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Numero do processo: 11030.721608/2015-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 20 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Oct 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2013
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DIRF.
A omissão de rendimentos apurada com base em DIRF da fonte pagadora determina a tributação do rendimento omitido.
PROVAS.
A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual.
ARGUMENTOS. COMPROVAÇÃO.
Argumentos desprovidos de provas não podem ser acatados em respeito ao princípio da verdade material que norteia o processo administrativo.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-004.496
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos conhecer o recurso voluntário e, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Relatora e Presidente
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, Márcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2013 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DIRF. A omissão de rendimentos apurada com base em DIRF da fonte pagadora determina a tributação do rendimento omitido. PROVAS. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual. ARGUMENTOS. COMPROVAÇÃO. Argumentos desprovidos de provas não podem ser acatados em respeito ao princípio da verdade material que norteia o processo administrativo. Recurso Voluntário Negado.
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Recorrente NADIR ANGELA FRANCIOSI PORN Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2013 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DIRF. A omissão de rendimentos apurada com base em DIRF da fonte pagadora determina a tributação do rendimento omitido. PROVAS. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual. ARGUMENTOS. COMPROVAÇÃO. Argumentos desprovidos de provas não podem ser acatados em respeito ao princípio da verdade material que norteia o processo administrativo. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 72 16 08 /2 01 5- 25 Fl. 90DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI, Assinado digitalmente em 0 4/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos conhecer o recurso voluntário e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Relatora e Presidente Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, Márcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 91DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI, Assinado digitalmente em 0 4/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI Processo nº 11030.721608/201525 Acórdão n.º 2401004.496 S2C4T1 Fl. 91 3 Relatório Tratase de notificação de lançamento de imposto de renda pessoa física IRPF que reduziu o IRPF a restituir de R$ 21.495,26 para R$ 19.697,28. De acordo com a Notificação de Lançamento, fls. 47/51, constatouse: a) omissão de rendimentos do trabalho com vínculo empregatício no valor de R$ 6.538,14, recebidos do Fundo de Previdência Social do Município de Espumoso (a redução efetuada dessa parcela dos rendimentos tributáveis não procede, haja vista que os recolhimentos foram efetuados para o Município de Espumoso e realizados em nome de José Parizotto); b) compensação indevida do Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF no valor de R$ 11.193,70. O contribuinte impugnou o lançamento alegando que houve devolução ao cofre público municipal o valor de R$ 6.538,14, que já sofreu tributação no período correspondente e que quanto à glosa do IRRF, houve o desconto por parte do município em dois CNPJs e na declaração foi lançado o valor total em um deles. A DRJ/REC julgou improcedente a impugnação (Acórdão de fls. 68/72), mantendo o lançamento. Consta do voto do acórdão de impugnação: Da apreciação das informações prestadas na DIRPF/2014 pela contribuinte, em relação aos rendimentos tributáveis e a dedução de imposto de renda retido na fonte é de se verificar as informações prestadas na DIRPF e na DIRF pela fonte pagadora, no Sistema Portal IRPF, valores declarados e informados pela(s) fonte(s) pagadora(s), cujo extrato será transcrito a seguir: [...] Portanto, não houve glosa do imposto de renda retido na fonte, o que aconteceu foi que a contribuinte informou apenas uma fonte pagadora e o total do imposto de renda retido na fonte. Enquanto as fontes pagadoras informou em duas (02) DIRF. [...] Observese ainda que a fonte pagadora Prefeitura Municipal de Espumoso informou no seu comprovante de rendimentos pagos e de retenção de imposto de renda na fonte, rendimentos isentos decorrente de Indenização por contrato de trabalho, objeto da ação trabalhista, entretanto, informou haver retido imposto de renda na fonte de R$ 11.193,70, que foi informado na declaração de ajuste anual, sendo objeto da restituição. Salvo melhor juízo, o procedimento da fonte pagadora foi incorreto, pois se o rendimento é isento não cabe retenção de imposto de renda na fonte. Entretanto, as informações constam da DIRF, sendo acatada pela autoridade fiscal, não cabe a este Órgão Julgador qualquer alteração que resulte em agravamento do crédito tributário. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI, Assinado digitalmente em 0 4/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI 4 Alega o contribuinte que o valor de R$ 6.538,14, já sofreu tributação em período anterior. Entretanto, não consta dos autos qualquer documento que comprovasse tal devolução. Diante de todo o exposto, voto pela improcedência da impugnação, para manter na integra a Notificação de Lançamento, na qual apurou imposto a restituir de R$ 19.697,28, já restituído. Cientificado do Acórdão em 20/11/15 (Aviso de Recebimento AR de fl. 79), o contribuinte apresentou recurso voluntário em 15/12/15, fl. 81, no qual diz apresentar comprovante de rendimentos e demais comprovantes, dos quais foi deduzido o valor de R$ 6.538,18, conforme recibos e cópias de cheques devolvidos ao Município de Espumoso/RS, conforme determinação do TCE/RS, informando que o mesmo valor já sofreu tributação no período correspondente, sendo que caso o parecer seja negativo, haverá bitributação. É o relatório. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI, Assinado digitalmente em 0 4/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI Processo nº 11030.721608/201525 Acórdão n.º 2401004.496 S2C4T1 Fl. 92 5 Voto Conselheira Miriam Denise Xavier Lazarini – Relatora ADMISSIBILIDADE O recurso voluntário foi oferecido no prazo legal, assim, deve ser conhecido. RENDIMENTO OMITIDO Alega a recorrente que o rendimento de R$ 6.538,18 foi devolvido ao Município de Espumoso/RS e diz apresentar comprovantes. Da leitura dos documentos juntados pela contribuinte por ocasião da apresentação da impugnação, fls. 18/42, verificase que o TCE/RS condenou o administrador do executivo municipal, exercício 2006, Sr. José Parizzotto, a pagar R$ 18.504,59 ao Município de Espumoso. Tais documentos sequer mencionam o nome da recorrente e não há nos autos qualquer documento capaz de comprovar que o valor contestado foi por ela entregue ao município. No recurso apresentado também não foi juntado qualquer documento capaz de comprovar as alegações. A simples discordância dos fatos não pode ser considerada para afastar o lançamento. A discordância desprovida da indicação dos motivos de fato (devidamente comprovados) ou de direito em que se fundamenta a irresignação é entendida como negativa geral, o que não configura impugnação. Acrescentese que quanto à apresentação de provas deve ser observado o comando do Decreto 70.235/72: Art. 16. A impugnação mencionará: [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI, Assinado digitalmente em 0 4/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI 6 CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por CONHECER do recurso voluntário e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI, Assinado digitalmente em 0 4/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI
score : 1.0
Numero do processo: 13983.000127/2003-13
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 09 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Sep 16 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 1998
SITUAÇÕES FÁTICAS DIFERENTES ENTRE O PARADIGMA E O ACÓRDÃO RECORRIDO. DIVERGÊNCIA INEXISTENTE.
Não se conhece do recurso especial quando as situações fáticas do paradigma apontado e do acórdão recorrido são completamente diferentes, não dando a menor chance para o cotejo de divergência na aplicação da lei tributária.
Recurso Especial do Procurador Não Conhecido
Numero da decisão: 9303-004.144
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não se conheceu do recurso especial, por falta de divergência jurisprudencial. Fez sustentação oral o Dr. Oscar Sant'anna de Freitas e Castro, OAB/RJ n.º 32.641, advogado do sujeito passivo.
(assinado digitalmente)
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente
(assinado digitalmente)
ÉRIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 1998 SITUAÇÕES FÁTICAS DIFERENTES ENTRE O PARADIGMA E O ACÓRDÃO RECORRIDO. DIVERGÊNCIA INEXISTENTE. Não se conhece do recurso especial quando as situações fáticas do paradigma apontado e do acórdão recorrido são completamente diferentes, não dando a menor chance para o cotejo de divergência na aplicação da lei tributária. Recurso Especial do Procurador Não Conhecido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não se conheceu do recurso especial, por falta de divergência jurisprudencial. Fez sustentação oral o Dr. Oscar Sant'anna de Freitas e Castro, OAB/RJ n.º 32.641, advogado do sujeito passivo. (assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente (assinado digitalmente) ÉRIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
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DIVERGÊNCIA INEXISTENTE. Não se conhece do recurso especial quando as situações fáticas do paradigma apontado e do acórdão recorrido são completamente diferentes, não dando a menor chance para o cotejo de divergência na aplicação da lei tributária. Recurso Especial do Procurador Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não se conheceu do recurso especial, por falta de divergência jurisprudencial. Fez sustentação oral o Dr. Oscar Sant'anna de Freitas e Castro, OAB/RJ n.º 32.641, advogado do sujeito passivo. (assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente (assinado digitalmente) ÉRIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 3. 00 01 27 /2 00 3- 13 Fl. 332DF CARF MF Impresso em 16/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN, Assinado digitalmente em 22/ 08/2016 por ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN, Assinado digitalmente em 16/09/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 13983.000127/200313 Acórdão n.º 9303004.144 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional ao amparo do art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF n.º 256, de 22 de junho de 2009, em face do Acórdão n.° 220200.070, assim ementado: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendárío: 1998 LANÇAMENTO. FUNDAMENTAÇÃO EM FALTA DE COMPROVAÇÃO DE PROCESSO JUDICIAL. DEMONSTRAÇÃO DA REGULARIDADE DO PROCESSO JUDICIAL. IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. O lançamento motivado em "declaração inexata" em razão de "processo judicial não comprovado" deve ser julgado improcedente, caso o contribuinte comprove a existência e regularidade do processo judicial e, portanto, da situação do credito tributário corretamente declarado na DCTF. Recurso provido." A decisão deu provimento ao Recurso Voluntário apresentado, para cancelar integralmente o lançamento de ofício eletrônico de débitos de Contribuição para o PIS declarados em DCTF. Opostos embargos de declaração pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (fls. 219/221), os mesmos foram rejeitados, consoante acórdão proferido pela Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção de Julgamento. É a ementa do julgado: "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. Ano‑ calendário: 1998. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. Inexistente a omissão apontada, devem ser rejeitados os embargos de declaração postos com a finalidade de modificar o acórdão recorrido por meio da revisão de mérito do julgado. Embargos rejeitados.” No entanto, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional em sede de Recurso Especial alega dissídio interpretativo com a decisão n.º 20312.427, assim ementada: "Ementa: NORMAS PROCESSUAIS. OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. DESISTÊNCIA DA ESFERA ADMINISTRATIVA. O contribuinte que busca a tutela jurisdicional abdica da esfera administrativa, na parte em que trata do mesmo objeto. COFINS. AUTO DE INFRAÇÃO ELETRÔNICO. PERÍODOS DE APURAÇÃO 08/1997 A 12/1997. VALOR DECLARADO EM DCTF COM COMPENSAÇÃO. SALDO A PAGAR REDUZIDO. CONFISSÃO DE DIVIDA NÃO CARACTERIZADA. NECESSIDADE DE LANÇAMENTO. LEI N° 11.051/2004, ART. 25. EXONERAÇÃO DA MULTA DE OFICIO. No Fl. 333DF CARF MF Impresso em 16/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN, Assinado digitalmente em 22/ 08/2016 por ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN, Assinado digitalmente em 16/09/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 13983.000127/200313 Acórdão n.º 9303004.144 CSRFT3 Fl. 4 3 período em que a DCTF considera confissão de dívida apenas os saldos a pagar, os valores declarados como compensados devem ser lançados, sendo as multas de oficio respectivas exoneradas em virtude da aplicação retroativa do art. 25 da Lei n° 11.051/2004, que alterou a redação do art. 18 da Lei n° 10.833/2003 de modo a determinar o lançamento da multa isolada apenas nas hipóteses de sonegação, fraude e conluio." A ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional ainda argumenta que todos os pontos abaixo detalhados convergem para que se conclua pela manutenção do lançamento: a) a razão subjacente ao lançamento, qual seja, a falta de recolhimento do tributo foi devidamente consignada no auto de infração, descabendo falar em cerceamento de defesa ou nulidade da autuação; b) o lançamento foi lavrado pelo não recolhimento de valores do PIS informados em DCTF, em relação aos quais o contribuinte afirmou terem sido objeto de compensação amparada em decisão judicial; c) concluise que se confirmou o principal e mais importante fundamento da autuação, qual seja, a inexistência do recolhimento do tributo; e) os fundamentos da autuação restaram devidamente consignados no auto de infração, quais sejam “FALTA DE RECOLHIMENTO OU PAGAMENTO DO PRINCIPAL, DECLARAÇÃO INEXATA”. Segue discorrendo que o Auto de Infração foi lavrado em decorrência de auditoria interna de DCTF que permitiu a verificação da inexistência de processo judicial e administrativo que demonstrasse a origem do crédito e, permitiu principalmente a constatação da falta de recolhimento de tributo, sendo este último o motivo do lançamento. Outrossim, advoga a tese de que a DRJ não inovou nos fundamentos do lançamento e muito menos que houve cerceamento do direito de defesa do sujeito passivo por má descrição dos fatos no Auto de Infração. Esses são os motivos que embaçam o Recurso Especial apresentado, que foi admitido consoante despacho às fls. 306/309. Em resumo, nas contrarrazões, o Contribuinte requer o não conhecimento do Recurso Especial da ProcuradoriaGeral da Fazenda pelo não cumprimento dos requisitos legais para sua admissibilidade e pede a manutenção do acórdão. É o relatório, em síntese. Voto Conselheira Érika Costa Camargos Autran Conforme art. 67, caput, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF, de 2015), o Recurso Especial é este instrumento cabível contra decisão que interpretar norma tributária diferentemente do entendimento adotado por outra turma ou Câmara do Conselho de Contribuintes ou do CARF ou pela CSRF, o que só se configura quanto à subsunção de fatos semelhantes à mesma norma. Fl. 334DF CARF MF Impresso em 16/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN, Assinado digitalmente em 22/ 08/2016 por ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN, Assinado digitalmente em 16/09/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 13983.000127/200313 Acórdão n.º 9303004.144 CSRFT3 Fl. 5 4 Diante disto, constato assistir razão à Recorrida quanto às preliminares de inadmissibilidade argüidas em sede de Contrarrazões, posto que o Acórdão recorrido tratou sobre os seguintes fatos: "LANÇAMENTO. FUNDAMENTAÇÃO EM FALTA DE COMPROVAÇÃO DE PROCESSO JUDICIAL. DEMONSTRAÇÃO DA REGULARIDADE DO PROCESSO JUDICIAL. IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. O lançamento motivado em ʺdeclaração inexataʺ em razão de ʺprocesso judicial não comprovadoʺ deve ser julgado improcedente, caso o contribuinte comprove a existência e regularidade do processo judicial e, portanto, da situação do credito tributário corretamente declarado na DCTF." O Acórdão paradigma, sobre o tema versado no Acórdão recorrido, diz o seguinte: 20112.427 Ementa: NORMAS PROCESSUAIS. OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. DESISTÊNCIA DA ESFERA ADMINISTRATIVA. O contribuinte que busca a tutela jurisdicional abdica da esfera administrativa, na parte em que trata do mesmo objeto. COFINS. AUTO DE INFRAÇÃO ELETRÔNICO. PERÍODOS DE APURAÇÃO 08/1997 A 12/1997. VALOR DECLARADO EM DCTF COM COMPENSAÇÃO. SALDO A PAGAR REDUZIDO. CONFISSÃO DE DIVIDA NÃO CARACTERIZADA. NECESSIDADE DE LANÇAMENTO. LEI N° 11.051/2004, ART. 25. EXONERAÇÃO DA MULTA DE OFICIO. No período em que a DCTF considera confissão de dívida apenas os saldos a pagar, os valores declarados como compensados devem ser lançados, sendo as multas de oficio respectivas exoneradas em virtude da aplicação retroativa do art. 25 da Lei n° 11.051/2004, que alterou a redação do art. 18 da Lei n° 10.833/2003 de modo a determinar o lançamento da multa isolada apenas nas hipóteses de sonegação, fraude e conluio. Analisando o voto condutor do acórdão apresentado como paradigma (cópia integral às fls. 266) evidenciase que, naquele processo, o lançamento decorrera de o processo judicial não estar comprovado ("proc. jud. não comprovado") e ter sido apresentado quando da impugnação. No processo judicial discutiase a mesma matéria do caso ora sob análise (exigência do PIS com base nos decretosleis inconstitucionais), mas na DCTF informarase a realização de compensação com os créditos dele decorrentes. No voto vencedor afirmouse que a mera comprovação da existência do processo não bastaria se nele não restasse provada a suficiência dos créditos alegados para a compensação informada na DCTF, o que ficou constatado após a impugnação apresentada, e do que resulta a falta de recolhimento de tributo, motivo, em última análise, do lançamento, nas palavras do redator designado. Verificase que no acórdão paradigma "a verdadeira motivação do lançamento é a falta de recolhimento do tributo". Ou seja, no acórdão pretendido como paradigma constatase de fato uma inconsistência nas informações prestadas na DCTF que leva a uma insuficiência de recolhimento de tributo, mas se afirma que não invalida o lançamento a verificação dessa Fl. 335DF CARF MF Impresso em 16/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN, Assinado digitalmente em 22/ 08/2016 por ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN, Assinado digitalmente em 16/09/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 13983.000127/200313 Acórdão n.º 9303004.144 CSRFT3 Fl. 6 5 inconsistência posteriormente à lavratura do auto de infração eletrônico (após a impugnação apresentada e em decorrência dela). Desse modo, entendo eu, ele se presta, quando muito, a embasar divergência de entendimento quando a decisão recorrida, apesar de reconhecer semelhante insuficiência, afasta o lançamento devido à mera comprovação da existência do processo inicialmente não localizado. Em outras palavras, a decisão serve como paradigma sempre que, do exame das informações apresentadas em DCTF, fique demonstrado que há algum lançamento a ser feito para exigir alguma parcela. Esse não é o caso dos autos sob exame, pois, este tratase de Auto de Infração relativo contribuição para o PIS/PASEP (fls. 33 a 41), efetuado com base nas Declarações de Contribuições e Tributos Federais originárias relativas aos segundo (2º), terceiro (3º) e quarto (4º) trimestres do anocalendário 1998. O lançamento originouse da realização de auditoria interna nas DCTFs apresentadas pela interessada referentes aos segundo (2º), terceiro (3º) e quarto (4º) trimestres de 1998, tendo sido constatada a "falta de recolhimento ou pagamento do principal, declaração inexata" (fls. 34). Houve diligência para que fosse verificada a existência do processo judicial informado na DCTF (fls. 82). A resposta e os documentos a ela anexos constam às fls 85 a 139 que a existência do processo foi devidamente comprovada. Notase que a Contribuinte possui processo judicial que foi devidamente declarado em DCTF, tendo sido a regularidade do mesmo comprovada com os documentos acostados pela Contribuinte e pela diligência realizada. Aqui, todas as informações prestadas estão corretas, havia depósitos nos exatos montantes informados e, como tal, na data de entrega da DCTF, os débitos informados na DCTF encontravamse com sua exigibilidade suspensa exatamente como ali fora informado. Em razão do exposto, voto pelo não conhecimento do Recurso Especial interposto pela ProcuradoriaGeral da Fazenda em razão das situações fáticas do paradigma apontado e do acórdão recorrido serem completamente diferentes, não dando a menor chance para o cotejo de divergência na aplicação da lei tributária. É como voto. ÉRIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN Relatora Fl. 336DF CARF MF Impresso em 16/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN, Assinado digitalmente em 22/ 08/2016 por ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN, Assinado digitalmente em 16/09/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 13983.000127/200313 Acórdão n.º 9303004.144 CSRFT3 Fl. 7 6 Fl. 337DF CARF MF Impresso em 16/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN, Assinado digitalmente em 22/ 08/2016 por ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN, Assinado digitalmente em 16/09/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO
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Numero do processo: 13706.000219/90-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 05 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Oct 14 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 1987
LANÇAMENTO DECORRENTE
Aplica-se ao lançamento decorrente, a mesma decisão proferida para o processo principal se não houver qualquer questão específica a ser enfrentada.
Numero da decisão: 1401-001.666
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
ANTONIO BEZERRA NETO - Presidente.
(assinado digitalmente)
GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO BEZERRA NETO (Presidente), LIVIA DE CARLI GERMANO, LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN, GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, RICARDO MAROZZI GREGORIO, LUIZ RODRIGO DE OLIVEIRA BARBOSA, MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS e AURORA TOMAZINI DE CARVALHO.
Nome do relator: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ANTONIO BEZERRA NETO Presidente. (assinado digitalmente) GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO BEZERRA NETO (Presidente), LIVIA DE CARLI GERMANO, LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN, GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, RICARDO MAROZZI GREGORIO, LUIZ RODRIGO DE OLIVEIRA BARBOSA, MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS e AURORA TOMAZINI DE CARVALHO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 6. 00 02 19 /9 0- 98 Fl. 309DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 12/10/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 13/10/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO 2 Relatório O presente processo tem um longo trâmite processual. Por meio da resolução 2801000.056 (fls. 304307), a Primeira Turma Especial da Segunda Seção declinou competência para a Primeira Seção, uma vez que, apesar de a autuação se tratar de IRPF, guarda conexão com o auto de infração de IRPJ. Na verdade, o presente feito já havia sido julgado na instância ordinária e subiu para a Câmara Superior em recurso especial. A CSRF, por meio do Acórdão nº 9101 00.043 (fls. 291295), anulou a decisão da antiga 7ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes. A razão para a referida anulação foi erro material. Aquela Câmara Ordinária adotou como premissa de julgamento a vinculação do presente feito com o processo administrativo nº 10768.003268/9060, o que foi equivocado, no entender da CSRF. A possível vinculação se dá com o processo administrativo nº 10768.003283/9071. A decisão da Câmara Superior se esteou no resultado de diligência de fls. 275277, determinada pela Resolução CSRF de fls. 251261. No relatório dessa resolução, há uma minuciosa análise das possíveis relações entre diversos processos administrativos, dentre os quais, o presente feito. Desse modo, considero oportuna a reprodução do referido relatório: Tratase de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional (fls. 178 a 195), com arrimo no art. 5°, II, do RI, contra a Egrégia 70 Câmara deste 1° Conselho na sessão de 16.04.2003 consubstanciada no Acórdão n° 10707.098 (fls. 161 a 164), assim resumido: Número do Recurso: 132397 Câmara: SÉTIMA CÂMARA Número do Processo: 13706000219/9098 Tipo do Recurso: VOLUNTÁRIO Meteria: IRPF Recorrente: INÁCIO FRADIQUE MORETTI SANTANA Recorrida/Interessado: DRJRIO DE JANEIRO/RJ I Data da Sessão: 1610412003 00:00:00 Relator:Edwal Gonçalves dos Santos Decisão: Acórdão 10707098 Resultado: DPU DAR PROVIMENTO POR UNANIMIDADE Texto da Decisão: Por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso. Ementa: IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA DECORRÊNCIA Aplicase por igual, aos processos formalizados por decorrência, o que for decidido no julgamento do processo principal, em razão da intima relação de causa e efeito. Recurso provido. Fl. 310DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 12/10/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 13/10/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO Processo nº 13706.000219/9098 Acórdão n.º 1401001.666 S1C4T1 Fl. 310 3 O recurso especial foi acolhido pelo Despacho Presi n° 107 121/04 (fls. 196 a 198) mediante divergência configurada com o paradigma, Acórdão n° CSRF/01 04.501, assim ementado: Número do Recurso: 107127560 Turma: PRIMEIRA TURMA Número do Processo: 10768.00328619060 Tipo do Recurso: RECURSO DO PROCURADOR Matéria: IRPJ Recorrente: FAZENDA NACIONAL Interessado(a): CITY DISTRIBUIDORA DE TÍTULOS E VALORES MOBILIÁRIOS LTDA. Data da Sessão: 14/04/2003 15:30:00 Relator(a): Mário Junqueira Franco Júnior Acórdão: CSRF/0104.501 Decisão: DPU DAR PROVIMENTO POR UNANIMIDADE Texto da Decisão: Por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ementa: IRPJ ANOCALENDÁRIO 1987 GLOSA DE PREJUÍZOS OPERAÇÕES FINANCEIRAS "DAY TRADE" SUCESSIVAS IMPROBABILIDADE QUASE ABSOLUTA FRAUDE Operações sucessivas no mercado "daytrade" de OTNs, com as mesmas pessoas em ambas as pontas de negociação, ate mesmo em dias distintos, são notória e matematicamente improváveis, demonstrando intuito de fraude, pois em todas as instâncias restou a pessoa jurídica com prejuízo e a pessoa física com rendimento não tributável, sendo lambem relevante destacar ser a pessoa física beneficiária sócia da empresa corretora de Iodas as operações. Recurso especial da Fazenda Nacional provido Interessante situação processual se apresenta, porquanto o processo compõe um conjunto de autos de infração formados por duas pessoas jurídicas e sete pessoas físicas mediante glosa ou tributação dos resultados obtidos por interação em operações financeiras de "daytrade". A mesma 7ª Câmara julgou o recurso n° 127560 da empresa CITY DISTRIBUIDORA DE TÍTULOS E VALORES MOBILIÁRIOS LTDA., conforme Acórdão n° 10706.617: Número do Recurso: 127560 Câmara, SÉTIMA CÂMARA Número do Processo: 10768.003286/9060 Tipo do Recurso:VOLUNTÁRIO Matéria: IRPJ Recorrente: CITY DISTRIBUIDORA DE TÍTULOS E VALORES MOBILIÁRIOS LTDA. Recorrida/Interessado: DRJRIO DE JANEIRO/RJ Data da Sessão: 21/0512002 00:00:00 Relator: Edwal Gonçalves dos Santos Decisão: Acórdão 10706617 Resultado: OUTROS OUTROS Texto da Decisão: Por maioria de votos, REJEITAR as preliminares argüidas e, no mérito, DAR provimento ao Fl. 311DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 12/10/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 13/10/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO 4 recurso. Vencidos os conselheiros Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz e Neicyr de Almeida Ementa: IRPJ PRELIMINAR DE PRESCRIÇÃO Este Colegiado vem rechaçando a argüição de prescrição intercorrente por entender que a interposição da peça defensória suspende a exigibilidade do credito tributário. PREJUÍZO COM TÍTULOS PÚBLICOS OTN DAY TRADE Cabível a dedução de prejuízos apurados nas operações lastreadas em títulos públicos, no ano de 1.987, por instituições financeiras, nas transações da espécie caracterizadas como operacionais, face ao ordenamento legal à essa época. Recurso provido Conforme demonstrado na decisão de primeiro grau, fls. 71 e 82, ambos processos formaramse a partir da mesma operação, sendo ambos providos no âmbito da 7a Câmara. Além dos dois citados processos, formouse, ainda, da mesma operação o processo n° 10768.00328319071, recurso n° 126.453, julgado pela 8ª Câmara na sessão de 16.10.2001: Número do Recurso: 126453 Câmara: OITAVA CÂMARA Número do Processo: 10168.003283/9071 Tipo do Recurso: VOLUNTÁRIO Matéria: IRPJ Recorrente: ASB SA CRÉDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO Recorrida/Interessado: DRJRIO DE JANEIRO/RJ Data da Sessão: /6/10/2001 00:00:00 Relatar. Luiz Alberto Cava Maceiro Decisão: Acórdão 10806706 Resultado: DPU DAR PROVIMENTO POR UNANIMIDADE Texto da Decisão: Por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar suscitada e, no mérito, DAR provimento ao recurso. Ementa: IRPJ PRELIMINAR DE PRESCRIÇÃO Este Colegiado vem rechaçando a argüição de prescrição intercorrente por entender que a interposição da peça defensória suspende a exigibilidade do credito tributário. PREJUÍZO COM TITULOS PÚBLICOS OTN DAY TRADE Cabível a dedução de prejuízos apurados nas operações lastreadas em títulos públicos, no ano de 1987, por instituições financeiras, nas transações da espécie caracterizadas como operacionais, face ao ordenamento legal á essa época. Preliminar rejeitada. Recurso provido. Os três processos foram julgados conforme seguintes condições: Empresa Processo Recurso Acórdão Decisão ASB DTVM 10768.003283/9071 126.453 10806.706 Provido unanimidade CITY DTVM 10768.003286/9060 127.560 10706.617 Provido maioria José.F.M.Santana 13706.000219/9098 131397 10707.098 Provido unanimidade Fl. 312DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 12/10/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 13/10/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO Processo nº 13706.000219/9098 Acórdão n.º 1401001.666 S1C4T1 Fl. 311 5 Os dois processos de pessoa jurídica foram formados mediante glosa dos prejuízos oriundos da operação, enquanto o presente processo reflete a tributação do ganho que lhe foi imputado referente a parte da operação, sendo que o recorrerente participou das operações juntamente com outras pessoas físicas: Jorge Raab, José Assunção, Inácio Santana, Marco da Costa, José B Vidal e Lindomar Paes (ver demonstrativo de fls. 71). O auto de infração (fls. 02 e verso) indica claramente o fato ensejador da tributação: "No uso de minhas atribuições de Auditor Fiscal do Tesouro Nacional procedi a fiscalização da Pessoa Física retro identificada relativamente ao Imposto de Renda do Exercício de 1988, em virtude de reflexo de fiscalização também procedida nas empresas CiTY DTVM LTDA. e ASA DTVM S/A. No caso em espécie desta Pessoa Física foi constatado haver e mesma obtido lucro em operações de mercado futuro de OTN na Bolsa Mercantil & Futuro mediante artifício e em conluio paga gerar prejuízos nas citadas empresas; tais fatos, por si, desautorizam o contribuinte considerar tais rendimentos como não tributáveis, como o forma em sua declaração. Os valores de Cz$ 1.700.000. e Cz$ 960.000. indevidamente classificados como não tributáveis são aqui tributados, conforme demonstrativos anexos e valores retroexpressos." As operações tributadas referemse às faturas n° 019 e 030 (fls. 15). O recurso 127560 que produziu o Acórdão n° 10706.617, que foi atacado por Recurso Especial da Fazenda Nacional tendo sido a decisão reformada como faz certo o Acórdão CSRF/01 04501, como demonstro: Número do Recurso:107127560 Turma: PRIMEIRA TURMA Número do Processo: 10768.003286/9060 Tipo do Recurso: RECURSO DO PROCURADOR Matéria: IRPJ Recorrente: FAZENDA NACIONAL Interessado(a): CITY DISTRIBUIDORA DE TÍTULOS E VALORES MOBILIÁRIOS LTDA. Data da Sessão: 14/0412003 15:30:00 Relator(a): Mário Junqueira Franco Júnior Acórdão: CSRF/0104.501 Decisão: DPU DAR PROVIMENTO POR UNANIMIDADE Texto da Decisão: Por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ementa: IRPJ ANOCALENDÁRIO 1987 GLOSA DE PREJUÍZOS OPERAÇÕES FINANCEIRAS "DAY TRADE" SUCESSIVAS IMPROBABILIDADE QUASE ABSOLUTA FRAUDE Operações sucessivas no mercado ''daytrade" de OTNs, com as mesmas pessoas em Fl. 313DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 12/10/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 13/10/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO 6 ambas as pontas de negociação, até mesmo em dias distintos, são notória e matematicamente improváveis, demonstrando intuito de fraude, pois em Iodas as instâncias restou a pessoa jurídica com prejuízo e a pessoa física com rendimento não tributável, sendo lambem relevante destacar ser a pessoa física beneficiária sócia da empresa corretora de todas as operações. Recurso especial da Fazenda Nacional provido. Quanto ao recurso n° 126.453 não consta recurso especial, estando registrado no site dos Conselhos a movimentação do processo nos seguintes passos: (...) A autoridade julgadora de primeiro grau, ao julgar o processo declarou ser ele decorrente dos processos n° 10768.003284/90 34 e 10768.003286/90, não identificando a qual deles se vinculava pela operação inquinada de fraudulenta. Examinando detalhadamente o processo encontrei a fls. 15 urna tabela elaborada pela fiscalização com seguintes números: (...) Convém observar que na tabela acima nos dias 24.09.87 e 02.10.87 não constam operações da CITY mas apenas da ASB, onde consta a participação do autuado Inácio F M Santana. O processo foi julgado pela 7ª Câmara como sendo decorrente daquele lá também julgado Recurso n° 127.560 CITY DTVM. Examinando, porém, a correlação de valores constante da tabela acima verifico que é provável que este processo seja decorrente daquele. julgado pela 8ª Câmara Recurso n° 12.453, da empresa ASB DTVM. Isso porque integra o grupo de valores que tem correspondência de valores faturas 018 a 024 $ 1.700.000 (019), e faturas 027 a 031 $ 960.000 (030), constando a empresa ASB DTVM. O seguimento, quando se acolheu a divergência, ao recurso pelo Despacho Presi n° 107/121/04 se deu, explicitamente diante do tratamento de processo decorrente pela 78 Câmara (fls. 196): "Tratase de autuação relativa à IRPF relativo a rendimentos tributáveis sujeitos à declaração obtidos fada 20 e 39 do RIR/80) em operações de mercado futuro de OTN na BM&F com as empresas City Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários Ltda. e ASB DTVM S/A. Esta Câmara entendeu que esse procedimento foi decorrente de processo matriz de n° 10768.0032869060 cujo titular é a primeira empresa mencionada , o qual teve o lançamento julgado improcedente por inexistência de provas do prévio acertamento das operações. Em virtude disso, foi de igual modo cancelada a exigência fiscal, estando assim ementados os dois acórdãos em questão: Fl. 314DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 12/10/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 13/10/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO Processo nº 13706.000219/9098 Acórdão n.º 1401001.666 S1C4T1 Fl. 312 7 Dessa forma o presente processo poderá ou não se exteriorizar como decorrente daquele julgado por esta E. Turma na sessão de 14.04.2003, sendo de se verificar a possibilidade da aplicação do principio da decorrência processual. O relatório acima reproduzido dá um panorama bastante completo do processo. Cumpreme apenas destacar que a decisão da DRJ às fls. 8788 realmente aplicou o mesmo julgado proferido nos processos nº 10768.003283/9071 e 10768.003286/90 60, enquanto a decisão da Câmara baixa, equivocadamente, aplicou apenas o julgado no processo administrativo nº 10768.003286/9060. O recurso voluntário foi apresentado às fls. 101123. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Conforme visto no relatório, os fatos que ensejaram o presente auto de infração estão contidos nos fatos que ocasionaram a autuação formalizada no processo 10768.003283/9071. Na verdade, é a mesma interpretação sobre os fatos nos dois processos, qual seja, a de que as operações que ensejaram a glosa de prejuízos na pessoa jurídica e lucro tributável na pessoa física seriam fictícios. Desse modo, a pessoa jurídica teve o prejuízo glosado e a pessoa física teve o lucro desqualificado de não tributado para tributado. Pois bem, a decisão final no processo da pessoa jurídica (processo nº 10768.003283/9071) foi pela regularidade das operações com títulos públicos. No que respeita à glosa de prejuízos nas operações com títulos públicos (OTN), à época dos fatos, ano de 1987, não existia impedimento às instituições financeiras deduzirem eventuais prejuízos apurados em operações denominadas "day trade", exceto quando comprovado que foram realizadas com ajuste prévio, o que não resultou constatado nos autos, tendo em vista que constituem operações normais e usuais no desempenho das atividades da pessoa jurídica, não caracterizando prejuízos fictícios, que resultem da manipulação e apuração de resultado contábil irreal, portanto, ilegítima a pretensão fiscal em causa. Na mesma linha de interpretação cabe mencionar os Acórdãos 10192349, de 14/10/98 e 108 06022, de 23/02/2000. (nosso destaque). Fl. 315DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 12/10/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 13/10/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO 8 A referida decisão (AC 10806.706, de 16/10/2001) é definitiva, uma vez que, segundo as minhas pesquisas, não houve mais nenhuma proferida e o processo foi arquivado. Como este processo é decorrente daquele (processo nº 10768.003283/9071) pelos mesmos fatos, só me resta aplicar o mesmo entendimento sem adentrar no mérito da questão. Voto, pois, para dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator Fl. 316DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 12/10/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 13/10/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO
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Numero do processo: 10325.000931/2006-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 04 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Oct 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
DILIGÊNCIA PROBATÓRIA. VERIFICAÇÃO DE DOCUMENTO OU DE FATO DETERMINADO.
As diligências probatórias são cabíveis apenas para a verificação de fato, documento ou situação determinada, não se prestando a refazer toda a fiscalização.
APLICAÇÃO DE RECURSOS. MOVIMENTO DE CAIXA. TRANSFERÊNCIA ENTRE AS CONTAS CAIXA E BANCOS. EXCLUSÃO.
A verificação de aplicação de recursos mediante movimento de caixa exige que se excluam as transferências entre as contas caixa e bancos, pois tais lançamentos contábeis não refletem o ingresso de novas receitas.
IRPJ, CSLL, PIS E COFINS. IDENTIDADE DE MATÉRIA FÁTICA. MESMA DECISÃO.
Quando os lançamentos de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins recaírem sobre a mesma base fática, há de ser dada a mesma decisão, ressalvados os aspectos específicos inerentes à legislação de cada tributo.
Numero da decisão: 1301-002.147
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Presidente
(assinado digitalmente)
Roberto Silva Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Flávio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e Milene de Araújo Macedo.
Nome do relator: ROBERTO SILVA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003 DILIGÊNCIA PROBATÓRIA. VERIFICAÇÃO DE DOCUMENTO OU DE FATO DETERMINADO. As diligências probatórias são cabíveis apenas para a verificação de fato, documento ou situação determinada, não se prestando a refazer toda a fiscalização. APLICAÇÃO DE RECURSOS. MOVIMENTO DE CAIXA. TRANSFERÊNCIA ENTRE AS CONTAS CAIXA E BANCOS. EXCLUSÃO. A verificação de aplicação de recursos mediante movimento de caixa exige que se excluam as transferências entre as contas caixa e bancos, pois tais lançamentos contábeis não refletem o ingresso de novas receitas. IRPJ, CSLL, PIS E COFINS. IDENTIDADE DE MATÉRIA FÁTICA. MESMA DECISÃO. Quando os lançamentos de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins recaírem sobre a mesma base fática, há de ser dada a mesma decisão, ressalvados os aspectos específicos inerentes à legislação de cada tributo.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 DILIGÊNCIA PROBATÓRIA. VERIFICAÇÃO DE DOCUMENTO OU DE FATO DETERMINADO. As diligências probatórias são cabíveis apenas para a verificação de fato, documento ou situação determinada, não se prestando a refazer toda a fiscalização. APLICAÇÃO DE RECURSOS. MOVIMENTO DE CAIXA. TRANSFERÊNCIA ENTRE AS CONTAS CAIXA E BANCOS. EXCLUSÃO. A verificação de aplicação de recursos mediante movimento de caixa exige que se excluam as transferências entre as contas caixa e bancos, pois tais lançamentos contábeis não refletem o ingresso de novas receitas. IRPJ, CSLL, PIS E COFINS. IDENTIDADE DE MATÉRIA FÁTICA. MESMA DECISÃO. Quando os lançamentos de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins recaírem sobre a mesma base fática, há de ser dada a mesma decisão, ressalvados os aspectos específicos inerentes à legislação de cada tributo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 5. 00 09 31 /2 00 6- 01 Fl. 739DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2016 por ROBERTO SILVA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por ROBERTO SILVA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 10325.000931/200601 Acórdão n.º 1301002.147 S1C3T1 Fl. 740 2 (ASSINADO DIGITALMENTE) Waldir Veiga Rocha Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Roberto Silva Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Flávio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e Milene de Araújo Macedo. Fl. 740DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2016 por ROBERTO SILVA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por ROBERTO SILVA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 10325.000931/200601 Acórdão n.º 1301002.147 S1C3T1 Fl. 741 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por ATACADÃO SÃO JOÃO LTDA., pessoa jurídica de direito privado já qualificada nos autos, contra o Acórdão nº 08 15.553 (fls. 709 a 717) da 3ª Turma da DRJ Fortaleza, que negou provimento à impugnação. A recorrente teve contra si o lançamento tributário, consubstanciado nos autos de infração de fls. 4 a 20, que, apurando omissão de receitas, formalizou a exigência de crédito tributário no montante de R$ 15.014.223,37, compreendendo IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, acrescidos de multa e juros de mora. De acordo como o Termo de Verificação Fiscal TVF (fls. 21 a 25), os livros diários careciam de autenticação e os livros razão foram apresentados de forma analítica, sem totalizações mensais, impedindo um exame mais bem feito, pois as conclusões ficavam restritas a 31 de dezembro de cada ano. A infração, segundo o TVF, teria sido apurada a partir dos dados extraídos da escrita comercial, analisados à luz da técnica contábil. A esse respeito, consta do TVF: "O contribuinte não atendeu o Termo de Intimação de 19/10/2006 que solicitou documentos e esclarecimentos por escrito. Tais documentos são de suma importância para a conclusão dos trabalhos; Ressaltase em relação aos arquivos em meio magnético que o contribuinte não teria, em tese, nenhuma dificuldade em elaborálos, pois eles nada mais são do que os dados dos livros, já apresentados, que foram extraídos daqueles arquivos; Os Livros Diários não foram autenticados em nenhum órgão; Os Livros Razão estão apresentados apenas na forma analítica, sem totalizações mensais, impedindo, dessa forma, melhor exame, pois as conclusões ficam restritas a 31 de dezembro de cada ano. Buscando aproveitar o máximo os elementos disponíveis e utilizando o preceito de usar do arbitramento somente em casos extremos, quando não haja nenhum elemento que possa ser utilizado, é que esta fiscalização aplicou Técnicas Contábeis para respaldar as conclusões, sempre tendo como base de prova os Demonstrativos e Livros Contábeis e Fiscais apresentados pelo contribuinte. As provas apresentadas são dedutivas, baseadas nas Normas Contábeis e nos Livros e Demonstrativos apresentados pelo contribuinte." (fls. 21 e 22) A autoridade fiscal asseverou que, nos demonstrativos e livros apresentados pela contribuinte, abrangendo o período de 2001 a 2003, inexistiam as seguintes contas: clientes, duplicatas a receber e qualquer conta de ativo imobilizado. Nos mesmos documentos, não havia alteração nos saldos das contas de empréstimos e capital social. Além disso, não existia qualquer conta representativa de obrigação contraída pela contribuinte. O auditor fiscal pôsse, então, a examinar a conta caixa. Nessa análise, relacionou as possíveis origens para a aplicação naquela conta, concluindo que as origens poderiam ser atribuídas às seguintes contas: receitas operacionais, outras receitas, aumento da Fl. 741DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2016 por ROBERTO SILVA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por ROBERTO SILVA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 10325.000931/200601 Acórdão n.º 1301002.147 S1C3T1 Fl. 742 4 conta de capital, lucros obtidos no período e aumento nas contas de obrigações, como financiamentos e empréstimos. Os dados considerados pela Fiscalização estão reproduzidas no quadro abaixo: ANO CALENDÁRIO 2003 CONTAS DO ATIVO VALOR R$ CONTA DO PASSIVO/PL/RECEITA VALOR R$ CAIXA 53.434.508,07 EMPRÉSTIMO 0,00 BANCO RURAL 3.707.402,21 FINANCIAMENTO 0,00 BANCO BRADESCO 5.840.588,93 CAPITAL SOCIAL 0,00 CLIENTES 0,00 LUCRO/PREJUÍZO 1.081.837,48 DUPLICATAS A RECEBER 0,00 RECEITA VENDA DE MERCADORIAS 44.021.331,84 TOTAL 62.982.499,21 Os valores relativos às contas caixa e bancos são o movimento no ano calendário de 2003. As contas empréstimo e capital social, por apresentarem saldos respectivamente de R$ 300.000,00 e R$ 150.000,00, inalterados desde de 2001, não foram consideradas para justificar as disponibilidades, cujo excesso, considerado como omissão de receita, foi apurado conforme demonstrado no quadro abaixo: DEMONSTRAÇÃO DA OMISSÃO DE RECEITA CAIXA E BANCOS 62.982.499,21 RECEITAS 44.021.331,84 APLICAÇÕES "SEM ORIGEM" 18.961.167,37 PREJUÍZO DO EXERCÍCIO 1.081.837,48 OMISSÃO OBJETO DO LANÇAMENTO 17.879.329,89 O total das aplicações, consideradas as contas caixa e bancos, foi de R$ 62.982.499,21. O total das origens ficou restrito às receitas de venda de mercadorias: R$ 44.021.331,84. Assim, as aplicações sem origem perfazem o montante de R$ 18.961.167,37 (R$ 62.982.499,21 R$ 44.021.331,84). Consta do TVF: "Diante dos fatos contábeis, pela metodologia dedutiva, verificase a existência R$ 18.961.167,37 sem origem de recursos, o qual se presume que seja RECEITA OMITIDA DO FISCO, qualquer que seja a denominação dada. Para TRIBUTAR essa RECEITA OMITIDA, ainda não tributada, retirase o PREJUÍZO apresentado." (R$ 1.081.837,48) (fls. 23 e 24) A receita omitida a ser tributada era de R$ 17.879.329,89. A contribuinte se insurgiu contra a exigência fiscal (fls. 177 a 180). Disse que usava a técnica de lançamentos por partida simples, fazendo passar pela conta caixa todos os Fl. 742DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2016 por ROBERTO SILVA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por ROBERTO SILVA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 10325.000931/200601 Acórdão n.º 1301002.147 S1C3T1 Fl. 743 5 cheques emitidos, registrando, posteriormente, todos os pagamentos efetuados contra a conta caixa. Negou existirem recursos sem origem. Afirmou que a suposta receita omitida tem origem nos "descontos em folha de pagamento" e "descontos obtidos". Aduziu que os valores depositados em bancos se originaram da conta caixa. Acusou o caráter confiscatório da multa, requerendo sua redução ao percentual de 20%. A 3ª Turma da DRJ Fortaleza, na Resolução nº 080741 (fls. 684 a 687), determinou a realização de diligência, a fim de que fossem examinadas as folhas do livro razão acostadas aos autos. No termo de verificação de fls. 706 a 707, a Fiscalização dá notícia de que a diligência determinada pela DRJ foi frustrada pela omissão da impugnante, como se vê do trecho abaixo reproduzido: Em 24 de julho de 2008 foi lavrado Termo de Intimação Fiscal (fls. 684 às 685), o qual requeria livro diário do anocalendário de 2003 com devidas formalidades legais. Em 10 de Outubro de 2008 é lavrada Reintimação requerendo atendimento ao Termo de 24 de julho de 2008 (fls. 686 as 687). Contribuinte entrega livro diário em 16 de outubro de 2008 (fls. 688 as 690). Em 21 de janeiro de 2009 foi lavrado termo de Intimação Fiscal (fls. 691), o qual requeria comprovação de lançamentos constantes do livro razão apresentado pelo contribuinte (fls. 212/676). Termo recebido através do aviso de recebimento SO 06593812 8 BR (fls. 692). Este procedimento objetivou dar atendimento ao item a) do despacho proveniente da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza, DRJ Fortaleza, qual seja: "a) Verificar se o livro razão acostado às fls. 212/676 retrata, fielmente, os lançamentos da escrituração contábil da empresa autuada". O não atendimento da Intimação de 21 de janeiro de 2009 (fls. 691), bem como o não atendimento às Reintimações (fls. 693 e 695, avisos de recebimento SO 06594994 2 BR e SO 26700448 6 BR respectivamente, fls. 694 e 696) para atendimento desta intimação impossibilitou a verificação de autenticidade do livro razão acostado as folha 212/676 e consequente atendimento ao que foi emanado da Delegacia da Receita federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza, DRJ Fortaleza. Em 03 de abril de 2009 foi lavrado Termo de Intimação Fiscal solicitando a presença de representante da empresa contribuinte para que se efetuasse a devolução do livro diário de 2003 (fl. 697), aviso de recebimento SO 26700516 9 BR as fls. 698). Até a presente data ninguém da empresa compareceu para entrega do livro diário de 2003. Diante da falta de interesse do contribuinte ao atendimento do requerido, o qual nem mesmo solicitou maiores esclarecimentos quanto ao Termo de Intimação Fiscal de 21 de janeiro de 2009, foi lavrado Termo de Encerramento de Diligência em 07 de abril de 2009 (fls. 699), recebido através do aviso de recebimento SO 26700541 6 BR (fls. 700) em 13 de abril de 2009. (fls. 706 e 707) Devolvidos os autos à DRJ Fortaleza, sem a realização da diligência, a 3ª Turma negou provimento à impugnação, em decisão formalizada no Acórdão nº 0815.553 (709 a 717), cuja ementa tem a seguinte redação: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 743DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2016 por ROBERTO SILVA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por ROBERTO SILVA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 10325.000931/200601 Acórdão n.º 1301002.147 S1C3T1 Fl. 744 6 Anocalendário: 2003 PROVAS NÃO CONFIRMADAS EM DILIGÊNCIA FISCAL. Não tendo o contribuinte demonstrado interesse, durante o procedimento de diligência fiscal, de apresentar os elementos que lastreassem as provas trazidas aos autos, resta prejudicado o direito que pretendia na defesa. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 MULTA DE OFÍCIO LANÇADA. Estando a multa lançada devidamente prevista em lei, não cabe a discussão administrativa sobre uma suposta infringência ao principio de vedação ao confisco. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2003 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Aplicase as exigências ditas reflexas o que foi decido quanto à exigência matriz, devido à íntima relação de causa e efeito entre elas. A contribuinte, não resignada, interpôs recurso voluntário (fls. 724 a 729). Contestou, preliminarmente, a afirmação feita no termo de diligência, segundo a qual a recorrente não teria apresentado as informações solicitadas. Disse que a prova da inexistência de omissão de receitas já se encontrava nos autos desde a impugnação, e que o auditor fiscal executor da diligência não foi objetivo naquilo que pediu, já que aleatoriamente extraiu, do livro razão, alguns lançamentos e requereu os documentos que lhes davam suporte. A recorrente afirma ter apresentado o livro diário, informando que os depósitos eram oriundos de vendas de mercadorias, registradas no livro de saídas. Disse que os dados constantes do livro razão têm origem em receitas de venda e a comprovação dos lançamentos é feita pelo livro de saída de mercadorias. Já os valores ingressados no caixa comprovamse pelos cheques emitidos, que deram entrada no caixa. Negou, por outro lado, ter havido desinteresse na produção de provas, pois já apresentadas na impugnação. Os livros de escrituração fiscal e contábil estariam todos firmados pelo responsável legal da empresa e por contador habilitado e retratam a realidade das operações mercantis e financeiras, assentados em documentação idônea que não foi refutada pela Fiscalização. Os documentos teriam sido utilizados pela Fiscalização para realizar a perícia fiscal, convalidando seus assentamentos. No mérito, a recorrente faz a seguinte afirmação: Fl. 744DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2016 por ROBERTO SILVA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por ROBERTO SILVA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 10325.000931/200601 Acórdão n.º 1301002.147 S1C3T1 Fl. 745 7 A requerente usa a técnica contábil de lançamentos de partida simples e faz passar pela CONTA CAIXA todos os cheques emitidos e a partir daí descarrega a mesma com os diversos pagamentos efetuados. Assim, no ano de 2003 já se verifica que a aplicação dos valores na conta CAIXA tem origens nas receitas de revenda de mercadorias e cheques emitidos contra os bancos onde mantêm conta corrente e nos descontos efetuados em folha de pagamento e descontos obtidos no pagamento de duplicatas. As aplicações nas contas BANCOS CONTA MOVIMENTO têm origem na conta CAIXA que por sua vez tem origem na receita de revenda. Tudo constante do Diário e do Razão. Da mesma forma procede em relação à folha de pagamento. Credita o Caixa pela saída bruta da folha e debita pelos descontos em folha. Em relação aos descontos obtidos, debita o Caixa e credita a conta Descontos obtidos. No ano de 2003, a receita de revenda de mercadorias que entrou no Caixa foi no valor de R$ 44.021.331,84, os cheques do BANCO BRADESCO que entraram no CAIXA foram de R$ 5.758.733,81 e os cheques do BANCO RURAL foram de R$ 3.631.123,53, os descontos oriundos em folha de pagamento e descontos obtidos foram de R$ R$ 23.318,89, que somados totalizam R$ 53.434.508,07. Exatamente o valor total movimentado a débito da conta CAIXA que representa a aplicação de recursos que teve como origem os valores ora mencionados. Os valores de R$ 3.707.402,21 e R$ 5.840.588,93 referemse a depósitos efetuados nas contas correntes do Banco Rural e Banco Bradesco e originados da conta CAIXA. Referidos valores estão embutidos no total movimentado na conta CAIXA (R$ 53.434.508,07) que, esta, com as origens da revenda de mercadorias aplicou na forma de depósitos nos bancos e depois retornados na forma de cheques, inexistindo nova receita. Portanto, a conclusão a que chegou a auditoria fiscal é descabida porque de acordo com as provas apresentadas é correto afirmar com a convicção da certeza de inexistência de omissão de receitas no valor de R$ 18.961.17,37. Da forma que a auditoria fiscal apresentou os números, estes retirados da escrituração contábil e fiscal da requerente, os valores dos depósitos bancários de R$ 3.707.402,21 + R$ 5.840.588,93 originários da conta CAIXA cujos valores aplicados nesta conta teve origem na receita de revenda de mercadorias e os cheques emitidos contra os bancos (5.758.733,81 + 3.631.123,53) e repassados pelo CAIXA somados com os descontos em folha de pagamentos e descontos obtidos (23.318,89) totalizam R$ 18.961.167,37 que é a suposta receita omitida presumida pela auditoria fiscal. Concluindo, verificase inexistência de omissão de receita. Todos os valores depositados em bancos originaram da conta Caixa, os cheques emitidos passaram pela conta Caixa, além dos descontos em folha de pagamentos e descontos obtidos. Assim, as origens de recursos aplicados no caixa revela receita apenas as revendas de mercadorias no valor de R$ 44.021.331,84 conforme provas documentais. Os cheques emitidos e voltados novamente para o CAIXA não é uma nova receita. (fls. 727 a 728) No que tange à multa, alegou que o percentual excessivo produz efeito confiscatório. Assim, caso seja mantida a penalidade, pediu a redução de seu percentual a 20%. Fl. 745DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2016 por ROBERTO SILVA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por ROBERTO SILVA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 10325.000931/200601 Acórdão n.º 1301002.147 S1C3T1 Fl. 746 8 Por fim, requereu a realização de diligência para verificar se os recursos constantes das contas caixa e bancos têm origem nas contas contábeis mencionadas na impugnação. É o relatório. Fl. 746DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2016 por ROBERTO SILVA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por ROBERTO SILVA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 10325.000931/200601 Acórdão n.º 1301002.147 S1C3T1 Fl. 747 9 Voto Conselheiro Roberto Silva Junior Admissibilidade O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele se deve conhecer. Pedido de diligência A recorrente solicitou diligência para verificar se a origem dos recursos que transitaram pelas contas caixa e bancos está vinculada às contas contábeis mencionadas na impugnação. A diligência deve ser indeferida. Seu objeto é vago e impreciso. Assim o pedido de diligência foi formulado: Requer ainda diligência no sentido de se averiguar que as origens de recursos da Conta Caixa e Bancos são originárias (sic) das contas contábeis mencionadas nesta impugnação, caso os documentos apresentados não sejam suficientes para esclarecer o Julgador Tributário. (fl. 729) A recorrente fala em "contas contábeis" sem especificar quais haveriam de ser examinadas dentre aquelas mencionadas no recurso; além disso, se refere a documentos apresentados, sendo que não foi apresentado outro documento, senão cópias de folhas do livro razão analítico, aliás, elaborado em 21/11/2006 (fl. 216 a 672), depois da lavratura dos autos de infração em 25/10/2006 (fl. 5), e da ciência em 01/11/2006, conforme comprova o aviso de recebimento de fl. 175. A diligência probatória se presta a verificar fatos, documentos ou situações determinadas e específicas. Não pode ser admitida quando o propósito buscado é refazer a fiscalização e quando o objeto da diligência se confunde com o próprio lançamento. Portanto, indeferese a diligência. Omissão de receitas A omissão de receita colhida no lançamento foi apurada a partir da verificação do movimento da conta caixa e da conta bancos, ao longo do ano de 2003. Esse movimento foi confrontado unicamente com o saldo da conta receitas, porquanto nenhuma outra conta, seja de passivo ou de patrimônio líquido, poderia, a juízo da autoridade fiscal, considerando as circunstâncias do caso concreto, servir de origem para o que se denominou no TVF de aplicações. Tal metodologia foi aplicada para fugir do arbitramento, que, segundo a autoridade fiscal, só é cabível em "...casos extremos, quando não haja nenhum outro elemento que possa ser utilizado". Assim foram aplicadas, conforme explicou a autoridade, "...Técnicas Fl. 747DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2016 por ROBERTO SILVA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por ROBERTO SILVA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 10325.000931/200601 Acórdão n.º 1301002.147 S1C3T1 Fl. 748 10 Contábeis para respaldar as conclusões, sempre tendo como base de prova os Demonstrativos e Livros Contábeis e Fiscais apresentados pelo contribuinte". A técnica aplicada baseouse no fluxo de caixa. Ocorre que, nesse tipo de verificação, o ingresso de receita no caixa abrange a entrada de dinheiro tanto na conta caixa quanto na conta bancos. Conforme o ensinamento de Sérgio de Iudícibus e José Carlos Marion, a demonstração do fluxo de caixa evidencia a origem e aplicação de todo o dinheiro que transitou pelo caixa em um determinado período e o resultado desse fluxo, sendo que o caixa engloba as contas caixa e bancos. No mesmo sentido, o Pronunciamento Técnico CPC 03 (R2), que cuida da demonstração dos fluxos de caixa. Nele, a expressão caixa compreende a conta caixa e a conta bancos, como se pode constatar do trecho abaixo transcrito: "Definições. 6. Os seguintes termos são usados neste Pronunciamento Técnico, com os significados abaixo especificados: Caixa compreende numerário em espécie e depósitos bancários disponíveis. Equivalentes de caixa são aplicações financeiras de curto prazo, de alta liquidez, que são prontamente conversíveis em montante conhecido de caixa e que estão sujeitas a um insignificante risco de mudança de valor. Fluxos de caixa são as entradas e saídas de caixa e equivalentes de caixa." (g.n.) Precisamente porque a expressão caixa, nesse contexto, compreende a conta caixa e a conta bancos é que as transferências entre as duas contas devem ser eliminadas quando da elaboração do fluxo de caixa, porquanto não correspondem a receita, nem a despesa; não são origem, nem aplicação de recursos. Também nesse sentido, é claro o Pronunciamento Técnico CPC 03: "9. Os fluxos de caixa excluem movimentos entre itens que constituem caixa ou equivalentes de caixa porque esses componentes são parte da gestão de caixa da entidade e, não, parte de suas atividades operacionais, de investimento e de financiamento. A gestão de caixa inclui o investimento do excesso de caixa em equivalentes de caixa." No caso em exame, o lançamento considerou como aplicações de recursos o movimento da conta caixa e das contas bancos (Banco Bradesco e Banco Rural) no período, sem eliminar as transferências de valores entre as contas. Dessa forma, o montante havido como total das aplicações de recursos no período (R$ 62.982.499,21) estava inflado por valores que não tinham natureza de receita e que, por isso, deveriam ter sido excluídos pela Fiscalização. Examinando o livro razão apresentado pela recorrente (fls. 215 a 624, 625 a 657, e 658 a 672), constatase a existência de grande número de transferências de valores entre Fl. 748DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2016 por ROBERTO SILVA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por ROBERTO SILVA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 10325.000931/200601 Acórdão n.º 1301002.147 S1C3T1 Fl. 749 11 as contas bancos e a conta caixa. Praticamente todos os lançamentos contábeis na conta bancos tinham como contrapartida a conta caixa. Nessa linha de raciocínio, é possível concluir que no levantamento fiscal não poderia ter sido incluído o movimento da conta no Banco Bradesco (R$ 5.840.588,93), nem o movimento da conta no Banco Rural (R$ 3.707.402,21). Por outro lado, tinham de ser excluídos os créditos da conta bancos que tivessem como contrapartida débito na conta caixa (Banco Bradesco, aproximadamente R$ 5.824.170,15 fl. 657, e Banco Rural R$ 3.687.592,24 aproximadamente fl. 672). Expurgados os valores referidos no parágrafo anterior do montante de R$ 62.982.499,21 (tido pelo Fisco como o total das aplicações de recursos), desaparece a "omissão de receita", a revelar que a infração não ocorreu ou que o método utilizado não era o mais adequado para apurar esse tipo de ilícito. Portanto, tendo em vista que o método empregado pela Fiscalização não se mostrou capaz de apurar, com razoável segurança, a omissão de receitas, é forçoso concluir pela improcedência do lançamento e pela insubsistência do crédito tributário. CSLL, PIS e Cofins Quanto aos lançamentos de CSLL, PIS e Cofins, importa ressaltar que, por recaírem sobre a mesma base fática do IRPJ, a decisão adotada para qualquer um deles há de ser a mesma para os demais, o que só não ocorreria se houvesse algum aspecto específico, inerente à legislação de um desses tributos, que exigisse solução diferente. Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, para no mérito darlhe integral provimento. (ASSINADO DIGITALMENTE) Roberto Silva Junior Relator Fl. 749DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2016 por ROBERTO SILVA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por ROBERTO SILVA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA
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Numero do processo: 16327.720109/2011-85
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Aug 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2007
EMBARGOS. OMISSÃO. SANEAMENTO.
Ao restar comprovada as omissões apontadas, no acórdão embargado, sobre pontos acerca dos quais a turma deveria se manifestar, os embargos devem ser acolhidos, para saneamento das omissões.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007
JUROS SOBRE MULTA.
As multas proporcionais aplicadas em lançamento de ofício, por descumprimento a mandamento legal que estabelece a determinação do valor de tributo administrado pela Receita Federal do Brasil a ser recolhido no prazo legal, estão inseridas na compreensão do § 3º do artigo 61 da Lei nº 9.430/1996, sendo, portanto, suscetíveis à incidência de juros de mora à taxa Selic.
Numero da decisão: 1301-002.088
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer dos embargos, naquilo em que foram admitidos, para suprir as omissões, sem efeitos infringentes, nos termos do voto do Redator Designado. Vencidos os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e José Roberto Adelino da Silva, que admitiam efeitos infringentes para a matéria "juros incidentes sobre multa de ofício". Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Flávio Franco Corrêa.
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha Presidente
(assinado digitalmente)
José Eduardo Dornelas Souza Relator
(assinado digitalmente)
Flávio Franco Corrêa - Redator Designado
Participaram do julgamento Waldir Veiga Rocha, Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, e José Roberto Adelino da Silva..
Nome do relator: JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA
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OMISSÃO. SANEAMENTO. Ao restar comprovada as omissões apontadas, no acórdão embargado, sobre pontos acerca dos quais a turma deveria se manifestar, os embargos devem ser acolhidos, para saneamento das omissões. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 JUROS SOBRE MULTA. As multas proporcionais aplicadas em lançamento de ofício, por descumprimento a mandamento legal que estabelece a determinação do valor de tributo administrado pela Receita Federal do Brasil a ser recolhido no prazo legal, estão inseridas na compreensão do § 3º do artigo 61 da Lei nº 9.430/1996, sendo, portanto, suscetíveis à incidência de juros de mora à taxa Selic. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer dos embargos, naquilo em que foram admitidos, para suprir as omissões, sem efeitos infringentes, nos termos do voto do Redator Designado. Vencidos os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e José Roberto Adelino da Silva, que admitiam efeitos infringentes para a matéria "juros incidentes sobre multa de ofício". Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Flávio Franco Corrêa. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 01 09 /2 01 1- 85 Fl. 1189DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 17/08/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assi nado digitalmente em 17/08/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 16327.720109/201185 Acórdão n.º 1301002.088 S1C3T1 Fl. 1.190 2 (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Relator (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Redator Designado Participaram do julgamento Waldir Veiga Rocha, Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, e José Roberto Adelino da Silva.. Relatório Tratase de Embargos de Declaração opostos pelo contribuinte acima identificado em face do Acórdão nº 1301001.475, de 09/04/2014, proferido pela 1ª Turma desta 3ª Câmara da 1ª Seção do CARF, que, por voto de qualidade, negou provimento ao recurso voluntário, entendimento este que restou consubstanciado na seguinte ementa:. IRPJ/CSLL. DESPESAS COM ÁGIO NA AQUISIÇÃO DE INVESTIMENTO. EXPECTATIVA DE RENTABILIDADE FUTURA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Não comprovado o fundamento do ágio baseado em expectativa de rentabilidade futura, por ocasião de sua formação, impõese a sua glosa. Tendo sido devidamente intimada acerca do resultado do julgamento, a recorrente opôs, tempestivamente, embargos de declaração suscitando, preliminarmente, a nulidade do acórdão embargado, por ter sido prolatado em desconformidade com o regimento interno do CARF, e, quanto ao mérito, alegou a existência de omissões, contradições e obscuridades no acórdão embargado. Os embargos foram encaminhados para o exame de admissibilidade, sendo proferido despacho por parte do Conselheiro designado, Luiz Tadeu Matosinho Machado, de não conhecêlos quanto à alegação de nulidade e, quanto ao mérito, admitilos PARCIALMENTE, para que sejam conhecidos e acolhidos, apenas quanto à omissão da impossibilidade de sucessão da multa de ofício sobre fatos geradores ocorridos antes da incorporação e da Ilegalidade da cobrança de juros sobre a multa, rejeitando as demais alegações de obscuridade, omissão e contradição. Enviadas as considerações ao Presidente da Turma, foi proferido decisão final no mesmo sentido do despacho, rejeitando em caráter definitivo as alegações que não foram conhecidas e inadmitidas, nos termos do RICARF. Em virtude o Conselheiro designado não mais compor este Colegiado, o processo foi sorteado para minha relatoria, para que os embargos sejam submetidos à deliberação desta Turma Ordinária. É o relatório. Fl. 1190DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 17/08/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assi nado digitalmente em 17/08/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 16327.720109/201185 Acórdão n.º 1301002.088 S1C3T1 Fl. 1.191 3 Voto Vencido Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, Relator. Os embargos preenchem os requisitos de admissibilidade, assim, deles conheço. Preliminarmente Antes de analisar as alegações do embargante, considero importante dizer que os embargos possuem efeitos limitados para sanar apenas eventuais vícios da decisão proferida, conforme previsto no artigo 65 e 66 do RICARF, possuindo efeitos infringentes por exceção. Por isso, o cabimento, processamento, e julgamento deve levar em conta os comandos contidos nestes dispositivos do RICARF, concluindose, dessa forma, que a decisão do Presidente da Turma que rejeitou em caráter definitivo algumas das alegações sustentadas pela recorrente são intransponíveis, não sendo possível sejam elas deliberadas por este Colegiado. Sendo disso, passarei a analisar especificamente as alegações não rejeitadas pelo Presidente da Turma, registrando, inclusive, que as razões que concluíram pela improcedência dessas alegações se encontram devidamente descritas nos referidos despacho de admissibilidade de embargos. Das omissões apontadas Da Impossibilidade de Sucessão da Multa de Ofício sobre Fatos Geradores Ocorridos antes da Incorporação A embargante alega que esta matéria foi expressamente suscitada no seu recurso voluntário. Examinando o acórdão embargado e a peça recursal apresentada, verifico que, de fato, o acórdão recorrido foi omisso na apreciação desta matéria, motivo pelo qual passo a examinar. Depreendese dos autos, que a recorrente, ora embargante, alega que sua responsabilidade na sucessão não alcançaria o pagamento da multa de ofício sobre fatos geradores ocorridos antes da incorporação, dado que o artigo 132, que trata da responsabilidade tributária na sucessão empresarial, menciona apenas a expressão "tributos". Ocorre que, porquanto o art. 132 do CTN se refere aos "tributos" devidos pelo sucedido, tal dispositivo deve ser entendido não através de uma análise literal do seu dispositivo, e sim através de uma interpretação que leve em consideração o art. 129 do Estatuto Tributário, Vejamos o disposto no artigo 129, do CTN: Art. 129. O disposto nesta Seção aplicase por igual aos créditos tributários definitivamente constituídos ou em curso de constituição à data dos atos nela Fl. 1191DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 17/08/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assi nado digitalmente em 17/08/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 16327.720109/201185 Acórdão n.º 1301002.088 S1C3T1 Fl. 1.192 4 referidos, e aos constituídos posteriormente aos mesmos atos, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a referida data. Ora, pela análise destes dispositivos, compreendese o acerto de tal interpretação, no sentido de entender que os créditos tributários mencionados no aludido art. 129 compreendem não apenas aqueles decorrentes de tributos, mas também os oriundos de penalidades pecuniárias, vez que esta expressão, "crédito tributário", é muito mais amplo do que o conceito de tributo. Entender de forma diversa, e concluir que a sucessora não seria responsável pelas multas relativas a infrações cometidas pela sucedida, equivale a incentivar as empresas a promoverem alterações societárias para se eximirem do pagamento das penalidades pecuniárias, não sendo este, penso, ser o sentido da norma jurídica em questão. Acrescese a isso que no julgamento dos embargos de declaração no mesmo REsp nº 923.012/MG, selecionado segundo a sistemática dos recursos repetitivos previstos no art. 543C do Código de Processo Civil, transitado em julgado desde 04/06/2013, o Superior Tribunal Justiça tratou de consolidar o entendimento relativo à extensão da responsabilidade, nos seguintes termos: 1. A responsabilidade tributária do sucessor abrange, além dos tributos devidos pelo sucedido, as multas moratórias ou punitivas, que, por representarem dívida de valor, acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor, desde que seu fato gerador tenha ocorrido até a data da sucessão. [...] 4. Quanto à responsabilidade do sucessor pelas multas (moratórias ou punitivas), observese que o ordenamento jurídico tributário admite o chamamento de terceiros para arcar com o pagamento do crédito tributário, na forma dos arts. 128 e seguintes do CTN, sendo expresso o art. 132 do CTN ao dispor: Art. 132. A pessoa jurídica de direito privado que resultar de fusão,transformação ou incorporação de outra ou em outra é responsável pelos tributos devidos até a data do ato pelas pessoas jurídicas de direito privado fusionadas, transformadas ou incorporadas. 5. Ora, a incorporação, nos termos da legislação pátria (art. 227 da Lei 6.404/76 e art. 1.116 do CC/32) é a absorção de uma ou várias sociedades por outra ou outras, com a extinção da sociedade incorporada, que transfere integralmente todos os seus direitos e obrigações para a incorporadora. 6. Entendese que tanto o tributo quanto as multas a ele associadas pelo descumprimento da obrigação principal fazem parte do patrimônio do contribuinte incorporado que se transfere ao incorporador, de que modo que não pode ser cingida a sua cobrança, até porque a sociedade incorporada deixa de ostentar personalidade jurídica. 7. Por fim, o art. 129 do CTN estabelece que a transferência da responsabilidade por sucessão aplicase, por igual, aos créditos tributários já definitivamente constituídos, ou em curso de constituição à data dos atos nela referidos, e aos constituídos posteriormente aos mesmos atos, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a referida data. Fl. 1192DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 17/08/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assi nado digitalmente em 17/08/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 16327.720109/201185 Acórdão n.º 1301002.088 S1C3T1 Fl. 1.193 5 8. O que importa, portanto, é a identificação do momento da ocorrência do fato gerador, que faz surgir a obrigação tributária, e do ato ou fato originador da sucessão, sendo desinfluente, como restou assentado no aresto embargado, que esse crédito já esteja formalizado por meio de lançamento tributário, que apenas o materializa. Assim, verificando se encontrar pacífica a discussão sobre o tema em questão, no âmbito do STJ, devese entender que a sucessora responde pelo crédito tributário devido pelas sucedidas, inclusive as multas, e considerandose que o julgamento ocorreu na forma do art. 543C do CPC, tal entendimento vincula os membros deste Colegiado, em conformidade com o que dispõe o art. 62, §2º, do RICARF, motivo pelo qual, adoto tal posicionamento, votando pela possibilidade de exigência da multa da sucessora. Da Ilegalidade da Cobrança de Juros sobre a Multa Analisando o acórdão embargado e a peça recursal apresentada pelo contribuinte, verifico que o acórdão recorrido foi omisso, igualmente, na apreciação desta matéria. A recorrente alega que a incidência de juros sobre a multa de ofício viola o princípio constitucional da legalidade, pois o art.13 da Lei nº9.065/95 remete ao art.84 da Lei nº 8.981/95, que estabelece a cobrança de juros apenas sobre tributos. Como a multa tem natureza de sanção, sustenta a embargante, que não se confunde com tributo, a teor dos artigos 3º e 113 do CTN, devendo por isso ser cancelada a cobrança de juros sobre a multa. Neste item, entendo possuir razão ao recorrente. De fato, apesar do DRJ frisar que a exigência de acréscimos moratórios sobre a penalidade não é objeto do lançamento ora em litígio, e sim de execução do acórdão e após se tornar definitiva, na esfera administrativa, a decisão acerca do lançamento impugnado, tratando de matéria que surgiu no curso do processo, obviamente, é possível sim sua análise no âmbito do recurso. Cabe lembrar que a função administrativa não é exercida por interesse da autoridade administrativa, e sim, no cumprimento de um dever jurídico de aplicar a lei, isto é, de investigar e decidir se a lei está sendo corretamente obedecida pelo seu administrado, no caso, o contribuinte. No mais, faz parte do direito de petição, garantia constitucional. E o direito de obter do Poder Público a manifestação sobre o que lhe for indagado. Demais disso, em respeito ao principio da economia processual, se a questão pode ser enfrentada de pronto, não há motivo para que se aguarde outro momento para fazêlo. No presente caso, estamos diante de uma hipótese de "atualização de multa de ofício", e para resolver essa questão, cumpre fazer uma análise na legislação que rege à matéria, sobretudo no artigo 13 da Lei 9.065/95, que é a lei que institui a cobrança dos juros de mora com base na taxa SELIC; no artigo 84 da Lei 8.981/95; e leis subseqüentes pertinentes. Vejamos: Lei 9.065/95 Art. 13. A partir de 1º de abril de 1995, os juros de que tratam a alínea c do parágrafo único do art. 14 da Lei nº 8.847, de 28 de janeiro de 1994, com a redação dada pelo art. 6º da Lei nº 8.850, de 28 de janeiro de 1994, e pelo art. 90 da Lei nº Fl. 1193DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 17/08/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assi nado digitalmente em 17/08/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 16327.720109/201185 Acórdão n.º 1301002.088 S1C3T1 Fl. 1.194 6 8.981, de 1995, o art. 84, inciso I, e o art. 91, parágrafo único, alínea a.2, da Lei nº 8.981, de 1995, serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. Lei 8.981/95 Art. 84. Os tributos e contribuições sociais arrecadados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores vierem a ocorrer a partir de 1º de janeiro de 1995, não pagos nos prazos previstos na legislação tributária serão acrescidos de: I juros de mora, equivalentes à taxa média mensal de captação do Tesouro Nacional relativa à Dívida Mobiliária Federal Interna;(grifei) Vejase ainda a Lei n° 9.430/96, em seu artigo 61, que estabelece que os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, incidirão juros de mora à taxa SELIC: Lei 9.430/96 Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos, e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legisla cão especifica, serão acrescidos de multa de mora, calculada a taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) §3" Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3" do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.(grifei) Da leitura destes dispositivos, verificase que o legislador determina a incidência de juros sobre os débitos a que se refere este artigo. Já caput determina os débitos para com a União são aqueles decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, os quais, por sua vez, deverão ser acrescidos de multa de mora. Assim, nenhum deles permitem que se "atualize multa de ofício". Dessa forma, majorar tributo sob o artifício de atualizar a multa de ofício, penso que viola a lei, e por conseqüência, fere o principio da legalidade tributária. Isso porque a Constituição Federal de 1988 proclama, em seu artigo 150, I, que é vedado aos entes públicos exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça. Tal vedação é uma garantia dos contribuintes da certeza de que a relação de tributação não se constitui em simples relação de poder, mas pelo contrário, que se consubstancia em típica relação jurídica. Assim, como a regra veiculada pelo art. 61 da Lei n.° 9.430/96 referese à incidência de acréscimos moratórios sobre ‘débitos decorrentes de tributos e contribuições’, e sendo certo que a penalidade pecuniária não decorre de tributo ou contribuição, mas do Fl. 1194DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 17/08/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assi nado digitalmente em 17/08/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 16327.720109/201185 Acórdão n.º 1301002.088 S1C3T1 Fl. 1.195 7 descumprimento do dever legal de declarálo e/ou pagálo, se extrai a conclusão de ser inaplicável os juros de mora a taxa SELIC sobre a multa de oficio. Este Conselho Administrativo, por meio de diversos julgados – Acórdão nº 140200.213, sessão de 06/07/2010 e Acórdão nº 10709526, sessão de 16/10/2008, por exemplo – interpretando a citada expressão do artigo 61 da Lei nº 9.430/96, entendeu o seguinte: “Decorrente é aquilo que se segue, que é conseqüente. De fato o não pagamento de tributos e contribuições nos prazos previstos na legislação faz nascer o débito. Em outras palavras, o débito decorre do não pagamento de tributos e contribuições nos prazos. A multa de ofício não é débito decorrente de tributos e contribuições. Ela decorre, nos exatos termos do art. 44 da Lei nº 9.430/96, da punição aplicada pela fiscalização às seguintes condutas: a) falta de pagamento ou recolhimento dos tributos e contribuições, após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória; e b) falta de declaração e nos de declaração inexata.” Assim, a conclusão dos referidos acórdãos, dentre outros, foi no sentido de que a taxa SELIC só incidirá sobre multas isoladas, aplicadas nos termos do art. 43 da Lei nº9.430/97: Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Desde logo, tendo em vista não se tratar, in casu, da multa isolada prevista no artigo 43 da Lei nº 9.430/96, configurase como inaplicável a SELIC como taxa de juros de mora incidente sobre a multa de oficio. Peço vênia ainda pra trazer à colação voto da Conselheira Sandra Maria Faroni, no Acórdão nº 110200.060, que resumem bem os argumentos que concluem pela não incidência dos juros sobre a multa de ofício: “A obrigação tributária pode ser principal, consistindo em obrigação de dar (pagar tributo ou multa) e acessória, obrigação de fazer (deveres instrumentais). De acordo com o art. 139 do CTN, o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Portanto, compreendemse no crédito tributário o valor do tributo e o valor da multa. O Decretolei n° 1.736/79 determinou a incidência dos juros de mora sobre o "valor originário" , definindo como "valor originário" o débito, excluídas apenas as parcelas relativas a correção monetária, juros de mora, multa de mora e encargo do DL 1.025/69. Ou seja, não previu a exclusão da multa de oficio. O art. 161 do CTN determina que o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, ressalvando apenas a pendência de consulta formulada dentro do prazo legal para pagamento do crédito. Seu § 1° determina que, se a lei não dispuser de forma diversa, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. Fl. 1195DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 17/08/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assi nado digitalmente em 17/08/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 16327.720109/201185 Acórdão n.º 1301002.088 S1C3T1 Fl. 1.196 8 No caso de multa por lançamento de oficio, seu vencimento é no prazo de 30 dias contados da ciência do auto de infração. Assim, o valor da multa lançada, se não pago no prazo de impugnação, sujeitase aos juros de mora. Além dos artigos 2° e 3° do DL 1.736/79, tratam dos juros de mora os seguintes dispositivos de leis ordinárias: Lei 8.383/91, art. 59; Lei 8.981/95, art. 13; Lei 9.430/96, art. 5°, § 3°, art. 43, parágrafo único e art. 61, § 3°, Lei n° 10.522/2002, (cuja origem foi a MP 1.62131/98), arts. 29 e 30. O artigo 61 da Lei 9.430/96 regula a incidência de acréscimos moratórios sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 01 de janeiro de 1997, não alcançando, pois, a multa por lançamento de oficio, uma vez que: (a) a multa não decorre do tributo, mas do descumprimento do dever legal de pagálo; (b) entendimento contrário implicaria concluir que sobre a multa de oficio incide a multa de mora. O artigo 30 da Lei 10.522/2002 determina a submissão, a partir de 10 de janeiro de 1997, a juros de mora calculados segundo a SELIC, dos débitos cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31 de dezembro de 1994 e que não tenham sido objeto de parcelamento, e dos créditos inscritos na Dívida Ativa da União. Em síntese, em se tratando de débitos de tributos cujos fatos geradores ocorreram a partir de 1° de janeiro de 1995 só há dispositivo legal autorizando a cobrança de juros de mora à taxa SELIC sobre multa no caso de multa lançada isoladamente; não porém quando ocorrer a formalização da exigência do tributo acrescida da multa proporcional. Nesse caso, só podem incidir juros de mora à taxa de 1%, a partir do trigésimo dia da ciência do auto de infração, conforme previsto no § 1° do art. 161 do CTN.” Nessas condições, CONHEÇO dos embargos, na parte em que admitido, para DARLHES PROVIMENTO, com efeitos infringentes, apenas com relação à matéria " atualização da multa de oficio", no sentido de afastar os juros sobre a multa de ofício. (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Fl. 1196DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 17/08/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assi nado digitalmente em 17/08/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 16327.720109/201185 Acórdão n.º 1301002.088 S1C3T1 Fl. 1.197 9 Voto Vencedor Conselheiro Flávio Franco Corrêa Cabeme o voto vencedor para a solução da questão relativa à incidência dos juros de mora sobre a multa aplicada mediante lançamento de ofício, em razão do descumprimento da norma tributária que fixou a determinação do valor do tributo ora exigido. O ponto crucial da dúvida está na redação do § 3º do artigo 61 da Lei nº 9.430/1996, verbis: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998) Mais especificamente, objetivase descortinar se, nos débitos a que se refere o § 3º do artigo 61 da Lei nº 9.430/1996, estão incluídos o tributo suprimido ao Erário e a multa proporcional aplicada mediante lançamento de ofício, ou somente o valor do tributo suprimido. De início, devese aludir à previsão legal que veda a incidência de juros de mora sobre a multa de mora, conforme dispõe o parágrafo único do artigo 16 do Decretolei nº 2.323/1987, com a redação dada pelo artigo 6º do Decretolei nº 2.331/1987, verbis: “Art. 6º. Os arts. 15 e 16 do Decretolei nº 2.323, de 26 de fevereiro de 1987, passam a vigorar com a seguinte redação: "Art. 15. Os débitos para com a Fazenda Nacional, de natureza tributária, para com o Fundo de Investimento Social (Finsocial) e para com o Fundo de Participação PISPasep, não pagos no vencimento, serão acrescidos de multa de mora. Parágrafo único. A multa de mora será de vinte por cento sobre o valor monetariamente atualizado do tributo ou contribuição, sendo reduzida a dez por cento se o pagamento for efetuado até o último dia útil do terceiro mês subseqüente àquele em que tiver ocorrido o vencimento do débito. Art. 16. Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional, para com o Fundo de Participação PISPasep, assim como aqueles decorrentes de empréstimo compulsórios, serão acrescidos, na via administrativa ou judicial, de juros de mora, contados do mês seguinte ao do vencimento, à razão de um por cento Fl. 1197DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 17/08/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assi nado digitalmente em 17/08/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 16327.720109/201185 Acórdão n.º 1301002.088 S1C3T1 Fl. 1.198 10 ao mês calendário ou fração e calculados sobre o valor monetariamente atualizado na forma deste decretolei. Parágrafo único. Os juros de mora não incidem sobre o valor da multa de mora de que trata o artigo anterior." Percebase que o Decretolei nº 2.323/1987, ao ressalvar a multa de mora, não vedou a incidência dos juros de mora sobre a multa proporcional aplicada mediante lançamento de ofício. Por outro lado, o § 3º do artigo 950 do Decreto nº 3000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99) estabelece que a multa de mora não deve aplicada se o tributo suprimido ao Erário já tiver servido de base de cálculo para a multa proporcional decorrente de lançamento de ofício, verbis: “Art. 950. Os débitos não pagos nos prazos previstos na legislação específica serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento por dia de atraso (Lei nº 9.430, de 1996, art. 61). § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do imposto até o dia em que ocorrer o seu pagamento (Lei nº 9.430, de 1996, art. 61, § 1º). § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento (Lei nº 9.430, de 1996, art. 61, § 2º). § 3º A multa de mora prevista neste artigo não será aplicada quando o valor do imposto já tenha servido de base para a aplicação da multa decorrente de lançamento de ofício.” (grifei) Assim, pedindo vênia ao ilustre Relator, sou da opinião de que a expressão “os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal”, constante do caput do artigo 61 da Lei nº 9.430/1996, deve ser interpretada no sentido de compreender, para fins de incidência dos precitados juros moratórios, a diferença do tributo não recolhida até a data de seu vencimento, em razão de sua equivocada determinação, e a consequente multa aplicada mediante lançamento de ofício. Para tal empreitada exegética, é preciso considerar os artigos 113, § 1 º; 139 e 161, caput e § 1º, do Código Tributário Nacional (CTN), verbis: “Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente.” “Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta.” “Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês.” Fl. 1198DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 17/08/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assi nado digitalmente em 17/08/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 16327.720109/201185 Acórdão n.º 1301002.088 S1C3T1 Fl. 1.199 11 A teor dos artigos suprarreferidos: a) o crédito tributário é uma decorrência da obrigação tributária principal (CTN, artigo 139); b) essa obrigação tem por objeto o pagamento do tributo ou da penalidade pecuniária imposta como consequência do descumprimento do dever legal de entregar ao Estadocredor, no prazo legal, o valor integral do tributo, apurado em consonância com as normas legais (CTN, § 1º do artigo 113); c) o crédito não integralmente pago no vencimento, de que trata o caput do artigo 161 do CTN, não se resume ao valor do tributo suprimido ao Erário, porquanto a infração consistente na supressão do tributo é fato gerador da multa proporcional a ser aplicada mediante lançamento de ofício. Portanto, o § 3º do artigo 161 do CTN abarca o valor do tributo suprimido e a multa a ser aplicada de ofício, em decorrência da supressão do tributo. Em apoio à interpretação aqui defendida, trazse à colação o Resp nº 1.129.990PR, publicado no Dje no dia 14/09/2009, relator Ministro Castro Meira: “Da sistemática instituída pelo art. 113, caput e parágrafos, do Código Tributário NacionalCTN, extraise que o objetivo do legislador foi estabelecer um regime único de cobrança para as exações e as penalidades pecuniárias, as quais caracterizam e definem a obrigação tributária principal, de cunho essencialmente patrimonialista, que dá origem ao crédito tributário e suas conhecidas prerrogativas, como, a título de exemplo, cobrança por meio de execução distinta fundada em Certidão de Dívida AtivaCDA. A expressão "crédito tributário" é mais ampla do que o conceito de tributo, pois abrange também as penalidades decorrentes do descumprimento das obrigações acessórias. Em sede doutrinária, ensina o Desembargador Federal Luiz Alberto Gurgel de Faria que, "havendo descumprimento da obrigação acessória, ela se converte em principal relativamente à penalidade pecuniária (§ 3º), o que significa dizer que a sanção imposta ao inadimplente é uma multa, que, como tal, constitui uma obrigação principal, sendo exigida e cobrada através dos mesmos mecanismos aplicados aos tributos " (Código Tributário Nacional Comentado: Doutrina e Jurisprudência, Artigo por Artigo. Coord.: Vladimir Passos de Freitas. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2ª ed., 2004, p. 546) De maneira simplificada, os juros de mora são devidos para compensar a demora no pagamento. Verificado o inadimplemento do tributo, advém a aplicação da multa punitiva que passa a integrar o crédito fiscal, ou seja, o montante que o contribuinte deve recolher ao Fisco. Se ainda assim há atraso na quitação da dívida, os juros de mora devem incidir sobre a totalidade do débito, inclusive a multa que, neste momento, constitui crédito titularizado pela Fazenda Pública, não se distinguindo da exação em si para efeitos de recompensar o credor pela demora no pagamento. (grifei) Em suma, o crédito tributário compreende a multa pecuniária, o que legitima a incidência de juros moratórios sobre a totalidade da dívida. Rematando, confirase a lição de Bruno Fajerstajn, encampada por Leandro Paulsen (Direito Tributário Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e Fl. 1199DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 17/08/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assi nado digitalmente em 17/08/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 16327.720109/201185 Acórdão n.º 1301002.088 S1C3T1 Fl. 1.200 12 da Jurisprudência. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 9ª ed., 2007, p. 1.027 1.028): "A partir da redação do dispositivo, fica evidente que os tributos não podem corresponder à aplicação de sanção pela prática de ato ilícito, diferentemente da penalidade, a qual, em sua essência, representa uma sanção decorrente do descumprimento de uma obrigação. A despeito das diferenças existentes entre os dois institutos, ambos são prestações pecuniárias devidas ao Estado. E no caso em estudo, as penalidades decorrem justamente do descumprimento de obrigação de recolher tributos. Diante disso, ainda que inconfundíveis, o tributo e a penalidade dele decorrente são figuras intimamente relacionadas. Ciente disso, o Código Tributário Nacional, ao definir o crédito tributário e a respectiva obrigação, incluiu nesses conceitos tanto os tributos como as penalidades. (grifei) Com efeito, o art. 139 do Código Tributário Nacional define crédito tributário nos seguintes termos: 'Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta'. Já a obrigação principal é definida no art. 113 e no parágrafo 1º. Vejase: 'Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente'. Como se vê, o crédito e a obrigação tributária são compostos pelo tributo devido e pelas penalidades eventualmente exigíveis. No entanto, essa equiparação, muito útil para fins de arrecadação e administração fiscal, não identifica a natureza jurídica dos institutos. (...) (grifei) O Código Tributário Nacional tratou da incidência de juros de mora em seu art. 161. Confirase: 'Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito' Fl. 1200DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 17/08/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assi nado digitalmente em 17/08/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 16327.720109/201185 Acórdão n.º 1301002.088 S1C3T1 Fl. 1.201 13 A redação deste dispositivo permite concluir que o Código Tributário Nacional autoriza a exigência de juros de mora sobre 'crédito' não integralmente recolhido no vencimento. Ao se referir ao crédito, evidentemente, o dispositivo está tratando do crédito tributário. E conforme demonstrado no item anterior, o crédito tributário decorre da obrigação principal, na qual estão incluídos tanto o valor do tributo devido como a penalidade dele decorrente. (grifos no original) Sendo assim, considerando o disposto no caput do art. 161 acima transcrito, é possível concluir que o Código Tributário Nacional autoriza a exigência de juros de mora sobre as multas" (Exigência de Juros de Mora sobre as Multas de Ofício no Âmbito da Secretaria da Receita Federal. Revista Dialética de Direito Tributário, São Paulo, n. 132, p. 29, setembro de 2006). (grifos no original) Ante o exposto, dou provimento ao recurso especial.”(grifos no original) Essa é a diretriz a ser seguida, para se descortinar o alcance do § 3º do artigo 61 da Lei nº 9.430/1996, fundamento legal da multa aplicada no caso concreto. Do preceito acima invocado, destacase a incidência de juros de mora sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições. Facilmemente se infere que as multas ora comentadas só nascem porque há tributo devido a ser exigido de ofício. Não houvesse tributo sonegado, não haveria multa proporcional a ser lançada de ofício. Essa deve ser a linha de raciocínio para o desvendamento do que se pode entender no âmbito da expressão “débitos decorrentes de tributos e contribuições.” Pelas razões acima referidas, manifesto que as multas proporcionais aplicadas em lançamento de ofício, por descumprimento a mandamento legal que estabelece a determinação do valor de tributo administrado pela Receita Federal do Brasil a ser recolhido no prazo legal, estão inseridas na compreensão do § 3º do artigo 61 da Lei nº 9.430/1996, sendo, portanto, suscetíveis à incidência de juros de mora à taxa Selic. Alfim, saliento que a Câmara Superior já decidiu segundo a linha exegética aqui anunciada: “JUROS DE MORA — MULTA DE OFICIO — OBRIGAÇÃO PRINCIPAL— A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic”. (Ac. CSRF/04 00.651, de 18/09/2007, proc. 16327.002231/200285, Rel. Cons. Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho) “JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a Fl. 1201DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 17/08/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assi nado digitalmente em 17/08/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 16327.720109/201185 Acórdão n.º 1301002.088 S1C3T1 Fl. 1.202 14 multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.” (Ac. 910100.539, de 11/03/2010, proc. 16327.002243/9971, Rel. Cons. Valmir Sandri, Redatora Designada Cons. Viviane Vidal Wagner) Com base no exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso, quanto à questão examinada. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Fl. 1202DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 17/08/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assi nado digitalmente em 17/08/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA
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Numero do processo: 10218.720085/2007-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Sat Mar 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2003
IMÓVEL RURAL SUPOSTAMENTE LOCALIZADO EM TERRA INDÍGENA DEMARCADA.
O fato gerador do ITR é a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, como definido na lei civil, localizado fora da zona urbana do Município (CTN, art. 29). Se assim é, o ITR não incide sobre área rural cujo acesso foi interditado ao seu proprietário ou possuidor por ato do Poder Público tributante, para fins de demarcação de reserva indígena. Hipótese em que não houve a comprovação, nos termos requeridos em diligência fiscal, de que o imóvel rural encontra-se incrustado em terra indígena demarcada.
BASE DE CÁLCULO. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E ÁREA DE RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO. REQUISITOS.
A exclusão das áreas de reserva legal ou de preservação permanente da base de cálculo do ITR reclama o atendimento de requisitos de duas ordens: substanciais e formais.
BASE DE CÁLCULO. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E ÁREA DE RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO. APRESENTAÇÃO DE ADA. NECESSIDADE.
A partir do exercício de 2001 é indispensável a protocolização do Ato Declaratório Ambiental - ADA no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis - IBAMA como condição para exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal da base de cálculo do ITR. A ausência do Ato Declaratório Ambiental, requisito formal necessário à concessão do benefício fiscal, obsta a exclusão de tais áreas da base de cálculo do imposto.
RESERVA LEGAL. ISENÇÃO. AVERBAÇÃO. NECESSIDADE.
Toda a compreensão da tributação territorial rural deve ser feita à luz do princípio da defesa do meio ambiente, sendo certo que o direito tributário, mormente quando consubstanciado em tributos de acentuado caráter extrafiscal, caso do ITR, pode e deve ser utilizado como instrumento de atuação do Estado na economia e na proteção ambiental. A isenção do ITR apresenta inequívoca e louvável finalidade de estímulo à proteção do meio ambiente, tanto no sentido de premiar os proprietários que contam com reserva legal devidamente identificada e conservada, como de incentivar a regularização por parte daqueles que estão em situação irregular. Inexistindo o registro, que tem por escopo a identificação do perímetro da reserva legal, não se pode cogitar de regularidade da área protegida e, por conseguinte, de direito à isenção tributária correspondente. Inteligência daquilo que foi decidido nos Embargos de Divergência nº 1.027.051/SC, julgado em 28/08/2013 pelo STJ.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2201-003.025
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Carlos César Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa da Cruz.
Assinado digitalmente
Eduardo Tadeu Farah - Presidente.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Alberto Mees Stringari, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada).
Nome do relator: Relator
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O fato gerador do ITR é a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, como definido na lei civil, localizado fora da zona urbana do Município (CTN, art. 29). Se assim é, o ITR não incide sobre área rural cujo acesso foi interditado ao seu proprietário ou possuidor por ato do Poder Público tributante, para fins de demarcação de reserva indígena. Hipótese em que não houve a comprovação, nos termos requeridos em diligência fiscal, de que o imóvel rural encontrase incrustado em terra indígena demarcada. BASE DE CÁLCULO. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E ÁREA DE RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO. REQUISITOS. A exclusão das áreas de reserva legal ou de preservação permanente da base de cálculo do ITR reclama o atendimento de requisitos de duas ordens: substanciais e formais. BASE DE CÁLCULO. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E ÁREA DE RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO. APRESENTAÇÃO DE ADA. NECESSIDADE. A partir do exercício de 2001 é indispensável a protocolização do Ato Declaratório Ambiental ADA no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBAMA como condição para exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal da base de cálculo do ITR. A ausência do Ato Declaratório Ambiental, requisito formal necessário à concessão do benefício fiscal, obsta a exclusão de tais áreas da base de cálculo do imposto. RESERVA LEGAL. ISENÇÃO. AVERBAÇÃO. NECESSIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 21 8. 72 00 85 /2 00 7- 39 Fl. 127DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/04/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10218.720085/200739 Acórdão n.º 2201003.025 S2C2T1 Fl. 128 2 Toda a compreensão da tributação territorial rural deve ser feita à luz do princípio da defesa do meio ambiente, sendo certo que o direito tributário, mormente quando consubstanciado em tributos de acentuado caráter extrafiscal, caso do ITR, pode e deve ser utilizado como instrumento de atuação do Estado na economia e na proteção ambiental. A isenção do ITR apresenta inequívoca e louvável finalidade de estímulo à proteção do meio ambiente, tanto no sentido de premiar os proprietários que contam com reserva legal devidamente identificada e conservada, como de incentivar a regularização por parte daqueles que estão em situação irregular. Inexistindo o registro, que tem por escopo a identificação do perímetro da reserva legal, não se pode cogitar de regularidade da área protegida e, por conseguinte, de direito à isenção tributária correspondente. Inteligência daquilo que foi decidido nos Embargos de Divergência nº 1.027.051/SC, julgado em 28/08/2013 pelo STJ. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Carlos César Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa da Cruz. Assinado digitalmente Eduardo Tadeu Farah Presidente. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Alberto Mees Stringari, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada). Relatório Tratase de Notificação de Lançamento relativa ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR por meio da qual se exige crédito tributário no valor de R$ 69.970,94, incluídos multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Consta da “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal”, à fl. 3 deste processo digital, que, após ser regularmente intimado, o contribuinte não comprovou a isenção da área declarada a título de preservação permanente e da área de reserva legal no imóvel rural, motivo pelo qual o Documento de Informação e Apuração do ITR DIAT foi alterado, conforme Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, acostado aos autos à fl. 4. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/04/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10218.720085/200739 Acórdão n.º 2201003.025 S2C2T1 Fl. 129 3 Acrescenta a Autoridade lançadora, ainda, que, após ser regularmente intimado, o contribuinte não comprovou, por meio de laudo de avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.653 da ABNT, o Valor da Terra Nua VTN declarado. Por esta razão, o VTN foi arbitrado tendo como base nas informações do Sistema de Preços da Terra – SIPT da RFB. A impugnação apresentada pelo contribuinte foi julgada improcedente por intermédio do acórdão de fls. 37/45, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2003 DAS ÁREAS DE RESERVA LEGAL E DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. Para serem excluídas do ITR, exigese que essas áreas, informadas na DITR/2003 e glosadas pela autoridade fiscal, sejam objeto de Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolado, em tempo hábil, junto ao IBAMA, além da averbação tempestiva da área de reserva legal. DA ÁREA INDÍGENA. Para gozar da imunidade tributária constitucionalmente prevista, a pretendida área de preservação permanente deveria, também, estar comprovadamente localizada em área indígena, demarcada e formalizada por Decreto Presidencial, até a data do fato gerador do imposto. DO VALOR DA TERRA NUA VTN. Deverá ser mantido o VTN arbitrado para o ITR/2003 pela autoridade fiscal com base no SIPT, por falta de laudo técnico de avaliação com ART, em consonância com a NBR 14.6533 da ABNT, que atingisse fundamentação e grau de precisão II, demonstrando inequivocamente o valor fundiário do imóvel à época do fato gerador do imposto e suas peculiaridades desfavoráveis, que justificassem o valor declarado. Cientificado da decisão de primeira instância em 28/03/2012 (fl. 50), o Interessado interpôs, em 11/04/2012, o recurso de fls. 51/74, acompanhado dos documentos de fls. 75/85. Na peça recursal aduz, em síntese, que: Inexigibilidade de Ato Declaratório Ambiental e inexistência de capacidade contributiva decorrente da limitação legal ao uso da propriedade em razão da reserva legal de 80% na Amazônia Tanto a NL quanto o acórdão recorrido lastrearam o lançamento e sua manutenção na exigência de ADA para exclusão das áreas de reserva legal e de utilização limitada, mas tal exigência afronta direta e abertamente os termos do § 7° e da alínea "a" do inciso II do § 1º do art. 10 da Lei n° 9.393/1996. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/04/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10218.720085/200739 Acórdão n.º 2201003.025 S2C2T1 Fl. 130 4 Por outro lado, a RFB não provou que a declaração do Recorrente não é verdadeira, conforme exige o § 7º para imputarlhe responsabilidade e refutar a sua declaração, pois se limitou a exigir o Ato Declaratório ao arrepio da Lei nº 9.393/1996. O Ato Declaratório Ambiental não é exigível no caso de Reserva Legal, tanto em razão da expressa dispensa pelo § 7º do art. 10 da Lei 9.393/1996, quanto pelo fato de que a alínea “a” não faz referência a qualquer ato administrativo, ao contrário das hipóteses de áreas de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas (alínea “b” do inciso II do § 1º do art. 10) ou comprovadamente imprestáveis, declaradas de interesse ecológico (alínea “c”), para as quais há clara exigência de ato administrativo reconhecendo o interesse ecológico e a imprestabilidade. A introdução do § 7º no art. 10 da Lei nº 9.393/1996 teve apenas o objetivo de esclarecer a inexigibilidade do ato declaratório ambiental prévio para excluirse da tributação pelo ITR as áreas de reserva legal e de preservação permanente, o que já decorria com clareza das alíneas “a” do inciso II do § 1° do art. 10. A expressão utilizada na Lei (caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira), significa: cabe ao fisco provar a falsidade da declaração do contribuinte. O Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26/03/1999, estabelece que “Cabe à autoridade administrativa a prova da inveracidade dos fatos registrados com observância do disposto no artigo anterior” (art. 924). A NL e o acórdão que indeferiu a impugnação tomaram como premissa que a não tributação das áreas de preservação permanente e de utilização limitada seria espécie de isenção, "benefício fiscal", a merecer interpretação literal, quando, em verdade, tratase de hipótese de não incidência, posto presente limitação administrativoambiental de base legal, a qual impede a plena utilização econômica da parcela de 80% dos imóveis rurais incluídos na Amazônia Legal, nos termos do inciso I do art. 16 da Lei n° 4.771/1965 (e parágrafos). Em decorrência, a tributação pelo Estado sobre áreas que a própria legislação estatal impede o proprietário de exercer em plenitude seu domínio, para obtenção de utilidade econômica, sobre ser um absurdo lógico, uma afronta ao senso comum, representa afronta aos princípios constitucionais da capacidade contributiva e da não utilização de tributo com efeito confiscatório. Menciona jurisprudência do STJ sobre a inexigibilidade do ADA e cita manifestações doutrinárias acerca do ônus probatório em processos administrativos. Área indígena Os julgadores da instância de piso incorreram em equívoco ao entender que área indígena só pode ser compreendida como tal após "demarcada, criada e homologada por meio de Decreto Presidencial, em data anterior a do fato gerador do imposto". Desde 06 de novembro de 1991 a FUNAI, nos processos FUNAI/BSB/948/86 e FUNAI/BSB/115/89, com referência à área indígena APYTEREWA, por despacho do Sr. Presidente da FUNAI (DESPACHO nº 39, 06 de dezembro de 1991, publicado no Diário Oficial da União, em 10.12.91), aprovou a delimitação da área indígena e remeteu o processo de demarcação ao Ministério da Justiça (anexo 01). Fl. 130DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/04/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10218.720085/200739 Acórdão n.º 2201003.025 S2C2T1 Fl. 131 5 O Sr. Ministro de Estado de Justiça, através da Portaria nº 267, publicada no Diário Oficial de 29 de maio de 1992, declarou como de posse permanente indígena, para efeito de demarcação, a área indígena APYTEREWA, determinando que a FUNAI promovesse a demarcação e proibindo o ingresso, o trânsito e a permanência de pessoas ou grupos de não índios dentro do perímetro a ser demarcado (anexo 02). O Sr. Ministro da Justiça, através da Portaria nº 1192, de 31 de dezembro de 2001, publicada no Diário Oficial em 04 de janeiro de 2002, considerando que a terra indígena APYTEREWA ficou identificada nos termos do § 1º do art. 231 da Constituição Federal e inciso 1 do art. 17 da Lei 6.001/1973, como sendo tradicionalmente ocupada pelo grupo APYTEREWA, declarou como de posse permanente a área indígena APYTEREWA, com superfície de aproximadamente 773.000 ha (anexo 03). A Portaria 2581, 21 de setembro de 2004, declarou de posse permanente a área de 773.000 ha (anexo 04). Em Decreto de 19 de abril de 2007, o Sr. Presidente da República homologou a demarcação administrativa promovida pela FUNAI da terra destinada à posse permanente do grupo indígena denominado APYTEREWA (anexo 05). Não restam dúvidas de que a área em apreço estava, à época, ocupada por indígenas, sendo, portanto, inalienável e não possível de posse. O imóvel LOTE 54 está situado à margem esquerda do Rio Bacajá, descrito no memorial constante do Decreto de 19 de abril de 2007 que homologou a demarcação (anexo nº 04) e a planta do LOTE 54 (anexo 06). Pedidos Ao final, requer a total procedência do recurso voluntário, face à inexigibilidade do ITR, como também a anulação da cobrança consubstanciada na notificação constante do presente processo. Diligência Por meio da Resolução nº 2801000.310, da extinta 1ª Turma Especial, o julgamento foi convertido em diligência a fim de que o Recorrente comprovasse, exclusivamente com a apresentação de documento fornecido pelo órgão regional da FUNAI no Estado do Pará, em papel timbrado da Fundação, que a área total do imóvel objeto de tributação está inserida nos limites da terra indígena demarcada (Terra Indígena APYTEREWA), devendo constar do documento a identificação do proprietário e a área do imóvel. Após ser intimado (fl. 95), o Interessado se manifestou às fls. 97/99 e juntou aos autos os documentos de fls. 100/110. Em sua manifestação, aduz, em síntese, que: Que não existe, atualmente, órgão regional da FUNAI no Estado do Pará. Que as emissões dos documentos denominados Atestado Administrativo e Declaração de Reconhecimento de Limites, que se referem à localização de imóvel particular em relação a terras indígenas, serão processadas de acordo com as normas estabelecidas na Instrução Normativa FUNAI nº 3, de 20 de abril de 2012. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/04/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10218.720085/200739 Acórdão n.º 2201003.025 S2C2T1 Fl. 132 6 No sentido de comprovar que o imóvel objeto de tributação encontrase localizado na área indígena APYTEREWA, anexa memorial descritivo, cálculo analítico de área, azimutes, lados, coordenadas, UTM e geográficas, bem como levantamento planimétrico, elaborados pela empresa Norte Engenharia. Ao final, requer seja admitida como prova de que o imóvel encontrase situado na área indígena APYTEREWA os documentos elaborados pela empresa Norte Engenharia. Alternativamente, que seja estabelecido novo prazo de 45 dias para o atendimento das normas estabelecidas na IN FUNAI nº 3/2012, porquanto o prazo de 15 dias é insuficiente para tal mister. Nova diligência Tendo em vista que os documentos juntados pelo Interessado não atenderam ao objeto da diligência fiscal, aliado ao fato de que a Instrução Normativa FUNAI nº 3/2012 revelou a existência de um procedimento para emissão de documentos referentes à localização de imóvel rural particular em relação a terras indígenas, cujas regras, aparentemente, não eram possíveis de atendimento no prazo de 15 dias, a extinta 1ª Turma Especial da 2ª Seção de Julgamento entendeu por bem converter novamente o julgamento em diligência (fls. 115/120), a fim de que a DRF de origem intimasse o Interessado a comprovar, no prazo de 45 dias, que o Lote 54 da Fazenda Tucumanzeira, situado à margem esquerda do Rio Pacajá, está localizado na terra indígena demarcada (Terra Indígena APYTEREWA), mediante a apresentação de documento fornecido pela FUNAI, seja pelo órgão central (Brasília), seja pela coordenação regional que jurisdiciona o imóvel do contribuinte no Estado do Pará. Após ser intimado (fls. 122 e 124), o Recorrente não se manifestou. Voto Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Relator Conheço do recurso, porquanto presentes os requisitos de admissibilidade. As folhas citadas neste voto referemse à numeração do processo digital. Imóvel supostamente localizado em área indígena O que importa, preliminarmente, é saber se o imóvel rural do contribuinte (Lote 54 da Fazenda Tucumanzeira) está localizado nos limites da terra indígena demarcada (Terra Indígena APYTEREWA), conforme alegado pelo Recorrente. Isto porque o fato gerador do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR é a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, como definido na lei civil, localizado fora da zona urbana do Município (CTN, art. 29). Se assim é, o ITR não incide, penso eu, sobre área rural cujo acesso foi interditado ao seu proprietário ou possuidor por ato do Poder Público tributante, para fins de demarcação de reserva indígena. Em outras palavras: não ocorre o fato gerador de ITR para imóvel situado em terra indígena demarcada, haja vista que, nestes casos, a propriedade não é mais suscetível à Fl. 132DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/04/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10218.720085/200739 Acórdão n.º 2201003.025 S2C2T1 Fl. 133 7 ocupação, ao domínio ou à posse, por força do disposto no art. 231, § 6º, da Constituição Federal, cujo teor assim soa: DOS ÍNDIOS Art. 231. (...) § 6º São nulos e extintos, não produzindo efeitos jurídicos, os atos que tenham por objeto a ocupação, o domínio e a posse das terras a que se refere este artigo, ou a exploração das riquezas naturais do solo, dos rios e dos lagos nelas existentes, ressalvado relevante interesse público da União, segundo o que dispuser lei complementar, não gerando a nulidade e a extinção direito a indenização ou a ações contra a União, salvo, na forma da lei, quanto às benfeitorias derivadas da ocupação de boa fé. Bem por isso é que o julgamento foi convertido em diligência, por duas vezes (fls. 89/93 e fls. 115/120), a fim de que o Recorrente comprovasse, exclusivamente com a apresentação de documento fornecido pela FUNAI (seja pelo órgão central em Brasília, seja pela coordenação regional que jurisdiciona o imóvel do contribuinte no Estado do Pará), que a área total do imóvel objeto de tributação está inserida nos limites da terra indígena demarcada (Terra Indígena APYTEREWA). Em nenhuma das duas oportunidades o Interessado se desincumbiu do ônus que lhe foi atribuído. Embora tenha apresentado memorial descritivo, cálculo analítico de área, levantamento planimétrico e um desenho com a suposta localização do imóvel, elaborados por empresa privada, (fls. 107/110), não esclareceu a desarmonia entre a sua alegação de que o imóvel LOTE 54 está situado à margem esquerda do Rio Bacajá, conforme descrição constante do Decreto de 19 de abril de 2007, que homologou a demarcação, e o endereço do imóvel em questão constante de sua Declaração do ITR (margem esquerda do Rio Pacajá), de modo que deve ser refutada a alegação de que o imóvel objeto de tributação encontrase incrustado na terra indígena demarcada. Alteração do VTN declarado Registro, por oportuno, que o Recorrente não se insurgiu contra a alteração do VTN declarado, o que evidencia concordância tácita com o valor arbitrado pelo Fisco. Acrescento, ademais, que a possibilidade de modificação do valor arbitrado está condicionada, em regra, à apresentação de elementos de convicção embasados em Laudo Técnico, elaborado de acordo com as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT, laudo este que não foi apresentado pelo Recorrente. Glosa da área de preservação permanente e da área de reserva legal A exclusão das áreas de reserva legal ou de preservação permanente da base de cálculo do ITR reclama, a meu ver, o atendimento de requisitos de duas ordens: requisitos substanciais e requisitos formais. Os requisitos substanciais das áreas de preservação permanente encontravam se elencados nos arts. 2º (APP por efeito da lei) e 3º (APP por ato declaratório) da revogada Lei nº 4.771 (Código Florestal), de 15 de setembro de 1965. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/04/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10218.720085/200739 Acórdão n.º 2201003.025 S2C2T1 Fl. 134 8 Os requisitos substanciais das APP são de dois tipos: aqueles ligados à topografia das florestas (art. 2º) e aqueles ligados à destinação das florestas (art. 3º). Ambos têm a função ambiental de preservar os recursos hídricos, a paisagem, a estabilidade geológica, a biodiversidade, o fluxo gênico de fauna e flora, proteger o solo e assegurar o bemestar das populações humanas. Ilustrativamente, menciono situações de “APP por efeito da lei” em que a presença do requisito substancial (ligado à topografia), por se só, já qualifica a área como de preservação permanente: a) florestas e demais formas de vegetação natural situadas ao redor das lagoas, lagos ou reservatórios d'água naturais ou artificiais (art. 2º, “b”) ou situadas no topo de morros, montes, montanhas e serras (art. 2º, “d”). Exemplificativamente, cito situações de “APP por ato declaratório” em que a presença do requisito substancial (ligado à destinação das florestas), aliada à presença de um requisito formal (declaração por ato do Poder Público), já qualifica a área como de preservação permanente: a) florestas e demais formas de vegetação natural destinadas a fixar dunas (art. 3º, “b”) e destinadas a asilar exemplares da fauna ou flora ameaçados de extinção (art. 3º, “f”). A qualificação advinda do atendimento dos requisitos mencionados, no entanto, não possibilita a exclusão automática das APP da base tributável do ITR, como se verá adiante. Os requisitos substanciais das áreas de reserva legal encontravamse elencados no inciso III do § 2º do art. 1º da revogada Lei nº 4.771/1965 (Código Florestal), de cujo teor se extrai a seguinte dicção: Art. 1º. (...) §2º Para os efeitos deste Código, entendese por: (...) III Reserva Legal: área localizada no interior de uma propriedade ou posse rural, excetuada a de preservação permanente, necessária ao uso sustentável dos recursos naturais, à conservação e reabilitação dos processos ecológicos, à conservação da biodiversidade e ao abrigo e proteção de fauna e flora nativas;(Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) Assim, se uma área se subsume aos ditames do inciso III do § 2º do art. 1º do revogado Código Florestal (localização e destinação), qualificase como área de reserva legal, sob o ponto de vista substancial, sem que, no entanto, possibilite, de forma automática, sua exclusão da base tributável do ITR. A averbação à margem da inscrição da matrícula do imóvel, no registro competente, sempre foi, em meu entendimento, requisito formal necessário para que uma área de reserva legal ARL fosse excluída da base de cálculo do ITR, a teor de uma interpretação conjugada do artigo 10, § 1º, II, “a”, da Lei nº 9.393/1996 e §§ 2º e 8º do art. 16 da revogada Lei nº 4.771/1965, assim descritos: Lei nº 9.393/1996 Fl. 134DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/04/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10218.720085/200739 Acórdão n.º 2201003.025 S2C2T1 Fl. 135 9 Art. 10. (...) § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: (...) II as área tributável, a área total do imóvel, menos áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas naLei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; Lei nº 4.771/1965 Art. 16. (...) §8oA área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código.(Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) Embora a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça – STJ sobre o tema fosse vacilante até pouco tempo atrás, a imprescindibilidade da averbação da ARL, para fins de fruição da isenção prevista no art. 10, § 1º, II, “a”, da Lei nº 9.393/1996, foi confirmada nos Embargos de Divergência nº 1.027.051/SC, julgado em 28/08/2013. O STJ, no referido julgamento, pacificou o entendimento de que a averbação da área de reserva legal é dever que incumbe diretamente ao proprietário do imóvel, não fazendo sentido que este se valha da isenção legal quando em mora com o cumprimento de tal dever. O ITR caracterizase como tributo extrafiscal, que tem por finalidade desestimular a existência de latifúndios improdutivos e de incentivar práticas de uso racional dos recursos naturais e de preservação do meio ambiente. A tributação por esse imposto revestese de mais um instrumento dedicado à fiscalização das atividades potencialmente nocivas ao meio ambiente. Assim, inexistindo o registro, que tem por objetivo a identificação da área destinada à reserva legal, não se pode cogitar de regularidade da área protegida e, consequentemente, de direito à isenção tributária correspondente. Ressalto, ainda, por relevante, que a controvérsia não diz respeito à necessidade, ou não, de prévia comprovação da reserva legal por ocasião da apresentação da declaração do ITR (§ 7º do art. 10 da Lei 9.393/96), mas, sim, à própria caracterização da referida área para os fins tributários almejados. Tal como ocorre com qualquer outro tributo sujeito a lançamento por homologação, o contribuinte jamais junta prova do que pode ser glosado. No imposto de renda, por exemplo, o sujeito passivo que alega ter tido despesas médicas não precisa anexar à declaração de ajuste anual os comprovantes de despesas. Existe uma diferença entre a existência do fato jurígeno e sua prova. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/04/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10218.720085/200739 Acórdão n.º 2201003.025 S2C2T1 Fl. 136 10 Quanto ao Ato Declaratório Ambiental – ADA, o § 1º do art. 17O da Lei nº 6.938/1981, na redação dada pela Lei nº 10.165/2000, espancou qualquer dúvida sobre sua obrigatoriedade para fruição do benefício fiscal, ao eleger tal ato como requisito formal necessário à exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal da base tributável do ITR. Oportuna é a transcrição do dispositivo mencionado: Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria. (Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1oA. A Taxa de Vistoria a que se refere ocaputdeste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA. (Incluído pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1oA utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. (Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) A norma do § 1º poderia ser lida, sem qualquer alteração de seu conteúdo, da seguinte forma: a utilização do ADA, para fins de exclusão das áreas de interesse ambiental da base tributável do ITR, dentre elas as APP e as ARL, é obrigatória. Registro, ademais, que interpretação contrario sensu da Súmula CARF nº 41 permite concluir que, a partir do exercício de 2000, a apresentação do ADA é imprescindível à fruição do benefício fiscal de exclusão da APP e da RL da base tributável do ITR. Confira: Súmula CARF nº 41: A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000. Ora, se a não apresentação do ADA não pode motivar o lançamento de ofício para fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000, por óbvio que, após o referido limite temporal, o lançamento pode ser efetuado em virtude da não apresentação do mencionado documento. No caso concreto, não houve a apresentação de ADA, não houve comprovação de averbação da reserva legal e não houve comprovação da existência de APP (seja por efeito de lei, seja por ato declaratório). Logo, o Recorrente não faz jus à exclusão de APP e de ARL da base tributável do ITR. Face ao exposto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Fl. 136DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/04/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10218.720085/200739 Acórdão n.º 2201003.025 S2C2T1 Fl. 137 11 Fl. 137DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/04/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 13982.000778/99-68
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Nov 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Nov 24 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/1997 a 30/09/1997
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE. ACOLHIMENTO
Demonstrada obscuridade em Acórdão proferido pelo CARF, devem ser acolhidos os embargos para sua correção.
Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/1997 a 30/09/1997
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS OU COOPERATIVAS. TAXA SELIC.
Integra a base de cálculo do crédito presumido de IPI o valor referente ao crédito relativo aos insumos adquiridos de cooperativas e pessoas físicas.
IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS. CONCEITO JURÍDICO. ENERGIA ELÉTRICA. COMBUSTÍVEIS. GÁS P-12.
Só geram direito ao crédito presumido os materiais intermediários que se enquadrem no conceito jurídico de insumo, ou seja, aqueles que se desgastem ou sejam consumidos mediante contato físico direto com o produto em fabricação. Parecer Normativo CST nº 65/79.
IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS NT.
As matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem, aplicados na fabricação de produtos NT, devem ser excluídas da base de cálculo do crédito presumido. Entretanto, os valores relativos às operações de vendas de produtos NT devem integrar não só a receita de exportação, mas também a receita operacional bruta, para fins de apuração do coeficiente de exportação.
Embargos Acolhidos.
Recurso Especial da Fazenda Nacional provido e do Contribuinte Provido em Parte.
Numero da decisão: 9303-004.404
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos Embargos de Declaração da DRF Joaçaba/SC para acolhê-los e provê-los, sem efeitos infringentes, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Andrada Marcio Canuto Natal - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Valcir Gassen, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado) e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/1997 a 30/09/1997 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE. ACOLHIMENTO Demonstrada obscuridade em Acórdão proferido pelo CARF, devem ser acolhidos os embargos para sua correção. Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/1997 a 30/09/1997 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS OU COOPERATIVAS. TAXA SELIC. Integra a base de cálculo do crédito presumido de IPI o valor referente ao crédito relativo aos insumos adquiridos de cooperativas e pessoas físicas. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS. CONCEITO JURÍDICO. ENERGIA ELÉTRICA. COMBUSTÍVEIS. GÁS P-12. Só geram direito ao crédito presumido os materiais intermediários que se enquadrem no conceito jurídico de insumo, ou seja, aqueles que se desgastem ou sejam consumidos mediante contato físico direto com o produto em fabricação. Parecer Normativo CST nº 65/79. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS NT. As matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem, aplicados na fabricação de produtos NT, devem ser excluídas da base de cálculo do crédito presumido. Entretanto, os valores relativos às operações de vendas de produtos NT devem integrar não só a receita de exportação, mas também a receita operacional bruta, para fins de apuração do coeficiente de exportação. Embargos Acolhidos. Recurso Especial da Fazenda Nacional provido e do Contribuinte Provido em Parte.
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OBSCURIDADE. ACOLHIMENTO Demonstrada obscuridade em Acórdão proferido pelo CARF, devem ser acolhidos os embargos para sua correção. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/1997 a 30/09/1997 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS OU COOPERATIVAS. TAXA SELIC. Integra a base de cálculo do crédito presumido de IPI o valor referente ao crédito relativo aos insumos adquiridos de cooperativas e pessoas físicas. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS. CONCEITO JURÍDICO. ENERGIA ELÉTRICA. COMBUSTÍVEIS. GÁS P12. Só geram direito ao crédito presumido os materiais intermediários que se enquadrem no conceito jurídico de insumo, ou seja, aqueles que se desgastem ou sejam consumidos mediante contato físico direto com o produto em fabricação. Parecer Normativo CST nº 65/79. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS NT. As matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, aplicados na fabricação de produtos NT, devem ser excluídas da base de cálculo do crédito presumido. Entretanto, os valores relativos às operações de vendas de produtos NT devem integrar não só a receita de exportação, mas também a receita operacional bruta, para fins de apuração do coeficiente de exportação. Embargos Acolhidos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 2. 00 07 78 /9 9- 68 Fl. 1521DF CARF MF Processo nº 13982.000778/9968 Acórdão n.º 9303004.404 CSRFT3 Fl. 3 2 Recurso Especial da Fazenda Nacional provido e do Contribuinte Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos Embargos de Declaração da DRF Joaçaba/SC para acolhêlos e provêlos, sem efeitos infringentes, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Andrada Marcio Canuto Natal Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Valcir Gassen, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado) e Vanessa Marini Cecconello. Fl. 1522DF CARF MF Processo nº 13982.000778/9968 Acórdão n.º 9303004.404 CSRFT3 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Despacho da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joaçaba DRF/JOA, fls. 1.506/1507 do eprocesso, recebidos como Embargos de Declaração tempestivamente interpostos contra o Acórdão nº CSRF/0202.866, de 28/1/2008, fls. 1.473/1.493 do eprocesso. Os Embargos fundamentamse no art. 66 do Regimento Interno do CARF e no entendimento de que a interpretação do acórdão não seria inequívoca, o que teria acarretado dificuldades na sua execução. Por meio do Despacho de Admissibilidade de Embargos de Declaração, de 3/8/2016, fls. 1.518/1.520, o Presidente da CSRF, além de receber o despacho como Embargos de Declaração, admitiu seu seguimento para a 3ª Turma da CSRF, para saneamento das obscuridades apontadas. É o relatório. Fl. 1523DF CARF MF Processo nº 13982.000778/9968 Acórdão n.º 9303004.404 CSRFT3 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Relator O Despacho de folhas 1.506/1507 do eprocesso atende aos requisitos de tempestividade, representatividade e admissibilidade, previstos no art. 65, caput e §§ 1º, inciso V, e 7º, do atual Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9/6/2015, para ser recebido como Embargos de Declaração. A ementa do acórdão embargado é a seguinte: "Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/07/1997 a 30/09/1997 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS OU COOPERATIVAS. TAXA SELIC. Integra a base de cálculo do crédito presumido de IPI o valor referente ao crédito relativo aos insumos adquiridos de cooperativas e pessoas físicas. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS. CONCEITO JURÍDICO. ENERGIA ELÉTRICA. COMBUSTÍVEIS. GÁS P 12. Só geram direito ao crédito presumido os materiais intermediários que se enquadrem no conceito jurídico de insumo, ou seja, aqueles que se desgastem ou sejam consumidos mediante contato físico direto com o produto em fabricação. Parecer Normativo CST nº 65/79. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS NT. As matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, aplicados na fabricação de produtos NT, devem ser excluídas da base de cálculo do crédito presumido. Entretanto, os valores relativos às operações de vendas de produtos NT devem integrar não só a receita de exportação, mas também a receita operacional bruta, para fins de apuração do coeficiente de exportação. Recurso do Procurador provido e do Contribuinte provido em parte. A parte dispositiva do Acórdão assim dispôs: 'ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais: 1) por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso da Fazenda para excluir as aquisições de gás p12; 2) por maioria de votos, DAR provimento para excluir as receitas de exportação de produtos NT. Vencidos Fl. 1524DF CARF MF Processo nº 13982.000778/9968 Acórdão n.º 9303004.404 CSRFT3 Fl. 6 5 Fabiola Cassiano Keramidas (Substituta convocada), Leonardo Siade Manzan; 3) no que tange ao recurso do contribuinte, NÃO CONHECER do recurso quanto à aquisição de produtos para tratamento de água; 4) por maioria de votos DAR provimento ao recurso quanto à matéria "aquisições de nãocontribuintes". Vencidos o Conselheiros Antonio Carlos Atulim (Relator), Josefa Maria Coelho Marques, Emanuel Carlos Dantas de Assis (Substituto convocado), Henrique Pinheiro Torres e Elias Sampaio Freire. Designado para redigir o voto vencedor, nesta parte, o Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes; 5) por unanimidade de votos, NEGAR provimento quanto á matéria "ENERGIA ELÉTRICA e COMBUSTÍVEIS."' A obscuridade apontada pela embargante decorre de ter constado na ementa que "As matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, aplicados na fabricação de produtos NT, devem ser excluídas da base de cálculo do crédito presumido", entretanto "os valores relativos ás operações de vendas de produtos NT devem integrar não só a receita de exportação, mas também a receita operacional bruta, para fins de apuração do coeficiente de exportação", enquanto, na parte dispositiva, constou que a turma acordou "por maioria de votos, DAR provimento para excluir as receitas de exportação de produtos NT". Tal obscuridade diz respeito às matérias que foram objeto do Recurso Especial da Fazenda Nacional, assim resumidas no relatório do acórdão embargado: (...) O recurso da Procuradoria da Fazenda Nacional foi baseado no art. 32, I, do antigo Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes e referese ao item III acima, ou seja, à inclusão de produtos NT e do gás P12 no cálculo do crédito presumido. Alegou a recorrente que o art. 1º da Lei nº 9.363/96 estabelece que para a fruição do credito presumido é necessário o preenchimento simultâneo de dois requisitos, a saber: ser produtor e ser exportador. Além disso, o art. 3º da Lei nº 9.363/96 estabelece que os conceitos de produção, matériaprima, produto intermediário e material de embalagem devem ser buscados na legislação do IPI. Segundo o art. 3º da Lei nº 4.502/64 e o art. 1º da Lei nº 9.493/97, os estabelecimentos que produzem produtos classificados na Tabela de Incidência do IPI como não tributados (NT) não são considerados estabelecimentos produtores pelas leis que dispõem sobre o IPI. Portanto, tais estabelecimentos quando produzem produtos NT não preenchem de forma simultânea os requisitos de serem produtores e exportadores. Por tal razão não fazem jus ao crédito presumido de IPI, relativamente aos produtos NT. No tocante à questão dos combustíveis, alegou que sendo utilizados como fonte de energia calorífica ou força motriz não satisfazem as condições previstas no art. 82, I do Regulamento e no Parecer Normativo CST nº 65/79. Na diligência a fiscalização deixou bem claro que o gás P12 é usado como combustível, restando evidente que não se inclui entre os produtos intermediários. Requereu o acolhimento de suas razões para o fim de que seja reformado o acórdão recorrido. (...) A alegação da Fazenda Nacional foi: os estabelecimentos que produzem produtos classificados como NT na TIPI não são estabelecimentos produtores, logo, não são, simultaneamente, produtores e exportadores, motivo pelo qual não fazem jus ao crédito presumido de IPI em relação aos produtos NT. Fl. 1525DF CARF MF Processo nº 13982.000778/9968 Acórdão n.º 9303004.404 CSRFT3 Fl. 7 6 No voto vencedor em relação a esta matéria, o Ilustre Conselheiro Antônio Carlos Atulim pronunciouse conforme segue: (...) Dos produtos NT. Relativamente à questão dos produtos não tributados pelo IPI, é preciso distinguir entre dois momentos: 1) o cálculo do coeficiente de exportação e; 2) a apuração da base de cálculo do crédito presumido. Os arts. 2º e 3º da Lei nº 9.363/96, assim estabelecem, respectivamente: Art. 2º. A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador." Art. 3º Para os efeitos desta Lei, a apuração do montante da receita operacional bruta, da receita de exportação e do valor das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem será efetuada nos termos das normas que regem a incidência das contribuições referidas no art. 1º, tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor exportador. Parágrafo único. Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem. Conforme se verifica na lei, os valores das operações relativas a produtos NT não podem ser excluídos nem do cálculo da receita de exportação e nem do valor da receita operacional bruta, porque o art. 3º da Lei nº 9.363/96 determina que esses conceitos devem ser buscados na legislação que rege a exigência das contribuições ao PIS/Cofins e na legislação do imposto de renda. [Estes e os seguintes grifos são meus.] Considerando a inexistência de previsão na legislação do PIS/Cofins e do imposto de renda no sentido de excluir da receita de exportação ou da receita operacional bruta as vendas para o exterior de produtos classificados na Tabela de Incidência do IPI como NT, claro está que tais receitas devem participar da apuração do coeficiente de exportação. Em outras palavras: a receita de exportação de produtos NT deve integrar o cálculo do coeficiente de exportação, devendo ser incluída tanto no dividendo quanto no divisor da operação aritmética que da origem ao referido coeficiente. Por outro lado, os insumos aplicados na industrialização de produtos NT não geram crédito presumido porque o estabelecimento que fabrica produtos NT Fl. 1526DF CARF MF Processo nº 13982.000778/9968 Acórdão n.º 9303004.404 CSRFT3 Fl. 8 7 não é considerado estabelecimento "produtor" à luz do art. 3º da Lei nº 4.502/64, in verbis: Art. 32 Considerase estabelecimento produtor todo aquêle que industrializar produtos sujeitos ao impôsto. Tendo em vista que o art. 3º, parágrafo único, da Lei nº 9.363/96 determina que o conceito de produção deve ser o previsto na legislação do IPI, é óbvio que o estabelecimento industrial que fabrique produtos NT não pode ser considerado estabelecimento produtor em relação a estes produtos. Reforça esta conclusão o fato de o art. 4º da Lei nº 9.363/96 só permitir o ressarcimento do crédito presumido nos casos em que não seja possível seu aproveitamento na escrita fiscal do IPI. Isto porque a primeira utilização do crédito presumido é justamente na escrita fiscal do imposto. E só possuem escrita fiscal do IPI os estabelecimentos que industrializem produtos sujeitos ao imposto, ou seja, estabelecimentos industrializadores de produtos que estejam no seu campo de incidência, o que não ocorre com os produtos NT. Se não é estabelecimento produtor à luz da legislação do IPI, não preenche o requisito de ser cumulativamente produtor e exportador, previsto no art. 1º da Lei nº 9.363/96 e, portanto, não tem direito ao crédito presumido de IPI em relação à fabricação e exportação de produtos NT. Esta interpretação sistemática afasta a possibilidade de interpretar literalmente a expressão "mercadorias nacionais" existente no art. 1º da Lei nº 9.363/96, como suscitado pelo contribuinte nas contrarazões. (...) Destes excertos, concluise que o pronunciamento do Conselheiro Relator, acompanhado pela maioria da Turma, foi no sentido de que: 1) A receita de exportação de produtos NT deve integrar o cálculo do coeficiente de exportação, devendo ser incluída tanto no dividendo, como receita de exportação, quanto no divisor, como receita operacional bruta, da operação aritmética que dá origem ao referido coeficiente. 2) Os insumos aplicados na produção de produtos NT não geram crédito presumido. Diante destas conclusões, verificase que a ementa contemplou o que foi decidido em relação a esta matéria, porém, a parte dispositiva não. Esta última, que apenas disse que foi dado provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional para excluir as receitas de exportação de produtos NT, deve ser corrigida, conforme segue: Onde se lê: "ACORDAM os Membros ... 2) por maioria de votos, DAR provimento para excluir as receitas de exportação de produtos NT". Vencidos ...", passa a constar: ACORDAM os Membros ... 2) por maioria de votos, DAR provimento para excluir da base de cálculo do crédito presumido os gastos com aquisições de matériasprimas, Fl. 1527DF CARF MF Processo nº 13982.000778/9968 Acórdão n.º 9303004.404 CSRFT3 Fl. 9 8 produtos intermediários e materiais de embalagem aplicados na produção de produtos NT, e incluir no cálculo do coeficiente, tanto no dividendo quanto no divisor, a receita de exportação de produtos NT. Vencidos ... Conclusão. Por todo exposto, voto por conhecer e acolher os Embargos de Declaração interpostos pela DRF/JOA, para sanear a obscuridade apontada nos termos deste voto. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 1528DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10510.722945/2015-74
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/1999 a 31/05/2007
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14, DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9202-004.662
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14, DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 72 29 45 /2 01 5- 74 Fl. 503DF CARF MF Processo nº 10510.722945/201574 Acórdão n.º 9202004.662 CSRFT2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10660.722287/201173. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14, de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo ofereceu contrarrazões, pugnando pela negativa de provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.650, de 12/12/2016, proferido no julgamento do processo 10660.722287/201173, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.650): O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Fl. 504DF CARF MF Processo nº 10510.722945/201574 Acórdão n.º 9202004.662 CSRFT2 Fl. 4 3 Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De início, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime, pacificou o entendimento de que, na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61, da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdãonº9202004.262, de 23/06/2016, cuja ementa a seguir se transcreve: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 505DF CARF MF Processo nº 10510.722945/201574 Acórdão n.º 9202004.662 CSRFT2 Fl. 5 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, é necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o parágrafo anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106, do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA, somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP, não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que, na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991, correspondente aos 75% previstos no art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º doart. 32, da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pelaMP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas noart. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingido pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime, proferido no Acórdãonº9202004.499, de 29/09/2016: Fl. 506DF CARF MF Processo nº 10510.722945/201574 Acórdão n.º 9202004.662 CSRFT2 Fl. 6 5 Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Fl. 507DF CARF MF Processo nº 10510.722945/201574 Acórdão n.º 9202004.662 CSRFT2 Fl. 7 6 § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há Fl. 508DF CARF MF Processo nº 10510.722945/201574 Acórdão n.º 9202004.662 CSRFT2 Fl. 8 7 que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 509DF CARF MF Processo nº 10510.722945/201574 Acórdão n.º 9202004.662 CSRFT2 Fl. 9 8 Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Nesse passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 510DF CARF MF Processo nº 10510.722945/201574 Acórdão n.º 9202004.662 CSRFT2 Fl. 10 9 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 511DF CARF MF Processo nº 10510.722945/201574 Acórdão n.º 9202004.662 CSRFT2 Fl. 11 10 Em face ao exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, doulhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. Em face do acima exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 512DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.901397/2014-76
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Oct 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2012
NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA.
A existência de despacho decisório contendo motivação clara, explícita e congruente, desautoriza a alegação de cerceamento de defesa.
BASE DE CÁLCULO. ICMS. EXCLUSÃO.
O valor do ICMS devido pela própria contribuinte integra a base de cálculo da COFINS.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-003.332
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2012 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. A existência de despacho decisório contendo motivação clara, explícita e congruente, desautoriza a alegação de cerceamento de defesa. BASE DE CÁLCULO. ICMS. EXCLUSÃO. O valor do ICMS devido pela própria contribuinte integra a base de cálculo da COFINS. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
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Inclusão do ICMS na base de cálculo. Recorrente AÇOVIA INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE ESTRUTURAS METÁLICAS E PRÉMOLDADOS DE CONCRETO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2012 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. A existência de despacho decisório contendo motivação clara, explícita e congruente, desautoriza a alegação de cerceamento de defesa. BASE DE CÁLCULO. ICMS. EXCLUSÃO. O valor do ICMS devido pela própria contribuinte integra a base de cálculo da COFINS. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de pedido eletrônico de restituição da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, cumulado com declaração de compensação, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 13 97 /2 01 4- 76 Fl. 51DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MANUELLA BEATRIZ SANTOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13888.901397/201476 Acórdão n.º 3402003.332 S3C4T2 Fl. 3 2 denegado em tempo hábil por meio de despacho decisório eletrônico, sob o fundamento de que o DARF representativo do pagamento indevido estava inteiramente alocado para a quitação de débitos anteriormente declarados pelo contribuinte. Em tempo hábil, foi apresentada manifestação de inconformidade na qual a defesa alegou, em síntese, que houve nulidade por cerceamento do direito de defesa e que o crédito do contribuinte decorre de pagamento indevido, em razão de ter sido incluído o ICMS na base de cálculo da contribuição. Afirmou que o ICMS é mero ingresso que não pode ser incluído no conceito de faturamento. Invocou o precedente consubstanciado no RE 240.785 do STF e informou que os artigos 73 e 74 da Lei nº 9.430/96 garantem seu direito de compensar o indébito apurado. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento rejeitou a preliminar de nulidade e, no mérito, decidiu o seguinte: a) o valor do DARF está inteiramente alocado para pagamento de débitos informados pelo próprio contribuinte; b) a lei apenas permite a exclusão da base de cálculo da contribuição do ICMS recolhido na condição de substituto tributário e da receita proveniente da alienação onerosa de créditos do ICMS; e c) o valor dos débitos declarados para compensação é de magnitude superior ao valor do único DARF vinculado a essas compensações. Regularmente notificado do Acórdão de primeira instância, o contribuinte apresentou em tempo hábil recurso voluntário a este Colegiado, alegando, em síntese, o seguinte: a) nulidade por cerceamento de defesa porque o despacho decisório não diz as razões pelas quais o contribuinte não tem o crédito que alega possuir. Essa omissão impediu o contribuinte de exercer a plena demonstração de seu crédito, pois não há como argumentar contra uma decisão que se mostra lacônica; b) a base de cálculo da contribuição sempre foi o faturamento e com o advento da Lei nº 10.833/2003 houve uma ampliação, passando a base de cálculo a abranger a totalidade das receitas auferidas pelo contribuinte. Entretanto, o valor do ICMS não pode ser considerado como receita do contribuinte, sob pena de violação do art. 110 do CTN, pois a lei não pode considerar receita o que não é receita. O ICMS representa para o contribuinte mero ingresso, pois o valor é posteriormente destinado ao fisco estadual. Tal interpretação foi cristalizada em caráter definitivo no RE 240.7852, que deve ser aplicado ao caso concreto. Reafirmou a existência do indébito e seu direito de compensálo com base nos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430/96. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402003.317, de 28 de setembro de 2016, proferido no julgamento do processo 10865.904904/201231, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402003.317): Fl. 52DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MANUELLA BEATRIZ SANTOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13888.901397/201476 Acórdão n.º 3402003.332 S3C4T2 Fl. 4 3 "O recurso preenche os requisitos formais para sua admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Relativamente à preliminar de nulidade, não assiste razão à defesa. Isso porque, ao contrário do alegado, o despacho decisório declinou com todas as letras o motivo pelo qual a Administração Tributária denegou o pleito do contribuinte e não homologou as compensações declaradas. O Despacho Decisório apresenta a seguinte motivação: "(...) A partir das características do DARF discriminado no PER/DECOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo disponível para compensação dos débitos informados no PER/DECOMP. (...)" No mesmo despacho encontramse perfeitamente identificados o número do PER/DECOMP, o número do DARF e o valor relativo ao suposto pagamento indevido. O texto acima transcrito revela que a compensação não foi homologada porque o valor do DARF está inteiramente alocado para o pagamento de débitos declarados pelo próprio contribuinte. Em outras palavras: o contribuinte não possui o crédito alegado no PER/DECOMP porque o valor já foi utilizado para extinguir débitos por ele próprio declarados. Portanto, o despacho decisório não foi lacônico, uma vez que declinou expressamente o motivo da não homologação da compensação: o contribuinte não tem o crédito alegado. Essa fundamentação está explícita de forma clara, precisa e congruente com a decisão de não homologar a compensação, o que atende às exigências do art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784/99. Sendo assim, é improcedente a alegação de nulidade, pois o contribuinte não teve seu direito ao contraditório e à ampla defesa cerceados, mesmo porque a apresentação de impugnação e de recurso voluntário, deduzindo argumentos no sentido de demonstrar a existência jurídica do indébito desautorizam a invocação dessa preliminar. No mérito, deflui dos autos que o contribuinte apurou e recolheu a contribuição incluindo o ICMS na sua base de cálculo e agora comparece perante a Administração Tributária alegando que o recolhimento foi efetuado em montante superior ao devido porque a inclusão do ICMS no faturamento ou na receita é inconstitucional. O recolhimento efetuado pelo contribuinte, incluindo o ICMS na base de cálculo da contribuição, está calcado em entendimento sedimentado desde tempos imemoriais na seara tributária. Tal entendimento tem respaldo legal no art. 12 do DecretoLei nº 1.598/77 e na Instrução Normativa nº 51, de 03/11/1978, que a regulamentou. Fl. 53DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MANUELLA BEATRIZ SANTOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13888.901397/201476 Acórdão n.º 3402003.332 S3C4T2 Fl. 5 4 O art. 12 do DecretoLei nº 1.598/77, na redação vigente na época do fato gerador relativo ao pagamento tido como indevido, estabelecia o seguinte: "Art 12 A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria e o preço dos serviços prestados. § 1º A receita líquida de vendas e serviços será a receita bruta diminuída das vendas canceladas, dos descontos concedidos incondicionalmente e dos impostos incidentes sobre vendas. (...)" (Fonte da transcrição: http://www.planalto.gov.br/ ccivil_03/decretolei/ del1598.htm) Já o item 4 da IN SRF nº 51/78, estabelece o seguinte: 4. A receita líquida de vendas e serviços é a receita bruta da vendas e serviços, diminuídas (a) das vendas canceladas, (b) dos descontos e abatimentos concedidos incondicionalmente e (c) dos impostos incidentes sobre as vendas. (...) 4.3 Para os efeitos desta Instrução Normativa reputamse incidentes sobre as vendas os impostos que guardam proporcionalmente (sic) com o preço da venda ou dos serviços, mesmo que o respectivo montante integra (sic) a base de cálculo, tais como o imposto de circulação de mercadorias, o imposto sobre serviços de qualquer natureza, o imposto de exportação, o imposto único sobre energia elétrica, o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes etc. 4.3.1 Incluemse também neste item: a) taxas que guardam proporcionalidade com o preço de venda; b) a parcela de contribuição para o Programa de integração Social calculada sobre o faturamento; c) a quota de contribuição, ou retenção cambial, devida na exportação. (Fonte da transcrição: http://sijut.fazenda.gov.br/netahtml/ sijut/Pesquisa.htm) Portanto, o recolhimento efetuado pelo contribuinte está em conformidade com a legislação vigente e com entendimento sedimentado há anos na seara tributária, uma vez que o valor do ICMS integra o preço da mercadoria, sendo tal valor deduzido contabilmente como despesa operacional. O contribuinte alega, em síntese, a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição porque o imposto estadual não se enquadra no conceito de faturamento ou mesmo no de receita estabelecido pela constituição. Ao contrário do alegado pelo contribuinte, tal argumento não pode ser acatado pelos órgãos administrativos de julgamento, pois o art. 26A do Fl. 54DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MANUELLA BEATRIZ SANTOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13888.901397/201476 Acórdão n.º 3402003.332 S3C4T2 Fl. 6 5 Decreto nº 70.235/72 proíbe este colegiado de negar vigência a texto legal com hierarquia superior a Decreto, em razão de arguição de inconstitucionalidade, in verbis: "Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (...) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal;(...)" O contribuinte invoca a seu favor o acórdão do STF proferido no RE 240.7852. Entretanto, esse recurso extraordinário ainda não foi definitivamente julgado, não se enquadrando no disposto no § 6º, I, acima transcrito, e nem nas disposições do Decreto nº 2.346/97, para que o entendimento possa ser estendido administrativamente a outros casos concretos. Não se olvide que essa questão é objeto do Tema 69 dos recursos submetidos à sistemática da repercussão geral no STF e será decidida no RE nº 574.706. Acrescentese que a Súmula CARF nº 2 estabelece que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária. Considerando que os recolhimentos efetuados pelo contribuinte, com a inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS, estão conformes à legislação vigente, voto no sentido de negar provimento ao recurso." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 55DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MANUELLA BEATRIZ SANTOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 10711.722862/2011-95
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Oct 21 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 16/10/2008
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INOBSERVÂNCIA AO PRAZO ESTABELECIDO PREVISTO EM NORMA. AUSÊNCIA DE PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO.
É obrigação do contribuinte prestar informações sobre a desconsolidação de carga dentro dos prazos previstos no artigo 22 c/c o artigo 50 da IN SRF nº 800/2007, sob pena de sujeitar-se à aplicação da multa prevista no artigo 107, inciso I, IV, alínea "e", do Decreto-Lei nº 37/66.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-003.471
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araujo.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 16/10/2008 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INOBSERVÂNCIA AO PRAZO ESTABELECIDO PREVISTO EM NORMA. AUSÊNCIA DE PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO. É obrigação do contribuinte prestar informações sobre a desconsolidação de carga dentro dos prazos previstos no artigo 22 c/c o artigo 50 da IN SRF nº 800/2007, sob pena de sujeitar-se à aplicação da multa prevista no artigo 107, inciso I, IV, alínea "e", do Decreto-Lei nº 37/66. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araujo.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 16/10/2008 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INOBSERVÂNCIA AO PRAZO ESTABELECIDO PREVISTO EM NORMA. AUSÊNCIA DE PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO. É obrigação do contribuinte prestar informações sobre a desconsolidação de carga dentro dos prazos previstos no artigo 22 c/c o artigo 50 da IN SRF nº 800/2007, sob pena de sujeitarse à aplicação da multa prevista no artigo 107, inciso I, IV, alínea "e", do DecretoLei nº 37/66. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araujo. Relatório Por bem retratar a realidade dos fatos, adoto e transcrevo, no que for relevante, o relatório da decisão de piso proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 1. 72 28 62 /2 01 1- 95 Fl. 101DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10711.722862/201195 Acórdão n.º 3302003.471 S3C3T2 Fl. 3 2 O presente processo é referente à exigência de multa pelo descumprimento da obrigação de prestar informação sobre veículo, operação realizada ou carga transportada, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. O lançamento, que totalizou R$ 5.000,00 à época de sua formalização, foi contestado pela empresa autuada. Da Autuação Antes de adentrar na descrição dos fatos que ensejaram a autuação, a autoridade lançadora fez longa explanação acerca do comércio marítimo internacional, na qual esclarece quem são os intervenientes nessa atividade, a documentação utilizada, as informações a serem prestadas e seus respectivos prazos e a sistemática de utilização delas. Foram apresentados tópicos específicos sobre a obrigatoriedade de prestar informação pelo transportador e sobre a importância, para o controle aduaneiro, de os dados exigidos serem prestados correta e tempestivamente. A fiscalização expôs detalhadamente quais as informações que devem ser prestadas e os respectivos prazos estabelecidos na legislação regente. Em seguida apresentou dispositivo legal que trata da denúncia espontânea esclarecendo que, depois de formalizada a entrada do veículo procedente do exterior, esse instituto não é mais aplicável para infrações imputadas ao transportador, por força de expressa disposição do Regulamento Aduaneiro (art. 683, § 3°). Foi também comentado sobre os danos causados ao controle aduaneiro pelo descumprimento das normas referentes à prestação de informações pelos intervenientes no transporte internacional de cargas. Na sequência, a fiscalização discorreu sobre o tipo de infração verificada, inclusive no tocante a sua penalização. Depois, passou a demonstrar a irregularidade apurada que, de acordo com o relatado no tópico Dos Fatos, consistiu na prestação de informação intempestiva referente ao conhecimento eletrônico (CE) ali identificado. De acordo com a autoridade fiscal, a autuada deixou de atender ao prazo estabelecido no parágrafo único, inciso II, do art. 50 da Instrução Normativa RFB n° 800, de 27/12/2007. Assim, a fiscalização considerou caracterizada a infração tipificada no art. 107, IV, "e", do DecretoLei n° 37/1966, com redação dada pela Lei n° 10.833/2003, e aplicou a multa ali prescrita, que entende ser cabível para cada CE incluído ou retificado após o prazo para prestar informações. Da Impugnação O sujeito passivo foi cientificado da exação e, apresentou impugnação na qual aduz os seguintes argumentos. Inobservância do art. 50 da IN RFB 800/2007. Conforme disposto no caput do art. 50 da IN RFB n° 800/2007, os prazos de antecedência para prestação de informações a Receita Federal entraram em vigor apenas em 1° de abril de 2009, estando a impugnante dispensada de tal obrigação por ocasião do fato que deu ensejo ao Auto de Infração. Tratandose de dispensa do cumprimento de obrigação acessória, a lei tributaria deve ser interpretada literalmente, consoante dispõe o art. 111 do Código Tributário Nacional. Duplicidade de multa para o mesmo navio/viagem. O Auto de Infração tem objeto idêntico ao dos processos indicados, em que também é exigida multa pelo atraso na entrega de informação referente a carga transportada na mesma Fl. 102DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10711.722862/201195 Acórdão n.º 3302003.471 S3C3T2 Fl. 4 3 embarcação a que se refere este processo, não podendo subsistir mais de uma penalidade para o mesmo fato, conforme estabelece a legislação de regência. Assim, se infração houve, nesses casos só poderia ser aplicada multa uma única vez, consoante já decidiu a própria Receita Federal na Solução de Consulta Interna (SCI) n° 8, de 14/2/2008. Ao final a impugnante requer que seja cancelado o lançamento. A Turma Julgadora "a quo", por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação apresentada pela Recorrente, mantendo integralmente o crédito constituído. Inconformada com o resultado do julgamento, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário, reproduzindo os mesmos argumentos apresentados em sede de impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.395, de 28 de setembro de 2016, proferido no julgamento do processo 10711.006561/201030, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.395): 1. Tempestividade O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. 2. Preliminar 2.1 Duplicidade: Cobrança de múltiplas multas decorrente do mesmo fato gerador Em síntese apartada, alega a Recorrente que" O Auto de Infração tem objeto idêntico ao dos processos indicados em seu recurso voluntário, em que também é exigida multa pelo atraso na entrega de informação referente a carga transportada na mesma embarcação a que se refere este processo, não podendo subsistir mais de uma penalidade para o mesmo fato, conforme estabelece a legislação de regência. Assim, se infração houve, nesses casos só poderia ser aplicada multa uma única vez, consoante já decidiu a própria Receita Federal na Solução de Consulta Interna (SCI) n° 8, de 14/2/20081." 1 Trecho destacada no voto: Ora, o transportador que deixou de informar os dados de embarque de uma declaração de exportação e o que deixou de informar os dados de embarque sobre todas as declarações de exportação cometeram a mesma infração, ou seja, deixaram de cumpri a obrigação acessória de informar os dados de embarque. Nestes termos, a multa deve ser aplicada uma única vez por veículo transportador, pela omissão de não prestar as informações exigidas na forma e no prazo estipulados. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10711.722862/201195 Acórdão n.º 3302003.471 S3C3T2 Fl. 5 4 Em relação ao primeiro ponto suscitado pela Recorrente, na parte em que ela afirma ser impossível existir mais de uma penalidade para o mesmo fato, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento decidiu da seguinte forma: "No caso sob análise não houve uma infração. Examinandose as ocorrências citadas pela fiscalização, verificase que as multas aplicadas foram decorrentes de condutas similares, porém, relativas a fatos distintos. Sendo assim, não se pode afirmar sequer que as infrações são idênticas, uma vez que são diferente seus objetos materiais." Já em relação ao segundo ponto (aplicação da solução de consulta interna Cosit nº 8/2008), a fiscalização justificou seu afastamento com base nos seguintes argumentos. "Todavia, esse entendimento não é aplicável ao caso sob exame. As informações cujos atrasos na prestação deram ensejo ao lançamento são referentes a importação de mercadorias, enquanto a citada decisão soluciona consulta relativa à exportação. Cada um desses tipos de operações envolve peculiaridades próprias, especialmente no tocante ao controle administrativo, as quais se refletem na legislação regente e não podem ser desprezadas. O caso ora apreciado diz respeito à importação de cargas consolidadas, as quais são acobertadas por documentação própria, cujos dados devem ser informados de forma individualizada para a geração dos correspondentes conhecimentos eletrônicos (CE). Esses registros devem representar fielmente as correspondentes mercadorias, a fim de possibilitar à Aduana definir previamente o tratamento a ser adotado a cada caso, de forma a racionalizar procedimentos e agilizar o despacho aduaneiro. Nesses casos, não é viável estender a conclusão trazida na citada SCI, conforme se passa a demonstrar. Pois bem. Em que pese os argumentos explicitados pela Recorrente, fato é que não houve comprovação da existência de duplicidade de cobrança por parte da fiscalização, tampouco argumentos capazes de infirmar o lançamento fiscal ou contradizer os argumentos utilizados pela turma de origem que afirmou " que as multas aplicadas foram decorrentes de condutas similares, porém, relativas a fatos distintos". Sequer um demonstrativo analítico, com os registros relativos as operações tratadas em cada processo apontado no recurso foram produzidas pela Recorrente, em total desrespeito ao artigo 16, inciso III e §4º, do inciso V , do Decreto nº 70.235/72, bem como do artigo 373, inciso II, do Código de Processo Civil. Nestes termos, considerando que a Recorrente deixou inexplicavelmente de comprovar suas alegações, não há como acolher o pedido de nulidade do lançamento suscitado pela contribuinte, restando, assim, prejudicado a análise dos demais argumentos por ela suscitado. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10711.722862/201195 Acórdão n.º 3302003.471 S3C3T2 Fl. 6 5 3. Mérito 3.1. Ilegalidade do Auto de Infração O presente processo administrativo diz respeito a exigência de multa regulamentar pela não prestação de informação sobre veículo ou carga transportada, ou sobre operações que executar, prevista no artigo 107, inciso IV, alínea "e", do DecretoLei º 37/66, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei nº 10.833/2003, pelo fato da Recorrente ter prestado informações sobre a desconsolidação da carga fora do preceitos e prazos previstos nos artigo 22 e 50, da Instrução Normativa SRF nº 800/2007. Em sede Recursal a Recorrente alegou que "Conforme disposto no caput do art. 50 da IN RFB n° 800/2007, os prazos de antecedência para prestação de informações a Receita Federal entraram em vigor apenas em 1° de abril de 2009, estando a impugnante dispensada de tal obrigação por ocasião do fato que deu ensejo ao Auto de Infração. Tratandose de dispensa do cumprimento de obrigação acessória, a lei tributaria deve ser interpretada literalmente, consoante dispõe o art. 111 do Código Tributário Nacional". Como se vê, a multa sob análise foi aplicada com fundamento no artigo 107, inciso IV, alínea "e", do DecretoLei º 37/66, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei nº 10.833/2003, que assim disciplina: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaa porta, ou ao agente de carga; Do que se extrai do artigo 77 alhures, é que sua finalidade visa penalizar os contribuintes que descumprirem as obrigações acessórias, na forma e nos prazos instituídos pelo legislador e/ou pela Receita Federal, com aplicação de multa. Além disso, a obrigação do agente de carga de prestar as informações à Receita Federal do Brasil está prevista no artigo 37, §1º, do DecretoLei nº 37/66, com a redação dada pelo artigo 77, da Lei nº 10.833/2003, a saber: Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) Fl. 105DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10711.722862/201195 Acórdão n.º 3302003.471 S3C3T2 Fl. 7 6 § 1o O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) Já no que tange ao prazo e forma para prestar informações à fiscalização, os artigo 22 e 50, da Instrução Normativa SRF nº 800/2007, assim dispõem: Art. 22. São os seguintes os prazos mínimos para a prestação das informações à RFB: I as relativas ao veículo e suas escalas, cinco dias antes da chegada da embarcação no porto; e II as correspondentes ao manifesto e seus CE, bem como para toda associação de CE a manifesto e de manifesto a escala: a) dezoito horas antes da saída da embarcação, para os manifestos de cargas estrangeiras com carregamento em porto nacional, exceto quando se tratar de granel; (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) b) cinco horas antes da saída da embarcação, para manifestos de cargas estrangeiras com carregamento em porto nacional, quando toda a carga for granel; (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) c) cinco (Revogado(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1621, de 24 de fevereiro de 2016) d) quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação, para os manifestos de cargas estrangeiras com descarregamento em porto nacional, ou que permaneçam a bordo; e (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) III as relativas à conclusão da desconsolidação, quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação no porto de destino do conhecimento genérico. § 1o Os prazos estabelecidos neste artigo poderão ser reduzidos para rotas e prazos de exceção. § 2º As rotas de exceção e os correspondentes prazos para a prestação das informações sobre o veículo e suas cargas serão registrados no Siscomex Carga pela Coordenação Geral de Administração Aduaneira (Coana), a pedido da unidade da RFB com jurisdição sobre o porto de atracação, de forma a garantir a proporcionalidade do prazo em relação à proximidade do porto de procedência. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10711.722862/201195 Acórdão n.º 3302003.471 S3C3T2 Fl. 8 7 (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) § 3o Os prazos e rotas de exceção em cada porto nacional poderão ser consultados pelo transportador. § 4º O prazo previsto no inciso I do caput reduzse a cinco horas, no caso de embarcação que não esteja transportando mercadoria sujeita a manifesto ou arribada. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) § 5º Os CE de serviço informados até a atracação ou registro do passe de saída serão dispensados dos prazos de antecedência previstos nesta Instrução Normativa. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) § 6º Para os manifestos de cargas nacionais, as informações a que se refere o inciso II do caput devem ser prestadas antes da solicitação do passe de saída. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1621, de 24 de fevereiro de 2016) *** Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 899, de 29 de dezembro de 2008) Parágrafo único. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: I a escala, com antecedência mínima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção; e II as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. Com todo respeito aos argumentos tecidos pela Recorrente, entendo que razão não lhe assiste. Com efeito, os prazos mínimos de prestação de informações à Receita Federal do Brasil (vide artigo 22, da IN 800/2007 e IN 899/2008), passaram a ser obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009, exceção feita as hipóteses dos incisos do artigo 50, a saber: (i) sobre a escala; e (ii) sobre as cargas transportadas, que permaneceram válidas e vigentes, produzindo seus efeitos legais e jurídicos. Ou seja, embora o prazo previsto no artigo 22 não se aplique a fatos ocorridos em data anterior a 1º de abril de 2009, a Recorrente deveria ter observado as demais obrigações previstas no parágrafo único do artigo 50, sob pena de ensejar a aplicação da multa em comento. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10711.722862/201195 Acórdão n.º 3302003.471 S3C3T2 Fl. 9 8 Assim, considerando que a obrigação do agente de cargas de apresentar as informações antes da atracação da embarcação era obrigatória, entendo legítima a penalidade imposto à Recorrente. No mais, destacase que o artigo 37, §1º, do DecretoLei nº 37/66, com a redação dada pelo artigo 77, da Lei nº 10.833/2003 define, igualmente ao previsto no artigo 2º, da IN 800/20072, o agente de carga como sendo " qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos". Ou seja, referido dispositivo equipara o agente de carga ao transportar para efeitos de aplicação da multa em comento. Este destaque se faz necessário na medida em que a Recorrente suscitou a aplicação do artigo 110, do Código Tributário Nacional, arguindo que a fiscalização ao equiparar o agente de cargas ao transportador, para efeito da obrigação tributária acessória em apreço que no seu texto normativo prevê a obrigação somente ao transportar distorce conceitos de direito privado, o que é expressamente vedado pelo referido artigo. Cita a definição de "transportar" e "agente de cargas" do Dicionário Aurélio como fonte de direito privado. O artigo 110 do CTN prevê: A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e forma de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou do Municípios, para definir ou limitar competências tributária. Ao contrário do que explicitou a Recorrente, suas razões não merecem respaldo. A uma porque a definição de "transportar" e "agente de cargas" extraída do Dicionário Aurélio não é fonte de direito privado e, a duas porque a definição de "transportar" e "agente de cargas" não estão previstas na Constituição Federal, nas Constituições dos Estados, ou nas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou do Municípios. Portanto, considerando que o Decreto 37/66 e a IN 800/2007 não alteraram definição prevista nos diplomas legais citados no artigo 110, do CTN, fica afastada a alegação da Recorrente neste ponto. Por fim, não vejo que o artigo 150, inciso III, da Constituição Federal tenha aplicabilidade ao presente caso, posto que referido dispositivo impede a cobrança de tributo antes da vigência da lei que os instituiu, ao que passo que no presente a discussão corresponde a aplicação de multa administrativa por descumprimento de obrigação acessória, institutos estes totalmente distintos e que não se confundem. O artigo 3º, do Código Tributário Nacional é claro ao definir tributo como sendo "toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituído em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada." 2 Art. 2o Para os efeitos desta Instrução Normativa definese como: § 1o Para os fins de que trata esta Instrução Normativa: IV o transportador classificase em: e) agente de carga, quando se tratar de consolidador ou desconsolidador nacional; Fl. 108DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10711.722862/201195 Acórdão n.º 3302003.471 S3C3T2 Fl. 10 9 Como se vê, o legislador ao estabelecer que tributo não constitui sanção de ato ilícito, faz a diferenciação fundamental entre tributo e multa, deixando cristalino que um não se confunde com o outro. Isso porque, tributo somente pode ter, por fato gerador, situação lícita, fato lícito, ao contrário da sanção, que por excelência tem o fato gerador proveniente de ato ilícito. Por todo exposto, rejeito a preliminar de nulidade e, no mérito, voto em negar provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, rejeitase a preliminar de nulidade e, no mérito, negase provimento ao recurso voluntário. Ricardo Paulo Rosa Fl. 109DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA
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