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Numero do processo: 10314.720749/2016-62
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 10 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1302-000.629
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relatório e voto do Relator. Declarou-se impedido de participar do julgamento o conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca, sendo substituído pelo conselheiro Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado).
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Henrique Silva Figueiredo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Breno do Carmo Vieira (suplente convocado em substituição ao conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca), Flávio Machado Vilhena Dias, Maria Lúcia Miceli e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: PAULO HENRIQUE SILVA FIGUEIREDO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relatório e voto do Relator. Declarouse impedido de participar do julgamento o conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca, sendo substituído pelo conselheiro Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado). (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Breno do Carmo Vieira (suplente convocado em substituição ao conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca), Flávio Machado Vilhena Dias, Maria Lúcia Miceli e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Relatório Tratamse de Recurso Voluntário e Recurso de Ofício apresentados em relação ao Acórdão nº 1463.458, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP (fls. 33.148 a 33.209), que julgou procedente em parte a impugnação apresentada pelo sujeito passivo, e cuja ementa é a seguinte: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 14 .7 20 74 9/ 20 16 -6 2 Fl. 45047DF CARF MF Processo nº 10314.720749/201662 Resolução nº 1302000.629 S1C3T2 Fl. 45.048 2 "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011 GLOSA DE DESPESAS DESNECESSÁRIAS E INCOMPROVADAS. Correta a glosa de despesas que não atendem aos critérios de dedutibilidade para fins de apuração do IRPJ e CSLL. GLOSA DE DESPESAS. PERDAS. Correta a glosa de despesas com alegadas perdas no processo produtivo que não restaram devidamente comprovada, especialmente quanto a destinação dos resíduos. GLOSA DE DESPESAS. BENS COM VIDA ÚTIL SUPERIOR A UM ANO. Os gastos acima de R$ 326,61 com bens de vida útil superior a um ano, exceto manutenção ou reposição, devem ser contabilizados no ativo. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. PRINCÍPIO DO NÃO CONFISCO. Não compete ao julgador administrativo conhecer de pretensa ilegalidade ou inconstitucionalidade de lei ou ato normativo em pleno vigor, pelo que confirmase a exigência da multa de oficio e Selic." O processo tem por objeto autos de infração lavrados contra a Recorrente (fls. 2.092 a 2.104), para a exigência de IRPJ e CSLL, em relação ao anocalendário de 2011, no montante total de R$ 70.340.918,32 (juros de mora calculados até 04/2016). As conclusões do procedimento fiscal se encontram detalhadas no Termo de Verificação Fiscal (TVF) de fls. 1.972 a 2.028, tendo sido constatadas as infrações de: 1) custos de aquisição de bens do ativo permanente deduzidos como custos ou despesas operacionais; 2) despesas não necessárias; 3) despesas não comprovadas; 4) custos/despesas indedutíveis não adicionadas na determinação do Lucro Real, em um valor total de R$ 95.180.830,89, conforme detalhados no arquivo anexado à fl. 2.030. Cientificado do lançamento, o sujeito passivo apresentou a Impugnação de fls. 2.107 a 11.529 (renovada às fls. 11.533 a 33.138), por meio da qual sustentou: a) em primeiro lugar, que havia apresentado todos os documentos necessários à comprovação da existência e dedutibilidade dos custos e despesas, mas que os referidos documentos não teriam sido juntados ao processo, nem haveria evidência de que teriam sido analisados pela autoridade fiscal, o que violaria a ampla defesa e o contraditório, razão pela qual os apensou à sua peça impugnatória; b) que atua no ramo industrial e comercial, por meio de diversas divisões, em linhas de negócios não exaustivas, de modo que, devido à variada gama de atividades, não se poderia afastar uma despesa sob a argumentação de que não seria necessária, por não parecer usual à atividade operacional; Fl. 45048DF CARF MF Processo nº 10314.720749/201662 Resolução nº 1302000.629 S1C3T2 Fl. 45.049 3 c) em relação à glosa de despesas com bens de natureza permanente, que o art. 301 do RIR/99 permite a dedução de bens com vida útil inferior a um ano, entretanto, a fiscalização teria procedido a glosa exclusivamente na vedação de dedução de bens de valor inferior a R$ 326,61; d) quanto ao moldes (conta contábil nº 8300010), a glosa teria se baseado no fato de se tratarem de bens do ativo permanente, porém os valores ali escriturados se referem a custos e despesas para fabricação de moldes para utilização pelas montadoras na fabricação de automóveis, não sendo, portanto, bens do ativo da fiscalizada, mas das citadas montadoras. Não se aplicaria deste modo o art. 301 do RIR/99, e os custos/despesas seriam dedutíveis, com amparo no art. 299 do RIR/99; e) em relação às despesas consideradas não necessárias, que teria sido utilizado um critério subjetivo, por parte da autoridade fiscal, para reputar as referidas despesas como pagamentos efetuados por liberalidade pela autuada. Repisa, ainda, que tais despesas seriam necessárias em face da grande gama de atividades por ela desempenhada; f) especificamente, em relação às despesas com viagens e ajudas de custo, que, ainda que se refiram a não funcionários, tais valores podem ser admitidos como dedutíveis, conforme Solução de Consulta SRRF/04 nº 40/12. Os valores glosados se destinariam a pagamento de serviços de consultoria para suporte ao desligamento do funcionário Fernando de Castro, de modo a garantir a continuidade das operações e a confidencialidade e o sigilo das negociações; g) em relação às despesas com propaganda e publicidade, que seriam dedutíveis, conforme Acórdão CARF nº 1302001.064, de 09 de abril de 2013; h) no que diz respeito às despesas consideradas não comprovadas, que os documentos comprobatórios foram apresentados durante o procedimento fiscal; i) especificamente sobre a conta aluguéis (conta contábil nº 0008350006), que os comprovantes foram apresentados em resposta ao Termo nº 09; j) quanto aos royalties pagos a empresas ligadas, que foram apresentados os contratos e os certificados de averbação no INPI; k) em relação à conta contábil nº 8810017 (outras perdas excepcionais), que o valor de R$ 1.728.748,29 foi adicionado no Livro de Apuração do Lucro Real (Lalur), de modo que não devem ser glosados, para evitar a dupla tributação; l) no que tange à conta contábil nº 8350011 (serviços prestados PJ), que, em resposta ao Termo nº 12, foi esclarecido que se trata de assessoria contábil e fiscal e foi apresentada a nota fiscal de serviços. Em adição, junta à Impugnação comprovação dos serviços prestados e proposta comercial; m) no que diz respeito a valores de quebra de estoque, que o seu processo produtivo "compreende uma série de fatores e elementos técnicos, de forma que a análise de sua produção não pode ser feita apenas com base no volume de insumos e no montante da produção, muito menos em meras diferenças consideradas 'quebras' não justificadas"; Fl. 45049DF CARF MF Processo nº 10314.720749/201662 Resolução nº 1302000.629 S1C3T2 Fl. 45.050 4 n) que as quebras decorreriam de processos normais de sua atividade, conforme atestariam relatórios que apensa à Impugnação; o) que adicionou ao Lalur os valores das contas contábeis nº 4390011 e 1990003, como ajuste da conta de quebra de estoques, de modo que tais valores não poderiam ser glosados, sob pena de dupla tributação; p) quanto ao valores de gastos de paradas excepcionais (conta contábil nº 8810001), que os montantes registrados dizem respeito a parada da produção de vidros, com o intuito de reduzir o estoque, mas sem desligar o forno, para evitar o endurecimento da matéria prima e perda total do maquinário; q) que todos os argumentos apresentados em relação ao IRPJ são aplicáveis à CSLL; r) em relação à multa de ofício, que seria abusiva, não razoável e desproporcional, conforme jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e Supremo Tribunal Federal (STF); s) que seria inaplicável juros equivalentes à Taxa Selic aos créditos tributários, posto que essa taxa não teria sido criada para fins tributários, conforme julgado do STJ; t) que, ainda que se admita a incidência dos juros de mora sobre os tributos lançados, não deve ocorrer a aplicação sobre os valores da multa de ofício, posto que isso não teria amparo no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, conforme julgados do CARF e da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF). A decisão de primeira instância (fls. 33.148 a 33.209) rejeitou as alegações de arbitrariedade ou excesso no procedimento fiscal, bem como de prejuízo à defesa pela falta de juntada aos autos dos documentos que teriam sido apresentados durante o procedimento fiscal. Manteve ainda a aplicação da multa de ofício no percentual de 75%, com fulcro no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996; e a exigência de juros de mora equivalentes à taxa Selic, inclusive sobre a multa de ofício, amparada no art. 161 do CTN c/c os arts. 113, §1º, e 139 do mesmo diploma legal. Com relação aos valores das glosas, com base nos elementos de prova juntados pelo sujeito passivo, considerou comprovada a efetividade e a dedutibilidade de diversos custos/despesas, em um total de R$ 10.881.651,80, conforme detalhadamente analisados no Acórdão. Por força do valor exonerado, foi interposto Recurso de Ofício ao CARF. Após a ciência, o sujeito passivo apresentou o Recurso Voluntário de fls. 33.225 a 33.264, no qual: a) repete as alegações de violação ao princípio da ampla defesa e do contraditório, uma vez que os documentos por ele apresentados, ao longo do procedimento fiscal, não teriam sido juntados ao processo; acrescentando também a alegação de violação ao princípio da economia processual, uma vez que teria sido obrigado a novamente comprovar as despesas não admitidas; Fl. 45050DF CARF MF Processo nº 10314.720749/201662 Resolução nº 1302000.629 S1C3T2 Fl. 45.051 5 b) repisa vários argumentos trazidos na Impugnação, quanto à diversidade de atividades, às despesas com viagens, aos bens de natureza permanente, quebras de estoque, gastos de paradas excepcionais, moldes, serviços prestados PJ, aluguéis, royalties, e outras perdas excepcionais, acrescentando, em alguns casos, que teria juntado a documentação comprobatória necessária; c) sustenta que os critérios de necessidade, normalidade e usualidade, de que trata o art. 299 do RIR/99 não são cumulativos; d) quanto às despesas referentes a material promocional (brindes, propagandas, publicidade), alega que são despesas de publicidade voltadas ao incremento das vendas, e que o valor de R$ 240.000,00 teria sido comprovado, conforme comprovantes juntados com a Impugnação; e) quanto às despesas com propaganda e veiculação, também sustenta a necessidade, por se destinarem ao incremento das vendas, e, especificamente, em relação a despesa com software, que se tratou de despesa com aquisição e manutenção de aplicativos; f) ainda em relação aos bens de natureza permanente, irresignase contra o exame por amostragem dos documentos juntados, sustentando que, independente da forma de apresentação, apresentou todos os comprovantes necessários, além do que haveria a comprovação de bens de valor inferior a R$ 326,61; g) no que tange aos valores lançados na conta contábil nº 0008710005 (outras despesas eventuais), argumenta que apresentou as justificativas necessárias, tratandose de despesas de CIDE sobre pagamento de royalties, despesas de assistência médica, odontológica e de seguro de vida dos funcionários; h) a mesma justificativa é apresentada em relação às despesas com materiais e acessórios, com o detalhamento de que valores estariam lançados a tal título; i) afirmou que os valores referentes a despesas com multas (contas contábeis nº 0008390015, 0008390016 e 0008390017) foram adicionados para fins de apuração do Lucro Real, conforme demonstraria o Lalur, de modo que não devem ser glosadas; j) em relação às despesas com amostras grátis, assevera que foram juntados os documentos comprobatórios e que "o fato de o valor não corresponder não significa que as despesas não existiram ou que não estão comprovadas"; k) também alega simplesmente que juntou os documentos que comprovariam as despesas com congressos e convenções, conservação de móveis e utensílios, materiais e pneus para veículos, outras ferramentas, despesas com veículos, serviços prestados PJ, software licença / manutenção de aplicativos, software aquisição de aplicativos, representação, hotéis nacionais e outras perdas excepcionais; l) o mesmo fundamento é apresentado em relação às despesas com conservação de áreas e edifícios, acrescendo que se tratam de despesas de vida útil inferior a um ano, razão pela qual seriam dedutíveis, à luz do art. 301 do RIR/99; m) aponta, ainda, que o Acórdão recorrido entende que deveriam ser considerados como bens do ativo permanente valores relativos a serviços; Fl. 45051DF CARF MF Processo nº 10314.720749/201662 Resolução nº 1302000.629 S1C3T2 Fl. 45.052 6 n) no que diz respeito à despesas com licenças de software, aduz que não são passíveis de registro no ativo permanente de acordo com as regras contábeis e fiscais; o) sustenta que as despesas com passagens aéreas foram devidamente esclarecidas e comprovadas; p) repete, por fim, os argumentos quanto à CSLL, multas e juros já trazidos na Impugnação. Após a remessa do processo para julgamento pelo CARF, por meio do Despacho de fl. 40.269, a Recorrente apresentou mais comprovantes, a serem acrescentados ao seu Recurso Voluntário (fls. 40.270 a 44.958). Já em 26 de março de 2018, após o sorteio do processo a este Relator, a Recorrente apresentou planilhas com a identificação das provas já juntadas, bem como os novos elementos de prova constantes das fls. 45.000 a 45.046, que, segundo sustenta, reiteram os argumentos de fato e de direito apresentados em seu Recurso Voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo Relator I DO RECURSO VOLUNTÁRIO I.1. Do conhecimento do Recurso O sujeito passivo foi cientificado, por via eletrônica, em 13 de março de 2017 (fl. 33.220), tendo apresentado Recurso Voluntário, em 10 de abril de 2017 (fls. 33.222 a 33.264), dentro, portanto, do prazo de 30 (trinta) dias previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. O Recurso é assinado por Procuradores, devidamente constituídos às fls. 2.138 a 2.142. A matéria objeto do Recurso está contida na competência da 1ª Seção de Julgamento do CARF, conforme Art. 2º, incisos I, II e IV, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RI/CARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Como relatado, o sujeito passivo faz juntada de novas provas documentais com o Recurso Voluntário, bem como apresenta novos elementos mesmo após a protocolização do referido recurso. A juntada de prova documental após a Impugnação é vedada pelas normas que regem o processo administrativo fiscal, sendo admitidas tãosomente quanto presentes as situações excepcionais previstas no §4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972: " Art. 16. (...) Fl. 45052DF CARF MF Processo nº 10314.720749/201662 Resolução nº 1302000.629 S1C3T2 Fl. 45.053 7 § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)" (Destacouse) Tratando acerca da possibilidade de flexibilização de tais regras, Maria Rita Ferragut (As provas e o Direito Tributário, 3ª ed. São Paulo: Saraiva, 2016, pp. 6465) é categórica, mas prevê o que entende ser uma nova hipótese de exceção: "Entendemos que o limite temporal é inflexível. Tal inflexibilidade contempla, entretanto, o recebimento de provas após a impugnação, nas duas e somente duas, situações a seguir: (i) Se a prova não tiver sido juntada antes pelas razões previstas nas alíneas a,b e c do §4º acima. (ii) Pela impossibilidade de o sujeito passivo defenderse de forma plena, considerando a complexidade da autuação versus o tempo que lhe foi legalmente conferido para apresentação da defesa. Tratase, nessa medida, de comprovada impossibilidade material de se defender no prazo legal." No meu julgar, a hipótese veiculada pela doutrinadora, na verdade, já é albergada pela alínea "a" do §4º, na medida em que poderia ser entendido como um acontecimento inevitável e para o qual o sujeito passivo não concorreu ainda que culposamente, para contemplar os requisitos previstos por Maria Helena Diniz para a força maior (Código Civil Comentado, 3ª ed. São Paulo: Saraiva, 1997, pp. 747748). Entendo, ainda, que esta é exatamente a situação dos autos, em que, devido à grande quantidade de despesas glosadas, tornouse hercúlea a instrução probatória a cargo do sujeito passivo, com a necessidade de juntada de milhares de comprovantes. Ademais, é necessário que se destaque que os elementos juntados após o Recurso Voluntário são apenas planilhas que correlacionam as glosas com os documentos juntados pela Recorrente ao processo, não se tratando, efetivamente, de nova prova documental. Fl. 45053DF CARF MF Processo nº 10314.720749/201662 Resolução nº 1302000.629 S1C3T2 Fl. 45.054 8 Deste modo, entendo que os referidos documentos devem ser acolhidos e apreciados. Isto posto, o Recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. I.2. Da preliminar de nulidade Embora não requeira explicitamente a declaração de nulidade, a Recorrente suscita suposta violação aos princípios do contraditório e da ampla defesa, uma vez que a documentação comprobatória por ela apresentada no curso do procedimento fiscal não teria sido juntada aos autos e sequer analisada pela autoridade responsável pela constituição do crédito tributário. Alega, ainda, que não saberia "em que documentos e elementos se funda a acusação da D. Fiscalização" e que "sequer há explanações a respeito dos motivos que (sic) as provas apresentadas não teriam sido consideradas ou consideradas inábeis". As alegações da Recorrente poderiam, se comprovadas, levar à declaração de nulidade dos autos de infração lavrados. Contudo, como bem apontado no Acórdão recorrido, a descrição não corresponde ao que se observa nos autos. A autoridade fiscal detalhou exaustivamente o procedimento fiscal, juntou diversos documentos comprobatórios que entendeu necessários para comprovar as infrações apontadas (fls. 1.835 a 1.965) e apontou, para todas as despesas glosadas, a razão pela qual não se admitia a sua dedutibilidade, conforme planilha junta à fl. 2.030. A autoridade julgadora, por sua vez, ao contrário do alegado, demonstra haver analisado todos os documentos juntados pela Recorrente. Não há qualquer fundamento, portanto, para a argumentação do sujeito passivo, sendo que o fato de este juntar repetidamente milhares de folhas dos mesmos documentos aos autos, em lugar de ser decorrência de suposta violação ao princípio da economia processual por parte da autoridade fiscal, como sustentado, somente proporciona tumulto processual e dificulta o exame das provas. É que a observação dos autos revela, em vários casos, a desnecessária e exaustiva repetição dos mesmos documentos. A par disso, apenas após a apresentação do Recurso Voluntário é que o sujeito passivo juntou aos autos planilhas realizando a correlação entre as despesas glosadas e as provas apresentadas. Constatase, portanto, que eventual deficiência na apreciação das provas teve a colaboração do próprio sujeito passivo, não implicando, em absoluto, em qualquer espécie de nulidade. I.3. Do pedido de diligência A Recorrente insere no seu apelo, como já havia realizado na Impugnação, um requerimento de diligência, caso os julgadores entendam "pela necessidade de se reapreciar dados fiscais, outros apontamentos ou que persistam dificuldades em analisálos". Fl. 45054DF CARF MF Processo nº 10314.720749/201662 Resolução nº 1302000.629 S1C3T2 Fl. 45.055 9 O art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, coloca o atendimento ao requerimento de diligências ou perícias sob a análise da autoridade julgadora. In verbis: "Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine." (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) No mesmo sentido, o art. 29 do citado Decreto dispõe que "Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias". Tratando do tema, James Marins (Direito Processual Tributário Brasileiro, São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 10. ed. rev. atual. e ampl., 2017, fls. 289/290), leciona: "Como o impulso do processo compete à Administração (princípio da impulsão oficial, em conformidade com o art. 19 da LGPAF), cumprirá à autoridade julgadora de primeira instância apreciar os requerimentos de produção de provas, apreciar sua pertinência e determinar a realização daquelas que seja em virtude de terem sido requeridas ou por deliberação ex officio da autoridade de primeira instância sejam necessárias para que a instrução se complete. O juízo de pertinência probatória será feito principalmente com base nos critérios de imprescindibilidade e praticabilidade." O Acórdão recorrido rejeitou o pedido formulado pelo sujeito passivo, nos seguintes termos: "No caso concreto, entendo desnecessária a realização de diligência, já que as provas necessárias à defesa são de fácil obtenção, dependendo de providências do próprio contribuinte (seus livros e assentamentos contábeis e fiscais), já exaustivamente solicitados pela fiscalização através de sucessivas intimações no decorrer do procedimento fiscal e, posteriormente à lavratura dos autos de infração, na impugnação, momento em o contribuinte pode exercer o seu pleno direito ao contraditório e a ampla defesa, já que ciente dos motivos porque estava sendo autuado. Na impugnação, ademais, o contribuinte deveria incluir todos os documentos comprobatórios necessários para a procedência de seu pleito, sob pena de preclusão, conforme determina o § 4º do art. 16 do PAF. Assim, rejeito o pedido de diligência suscitado pelo contribuinte, por desnecessário à solução da lide." De fato, pelas justificativas apresentadas pela Recorrente, não vislumbro no presente caso qualquer necessidade de que seja realizada a diligência requerida. A autoridade fiscal foi extremamente cuidadosa na reunião dos elementos probatórios e, à Recorrente, foram ofertadas fartas ocasiões para a apresentação dos documentos que entendesse necessários para afastar as infrações a ela imputadas, bem como para robustecer os seus argumentos de defesa. Há, contudo, razões que, efetivamente, demandam a conversão do presente julgamento em diligência. Fl. 45055DF CARF MF Processo nº 10314.720749/201662 Resolução nº 1302000.629 S1C3T2 Fl. 45.056 10 Em primeiro lugar, constatase falha no sistema eprocesso, onde o mesmo número de folha é atribuído a mais de um documento. A falha se verifica a partir do documento de numeração 4.023, cujo número é atribuído a três documentos distintos (todos intitulados "Termo de Solicitação de Juntada TERMO DE SOLICITAÇÃO DE JUNTADA"). Por exemplo, o documento intitulado "Documentos comprobatórios outro 85" apresenta a numeração de fls. 4.630 a 4.714; enquanto o documento de título "Documentos comprobatórios outro 96" apresenta a numeração de fls. 4.630 a 4.860", sendo que as folhas de numeração coincidente possuem teor diverso, conforme demonstram as imagens a seguir. O mesmo fato se constata entre os documentos intitulados "Documentos comprobatórios outro 89" (fls. 4.858 a 4.868) e "Documentos comprobatórios outro 97" (fls. 4.861 a 4.924). Documentos comprobatórios Outros 85 (fls. 4.630 a 4.714) Fl. 4630 do documento "Documentos comprobatórios Outros 85" Fl. 45056DF CARF MF Processo nº 10314.720749/201662 Resolução nº 1302000.629 S1C3T2 Fl. 45.057 11 Documentos comprobatórios Outros 96 (fls. 4.630 a 4.860) Fl. 4630 do documento "Documentos comprobatórios Outros 96" Tal fato ocasiona, ainda, que na escolha do índice sequencial, para a visualização dos documentos, estes sejam apresentados fora de ordem. Por exemplo, "Documentos comprobatórios Outros 78" (fls. 4.077 a 4.141) seguido do documento "Documentos comprobatórios Outros 91" (fls. 4.041 a 4.110). A inconsistência em pauta se estende até o documento de fl. 5.797. A par disso, como dito, com a Impugnação e com o Recurso Voluntário, o sujeito passivo juntou milhares de documentos ao processo, com o intuito de comprovar as despesas glosadas no procedimento fiscal. Em rápida análise, vários documentos apresentados, de fato, comprovam as despesas contestadas na autuação e mesmo no julgamento de primeira instância. Por outro lado, após o Recurso Voluntário, a Recorrente, finalmente, junta aos autos planilhas que correlacionam as glosas aos elementos de prova apresentados. Fl. 45057DF CARF MF Processo nº 10314.720749/201662 Resolução nº 1302000.629 S1C3T2 Fl. 45.058 12 Deste modo, entendo ser necessária a conversão do julgamento em diligência, no sentido de serem esclarecidas e solucionadas as inconsistências diagnosticadas no sistema e processo, bem como para possibilitar a análise dos novos elementos de prova reunidos ao processo. Isto posto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência, para que o processo retorne à Unidade de origem (DERAT/SP), para que: a) verifique a razão de o sistema eprocesso haver atribuído mesma numeração de folhas a diferentes documentos; b) solucione a inconsistência verificada, de modo que cada documento constante do processo receba numeração exclusiva e diversa de todos os demais documentos. Caso a douta autoridade preparatória entenda pertinente, poderá promover a transferência de todos os documentos para um novo processo administrativo, como forma de solucionar a inconsistência; c) ao fim, elaborese relatório de diligência contendo as informações acerca das providências acima requeridas, bem como a análise de todos elementos de prova apresentados pelo sujeito passivo nos autos, em cotejo com as constatações registradas no Termo de Verificação e Constatação Fiscal de fls. 1.972 a 2.028; d) dêse ciência do resultado da diligência ao sujeito passivo, concedendolhe prazo para, querendo, manifestarse nos autos. Após, reencaminhese o processo à este Colegiado. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Fl. 45058DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13851.000694/2005-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 10/06/1999
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE PIS. PRESCRIÇÃO. 10 ANOS (5+5). LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. SÚMULA 91/CARF. CONEXÃO. Art. 6., §1º, I, Anexo II do RICARF
Nos termos do Art. 6., §1º, I, Anexo II do RICARF, não é obrigatório o Julgador reunir os processos por Conexão.
O pedido de restituição (PER) de tributo por homologação, que tenha sido pleiteado anteriormente à 09/06/05, antes da entrada em vigor de LC 118/05, o prazo prescricional é de 10 (dez) anos, conforme Súmula 91/CARF.
SÚMULA No. 91 - CARF - Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador.
Numero da decisão: 3201-004.238
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que a unidade preparadora, ultrapassada a questão preliminar, aprecie o mérito do litígio.
CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Presidente
(assinado digiltamente)
LAÉRCIO CRUZ ULIANA JUNIOR Relator
(assinado digiltamente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente)
Nome do relator: LAERCIO CRUZ ULIANA JUNIOR
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 10/06/1999 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE PIS. PRESCRIÇÃO. 10 ANOS (5+5). LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. SÚMULA 91/CARF. CONEXÃO. Art. 6., §1º, I, Anexo II do RICARF Nos termos do Art. 6., §1º, I, Anexo II do RICARF, não é obrigatório o Julgador reunir os processos por Conexão. O pedido de restituição (PER) de tributo por homologação, que tenha sido pleiteado anteriormente à 09/06/05, antes da entrada em vigor de LC 118/05, o prazo prescricional é de 10 (dez) anos, conforme Súmula 91/CARF. SÚMULA No. 91 CARF Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que a unidade preparadora, ultrapassada a questão preliminar, aprecie o mérito do litígio. CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA – Presidente (assinado digiltamente) LAÉRCIO CRUZ ULIANA JUNIOR – Relator (assinado digiltamente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 1. 00 06 94 /2 00 5- 29Fl. 140DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente) Relatório Tratase de pedido de Restituição de COFINS pago indevidamente no período de Março de 1999, protocolado em 07/06/05 na DRF de Araraquara/SP, conforme constante no Pedido de Restituição. Por traduzir a realidade dos fatos, adoto o Relatório da DRJ: (...) Trata o presente de pedido de restituição, protocolizado em 07/06/2005, referente à suposto pagamento indevido ou maior que o devido a título de Cofins efetuado em 09/04/1999 pela empresa Brasil Warrant Venture Capital Ltda, CNPJ n° 62.355.698/000115, . incorporada pelo interessado. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Araraquara, por meio do Despacho Decisório de fls. 30/35, indeferiu o pedido, com fundamento na ocorrência da decadência do direito de pedir e na falta de comprovação documental da existência do alegado crédito contra a Fazenda Nacional, de modo a permitir a aferição de sua liquidez e certeza. Cientificado em 04/05/2009, fls. 85, o interessado apresentou manifestação de inconformidade em 03/06/2009, fls. 37/48, alegando, em breve síntese: a) Que, através do Mandado de Segurança n° 1999.61.02.0070375, obteve provimento jurisdicional que lhe autorizou a recolher as contribuições para o PIS e Cofins sem o alargamento da base de cálculo estabelecida pelo § 3° da Lei n° 9.718, de 1998; b) Que, nos meses de março a junho de 1999, _auferiu unicamente receitas financeiras e outros tipos de rendimentos não oriundos da venda de bens e serviços, conforme demonstrativo anexado e que, sobre tais rendimentos, aplicou as correspondentes alíquotas do PIS e Cofins, efetuando o recolhimento. . c) Que o provimento jurisdicional transitou em julgado e lhe assegurou o direito de calcular o PIS e a Cofins com base na Lei n° 9.715, de 1998 e na Lei Complementar (LC) n° 70, de 1991, ou seja, somente sobre o faturamento, excluindo se as demais receitas não caracterizadas como senda da venda de mercadorias ou serviços; A partir da exposiçao dos fatos que originaram o alegado crédito contra a Fazenda Nacional, contesta o decidido pela DRF em Araraquara, a saber: Fl. 141DF CARF MF Processo nº 13851.000694/200529 Acórdão n.º 3201004.238 S3C2T1 Fl. 142 3 Inicialmente alega que houve uma distorção do instituto da decadência e o que se aplica, na realidade, é a prescrição de seu direito de pedir a restituição, e que mostrará a sua inocorrencia no caso. Alega que conforme entendimento do Superior Tribunal de Justiça, nos casos de lançamento por homologação, o prazo prescricional é cinco contados a panir da homologação tácita, ou seja, de dez anos contados a partir do fato gerador. Que o art. 3° da LC 118, de 2005 modificou, e não apenas interpretou o Código Tributário Nacional CTN ~ e, assim, não pode ser aplicado aos pedidos apresentados anteriormente à entrada em vigor da dita lei, que ocorreu em 09/06/2005. Que, desse modo, o pedido foi apresentado dentro do prazo legal 10 anos, conforme entendimento do Superior Tribunal de Justiça STJ, que declarou a inconstitucionalidade do art. 4°, segunda parte, da LC n° 118, de 2005, que determina a aplicação retroativa de seu art. 3°. Ainda, alega que o ajuizamento do Mandado de Segurança importou em causa interruptiva da prescrição, nos temos do artigo 172 e 173 do Código Civil de 1916, vigente à época. Uma vez que o trânsito emjulgado da ação ocorreu em 30/05/2008, não ha em que se falar em ocorrência do prazo prescricional, uma vez que este esteve interrompido até o referido trânsito em julgado. Continua, alegando que tem direito à restituição aos recolhimentos efetuados nos meses de março a junho de 1999, que se afiguram indevidos, uma vez que as únicas receitas auferidas pelo Requerente nesse período corresponderam a receitas financeiras e outras receitas não oriundas da venda de bens e prestação de serviços, estas as únicas passíveis de tributação pelo PIS e Cofins, conforme o provimento jurisdicional conquistado. Assim, seguindo a marcha processual normal, a DRJ julgou improcedente o pleito de Reforma do Contribuinte, por entender, que o estaria prescrito, com a seguinte, que sintetiza os fundamentos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 09/04/1999 DECADÊNCIA. INTERPRETAÇÃO. LEI COMPLEMENTAR N° 118, DE 2005. O direito de pleitear a restituição extinguese com O decurso de prazo de cinco anos, contados da data da extinção do crédito tributário que, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, ocorre no momento do pagamento antecipado de que trata O § 1° do art. 150 do CTN. Fl. 142DF CARF MF 4 ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 09/04/1999 PAF. PROVA DOCUMENTAL. PRAZO PARA APRESENTAÇÃO. A prova documental Será apresentada na impugnação (manifestação de inconfomiidade), precluindo O direito de ser apresentada em outro momento processual. RESTITUIÇAO. NAO COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO DIREITO CREDITORIO. INDEFERIMENTO Não comprovada a existência do direito creditório do sujeito passivo, condição essencial nos termos do disposto no art. 170, do CTN, é de se indeferir O pedido de restituição. Manifestaçao de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com r. julgado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, requerendo reforma por entender: a) que o prazo de prescrição é de 10 anos, pois, se trata de lançamento por homologação; b) que houve alteração do prazo prescricional com e entrada em vigor da Lei Complementar 118/05, que ocorreu em 09 de junho de 2005; c) que seu pleito é anterior a data da entrada em vigor da LC 118/05; d) pede reunião de demais processos; É o relatório. Voto Conselheiro LAÉRCIO CRUZ ULIANA JUNIOR O Recurso Voluntário preenche todos os requisitos e merece ser conhecido. Inicialmente é de considerar que a reunião dos processos por conexão é uma faculdade nos termos do art. do Art. 6., §1º, I, Anexo II do RICARF. Ademais, compulsando o sítio eletrônico do CARF, verificase que alguns processos indicados pelo Contribuinte já foram julgados nesse CARF, assim, não existindo qualquer prejudicialidade na ausência de conexão dos presentes autos. Deste modo, não merece prosperar o pleito do Contribuinte em razão do pedido de conexão. É de se trazer a baila que o pleito do Contribuinte é o Pedido de Restituição (PER) de COFINS pago a maior no período de Março de 1999, requerido em 07/06/05. Ocorre que a DRF e a DRJ compreenderam que a prescrição para pleitear o PER era de 05 (cinco) anos do pagamento, e não da homologação tácita, que tal fundamentação estaria disposto no art. 3º. da LC 118/05. Fl. 143DF CARF MF Processo nº 13851.000694/200529 Acórdão n.º 3201004.238 S3C2T1 Fl. 143 5 Contudo, sem mais digressões, é de notório conhecimento que a LC 118/05, inovou em razão da contagem da prescrição, existindo grande debate sobre o termo inicial da aplicação do prazo quinquenal da prescrição ao invés do decimal. Contudo, o assunto encontra se sumulado com efeito vinculante por este CARF, vejamos: Súmula CARF nº 91 Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. De tal sorte, devese afastar a prescrição do presente caso, uma vez, que não decorreu o período de 10 (dez) anos do lançamento, e o pleito sendo anterior a 09/06/05, ressaltase que nos termos do Art. 75, § 2º, Anexo II, do RICARF, a mencionada súmula encontrase com efeito vinculante. Diante disso, devese ser anulado o Despacho Decisório para afastar a prescrição. Concluo, o voto é no sentido de CONHECER e DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para que a unidade preparadora, ultrapassada a questão preliminar, aprecie o mérito do litígio. LAÉRCIO CRUZ ULIANA JUNIOR Relator (assinado digiltamente) Fl. 144DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.963671/2009-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3201-001.407
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 63 67 1/ 20 09 -1 5 Fl. 172DF CARF MF Processo nº 10880.963671/200915 Resolução nº 3201001.407 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de não homologar a compensação de créditos da contribuição (Cofins/PIS), decisão essa lastreada na ausência de direito creditório disponível, uma vez que os pagamentos declarados já haviam sido integralmente utilizados na quitação de débitos do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte havia alegado que o crédito pleiteado decorrera do recolhimento indevido da Contribuição e que a Administração tributária tinha o dever de retificar de ofício a DCTF em face do princípio da verdade material. A Delegacia de Julgamento (DRJ) julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade por falta de comprovação do direito creditório pleiteado. Em seu Recurso Voluntário, o contribuinte requereu a declaração de nulidade da decisão de primeira instância ou sua reforma, bem como a realização de diligência, arguindo cerceamento do direito de defesa, por falta de demonstração por parte do julgador a quo do motivo para declarar a insuficiência dos documentos acostados aos autos (DARF, DIPJ, Balancete e DCTFs), e inobservância do princípio da verdade material. No mérito, requereu o Recorrente, com base nos documentos acostados aos autos, a reforma do despacho decisório em face do recolhimento indevido, justificandose que, por um lapso, não procedera à retificação tempestiva da DCTF. Junto ao recurso, o Recorrente apresentou cópia de parte do Razão Contábil. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido na Resolução nº 3201001.393, de 29/08/2018, proferida no julgamento do processo nº 10880.913528/200982, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3201001.393): O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. Fl. 173DF CARF MF Processo nº 10880.963671/200915 Resolução nº 3201001.407 S3C2T1 Fl. 4 3 A seguir passo a análise do Recurso Voluntário. Cerceamento do Direito de Defesa e da Inobservância do Princípio da Verdade Material Afastase a preliminar de cerceamento do direito de defesa. A recorrente teve garantido o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa nas duas instâncias administrativas. A recorrente teve assegurado, inclusive, o direito de juntar documentos, razão contábil, no presente recurso de segunda instância. Nesse sentido, observese jurisprudência do CARF. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Acórdão nº 3301003.976 do Processo 15586.001130/200788 Data 30/08/2017 CERCEAMENTO DE DEFESA. CONTRADITÓRIO. AMPLA DEFESA. NULIDADE Não há nulidade quando se constata em todas as fases processuais o exercício do direito ao contraditório e de ampla defesa, não caracterizando o cerceamento de defesa. Em referência a argumentos fundados nos princípios constitucionais, aplicase a Súmula CARF nº 2: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Cabe ainda indeferir o pedido de diligência genérico, sem comprovação de sua necessidade e da impossibilidade da produção da prova pelo contribuinte. Preliminares indeferidas. Mérito A fundamentação do despacho decisório denegatório seria a inexistência de crédito disponível, tendo sido o DARF discriminado na DCOMP integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, que estavam declarados em DCTF. A DCTF originária representou uma confissão de dívida. Assim, quando da manifestação de inconformidade, a documentação apresentada em primeira instância, DARF de pagamento, DIPJ, Balancete e DCTF´s foram considerada insuficientes. Citase trechos do relatório da DRJ: Ressaltese que a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, instituída pela Instrução Normativa SRF n° 126, de 30 de outubro de 1998, 6. O documento apresentado pelo contribuinte para prestar à autoridade fazendária as informações relativas aos valores devidos dos tributos e contribuições federais, e os respectivos valores de créditos vinculados (pagamento, parcelamento, compensação, etc.), constituindose cm confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito, na forma do disposto pelo § 1 0, do art. 5° do Decreto lei n° 2.124, de 8 de março de 1984. (efl. 92) (...) Deste modo, a DIPJ não se configura como documento suficiente a comprovação de erro nas informações prestadas em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, para fins de homologação da compensação efetivada pelo contribuinte. (efl. 92) No mérito, o cerne da lide consiste em verificar se a documentação contábil e/ou fiscal apresentada após o despacho decisório seria prova suficiente para a compensação. Sobre o assunto existe jurisprudência do CARF. Fl. 174DF CARF MF Processo nº 10880.963671/200915 Resolução nº 3201001.407 S3C2T1 Fl. 5 4 Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Acórdão nº 3002000.234 do Processo 10880.674831/200954 Data 13/06/2018 COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. PROVA INSUFICIENTE QUANDO DESACOMPANHADA DE DOCUMENTAÇÃO PROBATÓRIA. A retificação da DCTF após despacho decisório que nega a homologação da compensação não impede o reconhecimento do direito ao crédito desde que acompanhada de documentação contábil e/ou fiscal que comprove o erro cometido no preenchimento da declaração original. Em sendo apresentada isoladamente, não constitui prova suficiente. A retificação da DCTF, depois de prolatado o despacho decisório não impede o deferimento do pedido de compensação, quando acompanhada de provas comprovando o erro cometido no preenchimento da declaração original. Tal entendimento está fundamentado no § 1º do art. 147 do CTN. Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. Existe jurisprudência do CARF sobre o assunto. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Acórdão nº 9303006.266 do Processo 13896.902360/200818 Data: 25/01/2018 Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/08/2003 a 31/08/2003 COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF POSTERIOR AO DESPACHO DECISÓRIO. PROVAS DO ERRO COMETIDO. A retificação da DCTF depois de prolatado o despacho decisório não impede o deferimento do pedido, quando acompanhada de provas documentais comprovando a erro cometido no preenchimento da declaração original (§ 1º do art. 147 do CTN). Na retificação, a DCTF sofreu alteração para menor, cabendo a interessada comprovar o erro. Tal comprovação pode ser feita de diversas formas, inclusive por meio de planilhas, documentos contábeis, cópias de documentos, cupons, recibos e tantos outros. O princípio da verdade material, alegado pela recorrente, exige provas que compete a mesma trazer aos autos. Agora, em segunda instância, a recorrente junta aos autos o razão contábil provisão COFINS a recolher em 31/07/2004, onde demonstra de janeiro a dezembro de 2004 a provisão de recolhimento da COFINS. De fato, verificase que o valor a recolher, relativo a COFINS, em julho de 2004, seria de R$29.775,70 e não de R$42.341,83 (doc. 09 do recurso efls. 182/183). A escrituração do razão contábil em conjunto com o balancete são documentos contábeis/fiscais oficiais que fazem prova de verdade. Os documentos deixam claro a existência de saldo creditório e são suficientes para garantir o direito. A recorrente também alega que efetuou a retificação na DCTF original. Demonstrada a composição da base de cálculo da contribuição por meio de documentos contábeis/fiscais resta demonstrado o valor devido do tributo e, Fl. 175DF CARF MF Processo nº 10880.963671/200915 Resolução nº 3201001.407 S3C2T1 Fl. 6 5 consequentemente, o indébito decorrente do recolhimento em valor maior que o devido. Finalmente, cabe repetir que o artigo 151, III do Código Tributário Nacional determina que as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo suspendem a exigibilidade do crédito. Somente com o encerramento da fase administrativa é que se pode, se for o caso, inscrever o crédito cm dívida ativa, efetuar a cobrança judicial e incluir o contribuinte no Cadastro Informativo de Débitos não quitados de Órgãos e Entidades Federais — CADIN. Em vista da apresentação de documentos adicionais, dentro do princípio da verdade material, que possivelmente pode lastrear direito de crédito presumido, entendo que o julgamento deva ser convertido em diligência, a fim de que o Fisco se manifeste sobre a prova referida, o razão contábil. Após, deve a recorrente ser instada a manifestarse, se o desejar, com o retorno do processo ao CARF para continuidade do julgamento. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Contribuição para o PIS. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu converter o julgamento em diligência para que o Fisco se manifeste sobre a prova carreada aos autos em sede de recurso voluntário, a saber, o Razão Contábil. Após, deve o Recorrente ser instado a se manifestar, se assim o desejar, com o retorno do processo ao CARF para continuidade do julgamento. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 176DF CARF MF
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Numero do processo: 13982.720268/2017-53
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 2002-000.042
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que esta anexe aos autos a DIRPF do contribuinte relativa ao exercício 2013, ano-calendário 2012, cientificando o recorrente da diligência realizada e reabrindo o prazo para sua manifestação.
(Assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(Assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgilio Cansino Gil.
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que esta anexe aos autos a DIRPF do contribuinte relativa ao exercício 2013, anocalendário 2012, cientificando o recorrente da diligência realizada e reabrindo o prazo para sua manifestação. (Assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (Assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgilio Cansino Gil. RELATÓRIO Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (efls. 93 a 102), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a autuação por omissão de rendimentos de alugueis ou royalties recebidos de pessoas jurídicas, omissão de RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 39 82 .7 20 26 8/ 20 17 -5 3 Fl. 196DF CARF MF Processo nº 13982.720268/201753 Resolução nº 2002000.042 S2C0T2 Fl. 197 2 rendimentos recebidos de pessoas físicas, dedução de Previdência Privada e FAPI, dedução indevida com despesa de instrução e dedução indevida de despesas médicas. Tal autuação gerou lançamento de imposto de renda pessoa física suplementar de R$ 3.744,39, acrescido de multa de ofício no importe de 75%, bem como juros de mora. Impugnação A notificação de lançamento foi objeto de impugnação, às efls. 02 a 92 dos autos, cujas alegações, em síntese foram: · pagou as despesas médicas em dinheiro, juntando extratos bancários e recibos; · comprova o pagamento com a Previdência Privada com boletos Não contesta as demais infrações, conforme decisão da DRJ: Observase que em momento algum o contribuinte impugnou o lançamento referente às infrações de Omissão de Rendimentos de Aluguéis ou Royalties Recebidos de Pessoas Jurídicas no valor de R$ 2.535,87, Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoas Físicas – Aluguéis e Outros no valor de R$ 2.136,20 e deduções indevidas com Despesas com Instrução no valor de R$ 1.600,00. Devese, portanto, observar o que estabelece o art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação dada pelo art. 67 da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, o qual determina que: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Ressaltase que referida parte não impugnada não foi apartada considerando que o resultado foi de Imposto a Restituir. A impugnação foi apreciada na 6ª Turma da DRJ/FOR que por unanimidade, em 30/10/2017, no acórdão 0841.016, às efls. 107 a 120, julgou a impugnação improcedente. Recurso Voluntário Ainda inconformado, a contribuinte, apresentou Recurso Voluntário, às efls. 131 a 190, no qual alega, em resumo: · reconhece a omissão de rendimentos com alugueis; recorre das glosas de despesas médicas, despesas com instrução e de Previdência Privada e FAPI, pois devidamente comprovadas; Fl. 197DF CARF MF Processo nº 13982.720268/201753 Resolução nº 2002000.042 S2C0T2 Fl. 198 3 · houve erro do fiscal ao lavrar o auto de infração, indicando a quantia de R$ 4.764,66 como Previdência Privada. Na verdade tratase de despesa com Plano de Saúde; · as despesas médicas podem ser pagas com dinheiro e os recibos e notas fiscais não são os únicos documentos hábeis a comprovação. É o relatório. VOTO Conselheiro Thiago Duca Amoni Relator Pelo que consta no processo, o recurso é tempestivo, já que o contribuinte foi intimado do teor do acórdão da DRJ em 27/11/2017, efls. 130, e interpôs o presente Recurso Voluntário em 14/12/2017, efls. 131, posto que atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Como consta no relatório, o contribuinte concorda com a autuação pela omissão de rendimentos recebidos a título de alugueis. Quanto a autuação referente a glosa com as despesas com instrução, em sede de impugnação o contribuinte não apresentou defesa. Em sede de Recurso Voluntário menciona a glosa, mas, mais uma vez, não apresenta razões para que a autuação seja afastada, posto que aplico o artigo 17 do Decreto nº 70.235/72: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Quanto a autuação pela glosa de dedução indevida de Previdência Privada e FAPI, o contribuinte alega que houve erro da fiscalização na classificação da despesa dedutível da base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Física, apresentando, em sede de Recurso Voluntário, sua Declaração de Ajuste Anual (DAA), a partir das efls. 135. Contudo, a DAA acostada aos autos não é aquela transmitida ao Fisco, quando do ajuste anual. Como nos autos não consta a DAA efetivamente transmitida pelo contribuinte ao Fisco, converto o julgamento em diligência, solicitando que a unidade de origem junte a DAA do contribuinte referente ao anocalendário 2012/exercício 2013. Posteriormente, dê ciência ao contribuinte para eventual manifestação, no prazo de 30 dias. (Assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Fl. 198DF CARF MF Processo nº 13982.720268/201753 Resolução nº 2002000.042 S2C0T2 Fl. 199 4 Fl. 199DF CARF MF
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Numero do processo: 10925.001128/2005-35
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1001-000.780
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva Relatório Tratase Recurso Voluntário contra o acórdão, número 0714.365 da 6ª Turma da DRJ/FNS, o qual indeferiu a Manifestação de Inconformidade contra Ato Declaratório Executivo DRF/JOA n° 001, de 23 de janeiro de 2007, em razão de a empresa AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 11 28 /2 00 5- 35 Fl. 173DF CARF MF 2 exercer a atividade de locação de imóveis, vedada pela alínea “b” do inciso XII, art. 9° da Lei n° 9.317/96. Segue o relatório: Mediante Ato Declaratório Executivo DRF/JOA n° 001, de 23 de janeiro de 2007 o contribuinte acima qualificado, foi excluído do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, em razão de a empresa exercer a atividade de locação de imóveis, a qual, a teor do que dispõe, a alínea “b” do inciso XII, art. 9° da Lei n° 9.317/96, resta impedida de optar pelo referido sistema. Os efeitos da exclusão, a teor do que dispõe os art.(s) 15 e 16, do mesmo diploma legal retrocitado e alterações posteriores, retroagem a 01/01/2004. Por sua vez, cientificada da exclusão, documento de fls. 38, a interessada apresentou manifestação de inconformidade (fls. 51 a 58), alegando, em breve síntese, que: explora somente a atividade de comércio varejista de ferragens, ferramentas e materiais de construção; que todos os imóveis de sua propriedade, em 15/09/1999, foram incorporados à empresa Tahiti Administração e Serviços Ltda; todavia, o imóvel situado a Rua Caetano Natal Branco, n° 1.100, que em detrimento do Contrato de locação firmado entre a Delegacia da Receita Federal de Joaçaba e a manifestante ainda não pode ser registrado em nome da Tahiti; para contornar esta situação repassa à esta a totalidade dos valores recebidos; por sua vez, a empresa Tahiti tributa regularmente os valores em tela. À vista do exposto, a interessada conclui que não há qualquer fato excludente da opção pelo referido sistema, assim, o ADE exarado deve ser considerado nulo e conseqüentemente o seu direito de optar pelo Simples deve ser restituído. Outrossim, requer a juntada, aos autos, de cópia da DIPJ da empresa, relativa ao ano calendário de 2006, que ainda não foi apresentada, para que se obtenha a verdade dos fatos. É o relatório. A recorrente foi cientificada da decisão em 24/03/2009 e apresentou o recurso voluntário em 23/04/2009. Voto Conselheiro José Roberto Adelino da Silva Relator Inconformada, a recorrente apresentou o Recurso Voluntário tempestivo e que apresenta os demais pressupostos de admissibilidade previstos no Decreto 70.235/72. e, portanto, dele eu conheço. A recorrente alega, basicamente, que: · O bem imóvel locado pela Delegacia da Receita Federal, localizado na Rua Caetano Natal Branco, n° 1100, em Joaçaba teve seu domínio transferido para a sociedade empresarial denominada “Tahiti Administração e Serviços Ltda.”, através de Alteração de Contrato Social, devidamente registrado na Junta Comercial, na época oportuna, ocasião em que foi procedido a aumento de capital da Fl. 174DF CARF MF Processo nº 10925.001128/200535 Acórdão n.º 1001000.780 S1C0T1 Fl. 3 3 “Tahiti”, mediante a entrega de vários bens imóveis, de propriedade da Recorrente. · Ressaltese que a Alteração Contratual foi tempestivamente encaminhada a registro na Junta Comercial do Estado de Santa Catarina, adquirindo a qualidade de documento público e produzindo efeitos contra terceiros, no caso, a Administração Fazendária Federal. · Tratandose de documento público, desnecessária sua juntada aos Autos. · A transferência da propriedade, para FINS TRIBUTÁRIOS, ocorreu com o registro da Alteração Contratual na JUNTA COMERCIAL, e não quando do registro no Cartório de Registro de Imóveis, que produz efeitos civis, entre as partes. · Cita decisões do extinto Conselho de Contribuintes e comenta: · A decisão paradigmática não deixa dúvidas quanto ao momento em que produzem efeitos tributários os atos praticados pelos particulares: o ganho de capital se dá no momento em que a Junta Comercial efetiva o registro da integralização. · E nem poderia ser diferente: bastaria a um determinado contribuinte NÃO REGISTRAR NO CARTÓRIO DE REGISTRO DE IMÓVEIS um contrato ou uma escritura, para eximirse das obrigações tributárias dele decorrentes. · A partir da data do registro da alteração na Junta Comercial do Estado de Santa Catarina o que se impõe, do ponto de vista tributário é: · 1) A Bonato Comercial Ltda (ora recorrente) deve apurar eventual ganho de capital, e em ocorrendo este, deve pagar o imposto respectivo; · 2) A Bonato Comercial Ltda. (ora recorrente) não deve apurar, contabilizar ou registrar receitas de aluguéis (locação) do bem imóvel que foi utilizado para aumento de capital da “Tahiti Administração e Serviços Ltda.” · 3) A “Tahiti Administração e Serviços Ltda”, cujo capital foi aumentado mediante a conferência do bem imóvel localizado na Rua Caetano Natal Branco, n° 1.100, em Joaçaba, Santa Catarina, é a pessoa jurídica que deve reconhecer as receitas da locação do bem imóvel, que já lhe pertence, ainda que não registrado no Cartório de Registro de Imóveis. · 4) A Bonato Comercial Ltda., como não tem imóveis locados, não tendo receita de locação de bens imóveis, não tem atividade impeditiva à opção pelo SIMPLES, devendo serlhe reconhecido o direito a ser optante pelo SIMPLES e a se manter Fl. 175DF CARF MF 4 como tal, enquanto outras causas impeditivas eventuais não surjam ou não existam. · Diante de todo o exposto, resta demonstrado a decisão recorrida deve ser reformada, dandose provimento a este recurso, para que seja assegurada à Recorrente a validade de manutenção da mesma como optante pelo SIMPLES, desde 01/01/2.004. A DRJ proferiu o seguinte voto: Inicialmente, cabe frisar que o Ato Declaratório Executivo DRF/JOA n° 001, de 23 de janeiro de 2007, de fls. 36, excluiu o contribuinte do SIMPLES com fundamento no art. 9°, inciso XII, alínea “b”, da Lei 9.317/96, abaixo transcrito. . Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: _ (...) XII que realize operações relativas a: ... b) locação ou administra ao de imóveis' Assim sendo, se o art. 9°, inciso XII, da Lei n°. 9.317/ l996 dispõe literalmente que as empresas que realizem operações relativas à locação de imóveis, sem nenhuma exceção, não podem se enquadrar no SIMPLES, não há como interpretar de outra forma, face ao que determina o art. 111, II do Código Tributário Nacional CTN (Lei n°. 5.172/ 1966). Com efeito, as empresas que obtenham receitas de aluguel de imóveis não poderão optar pelo SIMPLES, sendo irrelevante o percentual destas receitas em relação à receita bruta total da empresa. Portanto, em que pese os argumentos da interessada quando aduz que os valores em tela são repassados a Tahiti Administração e Serviços Ltda, independente de quem seja o proprietário do imóvel locado, não há como negar que os mesmos são por ela percebidos. Em conseqüência, ratifico o entendimento da DRF jurisdicionante manifestado através do Ato Declaratório Executivo DRF/J OA n° 001, de 23 de janeiro de 2007. Por fim, com base no que dispõe o § 4°, an. 16, do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972, que limitou o momento para a apresentação de provas, dispondo que a prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito do impugnante fazêlo em outro momento processual, indefiro o pedido da requerente, para que sejam produzidos todos os meios de provas admitidos em direito. CONCLUSÃO À vista do exposto, voto no sentido de INDEFERIR a solicitação da interessada, considerando válido o ato de sua exclusão do SIMPLES. Verificase, nos autos, que o primeiro contrato de aluguel (fl 19 a 23), tendo como locadora a Bonato Ltda foi assinado no ano de 2001 e como locatária a Delegacia da Receita Federal em Joaçaba SC. Este contrato tem sido aditado por vários anos, incluindo o da Fl. 176DF CARF MF Processo nº 10925.001128/200535 Acórdão n.º 1001000.780 S1C0T1 Fl. 4 5 exclusão do Simples, tendo como locadora a própria Bonato. No contrato, esta figura como proprietária do imóvel locado. Em seu recurso, alega a recorrente que o imóvel foi cedido em aumento de capital para outra empresa e que esta é que seria a beneficiária dos valores dos alugueis pagos pela locatária e que, portanto, cede os valores recebidos, a título de aluguel, para a empresa Tahiti Administração e Serviços Ltda, a qual, segundo a recorrente, seria a titular do bem desde o ano de 1999, não tendo sido efetuado o devido registro civil da transferência (integralização de capital); não foram citadas as razões de não ter efetuado o referido registro. Em nenhum momento, foi dada ciência à locatária da referida situação, fazendo crer que a Bonato, na verdade, na prática, sublocava o imóvel, já que sempre figurou como locadora e não como interveniente. Assim, pressupõese ter havido uma sublocação consentida tacitamente. Assim, ainda que, efetivamente, a Bonato tivesse efetuado os repasses dos valores dos aluguéis recebidos pela Bonato, como afirma a recorrente, esta deveria registrar as receitas correspondentes e a Thaiti, por sua vez, também deveria fazêlo, já que é a proprietária do imóvel, salvo se houvesse um contrato de comodato entre as partes. Portanto, correta a decisão da DRJ. Consequentemente, nego provimento ao presente Recurso Voluntário, sem crédito tributário em litígio. É como voto. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Fl. 177DF CARF MF
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Numero do processo: 10831.005460/2003-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 17/04/2003
MULTA REGULAMENTAR. CONSUMIR OU DAR A CONSUMO PRODUTO DE PROCEDÊNCIA ESTRANGEIRA QUE TENHA ENTRADO NO ESTABELECIMENTO, DELE SAÍDO OU NELE PERMANECIDO, SEM QUE TENHA HAVIDO REGISTRO DA DECLARAÇÃO DE IMPORTAÇÃO DO SISCOMEX, OU DESACOMPANHADA DE GUIA DE LICITAÇÃO OU DE NOTA FISCAL, CONFORME O CASO.
A multa calculada sobre o valor da mercadoria, prevista no art. 631, do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n° 4.543, de 26 de dezembro de 2002, numa das hipóteses ali descritas, requer a tipificação de consumo ou entrega a consumo de mercadoria de origem estrangeira, que tenha entrado no estabelecimento, dele saído ou nele permanecido, sem que tenha havido registro da respectiva declaração de importação no Siscomex, ou desacompanhada de Guia de Licitação ou de nota fiscal, conforme o caso. Caracterizada tal situação, a penalidade está corretamente aplicada.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-004.797
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 17/04/2003 MULTA REGULAMENTAR. CONSUMIR OU DAR A CONSUMO PRODUTO DE PROCEDÊNCIA ESTRANGEIRA QUE TENHA ENTRADO NO ESTABELECIMENTO, DELE SAÍDO OU NELE PERMANECIDO, SEM QUE TENHA HAVIDO REGISTRO DA DECLARAÇÃO DE IMPORTAÇÃO DO SISCOMEX, OU DESACOMPANHADA DE GUIA DE LICITAÇÃO OU DE NOTA FISCAL, CONFORME O CASO. A multa calculada sobre o valor da mercadoria, prevista no art. 631, do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n° 4.543, de 26 de dezembro de 2002, numa das hipóteses ali descritas, requer a tipificação de consumo ou entrega a consumo de mercadoria de origem estrangeira, que tenha entrado no estabelecimento, dele saído ou nele permanecido, sem que tenha havido registro da respectiva declaração de importação no Siscomex, ou desacompanhada de Guia de Licitação ou de nota fiscal, conforme o caso. Caracterizada tal situação, a penalidade está corretamente aplicada. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 1. 00 54 60 /2 00 3- 56 Fl. 265DF CARF MF Processo nº 10831.005460/200356 Acórdão n.º 3301004.797 S3C3T1 Fl. 266 2 Semíramis de Oliveira Duro Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Por economia processual, adoto o relatório da decisão recorrida: Trata o presente processo de exigência de multa enquadrada no art. 631 do Regulamento Aduaneiro [(Decreto n° 4.543, de 26/12/2002 (Lei 4.502, de 30/11/64, art. 83, inciso I, e DecretoLei n° 400, de 30/12/68, art. 1°, art. 1°, alteração 2), formalizada na Notificação de Lançamento de fls. 89/92, em valor idêntico ao da mercadoria, no total de R$ 59.161,42 (cinquenta e nove mil, cento e sessenta e um reais e quarenta e dois centavos). Seguese um breve histórico dos fatos, conforme documentos nos autos. Em 17/04/2003 o interessado submeteu a despacho aduaneiro mercadorias importadas, tendo registrado a DI n° 03/03264092 (fls. 04/09), que foi canalizada pelo Siscomex para o canal verde de conferência (desembaraço automático). Na adição n° 001 da referida DI (fls. 8), na descrição detalhada da mercadoria, registrou a importação de 3.593 unidades de lentes ópticas plásticas ST28 CR607 P0T0BST28607. Posteriormente, em 04/06/03, quase dois meses após o registro da Dl, o importador apresentou requerimento para retificação da DI (fls. 1/2), alegando que o número correto de unidades de lentes ópticas importadas e recebidas era de 13.755, e não de 3.593, conforme constara no texto da adição em comento. Portanto, importara 10.162 unidades a mais que o constante do despacho aduaneiro. O pedido de retificação da DI objetivava vincular as unidades excedentes (10.162) no despacho aduaneiro formalizado pela Dl 03/0326409 2. Em 07/02/08 foi expedido o Termo de Intimação SAORT n° 33/2008 (fls. 51/52), solicitando ao importador documentos para instrução probatória, nos termos da IN SRF n° 680/06, arts. 45 e 46. Ciente da intimação, o interessado apresentou os documentos solicitados (fls. 54/83). Em 14/03/08 foi proferido o DESPACHO DECISÓRIO DE INDEFERIMENTO do pleito (fls. 85/88), cuja ementa é a seguinte: "Indeferese o pedido de retificação para inclusão de mercadorias apontadas em processo de denúncia espontânea, não vinculadas no momento do registro Fl. 266DF CARF MF Processo nº 10831.005460/200356 Acórdão n.º 3301004.797 S3C3T1 Fl. 267 3 da DI, desembaraçadas no canal verde conferência, quando não há elementos documentais que corroborem o pleito.". No texto de despacho, são apontadas diversas irregularidades constatadas na documentação apresentada, para considerar que a mesma não faz prova da regularidade das mercadorias excedentes. Do despacho decisório que indeferiu o pleito foi dada ciência pessoal ao interessado (fls. 88), tendo sido aberto a ele o prazo de 30 (trinta) dias para interposição de recuso junto à Inspetora da Alfândega de Viracopos, nos termos dos arts. 56 a 65 da Lei n° 9.784, de 29 de janeiro de 1.999. O prazo para recurso extinguiuse, sem que o interessado apresentasse recurso administrativo à decisão que lhe foi adversa. Após trânsito em julgado da decisão que indeferiu o pedido de inclusão das mercadorias excedentes no despacho aduaneiro formalizado pela DI n° 03/03264092, foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls. 89/91, para exigência de multa equivalente ao valor da mercadoria, com base no art. 631 do Regulamento Aduaneiro [(Decreto n° 4.543, de 26/12/2002 (Lei 4.502, de 30/11/64, art. 83, inciso I, e DecretoLei n°400, de 30/12/68, art. 1°, art. 1°, alteração 2a)], referente à penalização do ato de consumir ou dar a consumo mercadoria estrangeira que possa ser enquadrada numa das três situações seguintes: a) que tenha sido introduzida clandestinamente no Pais; b) que tenha sido importada irregular ou fraudulentamente; e c) que tenha entrado no estabelecimento, dele saído ou nele permanecido, sem que tenha havido registro da Declaração de Importação no Siscomex, ou desacompanhada de Guia de Licitação ou de nota fiscal (compra no mercado interno), conforme o caso. Ciente do teor da Notificação de Lançamento já referida, e inconformado com o teor da mesma, o interessado apresentou sua impugnação tempestiva, às fls. 95/115, cujos argumentos são, em síntese, os seguintes: 1 Entende que a regularidade da mercadoria ficou comprovada nos documentos que apresentou quando de seu pleito de retificação daDI (portanto, apresenta tardiamente seu recurso administrativo quanto ao indeferimento do pleito inicial); 2 Alega que não cabe a multa do controle administrativo das importações (que, no caso, não foi aplicada); 3 Alega que a exigência da multa em valor equivalente ao da mercadoria é exorbitante, tendo caráter confiscatório; e 4 Não se defende da contravenção mencionada no dispositivo legal, ou seja, do consumo ou entrega a consumo de mercadoria de procedência estrangeira que tenha entrado no estabelecimento, dele saído ou nele permanecido, sem que tenha havido registro da declaração de importação no Siscomex ou desacompanhada de Guia de Licitação ou nota fiscal, conforme o caso. Fl. 267DF CARF MF Processo nº 10831.005460/200356 Acórdão n.º 3301004.797 S3C3T1 Fl. 268 4 A DRJ/SPII negou provimento ao apelo com decisão assim ementada: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 17/04/2003 MULTA REGULAMENTAR: CONSUMIR OU DAR A CONSUMO PRODUTO DE PROCEDÊNCIA ESTRANGEIRA QUE TENHA ENTRADO NO ESTABELECIMENTO, DELE SAÍDO OU NELE PERMANECIDO, SEM QUE TENHA HAVIDO REGISTRO DA DECLARAÇÃO DE IMPORTAÇÃO DO SISCOMEX, OU DESACOMPANHADA DE GUIA DE LICITAÇÃO OU DE NOTA FISCAL, CONFORME O CASO. A multa calculada sobre o valor da mercadoria, prevista no art. 631, do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n° 4.543, de 26 de dezembro de 2002, numa das hipóteses ali descritas, requer a tipificação de consumo ou entrega a consumo de mercadoria de origem estrangeira, que tenha entrado no estabelecimento, dele saído ou nele permanecido, sem que tenha havido registro da respectiva declaração de importação no Siscomex, ou desacompanhada de Guia de Licitação ou de nota fiscal, conforme o caso. Caracterizada tal situação, a penalidade está corretamente aplicada. Em recurso voluntário, a empresa reitera os argumentos aduzidos em impugnação, sustentado o desacerto da exigência, pois não haveria provas de que a recorrente consumiu as mercadorias importadas; requer a conversão do julgamento em diligência, para que sejam apreciados os documentos juntados com a impugnação, no sentido de comprovar erro material no preenchimento da declaração de importação que originou a operação de comércio exterior efetivada; e, por fim, requer reforma da decisão a quo. A 1ª Câmara/1ª Turma Ordinária, Resolução n° 310100.106, converteu o julgamento em diligência para que a ALF/ViracoposSP: i) analise os documentos acostados com a impugnação apresentada neste processo, fls. 134 a 157, levando em consideração as explicações do recurso voluntário, itens 6 a 27 das fls. 181 a 188, e emita Parecer conclusivo acerca do ocorrido, a saber, se efetivamente, com a documentação anexada podese dizer que tratouse de lapso manifesto causado pelo exportador, e haveria condições de ser retificada a declaração de importação; Fl. 268DF CARF MF Processo nº 10831.005460/200356 Acórdão n.º 3301004.797 S3C3T1 Fl. 269 5 ii) dar ciência do Parecer do item anterior à recorrente, para manifestarse, querendo, em prazo de 30 dias, em homenagem ao contraditório e à ampla defesa. A resposta à diligência apontou (efls. 256259): 23 Os documentos apresentados à folhas 134 a 157 foram apreciados quando da instrução e decisão do indeferimento do pedido de retificação, estando precluso sua reanálise, assim mantemos integralmente o parecer do auditor que exarou o despacho decisório de indeferimento do pleito. 24 As explicações constantes no item 6 a 27 das folhas 181 a 188, foram apreciadas no âmbito da Delegacia da Receita Federal de Julgamento DRJ, que as refutou, não cabendo portanto a esta SAORT manifestarse sobre as mesmas, haja vista não haver competência administrativa funcional pata tanto, nos termos do disposto no regimento interno da RFB. Isto posto, entendo que o processo encontrase devidamente instruído com as razões e contrarrazões das partes, faltando unicamente ao órgão julgador de 2ª instância manifestarse frente a verdade material existente no processo. É o relatório. Voto Conselheira Semíramis de Oliveira Duro, Relatora O recurso voluntário reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. Diante do indeferimento do pedido de retificação da Declaração de Importação n° 03/03264092, de 17/04/2003, foi facultado ao contribuinte interpor recurso junto à Alfândega do Aeroporto de Viracopos, o que não foi feito. No caso, a empresa promoveu a importação de mercadorias cobertas pelo Conhecimento de Transporte Aéreo Internacional MAWB 5272148 1644 /11AWB 0080 8986 e pela Fatura Comercial (Commercial Invoice) s/n° Order Number: 60415, vinculandoa à Declaração de Importação n° 03/03264092. Posteriormente, solicitando a inclusão da mercadoria constante na Solicitação de Retificação protocolada em 04 de junho de 2003, fls. 01 e 02, do presente processo (Fatura Comercial s/n° Order Number: 60415), foi intimada, através do Termo de Intimação SAORT n° 33/2008, de 07/02/08, às fls. 51/52 (cientificado o interessado em 19/02/08, às fls. 53), a Fl. 269DF CARF MF Processo nº 10831.005460/200356 Acórdão n.º 3301004.797 S3C3T1 Fl. 270 6 apresentar documentos e informações necessários à adequada instrução processual, nos termos dos artigos 45 e 46 da IN SRF 680/06. Entretanto, o pleito foi indeferido, devido ao não atendimento aos termos da intimação exarada, principalmente quanto à carência de comprovação de regularidade fiscal e contábil da importação das mercadorias objeto da pretendida retificação, dentro do prazo estabelecido. A autoridade fiscal apontou as seguintes irregularidades: apresentação de Fatura Comercial sem a devida menção aos Pesos Bruto e Líquido da inclusão pretendida, o que contraria o artigo 497 do Decreto n° 4.543, de 26/12/2002 (Regulamento Aduaneiro); a quantidade de mercadorias da Adição 001 (3.593 Unidades) corresponde ao Peso Líquido de 1.480,0 Kg; a quantidade de mercadorias a ser incluída (13.755 Unidades) não possui Peso Líquido informado na Fatura Comercial correspondente; informação de Peso Bruto (1.690,0 Kg) e Peso Líquido (1.500,0 Kg) constante no total da DI, o Peso Líquido das 3.593 Unidades da Adição 001 (1.480,0 Kg), a falta de informação de Peso Líquido das 13.755 Unidades, concernentes à Inclusão; o Packing List apresentado não oferece clareza quanto aos Pesos Bruto e Líquido das mercadorias objeto da DI, bem como da correspondente Inclusão; foram apresentadas apenas as Notas Fiscais de Entrada n. 14.752, de 23/04/2003, e n. 15.077, de 22/05/2003, correspondentes à Adição 001 e à Inclusão; não houve a apresentação de Notas Fiscais de Entrada, correspondentes ao total da DI, não comprova, em tese, a regularidade fiscal e contábil da importação. Logo, os fatos acima relatados constituem infração nos termos do artigo 602 do Decreto n° 4.543, de 26/12/2002 (Regulamento Aduaneiro), abaixo descrito: Art. 602. Constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que importe inobservância, por parte de pessoa física ou jurídica, de norma estabelecida ou disciplinada neste Decreto ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completálo (Decretolei n° 37, de 1966, art. 94). Parágrafo único. Salvo disposição expressa em contrário, a responsabilidade por infração independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, da natureza e da extensão dos efeitos do ato (Decretolei n°37, de 1966, art. 94, § 2°). Fl. 270DF CARF MF Processo nº 10831.005460/200356 Acórdão n.º 3301004.797 S3C3T1 Fl. 271 7 Destarte, não sendo as informações prestadas suficientes para fins de instrução processual e retificação da DI em comento, fica evidenciado que, a partir do não atendimento aos termos da INTIMAÇÃO em tela, o importador promoveu, de forma irregular, a introdução de mercadoria estrangeira no país, situação prevista no artigo 631 do Decreto n° 4.543, de 26/12/2002 (Lei n° 4.502/64, art. 83, I e DecretoLei n°400/68, art. 1°, alteração 2): Art. 631. Sem prejuízo de outras sanções administrativas ou penais cabíveis, incorrerão na multa igual ao valor da mercadoria os que entregarem a consumo, ou consumirem mercadoria de procedência estrangeira introduzida clandestinamente no País ou importada irregular ou fraudulentamente ou que tenha entrado no estabelecimento, dele saído ou nele permanecido sem que tenha havido registro da declaração da importação no Siscomex, ou desacompanhada de Guia de Licitação ou nota fiscal, conforme o caso (Lei no 4.502, de 1964, art. 83, inciso I, e Decretolei no 400, de 30 de dezembro de 1968, art. 1o, alteração 2ª). Parágrafo único. A multa referida no caput não será exigida quando já tenha sido aplicada a pena de perdimento do bem, caso em que será procedida à conversão de que trata o § 1o do art. 632. A penalidade prevista, portanto, na situação descrita acima, é a de "multa igual ao valor da mercadoria". Alega a Recorrente que, sem a prova de que houve o consumo ou que se deu a consumo o produto de procedência estrangeira [Adição n° 001 da DI n° 03/03264092] que tinha entrado em seu estabelecimento, ou seja, de que efetivamente ocorreu a hipótese descrita no art. 631 do Regulamento Aduaneiro, não poderia a SAORTAlfândega do Aeroporto Internacional de Viracopos ter efetuado o lançamento da multa regulamentar. A diligência solicitada pelo CARF intentou a investigação sobre a efetividade do consumo da mercadoria de procedência estrangeira, ou seja, comprovar erro material no preenchimento da declaração de importação que originou a operação de comércio exterior efetivada. Entretanto, a documentação juntada não é apta a elidir o atraso de 2 meses no pedido de retificação da DI. Em suma, o contribuinte pleiteou a vinculação de mercadorias excedentes ao despacho aduaneiro referente à DI n° 03/03264092, após aproximadamente dois meses da entrada de tais mercadorias em seus estoques. Logo, a multa recai sobre o consumo de mercadoria estrangeira com regularidade não comprovada através de registro da respectiva DI no Siscomex. Tal mercadoria de procedência estrangeira não consta de DI registrada no Siscomex e foi consumida pelo autuado. Isso porque, por quase dois meses, a empresa manteve em seu estoque (e consumiu) Fl. 271DF CARF MF Processo nº 10831.005460/200356 Acórdão n.º 3301004.797 S3C3T1 Fl. 272 8 mercadoria estrangeira sem cobertura do documentação hábil para comprovar sua importação regular. Portanto, entendo que a penalidade foi corretamente aplicada. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Fl. 272DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.957834/2009-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3201-001.401
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 57 83 4/ 20 09 -2 1 Fl. 184DF CARF MF Processo nº 10880.957834/200921 Resolução nº 3201001.401 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de não homologar a compensação de créditos da contribuição (Cofins/PIS), decisão essa lastreada na ausência de direito creditório disponível, uma vez que os pagamentos declarados já haviam sido integralmente utilizados na quitação de débitos do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte havia alegado que o crédito pleiteado decorrera do recolhimento indevido da Contribuição e que a Administração tributária tinha o dever de retificar de ofício a DCTF em face do princípio da verdade material. A Delegacia de Julgamento (DRJ) julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade por falta de comprovação do direito creditório pleiteado. Em seu Recurso Voluntário, o contribuinte requereu a declaração de nulidade da decisão de primeira instância ou sua reforma, bem como a realização de diligência, arguindo cerceamento do direito de defesa, por falta de demonstração por parte do julgador a quo do motivo para declarar a insuficiência dos documentos acostados aos autos (DARF, DIPJ, Balancete e DCTFs), e inobservância do princípio da verdade material. No mérito, requereu o Recorrente, com base nos documentos acostados aos autos, a reforma do despacho decisório em face do recolhimento indevido, justificandose que, por um lapso, não procedera à retificação tempestiva da DCTF. Junto ao recurso, o Recorrente apresentou cópia de parte do Razão Contábil. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido na Resolução nº 3201001.393, de 29/08/2018, proferida no julgamento do processo nº 10880.913528/200982, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3201001.393): O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. Fl. 185DF CARF MF Processo nº 10880.957834/200921 Resolução nº 3201001.401 S3C2T1 Fl. 4 3 A seguir passo a análise do Recurso Voluntário. Cerceamento do Direito de Defesa e da Inobservância do Princípio da Verdade Material Afastase a preliminar de cerceamento do direito de defesa. A recorrente teve garantido o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa nas duas instâncias administrativas. A recorrente teve assegurado, inclusive, o direito de juntar documentos, razão contábil, no presente recurso de segunda instância. Nesse sentido, observese jurisprudência do CARF. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Acórdão nº 3301003.976 do Processo 15586.001130/200788 Data 30/08/2017 CERCEAMENTO DE DEFESA. CONTRADITÓRIO. AMPLA DEFESA. NULIDADE Não há nulidade quando se constata em todas as fases processuais o exercício do direito ao contraditório e de ampla defesa, não caracterizando o cerceamento de defesa. Em referência a argumentos fundados nos princípios constitucionais, aplicase a Súmula CARF nº 2: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Cabe ainda indeferir o pedido de diligência genérico, sem comprovação de sua necessidade e da impossibilidade da produção da prova pelo contribuinte. Preliminares indeferidas. Mérito A fundamentação do despacho decisório denegatório seria a inexistência de crédito disponível, tendo sido o DARF discriminado na DCOMP integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, que estavam declarados em DCTF. A DCTF originária representou uma confissão de dívida. Assim, quando da manifestação de inconformidade, a documentação apresentada em primeira instância, DARF de pagamento, DIPJ, Balancete e DCTF´s foram considerada insuficientes. Citase trechos do relatório da DRJ: Ressaltese que a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, instituída pela Instrução Normativa SRF n° 126, de 30 de outubro de 1998, 6. O documento apresentado pelo contribuinte para prestar à autoridade fazendária as informações relativas aos valores devidos dos tributos e contribuições federais, e os respectivos valores de créditos vinculados (pagamento, parcelamento, compensação, etc.), constituindose cm confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito, na forma do disposto pelo § 1 0, do art. 5° do Decreto lei n° 2.124, de 8 de março de 1984. (efl. 92) (...) Deste modo, a DIPJ não se configura como documento suficiente a comprovação de erro nas informações prestadas em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, para fins de homologação da compensação efetivada pelo contribuinte. (efl. 92) No mérito, o cerne da lide consiste em verificar se a documentação contábil e/ou fiscal apresentada após o despacho decisório seria prova suficiente para a compensação. Sobre o assunto existe jurisprudência do CARF. Fl. 186DF CARF MF Processo nº 10880.957834/200921 Resolução nº 3201001.401 S3C2T1 Fl. 5 4 Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Acórdão nº 3002000.234 do Processo 10880.674831/200954 Data 13/06/2018 COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. PROVA INSUFICIENTE QUANDO DESACOMPANHADA DE DOCUMENTAÇÃO PROBATÓRIA. A retificação da DCTF após despacho decisório que nega a homologação da compensação não impede o reconhecimento do direito ao crédito desde que acompanhada de documentação contábil e/ou fiscal que comprove o erro cometido no preenchimento da declaração original. Em sendo apresentada isoladamente, não constitui prova suficiente. A retificação da DCTF, depois de prolatado o despacho decisório não impede o deferimento do pedido de compensação, quando acompanhada de provas comprovando o erro cometido no preenchimento da declaração original. Tal entendimento está fundamentado no § 1º do art. 147 do CTN. Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. Existe jurisprudência do CARF sobre o assunto. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Acórdão nº 9303006.266 do Processo 13896.902360/200818 Data: 25/01/2018 Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/08/2003 a 31/08/2003 COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF POSTERIOR AO DESPACHO DECISÓRIO. PROVAS DO ERRO COMETIDO. A retificação da DCTF depois de prolatado o despacho decisório não impede o deferimento do pedido, quando acompanhada de provas documentais comprovando a erro cometido no preenchimento da declaração original (§ 1º do art. 147 do CTN). Na retificação, a DCTF sofreu alteração para menor, cabendo a interessada comprovar o erro. Tal comprovação pode ser feita de diversas formas, inclusive por meio de planilhas, documentos contábeis, cópias de documentos, cupons, recibos e tantos outros. O princípio da verdade material, alegado pela recorrente, exige provas que compete a mesma trazer aos autos. Agora, em segunda instância, a recorrente junta aos autos o razão contábil provisão COFINS a recolher em 31/07/2004, onde demonstra de janeiro a dezembro de 2004 a provisão de recolhimento da COFINS. De fato, verificase que o valor a recolher, relativo a COFINS, em julho de 2004, seria de R$29.775,70 e não de R$42.341,83 (doc. 09 do recurso efls. 182/183). A escrituração do razão contábil em conjunto com o balancete são documentos contábeis/fiscais oficiais que fazem prova de verdade. Os documentos deixam claro a existência de saldo creditório e são suficientes para garantir o direito. A recorrente também alega que efetuou a retificação na DCTF original. Demonstrada a composição da base de cálculo da contribuição por meio de documentos contábeis/fiscais resta demonstrado o valor devido do tributo e, Fl. 187DF CARF MF Processo nº 10880.957834/200921 Resolução nº 3201001.401 S3C2T1 Fl. 6 5 consequentemente, o indébito decorrente do recolhimento em valor maior que o devido. Finalmente, cabe repetir que o artigo 151, III do Código Tributário Nacional determina que as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo suspendem a exigibilidade do crédito. Somente com o encerramento da fase administrativa é que se pode, se for o caso, inscrever o crédito cm dívida ativa, efetuar a cobrança judicial e incluir o contribuinte no Cadastro Informativo de Débitos não quitados de Órgãos e Entidades Federais — CADIN. Em vista da apresentação de documentos adicionais, dentro do princípio da verdade material, que possivelmente pode lastrear direito de crédito presumido, entendo que o julgamento deva ser convertido em diligência, a fim de que o Fisco se manifeste sobre a prova referida, o razão contábil. Após, deve a recorrente ser instada a manifestarse, se o desejar, com o retorno do processo ao CARF para continuidade do julgamento. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Contribuição para o PIS. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu converter o julgamento em diligência para que o Fisco se manifeste sobre a prova carreada aos autos em sede de recurso voluntário, a saber, o Razão Contábil. Após, deve o Recorrente ser instado a se manifestar, se assim o desejar, com o retorno do processo ao CARF para continuidade do julgamento. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 188DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10840.904896/2009-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 29 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3301-000.949
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10840.902858/2010-52, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1593; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 2 1 1 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10840.904896/200914 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3301000.949 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 25 de setembro de 2018 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente ESCANDINÁVIA VEÍCULOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10840.902858/201052, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Winderley Morais Pereira Presidente e Relator (assinado digitalmente) Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Relatório Trata o presente processo administrativo de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório por suposto pagamento indevido ou a maior e aproveitar esse crédito com débito de outro tributo. Por despacho decisório, não foi reconhecido direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologada a compensação declarada no presente processo, tendo por base as constatações seguintes: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 40 .9 04 89 6/ 20 09 -1 4 Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10840.904896/200914 Resolução nº 3301000.949 S3C3T1 Fl. 3 2 a) a empresa foi intimada a esclarecer os valores mensais consignados a título de Faturamento/Receita Bruta em sua DIPJ retificadora, tendo em vista que o valor dessa rubrica foi sistematicamente reduzido nas suas DIPJ retificadoras dos anoscalendário de 2001 e 2002. Em resposta, a empresa esclarece a redução de seu Faturamento/Receita Bruta como sendo decorrente da exclusão de receitas financeiras, as quais teriam sido indevidamente incluídas na base de cálculo da contribuição; b) para o anocalendário a que se refere o presente processo não há previsão legal para exclusão, da base de cálculo do PIS e da COFINS das receitas financeiras informadas na resposta à intimação, sendo certo, portanto, que elas devem compor a base de cálculo da COFINS. Cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade postulando, em suma, para julgála integralmente procedente, com vistas à reforma do despacho decisório exarado nos autos, reconhecendose a existência do aludido crédito da empresa ora manifestante e, ato contínuo, homologandose a compensação outrora requerida, tendo em vista que é inadmissível a inclusão de receitas financeiras na base de cálculo do PIS e da COFINS, haja vista que, por força da Interpretação estabelecida tanto pelo Supremo Tribunal Federal como pelo Superior Tribunal de Justiça á Lei Federal n° 9.718, de 1998, apenas o faturamento (resultado da venda de mercadorias e serviços) poderá ser objeto de incidência daquela exação. excluídas, assim, as receitas financeiras, que não se encaixam nesse conceito: A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento manteve integralmente o despacho decisório, julgando improcedente a manifestação de inconformidade. Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, em que repete os argumentos contidos na manifestação de inconformidade e adiciona os seguintes: a) deve ser aplicada o entendimento pacificado nos tribunais superiores de que é inconstitucional o alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS promovido pelo §1° do art. 3° da Lei n° 9.718/98; e b) as cópias autenticadas dos livros contábeis carreadas aos autos devem ser aceitas como prova, pois foram consideradas idôneas pelo SEORT (Serviço de Orientação e Análise Tributária). É o relatório. Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10840.904896/200914 Resolução nº 3301000.949 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3301000.941, de 25 de setembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10840.902858/201052, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução 3301000.941): "O recurso voluntário preenche os requisitos de admissibilidade e deve ser conhecido. Reproduzo trecho do Despacho Decisório (fls. 37) que sumaria a demanda: "O presente processo trata do PerDcomp nº 13426.84222.120107.1.3.040093, de fls. 02/06, referente a suposto pagamento indevido ou a maior de Cofins – código 2172, do período de apuração – PA de dezembro de 2001, recolhido em 15/01/2002, cujo valor do crédito original na data da transmissão é R$ 3.845,02, com o qual se pretende compensar débito do IRPJ – código 2362, vencido em 28/02/2005. É o relatório. Da análise das suas DIPJ – do exercício 2002 – anocalendário 2001, original (004369110) e retificadora (126303512), juntadas às fls. 11/16, verificamos que a contribuinte retificou os valores consignados a título de “Faturamento/Receita Bruta”, no mês de dezembro de 2001, que foram alterados de R$ 3.063.856,82, para R$ 2.935.689,13, reduzindo a Cofins a pagar de R$ 87.536,02, para R$ 83.690,99. Visando verificar a regularidade do crédito ora pleiteado, através da intimação fiscal nº 481/2011/DRF/RPO/Seort, de fls.22/23, a empresa foi intimada a esclarecer os valores mensais consignados a título de Faturamento/Receita Bruta em sua DIPJ retificadora, tendo em vista que os valores dessas rubricas foram sistematicamente reduzidos nas suas DIPJ dos anoscalendário de 2001 e 2002. Em resposta apresentada em 24/05/2011, juntada às fls. 28/32, a empresa informa que a redução de seu Faturamento/Receita Bruta, no PA de dezembro de 2001, é decorrente da exclusão das receitas abaixo discriminadas e valoradas, as quais, segundo ela, teriam sido indevidamente incluídas na base de cálculo da Cofins. Rubrica R$ Comissões CDCI 11.370,29 Descontos obtidos 15.649,57 Juros recebidos 70.968,11 Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10840.904896/200914 Resolução nº 3301000.949 S3C3T1 Fl. 5 4 Receita Aplicação Financeira 5,62 Variação monetária ativa 1.169,35 Comissões de intermediação de financiamentos 29.004,44 Total 128.167,69 No entanto, para o anocalendário de 2001, não há previsão legal para exclusão da base de cálculo da Cofins das receitas acima relacionadas, sendo certo, portanto, que elas devem compor sua base de cálculo. (. . .)" Nas peças de defesa, a recorrente sustenta que são receitas financeiras, não componentes da base de cálculo da COFINS, nos termos do caput do art. 3° da Lei n° 9.718/98. A tributação de tais receitas pela COFINS foi afastada pelos tribunais superiores, notadamente pelo STF, em sede do RE 390.840/MG. E carreou cópias autenticadas do livro razão, em que figuram as contas contábeis apresentadas no quadro acima. A DRJ ratificou o posicionamento da unidade de origem, sob o argumento de que, de acordo com o art. 21 da Lei nº 12.844/13, as decisões do STF, em sede de repercussão geral, e do STJ, de recursos repetitivos, somente vinculam aquele órgão, após pronunciamento formal da PGFN. Examino a contenda. Conforme entendimento assentado, em sede de repercussão geral, pelo Supremo Tribunal Federal (Recurso Extraordinário nº 585.235), o conflagrado alargamento da base de cálculo promovido pela Lei 9.718/98 foi considerado inconstitucional. À luz do entendimento manifesto pela Suprema Corte, apenas o faturamento decorrente das atividades típicas da pessoa jurídica estão sujeitos à incidência da Cofins no sistema cumulativo de apuração da Contribuição. E o §2º do artigo 62 do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 343/2015 e alterações, determina que as matérias de Repercussão Geral sejam reproduzidas nos julgamentos dos recursos. Isto posto, resta apenas examinar a natureza das contas contábeis indicadas pelo contribuinte. O faturamento do mês foi declarado na DIPJ do anocalendário de 2002 entregue à RFB. Da leitura das cópias autenticadas dos razões contábeis, verifica se que os históricos dos lançamentos se coadunam com os títulos das contas. E alguns valores selecionados aleatoriamente para averiguação conferem com os indicados na tabela acima. Contudo, isto é não suficiente para reconhecermos o direito creditório. De acordo com o § 1° do art. 9° do Decretolei n° 1.598/77 "§ 1º A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais." Fl. 147DF CARF MF Processo nº 10840.904896/200914 Resolução nº 3301000.949 S3C3T1 Fl. 6 5 Em sua defesa, a recorrente alegou que as cópias dos razões das contas seriam suficientes para comprovar a natureza das contas contábeis, pois o SEORT (Serviço de Orientação e Análise Tributária) teria "considerado idôneas as receitas financeiras alocadas ao livro razão". Entretanto, não há evidência alguma desta afirmação. Ademais, apesar de não ter negado provimento à manifestação de inconformidade por este motivo, a insuficiência das provas apresentadas também foi destacada pela DRJ. A meu ver, há indícios fortes de que a recorrente é detentora de créditos da COFINS paga a maior, mas ainda há carência de informação. Assim sendo, em respeito ao Princípio da Verdade Material, e com o objetivo de assegurar o possível direito do contribuinte à compensação de tributos pagos a maior, porém salvaguardando os interesses da Fazenda Pública, proponho a conversão do julgamento em diligência, para que o contribuinte seja intimado a apresentar à unidade de origem para validação: i) as vias originais de sua escrituração contábil; ii) a documentação suporte dos lançamentos contábeis das receitas financeiras indevidamente incluídas na base de cálculo da COFINS; iii) conciliação dos lançamentos contábeis com as bases de cálculo da COFINS, original e ajustada pela exclusão das receitas financeiras; e iv) demonstração do cálculo dos valor pago a maior, a partir da comparação entre o valor devido inicialmente apurado e o calculado após a exclusão das receitas financeiras. Deve ser elaborado relatório conclusivo e aberto prazo de trinta dias para manifestação das partes. Findo o prazo, os autos devem retornar conclusos para julgamento. É como voto." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu converter o julgamento em diligência para que o contribuinte seja intimado a apresentar à unidade de origem para validação: i) as vias originais de sua escrituração contábil; ii) a documentação suporte dos lançamentos contábeis das receitas financeiras indevidamente incluídas na base de cálculo do PIS e da COFINS; iii) conciliação dos lançamentos contábeis com as bases de cálculo do PIS e da COFINS, original e ajustada pela exclusão das receitas financeiras; e Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10840.904896/200914 Resolução nº 3301000.949 S3C3T1 Fl. 7 6 iv) demonstração do cálculo dos valor pago a maior, a partir da comparação entre o valor devido inicialmente apurado e o calculado após a exclusão das receitas financeiras. Deve ser elaborado relatório conclusivo e aberto prazo de trinta dias para manifestação das partes. Findo o prazo, os autos devem retornar conclusos para julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 149DF CARF MF
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Numero do processo: 13502.000431/2005-80
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004
PIS NÃO CUMULATIVO. HIPÓTESES DE CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMO.
Na sistemática de apuração não cumulativa das contribuições para o PIS e Cofins, geram créditos os bens adquiridos para revenda e os bens/serviços utilizados como insumos; sendo considerados insumos os dispêndios que mantenham relação direta com o processo produtivo e que, simultaneamente, satisfação a condição de essencialidade, quando submetidos ao teste de subtração. Para além dos insumos, somente geram direito ao creditamento as hipóteses relacionadas no rol taxativo do art. 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03.
CORREIAS E HIDRÓXIDO DE SÓDIO. UTILIZADOS DIRETAMENTE E ESSENCIAIS AO PROCESSO PRODUTIVO. DIREITO AO CRÉDITO.
Estão dentro do conceito de insumo as correias de reposição e o hidróxido de sódio utilizado para tratamento da água que retorna ao processo produtivo e, portanto, fazem jus ao crédito.
DESPESAS COM INTERNAÇÃO E PORTUÁRIAS EM GERAL. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO.
Na importação de bens, não se enquadram no conceito de insumo as despesas com internação e as despesas portuárias em geral, assim com também não estão contidas nas hipóteses relacionadas no rol taxativo do art. 3º da Lei nº 10.637/02.
DESPESAS DE ALUGUEL. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA UTILIZAÇÃO DIRETA NO PROCESSO PRODUTIVO E DE SUA ESSENCIALIDADE. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
É do contribuinte o ônus de comprovar a utilização de máquinas e equipamentos diretamente no processo produtivo, assim como sua essencialidade. Para tanto, não bastam alegações e descrições genéricas.
ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO DE BENS DO ATIVO IMOBILIZADO. FALTA DE PROVAS DA UTILIZAÇÃO DIRETA NO PROCESSO PRODUTIVO E DA AQUISIÇÃO NO PAÍS. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
Somente geram crédito as máquinas e equipamentos, incorporados ao ativo imobilizado, utilizados na fabricação dos produtos destinados à venda e, se e somente se, forem adquiridos de pessoas jurídicas domiciliadas no País. É do contribuinte o ônus de comprovar o atendimento de tais requisitos.
DEVOLUÇÕES TRIBUTADAS ANTES DA VIGÊNCIA DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. POSSIBILIDADE DE ACORDO COM AS NORMAS LEGAIS.
As mercadorias devolvidas, tributadas antes da vigência da sistemática de apuração não cumulativa da contribuição para o PIS, deverão compor o estoque de abertura e farão jus ao crédito da contribuição efetivamente paga, devendo tal crédito ser utilizado em 12 parcelas iguais e sucessivas a partir da data de devolução. Considerando-se que a devolução, no caso presente, ocorreu em 20 de setembro de 2004, a recorrente faz jus a 1/12 avos do crédito no mês de setembro.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3002-000.374
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, , por maioria de votos, em dar provimento parcial quanto aos bens utilizados como insumos, reconhecendo o direito ao crédito tão somente das correias e do hidróxido de sódio, vencida a Conselheira Maria Eduarda Câmara Simões que lhe deu provimento e em negar provimento quanto aos serviços utilizados como insumos e às despesas de aluguéis, vencida a Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões que lhe deu provimento parcial e, por unanimidade, em negar provimento quanto aos créditos sobre depreciação e sobre outras operações.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto da Silva Esteves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DA SILVA ESTEVES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 PIS NÃO CUMULATIVO. HIPÓTESES DE CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMO. Na sistemática de apuração não cumulativa das contribuições para o PIS e Cofins, geram créditos os bens adquiridos para revenda e os bens/serviços utilizados como insumos; sendo considerados insumos os dispêndios que mantenham relação direta com o processo produtivo e que, simultaneamente, satisfação a condição de essencialidade, quando submetidos ao teste de subtração. Para além dos insumos, somente geram direito ao creditamento as hipóteses relacionadas no rol taxativo do art. 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03. CORREIAS E HIDRÓXIDO DE SÓDIO. UTILIZADOS DIRETAMENTE E ESSENCIAIS AO PROCESSO PRODUTIVO. DIREITO AO CRÉDITO. Estão dentro do conceito de insumo as correias de reposição e o hidróxido de sódio utilizado para tratamento da água que retorna ao processo produtivo e, portanto, fazem jus ao crédito. DESPESAS COM INTERNAÇÃO E PORTUÁRIAS EM GERAL. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO. Na importação de bens, não se enquadram no conceito de insumo as despesas com internação e as despesas portuárias em geral, assim com também não estão contidas nas hipóteses relacionadas no rol taxativo do art. 3º da Lei nº 10.637/02. DESPESAS DE ALUGUEL. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA UTILIZAÇÃO DIRETA NO PROCESSO PRODUTIVO E DE SUA ESSENCIALIDADE. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. É do contribuinte o ônus de comprovar a utilização de máquinas e equipamentos diretamente no processo produtivo, assim como sua essencialidade. Para tanto, não bastam alegações e descrições genéricas. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO DE BENS DO ATIVO IMOBILIZADO. FALTA DE PROVAS DA UTILIZAÇÃO DIRETA NO PROCESSO PRODUTIVO E DA AQUISIÇÃO NO PAÍS. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Somente geram crédito as máquinas e equipamentos, incorporados ao ativo imobilizado, utilizados na fabricação dos produtos destinados à venda e, se e somente se, forem adquiridos de pessoas jurídicas domiciliadas no País. É do contribuinte o ônus de comprovar o atendimento de tais requisitos. DEVOLUÇÕES TRIBUTADAS ANTES DA VIGÊNCIA DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. POSSIBILIDADE DE ACORDO COM AS NORMAS LEGAIS. As mercadorias devolvidas, tributadas antes da vigência da sistemática de apuração não cumulativa da contribuição para o PIS, deverão compor o estoque de abertura e farão jus ao crédito da contribuição efetivamente paga, devendo tal crédito ser utilizado em 12 parcelas iguais e sucessivas a partir da data de devolução. Considerando-se que a devolução, no caso presente, ocorreu em 20 de setembro de 2004, a recorrente faz jus a 1/12 avos do crédito no mês de setembro. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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Recorrente CIBRAFERTIL CIA BRASILEIRA DE FERTILIZANTES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 PIS NÃO CUMULATIVO. HIPÓTESES DE CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMO. Na sistemática de apuração não cumulativa das contribuições para o PIS e Cofins, geram créditos os bens adquiridos para revenda e os bens/serviços utilizados como insumos; sendo considerados insumos os dispêndios que mantenham relação direta com o processo produtivo e que, simultaneamente, satisfação a condição de essencialidade, quando submetidos ao teste de subtração. Para além dos insumos, somente geram direito ao creditamento as hipóteses relacionadas no rol taxativo do art. 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03. CORREIAS E HIDRÓXIDO DE SÓDIO. UTILIZADOS DIRETAMENTE E ESSENCIAIS AO PROCESSO PRODUTIVO. DIREITO AO CRÉDITO. Estão dentro do conceito de insumo as correias de reposição e o hidróxido de sódio utilizado para tratamento da água que retorna ao processo produtivo e, portanto, fazem jus ao crédito. DESPESAS COM INTERNAÇÃO E PORTUÁRIAS EM GERAL. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO. Na importação de bens, não se enquadram no conceito de insumo as despesas com internação e as despesas portuárias em geral, assim com também não estão contidas nas hipóteses relacionadas no rol taxativo do art. 3º da Lei nº 10.637/02. DESPESAS DE ALUGUEL. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA UTILIZAÇÃO DIRETA NO PROCESSO PRODUTIVO E DE SUA ESSENCIALIDADE. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 00 04 31 /2 00 5- 80 Fl. 1042DF CARF MF Processo nº 13502.000431/200580 Acórdão n.º 3002000.374 S3C0T2 Fl. 1.043 2 É do contribuinte o ônus de comprovar a utilização de máquinas e equipamentos diretamente no processo produtivo, assim como sua essencialidade. Para tanto, não bastam alegações e descrições genéricas. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO DE BENS DO ATIVO IMOBILIZADO. FALTA DE PROVAS DA UTILIZAÇÃO DIRETA NO PROCESSO PRODUTIVO E DA AQUISIÇÃO NO PAÍS. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Somente geram crédito as máquinas e equipamentos, incorporados ao ativo imobilizado, utilizados na fabricação dos produtos destinados à venda e, se e somente se, forem adquiridos de pessoas jurídicas domiciliadas no País. É do contribuinte o ônus de comprovar o atendimento de tais requisitos. DEVOLUÇÕES TRIBUTADAS ANTES DA VIGÊNCIA DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. POSSIBILIDADE DE ACORDO COM AS NORMAS LEGAIS. As mercadorias devolvidas, tributadas antes da vigência da sistemática de apuração não cumulativa da contribuição para o PIS, deverão compor o estoque de abertura e farão jus ao crédito da contribuição efetivamente paga, devendo tal crédito ser utilizado em 12 parcelas iguais e sucessivas a partir da data de devolução. Considerandose que a devolução, no caso presente, ocorreu em 20 de setembro de 2004, a recorrente faz jus a 1/12 avos do crédito no mês de setembro. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, , por maioria de votos, em dar provimento parcial quanto aos bens utilizados como insumos, reconhecendo o direito ao crédito tão somente das correias e do hidróxido de sódio, vencida a Conselheira Maria Eduarda Câmara Simões que lhe deu provimento e em negar provimento quanto aos serviços utilizados como insumos e às despesas de aluguéis, vencida a Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões que lhe deu provimento parcial e, por unanimidade, em negar provimento quanto aos créditos sobre depreciação e sobre outras operações. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves Fl. 1043DF CARF MF Processo nº 13502.000431/200580 Acórdão n.º 3002000.374 S3C0T2 Fl. 1.044 3 Relatório O processo administrativo ora em análise trata de Pedido de Ressarcimento do PIS, referente ao 3º trimestre de 2004, e de Declarações de Compensação decorrentes, lastreado em créditos que se originariam da sistemática da não cumulatividade da contribuição. A partir desse ponto, transcrevo o relatório do Acórdão recorrido por bem retratar as vicissitudes do presente processo: "Tratase de Manifestação de Inconformidade (fls. 358/370) contra o Despacho Decisório n° 0121/2009 (fls. 343/344), que aprovou o Parecer SARAC/DRF/CCI n° 402/2009 (fls. 325/339), proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Camaçari (DRF/CCI). 0 direito creditório em discussão se origina de pedido de ressarcimento de crédito da Contribuição para o PIS apurado no regime nãocumulativo relativo ao 3° trimestre de 2004, no valor de R$ 67.640,75, utilizado pela interessada para compensar débitos próprios (declarações de compensação as folhas 09/54). A autoridade fiscal, após análise dos documentos entregues pela contribuinte (fls. 85/231 e 241/320) em resposta as intimações SARAC/DRF/CCI n° 617/2009 (fls. 82/84), n° 1024/2009 (fls. 232/238) e n° 1033/2009 (fls. 239/240), e após consultas às folhas 60/81, deferiu parcialmente o direito creditório, no valor de R$ 54.594,56, e homologou parcialmente a compensação declarada. Cientificada do despacho decisório em 11/12/2009, conforme Aviso de Recebimento à folha 348, a interessada em 12/01/2010 apresenta Manifestação de Inconformidade (fls. 358/370), sendo esses os pontos de sua irresignação, em síntese: 1. No caso do PIS e da Cofins, a não cumulatividade se opera mediante o "Método Indireto Substrativo", que consiste em conceder crédito calculado mediante aplicação da alíquota sobre as aquisições de bens e serviços, sistemática inteiramente diversa daquela estabelecida para o ICMS e o IPI, em que a não cumulatividade se opera, por expressa previsão constitucional, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas operações anteriores; 2. 0 pressuposto do referido método é que o custo, despesa ou encargo que gera o direito ao crédito atual, na etapa anterior fora uma receita de pessoa jurídica domiciliada no Pais, supostamente submetida a tais contribuições, e assim o débito calculado sobre todas as receitas tributáveis pelo PIS e pela Cofins na operação atual é confrontado com o crédito calculado sobre todos os custos, despesas ou encargos necessários à obtenção daquelas receitas; Fl. 1044DF CARF MF Processo nº 13502.000431/200580 Acórdão n.º 3002000.374 S3C0T2 Fl. 1.045 4 3. Desta forma, os créditos não guardam qualquer relação com o que foi cobrado na operação anterior, como ocorre no ICMS e no IPI, pois cada operação é vista autonomamente, tendo em vista a própria natureza dos tributos, pois enquanto o ICMS e o IPI são tributos indiretos, o PIS e a Cofins são tributos diretos; 4. Quanto aos créditos sobre "Bens utilizados como insumos", o Despacho Decisório ora guerreado utilizase de equivocado conceito de insumo esculpido na Instrução Normativa n° 404, de 2004, que analogicamente adotou conceitos relativos à não cumulatividade do IPI, restringindo, sem qualquer base legal, o direito creditório do contribuinte; 5. 0 conceito de insumo, no sentido de tratarse de bem que deve ser consumido em decorrência de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, foi devidamente rechaçado pela própria COSIT, que afirmou, em mais de uma oportunidade, que basta o bem estar relacionado ao processo produtivo para ser caracterizado como insumo, conforme Soluções de Divergência e de Consulta que transcreve, firmandose o entendimento de que insumo é todo custo ou despesa aplicado direta e indiretamente no processo produtivo de determinada mercadoria ou serviço, independentemente de existir ou não o desgaste em razão do contato direto com o produto em fabricação; 6. No caso concreto dos autos, conforme comprovam a Descrição do Processo Produtivo (fl. 202) e o Laudo Técnico (fls. 373/374), os quatro itens glosados pelo despacho decisório — correias, lona agrícola, hidróxido de sódio (soda cáustica) e gás natural — são, inequivocamente, aplicados no processo produtivo da manifestante; 7. As correias são utilizadas para acionamento de equipamentos utilizados na produção ou para o transporte de produto ao longo do processo produtivo, desgastandose, inclusive, em razão do atrito com o próprio produto produzido; 8. A lona agrícola, por sua vez, é utilizada para armazenagem do produto, enquanto que o hidróxido de sódio é utilizado para neutralizar o efluente, adicionado à Água que sai do processo e a ele retorna após a filtração; 9. Quanto ao gás natural, é utilizado em substituição 6. energia elétrica para queima na caldeira e na fornalha; 10. Logo, todos os itens glosados como não sendo insumos estão intimamente ligados ao processo de produção da empresa, sendo inequívoco o direito creditório da contribuinte, requerendo desde já a realização de diligência ou perícia, indicando a sua perita e formulando quesitos que entende necessários h solução do litígio; 11. No que tange aos serviços utilizados como insumos, item 19 do Parecer SARAC/DRF/CCI n° 402/2009, equivocouse o despacho decisório ao glosar a totalidade dos créditos apropriados pela manifestante, pois a própria autoridade fiscal Fl. 1045DF CARF MF Processo nº 13502.000431/200580 Acórdão n.º 3002000.374 S3C0T2 Fl. 1.046 5 reconhece que tais serviços, de armazenagem, pesagem e movimentação, são tomados em face da aquisição de matérias primas importadas, compondo, portanto, o custo relativo produção, assim considerado todos os gastos com a aquisição de bens e serviços para a produção daqueles bens e serviços que serão postos a venda pela companhia, devendo ser reconhecida a integralidade do crédito da contribuinte em obediência ao inciso II do art. 3° da Lei n° 10.833, de 2003; 12. Quanto A alegação de que parte das notas fiscais relativas aos serviços é de período anterior A edição do artigo 16 da Lei n° 11.116, de 2005, e por isso não fariam jus ao crédito do PIS, destaca a interessada que a manutenção de créditos do PIS e da Cofins é inerente ao prófeio sistema da nãocumulatividade, &Wit° assegurado desde o inicio da adoção desta sistemática, consoante expressa disposição do § 4° do artigo 3° da Lei n° 10.637, de 2002, prevendose que os créditos não aproveitados em determinado mês poderão ser utilizados nos meses subseqüentes, sem qualquer condição para essa manutenção e utilização; 13. Neste sentido, o legislador editou o artigo 17 da Lei n° 11.033, de 2004, visando dirimir eventuais conflitos a respeito da regra de manutenção e utilização do saldo credor mensal nas hipótese mencionadas; 14. Se nem mesmo a não tributação da receita pelo PIS e Cofins impede a manutenção do crédito, é porque esta manutenção constitui regra do sistema da não cumulatividade, e o artigo 16 da Lei n° 11.116, de 2005, é meramente interpretativo e não concessivo da manutenção dos créditos, que se constituem em direito incondicional do contribuinte, conforme asseverado pelo próprio legislador na exposição de motivos; 15. Em relação aos créditos sobre despesas de alugueis de máquinas e equipamentos locados de pessoa jurídica, glosados no despacho decisório sob o argumento de que a contribuinte não apresentou comprovantes fiscais das respectivas despesas, a manifestante anexa cópia do balancete contábil do mês de agosto/2004 (fl. 376), devidamente assinada pelo contador da empresa, onde constam os valores das contas contábeis que comprovam os gastos sob tal rubrica; 16. Quanto aos créditos apropriados no mês de setembro/2004 relativos a encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado, não reconhecidos sob o argumento de que a contribuinte não apresentou demonstrativo com os valores informados no DACON, a manifestante também anexa à folha 378 cópia da composição dos bens do ativo imobilizado na produção, devendo ser reformado o despacho decisório; 17. Por fim, no que concerne A glosa do crédito relativo A devolução de mercadoria, sob o argumento de que, por se tratar de negócio realizado anteriormente A incidência nãocumulativa da contribuição, deveria ser considerado como crédito do estoque de abertura, de fato tratase de equivoco cometido pela Fl. 1046DF CARF MF Processo nº 13502.000431/200580 Acórdão n.º 3002000.374 S3C0T2 Fl. 1.047 6 contribuinte, mas que em hipótese alguma afasta seu direito creditório, pois mesmo considerando o crédito como relativo ao estoque de abertura, uma vez ocorrida a devolução da mercadoria em 20/09/2004, em setembro/2004 a contribuinte já faria jus a 8/12 do crédito litigado; 18. Assim, requer que seja reconhecido integralmente seu direito creditório com a conseqüente homologação da compensação. A despeito de no Despacho Decisório n° 0121/2009 ter sido determinada a adoção de procedimentos necessários A cobrança dos débitos cuja compensação não foi homologada em razão da insuficiência de crédito, às folhas 379/382 restou demonstrado que o valor do crédito seria suficiente para extinção dos débitos, razão pela qual foi suspensa a exigibilidade do crédito tributário em face da apresentação da Manifestação de Inconformidade." Em seqüência, analisando as argumentações e os documentos apresentados pela contribuinte, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador DRJ/SDR julgou a Manifestação de Inconformidade procedente em parte, por decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITOS. INSUMOS. Somente geram créditos da contribuição para o PIS as despesas com matériaprima, produto intermediário, material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. O termo "insumo" não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tão somente aqueles, adquiridos de pessoa jurídica, que efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço da atividade. CRÉDITO. SERVIÇOS DE ARMAZENAGEM, PESAGEM E MOVIMENTAÇÃO DE MATÉRIAS PRIMAS IMPORTADAS. Inadmissível a apropriação de créditos da contribuição para o PIS relativamente aos pagamentos de serviços de armazenagem, pesagem e movimentação de matérias primas importadas, visto que não aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço da atividade. Fl. 1047DF CARF MF Processo nº 13502.000431/200580 Acórdão n.º 3002000.374 S3C0T2 Fl. 1.048 7 MANUTENÇÃO DO CRÉDITO. ISENÇÃO. ALÍQUOTA ZERO. Somente a partir de 09 de agosto de 2004 ficou estabelecido que as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou nãoincidência da contribuição para o PIS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Intimada dessa decisão, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fl. 812/862), no qual requereu a reforma do Acórdão recorrido, em linhas gerais, repisando fatos e argumentos já apresentados e juntando novos documentos. É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves Relator O direito creditório envolvido no presente processo encontrase dentro do limite de alçada das Turmas Extraordinárias, conforme disposto no art. 23B do RICARF. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. A questão fundamental posta em discussão na presente lide se refere ao direito de creditamento na sistemática da não cumulatividade das contribuições para o PIS e a Cofins, assim, entendo oportuno tecer alguns comentários sobre os fundamentos que irão embasar este voto. O regime de incidência não cumulativa das contribuições para o PIS/Pasep e para a COFINS foi instituído, respectivamente, pelas Leis nº 10.637, de 30/12/2002, e 10.833, de 29/12/2003. Em seus arts. 3º e §§, ambas as leis tratam das possibilidades de apropriação de créditos. Da simples leitura dos dispositivos legais citados, constatase que as hipóteses de creditamento no âmbito dessas contribuições possuem uma abrangência específica e diversa das legislações que regulamentam outros tributos. Em especial, o termo "insumo" não se amolda a definição restritiva presente na legislação sobre o IPI, como também não contempla um sentido tão amplo a ponto de incluir todos os custos e despesas necessárias à atividade empresarial, como no caso do IRPJ. Necessitase, então, a construção de diretrizes particulares na análise dos elementos geradores de crédito dessas contribuições. Fl. 1048DF CARF MF Processo nº 13502.000431/200580 Acórdão n.º 3002000.374 S3C0T2 Fl. 1.049 8 Na busca desse desiderato, a jurisprudência desta Corte foi elaborando, ao longo do tempo, premissas importantes a serem consideradas, como no Acórdão nº 9303 006.083, de 12 de dezembro de 2017, da lavra do Ilustre Conselheiro Rodrigo da Costa Possas: "O termo “insumo” utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracterizase como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais." (grifo nosso) Embora o entendimento principal esposado acima seja majoritário atualmente no CARF, corrente autodenominada intermediária, mesmo entre seus adeptos, a aplicação prática desse conceito não é pacífica. Assim, temos que uns vislumbram que basta o insumo ser utilizado no processo produtivo para fazer jus ao crédito, outros entendem ser necessário a utilização direta desse insumo na produção, outros, ainda, preconizam que tal insumo deve ser indispensável. A meu sentir, a exigência mais correta a ser feita para que um determinado gasto seja classificado como um insumo, para o fim de creditamento disposto na legislação do PIS e da Cofins não cumulativas, é a essencialidade, tal qual foi manifestada no voto do Exmo. Ministro Mauro Campbell Marques no julgamento do REsp nº 1.246.317/MG: "Outrossim, não basta, que o bem ou serviço tenha alguma utilidade no processo produtivo ou na prestação de serviço: é preciso que ele seja essencial. É preciso que a sua subtração importe na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, obste a atividade da empresa, ou implique em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultante." (grifo nosso) Ademais, tal entendimento foi ratificado pelo Ministro no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR: "Daí minha divergência, pois tenho posição um pouco mais restrita, onde deve ser realizado o "teste de subtração" do Fl. 1049DF CARF MF Processo nº 13502.000431/200580 Acórdão n.º 3002000.374 S3C0T2 Fl. 1.050 9 insumo a fim de verificar a sua essencialidade ao processo produtivo". (grifo nosso) Nesse passo, creio que o bem ou serviço para ser considerado como insumo, além da necessidade de ser utilizado especificamente no processo produtivo, mesmo que não entre em contato direto com o produto, deve ser essencial à produção do bem ou à prestação do serviço. Em outras palavras, o insumo para ser apreciado como essencial ao processo, quando submetido ao teste de subtração, deve inviabilizar a obtenção do bem ou, ao menos, retirarlhe significativamente a qualidade. Para além da corrente intermediária do conceito de insumo, temos outra que considera que a legislação criadora da não cumulatividade para as contribuições enumerou um rol taxativo dos bens e serviços passíveis de serem considerados insumos com vista ao creditamento. Dessa forma, fora das hipóteses legalmente previstas, não haveria a possibilidade da apropriação de créditos. Tal entendimento pode ser observado no excerto do voto condutor do Acórdão nº 9303006.717, de 15 de maio de 2018, da lavra do Eminente Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal: "Como já tive a oportunidade de expressar em outras ocasiões, entendo que a legislação que estabeleceu a sistemática de apuração não cumulativa das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins trouxe uma espécie de numerus clausus em relação aos bens e serviços considerados como insumos para fins de creditamento, ou seja, fora daqueles itens expressamente admitidos pela lei, não há possibilidade de apropriação de créditos, pelo reconhecimento de que as demais mercadorias também se enquadram no conceito de insumo. Fosse para atingir todos os gastos essenciais à obtenção da receita, não necessitaria a lei ter sido elaborada com tanto detalhamento, bastava um único artigo ou inciso." (grifo nosso) A princípio, tais correntes parecem antagônicas ou, ao menos, incompatíveis. Contudo, a meu ver, existe a possibilidade de reconciliação. Primeiramente, entendo oportuno transcrever o art. 3º da Lei 10.833/2003, que trata do creditamento na sistemática da Cofins não cumulativa. Repisese que a legislação referente ao PIS tem dispositivo semelhante: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 1050DF CARF MF Processo nº 13502.000431/200580 Acórdão n.º 3002000.374 S3C0T2 Fl. 1.051 10 a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela lei nº 11.787, de 2008) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) ......................................................................................................... Fl. 1051DF CARF MF Processo nº 13502.000431/200580 Acórdão n.º 3002000.374 S3C0T2 Fl. 1.052 11 (grifo nosso) A partir da leitura do dispositivo transcrito, percebese que, embora todos os incisos tratem das possibilidade de apropriação de créditos, eles podem ser divididos em duas espécies diferentes: os basilares, aqueles que determinam quais as hipóteses fundamentais para a geração de crédito (bens para revenda e insumos na prestação de serviços ou na produção) e os extravagantes, aqueles que explicitam hipóteses que, a princípio, não podem ser enquadradas na definição de insumo, logo, por isso, não dariam direito ao creditamento ou, ao menos, teriam uma aplicação mais restrita. Assim, por exemplo, os custos, encargos e despesas nas operações de venda não podem ser caracterizados como insumos, pois, por óbvio, ocorrem após a produção do bem. Com efeito, por mais essenciais que sejam à atividade empresarial, não fazem parte do processo produtivo, mas do processo de comercialização. Contudo, nesse caso, por vontade do legislador, a armazenagem e o frete nas operações de venda dão direito a crédito. Dessa forma, entendo que a legislação que instituiu a sistemática de apuração não cumulativa das contribuições para o PIS e para a COFINS elencou um rol taxativo, contudo, não de bens e serviços considerados como insumo, mas, justamente, daquilo que, mesmo não sendo insumo, faz jus ao creditamento. Por conseqüência do que foi dito, voltando às operações de venda, fora a armazenagem e o frete, não há possibilidade de reconhecimento de crédito de mais nenhuma despesa ou custo incorridos nessas operações, a contrario sensu., por expressa determinação legal. Então, tomemos o caso das embalagens para transporte, sobre as quais vários ilustres Conselheiros reconhecem o direito ao creditamento, data venia, penso exatamente o oposto. Considerandose que tais embalagens não são insumos para a produção do bem, pois utilizadas somente após o término de sua elaboração, logo, muito menos o são insumos essenciais, embora sejam fundamentais ao processo de comercialização, e considerandose que tais dispêndios não estão elencados no rol taxativo do art. 3º, a meu sentir, não geram direito a crédito na sistemática de apuração não cumulativa das contribuições. A partir dos fundamentos assentados anteriormente, podemos resumir os requisitos necessários para que um gasto seja passível de geração de crédito da seguinte forma: a) geram créditos os bens adquiridos para revenda e os bens/serviços utilizados como insumos; b) são considerados insumos os dispêndios que mantenham relação direta com o processo produtivo e que, simultaneamente, satisfação a condição de essencialidade, quando submetidos ao teste de subtração; c) para além dos insumos, somente geram direito ao creditamento as hipóteses relacionadas no rol taxativo do art. 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03. Feita essa introdução, passemos a análise específica da lide no presente processo. 1) Bens utilizados como insumos Fl. 1052DF CARF MF Processo nº 13502.000431/200580 Acórdão n.º 3002000.374 S3C0T2 Fl. 1.053 12 A recorrente se insurge contra as glosas referentes a correias, lona agrícola e hidróxido de sódio e assevera que o laudo técnico apresentado juntamente com sua Manifestação de Inconformidade atestaria a pertinência desses itens ao seu processo produtivo. De fato, o laudo técnico (fl. 748/752) informa a utilização de cada um dos tipos de correias no reparo de equipamentos ligados diretamente e essenciais ao processo produtivo da empresa, conforme a descrição apresentada (fl. 408). Dessa forma, entendo que cabível o creditamento em decorrência da aquisição desses bens. Quanto ao hidróxido de sódio, segundo as informações acostadas, é utilizado para neutralizar o PH da água que sai do processo produtivo e que, após filtração, é reutilizada no mesmo. Assim, considerando a relação direta com a produção e a sua essencialidade, o hidróxido de sódio caracterizase como insumo e, portanto, faz jus ao crédito. Em relação à lona agrícola, ao contrário, não foi comprovada a sua relação direta com o processo produtivo e, principalmente, sua essencialidade, pois, tanto no laudo técnico anexado, como em seu Recurso Voluntário, a recorrente limitouse a asseverar que "é utilizada para a armazenagem do produto em local aberto". Não há nos autos a informação sobre a qual produto a recorrente se refere, dessa forma, impossível saber se produto acabado, intermediário ou, até mesmo, outro material que pudesse, ou não, se constituir insumo. Portanto, quanto a este item, mantenho a glosa. 2) Serviços utilizados como insumos A recorrente alega que não procede a glosa realizada pela fiscalização dos créditos sobre serviços utilizados como insumo, tendo em vista que estes estão relacionados à aquisição de matéria prima utilizada na produção. Extraise do Parecer da unidade de origem: "No caso em análise, nas notas fiscais apresentadas, fls. 294 a 306, constam serviços de armazenagem de mercadoria importada ("internação" de matériaprima importada, conforme, inclusive, esclarecimentos do contribuinte à fl. 241, item 2), pesagem de mercadoria e movimentação de mercadoria (despesas portuárias em geral), incluindo refeições e horas extras." (grifo nosso) Entendo que as despesas com a internação e as despesas portuárias em geral incorridas na importação não se constituem em insumo e, por outro lado, não integram a base de cálculo das contribuições incidentes na importação, assim como também não estão contempladas no rol taxativo do art. 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03. Logo, não fazem jus ao creditamento na sistemática da apuração não cumulativa das contribuições. Fl. 1053DF CARF MF Processo nº 13502.000431/200580 Acórdão n.º 3002000.374 S3C0T2 Fl. 1.054 13 Esse mesmo entendimento tem sido manifestado nesta Corte, como no caso do Acórdão 3302.005.187, de 31 de janeiro de 2018, transcrito parcialmente: IMPORTAÇÃO DE INSUMOS. SERVIÇOS DE LOGÍSTICA E DE OPERAÇÃO PORTUÁRIA PRESTADOS NO PAÍS. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. 1. As pessoas jurídicas sujeitas à apuração da contribuição para o PIS/Pasep e Cofins poderão descontar crédito, para fins de determinação dessas contribuições, somente em relação às contribuições efetivamente pagas na importação de bens e serviços. 2. Os gastos com serviços de logística e operação portuária realizados no País, vinculados à operação de importação de insumos, por falta de previsão legal, não asseguram apropriação de créditos das referidas contribuições. Dessa forma, correta as glosas realizadas. Além disso, a recorrente discute a motivação complementar da fiscalização para a realização das referidas glosas, pois entende que os serviços utilizados antes de 09 de agosto de 2004 também fariam jus ao creditamento, uma vez que seu direito não teria surgido com a edição da Medida Provisória nº 2006/04. Creio ser totalmente improdutiva e irrelevante tal discussão, tendo em vista que todas as notas fiscais apresentadas se referem aos serviços analisados anteriormente e, conseqüentemente, como já dito, que não dão direito a crédito. 3) Despesas de aluguéis Quanto ao item "despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos locados de pessoa jurídica", assim se manifestou o Parecer da DRF/Camaçari: "Conforme contas do Razão, fls. 217 a 220, que foram apresentadas pelo interessado (vide fl. 210), verificase que os valores lançados nessa linha do DACON referemse apenas A locação de veículos e a "Outros Aluguéis", que estão sem discriminação, computando, ainda assim, um valor tãosomente de R$ 7.413,61. Esta informação foi constatada por meio apenas das descrições das contas no Livro Razão, pois o interessado não apresentou os comprovantes fiscais das respectivas despesas. Além disso, "veículos" não se enquadram no conceito de máquinas e equipamentos. Com isso, devese glosar o valor total lançado..." Fl. 1054DF CARF MF Processo nº 13502.000431/200580 Acórdão n.º 3002000.374 S3C0T2 Fl. 1.055 14 (grifo nosso) Por seu turno, a DRJ/Salvador assim analisou a questão: "Com a Manifestação de Inconformidade, a interessada anexou apenas cópia do balancete contábil do mês de agosto/2004 (fl. 376), devidamente assinada pelo contador da empresa, onde constam os valores das contas contábeis que comprovariam os gastos sob tal rubrica. Entretanto, continuou a não informar a que se referem tais valores, quais as máquinas e equipamentos locados, bem como não trouxe aos autos qualquer documento que comprovasse que tais valores a titulo de alugueis geram direito ao crédito da contribuição para o PIS. Portanto, neste particular, correto o Despacho Decisório n° 0121/2009." (grifo nosso) Em sua defesa, a recorrente argumenta em seu Recurso Voluntário: (...) a recorrente colaciona nesta oportunidade (i) as notas fiscais referentes aos equipamentos e máquinas locados— doc. 01e (ii) cópia do Livro Razão que demonstra o registro contábil dos valores atinentes à locação — doc. 02. As notas fiscais comprovam que as máquinas e equipamentos, tais como, por exemplo, compressores e cabo de solda, são essenciais ao processo produtivo da Recorrente, sendo indubitável o direito creditório da Recorrente. Realmente, a recorrente carreou aos autos cópia de notas fiscais, com o intuito de comprovar o dispêndio realizado em aluguéis de máquinas e equipamentos, contudo, diferentemente do alegado, não restou comprovado o emprego de tais máquinas e equipamentos no processo produtivo da empresa e, muito menos, sua essencialidade. Por certo, não bastam alegações e descrições genéricas para o convencimento e a correta avaliação acerca da eficácia desses gastos como geradores de crédito, mas sim fundamental a explicação pormenorizada sobre a utilização desses equipamentos na cadeia produtiva. É do contribuinte o ônus dessa comprovação. Tomando os exemplos citados pela recorrente, a mera descrição "compressores e cabo de solda" não nos permite afirmar que compuseram o processo produtivo e nem ponderar sobre sua necessária essencialidade. Assim sendo, a glosa realizada pela fiscalização não merece retoque. Fl. 1055DF CARF MF Processo nº 13502.000431/200580 Acórdão n.º 3002000.374 S3C0T2 Fl. 1.056 15 4) Encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado Para melhor compreensão deste item, fazse necessária a transcrição de trecho relacionado do Parecer da Delegacia de origem: "22. Após análise das cópias do Livro Razão e do balancete apresentado, fls. 311 a 315, constatase que não há lançamentos no mês de setembro que respaldem os valores de depreciação registrados no DACON. No período em questão, conforme balancete (fl. 315), não constam lançamentos em ambas as Contas Contábeis n° 480102.61001 e no 480102.10000, a titulo de PIS/COFINS s/ Depreciação, sendo o saldo final igual ao inicial, R$ 45.112,28 e R$ 13.430,26, respectivamente. 23. Ademais, o interessado, mesmo depois de intimado (vide fls. 232 e 233), não apresentou demonstrativo com os valores que foram levados para o DACON referentes à depreciação de máquinas, equipamentos e outros bens do ativo imobilizado, nem as notas fiscais dos respectivos bens." (grifo nosso) Com efeito, constatase que na Intimação Sarac/DRF/CCI nº 1,024/2009 (fl. 468/470 do processo digital) consta a requisição para a comprovação da base de cálculo dos créditos relativos a bens do ativo imobilizado: "Explicar e comprovar a Base de Cálculo de Créditos a Descontar Relativos a Bens do Ativo Imobilizado, no total de R$ 51.958,68, referente ao mês de setembro de 2004, conforme Linha 09, da Ficha 04, do Dacon Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais — Número de Recibo: 05.06.50.43.06.03 . Essa comprovação deve ser feita através de um Demonstrativo com a comprovação dos encargos de depreciação dos bens do ativo imobilizado, contendo, dentre outros, os seguintes campos: descrição do bem; valor de aquisição; data de aquisição do bem; valor do encargo de depreciação utilizado; código NCM, correspondentes aos períodos em análise, juntamente com cópia das respectivas notas fiscais de aquisição dos bens;" (grifo nosso) No julgamento da Manifestação de Inconformidade, a DRJSalvador repisou os requisitos necessários a fim de se comprovar a regularidade dos créditos relativos aos Fl. 1056DF CARF MF Processo nº 13502.000431/200580 Acórdão n.º 3002000.374 S3C0T2 Fl. 1.057 16 encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado na sistemática de apuração não cumulativa das contribuições para o PIS e Cofins: "Para definir a regularidade dos créditos relativos a este item, é necessário aferir a relação que os bens do ativo imobilizado têm com o processo produtivo da pessoa jurídica e, ainda, identificar claramente os bens do ativo imobilizado adquiridos no mercado interno e os oriundos do exterior (importados). (grifo nosso) Por oportuno, reproduzse o teor do art. 3º da Lei nº 10.637/02 vigente a época, na parte que interessa à análise: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: ......................................................................................................... VI máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda, bem assim a outros bens incorporados ao ativo imobilizado; ......................................................................................................... §1º O crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no art. 2º sobre o valor: ......................................................................................................... III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII, incorridos no mês; ......................................................................................................... §3º O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; (grifo nosso) Assim, não há como negar que a instância a quo se posicionou corretamente sobre os requisitos necessários à confirmação do adequado creditamento sobre os encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado. Ou seja, a própria legislação determinou que somente geram crédito as máquinas e equipamentos, incorporados ao ativo imobilizado, utilizados na fabricação dos produtos destinados à venda e, se e somente se, forem adquiridos de pessoas jurídicas domiciliadas no País. Fl. 1057DF CARF MF Processo nº 13502.000431/200580 Acórdão n.º 3002000.374 S3C0T2 Fl. 1.058 17 Dessa forma, tornase incompreensível a razão da recorrente não ter juntado aos autos, nem mesmo na apresentação de seu Voluntário, as notas fiscais de aquisição desses bens, limitandose a alegar que foram adquiridos no mercado interno. Nunca é demais relembrar que o art. 373 do Código de Processo Civil (CPC) estabelece que o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito, e ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Ou seja, em regra, incumbe à parte fornecer os elementos de prova das alegações que fizer, visando prover o julgador com os meios necessários para o seu convencimento, quanto à veracidade do fato deduzido como base da sua pretensão. Portanto, creio que o ônus da prova atua de forma diversa em processos decorrentes de lançamento tributário e processos decorrentes de pedido de restituição, ressarcimento e compensação. Nestes, cabe ao contribuinte provar a liquidez e a certeza do seu crédito, naqueles, cabe ao fisco provar a ocorrência do fato gerador. Por outro lado, a recorrente alega que "os bens têm intrínseca e direta relação com o processo produtivo da Recorrente, como é possível se extrair pela simples denominação dos bens." Não procede tal alegação, como dito alhures, a simples denominação dos bens ou descrições genéricas não bastam para comprovar a sua utilização direta na produção, nem sua essencialidade. Somandose a isso o dito anteriormente, isto é, a falta de prova da origem dos bens, entendo que o decidido pela instância de piso deve ser mantido. 5) Devoluções O Acórdão recorrido reconheceu o direito da contribuinte ao crédito sobre as mercadorias devolvidas em 20/09/2004 na razão de 1/12 avos, tendo em vista o negócio jurídico ter ocorrido antes da vigência da Lei nº 10.637/02 e, portanto, devendo compor o estoque de abertura. Por seu lado, a recorrente repisa, sem adentrar na motivação de sua alegação, que já faria jus a 8/12 do crédito em setembro de 2004. Não assiste razão à contribuinte. Vejamos o disposto nos arts. 12 e 16 da Lei nº 10.833/03: Art. 12. A pessoa jurídica contribuinte da COFINS, submetida à apuração do valor devido na forma do art. 3o, terá direito a desconto correspondente ao estoque de abertura dos bens de que tratam os incisos I e II daquele mesmo artigo, adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País, existentes na data de início da incidência desta contribuição de acordo com esta Lei. ......................................................................................................... § 2o O crédito presumido calculado segundo os §§ 1o, 9o e 10 deste artigo será utilizado em 12 (doze) parcelas mensais, iguais e sucessivas, a partir da data a que se refere o caput deste artigo. (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) ......................................................................................................... Fl. 1058DF CARF MF Processo nº 13502.000431/200580 Acórdão n.º 3002000.374 S3C0T2 Fl. 1.059 18 § 6o Os bens recebidos em devolução, tributados antes do início da aplicação desta Lei, ou da mudança do regime de tributação de que trata o § 5o, serão considerados como integrantes do estoque de abertura referido no caput, devendo o crédito ser utilizado na forma do § 2o a partir da data da devolução. ......................................................................................................... Art. 16. O disposto no art. 4o e no § 4o do art. 12 aplicase, a partir de 1o de janeiro de 2003, à contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativa, de que trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, com observância das alíquotas de 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento) e de 0,65% (sessenta e cinco centésimos por cento) em relação à apuração na forma dos referidos artigos, respectivamente. Parágrafo único. O tratamento previsto no inciso II do caput do art. 3o e nos §§ 5o e 6o do art. 12 aplicase também à contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativa na forma e a partir da data prevista no caput. (grifo nosso) Como se percebe dos dispositivos transcritos, as mercadorias devolvidas, tributadas antes da vigência da sistemática de apuração não cumulativa da contribuição para o PIS, deverão compor o estoque de abertura e farão jus ao crédito da contribuição efetivamente paga, devendo tal crédito ser utilizado em 12 parcelas iguais e sucessivas a partir da data de devolução. Considerandose que a devolução, no caso presente, ocorreu em 20 de setembro de 2004, a recorrente faz jus a 1/12 avos do crédito no mês de setembro. Dessa forma, correta a decisão da instância a quo. Assim sendo, por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para reconhecer tão somente o direito ao crédito sobre as aquisições de correias e hidróxido de sódio. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Fl. 1059DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19985.721761/2016-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2011
IRPF. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. COMPROVAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 63.
Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios.
Numero da decisão: 2401-005.754
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Cleberson Alex Friess e José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro que negavam provimento ao recurso. Vencidos em primeira votação os conselheiros Cleberson Alex Friess e José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro que votaram por converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Relatora e Presidente.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, José Luiz Hentsch Benjamin Pinheiro, Luciana Matos Pereira Barbosa e Matheus Soares Leite.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER
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ISENÇÃO. Recorrente VILMA BRANCO GANDOLFO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2011 IRPF. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. COMPROVAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 63. Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Cleberson Alex Friess e José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro que negavam provimento ao recurso. Vencidos em primeira votação os conselheiros Cleberson Alex Friess e José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro que votaram por converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Relatora e Presidente. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, José Luiz Hentsch Benjamin Pinheiro, Luciana Matos Pereira Barbosa e Matheus Soares Leite. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 98 5. 72 17 61 /2 01 6- 66 Fl. 71DF CARF MF Processo nº 19985.721761/201666 Acórdão n.º 2401005.754 S2C4T1 Fl. 72 2 Relatório Tratase de notificação de lançamento de imposto de renda pessoa física IRPF, fls. 11/17, decorrente de revisão da Declaração de Ajuste Anual (DAA) anocalendário 2011, que apurou imposto suplementar de R$ 13.808,05, acrescido de juros de mora e multa de ofício, em virtude de omissão de: 1. omissão de rendimentos indevidamente considerados como isentos por moléstia grave, relativos a São Paulo Previdência, tendo em vista que "não há previsão legal para isenção da patologia G30 (Alzheimer) descrita no Laudo da SPPREV. Falta no Laudo todos os requisitos do art. 6º, parágrafo 5º da Instrução Normativa RFB nº 1.500/2014 (descrição da moléstia, elementos que fundamentaram a emissão do Laudo e o nº da matrícula do médico no órgão público); 2. omissão de rendimentos excedentes ao limite de isenção para declarantes com 65 anos ou mais (A contribuinte recebe pensão de mais de uma fonte pagadora e deve tributar no ajuste anual o valor que ultrapassar o limite mensal de isenção. Consideramos a parcela isenta do São Paulo Previdência e tributamos o valor recebido do INSS.); 3. dedução indevida de despesas médicas, no valor total de R$ 30.115,00, relativo à Associação Paulista de Magistrados, por não ter sido comprovada a despesa com o plano de saúde, quem seriam os beneficiários e o valor correspondente a cada beneficiário. Em sua impugnação, fls. 2/5, a interessada, por meio de seu procurador, requer em síntese o cancelamento da notificação, alegando que os rendimentos auferidos são isentos por ser pensionista e portadora de moléstia grave e que foi efetuado pagamento de plano de saúde, sendo a única beneficiária. Foram anexados os documentos de fls. 6/20. A DRJ/JFA, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário, conforme acórdão 0960.777 de fls. 45/51, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2012 RENDIMENTOS ISENTOS. MOLÉSTIA GRAVE. Somente pode ser acatada a isenção do IRPF sobre rendimentos de pensão quando ficar comprovado ser o contribuinte portador de moléstia grave, por meio de laudo médico oficial. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. Somente se acata como despesa médica dedutível da base de cálculo do imposto de renda o valor comprovadamente pago a Fl. 72DF CARF MF Processo nº 19985.721761/201666 Acórdão n.º 2401005.754 S2C4T1 Fl. 73 3 título de plano de saúde do contribuinte ou de seus dependentes para fins de imposto de renda. RESTITUIÇAO RECEBIDA INDEVIDAMENTE. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. Deve ser excluída a multa de ofício lançada sobre a devolução da restituição resgatada ou compensada indevidamente, incidindo, porém, juros de mora sobre tal devolução. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Consta do acórdão de impugnação que: A impugnante apresentou, objetivando comprovar a moléstia grave, um laudo emitido pela Secretaria da Fazenda São Paulo Previdência, atestando ser a interessada portadora de moléstia grave – CID 10 G30, desde 27 de setembro de 2008. A fiscalização desconsiderou o documento apresentado, afirmando que não continha todos os requisitos exigidos pela legislação, como descrição da moléstia, elementos que fundamentaram o laudo e número de registro do profissional médico no órgão público. Realmente cabe razão à autoridade lançadora. Ainda que se possa concluir, apesar da não formação na área médica, que a moléstia grave G30 tratase de um tipo de demência, podendo se enquadrar como alienação mental, tal fato deveria estar expressamente descrito no laudo, o que não ocorreu. Também, e de suma relevância, é imprescindível que o laudo tenha sido emitido por médico do serviço médico oficial, o que absolutamente não ocorreu. O laudo apresentado foi assinado por três médicos, com carimbos onde consta serem vinculados à empresa Ambiental Qualidade de Vida do Trabalho. Destaquese que a publicação de folha 18, que informa que as perícias médicas seriam realizadas pela empresa acima citada não tem o condão de alterar a exigência da legislação que rege a isenção ora pretendida. (grifo nosso) Deveria a litigante ter apresentado laudo médico oficial, que preenchesse todos os requisitos da legislação, o que não ocorreu. [...] O segundo requisito relevante, qual seja, serem os rendimentos oriundos de aposentadoria, reforma ou pensão, não foi comprovado para os valores auferidos do Instituto Nacional do Seguro Social e de São Paulo Previdência nesse processo. No entanto, tal requisito encontrase comprovado no processo nº 19985.725039/201510, já analisado por esta julgadora. (grifo nosso) Fl. 73DF CARF MF Processo nº 19985.721761/201666 Acórdão n.º 2401005.754 S2C4T1 Fl. 74 4 Cientificado do Acórdão em 8/11/16 (cópia de Aviso de Recebimento AR de fl. 57), a contribuinte apresentou recurso voluntário em 7/12/16, fls. 59/64, que contém, em síntese: Diz estar demonstrado que a recorrente tem direito à isenção, pois desde 2008 é portadora de alienação mental Doença de Alzheimer (CID 10 G30), doença degenerativa que não possui cura até o momento. Afirma que a alienação mental está incluída no rol de doenças que conferem o direito à isenção, conforme Lei 7.713/88, art. 6º, XIV. Acrescenta que comprovou a existência da doença, por meio do laudo médico emitido pela São Paulo Previdência. Apresentou também atestado fornecido pela sua médica particular que declarou que a contribuinte, desde 22/7/08, apresenta quadro clínico compatível com demência (Alzheirmer fase grave). Cita decisões do STJ no sentido de ser direito do contribuinte acometido por alienação mental (Alzheimer) a isenção do imposto sobre a renda. Quanto à dedução de despesas médicas, diz apresentar declaração do convênio médico com informações corretas relativa ao ano de 2011. Requer seja dado provimento ao recurso. É o relatório. Voto Conselheira Miriam Denise Xavier, Relatora. ADMISSIBILIDADE O recurso voluntário foi oferecido no prazo legal, assim, deve ser conhecido. ISENÇÃO Quanto a isenção, assim dispõe o CTN: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: [...] II outorga de isenção; [...] Sobre o gozo da isenção do imposto sobre a renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, a Lei 7.713/88 determina que: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: [...] Fl. 74DF CARF MF Processo nº 19985.721761/201666 Acórdão n.º 2401005.754 S2C4T1 Fl. 75 5 XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; No mesmo sentido, o Regulamento do Imposto sobre a Renda (RIR/99), Decreto 3.000/99, assim dispõe: Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: [...] XXXI os valores recebidos a título de pensão, quando o beneficiário desse rendimento for portador de doença relacionada no inciso XXXIII deste artigo, exceto a decorrente de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XXI, e Lei nº 8.541, de 1992, art. 47); [...] XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV, Lei nº 8.541, de 1992, art. 47, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, § 2º); [...] § 4º Para o reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XXXI e XXXIII, a partir de 1º de janeiro de 1996, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle (Lei nº 9.250, de 1995, art. 30 e § 1º). Fl. 75DF CARF MF Processo nº 19985.721761/201666 Acórdão n.º 2401005.754 S2C4T1 Fl. 76 6 § 5º As isenções a que se referem os incisos XXXI e XXXIII aplicamse aos rendimentos recebidos a partir: I do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; II do mês da emissão do laudo ou parecer que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria, reforma ou pensão; III da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial. § 6º As isenções de que tratam os incisos XXXI e XXXIII também se aplicam à complementação de aposentadoria, reforma ou pensão. Sendo assim, verificase que para a fruição da isenção, exigese o preenchimento cumulativo de três requisitos: a) que o rendimento seja proveniente de aposentadoria, reforma ou pensão; b) que o rendimento seja recebido por portador de moléstia grave relacionada em lei; e c) que a moléstia seja comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. No presente caso, conforme ressaltado no acórdão recorrido, a condição de pensionista foi acatada, contudo afirmouse que a contribuinte deixou de apresentar laudo médico oficial que comprovasse a moléstia apontada. Conforme laudo de fl. 20 a contribuinte é portadora de patologia CID 10 G30, desde 27/9/08, que está prevista na Lei 7.713/88, art. 6º, inciso XIV e XXI. A fiscalização e a DRJ desconsideraram o laudo em razão da ausência da descrição nominal da doença, bem como em razão da inexistência de comprovação da sua natureza oficial. Conforme relatado, a própria DRJ afirma ser possível concluir que a moléstia grave G30 tratase de um tipo de demência, podendo se enquadrar como alienação mental. O documento de fl. 20 é um laudo médico pericial, com o timbre do Governo do Estado de São Paulo e com o Selo de autenticidade da SPPREV, no qual consta a CID 10 G30 (que corresponde à Doença de Alzheimer), emitido em 31 de outubro de 2014, no qual consta a data de início da doença em 27 de setembro de 2008. Logo, a despeito de constar nominalmente a doença da contribuinte no laudo e o fundamento apresentado pela DRJ que os três médicos que assinaram o laudo são oriundos da Ambiental Qualidade de Vida do trabalho (a recorrente comprova que a mencionada empresa foi contratada pela SPPREV, conforme notícia publicada no jornal anexo aos autos, fl. 18), não há como afastar referido laudo. Fl. 76DF CARF MF Processo nº 19985.721761/201666 Acórdão n.º 2401005.754 S2C4T1 Fl. 77 7 Sendo assim, preenchidos os requisitos previstos em lei, aplicase o disposto na Súmula CARF nº 63: Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. CONCLUSÃO Voto por conhecer do recurso, e, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Fl. 77DF CARF MF
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