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Numero do processo: 10580.726844/2009-09
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Aug 26 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. DIFERENÇAS DE URV. MINISTÉRIO PÚBLICO DA BAHIA. NATUREZA TRIBUTÁVEL
Sujeitam-se à incidência do Imposto de Renda, conforme o regime de competência, as verbas recebidas acumuladamente pelos membros do Ministério Público do Estado da Bahia, denominadas "diferenças de URV", inclusive os juros remuneratórios sobre elas incidentes, por absoluta falta de previsão legal para que sejam excluídas da tributação.
Recurso Especial do Contribuinte conhecido e provido parcialmente.
Numero da decisão: 9202-004.172
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo sobre a verba recebida, inclusive juros, de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Maria Teresa Martínez López, que lhe deram provimento integral.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator
EDITADO EM: 18/08/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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DIFERENÇAS DE URV. MINISTÉRIO PÚBLICO DA BAHIA. NATUREZA TRIBUTÁVEL Sujeitamse à incidência do Imposto de Renda, conforme o regime de competência, as verbas recebidas acumuladamente pelos membros do Ministério Público do Estado da Bahia, denominadas "diferenças de URV", inclusive os juros remuneratórios sobre elas incidentes, por absoluta falta de previsão legal para que sejam excluídas da tributação. Recurso Especial do Contribuinte conhecido e provido parcialmente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo sobre a verba recebida, inclusive juros, de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Maria Teresa Martínez López, que lhe deram provimento integral. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 68 44 /2 00 9- 09 Fl. 437DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto – Presidente e Relator EDITADO EM: 18/08/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10580.720843/200942. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto vencedor proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.124): Tratase de Auto de infração lavrado contra o contribuinte em epígrafe para cobrança de IRPF sobre rendimentos auferidos do Ministério Público da Bahia, a título de valores indenizatórios de URV. Tais rendimentos decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor (URV) em 1994, reconhecidas e pagas em 36 parcelas iguais no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, com base na Lei Complementar nº 20/2003, do Estado da Bahia. Importante destacar, ainda que referida Lei dispôs serem de natureza indenizatória as verbas em questão. No entendimento da autoridade fiscal, as diferenças recebidas pelo contribuinte têm natureza salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994 e, portanto, são tributáveis pelo IRPF, sendo irrelevante a denominação dada pela Lei do Estado da Bahia. Para a apuração do imposto devido foi considerado os valores das diferenças salariais, incluindo atualização e juros. Inconformado, o contribuinte apresentou impugnação, que fora julgada procedente em parte, para excluir da base de cálculo do imposto valores recebidos a título de URV sobre férias indenizadas e 13º salário. Ato seguinte, tempestivamente foi apresentado Recurso Voluntário, onde, por unanimidade de votos, foi dado provimento parcial ao recurso para excluir da exigência a multa de ofício. Fl. 438DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.726844/200909 Acórdão n.º 9202004.172 CSRFT2 Fl. 416 3 Inconformado com essa decisão o contribuinte, tempestivamente, apresentou Recurso Especial de divergência, alegando, em resumo: a) Os rendimentos previstos na Lei Complementar 20/2003 tem a mesma natureza daqueles mencionados pela Lei Federal nº 10.477/2002, que trata do pagamento de diferenças de URV a membros do Ministério Público Federal; b) É nítida a natureza remuneratória das diferenças de URV, na medida em que representam ressarcimento pelo erro de cálculo da remuneração; c) É aplicável ao caso a mesma interpretação dada pelo STF através da Resolução 245/2002, que reconheceu a natureza indenizatória das diferenças de URV pagas aos membros da magistratura federal; d) Quebra da isonomia quando se dispensa tratamento tributário diverso em relação às diferenças de URV pagas aos membros da magistratura Federal e aos membros do MPF em relação aos membros do Ministério Público Estadual; e) Vicio material na formação da base de cálculo do IRPF, na medida em que não foi observado o regime de competência em relação aos rendimentos recebidos acumuladamente; f) Não incidência do IRPF sobre juros moratórios Na análise de admissibilidade, foi dado parcial seguimento ao Recurso Especial interposto pelo Contribuinte para que fosse reapreciada a questão da não incidência do Imposto de Renda sobre diferenças de URV, que teriam natureza indenizatória e para que fosse rediscutida a não incidência de Imposto de Renda sobre rendimentos correspondentes a juros de mora. Regularmente intimada o a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório. Fl. 439DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 4 Voto Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.124, de 21/06/2016, proferido no julgamento do processo 10580.720843/200942, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. O Recurso Especial interposto pelo Contribuinte é tempestivo e visa rediscutir as seguintes matérias: não incidência do Imposto de Renda sobre diferenças de URV, que teriam natureza indenizatória e, caso assim não se entenda, não incidência de Imposto de Renda sobre a rubrica correspondente a juros de mora. A matéria não é nova neste Colegiado. Tratase de Auto de Infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física dos anoscalendário de 2004, 2005 e 2006, acrescido de multa de ofício no percentual de 75% e juros de mora, tendo em vista a reclassificação, como tributáveis, de rendimentos declarados como isentos, recebidos do Ministério Público do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em trinta e seis parcelas, no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 08/09/2003, editada em virtude do objeto da Ação Ordinária de nº 140.975921531, julgada pelo Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, e em consonância com os precedentes do Supremo Tribunal Federal, especialmente nas Ações Ordinárias nºs 613 e 614. As verbas ora analisadas constituem diferenças salariais verificadas na conversão da remuneração do servidor público, quando da implantação do Plano Real, portanto tais valores referemse a salários (vencimentos) não recebidos ao longo dos anos. Nesse passo, o objetivo da ação judicial e/ou da lei do estado da Bahia foi simplesmente pagar à Contribuinte aquilo que antes deixou de ser pago, que nada mais é que salário, portanto de natureza tributável. Assim, o recebimento da verba ora tratada configura acréscimo patrimonial e, consequentemente, sujeitase à incidência do Imposto de Renda, consoante dispõe o art. 43 do CTN: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: Fl. 440DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.726844/200909 Acórdão n.º 9202004.172 CSRFT2 Fl. 417 5 I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1º A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. O dispositivo legal acima não deixa dúvidas acerca da abrangência da tributação do Imposto de Renda, abarcando qualquer evento que se traduza em aumento patrimonial, independentemente da denominação que seja dada ao ganho. Seguindo esta linha, a Lei nº 7.713, de 1988, assim dispõe: Art. 1º Os rendimentos e ganhos de capital percebidos a partir de 1º de janeiro de 1989, por pessoas físicas residentes ou domiciliados no Brasil, serão tributados pelo imposto de renda na forma da legislação vigente, com as modificações introduzidas por esta Lei. Art. 2º O imposto de renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos. (...) § 1º Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. (...) § 4º A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. (...)” (grifei) Quanto à alegação de violação ao princípio da isonomia, a Contribuinte traz à baila o fato de que o Supremo Tribunal Federal, em sessão administrativa, atribuiu natureza indenizatória ao Abono Variável concedido aos membros da Magistratura da União pela Lei nº 10.474, de 2002. Ademais, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, por meio do Parecer PGFN nº 529, de 2003, manifestou entendimento no sentido de que a verba em tela não estaria sujeita à tributação. Fl. 441DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 6 Entretanto, a Resolução nº 245, do STF, bem como o Parecer da PGFN, se referem especificamente ao abono concedido aos Magistrados da União pela Lei nº 10.474, de 2002; e o que se discute no presente processo é se tal entendimento deve ser aplicado à verba recebida pelos membros da Ministério Público do Estado da Bahia. Primeiramente, verificase que a posição do Supremo Tribunal Federal – STF sobre a natureza do Abono Variável atribuído aos Magistrados da União foi definida em sessão administrativa e expedida por meio de Resolução, e não em sessão de julgamento daquela Corte e, assim, não se trata de uma decisão judicial, cujos efeitos são bem distintos dos de uma resolução administrativa. Destarte, obviamente que a Resolução do STF nunca vinculou a Administração Tributária da União. Com o advento do Parecer PGFN/Nº 529, de 2003, da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, aprovado pelo Ministro da Fazenda, portanto com força vinculante em relação aos Órgãos da Administração Tributária, concluiuse que o Abono Variável de que trata o art. 2º da Lei nº 10.474, de 2002, teria natureza indenizatória. Entretanto, dito parecer é claro quanto aos limites desse entendimento, conforme será demonstrado na seqüência. O parecer destaca que o Superior Tribunal de Justiça – STJ consolidou entendimento no sentido de que abonos recebidos em substituição a aumentos salariais sofrem a incidência do Imposto de Renda. Após, faz a ressalva de que, segundo entendimento dessa mesma Corte, nos casos de abono concedido como reparação pela supressão ou perda de direito, ele tem natureza indenizatória. Ainda segundo o parecer da PGFN, seria este o entendimento do STF, manifestado por meio da Resolução nº 245, de 2002, relativamente ao abono variável e provisório previsto no art. 6º da Lei nº 9.655, de 1998, com a alteração estabelecida no art. 2º da Lei nº 10.474, de 2002. Assim, claro está que o Parecer da PGFN somente reconheceu a natureza indenizatória do Abono Variável, previsto nas Leis nºs 9.655, de 1998, e 10.474, de 2002, acolhendo entendimento do STF, no sentido de que tal verba destinarseia a reparar direito. Destarte, a Resolução nº 245, do STF, não possui efeitos de decisão judicial, e o Parecer PGFN/Nº 529, de 2003, apenas reconhece a natureza indenizatória do abono concedido aos Magistrados da União, acatando interpretação do STF quanto à natureza reparatória, especificamente para esse abono. Portanto, ambos os atos alcançam apenas o abono previsto no art. 6º da Lei nº 9.655, de 1998, com a alteração estabelecida no art. 2º da Lei nº 10.474, de 2002. Ademais, a Resolução nº 245, do STF, excluiu do abono a verba referente à diferença de URV, o que evidencia que esta não tem natureza indenizatória, mas sim de recomposição salarial. Confirase a manifestação Superior Tribunal de Justiça, por meio de voto da Ministra Eliana Calmon, reconhecendo a falta e identidade entre o abono salarial tratado na Resolução e as diferenças de URV: Fl. 442DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.726844/200909 Acórdão n.º 9202004.172 CSRFT2 Fl. 418 7 “Na jurisprudência desta Casa, colho os seguintes precedentes, que sempre distinguiram as hipóteses de percepção das diferenças remuneratórias da URV do abono identificado na Resolução 245/STF: (...)” (STJ, Recurso Especial n.º 1.187.109/MA, Segunda Turma, Ministra Relatora Eliana Calmon, julgado em 17/08/2010) E também o Ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, em decisão no Recurso Extraordinário n.º 471.115: “Os valores assim recebidos pelo recorrido decorrem de compensação pela falta de oportuna correção no valor nominal do salário, quando da implantação da URV e, assim, constituem parte integrante de seus vencimentos. As parcelas representativas do montante que deixou de ser pago, no momento oportuno, são dotadas dessa mesma natureza jurídica e, assim, incide imposto de renda quando de seu recebimento. No que concerne à Resolução no. 245/02, deste Supremo Tribunal Federal, utilizada na fundamentação do acórdão recorrido, temse que suas normas a tanto não se aplicam, para o fim pretendido pelo recorrido (...)” (STF, Recurso Extraordinário n.º 471.115, Ministro Relator Dias Toffoli, julgado em 03/02/2010) Assim, não há como estenderse o alcance dos atos legais acima referidos para verbas distintas, concedidas para outro grupo de servidores, por meio de ato específico, diverso daqueles referidos na Resolução do STF e no Parecer da PGFN. Com efeito, a norma que concede isenção deve ser interpretada sempre literalmente, conforme inciso II, do art. 111, do CTN. Ademais, o mesmo código veda o emprego da analogia ou de interpretações extensivas para alcançar sujeitos passivos em situação supostamente semelhante, o que implicaria concessão de isenção sem lei federal própria, o que ofenderia o § 6º, do art. 150, da Constituição Federal, e o art. 176, do CTN. Destarte, a verba em exame deve ser efetivamente tributada. Quanto à alegada inexigibilidade de Imposto de Renda incidente sobre a verba recebida pela contribuinte a título de juros de mora, a decisão do STJ, no julgamento do REsp 1.227.133/RS, sob o rito do art. 543C, do CPC, é no sentido de que estaria restrita aos casos de pagamento a destempo de verbas trabalhistas de natureza indenizatória, oriundas de condenação judicial, por força da norma isentiva prevista no inciso V, do art. 6º, da Lei nº 7.713, de 1988. Confirase: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. INCIDÊNCIA. JUROS DE MORA. CARÁTER REMUNERATÓRIO. TEMA JULGADO PELO STJ SOB A SISTEMÁTICA DO ART. 543 C DO CPC. Fl. 443DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 8 1. Por ocasião do julgamento do REsp 1.227.133/RS, pelo regime do art. 543C do CPC (recursos repetitivos), consolidouse o entendimento no sentido de que 'não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais em decorrência de sua natureza e função indenizatória ampla.' Todavia, após o julgamento dos embargos de declaração da Fazenda Nacional, esse entendimento sofreu profunda alteração, e passou a prevalecer entendimento menos abrangente. Concluiuse neste julgamento que 'os juros de mora pagos em virtude de decisão judicial proferida em ação de natureza trabalhista, devidos no contexto de rescisão de contrato de trabalho, por se tratar de verba indenizatória paga na forma da lei, são isentos do imposto de renda, por força do art. 6º, V, da Lei 7.713/88, até o limite da lei'. 2. Na hipótese, não sendo as verbas trabalhistas decorrentes de despedida ou rescisão contratual de trabalho, assim como por terem referidas verbas (horas extras) natureza remuneratória, deve incidir o imposto de renda sobre os juros de mora. Agravo regimental improvido.(AgRg no REsp 1235772 RS – julgado em 26/06/2012) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM RECURSO ESPECIAL. IMPOSTO DE RENDA. JUROS DE MORA DECORRENTES DO PAGAMENTO EM ATRASO DE VERBAS TRABALHISTAS. NÃO INCIDÊNCIA. MATÉRIA JÁ PACIFICADA PELA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO ESPECIAL REPETITIVO 1.227.133/RS. 1. A Primeira Seção, por ocasião do julgamento do REsp 1.227.133/RS, sob o rito do art. 543C do CPC, fixou orientação no sentido de que é inexigível o imposto de renda sobre os juros de mora decorrentes do pagamento a destempo de verbas trabalhistas de natureza indenizatória, oriundas de condenação judicial. 2. Agravo regimental não provido.” (AgRg nos REsp 1163490 SC – julgado em 14/03/2012) Da análise do julgamento do Recurso Repetitivo 1.227.133/RS, verificase que são isentos do imposto de renda os juros de mora decorrentes do pagamento a destempo de verbas trabalhistas de natureza indenizatória, oriundas de condenação judicial, conforme a regra do “accessorium sequitur suum principale”. Assim, não sendo as verbas trabalhistas de natureza indenizatória, o imposto de renda deve incidir também sobre os juros de mora. Ressaltese que as verbas ora analisadas já foram objeto de julgamento pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, oportunidade em que se deu provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, por meio do Acórdão nº 9202003.585, de 03/03/2015, assim ementado: Fl. 444DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.726844/200909 Acórdão n.º 9202004.172 CSRFT2 Fl. 419 9 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 IRPF. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV, CLASSIFICADOS A PARTIR DE INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA. INCIDÊNCIA. Incide o IRPF sobre os valores indenizatórios de URV, em virtude de sua natureza remuneratória. Precedentes do STF e do STJ. Recurso especial provido." A decisão foi assim registrada: "Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial da Fazenda, determinando o retorno dos autos à turma a quo, para analisar as demais questões trazidas no recurso voluntário do contribuinte. Vencido o Conselheiro Marcelo Oliveira, que votou por negar provimento ao recurso. Fez sustentação oral o Dr. Marcio Pinto Teixeira, OAB/BA nº 23.911, patrono da recorrida. Defendeu a Fazenda Nacional a Procuradora Dra. Patrícia de Amorim Gomes Macedo." Assentada a natureza tributável dos rendimentos objeto da autuação, resta esclarecer que o tributo devido deve ser calculado de acordo com as tabelas vigentes à época em que os rendimentos deveriam ter sido pagos ao Contribuinte. Saliente se que a questão já foi decidida pelo STF, no RE 614.406/RS, com trânsito em julgado em 11/12/2014, e repercussão geral previamente reconhecida, em 20/10/2010, na sistemática do art. 543B, do Código de Processo Civil. Destarte, os Conselheiros do CARF devem reproduzir o entendimento do citado julgado, prolatado pelo STF em 23/10/2014, conforme determina o art. 62, § 2º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015. Nesse passo, a decisão vinculante é no sentido de aplicarse o regime de competência, vedada a aplicação do regime de caixa. Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pelo Contribuinte e, no mérito, doulhe provimento parcial, para que o cálculo do Imposto de Renda seja efetuado com base no regime de competência. Em face do acima exposto, voto no sentido de conhecer o Recurso Especial do Contribuinte para, no mérito, darlhe provimento parcial, para determinar o cálculo do tributo sobre a verba recebida, inclusive juros, de acordo com o regime de competência. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 445DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 10 Fl. 446DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 37172.001318/2005-69
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Feb 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/1999 a 31/07/2002
AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. DIFERENÇA DE CONTRIBUIÇÕES SOBRE UM MESMO FATO GERADOR. APLICAÇÃO DA REGRA DECADENCIAL. ART. 150, §4º DO CTN.
Em se tratando de lançamento de contribuições sobre diferenças de fatos geradores apurados pela fiscalização, correta a aplicação da regra decadencial a luz do art. 150, §4º do CTN.
A contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, assim como dos benefícios de aposentadoria especial, devem ser tratados como uma mesma contribuição, tendo em vista estarem fundamentados sobre o mesmo fato gerador e fundamento legal, apenas com a descrição de acréscimo previsto no regulamento da previdência, quanto a gradação da alíquota adicional.
Numero da decisão: 9202-004.571
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencido o conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, que lhe deu provimento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. DIFERENÇA DE CONTRIBUIÇÕES SOBRE UM MESMO FATO GERADOR. APLICAÇÃO DA REGRA DECADENCIAL. ART. 150, §4º DO CTN. Em se tratando de lançamento de contribuições sobre diferenças de fatos geradores apurados pela fiscalização, correta a aplicação da regra decadencial a luz do art. 150, §4º do CTN. A contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, assim como dos benefícios de aposentadoria especial, devem ser tratados como uma mesma contribuição, tendo em vista estarem fundamentados sobre o mesmo fato gerador e fundamento legal, apenas com a descrição de acréscimo previsto no regulamento da previdência, quanto a gradação da alíquota adicional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencido o conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, que lhe deu provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em Exercício (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 37 17 2. 00 13 18 /2 00 5- 69 Fl. 1415DF CARF MF 2 Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, nº 35.525.1191, lavrado contra o contribuinte identificado acima, referese à contribuição adicional, prevista no § 6° do artigo 57, da Lei n° 8.213/91, na redação dada pela Lei n° 9.732/98 e alterações posteriores, é contribuição destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (artigo 22, inciso ll da Lei n° 8.212/91), incidente sobre o valor das remunerações pagas, devidas ou creditadas aos trabalhadores expostos a agentes nocivos, apurada por aferição indireta, nos termos do § 3°, do artigo 33 da Lei n°8.212/91. O lançamento foi consolidado em 28/06/2004, relativo ao período de 04/1999 a 07/2003 A autuada apresentou impugnação, tendo a Delegacia da Receita Federal de Julgamento julgado o lançamento procedente, fls. 574. Apresentado Recurso Voluntário pela autuada, os autos foram encaminhados ao CARF para julgamento do mesmo. No Acórdão de Recurso Voluntário, fls. 726, o Colegiado, por maioria de votos, I) declarar a decadência até a competência 05/1999; e por unanimidade II) rejeitar preliminares e no mérito, negar provimento ao recurso. Portanto, em sessão plenária de 06/8/2008, deuse parcial provimento ao recurso, prolatandose o Acórdão nº 20601.134, assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/1999 a 31/07/2003 CRÉDITO PREVIDENCIARIO. ADICIONAL DE APOSENTADORIA ESPECIAL. AFERIÇÃO INDIRETA. Os adicionais destinados ao financiamento das aposentadorias especiais serão devidos pela efripr'ea.;:kpre que ficar constatada a ocorrência da situação prevista na legislação como necessária para ensejar a concessão do beneficio da aposentadoria especial. A falta do PPRA, PGR, PCMAT, PCMSO, LTCAT ou PPP, quando exigíveis ou a incompatibilidade entre esses documentos, enseja a apuração por arbitramento da contribuição adicional, com fundamento legal previsto no § 3° do artigo 33 da Lei n° 8.212/91 e artigo 233 do Regulamento da Previdência Social, Fl. 1416DF CARF MF Processo nº 37172.001318/200569 Acórdão n.º 9202004.571 CSRFT2 Fl. 3 3 aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. DECADÊNCIA QUINQUENAL. 1 Tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's n's 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Simula Vinculante n° 08, disciplinando a matéria. 2 TERMO INICIAL: (a) Primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4°). 3 No caso, tratase de tributo sujeito a lançamento por homologação e houve antecipação de pagamento. Aplicável, portanto, a regra do art. 150, § 4 ° do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte. O contribuinte apresentou emvargos que foram prontamente rejeitados conforme despacho fls. 751. O Acórdão n.° 240101.314, que rejeitou os Embargos de Declaração interpostos pela PGFN, foi recepcionado na Procuradoria da Fazenda Nacional em 05/08/2010, segundo RM no 24.257, fls. 754, considerandose intimada 30 (trinta) dias após (§§ 7° ao 9 0, do artigo 23, do Decreto n° 70.235/72, com a redação dada pela Lei n° 11.457, de 16/03/2007, D.O.U. de 19/03/2007). Recurso especial apresentado em 09/08/2010, conforme RM n° 11.812, fls. 755, dentro, portanto, do prazo de 15 (quinze) dias estabelecido no artigo 68 do Regimento Interno do CARF. Em 09 de agosto de 2010, a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou Recurso Especial de divergência contra o Acórdão prolatado pela 6ª Câmara, que restaram admitidos por meio de despacho de fls 357 do Vol IV do processo digitalizado. Devidamente notificada da decisão e do recurso proposto, o Contribuinte interpôs embargos de declaração que não foram admitidos em 04 de fevereiro de 2015. Houve a ciência, em 24 de abril de 2015, às 14:59hs., em razão do acesso, pelo Contribuinte, à sua caixa postal eletrônica, conforme despacho de folhas 1341. Em 7 de maio de 2015, tempestivamente, foi interposto Recurso Especial (fls. 1348), com fundamento no artigo 67, Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho fls. 783, da Quarta Câmara, de 02/10/2012. A recorrente traz como alegações, que: · o acórdão recorrido destoa da jurisprudência consolidada em outras câmaras do CARF, que vem determinando a aplicação do prazo decadencial previsto no art. 173, I do CTN nas situações onde não tenha ocorrido o recolhimento antecipado sobre as rubricas lançadas, Fl. 1417DF CARF MF 4 não importando pagamentos afetos a outros fatos que não são objeto da cobrança. · Argumenta que os relatórios e discriminativos apresentados pela fiscalização demonstram que a antecipação do recolhimento dos tributos não ocorreu nas competências descritas no lançamento, motivo pelo qual tornase necessária a aplicação do prazo decadencial previsto no art. 173, I do CTN e não, do art. 150, § 4º do CTN. · Em face do exposto, requer a União (Fazenda Nacional) seja conhecido e provido o presente recurso para reconhecer a decadência somente para aquelas contribuições apuradas até novembro de 2000. Cientificada do Recurso Especial da Fazenda Nacional em 06/11/2012, o sujeito passivo apresentou, tempestivamente, em 19/11/2012, recurso especial ao qual foi negado seguimento conforme fl. 1001suas Contrarrazões, fls. 794, onde alega que: Como se pode ver, apesar de, num primeiro momento, o colegiado julgador ter dito que houve recolhimento parcial, depois, ele disse que pode ter havido recolhimento parcial. Ora, se a questão ficou indefinida, seria o caso de interpor novos embargos de declaração e não recurso especial. Até porque, diante da incerteza, não se configurou a divergência jurisprudencial necessária ao cabimento do REsp. Notese, ademais, que saber se houve pagamento parcial ou não é uma matéria de fato, a qual, por isso mesmo, não é passive l de análise em recurso especial. Enfim, por qualquer prisma que se aprecie o recurso especial fazendário, percebese que ele não é cabível e, em razão disso, deve ser prontamente rechaçado. · não houve qualquer equivoco ou descuido na aplicação da legislação tributária, mas análise conclusiva da regra aplicável, sendo ela a prevista no art. 150, §4º, do CTN. · O v. acórdão recorrido diz textualmente tratarse de DIFERENÇAS DE prolabore, ou seja, não há inadimplemento integral das contribuições lançadas, mas sim, cobrança de contribuições concernentes à diferenças verificadas pela fiscalização. · Podese dizer, inclusive, que essas diferenças foram apuradas a partir da caracterização dos empréstimos dos sócios como prolabore, criando diferenças verificadas pela fiscalização. · Não há dúvidas tratarse de diferenças no recolhimento da contribuição devida, cabendo, sim, a aplicação do art. 150, §4º do CTN, sendo indiscutível a decadência do direito da Fazenda Nacional de exigir contribuições anteriores à competência 09/2001. · Requer seja negado provimento ao recurso especial da PGFN. É o relatório. Fl. 1418DF CARF MF Processo nº 37172.001318/200569 Acórdão n.º 9202004.571 CSRFT2 Fl. 4 5 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O Recurso Especial por contrariedade interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, conforme Despacho de Exame de Admissibilidade de Recurso Especial, fls. 378. Assim, não havendo qualquer questionamento acerca do conhecimento e concordando com os termos do despacho proferido, passo a apreciar o mérito da questão. DO MÉRITO A questão objeto do recurso, referese ao acatamento da preliminar referente ao prazo de decadência, para o fisco constituir os créditos objeto desta NFLD, considerando que a Câmara a quo aplicou a regra decadência a luz do art. 150, §4º do CTN. Antes mesmo de apreciar a correta aplicação da regra decadencial no acórdão recorrido, passemos a considerações acerca do tema. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, senão vejamos: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. O texto constitucional em seu art. 103A deixa claro a extensão dos efeitos da aprovação da súmula vinculando, obrigando toda a administração pública ao cumprimento de seus preceitos. Assim, prescreve o artigo em questão: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Ao declarar a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212, prevalecem as disposições contidas no Código Tributário Nacional – CTN, quanto ao prazo para a autoridade previdenciária constituir os créditos resultantes do inadimplemento de obrigações previdenciárias. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, nos casos de lançamentos em que não houve antecipação do pagamento assim estabelece em seu artigo 173: Fl. 1419DF CARF MF 6 "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." Já em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, aplicase o disposto no § 4º, do artigo 150, do CTN, segundo o qual, se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, Senão vejamos o dispositivo legal que descreve essa assertiva: Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifo nosso) Contudo, para que possamos identificar o dispositivo legal a ser aplicado, seja o art. 173, I ou art. 150 do CTN, devemos identificar a natureza das contribuições para que, só assim, possamos declarar da maneira devida a decadência de contribuições previdenciárias. No caso, a aplicação do art. 150, § 4º, é possível quando realizado pagamento de contribuições, que em data posterior acabam por ser homologados expressa ou tacitamente. Contudo, conforme descrito no relatório deste voto, tratase de lavratura de NFLD com o objetivo de apurar e constituir as contribuições previdenciárias, incidentes sobre: contribuição destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (artigo 22, inciso ll da Lei n° 8.212/91), incidente sobre o valor das remunerações pagas, devidas ou creditadas aos trabalhadores expostos a agentes nocivos, apurada por aferição indireta, nos Fl. 1420DF CARF MF Processo nº 37172.001318/200569 Acórdão n.º 9202004.571 CSRFT2 Fl. 5 7 termos do § 3°, do artigo 33 da Lei n°8.212/91. O lançamento foi consolidado em 28/06/2004, relativo ao período de 04/1999 a 07/2003 Dessa forma, embora concorde com a tese esboçada pela ilustre procuradora de, em inexistindo recolhimento antecipado, a decadência deve ser operada a luz do art. 173, I do CTN, entendo não ser esse o caso dos autos. Neste ponto, tenho que concordar com o resultado apresentado pelo acórdão recorrido, mas por outros fundamentos que passo a expor. Vejamos trecho da legislação que fundamento o lançamento em questão e que nos auxílio a identificar o fato gerador e a base de cálulo: lei 8212/91 Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: II para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos:(Redação dada pela Lei nº 9.732, de 1998). a) 1% (um por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado leve; b) 2% (dois por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado médio; c) 3% (três por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado grave. lei 8213/91 Art.57.A aposentadoria especial será devida, uma vez cumprida a carência exigida nesta Lei, ao segurado que tiver trabalhado sujeito a condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física, durante 15 (quinze), 20 (vinte) ou 25 (vinte e cinco) anos, conforme dispuser a lei.(Redação dada pela Lei nº 9.032, de 1995) § 1ºA aposentadoria especial, observado o disposto no art. 33 desta Lei, consistirá numa renda mensal equivalente a 100% (cem por cento) do saláriodebenefício.(Redação dada pela Lei nº 9.032, de 1995) [...] §6ºO benefício previsto neste artigo será financiado com os recursos provenientes da contribuição de que trata oinciso II do art. 22 da Lei no8.212, de 24 de julho de 1991, cujas alíquotas serão acrescidas de doze, nove ou seis pontos percentuais, conforme a atividade exercida pelo segurado a serviço da empresa permita a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição, respectivamente.(Redação dada pela Lei nº 9.732, de 11.12.98)(Vide Lei nº 9.732, de 11.12.98) Fl. 1421DF CARF MF 8 §7º O acréscimo de que trata o parágrafo anterior incide exclusivamente sobre a remuneração do segurado sujeito às condições especiais referidas nocaput.(Incluído pela Lei nº 9.732, de 11.12.98) Art. 58. A relação dos agentes nocivos químicos, físicos e biológicos ou associação de agentes prejudiciais à saúde ou à integridade física considerados para fins de concessão da aposentadoria especial de que trata o artigo anterior será definida pelo Poder Executivo.(Redação dada pela Lei nº 9.528, de 1997) § 1º A comprovação da efetiva exposição do segurado aos agentes nocivos será feita mediante formulário, na forma estabelecida pelo Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, emitido pela empresa ou seu preposto, com base em laudo técnico de condições ambientais do trabalho expedido por médico do trabalho ou engenheiro de segurança do trabalho nos termos da legislação trabalhista.(Redação dada pela Lei nº 9.732, de 11.12.98) § 2º Do laudo técnico referido no parágrafo anterior deverão constar informação sobre a existência de tecnologia de proteção coletiva ou individual que diminua a intensidade do agente agressivo a limites de tolerância e recomendação sobre a sua adoção pelo estabelecimento respectivo.(Redação dada pela Lei nº 9.732, de 11.12.98) § 3º A empresa que não mantiver laudo técnico atualizado com referência aos agentes nocivos existentes no ambiente de trabalho de seus trabalhadores ou que emitir documento de comprovação de efetiva exposição em desacordo com o respectivo laudo estará sujeita à penalidade prevista no art. 133 desta Lei.(Incluído pela Lei nº 9.528, de 1997) § 4º A empresa deverá elaborar e manter atualizado perfil profissiográfico abrangendo as atividades desenvolvidas pelo trabalhador e fornecer a este, quando da rescisão do contrato de trabalho, cópia autêntica desse documento. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: II para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos:(Redação dada pela Lei nº 9.732, de 1998). a) 1% (um por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado leve; b) 2% (dois por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado médio; c) 3% (três por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado grave. Ademais, não fosse a identificação que a contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa Fl. 1422DF CARF MF Processo nº 37172.001318/200569 Acórdão n.º 9202004.571 CSRFT2 Fl. 6 9 decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, como dos benefícios de aposentadoria especial, são fundamentados sobre o mesmo fato gerador e fundamento legal, apenas com a descrição de acréscimo previsto no regumelamento quanto a gradação da alíquota adicional, suficientes para o meu convencimento de que deve ser dado tratamento de "diferenças", para efeitos de aplicação da decadência pelo art. 150, §4º do CTN, destaco, como reforço que, não foram lançadas contribuições à título de RAT (1,2,3%), o que nos leva a constatação de existir recolhimento antecipado. Esse argumento parece uma presunção, não fosse as informações descritas no TEAF Termo de Encerramento de Ação Fiscal, fls. 39, que expressamente descreve ter sido lançada à título de obrigação principal apenas a presente NFLD, sendo que todos os demais lançamentos referemse a AIOA obrigações acessórias. Assim, no lançamento em questão a lavratura do AI deuse em 28/6/2004, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 30/6/2004. Os fatos geradores omitidos referemse ao período de 04/1999 a 07/2002, dessa forma, a luz do art. 150, §4º do CTN, encontrarseiam decadentes os fatos geradores até 05/1999, fato esse já considerado pelo acórdão recorrido. Isto posto, não há qualquer reparo a ser feito no julgado. CONCLUSÃO: Voto pelo CONHECIMENTO do recurso ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL, para NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 1423DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.720151/2015-34
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 24 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Dec 27 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/03/2010 a 31/12/2011
Ementa:
NULIDADE DE DECISÃO. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. FUNDAMENTO AUTÔNOMO NÃO ANALISADO. PROCEDÊNCIA DO RECURSO
É nula, por ausência de motivação, a decisão que deixa de analisar um dos fundamentos invocados pelo contribuinte em sua impugnação e que, de forma autônoma, é capaz de infirmar a conclusão alcançada pelo órgão julgador na parte dispositiva do julgado.
Numero da decisão: 3402-003.465
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para anular a decisão de primeira instância, a fim de que o órgão julgador veicule nova decisão para enfrentar, de forma específica, o fundamento que fora detalhado no presente voto e invocado pelo contribuinte em sua impugnação. Vencidos os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra e Maria Aparecida Martins de Paula. Sustentou pela recorrente o Dr. Wagner Silva Rodrigues, OAB/SP 208.449.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Diego Diniz Ribeiro- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
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Recorrida UNIÃO ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/03/2010 a 31/12/2011 Ementa: NULIDADE DE DECISÃO. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. FUNDAMENTO AUTÔNOMO NÃO ANALISADO. PROCEDÊNCIA DO RECURSO É nula, por ausência de motivação, a decisão que deixa de analisar um dos fundamentos invocados pelo contribuinte em sua impugnação e que, de forma autônoma, é capaz de infirmar a conclusão alcançada pelo órgão julgador na parte dispositiva do julgado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para anular a decisão de primeira instância, a fim de que o órgão julgador veicule nova decisão para enfrentar, de forma específica, o fundamento que fora detalhado no presente voto e invocado pelo contribuinte em sua impugnação. Vencidos os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra e Maria Aparecida Martins de Paula. Sustentou pela recorrente o Dr. Wagner Silva Rodrigues, OAB/SP 208.449. Antonio Carlos Atulim Presidente. Diego Diniz Ribeiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 72 01 51 /2 01 5- 34 Fl. 778DF CARF MF 2 Relatório 1. Por bem retratar os fatos aqui analisados, me valho de parte do Relatório desenvolvido pela DRJ de Porto Alegre (acórdão n. 1055.931 fls. 732/740), o qual adoto como meu nos termos abaixo: Tratase de auto de infração lavrado pela fiscalização da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Curitiba/PR, no valor total de R$ 11.414.177,70, à data da autuação, referente ao Imposto sobre Produtos Industrializados, acrescido de juros de mora e multa de ofício de 75%, conforme enquadramento legal discriminado no referido documento. O valor lançado representa saldo credor de imposto que deixou de ser recolhido em virtude de aproveitamento indevido de créditos do IPI. Conforme esclarecido no Relatório da Ação Fiscal, a empresa atua na importação, produção e comercialização de equipamentos de refrigeração e outros equipamentos, bem como serviços na área de projetos e instalação. No período auditado, importou equipamentos de ar condicionado prontos (unidades evaporadoras e condensadoras) para revenda, que foram internalizados mediante a emissão de notas fiscais eletrônicas com Código Fiscal de Operações e Prestações – CFOP 3.102 (Compra para comercialização). Os países que forneceram esses bens foram a Alemanha, Chile, China, Estados Unidos, México, Suécia e Tailândia, todos eles membros da Organização Mundial do Comércio OMC, que sucedeu ao Acordo Geral de Tarifas Aduaneiras e Comércio, conhecido por sua sigla em inglês – GATT General Agreement on Tariffs and Trade – cuja aplicação no País deuse com a promulgação da Lei nº 313, de 30 de julho de 1948, a partir da rodada Uruguai daquele Tratado. Uma parcela significativa desses bens foi revendida à adquirentes situados na Zona Franca de Manaus, com emissão de notas fiscais com CFOP 6.110 (Venda de mercadoria, adquirida ou recebida de terceiros, destinada à Zona Franca de Manaus ou Áreas de Livre Comércio), com suspensão do IPI, por receberem o mesmo tratamento dado aos produtos nacionais, uma vez que se trata de produtos importados de países integrantes do Gatt. A fiscalização entendeu que os créditos referentes ao IPI pago na importação desses bens deveriam ter sido estornados, pois em se tratando de remessas com suspensão para a ZFM, a legislação (art. 4º da Lei n° 8.387/1991) apenas admite a manutenção de créditos quando se tratar de matériasprimas, produtos intermediários, material de embalagem e equipamentos adquiridos para emprego na industrialização de produtos, o que não ocorreu, pois os bens remetidos são aparelhos prontos de ar condicionado. A reconstituição da escrita, considerando o estorno dos créditos indevidos, consta no item 3 do citado Relatório. (...). Fl. 779DF CARF MF Processo nº 11065.720151/201534 Acórdão n.º 3402003.465 S3C4T2 Fl. 779 3 2. Contrapondose à exigência fiscal, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 613/632, oportunidade em que alegou, em suma, que: (i) em razão do que dispõe o GATT, não é possível conferir tratamento tributário diferenciado entre produtos nacionais e aqueles nacionalizados quando egressos de países membros do acordo; (ii) a glosa do crédito de IPI neutraliza o benefício fiscal aplicável às remessas destinadas à Zona Franca de Manaus; (iii) o Recorrente, na qualidade de importador de produto industrializado, é equiparado ao contribuinte do IPI, razão pela qual faz jus a manutenção do crédito nos termos do que dispõe o art. 4o da lei n. 8.387/91; e, por fim (iv) as remessas destinadas à Zona Franca de Manaus equiparamse à exportações, nos termos do que dispõe o Decretolei n. 288/67, c.c. o art. 40 da ADCT, o que também fundamentaria a manutenção do crédito. 3. Devidamente processada, a citada impugnação foi julgada improcedente nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/03/2010 a 31/12/2011 CRÉDITO. ANULAÇÃO. PRODUTO NACIONALIZADO. REMESSA. ZONA FRANCA DE MANAUS. Os créditos relativos ao IPI pago no desembaraço aduaneiro dos produtos originários e procedentes de países signatários do GATT/OMC ou que a ele tenham aderido deverão ser anulados pelo importador em sua escrita fiscal, mediante estorno, quando, posteriormente, remeter esses produtos nacionalizados à Zona Franca de Manaus. Não há previsão legal para manutenção do crédito nessas situações. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. 4. Diante deste quadro, o contribuinte interpôs o recuso voluntário de fls. 748/775, oportunidade em que repisou os fundamentos desenvolvidos em impugnação, bem como protestou, preliminarmente: (i) pelo reconhecimento quanto à nulidade do acórdão combatido em razão de uma suposta carência de fundamentação. 5. É o relatório. Fl. 780DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Relator Diego Diniz Ribeiro 6. O recurso voluntário interposto é tempestivo e preenche os demais pressupostos formais para transpor o seu juízo de prelibação, razão pela qual dele tomo conhecimento, o que passo a fazer nos seguintes termos. I. Preliminar: da nulidade do acórdão recorrido pela ausência de motivação 7. Como visto ao longo do relatório alhures desenvolvido, um dos fundamentos do recurso voluntário diz respeito à nulidade do acórdão vergastado, uma vez que, segundo a recorrente, tal decisão seria carente de motivação por não enfrentar todas as causas de pedir1 desenvolvidas em sua impugnação. 8. Para a devida análise deste fundamento, mister se faz, neste instante, tecer algumas considerações essenciais a respeito da motivação das decisões de caráter judicativo, inclusive na instância administrativa. (i) A motivação das decisões de caráter judicativo 9. Como é sabido, as decisões proferidas pela instância administrativa, assim como ocorre na instância judicial, devem necessariamente ser motivadas, sob pena de nulidade. A respeito da motivação das decisões proferidas no âmbito do processo administrativo federal, convém destacar os disposto no art. 31 do Decreto n. 70.235/722, bem como os artigos 2o e 50, ambos da lei n. 9.784/9934. 10. Em verdade, as aludidas normas convergem e nem poderia ser diferente para o disposto no art. 93, inciso IX da Constituição Federal, que estabelece que todas as decisões devem ser fundamentadas, sob pena de nulidade5. 11. Ainda a respeito da motivação, convém também sublinhar o disposto no art. 458, inciso II do Código de Processo Civil de 19736 (vigente à época em que proferido acórdão atacado) e que agora se encontra revigorado pelo disposto no art. 489 do novo Codex7. 1 A causa de pedir é um dos elementos identificadores de toda e qualquer ação, consistindo, esm suma, nos fundamentos fáticojurídicos que gravitam em torno de uma determinada lide. Doutrinariamente, é subdividida em (i) remota e (ii) próxima, sendo que "os 'fundamentos de fato' devem ser entendidos como a causa 'remota'; os 'fundamentos de direito', como a causa 'próxima'". (BUENO, Cássio Scarpinella. "Curso sistematizado de direito processual civil vol 1. 4a. ed. São Paulo: Saraiva, 2010. p. 411). 2 "Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências." 3 "Art. 2o A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência." 4 "Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: (...). § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. (...)." 5 A citada regra constitucional é alçada ao "status" de cláusula pétrea, não sendo passível de alteração sequer por Emenda Constitucional, nos termos do art. 60, § 4º, inciso IV da Magna Lex. Fl. 781DF CARF MF Processo nº 11065.720151/201534 Acórdão n.º 3402003.465 S3C4T2 Fl. 780 5 12. Assim, toda e qualquer decisão proferida no âmbito de processo administrativo federal deve ser fundamentada, ou seja, deve ser justificada em concreto pelo julgador. Com isto o princípio assegura não só a transparência da atividade judiciária, mas também viabiliza que se exercite o adequado controle de todas e quaisquer decisões jurisdicionais8. E, quando se fala em controle das decisões de caráter judicativo por meio da sua motivação, se faz menção não só a um controle exterior ao processo, mas em especial a um controle interno, o que se dá pela ideia de recorribilidade9. 13. O que se quer dizer, portanto, é que a existência de motivação de uma determinada decisão é que viabiliza (não apenas sob uma perspectiva formal, mas especialmente de modo substancial) o acesso efetivo às instâncias recursais mediante a interposição do recurso cabível. Em contrapartida, decisão imotivada (sem fundamento) é o mesmo que negar acesso ao grau recursal ou reduzilo à uma questão exclusivamente de forma, isso sem falar na própria supressão de instância. 14. Não obstante, ainda quando se fala em decisão motivada, exigise também que a motivação seja completa, sem omitir pontos cuja solução pudesse conduzir o juiz a concluir diferentemente10. Assim, sempre que a sentença seja repartida em capítulos, cada um consistindo no julgamento de uma pretensão, todos eles devem ser precedidos de uma motivação que justifique a conclusão assumida pelo juiz11. 15. O que se quer dizer, portanto, é que a decisão deve fundamentar o acolhimento ou a rejeição de cada um dos pedidos e, consequentemente, de cada uma das correlatas causas de pedir próximas expostas ao longo da lide. Caso um mesmo pedido e, consequentemente, a mesma causa de pedir próxima correlata tenha mais de um fundamento, basta a adesão ou rejeição de um deles para que a decisão seja motivada. O que não se admite, 6 "Art. 458. São requisitos essenciais da sentença: (...); II os fundamentos, em que o juiz analisará as questões de fato e de direito; (...)." 7 "Art. 489. São elementos essenciais da sentença: I o relatório, que conterá os nomes das partes, a identificação do caso, com a suma do pedido e da contestação, e o registro das principais ocorrências havidas no andamento do processo; II os fundamentos, em que o juiz analisará as questões de fato e de direito; III o dispositivo, em que o juiz resolverá as questões principais que as partes lhe submeterem. § 1o Não se considera fundamentada qualquer decisão judicial, seja ela interlocutória, sentença ou acórdão, que: I se limitar à indicação, à reprodução ou à paráfrase de ato normativo, sem explicar sua relação com a causa ou a questão decidida; II empregar conceitos jurídicos indeterminados, sem explicar o motivo concreto de sua incidência no caso; III invocar motivos que se prestariam a justificar qualquer outra decisão; IV não enfrentar todos os argumentos deduzidos no processo capazes de, em tese, infirmar a conclusão adotada pelo julgador; V se limitar a invocar precedente ou enunciado de súmula, sem identificar seus fundamentos determinantes nem demonstrar que o caso sob julgamento se ajusta àqueles fundamentos; VI deixar de seguir enunciado de súmula, jurisprudência ou precedente invocado pela parte, sem demonstrar a existência de distinção no caso em julgamento ou a superação do entendimento." 8 "in" BUENO, Cássio Scarpinella. p. 165. 9 Portanto, o princípio da motivação é um instrumento "que se põe a serviço da já trabalhada ideia de recorribilidade – só é possível recorrer, convenhamos, de decisão judicial cujos fundamentos sejam conhecidos, permitindose, assim, o controle da atividade jurisdicional." (CONRADO, Paulo César. Introdução à teoria geral do processo civil. 2ª. ed. São Paulo: Max Limonad, 2003. p. 7172). 10 DINAMARCO, Cândido Rangel. "Instituições de direito processual civil (vol. I)". 6ª. ed. São Paulo: Malheiros, 2009. P. 249. 11 "Op. cit. Loc. cit." Fl. 782DF CARF MF 6 em contrapartida, é que um determinado pedido e a sua correlata causa de pedir próxima fiquem sem qualquer resolução. 16. Pois bem. Fixadas tais premissas, convém analisálas a partir do caso decidendo, de modo a constatar se a decisão recorrida encontrase ou não motivada, nos termos dos prescritivos legais alhures indicados. (ii) A análise da decisão recorrida 17. Conforme desenvolvido acima, a constatação quanto à motivação ou não de uma decisão de caráter judicativo perpassa, necessariamente, por um confronto de suas razões com as causas de pedir apresentadas na demanda, em especial com as causas de pedir próximas. Nesse esteio, insta retomar quais foram as causas de pedir próximas desenvolvidas pela recorrente em sua impugnação de fls. 613/632, quais sejam: (i) que em razão do que dispõe o GATT, não é possível conferir tratamento tributário diferenciado entre produtos nacionais e aqueles nacionalizados quando egressos de países membros do acordo; (ii) a glosa do crédito de IPI neutraliza o benefício fiscal aplicável às remessas destinadas à Zona Franca de Manaus; (iii) o Recorrente, na qualidade de importador de produto industrializado, é equiparado ao contribuinte do IPI, razão pela qual faz jus a manutenção do crédito nos termos do que dispõe o art. 4o da lei n. 8.387/91; e, por fim (iv) as remessas destinadas à Zona Franca de Manaus equiparamse à exportações, nos termos do que dispõe o Decretolei n. 288/67, c.c. o art. 40 da ADCT, o que também fundamentaria a manutenção do crédito. 18. Ao organizar tais fundamentos de forma sistemática, é possível acomodá los em dois grupos. Um primeiro que abrange os itens "i", "ii" e "iii" alhures e que diz respeito aos reflexos do GATT para o deslinde da presente demanda. Por sua vez, há um segundo fundamento, autônomo, e que é destacado no item "iv" acima e que diz respeito à uma particularidade da Zona Franca de Manaus, mais precisamente da natureza das operações "internas" perpetradas com tal área de livre comércio. 19. Organizado tais fundamentos desta forma, é possível concluir que as causas de pedir próximas destacadas nos itens "i", "ii" e "iii" foram devidamente enfrentadas pelo acórdão combatido. Ainda que pela transcrição de trechos da solução de consulta COSIT n. 37, de 29/11/2013, é possível concluir que a DRJ entendeu que a manutenção dos créditos de IPI aqui debatida seria indevida por ausência de expressa previsão legal e que, por conseguinte, admitir tal manutenção no caso em tela implicaria dar interpretação extensiva àquilo que a decisão chamou de "incentivo" fiscal, o que estaria em descompasso com o disposto no art. 111 do CTN. É o que se observa do seguinte trecho da decisão recorrida: O entendimento adotado pela fiscalização coadunase com a fundamentação expressa na Solução de Consulta nº 37 – Cosit, de 29/11/2013, tornada pública com a edição no Diário Oficial da União, de 12/12/2013, a qual abordou exaustivamente as questões suscitadas na impugnação. Por oportuno, cumpre frisar que, por força do art. 7º, V, da Portaria MF nº 341, de 12/07/2011 (DOU de 14/07/2011), o julgador que atua em DRJ deve observar rigorosamente as normas legais e regulamentares, Fl. 783DF CARF MF Processo nº 11065.720151/201534 Acórdão n.º 3402003.465 S3C4T2 Fl. 781 7 bem assim o entendimento da RFB expresso em atos normativos. A observância de atos interpretativos baixados pela RFB completa a lógica do julgamento administrativo de 1ª instância. Por esse motivo, adoto como razões de decidir os argumentos da citada Solução de Consulta, no que diz respeito ao aproveitamento de créditos relativos à aquisição de produtos remetidos com suspensão para a ZFM, que passo a transcrever, com destaques de pontos que considero relevantes, em negrito. (...). 21. Quanto à indagação do subitem 8.3, relativa a manutenção do crédito do IPI pago no desembaraço aduaneiro dos produtos de procedência estrangeira, importados pela consultante e revendidos para seus clientes localizados na ZFM ou nas ALC, referidas no Ripi/2010: 21.1 notese que, no que diz respeito à ZFM, embora em razão do princípio da nãodiscriminação admitase que a isenção (c/c a suspensão) em pauta seja extensiva ao produto nacionalizado, originário e procedente de país signatário do GATT/OMC ou que a ele tenha aderido, o estabelecimento importador (na operação, equiparado a estabelecimento industrial), ao dar saída a esse produto nacionalizado para a ZFM, deverá anular em sua escrita fiscal, mediante estorno, o crédito relativo ao IPI pago no desembaraço aduaneiro do mesmo produto. Isto porque, no caso da ZFM, o art. 4º da Lei nº 8.387, de 30 de dezembro de 1991, ao tratar das remessas para aquela região, somente assegurou a manutenção do crédito do IPI relativo às matériasprimas (MP), produtos intermediários (PI) e materiais de embalagem (ME) empregados na industrialização dos produtos remetidos para a referida zona franca, não prevendo a manutenção do crédito relativamente ao IPI pago no desembaraço aduaneiro dos produtos que, apesar de importados, excepcionalmente, em situações como a ora sob análise, poderão entrar na ZFM com a isenção de que trata o inciso III do art. 81 c/c com a suspensão prevista no art. 84 do Ripi/2010. Aliás, convém notar que a manutenção de créditos prevista no art. 4º da Lei nº 8.387, de 30 de dezembro de 1991, tem caráter de incentivo, não admitindo, portanto, interpretação extensiva. Observese que esse entendimento encontrase em consonância com a sistemática estabelecida no art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999, que se refere somente às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem; e (...) 21.3 Convém ressaltar que a manutenção de créditos prevista nos artigos legais mencionados nos subitens 21.1 e 21.2 tem caráter de incentivo, não admitindo, portanto, interpretação extensiva; e que o entendimento ora exposto encontrase em consonância com a sistemática estabelecida no art. 11 da Lei nº Fl. 784DF CARF MF 8 9.779, de 1999, que se refere somente às aquisições de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem. (...) (grifos constantes no original). 20. Está claro que o contribuinte discorda de tal entendimento, o que se depreende das suas bens elaboradas manifestações processuais. Tal fato, entretanto, redunda em uma discussão de mérito, incapaz, todavia, de macular o sobredito acórdão de um vício decorrente da carência de motivação. 21. Resta, entretanto, a análise da causa de pedir próxima remanescente e que, por si só, i.e., de forma autônoma, tem o condão de afastar a pretensão fiscal em apreço: tratase do fundamento aventado no sentido de que uma remessa destinada à Zona Franca de Manaus equiparase a exportação, nos termos do que dispõe o Decretolei n. 288/67, c.c. o art. 40 da ADCT. 22. Por se tratar de fundamento autônomo, referida causa de pedir deve ser objeto de tratamento específico da decisão recorrida, sob pena de nulidade, sendo este também o entendimento da mais abalizada doutrina, aqui representada pelas lições de Gabriel Lacerda Troianelli12: (...) Provocado pelos fatos e argumentos apresentados pelo contribuinte, o julgador administrativo deverá apreciálos, a todos, em sua decisão. Caso contrário, tal decisão será total ou parcialmente desmotivada, e, portanto, nula. (...) Assim sendo, se responde que: a motivação na decisão do julgador administrativo consiste no expresso exame dos fatos e argumentos invocados pelo contribuinte. (grifos nosso). 23. No presente caso, para refutar as alegações desenvolvidas pelo contribuinte e que se referem ao GATT, o acórdão atacado utilizou como seu partes dos fundamentos desenvolvidos na solução de consulta COSIT n. 37, de 29/11/2013. Referidos trechos, por seu turno, não apresentam qualquer consideração a respeito da equiparação com a exportação na hipótese de remessas de bens (nacionais ou nacionalizados) para a ZFM, o que, em tese, seria motivo autônomo e suficiente para afastar a exigência fiscal aqui combatida. 23 Nem se alegue que a razão de decidir utilizada para refutar a manutenção do crédito em relação às teses referentes ao GATT também seria passível de convocação para se contrapor ao fundamento aqui em destaque. E isso não seria possível na medida em que não existe uma única linha sequer a seu respeito no acórdão recorrido. Logo, concluir desta forma seria uma indevida conjectura por parte deste Tribunal, de modo a aproximar a atividade judicante deste órgão em um indevido "jogo" de adivinhação ou mesmo em uma missão de fé. 24. Em última ratio, as considerações aqui tecidas estão em compasso com o disposto na Súmula 283 do STF, que assim prevê: É inadmissível o recurso extraordinário, quando a decisão recorrida assenta em mais de um fundamento suficiente e o recurso não abrange todos êles. 25. Da mesma forma que um recurso não é admitido quando deixa de se opor a um fundamento capaz de, por si só, sustentar a decisão atacada, também não pode ser considerada motivada aquela decisão que deixa de analisar um motivo trazido por uma das 12 "in" "Processo Administrativo Fiscal". São Paulo: Dialética. 5º volume. p. 74. Fl. 785DF CARF MF Processo nº 11065.720151/201534 Acórdão n.º 3402003.465 S3C4T2 Fl. 782 9 partes litigantes e que, autonomamente, é suficiente para infirmar a parte dispositiva da decisão. Aliás, neste exato sentido é o disposto no art. 489, § 1o, inciso IV do NCPC, in verbis: Art. 489. São elementos essenciais da sentença: (...). § 1o Não se considera fundamentada qualquer decisão judicial, seja ela interlocutória, sentença ou acórdão, que: (...). IV não enfrentar todos os argumentos deduzidos no processo capazes de, em tese, infirmar a conclusão adotada pelo julgador; (...). 26. Tratando do assunto, Fredie Didier Junior, Paula Sarno Braga e Rafael Alexandria de Oliveira assim professam: Se a decisão não analisa todos os fundamentos da tese derrotada, seja ela invocada pelo autor ou pelo réu, será inválida por falta de fundamentação.(...) essa decisão contraria a garantia do contraditório, vista sob a perspectiva substancial, e não observa a regra da motivação da decisão13. 27. Diante deste quadro, tenho que a r. decisão recorrida é parcialmente nula, uma vez que carece de motivação, o que deve ser reconhecido apenas em relação ao fundamento desenvolvido pelo contribuinte e que diz respeito à necessidade de manutenção do crédito glosado em razão da equiparação da remessa destinada para a Zona Franca de Manaus com exportação, nos termos do que dispõe o Decretolei n. 288/67, c.c. o art. 40 da ADCT. Dispositivo 28. Ex positis, voto para dar provimento ao recurso voluntário interposto pela Recorrente, no sentido de reconhecer a nulidade parcial da decisão emitida, devendo o órgão julgador veicular nova decisão para enfrentar, de forma específica, o fundamento que fora detalhado no presente voto e invocado pelo contribuinte em sua impugnação. 29. É como voto. Diego Diniz Ribeiro Relator 13 "in" " Curso de direito processual civil vol. 02.". 10a. ed. Salvador: Jus Podivm, 20115. p. 337. Fl. 786DF CARF MF 10 Fl. 787DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.904227/2009-86
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Aug 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/03/2002
PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA.
Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do Decreto-Lei nº 288/67.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-004.092
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Incidência sobre receitas de vendas a empresas sediadas na ZFM. Recorrente CRISTINA APARECIDA FREDERICH & CIA LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/03/2002 PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do DecretoLei nº 288/67. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 42 27 /2 00 9- 86 Fl. 277DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13888.904227/200986 Acórdão n.º 9303004.092 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela contribuinte com fulcro nos artigos 64, inciso II e 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, meio pelo qual busca a reforma do Acórdão nº 3303002.514, que negou provimento ao recurso voluntário. Decidiu o colegiado a quo pela incidência das contribuições sobre as receitas oriundas de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus, no período tratado neste processo. Cientificado do mencionado acórdão o sujeito passivo apresentou recurso especial suscitando divergência jurisprudencial quanto à isenção das contribuições sobre as receitas decorrentes de vendas de mercadorias e serviços para empresas com domicílio na Zona Franca de Manaus. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.934, de 07/06/2016, proferido no julgamento do processo 10650.902444/201141, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303003.934): "A matéria, única, posta ao exame do colegiado não é nova. Com efeito, já tivemos oportunidade de nos pronunciar sobre ela em diversas ocasiões, tendo eu firmado convicção pela inaplicabilidade de qualquer medida desonerativa (seja isenção, imunidade ou alíquota zero) aos fatos geradores anteriores a julho de 2004. No relatório da Dra. Vanessa consta que o contribuinte aduziu em seu recurso: "que: (a) o DecretoLei nº 288/67 equipara os efeitos das operações de venda para a Zona Franca de Manaus às exportações para o estrangeiro, sendolhes aplicáveis as vantagens fiscais estabelecidas pela legislação para as exportações, nos termos do seu art. 4º; (b) o Superior Tribunal de Justiça pacificou o entendimento no sentido da não incidência de PIS sobre as receitas decorrentes das vendas para empresas sediadas na Zona Franca de Manaus; (c) o Supremo Tribunal Fl. 278DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13888.904227/200986 Acórdão n.º 9303004.092 CSRFT3 Fl. 4 3 Federal, ao proferir liminar na Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 2.3489, suspendeu a eficácia da expressão ‘na Zona Franca de Manaus’, contida no inciso I, do §2º do art. 14 da MP nº 2.03724/00, expressão suprimida do diploma legal pelo Poder Executivo ao editar, na mesma data, a MP nº 2.03725/2000; e, por fim, (d) não incide o PIS para os fatos geradores ocorridos em fevereiro de 2002, tendo em vista a revogação da expressão ‘na Zona Franca de Manaus’ do inciso I, §2º do art. 14 da MP nº 2.03725/2000 e a equiparação dos efeitos fiscais das vendas para a Zona Franca de Manaus às exportações para o exterior". Consideroos todos abarcados no voto que segue, proferido em sessão de 2011, no qual enfrentei ainda outros argumentos. Reconheço haver decisões do STJ em sentido oposto, mas, como nenhuma delas cumpre os requisitos do art. 62 do atual regimento interno desta Casa, peço vênia para continuar teimando. Disseo eu naquela ocasião: Vale iniciálo reenunciando o criativo entendimento da recorrente: a) não há necessidade de previsão legal expressa concessiva da isenção porque o decretolei 288 e o Ato Complementar 35/67 bastam; b) deferida isenção para exportações em geral, a vendas à ZFM está imediata e automaticamente estendida; c) tendo o Ato Complementar à Constituição de 67 a natureza de lei complementar, como pacificado em nossos Tribunais,. nenhuma lei ordinária o poderia revogar; d) a “revogação” pretendida somente vigorou entre ___ e ___, sendo de rigor reconhecer a isenção, ao menos, nos períodos anterior e posterior. Ainda que criativo, o raciocínio desenvolvido na defesa não merece prosperar cabendo a manutenção da decisão recorrida pelos motivos que se expõem em seguida. Em primeiro lugar, a premissa de que o decretolei 288 teria assegurado que todo e qualquer incentivo direcionado a promover as exportações deveria, imediata e automaticamente, ser estendido à Zona Franca de Manaus não resiste sequer ao primeiro dos métodos interpretativos consagradamente admitidos: a literalidade. É que tal extensão somente caberia se o citado decreto tivesse afirmado que as remessas de produtos para a Zona Franca de Manaus são exportação. Nesse caso, a equiparação valeria mesmo para outros efeitos, não fiscais. Poderia, para o que interessa, restringila a “todos os efeitos fiscais”. Se o tivesse feito, dúvida não haveria de que qualquer mudança posterior na legislação que viesse a afetar as exportações, no que tange a tributos, afetaria do mesmo modo e na mesma medida aquela zona. Fl. 279DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13888.904227/200986 Acórdão n.º 9303004.092 CSRFT3 Fl. 5 4 Mas já foi repetidamente assinalado que o artigo 4º daquele ato legal, embora traga de fato a expressão acima, apôs a ressalva “constantes da legislação em vigor”. Não vejo como essa restrição possa ser entendida de modo diverso do que tem sido interpretado pela Administração: apenas os incentivos às exportações que já vigiam em 1 de fevereiro de 1967 estavam “automaticamente” estendidos à ZFM por força desse comando. E ponho a palavra entre aspas porque nem mesmo o Poder Executivo – e vale assinalar que estamos falando de um período de exceção, em que o Poder executivo quase tudo podia – pareceu estar tão seguro desse automatismo, visto que fez editar, na mesma data, o Ato Complementar 35, cujo artigo 7º assegurou aquela extensão ao ICM. Aliás, da interpretação dada pela recorrente a este último ato também divergimos. Deveras, pretende ela que ele teria alçado ao patamar de lei complementar a equiparação já prevista no decretolei. A meu ver, porém, tudo o que faz é definir com maior precisão o que se entende por produtos industrializados para efeito da não incidência de ICM nas exportações já prevista na Constituição de 67. Defineos no parágrafo 1º, recorrendo à tabela do então criado imposto sobre produtos industrializados (tabela anexa à Lei 4.502). No parágrafo segundo, estende, também para efeito de ICM, aquela imunidade às vendas a zonas francas. Essa interpretação me parece forçosa quando se sabe que, segundo a boa técnica legislativa, os parágrafos de um dado artigo não acrescentam matéria ao disposto no caput, apenas esclarecem sobre o alcance daquela matéria. E ao esclarecer podem impor uma definição restritiva, como no parágrafo primeiro, ou extensiva, como no segundo. O que não pode um simples parágrafo é tratar de matéria que não esteja contida no caput e nos seus incisos. E não parece haver dúvida de que aí apenas se cuida da imunidade do ICM. Assim, o ato legal nem previu imunidade genérica, nem estendeu ao IPI a imunidade do ICM, como afirma a empresa. Ora, se a previsão do decretolei deveria alcançar “todos os efeitos fiscais” e já havia previsão de imunidade de ICM sobre produtos industrializados, para que tal parágrafo no ato complementar? Há, contudo, razões mais profundas do que a mera literalidade. É que a zona franca de Manaus não é meramente uma área livre de restrições aduaneiras, característica das chamadas zonas francas comerciais. O que se buscou com a sua criação foi induzir a instalação naquele distante rincão nacional de empresas de caráter industrial, que gerassem emprego e renda para a região Norte. Para tanto, definiuse um conjunto de incentivos fiscais que, à época de sua criação, seria suficiente, no entender dos seus formuladores, para gerar aquela atração. Tais incentivos, e apenas eles, configuram diferenciação em favor dos produtos importados e industrializados naquela área. Fl. 280DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13888.904227/200986 Acórdão n.º 9303004.092 CSRFT3 Fl. 6 5 Foi essa diferença tributária que induziu a criação do parque industrial que ali se veio a instalar e, assim, é apenas a retirada de algum daqueles incentivos que pode ser taxada de “quebra de contrato”. A contrário senso, novos incentivos fiscais que se venham a instituir podem ou não ser a ela estendidos conforme entenda útil o legislador por ocasião de sua instituição. Isso não se dá automaticamente com os incentivos genéricos à exportação cujo objetivo comum tem sido a geração das divisas imprescindíveis ao pagamento dos compromissos internacionais durante tanto tempo somente alcançáveis por meio das exportações. Por óbvio, a ninguém escapa que vendas à ZFM não geram divisas. Diferentes, pois, os objetivos, nenhum automatismo se justifica. Prova desse raciocínio é que dois anos apenas após a criação da ZFM, inventaram os “legisladores executivos” de então novo incentivo à exportação, o malsinado “crédito prêmio” posteriormente tão combatido nos acordos de livre comércio a que o País aderia. Sua legislação expressamente incluiu a Zona Franca. Fêlo, no entanto, apenas para os casos em que, após serem “exportados” para lá, fossem dali efetivamente exportados para o exterior (“reexportados”, na linguagem do declei). Em outras palavras, já em 1969 dava o executivo provas de que aquela extensão nem era automática, nem tinha que se dar sem qualquer restrição. Logo, ainda que se avance na interpretação da norma, ultrapassando o método literal e adentrandose o histórico e o teleológico, se chega à mesma conclusão: o decretolei 288 apenas determinou a adoção dos incentivos fiscais à exportação já existentes e acresceu incentivos específicos voltados a promover o desenvolvimento da região menos densamente povoada de nosso território. Nessa linha de raciocínio, portanto, há de se buscar na legislação específica do PIS e da COFINS, tributos somente instituídos após a criação da ZFM, dispositivo que preveja alguma forma de desoneração nas vendas àquela região, seja a não incidência, alíquota zero ou isenção. E não se precisa ir longe para ver que ela somente começa a existir em 2004, com a edição da Medida Provisória 202. De fato, a “exclusão das receitas de exportação” da base de cálculo do PIS tratada na Lei 7.714 e a isenção da COFINS sobre receitas de exportação prevista na Lei Complementar 70 e objeto da Lei complementar 85 não incluíram expressamente as vendas à ZFM ainda que tenham estendido o benefício a outras operações equiparadas a exportação. Um exame cuidadoso dessas extensões vai revelar o que se disse acima: todas elas geram, imediata ou mediatamente, divisas internacionais. A conclusão que se impõe, assim, é que não havia, até o surgimento da Medida Provisória 1.858 qualquer benefício fiscal Fl. 281DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13888.904227/200986 Acórdão n.º 9303004.092 CSRFT3 Fl. 7 6 que desonerasse de PIS e de COFINS as receitas obtidas com a venda de produtos para empresas sediadas na ZFM. É certo que esse entendimento não era uníssono, muita peleja tendo se travado entre o fisco e os contribuintes que pretendiam estarem tais vendas amparadas pelos atos legais mencionados. E essas divergências somente se agravaram com a edição da MP, cuja redação padece de diversas inconsistências. Com efeito, tal MP, que revogou a Lei 7.714 e a Lei Complementar 85, disciplinando por completo a isenção das duas contribuições nas operações de exportação trouxe dispositivo expresso “excluindo” as vendas à ZFM. Isso, por óbvio, aguçou a interpretação de que já havia dispositivo isentivo e que esse dispositivo estava sendo agora revogado. Defendo que não, embora seja forçoso reconhecer que o dispositivo apenas criou desnecessário imbróglio. Com efeito, ouso divergir da conclusão exposta no Parecer PFGN 1789 no sentido de que tal ressalva se destinava apenas aos comandos insertos nos incisos IV, VI, VIII e IX. A razão para tanto é que aí ventilamse hipóteses intrinsecamente ligadas ao objetivo que o ato pretende incentivar: vendas para o exterior que trazem divisas para o país. Refirome aos incisos VIII (vendas com o fim de exportação a trading companies e demais empresas exportadoras) bem como o fornecimento de bordo a embarcações em tráfego internacional (ship’s Chandler). Além disso, a interpretação não apenas retira um incentivo, ela pressupõe um desincentivo: qualquer trading do decretolei 1.248/72, exportadora inscrita na SECEX ou ship’s Chandler instalada em outro ponto do território nacional terá vantagem em relação à que ali se instale. Não faz sentido tal discriminação contra a ZFM. A interpretação dada pela douta PGFN parece buscar um sentido para o comando do parágrafo de modo a não tornálo redundante. Fêlo, todavia, da pior forma, a meu sentir, pois fixouse no método literal esquecendose de considerar o motivo da norma. Realmente, uma cuidadosa leitura do parecer permite ler o artigo, com o respectivo parágrafo segundo, da seguinte forma: há isenção quando se vende com o fim específico de exportação, desde que a empresa compradora (trading ou simples exportadora inscrita na SECEX) NÃO esteja situada na ZFM. Com a exclusão do parágrafo: há isenção quando se vende com o fim específico de exportação, mesmo que a empresa compradora (trading ou simples exportadora inscrita na SECEX) esteja situada na ZFM. Ora, o objeto da isenção versada nesses dispositivos nada tem a ver com a localização da compradora mas com o que ela faz. É a atividade (exportação com conseqüente ingresso de divisas) que se quer incentivar. O que se tem de decidir é se a mera venda à ZFM, que não gera divisa nenhuma, deve a isso ser equiparado. Foi isso, em meu entender, que o parágrafo quis dizer: não é o que o Parecer da PGFN consegue nele ler. Fl. 282DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13888.904227/200986 Acórdão n.º 9303004.092 CSRFT3 Fl. 8 7 Em conseqüência desse parecer, surgem decisões como as que ora se examinam: o pedido tinha a ver com venda a ZFM. A decisão abre a possibilidade de que tenha mesmo havido recolhimento indevido, mas por motivo completamente diverso. E mais, atribui ao contribuinte a prova dessa outra circunstância, que não motivara o seu pedido. Nonsense completo. Esse meu reconhecimento implica aceitar que o malsinado parágrafo estava sim se referindo, genericamente, às vendas à ZFM, ou, mais claramente, está ele a dizer que, para efeito do incentivo de PIS e COFINS, a mera venda a empresa sediada na ZFM não se equipara à exportação de que cuida o inciso II do ato legal em discussão. Mas, ao fazêlo, não está revogando dispositivo isentivo anterior: está simplesmente cumprindo o seu papel esclarecedor, ainda que nesse caso melhor fosse nada ter tentado esclarecer... Aliás, idêntico dispositivo esclarecedor poderia ter estado presente na LC 85 e na Lei 7.714 como já estivera no decretolei 491. Com isso, muita discussão travada administrativamente teria sido evitada ou transferida para o Judiciário. É a ausência de tal dispositivo e sua presença na nova lei que cria o imbróglio. Ele não leva, contudo, em minha opinião, à interpretação simplória de que tal ausência implicasse haver isenção. Para isso, primeiro, se tem de admitir que basta o Decretolei 288. Essa interpretação, pareceme, está em maior consonância com o espírito legisferante, pois não faz sentido considerar que uma norma que procura incentivar as exportações tenha instituído uma discriminação contra uma região (região, aliás, que sempre se procurou incentivar) em operações que produzem o mesmo resultado: a geração de divisas internacionais. A minha conclusão é, assim, de que mesmo entre 1º de fevereiro de 1999 e 31 de dezembro de 2000 há, sim, isenção das contribuições naquelas hipóteses, ainda que a empresa esteja situada na ZFM. Em outras palavras, a localização da empresa não é impeditivo à fruição do incentivo à exportação, desde que cumprido o que está previsto naqueles incisos. Mas tampouco há isenção APENAS PORQUE A COMPRADORA LÁ ESTEJA. Nos recursos ora em exame, esse foi o fundamento do pedido e a ele deveria terse restringido a DRJ. Nesses termos, só causa mais imbróglio a afirmação constante no acórdão recorrido de que “haveria direito” no período de 1º de janeiro de 2001 a julho de 2004 mas não estava ele adequadamente comprovado. Simplesmente não há o direito na forma requerida. E por isso mesmo não cabe a pretensão do contribuinte de que a Administração adapte o seu pedido fazendo as pesquisas internas que permitam apurar se alguma das empresas por ele listadas na planilha referida se enquadra naquelas disposições. Fl. 283DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13888.904227/200986 Acórdão n.º 9303004.092 CSRFT3 Fl. 9 8 O máximo que se poderia admitir, dado o teor da decisão, era que, em grau de recurso, trouxesse a empresa tal prova. Não o fez, porém, limitandose a postular a nulidade da decisão porque não determinou aquelas diligências. Não sendo obrigatória a realização de diligências, como se sabe (art. __ do Decreto 70.235), sua ausência não acarreta nulidade da decisão proferida por quem legalmente competente para tal. Cabe sim manter aquela decisão dado que o contribuinte não comprovou o seu direito como lhe exigem o Decreto 70.235, a Lei 9.784 e o próprio Código Civil (art. 333). Com tais considerações, nego provimento ao recurso do contribuinte. Com essas mesmas considerações, votei, também aqui, pelo não provimento do recurso do contribuinte, sendo esse o acórdão que me coube redigir." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado acima do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso especial do contribuinte, em razão da incidência das contribuições sobre as receitas oriundas de vendas efetuadas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus, no período tratado neste processo. Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 284DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 15504.720248/2014-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Feb 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011
SERVIÇOS PRESTADOS POR PESSOA JURÍDICA. INTELIGÊNCIA DO ART. 129 DA LEI Nº 11.196/05. POSSIBILIDADE.
A contratação de pessoa jurídica para a prestação de serviços intelectuais, mesmo em caráter personalíssimo, encontra seu limite na relação de emprego. Caracterizado o vínculo de emprego, em especial a subordinação, as disposições do artigo 9º da CLT embasam a desconsideração do negócio jurídico firmado.
MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICADORA. OCORRÊNCIA NA SIMULAÇÃO.
A consequência prevista pelo legislador para a simulação, devidamente comprovado pelo Fisco, é a qualificação da multa de ofício.
Numero da decisão: 2201-003.374
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e no mérito, dar provimento parcial ao recurso para determinar a exclusão do lançamento os valores referentes ao pagamentos efetuados a empresa Superven Projetos e Supervisão Ltda.
CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Presidente.
CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra, Dione Jesabel Wasilewski, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Marcelo Milton da Silva Risso e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA
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INTELIGÊNCIA DO ART. 129 DA LEI Nº 11.196/05. POSSIBILIDADE. A contratação de pessoa jurídica para a prestação de serviços intelectuais, mesmo em caráter personalíssimo, encontra seu limite na relação de emprego. Caracterizado o vínculo de emprego, em especial a subordinação, as disposições do artigo 9º da CLT embasam a desconsideração do negócio jurídico firmado. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICADORA. OCORRÊNCIA NA SIMULAÇÃO. A consequência prevista pelo legislador para a simulação, devidamente comprovado pelo Fisco, é a qualificação da multa de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e no mérito, dar provimento parcial ao recurso para determinar a exclusão do lançamento os valores referentes ao pagamentos efetuados a empresa Superven Projetos e Supervisão Ltda. CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Presidente. CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 02 48 /2 01 4- 09 Fl. 967DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra, Dione Jesabel Wasilewski, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Marcelo Milton da Silva Risso e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão que julgou improcedente a impugnação ao lançamento de contribuições previdenciárias incidentes sobre pagamentos efetuados a pessoas físicas constituídas como pessoas jurídicas prestadoras de serviços personalíssimos, além das devidas a outras entidades e fundos. Os motivos ensejadores do lançamento tributário se encontram no Relatório Fiscal (fls 39 do processo digitalizado). Na ação fiscal foram constituídos os seguintes documentos de crédito: · Auto de Infração Debcad n° 51.047.3172, no valor de R$ 2.731.696,84, atualizado até janeiro de 2014, referente ao valor do tributo, juros e multa de ofício, relativo à quota patronal de contribuição previdenciária devida sobre os valores pagos aos segurados empregados e aos contribuintes individuais constituídos como pessoas jurídicas. · Auto de Infração Debcad n° 51.047.3180, no valor de R$ 205.198,51, atualizado até janeiro de 2014, referente ao valor do tributo, juros e multa de ofício, relativo à parte dos segurados da contribuição previdenciária devida sobre os valores pagos aos segurados empregados e aos contribuintes individuais constituídos como pessoas jurídicas. · Auto de Infração Debcad n° 51.047.3199, no valor de R$ 524.920,25, atualizado até janeiro de 2014, referente ao valor do tributo, juros e multa de ofício, relativo à contribuição devida aos terceiros sobre os valores pagos aos segurados empregados constituídos como pessoas jurídicas. · Auto de Infração Debcad n° 51.053.3256, no valor de R$ 1.812,87, atualizado até janeiro de 2014, referente multa por não preparar folha de pagamento das remunerações pagas a todos os segurados. · .Auto de Infração Debcad n° 51.053.3264, no valor de R$ 18.128,43, atualizado até janeiro de 2014, referente multa por deixar de lançar em títulos próprios da contabilidade. · Auto de Infração Debcad n° 51.053.3272, no valor de R$ 1.812,87, atualizado até janeiro de 2014, referente multa por deixar de Fl. 968DF CARF MF Processo nº 15504.720248/201409 Acórdão n.º 2201003.374 S2C2T1 Fl. 968 3 arrecadar mediante desconto as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço. O crédito tributário constituído se refere a período de janeiro de 2009 a dezembro de 2011. O lançamento tributário se aperfeiçoou com a ciência pessoal do sujeito passivo em 12 de janeiro de 2014. Inconformado, o contribuinte apresenta impugnação (fls. 673), tempestivamente. A 7ª Turma da DRJ Curitiba, por unanimidade, por meio do Acórdão 06 50.302 (fls. 890), decidiu pela improcedência da impugnação. Tal decisão contém o seguinte relatório, que adoto, por sua clareza e precisão (fls. 891): "O crédito tributário apurado neste Auto de Infração corresponde às contribuições calculadas sobre os valores pagos a 10 empresas prestadoras de serviços, cujos sócios administradores foram caracterizados como segurados empregados da empresa autuada. A fiscalização analisou a documentação apresentada e, tendo em vista as peculiaridades da forma de contratação, concluiu que a prestação de serviços ocorria diretamente pelos sócios das empresas contratadas, com pessoalidade, onerosidade, não eventualidade e subordinação jurídica, condições que os enquadram na condição de segurados empregados da empresa contratante, nos termos da legislação previdenciária. A outra parte deste crédito apurada no Auto de Infração em questão contemplam também diferenças da contribuição para financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (RAT), incidente sobre as remunerações pagas a empregados. Essas diferenças são decorrentes da aplicação do Fator Acidentário de Prevenção – FAP, nos termos do art. 202A do Regulamento da Previdência Social, o que resultou na alteração da alíquota de RAT da empresa de 3% para 4,7511% para o ano de 2010, foi informado equivocadamente em GFIP a alíquota de 1,5837%, enquanto que para o ano de 2011 o Rat Ajustado passou a ser de 3% (alíquota RAT x FAP = 3% x1,0), sendo informado em GFIP o Rat Ajustado no percentual de 1,5837%. (...) A empresa autuada apresentou impugnação tempestiva, com as alegações a seguir sintetizadas. Que todos os contratos de prestação de serviços foram firmados entre duas pessoas jurídicas, com objetos diversos e com remuneração estritamente vinculada a contraprestação ao trabalho realizado, estes de caráter específico e transitório, em valores livremente pactuados entre as partes. Fl. 969DF CARF MF 4 Descreve os requisitos necessários para se caracterizar uma relação de emprego, informando que para se configurar o vínculo empregatício, devem ser observados e preenchidos todos os requisitos do art. 3º da CLT e não apenas um ou alguns deles, apresenta jurisprudência neste sentido. Ressalta que os contratos firmados não foram intuitu personae, não possuíam caráter personalíssimo, embora os serviços eventualmente tenham sido prestados por sócios das pessoas jurídicas contratadas. Aduz que o simples fato das empresas contratadas não possuírem empregados, por si só, não é suficiente para se configurar relação de emprego, o mesmo se diga para o fato de algum sócio eventualmente prestar o serviço contratado. Alega que os serviços não podem ser executados por qualquer pessoa, eis que exigem para sua execução alto grau de especialização, bem como conhecimento e nível de qualificação, que muitas vezes não são encontrados em empregados, são serviços prestados por profissionais liberais (na maioria, engenheiros) que respondem pessoalmente pela execução o que justifica a ausência de funcionários nas empresas e a prestação por sócios. Afirma que o fato dos serviços serem prestados por sócio, não desvirtua o contrato de serviço e nem o transforma em um contrato de trabalho, até porque existe a possibilidade dos serviços serem prestados por mais de um sócio da mesma pessoa jurídica. Entende que não se pode dizer que os pagamentos às pessoas jurídicas contratadas seriam salário, pois os valores se referem a remuneração pela contraprestação dos serviços realizados por pessoa jurídica. Ou seja, o pagamento realizado tem relação direta com o resultado do trabalho realizado. Apresenta distinção entre a remuneração de um contrato de tralhalho típico de um contrato de trabalho de trabalho autônomo. Informa que para a emissão das faturas e autorização de pagamento era necessário a realização do trabalho contratado e medido, e não mero cumprimento de horários, razão pela qual inclusive há variação nos pagamentos dos prestadores de serviços em comento, tanto em valor, quanto em periodicidade. Contesta a afirmação da Fiscalização ao considerar que os serviços contratados eram permanentes e relacionados com as atividade normais da empresa, o que levaria necessariamente à nãoeventualidade. Entende que configura a (não) eventualidade da prestação seria a freqüência e sua continuidade no tempo e não necessariamente o tipo ou perfil do serviço prestado. Salienta que o fato do serviço coincidir em parte com o objeto social do contratante não é suficiente para descaracterizar o contrato de serviço e transformálo em relação de trabalho. Afirma que o objeto social do contratante é muito mais amplo e abrangente do que os constantes dos contratos de serviços Fl. 970DF CARF MF Processo nº 15504.720248/201409 Acórdão n.º 2201003.374 S2C2T1 Fl. 969 5 firmados, o que torna normal e legal que partes específicas e delimitadas destes serviços sejam subcontratadas, como ocorreu no caso. Alega que os prestadores contratados prestavam simultaneamente os mesmos ou similares serviços para diversos contratantes e não apenas para a autuada, o que denota ausência de dependência, subordinação e mesmo regularidade ou nãoeventualidade suficientes para configurar uma plena relação de emprego. Ressalta que a fiscalização chamou de poder diretivo do empregador sobre o empregado, o fato de o contratante dirigir a prestação dos serviços, dando ordens, fiscalizando, indicando métodos de trabalho e condições de execução das tarefas, na realidade nada mais é do que mera orientação para a execução dos serviços. Aduz que todos os prestadores contratados sempre assumiram o risco de suas atividades suportando plenamente os riscos do seus próprios empreendimentos, recebendo os pagamentos somente após realizados os serviços executados. Informa que o fato dos contratos de serviços conterem cláusulas, determinando, que caberia à contratante fornecer instruções e especificações técnicas, indispensáveis a execução dos serviços, de modo algum prova o poder diretivo da empresa ou a subordinação do contratado. Apresenta jurisprudência na qual consta que as diretrizes previamente traçadas pelo empresário e a exigência de padrões de qualidade não implicam “per se” em existência de subordinação jurídica. Informa que não há nos contratos ou na relação comercial estabelecida nenhum indício de subordinação dos contratados a qualquer controle ou poder disciplinar do contratante, o que mais uma vez vulnera a idéia de subordinação jurídica. Apresenta jurisprudência do TRT, na qual consta que o fato de o médico desenvolver serviços diretamente relacionados à atividade fim do hospital é insuficiente para autorizar o reconhecimento da relação de emprego. Resume este tópico alegando que os prestadores de serviço não recebem ordens, não estão subordinados ao poder de direção em sua tríplice dimensão: poder de organização, controle e disciplinar. Salienta que os prestadores de serviços não faturam seus serviços única e exclusivamente à empresa autuada, mas também para outras empresas, não havendo assim a dependência econômica, uma vez que os pagamentos representam parte do faturamento das prestadoras Fl. 971DF CARF MF 6 contratadas, o que podese verificar pela numeração não seqüencial das Notas Fiscais. Entende que para se elidir o contido nos contratos de serviços firmados não basta meras presunções, ilações ou deduções, como fez a fiscalização, deveria ter apresentado robusto acervo probatório para se descaracterizar atos jurídicos perfeitos. Apresenta jurisprudência a respeito. Após tais argumentações a Impugnante apresentou uma análise individualizada e detalhada de cada contrato de prestação se serviço. SUPERVEN PROJETOS E SUPERVISÃO LTDA (sócio Edison Antônio Nunes). Afirma que o contrato de prestação foi firmado em 2008 com a Superven, tendo por objeto o assessoramento e consultoria na supervisão de obras rodoviárias realizadas no Entrocamento MG 147, estritamente vinculados ao contrato entre a Planex e o DERMG. Salienta que a Superven foi contratada para dar suporte, assessoria e consultoria especificamente na supervisão das obras da rodovia MG 147, fazendo o acompanhamento administrativo das obras e preparação das medições dos serviços executados pela empreiteira. Ressalta que se houvesse relação de emprego não haveria porque vincular os serviços prestados a uma obra específica, melhor seria que o empregado ficasse plenamente à disposição do contratante, para atuar em quaisquer projetos. Alega que a Fiscalização reconheceu que os serviços foram prestados apenas e tão somente entre agosto de 2008 e junho de 2010, que foi justamente o período de duração da obra. Informa que a Superven encontrase até hoje, mais de três anos depois, em plena atividade, com cadastro de CNPJ Ativo (documento em anexo), o que denota total independência em relação à Planex e a eventualidade dos serviços contratados àquela época. Aduz que os serviços eram prestados de forma a auxiliar e dar suporte à contratante e que não possuía empregados, por se tratar de sociedade de profissionais liberais engenheiros, que necessitam que a prestação do serviço fosse feita pessoalmente e de acordo com a habilitação profissional. Esclarece que não se pode falar em pessoalidade na prestação do serviço, visto que a empresa possuía dois sócios, ambos engenheiros, e que em momento algum o contrato de serviço Fl. 972DF CARF MF Processo nº 15504.720248/201409 Acórdão n.º 2201003.374 S2C2T1 Fl. 970 7 indicou qual deles deveria prestar o serviço, uma vez que ambos estariam aptos para tanto. Aponta ainda pela deficiência da Fiscalização ao vincular especificamente o Sr. Edison com o prestador do serviço, em detrimento do outro sócio o Sr. Evandro. Informa que o Sr. Edison assinou sozinho o contrato de prestação de serviços porque era o representante legal da empresa, nomeado no contrato social. Cita as cláusulas 6.1 e 9 do contrato de prestação de serviço, que falam respectivamente sobre a responsabilidade civil pela execução dos serviços e pela possibilidade de rescisão unilateral a qualquer tempo, o que demonstra a total incompatibilidade com qualquer relação de emprego. Entende que o fato da contratante fornecer elementos, instruções e especificação técnicas para a execução dos serviços indica mera orientação para melhor execução do serviço contratado, o que é comum em contratos deste tipo. Ressalta que as despesas arcadas pela contratante, mediante prestação e reembolso, não desnatura o contrato de serviço. Explica que o serviço era prestado a 317 Km da sede da empresa contratada, o que justifica o reembolso das despesas inerentes ao deslocamento, o que não se confundem com as despesas ligadas à prestação em si do serviço contratado. Alega que as medições realizadas pelo DER/MG eram regulares e mensais, o que justifica a periodicidade das Notas Fiscais emitidas. Por último a Impugnante alega que os valores dos serviços eram depositados na conta corrente de titularidade da empresa Superven e não em contas de pessoas físicas. LEONARDO VIANA MAGALHÃES DA ROCHA – ME Alega que em 2008 a Planex firmou um contrato de consultoria com a empresa Leonardo Viana Magalhães da Rocha – ME, com prazo de duração de 90 dias, para elaboração de estudos e pesquisas, para análise de viabilidade e desenvolvimento de futuros negócios nas áreas de exploração de florestas e produção de carvão e de escoramente de madeira, etc... Informa que não possuía empregados porque era empresa de profissionais liberais engenheiros. Cita as cláusulas 6.1 e 9 do contrato de prestação de serviço que não condizem com qualquer pacto laboral. Justifica que o fornecimento de elementos, instruções e especificações técnicas para a execução de serviços indicam a mera orientação para a realização dos trabalhos, não implicando qualquer tipo de subordinação. Esclarece que o pagamento de despesas (transporte, combustível, hospedagem, alimentação) eram pagas sempre que Fl. 973DF CARF MF 8 havia a necessidade de deslocamento ou estadia em Município distante da sede da contratada, o que não é nada incomum. Salienta que em março de 2009 o Sr. Leonardo montou uma sociedade com o Sr. Maurício Dias Fernandes e outros investidores, denominada ICP AGROFLORESTAL LTDA, cujo objeto era a administração de áreas florestadas ou reflorestadas, etc... Afirma que nesta sociedade o Sr. Leonardo detinha 47,87% da participação societária, além do que era Diretor Superintendente da empresa, com responsabilidades gerenciais e administrativas, conforme previsão do contrato social. Entende que com tamanha responsabilidade não poderia ser empregado da Planex, até porque seria inviável sua obediência a horários e rotinas administrativas e executivas próprias de uma relação laboral. Afirma que em 15/09/09 a Planex e o Sr. Leonardo firmaram contrato de parceria rural extrativa com a fazendeira Paula Maria Pinheiro Barbosa Mello, para exploração de eucaliptos, no qual o Sr. Leonardo participava como sócio do empreendimento, o que mais uma vez denota o relacionamento estritamente comercial entre eles. SBG ENGENHARIA DE PROJETOS LTDA (José Alfredo Araújo) Alega que firmou contrato com a SBG em janeiro de 2010 com prazo determinado de 1(um) ano, o objeto do contrato era a execução de serviços de coordenação, gestão da elaboração de projetos e gerência de implantação de unidades industriais para captação, tratamento e/ou disposição de resíduos sólidos com geração de energia elétrica. Informa que não possuía empregados, pois era sociedade de profissionais liberais. Cita a cláusula Primeira do contrato de serviço que prevê a possibilidade de contratação de terceiros pela Contratada, para realizar as atividades técnicas, financeiras e administrativas necessárias, com prévia anuência da contratante, o que afasta alegação da pessoalidade na prestação dos serviços. Esclarece que a SBG possuía exatamente 4 sócios, com formação nas áreas de Engenharia Elétrica, Civil, Mecânica e Arquitetura e Urbanismo. Alega que como o contrato de prestação era multidisciplinar, que envolvia diversas áreas a Planex optou pela contratação de uma empresa cujos sócios tinham formação diversificada e atendiam a todas as disciplinas exigidas pelo contrato. Ressalta que em nenhum documento foi estabelecido que o trabalho seria executado exclusivamente pelo Sr. José Alfredo Araújo, a quem arbitrariamente a Fiscalização quis atribuir o vínculo de emprego. Informa que o Sr. José sequer é engenheiro civil, eis que sua formação é em engenharia mecânica. Acredita que o Sr. José foi considerado pela fiscalização pelo fato deste ter assinado o Fl. 974DF CARF MF Processo nº 15504.720248/201409 Acórdão n.º 2201003.374 S2C2T1 Fl. 971 9 contrato de prestação de serviço com a Planex por ser ele o representante legal da SBG. Entende que o fato do pagamento poder ser quitado em 12 parcelas anuais, não pode ser considerado como pagamento de salário e nem remuneração de êxito, considerada pela fiscalização como participação do empregado nos lucros e resultados. Ressalta que a participação dos empregados nos resultados deve ser pago periodicamente (no máximo duas vezes ao ano, jamais mensalmente) e não de forma esporádica e excepcional, como está previsto na cláusula terceira do contrato em análise. Além do que a participação nos lucros beneficia a todos os trabalhadores da empresa, bem como fora deliberada em acordo entre comissão de trabalhadores e a empresa, o que definitivamente não ocorreu no caso. Afirma que a seqüência numérica absolutamente irregular das Notas Fiscais emitidas pela SBG contra a Planex com diferença de quatro, cinco números entre as notas emitidas demonstra que ela faturava outros serviços prestados a diversos clientes, o que afasta a alegação de subordinação jurídica ou de dependência econômica. Informa que no mês de setembro de 2011 fora emitida contra a Planex uma única Nota Fiscal no valor de R$ 42.600,00, cifra incompatível com a remuneração mensal de engenheiro contratado. Cita a Cláusula 8.1 do contrato de serviços, que prevê rescisão unilateral do contrato, a qualquer tempo, o que incompatibiliza com um contrato de trabalho. Entende que o fato de constar que a contratante deve fornecer elementos, instruções e especificações técnicas para a execução dos serviços, não implica qualquer tipo de subordinação. Ressalta que o índice de reajustamento do contrato, previsto na cláusula 4, foi escolhido de forma arbitrária pela partes, apenas e tão somente para corrigir o preço em caso de prorrogação automática. Aduz que em relação ao pagamento das despesas (transporte, combustível, hospedagem, alimentação) foram feitas com base na cláusula 7.1 do contrato de serviço em caso de deslocamento, ou estadia em outro Município. ADVENGER S/C LTDA – ADVOCACIA & ENGENHARIA – ME (sócia– Patrícia Gontijo S. Dorneles). Alega que a Srª Patrícia foi funcionária contratada pela Planex no período de 02/03/2009 a 30/10/2009. Informa que a empresa ADVENGER ENGENHARIA existe desde outrubro de 2000, portanto, há mais de treze anos, e que nos meses de janeiro e março de 2009 prestou três serviços distintos de elaboração de projetos, para obras específicas e distintas e Fl. 975DF CARF MF 10 por conta destes trabalhos foi oferecido um contrato de trabalho, com subordinação entre Patrícia e a empresa Planex. Esclarece que no período de 03/2009 a 10/2009 a Srª Patrícia elaborava os projetos, deixando de existir a necessidade de contratação de terceiros para o trabalho o que justifica a ausência de Notas Fiscais no período. Em 10/2009 o vínculo de trabalho fora desfeito com a Planex que voltou a contratar os projetos da Advenger Engenharia na medida de suas necessidades, e desde então não há que se falar em relação de subordinação, cumprimento de regras e horários. Afirma que a seqüência numérica absolutamente irregular das Notas Fiscais emitidas pela Advenger Engenharia contra a Planex (diferença de dois, três, quatro números entre as notas emitidas) demonstra que ela faturava outros serviços e de diversos clientes. HMB CONSULTORIA EM ADMINISTRAÇÃO LTDA – (Sócio –Henrique Braga Neto). Alega que contratou em 02/2009 a empresa HMB para a prestação de serviços de Assessoria e Consultoria em Administração de Empresas, contrato de experiência que foi renovado até a passar para prazo indeterminado. Informa que a empresa HMB existe desde 12/2004 e que possui 2 sócios: Eduardo Queiroz Braga (majoritário e administrador) e Henrique Braga Neto, ambos formados em Administração de Empresas. Lembra que os serviços contratados foram de assessoria e consultoria administrativa, não se relacionando com serviços de engenharia, sendo que em momento algum os contratos falam em prestação pessoal e exclusiva por parte do Sr. Henrique, podendo os serviços contratados serem realizados por ambos os sócios. Alega ainda que o Sr. Henrique sequer é engenheiro, não poderia assim prestar as atividadesfim da empresa. Ressalta que entre 01/2009 a 12/2011 a HMB, além da Planex, prestou simultaneamente serviços para diversas empresas, o que demonstra a ausência de pessoalidade, subordinação e dependência econômica. Ressalta que a contratação de empresas de assessoria e consultoria é mais do que normal, e que tais atividades independiam do cumprimento de horários, exclusividade e até do comparecimento físico ou pessoal de seus sócios. Argumenta que ao conhecer o trabalho desenvolvido pelo Sr. Henrique na HMB em 02/2011 a Planex convidouo para assumir a função de Diretor Adjunto Financeiro, com contrato de trabalho devidamente registrado, sendo que nesta mesma época fora feito o distrato do Contrato de Serviços com a HMB. Informa que desde então foram emitidas somente 5 Notas Fiscais em face da Planex pela HMB, estas com numeração não Fl. 976DF CARF MF Processo nº 15504.720248/201409 Acórdão n.º 2201003.374 S2C2T1 Fl. 972 11 seqüencial e com valores variados, inclusive incompatíves com a contração de um profissional deste nível. SULTCON CONSULTORIA E PROJETOS LTDA – sócio Armando Freire Figueiredo. Informa que o Sr. Armando fora empregado da Planex por mais de 20 anos, tendo se desligado da empresa em 31/03/2009, tendo recebido todos os seus direitos trabalhistas, sendo um funcionário com mais de 20 anos e com salário elevado, indaga a defendente qual seria sua vantagem em romper voluntariamente o vínculo de emprego. Alega a Impugnante que em 2007 o Sr. Armando era Diretor da Planex, e assinou diversos contratos pela Planex, e que após o seu desligamento não há documento assinado pelo Sr. Armando dentro da Planex, fato este não explorado pela fiscalização. Esclarece que o contrato firmado com a Planex tinha por objeto a execução de serviços de coordenação e revisão de propostas e projetos de engenharia, com prazo de duração de 300 dias e valor fixo de R$ 100.000,00. Afirma que a coordenação e revisão de propostas e projetos de engenharia, não demandavam dedicação exclusiva, nem carga elevada de horário de trabalho, além de ser dispensável a presença física. Aduz que este contrato é específico e delimitado, bem como durou aproximadamente 10 meses de modo que foram emitidas Notas Fiscais relativas apenas e tão somente ao pagamento do total do contrato. Afirma que a empresa iniciou em 08/2006 e tinha 2 sócios, porém no momento a empresa encontrase extinta. Ressalta que quando da prestação dos serviços à Planex não é possível determinar quem pessoalmente prestava os serviços. Ressalta que em 06/2009 o Sr. Armando tornouse sócio da empresa Direção Consultoria e Engenharia Ltda com sede em Belo HorizonteMG, com atividades em Ouro Preto do Oeste em Rondônia, BrasíliaDF, São Luiz do Maranhão e Sorriso no Mato Grosso. Salienta que nem se quisesse o Sr. Armando poderia coinciliar a função de empregado da Planex (com cumprimento de horários e normas) com atribuições de sócio da empresa Direção Engenharia, com atividades e obras em pelo menos 5 Estados da Federação. ROAD CONSULTORIA E PROJETOS LTDA – sócio Marília Albuquerque de Abreu. Informa que a empresa Road foi constituída em 12/1999 e tinha como sócios a Srª Marília Albuquerque e Luiz Fernando Foureaux, e foi contratada pela Planex para prestar serviços de estudos de traçado e/ou projetos de geometria, sinalização e terraplenagem, voltados para área rodoviária. Fl. 977DF CARF MF 12 Esclarece que tal área carece de bons profissionais, o que inviabiliza a contratação de engenheiros como empregados, pois estes se recusam a firmar contratos de trabalhos. Afirma que entre 2009 e 2011 a Road prestou diversos serviços a Planex via Notas Fiscais com valores diversos e numeração não seqüencial, eis que prestava serviços a diversas outras empresas do ramo. Ressalta que os órgãos contratantes governamentais passaram a exigir para participação em licitações que houvesse vínculo empregatício destes profissionais, pois estes tinham que emitir atestados de responsabilidade técnica, o que não era usual até então. Aduz que a Planex e outras empresas do ramo, que terceirizavam tais atividades, passaram a ter que firmar contratos de trabalho com tais profissionais, ainda que contra a vontade destes, mas com pagamento de todos os direitos trabalhistas. Alega que desde o 09/2011 a Srª Marília teve sua carteira de trabalho assinada com a Planex, mas com carga horária diária de apenas 2 horas. Salienta que a absoluta independência profissional e ausência de exclusividade da empresa Road ficam evidentes pela própria sistemática de emissão das Notas Fiscais, com diferença de dois, três, quatro, cinco números entre as notas emitidas, bem como faturamento de duas ou três notas por mês, o que demonstra que ela faturava simultaneamente outros serviços a diversos clientes. Explica que os serviços prestados eram de supervisão e projeto de segurança viária, tendo variações no valor das notas, na periodicidade e na freqüência da emissão de notas no mês. PAVIMENTO CONSULTORIA E PROJETOS LTDA – sócio Júnia Perilo Lopes de Oliveria. Informa que a empresa iniciou suas atividades em 05/2005 e tinha como sócios a Srª Júnia Perilo de Oliveria e Alda Maria Perilo Lopes de Oliveira, tendo sido a empresa Pavimento contratada pela Planex para execução de serviços relativos a estudos e/ou projetos de pavimentação e/ou restauração de rodovias ou vias urbanas, especificamente voltadas para área rodoviária. Novamente, alega que estes profissionais se recusam a firmar contratos de trabalho, o que obriga as contratantes a se submeter aos contratos de prestação de serviços. Repisa que os órgãos governamentais passaram a exigir que as empresas mantenham vínculo de emprego para que possam participar de licitações, motivado pelo fato destes profissionais emitirem atestados de responsabilidade técnica. Esclarece que por este motivo desde 10/2007 a Srª Júnia teve sua carteira de trabalho assinada pela Planex, mas também com Fl. 978DF CARF MF Processo nº 15504.720248/201409 Acórdão n.º 2201003.374 S2C2T1 Fl. 973 13 carga horária de 2 horas diárias, e que este contrato se encerrou em 28/09/2011 por vontade da contratada. Alega que a independência profissional e a ausência de exclusividade da empresa ficam evidentes na forma como emitia as Notas Fiscais, com diferença de 2, 3, 4, 5 números entre as notas emitidas, o que demonstra que prestava outros serviços a diversos clientes. Cita que no mês de 07/2009, foram emitidas pela empresa 3 (três) Notas Fiscais contra a Planex, num total faturado da ordem de R$ 62.500,00, valores estes incompatíveis com a remuneração mensal de um engenheiro contratado. Ainda, no mês 09/2011, fora emitida outra Nota Fiscal no valor de R$ 103.620,92, também incompatível com o salário mensal de um engenheiro civil. Ressalta que em 10/09/2011 a Pavimento assinou distrato com a Planex, no qual se comprometia a devolver a autuada o valor de R$ 82.146,77, referente a serviços contratados e não entregues, o que é inimaginável num contrato de trabalho. Afirma que em 26/09/2011 a Pavimento firmou com a Planex contrato de consultoria e elaboração de estudos e projetos de restauração e pavimentação de vias, no valor de R$ 28.301,50 por projeto, valores estes incompatíveis com um salário mensal de engenheiro. HOURI LUSTOSA CONSULTORIA DE ENGENHARIA LTDA – sócia Patrícia Saliba Houri Lustosa. Informa que a empresa Houri iniciou suas atividades em 04/1998 e tinha como sócios a Srª Patrícia Saliba Houri Lustosa e o Sr. Rui Bragança Lustosa, ambos engenheiros civis, o que afasta a alegação de fraude e principalmente a alegação de pessoalidade na prestação dos serviços, eis que quaisquer dos sócios estaria habilitado a prestálos, indistintamente, além de dividirem a administração da empresa. Esclarece que a Houri no período de 01/2009 a 09/2011, período fiscalizado, a empresa prestou serviços a diversas empresas e não somente a Planex (Notas Fiscais em anexo). Explica que neste período é possível verificar que mais de uma nota fiscal foi emitida no mês e sem padrão definido de valores, e com variação de serviços, além do que os valores faturados eram incompatíveis com o salário de um engenheiro, conforme transcrito abaixo: Fl. 979DF CARF MF 14 Fevereiro de 2009 4 (quatro) Notas Fiscais = R$ 26.697,28 (vinte e seis mil, seiscentos e noventa e sete reais e vinte e oito centavos); Março de 2009 > 6 (seis) Notas Fiscais = R$ 42.412,22 (quarenta e dois mil, quatrocentos e doze reais e vinte e dois centavos); Abril de 2009 > 5 (cinco) Notas Fiscais = R$ 25.448,52 (vinte e cinco mil, quatrocentos e quarenta e oito reais e cinqüenta e dois centavos); Julho de 2009 > 3 (três) Notas Fiscais = R$ 94.805,75 (noventa e quatro mil, oitocentos e cinco reais e setenta e cinco centavos); Outubro de 2009 4 (quatro) Notas Fiscais = R$ 32.785,79 (trinta e dois mil, setecentos e oitenta e cinco reais e setenta e nove centavos); Junho de 2010 > 4 (quatro) Notas Fiscais = R$ 21.978,02 (vinte e um mil, novecentos e setenta e oito reais e dois centavos); Julho de 2010 > 4 (quatro) Notas Fiscais = R$ 22.590,92 (vinte e dois mil, quinhentos e noventa reais e noventa c dois centavos); Outubro de 2010 > 4 (quatro) Notas Fiscais = R$ 99.135,55 (noventa e nove mil, cento e trinta e cinco reais e cinquenta e cinco centavos); Setembro de 2011 > 1 (uma) Nota Fiscal = RS 41.053,42 (quarenta e um mil, cinqüenta e três reais e quarenta e dois centavos). Salienta que o fato de a Srª Patrícia ser funcionária da Planex com carteira assinada desde 11/2004, com contrato ainda em vigor, com carga horária de 2 horas diárias, caso que se assemelha ao da Júnia Perilo e Marília Albuquerque, ocorre devido a exigência de processos licitatórios. Apresenta outros projetos realizados a outros clientes realizados pela Houri. PORTIA ENGENHARIA E PARTICIPAÇÕES LTDA – sócio Carlos Roberto Lopes Gouvêa. Informa que em 05/11/2009 a Planex firmou com a COPASA MG, contrato para elaboração de estudos e projetos técnicos de engenharia, para implantação, ampliação e melhorias dos sistemas de abastecimento de água e esgoto no valor de R$ 9.538.740,50, com duração de 1.080 dias. Esclarece que em 08/2001 a Planex firmou contrato com a Portia, cujo objeto seria a subcontratação para execução de parte dos serviços do Contrato da Planex com a COPASAMG, no valor de R$ 200.000,00 com duração de 30 dias. Aduz que em 01/2009 a Planex firmou com a ALAGO contrato no valor de R$ 7.119.759,35 com prazo de duração de 32 meses. Fl. 980DF CARF MF Processo nº 15504.720248/201409 Acórdão n.º 2201003.374 S2C2T1 Fl. 974 15 Ressalta que 06/2011 a Planex firmou contrato com a Portia para a subcontratação de parte do contrato feito com a ALAGO no valor de R$ 500.000,00 com prazo de duração de 30 dias. Afirma que a fiscalização glosou 3 Notas Fiscais emitidas nos meses de setembro e outubro de 2011 no valor de R$ 294.473,97 por considerálos salário, o que corresponderia a uma remuneração mensal da ordem de absurdos R$ 147.236,98, conforme transcrito abaixo: Nota Fiscal n° 2011/4 Data: 08/09/2011 Valor: R$ 10.000,00 Nota Fiscal n° 2011/5 Data: 03/10/2011 Valor: R$ 131.773,97 Nota Fiscal n° 2011/7 Data: 27/10/2011 Valor: R$ 152.700,00 Entende que as notas fiscais emitidas foram feitas por empresa que conta com dois profissionais o que descaracteriza a pessoalidade na prestação dos serviços, além do que não haveria continuidade na prestação, não haveria Nota Fiscal emitida por mês, bem como valores seriam variados, sem data regular de emissão, o que resultaria na conclusão de inexistência de qualquer vínculo de trabalho. Demonstra que a Portia fora aberta em 08/2009 e tinha como sócios Rodrigo Capanema Lopes Gouvêa e Gilberto Toni Sarah e a empresa Alfa Participações Ltda, sendo que somente em 05/2011 o Sr. Carlos Roberto Lopes Gouvêa fora admitido como sócio da Portia. Informa que na Planex o Sr. Carlos teve sua carteira assinada em 08/2007, com carga horária diária de 4 horas, tendo encerrado tal contrato em 11/2013, sendo cumprido todas as exigência do contrato de trabaho neste período. MULTA QUALIFICADA Alega que somente pode haver a aplicação da multa qualificada nos casos em que houver a comprovação de sonegação, fraude e conluio. Informa que no caso não há nenhuma prova ou indício de ação ou omissão dolosa para impedir ou retardar a ação fiscal, muito pelo contrário a empresa sempre apresentou todos os documentos e informações solicitadas pela fiscalização. Salienta que os contratos de prestação de serviços são atos jurídicos perfeitos com presunção de legalidade e veracidade e que a fiscalização está desconsiderandoos arbitrariamente, sob alegação de contratos de trabalho disfarçados. Apresenta Jurisprudência do CARF que tem desclassificado a multa qualificada. Entende que o evidente intuito de fraude ou sonegação não se presume deve ser demonstrado cabalmente, devese comprovar a vontade livre, consciente, deliberada de sonegar, o que não ocorreu nesta fiscalização. Fl. 981DF CARF MF 16 Cita o art. 112 do CTN que dispõe sobre a interpretação mais benéfica ao contribuinte, sendo assim pede ao menos seja reduzida a multa de 150% para 75%. CONTRIBUIÇÃO PARA O RAT Alega que fiscalização considerou que o contribuinte teria declarado incorretamente em GFIP a alíquotabase do RAT em 2010 e 2011 como sendo 1% ao invés de 3%, o que teria gerado uma diferença a menor da ordem de 3,167% em 2010 e 1,4163% em 2011. Afirma que o Decreto nº 6.957/09 alterou o anexo V do Decreto 3.048/99, majorando de foram abrupta e arbitrária e sem qualquer tipo de critério as alíquotas do GILRAT, e com essas mudanças a atividade genérica de “serviços de engenharia” código CNAE 71120/00, que sempre fora de risco leve, passou a ser considerada de risco alto, com alíquota de 3%. Entende que este aumento de alíquota deuse de forma ilegal e inconstitucional (ofensa ao art 5º, II da CF/88), por não ser promovido por Lei, mas por decreto. Aduz que o decreto não levou em consideração os diversos tipos de engenharia, com perfis e caracterísiticas de risco distintos, sendo que os serviços da Planex são eminentemente de elaboração de projetos, estudos de viabilidade, estudos organizacionais, além de acompanhamento e fiscalização da execução de obras de engenharia. Informa que boa parte dos serviços são desenvolvidos nos ambientes de escritórios, longe de canteiros de obras. Esclarece que a empresa ANTARES SERVIÇOS LTDA, especializada em engenharia de segurança elaborou o PPRA da Planex nos anos 2010 e 2011 e classificou as atividades da empresa em risco leve, ou seja, alíquota de 1%. (documentos em anexo). DEBCAD 51.047.3180 e 51.047.3199 Afirma que os Debcad 51.047.3180 E 51.047.3199, dizem respeito à apuração de contribuições previdenciárias em tese devidas pelas mesmas razões do AI DEBCAD 51.047.3172, de modo que as mesmas razões de impugnação se aplicam a todos igualmente. MULTAS Salienta que os AI Debcad 51.053.3256, 51.053.3264 e 51.053.3272, decorrem de pretensos descumprimentos de obrigações acessórias por parte da empresa, ao considerar que vários prestadores de serviços na realidade seriam empregados com contratos de trabalho dissimulados. Entende que uma fez afastado o mérito da autuação, estas multa perdem a razão de existir, pois são decorrentes da caracterização ou não da relação de emprego alegadas pela fiscalização e não reconhecidas pela autuada. Esclarece que Fl. 982DF CARF MF Processo nº 15504.720248/201409 Acórdão n.º 2201003.374 S2C2T1 Fl. 975 17 demonstrado e provado que não existem tais vínculos de emprego, também as multas deixam de exisitr. Cientificado de decisão que contrariou seus interesses em 12 de janeiro de 2015 (AR fls. 924), o sujeito passivo interpôs, tempestivamente, em 06 de fevereiro, recurso voluntário (fls. 926). Constam de seu apelo, em síntese, as mesmas alegações constantes das impugnações interpostas e acima reproduzidas. O processo foi distribuído, por sorteio eletrônico, para este Conselheiro. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira Conheço do recurso voluntário, pois presentes os pressupostos de admissibilidade. Verifico que a lide tributária se instaura em razão da insurgência da Recorrente contra a desconsideração da personalidade jurídica das empresas prestadoras de serviços personalíssimos, pela Autoridade Fiscal. Segundo o recurso, tal procedimento viola o artigo 129 da Lei nº 11.196/05. São seus argumentos iniciais (fls. 929): "Na presente autuação fiscal, nunca é demais lembrar, estamos tratando de imposições fiscais baseadas na DESCONSIDERAÇÃO e DESCARACTERIZAÇÃO de nada mais, nada menos do que DEZ Contratos de Prestação de Serviços, firmados por pessoas jurídicas capazes e legalmente constituídas, sem qualquer tipo de ilegalidade ou vício de vontade. Na realidade, tais Contratos de Serviços foram simplesmente ignorados c desconsiderados pela fiscalização, para arbitrariamente considerar todas estas relações jurídicas como Contratos de Trabalho, ou de relação de emprego. INCLUSIVE, AO AGIR DESTA FORMA, A FISCALIZAÇÃO PREVIDENCIÁRIA DESRESPEITOU O COMANDO EXPRESSO DO ART. 129 DA LEI FEDERAL Nº 11.196. DE 21 DE NOVEMBRO DE 2005 (VIDE ARGUMENTAÇÃO À FRENTE). Ora, para se descaracterizar um Contrato de Serviços e qualificálo como Contrato de Trabalho, cada relação jurídica Fl. 983DF CARF MF 18 deve ser analisada cuidadosa, individual e detalhadamente, de modo a se demonstrar naquele caso específico os elementos exigidos no art. 3o da Consolidação das Leis do Trabalho CLT, para fins de configuração de relação de emprego. Entretanto, não foi isto que fez a zelosa fiscalização previdenciária, nem tampouco a decisão ora recorrida. Ambas se valeram de argumentos genéricos, que foram aplicados indiscriminadamente a TODOS OS CONTRATOS em análise, sem considerar as peculiaridades de cada relação jurídica em questão." (destaques originais) Assim, mister algumas considerações sobre a prestação de serviços personalíssimos por pessoa jurídica. Preceitua a Carta da República que a ordem econômica é fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa, com expressa garantia para todos do livre exercício de qualquer atividade econômica. Assim está redigido o artigo 170: "Art. 170. A ordem econômica, fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa, tem por fim assegurar a todos existência digna, conforme os ditames da justiça social, observados os seguintes princípios: (...) Parágrafo único. É assegurado a todos o livre exercício de qualquer atividade econômica, independentemente de autorização de órgãos públicos, salvo nos casos previstos em lei." O preceito constitucional é claro em garantir que qualquer do povo pode exercer todo tipo de atividade econômica encontrando, por óbvio, na lei, o limite desse exercício. Dessa constatação, podemos inferir que é lícito ao profissional que presta serviços, fazêlo por meio de uma pessoa jurídica, uma vez que o exercício dessa atividade econômica não encontra óbice legal, tampouco a constituição de uma empresa com essa mister ofende a ordem jurídica. Cediço que a conformação societária dessa pessoa jurídica é critério daquele que a constitui, existindo no ordenamento pátrio diversos modelos societários que se amoldam a esse mister . Constituída a pessoa jurídica, essa ficção passa a contar com a tutela do ordenamento jurídico que empresta personalidade ficta a essa pessoa, que passa a ser objeto e sujeito de direito. Não obstante, a prestação de serviços atividade econômica cujo o objeto é uma obrigação de fazer por vezes também é prestada por uma pessoa física, realizada pelo trabalho dessa pessoa, atividade também valorizada pelo mesmo comando constitucional acima mencionado. Por muito tempo, a doutrina distinguiu pelo atributo da pessoalidade, a prestação de serviços realizado pela pessoa jurídica daquele prestado pela pessoa física. Assim, quando o contratante precisava que tal serviços fosse prestado por determinada pessoa, era essa Fl. 984DF CARF MF Processo nº 15504.720248/201409 Acórdão n.º 2201003.374 S2C2T1 Fl. 976 19 a contratada, em razão da característica única que é atributo típico do ser humano, do trabalhador. Se, por outro lado, a prestação do serviço se resumia a um objetivo determinado, um 'facere' pretendido, a contratação de pessoa jurídica atendia a essa necessidade, vez que despicienda a característica de personalidade para a execução do objeto do contrato de prestação de serviços. Se por um lado, no âmbito dos contratos, tal diferenciação interessa somente às partes, causando pouco, ou nenhum, impacto a terceiros, por outro, no âmbito tributário, tal diferenciação é ponto fulcral, em razão da diferenciação da exação incidente sobre as duas formas de prestação de serviços, menos onerosa quando prestada por pessoa jurídica. O menor custo tributário, tanto para o contratante, quanto para o prestador de serviços, fomentou uma crescente transformação de pessoas físicas que prestavam serviços, trabalhadores portanto, em empresas. Em 2005, com o advento da Lei nº 11.196, a legislação tributária passou a explicitamente admitir tal fenômeno. Vejamos a redação do artigo 129: "Art. 129. Para fins fiscais e previdenciários, a prestação de serviços intelectuais, inclusive os de natureza científica, artística ou cultural, em caráter personalíssimo ou não, com ou sem a designação de quaisquer obrigações a sócios ou empregados da sociedade prestadora de serviços, quando por esta realizada, se sujeita tãosomente à legislação aplicável às pessoas jurídicas, sem prejuízo da observância do disposto no art. 50 da Lei no10.406, de 10 de janeiro de 2002 Código Civil." Claríssima a disposição legal. Havendo prestação de serviços por meio de pessoa jurídica, mesmo que atribuição de obrigações às pessoas físicas, e sendo esses serviços de natureza intelectual, assim compreendidos os científicos, os artísticos e os culturais, o tratamento fiscal e previdenciário deve ser aquele aplicável as pessoas jurídicas, exceto no caso de desvio de finalidade ou confusão patrimonial, como consta das disposições do artigo 50 do Código Civil Brasileiro. Não obstante o exposto, cediço recordar que a CLT impõe limite legal à prestação de serviços por pessoa jurídica. Tal limite se expressa exatamente na relação de emprego. Vejamos as disposições da Lei Trabalhista: " Art. 2º Considerase empregador a empresa, individual ou coletiva, que, assumindo os riscos da atividade econômica, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviço. (...) Art. 3º Considerase empregado toda pessoa física que prestar serviços de natureza não eventual a empregador, sob a dependência deste e mediante salário. Parágrafo único Não haverá distinções relativas à espécie de emprego e à condição de trabalhador, nem entre o trabalho intelectual, técnico e manual. (...) Fl. 985DF CARF MF 20 Art. 9º Serão nulos de pleno direito os atos praticados com o objetivo de desvirtuar, impedir ou fraudar a aplicação dos preceitos contidos na presente Consolidação." (destaquei) Patente o limite da prestação de serviços personalíssimos por pessoa jurídica: a relação de emprego. Ao recordarmos as disposições do CTN, constantes não só do parágrafo único do artigo 116, como também do inciso VII do artigo 149, podemos asseverar que, encontrando a Autoridade Tributária as características da relação de emprego na contratação de prestação de serviços por pessoa jurídica, surge o direito do Fisco de desconsiderar tal situação jurídica, vez que dissimuladora do contrato de trabalho, e constituir o crédito tributário decorrente da constatação do fato gerador verificado com o trabalho da pessoa física. Dito de maneira diversa: para que haja o lançamento tributário por desconsideração da prestação de serviços por meio de pessoa jurídica é ônus do Fisco a comprovação da existência da relação de emprego entre a pessoa física que prestou os serviços objeto da desconsideração da personalidade jurídica e o contratante desses serviços. A doutrina trabalhista é assente em reconhecer o vínculo de emprego quando presentes, simultaneamente, as características da pessoalidade, da onerosidade, da habitualidade e da subordinação. Confrontemos as disposições da melhor doutrina trabalhista com os ditames específicos da Lei nº 11.196/05, com o objetivo de encontrarmos a exata diferenciação entre a relação de emprego e a prestação de serviços por pessoa física. Em primeiro lugar é necessário observar que a pessoalidade não é relevante no distinção em apreço. Tal afirmação se corrobora com a simples leitura do artigo 129 da Lei nº 11.196, que explicitamente afasta a questão do caráter personalíssimo e da atribuição de obrigações às pessoas que compõe a sociedade prestadora de serviços. Em segundo lugar, forçoso reconhecer que a habitualidade não apresenta relevância como fato distintivo entre a prestação de serviços por pessoa física ou jurídica, vez que tanto numa como em outra, a habitualidade, ou ausência desta, podem estar presentes. Nesse ponto é necessário recordar que nas relações comerciais também se instaura uma relação de confiança, decorrente do conhecimento da excelência na prestação de serviços do fornecedor habitual. A análise da onerosidade também não ajuda no traço distintivo. Cediço que tanto no emprego quanto na mera relação comercial de prestação de serviços, o pagamento pelos serviços prestados está presente. Logo, o ponto fulcral da distinção é a subordinação. Somente na relação de emprego o contratante, no caso empregador, subordina o prestador de serviços, no caso , o empregado. Porém, não se pode, sob pena de ofensa ao direito, entender que qualquer forma de direção da prestação de serviços é a subordinação típica das normas trabalhistas. Esta, a subordinação trabalhista, se apresenta em duas situações específicas. A primeira se observa quando o empregador, no nosso caso o contratante da prestação de serviços conduz, ordena, determina a prestação de serviços. É a chamada Fl. 986DF CARF MF Processo nº 15504.720248/201409 Acórdão n.º 2201003.374 S2C2T1 Fl. 977 21 subordinação subjetiva onde o prestador de serviços, o trabalhador, recebe ordens específicas sobre seu trabalho, assim entendida a determinação de como trabalhar, de como executar as tarefas a ele, trabalhador, atribuídas. É a subordinação típica, aquela presente no modelo fordistataylorista de produção. Modernamente, encontramos o segundo modelo de subordinação, erroneamente chamado por muitos de subordinação jurídica. Não se pode admitir tal denominação, quanto mais a afirmação que esta subordinação decorre do contrato. Ora, qualquer contrato imputa direitos e deveres e por certo, desses decorre subordinação jurídica, posto que derivada de um negócio jurídico que atribui obrigações. Essa moderna subordinação é a chamada subordinação estrutural, nos dizeres de Maurício Godinho Delgado. É a subordinação consubstanciada pela inserção do trabalhador no modelo organizacional do empregador, na relação institucional representada pelo fluxo de informações e de prestação de serviços constante do negócio da empresa contratante desses serviços. Mister realçar que é por meio da subordinação estrutural que o empregador, o tomador de serviços que subordina o prestador, garante seu padrão de qualidade, uma vez que controla todo o fluxo da prestação dos serviços necessários a consecução do mister constante de seu objeto social, ou seja, é por meio de um modelo de organização que há o padrão de qualidade necessário e o controle das atividades e informações imprescindíveis para a prestação final dos serviços, para a elaboração do produto, para a venda da mercadoria que é o fim da atividade econômica pretendida pelo contratante dos serviços, pelo empregador. Com essa considerações, a solução da lide tributária instaurada por meio do presente recurso voluntário será encontrada a partir da comprovação, ou não, da existência da relação de emprego, consubstanciada pela comprovação da subordinação, entre as pessoas físicas que prestaram os serviços mencionados no auto de infração e a Recorrente. Para tanto, passarei a analisar as alegações na ordem de sua apresentação no apelo. NULIDADE: VÍCIO DE FUNDAMENTAÇÃO Preliminarmente, a recorrente alega nulidade do lançamento por vício em sua fundamentação. São seus argumentos (fls. 930): "Como já destacado aqui, tanto a decisão recorrida, como o Auto de Infração questionado, nenhum deles cuidou de realizar devidamente uma ANÁLISE INDIVIDUAL E ESPECÍFICA DE CADA S UPOSTO CONTRATO DE TRABALHO alegado, nem tampouco cuidaram de, detalhada e especificamente, confrontar e refutar todos os argumentos contidos na peça de defesa, gerando cerceamento de defesa e nulidade da autuação. Neste sentido, temse que o Auto de Infração teve fundamentação e motivação deficientes e omissas, diante da falta de análise individual e discriminada de todos os Fl. 987DF CARF MF 22 elementos, que, em tese, configurariam a relação de emprego em CADA UM dos pretensos contratos de trabalho apurados. Ora, ao invés de analisar genericamente uma série de contratos de serviços, para depois considerálos TODOS como contratos de trabalho, sem uma análise individual de cada caso, teria a fiscalização que analisar os elementos de CADA suposto contrato de trabalho isoladamente, inclusive e principalmente contestando e afastando todos os argumentos de defesa, estes sim individualizados e detalhados caso a caso. Assim sendo, não fora realizada a devida análise caso a caso dos elementos do contrato de trabalho, quais sejam aqueles previstos no art. 9o, I, "a" do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048/99, a saber: (i) pessoa física, que preste serviço a empresa; (ii) em caráter nãoeventual; (iii) sob sua subordinação; e (iv) mediante remuneração. Portanto, tais requisitos (pessoalidade, não eventualidade, subordinação e salário), para configuração do contrato de trabalho, devem estar TODOS presentes em CADA relação jurídica, que se pretenda caracterizar como de vínculo empregatício / laboral. Não foi o que fez a fiscalização. E mais, não enfrentou todos os argumentos específicos de defesa, que afastariam a relação de emprego em cada caso concreto." (negritei e sublinhei) Não vejo a nulidade apontada. Não se verificam os vício alegados, posto que o relatório fiscal explicita tanto os motivos quanto os fundamentos legais que ensejaram o lançamento. O excerto abaixo da imputação fiscal corrobora a afirmação (fls. 41): "As contribuições previdenciárias lançadas neste tópico referemse à caracterização de sócios de empresas prestadoras de serviço para a PLANEX em segurados empregados desta empresa, tendo em vista as particularidades que foram verificadas nessa prestação de serviço. 9. Identificadas, inicialmente, por meio dos lançamentos contábeis – conta de passivo FORNECEDORES – 2.1.01.01 e contrapartida nas contas de despesa 3.1.01.01.0039 – Serviços de 3º PJ e 3.1.01.01.0064 Serviços de 3º PJ/Insumos , a fiscalização relacionou as empresas que prestaram serviço para a PLANEX durante o período fiscalizado, executando atividades, em princípio, relacionadas com a atividade fim da empresa. 10. Foi então solicitada a apresentação de contratos de prestação de serviço, notas fiscais de emissão das prestadoras e outros elementos que pudessem claramente identificar a natureza dos serviços prestados. 11. Nos termos dos artigos 2º e 3º da Lei nº 11.457, de 16 de março de 2007, incumbe à Secretaria da Receita Federal do Brasil, a tarefa de arrecadar e fiscalizar o recolhimento das contribuições devidas à Previdência Social. Assim, a Fiscalização deve efetuar o correto enquadramento dos trabalhadores na categoria de segurados empregados ou Fl. 988DF CARF MF Processo nº 15504.720248/201409 Acórdão n.º 2201003.374 S2C2T1 Fl. 978 23 contribuintes individuais, para fins de cobrança das contribuições devidas. 12. O §2º do artigo 229 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048 de 06 de maio de 1999, alterado pelo Decreto nº 3.265, de 29 de novembro de 1999, dispõe que se o Auditor Fiscal da Receita Federal constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições referidas no inciso I do caput do artigo 9º, deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado. 13. Nesse contexto, aplicase à relação previdenciária o princípio da primazia da realidade, significando que os fatos relativos ao contrato de trabalho devem prevalecer em relação à aparência que, formal ou documentalmente, possam oferecer. 14. Se uma pessoa presta serviço nas condições definidas no artigo 3º da Consolidação das Leis do Trabalho – CLT, ainda que sem qualquer registro, a fiscalização deve considerála como empregado para fins de exigir as contribuições previdenciárias devidas pelo empregador. 15. Analisada a documentação apresentada e considerando as peculiaridades da forma de contratação, como se verá a seguir, esta fiscalização concluiu que na realidade a prestação de serviço se deu diretamente pelos sócios em dez dessas empresas, os quais prestaram serviço nas condições que os enquadram, nos termos da legislação previdenciária, como segurados empregados da empresa fiscalizada, face à pessoalidade, onerosidade, não eventualidade e subordinação jurídica existentes na relação jurídica entre as partes. 16. Com base na contabilidade e na documentação da própria empresa, os trabalhadores arrolados pela fiscalização se enquadram na categoria de segurados empregados, visto que foram comprovados todos os pressupostos da relação de emprego, como a seguir: (...)" Com essa motivação e fundamentação, o Fisco entendeu pela existência de seu direito do crédito em face da incidência das contribuições previdenciárias sobre o serviço prestado pela pessoa física. Contra tal entendimento se insurgiu, por meio da impugnação e do presente apelo, o contribuinte. O conteúdo probatório trazidos aos autos, corroborará o direito do Fisco, ou o fato impeditivo, extintivo ou modificativo desse direito. Nesse sentido, diferentemente do assevera o Recorrente, a comprovação individual necessária para a desconsideração da relação jurídica firmada é questão de prova e não de motivação ou fundamentação do lançamento, posto que as condições necessárias para o ato administrativo foram observadas pela Autoridade Fiscal. Fl. 989DF CARF MF 24 Do exposto, rejeito a preliminar de nulidade. DO DIREITO Antes de adentrar no casuísmo de cada prestador de serviço, a Recorrente tece algumas considerações sobre o direito aplicável. Em razão da congruência com a tese acima esposada, reproduzo (fls 933): "Considerou a fiscalização, tanto na autuação, como na decisão recorrida, que vários contratos de prestação de serviços, que a empresa autuada firmara com diversas pessoas jurídicas, na realidade, seriam contratos de trabalho ou relações de emprego disfarçadas ou dissimuladas. Daí a autuação e a exigência de contribuições previdenciárias em tese devidas. Portanto, os seguintes contratos de serviços foram descaracterizados, ou desconsiderados como tais pela fiscalização, para em tese configurar relação de emprego com as seguintes pessoas físicas correspondentes: SULTCON CONSULTORIA E PROJETOS LTDA. (Armando Freire Figueiredo); HOURI LUSTOSA CONSULTORIA DE ENGENHARIA LTDA. (Patrícia Saliba Houri Lustosa); ROAD CONSULTORIA E PROJETOS LTDA. (Marília Albuquerque de Abreu); PAVIMENTO CONSULTORIA E PROJETOS LTDA. (Júnia Perilo Lopes de Oliveira); PORTIA ENGENHARIA E PARTICIPAÇÕES LTDA. (Carlos Roberto Lopes Gouvea); ADVOCACIA E ENGENHARIA S/C LTDA. (Patrícia Gontijo S. Dorneles); HMB CONSULTORIA EM ADMINISTRAÇÃO LTDA. (Henrique Braga Neto); LEONARDO VIANA MAGALHÃES ROCHA (Leonardo Viana Magalhães Rocha); SUPERVEN PROJETOS DE SUPERVISÃO LTDA. (Edison Antônio Nunes); SBG ENGENHARIA LTDA. (José Alfredo de Araújo). Para tanto, alegou estarem presentes em tais contratos todos os requisitos para a configuração de uma relação de emprego, quais fossem: pessoalidade, remuneração, nãoeventualidade e subordinação jurídica. Haveria pessoalidade, pois os serviços teriam sido prestados pelos sócios das empresas contratadas, que não possuíam empregados. Quanto à remuneração, os pagamentos realizados às pcsoas jurídicas seriam a remuneração ou salário disfarçado pelo trabalho realizado. O fato de os serviços contratados estarem relacionados com as atividades normais da empresa, os configuraria como serviços de necessidade permanente, relacionados com o objeto social e atividadefim da empresa, o que denotaria a sua nãoeventualidade. Com relação à subordinação, alega a decisão recorrida, que atualmente e especialmente em se tratando de trabalho intelectual, a subordinação seria meramente estrutural, manifestada pela simples inserção do trabalhador na dinâmica do tomador de seus serviços, independentemente de receber (ou não) suas ordens diretas, mas acolhendo, estruturalmente, sua dinâmica de organização e funcionamento. Assim, tal subordinação Fl. 990DF CARF MF Processo nº 15504.720248/201409 Acórdão n.º 2201003.374 S2C2T1 Fl. 979 25 ocorreria pelo mero exercício de atividade produtiva inserida na dinâmica empresarial, inclusive sem necessidade de fiscalização pelo empregador. Entretanto, com todo respeito, a zelosa fiscalização incorreu em graves equívocos, ao invocar a configuração em tese das aludidas relações de emprego, como será demonstrado a seguir. Com efeito, todos os contratos citados se tratam efetivamente de contratos de prestação de serviços, firmados entre duas pessoas jurídicas, com objetos diversos e com remuneração estritamente como contraprestação ao trabalho ou serviço realizado, trabalhos ou serviços estes de caráter específico e transitório, em valores livremente pactuados entre as partes." (negritei) Continuando em sua construção teórica, a Recorrente argumenta no sentido do afastamento das condições ensejadoras da relação de emprego. Argui que não se observa o caráter "intuito personae", muito embora reconheça que os serviços sejam prestados pelas pessoas dos sócios das empresas prestadoras, o que decorre da necessária alta especialização para a execução desses serviços. Que a onerosidade apontada não decorre de verba salarial e sim de ajuste comercial entre os contratantes. Que não eventualidade não pode ser associada a necessidade permanente da contratante posto que ela se refere a frequência e continuidade no tempo e nunca à coincidência entre o objeto social da contratante e o objetivo do contrato de prestação de serviços. Que enquanto a fiscalização vê a subordinação na direção dos serviços contratados a decisão recorrida enxerga na inserção estrutural a necessária subordinação trabalhista, e que tal argumento é absurdo posto que, se assim o fosse, todo e qualquer prestador de serviços seria empregado do tomador, vez que participa ou interfere na dinâmica organizacional do contratante. Após mencionar vasta jurisprudência que, a seu ver, ampara seu entendimento, passa a análise individualizada de cada contrato de prestação de serviços. SUPERVEN PROJETOS E SUPERVISÃO LTDA. EDISON NUNES Segundo a Recorrente (fls 943): "A fiscalização descaracterizou o contrato de serviço firmado com a empresa SUPERVEN PROJETOS E SUPERVISÃO LTDA. em agosto de 2008, afirmando que, em verdade, haveria contrato de trabalho disfarçado com o Sr. Edison Nunes. O contrato de prestação de serviços, firmado em 2008 com a empresa SUPERVEN, tem por OBJETO o assessoramento e consultoria na supervisão de obras rodoviárias realizadas no trecho Felício dos Santos Entroncamento MG 147, estritamente vinculados ao Contrato n° PJU24.022/08. firmado em 09/06/2008. entre a PLANEX e o DERMG. Portanto, a empresa SUPERVEN fora contratada para dar suporte, assessoria e consultoria especificamente na supervisão das obras da rodovia MG 147, de modo que os serviços contratados resumiamse a obrigações de acompanhamento administrativo das obras e preparação, para o DER/MG, das medições dos serviços executados pela empreiteira. Fl. 991DF CARF MF 26 Tais atividades contratadas, de modo algum, exigiriam de quaisquer dos sócios da empresa contratada dedicação exclusiva a este contrato, a ponto de configurar qualquer relação de emprego. Ademais, se houvesse a aludida relação de emprego, não haveria porque vincular os serviços prestados a uma obra específica; melhor seria que o empregado ficasse plenamente à disposição do contratante, para atuar em quaisquer de seus projetos. Além disso, os serviços foram prestados apenas e tão somente entre agosto de 2008 e junho de 2010. ou seja, num período de um ano e dez meses, que foi justamente o tempo de duração da obra da rodovia MG 147." A autoridade fiscal verificou que (fls 55): "58. A empresa SUPERVEN PROJETOS E SUPERVISÃO LTDA foi constituída em 28/08/2008 e o contrato de prestação de serviço entre Planex e Superven data de 18/08/2008. A Superven prestou serviços de forma habitual e ininterrupta para a empresa fiscalizada como comprovam as notas fiscais emitidas no período de 08/2008 a 06/2010. Tem como sócio administrador Edison Antônio Nunes, signatário do contrato com a Planex. De acordo com as informações das GFIPs existentes no Banco de Dados da Receita Federal, a SUPERVEN nunca possuiu empregados. O serviço prestado pela SUPERVEN está ligado diretamente à atividade fim da empresa fiscalizada e foi executado diretamente pelo sócio da SUPERVEN, como comprovam as cláusulas que tratam do objeto do contrato de prestação de serviço e da responsabilidade da contratada, transcritas abaixo. (...) 59. Analisando o contrato de prestação de serviço firmado entre a PLANEX e a SUPERVEN verificamos, ainda, que o preço do serviço era fixo e pago no 5º dia útil do mês subseqüente à prestação de serviço como se salário fosse. 60. Pelo contrato de prestação de serviço verificase, ainda, que a PLANEX fornecia os elementos, instruções e especificações técnicas indispensáveis para a correta e completa execução dos serviços. Notase que a atividade exercida pela prestadora, SUPERVEN, relacionase diretamente com a atividade fim da tomadora (PLANEX), estando inserida na estrutura organizacional desta, com obediência às normas estabelecidas, sob o controle, em última instância, dos dirigentes da tomadora, o que denota a presença da subordinação na relação jurídica entre contratante e o segurado (sócio da contratada). Essa subordinação é inerente à atividade desenvolvida e que coincide com a atividade fim da empresa. 61. Constatamos, também, que Edison Nunes tinha as despesas de sua atividade arcadas pela Planex. Encontramos lançamentos contábeis, cuja documentação de suporte (comprovantes anexos) demonstra que Edison prestava contas das despesas realizadas na prestação de seu serviço, indicando que a Planex tinha ingerência sobre a atividade exercida por Fl. 992DF CARF MF Processo nº 15504.720248/201409 Acórdão n.º 2201003.374 S2C2T1 Fl. 980 27 Edison. O reembolso de despesas era praticado pela Planex em relação a Edison nos mesmos moldes da política de reembolso de despesas para empregados, demonstrando que Edison era tratado como empregado. (...) 62. Pelo exposto, fica evidente que se verificaram os requisitos para a caracterização, para efeitos de legislação previdenciária, de Edison Antônio Nunes, sócio administrador da prestadora de serviços SUPERVEN, como segurado empregado da empresa fiscalizada: pessoalidade – a empresa não possui empregados, e é Edison quem presta o serviço direta e exclusivamente à empresa fiscalizada; a onerosidade está comprovada pelos pagamentos lançados nas contas contábeis da empresa fiscalizada 3.1.01.01.0039 – Serviços de 3º PJ e 3.1.01.01.0064 Serviços de 3º PJ/Insumos; a não eventualidade foi comprovada pelo objeto da prestação de serviço existente no contrato, que coincide com a atividade essencial da empresa; a subordinação jurídica pela própria atividade desenvolvida por Edison, sujeita às diretrizes da empresa fiscalizada." Vimos linhas atrás que o traço distintivo entre a contratação de pessoa jurídica e pessoa física na prestação de serviços intelectuais personalíssimos é a subordinação, posto que somente na presença das características ensejadoras da relação de emprego é que pode o Fisco, com fulcro no CTN, afastar os ditames do artigo 129 da Lei nº 11.196/05. No caso da empresa SUPERVEN não logrou êxito a Autoridade Fiscal em comprovar tal característica. Não vejo a comprovação da subordinação do Sr. Edison Nunes à Recorrente, seja essa na acepção de subordinação subjetiva, recebimento de ordens, seja na objetiva, inserção no modelo organizacional. Vejo que a motivação do Fisco está embasada na vinculação entre a atividade contratada e o desiderato social da contratante, o que, por si só não pode caracterizar a subordinação estrutural alegada, uma vez que o fato de determinado prestador executar os serviços contratados na empresa contratante não significa que esses serviços contém tal nível de inserção no modelo organizacional que determine a subordinação estrutural. Necessário, para que se atinja tal comprovação, a demonstração que essa prestação de serviços se dá exatamente nos moldes determinados pelo contratante não em seu objeto final, no produto contratado e sim, nos passos, no iter de desenvolvimento dessa prestação de serviços. As únicas alegações de tal inserção se dá com a demonstração dos pagamentos serem executados no quinto dia útil e dos reembolsos de despesas realizados. Tais motivos, isoladamente, não tem o condão de tal comprovação, posto que o fato do pagamento se dar no mesmo dia do pagamento dos salários, por óbvio que não tem esse condão e que tais reembolsos, por não previstos, nada representam que não a indenização típica de uma verba não constante do pacto realizado e necessária para a prestação dos serviços contratados. Não observei além do trecho do relatório fiscal, transcrito acima, e da anexação do contrato de prestação de serviços (fls. 477), nenhum outro documento ou argumento que demonstrasse cabalmente a necessária subordinação a ensejar a desconsideração do negócio jurídico pactuado entre as partes, posto que presentes os requisitos da relação empregatícia entre o Sr Edison Nunes e a Recorrente. Tal subordinação Fl. 993DF CARF MF 28 demonstraria a simulação da contratação firmada entre as pessoas jurídicas, em razão da expressa determinação constante do artigo 9º da CLT. Por fim, mister realçar que a leitura atenta do contrato de prestação de serviços firmado não enseja, de per si, nenhum traço de caracterização da relação trabalhista regida pela CLT. Do exposto, afasto a incidência das contribuições previdenciárias sobre a contratação da empresa SUPERVEN. Recurso provido nessa parte. LEONARDO VIANA MAGALHÃES DA ROCHA ME Segundo a Fiscalização (fls 52): "48. A empresa LEONARDO VIANA MAGALHÃES ROCHA tem como sócio administrador Leonardo Viana Magalhães da Rocha. A empresa LEONARDO VIANA MAGALHÃES ROCHA tem data de início de atividade em 07/05/2008, conforme cartão CNPJ, e o contrato de prestação de serviço com a PLANEX foi assinado nesta mesma data sugerindo que a empresa LEONARDO foi constituída para prestar serviço para a PLANEX. Destacamos que de acordo com as informações das GFIPs e RAIS existentes, a empresa LEONARDO VIANA MAGALHÃES ROCHA nunca possuiu empregados, ou seja, é o sócio Leonardo quem executa o serviço contratado. Aliás, essa era uma exigência contratualmente estabelecida (...) 49. O serviço prestado pela contratada está ligado diretamente à atividade fim da empresa fiscalizada, como comprova o contrato de prestação de serviço (anexo) firmado entre as partes, que determina as regras para a contratação dos serviços da empresa e que em sua cláusula primeira – OBJETO pactuou: (...) 50. A descrição contida nas notas fiscais de prestação de serviço emitidas por Leonardo elucidam a natureza do serviço prestado por Leonardo, que coincide com a atividade fim da Planex. (...) 51. Constatamos, portanto, que a empresa LEONARDO VIANA MAGALHÃES ROCHA foi criada para prestar serviço para a empresa fiscalizada, não possuindo empregados. 52. A remuneração ajustada, conforme cláusula segunda do citado instrumento, prevê um valor fixo mensal de R$10.000,00 (Dez mil reais), como se salário fosse, por 90 dias consecutivos, prorrogável automaticamente. Leonardo, prestou serviço, para a Planex no período de 05/2008 a 09/2010. 53. Destacamos, ainda, que o vínculo entre Planex e Leonardo se confundia com vínculo empregatício havendo anotação no Fl. 994DF CARF MF Processo nº 15504.720248/201409 Acórdão n.º 2201003.374 S2C2T1 Fl. 981 29 contrato de prestação de serviço sobre questionamento a respeito de pagamento de 13º salário (...) 54. A estreita relação entre a PLANEX e o sócio da empresa LEONARDO ficou evidenciada, também, na análise da conta contábil 3.1.01.01.0036 – Despesas com Viagens e Estadias, em que foram encontrados lançamentos cujos históricos fizeram menção a pagamento de despesas de viagens de Leonardo Viana Magalhães Rocha. Era a Planex que reembolsava as despesas efetivamente incorridas na prestação dos serviços (alimentação, hospedagem, transporte, combustível, etc), demonstrando que Leonardo teve as despesas de sua atividade arcadas pela Planex. Leonardo prestava conta das despesas efetuadas, indicando que a PLANEX tinha ingerência sobre as atividades desempenhadas por Leonardo. A PLANEX aplicava a política de reembolso de despesas de viagem para Leonardo nos mesmos moldes praticados com seus empregados. Ou seja, a PLANEX concedia a Leonardo o mesmo tratamento dado a seus empregados, o que significa dizer que a PLANEX tratava Leonardo com se empregado fosse. (...)" Alega a recorrente (fls. 944): "A fiscalização descaracterizou o contrato de serviço firmado com a empresa individual LEONARDO VIANA MAGALHÃES DA ROCHA ME em maio de 2008, afirmando que, em verdade, haveria contrato de trabalho disfarçado com o Sr. Leonardo Viana Magalhães da Rocha. Em maio de 2008, a PLANEX firmou um contrato de consultoria com a empresa LEONARDO VIANA MAGALHÃES DA ROCHA ME, com prazo de duração de 90 (noventa) dias, para elaboração de estudos e pesquisas, para análise de viabilidade c desenvolvimento de futuros negócios nas áreas de exploração de florestas com produção de carvão e de escoramento de madeira; plantio de florestas de eucalipto e incineração de resíduos sólidos urbanos com geração de energia. Na realidade, a relação entre o Sr. Leonardo Viana e a PLANEX sempre foi comercial, jamais de vínculo empregatício ou de subordinação de qualquer espécie Fl. 995DF CARF MF 30 Tanto assim, que aos 6 de março de 2009, o Sr. Leonardo Viana montou uma sociedade com o Dr. Maurício Dias Fernandes e outros investidores, denominada ICP AGROFLORESTAL LTDA., cujo objeto social seria exatamente a administração de áreas florestadas ou reflorestadas; a elaboração de planos, plantas, projetos, memoriais, cálculos, relatórios, orçamentos e trabalhos técnicos de planejamento florestal; apoio a atividades agrícolas, pecuárias e serviços correlatos, atividades que fogem completamente do objeto social da Planex. Há de se notar, por imperioso, que nesta sociedade o Sr. Leonardo Viana possuía nada menos do que 47,87 % (quarenta e sete inteiros e oitenta e sete centésimos por cento) da quotas sociais, o que indica que tinha inclusive significativa participação como SÓCIO do empreendimento. Além disso, ele era Diretor Superintendente da empresa, com amplas responsabilidades gerenciais e administrativas, conforme previsão da Cláusula Sétima do Contrato Social. Com tamanha responsabilidade e atribuições, é fácil perceber que o Sr. Leonardo Viana não poderia ser empregado, ou funcionário da PLANEX, até porque seria absolutamente inviável sua obediência a horários e rotinas administrativas e executivas próprias de uma relação laboral. Não haveria sequer qualquer possibilidade com a compatibilização de horários, para exercício dc uma eventual jornada de trabalho ou expediente a cumprir, por absoluta incompatibilidade de horários inclusive. Além disso, aos 15 dc setembro dc 2009, a PLANEX c o Sr. Leonardo Viana firmaram Contrato de Parceria Rural Extrativa com a fazendeira Paula Maria Pinheiro Barbosa Mello, com duração mínima de 14 (quatorze anos), para a exploração (plantio de eucaliptos) dc 3.634,90 ha de terra na Fazenda Curumataí, localizada no município dc Augusto dc LimaMG, no qual Leonardo participava como SÓCIO em 10% (dez por cento) do empreendimento, o que mais uma vez denota o relacionamento estritamente comercial e negocial entre eles." Novamente a Autoridade Fiscal busca a comprovação do vínculo empregatício entre o sócio da empresa prestadora de serviços e a Recorrente, por meio da caracterização dos requisitos do empregado. Porém, aqui melhor sorte teve o Fisco. Ao conseguir observar que no próprio instrumento contratual firmado pelas partes (fls. 387), se questiona, a quem de direito, se haverá ou não o pagamento de nítida verba trabalhista, o décimo terceiro salário, pode o Fisco demonstrar que as partes se mantinham numa verdadeira relação de emprego, dissimulada por meio de um contrato de prestação de serviços firmado entre pessoas jurídicas. Mister ressaltar que as alegações da recorrente não se prestam afastar as provas indiciárias juntadas pelo Fisco, que por seu conjunto, demonstrar que as partes mantinham um verdadeiro contrato de emprego em face da adoção de práticas corriqueiras trabalhistas como o reembolso de despesas, o pagamento de 13º salário, etc...Necessário ainda, apontar que o contrato juntado pelo Fisco, assim como as notas fiscais correspondentes, não demonstram que o objeto da prestação avençada versa sobre qualquer atividade rural, ao reverso, remete as atividades cotidianas da Recorrente. Assim, nego provimento ao recurso nessa parte. Fl. 996DF CARF MF Processo nº 15504.720248/201409 Acórdão n.º 2201003.374 S2C2T1 Fl. 982 31 SBG ENGENHARIA DE PROJETOS LTDA. JOSÉ ALFREDO ARAÚJO Pretende o Fisco comprovar o vínculo de emprego entre o Sr José Alfredo Araujo e a Recorrente. Consta do relatório fiscal (fls. 57): 63. A empresa SBG ENGENHARIA LTDA firmou contrato com a PLANEX em 04/01/2010 para prestar serviços de “Coordenação, Gestão da Elaboração de Projetos e Gerência de Implantação de unidades industriais para captação, tratamento e/ou disposição de resíduos sólidos com geração de energia elétrica, tendo como signatário o sócio José Alfredo de Araújo. O contrato tinha prazo de 01 ano, com prorrogação automática. 64. A remuneração ajustada era fixa, de R$20.000,00 por mês, havendo uma parte “pro êxito”, um percentual incidente sobre o lucro gerencial em função da participação da contratada no êxito do objeto pactuado. A forma de remuneração da SBG muito se assemelha ao pagamento feito mensalmente a segurados empregados, com direito a participação nos lucros dependendo do atingimento de metas. (...) 65. Outra cláusula que chama atenção é a de reajustamento do contrato, pelo mesmo índice utilizado pelo SINAENCO/MG (Sindicato da Arquitetura e da Engenharia) nas Convenções Coletivas da categoria. Ou seja, a Planex estava dando a José Alfredo o mesmo tratamento que dava aos seus segurados empregados, engenheiros. (...) 66. O contrato concedia a José Alfredo o direito de se ausentar das atividades em até 30 dias, sem prejuízo da remuneração, significando dizer que José Alfredo tinha direito a férias remuneradas." Ora, em que pesem as alegações do Recorrente, constantes das folhas 946, nesse caso é nítida a relação de emprego firmada entre as partes. Institutos como férias, díssido coletivo, reembolso de despesas, etc não se aplicam às contratações de prestação de serviços por pessoa jurídica. Recurso negado também nessa parte. ADVENGER S/C LTDA ADVOCACIA & ENGENHARIA ME PATRÍCIA GONTIJO S DORNELES. Importante ressaltar um traço distintivo apontado pela Fiscalização entre as empresas prestadoras de serviços citadas anteriormente e as sete próximas. Nestas, todos os sócios eram funcionários da Recorrente. Assim se pronunciou a Autoridade Fiscal (fls 45): Fl. 997DF CARF MF 32 "19. Por apresentarem características semelhantes, vamos discorrer sobre a prestação de serviço executada pelas 07 primeiras empresas. O quadro abaixo informa o CNPJ da Contratada, a Razão Social, o nome da pessoa que executou o serviço contratado (sócio da PJ), o período em que foi empregado registrado da Planex, o cargo exercido e o serviço prestado através da Pessoa Jurídica (...) 20. Patrícia Saliba Houri Lustosa, sócia da empresa Houri Lustosa Consultoria de Engenharia Ltda é empregada da PLANEX, admitida em 18/11/2004, para o cargo de engenheira projetista. O contrato de prestação de serviço entre Planex e Houri Lustosa foi assinado em 22/05/2006 e, no período fiscalizado, Patrícia prestou serviço através da Houri Lustosa de 01/2009 a 09/2011. 21. Carlos Roberto Lopes Gouvêa sócio da empresa Portia Engenharia e Participações Ltda foi admitido como engenheiro civil na PLANEX em 01/08/2007. Patrícia e Carlos Roberto ainda são empregados da PLANEX tendo recebido salários como empregados durante todo o período fiscalizado. 22. Júnia Perilo Lopes de Oliveira sócia da empresa Pavimento Consultoria e Projetos Ltda trabalhou na PLANEX como empregada, no cargo de engenheira de pavimentação, no período de 01/10/2007 a 28/09/2011. O Contrato de Prestação de Serviço entre Pavimento e Planex foi assinado em 01/03/2007, havendo faturamento durante todo o período fiscalizado. 23. Armando Freire Figueiredo, sócio da empresa Sultcon Consultoria e Projetos Ltda, que foi empregado da PLANEX, admitido em 01/07/1989 para o cargo de gerente de projetos, mas figurou como diretor comercial e administrativo financeiro assinando contratos de prestação de serviço como representante legal da PLANEX. 24. Armando foi demitido em 31/03/2009, data em que foi assinado o contrato de prestação de serviço entre PLANEX e SULTCON. 25. Patrícia Gontijo S. Dorneles, sócia da empresa Advocacia e Engenharia Advenger S/C Ltda, trabalhou na PLANEX como empregada no período de 02/03/2009 a 30/10/2009. Nesse caso a Planex não apresentou à fiscalização contrato de prestação de Fl. 998DF CARF MF Processo nº 15504.720248/201409 Acórdão n.º 2201003.374 S2C2T1 Fl. 983 33 serviço, alegando em esclarecimento ao Termo de Intimação Fiscal 03 que não foi firmado contrato de prestação de serviço porque não havia “uma demanda regular e continuada” e os serviços eram solicitados na medida das necessidades e demandas da contratante, sem um contrato permanente. Entretanto, não é isso que se verifica ao analisarmos as notas fiscais emitidas pela empresa ADVENGER. Existem notas fiscais mensais nas competências 01/2009, 02/2009, 03/2009, 12/2009 e de 01/2010 a 07/2011. Ou seja, a prestação de serviço se deu de forma habitual e continuada só não havendo faturamento nos meses em que Patrícia recebeu salário como empregada da Planex. Na verdade, Patrícia trabalhou para a Planex durante todo o período de 01/2009 a 07/2011. 26. Marília Albuquerque de Abreu, sócia da empresa Road Consultoria e Projetos Ltda foi admitida pela PLANEX para a função de engenheira civil em 01/09/2011, não tendo sido desligada do quadro de empregados da PLANEX. A empresa Road Consultoria prestou serviço para a PLANEX de 03/2007 a 09/2011, mês em que Marília foi admitida como empregada da PLANEX. 27. Henrique Braga Neto, sócio da empresa HMB – Consultoria em Administração Ltda, prestou serviço para a PLANEX através da HMB, ininterruptamente, no período de 02/2009 a 07/2011 assinando contratos de prestação de serviço como gerente administrativo financeiro da PLANEX. Henrique foi contratado como diretor financeiro em 01/2011, mesmo mês em que foi assinado o distrato ao contrato de serviço de consultoria com a HMB. (...) Contra as imputações fiscais, argumenta a Recorrente (fls 947): "Na realidade, a Sra. Patrícia Gontijo foi sim funcionária regularmente contratada pela PLANEX, pelo Regime da CLT, no período entre 02/03/2009 e 30/10/2009. com carga horária diária de 8 (oito) horas de trabalho. Antes de mais nada, convém esclarecer que a empresa ADVENGER ENGENHARIA existe desde outubro do ano 2000, portanto, há mais de TREZE ANOS. Nos meses de janeiro e março de 2009, a ADVENGER ENGENHARIA prestou à Planex TRÊS serviços DISTINTOS de elaboração de PROJETOS, sendo um para o Município de Novo CruzeiroMG, outro para o Município de BuritisMG e outro ainda em PotcMG. Trataramse, pois, de elaboração de projetos, cada um para uma obra específica e distinta. Por conta de tais trabalhos, a Planex conheceu então a engenheira Patrícia Gontijo Dornelcs e seus serviços, oferecendo a ela então um Contrato de Trabalho a partir de março de 2009. Até então, não havia qualquer tipo de subordinação ou dependência entre Patrícia e a empresa Planex. Fl. 999DF CARF MF 34 Entre março c outubro de 2009, o Contrato de Trabalho foi cumprido normalmente, plenamente respeitado por ambas as partes, com cumprimento de horários pela contratada e com o pagamento de todos os encargos trabalhistas pela contratante. Ora, como a Dra. Patrícia passou a ser empregada, deixou de existir a necessidade de contratação de terceiros para a elaboração de projetos, o que justifica a ausência de Notas Fiscais no período. Ocorre que a relação de emprego não funcionou bem para ambas as partes, pois o horário cumprido pela Dra. Patrícia era exagerado para a demanda da empresa e a engenheira, por sua vez, se via limitada para prestar serviços a outros interessados. (...) A fiscalização descaracterizou os contratos de serviços firmados com a empresa HMB CONSULTORIA EM ADMINISTRAÇÃO LTDA. em 2009, afirmando que, em verdade, haveria contrato de trabalho disfarçado com o Sr. Henrique Braga Neto. Em fevereiro de 2009, a Planex contratou a empresa HMB Consultoria em Administração Ltda. para a prestação de serviços de Assessoria e Consultoria em Administração de Empresas. Tratouse de um contrato de experiência, com vigência de 90 (noventa) dias e preço certo e fixo de R$ 33.000,00 (trinta e três mil reais). Posteriormente, este contrato fora prorrogado por mais 60 (sessenta) dias e, a partir de julho de 2009, passou a vigorar por prazo indeterminado. A empresa HMB Consultoria em Administração Ltda. existe desde dezembro de 2004, exercendo as atividades de corretagem de seguros, consultoria em gestão empresarial, treinamento em desenvolvimento profissional e gerencial. Seus sócios são Eduardo Queiroz Braga (majoritário e administrador) e Henrique Braga Neto (minoritário), ambos formados cm Administração de Empresas. É de se lembrar aqui, por oportuno, que os serviços contratados junto à HMB Consultoria foram meramente de assessoria e consultoria administrativa e não serviços de engenharia. E cm momento algum os contratos falam em prestação pessoal e exclusiva por parte do Sr. Henrique, ou seja, os serviços contratados poderiam ser prestados por AMBOS OS SÓCIOS. Ademais, o Sr. Henrique sequer é engenheiro e, portanto, não poderia ser contratado para prestar as atividadesfím da empresa, como alega a fiscalização. Além disso, entre janeiro de 2009 e dezembro de 2011, a HMB Consultoria, além da Planex, prestou simultaneamente serviços para diversas empresas, como por exemplo, a Associação dos Veteranos de Basquete de Minas Gerais, Panda Promoções e Eventos Ltda., Soul Advisory Consultoria em Negócios e Tecnologia Ltda., Engesolo Engenharia Ltda., Prcfisan Ltda., Prudential do Brasil Seguros de Vida S/A, o que demonstra a ausência de pessoalidade, subordinação e principalmente dependência econômica, de modo a inviabilizar a Fl. 1000DF CARF MF Processo nº 15504.720248/201409 Acórdão n.º 2201003.374 S2C2T1 Fl. 984 35 descaracterização da prestação de serviços como tal (vide cópias das Notas Fiscais anexadas). (...) A fiscalização alega que Armando Freire figurou como diretor comercial e administrativo financeiro, assinando contratos como representante da Planex, em março de 2007. Ora, de fato, em 2007 o Sr. Armando Freire era DIRETOR ELEITO da empresa Planex e inclusive tinha vínculo empregatício, com carteira assinada e todos os direitos, eis que seu desligamento da empresa se deu apenas em MARÇO DE 2009. Por outro lado, após a data do desligamento, não há um documento sequer assinado pelo Sr. Armando dentro da Planex, fato este não explorado pela fiscalização. Com relação ao Contrato de Prestação de Serviços firmado com a SULTCON CONSULTORIA, ele tinha por objeto a execução de serviços de coordenação e revisão de propostas e projetos de engenharia, com prazo de duração de 300 (trezentos dias) e valor fixo de R$ 100.000,00 (cem mil reais). (...) A empresa ROAD CONSULTORIA E PROJETOS LTDA. fora aberta em 29 de dezembro de 1999 e tinha como sócios a Sra. Marília Albuquerque de Abreu e Luiz Fernando Foureaux. Como demonstra o Contrato de Serviços em análise, esta empresa sempre prestou serviços à PLANEX desde março de 2007, serviços estes de estudos de traçado e/ou projetos dc geometria, sinalização e terraplenagem, especificamente voltados para o mercado de projetos na área rodoviária. Tratasc de uma área com grande demanda de trabalho e absoluta carência dc bons profissionais, o que inclusive inviabiliza a contratação de engenheiros, que se recusam a firmar contratos de trabalho com carteira assinada, o que obriga os contratantes a se submeter aos Contratos de Serviços como apresentados pelos prestadores. Assim, entre 2009 e 2011, a ROAD CONSULTORIA prestou diversos serviços à Planex, via Notas Fiscais com valores diversos e numeração não seqüencial, eis que efetivamente prestava os mesmos serviços a várias outras empresas do ramo. Com efeito, entre novembro de 2008 e agosto de 2011, a Road Consultoria, além da Planex, prestou simultaneamente serviços para diversas empresas, como por exemplo, Tecisan Técnica de Engenharia Civil e Sanitária Lida., ERG Engenharia Ltda., Minerconsult Engenharia Ltda., Enecon Engenheiros e Economistas Consultores, Engesolo Engenharia, Cobrape Companhia Brasileira de Projetos e Empreendimentos, RPC Empreendimentos Imobiliários Ltda., Magna Engenharia Ltda., Consominas Engenharia Ltda., o que demonstra a ausência de Fl. 1001DF CARF MF 36 pessoalidade, subordinação e principalmente dependência econômica, dc modo a inviabilizar qualquer caracterização de eventual relação de emprego alegada pela fiscalização (vide cópias das Notas Fiscais anexadas). (...) Como já dito, ante a absoluta carência de tais profissionais no mercado, os próprios engenheiros NÃO ACEITAM trabalhar com carteira assinada, tanto assim que a engenheira em questão só aceitou firmar um contrato de trabalho com horário mínimo (duas horas diárias), justamente para que não ficasse ela impedida de prestar serviços para outras empresas. (...) Assim, entre 2009 e 2011, a PAVIMENTO CONSULTORIA prestou diversos serviços à Planex, via Notas Fiscais com valores diversos e numeração não seqüencial, eis que certamente prestava os mesmos serviços a várias outras empresas do ramo. Porém, os órgãos contratantes governamentais começaram a exigir, para efeito de participação em processos licilatórios e concorrências públicas, vínculo empregatício com a concorrente, para validar os atestados dos responsáveis técnicos de profissionais especialistas em pavimentação, o que não era usual até então. Neste sentido, a Planex, bem como quase todas as empresas do ramo, que sempre terceirizaram este tipo de trabalho, viuse obrigada a admitir oficialmente com carteira assinada, em seu quadro de funcionários, a engenheira Júnia Perilo, detentora de diversos atestados de "RT Responsável Técnico" das especialidades exigidas em concorrências públicas, ainda que contra a vontade da referida profissional, mas com rigoroso pagamento de todos os direitos e obediência fiel a todas as normas trabalhistas (...) Logo de cara identificamos uma sociedade de profissionais engenheiros, existente HÁ MAIS DE QUINZE ANOS, o que afasta a alegação de fraude e principalmente a alegação de pessoalidade na prestação dos serviços, eis que quaisquer dos sócios estaria habilitado a prestálos, indistintamente, além de dividirem a administração da empresa. Tratase, pois, de empresa de serviços de engenharia multidisciplinar com atividades bastante diversificadas, com especial atenção para arquitetura, sistemas centrais dc ar condicionado, manutenção e instalações elétricas, projetos e comércio dc material elétrico. No mesmo período fiscalizado, ou seja, entre janeiro dc 2009 c setembro de 2011, a HOURI LUSTOSA igualmente prestou serviços para as seguintes empresas e não somente para a Planex, a saber (vide Notas Fiscais anexas): (...) Fl. 1002DF CARF MF Processo nº 15504.720248/201409 Acórdão n.º 2201003.374 S2C2T1 Fl. 985 37 De fato, a Sra. Patrícia Saliba Houri Lustosa é funcionária da PLANEX com carteira assinada desde 18/11/2004, com contrato de trabalho ainda em vigor, com respeito absoluto a todas as normas trabalhistas e pagamento de todos os direitos e encargos devidos. No entanto, o contrato é de apenas 2 (duas) horas diárias, caso que se assemelha ao de Júnia Perilo c Marília Albuquerque, todos estes contratos firmados contra a vontade das engenheiras, mas por conta de exigências burocráticas em processos licitatórios / concorrenciais. Isto porque todas estas profissionais fazem questão absoluta de não depender, nem se subordinar com exclusividade a nenhuma empresa, preferindo prestar serviços a diversas delas. (...) A empresa PORTIA ENGENHARIA E PARTICIPAÇÕES LTDA. fora aberta em 7 de agosto de 2009 e tinha como sócios Rodrigo Capanema Lopes Gouvêa, engenheiro civil, Gilberto Toni Sarah e Alfa Participações Ltda.. Aos 25 de maio de 2011 o Sr. Carlos Roberto Lopes Gouvêa fora admitido como sócio na referida sociedade. Na Planex, o Sr. Carlos Gouvêa teve sua carteira de trabalho assinada em Io de agosto de 2007, com carga horária diária de apenas 4 (quatro) horas por dia, contrato de trabalho este que se encerrou em 29/11/2013, por vontade do contratado. Durante todo o período do contrato de trabalho, todas as normas e direitos trabalhistas foram rigorosamente cumpridos, com o pagamento de todos os encargos devidos. Do mesmo modo, por ocasião da rescisão do contrato, todos os direitos e encargos rescisórios foram devidamente pagos, como se verifica pelo Termo de Rescisão de Contrato de Trabalho já anexado aos autos." A simples leitura do recurso espanca a questão. Há vínculo de emprego entre os trabalhadores mencionados e a Recorrente. Tal vínculo, em que pese toda a argumentação em minimizálo, já tem o condão de afastar a contratação da pessoa jurídica que não possui empregados como prestadora de serviços técnicos especializados e tal importância para a Recorrente. De certo que tais serviços foram prestados pelos trabalhadores identificados pela Fiscalização. Restam comprovados, pelos próprios documentos apresentados pela Recorrente, a prestação dos serviços intelectuais ali indicados. O que não se pode admitir é que tais serviços sejam prestados de forma diversa do contrato de trabalho firmado entre as mesmas partes. O que a Recorrente nos quer fazer crer é que o que ocorre de fato é uma prestação de serviços prestados por pessoas jurídicas unipessoais, no mais das vezes, enquanto o contrato de trabalho regularmente constituído se apresenta como mera formalidade. Não me parece verossímil. Fl. 1003DF CARF MF 38 Não se pode admitir, como alega a Recorrente que o fato da empresa prestadora emitir mais de uma nota fiscal no período se afasta a relação de trabalho entre o sócio desta e a Recorrente. Não se trata de verificar a regularidade dos documentos fiscais emitidos pela prestadora e sim de como se deu a reconhecida relação de trabalho entre os sócios das contratadas e a contratante. Soube o Fisco, para os sete casos em comento, comprovar o vínculo de emprego representado pela subordinação estrutural. Mister ressaltar que para um dos casos mencionados, o do Sr Armando F Figueiredo, ele representa legalmente a própria Recorrente, assinado documentos como Diretor Comercial. Outro, o Sr Carlos Roberto L Gouvea, ocupou cargo no Conselho de Administração da Recorrente. Os demais, afora o próprio contrato de trabalho reconhecido pelo contribuinte, exerceram cargos de gerência e importância técnica dentro da estrutura da Recorrente. Comprovada a relação empregatícia. Desconsiderada a contratação das pessoas jurídicas posto que dissimuladora da relação de trabalho firmada entre as pessoas físicas e a Recorrente. Recurso negado também nessa parte. MULTA QUALIFICADA Consta do Recurso (fls. 958): "Segundo a fiscalização, a empresa autuada teria agido dolosamente, visando impedir/ocultar a ocorrência do falo gerador da obrigação tributária principal das contribuições previdenciárias, bem como modificar suas características essenciais, de modo a reduzir/evitar o montante do imposto devido, caracterizando a ocorrência dc sonegação e fraude. Assim sendo, aplicou sobre o saldo devedor apurado multa de ofício QUALIFICADA cm dobro, no percentual de 150 % (cento e cinqüenta por cento), nos termos do art. 44, § Io da Lei Federal n° 9.430/1996 (...) Neste sentido, só caberá a aplicação da multa qualificada nos casos em que for inequivocamente COMPROVADA a existência de sonegação, fraude e conluio. Para haver sonegação, deve existir prova inequívoca de uma ação ou omissão DOLOSA, com o objetivo de impedir ou retardar o conhecimento da fiscalização sobre ocorrência de fato gerador ou sobre as condições pessoais do contribuinte. Haverá fraude, com prova de ação ou omissão DOLOSA, com o objetivo de impedir ou retardar a ocorrência de fato gerador, ou excluir, ou modificar suas características, de modo a reduzir, evitar ou diferir seu pagamento. Já o conluio é o ajuste DOLOSO entre duas ou mais pessoas, visando a fraude ou sonegação fiscal. No caso em apreço, não há NENHUMA PROVA ou indício sequer de qualquer tipo de ação ou omissão DOLOSA, com o objetivo de impedir ou retardar a ação fiscal, muito antes ao contrário" A imputação fiscal foi assim elaborada (fls. 66): Fl. 1004DF CARF MF Processo nº 15504.720248/201409 Acórdão n.º 2201003.374 S2C2T1 Fl. 986 39 87. Conforme fartamente comprovado ao longo do presente Relatório Fiscal, a PLANEX, na formalização de contratos de prestação de serviços com diversas pessoas jurídicas, adotou procedimentos visando mascarar sua verdadeira intenção que seria a obtenção do resultado do trabalho de seus sócios pessoas físicas — na realidade, segurados empregados de fato. Ao mesmo tempo, no intuito de efetivar os pagamentos das respectivas remunerações dessas pessoas físicas, travestiaos contabilmente como meras quitações de notas fiscais emitidas pelas pessoas jurídicas utilizadas na transação irregular. 88. Dentre os procedimentos descritos no parágrafo anterior, destacase a constatação de que os sócios de seis das dez empresas analisadas eram empregados registrados da Planex e um era contribuinte individual e foram, absurdamente remunerados como se pessoas jurídicas formalmente contratadas fossem, que emitiam notas fiscais para justificar pagamentos de remunerações a seus sócios. 89. Conforme evidenciado ao longo deste relatório, a contratação desses empregados travestidos de pessoas jurídicas não foi simples erro e tampouco coincidência. Como essa forma de remuneração afasta a incidência de contribuições previdenciárias, ficou manifesta e deliberada a atitude dolosa dos responsáveis pela empresa, utilizandose desse conveniente subterfúgio, contratava os sócios daquelas pessoas jurídicas com intuito de ocultar a ocorrência do fato gerador, deixando com isso de pagar as contribuições sociais devidas. 90. Assim sendo, fica inequivocamente demonstrado que a Fiscalizada, através de seus responsáveis legais, agiu dolosamente visando impedir/ocultar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal das contribuições sociais previdenciárias, bem como modificar suas características essenciais de modo a reduzir/evitar o montante do imposto devido, ficando, portanto caracterizada a ocorrência de sonegação e fraude. 91. Diante do exposto, sobre os créditos constituídos através dos levantamentos SE e CS, a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) a ser aplicada, por previsão do parágrafo primeiro do artigo 44 da Lei 9.430/1996, com a redação dada pela Lei 11.488/2007, será duplicada pela ocorrência de fatos que se subsumem ao previsto nos artigos 71 e 72 da Lei no 4.502/1964, totalizando a alíquota de 150% (cento e cinqüenta por cento)." Como bem dito pelo Fisco e reconhecido pelo Recorrente, a aplicação da multa qualificada exige a conduta dolosa no sentido da sonegação ou da fraude, nos termos da Lei 4.502/64. Logo necessário perquirirmos os conceitos mencionados. O dolo, leciona Luiz Regis Prado (Curso de Direito Penal Brasileiro, 6ª ed. Ed. Revista dos Tribunais, p. 113), se observa quando Fl. 1005DF CARF MF 40 "(...) age dolosamente o agente que conhece e quer a realização dos elementos da situação fática ou objetiva, sejam descritivos, sejam normativos, que integram o tipo legal do delito." (negritamos) Transportando para a seara tributária, podemos dizer que age dolosamente o contribuinte que conhecendo a incidência tributária, sabendo que determinada conduta enseja o fato gerador, dela procura se afastar, não com vista a não praticar o fato ensejador da incidência, mas sim, buscando de alguma forma, se escusar ao cumprimento da obrigação tributária. Nesse sentido a dicção da Lei nº 4.502/64, que conceitua fraude como sendo toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador ou a reduzir as suas características essenciais de modo a reduzir o montante do tributo devido. Já a sonegação, nos dizeres legais, é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador ou das condições pessoais do contribuinte ou do crédito tributário. Claro resta que a intenção do agente, do contribuinte é determinante para caracterização da fraude e da sonegação nos termos da Lei nº 4.502/64. E mais, deve ser provada pela Fisco. Mas como a Autoridade Fiscal pode verificar a intenção do contribuinte, se a verificação do cumprimento das obrigações tributárias é realizada, praticamente sempre, tempos após o surgimento dessas obrigações? A lição de Vasco Branco Guimarães, reproduzida por Paulsen (Direito Tributário Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência, 15ª ed., Livraria do Advogado Editora, p. 1117), nos auxilia: "A fraude fiscal pode ser definida como a conduta ilegítima tipificada que visa a obtenção indevida de vantagem mediante: não liquidação, entrega ou pagamento de prestação tributária; aquisição de benefício fiscal indevido; aquisição de qualquer outra vantagem patrimonial à custa de receitas tributárias" Ora, patente no relatório fiscal que as condutas do Recorrente visavam impedir ou retardar a ocorrência do fato gerador ou reduzir suas condições essenciais com vista a obtenção de vantagem por meio da postergação ou não pagamento do tributo devido. Outro não pode ser o entendimento sobre alguém, que mantendo contrato de trabalho com outrem, contrata esse mesmo prestador de serviço pessoa física, como jurídica e o remunera com valores, em muito, superiores ao daquele constante no contrato de emprego. Logo, observo na conduta praticada pelo Recorrente a dissimulação das relações de trabalho da pessoa física por meio da prática da contratação de pessoas jurídicas, o chamado pejotismo. Cabível a qualificação da multa de ofício nos termos da Lei nº 9.430/96. Recurso negado nessa parte. Fl. 1006DF CARF MF Processo nº 15504.720248/201409 Acórdão n.º 2201003.374 S2C2T1 Fl. 987 41 CONTRIBUIÇÃO PELO RAT Observou o Fisco (fls. 68): 97. A partir de 01/2010, a alíquota de contribuição de um, dois ou três por cento, destinada ao financiamento do benefício de aposentadoria especial ou daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, poderá ser reduzida, em até 50%, ou aumentada, em até 100%, conforme dispõe o art. 202A do RPS, em razão do desempenho da empresa em relação à respectiva atividade econômica. 98. O desempenho da empresa é aferido pelo Fator Acidentário de Prevenção –FAP, que consiste em um multiplicador variável num intervalo contínuo de cinco décimos (0,5000) a dois inteiros (2,0000), aplicado com quatro casas decimais, considerado o critério de arredondamento na quarta casa decimal, a ser aplicado à respectiva alíquota. 99. No caso da PLANEX o FAP em 2010 foi de 1,5837 resultando em uma alíquota RAT AJUSTADA DE 4,7511. (Alíquota RAT x FAP = 3% x 1,5837) 100. Em 2011 foi de 1,0 resultando em uma alíquota RAT AJUSTADA DE 3,0. (Alíquota RAT x FAP = 3% x 1,0) 101. Conforme análise da GFIP – Guia de Recolhimento do FGTS e de Informações à Previdência Social, verificamos que o contribuinte, nas competências de 01/2010 a 13/2011, informou no campo alíquota RAT 1% e no campo FAP o multiplicador igual a 1,5837, gerando uma alíquota de RAT AJUSTADO de 1,5837%% quando o correto seria 4,7511%, em 2010 e 3,0% em 2011. 102. Constatamos, portanto, que o contribuinte declarou incorretamente em GFIP a alíquota RAT em 2010 e 2011 e o multiplicador FAP em 2011, acarretando cálculo a menor da contribuição devida. Assim sendo, a diferença, correspondente a 3,1674% nas competências de 01/2010 a 13/2010 e 1,4163% no período de 01/2011 a 13/2011, constitui o objeto do Levantamento DR. 103. Para a composição das bases de cálculo das contribuições ora levantadas, consideramos as remunerações dos segurados empregados informadas nas folhas de pagamento. 104. O Anexo 03 detalha os valores das bases de cálculo consideradas e a contribuição que deixou de ser informada em GFIP e recolhida para a Seguridade Social." Contra tal lançamento também se insurge a Recorrente. Argumenta que (fls 962): "Segundo a agente fiscal, a autuada enquadrase na Classificação Nacional de Atividades Econômicas — CNAE, com Fl. 1007DF CARF MF 42 atividade preponderante vinculada ao código 71120/00 Serviços de Engenharia, cuja alíquota GILRAT (Grau de Incidência de Incapacidade Laborativa decorrente dos Riscos Ambientais do Trabalho) seria de 1% (um por cento) em 2009 c 3% (três por cento) em 2010 e 2011. De acordo com o Auto de Infração, a contribuinte teria declarado incorretamente em GFIP a alíquotabase do RAT em 2010 e 2011 como sendo 1% ao invés de 3%, o que teria gerado uma diferença a menor de alíquota da ordem de 3,1674% em 2010 e 1,4163% em 2011, pois as alíquotas corretas seriam de 4,7511% em 2010 (3% x 1,5837 FAP) e 3% em 2011 (3% x 1,0 FAP). Na verdade, o Decreto Federal n° 6.957, de 9 de setembro de 2009, alterou o anexo V do Decreto n° 3.048, de 6 de maio de 1999 (Regulamento Geral da Previdência Nacional), com vigência a partir do dia Io de janeiro de 2010, majorando assim de forma abrupta, arbitrária e sem qualquer tipo de critério, boa parte das alíquotas GILRAT em vigor no país. Com esta mudança, a atividade genérica de "Serviços de Engenharia" Código CNAE 71120/00, que sempre fora classificada como atividade de risco leve, com alíquotabase GILRAT de 1% (um por cento), de uma hora para outra, num passe de mágica, passou a ser considerada atividade de risco alto, com alíquota GILRAT de 3,0%. Dc se notar, que este aumento de alíquota, e consequentemente de tributo, deuse de forma absolutamente ilegal e inconstitucional (ofensa direta ao art. 5o, II da Constituição de 198821), eis que não fora promovido por meio de LEI, mas sim através de mero Decreto, emanado do Poder Executivo, que tem função meramente regulamentadora, mas jamais inovadora no ordenamento jurídico. Assim, de um dia para o outro, a mesma atividade exercida pela empresa há anos passou da classificação de risco leve para risco alto, com o aumento da tributação do RAT em trezentos por cento. Lado outro, este Decreto não levou em consideração também, que existem diversos tipos de serviços de engenharia, com perfis e características de risco bem distintos, de maneira que não podem ser todos eles taxados arbitrariamente como atividades de alto risco. Com efeito, os serviços de engenharia prestados pela Planex são eminentemente de elaboração de planos diretores, estudos de viabilidade, estudos organizacionais e outros, relacionados com obras e serviços de engenharia, bem como elaboração de anteprojetos, projetos básicos e projetos executivos para trabalhos de engenharia, além do acompanhamento e fiscalização da execução de obras de engenharia (Códigos 7.03 e 7.19 da Lista de Serviços). Neste sentido, boa parte ou a quase totalidade dos serviços prestados são desenvolvidos no ambiente de escritórios, longe dos canteiros de obras, por se tratarem basicamente de estudos e projetos, o que indica que realmente a atividade, embora se trate de serviço de engenharia, realmente seja classificada como de RISCO LEVE. Fl. 1008DF CARF MF Processo nº 15504.720248/201409 Acórdão n.º 2201003.374 S2C2T1 Fl. 988 43 Tanto assim, que a empresa ANTARES SERVIÇOS LTDA., especializada em engenharia de segurança do trabalho, ao elaborar o competente Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRANR9) da Planex nos anos de 2010 e 2011, classificou as atividades da empresa como GRAU DE RISCO LEVE, ou seja, sujeito à alíquota GILRAT de 1,0 % (vide documentos anexos, firmados por Ronaldo Alves de Araújo Engenheiro de Segurança do Trabalho CREA/MG 54.321/D), ainda que se tratem de Serviços de Engenharia. Pelo exposto, verificase que a despeito das ilegais alterações promovidas pelo Decreto Federal n° 6.957/2009, ainda hoje as atividades desenvolvidas pela empresa fiscalizada são enquadradas como de RISCO LEVE e, portanto, sujeitas a alíquota GILRAT de 1,0%, gerando a improcedência da autuação neste particular." Em primeiro lugar, é necessário recordar que no âmbito do processo administrativo fiscal não é permitido ao julgador apreciar questão afeta a constitucionalidade de preceito legal. Nesse sentido, a Súmula CARF nº 2, espanca qualquer dúvida. "Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." Em segundo lugar, especificamente quanto aos argumentos apresentados sobre a atividade econômica praticada pela Recorrente, necessárias algumas considerações. Segundo o artigo 72 da IN 971/09, em seu inciso I, o enquadramento nos graus de risco previstos no artigo 22, inciso II da Lei nº 8.212/91, deve ser feito pela empresa, de acordo com a sua atividade econômica preponderante, elaborada com base na CNAE. Ora, do exposto é nítido que não há que se falar em laudo técnico elaborado por empresa de saúde e segurança do trabalho para que se verifique o grau de risco do contribuinte. A Lei de Custeio determinou previamente o risco de cada atividade com base na atividade econômica desenvolvida pela empresa, pelo contribuinte. Como bem apontado pela Fiscalização e não rebatido pelo Recorrente, o grau de risco aplicável no caso em apreço é aquele obtido pela CNAE da atividade econômica preponderante do contribuinte, 71120/00, de 3,0%. Logo, procedente o lançamento tributário. Recurso negado também nessa parte. Por fim, necessário não olvidar que consta do recurso as alegações sobre os lançamentos tributários decorrentes da análises acima empreendidas, ou seja, a parcela relativa aos terceiros e as valores devidos pelos segurados sobre as verbas em discussão. Como bem apontado no recurso, tais lançamentos são reflexos do lançamento principal e sofrerão, por via de consequência, a mesma sorte da decisão acima proferida. MULTAS ISOLADAS Fl. 1009DF CARF MF 44 Por fim, quanto às multas por descumprimento das obrigações acessórias decorrentes das imputações fiscais, alega a recorrente (fls 964): "Ora, a aplicação de tais multas isoladas, por pretensos descumprimentos de obrigações acessórias, decorrem diretamente da interpretação fiscal, de que vários prestadores de serviços da empresa autuada (inclusive pessoas jurídicas) na realidade seriam empregados com contratos de trabalho dissimulados. Tal interpretação levou à conclusão (equivocada) de que a autuada não teria preparado adequadamente folhas de pagamento; nem lançado na contabilidade os salários como fatos geradores de contribuição previdenciária; nem procedido a retenção na fonte das contribuições previdenciárias devidas pelos segurados empregados, gerando tais multas por descumprimento de obrigações acessórias. Ora, como de resto todo o mérito da autuação ora questionada, também tais multas dizem respeito à caracterização ou não das relações de emprego alegadas pela fiscalização e não reconhecidas pela empresa autuada. Significa dizer, que uma vez demonstrado e provado que não existem tais alegados vínculos de emprego, também deixam de existir as alegadas irregularidades acessórias. Assim sendo, consideramse tais Autos de Infração acessórios ou reflexos em relação à autuação contida no AI/DEB CAD 51.047.3172, de modo que as alegações acima articuladas aproveitam a todos, eis que as mesmas razões de impugnação se aplicam a todos igualmente" Como bem exposto, a verificação de eventual descumprimento das obrigações acessórias por parte do sujeito passivo, depende da confirmação da imputação fiscal. Por todo o dito acima, observada a procedência da autuação, vejo como aplicáveis as multas impostas pela Autoridade Fiscal. Recurso negado também nessa parte. CONCLUSÃO Por todo o exposto e com base nos fundamentos apresentados, voto rejeitar a preliminar de nulidade e no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir do lançamento os valores referentes ao pagamentos efetuados a empresa SUPERVEN PROJETOS E SUPERVISÃO LTDA. assinado digitalmente Carlos Henrique de Oliveira Relator Fl. 1010DF CARF MF Processo nº 15504.720248/201409 Acórdão n.º 2201003.374 S2C2T1 Fl. 989 45 Fl. 1011DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10140.905326/2009-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 05 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Oct 31 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1201-000.229
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que os presentes autos sejam encaminhados à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Campo Grande/MS para: elaborar relatório circunstanciado, com o Demonstrativo do encontro de Contas após a Decisão da DRJ proferida no Acórdão 04-28.693 de 22/05/2012, de modo a evidenciar qual o montante do crédito tributário extinto pela compensação e, sendo o caso, o saldo remanescente do débito (principal e acréscimos moratórios), nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José Carlos de Assis Guimarães, Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Eva Maria Los e José Roberto Adelino da Silva. Ausente justificadamente, o conselheiro Paulo Cezar Fernandes de Aguiar.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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ME Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que os presentes autos sejam encaminhados à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Campo Grande/MS para: elaborar relatório circunstanciado, com o Demonstrativo do encontro de Contas após a Decisão da DRJ proferida no Acórdão 04 28.693 de 22/05/2012, de modo a evidenciar qual o montante do crédito tributário extinto pela compensação e, sendo o caso, o saldo remanescente do débito (principal e acréscimos moratórios), nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José Carlos de Assis Guimarães, Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Eva Maria Los e José Roberto Adelino da Silva. Ausente justificadamente, o conselheiro Paulo Cezar Fernandes de Aguiar. Relatório. Por considerar pertinente adoto o Relatório da decisão recorrida (fls.83/84) que transcrevo a seguir: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 40 .9 05 32 6/ 20 09 -2 1 Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10140.905326/200921 Resolução nº 1201000.229 S1C2T1 Fl. 3 2 Tratase de Declaração de Compensação – DCOMP nº 29151.01548.281107.1.3.048239 (fls. 02/12), com base em suposto crédito de Simples oriundo de pagamento indevido ou a maior. A DRF de origem emitiu Despacho Decisório eletrônico nº 851558705 de não homologação da compensação, fundamentando (fls. 14): Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão do PER/DCOMP: 26.902,43. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Cientificada do citado despacho, a interessada apresentou sua manifestação de inconformidade em 22/12/2009 (fls. 18/24), alegando, em síntese, que: a) a DCOMP referese à compensação de débitos de Cofins (períodos de apuração janeiro a junho/2007), PIS (períodos de apuração janeiro a maio/2007) e IRPJ do 2º trimestre/2006; b) devese observar que havia sido excluída do Simples pelo Ato Executivo Declaratório nº 22, tendo sido reintegrada ao Simples Nacional a partir de 01 de julho de 2007; c) inferese, portanto, que esteve sujeita, no anocalendário 2007, a dois regimes tributários distintos: apuração pelo Lucro Presumido no primeiro semestre e ao Simples Nacional no segundo; d) consciente a situação, apresentou as obrigações acessórias do primeiro semestre/2007 confessando os débitos pelo Lucro Presumido (DCTF); e) no entanto, ao preencher a declaração da pessoa jurídica referente ao primeiro semestre de 2007, equivocadamente veio a fazêlo no formulário do Simples; f) devese verificar que ao transmitir a Declaração da Pessoa Jurídica –Simples em 25/05/2008, já havia transmitido a DCTF do 1º trimestre/2007, em 29/11/2007 e, como se sabe, a obrigatoriedade de entrega da DCTF vinculase ao regime tributário do Lucro Presumido, e não ao Simples; g) o não acolhimento a DCOMP deveuse a citado erro material no preenchimento da declaração do 1º semestre/2007 e, em 09/11/2009, transmitiu a declaração pelo Lucro Presumido, sanando a irregularidade; Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10140.905326/200921 Resolução nº 1201000.229 S1C2T1 Fl. 4 3 h) com a transmissão da declaração pelo Lucro Presumido, abriramse os créditos alusivos aos recolhimentos já efetuados pelo regime tributário do Simples, bastando fazerse a alocação dos valores; i) requer o efeito suspensivo ao contencioso administrativo, face à natureza jurídica de recurso da presente manifestação de inconformidade. Esta DRJ juntou extratos de consulta a sistemas da RFB (fls. 80/81). A decisão de primeira instância julgou procedente a manifestação de inconformidade, mediante o Acórdão nº 0428.693, de 22 de maio de 2012, da 2ª Turma da DRJ/Campo Grande/MS, assim ementado: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2007 COMPENSAÇÃO. SALDO DISPONÍVEL DE DIREITO CREDITÓRIO.HOMOLOGAÇÃO. Constatada a existência de saldo de direito creditório reconhecido, homologase a compensação até o seu limite. A empresa foi cientificada da mencionada decisão proferida, em 25/05/2012, conforme o Aviso de Recebimento(AR), fl.94, e, protocolizou recurso ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, em 25/06/2012. Na peça recursal a Recorrente argúi que, embora a decisão de primeira instância tenha acolhido a Manifestação de Inconformidade para declarar e existência de crédito tributário decorrente de pagamentos anteriormente efetuados sob o regime do SIMPLES, bem como sua compensação, nos termos do PERDCOMP referenciado, até o limite do saldo no valor de R$ 26.902,43, a autoridade administrativa juntou guias de DARF's para pagamento, em número de 6 (seis), totalizando R$ 7.444,14 (sete mil, quatrocentos e quarenta e quatro reais e quatorze centavos), com vencimento em 31 de maio de 2012. A Recorrente, preliminarmente, insurgese contra a mencionada cobrança, argüindo cerceamento ao direito de defesa porque, não tendo o contribuinte recebido a memória do cálculo final apresentado no DARF pela Autoridade Administrativa, não há como definir a liquidez, certeza e exigibilidade do suposto crédito tributário. Assim, requer seja chamado o feito à ordem, determinandose o retorno dos autos à origem para que seja efetuado novo julgamento, para que não se venha alegar supressão de instância. No mérito, aduz que: Entrementes, como nas compensações PER/DCOMP não foram lançados os valores das multas pelo fato de a Recorrente entender indevidas, por presunção a diferença de valor pleiteada pela Autoridade Fiscal teria sido disso decorrente. Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10140.905326/200921 Resolução nº 1201000.229 S1C2T1 Fl. 5 4 Assim sendo, nessa linha se fixarão as razões de recurso. Entende a Recorrente que na lide em apreço não deve ser aplicada a multa por atraso na entrega da Declaração, nem tampouco eventual multa sobre o imposto devido, exatamente porque NÃO HOUVE NENHUM COMPORTAMENTO DESIDIOSO DA SUA PARTE, conforme restou provado pela entrega tempestiva da Declaração do primeiro semestre/2007, e ao depois, pelo que denomina de retificação de erro material antes de qualquer procedimento administrativo fiscal, do que se depreende, sem maior esforço, que agiu contra o seu próprio querer ao entregar a primeira Declaração com base no "SIMPLES", sendo certo que a vontade real era a entrega da Declaração com base no Lucro Presumido, guardando consonância com os débitos confessados em DCTF. ... Na presente lide constatase o acerto da DIPJ posteriormente à entrega da DCTF, afigurandose a mesma situação fática. À evidência, farseia grande injustiça manter o crédito tributário supracitado, pois, evidente a ocorrência de erro material por parte do Contribuinte quando da eleição do formulário de entrega da Declaração pelo "SIMPLES" quando já havia confessado o débito pelo Lucro Presumido em DCTF, dando ensejo à análise de mérito. ... Diante do exposto, requer seja acolhida a preliminar de mérito, determinando a devolução dos autos à origem para que seja prolatado novo julgamento, suprindose a ausência de cálculos que possam demonstrar a origem de eventuais créditos tributários bem como sua certeza, liquidez e exigibilidade, intimandose o contribuinte da nova decisão. Caso superada a preliminar de mérito, que seja, no mérito, acolhido o presente recurso para determinar a extinção do crédito tributário, em face dos precedentes deste Tribunal Administrativo quanto a inexistência de multa quanto ao cumprimento de obrigações acessórias, uma vez que as obrigações principais foram cumpridas tempestivamente. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo. Dele conheço. O litígio do presente processo configurouse com a Manifestação de Inconformidade, interposta em face do Despacho Decisório eletrônico 851558705 (fl.13), expedido em 20/11/2009, que, diante da inexistência do crédito analisado no valor de R$ Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10140.905326/200921 Resolução nº 1201000.229 S1C2T1 Fl. 6 5 26.902,43 NÃO HOMOLOGOU as compensações declaradas no PER/DCOMP nº 29151.01548.281107.1.3.048239 (fls. 02/12). A decisão de primeira instância julgou procedente a Manifestação de Inconformidade, mediante o Acórdão nº 0428.693, de 22 de maio de 2012, da 2ª Turma da DRJ/Campo Grande/MS. Na peça recursal a Recorrente argúi que, embora a decisão de primeira instância tenha acolhido a Manifestação de Inconformidade para declarar e existência de crédito tributário decorrente de pagamentos anteriormente efetuados sob o regime do SIMPLES, bem como sua compensação, nos termos do PERDCOMP referenciado, até o limite do saldo no valor de R$ 26.902,43, a autoridade administrativa juntou guias de DARF's para pagamento, em número de 6 (seis), totalizando R$ 7.444,14 (sete mil, quatrocentos e quarenta e quatro reais e quatorze centavos), com vencimento em 31 de maio de 2.012. A Recorrente, preliminarmente, alega cerceamento ao direito de defesa porque não tendo o contribuinte recebido a memória do cálculo final apresentado no DARF pela Autoridade Administrativa, não há como definir a liquidez, certeza e exigibilidade do suposto crédito tributário. Com efeito, a INSTRUÇÃO NORMATIVA RFB Nº1300, DE 20 DE NOVEMBRO DE 2012, estabelece procedimentos a serem adotados, na hipótese de saldo remanescente de débito, vejamos: ... Art. 67. Homologada a compensação declarada, expressa ou tacitamente, ou consentida a compensação de ofício, a unidade da RFB adotará os seguintes procedimentos: I debitará o valor bruto da restituição, acrescido de juros, se cabíveis, ou do ressarcimento, à conta do tributo respectivo; II creditará o montante utilizado para a quitação dos débitos à conta do respectivo tributo e dos respectivos acréscimos e encargos legais, quando devidos; III registrará a compensação nos sistemas de informação da RFB que contenham informações relativas a pagamentos e compensações; IV certificará, se for o caso: a) no pedido de restituição ou de ressarcimento, qual o valor utilizado na quitação de débitos e, se for o caso, o saldo a ser restituído ou ressarcido; b) no processo de cobrança, qual o montante do crédito tributário extinto pela compensação e, sendo o caso, o saldo remanescente do débito; e V expedirá aviso de cobrança, na hipótese de saldo remanescente de débito, ou ordem bancária, na hipótese de remanescer saldo a restituir ou a ressarcir depois de efetuada a compensação de ofício. Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10140.905326/200921 Resolução nº 1201000.229 S1C2T1 Fl. 7 6 Nessa ordem de idéia, fazse necessária a juntada do Demonstrativo do encontro de Contas após a Decisão da DRJ proferida no Acórdão 0428.693 de 22/05/2012, de modo a evidenciar qual o montante do crédito tributário extinto pela compensação e, sendo o caso, o saldo remanescente do débito (principal e acréscimos moratórios). Diante do exposto, voto no sentido de que os presentes autos sejam encaminhados à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Campo Grande/MS para: elaborar relatório circunstanciado, com o Demonstrativo do encontro de Contas após a Decisão da DRJ proferida no Acórdão 0428.693 de 22/05/2012, de modo a evidenciar qual o montante do crédito tributário extinto pela compensação e, sendo o caso, o saldo remanescente do débito (principal e acréscimos moratórios), do que deve ser dada ciência ao Contribuinte para sua manifestação, se do seu interesse, no prazo de 30 (trinta dias). Apresentada a manifestação ou transcorrido o prazo, devem os autos retornar ao CARF para prosseguimento do julgamento. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 159DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.933377/2009-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Oct 25 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/03/2004 a 31/03/2004
ART. 3º, §1º DA LEI 9.718/98. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. RECEITA. ALARGAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE. APLICAÇÃO DO ART. 62, §2º, do RICARF. RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. CABIMENTO.
A base de cálculo das contribuições ao PIS e a COFINS é o faturamento e, em virtude de inconstitucionalidade declarada em decisão plenária definitiva do STF, devem ser excluídas da base de cálculo as receitas que não decorram da venda de mercadorias ou da prestação de serviços. Aplicação do art. 62, §2º do RICARF.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3402-003.418
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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Alargamento da base de cálculo. Recorrente CONSTRUTORA TOMASI LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/03/2004 a 31/03/2004 ART. 3º, §1º DA LEI 9.718/98. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. RECEITA. ALARGAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE. APLICAÇÃO DO ART. 62, §2º, do RICARF. RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. CABIMENTO. A base de cálculo das contribuições ao PIS e a COFINS é o faturamento e, em virtude de inconstitucionalidade declarada em decisão plenária definitiva do STF, devem ser excluídas da base de cálculo as receitas que não decorram da venda de mercadorias ou da prestação de serviços. Aplicação do art. 62, §2º do RICARF. Recurso Voluntário Provido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 93 33 77 /2 00 9- 51 Fl. 133DF CARF MF Processo nº 10980.933377/200951 Acórdão n.º 3402003.418 S3C4T2 Fl. 0 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (“DRJ”) de Curitiba/PR que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Contribuinte, a qual pretendeu a reforma do despacho decisório, que, por sua vez, indeferiu a homologação da compensação de créditos da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins com outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil. A não homologação se deveu a inexistência do crédito informado, vez que o mesmo havia sido integralmente utilizado. Em sua manifestação a interessada alega que o crédito decorre da declaração de inconstitucionalidade, pelo STF, do §1º do art. 3º da Lei nº9.718, de 1998, e que aproveitou o referido crédito nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Cita e transcreve jurisprudência administrativa e, ressaltando o contido no art. 165 do CTN, insiste no direito à restituição. Ao final, pede a homologação da compensação. Sobreveio então o Acórdão 06041.142, da DRJ/CTA/PR, julgando improcedente a manifestação de inconformidade da Contribuinte. Irresignada, a Contribuinte apresentou Recurso Voluntário a este Conselho repisando os argumentos trazidos em sede de manifestação de inconformidade. É o relatório Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402003.399, de 29 de setembro de 2016, proferido no julgamento do processo 10980.911525/201010, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402003.399): "O recurso voluntário é tempestivo, com base no que dispõe o artigo 33 do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972, bem como atende as demais condições de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. A questão de direito controversa no presente processo é amplamente conhecida. Tratase do inconstitucional alargamento da base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (“Cofins”), sobre o qual cumpre tecer algumas breves explanações. Fl. 134DF CARF MF Processo nº 10980.933377/200951 Acórdão n.º 3402003.418 S3C4T2 Fl. 0 3 A Cofins, sucessora do FINSOCIAL, foi disciplinada pela Lei n. 9.718, de 27 de novembro de 1998 (“Lei n. 9.718/98”). Nos termos do artigo 3º da citada Lei, ficou estabelecido que a Cofins incidiria sobre a receita bruta de pessoa jurídica. Por sua vez, o §1º do mesmo artigo veio definir o que abrangia o termo "receita", dispondo que: entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. Contudo, à época da edição da Lei n. 9.718/98, a Constituição da República brasileira, em seu artigo 195, estabelecia que as Contribuições Sociais a serem recolhidas aos Cofres da União pelos empregadores, dentre as quais se enquadra a Cofins, somente poderiam incidir sobre o “faturamento”. Diante dessa delimitação constitucional, o Supremo Tribunal Federal (“STF”) declarou que o §1º do artigo 3º da Lei n. 9.718/98 é inconstitucional, no julgamento dos Recursos Extraordinários (“RE”) n. 357950, 390840, 358273, 346084 e 336134 em 09 de novembro de 2005. Posteriormente, o Pretório Excelso, no julgamento do RE n. 585.235, publicado em 28/11/2008, julgou pela aplicação da repercussão geral sobre matéria em exame, reconhecendo a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. A ementa do referido julgado foi lavrada nos seguintes termos: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Isto porque, segundo o entendimento dos Ministros do STF, esse dispositivo alargou indevidamente a base de cálculo da COFINS, uma vez que igualou o conceito de faturamento (ou receita operacional) ao conceito de receita . Explicase. Enquanto o faturamento é constituído pelas receitas advindas da venda de bens e serviços, a receita compreende "entrada de recursos financeiros remuneradores dos diferentes negócios jurídicos da atividade empresarial”, segundo a lição de José Antonio Minatel. 1 Assim, o faturamento (espécie) é menos amplo que a receita (gênero). 1 MINATEL, José Antonio. Conteúdo do Conceito de Receita e Regime Jurídico para sua Tributação. MP Editora. São Paulo, 2005, p. 132. Fl. 135DF CARF MF Processo nº 10980.933377/200951 Acórdão n.º 3402003.418 S3C4T2 Fl. 0 4 Ocorre que tais conceitos não podem ser livremente manejados pelo legislador, pois o artigo 110 do Código Tributário Nacional determina que: A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias. Destarte, se a Constituição determinava que a COFINS somente poderia incidir sobre o faturamento; e o faturamento constitui as receitas provenientes da venda de bens e serviços pela pessoa jurídica; conclui se pela inconstitucionalidade da lei que determina a incidência sobre a receita sem sentido amplo, pois essa é mais abrangente que o faturamento. 2 Buscando solucionar os vícios constitucionais de que padecia a Lei n. 9.718/98, o Poder Legislativo editou a Emenda Constitucional n. 20, de 15 de dezembro de 1998 (“EC n. 20/98”). Tal Emenda alterou o texto do artigo 195 da Constituição, o qual restou positivado nos seguintes dizeres: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício;(Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) b) a receita ou o faturamento; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998). Em síntese, a EC n. 20/98 alargou a hipótese de incidência das contribuições sociais devidas pelo empregador, uma vez que a partir de então não só o faturamento pode ser tributado, como também a receita em sentido amplo. 2 Ademais, há de se ressaltar que a Lei n. 9.718/98 tem status jurídico de lei ordinária, o que torna ainda mais patente a sua inconstitucionalidade, tendo em vista que somente por meio de lei complementar é que poderia ser criada outra fonte de custeio da seguridade social (incidente sobre outra materialidade), nos termos do artigo 195, §4 e do artigo 154, inciso I, ambos da Constituição. Disto depreendese que somente seria legítima a cobrança da COFINS sobre a receita, hipótese que na época não estava prevista no rol de incisos do artigo 195 da Constituição, caso tal situação tivesse sido instituída por meio de lei complementar. Afinal, tratarseia de nova fonte de custeio da seguridade social. Como a Lei n. 9.718/98 foi votada e publicada pelo rito legislativo próprio das leis ordinárias, mais uma vez concluise pela inconstitucionalidade da exação. Fl. 136DF CARF MF Processo nº 10980.933377/200951 Acórdão n.º 3402003.418 S3C4T2 Fl. 0 5 Entretanto, essa mudança no texto da Constituição não teve o poder de convalidar os dizeres da Lei n. 9.718/98, pois o sistema jurídico brasileiro não admite a constitucionalidade superveniente, vale dizer, tendo sido promulgada e publicada lei que contraria a Constituição, não é possível que posterior alteração da própria Constituição, por via de emenda, traga de forma retroativa a validade da lei. Foi assim que decidiu o STF. Pois bem. Tendo sido decidida a questão em sede de recurso extraordinário com repercussão geral reconhecida, tornase imperioso o seu acatamento por este Conselho, nos moldes do artigo 62, §2º do Regimento Interno do CARF, o qual prescreve a necessidade de reprodução, pelos Conselheiros, das decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, na sistemática da repercussão geral: § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Nesse sentido, é tranquila a jurisprudência do Conselho a respeito da necessidade de reprodução das decisões proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da Cofins – citadas alhures aos processos administrativos fiscais, nos quais os contribuintes formulam pedidos de restituição de valores indevidamente pagos a título da contribuição social em questão, exatamente como ocorre no presente caso. Destaco a seguir alguns julgados representativos do entendimento sobre a matéria: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/02/1999 a 30/06/2000 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. TRIBUTOS SUJEITOS AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL. 10 ANOS. PEDIDO REALIZADO ANTES DA ENTRADA EM VIGOR DA LEI COMPLEMENTAR 118/2005. O prazo decadencial para o direito de restituição de tributos sujeitos ao lançamento por homologação é de 10 (dez) anos, a contar do fato gerador quando o pedido for realizado antes da entrada em vigor da Lei Complementar 118/2005, conforme entendimento do STF. COFINS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL POSSIBILIDADE. Nos termos regimentais, reproduzemse as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. A base de cálculo das contribuições para o PIS e a Cofins é o faturamento, assim Fl. 137DF CARF MF Processo nº 10980.933377/200951 Acórdão n.º 3402003.418 S3C4T2 Fl. 0 6 compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo Excelso STF. COFINS. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO DE TRIBUTO. POSSIBILIDADE. Caracterizado o pagamento a maior ou indevido da contribuição, o contribuinte tem direito à repetição do indébito, segundo o disposto no art. 165, I, do Código Tributário Nacional (CTN). Recurso Voluntário Provido (Processo 11618.002043/200519, MARCOS ANTONIO BORGES, Nº Acórdão 3801001.835) Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 28/02/1999 a 31/05/2000 DECADÊNCIA. INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. LEI COMPLEMENTAR 118/05. O prazo estabelecido na Lei Complementar 118/05 somente se aplica para os processos protocolizados a partir 9 de junho de 2005, e que anteriormente a este limite temporal aplicase a tese de que o prazo para repetição ou compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação é de dez anos, contado de seu fato gerador, de acordo com decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. PIS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL POSSIBILIDADE. Nos termos regimentais, reproduzemse as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. A base de cálculo das contribuições para o PIS e a Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo Excelso STF. PIS. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO DE TRIBUTO. POSSIBILIDADE. Caracterizado o pagamento a maior ou indevido da contribuição, o contribuinte tem direito à repetição do indébito, segundo o disposto no art. 165, I, do Código Tributário Nacional (CTN). Recurso Voluntário Provido. (Processo 13855.001146/200586, Relator(a) FLAVIO DE CASTRO PONTES, Nº Acórdão , 3801001.722) COFINS. ART. 3º, DA LEI 9.718/98. BASE DE CÁLCULO. ALARGAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE. APLICAÇÃO DO Fl. 138DF CARF MF Processo nº 10980.933377/200951 Acórdão n.º 3402003.418 S3C4T2 Fl. 0 7 ART. 62, §1o, I, do RICARF. RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO. CABIMENTO. A base de cálculo das contribuições ao PIS e a COFINS é o faturamento e, em virtude de inconstitucionalidade declarada em decisão plenária definitiva do STF, devem ser excluídas da base de cálculo as receitas que não decorram da venda de mercadorias ou da prestação de serviços. Aplicação do art. 62A do RICARF. COFINS. ART. 3º, §1º, DA LEI 9.718/98. BASE DE CÁLCULO. ALARGAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE. RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO. CABIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. Em face da inconstitucionalidade da alteração da base de cálculo da contribuição a COFINS, promovida pelo art. 3º, §1º, da Lei nº 19.718/98, é cabível o deferimento da restituição do indébito, devendo a autoridade preparadora verificar a comprovação do pagamento indevido ou a maior para compor o crédito a ser deferido ao contribuinte. Sobre o crédito apurado incide correção pela incidência da SELIC desde a data do pagamento indevido ou a maior, na forma do §4º, do Art. 39, da Lei nº 9.250/95. Recurso Parcialmente Provido. (Processo 10950.000184/200626, Relator(a) JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Acórdão 3402001.697) COFINS. FALTA DE RECOLHIMENTO. Mantémse o lançamento quando constatada a falta de recolhimento da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, no período compreendido pelo auto de infração. COFINS. COMPENSAÇÃO. PROCEDIMENTO PRÓPRIO. Eventual direito à compensação da COFINS, em razão de recolhimento indevido ou efetuado a maior, deve ser apreciado no procedimento administrativo próprio de restituição/compensação, e não em processo de formalização de exigência de crédito tributário. Todavia, nada impede Requerêla em procedimento próprio. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. APRECIAÇÃO. COMPETÊNCIA. O conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF não é competente para apreciar pedidos de restituição/compensação. A competência é da unidade da Receita Federal que jurisdiciona o contribuinte. Aos órgãos julgadores do CARF compete o julgamento de recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como os recursos de natureza especial, que versem sobre tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. (art. 1º da Portaria MF nº 256/2009) MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO E PERCENTUAL. LEGALIDADE Fl. 139DF CARF MF Processo nº 10980.933377/200951 Acórdão n.º 3402003.418 S3C4T2 Fl. 0 8 Aplicável a multa de ofício no lançamento de crédito tributário que deixou de ser recolhido ou declarado e no percentual determinado expressamente em lei. COFINS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL. POSSIBILIDADE. Nos termos regimentais, reproduzse as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. A base de cálculo das contribuições para o PIS e a Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo Excelso STF. Recurso Voluntário Provido em Parte (Processo 10680.006962/200880, Relator(a) JOSE LUIZ BORDIGNON, Acórdão 3801000.984) Portanto é incontroverso o bom direito da Recorrente em relação à restituição dos recolhimentos indevidamente feitos a título de Cofins, no período de apuração em questão, haja vista que a presente lide administrativa tem como objeto principal a declaração de inconstitucionalidade do artigo 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98 pelo STF (alargamento inconstitucional da base de cálculo da Cofins). Com efeito, como já tive a oportunidade de destacar em dissertação sobre o tema: Tanto a edição de leis inconstitucionais como a cobrança de tributos com base em tais leis tributárias inconstitucionais são atos ilícitos praticados pelo Poder Público. O primeiro constitui ilícito constitucional (edição de lei contrária aos dizeres da Constituição), enquanto o segundo caracteriza ilícito tributário (cobrança pelo Estado e consequente pagamento pelo contribuinte de tributo inválido). Lembrando que as normas jurídicas em sua feição completa são impreterivelmente dotadas de uma sanção em caso de descumprimento, aos citados atos ilícitos o ordenamento jurídico atrela as respectivas sanções: a declaração de inconstitucionalidade, com o objetivo de preservar a integralidade e coerência da ordem jurídica; e a restituição de tributos inconstitucionais, cuja função é conferir segurança jurídica e isonomia aos administrados. 3 Cumpre ainda salientar que à restituição de tributos inconstitucional, cuja natureza e regime jurídico são tributários, são totalmente aplicáveis as regras relativas às demais hipóteses de repetição de indébito dispostas no CTN (artigo 165 a 169). Entretanto, com relação ao quantum devido como restituição do tributo inconstitucional, compete à autoridade administrativa preparadora, com 3 LAURENTIIS, Thais de. Restituição de Tributo Inconstitucional. São Paulo: Noeses, 2015. Fl. 140DF CARF MF Processo nº 10980.933377/200951 Acórdão n.º 3402003.418 S3C4T2 Fl. 0 9 base na documentação apresentada pelo contribuinte no decorrer do processo administrativo, efetuar os cálculos e apurar o valor do direito creditório. Por fim, saliento que apurado o crédito, os valores originais devem sofrer correção pela incidência da SELIC, desde a data do pagamento indevido, como impõe o artigo 39, §4º da Lei nº 9.250/95, até a data do efetivo aproveitamento dos créditos pelo contribuinte. Dispositivo Por tudo quanto exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário, haja vista a necessidade de liquidação do julgado, nos termos descritos acima." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dáse parcial provimento ao recurso voluntário, para reconhecer o direito à restituição dos valores recolhidos com amparo no § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98 (declarado inconstitucional pelo STF), devendo o montante do direito creditório ser apurado pela unidade de origem. assinado digitalmente Antonio Carlos Atulim Fl. 141DF CARF MF
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Numero do processo: 23034.000498/2003-70
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Sep 05 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1998 a 31/10/1999
LANÇAMENTO PREVENTIVO DA DECADÊNCIA. POSSIBILIDADE. MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO.
1. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário não obsta o lançamento preventivo da decadência.
2. A administração, embora não possa praticar qualquer outro ato visando à cobrança do seu crédito, tais como inscrição em dívida ativa, execução, penhora, etc, deve proceder ao lançamento, para evitar o transcurso do prazo decadencial.
3. É cabível a inclusão de multa de mora nos lançamentos preventivos da decadência, observando-se o disposto no § 2º do art. 63 da Lei 9.430/1996.
4. Precedentes do CARF e do STJ.
DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. EXISTÊNCIA DE RECOLHIMENTOS PARCIAIS. REGRA DO ART. 150, § 4º, DO CTN.
1. O prazo decadencial para o lançamento é regido pelo art. 150, § 4º, do CTN, se, inexistindo dolo, fraude ou simulação, houver pagamento parcial.
2. O critério de determinação da regra decadencial (art. 150, § 4º ou art. 173, inc. I, do CTN) é a existência de pagamento antecipado do tributo, ainda que parcial, mesmo que não tenha sido incluída na sua base de cálculo a rubrica ou o levantamento específico apurado pela fiscalização.
3. Em não havendo comprovação de recolhimento parcial, ou não tendo sido alegado, pela autoridade lançadora, que o lançamento corresponderia a diferenças não recolhidas, o prazo deve ser contado na forma do art. 173, inc.I.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-005.439
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso, para, na parte conhecida, afastar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente
(Assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Tulio Teotonio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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Recorrente COMPANHIA SIDERÚRGICA NACIONAL CSN Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1998 a 31/10/1999 LANÇAMENTO PREVENTIVO DA DECADÊNCIA. POSSIBILIDADE. MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário não obsta o lançamento preventivo da decadência. 2. A administração, embora não possa praticar qualquer outro ato visando à cobrança do seu crédito, tais como inscrição em dívida ativa, execução, penhora, etc, deve proceder ao lançamento, para evitar o transcurso do prazo decadencial. 3. É cabível a inclusão de multa de mora nos lançamentos preventivos da decadência, observandose o disposto no § 2º do art. 63 da Lei 9.430/1996. 4. Precedentes do CARF e do STJ. DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. EXISTÊNCIA DE RECOLHIMENTOS PARCIAIS. REGRA DO ART. 150, § 4º, DO CTN. 1. O prazo decadencial para o lançamento é regido pelo art. 150, § 4º, do CTN, se, inexistindo dolo, fraude ou simulação, houver pagamento parcial. 2. O critério de determinação da regra decadencial (art. 150, § 4º ou art. 173, inc. I, do CTN) é a existência de pagamento antecipado do tributo, ainda que parcial, mesmo que não tenha sido incluída na sua base de cálculo a rubrica ou o levantamento específico apurado pela fiscalização. 3. Em não havendo comprovação de recolhimento parcial, ou não tendo sido alegado, pela autoridade lançadora, que o lançamento corresponderia a diferenças não recolhidas, o prazo deve ser contado na forma do art. 173, inc.I. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 23 03 4. 00 04 98 /2 00 3- 70 Fl. 300DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 2/09/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 03/09/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso, para, na parte conhecida, afastar a preliminar de nulidade e, no mérito, negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente (Assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Tulio Teotonio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 301DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 2/09/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 03/09/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 23034.000498/200370 Acórdão n.º 2402005.439 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase da Notificação de Recolhimento de Débito nº 2003/0000622, lavrada pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação – FNDE em 02/05/2003, que constituiu crédito tributário relativo ao salárioeducação, no período de 01/01/1998 a 31/10/1999, no valor total de R$ 17.227.784,08 (fl. 20). A autoridade fiscal relatou que a recorrente impetrou Mandado de Segurança pleiteando a compensação do salárioeducação que havia sido recolhido indevidamente no período de 03/1989 a 12/1996. Houve a concessão de liminar, mas ela foi cassada na sentença que denegou a segurança. À época do lançamento, a ação estava aguardando julgamento da apelação. Após tomar ciência da autuação em 08/05/2003 (fl. 21), a recorrente apresentou defesa, na qual apresentou argumentos similares aos constantes do recurso. O Presidente do FNDE, em consonância com as razões expostas pela Coordenação Geral de Arrecadação, de Cobrança e do SME, indeferiu a defesa, mantendo o lançamento integralmente. A contribuinte foi intimada da decisão em 24 de novembro de 2003 (fl. 130) e interpôs recurso em 23 de dezembro de 2003 (fls. 131/139), alegando em síntese que: a) As considerações da autoridade administrativa acerca da constitucionalidade da contribuição são irrelevantes, pois essa questão seria matéria da ação ordinária, devendo, portanto, ser analisada na esfera judicial; b) O lançamento não poderia ter sido efetuado, vez que ela estava amparada por tutela antecipada concedida na referida ação; c) A autoridade administrativa não poderia ter efetuado o lançamento com imposição de multa de mora; d) As competências janeiro/1998 a abril/1998 estariam atingidas pela decadência. Diante do advento da Lei 11.457/2007, os autos foram transferidos à Secretaria da Receita Federal do Brasil (SRFB), conforme despacho de fl. 260. Sem contrarrazões. É o relatório. Fl. 302DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 2/09/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 03/09/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 4 Voto Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator 1 Conhecimento Farseá a apreciação do recurso voluntário, visto que interposto no prazo legal, o que não significa que será totalmente será conhecido. 2 Lançamento preventivo de decadência Segundo a recorrente, o lançamento não poderia ter sido efetuado, vez que ela estava amparada por tutela antecipada concedida em ação ordinária. Contudo, este Colegiado tem o entendimento uníssono de que a suspensão da exigibilidade do crédito tributário não obsta o lançamento preventivo da decadência. Vejase: [...] LANÇAMENTO PREVENTIVO DA DECADÊNCIA. POSSIBILIDADE. NÃO OBSERVÂNCIA AO PRÉVIO ATO CANCELATÓRIO. Poderá ser realizado o lançamento das diferenças de contribuições previdenciárias destinado a prevenir a decadência, mesmo que haja discussão judicial ou administrativa da matéria, desde que seja observada à regra processual e material para a constituição do crédito tributário. [...] Recurso Voluntário Provido. (Relator(a) RONALDO DE LIMA MACEDO, acórdão 2402 004.749, julgado em 09/12/2015) É sabido que a decadência não se interrompe, nem se suspende, de maneira que, na pendência da suspensão da exigibilidade do crédito, o Fisco deve realizar o lançamento preventivo. A existência de tal ato ou procedimento está prevista, inclusive, no art. 63 da Lei 9.430/1996, cuja redação é a seguinte: Art. 63. Não caberá lançamento de multa de ofício na constituição do crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributos e contribuições de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma do inciso IV do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966. Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de Fl. 303DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 2/09/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 03/09/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 23034.000498/200370 Acórdão n.º 2402005.439 S2C4T2 Fl. 4 5 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) Desta forma, a administração, embora não possa praticar qualquer outro ato visando à cobrança do seu crédito, tais como inscrição em dívida ativa, execução, penhora, etc, deve proceder ao lançamento para evitar o transcurso do prazo decadencial. Outro não é o entendimento da doutrina: Assim, promovida a ação declaratória ou impetrado o mandado de segurança, pode e deve a Fazenda Pública fazer o lançamento respectivo. Seus agentes fiscais obterão junto ao contribuinte os elementos materiais necessários à quantificação do tributo, cuja cobrança será feita a final, se a decisão lhe for favorável. (HUGO DE BRITO MACHADO, Revista de Direito Tributário, 68, p. 48) A suspensão regulada pelo artigo 151 do Código Tributário Nacional paralisa temporariamente o exercício efetivo do poder de execução, mas não suspende a prática do próprio ato administrativo de lançamento, decorrente de atividade vinculada e obrigatória, nos termos do artigo 142 do mesmo Código, e necessária para evitar a decadência do poder de lançar. (ALBERTO XAVIER, Do lançamento – Teoria Geral do Ato, do Procedimento e do Processo Tributário, 2ª ed, p. 428) A Primeira e a Segunda Turma do C. STJ têm o mesmo entendimento. Veja se: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA 284/STF. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO. PRAZO DECADENCIAL. ART. 150, § 4º, DO CTN. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO. AUSÊNCIA DE ÓBICE. DECADÊNCIA CONFIGURADA. [...] 3. A suspensão da exigibilidade do crédito, apesar de impedir o Fisco de praticar qualquer ato contra o contribuinte visando à cobrança de seu crédito, não impossibilita a Fazenda de proceder à regular constituição do crédito tributário para prevenir a decadência do direito. Precedentes: REsp 1129450/SP, Rel. Min. Castro Meira, Segunda Turma, DJe de 28.2.2011; AgRg no REsp 1183538/RJ, Rel. Min. Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe de 24.8.2010; REsp 1168226/AL, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe de 25.5.2010. 4. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, não provido. Fl. 304DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 2/09/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 03/09/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 6 (REsp 1259346/SE, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 06/12/2011, DJe 13/12/2011) ... RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. ART. 151 DO CTN. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE DE O FISCO REALIZAR ATOS TENDENTES À SUA COBRANÇA, MAS NÃO DE PROMOVER SEU LANÇAMENTO. ERESP 572.603/PR. RECURSO DESPROVIDO. 1. O art. 151, IV, do CTN, determina que o crédito tributário terá sua exigibilidade suspensa havendo a concessão de medida liminar em mandado de segurança. Assim, o Fisco fica impedido de realizar atos tendentes à sua cobrança, tais como inscrevêlo em dívida ativa ou ajuizar execução fiscal, mas não lhe é vedado promover o lançamento desse crédito. 2. A Primeira Seção deste Superior Tribunal de Justiça, dirimindo a divergência existente entre as duas Turmas de Direito Público, manifestouse no sentido da possibilidade de a Fazenda Pública realizar o lançamento do crédito tributário, mesmo quando verificada uma das hipóteses previstas no citado art. 151 do CTN. Na ocasião do julgamento dos EREsp 572.603/PR, entendeuse que "a suspensão da exigibilidade do crédito tributário impede a Administração de praticar qualquer ato contra o contribuinte visando à cobrança do seu crédito, tais como inscrição em dívida, execução e penhora, mas não impossibilita a Fazenda de proceder à sua regular constituição para prevenir a decadência do direito de lançar" (Rel. Min. Castro Meira, DJ de 5.9.2005). 3. Recurso especial desprovido. (REsp 736.040/RS, Rel. Ministra DENISE ARRUDA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 15/05/2007, DJ 11/06/2007, p. 268) A existência do lançamento efetuado para prevenir a decadência está prevista na Súmula CARF nº 17: Súmula CARF n° 17: Não cabe a exigência de multa de ofício nos lançamentos efetuados para prevenir a decadência, quando a exigibilidade estiver suspensa na forma dos incisos IV ou V do art. 151 do CTN e a suspensão do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. Logo, o recurso deve ser desprovido neste ponto. 3 Multa moratória No entender da recorrente, a autoridade administrativa não poderia ter efetuado o lançamento com imposição de multa de mora. Ocorre que, em memoriais apresentados por ocasião da sessão de julgamento, a recorrente informou ter ajuizado a ação anulatória nº 2004.51.01.0248009, para pleitear o cancelamento da referida multa. Fl. 305DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 2/09/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 03/09/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 23034.000498/200370 Acórdão n.º 2402005.439 S2C4T2 Fl. 5 7 Sendo assim, deve ser integralmente aplicada a Súmula CARF nº 1, a qual é de observância obrigatória, ex vi do art. 72 do Regimento Interno desta Corte. Vejase: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Logo, o recurso não deve ser conhecido neste ponto. 4 Decadência A recorrente alega que as competências janeiro/1998 a abril/1998 estariam atingidas pela decadência. Entretanto, o sujeito passivo não se dignou de comprovar a existência de recolhimentos parciais nas competências supra aludidas, o que inviabiliza a aplicação do art. 150, § 4º, do CTN. O critério de determinação da regra decadencial (art. 150, § 4º ou art. 173, inc. I) é a existência de pagamento antecipado do tributo, ainda que parcial, mesmo que não tenha sido incluída na sua base de cálculo a rubrica ou o levantamento específico apurado pela fiscalização. Se o sujeito passivo antecipa o montante do tributo, mas em valor inferior ao efetivamente devido, o prazo para a autoridade administrativa manifestar se concorda ou não com o recolhimento tem início; em não havendo concordância, deve haver lançamento de ofício no prazo determinado pelo art. 150, § 4º, salvo a existência de dolo, fraude ou simulação, casos em que se aplica o art. 173, inc. I. Expirado o prazo, considerase realizada tacitamente a homologação pelo Fisco, de maneira que essa homologação tácita tem natureza decadencial. Em não havendo comprovação de recolhimento parcial, ou não tendo sido alegado, pela autoridade lançadora, que o lançamento corresponderia a diferenças não recolhidas, o prazo deve ser contado na forma do art. 173, inc. I. Cumpre observar que o ônus probatório, nesse tocante, é da recorrente, conforme preleciona o art. 15 do Decreto nº 70.235/72, segundo o qual a impugnação deve ser instruída com os documentos em que se fundamentar, bem como o § 4º do art. 16, segundo o qual a prova documental será apresentada na impugnação. Nesse contexto, como a recorrente foi autuada em 08/05/2003, e como a competência mais pretérita é janeiro/1998, não há decadência a ser declarada. Fl. 306DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 2/09/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 03/09/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 8 5 Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de CONHECER EM PARTE do recurso voluntário, para, na parte conhecida, NEGARLHE PROVIMENTO, nos termos da fundamentação. (Assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Fl. 307DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 2/09/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 03/09/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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Numero do processo: 10070.002309/2002-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 18 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Sep 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 1997
IRRF. AUDITORIA INTERNA. DCTF. PAGAMENTO COMPROVADO.
Deve ser cancelado o auto de infração lavrado após auditoria interna de DCTF se identificado o pagamento vinculado a débito informado na referida declaração.
Numero da decisão: 2301-004.805
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
João Bellini Júnior Presidente.
(assinado digitalmente)
Fábio Piovesan Bozza Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Júlio César Vieira Gomes, Alice Grecchi, Andréa Brose Adolfo, Fábio Piovesan Bozza, Gisa Barbosa Gambogi Neves.
Nome do relator: FABIO PIOVESAN BOZZA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 1997 IRRF. AUDITORIA INTERNA. DCTF. PAGAMENTO COMPROVADO. Deve ser cancelado o auto de infração lavrado após auditoria interna de DCTF se identificado o pagamento vinculado a débito informado na referida declaração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior – Presidente. (assinado digitalmente) Fábio Piovesan Bozza – Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Júlio César Vieira Gomes, Alice Grecchi, Andréa Brose Adolfo, Fábio Piovesan Bozza, Gisa Barbosa Gambogi Neves. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 0. 00 23 09 /2 00 2- 34 Fl. 269DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmente em 11/09/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmente em 13/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 Relatório Conselheiro Relator Fábio Piovesan Bozza Tratase de auto de infração lavrado contra a ora Recorrente, em virtude da falta de recolhimento de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) então declarado na DCTF relativa ao 4º trimestre de 1997. Durante o trâmite do presente processo administrativo, o valor de principal originalmente lançado, no importe de R$ 113.767,96, restou reduzido para R$ 14.519,63. A Recorrente insurgese contra a cobrança do valor residual, alegando: (i) a ocorrência de prescrição intercorrente, em virtude da morosidade do trâmite do presente processo administrativo; e (ii) quanto ao mérito da exigência, os seguintes acontecimentos: Código Receita Período de Apuração Vencimento Valor do Principal Explicações da Recorrente 1708 0107/1997 09/07/1997 R$ 11,97 recolhimento foi decomposto em duas guias DARF, no valor de R$ 407,64 e de R$ 11,97 0561 0507/1997 06/08/1997 R$ 227,02 diferença oriunda de declaração equivocada de R$ 13.595,30, quando o correto seria R$ 13.368,78 DCTF foi retificada no processo admin. nº 10070.002304/200210, nos termos do art. 8º, inc. III da IN 126/98 1708 0509/1997 08/10/1997 R$ 11,97 referese ao valor declarado de R$ 2.288,61, tendo sido recolhido R$ 2.276,64 não há contestação por parte da Recorrente quanto ao saldo devedor 0561 0509/1997 08/10/1997 R$ 14.268,67 valor lançado por equívoco em duplicidade na DCTF DCTF foi retificada no processo admin. nº 10070.002304/200210, nos termos do art. 8º, III da IN 126/98 R$ 14.519,63 O relato mais completo dos acontecimentos processuais pode ser encontrado no acórdão recorrido, o qual se transcreve a seguir: Versa este processo sobre o auto de infração de fls. 08 a 16, lavrado no âmbito da antiga DEFIC/RJO, para a exigência de Fl. 270DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmente em 11/09/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmente em 13/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10070.002309/200234 Acórdão n.º 2301004.805 S2C3T1 Fl. 270 3 IRRF, no valor de R$ 113.767,96, com multa de 75% e juros de mora. O lançamento decorre da apuração pelo Fisco, em procedimento de auditoria interna na DCTF do 4° trimestre de 1997, de falta de recolhimento de tributo nela informado, conforme descrição e enquadramento legal constantes à. fl. 09. Cientificada do auto de infração, a contribuinte, inconformada, apresentou a impugnação de fls. 01 a 05, acompanhada de documentos (fls. 06 a 41). Alegou, em preliminar que: o auto de infração seria nulo, em face da falta de clareza na descrição dos fatos e na indicação do dispositivo legal infringido, e, além disso, contrariaria o art. 842 do RIR, por não ter sido precedido por intimações, seria nula a forma de intimação feita com base nas IN SRF n° 45 e 77, de 1998, inexistindo previsão legal para o Fisco efetuar intimações via internet, em desacordo, aliás, com o art. 992 do RIR e com o art. 23 do Decreto n° 70.235/1972; em razão de possuir endereço certo, o Fisco deveria ter solicitado as informações necessárias para esclarecer os pontos levantados na auditoria, em vez de publicar editais ou divulgar listas pela internet. No mérito, asseverou que todo o débito teria sido recolhido e que a DCTF (referente ao 4° trimestre de 1997) teria sido entregue com erros. Ponderou que ela teria apresentado DCTF retificadora para corrigir os erros e a duplicidade de informações que existiriam na declaração original, tendo, inclusive, juntado à impugnação cópias das guias de recolhimento (26 a 41) e cópia da solicitação de refitificação da DCTF (fls. 42 a 46). Ao final, protestou pela produção de provas documentais e periciais. Recebida a impugnação, o processo foi encaminhado à Derat/RJO, onde foi promovida a revisão de oficio do lançamento, na forma do despacho intitulado "Revisão de Lançamento n° 50/2011 (fls. 66/77), que reduziu o valor do principal de R$ 113.767,96 para RS 14.519,63 e determinou ‘o prosseguimento da exigência dos créditos tributários procedentes e o cancelamento dos créditos tributários improcedentes, conforme Demonstrativo de fls. 60 a 65’. Cientificada do Despacho, em 23/02/2011 (fl. 69), a interessada aditou razões de defesa à sua impugnação, na forma da petição de fls. 71 a 76, alegando, em suma, que: o lançamento seria improcedente, sendo que as diferenças remanescentes após a revisão de oficio corresponderiam a erros na DCTF, que teriam sido objeto de solicitação de retificação de DCTF, nos termos da IN SRF n° 126, de 30 de outubro de 1998; o auto de infração para cobrança do IRRF referente ao período de julho a dezembro de 1997 teria sido emitido em 13/05/2002; a impugnação teria sido apresentada em 12/07/2002 e a revisão de ofício teria ocorrido em 16/02/2011, Fl. 271DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmente em 11/09/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmente em 13/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 com ciência em 01/03/2001, ou seja, 14 anos após o fato gerador e 8 anos após a apresentação da impugnação; teria havido a prescrição intercorrente, levandose em conta que a RFB somente teria se pronunciado a respeito da sua impugnação após quase nove anos; a solicitação de retificação de DCTF, realizada nos termos da IN SRF n° 126/1998, teria se sujeitado aos efeitos homologatórios a teor do art. 899 do RIR; após cinco anos teria havido a homologação do seu pedido; o art. 156 do CTN determinaria que o crédito tributário se extinguiria pela decadência e prescrição; as retificações previstas em requerimentos administrativos teriam previsão legal específica quanto ao prazo de homologação (Lei n° 9.430/1996, art. 74, § 5°), que seria de cinco anos contados da entrega da declaração; como já mencionado na impugnação, ao perceber o engano cometido no preenchimento da DCTF, teria solicitado retificação do documento, nos termos da IN SRF n° 126, de 30 de outubro de 1998, cujo inc. III do art. 8° previa a ‘solicitação, em processo administrativo’; a solicitação de retificação de DCTF teria sido apresentada no dia 12 de julho de 2002, por meio de processo legal, que até então não se encontraria julgado; a autoridade que procedeu à revisão de ofício teria mantido a cobrança dos valores impugnados por meio da retificação de DCTF, sob o argumento de que seria vedada a apreciação de DCTF que visasse reduzir os débitos, citando redação de texto encontrado na IN SRF n°255, de 11/12/2002; a manutenção da cobrança do valor remanescente teria se fundamentado em norma com vigência posterior ao ato praticado, uma vez que o pedido de retificação da DCTF teria sido apresentado em 12/07/2002, sob a égide da IN SRF n° 126, de 30/10/1998; o Estado não poderia cobrar do contribuinte valores indevidos, ligados a um pedido de retificação de DCTF pendente de apreciação. É o relatório Voto Conselheiro Relator Fábio Piovesan Bozza O argumento de defesa baseado na extinção da cobrança em virtude da ocorrência da prescrição intercorrente deve ser afastado, com fundamento na Súmula CARF nº 11, de observância obrigatória pelos membros deste tribunal administrativo (art. 45, VI do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015): Fl. 272DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmente em 11/09/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmente em 13/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10070.002309/200234 Acórdão n.º 2301004.805 S2C3T1 Fl. 271 5 Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Quanto ao mérito, aproveito a tabela apresentada no relatório para apresentar minhas considerações: Código Receita Período de Apuração Vencimento Valor do Principal Explicações da Recorrente Julgamento pelo Relator 1708 0107/1997 09/07/1997 R$ 11,97 recolhimento foi decomposto em duas guias DARF, no valor de R$ 407,64 e de R$ 11,97 lançamento cancelado às fls. 36 e 98, constato erro escusável no preenchimento do período de apuração do DARF (constou 06/97 quando o correto seria 07/97), no valor R$ 11,97, embora a data de vencimento estivesse correta 0561 0507/1997 06/08/1997 R$ 227,02 diferença oriunda de declaração equivocada de R$ 13.595,30, quando o correto seria R$ 13.368,78 DCTF foi retificada no processo admin. nº 10070.002304/200210, nos termos do art. 8º, III da IN 126/98 lançamento cancelado às fls. 265, há informação no processo de retificação da DCTF no sentido de que “o valores retificados em DCTF encontramse validados” e que “não há débitos em cobrança”. 1708 0509/1997 08/10/1997 R$ 11,97 referese ao valor declarado de R$ 2.288,61, tendo sido recolhido R$ 2.276,64 não há contestação lançamento mantido matéria não controvertida 0561 0509/1997 08/10/1997 R$ 14.268,67 valor lançado por equívoco em duplicidade na DCTF DCTF foi retificada no processo admin. nº 10070.002304/200210, nos termos do art. 8º, III da IN 126/98 lançamento cancelado às fls. 265, há informação no processo de retificação da DCTF no sentido de que “o valores retificados em DCTF encontramse validados” e que “não há débitos em cobrança” R$ 14.519,63 Fl. 273DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmente em 11/09/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmente em 13/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 6 Conclusão Por todo o exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário e cancelar as exigências contestadas pela Recorrente, nos termos do voto acima. Por não ser matéria controvertida, remanesce a cobrança do IRRF (1708), de valor de principal de R$ 11,97, relativo ao mês de competência 09/1997. É como voto. Fábio Piovesan Bozza – Relator Fl. 274DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmente em 11/09/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmente em 13/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
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Numero do processo: 10882.002508/2003-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 30 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jan 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 1998
Ementa:
PIS. DECLARAÇÃO EM DCTF. CRÉDITO SUSPENSO POR MEDIDA JUDICIAL. CNPJ. ERRO DE FATO. AUTORIZAÇÃO DE NÃO RECOLHIMENTO. DATA DA TRANSMISSÃO DA DECLARAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE DECLARAÇÃO INEXATA.
Sendo o motivo do lançamento tributário suposta declaração inexata do contribuinte em DCTF a respeito de suspensão de exigibilidade do crédito tributário por medida judicial (e não qualquer questão afeita ao mérito do processo judicial em si), não é cabível a discussão sobre o direito do Fisco lançar o crédito tributário controvertido judicialmente (artigo 63 da Lei n. 9.430/96).
Demonstrado que a Contribuinte consta dentre os autores da ação judicial destacada na DCTF, não há que se falar em inexatidão da declaração. Ademais, o que importa para fins de avaliação de ocorrência ou não declaração inexata pela Recorrente não é a realidade jurídica vigente na data da lavratura do auto de infração, mas sim aquela em vigor quando da transmissão da DCTF, sob pena afronta ao artigo 144 do Código Tributário Nacional, quando determina que o lançamento se reporta à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente. É consabido que a decisão judicial tem força de lei entre as partes que compõem o processo, de modo que a lei vigente na data da apresentação da DCTF era a medida liminar que favorecia o contribuinte, exatamente que fora por ele declarado, não havendo, portanto, declaração inexata a ser penalizada.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 3402-003.513
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Jorge Freire, Maria Aparecida Martins de Paula e Carlos Augusto Daniel Neto. O Conselheiro Antonio Carlos Atulim acompanhou o voto da relatora, acrescentando que o cancelamento do auto de infração eletrônico não significa que o contribuinte nada deve. A cobrança do crédito tributário em questão deverá ocorrer via DCTF, uma vez que os valores estavam confessados e a autoridade administrativa constatou a inexistência de condição suspensiva da exigibilidade do crédito tributário. Esteve presente ao julgamento o Dr. Saul Tourinho Leal, OAB/DF 22.941. Julgado na manhã do dia 01/12/2016 a pedido da recorrente.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
(Assinado com certificado digital)
Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ
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DECLARAÇÃO EM DCTF. CRÉDITO SUSPENSO POR MEDIDA JUDICIAL. CNPJ. ERRO DE FATO. AUTORIZAÇÃO DE NÃO RECOLHIMENTO. DATA DA TRANSMISSÃO DA DECLARAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE DECLARAÇÃO INEXATA. Sendo o motivo do lançamento tributário suposta declaração inexata do contribuinte em DCTF a respeito de suspensão de exigibilidade do crédito tributário por medida judicial (e não qualquer questão afeita ao mérito do processo judicial em si), não é cabível a discussão sobre o direito do Fisco lançar o crédito tributário controvertido judicialmente (artigo 63 da Lei n. 9.430/96). Demonstrado que a Contribuinte consta dentre os autores da ação judicial destacada na DCTF, não há que se falar em inexatidão da declaração. Ademais, o que importa para fins de avaliação de ocorrência ou não declaração inexata pela Recorrente não é a realidade jurídica vigente na data da lavratura do auto de infração, mas sim aquela em vigor quando da transmissão da DCTF, sob pena afronta ao artigo 144 do Código Tributário Nacional, quando determina que “o lançamento se reporta à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente”. É consabido que a decisão judicial tem força de lei entre as partes que compõem o processo, de modo que a “lei vigente” na data da apresentação da DCTF era a medida liminar que favorecia o contribuinte, exatamente que fora por ele declarado, não havendo, portanto, declaração inexata a ser penalizada. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 00 25 08 /2 00 3- 79 Fl. 493DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Jorge Freire, Maria Aparecida Martins de Paula e Carlos Augusto Daniel Neto. O Conselheiro Antonio Carlos Atulim acompanhou o voto da relatora, acrescentando que o cancelamento do auto de infração eletrônico não significa que o contribuinte nada deve. A cobrança do crédito tributário em questão deverá ocorrer via DCTF, uma vez que os valores estavam confessados e a autoridade administrativa constatou a inexistência de condição suspensiva da exigibilidade do crédito tributário. Esteve presente ao julgamento o Dr. Saul Tourinho Leal, OAB/DF 22.941. Julgado na manhã do dia 01/12/2016 a pedido da recorrente. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente. (Assinado com certificado digital) Thais De Laurentiis Galkowicz Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório O presente Processo Administrativo foi objeto da Resolução n. 3402000.704 depois de sua chegada ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (“CARF”). Dessa forma, o caso já foi bem relatado pelo Conselheiro João Carlos Cassuli Junior, antes de ser a mim redistribuído pelo fato de o Relator originário não mais integrar nenhum dos Colegiados da 3ª Seção. Desta feita, peço licença para tomar emprestadas as suas palavras sobre o histórico do processo: Tratase de Auto de Infração referente à contribuição para o Programa de Integração Social – PIS, lavrado em 13/06/2003, tendo a Contribuinte cientificada em 01/07/2003, com o crédito tributário no valor total de R$ 75.573,89 (setenta e cinco mil quinhentos e setenta e três reais e oitenta e nove centavos), correspondente a 1 – valor principal, acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora, e 2 – multa de ofício isolada, em razão de: a) Débitos de PIS de código 8109 dos períodos de janeiro a dezembro/98 terem sido declarados com exigibilidade suspensa por processo judicial de outro CNPJ (declaração inexata); b) Débitos de PIS de códigos 8002 e 8205 dos períodos de janeiro a março/98 terem sido recolhidos em atraso, sem acréscimos moratórios. DA IMPUGNAÇÃO ADMINISTRATIVA Fl. 494DF CARF MF Processo nº 10882.002508/200379 Acórdão n.º 3402003.513 S3C4T2 Fl. 112 3 A Contribuinte apresentou em 31/07/2003, Manifestação de Inconformidade, à fl. 2 (numeração eletrônica) alegando, em síntese, que no tocante às competências de Janeiro a Maio de 1998 estaria decaído o direito para o lançamento, bem como que a Secretaria da Receita Federal, antes de autuála, deveria ter determinado uma diligência fiscal ou uma intimação para prestar esclarecimentos a fim de verificar qual a razão da falta de pagamento, e que, caso o procedimento adotado houvesse sido esse, poderia ter verificado que o não recolhimento justificase em virtude de liminar em Mandado de Segurança, nos autos nº 9600104450, por meio do qual possuía autorização judicial para recolher o PIS na forma estabelecida pela Lei Complementar nº 7/70. A então Impugnante mencionou que a liminar foi concedida conforme o pedido inicial, estando a exigibilidade dos créditos suspensa. A sentença julgou parcialmente procedente o pedido, porém equivocouse quanto à parte não acolhida, pois foi determinado a aplicação das EC nºs 10/96 e 17/97, que são aplicáveis somente às instituições financeiras e equiparadas, o que não era o caso da Contribuinte, o qual foi discutido em sede de recurso, aguardando julgamento no TRF da 3ª Região. Requereu ao fim a impossibilidade da correção dos valores autuados pela Taxa SELIC, aduzindo que esta não foi criada por lei, ofendendo assim, o princípio constitucional da legalidade, bem como o disposto no art. 161, §1º do CTN, sendo esse o entendimento no RE nº 215.881 do STJ. DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas (SP), em 02/02/2011, proferiu acórdão de nº 0532.287, às fls. 213 (numeração eletrônica), nos seguintes termos: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano calendário: 1998 DCTF. REVISÃO INTERNA. LANÇAMENTO. DÉBITOS DE PIS FATURAMENTO. 01/98 A 05/98. DECADÊNCIA. Descabe discutir o prazo para formalização da exigência, bem como aspectos que poderiam ensejar a nulidade do lançamento, se o crédito tributário subsistiria constituído pelo contribuinte, mediante formalização em declaração. AUSÊNCIA DE PRÉVIA INTIMAÇÃO DO CONTRIBUINTE. Apurada causa suficiente, hábil a dispensar a intimação do contribuinte, desnecessária é a exteriorização do procedimento fiscal por meio de prévia solicitação de esclarecimentos. AÇÃO JUDICIAL. A propositura de ação judicial, antes ou após a lavratura do auto de infração, com o mesmo objeto, não impede a formalização do lançamento. Apenas que, se confirmada a suspensão da exigibilidade antes do início do Fl. 495DF CARF MF 4 procedimento fiscal, incabível seria a explicação de multa de ofício. MULTA DE OFÍCIO. DÉBITOS DECLARADOS. Em face do princípio da retroatividade benigna, exonerase a multa de ofício no lançamento decorrente de suspensão de exigibilidade não comprovada, apuradas em declaração prestada pelo sujeito passivo, por se configurar hipótese diversa daquelas versadas no art. 18 da Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003, com a nova redação dada pelas Leis nº 11.051/2004 e nº 11.196/2005. JUROS. TAXA SELIC. Nos termos da Lei nº 9.430, de 1996. Os juros serão equivalentes à taxa referencial do sistema Especial de Liquidação e de Custódia – SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. INCONSTITUCIONALIDADE. A apreciação de alegações relacionadas a inconstitucionalidade da legislação tributária não é de competência da autoridade administrativa, mas sim exclusiva do Poder Judiciário. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. DÉBITOS DECLARADOS SOB CÓDIGOS 8002 E 8205. RECOLHIMENTO EM ATRASO SEM MULTA DE MORA. Ausente motivação específica para atribuição de vencimento previsto para PISFaturamento (código 8109) a débitos declarados sob códigos 8205 (PIS Repique) e 8002 (PISDedução), não prospera a imputação de atraso no recolhimento. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte.” A DRJ considerou procedente em parte a impugnação, afastando a preliminar de decadência, sustentando que relativamente ao crédito tributário relativo aos períodos supostamente decaídos, por estarem os mesmos declarados em DCTF, seria inócua eventual declaração (de decadência), pois que o crédito tributário subsistiria constituído pelo contribuinte mediante a formalização de declaração. Em seguida, reconhecendo a existência de medida liminar em MS, manteve aqueles lançados a título de principal PISFaturamento (código 8109) relativos aos períodos de janeiro a maio/98 (considerando que o contribuinte apresentou desistência dos períodos subsequentes, inserindoos na Lei 11.941/2009) e afastou a multa de ofício proporcional sobre eles aplicada e a multa de ofício isolada, conforme quadro resumo em anexo ao Acórdão da DRJ, às fls. 224 (numeração eletrônica). DO RECURSO Cientificado do Acórdão de Primeira Instância em 21/03/2011 (conforme AR de fls. 235), a contribuinte apresentou em 20/04/2011 a defesa que denominou Manifestação de Inconformidade, recorrendo, porém, contra o Acórdão da DRJ, fls. 161165, nos seguintes termos: Fl. 496DF CARF MF Processo nº 10882.002508/200379 Acórdão n.º 3402003.513 S3C4T2 Fl. 113 5 Arguiu a Contribuinte, em resumo, que quanto ao “princípio da constituição e extinção do crédito tributário”, considerandose a modalidade de lançamento por homologação, no qual o prazo é de 5 anos, a contar da data do fato gerador (estabelecido pelo §4º do art. 150 do CTN), estaria o crédito tributário homologado tacitamente, uma vez que entre a declaração pelo contribuinte e a constituição do crédito tributário pelo Fisco havia decorrido mais de 5 anos (fatos geradores 01 a 12/1998, lançamento em 13/06/2003). Desta forma, como não homologado expressamente, restaram os períodos controvertidos homologados tacitamente, pelo que deveria ser reformado o Acórdão recorrido. DA DISTRIBUIÇÃO Tendo o processo sido distribuído a esse relator por sorteio regularmente realizado, vieram os autos para relatoria, por meio de processo eletrônico, em 01 (um) Volume, numerado até a folha 273 (duzentos e setenta e três), estando apto para análise desta Colenda 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção do CARF. Em julgamento datado de 14 de outubro de 2014, mediante a citada Resolução n. 3402000.704, a 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara dessa 3ª Seção, entendendo que faltavam elementos documentais essenciais à verificação dos fatos discutidos no processo, especialmente para a aferição da decadência, determinou: Da análise dos autos não foi possível identificar a DCTF do contribuinte relativa ao período autuado (1998), nem tampouco, há menção, documentos ou informações, sobre eventuais pagamentos parciais de PIS para os períodos daquele ano calendário, pelo que, o processo assim não se encontra em condições de receber um justo julgamento, merecendo o mesmo ser convertido em diligência para: a) Seja juntada a DCTF cruzada pela Fiscalização para o lançamento; b) Seja intimado a recorrente para que manifestese sobre a existência de pagamentos parciais para os débitos autuados, bem como, apresente comprovantes, se existentes; c) Após elaboração termo de Diligência, com as conclusões decorrentes dos quesitos aqui formulados, seja a Recorrente intimada das informações fiscais para manifestação no prazo de 30 dias, retornando os autos a julgamento Em fls 447 a Autoridade Fiscal de origem apresenta termo de conclusão da diligência solicitada, no qual informa: Trata o processo de cobrança de PIS Faturamento/1998 lançado em decorrência de não comprovação da suspensão da exigibilidade pela medida judicial informada em DCTF pelo contribuinte, remanescendo nos autos em sede de recurso Fl. 497DF CARF MF 6 voluntário os períodos de janeiro a maio/1998, alegando o interessado estarem atingidos pela decadência. Em atendimento à diligência solicitada na Resolução 3402 000.704 de 14 de outubro de 2014 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais de fls. 274 a 280, foram efetuadas as juntadas das DCTF de nºs 000100199800350494 referente ao primeiro trimestre de 1998, e a de nº 0000100199800048370 do segundo trimestre de 1998. Verificamse às páginas 327 a 329 e 302 a 304 aqueles valores declarados com exigibilidade suspensa, e que foram objeto de cobrança no auto de infração de fls. 37 a 40. Em resposta à intimação para se manifestar sobre a existência de eventuais pagamentos parciais desses créditos tributários, o contribuinte junta o documento de fls. 339 a 445 onde reitera os argumentos apresentados em sua defesa: a suspensão da exigibilidade e a decadência desses períodos. Não há menção sobre pagamentos de PIS Faturamento efetuados para o período, o que se confirma na pesquisa juntada à fl.285. Foram apresentados pagamentos de Pis Dedução e Pis Repique do período, conforme fls.420 a 445. Cumprido o solicitado em diligência, proponho a ciência ao interessado e posterior retorno dos autos ao CARF para prosseguimento no julgamento. Por fim, a Recorrente, devidamente intimada, peticionou nos autos sua manifestação (fls 504 a 506) a respeito do Termo supracitado, especialmente no que diz “não há menção sobre pagamentos”. Reitera que justamente por estar a Recorrente amparada por decisão judicial que suspendia a exigibilidade do crédito, além do que foi reconhecido por despacho de diligência o pagamento do tributo na modalidade PIS dedução e PIS repique do período – fls 420 a 445. É o relatório. Voto Os requisitos de admissibilidade do recurso voluntários já foram anteriormente analisados e acatados por este Conselho, de modo que passo à apreciação do caso. Como relatado anteriormente, o presente processo possui dois pontos controvertidos: i) preliminarmente, a decadência do período compreendido entre janeiro e maio de 1998; ii) o mérito, pela infração por declaração em DCTF relativa à Contribuição ao PIS com exigibilidade suspensa por processo judicial, sendo que essa vinculação não teria sido comprovada pois o processo diz respeito a outro CNPJ. Trato primeiramente do mérito. A capitulação e descrição da infração foi imputada à Recorrente nos seguintes termos do auto de infração (fls 38): Fl. 498DF CARF MF Processo nº 10882.002508/200379 Acórdão n.º 3402003.513 S3C4T2 Fl. 114 7 Pelo texto tanto do item 9 como do 10 do lançamento tributário não é possível compreender qual teria sido a infração praticada pela Contribuinte, ora Recorrente. Falase em "falta de recolhimento ou pagamento do principal" e “declaração inexata”, porém sem explicar qual seria tal inexatidão. No anexo I do auto de infração vemos que, com relação ao período controvertido, há menção de que o “crédito vinculado total/parcialmente não confirmado”, “exigibilidade suspensa”, remetendo em outra coluna da Tabela ao “Número do Processo” 9600104450 (fls 39), o que induz a pensarmos sobre qual teria sido o problema constatado pela fiscalização: a inexatidão da declaração seria quanto à suspensão da exigibilidade do recolhimento do Contribuição ao PIS com base no Processo n. 9600104450. É no campo “ocorrência” da mesma tabela que percebemos que o motivo do entendimento pela inexatidão é que o processo judicial em questão se referia a outro CNPJ, que não o da empresa declarante. Pois bem. A petição inicial do writ consta dos presentes autos, da qual destaco seu preâmbulo: Fl. 499DF CARF MF 8 De pronto constatase que a Recorrente se encontra dentre as empresas que, em litisconsórcio ativo, impetraram o Mandado de Segurança n. 96.00104450. Disto já se conclui o erro da Fiscalização ao efetuar o lançamento sob a alegação que a declaração feita em DCTF sobre a suspensão da exigibilidade de crédito da Contribuição ao PIS não abarcava o CNPJ da Recorrente. Mas não é só, mesmo que o fundamento da “inexatidão da declaração” fosse aquele sobre o qual discorreu o acórdão a quo, o que não é o caso pela literalidade da fundamentação do auto de infração, como foi destacado acima – não poderia ser convalidado o lançamento tributário. Com efeito, o raciocínio da DRJ foi: quando da lavratura do auto de infração (13/06/2003) a medida liminar que fora concedida no bojo do Mandado de Segurança n. 9600104450 (de 16/04/1996, fls 64) já não era mais vigente, pois havia sido substituída pela sentença judicial (de 06/11/2000, fls 76), a qual, por sua vez, não mais garantia o direito da Recorrente a recolher a Contribuição ao PIS na forma pretendida (LC 7/70). Ao final, a União saiu vencedora no processo judicial, transitado em julgado. Com arrimo nessa cronologia, aliada ao fato de que à Administração Tributária cumpre constituir o crédito tributário para prevenir decadência mesmo na vigência de causa de suspensão de exigibilidade do crédito tributário (artigo 63 da Lei n. 9.460/96), a DRJ decidiu negar provimento à impugnação da Contribuinte. Com a devida vênia ao acórdão recorrido, não é possível corroborar tal posição. De acordo com o exposto alhures, se com esforço suplantarmos que a motivação do lançamento tributário nesse caso é tão somente o problema do CNPJ, a única conclusão que podemos chegar sobre o motivo do auto de infração é a inexatidão quanto à Fl. 500DF CARF MF Processo nº 10882.002508/200379 Acórdão n.º 3402003.513 S3C4T2 Fl. 115 9 informação constante da DCTF do período em questão, no que tange à suspensão da exigibilidade do crédito tributário. Ora, caso fosse o motivo do lançamento tributário – o que se coloca aqui ad argumentando tantum, uma vez que, como se sabe, não pode o julgador administrado alterar os fundamentos do lançamento tributário , é de todo evidente que ele não se sustenta. Isto porque, em primeiro lugar, não é cabível a discussão sobre o direito do Fisco lançar o crédito tributário controvertido judicialmente e cuja exigibilidade esteja suspensa por medida liminar, justamente em razão do motivo desse específico lançamento tributário: a declaração de informação inexata em DCTF, e não qualquer discussão afeita ao mérito do processo judicial em si. Em segundo lugar, diferentemente do que alegado pela Fiscalização e acatado pela DRJ, o que importa para fins de avaliação da ocorrência ou não declaração inexata pela Recorrente não é a realidade jurídica vigente na data da lavratura do auto de infração (13/06/2003), mas sim aquela em vigor quando da transmissão da DCTF (primeiro e segundo trimestre de 1998). Por óbvio, não poderia a Recorrente, em 1998, declarar nada diferente daquilo que então existia (liminar assegurando seu direito, proferida em 1996). Manter o presente auto de infração, pelo específico motivo pelo qual foi lavrado (declaração inexata), significa querer que a Recorrente tivesse previsto o futuro, no qual adveio sentença (em 2000) alterando a situação jurídica a ser declarada. Ademais, representaria inegável afronta ao artigo 144 do Código Tributário Nacional, quando determina que “o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente”. É consabido que a decisão judicial tem força de lei entre as partes que compõem o processo, de modo que a “lei vigente” na data da apresentação da DCTF era a medida liminar que favorecia o contribuinte, exatamente que fora por ele declarado. Não há que se falar, portanto, em declaração inexata in casu. Nesse sentido o Conselheiro Antonio Carlos Atulim, em caso análogo ao presente, da mesma empresa ora Recorrente, no qual o problema da motivação do auto de infração foi exatamente o mesmo: Dessa forma, perguntase: onde está a declaração inexata? Segundo o que está contido nos autos, a conclusão é só pode ser no sentido de que a declaração foi exata ao tempo em que a DCTF foi apresentada. O problema é que o contribuinte perdeu a ação e tempos depois a condição suspensiva que havia sido declarada desapareceu. Como foi dito no início, a descrição dos fatos neste processo é obscura e não retrata com fidelidade a situação fática em que se encontrava o contribuinte no momento do lançamento. (Acórdão nº 3403002.282, Processo nº 10882.002495/200338, Sessão de 26 de junho de 2013). Dessarte, não há fundamento jurídico para manter hígido o lançamento tributário fundador do presente processo administrativo, razão pela qual voto no sentido de seu integral cancelamento. Conclusão Ex positis, voto pelo provimento integral do recurso voluntário. Fl. 501DF CARF MF 10 Observese que o cancelamento do auto de infração eletrônico não significa que o contribuinte nada deve. A cobrança do crédito tributário em questão deverá ocorrer via DCTF, uma vez que os valores estavam confessados e a autoridade administrativa constatou a inexistência de condição suspensiva da exigibilidade do crédito tributário. Thais De Laurentiis Galkowicz Relatora. Fl. 502DF CARF MF
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