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Numero do processo: 10920.000391/2006-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 18 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Jun 18 00:00:00 UTC 2009
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/07/2005
Recurso de Oficio. Alteração do Limite de Alçada. Efeitos.
A alteração do limite de alçada revela mudança nos critérios delineadores do interesse processual por parte da Administração Pública. De se aplicar, portanto, o novo limite aos recursos de oficio pendentes de julgamento por este Colegiado.
Homenagem ao princípio da eficiência administrativa, definido no art. 37 da Constituição Federal de 1988.
Multa Isolada por Compensação Não Declarada. Cabimento.
A apresentação de Declaração de Compensação baseada em créditos de natureza diversa da tributária é passível de penalização com a multa estabelecida no art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003.
Retroatividade Benéfica. Condições e Limites
A mera alteração do texto legal não é suficiente para afastar a imposição de penalidade pela aplicação da retroatividade benéfica gizada no inciso II do art. 106 do CTN.
Exige-se que a nova redação deixe de considerar a conduta uma infração ou tratá-la como contrária às normas. Se o texto novel passar a impor penalidade menos severa do que redação original, aplicar-se-á a última redação.
Numero da decisão: 3201-000.217
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, não tomar onhecimento do recurso de oficio e negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: Luis Marcelo Guerra de Castro
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Fl. 214 attt `Rt MINISTÉRIO DA FAZENDA..0 '' '‘';' .. • ,c1:-- CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO•.%, - -.W,001 Processo n" 10920.000391/2006-38 Recurso n" 140.886 De Ofício e Voluntário Acórdão n" 3201-00.217 — r Câmara / I' Turma Ordinária Sessão de 18 de junho de 2009 Matéria MULTA DIVERSA Recorrente DM-FLORIANÓPOLIS/SC Interessado TRANSMAGNA TRANSPORTES LTDA ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2004 a 31/07/2005 Recurso de Oficio. Alteração do Limite de Alçada. Efeitos. A alteração do limite de alçada revela mudança nos critérios delineadores do interesse processual por parte da Administração Pública. De se aplicar, portanto, o novo limite aos recursos de oficio pendentes de julgamento por este Colegiado. Homenagem ao princípio da eficiência administrativa, definido no art. 37 da Constituição Federal de 1988. Multa Isolada por Compensação Não Declarada. Cabimento. • A apresentação de Declaração de Compensação baseada em créditos de natureza diversa da tributária é passível de penalização com a multa • estabelecida no art. 18 da Lei tf 10.833, de 2003. Retroatividade Benéfica. Condições e Limites A mera alteração do texto legal não é suficiente para afastar a imposição de penalidade pela aplicação da retroatividade benéfica gizada no inciso II do art. 106 do CTN. Exige-se que a nova redação deixe de considerar a conduta uma infração ou tratá-la como contrária às normas. Se o texto novel passar a impor penalidade menos severa do que redação original, aplicar-se-á a última redação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da r Câmara / I" Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, não tomar conhecimento do recurso de oficio e negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. .f2 i Processo a° 10920.000391/2006-38 s3-c21't Acórdão n." 3201-00.217 Fl. 215 LUIS ARCELO GUERRA DE CASTRO Presidente e Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Anelise Daudt Prieto, Minei Gama, Nilton Luiz Bartoli, Vanessa Albuquerque Valente, Heroldes Bahr Neto, Irene Souza da Trindade Torres e Celso Lopes Pereira Neto. 1 Processo n" 10920.000391/2006-38 S3-C2T1 Acórdão o." 3201-00.217 1:1. 216 Relatório Por bem descrever a matéria litigiosa, adoto relatório que embasou a decisão recorrida, que passo a transcrever: Por meio dos Autos de Infração às . folhas 60 a 69, ,foram exigidas da contribuinte acima qualificada as imponâncias de R$ 947.064,91 ("novecentos e quarenta e sete mil, sessenta e quatro reais e noventa e um centavos) e de R$ 205.612,78 (duzentos e cinco mil, seiscentos e doze reais e setenta e oito centavos), a titulo de Multa Isolada aplicada em . face de compensação indevida de créditos tributários, e referente ao período que vai de 01/08/2005 a 31/11/2005. Em consulta à "Descrição dos Fatos e Enquadramento(s) Legal(is)", às folhas 62 e 67, e ao 'Termo de Verificação Fiscal", às folhas 51 a 59, verifica-se que a autuação se deu em razão de a Delegacia da Receita Federal em Joinville/SC, por meio do Despacho Decisório às folhas 38 a 49, ter considerado como não-declarada as compensações formalizadas pela contribuinte no âmbito do processo n.° 10920.000085/2006-00. No que se refere especificamente à matéria objeto do presente processo, o Despacho Decisório caracterizou a compensação como não-declarada em face da utilização, pela contribuinte, de créditos expressamente vedados pelo artigo 74, parágrafo 12.0. inciso II, alínea "e", da Lei n.° 9.430/1996 (tais créditos referem- se a obrigações emitidas pela Fleti-obras, portanto créditos não relacionados a tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal). - Em face, assim, da compensação tida por não-declarada, .foi lavrado o Auto de Infração com a exigência da multa isolada prevista no artigo 18 da Lei a.° 10.833/2003 (com a redação •dada pela Medida Provisória a.' 252, de 15/06/2005, depois convertida na Lei n.° 11.196, de 21/11/2005). No lançamento da multa isolada, foi usado o percentual de 150%. previsto no inciso titio artigo 18 da Lei n.° 10.833/2003, em razão de que, segundo a autoridade ,fiscal, a utilização de créditos não permitidos em lei evidencia, por si só, o evidente intuito defraude. Concomitamemente, foi Ibrmalizada representação . fiscal para fins penais (constante do processo a." 10920.000392/2006-82). Irresignada com o feito fiscal, encaminhou a contribuinte a impugnação às folhas 71 a 90, na qual expõe suas razões de contestação. Depois de, no item I (folha 72), fazer uma Slitnária descrição dos fatos que nortearam a autuação, trata a contribuinte de. nos P rocesso 10920.000391/2006-38 s3-C2T1 Acórdào 3201-00.217 A. 217 itens [I e IV ('folhas 72 a 76 e 79 a 82). insurgir-se contra a o indeferimento de sua compensação ou, por outras palavras. COM a caracterização de sua compensação como "não-declarada". Discorre longamente sobre a pretensa natureza tributária do empréstimo compulsório da Eletrobrás (que deu origem às obrigações utilizadas na compensação), sobre a .fidta de disposição legal expressa proibindo a compensação destes créditos, sobre competência da Secretaria da Receita Federal para restituir os valores relativos às obrigações da Eletrobrás etc. Todas estas alegações não serão aqui minudentemente relatoriadas, em /?ice daquilo que se prolatará no voto deste Acórdão. Na item III, as filhas 76 a 79, contesta a contribuinte a caracterização do intuito defraude, utilizado como base para a imposição da multa isolada no percentual de 150%. Entende que não existe disposição legal expressa impedindo a compensação -dos créditos utilizados, que o crédito tem natureza tributária e que não omitiu nenhum dos elementos do fato gerador ou .fracionou ou retardou o pagamento do tributo. Alega a contribuinte, ainda, não ser possível a caracterização da fraude, em face de que os procedimentos relativos à restituição e à compensação foram formalizados nos estritos limites do permitido por ato administrativo da própria Secretaria da Receita Federal. Ademais, argumenta no sentido de que espontaneamente declarou todos os seus débitos ao órgão .fazendário, não sendo esta conduta condizente co!;? a postura de quem quer fraudar o fisco (como diz à folha 78, "a declaração de compensação apresentada, implica em confissão de dívida afastando, por si só, o conceito legal defraude",). Por tais razões, entende descabida a aplicação da multa de 150%. No item V, às folhas 82 a 86, contesta a contribuinte a medida da autoridade .fiscal de, concomitantemente co?;? a autuação, ter lavrado a representação fiscal para . fins penais. Após repelir seus argumentos referentes à inexistência de . fraude, alega que "é pacifica a jurisprudência em afirmar que, enquanto não se constituir, definitivamente, em sede administrativa, o crédito tributário, não se terá por caracterizado, no plano da tipicidade penal, o crime contra a o pilem tributária. Em conseqüência, e por ainda . não se achar configurada a própria criminalidade da conduta do agente, sequer é lícito cogitar-se representação para fins penais, sob pena de . ferir os princípios constitucionais assegurados na Constituição Federal, quais sejam, o contraditório, a ampla defesa e o devido processo legal" (folha 82). Argumenta, ainda, que o artigo 83 da Lei n.' 9.430/1996, já declarado constitucional pelo STF', prevê o encaminhamento da representação ao Ministério Público apenas depois da decisão administrativa .final acerca da exigência fiscal, razão pela qual a conduta da autoridade .fiscal de lavrar imediatamente a representação desrespeita a letra da lei, as posições de nossos 017 Tribunais Superiores e as garantias constitucionais. 4 Processo o" 10920.000391/2006-38 S3-C2T1 Acórdão n." 3201-00.217 Fl. 218 I;o item VI, às folhas 86 a 89, afirma a contribuinte, por razões de variada ordem, que a imposição da multa isolada de 150% ofende o princípio da vedação ao confisco previsto no inciso IV do (migo 150 da Constituição Federal, sendo, portanto, inconstitucional. Ponderando tais argumentos e as demais razões expostas no voto condutor do acórdão recorrido, decidiu o órgão julgador de l a instância manter parcialmente a exigência inicial, conforme se observa na ementa abaixo transcrita: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2004 a 31/07/2005 Ementa: COMPENSAÇÃO "NÀO-DECLARADA". MULTA ISOLADA QUALIFICADA. CRITÉRIO DE APLICAÇÃO - Nos casos de compensação tida como não-declarada, a imposição da multa isolada de 150% demanda comprovação material do evidente intuito defraude do contribuinte, não bastando a mera evidenciação de que houve a utilização de créditos expressamente vedados por lei à compensação. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2004 a 31/07/2005 ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E 1NCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS • INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO - As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no Pais, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. Lançamento Procedente em Parte Mantendo sua irresignaçào, compareceu a recorrente novamente aos autos pugnando pela total improcedência da multa aplicada, essencialmente, pelos mesmos fundamentos aduzidos por ocasião da instauração da fase litigiosa. Consta ainda da decisão de 1" instância em razão do montante exonerado ser superior àquele disciplinado na Portaria MF n 0 375 de 2001 (R$ 500.000,00). O recurso de oficio foi conhecido e julgado pelo e. Segundo Conselho de Contribuintes, que lhe negou provimento. Dada a não apresentação de garantia recursal, o recurso voluntário não foi conhecido por aquele colegiado. Sobrevieram embargos de declaração interpostos pela então presidente da Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, dando noticia da concessão de medida liminar nos autos do mandado de segurança n° 2007.72.01.001393-4, determinando o processamento do recurso voluntário independentemente da apresentação da reclamada garantia recursal. Após minuciosa análise da legislação afeta à distribuição da competência material entre os extintos Conselhos de Contribuintes, decidiu aquela e. primeira turma anular Processo ii 10920.000391/2006-38 S3-C2T1 Acórclà0 n." 3201-00.217 H. 219 o acórdão que enfrentou o recurso de oficio e declinar da competência para julgar, tanto a matéria submetida a reexame pelas autoridades de 1" instância, quanto a trazida pelo sujeito passivo, em favor do então Terceiro Conselho de Contribuintes, cuja competência foi redistribuída para esta Terceira Seção do CARF, por força da Portaria MF 41, de 17.02.2009. É o Relatório. 6 Processo n" 10920.000391/2006-38 S3-C211 Acórdão il.' 3201-00.217 Fl. 220 Voto Conselheiro LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Relator Em nome da clareza, analiso separadamente o recurso de oficio e voluntário aduzidos perante este Colegiado. 1- Recurso de Ofício Antes de discutir o mérito do presente recurso de oficio, cabe a este coleuiado decidir se dele se deve tornar conhecimento. Tal manifestação tornou-se necessária em função da recente alteração no "limite de alçada", fixado nos termos do inciso 1 do art. 34 do Decreto n" 70.235, de 1972, conforme a redação atribuída pelo art. 67 da Lei n° 9.532,de 1997'. A época da prolação da decisão de 1" instância, vigia a portaria MI; n°375 de 2001, que determinava a apresentação do correspondente recurso de oficio de acórdão que exonerasse o contribuinte de exigência superior a R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais). Antes da data do presente julgamento, entrou em vigor a Portaria ME n' 3, publicada no DOU de 07/01/2008, que estabeleceu um novo limite para interposição de recurso de oficio. A partir de então somente caberia manifestação deste órgão de 2" instância nas hipóteses em que a desoneração superasse R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais), valor que não é atin g indo pela exigência debatida no presente processo. A dúvida que se impõe é, sabendo-se que, à luz do art. 1.211 2 do Código de Processo Civil, a lei nova não atinge os atos processuais já praticados, nem setes (feitos, mas - se aplica aos atos processuais a praticar, sem limita çães relativas às chamadas limes processuais, conforme ratifica Dinamarco 3 , qual seria a norma a considerar no momento em que se julga a admissibilidade do recurso. A que vigia no momento da sua apresentação ou no do seu julgamento. É fato que a jurisprudência tem se inclinado no sentido de que a lei disciplinadora do cabimento do recurso é aquela que vige no momento da publicação da sentença4. Entretanto, há que se relembrar que, no vertente processo, não está se discutindo o cabimento do recurso como ato de insurgência da parte vencida, mas de remessa Ar!. 34. A autoridade de primeira instância recorrerá de oficio sempre que a decisão: 1 - exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e decorrentes) a ser fixado em ato do Ministro de Estado da Fazenda. (Redação dada pelo art. 67 da Lei no 9.532/97) 2 Art. 1.211. Este Código regerá o processo civil em todo o território brasileiro. Ao entrar em vigor, suas disposições aplicar-se-ão desde logo aos processos pendentes. 3 Candido Rangel Dinamareo. Teoria geral do processo. São Paulo, Malbeiros Editores, 14" ed. p.99: 4 Curso Amwodo de Direito Processual Civil. P. 61 7 Processo o" 10920,000391/2005-38 S3-C2T I Acórdão o." 3201-00.217 Fl. 221 oficial, onde a própria administração pública submeteu a sua decisão à consideração de instância superior, como meio de evitar que, eventuais equívocos do julgador levem a prejuízo de maior vulto ao Erário Público. Nessa esteira, penso que a discussão acerca da exegese do art. 1211 não pode olvidar da revisão dos critérios orientadores do interesse processual da administração pública promovido pelo ato inovador e, principalmente, do princípio da eficiência administrativa, gizado no art. 37 da Constituição Federal de 1988 . Acerca do Interesse Processual, trago à colação as ponderações de José Roberto Bedaque, que, com a habitual precisão pondera' O interesse processual está ligado à idéia de a via processual somente ser utilizada quando realmente necessária, nzediante a adoção de técnica adequada aos objetivos visados, sem desperdício de tempo e energia. É a concepção de utilidade do processo, informada pelo binómio necessidade/adequação) Ora, se a administração definiu que os processos cujo montante exonerado • não superasse R$ 1.000.000,00, julgados a partir da data de publicação da norma, não deveriam ser submetidos à consideração da instancia superior, é porque o interesse processual no prosseguimento de processos com idênticas características efetivamente encontra-se mitigado Por outro lado, não se pode olvidar a necessidade de se observar o principio da eficiência administrativa. Sabendo-se que os recursos disponíveis são limitados, a decisão de julgar a lide referente ao presente processo, implica necessariamente deixar de julgar, naquele momento, outro processo onde o interesse das partes permanece inalterado. Sobre o princípio da eficiência, lembra Maria Sylvia Zanella ch Pietro ó • Hely Lopes Meirelles (1996:90-91) fala na eficiência como um dos de veres da Administração Pública, definindo-o como "o que se impõe a todo agente público de realizar suas atribuições . COM - presteza, perfeição e rendimento funcional. É o mais moderno principio da .função administrativa, que já não se contenta uni ser desempenhada apenas com legalidade, exigindo resultados positivos para o serviço público e satisfatório atendimento das necessidades da comunidade e de seus membros". Ante ao exposto, voto no sentido de não tomar conhecimento do presente recurso de ofício. 2- Recurso Voluntário Diverso é o tratamento a ser dispensado ao recurso voluntário, cuja admissibilidade é alvo, inclusive, de decisão judicial. Dele se deve tomar conhecimento. 5 Efetividade do Processo e Técnica Processual. São Paulo. Malheiros, 2006, p. 359 6 Direito Administrativo. Sào Paulo Ed. Atlas 15' edição p. 83 (07 Processo n" 10920.000391/2006-38 53-C2T1 Acórdão n." 3201410.217 Fl. 222 De qualquer sorte, é importante fixar que não mais se encontra em discussão o reconhecimento do direito de extinguir débitos tributários com os créditos delicados nas Dcomp apontadas no relatório fiscal que embasa a exigência. Tal matéria prejudicial enfrentada nos autos do processo administrativo n° 10920.000085/2006-00, arquivado na Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joinville7. Assim sendo, apesar da extensa argumentação da recorrente acerca da le gitimidade da compensação pleiteada, penso que compete a este colegiado apreciar exclusivamente se a conduta narrada se subsume ou não a uma das demais hipóteses elencadas no caput do art. 18 da lei n o 10.833, de 2003. Conforme se verifica da leitura dos autos, a recorrente apresentou declarações de compensação pretendendo quitar dividas tributárias com créditos decorrentes de títulos advindos de empréstimo compulsório em favor da Eletrobrás. Independentemente da análise sobre os elementos subjetivos que motivaram a -recorrente, já enfrentados por ocasião do julgamento proferido pelo órgão julgador a quo, penso que a conduta descrita, indiscutivelmente, se subsumiu à norma instituidora de penalidade. Em primeiro lugar, a compensação em discussão era realmente indevida. Para se chegar a essa conclusão basta fazer uma leitura do art. 170 do Código Tributário Nacional (Lei n" 5.172, de 1966) em conjunto com o art. 74 da Lei n" 9.430, de 1996, conforme redação alterada pela Lei n° 10.637, de 2002, abaixo transcritos: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir ó autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e Certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e -contribuições administrados por aquele órgão. Com efeito, o Código Tributário Nacional delegou para a lei ordinária o papel de disciplinar a débitos tributários com créditos contra a Fazenda Pública e a Lei 9.430, de 1996, fazendo uso dessa delegação, restringiu essa possibilidade aos créditos de natureza tributária. Inquestionável, portanto, a impossibilidade de compensação nos termos em que foi pleiteada. Em segundo lugar, para que se aplique a multa objeto do presente recurso exige-se que, além de indevida, a compensação declarada se enquadre em uma das seguintes hipóteses: 7 Consulta realizada em 03/06/2009, no endereço eletrônico Intp://comprodazenda.gov.hr/e-govidefault.asp 9 Processo o" 10920.000391/2006-38 S3-C2T1 Acórdão o." 3201-00.217 Fl. 223 a) que se configure fraude, sonegação ou conluio, definidos nos art. 71 a 73 da Lei n°4.502, de 19648; b) que a utilização do crédito declarado encontre-se expressamente vedada por lei; ou c) que o crédito que se pretendeu utilizar tenha origem estranha aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), à época Secretaria da Receita Federal (SRF). Sendo certo que, corno já se pronunciou o extinto Terceiro Conselho de Contribuintes, por meio da Súmula 3°CC n" 6, não compete à Secretaria da Receita Federal promover a restituição de obrigações da Eletrobrás nem sua compensação com débitos tributários, demonstrasse irreparável, a meu ver, o acórdão hostilizado. Não custa relembrar, nessa senda, que apesar da preocupação demonstrada pela recorrente em afastar as circunstâncias elencadas nos art. 71 a 73 da Lei n°4,502, de 1964, a imputação da multa ora discutida não se limita àquelas hipóteses, que foram expressamente descartadas pela autoridade julgadora a quo. De se acrescentar, ademais, que o art. 18 da Lei n" 10.833. de 2003, sofreu duas alterações desde a publicação da sua versão original, mas que nenhuma dessas alterações deixou de apenar a conduta verificada. Senão vejamos: A primeira alteração da redação do dispositivo em debate foi promovida pelo art. 25 da Lei n" 11.051, de 29 de dezembro de 2004. "Art. 18. O lançamento de oficio de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.158-35, de 24 de agosto de 2001, limitar-se-á á imposição de multa isolada em mulo da não- homologação de compensação declarada pelo sujeito passivo nas hipóteses em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964. § 2" A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso II do capta ou no § 2" do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, conlbrme o caso, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. § 4" A multa prevista no caput deste artigo também será aplicada quando a compensação for considerada não declarada Ao . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retaniar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade Ihzendaria: I - da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias matenais: 11 - das condições pessoais de conuibuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributáno correspondente. Ao . 72. Fraude é lerda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou paizialmcnte, a ocorrência do fato gerador da obrigação hibutána principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do i mpten o devido a eviiar ou diferir o seu pagamento. An . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pwsoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos aos. 71 e72. 10 Processo n" 10920.000391/2006-38 S3-C2T1 .•• Acórdão n." 3201-00.217 ri. 224 nas hipóteses do inciso lido § 12 do art. 74 da Lei n°9.430, de 27 de dezembro de /996." (destaquei) A seu turno, o Inciso lido § 12 do art. 74 da Lei n°9.430, de 1996, conforme redação fornecida pela mesma Lei n" 11.051, de 2004, dispõe: § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: II - em que o crédito: u) seja de terceiros; b) refira-se a "crédito-prêmio" instituído pelo art. I" do Decreto- Lei n" 491, de 5 de março de 1969; c) refira-se a título público: d) seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado; ou e) não se refira a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal - SRF. Finalmente, o dispositivo em questão foi novamente alterado pelo art. 18 da Medida Provisória 351, posteriormente convertida na Lei 11.488, de 16 de junho de 2007, passando a vigorar com a seguinte redação: "Art. 18. O lançamento de oficio de que trata o art. 90 da Medida Provisória n 2 2.158-35, de 24 de agosto de 2001, limitar- se-á à imposição de multa isolada em razão de não- homologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. § 2" A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do an. 44 da Lei n' 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro. e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado, § 4" Será também exigida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado quando a compensação .fár considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei 112 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicando-se o percentual previsto no inciso 1 do caput do art. 44 da Lei 17' 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicado na 'Urina de seu § I', quando for o caso. (os grifos não constam do original) § Aplica-se o disposto no § 2do art. 44 da Lei 12 9.430, de 27 de dezembro de 1996, às hipóteses previstas nos §§ 2' e 4' deste artigo." (NR) • ; Processo n^ 10920.000391/2006-38 S3-C21'1 Acórdão a. 3201-00.217 Fl. 225 Vê-se, portanto, que apesar da redefinição da redação do art. 18 da Lei n° 10.833, de 2003, em nenhuma de suas versões, a conduta promover a compensação indevida, .• com créditos de natureza diversa da tributária, deixou de ser apenada com a correspondente multa isolada: na redação original, estava prevista no seu capta, após as alterações, passou a ser tratada no seu parágrafo 4°, em conjunto com o § 12, lido art. 74 da Lei 9.430, de 1996. Assim sendo, revela-se inaplicável ao caso concreto, a meu ver, o inciso II do art. 106 do Código Tributário Nacional, que reza: Art. 106. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito: (-) II - tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo C01710 infração; 10 quando deixe de tratá-lo COMO contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não- tenha sidtákaudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo: c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Com efeito, nem a lei posterior deixou de considerar a conduta narrada uma infração, nem de tratá-la como contrária às normas que tratam "do procedimento de compensação, nem, finalmente, passou a impor penalidade menos severa do que a discutida no presente processo. Ante ao exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 18 de junho de 2009. ARCELO GUERRA DE CASTRO - Relator 12 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1 _0000900.PDF Page 1 _0001000.PDF Page 1 _0001100.PDF Page 1 _0001200.PDF Page 1
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Numero do processo: 10925.900911/2008-26
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jul 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Data do fato gerador: 31/05/2000
PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
Não há falar em pagamento indevido ou a maior a titulo de Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL, relativo a período de apuração do ano-calendário de 2000, quando a lei que concedia o benefício de dedução da da CSLL, a título de 1/3 da COFINS Efetivamente Paga, já se encontrava revogada por expressa disposição legal desde 1º de janeiro de 2000.
Não se constatando nos autos a prova do indébito tributário alegado pela Recorrente impossível se torna a compensação pleiteada.
Numero da decisão: 1802-001.771
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 31/05/2000 PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Não há falar em pagamento indevido ou a maior a titulo de Contribuição Social sobre o Lucro Liquido — CSLL, relativo a período de apuração do anocalendário de 2000, quando a lei que concedia o benefício de dedução da da CSLL, a título de 1/3 da COFINS Efetivamente Paga, já se encontrava revogada por expressa disposição legal desde 1º de janeiro de 2000. Não se constatando nos autos a prova do indébito tributário alegado pela Recorrente impossível se torna a compensação pleiteada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 09 11 /2 00 8- 26 Fl. 126DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 Relatório Por economia processual e considerar pertinente, adoto o Relatório da decisão recorrida (fl.86) que a seguir transcrevo: Por meio do Despacho Decisório constante nos autos, foi considerada não homologada a Declaração de Compensação DCOMP transmitida pela interessada, em que figura como crédito pagamento indevido ou a maior. Na fundamentação do referido despacho, consta que: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados 'um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Irresignada com o referido decisório, a contribuinte encaminhou manifestação de inconformidade, na qual alegou, em resumo, o seguinte: que o entendimento não merece prosperar, uma vez que no período de pagamento do referido DARF, a Recorrente poderia ter compensado 1/3 da COFINS devida sobre o faturamento, mês a mês, com a contribuição social sobre o lucro liquido (CSLL); como pagou todos os valores de CSLL, nasceu o direito a postular a compensação em razão dos pagamentos indevidos ou a maior, já que dispunha de créditos de COFINS; assim, como a legislação previa a possibilidade de abater 1/3 da COFINS com a CSLL, foi o que fez a Recorrente; diante disto, não existe óbice a compensação realizada, eis que o DARF apresentado no PER/DCOMP significava tributo pago indevidamente ou a maior; postula pela suspensão do crédito tributário em discussão nos autos; transcreve o art. 8° da Lei n° 9.718/98, (fls. 03/04) e decisões judiciais que referendam a possibilidade da compensação, "[...] já que no período a Recorrente mantinha 1/3 de crédito sobre a COFINS, que poderia ter sido compensado com a CSLL, no entanto, como acabou pagando todo o valor da CSLL naquele período, ao perceber, requereu a compensação da CSLL paga, limitada ao crédito de 1/3 da COFINS no mesmo período." caso não seja este o entendimento desta Delegacia de Julgamento, que seja "[...] aplicado aos valores declarados nas declarações de compensações somente a incidência da atualização monetária, excluindose qualquer outra penalidade (juros de mora, Multa Isolada, Multa), nos termos do art. 63 e seguintes, da Lei n° 9.430/96." Fl. 127DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10925.900911/200826 Acórdão n.º 1802001.771 S1TE02 Fl. 3 3 A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (Florianópolis/SC) indeferiu o pleito, conforme decisão proferida no Acórdão nº 0725.026, de 29 de junho de 2011 (fls.86/88). O contribuinte cientificado da mencionada decisão em 04/08/2011 (ciência pessoal, fl.96), interpôs recurso ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, protocolizado em 02/09/2011. As razões aduzidas na peça recursal são, no essencial, as mesmas apresentadas na impugnação, acima relatadas, portanto, desnecessário repetilas. Finalmente requer: a) Seja recebido e processado o Recurso Voluntário para julgar insubsistente o processo administrativo n°. 10.925.900.911/200826; b) Seja homologada a declaração de compensação realizada pela recorrente em todo período transcrito no processo administrativo, por ser direito previsto na Lei 9.718/98; c) Caso não seja acatado o pedido de insubsistência acima pleiteado no item "a", por não ser este o entendimento desta Seção de Julgamento, requer seja aplicado aos valores declarados nas declarações de compensações somente a incidência da atualização monetária, excluindose qualquer outra penalidade juros de mora, Multa Isolada, Multa), nos termos do art.63 e seguintes, da Lei 9.430/96; d) Seja os créditos aqui discutidos nos termos do inciso III, do Art.151, do Código tributário Nacional e §11°, art.74, da Lei 9.430/96, considerado com exigibilidade suspensa; e) Por fim, requerse a análise através do próprio banco de dados da Receita Federal do Brasil, das DIPJs entregues pela notificada nos períodos de 1999 e 2000, por ter se passado mais de cinco anos da data de entrega de tais declarações, a notificada não possui mais a mencionada documentação. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72, dele conheço. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 O presente processo tem origem no PER/DCOMP nº 27456.51232.281004.1.3.043930 (fl.15), transmitido em 28/10/2004, em que a contribuinte pretende compensar débito com a utilização de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de CSLL (DARF: código – 2372, Período de Apuração: 30/04/2000, Data de Arrecadação: 31/05/2000, Valor: R$ 2.086,64). Conforme o despacho decisório de fl.11, emitido em 09/05/2008 não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologada a compensação declarada no PER/DCOMP, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, "não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Em sede de primeira instância, a manifestação de inconformidade apresentada em 17/06/2008(fls.01/10), foi julgada improcedente mediante o Acórdão nº 07 25.026, de 29 de junho de 2011 (fls.86/88) mantendo o despacho decisório que não homologou a compensação porque constatado que o recolhimento indicado como fonte de crédito foi integralmente utilizado na quitação de débito confessado em DCTF. A Recorrente alega que tal entendimento não merece prosperar porque o DARF informado tem origem em pagamento indevido ou a maior, pois à época de seu pagamento havia benefício expresso em lei que lhe garantia a utilização de 1/3 da Cofins com a CSLL apurada no trimestre. O art. 8° da Lei n° 9.718, de 1998, permitia ao contribuinte compensar, com a CSLL, um terço da COFINS devida sobre o faturamento, vejamos: Art. 8° Fica elevada para três por cento a alíquota da COF1NS. § 1° A pessoa jurídica poderá compensar, com a Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL devida em cada período de apuração trimestral ou anual, até um terço da COFINS efetivamente paga, calculada de conformidade com este artigo. § 2° A compensação referida no § 1°: I somente será admitida em relação à COFINS correspondente a mês compreendido no período de apuração da CSLL a ser compensada, limitada ao valor desta; II no caso de pessoas jurídicas tributadas pelo regime de lucro real anual, poderá ser efetuada com a CSLL determinada na forma dos arts. 28 a 30 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. § 3° Da aplicação do disposto neste artigo, não decorrerá, em nenhuma hipótese, saldo de COF1NS ou CSLL a restituir ou a compensar com o devido em períodos de apuração subseqüentes. § 4° A parcela da COF1NS compensada na forma deste artigo não será dedutível para fins de determinação do lucro real. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10925.900911/200826 Acórdão n.º 1802001.771 S1TE02 Fl. 4 5 Ressaltese que a possibilidade da pretendida compensação alcançava valores pagos de COFINS até o ano de 1999, com débitos de CSLL daquele mesmo ano (Lei n° 9.718/98, art. 8°, § 2°, inciso I), haja vista que o dispositivo legal citado pela Recorrente foi revogado a partir de 01 de janeiro de 2000. Após sucessivas reedições da Medida Provisória originalmente editada, a revogação encontrase no art. 93 da Medida Provisória n° 2.15835, de 24 de agosto de 2001, a seguir: Art. 93. Ficam revogados: ... III a partir de 1º de janeiro de 2000, os §§ 1° a 4° do art. 8° da Lei n° 9.718, de 27 de novembro de 1998; ... A questão dos autos remetese a período de apuração do ano calendário de 2000, portanto, o beneficio invocado pela contribuinte não pode alcançar período de apuração do ano calendário de 2000, nos moldes em que pretendido. Como se vê, na DIPJ/2001, Ficha 18A – Cálculo da Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido – CSLL (fls.29/30) não há sequer espaço específico à dedução de “um terço da COFINS devida sobre o faturamento”. Assim, não há falar em pagamento indevido ou a maior a titulo de Contribuição Social sobre o Lucro Liquido — CSLL, relativo a período de apuração do ano calendário de 2000, quando a lei que concedia o benefício de dedução da CSLL, a título de 1/3 da COFINS Efetivamente Paga, já se encontrava revogada por expressa disposição legal desde 1º de janeiro de 2000. Com efeito, não se constatando nos autos a prova do indébito tributário alegado pela Recorrente impossível se torna a compensação pleiteada. A Recorrente pede a suspensão da exigibilidade dos créditos, objeto do PERDCOMP, nos termos do inciso III, do Art.151, do Código tributário Nacional e §11°, art.74, da Lei 9.430/96. Registrese que, o recurso voluntário interposto no processo que trata de PER/DCOMP indeferido segue o rito processual do Decreto n° 70.235, de 1972, conforme determinado no § 11 do art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, de sorte que, a suspensão da exigibilidade do crédito tributário indevidamente compensado, enquadrase no disposto no inciso III do art. 151 do CTN. A Recorrente requer que, caso seja negada a compensação pleiteada, seja aplicado ao débito declarado no PER/DCOMP somente a incidência da atualização monetária, excluindose qualquer outra penalidade juros de mora, Multa Isolada, Multa, nos termos do art.63 e seguintes, da Lei 9.430/96. Sobre os débitos, temse como esclarecedora a decisão recorrida que tratou o assunto nos seguintes termos: Fl. 130DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 Já com relação à alegação final de que não seja acrescida qualquer penalidade aos valores declarados no PER/DCOMP, de se dizer apenas que os acréscimos moratórios (juros e multa) são legalmente previstos, não havendo como afastálos se os débitos não foram pagos/compensados em suas datas de vencimento. Nesse sentido, assim dispõe o vigente art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1° de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação especifica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1° A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2° 0 percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3° Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3° do art. 5°, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. Desse modo, os débitos tributários não pagos devem ser exigidos pela autoridade administrativa com os acréscimos legais previstos na legislação tributária. Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 10314.720075/2011-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jul 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Período de apuração: 01/07/2006 a 31/12/2010
RECURSO REPETITIVO. INAPLICAÇÃO.
Inaplicável o art. 62-A do RICARF para decisão do STJ que trata de exigência de CND no bojo de despacho aduaneiro de regime especial de drawback, porquanto o caso dos autos trata de exigência de CND nas importações beneficiadas com o regime automotivo.
CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITOS FEDERAIS. BENEFÍCIO FISCAL DA LEI Nº 10.182/2001. REGIME AUTOMOTIVO. CANAL VERDE. EXIGIBILIDADE.
A concessão ou reconhecimento do benefício fiscal previsto na Lei nº 10.182/2001 fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, de sua regularidade fiscal. A Secretaria da Receita Federal do Brasil poderá exigir a comprovação, pelo contribuinte, de sua regularidade fiscal, durante o procedimento de Revisão Aduaneira, para as declarações de importação parametrizadas para o canal verde de conferência aduaneira.
CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITOS FEDERAIS. BENEFÍCIO FISCAL DA LEI Nº 10.182/2001. REGIME AUTOMOTIVO. CANAL VERMELHO E AMARELO. INEXIGIBILIDADE.
A concessão ou reconhecimento do benefício fiscal previsto na Lei nº 10.182/2001 fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, de sua regularidade fiscal. A verificação da regularidade fiscal do sujeito passivo cabe à autoridade fiscal (Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil) responsável pelo procedimento de conferência aduaneira, para as declarações de importação parametrizadas para os canais amarelo e vermelho.
CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITOS FEDERAIS. SUSPENSÃO DO IPI. ART. 5º DA LEI Nº 9.826/99. INEXIGIBILIDADE.
A suspensão do IPI de que trata o artigo 5º da Lei nº 9.826/99 refere-se à condição relativa ao fato gerador da obrigação tributária e destinação, de natureza objetiva. Não se trata de uma faculdade do contribuinte, mas de um mandamento normativo, não sendo cabível a exigência de prova da regularidade fiscal do importador.
Numero da decisão: 3101-001.372
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em rejeitar a preliminar de aplicação do art. 62-A do Regimento Interno do CARF e manter a exigência de Imposto de Importação para as Declarações de Importação sujeitas ao Canal Verde de Conferência Aduaneira. Vencidos os Conselheiros Leonardo Mussi da Silva, Adriana Oliveira e Ribeiro e Luiz Roberto Domingo; e, por maioria, dar provimento ao recurso voluntário para excluir da autuação a exigência de Imposto sobre Produtos Industrializados e de Imposto de Importação para as Declarações de Importação sujeitas aos demais canais de Conferência Aduaneira. Vencido o Conselheiro Corintho Oliveira Machado, que negava provimento. Designado o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes para redigir o voto vencedor.
Henrique Pinheiro Torres - Presidente.
Corintho Oliveira Machado - Relator.
Rodrigo Mineiro Fernandes - Redator Designado.
EDITADO EM: 22/05/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Luiz Roberto Domingo, Leonardo Mussi da Silva, Rodrigo Mineiro Fernandes, Adriana Oliveira e Ribeiro e Corintho Oliveira Machado.
Nome do relator: CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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INAPLICAÇÃO. Inaplicável o art. 62A do RICARF para decisão do STJ que trata de exigência de CND no bojo de despacho aduaneiro de regime especial de drawback, porquanto o caso dos autos trata de exigência de CND nas importações beneficiadas com o regime automotivo. CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITOS FEDERAIS. BENEFÍCIO FISCAL DA LEI Nº 10.182/2001. REGIME AUTOMOTIVO. CANAL VERDE. EXIGIBILIDADE. A concessão ou reconhecimento do benefício fiscal previsto na Lei nº 10.182/2001 fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, de sua regularidade fiscal. A Secretaria da Receita Federal do Brasil poderá exigir a comprovação, pelo contribuinte, de sua regularidade fiscal, durante o procedimento de Revisão Aduaneira, para as declarações de importação parametrizadas para o canal verde de conferência aduaneira. CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITOS FEDERAIS. BENEFÍCIO FISCAL DA LEI Nº 10.182/2001. REGIME AUTOMOTIVO. CANAL VERMELHO E AMARELO. INEXIGIBILIDADE. 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AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 72 00 75 /2 01 1- 91 Fl. 9295DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 22/05 /2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/06/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHA DO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 A suspensão do IPI de que trata o artigo 5º da Lei nº 9.826/99 referese à condição relativa ao fato gerador da obrigação tributária e destinação, de natureza objetiva. Não se trata de uma faculdade do contribuinte, mas de um mandamento normativo, não sendo cabível a exigência de prova da regularidade fiscal do importador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em rejeitar a preliminar de aplicação do art. 62A do Regimento Interno do CARF e manter a exigência de Imposto de Importação para as Declarações de Importação sujeitas ao Canal Verde de Conferência Aduaneira. Vencidos os Conselheiros Leonardo Mussi da Silva, Adriana Oliveira e Ribeiro e Luiz Roberto Domingo; e, por maioria, dar provimento ao recurso voluntário para excluir da autuação a exigência de Imposto sobre Produtos Industrializados e de Imposto de Importação para as Declarações de Importação sujeitas aos demais canais de Conferência Aduaneira. Vencido o Conselheiro Corintho Oliveira Machado, que negava provimento. Designado o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes para redigir o voto vencedor. Henrique Pinheiro Torres Presidente. Corintho Oliveira Machado Relator. Rodrigo Mineiro Fernandes Redator Designado. EDITADO EM: 22/05/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Luiz Roberto Domingo, Leonardo Mussi da Silva, Rodrigo Mineiro Fernandes, Adriana Oliveira e Ribeiro e Corintho Oliveira Machado. Relatório Adoto o relato do órgão julgador de primeiro grau até aquela fase: A fiscalização na empresa GENERAL MOTORS DO BRASIL LTDA teve como objetivo verificar a regularidade da fruição dos benefícios do Regime Automotivo no período compreendido entre julho de 2006 e dezembro de 2010. Fl. 9296DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 22/05 /2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/06/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHA DO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10314.720075/201191 Acórdão n.º 3101001.372 S3C1T1 Fl. 4 3 A isenção do Regime Automotivo foi tratada pela fiscalização como mista (vinculada à destinação dos bens e à qualidade do importador), o que enseja a necessidade de comprovação de regularidade fiscal, mediante a apresentação da Certidão Negativa de Débito, ou da Certidão Positiva de Débito com Efeitos de Negativa, referente ao INSS, a apresentação da Certidão Negativa de Débito, ou da Certidão Positiva de Débito com Efeitos de Negativa, referente aos demais tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, e a apresentação do Certificado de Regularidade perante o FGTS, emitido pela Caixa Econômica Federal. A fiscalização fez o levantamento a partir do sítio da Secretaria da Receita Federal do Brasil, obtendo a lista das certidões emitidas pelo INSS no período fiscalizado, verificando que a empresa não possuía certidão negativa entre os dias 22 e 29 de agosto de 2006, entre os dias 31 de março de 2010 e 03 de maio de 2010 e nos dias 01 e 02 de novembro de 2010, tendo a empresa mencionado que, para os períodos em questão, existiam divergências relativas às contribuições previdenciárias que impediam a emissão de Certidão Corporativa no prazo regulamentar, fato que também a impedia de utilizarse de benefícios fiscais. Com relação às certidões emitidas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para os demais tributos federais, a empresa não possuía certidão negativa nos dias 25 e 26 de abril de 2010, não tendo apresentado provas de sua regularidade perante a RFB. A partir do sítio da Caixa Econômica Federal na internet, foram verificados os certificados de regularidade perante o FGTS, não havendo certificado de regularidade do FGTS emitido para os dias 18 e 19 de março de 2009, considerandose também irregular a utilização de benefícios fiscais. Em razão de não haver comprovação de quitação de tributos e contribuições federais, além de regularidade perante o FGTS, a interessada perdeu, segundo a fiscalização, o direito ao benefício do regime automotivo relativo aos períodos elencados nos três parágrafos anteriores, havendo o lançamento, relativo às importações dos períodos, de tributos e contribuições (imposto de importação, imposto sobre produtos industrializados, PIS e COFINS), multa e juros de mora. A interessada apresentou impugnação alegando, em síntese, que: cumpriu a lei 10182/2001 para fruição do benefício, comprovando sua regularidade fiscal no momento da concessão da habilitação no SISCOMEX, não havendo determinação legal quanto à necessidade de apresentação de certidão de regularidade fiscal para cada despacho efetivado na vigência do benefício. Fl. 9297DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 22/05 /2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/06/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHA DO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 o art. 60 da lei 9069/95 não fixa o momento da comprovação da regularidade fiscal. somente pode haver lei específica para a concessão de benefícios (art. 150, §6º da CF/88), no caso a lei 10182/2001, a qual prevê a regularidade fiscal apenas para habilitação no SISCOMEX, conforme linha de julgados do CARF e Tribunais, no caso de concessão de DRAWBACK. houve afronta ao princípio da razoabilidade e da proporcionalidade se para um total de 1642 dias fiscalizados estaria supostamente desamparada de certidão por exatos 33 dias, o que significa 2% do período considerado. a ausência de certidão não faz prova de inadimplência do contribuinte. em todos os períodos apontados como descobertos de certidão, compareceu aos órgãos competentes para demonstrar os equívocos e fazer as correções. pela morosidade, omissão e burocracia da administração pública ficou alguns pequenos períodos sem certidão válida, o que não significa que estava em débito. a regularidade fiscal foi demonstrada e comprovada para qualquer canal que fosse selecionado para desembaraço aduaneiro. não há prova nos autos que no desembaraço aduaneiro das mercadoria a impugnante estava sem prova de regularidade fiscal. apesar de o próprio fiscal afirmar que o momento de concessão e fruição do regime são distintos, ele ora afirma que tomou em conta o momento da fruição e depois que considerou o momento de concessão do regime. teve certidão emitida válida pelo INSS entre 31/03/2010 e 15/04/2010 requer a improcedência da cobrança. A DRJ em SÃO PAULO II/SP julgou a Impugnação Improcedente, ficando a ementa do acórdão com a seguinte dicção: Assunto: Imposto sobre a Importação II Período de apuração: 01/07/2006 a 31/12/2010 REGIME AUTOMOTIVO. Para obtenção do benefício fiscal, além do cumprimento de requisitos específicos, deve haver a regularidade fiscal no momento em que se pleiteia a isenção dos tributos incidentes sobre a importação, ou seja, no despacho aduaneiro. Impugnação Improcedente. Fl. 9298DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 22/05 /2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/06/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHA DO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10314.720075/201191 Acórdão n.º 3101001.372 S3C1T1 Fl. 5 5 Crédito Tributário Mantido. Discordando da decisão de primeira instância, a interessada apresentou recurso voluntário, onde basicamente reprisa os argumentos de primeira instância e aduz argumentos no sentido de mostrar equívocos na decisão recorrida (dentre esses a exigência de CND no registro da DI, e não no desembaraço das mercadorias aponta o cancelamento da certidão do INSS em data posterior ao desembaraço); também diz que a Lei nº 9.826/99, em momento algum condiciona a suspensão do IPI à prova de regularidade fiscal; ao final requer a reforma do acórdão a quo, para que seja cancelada a exigência fiscal do imposto de importação, e seus reflexos, ou, sucessivamente, afastada a exigência do IPI e demais reflexos. Ato seguido, a Repartição de origem encaminhou os presentes autos para apreciação do órgão julgador de segundo grau. Relatados, passo a votar. Voto Vencido Conselheiro Corintho Oliveira Machado, Relator Preenchidos os requisitos de admissibilidade, passo à apreciação do apelo. A preliminar de aplicação do art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para decisão do e. Superior Tribunal de Justiça que trata de exigência de CND nas importações ao amparo do regime especial de drawback, trazida pelo patrono da recorrente em sede de sustentação oral, por ocasião do julgamento do feito, ao meu sentir não pode prosperar, porquanto a decisão do STJ não se enquadra perfeitamente ao caso destes autos, no qual se discute a exigência de CND nas importações beneficiadas com o regime automotivo, e não no bojo de despacho aduaneiro de regime especial de drawback. À míngua de outras preliminares, adentro o mérito do litígio. O recurso voluntário não traz muita novidade em relação à defesa promovida na impugnação, apenas traz o momento em que a CND seria exigível, se o fosse, e aponta a Lei nº 9.826/99, que dispõe sobre incentivos fiscais para desenvolvimento regional, altera a legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, e dá outras providências, e em Fl. 9299DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 22/05 /2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/06/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHA DO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 6 seu art. 5º trata da suspensão do IPI para os componentes, chassis, carroçarias, acessórios, partes e peças importados pelos estabelecimentos industriais fabricantes dos produtos autopropulsados que enuncia. Embora não concorde totalmente com as conclusões explicitadas na decisão recorrida, fl. 9.165, penso que a recorrente também não tem razão em sua insurgência em face da peça fiscal, porquanto no essencial da controvérsia direito aos benefícios do regime automotivo (redução de imposto de importação e suspensão do pagamento de IPI) a recorrente ainda não se desincumbiu plenamente de suas obrigações com vistas à fruição do aludido regime. Em que pese a Lei nº 9.826/99 não prever outras condições à suspensão do IPI dos bens importados que não seja o estabelecimento importador ser industrial e aplicar os bens na fabricação dos produtos autopropulsados enunciados, cumpre observar que a exigência de CND deflui das Leis nºs 9.069/95, 8.212/91 e 8.036/90, as quais não podem ser solenemente ignoradas por não haver igual previsão nas Leis nºs 9.826/99 e 10.182/2001. DA INEXISTÊNCIA DE AFRONTA À CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA Em primeiro plano, cumpre rechaçar o raciocínio de que as leis que exigem comprovação da quitação de tributos e contribuições federais (art. 60 da Lei nº 9.069/95), Certidão Negativa de Débito CND (art. 47 da Lei nº 8.212/91) e Certificado de Regularidade do FGTS (art. 27 da Lei nº 8.036/90) são genéricas e não podem incidir sobre os fatos aqui reportados (reconhecimento de redução e isenção de impostos e contribuições incidentes em operações de importação) e os benefícios fiscais ora em trato seriam regulados apenas e tão somente pelas Lei nº 10.182/2001 e Lei nº 9.826/99. Explico a seguir. Quando a Constituição da República de 1988, em seu art. 150, § 6º, exigiu lei específica para concessão de subsídio, isenção, redução de base de cálculo, crédito presumido, anistia ou remissão relativos a impostos, taxas ou contribuições certamente não o fez para restringir o poder do Estado legislador, no que pertine às condições necessárias para obtenção de favores fiscais, e sim para evitar a concessão desses favores de modo dissimulado (apenas um dispositivo legal no meio de lei que trata de diversas matérias), ou mesmo para evitar que o Poder Executivo pudesse também conceder tais incentivos ou benefícios. Tanto é assim que os nupercitados dispositivos legais que prevêem a apresentação de certidões no reconhecimento (Lei nº 9.069/95), no recebimento (Lei nº 8.212/91) e na obtenção (Lei nº 8.036/90) da isenção e redução de impostos e contribuições convivem perfeitamente com o § 6º do art. 150 da Superlei desde 1993, quando a EC nº 3 reformou o texto anterior. Essa convivência harmônica entre a Constituição da República e as leis protetoras do Estado regulador econômico por esses vinte anos (desde 1993) evidencia quão legítimos são tais requisitos para fruir dos favores fiscais ora em comento. Fl. 9300DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 22/05 /2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/06/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHA DO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10314.720075/201191 Acórdão n.º 3101001.372 S3C1T1 Fl. 6 7 Dito isso, correta está a exigência de CND pela União, tanto para os benefícios da Lei nº 10.182/2001 como para os da Lei nº 9.826/99. DA CONCESSÃO E DO RECONHECIMENTO O próximo passo é averiguar em que momento, ou se há mais de um, em que a CND é exigível. No caso dos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, entendo haver dois momentos, pois a lei diz a concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal; para as contribuições sociais, a Lei nº 8.212/91 refere o momento do recebimento de benefícios ou incentivo fiscal ou creditício; ao passo que a lei do FGTS fala em obtenção de favores creditícios, isenções, subsídios, auxílios, outorga ou concessão de serviços ou quaisquer outros benefícios concedidos. Trazendo essas previsões legais para os fatos reportados pela fiscalização federal, penso que a concessão do regime automotivo está a cargo do legislador federal, e não da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior SECEX, como apregoa a recorrente. E o reconhecimento, o recebimento e a obtenção dos benefícios fiscais estão a cargo da Aduana da Receita Federal do Brasil, durante o despacho aduaneiro, desde o registro da declaração de importação até a conclusão do despacho, que vem a ser a revisão aduaneira, quando essa existe. A habilitação específica no Sistema Integrado de Comércio Exterior SISCOMEX não passa de um requisito administrativo para possibilitar a fruição da redução do imposto de importação. DO REGISTRO DA DECLARAÇÃO DE IMPORTAÇÃO E DO DESEMBARAÇO DAS MERCADORIAS Em que pese o laborioso arrazoado da defesa, no sentido de demonstrar que a exigência de CND, se legítimo fosse, deveria ocorrer no desembaraço das mercadorias, e não no registro da declaração de importação, inclusive asseverando que nas datas dos desembaraços a recorrente possuía certidões válidas (e portanto estaria cumprindo com suas obrigações para fruir os benefícios), cumpre dizer que as premissas em que baseou tal raciocínio são equivocadas, e não se sustentam ante uma apreciação mais detida do decretolei nº 37/66, que regula o despacho aduaneiro. Fl. 9301DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 22/05 /2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/06/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHA DO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 8 Noto que a recorrente acredita, firmemente, que o despacho de importação é um procedimento que se inicia com o registro da declaração de importação perante o SISCOMEX e finda com a efetiva liberação dos produtos importados, fl. 9.200. Entretanto não é assim. O desembaraço dos produtos importados representa tãosomente a conclusão da conferência aduaneira, consoante o art. 51 do decretolei nº 37/66. A conclusão do despacho aduaneiro ocorre com a revisão aduaneira, nos exatos termos do art. 54 do retrocitado decreto. Significa isso que ter CND ao tempo do desembaraço aduaneiro só faz diferença para as importações parametrizadas para os canais amarelo, vermelho e cinza de conferência aduaneira, nos quais há presunção de conferência de documentos. Nas importações parametrizadas para o canal verde o desembaraço não significa nada além da entrega das mercadorias ao importador, que deve aguardar cinco anos, contados do registro da DI, para ter seu lançamento homologado. Outra premissa frágil é a de que a data do registro da declaração de importação não é importante para se aferir o reconhecimento/recebimento/obtenção dos benefícios fiscais, porquanto desde o início do despacho aduaneiro (registro da DI) todos os elementos necessários ao reconhecimento/recebimento/obtenção dos benefícios fiscais devem instruir o procedimento aduaneiro. Arrematando este item, impõese admoestar que o cancelamento da certidão do INSS, ainda que em data posterior ao desembaraço das mercadorias, implica sérios problemas para as operações acobertadas pelo documento nulo, pois somente após o prazo decadencial é que não poderão ser revisados os despachos aduaneiros. DO ÔNUS PROBATÓRIO Forte nas premissas de que os benefícios fiscais do regime automotivo não prescindem de reconhecimento/recebimento/obtenção por parte da Aduana e que o momento para tanto ocorre desde o início do despacho até sua conclusão. Entendo que a imputação destes autos, que se baseia no fato de não haver CND no registro da DI, é suficiente para alicerçar legitimamente a acusação. Por outro giro, cabe à defesa provar que tinha CND no registro da declaração de importação, nas importações conferidas no canal verde (esmagadora maioria); e ao tempo do desembaraço aduaneiro, nas importações conferidas nos canais amarelo, vermelho e cinza (por conta da presunção da conferência de documentos). Nesse mister, a recorrente trouxe aos autos planilha (doc. 01) que contém, dentre outros dados das declarações de importação (que supostamente lastreiam as importações ora discutidas), os canais de conferência aduaneira, as datas de registro e datas de Fl. 9302DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 22/05 /2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/06/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHA DO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10314.720075/201191 Acórdão n.º 3101001.372 S3C1T1 Fl. 7 9 desembaraço, e afirma que às datas dos desembaraços todas as DIs estavam guarnecidas com as respectivas CNDs, contudo, verificando a primeira página da planilha, notei que todas as operações de comércio exterior foram praticadas nos dias 22 e 23/08/2006 datas para as quais a fiscalização aponta falta de certidão do INSS e muitas das operações tem as datas de registro e de desembaraço idênticas, ou seja, registradas e desembaraçadas no mesmo dia, o que inviabiliza o discurso da recorrente: de que às datas dos desembaraços todas as DIs estavam guarnecidas com as respectivas CNDs. Assim é que a planilha acostada não serve para infirmar a imputação do Fisco. DOS CRITÉRIOS JURÍDICOS DO LANÇAMENTO Na peça recursal é sustentado que os valores lançados decorrem de exigência já feita pela fiscalização no momento do desembaraço aduaneiro (CND) e que isso consubstanciaria alteração dos critérios jurídicos do lançamento, o que é vedado pelo art. 146 do Código Tributário Nacional. A exigência de documentos necessários para o reconhecimento do benefício fiscal nada tem a ver com critério jurídico de lançamento. Ao meu sentir, o critério jurídico tem a ver com o modo de fazer o lançamento, levando em consideração a matriz legal para tanto. Diz com a interpretação que a auditoriafiscal faz dos eventos e da lei na lavratura do ato administrativo tributário. Como exemplo, vale citar as parcelas que entram, ou não, na base de cálculo; ou a escolha do código das tabelas TEC/TIPI para fins de classificação fiscal, mas nunca a exigência, ou não, de CND para o reconhecimento do benefício fiscal, porquanto a legislação tributária é mandatória nesse sentido, e o ato de lançamento é plenamente vinculado. DA JURISPRUDÊNCIA Quanto à jurisprudência trazida, tratando do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC) relativo ao IRPJ e também acerca do regime especial do Drawback (que está entre as matérias com recurso repetitivo no Superior Tribunal de Justiça), tais matérias não se afeiçoam ao caso destes autos, e portanto não inaplicáveis. No vinco do exposto, voto por DESPROVER o apelo, prejudicadas as demais alegações. Sala das Sessões, em 21 de março de 2013. Fl. 9303DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 22/05 /2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/06/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHA DO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 10 CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Voto Vencedor Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, Redator Designado. O voto vencedor reportase sobre a exigência de CND pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para os benefícios da Lei nº 10.182/2001, relativo às declarações de importação parametrizadas para os canais amarelo e vermelho de conferência aduaneira, e sobre a exigência de CND pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para os benefícios da Lei nº 9.826/99, na qual divergimos da posição defendida pelo I. relator. Exigência de CND para os benefícios da Lei nº 10.182/2001 Não divergimos do I. relator quanto à exigência de Certidão Negativa de Débito (CND) do contribuinte beneficiado pela Lei nº 10.182/2001, como prova de quitação de tributos e contribuições federais, conforme exigido pelas Leis nº 9.069/95, nº 8.212/91 e nº 8.036/90. Entretanto, divergimos quanto à exigência, em procedimento de fiscalização aduaneira de zona secundária, dentro do instituto da revisão aduaneira, da CND para as declarações de importação desembaraçadas nos canais vermelho e amarelo de conferência aduaneira, em prestígio à autoridade competente (AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil) que efetuou a análise das declarações de importação parametrizadas para os referidos canais, que analisou ao menos documentalmente a operação de importação, inclusive a prova de regularidade supostamente feita ou julgada desnecessária por aquela autoridade. Concordamos com o I. relator quando afirma que o desembaraço dos produtos importados representa tãosomente a conclusão da conferência aduaneira, consoante o art. 51 do Decretolei nº 37/66, sendo que a conclusão do despacho aduaneiro ocorre apenas com a revisão aduaneira, nos termos de seu art. 54, verbis: DecretoLei nº 37/1966 [...] Seção II Conclusão do Despacho Art.54 A apuração da regularidade do pagamento do imposto e demais gravames devidos à Fazenda Nacional ou do benefício fiscal aplicado, e da exatidão das informações prestadas pelo importador será realizada na forma que estabelecer o regulamento e processada no prazo de 5 (cinco) anos, contado do registro da declaração de que trata o art.44 deste DecretoLei. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) No caso das declarações de importação parametrizadas para o canal verde, nenhuma conferência é efetuada, nenhuma análise da regularidade fiscal da beneficiária é feita. Nessas operações de importações, o desembaraço significa apenas a entrega das mercadorias ao importador, que deve aguardar cinco anos, contados do registro da DI, para ter seu lançamento homologado. Durante esse período a operação de importação fica sujeita à revisão aduaneira, na qual poderão ser exigidos todos os documentos indispensáveis para comprovar a efetividade da operação e sua adequação à legislação em vigor à época da ocorrência do fato gerador, inclusive a prova de regularidade fiscal do beneficiário, como é o caso em análise, conforme exigido pelas Leis nº 9.069/95, nº 8.212/91 e nº 8.036/90. Fl. 9304DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 22/05 /2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/06/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHA DO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10314.720075/201191 Acórdão n.º 3101001.372 S3C1T1 Fl. 8 11 Entretanto, situação diversa ocorre nas importações parametrizadas para os canais amarelo e vermelho de conferência aduaneira, nos quais há presunção de conferência de documentos. Nesse caso, a comprovação da regularidade fiscal do beneficiário foi analisada pelo AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil responsável pelo procedimento, que era a autoridade máxima para efetuar tal análise. Nos casos em questão, não me parece que tenha ficado provada a irregularidade da empresa por ocasião dos desembaraços, que presumidamente tiveram sua regularidade fiscal exigida e comprovada, tendo em vista que ao menos a conferência documental foi realizada. Não significa que as operações de importação não possam ser revistas, desde que observado o prazo decadencial, mas transferem o ônus da prova à fiscalização. Não foi o que ocorreu no presente caso, para as declarações de importação desembaraçadas nos canais vermelho e amarelo. Como presumidamente a análise da regularidade fiscal foi efetuada pela autoridade competente na conferência aduaneira, o procedimento revisional deveria apresentar provas de que essa análise não foi efetuada e que o beneficiário não apresentava situação fiscal regular. Exigência de CND para os benefícios da Lei nº 9.826/99 Divergimos do I. relator quanto à exigência de CND pela União para os benefícios da Lei nº 9.826/99. A suspensão do IPI prevista na legislação tributária são medidas de caráter excepcional instituídas pelo legislador a fim de preservar eventuais créditos tributários ainda não constituídos em face de situações especiais, até a consolidação do fato econômico final, situação esta que ensejará a exigência do tributo ou a aplicação de isenção ou outro benefício fiscal. Na suspensão do IPI, o crédito tributário não é constituído, ficando sujeito à implementação de uma condição à qual foi subordinada pelo legislador. Não se trata da suspensão prevista no artigo 151 do Código Tributário Nacional, que visa suspender a exigibilidade do crédito tributário já constituído através de lançamento regularmente efetuado. A caracterização da suspensão do IPI depende da verificação do fato econômico final: pode ser apenas uma postergação do recolhimento do tributo com ganhos apenas financeiros ou pode se tornar um verdadeiro benefício fiscal quando a fase subsequente não esteja sujeito à tributação (isenção ou alíquota zero) ou mesmo sujeita a uma alíquota inferior à prevista para a fase anterior, logicamente em situações similares em que não ocorreu a suspensão. Portanto, a suspensão pode caracterizarse como um benefício fiscal, desde que a tributação futura seja inferior à tributação presente (sem a suspensão) ou caracterizarse como uma mera técnica arrecadatória, como o diferimento e a substituição tributária. Nesse caso o tributo não recolhido no primeiro momento será recolhido no segundo momento, não configurando em economia fiscal. O STJ no Recurso Especial nº 419.744–PR, no Recurso Especial nº 415.921–PR, e no Recurso Especial nº 491.304–PR, referiuse à suspensão do IPI de que trata o art. 5º da Lei nº 9.826/99, como “benefício da suspensão do IPI”, sem, entretanto, entrar no mérito sobre a natureza jurídica do instituto da suspensão. O artigo 5º da Lei nº 9.826/99 trata tanto da saída em operação interna com suspensão quanto da importação de componentes, chassis, carroçarias, acessórios, partes e peças dos produtos autopropulsados. A condição legal prevista na norma é a destinação do produto, inclusive importado, no emprego, pelo estabelecimento industrial adquirente, na produção de componentes, chassis, carroçarias, acessórios, partes ou peças dos produtos autopropulsados; ou na montagem dos produtos autopropulsados. A aplicação da suspensão do IPI é obrigatória para aqueles casos referidos na norma. Não se trata de uma faculdade do Fl. 9305DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 22/05 /2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/06/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHA DO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 12 contribuinte, mas de um mandamento: [...] serão desembaraçados com suspensão do IPI quando importados diretamente por estabelecimento industrial (§ 1º do Art. 5º da Lei nº 9.826/99 – grifo nosso). Na suspensão do IPI de que trata o artigo 5º da Lei nº 9.826/99, literalmente a norma determinou sua condição, qual seja, a destinação do item importado para a produção de componentes, chassis, carroçarias, acessórios, partes ou peças dos produtos autopropulsados, ou na montagem dos produtos autopropulsados. Claramente a norma está referindo a condição relativa ao fato gerador da obrigação tributária e destinação, de natureza objetiva. Não é o caso de condições pessoais de seu destinatário, ao menos diretamente. Sendo a suspensão do IPI uma técnica fiscal, ou sendo a suspensão do IPI um benefício ou incentivo fiscal, mas concedido em caráter objetivo, não nos parece adequada a exigência de prova da regularidade fiscal do importador. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário para manter a exigência de Imposto de Importação para as Declarações de Importação sujeitas ao Canal Verde de Conferência Aduaneira; e por dar provimento ao recurso voluntário para excluir da autuação a exigência de Imposto sobre Produtos Industrializados e para excluir da autuação a exigência de Imposto de Importação para as Declarações de Importação sujeitas aos demais canais de Conferência Aduaneira. Rodrigo Mineiro Fernandes Fl. 9306DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 22/05 /2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/06/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHA DO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 10875.003092/00-81
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: INEXATIDÃO MATERIAL
CONSTATAÇÃO. ERRO MATERIAL. CORREÇÃO. AUSÊNCIA DE EFEITOS INFRINGENTES.
Constatado erro material constante no acórdão n° 0305.537,
proferido em julgamento do recurso especial da Fazenda Nacional (processo n°10875.003092/0081), deve-se retificá-lo para fazer constar, no lugar da consideração de que o pedido de restituição deu-se em data anterior a 31.08.2000, a assertiva de que o pedido de restituição foi formulado pelo contribuinte em 31.08.2000. Alteração que não influencia no resultado do julgamento do recurso especial.
Numero da decisão: 9303-001.964
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos FISCAIS, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para sanar erro material no Acórdão 0305.537, sem efeitos infringentes, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: Susy Gomes Hoffmann
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CORREÇÃO. AUSÊNCIA DE EFEITOS INFRINGENTES. Constatado erro material constante no acórdão n° 0305.537, proferido em julgamento do recurso especial da Fazenda Nacional (processo n°10875.003092/0081), devese retificálo para fazer constar, no lugar da consideração de que o pedido de resituição deuse em data anterior a 31.08.2000, a assertiva de que o pedido de restituição foi formulado pelo contribuinte em 31.08.2000. Alteração que não influencia no resultado do julgamento do recurso especial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos FFIISSCCAAIISS, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para sanar erro material no Acórdão 0305.537, sem efeitos infringentes, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Fl. 516DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 10875.003092/0081 Acórdão n.º 9303001.964 CSRFT3 Fl. 2 2 Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo. Relatório Tratase de Recurso Extraordinário interposto pela Procuradoria da Fazenda nacional. A matéria versada nos autos concerne a pedido de restituição/compensação de contribuição ao Finsocial, e face da sua declaração de inconstitucionalidade perpetrada pelo Supremo Tribunal Federal. O I. Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais, ao apreciar o Recurso Extraordinário, constatou a ocorrência de erro material no acórdão de julgamento do Recurso Especial, de relatoria desta Conselheira, diante do qual procedo a uma nova análise do caso. Voto Conselheira Susy Gomes Hoffmann, Relatora Os presentes autos voltaram a esta Conselheira para a correção de erro material presente no acórdão n° 0305.537. Com efeito, no acórdão em questão, em que se analisa a ocorrência ou não da extemporaneidade do pedido de restituição/compensação formulado pelo contribuinte, estabeleceuse, textualmente, que “O pedido de restituição foi formulado em data anterior a 31.08.2000”. Sucede que, na verdade, o pedido do contribuinte foi efetuado precisamente no dia 31/08/2000. Desta forma, devese corrigir o acórdão em tela, para dele fazer constar que “o pedido de restituição foi formulado em 31 de agosto de 2000”. Esta modificação, contudo, ressaltese, não alterará a conclusão do acórdão, na medida em que, conforme o entendimento fixado, o prazo para o pedido de restituição começou a correr quando da publicação da Medida Provisória n° 1.110/1995 (31 de agosto de Fl. 517DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 10875.003092/0081 Acórdão n.º 9303001.964 CSRFT3 Fl. 3 3 1995), findando em 31 de agosto de 2000, data em que o contribuinte formulou o pedido de restituição. Mantémse negado o recurso especial da Fazenda Nacional. Desta forma, retificase o erro material constante do acórdão n° 0305.537, proferido em julgamento do recurso especial da Fazenda Nacional (processo n°10875.003092/0081), para fazer constar, no lugar da consideração de que o pedido de resituição deuse em data anterior a 31.08.2000 (onde essa expressão encontrarse presente), a assertiva de que o pedido de restituição foi formulado pelo contribuinte em 31.08.2000. Sala das Sessões, em 12 de abril de 201212 de abril de 2012 (assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Fl. 518DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN
score : 1.0
Numero do processo: 16366.000413/2006-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Apr 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006
COFINS NÃO-CUMULATIVA. CRÉDITO. RESSARCIMENTO.
A inclusão no conceito de insumos das despesas com serviços contratados
pela pessoa jurídica e com as aquisições de combustíveis e de lubrificantes
denota que o legislador não quis restringir o creditamento da Cofins às
aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e ou material de embalagens (alcance de insumos na legislação do IPI) utilizados, diretamente, na produção industrial, ao contrário, ampliou de modo a considerar insumos como sendo os gastos gerais que a pessoa jurídica precisa incorrer na produção de bens ou serviços por ela realizada.
COFINS NÃO-CUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO. EXPORTAÇÃO. VARIAÇÕES CAMBIAIS POSITIVAS. NÃO-INCIDÊNCIA.
Estão fora do campo de incidência da contribuição as receitas decorrentes de
vendas de mercadorias para o mercado externo, nelas incluídas a variação
cambial positiva em face do contrato de câmbio firmado entre a sociedade
empresária exportadora e instituição financeira reconhecida pelo Banco
Central do Brasil, mecanismo financeiro indispensável para o recebimento
dos valores correspondentes à exportação de mercadorias. Precedentes
do STJ.
COFINS NÃO-CUMULATIVA. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC.
Diferentemente da restituição, não há se falar em atualização monetária nem
incidência de juros moratórios sobre créditos da Cofins nos ressarcimentos
decorrentes do regime da não-cumulatividade: antes da vigência da Lei
10.833, de 29 de dezembro de 2003, não havia previsão legal; na vigência
dessa norma jurídica, o artigo 13 c/c artigo 15, inciso VI, vedam
expressamente tais majorações.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3101-001.109
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por maioria, em dar parcial
provimento ao recurso voluntário para: (1) excluir as variações cambiais ativas da base de cálculo do tributo e (2) reverter a glosa dos créditos relativos a despesas incorridas, pagas ou creditadas a pessoa jurídica domiciliada no país relativas a (2.1) aquisição de combustíveis utilizados em veículos próprios para o transporte de matéria-prima entre estabelecimentos da recorrente, (2.2) prestação de serviços de compra de matéria-prima (comissões), (2.3)"estufagem de containeres" e (2.4) aquisição de embalagens de transporte. Vencidos os conselheiros Corintho Oliveira Machado e Mônica Monteiro Garcia de los Rios quanto ao tratamento tributário das variações cambiais ativas e à glosa de créditos relativos à “estufagem de containeres” e às embalagens de transporte. O conselheiro Leonardo Mussi da Silva votou pelas conclusões quanto à glosa de créditos inerentes à “estufagem de containeres”.
Nome do relator: TARASIO CAMPELO BORGES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 COFINS NÃOCUMULATIVA. CRÉDITO. RESSARCIMENTO. A inclusão no conceito de insumos das despesas com serviços contratados pela pessoa jurídica e com as aquisições de combustíveis e de lubrificantes denota que o legislador não quis restringir o creditamento da Cofins às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e ou material de embalagens (alcance de insumos na legislação do IPI) utilizados, diretamente, na produção industrial, ao contrário, ampliou de modo a considerar insumos como sendo os gastos gerais que a pessoa jurídica precisa incorrer na produção de bens ou serviços por ela realizada. COFINS NÃOCUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO. EXPORTAÇÃO. VARIAÇÕES CAMBIAIS POSITIVAS. NÃOINCIDÊNCIA. Estão fora do campo de incidência da contribuição as receitas decorrentes de vendas de mercadorias para o mercado externo, nelas incluídas a variação cambial positiva em face do contrato de câmbio firmado entre a sociedade empresária exportadora e instituição financeira reconhecida pelo Banco Central do Brasil, mecanismo financeiro indispensável para o recebimento dos valores correspondentes à exportação de mercadorias. Precedentes do STJ. COFINS NÃOCUMULATIVA. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. Diferentemente da restituição, não há se falar em atualização monetária nem incidência de juros moratórios sobre créditos da Cofins nos ressarcimentos decorrentes do regime da nãocumulatividade: antes da vigência da Lei 10.833, de 29 de dezembro de 2003, não havia previsão legal; na vigência Fl. 1DF CARF MF Impresso em 02/07/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 12/06/20 12 por TARASIO CAMPELO BORGES Processo nº 16366.000413/200689 Acórdão nº 310101.109 S3C1T1 Fl. 570 _________ dessa norma jurídica, o artigo 13 c/c artigo 15, inciso VI, vedam expressamente tais majorações. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por maioria, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para: (1) excluir as variações cambiais ativas da base de cálculo do tributo e (2) reverter a glosa dos créditos relativos a despesas incorridas, pagas ou creditadas a pessoa jurídica domiciliada no país relativas a (2.1) aquisição de combustíveis utilizados em veículos próprios para o transporte de matériaprima entre estabelecimentos da recorrente, (2.2) prestação de serviços de compra de matériaprima (comissões), (2.3) "estufagem de containeres" e (2.4) aquisição de embalagens de transporte. Vencidos os conselheiros Corintho Oliveira Machado e Mônica Monteiro Garcia de los Rios quanto ao tratamento tributário das variações cambiais ativas e à glosa de créditos relativos à “estufagem de containeres” e às embalagens de transporte. O conselheiro Leonardo Mussi da Silva votou pelas conclusões quanto à glosa de créditos inerentes à “estufagem de containeres”. Tarásio Campelo Borges Presidente Substituto e Relator Formalizado em: 12/06/2012 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Leonardo Mussi da Silva, Luiz Roberto Domingo, Mônica Monteiro Garcia de los Rios, Tarásio Campelo Borges e Vanessa Albuquerque Valente. Relatório Cuidase de recurso voluntário contra acórdão unânime da Terceira Turma da DRJ Curitiba (PR) [1] que rejeitou manifestação de inconformidade [2] contra indeferimento de pedido de ressarcimento de contribuição para o financiamento da Seguridade Social (Cofins), regime nãocumulativo, atrelado a declaração de compensação com débitos de natureza tributária administrados pela RFB [3]. 1 Inteiro teor do acórdão recorrido às folhas 535 a 552 (volume III). 2 Manifestação de inconformidade acostada às folhas 512 a 520 (volume III). 3 Pedido de ressarcimento e declaração de compensação acostados às folhas 2 a 53. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 02/07/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 12/06/20 12 por TARASIO CAMPELO BORGES Processo nº 16366.000413/200689 Acórdão nº 310101.109 S3C1T1 Fl. 571 _________ Na indicação da origem de seus créditos, apuração efetuada no 2º trimestre de 2006, a peticionária apontou: Cofins nãocumulativa – exportação. Perante parcial homologação das declarações de compensação pela Delegacia da Receita Federal competente [4], a interessada tempestivamente manifestou sua inconformidade com as razões de folhas 512 a 520 (volume III), assim sintetizadas no relatório do acórdão recorrido: Após resumir os fatos que levaram à emissão do despacho decisório, a interessada manifesta sua inconformidade em relação à parcela não reconhecida do direito creditório e, conseqüentemente, em relação às parcelas não homologadas de suas compensações declaradas. Assim, no item "Quanto a [sic] inclusão de receitas originariamente não consideradas pelo contribuinte", contesta a inclusão da variação cambial ativa no critério de proporcionalidade para verificação do percentual relativo às receitas de exportação em relação à sua receita bruta total, alegando ser incorreta sua classificação como receita meramente financeira, posto que originária de exportação; Cita a propósito o art. 21, I, da IN SRF nº 600, de 2005, após o que afirma: "Diante destes fundamentos, pelo critério da proporcionalidade, REQUER seja reformada a decisão recorrida, para incluir a receita financeira, decorrente de variação cambial ativa, nas RECEITAS DE EXPORTAÇÃO, por serem originárias de operação de exportação, devendo, portanto serem consideradas como 'custos, despesas e encargos vinculados às receitas decorrentes das operações de exportação de mercadorias para o exterior'"; ao fim desse item, caso não seja esse o entendimento do órgão julgador, faz o seguinte pedido: "requer seja considerado o critério originário adotado pela requerente, de não considerar estas receitas financeiras, inclusive aquelas decorrentes de descontos obtidos, juros recebidos e rendas sobre aplicação financeira. Uma vez que sequer formulado fundamentação capaz pela autoridade recorrida, para acobertar sua inclusão.". Já, sob o título "Quanto aos custos/despesas excluídos do cálculo pela decisão recorrida”, argumenta que não pode prosperar o despacho decisório, na parte que excluiu custos/despesas dos cálculos apresentados pela contribuinte, sob o entendimento equivocado de que não dariam direito a crédito; dividindo esse título em subitens, no tópico "das despesas com comissões", citando o art. 3º, II, da Lei n.° 10.833, de 2003, diz que da análise desse dispositivo, ao contrário do entendimento do fisco, a comissão que teria pago a outra pessoa jurídica sobre a compra de couro bovino, utilizado como insumo em seu processo produtivo, seria, portanto, custo/despesa que dá direito a crédito. Por sua vez, no subitem "Das despesas com combustível", tendo por base o mesmo dispositivo legal (art. 3º, II, da Lei nº 10.833, de 2003), sustenta que também não merece prosperar o entendimento do fisco de desconsiderar as despesas com combustível como custo/despesa que dá direito a crédito da Cofins, isso mesmo depois de ter esclarecido que 'o combustível é utilizado em caminhão próprio, no transporte da matériaprima (couros in natura) até a indústria onde se inicia a primeira etapa de industrialização'; portanto, assevera que as despesas com combustível dão direito a crédito, por se enquadrar no referido texto legal. 4 Indeferimento parcial do ressarcimento às folhas 457 a 470 e 485 a 490 (volume III). Fl. 3DF CARF MF Impresso em 02/07/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 12/06/20 12 por TARASIO CAMPELO BORGES Processo nº 16366.000413/200689 Acórdão nº 310101.109 S3C1T1 Fl. 572 _________ Já, no item "Das despesas com material de embalagem", reafirmando o que já teria dito à fiscalização (fl. 91), no sentido de que os 'paletes de madeira' e as 'lonas plásticas Pretas', seriam essenciais para acomodação e proteção para transporte de couro 'wet blue', fazendo parte do final da 3ª etapa do processo de produção, ou seja, tais custos/despesas estariam intrinsicamente [sic] ligados ao processo de produção/exportação, requerendo, assim, a reforma da decisão recorrida, para que se considere os créditos decorrentes das aquisições dos citados itens. Por seu turno, no subitem "Das despesas com exportação", mencionando os serviços de "estufamento de containeres", contesta o posicionamento do fisco de não lhe conceder o direito ao crédito da Cofins; diz que tais serviços estariam diretamente ligados à armazenagem, já que tratarseiam de forma eficaz de se acondicionar a mercadoria dentro dos containeres para armazenagem e embarque; fala que o termo armazenagem contido no art. 3º, IX, da Lei n.° 10.833, de 2003, é amplo e não pode ser restringido pela autoridade fiscal como aquele decorrente de despesa com armazém. Sob os títulos "Quanto à consolidação dos valores" e "Quanto às declarações de compensação não homologadas", em razão dos argumentos antes referidos, impugna a consolidação dos valores feitos pela decisão recorrida, em detrimento ao cálculo originariamente apresentado por ela, propugna pela reforma da parte glosada, com o reconhecimento dos créditos objeto do pedido de ressarcimento como legítimos e suficientes, e considera improcedente a homologação parcial das compensações declaradas, pedindo, assim, a homologação total de tais compensações. Por fim, em face do alegado, requer a reforma da decisão recorrida, reconhecendose a legitimidade da totalidade do direito creditório pleiteado no pedido de ressarcimento formulado, e a homologação total das declarações de compensação; agrega, ainda "no intuito de minimizar os prejuízos até então suportados pela Requerente", na hipótese de remanescer crédito a ser ressarcido, que a ele sejam acrescidos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, calculados a partir da data do protocolo até a data do respectivo ressarcimento/compensação. Os fundamentos do voto condutor do acórdão recorrido estão consubstanciados na ementa que transcrevo: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 RECEITAS DECORRENTES DE EXPORTAÇÃO. VARIAÇÃO CAMBIAL. DISTINÇÃO. RECEITAS FINANCEIRAS. BASE DE CÁLCULO. A isenção relativa às receitas decorrentes de exportação não alcança as variações cambiais ativas, que têm natureza de receitas financeiras, devendo, como tal, compor a base de cálculo da contribuição. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITOS. INSUMOS. No cálculo da Cofins nãocumulativa o sujeito passivo somente poderá descontar créditos calculados sobre valores correspondentes a insumos, assim entendidos os bens ou serviços aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação Fl. 4DF CARF MF Impresso em 02/07/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 12/06/20 12 por TARASIO CAMPELO BORGES Processo nº 16366.000413/200689 Acórdão nº 310101.109 S3C1T1 Fl. 573 _________ de bens e na prestação de serviços, não se considerando como tal despesas com comissões na compra de matériaprima, bem como despesas com "estufagem de containeres", sendo que esta última não se enquadra no conceito de despesas de armazenagem previsto no art. 3º, IX, da Lei n.º 10.833, de 2003, com as modificações introduzidas pela Lei n.° 10.865, de 2004. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. VEÍCULO PRÓPRIO. COMBUSTÍVEIS. INEXISTÊNCIA DO DIREITO DE CRÉDITO. Gastos efetuados com combustíveis em veículo próprio para transporte de mercadorias entre estabelecimentos da contribuinte, não configuram insumos na produção ou fabricação de bens, não sendo, por conseguinte, passíveis de gerar créditos para os fins previstos na legislação pertinente. INSUMOS. EMBALAGEM. O conceito de insumo abrange tãosomente a embalagem que agrega valor comercial ao produto através de sua apresentação e que objetiva valorizar o produto em razão da qualidade do material nele empregado, da perfeição do seu acabamento ou da sua utilidade adicional. RESSARCIMENTO. JUROS EQUIVALENTES A TAXA SELIC. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. É incabível a incidência de juros compensatórios com base na taxa Selic sobre valores recebidos a título de ressarcimento de créditos relativos à Cofins, por falta de previsão legal. Solicitação Indeferida Ciente do inteiro teor desse acórdão, recurso voluntário foi interposto às folhas 556 a 565 (volume III). Nessa petição, as razões iniciais são reiteradas noutras palavras. A autoridade competente deu por encerrado o preparo do processo e encaminhou para a segunda instância administrativa [5] os autos posteriormente distribuídos a este conselheiro e submetidos a julgamento em três volumes, ora processados com 568 folhas. É o relatório. 5 Despacho acostado à folha 568 determina o encaminhamento dos autos para o outrora denominado Segundo Conselho de Contribuintes. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 02/07/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 12/06/20 12 por TARASIO CAMPELO BORGES Processo nº 16366.000413/200689 Acórdão nº 310101.109 S3C1T1 Fl. 574 _________ Voto Conselheiro Tarásio Campelo Borges (Relator) Conheço do recurso voluntário interposto às folhas 556 a 565 (volume III), porque tempestivo e atendidos os demais requisitos para sua admissibilidade. Versa o litígio, conforme relatado, acerca do parcial indeferimento de pedido de ressarcimento da contribuição para o financiamento da Seguridade Social (Cofins), regime nãocumulativo, apurada no 2º trimestre de 2006. Nenhuma controvérsia existe quanto às alegadas operações de exportação, tampouco quanto à impossibilidade de uso dos créditos acumulados pela requerente, seja na dedução do valor da contribuição a recolher em operações no mercado interno, seja na compensação com débitos próprios concernentes a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. São temas litigiosos: inclusão, na base de cálculo do tributo, das variações cambiais ativas; glosa de créditos relativos a despesas com comissões na compra de matériaprima; glosa de créditos relativos a despesas com "estufagem de containeres"; glosa de créditos relativos a combustíveis e lubrificantes utilizados em veículo próprio para transporte de matériaprima entre estabelecimentos da pessoa jurídica; glosa de créditos relativos a embalagens para transporte (páletes de madeira e lonas plásticas); e atualização monetária dos créditos ressarcidos com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic) para títulos federais. variações cambiais ativas A imunidade das variações cambiais ativas, como espécie do gênero receitas de exportação, é tema pendente de julgamento pelo Supremo Tribunal Federal no Recurso Extraordinário 627.815 (PR), manejado pela União, cuja existência de repercussão geral já foi reconhecida pelo tribunal desde 22 de outubro de 2010. Quando decidida a matéria pelo STF, ela deverá aqui ser reproduzida por força do disposto no artigo 62A [6] introduzido no nosso regimento interno pela Portaria MF 6 Regimento Interno do CARF, artigo 62A: As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (§ 1º) Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários Fl. 6DF CARF MF Impresso em 02/07/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 12/06/20 12 por TARASIO CAMPELO BORGES Processo nº 16366.000413/200689 Acórdão nº 310101.109 S3C1T1 Fl. 575 _________ 586, de 21 de dezembro de 2010. Antes disso, como a demanda judicial não está sobrestada, esse tema litigioso deve ser ordinariamente apreciado na via administrativa. Como esse tema já foi enfrentado pelo Superior Tribunal de Justiça, adoto e transcrevo voto da lavra do Excelentíssimo Senhor Ministro Castro Meira, condutor do acórdão unânime (Segunda Turma) relativo ao julgamento do Recurso Especial 1.059.041 (RS), ipsis litteris: O artigo 9º da Lei 9.718/98 foi expressamente prequestionado, razão por que conheço do apelo quanto a esse ponto e não o admito quanto às demais alegações. Passo ao exame de mérito. A discussão resumese em saber se a contribuição ao PIS e a Cofins incidem, ou não, sobre a variação cambial positiva decorrente de operações de exportação. O artigo 9º da Lei nº 9.718/98, supostamente violado, traz a seguinte redação: "Art. 9º. As variações monetárias dos direitos de crédito e das obrigações do contribuinte, em função da taxa de câmbio ou de índices ou coeficientes aplicáveis por disposição legal ou contratual serão consideradas, para efeitos da legislação do imposto de renda, da contribuição social sobre o lucro líqüido, da contribuição PIS/PASEP e da COFINS, como receitas ou despesas financeiras, conforme o caso". Esse dispositivo prevê que as variações monetárias, seja em função da taxa de câmbio, de índices, ou coeficiente aplicáveis por disposição legal ou contratual, devem ser consideradas para efeito de determinação da base de cálculo do PIS e da Cofins. In casu, as receitas financeiras foram auferidas em contrato de câmbio vinculado a operações de exportação e, segundo a ora recorrente, constituem parte da receita bruta e do faturamento da pessoa jurídica. Dessarte, como previsto na Lei 9.7180/98, devem ser consideradas base de cálculo do PIS e da Cofins. A Medida Provisória nº 1.8586/99, reeditada, atualmente sob o nº 2.15835, convertida na Lei nº 10.637/2002, prevê isenção quando da exportação de mercadorias, in verbis [sic]: "Art. 14 Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: II da exportação de mercadorias para o exterior. da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. (§ 2º) O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. [artigo introduzido pela Port. MF 586, de 21 de dezembro de 2010]. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 02/07/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 12/06/20 12 por TARASIO CAMPELO BORGES Processo nº 16366.000413/200689 Acórdão nº 310101.109 S3C1T1 Fl. 576 _________ § 1º São isentas da contribuição para o PIS/PASEP as receitas referidas nos incisos I a IX do caput." Ora, se existe previsão legal excluindo o PIS e a Cofins decorrentes das receitas resultantes da realização de venda de mercadoria para o exterior, não é possível que estas mesmas receitas, agora majoradas, em função de variação cambial, sejam objeto de incidência das contribuições. O contrato de câmbio realizado entre a empresa exportadora e instituição financeira reconhecida pelo Banco Central do Brasil, do qual podem decorrer variações monetárias positivas ou negativas, não constitui negócio dissociado da operação de venda ou prestação de serviços ao exterior, mas mecanismo indispensável à sua efetivação, não podendo, pois, ser tributado na forma do disposto no art. 9º da Lei nº 9.718/98. Essa questão não é nova na Segunda Turma, como se vê do julgado que colaciono: "RECURSO ESPECIAL. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. NÃO INCIDÊNCIA. EXPORTAÇÃO. RECEITAS FINANCEIRAS DECORRENTES DAS VARIAÇÕES MONETÁRIAS. A isenção do PIS e da Cofins incidente sobre as receitas decorrentes de operações realizadas na venda de produtos para o exterior, prevista no artigo 14 da Lei n.º 10.637/2002, também alcança a variação cambial destes valores. Recurso conhecido mas improvido" (REsp 761.644/RS, Rel. Min. Peçanha Martins, Segunda Turma, DJU de 06.03.06). A Fazenda Nacional defende ainda que a isenção prevista no art. 14 da MP 1.8586/99, convertida na Lei nº 10.637/2002, deve ser interpretada literalmente, nos termos do que encerra o art. 111 do CTN. Assim, segundo pensa, somente estaria contemplada pela regra de isenção as receitas típicas de exportação, mas não as receitas decorrentes de variação cambial positiva atrelada à exportação. Até poderia estar correta a argumentação, se não fosse a regra de imunidade prevista no art. 149, § 2º, da CF/88, estimuladora das exportações, dispositivo acrescentado pela EC 33/01, in verbis [sic]: "§ 2º As contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico de que trata o caput deste artigo: I não incidirão sobre as receitas decorrentes de exportação." Como se vê, a redação da regra de imunidade ("receitas decorrentes de exportação") é bem mais ampla do que aquela de isenção (que apenas aludia à "exportação de mercadorias para o exterior"). No primeiro caso, "receitas decorrentes de exportação" está a indicar que a regra de imunidade deve atingir, indistintamente, qualquer receita que decorra da exportação, direta ou indiretamente. Assim, tanto as receitas oriundas da compra e venda com o estrangeiro, como aquelas que derivam do contrato de câmbio que dá suporte à exportação, devem ser contempladas pela regra desonerativa. Fl. 8DF CARF MF Impresso em 02/07/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 12/06/20 12 por TARASIO CAMPELO BORGES Processo nº 16366.000413/200689 Acórdão nº 310101.109 S3C1T1 Fl. 577 _________ Diferentemente do que ocorre com a isenção, que deve ser interpretada "literalmente", segundo o art. 111 do CTN, a regra de imunidade, por compor o "Estatuto do Contribuinte" e também em virtude do princípio da máxima efetividade das normas constitucionais, deve ser interpretada de forma ampla e de modo a não amesquinhar os direitos nela consagrados, também em função do princípio. A imunidade, nas palavras do saudoso Amílcar de Araújo Falcão, tão precocemente desaparecido, é uma forma qualificada ou especial de nãoincidência, por supressão constitucional da competência impositiva ou do poder de tributar, exclusões que devem observar as considerações extrajurídicas em função de interesses políticos. Segundo a doutrina, as normas referentes às imunidades devem ser interpretadas de forma ampla, vedandose ao intérprete restringir o alcance do legislador maior. No mesmo sentido da doutrina posicionase o STF, que consagrou no RE 101.4415/RS a interpretação extensiva para a imunidade. Esse entendimento também prevaleceu em julgamento realizado nesta Turma, como se observa do seguinte precedente: "TRIBUTÁRIO – IMUNIDADE – IPTU – ENTIDADE EDUCACIONAL ESTRANGEIRA. 1. O artigo 150, VI, 'c', da CF deve ser interpretado em combinação com o art. 14 do CTN, expressamente recepcionado no ADCT (art. 34 § 5º). 2. A imunidade, como espécie de não incidência, por supressão constitucional, segundo a doutrina, deve ser interpretada de forma ampla, diferentemente da isenção, cuja interpretação é restrita, por imposição do próprio CTN (art. 111). 3. Ensino é forma de transmissão de conhecimentos, de informações e de esclarecimentos, entendendose educacional a entidade que desenvolve atividade para o preparo, desenvolvimento e qualificação para o trabalho (art. 205 CF). 4. A cobrança de mensalidades não descaracteriza a entidade imune se não há distribuição de rendas, lucro ou participação nos resultados empresariais. 5. Entidade que, gozando da imunidade há mais de quarenta anos, não está obrigada a recadastrarse, ano a ano, para fazer jus ao benefício constitucional. 6. Recurso ordinário improvido" (RO 31/BA, Rel. Min. Eliana Calmon, Segunda Turma, DJU de 02.08.04). Assim, ainda que se possa conferir interpretação restritiva à regra de isenção prevista no art. 14 da Lei nº 10.637/2002, deve ser afastada a incidência de PIS e Cofins sobre as receitas decorrentes de variações cambias positivas, em face da regra de imunidade do art. 149, § 2º, I, da CF/88. Esse tema também foi submetido à Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial 977.112 (SC), manejado pela União. Na ocasião, em sede de preliminar, o colegiado decidiu, por maioria, não conhecer do recurso especial porque o Fl. 9DF CARF MF Impresso em 02/07/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 12/06/20 12 por TARASIO CAMPELO BORGES Processo nº 16366.000413/200689 Acórdão nº 310101.109 S3C1T1 Fl. 578 _________ acórdão recorrido havia sido decidido com base em fundamentos constitucionais, vencido o Excelentíssimo Senhor Ministro Relator Luiz Fux. Nesse julgamento da Primeira Turma do STJ, o Relator havia enfrentado as questões de mérito e concluído seu voto resumido na ementa que aqui reproduzo: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. EXPORTAÇÃO. VARIAÇÕES MONETÁRIAS POSITIVAS. RECEITAS FINANCEIRAS. ART. 9º DA LEI 9.718/98. ISENÇÃO. ART. 14 DA LEI 10.637/02. IMUNIDADE. EC 33/01. BASE DE CÁLCULO. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA QUE NÃO SE APERFEIÇOOU. 1. A exportação de produtos está intrinsecamente ligada ao contrato do negócios jurídico sujeito a variação monetária, decorrendo o resultado cambial positivo do exportador diretamente de sua atividade fim, que resta protegida pelo instituto da isenção (art. 14 da Lei 10.637/02) e pela imunidade constitucional (art. 149, § 2º, I da CF/88, com redação da EC 33/01). 2. Conquanto as receitas financeiras auferidas através do contrato de exportação de mercadorias constituem parte da operação isenta/imune ora debatida, queda impedido o aperfeiçoamento da obrigação tributária e a constituição do crédito fiscal, por isso que inaplicável à espécie o art. 9º da Lei 9.718/98, e qualquer inclusão da variação cambial positiva na base de cálculo da COFINS e do PIS. 3. Deveras, a regra da imunidade constitucional é explícita sobre não incidir as referidas contribuições sobre as receitas "de exportação"; é dizer: a imunidade resta aplicada literalmente (art. 149, § 2º, I do CF), razão pela qual inocorre violação ao art. 111 do CTN na solução recorrida. 4. É que "A isenção do PIS e da Cofins incidente sobre as receitas decorrentes de operações realizadas na venda de produtos para o exterior, prevista no artigo 14 da Lei 10.637/2002, também alcança a variação cambial destes valores." (REsp. 761.644/RS, 2ª Turma, Rel. Min. FRANCISCO PEÇANHA MARTINS, DJU 06.03.08). Precedentes: EDcl no REsp. 1.051.802/RS, DJU 18.12.08; AgRg no REsp. 915.091/RS, DJU 23.09.08; AgRg no EDcl no REsp. 945.543/RS, DJU 16.09.08; REsp. 1.059.041/RS, DJU 04.09.08; e AgRg no REsp. 790.665/SC, DJU 14.02.06. 5. "Ainda que se possa conferir interpretação restritiva à regra de isenção prevista no art. 14 da Medida Provisória nº 2.158/01 e no art. 5º da Lei nº 10.637/02, deve ser afastada a incidência de PIS e Cofins sobre as receitas decorrentes de variações cambiais positivas em face da regra de imunidade do art. 149, § 2º, I, da CF/88, estimuladora da atividade de exportação, norma que deve ser interpretada extensivamente. Precedentes da Segunda Turma." (EDcl no REsp. 1.051.802/PR, 2ª Turma, Rel. Min. CASTRO MEIRA, DJU 18.12.08). 6. In casu, a empresa recorrida impetrou mandado de segurança em 30.06.04, pleiteando o reconhecimento da isenção de PIS e COFINS sobre a variação cambial positiva, desde 01.02.99, direito este chancelado pelo Tribunal a quo, cujo julgado deve ser ratificado, visto que a isenção/imunidade incidente sobre as operações de exportação devem ser interpretadas de forma ampla, com o escopo de evitar a "exportação de tributo" e manter a competitividade internacional dos produtos brasileiros. 7. Recurso especial desprovido. Fl. 10DF CARF MF Impresso em 02/07/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 12/06/20 12 por TARASIO CAMPELO BORGES Processo nº 16366.000413/200689 Acórdão nº 310101.109 S3C1T1 Fl. 579 _________ Após conhecer o voto do Excelentíssimo Senhor Ministro Relator Luiz Fux, pediu vista o Excelentíssimo Senhor Ministro Teori Albino Zavascki. No seu votovista, condutor do acórdão relativo ao julgamento do Recurso Especial 977.112 (SC), manejado pela União, o Ministro abre divergência apenas quanto à admissibilidade do recurso e continua: “Acaso vencido na preliminar, nego provimento ao recurso especial, acompanhando o relator” [7]. Do âmbito administrativo, trago à colação excerto da ementa do Acórdão 340300.141, de 20 de outubro de 2009, por maioria, da lavra da ilustre Conselheira Maria Cristina Roza da Costa, específico para o PIS/Pasep, mas igualmente aplicável à Cofins, nestas palavras: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de Apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 VARIAÇÃO CAMBIAL ATIVA. IMUNIDADE. A imunidade prevista no art. 149, § 2º, inciso I, da Constituição Federal se aplica às receitas decorrentes de exportação, incluindo as variações cambiais ativas apuradas quando da liquidação do câmbio pelo exportador. Precedente das duas Turmas do STJ. Consequentemente, amparado em precedentes do STJ e do CARF, entendo que as contribuições para o PIS/Pasep e a Cofins não incidem sobre as receitas decorrentes de exportação, nesse grupo incluídas as variações cambiais ativas. glosa de créditos (comissões na compra de matériaprima) ("estufagem de containeres") (combustíveis e lubrificantes utilizados em veículo próprio para transporte de matériaprima entre estabelecimentos da pessoa jurídica) (embalagens para transporte) Diferentemente do acórdão recorrido, desde que respeitados os critérios definidos nos §§ 2º [8] e 3º [9] do artigo 3º da Lei 10.637, de 2002, entendo ligadas ao custo 7 Votovista do Exmo. Sr. Ministro Teori Albino Zavascki, parágrafo 4. 8 Lei 10.637, de 2002, artigo 3º, § 2º (com a redação dada pela Lei 10.865, de 30 de abril de 2004): Não dará direito a crédito o valor: (I) de mãodeobra paga a pessoa física; e (II) da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. 9 Lei 10.637, de 2002, artigo 3º, § 3º: O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: (I) aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; (II) aos custos e despesas incorridos, pagos ou Fl. 11DF CARF MF Impresso em 02/07/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 12/06/20 12 por TARASIO CAMPELO BORGES Processo nº 16366.000413/200689 Acórdão nº 310101.109 S3C1T1 Fl. 580 _________ dos bens utilizados como insumo na produção do estabelecimento da recorrente, à armazenagem ou à parcela suportada pela vendedora do custo do transporte nas operações de venda as despesas atinentes a: (1) “combustíveis utilizados em veículos próprios da empresa no transporte da matériaprima 'couro in natura' entre seus estabelecimentos” [10], (2) comissões na compra de matériaprima e (3) "estufagem de containeres" [11]. Os combustíveis e as comissões na compra de matériaprima, porque agregam valor à matériaprima, são despesas ligadas ao custo dos bens utilizados como insumo na produção do estabelecimento fiscalizado. Quanto às glosas dos créditos dessas duas rubricas (combustíveis e comissões na compra de matériaprima), adoto e transcrevo o voto condutor do Acórdão CSRF 930301.035, de 23 de agosto de 2010, da lavra do nobre conselheiro Henrique Pinheiro Torres. É certo que o voto paradigma enfrenta a discutida possibilidade de aproveitamento de créditos relativos a remoção de resíduos industriais (tema estranho ao recurso ora apreciado) e não cuida de comissões na compra de matériaprima, mas, no meu sentir, a lógica nele desenvolvida pelo eminente relator se presta para essa finalidade, senão vejamos: A questão que se apresenta a debate diz respeito à possibilidade ou não de se apropriar como crédito de Pis/Pasep dos valores relativos a custos com combustíveis, lubrificantes e com a remoção de resíduos industriais. O deslinde está em se definir o alcance do termo insumo, trazido no inciso II do art. 3º da Lei 10.637/2002. A Secretaria da Receita Federal do Brasil estendeu o alcance do termo instuno, previsto na legislação do IPI (o conceito trazido no Parecer Normativo CST nº 65/79), para o PIS/Pasep e a para a Cotins não cumulativos. A meu sentir, o alcance dado ao termo insumo, pela legislação do IPI não é o mesmo que foi dado pela legislação dessas contribuições. No âmbito desse imposto, o conceito de instituo restringese ao de matériaprima, produto intermediário e de material de embalagem, já na seara das contribuições, houve um alargamento, que inclui até prestação de serviços, o que demonstra que o conceito de insumo aplicado na legislação do IPI não tem o mesmo alcance do aplicado nessas contribuições, Neste ponto, socorrome dos sempre precisos ensinamentos do Conselheiro Júlio César Alves Ramos, em minuta de voto referente ao Processo n° 13974.000199/200361, que, com as honras costumeiras, transcrevo excerto linhas abaixo: Destarte, aplicada a legislação do IPI ao caso concreto, tudo o que restaria, seria a confirmação da decisão recorrida. creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; (III) aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. 10 Voto condutor do acórdão recorrido, folha 343, segundo parágrafo. 11 Voto condutor do acórdão recorrido, folha 343, terceiro parágrafo: “estufagem é o ato de se colocar diversas cargas, grandes ou pequenas, em uma unidade maior”. Fl. 12DF CARF MF Impresso em 02/07/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 12/06/20 12 por TARASIO CAMPELO BORGES Processo nº 16366.000413/200689 Acórdão nº 310101.109 S3C1T1 Fl. 581 _________ Isso a meu ver, porém, não basta É que, definitivamente, não considero que se deva adotar o conceito de industrialização aplicável ao IPI, assim como tampouco considero assimilável a restritiva noção de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem lá prevista para o estabelecimento do conceito de "insumos" aqui referido. A primeira e mais óbvia razão está na completa ausência de remissão àquela legislação na Lei 10.637. Em segundo lugar, ao usar a expressão "insumos”, claramente estava o legislador do PIS ampliando aquele conceito, tanto que aí incluiu "serviços", de nenhum modo enquadráveis como matérias primas, produtos intermediários ou material de embalagem. Ora, uma simples leitura do artigo 3º da Lei 10.637/2002 é suficiente para verificar que o legislador não restringiu a apropriação de créditos de Pis/Pasep aos parâmetros adotados no creditamento de IPI. No inciso II desse artigo, como asseverou o insigne conselheiro, o legislador incluiu no conceito de insumos os serviços contratados pela pessoa jurídica. Esse dispositivo legal também considerou como insumo combustíveis e lubrificantes, o que, no âmbito do IPI, seria um verdadeiro sacrilégio. Mas as diferenças não param aí, nos incisos seguintes, permitiuse o creditamento de aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa, máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda, bem como a outros bens incorporados ao ativo imobilizado etc. Isso denota que o legislador não quis restringir o creditamento do Pis/Pasep às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e ou material de embalagens (alcance de insumos na legislação do IPI) utilizados, diretamente, na produção industrial, ao contrário, ampliou de modo a considerar insumos como sendo os gastos gerais que a pessoa jurídica precisa incorrer na produção de bens ou serviços por ela realizada. Vejamos o dispositivo citado: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I omissis II bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; Fl. 13DF CARF MF Impresso em 02/07/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 12/06/20 12 por TARASIO CAMPELO BORGES Processo nº 16366.000413/200689 Acórdão nº 310101.109 S3C1T1 Fl. 582 _________ VI máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda, bem como a outros bens incorporados ao ativo imobilizado; VII edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; VIII bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. As condições para fruição dos créditos acima mencionados encontramse reguladas nos parágrafos desse artigo. Voltando ao caso dos autos, os gastos com aquisição de combustíveis e com lubrificantes, junto à pessoa jurídica domiciliada no país, bem com as despesas havidas com a remoção de resíduos industriais, pagas a pessoa jurídica nacional prestadora de serviços, geram direito a créditos de Pis/Pasep, nos termos do art. 3º transcrito linhas acima. Ancorado em igual lógica jurídica, também concluo que geram direito a créditos da contribuição, afora as despesas com combustíveis, as despesas relativas às comissões na compra de matériaprima. No que respeita às aquisições dos páletes de madeira e das lonas plásticas (embalagens de transporte), tanto no indeferimento do ressarcimento quanto no julgamento de primeira instância, a glosa desses créditos foi justificada apenas por conta da diferença entre embalagens de apresentação e embalagens de transporte, detalhes importantes no âmbito do imposto sobre produtos industrializados, mas sem relevância nas normas que cuidam da Cofins nãocumulativa. Como o uso dos páletes de madeira e das lonas plásticas no transporte das mercadorias é tema incontroverso, tenho como certo que as aquisições desses insumos corresponde a uma parcela suportada pela vendedora do custo do transporte nas operações de venda. Irreparável, por consequência, a apropriação desses créditos pela ora recorrente. Resta, ainda, a glosa dos créditos vinculados às despesas com “estufagem de containeres”. Essas despesas, quando suportadas pela sociedade empresária vendedora, se não são alcançadas pela rubrica “armazenagem de mercadorias”, certamente se esquadram como parcelas suportadas pela vendedora do custo do transporte nas operações de venda. Digo isso porque frete é “aquilo que se paga pelo transporte de algo” [12] e o objeto da “estufagem”, tal e qual a embalagem de transporte, é a facilitação do transporte, a redução dos custos nos transbordos ou a proteção das mercadorias transportadas. 12 Segundo Aurélio Buarque de Holanda. Fl. 14DF CARF MF Impresso em 02/07/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 12/06/20 12 por TARASIO CAMPELO BORGES Processo nº 16366.000413/200689 Acórdão nº 310101.109 S3C1T1 Fl. 583 _________ Portanto, apoiado na Lei 10.833, de 2003, artigo 3º, inciso IX [13], c/c a nova redação do artigo 15, inciso II [14], considero igualmente geradoras de créditos das contribuições as despesas com "estufagem de containeres". atualização monetária com base na taxa Selic Carece de amparo legal a pretendida atualização monetária dos créditos ressarcidos com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic) para títulos federais. Com efeito, diferentemente das regras inerentes à restituição, não há se falar em atualização monetária nem incidência de juros moratórios sobre créditos desta contribuição nos ressarcimentos decorrentes do regime da nãocumulatividade: antes da vigência da Lei 10.833, de 29 de dezembro de 2003, não havia previsão legal para expedição de ato administrativo com esse desiderato; na vigência dessa norma jurídica, o artigo 13 c/c artigo 15, inciso VI, veda expressamente tais majorações. A propósito do tema, trago à colação oportunas lições do professor Celso Antônio Bandeira de Mello [15], verbis: [...] o princípio da legalidade é o da completa submissão da Administração às leis. Esta deve tão somente obedecêlas, cumprilas, pôlas em prática. Daí que a atividade de todos os seus agentes, desde o que lhe ocupa a cúspide, isto é, o Presidente da República, até o mais modesto dos servidores, só pode ser a de dóceis, reverentes, obsequiosos cumpridores das disposições gerais fixadas pelo Poder Legislativo, pois esta é a posição que lhes compete no Direito brasileiro. O princípio da legalidade, no Brasil, significa que a Administração nada pode fazer senão o que a lei determina. Ao contrário dos particulares, os quais podem fazer tudo o que a lei não proíbe, a Administração só pode fazer o que a lei antecipadamente autorize. Donde, administrar é prover aos interesses públicos, assim caracterizados em lei, fazendoo na conformidade dos meios e formas nela estabelecidos ou particularizados segundo suas disposições. Seguese que a atividade administrativa consiste na produção de decisões e comportamentos que, na formação escalonada do Direito, agregam níveis maiores de concreção ao que já se contém abstratamente nas leis. 13 Lei 10.833, de 2003, artigo 3º: Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] (IX) armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. 14 Lei 10.833, de 2003, artigo 15: Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativa de que trata a Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei 10.865, de 2004) [...] (II) nos incisos VI, VII e IX do caput e nos §§ 1º e 10 a 20 do art. 3º desta Lei; (Redação dada pela Lei 11.051, de 2004) [...]. 15 BANDEIRA DE MELLO, Celso Antônio. Curso de direito administrativo. 26. ed. rev. e atual. São Paulo: Malheiros, 2009, p. 101 e 105. Fl. 15DF CARF MF Impresso em 02/07/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 12/06/20 12 por TARASIO CAMPELO BORGES Processo nº 16366.000413/200689 Acórdão nº 310101.109 S3C1T1 Fl. 584 _________ As lições do professor Celso Antônio Bandeira de Mello estão amparadas em doutrina do também professor José Afonso da Silva, divulgada na 16ª. edição da obra Curso de Direito Constitucional Positivo (p. 421): “O princípio da legalidade é nota essencial do Estado de Direito. É, também, por conseguinte, um princípio basilar do Estado Democrático de Direito, [...]”. Com essas considerações, dou parcial provimento ao recurso voluntário para: (1) excluir as variações cambiais ativas da base de cálculo do tributo e (2) reverter a glosa dos créditos relativos a despesas incorridas, pagas ou creditadas a pessoa jurídica domiciliada no país relativas a (2.1) aquisição de combustíveis utilizados em veículos próprios para o transporte de matériaprima entre estabelecimentos da recorrente, (2.2) comissões na compra de matériaprima e (2.3) "estufagem de containeres". Tarásio Campelo Borges Fl. 16DF CARF MF Impresso em 02/07/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 12/06/20 12 por TARASIO CAMPELO BORGES
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Numero do processo: 15956.000250/2009-74
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jun 05 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3302-000.254
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE GOMES - Relator.
EDITADO EM: 28/01/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto.
Relatório
Nome do relator: ALEXANDRE GOMES
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES Relator. EDITADO EM: 28/01/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Por bem retratar a matéria tratada no presente processo, transcrevese o relatório produzido pela DRJ de Ribeirão Preto: A empresa qualificada em epígrafe foi autuada em virtude da apuração de falta de recolhimento da Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) e do Financiamento da Seguridade Social RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 59 56 .0 00 25 0/ 20 09 -7 4 Fl. 947DF CARF MF Impresso em 05/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 15956.000250/200974 Resolução nº 3302000.254 S3C3T2 Fl. 913 2 (Cofins), incidência não cumulativa, fatos geradores de agosto a dezembro de 2004, e incidência cumulativa, fatos geradores de janeiro de 2004 a abril de 2007, exigindoselhe o crédito tributário total de R$ 5.425.137,30 (fls. 03/12, 39147, 12/16 e 35/39). O enquadramento legal encontrase As fls. 12, 16, 22, 39,47 e 53. De acordo com o Termo de Constatação Fiscal foram lançadas diferenças das contribuições não declaradas ou pagas, conforme os demonstrativos do PIS (fls. 23 e 32) e da Cofins (fls. 54155). Irresignada, a interessada apresentou impugnação ao feito fiscal, requerendo o reconhecimento da sua nulidade ou a improcedência do lançamento fiscal e a realização de diligência, alegando, em síntese, que (fls. 504/531): a) A decadência do direito de constituir o crédito tributário em relação aos fatos geradores elite janeiro a agosto de 2004, já que a ciência ocorreu em 26/08/2009, por força da aplicação do §4° do art. 150 do CTN; reproduziu em seu beneficio Ementas de Acórdãos do CARF; b) A nulidade do feito pela inexistência de Lei para a efetivação do lançamento; afirmou que com a edição das Leis n° 10.637/2002 e n° 10.833/2003, foi instituída a incidência não cumulativa do PIS e da Cans, até agosto de 2004 não havia lei que determinasse a incidência cumulativa sobre as receitas de Venda do álcool carburante; a lei que determinou o retorno de tal incidência, Lei n° 10.865, de 30/04/2004, somente entrou em vigor no mês de agosto de 2004, conforme seus arts. 46, I e IV, 21, IV, e 37, IV; no mesmo sentido pronunciamento da Cosit ern Processo de Considta n° 139/03, do qual citou a ementa e do Cart; do qual cita Ementa de Acórdão, que já teria decidido que "A falta de lei que exclua expressamente a pessoa jurídica do regime não cumulativo (...) é a este regime que a pessoa jurídica se submeterá"; c) A nulidade do feito fiscal em decorrência da apuração do crédito tributário por amostragem, ferindo o disposto no C'TN, art. 142 e 113; cita textos de doutrinadores e jurisprudência administrativa; d) A nulidade pela ilegal presunção quanto à finalidade do álcool exportado; na verdade os documentos colhidos comprovam que o álcool foi exportado sob a rubrica "outros fins", que se refere à finalidade industrial do produto; e) A nulidade pela ausencia de demonstração do fato gerador; os cálculos apresentados são de complexa compreensão, além disso lançou dados nas planilhas cuja origem é totalmente desconhecida, configurando afronta ao art. 10, III, do PAF, tomandose evidente obstáculo ao pleno exercício da ampla defesa; f) A improcedência do lançamento nãocumulativo em decorrência de. equivoco na aplicação _do regime tributário às receitas de exportação de álcool; de acordo com.o art. 2° da Portaria ANP 2/02, a classificação de álcool carburante, para utilização como combustível, vale apenas no âmbito do território nacional, inexistindo a caracterização para o Wool exportação, cuja finalidade não é possível determinar, a não ser que seja para "outros fins"; acrescenta ainda que Fl. 948DF CARF MF Impresso em 05/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 15956.000250/200974 Resolução nº 3302000.254 S3C3T2 Fl. 914 3 após a instituição do regime nãocumulativo, o regime cumulativo passou a ser admitido apenas excepcionalmente; cita ementa de consulta Cosit n° 139/03; g) O AFRFB aplicou, equivocadamente, o conceito de insumo utilizado na apuração do IN ou do ICMS para a apuração do PIS/Cofins; a contribuição comporta outro entendimento, aquele previsto na legislação própria, conforme manifestação do Carl, em ementa de acórdão que cita ;ademais a comprovação dos insumos dáse por meio de notas fiscais de aquisição e no livro de registro de entradas, que são suficientes; h) A glosa do crédito presumido sobre aquisição de canadeaçúcar de pessoa fisica, com base na IN/SRF n° 660/2006, afronta ao disposto no art. 8° da Lei n° 10.925/2004, a qual deve ser aplicada por ser norma superior, sob pena de ofensa ao principio da hierarquia das normas, bem como ao principio da legalidade, além de afronta ,ao § 12 do art. 195 da CF/88, que atribui A lei a tarefa de definir as regras do regime nãocumulativo do PIS/COF1NS; i) A glosa dos créditos sobre aquisição de adubos e fertilizantes é indevida e improcedente; tratase de empresa agroindustrial que não revende tais produtos, portanto, sua aquisição e regular escrituração no registro de entrada é suficiente A comprovação, sendo desnecessário documentos que comprovem o consumo; j) A glosa dos créditos sobre fiquisição de serviço de transporte sob o argumento de que não foram comprovadas mediante documentação hábil e idônea é indevida e improcedente; o serviço de transporte esta intimamente ligado A atividade da impugnante, sendo essencial, seja como insumo seja na operação de venda; o que se pode comprovar é a sua aquisição e somente ela, nesse sentido.o livro de registro de entradas bem como as respectivas faturas ou notas fiscais e conhecimentos de transporte são suficientes para comprovar tal aquisição; como não é possível acostar todas as cópias de conhecimento de transporte,'. junta cópias por amostragem; k) Em relação A glosa de créditos sobre aquisição de óleo diesel combustível!,apresentou, em síntese, os mesmos argumentos do item anterior, com o destaque de que a empresa possui mais de cento e vinte máquinas ou equipamentos, desnecessária, portanto, a prova documental do consumo; 1) Em relação A glosa dos créditos sobre depreciação de máquinas e equipamentos manifestou sua discordância com base no argumento de que antes da edição da Lei if 10.865/04, que passou a produzir efeitos a partir de maio de 2004,já fazia jus ao crédito em relação As máquinas constantes de seu ativo imobilizado; em favor de ser argumento trouxe ementa de Acórdão Judicial; m) Clamou pela improcedência parcial do lançamento cumulativo, vez que a legislação que determinou o retomo de tal incidência somente entrou em vigor no Ines de agosto de 2004, improcedentes, portanto, o lançamento referente aos fatos geradores de janeiro a agosto de 2004; Fl. 949DF CARF MF Impresso em 05/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 15956.000250/200974 Resolução nº 3302000.254 S3C3T2 Fl. 915 4 n) Clamou contra a tributação na remessa de mercadorias, já objeto de tributação quando da emissão da nota fiscal; a fiscalização teria incluído na base de cálculo os valores apurados no livro de IN, referente a códigos fikais de outras operações, sem verificar efetivamente os registros; o) Reclamou da exigência de multa de ofício sobre valores já declarados, ou seja, sobre crédito tributário constituído, nos termos da IN SRF n° 126/98, art. 7°, § 1°; a declaração do tributo em DCTF é suficiente à sua constituição, incabível portanto a sua exigência mediante constituição em auto de infração; p) Esclarece que a empresa passou por processo de reestruturação societária, alteração de controle, troca de administração e de funcionários, razão pela qual muitas questões deixaram de ser devidamente esclarecidas, o que leva a dificuldade de apresentação de provas, solicita, co amparo no art. 16, IV, do PAF a realização de diligencia para efetivação das verificações. A par dos argumentos lançados na Impugnação apresentada, a DRJ entendeu por bem manter o lançamento em decisão que assim ficou ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 PEDIDO DE DILIGÊNCIA E PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia era com o intuito de produzir provas que deveriam ser apresentadas na impugnação. PROVA DOCUMENTAL. APRESENTAÇÃO. A apresentação de prova documental deve ser feita durante a fase de impugnação, precluindo o, direito de a interessada fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo' de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos Aos autos. NULIDADE. Se o ato administrativo de lançamento obedece a suas formalidades essenciais não cabe declarar sua nulidade. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2004 SÚMULA VINCULANTE DO STF. Em razão da Súmula Vinculante nº 8, do STF, o prazo para o lançamento das contribuições sociais deve ser contado segundo os critérios estabelecidos no Código Tributário Nacional. FALTA DE RECOLHIMENTO. A falta ou insuficiência de recolhimento das contribuições para o PIS/Cofins, apurada em procedimento fiscal, enseja o lançamento de oficio com os devidos acréscimos legais. Fl. 950DF CARF MF Impresso em 05/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 15956.000250/200974 Resolução nº 3302000.254 S3C3T2 Fl. 916 5 ÁLCOOL PARA FINS CARBURANTE A receita auferida pela pessoa jurídica produtora de álcool para fins carburantes no está sujeita i incidência nãocumulativa do PIS/Cofins? CRÉDITOS. INSUMOS. Os insumos utilizados no processo produtivo somente dão direito ao crédito das Contribuições, no regime de incidência nãocumulativa, se aplicados diretamente no bem produzido e consumidos/alterados no processo produtivo e desde que não incorporados ao ativo imobilizado. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Acórdão Contra esta decisão foi apresentado Recurso onde são reprisados os argumentos lançados na manifestação de inconformidade apresentada É o relatório. Voto Conselheiro ALEXANDRE GOMES O presente Recurso Voluntário é tempestivo, preenche os demais requisitos e dele tomo conhecimento. Conforme se depreende do relatório acima transcrito, o presente auto de infração procurar constituir créditos de PIS e COFINS cumulativos e não cumulativos e foi assim resumido pela Recorrente: i) PIS e COFINS apuração cumulativa, referentes aos exercícios 2004 (janeiro a dezembro), 2005 (fevereiro, maio, julho, agosto, outubro, novembro), 2006 (janeiro) e 2007 (abril), respectivamente no valor principal' de R$ 159.707,98 e R$ 640.275,90, decorrente de suposta insuficiência de recolhimento; e ii) PIS e COFINS apuração nãocumulativa, referente ao exercício 2004 (agosto a dezembro), respectivamente no valor principal 2 de R$ 263.361,77 e R$ 1.213.060,31, por suposta insuficiência de recolhimento em função da (a) desconsideração do regime não cumulativo para as receitas de exportação de álcool "outros fins", presumindo tratarse de álcool para fins carburantes (sujeito ao regime cumulativo) e conseqüentemente da (b) proporcionalização (novo rateio proporcional) dos créditos do regime nãocumulativo (custos, despesas e encargos), bem como da (c) glosa de diversos créditos, não aceitos e/ou reconhecidos pela RFB Diante da alegação da Recorrente de que parte do lançamento estava maculado pela decadência por aplicação do que determina o art. 150 § 4º do CTN, a decisão recorrida assim consignou: 1. de acordo com o Demonstrativo dos Valores da Contribuição para o Pis não cumulativo a lançar (fl. 23) e Demonstrativo da Cofins não cumulativa (fl. 55), a empresa não efetuou nenhum recolhimento no período em questão; portanto, não existiu a atividade prevista ao final do art. 10, o que impede sua aplicação; Fl. 951DF CARF MF Impresso em 05/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 15956.000250/200974 Resolução nº 3302000.254 S3C3T2 Fl. 917 6 2. de acordo com o Demonstrativo do PIS cumulativo (fl. 32), ocorreram pagamentos somente a partir do fato gerador de agosto de 2004; como a ciência ocorreu em 26/0812009 (fl. 03), os fatos geradores passíveis de aplicação da decadência são aqueles que ocorreram até julho de 2004 e inexistindo o pagamento, não se aplica a regra do art. 150; considerações que se estendem A Cofins cumulativa (fl. 54) já que não foi constatada a existência de pagamentos para os períodos em questão. Ou seja, o acórdão recorrido considerou não ter ocorrido pagamento para os meses de janeiro a agosto de 2002, motivo pelo qual aplicou ao caso o art. 172, I do CTN, e, por conseqüência, afastou as alegações de decadência parcial dos créditos. Compulsando os autos foi possível encontrar apenas as DACON relativas ao 3º e 4º Trimestres de 2002, já sendo possível verificar nestes documentos que em relação aos mês de julho houve apuração de PIS e COFINS a pagar, ainda que apurada no regime não cumulativo. Devese considerar que os valores lançados nos meses de janeiro a agosto, período que se requer o reconhecimento da decadência, decorrem do fato de a fiscalização considerar que a totalidade das vendas de álcool estariam sujeitas ao regime cumulativo por se tratarem de vendas de álcool carburante. Da leitura atenta da decisão recorrida não foi possível determinar se as afirmações lançadas no acórdão proferido pela DRJ de Ribeirão Preto consideraram não haver pagamentos no período citado pelo fato de não ter ocorrido nenhum pagamento de PIS e COFINS cumulativo, ou se no período de fato não ocorreu nenhum recolhimento destas contribuições seja pela apuração cumulativa ou pela não cumulativa. Vejase que no mês de julho de 2002 consta da DACON juntada às fls.390, o valor de R$ 1.082,84 como relativo ao COFINS não cumulativa a recolher. Também às fls. 380, consta à apuração de R$ 235,09 a título de PIS não cumulativa a recolher. Antes de adentrarmos na eventual discussão a cerca da validade da utilização de recolhimentos de PIS e COFINS não cumulativo para fins de aplicação do art. 150, § 4º em lançamentos de contribuições apuradas pelo sistema cumulativo, mister sabermos se houve de fato recolhimentos no período seja a que título for. De outro lado, boa parte da discussão perpetratada no presente processo diz respeito à natureza do álcool vendido pela Recorrente e registrado em seus livros como sendo para “outros fins”. Temos, de um lado, a autoridade fiscal afirmando que tal produto tem fins carburantes e de outro, a Recorrente, negando tal assertiva, a qual imputa a de mera presunção fiscal. Parece claro que sendo a mercadoria produzida pela própria Recorrente está pode estabelecer as diferenças existentes entre as duas mercadorias capazes de afastar as alegações fiscais. Destacase que não se ignora os demais argumentos trazidos à baila pelo Recuso, entre eles o de que a legislação que define a natureza do álcool produzido para fins carburantes ser somente aplicável as mercadorias vendidas no mercado interno. Em que pese às discussões jurídicas a cerca dos termos e dispositivos previstos na legislação que trata do tema em discussão, para que as duvidas existentes sejam sanadas, Fl. 952DF CARF MF Impresso em 05/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 15956.000250/200974 Resolução nº 3302000.254 S3C3T2 Fl. 918 7 necessário, no entender deste Relator, possibilitar ao Recorrente que traga as autos prova de que tais mercadorias são de fato diferentes. Por todo o exposto, entendo necessária a baixa do presente processo em diligencia para que a autoridade preparadora: a) informe a existência de pagamentos de PIS e COFINS não cumulativa em relação às competências janeiro a agosto de 2002; b) em caso de inexistência de pagamento em relação a alguma das competências acima citadas, deve informar se houve a ocorrência de saldo credor em algum dos meses listados; c) fazer juntar aos autos cópia das DACONs do primeiro e segundo trimestres de 2002; d) intime a Recorrente para que apresente, no prazo de 30 dias, comprovação relacionada a diferenças existentes entre as mercadorias por ela produzidas que justifiquem a sua classificação diversa de álcool para fins carburantes aos produtos destinados a exportação; e) traga aos autos outras informações que entenda pertinente para o deslinda da questão; e, f) intime o Recorrente para que se manifeste a respeito do resultado da diligencia proposta antes do retorno do processo a este órgão julgador. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES Relator Fl. 953DF CARF MF Impresso em 05/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 11634.000668/2009-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Exercício: 2006, 2007
Ementa:
EXCLUSÃO DO SIMPLES. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO DECORRENTE.
Revela-se insubsistente o lançamento tributário motivado por exclusão do SIMPLES, considerada indevida em sede de decisão irreformável prolatada em segunda instância.
Numero da decisão: 1301-001.246
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário interposto para julgar insubsistente o lançamento tributário efetuado, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator.
documento assinado digitalmente
Plínio Rodrigues Lima
Presidente.
documento assinado digitalmente
Wilson Fernandes Guimarães
Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Plínio Rodrigues Lima, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Exercício: 2006, 2007 Ementa: EXCLUSÃO DO SIMPLES. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO DECORRENTE. Revela-se insubsistente o lançamento tributário motivado por exclusão do SIMPLES, considerada indevida em sede de decisão irreformável prolatada em segunda instância.
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LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO DECORRENTE. Revelase insubsistente o lançamento tributário motivado por exclusão do SIMPLES, considerada indevida em sede de decisão irreformável prolatada em segunda instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário interposto para julgar insubsistente o lançamento tributário efetuado, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. “documento assinado digitalmente” Plínio Rodrigues Lima Presidente. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Plínio Rodrigues Lima, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 63 4. 00 06 68 /2 00 9- 63 Fl. 94DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 7/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11634.000668/200963 Acórdão n.º 1301001.246 S1C3T1 Fl. 95 2 Relatório Trata o presente processo de lançamento tributário relativo a MULTA, aplicada em virtude da apresentação de instrumentos declaratórios (GUIA DE RECOLHIMENTO DO FGTS e INFORMAÇÕES À PREVIDÊNCIA SOCIAL – GFIP) com dados incorretos. Em conformidade com o consignado na decisão exarada em primeira instância, as informações incorretas implicaram em redução das contribuições previdenciárias exigíveis a partir dos documentos antes referenciados. Depreendese do pronunciamento feito em primeira instância, que as incorreções que motivaram a aplicação da penalidade decorreram do fato de a contribuinte ter sido excluída do SIMPLES por meio do Ato Declaratório Executivo nº 37, de 16 de junho de 2009, da Delegacia da Receita Federal em Londrina, Paraná (processo administrativo nº 11634.000301/200940). Inconformada, a contribuinte interpôs impugnação, por meio da qual requereu a anulação do auto de infração em decorrência da atividade da empresa ter sido exercida mediante empreitada e pelo fato de que nunca teve locação de mão de obra, embora a atividade estivesse prevista no seu contrato social. Alternativamente, solicitou: que fosse considerado correto o preenchimento dos documentos; a desconsideração de qualquer penalidade, em decorrência da improcedência de todos os elementos do auto de infração; a unificação de todos os processos administrativos contra ela; e a suspensão da exigibilidade do crédito tributário até o julgamento em definitivo do processo que tratou da exclusão do SIMPLES. Fundamentando suas solicitações, trouxe considerações contestando a exclusão do SIMPLES e a Representação Fiscal para Fins Penais. A 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba, Paraná, apreciando as razões trazidas pela defesa, decidiu, por meio do acórdão nº 0630.887, de 25 de março de 2011, pela procedência parcial do lançamento tributário. O referido julgado restou assim ementado: EXCLUSÃO DO SIMPLES. DISCUSSÃO EM FORO INADEQUADO Tratandose de processo de crédito relativo a autuação por descumprimento de obrigação acessória prevista na legislação de custeio da previdência social, cumprimento este exigível por decorrência da exclusão da empresa do sistema SIMPLES, não é esse o foro adequado para discussão acerca dessa exclusão e sim o respectivo processo instaurado para esse fim. Descabe em sede de processo de lançamento fiscal de crédito tributário o reexame dos motivos que ensejaram a emissão do ato de exclusão. EXCLUSÃO DO SIMPLES. GFIP. PREENCHIMENTO COM CÓDIGOS DAS EMPRESAS EM GERAL Fl. 95DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 7/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11634.000668/200963 Acórdão n.º 1301001.246 S1C3T1 Fl. 96 3 A exclusão da empresa do Simples acarreta a obrigação de retificar suas GFIP de acordo com os códigos próprios das empresas em geral. SOBRESTAMENTO DO PROCESSO. IMPOSSIBILIDADE. O processo administrativo fiscal é regido por princípios, dentre os quais o da oficialidade, que obriga a administração impulsionar o processo até sua decisão final. Além disso, não há previsão normativa para sobrestamento de processo administrativo de determinação e exigência de crédito tributário decorrente da exclusão de empresa do SIMPLES pelo fato do procedimento de exclusão não ter ainda chegado a uma decisão administrativa definitiva. INCOMPETÊNCIA DA DRJ PARA O EXAME DA REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS Não compete às Turmas da DRJ examinar as alegações acerca da regularidade da representação fiscal para fins penais em processos de lançamento fiscal de crédito tributário. INÍCIO DOS EFEITOS DA EXCLUSÃO DO SIMPLES. RETIFICAÇÃO DO CRÉDITO A alteração a data do início dos efeitos da exclusão da empresa Simples por decisão da Turma competente desta DRJ implica em retificação do crédito tributário lançado para exclusão dos fatos geradores correspondentes ao período em que a opção foi considerada regular. Irresignada, a contribuinte apresenta recurso voluntário (fls. 51/69), em que, sustentando que é possível a apensação de todos os processos administrativos a um feito principal, de modo que tramitem juntos e possam ser julgados na mesma oportunidade, renova argumentos acerca da improcedência da sua exclusão do SIMPLES e da Representação Fiscal para Fins Penais. É o Relatório. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 7/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11634.000668/200963 Acórdão n.º 1301001.246 S1C3T1 Fl. 97 4 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. Esclareço preliminarmente que, na linha do solicitado pela Recorrente, o presente processo foi apensado ao de nº 11634.000301/200940, também distribuído para a minha relatoria e que tratou especificamente da exclusão do SIMPLES. Não obstante a existência de Termo de Apensação, não observei que o presente processo tratava de auto de infração relacionado à referida exclusão do SIMPLES, até porque nos termos do art. 105 do Código de Processo Civil, de aplicação subsidiária, penso que a autoridade julgadora poderia ter pronunciado orientação no sentido de que o julgamento deveria ser feito de forma conjunta. Observo, ainda, que nos termos da Portaria RFB nº 666, de 24 de abril de 2008, vigente à época em que o Ato Declaratório Executivo de exclusão do SIMPLES foi emitido e o lançamento tributário foi efetivado, referidos atos deveriam ter sido objeto de processo único, senão vejamos: PORTARIA RFB Nº 666, de 2008 Art. 1º Serão objeto de um único processo administrativo: I as exigências de crédito tributário do mesmo sujeito passivo, formalizadas com base nos mesmos elementos de prova, referentes: [...] III as exigências de crédito tributário relativo a infrações apuradas no Simples que tiverem dado origem à exclusão do sujeito passivo dessa forma de pagamento simplificada, a exclusão do Simples e o lançamento de ofício de crédito tributário dela decorrente; No que diz respeito ao mérito da controvérsia submetida à apreciação, vêse que o lançamento consubstanciado no Auto de Infração de fls. 01 decorre, como assinalado pela autoridade julgadora de primeiro grau, da exclusão da contribuinte da sistemática simplificada de recolhimento de tributos e contribuições (SIMPLES). Referida exclusão, promovida por meio do Ato Declaratório Executivo nº 37, de 16 de junho de 2009, foi, como já dito, objeto do processo administrativo nº 11634.000301/200940, já apreciado por este Colegiado. Com efeito, em sessão realizada em 03 de julho de 2012, esta Primeira Turma Ordinária decidiu, por unanimidade, pela improcedência da exclusão da contribuinte da sistemática do SIMPLES. O citado julgado restou assim ementado (acórdão nº 130100.974) 1: 1 O acórdão em referência foi digitalizado na sua íntegra e encontrase anexado ao presente processo. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 7/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11634.000668/200963 Acórdão n.º 1301001.246 S1C3T1 Fl. 98 5 EXCLUSÃO DO SIMPLES. EXPLORAÇÃO DE ATIVIDADE VEDADA. COMPROVAÇÃO. NECESSIDADE. Tratandose de norma restritiva de direitos, o fato propulsor de sua aplicação deve estar suficientemente provado. No caso dos autos, em que a atividade impeditiva da permanência no SIMPLES está representada por suposta cessão de mão de obra, os elementos carreados ao processo não autorizam concluir que o contratado, a fiscalizada, limitouse a fornecer os trabalhadores para a execução dos serviços, deixando, assim, de assumir os riscos inerentes à produção dos resultados esperados. Sendo, pois, o lançamento tributário em debate motivado pela exclusão considerada indevida em sede de decisão irreformável prolatada por este Colegiado2, obviamente que ele não pode subsistir, dada a íntima relação de causa e efeito. Diante do exposto, conduzo meu voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário interposto para julgar insubsistente o lançamento tributário efetuado, revelandose, com isso, despicienda a apreciação das demais matérias suscitadas na peça de defesa. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator 2 O despacho de encaminhamento do presente processo contém informação nesse sentido, eis que a Procuradoria da Fazenda Nacional foi cientificada do acórdão e não interpôs recurso. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 7/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 10280.722539/2009-14
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Aug 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
OMISSÃO DE RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. RENDIMENTOS DE DEPENDENTES. AUSÊNCIA DE DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL PROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO EFETUADO.
Comprovado nos autos que os rendimentos tributáveis omitidos objeto da autuação foram auferidos por dependente que não apresentou declaração de ajuste anual do imposto de renda, correto está o lançamento.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2801-003.068
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin Presidente em exercício.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros:: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Márcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2007 OMISSÃO DE RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. RENDIMENTOS DE DEPENDENTES. AUSÊNCIA DE DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL PROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO EFETUADO. Comprovado nos autos que os rendimentos tributáveis omitidos objeto da autuação foram auferidos por dependente que não apresentou declaração de ajuste anual do imposto de renda, correto está o lançamento. Recurso Voluntário Negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1723; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE01 Fl. 37 1 36 S2TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10280.722539/200914 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2801003.068 – 1ª Turma Especial Sessão de 19 de junho de 2013 Matéria IRPF Recorrente MARCOS TADEU RODRIGUES FRANCO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2007 OMISSÃO DE RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. RENDIMENTOS DE DEPENDENTES. AUSÊNCIA DE DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL PROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO EFETUADO. Comprovado nos autos que os rendimentos tributáveis omitidos objeto da autuação foram auferidos por dependente que não apresentou declaração de ajuste anual do imposto de renda, correto está o lançamento. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Presidente em exercício. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros:: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Márcio Henrique Sales Parada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 25 39 /2 00 9- 14 Fl. 37DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/ 06/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10280.722539/200914 Acórdão n.º 2801003.068 S2TE01 Fl. 38 2 Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 4ª Turma da DRJ/BEL (Fls. 25), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Contra o contribuinte em epígrafe foi emitida Notificação de Lançamento do Imposto de Renda da Pessoa Física – IRPF (fls. 03/07), referente ao exercício 2007, anocalendário 2006. Após a revisão da Declaração foram apurados os seguintes valores: Imposto de Renda Pessoa Física – Suplementar (Sujeito à Multa de Ofício). 2.800,31 Multa de Ofício (passível de redução) 2.100,23 Juros de Mora (calculado até 29/05/2009) 667,87 Imposto de Renda Pessoa Física (Sujeito à Multa de Mora) 0,00 Multa de Mora (não passível de redução) 0,00 Juros e Mora (calculado até 29/05/2009) 0,00 Total do Crédito Tributário 5.568,41 O lançamento acima foi decorrente da seguinte infração: Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica – omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, relativos ao exercício 2007, anocalendário 2006. Fonte Pagadora: Belém Empreendimentos Esportivos ltda.(CNPJ: 03.904.007/000126). CPF Beneficiário: 527.808.80287. Valor: R$ 10.797,06. IRRF: R$ 7,39. A ciência do resultado da Solicitação de Retificação de Lançamento ocorreu em 29/07/2009 (fls. 24) e, em 17/08/2009, o contribuinte apresentou impugnação de fls. 2, afirmando que os rendimentos considerados omitidos pela presente notificação não devem ser tributados por tratarem de receita bruta isenta recebida pelo dependente Bruno Venâncio Franco, incluído inadvertidamente na Declaração de Ajuste do Declarante, uma vez que o referido dependente já não era universitário. A Delegacia da Receita Federal em Belém/PA informa, no despacho de fls. 20 que, em razão da imagem do Aviso de Recebimento referente ao envio da presente notificação não se encontrar disponível no sistema, foi presumida a tempestividade da impugnação apresentada pelo contribuinte. Em consulta aos sistemas disponíveis na suíte de aplicativos da Receita Federal, verificase que o Aviso de Recebimento relativo ao envio do resultando da solicitação de retificação de Fl. 38DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/ 06/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10280.722539/200914 Acórdão n.º 2801003.068 S2TE01 Fl. 39 3 lançamento já foi disponibilizado no sistema, tendo sido anexado aos autos. Intimado a apresentar documentos (fls. 21), o contribuinte o fez às fls. 22. Passo adiante, a 4ª Turma da DRJ/BEL entendeu por bem julgar a impugnação improcedente, em decisão que restou assim ementada: OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS POR DEPENDENTE. Os rendimentos tributáveis recebidos pelos dependentes devem ser somados aos rendimentos do declarante para efeito de tributação na declaração. DIRPF. INFORMAÇÕES. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE. A responsabilidade pelas informações prestadas na declaração de rendimentos é do declarante, independentemente de entrega do comprovante de rendimentos pela fonte pagadora. Regularmente Cientificado; o Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 16/02/2012 (fls. 31 e 32), argumentando em síntese: (...) O dependente, no caso, apesar de à época ter aquela idade, não era mais universitário, por haver concluído seu curso superior no ano de 2005 – daí o impedimento de manter seu nome em minha declaração, o que somente foi percebido após a primeira intimação da RFB. O Bruno já exercia função remunerada, sendo, entretanto, isento em decorrência dos seus rendimentos brutos não alcançarem o limite para a emissão de sua Declaração de Ajuste, já que seu rendimento anual no anobase de 2006 foi de R$ 10.797,06 e o programa do IRPF2007, na seção OBRIGATORIEDADE DE ENTREGA, item 1, ter estabelecido que tal obrigatoriedade abrangia o contribuinte que recebeu no exercício de 2006, rendimentos tributáveis sujeitos ao ajuste anual na declaração, superior a R$ 14.992,32.. o que obviamente não era o caso do Bruno. Juntou: Diploma de Licenciatura Plena em Educação Física do Sr. Bruno Venâncio Franco, emitido em 11 de fevereiro de 2006, pela Universidade do Estado do Pará (fls. 33 e 34). É o Relatório. Fl. 39DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/ 06/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10280.722539/200914 Acórdão n.º 2801003.068 S2TE01 Fl. 40 4 Voto Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. Alega o recorrente que não teve intenção de lesar o fisco, que cometeu um erro ao preencher as declarações, colocando seu filho como dependente, e que seu filho não poderia ser incluído como dependente em razão de, à época dos fatos ter 24 anos e não estar cursando curso de ensino superior. Deste modo, não houve qualquer contestação quando ao efetivo recebimento dos valores pelo dependente do Recorrente. Ocorre que podemos observar que na DIRPF do recorrente, além de constar seu filho como dependente, houve a dedução relativa a este dependente. Deste modo, podemos concluir que não houve um simples erro de preenchimento. Ademais, se o contribuinte optou por declaração mais onerosa, seja por desconhecer o fato de que seria mais econômico não incluir seu dependente nas declarações, ou por qualquer outro motivo, é dever manter tal declaração; posto que o contribuinte tem a sua disposição ampla gama de informações sobre as formas de declarações, e todas as leis são publicadas em Diário Oficial para conhecimento público obrigatório. É de se concluir que, comprovado que a dependente do recorrente auferiu rendimentos no ano base 2006, e que tais rendimentos não foram ofertados para a tributação pelo recorrente, ou por seu dependente em declaração própria, correto está o lançamento. Quanto a alegação de que seu filho estaria impedido de ser seu dependente em razão da sua idade e de não estar cursando estabelecimento de ensino superior, cumpre ressaltar que, apesar de advertido pela DRJ de que não consta qualquer prova desta alegações, o recorrente não juntou nenhuma prova sustentando suas alegações. Ademais, o diploma apresentado pelo próprio contribuinte, de folhas 33 e 34 dos autos, atesta que o filho do recorrente era universitário até fevereiro de 2006; o que possibilitaria a dependência do mesmo. Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 40DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/ 06/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10280.722539/200914 Acórdão n.º 2801003.068 S2TE01 Fl. 41 5 Fl. 41DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/ 06/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN
score : 1.0
Numero do processo: 15956.000458/2007-21
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Feb 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 19/09/2007
AUTO DE INFRAÇÃO. DAR OU DISTRIBUIR COTAS OU
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS EM DÉBITO.
INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE
RECONHECIMENTO NA VIA ADMINISTRATIVA E INOCORRÊNCIA.
AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO DA LEI. CONTRIBUIÇÃO E MULTA
PUNITIVA TEMAS INCONFUNDÍVEIS. RETROATIVIDADE
BENIGNA. NOVA LEGISLAÇÃO.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2803-001.357
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a), para que a multa seja
reduzida ao novo patamar legal em virtude da aplicação do artigo 106, II, 'c" da Lei 5.172/66
c/c o artigo 52 da Lei 8.212/91 na redação dada pela Lei 11.941/2009.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 19/09/2007 AUTO DE INFRAÇÃO. DAR OU DISTRIBUIR COTAS OU PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS EM DÉBITO. INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE RECONHECIMENTO NA VIA ADMINISTRATIVA E INOCORRÊNCIA. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO DA LEI. CONTRIBUIÇÃO E MULTA PUNITIVA TEMAS INCONFUNDÍVEIS. RETROATIVIDADE BENIGNA. NOVA LEGISLAÇÃO. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a), para que a multa seja reduzida ao novo patamar legal em virtude da aplicação do artigo 106, II, 'c" da Lei 5.172/66 c/c o artigo 52 da Lei 8.212/91 na redação dada pela Lei 11.941/2009. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Oséas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato. Fl. 114DF CARF MF Impresso em 07/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15956.000458/200721 Acórdão n.º 280301.357 S2TE03 Fl. 101 2 Relatório O presente Auto de Infração – AI DEBCAD 37.076.4820, CFL.52, dar ou atribuir cota ou participação nos lucros a sócio cotista, diretor ou outro membro de órgão dirigente, fiscal ou consultivo, ainda que a título de adiantamento, estando em, débito com a Seguridade Social, conforme previsto na Lei, nº 8.212/91, de 24.07.91, art. 52, II, combinado com o artigo 280, II, do regulamento da Previdência Social – RPS aprovado pelo Decreto º 3.048, de06.05.99, com período de apuração do crédito de 03/2002 a 12/2005, conforme Mandado de Procedimento Fiscal MPF, de fls. 06 e 07. O auto de infração objetiva a aplicação de penalidade por infração a dever instrumental, determinado por lei. O sujeito passivo foi cientificado da autuação, em 19/09/2007, Folha de Rosto do Auto de Infração – FR, de fls. 01. O contribuinte apresentou impugnação, as fls. 36 a 45, a qual foi acompanhada pelos documentos, de fls. 46 a 59. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto, por intermédio do órgão julgador de primeiro grau, emitiu o Acórdão 1419.931 9ª Turma da DRJ/RPO, em 07/08/2008, fls. 62 a 70. No qual o lançamento foi considerado procedente. O contribuinte tomou conhecimento desse decisório, em 28/08/2008, AR, fls. 73. Irresignado o contribuinte impetrou o Recurso Voluntário, petição de interposição, as fls. 75, recebida, em 29/09/2008, com razões recursais, as fls. 76 a 87, acompanhado dos documentos, de fls. 88 a 97, as razões recursais estão, assim, resumidas. Mérito. • Que a Lei 11.051/04 institui limite à multa a ser aplicada no caso de distribuição de lucros e bonificações, para empresa em débito com a União e suas autarquias, conforme artigo 32, § 2º da Lei 4.357/64; • Que a legislação padece de inconstitucionalidade superveniente, confirmada pelo desuso ou por restringir direitos, sendo sanção política; • Que a distribuição de lucros é verba alimentar garantida constitucionalmente, violando o direito de propriedade, presunção de inocência dos sócios, direito a participação nos lucros; livre iniciativa e proporcionalidade, sendo que a garantia do débito só poderia ocorrer em parcelamento ou em embargos a execução, o que afronta o artigo 170 da CF; • Que nos termos do artigo 1.071 do CC cabe aos sócios a deliberação sobre questões sociais, sendo a multa punitiva e confiscatória, Fl. 115DF CARF MF Impresso em 07/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15956.000458/200721 Acórdão n.º 280301.357 S2TE03 Fl. 102 3 violando o artigo 3º do CTN, pois tributo não tem natureza sancionatória; • Que o crédito tem que estar constituído pelo lançamento, não sendo a inadimplência sinônimo e débito não garantido e que a adesão ao REFIS consiste em garantia; • Que a sociedade de advogados é o único meio de sobrevivência de seus sócios e que de 2002 a 2006 estes ficaram praticamente sem faturamento, sendo os valores distribuídos forma decorrente de acordo judicial com seu maior cliente, possuindo tais valores natureza exclusivamente alimentar, devendo, assim o auto de infração deve ser desconstituído pelas inconstitucionalidades apontadas; • Que além desses problemas o sócio Dr. Márcio AP, Pereira em 07/2002 passou por cirurgia cardíaca, ficando afastado por longos meses, o que afetou mais ainda a saúde financeira do escritório único meio de sobrevivência dos sócios que são casados; • Que caso assim não entendam a multa aplicada deveria ser de R$ 74.850,51, ad argumentandum tantum, sendo que todas as contribuições previdenciárias do escritório estão pagas ou parceladas, pois sempre cumprimos com as nossas obrigações; • Por fim requer; a) acolhimento do recurso; b) declaração de nulidade do auto pelas inconstitucionalidades apontadas ou pela ausência da irregularidade. O órgão preparador reconheceu a tempestividade do Recurso Voluntário, fls. 99. Os autos foram remetidos ao Segundo Conselho de Contribuintes, fls. 99. É o Relatório. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 07/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15956.000458/200721 Acórdão n.º 280301.357 S2TE03 Fl. 103 4 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira Relator O recurso foi interposto tempestivamente, uma vez que a recorrente foi cientificada da decisão de primeiro grau, em 28/08/2008, fls. 73, sendo que tal interposição se deu, em 29/09/2008, fls 75. A autoridade preparadora reconheceu a tempestividade do apelo, fls. 99. Quando da análise da admissibilidade do recurso o depósito recursal estava extinto pela MP 413/2008, aplicando o ADI RFB 24/2008. Ultrapassados os pressupostos de admissibilidade passo a analisar o recurso. Prejudicial de mérito. As suscitadas inconstitucionalidades não podem ser objeto de análise no processo administrativo fiscal, pois vedado pelo ordenamento jurídico, artigo 26 do Decreto 70.235/72 c/c o artigo 62 da PT/MF 256/2009 – RICARF e Súmula CARF nº 02, todos abaixo transcritos. Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008) Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Entretanto, entendo que estas não existem no presente crédito. A uma, porque os direitos devem ser exercidos em conformidade com o ordenamento jurídico é a própria CRFB/88 em seu Sistema Tributário Nacional c/c a Ordem Social – Seguridade Social é que autoriza a criação das contribuições previdenciárias a serem suportadas por toda a sociedade, artigo 195, caput, inciso I, alínea “a”, “b” e “c”, entre outros. A duas, porque a norma aplicada ao presente caso é o artigo 52, II e seu parágrafo único da Lei 8.212/91 pelo princípio da especialidade e não o artigo 32, § 2º da Lei 4.357/64 na redação da Lei 11.051/2004 e, ainda, que fosse não haveria problema, pois a norma era vigente, válida e eficaz, assim, aplicável no mundo jurídico, sendo que o desuso da norma, se é que isso ocorreu não a torna inconstitucional ou inaplicável. Fl. 117DF CARF MF Impresso em 07/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15956.000458/200721 Acórdão n.º 280301.357 S2TE03 Fl. 104 5 A três, porque no presente caso não existe sanção política, mas tão somente multa pecuniária pelo descumprimento da legislação tributária, que resultou em violação do dever instrumental de não fazer, ou seja, descumprimento de obrigação acessória determinada e instituída em lei. A quatro, porque, se as alegações do contribuinte fossem plausíveis todo o Sistema Tributário Nacional não existiria e o Estado brasileiro sucumbiria por falta de capacidade financeira de existência, pois toda a tributação de impostos e contribuições se dá sobre propriedade, salário, remuneração, rendimento de qualquer natureza, ativos financeiros, bens, serviços e outros. Os sócios da empresa não foram acusados de nenhum crime e, ainda, que fossem a mera acusação ou instauração de procedimentos persecutórios não viola tal presunção, mas apenas o cumprimento antecipado da pena, salvo as exceções legais. No presente processo administrativo fiscal, o que se está possibilitando é exatamente o devido processo legal, contraditório e ampla defesa. O artigo 52 da Lei 8.212/91 não exige a garantia do débito e nem foi esta exigida pelo fisco. O presente auto não esta impossibilitando ou impedido que os sócios deliberem sobre as questões sociais da empresa, mas apenas dizendo que ao fazêlo deve observar o que o ordenamento jurídico pátrio determina, pois não se pode administrar a empresa em violação a este ordenamento, uma vez que se estaria dando aos empresários poderes que nenhum outro cidadão teria, qual seja, o de não cumprir a lei. O crédito em questão não viola o artigo 3º da Lei 5.172/66 com diz a recorrente, pois neste não há a exigência de tributo, mas de multa punitiva, que é prevista e estipulada em lei. O REFIS em nada se aplica a este caso, pois o citado programa de recuperação fiscal só se aplica aos débitos com vencimento até 29/02/2000, o que não é o caso dos autos. A origem do lucro e o motivo da distribuição é irrelevante para o deslinde da questão, o que a lei veda é a distribuição de lucro, quando a empresa distribuidora está em débito com a seguridade social, sendo isto exatamente o que ocorreu no caso dos autos. A situação pessoal de dificuldade dos sócios, ainda, que no campo da saúde, não afasta a aplicação da lei tributária ou a de qualquer outro ramo jurídico para estes casos temos a moratória e a isenção nos termos das leis que as estabelecerem. Não se está aqui discutindo se o contribuinte cumpre ou não as suas obrigações fiscais, até porque o presente crédito limitase a uma situação específica. No entanto, a alegação de que a multa aplicada deve ser outra merece uma reflexão diferenciada. Consignei linhas atrás que o presente crédito está fundado no artigo 52, II, parágrafo único da Lei 8.212/91, porém com a edição da MP 449, de 03/12/2008, convertida na Fl. 118DF CARF MF Impresso em 07/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15956.000458/200721 Acórdão n.º 280301.357 S2TE03 Fl. 105 6 Lei 11.941, de 27/05/2009, este artigo teve sua redação alterada passando a consignar o que abaixo transcrito. Art. 52. Às empresas, enquanto estiverem em débito não garantido com a União, aplicase o disposto no art. 32 da Lei no 4.357, de 16 de julho de 1964.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Ou seja, após a alteração legislativa o artigo 32 da Lei 4.357/64 passou a ser aplicável ao caso e este diz o que a seguir consta. Art 32. As pessoas jurídicas, enquanto estiverem em débito, não garantido, para com a União e suas autarquias de Previdência e Assistência Social, por falta de recolhimento de impôsto, taxa ou contribuição, no prazo legal, não poderão: b) dar ou atribuir participação de lucros a seus sócios ou quotistas, bem como a seus diretores e demais membros de órgãos dirigentes, fiscais ou consultivos; c) (VETADO). § 1o A inobservância do disposto neste artigo importa em multa que será imposta: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I às pessoas jurídicas que distribuírem ou pagarem bonificações ou remunerações, em montante igual a 50% (cinqüenta por cento) das quantias distribuídas ou pagas indevidamente; e (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) II aos diretores e demais membros da administração superior que receberem as importâncias indevidas, em montante igual a 50% (cinqüenta por cento) dessas importâncias. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) § 2o A multa referida nos incisos I e II do § 1o deste artigo fica limitada, respectivamente, a 50% (cinqüenta por cento) do valor total do débito não garantido da pessoa jurídica. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) Nestes termos tal multa é mais benéfica que a anterior atraindo a aplicação do artigo 106, II, “c” da Lei 5.172/66, pois no campo do descumprimento de dever instrumental temos penalidade e não contribuição propriamente dita. A questão da exigência de crédito garantido já foi tratada e é irrelevante ao presente caso. Ademais, porque a garantia é do crédito anterior e já constituído em momento anterior a esta autuação. O agente fiscal autuante deixou claro que o contribuinte com suas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP declaradas no período de 03/2002 a 11/2005, constituiu as contribuições patronais em razão dos segurados empregados e contribuintes individuais, no valor de R$ 66.248,45. Este agente, ainda, consignou que a empresa por meio das GFIP’s constituiu os débitos decorrentes das contribuições pessoais dos empregados e dos contribuintes Fl. 119DF CARF MF Impresso em 07/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15956.000458/200721 Acórdão n.º 280301.357 S2TE03 Fl. 106 7 individuais, respectivamente, para os períodos de 03/2002 a 08/2005 e 04/2003 a 08/2005, o que perfaz o valor de R$ 8.602,06 Assim sendo, com a aplicação da nova legislação que passou a reger a matéria, devese promover ao recálculo do valor do débito, que desta forma passa ser R$ 66.248,45 + R$ 8.602,06 = R$ 74.850,51, sendo este o valor do débito que justificou a atuação nos termos do Relatório Fiscal do Auto de Infração – REFISC, fls. 11. Por fim, com a redução legal supramencionado parágrafo 2ª do artigo 32 da Lei 4.357/64, ou seja, cinquenta por cento (50%) do débito não garantido, temse o valor final do presente auto R$ 37.425,26 Posto isto, com esses argumentos afasto todas as alegações da recorrente, exceto a relativa ao valor da multa, que acato, ainda, que por motivo diverso. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto por conhecer do recurso para no mérito darlhe provimento parcial, pelas razões e fundamentos expostos, a fim de que a multa seja reduzida ao novo patamar legal em virtude da aplicação do artigo 106, II, ‘c” da Lei 5.172/66 c/c o artigo 52 da Lei 8.212/91 na redação dada pela Lei 11.941/2009. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 120DF CARF MF Impresso em 07/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 19515.000454/2011-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jun 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/10/2010
DECADÊNCIA.
Aplicando-se as regras decadenciais previstas no art. 173, I do CTN, é de se reconhecer a decadência em relação aos fatos ocorridos antes de 01/01/2006.
NOMEAÇÃO DE JULGADOR AD HOC. VALIDADE.
A teor do que expressamente determinam as disposições do atual art. 308, inciso V da Portaria MF nº 203, de 14 de maio de 2012, perfeitamente legítima, verifica-se, é a nomeação ad hoc do julgador de primeira instância, em decorrência da ausência justificada do julgador Milton Bellintani Junior AFRFB Matr. 63.767.
NULIDADE DO LANÇAMENTO. VÍCIOS NO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. MPF. INOCORRÊNCIA.
O Mandado de Procedimento Fiscal é instrumento interno de planejamento e controle das atividades de fiscalização. Eventuais falhas nesses procedimentos, por si só, não ensejam a nulidade o lançamento decorrente da ação fiscal
MULTA ISOLADA. DESPROPORCIONALIDADE.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF no 02)
Numero da decisão: 1301-001.219
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os Membros deste Colegiado, por uanimidade de votos, em NEGAR provimento aos Recursos de Ofício e Voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
(Assinado digitalmente)
PLINIO RODRIGUES LIMA - Presidente.
(Assinado digitalmente)
CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plinio Rodrigues Lima, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER
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Aplicandose as regras decadenciais previstas no art. 173, I do CTN, é de se reconhecer a decadência em relação aos fatos ocorridos antes de 01/01/2006. NOMEAÇÃO DE JULGADOR AD HOC. VALIDADE. A teor do que expressamente determinam as disposições do atual art. 308, inciso V da Portaria MF nº 203, de 14 de maio de 2012, perfeitamente legítima, verificase, é a nomeação ad hoc do julgador de primeira instância, em decorrência da ausência justificada do julgador Milton Bellintani Junior AFRFB Matr. 63.767. NULIDADE DO LANÇAMENTO. VÍCIOS NO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. MPF. INOCORRÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal é instrumento interno de planejamento e controle das atividades de fiscalização. Eventuais falhas nesses procedimentos, por si só, não ensejam a nulidade o lançamento decorrente da ação fiscal MULTA ISOLADA. DESPROPORCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF no 02) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 04 54 /2 01 1- 70 Fl. 544DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA 2 Acordam os Membros deste Colegiado, por uanimidade de votos, em NEGAR provimento aos Recursos de Ofício e Voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (Assinado digitalmente) PLINIO RODRIGUES LIMA Presidente. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plinio Rodrigues Lima, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Relatório Em face do minucioso relatório apresentado pela r. decisão recorrida, reproduzoo na presente vertente, destacando as situações relevantes ocorridas nos presentes autos: Em decorrência de infrações identificadas relativas a Pedidos de Compensação apresentados pela empresa acima referida, foi lavrado Auto de Infração em que lançada multa isolada sobre os valores indevidamente compensados, totalizando crédito tributário de R$48.236.884,91 (quarenta e oito milhões, duzentos e trinta e seis mil, oitocentos e oitenta e quatro reais e noventa e um centavos), conforme fls. 216 a 220. 2. O Auto de Infração foi lavrado pela DEFIS/SP, em 14/02/2011, em decorrência dos fatos narrados no Termo de Constatação (parte integrante e indissociável do Auto de Infração), que assim descreve, resumidamente (fls. 174 a 181). 2.1. O contribuinte em epígrafe apresentou diversos pedidos de compensação pleiteando a utilização de créditos oriundos de cártulas representativa da dívida denominada OBRIGAÇÕES DO REAPARELHAMENTO ECONÔMICO e de títulos decorrente de indenização relacionado à posse de terras denominadas “Apertados”, sitas no distrito de Jatahy e comarca de Tibagy , no estado de Paraná, conforme relacionados no quadro a seguir. (...). 2.2. As compensações foram indeferidas por decisões administrativas proferidas pela Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária em São Paulo DERAT/ SPO e as compensações foram consideradas como “NÃO DECLARADAS”. 2.3. É o relatório preliminar. II Do crédito oriundo das “Obrigações do Reaparelhamento Econômico” II.1 Breve Histórico Fl. 545DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA Processo nº 19515.000454/201170 Acórdão n.º 1301001.219 S1C3T1 Fl. 3 3 2.4. A Lei n° 1.474, de 26 de novembro de 1951, instituiu empréstimo compulsório a ser cobrado, como adicional ao Imposto de Renda nos exercícios financeiros de 1952 a 1956, das pessoas físicas e jurídicas, o qual contribuiu para formação de um fundo especial de reaparelhamento e cuja devolução deuse através da emissão de títulos da dívida pública que vieram a ser denominadas Obrigações do Reaparelhamento Econômico, criadas a partir da Lei n° 1.628 de 20 de junho de 1952, emitidas ao portador, conforme previsão já contida naquela lei (art. 3º , §3°, da Lei n° 1.474/51). II.2 – Crédito de Terceiro 2.5. A fim de afastar a proibição de utilização de crédito de terceiro, contida no art. 74 da Lei n° 9.430/96, inclusive após as alterações promovidas pelas Leis n°s 10.637/2002, 11.051/2004 e 11.488/2007, o contribuinte limitase a afirmar que tal crédito (Obrigações do Reaparelhamento Econômico) referese a cártulas ao portador. 2.6. Evidentemente “crédito de terceiro”, aqui, referese a crédito cedido, adquirido de terceiro por convenção particular. 2.7. Não basta, portanto, a prova da atual titularidade do crédito. É necessário que se demonstre que o crédito é resultado de fato (transformação da pessoa jurídica tais como a incorporação, fusão, etc) e/ou transação/operação própria, isto é, típicos das atividades da empresa, devidamente contabilizados. 2.8. Conforme vimos no item IV.1, o crédito em discussão (Obrigações do Reaparelhamento Econômico) decorre de empréstimo compulsório cobrado como adicional ao Imposto de Renda nos exercícios financeiros de 1952 a 1956. 2.9. Concluise imediatamente daí que, se o crédito pertence originariamente ao interessado, isto é, não foi obtido por cessão de terceiro, então deve ser originário de adicional do IRPJ apurado em sua contabilidade em algum(uns) exercício(s) financeiro(s) de 1952 a 1956, ou decorrente de transformação(ões) da PJ (incorporação, fusão, cisão, etc). 2.10. Para o interessado em questão, nem um nem outro fato são observados. 2.11. A empresa foi aberta em 06/10/1992, conforme consta de seu contrato social, não tendo sido resultado, portanto, de transformações sucessivas que remontem os exercícios financeiros de 1952/1956 em diante, fato este que consta, inclusive, da pesquisa do sistema CNPJ. 2.12. Também é evidente que a data de abertura (06/10/1992) afasta a hipótese de que tal crédito seja decorrente de adicional de IRPJ apurado pelo próprio interessado em questão no exercício financeiro compreendido de 1952 a 1956. 2.13. Conclusão inequívoca, portanto, é a de que as importâncias representadas pelas cártulas utilizadas na compensação sob análise (Obrigações do Reaparelhamento Econômico) não pertencem originariamente ao suposto atual titular do crédito, sendo evidente tratarse de crédito cedido, isto é, de terceiro. II.3 Crédito caracterizado como Título Público Fl. 546DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA 4 2.14. No item IV.1 anterior, vimos que o suposto crédito em questão, denominado “Obrigações do Reaparelhamento Econômico”, foi criado pela Lei n° 1.628 de 20 de junho de 1952, para fins de restituição do adicional ao Imposto de Renda nos exercícios financeiros de 1952 a 1956, exigido como empréstimo compulsório pela Lei n° 1.474, de 26 de novembro de 1951. 2.15. É de se notar que a própria lei que instituiu o adicional de IR (Lei no 1474/51) já estabelecia em seu art. 3º, §3°, a forma de restituição do referido empréstimo compulsório: “Lei nº 1.474, de 26 de novembro de 1951 Art. 3° O imposto de que trata a Lei n° 154, de 25 de novembro de 1947, e regulamentada pelo Decreto n° 24.239, de 22 de dezembro de 1947, nos exercícios de 1952 a 1956, inclusive, será acrescido de um adicional que será calculado sobre as importâncias devidas pelos contribuintes, a partir, quanto às pessoas físicas, de Cr$10. 000,00 (dez mil cruzeiros) assim discriminado: a) 15% (quinze por cento) sobre o montante do imposto a pagar; b) 3% (três por cento) sobre as reservas e lu eros em suspenso ou não distribuídos, em poder de pessoas jurídicas , formados ou escriturados a partir do ano base de 1951, inclusive, salvo o fundo de reserva legal e as reservas técnicas das companhias de seguro e de capitalização. § 3o As importâncias provenientes da cobrança do adicional de que trata este artigo, serão, no decurso do sexto exercício e, após o do respectivo recolhimento, com uma bonificação restituídas em títulos da dívida pública federal, cuja emissão fica o Poder Executivo autorizado a fazer até a importância de Cr$l0.000.000.000,00 (dez bilhões de cruzeiros).” (sic) (grifou se) 2.16. O texto legal não deixa dúvida de que as importâncias provenientes da cobrança do adicional seriam restituídas em títulos da dívida pública. 2.17. Posteriormente, a Lei n° 1.628, de 20 de junho de 1952, em seu art. 1º, materializou a devolução dessas importâncias, atribuindolhe, inclusive, a denominação pela qual é reconhecida: “Obrigações do Reaparelhamento Econômico”. "Lei n° 1.628, de 20 de junho de 1952 Art. 1° Os títulos da divida pública, a que se refere o artigo 3o da Lei n° 1.474, de 26 de novembro de 1951, serão emitidos com o nome de ‘Obrigações do Reaparelhamento Econômico’ e vencerão juros à, taxa de 5% (cinco por cento) ao ano, pagáveis semestralmente. (grifouse) 2.18. Novamente, conforme se vê, a legislação atribui a esses valores a serem devolvidos a característica de título da dívida pública. II.4 Conclusão 2.19. Do exposto, fica inequivocamente demonstrado que os créditos oferecidos à compensação, denominados “Obrigações do Reaparelhamento Econômico”, são títulos públicos e também originários de terceiros. Fl. 547DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA Processo nº 19515.000454/201170 Acórdão n.º 1301001.219 S1C3T1 Fl. 4 5 III Do crédito denominado “Apertados” III.1 Crédito de Terceiro 2.20. Tratase, conforme já mencionado nos despachos emitidos pela DERAT/SPO, de créditos de terceiros, isto é, créditos cedidos, cuja utilização encontravase, à época, vedada por expressa disposição legal, vedação esta que se encontra vazada pelo art. 74 da Lei n° 9.430/96 (Redação dada pela Lei n° 10.637, de 2002) o qual admite a compensação apenas com débitos próprios (do detentor do crédito, evidentemente), excluindo, desse modo a possibilidade de utilização de crédito de terceiro para fins de compensação, entendimento este respaldado, inclusive, pelo PARECER PGFN/CDA/CAT n° 1499/05. III.2 Crédito de Natureza NÃO TRIBUTÁRIA 2.21. Também não resta dúvida quanto à natureza não tributária do crédito em questão, além do fato de que o mesmo não se refere a tributos e contribuições administrados pela Receita Federal. IV Das Infrações Apuradas Enquadramento Legal IV.1 Compensações com as “Obrigações do Reaparelhamento Econômico” 2.22. Para fins de tipificação dos fatos que caracterizam as infrações observadas, os pedidos de compensação podem ser agrupados em função dos dispositivos legais vigentes à data de protocolização dos referidos pedidos. 2.23. Observese inicialmente que o pedido de compensação protocolizado sob crédito oriundo das Obrigações do Reaparelhamento Econômico, foi formalizado a partir da vigência da MP n° 135/2003 (31/10/2003), convertida na Lei n° 10.833/2003, e anteriormente à data de publicação da Lei n° 11.051/2004 no DOU. 2.24. Conforme restou demonstrado no item “II” anterior, tratase (Obrigações do Reaparelhamento Econômico) de título público, além de crédito de terceiro cuja utilização encontravase, à época, vedada por expressa disposição legal, vedação esta que se encontrava vazada pelo art. 74 da Lei n° 9.430/96 (Redação dada pela Lei n° 10.637, de 2002) o qual admite a compensação apenas com débitos próprios (do detentor do crédito evidentemente), excluindo, desse modo a possibilidade de utilização de crédito de terceiro para fins de compensação, entendimento este respaldado, inclusive, pelo PARECER PGFN/CDA/CAT n° 1.499/05, sujeitando o contribuinte em questão, portanto, à penalidade prevista no art 18 da Lei 10.833/2003. 2.25. Relativamente aos demais pedidos de compensação que utilizam supostos créditos oriundos das Obrigações do Reaparelhamento Econômico observase que estes foram protocolizados a partir da vigência da Lei n° 11.051/2004 a qual deu nova redação à Lei n° 9.430/96 incluindo as compensações com crédito de terceiro (art. 74, §12, II a) e com título público (art. 74, §12, II c) como hipóteses para considerar as compensações como NÃO DECLARADAS. 2.26. Também neste caso, o contribuinte sujeitase à penalidade prevista no art 18 da Lei 10.833/2003 com redação dada pelas Leis n°s 11.051/04, 11.196/05 e 11.488/2007. Fl. 548DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA 6 IV.2 Compensações com títulos denominados “Apertados” 2.27. As compensações com este suposto crédito foram protocolizados em 20/06/2008 conforme quadro do item “I”. 2.28. Por outro lado, conforme vimos no item “III” anterior, tratase (“Apertados”) de créditos de terceiros (art. 74, §12, II a da Lei n° 9.430/96, redação dada pelas Leis n°s 11.051/04, 11.196/05 e 11.488/2007) e de créditos que não se referem a tributos e contribuições administrados pela Receita Federal (art. 74, §12, II e da Lei n° 9.430/96, redação dada pelas Leis n°s 11.051/04, 11.196/05 e 11.488/2007). 2.29. Vale dizer, de modo análogo às compensações tratadas no item “IV.1” anterior, aqui também o contribuinte sujeitase à penalidade prevista no art 18 da Lei 10.833/2003 com redação dada pelas Leis n°s 11.051/04, 11.196/05 e 11.488/2007. V Da Multa Por Compensação Indevida 2.30. Conforme já mencionado anteriormente, o contribuinte em epígrafe está sujeito à penalidade prevista no art 18 da Lei n° 10.833/2003 e alterações introduzidas pelas Leis n°s 11.051/04, 11.196/05 e 11.488/2007. 2.31. Assim, conforme vimos anteriormente, o valor da multa isolada por compensação indevida é obtida pela aplicação do percentual de 75% sobre o total do débito indevidamente compensado (art 18, § 4º , da Lei n° 10.833/2003 e alterações posteriores), ou seja, 75% sobre o total do débito consolidado na data do pedido de compensação, conforme demonstrativo a seguir (valores em Real). Fl. 549DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA Processo nº 19515.000454/201170 Acórdão n.º 1301001.219 S1C3T1 Fl. 5 7 2.33. E para constar e surtir efeito, lavro o presente TERMO DE CONSTATAÇÃO, que faz parte integrante do auto de infração, em 03 (três) vias de igual forma e teor assinadas por mim, Auditor da Receita Federal do Brasil, uma das quais é enviada ao contribuinte por via postal com ciência comprovada por Aviso de Recebimento (AR). 3. O contribuinte foi cientificado do teor do referido Auto de Infração em 21/02/2011 (fl. 222) e, dele discordando, em 21/03/2011, por meio de advogado, impugnouo, juntando documentos, nos seguintes termos, resumidamente. I DOS FATOS: 3.1. A Autuada, ora Impugnante, sofreu fiscalização da Secretária da Receita Federal do Brasil (RFB), tendo sido lavrado o auto de infração e intimação relativo a imposição de multa isolada decorrente da realização de compensações indeferidas pela Administração Pública, as quais estão abaixo relacionadas, no percentual de 75% (setenta e cinco por cento), no valor total de R$48.236.884,91: (...). 3.2. Todavia, a exigência do pagamento da referida multa imposta pela Impugnada deve ser de pronto afastada por estar eivada de ilegalidades, haja vista a ausência dos pressupostos autorizadores para a sua aplicação, como a seguir restará demonstrado. II DO DIREITO II.1 DA AUSÊNCIA DE ORDEM ESCRITA DA AUTORIDADE COMPETENTE 3.3. A presente autuação teve origem na RPF n° 08.1.90.002010035183, que geraram autuações reflexas de IPI, PIS e COFINS, referentes aos anos de 2006 e 2007, já objeto Fl. 550DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA 8 de procedimentos de fiscalização anteriores (doc. 2), sem a respectiva autorização fiscal competente para o seu reexame. Como demonstraremos a seguir, o RPF foi emitido de forma viciada, não podendo, portanto, subsistir posto que eivado de ilegalidade. 3.4. Como é de notório conhecimento, o artigo 906, do Regulamento do Imposto de Renda (RIR), é incisivo ao determinar que, na hipótese da d. Autoridade Fiscal verificar a necessidade de promover nova fiscalização de período já fiscalizado, indispensável a emissão, de ordem escrita do superintendente, do delegado ou do inspetor da Receita Federal do Brasil, verbis: “Art. 906. Em relação ao mesmo exercício, só é possível um segundo exame, mediante ordem escrita do Superintendente, do Delegado ou do Inspetor da Receita Federal”. 3.5. O referido dispositivo tem sua fundamentação legal no art. 7º , § 2° da Lei 2.354/54 e no art. 34 da Lei 3.470/58, que se aplicam a todos os procedimentos de fiscalização de competência da atual Secretaria da Receita Federal do Brasil. 3.6. De acordo com o dispositivo legal supra transcrito, denotase que o legislador não cogita a emissão de ordem consubstanciada em mandado de procedimento fiscal, mas sim de ordem capaz de justificar a realização de um novo exame pela fiscalização dos livros e dos documentos da escrituração do contribuinte que se refiram a período já fiscalizado. 3.7. Para aquilatar a justiça do reexame de período já fiscalizado, vez que tal procedimento atenta contra a segurança jurídica, fazse imprescindível a motivação da ordem que determinar a efetivação de tal reexame. 3.8. Assim, mencionada motivação deverá ser distinta daquela que animou a fiscalização pretérita, ou seja, é imprescindível que seja demonstrada a existência de motivo novo e relevante, tais como, requisição do Ministério Público, comprovada fraude ou falta funcional da autoridade que efetuou a primeira fiscalização, dentre outros. 3.9. Portanto, não se pode confundir a ordem corrente contida na expedição do Mandado de Procedimento Fiscal com a ordem específica contida na autorização para reexame de período já fiscalizado, pois a falta in concreto dessa ordem não é suprida pela existência daquela, a não ser que a motivação para o reexame venha estampada no MPF. 3.10. Evidenciase, pois, que, diante da falta de ordem específica para a realização do reexame a declaração de nulidade do procedimento fiscal é medida que se impõe, haja vista que os atos praticados pela d. Autoridade Fiscal estão estritamente vinculados a forma estabelecida em lei, sob pena de violação do princípio constitucional da legalidade. Traz doutrina e jurisprudência em socorro de sua tese. II.2 DA INDEVIDA INSTAURAÇÃO DE RPF 3.11. Da análise do auto de infração em epígrafe, denotase que foi alicerçado por um RPF, quando deveria ter sido utilizado um Mandado de Procedimento Fiscal. Senão, vejamos. Fl. 551DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA Processo nº 19515.000454/201170 Acórdão n.º 1301001.219 S1C3T1 Fl. 6 9 3.12. O Decreto n° 3.724/2001, que se ocupa de regulamentar as atividades de fiscalização, que determina cm seu art. 2º , § 3º , verbis. "Art.2º Os procedimentos fiscais relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil serão executados, em nome desta, pelos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil e somente terão início por força de ordem específica denominada Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), instituído mediante ato da Secretaria da Receita Federal do Brasil. §1º O MPF não será exigido nas hipóteses de procedimento de fiscalização: I realizado no curso do despacho aduaneiro; II interno, de revisão aduaneira; III de vigilância e repressão ao contrabando e descaminho, realizado em operação ostensiva; IV relativo ao tratamento automático das declarações (malhas fiscais)." (sem destaques no original) 3.13. O mesmo Decreto autoriza no § 4º , do mesmo art. 2º , ao Secretário da Receita Federal: § 4º O Secretário da Receita Federal do Brasil estabelecerá os modelos e as informações constantes do MPF, os prazos para sua execução, as autoridades fiscais competentes para sua expedição, bem como demais hipóteses de dispensa ou situações em que seja necessário o início do procedimento antes da expedição do MPF, nos casos em que haja fisco aos interesses da Fazenda Nacional. 3.14. Fica claro, pela simples leitura do dispositivo legal supra, que a autorização do chefe do Poder Executivo ao Secretário da Receita Federal do Brasil, no caso das hipóteses de dispensa da MPF se referem a situações em que seja necessário o início do procedimento antes da expedição da MPF, no caso de riscos aos interesses da Fazenda Nacional, o que não é o caso. 3.15. A Portaria RFB n° 11.371/2007, ao disciplinar as atividades de planejamento de fiscalização, determina que os procedimentos fiscais devem necessariamente ser instaurados mediante mandado de procedimento fiscal, excetuandose, verbis: "Art. 2º. Os procedimentos fiscais relativos a tributos administrados pela RFB serão executados, em nome desta, pelos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil (AFRFB) e instaurados mediante Mandado de Procedimento Fiscal (MPF)." "Art. 10. O MPF não será exigido nas hipóteses de procedimento de fiscalização: ................ Fl. 552DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA 10 II interno, de formalização de exigência de crédito tributário constituído cm termo de responsabilidade ou pelo descumprimento de regime aduaneiro especial, lançamento de multas isoladas, revisão aduaneira e formalização de abandono ou apreensão de mercadorias realizada por outros órgãos;" (sem destaques no original) 3.16. Do confronto da Portaria RFB n° 11.371/2007, com o Decreto n° 3.724/2001, verificase que o legislador é claro ao fixar que todos os procedimentos fiscais devem ser instaurados por mandados de procedimentos fiscais, exceto na hipótese de fiscalização interno, de revisão aduaneira, cujas hipóteses foram detalhadas no art. 10, II da Portaria RFB n" 11.371/2007. 3.17. Da leitura harmoniosa do inc.II, § 3º do art. 2° do Decreto n° 3.724/2001 com a referida Portaria, FICA CRISTALINO QUE A DISPENSA DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL SÓ SE APLICA AOS CASOS DE LANÇAMENTOS DE MULTA ISOLADA QUANDO DERIVADOS DE OPERAÇÕES ADUANEIRAS O QUE NÃO É O CASO. 3.18. Portanto, sendo certo que, de acordo com os dispositivos normativos acima transcritos, é indispensável a expedição de um Mandado de Procedimento Fiscal — MPF, bem ainda que tal procedimento não foi observado pelo Impugnado, o auto de infração em tela de ver anulado, por afronta ao princípio da legalidade, conforme exposto no item anterior. II.3 DA IMPOSSIBILIDADE DE RETROATIVIDADE DE LEI 3.19. Como é sabido, a Lei n° 11.051, de 29 de dezembro de 2004, alterou a redação do artigo 18, da Lei n° 10.833/03, de modo a autorizar a aplicação da multa isolada unicamente nos casos de (i) fraude, sonegação ou conluio e (ii) compensação considerada não declarada, razão pela qual restou extinta a aplicação de multa isolada de 75% (setenta e cinco por cento) decorrente da realização de compensações SEM dolo. 3.20. Ocorre que, a partir da publicação da Lei n° 11.196, datada de 22 de novembro de 2005, o legislador voltou a prever a figura da multa isolada aplicada em decorrência de compensações sem dolo. 3.21. Dessa forma, é evidente que a figura da multa isolada para coibir a pratica de compensações indevidas sem dolo ficou suspensa no período compreendido entre os meses de dezembro/2004 e novembro /2005. Tanto é assim que a 3ª Câmara do 2° Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, ao prolatar o Acórdão nº 20312369, reconheceu a inaplicabilidade da multa isolada em face de compensação indevida realizada sem dolo: "A Lei n° 11.051/2004 extinguiu a multa de 75% para as compensações sem dolo, mantendo somente a multa qualificada para as hipóteses de sonegação, fraude ou conluio. Deixouse de definir como infração, punível com a multa de 75%, a compensação indevida sem dolo. Assim permaneceu até 22/11/2005, date de publicação da Lei n° 11.196/2005, cujo art. 117 alterou novamente o art. 74 da Lei n° 9.430/96, restabelecendo infrações não dolosas." (2º CC Acórdão n° 20312369, publicado no DOU de 25/06/08, Seção 1, pág. 23) Fl. 553DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA Processo nº 19515.000454/201170 Acórdão n.º 1301001.219 S1C3T1 Fl. 7 11 3.22. No caso em tela, o Sr. Auditor Fiscal considerou que as compensações apresentadas não tinham presença de fraude, dolo ou conluio, fato este que ensejou a aplicação de multa isolada no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) sobre o valor compensado. Entretanto, a Impugnante possuía apenas dois pedidos de compensação, os quais foram protocolados em junho/2005, ou seja, em período cm que não havia previsão legal para a imposição de multa isolada diante do indeferimento de compensações, conforme quadro abaixo: 3.23. Ora, evidente que se não havia lei à época do pedido, não pode a autoridade administrativa agora impor penalidade, de forma retroativa, haja vista que a lei tributária deve reger o futuro, sem se estender a fatos ou circunstâncias ocorridas anteriormente ao início de sua entrada em vigor, sob pena de afronta aos princípios constitucionais da irretroatividade, direito adquirido e segurança jurídica. 3.24. Noutros termos, diante do ordenamento jurídico pátrio, a Lei n° 11.196/05 não tem o condão de retroagir e atingir atos que lhe são anteriores, como se a sua previsão já há muito existisse, sob pena de ofensa ao princípio da irretroatividade (artigo 5o , inciso XXXVI, “a”, e artigo 150, inciso III, “a”, ambos da CF/88). 3.25. Isto porque o Código Tributário Nacional, em seu artigo 144, é incisivo ao estabelecer que o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada: “Art. 144. O lançamento reportarse à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente revogada ou modificada.” 3.26. Em resumo, verificase que a multa isolada aplicada pelo Impugnado à Impugnante foi introduzida no ordenamento jurídico pela Lei 11.196/05; todavia, esta lei não poderia alcançar os pedidos de compensação apresentados pela Impugnante em junho/2005, antes da vigência do referido regramento, em respeito ao princípio da irretroatividade das leis, especificamente em matéria tributária. Traz doutrina. 3.27. Constatase ainda que da base de cálculo da presente autuação constam três processos administrativos de compensação cujos pedidos datam respectivamente de 22/12/2004, 15/06/2005 e 28/06/2005. O art. 173 do CTN determina que se opera a decadência, ou seja, a impossibilidade de se constituir em lançamento quando transcorre o prazo de cinco anos. É o caso dos pedidos de compensação destacados. 3.28. Ademais, a Constituição Federal estabelece entre seus princípios basilares a vedação da utilização do tributo como forma de confisco (art. 150, IV, CF/88). Tanto a doutrina quanto a jurisprudência são no sentido de que a referida limitação é decorrência dos princípios da proporcionalidade c proteção à propriedade privada. II.4 DA OCORRÊNCIA DA DECADÊNCIA Fl. 554DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA 12 3.29. Outrossim, as normas gerais necessárias para regular matéria tributária, tais como lançamento, crédito, prescrição e decadência tributárias devem ser disciplinadas mediante a edição de lei complementar pelo Poder Legislativo, conforme preleciona o artigo 146, inciso III, alínea “b”, da Constituição Federal, verbis: “Art. 146. Cabe à lei complementar: (...) III estabelecer normas gerais cm matéria de legislação tributária, especialmente sobre: (...) b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; (...).” 3.30. A exigência de legislação complementar para regular as regras que deverão ser observadas pela autoridade administrativa fazse evidente pois, caso fosse deferido ao legislador ordinário o poder de fixar os procedimentos para constituição de seus créditos, como também os prazos prescricionais e decadenciais, poderia ele criar impensados benefícios que, a final, frustrariam os princípios constitucionais que regem o direito no âmbito tributário. 3.31. Assim, tendo em vista que o Código Tributário Nacional foi recepcionado pela Carta Política de 1988 como lei complementar, restou estabelecido que compete privativamente à autoridade administrativa constituir o seu crédito tributário mediante a realização do respectivo lançamento, nos exatos termos do artigo 142, do Código Tributário Nacional: "Art. 142. Compete privativamente a autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo o caso, propor a aplicação da penalidade cabível." 3.32. Ocorre que, para a constituição do crédito tributário, a qual, frisese, constitui atividade privativa e obrigatória do Impugnado, o Código Tributário Nacional estipula prazo, vez que não é possível deixar o contribuinte em mora por período indeterminado. 3.33. Desta feita, para a cobrança de tributos sujeitos a quaisquer tipos de lançamento, o Fisco tem o prazo de cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, para constituição do crédito tributário. 3.34. Expirado o referido prazo sem que a Administração Pública tenha adotado as providências administrativas para a constituição de eventual prazo, considerase definitivamente extinto o crédito tributário. 3.35. No caso concreto, denotase que o Impugnado aplicou multa isolada decorrente de pedidos de compensação datados de 22/12/04, 15/06/05 e 28/06/05, o que não poderia ter sido realizado, pois, sendo certo que a contagem do prazo decadencial teve início no exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido realizado pela Autoridade Administrativa, em observância a regra disposta no artigo 173, parágrafo único, do Código Tributário Nacional, tais créditos foram atingidos pela decadência. Traz doutrina. Fl. 555DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA Processo nº 19515.000454/201170 Acórdão n.º 1301001.219 S1C3T1 Fl. 8 13 3.36. Assim, conforme expressamente disposto no auto de infração ora impugnado, denotase de maneira inequívoca que todos os fatos geradores ocorreram em lapso temporal superior a 5 (cinco) anos a realização do lançamento, ocorrida somente nesta data, ocasião em que seu direito já tinha sido atingido pela decadência. 3.37. Portanto, o crédito ora constituído foi atingido pela decadência, ou seja, o Impugnado não possuía mais o direito de lançar os créditos tributários descritos no auto de infração em tela, vez que estes foram atingidos pela decadência, razão pela qual está extinto. II.5 DA IMPOSSIBILIDADE DE EXIGIR TRIBUTO QUE JÁ FOI OBJETO DE AUTUAÇÃO ANTERIOR 3.38. De outra parte, caso não seja esse o entendimento de V.Sa., o que se admite apenas para argumentar, é necessário que sejam imediatamente excluídos do auto de infração em comento os valores que já estão sendo cobrados, decorrentes de autuação anterior. 3.39. Isto porque é facilmente constatado que o débito abaixo descrito já foi cobrado mediante a instauração do Processo Administrativo n° 19515.000546/200800, razão pela qual deve ser expurgado do auto de infração em comento (doc. 3): 3.40. Descrevese no quadro abaixo, os valores utilizados como base de cálculo para a apuração da multa isolada, que reputamos atingidos pela decadência, e/ou duplicidade, e/ou impossibilidade legal de sua lavratura, nos termos já expostos: 3.41. Destaquese ainda que todo o período lançado já foi objeto de autuações fiscais nos autos dos processos administrativos n° xxxxxx. (doc. 4), em que são exigidos os tributos considerados compensados indevidamente e as respectivas multas no montante de 75% do valor do principal. Ressaltese ainda que os débitos vinculados ao pedido de compensação referenciado nos processos administrativos n° 10730.006450/200881, 10730.006448/200810, 10730.006447/200867 e 10730.006466/200812, referemse a outros pedidos de compensação, cujos valores já foram objeto de multa isolada (doc. 3 ), não podendo ser cobrados também por esse motivo. Nesse sentido, toda a autuação fiscal está contaminada pelo vício da duplicidade de cobrança. 3.42. A Constituição Federal estabelece entre seus princípios basilares a vedação da utilização do tributo como forma de confisco (art. 150, IV, CF/88). Tanto a doutrina quanto a jurisprudência são no sentido de que a referida limitação é decorrência dos princípios da proporcionalidade e proteção à propriedade privada. Fl. 556DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA 14 3.43. Nesse sentido, a título de ilustração temos o posicionamento jurisprudencial abaixo: "quando o imposto é utilizado para fins extrafiscais as circunstâncias são completamente diferentes da punição: o que se procura, com a sua utilização, é apenas, evitar ou inibir a prática de certos fatos geradores, enquanto que na punição o que se objetiva é castigar o infrator, utilizando, para tanto, o tributo, que é uma forma de extorquir, de uma única vez ou cm doses desproporcionais, o seu patrimônio. É precisamente, o que ocorre no confisco: por ele se objetiva, não estimular ou desestimular a prática de determinado fato gerador, mas punir ou castigar o contribuinte, extorquindolhe imotivada e abusivamente o patrimônio tributável, a pretexto de ser um tributo. É desse abuso, de parte do poder tributante, que a Constituição procura coibir, ao vedar a utilização do tributo com efeito de confisco, utilizandoo sem observância da proporcionalidade razoável. " (voto do Des. Roque Volkciss, do TJRS, na AP 70012471538, mar/06) 3.44. Poderseia afirmar que a vedação constitucional referese somente a tributo, o que não corresponde à verdade. Nesse sentido temos o seguinte ensinamento doutrinário: "Não duvidamos que a multa e o tributo (de per si considerado) são entes distintos. Na esteira do que expusemos, a proibição de confisco foi erigida ao patamar de princípio constitucional por decorrência da proteção à propriedade privada, sendo defesa ao Poder Público amesquinhar, de qualquer sorte, este escudo. Ora, o que seria a imposição de multas com conteúdo confiscatório se não expediente de amesquinhamento, por via oblíqua, da propriedade privada do contribuinte? Neste descortinar, podese trazer à colação um célebre adágio latino a que se subsume o caso em comento: ubi eadem est ratio, eadem est jus dispositivo, em nosso vernáculo: onde há mesma intenção, aplicase o mesmo dispositivo de lei. Por terem a mesma ratio, qual seja, a proteção da propriedade privada do contribuinte, tanto a aplicação da multa como a imposição de tributo elevem se submeter à dicção de uma mesma norma.” 3.45. A jurisprudência do antigo CONSELHO DE CONTRIBUINTES DO MINISTÉRIO DA FAZENDA, atual CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS reputa ainda que tais tipos de autuações são indevidas, posto que caracterizase dupla penalização sobre o mesmo fato. A título de ilustração, transcrevese partes de ementa de julgados do Primeiro Conselho de Contribuintes: "MULTA ISOLADA MULTA DE OFÍCIO CUMULATIVIDADE — Afastase a multa isolada quando a sua aplicação cumulativamente com a multa de ofício implica na dupla penalização do mesmo fato."(Acórdão nº 10323431, publicado no D.O.U. n° 114, seção l, de 17/06/2008). "MULTA ISOLADA Art. 44, I, da Lei 9430/96 Inaplicabilidade. NÃO CUMULATIVIDADE A multa isolada prevista no artigo 44, § Io , somente pode ser exigida uma vez não podendo portanto ser aplicada quando a base para seu lançamento já tiver sido parâmetro para exigência da mesma multa por falta de pagamento de tributo. O legislador, quando quer, determina a cumulatividade de multas, na ausência de previsão legal, sobre o mesmo fato somente pode ser lançada uma multa." (Acórdão 10323590, publicada no DOU de 20/01/2009, seção 1) Fl. 557DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA Processo nº 19515.000454/201170 Acórdão n.º 1301001.219 S1C3T1 Fl. 9 15 3.46. Pelo posicionamento do órgão julgador administrativo, e alicerçado pelos documentos já anexados, constatase que toda a autuação está eivada do vício de ilegalidade, em razão da violação à vedação do bis in idem. III EM CONCLUSÃO 3.47. FACE O EXPOSTO, requer a Impugnante seja acolhida a presente defesa administrativa, a fim de que seja julgado improcedente o Auto de Infração em epígrafe. Após todas essas considerações, concluiu a douta DRJ São Paulo I (SP), em julgamento realizado em 24 de novembro de 2011, pela PROCEDÊNCIA PARCIAL dos termos da impugnação apresentada, assim apresentando, na ementa, o julgado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/10/2010 MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. CABIMENTO. A multa isolada, de que trata o art. 18 da Lei no 10.833/2003 e alterações, é aplicável aos casos de compensação indevida com crédito de natureza não tributária e/ou em que a compensação tenha sido considerada “NÃO DECLARADA”. DECADÊNCIA. MULTA ISOLADA O termo inicial para contagem do prazo decadencial que a Fazenda Pública tem para constituir o crédito tributário decorrente da multa de ofício isolada é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do artigo 173, I, do CTN. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Intimada a contribuinte do inteiro teor da decisão proferida em 18/01/2012, foi por ela então interposto o seu Recurso Voluntário no dia 15/02/2012, repisando os argumentos sustentados em sua impugnação, e, ao final, pretendendo a reforma da r. decisão de origem. Em decorrência da exoneração parcial, verificase ainda o recurso de ofício declarado pela autoridade julgadora de primeira instância, nos exatos termos do art. 34, inciso I, do Decreto nº 70.235/72. Esse é o relatório. Voto Conselheiro CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER – Relator. Sendo tempestivos e assentes em lei, conheço de ambos os recursos interpostos. Fl. 558DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA 16 A matéria debatida nos autos, como aqui antes apontado, referese á discussão a respeito da validade da imputação, contra a contribuinte, de multas isoladas decorrentes da desconsideração das declarações de compensação por ela realizadas, a partir da entrega das DCOMP’s ali então especificamente destacadas. Conforme se verifica dos fundamentos do acórdão recorrido, a parte exonerada do crédito tributário referese ao reconhecimento da decadência parcial, aplicada em relação à incidência da multa sobre as DCOMP’s apresentadas antes de 01/01/2006, uma vez que, tendo sido lavrado o AI de imposição da penalidade no dia 21/02/2011, deve então se considerado como decaído o direito da fazenda pública em relação ao período anterior ao qüinqüênio, aplicandose, no caso, as disposições do Art. 173, I do CTN. A partir dessa análise, restou então exonerada a multa decorrente das seguintes DCOMP’s, conforme demonstrativo apresentando às fls. 33 do Acórdão recorrido: Diante dessas considerações, estando a decisão proferida na linha da jurisprudência deste Conselho, correta e adequada se verifica a exoneração aplicada, devendo aqui ser então objetivamente mantida. Assim, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso de Ofício. No que tange ao Recurso Voluntário, cumpre destacar que a primeira insurgência apresentada pela recorrente, diz respeito á argüição da (in)validade da atuação de um dos conselheiros componentes da sessão da douta DRJ de origem (Dr. Marcelo Munhoz Teixeira, AFRFB – Matr. SIPE 66.140), que, em sua nomeação ad hoc para a atuação no caso, não se teria atendido, segundo acredita a recorrente, as formalidades básicas para essa nomeação. Em relação a esse ponto, relevante destacar que os argumentos lançados pela recorrente em absolutamente nada se aplicam à hipótese apresentada, uma vez que, acaso fosse necessária a publicação de edital formalizando a nomeação, não se trataria de “nomeação ad hoc”, mas sim de nomeação para a atuação como titular e/ou suplente, o que em absolutamente nada se coaduna com a hipótese tratada. A nomeação ad hoc, no caso, decorreu da ausência (justificada) do Julgador Milton Bellintani Junior AFRFB Matr. 63.767, e, por sua vez, a necessidade de realização da apontada sessão de julgamento, estando, nessas circunstâncias, perfeitamente legitimado o Sr. Delegado da Receita Federal do Brasil de Julgamento a promover a referida nomeação, a teor do que expressamente determinam as disposições do atual art. 308, inciso V da Portaria MF nº 203, de 14 de maio de 2012. Além dessas considerações, verificase ainda que, no que se refere à pretensa discussão a respeito da (in)validade da autuação em decorrência da ausência e/ou irregularidade do MPF, é relevante destacar que, ao contrário do que por ela pretendido, é Fl. 559DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA Processo nº 19515.000454/201170 Acórdão n.º 1301001.219 S1C3T1 Fl. 10 17 assente neste Conselho que as eventuais irregularidades decorrentes da ausência da emissão do respectivo Mandado de Procedimento Fiscal – MPF em absolutamente nada afeta a validade do lançamento efetivado, possuindo aquele mandamento mera e exclusiva relevância interna. A esse respeito, inclusive, inúmeros são os julgados colhidos da jurisprudência deste CARF, destacando, apenas a título de exemplificação, o seguinte aresto: Número do Processo 10120.012528/200884 Contribuinte GERALDO FERREIRA BORGES Tipo do Recurso Recurso Voluntário Relator(a) PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Nº Acórdão 2201002.060 Decisão Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de sobrestamento do julgamento do recurso, arguida pelo Conselheiro Guilherme Barranco de Souza. Por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares argüidas pelo recorrente e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinatura digital Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator EDITADO EM: 25 de abril de 2013. Participaram da sessão: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado). Ementa Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2006 NULIDADE DO LANÇAMENTO. VÍCIOS NO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. MPF. INOCORRÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal é instrumento interno de planejamento e controle das atividades de fiscalização. Eventuais falhas nesses procedimentos, por si só, não ensejam a nulidade o lançamento decorrente da ação fiscal. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. POSSIBILIDADE. Havendo procedimento fiscal em curso, os agentes fiscais tributários poderão requisitar das instituições financeiras registros e informações relativos a contas de depósitos e de investimentos do contribuinte sob fiscalização, sempre que essa providência seja considerada indispensável por autoridade administrativa competente. PAF. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA DO CARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2) PAF. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. CABIMENTO. A diligência/perícia deve ser determinada pela autoridade julgadora, de ofício ou a requerimento do impugnante/recorrente, para o esclarecimento de fatos ou a adoção de providências considerados necessários para a formação de convencimento sobre as matérias em discussão no processo e não para produzir provas de responsabilidade das partes. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO LEGAL. Desde 1º de janeiro de 1997, caracterizase como omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta bancária, cujo titular, regularmente intimado, não comprove, com documentos hábeis e idôneos, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Preliminares rejeitadas Recurso negado Fl. 560DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA 18 Não fosse por essas considerações, importante ainda ressaltar que, na questão discutida nos presentes autos, não se estava a falar de instituição de providências específicas de fiscalização contra o contribuinte apontado, mas apenas, e tão somente, de verificação a respeito das Declarações de Compensação – DCOMP’s por ela apresentadas, cuja verificação decorre da atividade própria e específica dos agentes da fiscalização, não exigindo, inclusive, qualquer necessidade de emissão de ordem específica para esse intento. Apenas a título de destaque necessário, é importante salientar que, contra o direito da Fazenda Pública de verificar a regularidade da Compensação pretendida pelos contribuintes, corre o prazo decadencial (parcialmente reconhecido nestes autos, inclusive), sendo certo que, impor a obrigatoriedade de emissão de MPF ou de qualquer outro comando específico para essas atividades apenas representaria a criação de mais um obstáculo contra a atividade da fiscalização, sem que, para tanto, existisse qualquer mandamento legal a isso especificamente destinado. Por essas considerações, aliado, ainda, a todos os demais apontamentos contidos na r. decisão de origem, rejeito também esse apontamento que julgo preliminar, admitindo, assim, a completa inexistência de nulidade no lançamento realizado. Ultrapassadas as questões atinentes à pretendida invalidade formal da autuação realizada, passa então a contribuinte a, mais uma vez, pretender ver reconhecida a impossibilidade de aplicação da referida multa isolada, afirmando, inclusive, a “desproporcionalidade” e a “inconstitucionalidade” dessa exigência. Ora, tais considerações, com a mais respeitosa vênia, esbarra, diretamente, no comando contido na Súmula CARF no 02, que, sobre o assunto, assim especificamente determina: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária No que tange ás considerações apresentadas ainda pela contribuinte no sentido de que os períodos atingidos pelas referidas penalidades já teriam sido objeto de outras autuações, razão alguma a ela assiste, sobretudo porque, conforme afirmado pela r. decisão recorrida, inexiste coincidência entre os processos por ela apontados e aqueles exigidos nos presentes autos. Em face dessas considerações, encaminho o meu voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO aos recurso de ofício e voluntário, mantendo a r. decisão de origem em todos os seus termos. É como voto. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator Fl. 561DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA Processo nº 19515.000454/201170 Acórdão n.º 1301001.219 S1C3T1 Fl. 11 19 Fl. 562DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA
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