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Numero do processo: 11474.000102/2007-50
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jul 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 31/12/2001 a 31/12/2006
Ementa:
PARCELAMENTO. DESISTÊNCIA DE RECURSO VOLUNTÁRIO.
Nos termos do art. 78 do Anexo II ao RICARF, importa em renúncia ao Recurso Voluntário a adesão a parcelamento do débito contestado.
Numero da decisão: 2202-003.991
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração para, sanando a omissão apontada no Acórdão nº 2403-000.575, de 07/06/2011, alterar a decisão embargada para não conhecer do recurso, por desistência.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Dilson Jatahy Fonseca Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurelio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto.
Nome do relator: DILSON JATAHY FONSECA NETO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 31/12/2001 a 31/12/2006 Ementa: PARCELAMENTO. DESISTÊNCIA DE RECURSO VOLUNTÁRIO. Nos termos do art. 78 do Anexo II ao RICARF, importa em renúncia ao Recurso Voluntário a adesão a parcelamento do débito contestado.
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DESISTÊNCIA DE RECURSO VOLUNTÁRIO. Nos termos do art. 78 do Anexo II ao RICARF, importa em renúncia ao Recurso Voluntário a adesão a parcelamento do débito contestado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração para, sanando a omissão apontada no Acórdão nº 2403000.575, de 07/06/2011, alterar a decisão embargada para não conhecer do recurso, por desistência. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurelio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 47 4. 00 01 02 /2 00 7- 50 Fl. 708DF CARF MF 2 Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto. Relatório Tratase, em breves linhas, de auto de infração lavrado em desfavor da Contribuinte para constituir crédito referente a Contribuições Previdenciárias. Intimada, a Contribuinte impugnou o lançamento, que levou a DRJ reduzir o lançamento. Inconformada, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário. Analisando a lide, o CARF proferiu acórdão dando provimento parcial ao recurso. Retornando os autos a delegacia de origem, foi constatado que o crédito tributário havia sido parcelado pelo Contribuinte, o que levou a propositura de Embargos Inominados pela presidente da 4ª Câmara da 2ª SeJul deste CARF. Feito o breve resumo da lide, passo ao relatório pormenorizado dos autos. Em 14/03/2007 foi lavrado o auto de infração DEBCAD nº 37.000.4728 (fls. 3/6) para constituir crédito tributário referente a Contribuição Social Previdenciária.O Relatório Fiscal de Infração se encontra nas fls. 11/14 e o Relatório Fiscal da Multa Aplicada nas fls. 15/21. Intimada do lançamento em 10/03/2007 (fl. 22), a Contribuinte apresentou Impugnação (fl. 26 e docs. anexos fls. 27/581). Os autos foram então convertidos em diligência pela DRJ (fl. 583), o que levou à formalização da Informação Fiscal nº 044/2007 esclarecendo que a Contribuinte havia sanado a maior parte dos equívocos identificados no lançamento (fls. 613/618 e docs. anexos fls. 584/612). Foi então determinada nova diligência (fls. 620/621), que levou à formalização de nova Informação Fiscal nº 071/2007 (fls. 627/632). Enfim, a DRJ proferiu o acórdão nº 0712.194, de 29/02/2008 (fls. 634/642), dando provimento parcial à impugnação. Intimada em 19/03/2008 (fl. 644), a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 18/04/2008 (fls. 646/651 e docs. anexos fls. 652/655). Chegando ao CARF, foi proferido o acórdão nº 2403000.575, de 07/06/2011 (fls. 664/674), que deu provimento parcial ao recurso. Em 25/10/2013 a DRF registrou nos autos que: "Tendo sido verificado que o presente processo está incluso no parcelamento da Lei 11.941, com pedido de parcelamento em 09/11/2009, e inclusão dos débitos em 07/08/2011, conforme documentação anexa ao eprocesso, e uma vez que foi exarado Acórdão de recurso voluntário em 07/06/2011, com resultado parcialmente favorável ao contribuinte, solicitamos esclarecimentos se deverá ser cumprido o Acórdão, pois a consolidação do parcelamento ocorreu em 07/08/2011, sem contemplar o que foi exonerado no Acórdão." fl. 695 (grifos no original). Retornando os autos ao CARF, a presidência da 4ª Câmara da 2ª Seção recebeu o referido Despacho como Embargos Inominados (fls. 705/706), esclarecendo que: No presente caso, a identificação do lapso manifesto fica evidenciada, na medida que trazido aos autos informação sobre pedido de parcelamento, com a inclusão do processo em questão, sem que tal fato tenha sido anteriormente indicado pelo Fl. 709DF CARF MF Processo nº 11474.000102/200750 Acórdão n.º 2202003.991 S2C2T2 Fl. 709 3 contribuinte (por meio de expresso pedido de desistência) ou mesmo pelo Fisco. Fosse a informação sobre a existência do referido pedido de desistência ou inclusão dos débitos em parcelamento trazida aos autos, por qualquer das partes, antes do julgamento, o encaminhamento ali referendado pelo colegiado possivelmente seria outro. Isto posto, o acórdão merece ser revisto, para que o seja novamente levado ao colegiado o recurso voluntário, porém, levandose em consideração a existência de pedido de parcelamento formalizado em data anterior ao julgamento do acórdão 2403000.575 – 4ª Câmara /3ª Turma Ordinária (fls. 664/674)." fl. 705. É o relatório. Voto Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator. Uma vez que o art. 66 do Anexo II ao RICARF não estabelece prazo para a oposição de Embargos Inominados, dispensase a análise desse critério. Outrossim, atribui a competência para apresentar esse recurso às mesmas pessoas que têm competência para apresentar Embargos de Declaração, de sorte que, legitimado o representante da DRF (art. 65, §1º, V). Enfim, como bem salientou o Despacho de Admissibilidade dos Embargos, às 705/706, houve verdadeira inexatidão material devida a lapso manifesto. Efetivamente, o lapso manifesto está consubstanciado na falta de informação nos autos, antes do julgamento, acerca da ocorrência do parcelamento do débito. Esse lapso manifesto, por sua vez, levou a inexatidão material, qual seja, o conhecimento e a análise do Recurso Voluntário. Portanto, entendo que deve ser recebido o Embargo Inominado. Destarte, necessário analisar o mérito do recurso. Diante do julgamento do CARF em 07/06/2011 (fls. 664/674), a Fazenda Nacional foi cientificada e informou expressamente em 22/07/2011 que não interporia recurso (fl. 676). Ato contínuo, o processo foi despacho e encaminhado para a DRF de origem, onde restou constatado em 01/08/2011 que o acórdão de 1ª instância que havia reduzido parcialmente o lançamento não fora cadastrado no sistema de atualização do débito, devolvendose os autos para a DRJ sanear a falha (fl. 679). Acontece que, em 18/10/2011, ao tentar cadastrar a decisão no sistema interno da receita federal, a DRJ constatou que era impossível fazêlo, vez que constava a existência do parcelamento do débito (fl. 680/681). Fl. 710DF CARF MF 4 Buscando implementar a decisão do CARF, a autoridade fiscalizadora recalculou a multa em 26/12/2012 (fl. 687). Registrouse nos auto, em 30/08/2013, que o sistema ainda não permitia a alteração do valor do débito em decorrência da existência de parcelamento (fl. 690). Em 02/09/2013 foi realizada consulta dos processos de parcelamento especial no sistema interno da receita, restando constatado que a Contribuinte havia parcelado o valor total aquele anterior à decisão da DRJ do DEBCAD nº 37.000.4728 no âmbito da Lei nº 11.941/2009 (fl. 689). Em 25/10/2013 foi realizada nova consulta nos sistemas internos da receita, constatandose mais uma vez a existência de parcelamento do débito (fl. 693). Nessa data foi formalizado o despacho de fl. 695, que foi recebido como Embargos Inominados. Enfim, constatase que o Recurso Voluntário foi apresentado em 18/04/2008 (fl. 646), e que o débito foi incluído no parcelamento da Lei nº 11.941/2009. Portanto, deve ser aplicada a regra do art. 78 do Anexo II ao RICARF, que estabelece: Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1º A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. 2º O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. § 3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente. Nesse caminho, deve ser emendado o acórdão CARF nº 2403000.575, de 07/06/2011 para, reconhecendo o parcelamento, não conhecer do Recurso Voluntário diante da renúncia ao direito por parte do Contribuinte. Dispositivo: Diante de tudo quanto exposto, voto por acolher os Embargos de Declaração para, sanando a omissão apontada no Acórdão nº 2403000.575, de 07/06/2011, alterar a decisão embargada para não conhecer do recurso, por desistência. (assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator Fl. 711DF CARF MF Processo nº 11474.000102/200750 Acórdão n.º 2202003.991 S2C2T2 Fl. 710 5 Fl. 712DF CARF MF
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Numero do processo: 18471.000486/2006-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 31/10/2000 a 31/03/2006
REGIME ESPECIAL DE PARCELAMENTO. ADESÃO. CONTENCIOSO. CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS. IMPOSSIBILIDADE.
O debate acerca da inclusão de débitos em regime de parcelamento especial não comporta discussão no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, por ausência de previsão legal ou regimental, não se encartando dentre suas atribuições aludido contencioso.
BASE DE CÁLCULO. OPERADORAS DE PLANO DE ASSISTÊNCIA À SAÚDE. ART. 3º, § 1º, LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE.
As receitas que não se caracterizam como próprias da atividade da entidade, tal como estabelecido pelo estatuto ou contrato social, não compõem o seu faturamento, conforme decidido pelo Supremo Tribunal Federal, em repercussão geral, ao declarar a inconstitucionalidade da ampliação do conceito de receita bruta promovida pelo art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98.
BASE DE CÁLCULO. OPERADORAS DE PLANO DE ASSISTÊNCIA À SAÚDE. CUSTOS ASSISTÊNCIAIS. ABATIMENTO.
Nos termos do art. 3º, § 9º-A da Lei nº 9.718/98, introduzido, em caráter interpretativo, pela Lei nº 12.873/2013, o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, de que trata o inciso III do § 9º, engloba o total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindo-se neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3401-003.791
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário para admitir as exclusões dos custos assistenciais com beneficiários próprios, ou de outras operadoras a título de transferência de responsabilidade, das receitas financeiras, da recuperação de despesas, das variações patrimoniais e não operacionais, bem assim, da provisão de risco para as empresas operadoras de planos de saúde, vencidos os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira e Tiago Guerra Machado, no que se refere a receitas financeiras e recuperação de despesas. O Conselheiro Renato Vieira de Ávila atuou em substituição ao Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, ausente justificadamente.
Rosaldo Trevisan Presidente
Robson José Bayerl Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Renato Vieira De Ávila.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 31/10/2000 a 31/03/2006 REGIME ESPECIAL DE PARCELAMENTO. ADESÃO. CONTENCIOSO. CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS. IMPOSSIBILIDADE. O debate acerca da inclusão de débitos em regime de parcelamento especial não comporta discussão no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, por ausência de previsão legal ou regimental, não se encartando dentre suas atribuições aludido contencioso. BASE DE CÁLCULO. OPERADORAS DE PLANO DE ASSISTÊNCIA À SAÚDE. ART. 3º, § 1º, LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. As receitas que não se caracterizam como próprias da atividade da entidade, tal como estabelecido pelo estatuto ou contrato social, não compõem o seu faturamento, conforme decidido pelo Supremo Tribunal Federal, em repercussão geral, ao declarar a inconstitucionalidade da ampliação do conceito de receita bruta promovida pelo art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98. BASE DE CÁLCULO. OPERADORAS DE PLANO DE ASSISTÊNCIA À SAÚDE. CUSTOS ASSISTÊNCIAIS. ABATIMENTO. Nos termos do art. 3º, § 9º-A da Lei nº 9.718/98, introduzido, em caráter interpretativo, pela Lei nº 12.873/2013, o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, de que trata o inciso III do § 9º, engloba o total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindo-se neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida. Recurso voluntário provido em parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário para admitir as exclusões dos custos assistenciais com beneficiários próprios, ou de outras operadoras a título de transferência de responsabilidade, das receitas financeiras, da recuperação de despesas, das variações patrimoniais e não operacionais, bem assim, da provisão de risco para as empresas operadoras de planos de saúde, vencidos os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira e Tiago Guerra Machado, no que se refere a receitas financeiras e recuperação de despesas. O Conselheiro Renato Vieira de Ávila atuou em substituição ao Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, ausente justificadamente. Rosaldo Trevisan Presidente Robson José Bayerl Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Renato Vieira De Ávila.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2092; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 10 1 9 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18471.000486/200607 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401003.791 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 24 de maio de 2017 Matéria PIS/PASEP Recorrente UNIMED RIO COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO DO RIO DE JANEIRO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 31/10/2000 a 31/03/2006 REGIME ESPECIAL DE PARCELAMENTO. ADESÃO. CONTENCIOSO. CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS. IMPOSSIBILIDADE. O debate acerca da inclusão de débitos em regime de parcelamento especial não comporta discussão no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, por ausência de previsão legal ou regimental, não se encartando dentre suas atribuições aludido contencioso. BASE DE CÁLCULO. OPERADORAS DE PLANO DE ASSISTÊNCIA À SAÚDE. ART. 3º, § 1º, LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. As receitas que não se caracterizam como próprias da atividade da entidade, tal como estabelecido pelo estatuto ou contrato social, não compõem o seu faturamento, conforme decidido pelo Supremo Tribunal Federal, em repercussão geral, ao declarar a inconstitucionalidade da ampliação do conceito de receita bruta promovida pelo art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98. BASE DE CÁLCULO. OPERADORAS DE PLANO DE ASSISTÊNCIA À SAÚDE. CUSTOS ASSISTÊNCIAIS. ABATIMENTO. Nos termos do art. 3º, § 9ºA da Lei nº 9.718/98, introduzido, em caráter interpretativo, pela Lei nº 12.873/2013, o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, de que trata o inciso III do § 9º, engloba o total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindose neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida. Recurso voluntário provido em parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 04 86 /2 00 6- 07Fl. 1925DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário para admitir as exclusões dos custos assistenciais com beneficiários próprios, ou de outras operadoras a título de transferência de responsabilidade, das receitas financeiras, da recuperação de despesas, das variações patrimoniais e não operacionais, bem assim, da provisão de risco para as empresas operadoras de planos de saúde, vencidos os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira e Tiago Guerra Machado, no que se refere a receitas financeiras e recuperação de despesas. O Conselheiro Renato Vieira de Ávila atuou em substituição ao Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, ausente justificadamente. Rosaldo Trevisan – Presidente Robson José Bayerl – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Renato Vieira De Ávila. Relatório Cuidase de auto de infração para exigir PIS/PASEP decorrente da não inclusão dos denominados “atos cooperativos auxiliares” (serviços médicohospitalares, diagnósticos e tratamentos auxiliares) na base de cálculo da contribuição, no período de outubro/2000 a março/2006. Em impugnação o contribuinte apontou, preliminarmente, a decadência parcial do lançamento, a nulidade do auto por imprecisão da descrição dos fatos e por erro na apuração do montante devido. No mérito, em extenso arrazoado, ressaltou a sua natureza jurídica de cooperativa, remetendo à legislação de regência; sustentou que o lançamento estaria fundado em presunções e interpretações restritivas e que, na condição de cooperativa, age como mandatária dos médicos cooperados, sem auferir lucro ou faturamento; que os atos auxiliares, indispensáveis à consecução dos seus objetivos sociais, caracterizamse como atos cooperativos e, nessa condição, não devem sofrer a incidência do tributo exigido; que é absolutamente impróprio e ofensivo à lei considerar os atos auxiliares estranhos à finalidade da cooperativa; que tais atos estão abrigados da incidência tributária, por força dos arts. 79, 85, 86, 88 e 111 da Lei nº 5.764/71; que inexiste qualquer resultado econômico advindo dos atos auxiliares; que, representando esses atos, despesa suportada pela cooperativa, não poderiam ditos valores ser considerados receitas, para fins de incidência do PIS/PASEP; que a fiscalização desconsiderou as exclusões permitidas pelo art. 3º, § 9º da Lei nº 9.718/98 e art. 36 da MP 66/02; e, que o abatimento previsto no art. 3º, § 9º, III da Lei nº 9.718/98 (dedução do valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos) englobaria as despesas Fl. 1926DF CARF MF Processo nº 18471.000486/200607 Acórdão n.º 3401003.791 S3C4T1 Fl. 11 3 com os atos auxiliares, como definido no plano de contas das operadoras estabelecido pela Agência Nacional de Saúde – ANS. A DRJ Rio de Janeiro II/RJ deu parcial provimento ao recurso para ajustar erro de transcrição de base de cálculo, ocorrida no período de apuração agosto/2001, em decisão assim ementada: “DECADÊNCIA. O prazo decadencial para o lançamento da Contribuição para o PIS/Pasep é de dez anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. DESCRIÇÃO DOS FATOS Restando evidenciado que a descrição dos fatos encontrase suficientemente clara para propiciar o entendimento das infrações imputadas, refletindose em alentada impugnação, descabe acolher alegação de nulidade do auto de infração. SOCIEDADE COOPERATIVA. ATOS AUXILIARES. ATOS NÃO COOPERATIVOS, A teor do art. 79 da Lei n° 5.764/1971, são cooperativos todos aqueles que englobam operações efetuadas com os cooperados ou desta resultem, englobando, portanto, as operações efetuadas com não associados, ainda que estas operações tenham sido realizadas para atender o objetivo social da cooperativa. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO. COOPERATIVA DE SERVIÇOS MÉDICOS. OPERADORAS DE PLANOS DE SAÚDE. Na apuração da base de cálculo da Contribuição para o PIS, para os fatos geradores ocorridos a partir de dezembro de 2001, as operadoras de planos de assistência à saúde, poderão deduzir de sua receita bruta o valor da diferença positiva entre os desembolsos efetivamente realizados para indenizar seus conveniados por eventos realizados em associados de outra operadora e as quantias recebidas desta outra operadora a título de ressarcimento por aqueles desembolsos. BASE DE CÁLCULO. ERRO NA TRANCRIÇÃO. Devese exonerar o tributo lançado a maior em decorrência de erro na transcrição da base de cálculo pela autoridade fiscal. Lançamento Procedente em Parte” O recurso voluntário, com certa variação, repetiu a argumentação da impugnação. Em 08/05/2008 o julgamento foi convertido em diligência, através da Resolução nº 20201.223, para que fosse efetuado o levantamento dos abatimentos a que faria jus a recorrente, nos termos da legislação de regência. Fl. 1927DF CARF MF 4 Em 03/02/2009, através da Resolução nº 20201.279, dada a insuficiência da diligência anteriormente determinada, foi o processo baixado à unidade preparadora para complementação. A autoridade administrativa responsável pela diligência informou que, em vista da adoção da forma de contabilização englobada, não havia como promover a discriminação requerida pelo órgão julgador (efl. 849) Cientificada da peça fiscal o contribuinte apresentou manifestação rebatendo as conclusões apontadas, requerendo a aplicação da Súmula Vinculante nº 8 e exclusão das receitas financeiras do lançamento. No mais, repetiu a tese defensiva. Em 26/06/2011, o contribuinte apresentou recurso administrativo, no bojo dos autos, endereçado à unidade preparadora, peticionando a revisão dos valores relativos ao auto de infração aqui tratado, em razão de parcial adesão a programa de parcelamento especial (efls. 1540 e ss.) Às efls. 1537/1538 consta despacho indeferindo o pedido de desistência parcial. Às efls. 1561/1564 foi lançado despacho reconhecendo a decadência dos períodos de apuração outubro/2000 a maio/2001 e determinando o envio dos autos ao DEMAC/RJO/DIFIS para saneamento das diligências realizadas. Às efls. 1745 e ss. foi juntado o Termo de Encerramento de Diligência Fiscal, onde realizado o saneamento proposto, em que se esclareceu os abatimentos realizados na base de cálculo da contribuição, identificando as contraprestações pecuniárias destinadas à constituição de provisões técnicas e a diferença entre os desembolsos com despesas médicas e hospitalares de outras operadoras do sistema UNIMED e os valores recebidos a reembolso (art. 3º, § 9º, II e III da Lei nº 9.718/98). Ciente do parecer conclusivo, o contribuinte ratificou as colocações referentes à adesão ao parcelamento especial da Lei nº 11.941/2006 e as razões recursais. Tocante aos cálculos realizados, apontouse insubsistência da apuração no mês de dezembro dos anos 2001 a 2005. Ante aludida manifestação, a autoridade fiscal acolheu o pleito e retificou os cálculos. Em 12/06/2013 o processo foi devolvido ao CARF. Em petição datada de 27/05/2014, o contribuinte noticiou a edição da Lei nº 12.873/13, cujo art. 19 deu interpretação às disposições do art. 3º, § 9º, III da Lei nº 9.718/98, e requereu a exclusão das despesas que relaciona. Em 21/08/2014, diante da contradição entre as informações disponíveis no processo, foi o julgamento convertido em diligência, através da Resolução 3401000.831, para esclarecer se o recorrente havia aderido ao regime de parcelamento especial, se havia deferimento do pleito e qual o montante objeto deste parcelamento. Em resposta, a DEMAC/RJO informou que o pedido de parcelamento parcial dos débitos constantes do lançamento, na forma como proposto atrelado ao resultado final do julgamento administrativo , fora indeferido. Fl. 1928DF CARF MF Processo nº 18471.000486/200607 Acórdão n.º 3401003.791 S3C4T1 Fl. 12 5 O contribuinte apresentou manifestação esclarecendo que concordara com a incidência do PIS sobre as receitas relativas aos denominados “atos cooperativos auxiliares”, todavia, ainda questionava os abatimentos não efetivados da base de cálculo, segundo a diligência saneadora, ainda pendentes de decisão do CARF pela sua exclusão, razão porque o parcelamento seria condicional, haja vista que não tinha como quantificar a parcela remanescente do lançamento, insistindo na validade de sua adesão ao REFIS IV. Em seguida os autos foram devolvidos ao CARF para prosseguimento. Em 12/11/2015, a DEMAC/RJO/DICAT solicita a devolução do processo para implementação da decisão que mantém a impossibilidade de inclusão dos débitos no programa de parcelamento. Adotadas as providências, foram os autos devolvidos. É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O preenchimento dos requisitos de admissibilidade do recurso já foi aferido quando da primeira oportunidade em que pautado, neste conselho administrativo. Tendo em conta o semnúmero de idas e vindas deste processo à unidade preparadora e as recorrentes manifestações do recorrente, necessária a definição da matéria sub examine nesta assentada. Neste passo, após a leitura dos petitórios protocolados pela recorrente, concluí que no atual estágio do debate, não mais se alterca, enquanto tese, a incidência da contribuição para o PIS/PASEP sobre os “atos cooperativos auxiliares”, reconhecendo o contribuinte essa situação jurídica, de modo que a irresignação remanescente envolve apenas a declaração de parcial decadência do lançamento e os abatimentos previstos no art. 3º, § 9º da Lei nº 9.718/98, mormente o inciso III. A título de esclarecimento, as despesas com exames laboratoriais, hospitais, terapias, etc., antes defendido o seu abatimento na qualidade de “atos cooperativos auxiliares”, permanecem como questão controvertida nos autos, porém, já agora sob o epíteto de “custos assistenciais”, expressão utilizada pela Lei nº 12.873/2013, consoante manifestação de efls. 1.777/1.781, que será examinada ao longo do voto. Há ainda a discussão acerca da adesão ao parcelamento especial previsto na Lei nº 11.941/09, entretanto, a seu respeito, tenho que não se encontra dentre as atribuições legais e regimentais do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF a decisão sobre a (im)procedência de pedido de parcelamento de débitos, mesmo que envolva processos cujos débitos estão em julgamento por qualquer de seus órgãos fracionários. Feitas as considerações iniciais, passo ao enfrentamento do recurso. Fl. 1929DF CARF MF 6 Relativamente à decadência de parcela do lançamento, temse que o Supremo Tribunal Federal, ao examinar a questão envolvendo o prazo decenal estatuído na Lei nº 8.212/91, fundamento para manutenção do lançamento pela decisão recorrida, concluiu pela inconstitucionalidade, com a edição da Súmula Vinculante nº 8, com o seguinte verbete: “são inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do decretolei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Considerando que tal ato produz efeitos imediatos sobre os processos administrativos não definitivamente julgados e, ainda, o disposto no art. 103A, caput, da CF/88, que impõe a vinculação, desde a publicação da súmula, dos órgãos da administração pública federal, imediatamente prevalecem os prazos estabelecidos no Código Tributário Nacional, mormente o art. 150, § 4º, que trata dos denominados “lançamentos por homologação”, quando existentes recolhimentos parciais no período. Nesse sentido, à luz do despacho de efls. 1561/1565, estão caducas as competências outubro/2000 a maio/2001, devendo ser afastadas do lançamento. Na seqüência, quanto às exclusões previstas no art. 3º, § 9º da Lei nº 9.718/98, impõese primeiramente sua reprodução: “§ 9o Na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, as operadoras de planos de assistência à saúde poderão deduzir: (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) I coresponsabilidades cedidas; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) II a parcela das contraprestações pecuniárias destinada à constituição de provisões técnicas; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) III o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001).” Concernente à exoneração prevista nos incisos I e II, não há controvérsia alguma nos autos, de modo que o debate fica restrito aos abatimentos do inciso III. A seu respeito, em manifestação de efls. 1.777/1.781, o recorrente requer a exclusão das despesas de custo médico (e.g. consultas médicas/odontológicas, exames laboratoriais, hospitalização, terapias, etc.), receitas financeiras, recuperação de despesas, variações, receitas patrimoniais, receitas não operacionais e provisão de risco para as empresas operadoras de planos de saúde, com fulcro no superveniente art. 19 da Lei nº 12.873/13, que fez incluir o § 9ºA, no art. 3º da Lei nº 9.718/98, com a seguinte redação: “§ 9oA. Para efeito de interpretação, o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos de que trata o inciso III do § 9o entendese o total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindose neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida.” Fl. 1930DF CARF MF Processo nº 18471.000486/200607 Acórdão n.º 3401003.791 S3C4T1 Fl. 13 7 Nada obstante a catalogação conjunta, entendo que os valores referentes a receitas financeiras, recuperação de despesas, variações, receitas patrimoniais e receitas não operacionais não guardam pertinência com o art. 3º, § 9º, III da Lei nº 9.718/98, mas sim com o caput do artigo, que define o faturamento como receita bruta. Especificamente sobre esta matéria, pertinente a remissão à manifestação do Supremo Tribunal Federal sobre a (in)constitucionalidade da ampliação do conceito de receita bruta promovido pelo art. 3º, § 1º da Lei nª 9.718/98, tomada sob a sistemática da repercussão geral, verbis: BASE DE CÁLCULO DA COFINS E INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, § 1º, DA LEI 9.718/98 O Tribunal resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a existência de repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência da Corte acerca da inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98, que ampliou a base de cálculo da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS, e negar provimento a recurso extraordinário interposto pela União. Vencido, parcialmente, o Min. Marco Aurélio, que entendia ser necessária a inclusão do processo em pauta. Em seguida, o Tribunal, por maioria, aprovou proposta do Min. Cezar Peluso, relator, para edição de súmula vinculante sobre o tema, e cujo teor será deliberado nas próximas sessões. Vencido, também nesse ponto, o Min. Marco Aurélio, que se manifestava no sentido da necessidade de encaminhar a proposta à Comissão de Jurisprudência. Leading case: RE 585.235QO, Min. Cezar Peluso. Assim, a teor dos arts. 1.036 a 1.041 do Código de Processo Civil (Lei nº 13.105/2015) c/c art. 26A do Decreto nº 70.235/72 e art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF 343/15, por aplicação da mencionada decisão, o faturamento, no regime cumulativo, volta a compreender o produto da venda de bens e serviços e o resultado auferido nas operações de conta alheia, equivalendo ao somatório das receitas próprias da atividade da pessoa jurídica, consoante seu estatuto (efls. 214/272.). Segundo a Instrução Normativa DIOPE nº 36, de 22/12/2009, da Diretoria de Normas e Habilitação das Operadoras, da Agência Nacional de Saúde – ANS, que estabeleceu o plano de contas padrão para operadoras de planos de assistência à saúde, as rubricas indicadas tem as seguintes funções: 1. Receitas financeiras – Grupo 3.4 – Destinadas a registrar, em contas específicas, os rendimentos auferidos em títulos públicos e privados de renda fixa, operações a termo, fundos de investimentos, de renda variável, juros sobre recebimentos em atraso, dentre outros; 2. Recuperação de despesas – Subgrupo 4.1.3 – Registra o valor de outras recuperações, ressarcimentos e deduções de eventos/sinistros de assistência odontológica, não classificadas nas contas anteriores de glosas ou de coparticipação, em decorrência de reembolso de custo, descontos ou abatimentos obtidos por ocasião do pagamento dos eventos/sinistros, ou de outras, com base em registros auxiliares; Fl. 1931DF CARF MF 8 3. Variação das provisões técnicas de operações de assistência à saúde – Subgrupo 3.1.2 – Tem por função registrar as provisões técnicas de planos de assistência médicohospitalar e odontológica, segundo critérios definidos pela legislação vigente; 4. Receitas patrimoniais – Subgrupo 3.5.1 – Registrar as receitas provenientes da locação de imóveis de propriedade das operadoras, variação positiva do valor de investimentos em sociedades controladas e coligadas, alienação de bens não registrados no Ativo não Circulante e os rendimentos obtidos com outros investimentos avaliados pelo método de custo. No caso vertente, à luz da classificação contábil determinada pela Agência Nacional de Saúde, tratandose de uma cooperativa médica, operadora de planos de assistência à saúde, as receitas elencadas (financeiras, recuperação de despesas, variações, patrimoniais e não operacionais) não são abarcadas como originárias do exercício das atividades típicas desse tipo de entidade, razão porque devem ser excluídas da base de cálculo da exação. Por oportuno, cumpre registrar que, em minha opinião, as deduções da base de cálculo das contribuições, no caso de operadoras de assistência à saúde, não se restringem àquelas estabelecidas no art. 3º, § 9º da Lei nº 9.718/98, mas abrange, também, os abatimentos gerais, como é o caso, por exemplo, das receitas das vendas de bens do ativo permanente, à época vigentes. Assim, as exclusões do art. 3º, § 9º da Lei nº 9.718/98 se caracterizariam como específicas e não afastariam aqueloutras qualificadas como gerais, ex vi do art. 3º, § 2º do mesmo diploma. Quanto à provisão de risco para as empresas operadoras de planos de saúde, in casu verificadas a partir de setembro/2005, segundo os demonstrativos de apuração das contribuições para o PIS/PASEP COFINS, sob o título “Variação da Prov. Téc. de Op. de Saúde”, a sua função envolve o registro das provisões técnicas, em contrapartida das contas patrimoniais correspondentes (2.3.1.1 – Provisões Técnicas de Operações de Assistência à Saúde), segundo a norma contábil baixada pela ANS, de maneira que sua exclusão, ante sua natureza, contaria com respaldo do art. 3º, § 9º, II da Lei nº 9.718/98, consoante o qual poderão ser deduzidos da apuração do PIS/PASEP e COFINS a parcela das contraprestações pecuniárias destinada à constituição de provisões técnicas. Por derradeiro, resta o exame dos abatimentos pelos custos médicos incorridos. O recorrente defendeu a possibilidade do pretendido abatimento com base no art. 3º, § 9º, III da Lei nº 9.718/98, que prevê a dedução do valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades. A redação do dispositivo em comento, reconheçase, não é das mais claras, razão porque a Leis nºs 12.873/2013 e 12.995/2014 fizeram incluir o §§ 9ºA e 9ºB, com o seguinte texto: “§ 9oA. Para efeito de interpretação, o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos de que trata o inciso III do § 9o entendese o total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindose Fl. 1932DF CARF MF Processo nº 18471.000486/200607 Acórdão n.º 3401003.791 S3C4T1 Fl. 14 9 neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida. (Incluído pela Lei nº 12.873, de 2013) § 9oB. Para efeitos de interpretação do caput, não são considerados receita bruta das administradoras de benefícios os valores devidos a outras operadoras de planos de assistência à saúde. (Incluído pela Lei nº 12.995, de 2014)” Até a edição das normas interpretativas adrede arroladas, havia uma compreensão do comando legal segundo a qual o abatimento estaria restrito, no caso das cooperativas médicas, aos custos incorridos com beneficiários de outras cooperativas componentes do sistema, não havendo previsão para exclusão dos custos com os beneficiários da própria operadora, como deixou patente o acórdão da decisão recorrida: “BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO. COOPERATIVA DE SERVIÇOS MÉDICOS. OPERADORAS DE PLANOS DE SAÚDE. Na apuração da base de cálculo da Contribuição para o PIS, para os fatos geradores ocorridos a partir de dezembro de 2001, as operadoras de planos de assistência à saúde, poderão deduzir de sua receita bruta o valor da diferença positiva entre os desembolsos efetivamente realizados para indenizar seus conveniados por eventos realizados em associados de outra operadora e as quantias recebidas desta outra operadora a título de ressarcimento por aqueles desembolsos.” (grifado) Com o advento das já mencionadas Leis nºs 12.873/2013 e 12.995/2014, restou esclarecido que tais abatimentos alcançariam, também, os custo com os beneficiários da própria operadora, frisando que os valores devidos a outras operadoras, correspondentes às transferências de responsabilidades, não comporiam a sua base de cálculo. Uma vez que as normas em epígrafe são textualmente interpretativas, aplica se ao caso vertente o disposto no art. 106, I do Código Tributário Nacional. Este posicionamento, hodiernamente, compartilhado pelas demais turmas julgadoras, inclusive, pela Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, como se constata dos seguintes julgados: “COOPERATIVAS. UNIMED. BASE DE CÁLCULO. DEDUÇÕES PRÓPRIAS DAS OPERADORES DE PLANOS DE SAÚDE. LEI Nº 9.718/98, ART. 3º, §§ 9º, 9ºA e 9º B. DEDUÇÃO. POSSIBILIDADE. O valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos de que trata o inciso III, do § 9º, da Lei nº 9.718/98, é o total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindose neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida. Recurso parcialmente provido. Fl. 1933DF CARF MF 10 Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte” (Acórdão 9303 003.295, de 24/03/2015) OPERADORA DE PLANO DE SAÚDE. DEDUÇÕES DA BASE DE CÁLCULO. Na determinação da base de cálculo do PIS e da Cofins, as operadoras de planos de assistência à saúde poderão deduzir os pagamentos efetuados à rede credenciada e ao SUS (não congêneres), visto a norma interpretativa § 9A do art. 3ª da Lei 9.718/98 trazida pelo art. 19 da Lei 12.873/2013, esclarecendo que o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos compreende o total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos de saúde, incluindose neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida.” (Acórdão 9303004.184, de 06/07/2016) Em síntese, os custos assistenciais decorrentes da utilização, pelos beneficiários da própria operadora ou de outras operadoras credenciadas, da cobertura oferecida pelos planos de assistência à saúde podem ser deduzidos na apuração da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e Cofins, a partir da interpretação veiculada pelas Leis nºs 12.873/2013 e 12.995/2014. Pelo exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário para admitir as exclusões dos custos assistenciais com beneficiários próprios ou de outras operadoras a título de transferência de responsabilidade, as receitas financeiras, a recuperação de despesas, as variações patrimoniais e não operacionais, bem assim, provisão de risco para as empresas operadoras de planos de saúde. Robson José Bayerl Fl. 1934DF CARF MF
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Numero do processo: 18470.731932/2012-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009
RECURSO DE OFÍCIO. EXONERAÇÕES COM BASE NAS NORMAS DO REGIME TRIBUTÁRIO DE TRANSIÇÃO - RTT. EFEITOS.
Modificações introduzidas pelas novas práticas contábeis no reconhecimento de receita, despesa e custo, por força do art. 16 da Lei n° 11.941, de 2009, não têm efeitos para fins de apuração do lucro real da pessoa jurídica sujeita ao RTT.
CUSTOS RECONHECIDOS NO ATIVO. NOVAS PRÁTICAS CONTÁBEIS PREVISTAS NO PRONUNCIAMENTO TÉCNICO CPC 17. AJUSTE DO RTT. GLOSA. IMPROCEDÊNCIA.
Improcede a glosa do ajuste de RTT, uma vez que eventual erro em sua apuração, ainda que possa configurar inexatidão contábil (postergação de custo), não tem efeito tributário.
CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PAGAS INDEVIDAMENTE. CRÉDITO JUDICIAL COM TRÂNSITO EM JULGADO. NECESSIDADE.
Em se tratando de ação de indébito tributário, somente após o trânsito em julgado da respectiva decisão judicial o crédito do sujeito passivo contra a Fazenda Pública é dotado de liquidez e certeza e passível de compensação.
GLOSA DE DESPESA FINANCEIRA. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
Os registros contábeis de despesas que impactem o resultado devem estar lastreados em documentos hábeis a comprovarem a efetividade dos fatos que lhes deram causa, o que, não ocorrendo, enseja a sua glosa por parte da autoridade fiscal.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA
Na medida que a exigência reflexa tem por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do imposto de renda, a decisão de mérito prolatada naquele constitui prejulgado na decisão do auto de infração reflexo.
Numero da decisão: 1302-002.121
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Rogério Aparecido Gil - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: ROGERIO APARECIDO GIL
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CRÉDITO TRIBUTÁRIO. GLOSAS. DIVERGÊNCIAS SAPLI E PARTE B DO LALUR Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CONTRERAS ENGENHARIA E CONSTRUÇÕES LTDA. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 RECURSO DE OFÍCIO. EXONERAÇÕES COM BASE NAS NORMAS DO REGIME TRIBUTÁRIO DE TRANSIÇÃO RTT. EFEITOS. Modificações introduzidas pelas novas práticas contábeis no reconhecimento de receita, despesa e custo, por força do art. 16 da Lei n° 11.941, de 2009, não têm efeitos para fins de apuração do lucro real da pessoa jurídica sujeita ao RTT. CUSTOS RECONHECIDOS NO ATIVO. NOVAS PRÁTICAS CONTÁBEIS PREVISTAS NO PRONUNCIAMENTO TÉCNICO CPC 17. AJUSTE DO RTT. GLOSA. IMPROCEDÊNCIA. Improcede a glosa do ajuste de RTT, uma vez que eventual erro em sua apuração, ainda que possa configurar inexatidão contábil (postergação de custo), não tem efeito tributário. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PAGAS INDEVIDAMENTE. CRÉDITO JUDICIAL COM TRÂNSITO EM JULGADO. NECESSIDADE. Em se tratando de ação de indébito tributário, somente após o trânsito em julgado da respectiva decisão judicial o crédito do sujeito passivo contra a Fazenda Pública é dotado de liquidez e certeza e passível de compensação. GLOSA DE DESPESA FINANCEIRA. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Os registros contábeis de despesas que impactem o resultado devem estar lastreados em documentos hábeis a comprovarem a efetividade dos fatos que lhes deram causa, o que, não ocorrendo, enseja a sua glosa por parte da autoridade fiscal. TRIBUTAÇÃO REFLEXA AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 0. 73 19 32 /2 01 2- 79 Fl. 1860DF CARF MF Processo nº 18470.731932/201279 Acórdão n.º 1302002.121 S1C3T2 Fl. 3 2 Na medida que a exigência reflexa tem por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do imposto de renda, a decisão de mérito prolatada naquele constitui prejulgado na decisão do auto de infração reflexo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Tratase de Recurso de Ofício, de 06/06/2013, interposto pela 2ª Turma da DRJ do Rio de Janeiro, em virtude de exoneração de crédito tributário de IRPJ e CSLL havida em seu Acórdão nº 1256.567 que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009 NULIDADE Incabível a alegação de nulidade, comprovado que o auto de infração foi formalizado com obediência a todos os requisitos previstos em lei e que não se apresentam nos autos nenhum dos motivos apontados no art. 59 do Decreto n° 70.235/1972. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2009 APLICAÇÃO DE NOVAS PRÁTICAS CONTÁBEIS. CONTRIBUINTES OPTANTE DO REGIME TRIBUTÁRIO DE TRANSIÇÃO RTT. EFEITOS. Fl. 1861DF CARF MF Processo nº 18470.731932/201279 Acórdão n.º 1302002.121 S1C3T2 Fl. 4 3 Modificações introduzidas pelas novas práticas contábeis no reconhecimento de receita, despesa e custo, por força do art. 16 da Lei n° 11.941,de 2009, não têm efeitos para fins de apuração do lucro real da pessoa jurídica sujeita ao RTT. CUSTOS RECONHECIDOS NO ATIVO. NOVAS PRÁTICAS CONTÁBEIS PREVISTAS NO PRONUNCIAMENTO TÉCNICO CPC 17. AJUSTE DO RTT. GLOSA. IMPROCEDÊNCIA. Improcede a glosa do ajuste de RTT, uma vez que eventual erro em sua apuração, ainda que possa configurar inexatidão contábil (postergação de custo), não tem efeito tributário. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PAGAS INDEVIDAMENTE. CRÉDITO JUDICIAL COM TRÂNSITO EM JULGADO. NECESSIDADE. Em se tratando de ação de indébito tributário, somente após o trânsito em julgado da respectiva decisão judicial o crédito do sujeito passivo contra a Fazenda Pública é dotado de liquidez e certeza e passível de compensação. GLOSA DE DESPESA FINANCEIRA. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Os registros contábeis de despesas que impactem o resultado devem estar lastreados em documentos hábeis a comprovarem a efetividade dos fatos que lhes deram causa, o que, não ocorrendo, enseja a sua glosa por parte da autoridade fiscal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2009 TRIBUTAÇÃO REFLEXA Na medida que a exigência reflexa tem por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do imposto de renda, a decisão de mérito prolatada naquele constitui prejulgado na decisão do auto de infração reflexo. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Exonerado. Com essas conclusões, a DRJ decidiu: I exonerar o interessado das exigências do imposto de renda pessoa jurídica e da contribuição social sobre o lucro líquido; II reduzir o prejuízo fiscal apurado no anocalendário de 2009 de R$ 11.400.420,94 para R$ 7.941.748,68; Fl. 1862DF CARF MF Processo nº 18470.731932/201279 Acórdão n.º 1302002.121 S1C3T2 Fl. 5 4 III reduzir a base de cálculo negativa de contribuição social sobre o lucro líquido apurada no anocalendário de 2009 de R$ 11.400.420,94 para R$ 7.941.748,68. Deste ato o Presidente da 2a Turma recorre de ofício ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. É o relatório. Voto Conselheiro Rogério Aparecido Gil Relator Em virtude da exoneração de crédito tributário, a DRJ recorreu de ofício a esse CARF, nos termos do art. 34, I, do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, com a redação que lhe foi dada pelo art. 67 da Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997, combinado com o artigo 1° da Portaria MF n° 3, de 3 de janeiro de 2008 (atualmente, a interposição de recurso de ofício, observa novo limite, fixado pelo Ministro da Fazenda, por meio da Portaria MF. nº 63, de 09/02/2017, nas hipóteses de exoneração de créditos de tributos e encargos de multa superiores a R$ 2.500.000,00, como ocorre no presente caso). Verificase que os valores exonerados estão acima do atual limite, preenchendo, assim, tal requisito para o Recurso de Ofício. A exoneração em questão fundamentouse nos seguintes termos, extraídos do acórdão recorrido: Da glosa dos ajustes decorrentes do RTT. 11. O Regime Tributário de TransiçãoRTT de apuração do lucro real foi instituído pelo art. 15 da Lei n° 11.941, de 2009, visando neutralizar os efeitos tributários dos novos métodos e critérios contábeis introduzidos pela Lei n° 11.638, de 2007, até a entrada em vigor de lei que discipline definitivamente os efeitos tributários dos novos métodos e critérios internacionais de contabilidade. 12. A partir do anocalendário de 2010, o RTT passou a ser obrigatório para apuração do imposto de renda com base no lucro real e da contribuição social sobre o lucro líquido. Em sendo assim, para reverter o efeito da utilização de métodos e critérios contábeis diferentes daqueles previstos na legislação tributária, a pessoa jurídica deveria realizar os ajustes específicos de que trata o art. 17 da Lei n° 11.941,de 2009, in verbis: Art. 17. Na ocorrência de disposições da lei tributária que conduzam ou incentivem a utilização de métodos ou critérios contábeis diferentes daqueles determinados pela Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, com as alterações da Lei nº 11.638, de 28 de dezembro de 2007, e dos arts. 37 Fl. 1863DF CARF MF Processo nº 18470.731932/201279 Acórdão n.º 1302002.121 S1C3T2 Fl. 6 5 e 38 desta Lei, e pelas normas expedidas pela Comissão de Valores Mobiliários com base na competência conferida pelo § 3º do art. 177 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, e demais órgãos reguladores, a pessoa jurídica sujeita ao RTT deverá realizar o seguinte procedimento: I utilizar os métodos e critérios definidos pela Lei n o_6.404, de 15 de dezembro de 1976, para apurar o resultado do exercício antes do Imposto sobre a Renda, referido no inciso V do caput do art. 187 dessa Lei, deduzido das participações de que trata o inciso VI do caput do mesmo artigo, com a adoção: a) dos métodos e critérios introduzidos pela Lei n o11.638, de 28 de dezembro de 2007, e pelos arts. 37 e 38 desta Lei; e b) das determinações constantes das normas expedidas pela Comissão de Valores Mobiliários, com base na competência conferida pelo § 3º do art. 177 da Lei n° 6.404, de 15 de dezembro de 1976, no caso de companhias abertas e outras que optem pela sua observância; II realizar ajustes específicos ao lucro líquido do período, apurado nos termos do inciso I do caput deste artigo, no Livro de Apuração do Lucro Real, inclusive com observância do disposto no § 2° deste artigo, que revertam o efeito da utilização de métodos e critérios contábeis diferentes daqueles da legislação tributária, baseada nos critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007, nos termos do art. 16 desta Lei; e III realizar os demais ajustes, no Livro de Apuração do Lucro Real, de adição, exclusão e compensação, prescritos ou autorizados pela legislação tributária, para apuração da base de cálculo do imposto. § 1° Na hipótese de ajustes temporários do imposto, realizados na vigência do RTT e decorrentes de fatos ocorridos nesse período, que impliquem ajustes em períodos subsequentes, permanece: I a obrigação de adições relativas a exclusões temporárias; e II a possibilidade de exclusões relativas a adições temporárias. § 2° A pessoa jurídica sujeita ao RTT, desde que observe as normas constantes deste Capítulo, fica dispensada de realizar, em sua escrituração comercial, qualquer procedimento contábil determinado pela legislação tributária que altere os saldos das contas patrimoniais ou de resultado quando em desacordo com: Fl. 1864DF CARF MF Processo nº 18470.731932/201279 Acórdão n.º 1302002.121 S1C3T2 Fl. 7 6 I os métodos e critérios estabelecidos pela Lei n° 6.404, de 15 de dezembro de 1976, alterada pela Lei n° 11.638, de 28 de dezembro de 2007, e pelos arts. 37 e 38 desta Lei; ou II as normas expedidas pela Comissão de Valores Mobiliários, no uso da competência conferida pelo § 3 ° do art. 177 da Lei n ° 6.404, de 15 de dezembro de 1976, e pelos demais órgãos reguladores. 13. Com o advento da nova legislação, o Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC) tornouse um dos mais importantes órgãos reguladores das normas e pronunciamentos contábeis no Brasil, com tendência a convergência às normas internacionais. 14. No caso em apreço, o interessado, que tem como atividade preponderante a prestação de serviços de construção de obras públicas e privadas (cláusula 2a do contrato social à fl.411), a partir do ano calendário de 2009, passou a elaborar sua escrituração contábil em consonância com os padrões internacionais de contabilidade e em especial com o estabelecido pelo Pronunciamento Técnico CPC 17 Contrato de Construção. 15. Esse pronunciamento instituiu critério de estágio de execução de contrato (preço fixo ou de custo mais margem) para fins de reconhecimento de receitas e despesas, devendo ser observado que: 22. Quando a conclusão do contrato de construção puder ser confiavelmente estimada, a receita e a despesa (transferência do custo para o resultado) associada ao contrato de construção devem ser reconhecidas tomando como base a proporção do trabalho executado até a data do balanço. A perda esperada no contrato de construção deve ser reconhecida imediatamente como despesa de acordo com o item 36. 23. No caso de contrato de preço fixo, a conclusão da construção pode ser confiavelmente estimada quando estiverem satisfeitas todas as seguintes condições: (a) a receita do contrato puder ser mensurada confiavelmente; (b) for provável que os benefícios econômicos associados ao contrato fluirão para a empresa; (c) os custos para concluir o contrato, tanto quanto a proporção executada até a data do balanço, puderem ser confiavelmente mensurados; e Fl. 1865DF CARF MF Processo nº 18470.731932/201279 Acórdão n.º 1302002.121 S1C3T2 Fl. 8 7 (d) os custos atribuíveis ao contrato puderem ser claramente identificados e confiavelmente mensurados de forma que possam ser comparados com estimativas anteriores. 25. O reconhecimento da receita e da despesa (transferência do custo para o resultado) referentes à fase de conclusão de um contrato é muitas vezes referido como o método da percentagem completada. Segundo esse método, a receita contratual deve ser proporcional aos custos contratuais incorridos em cada etapa de medição. Esse método proporciona informação útil sobre a extensão da atividade e desempenho do contratado durante a execução do contrato. 26. Pelo método da percentagem completada, a receita do contrato é reconhecida na demonstração do resultado nos períodos contábeis em que o trabalho for executado, o mesmo ocorrendo com as despesas (transferência do custo para o resultado) do trabalho com os quais se relaciona. Porém, qualquer excedente dos custos totais esperados sobre as receitas totais do contrato deve ser reconhecido imediatamente como despesa (perda) de acordo com o item 36. 27. Um contratado pode ter incorrido em custos que se relacionem com a atividade a ser executada futuramente. Tais custos devem ser reconhecidos no ativo, desde que seja provável que venham a ser recuperados. Eles representam a quantia devida pelo contratante e muitas vezes são classificados como trabalho em andamento. 30 A fase de execução de um contrato pode ser determinada de várias maneiras. A entidade usa o método que mensura de forma mais confiável o trabalho executado. Dependendo da natureza do contrato, os métodos podem incluir: (a) a proporção dos custos incorridos até a data, em contraposição aos custos estimados totais do contrato; (b) medição do trabalho executado; e (c) execução de proporção física do trabalho contratado. Os pagamentos progressivos e os adiantamentos recebidos dos clientes não refletem, necessariamente, o trabalho executado e por isso não devem servir de parâmetro para mensuração da receita. Fl. 1866DF CARF MF Processo nº 18470.731932/201279 Acórdão n.º 1302002.121 S1C3T2 Fl. 9 8 32. Quando o encerramento de contrato de construção não puder ser confiavelmente estimado: (a) a receita deverá ser reconhecida até o ponto em que for provável que os custos incorridos do contrato serão recuperados; e (b) os custos do contrato deverão ser reconhecidos como despesa no período em que forem incorridos. Uma perda esperada em contrato de construção deve ser reconhecida imediatamente como despesa de acordo com o item 36. 16. Adequandose às determinações do CPC 17, para fins de reconhecimento de receitas e despesas, o interessado, que pratica contrato a preço fixo, afirma que levou em consideração o estágio de execução do contrato, sendo que: (...) Para que esse ajuste fosse possível, a Intimada teve que simular uma "margem de lucro prevista" para cada contrato em andamento (já demonstradas em 25/05/2012) o que fez mediante a contraposição da receita estimada e do custo estimado de cada contrato, a saber: Miranga, Araucária, JaperiReduc e Consórcio Gasduc III. Uma vez alcançada a "margem de lucro prevista" para cada contrato, a Intimada pôde ajustar suas contas de receitas e de custos, aplicando o percentual da "margem prevista" sobre a receita efetivamente auferida em cada contrato (receita essa proveniente dos Relatórios de Medição), para então chegar ao valor do custo correspondente a essa receita e então levar esse custo a resultado. Essa reclassificação de custos feita de acordo com os CPC 17 está a seguir demonstrada: Então, a partir do exercício 2009, os custos incorridos e efetivamente pagos pela Intimada passaram a ser reconhecidos no resultado da empresa de acordo com o percentual já executado da obra correspondente (método da percentagem completada), sendo este percentual aferido a partir de relatórios de medição aprovados pelos clientes (Petróleo Brasileiro S/A e Transportadora Fl. 1867DF CARF MF Processo nº 18470.731932/201279 Acórdão n.º 1302002.121 S1C3T2 Fl. 10 9 Associada de Gás S/A, empresas do grupo Petrobrás), em confronto com o valor total de cada obra Em decorrência, procedeu aos seguintes registros contábeis: 18. Na Ficha 06 A (Demonstração do Resultado PJ em Geral (LR) da declaração de informações econômicofiscais da pessoa jurídicaDLPJ 2010, anocalendário 2009 (fls. 10/11), elaborada com base nos métodos e critérios contábeis introduzidos pela Lei n° 11.638, de 2007 e pela Lei n° 11.941, de 2009 (fins societários), o montante de R$ 43.497.981,71 foi declarado como Receitas Decorrentes de Outros Ajustes aos Padrões Internacionais de Contabilidade (linha 35), o que resultou na apuração de lucro líquido antes do IRPJ no valor de R$ 33.541.834,45 (linha 68). 19. Na Ficha 07 A (Demonstração do Resultado Critérios em 31.12.2007 PJ em Geral (LR) da mesma DIPJ, elaborada com base nos métodos e critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007 (fins tributários), foi apurado prejuízo contábil de R$ 9.956.147,26 (fls.12/13). 20. O art. 16 da Lei n° 11.941, de 2009, assim dispõe: Art. 16. As alterações introduzidas pela Lei nº 11.638, de 28 de dezembro de 2007, e pelos arts. 37 e 38 desta Lei que modifiquem o critério de reconhecimento de receitas, custos e despesas computadas na apuração do lucro líquido do exercício definido no art. 191 da Lei n o 6.404, de 15 de dezembro de 1976, não terão efeitos para fins de apuração do lucro real da pessoa jurídica sujeita ao RTT, devendo ser considerados, para fins tributários, os métodos e critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007. 21. Desta forma, na Ficha 09A (Demonstração do Lucro Real PJ em Geral), o montante no valor de R$43.497.981,71 (ajuste do RTT) foi excluído do lucro líquido. Fl. 1868DF CARF MF Processo nº 18470.731932/201279 Acórdão n.º 1302002.121 S1C3T2 Fl. 11 10 22. A autoridade autuante glosou o referido ajuste por entender que: (1) foi obtido unicamente com base em margem de lucro simulada incidente sobre a receita total estimada e não menciona, utiliza e comprova o efetivo estágio de execução das obras vinculadas aos contratos de construção; (2) a simulação de margens de lucro calcadas em estimação de receitas e custos ao final do contrato não permite apurar os ajustes aos padrões internacionais de contabilidade, por olvidar em seu cálculo o efetivo percentual de execução da obra. 23. Considero irrelevante verificar se o ajuste foi ou não apurado de acordo com as normas previstas no CPC 17, uma vez que apenas resultou no diferimento de parte do custo incorrido no ano calendário de 2009. Mesmo que a apuração indevida pudesse configurar inexatidão contábil (postergação de custo), ainda assim não teria efeitos tributários. 24. Ademais, conforme já mencionado anteriormente, exvi do disposto no art. 16 da Lei n° 11.941, de 2009, e art. 2° da IN RFB n° 949/2009, novos métodos de apuração de receitas, despesas e custos não têm efeitos fiscais. 25. A pessoa jurídica sujeita ao RTT, para reverter o efeito da utilização de métodos e critérios contábeis diferentes daqueles previstos na legislação tributária, deve (art. 3° da IN RFB n° 949/2009): I) utilizar os métodos e critérios da legislação societária para apurar, em sua escrituração contábil, o resultado do período antes do Imposto sobre a Renda, deduzido das participações; II) utilizar os métodos e critérios contábeis aplicáveis à legislação tributária, para apurar o resultado do período, para fins fiscais; III) determinar a diferença entre os valores apurados nos incisos I e II; e IV) ajustar no LALUR o resultado do período apurado nos termos do inciso I, pela diferença apurada no inciso III. 26. Para a realização do ajuste de que trata o inciso IV supracitado, deve ser mantido o Controle Fiscal Contábil de Transição FCONT, que, nos termos do art. 8° da IN RFB n° 949/2009, é uma escrituração, das contas patrimoniais e de resultado, em partidas dobradas, que considera os métodos e critérios contábeis aplicados pela legislação tributária. 27. O art. 1° e §§ da IN RFB n° 967, de 15 de outubro de 2009, assim dispõe: Fl. 1869DF CARF MF Processo nº 18470.731932/201279 Acórdão n.º 1302002.121 S1C3T2 Fl. 12 11 Art. 1° Fica aprovado o Programa Validador e Assinador da Entrada de Dados para o Controle Fiscal Contábil de Transição (FCont), de que tratam os arts. 7o a 90 da Instrução Normativa RFB n° 949, de 16 de junho de 2009 . § 1º Os dados a serem apresentados por intermédio do Programa consistem em lançamentos referentes aos mesmos fatos, mas considerando critérios diferenciados, são eles: I lançamentos realizados na escrituração contábil para fins societários, que devem ser expurgados; e II lançamentos considerando os métodos e critérios contábeis aplicáveis para fins tributários, que devem ser inseridos. § 2o Partindose da escrituração contábil para fins societários, expurgados e inseridos lançamentos conforme os incisos I e II do § Io, pode ser gerado o FCont definido no art. 8o da Instrução Normativa RFBn° 949, de 2009. §3º No caso da pessoa jurídica que tenha adotado a Escrituração Contábil Digital (ECD), nos termos da Instrução Normativa RFB n° 787, de 19 de novembro de 2007 , a escrituração contábil para fins societários, referida no § 2o, será a própria ECD. § 4º No caso da pessoa jurídica que não tenha adotado a ECD e esteja sujeita à apresentação do FCont, a apresentação da escrituração contábil para fins societários fica condicionada à intimação por parte da autoridade fiscal. 28. O interessado possui contratos de longo prazo firmados com a Petrobrás e subsidiárias. Os métodos e critérios contábeis aplicáveis à legislação tributária, para apurar o resultado do anocalendário de 2009, para fins fiscais, encontramse estabelecidos nos arts. 407 e 409 do RIR/1999, a saber: Art. 409. No caso de empreitada ou fornecimento contratado, nas condições dos arts. 407 ou 408, com pessoa jurídica de direito público, ou empresa sob seu controle, empresa pública, sociedade de economia mista ou sua subsidiária, o contribuinte poderá diferir a tributação do lucro até sua realização, observadas as seguintes normas (DecretoLei n° 1.598 , de 1977, art. 10 , § 3o, e Decreto Lei n° 1.648, de 1978, art. 1o, inciso I): I poderá ser excluída do lucro líquido do período de apuração, para efeito de determinar o lucro real, parcela do Fl. 1870DF CARF MF Processo nº 18470.731932/201279 Acórdão n.º 1302002.121 S1C3T2 Fl. 13 12 lucro da empreitada ou fornecimento computado no resultado do período de apuração, proporcional à receita dessas operações consideradas nesse resultado e não recebida até a data do balanço de encerramento do mesmo período de apuração; II a parcela excluída nos termos do inciso I deverá ser computada na determinação do lucro real do período de apuração em que a receita for recebida. (...) Art. 407. Na apuração do resultado de contratos, com prazo de execução superior a um ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço prédeterminado, de bens ou serviços a serem produzidos, serão computados em cada período de apuração (DecretoLei n° 1.598, de 1977, art. 10): I o custo de construção ou de produção dos bens ou serviços incorridos durante o período de apuração; II parte do preço total da empreitada, ou dos bens ou serviços a serem fornecidos, determinada mediante aplicação, sobre esse preço total, da percentagem do contrato ou da produção executada no período de apuração. § 1° A percentagem do contrato ou da produção executada durante o período de apuração poderá ser determinada (DecretoLei n° 1.598, de 1977, art. 10, § 1 °): I com base na relação entre os custos incorridos no período de apuração e o custo total estimado da execução da empreitada ou da produção; ou II com base em laudo técnico de profissional habilitado, segundo a natureza da empreitada ou dos bens ou serviços, que certifique a percentagem executada em função do progresso físico da empreitada ou produção. § 2º Na apuração dos resultados de contratos de longo prazo, devem ser observados na escrituração comercial os procedimentos estabelecidos nesta Seção, exceto quanto ao diferimento previsto no art. 409, que será procedido apenas no LALUR. 29. Consoante a legislação supracitada, o interessado poderia diferir a receita não recebida, o que nos termos do Parecer Normativo n° 72, de 1978, "impõe o simultâneo diferimento dos custos correspondentes. Isso decorre da adoção generalizada do paralelismo no tratamento das receitas e custos, consagrados na letra b do § 1° do art. 187, da Fl. 1871DF CARF MF Processo nº 18470.731932/201279 Acórdão n.º 1302002.121 S1C3T2 Fl. 14 13 Lei n° 6.404, de 1976; este princípio desconhece exceção, sendo neste particular mais rigoroso que o próprio regime de competência, do qual o diferimento ora tratado constitui autorizado desvio. " 30. Na Ficha 04 A da DLPJ/2010 (fl.8), o interessado discriminou a composição do custo dos serviços vendidos. Não há nos autos qualquer informação de que os valores ali registrados foram questionados pela fiscalização. Material aplicado na produção dos serviços 214.576.809,85 Custo do pessoal aplicado na produção de serviços 113.714.337,01 Serviços prestados por pessoa jurídica 91.310.843,38 Encargos sociais 29.430.069,25 Alimentação do trabalhador 981.548,64 Outros custos 18.053.719,46 Total 468.067.327,59 31. Ainda na mesma Ficha, foram deduzidos R$43.497.981,71 (linha 44), correspondentes aos custos reclassificados para o ativo por força do CPC 17, resultando, assim, no custo ajustado de R$424.569.345,88 (R$ 468.067.327,59 R$ 43.497.981,71). 32. O custo ajustado de R$424.569.345,88 foi deduzido da receita de prestação de serviços de R$483.269.054,72 tanto na Ficha 06 A (fins societários) quanto na Ficha 07 A (fins fiscais). Das duas, uma: o interessado não atentou que na Ficha 07 A deveria considerar os critérios vigentes em 31/12/2007, conforme instruções de preenchimento da linha 17 da DIPJ/2010, ou, de fato, seja pela legislação fiscal supracitada, seja pelo padrão internacional de contabilidade, o valor do custo a ser diferido não se altera. 33. Não há nos autos qualquer informação se o interessado apresentou o FCont. A dispensa da elaboração só ocorreria no caso de não existir lançamento com base em métodos e critérios diferentes daqueles prescritos pela legislação tributária, baseada nos critérios contábeis vigentes em 31/12/2007, nos termos do §4° do art. 8° da IN RFB n° 949, de 2009. 34. Observase ainda que, para fins societários, o ajuste de R$43.497.981,71 foi considerado em duplicidade: como redução de custo (linha 44 da Ficha 4A) e receita (linha 35 da Ficha 6 A), não obstante o lançamento contábil efetuado (débito de ativo, crédito de custos) só ampare o primeiro evento. Por conseguinte, o lucro líquido de R$33.541.834,45 declarado na Ficha 06 A encontrase indevidamente majorado. Caso contrário, tanto na Ficha 06 A quanto na Ficha 7 A seria apurado prejuízo de R$ 9.956.147,26. 35. Em sendo assim, na apuração do lucro real, ao expurgar do lucro líquido o montante de R$43.497.981,71 a título de ajuste Fl. 1872DF CARF MF Processo nº 18470.731932/201279 Acórdão n.º 1302002.121 S1C3T2 Fl. 15 14 do RTT (linha 2 da Ficha 09 A), o interessado tão somente anulou o efeito do erro anteriormente cometido, apurando, por conseguinte, o prejuízo contábil de R$ 9.956.147,26 já declarado na ficha 7 A . 36. Ante o acima exposto, há de se considerar indevida a glosa efetuada. Da glosa de contribuições ao PIS e a Cofins recolhidas a maior. 38. Nos termos do art. 165, I, do CTN, o sujeito passivo tem direito à restituição, independentemente da modalidade de pagamento, no caso de cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido. 39. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de cinco anos a contar da data da extinção do crédito tributário, no caso de pagamento indevido ou a maior, exvi do art. 168, I, do CTN. 40. O sujeito passivo não é obrigado a pleitear a restituição na via administrativa, podendo fazêlo, diretamente, na via judicial. Tal qual ocorreu no caso presente. 41. Desta forma, ainda que a autoridade autuante considere válida a pretensão do interessado, fato é que, tendo optado pela esfera judicial, devese aguardar o trânsito em julgado da respectiva decisão judicial, para então, ser reconhecido o seu indébito tributário. 42. O art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, com a redação que lhe foi dada pela Lei n° 10.637, de 2002, respaldada nos arts. 170 e 170 A do CTN, assim dispõe: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. 43. Conforme consulta processual às fls. 794/795, a ação ordinária com pedido de antecipação parcial da tutela (2011.51.01.0090984) impetrada pelo interessado perante a 5a Vara Federal da Seção Judiciária do Rio de Janeiro encontrase conclusa ao juiz para sentença, desde 13/09/2011. Ou seja, o crédito a que se refere a autoridade autuante ainda não está dotado de certeza e liquidez. 44. Ademais, mesmo que o interessado procedesse ao lançamento contábil para o registro dos valores recolhidos a maior ou Fl. 1873DF CARF MF Processo nº 18470.731932/201279 Acórdão n.º 1302002.121 S1C3T2 Fl. 16 15 indevidamente no ativo em razão da adoção equivocada do critério da não cumulatividade na apuração do Pis e Cofins, não haveria reflexo no resultado do exercício do anocalendário de 2009. O equívoco só foi constatado no ano posterior, isto é, em 2010. A reversão da despesa constituiria receita do ano calendário de 2010 e não de 2009. 45. Outrossim, ocorrendo o trânsito em julgado favorável ao interessado em ação de repetição de indébito, o valor a ser restituído será tributado conforme disposto no art. 1° do Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 25, de 24 de dezembro de 2003: Art. 1 Os valores restituídos a título de tributo pago indevidamente serão tributados pelo Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ) e pela Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), se, em períodos anteriores, tiverem sido computados como despesas dedutíveis do lucro real e da base de cálculo da CSLL. 46. Isto posto, cancelase a glosa de R$ 4.020.259,73. Da glosa das despesas financeiras. 48. Nos termos do art.923 do RIR/1999, a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis. 49. Por sua vez, o art. 264 do RIR/1999 assim dispõe: Art. 264. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. 50. Os documentos trazidos pelo interessado na impugnação (fls.796/1.785), compostos basicamente de contratos de empréstimos, extratos bancários, planilhas de cálculo, comprovam despesas financeiras que perfazem o total de R$ 8.754.260,54 (demonstrativo consolidado à fl.797), restando, pois, sem comprovação o montante de R$ 3.458.672,26 (R$ 12.212.932,80 R$ 8.754.260,54). 51. Outrossim, também não foi comprovada a adição de R$ 876.518,71 ao lucro líquido na apuração de IRPJ e da CSLL. Não foi trazido à colação o Livro de Apuração do Lucro RealLALUR, onde devem ser lançados os ajustes do lucro líquido, exvi do art. 262 do RIR/1999. "Art. 262. No LALUR, a pessoa jurídica deverá (Decreto Lei n° 1.598 , de 1977, art. 8°, inciso I): Fl. 1874DF CARF MF Processo nº 18470.731932/201279 Acórdão n.º 1302002.121 S1C3T2 Fl. 17 16 I lançar os ajustes do lucro líquido do período de apuração; 52. E as Fichas 09 A (Demonstração do Lucro Real PJ em Geral), à fl.14, e 17 (Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido), à fl.26, da DIPJ/2010 não contemplam a citada adição. 53. Mantém se, pois, a glosa no valor de R$ 3.458.672,26. Da conclusão. 55. Ante o acima exposto, dou provimento parcial à impugnação para: 55.1. exonerar o interessado das exigências de imposto de renda pessoa jurídica e da contribuição social sobre o lucro líquido; 55.2. reduzir o prejuízo fiscal apurado no anocalendário de 2009 de R$ 11.400.420,94 para R$7.941.748,68; 55.3. reduzir a base de cálculo negativa de contribuição social sobre o lucro líquido apurada no anocalendário de 2009 de R$ 11.400.420,94 para R$ 7.941.748,68. 5 6 À vista de tais fundamentos específicos, com base nos quais a DRJ exonerou os créditos tributários, objeto do Recurso de Ofício em exame, verificase que os fatos e as razões demonstrados estão em conformidade com as normas legais e regulamentares citadas. Dessa forma, não encontramos fundamentos que determinasse a reforma da decisão. Assim, voto no sentido de negar provimento ao Recurso de Ofício. ( assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil IRPJ CSLL Base de cálculo mantida 3.458.672,26 3.458.672,26 () resultado do período (11.400.420,94) (11.400.420,94) (=) base de cálculo ajustada (7.941.748,68) (7.941.748,68) Fl. 1875DF CARF MF Processo nº 18470.731932/201279 Acórdão n.º 1302002.121 S1C3T2 Fl. 18 17 Fl. 1876DF CARF MF
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Numero do processo: 10166.721830/2009-81
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO (SC). VALE TRANSPORTE. PECÚNIA. NÃO INCIDÊNCIA.
A contribuição social previdenciária não incide sobre valores pagos a título de vale transporte, mesmo que em pecúnia (SúmulaCARFnº89).
Numero da decisão: 9202-005.399
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009, vencido o conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), que lhe negou provimento.
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado DUILIO PEREIRA MARCOZZI ME ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO (SC). VALE TRANSPORTE. PECÚNIA. NÃO INCIDÊNCIA. A contribuição social previdenciária não incide sobre valores pagos a título de vale transporte, mesmo que em pecúnia (SúmulaCARFnº89). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento parcial, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009, vencido o conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), que lhe negou provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 18 30 /2 00 9- 81 Fl. 816DF CARF MF 2 Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório Trata o presente processo de auto de infração NFLD DEBCAD nº 37.231.3967, às efls. 02 a 49, cientificado à contribuinte em 30/09/2009, com relatório fiscal às efls. 51 a 66. A notificação visou a constituição de crédito tributário de contribuições destinadas a outras entidades e fundos Terceiros devidas pela contribuinte, incidentes sobre as remunerações dos segurados empregados e contribuintes individuais que não foram declaradas em GFIP ou que, mesmo que tenham sido informadas as remunerações, foi indevidamente declarado que a empresa era optante pelo SIMPLES, referente aos seguintes valores: a) Base de Cálculo considerada pela empresa b) Diferença de Base de cálculo FOPAG X GFIP c) Alimentação paga em pecúnia d) Transporte pago em pecúnia e) Auxílio Moradia f) Verbas referentes a Gratificação, Abono e Periculosidade O crédito lançado atingiu o montante de R$ 139.542,51, consolidado na data de 29/09/2009, para o período de apuração de 01/01/2005 a 31/12/2007. A NFLD foi impugnada, às efls. 631 a 678, em 30/10/2009. Já a 5ª Turma da DRJ/BSB, no acórdão nº 0337.265, prolatado em 02/06/2010, às efls. 691 a 716, considerou, por unanimidade, improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Inconformada, em 24/08/2010, a contribuinte, interpôs recurso voluntário RV, às efls. 720 a 762, argumentando, em síntese que: · há nulidade do procedimento de apuração por aferição indireta em face da documentação apresentada durante a fiscalização; · divergências entre valores de folhas de pagamentos e GFIP não implicam falta de recolhimento das contribuições Fl. 817DF CARF MF Processo nº 10166.721830/200981 Acórdão n.º 9202005.399 CSRFT2 Fl. 817 3 correspondentes devendo os valores lançados serem comprovados pela fiscalização; · parcelas pagas em pecúnia a título de transporte não constituem remuneração, sobre eles não incidindo contribuição, além de os valores apurados pelo fisco serem confusos e acima do devido; · é incabível a contribuição para o INCRA por já ter sido suprimida por lei, conforme até mesmo reconhecido em tribunais; · também descabe a exigência de contribuições para o SESC, SENAC e SEBRAE, pois a contribuinte não guardaria relação jurídicotributária com essas exigências; · o adicional de periculosidade é verba de natureza indenizatória e por isso não se sujeita às contribuição previdenciária; · seria inaplicável a taxa de juros pela utilização inconstitucional da Selic, pois teria natureza remuneratória e vedada a sua acumulação com outros índices; · as multas violam o princípio do nãoconfisco, ferindo incçusive o direito de propriedade; · não haveria razões bastantes para elaboração de de representação pra fins penais, decorrente até mesmo da controvérsia que se estabeleceu neste processo, e que pleiteia a suspensão dos efeitos dessa representação. O recurso voluntário foi apreciado pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento em 24/08/2011, resultando no acórdão 230102.282, às efls. 774 a 780, que tem a seguinte ementa: AFERIÇÃO INDIRETA. CABIMENTO Não apresentando o contribuinte os documentos contábeis e fiscais exigidos é cabível a apuração do crédito tributário mediante aferição indireta. VALE TRANSPORTE PAGO EM DINHEIRO Para a Suprema Corte, o pagamento desse benefício em forma de vale ou dinheiro não lhe altera a natureza jurídica que é de indenização e, portanto, não sujeito à incidência da contribuição previdenciária. INEXIGIBILIDADE DE INCRA, SEST, SENAT, SEBRAE E SESC Incidência da Súmula CARF nº 02. Fl. 818DF CARF MF 4 SELIC Incidência da Súmula CARF nº 04 MULTA RETROATIVIDADE BENIGNA Havendo beneficiamento da situação do contribuinte, incide a retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo a multa lançada no presente AI ser calculada nos termos do artigo 35 caput da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, incluído pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, desde que mais benéfica. O acórdão teve o seguinte teor: Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; b) em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do Relatório e votos que integram o presente julgado, quanto ao auxílio transporte pago em dinheiro. Vencidos(as) os(as) Conselheiros(as) Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram pela integração ao Salário de Contribuição dessas verbas; III) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Ausência: Mauro José Silva. Declaração de voto: Damião Cordeiro de Moraes. RE da Fazenda Nacional Comunicada do acórdão, em 17/10/2011 (efl. 781), a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, em 16/11/2011, manejou recurso especial de divergência RE (efls. 782 a 798) ao citado acórdão, entendendo que o aresto diverge de entendimento firmados no CARF no tocante a duas matérias: A) Multa, em face da retroatividade benigna com aplicação da redação do artigo 35, da Lei nº 8.212/1991, com a redação dada pela MP nº 449/2008. Traz por paradigma o acórdão nº 240100120, da 1ª Turma da 4ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento. Explicitando a divergência, assim se manifestou a Procuradora: Ao examinar a matéria pertinente à multa aplicada, o acórdão recorrido entendeu que deveria ser aplicada ao caso a retroatividade benigna, sob o fundamento de que o artigo 35, caput, da Lei nº 8.212/1991 deveria ser comparado com a atual redação emprestada pela Lei nº 11.941/2009. E como na atual redação, há remissão ao art. 61 da Lei nº 9.430/96, entendeu que o patamar da multa aplicada estaria limitado a 20% (§ 2º do art. 61). Fl. 819DF CARF MF Processo nº 10166.721830/200981 Acórdão n.º 9202005.399 CSRFT2 Fl. 818 5 Ao revés, os paradigmas adotaram solução diametralmente oposta. Para os órgãos prolatores dos paradigmas, o art. 35 da Lei nº 8.212/1991 deveria agora ser observado à luz da norma introduzida pela Lei nº 11.941/2009, qual seja, o art. 35A que, por sua vez, faz remissão ao art. 44, da Lei nº 9.430/96. Nos julgados paradigmas, a aplicação da retroatividade benigna na forma de aplicação do art. 61, § 2º, da Lei nº 9.430/1996 (norma à qual a atual redação do caput do art. 35 com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009 faz remissão) foi rechaçada de forma expressa. B) Da incidência da contribuição previdenciária sobre o vale transporte pago em pecúnia. Nessa matéria indica como paradigmas os acórdãos: nº 20601.796, da então Sexta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes e nº 240100.596 da Primeira Turma da Quarta Câmara da Segunda Seção do CARF. Resume a divergência da seguinte forma: Vêse, portanto, que a E. Câmara a quo entendeu que não incide contribuição previdenciária sobre o valor pago em pecúnia a título de vale transporte. Em posicionamento diametralmente oposto, a então Sexta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes e a Primeira Turma da Quarta Câmara da Segunda Seção do CARF entendeu pela incidência da contribuição previdenciária sobre o valor pago em pecúnia a título de vale transporte, tendo em vista o descumprimento da legislação de regência, em especial ao disposto no art. 5º do Decreto 95.247/87 que regulamenta a Lei 7.418/85. Pelas razões expostas requereu a Procuradora que fosse conhecido o recurso e provido para que se reforme o acórdão recorrido no tocante a ambas as matérias, devendose verificar, na execução do julgado, qual norma mais benéfica: se a multa anterior (art. 35, da norma revogada) ou a do art. 35A da Lei nº 8.212/91. O RE da Procuradora foi apreciado pelo Presidente da 3ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF, nos termos dos arts. 67 e 68 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 256 de 22/06/2009, por meio do despacho nº 2300329/2014, datado de 07/08/2014, às efls. 801 a 806, entendendo ele por lhe dar seguimento, em face do cumprimento dos requisitos regimentais. A contribuinte foi cientificada (efl. 809) do acórdão nº 230102.282, do RE interposto pela Fazenda Nacional e do despacho de admissibilidade nº 2300329/2014, em 20/02/2015 (efl. 812), não tendo se manifestado nos prazos regimentais. É o relatório. Fl. 820DF CARF MF 6 Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator O recurso é tempestivo, atende aos demais requisitos de admissibilidade, por isso dele conheço. Há duas matérias admitidas em recurso especial de divergência, serão aqui apreciadas na ordem posta no próprio RE A) Multa, em face da retroatividade benigna Nessa matéria, a solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. Fl. 821DF CARF MF Processo nº 10166.721830/200981 Acórdão n.º 9202005.399 CSRFT2 Fl. 819 7 AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no auto de infração de obrigação acessória AIOA somado com a multa aplicada na NFLD do auto de infração da obrigação principal AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, Fl. 822DF CARF MF 8 obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” Fl. 823DF CARF MF Processo nº 10166.721830/200981 Acórdão n.º 9202005.399 CSRFT2 Fl. 820 9 O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: Fl. 824DF CARF MF 10 · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo Fl. 825DF CARF MF Processo nº 10166.721830/200981 Acórdão n.º 9202005.399 CSRFT2 Fl. 821 11 ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, Fl. 826DF CARF MF 12 os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, voto pelo provimento em parte do recurso, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. B) Da incidência da contribuição previdenciária sobre o vale transporte pago em pecúnia. Cumpre referir que essa matéria está sumulada (súmula CARF n° 89), cuja aplicação é mandatória pelos conselheiros, nos termos do art. n° 45 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 343, de 2015, nos termos reproduzidos a seguir: “Súmula CARF nº 89: A contribuição social previdenciária não incide sobre valores pagos a título de vale transporte, mesmo que em pecúnia.” Portanto, não deve ser exigida contribuição previdenciária sobre valores pagos em pecúnia, a título de vale transporte. Em razão do que se encontra acima exposto, é de se negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional quanto a esta matéria. Conclusão Pelo exposto, conheço do recurso especial da Fazenda Nacional e, no mérito, dou provimento em parte ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 827DF CARF MF Processo nº 10166.721830/200981 Acórdão n.º 9202005.399 CSRFT2 Fl. 822 13 Fl. 828DF CARF MF
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Numero do processo: 36192.005103/2005-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/1995 a 30/11/2005
OBRIGAÇÃO DA ESCRITURAÇÃO DOS FATOS GERADORES.
Ao deixar de escriturar em títulos próprios de sua contabilidade todos os fatos geradores de contribuição previdenciária, o sujeito passivo comete infração à legislação da Previdência Social, por descumprimento de obrigação acessória.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2301-004.980
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, para negar-lhe provimento, nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral pela Recorrente, Dr. Cláudio Flores Rolim, OAB/BA 22.187.
Andrea Brose Adolfo - Presidente Substituta
Julio Cesar Vieira Gomes - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: ANDREA BROSE ADOLFO, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, FABIO PIOVESAN BOZZA, JORGE HENRIQUE BACKES, ALEXANDRE EVARISTO PINTO e MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/1995 a 30/11/2005 OBRIGAÇÃO DA ESCRITURAÇÃO DOS FATOS GERADORES. Ao deixar de escriturar em títulos próprios de sua contabilidade todos os fatos geradores de contribuição previdenciária, o sujeito passivo comete infração à legislação da Previdência Social, por descumprimento de obrigação acessória. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, para negar-lhe provimento, nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral pela Recorrente, Dr. Cláudio Flores Rolim, OAB/BA 22.187. Andrea Brose Adolfo - Presidente Substituta Julio Cesar Vieira Gomes - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: ANDREA BROSE ADOLFO, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, FABIO PIOVESAN BOZZA, JORGE HENRIQUE BACKES, ALEXANDRE EVARISTO PINTO e MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS.
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score : 1.0
Numero do processo: 19515.000971/2005-09
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2005
IPI. AUTO DE INFRAÇÃO. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. NULIDADE POR VÍCIO MATERIAL.
O erro na subsunção do fato ao critério pessoal da regra-matriz de incidência, decorrente da identificação do estabelecimento matriz em lugar do estabelecimento filial como sujeito passivo da obrigação tributária, que deu causa à anulação do lançamento objeto da lide, constitui vício material.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-004.690
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento. Declarou-se impedido de participar do julgamento o Conselheiro Demes Brito.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2005 IPI. AUTO DE INFRAÇÃO. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. NULIDADE POR VÍCIO MATERIAL. O erro na subsunção do fato ao critério pessoal da regra-matriz de incidência, decorrente da identificação do estabelecimento matriz em lugar do estabelecimento filial como sujeito passivo da obrigação tributária, que deu causa à anulação do lançamento objeto da lide, constitui vício material. Recurso Especial do Procurador Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento. Declarou-se impedido de participar do julgamento o Conselheiro Demes Brito. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2005 IPI. AUTO DE INFRAÇÃO. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. NULIDADE POR VÍCIO MATERIAL. O erro na subsunção do fato ao critério pessoal da regramatriz de incidência, decorrente da identificação do estabelecimento matriz em lugar do estabelecimento filial como sujeito passivo da obrigação tributária, que deu causa à anulação do lançamento objeto da lide, constitui vício material. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento. Declarouse impedido de participar do julgamento o Conselheiro Demes Brito. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 09 71 /2 00 5- 09 Fl. 663DF CARF MF Processo nº 19515.000971/200509 Acórdão n.º 9303004.690 CSRFT3 Fl. 664 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência, tempestivo, interposto pela Fazenda Nacional ao amparo do art. 67, Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 25 de junho de 2009 (atual, Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015), em face do Acórdão nº 3302001.791, de 25/09/2012, cuja ementa se transcreve a seguir: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2005 AUTO DE INFRAÇÃO. ERRO DE IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. PRELIMINAR DE NULIDADE. ACATAMENTO. A correta identificação do sujeito é formalidade essencial do instrumento que formaliza o lançamento do crédito tributário. O erro na identificação do sujeito passivo torna nulo, por vício material, o Auto de Infração por ilegitimidade passiva (inteligência do art. 142 do CTN, c/c art. 10, I, do Decreto nº 70.235, de 1972), ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2005 IPI. PRINCÍPIO DA AUTONOMIA DOS ESTABELECIMENTOS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. FORMALIZAÇÃO INDEPENDENTE. À luz do princípio da autonomia dos estabelecimentos, insculpido no regulamento do imposto, cada um dos estabelecimentos de uma mesma firma deve cumprir separadamente as obrigações tributárias principais e acessórias; destarte, o lançamento tributário deve ser formalizado isoladamente para cada estabelecimento. Recurso Voluntário Provido Em face da decisão acima, a Fazenda Nacional interpôs o já referido recurso especial, alegando, em síntese, a natureza formal do vício relativo à erro na identificação do sujeito passivo, que acarretou a declaração de nulidade do auto de infração, e não por vício material conforme decidido. O recurso especial da Fazenda Nacional foi admitido mediante despacho s/nº de fls. 620/622. Cientificado, o contribuinte não se manifestou, retornando o processo para prosseguimento. É o Relatório. Fl. 664DF CARF MF Processo nº 19515.000971/200509 Acórdão n.º 9303004.690 CSRFT3 Fl. 665 3 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator Presentes os requisitos de admissibilidade, entendo que o recurso merece ser conhecido. A matéria aceita como divergente no recurso especial da Fazenda Nacional cingese à natureza do vício relativo à erro na identificação do sujeito passivo, que acarretou a declaração de nulidade do auto de infração pelo acórdão recorrido. No presente processo foi lavrado auto de infração pelo fato de o estabelecimento industrial ter reduzido o montante do IPI a recolher, em virtude de ter se creditado de valores de imposto sem respaldo na legislação de regência. Conforme relatado no acórdão recorrido, o contribuinte arguiu em peça aditiva ao recurso voluntário a nulidade do lançamento do IPI, sob o argumento de existência de erro de identificação do sujeito passivo, posto que a autuação se deu na matriz da empresa HITACHI AR CONDICIONADO DO BRASIL LTDA. (CNPJ 3.284.522/000111), quando o estabelecimento industrial responsável pelas operações é o inscrito no CNPJ sob n° 33.284.522/000626, situado no município de São José dos Campos. O acórdão recorrido deu provimento ao recurso voluntário para declarar a nulidade absoluta do lançamento efetuado por meio do auto de infração, por vício material, tendo em vista a comprovação de erro na identificação do sujeito passivo. No que tange à natureza do vício ocorrido no lançamento de ofício, se formal ou material, destaquese que tal definição se mostra necessária à verificação da possibilidade de se aplicar a disciplina do art. 173, inciso II, do Código Tributário Nacional (CTN), verbis: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: (...) II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. No presente caso, conforme já dito, o auto de infração fora lavrado em nome da matriz, sendo que o estabelecimento filial seria responsável pelas operações que foram glosadas pela fiscalização, caracterizando erro na identificação do sujeito passivo. O ato de lançamento é um procedimento administrativo, que se inicia com a ação fiscal até a notificação do lançamento ao sujeito passivo. Como um procedimento moderadamente formal, ele possui pressupostos que devem ocorrer para a realização da norma concreta, qual seja, o lançamento. Os arts. 10, I, e 11, I, do Decreto n° 70.235/72, que regula o Processo Administrativo Fiscal e o art. 142 do CTN dispõem sobre a inclusão do sujeito passivo: Fl. 665DF CARF MF Processo nº 19515.000971/200509 Acórdão n.º 9303004.690 CSRFT3 Fl. 666 4 Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; (...) Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. (G. N.) O Código Tributário Nacional conceitua o sujeito passivo da obrigação principal no seu artigo 121, dispondo: Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz se: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. O CTN, em seu art. 51 define como contribuintes do IPI: Art. 51. Contribuinte do imposto é: I o importador ou quem a lei a ele equiparar; II o industrial ou quem a lei a ele equiparar; III o comerciante de produtos sujeitos ao imposto, que os forneça aos contribuintes definidos no inciso anterior; IV o arrematante de produtos apreendidos ou abandonados, levados a leilão. Parágrafo único. Para os efeitos deste imposto, considerase contribuinte autônomo qualquer estabelecimento de importador, industrial, comerciante ou arrematante. Essa definição era detalhada no Regulamento do IPI, Decreto nº 4.544 de 26/12/2002, atualmente regulamentada pelo Decreto nº 7.212, de 15 de junho de 2010: Fl. 666DF CARF MF Processo nº 19515.000971/200509 Acórdão n.º 9303004.690 CSRFT3 Fl. 667 5 Art. 8º Estabelecimento industrial é o que executa qualquer das operações referidas no art. 4º, de que resulte produto tributado, ainda que de alíquota zero ou isento(Lei nº 4.502, de 1964, art. 3º). (...) Art. 313. Cada estabelecimento, seja matriz, sucursal, filial, agência, depósito ou qualquer outro, manterá o seu próprio documentário, vedada, sob qualquer pretexto, a sua centralização, ainda que no estabelecimento matriz (Lei nº 4.502, de 1964, art. 57). (...) Art. 518. Na interpretação e aplicação deste Regulamento, são adotados os seguintes conceitos e definições: III a expressão "estabelecimento", em sua delimitação, diz respeito ao prédio em que são exercidas atividades geradoras de obrigações, nele compreendidos, unicamente, as dependências internas, galpões e áreas contínuas muradas, cercadas ou por outra forma isoladas, em que sejam, normalmente, executadas operações industriais, comerciais ou de outra natureza; IV são considerados autônomos, para efeito de cumprimento da obrigação tributária, os estabelecimentos, ainda que pertencentes a uma mesma pessoa física ou jurídica; No caso dos autos, relativo à autuação do IPI, em observação ao princípio da autonomia dos estabelecimentos, verificouse existir vício insanável, que acarretou a nulidade do lançamento. Quanto à natureza do erro, nos valemos da lição de Paulo de Barros Carvalho: (...)o erro de fato é um problema intranormativo, um desajuste interno na estrutura do enunciado, por insuficiência de dados lingüísticos informativos ou pelo uso indevido de construções de linguagem que fazem às vezes de prova. Esse vício na composição semântica do enunciado pode macular tanto a oração do fato jurídico tributário como aquela do conseqüente, em que se estabelece o vínculo relacional. Ambas residem no interior da norma e denunciam a presença do erro de fato. Já o erro de direito é também um problema de ordem semântica, mas envolvendo enunciados de normas jurídicas diferentes, caracterizandose como um descompasso de feição externa, internormativa. (...) Quer os elementos do fato jurídico tributário, no antecedente, quer os elementos da relação obrigacional, no conseqüente, quer ambos, podem, perfeitamente, estar em desalinho com os enunciados da hipótese ou da conseqüência da regramatriz do tributo, acrescendose, naturalmente, a possibilidade de inadequação com outras Fl. 667DF CARF MF Processo nº 19515.000971/200509 Acórdão n.º 9303004.690 CSRFT3 Fl. 668 6 normas gerais e abstratas, que não a regrapadrão de incidência. 1 Segundo ainda o insigne professor, há critérios que integram o antecedente da regramatriz do lançamento, denominados de critérios material, espacial e temporal, bem como aqueles que integram seu conseqüente, nomeados de critérios pessoal e quantitativo. A classe antecedente identifica o fato jurídico tributário, ao passo que a conseqüente retrata o aparecimento da relação jurídica tributária. Destarte, ocorre erro de fato quando há um desajuste dentro do ato normativo concreto (lançamento ou auto de infração) entre o que consta dele e os fatos ocorridos no mundo fenomênico e erro de direito quando há incorreção no cotejo entre a norma tributária (hipótese de incidência) como fato jurídico tributário em um dos elementos do consequente da regramatriz de incidência, qual seja, no caso, o pessoal. A ocorrência de erro de fato acarreta o vício formal a que alude o inc. II do art. 173 do CTN. Já o erro de direito constitui vício material que nulifica o lançamento efetuado, não havendo lugar, assim, para a aplicação da regra especial de contagem do prazo de decadência prevista no art. 173, II, do CTN. Assim, no caso presente, ocorreu erro na subsunção do fato ao critério pessoal da regramatriz de incidência, pois com o enquadramento do estabelecimento filial erroneamente como sujeito passivo da obrigação tributária houve o fato jurídico tributário, mas a relação jurídica tributária foi retratada de forma equivocada. Portanto, tratase de nulidade por vício material, posto que inerente à própria substância do lançamento. Por conseguinte, em face de todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas 1 CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário.16ªed.São Paulo:Saraiva,2004,p.414/415. Fl. 668DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.910877/2009-19
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri May 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 15/05/2001
COMPENSAÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO.
Compete ao interessado, em manifestação de inconformidade contra despacho decisório que indefira compensação declarada por compatibilidade entre a DCTF e o valor recolhido, primeiro, mostrar que a DCTF original estava mesmo errada, retificando-a; segundo, apontar a motivação jurídica dessa retificação; terceiro, juntar documentos que embasem tal alegação. Satisfeitos tais requisitos, não se pode continuar a negar o direito pela simples inexistência de indébito apurada entre a DCTF original e o recolhimento.
Recurso Especial do Contribuinte Provido.
Numero da decisão: 9303-004.872
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento com retorno dos autos à turma a quo para análise do mérito, vencido o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas (Relator), que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 15/05/2001 COMPENSAÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO. Compete ao interessado, em manifestação de inconformidade contra despacho decisório que indefira compensação declarada por compatibilidade entre a DCTF e o valor recolhido, primeiro, mostrar que a DCTF original estava mesmo errada, retificando-a; segundo, apontar a motivação jurídica dessa retificação; terceiro, juntar documentos que embasem tal alegação. Satisfeitos tais requisitos, não se pode continuar a negar o direito pela simples inexistência de indébito apurada entre a DCTF original e o recolhimento. Recurso Especial do Contribuinte Provido.
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APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. Recorrente CALÇADOS Q SONHO LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/05/2001 COMPENSAÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO. Compete ao interessado, em manifestação de inconformidade contra despacho decisório que indefira compensação declarada por compatibilidade entre a DCTF e o valor recolhido, primeiro, mostrar que a DCTF original estava mesmo errada, retificandoa; segundo, apontar a motivação jurídica dessa retificação; terceiro, juntar documentos que embasem tal alegação. Satisfeitos tais requisitos, não se pode continuar a negar o direito pela simples inexistência de indébito apurada entre a DCTF original e o recolhimento. Recurso Especial do Contribuinte Provido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento com retorno dos autos à turma a quo para análise do mérito, vencido o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas (Relator), que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 91 08 77 /2 00 9- 19 Fl. 167DF CARF MF Processo nº 11065.910877/200919 Acórdão n.º 9303004.872 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência, tempestivo, interposto pelo sujeito passivo, ao amparo do art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 25 de junho de 2009, em face do Acórdão n° 3803002.167, assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/05/2001 PRECLUSÃO É ilícito inovar na postulação recursal para incluir questões diversas daquelas que foram originariamente deduzidas quando da reclamação junto à instância a quo. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 15/05/2001 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. A matéria de fundo trazida nos autos referese ao não reconhecimento de compensação de créditos de Cofins tendo em vista a utilização integral do crédito indicado na Declaração de Compensação (Dcomp) em amortização de outros débitos, devidamente declarado pelo contribuinte em DCTF. Em sua manifestação de inconformidade, o sujeito passivo alegou (a) erro nos valores informados nas declarações fiscais, tendo procedido, em 2005, a revisão dos créditos tributários dos anos anteriores; (b) que apresentou DCTF retificadora corrigindo o erro, na qual consta o valor correto da contribuição apurada no período em questão; (c) que o não reconhecimento do direito creditório foi acarretado pelo sistema eletrônico da Receita Federal do Brasil, no qual qualquer defeito de informação gera automaticamente um despacho decisório de denegação de crédito. Em seu recurso voluntário, o sujeito passivo alegou que seus créditos eram provenientes de revisão de seus débitos tributários, especialmente pela exclusão das receitas financeiras anteriormente tributadas, retificando posteriormente a DCTF. Apresentou novos documentos para comprovar o alegado. Alegou a possibilidade de retificação da DCTF, invocando o princípio da verdade material, pugnando por seu direito ao crédito pretendido. O e. Colegiado a quo negou provimento ao recurso voluntário, inadmitindo a apreciação das provas trazidas após a manifestação de inconformidade, por não atender aos requisitos do § 4º, do art. 16, do Decreto nº 70.235/72. A referida decisão sofreu embargos de declaração no qual o contribuinte questiona a necessidade de o Colegiado considerar as provas trazidas com o recurso voluntário. Contudo, os embargos não foram acolhidos, de sorte que a decisão embargada não sofreu qualquer alteração. Fl. 168DF CARF MF Processo nº 11065.910877/200919 Acórdão n.º 9303004.872 CSRFT3 Fl. 4 3 O sujeito passivo interpôs Recurso Especial de divergência alegando dissídio jurisprudencial acerca da possibilidade de a Turma de Julgamento do CARF apreciar prova material trazida em sede de recurso voluntário (preclusão). O Recurso Especial do sujeito passivo foi integralmente admitido, conforme despacho de admissibilidade do Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303004.838, de 22/03/2017, proferido no julgamento do processo 11065.108212/200964, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Ressaltese que a decisão do paradigma foi, no mérito, contrária ao meu entendimento pessoal, pois fui vencido na votação quanto à preclusão do direito de apresentar provas. Todavia, ao presente processo deve ser aplicada a posição vencedora, conforme consta da ata da sessão do julgamento. Portanto, transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão, quanto à admissibilidade do recurso e quanto ao mérito (Acórdão 9303004.838): Da Admissibilidade "O recurso interposto pelo sujeito passivo é tempestivo, e foi admitido pelo Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF. A divergência suscitada pela recorrente diz respeito à possibilidade de a Turma de Julgamento do CARF apreciar prova material trazida em sede de recurso voluntário (preclusão), apresentando acórdãos paradigmas para comprovar o alegado dissídio jurisprudencial. Os acórdãos recorrido e paradigmas tratam da possibilidade de juntada de prova material com o recurso voluntário. A decisão recorrida não admitiu as provas trazidas pela recorrente, por não atender aos requisitos do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72. No entanto, as decisões paradigmas admitem as provas mesmo não atendendo aos requisitos do citado dispositivo legal. Fl. 169DF CARF MF Processo nº 11065.910877/200919 Acórdão n.º 9303004.872 CSRFT3 Fl. 5 4 Ainda que o acórdão recorrido tenha se referido a questões de inovação nos argumentos de defesa, constatase que a turma julgadora expressamente apreciou a possibilidade da recorrente em produzir prova documental posteriormente à Manifestação de Inconformidade. Diante da comprovação do dissídio jurisprudencial alegado e atendido os demais requisitos de admissibilidade, conheço do recurso." Do Mérito "Honroume o Presidente com a atribuição de apresentar as razões do colegiado para não concordar com o seu bem fundamentado voto. E, em verdade, para mim e os demais conselheiros fazendários, elas se resumem a uma só. É que partilhamos integralmente o entendimento do dr. Rodrigo quanto à impossibilidade de se banalizar o princípio da verdade material a ponto de permitir que o sujeito passivo simplesmente escolha o momento que mais lhe aprouver par a apresentação das provas de seu direito. Quanto a isso, ao menos entre os fazendários, não há divergência. Ocorre que a nós nos pareceu ser este mais um daqueles casos em que não ocorreu uma mera procrastinação desmotivada de apresentação de documentos. Com efeito, e assim está relatado pelo dr. Rodrigo, o recorrente tentou, desde sua manifestação de inconformidade, fazer a prova do indébito alegado em Dcomp. E isso porque o indébito não nasce da mera divergência entre o que foi declarado e o que foi recolhido, mas entre este último e o valor devido segundo a legislação. Cabe, pois, ao postulante a restituição, já na manifestação de inconformidade, primeiro, mostrar que a DCTF original estava mesmo errada, retificandoa; segundo, apontar a motivação jurídica dessa retificação; terceiro, juntar documentos que embasem tal alegação. Feito isso, acredito, não pode a Administração meramente indeferir a restituição porque a retificação tenha sido feita a destempo. Nessa linha, temos também reiterado que a prova inicial a ser produzida quando da manifestação de inconformidade não pode se resumir a meras alegações, ou, ainda pior, tãosomente à retificação da DCTF, mesmo tendo sido esta a única razão constante do despacho decisório, e nem mesmo à simples apresentação de planilhas de elaboração do próprio interessado desacompanhadas de assentamentos contábeis que as confirmem. No presente caso, entretanto, e assim nos diz o próprio relator, "... Acompanhando sua Manifestação de Inconformidade, a recorrente apresentou assentamentos contábeis referentes à compensação," os quais, no entanto, não foram considerados suficientes pela autoridade julgadora de primeiro grau. Denegado, ainda assim, o direito, complementouas, por ocasião do recurso voluntário, a partir do que fora dito na decisão de piso. Nesses termos, os documentos posteriormente juntados não são meramente aqueles que, sabidamente, o postulante já deveria ter apresentado em sua manifestação de inconformidade e que, por desídia ou máfé, deixou de juntar no momento próprio. Fl. 170DF CARF MF Processo nº 11065.910877/200919 Acórdão n.º 9303004.872 CSRFT3 Fl. 6 5 Com tais considerações, entendeu o colegiado não se tratar da mera apresentação extemporânea e desmotivada de documentos que já deveriam ter sido apresentados no prazo da primeira defesa administrativa e deu provimento ao recurso do sujeito passivo para que os autos retornem à instância a quo a fim de serem examinados os documentos que supostamente comprovam o direito alegado." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial do contribuinte e, no mérito, doulhe provimento, para que os autos retornem à instância a quo a fim de serem examinados os documentos que supostamente comprovam o direito alegado. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 171DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.904310/2009-11
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jul 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2002
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INDÉBITO CORRESPONDENTE A PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR A TÍTULO DE ESTIMATIVA MENSAL. POSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO.
Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação.
De acordo com o § 3º do art. 67 do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, que aprovou o atual Regimento Interno do CARF, c/c o art. 5º dessa mesma portaria, não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
ANALISE DO DIREITO CREDITÓRIO COMO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR DE ESTIMATIVA MENSAL OU COMO SALDO NEGATIVO. POSSIBILIDADE.
Até a edição da Súmula CARF nº 84, a questão sobre a possibilidade de restituição/compensação de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal foi objeto de longa controvérsia. Os recolhimentos a título de estimativa são referentes, no seu conjunto, a um mesmo período (ano-calendário), e embora a contribuinte tenha indicado como crédito a ser compensado nestes autos apenas a estimativa de agosto/2002, e não o saldo negativo total do ano, o pagamento reivindicado como indébito corresponde ao mesmo período anual (2002) e ao mesmo tributo (IRPJ) do saldo negativo que seria restituível/compensável. Há que se considerar ainda que em muitos outros casos com contextos fáticos semelhantes ao presente, os contribuintes, na pretensão de melhor demonstrar a origem e a liquidez e certeza do indébito, indicavam como direito creditório o próprio pagamento (DARF) das estimativas que geravam o excedente anual, em vez de indicarem o saldo negativo constante da DIPJ. Tais considerações levam a concluir que a indicação do crédito como sendo uma das estimativas mensais (antecipação), e não o saldo negativo final, não pode ser obstáculo ao pleito da contribuinte.
Numero da decisão: 9101-002.918
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas quanto à questão da inovação/mudança do direito creditório no curso do processo administrativo e, no mérito, na parte conhecida, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), que conduziu o julgamento. Ausente, momentaneamente, o conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2002 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INDÉBITO CORRESPONDENTE A PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR A TÍTULO DE ESTIMATIVA MENSAL. POSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. De acordo com o § 3º do art. 67 do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, que aprovou o atual Regimento Interno do CARF, c/c o art. 5º dessa mesma portaria, não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2002 ANALISE DO DIREITO CREDITÓRIO COMO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR DE ESTIMATIVA MENSAL OU COMO SALDO NEGATIVO. POSSIBILIDADE. Até a edição da Súmula CARF nº 84, a questão sobre a possibilidade de restituição/compensação de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal foi objeto de longa controvérsia. Os recolhimentos a título de estimativa são referentes, no seu conjunto, a um mesmo período (ano-calendário), e embora a contribuinte tenha indicado como crédito a ser compensado nestes autos apenas a estimativa de agosto/2002, e não o saldo negativo total do ano, o pagamento reivindicado como indébito corresponde ao mesmo período anual (2002) e ao mesmo tributo (IRPJ) do saldo negativo que seria restituível/compensável. Há que se considerar ainda que em muitos outros casos com contextos fáticos semelhantes ao presente, os contribuintes, na pretensão de melhor demonstrar a origem e a liquidez e certeza do indébito, indicavam como direito creditório o próprio pagamento (DARF) das estimativas que geravam o excedente anual, em vez de indicarem o saldo negativo constante da DIPJ. Tais considerações levam a concluir que a indicação do crédito como sendo uma das estimativas mensais (antecipação), e não o saldo negativo final, não pode ser obstáculo ao pleito da contribuinte.
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INDÉBITO CORRESPONDENTE A PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR A TÍTULO DE ESTIMATIVA MENSAL. POSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. De acordo com o § 3º do art. 67 do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, que aprovou o atual Regimento Interno do CARF, c/c o art. 5º dessa mesma portaria, não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 ANALISE DO DIREITO CREDITÓRIO COMO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR DE ESTIMATIVA MENSAL OU COMO SALDO NEGATIVO. POSSIBILIDADE. Até a edição da Súmula CARF nº 84, a questão sobre a possibilidade de restituição/compensação de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal foi objeto de longa controvérsia. Os recolhimentos a título de estimativa são referentes, no seu conjunto, a um mesmo período (ano calendário), e embora a contribuinte tenha indicado como crédito a ser compensado nestes autos apenas a estimativa de agosto/2002, e não o saldo negativo total do ano, o pagamento reivindicado como indébito corresponde ao mesmo período anual (2002) e ao mesmo tributo (IRPJ) do saldo negativo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 90 43 10 /2 00 9- 11 Fl. 333DF CARF MF Processo nº 10166.904310/200911 Acórdão n.º 9101002.918 CSRFT1 Fl. 3 2 que seria restituível/compensável. Há que se considerar ainda que em muitos outros casos com contextos fáticos semelhantes ao presente, os contribuintes, na pretensão de melhor demonstrar a origem e a liquidez e certeza do indébito, indicavam como direito creditório o próprio pagamento (DARF) das estimativas que geravam o excedente anual, em vez de indicarem o saldo negativo constante da DIPJ. Tais considerações levam a concluir que a indicação do crédito como sendo uma das estimativas mensais (antecipação), e não o saldo negativo final, não pode ser obstáculo ao pleito da contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas quanto à questão da inovação/mudança do direito creditório no curso do processo administrativo e, no mérito, na parte conhecida, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), que conduziu o julgamento. Ausente, momentaneamente, o conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), fundamentado atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em que se alega divergência jurisprudencial em relação a duas matérias: a) possibilidade de deferimento da Per/DComp, cujo pretenso direito creditório se refere ao pagamento de estimativa em valor indevido; e b) ser possível a formação de indébito de saldo negativo de IRPJ no anocalendário de 2002, quando na Dcomp apresentada constou direito creditório decorrente de pagamento indevido ou maior que o devido da estimativa mensal de IRPJ. A decisão recorrida deu provimento parcial a recurso voluntário da contribuinte, para fins de afastar o fundamento que tinha motivado a negativa da compensação na etapa anterior (o fato de o crédito indicado decorrer de pagamento de estimativa mensal de IRPJ), e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que ela se pronunciasse sobre o valor do direito creditório pleiteado e sobre os pedidos de compensação dos débitos. A PGFN afirma que o acórdão recorrido deu à lei tributária interpretação divergente da que tem sido dada em outros processos, relativamente às matérias acima mencionadas e aponta paradigmas para as duas matérias. Quanto à primeira matéria, examinando os acórdãos paradigmas em seu inteiro teor verificase que os mesmos trazem o entendimento de que após o encerramento do anocalendário não é possível pleitear a restituição/compensação de pagamento indevido ou a Fl. 334DF CARF MF Processo nº 10166.904310/200911 Acórdão n.º 9101002.918 CSRFT1 Fl. 4 3 maior de estimativas mensais de IRPJ/CSLL, mas tão somente o de saldo negativo do tributo, se existente. De outra parte, o acórdão recorrido diverge desta interpretação ao admitir a possibilidade de restituição/compensação pagamento indevido ou a maior de estimativas mensais de IRPJ, uma vez comprovado o indébito. Quanto à segunda matéria, examinando o primeiro acórdão paradigma, verificase que o mesmo traz o entendimento de que não é admissível a retificação da Dcomp depois de proferida a decisão administrativa. O acórdão recorrido, por sua vez, admite indiretamente tal situação na medida em que reconhece a possibilidade de apuração de indébito de saldo negativo de IRPJ com base em Dcomp cujo direito creditório indicado é o de pagamento indevido ou a maior de estimativas mensais de IRPJ. A contribuinte apresentou tempestivamente contrarrazões ao recurso. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9101002.903, de 08/06/2017, proferido no julgamento do processo 10166.901000/200936, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9101002.903): A PGFN pretende reverter a decisão recorrida, sustentando que a lei não permite a restituição/compensação de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal (primeira divergência); e também que, após a Delegacia de origem ter indeferido o Per/Dcomp, não seria mais possível alterar o direito creditório, de pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal para saldo negativo de IRPJ (segunda divergência). A matéria tratada na primeira divergência está atualmente pacificada, inclusive com edição de súmula pelo CARF: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. De acordo com o art. 5º da Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, que aprovou o atual Regimento Interno do CARF, o exame de admissibilidade dos recursos especiais deverá observar o nela disposto, o que alcança inclusive os recursos que já haviam sido apresentados antes dela. Essa mesma portaria estabelece no § 3º do art. 67 de seu Anexo II que: Art. 67 [...] Fl. 335DF CARF MF Processo nº 10166.904310/200911 Acórdão n.º 9101002.918 CSRFT1 Fl. 5 4 [...] § 3º Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso. Assim, tratandose de matéria já sumulada pelo CARF, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso especial da PGFN quanto à primeira divergência, suscitada em relação ao fato de o crédito indicado no Per/Comp decorrer de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal. Quanto à segunda divergência, o recurso merece mesmo ser conhecido, conforme o despacho de admissibilidade exarado, e adoto as suas razões de decidir. Em primeiro lugar, cabe registrar que as estimativas mensais "normalmente" não configuram mesmo objeto de restituição, e nem de compensação direta com outros tributos. O que se restitui ou compensa, via de regra, é o saldo negativo, a menos que o recolhimento da própria estimativa se caracterize, desde aquele primeiro momento, como um pagamento indevido ou a maior que o devido, levando em conta o valor que seria devido a título da própria estimativa, conforme o regime adotado pelo contribuinte para o seu cálculo (receita bruta ou balancete de suspensão/redução). Essa questão sobre a possibilidade de restituição/compensação de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal foi objeto de longa controvérsia. Contudo, conforme mencionado acima, a matéria foi definitivamente solucionada pelo CARF, nos termos da Súmula CARF nº 84. Mas a questão que deve ser agora analisada é se o acórdão recorrido realmente admitiu uma inovação/mudança do direito creditório no curso do processo administrativo, caracterizadora de ilegalidade. Conforme o despacho de admissibilidade do recurso, contrariamente ao acórdão paradigma, o acórdão recorrido admitiu indiretamente tal situação na medida em que reconheceu a possibilidade de apuração de indébito de saldo negativo da IRPJ com base em Dcomp cujo direito creditório indicado foi pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal de IRPJ. Para o exame da alegada divergência, vale observar que não é incomum a ocorrência de processos em que pedidos de restituição/compensação de IR/fonte ou IRPJ/estimativa são examinados (inclusive pelas DRF e DRJ da Receita Federal) na ótica de sua repercussão no resultado final do período, como elementos que contribuem para a formação de saldo negativo. Isto porque tanto as retenções na fonte quanto as estimativas representam antecipações do devido ao final do período. Na sistemática da apuração anual, caso haja tributo devido no encerramento do ano, as antecipações se convertem em pagamento definitivo. Por outro lado, se houver prejuízo fiscal, Fl. 336DF CARF MF Processo nº 10166.904310/200911 Acórdão n.º 9101002.918 CSRFT1 Fl. 6 5 ou ainda se as antecipações superarem o valor do tributo devido ao final do período, fica configurado o indébito, a ser restituído ou compensado (ainda que somente a partir do ajuste). Também é importante destacar que os recolhimentos a título de estimativa são referentes, no seu conjunto, a um mesmo período (anocalendário), e que embora a contribuinte tenha indicado como crédito a ser compensado nestes autos apenas a estimativa de dezembro/2004, e não o saldo negativo total do ano, o pagamento reivindicado como indébito corresponde ao mesmo período anual (2004) e ao mesmo tributo (IRPJ) do saldo negativo que seria restituível/compensável. Há que se considerar ainda que em muitos outros casos com contextos fáticos semelhantes ao presente, os contribuintes, na pretensão de melhor demonstrar a origem e a liquidez e certeza do indébito, indicavam como direito creditório o próprio pagamento (DARF) das estimativas que geravam o excedente anual, em vez de indicarem o saldo negativo constante da DIPJ. Tais considerações levam a perceber que a indicação do crédito como sendo uma das estimativas mensais (antecipação), e não o saldo negativo final, não pode ser obstáculo ao pleito da contribuinte. O que houve no presente caso não foi mudança de direito creditório, mas sim indicação da parte, e não do todo, o que não pode prejudicar a caracterização do indébito, porque mesmo no caso de se verificar direito creditório decorrente da estimativa em si (parte), caberia examinar aspectos da apuração do ajuste anual (todo). É que mesmo havendo excesso mensal no pagamento de uma determinada estimativa, esse excedente pode ser necessário para a quitação de ajuste, e isso resulta na sua indisponibilidade para fins de restituição/compensação. Uma estimativa e o saldo negativo formado por ela guardam relação de parte e todo, com elementos constitutivos comuns. Como mencionado, a questão sobre a possibilidade de restituição/ compensação de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal foi objeto de longa controvérsia, até a edição da Súmula CARF nº 84. Inicialmente, a linha de interpretação da Receita Federal, e que foi adotada nestes autos, era de que a lei não permitia a restituição/compensação de pagamento indevido ou a maior a título de estimativas mensais, mas apenas do saldo negativo formado por elas. Em vista disso, os contribuintes, também como ocorreu nestes autos, procuravam demonstrar que as estimativas (com seus excedentes) eram suficientes para a formação de saldo negativo. Para o indeferimento do pleito, então, buscavase outro fundamento, que era a impossibilidade de modificar o direito creditório. Ocorre que essa modificação era motivada justamente porque a Receita Federal se recusava a restituir/compensar pagamentos indevidos ou a maior a título de Fl. 337DF CARF MF Processo nº 10166.904310/200911 Acórdão n.º 9101002.918 CSRFT1 Fl. 7 6 estimativa, o que restou afastado pela referida Súmula CARF nº 84. É diante de todo esse contexto que o acórdão recorrido, corretamente, admitiu a possibilidade de formação de indébito, passível de restituição/compensação, pelo pagamento indevido ou a maior a título da estimativa mensal referente ao mês de dezembro/2004, ao mesmo tempo em que também reconheceu a possibilidade de formação de indébito de saldo negativo neste mesmo ano, e determinou o retorno dos autos à unidade de origem para que ela se pronunciasse sobre o valor do direito creditório pleiteado e sobre os pedidos de compensação dos débitos. Se a Delegacia de origem constatar que houve pagamento indevido ou a maior, seja como excedente mensal disponível (estimativa), seja como excedente anual que engloba a estimativa (saldo negativo), a compensação deverá ser homologada, no limite do crédito que assim for reconhecido. Assim, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso especial da PGFN quanto à primeira divergência, suscitada em relação ao fato de o crédito indicado no Per/Comp decorrer de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal, e de NEGAR PROVIMENTO ao recurso quanto à segunda divergência, relativa à questão da inovação/ mudança do direito creditório no curso do processo administrativo, mantendo o que restou decidido no acórdão recorrido. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço parcialmente do Recurso Especial, apenas quanto à questão da inovação/mudança do direito creditório no curso do processo administrativo e, no mérito, na parte conhecida, negolhe provimento para manter o que foi decidido no acórdão recorrido. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 338DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.009493/2002-40
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002
RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS
É condição para que o recurso especial seja admitido que se comprove que colegiados distintos, analisando a mesma legislação aplicada a fatos ao menos assemelhados, tenham chegado a conclusão díspares. Sendo distinta a legislação analisada pela recorrida em confronto com aquela versada nos pretendidos paradigmas, ou opostas as situações fáticas, não se admite o recurso apresentado.
Numero da decisão: 9303-005.112
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, e Érika Costa Camargos Autran, que conheceram do recurso.
RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Presidente.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Possas
Nome do relator: JULIO CESAR ALVES RAMOS
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REQUISITOS Recorrente EMPESCA ALIMENTOS LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002 RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS É condição para que o recurso especial seja admitido que se comprove que colegiados distintos, analisando a mesma legislação aplicada a fatos ao menos assemelhados, tenham chegado a conclusão díspares. Sendo distinta a legislação analisada pela recorrida em confronto com aquela versada nos pretendidos paradigmas, ou opostas as situações fáticas, não se admite o recurso apresentado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, e Érika Costa Camargos Autran, que conheceram do recurso. RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Presidente. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Possas AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 00 94 93 /2 00 2- 40 Fl. 871DF CARF MF 2 Relatório Contesta o sujeito passivo decisão assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/1999 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. PRAZO PARA DEFERIMENTO. INEXISTÊNCIA. A apreciação de pedidos de ressarcimento não se submete a prazo preclusivo por ausência de previsão legal nesse sentido. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/1999 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. APURAÇÃO ALTERNATIVA. CONTROLE DE ESTOQUES. MÉTODO PEPS. Quando a pessoa jurídica não mantém sistema de custos coordenado e integrado com a escrituração comercial, a quantidade de insumos (matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem) utilizados na produção, em cada mês, será apurada com base em controle de estoques avaliados pelo método PEPS. RESSARCIMENTO DE CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. JUROS SELIC. INAPLICABILIDADE. O crédito presumido de IPI não se submete à atualização monetária com base na taxa Selic por ausência de previsão legal. Conforme se observa, a decisão lhe foi inteiramente desfavorável, não tendo havido reversão do quanto decidido pela primeira instância sobre qualquer das matérias apresentadas em recurso voluntário. Vale dizer, de logo, que no julgamento de sua manifestação de inconformidade contra o despacho decisório que negara a totalidade de seu pleito, a DRJ considerara ter ocorrido a homologação tácita de compensações declaradas pelo sujeito passivo, que não alcançavam, porém, a totalidade do seu alegado direito creditório. O especial se volta contra a denegação de utilização de outro método de avaliação das aquisições, que não o PEPS, para efeito de determinação do crédito presumido de IPI, bem como em relação à adição de juros calculados com base na taxa selic. Para comprovar a divergência em relação a ambas as matérias, valese de acórdão paradigma que recebeu a seguinte ementa quanto a elas: IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. MÉTODOS DE VALORAÇÃO DE ESTOQUE. PORTARIA MF 64/03, ART. 3º, §§7º E 8º. Demonstrado que o resultado dos métodos “PEPS” e de custo médio se equivalem no caso concreto, o contribuinte que não Fl. 872DF CARF MF Processo nº 10380.009493/200240 Acórdão n.º 9303005.112 CSRFT3 Fl. 3 3 mantém sistema de controle de custo integrado à escrituração comercial pode adotar este último método na apuração do crédito presumido de IPI. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. ACRÉSCIMO DE TAXA SELIC. De acordo com precedente do E. STJ submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e aplicável ao processo administrativo fiscal por força do artigo 62A, do RICARF (REsp no. 1.035.847), o ressarcimento de créditos de IPI está sujeito a acréscimo da Taxa SELIC entre as datas do protocolo do pedido e aquela em que o postulante fruir efetivamente o direito. Recurso voluntário provido. Do exame de admissibilidade realizado consta: Possibilidade de se avaliar os estoques pelos métodos PEPS ou custo médio, quando os resultados se equivalerem Pela simples confrontação entre as ementas, comprovase a divergência. O paradigma apresentado decidiu pela aplicação do método da média ponderada móvel em alternativa ao método PEPS, quando o contribuinte não possui sistemas de contabilidade de custos integrada com a escrituração comercial, na avaliação dos estoques de de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem utilizados no cálculo do crédito presumido de IPI, interpretando o conteúdo normativo da Portaria MF nº 64/2003. Por sua vez, o acórdão recorrido entendeu que na mesma situação, o contribuinte deveria utilizar apenas o método PEPS, interpretando a Portaria MF nº 38/1997, que veiculava o mesmo conteúdo normativo da Portaria MF nº 64/2003, neste aspecto. Com essas considerações, concluise que a divergência jurisprudencial foi comprovada. Possibilidade de atualização monetária dos créditos objeto de pedido de ressarcimento de IPI pela taxa Selic entre a data do protocolo e a data de fruição efetiva do direito Novamente, pela simples confrontação entre as ementas, comprovase a divergência, pois enquanto o acórdão recorrido negou a possibilidade de atualização monetária dos créditos objeto de pedido de ressarcimento por falta de previsão legal, o paradigma entendeu pelo oposto, mediante a aplicação de julgado proferido pelo STJ, sob a sistemática do artigo 543C do CPC. (o destaque não consta do original) Admitido o recurso, sobrevieram contrarrazões da Fazenda Nacional, que pugnam pela manutenção do julgado. É o Relatório. Fl. 873DF CARF MF 4 Voto Conselheiro JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Apesar da afirmação aposta no despacho de admissibilidade do recurso, entende que ele não pode ser admitido, na medida em que díspares as situações nos acórdãos recorrido e paradigma a impedir a formação da necessária divergência de entendimentos. E essa impossibilidade não decorre de a decisão recorrida ter analisado a Portaria MF 38 enquanto a paradigmática, a de nº 64 somente editada em 2003. Quanto a isso, concordo com a afirmação do despacho de que elas podem ser comparadas na medida em que, sobre o tema, possuem a mesma redação. O problema não está aí, pois. Ocorre que a decisão mencionada como paradigma assim se posicionou quanto ao primeiro aspecto método de valoração de estoques: (...) A recorrente alega que a diferença de resultado entre os dois métodos é desprezível no seu caso, considerandose o brevíssimo interregno em que sua peculiar matéria prima camarão in natura permanece em estoque. Afirma, ainda, que sempre valorou o estoque pelo método do custo médio e que esse fato nunca chamou a atenção do fisco em pedidos de ressarcimento relativos a trimestres anteriores. Sensibilizome com as alegações do voluntário. Em primeiro lugar, é bastante crível que os métodos resultem muito equivalentes em se tratando de uma matéria cuja vida útil é notoriamente breve, de algumas horas. Nesse especial contexto, os estoques simplesmente não se acumulam, cada insumo adquirido é imediatamente industrializado, não medeia tempo que permita, antes de cada ciclo industrial, a realização de duas ou mais aquisições a preços tão díspares. A planilha elaborada pela recorrente sintetizada às fls. 73 da manifestação de inconformidade revela uma diferença de ínfimos R$1.298,00, a qual em nenhum momento foi infirmada pela autoridade preparadora. Além disso, demonstrouse que em pleitos ressarcitórios dos trimestres de 2003 (fls. 120/121), a RFB nada opôs à recorrente em relação ao método valorativo adotado, o que firma prática reiterada com potência normativa, ao fundamento do art. 100, III do CTN. Entendo, pois, que a própria RFB mitigou a rigidez da norma do art. 3º, §8] da Portaria MF nº 64/03, aceitando a adoção de método valorativo alternativo cujo resultado, em razão da evidente peculiaridade do processo produtivo da recorrente, era praticamente idêntico àquele a princípio eleito pela norma. Como se vê, o relator não se limitou a dizer que se pode utilizar o método do custo médio, o que violaria frontalmente o comando normativo. Ele ressalta que, naquele caso, diante da especificidade dos produtos comercializados, de curtíssima vida útil, sequer se Fl. 874DF CARF MF Processo nº 10380.009493/200240 Acórdão n.º 9303005.112 CSRFT3 Fl. 4 5 formavam, efetivamente, estoques e que a diferença entre os métodos demonstrada pelo sujeito passivo em documentos nos autos era ínfima. Ademais, que em processos outros envolvendo pedidos de ressarcimento daquela empresa, a SRF não objetara esse ponto específico. Nada disso se mostra presente no caso sob nosso exame. Com efeito, sobre ele aduz o redator do voto vencedor, após transcrever o trecho da Portaria MF 38/97 que exige a adoção do método PEPS quando o sujeito passivo não possua sistema de contabilidade de custos integrada: Com base nos excertos supra, constatase que, se a pessoa jurídica não dispuser de sistema de custos coordenado e integrado com a escrituração comercial, ela poderá apurar o crédito presumido com base na quantidade, avaliada pelo método PEPS, dos estoques inicial e final dos insumos (matérias primas, dos produtos intermediários e dos materiais de embalagem) utilizados na produção durante o mês. Considerando os elementos fáticos presentes nos autos, é possível perceber que o ora Recorrente mantém amplo controle e escrituração de sua atividade, tendo trazido aos autos, além de planilhas relativas ao controle de estoques, de notas fiscais e de declarações apresentadas à Receita Federal, cópias de partes dos livros Diário, Razão, de Entradas e Saídas e de Inventário, constatação essa que indica a possibilidade efetiva de se manter um sistema de custos coordenado e integrado com a escrituração comercial, com base no qual poderia apurar os créditos presumidos de IPI, nos termos exigidos pela Lei nº 9.363, de 1996, e na Portaria MF n° 38, de 1997. Contudo, o Recorrente, afirma, categoricamente, que não dispõe do referido sistema de custos coordenado e integrado com a escrituração comercial, tendo optado pela apuração do crédito presumido de IPI com base nos estoques inicial e final, para o qual a legislação exige, tão somente, a avaliação dos estoques com base no método PEPS, requisito esse por ele não comprovado. Nesse sentido, não obstante a manutenção de ampla escrituração contábil fiscal, o Recorrente não se desincumbiu de apresentar o único elemento de prova exigido pela legislação para a comprovação do crédito presumido de IPI apurado por meio da sistemática alternativa. Ressaltese que nem mesmo após a Fiscalização, ao final da auditoria e após a execução da diligência, e a Delegacia de Julgamento terem alertado sobre a necessidade de se apresentar o controle de estoques calculados com base no método PEPS, o Recorrente se predispôs a demonstrar e comprovar tal exigência, que se refere, repitase, ao único requisito exigido pela legislação, fato esse que inviabiliza o acolhimento do seu pedido. Como se vê, apesar da similitude de atividades empresariais aqui, pesca em geral; no paradigma, coleta de camarão os fatos são dessemelhantes. No processo sob análise Fl. 875DF CARF MF 6 nada há nos autos que permita dizer que os resultados obtidos pelos dois métodos se aproximem, resultando em "ínfima diferença" como afirma o dr. Tranchesi no paradigma. Aliás, pelo que consta do voto vencedor, em nenhum momento o recorrente sequer tentou demonstrar tal diferença muito embora a isso instado em mais de uma ocasião. Não conheço, pois, do recurso quanto a esse ponto. E o mesmo se passa com respeito à "atualização" do direito creditório. É que ela somente se pode expressar quando algum valor reste a ser ressarcido em espécie. Como se sabe, nos casos de compensação, não há como falar nela na medida em que o direito creditório é utilizado termo final para sua apuração exatamente no vencimento dos débitos indicados, que não sofrem até aí qualquer atualização. E isso mesmo que a efetiva análise de seu cabimento ocorra muito depois. No presente caso, nada fora deferido ao contribuinte desde o despacho decisório e nada continua sendo deferido até este momento. Com essas considerações, voto por não conhecer do recurso apresentado. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator Fl. 876DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.720706/2011-18
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/10/2007, 30/11/2007
TÍTULOS MOBILIÁRIOS. REGISTRO. ATIVO CIRCULANTE.
Classificam-se no Ativo Circulante as disponibilidades e os direitos realizáveis no curso do exercício social subsequente.
As ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F S/A recebidas em decorrência da operação denominada desmutualização da Bolsa de Valores de São Paulo BOVESPA e da Bolsa de Mercadorias & Futuros de São Paulo BM&F, que foram negociadas dentro do mesmo ano ou poucos meses após o seu recebimento, devem ser registradas no Ativo Circulante.
COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA OPERACIONAL. OBJETO SOCIAL. VENDA DE AÇÕES.
Nas sociedades corretoras de títulos e valores mobiliários, que têm por objeto social a subscrição de emissões de ações e/ou a compra e a venda de ações, por conta própria e de terceiros, a base de cálculo das contribuições sociais é o faturamento / receita bruta operacional, o que inclui, necessariamente, as receitas típicas da empresa auferidas com a venda de ações da BM&F S.A. e da Bovespa Holding S.A., recebidas em decorrência das operações societárias denominadas desmutualização.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/10/2007, 30/11/2007
TÍTULOS MOBILIÁRIOS. REGISTRO. ATIVO CIRCULANTE.
Classificam-se no Ativo Circulante as disponibilidades e os direitos realizáveis no curso do exercício social subsequente.
As ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F S/A recebidas em decorrência da operação denominada desmutualização da Bolsa de Valores de São Paulo BOVESPA e da Bolsa de Mercadorias & Futuros de São Paulo BM&F, que foram negociadas dentro do mesmo ano ou poucos meses após o seu recebimento, devem ser registradas no Ativo Circulante.
PIS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA OPERACIONAL. OBJETO SOCIAL. VENDA DE AÇÕES.
Nas sociedades corretoras de títulos e valores mobiliários, que têm por objeto social a subscrição de emissões de ações e/ou a compra e a venda de ações, por conta própria e de terceiros, a base de cálculo das contribuições sociais é o faturamento / receita bruta operacional, o que inclui, necessariamente, as receitas típicas da empresa auferidas com a venda de ações da BM&F S.A. e da Bovespa Holding S.A., recebidas em decorrência das operações societárias denominadas desmutualização.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/10/2007, 30/11/2007
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. AÇÃO JUDICIAL. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. CANCELAMENTO DA MULTA DE OFÍCIO.
Não tendo o contribuinte provimento judicial com o mesmo objeto do lançamento tributário, não há que se falar em suspensão da exigibilidade do crédito tributário e nem no cancelamento da multa de ofício exigida no lançamento.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA.
As multas de ofício que não forem recolhidas dentro dos prazos legais previstos, estão sujeitas à incidência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento.
Numero da decisão: 9303-004.599
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Érika Costa Camargos Autran (relatora), Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. Declarou-se impedido de participar do julgamento o conselheiro Demes Brito.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício.
(assinado digitalmente)
Érika Costa Camargos Autran - Relatora.
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Redator designado.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 31/10/2007, 30/11/2007 TÍTULOS MOBILIÁRIOS. REGISTRO. ATIVO CIRCULANTE. Classificam-se no Ativo Circulante as disponibilidades e os direitos realizáveis no curso do exercício social subsequente. As ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F S/A recebidas em decorrência da operação denominada desmutualização da Bolsa de Valores de São Paulo BOVESPA e da Bolsa de Mercadorias & Futuros de São Paulo BM&F, que foram negociadas dentro do mesmo ano ou poucos meses após o seu recebimento, devem ser registradas no Ativo Circulante. COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA OPERACIONAL. OBJETO SOCIAL. VENDA DE AÇÕES. Nas sociedades corretoras de títulos e valores mobiliários, que têm por objeto social a subscrição de emissões de ações e/ou a compra e a venda de ações, por conta própria e de terceiros, a base de cálculo das contribuições sociais é o faturamento / receita bruta operacional, o que inclui, necessariamente, as receitas típicas da empresa auferidas com a venda de ações da BM&F S.A. e da Bovespa Holding S.A., recebidas em decorrência das operações societárias denominadas desmutualização. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/10/2007, 30/11/2007 TÍTULOS MOBILIÁRIOS. REGISTRO. ATIVO CIRCULANTE. Classificam-se no Ativo Circulante as disponibilidades e os direitos realizáveis no curso do exercício social subsequente. As ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F S/A recebidas em decorrência da operação denominada desmutualização da Bolsa de Valores de São Paulo BOVESPA e da Bolsa de Mercadorias & Futuros de São Paulo BM&F, que foram negociadas dentro do mesmo ano ou poucos meses após o seu recebimento, devem ser registradas no Ativo Circulante. PIS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA OPERACIONAL. OBJETO SOCIAL. VENDA DE AÇÕES. Nas sociedades corretoras de títulos e valores mobiliários, que têm por objeto social a subscrição de emissões de ações e/ou a compra e a venda de ações, por conta própria e de terceiros, a base de cálculo das contribuições sociais é o faturamento / receita bruta operacional, o que inclui, necessariamente, as receitas típicas da empresa auferidas com a venda de ações da BM&F S.A. e da Bovespa Holding S.A., recebidas em decorrência das operações societárias denominadas desmutualização. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/10/2007, 30/11/2007 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. AÇÃO JUDICIAL. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. CANCELAMENTO DA MULTA DE OFÍCIO. Não tendo o contribuinte provimento judicial com o mesmo objeto do lançamento tributário, não há que se falar em suspensão da exigibilidade do crédito tributário e nem no cancelamento da multa de ofício exigida no lançamento. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. As multas de ofício que não forem recolhidas dentro dos prazos legais previstos, estão sujeitas à incidência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento.
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REGISTRO. ATIVO CIRCULANTE. Classificamse no Ativo Circulante as disponibilidades e os direitos realizáveis no curso do exercício social subsequente. As ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F S/A recebidas em decorrência da operação denominada desmutualização da Bolsa de Valores de São Paulo BOVESPA e da Bolsa de Mercadorias & Futuros de São Paulo BM&F, que foram negociadas dentro do mesmo ano ou poucos meses após o seu recebimento, devem ser registradas no Ativo Circulante. COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA OPERACIONAL. OBJETO SOCIAL. VENDA DE AÇÕES. Nas sociedades corretoras de títulos e valores mobiliários, que têm por objeto social a subscrição de emissões de ações e/ou a compra e a venda de ações, por conta própria e de terceiros, a base de cálculo das contribuições sociais é o faturamento / receita bruta operacional, o que inclui, necessariamente, as receitas típicas da empresa auferidas com a venda de ações da BM&F S.A. e da Bovespa Holding S.A., recebidas em decorrência das operações societárias denominadas “desmutualização”. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/10/2007, 30/11/2007 TÍTULOS MOBILIÁRIOS. REGISTRO. ATIVO CIRCULANTE. Classificamse no Ativo Circulante as disponibilidades e os direitos realizáveis no curso do exercício social subsequente. As ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F S/A recebidas em decorrência da operação denominada desmutualização da Bolsa de Valores de São Paulo AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 07 06 /2 01 1- 18 Fl. 4306DF CARF MF Processo nº 16327.720706/201118 Acórdão n.º 9303004.599 CSRFT3 Fl. 3 2 BOVESPA e da Bolsa de Mercadorias & Futuros de São Paulo BM&F, que foram negociadas dentro do mesmo ano ou poucos meses após o seu recebimento, devem ser registradas no Ativo Circulante. PIS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA OPERACIONAL. OBJETO SOCIAL. VENDA DE AÇÕES. Nas sociedades corretoras de títulos e valores mobiliários, que têm por objeto social a subscrição de emissões de ações e/ou a compra e a venda de ações, por conta própria e de terceiros, a base de cálculo das contribuições sociais é o faturamento / receita bruta operacional, o que inclui, necessariamente, as receitas típicas da empresa auferidas com a venda de ações da BM&F S.A. e da Bovespa Holding S.A., recebidas em decorrência das operações societárias denominadas “desmutualização”. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/10/2007, 30/11/2007 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. AÇÃO JUDICIAL. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. CANCELAMENTO DA MULTA DE OFÍCIO. Não tendo o contribuinte provimento judicial com o mesmo objeto do lançamento tributário, não há que se falar em suspensão da exigibilidade do crédito tributário e nem no cancelamento da multa de ofício exigida no lançamento. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. As multas de ofício que não forem recolhidas dentro dos prazos legais previstos, estão sujeitas à incidência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Érika Costa Camargos Autran (relatora), Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. Declarouse impedido de participar do julgamento o conselheiro Demes Brito. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Relatora. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado. Fl. 4307DF CARF MF Processo nº 16327.720706/201118 Acórdão n.º 9303004.599 CSRFT3 Fl. 4 3 Participaram do presente julgamento os conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Fl. 4308DF CARF MF Processo nº 16327.720706/201118 Acórdão n.º 9303004.599 CSRFT3 Fl. 5 4 Relatório Tratase de recurso especial de divergência, tempestivo, interposto pelo Sujeito Passivo, ao amparo do art. 67, Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 25 de junho de 2009, em face do Acórdão Nº 3302002.713, cuja ementa se transcreve a seguir, na parte que interessa ao presente exame: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL. COFINS. Data do fato gerador: 31/10/2007, 30/11/2007 TÍTULOS MOBILIÁRIOS. REGISTRO. ATIVO CIRCULANTE. Classificamse no Ativo Circulante as disponibilidades e os direitos realizáveis no curso do exercício social subsequente. As ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F S/A recebidas em decorrência da operação denominada desmutualização da Bolsa de Valores de São Paulo BOVESPA e da Bolsa de Mercadorias & Futuros de São Paulo BM&F, que foram negociadas dentro do mesmo ano, devem ser registradas no Ativo Circulante. PIS/COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA OPERACIONAL OBJETO SOCIAL. VENDA DE AÇÕES. Nas sociedades corretoras de títulos e valores mobiliários, que têm por objeto social a subscrição de emissões de ações e/ou a compra e a venda de ações, por conta própria e de terceiros, a base de cálculo das contribuições sociais é o faturamento/receita bruta operacional, abarcando as receitas típicas da empresa auferidas com a venda de ações da BM&F S.A. e da Bovespa Holding S.A., recebidas em decorrência das operações societárias denominadas “desmutualização”. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/10/2007, 30/11/2007 TÍTULOS MOBILIÁRIOS. REGISTRO. ATIVO CIRCULANTE. Classificamse no Ativo Circulante as disponibilidades e os direitos realizáveis no curso do exercício social subsequente. As ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F S/A recebidas em decorrência da operação denominada desmutualização da Bolsa de Valores de São Paulo BOVESPA e da Bolsa de Mercadorias & Futuros de São Paulo BM&F, que foram negociadas dentro do mesmo ano, devem ser registradas no Ativo Circulante. PIS/COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA OPERACIONAL OBJETO SOCIAL. VENDA DE AÇÕES. Nas sociedades corretoras de títulos e valores mobiliários, que têm por objeto social a subscrição de emissões de ações e/ou a compra e a venda de ações, por conta própria e de terceiros, a base de cálculo das contribuições sociais é o faturamento/receita bruta operacional, abarcando as receitas típicas da empresa auferidas com a venda de ações da BM&F S.A. e da Bovespa Fl. 4309DF CARF MF Processo nº 16327.720706/201118 Acórdão n.º 9303004.599 CSRFT3 Fl. 6 5 Holding S.A., recebidas em decorrência das operações societárias denominadas “desmutualização”. Recurso Voluntário Negado A referida decisão considerou que nas sociedades corretoras títulos e valores mobiliários, que têm por objeto social a subscrição de emissões de ações ou a compra e a venda de ações, por conta própria e de terceiros, a base de cálculo das contribuições sociais é o faturamento, ou receita bruta operacional. Isso engloba as receitas típicas da empresa auferidas com a venda de ações da BM&F S.A. e da Bovespa Holding S.A., recebidas em decorrência das operações societárias denominadas “desmutualização”. Contra essa decisão o contribuinte interpôs o presente Recurso Especial. apontando quatro matérias autônomas: a) Alienação de ações das bolsas recebidas pelos antigos títulos patrimoniais (ativo permanente); b) Lei n.º 9.718/98, artigo 3º, parágrafo 1º, abrangência das decisões judiciais; c) Não incidência de juros de mora sobre multa de ofício; e d) Suspensão da exigibilidade e cabimento de multa de ofício. O Recurso Especial do Contribuinte foi admitido pelo despacho de fls 4253, por ter entendido como comprovada a divergência jurisprudencial. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões fls 4259 postulando a negativa de provimento ao recurso especial. É o relatório. Fl. 4310DF CARF MF Processo nº 16327.720706/201118 Acórdão n.º 9303004.599 CSRFT3 Fl. 7 6 Voto Vencido Conselheira Érika Costa Camargos Autran Relatora O Recurso Especial é tempestivo e, depreendendose da análise de seu cabimento, entendo pela admissibilidade integral do recurso interposto pelo sujeito passivo. A controvérsia posta no presente recurso especial cingese a determinar o tratamento tributário a ser aplicado à receita da venda das ações recebidas pelo Contribuinte em substituição aos títulos patrimoniais que detinha da BM&F e da Bovespa, no processo chamado de "desmutualização", para efeitos de incidência das contribuições devidas ao Programa de Integração Social PIS e ao Financiamento da Seguridade Social COFINS. A "desmutualização das bolsas de valores”, consistiu em um conjunto de atos societários por meio dos quais a Bovespa e a BM&F sofreram abertura de capital, tendo ocorrido a cisão parcial das referidas entidades associativas sem fins lucrativos e incorporação da parcela do capital cindido pelas sociedades anônimas (com fins lucrativos) Bovespa Holding S/A ("Bovespa Holding") e BM&F S/A ("BM&F S/A), respectivamente. Nesta operação de cisão parcial seguida de incorporação, os detentores de títulos patrimoniais da Bovespa e da BM&F passaram a ser titulares de ações representativas do capital da Bovespa Holding e da BM&F S/A, respectivamente, recebidas em substituição aos antigos títulos. O Sujeito Passivo possuía 11 títulos patrimoniais que foram contabilizados no permanente e que posteriormente foram trocados por ações. Em 2007 procedeu à alienação das ações da Bovespa Holding e da BM&F S/A, recebidas em substituição ao antigos títulos patrimoniais, por meio de ofertas públicas, secundárias das ações da Bovespa e BM&F, transferindo a sua participação nas sociedades anônimas para os novos adquirentes. Com a alienação, a Contribuinte auferiu resultado positivo, mas não efetuou o recolhimento das contribuições para o PIS e para a COFINS sobre as operações, por entender se tratar de venda de ativo permanente, não sujeito à tributação. Este fato deu ensejo à ação da Fiscalização e consequente constituição de crédito tributário. Fl. 4311DF CARF MF Processo nº 16327.720706/201118 Acórdão n.º 9303004.599 CSRFT3 Fl. 8 7 A Fiscalização entendeu que no processo de desmutualização o recebimento das ações consistiu em pagamento pela devolução do patrimônio das associações sem fins lucrativos, bem como ter havido por parte do banco a intenção de venda dos novos ativos, e, portanto, deveriam ser contabilizados no Ativo Circulante, estando o resultado positivo da alienação sujeito à incidência do PIS e da COFINS. Quanto a questão da desmutalização da Bolsa, entendo que sobre a ótica dos princípios da estrita legalidade e da impossibilidade de o Fisco sobreporse à legislação privada, que são informadores do direito tributário, e da legislação aplicável ao caso, entende se que assiste razão ao Sujeito Passivo ao manter o registro das ações recebidas em substituição aos títulos patrimoniais em conta do ativo permanente. Por bem analisar a matéria tratada aqui, merece transcrição os argumentos utilizados pela minha ilustre colega Vanessa Marini Cecconello no processo nº 16327.721116/201102, com acórdão brilhantemente proferido com os seguintes fundamentos, que passam a integrar essa decisão, in verbis: Antes de se adentrar à análise da controvérsia suscitada no presente processo administrativo, entendese necessário tecer breves considerações quanto (i) ao princípio da estrita legalidade e (ii) (ii) à impossibilidade de o Fisco sobreporse à legislação privada. O princípio da estrita legalidade embasa o sistema jurídico brasileiro, estando previsto no rol de direitos e garantias individuais do art. 5º, caput e inciso II, da Constituição Federal, e também se constitui no mais importante dos princípios constitucionais tributários, conforme redação do art. 150, inciso I, da Constituição Federal, que proclama vedada a exigência ou aumento de tributo sem que a lei assim estabeleça. O princípio da legalidade é informado pelos valores da certeza e da segurança jurídica, sendo uma garantia do Estado de Direito e tendo o papel de proteção dos direitos dos cidadãos. No Direito Tributário, a segurança jurídica é garantida por meio da reserva absoluta de lei, que, nos dizeres de Alberto Xavier1, implica "na necessidade de que toda a conduta da Administração tenha o seu fundamento positivo na lei, ou, por outras palavras, que a lei seja o pressuposto necessário e indispensável de toda a atividade administrativa". A legalidade tributária impõe que todos os aspectos do fato gerador estejam estabelecidos em lei, os quais são imprescindíveis para a quantificação do 1 AMARO, Luciano. Direito tributário brasileiro. 14 ed. rev. São Paulo: Saraiva, 2008. p. 112. Fl. 4312DF CARF MF Processo nº 16327.720706/201118 Acórdão n.º 9303004.599 CSRFT3 Fl. 9 8 tributo devido em cada caso concreto que venha a refletir a hipótese descrita na lei. Como consectário do princípio da estrita legalidade, está o princípio da tipicidade tributária, dirigido ao legislador e ao aplicador da lei. O doutrinador Luciano Amaro2 bem sintetiza o princípio da tipicidade ao explicitar que: [...] Deve o legislador, ao formular a lei, definir, de modo taxativo (numerus clausus) e completo, as situações (tipos) tributáveis, cuja ocorrência será necessária e suficiente ao nascimento da obrigação tributária, bem como os critérios de quantificação (medida) do tributo. Por outro lado, ao aplicador da lei vedase a interpretação extensiva e a analogia, incompatíveis com a taxatividade e determinação dos tipos tributários. À vista da impossibilidade de serem invocados, para a valorização dos fatos, elementos estranhos ao contidos no tipo legal, a tipicidade tributária costumase qualificarse de fechada ou cerrada, de sorte que o brocardo nullum tributtum sine lege traduz "o imperativo de que todos os elementos necessários à tributação do caso concreto se contenham e apenas se contenham na lei". [...] (grifouse) Além da necessidade de observância ao princípio da estrita legalidade, na interpretação da legislação tributária é vedada a utilização de analogia para tributar, conforme artigos 108, §1º e 112, ambos do Código Tributário Nacional. A analogia é um dos instrumentos de integração previstos no CTN, e se constitui na aplicação de regra prevista para caso semelhante a uma determinada situação que não se encontra regulamentada. No entanto, referido mecanismo tem um campo de atuação restrito no Direito Tributário, justamente pela limitação que lhe é conferida pelo princípio da reserva de lei para efeitos de ser exigido determinado tributo. O art. 112 do CTN, por sua vez, também traz a interpretação restritiva como regra para as matérias referentes a infrações, penalidades e definição das hipóteses de incidência do tributo: in dúbio pro reo. Constituise na forma de interpretação benigna preconizada pelo CTN “quando houver dúvida sobre a capitulação do fato, sua natureza ou circunstâncias materiais, ou sobre a natureza ou extensão dos seus efeitos, bem como sobre a autoria, imputabilidade ou punibilidade, e ainda sobre a natureza ou graduação da penalidade aplicável (art. 112)”3. Quanto ao tema, pertinente trazer a lição de Luciano Amaro, que conclui dizendo que em caso de dúvida, a solução a ser adotada é a mais favorável ao Sujeito Passivo, in verbis4: Na verdade, embora o art. 112 do Código Tributário Nacional pretenda dispor sobre “interpretação da lei tributária”, ele prevê, nos seus incisos I a III, diversas situações nas quais não se cuida da identificação do sentido e do alcance da lei, mas sim da valorização dos fatos. Nessas situações, a dúvida (que se deve resolver a favor do acusado, segundo determina o dispositivo) não é de interpretação da lei, mas de “interpretação” do fato (ou melhor, de qualificação do fato). Discutir se o fato “x”se enquadra ou 2 AMARO, Luciano. Direito tributário brasileiro. 14 ed. rev. São Paulo: Saraiva, 2008. p. 113. 3 AMARO, Luciano. Direito tributário brasileiro. 14 ed. rev. São Paulo: Saraiva, 2008. p. 222. 4 AMARO, Luciano. Direito tributário brasileiro. 14 ed. rev. São Paulo: Saraiva, 2008. p. 222 – 223. Fl. 4313DF CARF MF Processo nº 16327.720706/201118 Acórdão n.º 9303004.599 CSRFT3 Fl. 10 9 não na lei, ou se ele se enquadra na lei “A” ou na lei “B”, ou se a autoria do fato é ou não do indivíduo “Z”, diz respeito ao exame do fato e das circunstâncias em que ele teria ocorrido, e não ao exame da lei, A questão atémse à subsunção, mas a dúvida que se põe não é sobre a lei, e sim sobre o fato. Já o inciso IV do dispositivo pode ser referido tanto a dúvidas sobre se o fato ocorrido se submete a esta ou àquela penalidade (problema de valorização do fato) como à discussão sobre o conteúdo e alcance da norma punitiva ou sobre os critérios legais de graduação da penalidade. De qualquer modo, o princípio in dubio pro reo, que informa o preceito codificado, tem uma aplicação ampla: qualquer que seja a dúvida, sobre a interpretação da lei punitiva ou sobre a valorização dos fatos concretos efetivamente ocorridos, a solução há de ser a mais favorável ao acusado. (grifouse) De outro lado, há que ser considerada a impossibilidade de o Fisco sobreporse às normas de direito privado, nos termos dos artigos 109 e 110 do CTN. O direito tributário, embora ramo do direito público, tem estreita relação com o direito privado, utilizandose de muitos conceitos deste na sua codificação. Entretanto, a definição dos referidos conceitos presentes no direito tributário deve ser buscada na legislação de direito privado. Embora a legislação tributária possa se utilizar dos princípios do direito privado, não lhe é lícito alterar conceitos que estejam definidos na norma de direito privado. Analisando a matéria posta no recurso especial da Fazenda Nacional sob a ótica dos princípios acima mencionados, que são informadores do direito tributário, e da legislação aplicável ao caso, entendese que assiste razão ao Sujeito Passivo ao manter o registro das ações recebidas em substituição aos títulos patrimoniais em conta do ativo permanente. O processo que se convencionou chamar de "desmutualização" das bolsas de valores caracterizouse pela cisão de parcela do patrimônio das associações sem fins lucrativos com a substituição dos títulos patrimoniais que antes detinham as corretoras e as instituições financeiras por ações. Não há, portanto, de se falar em extinção das entidades com devolução do patrimônio social à Recorrente. A possibilidade de cisão das associações sem fins lucrativos está prevista no art. 2033 do Código Civil combinado com o art. 44 do mesmo diploma legal, dispondo que podem ser objeto de cisão, incorporação, transformação e fusão as entidades elencadas no dispositivo do art. 44 do CC, dentre elas as associações. Cumpre consignar que à Fiscalização não é permitido alterar o fato de ter ocorrido a cisão parcial das entidades, nos termos do art. 110 do CTN explicitado supra, uma vez a operação ter sido aprovada em assembleia (que exerce a função de legislador dentro das instituições), prevalecendo o princípio da autonomia de vontade das partes. Além disso, os atos da transformação societária foram devidamente arquivados na Junta Comercial e no Registro Civil das Pessoas Jurídicas competentes, tornandose válidos e definitivos no mundo jurídico. A aplicação do art. 17 da Lei 9532/97 pelo Fisco para caracterizar a desmutualização como o processo em que houve a devolução do patrimônio Fl. 4314DF CARF MF Processo nº 16327.720706/201118 Acórdão n.º 9303004.599 CSRFT3 Fl. 11 10 em decorrência da extinção das associações, implica na exigência de tributo por analogia, o que é vedado pelo art. 108, §1º do CTN, conforme antes explicitado. No sentido da vedação de tributação por analogia, há precedentes desta Câmara Superior de Recursos Fiscais, como por exemplo o Acórdão CSRF nº 0105.059. Outro argumento que corrobora a tese defendida pelo Sujeito Passivo, é o fato de que proferida pela Receita Federal a Solução de Consulta COSIT nº 13, no ano de 1997, reiterando o caráter da neutralidade fiscal da operação da desmutualização da bolsa de valores, no mesmo sentido da Portaria MF nº. 785/77 (que trata do ganho de capital). No ano de 2007, a COSIT proferiu entendimento contrário ao da Solução de Consulta nº. 13/1997, consubstanciada na Solução de Consulta COSITI nº 10/07, posicionandose pela necessidade de tributação de eventual diferença entre o valor dos títulos e o valor das ações em razão de uma suposta subsunção da situação à regra do art. 17 da Lei 9532/97. O CARF já proferiu entendimento no sentido de que o Fisco teria a obrigação de observar a Solução de Consulta COSIT nº 13/97 até o dia 30/10/2007, data em que foi publicado no DOU a mudança de posicionamento. A mudança de critério jurídico pela RFB entre uma solução de consulta e outra traz violação ao art. 146 do CTN. Assim, tendo em vista que não houve dissolução das associações e nem devolução do patrimônio aos antigos sócios, tendo sido o mesmo transferido diretamente para a nova entidade, os títulos patrimoniais antigos e as ações em que se transformou são papéis que representam o mesmo patrimônio, constituindose em ativo permanente. Portanto, o faturamento da alienação das ações se enquadra como venda de um investimento, isto é, constituise em venda de patrimônio próprio, não havendo de se falar na incidência de PIS e COFINS, conforme art. 3º, IV, da Lei nº 9.718/98. Entendo que os títulos patrimoniais da Bovespa e da BM&F dos associados foram somente substituídos por ações da Bovespa Holding S.A e da BM&F S.A, Eis que nessa operação há apenas a “troca” dos ativos – em devolução e dissolução patrimonial, e não “aquisição” das referidas ações que demandem nova reclassificação contábil. Na cisão seguida de incorporação, há a transferência de todos os direitos e obrigações dos negócios em curso da cindida para a incorporadora sucessão universal. Com efeito, as ações substituídas pelos títulos recebem o mesmo tratamento fiscal e contábil a que eles estavam sujeitos. O que não procede tratar tais ativos como devolução do patrimônio da associação aos seus associados com posterior aquisição Dessa forma, considerando se tratar de mera substituição de títulos patrimoniais que, por sua vez, estavam registrados no ativo permanente, quando da substituição desses títulos por ações, devem observar idêntica qualificação contábil até o momento de sua alienação. Fl. 4315DF CARF MF Processo nº 16327.720706/201118 Acórdão n.º 9303004.599 CSRFT3 Fl. 12 11 Ademais, em respeito aos Princípios que norteiam a Ciência Contábil, o detentor dos títulos quando da classificação contábil desses ativos manifestou a pretensão de permanecer com esse investimento em seu patrimônio por mais de 12 meses – sem expectativa de vendêlos a curto prazo. O que alterar a classificação contábil das ações recebidas em troca dos títulos demonstraria afronta à esses princípios. No ativo circulante somente são registrados ativos de liquidez imediata. Ou seja, somente aqueles ativos que estejam destinados à venda com sentido de operação mercantil. Na substituição de um ativo (títulos patrimoniais ou ações) por decorrência decisão seguida de incorporação, vêse que os detentores/investidores se mantêm inertes frente a essa reorganização societária efetuando somente a troca dos ativos em seu patrimônio. Tal troca não resulta em nova classificação contábil, visto que a pretensão do investidor não se alterou com a substituição do ativo. Eis que nem motivação demonstrou quando da efetivação da reorganização societária. Nova classificação contábil de ativos ocorreria somente quando ocorrer motivação por parte do futuro adquirente, pois é nesse momento que deverá expressar sua pretensão de manter o ativo adquirido por mais de 12 meses ou vendê¬lo em curto prazo. Tanto é assim, que o investidor que sofre a troca dos ativos não se obriga a informar o custodiante sobre a “nova aquisição”. A troca ocorre diretamente pelo custodiante sem motivação do investidor. O investimento original não foi realizado com o fim de se obter ganho por sua venda. Era um ativo permanente porque adquirido originariamente com o objetivo de dar participação à entidade e trazer desenvolvimento de suas atividades; e que foi trocado por outro ativo que podia agora ter sua classificação mantida, ou não, mas que, se colocado à venda, não perdia a característica de um ativo permanente colocado à venda e, por isso, passível de reclassificação. Dessa forma, as ações recebidas por decorrência dessa operação devem ser registradas em contas do ativo permanente, em respeito à pretensão manifestada pelo detentor Fl. 4316DF CARF MF Processo nº 16327.720706/201118 Acórdão n.º 9303004.599 CSRFT3 Fl. 13 12 dos títulos patrimoniais à época de sua aquisição. O que, por conseguinte, entendo que eventuais receitas advindas dessa transação poderiam ser excluídas da base de cálculo do PIS e Cofins, nos termos do art. 3º, § 2º, inciso IV, da Lei 9.718/98. Não obstante, ainda que se considerem equivocadamente a ação como fruto de aquisição pura motivada pelo sujeito passivo e que, portanto, não seria passível de registro em ativo permanente, importante refletir também sobre as regras impostas pela nova contabilidade, independentemente de à época ser plenamente considerada o registro contábil das ações recebidas em troca em ativo permanente Para melhor elucidar meu entendimento, trago parte do Voto de minha ilustre colega Tatiana Midori Migiyama proferido em Acórdão 9303¬003.853 (Grifos meus): “Para tanto, invocase o Pronunciamento técnico CPC 30 – que contempla em seus itens 7 e 12: “Item 7. Receita é o ingresso bruto de benefícios econômicos durante o período observado no curso das atividades ordinárias da entidade que resultam no aumento do seu patrimônio líquido, exceto os aumentos de patrimônio líquido relacionados às contribuições dos proprietários. [...] Item 12. Quando bens ou serviços forem objeto de troca ou permuta, que sejam de natureza e valor similares, a troca não é vista como uma transação que gera receita. [“...] Por outro lado, quando os bens são vendidos ou os serviços são prestados em troca de bens ou serviço não similares, tais trocas são vistas como operações que geram receita” Continuando, o Pronunciamento Conceitual Básico (R1) descreve no item 4.29 que “a definição de receita abrange tanto as receitas propriamente ditas quanto aos ganhos”. “A receita surge no curso das atividades usuais da entidade e é designada por uma variedade de nomes tais como vendas, honorários, juros, dividendos, royalties, alugueis.” Já os “ganhos representam outros itens que se enquadram na definição de receita e que podem ou não surgir no curso das atividades usuais da entidade”. Tal Pronunciamento ainda traz em seu item 4.31 que “ganhos, incluem, por exemplo, aqueles que resultam da venda de ativos não circulantes”. Ademais, de acordo com o Pronunciamento Técnico CPC 16, “estoques são ativos: (a) mantidos para venda no curso normal dos negócios.” E, nos termos do CPC 31, a destinação de um ativo não circulante (ativo permanente) para venda não o classifica como ativo circulante (estoque), devendo ser classificado como ativo não circulante destinado a venda, especialmente à luz do quanto disposto em seu Apêndice A – Definições de Fl. 4317DF CARF MF Processo nº 16327.720706/201118 Acórdão n.º 9303004.599 CSRFT3 Fl. 14 13 termos: “Ativo Circulante é um ativo que satisfaz a qualquer dos seguintes critérios: (a) esperase que seja realizado, ou pretendese que seja vendido ou consumido no curso normal do ciclo operacional da entidade; (b) mantido essencialmente com o propósito de ser negociado Ativo não circulante é um ativo que não satisfaz à definição de ativo circulante.” Nesta senda, vêse que os ativos adquiridos destinados à comercialização nas operações usuais da empresa devem ser registrados no ativo circulante em conta de estoque e o produto de sua venda é classificado como receita propriamente dita. Enquanto, ativos que não comportem a sua classificação em estoque e sejam reconhecidos no ativo não circulante, quando de sua alienação podem gerar ganhos, mas que não se enquadram no conceito de receita, uma vez que não se trata de atividade usualmente praticada pela entidade. O que resta concluir que, no presente caso, as ações recebidas em substituição aos títulos patrimoniais ostentam a mesma natureza, bens do ativo permanente – ou seja, ativo não circulante, na nova linguagem contábil, não se sujeitando quando se sua alienação ao PIS e COFINS. Mais ainda, caso se “ignore o Código Civil” e desconsidere equivocadamente o correto registro contábil – registrando em contas do ativo circulante, proveitoso trazer, a título de “amor ao debate técnico”, que as receitas geradas na venda dessas ações ainda assim não seriam passíveis de tributação pelas contribuições – eis que não devem ser consideradas como sendo decorrentes de suas atividades próprias. Ora, as sociedades corretoras de títulos e valores mobiliários são pessoas jurídicas integrantes do Sistema Financeiro Nacional que, dentre outras atividades, realizam a intermediação nas operações de compra e venda de títulos financeiros para seus clientes. Nos termos da ICVM 387/03, a corretora de valores é “a sociedade habilitada a negociar ou registrar operações com valores mobiliários por conta própria ou por conta de terceiros em bolsa e entidade de balcão organizado”. Além de operar com títulos e valores por conta de terceiros, as sociedades corretoras, de maneira residual, podem operar carteira própria de valores mobiliários, atuando nos mercados de bolsa e balcão. Com efeito, para que as sociedades corretoras possam operar carteira própria devem observar diversas regras estabelecidas pela CVM, por intermédio da ICVM 117/90. As sociedades corretoras que operem carteira própria devem indicar a CVM e as bolsas de valores um de seus diretores ou sócios gerentes como responsável pela operação da carteira e somente poderão aplicar na constituição e operação de sua carteira, recursos Fl. 4318DF CARF MF Processo nº 16327.720706/201118 Acórdão n.º 9303004.599 CSRFT3 Fl. 15 14 próprios. Além disso, as sociedades corretoras que operaram com carteira própria devem obedecer aos seguintes limites: ∙ O valor da carteira própria das sociedades corretoras cujo patrimônio líquido ajustado, computado a partir de 31.3.90 na forma determinada pelas normas contidas no Plano Contábil das Instituições Financeiras do Sistema Financeiro Nacional (COSIF), for inferior a 2.000.000 de bônus do tesouro nacional para fins fiscais não excederá, a qualquer tempo, 50% do valor do capital de giro dessas sociedades; ∙ O valor da carteira própria das sociedades com patrimônio líquido ajustado superior a 2.000.000 de BTNF, mas inferior a 3.000.000 de BTNF não excederá a qualquer tempo 60% do valor do capital de giro próprio dessas sociedades; ∙ Para as sociedades com patrimônio superior a 3.000.000 de BTNF, o valor da carteira própria não excederá a qualquer tempo 70% do valor do capital de giro próprio. Portanto, vêse que não há que se considerar “engessada mente” que a atividade da sociedade corretora seria comprar e vender ações para si próprias – pois sua atividade se resume na intermediação de negociação de títulos e valores mobiliários custodiados na CBLC por ordem de compra e venda dada por seus clientes. Tanto é assim, que há várias restrições para se alocar determinado ativo em carteira própria. O que resta considerar que eventual receita da venda das R. ações recebidas em troca dos títulos patrimoniais não comporia a base de cálculo do PIS e da COFINS sob a sistemática da cumulatividade. Vêse que as corretoras operam com a carteira própria eventualmente para corrigir eventuais situações de erro operacional – Conta Erro, tendo operadores específicos para Arbitragem e para a função de Market Mader. O que resta afastar a pretensão de considerar que a receita auferida pela venda dessas ações objeto de substituição seria enquadrada como receitas de suas atividades – para fins de se tributálas pelo PIS e COFINS. Eis que para tais sociedades consideramse como receitas de sua atividade – as comissões e taxas oriundas da intermediação de operações realizadas pelos investidores clientes. Proveitoso trazer que a recorrente ainda vendeu parte dessas ações recebidas em troca dos títulos patrimoniais em 2008, o que também se torna evidente que não tinha intenção de venda no momento do registro contábil dessas ações. Sendo assim, tornase impossível tributar a receita da venda da Rua ações, independentemente até mesmo de seu registro contábil, pelas contribuições ao PIS e COFINS. “ Fl. 4319DF CARF MF Processo nº 16327.720706/201118 Acórdão n.º 9303004.599 CSRFT3 Fl. 16 15 Entendese que esses argumentos, por si só, são suficientes para excluir do âmbito de incidência do PIS e da COFINS as receitas decorrentes da venda de ações recebidas no processo de desmutualização das bolsas de valores, devendo ser dado provimento ao recurso especial do Contribuinte. Quanto abrangência das decisões judiciais, entendo que para o deslinde do presente processo administrativo, devese considerar, ainda, a sua vinculação ao mandado de segurança impetrado pelo Recorrido perante a 19ª Vara Civel Federal De São Paulo SP e distribuído sob nº 2006.61.00.0176750. Analisando o autos, a Recorrente e detentora de decisão judicial, fls 794 , que lhe permite apurar o PIS e a COFINS com base em seu faturamento, afastando a aplicação do § 1º, art. 3º da Lei nº 9.718/98, nos seguintes termos: "Posto isto, considerando tudo o mais que dos autos consta, presentes os pressupostos legais, DEFIRO a antecipação de tutela para determinar a suspensão do recolhimento das contribuições do PIS e da COFINS nos termos do § 1° do artigo 3" da lei 9.718/98, abstendose a ré de proceder qualquer ato de cobrança das referidas exações Contra esta decisão foi proposta Apelação por ambas as partes que aguardam julgamento no TRF da 3ª Região desde 2008. Inequivocamente há vinculação entre o presente processo administrativo e a ação judicial intentada pela Contribuinte, conforme estabelecido pela própria Fiscalização no Termo de Verificação Fiscal (fls. 188) e no Auto de Infração. Diante disto, o lançamento de ofício para a exigência do PIS e Cofins não merece ser mantido em razão do provimento judicial favorável ao Contribuinte nos autos do mandado de segurança nº 2006.61.00.0176750. Diante do exposto, dou provimento ao recurso especial o Contribuinte. Quanto à outra matéria suscitada em Recurso incidência dos juros Selic sobre a multa de ofício, ainda que já tenha apresentado manifestação favorável à questão principal, Fl. 4320DF CARF MF Processo nº 16327.720706/201118 Acórdão n.º 9303004.599 CSRFT3 Fl. 17 16 expresso que, relativamente a esse tema, entendo que a autoridade fazendária não poderá exigir juros de mora sobre o valor da multa de oficio. Para melhor elucidar meu entendimento, trago parte do Voto de minha ilustre colega Tatiana Midori Migiyama proferido em Acórdão 9303¬003.853 (Grifos meus): “Ora, a Lei nº 9.430/96 prevê expressamente no art. 61 que os débitos de tributos e contribuições serão acrescidos de multa de mora e que, sobre aqueles débitos, incidirão juros de mora: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Medida Provisória nº 1.725, de 1998)” Nesse ínterim, somente considerando esse dispositivo, vêse claro que somente os débitos de tributos e contribuições – valor principal se sujeitam aos juros de mora, e não os decorrentes de multa de mora. Nessa senda, se os juros de mora não incidem sobre a multa de mora, tornase claro que também não cabe impor tais juros sobre a multa de ofício. Ademais, importante trazer que não há como se entender que o débito tributário seja composto por juros de mora e outras penalidades tributárias, vez que a legislação vigente, em respeito à natureza jurídica de cada evento, demonstra a segregação de cada débito, quer seja, de débito tributário, débito decorrente de encargos moratórios e débito relativo à penalidade administrativa. Essa distinção é demonstrada expressamente no artigo 161, caput, do CTN, in verbis: “Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária.” Fl. 4321DF CARF MF Processo nº 16327.720706/201118 Acórdão n.º 9303004.599 CSRFT3 Fl. 18 17 Tal dispositivo traz que o crédito tributário deve ser acrescido dos juros de mora e das penalidades cabíveis – segregando o crédito tributário dos juros de mora e das penalidades assecuratórias. Ademais, temse ainda que, caso ignorássemos tais dispositivos e forçosamente invocássemos o art. 113 do CTN para entender que há incidência de juros sobre a multa de ofício, in verbis: “Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária.” Vêse que, mais uma vez, não há como se interpretar que seria cabível a aplicação dos juros sobre a multa de ofício, eis que o art. 113, § 1º, do CTN traz que a obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador. Ora, e qual débito surge com o fato gerador do tributo? O débito que surge com o fato gerador do tributo é o próprio “valor principal” – valor do tributo apurado nos termos da legislação vigente. Entender que a multa de ofício surge com o fato gerador do tributo seria extrapolar a natureza dessa multa, vez que tal multa somente passa a existir com o lançamento de ofício. A motivação de sua existência não é a ocorrência do fato gerador do tributo, mas sim o lançamento de ofício. Sendo assim, tornase equivocado defender ser aplicável os juros sobre a multa de ofício, invocando o art. 113 e o art. 139 do CTN, sob a alegação de que: O crédito tributário decorre da obrigação principal, nos termos do art. 139 do CTN; ∙ A obrigação principal abrange o valor principal do tributo e as penalidades pecuniárias, nos termos do art. 113, inciso I, do CTN; ∙ Então, o crédito tributário é composto pelo valor principal e multa de ofício; e ∙ Sendo assim, seria aplicável os juros de mora sobre a multa de ofício, por compor o débito tributário a multa de ofício, nos termos do art. 61 da Lei 9.430/96. Proveitoso também trazer que não há como se invocar o art. 113. § 2º, do CTN para se defender que a obrigação acessória convertese em obrigação principal, vez que a obrigação principal somente ocorre com a ocorrência do fato gerador. O que não é o caso da multa de ofício Sendo assim, a interpretação equivocada não merece prosperar. Vejamos: Fl. 4322DF CARF MF Processo nº 16327.720706/201118 Acórdão n.º 9303004.599 CSRFT3 Fl. 19 18 1. Traz o art. 139 do CTN (Grifos meus): “Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta.” 2. O art. 139, assim, considera que o crédito tributário surge com a obrigação principal; 3. Traz o art. 113, § 1º, do CTN: “[...] § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extingue se juntamente com o crédito dela decorrente.” 4. O art. 113, § 1º c/c o art. 139, do CTN, portanto, diz que o crédito tributário decorre com a obrigação principal que, por sua vez, surge com a ocorrência do fato gerador do tributo; 5. O que se conclui que o crédito tributário não poderia ser composto pelo valor da multa de ofício, eis que tal multa não surge com o fato gerador do tributo, mas com o lançamento de ofício; 6. Por conseguinte, não há que se falar em aplicação dos juros de mora sobre a multa de ofício, nos termos do art. 61 da Lei 9.430/96 e do art. 161 do CTN, vez que tais juros somente incidem sobre o crédito tributário. Em vista de todo o exposto, entendo que não são aplicáveis juros sobre a multa de ofício. Frisese tal entendimento o Acórdão nº 9101000.722 da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (já sob a estrutura do CARF): “JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO – INAPLICABILIDADE – Os juros de mora só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor da multa de ofício aplicada”. (grifos nossos) Ademais, tornase impossível também ignorar os entendimentos proferidos no mesmo sentido da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF ao julgar recurso especial nº 202131.351 (Acórdão CSRF/0203.133), bem como da 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF (Acórdão nº 140100.027), da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais nos autos do processo nº 10680.011107/200629 (Acórdão nº 220100.126). Aproveito ainda trazer que não há como se invocar equivocadamente o art. 30 da Lei 10.522/02 para se aplicar os juros sobre a multa de ofício. Eis a redação do art. 30 da Lei 10.522/02 (Grifos Meus): Art. 30. Em relação aos débitos referidos no art. 29, bem como aos inscritos em Dívida Ativa da União, passam a incidir, a partir de 1o de janeiro de 1997, juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento, e de 1% (um por cento) no mês de pagamento. E o art. 29 referendado no dispositivo (Grifos meus): Fl. 4323DF CARF MF Processo nº 16327.720706/201118 Acórdão n.º 9303004.599 CSRFT3 Fl. 20 19 “Art. 29. Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União, constituídos ou não, cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31 de dezembro de 1994, que não hajam sido objeto de parcelamento requerido ate 31 de agosto de 1995, expressos em quantidade de Ufir, serão reconvertidos para real, com base no valor daquela fixado para 1o de janeiro de 1997. [...] Ora, os débitos “de qualquer natureza” tratados no art. 30, caput, da Lei, são específicos – ou seja, somente são aqueles decorrentes de fatos geradores ocorridos até 31.12.94, nos termos do art. 29 da Lei 10.522/02. Sendo assim, apenas trago que não há também como se aplicar os juros sobre a multa de ofício, invocando tais dispositivos e cegandose a literalidade da norma.” Em vista de todo o exposto, conheço e dou provimento ao Recurso Especial apresentado pelo Contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Fl. 4324DF CARF MF Processo nº 16327.720706/201118 Acórdão n.º 9303004.599 CSRFT3 Fl. 21 20 Voto Vencedor Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado Com o devido respeito ao voto da ilustre relatora, tenho entendimento diferente em relação às matérias postas em julgamento no âmbito do presente recurso especial apresentado pelo contribuinte. A tributação pelo PIS e pela Cofins em decorrência das vendas das ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F S/A relativas ao processo denominado de desmutualização das bolsas de valores é uma matéria recorrente no âmbito do contencioso administrativo. Existem decisões antagônicas, a exemplo das decisões paradigmáticas constantes do presente recurso especial. As decisões que entendem pela impossibilidade da tributação, em apertada síntese, concluíram que o entendimento da fiscalização estava equivocado, na medida em que não houve uma devolução do patrimônio aos associados das antigas associações, mas uma cisão seguida de incorporação. Nessa circunstância, os antigos títulos patrimoniais teriam sido substituído por ações das novas companhias e permanecem no ativo permanente, não podendo, suas vendas, serem tributadas pelo PIS e pela Cofins, por disposição expressa constante do inc. IV do § 2º do art. 3º da Lei nº 9.718/98. Aliás este é o entendimento da ilustre relatora. A outra linha decisória, a qual me filio, são representadas, a título de exemplo pelos Acórdãos nº 3302002.713, de 16/09/2014, e 3202001.178, de 24/04/2014. Por economia processual e nos termos do § 1º do art. 50 da Lei nº 9.784/99, adoto o voto condutor do voto vencedor do Acórdão nº 3202001.178, elaborado pelo Conselheiro Luís Eduardo Garrosino Barbieri, utilizandoo como razão de decidir. Transcrevo abaixo trechos relevantes: (...) Do objeto da controvérsia Com todo respeito ao ilustre Conselheiro Relator Gilberto de Castro Moreira Junior, divirjo de seu entendimento quanto aos efeitos jurídicotributários do conjunto de operações societárias denominada “desmutualização” da Bovespa e da BM&F, especificamente quanto a incidência do PIS e da Cofins sobre as receitas de alienações das ações recebidas quando da transferência das atividades, até então desempenhadas pelas associações sem fins lucrativos, para as sociedades anônimas (BM&F S/A e Bovespa Holding S/A), conforme já ficou assentado em outros Fl. 4325DF CARF MF Processo nº 16327.720706/201118 Acórdão n.º 9303004.599 CSRFT3 Fl. 22 21 julgados desta Turma (Acórdãos nº 320200.707, 3202000.713, 3202000.706 e 3202000.711, todos julgados na sessão de 23/04/2013). A autoridade fiscal alega que os referidos direitos sobre as ações deveriam compor o “ativo circulante” e quando da venda haveria a incidência das contribuições; a Recorrente entende que deveriam ser classificados no “ativo permanente”, portanto, as receitas decorrentes da venda não sofreriam a incidência das contribuições. Três questões precisam ser analisadas para definirmos quais os efeitos jurídicotributários decorrem da desmutualização das bolsas: 1ª Se a formatação adotada nessas operações societárias encontra abrigo no ordenamento jurídico brasileiro; 2º Se os títulos patrimoniais tem a mesma natureza jurídica das ações recebidas pelas corretoras no processo de desmutualização e, por conseguinte em qual grupo contábil as ações deveriam ser classificadas: Ativo Circulante ou Ativo Permanente? 3ª. E por fim, se a receita de vendas das ações recebidas pelas corretoras está sujeita a incidência do PIS e da Cofins ? Antes de posicionarmonos quanto aos efeitos jurídicos da “desmutualização” da Bovespa e da BM&F mostrase necessário compreender no que exatamente consistiu esse conjunto de operações societárias que culminou com a unificação da Bovespa com a BM&F para, ao final, restarem fundidas na BM&F Bovespa S/A. Da operação denominada “desmutualização” das bolsas Para uma melhor elucidação dos fatos ocorridos transcrevemos trechos do detalhado relato histórico constante do artigo “A Desmutualização das Bolsas de Valores e seus Efeitos Fiscais para PIS/COFINS”, de Cassio Sztokfisz e Igor Nascimento de Souza (publicado no livro “PIS e Cofins à luz da jurisprudência do CARF – volume 2” – coordenadores Marcelo Magalhães Peixoto e Gilberto de Castro Moreira Junior. São Paulo: MP Editora, 2013), muito embora já adiantamos não concordar com as conclusões nele trazidas quanto ao efeito jurídicotributário da operação: A BM&F e a BOVESPA eram entidades estabelecidas na forma de associações civis sem fins lucrativos, que se enquadravam no artigo 15 da Lei n. 9.532/97. Assim, entendidos os requisitos dessa Lei, as associações eram isentas do pagamento do IRPJ e CSLL. Para que pudessem operar no mercado de capitais por meio das aludidas Bolsas, as sociedades corretoras e distribuidoras de valores mobiliários deveriam deter títulos representativos do patrimônio daquelas entidades (art. 3º, §2º, do Regulamento Anexo à Resolução n. 1.655/1989). No ano de 1997, houve a primeira operação de reestruturação da BOVESPA, pela qual foram criadas duas empresas distintas, a Clearing S.A. (“Clearing”) – posteriormente denominada Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia (“CLBC”) – e a Bovespa Serviços e Participações S.A. (“Bovespa Serviços”). A CBLC foi criada mediante cisão de parte do patrimônio da BOVESPA e ficou incumbida de atuar como câmara de compensação e custodiar ações e Fl. 4326DF CARF MF Processo nº 16327.720706/201118 Acórdão n.º 9303004.599 CSRFT3 Fl. 23 22 títulos. Por sua vez, a Bovespa Serviços, subsidiária integral da BOVESPA, ficou com as funções de dar suporte aos serviços de informática e telefonia da BOVESPA, portanto responsável por exercer atividades relacionadas com negociação, controle, fiscalização e difusão de informações. Em 2007, visando à unificação de suas operações e à obtenção de lucro com as suas atividades, as Bolsas iniciaram mais uma reestruturação societária, que se deu mediante cisão das associações e incorporação da parcela cindida por sociedades anônimas de capital aberto. Nessa medida, os títulos detidos pelas sociedades corretoras na BM&F e na BOVESPA foram trocados por ações das novas companhias – BM&F S.A. e BOVESPA HOLDING S.A., respectivamente. Em relação à BM&F, tal associação sofreu cisão parcial pela qual foi criada a sociedade anônima BM&F, em operação formalizada por meio do “Instrumento de Protocolo e Justificativa da Operação de Cisão Parcial da Bolsa de Mercadoria & Futuros BM&F, datado de 17 de setembro de 2007, e da “Ata de Assembleia Geral Extraordinária da BM&F S.A.”, de 20 de setembro de 2007, que aprovou a incorporação da parcela cindida do patrimônio da BM&F. Nos termos do Protocolo, a BM&F S.A. sucedeu a BM&F em todos os direitos e obrigações, bem como recebeu parcela de seu patrimônio. Por sua vez, a BM&F passou a exercer atividades de natureza assistencial, educacional e desportiva e ficou com um patrimônio residual. Em decorrência dessa operação, houve emissão de ações ordinárias da BM&F S.A., atribuídas aos detentores de títulos patrimoniais da BM&F, com base no balanço patrimonial da BM&F apurado no balancete de 31 de agosto de 2007. É importante salientar que, nos termos do item 7.1 do aludido Protocolo, a operação em discussão não deu direito de retirada aos detentores de títulos patrimoniais da BM&F. A BOVESPA, por sua vez, teve sua cisão aprovada por Assembleias Gerais Extraordinárias (“AGE”) realizadas em 28 de agosto de 2007, aprovando versão de parte de seu patrimônio à Bovespa Serviços e à BOVESPA HOLDING S.A. Por essa operação os direitos e obrigações da BOVESPA foram transmitidos para a Bovespa Serviços e para a BOVESPA HOLDING S.A., restando a BOVESPA (associação) com capital social residual. Na ata de AGE da BOVESPA HOLDING S.A., datada de 28 de agosto de 2007, foi aprovada a incorporação da parcela cindida da BOVESPA, nos termos do “Protocolo e Justificação da Cisão Parcial da Bolsa de Valores de São Paulo com Incorporação das Parcelas Cindidas pela Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia (“CLBC”), Bovespa Serviços e Participações S.A e Bovespa Holding S.A.”, celebrado em 17 de agosto de 2007. Em outra ata de AGE, da mesma empresa e com mesma data, foi aprovada a incorporação da totalidade de ações da Bolsa de Valores de São Paulo S.A. (atual denominação da Bovespa Serviços e Participações S.A.) e da CLBC. Fl. 4327DF CARF MF Processo nº 16327.720706/201118 Acórdão n.º 9303004.599 CSRFT3 Fl. 24 23 Cumpre mencionar que, nesse interregno, em relação às ações detidas junto à BM&F S.A., muitas sociedades corretoras se comprometeram, por meio da assinatura de “Termo de Adesão ao Instrumento Particular de Assunção de Obrigações Celebrado no âmbito da Bolsa de Mercadorias & Futuros BM&F”, a alienar 35% das ações a elas atribuídas no processo de desmutualização na Oferta Pública Inicial (“IPO”). Além disso, grande parte das sociedades corretoras firmou, conforme “Instrumento de Aceitação de Venda de Ações Ordinárias da Bolsa de Mercadorias & Futuros BM&F S.A.”, a alienação de um percentual de cerca de 10% de suas ações ordinárias da BM&F S.A. para um fundo de investimento integrante do grupo de Private Equity General Atlantic (“General Atlantic”). Em 14 de dezembro de 2007, foi constituída uma sociedade sob a denominação social de T.U.T.S.P.E. Empreendimentos e Participações S.A., com o objetivo social de participar em outras sociedades, como sócia ou acionista, no país ou no exterior (holding). Em 08 de abril de 2008, os acionistas dessa companhia aprovaram a alteração da sua denominação social, que passou a ser “Nova Bolsa S.A.”. Os Protocolos e Justificação de Incorporação celebrados em 17 de abril de 2008 entre a BM&F S.A. e a Nova Bolsa S.A. e a BOVESPA HOLDING S.A. e a Nova Bolsa S.A. resumiram a reorganização societária envolvendo a BM&F S.A. e a BOVESPA HOLDING S.A da seguinte forma: i) incorporação da BM&F S.A pela Nova Bolsa S.A., mediante versão à companhia do patrimônio líquido da BM&F; e ii) emissão de novas ações ordinárias, observando a proporção de 1 (uma) ação ordinária da Nova Bolsa S.A., para cada ação ordinária da BM&F S.A. O restante foi alocado como reserva de capital, de reavaliação, de lucros e estatutárias; Os acionistas da BM&F S.A, já na qualidade de acionistas da Nova Bolsa S.A., deliberam sobre a incorporação das ações da BOVESPA HOLDING S.A. da seguinte forma: iii) incorporação das ações da BOVESPA HOLDING S.A. pela Nova Bolsa S.A., a valor de mercado, sendo parte destinada ao capital social e o restante à formação de reserva de capital; e iv) emissão de novas ações ordinárias, na proporção de 1,42485643 ação ordinária da Nova Bolsa S.A para cada ação ordinária da BOVESPA HOLDING S.A., correspondendo a 50% das ações ordinárias da Nova Bolsa S.A. (permanecendo os outros 50% sob titularidade da BM&F S.A.) e novas ações preferenciais que foram entregues aos acionistas da BOVESPA HOLDING S.A.. As ações preferenciais foram resgatadas contra reserva de capital sem redução social da Companhia. Por fim, em assembleias realizadas na data de 08 de maio de 2008 foram aprovadas as incorporações, pela Nova Bolsa S.A., da BM&F S.A. e das ações da BOVESPA HOLDING S.A., unificandose as operações das bolsas de valores e de mercadorias e futuros na Nova Bolsa S.A., que passou a se denominar BM&F BOVESPA S.A. (negritamos) Fl. 4328DF CARF MF Processo nº 16327.720706/201118 Acórdão n.º 9303004.599 CSRFT3 Fl. 25 24 Muito bem. Elucidadas as operações societárias ocorridas, passemos a análise e compreensão de seus efeitos à luz do nosso ordenamento jurídico. De antemão ressaltamos o nosso entendimento de que com a operação de desmutualização não houve uma “mera sucessão” da associação sem fins lucrativos pelas sociedades anônimas de capital aberto, por expressa vedação legal. Não há como aceitar a tese de que houve uma singela “transformação” dos títulos patrimoniais detidos por ações das novas companhias, uma vez que se trata de direitos de naturezas jurídicas absolutamente distintas. Ao fim e ao cabo, a Recorrente recebeu novas ações, até então inexistentes, emitidas por pessoas jurídicas constituídas sob a forma de sociedade anônima (BM&F S.A. e Bovespa Holding S.A.). Vejamos o dispositivo legal prescrito pelo artigo 61 do Código Civil que trata da dissolução das Associações para fins não econômicos: Art. 61. Dissolvida a associação, o remanescente do seu patrimônio líquido, depois de deduzidas, se for o caso, as quotas ou frações ideais referidas no parágrafo único do art. 56, será destinado à entidade de fins não econômicos designada no estatuto, ou, omisso este, por deliberação dos associados, à instituição municipal, estadual ou federal, de fins idênticos ou semelhantes. § 1º Por cláusula do estatuto ou, no seu silêncio, por deliberação dos associados, podem estes, antes da destinação do remanescente referida neste artigo, receber em restituição, atualizado o respectivo valor, as contribuições que tiverem prestado ao patrimônio da associação. § 2º Não existindo no Município, no Estado, no Distrito Federal ou no Território, em que a associação tiver sede, instituição nas condições indicadas neste artigo, o que remanescer do seu patrimônio se devolverá à Fazenda do Estado, do Distrito Federal ou da União. O artigo supramencionado prescreve que em caso de dissolução da associação o seu patrimônio remanescente será destinado à outra “entidade de fins não econômicos designada no estatuto”, ou, em caso de omissão estatutária, por deliberação dos associados o patrimônio deverá ser destinado à instituição municipal, estadual ou federal. O §1º possibilita, ainda, que por cláusula estatutária, ou no seu silêncio, por deliberação dos associados, antes da destinação do patrimônio como previsto no caput, seja restituída a parcela das contribuições que os associados tiverem prestado ao patrimônio da associação. Assim sendo, dissolvida a associação o destino do seu patrimônio deve ser aquele previsto no Código Civil, conforme dispositivo supratranscrito, não se podendo admitir destinação diversa. Não há, portanto, como reverter o patrimônio de uma Associação sem fins lucrativos a uma sociedade por ações. A conversão dos títulos patrimoniais de Associação sem fins lucrativos para uma sociedade por ações, após a cisão das Associações e incorporação da parcela cindida por sociedades anônimas de capital aberto, como pretende justificar a Recorrente, vai frontalmente de encontro ao que dispõe o artigo 61 do Código Civil. Fl. 4329DF CARF MF Processo nº 16327.720706/201118 Acórdão n.º 9303004.599 CSRFT3 Fl. 26 25 De outro lado, o artigo 1.113 não socorre a Recorrente, uma vez que se refere especificamente ao ato de transformação das sociedades (dentro do Livro II – Do Direito de Empresa; Título II – Da Sociedade: artigos 981/1.141), não se aplicando às Associações sem fins lucrativos (tratadas nos artigos 53 a 61), verbis: Art. 1.113. O ato de transformação independe de dissolução ou liquidação da sociedade, e obedecerá aos preceitos reguladores da constituição e inscrição próprios do tipo em que vai converterse. (grifamos) Reforça este entendimento a distinção feita no artigo 44 do mesmo Código, ao relacionar (e, portanto, distinguir) as pessoas jurídicas de direito privado, verbis: Art. 44. São pessoas jurídicas de direito privado: I as associações; II as sociedades; III as fundações. IV as organizações religiosas; V os partidos políticos. VI as empresas individuais de responsabilidade limitada Quanto ao artigo 2.033 do Código Civil prestase apenas a reforçar o comando de que as modificações dos atos constitutivos das pessoas jurídicas de direito privado (inclusive as associações e sociedades), bem como a sua transformação, incorporação, cisão ou fusão, serão regidas pelo Código, cada uma delas por normas específicas. Como já asseverado, a dissolução de Associação sem fins lucrativos é regida pelos dispositivos legais contidos no artigo 61. Portanto, as operações societárias conduzidas com base em convenções particulares não encontram respaldo, a meu ver, nem mesmo em normas do direito civil. E mais. Não há como acatar o argumento de que se a CVM – Comissão de Valores Mobiliários aceitou tais operações societárias, também devemos convalidá las na esfera tributária. Os efeitos jurídicotributários dessas operações não se inserem na esfera de competência da CVM. Não há como negar que a alegada “transformação” pretendida – de Associação sem fins lucrativos para sociedade anônima – implica em modificação da natureza jurídica dos direitos possuídos: não são equivalentes os títulos patrimoniais das associações e as ações da pessoa jurídica resultantes. Houve substancial alteração no direito em questão, uma vez que a Recorrente não era, anteriormente, detentora de ações das novas sociedades (BM&F S/A e Bovespa Holding S/A). Com isso, resta evidenciado que houve, sob a ótica de nosso ordenamento jurídico, devolução à Recorrente dos valores que correspondiam aos títulos patrimoniais que detinha, embora não devolvidos em espécie, mas utilizados na obtenção/subscrição de ações das novas sociedades (Bovespa Holding S/A e da BM&F S/A). Este fato é evidente, muito embora todas as operações societárias Fl. 4330DF CARF MF Processo nº 16327.720706/201118 Acórdão n.º 9303004.599 CSRFT3 Fl. 27 26 tenham sido conduzidas para tentar contornar o negócio jurídico efetivamente ocorrido, estruturadas com a aparência de “cisão seguida de incorporação”. Deste modo, não procede a argumentação de que a escrituração das ações recebidas deveria, necessariamente, continuar sendo feita no Ativo Permanente, assim como eram escriturados os títulos patrimoniais (as associações sem fins lucrativos). Esse entendimento restou assentado em diversos julgados proferidos pelo TRF da 3ª Região, embora todos tratando da incidência do IRPJ e da CSLL. Transcrevese a emenda constante da Apelação Cívil nº 0008706 05.2008.4.03.6100/SP: TRIBUTÁRIO. DEVOLUÇÃO À IMPETRANTE DOS VALORES CORRESPONDENTES A TÍTULOS DA BOVESPA E DA BM&F. INVESTIMENTO INTEGRAL EM AÇÕES DAS MESMAS ENTIDADES, TRANSFORMADAS EM SOCIEDADES POR AÇÕES. DIFERENÇA ENTRE O VALOR INVESTIDO E O VALOR DEVOLVIDO. CARACTERIZAÇÃO DE GANHOS DE CAPITAL. INAPLICABILIDADE DO "MÉTODO DA EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL". CARACTERIZAÇÃO DE RENDA. DISPONIBILIDADE JURÍDICA. INCIDÊNCIA DO ART. 17 DA LEI 9.532/97. 1. Nos termos da decisão já proferida no dia três do corrente, mantenho meu entendimento no sentido de que a matéria dos autos não se insere na competência da CVM, visto que esta não tem função de fiscalizar e exigir o pagamento de tributos, ainda que incidente sobre operações gestadas nas suas atividades típicas, pelo que deve ser indeferido o pedido de retirada do processo de pauta e o seu sobrestamento para manifestação da CVM. 2. Controvérsia sobre a aplicabilidade ou não do art. 17 e seus parágrafos, da Lei 9.532/97, para efeito de incidência do IRPJ e CSLL, sobre ganhos de capital, no tocante aos valores gerados pela atualização dos títulos patrimoniais que a impetrante detinha na BOVESPA e BM&F e que foram convertidos em ações daquelas instituições, quando da cisão em duas novas entidades, operação intitulada "desmutualização". 3. A conversão dos títulos em ações importa em reversão jurídica dos valores a que correspondiam os citados títulos, ainda que tais valores tenham sido integralmente convertidos em ações da entidade que resultou da transformação. 4. Caracterizada a disponibilidade jurídica dos ganhos de capital equivalentes à diferença entre o valor investido pela pessoa jurídica e aquele posteriormente devolvido a ela, configurando renda nos moldes do art. 43 do CTN. 5. A inocorrência de dissolução ou extinção da associação que se transformou em sociedade por ações Fl. 4331DF CARF MF Processo nº 16327.720706/201118 Acórdão n.º 9303004.599 CSRFT3 Fl. 28 27 (art. 1.113 e 2.033 do Código Civil) tem relevância apenas para a preservação da titularidade dos direitos e obrigações da própria sociedade, que não terá solução de continuidade e manterseá íntegra. 6. Todavia, é inegável que a transformação implica em modificação da natureza jurídica das participações societárias ou dos títulos de natureza similar que forem convertidos em ações da neonata pessoa jurídica. 7. Não há como ignorar o fato de que houve, do ponto de vista jurídico, a devolução à impetrante dos valores que correspondiam aos títulos que ela detinha, ainda que estes valores tenham sido inteiramente utilizados na aquisição de ações da nova sociedade. 8. Não há lugar, na hipótese dos autos, para contabilização dos ganhos de capital pelo "método da equivalência patrimonial", posto que este método tem aplicação quando surge a necessidade de encontrar a expressão econômica das participações no capital social de outra pessoa jurídica. 9. Esta não é a hipótese dos autos, em que o capital da impetrante estava investido em títulos e não em participação societária na outra empresa, daí porque as diferenças entre os valores investidos e aqueles devolvidos devem ser tratadas como ganhos de capital, sofrendo incidência do art. 17 da Lei 9.532/97. 10. Não socorrem a impetrante os atos regulamentares e interpretativos editados antes da apontada lei, tal como a Portaria MF 785/77, visto que se consideram abrogados pela nova legislação, que cuida especificamente do tema em discussão. 11. Rejeitada a alegação de decadência, haja vista que o fato gerador do IRPJ e da CSLL (devolução dos títulos) ocorreu somente depois que houve a deliberação, em Assembleia Geral Extraordinária, pela transformação da BOVESPA e da BM&F em sociedades anônimas, respectivamente, em 28 de agosto e 20 de setembro de 2007, menos de um ano antes do ajuizamento do presente "mandamus". 12. Improvido o agravo retido, por ausência de verossimilhança das alegações da parte agravante. 13. Apelação improvida. No mesmo sentido, os seguintes julgados do TRF3ª Região: Apelação Cívil Nº 000812150.2008.4.03.6100/SP; Apelação Cívil Nº 000238466.2008.4.03.6100/SP e Apelação Cívil Nº 000852215.2009.4.03.6100/SP. Da natureza da escrituração das ações recebidas em decorrência da desmutualização Fl. 4332DF CARF MF Processo nº 16327.720706/201118 Acórdão n.º 9303004.599 CSRFT3 Fl. 29 28 Passemos a questão referente à escrituração das ações recebidas pelas sociedades corretoras em decorrência das operações societárias acima explanadas. Se os títulos patrimoniais eram necessários para que as corretoras pudessem exercer sua atividade de operar nas bolsas, correta está sua caracterização como Ativo Permanente em função do princípio da continuidade. Entretanto, o mesmo não acontece com as ações recebidas na desmutualização, que são valores mobiliários ordinários, possuindo características distintas dos títulos patrimoniais, não sendo necessário deter a posse dessas ações para que a empresa opere em bolsa. Essas ações representam papéis negociáveis, e justamente por isso puderam ser vendidas pela Recorrente. Neste sentido, vejamos o que dispõe o artigo 179 da Lei nº 6.404/1976 (Lei das S/A), que trata da matéria: Art. 179. As contas serão classificadas do seguinte modo: I no ativo circulante: as disponibilidades, os direitos realizáveis no curso do exercício social subsequente e as aplicações de recursos em despesas do exercício seguinte; II no ativo realizável a longo prazo: os direitos realizáveis após o término do exercício seguinte, assim como os derivados de vendas, adiantamentos ou empréstimos a sociedades coligadas ou controladas (artigo 243), diretores, acionistas ou participantes no lucro da companhia, que não constituírem negócios usuais na exploração do objeto da companhia; III em investimentos: as participações permanentes em outras sociedades e os direitos de qualquer natureza, não classificáveis no ativo circulante, e que não se destinem à manutenção da atividade da companhia ou da empresa; IV – no ativo imobilizado: os direitos que tenham por objeto bens corpóreos destinados à manutenção das atividades da companhia ou da empresa ou exercidos com essa finalidade, inclusive os decorrentes de operações que transfiram à companhia os benefícios, riscos e controle desses bens; Assim, tais ações recebidas deveriam ter sido classificadas no Ativo Circulante, uma vez que se referiam a direitos realizáveis no curso do exercício social subsequente... (...) A meu sentir, não há dúvidas que havia a intenção de negociar parte das ações recebidas no curso do ano subsequente, na verdade no curso do próprio ano de 2007, desde a data da criação da BM&F S.A, em setembro de 2007. Aliás, esse foi o intuito dessa genial operação, sob o aspecto financeiro, ao “substituir” títulos patrimoniais de associação sem fins lucrativos em ações negociáveis por valores substancialmente superiores. Toda a moldagem das operações societárias que culminaram com a chamada desmutualização visava à obtenção de lucro com a receita da venda de parcela das ações recebidas. E não há Fl. 4333DF CARF MF Processo nº 16327.720706/201118 Acórdão n.º 9303004.599 CSRFT3 Fl. 30 29 nada de errado nisso, ao contrário é salutar, desde que se recolham os tributos devidos decorrentes da obtenção das receitas auferidas. Ademais, são fatos notórios (artigo 334, inciso I, CPC), amplamente divulgados ao público em geral, a criação da Bovespa Holding S.A. em agosto de 2007 e a Oferta Pública Inicial das ações em outubro de 2007, conforme pode ser atestado, a título ilustrativo, no informativo publicado na “Revista Bovespa”(site www.bmfbovespa.com.br/InstSites/RevistaBovespa/104/Capa.shtml, consulta efetuada em 20/04/2013), em trechos abaixo transcritos: Com o IPO, a Bolsa é a notícia. Seguindo à risca um cronograma rígido, a Bolsa de Valores de São Paulo transformouse em sociedade anônima em 28 de agosto de 2007, com o nome de Bovespa Holding S.A., tornouse uma empresa de capital aberto em 23 de outubro, incluída no Novo Mercado da própria Bolsa e três dias depois seus papéis – todos eles ordinários e nominativos – começaram a ser negociados. Foi uma estreia e tanto: mais de 50% de valorização no primeiro pregão, reflexo do interesse de investidores locais e internacionais. Mais do que a maior emissão do ano e recorde histórico no País, no montante de R$ 6,625 bilhões, a oferta pública inicial – também chamada de IPO (Initial Public Offering) – pode desde já ser batizada de a mais importante mudança nos 117 anos de história da instituição. (...) Assim, um ano e meio depois de começar efetivamente a desenvolver o projeto, dois meses após o pedido de registro na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), e encerrado um frenético roadshow de 16 dias pelo mundo, a Bovespa concluiu o processo de abertura de seu capital. A Bovespa Holding estreou no pregão exibindo conquistas que fazem justiça a todos os obstáculos dessa caminhada, permeada de minuciosos estudos, intensas negociações e acurada vigilância dos cenários macro, locais e globais. O IPO da Bolsa – como foi apelidado pela imprensa – não poderia ter sido mais bemsucedido. Foram colocadas no mercado 288 milhões de ações a um preço de emissão de R$ 23,00, o que propiciou uma captação de R$ 6,625 bilhões (cerca de US$ 3,7 bilhões), a maior da história no Brasil e a quinta do mundo, em 2007 (no topo do ranking global do ano, está a Petrochina, que levantou US$ 8,5 bilhões e estreou no começo de novembro em Xangai). A operação da Bovespa Holding representou mais que o dobro da captação da Ali Baba, empresa de internet chinesa, que ocorreu no mesmo período – equipes de ambas, por sinal, cruzaramse em Nova York, por conta dos roadshows simultâneos. Mas teve para a Bovespa ingredientes ainda mais saborosos: colocou 40,8% do capital no mercado, despertou o interesse de quase 70.000 investidores pessoas físicas (objeto de Fl. 4334DF CARF MF Processo nº 16327.720706/201118 Acórdão n.º 9303004.599 CSRFT3 Fl. 31 30 atenção especial), que ficaram com 10% do total ofertado, ao lado dos investidores institucionais brasileiros (20%) e estrangeiros (70%, porcentual em linha com os IPOs precedentes); a Bolsa de Nova York, por exemplo, levou 1%. Mais ainda, desconcentrou o capital: o maior acionista ficou com apenas 4,3% do capital da Bovespa. No dia da estreia em pregão, a ação da Bovespa Holding fechou cotada a R$ 34,99, uma alta de 52,13%. Foi “um dia de glória, sucesso e realização”, resumiu Magliano Filho, presidente da Bovespa conduzido à presidência do Conselho de Administração da nova empresa. O IPO representou um momento culminante da estratégia de ampliação da base acionária – combinada com a popularização do mercado que democratiza o capital – iniciada no começo da década, quando Magliano assumiu o comando da entidade. (...) Já em meados deste ano, depois de dezenas de estudos, projeções, reuniões e conversações, ficou pronta a proposta. No dia 28 de agosto passado, realizouse a assembleia que aprovou por unanimidade a desmutualização e a consequente abertura de capital, incluídas todas as condições para a oferta pública e seu respectivo prospecto. Foram 3 horas e meia de uma reunião fatiada, na verdade, em sete assembleias, dada a agenda específica a ser cumprida. No dia seguinte, 29, a Bolsa apresentava à CVM o pedido de registro de companhia aberta para a Bovespa Holding acompanhado da solicitação da oferta pública (IPO). (...) Em face de todos os elementos probantes acima citados, assim como em decorrência da própria formatação das operações negociais efetuadas, é de se concluir que a Recorrente obteve, com a desmutualização, ações de terceiros com a intenção (ou compromisso) de posterior alienação e que, efetivamente, como compromissado, vendeu as ações no mesmo exercício de sua aquisição (ano 2007). Reforça, ainda, este entendimento o Parecer Normativo CST nº 108/78, editado para dirimir dúvidas quanto à classificação de determinadas contas (embora tratando especificamente sobre os efeitos da correção monetária do balanço, à época exigida), verbis: INVESTIMENTOS 7. Classificamse como investimentos, segundo a nova Lei das S. A., 'as participações permanentes em outras sociedades e os direitos de qualquer natureza, não classificáveis no ativo circulante, e que não se destinem à manutenção da atividade da companhia ou empresa' (art. 179, III). Com relação ao dispositivo transcrito, dois pontos demandam interpretação: (1) o que se deve Fl. 4335DF CARF MF Processo nº 16327.720706/201118 Acórdão n.º 9303004.599 CSRFT3 Fl. 32 31 entender por 'participações permanentes' e (2) quais seriam os 'direitos de qualquer natureza'. 7.1 Por participações permanentes em outras sociedades, se entendem os importâncias aplicadas na aquisição de ações e outros títulos de participação societária, com a intenção de mantêlas em caráter permanente, seja para obter controle societário, seja por interesses econômicos, como, por exemplo, a constituição de fonte permanente de renda. Essa intenção será manifestada no momento em que se adquire a participação, mediante a sua inclusão no subgrupo de investimentos caso haja interesse de permanência ou registro no ativo circulante, não havendo esse interesse. Será, no entanto, presumida a intenção de permanência sempre que o valor registrado no ativo circulante não for alienado até a data do balanço do exercício seguinte àquele em que tiver sido adquirido; neste caso, deverá o valor da aplicação ser transferido para o subgrupo de investimentos e procedida a sua correção monetária, considerando como data de aquisição a do balanço do exercício social anterior." (grifamos) No mesmo sentido a doutrina abaixo transcrita que aborda os requisitos necessários à classificação das participações permanentes em outras sociedades no Ativo: Essas participações são os tradicionais investimentos em outras empresas, na forma de ações ou de quotas. Devem ter a característica de permanente, ou seja, incluemse aqui somente investimentos em outras sociedades que tenham a característica de aplicação de capital, não de forma temporária ou especulativa, existindo efetiva intenção de usufruir dos rendimentos proporcionados por esses investimentos." (IUDÍCIBUS, Sérgio de; MARTINS, Eliseu; GELBCKE, Ernesto Rubens; Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações. 6ª ed., São Paulo: Editora Atlas, 2006, pag. 147/148.) Destarte, em atendimento ao artigo 179, inciso I, da Lei nº 6.404/1976 a Recorrente deveria ter contabilizado esses direitos sobre as ações no Ativo Circulante, uma vez que em decorrência da modificação da natureza jurídica dos direitos possuídos, caracterizada pela devolução dos títulos patrimoniais e o recebimento das ações, o momento da criação das sociedades anônimas é que deve ser considerado como marco inicial para se averiguar a intenção de alienar aquele determinado ativo, com vistas a classificálo no Ativo Circulante ou no Ativo Permanente. Dos efeitos jurídicotributários da operação de “desmutualização” das bolsas Como relatado, as operações societárias foram conduzidas de modo a resultar na criação, cisão, incorporação e extinção de empresas, de acordo suas conveniências negociais. Entretanto, as convenções e os contratos particulares não Fl. 4336DF CARF MF Processo nº 16327.720706/201118 Acórdão n.º 9303004.599 CSRFT3 Fl. 33 32 têm o condão de vincular os efeitos tributários decorrentes dessas operações, em homenagem ao princípio da legalidade. Muito embora as operações societárias que resultaram na desmutualização das Bolsas tenham sido engendradas pelos partícipes das referidas entidades com a finalidade de maximizar a obtenção de lucro decorrente das receitas auferidas com as vendas das ações recebidas, como já argumentado, foram feitas em descompasso com prescrito no Código Civil, mais especificamente o artigo 61, não podendo, portanto, produzir os efeitos jurídicotributários almejados, qual seja a não incidência das contribuições para o PIS e para a Cofins. Ressaltese que não se está aqui pretendendo desconsiderar os negócios jurídicos, apenas se está aplicando os efeitos jurídicotributários previstos na legislação de regência. A autoridade fiscal fez o enquadramento legal das receitas auferidas nos artigos 2º e 3º da Lei nº 9.718/98 (efolhas 157 e 162), que têm a seguinte redação: Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 1º (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: (...) IV a receita decorrente da venda de bens do ativo permanente. (...) § 5º Na hipótese das pessoas jurídicas referidas no § 1º do art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, serão admitidas, para os efeitos da COFINS, as mesmas exclusões e deduções facultadas para fins de determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP. § 6º Na determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, as pessoas jurídicas referidas no §1o do art. 22 da Lei no 8.212, de 1991, além das exclusões e deduções mencionadas no § 5o, poderão excluir ou deduzir: (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) As ações recebidas pela Recorrente devem ser classificadas no Ativo Circulante, como já demonstrado linhas atrás, deste modo, as receitas obtidas com a Fl. 4337DF CARF MF Processo nº 16327.720706/201118 Acórdão n.º 9303004.599 CSRFT3 Fl. 34 33 alienação destas ações constituem receita bruta operacional auferida pela pessoa jurídica, sujeita à incidência do PIS e da Cofins, como passamos a demonstrar. Em nosso ordenamento jurídico encontramos os termos “faturamento” e “receita bruta” bem delineados nos seguintes dispositivos legais: DecretoLei nº 1.598/77: Art. 12 A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria e o preço dos serviços prestados. Lei Complementar nº 70/91: Art. 2° A contribuição de que trata o artigo anterior será de dois por cento e incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Lei nº 9.715/98: Art. 3º Para os efeitos do inciso I do artigo anterior considerase faturamento a receita bruta, como definida pela legislação do imposto de renda, proveniente da venda de bens nas operações de conta própria, do preço dos serviços prestados e do resultado auferido nas operações de conta alheia. Também restou assentado no julgamento da Ação Declaratória de Constitucionalidade nº 11/DF pelo STF que o faturamento referese a “receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza” (trecho do voto do Ministro Moreira Alves). Pois bem. As ações, no caso dos bancos, são os bens/mercadorias objeto das operações de compra e venda, portanto, a receita de venda destes bens/mercadorias enquadrase perfeitamente nas definições dos dispositivos supramencionados, devendo ser considerada como receita bruta/faturamento dessas empresas. Deste modo, as receitas auferidas pela alienação das ações da BM&F S.A de sua titularidade, decorrentes de atividade típica da Recorrente, devem ser enquadradas como receitas brutas operacionais e por isso estão sujeitas à incidência do PIS e da Cofins, tanto pela caracterização destas operações como “vendas de mercadorias”, que compõem o seu faturamento, conforme dispõem o caput, dos artigos 2º e 3º da Lei nº 9.718/98, como pelo fato de comporem a receita bruta operacional das instituições financeiras, nos termos dos parágrafos 5º e 6º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. Os mencionados §§ 5º e 6º dispõem que as exclusões seriam as mesmas do PIS, previstas na Lei nº 9.701, de 1998, que define a base de cálculo como sendo a “receita bruta operacional auferida no mês”. (...) Complementando o raciocínio constante do transcrito voto, temse que o STF, apesar de declarar a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, deixou Fl. 4338DF CARF MF Processo nº 16327.720706/201118 Acórdão n.º 9303004.599 CSRFT3 Fl. 35 34 evidente o entendimento de que o faturamento corresponde ao somatório das receitas provenientes das atividades empresariais típicas. No recurso extraordinário 401.348, o Ministro Cezar Peluso em decisão monocrática deu provimento ao recurso para que não incluísse na base de incidência do PIS, receita estranha ao seu faturamento, in verbis: 1. Tratase de recurso extraordinário interposto contra acórdão que declarou a constitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, relativo ao alargamento da base de cálculo do PIS. 2. Consistente o recurso. A tese do acórdão recorrido está em aberta divergência com a orientação da Corte, cujo Plenário, em data recente, consolidou, com nosso voto vencedor declarado, o entendimento de inconstitucionalidade apenas do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando assim a noção de faturamento pressuposta na redação original do art. 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais (cf. RE nº 346.084PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO; RE nº 357.950RS, RE nº 358.273RS e RE nº 390.840MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, todos julgados em 09.11.2005. Ver Informativo STF nº 408, p. 1). 3. Diante do exposto, e com fundamento no art. 557, § 1ºA, do CPC, conheço do recurso e doulhe provimento, para, concedendo a ordem, excluir, da base de incidência do PIS, receita estranha ao faturamento do recorrente, entendido esse nos termos já suso enunciados.(Grifei) Já no julgamento do recurso extraordinário 346.084PR, o mesmo Ministro Cezar Peluso esclareceu o seu entendimento a respeito do conceito de faturamento: “Quando me referi ao conceito construído sobretudo no RE 150.755, sob a expressão “receita bruta de venda de mercadorias e prestação de serviço”, quis significar que tal conceito está ligado a ideia de produto do exercício de atividades empresariais típicas, ou seja, que nessa expressão se inclui todo incremento patrimonial resultante do exercício de atividades empresariais típicas.” (Grifei) (...) “Por isso, estou insistindo na sinonímia "faturamento" e "receita operacional", exclusivamente, correspondente àqueles ingressos que decorrem da razão social da empresa, da sua finalidade institucional, do seu ramo de negócio, enfim.” (Grifei) Fl. 4339DF CARF MF Processo nº 16327.720706/201118 Acórdão n.º 9303004.599 CSRFT3 Fl. 36 35 Extraise dos entendimentos acima exarados que a declaração de inconstitucionalidade apenas firmou o entendimento de que não é qualquer receita que pode ser considerada faturamento para fins de sua incidência, mas tão somente aquelas vinculadas ao exercício de sua finalidade institucional. Ou seja, aquele conceito antigo de que faturamento restringese a emissão de faturas estaria ultrapassado. Então passemos a verificar em que consistem as atividades fins das sociedades corretoras. O Conselho Monetário Nacional, por meio da Resolução nº 1.655/89 aprovou a regulamentação para o funcionamento das sociedades corretoras de valores mobiliários. O art. 2º do Regulamento determina o objeto social: Art. 2°A sociedade corretora tem por objeto social: I operar em recinto ou em sistema mantido por bolsa de valores; II subscrever, isoladamente ou em consórcio com outras sociedades autorizadas, emissões de títulos e valores mobiliários para revenda; III intermediar oferta pública e distribuição de títulos e valores mobiliários no mercado; IV comprar e vender títulos e valores mobiliários por conta própria e de terceiros, observada regulamentação baixada pela Comissão de Valores Mobiliários e Banco Central do Brasil nas suas respectivas áreas de competência; (...) Reproduzindo o disposto acima, o Contrato Social Empresarial Consolidado, efl. 176, em seu art. 3º, assim estabelece: Art.3º A Sociedade terá como objetivo social a) Operar com exclusividade em Bolsa de Valores, à vista e a termo, com títulos e valores mobiliários de negociação autorizada; b) comprar, vender e distribuir títulos e valores mobiliários, por conta própria e de terceiros; (...) Portanto, a venda de ações constitui uma das operações usuais típicas de uma sociedade corretora de títulos e valores mobiliários, como é o caso da recorrente. Dessa forma, o seu faturamento, já delineado nos termos retroexpostos, configura base de cálculo do PIS e Fl. 4340DF CARF MF Processo nº 16327.720706/201118 Acórdão n.º 9303004.599 CSRFT3 Fl. 37 36 da Cofins nos termos previstos na Lei nº 9.718/98, sem qualquer afetação quanto à declaração de inconstitucionalidade proferida pelo STF em relação ao § 1º do art. 3º da referida lei. Portanto nega se provimento ao recurso especial entendendo que a classificação correta da escrituração contábil dos títulos deve ser efetuada no ativo circulante. Abrangência das decisões judiciais Quanto aos pedidos do contribuinte de que não poderia haver a exigibilidade dos tributos e o cancelamento da multa de ofício em face das decisões proferidas na ação nº 2006.61.00.0176750, penso que não há reparos a fazer quanto ao decidido na decisão recorrida. Neste sentido transcrevo abaixo parte de suas razões: (...) Em outra argumentação, a recorrente defende a suspensão da exigibilidade dos tributos e cancelamento da multa de ofício e juros de mora, em razão das decisões proferidas na ação 2006.61.00.0176750. Analisando o pedido inicial, constatase em seu item 3 que a recorrente pediu a procedência do pedido, “com a decretação da inconstitucionalidade e ilegalidade das Contribuições para o PIS e a COFINS nos termos das Leis nº 9.718/98, nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, e a conseqüente declaração de inexistência de relação jurídica entre a Autoria e a Ré, bem como a condenação da Ré na restituição dos valores pagos ...”. Conforme certidão de efl. 54, a sentença julgou parcialmente procedente o pedido para declarar a inexistência de relação jurídica que obrigasse a recolher as contribuições nos termos do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, bem como o direito à repetição dos valores indevidamente pagos, respeitados o prazo qüinqüenal de prescrição. Em consulta ao andamento processual no TRF3º Região, constatase que o processo ainda não foi julgado pelo tribunal. Concluise, portanto, que o objeto da ação judicial não abrange o objeto do lançamento, o qual consiste em tributar receitas operacionais típicas da recorrente, compreendidas em seu objeto social, como já exposto no artigo 3º do Contrato Social. Aliás, tal assertiva depreendese da própria petição inicial, na qual a recorrente discorreu que “Portanto, as receitas auferidas com atividades que não compreendem seus objetivos sociais são meras receitas patrimoniais, as quais não foram erigidas pelo legislador pátrio para compor a base de cálculo das contribuições ao PIS/COFINS.”. Evidenciase que a recorrente questiona a incidência das contribuições sobre as receitas não compreendidas em seus objetivos sociais, e, em momento algum, obteve decisão afastando receitas constantes de seus objetivos sociais. (...) Fl. 4341DF CARF MF Processo nº 16327.720706/201118 Acórdão n.º 9303004.599 CSRFT3 Fl. 38 37 Correta a decisão. O presente lançamento está a exigir PIS e Cofins incidentes sobre o faturamento do recorrente, assim entendido, aquele decorrente do exercício de suas atividades operacionais típicas, sendo certo, nos termos acima transcritos, que ele não obteve provimento judicial para afastar a tributação nos termos que se exige no presente processo. Assim não há porque afastar a exigibilidade do tributo e nem a incidência da correspondente multa de ofício. Juros sobre a multa de ofício O recorrente defende que não é aplicável os juros Selic sobre a multa de ofício. Em seu recurso ele faz um estudo jurídico para concluir que não há previsão legal para esta incidência. De acordo com o art. 161 do CTN, o crédito tributário não pago no vencimento deve ser acrescido de juros de mora, qualquer que seja o motivo da sua falta. Dispõe ainda em seu parágrafo primeiro que, se a lei não dispuser de modo diverso, os juros serão cobrados à taxa de 1% ao mês. De forma que o art 61 da Lei nº 9.430/96 determinou que, a partir de janeiro/97, os débitos vencidos com a União serão acrescidos de juros de mora calculados pela taxa Selic quando não pagos nos prazos previstos na legislação tributária, até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Entendo que os débitos a que se refere o art. 61 da Lei nº 9.430/96 correspondem ao crédito tributário de que dispõe o art. 161 do CTN. O art. 139 do CTN dispõe que o crédito tributário decorre da obrigação tributária e tem a mesma natureza desta. Já o art. 113, parágrafo primeiro, do mesmo diploma legal, define que a obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. Assim, se o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta, necessariamente deve abranger o tributo e a penalidade pecuniária. A multa de ofício aplicada ao presente lançamento está prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/96 que prevê expressamente a sua exigência juntamente com o tributo devido. Ao constituir o crédito tributário pelo lançamento de ofício, ao tributo somase a multa de ofício, Fl. 4342DF CARF MF Processo nº 16327.720706/201118 Acórdão n.º 9303004.599 CSRFT3 Fl. 39 38 tendo ambos a natureza de obrigação tributária principal, devendo incidir os juros à taxa Selic sobre a sua totalidade. Tanto é assim, que a própria Lei 9.430/96, em seu art. 43, prevê a incidência de juros Selic quando a multa de ofício é lançada de maneira isolada. Não faria sentido a incidência dos juros somente sobre a multa de ofício exigida isoladamente, pois ambas tem a mesma natureza tributária. Neste mesmo sentido, transcrevo abaixo algumas recentes decisões da CSRF: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005, 2006 [...] JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. Por ser parte integrante do crédito tributário, a multa de ofício sofre a incidência dos juros de mora, conforme estabelecido no art. 161 do CTN. Precedentes do STJ. (CSRF, 1ª Turma, Sessão de 13/12/2016, Acórdão nº 9101 002.514. Relator Conselheiro Rafael Vidal de Araújo). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Período de apuração: 01/01/2004 a 10/09/2004 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional, e sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Recurso Especial do Contribuinte conhecido e negado (CSRF, 2ª Turma, Sessão de 23/06/2016, Acórdão nº 9202 004.250. Relatora Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo). ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/10/2007 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. O crédito tributário, quer se refira a tributo, quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o Fl. 4343DF CARF MF Processo nº 16327.720706/201118 Acórdão n.º 9303004.599 CSRFT3 Fl. 40 39 mês anterior ao pagamento e de um por cento no mês de pagamento. [...] (CSRF, 3ª Turma, Sessão de 08/12/2016, Acórdão nº 9303 004.570. Relator Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas). Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso especial apresentado pelo contribuinte. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado Fl. 4344DF CARF MF
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