pelo STJ, seguindo o critério da Lei nº 9.249/95, é simples e objetivo. São enquadrados como serviços hospitalares os serviços de atendimento à saúde independentemente do local de prestação, excluindose, apenas, os serviços de simples consulta que não se identificam com as atividades prestadas em âmbito hospitalar. Inobstante, a Delegacia de Julgamento, ao analisar o caso do contribuinte baseou sua decisão nas diversas instruções normativas e atosdeclaratórios existentes a respeito da definição de serviços hospitalares para fins de aplicação da alíquota de presunção. Desta forma, fundamentou a improcedência na necessidade de o contribuinte atender a três requisitos, conforme abaixo apresentados: Ocorre, no entanto que não comungo do entendimento exposado pelo referido órgão julgador. A decisão proferida pelo STJ, aplicável ao caso dos autos, trata a norma redutora da alíquota de forma objetiva. Assim, o serviço que tenha natureza hospitalar, qual seja, diagnóstico, tratamento, internação, quer seja desenvolvido nos hospitais ou fora deles, com exceção apenas das simples consultas, devem ser considerados serviços hospitalares e, assim, estão sujeitos à alíquota reduzida estabelecida pela Lei nº 9.249/95, art. 15, III, "a" e art. 20. Comungam deste entendimento os seguintes julgados, inclusive desta mesma câmara em época anterior à entrada deste relator no colegiado. Acórdão nº 1401001.434 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 09 de dezembro de 2015 Matéria Imposto de Renda Pessoa Jurídica Recorrente Instituto Guaçuano de Orrino laringologia S/S Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2006 SERVIÇOS HOSPITALARES CARACTERIZAÇÃO Fl. 173DF CARF MF Processo nº 10835.902594/200972 Acórdão n.º 1401002.237 S1C4T1 Fl. 0 7 À luz do entendimento fixado pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, a expressão “serviços hospitalares” para fins de quantificação do lucro presumido por meio do percentual mitigado de 8%, inferior àquele de 32% dispensado aos serviços em geral, deve ser objetivamente interpretado e alcança todas as atividades tipicamente promovidas em hospitais, mesmo eventualmente prestadas por outras pessoas, como clínicas. Acórdão nº 1401001.433 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 09 de dezembro de 2015 Matéria Imposto de Renda Pessoa Jurídica Recorrentes Hemoclínica Serviços de Hemoterapia Ltda Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário:2006, 2007, 2008, 2009 SERVIÇOS HOSPITALARES CARACTERIZAÇÃO À luz do entendimento fixado pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, a expressão “serviços hospitalares” para fins de quantificação do lucro presumido por meio do percentual mitigado de 8%, inferior àquele de 32% dispensado aos serviços em geral, deve ser objetivamente interpretado e alcança todas as atividades tipicamente promovidas em hospitais, mesmo eventualmente prestadas em ambientes externos ou por outras pessoas, como hemoclínicas. Acórdão nº 9101001.559 – 1ª Turma Sessão de 23 de janeiro de 2013 Matéria IRPJ Exercícios 1999 a 2001 Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CAMP IMAGEM NUCLEAR S/C LTDA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998, 1999, 2000 SERVIÇOS HOSPITALARES. SERVIÇOS DE DIAGNÓSTICOS POR IMAGEM MEDICINA NUCLEAR. LUCRO PRESUMIDO. DETERMINAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. COEFICIENTE DE 8%. No julgamento do Recurso Especial nº 1.116.399/BA (2009/00064810), na sistemática dos recursos especiais repetitivos, o STJ decidiu que a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei nº 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Do exposto, comungando do entendimento exposado pelo STJ no sentido de que a redução de alíquota tem caráter objetivo em razão do tipo de serviços prestados pela empresa. No caso dos autos, inobstante a argumentação da Decisão atacada de que não restou comprovado a prestação de serviços relacionados a hospitalares pelo contribuinte, havemos de esclarecer que a Fl. 174DF CARF MF Processo nº 10835.902594/200972 Acórdão n.º 1401002.237 S1C4T1 Fl. 0 8 Decisão da DRJ não pode inovar nos fundamentos utilizados pela Delegacia de Origem para o não reconhecimento dos créditos. Vejase que na decisão original o não reconhecimento dos créditos deveuse ao fato de a autoridade administrativa entender que a recorrente não possuía estrutura hospitalar para internação e tratamento e não pelo fato de não ter comprovado as atividades, até mesmo porque sequer foi intimada para tanto. Mais ainda, a decisão emitida na solução de consulta, corroborada pela Decisão da Delegacia de Julgamento corroborou o entendimento de que o requisito de estrutura estaria suprido pela apresentação de laudo da vigilância sanitária da jurisdição da recorrente. Assim, verificandose que o contribuinte, exercer atividades exclusivamente de radiologia e diagnóstico por imagem, atividades essas que estão incluídas no conceito de serviços de atendimento à saúde, voto no sentido de dar provimento ao recurso para reconhecer o direito da recorrente de tributar suas receitas em relação ao IRPJ e à CSLL, pelas alíquotas reduzidas de 8% e 12% respectivamente, na forma Lei nº 9.249/95, art. 15, III, "a" e art. 20. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dou provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito da recorrente de tributar suas receitas em relação ao IRPJ e à CSLL, pelas alíquotas reduzidas de 8% e 12% respectivamente, na forma Lei nº 9.249/95, art. 15, III, "a" e art. 20. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 175DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16561.000057/2009-30
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
PROCESSO DE EMBALAGEM. AGREGAÇÃO DE VALOR. BEM APLICADO À PRODUÇÃO.
A agregação de valor em bem importado para fins de subsunção à hipótese prevista para adoção do método PRL60 na apuração de preços de transferência não comporta relativização. Nos termos já assentados por esta Primeira Turma da CSRF, o processo de embalagem é suficiente para caracterizar a agregação de valor e a aplicação do bem à produção, fatores que ensejam a adoção do método PRL60 na apuração de preços de transferência. Não cabe imputar qualquer ônus adicional ao Fisco, no sentido de que ele deveria comprovar que a embalagem alterou o estado original do bem, com "significativa" agregação de valor ao produto.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA - CSLL
Estende-se aos lançamentos decorrentes, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula.
Numero da decisão: 9101-003.420
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Luís Flávio Neto.
A declaração de voto, não tendo sida apresentada no prazo de 15 (quinze) dias, de que trata o § 6º do art. 63 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, considera-se não formulada, de acordo com o § 7º do mesmo artigo.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araujo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201802
camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004, 2005, 2006 PROCESSO DE EMBALAGEM. AGREGAÇÃO DE VALOR. BEM APLICADO À PRODUÇÃO. A agregação de valor em bem importado para fins de subsunção à hipótese prevista para adoção do método PRL60 na apuração de preços de transferência não comporta relativização. Nos termos já assentados por esta Primeira Turma da CSRF, o processo de embalagem é suficiente para caracterizar a agregação de valor e a aplicação do bem à produção, fatores que ensejam a adoção do método PRL60 na apuração de preços de transferência. Não cabe imputar qualquer ônus adicional ao Fisco, no sentido de que ele deveria comprovar que a embalagem alterou o estado original do bem, com "significativa" agregação de valor ao produto. TRIBUTAÇÃO REFLEXA - CSLL Estende-se aos lançamentos decorrentes, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula.
turma_s : 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Tue Mar 27 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 16561.000057/2009-30
anomes_publicacao_s : 201803
conteudo_id_s : 5847478
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Mar 28 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 9101-003.420
nome_arquivo_s : Decisao_16561000057200930.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
nome_arquivo_pdf_s : 16561000057200930_5847478.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Luís Flávio Neto. A declaração de voto, não tendo sida apresentada no prazo de 15 (quinze) dias, de que trata o § 6º do art. 63 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, considera-se não formulada, de acordo com o § 7º do mesmo artigo. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo - Presidente. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue Feb 06 00:00:00 UTC 2018
id : 7185580
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:14:31 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050007302569984
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 31; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2041; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 2 1 1 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 16561.000057/200930 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9101003.420 – 1ª Turma Sessão de 06 de fevereiro de 2018 Matéria PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado SCHERINGPLOUGH INDÚSTRIA FARMACÊUTICA LTDA. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005, 2006 PROCESSO DE EMBALAGEM. AGREGAÇÃO DE VALOR. BEM APLICADO À PRODUÇÃO. A agregação de valor em bem importado para fins de subsunção à hipótese prevista para adoção do método PRL60 na apuração de preços de transferência não comporta relativização. Nos termos já assentados por esta Primeira Turma da CSRF, o processo de embalagem é suficiente para caracterizar a agregação de valor e a aplicação do bem à produção, fatores que ensejam a adoção do método PRL60 na apuração de preços de transferência. Não cabe imputar qualquer ônus adicional ao Fisco, no sentido de que ele deveria comprovar que a embalagem alterou o estado original do bem, com "significativa" agregação de valor ao produto. TRIBUTAÇÃO REFLEXA CSLL Estendese aos lançamentos decorrentes, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Luís Flávio Neto. A declaração de voto, não tendo sida apresentada no prazo de 15 (quinze) dias, de que trata o § 6º do art. 63 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 00 00 57 /2 00 9- 30 Fl. 3736DF CARF MF Processo nº 16561.000057/200930 Acórdão n.º 9101003.420 CSRFT1 Fl. 3 2 Portaria MF nº 343, de 2015, considerase não formulada, de acordo com o § 7º do mesmo artigo. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), fundamentado atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em que se alega divergência jurisprudencial quanto ao que se decidiu sobre lançamento baseado em preços de transferência. A recorrente insurgise contra o Acórdão nº 1402001.913, de 04/02/2014, por meio do qual a 2a Turma Ordinária 4a Câmara da 1a Seção de Julgamento do CARF, entre outras questões, decidiu, por unanimidade de votos, dar provimento parcial a recurso voluntário da contribuinte acima identificada para fins de cancelar parte da exigência fiscal contida nestes autos, com o entendimento de que "a colocação de embalagem, por si só, não caracteriza o processo de industrialização que justifique a utilização do método PRL60 para ajuste de preços de transferência". O acórdão recorrido contém a ementa e a parte dispositiva descritas abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005, 2006 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODOS DE AJUSTE. COLOCAÇÃO DE EMBALAGEM. INDUSTRIALIZAÇÃO. A colocação de embalagem, por si só, não caracteriza o processo de industrialização que justifique a utilização do método PRL60 para ajuste de preços de transferência. Caberia demonstrar que o embalamento implicou em alteração do estado original do bem, com significativa agregação de valor para enquadramento na margem de lucro inerente ao método questionado. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. AJUSTES EFETUADOS PELO SUJEITO PASSIVO. DEDUÇÃO. Fl. 3737DF CARF MF Processo nº 16561.000057/200930 Acórdão n.º 9101003.420 CSRFT1 Fl. 4 3 A apuração dos ajustes de preços de transferência deve ser feita insumo a insumo ou produto a produto, conforme o caso. Não há que se falar em “compensação de ajustes”, entre bens distintos. Sob esse prisma, a dedução no procedimento fiscal de valores do ajuste efetuados pelo sujeito passivo só é cabível em relação a insumos ou produtos comuns às duas apurações. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2004, 2005, 2006 AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO. Cabível a imputação da multa de ofício na formalização do lançamento quando inexistente qualquer circunstância de suspensão da exigência tributária nos termos do art. 63, da Lei nº 9.430/96. MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. O agravamento da multa de ofício tem como escopo a recusa injustificada na prestação de esclarecimentos ou fornecimento de documentos. Não se justifica essa imputação para situações de entrega de informações em meio magnético incompletas ou equivocadas que tem norma sancionatória específica. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recuso de ofício e dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do valor tributável o montante de R$ 7.704.862,25 no anocalendário de 2004; R$ 9.436.162,77, no anocalendário de 2005; e R$ 4.425.066,15, no anocalendário de 2006; e reduzir a multa de ofício ao percentual de 75%. A PGFN afirma que o acórdão recorrido deu à lei tributária interpretação divergente da que tem sido dada em outros processos, relativamente à matéria acima referida. Para o processamento do recurso especial, foram apresentados os argumentos descritos abaixo: DOS FATOS de acordo com o Termo de Verificação Fiscal, a contribuinte utilizou o método PRL para efetuar seus ajustes, sendo o PRL20 para insumos importados e revendidos e PRL60 para aqueles industrializados no país; o método PRL20 foi utilizado inclusive para bens importados acondicionados em embalagens, procedimento esse não acatado pelo Fisco por entender caracterizada industrialização o que implicou no recálculo pelo método PRL60 nesses casos; em relação aos bens para os quais o sujeito passivo utilizou o método PRL 60, a apuração foi refeita pela Fiscalização com utilização das regras estabelecidas na IN/SRF nº 243/2002; Fl. 3738DF CARF MF Processo nº 16561.000057/200930 Acórdão n.º 9101003.420 CSRFT1 Fl. 5 4 com a devida vênia, o v. acórdão recorrido merece reforma na parte em que decidiu pela não utilização do método PLR60 para ajustes de preço de transferência no caso de embalamento em questão, tendo acatado o método PLR20 utilizado pela contribuinte, em divergência ao acórdão 130200.915, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção do CARF, conforme a seguir exposto; DA COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL a Turma a quo entendeu que a colocação de embalagem não caracteriza o processo de industrialização que justifique a utilização do método PRL60 para ajuste de preços de transferência, sendo necessário para aplicação do método citado a demonstração de que o embalamento implicou em alteração do estado original do bem, com significativa agregação de valor para enquadramento na margem de lucro inerente ao método questionado. Assim, entendeu pela aplicação do método PRL20 de ajuste de preços de transferência aos insumos submetidos a processo de embalamento. Seguem as razões do voto proferidas no acórdão 1402001.913, ora recorrido: [...]; diversamente se manifestou a 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção, no acórdão 130200.915, de contribuinte do ramo da indústria farmacêutica, segundo o qual o acondicionamento em embalagens para venda no mercado interno altera o produto e caracteriza processo de industrialização que agrega valor ao produto final, a atrair o ajuste no preço de transferência PRL60. Segue a ementa do julgado: Número do Processo 16561.000185/200711 Nº do Acórdão 1302000.915 IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ. Ano calendário: 2002. DECADÊNCIA. IRPJ E CSLL. ANOCALENDÁRIO DE 2002. O fato gerador de IRPJ e CSLL é o lucro real anual e concluise em 31122002, operandose a decadência apenas a partir de 31/12/2007. DIVERGÊNCIA NA ADIÇÃO DE PREÇO DE TRANSFERÊNCIA – ÔNUS DA PROVA – A autoridade fiscal analisou os suportes analíticos apresentados pela contribuinte e notou insuficiência na adição voluntária de preço de transferência por ela efetuada. A contribuinte nega esse erro, mas não traz quaisquer outros documentos ou suportes que possam infirmar os controles verificados em sede de fiscalização. O ônus da prova cabe à contribuinte que dele não se desincumbiu. PREÇO DE TRANSFERÊNCIA MÉTODO DE PREÇO DE REVENDA MENOS LUCRO PRL PRODUTOS IMPORTADOS A GRANEL ACONDICIONAMENTO E EMBALAGEM. O acondicionamento dos medicamentos importados a granel em embalagens para venda no mercado interno altera a apresentação do produto e caracteriza processo de industrialização que agrega valor ao produto final, impondose o ajuste no preço de transferência utilizandose a margem de lucro de 60%, quando for adotado o método de Preço de Revenda Menos Lucro (PRL60%). PREÇO DE TRANSFERÊNCIA PRL 60%. IN SRF 243/02. ILEGALIDADE. A IN 243/02 buscou interpretar a Lei, porém excedeu seus limites ao presumir, sem autorização legal ou suporte fático, o valor agregado no Brasil por uma regra de proporcionalidade. Para não resultar em ajuste, tal valor teria que ser no mínimo custo incorrido no Brasil agregado à margem de 150% (60% Fl. 3739DF CARF MF Processo nº 16561.000057/200930 Acórdão n.º 9101003.420 CSRFT1 Fl. 6 5 do preço). As margens fixas determinadas pela Lei 9.430/96 aplicamse apenas aos custos importados de determinadas partes ou aos respectivos preços de revenda, não aos custos ou preços de itens nacionais e nem à margem ou ao valor agregado no Brasil. A IN 243/02 não está de acordo nem com o texto ou com o contexto da Lei. para esclarecer a divergência, segue o voto vencedor do acórdão paradigma 130200.915, da lavra do ilustre Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado: [...]; como se observa, o Acórdão a quo entendeu que o processo de embalamento dos bens não caracterizou o processo de industrialização que justificasse a utilização do método PRL60 para ajuste de preços de transferência, tendo em vista que caberia a demonstração de que o embalamento implicou em alteração do estado original do bem, com significativa agregação de valor para enquadramento na margem de lucro inerente ao método questionado. Ademais, no caso recorrido, não se considerou o conceito de industrialização nos termos do RIPI. Assim, aplicouse o PRL20 para ajuste de preços de transferência; por outro lado, o Acórdão Paradigma 130200.915 entendeu que o acondicionamento dos medicamentos importados à granel em embalagens, alterando a apresentação do produto para venda no mercado interno, caracteriza processo de industrialização que agrega valor ao produto final. Com efeito, firmouse que não se tratou de mera embalagem para transporte, mas de apresentação comercial do produto, da qual resulta agregação de valor em relação ao produto importado a granel, nos termos do conceito de industrialização consagrado no Regulamento do IPI, amparado pela Lei nº 5.172/1966 (CTN) e pela Lei nº 4.502/1964. Dessarte, aplicouse o método PRL60 para ajuste de preços de transferência; adotando o Regulamento do IPI, firmouse no voto vencedor do acórdão 130200.915 o processo de industrialização “como qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo, entre elas a que importe em alterar a apresentação do produto, pela colocação da embalagem, ainda que em substituição da original, salvo quando a embalagem colocada se destine apenas ao transporte da mercadoria (acondicionamento ou reacondicionamento)”; assim, inferese do acórdão paradigma que o produto importado foi determinado comprimido, a granel; já o objeto de revenda, após o processo de embalagem, é composto do comprimido, do blister que torna prático ao consumidor seu manuseio e armazenagem, das informações médicas contidas na bula, da nova apresentação, etc. Assim, ainda que os bens importados tenham permanecido inalterados, a eles foram adicionados, de forma perene e indissolúvel, elementos essenciais e imprescindíveis, sem os quais não se tornariam próprios à destinação que a eles se pretende conferir, qual seja, a revenda ao consumidor final (processo de blisterização), a atrair o método PRL60; em face de entendimentos divergentes, diante da mesma situação fática referente a empresas do ramo farmacêutico, entendese demonstrada a divergência apta a ensejar o presente recurso especial; DO FUNDAMENTO DO PEDIDO DE REFORMA Fl. 3740DF CARF MF Processo nº 16561.000057/200930 Acórdão n.º 9101003.420 CSRFT1 Fl. 7 6 a contribuinte alega equivocada a consideração da aplicação do PRL60 para os produtos que sofreram acondicionamento em embalagem própria para revenda no mercado interno; cita a Solução de Consulta COSIT 22/2008 e o manual eletrônico “DIPJ 2008 – perguntas e respostas”, que estariam a amparar seu procedimento; aduz que não houve industrialização ou aplicação dos bens importados na produção de novos bens, sendo a prova disso o fato de que a NCM de entrada e saída das mercadorias é a mesmo; diz que não se pode tomar de empréstimo, para definição de “bens aplicados à produção”, o conceito de industrialização da legislação do IPI (tributação por analogia – art. 108 do CTN); o art. 18 da Lei 9430/96 define o método PRL como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos de alguns valores, dentre eles a margem de lucro, que será presumida em: [...]; portanto, cumpre saber: os comprimidos importados foram aplicados à produção local ou não? Eles foram objeto de simples revenda ou sofreram algum tipo de transformação em território nacional? em que pese a classificação NCM não tenha se alterado na saída dos produtos do estabelecimento da autuada, não se pode afirmar que os bens importados foram objeto de simples revenda. Nos termos do art. 18, inciso II, alínea d, nº 1 da Lei 9.430/96, eles foram aplicados à produção depois de importados; com efeito, os bens importados (comprimidos a granel) sujeitamse, no país, a uma última etapa de produção, que consiste no processo de embalagem primária – definido como processo de blisterização dos comprimidos em diversas formas de apresentação – e no processo de embalagem secundária – a colocação dos blisters em caixas que seguem o modelo de apresentação do medicamento e que contém a marca do laboratório, o nome comercial do medicamento ou o nome do princípio ativo, a quantidade de comprimidos, datas de fabricação e validade. Além disso, nesta última etapa também se adiciona a bula ao produto final que será comercializado; o produto que emerge após este processo não é o mesmo que foi importado. Ainda que os comprimidos importados não tenham sido propriamente consumidos ou absorvidos neste processo produtivo, eles foram aplicados à produção e transformados, de forma que o produto revendido não é o produto importado; no caso, o produto importado foi determinado comprimido, a granel. O objeto de revenda, após o processo de embalagem é composto do comprimido, do blister que torna prático ao consumidor seu manuseio e armazenagem, das informações médicas contidas na bula, da nova apresentação, etc; ainda que os bens importados tenham permanecido inalterados, a eles foram adicionados, de forma perene e indissolúvel, elementos essenciais e imprescindíveis, sem os quais não se tornariam próprios à destinação que a eles se pretende conferir, qual seja, a revenda ao consumidor final; os bens importados, portanto, foram, de fato, submetidos a processo produtivo que lhes acrescentou características antes não presentes; Fl. 3741DF CARF MF Processo nº 16561.000057/200930 Acórdão n.º 9101003.420 CSRFT1 Fl. 8 7 logo, o afastamento do PRL20 não decorre da aplicação, por empréstimo, do conceito de industrialização da legislação do IPI, mas apenas da interpretação do que significa a expressa “bens importados aplicados à produção”; nada há que justifique a redução do ato de “aplicar um bem à produção” a intervenções que acarretem a transformação de sua essência, ou o seu consumo durante o processo produtivo. Um bem também é aplicado à produção quando lhe são acrescentados elementos que o completam sem, contudo, interferir em sua integridade; o fato de a NCM de entrada ser o mesmo da saída é completamente irrelevante. A Lei 9.430/96 não menciona que, para a incidência do PRL60, a aplicação do bem importado à produção terá que ter como resultado um outro bem, de categoria distinta daquele importado; ora, assim fosse, não poderia ser tido como bem aplicado à produção, por exemplo, uma peça de couro, importada crua e submetida à tintura, tratamento, e aposição de bordados no mercado interno. De certo, o produto continua sendo uma peça de couro, e o código NCM provavelmente continuará o mesmo. Não há dúvidas, entretanto, que foi aplicado à produção; é mister ressaltar, outrossim, que a contribuinte se equivocou quando pensou que o manual eletrônico “DIPJ 2008 – perguntas e respostas”, estaria a amparar seu procedimento. O quesito 41 do manual se referia ao acondicionamento ou reacondicionamento de mercadorias, e não à embalagem; ora, não se pode confundir o processo aqui descrito com o mero acondicionamento ou reacondicionamento, definido no artigo 4º, inciso IV, do RIPI/98; isto porque o procedimento de blisterização e embalagem representa etapa do processo produtivo/industrial, já que a embalagem, no caso, tem por objetivo adequar o produto para alcançar o consumidor final, enquanto o acondicionamento/reacondicionamento significa que a embalagem se destina apenas ao transporte da mercadoria e apresentase, em geral, sem o acabamento elaborado ou a rotulagem que estão presentes no caso, e que agregam valor ao produto; quanto à Solução de Consulta COSIT 22/2008, cumpre observar que ela apenas produz efeitos entre a Administração e o consulente. Não vincula a fiscalização em relação aos demais contribuintes e nem está imune a alterações posteriores; e no presente caso, com a devida vênia, a COSIT pecou na apreciação do caso concreto à luz da Instrução Normativa 243/2002. No §16 da referida solução citase o §9º do art. 12 da IN, relatando que “de acordo com este dispositivo, não se considera revenda quando há agregação de valor ao custo do bem importado”. Acrescenta que “tendo em vista o §10, considerase que, nos casos de produção, há a agregação de valor ao bem importado consumido”; até aí, nada errado. Havendo agregação de valor no processo de blisteragem e embalagem, haverá atração do PRL60, por constituir procedimento produtivo. Ocorre que no dispositivo da Solução de Consulta, o colendo Órgão passa a impressão de que somente haverá agregação de valor na hipótese de aposição de marca, o que obviamente não é verdade; Fl. 3742DF CARF MF Processo nº 16561.000057/200930 Acórdão n.º 9101003.420 CSRFT1 Fl. 9 8 a aposição de marca é apenas um exemplo de caso em que a embalagem promove agregação de valor mais evidente ao produto. No entanto, por todo o exposto acima, é evidente que no presente caso, como em geral nas embalagens para medicamentos, também está presente a agregação de valor, mediante a necessária intervenção de mãodeobra e equipamentos, para adequar a apresentação dos comprimidos à legislação brasileira (em especial da lei nº. 6.370/76, que disciplina as matérias de vigilância sanitária, na qual está inserida a comercialização de medicamentos), realizando teste de qualidade, adicionando bula e colocando selo de segurança, que trazem confiabilidade ao produto; desta forma, mais coerente foi o entendimento consagrado na Solução de Consulta COSIT nº 05, de 1º de setembro de 2006, publicada no DOU de 12/09/2006, cuja ementa a seguir transcrevemos: EMENTA: A pessoa jurídica, sujeita aos controles de preços de transferência, que importa bens de vinculadas e procede, previamente à sua comercialização no País, à aposição da marca, bem assim ao acondicionamento e rotulagem, voltados ao atendimento de determinações legais brasileiras, deve, acaso opte por calcular o preço parâmetro com base no método Preço de Revenda menos Lucro (PRL), utilizar a metodologia atinente à margem de sessenta por cento, uma vez que as atividades por ela empreendidas representam agregação de valor aos bens. DISPOSITIVOS LEGAIS: Art. 19, IV da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; art. 12, IV, "b" da Instrução Normativa SRF nº 243, de 11 de novembro de 2002. embora da ementa surja a impressão de que a aposição de marca seria condição necessária para a aplicação do PRL60, o que se vê do inteiro teor do documento é que a agregação de valor no mercado interno é o fator preponderante para tanto. Vejase trecho que elucida tal questão: 17. Tal qual se depreende das informações prestadas pela própria Consulente, realiza ela, previamente à comercialização do bem importado, à sua embalagem, em forma de cartuchos, bem assim à inserção de bulas que o individualize dos demais medicamentos comercializados no mercado brasileiro, conforme determinações exaradas pela Anvisa, o que acaba por acarretar agregação de valor, para fins da legislação de preços de transferência, uma vez que: 17.1 a realização do procedimento de embalagem do plasma sangüíneo em conformidade às exigências técnicas impostas pelo órgão especializado (Anvisa) acaba por agregarlhe confiabilidade, e, em conseqüência, acaba por propiciar, de per si, a possibilidade de majoração do preço pelo qual é ele, posteriormente, comercializado no mercado; 17.2 a inserção de bulas que individualizam o bem importado nas quais conste o nome da pessoa jurídica que a embala, o que acaba por agregar valor intangível ao plasma sangüíneo por ela importado, dada a confiabilidade que o nome comercial “Aventis Behring Ltda.” inspire. portanto, seja em face do valor agregado pelo processo de embalagem, seja pela evidência de que os bens importados foram submetidos a uma última etapa do processo Fl. 3743DF CARF MF Processo nº 16561.000057/200930 Acórdão n.º 9101003.420 CSRFT1 Fl. 10 9 produtivo dentro do país, é impossível, na hipótese, o cálculo dos ajustes de preços de transferência pelo PRL20. Deveria o contribuinte ter utilizado o PRL60; DO PEDIDO ante o exposto, a União (Fazenda Nacional) requer seja conhecido e provido o presente recurso, para que seja aplicado o método PRL60 para ajuste de preços de transferência. Quando do exame de admissibilidade do Recurso Especial da PGFN, o Presidente da 4ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, por meio do despacho exarado em 25/06/2015, deu seguimento ao recurso, fundamentando sua decisão na seguinte análise sobre a divergência suscitada: [...] Para fins de análise, tem cabimento transcrever excertos do acórdão apresentado como paradigma: [...] Examinando o acórdão paradigma verificase que traz o entendimento de que o acondicionamento dos medicamentos importados a granel em embalagens para venda no mercado interno altera a apresentação do produto e caracteriza processo de industrialização que agrega valor ao produto final, impondose o ajuste no preço de transferência utilizandose a margem de lucro de 60%, quando for adotado o método de Preço de Revenda Menos Lucro (PRL60%). Consta no Voto condutor do Acórdão recorrido: [...] O acórdão recorrido, por seu turno, vem considerar que a colocação de embalagem, por si só, não caracteriza o processo de industrialização que justifique a utilização do método PRL60 para ajuste de preços de transferência. Caberia demonstrar que o embalamento implicou em alteração do estado original do bem, com significativa agregação de valor para enquadramento na margem de lucro inerente ao método questionado. Portanto, as conclusões sobre a matéria ora recorrida nos acórdãos examinados revelamse discordantes, restando plenamente configurada a divergência jurisprudencial pela PGFN. Em 17/11/2015, a contribuinte foi cientificada do Acórdão nº 1402001.913, do recurso especial da PGFN, e do despacho que admitiu esse recurso. Tempestivamente, em 30/11/2015, ela apresentou as contrarrazões ao recurso, com os argumentos descritos a seguir: DOS FATOS o Auto de Infração lavrado foi consubstanciado basicamente na acusação de que a Recorrida teria efetuado indevidamente os ajustes ao lucro líquido decorrente da aplicação de métodos de preço de transferência provenientes das operações de importação Fl. 3744DF CARF MF Processo nº 16561.000057/200930 Acórdão n.º 9101003.420 CSRFT1 Fl. 11 10 efetuadas com pessoas vinculadas, infringindo, por conseguinte, o disposto 241 do Decreto n° 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda), artigos 18 e 21 da Lei 9.430/96 e artigo 1º ao 13°, todos da Instrução Normativa SRF n° 243/2002; nessa linha, foi objeto do lançamento de ofício o recálculo por parte da Fiscalização do método PRL 60% já adotado pela Recorrida nos casos em que houve efetivamente produção de bens, onde supostamente constatouse que houve diferenças entre os ajustes obtidos pela Receita Federal e aqueles efetuados pela Recorrida; equivocadamente, ainda, a Fiscalização entendeu que outros bens importados e originariamente considerados pela Recorrida como produtos de mera revenda, foram aplicados na produção de outro bem destinado à venda no mercado interno, desconsiderando o preço parâmetro adotado pela Recorrida calculado originariamente pelo método PRL 20%, e determinou que o limite máximo de dedutibilidade fosse apurado mediante a aplicação do método PRL 60%; nesse particular, a Fiscalização não levou em consideração que a mercadoria revendida é exatamente a mesma da importada, sem sofrer nenhum processo de transformação, mantendo o mesmo NCM, inclusive, havendo apenas e tãosomente um acondicionamento em embalagens próprias para revenda ao consumo, sem aposição de marca, sendo, portanto, essencialmente a mesma mercadoria que entra no estabelecimento da Recorrida; em resumo, as razões que deram origem à lavratura do auto de infração estão suportadas no entendimento da Fiscalização no sentido de que o acondicionamento se traduz também em processo produtivo para fins de adoção do critério definidor do preço parâmetro, a teor da definição legal do fato gerador do IPI trazida de empréstimo inadequadamente , considerando aplicável ao caso o método de Preço de Revenda Menos Lucro (PRL) com margem de 60%; a 4ª Turma da D. Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de São Paulo proferiu o v. Acórdão n° 1623.218, dando provimento parcial à Impugnação apenas para deduzir da exigência os valores dos ajustes efetuados pelo sujeito passivo e não considerados na apuração; o Órgão Julgador de primeira instância recorreu de ofício em relação à parcela exonerada, ao passo que a ora Recorrida apresentou Recurso Voluntário reiterando em essência as razões expedidas na peça impugnatória; por sua vez, o E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais proferiu o V. Acórdão ora recorrido, pautandose, essencialmente, que não se trata de questão meramente de direito, mas que haveria questão anterior relativa a fato não superado pela Fiscalização. De fato, foi dado parcial provimento ao Recurso Voluntário, espoucando a irregularidade da autuação dado que, se fosse de se implicar com a margem de lucro adotada pela Recorrida, o Fisco deveria ter logrado êxito em comprovar que a colocação de embalagem implica ou não na alteração do estado original do bem de forma a justificar a aplicação do PRL 60 para ajuste dos preços de transferência; em face do r. Acórdão, o D. Procurador da Fazenda Nacional interpôs o presente Recurso Especial, o qual conforme será demonstrado a seguir, nem sequer atende aos pressupostos legais de admissibilidade. A conclusão inevitável a partir das presentes Fl. 3745DF CARF MF Processo nº 16561.000057/200930 Acórdão n.º 9101003.420 CSRFT1 Fl. 12 11 contrarrazões, será a de que deve ser negado provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, e de que o v. Acórdão recorrido não merece reparo no que diz respeito ao cálculo do PRL20 utilizado pela Recorrida aos produtos sujeitos a mero acondicionamento. PRELIMINAR DA INADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL 1) FALTA DE CUMPRIMENTO DE REQUISITO EXTRÍNSECO DE ADMISSIBILIDADE FALTA DA JUNTADA DA ÍNTEGRA DO ACÓRDÃO RECORRIDO é de se constatar, inicialmente, que não foi juntada aos autos a cópia do acórdão eleito pela Recorrente como paradigmático, sendo forçoso concluir ter sido desrespeitado o requisito extrínseco específico de admissibilidade do Recurso Especial (RICAR, art. 67, §9º), sendo já por isso necessária a negativa de seguimento; 2) INTEMPESTIVIDADE DO RECURSO não é possível que se afira a tempestividade do recurso, sendo curial protestar pela nulidade do processamento do recurso especial, por ter sido simplesmente descumprida a determinação do art. 7º, §1°, da Portaria MF 527, de 2010: Art. 7° Para fins de cumprimento dos §§ 8º e 9º do art. 23 do Decreto Nº 70.235, de 1972, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) poderá encaminhar à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) os autos do processo integralmente digitalizado ou do processo digital. § 1º A data de entrega do processo à PGFN e a data do retorno do processo ao CARF será atestada em documento de remessa e entrega do processo administrativo, devendo ser posteriormente digitalizado e anexado aos autos do eprocesso; é de conclusão imediata que o requisito do §1° acima transcrito não foi cumprido. Não consta do eprocesso administrativo documento de remessa e entrega do processo administrativo que atesta a data de entrega do processo à PGFN e a data do retorno do processo, sendo impossível atestar a efetiva data de entrega para fins de aplicação escorreita do art. 23, §§8° e 9º do Decretolei 70.235, de 1972; não é retórico, mas imperioso que se invoque a questão, na medida em que há descasamento de datas descritas na preliminar de tempestividade trazida no recurso, e a decisão que descreve, mas não chega a concluir ter havido respeito à tempestividade. É suficiente que se leia ambos excertos: No recurso especial: PRELIMINAR DE TEMPESTIVIDADE De acordo com o art. 7º, §5º, da Portaria MF nº 527/2010, tratandose de processo eletrônico, o prazo para a interposição do recurso pela PGFN será contado a partir da data da intimação pessoal presumida ou em momento anterior, se o Procurador da Fazenda Nacional se der por ultimado antes da data prevista no § 3º (30 dias contados da data em que os respectivos autos Fl. 3746DF CARF MF Processo nº 16561.000057/200930 Acórdão n.º 9101003.420 CSRFT1 Fl. 13 12 forem entregues à PGFN) mediante assinatura no documento de remessa e entrega do processo administrativo. Na hipótese, o despacho de encaminhamenlo dos auto do processo digital à PGFN data de 19/02/2015. Assim, temse a intimação presumida da PGFN em 20/03/2015. Já o prazo de 15 (quinze) para interposição de recurso especial terá como termo final o dia 06/04/2015. Desse modo, é manifesta a tempestividade deste recurso especial. E na decisão que admitiu o processamento, o excerto inconclusivo: Os autos foram encaminhados à PGFN em 10.02.2015, para fins de ciência da referida decisão, nos termos do art. 68 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF) e do art 23 do Decreto nº 70.235, de 06 de março 1972. A PGFN interpôs recurso especial em 17.03.2015, alegando divergência jurisprudencial da decisão proferida. Suscita que: percebase que, para além do descasamento das datas, o despacho de admissibilidade não chega à conclusão de tempestividade, avançando num salto, imediatamente, sobre o aspecto de ser ou não admitido sob o prisma da "divergência jurisprudência da decisão proferida"; o processamento sem o formalismo necessário não pode ser permitido, sob pena de colocar em questionamento a própria necessidade de existência do Colegiado. No particular, o cumprimento da forma é essencial à análise escorreita da admissibilidade do recurso específico, admitido em hipótese única, e desde que cumpridos os requisitos extrínsecos; sendo assim, a Recorrida argui a intempestividade do recurso, sendo de rigor a negativa de sua admissão também por essa falta; 3) APELO A QUESTÃO DE ORDEM FÁTICA, INADMISSÍVEL NO ÂMBITO DO RECURSO ESPECIAL primeiramente, insta salientar que a Fiscalização não logrou êxito em comprovar ao tempo da autuação a questão posta em debate nos presentes autos, qual seja, aquela relativa à adoção do método PRL 20% nos casos de acondicionamento de produtos importados para revenda, questão eminentemente de fato; conforme o próprio v. Acórdão ora recorrido afirma, não está em discussão se o processo de embalagem constitui industrialização, mas sim os efeitos da colocação de embalagem como modificadora do estágio original do bem e o consequente impacto na margem de lucro a ser adotada para fins de cálculo do preço de transferência. A esse respeito, o r. Acórdão reconheceu que a matéria posta em debate é questão de fato e não de direito, tendo ainda afirmado que a Fiscalização não logrou êxito em comprovar a alteração do estado original do bem, devendo, portanto, ser mantido o método PRL 20. É o que se lê no acórdão recorrido, conforme trecho destacado abaixo: [...]; nesse ponto, a decisão da 4ª Câmara foi precisa e compreensiva das diversas possibilidades de fato com diferentes consequências fiscais , particularmente se se Fl. 3747DF CARF MF Processo nº 16561.000057/200930 Acórdão n.º 9101003.420 CSRFT1 Fl. 14 13 vislumbrar situações nas quais o acondicionamento específico e necessário de determinado produto põe em questionamento até mesmo a adequação da NCM. Vejase, por exemplo, a discussão dos produtos veterinários, sobre serem medicamentos ou, por lhe terem sido adicionados outros produtos, para fins de conservação e posterior assimilação pelo animal, teriam se transformado em produto: Solução de Consulta n° 76/11 [...]; postos nestes termos, percebese a impropriedade da Recorrente tendo em vista que, visando desqualificar a aplicação do método PRL 20, a Recorrente pretende reanalisar questão de fato, incluindo, nas próprias razões do Recurso Especial pontos que demandam imprescindivelmente a reanálise da matéria fática e probatória, conforme trecho a seguir transcrito: "Portanto, cumpre saber: os comprimidos importados foram aplicados à produção local ou não? Eles foram objeto de simples revenda ou sofreram algum tipo de transformação em território nacional?" ora, não é em sede de recurso especial que se pode aferir se houve produção local ou não; se foram objeto de simples revenda ou sofreram algum tipo de transformação em território nacional; a toda evidência, tais questões já deveriam ter sido respondidas pela ação fiscal no momento da autuação, não cabendo neste momento, em sede de Recurso Especial, ser reanalisada matéria que a Fiscalização se absteve de comprovar, conforme apontado no próprio v. acórdão do Recurso Voluntário; no presente caso, é necessário ressaltar que o acórdão recorrido não chegou a adentrar na discussão sobre se o acondicionamento representa ou não, de per si, um processo de transformação. Admitiu que poderia sêlo, mas foi mais a fundo, impondo que se o fosse, a Fiscalização deveria têlo demonstrado. E essa análise não foi feita; ao pretender enfrentar matéria fática em que a própria Fiscalização não logrou êxito em comprovar em momento oportuno, a Recorrente viola o disposto na Lei n° 9.784/1999, que regula o Processo Administrativo Federal, não atendendo aos requisitos de admissibilidade do Recurso especial; ora, a irresignação da Recorrente não diz respeito a questões relativas à legalidade, tampouco ao mérito, mas sim de matéria de ordem fática, como definidas no âmbito do acórdão recorrido, que é como se definiu a ser a questão de fundo, como definido pelo acórdão recorrido; sendo assim, deve ser inadmitido o presente Recurso Especial, por não atender os pressupostos de admissibilidade do recurso, visto que pretende discutir matéria de fato que demandaria nova instrução probatória, a qual não foi realizada pela Fiscalização no momento oportuno; 4) INADEQUAÇÃO DO ACÓRDÃO ELEITO COMO PARADIGMA NÃO CUMPRIMENTO DE REQUISITO RELATIVO À DEMONSTRAÇÃO OBJETIVA DA IDENTIDADE DOS CASOS E DA DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL fazse imperioso ressaltar que, além das razões acima expostas, o Acórdão n° 130200.915, utilizado como decisão paradigma no presente Recurso Especial não pode ser Fl. 3748DF CARF MF Processo nº 16561.000057/200930 Acórdão n.º 9101003.420 CSRFT1 Fl. 15 14 usado como divergência jurisprudencial necessária à admissibilidade do presente recurso, visto que diz respeito à situação diferente da retratada nos presentes autos; ao trazer como paradigma o acórdão proferido nos autos do Processo 16561.185/200701, Ac. 163.236, da 3ª Câmara, 2ª Turma da Primeira Seção de Julgamento, a Recorrente limitouse a transcrever excertos dos acórdãos do paradigmático e do recorrido , sem pontuar e nem demonstrar analiticamente os pontos no paradigma colacionado que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido; neste diapasão, cumpre destacar que, no presente caso, o CARF julgou o Recurso Voluntário parcialmente procedente, cancelando a exigência decorrente da aplicação do método PRL60 aos insumos submetidos ao processo de embalagem originalmente enquadrados no PRL20, fundamentando seu entendimento no sentido de que devese observar os efeitos da colocação de embalagem como modificadora do estágio original do bem e o impacto na margem de lucro daí decorrente, sendo irrelevante esclarecer se o processo de embalagem é industrialização ou não, visto que não se está discutindo a incidência do IPI. A precisão dessa abordagem é cirúrgica; além disso, observou que no procedimento fiscal a autoridade lançadora restringiuse à alegação de que a agregação de valor por si só justificaria a desqualificação do método PRL 20 e, para tanto, baseouse nos registros contábeis da empresa onde haveria uma mudança de codificação do bem após o embalamento, presumindose, assim, que o produto original teria se transformado em outro com características diferentes, o que, em verdade, não condiz com a realidade dos fatos, visto que tal entendimento está apenas na esfera da hipótese, sem qualquer comprovação; ainda, conforme já demonstrado, o V. Acórdão entendeu que essa questão representa questão primordial que deveria ter sido dirimida nos autos e envolve matéria de fato, a qual o Fisco não apresentou elementos suficientes a demonstrarem que a colocação de embalagem implica em alteração do estado original do bem de forma a justificar a utilização do método PRL 60 para os ajustes dos preços de transferência; não obstante, no processo n° 16561.000185/200711 relativo ao Acórdão paradigma utilizado pela Recorrente, diferentemente da situação dos presentes autos, não se discute questão de fato, sendo inclusive que a matéria fática encontrase totalmente superada e a discussão se limita apenas à matéria de direito, na qual o conselheiro considera aplicável a legislação de regência do IPI (Decreto n° 7.212/2010), na medida em que considera como industrialização o processo de embalagem, de modo a agregar valor ao produto final; no mais, o Acórdão trazido como paradigma não foi unânime, tendo sido proferido voto pela Ilustre Conselheira Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, no sentido de se aplicar o método PRL 20 para produtos importados a granel e embalados no Brasil para posterior revenda. Além do que, atualmente o referido processo aguarda julgamento do Recurso especial, de forma que o paradigma não configura decisão estável, podendo ser a qualquer momento reformado, inclusive pelo fato da jurisprudência deste E. Conselho ser majoritária no sentido de que ser correta a adoção do método PRL 20 nos casos de mera embalagem dos produtos importados para revenda no mercado interno, conforme amplamente demonstrado no Recurso Voluntário e corroborado a seguir; no presente caso, o acórdão recorrido é claro no sentido de que não se discute questão relativa ao conceito de IPI. Importa saber se, de fato, houve modificação do Fl. 3749DF CARF MF Processo nº 16561.000057/200930 Acórdão n.º 9101003.420 CSRFT1 Fl. 16 15 produto, o que é importante frisar na medida em que o art. 18 da Lei 9.430 fala em PRL60 para os "bens importados aplicados à produção", enquanto que a Instrução Normativa 243 traz conceito não inserido na lei, para tentar restringir o PRL20 às hipóteses em que "não haja agregação de valor ao custo dos bens", o que, à evidência, torna praticamente impossível a aplicação do PRL20 dado que, em situação extrema, pelo menos agregação de custo relativo ao transporte incorre no país; o acórdão paradigmático, ainda, decidiu favoravelmente ao contribuinte daquele caso contrariamente ao que a Recorrente pretende fazer crer , dado que julgou como prevalecente o cálculo nos termos da IN32 e não da 243, como se percebe do relatório do Acórdão 1302001.192 proferido naqueles mesmos autos: [...]; esse aspecto, à evidência, não é matéria de discussão nos presentes autos; a par de que a Recorrida preocupouse em fazer seu trabalho relativo à agregação de valor, demonstrandoo nos autos sua análise do Mapa de Produção, como se percebe a fls. fls. 538 a 608, para diferenciar os casos em que ela mesmo já tratara o ajuste fiscal com a margem presumida de 60%, em oposição àqueles para os quais a Recorrente quer o mesmo percentual. Essa discussão e fato passa ao largo do acórdão paradigma, que restringe se à questão de direito; tudo isso, para além do aspecto de que aqueles produtos mencionados no Ac. 130200.915, apesar de serem medicamentos, não sofrem necessariamente o mesmo acondicionamento dos produtos da Recorrida; pelo exposto, a toda evidência o Acórdão utilizado como paradigma pela Recorrente não se presta a comprovar a divergência jurisprudencial sobre o assunto, por tratar de situação diversa dos presentes autos, não estando, portanto, preenchidos os requisitos de admissibilidade do Recurso especial, devendo este ser inadmitido; DO DIREITO DA MANUTENÇÃO DA APLICAÇÃO DO MÉTODO PRL 20% NOS CASOS DE EMBALAGEM DOS PRODUTOS IMPORTADOS PARA REVENDA NO MERCADO INTERNO conforme já sabido, o presente Recurso Especial voltase especificamente contra a parte do V. Acórdão do Recurso Voluntário que julgou parcialmente procedente o recurso para cancelar a exigência decorrente da aplicação do PRL 60 aos insumos importados a granel submetidos ao processo de embalagem para revenda no mercado interno e originalmente submetidos no PRL 20; o Recurso Especial limitase a discordar do v. Acórdão considerando que a simples embalagem dos produtos importados a granel implica em agregação de custo ao valor da mercadoria e, por conseguinte, na transformação de outro produto para venda no mercado interno, aplicandose a legislação do IPI para fins de caracterização de um processo produtivo, e por conta disso, subsumido ao ajuste do PRL 60; conforme se pode verificar abaixo, essa interpretação é equivocada, devendo o v. Acórdão ser mantido no que diz respeito à aplicação do PRL 20; Fl. 3750DF CARF MF Processo nº 16561.000057/200930 Acórdão n.º 9101003.420 CSRFT1 Fl. 17 16 primeiramente, cumpre reiterar o disposto na legislação que rege a matéria visando demonstrar o que está estritamente previsto na regra de preço de transferência: [...]; a redação do §1° do artigo 4º da IN SRF 243/2002 é muito clara em dois aspectos: • o primeiro deles ao se referir à produção de outro bem; e • o segundo, ao se reportar com a máxima exatidão a alínea "b" do inciso IV do artigo 12, que determina a aplicação do PRL 60 na hipótese de bens, serviços ou direitos importados aplicados na produção, que ademais é a mesma dicção constante do art. 18, II, d, 1, da Lei 9.430/96; ou seja, conforme acertado entendimento do próprio v. Acórdão recorrido, é equivocada a interpretação de que a simples embalagem do produto importado para venda no mercado interno implica em agregação de custo, uma vez que a própria embalagem não altera de forma significativa o valor do produto para revenda no mercado interno, devendo a agregação de valor mencionada no § 9º da IN/SRF 243/02 ser interpretada como aquela relacionada à aplicação do bem importado ao processo produtivo, in verbis: [...]; a hipótese sob apreço é única e exclusivamente de acondicionamento, troca de embalagem, para passar do granel às embalagens de venda ao consumidor final. A divergência sobre a aplicação do método PRL 20% ou PRL 60%, recai sobre o acondicionamento de produtos importado acabado dentro de embalagem adquirida de terceiros no mercado brasileiro. Ou seja, em essência, o produto é o mesmo, modificandose apenas a sua forma de apresentação, tanto que não houve alteração na sua classificação fiscal NCM; verificase tal afirmativa até mesmo pelo fato de que o item de maior ajuste é o identificado pela ora Recorrida pelo Código 621.148, cuja NCM é 3004.3990, na entrada e na saída, o que comprova que não há nenhuma agregação de valor e custo que altere o valor do produto na revenda. Consta dos autos fls. 538 a 608 o Mapa de Produção, onde se comprova que é possível identificar que nos produtos que foram revendidos o coeficiente entre insumo x produto (vendido) guarda estrita relação, ou seja, não houve agregação de valor. Os produtos foram importados a granel, cuja única forma de revenda é através do acondicionamento dos mesmos em embalagens; veja a propósito o entendimento desse E. Conselho sobre o assunto, sendo majoritária no sentido de que o mero acondicionamento ou reacondicionamento, ainda que realizado para adequação das embalagens às regras regulatórias medicamentos , ficam sujeitos aos seguintes entendimentos: i) não podem ser inseridos no contexto de produção para fins de aplicação do percentual de 60%; ii) não se lhes aplica a legislação do IPI para fins de conceituação; iii) não se pode por "produção" como escrito na lei ser compreendido como industrialização, que é o que pretende a Fiscalização; iv) o conceito de produção deve ser compreendido, necessariamente, como processo de obtenção de produto novo o que não acontece com o acondicionamento ou Fl. 3751DF CARF MF Processo nº 16561.000057/200930 Acórdão n.º 9101003.420 CSRFT1 Fl. 18 17 reacondicionamento pois é óbvio que até mesmo nos casos de aposição de marca, há tão somente um acréscimo de margem permitido pela marca. transcrevese os seguintes precedentes: [...]; diante do exposto, não resta outra conclusão, senão a de que o mero acondicionamento não implica em adição de valor aos bens importados, devendo ser mantido o v. Acórdão no tocante à aplicação do método PRL 20; DO PEDIDO diante do exposto, resta concluído que o presente recurso especial não atende os pressupostos legais de admissibilidade, e deve lhe ser negado seguimento pelas seguintes razões: a) falta de cumprimento de requisito extrínseco de admissibilidade por falta da juntada da íntegra do acórdão recorrido; b) intempestividade do recurso; c) apelo a questão de ordem fática, inadmissível no âmbito do recurso especial; d) inadequação do acórdão eleito como paradigma por não cumprimento de requisito relativo à demonstração objetiva da identidade dos casos e da divergência jurisprudencial. caso assim não se entenda, deve ser negado provimento ao Recurso especial da Fazenda Nacional, por não merecer reparo o v. acórdão no que fiz respeito ao método de ajuste de preço de transferência utilizado pela Recorrida, qual seja, o PRL20 para fins de ajuste dos preços de transferência dos produtos importados e acondicionados para mera revenda. Oportuno registrar que a contribuinte, além das contrarrazões acima mencionadas, também apresentou recurso especial contra a parte do Acórdão nº 1402001.913 que lhe foi desfavorável, mas esse recurso não foi admitido, conforme o despacho exarado em 08/03/2016 pelo Presidente da 4ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF. A negativa de seguimento do recurso especial da contribuinte foi confirmada pelo Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em caráter definitivo, conforme o despacho de reexame de admissibilidade exarado em 10/03/2016. Na sequência, a contribuinte apresentou ainda uma petição contra o despacho de reexame de admissibilidade do recurso especial, identificandoa como "agravo". Em novo despacho, proferido em 28/11/2016, o Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais negou conhecimento dessa petição como agravo, e a indeferiu como pedido de retificação do despacho de reexame, por não restar demonstrado lapso manifesto ou inexatidão material a serem saneados. É o relatório. Fl. 3752DF CARF MF Processo nº 16561.000057/200930 Acórdão n.º 9101003.420 CSRFT1 Fl. 19 18 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. Conheço do recurso, pois este preenche os requisitos de admissibilidade. O presente processo tem por objeto lançamento a título de IRPJ e CSLL sobre fatos geradores ocorridos nos anoscalendário 2004, 2005 e 2006. A autuação fiscal está fundamentada na apuração de "preços de transferência" de produtos importados de empresas ligadas no exterior. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal, a contribuinte utilizou o método PRL para efetuar seus ajustes, sendo o PRL20 para insumos importados e revendidos, e PRL60 para aqueles industrializados no país. Em relação aos bens para os quais a contribuinte utilizou o método PRL60, a apuração foi refeita pela Fiscalização com utilização das regras estabelecidas na IN SRF nº 243/2002. Essa parte do lançamento é objeto de uma ação judicial (Mandado de Segurança nº 2005.61.00.145761), onde a contribuinte questiona a legalidade da IN SRF nº 243/2002, no que toca à apuração dos preços de transferência pelo método PRL60. Além disso, a contribuinte também utilizou o método PRL20 para bens importados a granel e posteriormente submetidos a processo de embalagem para revenda no mercado interno brasileiro, procedimento que não foi acatado pelo Fisco, que entendeu estar caracterizada industrialização, o que implicou no recálculo pelo método PRL60 nesses casos. A Fiscalização também aplicou a multa regulamentar de R$ 2.694,79, por não terem sido adequadamente apresentadas as informações solicitadas, conforme previsão do artigo 968 do RIR/99. E ainda majorou a multa de oficio em 50%, em virtude de a contribuinte ter descumprido prazo para prestar esclarecimentos. A decisão de primeira instância administrativa excluiu parte das exigências, deduzindo alguns valores de ajustes efetuados pela contribuinte e que não tinham sido considerados pela Fiscalização na apuração das diferenças autuadas, relativas aos preços de transferências. Em razão dos valores exonerados, houve recurso de ofício ao CARF, e a contribuinte apresentou recurso voluntário para a parte da decisão de primeira instância que lhe foi desfavorável. A decisão de segunda instância administrativa (acórdão ora recorrido), por sua vez, negou provimento ao recurso de ofício, e deu provimento parcial ao recurso voluntário da contribuinte para fins de cancelar a exigência decorrente da aplicação do método PRL60 aos insumos originalmente submetidos ao PRL20, e também para reduzir a multa de ofício ao percentual de 75%. Fl. 3753DF CARF MF Processo nº 16561.000057/200930 Acórdão n.º 9101003.420 CSRFT1 Fl. 20 19 O recurso da PGFN busca restabelecer essa exigência decorrente da aplicação do método PRL60 aos insumos originalmente submetidos ao PRL20. O que está em questão nessa fase de recurso especial é justamente a parte do lançamento que diz respeito à aplicação, pela contribuinte, do PRL20 para bens importados a granel e posteriormente submetidos a processo de embalagem para revenda no mercado interno brasileiro. A PGFN sustenta que o método adequado para apuração de preços de transferência, nesse tipo de situação, é o PRL60, conforme entende a Fiscalização da Receita Federal. Em sede de contrarrazões, a contribuinte suscita quatro preliminares de não conhecimento do recurso. Primeiro, ela alega que a PGFN não juntou aos autos a cópia do acórdão paradigma, o que violaria a exigência contida no §9º do art. 67 do RICARF. Embora não tenha juntado cópia do acórdão paradigma aos autos, vêse que a PGFN observou o §11 do mesmo art. 67, que estabelece que as "as ementas referidas no §9º poderão, alternativamente, ser reproduzidas no corpo do recurso, desde que na sua integralidade". Improcedente, portanto, essa primeira preliminar. Na sequência, a contribuinte suscita a intempestividade do recurso especial. Segundo ela, não consta dos autos a data de entrega do processo à PGFN e a data do retorno do processo ao CARF, sendo impossível atestar a efetiva da data de entrega para fins de aplicação escorreita do art. 23, §§8° e 9º do Decretolei 70.235/1972. Além disso, haveria descasamento das datas descritas na preliminar de tempestividade trazida no recurso, e no despacho de exame de admissibilidade, sendo que esse despacho nem mesmo chega a concluir ter havido respeito à tempestividade. Às fls. 3477 do eprocesso, consta o despacho de encaminhamento dos autos à PGFN para ciência do Acórdão nº 1402001.913. Esse despacho foi exarado em 19/02/2015. De acordo com as regras dos §§ 8º e 9º do art. 23 do Decreto nº 70.235/1972, a ciência ficta da PGFN ocorreria em 21/03/2015 (30 dias após o envio dos autos). Às fls. 3499 do eprocesso, consta o despacho de retorno dos autos ao CARF, com a apresentação do recurso especial em 17/03/2015, ou seja, antes mesmo de ocorrer a ciência ficta da PGFN. Não há, portanto, nenhuma dúvida sobre a tempestividade do recurso, e nem dificuldade para aferila. O fato de o despacho de exame de admissibilidade ter mencionado equivocadamente que os "autos foram encaminhados à PGFN em 10.02.2015, para fins de ciência da referida decisão" (o alegado descasamento das datas) em nada interfere na tempestividade do recurso, porque, mesmo adotando essa data de 10/02/2015, o recurso continua tempestivo. É que, nesse caso, a ciência ficta ocorreria em 12/03/2015, quando se iniciaria a contagem do prazo de 15 dias para apresentação do recurso. E como o recurso foi apresentado em 17/03/2015, ele continuaria tempestivo. Fl. 3754DF CARF MF Processo nº 16561.000057/200930 Acórdão n.º 9101003.420 CSRFT1 Fl. 21 20 A segunda preliminar também é improcedente. A terceira e a quarta preliminares apresentadas pela contribuinte guardam relação entre si, e também guardam relação com o próprio mérito do recurso sob exame. Em síntese, a contribuinte alega que no caso do acórdão recorrido, o Fisco não conseguiu comprovar que a colocação de embalagem implicou em alteração do estado original do bem de forma a justificar a utilização do método PRL60 para os ajustes dos preços de transferência, e que em sede de recurso especial não é possível pretender enfrentar matéria de ordem fática que a Fiscalização não logrou êxito em comprovar no momento oportuno; que no acórdão paradigma, diferentemente da situação dos presentes autos, não se discutiu questão de fato; que no caso paradigma, a matéria fática encontravase totalmente superada e que a discussão se limitou apenas à matéria de direito. É importante perceber que a divergência jurisprudencial repousa justamente nas implicações jurídicas que o processo de embalagem dos bens importados a granel (no caso, produtos farmacêuticos), para posterior venda a consumidor final no Brasil, tem em relação à definição dos métodos para aferição de preços de transferência. O acórdão recorrido entendeu que a colocação de embalagem, por si só, não caracteriza o processo de industrialização que justifique a utilização do método PRL60 para ajuste de preços de transferência. Que caberia ao Fisco demonstrar que o embalamento implicou em alteração do estado original do bem, com significativa agregação de valor para enquadramento na margem de lucro inerente ao referido método. Já o acórdão paradigma entendeu que o acondicionamento de medicamentos importados a granel em embalagens para venda no mercado interno altera a apresentação do produto e caracteriza processo de industrialização que agrega valor ao produto final, impondo se o ajuste no preço de transferência utilizandose a margem de lucro de 60%, quando for adotado o método de Preço de Revenda Menos Lucro (PRL60%). A PGFN não pretende, com seu recurso especial, produzir prova de que o embalamento implicou em alteração do estado original do bem, com significativa agregação de valor ao produto. Ela não pretende, nessa fase processual, apresentar os elementos probatórios que o acórdão recorrido entendeu necessários para a aplicação do método PRL60. Não é esse o escopo do recurso especial. O que a PGFN pretende é discutir juridicamente se esse ônus realmente deve ser exigido do Fisco. Ou seja, se para a aplicação do método PRL60, é necessário que se comprove que o embalamento implicou em alteração do estado original do bem, com "significativa" agregação de valor ao produto. O que está em questão é se cabe ou não imputar esse ônus probatório ao Fisco, para que se possa aplicar o método PRL60. Assim, não há como afirmar que a PGFN pretende enfrentar matéria fática (produzir prova nessa fase do processo), ou que o julgamento do presente recurso, diferentemente do caso paradigma, depende do exame de questões de fato, e não de questões de ordem jurídica. Fl. 3755DF CARF MF Processo nº 16561.000057/200930 Acórdão n.º 9101003.420 CSRFT1 Fl. 22 21 Vale aqui registrar que as perguntas contidas no recurso especial (e criticadas pela contribuinte), se "os comprimidos importados foram aplicados à produção local ou não?", e se "eles foram objeto de simples revenda ou sofreram algum tipo de transformação em território nacional?", configuram apenas argumentos retóricos. Até porque não há nenhuma dúvida de que a empresa atua no ramo de produtos farmacêuticos, principalmente na linha hormonal e de anticoncepcionais, e que ela importa alguns medicamentos a granel e os submete posteriormente a processo de embalagem para vendêlos no mercado interno brasileiro. A questão é se esse processo de embalagem se adequa aos conceitos de produção e de transformação para fins de definição do método de preço de transferência, ou seja, se esse processo de embalagem implica ou não na adoção do método PRL60 para aferição dos preços de transferência. Vale ainda registrar que o recurso especial apresentado contra o acórdão paradigma, ao qual fez menção a contribuinte, já foi julgado pela CSRF, com decisão favorável ao que defende a PGFN, conforme indica a ementa dessa decisão, na parte que aqui interessa: Processo nº 16561.000185/200711 Acórdão nº 9101002.417 PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. PRL60. ADOÇÃO OBRIGATÓRIA. IMPORTAÇÃO DE COMPRIMIDOS A GRANEL. BLISTERIZAÇÃO. PROCESSO DE PRODUÇÃO. O processo de blisterização e a embalagem em caixas de papelão dos medicamentos importados a granel para venda no mercado interno constitui se em uma última etapa do processo de produção, agregando valor ao produto e vinculando a apuração do ajuste de preço de transferência ao método PRL60, em detrimento do método PRL20, utilizável apenas e tão somente nos casos de simples revenda da mercadoria importada. A ementa acima transcrita deixa bastante claro que no caso paradigma (tanto na fase de recurso voluntário, quanto na fase de recurso especial) foi decidido que o questionado processo de embalagem vincula a apuração do ajuste de preço de transferência ao método PRL60, sem qualquer imposição de ônus probatório adicional ao Fisco, e é esse aspecto que configura a divergência jurisprudencial a ser dirimida neste julgamento. A terceira e a quarta preliminares de não conhecimento, portanto, também são improcedentes. Rejeitadas as preliminares, cabe adentrar no exame de mérito do presente recurso. Já está bem esclarecido que a contribuinte atua no ramo de produtos farmacêuticos, principalmente na linha hormonal e de anticoncepcionais, e que ela importa alguns medicamentos a granel e os submete posteriormente a processo de embalagem para vendêlos no mercado interno brasileiro. Também restou evidenciado que diante da divergência jurisprudencial suscitada, este colegiado terá que decidir se o processo de embalagem vincula a apuração do Fl. 3756DF CARF MF Processo nº 16561.000057/200930 Acórdão n.º 9101003.420 CSRFT1 Fl. 23 22 ajuste de preço de transferência ao método PRL60, sem qualquer imposição de ônus probatório adicional ao Fisco, ou se, ao contrário, o processo de embalagem, por si só, não é suficiente para tanto, cabendo ainda ao Fisco demonstrar que o embalamento implicou em alteração do estado original do bem, com significativa agregação de valor ao produto. A matéria não é novidade para esta Primeira Turma da CSRF. Conforme mencionado nos parágrafos anteriores, o acórdão paradigma utilizado pela PGFN foi alvo de recurso especial, e a CSRF manifestou seu entendimento sobre a questão acima colocada. Vale reproduzir novamente a ementa do Acórdão CSRF nº 9101002.417 e os fundamentos que embasaram aquela decisão: Processo nº 16561.000185/200711 Acórdão nº 9101002.417 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL60. IN SRF Nº 243/2002. LEGALIDADE. A IN SRF nº 243/2002 não viola o princípio da legalidade tributária, estando em consonância com o que preconiza o art. 18 da Lei nº 9.430/96, na redação dada pela Lei nº 9.959/2000. PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. PRL60. ADOÇÃO OBRIGATÓRIA. IMPORTAÇÃO DE COMPRIMIDOS A GRANEL. BLISTERIZAÇÃO. PROCESSO DE PRODUÇÃO. O processo de blisterização e a embalagem em caixas de papelão dos medicamentos importados a granel para venda no mercado interno constitui se em uma última etapa do processo de produção, agregando valor ao produto e vinculando a apuração do ajuste de preço de transferência ao método PRL60, em detrimento do método PRL20, utilizável apenas e tão somente nos casos de simples revenda da mercadoria importada. PRECLUSÃO PROCESSUAL. Não se conhece das alegações trazidas em Contrarrazões, se a matéria foi objeto de recurso voluntário, o Colegiado a quo não se manifestou, e a omissão não foi objeto de embargos. Recurso Especial do Procurador Provido e Recurso Especial do Contribuinte Negado. [...] Voto O Recurso Especial da PFN é tempestivo, já que apresentado em 05/11/2013, quando a ciência do acórdão proferido em sede de Embargos de Declaração ocorreu em 29/10/2013 (fl. 977 efls. 1.076 e ss). A Fl. 3757DF CARF MF Processo nº 16561.000057/200930 Acórdão n.º 9101003.420 CSRFT1 Fl. 24 23 divergência arguida também restou plenamente caracterizada, na comparação entre o acórdão recorrido e os paradigmas apresentados. Da mesma forma, o Recurso Especial apresentado pela contribuinte é tempestivo, tendose em conta que a interessada foi cientificada do Recurso Especial da PFN e do respectivo Despacho de Admissibilidade, em 24/04/2015 (efl. 1.140/1.141), apresentando seu Recurso Especial em 12/05/2015 (efls. 1.317/1.345). Aqui, também, a divergência invocada restou demonstrada. A PFN traz para discussão a temática da legalidade da IN SRF nº 243, de 2002, em oposição ao que decidiu a maior parte do colegiado a quo, que afastou a aplicação da referida IN por entender que, pretendendo interpretar o comando legal que rege o tema, o normativo extrapolou, propondo um conceito de "valor agregado" que teria ido além daquele prescrito pelo próprio comando legal que pretendeu interpretar. De outro giro, a contribuinte devolve para análise a aplicação, ao caso, do método PRL 20, no lugar do PRL 60 adotado pela fiscalização, por entender que o mero acondicionamento do produto importado a granel não implica em industrialização por não transformar o produto final importado. Assim, neste voto, ambos os Recursos Especiais, da PFN e da interessada LABORATÓRIOS PFIZER LTDA., serão apreciados conjuntamente, uma vez que os assuntos devolvidos correlacionamse e limitamse à aplicabilidade do método PRL20 ou do método PRL60 ao caso tratado e a legalidade ou ilegalidade da IN SRF nº 243, de 2002. Em relação ao recurso da Fazenda, [...] [...] Em relação ao recurso da Contribuinte, no que diz respeito à aplicação do método PRL 20 ao caso concreto, como pleiteia a Recorrente, considero importante iniciar por registrar que se trata de contribuinte que importa medicamentos em forma de comprimidos, que chegam ao país à granel e, por força da legislação brasileira, se obriga a acondicionar o produto antes de revendêlo localmente, em blísteres e caixas de papelão. Às caixas de remédio ainda são adicionadas as respectivas bulas. A recorrente, para efeito de apurar eventual ajuste de preços de transferência, aplica aos produtos que importa o método PRL20, enquanto que a fiscalização entende ser obrigatória a adoção do método PRL60. O art. 18 da Lei nº 9.430/96 define o método PRL como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos de alguns valores, dentre eles, a margem de lucro, presumida em 60% na hipótese de bens aplicados à produção. No caso de simples revenda das mercadorias, estabelece a lei que essa presunção é de 20%. A questão, assim, é determinar se a blisterização dos comprimidos, sua colocação em caixas de papelão e ulterior adição da bula consiste em mais uma etapa do processo produtivo, como defende a Fazenda Nacional, ou se se trata de mero acondicionamento uniforme em quantidades usadas para fins terapêuticos, sem que haja qualquer processo de transformação ou Fl. 3758DF CARF MF Processo nº 16561.000057/200930 Acórdão n.º 9101003.420 CSRFT1 Fl. 25 24 alteração de suas características originais, não configurando produção, como entende a contribuinte. A respeito desse assunto, já me manifestei recentemente por ocasião do acórdão nº 9101002.198, de 2 de fevereiro de 2016, nos seguintes termos: “(...) Processo produtivo, em sentido lato, nada mais é do que a combinação de fatores de produção que proporciona a obtenção de um dado produto final. Num processo produtivo são incorporados fatores que, após sua transformação, levam a um produto final (ou acabado). Saliento que esses conceitos estão à disposição em qualquer manual de engenharia de produção ou de administração de produção, com pequenas alterações nos seus termos. Aprofundando um pouco a temática e me socorrendo na melhor doutrina, posso dizer que “Processo é qualquer atividade que recebe uma entrada (input), agregalhe valor e gera uma saída (output) para um cliente interno ou externo, fazendo uso dos recursos da organização para gerar resultados concretos” (HARRINGTON, H. J. Aperfeiçoando processos empresariais. São Paulo: Makron Books, 1993, p.10). Por sua vez, Hammer e Champy (HAMMER, Michael; CHAMPY, James. Reengineering the Corporation. New York; HarperBusiness, 1994, p. 2), afirmam que “um processo é um grupo de atividades realizadas numa sequência lógica com o objetivo de produzir um bem ou um serviço que tem valor para um grupo específico de clientes”. Com efeito, o conceito de produção equivale ao de fabricação ou industrialização. Já o conceito de industrialização, de longa data, está consignado no Regulamento do IPI, encontrando seu fundamento nas Leis nº 5.172/1966 (CTN) e nº 4.502/1964. Segundo esse conceito, utilizado aqui de forma subsidiária, industrialização é qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo, entre elas a que importe em alterar a apresentação do produto pela colocação da embalagem, ainda que em substituição da original, salvo quando a embalagem colocada se destine apenas ao transporte da mercadoria (acondicionamento ou reacondicionamento). É o que dispõe o art. 4º do Regulamento do IPI (Decreto nº 7.212/2010 que revogou o Decreto nº 4.502/2002), verbis: Art. 4º Caracteriza industrialização qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo, tal como (Lei nº 5.172, de 1966, art. 46, parágrafo único, e Lei nº 4.502, de 1964, art. 3º, parágrafo único): (...) IV a que importe em alterar a apresentação do produto, pela colocação da embalagem, ainda que em substituição da original, salvo quando a embalagem colocada se destine apenas ao transporte da mercadoria (acondicionamento ou reacondicionamento); ou Fl. 3759DF CARF MF Processo nº 16561.000057/200930 Acórdão n.º 9101003.420 CSRFT1 Fl. 26 25 (...) Dos conceitos apontados, extraise que no processo produtivo, ou “produção”, alguns elementos são essenciais: combinação de fatores de produção (capital, trabalho, instrumentos de produção etc.), entradas e saídas (produto final), numa seqüência lógica, e agregação de valor.” No caso em apreço, a contribuinte importa o produto à granel e, localmente, o embala em blísteres e caixas de papelão, sem o que não poderia comercializálo, por força da legislação sanitária brasileira. Ora, se o seu produto só pode ser vendido se for devidamente embalado, resta óbvio que não estamos falando de simples revenda e, por conseguinte, que o procedimento de blisterização e a colocação em caixas de papelão dos comprimidos fazem parte do processo produtivo, constituindo uma última etapa da produção, antes de ser entregue ao respectivo departamento comercial. Blíster é o nome da embalagem em formato de cartela, composta por um cartão ou filme plástico que serve de base para a fixação do produto dentro de uma bolha plástica (o blister) normalmente com o formato dos contornos do produto. Essa bolha é moldada pelos processos de “Vacuum Forming” ou Termoformagem, utilizandose de filmes plásticos de PVC ou PET. Ou seja, não é uma operação qualquer de “mero acondicionamento”, como quer fazer supor a empresa; faz parte efetivamente de um processo, atualmente, quase que totalmente automatizado, com a utilização de mão de obra especializada para a operação e manuseio das máquinas. Feita a blisterização, o produto ainda passa por um processo de colocação das cartelas com os comprimidos em caixas de papelão, adição da respectiva bula e aposição de selo de segurança, o que dá maior confiabilidade à mercadoria e, conseqüentemente, maior valor agregado. Só então, podese considerar que o produto está totalmente acabado e pronto para comercialização. Por oportuno, destaco que a Contribuinte traz em seu recurso, item 41, referência ao Perguntas e Respostas disponibilizado no endereço virtual da RFB, por meio da qual é dito que o exclusivo acondicionamento ou reacondicionamento não implica a produção de outro bem. Ocorre que aqui não estamos tratando de mero acondicionamento ou reacondicionamento. É feita uma etapa: justamente a blisterização. No caso dos autos, não resta dúvida que a blisterização e o acondicionamento dos medicamentos importados à granel em embalagens de papelão, altera a apresentação do produto para venda no mercado interno, caracterizando etapa do processo de produção que agrega valor ao produto final. Evidente que após esta última etapa de produção foi agregado valor ao produto inicialmente importado. [...] Assim, entendo correto o método utilizado pela Fiscalização, bem como os cálculos adotados pela IN. [...] Fl. 3760DF CARF MF Processo nº 16561.000057/200930 Acórdão n.º 9101003.420 CSRFT1 Fl. 27 26 Ante todo o exposto, voto no sentido de: 1) DAR PROVIMENTO ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, reconhecendo a legalidade da IN SRF nº 243, de 2002; e 2) NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Especial da contribuinte, reconhecendo ser devida a adoção do método PRL60 ao presente caso. É como voto. Adriana Gomes Rêgo Relatora Também é importante fazer menção ao Acórdão nº 9101002.952, exarado por esta Primeira Turma da CSRF em 03/07/2017, que julgou recurso especial da PGFN contra acórdão exarado pela mesma 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, e com fundamentos idênticos ao do acórdão recorrido constante destes autos, no que toca à matéria sob exame: Processo nº 16561.000047/200813 Acórdão nº 9101002.952 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 PROCESSO DE EMBALAGEM. AGREGAÇÃO DE VALOR. BEM APLICADO À PRODUÇÃO. Não comporta relativização a agregação de valor de bem importado para fins de subsunção à hipótese prevista para adoção do método PRL60 na apuração de preços de transferência. Demonstrado nos autos de maneira incontroversa que o insumo importado passou por processo de embalagem para ser colocado à disposição do consumidor final, incontestável a agregação de valor do produto. [...] Voto Conselheiro André Mendes de Moura, Relator Sobre a admissibilidade do recurso especial da PGFN, protesta a Contribuinte pelo seu não conhecimento em contrarrazões. Entendo que não lhe assiste razão. Primeiro, porque, ao contrário do que aduz a Contribuinte, a matéria é de direito, e não de fato. O que discute é se, a partir do momento em que o insumo importado passa por um procedimento de embalagem, independente da natureza ou complexidade do processo, podese concluir que se consumou uma modificação do estado do produto, nos termos da legislação tributária, suficiente para afastar a aplicação do método PRL20 e adoção do PRL60, utilizado, na hipótese de bens importados aplicados à produção. [...] Fl. 3761DF CARF MF Processo nº 16561.000057/200930 Acórdão n.º 9101003.420 CSRFT1 Fl. 28 27 Nesse sentido, conheço do recurso especial interposto pela PGFN. [...] Passo ao exame do mérito, iniciando pelo recurso especial da PGFN. I. Bens importados aplicados ou não à produção. Desclassificação do PRL20 e adoção do PRL60 A matéria devolvida pretende apreciar se os produtos importados analisados na autuação fiscal, com exceção do LISINOPRIL, encontramse enquadrados na hipótese de bens aplicados à produção, que ensejaria a adoção do método PRL60, ou não, devendo se submeter ao método PRL 20. Vale transcrever o art.18 da Lei nº 9.430, de 1996 (redação vigente à época da autuação), na parte que interessa à lide: [...] Fato incontroverso é que os produtos em análise submeteramse a processo de colocação de embalagem. Transcrevo excerto da decisão recorrida sobre o assunto (efl. 2536). [...] Com a devida vênia à interpretação dada pela decisão recorrida, o processo de embalagem do produto é fundamental para a apreciação do presente caso. Na realidade, é o cerne da autuação fiscal. O fato de os registros contábeis registrarem uma alteração na codificação do nome do produto original após o processo de embalagem, apresentase como mais uma evidência de que o produto importado passou, sim, por um processo de transformação. Devese observar também que a primeira instância promoveu diligência para solicitar à autoridade fiscal esclarecimentos complementares sobre a desclassificação do método PRL20. O resultado da diligência fiscal não deixa dúvidas (efls. 1042/1046): [...] Na realidade, a colocação das embalagens para os produtos é confirmada pela Contribuinte. Nas contrarrazões apresentadas, vale transcrever quadro no qual se relata os procedimentos a que os produtos se submeteram após a importação (efls. 2988), elaborado com base em documentos apresentados ainda na primeira instância, por ocasião da apresentação da impugnação: [...] Quanto ao produto "DPRIVAN PFS 10 MG/ML 50MLCX1 SER VD", no qual aduz a Contribuinte que é importado em condições finais de comercialização, vale transcrever declaração da farmacêutica responsável (efl. 845): Fl. 3762DF CARF MF Processo nº 16561.000057/200930 Acórdão n.º 9101003.420 CSRFT1 Fl. 29 28 Declaramos para os devidos fins que o produto Diprivan PFS 10mg/ml é importado e sofre, nas instalações da AstraZeneca do Brasil, situada na Rod Raposo Tavares km26,9, CotiaSP, processo de colocação de selo de segurança no cartucho e testes de controle de qualidade, sem qualquer alteração na natureza do produto importado. (Grifei) De fato, não se fala em colocação de embalagem, razão pela qual se trata de produto sobre o qual não se aplica o PRL60. Por outro lado, para os demais produtos, as declarações da mesma farmacêutica são claras ao atestar que os bens importados passaram por um processo de embalagem. Tratase de fato incontroverso. Por sua vez, também é incontroversa a agregação de valor. E a autoridade julgadora administrativa não dispõe de margem de discricionariedade para dizer que, a depender do "peso" da agregação do valor, poderseia entender que o bem não teria sido aplicado à produção nos termos do art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996. A matéria em debate já foi tratada pelo presente Colegiado, pelos Acórdãos nº 9101002.198 (sessão de 1º/2/2016, "NOVARTIS"), nº 9101 002.316 (sessão de 3/05/2016, "NOVARTIS"), e 9101002.416 e 9101 002.417 (sessão de 17/08/2016, "PFIZER"). Foram precisamente situações no qual se discutiu se o processo de embalagem do insumo importado é suficiente para caracterizar a agregação do valor e a aplicação do bem à produção. Vale reproduzir excerto do voto do Acórdão nº 9101002.198, da Conselheira Adriana Gomes Rego, que com clareza notável discorre sobre o assunto. Evidente que após esta última etapa de produção foi agregado valor ao produto inicialmente importado. A embalagem foi totalmente realizada em suas unidades no Brasil, utilizando mão de obra local, maquinário específico, imobilizado em suas indústrias, com aposição de sua marca ao produto. Tudo isso tem valor e pode ser estimado; se representa 10%, 15% ou qualquer outro percentual do produto final, não importa para efeitos legais, porque ao tempo dos fatos, a legislação só apresentava dois percentuais: ou se tratava de revenda, ou de produção. Não há meio termo. E, como dito, de revenda não se trata. A embalagem do produto poderia ter sido feita ainda no exterior, mas não o foi até por questões óbvias: sai muito mais barato para a empresa transportar os comprimidos a granel para localmente embalá los do que importálos definitivamente prontos. Isso é fato, eis que em termos de volume, a mesma quantidade de comprimidos a granel representa muito menos do que se já estivesse acondicionado em caixas, gerando um custo de transporte muito maior. A própria mão de obra utilizada no Brasil sabese ser muito mais barata do que nos países de primeiro mundo de onde se origina o produto importado. Convém registrar, ainda, que não se trata de mera embalagem para transporte, mas de apresentação comercial do produto, da qual resulta agregação de valor em relação ao produto importado à granel. A aposição da marca SANDOZ na embalagem (caso dos Fl. 3763DF CARF MF Processo nº 16561.000057/200930 Acórdão n.º 9101003.420 CSRFT1 Fl. 30 29 comprimidos importados pela interessada), com sua exposição à venda, por si só também agrega valor ao mesmo, eis que se traduz em marca conhecida globalmente pela gama e qualidade dos produtos ofertados. Por conseguinte, não se trata de mera revenda dos produtos na forma como foram importados, sendo inaplicável o método PRL20 (...) (grifei) O didático voto destaca aspectos relevantes na agregação do valor: não há "meiotermo", ou se fala em agregação ou não; e não há que se falar que o processo de embalagem teria um custo mínimo, porque é fundamental para a apresentação comercial do produto, trazendo ao conhecimento do consumidor a empresa que é a responsável pela fabricação do produto e se constituindo em fator relevante na composição do preço final. Na mesma medida, o voto do Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão (Acórdão nº 9101002.316) expõe que a agregação de valor ao produto não comporta relativização: Acondicionar bens importados para revenda significa viabilizar a sua comercialização na forma das normas pertinentes, como, no caso, alocandoos em embalagens primárias, secundárias, blísteres e caixas de papelão, e adicionandolhes bulas e lacres, tudo segundo especificações técnicas do órgão fiscalizador competente. Há um inegável valor agregado ao custo dos bens importados não vem ao caso se muito ou pouco, que, mesmo que não os transforme em espécie nova, não pode ser desconsiderado para efeito de definição da adequada margem de lucro a ser aplicada nos procedimentos dos preços de transferência. Por outro lado, é inadmissível que seja dado o mesmo tratamento fiscal a situações distintas, em que os bens importados são meramente revendidos, nas exatas condições em que recebidos (PRL 20), e em que esses mesmos bens importados são manipulados antes de ser postos à venda (PRL 60), com a consequente agregação de valor ao custo dos bens importados, inexistente naquele primeiro caso. A adoção de entendimento diverso provocaria, em última análise, no caso do Preço de Revenda menos Lucro, sérias distorções na apuração do preço praticado e, consequentemente, do preço parâmetro, ao simplesmente se olvidar da existência daquela agregação de valor efetivamente ocorrida. Ao afirmar, a recorrente, que não é toda e qualquer agregação de valor ao custo dos bens importados que implicaria a aplicação do método PRL 60, está, ela, inadvertidamente, pretendendo distinguir onde a lei não distinguiu. A questão não é o tipo de agregação de valor, mas a sua existência ou não. E, no presente caso, é inequívoca a sua existência. A agregação de valor ao custo dos bens importados, assim existente, ocasiona, naturalmente, a majoração do preço de revenda, em relação à hipótese em que não haja essa agregação, o que, evidentemente, denota a clara impossibilidade de aplicação do PRL20, nessas circunstâncias, sob pena de como já se disse deturparse o cálculo do preço praticado e do preço parâmetro. Fl. 3764DF CARF MF Processo nº 16561.000057/200930 Acórdão n.º 9101003.420 CSRFT1 Fl. 31 30 Dessa forma, ao contrário do que entende a recorrente, toda e qualquer agregação de valor ao custo dos bens importados implica, necessariamente, a aplicação do método PRL 60, posto que, do contrário, ocorreriam inevitáveis inconsistências em se aplicar um método que, em sua formulação original, não admite qualquer valor agregado (PRL 20). (grifei) Nesse sentido, diante do fato incontroverso de que os produtos passaram por processo de embalagem, evento devidamente assentado nos registros contábeis da empresa, e que demonstra a agregação do valor de maneira incontestável, cabe ser restabelecida a autuação fiscal. Assim, voto no sentido de dar provimento ao recurso especial da PGFN. O presente voto segue os mesmos passos das decisões acima transcritas e as adota. Não há dúvida de que a contribuinte atua no ramo de produtos farmacêuticos, principalmente na linha hormonal e de anticoncepcionais, e que ela importa alguns medicamentos a granel e os submete posteriormente a processo de embalagem para vendêlos no mercado interno brasileiro. Nos termos já assentados por esta Primeira Turma da CSRF, esse processo de embalagem é suficiente para caracterizar a agregação de valor e a aplicação do bem à produção. Não cabe imputar qualquer ônus adicional ao Fisco, no sentido de que ele deveria comprovar que a embalagem alterou o estado original do bem, com "significativa" agregação de valor ao produto. Correta a alegação de PGFN, de que não há nada que justifique a redução do ato de “aplicar um bem à produção” a intervenções que acarretem a transformação de sua essência, ou o seu consumo durante o processo produtivo. Um bem também é aplicado à produção quando lhe são acrescentados elementos que o completam sem, contudo, interferir em sua integridade. Realmente, a embalagem de produtos farmacêuticos para venda a consumidor final está sujeita ao atendimento de normas técnicas de vigilância sanitária. A adequação desse tipo de produto à legislação brasileira envolve muitos procedimentos que, no conjunto de suas combinações, agregam valor ao bem importado a granel, e caracterizam que o bem importado foi aplicado à produção (realização de testes de qualidade, blisterização, embalagem secundária, aposição de marca, confecção e adição de bula, colocação de selos de segurança, etc.). Ademais, não há que se falar em aplicação, ao caso, do art. 6º, § 2º, do RIP (Decreto nº 7.212/2010), pois não há apenas o atendimento de exigências técnicas ou outras constantes de leis e de atos administrativos, isso também, mas longe de ser só isso; as operações realizadas, como visto, são muito mais complexas e vão muito mais além do que o atendimento destas. Fl. 3765DF CARF MF Processo nº 16561.000057/200930 Acórdão n.º 9101003.420 CSRFT1 Fl. 32 31 Correta, portanto, a aplicação do método PRL60 para o ajuste dos preços de transferência referentes aos produtos em pauta. Diante do exposto, voto no sentido de DAR provimento ao recurso especial da PGFN. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 3766DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10510.721349/2014-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010, 2011
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO. INTEMPESTIVIDADE.
Não deve ser conhecido o recurso voluntário protocolado fora do prazo legal, por falta do pressuposto de admissibilidade relativo à tempestividade.
Numero da decisão: 2401-005.162
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso voluntário, por intempestivo.
(Assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess Presidente em exercício.
(Assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Rayd Santana Ferreira, Luciana Matos Pereira Barbosa e Virgilio Cansino Gil. Ausente justificadamente a Conselheira Miriam Denise Xavier. Ausente o Conselheiro Francisco Ricardo Gouveia Coutinho.
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201712
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2010, 2011 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO. INTEMPESTIVIDADE. Não deve ser conhecido o recurso voluntário protocolado fora do prazo legal, por falta do pressuposto de admissibilidade relativo à tempestividade.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10510.721349/2014-96
anomes_publicacao_s : 201803
conteudo_id_s : 5840909
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2401-005.162
nome_arquivo_s : Decisao_10510721349201496.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
nome_arquivo_pdf_s : 10510721349201496_5840909.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso voluntário, por intempestivo. (Assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Presidente em exercício. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Rayd Santana Ferreira, Luciana Matos Pereira Barbosa e Virgilio Cansino Gil. Ausente justificadamente a Conselheira Miriam Denise Xavier. Ausente o Conselheiro Francisco Ricardo Gouveia Coutinho.
dt_sessao_tdt : Wed Dec 06 00:00:00 UTC 2017
id : 7167785
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:13:43 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050007338221568
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 854; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 2 1 1 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10510.721349/201496 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401005.162 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 6 de dezembro de 2017 Matéria IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSO FÍSICA IRPF Recorrente GERALDA LUCIA MENDES DE FREITAS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2010, 2011 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO. INTEMPESTIVIDADE. Não deve ser conhecido o recurso voluntário protocolado fora do prazo legal, por falta do pressuposto de admissibilidade relativo à tempestividade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 72 13 49 /2 01 4- 96 Fl. 229DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso voluntário, por intempestivo. (Assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess – Presidente em exercício. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Rayd Santana Ferreira, Luciana Matos Pereira Barbosa e Virgilio Cansino Gil. Ausente justificadamente a Conselheira Miriam Denise Xavier. Ausente o Conselheiro Francisco Ricardo Gouveia Coutinho. Fl. 230DF CARF MF Processo nº 10510.721349/201496 Acórdão n.º 2401005.162 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face da decisão da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em JUIZ DE FORA MG (DRJ/JFA), que, por unanimidade de votos, decidiu indeferir o pedido de perícia formulado pelo contribuinte e, no mérito, considerar improcedente a impugnação apresentada, mantendo o crédito tributário exigido, conforme ementa do Acórdão nº 0955.004 (fls. 172/182): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2010, 2011 GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE IMÓVEL. CUSTO DE AQUISIÇÃO. O valor estampado em Escritura Pública de Compra e Venda deve ser considerado para o fim de estabelecer o custo de aquisição do bem para efeitos de apuração do Ganho de Capital. LEGITIMIDADE PASSIVA Não há que se falar em ilegitimidade para constar no pólo passivo da relação tributária quando o sujeito passivo tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador. LEGALIDADE DA IMPOSIÇÃO DE PENALIDADE PECUNIÁRIA. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÕES. Restando demonstrada a condição de contribuinte, cabível a imposição de eventual penalidade pecuniária pelo descumprimento da obrigação tributária. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. PROVA PERICIAL. DESNECESSIDADE. REQUISITOS. Desnecessário o atendimento de pedido de prova pericial quando o resultado buscado já se encontra demonstrado em documentação constante do processo. Considerado não formulado, ainda, pedido de perícia que não atende aos requisitos estabelecidos em normativa própria. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O presente processo trata do Auto de Infração – Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (fls. 135/142), lavrado contra a Contribuinte em 24/04/2014, onde foi apurado Imposto de Renda Pessoa Física, referente aos exercícios financeiros de 2010 e 2011, no valor Fl. 231DF CARF MF 4 de R$ 80.865,60, Juros de Mora, calculados até abril de 2014, no valor de R$ 32.695,25 e Multa Proporcional, passível de redução, no valor de R$ 60.649,21, perfazendo um total de Crédito Tributário no montante de R$ 174.210,06 (Demonstrativo Consolidado fl. 02). De acordo com a DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO LEGAL – Imposto de Renda Pessoa Física (fl. 136), foram apurados GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS OMISSÃO/APURAÇÃO INCORRETA DE GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS ADQUIRIDOS EM REAIS, quando da alienação de um terreno adquirido em reais, registrado no Livro nº 2, sob a matrícula nº 13.784, no Cartório de Registro de Imóveis do 1º Ofício de Aracajú. Conforme descrito no RELATÓRIO FISCAL (fls. 123/128), nos respectivos Autos de Infração, estão sendo tributados a Contribuinte e seu Esposo, Ivo Gomes de Freitas, aplicandose o percentual de 50% para cada um dos vendedores/cônjuges. A Contribuinte tomou ciência da lavratura do Auto de Infração, via Correio, em 06/05/2014 (fls. 157/158). Em 30/05/2014, tempestivamente, apresentou sua Impugnação de fls. 160 a 165, onde inicia dizendo que “não participou de qualquer dos negócios de que trata a autuação e nem dos mesmos obteve lucro ou proveito pessoal. Figura na ocorrência apenas na qualidade de esposa de IVON GOMES DE FREITAS, com quem é casada sob o regime da comunhão de bens e nessa condição passa a fazer uso das razões de defesa do seu marido para impugnar o presente lançamento, sem prejuízo de apresentação das alegações e exceções que lhe são próprias por força da lei”. E prossegue argumentado, em síntese, que: 1. O valor de origem do terreno lançado na escritura não retrata a realidade dos negócios; 2. Durante anos seu esposo IVO prestou serviços de terraplenagem, em caráter pessoal (Pessoa Física + Máquina), sem vínculo empregatício, para diversas construtoras do Estado, dentre elas a NORCON e a CUNHA, resultando no acúmulo de valores a serem recebidos em acertos futuros; 3. O terreno em questão foi objeto de DAÇÃO EM PAGAMENTO feito pela NORCON para sem esposo com o intuito de ressarcir valores acumulados junto a esta construtora, em razão da prestação de serviços por longo período; 4. Como o terreno dado em pagamento tinha valor superior ao credito que seu esposo fazia jus, “ficou acertado que o pagamento de R$ 120.000,00 (cento e vinte mil reais) seria a torna, valor que constou na escritura objeto do processo”; 5. Essa foi a única opção que seu esposo teve para receber os valores que lhe eram devidos pela construtora, aceitando a negociação sob pena de não os recebes; 6. Devido os fatos narrados serem de difícil comprovação, requer que seja averiguado o valor de mercado do terreno no ano de sua aquisição através de prova; Fl. 232DF CARF MF Processo nº 10510.721349/201496 Acórdão n.º 2401005.162 S2C4T1 Fl. 4 5 7. Em função da área do terreno e da sua localização, à época da negociação, seu esposo IVO e a NORCON estimaram o valor terreno em R$ 900.000,00, figurando na escritura tão somente o valor da torna, os R$ 120.000,00 já mencionados. Diz que esse valor também foi o fixado pela municipalidade para fins de transferência; 8. Na qualidade de mulher casada e dedicada aos fazeres do lar, que não tomou parte ativa na prestação dos serviços e nem nas negociações celebradas, não pode ser chamada a pagar obrigações tributárias quando não é sujeito passivo, nem mesmo na condição de substituto ou responsável tributário; 9. Não pode ser penalizada com multa sem que haja prova cabal do dolo ou da culpa da sua participação na prática do ilícito; 10. Além de imputação equivocada de cometimento de infração, foi estipulada uma multa excessiva. Finaliza sua Impugnação requerendo seu recebimento a fim de declarar a insubsistência da autuação combatida. Alternativamente, caso não ocorra a o encerramento do processo, requer a redução da exigência a partir da verificação pericial do valor de mercado do terreno com o intuito de reduzir a parcela considerada lucro na alienação. Requer também a redução do valor da multa exigida. Diante da impugnação tempestiva, o processo foi encaminhado à DRJ/JFA para julgamento, que, através do Acórdão nº 0955.004, decidiu pela improcedência da impugnação apresentada. A Contribuinte tomou ciência do Acórdão da DRJ/JFA, via Correio, em 17/11/2014 (AR – fls. 185/186) e apresentou seu RECURSO VOLUNTÁRIO (fls. 188/193) em 24/12/2014, portanto, fora do prazo regulamentar de 30(trinta) dias, estabelecido pelo art. 33 do Decreto nº 70.235/1972 (Termo de Perempção – fl. 187). É o relatório. Fl. 233DF CARF MF 6 Voto Conselheira Andréa Viana Arrais Egypto Relatora. Juízo de admissibilidade Conforme norma positivada no art. 33 do Decreto 70.235/72, das decisões de primeira instância caberá interposição de recurso voluntário, no prazo de 30 dias, a contar da ciência da decisão, in verbis: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. O prazo recursal de 30 dias iniciase no primeiro dia útil seguinte ao da intimação, de acordo com o que determina o art. 5º do Decreto 70.235/72: Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Cabe nesse ponto observar que o contribuinte foi intimado do Acórdão 09 55.004 4ª Turma da DRJ/JFA (fls. 172/182) em 17/11/2014, conforme Aviso de Recebimento de fl. 185. Vejamos: Ocorre que o Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte foi protocolado em 24/12/2014, conforme carimbo de recebimento à fl. 188: Fl. 234DF CARF MF Processo nº 10510.721349/201496 Acórdão n.º 2401005.162 S2C4T1 Fl. 5 7 Dessa forma, considerando o não cumprimento do requisito previsto no art. 33 do Decreto 70.235/72, quanto a tempestividade para interposição do Recurso Voluntário, não se faz presente tal pressuposto de admissibilidade, razão pela qual não deve ser conhecido o recurso. Conclusão Ante o exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER do Recurso Voluntário por intempestivo. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto. Fl. 235DF CARF MF
score : 1.0
