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Numero do processo: 15504.720830/2011-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Aug 23 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
EMPRESAS OPTANTES PELO SIMPLES. INCOMPATIBILIDADE COM A RETENÇÃO SOBRE FATURAS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. As empresas optantes pelo SIMPLES não se submetem à retenção de contribuição previdenciária sobre faturas de prestação de serviço, uma vez que recolhem as contribuições conjuntamente com outros tributos, mediante alíquota incidente sobre o faturamento. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, após o seu vencimento, está prevista pelos artigos 43 e 61, § 3º, da Lei 9.430/96. Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2401-002.617
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, I) por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para: a) que sejam retiradas da apuração as notas fiscais emitidas pelas empresas Andrada Lima MR Ltda. e da WE Instalações Elétricas Ltda, Levantamentos 1 e 2; b) sejam apropriadas as guias de recolhimento constantes no quadro apresentado no voto do relator; e c) para que sejam apropriados os valores recolhidos após a ação fiscal na parte remanescente do lançamento. II) por maioria de votos, manter a incidência de juros sobre a multa. Vencidos os conselheiros Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que votaram pela não incidência de juros sobre a multa. Elias Sampaio Freire - Presidente Kleber Ferreira de Araújo - Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 EMPRESAS OPTANTES PELO SIMPLES. INCOMPATIBILIDADE COM A RETENÇÃO SOBRE FATURAS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. As empresas optantes pelo SIMPLES não se submetem à retenção de contribuição previdenciária sobre faturas de prestação de serviço, uma vez que recolhem as contribuições conjuntamente com outros tributos, mediante alíquota incidente sobre o faturamento. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, após o seu vencimento, está prevista pelos artigos 43 e 61, § 3º, da Lei 9.430/96. Recurso Voluntário Provido em Parte
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INCOMPATIBILIDADE COM A RETENÇÃO SOBRE FATURAS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. As empresas optantes pelo SIMPLES não se submetem à retenção de contribuição previdenciária sobre faturas de prestação de serviço, uma vez que recolhem as contribuições conjuntamente com outros tributos, mediante alíquota incidente sobre o faturamento. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, após o seu vencimento, está prevista pelos artigos 43 e 61, § 3º, da Lei 9.430/96. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, I) por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para: a) que sejam retiradas da apuração as notas fiscais emitidas pelas empresas Andrada Lima MR Ltda. e da WE Instalações Elétricas Ltda, Levantamentos 1 e 2; b) sejam apropriadas as guias de recolhimento constantes no quadro apresentado no voto do relator; e c) para que sejam apropriados os valores recolhidos após a ação fiscal na parte remanescente do lançamento. II) por maioria de votos, manter a incidência de juros sobre a multa. Vencidos os conselheiros Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que votaram pela não incidência de juros sobre a multa. Elias Sampaio Freire Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 08 30 /2 01 1- 14 Fl. 1044DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/08 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 1045DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/08 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15504.720830/201114 Acórdão n.º 2401002.617 S2C4T1 Fl. 1.045 3 Relatório O processo em questão abrange duas lavraturas, quais sejam: a) Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP n.º 37.312.8622 (01/2008 a 12/2008) abrangendo as contribuições que empresa deveria ter retido e recolhido no percentual de 11% sobre as notas fiscais/faturas dos serviços que lhe foram prestados por cessão de mão de obra. b) Auto de Infração de Obrigação Acessória AIOA n.º 37.312.8630 (01/2008 a 12/2008) pelo descumprimento da obrigação de reter e recolher as contribuições relatadas no tópico acima. O Relatório Fiscal apresenta tabela indicando os prestadores de serviço que supostamente teriam sofrido retenção em descompasso com as normas de regência. Os serviços apontados são construção civil, montagem e produção de carvão vegetal. Afirma que em relação aos serviços de construção civil e montagem a empresa efetuou a retenção sobre 50% do valor da fatura, quando deveria ter retido pela totalidade do serviço, posto que os custos de material e equipamentos foram assumidos pela tomadora. Assevera que nos serviços rurais, algumas empresas eram optantes pelo SIMPLES, embora a legislação vedasse a opção por esse regime para empresas que tinham como objeto social a cessão de mão de obra. Sustenta que as retenções foram efetuadas a menor, posto que a tomadora não apresentou a comprovação da utilização de equipamentos em contratos ou notas fiscais, além do valor atribuído a mão de obra ser irrisório. Para definir o valor dos equipamentos contidos nos contratos foi executada diligência fiscal em dois dos prestadores de serviços rurais, tendo o fisco concluído que o valor dos equipamentos mais adequado para a realidade encontrada seria 26,17%, conforme demonstrativos acostados. Sobre a aplicação da multa, o fisco ponderou que foi aplicada a legislação anterior à edição da MP 449/2008, posto que mais favorável ao sujeito passivo. São apresentadas as notas fiscais para as quais não houve qualquer retenção, justificandose assim a aplicação da multa por descumprimento da obrigação acessória de reter e recolher o valor de 11% sobre os serviços prestados por cessão de mão de obra. A seguir, é apresentada a fundamentação legal e os critérios levados em conta para a fixação da pena administrativa. Ressaltase ainda que foi lavrada Representação Fiscal para Fins Penais, tendo em vista a ocorrência, em tese, do crime de sonegação de contribuições previdenciárias. Foram acostadas planilhas com demonstrativo do valor da retenção não efetuada para cada uma das empresas prestadoras. Fl. 1046DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/08 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 A empresa ofertou impugnação parcial, na qual alegou em apertada síntese que: a) apesar de não concordar, efetuou o recolhimento da multa exigida no AI n.º 37.312.8630, com desconto de 50%, conforme documento acostado; b) também recolheu parte das contribuições exigidas no AI n.º 37.312.8622, relativamente aos serviços de produção de carvão vegetal; c) a parte litigiosa do lançamento resumese as diferenças de retenção relativas aos serviços de reforma e montagem e a parcela calculada sobre base de cálculo superior a 50% do valor bruto das notas fiscais, para os serviços de produção de carvão. d) é inexigível a obrigação de reter sobre faturas emitidas por empresas optantes do SIMPLES, como é o caso das empresas MR Ltda. e WE Instalações Elétricas Ltda; e) considerando que, para as empresas de trabalho rural, havia a previsão de fornecimento de materiais em contrato e que as notas fiscais foram segregadas em serviços e equipamentos, o fisco deveria ter considerado para fins de base de retenção o mínimo previsto na norma que seria de 50% do valor bruto da fatura; f) na definição do valor dos equipamentos, o fisco mediante a realização de diligência, fixou os percentuais de 1,08% para a empresa FBG e 26,17% para as demais. Tal discrepância indica que não há confiabilidade nos valores. O fisco, diante dessa constatação, deveria ter utilizado o percentual de 50%, conforme determina o art. 150, I e § 1.º da IN SRP n.º 03/2005; g) ao utilizar o resultado da diligência na empresa SANETO para apuração de contribuições em outras prestadoras de serviço, promoveu tributação por analogia, o que é terminantemente proibido pelo ordenamento pátrio; h) a própria jurisprudência administrativa vem repelindo a incidência de juros sobre a multa de ofício. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em Belo Horizonte (MG) decidiu pela procedência parcial da impugnação, determinando a baixa do AI n.º 37.312.8630, que foi quitado, a apropriação do pagamento parcial efetuado para o AI n.º 37.312.8622 e a retificação da parte remanescente, conforme veremos. O órgão recorrido não acolheu a alegação de improcedência da retenção sobre empresas optantes pelo SIMPLES, justificando que a recorrente já efetuava retenção tomando como base o patamar de 50% do valor das notas fiscais, além de, no período do lançamento, o art. 142 da IN SRP n.º 03/2005, prevê a incidência de retenção para as empresas com opção pelo regime simplificado de pagamento de tributos. Alega ainda que as empresas prestadoras de serviço mediante cessão de mão de obra não poderiam aderir ao SIMPLES. Com relação à redução do percentual de incidência da retenção para 50% do valor das notas nos contratos de prestação de serviço rural, a DRJ concordou com o sujeito passivo e determinou a retificação do crédito. Irresignado, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário, no qual alega que, na apropriação dos valores recolhidos, o órgão que liquidou a decisão de primeira instância quitou parcelas litigiosas, posto que foi adotado o critério de associar o pagamento às competências mais antigas. Fl. 1047DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/08 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15504.720830/201114 Acórdão n.º 2401002.617 S2C4T1 Fl. 1.046 5 Por esse motivo, praticamente foram quitadas as contribuições apuradas em relação às empresas Andrada Lima MR Ltda. e da WE Instalações Elétricas Ltda, as quais contêm a parte contestada do AI n.º 37.312.8620. Por outro lado, aponta valores de retenção, conforme guias acostadas, que foram lançadas a menor na apuração, provocando uma errônea majoração da contribuição devida. Depois, alega inexigibilidade da obrigação de reter sobre as faturas emitidas por empresas optantes do SIMPLES. Ao final, protesta contra a exigência de juros SELIC sobre multa de ofício. É o relatório. Fl. 1048DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/08 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Inexigibilidade de retenção sobre faturas emitidas por empresas optantes pelo SIMPLES Insurgiuse a recorrente contra a inclusão no levantamento de empresas optantes pelo regime tributário do SIMPLES, quais sejam Andrada Lima MR Ltda. e da WE Instalações Elétricas Ltda Quanto a essa questão, assim dispunha o art. 151 da IN n.º 100/2003: Art. 151. A empresa optante pelo SIMPLES que prestar serviços mediante cessão de mãodeobra ou empreitada, está sujeita à retenção sobre o valor bruto da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços emitido. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica no período de 1º de janeiro de 2000 a 31 de agosto de 2002. Vêse que embora não tenha havido alteração na Lei n.º 8.212/1991, a interpretação da Administração Tributária quanto ao tema sofreu alterações ao longo do tempo. Tal normativo levou o órgão recorrido a não acatar a tese da empresa. Esse é uma celeuma antiga, que somente foi superada quando o Egrégio Superior Tribunal de Justiça firmou posicionamento sobre a questão. A matéria foi submetida ao rito dos recursos repetitivos (art. 543C do Código de Processo Civil), tendo o STJ concluído pela não incidência de retenção para as empresas optantes pelo SIMPLES. Eis a ementa do Acórdão relativo ao Resp n.º 1142462/RS (Segunda Turma, Rel. Ministro Castro Meira, DJe 29/04/2010): TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. EMPRESAS PRESTADORAS DE SERVIÇO OPTANTES PELO SIMPLES. RETENÇÃO DE 11% SOBRE FATURAS. ILEGITIMIDADE DA EXIGÊNCIA. JULGAMENTO DA MATÉRIA EM RECURSO ESPECIAL SOB O RITO DOS REPETITIVOS. 1. A Primeira Seção, no julgamento dos Embargos de Divergência 511.001/MG, Relator o Ministro Teori Zavascki, DJU de 11.04.05, concluiu que as empresas prestadoras de serviço optantes pelo Simples não estão sujeitas à retenção do percentual de 11% prevista no art. 31 da Lei nº 8.212/91, com redação conferida pela Lei nº 9.711/98. 2. O sistema de arrecadação destinado às empresas optantes pelo Simples é incompatível com o regime de substituição Fl. 1049DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/08 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15504.720830/201114 Acórdão n.º 2401002.617 S2C4T1 Fl. 1.047 7 tributária previsto no art. 31 da Lei nº 8.212/91. A retenção, pelo tomador de serviços, do percentual de 11% sobre o valor da fatura implica supressão do benefício de pagamento unificado destinado às microempresas e empresas de pequeno porte. 3. A matéria foi submetida ao rito dos recursos repetitivos, de acordo com o artigo 543C do CPC e com a Resolução 08/08 do STJ, nos autos do recurso especial nº 1.112.467/DF, de relatoria do Min.Teori Albino Zavascki, no qual restou assente o entendimento acima afirmado. 4. Recurso especial não provido. A referida decisão tem efeito vinculante perante os órgãos do CARF, por força do art. 62A do Regimento Interno do Conselho (Portaria MF n.º 256/2009), cuja redação foi acrescentada pela Portaria MF n.º 586/2010. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Incabível, portanto, a exigência de retenção sobre os serviços executados mediante empreitada ou cessão de mãodeobra por empresas optantes pelo sistema simplificado de recolhimento de tributos, cabendose retirar da apuração as notas fiscais emitidas pelas empresas Andrada Lima MR Ltda. e da WE Instalações Elétricas Ltda, Levantamentos 1 e 2, respectivamente. Erro na apuração dos valores retidos A recorrente, mediante apresentação de guias específicas recolhidas, demonstrou que o fisco na sua apuração considerou alguns valores retidos a menor e apontou os equívocos cometidos. De fato, a luz das provas colacionadas, há de se retificar o crédito para descontar o complemento não considerado, conforme a seguinte tabela: COMP LEVANTAM RETENÇÃO LANÇADA RETENÇÃO COMPROVADA DIFERENÇA A CONSIDERAR 04/2008 L3 (Saneto) 10.838,74 14.221,33 3.382,62 04/2008 L8 (FBG) 4.405,68 5.522,54 1.116,86 07/2008 L5 (César) 2.081,29 3.040,51 959,22 07/2008 L7 (K e Silva) 2.275,78 2.600,47 324,69 Após a correção do equívoco na apuração, representado pela apropriação de retenções a menor, há de se efetuar a dedução do valor recolhido após a lavratura, conforme determinou a DRJ. Fl. 1050DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/08 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 As guias recolhidas pela empresa, portanto, devem ser apropriadas à parte remanescente do crédito. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO Considerando que o procedimento de apropriação dos recolhimentos efetuados pode não quitar integralmente a parte remanescente do lançamento, cabenos apreciar a alegação da impossibilidade de aplicação de juros SELIC sobre a multa de ofício. A incidência de juros de mora sobre a multa de lançamento de ofício encontra fundamento legal nos art. 43 e 61, § 3º, da Lei 9.430/96. É que no lançamento de ofício o valor originário do crédito tributário compreende o valor do tributo e da multa. Portanto, sobre a multa por lançamento de ofício há a incidência de juros SELIC. Esse posicionamento é adotado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, que entendeu pela aplicabilidade da Taxa de Juros SELIC sobre as multas de ofícios decorrentes de Autos de Infração, correção essa que passa a incidir a partir da lavratura desses. É o que se pode ver do acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário:1997 JUROS DE MORA COM BASE NA TAXA SELIC SOBRE A MULTA DE OFÍCIO APLICABILIDADE .O art. 161 do Código Tributário Nacional – CTN autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a multa de ofício integra o “crédito” a que se refere o caput do artigo Recurso especial negado. É legítima a incidência de juros sobre a multa de ofício, sendo que tais juros devem ser calculados pela variação da SELIC. Precedentes do Tribunal Regional da 4ª Região. Recurso Especial Negado. Conclusão Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso para que sejam retiradas da apuração as notas fiscais emitidas pelas empresas Andrada Lima MR Ltda. e da WE Instalações Elétricas Ltda, Levantamentos 1 e 2; para que sejam apropriados os recolhimentos constantes no quadro acima apresentado; e para que sejam apropriados os valores recolhidos, após a ação fiscal, na parte remanescente do lançamento. . Kleber Ferreira de Araújo Fl. 1051DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/08 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15504.720830/201114 Acórdão n.º 2401002.617 S2C4T1 Fl. 1.048 9 Fl. 1052DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/08 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 10909.000758/2008-33
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO
É ônus da autoridade lançadora comprovar a ocorrência do fato em que se baseou para caracterizar a infração.Recurso Provido
Numero da decisão: 2802-001.491
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente
(assinado digitalmente)
Dayse Fernandes Leite Relatora
EDITADO EM:22/11/2012
Participaram, do presente julgamento os Conselheiros:Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Lucia Reiko Sakae, Carlos Andre Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano
Nome do relator: DAYSE FERNANDES LEITE
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite Relatora EDITADO EM:22/11/2012 Participaram, do presente julgamento os Conselheiros:Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Lucia Reiko Sakae, Carlos Andre Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano
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COMPROVAÇÃO É ônus da autoridade lançadora comprovar a ocorrência do fato em que se baseou para caracterizar a infração.Recurso Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso –Presidente (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite – Relatora EDITADO EM:22/11/2012 Participaram, do presente julgamento os Conselheiros:Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Lucia Reiko Sakae, Carlos Andre Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 00 07 58 /2 00 8- 33 Fl. 37DF CARF MF Impresso em 28/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 22/11/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Tratase de Recurso Voluntário de fls. 30/35, interposto contra acórdão proferido na Primeira instância administrativa, pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis (SC), que considerou improcedente, a impugnação apresentada, contra o lançamento de offício nos termos do Decreto 3.000/99 Regulamento do Imposto de Renda — RIR/99, tendo em vista a dedução indevida do valor de R$ 371.884,75 informado a título de Despesas de Livro Caixa, em razão de o contribuinte ter declarado apenas Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica com vínculo empregatício. A Quinta Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis (SC), ao examinar o pleito, proferiu o acórdão n° 0723.832, de 08 de abril de 2011, que se encontra às fls. 21/26, cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA I R PF Anocalendário: 2004 LIVRO CAIXA. PERMISSÃO PARA DEDUÇÃO. Somente é permitida a dedução das despesas escrituradas em livrocaixa ao contribuinte que receber rendimentos do trabalho nãoassalariado, ao titular de serviços notariais e de registro e ao leiloeiro. INSTRUÇÃO DO PROCESSO. PROVA. A impugnação deve ser instruída com os documentos em que se fundamentar as alegações nela apresentada. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A ciência de tal julgado se deu por via postal em 03/05/2011, consoante o AR – Aviso de Recebimento –. (fls. 29). À vista da decisão, foi protocolizado, em 02/06/2011, recurso voluntário dirigido a este colegiado, fls. 30/35 no qual o pólo passivo, com vistas a obter a reforma do julgado, reitera as razões apresentadas em primeira instancia. e ainda: a) assevera que não possui nada que possa comprovar a falta de vínculo empregatício e que cabe ao fisco o ônus da prova.;b) pugna pela nulidade decisão recorrida, alegando cerceamento do direito de defesa É o relatório. Voto Conselheira Dayse Fernandes Leite Relatora O recurso é tempestivo e não há óbice ao seu conhecimento. O recorrente apresenta como único argumento, as seguintes informações: Fl. 38DF CARF MF Impresso em 28/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 22/11/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10909.000758/200833 Acórdão n.º 2802001.491 S2TE02 Fl. 597 3 a) que prestava serviços somente de natureza não assalariado; b) que recebeu rendimentos apenas do trabalho não assalariado; c) que não possuía vínculo empregatício com a empresa o qual fez constar da declaração de imposto de renda ano calendário 2004 exercício 2005 como FONTE PAGADORA. A decisão recorrida, por sua vez, considerou que o interessado por dois momentos teve a oportunidade de comprovar os fatos por ele contestado, qual seja, se os rendimentos percebidos são ou não assalariados, e não fez. Argumentou o relator do acórdão recorrido que o interessado não comprova o desempenho de uma atividade relativa à prestação de serviços sem vínculo empregatício; se obteve receitas desta atividade, sequer trouxe documento capaz de elucidar a relação existente com a fonte pagadora dos rendimentos por ele declarados. Logo, no caso dos autos, por total ausência de comprovação de que o contribuinte preenchia os requisitos para ter direito à dedução, deve ser mantida a glosa dos valores deduzidos a título de livro caixa. Ressalvese que o que se discute no presente processo é se o contribuinte tem ou não vínculo empregatício com a fonte pagadora Entende este colegiado que é ônus do lançador a comprovação de que os rendimentos, em questão, são fruto de vínculo empregatício.. Na DIRPF não contém essa informação e não houve investigação para comprovar a existência de vínculo. Diante do exposto e de tudo o mais que dos autos consta. Dou provimento ao recurso É como voto, (assinado digitalmente) Dayse Fernandes LeiteRelatora Fl. 39DF CARF MF Impresso em 28/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 22/11/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 13977.000054/00-35
Turma: Primeira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Oct 30 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 1989, 1990, 1991, 1992, 1993, 1994, 1995
RESTITUIÇÃO. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. INCONFORMIDADE. IMPOSSIBILIDADE.
Incabível a restituição de créditos pretendidos pelo contribuinte quando estes tiverem sido apurados em desacordo com a decisão judicial transitada em julgado.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-001.863
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente e Relator.
EDITADO EM: 27/10/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. INCONFORMIDADE. IMPOSSIBILIDADE. Incabível a restituição de créditos pretendidos pelo contribuinte quando estes tiverem sido apurados em desacordo com a decisão judicial transitada em julgado. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. EDITADO EM: 27/10/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 7. 00 00 54 /0 0- 35 Fl. 373DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/10/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13977.000054/0035 Acórdão n.º 3302001.863 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório No dia 25/05/2000 a empresa INDÚSTRIA DE RELÓGIOS HERWEG S/A, já qualificada, ingressou com o pedido de restituição de contribuição para o PIS, reconhecido por sentença judicial transitada em julgado (Ação Declaratória no 96.20.0110612 – TRF4 no 1999.04.01.0406407 e Mandado de Segurança no 99.20033200 – TRF4 no 2000.04.0968532) em 13/03/2000, para a ação declaratória, e 05/03/2001, para o Mandado de Segurança. Nestas ações foi discutido a constitucionalidade dos DecretosLeis nºs 2.445/88 e 2.449/88, a decadência do direito de pleitear a restituição e a semestralidade da base de cálculo do PIS. A DRF em Blumenau SC indeferiu o pedido da recorrente, sob a alegação que na execução da sentença judicial não foi apurado crédito a favor da recorrente porque no Mandado de Segurança foi reconhecido a semestralidade, com correção, da base de cálculo do PIS, prevista na Lei Complementar nº 07/70. Ciente da decisão, a empresa interessada ingressou com a manifestação de inconformidade de fls. 90/95, cujos argumentos de defesa estão sintetizados no Relatório do Acórdão recorrido (fls. 150/151). A 1a Turma de Julgamento da DRJ em Juiz de Fora MG indeferiu a solicitação da recorrente, nos termos do Acórdão no 0916.394, de 06/06/2007 – flse. 153/156. A recorrente tomou ciência da decisão de primeira instância no dia 27/06/2007, conforme AR de fle. 157, e, discordando da mesma, impetrou, no dia 27/07/2007, o recurso voluntário de fls. 159/161, no qual alega que: 1 a questão da semestralidade da base de cálculo do PIS, desde sua criação pelo art. 6o, parágrafo único, da Lei Complementar no 7/70, permaneceu a mesma inalterada até a edição da MP no 1.212/95, não incidindo correção monetária sobre a mesma. Cita jurisprudência do STJ. 2 nos cálculos do Fisco não foi levando em consideração os valores pagos pela recorrente no parcelamento (processo no 13977.000070/9633), objeto do Mandado de Segurança no 99.20033200. Na sessão do dia 05/08/2008, acolhendo proposta da Conselheira Fabiola Cassiano Keramidas, o julgamento foi convertido em diligência à repartição da RFB de origem, nos termos da Resolução nº 20100.761, para as seguintes providências: (a) o contribuinte seja intimado a, no prazo de 30 dias: esclarecer a razão da existência de 3 processos judiciais tratando do mesmo assunto; bem como esclarecer o objeto de cada um destes processos judiciais; apresentar as cópias principais de cada processo (inicial/liminar/sentença/acórdão/trânsito em julgado) e qualquer outra que julgue necessária, de forma ordenada e individualizada por processo (um jogo das peças do primeiro Fl. 374DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/10/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13977.000054/0035 Acórdão n.º 3302001.863 S3C3T2 Fl. 4 3 processo, outro jogo com as peças do segundo processo), para fim de evitar confusão entre as decisões. (b) Após apresentados os esclarecimentos e documentos, deverá a autoridade administrativa competente analisar o que foi trazido e elaborar parecer, indicando as seguintes conclusões: qual é a decisão válida/vigente/eficaz e que efetivamente interessa a este julgamento; por meio desta decisão, a interpretação desta decisão, enseja a existência do crédito pleiteado? (c) o contribuinte deverá ser intimado para se manifestar acerca do parecer elaborado pela fiscalização no prazo de 30 dias, a qual será juntada aos autos para envio a este Egrégio Conselho de Contribuintes Atendendo ao solicitado na diligência, foi coletado as informações e emitido o Parecer Fiscal/BLU/EAC1 nº 276/2011, com as seguintes respostas aos quesitos formulados: Resposta ao item “a” da Resolução: Cientificada então a pessoa jurídica do referido ato expedido pela autoridade julgadora, por intermédio de intimação recebida, promoveu a entrega dos documentos requeridos, apresentando os esclarecimentos pertinentes as ações judiciais questionadas, fls. 170171, e cópias documentais das principais peças dos autos, contidos às fls. 172199 (Volume I) e fls. 202 249 (Volume II). Resposta ao item “b” da Resolução: A decisão válida que efetivamente interessa este julgamento está adstrita ao provimento judicial concedido no mandado de segurança n° 99.20.033200, com trânsito em julgado em 05/03/2001, onde foi determinado que, na apuração da contribuição PIS pela Lei Complementar n° 7/70, em substituição aos DecretosLeis n°s 2.445/88 e 2.449/88, tornados inconstitucionais, a partir da base de cálculo representada pelo faturamento do sexto mês anterior, caberia a correção monetária dos valores devidos, desde sua ocorrência até seu vencimento; Diante da decisão proferida em juízo nos autos n° 99.20.03320 0, os cálculos de apuração de eventual direito creditório foram aqueles implementados pelo fisco nesta DRF, através dos demonstrativos e análise realizada em 04/12/2001, de acordo com os documentos de fls. n°s 4383, demonstrando a existência de débitos da contribuição PIS em períodos que o contribuinte pleiteou créditos, e portanto, não sendo determinado quaisquer saldos de pagamentos remanescentes Resposta ao item “c” da Resolução: Fl. 375DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/10/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13977.000054/0035 Acórdão n.º 3302001.863 S3C3T2 Fl. 5 4 À Recorrente foi dado ciência do parecer supracitado e manifestouse às fls e. 356/360, defendo a existência do crédito pleiteado. Merece destaque, ainda, a seguinte conclusão da diligência: Das conclusões estabelecidas, para atender as indagações propostas pelo Conselho de Contribuintes perante a Resolução nº 20100.761, fl. 163, no que diz respeito aos autos judiciais sob diligência, conforme abordado, esclarecemos ter o fisco procedido corretamente na análise pretérita do direito creditório do interessado, em 04/12/2001, fls. 4383, constatando a inexistência de saldos de pagamentos, tendo em vista a ineficácia do provimento judicial na apuração de crédito, considerando a ausência de discussão do indébito do PIS baseado no regime da semestralidade através da ação ordinária n° 96.20.010612, e a decisão transitada em julgado no mandado de segurança n° 99.20.033200, a partir de 05/03/2001, que apesar de tornar aplicável a utilização da base de cálculo relativa ao faturamento do sexto mês anterior, na determinação da contribuição PIS pela Lei Complementar n° 7/70, estabeleceu a correção monetária do valor devido, desde sua ocorrência até seu vencimento, não resultando assim em recolhimentos realizados a maior pelos DecretosLeis n°s 2.445/88 e 2.449/88. Há ainda que se ponderar o fato do pedido de restituição já ter sido apreciado no âmbito administrativo, por intermédio do processo n° 13977.000148/9891, segundo anteriormente relatado, encontrandose indeferido em todas as instâncias administrativas de julgamento, fls. 252267, em atenção ao provimento estabelecido com o trânsito em julgado do mandado de segurança n° 99.20.033200. (grifei). O processo retornou ao CARF e, no dia 12/03/2012, foi movimentado para a Conselheira Fabiola Cassiano Keramidas tomar ciência do resultado da diligência e, no dia 11/06/2012, foi distribuído ao Conselheiro Walber José da Silva, para relatar. É o Relatório do essencial. Voto Conselheiro Walber José da Silva, Relator. O julgamento do recurso voluntário teve início na sessão do dia 05/08/2008, quando foi convertido em diligência, nos termos da Resolução nº 20100.761. Como relatado, a empresa está pleiteando a execução de duas sentenças judiciais com trânsito em julgado que declararam a inconstitucionalidade dos DecretosLeis nºs 2.445/88 e 2.449/88 e reconhecera o direito de a recorrente haver o que pagou a maior. Fl. 376DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/10/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13977.000054/0035 Acórdão n.º 3302001.863 S3C3T2 Fl. 6 5 Na Ação Declaratória no 96.20.0110612 (TRF4 no 1999.04.01.0406407), cujo trânsito em julgado ocorreu em 13/03/2000, foi negado a semestralidade da base de cálculo do PIS, determinando o tribunal que o valor devido deveria ser calculado de acordo com a Lei no 7.691/88. Mandado de Segurança no 99.20033200 (TRF4 no 2000.04.0968532), cujo trânsito em julgado correu em 05/03/2001, foi reconhecido a semestralidade da base de cálculo do PIS, porém corrigida monetariamente a partir da Lei no 7.691/88. Antes de adentrar no mérito da lide, merece destaque um fato desconhecido deste Conselheiro Relator, trazido no Parecer Fiscal da diligência. Refirome ao fato da matéria objeto do litígio já ter sido apreciada e decidida por este Colegiado ao julgar o Recurso Voluntário do Processo nº 13977.000148/9891, cujo relator foi o eminente Conselheiro Gileno Gurjão Barreto, tendo o Colegiado, por unanimidade de votos, negado provimento ao recurso voluntário, nos termos do Acórdão nº 20180.192, de 28/03/2007, acostado aos autos às fls. 271/277, cuja menta abaixo se transcreve: PIS/PASEP. COMPENSAÇÃO. REQUISITO DE VALIDADE. A compensação de créditos tributários depende da comprovação da liquidez e certeza dos créditos contra a Fazenda Nacional. Recurso negado Quando do julgamento do referido recurso, acompanhei o voto do Ilustre Conselheiro Relator. No presente recurso, cuja matéria litigiosa é a mesma, não pode ser outra a decisão do Colegiado, razão pela qual adoto integralmente o voto condutor do referido Acórdão nº 20180.192, da lavra do Ilustre Conselheiro Gileno Gurjão Barreto, que peço licença para reproduzir integralmente. E o faço a seguir. Quanto aos pressupostos de admissibilidade do recurso voluntário, temse que a pretensão recursal é tempestiva e que não se faz necessário o arrolamento de bens. Assim, por ser admissível, passo a apreciar o recurso voluntário. De pronto, vejo que não merece reforma a decisão recorrida, pelas razões que a seguir serão expostas. Além disso, como a recorrente repetiu, no seu recurso voluntário, a íntegra de sua manifestação de inconformidade, não vejo objeção em reprisar a quase totalidade das palavras e dos argumentos apresentados pela decisão da DRJ, visto que estão fundamentadas e de acordo com o meu entendimento acerca dos fatos evidenciados nos autos. Senão vejamos. A contribuinte defende a não incidência de correção monetária no período compreendido entre a data do faturamento (base de cálculo) e a data da ocorrência do fato. gerador (sexto mês após o mês da base de cálculo). Explica que a sentença decorrente do pedido inicial no Mandado de Segurança nº 99020033200 é inaplicável por ser extra perita. Expõe que o pedido inicial tem como único objeto a compensação do saldo devedor existente no parcelamento de débitos de PIS (Processo Administrativo nº Fl. 377DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/10/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13977.000054/0035 Acórdão n.º 3302001.863 S3C3T2 Fl. 7 6 13977.000000/9633) com eventual crédito da mesma contribuição, resultante da aplicação da sentença proferida no Processo Judicial nº 96.01061122, em virtude da inconstitucionalidade dos DecretosLeis nºs 2.445/88 e 2.449/88. Primeiramente, verificase que a contribuinte não traz aos autos qualquer documento relacionado com o Processo Judicial nº 96.01061122, do qual alega tratar da inconstitucionalidade dos DecretosLeis nºs 2.445188 e 2.449188 e, portanto, da apuração de eventual crédito de PIS a favor da contribuinte. Assim, importante esclarecer que pouco pode este Conselho se pronunciar em relação à afirmação da contribuinte. Se o Acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região, às folhas 23/32, extrapolou os limites da petição inicial do mandado de segurança, competia à contribuinte recorrer do referido Acórdão, mediante embargos de declaração ou mesmo de recurso à instância superior, a fim de demonstrar que a sentença se mostrou extra petita ou que em favor da contribuinte havia outra decisão judicial sobre o mesmo assunto, em outra ação ajuizada (o tal Processo nº 96010061122). A reforma do Acórdão somente poderia ser promovida pela própria contribuinte, em juízo. Em sede administrativa, nada se pode fazer. O fato é que nos autos existe inequivocamente uma decisão judicial transitada em julgado que se pronuncia acerca da forma de apuração do crédito de PIS. E não há dúvidas de que as decisões judiciais têm força de lei entre as partes envolvidas. Neste sentido o pedido da interessada contraria a própria decisão judicial, exatamente no tocante à correção monetária da base de cálculo, como se vê pelo trecho do voto da relatora (fls. 28/29): "g) Da Correção Monetária da Base de Cálculo do PIS [...] a 1° Seção desta Corte firmou entendimento de que é cabível a correção monetária da base de cálculo do PIS a partir da Lei n° 7.691/88. [...]". A Fiscalização, portanto, procedeu corretamente ao corrigir a base de cálculo do PIS, conforme planilhas de folhas 34/37, para fins de apuração de eventual crédito a favor da contribuinte, em atendimento à decisão judicial. Da mesma forma, mostrase equivocada a argumentação da interessada acerca da incorreta correção da base de cálculo por um período superior a cinco meses ou da duplicidade de indexação da contribuição ao PIS. Tais matérias foram definitivamente apreciadas no voto proferido no acórdão judicial. Não prevalece também a argumentação de que a mudança da base de cálculo não provoca alteração no valor total do PIS. Isso porque, ao alterar a base de cálculo de qualquer tributo, alterase, ou para mais ou para menos, o valor do tributo devido. Fl. 378DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/10/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13977.000054/0035 Acórdão n.º 3302001.863 S3C3T2 Fl. 8 7 Além disso, ao longo de seu recurso voluntário, a contribuinte se insurge contra a suposta constituição de crédito a favor da Fazenda Pública, decorrente da apuração efetuada pela autoridade fiscal, às folhas 38/72, ao apreciar os pedidos de restituição/compensação. Entretanto, não há nos autos qualquer menção da autoridade fiscal a lançamento ou constituição de crédito tributário a favor da Fazenda Pública. A simples afirmativa de que os "relatórios e demonstrativos do aplicativo CAD demonstram a existência de débitos do PIS no período em que o contribuinte pleiteia créditos" (fl. 73) não tem força, por si só, para constituir o crédito tributário. Se fosse o caso, caberia à Fiscalização formalizar o crédito tributário mediante lançamento, em processo administrativo próprio (como afirma a interessada). Deste modo, qualquer argumentação acerca de possível constituição de crédito tributário, tais como, decadência e prescrição, utilização da TRD ou taxa Selic para corrigir débitos fiscais ou, forma de correção dos débitos, está fora dos limites deste processo administrativo. A argumentação da contribuinte de que o demonstrativo preparado pela Fiscalização é ininteligível não procede. Tal demonstrativo de atualização de base de cálculo do PIS (LC 7/70): base de cálculo de 06 (seis) meses anteriores com correção monetária, ás fls. 34/37 tem como finalidade adequar as bases de cálculo apresentadas pela contribuinte às folhas 12/13 à decisão judicial. No Demonstrativo de Apuração do Débito de PIS, às fls. 38/40, resta claro que a autoridade fiscal procedeu à apuração dos débitos de PIS, no período de março de 1989 a fevereiro de 1996, de acordo com as bases de cálculo apuradas nas planilhas de fls. 34/37. Da mesma forma, evidente está que a Listagem de Débitos, às folhas 41/44, apenas repetem os valores dos débitos anteriormente apurados no Demonstrativo de Apuração do Débito de PIS (fls. 38/40). A Listagem de Pagamentos, às fls. 45/47, relaciona os pagamentos efetuados pela contribuinte entre junho de 1989 e junho de 1995. Por, conseguinte, verificase que no Demonstrativo de Imputação Débitos Apurados x Pagamentos a autoridade lançadora efetua a imputação dos débitos apurados com os pagamentos, ou seja, atribui a cada débito apurado o respectivo pagamento e, restando débito em aberto, atribui a ele os pagamentos a maior efetuados. Deste procedimento de imputação poderia restar pagamentos a maior, configurando crédito a favor da contribuinte ou, como no caso presente, débitos em aberto, em virtude de os pagamentos efetuados terem sido a menor. Ademais, mesmo que a contribuinte desconhecesse a metodologia da compensação, assim mesmo poderia apresentar os seus próprios cálculos, de acordo com a decisão judicial Fl. 379DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/10/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13977.000054/0035 Acórdão n.º 3302001.863 S3C3T2 Fl. 9 8 proferida, anexando seus cálculos para que se pudesse efetivamente instaurar litígio entre os valores apresentados pelo Fisco e os por ele apresentados, o que não foi feito. Preferiu simplesmente afirmar a incompreensão do demonstrativo. Outro ponto levantado pela recorrente referese à afirmativa da autoridade fiscal, à fl. 73, que tem como objetivo o ajuste do parcelamento de acordo com os débitos apurados. Ora, justamente porque a apuração realizada pela autoridade fiscal, às fls. 34/72, abrange períodos objetos de parcelamento é que a autoridade a quo indica o encaminhamento do resultado da apuração ao processo de parcelamento, a fim de se verificar a existência ou não de débitos naquele processo. Em atendimento à decisão judicial, a utilização da base de cálculo do sexto mês anterior, com correção monetária, apesar de não resultar em crédito de PIS a favor da contribuinte, poderia ter diminuído o montante dos débitos de PIS que foram objeto do parcelamento. Esta foi claramente a intenção da autoridade fiscal e não, como deduz equivocadamente a contribuinte, a cobrança de débitos de PIS não parcelados. Por fim, a contribuinte afirma que a sentença judicial não determinou que se apurasse eventual diferença por conta da exclusão do ICMS em algumas bases de cálculo, não podendo a autoridade fiscal fazêlo. Além disso, afirma que as parcelas pagas a menor pela exclusão do ICMS da base de cálculo não poderiam elevar significativamente o crédito tributário. Em análise ao procedimento fiscal de verificação de eventual crédito tributário, verificase que, diferente do que afirma a contribuinte, não há qualquer menção da autoridade fiscal acerca da inclusão do ICMS não considerado pela interessada na base de cálculo do PIS, no período de apuração de março de 1989 a fevereiro de 1996. Na confecção da planilha de atualização de base de cálculo do PIS, elaborada de acordo com determinação judicial, a autoridade fiscal tãosomente utilizou as bases de cálculo informadas no demonstrativo, às fls. 12/13, apresentadas pela própria contribuinte, quando do pedido de restituição/compensação. Adicionalmente aos fundamentos acima, devo acrescentar que os documentos da Ação Ordinária nº 96.20010612, acostados aos autos, serviram para corroborar o voto do Ilustre Conselheiro Gileno Gurjão Barreto, acima reproduzido, posto que provam que na referida ação não foi reconhecido o direito à chamada semestralidade da base de cálculo do PIS, sem correção, prevalecendo, quando a esta matéria (semestralidade) o que foi decidido no Mandado de Segurança nº 9920033200, como bem disse a autoridade responsável pela realização da diligência, em resposta ao quesito formulado. Fl. 380DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/10/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13977.000054/0035 Acórdão n.º 3302001.863 S3C3T2 Fl. 10 9 No mais, com fulcro no art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19991, adoto e ratifico os fundamentos do acórdão de primeira instância. Por tais razões, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Walber José da Silva 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [. . .] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 381DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/10/2012 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 10384.722640/2011-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/2007 a 31/01/2011
PEDIDO JUDICIAL DE COMPENSAÇÃO DE TRIBUTOS. IMPOSSIBILIDADE DE UTILIZAÇÃO DOS CRÉDITOS ANTES DO TRÂNSITO EM JULGADO DA SENTENÇA QUE CONCEDEU O DIREITO AO SUJEITO PASSIVO.
O sujeito passivo somente pode se compensar de créditos concedidos em sentença judicial, após o trânsito em julgado desta.
SENTENÇA JUDICIAL RECORRÍVEL AFASTANDO A EXIGÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES SOBRE DETERMINADAS PARCELAS. IMPOSSIBILIDADE DE COBRANÇA DE CONTRIBUIÇÕES APENAS SOBRE A PARCELAS TIDAS PELO JUDICIÁRIO COMO ILEGAIS. POSSIBILIDADE DE LANÇAMENTO DE VALORES COMPENSADOS INDEVIDAMENTE.
Estando o fisco diante de decisão judicial que afastou a incidência de tributária sobre determinadas verbas, não pode cobrar as contribuições tidas como ilegais pelo Judiciário, no entanto, tem a Fazenda a possibilidade de lançar contribuições indevidamente compensadas.
COMPENSAÇÃO. DESNECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO AO CONTRIBUINTE. PRERROGATIVA DO FISCO DE VERIFICAR A REGULARIDADE DO PROCEDIMENTO. LANÇAMENTO DE VALORES COMPENSADOS INDEVIDAMENTE.
Os contribuintes têm a prerrogativa de efetuarem a compensação de valores indevidamente recolhidos, independentemente de autorização, todavia, o fisco deve verificar a correção do procedimento e lançar os valores que tenham sido compensados irregularmente.
MULTA ISOLADA. FALTA DE DEMONSTRAÇÃO DE FRAUDE NO PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. INAPLICABILIDADE.
Inaplicável a multa isolada de 150% nos casos em que o fisco fundamente a sua imposição apenas na incorreta declaração da GFIP, mormente quando o sujeito passivo detinha decisão judicial que autorizava a compensação após o seu trânsito em julgado.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2401-002.866
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) afastar as preliminares de nulidade; e II) mérito, dar provimento parcial ao recurso para que seja excluída a multa isolada.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/09/2007 a 31/01/2011 PEDIDO JUDICIAL DE COMPENSAÇÃO DE TRIBUTOS. IMPOSSIBILIDADE DE UTILIZAÇÃO DOS CRÉDITOS ANTES DO TRÂNSITO EM JULGADO DA SENTENÇA QUE CONCEDEU O DIREITO AO SUJEITO PASSIVO. O sujeito passivo somente pode se compensar de créditos concedidos em sentença judicial, após o trânsito em julgado desta. SENTENÇA JUDICIAL RECORRÍVEL AFASTANDO A EXIGÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES SOBRE DETERMINADAS PARCELAS. IMPOSSIBILIDADE DE COBRANÇA DE CONTRIBUIÇÕES APENAS SOBRE A PARCELAS TIDAS PELO JUDICIÁRIO COMO ILEGAIS. POSSIBILIDADE DE LANÇAMENTO DE VALORES COMPENSADOS INDEVIDAMENTE. Estando o fisco diante de decisão judicial que afastou a incidência de tributária sobre determinadas verbas, não pode cobrar as contribuições tidas como ilegais pelo Judiciário, no entanto, tem a Fazenda a possibilidade de lançar contribuições indevidamente compensadas. COMPENSAÇÃO. DESNECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO AO CONTRIBUINTE. PRERROGATIVA DO FISCO DE VERIFICAR A REGULARIDADE DO PROCEDIMENTO. LANÇAMENTO DE VALORES COMPENSADOS INDEVIDAMENTE. Os contribuintes têm a prerrogativa de efetuarem a compensação de valores indevidamente recolhidos, independentemente de autorização, todavia, o fisco deve verificar a correção do procedimento e lançar os valores que tenham sido compensados irregularmente. MULTA ISOLADA. FALTA DE DEMONSTRAÇÃO DE FRAUDE NO PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. INAPLICABILIDADE. Inaplicável a multa isolada de 150% nos casos em que o fisco fundamente a sua imposição apenas na incorreta declaração da GFIP, mormente quando o sujeito passivo detinha decisão judicial que autorizava a compensação após o seu trânsito em julgado. Recurso Voluntário Provido em Parte
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2198; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 176 1 175 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10384.722640/201121 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401002.866 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 24 de janeiro de 2013 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente COLEGIO DIFERENCIAL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/2007 a 31/01/2011 PEDIDO DE PERÍCIA. FALTA DE CUMPRIMENTO DAS EXIGÊNCIAS LEGAIS. INDEFERIMENTO. Será indeferido o pedido de perícia formulado sem que sejam mencionados os quesitos acerca da matéria controvertida e indicado o perito. JUNTADA DE DOCUMENTOS APÓS O PRAZO PARA IMPUGNAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA DE HIPÓTESES PREVISTAS NA LEGISLAÇÃO. INDEFERIMENTO. Serão indeferidos os pedidos para apresentação de provas após o prazo para impugnação, quando não comprovada a ocorrência de hipótese normativa que faculte tal permissão. PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA À DISCUSSÃO NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2007 a 31/01/2011 PEDIDO JUDICIAL DE COMPENSAÇÃO DE TRIBUTOS. IMPOSSIBILIDADE DE UTILIZAÇÃO DOS CRÉDITOS ANTES DO TRÂNSITO EM JULGADO DA SENTENÇA QUE CONCEDEU O DIREITO AO SUJEITO PASSIVO. O sujeito passivo somente pode se compensar de créditos concedidos em sentença judicial, após o trânsito em julgado desta. SENTENÇA JUDICIAL RECORRÍVEL AFASTANDO A EXIGÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES SOBRE DETERMINADAS PARCELAS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 4. 72 26 40 /2 01 1- 21 Fl. 176DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/02 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 IMPOSSIBILIDADE DE COBRANÇA DE CONTRIBUIÇÕES APENAS SOBRE A PARCELAS TIDAS PELO JUDICIÁRIO COMO ILEGAIS. POSSIBILIDADE DE LANÇAMENTO DE VALORES COMPENSADOS INDEVIDAMENTE. Estando o fisco diante de decisão judicial que afastou a incidência de tributária sobre determinadas verbas, não pode cobrar as contribuições tidas como ilegais pelo Judiciário, no entanto, tem a Fazenda a possibilidade de lançar contribuições indevidamente compensadas. COMPENSAÇÃO. DESNECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO AO CONTRIBUINTE. PRERROGATIVA DO FISCO DE VERIFICAR A REGULARIDADE DO PROCEDIMENTO. LANÇAMENTO DE VALORES COMPENSADOS INDEVIDAMENTE. Os contribuintes têm a prerrogativa de efetuarem a compensação de valores indevidamente recolhidos, independentemente de autorização, todavia, o fisco deve verificar a correção do procedimento e lançar os valores que tenham sido compensados irregularmente. MULTA ISOLADA. FALTA DE DEMONSTRAÇÃO DE FRAUDE NO PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. INAPLICABILIDADE. Inaplicável a multa isolada de 150% nos casos em que o fisco fundamente a sua imposição apenas na incorreta declaração da GFIP, mormente quando o sujeito passivo detinha decisão judicial que autorizava a compensação após o seu trânsito em julgado. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) afastar as preliminares de nulidade; e II) mérito, dar provimento parcial ao recurso para que seja excluída a multa isolada. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 177DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/02 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10384.722640/201121 Acórdão n.º 2401002.866 S2C4T1 Fl. 177 3 Relatório Insurgiuse o sujeito passivo contra o Acórdão n.º 0823.325 de lavra da 6.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil – DRJ em Fortaleza (CE), que julgou improcedente a impugnação apresentada contra o Auto de Infração – AI n.º 51.010.0244. O crédito em questão decorreu de glosas de valores que, segundo o fisco, foram indevidamente compensados, os quais foram declarados na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP. A Autoridade Fiscal afirmou que o sujeito passivo impetrou, em 01/10/2009, o Mandado de Segurança – MS n.º 2009.40.00.0065457, com pedido de compensação das contribuições previdenciárias recolhidas nos dez anos anteriores, incidentes sobre salário maternidade; férias gozadas, remuneração nos primeiros quinze dias de afastamento do empregado por motivo de doença ou acidente, bem como requerendo a declaração de inexigibilidade das contribuições. Afirmase ainda que a decisão de primeira instância no referido MS, proferida em 15/10/2010, acatou em parte o pedido do sujeito passivo, reconhecendo a ilegalidade da exigência de contribuições sobre os primeiros quinze dias do afastamento por motivo de doença e sobre o terço constitucional de férias, todavia, determinou que a compensação dos valores indevidamente recolhidos somente poderia se dar após o trânsito em julgado da sentença. Conclui o fisco que o procedimento compensatório foi irregular, posto que desobedeceu os termos da sentença acima referida, devendo ser aplicada, além dos acréscimos sobre o crédito originário, multa isolada no patamar de 150%, conforme preceitua o § 10 do art. 89 da Lei n.º 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP n.º 449/2008, posteriormente convertido na Lei n.º 11.941/2009. Foi lavrada representação fiscal para fins penais, segundo o fisco, pelo fato da empresa intencionalmente não haver retificado as suas guias declaratórias, mesmo tendo conhecimento da sentença exarada no MS por ela impetrado. Em seu recurso a autuada, em apertada síntese, alegou que: a) o indeferimento do pedido de produção de prova pericial pelo órgão recorrido, sem a devida motivação, atropelou seu direito de defesa, por isso a decisão da DRJ deve ser anulada; b) não pode a administração tributária proibir o recorrente de apresentar, em qualquer fase do processo administrativo, documentos supervenientes à apresentação da defesa, sob pena de ferir a garantia constitucional à ampla defesa e ao contraditório; c) tendo o judiciário reconhecido a inexigibilidade das contribuições incidentes sobre o terço de férias e sobre a remuneração nos quinze dias de afastamento por motivo de doença, a empresa não necessitaria de autorização judicial ou administrativa para se Fl. 178DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/02 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 compensar dos valores indevidamente recolhidos, com fulcro no art. 66 da Lei n.º 8.383/1991 c/c o art. 74 da Lei n.º 9.430/1996; d) recorreu ao judiciário não para obter autorização para se compensar, mas para não sofrer retaliações por parte da Fazenda Pública; e) apresenta texto doutrinário e decisão judicial que acolhem o entendimento de que não deve se condicionar a compensação ao trânsito em julgado da decisão judicial que reconhece os créditos do contribuinte; f) conforme o CTN, os créditos lançados encontramse com a exigibilidade suspensa, posto que a empresa possui decisão favorável em mandado de segurança; g) são ilegais e inconstitucionais as exigências de contribuições sobre parcelas que não representam contraprestação pelo trabalho, como é o caso do salário maternidade, férias gozadas e seu adicional e remuneração nos primeiros quinze dias de afastamento do empregado por motivo de doença; h) considerando que foi reaberta no STJ a discussão sobre incidência de contribuições previdenciárias patronais sobre férias gozadas, devese suspender a exigibilidade das referidas contribuições até que o STJ se pronuncie definitivamente sobre o tema; i) a imposição de multa isolada no patamar de 150% fere os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade, além de que não se comprovou a ocorrência de fraude do contribuinte, devendo ser excluída essa parcela do crédito tributário. Ao final, pede a reforma da decisão recorrida, com declaração de improcedência do lançamento. É o relatório. Fl. 179DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/02 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10384.722640/201121 Acórdão n.º 2401002.866 S2C4T1 Fl. 178 5 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Indeferimento da perícia A recorrente acusa cerceamento ao seu direito de defesa, ocasionado pela negativa de produção de prova pericial pela DRJ, supostamente sem a devida motivação. Não deve ser acatada essa alegação. É que o órgão de primeira instância justificou o indeferimento da perícia requerida pela empresa na falta de cumprimento de requisitos legais, conforme se vê de excerto do voto condutor do acórdão: “Quanto ao pedido de perícia, para seu deferimento, devem estar presentes os requisitos previstos no Decreto 70.235/72: Art. 16. (...) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993). § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993). Impossível o acolhimento do pedido de perícia, uma vez que não satisfeitos os requisitos previstos no art. 16 do Decreto 70.235/72, quais sejam, a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados e a indicação do nome, endereço e qualificação profissional do seu perito.” Como se vê o órgão recorrido não deixou sem resposta o pedido de perícia formulado pelo sujeito passivo, motivando a sua negativa em falta de cumprimento de requisito legal, o qual foi transcrito na decisão. Afastase, assim essa causa de nulidade do acórdão recorrido. Juntada posterior de documentos Conforme o art. 15 do Decreto n.º 70.235/1972, somente é admitida a juntada de provas após a impugnação quando reste comprovada alguma das hipóteses listadas nas alíneas do seu § 4.º . Vejamos o dispositivo: Fl. 180DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/02 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Obedecendo aos comandos acima, a DRJ manifestouse contrariamente à produção de provas após a defesa, posto que, naquele momento, a recorrente não apresentou qualquer justificativa para seu pleito. Mas tal questão não ficou fechada, uma vez que dispondo a empresa de documento novo que se enquadrasse nas hipóteses normativas acima transcritas, a juntada posterior seria obrigatoriamente deferida. Portanto, o alegado cerceamento ao direito de defesa do sujeito passivo não ocorreu, afastandose mais essa preliminar de nulidade. Compensação A motivação exposta pelo fisco para glosar os valores compensados pelo sujeito passivo relativos à contribuições sobre saláriomaternidade, remuneração nos primeiros quinze dias de afastamento por motivo de doença, férias e o terço constitucional de férias foi o fato da sentença proferida no bojo do MS n.º 2009.40.00.0065457, malgrado tenha reconhecido a inexigibilidade da exigência sobre a parcela paga pela empresa durante o afastamento por doença e sobre o terço de férias, condicionou a compensação dos valores ao trânsito em julgado da sentença. Vêse que a decisão inicial do judiciário está em total consonância com os ditames do art. 170A do Código Tributário Nacional, assim redigido: Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial.(Artigo incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) Como se percebe, não pode ser acatado o argumento de que havia decisão judicial autorizando a compensação das mencionadas quantias, descabendo assim a alegação da Fl. 181DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/02 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10384.722640/201121 Acórdão n.º 2401002.866 S2C4T1 Fl. 179 7 empresa de que o fisco teria desconsiderado determinação do Poder Judiciário, haja vista que este não concedeu o direito à compensação de imediado. A recorrente afirma ainda que o fisco não poderia lançar os créditos, posto que a sua exigibilidade estaria suspensa por força da sentença proferida em sede de mandado de segurança. Essa afirmação também não merece acolhida. É que embora o Judiciário tenha reconhecido a inexigibilidade das contribuições incidentes sobre os primeiros quinze dias de afastamento e sobre o terço de férias, o crédito não foi constituído sobre essas parcelas, mas sobre valores compensados indevidamente, conforme demonstrado acima, os quais não se referiam apenas a contribuições sobre as verbas acima, mas também sobre saláriomaternidade e férias gozadas. De se concluir que o fisco, a partir da sentença proferida pelo Judiciário parcialmente em favor da recorrente, não poderia exigir contribuições sobre as parcelas tidas como ilegais, todavia, não estaria impedido de exigir parcelas indevidamente compensadas pela empresa. Outra questão trazida pelo sujeito passivo é que buscou a tutela do Judiciário não para efetuar a compensação, mas para evitar que o fisco viesse a aplicarlhe sanção pelo fato de ter se compensado de valores recolhidos indevidamente. Afirma que a legislação não exige autorização administrativa ou judicial para que os contribuintes efetuem encontro de contas com a Fazenda. Advoga que não poderia o fisco efetuar as glosas, uma vez que a empresa se compensou dos valores indevidos que recolheu, com amparo art. 66 da lei nº 8.383/1991, c/c art. 74 da Lei nº 9.430/1996. De fato, os contribuintes, tendo efetuado recolhido contribuições indevidas, têm a faculdade de se compensarem destes valores com tributos de mesma natureza, vencidos e vincendos. Todavia, para os tributos submetidos à sistemática do lançamento por homologação, tem o fisco a prerrogativa de, no prazo decadencial, analisar o procedimento compensatório e efetuar a homologação, caso conclua pela sua justeza, ou exigir os tributos que tenham sido compensados ao arrepio da lei. No caso sob enfoque, o fisco, ao verificar que o contribuinte utilizou para compensação créditos decorrentes de sentença judicial sem caráter de definitividade, em afronta ao que determinava a própria decisão, glosou os valores e está a exigir a quantia compensada indevidamente. Assim, embora a norma faculte ao sujeito passivo a possibilidade de compensação, cabe ao fisco verificar se esta se deu nos moldes autorizados pela legislação. Utilizou o fisco exatamente do seu poderdever de analisar o procedimento compensatório e, ao se deparar com o irregular encontro de contas, lançou os valores incorretamente compensados. Concluise, assim, que a glosa dos valores compensados indevidamente está em sintonia com as normas que regem a matéria, sendo descabido o inconformismo da recorrente. Fl. 182DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/02 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 Multa isolada Sobre a aplicação da multa isolada, no patamar de 150%, assim se pronunciou a Autoridade Fiscal: “7. A aplicação da multa isolada em dobro tem por fundamento a falsidade das informações das compensações declaradas em Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP, considerando como competência para o lançamento o mês de envio das mesmas, vez que ao contribuinte, em nenhum momento, foi assegurado o direito a efetuar referidas compensações antes do trânsito em julgado da sentença”. Alega a empresa que a multa isolada é exorbitante, ferindo os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade, além de que somente poderia ser aplicada caso o fisco comprovasse a ocorrência de fraude, o que não ocorreu. Vejamos o dispositivo da Lei n.º 8.212/1991 em que se baseou o fisco para aplicação da multa isolada: Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Observase que a aplicação da multa isolada é condicionada a comprovação de falsidade na declaração prestada pelo contribuinte. Na situação sob análise, não há como negar que o sujeito passivo declarou valores a compensar que, embora tivessem sido reconhecidos em sentença judicial, não poderiam ser objeto de procedimento compensatório até o transito em julgado da decisão do Judiciário. Verificase, assim, que o processo não trata de compensação de créditos inexistentes ou mesmo objeto de fraude, mas de valores que, até o implemento de determinada condição, não poderiam ser utilizados para encontro de contas com a Fazenda. Para que restasse caracterizada a falsidade mencionada no § 10 do art. 89, entendo que deveria ser comprovada a fraude, conceituada no art. 72 da Lei n.º 4.502/1964, verbis: Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Fl. 183DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/02 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10384.722640/201121 Acórdão n.º 2401002.866 S2C4T1 Fl. 180 9 O fisco tenta caracterizar a fraude sob a alegação de que a empresa, mesmo tomando ciência do teor da decisão que condicionava a compensação ao seu trânsito em julgado, utilizou os créditos. Entendemos, todavia, que a compensação com base em sentença judicial sem caráter de definitividade deve ser punida com a imposição dos acréscimos legais, jamais ser tratada como falsificação, com aplicação de multa isolada no patamar de 150%. Diante do exposto, entendo que deva ser afastada a multa isolada, por falta de caracterização de conduta fraudulenta. Discussão judicial – renúncia às instâncias administrativas Sobre da incidência de contribuições sobre férias, terço constitucional de férias, saláriomaternidade e remuneração nos primeiros quinze dias de afastamento abstenho me de lançar pronunciamento, uma vez que é matéria que já está sendo discutida no âmbito do Poder Judiciário no bojo do mesmo MS em que se pleiteia a compensação. Adoto esse proceder com esteio na súmula n.º 1 do CARF, verbis: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Portanto, ao ingressar no judiciário para discutir as mencionadas matérias, o sujeito passivo renunciou ao direito de vêlas apreciadas nas instâncias administrativas. Conclusão Voto por afastar as preliminares de nulidade da decisão recorrida e, no mérito, por dar provimento parcial ao recurso para que seja excluída a multa isolada. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 184DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/02 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 11065.100783/2009-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 23 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009
REGIME NÃO CUMULATIVO. APURAÇÃO. CRÉDITO. INSUMOS. CONCEITO.
O sistema não cumulativo de apuração da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - COFINS admite que seja descontado do valor devido o crédito apurado com base nos gastos expressamente previstos em Lei, dentre os quais se incluem os gastos incorridos na compra de bens e serviços utilizados como insumo na fabricação dos bens.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3102-001.605
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para acatar os créditos decorrentes de tratamento de resíduos industriais e equipamentos de proteção individual. A Conselheira Nanci Gama votou pelas conclusões. Ausente momentaneamente o Conselheiro Helder Massaaki Kanamaru.
(assinado digitalmente)
Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Relator.
EDITADO EM: 03/09/2012
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Winderley Morais Pereira, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Nanci Gama.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para acatar os créditos decorrentes de tratamento de resíduos industriais e equipamentos de proteção individual. A Conselheira Nanci Gama votou pelas conclusões. Ausente momentaneamente o Conselheiro Helder Massaaki Kanamaru. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa - Relator. EDITADO EM: 03/09/2012 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Winderley Morais Pereira, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Nanci Gama.
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KUNTZLER & CIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009 REGIME NÃO CUMULATIVO. APURAÇÃO. CRÉDITO. INSUMOS. CONCEITO. O sistema não cumulativo de apuração da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS admite que seja descontado do valor devido o crédito apurado com base nos gastos expressamente previstos em Lei, dentre os quais se incluem os gastos incorridos na compra de bens e serviços utilizados como insumo na fabricação dos bens. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para acatar os créditos decorrentes de tratamento de resíduos industriais e equipamentos de proteção individual. A Conselheira Nanci Gama votou pelas conclusões. Ausente momentaneamente o Conselheiro Helder Massaaki Kanamaru. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Relator. EDITADO EM: 03/09/2012 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Winderley Morais Pereira, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Nanci Gama. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 10 07 83 /2 00 9- 39 Fl. 175DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/12/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por RICARDO PAULO ROSA 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o Relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. Tratase de manifestação de inconformidade contra indeferimento parcial de pedido de ressarcimento (PER/DCOMP), relativo ao saldo credor de Cofins não cumulativa visando a ter reconhecido direito a se ressarcir do creditamento de valores referentes à despesas diversas que exemplifica como relativas a: assistência médica odontológica, comissões sobre vendas, tratamento de resíduos industriais, transporte de pessoal, refeições coletivas dos funcionários, exportação, manutenção de software, material de limpeza, uniformes, equipamentos de proteção, propaganda, publicidade e cursos para funcionários, que foram glosadas em face da impossibilidade de sua caracterização como insumos dentro da sistemática de apuração de créditos pela nãocumulatividade de Pis e Cofins. O interessado defende, também, a atualização monetária, pela taxa SELIC, de seus créditos indeferidos, desde a apuração do pedido até o efetivo ressarcimento. A o final, pleiteia o direito a crédito de bem incorporado ao ativo imobilizado, um caminhão e sua carroceria, com a alegação de que serviria para o transporte de suas mercadorias. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009 Ementa: Existe vedação legal para o creditamento de despesas que não podem ser caracterizadas como insumos dentro da sistemática de apuração de créditos pela não cumulatividade de Pis e Cofins. Manifestação de Inconformidade Improcedente Insatisfeita com a decisão de primeira instância, a recorrente apresenta Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio do qual repisa argumentos contidos na Impugnação ao Lançamento. Inicia por trazer considerações a respeito do Sistema não cumulativo de cálculo dos tributos devidos, para depois adentrar ao conceito de insumo, para concluir que, no seu caso, “dentro do conceito de bens que lhe dão direito a aproveitamento, podese incluir, as matérias primas, material de embalagem e produtos intermediários empregados diretamente no processo produtivo. Além disso, se enquadra no conceito de "insumo" que irá, direta ou indiretamente, proporcionar o incremento do objeto social da empresa, todos os serviços intrinsecamente necessários à atividade da empresa, tais como: os valores pagos a empresas pela representação comercial (comissões), as despesas de marketing para divulgação do produto, os serviços de consultoria prestados por pessoas jurídicas (aqui incluídos assessoria na área industrial, jurídica, contábil, comércio exterior, etc), os serviços de limpeza, os serviços de vigilância, etc”. Acrescenta, Fl. 176DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/12/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11065.100783/200939 Acórdão n.º 3102001.605 S3C1T2 Fl. 3 3 Enfim, dentro dessa linha de raciocínio, pode ser considerado como insumo todas as despesas necessárias à consecução do objeto social da empresa, cabendo ressaltar que, para fins de apuração da base de cálculo das contribuições não cumulativas, apenas poderá ser considerado como insumo àquelas aquisições em relação as quais houve a incidência das contribuições na etapa anterior. Requer, ainda, reconhecimento de crédito sobre bem incorporado ao ativo imobilizado – caminhão e carroceria. Pede uma vez mais atualização dos créditos pela Taxa Selic. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do Recurso. Como relata a Recorrente no corpo do Recurso Voluntário, do total de R$ 1.009.811,94 requeridos no pedido de compensação/ressarcimento inicialmente protocolado perante a Secretaria da Receita Federal, foram glosados R$ 40.244,28. Segundo entendimento do Fisco, os gastos correspondentes não dão direito ao lançamento credor para desconto no cálculo da Contribuição devida, por estarem relacionados com materiais e serviços não enquadrados no conceito de insumo. A questão não é nova, referese ao entendimento do que deve ser classificado como insumo, na acepção da palavra empregada pelo legislador na regulamentação do sistema de apuração não cumulativo das Contribuições. A Secretaria da Receita Federal, com ninguém desconhece, baixou Atos Normativos interpretando de forma notadamente restritiva o termo encontrado nas Leis que especificam os critérios de apuração das Contribuições. As Instruções Normativas n.º 247/02, com alteração introduzida pela IN 358/03, e 404/04, definem que, em se tratando de empresas dedicadas à fabricação de bens para venda, como é o caso, o conceito de insumo restringese à a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; e aos serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. De seu turno, a Recorrente defende critério fundamentado em pressupostos situados em posição diametralmente oposta à escolhida pelo Fisco, segundo o qual todas as despesas necessárias à consecução do objeto social da empresa enquadramse no conceito. É entendimento majoritário na jurisprudência que vem se formando em segunda instância administrativa de julgamento, que o conceito de insumo, no sistema de apuração não cumulativo das Contribuições, situase em posição intermediária, nem tão restrito quanto a determinada pelo Fisco, nem tão amplo quanto defendem os contribuintes. Tem sido Fl. 177DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/12/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por RICARDO PAULO ROSA 4 admitido o lançamento credor calculado com base nos gastos incorridos pela empresa, sob a condição de que tratemse de bens ou serviços aplicados na produção ou a ela diretamente vinculados, mesmo que, ao contrario de como pretendem limitar os Atos Normativos supra citados, não sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. Noutro vértice, não têm sido aceitas as despesas associadas à manutenção da atividade empresarial como um todo, sem qualquer vínculo especial com o processo produtivo propriamente dito. De fato, salvo melhor juízo, não vejo razão para que conceito de insumo seja determinado pelos mesmos critérios utilizados na apuração do Imposto sobre Produtos Industrializados, premissa por detrás das normas editadas pela Receita Federal do Brasil na restrição de seu alcance, tanto quanto não vejo respaldo legal para inclusão de tudo o quanto admite o sistema de apuração do Imposto de Renda, como frequentemente defendem os contribuintes. Essa conclusão decorre, a um tempo, da leitura que se faz das disposições legais que autorizam a apropriação do crédito e, a outro, das particularidades do método de apuração das Contribuições para o PIS/PASEP e COFINS. Como é de sabença, a legislação que introduziu a cobrança não cumulativa das Contribuições define sua base de cálculo como sendo o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, compreendendo a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. Feitas as exclusões expressamente relacionadas nas Leis, tudo o mais deve ser incluído na base imponível. Levandose em conta que o sistema de não cumulatividade tributária traz em si a ideia inescapável de que a incidência não ocorra ao longo das diversas etapas de um determinado processo sem que o contribuinte possa reduzir de seu encargo aquilo do que foi onerado no momento anterior, ainda que considerássemos todas as particularidades e atipicidades do Sistema de cobrança das Contribuições, terminaríamos por concluir que, a um débito tributário calculado sobre o total das receitas haveria de fazer frente um crédito calculado sobre o total das despesas. Particularmente, entendo que resulta daí a impertinência do critério proposto pela Fisco, restringindo excessivamente o direito ao crédito. Disso sobrevém nova questão. Se a melhor compreensão do sistema claramente ampara e remete às definições sugeridas pela Recorrente e, de maneira geral, pelos contribuintes, qual a razão para rejeitála? A resposta é simples: porque a mecânica de apuração das Contribuições não está assim definida em Lei. Tal como consta do texto legal, o direito de crédito, em definição genérica, admite apenas que se considerem as despesas com bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, nunca a integralidade dos gastos da pessoa jurídica. Prova disso é que os gastos que não se incluem nesse conceito e dão direito ao crédito são listados um a um nos itens seguintes, de forma exaustiva. E não é só. Fl. 178DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/12/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11065.100783/200939 Acórdão n.º 3102001.605 S3C1T2 Fl. 4 5 O fato é que não haveria mesmo como admitir outra interpretação. Se encampássemos a tese de que insumo, terminologia derivada da expressão input, denota tudo o que é introduzido no processo com vistas a obtenção do resultado, no caso a venda da produção, restaria evidente uma inconcebível distorção promovida pelo legislador ordinário no amplo reconhecimento ao direito de crédito para o setor industrial e na prestação de serviços, ao mesmo tempo em que, ao definilo para o comércio, restringiu o direito aos gastos com bens adquiridos para revenda. É claro que essa interpretação não pode prevalecer. Insumo, tal como definido e para os fins a que se propõe o inciso II do artigo 3º, são apenas as mercadorias, bens e serviços que, assim como no caso das empresas comerciais, estejam diretamente vinculados à operação na qual se realiza o negócio da empresa. No comércio, sendo o negócio a venda dos bens no mesmo estado em que foram comprados, o direito ao crédito restringese ao gasto na aquisição para revenda. Na indústria e no serviço, uma vez que a transformação é intrínseca à atividade, o conceito abrange tudo aquilo que é diretamente empregado na produção ou na consecução do produto/serviço vendido, de tal sorte que os créditos na indústria e na prestação de serviços observe o mesmo nível de restrição determinado para o crédito admitido no comércio. Expostos os postulados que norteiam minha decisão. Passo ao exame do caso concreto. No vertente litígio, discutese a possibilidade de aproveitamento de créditos com os gastos assim especificados e detalhados no Recurso Voluntário apresentado a este Colegiado. Assistência médica e odontológica a empresa proporciona a assistência médica e odontológica aos seus funcionários, mediante a contratação de empresas especializadas para tanto, como forma de prover uma melhor saúde física aos seus funcionários Comissões s/vendas nesse item são incluídas as despesas relativamente às comissões pagas às pessoas jurídicas que intermediam as vendas da recorrente, sendo que tais despesas, inclusive, são consideradas como custo direto com vendas, para fins contábeis; Tratamento de resíduos industriais a empresa é obrigada, por expressa disposição legal, a tratar os seus resíduos industriais, o que realiza através de empresa especializada, Transporte de pessoal e pagamentos realizados a empresas de refeições coletivas a recorrente contrata empresas especializadas para o transporte de pessoal e o preparo de. refeições aos seus funcionários. Apesar de constar que as despesas são referentes ao Programa de Alimentação ao Trabalhador, na verdade esses são os valores pagos às empresas credenciadas perante o PAT, para fornecer refeições coletivas a funcionários; Despesas de exportação e manutenção de software sem a contratação de empresas exportadoras, as mercadorias produzidas pela recorrente não serão remetidas ao mercado externo. Da mesma forma, sem a manutenção de software, que gerencie todas os controles internos, a empresa não poderá realizar adequadamente as suas atividades. Fl. 179DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/12/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por RICARDO PAULO ROSA 6 Somados a isso, pode ser enquadrado como insumo às mercadorias adquiridas para uso e consumo, tais como: o material empregado na limpeza, os uniformes e equipamentos de proteção individual utilizados pelos funcionários, os valores gastos com propaganda, publicidade e anúncios, formação profissional dos funcionários, etc Ainda que este Conselho apresente tendência a reconhecer direito de crédito partindo de um conceito menos restritivo do que aquele o que é utilizado no âmbito da Secretaria da Receita Federal, não vejo como admitilo para maior parte dos gastos relacionados acima. E existem diversas razões para tanto. Alguns gastos, segundo me parece, estão relacionadas a etapas posteriores à produção, como no caso das comissões de venda e despesas de exportação. Outros associados indistintamente a todas atividades da empresa, tal como se depreende da designação genérica a: material empregado na limpeza, uniformes e equipamentos, formação profissional dos funcionários, transporte de pessoal e auxílio refeição. Há também gastos administrativos, como manutenção de software e com a promoção de venda – propaganda, publicidade e anúncios. Como disse, temse admitido o aproveitamento de créditos com gastos incorridos na aquisição de bens, mesmo que eles não sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação; contudo necessário que tenham sido aplicados na produção ou a ela estejam diretamente vinculados, o que não parece ser o caso da maior parte dos gastos especificados. A exceção deve ser feita às despesas relacionadas ao tratamento de resíduos industriais e com equipamento de proteção individual, ambos, a meu ver, diretamente vinculados ao processo produtivo da empresa. Quanto à segunda questão suscitada pela defesa, qual seja, a correção do valor do crédito pela Taxa Selic, merece ser esclarecido que a Lei 9.250/95, citada no Recurso, ao contrário do que defendido, não estabeleceu a correção do valor a que o contribuinte tem direito a título de ressarcimento, apenas a título de restituição, como abaixo. Lei 9.250/95 Art. 39. A compensação de que trata o art. 66 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, com a redação dada pelo art. 58 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, somente poderá ser efetuada com o recolhimento de importância correspondente a imposto, taxa, contribuição federal ou receitas patrimoniais de mesma espécie e destinação constitucional, apurado em períodos subseqüentes. (...) § 4º A partir de 1º de janeiro de 1996, a compensação ou restituição será acrescida de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir da data do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. (Vide Lei nº 9.532, de 1997) Lei 8.383/91 Art. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos, contribuições federais, inclusive previdenciárias, e receitas patrimoniais, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no Fl. 180DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/12/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11065.100783/200939 Acórdão n.º 3102001.605 S3C1T2 Fl. 5 7 recolhimento de importância correspondente a período subseqüente. (Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.1995) (Vide Lei nº 9.250, de 1995) § 1º A compensação só poderá ser efetuada entre tributos, contribuições e receitas da mesma espécie. (Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.1995) § 2º É facultado ao contribuinte optar pelo pedido de restituição. (Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.1995) § 3º A compensação ou restituição será efetuada pelo valor do tributo ou contribuição ou receita corrigido monetariamente com base na variação da UFIR. (Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.1995) § 4º As Secretarias da Receita Federal e do Patrimônio da União e o Instituto Nacional do Seguro Social INSS expedirão as instruções necessárias ao cumprimento do disposto neste artigo. (Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.1995) Por todo o exposto, VOTO POR DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para admitir o crédito com base nos gastos com ao tratamento de resíduos industriais e com equipamento de proteção individual. Sala de Sessões, 23 de agosto de 2012. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa – Relator. Fl. 181DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/12/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 10384.001021/2009-85
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
EMBARGOS. ADMISSÃO.
Rejeitam-se os embargos se não demonstrada a obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou omissão de ponto sobre o qual devia ter-se pronunciado a turma.
Numero da decisão: 1302-000.995
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos.
(assinado digitalmente)
LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
EDUARDO DE ANDRADE - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, (presidente da turma), Paulo Roberto Cortez, Eduardo de Andrade, Márcio Rodrigo Frizzo, Andrada Márcio Canuto Natal e Diniz Raposo e Silva.
Nome do relator: EDUARDO DE ANDRADE
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ADMISSÃO. Rejeitamse os embargos se não demonstrada a obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou omissão de ponto sobre o qual devia terse pronunciado a turma. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos. (assinado digitalmente) LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO – Presidente em exercício. (assinado digitalmente) EDUARDO DE ANDRADE Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, (presidente da turma), Paulo Roberto Cortez, Eduardo de Andrade, Márcio Rodrigo Frizzo, Andrada Márcio Canuto Natal e Diniz Raposo e Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 4. 00 10 21 /2 00 9- 85 Fl. 1060DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 30/10/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 30/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10384.001021/200985 Acórdão n.º 1302000.995 S1C3T2 Fl. 1.061 2 Relatório A 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento acordou, nos termos do acórdão nº 130200.490, de 22/02/11, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário nº 510.779, encartado no processo vertente, nos termos do relatório e voto do relator. LIMPEL SERVIÇOS GERAIS LTDA, todavia, irresignada com o provimento dado, opôs embargos à decisão prolatada, alegando obscuridade de fundamentação e omissão de pronunciamento sob matéria recursal. Alega, em síntese, que: as doações recebidas pela Sra. Marisa Monteiro deramse a título gratuito, estando tais informações devidamente noticiadas na contabilidade da recorrente e nas informações prestadas pela donatária. Logo, não poderia a decisão recorrida desconsiderar o presente negócio jurídico por ausência de algumas formalidades que não são capazes de elidir sua ocorrência no mundo concreto. A decisão recorrida não demonstrou a existência de negócio jurídico oculto, o que, ao ver da defendente, é imprescindível para se concluir pela possibilidade da tributação da operação ora em comento É lícito aos contribuintes adotarem a forma jurídica que lhes parecer mais adequada, desde que não seja ilícita, proibida, ou vedada por lei. Pugna a recorrente, assim, que o relator se pronuncie expressamente quanto à existência ou não de negócio oculto para justificar o argumento “pagamento sem causa” que deu origem à presente autuação; a decisão embargada deixou de se pronuciar acerca da contradição entre o fundamento do lançamento do IRRF e da exigência do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, apenando duplamente a requerente, o que carece de lógica. É o relatório Fl. 1061DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 30/10/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 30/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10384.001021/200985 Acórdão n.º 1302000.995 S1C3T2 Fl. 1.062 3 Voto Conselheiro Eduardo de Andrade, Relator Os embargos são tempestivos, e portanto, deles conheço. Doação – IRRF sobre pagamentos cuja causa da operação não foi comprovada O acórdão prolatado é acoimado de obscuro e omisso por manter a tributação do IRRF sobre pagamentos cuja causa da operação não foi comprovada, relativamente às doações efetuadas pela embargante à Sra. Maria das Virgens Rocha Monteiro, (cônjuge de Miguel Avelar), relativamente às quais não foram apresentada documentação comprobatória. Reproduzo trecho do Termo de Verificação Fiscal, por oportuno e esclarecedor dos fatos: Identificamos ainda a existência de transferência de recursos da fiscalizada para pessoa ligada ao senhor Miguel Avelar, como no caso dos cheques n° 900048 e 000293, nos valores de R$ 140.000,00 e R$ 60.000,00 que foram emitidos em benefício da senhora Maria das Virgens Rocha Monteiro (cônjuge do mesmo), sem nenhuma obrigação da empresa para tal. Segundo informações da fiscalizada, atendendo ao nosso termo de intimação fiscal n° 004, os recursos foram repassados a título de "doação gratuita". Desconsideramos tais alegações, uma vez que não foram apresentados documentos comprobatórios; além do mais, não seria plausível a doação de tais quantias, enquanto que os próprios sócios receberam naquele ano quantias bem mais modestas (cerca de apenas R$ 55.000,00, conforme informado no curso dessa fiscalização), restando caracterizada a infração denominada "pagamento sem causa", cuja tributação será efetuada nos termos do artigo 674 e parágrafos, do Decreto n° 3.000/99 (Regulamento do Imposto de RendaRIR/99). A recorrente se insurgiu contra a exação, pois entende que a operação indicou o beneficiário, eis que a própria autoridade declina no seu termo de intimação fiscal (fls. 90/91) que os pagamentos estavam escriturados. “e considerandose que os históricos utilizados na escrituração do seu Livro Caixa impossibilita a correta identificação de algumas operações ali registradas” Fl. 1062DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 30/10/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 30/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10384.001021/200985 Acórdão n.º 1302000.995 S1C3T2 Fl. 1.063 4 O voto condutor do acórdão vergastado, de minha lavra, assim se manifestou sobre o tema: Todavia, cabe ressaltar que o fundamento legal do lançamento não é o pagamento a beneficiário não identificado, mas o pagamento de operação cuja causa não foi comprovada. Assim, embora alegue que os valores decorrem de doação, a alegação vem desacompanhada de provas. Com efeito, os comprovantes de pagamento não justificam a causa, senão o próprio pagamento. Se houve uma doação, haveria de ser constituída por instrumento público ou particular, indicando doador e donatário, prazo para aceitação, eventuais encargos estabelecidos pelo doador, eventual cláusula de reversão, etc. Tal situação não se verificou. Não se socorre, igualmente, o recorrente do parágrafo único do art. 541 do Código Civil, que estabelece a validade da doação verbal para bens móveis de pequeno valor, porque não se pode aceitar que os valores repassados (que totalizam R$200.000,00) estejam amparados por esta hipótese. Ora, as razões para não aceitar a causa dos pagamentos efetuados restam claras nos termos declinados, sendo eles a impossibilidade de serem confirmadas as operações no livro caixa da empresa, posto que os históricos não permitem tal dedução, a inexistência de documentação comprobatória da causa da operação (constituição por instrumento público ou particular, com indicação de doador, donatário, prazo para aceitação, eventuais encargos estabelecidos pelo doador, eventual cláusula de reversão, etc), e a incompatibilidade entre os valores transmitidos (que totalizam R$ 200.000,00) com a forma verbal. Assim, não há qualquer razão oculta na decisão, estando os motivos devidamente declinados, embora com eles não se resigne a embargante. Neste sentido, sou pela rejeição dos embargos relativamente a este tópico, por não restar devidamente demonstrada a omissão ou obscuridade. IRRF e IRPJ, CSLL, PIS e Cofins – dupla cobrança Também é argüido que a decisão embargada deixou de se pronuciar acerca da contradição entre o fundamento do lançamento do IRRF e da exigência do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, apenando duplamente a requerente, o que carece de lógica. Neste ponto, devese ressaltar que a controvérsia levantada pela ora embargante teve fulcro na redação do art. 44 da Lei nº 8.541/92, dispositivo revogado pela Lei nº 9.249/95, o qual autorizava a tributação exclusivamente na fonte de valores de omissão de receita verificados na pessoa jurídica. Isto porque os considerava automaticamente recebidos pelos sócios, acionistas ou titulares de empresa individual. Vejamolo: Fl. 1063DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 30/10/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 30/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10384.001021/200985 Acórdão n.º 1302000.995 S1C3T2 Fl. 1.064 5 Art. 44. A receita omitida ou a diferença verificada na determinação dos resultados das pessoas jurídicas por qualquer procedimento que implique redução indevida do lucro líquido será considerada automaticamente recebida pelos sócios, acionistas ou titular da empresa individual e tributada exclusivamente na fonte à alíquota de 25%, sem prejuízo da incidência do imposto sobre a renda da pessoa jurídica. (Revogado pela Lei nº 9.249, de 1995) Assim, entendeu a recorrente que estava havendo indevida extensão dos efeitos do referido dispositivo revogado ao caso vertente. O acórdão embargado assim se pronunciou sobre a questão: Descabe, ademais, o argumento lançado contra os efeitos do art. 61 da Lei nº 8.981/95, os quais, segundo defende o recorrente, não poderiam se estender às situações anteriormente regidas pelo art. 44 da Lei nº 8.541/92, revogado pela Lei nº 9249/95. A situação regida pelo art. 61 da Lei nº 8.981/95 cuida do pagamento cuja operação não foi comprovada ou cuja causa não se demonstrou. Tal incidência não prescinde da dedução dessas condições, as quais foram produzidas no caso pela autoridade fiscal. Diferentemente se dava, no passado, a aplicação do art. 44 da Lei nº 8.541/92, que simplesmente estendia à pessoa física, relativamente aos lucros distribuídos, o resultado da tributação na pessoa jurídica por omissão de receita, ao tempo em que havia a tributação dos lucros também na pessoa física. Neste caso, era despicienda a prova do pagamento, demonstrada a omissão de receita. Há um plus, portanto, que diferencia as duas situações, não se podendo, numa síntese açodada, concluir, de modo singelo, pela não aplicação do art. 61 da Lei nº 8.981/95 ao caso, simplesmente porque, fosse o caso situado no passado, o fisco, por comodidade processual, não provaria o pagamento efetuado nem a ausência de causa da operação, e sustentandose na ficção estabelecida na norma revogada, estenderia o resultado da apuração procedida na pessoa jurídica à pessoa física. Desta forma, pugno pelo acerto da tributação. Verifico, assim, que o acórdão enfrentou a suposta duplicidade de tributação nos termos em que argüida, rechaçandoa, todavia, por entendêla incabível ao presente caso, vez que a situação cuidada difere de forma abissal daquela compreendida pela recorrente, não se cabendo cogitar de extensão automática da omissão de receita para a tributação do IRRF, como entendeu. Ocorre que a tributação do IRRF foi realizada com base nos termos do art. 61 da Lei nº 8.981/95, por não ter sido comprovada a causa da operação relativa à doação alegada, situação que nada tem que ver com a tributação do IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, que, neste caso foi efetuada com base nas diferenças entre o livro de apuração do ISS em confronto com as DCTF prestadas pela embargante. Fl. 1064DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 30/10/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 30/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10384.001021/200985 Acórdão n.º 1302000.995 S1C3T2 Fl. 1.065 6 Desta forma, não restou demonstrada a omissão alegada. Assim, voto para conhecer dos embargos, para no mérito negarlhes provimento, por não ter sido demonstrada obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou omissão de ponto sobre o qual devia terse pronunciado a turma. Sala das Sessões, 02 de outubro de 2012. (assinado digitalmente) Eduardo de Andrade Relator Fl. 1065DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 30/10/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 30/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 10120.008116/2008-40
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS.
Acatam-se as deduções quando comprovadas por documentação hábil apresentada pelo contribuinte.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIDO.
Descabe ao fisco produzir provas em favor do contribuinte, devendo, portanto, ser indeferido o pedido de diligência que tem por finalidade obter provas que deveriam e poderiam ter sido produzidas pelo recorrente.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2801-002.798
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer dedução com despesas médicas no montante de R$ 9.800,00, nos termos do voto da Relatora.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente em exercício e Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Sandro Machado dos Reis, José Evande Carvalho Araujo, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Luiz Claudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
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DE QUEIROZ Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. Acatamse as deduções quando comprovadas por documentação hábil apresentada pelo contribuinte. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIDO. Descabe ao fisco produzir provas em favor do contribuinte, devendo, portanto, ser indeferido o pedido de diligência que tem por finalidade obter provas que deveriam e poderiam ter sido produzidas pelo recorrente. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer dedução com despesas médicas no montante de R$ 9.800,00, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente em exercício e Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Sandro Machado dos Reis, José Evande Carvalho Araujo, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Luiz Claudio Farina Ventrilho. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 81 16 /2 00 8- 40 Fl. 107DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/12/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10120.008116/200840 Acórdão n.º 2801002.798 S2TE01 Fl. 108 2 Trata o presente processo de notificação de lançamento que diz respeito a Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), referente ao exercício de 2005, por meio do qual se exige do contribuinte o crédito tributário no montante de R$ 15.807,08. O lançamento é decorrente da apuração de deduções indevidas a título de dependente, despesas com instrução, despesas médicas e contribuição à previdência privada e Fapi. Em sua impugnação, a contribuinte apresentou as razões de defesa abaixo, extraídas do Acórdão recorrido: “Sustenta que o lançamento não pode subsistir, haja vista a documentação comprobatória, em anexo, relativa a todas as deduções: Dependentes, Instrução, Previdência Privada e Despesas Médicas. Acerca das despesas médicas, relaciona todas as despesas que entende como comprovadas, no montante de R$ 20.424,58, e aduz que, exceto o valor de R$ 1.249,34 não está comprovado, cuja dedução ocorreu por mero equívoco da impugnante. Requer seja acolhida a impugnação, julgandose improcedente o lançamento na parte relativa às despesas ora comprovadas.” A impugnação foi julgada procedente em parte, conforme Acórdão de fls. 63/70, para restabelecer deduções com previdência privada e Fapi (R$ 1.560,56), com dependente (R$ 1.272,00), com instrução (R$ 1.998,00) e de despesas médicas no valor de R$ 2.224,58. Regularmente cientificada daquele acórdão em 26/08/2011 (fl. 76), a interessada, representada por seu advogado (fl. 89), interpôs recurso voluntário de fls. 78/87, em 23/09/2011. Em sua defesa, alega que as declarações ora apresentadas, referentes às profissionais Joana D'arc Silvério Porto Inácio e Zima Pereira Masson, informam os dados faltantes nos respectivos recibos, quais sejam: o endereço de seus escritórios e os efetivos beneficiários dos serviços por elas prestados. Aduz que a profissional Jane Andrade Sinimbú é inscrita no CPF, conforme consta dos recibos acostados aos autos e do comprovante de situação cadastral em apenso, sendo desarrazoada a exigência de indicação do endereço da profissional no recibo, na medida em que a própria Receita Federal do Brasil possui tal dado (endereço) no seu banco de dados. Afirma que a profissional Kleyda Porto de Araújo também possui inscrição no CPF e no CFO, conforme atestam os documentos em apenso, podendo o endereço ser facilmente disponibilizado pelo órgão tributante. Com relação ao beneficiário dos serviços prestados por Kleyda, argumenta que a exigência é abusiva e ilegal, posto que a Lei n° 9.250/ 1995, em seu art. 8º , § 2 , inciso III, não a prevê. Apresenta resultado de pesquisa que informa o endereço da referida profissional. Suscita, ainda, que cabe ao Colegiado, se for o caso, baixar o presente processo em diligência, a fim de que a mesma seja intimada para atestar ou não a prestação dos serviços e o recebimento dos respectivos pagamentos. É o relatório. Voto Fl. 108DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/12/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10120.008116/200840 Acórdão n.º 2801002.798 S2TE01 Fl. 109 3 Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. O litígio cingese à glosa de despesas médicas, referentes às profissionais Joana D'arc Silvério Porto Inácio (R$ 4.800,00), Zima Pereira Masson (R$ 5.000,00), Jane Andrade Sinimbú (R$ 5.000,00)e Kleyda Porto de Araújo (R$ 3.400,00), que foi motivada por falta de comprovação decorrente do não atendimento à intimação. A decisão recorrida assim justificou a manutenção das referidas glosas: · Joana D'arc Silvério Porto Inácio 18/23 _ não consta o endereço do prestador dos serviços, nem o beneficiário dos serviços prestados; · Jane Andrade Sinimbú 24/27 _ não consta o endereço do prestador dos serviços ; · Kleyda Porto de Araújo 28/29 _ não consta o endereço do prestador dos serviços, nem o beneficiário dos serviços prestados; · Zima Pereira Masson 32/33 _ não consta o endereço do prestador dos serviços, nem o beneficiário dos serviços prestados . A recorrente apresenta, às fls. 92/93, declaração das prestadoras de serviço Zima Pereira Masson e Joana D'arc Silvério Porto Inácio confirmando o recebimento e referindose a ora recorrente e ao seu dependente (Bruno), respectivamente, como beneficiários dos tratamentos. Quanto ao endereço do profissional, da mesma forma, as declarações apresentada indicam o endereço. Neste ponto, portanto, restaram supridas as faltas apontadas, devendo serem restabelecidas as correspondentes deduções que montam R$ 9.800,00. Quanto às faltas verificada nos recibos emitidos por Jane Andrade Sinimbú (endereço do prestador dos serviços ) e Kleyda Porto de Araújo (endereço do prestador dos serviços e beneficiário dos serviços prestados), não foram anexados documentos que suprissem as faltas verificadas pelo Fisco. Conforme expressa previsão legal (art. 8º , § 2o , II, da Lei 9.250/95), a dedução de despesas médicas restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. Por este motivo, além da identificação de quem arcou com a despesa, é imprescindível que esteja identificado quem foi o beneficiário do tratamento. Assim, caberia ao sujeito passivo, em face da motivação da glosa, apresentar documentos outros (laudos ou declarações dos profissionais, retificação dos recibos) no sentido de sanar o vício formal nos comprovantes apresentados. D acordo com o § 2°, incisos III e IV do precitado dispositivo, a dedução fica condicionada ainda a especificação e comprovação dos pagamentos, com indicação do nome, endereço e CPF ou CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação de cheque nominativo por meio do qual foi efetuado o pagamento. Além disso, rejeitase o pedido de diligência que tem por finalidade obter provas que deveriam e poderiam ter sido produzidas pela recorrente. Desarrazoado imputar tal Fl. 109DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/12/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10120.008116/200840 Acórdão n.º 2801002.798 S2TE01 Fl. 110 4 ônus probatório ao fisco. A autoridade fiscal não tem o dever de produzir a prova necessária à defesa do sujeito passivo. Assim, considero que os recibos de fls. 24/29 não atenderam às exigências apontadas pela autoridade fiscal, devendo ser mantida a glosa das correspondentes despesas médicas. Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso, para restabelecer despesas médicas no montante de R$ 9.800,00. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 110DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/12/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN
score : 1.0
Numero do processo: 10580.726070/2009-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. Não provada violação das disposições contidas no art. 142 do CTN, tampouco dos artigos 10 e 59 do Decreto nº. 70.235, de 1972 e não se identificando no instrumento de autuação nenhum vício prejudicial, não há que se falar em nulidade do lançamento.
IRPF. REMUNERAÇÃO PELO EXERCÍCIO DE CARGO OU FUNÇÃO. INCIDÊNCIA. Sujeitam-se à incidência do imposto de renda as verbas recebidas como remuneração pelo exercício de cargo ou função, independentemente da denominação que se dê a essa verba.
IRRF. COMPETÊNCIA. A repartição do produto da arrecadação entre os entes federados não altera a competência tributária da União para instituir, arrecadar e fiscalizar o Imposto sobre a Renda.
MULTA DE OFÍCIO. DADOS CADASTRAIS. O lançamento efetuado com dados espontaneamente declarados pelo contribuinte que, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração, não comporta multa de ofício.
IRPF. JUROS MORATÓRIOS VINCULADOS A VERBAS TRABALHISTAS RECONHECIDAS JUDICIALMENTE. INCIDÊNCIA. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal - STF e pelo Superior Tribunal de Justiça - STJ em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C do Código de Processo Civil, devem ser reproduzidas pelas turmas nos julgamentos dos recursos no âmbito do CARF. É o caso do Acórdão Resp. nº 1227133/RS, proferido pelo STJ sob o rito do art. 543-C do CPC, segundo o qual não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais vinculados a verbas trabalhistas reconhecidas em decisão judicial.
Preliminar rejeitada
Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 2201-001.716
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade do Auto de Infração. No mérito, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir da base de cálculo os juros incidentes sobre as verbas recebidas e a multa de ofício. Vencidos os Conselheiros PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA (Relator)e MARIA HELENA COTTA CARDOZO, que apenas excluíram os juros, e RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE e RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, que deram provimento integral ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor quanto à exclusão da multa de ofício o Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD
Assinatura digital
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente
Assinatura digital
Pedro Paulo Pereira Barbosa - Relator
Assinatura digital
Gustavo Lian Haddad Redator designado
EDITADO EM: 20/08/2012
Participaram da sessão: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Rayana Alves de Oliveira França.
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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Não provada violação das disposições contidas no art. 142 do CTN, tampouco dos artigos 10 e 59 do Decreto nº. 70.235, de 1972 e não se identificando no instrumento de autuação nenhum vício prejudicial, não há que se falar em nulidade do lançamento. IRPF. REMUNERAÇÃO PELO EXERCÍCIO DE CARGO OU FUNÇÃO. INCIDÊNCIA. Sujeitamse à incidência do imposto de renda as verbas recebidas como remuneração pelo exercício de cargo ou função, independentemente da denominação que se dê a essa verba. IRRF. COMPETÊNCIA. A repartição do produto da arrecadação entre os entes federados não altera a competência tributária da União para instituir, arrecadar e fiscalizar o Imposto sobre a Renda. MULTA DE OFÍCIO. DADOS CADASTRAIS. O lançamento efetuado com dados espontaneamente declarados pelo contribuinte que, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração, não comporta multa de ofício. IRPF. JUROS MORATÓRIOS VINCULADOS A VERBAS TRABALHISTAS RECONHECIDAS JUDICIALMENTE. INCIDÊNCIA. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal STF e pelo Superior Tribunal de Justiça STJ em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil, devem ser reproduzidas pelas turmas nos julgamentos dos recursos no âmbito do CARF. É o caso do Acórdão Resp. nº 1227133/RS, proferido pelo STJ sob o rito do art. 543C do CPC, segundo o qual não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais vinculados a verbas trabalhistas reconhecidas em decisão judicial. Preliminar rejeitada AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 60 70 /2 00 9- 16 Fl. 141DF CARF MF Impresso em 14/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 04/ 12/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD , Assinado digitalmente em 14/12/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade do Auto de Infração. No mérito, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir da base de cálculo os juros incidentes sobre as verbas recebidas e a multa de ofício. Vencidos os Conselheiros PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA (Relator)e MARIA HELENA COTTA CARDOZO, que apenas excluíram os juros, e RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE e RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, que deram provimento integral ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor quanto à exclusão da multa de ofício o Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD Assinatura digital Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator Assinatura digital Gustavo Lian Haddad – Redator designado EDITADO EM: 20/08/2012 Participaram da sessão: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Rayana Alves de Oliveira França. Relatório ZAUDITH SILVA SANTOS interpôs recurso voluntário contra acórdão da DRJSALVADOR/BA que julgou procedente lançamento, formalizado por meio do auto de infração, para exigência de Imposto sobre Renda de Pessoa Física – IRPF, referente aos exercícios de 2005. 2006 e 2007, no valor de R$ 74.160,51, acrescido de multa de ofício e de juros de mora, perfazendo um crédito tributário total lançado de R$ 160.119,92. A infração que ensejou o lançamento foi a classificação indevida de rendimentos como isentos, conforme descrição dos fatos do auto de infração, a seguir reproduzida: O sujeito passivo classificou indevidamente como Rendimentos Isentos e Não Tributáveis os rendimentos auferidos do Ministério Público do Estado da Bahia, CNPJ 04.142.491/000166, a título de ‘Valores Indenizatórios de URV’, a partir de informações a ele fornecidas pela fonte pagadora. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 14/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 04/ 12/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD , Assinado digitalmente em 14/12/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10580.726070/200916 Acórdão n.º 2201001.716 S2C2T1 Fl. 3 3 Tais rendimentos decorrem de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para a Unidade Real de Valor – URV em 1994, reconhecidas e pagas em 36 parcelas iguais no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, com base na Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 08 de setembro de 2003. Preceitua a referida lei estadual, dentre outras coisas, que a verba em questão é de natureza indenizatória. A única interpretação possível em harmonia com o ordenamento jurídico nacional e em especial com o sistema tributário, é a de que esta Lei disciplina aquilo que é pertinente à competência do Estado, em nada alterando a legislação do imposto de renda, de competência da União. Não poderiam os Estados Federados versarem sobre o que não se lhes foi constitucionalmente outorgado, seja para criar, seja para isentar tributo, em respeito aos limites impostos às competências tributárias dispostas na Carta Magna de 1988. As diferenças recebidas pelo sujeito passivo têm natureza eminentemente salarial, e consequentemente, são tributadas pelo imposto de renda, conforme disposto nos arts. 43 e 114 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN), sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento para sujeitálo ou não à incidência do imposto. Ademais, o CTN dispõe no art. 111, que se interpreta literalmente a legislação tributária pertinente à outorga de isenção. As isenções do Imposto de Renda da Pessoa Física são as expressamente especificadas no art. 39 do Decreto nº 3.000, de 1999 (RIR/99), no qual não consta relacionado como isento as diferenças salariais reconhecidas posteriormente, ainda que recebam a denominação de “indenizatória” ou ‘valores indenizatórios”. Assim, resta claro que os valores recebidos pelo sujeito passivo em virtude de diferenças de remuneração ocorridas na conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994, denominada ‘valores indenizatórios de URV’, são tributáveis. O cálculo do Imposto de Renda devido está demonstrado no Anexo I, composto de folha única, parte integrante e indissociável de Auto de Infração, elaborado em obediência ao Despacho do Ministro da Fazenda de 11 de maio de 2009, que aprova o PARECER PGFN/CRJ/Nº 287/2009, de 12 de fevereiro de 2009, que dispõe que no cálculo do imposto renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente, devem ser levadas em consideração as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem tais rendimentos, devendo o cálculo ser mensal e não global. Para apuração do imposto devido consideramos os valores das diferenças salariais devidas (URV), incluindo atualização e os juros, mensalmente distribuída no período de abril de 1994 a agosto de 20001, conforme planilha de cálculo apresentada pelo Fl. 143DF CARF MF Impresso em 14/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 04/ 12/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD , Assinado digitalmente em 14/12/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 sujeito passivo denominada ‘cálculo da diferença de URV – abril de 1994 a agosto de 2001’, levandoos à tributação com base na alíquota vigente á época, apurando o valor total do imposto devido, que foi dividido pelos três anos em que ocorreu o recebimento, janeiro de 2004 a dezembro de 2006, já que toda a diferença salarial devida a título de URV foi efetivamente recebida ao longo desses três anos. Não foram considerados para apuração do imposto devido as diferenças salariais devidas que tinham como origem o 13º salário, por ser de tributação e responsabilidade exclusiva da fonte pagadora, e as diferenças salariais com origem no abono de férias (conversão de férias). Que apesar de tributáveis, não poderá ter o seu crédito tributário correspondente constituído por força do art. 19 da Lei nº 10.552, de 19 de julho de 2002, com redação dada pela Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004, combinado com o despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 16 de novembro de 2006, que aprova o PARECER/CNJ/Nº 2140/2006. Aplicouse ao presente lançamento a multa básica determinada pelo artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 27 de novembro de 1996, de caráter subjetivo, em face da ausência de dolo. A Contribuinte impugnou o lançamento e alegou, em síntese, que em razão da distribuição constitucional das receitas, todo o montante arrecado a título de imposto de renda incidente sobre os valores pagos a título de URV teria como destinatário o próprio Estado da Bahia; que a própria Receita Federal entende que é ilegítima para figurar no pólo passivo de pedido de compensação vinculado a crédito tributário referente a IRRF retido pelos Estados, Distrito Federal e Municípios, por não ter a disponibilidade sobre os valores recolhidos. Assim, pelo mesmo motivo, concluise que a União é parte ilegítima para exigir o referido imposto; que as diferenças pagas pelo Estado da Bahia decorrentes do erro na conversão da remuneração dos Magistrados de Cruzeiro Real para URV têm natureza jurídica indenizatória, conforme previsto nos arts. 4º e 5º da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003. Portanto, tais rendimentos são isentos de imposto de renda; que o STF, através da Resolução nº 245, de 2002, deixou claro o caráter indenizatório de tais verbas, e da consequente não incidência do imposto de renda. Neste mesmo sentido estão a jurisprudência pátria, decisões do Conselho de Contribuintes, e a Solução de Consulta SRF nº 55 de 18 de abril de 2005; que mesmo que tal verba fosse tributável, não caberia a aplicação da multa de ofício e juros de mora, pois o contribuinte agiu de boa fé, seguindo informações constantes nos contracheques emitidos pela fonte pagadora; que, além disso, o caráter indenizatório de tal verba estava previsto em lei, o que, também, afastaria de a aplicação de multa e juros, nos termos dos artigos 100 e 112 do CTN. A DRJSALVADOR/BA julgou procedente o lançamento com base nas considerações a seguir resumidas. Inicialmente, a DRJSALVADOR/BA observou que as verbas em questão foram pagas em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 2003 que se refere a diferenças de remuneração quando da conversão da URV, a qual era realizada mensalmente e visava à manutenção do valor real do salário. Daí concluiu que as diferenças recebidas tinham natureza eminentemente salarial; que o recebimento extemporâneo de tais diferenças não altera a natureza das verbas, ainda que o beneficiário tenha tido que recorrer à Justiça e o acordo tenha sido implementado mediante lei complementar. Registra, ainda, que a tributação incide também sobre os complementos, juros e atualização monetária. Fl. 144DF CARF MF Impresso em 14/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 04/ 12/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD , Assinado digitalmente em 14/12/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10580.726070/200916 Acórdão n.º 2201001.716 S2C2T1 Fl. 4 5 Sobre o disposto no artigo 5º da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 2003, que dispõe que as diferenças pagas teriam natureza indenizatória, observa que o Imposto de Renda é regido por legislação federal e, portanto, tal dispositivo não tem nenhum efeito em matéria tributária, destacando que a incidência do imposto de renda independe da denominação dos rendimentos e que indenizações não são indistintamente isentas, mas apenas aquelas previstas em lei específica como tal; que o art. 55, XIV, do RIR/PP prevê expressamente que tanto os juros moratórios quanto quaisquer outras indenizações por atraso de pagamento estão sujeitos à tributação, salvo se corresponderem a rendimentos isentos ou não tributáveis. Sobre a alegação de que deveria ser reconhecida a isenção com base na Resolução do STF nª 245, de 2002, que reconheceu a isenção do abono vinculado às diferenças de URV pagas aos magistrados federais, registra que o benefício não poderia ser estendido aos membros do Ministério Público Estadual, pois tal resultaria em isenção sem lei específica, e que também não seria o caso de se recorrer à analogia. Também não seria o caso de se aplicar a isonomia com relação aos magistrados federais, pois se trata de funcionários públicos sujeitos a leis específicas distintas, e que a isenção, no âmbito federal, decorreu de resolução expedida no âmbito do próprio Poder Judiciário. E sobre a responsabilidade da fonte pagadora pela retenção do IRRF, registra que esta se extingue com o término do prazo para a apresentação da declaração dos rendimentos pelo beneficiário dos rendimentos, conforme orientação da Receita Federal por meio da Instrução Normativa SRF nº 1, de 24 de setembro de 2002. Ainda sobre a retenção do imposto pela fonte pagadora, anota que, embora o produto da arrecadação do imposto pertença à fonte pagadora, no caso o Estado da Bahia, este fato não isenta o beneficiário dos rendimentos de oferecêlo à tributação; que, portanto, a competência para o lançamento tributário e o julgamento da lide são da União. Relativamente à multa de ofício, a DRJ rechaça a alegação de que, como os informes de rendimento apresentados pela fonte pagadora indicavam que se tratava de rendimentos isentos, sem a retenção do imposto, agiu de boafé e não poderia ser punido com a multa. Observa que a infração independe da intenção do agente e que a multa é devida pela omissão dos rendimentos e não pela prática de fraude. Finalmente, a DRJ registra que a autuação observou a regra estabelecida pela orientação da PGFN por meio do Parecer PGFN/CRJ nº 287/2009, eliminando os efeitos tributários do recebimento dos rendimentos de forma acumulada, e que também foram excluídos da base de cálculo os valores correspondentes a diferenças de 13º salário e abono de férias. Isto porque, embora a autuação tenha sido feita antes da edição do referido parecer, o processo foi convertido em diligência para que a autoridade lançadora ajustasse o lançamento às novas orientações, o que foi feito. O Contribuinte tomou ciência da decisão de primeira instância em 18/07/2011 e, em 25/07/2011, interpôs o recurso voluntário que ora se examina e no qual reafirma, como preliminar, as alegações de ilegitimidade passiva da União para cobrar o imposto incidente na fonte e que não foi objeto de retenção pelo Estado; reafirma a alegação de quebra da capacidade contributiva do Contribuinte, que estaria caracterizada pelo fato de que o Fisco pretende receber o imposto em valor maior do que o que seria devido caso os rendimentos fossem recebidos no tempo próprio, com multa, correção e juros. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 14/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 04/ 12/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD , Assinado digitalmente em 14/12/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 6 Quanto ao mérito, reitera, em síntese, as alegações e argumentos da impugnação quanto à natureza indenizatórias das verbas recebidas; sobre a quebra do princípio constitucional da isonomia, em face do tratamento recebido pelo membros do Poder Judiciário Federal; questiona procedimentos de cálculos, que conteriam erros que ensejariam a nulidade do lançamento. Por fim, reitera alegações contra a aplicação da multa e dos juros de mora, sob o argumento de que declarou rendimentos segundo orientações da fonte pagadora, tanto pelos comprovantes de rendimentos por esta fornecidos quanto pela Lei Estadual que definiu que a verba em questão teria natureza indenizatória. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa – Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Fundamentação Examino, inicialmente, a arguição de nulidade do lançamento. Afirma o Recorrente que o auto de infração seria nulo devido a erros nos procedimentos de cálculo do imposto devido. Rejeito de plano a alegação. Inicialmente, ao contrário do que sugerido na defesa, a competência para administrar e cobrar o imposto de renda é da União e, embora pertença aos estados o produto da arrecadação do imposto de renda na fonte, isto não altera a competência da União. E sobre o procedimento de cálculo, como ressaltado na decisão de primeira instância, a autuação já adotou a orientação da PGFN de que o imposto fosse apurado considerando os períodos de competência e às alíquotas vigentes à cada época, expurgando com isto qualquer distorção que se pudesse verificar. Por outro lado, quanto à compensação de parcelas isentas ou valores a deduzir, o exercício desse direito em momento algum foi negado, pois deveriam ser exercidos mediante informação na declaração de ajuste anual. Por fim, o lançamento foi formalizado por servidor competente e de acordo com as normas que regem o processo administrativo fiscal, e, portanto, não vislumbro nenhum vício que pudesse ensejar sua nulidade. Rejeito a preliminar de nulidade. Quanto ao mérito, sobre a distribuição das competências tributárias esta é claramente definida na Constituição Federal sendo da União a competência do Imposto de Renda. E quanto a sito não há controvérsia. A pretensão da defesa, todavia, é de que, como o produto da arrecadação do IRRF, no caso, pertenceria ao Estado da Bahia, a União não teria legitimidade para exigir o tributo. Mas, como ressaltou a decisão de primeira instância, independentemente de ter havido ou não a retenção do imposto pela fonte pagadora, é dever dos contribuintes informarem os rendimentos quando do ajuste anual. A retenção do imposto pela fonte pagadora é mera antecipação do imposto devido quando do ajuste anual, e tanto é assim que, quando apurado o imposto devido no ajuste, compensase o imposto retido na fonte. Sobre isto, a propósito, há súmula do CARF, a saber: Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a Fl. 146DF CARF MF Impresso em 14/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 04/ 12/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD , Assinado digitalmente em 14/12/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10580.726070/200916 Acórdão n.º 2201001.716 S2C2T1 Fl. 5 7 constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. (Súmula CARF Nº 12) Não há, portanto, relação entre o dever de reter o imposto, o fato de o produto da arrecadação do imposto retido pertencer ao Estado e a competência tributária do Imposto de Renda. E sobre a alegada quebra da capacidade contributiva, vale ressaltar que a exigência foi feita de acordo com a legislação aplicável, que não pode deixar de ser aplicada com base em juízo subjetivo da administração tributária a respeito da capacidade contributiva. Isto é, a compatibilização da carga tributária ao princípio da capacidade contributiva deve ser considerada pelo legislador e não pelos agentes arrecadadores que estão vinculados á lei. No caso concreto a Contribuinte queixase do fato de que, tendo oferecimentos os rendimentos à tributação de acordo com a orientação da própria fonte pagadora, por meio do comprovante de rendimentos por ela fornecida e de acordo com orientação legal do próprio estado, não poderia ser onerada com a exigência do imposto com acréscimos de multa, juros e correção, portanto, ser instada a pagar mais do que pagaria sob condições normais. Mas, mais uma vez, o argumento da defesa confunde aspectos que não se relacionam. A administração tributária deve limitarse a exigir os tributos devidos de acordo as normas de incidência previstas na legislação tributária. Se o Contribuinte não recebeu os rendimentos quando fazia jus a eles, por divergências com a fonte pagadora quanto a esse direito, e veio a receber em momento posterior, este fato não pode interferir na regra de incidência tributária que deve levar em conta os rendimentos efetivamente recebidos pelos contribuintes; e se o Contribuinte recebeu os rendimentos em momento posterior e não os ofereceu à tributação quando desse recebimento, o imposto deve ser exigido, com os acréscimos previstos em lei. Sobre o fato de que o Contribuinte agiu de boafé e, portanto, não deveria ser onerado com multa e juros, a questão será examinada mais adiante. Por enquanto afasto apenas a objeção levantada pela defesa de que a autuação tenha onerado a carga tributária em relação à situação hipotética de o rendimento ter sido recebido ao tempo em que o Contribuinte faria jus a eles. Quanto ao mérito, sobre a alegada natureza indenizatória das verbas recebidas, pela própria descrição dos fatos, fica claro que não é disso que se trata. Segundo o relato da própria Contribuinte, as verbas em questão referemse a diferenças salariais devidas em decorrência de erro na conversão dos salários de Cruzeiro Real para URV. Isto é, nesta conversão teria havido erro com prejuízo para os servidores, prejuízo que veio a ser posteriormente reparado, pagandose a eles aquilo que antes deixou de ser pago. E o que deixou de ser pago não foi outra coisa que não salários. Logo, o que veio a ser posteriormente pago é salário. Mas o Contribuinte apóiase na Lei Complementar nº 20, de 2003 do Estado da Bahia que no seu art. 3º definiu que as tais verbas teriam natureza indenizatória, a saber: Art. 2º. As diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor – URV, objeto da Ação Ordinária de nº 140.975921531, julgada pelo Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, e em conseqüência com os precedentes do Supremo Tribunal Federal, especialmente nas Ações Ordinárias nos. 613 e 614, serão apuradas mês a mês, de 1º de abril de 1994 a 31 de agosto de 2001, e o montante, Fl. 147DF CARF MF Impresso em 14/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 04/ 12/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD , Assinado digitalmente em 14/12/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 8 correspondente a cada Procurador e Promotor de Justiça, será devido em 36 parcelas iguais e consecutivas para pagamento nos meses de janeiro de 2004 a dezembro de 2006. Art. 3º. São de natureza indenizatória as parcelas de que trata o art. 2º desta lei. Ora, primeiramente, como já referido acima, o Imposto de Renda é da competência da União e, portanto, os estados da federação não são competentes para legislar em matéria tributária relativamente a este tributo. Portanto, se o Estado da Bahia se arvora a definir a natureza das coisas e a dizer que diferença de salário tem natureza indenizatória, esta denominação não se presta para fins de definição da incidência ou não do imposto de renda. Isto, aliás, está dito expressamente no § 1º do art. 43 do CTN, a saber: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1o A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) Mas a Recorrente invoca a Resolução nº 245, do Supremo Tribunal Federal que definiu que verba semelhante devida aos magistrados federais teria natureza indenizatória. Pois bem, é certo que o Supremo Tribunal Federal, em sessão administrativa, considerou como tendo natureza indenizatória o abono variável concedido aos membros do Poder Judiciário da União pela Lei nº 10.474, de 2002, e como tal, não sujeitas à tributação pelo imposto de renda, como também é certo que a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, por meio do Parecer PGFN nº 529/2003, manifestou entendimento no sentido de que as referidas verbas não estariam sujeitas à tributação. Mas tanto a Resolução do STF quanto o Parecer da PGFN referemse especificamente ao abono concedido aos Magistrados da União, e, em seguida, aos membros do Ministério Público Federal, e o que se discute neste processo é se o mesmo entendimento deve ser aplicado à verba atribuída aos membros do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro. E o que passo a analisar. Vale destacar, inicialmente, que a posição do Supremo Tribunal Federal – STF sobre a natureza do abono variável atribuído aos Magistrados da União foi definida em sessão administrativa e expedida por meio de Resolução, e não em sessão de julgamento daquela Corte e, por óbvio, não se trata de uma decisão judicial cujos efeitos são bem distintos dos de um ato administrativo. Enfim, é elementar e dispensa maiores considerações, que a Resolução do STF não vinculava a Administração Tributária da União. Sobreveio, todavia, o Parecer PGFN/Nº 529/2003 da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, aprovado pelo Ministro da Fazenda, e que concluiu que o abono variável de que trata o art. 2º da Lei nº 10.474, de 2002 tem natureza indenizatória. O referido Parecer, entretanto, não deixa dúvidas quanto aos limites desse entendimento, senão vejamos. Fl. 148DF CARF MF Impresso em 14/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 04/ 12/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD , Assinado digitalmente em 14/12/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10580.726070/200916 Acórdão n.º 2201001.716 S2C2T1 Fl. 6 9 Após destacar que o Superior Tribunal de Justiça – STJ consolidou entendimento no sentido de que abonos recebidos em substituição a aumentos salariais sofrem a incidência do imposto de renda, fez a ressalva de que, segundo entendimento dessa mesma Corte, nos casos de abono concedido como reparação pela supressão ou perda de direito, o mesmo tem natureza indenizatória. E, segundo o Parecer da PGFN, seria este, no entendimento do STF, manifestado por meio da Resolução nº 245, de 2002, o caso do abono variável e provisório previsto no art. 6º da Lei nº 9.655, de 1998, com a alteração estabelecida no art. 2º da Lei nº 10.474, de 2002, no entendimento do STF. Fica claro, portanto, que o Parecer da PGFN somente reconhece a natureza indenizatória do abono variável de que tratam as Leis nº 9.655, de 1998 e 10.474, de 2002, acolhendo entendimento do STF de que tal abono destinase a reparar direito. Assim, o que se tem é, por um lado, a Resolução nº 245, do STF que, como se viu, não emana os efeitos de uma decisão judicial e, por outro, o Parecer PGFN/Nº 529/2003 que se limita a reconhecer a natureza indenizatória do abono concedido aos Magistrados da União, acatando interpretação do STF. É dizer, ambos os atos alcançam apenas o abono previsto no art. 6º da Lei nº 9.655, de 1998, com a alteração estabelecida no art. 2º da Lei nº 10.474, de 2002. Nessas condições, não vejo como se estender o alcance dos dois atos acima referidos para abonos concedidos posteriormente, para outro grupo de servidores, por meio de ato específico distinto daqueles referidos na Resolução do STF e no Parecer da PGFN. Por outro lado, é irrelevante o fato de a lei estadual se reportar ao sistema remuneratório dos Magistrados da União. Tratase de mera questão de técnica legislativa, de opção por uma determinada forma de fixação de parâmetros remuneratórios, o que de modo algum implica na equiparação de uma e de outra verba. É preciso examinar, portanto, no caso concreto, a natureza da verba recebida pela Recorrente para se poder concluir pela incidência ou não incidência, sobre ela, do imposto de renda, e, como vimos acima, a verba tem natureza salarial e como tal é tributável. Registrese, por fim, que em recente julgado a Câmara Superior de Recursos Fiscal – CSRF, analisando situação semelhante em que era parte um membro do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, decidiu pela manutenção da exigência. Tratase do Acórdão nº 9202002.032, de 21 de março de 2012. Eis a ementa do acórdão: Ementa: REMUNERAÇÃO PELO EXERCÍCIO DE CARGO OU FUNÇÃO INCIDÊNCIA Sujeitamse à incidência do imposto de renda as verbas recebidas como remuneração pelo exercício de cargo ou função, independentemente da denominação que se dê a essa verba. Sobre a quebra de isonomia entre os membros do Poder Judiciário Federal e os membros do Ministério Público do Estado da Bahia, que teriam tratamento diferenciado, estando em situações semelhantes, registrese que, ainda que se verificasse tal situação, isto não poderia ser invocado para deixar de aplicar a norma tributária. Os princípios da isonomia, da capacidade contributiva e outros que informam o sistema tributário devem ser observados pelo legislador na feitura das normas tributárias, e não cabe aos agentes da administração, vinculados que são a esta legislação, deixar de aplicála a pretexto de violação de princípios que elas deveriam observar. Ademais, no caso concreto, a situação específica dos membros da Fl. 149DF CARF MF Impresso em 14/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 04/ 12/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD , Assinado digitalmente em 14/12/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 10 Magistratura Federal decorrem de ato do próprio Poder Judiciário, e não da legislação ou da administração tributária. Sobre os alegados erros na base de cálculo e na alíquota, vale ressaltar, como foi destacado na descrição dos fatos da autuação, que o lançamento, seguindo orientação do Parecer PGFN//CRJ nº 287/2009 e considerando os rendimentos nos meses do recebimento e com as alíquotas vigentes às época, como demonstrado na planilha anexa ao auto de infração. Por outro lado, a pretensão de que deveria ser aplicada a alíquota considerando apenas o valor das diferenças recebidas, há um equívoco da Contribuinte. É que se trata aqui de exigência de imposto devido no ajuste anual, e não mais na fonte e, portanto, deve ser considerado, na base de cálculo do imposto, a totalidade dos rendimentos recebidos no período e não apenas os rendimentos não tributados na declaração. Portanto, considerando os valores totais dos rendimentos recebidos pela Contribuinte em cada exercício, a alíquota aplicável é a alíquota máxima. E sobre as deduções reclamadas pela Contribuinte, estas também deveriam ter sido pleiteadas quando da apresentação da declaração de rendimentos. O que o Fisco exige mediante a autuação objeto deste processo é apenas a diferença de imposto que deixou de ser paga. O Fisco apenas incluiu rendimentos que deixaram de ser tributados. Tudo o mais que se refere à apuração do imposto já deveria constar da declaração apresentada. Correto, portanto, o lançamento quanto a este aspecto. A Contribuinte pede a exclusão das parcelas isentas e dos valores relativos ao 13º salário. E, conforme o relato fiscal, foram excluídos da base de cálculo do lançamento o valor correspondente a 13º salário e a abono de férias. Portanto, este aspecto já foi considerado na autuação. Quanto ao pedido de exclusão da multa de ofício e dos juros, sob a alegação de que a Contribuinte teria agido de boafé, seguindo orientação normativa da fonte pagadora, a questão foi adequadamente enfrentada pela decisão de primeira instância. Ainda que a fonte pagadora tenha deixado de proceder à retenção, o Contribuinte teria que oferecer os rendimentos à tributação, e não o tendo feito, fica sujeito à multa prevista no art. 44, I da Lei nº 9.430, de 1996, verbis: Lei nº 9.430, de 1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I – de 75% (setenta e cinco por cento), nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; Sobre a aplicação do art. 100 ou 110 do CTN, no caso de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, é dever dos contribuintes apurar o imposto devido, devendo observar a legislação aplicável, e não o fazendo fica sujeito ao lançamento em relação a eventuais diferenças de impostos. Ora, não sendo a fonte pagadora competente para legislar a respeito do imposto, que é de competência da União, não poderia o Contribuinte ter apurado o imposto com base nessas orientações. Se o fez, ainda que de boafé, responde pela omissão sujeitandose à multa prevista em lei. Mais uma vez, como noutras situações acima analisadas, Fl. 150DF CARF MF Impresso em 14/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 04/ 12/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD , Assinado digitalmente em 14/12/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10580.726070/200916 Acórdão n.º 2201001.716 S2C2T1 Fl. 7 11 não cabe ao Fisco, ao proceder ao lançamento tributário, fazer juízo subjetivo sobre a boafé ou máfé do Contribuinte, devendo se limitar a aplicar a legislação à qual está vinculado e que, no caso, prevê a imposição dos acréscimos legais. Sobre a multa de ofício e a consulta feita pelo Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia ao Ministério da Fazenda, o está claro é que a consulta não foi realizada de acordo com o rito previsto na Lei nº 9.430, de 1996, art. 48 e, portanto, a resposta a ela não vincula os órgãos julgadores administrativos, ademais, complementa, a consulta referese a uma situação específica dos servidores do TFR/SP. Finalmente, sobre os juros incidentes sobre as verbas recebidas, ressalvando minha posição em sentido contrário, penso ser aplicável ao caso, por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF, o entendimento do Superior Tribunal de Justiça segundo o qual os juros calculados sobre verbas recebidas em decorrência de decisões judiciais em ações trabalhistas, têm natureza indenizatória, não estando sujeitos à incidência do imposto, nos termos do Acórdão Resp. nº 1227133/RS, julgado em 28/09/2011, com a seguinte ementa: RECURSO ESPECIAL. REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. JUROS DE MORA LEGAIS. NATUREZA INDENIZATÓRIA. VERBAS TRABALHISTAS. NÃO INCIDÊNCIA OU ISENÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA. – Não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais vinculados a verbas trabalhistas reconhecidas em decisão judicial. Recurso especial, julgado sob o rito do art. 543C do CPC, improvido. Deve ser excluída da base de cálculo, portanto, a parcela dos rendimentos correspondentes aos juros recebidos pelo beneficiário. Conclusão Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo do lançamento o valor correspondente aos juros. Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Voto Vencedor Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD, Redatordesignado Divergi das conclusões do I. Relatora, Dr. Pedro Paulo Pereira Barbosa, no que respeita ao não acolhimento do pleito de exclusão da multa de ofício formulado pelo recorrente. Fl. 151DF CARF MF Impresso em 14/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 04/ 12/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD , Assinado digitalmente em 14/12/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 12 De fato e como consta de seu voto, a fonte pagadora – no caso o Poder Judiciário do Estado da Bahia tratou os rendimentos como de natureza indenizatória e não os submeteu a tributação, assim informando o contribuinte em informe de rendimentos que lhe foi entregue. Tratase de situação em que o recorrente foi induzido a equívoco quanto ao tratamento dos rendimentos recebidos, configurando erro escusável como já decidido em inúmeros precedentes da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Confiramse os seguintes acórdãos da Câmara Superior de Recursos Fiscais: CSRF/01—4.825, j. 16.02.2004, Rel. Antonio de Freitas Dutra; MULTA DE OFÍCIO DADOS CADASTRAIS O lançamento efetuado com dados cadastrais espontaneamente declarados pelo contribuinte que, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração, não comporta multa de ofício. CSRF/0400.058, j. 21.06.2005, Rel. Remis Almeida Estol IRPF RENDIMENTOS TRIBUTAÇÃO NA FONTE ANTECIPAÇÃO RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA Em se tratando de imposto em que a incidência na fonte se dá por antecipação daquele a ser apurado na declaração, inexiste responsabilidade tributária concentrada, exclusivamente, na pessoa da fonte pagadora, devendo o beneficiário, em qualquer hipótese, oferecer os rendimentos à tributação no ajuste anual MULTA DE OFÍCIO DADOS CADASTRAIS O lançamento efetuado com dados cadastrais espontaneamente declarados pelo contribuinte que, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração, não comporta multa de ofício. recurso especial parcialmente provido. Assim, com as presentes considerações e com base em todo o exposto, divirjo das conclusões do I. Relator para dar parcial provimento parcial ao recurso com vistas a excluir do crédito tributário o valor correspondente à multa de ofício. (assinado digitalmente) GUSTAVO LIAN HADDAD Fl. 152DF CARF MF Impresso em 14/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 04/ 12/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD , Assinado digitalmente em 14/12/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10580.726070/200916 Acórdão n.º 2201001.716 S2C2T1 Fl. 8 13 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 2ª CÂMARA/2ª SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº: 10580.726070/200916 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº. 2201001.716. Brasília/DF, 10 de setembro de 2012. ______________________________________ Maria Helena Cotta Cardozo Presidente da Segunda Câmara da Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: ( ) Apenas com Ciência ( ) Com Recurso Especial ( ) Com Embargos de Declaração Fl. 153DF CARF MF Impresso em 14/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 04/ 12/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD , Assinado digitalmente em 14/12/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 14 Fl. 154DF CARF MF Impresso em 14/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 04/ 12/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD , Assinado digitalmente em 14/12/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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Numero do processo: 16095.000237/2006-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Mar 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 31/05/2003 a 31/12/2003
CONCOMITÂNCIA. PENDÊNCIA DE PROCESSO JUDICIAL.
O contribuinte que optar pela via judicial está prescindindo da via administrativa, uma vez que aquela prefere esta. Ao tribunal administrativo é defeso julgar matérias levadas ao judiciário.
CONSTITUCIONALIDADE. LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA.
Não cabe à autoridade administrativa julgar os atos legais quanto ao aspecto de sua constitucionalidade ou legalidade por transbordar os limites de sua competência. Á ela cabe dar cumprimento ao ordenamento jurídico vigente.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGITIMIDADE.
É legítima a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa Selic.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-001.999
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente e Relator.
EDITADO EM: 02/03/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Fábia Regina Freitas e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 31/05/2003 a 31/12/2003 CONCOMITÂNCIA. PENDÊNCIA DE PROCESSO JUDICIAL. O contribuinte que optar pela via judicial está prescindindo da via administrativa, uma vez que aquela prefere esta. Ao tribunal administrativo é defeso julgar matérias levadas ao judiciário. CONSTITUCIONALIDADE. LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. Não cabe à autoridade administrativa julgar os atos legais quanto ao aspecto de sua constitucionalidade ou legalidade por transbordar os limites de sua competência. Á ela cabe dar cumprimento ao ordenamento jurídico vigente. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGITIMIDADE. É legítima a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa Selic. Recurso Voluntário Negado.
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PENDÊNCIA DE PROCESSO JUDICIAL. O contribuinte que optar pela via judicial está prescindindo da via administrativa, uma vez que aquela prefere esta. Ao tribunal administrativo é defeso julgar matérias levadas ao judiciário. CONSTITUCIONALIDADE. LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. Não cabe à autoridade administrativa julgar os atos legais quanto ao aspecto de sua constitucionalidade ou legalidade por transbordar os limites de sua competência. Á ela cabe dar cumprimento ao ordenamento jurídico vigente. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGITIMIDADE. É legítima a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa Selic. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 09 5. 00 02 37 /2 00 6- 12 Fl. 197DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16095.000237/200612 Acórdão n.º 3302001.999 S3C3T2 Fl. 3 2 EDITADO EM: 02/03/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Fábia Regina Freitas e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Contra a empresa FANAVID FÁBRICA NACIONAL DE VIDROS DE SEGURANÇA LTDA, já qualificada nos autos, foi lavrado auto de infração para prevenir a decadência do direito de a Fazenda Nacional efetuar o lançamento do IPI relativo ao período de maio a dezembro de 2003, tendo em vista que a autuada deixou de efetuar o recolhimento da exação em face de decisão liminar proferida em Mandado de Segurança impetrado contra a União visando o reconhecimento do direito ao crédito nas aquisições de insumos isentos e de alíquota zero. Inconformada com a autuação, no dia 16/10/2006, a empresa interessada impugnou o lançamento, cujas alegações estão sintetizadas no Relatório do acórdão recorrido, abaixo reproduzido. • o auto de infração não pode prosperar porque foi lançado contra tributo cuja exigibilidade encontravase e encontrase suspensa por determinação judicial, conforme liminar concedida, que reconheceu o direito de a autuada aproveitar o IPI presumido, mediante compensação, sendo nulo de pleno direito; • tendo o auditor fiscal reconhecido que a exigibilidade do tributo encontrase suspensa por determinação judicial, não foi imposta a multa pelo não recolhimento do imposto, mas exigese o pagamento de multa pela não apresentação da DCTF; • em que pese a falta de entrega das DCTF a contribuinte não deixou de informar ao fisco sobre os tributos devidos, através de DIPJ, esta que serviu de base para a autuação. Assim não há que se falar em falta de informação ou de confissão dos tributos devidos; • transcreve doutrina que demonstra que as empresas não estão obrigadas a apresentar DCTF; • alega que a taxa SELIC está prevista em circulares do Banco Central do Brasil e que a sua utilização para correção dos créditos de natureza tributária é inconstitucional, ilegítima tanto nos créditos tributários quanto na devolução dos valores devidos ao contribuinte; Fl. 198DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16095.000237/200612 Acórdão n.º 3302001.999 S3C3T2 Fl. 4 3 • transcreve jurisprudência judicial, bem como entendimento de diversos doutrinadores, que entende corroborar seu entendimento; • requer que nas intimações pertinentes a esta autuação conste o nome do procurador que subscreve a presente impugnação. A 4a Turma de Julgamento da DRJ em Salvador BA julgou procedente o lançamento, nos termos do Acórdão nº 15029.662, de 31/01/2012, cuja ementa abaixo transcrevo: CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. Tratandose de matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário, não se conhece da impugnação administrativa, quanto ao mérito, por ter o mesmo objeto da ação judicial, em respeito ao princípio da unicidade de jurisdição contemplado na Carta Política, cabendo, entretanto, análise relativamente às matérias não submetidas à apreciação do Poder Judiciário. NULIDADE. As argüições de nulidade só prevalecem se enquadradas nas hipóteses previstas na lei para a sua ocorrência. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. Sobre o tributo não pago no prazo de vencimento incide juros de mora, qualquer que seja o motivo determinante do inadimplemento da obrigação. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A cobrança de débitos para com a Fazenda Nacional, após o vencimento, acrescidos de juros moratórios calculados com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, além de ampararse em legislação ordinária, não contraria as normas balizadoras contidas no Código Tributário Nacional. Ciente desta decisão em 18/02/2012 (fl. 168), a interessada ingressou, no dia 06/03/2012, com o recurso voluntário de fls. 171/179, no qual renova as alegações sobre: 1 a impossibilidade de renúncia à esfera administrativa (concomitância de ação judicial versando sobre a matéria objeto do litígio); 2 a não obrigatoriedade da entrega da DCTF (somente lei pode instituir obrigação acessória, sendo ilegal a Instrução Normativa que instituiu a DCTF); 3 a ilegalidade da cobrança de juros Selic sobre os débitos fiscais em atraso Na forma regimental, o recurso voluntário foi distribuído a este Conselheiro Relator. Fl. 199DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16095.000237/200612 Acórdão n.º 3302001.999 S3C3T2 Fl. 5 4 É o Relatório. Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais. Dele se conhece. A presente lide versa sobre auto de infração de IPI lavrado com a exigibilidade suspensa, por força de decisão judicial, sem multa de ofício e com juros de mora. Em sua defesa, a empresa trouxe três argumentos principais: (i) impossibilidade de renúncia à esfera administrativa, face à impetração de ação judicial com o mesmo objeto; (ii) não está obrigada a apresentar a DCTF porque é ilegal a sua instituição por meio de Instrução Normativa da RFB; e (iii) é ilegal a cobrança de juros de mora com base na taxa Selic. Quanto à matéria submetida ao Judiciário pela contribuinte, a seu exclusivo talante, é certo que prejudica a discussão dentro da seara administrativa, em face da evidente sujeição às eventuais determinações emanadas do Poder Judiciário, restando caracterizada a opção pela via judicial quanto a esse aspecto. Ademais, o CARF pacificou o entendimento de que a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas, nos termos da Súmula CARF nº 1, abaixo reproduzida. Súmula CARF nº 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Já com relação à alegada ilegalidade da instituição da DCTF por meio de Instrução Normativa da RFB, cabe esclarecer à interessada que a autoridade administrativa não tem competência legal para decidir sobre a constitucionalidade de leis vigentes no país, e o contencioso administrativo não é o foro próprio para discussões desta natureza. Os mecanismos de controle da constitucionalidade das leis estão regulados na própria Constituição Federal, todos passando necessariamente pelo Poder Judiciário, que detém com exclusividade essa prerrogativa, conforme se infere dos arts. 97 e 102 da Carta Magna. Por esta razão, o Conselho Administrativo de Recurso Fiscais (CARF), em sessão realizada no dia 08/12/2009, decidiu que a instância administrativa não possui competência legal para se manifestar sobre a inconstitucionalidade da legislação tributária, consubstanciada na Súmula CARF nº 2, de adoção obrigatória e abaixo reproduzida. Fl. 200DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16095.000237/200612 Acórdão n.º 3302001.999 S3C3T2 Fl. 6 5 Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Não bastasse isto, o art. 16 da Lei nº 9.779, de 1999, autoriza expressamente a Secretaria da Receita Federal do Brasil dispor sobre obrigações acessórias dos tributos que administra e o art. 7º da Lei nº 10.426, de 2002, estabelece as penalidade pela falta da apresentação da DCTF, reconhecendo a lei a existência desta obrigação acessória. Com relação à utilização da taxa Selic no cálculo dos juros de mora, o CARF firmou entendimento de que a mesma é cabível, a teor da Súmula CARF no 4 (DOU de 22/12/2009) abaixo reproduzida: Súmula CARF no 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Ainda sobre a utilização da taxa Selic no cálculo dos juros de mora, na sessão do dia 18/05/2011, o Pleno do STF julgou o RE 582.461, cujas matérias questionadas foram reconhecidas como de repercussão geral. Nesse julgamento o STF reconheceu legítima a incidência da taxa Selic como índice de atualização dos débitos tributários pagos em atraso. Tal decisão é de aplicação obrigatório por parte deste CARF, nos termos do art. 62A do seu Regimento Interno. No mais, com fulcro no art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19991, adoto e ratifico os fundamentos do acórdão de primeira instância. Por tais razões, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Relator 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [. . .] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 201DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16095.000237/200612 Acórdão n.º 3302001.999 S3C3T2 Fl. 7 6 Fl. 202DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 13748.000252/2009-93
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Jan 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2005
RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. O fato de a recorrente ter tido ciência do despacho decisório mas não de documentos que o embasaram não prejudicou sua defesa, uma vez que tais documentos constavam dos autos e a intimação mencionou expressamente que os autos ficariam trinta dias na repartição à disposição do contribuinte.
PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE DOS ATOS ADMINISTRATIVOS. Não tendo a recorrente comprovado que a fiscalização exigiu o valor integral do parcelamento, sem a amortização das parcelas quitadas antes da sua exclusão, é legítima a presunção de que não existe o crédito que se pretende ver reconhecido, sobretudo porque, nesses casos, a própria Lei nº 10.684 de 2003 somente autoriza a cobrança do saldo devedor.
Numero da decisão: 3201-000.785
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
MÉRCIA HELENA TRAJANO D'AMORIM - Presidente.
DANIEL MARIZ GUDIÑO - Relator.
EDITADO EM: 06/01/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D'Amorim (presidente da turma), Luciano Lopes de Almeida Moraes (vice-presidente), Robson José Bayerl, Marcelo Ribeiro Nogueira, Luiz Eduardo Garrossino Barbieri e Daniel Mariz Gudiño. Ausente justificadamente a Conselheira Judith do Amaral Marcondes Armando.
Nome do relator: DANIEL MARIZ GUDINO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. MÉRCIA HELENA TRAJANO D'AMORIM - Presidente. DANIEL MARIZ GUDIÑO - Relator. EDITADO EM: 06/01/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D'Amorim (presidente da turma), Luciano Lopes de Almeida Moraes (vice-presidente), Robson José Bayerl, Marcelo Ribeiro Nogueira, Luiz Eduardo Garrossino Barbieri e Daniel Mariz Gudiño. Ausente justificadamente a Conselheira Judith do Amaral Marcondes Armando.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2005 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. O fato de a recorrente ter tido ciência do despacho decisório mas não de documentos que o embasaram não prejudicou sua defesa, uma vez que tais documentos constavam dos autos e a intimação mencionou expressamente que os autos ficariam trinta dias na repartição à disposição do contribuinte. PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE DOS ATOS ADMINISTRATIVOS. Não tendo a recorrente comprovado que a fiscalização exigiu o valor integral do parcelamento, sem a amortização das parcelas quitadas antes da sua exclusão, é legítima a presunção de que não existe o crédito que se pretende ver reconhecido, sobretudo porque, nesses casos, a própria Lei nº 10.684 de 2003 somente autoriza a cobrança do saldo devedor. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. MÉRCIA HELENA TRAJANO D'AMORIM Presidente. DANIEL MARIZ GUDIÑO Relator. EDITADO EM: 06/01/2013 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 74 8. 00 02 52 /2 00 9- 93 Fl. 107DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 06/01/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 17/01/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D'Amorim (presidente da turma), Luciano Lopes de Almeida Moraes (vice presidente), Robson José Bayerl, Marcelo Ribeiro Nogueira, Luiz Eduardo Garrossino Barbieri e Daniel Mariz Gudiño. Ausente justificadamente a Conselheira Judith do Amaral Marcondes Armando. Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até a data da prolação do acórdão recorrido, transcrevo abaixo o relatório do órgão julgador de 1ª instância, incluindo, em seguida, as razões de recurso voluntário apresentado pela Recorrente: Em 26.02.2009, a Petro Ita Transportes Coletivos de Passageiros LTDA apresentou a Declaração de Compensação de fl.01, com o objetivo de ver reconhecido seu direito creditório de R$ 2.711,71 , oriundo de pagamento indevido, e de compensá lo com o débito de PIS relativo a Janeiro de 2009, no valor de R$10.075,80. De acordo com o demonstrativo de fl.02 e o darf de fl.15, o crédito pleiteado tem origem no pagamento com código de receita 7122 (parcelamento Lei 10.684/2003 PAES), efetuado em 30.09.2005. Em 13.11.2009, foi emitido Despacho Decisório pela DRF Nova Iguaçu – RJ, indeferindo o pleito, com base no Parecer Seort nº 648/2009 (fls.31/33). Segundo consta do Parecer Seort, o indeferimento teve os seguintes motivos: O interessado optou por parcelar seus débitos com a Receita Federal no valor de R$ 1.969.178,74, com os benefícios da Lei nº10.684/2003 (PAES); Amortizou a dívida com pagamentos devidos, até o total de R$ 371.449,99; e O darf que ora pretende utilizar como pagamento indevido encontrase regularmente apropriado nesse parcelamento, conforme folhas 27/30. Cientificado do Despacho Decisório em 30.11.2009 (fl.35), o interessado apresentou manifestação de inconformidade de fls.40/41, em 14.12.2009, alegando, em síntese, que: Não teve ciência das folhas 27/28 dos autos, as quais, segundo o Parecer Seort, demonstrariam que o pagamento já estava apropriado no parcelamento PAES, o que impede de conferir tais apropriações; e Assim, requer o fornecimento de tais documentos bem como vista dos autos, para que possa verificar a alocação e melhor se defender. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 06/01/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 17/01/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13748.000252/200993 Acórdão n.º 3201000.735 S3C2T1 Fl. 108 3 Na decisão de primeira instância, proferida na Sessão de Julgamento de 23/03/2010, a 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ) julgou improcedente a manifestação de inconformidade da ora Recorrente, conforme Acórdão n° 1229.402 (fls. 60/62): Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendario: 2005 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. O fato de o contribuinte ter tido ciência do despacho decisório mas não de documentos que o embasaram não prejudicou sua defesa, uma vez que tais documentos constavam dos autos e a intimação mencionou expressamente que os autos ficariam trinta dias na repartição à disposição do contribuinte. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A Recorrente foi cientificada do teor da INTIMAÇÃO n° 206/2010, em 10/06/2010 (f1. 70), tendo protocolado seu recurso voluntário em 05/07/2010 (fl. 71/74), que, em síntese, ataca a violação do princípio da transparência por parte da Administração Tributária, não fazendo qualquer oposição quanto à alegação de escoamento do prazo decadencial. Na forma regimental, o processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator em 01/03/2011. É o relatório. Voto Conselheiro Daniel Mariz Gudiño O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235 de 1972, razão pela qual dele tomo conhecimento. Em síntese, a Recorrente alega que o seu direito de defesa foi cerceado pelo fato de não terem sido acostados à intimação do acórdão recorrido os documentos que o embasaram. Dessa forma, segundo a Recorrente, não foi possível verificar se procede a alegação de que o crédito cujo reconhecimento se pleiteia foi realmente alocado na amortização parcial do parcelamento especial de que trata a Lei nº 10.684 de 2003. Com a devida vênia, não merece prosperar a alegação da Recorrente, pois lhe foi outorgada a faculdade de ter vista dos autos do processo no prazo de 30 (trinta) dias a contar da data da ciência do acórdão recorrido (fl. 68). Conforme se depreende das ementas transcritas abaixo, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já se manifestou sobre o assunto: Fl. 109DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 06/01/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 17/01/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 PAF. NULIDADE DA DECISÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA — A garantia constitucional de ampla defesa, no processo administrativo fiscal, está assegurada pelo direito de o contribuinte ter vista dos autos, apresentar impugnação, interpor recursos administrativos, apresentar todas as provas admitidas em direito e solicitar diligência ou perícia. (Acórdão nº 10509.511, Rel. Cons. Mariam Seif, Sessão de 06/12/2007) ............................................................................................................................ NORMAS PROCESSUAIS PRELIMINAR DE NULIDADE DO LANÇAMENTO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA CÓPIA DE PEÇAS DO AUTO DE INFRAÇÃO O parágrafo único, do artigo 15 do Decreto nº 70235/72, facultou ao sujeito passivo a vista dos autos no prazo para a realização da defesa e, portanto, simples falta de entrega de todas as cópias dos anexos que compõem o auto de infração não caracteriza cerceamento do direito de defesa, mormente quando o lançamento se dá por arbitramento. (Acórdão nº 10707.780, Rel. Cons. Natanael Martins, Sessão de 16/09/2004) ............................................................................................................................ CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. CÓPIA DE PEÇAS DO AUTO DE INFRAÇÃO. O parágrafo único, do artigo 15 do Decreto n° 70.235/72, facultou ao sujeito passivo a vista dos autos no prazo para a impugnação e, portanto, a falta de entrega de todas as cópias dos documentos relativos ao movimento comercial e financeiro do sujeito passivo, apreendidos e anexados aos autos, não caracteriza cerceamento do direito de defesa porque os documentos de sua propriedade e de seu pleno conhecimento. (Acórdão nº 10194.196, Rel. Cons. Kazuki Shiobara, Sessão de 14/05/2003) ............................................................................................................................ CERCEAMENTO DE DEFESA Estando o lançamento amparado por farta documentação constante nos autos, cuja vista foi facultada ao contribuinte, incabível a alegação de cerceamento de defesa. (Acórdão nº 10613.174, Rel. Cons. Sueli Efigênia Mendes de Britto, Sessão de 30/01/2003) Além disso, a própria Lei nº 10.684 de 2003 é clara ao estabelecer que a cobrança do crédito tributário objeto de parcelamento ocorrerá somente quanto ao saldo remanescente. Confirase: Art. 12. A exclusão do sujeito passivo do parcelamento a que se refere esta Lei, inclusive a prevista no § 4o do art. 8o, independerá de notificação prévia e implicará exigibilidade imediata da totalidade do crédito confessado e ainda não pago e automática execução da garantia prestada, quando existente, restabelecendose, em relação ao montante não pago, os Fl. 110DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 06/01/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 17/01/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13748.000252/200993 Acórdão n.º 3201000.735 S3C2T1 Fl. 109 5 acréscimos legais na forma da legislação aplicável à época da ocorrência dos respectivos fatos geradores. (Grifei) A partir da leitura da transcrição acima, resta descabida a dúvida da Recorrente no sentido de saber se os valores pagos no âmbito do parcelamento foram realmente alocados para esse fim. Conceber o contrário é pressupor que a autoridade fiscal competente agiu em desconformidade com o seu dever funcional, contrariando o art. 142 do Código Tributário Nacional. Vejamos: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. (Grifei) Desse modo, para trazer à baila tal suposição, a Recorrente deveria ter apresentado provas de que o valor do crédito tributário objeto de parcelamento foi cobrado integralmente, sem a amortização dos valores recolhidos antes da sua exclusão. Não tendo a Recorrente comprovado esse fato simples, penso que deve ser prestigiada a presunção de legitimidade dos atos administrativos. Diante do exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Daniel Mariz Gudiño Relator Fl. 111DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 06/01/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 17/01/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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