Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,279)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,763)
- Primeira Turma Ordinária (16,221)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,176)
- Primeira Turma Ordinária (16,104)
- Primeira Turma Ordinária (16,039)
- Segunda Turma Ordinária d (15,797)
- Segunda Turma Ordinária d (14,451)
- Primeira Turma Ordinária (13,020)
- Primeira Turma Ordinária (12,381)
- Segunda Turma Ordinária d (12,367)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,422)
- Quarta Câmara (84,834)
- Terceira Câmara (67,389)
- Segunda Câmara (55,826)
- Primeira Câmara (20,245)
- 3ª SEÇÃO (16,176)
- 2ª SEÇÃO (11,281)
- 1ª SEÇÃO (6,836)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (125,132)
- Segunda Seção de Julgamen (114,469)
- Primeira Seção de Julgame (76,587)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,961)
- Câmara Superior de Recurs (37,889)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,615)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,487)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,754)
- HELCIO LAFETA REIS (3,725)
- ROSALDO TREVISAN (3,220)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,925)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,728)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,630)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,840)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,921)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,471)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,515)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2026 (13,849)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 11030.721112/2012-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009, 2010
OMISSÃO DE RECEITAS. SALDO CREDOR DE CAIXA.
A ocorrência de saldo credor de caixa, demonstrada por meio de recomposição do saldo desta conta, que revela a insuficiência de recursos para fazer frente aos dispêndios da pessoa jurídica, caracteriza presunção legal de omissão de receitas. A falta de comprovação do efetivo ingresso de recursos contabilizados na conta caixa autoriza o fisco a desconsiderar tais ingressos na recomposição do saldo daquela conta.
ÔNUS DA PROVA. FATOS REGISTRADOS NA ESCRITURAÇÃO. PRESUNÇÕES LEGAIS.
Ao contribuinte cabe o ônus de provar, com documentação hábil, os fatos registrados em sua contabilidade. Tratando-se de presunção legal, incumbe ao fisco apenas provar o fato indiciário, definido em lei como necessário e suficiente ao estabelecimento da presunção, transferindo-se ao contribuinte o ônus de provar que o fato presumido pela lei não ocorreu em seu caso particular.
Numero da decisão: 1102-001.036
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Documento assinado digitalmente.
João Otávio Oppermann Thomé Presidente e Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araújo, Marcelo Baeta Ippolito, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto, e Antonio Carlos Guidoni Filho.
Nome do relator: JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201403
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009, 2010 OMISSÃO DE RECEITAS. SALDO CREDOR DE CAIXA. A ocorrência de saldo credor de caixa, demonstrada por meio de recomposição do saldo desta conta, que revela a insuficiência de recursos para fazer frente aos dispêndios da pessoa jurídica, caracteriza presunção legal de omissão de receitas. A falta de comprovação do efetivo ingresso de recursos contabilizados na conta caixa autoriza o fisco a desconsiderar tais ingressos na recomposição do saldo daquela conta. ÔNUS DA PROVA. FATOS REGISTRADOS NA ESCRITURAÇÃO. PRESUNÇÕES LEGAIS. Ao contribuinte cabe o ônus de provar, com documentação hábil, os fatos registrados em sua contabilidade. Tratando-se de presunção legal, incumbe ao fisco apenas provar o fato indiciário, definido em lei como necessário e suficiente ao estabelecimento da presunção, transferindo-se ao contribuinte o ônus de provar que o fato presumido pela lei não ocorreu em seu caso particular.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Mar 20 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 11030.721112/2012-17
anomes_publicacao_s : 201403
conteudo_id_s : 5331844
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Mar 20 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 1102-001.036
nome_arquivo_s : Decisao_11030721112201217.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME
nome_arquivo_pdf_s : 11030721112201217_5331844.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Presidente e Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araújo, Marcelo Baeta Ippolito, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto, e Antonio Carlos Guidoni Filho.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 12 00:00:00 UTC 2014
id : 5349331
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:19:30 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046591076564992
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2043; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T2 Fl. 2 1 1 S1C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11030.721112/201217 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1102001.036 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 12 de março de 2014 Matéria IRPJ. SALDO CREDOR DE CAIXA. Recorrente BIANCHINI EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009, 2010 OMISSÃO DE RECEITAS. SALDO CREDOR DE CAIXA. A ocorrência de saldo credor de caixa, demonstrada por meio de recomposição do saldo desta conta, que revela a insuficiência de recursos para fazer frente aos dispêndios da pessoa jurídica, caracteriza presunção legal de omissão de receitas. A falta de comprovação do efetivo ingresso de recursos contabilizados na conta caixa autoriza o fisco a desconsiderar tais ingressos na recomposição do saldo daquela conta. ÔNUS DA PROVA. FATOS REGISTRADOS NA ESCRITURAÇÃO. PRESUNÇÕES LEGAIS. Ao contribuinte cabe o ônus de provar, com documentação hábil, os fatos registrados em sua contabilidade. Tratandose de presunção legal, incumbe ao fisco apenas provar o fato indiciário, definido em lei como necessário e suficiente ao estabelecimento da presunção, transferindose ao contribuinte o ônus de provar que o fato presumido pela lei não ocorreu em seu caso particular. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé – Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 72 11 12 /2 01 2- 17 Fl. 496DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 19/ 03/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 11030.721112/201217 Acórdão n.º 1102001.036 S1C1T2 Fl. 3 2 Participaram do julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araújo, Marcelo Baeta Ippolito, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto, e Antonio Carlos Guidoni Filho. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por BIANCHINI EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA, contra acórdão proferido pela 5ª Turma de Julgamento da DRJ/Porto Alegre, que concluiu pela procedência do lançamento de ofício efetuado. Discutese no presente processo a exigência de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ e seus reflexos (Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL) sob a acusação de omissão de receitas por presunção legal (saldo credor de caixa) apurado em procedimento de recomposição da conta caixa, com a exclusão de valores para os quais não foi comprovada a sua efetiva entrada naquela conta. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (fls. 6571), o contribuinte foi intimado a apresentar a documentação comprobatória dos seguintes valores, contabilizados a credito da conta “1.1.2.01.001 – Cheques em custódia Banrisul” e a débito da conta “1.1.1.01.001 – Caixa”: Data Valor 02/01/2009 R$ 1.740.086,00 15/01/2009 R$ 771.149,20 17/08/2009 R$ 185.693,20 30/09/2009 R$ 16.320,00 06/10/2009 R$ 1.442.838,28 20/11/2009 R$ 286.930,00 07/11/2009 R$ 365.930,00 07/11/2009 R$ 365.930,00 18/07/4725 R$ 271.000,20 30/05/2010 R$ 72.653,54 02/06/2010 R$ 71.365,20 20/06/2010 R$ 175.963,81 04/08/2010 R$ 391.659,32 01/08/2010 R$ 1.100.002,22 15/12/2010 R$ 1.706.393,07 Em resposta, informou o contribuinte que, verbis (fls. 125): “(...) não será possível apresentar a relação dos documentos (cheques) que embasam os recebimentos contabilizados em alguns dias apontados por essa fiscalização, eis que, à época dos mesmos (lançamentos) inexistia, na empresa, controle dos cheques. Fl. 497DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 19/ 03/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 11030.721112/201217 Acórdão n.º 1102001.036 S1C1T2 Fl. 4 3 Simplesmente, eles eram contabilizados na conta cheques em custódia e, conforme eram liberados, iam sendo utilizados para pagamento de despesas diversas, retornando ao caixa, sem que houvesse qualquer controle pormenorizados dos mesmos.” A fiscalização, então, recompôs o saldo da conta caixa, desconsiderando o valor dos ingressos não comprovados na conta caixa, apurando saldos credores, conforme demonstrado na planilha de fls. 199. No bojo do mesmo procedimento, houve ainda autuação fiscal relativa a IRRF sobre pagamentos efetuados a beneficiários não identificados, e a IOF sobre mútuo concedido a coligada, exigências as quais estão formalizadas em outros processos (11030.721113/201253 e 11030.721114/201206). Em sede de impugnação, o contribuinte afirma que deixou de apresentar os documentos que embasaram os referidos lançamentos, eis que se trata, no caso, “de cheques prédatados, já utilizados e em relação aos quais não se possuía qualquer controle, no passado”, e que o Auditor Fiscal, pelo simples fato de não terem sido apresentados os cheques, ignorou as explicações fornecidas e os registros contábeis da empresa, efetuando lançamento por presunção legal de omissão de receita, sem que haja qualquer prova nos autos que comprove que a empresa tenha omitido receita. Alega que, para que os administradores da empresa pudessem ter uma visão real da sua situação financeira, foi criada uma conta específica para os cheques prédatados, os quais, ao final de cada mês, eram somados e registrados nesta conta específica. E que, assim que esses cheques iam sendo disponibilizados, eles retornavam para o caixa da empresa para serem utilizados. Logo, os lançamentos elencados na tabela acima reproduzida se referem ao retorno dos valores à conta contábil caixa da empresa. E isto pode ser comprovado com a simples análise, conjunta, dos Livros Razão das Contas Contábeis Caixa (1.1.1.01.001) e Cheques (1.1.2.01.001). E traz um exemplo: “Em 31122008, a Impugnante transferiu da sua conta contábil caixa (1.1.1.01.001) para a sua conta contábil cheques (1.1.2.01.001) todos os cheques que se encontravam no caixa da empresa, que totalizavam o montante de R$ 2.511.235,20. Esse valor, como não podia deixar de ser, ingressou na conta contábil cheques (1.1.2.01.001) da Impugnante, na mesma data. Esse valor, R$ 2.511.235,20, transferido da conta contábil caixa para a conta contábil cheques, em 31122008, foi devolvido ao caixa, em duas datas, conforme os cheques foram sendo disponibilizados. Em 02012009 foi devolvido ao caixa o valor de R$ 1.740.086,00 e, em 15 012009 foi devolvido ao caixa o valor de R$ 771 . 149,20. Como se vê, não há omissão de receitas no caso em análise, pelo que os lançamentos não podem ser desconsiderados pelo insigne Auditor Fiscal. O mesmo acontece com cada um dos demais lançamentos elencados pelo Auditor Fiscal e que lhe serviram de base para lançar, em face da Impugnante, o crédito tributário constituído nos autos do processo em epigrafe.” Fl. 498DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 19/ 03/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 11030.721112/201217 Acórdão n.º 1102001.036 S1C1T2 Fl. 5 4 A conta caixa, verdadeiramente, é uma só, e a conta “Cheques” sequer é reconhecida pelas normas contábeis, portanto, os lançamentos desconsiderados pelo Auditor Fiscal nada mais são que operações gerenciais, o que nada tem a ver com omissão de receita. Finaliza requerendo o cancelamento ou anulação dos lançamentos efetuados, e o direito à produção de todas as provas em direito admitidas, especialmente a juntada ulterior de novos documentos. A DRJ, à vista das razões de defesa, determinou a conversão do julgamento em diligência, para que, no tocante à matéria em litígio, a autoridade fiscal verificasse se os débitos na conta caixa, que originaram a autuação por omissão de receitas, seriam efetivamente suprimentos fictícios, ou, como afirma a defesa, apenas o retorno ao caixa de valores anteriormente transferidos contabilmente para a conta “cheques em custódia”. Na diligência, relata a autoridade recorrida, houve uma repetição daquilo que havia ocorrido durante a ação fiscal. O autuante intimou a contribuinte a comprovar os lançamentos efetuados nas contas cheques em custódia e caixa. O contribuinte disse que sua contabilidade era precária e não tinha outros elementos a fornecer. E, por fim, o autuante concluiu que subsistiam as exigências, pois o contribuinte não trouxe qualquer elemento ou documento novo que pudesse comprovar os referidos lançamentos contábeis. A DRJ prolatou, então, o Acórdão no 1043.269, com a seguinte ementa, julgando a impugnação improcedente: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2009, 2010 INGRESSOS NÃO COMPROVADOS NA CONTA CAIXA. SALDO CREDOR DE CAIXA. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA. A falta de comprovação do efetivo ingresso de recursos registrados no livro caixa autoriza o fisco a desconsiderar tais registros, promover a recomposição do saldo daquela conta e, em encontrando saldo credor, tributar como omissão de receitas. Em sede de recurso, a recorrente reprisa seus argumentos de defesa, arguindo, em síntese, que: (i) não houve omissão de receitas; (ii) não há motivos para a presunção de omissão de receitas; (iii) o ônus da prova da omissão é do fisco, e, no caso, inexiste prova das irregularidades cometidas; (iv) a conduta do agente fiscalizador e a posição adotada na decisão recorrida violam os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade. Esclareçase que todas as indicações de folhas neste voto dizem respeito à numeração digital do eprocesso. É o relatório. Voto Fl. 499DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 19/ 03/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 11030.721112/201217 Acórdão n.º 1102001.036 S1C1T2 Fl. 6 5 Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. A recorrente, em todas as oportunidades que teve de comprovar documentalmente os ingressos contabilizados na conta caixa, sempre insistiu no mesmo argumento de que não teria como comprovar estes ingressos, pois estes seriam relativos a cheques recebidos em custódia (prédatados), os quais, à medida em que eram liberados, ou seja, tornavamse bons para saque, retornavam ao caixa da empresa para serem utilizados no pagamento de despesas diversas. A recorrente reconhece não possuir qualquer controle pormenorizado desses cheques, que supostamente comprovariam os ingressos na conta caixa, contudo, oferece um exemplo que entende comprovar e dar respaldo a suas alegações. A autoridade recorrida elaborou, em seu voto, uma tabela que demonstra a correspondência entre débitos e créditos nas contas “caixa” e “cheques em custódia”, a qual reproduzo, por ser bastante elucidativa: CONTA CAIXA CONTA CHEQUES EM CUSTÓDIA BANRISUL Data Lançamento Lançamento D/C Histórico Lançamento D/C Histórico 31/12/2008 2.511.235,20 C Vlr. Ref. Cheques Prédatados N/D 2.511.235,20 D Saldo Anterior 02/01/2009 1.740.086,00 D Vlr. Ref. Cobrança Cheques Prédatados 1.740.086,00 C Vlr. Ref. Cobr. Cheques Prédatados 15/01/2009 771.149,20 D Vlr. Ref. Cobrança Cheques Prédatados 771.149,20 C Vlr. Ref. Cobr. Cheques Prédatados 31/01/2009 2.200.000,00 C Pgto Ref. Cheques Prédatados 2.200.000,00 D Pgto Ref. Cheques Prédatados 31/03/2009 360.000,00 C Pgto Ref. Cheques Prédatados 360.000,00 D Pgto Ref. Cheques Prédatados 31/05/2009 698.000,00 C Pgto Ref. Cheques Prédatados 698.000,00 D Pgto Ref. Cheques Prédatados 30/06/2009 100.000,00 C Pgto Ref. Cheques Prédatados 100.000,00 D Pgto Ref. Cheques Prédatados 31/07/2009 420.000,00 C Pgto Ref. Cheques Prédatados 420.000,00 D Pgto Ref. Cheques Prédatados 17/08/2009 185.693,20 D Rec Ref Cheques Prédatados 185.693,20 C Rec Ref Cheques Prédatados 21/08/2009 189.306,50 C Pgto Ref. Cheques Prédatados 189.306,50 D Pgto Ref. Cheques Prédatados 30/09/2009 16.320,00 D Rec Ref Cheques Prédatados 09/2009 16.320,00 C Rec Ref Cheques Prédatados 09/2009 06/10/2009 1.442.838,28 D Rec Ref Cheques Prédatados 1.442.838,28 C Rec Ref Cheques Prédatados 20/11/2009 286.930,00 D Rec Ref Cheques Prédatados 286.930,00 C Rec Ref Cheques Prédatados 27/11/2009 365.930,00 D Rec Ref Cheques Prédatados 365.930,00 C Rec Ref Cheques Prédatados 30/11/2009 69.860,00 C Pgto Ref. Cheques Prédatados 69.860,00 D Pgto Ref. Cheques Prédatados 31/12/2009 379.652,00 C Pgto Ref. Cheques Prédatados 379.652,00 D Pgto Ref. Cheques Prédatados Total de créditos de caixa 6.928.053,70 Total de débitos de caixa 4.808.946,68 31/01/2010 500.896,32 C Pgto Ref. Cheques Prédatados 500.896,32 D Pgto Ref. Cheques Prédatados 27/02/2010 356.963,25 C Pgto Ref. Cheques Prédatados 356.963,25 D Pgto Ref. Cheques Prédatados 01/03/2010 271.000,20 D Rec Ref Cheques Prédatados 271.000,20 C Rec Ref Cheques Prédatados 30/05/2010 72.653,54 D Rec Ref Cheques Prédatados 72.653,54 C Rec Ref Cheques Prédatados 02/06/2010 71.365,54 D Rec Ref Cheques Prédatados 71.365,20 C Rec Ref Cheques Prédatados 20/06/2010 175.963,81 D Rec Ref Cheques Prédatados 175.963,81 C Rec Ref Cheques Prédatados Fl. 500DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 19/ 03/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 11030.721112/201217 Acórdão n.º 1102001.036 S1C1T2 Fl. 7 6 30/07/2010 351.267,84 C Pgto Ref. Cheques Prédatados 351.267,84 D Pgto Ref. Cheques Prédatados 04/08/2010 391.659,32 D Rec Ref Cheques Prédatados 391.659,32 C Rec Ref Cheques Prédatados 31/08/2010 401.236,24 C Pgto Ref. Cheques Prédatados 401.236,24 D Pgto Ref. Cheques Prédatados 30/09/2010 425.637,85 C Pgto Ref. Cheques Prédatados 425.637,85 D Pgto Ref. Cheques Prédatados 31/10/2010 605.897,12 C Pgto Ref. Cheques Prédatados 605.897,12 D Pgto Ref. Cheques Prédatados 01/11/2010 1.100.002,22 D Rec Ref Cheques Prédatados 1.100.002,22 C Rec Ref Cheques Prédatados 15/12/2010 1.706.393,07 D Rec Ref Cheques Prédatados 1.706.393,07 C Rec Ref Cheques Prédatados Total de créditos de caixa 2.641.898,62 Total de débitos de caixa 3.789.037,70 A autoridade recorrida, analisando as alegações da recorrente, em especial quanto ao exemplo numérico por ela referido, e já ao norte reproduzido, frente à tabela acima transcrita, assim se pronunciou: “A tabela mostra que os créditos de caixa implicavam um débito correspondente na conta cheques em custódia e vice e versa. Mas não há indicativo de que o funcionamento da conta acontecia como descreve a impugnante. Notese que nos três primeiros registros há correspondência de valores. O caixa é creditado em 31/12/2008 (Vlr.ref. cheques prédatados) e em dois lançamentos em datas próximas é debitado pelo que seria a cobrança dos cheques. Os valores teriam, então, apenas transitado pela conta cheques em custódia e o débito de caixa não teria representado um recebimento. Atentese que não há provas de que essa era a sistemática, visto que a contribuinte não apresentou documentos que deem suporte ao que alega. O mesmo não acontece nos lançamentos subsequentes. (...)” Entendo não merecer reparos a decisão recorrida. De fato, não é crível, por exemplo, que a recorrente ficasse recebendo cheques prédatados entre janeiro e agosto/2009, num total de R$ 4.338.692,90, e que, nesse mesmo período, somente R$ 185.693,20 desses cheques tivessem se tornado disponíveis para cobrança. De outra parte, dos cheques pré datados que a recorrente teria transferido para a conta “cheques em custódia”, em 31/12/2008, no valor de R$ 2.511.235,20, a maior parte (R$ 1.740.086,00) já teria sido descontada no dia seguinte (02/01/2009), e o restante, pouco depois (15/01/2009), querendo a recorrente fazer crer que valores de tamanha envergadura pudessem permanecer em espécie na conta caixa, posto que nenhum depósito bancário significativo foi feito em datas próximas. Ou seja, não há qualquer comprovação, por parte da recorrente, de que os fatos tenham ocorrido tal qual apontado na defesa, isto é, que a recorrente operava com toda essa quantidade de cheques prédatados, e de que as transferência entre contas eram realizadas em função de tais cheques terem se tornado bons para saque. O que se verifica, na escrituração da conta caixa feita pela recorrente, é a manutenção de saldos irreais de caixa, justamente como forma de evitar o surgimento de saldos credores nesta conta. Equivocase a recorrente no tocante ao ônus da prova. Ao fisco incumbe o ônus de provar o fato constitutivo do seu direito, e, ao contribuinte o de provar a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo daquele direito, além do ônus de provar, com documentos hábeis e idôneos, todos os fatos registrados em sua contabilidade. Ademais, no caso das presunções legais, invertese o ônus da prova, incumbindo ao fisco apenas provar o Fl. 501DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 19/ 03/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 11030.721112/201217 Acórdão n.º 1102001.036 S1C1T2 Fl. 8 7 fato indiciário, definido na lei como necessário e suficiente ao estabelecimento da presunção, enquanto que ao contribuinte se transfere o ônus de provar que o fato presumido pela lei não aconteceu em seu caso particular. A jurisprudência do CARF é pacífica, quanto à possibilidade de o fisco efetuar a recomposição da conta caixa, desconsiderando no seu saldo o valor dos ingressos não comprovados, para, desta forma, apurar eventual saldo credor, que caracteriza omissão de receitas por presunção legal. O que a jurisprudência não aceita é a utilização, pura e simples, dos valores totais dos ingressos não comprovados na conta caixa, como omissão de receitas. A título de exemplo, cito os seguintes precedentes: Acórdão no 1201000.749, sessão de 12 de setembro de 2012, relator Marcelo Cuba Netto: INGRESSOS NÃO COMPROVADOS NA CONTA CAIXA. A falta de comprovação do efetivo ingresso de recursos registrados no livro Caixa da empresa a título de “reforço de caixa” autoriza o auditor a desconsiderar tais registros, promover a recomposição do saldo daquela conta e, em encontrando saldo credor, tributar como omissão de receita o maior saldo verificado em cada período de apuração do imposto. Portanto, incabível presumirse como omissão de receita a integralidade dos registros a título de “reforço de caixa”. Acórdão no 10704.750, sessão de 18 de fevereiro de 1998, relator Paulo Roberto Cortez: IRPJ OMISSÃO DE RECEITA CHEQUES COMPENSADOS QUE NÃO TRANSITARAM PELA CONTA CAIXA Para que seja caracterizada a omissão de receita é necessária a recomposição da conta Caixa, com o expurgo dos valores que deixaram de transitar pela mesma, de modo a se obter saldo credor. Acórdão CSRF no 910101.262, sessão de 23 de novembro de 2011, relator Claudemir Rodrigues Malaquias: OMISSÃO DE RECEITAS. SALDO CREDOR DE CAIXA. RECOMPOSIÇÃO DA ESCRITA MEDIANTE ESTORNO DE CHEQUES REGISTRADOS COMO INGRESSOS. UTILIZAÇÃO EFETIVA. NÃO COMPROVAÇÃO PELO SUJEITO PASSIVO. PRESUNÇÃO LEGAL CARACTERIZADA. A verificação de saldo credor na conta Caixa, pela recomposição da escrita mediante o estorno de cheques registrados como ingressos, sem respaldo documental suficiente para atestar seu correto lançamento contábil, mormente quando não são coincidentes datas e valores de sua utilização, é suficiente para a caracterização da presunção legal de omissão no registro de receitas, nos termos do art. 281 do RIR/99. Acórdão no 10806.085, sessão de 12 de abril de 2000, relatora Ivete Malaquias Pessoa Monteiro IRPJ — OMISSÃO DE RECEITA SALDO CREDOR DE CAIXA CHEQUES COMPENSADOS Não comprovada a destinação dos cheques debitados na conta Caixa e liquidados via compensação bancária, justificase seu expurgo do saldo da conta. O saldo credor assim apurado autoriza a presunção de omissão de receita. Fl. 502DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 19/ 03/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 11030.721112/201217 Acórdão n.º 1102001.036 S1C1T2 Fl. 9 8 Os protestos recursais no tocante à suposta violação aos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade tampouco merecem guarida. As infrações estão perfeitamente tipificadas em lei (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 12, § 2º — art . 281 do RIR/99), constituindo presunção legal de omissão de receitas, que não pode, de forma alguma, ser afastada sob tais fundamentos. Em memoriais apresentados na sessão de julgamento em fevereiro de 2014, bem como da tribuna, em outra linha de argumentação, foi sustentado pelo patrono que, tendo ocorrido um equívoco na escrituração contábil do contribuinte, ou seja, tendo em vista que os registros contábeis na conta “caixa” e “cheques pré datados” foi feita sem respaldo em documentação alguma, há que se desconsiderar também os valores decorrentes das transferências da conta “caixa” para a conta “cheques pré datados”, como saídas de caixa, pela simples razão de que tais pagamentos nunca ocorreram. Esta seria, no caso, a verdade material, e, com isto, em nenhum momento a conta “caixa” apresentaria saldo credor. Mais uma vez, conforme ao norte afirmado, não é crível que a recorrente ficasse recebendo cheques prédatados entre janeiro e agosto/2009, num total de R$ 4.338.692,90, e que, nesse mesmo período, somente R$ 185.693,20 desses cheques tivessem se tornado disponíveis para cobrança. Assim, a saída destes valores (cheques?) da conta “caixa”, seja para uma conta de “cheques pré datados”, ou seja para a realização de pagamentos sem comprovação, como entendeu a autoridade fiscal, é uma decorrência natural e lógica desta constatação. Dito em outras palavras, ainda que não se esteja discutindo no presente processo o destino dado a esses valores (cheques?), o que não é razoável é admitir que os mesmos pudessem permanecer indefinidamente na conta caixa da empresa, de modo a produzir saldos absolutamente irreais. Ademais, o pleito da recorrente seria no sentido de que a fiscalização deveria desconsiderar um registro por ela mesma efetuada em sua escrituração, no tocante às saídas da conta “caixa”. Ora, isto até seria possível, diante da inequívoca demonstração de que se tratasse de um erro de fato por parte da recorrente. Contudo, conforme já sobejamente destacado no presente voto, a própria recorrente reconhece não ter condições de comprovar absolutamente nada. O que está em discussão no presente processo é a não comprovação dos ingressos na conta “caixa”, os quais impediram o surgimento de saldos credores na referida conta. Devidamente intimada, a recorrente em nenhum momento ao longo do processo, logrou comprovar os referidos ingressos, motivo pelo qual a fiscalização, amparada nas normas legais já referidas, e na pacífica jurisprudência administrativa, desconsiderou os referidos ingressos na recomposição da conta “caixa”, de modo a fazer aflorar o saldo credor. Em conclusão, por todo o exposto, nego provimento ao recurso voluntário. É como voto. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Relator Fl. 503DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 19/ 03/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 11030.721112/201217 Acórdão n.º 1102001.036 S1C1T2 Fl. 10 9 Fl. 504DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 19/ 03/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME
score : 1.0
Numero do processo: 10530.720214/2007-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2004
NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Não é nulo o lançamento que preenche os requisitos do artigo 11 do Decreto n.º 70.235, de 1972, cujos fatos enquadrados como infração estão claramente descritos e adequadamente caracterizados, permitindo ao contribuinte o exercício da ampla defesa.
SUJEIÇÃO PASSIVA. COMPROVAÇÃO DA PROPRIEDADE.
São contribuintes do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR o proprietário do imóvel, o titular de seu domínio útil, ou o seu possuidor a qualquer título.
Comprova a propriedade do bem imóvel a Certidão de Matrícula no Cartório de Registro de Imóveis competente.
Na hipótese, não ficou comprovado que matrícula do imóvel rural tenha sido cancelada, na forma da lei.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DILIGÊNCIA OU PERÍCIA.
A diligência ou perícia não se presta à produção de prova documental que deveria ter sido juntada pelo sujeito passivo para contrapor aquelas feitas pela fiscalização.
ÁREA DE RESERVA LEGAL. COMPROVAÇÃO.
Admite-se, para o cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, a exclusão da Área de Reserva Legal, desde que, em data anterior à da ocorrência do fato gerador do tributo, tenha sido averbada à margem da matrícula do imóvel rural no Cartório de Registro de Imóveis competente.
Na hipótese, não se comprovou a averbação da área de reserva legal
ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE.
Para a exclusão da Área de Preservação Permanente declarada da área total do imóvel rural, necessário apresentar Ato Declaratório Ambiental - ADA protocolado junto ao órgão de controle do meio ambiente.
Na hipótese, a interessada não logrou comprovar a Área de Preservação Permanente por meio de documento hábil.
VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS - SIPT. UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO DECLARADO.
O VTN médio declarado por Município, constante do SIPT, obtido com base nos valores informados na DITR, sem considerar levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura da Unidade Federada ou do Município, não pode ser utilizado para fins de arbitramento, por contrariar o disposto no artigo 14, § 1.º, da Lei n.º 9.393, de 1996.
Numero da decisão: 2101-002.395
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em afastar a alegação de nulidade do auto de infração, vencida a Conselheira Eivanice Canário da Silva e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento em parte ao recurso voluntário, para restabelecer o valor da terra nua declarado, vencida a Conselheira Eivanice Canário da Silva, que votou por dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
_____________________________________
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
Presidente
(assinado digitalmente)
___________________________________
CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY
Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Francisco Marconi de Oliveira, Ewan Teles Aguiar, Eivanice Canário da Silva, Celia Maria de Souza Murphy (Relatora) e Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa.
Nome do relator: CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201402
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2004 NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não é nulo o lançamento que preenche os requisitos do artigo 11 do Decreto n.º 70.235, de 1972, cujos fatos enquadrados como infração estão claramente descritos e adequadamente caracterizados, permitindo ao contribuinte o exercício da ampla defesa. SUJEIÇÃO PASSIVA. COMPROVAÇÃO DA PROPRIEDADE. São contribuintes do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR o proprietário do imóvel, o titular de seu domínio útil, ou o seu possuidor a qualquer título. Comprova a propriedade do bem imóvel a Certidão de Matrícula no Cartório de Registro de Imóveis competente. Na hipótese, não ficou comprovado que matrícula do imóvel rural tenha sido cancelada, na forma da lei. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. A diligência ou perícia não se presta à produção de prova documental que deveria ter sido juntada pelo sujeito passivo para contrapor aquelas feitas pela fiscalização. ÁREA DE RESERVA LEGAL. COMPROVAÇÃO. Admite-se, para o cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, a exclusão da Área de Reserva Legal, desde que, em data anterior à da ocorrência do fato gerador do tributo, tenha sido averbada à margem da matrícula do imóvel rural no Cartório de Registro de Imóveis competente. Na hipótese, não se comprovou a averbação da área de reserva legal ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. Para a exclusão da Área de Preservação Permanente declarada da área total do imóvel rural, necessário apresentar Ato Declaratório Ambiental - ADA protocolado junto ao órgão de controle do meio ambiente. Na hipótese, a interessada não logrou comprovar a Área de Preservação Permanente por meio de documento hábil. VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS - SIPT. UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO DECLARADO. O VTN médio declarado por Município, constante do SIPT, obtido com base nos valores informados na DITR, sem considerar levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura da Unidade Federada ou do Município, não pode ser utilizado para fins de arbitramento, por contrariar o disposto no artigo 14, § 1.º, da Lei n.º 9.393, de 1996.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Feb 27 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10530.720214/2007-46
anomes_publicacao_s : 201402
conteudo_id_s : 5327702
dt_registro_atualizacao_tdt : Sat Mar 01 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2101-002.395
nome_arquivo_s : Decisao_10530720214200746.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY
nome_arquivo_pdf_s : 10530720214200746_5327702.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em afastar a alegação de nulidade do auto de infração, vencida a Conselheira Eivanice Canário da Silva e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento em parte ao recurso voluntário, para restabelecer o valor da terra nua declarado, vencida a Conselheira Eivanice Canário da Silva, que votou por dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) _____________________________________ LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Francisco Marconi de Oliveira, Ewan Teles Aguiar, Eivanice Canário da Silva, Celia Maria de Souza Murphy (Relatora) e Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa.
dt_sessao_tdt : Wed Feb 19 00:00:00 UTC 2014
id : 5324846
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:18:52 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046591080759296
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 19; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2307; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T1 Fl. 2 1 1 S2C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10530.720214/200746 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2101002.395 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 19 de fevereiro de 2014 Matéria ITR Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural Recorrente Unibanco União de Bancos Brasileiros S.A. Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2004 NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não é nulo o lançamento que preenche os requisitos do artigo 11 do Decreto n.º 70.235, de 1972, cujos fatos enquadrados como infração estão claramente descritos e adequadamente caracterizados, permitindo ao contribuinte o exercício da ampla defesa. SUJEIÇÃO PASSIVA. COMPROVAÇÃO DA PROPRIEDADE. São contribuintes do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR o proprietário do imóvel, o titular de seu domínio útil, ou o seu possuidor a qualquer título. Comprova a propriedade do bem imóvel a Certidão de Matrícula no Cartório de Registro de Imóveis competente. Na hipótese, não ficou comprovado que matrícula do imóvel rural tenha sido cancelada, na forma da lei. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. A diligência ou perícia não se presta à produção de prova documental que deveria ter sido juntada pelo sujeito passivo para contrapor aquelas feitas pela fiscalização. ÁREA DE RESERVA LEGAL. COMPROVAÇÃO. Admitese, para o cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, a exclusão da Área de Reserva Legal, desde que, em data anterior à da ocorrência do fato gerador do tributo, tenha sido averbada à margem da matrícula do imóvel rural no Cartório de Registro de Imóveis competente. Na hipótese, não se comprovou a averbação da área de reserva legal ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 72 02 14 /2 00 7- 46 Fl. 205DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 25/ 02/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 2 Para a exclusão da Área de Preservação Permanente declarada da área total do imóvel rural, necessário apresentar Ato Declaratório Ambiental ADA protocolado junto ao órgão de controle do meio ambiente. Na hipótese, a interessada não logrou comprovar a Área de Preservação Permanente por meio de documento hábil. VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS SIPT. UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO DECLARADO. O VTN médio declarado por Município, constante do SIPT, obtido com base nos valores informados na DITR, sem considerar levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura da Unidade Federada ou do Município, não pode ser utilizado para fins de arbitramento, por contrariar o disposto no artigo 14, § 1.º, da Lei n.º 9.393, de 1996. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em afastar a alegação de nulidade do auto de infração, vencida a Conselheira Eivanice Canário da Silva e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento em parte ao recurso voluntário, para restabelecer o valor da terra nua declarado, vencida a Conselheira Eivanice Canário da Silva, que votou por dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) _____________________________________ LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Francisco Marconi de Oliveira, Ewan Teles Aguiar, Eivanice Canário da Silva, Celia Maria de Souza Murphy (Relatora) e Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa. Relatório Trata o presente processo de Notificação de Lançamento contra o contribuinte em epígrafe, na qual foi apurado Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural suplementar do exercício 2004, em decorrência da falta de comprovação do Valor da Terra Nua – VTN e das Áreas de Preservação Permanente e de Utilização Limitada declaradas. Fl. 206DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 25/ 02/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10530.720214/200746 Acórdão n.º 2101002.395 S2C1T1 Fl. 3 3 A interessada impugnou o lançamento, alegando, em síntese, que: (i) não se pode exigirlhe o ITR, já que inexiste a posse, a área, enfim, a propriedade, elementos fundamentais para a existência do fato jurídico tributário; (ii) a exigência é nula, na medida em que arbitrou um Valor da Terra Nua, sem respeitar os requisitos legais para utilização desse expediente extraordinário; (iii) o lançamento é nulo, vez que ignorou a existência das áreas de preservação permanente e de utilização limitada. Pediu, ao final, que, no caso de não acolhimento de sua impugnação, fosse realizada diligência para o fim de aferir tecnicamente quantificação da área tributável e o valor da terra nua. A 1.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Brasília (DF) julgou a impugnação improcedente, por meio do Acórdão n.º 0345.172, de 21 de setembro de 2011, que contou com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2004 DA NULIDADE DO LANÇAMENTO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Tendo o contribuinte compreendido a matéria tributada e exercido de forma plena o seu direito de defesa, não há que se falar em NULIDADE do lançamento, que contém todos os requisitos obrigatórios previstos no Processo Administrativo Fiscal (PAF). DO ÔNUS DA PROVA Cabe ao contribuinte, quando solicitado pela autoridade fiscal, comprovar com documentos hábeis, os dados cadastrais informados na sua DITR, posto que é seu o ônus da prova. SUJEITO PASSIVO DO ITR São contribuintes do Imposto Territorial Rural o proprietário, o possuidor ou o detentor a qualquer título de imóvel rural assim definido em lei, sendo facultado ao Fisco exigir o tributo, sem benefício de ordem, de qualquer deles. O registro imobiliário, enquanto não alterado ou cancelado, continua produzindo todos os seus efeitos, inclusive tributários. DAS ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL As áreas de preservação permanente e de utilização limitada/reserva legal, para fins de exclusão do ITR, cabem ser reconhecidas como de interesse ambiental pelo IBAMA ou, pelo menos, que seja comprovada a protocolização, em tempo hábil, do competente ADA; fazendose necessário, ainda, em relação à área de reserva legal, que a mesma esteja averbada junto à matrícula do imóvel, em data anterior ao do fato gerador. DO VALOR DA TERRA NUA SUBAVALIAÇÃO. Fl. 207DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 25/ 02/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 4 Deve ser mantido o VTN arbitrado pela fiscalização, em consonância com o Sistema de Preço de Terras (SIPT), por falta de documentação hábil comprovando o valor fundiário do imóvel, a preços de 1º/01/2003, bem como a existência de características particulares desfavoráveis que pudessem justificar essa revisão. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, no qual reiterou todos os argumentos anteriormente suscitados. Posteriormente, apresentou novos documentos. É o Relatório. Voto Conselheira Celia Maria de Souza Murphy O Recurso Voluntário é tempestivo (vide fls. 148 – numeração eletrônica) e atende aos demais requisitos legais previstos no Decreto n° 70.235, de 1972. Dele conheço. A Notificação de Lançamento que integra o presente processo teve origem na falta de comprovação, pelo contribuinte, das Áreas de Preservação Permanente e de Reserva Legal, bem como do Valor da Terra Nua declarados em sua Declaração do ITR (DIAC/DIAT) correspondente ao exercício 2004. Diante desse fato, a Fiscalização glosou as áreas informadas e procedeu ao arbitramento daquele valor, com base nas informações do SIPT – Sistema de Preços de Terra da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Na Declaração do ITR correspondente ao exercício 2004, o contribuinte declarou 6.500,0 hectares como área de preservação permanente e 4.000,0 hectares como área de utilização limitada. Como valor da terra nua do imóvel rural denominado Fazenda Taboleirinho, o contribuinte declarou o montante de R$ 45.000,00, correspondente à área total declarada de 20.000,0 hectares, sendo tributável o valor da terra nua de R$ 21.375,00. Regularmente intimado para comprovar as áreas de preservação permanente e de reserva legal, o contribuinte não apresentou quaisquer documentos que evidenciassem as áreas declaradas, que foram, então, glosadas pela Fiscalização. No que respeita ao Valor da Terra Nua declarado, após regular intimação, não apresentou laudo de avaliação do imóvel, nos termos requeridos. A Fiscalização atribuiu, então, à terra nua, o valor de R$ 5.168.200,00, correspondente à área total de 20.000,0 hectares, de acordo com o valor constante do SIPT – Sistema de Preços de Terra, informado por esse sistema como “VTN médio por aptidão agrícola”, com base nas informações constantes das DITR para o exercício 2004, no Município de São Desidério, onde se localiza o imóvel (R$ 258,41 por hectare). 1. Da nulidade do lançamento Fl. 208DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 25/ 02/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10530.720214/200746 Acórdão n.º 2101002.395 S2C1T1 Fl. 4 5 Pugnando pela nulidade do lançamento, o contribuinte argumentou que há dúvidas razoáveis sobre a efetiva existência do imóvel, bem como não detém a sua posse e domínio pleno. Por outro lado, mesmo prevalecendo o entendimento de que fosse o sujeito passivo da relação jurídica tributária, ressaltou que a exigência seria nula, na medida em que a Fiscalização arbitrou um VTN sem respeitar os requisitos legais para utilização desse expediente extraordinário. Inicialmente, no tocante à alegação de nulidade, impende destacar que o lançamento constante deste processo foi decorrente de revisão de declaração, que gerou uma Notificação de Lançamento, anexada aos autos às fls. 1 a 6. Os requisitos de validade da Notificação de Lançamento são aqueles previstos no artigo 11 do Decreto n.º 70.235, de 1972, que a seguir transcrevese: Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Parágrafo único. Prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processo eletrônico. A Notificação de Lançamento constante dos autos deste processo, lavrada por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil (agente competente), preenche todos os requisitos de validade exigidos pela lei que regula o processo administrativo fiscal. O contribuinte está identificado; os fatos enquadrados como infrações estão perfeitamente caracterizados e acompanhados das disposições legais infringidas, de modo a permitir a ampla defesa do contribuinte; o valor do crédito tributário está especificado (imposto, multa e juros), assim como o prazo para recolhimento do valor calculado ou para a impugnação do lançamento. Do exame dos autos, não se verificou qualquer irregularidade que pudesse causar prejuízo à defesa, de modo a justificar uma declaração de nulidade do lançamento. As questões suscitadas pela recorrente não configuram causas de nulidade do lançamento e serão analisadas em seguida. 2. Da sujeição passiva No caso em apreço, o lançamento, referente ao exercício 2005, efetivouse em 18.12.2007, com a ciência do interessado (fls. 10). Em 17 de janeiro de 2008, o lançamento foi impugnado. Em sua defesa, o contribuinte ponderou haver dúvidas razoáveis sobre a efetiva existência do imóvel, Fl. 209DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 25/ 02/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 6 matriculado sob os nºs 1879 e 1927 do Cartório de Registro de Imóveis e Hipotecas de São Desidério (BA) e objeto das dações em pagamento realizadas em 2 de outubro de 1996 e 16 de janeiro de 1997, nos termos das "Escritura Pública de Confissão de Divida e Dação em Pagamento" e "Escritura Pública de Confissão de Dívida, Dação em Pagamento e Outras Avenças", nas quais figuram como dadores Miguel Francisco Alves e Nascimenta Maria Alves. Aduziu ainda que, consoante laudo técnico elaborado pela empresa Topoeste Projetos e Construções Ltda., assinado por engenheiro agrônomo devidamente inscrito no Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (CREA), concluído em 23 de maio de 2007, concluise que as áreas da Fazenda Taboleirinho existem, porém estão sendo ocupadas pelas Fazendas Condado e Várzea do Guará que também possuem registro no cartório de São Desidério. Complementa que a documentação relativa à Fazenda Taboleirinho apresenta vícios e irregularidades. Sendo assim, não se pode exigirlhe o ITR, tendo em vista que inexiste a posse, a área enfim, a propriedade, elementos fundamentais para a existência do fato imponível do referido imposto. Sobre os argumentos suscitados, impende destacar que a Lei n.º 6.015, de 1973, ao dispor sobre os registros públicos, define, em seu artigo 172, que o registro e a averbação dos títulos ou atos constitutivos, declaratórios, translativos e extintivos de direitos reais sobre imóveis reconhecidos em lei é de competência Cartório de Registro de Imóveis: Art. 172 No Registro de Imóveis serão feitos, nos termos desta Lei, o registro e a averbação dos títulos ou atos constitutivos, declaratórios, translativos e extintos de direitos reais sobre imóveis reconhecidos em lei, " inter vivos" ou " mortis causa" quer para sua constituição, transferência e extinção, quer para sua validade em relação a terceiros, quer para a sua disponibilidade. (Renumerado do art. 168 § 1º para artigo autônomo com nova redação pela Lei nº 6.216, de 1975). O sujeito passivo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, previsto no artigo 153, VI, da Constituição Federal de 1988, é o proprietário do imóvel, o titular de seu domínio útil ou o seu possuidor a qualquer título, tal qual prescrito no Código Tributário Nacional – Lei n.º 5.172, de 1966: Art. 29. O imposto, de competência da União, sobre a propriedade territorial rural tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, como definido na lei civil, localização fora da zona urbana do Município. Art. 30. A base do cálculo do imposto é o valor fundiário. Art. 31. Contribuinte do imposto é o proprietário do imóvel, o titular de seu domínio útil, ou o seu possuidor a qualquer título. A Lei n.º 9.393, de 1996, que traça a regramatriz de incidência do imposto, prevê, em seu artigo 1.º: Art. 1º O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, de apuração anual, tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana do município, em 1º de janeiro de cada ano. [...]. Fl. 210DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 25/ 02/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10530.720214/200746 Acórdão n.º 2101002.395 S2C1T1 Fl. 5 7 Na hipótese vertente, o interessado alega não ser sujeito passivo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural do imóvel denominado “Fazenda Taboleirinho”, por haver dúvidas concernentes não só à efetiva existência do imóvel, mas também por haver ocupação irregular de sua área por outros imóveis com registro no Cartório de São Desidério (“sobreposição”) e irregularidades na documentação da própria Fazenda. Ocorre que, se o registro não for expressão da verdade, tal como alegado, o interessado pode pleitear a sua retificação ou anulação, a teor do artigo 1.247 do Código Civil (Lei n.º 10.406, de 2002), cujo texto a seguir transcrevese Art. 1.247. Se o teor do registro não exprimir a verdade, poderá o interessado reclamar que se retifique ou anule. O cancelamento do registro público é feito de acordo com o que prescreve a Lei n.º 6.015, de 1973 (Lei dos Registros Públicos): Art. 249 O cancelamento poderá ser total ou parcial e referir se a qualquer dos atos do registro. (Renumerado do art. 250 com nova redação pela Lei nº 6.216, de 1975) Art. 250 Farseá o cancelamento: (incluído pela Lei nº 6.216, de 1975) I em cumprimento de decisão judicial transitada em julgado; (incluído pela Lei nº 6.216, de 1975) II a requerimento unânime das partes que tenham participado do ato registrado, se capazes, com as firmas reconhecidas por tabelião; (incluído pela Lei nº 6.216, de 1975) III A requerimento do interessado, instruído com documento hábil.(incluído pela Lei nº 6.216, de 1975) IV a requerimento da Fazenda Pública, instruído com certidão de conclusão de processo administrativo que declarou, na forma da lei, a rescisão do título de domínio ou de concessão de direito real de uso de imóvel rural, expedido para fins de regularização fundiária, e a reversão do imóvel ao patrimônio público. (Incluído pela Lei nº 11.952, de 2009) Na hipótese, tratase de lançamento do ITR referente ao imóvel denominado “Fazenda Taboleirinho”, com área de 20.000,0 hectares, cujo NIRF é 5.696.1642, donde se conclui que corresponde à Área I da Fazenda, cuja matrícula é 1879 (vide fls. 62 e 44 e 45, todas de numeração eletrônica). Em 16 de outubro de 2013, com fulcro no § 4.º, alínea “b”, do artigo 16 do Decreto n.º 70.235, de 1972, o sujeito passivo requereu a juntada de novas provas aos autos, consubstanciadas nos seguintes documentos: (i) acórdão do Conselho da Magistratura do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia (TJBA), proferido em 12.8.2013, publicado em 30.8.2013, nos autos do processo administrativo n.º 000920757.2013.8.05.0000 e Fl. 211DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 25/ 02/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 8 (ii) petição apresentada à Secretaria da Receita Federal do Brasil, em 30.9.2013, por meio da qual requereu o cancelamento do NIRF 5.696.1642 (referente à matrícula 1879) e do NIRF 4.838.7053 (referente à matrícula 1927). Em 28 de novembro de 2013, invocando o mesmo fundamento, requereu a juntada dos documentos às fls. 203 e seguintes. Tendo em vista que os documentos foram emitidos em data posterior à da apresentação da impugnação, configurase a situação prevista no § 4.º, alínea “b”, do artigo 16 do Decreto n.º 70.235, de 1972, razão pela qual o pedido da recorrente deve ser deferido. Mencionada documentação foi anexada aos autos, fls. 189 a 208 (numeração eletrônica) e será, a seguir, analisada. Verificase que, no recurso interposto nos autos do processo administrativo n.º 000920757.2013.8.05.0000, o recorrente pretendia o cancelamento das matrículas imobiliárias nº 1879 e 1927 do Ofício de Registro de Imóveis e Hipotecas, Títulos e Documentos de São Desidério (BA), supostamente originadas de títulos falsos. A decisão proferida em 12.8.2013 pelo Conselho da Magistratura do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia (TJBA), nos autos do referido processo, foi no sentido de negar provimento ao recurso interposto pela interessada, eis que ficou constatado que a recorrente não possuía autorização legal para formular o pleito. A negativa de provimento ao recurso fundamentouse no artigo 1.º da Lei n.º 6.739, de 1979, que estipula que somente as pessoas jurídicas de direito público estão autorizadas a requerer ao CorregedorGeral da Justiça sejam declarados inexistentes e cancelados a matrícula e o registro de imóvel rural vinculado a título nulo de pleno direito, ou feitos em desacordo com os artigos 221 e seguintes da Lei n.º 6.015, de 1973 (alterada pela Lei n.º 6.216, de 1975). Ante a verificação que havia indícios que os imóveis eram objetos de títulos falsos, por originaremse de matrícula inexistente, foi também determinado, naquela decisão, o bloqueio das matrículas nº 1879, 1927 e 1831, todas do Cartório de Registro de Imóveis e Hipotecas, Títulos e Documentos de São Desidério (BA) e a suspensão do pagamento do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR. O bloqueio das matrículas em questão, determinado pelo Conselho da Magistratura do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia tem caráter de medida acautelatória instrumental, caracterizada pela suspensão das matrículas do imóvel, com o objetivo de impedir novos registros, protegendo, assim, os direitos dos adquirentes e terceiros de boafé, até decisão administrativa e judicial ulterior, tal como consta. Do exame do acórdão, depreendese ter o Conselho da Magistratura do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia constatado que existem indícios que os imóveis descritos nas matrículas n.º 1879 e 1927 são objetos de títulos falsos, pois supostamente originadas de matrícula inexistente. Por essa razão determinou o seu bloqueio. Às fls. 204, foi anexada Certidão do Cartório de Registro de Imóveis e Hipotecas do Primeiro Ofício da Comarca de Barreiras (BA), na qual a Oficiala certifica não constar, nos arquivos do Cartório, a ficha da matrícula R15817 em 4 de maio de 1983 – Protocolo 13.635 de 29 de abril de 1983, em nome de Ahyrton Carvalho Franca. Por ser relevante para este processo, o documento será também considerado na presente análise Fl. 212DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 25/ 02/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10530.720214/200746 Acórdão n.º 2101002.395 S2C1T1 Fl. 6 9 Examinando os autos, verificase que tanto a matrícula 1879 quanto a matrícula 1927 decorreriam da matrícula 5817, transferida para o Cartório de Registro e Hipotecas da Bahia sob o n.º R11831, tal como consta às fls. 44 e 47. Há, portanto, indícios veementes da ocorrência de fraude, com a constatação da inexistência da matrícula 5817, que deu origem às matrículas 1879 e 1927, conforme registrado na decisão no processo administrativo nº 000920757.2013.8.05.0000. Todavia, não houve ainda uma decisão definitiva da questão. No processo administrativo nº 000920757.2013.8.05.0000, negouse provimento ao recurso da interessada, que pretendia o cancelamento das matrículas 1879 e 1927 do Ofício de Registro de Imóveis e Hipotecas, Títulos e Documentos da Comarca de São Desidério (BA). Determinouse apenas o seu bloqueio, até decisão definitiva. Também não ficou comprovado nos autos que ocorreu o cancelamento da matrícula do imóvel por uma das modalidades previstas no artigo 250 da Lei n.º 6.015, de 1973 (Lei dos Registros Públicos). Sendo assim, não é possível acolher os argumentos da recorrente. Enquanto não for cancelado o registro público, na forma da lei, não pode o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais considerálo como tal, pois este Conselho não é competente para promover o cancelamento pretendido, por mais veementes que sejam os indícios que se trata de fraude no registro imobiliário. Até que sejam canceladas, no registro público, nos termos do artigo 1.247 do Código Civil e do artigo 250 da Lei n.º 6.015, de 1973, as matrículas dos imóveis sobre os quais recai a tributação do imposto sobre a propriedade territorial rural, as matrículas 1879 e 1927 são válidas. E, com base na Certidão de Matrícula do Imóvel 1879, no Cartório de Registro de Imóveis e Hipotecas de São Desidério (BA), que não foi cancelada até a presente data, e na Escritura Pública de Confissão de Dívida, Dação em Pagamento e outras Avenças, a recorrente era e ainda é legítima proprietária do imóvel objeto da Notificação de Lançamento integrante do presente processo, sujeito passivo do imposto sobre a propriedade territorial rural que sobre ele incidiu, no exercício 2004. 3. Das áreas de preservação permanente e de utilização limitada/reserva legal A recorrente alega que a Fiscalização ignorou a existência das áreas de preservação permanente e de utilização limitada. A Lei n.° 9.393, de 1996, que dispõe sobre o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, ao tratar da sua apuração e pagamento, no artigo 10, assim prescreveu, verbis: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. Fl. 213DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 25/ 02/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 10 § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: [...] II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; [...] (g.n.) 3.1. Área de Preservação Permanente O Código Florestal Brasileiro vigente na época dos fatos (Lei n.° 4.771, de 1965, revogada pela Lei n.° 12.651, de 2012) assim dispunha sobre as Áreas de Preservação Permanente (APP): Art. 2° Consideramse de preservação permanente, pelo só efeito desta Lei, as florestas e demais formas de vegetação natural situadas: a) ao longo dos rios ou de qualquer curso d'água desde o seu nível mais alto em faixa marginal cuja largura mínima será: 1 de 30 (trinta) metros para os cursos d'água de menos de 10 (dez) metros de largura; 2 de 50 (cinquenta) metros para os cursos d'água que tenham de 10 (dez) a 50 (cinquenta) metros de largura; 3 de 100 (cem) metros para os cursos d'água que tenham de 50 (cinquenta) a 200 (duzentos) metros de largura; 4 de 200 (duzentos) metros para os cursos d'água que tenham de 200 (duzentos) a 600 (seiscentos) metros de largura; 5 de 500 (quinhentos) metros para os cursos d'água que tenham largura superior a 600 (seiscentos) metros; b) ao redor das lagoas, lagos ou reservatórios d'água naturais ou artificiais; c) nas nascentes, ainda que intermitentes e nos chamados "olhos d'água", qualquer que seja a sua situação topográfica, num raio mínimo de 50 (cinquenta) metros de largura; d) no topo de morros, montes, montanhas e serras; e) nas encostas ou partes destas, com declividade superior a 45°, equivalente a 100% na linha de maior declive; f) nas restingas, como fixadoras de dunas ou estabilizadoras de mangues; g) nas bordas dos tabuleiros ou chapadas, a partir da linha de ruptura do relevo, em faixa nunca inferior a 100 (cem) metros em projeções horizontais; h) em altitude superior a 1.800 (mil e oitocentos) metros, qualquer que seja a vegetação. Fl. 214DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 25/ 02/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10530.720214/200746 Acórdão n.º 2101002.395 S2C1T1 Fl. 7 11 Parágrafo único. No caso de áreas urbanas, assim entendidas as compreendidas nos perímetros urbanos definidos por lei municipal, e nas regiões metropolitanas e aglomerações urbanas, em todo o território abrangido, observarseá o disposto nos respectivos planos diretores e leis de uso do solo, respeitados os princípios e limites a que se refere este artigo. Art. 3º Consideramse, ainda, de preservação permanente, quando assim declaradas por ato do Poder Público, as florestas e demais formas de vegetação natural destinadas: a) a atenuar a erosão das terras; b) a fixar as dunas; c) a formar faixas de proteção ao longo de rodovias e ferrovias; d) a auxiliar a defesa do território nacional a critério das autoridades militares; e) a proteger sítios de excepcional beleza ou de valor científico ou histórico; f) a asilar exemplares da fauna ou flora ameaçados de extinção; g) a manter o ambiente necessário à vida das populações silvícolas; h) a assegurar condições de bemestar público. § 1° A supressão total ou parcial de florestas de preservação permanente só será admitida com prévia autorização do Poder Executivo Federal, quando for necessária à execução de obras, planos, atividades ou projetos de utilidade pública ou interesse social. § 2º As florestas que integram o Patrimônio Indígena ficam sujeitas ao regime de preservação permanente (letra g) pelo só efeito desta Lei. No presente caso, a dedução da Área de Preservação Permanente não foi admitida pela Fiscalização por falta de comprovação. Consta da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, às fls. 3 e 4 (numeração eletrônica), que a interessada, mesmo tendo sido regularmente intimada, não comprovou a área declarada a título de preservação permanente no imóvel rural. Também não foram anexados, posteriormente, documentos hábeis para comprovar a área de preservação permanente declarada. A partir de 2001, a apresentação do Ato Declaratório Ambiental ADA tornouse obrigatória para a comprovação da Área de Preservação Permanente, a teor do disposto no artigo 17O da Lei n.° 6.938, de 1981, com a redação dada pela Lei n.º10.165, de 2000: Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Fl. 215DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 25/ 02/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 12 Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) [...] § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) [...] (g.n.) No caso em exame, o “fato gerador” do tributo ocorreu em 2004, quando as normas constantes dos dispositivos acima transcritos já estavam em vigor. Sendo assim, exigível o Ato Declaratório Ambiental, protocolizado junto ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBAMA, para que se admita a exclusão da Área de Preservação Permanente da base de cálculo do ITR. No entanto, a recorrente não apresentou o Ato Declaratório Ambiental, nem comprovou, por meio de outros documentos hábeis e idôneos, que a área de preservação permanente declarada na DIAC/DIAT do exercício 2004 foi devidamente informada ao órgão de controle do meio ambiente, na forma da lei. 3.2. Área de utilização limitada/reserva legal O Código Florestal vigente na época dos fatos, Lei n.º 4.771, de 1965, prescrevia ser área de reserva legal aquela localizada no interior de uma propriedade ou posse rural, excetuada a de preservação permanente, necessária ao uso sustentável dos recursos naturais, à conservação e reabilitação dos processos ecológicos, à conservação da biodiversidade e ao abrigo e proteção de fauna e flora nativas. Seu artigo 16, ao regular a supressão de florestas ou outras formas de vegetação nativa, estipulava a manutenção de um percentual da propriedade rural a título de reserva legal, verbis: Art.16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) (Regulamento) Ioitenta por cento, na propriedade rural situada em área de floresta localizada na Amazônia Legal; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) IItrinta e cinco por cento, na propriedade rural situada em área de cerrado localizada na Amazônia Legal, sendo no mínimo vinte por cento na propriedade e quinze por cento na forma de compensação em outra área, desde que esteja localizada na mesma microbacia, e seja averbada nos termos do § 7o deste artigo; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) IIIvinte por cento, na propriedade rural situada em área de floresta ou outras formas de vegetação nativa localizada nas demais regiões do País; e (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) Fl. 216DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 25/ 02/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10530.720214/200746 Acórdão n.º 2101002.395 S2C1T1 Fl. 8 13 IVvinte por cento, na propriedade rural em área de campos gerais localizada em qualquer região do País. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) [...] §2o A vegetação da reserva legal não pode ser suprimida, podendo apenas ser utilizada sob regime de manejo florestal sustentável, de acordo com princípios e critérios técnicos e científicos estabelecidos no regulamento, ressalvadas as hipóteses previstas no § 3o deste artigo, sem prejuízo das demais legislações específicas. [...] .§4° A localização da reserva legal deve ser aprovada pelo órgão ambiental estadual competente ou, mediante convênio, pelo órgão ambiental municipal ou outra instituição devidamente habilitada, devendo ser considerados, no processo de aprovação, a função social da propriedade, e os seguintes critérios e instrumentos, quando houver: I o plano de bacia hidrográfica; II o plano diretor municipal; III o zoneamento ecológicoeconômico; IV outras categorias de zoneamento ambiental; e V a proximidade com outra Reserva Legal, Area de Preservação Permanente, unidade de conservação ou outra área legalmente protegida. [...] §8oA área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) [...] (g.n.). Dos dispositivos legais transcritos, depreendese ser possível suprimir áreas de florestas e outras formas de vegetação nativa (não consideradas áreas de preservação permanente ou de utilização limitada), desde que seja mantida, a título de reserva legal, parte dessas florestas ou vegetações nativas, nos percentuais mínimos fixados. A instituição da reserva legal é uma exigência da legislação ambiental, no caso, a Lei n.° 4.771, de 1965. Aplicase a todo e qualquer imóvel rural, variando seu percentual mínimo de acordo com a localização do imóvel e suas características, na forma prescrita. A lei ambiental impõe, àquele que detém a posse ou a propriedade do imóvel rural, a destinação do percentual mínimo para constituição da reserva legal. Deixa, todavia, critério do titular da propriedade ou da posse do imóvel determinar a área efetiva e sua localização, além Fl. 217DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 25/ 02/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 14 dos seus limites no interior do imóvel rural, ficando a sua localização, sujeita a aprovação pelo órgão ambiental (artigo 16, § 4.°, da Lei n.° 4.771, de 1965, com a redação dada pela Medida Provisória n.° 2.16667, de 2001). De acordo com a Lei n.° 4.771, de 1965, a área de reserva legal deve ser averbada à margem da matrícula do imóvel rural no Cartório de Registro de Imóveis competente. O condicionamento da exclusão da área de reserva legal, no cômputo do ITR, à prévia averbação dessa área à margem da matrícula do imóvel, nos moldes previstos, assegura o cumprimento dos objetivos do artigo 16, § 2º, do Código Florestal e do artigo 10, inciso II, alínea "a", da Lei n.º 9.393, de 1996. Na hipótese, a interessada não comprovou ter havido averbação da área de reserva legal declarada junto à matrícula do imóvel rural. 4. Do Valor da Terra Nua VTN Regularmente intimada pela Fiscalização a apresentar Laudo de Avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.653 da Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT, com grau de fundamentação e precisão II, com Anotação de Responsabilidade Técnica –ART registrada no CREA, contendo todos os elementos identificados que comprovassem o Valor da Terra Nua informado na DITR, a parte interessada permaneceu inerte. Diante disso, a Fiscalização procedeu ao lançamento do ITR sobre o Valor da Terra Nua arbitrado com base nas informações do Sistema de Preços de Terra – SIPT, da Secretaria da Receita Federal do Brasil, lançamento este integralmente mantido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DF). Tanto na impugnação quanto em sede de recurso, o contribuinte alegou que o lançamento foi feito com base em arbitramento do VTN em desrespeito aos requisitos legais para utilização desse expediente extraordinário. Neste ponto, entendemos assistirlhe razão. A Lei n.º 9.393, de 1996, estipulou, em seu artigo 14, que, no caso de prestação de informações inexatas em DIAC ou DIAT, cabe à Secretaria da Receita Federal proceder à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. Seu parágrafo 1.º estipula que as informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II, da Lei nº 8.629, de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. Com fundamento nesse dispositivo legal, foi instituído o SIPT – Sistema de Preços de Terras, por meio da Portaria SRF nº 447, de 28.3.2002 (DOU de 3.4.2002), com o objetivo de fornecer informações relativas a valores de terras para o cálculo e lançamento do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR). Segundo o ato normativo que o instituiu, o referido sistema baseiase nos valores de terras e demais dados recebidos das Secretarias de Agricultura ou entidades correlatas, e nos valores de terra nua da base de declarações do ITR. No caso em apreço, em razão da inércia do contribuinte, a autoridade fiscal utilizou o Valor da Terra Nua constante no SIPT Sistema de Preços de Terras, para o município de localização do imóvel (vide fls. 10 – numeração eletrônica). Fl. 218DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 25/ 02/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10530.720214/200746 Acórdão n.º 2101002.395 S2C1T1 Fl. 9 15 Todavia, examinando os dados fornecidos pelo SIPT, conforme extrato acostado, verificase que o VTN médio informado, utilizado pela Fiscalização para apurar o VTN do imóvel na Notificação de Lançamento (vide fls. 4, numeração eletrônica) baseouse somente no VTN médio informado nas DITR entregues no Município de São Desidério no exercício 2004 (R$ 258,41). Ocorre que, na inexistência de laudo técnico que comprove o VTN declarado, pode ser utilizado o valor da terra nua constante do SIPT, desde que cumpridos os requisitos legais. Salientamos que se, para um determinado Município, não houver informações dos órgãos estaduais ou municipais que permitam estimar o VTN médio por hectare por aptidão agrícola, o fisco não pode utilizar o VTN médio informado nas DITR, eis que esse valor não atende ao critério da capacidade potencial da terra, tendo em vista que esta informação não consta da declaração, que contém apenas o valor global atribuído à propriedade, sem considerar as características intrínsecas e extrínsecas da terra que determinam o seu potencial de utilização. Destacamos que, em casos como os que aqui se analisa, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais tem afastado o arbitramento do VTN com base no SIPT, vez que sem respaldo na lei. Vejamos ementa de julgado da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara desta Seção de Julgamento: VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO DECLARADO. O VTN médio declarado por município extraído do SIPT, obtido com base nos valores informados na DITR, não pode ser utilizado para fins de arbitramento, pois notoriamente não atende ao critério da capacidade potencial da terra, contrariando a legislação que rege a matéria. (Acórdão n.º 2202002.339, de 19.6.2013. Rel. Cons. Maria Lucia Moniz de Aragão Calomino Astorga) Transcrevemos, a seguir, trecho do voto condutor do Acórdão n.º 2202 002.339, com o qual estamos de acordo: Entendo que a utilização dos valores constantes do SIPT são válidos para fins de arbitramento do VTN, sempre que o contribuinte não apresente laudo técnico capaz de comprovar o valor por ele declarado e desde que os dados que alimentaram o sistemas atendam aos requisitos exigidos pela legislação, como, por exemplo, o VTN médio por hectare por aptidão agrícola, apurado nas avaliações realizada pelas Secretarias Estaduais de Agricultura, em que os preços de terras são determinados levandose em conta de existência de lavouras, campos, pastagens, matas etc. Ressaltese, entretanto, que o fato de para um determinado município não existirem informações dos órgãos estaduais ou municipais que permitam estimar o VTN/médio por hectare por aptidão agrícola, não autoriza o fisco a utilizar o VTN médio informado nas DITR do mesmo município. Isto porque o VTN médio declarado por município, obtido com base nos valores Fl. 219DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 25/ 02/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 16 informados na DITR, constitui um parâmetro inicial, mas não pode ser utilizado para fins de arbitramento, pois notoriamente não atende ao critério da capacidade potencial da terra. Isso porque esta informação não é contemplada na declaração, que contém apenas o valor global atribuído a propriedade, sem levar em conta as características intrínsecas e extrínsecas da terra que determinam o seu potencial de uso. Dessa forma, uma vez que o arbitramento foi feito utilizandose o VTN médio declarado pelos contribuintes do mesmo município, valor este que não encontra amparo na legislação, há que se restabelecer o valor originalmente declarado. Também a Câmara Superior de Recursos Fiscais já externou o mesmo entendimento quanto a este tema, em decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2005 VTN. ARBITRAMENTO. SIPT. REQUISITOS. Incabível a manutenção do arbitramento do VTN Valor da Terra Nua com base no SIPT – Sistema de Preços de Terras, quando não cumpridos os requisitos especificados no art. 14 da Lei n° 9.393, de 1.996. (Acórdão n.º 9202002.699, de 10.6.2013. Rel. Cons. Maria Helena Cotta Cardozo) Posicionandose no sentido que o SIPT, quando informa somente o VTN médio declarado nas DITR do Município, sem considerar a aptidão agrícola da terra, não cumpre os requisitos legais para ser utilizado no arbitramento do valor da terra nua, a Conselheira relatora expressouse nos seguintes termos: Nesse contexto, foi aprovado o Sistema de Preços de Terras SIPT da Secretaria da Receita Federal, pela Portaria SRF nº 447, de 2002, que deve ser alimentado com os valores de terras e demais dados recebidos das Secretarias de Agricultura ou entidades correlatas, e com os valores da terra nua da base de declarações do ITR (art. 3º da citada Portaria). Portanto, o arbitramento com base no SIPT tem previsão legal e pode ser aplicado, nas situações tipificadas, quando os respectivos valores forem apurados conforme as determinações legais acima especificadas. No caso em apreço, a tela do SIPT às fls. 56, extraída em 26/11/2008, portanto juntada aos autos somente após a apresentação da Impugnação, não deixa dúvidas, no sentido de que o arbitramento foi efetuado com base apenas na média das DITR do Município, sem considerarse a aptidão agrícola, portanto sem atender às determinações legais acima referidas.(g.n.) Afastase, destarte, o arbitramento feito com base no SIPT, por estar em desacordo com os ditames da Lei n.º 9.393, de 1996. Fl. 220DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 25/ 02/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10530.720214/200746 Acórdão n.º 2101002.395 S2C1T1 Fl. 10 17 Por essa mesma razão, isto é, por não atenderem aos requisitos do § 1.º do artigo 14 da Lei n.º 9.393, de 1996, entendemos que os valores informados pela Superintendência do INCRA/BA não se prestam ao arbitramento do valor da terra nua. Sendo assim, merece reparo a decisão recorrida, para o fim de desconstituir o arbitramento promovido pela Fiscalização, eis que em desacordo com os ditames legais, restabelecendose o Valor da Terra Nua declarado pelo contribuinte em sua DITR. 5. Das diligências e perícias O recorrente pede seja realizada diligência para o fim de aferir tecnicamente quantificação da área tributável e o valor da terra nua. Sobre o alegado, salientase que a realização de diligências e perícias está disciplinada no Decreto n.º 7.574, de 2011, que regulamenta o processo de determinação e exigência de créditos tributários da União sobre matérias administradas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil: Art. 35. A realização de diligências e de perícias será determinada pela autoridade julgadora de primeira instância, de ofício ou a pedido do impugnante, quando entendêlas necessárias para a apreciação da matéria litigada (Decreto n.º 70.235, de 1972, art. 18, com a redação dada pela Lei n.º 8.748, de 9 de dezembro de 1993, art. 1.º). [...] Art. 36. A impugnação mencionará as diligências ou perícias que o sujeito passivo pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação de quesitos referentes aos exames desejados, e, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional de seu perito deverão constar da impugnação (Decreto n.º 70.235, de 1972, art. 16, inciso IV, com a redação dada pela Lei n.º 8.748, de 1993, art. 1.º). [...] Referida produção de provas já havia sido solicitada na impugnação, tendo sido indeferida pela DRJ em Brasília (DF). O contribuinte pede mais uma vez, agora em sede de recurso voluntário, a realização de diligência. O pedido de diligência ou perícia, feito na impugnação, deve ser fundamentado, devendo o requerente formular os quesitos referentes ao exame desejado, acompanhado, no caso de perícia, do nome, o endereço e a qualificação profissional de seu perito, tal como prevê o artigo 36 do Decreto n.º 7.574, de 2011, acima transcrito. Tais exigências não foram atendidas pelo contribuinte. Em situações análogas, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais tem se manifestado no sentido de não deferir pedidos de diligência e perícia, por impertinentes: DILIGÊNCIA CABIMENTO A diligência deve ser determinada pela autoridade julgadora, de ofício ou a requerimento do impugnante, quando entendêla necessária. Fl. 221DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 25/ 02/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 18 Deficiências da defesa na apresentação de provas, sob sua responsabilidade, não implicam na necessidade de realização de diligência com o objetivo de produzir essas provas. (Primeiro Conselho de Contribuintes. 4ª Câmara. Turma Ordinária. Acórdão nº 10422352 do Processo 11516003285200489. Data: 25/04/2007). PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL DILIGÊNCIA DESCABIMENTO Não é de ser acolhido pedido de diligência formulado pelo Recorrente para obtenção de informações que ele próprio poderia trazer aos autos, máxime para contraditar base de cálculo do imposto sobre a qual não existe fundada dúvida. Recurso negado (Primeiro Conselho de Contribuintes. 6ª Câmara. Turma Ordinária. Acórdão nº 10611450 do Processo 116180008159914. Data: 16/08/2000). PEDIDO DE DILIGÊNCIA INDEFERIMENTO AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA NECESSIDADE E PERTINÊNCIA A diligência não pode ser utilizada para inverter o ônus da prova em desfavor do fisco. A diligência não é um direito subjetivo do recorrente. Para que o pedido de diligência seja deferido pela autoridade julgadora, o recorrente deve provar sua necessidade (Primeiro Conselho de Contribuintes. 6ª Câmara. Turma Ordinária. Data: 23/01/2008). É dever do particular colaborar com a Administração, fornecendo todos os documentos solicitados, sempre que regularmente intimado, com o objetivo de facilitar o conhecimento do fato jurídico tributário pela autoridade lançadora e de subsidiar a tomada de decisão do julgador. A omissão do sujeito passivo na apresentação de prova documental não pode ser suprida por diligências ou perícias custeadas pelo Poder Público. É que as diligências, no processo administrativo fiscal, prestamse a esclarecer pontos que o julgador entenda necessários para a formação do seu convencimento na apreciação da matéria em litígio e não a suprir prova documental que deveria ter sido providenciada pela defesa e não foi, tal como ocorreu na hipótese. Pelas razões expostas, somos pelo indeferimento do pedido de diligência. 6. Demais considerações No corpo de sua peça recursal, a recorrente citou e transcreveu ementas de julgados dos Conselhos de Contribuintes, que entende refletirem o entendimento da defesa. Sobre este tema, salientamos que as decisões do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não têm caráter normativo. As decisões proferidas no âmbito deste CARF e do antigo Conselho de Contribuintes são válidas somente entre as partes integrantes do processo administrativo. O livre convencimento do julgador, de acordo com as provas dos autos, permite que a decisão proferida, baseada na lei, tenha por supedâneo o argumento que entender razoável ou cabível ao caso concreto, desde que devidamente fundamentada, explicitadas as razões de fato e de direito que o levaram a tal convicção. Salientamos, por fim, que a decisão proferida pelo Conselho da Magistratura do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, no processo administrativo n.º 0009207 57.2013.8.05.0000, determinou a suspensão do pagamento do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR correspondente aos imóveis cujas matrículas foram bloqueadas, decisão esta que deve ser cumprida pela repartição de origem, nos termos em que foi exarada. Fl. 222DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 25/ 02/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10530.720214/200746 Acórdão n.º 2101002.395 S2C1T1 Fl. 11 19 Conclusão Ante todo o exposto, voto por afastar as preliminares de nulidade do lançamento e, no mérito, dar provimento em parte ao recurso voluntário, para restabelecer o valor da terra nua declarado. (assinado digitalmente) _________________________________ Celia Maria de Souza Murphy Relatora Fl. 223DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 25/ 02/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 13971.720006/2007-46
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon May 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 31/03/2002 a 01/01/2006
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. ônus processual da interessada fazer a prova dos fatos constitutivos de seu direito.
OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS.
A obrigação acessória decorre da legislação tributária (leis, tratados convenções internacionais, decretos e normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos.
Numero da decisão: 3802-001.372
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente.
Mércia Helena Trajano Damorim Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Cláudio Augusto Gonçalves Pereira- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento, Solon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Ausente momentaneamente o Conselheiro Sólon Sehn.
Nome do relator: CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201210
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 31/03/2002 a 01/01/2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. ônus processual da interessada fazer a prova dos fatos constitutivos de seu direito. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. A obrigação acessória decorre da legislação tributária (leis, tratados convenções internacionais, decretos e normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos.
turma_s : Segunda Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon May 19 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 13971.720006/2007-46
anomes_publicacao_s : 201405
conteudo_id_s : 5347910
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue May 20 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3802-001.372
nome_arquivo_s : Decisao_13971720006200746.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA
nome_arquivo_pdf_s : 13971720006200746_5347910.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda - Presidente. Mércia Helena Trajano Damorim Presidente em exercício (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira- Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento, Solon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Ausente momentaneamente o Conselheiro Sólon Sehn.
dt_sessao_tdt : Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2012
id : 5454660
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:21:32 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046591090196480
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2089; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE02 Fl. 541 1 540 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13971.720006/200746 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3802001.372 – 2ª Turma Especial Sessão de 23 de outubro de 2012 Matéria Ressarcimento de Crédito Básico IPI. Recorrente DF MADEIRAS LTDA Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 31/03/2002 a 01/01/2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. ônus processual da interessada fazer a prova dos fatos constitutivos de seu direito. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. A obrigação acessória decorre da legislação tributária (leis, tratados convenções internacionais, decretos e normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. Mércia Helena Trajano Damorim – Presidente em exercício (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento, Solon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Ausente momentaneamente o Conselheiro Sólon Sehn. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 00 06 /2 00 7- 46 Fl. 1002DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 2a Turma da DRJ/RPO, a qual, por unanimidade de votos, julgou parcialmente procedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo recorrente, a qual objetivava o reconhecimento da validade/legitimidade do PERD/COMP, nos termos do Acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. ônus processual da interessada fazer a prova dos fatos constitutivos de seu direito. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. A obrigação acessória decorre da legislação tributária (leis, tratados convenções internacionais, decretos e normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Credit6rio Reconhecido em Parte A decisão seguiuse nos seguintes termos: “Inicialmente, sobre a decisão desta DRJ que foi anulada, pondero que a impugnação/manifestação administrativa caracterizase como "recurso do tipo revisão" (recurso eliminatório) e tem por objeto exclusivo a apreciação do ato recorrido, limitandose a autoridade julgadora a averiguar a correção ou incorreção da constituição do crédito tributário/lançamento ou da decisão impugnada. Nesse passo, a autoridade julgadora se limita a praticar um ato secundário, pelo qual elimina ou mantém (total ou parcialmente) o ato primário impugnado, no caso, a decisão administrativa. Difere, portanto, do reexame, típico do poder judiciário, que tem finalidade de reapreciação da questão decidida pelo órgão a quo, julgando o órgão ad quem diretamente sobre a melhor solução ao caso concreto (substituição do ato impugnado por outro ato, decidido em novos termos). Desta forma, a lide em questão dizia respeito somente à necessidade ou não dos documentos solicitados pelo Fisco para a análise do pleito, portanto, somente foi analisada a procedência ou não da decisão denegatória quanto a esta questão. Isto porque não foi levantada nenhuma questão de mérito na decisão recorrida, tendo sido somente analisado fato prejudicial, ou seja, a falta de comprovação, por meio de documentos hábeis, não só do direito, como do quantum a ser ressarcido. Fl. 1003DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13971.720006/200746 Acórdão n.º 3802001.372 S3TE02 Fl. 542 3 Se por um lado existe a garantia do contraditório e do direito de defesa, por outro, o Estado é protegido contra injustificáveis protelações do processo, que possibilitem ao contribuinte a proposital ocultação dos documentos (provas) em determinada fase processual, ou mesmo procedimental, para sua apresentação em momento posterior que julgue mais oportuno ou favorável. Por outro lado, para que a instância julgadora administrativa admita a intempestiva apresentação da documentação em questão, assim impedindo o arquivamento do processo e determinando nova apreciação do pedido, é necessário que exista um fundamento legal que excepcione tal caso de preclusão. Como a Lei n° 9.784/99 não trouxe expressamente nenhuma exceção, entendo que, por analogia, aplicarseia ao caso as situações previstas no parágrafo 4° do artigo 16, do Decreto n° 70.235/72, quanto A. apresentação da prova depois de expirado o prazo para tanto, ainda que a defesa, implicitamente, estivesse alegando motivo de força maior, tal fato que não ocorreu. Os documentos solicitados são obrigatórios e estavam de posse da interessada, mesmo que em outro local que não o da sede da empresa, fato este que não caracteriza "motivo de força maior", que desse ensejo suficiente para o descumprimento da intimação, pois o prazo de 20 dias dado pela autoridade fiscal era suficiente para a localização e encaminhamento dos mesmos A. repartição mais próxima da localidade que se encontravam. Também cabe lembrar que o primeiro pedido de prorrogação de prazo foi feito de forma irregular, sem prova de que quem assinava representava o contribuinte. Aliás, na medida que o próprio contribuinte buscou a ordem judicial para que o procedimento fiscal de investigação e apuração da certeza e liquidez do crédito presumido para fins de compensação, conforme estatui o artigo 170 do CTN, se encerrasse em trinta dias, seria mínima cautela, para não falar em bom senso, já estar de posse para plena apresentação à Fazenda Pública dos documentos probantes de seu direito. Sendo assim, não poderia o julgador administrativo, nesta fase processual, avocar para si a competência do reexame e analisar a matéria de mérito que envolve os autos. Também não poderia analisar o pedido como se tivesse sido efetuado na manifestação de inconformidade. Contudo, prevalecendo o entendimento do CARF de que, independentemente do disposto na Lei n° 9.784, de 29 de janeiro de 1999, o art. 16, inc. III e § 40, do Decreto n° 70.235/72 se impõe sem qualquer ressalva, tomo conhecimento da documentação juntada por ocasião da apresentação da manifestação de inconformidade. De plano cabe observar que o voto vencedor, do acórdão prolatada pelo CARF, determinou que: ...os documentos que instruem a Manifestação de Inconformidade — e tão somente eles Fl. 1004DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 — merecem ser conhecidos, não pela incidência do principio da verdade material, repito, tão levianamente invocado pelo recorrente, mas em face da dicção do art. 16, inc. III e § 4°, do Decreto n°70.235/72" (Grifei) Pois bem, conforme determinado pelo referido acórdão, esta DRJ tomou conhecimento da documentação em questão e a encaminhou para a fiscalização para que esta verificasse se o direito creditório alegado estaria comprovado. Com efeito, não há como discordar da conclusão da auditoria fiscal. Examinando a documentação apresentada vejo que a mesma consiste em listagens e demonstrativos que totalizam o que foi escriturado nos livros fiscais, contudo, inclusive em homenagem ao principio da verdade material levantado pela defesa, a prova do direito creditório alegado se faz pela apresentação da correta e idônea documentação que originaram os lançamentos contábeis, não só pelo disposto na legislação tributária como pelo princípios contábeis geralmente aceitos. Diante disso, não tenho dúvidas de que a falta de apresentação das memórias de cálculo, previstas na IN SRF n° 23/97 e posteriores, impediu a fiscalização e a comprovação do credito presumido alegado. Deveras, ao contrário do que entende a defesa, a guarda e apresentação das memórias de cálculo, para fins de apuração do crédito presumido, é obrigatória sim e vale lembrar que essa obrigação acessória, como qualquer outra, não é imposta apenas pela lei, mas, nos termo do CTN, pela legislação tributária, na qual se insere a citada Instrução Normativa. No caso de pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI, provase sua certeza e liquidez, além dos itens apresentados, pelo que consta nas memórias de cálculo, notas fiscais de aquisição, comprovantes de exportação, etc, ou seja, para que a Administração Pública se pronuncie a respeito da demanda do particular, por meio de despacho decisório, é necessário que investigue se efetivamente os créditos escriturados são proveniente de insumos que foram utilizados na industrialização do produto fabricado, se houve o estorno do crédito correspondente ao valor solicitado no pedido de ressarcimento, se o insumo referese a aquisições oneradas pelo imposto e se foram escriturados ou apurados de maneira a respeitar a legislação de regência, o que não consta no presente processo. Não traduz boafé da requerente a elucidação posterior de circunstâncias essenciais do pedido. Logo, A luz do disposto no art. 29 do Decreto n° 70.235/72, concluo que, tanto pelo apurado em diligência, quanto pelo meu exame da documentação juntada por ocasião da apresentação da Manifestação de Inconformidade, restou comprovado o direito ao ressarcimento de R$5.526,04, relativos ao saldo credor acumulado do IPI, o qual deve ser utilizado na compensação dos débitos confessados do contribuinte. Por fim, quanto ao pedido para que a intimações sejam enviadas ao escritório do advogado da empresa, indefiro por falta de qualquer amparo legal oponível ao disposto no art 23 do Decreto n° 70.235/72. Assim, diante do exposto, voto que se Fl. 1005DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13971.720006/200746 Acórdão n.º 3802001.372 S3TE02 Fl. 543 5 julgue a manifestação como parcialmente procedente, reconhecendo o direito creditório montante em R$ 7.481,45. Em sede de impugnação e de recurso, o contribuinte apresenta os mesmos argumentos, que, em síntese, se referem ao direito de ressarcimento e posterior homologação, tendo em vista as provas colecionadas aos autos. É o relatório. Admissibilidade do Recurso Preenchidos os requisitos regulares do desenvolvimento positivo do Recurso ora interposto pela recorrente, voto pelo seu Conhecimento e análise do mérito recursal. Voto Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, relator. Dá análise dos documentos trazidos ao feito, nenhum reparo merece a decisão proferida pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em RIBEIRÃO PRETO/SP, já que o recorrente não apresentou os documentos necessários para comprovar suas alegações. Conforme entendimento exposto na decisão a quo, temse que, a luz do artigo 170 do Código Tributário Nacional, para que seja possível a compensação/ressarcimento de créditos tributários com créditos do sujeito passivo, necessário se faz que fique comprovada a existência de créditos líquidos e certos contra a Fazenda Nacional. O artigo 146, III, letra b, da Constituição Federal, dispõe que somente a lei complementar pode tratar de obrigação, lançamento e crédito tributários. O artigo 170 do Código Tributário Nacional, ao exigir liquidez e certeza para ser efetivada a compensação/ressarciemnto, é lei complementar e, portanto, fixa pressuposto nuclear a ser cumprido pelas partes, não dispensável por lei ordinária. O direito de compensar crédito tributário indevidamente pago, conforme permitido em lei, exigese que se apure previamente, por via administrativa ou judicial, a sua liquidez e certeza, em homenagem ao devido processo legal. Precedentes do STJ – REsp n. 111.034/AL – REsp 76.230/PE – REsp 78.493 – REsp 98.197/RS. No presente caso, os agentes fazendários apuraram o crédito que o contribuinte conseguiu comprovar. Nesse sentido, apenas parte dele se evidenciou e não a totalidade, porquanto a falta de documentos que ensejassem o seu reconhecimento foi imperiosa. Votase, assim, pelo conhecimento e pelo desprovimento do recurso. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira – Relator Fl. 1006DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 Mércia Helena Trajano Damorim – Presidente em exercício Fl. 1007DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 11080.934342/2009-45
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/08/2005 a 31/08/2005
CONTRATOS. PREÇO PREDETERMINADO. DESCARACTERIZAÇÃO. ÍNDICE DE REAJUSTE. IMPOSSIBILIDADE.
O preço predeterminado em contrato não perde sua natureza simplesmente pela previsão de reajuste decorrente da correção monetária. Se a pretensão do legislador, a partir da Lei nº 10.833/03, fosse não abarcar os contratos com cláusula de reajuste, o termo apropriado seria preço fixo, que não se confunde com o preço predeterminado. Precedentes judiciais e administrativos.
Numero da decisão: 3803-005.973
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, para reconhecer que os reajustes de preços do fornecimento de bens e serviços, pelo IGPM, de contratos firmados antes de 31 de outubro de 2003, com prazo superior a 1 (um) ano, não perdem o seu caráter de preço predeterminado. Vencido o Conselheiro Corintho Oliveira Machado, que convertia o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201403
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/08/2005 a 31/08/2005 CONTRATOS. PREÇO PREDETERMINADO. DESCARACTERIZAÇÃO. ÍNDICE DE REAJUSTE. IMPOSSIBILIDADE. O preço predeterminado em contrato não perde sua natureza simplesmente pela previsão de reajuste decorrente da correção monetária. Se a pretensão do legislador, a partir da Lei nº 10.833/03, fosse não abarcar os contratos com cláusula de reajuste, o termo apropriado seria preço fixo, que não se confunde com o preço predeterminado. Precedentes judiciais e administrativos.
turma_s : Terceira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 11080.934342/2009-45
anomes_publicacao_s : 201405
conteudo_id_s : 5350301
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3803-005.973
nome_arquivo_s : Decisao_11080934342200945.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : BELCHIOR MELO DE SOUSA
nome_arquivo_pdf_s : 11080934342200945_5350301.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, para reconhecer que os reajustes de preços do fornecimento de bens e serviços, pelo IGPM, de contratos firmados antes de 31 de outubro de 2003, com prazo superior a 1 (um) ano, não perdem o seu caráter de preço predeterminado. Vencido o Conselheiro Corintho Oliveira Machado, que convertia o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
id : 5465398
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:22:01 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046591092293632
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2132; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 817 1 816 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.934342/200945 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3803005.973 – 3ª Turma Especial Sessão de 26 de março de 2014 Matéria PIS COMPENSAÇÃO Recorrente COMPANHIA ESTADUAL DE GERAÇÃO E TRANSMISSÃO DE ENERGIA ELÉTRICA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/08/2005 a 31/08/2005 CONTRATOS. PREÇO PREDETERMINADO. DESCARACTERIZAÇÃO. ÍNDICE DE REAJUSTE. IMPOSSIBILIDADE. O preço predeterminado em contrato não perde sua natureza simplesmente pela previsão de reajuste decorrente da correção monetária. Se a pretensão do legislador, a partir da Lei nº 10.833/03, fosse não abarcar os contratos com cláusula de reajuste, o termo apropriado seria preço fixo, que não se confunde com o preço predeterminado. Precedentes judiciais e administrativos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, para reconhecer que os reajustes de preços do fornecimento de bens e serviços, pelo IGPM, de contratos firmados antes de 31 de outubro de 2003, com prazo superior a 1 (um) ano, não perdem o seu caráter de preço predeterminado. Vencido o Conselheiro Corintho Oliveira Machado, que convertia o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 93 43 42 /2 00 9- 45 Fl. 817DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Relatório Esta Contribuinte transmitiu a Declaração de Compensação utilizando como crédito pagamento a maior da contribuição para o PIS nos períodos de apuração julho a dezembro de 2004, maio de 2005 e julho a dezembro de 2005. Tais indébitos fundamse na apuração da contribuição pela sistemática da cumulatividade, sobre as receitas de contratos de fornecimento de bens e serviços a preço predeterminado, auferidas sob contratos com prazo superior a um ano, firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003, conforme previsão contida no inciso XI, b, do artigo 10 e inciso V do artigo 15 da Lei nº 10.833/2003, e de acordo com orientações emanadas da Agência Nacional de Energia Elétrica ANEEL. Despacho Decisório proferido pela DRF/Porto Alegre reconheceu parte do direito creditório, porém, não pelas razões que estão na base do direito invocado pela declarante das compensações, mas por identificação de pagamentos a maior justificados por seus próprios critérios de apuração. Os fundamentos da declarante foram rejeitados pela DRF/Porto Alegre, sob o argumento de que os contratos dos segmentos de Geração e de Transmissão, nos períodos fiscalizados, não preenchem o conceito de preço predeterminado. No seu entender, a correção do preço pelo IGPM não se amoldaria à disciplina do art. 109 da Lei nº 11.196/2005[1]. Irresignada, a Interessada apresentou manifestação de inconformidade contra o indeferimento do seu pleito, sustentando que: a) existem exceções à regra da não cumulatividade, especialmente a prevista no inciso XI, b, do art. 10 da Lei nº 10.833/2003[2]; b) o IGPM enquadrase no conceito apresentado pelo art. 27 da Lei nº 9.069/95[3], consubstanciado no IPCr, uma vez que o substituiu; transcreve doutrina e jurisprudência que corroboram o entendimento de que a correção monetária do valor das tarifas não descaracteriza a condição de preço predeterminado; c) suas receitas foram tributadas pelo regime cumulativo até a primeira alteração de preço efetuada em suas tarifas, e, após este fato, pela não cumulatividade; d) a ANEEL, autarquia federal que regula o setor elétrico, firmou entendimento, por meio da Nota Técnica nº 224SFF, de 19/06/2006, de que os reajustes 1 Art. 109. Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase desde 1º de novembro de 2003. 2 Art. 10. [...] XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: [...]l; b) com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços; 3 Art. 27. A correção, em virtude de disposição legal ou estipulação de negócio jurídico, da expressão monetária de obrigação pecuniária contraída a partir de 1º de julho de 1994, inclusive, somente poderá darse pela variação acumulada do Índice de Preços ao Consumidor, Série r IPCr. Fl. 818DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11080.934342/200945 Acórdão n.º 3803005.973 S3TE03 Fl. 818 3 efetuados preenchiam os requisitos legais disciplinados pelo art. 10, XI, b da Lei nº 10.833/2003; e) em nenhum momento foram aferidos os custos de produção do contribuinte no período fiscalizado. Nesse caso, mesmo considerando que o IGPM desfigura o conceito normativo de preço predeterminado, não poderia ter sido ignorada outra prerrogativa legal, a qual estabelece um percentual não superior ao acréscimo do custo de produção; f) existem nulidades, como a ausência dos valores cobrados das contribuições, não expressos no despacho decisório de forma específica, e do montante do débito não homologado. Em julgamento da lide, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre/RS, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Manifestante, com base nos fundamentos resumidos na ementa seguinte: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/08/2005 a 31/08/2005 PRELIMINAR DE NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Demonstrado que o Despacho Decisório foi formalizado de acordo com os requisitos de validade previstos em lei e que não ocorreu violação ao disposto no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, não deve ser acatado o pedido de nulidade formulado. PREÇO PREDETERMINADO. IGPM. ÍNDICE GERAL. Nos termos do disposto no art. 109 da Lei nº 11.196/2006, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei no 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. O IGPM não é índice que obedeça ao disposto no art. 109 da Lei nº 11.196/2006, por ser índice geral de reajuste de preços. Cientificada da decisão em 18 de março de 2013, irresignada, apresentou recurso voluntário em 4 de abril de 2013, em que maneja os mesmos argumentos da manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Belchior Melo de Sousa Relator O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Fl. 819DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 A controvérsia gira em torno da aplicação do disposto no art. 10, XI, “b” da Lei nº 10.833/2003, que mantém no regime cumulativo de apuração do PIS e da Cofins as receitas decorrentes de: (i) contratos para fornecimento de bens ou serviços; (ii) firmados antes de 31 de outubro de 2003; (iii) com prazo superior a 1 (um) ano;e (iv) a preço predeterminado. Reza o dispositivo: Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 8º: (...) XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: (...) b) empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços; c) de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços contratados com pessoa jurídica de direito público, empresa pública, sociedade de economia mista ou suas subsidiárias, bem como os contratos posteriormente firmados decorrentes de propostas apresentadas, em processo licitatório, até aquela data; Vêse que os três primeiros requisitos legais são objetivos, ao passo que a disputa se dá sobre o quarto item, que envolve um aberto e impreciso conceito: o de preço predeterminado. A Recorrente é Sociedade de Economia Mista; com participação mínima de 51% do capital social do Estado do Rio Grande do Sul, prevista no Estatuto Social, tem seus contratos regidos pela Lei nº 10.192/2001[4], que dispõe sobre medidas complementares ao Plano Real e dá outras providências, e regula a forma como os contratos administrativos são reajustados, verbis: Art. 2º. É admitida estipulação de correção monetária ou de reajuste por índices de preços gerais, setoriais ou que reflitam a variação dos custos de produção ou dos insumos utilizados nos contratos de prazo de duração igual ou superior a um ano.[grifei] Art. 3o. Os contratos em que seja parte órgão ou entidade da Administração Pública direta ou indireta da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, serão reajustados ou corrigidos monetariamente de acordo com as disposições desta 4 E subsidiariamente pela Lei nº 8.666/93. Fl. 820DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11080.934342/200945 Acórdão n.º 3803005.973 S3TE03 Fl. 819 5 Lei, e, no que com ela não conflitarem, da Lei nº 8.666/93.[grifei] A proficiente e rígida regulação macroeconômica do Plano Real, que pôs sob controle a histórica inflação brasileira, permitiu – nos termos do art. 27, I, da Lei nº 9.069, de 1995 , a correção da expressão monetária de obrigação pecuniária contraída a partir de 1º de julho de 1994 em virtude de disposição legal ou estipulação de negócio jurídico , desde que se desse pela aplicação do Índice de Preços ao Consumidor, Série r/IPCr. Alternativamente, poderia haver reajuste em função do custo de produção ou variação de índice que refletisse a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, verbis: Art. 27. A correção, em virtude de disposição legal ou estipulação de negócio jurídico, da expressão monetária de obrigação pecuniária contraída a partir de 1º de julho de 1994, inclusive, somente poderá darse pela variação acumulada do Índice de Preços ao Consumidor, Série r IPCr. § 1º O disposto neste artigo não se aplica: I. omissis II. aos contratos pelos quais a empresa se obrigue a vender bens para entrega futura, prestar ou fornecer serviços a serem produzidos, cujo preço poderá ser reajustado em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados; A citada lei, em seu art. 8º e § 1º, extinguiu o IPCr e permitiu a sua substituição por índice de preços gerais, setoriais ou que reflitam a variação dos custos de produção ou dos insumos utilizados nos contratos de prazo de duração igual ou superior a um ano: Art. 8º A partir de 1º de julho de 1995, a Fundação Instituto Brasileiro de Geografía e Estatística IBGE deixará de calcular e divulgar o IPCr. § 1º Nas obrigações e contratos em que haja estipulação de reajuste pelo IPCr, este será substituído, a partir de 1º de julho de 1995, pelo índice previsto contratualmente para este fim. A Nota Técnica SFF nº 224, de 19/06/96, da ANEEL[5], destaca que o índice utilizado nos Contratos de Suprimento de Energia Elétrica, bem como nos Contratos de Concessão do Serviço Público de Transmissão é o IGPM (índice Geral de Preços do Mercado), calculado pela Fundação Getúlio Vargas FGV. No entanto, a Instrução Normativa SRF nº 468/04, em regulamentação do inciso XI do art. 10 da Lei no 10.833/03, viabilizou uma definição de preço predeterminado, dispondo: IN SRF 468/04: 5 35. Neste ponto, cabe observar que o índice utilizado nos Contratos de Suprimento de Energia Elétrica (sejam eles Contratos Iniciais ou Contratos Bilaterais), bem nos Contratos de Concessão do Serviço Público de Transmissão é o IGPM (índice Geral de Preços do Mercado), apurado pela Fundação Getúlio Vargas FGV. O IGPM é índice que se enquadra no conceito apresentado pelo art. 27 da Lei n° 9.069/95. Fl. 821DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 Art. 2º Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. § 1º. Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. § 2º. Se estipulada no contrato cláusula de aplicação de reajuste, periódico ou não, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação da primeira alteração de preços verificada após a data mencionada no art 1º. § 3º. Se o contrato estiver sujeito a regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993, o caráter predeterminado do preço subsiste até a eventual implementação da primeira alteração nela fundada após a data mencionada no art 1º. Por essa disciplina, os atos de restaurar o equilíbrio econômicofinanceiro do contrato ou de aplicar sobre o preço da geração e transmissão de energia elétrica índice visando à recomposição do poder de compra, corroído pelo efeito da inflação, resultariam na submissão das receitas ao regime não cumulativo das contribuições PIS/Pasep e Cofins, por se descaracterizar o preço predeterminado. Em suma, o regulamento define preço predeterminado como preço fixo, uma condição que estabelece para que as receitas fossem mantidas no regime cumulativo de apuração. Entendo que a IN SRF nº 468/04 inovou a ordem jurídica, por extrapolar o seu poder regulamentar ao disciplinar a norma de preço predeterminado na Lei nº 10.833/03, Visando a estancar a disputa suscitada pelo limitado e controverso conceito de preço predeterminado por ela trazido foi introduzido entre as inúmeras disposições tributárias, na Lei nº 11.196/05, o art. 109, que dispôs, pontualmente, sobre o reajuste de preço na circunstância que indica. Da norma deflui que o ato do reajuste, por si, não descaracteriza o preço predeterminado. Aditese que esta norma do art. 109 não traz conceito novo de preço predeterminado, como aludido na decisão administrativa, uma vez que o seu efeito retroage para a data de início de vigência do regime da não cumulatividade da Cofins. Não há direito novo com efeito retroativo fora das hipóteses do art. 106 do Código Tributário Nacional. Veja se o seu teor: Art. 109. Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado.[grifei] Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase desde 1º de novembro de 2003. Todos estes elementos acima instanos a enfrentar o nó de aferir em que medida foi acertada a decisão recorrida ao considerar improcedente a manifestação de inconformidade contra o despacho decisório da DRF/Porto Alegre, que descaracterizou como Fl. 822DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11080.934342/200945 Acórdão n.º 3803005.973 S3TE03 Fl. 820 7 preço determinado as receitas dos contratos da Companhia Estadual de Geração e Transmissão de Energia Elétrica, pela utilização do índice de reajuste IGPM, sob o argumento de ferir a disposição do art. 27, § 1º, II, da Lei nº 9.069/95, referido pelo art. 109 da Lei nº 11.196/2005, na linha da antecedente decisão da Autoridade administrativa, verbis: Nesse passo, importa identificar três formas de fixação de preços nos contratos em andamento: a repactuação ou revisão, a recomposição e o reajuste. A autorizada doutrina de Marçal Justen Filho define o que vem a ser recomposição e reajuste. “A recomposição é o procedimento destinado a avaliar a ocorrência de evento que afeta a equação econômicofinanceira do contrato e promove adequação das cláusulas contratuais aos parâmetros necessários para recompor o equilíbrio original. Já o reajuste é procedimento automático, em que a recomposição se produz sempre que ocorra a variação de certos índices, independentemente de averiguação efetiva do desequilíbrio” [6] A recomposição, também chamada de revisão, decorre de fatos imprevisíveis: caso de força maior, caso fortuito, fato do príncipe ou álea econômica extraordinária. O reajuste objetiva reconstituir os preços praticados no contrato em razão de fatos previsíveis, é dizer, álea econômica ordinária, no momento da contratação, ante a realidade existente, como a variação inflacionária. Por decorrência, o reajuste deve retratar a alteração dos custos de produção a fim de manter as condições efetivas da proposta contratual, embora muitas vezes não alcance este desiderato relativamente a certo segmento ou agente econômico. A repactuação visa à adequação dos preços contratuais aos novos preços de mercado e, no âmbito da Administração Pública Federal, encontrase regulamentada no art. 5º do Decreto nº 2.271, de 7 de julho de 1997[7]. A possibilidade de repactuação prevista neste decreto não se faz acompanhar de disciplina acerca dos seus efeitos tributários, valendo a citação apenas para destacar a definição do signo repactuação. Em reforço à definição do termo reajuste, quanto ao seu propósito de manter o equilíbrio financeiro do contrato, vejase o que está assentado pelo Superior Tribunal de Justiça: PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO – CONTRATO ADMINISTRATIVO REAJUSTE DE PREÇOS AUSÊNCIA DE AUTORIZAÇÃO CONTRATUAL DESCABIMENTO. 1. O reajuste do contrato administrativo é conduta autorizada por lei e convencionada entre as partes contratantes que tem por escopo manter o equilíbrio financeiro do contrato. 2. ... STJ – Resp. 730568 SP 2005/00363158. 6 Filho, Marçal Justen. Comentários à lei de licitações e contratos administrativos. São Paulo: Dialética, 10. ed., 2004, p. 389. 7 Art. 5º Os contratos de que trata este Decreto, que tenham por objeto a prestação de serviços executados de forma contínua poderão, desde que previsto no edital, admitir repactuação visando à adequação aos novos preços de mercado, observados o interregno mínimo de um ano e a demonstração analítica da variação dos componentes dos custos do contrato, devidamente justificada. Fl. 823DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 Aqui se está a tratar de reajuste, não de recomposição nem de repactuação. Ora, sob a égide da execução do Plano Real os contratos podiam ser reajustados sem ferir os cânones da estabilização econômica, desde que, obrigatoriamente, por meio do índice legalmente fixado, o IPCr, segundo o art. 27, caput, da Lei nº 9.069/95. Se, acaso, a empresa se obrigasse a vender bens para entrega futura, prestar ou fornecer serviços a serem produzidos, a obrigatoriedade do caput seria desconsiderada se o reajuste fosse efetuado em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, conforme o § 1º, inciso II, deste mesmo artigo. Esta última alternativa de reajuste, art. 27, § 1º, inciso II, da Lei nº 9.069/95, claramente flexibiliza a regra do caput para permitir que o ajuste se dê a maior ou a menor que o índice oficial preconizado, podendo ser favorável a uma ou à outra parte contratantes. Este entendimento imanta a interpretação que a norma do art. 109 da Lei nº 11.196/2005 veio trazer[8][9]: impedir que se interprete a simples aplicação de reajuste como critério para descaracterizar o contrato a preço predeterminado. Assim, o reajuste de preço é possível, e na circunstância indicada é ato que não descaracteriza o preço predeterminado. A Instrução Normativa nº 658/06, ao disciplinar o dispositivo legal acima, segregou o parâmetro tomado como referência reajuste de preços em função do acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos – de meros reajustes contratuais e ajustes contratuais para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro. No entanto, o teor de sua disciplina modifica os signos da regra legal, de “reajuste de preços em função” para “reajuste de preços em percentual não superior”. Ao fazêlo de modo aparentemente imperceptível dá ensejo a nova significação, vale dizer, para que o reajuste não perca o caráter de preço predeterminado tem que haver a demonstração pelo interessado de que o percentual não se deu em número superior aos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos. E isso não é o que está legalmente estabelecido: IN/SRF nº 658, de 4 de julho de 2006, assim dispôs: Art. 3º Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. § 1º Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. § 2º Ressalvado o disposto no § 3º, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação, após a data mencionada no art. 2º, da primeira alteração de preços decorrente da aplicação: I de cláusula contratual de reajuste, periódico ou não; ou II de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro do contrato, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993. § 3º O reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo 8 Por isso o seu efeito retroativo a novembro de 2003, 9 Combinando a norma das alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei nº 10.833 com a do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995. Fl. 824DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11080.934342/200945 Acórdão n.º 3803005.973 S3TE03 Fl. 821 9 dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado. Dito isso, temse que índices de preços são números que agregam e representam os preços de determinada cesta de produtos. Sua variação mede, portanto, a variação média dos preços dos produtos dessa cesta. Podem se referir, por exemplo, a preços ao consumidor, preços ao produtor, custos de produção ou preços de exportação e importação10. O IGPM[11], segundo informa a Fundação Getúlio Vargas, registra a inflação de preços de matériasprimas agrícolas e industriais, e bens e serviços finais. Não obstante seja um índice geral está abarcado pela previsão da Lei nº 10.192/2001 para os contratos da espécie, como retrocitado. Entre os índices de preços este é o que é concebido com a maior carga de ponderação, eis que é composto com pesos diferenciados do Índice de Preços no AtacadoIPA (60%), Índice de Preços ao ConsumidorIPC (30%) e Índice Nacional de Custo da Construção CivilINCC (10%). Os índices que o integram, IPA e o INCC, por sua vez, são compostos por subíndices e grupos, respectivamente. Pelos fundamentos acima, convençome de que o reajuste dos contratos efetuados pelo IGPM cumpre o ditame do art. 109, não desnaturando o caráter de preço predeterminado e alinhome às decisões judiciais na matéria[12] e as no âmbito desta Corte, conquanto suas conclusões tenham se ancorado em outros fundamentos e premissas. Ante o exposto, voto por dar provimento ao recurso, para reconhecer que os preços do fornecimento de bens e serviços, pelo IGPM, de contratos firmados antes de 31 de outubro de 2003, com prazo superior a 1 (um) ano, reajustados pelo IGPM, não perdem o seu caráter de preço predeterminado. 10 Fonte: Banco Cenral do Brasil. http://www4.bcb.gov.br/pec/gci/port/focus /FAQ%202 %20%C3%8Dndices%20de%20Pre%C3%A7os%20no%20Brasil.pdf.<acesso em 30.10.2013.> 11 O IGPM é uma média ponderada de outros índices: o IPA, com peso de 60%, o IPC, com peso de 30%, e o INCC, com peso de 10%. A definição dos pesos, estabelecida quando da implantação do cálculo do índice, foi justificada com base no objetivo de reproduzir aproximadamente o valor adicionado de cada setor (atacado, varejo e construção civil) no PIB. O IPA é um índice de preços no atacado de abrangência nacional. Além do índice geral, o IPA desdobrase em outros subíndices, divididos em dois conjuntos: ∙ segundo a origem de produção: agropecuários, com peso de 24,2%, e industrial, com peso de 75,8%; ∙ segundo estágios de processamento: bens finais (36,0%), bens intermediários (39,9%), e matériasprimas brutas (24,2%); Sua pesquisa de preços desenvolvese diariamente, cobrindo sete das principais capitais do país: São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador, Recife, Porto Alegre e Brasília. O índice geral é composto por sete grupos: alimentação; habitação; vestuário; saúde e cuidados pessoais; educação; leitura e recreação; transportes e despesas diversas. A cesta de consumo, a partir da qual se definiram os bens incluídos no índice e sua respectiva ponderação, foi selecionada da Pesquisa de Orçamentos Familiares POF, elaborada pelo IBRE no biênio 2002/2003 O INCC mede a evolução mensal de custos de construções habitacionais, a partir da média dos índices de sete capitais (São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador, Recife, Porto Alegre e Brasília). A lista de itens componentes do INCC e respectivos pesos atualizados é feita com base em orçamentos de edificações previstas pela ABNT (materiais e equipamentos, serviços e mãodeobra). Além do índice geral, o INCC desdobrase em dois grupos: mãodeobra (16 itens) e de materiais, equipamentos e serviços (51 itens). 12 TRF 3ª Região. AMS 200561000030246. DJ 06/12/2007, TRF 4ª Região. AMS 200572000072027. DJ 15/05/2007, TRF 3ª Região. AG 234522.DJU 21/03/2007, TRF 1ª Região. REOMS 200536000125322. DJ 9/3/2007. Fl. 825DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 10 Sala das sessões, 26 de março 2014 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 826DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11080.934342/200945 Acórdão n.º 3803005.973 S3TE03 Fl. 822 11 Fl. 827DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 10120.004918/2001-12
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jan 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2000 a 01/03/2000
NORMAS REGIMENTAIS. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO CONTEÚDO DE DECISÃO PROFERIDA PELO STJ NO RITO DO ART. 543-C DO CPC.
Consoante art. 62-A do Regimento Interno do CARF, As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
RESSARCIMENTO DE IPI. ACRÉSCIMO DE JUROS CALCULADOS COM BASE NA TAXA SELIC. APLICAÇÃO DAS DECISÕES DO STJ PROFERIDAS NO RITO DO ART. 543-C. Na forma de reiterada jurisprudência oriunda do STJ, é cabível a inclusão na base de cálculo do crédito presumido de que trata a Lei nº 9.363/96 das aquisições efetuadas junto a pessoas físicas bem como a aplicação da taxa selic acumulada a partir da data de protocolização do pedido administrativo, a título de atualização monetária do valor requerido, quando o seu deferimento decorre de ilegítima resistência por parte da Administração tributária (RESP 993.164)
Recurso especial do procurador negado
Numero da decisão: 9303-002.845
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso.
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente em exercício
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Relator.
EDITADO EM: 11/02/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Gileno Gurjão Barreto (Substituto convocado) e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente Substituto). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente). Ausentes, momentaneamente, as Conselheiras Nanci Gama e Maria Teresa Martínez López.
Nome do relator: JULIO CESAR ALVES RAMOS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201401
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2000 a 01/03/2000 NORMAS REGIMENTAIS. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO CONTEÚDO DE DECISÃO PROFERIDA PELO STJ NO RITO DO ART. 543-C DO CPC. Consoante art. 62-A do Regimento Interno do CARF, As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. RESSARCIMENTO DE IPI. ACRÉSCIMO DE JUROS CALCULADOS COM BASE NA TAXA SELIC. APLICAÇÃO DAS DECISÕES DO STJ PROFERIDAS NO RITO DO ART. 543-C. Na forma de reiterada jurisprudência oriunda do STJ, é cabível a inclusão na base de cálculo do crédito presumido de que trata a Lei nº 9.363/96 das aquisições efetuadas junto a pessoas físicas bem como a aplicação da taxa selic acumulada a partir da data de protocolização do pedido administrativo, a título de atualização monetária do valor requerido, quando o seu deferimento decorre de ilegítima resistência por parte da Administração tributária (RESP 993.164) Recurso especial do procurador negado
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Thu May 08 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10120.004918/2001-12
anomes_publicacao_s : 201405
conteudo_id_s : 5345426
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu May 08 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 9303-002.845
nome_arquivo_s : Decisao_10120004918200112.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : JULIO CESAR ALVES RAMOS
nome_arquivo_pdf_s : 10120004918200112_5345426.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso. MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente em exercício JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Relator. EDITADO EM: 11/02/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Gileno Gurjão Barreto (Substituto convocado) e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente Substituto). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente). Ausentes, momentaneamente, as Conselheiras Nanci Gama e Maria Teresa Martínez López.
dt_sessao_tdt : Thu Jan 23 00:00:00 UTC 2014
id : 5431117
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:21:03 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046591102779392
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2240; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 7 1 6 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10120.004918/200112 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303002.845 – 3ª Turma Sessão de 23 de janeiro de 2014 Matéria RESSARCIMENTO DE IPI Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CARAMURU ALIMENTOS S/A ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2000 a 01/03/2000 NORMAS REGIMENTAIS. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO CONTEÚDO DE DECISÃO PROFERIDA PELO STJ NO RITO DO ART. 543C DO CPC. Consoante art. 62A do Regimento Interno do CARF, “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF”. RESSARCIMENTO DE IPI. ACRÉSCIMO DE JUROS CALCULADOS COM BASE NA TAXA SELIC. APLICAÇÃO DAS DECISÕES DO STJ PROFERIDAS NO RITO DO ART. 543C. Na forma de reiterada jurisprudência oriunda do STJ, é cabível a inclusão na base de cálculo do crédito presumido de que trata a Lei nº 9.363/96 das aquisições efetuadas junto a pessoas físicas bem como a aplicação da taxa selic acumulada a partir da data de protocolização do pedido administrativo, a título de “atualização monetária” do valor requerido, quando o seu deferimento decorre de ilegítima resistência por parte da Administração tributária (RESP 993.164) Recurso especial do procurador negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso. MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO – Presidente em exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 49 18 /2 00 1- 12 Fl. 443DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 06/03/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por JULIO CESAR ALVES RA MOS 2 JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator. EDITADO EM: 11/02/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Gileno Gurjão Barreto (Substituto convocado) e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente Substituto). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente). Ausentes, momentaneamente, as Conselheiras Nanci Gama e Maria Teresa Martínez López. Relatório Insurgese a Fazenda Nacional contra o deferimento de adição da variação acumulada da taxa selic a valor pleiteado em ressarcimento de crédito presumido de IPI. É o Relatório. Voto Conselheiro JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS O relatório foi extremamente sucinto porquanto a matéria não admite maiores discussão, objeto que foi de decisão por parte do e. STJ a quem estamos vinculados por força do disposto no art. 62A do vigente Regimento Interno. Refirome ao RE 993.164, no qual também se enfrentou a questão das aquisições a pessoas físicas. Esse posicionamento, aliás, foi o aplicado na decisão recorrida, tendo o recurso especial se limitado a contestar argumentos utilizados no passado, especificamente equiparando o ressarcimento à restituição. Notese que o recurso chega a dizer que "não há jurisprudência vinculante". Apenas como complemento, reitero o quanto dito no relatório da decisão recorrida: a DRJ denegara tanto a Selic quanto as aquisições a pessoas físicas. Esta última matéria, no entanto, não foi conhecida no julgamento do recurso voluntário devido à existência de ação judicial impetrada pela empresa sobre ela. O esclarecimento se mostra necessário para demonstrar que houve sim a oposição injustificada de que fala o ministro Fux em seu voto. Fl. 444DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 06/03/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por JULIO CESAR ALVES RA MOS Processo nº 10120.004918/200112 Acórdão n.º 9303002.845 CSRFT3 Fl. 8 3 Com essas considerações, peço vênica para considerar transcritas as razões de decidir do Conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis, que, como dito, já dceu cumprimento ao art. 62A do RICARF. Nego, com isso, provimento ao apelo fazendário. É o voto. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator Fl. 445DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 06/03/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por JULIO CESAR ALVES RA MOS
score : 1.0
Numero do processo: 11080.008001/2004-16
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Apr 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA. DESPESAS MÉDICAS INDEDUTÍVEIS. INTERNAÇÃO HOSPITALAR EM RESIDÊNCIA.
Despesas médicas com enfermagem em residência. Somente é dedutível a despesa com internação em residência se restar comprovado o pagamento de tal despesa a estabelecimento qualificado como hospital e desde que constante de fatura hospitalar, vedada a dedução de despesa de internação domiciliar que não atenda a esta condição.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-003.021
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício)
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator
EDITADO EM: 13/03/2014
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Elias Sampaio Freire, substituido pela Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201402
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2003 IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA. DESPESAS MÉDICAS INDEDUTÍVEIS. INTERNAÇÃO HOSPITALAR EM RESIDÊNCIA. Despesas médicas com enfermagem em residência. Somente é dedutível a despesa com internação em residência se restar comprovado o pagamento de tal despesa a estabelecimento qualificado como hospital e desde que constante de fatura hospitalar, vedada a dedução de despesa de internação domiciliar que não atenda a esta condição. Recurso especial provido.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Wed Apr 09 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 11080.008001/2004-16
anomes_publicacao_s : 201404
conteudo_id_s : 5338057
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Apr 09 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 9202-003.021
nome_arquivo_s : Decisao_11080008001200416.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
nome_arquivo_pdf_s : 11080008001200416_5338057.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício) (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator EDITADO EM: 13/03/2014 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Elias Sampaio Freire, substituido pela Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada).
dt_sessao_tdt : Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2014
id : 5384939
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:20:17 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046591104876544
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1445; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 133 1 132 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11080.008001/200416 Recurso nº 153.255 Especial do Procurador Acórdão nº 9202003.021 – 2ª Turma Sessão de 11 de fevereiro de 2014 Matéria IRPF Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado ANTONIO D'AMICO ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA. DESPESAS MÉDICAS INDEDUTÍVEIS. INTERNAÇÃO HOSPITALAR EM RESIDÊNCIA. Despesas médicas com enfermagem em residência. Somente é dedutível a despesa com internação em residência se restar comprovado o pagamento de tal despesa a estabelecimento qualificado como hospital e desde que constante de fatura hospitalar, vedada a dedução de despesa de internação domiciliar que não atenda a esta condição. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 80 01 /2 00 4- 16 Fl. 151DF CARF MF Impresso em 09/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/2 014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES Processo nº 11080.008001/200416 Acórdão n.º 9202003.021 CSRFT2 Fl. 134 2 (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício) (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Relator EDITADO EM: 13/03/2014 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Elias Sampaio Freire, substituido pela Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada). Relatório Tratase de recurso especial de divergência (fls. 84 a 98), interposto pela Fazenda Nacional, através de seu representante legal, com fulcro no art. 67, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF no 256, de 22 de junho de 2009, em face do acórdão no 280200.164, proferido pela 2a Turma Especial da 2a Seção de Julgamento deste mesmo Conselho na sessão plenária de 28 de outubro de 2009 (fls. 77 a 83). O recurso foi regularmente admitido consoante exame de fls. 99 a 101, com o acórdão guerreado assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA. DESPESAS MÉDICAS DEDUTÍVEIS. INTERNAÇÃO HOSPITALAR EM RESIDÊNCIA. Despesas médicas com enfermagem em residência. É dedutível a despesa com internação hospitalar efetuada em residência, se restar comprovado que o paciente requer cuidados médicos permanentes, passível de internação hospitalar. Recurso provido Alega o representante da Fazenda, em sede recursal, divergência em relação ao acórdão paradigma no 10422.277, oriundo da 4a Câmara do então 1o Conselho de Contribuintes, sendo que este último, quanto à matéria relativa à comprovação efetiva de despesas médicas para fins de dedução na base de cálculo do IRPF, teria dado à lei tributária interpretação diversa do acórdão recorrido, a partir do disposto no art. 8o da Lei no 9.250, de 26 de dezembro de 1995 e do art. 80 do Decreto no 3.000, de 26 de março de 1999 Fl. 152DF CARF MF Impresso em 09/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/2 014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES Processo nº 11080.008001/200416 Acórdão n.º 9202003.021 CSRFT2 Fl. 135 3 Sustenta a Fazenda que a divergência afigurase clara, uma vez que, enquanto o recorrido restabeleceu dedução de despesas médicas com internação residencial, o paradigma, por sua vez, em mesma situação fática, decidiu pela manutenção da glosa das mesmas despesas deduzidas a título de internação domiciliar, por falta de amparo legal. Sustenta que as normas de regência referentes à dedução de despesas médicas devem ser interpretadas literalmente, não cabendo a autorização de deduções que não estão expressamente previstas legalmente. Requer, então, que seja restabelecida a glosa das despesas com internação residencial. Em sede de contrarrazões (fls. 105 a 113), o autuado alega a situação de dependência completa da Sra. Mariza Tereza D’Amico, atestada por Junta Médica do Detran/RS constante dos presentes autos (mais especificamente em fl. 66). Colaciona, ainda, outros acórdãos de lavra deste Conselho que sustentariam tal posicionamento. Entende que não há bom senso na omissão, pelo legislador, das despesas de enfermagem do âmbito do art. 8o da Lei no 9.250, de 1995, o que geraria um desembolso maior para o contribuinte e para a União, visto que aquele incorreria em despesas maiores, sendo essas dedutíveis. Sustenta, ainda, que o objeto social das empresas prestadoras dos serviços de homecare está plenamente identificado com a atividade hospitalar de enfermagem, ressaltando que, no caso em questão, está devidamente comprovado que o paciente requer cuidados médicos permanentes. Defende, finalmente, que sejam aplicados os princípios da isonomia e da razoabilidade para que o contribuinte não seja prejudicado, bem como a necessidade de aplicação do art. 112, inciso II da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966, que estabelece a necessidade de interpretação mais favorável ao acusado no caso de lei definidora de infrações ou que comine penalidades. Requer, assim, a manutenção integral da decisão recorrida. A título informativo, consta o auto de infração objeto do presente processo formalizado à fl. 4 do presente. Impugnação do contribuinte constante às fls. 1 a 3, com decisão de 1a instância às fls. 38 a 41 e posterior Recurso Voluntário a este CARF constante das fls. 45 a 48. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Relator O recurso especial é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Uma vez conhecido o recurso, iniciase a análise reproduzindo os dispositivos legais de interesse aplicáveis à situação sob análise, a saber o art. 8o, I e II, "a", e § 2 da Lei no 9.250, de 1995 e o art. 80 do Decreto no 3.000, de 1999 (RIR/99), verbis: Lei 9.250/95 Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: Fl. 153DF CARF MF Impresso em 09/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/2 014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES Processo nº 11080.008001/200416 Acórdão n.º 9202003.021 CSRFT2 Fl. 136 4 I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais (g.n.) , bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...) § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. (...) RIR/99 Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais (g.n.), bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Fl. 154DF CARF MF Impresso em 09/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/2 014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES Processo nº 11080.008001/200416 Acórdão n.º 9202003.021 CSRFT2 Fl. 137 5 Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. § 2º Na hipótese de pagamentos realizados no exterior, a conversão em moeda nacional será feita mediante utilização do valor do dólar dos Estados Unidos da América, fixado para venda pelo Banco Central do Brasil para o último dia útil da primeira quinzena do mês anterior ao do pagamento. § 3º Consideramse despesas médicas os pagamentos relativos à instrução de deficiente físico ou mental, desde que a deficiência seja atestada em laudo médico e o pagamento efetuado a entidades destinadas a deficientes físicos ou mentais. § 4º As despesas de internação em estabelecimento para tratamento geriátrico só poderão ser deduzidas se o referido estabelecimento for qualificado como hospital, nos termos da legislação específica. § 5º As despesas médicas dos alimentandos, quando realizadas pelo alimentante em virtude de cumprimento de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente, poderão ser deduzidas pelo alimentante na determinação da base de cálculo da declaração de rendimentos (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 3º). Quanto à matéria, em que pese a jurisprudência administrativa colacionada pelo autuado ao feito, entendo não haver, com base no teor dos dispositivos acima, qualquer possibilidade de acolhimento de despesas médicas de caráter domiciliar, para fins de cuidado de dependentes, como dedutíveis, caso não se constituam em pagamentos a estabelecimentos qualificados como hospitais. Verificase, em especial ao teor do disposto no art. 80, §4o, do mesmo RIR/99, ser condição fundamental que a despesa seja realizada em hospitais já no caso de internação em estabelecimento geriátrico, vedada expressamente a dedução para os demais tipos de estabelecimento, devendose adotar o mesmo norte interpretativo (ali legislado) para a situação análoga de outras despesas "teoricamente hospitalares", mas realizadas fora de hospitais e necessárias à manutenção da saúde do contribuinte ou de seus dependentes. Tratase, em meu entendimento, de hipótese legislativa que perpassa a simples comprovação de efetividade, tendo estabelecido o legislador, de maneira expressa, uma condição objetiva adicional (pagamento a estabelecimento qualificado como hospital) para a fruição da dedução relacionada a despesas médicas referentes ao cuidado de pacientes por profissionais de diferentes especialidades. É de se perceber que, de outro modo, em não se estabelecendo esta condição objetiva, poderia ter de se sujeitar o Fisco à necessidade de análise subjetiva, a ser realizada a cada instante, a fim de verificar, se, em se tratando de determinado tipo de despesa médica ou psicológica realizada fora do ambiente hospitalar, seria ou não esta realmente fundamental à manutenção da saúde do contribuinte e passível de dedução, com o consequente comprometimento do princípio da impessoalidade e da isonomia. Entendo que, na inexistência Fl. 155DF CARF MF Impresso em 09/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/2 014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES Processo nº 11080.008001/200416 Acórdão n.º 9202003.021 CSRFT2 Fl. 138 6 do requisito objetivo estabelecido legalmente, poderiam restar contribuintes em situações idênticas, um amparado pela dedução, segundo a autoridade fiscal, e outro não, bem como um leque amplo de despesas indiretas associadas ao cuidado do paciente cuja real necessidade para fins de sua poderia se refutar, daí a opção do legislador pelo estabelecimento do critério objetivo de inclusão na fatura hospitalar, para fins de aceitação da dedução. Faço notar, ainda a propósito, que o teor do Parecer Normativo CST nº 36, de 03 de junho de 1977, por vezes citado como ultrapassado, é expresso em contemplar em seu desenvolvimento a análise de despesas de enfermagem (natureza da despesa de fl. 9 sob recurso), condicionando também sua dedutibilidade, em linha com o acima propugnado, à constância em fatura hospitalar. Com base em tal fundamentação, entendo que deva ser restabelecida a glosa referente à despesa de R$ 1.305,00 de fl. 9, em linha com o demandado pela Fazenda em seu recurso especial. Finalmente, ressalto que, apesar da cognição plena desta CSRF a partir do conhecimento do presente recurso, ainda assim limitouse a presente análise ao pedido da recorrente, devendo, todavia, este Relator registrar, a partir da análise do demonstrativo de fl. 3, que o provimento dado pela Câmara a quo, na forma de acórdão de fl. 77, abrangeu uma série de outras despesas não comprovadas, além da aqui em discussão. Tal constatação, inclusive, diverge do explicitado no voto condutor de fl. 78v, que afirmou limitarse a matéria sob litígio, em sede recursal, às "despesas de homecare". Diante do exposto, voto no sentido de conhecer do Recurso da Fazenda Nacional para, no mérito, darlhe provimento, restabelecendose somente a glosa referente à despesa de R$ 1.305,00 de fl. 9, visto ser esta a despesa de internação residencial objeto de recurso. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 156DF CARF MF Impresso em 09/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/2 014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES
score : 1.0
Numero do processo: 13054.001687/2008-82
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3401-000.716
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento para aguardar decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal em matéria sob repercussão geral (RE 606107), nos termos do voto do relator.
JÚLIO CESAR ALVES RAMOS Presidente
EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Jean Clauter Simões Mendonça, Robson José Bayerl (Suplente), Ângela Sartori, Fernando Marques Cleto Duarte e Júlio César Alves Ramos. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Odassi Guerzoni Filho.
Nome do relator: EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201305
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 13054.001687/2008-82
anomes_publicacao_s : 201405
conteudo_id_s : 5347091
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3401-000.716
nome_arquivo_s : Decisao_13054001687200882.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS
nome_arquivo_pdf_s : 13054001687200882_5347091.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento para aguardar decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal em matéria sob repercussão geral (RE 606107), nos termos do voto do relator. JÚLIO CESAR ALVES RAMOS Presidente EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Jean Clauter Simões Mendonça, Robson José Bayerl (Suplente), Ângela Sartori, Fernando Marques Cleto Duarte e Júlio César Alves Ramos. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Odassi Guerzoni Filho.
dt_sessao_tdt : Wed May 22 00:00:00 UTC 2013
id : 5449022
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:21:27 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046591110119424
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1927; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 230 1 229 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13054.001687/200882 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3401000.716 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 22 de maio de 2013 Assunto SOBRESTAMENTO. RICARF, ART. 62A. MATÉRIA SOB REPERCUSSÃO GERAL NO STF. RECEBIMENTO POR TRANSFERÊNCIA DE CRÉDITOS DO ICMS. Recorrente MINUANO CORTE E COSTURA INDUSTRIAL LTDA Recorrida DRJ PORTO ALEGRE RS Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento para aguardar decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal em matéria sob repercussão geral (RE 606107), nos termos do voto do relator. JÚLIO CESAR ALVES RAMOS – Presidente EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Jean Clauter Simões Mendonça, Robson José Bayerl (Suplente), Ângela Sartori, Fernando Marques Cleto Duarte e Júlio César Alves Ramos. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Odassi Guerzoni Filho. Relatório Tratase de recurso voluntário contra acórdão da 2ª Turma da DRJ que julgou procedente em parte manifestação de inconformidade contra despacho decisório que deferiu parcialmente Pedido de Ressarcimento e Declaração de Compensação (PER/DCOMP) referente a crédito do PIS nãocumulativo. A ementa do acórdão contempla o seguinte: BASE DE CÁLCULO. TRANSFERÊNCIAS DE ICMS. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 30 54 .0 01 68 7/ 20 08 -8 2 Fl. 230DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 13054.001687/200882 Resolução nº 3401000.716 S3C4T1 Fl. 231 2 Os valores recebidos em decorrência de transferência de créditos de ICMS a terceiros devem ser incluídos na base de cálculo da contribuição, exceto nas hipóteses de créditos oriundos de operações de exportação a partir de 1º de janeiro de 2009. No recurso, tempestivo, a contribuinte insiste no ressarcimento integral, defendendo, inclusive, a não inclusão, na base de cálculo da Contribuição, da cessão de créditos do ICMS a terceiros. É o Relatório, elaborado a partir do processo digitalizado. Voto Conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis, Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos do Processo Administrativo Fiscal, pelo que dele conheço. Todavia, não deve ser julgado nesta oportunidade, por conter matéria submetida à repercussão geral no STF. Refirome à inclusão (ou não) dos valores correspondentes ao recebimento pela transferência de créditos do ICMS na base de cálculo do PIS Faturamento e da Cofins não cumulativos, tema que está sob análise do Supremo Tribunal Federal no Recurso Extraordinário nº 606107, com repercussão geral já definida. Como informa o sítio do Colendo Tribunal na internet (consulta em 14 de maio de 2013), o debate no RE nº 606107 versa sobre o seguinte: 283 Incidência do PIS e da COFINS nãocumulativos sobre valores recebidos a título de transferência de ICMS. Recurso extraordinário em que discute, à luz dos artigos 149, § 2º, I; 150, § 6º; 155, § 2º, X, a; e 195, caput, I, b, da Constituição Federal, a constitucionalidade, ou não, da exigência de que o valor correspondente às transferências de créditos do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços ICMS pela empresa contribuinte seja integrado à base de cálculo das contribuições Programa de Integração Social PIS e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS nãocumulativas. Impõese o sobrestamento do julgamento em obediência ao § 2º do art. do Anexo II do RICARF, acrescentado pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, que dispõe o seguinte: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 231DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 13054.001687/200882 Resolução nº 3401000.716 S3C4T1 Fl. 232 3 § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B. Pelo exposto, levando em conta art. 62A, § 2º, do RICARF voto por sobrestar o julgamento até que o STF decida sobre a inclusão ou não, na base de cálculo do PIS Faturamento e Cofins nãocumulativos, dos valores recebidos pelas transferências de créditos do ICMS. Somente após decisão transitada em julgado do Colendo Tribunal sobre o tema é que o processo deve retornar a esta Turma para julgamento. Emanuel Carlos Dantas de Assis Fl. 232DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS
score : 1.0
Numero do processo: 10840.907136/2009-51
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/03/2004 a 31/03/2004
COMPENSAÇÃO. EXISTÊNCIA DE CRÉDITO.
Constatado em diligência fiscal a existência de saldo de crédito disponível para compensação ou restituição, torna-o líquido e certo, impondo o reconhecimento do direito pleiteado e assegurar a compensação até o limite do valor reconhecido, desde que, ainda tenha sido utilizado em procedimento de compensação ou ressarcido.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3403-002.712
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito à utilização do crédito apurado na diligência para compensação, desde que já não tenha sido utilizado pelo contribuinte.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Domingos de Sá Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201401
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/03/2004 a 31/03/2004 COMPENSAÇÃO. EXISTÊNCIA DE CRÉDITO. Constatado em diligência fiscal a existência de saldo de crédito disponível para compensação ou restituição, torna-o líquido e certo, impondo o reconhecimento do direito pleiteado e assegurar a compensação até o limite do valor reconhecido, desde que, ainda tenha sido utilizado em procedimento de compensação ou ressarcido. Recurso Voluntário Provido em Parte.
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Mar 20 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10840.907136/2009-51
anomes_publicacao_s : 201403
conteudo_id_s : 5331939
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Mar 20 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3403-002.712
nome_arquivo_s : Decisao_10840907136200951.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : DOMINGOS DE SA FILHO
nome_arquivo_pdf_s : 10840907136200951_5331939.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito à utilização do crédito apurado na diligência para compensação, desde que já não tenha sido utilizado pelo contribuinte. Antonio Carlos Atulim - Presidente. Domingos de Sá Filho - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
dt_sessao_tdt : Tue Jan 28 00:00:00 UTC 2014
id : 5349426
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:19:35 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046591131090944
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1858; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T3 Fl. 8 1 7 S3C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10840.907136/200951 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3403002.712 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 28 de janeiro de 2014 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente SERVIÇOS MÉDICOS E ASSISTENCIAIS DE BARRINHA S/S LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/03/2004 a 31/03/2004 COMPENSAÇÃO. EXISTÊNCIA DE CRÉDITO. Constatado em diligência fiscal a existência de saldo de crédito disponível para compensação ou restituição, tornao líquido e certo, impondo o reconhecimento do direito pleiteado e assegurar a compensação até o limite do valor reconhecido, desde que, ainda tenha sido utilizado em procedimento de compensação ou ressarcido. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito à utilização do crédito apurado na diligência para compensação, desde que já não tenha sido utilizado pelo contribuinte. Antonio Carlos Atulim Presidente. Domingos de Sá Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 90 71 36 /2 00 9- 51 Fl. 188DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO 2 Relatório Tratase de pedido de compensação não homologado decorrente de direito de crédito tributário oriundo de pagamento a maior de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, relativo ao período de apuração 01.03.2004 a 31.03.2004 no valor de R$ 3.021,62 (três mil e vinte um reais e sessenta e dois centavos). A contribuinte insurgiu contra a não homologação da Dcomp nº 23490.80642.151205.1.3.041358, por meio da qual pretendia compensar a Cofins incidente em 11/2005 no valor de R$ 157,35 (cento e cinqüenta e sete reais e trinta e cinco centavos) com créditos referentes à Cofins recolhidas a maior em 15/04/2004 referente ao período de apuração de 03/2004. O pleito restou indeferido. Ciente da decisão foi apresentado Manifestação de Inconformidade, anexado cópia da DIPJ e cópia do DARF. Sustenta que o pedido está consubstanciado nos dados registrados nos livros fiscais e contábeis e declarados por meio da Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica. A decisão hostilizada afastou os argumentos da Recorrente escorado ao fato de que a DIPJ não se revelar documento hábil e capaz de provar a existência do crédito que se está pleiteando. Afirma também se existisse deveria ter sido apresentado DCTF retificadora. Na fase recursal a Recorrente cuidou de trazer à colação cópia dos livros contábeis, notas fiscais e planilhas de cálculos buscando demonstrar a real base de cálculo e o valor correto do débito apurado, que comparado com o DARF de pagamento restaria confirmado o recolhimento a maior do que o devido. Por meio da Resolução nº 3403000.298 de 13 de fevereiro de 2012 essa Turma decidiu em transformar o julgamento em diligência para que fosse apurado a existência de saldo credor favorável ao contribuinte com base nos documentos fornecidos e outros procedimentos que entendesse necessário para apurar a verdade. Concluído a diligência esses autos retornam a esse Colegiado com o parecer da fiscalização informando a existência de saldo disponível para ser utilizado na DCOMP de R$ 3.021,62 (três mil e vinte um reais e sessenta e dois centavos), como se infere do próprio relatório aqui transcrito: “Processo 10840.907.136/200951 Contribuinte SERVIÇOS MÉDICOS E ASSISTENCIAIS DE BARRINHA S/S LTDA EPP CNPJ/CPF 03.330.439/000170 Sr. Chefe, O presente processo trata de manifestação de inconformidade através da qual o contribuinte se insurgiu contra a não homologação da Dcomp nº 15741.81499.150206.1.3.04 2407, por meio da qual pretendia compensar a Cofins incidente em 01/2006 (R$ 93,46) com créditos referentes à Cofins recolhida a maior em 15/04/2004 (período 03/2004). Fl. 189DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 10840.907136/200951 Acórdão n.º 3403002.712 S3C4T3 Fl. 9 3 O contribuinte transmitiu ao todo 24 Dcomp’s nas quais pretendia aproveitar o mesmo crédito, incluindo a analisada no presente processo: Nº PER/Dcomp Processo PER/Dcomp Valor pleiteado Situação 14102.01777.170205.1.3.048283 10840.905881/200965 R$ 116,63 Homologação total 21720.68699.140305.1.3.040410 10840.905883/200954 R$ 166,59 Res. Recurso voluntário – improvido 41833.11369.150405.1.3.048500 10840.905885/200943 R$ 234,91 Recurso Voluntário 36167.28299.130505.1.3.04 0803 10840.905888/200987 R$ 206,12 Homologação total 21112.86684.130605.1.3.043943 10840.905890/200956 R$ 138,79 Recurso Voluntário 40600.69397.130705.1.3.04 9501 10840.905892/200945 R$ 170,89 Homologação total 23401.40574.110805.1.3.044893 10840.905894/200934 R$ 129,90 Homologação total 22984.79520.150905.1.3.04 1051 10840.905896/200923 R$ 79,22 Recurso Voluntário 10836.66168.141005.1.3.048045 10840.905899/200967 R$ 90,59 Manif. inconformidade 40953.65779.111105.1.3.04 4125 10840.905900/200953 R$ 155,48 Manif. inconformidade 23490.80642.151205.1.3.041358 10840.907135/200914 R$ 157,35 Recurso voluntário 15741.81499.150206.1.3.04 2407 10840.907136/200951 R$ 93,46 Recurso voluntário 17644.64142.150306.1.3.042606 10840.907138/200940 R$ 349,62 Recurso voluntário 23945.69760.130406.1.3.04 0802 10840.907140/200919 R$ 32,34 Recurso voluntário 13955.71918.150506.1.3.048392 10840.907141/200963 R$ 216,48 Recurso voluntário 04740.08708.140606.1.3.04 0606 10840.907144/200905 R$ 151,85 Recurso voluntário 01609.13667.140706.1.3.042689 10840.907145/200941 R$ 160,36 Recurso voluntário 27310.03941.150906.1.3.04 1332 10840.907147/200931 R$ 73,12 Recurso voluntário 07725.55555.111006.1.3.043639 10840.907148/200985 R$ 87,60 Recurso voluntário 15544.24996.141106.1.3.04 6650 10840.907150/200954 R$ 173,31 Recurso voluntário 37270.39877.151206.1.3.044248 10840.907848/200970 R$ 240,47 Recuso voluntário 19347.31826.120107.1.3.04 7500 10840.902638/201029 R$ 251,33 Manif. inconformidade Nº PER/Dcomp Processo PER/Dcomp Valor pleiteado Situação 21821.04631.160207.1.3.047674 10840.902640/201006 R$ 256,10 Manif. inconformidade 34802.38509.200307.1.3.040922 10840.902642/201097 R$ 137,32 Manif. inconformidade O despacho decisório não homologou a compensação, em virtude do pagamento de Cofins já ter sido integralmente utilizado (f. 7), já que na DCTF, o valor devido da Cofins coincidia com o valor total do pagamento (R$ 3.021,62). O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (f. 11), alegando que a DIPJ é que conteria o valor correto da Cofins devida em 03/2004, que seria zero. Fl. 190DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO 4 O processo foi encaminhado para a DRJ, que jugou a manifestação improcedente (fs. 126132). O contribuinte apresentou recurso, encaminhado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que converteu o julgamento em diligência (fs. 166168): “Diante do exposto, voto no sentido de transformar o julgamento em diligência para que os autos retornem a Autoridade de Piso para apurar com base nos elementos fornecidos e outros procedimentos que se fizerem necessários o valor correto do indébito. Deise vista a Interessada, querendo, manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, após retorne os autos esse Colegiado.” Os autos foram encaminhados a este Setor. Inicialmente, cabe observar que o ramo de atividade do contribuinte na época era clínica médica (CNAE nº 85.13 8/01). A partir de 02/2004, conforme a Lei nº 10.833/2003, a base de cálculo da Cofins era composta por: “Art. 1º A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência não cumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1º Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica.” Sendo o contribuinte optante da tributação pelo lucro real, em 03/2004, apurava a Cofins pelo regime nãocumulativo. De acordo com as notas fiscais apresentadas pelo contribuinte, o Livro Registro de Notas Fiscais de Serviços Prestados, a DIPJ e a Dacon, o total da base de cálculo da Cofins no período 03/2004 era R$ 68.299,01. De acordo com o artigo 2º da Lei nº 10.833/2003, a alíquota da Cofins era de 7,6%. Assim, temse que: Período Base de Cálculo Cofins Valor da Cofins 03/2004 R$ 68.299,01 R$ 5.190,72 Do valor da Cofins apurada, a Lei nº 10.833/2003 permitia que fossem descontados créditos calculados, entre outros itens, em relação a bens e serviços utilizados como insumos na prestação de serviços (inciso II do artigo 3º). Conforme a DIPJ, a Dacon e as notas fiscais apresentadas pelo contribuinte, foram descontados os seguintes créditos Fl. 191DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 10840.907136/200951 Acórdão n.º 3403002.712 S3C4T3 Fl. 10 5 relativos a serviços e mercadorias utilizados como insumos: Tipo de Insumo Notas Fiscais Valor total Serviços 5084, 5067, 61173, 31283, 4542 R$ 41.832,57 Mercadorias 71774, 71881, 71892, 72521, 19660 R$ 1.698,43 Apesar de algumas aquisições de mercadorias terem sido efetuadas em 02/2004, foi considerado que as mesmas gerariam crédito para o período 03/2004, em virtude do parágrafo 4º do artigo 3º da Lei nº 10.833/2003: “§ 4º O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes.” Nos trabalhos conduzidos nos processos nº 10840.905.879/200996 e 10840.905.880/200911, foi verificado que tais notas fiscais não integraram o total de créditos do mês 02/2004. O inciso III do mesmo artigo previa ainda que poderiam ser descontados créditos referentes à energia elétrica. Conforme a nota fiscal de energia elétrica e o informado na DIPJ e Dacon, o gasto de energia elétrica em 03/2004 foi de R$ 1.313,28. Portanto, o contribuinte tem direito aos seguintes créditos de Cofins: Bens utilizados como insumos R$ 1.698,43 Serviços utilizados como insumos R$ 41.832,57 Despesas de energia elétrica R$ 1.313,28 Total de créditos R$ 44.844,28 Créditos de Cofins (alíquota 7,6%) R$ 3.408,17 O contribuinte descontou ainda a Cofins retida na fonte por outras pessoas jurídicas, conforme artigos 30 e 31 da Lei nº 10.833/2003: “Art. 30. Os pagamentos efetuados pelas pessoas jurídicas a outras pessoas jurídicas de direito privado, pela prestação de serviços de limpeza, conservação, manutenção, segurança, vigilância, transporte de valores e locação de mãodeobra, pela prestação de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção e riscos, administração de contas a pagar e a receber, bem como pela remuneração de serviços profissionais, estão sujeitos a retenção na fonte da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, da COFINS e da contribuição para o PIS/PASEP. (…) Art. 31 . O valor da CSLL, da COFINS e da contribuição para o PIS/PASEP, de que trata o art. 30, será determinado mediante a aplicação, sobre o montante a ser pago, do percentual de 4,65% (quatro inteiros e sessenta e cinco centésimos por cento), correspondente à soma das alíquotas de 1% (um por cento), 3% (três por cento) e Fl. 192DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO 6 0,65% (sessenta e cinco centésimos por cento), respectivamente.” Nas notas fiscais emitidas pelo contribuinte Serviços Médicos e Assistenciais de Barrinha S/S Ltda. EPP, pela prestação de seus serviços, pôdese verificar que houve retenção da Cofins à alíquota de 3%, conforme tabela a seguir: Nota Fiscal Valor Total do Serviço Cofins retida 167 R$ 13.000,00 R$ 390,00 168 R$ 458,13 R$ 13,75 169 R$ 9.023,06 R$ 276,00 170 R$ 3.972,63 R$ 119,18 171 R$ 605,19 R$ 18,16 172 R$ 41.000,00 R$ 1.230,00 173 R$ 60,00 R$ 0,00 Total R$ 2.047,08 Observese que na nota fiscal nº 173, não houve retenção de qualquer tributo. Portanto, o total da Cofins retida com base no artigo 30 da Lei nº 10.833/2003 no período 03/2004 foi de R$ 2.047,08. Concluindo, a Cofins a pagar apurada em 03/2004 está demonstrada a seguir: Receita da Prestação de Serviços (BC Cofins) R$ 68.299,01 Cofins (7,6%) R$ 5.190,72 () Créditos descontados no mês R$ 3.143,63 (=) Cofins após desconto dos créditos R$ 2.047,09 () Cofins retida na fonte R$ 2.047,08 (=) Cofins a pagar R$ 0,00 Pagamento efetuado em 15/04/2004 R$ 3.021,62 Total do pagamento que restou disponível para compensação, após amortizar a Cofins incidente em 03/2004 R$ 3.021,62 Portanto, após análise, foi apurado que o valor da Cofins em 03/2004 foi totalmente amortizado pelos créditos e pelas retenções na fonte, não havendo saldo a pagar. Assim, resta inteiramente disponível o pagamento realizado em 15/04/2004, de forma que o total de créditos de Cofins disponíveis para compensação é de R$ 3.021,62. Observese que entre as Dcomp´s que aproveitaram o mesmo crédito, já foram homologadas, enquanto que 19 permanecem em discussão administrativa. À consideração superior. (Assinado digitalmente) Denise Aparecida Aguiar Vilas Boas Fantinel Auditora Fiscal da Receita Federal do Brasil Matrícula 1.220.539 Data: 08/04/2013 De acordo. Encaminhese o processo à Eqorc/Seort/DRF/RPO para que o contribuinte seja cientificado da Resolução de fs. 166168 e deste despacho, e apresente manifestação no prazo de 30 dias, se assim desejar. Após a ciência, retornar este processo ao CARF. (Assinado digitalmente) Fl. 193DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 10840.907136/200951 Acórdão n.º 3403002.712 S3C4T3 Fl. 11 7 José Manoel Polacchini Chefe Seort Mat. 65.432 Data: 08/04/2013 Del. Competência – Port. DRF/RPO nº 46/2011 DOU 08/06/2011” Instado a se manifestar sobre o resultado da diligência, a Recorrente quedou se. É o Relatório. Voto Conselheiro Domingos de Sá Filho, Relator. Cuidase de recurso tempestivo e atende os demais pressupostos de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. A contenda neste caderno gira em torno da existência de saldo credor favorável a Recorrente, cujo pleito restou indeferido, assim como, restou mantido pela decisão ora recorrida. Pouco há de se discutir e acrescentar ao trabalho da diligência efetivada em razão da clareza, a qual possibilita o julgador a decidir alicerçado em dados concretos. A interessada foi intimada a se manifestar não se opôs ao resultado da diligência fiscal. Tomando os cálculos contidos na diligência como embasamento para decidir, conforme transcrito aqui: “Assim, resta inteiramente disponível o pagamento realizado em 15/04/2004, de forma que o total de créditos de Cofins disponíveis para compensação é de R$ 3.021,62. Observese que entre as Dcomp´s que aproveitaram o mesmo crédito, 4 já foram homologadas, enquanto que 19 permanecem em discussão administrativa”. Em assim sendo, norteado no parecer fiscal de fls. 182/186 que aponta existência de crédito decorrente de pagamento a maior da COFINS disponível para compensação ou restituição no total de R$ R$ 3.021,62(três mil, vinte e um reais, e, sessenta e dois centavos) impõe em reconhecer o direito buscado pelo contribuinte. Diante do exposto conheço do recurso e voto no sentido de dar provimento para assegurar o direito de compensar débitos até o limite de R$ 3.021,62. É como voto. Domingos de Sá Filho Fl. 194DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO 8 Fl. 195DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 13766.000635/99-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Apr 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/09/1989 a 30/04/1991
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO.
A autoridade da Receita Federal do Brasil competente para dar cumprimento à decisão judicial definitiva poderá exigir do sujeito passivo, como condição para a efetivação da restituição, que lhe seja apresentada cópia do inteiro teor da decisão.
CRÉDITO. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA. PROVA. ÔNUS. DO DECLARANTE. AUSÊNCIA. NÃO HOMOLOGAÇÃO.
Cabe ao contribuinte o ônus de demonstrar a liquidez e a certeza do crédito tributário alegado.
Recurso Voluntário negado.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Numero da decisão: 3202-001.087
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Irene Souza da Trindade Torres - Presidente.
Charles Mayer de Castro Souza - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres (presidente), Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201402
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/09/1989 a 30/04/1991 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. A autoridade da Receita Federal do Brasil competente para dar cumprimento à decisão judicial definitiva poderá exigir do sujeito passivo, como condição para a efetivação da restituição, que lhe seja apresentada cópia do inteiro teor da decisão. CRÉDITO. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA. PROVA. ÔNUS. DO DECLARANTE. AUSÊNCIA. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Cabe ao contribuinte o ônus de demonstrar a liquidez e a certeza do crédito tributário alegado. Recurso Voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Apr 01 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 13766.000635/99-65
anomes_publicacao_s : 201404
conteudo_id_s : 5334634
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Apr 01 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3202-001.087
nome_arquivo_s : Decisao_137660006359965.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
nome_arquivo_pdf_s : 137660006359965_5334634.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Irene Souza da Trindade Torres - Presidente. Charles Mayer de Castro Souza - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres (presidente), Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama.
dt_sessao_tdt : Wed Feb 26 00:00:00 UTC 2014
id : 5371268
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:19:59 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046591141576704
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1909; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T2 Fl. 514 1 513 S3C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13766.000635/9965 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3202001.087 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 26 de fevereiro de 2014 Matéria FINSOCIAL. RESTITUIÇÃO Recorrente OLIMPIO PERIM Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/1989 a 30/04/1991 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. A autoridade da Receita Federal do Brasil competente para dar cumprimento à decisão judicial definitiva poderá exigir do sujeito passivo, como condição para a efetivação da restituição, que lhe seja apresentada cópia do inteiro teor da decisão. CRÉDITO. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA. PROVA. ÔNUS. DO DECLARANTE. AUSÊNCIA. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Cabe ao contribuinte o ônus de demonstrar a liquidez e a certeza do crédito tributário alegado. Recurso Voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Irene Souza da Trindade Torres Presidente. Charles Mayer de Castro Souza Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres (presidente), Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 76 6. 00 06 35 /9 9- 65 Fl. 514DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 2 Relatório A interessada apresentou pedido de restituição, cumulado com pedido de compensação de débitos próprios, com origem em pagamento a maior do Finsocial, no valor de R$ 64.095,59, referente aos períodos de apuração compreendidos nos anoscalendário de 1989 a 1991. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, transcrevo o Relatório da decisão de primeira instância administrativa, in verbis: Trata o presente processo de pedido de restituição/compensação da empresa em epígrafe apresentado em 26/05/99, no qual pleiteia a compensação de diversos débitos com créditos decorrentes de valores recolhidos indevidamente a título de FINSOCIAL, conforme documentação de fls. 01 a 40. Posteriormente anexou novos pedidos de compensação, às fls. 57, 58, 74 e 75. A Delegacia da Receita Federal de VitóriaES, por meio do Despacho Decisório nº 315/99, julgou improcedente o pedido por entender ter transcorrido o prazo de cinco anos para que o contribuinte pudesse pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente ou a maior que o devido (fls. 42/43). Posteriormente, face à apresentação da Manifestação de Inconformidade pelo contribuinte, a DRJ/RJO II proferiu o Acórdão nº 1.954, indeferindo o pleito do contribuinte pelos mesmos motivos citados no Despacho Decisório (fls. 90). O contribuinte recorreu ao Conselho de Contribuintes que, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso apresentado. Foi então interposto Recurso Especial de Divergência pela Procuradoria da Fazenda Nacional. A Câmara Superior de Recursos Fiscais, por meio do Acórdão nº CSRF/0304.830, manteve a decisão recorrida, no sentido de que fosse afastada a “prescrição” do direito da recorrente de pleitear a restituição/compensação dos valores recolhidos indevidamente a título de FINSOCIAL e que fosse: “remetido à primeira instância administrativa para análise dos demais pressupostos formais que devem embasar tais requerimentos, tais como a subsunção das atividades comerciais desenvolvidas pelo contribuinte àquelas sobre as quais pairou a declaração de inconstitucionalidade, aferição dos cálculos apresentados, eventual existência de ações judiciais com desfecho favorável à Fazenda Nacional cuidando dos mesmos créditos, entre outros” A Delegacia de origem através do Despacho Decisório de fls. 356 a 362 não reconheceu o direito creditório do contribuinte, em resumo, pelo fato de o mesmo não ter apresentado cópia de inteiro teor da decisão judicial em que seu direito creditório foi reconhecido, que no seu entender seria o documento hábil a Fl. 515DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13766.000635/9965 Acórdão n.º 3202001.087 S3C2T2 Fl. 515 3 comprovar a homologação, pelo Poder Judiciário. Assim indeferiu o pleito “... até conhecimento do teor da Decisão Judicial”. Cientificada da decisão, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 397/400) alegando, em síntese, que: O presente processo administrativo já foi definitivamente julgado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais tendo retornado apenas para verificação do montante e efetivação dos cálculos devidos, e não para julgamento da matéria, pois esta já foi discutida e decidida. É impossível ter duas decisões no mesmo processo. As questões da prescrição, dos processos judiciais, do trânsito em julgado dos processos judiciais e dos créditos da empresa já foram analisadas e resolvidas. O pleito já foi deferido em função da existência de processo judicial, onde se aguarda a decisão definitiva quanto aos créditos pretendidos, porque a requerente não teria comprovado o seu fim. O prolator da decisão entendeu que por ter a certidão de objeto e pé apresentada, mencionado que a União ainda deveria manifestarse sobre cálculos apresentados nos autos, o processo não teria acabado. O processo judicial transitou em julgado e que a manifestação necessária certamente se refere a custas ou outros. Nestes autos administrativos foi reconhecido o direito da Autora, cabendo somente a verificação dos valores. O presente processo administrativo foi intentado por ordem judicial, que reconheceu os créditos. Na ação ordinária nº 91.00022047, a empresa discutiu a inconstitucionalidade da majoração da alíquota do FINSOCIAL, efetivando o depósito dos valores mensais questionados, entre maio/91 e março/92, até a decisão definitiva, quando levantou os valores que lhe eram devidos em tais depósitos. Na ação ordinária nº 94.00059612 foi discutida a inconstitucionalidade da majoração da alíquota do FINSOCIAL, desta vez, pretendendo a confirmação da inconstitucionalidade e a restituição ou compensação dos valores que foram anteriormente pagos, entre setembro/89 e abril/91, até a decisão definitiva, quando apresentou o pedido administrativo de compensação constante destes autos, de tudo informando o Juízo. A segunda ação determinou expressamente o acatamento da compensação pretendida aos limites impostos pela própria sentença. Fl. 516DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 4 Quanto ao questionamento sobre a inexistência ou desistência de execuções judiciais referentes às sentenças proferidas, além de descabidas e mesmo imorais, não têm qualquer procedência ou possibilidade de atendimento. No processo nº 94.00059612, a sentença, que é título executivo judicial, determinou a efetivação da compensação e o pagamento de honorários aos advogados, que já receberam tais valores. Se a União já efetuou os pagamentos aos advogados nada mais há a discutir quanto a este ponto. A União não se manifesta nos autos deste processo judicial, acarretando prejuízo à requerente. A desistência da execução ou de assunção dos honorários advocatícios por parte das empresas, aplicase para processos que não chegaram ao fim e em que a empresa pretenda a compensação com concessões mútuas. No presente caso já há um título judicial perfeito e acabado, cabendo apenas à Administração Pública cumprir as determinações impostas. A determinação judicial é para que a Administração Pública verifique a correção dos valores e índices de atualização utilizados. A Decisão atacada indeferiu o pleito já deferido em função da existência de processo judicial, entendendo que pelo fato de a certidão de objeto e pé apresentada ter mencionado que a União ainda deveria manifestarse sobre cálculos apresentados nos autos, o processo ainda não teria acabado. O processo já transitou em julgado e que a manifestação necessária certamente se refere a detalhes sobre custas ou outros. Nestes autos administrativos foi reconhecido o direito da autora, cabendo agora somente a verificação dos valores. O presente processo administrativo já foi julgado, em última instância administrativa, tendo sido decidido pela razão da requerente que teve seus créditos reconhecidos judicial e administrativamente e também reconhecido o seu direito de compensálos com os tributos indicados, bem como tudo o que se pediu, restando apenas a tarefa de se verificar os valores. Ao final requer seja determinado o prosseguimento do feito nos termos da decisão já proferida pela CSRF, reconhecendo todo o crédito e demais direitos da Autora, julgando integralmente procedente o presente processo administrativo de compensação, reformando a decisão proferida para novamente, como já feito pela CSRF, deferir e homologar o pedido formulado de restituição/compensação. É o relatório. Fl. 517DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13766.000635/9965 Acórdão n.º 3202001.087 S3C2T2 Fl. 516 5 A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro II julgou improcedente a impugnação, proferindo o Acórdão DRJ/RJ2 n.º 1332.491, de 29/11/2010 (fls. 414/417), assim ementado: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/09/1989 a 30/04/1991 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO A autoridade da Receita Federal do Brasil competente para dar cumprimento à decisão judicial definitiva poderá exigir do sujeito passivo, como condição para a efetivação da restituição, que lhe seja apresentada cópia do inteiro teor da decisão. Manifestação de inconformidade improcedente Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, recurso voluntário de fls. 494/501, por meio do qual alega: O processo administrativo já foi julgado. Impossível duas decisões no mesmo processo administrativo. A decisão recorrida decidiu indeferir o que já havia sido deferido. Cabe apenas a definição dos valores. Havendo decisão anterior, a decisão recorrida deve ser anulada. O crédito objeto da compensação está com a exigibilidade suspensa. Os créditos pleiteados derivam do extinto Finsocial. A decisão indeferindo o pedido de compensação só foi proferida em 01/10/2003, enquanto que o pedido foi protocolado em 16/02/1998, em prazo, portanto, superior ao de cinco anos para a sua homologação. Ocorreu a homologação tácita. A decisão recorrida tem como pressuposto para a sua conclusão final o de que é vedada a compensação de crédito objeto de discussão judicial. Ocorre que o pedido de compensação de crédito do extinto Finsocial foi apresentado com base no art. 74 da Lei n.º 9.430, de 1996, que permite a compensação com quaisquer tributos administrados pela RFB, independentemente de existir ação judicial, quiçá com trânsito em julgado. A Instrução Normativa – IN n.º 32, de 1997, convalidou a compensação de créditos do Finsocial com débitos da Cofins. Não se aplica ao caso o art. 170A do CTN, uma vez que se refere às ações em que o sujeito passivo está contestando judicialmente o débito objeto do pedido de compensação, o que não ocorre na presente situação. Na ação ordinária de n.º 91.00022047, a Recorrente discutiu a inconstitucionalidade da majoração da alíquota do Finsocial, efetivando o depósito de valores mensais (entre maio de 1991 a março de 1992) até a decisão definitiva, quando os levantou. Na ação ordinária de n.º 91.00059612, também discutiu a mesma inconstitucionalidade, dessa feita pretendendo a sua confirmação e a restituição ou compensação dos valores pagos entre setembro de 1989 a abril de 1992, até a decisão definitiva, quando apresentou o pedido de compensação constante dos autos. Como a RFB impede a todo custo a compensação permitida Fl. 518DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 6 em lei, teve que ingressar com uma segunda ação, para determinar o acatamento da compensação, nos limites impostos pela própria sentença. Quanto ao questionamento sobre a inexistência ou desistência das execuções judiciais, não tem procedência, pois não existe qualquer processo executivo. No caso, já existe um título judicial, cabendo apenas à Administração cumprilo. A determinação judicial é para que se verifique a correção dos valores e índices de correção utilizados. Nada mais. Por fim, cabe ressaltar que o presente processo administrativo já foi julgado na última instância administrativa. Opina para que seja indicado um perito ou contador para auxiliar o encarregado dessa tarefa. Ao final, requer o reconhecimento de todo o crédito e demais direitos, julgando procedente a compensação. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A Recorrente teve o seu pleito de restituição de créditos de Finsocial indeferido na origem em face do entendimento de que já havia perecido, pela prescrição, o direito pleitear a restituição. Todavia, depois de analisada a matéria pela DRJ e pelo então Conselho de Contribuintes, a CSRF, em decisão definitiva, entendeu, ao apreciar Recurso Especial de Divergência então aviado pela PFN, que a prescrição não ocorrera, razão por que remeteu os autos à unidade de origem para análise dos demais requisitos necessários ao deferimento do pedido, “tais como a subsunção das atividades comerciais desenvolvidas pelo contribuinte àquelas sobre as quais pairou a declaração de inconstitucionalidade, aferição dos cálculos apresentados, eventual existência de ações judiciais com desfecho favorável à Fazenda Nacional cuidando dos mesmos créditos, entre outros”. Como se vê, a decisão proferida pela CSRF, tal como entendeu a instância a quo, não conferiu à Recorrente o direito à restituição, mas apenas ultrapassou óbice intransponível ao deferimento do pleito – no caso, a prescrição. Nada obstante, embora intimada três vezes a apresentar a documentação cuja análise se tornava necessária ao prosseguimento do processo administrativo – notadamente o inteiro teor das ações judiciais (petição inicial e decisões) –, a Recorrente permaneceu inerte. Sequer na nova manifestação de inconformidade – e, ressalto eu aqui, também no novo Recurso Voluntário –, nada apresentou, o que tornou impossível o deferimento do pleito. Nesse contexto, não havia mesmo como deferilo (consoante conhecido brocardo jurídico, o direito não socorre os que dormem). A propósito, não cabia ao Fisco a tarefa de ir ao Poder Judiciário para obter cópias das peças processuais, mas ao próprio Recorrente, interessado único na restituição. Por fim, cabe ressaltar que a decisão inicialmente proferida pela unidade de origem – essa é a que constitui o verdadeiro o marco final para a verificação da ocorrência da Fl. 519DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13766.000635/9965 Acórdão n.º 3202001.087 S3C2T2 Fl. 517 7 homologação tácita – é datada de 14/01/2000. Como os pedidos de compensação não foram todos acostados aos autos em datas bem anteriores a 14/01/1995 (cinco anos antes), não ocorreu, em relação a quaisquer deles, a homologação de que trata o § 5º do art. 74 da Lei n.º 9.430, de 1996. Pelo exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 520DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 10580.722161/2012-70
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Mar 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 20/03/2012
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTERPOSIÇÃO EXTEMPORÂNEA. PRAZO LEGAL ULTRAPASSADO. SITUAÇÃO QUE VEDA ADENTRAR AO MÉRITO.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2803-002.998
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso em razão da intempestividade.
(Assinado digitalmente).
Helton Carlos Praia de Lima. -Presidente
(Assinado digitalmente).
Eduardo de Oliveira. Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira Santos, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201402
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 20/03/2012 RECURSO VOLUNTÁRIO. INTERPOSIÇÃO EXTEMPORÂNEA. PRAZO LEGAL ULTRAPASSADO. SITUAÇÃO QUE VEDA ADENTRAR AO MÉRITO. Recurso Voluntário Não Conhecido.
turma_s : Terceira Turma Especial da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Mar 07 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10580.722161/2012-70
anomes_publicacao_s : 201403
conteudo_id_s : 5328842
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Mar 07 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2803-002.998
nome_arquivo_s : Decisao_10580722161201270.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : EDUARDO DE OLIVEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10580722161201270_5328842.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso em razão da intempestividade. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. -Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira Santos, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato.
dt_sessao_tdt : Tue Feb 18 00:00:00 UTC 2014
id : 5327016
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:19:00 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046591161499648
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1522; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE03 Fl. 213 1 212 S2TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.722161/201270 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2803002.998 – 3ª Turma Especial Sessão de 18 de fevereiro de 2014 Matéria CP: AUTO DE INFRAÇÃO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS EM GERAL. Recorrente CAPITAL TRANSPORTES URBANOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 20/03/2012 RECURSO VOLUNTÁRIO. INTERPOSIÇÃO EXTEMPORÂNEA. PRAZO LEGAL ULTRAPASSADO. SITUAÇÃO QUE VEDA ADENTRAR AO MÉRITO. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso em razão da intempestividade. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. – Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira Santos, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 21 61 /2 01 2- 70 Fl. 213DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10580.722161/201270 Acórdão n.º 2803002.998 S2TE03 Fl. 214 2 Relatório O presente Processo Administrativo Fiscal – PAF encerra o Auto de Infração de Obrigação Acessória AIOA DEBCAD 51.003.3199, CFL.30, devido deixar a empresa de preparar folha(s) de pagamento(s) das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social, conforme previsto na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, I, combinado com o art. 225, I e parágrafo 9º, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99. Para órgão gestor de mãodeobra, referente ao trabalhador portuário avulso: Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, I, combinado com o art. 225, I e parágrafos 10, 11 e 12, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, bem como o Auto de Infração de Obrigação Acessória AIOA DEBCAD 51.003.3202, CFL.34, devido deixar a empresa de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos, conforme previsto na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, II, combinado com o art. 225, II, e parágrafos 13 a 17 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, assim como o Auto de Infração de Obrigação Acessória AIOA DEBCAD 51.003.3210, CFL.59, devido deixar a empresa de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço, conforme previsto na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 30, inciso I, alínea "a", e/ou dos segurados contribuintes individuais, conforme o disposto na Lei n. 10.666, de 08.05.03, art. 4., "caput" e no Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, art. 216, inciso I, alínea "a", conforme Relatório Fiscal do Auto de Infração – REFISC, de fls. 08 a 15, com período de apuração de 01/2008 a 12/2008, conforme Termo e Início de Procedimento Fiscal TIPF, de fls. 122 e 123. O sujeito passivo foi cientificado das autuações, em 26/03/2012, conforme Folha de Rosto do Auto de Infração de Obrigação Acessória – AIOA, de fls. 02; 03 e 04, respectivamente. O contribuinte apresentou sua defesa, em 23/04/2012, as fls. 133 a 148, acompanhada dos documentos, de fls. 149 a 163. Não há manifestação quanto a tempestividade da impugnação. O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 1532.682 7ª, Turma DRJ/SDR, em 03/06/2013, fls. 164 a 179. No qual a impugnação foi considerada improcedente. O contribuinte tomou conhecimento desse decisório, em 02/08/2013, conforme AR, de fls. 212. Irresignado o contribuinte impetrou o Recurso Voluntário, petição de interposição com razões recursais, as fls. 200 a 210, recebido, em 17/09/2013, conforme carimbo de recepção, de fls. 200, desacompanhado de qualquer documento. Fl. 214DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10580.722161/201270 Acórdão n.º 2803002.998 S2TE03 Fl. 215 3 As razões recursais não serão sumariadas, o que explicará no voto. A autoridade preparadora não se manifestou quanto a tempestividade do recurso. Não consta despacho de remessa ao CARF. É o Relatório. Fl. 215DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10580.722161/201270 Acórdão n.º 2803002.998 S2TE03 Fl. 216 4 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira. O recurso voluntário é INTEMPESTIVO e, ainda, que preenchido os demais requisitos de sua admissibilidade ele não merece ser apreciado. O contribuinte recorrente tomou ciência do Acórdão da DRJ/SDR, em 02/08/2013, conforme AR, de fls. 212, todavia só aviou o Recurso Voluntário, em 17/09/2013, conforme carimbo de recepção, de fls. 200. Desta forma, não ultrapassado o requisito de admissibilidade recursal, o mérito não deve ser apreciado. Esta é a razão pela qual não sumariamos as teses recursais. CONCLUSÃO: Pelo exposto voto por não conhecer do recurso, em razão de sua INTEMPESTIVIDADE. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 216DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
score : 1.0
