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Numero do processo: 10746.001435/2004-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Apr 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 1999, 2000
PAGAMENTO SEM CAUSA.
Comprovado nos autos que os pagamentos efetuados não tiveram a destinação indicada pelo sujeito passivo, qual seja, realização de projeto financiado pela Sudam, retornando de forma ilícita aos seus sócios, reais beneficiários, correta a exigência de imposto de renda na fonte.
MULTA QUALIFICADA.
Comprovado a intuito de fraude, aplica-se a multa qualificada nos termos do art. 44, II, da Lei n° 9.430/96.
PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. DISCUSSÃO. IMPOSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA.
Incabível na esfera administrativa a discussão de que uma determinada norma legal não é aplicável por ferir princípios constitucionais, pois essa competência é atribuída exclusivamente ao Poder Judiciário, na forma dos artigos 97 e 102 da Constituição Federal. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
PRINCÍPIO DO NÃO CONFISCO.
A vedação quanto à instituição de tributo com efeito confiscatório é dirigida ao legislador e não ao aplicador da lei.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1999, 2000
DECADÊNCIA. HIPÓTESE DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. INÍCIO DA CONTAGEM DO PRAZO. PRECEDENTE DO STJ NO RECURSO ESPECIAL N° 973.733/SC.
A existência de dolo, fraude ou simulação, afasta a possibilidade de homologação do pagamento de que trata o § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional e remete a contagem do prazo decadencial para a regra geral prevista no art. 173, inc. I, do mesmo diploma legal, qual seja, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Precedente do STJ no Recurso Especial n° 973.733/SC julgado nos termos do art. 543-C do CPC o que implica, em razão do disposto no art. 62, §2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF 343/2015, vinculação dos membros deste Colegiado à tese vencedora no âmbito do STJ.
Tratando-se de fato gerador mais longínquo relativo ao ano-calendário de 1999, o lançamento poderia ter sido feito nesse mesmo ano-calendário, e o primeiro dia para contagem do prazo decadencial iniciou-se em 01 de janeiro de 2000, tendo como data fatal para o lançamento o dia 31 de dezembro de 2004. Tendo o lançamento sido cientificado ao contribuinte em 03 de dezembro de 2004, não há que se falar em decadência.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4).
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1402-002.416
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a arguição de decadência e a preliminar de nulidade, não conhecer do recurso nas questões atinentes à inconstitucionalidade e, na parte conhecida, negar-lhe provimento, nos termos do relatório e voto que passam a integrar este julgado. Ausente justificadamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luís Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: Relator
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 1999, 2000 PAGAMENTO SEM CAUSA. Comprovado nos autos que os pagamentos efetuados não tiveram a destinação indicada pelo sujeito passivo, qual seja, realização de projeto financiado pela Sudam, retornando de forma ilícita aos seus sócios, reais beneficiários, correta a exigência de imposto de renda na fonte. MULTA QUALIFICADA. Comprovado a intuito de fraude, aplica-se a multa qualificada nos termos do art. 44, II, da Lei n° 9.430/96. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. DISCUSSÃO. IMPOSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA. Incabível na esfera administrativa a discussão de que uma determinada norma legal não é aplicável por ferir princípios constitucionais, pois essa competência é atribuída exclusivamente ao Poder Judiciário, na forma dos artigos 97 e 102 da Constituição Federal. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). PRINCÍPIO DO NÃO CONFISCO. A vedação quanto à instituição de tributo com efeito confiscatório é dirigida ao legislador e não ao aplicador da lei. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1999, 2000 DECADÊNCIA. HIPÓTESE DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. INÍCIO DA CONTAGEM DO PRAZO. PRECEDENTE DO STJ NO RECURSO ESPECIAL N° 973.733/SC. A existência de dolo, fraude ou simulação, afasta a possibilidade de homologação do pagamento de que trata o § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional e remete a contagem do prazo decadencial para a regra geral prevista no art. 173, inc. I, do mesmo diploma legal, qual seja, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Precedente do STJ no Recurso Especial n° 973.733/SC julgado nos termos do art. 543-C do CPC o que implica, em razão do disposto no art. 62, §2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF 343/2015, vinculação dos membros deste Colegiado à tese vencedora no âmbito do STJ. Tratando-se de fato gerador mais longínquo relativo ao ano-calendário de 1999, o lançamento poderia ter sido feito nesse mesmo ano-calendário, e o primeiro dia para contagem do prazo decadencial iniciou-se em 01 de janeiro de 2000, tendo como data fatal para o lançamento o dia 31 de dezembro de 2004. Tendo o lançamento sido cientificado ao contribuinte em 03 de dezembro de 2004, não há que se falar em decadência. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). Recurso Voluntário Negado.
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Comprovado nos autos que os pagamentos efetuados não tiveram a destinação indicada pelo sujeito passivo, qual seja, realização de projeto financiado pela Sudam, retornando de forma ilícita aos seus sócios, reais beneficiários, correta a exigência de imposto de renda na fonte. MULTA QUALIFICADA. Comprovado a intuito de fraude, aplicase a multa qualificada nos termos do art. 44, II, da Lei n° 9.430/96. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. DISCUSSÃO. IMPOSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA. Incabível na esfera administrativa a discussão de que uma determinada norma legal não é aplicável por ferir princípios constitucionais, pois essa competência é atribuída exclusivamente ao Poder Judiciário, na forma dos artigos 97 e 102 da Constituição Federal. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). PRINCÍPIO DO NÃO CONFISCO. A vedação quanto à instituição de tributo com efeito confiscatório é dirigida ao legislador e não ao aplicador da lei. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1999, 2000 DECADÊNCIA. HIPÓTESE DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. INÍCIO DA CONTAGEM DO PRAZO. PRECEDENTE DO STJ NO RECURSO ESPECIAL N° 973.733/SC. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 74 6. 00 14 35 /2 00 4- 43 Fl. 3814DF CARF MF Processo nº 10746.001435/200443 Acórdão n.º 1402002.416 S1C4T2 Fl. 3.815 2 A existência de dolo, fraude ou simulação, afasta a possibilidade de homologação do pagamento de que trata o § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional e remete a contagem do prazo decadencial para a regra geral prevista no art. 173, inc. I, do mesmo diploma legal, qual seja, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Precedente do STJ no Recurso Especial n° 973.733/SC julgado nos termos do art. 543C do CPC o que implica, em razão do disposto no art. 62, §2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF 343/2015, vinculação dos membros deste Colegiado à tese vencedora no âmbito do STJ. Tratandose de fato gerador mais longínquo relativo ao anocalendário de 1999, o lançamento poderia ter sido feito nesse mesmo anocalendário, e o primeiro dia para contagem do prazo decadencial iniciouse em 01 de janeiro de 2000, tendo como data fatal para o lançamento o dia 31 de dezembro de 2004. Tendo o lançamento sido cientificado ao contribuinte em 03 de dezembro de 2004, não há que se falar em decadência. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a arguição de decadência e a preliminar de nulidade, não conhecer do recurso nas questões atinentes à inconstitucionalidade e, na parte conhecida, negarlhe provimento, nos termos do relatório e voto que passam a integrar este julgado. Ausente justificadamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luís Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 3815DF CARF MF Processo nº 10746.001435/200443 Acórdão n.º 1402002.416 S1C4T2 Fl. 3.816 3 Relatório O presente processo foi objeto da Resolução nº 1402000.170 proferida na sessão de 05 de março de 2013. Repito o relatório então apresentado, complementandoo ao final. PEDRA GRANDE S/A recorreu a este Conselho, fls. 3105/3160, representada por advogado, contra a decisão proferida pela DRJ em primeira instância, que julgou procedente a exigência de IRFonte, no valor total de R$ 9.461.282,93 (incluindo multa de oficio de 150% e juros de mora calculados até 29/10/2004), pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Este processo foi anteriormente julgado pela Quarta Câmara do 1o. Conselho de Contribuintes, em 6/03/2008, que mediante acórdão 10423068, fls. 2788 e seguintes não conheceu do recurso voluntário por intempestivo. A contribuinte ingressou com embargos, questionando a intempestividade, que foram rejeitados. A seguir apresentou recurso especial de divergência, cujo seguimento foi negado, mediante reexame do presidente da CSRF (fls. 2934 a 2968). O contribuinte foi intimado porem não se manifestou, unidade de origem encaminhou os autos para cobrança executiva pela PFN, fls. 2984 e seguintes. O contribuinte impetrou então Mandado de Segurança e obteve liminar em 21/10/2010(MS 2198156.2010.4.01340043), fls. 3075 e seguintes, determinando a apreciação do recurso voluntário administrativo. O processo foi apreciado por esta Turma na sessão de 14/12/2010, sendo convertido em diligência, mediante resolução n º 140200.027, cujo voto condutor abaixo transcrevo: “(...) Conforme relatado o lançamento decorreu do fato de que vários pagamentos efetuados pelo sujeito passivo às empresas Brasfértil Agroindustrial Norte, Construtora Crescimento, Construtora Dantas e Agroverde, detalhados nos demonstrativos às fl. 363/368, em verdade, teriam sido desviados para outros beneficiários, sem justificativa da causa ou identificação do mesmo, ensejando o lançamento de IRRF no percentual de 35%. Vejamos alguns pontos que conduziram a autoridade fiscal à conclusão apresentada: as empresas Construtora Crescimento, Construtora Dantas e Agroverde endossaram ao portador todos os cheques recebidos, os quais foram depositados em uma mesma conta no Bancoob. A empresa Brasfértil Agroindustrial endossou e depositou seis cheques recebidos na mesma conta. Consta que esta empresa também recebeu pagamentos mediante cheques avulsos (emitidos no caixa do banco), ou seja, recebeu pagamentos em dinheiro; Fl. 3816DF CARF MF Processo nº 10746.001435/200443 Acórdão n.º 1402002.416 S1C4T2 Fl. 3.817 4 conforme informação obtida na internet, o Bancoob integra a estrutura do Sistema de Cooperativas de Crédito do Brasil (Sicoob). O Sicoob, por sua vez, abrange diversas cooperativas, entre as quais a Cooperativa de Crédito Rural de Brasília Ltda (Credibrasilia), onde a empresa Brasfértil Representações e Serviços Ltda, cujos sócios também são sócios quotistas do sujeito passivo, possui contacorrente; consta que as empresas Brasfértil Agroindustrial e Dantas não possuíam contas bancárias; a empresa Agroverde, mesmo possuindo conta no Bradesco, endossou ao portador os cheques, tendo sido os mesmos depositados na conta do Bancoob; a empresa Crescimento declarou que não prestou serviço ao sujeito passivo e teve suas notas extraviadas pelo seu contador, por sinal o mesmo contador do sujeito passivo, da Brasfértil Agroindustrial e da Dantas; os períodos abrangidos pelos pagamentos às empresas coincidem com períodos de grande movimento de depósitos na conta da Brasfértil Representações e Serviços na Credibrasília; as notas fiscais emitidas pelos beneficiários não têm equivalência de valores com os pagamentos. Conforme asseverado na decisão recorrida, os fatos apurados pela autoridade fiscal demonstram que a contribuinte obteve um financiamento público para a realização de projeto agroindustrial na região de sua abrangência e arquiteta uma rede de empresas para superfaturar pagamentos por serviços prestados, apropriandose de grande parte dos valores recebidos da Sudam, mas não efetivamente gastos no projeto. Esse procedimento não é novo e, via de regra, os projetos são com custos muito inferiores aos lançados nas notas fiscais emitidas. No caso presente, afirma a fiscalização, que o retorno dos valores pagos superfaturados era feito por meio da conta no Bancoob, instituição integrante de grupo financeiro onde a empresa Brasfértil Representações, de propriedade dos mesmos sócios do sujeito passivo, mantinha conta corrente. Tal qual asseverado na decisão recorrida, “(...)ainda que a execução da obra restasse comprovada, o que não ocorreu no caso, vez que o sujeito passivo não anexou qualquer prova aos autos de tal fato (alegou que juntou relatórios de acompanhamento do projeto emitidos pela Sudam e fotos, os quais não constam nos autos), os pagamentos efetuados não estariam justificados pelo projeto, vez que claramente destinados a encobrir desvio do valor financiado para os sócios do sujeito passivo.” E continua: “A juntada dos contratos de prestação de serviços ou de vendas efetuados com as empresas Brasfértil Agroindustrial Norte, Dantas e Crescimento, não servem como prova de que os pagamentos destinaramse ao projeto aprovado pela Sudam, vez que não conseguem explicar o porquê dos valores terem sido desviados para uma mesma conta no Bancoob. Tais contratos provam apenas que tais empresas tinham consciência da irregularidade cometida e, quando muito, servem como prova de que tais empresas iriam prestar algum serviço ou fornecer alguma material, o que pode ter ocorrido, fato este que não está sendo discutido. O cerne da questão é o desvio dos pagamentos efetuados em benefício de sócios do sujeito passivo, a meu ver bem caracterizado pela autoridade fiscal.”(grifei) Fl. 3817DF CARF MF Processo nº 10746.001435/200443 Acórdão n.º 1402002.416 S1C4T2 Fl. 3.818 5 Outro registro relevante do voto condutor do acórdão recorrido, em consonância com a acusação fiscal é no sentido de que “o sujeito passivo não está sendo prejudicado indevidamente por irregularidades cometidas pelas outras empresas no cumprimento de suas obrigações tributárias, mas está sendo autuado pela existência de um conjunto de indícios que demonstram o desvio do financiamento da Sudam para o enriquecimento ilícito de seus sócios. Em nenhum momento o sujeito passivo conseguiu ou, ao menos, tentou explicar a relação entre as empresas, a conta no Bancoob, a conta no Credibrasília e a Brasfértil Representações. Preferiu passar ao largo, atacando somente pontos abordados pela autoridade fiscal como reforço das conclusões alcançadas.” Portanto, o litígio passa à margem da implantação do projeto em si, até porque seria preciso uma auditoria técnica para verificar a quantidade de recursos efetivamente aplicada no que foi realizado e isso não tem qualquer influencia direta na autuação, haja vista que a acusação fiscal é que parte dos recursos que a autuada recebeu da Sudam foram desviado para outros fins e beneficiários diversos, daí a exigência de IRFonte sobre tais pagamentos. Pois bem, o art. 29 do Decreto 70.235/1972 estabelece: Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Estamos em um julgamento colegiado, num grupo de 6 julgadores e normalmente temos diferentes níveis de convencimento diante dos fatos e das provas. Todavia, no presente caso, acredito seja senso comum que os elementos da conta corrente no Bancoob na qual teriam sido depositados os valores pagos pela empresa poderá convergir os entendimentos dos julgadores. Entendo, pois, que a instituição financeira deva ser oficiada para (i)identificar o titular da aludida conta, (ii)informar se existem procuradores autorizados a movimentála, (iii) fornecer cópia dos documentos de abertura da conta, (iv) fornecer extratos e cópias frente e verso dos cheques ou documentos de saque de valores acima de R$ 10.000,00. A Fiscalização pode fazer outras verificações e procedimentos, em estrita consonância com o escopo da diligencia visando seu êxito, qual seja, elucidar nos autos o destino mediato dos pagamentos efetuados pela autuada. Ao final, deverá lavrar termo consubstanciado e cientificar a contribuinte para, caso deseje, manifestarse no prazo de 30 dias. Os procedimentos fiscais para cumprir a diligência resultaram na juntada dos documentos de fls. 3173 a 3395. Ao final dos trabalhos foi lavrado relatório de fls. 3396 e 3397 nos seguintes termos: “(...) A Cooperativa de Credito Rural de Brasília Ltda foi intimado através do TERMO DE INTMAÇÃO FISCAL. n° 01 a: (1) INFORMAR o titular da contacorrente, referente aos cheques relacionados no referido termo, emitidos pela empresa Pedra Grande S/A, tendo como beneficiários as seguintes empresas: Crescimento Construtora Imobiliária Ltda CNPJ: 03.611.089/000110, Agroverde Ltda CNPJ: Fl. 3818DF CARF MF Processo nº 10746.001435/200443 Acórdão n.º 1402002.416 S1C4T2 Fl. 3.819 6 25.084.856/000113, Brasfértil Agroindustrial Norte Ltda CNPJ:00.647,412/000118 e W.b. Sousa e Cia Ltda CNPJ: 38.134.516/000100 (cópias dos cheques consta nos autos). Esses cheques foram objetos de endosso e depositados em contacorrente mantida junto a esta instituição; (2) Informar se existem procuradores autorizados a movimentála; (3) Fornecer cópia dos documentos de abertura da aludida conta, extratos e cópias (frente e verso) dos cheques ou documentos de saque de valores acima de R$ 10.000,00 no período de 01/1999 a 12/2000. A intimação deus e em 05 de setembro de 2011 por via postal com Aviso de Recebimento (AR) no RJ 09415630 0 BR. 3. Da resposta do contribuinte O contribuinte apresentou resposta ,datada de 26 de setembro de 2011, onde prestou os seguintes esclarecimentos e documentos: • O favorecido pelos créditos relacionados no termo de intimação fiscal é a empresa Brasfértil Indústria e Comércio de Fertilizantes Ltda conta corrente 2500, inscrita no CNPJ 32.915.670/000124 (folhas 3212 e 3213); • O procurador constituído era Rubens Barbosa Nogueira, CPF: 361.610.63115 instrumento registrado no 2 ° Oficio de Notas e Registro Civil e Protesto de Títulos de Sobradinho Brasília DF livro 370, folha 124; • O contribuinte encaminhou cópias da Ficha de Matrícula, da Ata de Aprovação, do Cartão de abertura da Contacorrente, da Procuração, da Solicitação de Desligamento e Eliminação da Cooperativa, do Diário Auxiliar Contas Correntes Período de Janeiro de 1999 a Dezembro de 2000, dos cheques de valores acima de R$ 10.000,00, saques, entre outros (folhas 3217 a 3395). Não foram apresentados os extratos bancários do período solicitado. 5. Informações Gerais O Sujeito Passivo receberá uma via do presente relatório por via postal, mediante Aviso de Recebimento (AR) RJ 09415631 3 BR, para manifestação no prazo de 30 ( trinta ) dias , se desejar. (...)” Cientificada, a contribuinte apresentou manifestação em 26/01/2012, fls. 3409 e seguintes, na qual afirma que a diligência quebrou indevidamente o sigilo bancário da empresa, pelo que deve ser declarada sua nulidade. Ao final requer (verbis): 1) Seja conhecida, posto que preenchidos os requisitos fixados, a Manifestação aqui expressa; Fl. 3819DF CARF MF Processo nº 10746.001435/200443 Acórdão n.º 1402002.416 S1C4T2 Fl. 3.820 7 2) No mérito, dêlhe provimento, declarando a nulidade, por ilegal, da diligência ordenada, pela indevida quebra de sigilo que macula o procedimento. Por meio da Resolução nº 1402000.170, o colegiado assim decidiu: Apesar de ter pautado o presente processo para julgamento, ao elaborar o voto constatei que para cumprir a Resolução desta Turma, a Fiscalização necessitou fazer requisições de documentos junto a instituição financeira, configurando “quebra do sigilo bancário” da empresa, conforme registrado no Relatório de Diligência fiscal de fls. 3396, fato questionado pela recorrente (fl. 3.409). Em conformidade com o artigo 62A, § 1º, do /regimento Interno do CARF, “Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B.” Assim, em face da repercussão geral atribuída ao Recurso Extraordinário nº 601314, pelo Supremo Tribunal Federal, e do artigo 62A, § 1º, do Regimento Interno do CARF, propugno pelo sobrestamento do julgamento do presente processo para aguardar a decisão do Supremo Tribunal Federal, no recurso acima referido. Em razão de o atual Regimento Interno do CARF não mais prever o sobrestamento do julgamento em razão do reconhecimento da repercussão geral, e o relator original não mais compor os quadros do CARF, os autos foram a mim distribuídos para relato. É o relatório. Fl. 3820DF CARF MF Processo nº 10746.001435/200443 Acórdão n.º 1402002.416 S1C4T2 Fl. 3.821 8 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. 1 ADMISSIBILIDADE O recurso voluntário apresentado é tempestivo e assinado por procurador devidamente habilitado. Preenchidos os demais pressupostos para sua admissibilidade, dele, portanto, tomo conhecimento. Em relação à arguição de decadência, deixo para analisála ao final pois dependerá da manutenção, ou não, da multa qualificada. 2 NULIDADE POR DESCUMPRIMENTO DE DECISÃO JUDICIAL Segundo o Recorrente, o Ministério Público requisitara abertura de inquérito policial em julho de 2001, visando investigar supostas irregularidades cometidas quanto à obtenção e utilização de verbas liberadas pelo Finam. Em consequência disto, fora aberto no dia 26/11/2001 processo judicial para quebra do sigilo bancário, o que foi indeferido. Da decisão, não houve qualquer recurso, transitando em julgado em 2003. Acontece que após a decisão judicial, que ocorreu em dezembro de 2002, o Ministério Publicou requisitou à Receita Federal (fevereiro de 2003) para que adotasse providências no sentido de apurar irregularidades/desvios de recursos oriundos do Finam. Para o Recorrente, a autoridade fiscal teria ignorando a decisão judicial, requerendo ao Banco da Amazônia (Basa) cópia de documentos bancários. Segundo seu entendimento, o Fisco estaria impedido de se valer dos dados protegidos pela decisão judicial. Por essas razões, o lançamento deveria ser declarado nulo. Entendo não assistir razão ao Recorrente. A autoridade fiscal intimou o contribuinte a apresentar seus extratos bancário, tendo os mesmos sido alcançados pela Fiscalização mediante entrega realizada pelo próprio fiscalizado. Desse modo, a argumentação de que a intimação feita pela autoridade fiscal para a apresentação dos extratos bancários, e a sua consequente entrega pelo sujeito passivo, implicaria descumprimento de decisão judicial anterior não faz qualquer sentido. Não consta dos autos a ocorrência de qualquer resistência por parte do autuado no sentido de não fornecer ao Fisco os documentos solicitados, também não há qualquer decisão judicial que impedisse o Fisco de solicitar os extratos bancários ao contribuinte. Poderia o contribuinte se opor a isso, manejando, se fosse o caso, as demandas judiciais que entendesse cabíveis, mas assim não o fez, não havendo, portanto, que se falar em descumprimento de determinação judicial. Além disso, poderia o Fisco, desde que preenchidos os requisitos estabelecidos no art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 2001, e do Decreto nº 3.724, de 2001, ter acesso às informações bancárias do contribuinte, poder esse considerado constitucional pelo Fl. 3821DF CARF MF Processo nº 10746.001435/200443 Acórdão n.º 1402002.416 S1C4T2 Fl. 3.822 9 Supremo Tribunal Federal no julgamento das Ações Diretas de Inconstitucionalidade números 2390, 2386 e 2397. Nesse cenário, voto por rejeitar a arguição de nulidade. 3 MÉRITO Em resumo, assim arguiu o Recorrente em relação ao mérito da exigência: o A documentação apresentada composta por projetos, escrituras, contratos, alvarás, certidões e outros, inclusive com fotografias do empreendimento e notícias publicadas em jornais da região, bem assim por relatórios de acompanhamento da Sudam e seus expedientes oficiais, afastariam definitivamente qualquer acusação de desvio de finalidade de dinheiro público, demonstrando de forma cabal e irrefutável que o empreendimento financiado com recursos dos sócios e da Sudam teria sido implantado dentro das estritas normas de fiscalização quanto à execução de suas etapas.; o As obras e serviços pagos foram executados, conforme pode ser visto nos relatórios de acompanhamento da Sudam, que conferiu e atestou a progressão das etapas do empreendimento; o No que se refere às pessoas jurídicas fornecedoras de bens e prestadoras de serviços, a autoridade fiscal autuante em nenhum momento pôs em dúvida a existência das mesmas, baseandose em suposições de que elas não teriam “capacidade financeira e operacional para as vultosas quantias paga”, sem que se possa entender o que ele pretende com tal ilação; o Com a Agroverde não houve contrato escrito em função das operações referiremse a venda de bens e equipamentos, não sendo exigido pela Sudam, neste caso, instrumento específico para o fim, bastando documento fiscal e prova de entrega das mercadorias. Sobretudo em relação aos equipamentos adquiridos da Agroverde, os auditores fiscais poderiam ter comprovado a sua existência, o que não teria ocorrido; o Improcedente a afirmação fiscal de que a Brasfértil Agroindustrial Norte não possuía qualquer movimentação bancária em qualquer instituição financeira, vez que, conforme comprovantes em anexo (extrato bancário e cópia de cheque), constatase que tal empresa era titular da conta bancária no. 11.95106, agência nº 0705, do Bradesco; o Com relação ao contrato de prestação de serviços com a Construtora Crescimento, anexa cópia de Discriminativo Analítico de Débitos dessa e comprovante de matrícula da obra junto ao INSS. O depoimento do contador da construtora rebateria as acusações contra seu desempenho funcional e de suposta subtração de talonários de notas fiscais, etc. Ao contrário do que a representante da construtora Fl. 3822DF CARF MF Processo nº 10746.001435/200443 Acórdão n.º 1402002.416 S1C4T2 Fl. 3.823 10 afirmou à RFB, foram executadas as obras objeto de emissão das notas fiscais; o A autuação estaria baseada em meras presunções, consideradas pela jurisprudência administrativa como insuficientes para fundamentar lançamentos. Prefere, numa postura tendenciosa, acreditar piamente nas declarações inverídicas de outras pessoas jurídicas que querem se esquivar de problemas com o fisco, haja vista suas irregularidades no cumprimento das próprias obrigações tributárias; o Seria injusto que infrações alheias sejam utilizadas para atribuirlhe o cometimento de desvio de recursos da Sudam e de fraude. Pois bem, a exigência decorreu do fato de que alguns pagamentos efetuados pelo sujeito passivo às empresas Brasfértil Agroindustrial Norte, Construtora Crescimento, Construtora Dantas e Agroverde não teriam sua causa comprovada, ensejando o lançamento de IRRF no percentual de 35%, nos termos do art. 61 da Lei nº 8.981, de 1995. Entendo que seja válida a reprodução do trecho do voto condutor do aresto recorrido: 21. Saliento, a seguir, alguns pontos, que conduziram a autoridade fiscal à conclusão apresentada, os quais considero mais relevantes: · As empresas Construtora Crescimento, Construtora Dantas e Agroverde endossaram ao portador todos os cheques recebidos, os quais foram depositados em uma mesma conta no Bancoob. A empresa Brasfértil Agroindustrial endossou e depositou seis cheques recebidos na mesma conta. Consta que esta empresa também recebeu pagamentos mediante cheques avulsos (emitidos no caixa do banco), ou seja, recebeu pagamentos em dinheiro; · Conforme informação obtida na internet, o Bancoob integra a estrutura do Sistema de Cooperativas de Crédito do Brasil (Sicoob). O Sicoob, por sua vez, abrange diversas cooperativas, entre as quais a Cooperativa de Crédito Rural de Brasília Ltda (Credibrasilia), onde a empresa Brasfértil Representações e Serviços Ltda, cujos sócios também são sócios quotistas do sujeito passivo, possui contacorrente; · Consta que as empresas Brasfertil Agroindustrial e Dantas não possuíam contas bancárias; · A empresa Agroverde, mesmo possuindo conta no Bradesco, endossou ao portador os cheques, tendo sido os mesmos depositados na conta do Bancoob; · A empresa Crescimento declarou que não prestou serviço ao sujeito passivo e teve suas notas extraviadas pelo seu contador, por sinal o mesmo contador do sujeito passivo, da Brasfértil Agroindustrial e da Dantas; Fl. 3823DF CARF MF Processo nº 10746.001435/200443 Acórdão n.º 1402002.416 S1C4T2 Fl. 3.824 11 · Os períodos abrangidos pelos pagamentos às empresas coincidem com períodos de grande movimento de depósitos na conta da Brasfértil Representações e Serviços na Credibrasília; · As notas fiscais emitidas pelos beneficiários não têm equivalência de valores com os pagamentos. 22. Os fatos acima expostos, apurados pela autoridade fiscal, demonstram claramente a ocorrência de uma operação muito comum, de conhecimento público, em projetos financiados pela Sudam: uma empresa obtém financiamento para a realização de projeto agroindustrial na região de abrangência e arquiteta uma rede de empresas, em conluio, para superfaturar pagamentos por serviços prestados, apropriandose de grande parte dos valores recebidos da Sudam, mas não efetivamente gastos no projeto. Nessas operações os projetos são executados diretamente pelas empresas envolvidas no conluio ou por terceiros, com custos muito inferiores aos lançados nas notas fiscais emitidas. 23. No caso, o retorno dos valores pagos superfaturados era feito por meio da conta no Bancoob, instituição integrante de grupo financeiro onde a empresa Brasfértil Representações, de propriedade dos mesmos sócios do sujeito passivo, mantinha conta corrente. 24. Ainda que a execução da obra restasse comprovada, o que não ocorreu no caso, vez que o sujeito passivo não anexou qualquer prova aos autos de tal fato (alegou que juntou relatórios de acompanhamento do projeto emitidos pela Sudam e fotos, os quais não constam nos autos), os pagamentos efetuados não estariam justificados pelo projeto, vez que claramente destinados a encobrir desvio do valor financiado para os sócios do sujeito passivo. 25. A juntada dos contratos de prestação de serviços ou de vendas efetuados com as empresas Brasfértil, Agroindustrial Norte, Dantas e Crescimento, não servem como prova de que os pagamentos destinaramse ao projeto aprovado pela Sudam, vez que não conseguem explicar o porquê dos valores terem sido desviados para uma mesma conta no Bancoob. Tais contratos provam apenas que tais empresas tinham consciência da irregularidade cometida e, quando muito, servem como prova de que tais empresas iriam prestar algum serviço ou fornecer alguma material, o que pode ter ocorrido, fato este que não está sendo discutido. O cerne da questão é o desvio dos pagamentos efetuados em benefício de sócios do sujeito passivo, a meu ver bem caracterizado pela autoridade fiscal. 26. Quanto ao argumento do sujeito passivo de que a autoridade fiscal teria errado ao afirmar que a Brasfértil Agroindustrial não possuía conta bancário, cabe razão ao mesmo, conforme pode ser verificado na documentação anexada às fl. 474/483. 27. Contudo, tal fato não influencia em nada a conclusão alcançada pela autoridade fiscal, vez que tratouse de uma informação adicional no intuito de reforçar o fato principal demonstrado, qual seja, o desvio do financiamento. A Brasfértil Agroindustrial, conforme dito antes, teve parte de seus “pagamentos” depositada no Bancoob: este é o núcleo da infração e da argumentação trazida pela autoridade fiscal. Fl. 3824DF CARF MF Processo nº 10746.001435/200443 Acórdão n.º 1402002.416 S1C4T2 Fl. 3.825 12 28. Em relação à empresa Crescimento, entendo caber razão ao sujeito passivo quanto à afirmação de que a sócia desta estaria prestando informações falsas à SRF. Senão vejamos: · afirmou que não contratou com o sujeito passivo, sendo que consta cópia do contrato às fl. 485/487, datado de maio de 2000, exatamente o mês em que começaram os pagamentos, bem assim comprovação da execução de algum serviço na matrícula do sujeito passivo no INSS (Fl. 488/490); · afirmou que não emitiu as notas fiscais, as quais foram preenchidas pelo contador (mesmo do sujeito passivo), que havia sumido com talonário de notas. Informou que descobriu tal fato após fiscalização da previdência e que demitiu o contador, acionandoo administrativamente e judicialmente. Ora, efetivamente se olharmos a letra do contador no documento à fl. 275, poderseá concluir que as notas foram preenchidas por ele. Porém não quer dizer que ele tenha extraviado as notas e as preenchido sem o conhecimento da empresa, vez que mesmo após descobrir a irregularidade em decorrência da fiscalização do INSS, a empresa continuou utilizando os serviços do contador; fatos, estes, incompatíveis. 29. De qualquer sorte, a existência de contrato também não influencia a conclusão do auto de infração, não servindo como prova de que os pagamentos destinaramse ao projeto aprovado pela Sudam, vez que não conseguem explicar o porquê dos valores terem sido desviados para uma mesma conta no Bancoob. Os fatos apurados pela autoridade fiscal com base no depoimento da sócia são apenas uma informação adicional no intuito de reforçar o fato principal demonstrado, qual seja, o desvio do financiamento. 30. Por fim, saliento que o sujeito passivo não está sendo prejudicado indevidamente por irregularidades cometidas pelas outras empresas no cumprimento de suas obrigações tributárias, mas está sendo autuado pela existência de um conjunto de indícios que demonstram o desvio da financiamento da Sudam para o enriquecimento ilícito de seus sócios. Em nenhum momento o sujeito passivo conseguiu ou, ao menos, tentou explicar a relação entre as empresas, a conta no Bancoob, a conta no Credibrasília e a Brasfértil Representações. Preferiu passar ao largo, atacando somente pontos abordados pela autoridade fiscal como reforço das conclusões alcançadas. 31. Lembro que a existência de um conjunto de indícios, devidamente documentados, serve como prova de determinado fato, sendo prescindível uma prova direta. Conforme se observa a decisão recorrida já bem delineou a principal questão posta nos autos: o Recorrente não conseguiu demonstrar o pagamento das notas fiscais glosadas. Não se questiona se o empreendimento objeto da operação junto à Sudam foi ou não efetivado, mas sim de suposto superfaturamento na operação, verificação estranha aos procedimentos adotados pela Sudam em seus relatórios, que somente apontam a existência da obra e os valores desembolsados. Vejase que a Sudam não teve acesso aos documentos angariados aos autos, que demonstram que a circulação dos recursos referentes a pagamentos realizados a fornecedores distintos, acabaram para fluir para uma mesma conta bancária. Fl. 3825DF CARF MF Processo nº 10746.001435/200443 Acórdão n.º 1402002.416 S1C4T2 Fl. 3.826 13 E as informações requeridas na diligência solicitadas por este colegiado são muito esclarecedoras: a conta bancária que foi alimentada com os recursos referentes aos pagamentos das notas fiscais objeto de glosa é de Brasfértil Agroindustrial, pertencente aos acionistas pessoas físicas da fiscalizada, ambas possuindo, inclusive, o mesmo contador. Destaco os pontos já levantados pela autoridade fiscal autuante: o Nos meses de maio, junho, agosto, setembro e outubro de 2000, A Brasfértil Representações movimentou em sua conta nesta instituição R$ 61.080,63; R$ 1.110.425,22; R$ 679.503,96; R$ 1.780.386,52 e R$ 338.692,64, respectivamente, sendo que declarou à SRF receitas brutas mensais de R$ 4.776,82; R$ 315.255,00; R$ 55,00; R$ 1.344,00 e R$ 0,00, respectivamente (fl. 351, 356/360); o Os cheques emitidos pela fiscalizada para o pagamento de vendas e serviços para as empresas diligenciadas atingiram os seguintes montantes: RE 130.000,00 (maio/2000), R$ 553.250,00 (junho/2000), R$ 533.900,00 (agosto/2000), R$ 1.270.784,00 (setembro/2000) e R$ 157.700,00 (outubro/2000); o Então, com base no exposto nos marcadores acima e aventando, por consequência, entendeu haver forte indício de que os recursos recebidos da Sudam no ano 2000 foram injetados em Brasfértil. Contudo, intimada a apresentar os extratos bancários de sua conta no Credibrasília, referente aos períodos de maio a outubro de 2000, não houve atendimento às informações solicitadas. Portanto, mostraramse acertadas as informações requeridas na diligência determinada por este colegiado, acabando por dar ainda mais força probatória aos indícios convergentes já reunidos pela Fiscalização no sentido de que os pagamentos das notas fiscais objeto de glosa haviam retornado aos sócios da Fiscalizada por meio de Brasfértil Agroindustrial. O que a autoridade fiscal não conseguira comprovar naquela oportunidade (a titularidade da conta bancária em que os pagamentos de distintos fornecedores foram depositados), restou elucidado com a realização da diligência. Desse modo, além dos fortes argumentos já entabulados pela decisão de primeira instância, com os quais concordo em sua integralidade, a demonstração cabal de que os pagamentos das notas fiscais objeto de glosa retornaram aos próprios sócios da Recorrente permitem concluir, com absoluta tranquilidade, que o procedimento adotado pelo Fisco foi correto, devendose manter as glosas de custos. Por essas razões, todos os demais argumentos do Recorrente a respeito dos serviços prestados e da realização do empreendimento perdem, definitivamente, qualquer valor probante. Por fim, em relação ao argumento de que a diligência determinada por este colegiado quebrou indevidamente o sigilo bancário da empresa, em face da suposta inconstitucionalidade, perdem sentido diante do decidido pelo STF nas Ações Diretas de Inconstitucionalidade números 2390, 2386 e 2397 por força do disposto no art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 2001, e do Decreto nº 3.724, de 2001. Assim sendo, voto por manter a glosa de custos. Fl. 3826DF CARF MF Processo nº 10746.001435/200443 Acórdão n.º 1402002.416 S1C4T2 Fl. 3.827 14 4 MULTA QUALIFICADA Pois bem, a multa de 150% sobre o imposto de renda e contribuições apuradas com base em provas diretas, prevista no art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação vigente à época dos fatos geradores, foi aplicada porque entendeu a autoridade fiscal haver dolo na conduta adotada pelo Recorrente. Para melhor entendimento, transcrevese, a seguir, o art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, vigente à época dos fatos geradores: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Como visto, nos termos inciso II do artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996, só é admitida a aplicação da multa no percentual de 150%, nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964, que assim dispõem: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente; Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos artigos 71 e 72. Desse modo, a multa de 150% de que trata o inciso II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996 terá aplicação sempre que em procedimento fiscal constatarse a ocorrência de sonegação, fraude ou conluio. Vêse que, para enquadrar determinado ilícito fiscal nos dispositivos dessa lei, há necessidade que esteja caracterizado o dolo. O dolo, que se relaciona com a consciência Fl. 3827DF CARF MF Processo nº 10746.001435/200443 Acórdão n.º 1402002.416 S1C4T2 Fl. 3.828 15 e a vontade de agir, é elemento de todos os tipos penais de que trata a Lei nº 4.502, de 1964, ou seja, a vontade de praticar a conduta, para a subsequente obtenção do resultado. Deve ficar demonstrada que a conduta praticada teve o intuito consciente voltado a suprimir ou reduzir o pagamento do tributo ou contribuições devidos. No caso concreto, comprovouse a ocorrência de fraude, estando presente a intenção, o dolo, haja vista a clara montagem de toda uma estrutura de empresas e operações para desviar os montantes recebidos a título de financiamento da Sudam, retornando os recursos desembolsados pelo Recorrente para conta bancária em nome de pessoa jurídica cujos titulares são as próprias pessoas físicas sócias do Recorrente. Somase a isso ainda a existência de evidente o conluio, em razão da participação consciente de todas as empresas envolvidas, sem a qual não seria possível a concretização da operação ilícita levada a efeito. No que tange às questões que envolvem os demais princípios constitucionais e inconstitucionalidade de leis apontadas pela Recorrente, seu mérito não pode ser analisado por este Colegiado. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional. Devese observar que as supostas ofensas aos princípios constitucionais levam a discussão para além das possibilidades de juízo desta autoridade. No âmbito do procedimento administrativo tributário, cabe, tão somente, verificar se o ato praticado pelo agente do fisco está, ou não, conforme à lei, sem emitir juízo de constitucionalidade das normas jurídicas que embasam aquele ato. Ademais, o próprio Regimento Interno do CARF, em seu art. 62, dispõe que “Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.” O caso concreto não se enquadra nas exceções elencada no parágrafo único de tal dispositivo regimental, portanto, as normas atacadas são de aplicação cogente aos membros do CARF. Por fim, sobre a matéria este Conselho já pacificou seu entendimento por meio da Súmula nº 2, cujo teor é o seguinte: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Em relação aos argumentos sobre confisco, esclareçase, ainda, que a vedação à utilização de tributo com efeito de confisco, preceituada pelo art. 150, IV, da Constituição da República Federativa do Brasil não se destina aos aplicadores da Lei, mas sim ao Poder Legislativo, que deve tomar em consideração tal preceito quando da elaboração das leis. Desse modo, voto por manter a qualificação da penalidade. 5 JUROS DE MORA No que tange ao questionamento da aplicação da taxa Selic, até mesmo em razão de expressa disposição legal, a matéria encontrase absolutamente pacificada no âmbito Fl. 3828DF CARF MF Processo nº 10746.001435/200443 Acórdão n.º 1402002.416 S1C4T2 Fl. 3.829 16 do CARF, tendo sido alvo, inclusive de súmula, cujo enunciado número 4 recebeu a seguinte redação: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Conforme determina o caput do art. 72 do Regimento Interno do CARF, os enunciado da súmula CARF são de observância obrigatória por parte de seus membros. Desse modo, correta a aplicação da taxa Selic sobre os tributos apurados. 6 DA ARGUIÇÃO DE DECADÊNCIA Em relação à contagem do prazo decadencial, não se pode ignorar que o STJ entendeu em caráter definitivo (julgamento de recurso representativo de controvérsia, nos termos do art. 543C, do CPC) que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, a questão do pagamento antecipado é relevante para definição do prazo, assim como a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, conforme se observa na ementa do REsp 973.733/SC, 1ª Seção, Dje 18/09/2009, de relatoria do Ministro Luiz Fux: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA.ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre,sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra Fl. 3829DF CARF MF Processo nº 10746.001435/200443 Acórdão n.º 1402002.416 S1C4T2 Fl. 3.830 17 da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, antea configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii)a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. No caso concreto, mantida a multa qualificada, confirmouse também a ocorrência de dolo, consequentemente, o início da contagem do prazo decadencial deve se dar com base no disposto no art. 173, I, do Código Tributário Nacional, ou seja, no primeiro dia após o exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido realizado. Tratandose de imposto de renda retido na fonte, o lançamento poderia ter sido efetuado no próprio anocalendário a que se referem os pagamentos. Como o fato gerador mais longínquo referese ao anocalendário de 1999, o lançamento poderia ter sido feito nesse mesmo anocalendário, e o primeiro dia para contagem do prazo decadencial iniciouse em 01 de janeiro de 2000, tendo como data fatal para o lançamento o dia 31 de dezembro de 2004. Desse modo, tendo o lançamento sido cientificado ao contribuinte em 03 de dezembro de 2004, não há que se falar em decadência. Fl. 3830DF CARF MF Processo nº 10746.001435/200443 Acórdão n.º 1402002.416 S1C4T2 Fl. 3.831 18 Rejeito, assim, a arguição de decadência. 5 CONCLUSÃO Isso posto, voto por rejeitar a arguição de decadência e a preliminar de nulidade, não conhecer do recurso nas questões atinentes à inconstitucionalidade e, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Relator Fl. 3831DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.674788/2009-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2006
DATA DA COMPENSAÇÃO. VALORAÇÃO DOS CRÉDITOS E DÉBITOS.
Na compensação declarada pelo sujeito passivo, os créditos serão acrescidos de juros compensatórios e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais até a data da entrega da apresentação do PER/DCOMP, na forma da legislação de regência.
COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL. DATA DA APRESENTAÇÃO DA DCOMP
No caso de apresentação de DCOMP após o vencimento do tributo a ser compensado haverá acréscimos legais ao débito. A falta de equivalência entre o total de crédito e de débitos apontados como compensáveis, valorados na forma da legislação que rege a espécie, impõe a homologação apenas parcial da DCOMP apresentada pelo sujeito passivo.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-003.382
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa, Maria Eduarda e Valcir Gassen, que davam provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2006 DATA DA COMPENSAÇÃO. VALORAÇÃO DOS CRÉDITOS E DÉBITOS. Na compensação declarada pelo sujeito passivo, os créditos serão acrescidos de juros compensatórios e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais até a data da entrega da apresentação do PER/DCOMP, na forma da legislação de regência. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL. DATA DA APRESENTAÇÃO DA DCOMP No caso de apresentação de DCOMP após o vencimento do tributo a ser compensado haverá acréscimos legais ao débito. A falta de equivalência entre o total de crédito e de débitos apontados como compensáveis, valorados na forma da legislação que rege a espécie, impõe a homologação apenas parcial da DCOMP apresentada pelo sujeito passivo. Recurso Voluntário Negado.
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DCOMP TRANSMITIDA APÓS VENCIMENTO DO DÉBITO. Recorrente ESPN DO BRASIL EVENTOS ESPORTIVOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2006 DATA DA COMPENSAÇÃO. VALORAÇÃO DOS CRÉDITOS E DÉBITOS. Na compensação declarada pelo sujeito passivo, os créditos serão acrescidos de juros compensatórios e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais até a data da entrega da apresentação do PER/DCOMP, na forma da legislação de regência. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL. DATA DA APRESENTAÇÃO DA DCOMP No caso de apresentação de DCOMP após o vencimento do tributo a ser compensado haverá acréscimos legais ao débito. A falta de equivalência entre o total de crédito e de débitos apontados como compensáveis, valorados na forma da legislação que rege a espécie, impõe a homologação apenas parcial da DCOMP apresentada pelo sujeito passivo. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa, Maria Eduarda e Valcir Gassen, que davam provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 67 47 88 /2 00 9- 27 Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10880.674788/200927 Acórdão n.º 3301003.382 S3C3T1 Fl. 3 2 d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório A recorrente acima qualificada apresentou Declaração de Compensação pleiteando a compensação de débitos referentes a impostos e contribuições administrados pela SRF, com créditos de PIS (código de receita 8109), decorrentes de pagamento supostamente indevido ou a maior. Por meio do Despacho Decisório emitido pela DERATSP, a compensação declarada foi homologada parcialmente, sob o fundamento de que constatouse a procedência do crédito original informado no PER/DCOMP, reconhecendose o valor do crédito pretendido. Entretanto, o crédito reconhecido revelouse insuficiente para quitar os débitos informados no PER/DCOMP. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, tempestivamente, alegando, em síntese, que: a) O valor original utilizado para a compensação, foi recolhido no mesmo prazo de vencimento dos créditos tributários compensados; b) Assim, não se apropriou de juros pela taxa Selic sobre os valores declarados no PER/DCOMP, e não imputou multa e juros sobre os créditos tributários compensados, pois são do mesmo período de apuração; c) Faz planilha para comparação dos períodos de apuração e datas de vencimento. d) Tratase de evidente cobrança equivocada, e apresenta como provas as cópia dos documentos relativos aos lançamentos contestados e a procuração de nomeação do representante legal que assina a manifestação de inconformidade; e) Demonstrada a insubsistência e improcedência do processo, requer seja cancelado o processo reclamado. A DRJ/SP1 indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 16038.225. O fundamento adotado foi o de que, na compensação declarada pelo sujeito passivo, os créditos são acrescidos de juros compensatórios e os débitos sofrem a incidência de acréscimos legais até a data da entrega do PER/DCOMP, na forma da legislação de regência. A recorrente repetiu os argumentos da impugnação no recurso voluntário. É o relatório. Voto Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10880.674788/200927 Acórdão n.º 3301003.382 S3C3T1 Fl. 4 3 Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.231, de 28 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10880.667966/200963, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.231): "O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. Constatase que a controvérsia do processo permanece a mesma desde a 1ª instância, com a contribuinte alegando que o DARF utilizado como pagamento a maior para a compensação foi pago dentro do prazo de vencimento do tributo e por isso, não se conformando com a cobrança de acréscimos legais no momento da efetiva compensação. Entretanto, como veremos adiante, o valor do crédito foi insuficiente para quitar o débito, em função dos acréscimos legais ao débito compensado, atualizados até a data da apresentação do PER/DCOMP, em virtude do atraso entre seu vencimento e a formalização da compensação. A DCOMP em tela, foi formalizada pela interessada para compensar débito de COFINS – não cumulativa (código de receita 5856), vencido em 15/06/2004, com créditos de COFINS (código de receita 2172), cuja data de arrecadação foi 15/06/2004. De acordo com o Despacho Decisório emitido pela DERAT/SP, constatouse a procedência do crédito original informado no PER/DCOMP. No entanto, o mesmo foi insuficiente para quitar os débitos informados em consequência da data de apresentação da DCOMP, e por este motivo a compensação foi homologada parcialmente. A recorrente alega que o valor original utilizado para a compensação foi recolhido no mesmo prazo de vencimento dos créditos tributários compensados, e sendo assim, não poderia haver multa e juros sobre os referidos créditos, pois são do mesmo período de apuração. Como bem dito no acórdão recorrido, a contribuinte equivocouse em relação à forma de valoração do crédito e do débito que informou em sua declaração de compensação, ao não efetuar os cálculos relativos aos acréscimos legais, o que gerou um saldo devedor, e consequentemente, a homologação parcial da compensação. Constatase que a data do envio do PER/DCOMP é quando se formaliza a extinção do débito por compensação, de acordo com o que dispõe a Lei nº 9.430/1996, abaixo transcrita: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10880.674788/200927 Acórdão n.º 3301003.382 S3C3T1 Fl. 5 4 administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (...) Portanto, a extinção do débito por compensação ocorre na data de envio do PER/DCOMP. No caso concreto, a interessada enviou a PER/DCOMP em 21/01/2007 para compensar débito cujo vencimento se deu em 15/06/2004, portanto, é fato que o débito já estava vencido quando foi extinto pela compensação. Assim, partir da data do vencimento passaram a incidir sobre o débito os acréscimos legais, quais sejam, multa de mora e juros, nos termos do artigo 61 da Lei 9.430/1996, abaixo transcrito: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º. A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º. O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º. Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. No recurso voluntário, a recorrente repete o argumento de que o pagamento utilizado para a compensação foi realizado no mesmo prazo de vencimento do débito compensado, mas tal fato não a socorre, pois a utilização do crédito tributário ocorre apenas com a apresentação do PER/DCOMP, que ocorreu após o vencimento do débito compensado. Assim, cumpre transcrever o artigo 28 da IN SRF nº 600/2005, em vigor à época da transmissão do PER/DCOMP: Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10880.674788/200927 Acórdão n.º 3301003.382 S3C3T1 Fl. 6 5 Art. 28. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão valorados na forma prevista nos arts. 52 e 53 e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação. § 1º A compensação total ou parcial de tributo ou contribuição administrados pela SRF será acompanhada da compensação, na mesma proporção, dos correspondentes acréscimos legais. (...) Logo, os débitos vencidos, vinculados a PER/DCOMP, serão acrescidos de multa de mora, calculada a partir do primeiro dia subsequente à data de vencimento até a data da entrega do PER/DCOMP, quando se formaliza a compensação; bem como sofrerão a incidência de juros referentes à taxa SELIC, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Em relação aos créditos utilizados na compensação, as regras para valoração vigentes à época da transmissão do PER/DCOMP estão contidas no artigo 52 da IN SRF nº 600/2005, também transcrita: Art. 52. O crédito relativo a tributo ou contribuição administrados pela SRF, passível de restituição, será restituído ou compensado com o acréscimo de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic) para títulos federais, acumulados mensalmente, e de juros de 1% (um por cento) no mês em que: (...) II – houver a entrega da Declaração de Compensação; (...) § 1º No cálculo dos juros Selic de que trata o caput, observarseá, como termo inicial de incidência: (...) III – na hipótese de pagamento indevido ou a maior: a) o mês de janeiro de 1996, se o pagamento tiver sido efetuado antes de 1º de janeiro de 1996; b) a data da efetivação do pagamento, se este tiver sido efetuado entre 1º de janeiro de 1996 e 31 de dezembro de 1997; ou c) o mês subseqüente ao do pagamento, se este tiver sido efetuado após 31 de dezembro de 1997; Por isso, foi apurado o saldo devedor indicado no Despacho Decisório e a compensação foi parcialmente homologada. Portanto, não se está desprezando o princípio da verdade material e nem está havendo enriquecimento sem causa do Fisco, como alega a recorrente. Simplesmente, está sendo cobrado o atraso entre a Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10880.674788/200927 Acórdão n.º 3301003.382 S3C3T1 Fl. 7 6 data do vencimento do tributo e o seu necessário pagamento, que, no caso em tela, deuse no momento da apresentação da DCOMP. Assim, tendo em vista tudo o acima exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo a DCOMP foi transmitida em data posterior à do vencimento do(s) débito(s) compensado(s). Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 96DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.001661/2007-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Mar 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/05/2003 a 31/12/2004, 01/03/2005 a 31/05/2006
COFINS. PIS. APURAÇÃO. CUMULATIVIDADE. LEI Nº 9.718/98.
A sistemática de apuração das contribuições do PIS e da COFINS até o advento das Leis números 10.637/2002 e 10.833/2003, alteradas pelas Leis números 10.865/2004 e 10.865/2004, obedecia às regras previstas pela Lei n 9.718/98, no caso concreto, estava submetida apuração das contribuições do PIS e da COFINS no período anterior ao evento das novéis leis pela sistemática cumulatividade, apuração pela sistemática não cumulativa altera a base de cálculo, impõe o lançamento no sentido de constituir o crédito tributário.
APURAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. COFINS. PIS. CUMULATIVIDADE. LEI Nº 9.718/98.
No período de apuração pelo regime cumulativo, caso concreto, o lançamento observou o alargamento da base de cálculo em obediência à decisão do STF, sendo assim, cabe manter o lançamento.
EXCLUSÃO DE ICMS DA BASE DE CÁLCULO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL.
O ICMS faz parte da base de cálculo, diante da inexistência de previsão legal não pode ser excluída, no caso concreto, correto a decisão que determinou à inclusão.
Recurso Negado.
Numero da decisão: 3302-003.497
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário.
DOMINGOS DE SÁ FILHIO - Relator.
Ricardo Paulo Rosa - Presidente.
Domingos de Sá Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente), Jose Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho (relator), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Deroulede, Sarah Maria Linhares de Araujo e Walker Araujo.
Nome do relator: Domingos de Sá Filhio
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/05/2003 a 31/12/2004, 01/03/2005 a 31/05/2006 COFINS. PIS. APURAÇÃO. CUMULATIVIDADE. LEI Nº 9.718/98. A sistemática de apuração das contribuições do PIS e da COFINS até o advento das Leis números 10.637/2002 e 10.833/2003, alteradas pelas Leis números 10.865/2004 e 10.865/2004, obedecia às regras previstas pela Lei n 9.718/98, no caso concreto, estava submetida apuração das contribuições do PIS e da COFINS no período anterior ao evento das novéis leis pela sistemática cumulatividade, apuração pela sistemática não cumulativa altera a base de cálculo, impõe o lançamento no sentido de constituir o crédito tributário. APURAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. COFINS. PIS. CUMULATIVIDADE. LEI Nº 9.718/98. No período de apuração pelo regime cumulativo, caso concreto, o lançamento observou o alargamento da base de cálculo em obediência à decisão do STF, sendo assim, cabe manter o lançamento. EXCLUSÃO DE ICMS DA BASE DE CÁLCULO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. O ICMS faz parte da base de cálculo, diante da inexistência de previsão legal não pode ser excluída, no caso concreto, correto a decisão que determinou à inclusão. Recurso Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 16 61 /2 00 7- 65 Fl. 1328DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário. DOMINGOS DE SÁ FILHIO Relator. Ricardo Paulo Rosa Presidente. Domingos de Sá Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente), Jose Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho (relator), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Deroulede, Sarah Maria Linhares de Araujo e Walker Araujo. Relatório Cuidam os autos de Recurso Voluntário em razão do r. Acórdão da DRJ em Recife/PE objetivando o afastamento do crédito tributário constituído por meio do auto de infração de número 0819000/00895/06, referente aos períodos de apurações 01/05/2003 a 31/12/2004 e 01/03/2005 a 31/05/2006 para a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS e para o Programa de Integração Social – PIS. Consta da descrição dos fatos e enquadramento legal que durante o procedimento de verificações obrigatórias foram constatadas divergências entre os valores declarados e/ou recolhidos, e, os valores escriturados conforme “Termo de Constatação Fiscal”. A base tributável são os valores constantes da planilha que compõe o Termo de Constatação Fiscal, registrando, que foram analisados os valores da contribuição para a COFINS e o PIS correspondentes aos fatos geradores compreendidos entre maio de 2003 e dezembro de 2006. A impugnação referente o PIS encontra às fls. 406/555 e à COFINS às fls. 274/389. A sustentação é de que o fato gerador da obrigação tributária para incidência do PIS e COFINS é unicamente o faturamento, observando que o conceito de faturamento é definido como sendo: “receita bruta decorrente da venda de bens e de prestação de serviços”. Alega, ainda, que é vedado ao legislador ordinário definir como faturamento algo além de tal limite. O inconformismo emerge da ampliação da base de cálculo determinada por intermédio da Lei n. 9.718, de 27 de novembro de 1998. Aduz também a impossibilidade da inclusão do valor do ICMS na base de cálculo na determinação do valor das referidas contribuições. Demonstra resistência à imposição de juros moratórios com base na Taxa Selic, aplicação da multa de ofício no percentual de 75%, sustentando, para tanto, ser inconstitucional. Fl. 1329DF CARF MF Processo nº 19515.001661/200765 Acórdão n.º 3302003.497 S3C3T2 Fl. 8 3 Essa Turma por meio da Resolução 340300.149 entendeu por bem converter o julgamento em diligência para que fosse feito detalhamento da base de cálculo, após a conclusão dos trabalhos desse vista a Interessada. O resultado da diligência encontra às fls. 831/836, transcrevese parte do parecer que se julga importante ao deslinde da questão: “... Com o intuito de demonstrar os levantamentos efetuados, foram elaboradas três planilhas, a primeira, intitulada Levantamento da Base de Cálculo, subtítulo PIS 05 a 12/2003 e 01/2004, elaborada em separado da COFINS, tendo em vista que no período o PIS, por força das disposições da Lei 10.637/2002, foi apurado pelo critério da não cumulatividade. Nesta planilha, na coluna B estão relacionados os valores das vendas brutas, de acordo com as informações dos balancetes contábeis apresentados pela empresa e que se encontram anexos ao processo. Também com base nos balancetes, na coluna C, estão relacionados os descontos incondicionais e na coluna D, os conhecimentos cancelados. Na coluna E, temse a base de cálculo dos débitos do PIS, resultado da coluna B, subtraída das colunas C e D. Na coluna F, temos a base de cálculo dos créditos do PIS, conforme informado nas planilhas apresentadas pelo contribuinte. Na coluna G, temos o valor do PIS apurado pela diligência, resultado da aplicação da alíquota de 1,65%, sobre a diferença resultante da subtração da coluna E, base de cálculo dos débitos, pela coluna F, base de cálculo dos créditos. Nas colunas H e I, temos os valores do PIS apurados pelo contribuinte e os valores do PIS apurados pela fiscalização, quando da lavratura do auto de infração, respectivamente. A segunda planilha, intitulada Levantamento da Base de Cálculo, subtítulo COFINS — 05 a 12/2003 e 01/2004, apresenta as colunas A, B, C, D e E, com valores idênticos aos da primeira planilha. No entanto, nesta planilha não consta a coluna referente à base de cálculo dos créditos, tendo em vista que, no período de maio 2003 a janeiro de 2004, a COFINS não se submetia ao critério da não cumulatividade, o que só veio a ocorrer a partir de fevereiro de 2004, com base na lei 10.833/2003. Na coluna F, estão demonstrados os valores da COFINS apurados pela diligencia e na coluna G, temos os valores da COFINS apurados pela fiscalização, quando da lavratura do auto de infração. Deixamos de registrar os valores da COFINS apurados pelo contribuinte no período, tendo em vista que foi realizada apuração com base na não cumulatividade, procedimento que não tem base legal que o ampare. Fl. 1330DF CARF MF 4 A terceira planilha, intitulada Levantamento da Base de Cálculo, subtítulo PIS e COFINS, demonstra a base de cálculo das duas contribuições a partir de fevereiro de 2004, e demais períodos objeto da autuação. Ressaltese que, conforme está demonstrado nas planilhas, às chamadas outras receitas não foram incluídas nas bases de cálculo das contribuições para o PIS e para a COFINS, tendo sido considerado, tão somente, as vendas brutas, subtraídas das exclusões. Como pode ser verificado nos balancetes dos períodos, constam outras receitas na escrituração contábil da empresa, a exemplo de juros recebidos sobre duplicatas, descontos obtidos, e receitas financeiras, mas, conforme os levantamentos realizados, estas receitas não foram incluídas na base de cálculo no momento da autuação”. (grifo é nosso) Manifestou a Recorrente em relação ao resultado e as planilhas que demonstra à base de cálculo, às fls. 840/845. Aponta omissão quanto à indicação da fonte utilizada para confecção da 3ª planilha nos moldes como indicado na primeira e segunda, em razão de que os dados são distintos daqueles consignados em planilha fornecida pela Recorrente. Alega a impossibilidade de questionar e impugnar. Alude, ainda, nulidade da decisão recorrida pelo dever de apreciação das alegações de cunho constitucional em sede administrativa, em razão de não estar pedido à declaração de inconstitucionalidade, mas sim que não seja aplicada as regras em matéria julgada pelo STF como inconstitucional; Também em relação aplicação da Taxa Selic; Nulidade do Acórdão DRJ por fala de produção de prova pericial; É o relatório. Voto Conselheiro Domingos de Sá Filho, Relator. Cuidase de recurso tempestivo e atende os demais pressupostos de admissibilidade, motivo pelo qual tomo conhecimento. As Declarações de Informações Econômicas Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) colecionadas às fls. 28/199 afasta qualquer dúvida de que a Recorrente encontra submetida apuração do Imposto de Renda pela sistemática do Lucro Real. Toda argumentação sustentada pela Interessada é quanto o alargamento da base de cálculo, assunto esse quando apreciado pelo STF restou reconhecido à inconstitucionalidade do inciso I, do art. 3º da Lei nº 9.718/98. Esse processado foi sobrestado em razão da matéria trazida em sede recursal relativa à inclusão de ICMS à base de cálculo, e, em decorrência de estar essa matéria incluída no rol dos assuntos submetidos à repercussão geral perante o STF, decidiuse aguardar o desfecho perante a Suprema Corte, por vedação expressa ao exame em sede administrativa antes da apreciação do STF, o que obstaculava o conhecimento em sede administrativa, óbice afastado com a novel modificação introduzida ao Regimento Interno do CARF, passase analisar os fundamentos do recurso interposto. Fl. 1331DF CARF MF Processo nº 19515.001661/200765 Acórdão n.º 3302003.497 S3C3T2 Fl. 9 5 Insurgese a Recorrente em relação à ampliação da base de cálculo para a apuração da Contribuição Para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS e para o Programa de Integração Social – PIS, relativo ao período de apuração de maio de 2003 a dezembro de 2006. Assim, em primeiro lugar cabe demarcar à incidência sob a égide da Lei n. 9.718/98, cujo alcance atinge os fatos geradores ocorridos até março de 2003. O alargamento da base de cálculo previsto no inciso 1º, do art. 3º, da Lei n. 9.718/98 foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. No entanto, o entendimento da mais alta Corte do País, consolidado é da inconstitucionalidade do parágrafo 1o do artigo 3o da Lei 9.718/98, que ampliou a base de cálculo do PIS e da COFINS, reconhecendo que a receita bruta é o faturamento, isto é, venda de mercadorias e a prestação de serviços. O mesmo não aconteceu com o artigo 8º do mesmo diploma legal, que disciplinou o aumentou de alíquota da contribuição, de 2% para 3%, que foi considerado constitucional pela Corte, uma vez que não existe a necessidade de lei complementar para tratar do aumento da alíquota. Entretanto, o período de apuração objeto do lançamento fiscal, no período da vigência da norma da Lei 9.718/98, foi obedecido o que restou decidido pelo STF, incluído à base de cálculo tãosó as receitas oriundas do faturamento e da prestação de serviços, o que restou esclarecido por meio da Diligência Fiscal, que detalhou as receitas: “No entanto, nesta planilha não consta a coluna referente à base de cálculo dos créditos, tendo em vista que, no período de maio 2003 a janeiro de 2004, a COFINS não se submetia ao critério da não cumulatividade, o que só veio a ocorrer a partir de fevereiro de 2004, com base na lei 10.833/2003. Na coluna F, estão demonstrados os valores da COFINS apurados pela diligencia e na coluna G, temos os valores da COFINS apurados pela fiscalização, quando da lavratura do auto de infração. Deixamos de registrar os valores da COFINS apurados pelo contribuinte no período, tendo em vista que foi realizada apuração com base na não cumulatividade, procedimento que não tem base legal que o ampare.” Acusação da fiscalização que o contribuinte apurou a contribuição pela sistemática da não cumulatividade no período que a COFINS ainda encontrava disciplinada pelas regras contidas na Lei nº 9.718/98. É contra essa acusação que a contribuinte deveria ter debatido e apontado o desacerto cometidos quando do lançamento. Ao contrário, pleiteou pericia fiscal, mesmo diante da informação de que o valor lançado à base de cálculo se referia ao faturamento, mês a mês, sem inclusão de outras receitas distintas do faturamento. Fato de fácil verificação, até porque a fiscalização indicou que os dados foram extraídos dos balancetes fornecidos pela Recorrente. “Ressaltese que, conforme está demonstrado nas planilhas, às chamadas outras receitas não foram incluídas nas bases de cálculo das contribuições para o PIS e para a COFINS, tendo sido considerado, tão somente, as vendas brutas, subtraídas das Fl. 1332DF CARF MF 6 exclusões. Como pode ser verificado nos balancetes dos períodos, constam outras receitas na escrituração contábil da empresa, a exemplo de juros recebidos sobre duplicatas, descontos obtidos, e receitas financeiras, mas, conforme os levantamentos realizados, estas receitas não foram incluídas na base de cálculo no momento da autuação.” Nos demais período, pelo fato da Contribuinte apurar o Imposto de Renda pelo Lucro Real, está além do alcance da norma da Lei 9.718/98, cuja base de cálculo ampliada fora rechaçada por decisão do STF. De modo que, após o mês de dezembro de 2002 no tocante as contribuições devidas ao PIS e a COFINS a partir de fevereiro de 2004, inclusive, essa matéria passou a ser disciplinada pela legislação em vigor, ou seja, as Leis números 10.637/2002 e 10.833/2003, alteradas pelas Leis números 10.865/2004 e 10.865/2004. A novel legislação impõe todas as pessoas jurídicas que auferirem receitas, independentemente de sua denominação ou classificação contábil inclusão à base de cálculo para determinar o valor devido das contribuições, COFINS e ao PIS/PASEP. Essas receitas compreendem a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. O art. 1o da Lei n. 10.637/2002, dispõe: “Art. 1o A contribuição para o PIS/PASEP tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2o A base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP é o valor do faturamento, conforme definido no caput.” Não há dúvida de que ampliação da base cálculo contemplada pela Lei n. 9.718/98, cujo inciso primeiro do art. 3o foi declarado inconstitucional pela Suprema Corte, ressuscitado por meio da Lei n. 10.637, de 30 de dezembro de 2002, com respaldo da Emenda Constitucional de número 20, este mesmo diploma legal também introduziu a sistemática das contribuições não cumulativas. Assim, após o advento da legislação retro mencionada, a base de cálculo das contribuições passou a ser a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, inclusive as variações monetárias ativas, sendo, portanto, irrelevante o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas, observado as exclusões contempladas pela norma disciplinadora, essa novel sistemática agora não tão nova, se refere tãosó aos contribuintes submetidos apuração do Imposto de Renda pelo regime de Lucro Real, continuando na regra da Lei nº 9.718/98 aquelas empresas que apuram o Imposto de Renda pelo regime presumido, mantendo apuração pelo sistema anterior a vigências da Lei nº 10.637/02. Como se vê das planilhas acostadas aos autos, a inclusão de outras receitas encontra albergada pela Lei n. 10.637/2002, que passou alcançar os fatos geradores a partir de março de 2003, portanto, incensurável o lançamento, devendo subsistir o crédito tributário constituído. Fl. 1333DF CARF MF Processo nº 19515.001661/200765 Acórdão n.º 3302003.497 S3C3T2 Fl. 10 7 Como se sabe a discussão acerca da inclusão ou não do ICMS e ISS na base de cálculo do PIS e da COFINS vem de longa data, e, tratase de questão polêmica, ainda, pendente de julgamento pelo Supremo Tribunal Federal. No caso concreto não há previsão legal que autorize a exclusão desses impostos da base de cálculo, motivo pelo qual andou bem o julgador de piso em manter intacta a base de cálculo demonstrada pela fiscalização, consequentemente, o crédito tributário. Assim, voto pelo conhecimento do recurso, mas nego provimento. É como voto. Domingos de Sá Filho Fl. 1334DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.900038/2012-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Mar 06 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3401-001.010
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Robson José Bayerl - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
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COMPENSAÇÃO. ALARGAMENTO. Recorrente RODOBENS CAMINHÕES PERNAMBUCO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Trata o presente processo administrativo de PER que pretende obter reconhecimento de direito creditório das contribuições por suposto pagamento a maior. O sistema informatizado da Receita Federal emitiu o Despacho Decisório em processamento automatizado indeferindo o pedido, afirmando que o valor do DARF de onde viria o crédito já estava totalmente comprometido em quitação de débito constante de declaração prestada pelo contribuinte ao Fisco. A contribuinte manifestou inconformidade, explicando que: 1. A autoridade de administração e a autoridade fiscal não tomaram conhecimento das razões da contribuinte para seu direito, nem se aprofundaram em sua análise, nem buscaram investigar os fatos; a contribuinte não foi intimada a explicar os fundamento do seu pedido antes do despacho decisório; RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 80 .9 00 03 8/ 20 12 -2 4 Fl. 205DF CARF MF Processo nº 10480.900038/201224 Resolução nº 3401001.010 S3C4T1 Fl. 3 2 2. seu direito repousa no fato de que ela indevidamente tinha incluído na base de cálculo do tributo receitas (tais como receitas financeiras, e outras), face a declaração de inconstitucionalidade pelo STF para o § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/1998; pois a base de tributação deve se cingir às receitas de faturamento pela venda de mercadorias e da prestação de serviços. 3. Pede a reunião dos vários processos administrativos que tratam da mesma matéria/tributo, mudando apenas os períodos de apuração, para serem julgados na mesma ocasião. Os Julgadores de 1º piso não acolheram o pedido de reunião dos vários processos. Eles também consideraram improcedente o recurso da contribuinte, entendendo pela insuficiência de provas pelo alegado. Seria da contribuinte o ônus de provar o direito objeto do seu pedido, no momento da interposição da Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legalmente previstas, nos termos do art. 16, caput, III e §4°, do Decreto 70.235/72, conforme consta do voto da decisão recorrida. Concluíram, os Julgadores a quo, pelo não reconhecimento do direito creditório, nos termos do Acórdão 11041.034. Inconformada, a contribuinte ingressou com recurso voluntário por meio do qual repisou as alegações apresentadas na manifestação de inconformidade, e acrescentou as seguintes: ● não é verdade que houve insuficiência de provas, pois apresentou planilha, balancete e livro obrigatório da contabilidade da contribuinte; ● a autoridade fiscal não questionou a efetividade dos pagamentos em discussão; ● não pode prevalecer o entendimento esposados pelos julgadores de 1º piso de que houve preclusão para a juntada de provas; isso fere o disposto na letra "c" do § 4º do artigo 16 do Decreto n. 70.235, de 1972 (apresentar provas que se destine a contrapor fatos e razões posteriormente trazidas aos autos). Cita doutrina, acórdãos e jurisprudências; ● a falta de retificação da DCTF não deve servir de justificativa para não se analisar e se deferir o direito da contribuinte; ● Não procede o entendimento dos Julgadores a quo de que a declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei n. 9.718/1998 proferida pelo STF não seja de observação obrigatória no processo administrativo fiscal; ● a Verdade Material deve prevalecer, e a autoridade deve realizar um exame completo dos fatos. É o relatório Fl. 206DF CARF MF Processo nº 10480.900038/201224 Resolução nº 3401001.010 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3401000.984, de 25 de janeiro de 2017, proferida no julgamento do processo 10480.900040/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela Resolução (3401000.984): "Tempestivo o Recurso e atendidos os demais requisitos de admissibilidade. Temos diante de nós mais um caso de despacho decisório processado automaticamente, sem que haja qualquer intervenção humana para rever o seu teor e a eventual existência de razões para questionar sua conclusão. É freqüente, nessas situações, que a contribuinte somente compreenda totalmente a situação quando recebe a decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento mantendo o indeferimento eletrônico inicial, geralmente por falta de provas ou de contra argumentações por parte da contribuinte. Nessa toada, há os que se escudam no instituto da preclusão probatória para justificar a impossibilidade de reverter as negativas até então impostas à contribuinte. Coerente com minhas propostas de votação anteriores em situações semelhantes, baseado no argumento de que o princípio da verdade material deve prevalecer, relativizando as formalidades e os institutos preclusivos e assemelhados, e no argumento de que não é do interesse público maior praticar a injustiça fiscal qual seja, a manutenção no Tesouro do pagamento indevido , é que proponho que se tome providências para garantir substantivamente o contraditório (e não apenas formalmente) e para se verificar a verdade do alegado pelas partes. As teses que esposo divergem das postas no acórdão de 1º piso: (a) para uma visão absoluta do ônus probatório e do instituto da preclusão probatória, argumento em favor de que prevaleça a Verdade Material, e que os julgadores do processo administrativo possam agir e determinar providências nessa direção, aliás como expus em outros votos quando fiz alusão aos modelos trazidos pelo novo CPC; (b) que a negativa em pedidos de restituição e/ou compensações motivada pela inexistência de créditos líquidos e certos passe a considerar que a liquidez e certeza possam ser demonstradas ao longo do processo administrativo, não se limitando ao que o instruiu antes de sua chegada à instância de julgamento. Ressalto que a contribuinte, segundo que foi relatado, em sua primeira contestação havia juntado balancetes e planilhas, o que poderia ser no mínimo considerado princípio de prova. Fl. 207DF CARF MF Processo nº 10480.900038/201224 Resolução nº 3401001.010 S3C4T1 Fl. 5 4 Por isso, tendo em vista que a administração tributária de jurisdição não apreciou as razões do suposto direito creditório, proponho a este Colegiado a conversão do julgamento em diligência para que a unidade de jurisdição local analise e informe a respeito do alegado pela contribuinte, e também a respeito da existência de retificação realizada ou tentada pela contribuinte com relação ao (débitos e créditos) discutido neste processo administrativo. Que se dê ciência à contribuinte desta decisão e também do relatório conclusivo e da informação fiscal resultantes da diligência, e prazo de 30 dias para ela se manifestar em cada uma dessas intimações." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, converto o julgamento deste processo em diligência para que a unidade de jurisdição local analise e informe a respeito do alegado pela contribuinte, e também a respeito da existência de retificação realizada ou tentada pela contribuinte com relação ao (débitos e créditos) discutido neste processo administrativo. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Fl. 208DF CARF MF
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Numero do processo: 13982.000555/2009-33
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 30/11/2008
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14, DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9202-004.719
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14, DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 2. 00 05 55 /2 00 9- 33 Fl. 299DF CARF MF Processo nº 13982.000555/200933 Acórdão n.º 9202004.719 CSRFT2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10660.722287/201173. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14, de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo ofereceu contrarrazões, pugnando pela negativa de provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.650, de 12/12/2016, proferido no julgamento do processo 10660.722287/201173, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.650): O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Fl. 300DF CARF MF Processo nº 13982.000555/200933 Acórdão n.º 9202004.719 CSRFT2 Fl. 4 3 Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De início, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime, pacificou o entendimento de que, na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61, da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdãonº9202004.262, de 23/06/2016, cuja ementa a seguir se transcreve: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 301DF CARF MF Processo nº 13982.000555/200933 Acórdão n.º 9202004.719 CSRFT2 Fl. 5 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, é necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o parágrafo anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106, do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA, somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP, não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que, na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991, correspondente aos 75% previstos no art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º doart. 32, da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pelaMP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas noart. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingido pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime, proferido no Acórdãonº9202004.499, de 29/09/2016: Fl. 302DF CARF MF Processo nº 13982.000555/200933 Acórdão n.º 9202004.719 CSRFT2 Fl. 6 5 Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Fl. 303DF CARF MF Processo nº 13982.000555/200933 Acórdão n.º 9202004.719 CSRFT2 Fl. 7 6 § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há Fl. 304DF CARF MF Processo nº 13982.000555/200933 Acórdão n.º 9202004.719 CSRFT2 Fl. 8 7 que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 305DF CARF MF Processo nº 13982.000555/200933 Acórdão n.º 9202004.719 CSRFT2 Fl. 9 8 Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Nesse passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 306DF CARF MF Processo nº 13982.000555/200933 Acórdão n.º 9202004.719 CSRFT2 Fl. 10 9 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 307DF CARF MF Processo nº 13982.000555/200933 Acórdão n.º 9202004.719 CSRFT2 Fl. 11 10 Em face ao exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, doulhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. Em face do acima exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 308DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.695792/2009-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2005
DATA DA COMPENSAÇÃO. VALORAÇÃO DOS CRÉDITOS E DÉBITOS.
Na compensação declarada pelo sujeito passivo, os créditos serão acrescidos de juros compensatórios e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais até a data da entrega da apresentação do PER/DCOMP, na forma da legislação de regência.
COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL. DATA DA APRESENTAÇÃO DA DCOMP
No caso de apresentação de DCOMP após o vencimento do tributo a ser compensado haverá acréscimos legais ao débito. A falta de equivalência entre o total de crédito e de débitos apontados como compensáveis, valorados na forma da legislação que rege a espécie, impõe a homologação apenas parcial da DCOMP apresentada pelo sujeito passivo.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-003.396
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa, Maria Eduarda e Valcir Gassen, que davam provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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DCOMP TRANSMITIDA APÓS VENCIMENTO DO DÉBITO. Recorrente ESPN DO BRASIL EVENTOS ESPORTIVOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2005 DATA DA COMPENSAÇÃO. VALORAÇÃO DOS CRÉDITOS E DÉBITOS. Na compensação declarada pelo sujeito passivo, os créditos serão acrescidos de juros compensatórios e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais até a data da entrega da apresentação do PER/DCOMP, na forma da legislação de regência. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL. DATA DA APRESENTAÇÃO DA DCOMP No caso de apresentação de DCOMP após o vencimento do tributo a ser compensado haverá acréscimos legais ao débito. A falta de equivalência entre o total de crédito e de débitos apontados como compensáveis, valorados na forma da legislação que rege a espécie, impõe a homologação apenas parcial da DCOMP apresentada pelo sujeito passivo. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa, Maria Eduarda e Valcir Gassen, que davam provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 69 57 92 /2 00 9- 29 Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10880.695792/200929 Acórdão n.º 3301003.396 S3C3T1 Fl. 3 2 d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório A recorrente acima qualificada apresentou Declaração de Compensação pleiteando a compensação de débitos referentes a impostos e contribuições administrados pela SRF, com créditos de COFINS (código de receita 2172), decorrentes de pagamento supostamente indevido ou a maior. Por meio do Despacho Decisório emitido pela DERATSP, a compensação declarada foi homologada parcialmente, sob o fundamento de que constatouse a procedência do crédito original informado no PER/DCOMP, reconhecendose o valor do crédito pretendido. Entretanto, o crédito reconhecido revelouse insuficiente para quitar os débitos informados no PER/DCOMP. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, tempestivamente, alegando, em síntese, que: a) O valor original utilizado para a compensação, foi recolhido no mesmo prazo de vencimento dos créditos tributários compensados; b) Assim, não se apropriou de juros pela taxa Selic sobre os valores declarados no PER/DCOMP, e não imputou multa e juros sobre os créditos tributários compensados, pois são do mesmo período de apuração; c) Faz planilha para comparação dos períodos de apuração e datas de vencimento. d) Tratase de evidente cobrança equivocada, e apresenta como provas as cópia dos documentos relativos aos lançamentos contestados e a procuração de nomeação do representante legal que assina a manifestação de inconformidade; e) Demonstrada a insubsistência e improcedência do processo, requer seja cancelado o processo reclamado. A DRJ/SP1 indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 16036.860. O fundamento adotado foi o de que, na compensação declarada pelo sujeito passivo, os créditos são acrescidos de juros compensatórios e os débitos sofrem a incidência de acréscimos legais até a data da entrega do PER/DCOMP, na forma da legislação de regência. A recorrente repetiu os argumentos da impugnação no recurso voluntário. É o relatório. Voto Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10880.695792/200929 Acórdão n.º 3301003.396 S3C3T1 Fl. 4 3 Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.231, de 28 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10880.667966/200963, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.231): "O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. Constatase que a controvérsia do processo permanece a mesma desde a 1ª instância, com a contribuinte alegando que o DARF utilizado como pagamento a maior para a compensação foi pago dentro do prazo de vencimento do tributo e por isso, não se conformando com a cobrança de acréscimos legais no momento da efetiva compensação. Entretanto, como veremos adiante, o valor do crédito foi insuficiente para quitar o débito, em função dos acréscimos legais ao débito compensado, atualizados até a data da apresentação do PER/DCOMP, em virtude do atraso entre seu vencimento e a formalização da compensação. A DCOMP em tela, foi formalizada pela interessada para compensar débito de COFINS – não cumulativa (código de receita 5856), vencido em 15/06/2004, com créditos de COFINS (código de receita 2172), cuja data de arrecadação foi 15/06/2004. De acordo com o Despacho Decisório emitido pela DERAT/SP, constatouse a procedência do crédito original informado no PER/DCOMP. No entanto, o mesmo foi insuficiente para quitar os débitos informados em consequência da data de apresentação da DCOMP, e por este motivo a compensação foi homologada parcialmente. A recorrente alega que o valor original utilizado para a compensação foi recolhido no mesmo prazo de vencimento dos créditos tributários compensados, e sendo assim, não poderia haver multa e juros sobre os referidos créditos, pois são do mesmo período de apuração. Como bem dito no acórdão recorrido, a contribuinte equivocouse em relação à forma de valoração do crédito e do débito que informou em sua declaração de compensação, ao não efetuar os cálculos relativos aos acréscimos legais, o que gerou um saldo devedor, e consequentemente, a homologação parcial da compensação. Constatase que a data do envio do PER/DCOMP é quando se formaliza a extinção do débito por compensação, de acordo com o que dispõe a Lei nº 9.430/1996, abaixo transcrita: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10880.695792/200929 Acórdão n.º 3301003.396 S3C3T1 Fl. 5 4 administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (...) Portanto, a extinção do débito por compensação ocorre na data de envio do PER/DCOMP. No caso concreto, a interessada enviou a PER/DCOMP em 21/01/2007 para compensar débito cujo vencimento se deu em 15/06/2004, portanto, é fato que o débito já estava vencido quando foi extinto pela compensação. Assim, partir da data do vencimento passaram a incidir sobre o débito os acréscimos legais, quais sejam, multa de mora e juros, nos termos do artigo 61 da Lei 9.430/1996, abaixo transcrito: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º. A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º. O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º. Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. No recurso voluntário, a recorrente repete o argumento de que o pagamento utilizado para a compensação foi realizado no mesmo prazo de vencimento do débito compensado, mas tal fato não a socorre, pois a utilização do crédito tributário ocorre apenas com a apresentação do PER/DCOMP, que ocorreu após o vencimento do débito compensado. Assim, cumpre transcrever o artigo 28 da IN SRF nº 600/2005, em vigor à época da transmissão do PER/DCOMP: Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10880.695792/200929 Acórdão n.º 3301003.396 S3C3T1 Fl. 6 5 Art. 28. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão valorados na forma prevista nos arts. 52 e 53 e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação. § 1º A compensação total ou parcial de tributo ou contribuição administrados pela SRF será acompanhada da compensação, na mesma proporção, dos correspondentes acréscimos legais. (...) Logo, os débitos vencidos, vinculados a PER/DCOMP, serão acrescidos de multa de mora, calculada a partir do primeiro dia subsequente à data de vencimento até a data da entrega do PER/DCOMP, quando se formaliza a compensação; bem como sofrerão a incidência de juros referentes à taxa SELIC, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Em relação aos créditos utilizados na compensação, as regras para valoração vigentes à época da transmissão do PER/DCOMP estão contidas no artigo 52 da IN SRF nº 600/2005, também transcrita: Art. 52. O crédito relativo a tributo ou contribuição administrados pela SRF, passível de restituição, será restituído ou compensado com o acréscimo de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic) para títulos federais, acumulados mensalmente, e de juros de 1% (um por cento) no mês em que: (...) II – houver a entrega da Declaração de Compensação; (...) § 1º No cálculo dos juros Selic de que trata o caput, observarseá, como termo inicial de incidência: (...) III – na hipótese de pagamento indevido ou a maior: a) o mês de janeiro de 1996, se o pagamento tiver sido efetuado antes de 1º de janeiro de 1996; b) a data da efetivação do pagamento, se este tiver sido efetuado entre 1º de janeiro de 1996 e 31 de dezembro de 1997; ou c) o mês subseqüente ao do pagamento, se este tiver sido efetuado após 31 de dezembro de 1997; Por isso, foi apurado o saldo devedor indicado no Despacho Decisório e a compensação foi parcialmente homologada. Portanto, não se está desprezando o princípio da verdade material e nem está havendo enriquecimento sem causa do Fisco, como alega a recorrente. Simplesmente, está sendo cobrado o atraso entre a Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10880.695792/200929 Acórdão n.º 3301003.396 S3C3T1 Fl. 7 6 data do vencimento do tributo e o seu necessário pagamento, que, no caso em tela, deuse no momento da apresentação da DCOMP. Assim, tendo em vista tudo o acima exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo a DCOMP foi transmitida em data posterior à do vencimento do(s) débito(s) compensado(s). Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 96DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11040.001111/93-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Período de apuração: 01/07/1990 a 31/03/1992
FINSOCIAL. FALTA DE RECOLHIMENTO.
A falta ou insuficiência de recolhimento do Finsocial constitui infração que autoriza a lavratura do competente Auto de Infração, para a constituição do crédito tributário.
BASE DE CÁLCULO. APURAÇÃO.
A base de cálculo para apuração do Finsocial baseou-se nos elementos disponibilizados pela interessada (receita total mês a mês e estoque do semestre ou do ano, no qual se encontravam segregados quantitativos de associados e não associados). Recurso de Ofício a que não se conhece e Recurso Voluntário a que se nega provimento.
Numero da decisão: 3201-002.612
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em não conhecer do recurso de ofício e negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM- Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Mércia Helena Trajano DAmorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, José Luiz Feistauer de Oliveira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. Ausência justificada de Charles Mayer de Castro Souza.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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FALTA DE RECOLHIMENTO. A falta ou insuficiência de recolhimento do Finsocial constitui infração que autoriza a lavratura do competente Auto de Infração, para a constituição do crédito tributário. BASE DE CÁLCULO. APURAÇÃO. A base de cálculo para apuração do Finsocial baseouse nos elementos disponibilizados pela interessada (receita total mês a mês e estoque do semestre ou do ano, no qual se encontravam segregados quantitativos de associados e não associados). Recurso de Ofício a que não se conhece e Recurso Voluntário a que se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em não conhecer do recurso de ofício e negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Mércia Helena Trajano DAmorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, José Luiz Feistauer de Oliveira, Paulo Roberto Duarte Moreira, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 04 0. 00 11 11 /9 3- 65 Fl. 1093DF CARF MF 2 Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. Ausência justificada de Charles Mayer de Castro Souza. Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho de Contribuintes, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre/RS. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: A decisão anterior desta DRJ emitida no presente processo foi cancelada pelo Acórdão CARF 310100.284. Suprido o vício processual que ocasionou o cancelamento, o processo encontrase em condições para julgamento. A seguir o histórico. A interessada acima qualificada impugna (fls. 95 a 126), tempestivamente, o lançamento efetivado através de ação fiscal realizada na referida empresa, onde apurouse falta de recolhimento do FINSOCIAL sobre o faturamento dos períodos de apuração de julho/1990 a março/1992, no valor de lançamento equivalente a 914.441,56 UFIR de principal da contribuição e valor total, incluída multa e juros moratórios, de 2.959.711,99 UFIR (Auto de Infração e Relatório de Auditoria de fls. 73 a 88). Os fiscais autuantes relatam que a interessada impetrou mandado de segurança questionando a constitucionalidade da exação. Foram realizados depósitos judiciais para alguns dos períodos, conforme decisão judicial na qual foi concedida liminar mediante o depósito das parcelas devidas, posteriormente revogada. A decisão final estabeleceu a constitucionalidade do Finsocial à alíquota de 0,5%. A partir de novembro de 1991 não mais teriam sido realizados depósitos judiciais, não tendo também sido efetuados pagamentos nem declaração dos valores devidos. Constatouse também insuficiência dos valores apurados entre julho e novembro de 1990 e depósitos insuficientes de dezembro de 1990 até outubro de 1991. A autuada se constitui em empresa cooperativa arrozeira, atuando também com não associados, sendo que sobre estas atividades incide a Contribuição para o FINSOCIAL. A base de cálculo foi obtida através do percentual anual (períodos de apuração de 1990 e 1991) ou semestral (para os períodos de apuração de 1992) das operações tributáveis (com terceiros) sobre as totais da cooperativa, tendo em vista que a mesma não possui controle permanente de estoques, o que impossibilitou a aferição mensal entre as atividades tributáveis (com terceiros) e as não tributáveis (com cooperados), aí incluídas operações que a interessada efetuava com terceiros relativamente a produtos beneficiados. O levantamento dos valores tributáveis encontra respaldo nos documentos da própria cooperativa, obtidos através de intimações dos fiscais. A impugnação apresentada questiona determinados elementos da ação fiscal que não dizem respeito diretamente ao lançamento de Finsocial, em função do procedimento como um todo ser mais abrangente, envolvendo, por exemplo, o Imposto de Renda da Pessoa Jurídica. Com relação ao lançamento ora em análise, questiona a constitucionalidade da contribuição, Fl. 1094DF CARF MF Processo nº 11040.001111/9365 Acórdão n.º 3201002.612 S3C2T1 Fl. 1.094 3 finalizando por reconhecêla devida à alíquota de 0,5%, conforme decisão do STF. Relata ter ingressado com Mandado de Segurança em janeiro de 1991, quando passou a efetuar depósitos até novembro de 1991, quando interrompeu a efetivação dos depósitos ante manifestações públicas de altos representantes do Governo no sentido da extinção da exação. Considerase credora de valores referentes ao FINSOCIAL tendo em vista os pagamentos efetuados de setembro de 1989 até fevereiro de 1990 (alíquota de 1%) e de março a novembro de 1990 (alíquota de 1,2%), mesmo considerando os valores não depositados dos meses de novembro e dezembro de 1991 e janeiro a março de 1992. Alega também, baseada na assertiva de ter realizado pagamento a maior que o devido, ser inaceitável a aplicação de multa e juros sobre os valores pagos tempestivamente e a maior que o devido. Da mesma forma, considera improcedente a cobrança desses encargos no período de 31/12/1990 a 30/10/1991, vez que depositou judicialmente tais valores, fazendoo a maior. De qualquer maneira, e ante as quantias depositadas judicialmente, o crédito tributário teria sua exigibilidade suspensa por força do artigo 151, II, do Código Tributário Nacional. No tocante aos juros aplicados, insurge se também por estarem os mesmos baseados na variação da TRD. Quanto aos valores cobrados, reclama das alíquotas superiores a 0,5%, quando reconhecida a inconstitucionalidade da sua majoração pelo STF. Considerando a única alíquota legalmente praticável, nos meses em que o FINSOCIAL não foi pago nem depositado, o valor do seu débito seria de 79.191,72 UFIR. Alega que, considerando os valores pagos pelas alíquotas majoradas de setembro de 1989 a junho de 1990 e de julho a outubro de 1991, resulta um crédito relativo ao FINSOCIAL a seu favor no valor de 174.925,4205 UFIR. De acordo com o artigo 66 da Lei n° 8.383/91, impõe se a compensação dos valores pagos a maior com os valores não depositados no período de novembro/91 a março/92. Relativamente aos valores que serviram de base de cálculo, irresignase a interessada, alegando ter sempre utilizado a correta aplicação dos índices percentuais que determinam as operações isentas e as tributáveis, desqualificada pela fiscalização que adotou um percentual anual, aplicando o uniformemente mês a mês, desconhecendo a sazonalidade das operações com arroz e a diminuição da comercialização com terceiros quando intensificadas as operações com os associados. Tal método teria resultado em graves distorções. Reconhece a necessidade de elaboração de planilhas mensais para apontar o percentual de cada tipo de operação. Especificamente em relação aos percentuais das atividades tributadas, alega contradições da fiscalização entre os percentuais constantes do Auto de Infração objeto de outro processo (IRPJ) e do presente. Requer seja desqualificado o Auto de Infração e reapuradas as diferenças pagas à maior sob a rubrica FINSOCIAL, para compensálas, nos termos do artigo 66 da Lei n° 8.383/91, com o devido no Auto de Infração relativamente aos períodos de apuração de novembro /91 a março/92. Fl. 1095DF CARF MF 4 Tendo em vista a alegação da interessada relativamente a valores pagos a maior e a constatação, pelos elementos juntados ao processo, da conversão em renda da União de parcelas dos depósitos judiciais, foi o processo mandado à repartição de origem, Delegacia da Receita Federal em Pelotas (DRF/PEL), para comprovação e verificação do efetivo recolhimento a maior que o devido relativo aos períodos de apuração de setembro de 1989 a novembro de 1990 (fls. 198/200). A Informação Fiscal de fls. 294/296, baseada nos documentos cujas cópias foram juntadas às fls. 201/277 e Demonstrativos de fls. 278/293, esclarece que existe concordância entre a empresa e a fiscalização no que tange aos valores do faturamento dos períodos em que a interessada alega pagamentos a maior do Finsocial, anteriores ao Auto de Infração, utilizando, porém, a fiscalização, índices de rateio diferentes da empresa. A diligência comprova que a interessada pagava o Finsocial em valor inferior ao devido, tanto é assim que o somatório do faturamento mensal obtido com operações com terceiros não correspondia ao faturamento anual das mesmas operações, o qual lhe era muito superior. Com base no acerto das bases de cálculo mensais, e considerando o período a partir de janeiro de 1989, resultou que a empresa poderia compensar o valor equivalente a 26.277,3249 BTNF. Com o retorno do processo, foi emitida a Decisão DRJ/PAE n°. 014/259/1999 (fls. 301 a 315), que deu parcial provimento a impugnação. Quanto a parte excluída, houve interposição de recurso de ofício para o Conselho de Contribuintes, encaminhado no presente processo. O Conselho de Contribuintes, através do Acórdão 20213.774, de 21/05/2002, negou provimento ao recurso de ofício, mantendo a exclusão determinada pela DRJ. De acordo com as normas vigentes à época, o processo foi apartado, tendo sido aberto o processo 11040003.763/9901 para seguimento da parte mantida do auto de infração. Foi apresentado recurso voluntário (fls. 329 a 360), sendo o processo encaminhado ao Conselho de Contribuintes após longa discussão judicial findada em prol da recorrente. O órgão julgador de segunda instância, já denominado Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), proferiu o Acórdão 310100.284, de 27/11/2009 (fls. 919 e 920), que deu provimento ao recurso voluntário, entendendo que houve desprestígio aos princípios constitucionais do contraditório e ampla defesa. Considerou que os novos elementos juntados em diligência, sem a reabertura do prazo para impugnação, viciou o processo, assistindo razão à recorrente no pleito de nulidade da decisão de primeira instância e declarando: "..a nulidade do processo, a partir da intimação da diligência fiscal que culminou na informação fiscal de fls. 298 a 300, devendo ser novamente* intimada a recorrente da indigitada diligência, desta feita com a reabertura do™ prazo de 30 dias para manifestarse, querendo, e após seja novamente julgada a sua impugnação... " (grifo do Acórdão, fl. 919, verso, e 920). A DRF/PEL cumpriu (stricto sensu) o determinado. Para tanto, desarquivou o presente processo, juntando o processo 11040003.763/9901 no qual foi emitido o Acórdão do CARF em questão, reestabelecendo a situação no momento processual em que deveria ter sido dada a ciência devida da diligência. Por conseqüência, todos os valores originais do auto de infração estão novamente cadastrados no presente processo. O contribuinte tomou ciência em 30/04/2010, apresentando complementação da impugnação em Fl. 1096DF CARF MF Processo nº 11040.001111/9365 Acórdão n.º 3201002.612 S3C2T1 Fl. 1.095 5 28/05/2010 (fls. 937 a 939). Argumenta que, quando da realização da diligência, em 1999, já estava extinto o direito de exame dos valores do período 01/1989 a 06/1990, assim, não poderia a fiscalização considerar e compensar períodos de recolhimento alegado como insuficientes no cálculo do crédito, para o qual foi autorizada a compensação. Indica, inclusive, que tal já foi objeto de determinação judicial favorável nos embargos à execução n° 2004.71.10.0030541. Requer seja pronunciada a "decadência" em relação a estes períodos e a procedência do pleito da peça impugnatória. O pleito foi deferido em parte, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão 1027.242, de 02/09/2010, proferida pelos membros da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre/RS, cuja ementa dispõe, verbis: Assunto: Outros tributos ou Contribuições Período de apuração: 01/07/1990 a 31/03/1992 FINSOCIAL. ALÍQUOTA. Deve ser cancelada a exigência de Finsocial no que exceder a aplicação da alíquota de 0,5%. BASE DE CÁLCULO. APURAÇÃO. A base de cálculo fundamentouse nos elementos disponibilizados pela interessada (receita total mês a mês e estoque do semestre ou do ano, no qual se encontravam segregados quantitativos de associados e não associados). DEPÓSITOS JUDICIAIS. Os depósitos judiciais quando convertidos em renda da União extinguem o crédito tributário dos respectivos períodos de apuração, pelos valores efetivamente depositados, na mesma forma que um pagamento em Darf. RECALCULO. INDÉBITO. O pagamento a maior resultado do recálculo de valores lançados de um período de apuração auditado deve ser compensado com a exigência de outro período. TRD. JUROS DE MORA. Por determinação contida no art. 1o da IN SRF no 32/1997, a TRD, aplicada como juros de mora no período compreendido entre 04/02/1991 e 29/07/1991, deve ser subtraída do lançamento. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte O julgamento de primeira instância considerou procedente em parte a impugnação, ou seja, para reduzir os valores lançados para os constantes da fl. 954 (papel) (e fl. 1059) a serem acrescidos da multa de oficio de 50% nos períodos de fevereiro a maio de 1991 e 75% de junho de 1991 em diante, nos termos do relatório e voto, bem como recorrer de ofício a este CARF, cujo valor ultrapassa R$ 1.000.000,00, valor vigente, à época. Fl. 1097DF CARF MF 6 Inconformado, a recorrente apresenta recurso voluntário, tempestivamente, onde basicamente repisa os argumentos anteriormente apresentados, insistindo em: que não foi reconhecido a sazonalidade nas operações de terceiros, da mesma forma, deve ser reconhecida a decadência do direito do fisco de revisar em janeiro de 1999, lançamento efetivo de janeiro/89 a julho de 1990. O processo digitalizado foi redistribuído e encaminhado a esta Conselheira para prosseguimento, de forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM RECURSO DE OFÍCIO De acordo com o relatado, o julgamento de primeira instância considerou procedente em parte a impugnação, ou seja, reduziu os valores lançados para os constantes da fl. 954 (papel) a serem acrescidos da multa de oficio de 50% nos períodos de fevereiro a maio de 1991 e 75% de junho de 1991 em diante, nos termos do relatório e voto, bem como recorrer de ofício ao CARF, cujo valor ultrapassa R$ 1.000.000,00. Observase, à fl. 971 (papel) e efl. 1078, o demonstrativo do débito, ou melhor, do valor do imposto exonerado e multa exonerada, nos valores de (cerca de) R$ 701.641,00 e multa de R$ 472.748,00; respectivamente. Inicialmente, por conta da recente Portaria MF n° 63, de 09/02/2017 que disciplina novo limite de alçada para interposição de recurso de ofício, cujo valor é de R$ 2.500.000,00, logo, não se conhece o recurso de ofício. RECURSO VOLUNTÁRIO O recurso voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Versa o presente de Auto de Infração de falta de recolhimento do Finsocial sobre o faturamento dos períodos de apuração de julho/1990 a março/1992, conforme AI à fl. 79 (papel), Demonstrativos às fls. 72/78; bem como minuciosa Descrição dos fatos (fl.80 papel). A ciência do respectivo AI deuse em 30/12/1993. Tratase de um processo antigo, cujo débito foi apurado em BTNF, cruzeiro e UFIR e passou por diversas fases, quais sejam: Em 28/12/1993 foi lavrado Auto de Infração relativo a FINSOCIAL (ciência em 30/12/1993), objeto do processo 11040.001111/9365. O contribuinte supra foi cientificado do lançamento em 30/12/1993 e apresentou impugnação em 31/01/1994. Fl. 1098DF CARF MF Processo nº 11040.001111/9365 Acórdão n.º 3201002.612 S3C2T1 Fl. 1.096 7 Em 25/06/1999 a DRJ Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre (RS), após a realização de diligência por esta Delegacia da Receita Federal DRF (Pelotas), proferiu a DECISÃO DRJ/PAE N° 014/259/1999 (efl. 383e ss.), a qual considerou o lançamento parcialmente procedente. Como houve a interposição de Recurso de Ofício ao Conselho de Contribuintes relativamente ao(s) débito(s) exonerado(s), foi cadastrado o processo 11040.003763/9901, para onde foram transferidos os valores mantidos, sendo o processo 11040.001111/9365 remetido em 27/12/1999 ao Conselho de Contribuintes, por intermédio da DRJ/Porto Alegre/RS, para julgamento do Recurso de Ofício. Em 24/11/1999 o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, no processo 11040.003763/9901, que foi provido através do Acórdão n° 310100.284 Ia Câmara / Ia Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, declarando a nulidade do processo a partir da intimação da diligência fiscal, e determinando que a interessada fosse novamente intimada da diligência, com abertura de prazo de 30 dias para manifestarse e, após, fosse novamente julgada a impugnação, independentemente do uso, por parte da recorrente, do seu direito de manifestarse sobre a diligência. Em cumprimento ao acórdão acima referido, foi lavrado em 16/04/2010 o Termo de Entrega de Documentos e Intimação Fiscal DRF/PEL/SAFIS 01/2010, de fl. 509. Logo: que seja desfeita a transferência do crédito tributário para o processo 11040.003763/9901, voltando o controle integral do crédito tributário lançado para o processo 11040.001111/9365. que o processo 11040.003763/9901 seja anexado ao de n° 11040.001111/9365, posto que perdeu seu objeto. Considerando ainda que o Termo de Entrega de Documentos e Intimação Fiscal DRF/PEL/SAFIS 01/2010 foi lavrado no processo 11040.003763/99 01, que perdeu o objeto em função da declaração da nulidade do processo a partir da intimação da diligência fiscal, e tendo em vista o contido no art. 59 do Decreto n° 70.235, de 06/03/1972, remeto à consideração superior, propondo: que seja considerado nulo o Termo de Entrega de Documentos e Intimação Fiscal DRF/PEL/SAFIS 01/2010, por ter sido efetuado no curso do processo 11040.003763/9901, que perdeu seu objeto. que se proceda à intimação do contribuinte nos termos do Acórdão n° 310100.284 Ia Câmara / Ia Turma Ordinária no processo 11040.001111/9365. que se adotem as demais providências determinadas no Acórdão n° 310100.284 Ia Câmara / 1 a Turma Ordinária. Fl. 1099DF CARF MF 8 Em sendo assim, o contribuinte foi cientificado e nova decisão DRJ foi expedida, conforme acórdão de nº 1027.242, de 02/09/2010, proferida pelos membros da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre/RS. Verificase, de pronto, que a autoridade julgadora de primeira instância julgou como o lançamento por parcialmente procedente, considerando indevida a aplicação das alíquotas da contribuição em tela em níveis superiores a 0,5%, retirando da exação os valores referentes aos depósitos judiciais, com os consectários correspondentes, e considerou a compensação de valores pagos a maior, com alíquotas superiores a 0,5%, no período de fevereiro/89 a junho/90, no valor de 26.277,3249 UFIR, considerando os cálculos efetuados em diligência fiscal. Também, reduziu o percentual da multa de oficio aplicada em 100% a 75%, com base no artigo 44, I, da Lei n° 9.430/96, c/c o artigo 106, II, c, do Código Tributário Nacional, e determinou a retirada dos juros de mora aplicados com base na TRD, no período de 04 de fevereiro a 29 de julho de 1991, com base na IN SRF n°32/97. A fiscalização ressalta, quando da confecção do AI, que a interessada impetrou mandado de segurança questionando a constitucionalidade da exação. Foram realizados depósitos judiciais para alguns dos períodos, conforme decisão judicial na qual foi concedida liminar mediante o depósito das parcelas devidas, posteriormente revogada. A decisão final estabeleceu a constitucionalidade do Finsocial à alíquota de 0,5%. A partir de novembro de 1991 não mais teriam sido realizados depósitos judiciais, não tendo também sido efetuados pagamentos nem declaração dos valores devidos. Constatouse também insuficiência dos valores apurados entre julho e novembro de 1990 e depósitos insuficientes de dezembro de 1990 até outubro de 1991. A Recorrente constitui em empresa cooperativa arrozeira, atuando também com não associados, sendo que sobre estas atividades incide a Contribuição para o FINSOCIAL. A base de cálculo foi obtida através do percentual anual (períodos de apuração de 1990 e 1991) ou semestral (para os períodos de apuração de 1992) das operações tributáveis (com terceiros) sobre as totais da cooperativa, tendo em vista que a mesma não possui controle permanente de estoques, o que impossibilitou a aferição mensal entre as atividades tributáveis (com terceiros) e as não tributáveis (com cooperados), aí incluídas operações que a interessada efetuava com terceiros relativamente a produtos beneficiados. O levantamento dos valores tributáveis encontra respaldo nos documentos da própria cooperativa, obtidos através de intimações dos fiscais. Em sua defesa, afirma ser credora de valores referentes ao FINSOCIAL, tendo em vista os pagamentos efetuados de setembro de 1989 até fevereiro de 1990 (alíquota de 1%) e de março a novembro de 1990 (alíquota de 1,2%), mesmo considerando os valores não depositados dos meses de novembro e dezembro de 1991 e janeiro a março de 1992. E de acordo com o artigo 66 da Lei n° 8.383/91, impõese a compensação dos valores pagos a maior com os valores não depositados no período de novembro/91 a março/92. Por conta do alegado, como já historiado, de valores pagos a maior e a constatação, pelos elementos juntados ao processo, da conversão em renda da União de parcelas dos depósitos judiciais, foi o processo mandado à repartição de origem, Delegacia da Receita Federal em Pelotas (DRF/PEL), para comprovação e verificação do efetivo recolhimento a maior que o devido relativo aos períodos de apuração de setembro de 1989 a novembro de 1990 (fls. 198/200 (papel). A Informação Fiscal de fls. 294/296, baseada nos documentos cujas cópias foram juntadas às fls. 201/277 e Demonstrativos de fls. 278/293 (papel), esclarece que existe concordância entre a empresa e a fiscalização no que tange aos valores do faturamento dos Fl. 1100DF CARF MF Processo nº 11040.001111/9365 Acórdão n.º 3201002.612 S3C2T1 Fl. 1.097 9 períodos em que a interessada alega pagamentos a maior do Finsocial, anteriores ao Auto de Infração, utilizando, porém, a fiscalização, índices de rateio diferentes da empresa. A diligência comprova que a interessada pagava o Finsocial em valor inferior ao devido, tanto é assim que o somatório do faturamento mensal obtido com operações com terceiros não correspondia ao faturamento anual das mesmas operações, o qual lhe era muito superior. Com base no acerto das bases de cálculo mensais, e considerando o período a partir de janeiro de 1989, resultou que a empresa poderia compensar o valor equivalente a 26.277,3249 BTNF. Pelo visto, foram realizados diversos demonstrativos de imputação de pagamentos, por conta da alegação da Recorrente de existirem vários pagamentos a maior de FINSOCIAL (até novembro de 1990), na diligência solicitada pela DRJ/POA, quando a mesma solicitou que fossem refeitos os cálculos, levando em conta esses pagamentos, depósitos (imputação), levando em conta a limitação da alíquota de 0,5%, então não há que falar em inovação do Auto de InfraçãoAI, e sim fatos que foram considerados, por conta da própria alegação da Recorrente. Então, verificado já, que os créditos tributários decorrentes de aplicação de alíquota superior a 0,5% foram cancelados, ante a decisão judicial favorável à empresa, no entanto, a falta ou insuficiência de recolhimento do Finsocial constitui infração que autoriza a lavratura do competente Auto de Infração, para a constituição do crédito tributário, saldo este, analisado em sede de recurso voluntário. Como bem ressaltado na decisão DRJ: Já os valores depositados em juízo correspondentes a alíquota superior a 0,5% não podem ser considerados. Como consequência da decisão judicial, foi deteminada a conversão em renda proporcional daqueles valores depositados judicialmente (41,66% quando a alíquota era de 1,2% e 25% quando a alíquota era de 2,0%), tendo sido o restante devolvido ao contribuinte mediante alvará fornecido pela Justiça Federal. Ressaltese que os depósitos não foram integrais, o que ficou caracterizado no lançamento. Aceita a imputação dos depósitos convertidos como pagamento, serão cobrados os acréscimos moratórios devidos, no caso dos depósitos efetuados após o vencimento da contribuição. A base de cálculo encontrada pela fiscalização não merece reparos. Não há divergência quanto ao Finsocial ser um gravame de incidência mensal sobre o faturamento, que não atinge as operações com associados. As planilhas apresentadas pela empresa não demonstraram vinculação com a contabilidade. A soma das receitas com terceiros das planilhas a cada ano era muito inferior ao valor apurado pela fiscalização com base na contabilidade. Mostrou, a fiscalização, que a empresa não considerou, por exemplo, as aquisições de arroz beneficiado, todas de terceiros. Destaquese que a empresa apenas elaborava demonstrativos sobre o estoque anualmente e não apresentou dados contábeis mensais confiáveis que permitissem a aferição. Sendo indispensável a 'apuração mensal para obtenção da base de Fl. 1101DF CARF MF 10 cálculo do Finsocial, nas condições encontradas, perfeitamente justificável o procedimento de rateio mensal a partir do percentual entre operações cooperativadas (não tributáveis) e não cooperativadas (tributáveis) obtido a partir dos estoques de final de ano, discriminando as operações com cooperados e com nãocooperados. Logo, os valores depositados em juízo correspondentes a alíquota superior a 0,5% não podem ser considerados e foram devolvidos ao contribuinte mediante alvará fornecido pela Justiça Federal. Ressaltese que os depósitos não foram integrais, o que ficou caracterizado no lançamento. Enfim, os depósitos judiciais quando convertidos em renda da União extinguem o crédito tributário dos respectivos períodos de apuração, pelos valores efetivamente depositados, para fins de amortização da dívida. Pois bem, a fiscalização apurou valores maiores do que aqueles depositados, então, foram cobrados os acréscimos para os depósitos realizados após o vencimento da contribuição (imputação da fl. 190papel). E quanto a base de cálculo fundamentouse nos elementos disponibilizados pela interessada (receita total mês a mês e estoque do semestre ou do ano, no qual se encontravam segregados quantitativos de associados e não associados). Ou melhor, o levantamento dos valores tributáveis encontra respaldo nos documentos da própria cooperativa, levantados através de intimações dos fiscais autuantes e cujas cópias foram juntadas aos autos. Inclusive, sobre a sazonalidade alegada pela Recorrente, a mesma teria que ter sido demonstrada por ela quando da elaboração dos seus demonstrativos mensais. Em relação aos valores cotejados (recálculo), bem como pleito de compensação; importante transcrever trechos da decisão a quo, que explicam bem a situação, na qual concordo pelos motivos expostos, abaixo: Na apuração do indébito de Finsocial, acima referido, foram cotejados os períodos em que foram apurados pagamentos a maior com aqueles em que os pagamentos foram insuficientes. Os meses de pagamentos a maior foram 02/89 e 07/90 / até 11/90, e os de insuficiência dc recolhimento o de 01/89 e 03/89 até 06/90. Após a devida ciência da diligência efetuada, na manifestação entregue em 28/05/2010 (fls. 937 a 939), a empresa argumenta que, quando de sua realização, em janeiro de 1999, não poderiam ser considerados insuficientes os recolhimentos e descontados valores até junho de 1990, já homologados, inclusive em auditoria feita pela unidade (CAD ~ cobrança administrativa domiciliar). Indica inclusive já ter sido essa “decadência” reconhecida em embargos à execução, transcrevendo trecho da decisão (processo judicial n° 2004.71.10.0030541). Registrese que, apesar do argumento agora apresentado, foi a empresa que solicitou, em sua primeira manifestação, a consideração em compensação dos pagamentos a maior que teria realizado desde setembro de 1989. Neste aspecto, deve ser dado provimento ao pleito da empresa, embora não exatamente pelos mesmos fundamentos. Com relação à manifestação do judiciário, citada pela interessada, é de se mencionar que não produz efeitos no presente processo, até porque a execução fiscal foi cancelada a partir da determinação judicial para seguimento do recurso voluntário, reformando a decisão administrativa que havia negado seguimento ao mesmo (ver documentos anexados às fls. 941 a 947). Extinto o débito na via administrativa, há perda de Fl. 1102DF CARF MF Processo nº 11040.001111/9365 Acórdão n.º 3201002.612 S3C2T1 Fl. 1.098 11 interesse processual, tendo sido extinto o processo judicial sem resolução do mérito. 'l`al determinação, inclusive, é objeto de contestação por parte da empresa, que solicita a apreciação do mérito. Dessa forma, a matéria (“decadência” para descontar débitos na apuração de crédito da empresa) restou não apreciada pelo judiciário, não sendo a sua discussão exaurida naquela instância. Vejase que se trata de execução fiscal iniciada pela Fazenda Nacional, não havendo a propositura pelo contribuinte de ação judicial, o que implicaria a renúncia à instância administrativa. Repisese, ainda, que não se trata de lançamento de crédito tributário, mas sim de desconto na apuração de saldo credor do período. E por fim, quanto à questão da compensação autorizada inicialmente com crédito anterior e seus cálculos empresa solicita a compensação de seus créditos com fundamento no art. 66 da Lei 8.383/91. Com efeito, na época, era possível a chamada “autocompensação” ...... A empresa poderia, portanto, ter efetuado compensação de crédito de Finsocial com débito de Finsocial em sua contabilidade. Não é o caso, sendo que nada foi alegado neste sentido e é contestada a forma de apuração dos débitos. Na autocompensação, o crédito é sempre anterior ao débito. Tambem não é o caso do presente processo, de acordo com 0 apurado em diligência pela DRF/PEL, os débitos eram, via de regra, anteriores aos créditos. Desse modo, não há fundamento legal a sustentar a compensação inicialmente pleiteada. Não seria possível, nem mesmo, estabelecer o marco inicial do procedimento a ser adotado. Neste processo, a empresa solicita inicialmente a consideração do período a partir de setembro de 1989, enquanto a DRF calculou a partir de janeiro do mesmo ano. Já para 0 período objeto da auditoria efetuada (06/90 a 03/92), poderia ser efetuada de ofício a compensação, evitando a constituição de crédito tributário quando existente indébito referente a outro período em análise, para o qual também a empresa havia perdido a espontaneidade. Dessa forma; deve ser feito o ajuste, compensando os pagamentos indevidos com os valores apurados. Procedeuse novo cálculo com base no já apurado nos autos, em especial na planilha da fl. 292 e no resultado da diligência de fls. 294 a 296. Os créditos decorrentes dos pagamentos a maior de Finsocial com a alíquota limitada a 0,5%, referentes aos períodos julho,a novembro de 1999 (inicialmente lançados) serviram para quitar os valores devidos em dezembro de 1990 e janeiro de 1991,e quitar parcialmente o valor de fevereiro de 1991, de acordo com o demonstrativo anexo a este Acórdão e que dele é parte integrante. Os valores mantidos, do lançamento constam no demonstrativo;(Listagem de Débitos/Saldos Remanescentes), a serem acrescidos da multa de ofício de 50% nos períodos de fevereiro a maio de 1991 e 75% de junho de 1991 em diante (valores em moeda da época, Fl. 1103DF CARF MF 12 de acordo com o constante nos sistemas de controle, facilitando o cumprimento deste Acórdão Em sendo assim, não há que se reformar a decisão de piso, baseada, inclusive em informação fiscal, através de diligência citada, portanto, mantémse a decisão da DRJ/POA. Considerando, ainda, que Recorrente não trouxe aos autos nenhuma razão de fato ou de direito relevante capaz de desencadear modificação no julgamento recorrido, voto no sentido de negar provimento ao recurso. Ante o exposto, nego provimento ao recurso voluntário, prejudicados os demais argumentos. É como voto. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 1104DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.000498/2003-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Mar 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1998
RECURSO VOLUNTÁRIO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO CONHECIMENTO.
A matéria não contestada na impugnação é insuscetível de conhecimento em grau recursal.
DIREITO AO SIGILO BANCÁRIO. LEI COMPLEMENTAR 105/2001. REQUISITOS OBJETIVOS. TRANSLADO DO DEVER DE SIGILO DA ESFERA BANCÁRIA PARA A FISCAL. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. REPERCUSSÃO GERAL. RICARF. DEVER DE REPRODUÇÃO.
1. O Supremo Tribunal Federal, em recurso extraordinário com repercussão geral, decidiu que o art. 6º da Lei Complementar 105/01 estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal, não sendo inconstitucional.
2. O § 2º do art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF determina que as decisões de mérito proferidas pelo Supremo, com repercussão geral, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos.
IMPOSTO DE RENDA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. ÔNUS PROBATÓRIO DO SUJEITO PASSIVO.
1. O art. 42 da Lei 9.430/1996 cria um ônus em face do contribuinte, ônus este consistente em demonstrar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira. Por outro lado, o consequente normativo resultante do descumprimento desse dever é a presunção de que tais recursos não foram oferecidos à tributação, tratando-se, pois, de receita ou rendimento omitido.
2. Tal disposição legal é de cunho eminentemente probatório e afasta a possibilidade de se acatar afirmações genéricas e imprecisas. A comprovação da origem, portanto, deve ser feita de forma minimamente individualizada, a fim de permitir a mensuração e a análise da coincidência entre as origens e os valores creditados em conta bancária.
JUROS MORATÓRIOS. TERMO INICIAL.
Os juros de mora são calculados a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-005.642
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso, para, na parte conhecida, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente
(assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Tulio Teotonio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS Recorrente LAERTE DE GOMES TALARICO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1998 RECURSO VOLUNTÁRIO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO CONHECIMENTO. A matéria não contestada na impugnação é insuscetível de conhecimento em grau recursal. DIREITO AO SIGILO BANCÁRIO. LEI COMPLEMENTAR 105/2001. REQUISITOS OBJETIVOS. TRANSLADO DO DEVER DE SIGILO DA ESFERA BANCÁRIA PARA A FISCAL. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. REPERCUSSÃO GERAL. RICARF. DEVER DE REPRODUÇÃO. 1. O Supremo Tribunal Federal, em recurso extraordinário com repercussão geral, decidiu que o art. 6º da Lei Complementar 105/01 estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal, não sendo inconstitucional. 2. O § 2º do art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF determina que as decisões de mérito proferidas pelo Supremo, com repercussão geral, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos. IMPOSTO DE RENDA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. ÔNUS PROBATÓRIO DO SUJEITO PASSIVO. 1. O art. 42 da Lei 9.430/1996 cria um ônus em face do contribuinte, ônus este consistente em demonstrar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira. Por outro lado, o consequente normativo resultante do descumprimento desse dever é a presunção de que tais recursos não foram oferecidos à tributação, tratandose, pois, de receita ou rendimento omitido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 04 98 /2 00 3- 90 Fl. 173DF CARF MF 2 2. Tal disposição legal é de cunho eminentemente probatório e afasta a possibilidade de se acatar afirmações genéricas e imprecisas. A comprovação da origem, portanto, deve ser feita de forma minimamente individualizada, a fim de permitir a mensuração e a análise da coincidência entre as origens e os valores creditados em conta bancária. JUROS MORATÓRIOS. TERMO INICIAL. Os juros de mora são calculados a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso, para, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Tulio Teotonio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 174DF CARF MF Processo nº 19515.000498/200390 Acórdão n.º 2402005.642 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Inicialmente, adotase parte do relatório da decisão recorrida, o qual bem retrata os fatos e os fundamentos do lançamento, da impugnação e dos incidentes ocorridos até então: Contra o Sujeito Passivo acima identificado foi lavrado Auto de Infração do Imposto de Renda Pessoa Física IRPF (fls. 123/126), para formalização e cobrança do crédito tributário nele estipulado, no valor total de R$ 52.956,43, inclusive encargos legais. A infração teve por suporte fático a omissão de rendimentos, no anocalendário de 1998, caracterizada por valores creditados em contas de depósitos e de investimentos mantidas em instituições financeiras, em relação as quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme "Termo de Verificação Fiscal" anexo ao Auto de Infração às fls. 121/122. Inconformado com a exigência da qual tomou ciência em 14/03/2003, via postal (Aviso de Recebimento — AR, fl. 128), o contribuinte apresentou impugnação em 09/04/2003 (fls. 130/131), fundamentando sua defesa nos argumentos abaixo elencados: aduz que os juros de mora são devidos a partir do momento em que o pagamento do débito pode ser exigido e, no caso vertente, o imposto de renda referese à declaração de ajuste anual de 1999, ano base de 1998, e teria que ser pago a partir de maio de 1999, data a partir da qual começaria a incidir os juros de mora; de maio de 1999, época do vencimento da divida, até fevereiro de 2003, data do lançamento, o lapso temporal chegou a 46 meses que, com a taxa de 1% ao mês, alcança a taxa acumulada de 46%; entretanto a repartição fiscal aplicou a taxa acumulada de 64,68%, sendo, por isso, inaceitável; requer a exclusão da multa de ofício de 75% que foi aplicada, com base na eqüidade e no poder discricionário da administração, bem como os antecedentes do contribuinte, que sempre se pautou adequadamente para com o Fisco e que o incidente de 1998 foi involuntário. Diante do exposto, requer o contribuinte que seja efetuado novo cálculo, reduzindo os juros de mora e excluindo a multa de ofício e que seja determinado o parcelamento do novo valor, com o maior número de parcelas, de acordo com as normas vigentes à época do futuro lançamento, como de direito e eqüidade. Fl. 175DF CARF MF 4 Em sessão realizada em 12 de abril de 2007, a DRJ julgou a impugnação improcedente, conforme decisão assim ementada: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 1998 Omissão de Rendimentos. Depósitos Bancários. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 10 de janeiro de 1997, o artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários cuja origem dos recursos não for comprovada pelo titular, mormente se a movimentação financeira for incompatível com os rendimentos declarados. Juros de Mora. Taxa Selic. Os juros de mora são calculados pela taxa Selic a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. Multa de Oficio. Aplicase no lançamento de ofício a multa de 75% (setenta e cinco por cento) incidente sobre o tributo apurado, nos termos do art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430/96. Lançamento Procedente O recorrente foi intimado da decisão em 16/11/2007 (fl. 150) e interpôs recurso voluntário em 17/12/2007 (fls. 158 e seguintes), no qual suscitou as seguintes teses de defesa: (a) Da incorreção dos juros e da multa aplicados; (b) Da proteção constitucional ao sigilo bancário. Sem contrarrazões. É o relatório. Fl. 176DF CARF MF Processo nº 19515.000498/200390 Acórdão n.º 2402005.642 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator 1 Conhecimento Farseá a apreciação do recurso voluntário, visto que interposto no prazo legal, o que não significa que será totalmente conhecido. 2 Da proteção constitucional ao sigilo bancário Em extenso arrazoado, o recorrente pede o cancelamento do débito fiscal, em função da ilegalidade da quebra de seu sigilo bancário. Equivocouse o contribuinte. O § 2º do art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF determina que as decisões de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal STF e pelo Superior Tribunal de Justiça STJ na sistemática dos arts. 543B e 543C do CPC deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos. Até pelo uso do verbo (deverão), vêse que se trata de norma cogente, de aplicação obrigatória por parte deste Conselho. A matéria recursal, reiteradamente debatida no Judiciário e neste Conselho, foi solucionada definitivamente pelo STF por ocasião do julgamento do RE 601.314, com repercussão geral, Rel. Min. Edson Fachin, tema 225, redigido nos seguintes termos: Tema 225 a) Fornecimento de informações sobre movimentações financeiras ao Fisco sem autorização judicial, nos termos do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001; b) Aplicação retroativa da Lei nº 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. Como se vê, o citado tema trata exatamente da matéria suscitada pelo recorrente. Naquele recurso extraordinário, a Suprema Corte decidiu que "o art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal". Segue a ementa do julgado: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO AO SIGILO BANCÁRIO. DEVER DE PAGAR IMPOSTOS. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÃO DA RECEITA FEDERAL ÀS INSTITUIÇÕES Fl. 177DF CARF MF 6 FINANCEIRAS. ART. 6º DA LEI COMPLEMENTAR 105/01. MECANISMOS FISCALIZATÓRIOS. APURAÇÃO DE CRÉDITOS RELATIVOS A TRIBUTOS DISTINTOS DA CPMF. PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE DA NORMA TRIBUTÁRIA. LEI 10.174/01. 1. O litígio constitucional posto se traduz em um confronto entre o direito ao sigilo bancário e o dever de pagar tributos, ambos referidos a um mesmo cidadão e de caráter constituinte no que se refere à comunidade política, à luz da finalidade precípua da tributação de realizar a igualdade em seu duplo compromisso, a autonomia individual e o autogoverno coletivo. 2. Do ponto de vista da autonomia individual, o sigilo bancário é uma das expressões do direito de personalidade que se traduz em ter suas atividades e informações bancárias livres de ingerências ou ofensas, qualificadas como arbitrárias ou ilegais, de quem quer que seja, inclusive do Estado ou da própria instituição financeira. 3. Entendese que a igualdade é satisfeita no plano do autogoverno coletivo por meio do pagamento de tributos, na medida da capacidade contributiva do contribuinte, por sua vez vinculado a um Estado soberano comprometido com a satisfação das necessidades coletivas de seu Povo. 4. Verificase que o Poder Legislativo não desbordou dos parâmetros constitucionais, ao exercer sua relativa liberdade de conformação da ordem jurídica, na medida em que estabeleceu requisitos objetivos para a requisição de informação pela Administração Tributária às instituições financeiras, assim como manteve o sigilo dos dados a respeito das transações financeiras do contribuinte, observandose um translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal. 5. A alteração na ordem jurídica promovida pela Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, uma vez que aquela se encerra na atribuição de competência administrativa à Secretaria da Receita Federal, o que evidencia o caráter instrumental da norma em questão. Aplicase, portanto, o artigo 144, §1º, do Código Tributário Nacional. 6. Fixação de tese em relação ao item “a” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”. 7. Fixação de tese em relação ao item “b” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN”. 8. Recurso extraordinário a que se nega provimento.(RE 601314, Relator(a): Min. EDSON FACHIN, Tribunal Pleno, julgado em 24/02/2016, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe198 DIVULG 15 092016 PUBLIC 16092016) Eis, ainda, o conteúdo da decisão prolatada: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto do Relator, apreciando o tema 225 da repercussão geral, conheceu do recurso e a este negou provimento, vencidos os Ministros Marco Aurélio e Celso de Mello. Por maioria, o Tribunal fixou, quanto ao item “a” do tema em questão, a seguinte tese: “O art. 6º da Fl. 178DF CARF MF Processo nº 19515.000498/200390 Acórdão n.º 2402005.642 S2C4T2 Fl. 5 7 Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”; e, quanto ao item “b”, a tese: “A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN”, vencidos os Ministros Marco Aurélio e Celso de Mello. Ausente, justificadamente, a Ministra Cármen Lúcia. Presidiu o julgamento o Ministro Ricardo Lewandowski. Plenário, 24.02.2016. A análise do tema, da ementa e do acórdão do recurso extraordinário demonstram que o caso julgado sob o regime da repercussão geral é idêntico ao dos autos. Em sendo assim, deve ser aplicado o art. 62, § 2o, do RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 343/2015, segundo o qual as decisões definitivas de mérito do STF e do STJ, na sistemática dos artigos 543B e 543C do CPC, devem ser reproduzidas pelas suas Turmas. Expressandose de outra forma, negase provimento ao recurso voluntário nesse particular. No mais, o art. 42 da Lei 9.430/1996 cria um ônus em face do contribuinte, ônus este consistente em demonstrar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira. Por outro lado, o consequente normativo resultante do descumprimento desse dever é a presunção de que tais recursos não foram oferecidos à tributação, tratandose, pois, de receitas ou rendimentos omitidos. Tal disposição legal é de cunho eminentemente probatório e afasta a possibilidade de se acatar afirmações genéricas e imprecisas. A comprovação da origem, portanto, deve ser feita de forma minimamente individualizada, a fim de permitir a mensuração e a análise da coincidência entre as origens e os valores creditados em conta bancária. O § 3º do citado artigo, ao prever que os créditos serão analisados individualizadamente, corrobora a afirmação acima e não estabelece, para o Fisco, a necessidade de comprovar o acréscimo de riqueza nova por parte do fiscalizado. A título ilustrativo, segue o texto da regra: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. Fl. 179DF CARF MF 8 §2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). (Vide Lei nº 9.481, de 19971) §4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) O art. 4º da Lei 9.481/1997 alterou os valores a que se refere o inc. II do § 3º acima para R$ 12.000,00 e R$ 80.000,00, respectivamente. Na mesma toada, a Súmula CARF nº 612. A não comprovação da origem dos recursos viabiliza a aplicação da norma presuntiva, caracterizandoos como receitas ou rendimentos omitidos. Destarte, e de acordo com a regra legal, não é que os depósitos bancários, por si só, caracterizam disponibilidade de rendimentos, mas sim os depósitos cujas origens não foram comprovadas em processo regular de fiscalização. 1 Art. 4º Os valores a que se refere o inciso II do § 3º do art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passam a ser de R$ 12.000,00 (doze mil reais) e R$ 80.000,00 (oitenta mil reais), respectivamente. 2 Súmula CARF nº 61: Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no anocalendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física. Fl. 180DF CARF MF Processo nº 19515.000498/200390 Acórdão n.º 2402005.642 S2C4T2 Fl. 6 9 Expressandose de outra forma, o sujeito passivo pode comprovar, exemplificativamente, que o recurso é atinente a uma doação ou a um empréstimo, ou mesmo que são aplicáveis as hipóteses dos incs. I e II do § 3º retro mencionado. Não o fazendo, aplicase o consequentemente normativo da presunção, com a consequente constituição do crédito tributário dela decorrente. Mutatis mutandis, o verbete sumular CARF nº 26 preceitua o seguinte: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. O Superior Tribunal de Justiça reconhece a legalidade do imposto cobrado com base no art. 42, como se vê no precedente abaixo: TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. ALEGAÇÕES GENÉRICAS DE OFENSA AO ART. 535 DO CPC. SÚMULA 284/STF. IMPOSTO DE RENDA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ART. 42 DA LEI 9.430/1996. LEGALIDADE. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. INCIDÊNCIA DO ART. 173, I, DO CTN. [...] 4. A jurisprudência do STJ reconhece a legalidade do lançamento do imposto de renda com base no art. 42 da Lei 9.430/1996, tendo assentado que cabe ao contribuinte o ônus de comprovar a origem dos recursos a fim de ilidir a presunção de que se trata de renda omitida (AgRg no REsp 1.467.230/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 28.10.2014; AgRg no AREsp 81.279/MG, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 21.3.2012). [...] (AgRg no AREsp 664.675/RN, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 05/05/2015, DJe 21/05/2015) Mais ainda, aquele Tribunal Superior vem consignando a inaplicabilidade da Súmula 182/TRF, que preconizava a ilegitimidade do imposto lançado com base em extratos bancários (EDcl no AgRg no REsp 1343926/PR, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 04/12/2012, DJe 13/12/2012 e REsp 792.812/RJ, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 13/03/2007, DJ 02/04/2007, p. 242). 3 Dos juros e da multa 3.1 DOS JUROS O recorrente se insurge contra o cálculo dos juros. Fl. 181DF CARF MF 10 No seu entender, eles devem ser computados a partir do mês de maio de 1999, e não de 1998. Todavia, e segundo se depreende do DEMONSTRATIVO DE MULTA E JUROS DE MORA de fl. 129, a fiscalização partiu do pressuposto de que o IRPF venceu em 30/04/1999, e não 1998, como equivocadamente sugerido pelo recorrente. Isto é, ainda que a DRJ, por eventual erro material, tenha consignado 30/04/1998, fato é que a autoridade lançadora considerou a data correta. A autoridade ainda citou o § 3º do art. 61 da Lei 9.430/1996, que prelciona que os juros de mora são calculados “a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo”, de forma que, iniludivelmente, não há qualquer desacerto no cálculo dos juros moratórios. Logo, negase provimento ao recurso nesse particular. Ainda quanto aos juros, o sujeito passivo argumenta que, no período de suspensão da exigibilidade do crédito tributário, não há mora, defendendo, assim, a inexigibilidade da referida rubrica. Todavia, essa tese não foi ventilada na impugnação, sendo insuscetível, pois, de conhecimento em grau recursal. A impugnação da exigência, a qual deve ser formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, instaura a fase litigiosa do procedimento, considerandose não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo sujeito passivo. Somente a impugnação regular é capaz de atrair o poderdever do Estado de fazer a prestação jurisdicional, dirimindo a controvérsia iniciada com o lançamento fiscal mas efetivamente instaurada com a sua (da impugnação) apresentação. Vejase, nesse sentido, os seguintes dispositivos constantes do Decreto 70.235/1972: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. ......................................................................................................... Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. ......................................................................................................... Art. 16. A impugnação mencionará: [...] ......................................................................................................... Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Fl. 182DF CARF MF Processo nº 19515.000498/200390 Acórdão n.º 2402005.642 S2C4T2 Fl. 7 11 ......................................................................................................... Em função da falta de impugnação, a DRJ não julgou a matéria ora suscitada, de forma que o seu conhecimento aviltaria o princípio constitucional do duplo grau de jurisdição. Destarte, não se conhece da tese segundo a qual, no período de suspensão da exigibilidade do crédito tributário, não há mora, sendo inexigíveis os juros. 3.2 DA MULTA O recorrente assevera que a multa de ofício deve ser reduzida, diante dos princípios da razoabilidade, da proporcionalidade e do não confisco. Tal tese também não foi objeto da impugnação, sendo inteiramente aplicáveis as conclusões do tópico anterior. Com efeito, a impugnação se limitou a afirmar que a fiscalização teria o poder discricionário para reduzir o valor da sanção imposta, em função do princípio da equidade. Logo, não se conhece do recurso quantos aos fundamentos da razoabilidade, da proporcionalidade e do não confisco. 4 Conclusão Diante do exposto, votase no sentido de CONHECER PARCIALMENTE do recurso voluntário, para, na parte conhecida, NEGARLHE PROVIMENTO, nos termos da fundamentação. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 183DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11444.000945/2007-11
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2007 a 31/12/2007
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9202-004.895
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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BOTTI EPP ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2007 a 31/12/2007 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 44 4. 00 09 45 /2 00 7- 11 Fl. 367DF CARF MF Processo nº 11444.000945/200711 Acórdão n.º 9202004.895 CSRFT2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10380.005876/200753. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.792, de 12/12/2016, proferido no julgamento do processo 10380.005876/200753, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.792): O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Fl. 368DF CARF MF Processo nº 11444.000945/200711 Acórdão n.º 9202004.895 CSRFT2 Fl. 0 3 Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 369DF CARF MF Processo nº 11444.000945/200711 Acórdão n.º 9202004.895 CSRFT2 Fl. 0 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Fl. 370DF CARF MF Processo nº 11444.000945/200711 Acórdão n.º 9202004.895 CSRFT2 Fl. 0 5 Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Fl. 371DF CARF MF Processo nº 11444.000945/200711 Acórdão n.º 9202004.895 CSRFT2 Fl. 0 6 § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há Fl. 372DF CARF MF Processo nº 11444.000945/200711 Acórdão n.º 9202004.895 CSRFT2 Fl. 0 7 que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 373DF CARF MF Processo nº 11444.000945/200711 Acórdão n.º 9202004.895 CSRFT2 Fl. 0 8 Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 374DF CARF MF Processo nº 11444.000945/200711 Acórdão n.º 9202004.895 CSRFT2 Fl. 0 9 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 375DF CARF MF Processo nº 11444.000945/200711 Acórdão n.º 9202004.895 CSRFT2 Fl. 0 10 Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Em face do acima exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 376DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.900773/2009-61
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Feb 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2005
PREÇO PREDETERMINADO. REAJUSTE CONTRATUAL.
Constatado que a evolução acumulada do preço da energia elétrica se deu em proporção inferior à variação ponderada de seus insumos, não é descaracterizado o preço predeterminado, com a incidência cumulativa das contribuições de PIS e COFINS.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-004.450
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Erika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que não conheceram do recurso. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Andrada Marcio Canuto Natal, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello. Solicitou apresentar declaração de voto a Conselheira Vanessa Marini Cecconello.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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PREÇO PREDETERMINADO. CORREÇÃO PELO IGPM. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CGTF CENTRAL GERADORA TERMELETRICA FORTALEZA S.A. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2005 PREÇO PREDETERMINADO. REAJUSTE CONTRATUAL. Constatado que a evolução acumulada do preço da energia elétrica se deu em proporção inferior à variação ponderada de seus insumos, não é descaracterizado o preço predeterminado, com a incidência cumulativa das contribuições de PIS e COFINS. Recurso Especial do Procurador Negado. Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Erika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que não conheceram do recurso. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em negarlhe provimento. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Andrada Marcio Canuto Natal, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello. Solicitou apresentar declaração de voto a Conselheira Vanessa Marini Cecconello. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 90 07 73 /2 00 9- 61 Fl. 626DF CARF MF Processo nº 10380.900773/200961 Acórdão n.º 9303004.450 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência, tempestivo, de acordo com o disposto no art. 7º, §§ 3º e 5º, da Portaria MF n.º 527, de 2010, interposto pela Fazenda Nacional ao amparo do art. 67, Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF n.º 256, de 22 de junho de 2009, em face do Acórdão n.º 3101001.729, que possui a seguinte ementa, transcrita na parte de interesse: PREÇO PREDETERMINADO. REAJUSTE CONTRATUAL. Constatado que a evolução acumulada do preço da energia elétrica se deu em proporção inferior à variação ponderada de seus insumos, não é descaracterizado o preço predeterminado, com a incidência cumulativa das contribuições de PIS e COFINS. Recurso Voluntário Provido em Parte A divergência foi suscitada pela Fazenda Nacional em razão do entendimento de que a previsão de cláusula de reajuste com base no IGPM não desnaturaria o requisito de “preço predeterminado” estatuído no art. 10, XI, “b” da Lei n.º 10.833/2003, condição necessária para manutenção da contribuinte no regime cumulativo do PIS/COFINS. Para comprovar o dissenso foram colacionados, como paradigmas, os Acórdãos nºs 210200.001 e 20219.497. O Contribuinte apresentou contrarrazões postulando, preliminarmente, o não conhecimento do Recurso Especial e, caso seja conhecido, seu nãoprovimento, mantendo a decisão recorrida nos termos em que proferida. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303004.432, de 07/12/2016, proferido no julgamento do processo 10380.900758/200912, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão, quanto à admissibilidade do recurso e quanto ao mérito (Acórdão 9303004.432): Da Admissibilidade "Entendemos que o recurso especial deve ser conhecido. Fl. 627DF CARF MF Processo nº 10380.900773/200961 Acórdão n.º 9303004.450 CSRFT3 Fl. 4 3 É que, como restou comprovado no exame de sua admissibilidade, enquanto, no acórdão recorrido, entendeuse que o índice aplicado no contrato celebrado pela contribuinte – o mesmo de que se tratou no primeiro acórdão paradigma – não o desqualificava como predeterminado, neste último chegouse a uma conclusão diversa, ou seja, a de que a aplicação do mesmo índice desnaturou tal condição. Assim sendo, e sem necessidade de maiores digressões, entendemos que o recurso especial interposto pela Procuradoria deve ser conhecido." Do Mérito "A questão posta nos autos cingese a esclarecer se a receita advinda do contrato firmado, por ser anterior a 31 de outubro de 2003, estaria alcançado pelo comando dos artigos 10 e 15 da Lei nº n.º 10.833/03, em razão da Instrução Normativa n.º 468/04, aplicandose, portanto, a sistemática da nãocumulatividade. Por unanimidade de votos, a decisão recorrida reconheceu o direito do Contribuinte de compensar com débitos próprios os créditos de que é titular, decorrentes de pagamentos efetuados a maior realizados a título de COFINS nãocumulativa, sobre as receitas de vendas de energia elétrica, quando esse tributo deveria ter sido calculado no regime cumulativo, de acordo com a a alínea "b" do inciso XI do artigo 10 e no artigo 15 da Lei n.° 10.833/03, do § 3 do artigo 3 da IN SRF n.° 658/06 e do item 3.1 da IN SRF n.° 21/79, por resultarem de contrato firmado antes de 31.10.2003 a preço predeterminado, com prazo de vigência superior a 1 (um) ano (CONTRATO), celebrado com a Companhia Energética do Ceará ("COELCE"). Para melhor elucidar a questão, transcrevo a seguir os dispositivos que serão tratados na presente decisão, iniciando com a art. 10, inciso XI, alínea “b”, da Lei n.º10.833/03, in verbis: "Lei 10.833/03 (...) Art. 10. Permanecem sujeitas às Normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 8º: (...) XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: (...) b) com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços;" Fl. 628DF CARF MF Processo nº 10380.900773/200961 Acórdão n.º 9303004.450 CSRFT3 Fl. 5 4 E artigos 1º e 2º da IN SRF n.º 468/04, trazem a seguinte redação: "Art. 1º Permanecem tributadas no regime da cumulatividade, ainda que a pessoa jurídica esteja sujeita à incidência nãocumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, as receitas por ela auferidas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: (...) II com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços “Art. 2º Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. § 1º Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. § 2º Se estipulada no contrato cláusula de aplicação de reajuste, periódico ou não, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação da primeira alteração de preços verificada após a data mencionada no art. 1º. (...)." Verificase que a Instrução Normativa da Receita Federal determina a alteração do regime tributário com a existência de cláusula de reajuste, ou seja, altera a situação da pessoa jurídica do regime tributário da cumulatividade para o não cumulativo. Acredito, que referida instrução normativa ultrapassou o poder regulamentar. Isto porque, ao definir a cláusula de reajuste como marco temporal para modificação do caráter predeterminado do preço, acabou por conferir, de forma reflexa, aumento das alíquotas do PIS (de 0,65% para 1,65%) e da COFINS (de 3% para 7,6%). Cumpre asseverar que o entendimento jurisprudencial só admite alteração, aumento ou fixação de alíquota tributária por meio de lei, sendo inviável a utilização de ato infralegal para este fim, sob pena de violação ao princípio da legalidade tributária, senão vejamos: "PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO AO ART. 535 DO CPC. INOCORRÊNCIA. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 211/STJ. FUSEX. NATUREZA TRIBUTÁRIA. FIXAÇÃO DA ALÍQUOTA POR PORTARIA. IMPOSSIBILIDADE. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PRESCRIÇÃO QUINQUENAL. 1. É entendimento sedimentado o de não haver omissão no acórdão que, com fundamentação suficiente, ainda que não exatamente a invocada pelas partes, decide de modo integral a controvérsia posta. 2. 'Inadmissível recurso especial quanto à questão que, a despeito da oposição de embargos declaratórios, não Fl. 629DF CARF MF Processo nº 10380.900773/200961 Acórdão n.º 9303004.450 CSRFT3 Fl. 6 5 foi apreciada pelo tribunal a quo' (Súmula 211/STJ). 3. 'O Fundo de Saúde do Ministério do Exército (FUSEX) é custeado pelos próprios militares que gozam, juntamente com seus dependentes, de assistência médicohospitalar. A contribuição de custeio, tendo em vista seu caráter compulsório, tem natureza jurídica tributária, sujeitandose ao princípio da legalidade. Precedente: REsp 789260/PR, Ministro Francisco Falcão, Primeira Turma, DJ 19.06.2006' (REsp 761.421/PR, 1ª Turma, Min. Luiz Fux, DJ de 01.03.2007). 4. '(...) por se tratar de lançamento de ofício, o prazo prescricional a ser aplicado às ações de repetição de indébito de contribuições ao FUSEX é o qüinqüenal, nos termos do art. 168, I, do CTN' (REsp 1.068.895/RS, 1ª Turma, Min. Francisco Falcão, DJe de 20/10/2008) 5. Recurso especial parcialmente provido. (REsp 857.464/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 17.2.2009, DJe 2.3.2009.) Diante, disto, o STJ e o TRF tem posicionado no sentido de declarar a ilegalidade do art. 2º, §2º, da Instrução Normativa SRF n.º 468/04 (redação repetida pelo art. 3º, §2º, da Instrução Normativa SRF n.º 658/06). "TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. REGRA DE TRANSIÇÃO. ART. 10, XI, "B", DA LEI N. 10.833/03. REGULAMENTAÇÃO. SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL. ART. 92 DA LEI N. 10.833/03. CONCEITO DE "PREÇO PREDETERMINADO". ART. 2º, § 2º, DA IN/SRF N. 468/2004 E ART. 3º, §2º, DA IN/SRF N. 658/2006. ILEGALIDADE. RECURSO ESPECIAL NÃO PROVIDO (ART. 932, IV, CPC/2015 C/C ART. 255, § 4º, II, RISTJ). Processo REsp 1476922 Relator(a) Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES Data da Publicação DJe 29/06/2016." "TRIBUTÁRIO. COFINS. REGIME DE CONTRIBUIÇÃO. LEI N. 10.833/03. INSTRUÇÃO NORMATIVA N. 468/2004. VIOLAÇÃO DO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. 1. Cuidase de recurso especial interposto pelo contribuinte, questionando o poder regulamentar da Secretaria da Receita Federal, na edição da Instrução Normativa n. 468/04, que regulamentou o art. 10 da Lei n. 10.833/03. 2. O art. 10, inciso XI, da Lei n. 10.833/03 determina que os contratos de prestação de serviço firmados a preço determinado antes de 31.10.2003, e com prazo superior a 1 (um) ano, permanecem sujeitos ao regime tributário da cumulatividade para a incidência da COFINS. (Grifo meu.) 3. A Secretaria da Receita Federal, por meio da Instrução Normativa n. 468/04, ao definir o que é "preço predeterminado", estabeleceu que "o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação da primeira alteração de preços " e, assim, acabou por conferir, de forma reflexa, aumento das alíquotas do PIS (de 0,65% para 1,65%) e da COFINS (de 3% para 7,6%). 4. Somente é possível a alteração, aumento ou fixação de alíquota tributária por meio de lei, sendo inviável a utilização de ato infralegal para este fim, sob pena de violação do princípio da legalidade tributária. 5. No mesmo sentido do voto que eu proferi, o Ministério Público Federal entendeu que houve ilegalidade na regulamentação da lei pela Secretaria da Receita Federal, pois "a Fl. 630DF CARF MF Processo nº 10380.900773/200961 Acórdão n.º 9303004.450 CSRFT3 Fl. 7 6 simples aplicação da cláusula de reajuste prevista em contrato firmado anteriormente a 31.10.2003 não configura, por si só, causa de indeterminação de preço, uma vez que não muda a natureza do valor inicialmente fixado, mas tão somente repõe, com fim na preservação do equilíbrio econômicofinanceiro entre as partes, a desvalorização da moeda frente à inflação ." (Fls. 335, grifo meu.) Mantenho o voto apresentado, no sentido de dar provimento ao recurso especial (REsp. n. 1.089.998 RJ, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 18.10.2011). " "TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. VIOLAÇÃO DO ART. 557 DO CPC. INEXISTÊNCIA. ALEGAÇÃO GENÉRICA. SÚMULA 284/STF. COFINS. REGIME DE CONTRIBUIÇÃO. LEI N. 10.833/03. INSTRUÇÃO NORMATIVA 468/2004. VIOLAÇÃO DO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. 1. A eventual nulidade da decisão monocrática calcada no art. 557 do CPC fica superada com a reapreciação do recurso pelo órgão colegiado, na via de agravo regimental, como bem analisado no REsp 824.406/RS de Relatoria do Min. Teori Albino Zavascki, em 18.5.2006. 2. A Secretaria da Receita Federal, por meio da Instrução Normativa 468/04, ao definir o que é "preço predeterminado", estabeleceu que "o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação da primeira alteração de preços" e, assim, acabou por conferir, de forma reflexa, aumento das alíquotas do PIS (de 0,65% para 1,65%) e da COFINS (de 3% para 7,6%). 3. Somente é possível a alteração, aumento ou fixação de alíquota tributária por meio de lei, sendo inviável a utilização de ato infralegal para este fim, sob pena de violação do princípio da legalidade tributária. Precedentes: REsp 1.089.998RJ, DJe 30/11/2011; REsp 1.109.034PR, DJe 6/5/2009; e REsp 872.169RS, DJe 13/5/2009. Agravo regimental improvido (AgRg no REsp. n. 1.310.284 PR, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 06.09.2012)." "PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. ART. 535, II, DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA 284/STF. INTIMAÇÃO PESSOAL DA FAZENDA. FUNDAMENTO CONSTITUCIONAL. MANDADO DE SEGURANÇA. NATUREZA PREVENTIVA. SÚMULA 7/STJ. ART. 10, XI, "B' DA LEI 10.833/03. CONCEITO DE PREÇO PREDETERMINADO. IN SRF 468/04. ILEGALIDADE. PRECEDENTE. ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. MULTA. AFASTAMENTO. SÚMULA 98/STJ. 1. O provimento do recurso especial por contrariedade ao art. 535, II, do CPC pressupõe seja demonstrado, fundamentadamente, entre outros, os seguintes motivos: (a) a questão supostamente omitida foi tratada na apelação, no agravo ou nas contrarrazões a estes recursos, ou, ainda, que se cuida de matéria de ordem pública a ser examinada de ofício, a qualquer tempo, pelas instâncias ordinárias; (b) houve interposição de aclaratórios para indicar à Corte local a necessidade de sanear a omissão; (c) a tese omitida é fundamental à conclusão do julgado e, se examinada, poderia levar à sua anulação ou reforma; e (d) não há outro fundamento autônomo, suficiente para Fl. 631DF CARF MF Processo nº 10380.900773/200961 Acórdão n.º 9303004.450 CSRFT3 Fl. 8 7 manter o acórdão. Esses requisitos são cumulativos e devem ser abordados de maneira fundamentada na petição recursal, sob pena de não se conhecer da alegativa por deficiência de fundamentação, dada a generalidade dos argumentos apresentados. Incidência da Súmula 284/STF. 2. Não cabe recurso especial quanto à controvérsia em torno da intimação pessoal da Fazenda, sob pena de usurparse competência reservada ao Supremo, nos termos do art. 102 da CF/88, já que o aresto recorrido decidiu com base em fundamentos essencialmente constitucionais. 3. Inadmissível recurso especial que demanda dilação probatória incompatível, nos termos da Súmula 7/STJ. No caso, a Corte de origem afirmou, expressamente, tratarse de impetração preventiva, o que afasta o prazo decadencial de 120 dias para a impetração, premissa que não pode ser revista neste âmbito recursal. 4. O preço predeterminado em contrato, previsto no art. 10, XI, "b", da Lei 10.833/03, não perde sua natureza simplesmente por conter cláusula de reajuste decorrente da correção monetária. Ilegalidade da IN n.º 468/04. Precedente. 5. A multa fixada com base no art. 538, parágrafo único, do CPC, deve ser afastada quando notório o propósito de prequestionamento dos embargos de declaração. Incidência da Súmula 98/STJ. 6. Recurso especial conhecido em parte e provido também em parte. Acórdão Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, conhecer em parte do recurso e, nessa parte, darlhe parcial provimento nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Humberto Martins, Herman Benjamin, Mauro Campbell Marques e Cesar Asfor Rocha votaram com o Sr. Ministro Relator.” Egrégio Superior Tribunal de Justiça no julgamento do REsp 1169088 MT 2009/02357184" Com efeito, inferese da leitura da legislação federal que não houve nenhuma previsão de alteração do regime de contribuição por aplicação de cláusula de reajuste nos contratos firmados, não podendo instrumento normativo hierarquicamente inferior determinar a alteração do regime tributário, em observância da princípio da legalidade. Ademais, as Instruções Normativas constituem espécies jurídicas de caráter secundário, cuja validade e eficácia resultam, imediatamente, de sua estrita observância dos limites impostos pelas leis. De conseqüência, à luz dos art. 97 e 99 do Código Tributário Nacional, Instruções Normativas não podem modificar Lei, inovar a ordem jurídica, mas apenas conferir executoriedade às leis, nos estritos limites estabelecidos por elas. Fl. 632DF CARF MF Processo nº 10380.900773/200961 Acórdão n.º 9303004.450 CSRFT3 Fl. 9 8 Não obstante à essa constatação, temse que, posteriormente à IN SRF n.º 468/04, especificamente em 22.11.05, foi publicada a Lei n.º 11.196/05 que trouxe o seguinte dispositivo (Grifos meus): “Art. 109. Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1o do art. 27 da Lei no 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase desde 1o de novembro de 2003.” Pela leitura desse dispositivo, confirmase que não havia nenhuma previsão legal, até o advento da Lei n.º 11.196/05, de alteração do regime de contribuição por aplicação de cláusula de reajuste nos contratos firmados. Vale ainda esclarecer que a introdução de cláusula de reajuste é admitida para assegurar às partes a manutenção do equilíbrio econômico e financeiro da avença. Deve haver uma permanente equivalência entre os encargos suportados pelo particular e a remuneração a ele paga pela Administração. E o artigo 40 da Lei n.º 8.666 de 21 de junho de 1993, que rege as licitações, estabelece a observância obrigatória de determinadas regras, das quais a cláusula de reajuste de preço deve constar não apenas do instrumento contratual, mas também do próprio ato convocatório do processo de licitação. A mesma lei, dispõe que a aplicação de reajuste apenas representa o repasse da correção monetária durante a vigência do contrato, e não o estabelecimento de um novo contrato. O reajuste não provoca alteração contratual, motivo pelo qual é registrado mediante simples apostila. "Art. 40. O edital conterá no preâmbulo o número de ordem em série anual, o nome da repartição interessada e de seu setor, a modalidade, o regime de execução e o tipo da licitação, a menção de que será regida por esta Lei, o local, o dia e a hora para recebimento da documentação e proposta, bem como para início da abertura dos envelopes, e indicará, obrigatoriamente, o seguinte: (...) XI – critério de reajuste, que deverá retratar a variação efetiva do custo de produção, admitida a adoção de índices específicos ou setoriais, desde a data prevista para apresentação da proposta, ou do orçamento a que essa proposta se referir, até a data do adimplemento de cada parcela; (...) Art. 55. São cláusulas necessárias em todo contrato as que estabeleçam: (...) Fl. 633DF CARF MF Processo nº 10380.900773/200961 Acórdão n.º 9303004.450 CSRFT3 Fl. 10 9 III o preço e as condições de pagamento, os critérios, database e periodicidade do reajustamento de preços, os critérios da atualização monetária entre a data do adimplemento das obrigações e a do efetivo pagamento;" "Art. 65. Os contratos regidos por esta Lei poderão ser alterados, com as devidas justificativas, nos seguintes casos: (...) § 8.º A variação do valor contratual para fazer face ao reajuste de preços previsto no próprio contrato , as atualizações, compensações ou penalizações financeiras decorrentes das condições de pagamento nele previstas, bem como o empenho de dotações orçamentárias suplementares até o limite do seu valor corrigido, não caracterizam alteração do mesmo , podendo ser registrados por simples apostila, dispensando a celebração de aditamento." (grifouse.) Dessa forma, o reajuste, resultante da simples aplicação do índice de correção monetária não tem o poder de alterar o preço predeterminado. Tanto é assim, que não implica em obrigatoriedade de aditamento do contrato, bastando a previsão de cláusula de reajuste com a estipulação de um índice oficial para a atualização monetária do preço. Quanto à IN SRF n.º 658/06, publicada posteriormente à Lei n.º 11.196/05 e que revogou a IN SRF n.º 468/04, que trouxe os arts. 3º e 4º, in verbis: "Art. 3º Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. § 1º Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. § 2º Ressalvado o disposto no § 3º, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação, após a data mencionada no art. 2º, da primeira alteração de preços decorrente da aplicação: I de cláusula contratual de reajuste, periódico ou não; ou II de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômico financeiro do contrato, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993. § 3º O reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado. Art. 4º Na hipótese de pactuada, a qualquer título, a prorrogação do contrato, as receitas auferidas depois de vencido o prazo contratual vigente em 31 de outubro de 2003 sujeitarseão à incidência não cumulativa das contribuições.” (Grifos meus) Fl. 634DF CARF MF Processo nº 10380.900773/200961 Acórdão n.º 9303004.450 CSRFT3 Fl. 11 10 É de se considerar, em vista do exposto, que a IN SRF n.º 658/06, especificamente sem eu art. 3º, § 3º, está em consonância com o art. 109 da Lei n.º 11.196/05 ao dispor que o reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei n.º 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado. No caso concreto dos autos a recorrente celebrou, em 31 de agosto de 2001, contrato de compra e venda de energia elétrica com a Companhia Energética do Ceará COELCE, por um prazo de 20 anos, contados a partir da data inicial de fornecimento, que foi devidamente aprovado pela ANEEL através do Oficio n° 243/2002 SFF/ANEEL, de 09/04/2002. E através dos laudos apresentados foi comprovado que o Índice previsto para reajuste do preço predeterminado, constante do contrato de fornecimento de energia elétrica para a Companhia Energética do Ceará COELCE, não restou descaracterizado quando do primeiro reajuste, porquanto tal índice refletira os acréscimos dos custos de produção de energia elétrica, nos exatos termos condicionados pela legislação aplicável, tendo como consequência a tributação de suas receitas pelo PIS e COFINS no sistema cumulativo. E foi demonstrado que a fórmula de reajuste de preços não foi derivada de Índice refletor da variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, Quanto a variação do custo de produção, os peritos ao analisar o Laudo apresentado pela recorrido, apresentaram a seguinte resposta: 'Nesse contexto de forte definição por parte do Estado, os reajustes aplicados desde o inicio do suprimento CGTFCOELCE não ultrapassaram os custos de produção ou a variação ponderada dos insumos pelas seguintes razões: 1As Regras de Reajuste Contratual foram estabelecidas na legislação setorial; 2O contrato foi analisado e aprovado pela ANEEL; 3As regras de reajuste contratual definidas pela legislação setorial visam a variação ponderada dos custos de produção ou dos insumos, em consonância estrita com o princípio da legalidade, observado com todo o natural zelo pelo Regulador, em especial obedecendo o que dispõe o art. 27 da Lei n° 9.069/1995 no que diz respeito às condições necessárias para a utilização de índice diferente do IPC; e 4A variação de preço de venda não foi superior à dos insumos.' Fl. 635DF CARF MF Processo nº 10380.900773/200961 Acórdão n.º 9303004.450 CSRFT3 Fl. 12 11 E posteriormente a recorrida apresentou, o complemento do Laudo Técnico, no qual consta a composição final do preço com base nos nesses insumos e também foi apresentada a evolução ponderada dos insumos e produto. Diante de todos esses elementos ficou comprovado que em todos os anos do período apresentado, a evolução acumulada do preço da energia elétrica se deu em proporção inferior à variação ponderada de seus insumos, ficando demonstrado que a correção no preço da energia elétrica praticada no período em questão (2005) não foi superior ao que ocorreu com seus insumos. Dessa forma, o reajuste praticado não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado, sujeitandose a recorrente à alíquota cumulativa das contribuições, subsistindo indébito tributário passível de repetição e compensação. Ademais, a Recorrida apresentou Ofício nº 1431/2006 da ANEEL, onde foi confirmado que os índices por ela aprovados ou homologados, bem como nos contratos celebrados nos moldes dos examinados nesses processos 'visam exatamente refletir a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados'. Diante dos fatos apurados, nego provimento ao recurso especial da Fazenda, para manter a decisão recorrida." Deixase de transcrever a íntegra da declaração de voto apresentada pela Conselheira Vanessa Marini Cecconello por ter sido apresentada no Acórdão 9303004.432 (processo paradigma), e por não ser essencial à solução do presente litígio. Transcrevese, tão somente, o seguinte fragmento da declaração de voto, que resume o entendimento adotado por parte dos integrantes do Colegiado, que votaram pelas conclusões: "A previsão de cláusula de reajuste do contrato, baseada no IGPM ou outro índice ou fórmula de correção monetária, não descaracteriza a condição de preço predeterminado, prestandose à simples manutenção do valor da moeda no tempo. Portanto, a previsão de reajuste do preço do suprimento de energia elétrica da CGTF à COELCE busca evitar que o valor predeterminado pelas partes contratantes seja corroído pelos efeitos da inflação. Portanto, não havendo a descaracterização da condição de preço predeterminado por cláusula contratual prevendo o reajuste por índice de correção monetária, estáse diante de contrato que preenche integralmente os requisitos estabelecidos na exceção do inciso XI, do art. 10 da Lei nº 10.833/2003, sendo imperiosa a manutenção da tributação das receitas dele decorrentes pelo regime de tributação do PIS e da COFINS cumulativo, havendo o direito da Contribuinte à restituição dos valores indevidamente recolhidos a tal título pela sistemática da nãocumulatividade." Fl. 636DF CARF MF Processo nº 10380.900773/200961 Acórdão n.º 9303004.450 CSRFT3 Fl. 13 12 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial da Fazenda Nacional, mas, no mérito, negolhe provimento. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 637DF CARF MF
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