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Numero do processo: 12448.722977/2013-34
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Oct 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2009
PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. VALORES ESCRITURADOS.
É descabido o lançamento presuntivo de omissão de receitas calcado em depósitos bancários sem comprovação de origem quando a movimentação financeira está totalmente escriturada. Neste caso a auditoria deve se debruçar sobre a comprovação documental dos lançamentos contábeis.
Numero da decisão: 1302-002.313
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Carlos Cesar Candal Moreira Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Ester Marques Lins de Sousa, Eduardo Morgado Rodrigues e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: CARLOS CESAR CANDAL MOREIRA FILHO
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A. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009 PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. VALORES ESCRITURADOS. É descabido o lançamento presuntivo de omissão de receitas calcado em depósitos bancários sem comprovação de origem quando a movimentação financeira está totalmente escriturada. Neste caso a auditoria deve se debruçar sobre a comprovação documental dos lançamentos contábeis. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (Assinado digitalmente) Carlos Cesar Candal Moreira Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Ester Marques Lins de Sousa, Eduardo Morgado Rodrigues e Luiz Tadeu Matosinho Machado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 29 77 /2 01 3- 34 Fl. 1423DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso de Ofício interposto pela Presidente em exercício da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de Janeiro contra o acórdão de nº 1267.322, daquela Turma, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS ESCRITURADOS. Comprovadas na escrituração contábil as fontes da movimentação financeira bancária, injustificável serem os créditos respectivos considerados sem identificação de origens. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2009 PIS, COFINS e CSLL. OMISSÃO DE RECEITAS. LANÇAMENTOS S/ MESMA BASE FACTUAL. Para tributos tomados por reflexividade dado que ancorada nos mesmos elementos factuais, é pacífica a jurisprudência no sentido de que, à falência de elemento relevante, a eles se estende a decisão do feito que lhes dá origem. O lançamento está ancorado em presunção de omissão de receitas por depósitos bancários sem a comprovação hábil e idônea da origem dos recursos utilizados nas operações, forte nos artigos 25 e 42 da Lei nº 9.430, de 1996 e 528 do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto nº 3.000, 26 de março de 1999) RIR/99. Adoto o relatório do acórdão recorrido, que assim se apresenta: Tratam os presentes autos de exigência de ofício do imposto de renda de pessoa jurídica, R$ 5.262.044,69, fls. 761; do PIS, R$ 427.541,09, fls. 769; da COFINS, R$ 1.973.266,74, fls. 778, e da CSLL R$ 1.894.336,09, fls. 787, acrescidas de penalidade de 75% e encargos moratórios, de pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido, fls. 03, relativamente ao ano calendário de 2009. 2. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (TVF) de fls. 736/744, fundamentaram as exigências créditos/depósitos bancários sem origens identificadas, para os quais, intimado, o contribuinte não logrou lhes justificar as origens. Fl. 1424DF CARF MF Processo nº 12448.722977/201334 Acórdão n.º 1302002.313 S1C3T2 Fl. 1.424 3 2.1. Os valores presumidos como receitas omitidas foram apurados em conformidade com os demonstrativos de fls. 746/752, integrantes daquele Termo. Em síntese: montante mensal dos valores apurados nas instituições financeiras, deduzido da receita bruta mensal constante da DIPJ. 2.1. O mesmo TVF informa possuir a pessoa jurídica em seu Livro Diário o registro de 63 contas bancárias, fls. 742. Os créditos/depósitos em questão foram identificados em contas bancárias específicas nos Bancos PROSPER, SAFRA (duas contas) e REAL, igualmente contabilizadas. 2.2. A teor do mesmo TVF, em particular: 2.2.1. não foram comprovados dois créditos de transferências bancárias, contabilizadas, oriundos do BANCO SOFISA, R$ 200.400,00 para o Banco PROSPER, fls. 756, e R$ 187.157,00, fls. 757, por não apresentação do extrato bancário da instituição financeira. 2.2.2. quanto ao Banco REAL c/c 1704412, no livro Razão, páginas 29/30, não foram registrados os créditos de R$ 976.416,78 e R$ 304.378,60, ocorridos em julho/09, dado que, no extrato bancário constam dois créditos de mesmo valor e estorno de somente um dos valores, para cada um daqueles créditos, fls. 758. 3. Ciente das exigências em 27/03/2013, fls. 762, o sujeito passivo acostou aos autos a impugnação de fls. 808/828, protocolada em 25/04/2013, anexada da documentação de fls. 829/1016, em comprovação às suas alegações impugnatórias. 4. Na sua insurgência às exigências alega: 4.1. em considerações preliminares que parte da documentação fornecida ao autuante não foi considerada, dentre as quais simples transferência de recursos de mesma titularidade; 4.2. que foram considerados como receitas omitidas valores que sequer circularam em contas bancárias, mediante lançamento a crédito em contas correntes da impugnante, contrariamente ao disposto no artigo 42 da Lei n° 9.430/96. 4.3. que a autuação teria se fundado em informação de valores da DIMOF, contrariamente à Lei n° 9.430/96, art. 42, o qual exige a constatação do crédito em conta bancária. 5. No mérito, reconhece que os fundamentos materiais das exações se apoiaram em valores de créditos em contas correntes junto a instituições financeiras. 5.1. Apoiada na documentação relativa a cada banco onde foram apontados valores como de presumidas receitas omitidas, e com base em demonstrativos específicos, pretende a impugnante demonstrar, por instituição financeira, das origens não tributáveis de tais créditos bancários. A saber: Fl. 1425DF CARF MF 4 5.1. Banco PROSPER, fls. 865/942, 5.2. Banco SAFRA c/c 302.2567, fls. 943/952, 5.3. Banco SAFRA c/c 042.4898, fls. 952/972, e, 5.4. Banco REAL, fls. 973/1014. 5.5.. No mesmo intuito anexa contrato de mútuo entre pessoas jurídicas, fls. 858/859, e extrato do Banco SOFISA, fls. 1015/1016, para comprovar simples transferências de valores entre empresas no bojo do aludido contrato. 5.6. Finalmente, alega que, acaso mantidas as exigências seja excluída a incidência da SELIC sobre a penalidade de ofício, a teor do disposto no artigo 43, § único, da Lei n° 9430/96 e de pronunciamentos do Conselho de Contribuintes, ementas reproduzidas às fls. 826/827. 6. Em petição datada de 20/05/2013, com fundamento no art. 16, § 4º, a, do Decreto n° 70.235/72, a impugnante requereu a anexação de cópias de microfilmes de cheques administrativos do Banco REAL, fls. 1027/1031, bem como os pagamentos do IOF relativos ao contrato de mútuo, fls. 1032/1050. 7. Através do despacho de fls. 1052, o processo foi baixado em diligência para que fossem comprovadas as apropriações contábeis, na mutuante e na mutuária, dos valores consignados como mútuos na impugnação. Em seu voto, o D. Relator discorre sobre princípios norteadores do direito tributário e do processo administrativo fiscal, concluindo, a partir de transcrição do artigo 42 da Lei nº 9.430, que a própria previsão legal de presunção de omissão de receitas por depósitos bancários sem a comprovação da origem é uma presunção relativa, permitindo, em respeito ao princípio da verdade material, que seja feita prova contrária. Assevera que o §3º do citado artigo determina qua haja uma análise individualizada dos créditos em conta corrente, o que se coaduna, a seu ver, com a norma do artigo 9º, § 1º do Decretolei n° 1.598/77, que afirma o valor probante a favor do contribuinte da escrituração mantida com observância das disposições legais. Conclui que o acórdão do CARF abaixo transcrito tratou de adequar a presunção do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, ao preceito do artigo 9º, § 3º da Lei nº 1.598, de 1977, em respeito ao contribuinte que mantém escrituração conforme a lei e, obviamente, contabiliza sua movimentação financeira. “OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS ESCRITURADOS. Tratandose de contas bancários cuja movimentação financeira foi devidamente contabilizada, incabível a presunção de omissão de receitas pela falta de comprovação da origem dos depósitos neles realizados. Nesse caso, as verificações fiscais devem recair sobre as contrapartidas dos suprimentos registrados na contabilidade.”( Acórdão n° 10709.218, de 07.11.2007) E complementa: Fl. 1426DF CARF MF Processo nº 12448.722977/201334 Acórdão n.º 1302002.313 S1C3T2 Fl. 1.425 5 A motivação de tais pronunciamentos é singela e objetiva visto que,créditos/depósitos bancários sem identificação de origens, regra geral, correm à margem da escrituração. A par dessas considerações preliminares, o Relator passa à análise das provas acostadas aos autos, verificando isoladamente cada uma das quatro contas correntes que foram alvo da ação fiscal. Quanto aos dados da conta no Banco Prosper, C/C 0216998, conclui: Os dados factuais antes reportados evidenciam do enfoque da auditoria nos créditos contidos nos extratos bancários, sem maiores considerações por suas apropriações contábeis e respectivas contrapartidas, identificadoras de suas origens. O que conflita diretamente com a disposição ínsita no § 3º, art. 42 da Lei n° 9.430/96 e jurisprudência administrativa, antes reportada. Mesmo porque, na necessária busca da verdade material, presentes os instrumentos de sua aferição, não podem estes ser olvidados. Quanto aos dados da conta no Banco SAFRA, C/C 302.2567, conclui: 14.1. Conforme procedimento fiscal, excluída a receita bruta proporcional declarada, fls. 744, tratase de conta bancária alimentada exclusivamente por transferências financeiras de mesma titularidade e de mútuo entre pessoas jurídicas, devidamente contabilizadas, fls. 267/279. O montante presumido como receita omitida, antes da exclusão da receita declarada proporcional, como procedeu a fiscalização, perfaz R$ 3.022.999,14, fls. 744/745. 14.2. Excluída a receita declarada na DIPJ, R$ 1.035.989,66, fls. 745, a diferença, tida como de origem não identificada, R$ 1.987.002,48, fls. 745 e 816, corresponde exatamente a transferências bancárias de mesma titularidade, da conta 042.4898 do mesmo banco, exceto duas transferências da Supervia Concessionária, empresa do mesmo grupo econômico. 14.2.1. O demonstrativo de fls. 944/945, ancorado pelos extratos bancários de fls. 946/952 e respectivas apropriações contábeis, ratifica as origens dos recursos. Inclusive, quanto às transferências da Supervia Concessionária, fls. 946 e 952. Por pertinente, as contabilizações das transferências em causa foram ratificadas pela diligência, tanto na mutuária, como na mutuante, fls. 1332/1333. 14.3. Fácil, pois, concluir, que a simples análise das contrapartidas das apropriações contábeis respectivas afastaria a presunção de omissão de receitas sobre tais valores. Quanto aos dados da conta no Banco SAFRA, C/C 042.4898, conclui: Fl. 1427DF CARF MF 6 15.1. Conta bancária igualmente contabilizada, fls. 236/265. O montante presumido como receita omitida atinge R$ 3.214.938,25, fls. 744/745. 15.2. A movimentação da aludida conta, conforme demonstrativo de fls. 953/962, indica, individualizadamente, o faturamento creditado na conta corrente bancária R$ 1.524.898,33 e valores de transferência para a mesma conta de R$ 4.701.884,37, totalizando os créditos bancários nela consignados. 15.2.1. As transferências em questão advieram da conta 302.2567, exceto alguns valores transferidos da c/c 21.6998, banco PROSPER, de mesma titularidade. 15.2.2. Os extratos respectivos, fls. 962/972, ratificam as transferências. De outro lado, a conciliação de ambas dos extratos das contas do Banco SAFRA, 302.2567 e 042.4898, igualmente ratificam as transferências. 15.3. Por se tratar de apropriações de receitas contabilizadas da pessoa jurídica e de meras transferências de valores entre contas correntes de mesma titularidade, insustentável a presunção formalizada pela auditoria quanto a tais valores. Quanto aos dados da conta no Banco REAL, C/C 170.4412, conclui: 16.1 Conta integrante do sistema contábil da pessoa jurídica, fls. 281/334. Montante presumido como receita omitida antes da exclusão da receita declarada R$ 13.163.919,14, fls. 744/745. 16.2. Conforme procedido pela fiscalização, fls. 744/745, excluídas as receitas proporcionais, declaradas na DIPJ R$ 3.106.096,40, o restante, R$ 5.172.319,58 decorrem de mútuo entre pessoas jurídicas do mesmo grupo econômico, demonstrativo de fls. 973. 16.3. Nessa conta bancária, quanto aos valores elencados pela fiscalização, que não constariam das apropriações contábeis do Banco Real em julho/2009, R$ 976.416,78 e R$ 304.378,60, fls. 743: 16.3.1. tais valores foram tomados em duplicidade, na relação anexa à intimação de fls. 27/28, fls. 41. O simples exame do extrato bancário e das apropriações contábeis respectivas demonstra os estornos dos mesmos valores, fls. 309/310 417. 16.3.2. no que se refere a R$ 976.416,78, além do estorno do crédito, contábil e bancário, foram contabilizados, na mesma data, R$ 977.086,78, por transferência das c/c 0216998, (desdobrada em dois depósitos R$ 976.4216,78 + R$ 670,00 = R$ 977.086,787), fls. 309 e 417; 16.3.3. no que diz respeito a R$ 304.378,60, ocorreram dois créditos e seus respectivos estornos, tanto na conta bancária, fls. 417, como nas apropriações contábeis, fls.310. Fl. 1428DF CARF MF Processo nº 12448.722977/201334 Acórdão n.º 1302002.313 S1C3T2 Fl. 1.426 7 16.4. R$ 4.885.501,16, decorrem de movimentação de cheques administrativos emitidos contra a conta bancária do titular, impugnante, e, posteriormente depositados, fls. 818/820 e 873. 16.5. Os extratos bancários de fls. 417 e 419 comprovam que os depósitos de R$ 1.940.422,57, de 07/08/2009 e de R$ 940.392,57, de 11/08/2009, constante das fls. 39, anexo da intimação de fls. 27/28, traduzem depósitos de cheques administrativos emitidos em 30/07/2009 e 07/08/2009, do próprio contribuinte. 16.6. Quanto à diferença R$ 2.004.686,02 (= R$ 4.885.501,16 – R$ 1.940.4212,57 – R$ 940.392,57), contabilmente, constam como transferências para a Supervia Comercial, fls. 3l6/317 e consequente emissão de cheques administrativos, fls. 1029/1031. 16.6.1. Em 28/08/2009, foram depositados os três cheques administrativos antes referenciados, fls. 420, R$ 701.166,70; R$ 377.032,41 e R$ 926.486.91, cópias às fls. 1029/1031, oriundos das transferências antes reportadas, em consonância com inciso 14.5,anterior. 16.7. Fossem analisadas as contrapartidas das apropriações contábeis dos créditos consignados na conta bancária e sobre elas não ocorreria a presunção de receitas omitidas. Em síntese, a análise das apropriações contábeis e suas contra partidas dos créditos em comento, indicaria: Valores em R$ Origens contábeis 3.106.096,40 receitas 5.172.319,58 Mútuo entre pessoas jurídicas 4.885.501,16 cheques administrativos 13.163.917,14 Após a análise, assevera: 17. Quanto ao PIS, a COFINS e a CSLL, exigidos com base nos mesmos fundamentos materiais, tomados, portanto, por reflexividade factual, pacífica a jurisprudência no sentido de que, à falência de elemento relevante, a eles se estende a decisão do feito que lhes dá origem. Na esteira dessas considerações ante as fragilidades materiais que fundamentam as exações, como demonstrado, dou provimento à impugnação para exonerar o sujeito passivo das exigências destes autos. A SC Empreendimentos e Participações Ltda. apresentou memoriais às folhas 1403/1407. É relatório. Voto Conselheiro Carlos Cesar Candal Moreira Filho Relator Fl. 1429DF CARF MF 8 O valor do crédito tributário exonerado ultrapassa o valor de alçada para a apresentação de recurso de ofício, assim, presentes os demais requisitos, conheço do recurso. O D. Relator do processo fez uma acurada análise das provas constantes do autos e, de um lado constatou que os lançamentos nas quatro contas correntes objeto da autuação estavam devidamente registrados na contabilidade do contribuinte; de outro, verificando os lançamentos a crédito de maior relevância (quase a totalidade) concluiu pela comprovação da origem, como se, em verdade, estivesse a conferir os documentos de comprovação dos lançamentos contábeis. Os valores considerados depósitos bancários sem a comprovação de origem tinham contrapartidas contábeis que indicavam trataremse de (i) receitas, corretamente oferecidas à tributação; (ii) mútuo entre pessoas jurídicas; e transferências entre contas correntes da autuada por meio de cheques administrativos. Os mútuos foram comprovados por contratos, prova da contabilização no mutuante e na mutuária, recolhimentos de IOF e extratos bancários que demonstram a entrada e saída de recursos. Os microfilmes dos cheques administrativos usados nas transferências entre contas correntes foram juntados. A presunção legal de omissão de receitas é um artifício de inversão do ônus probatório a ser utilizado pela administração tributária quando o conhecimento de um fato concreto serve de forte indício da ocorrência de outro. No caso presente, de omissão por depósitos bancários sem a comprovação de origem, o ponto de partida não deve ser um ingresso em conta bancária, seja de qual valor for, que esteja devidamente contabilizado pelo fiscalizado. A fiscalização, nesse caso, deve ter seu foco na comprovação do lançamento contábil. Assim, nada há a ressalvar no acórdão combatido, pelo que há que se negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Carlos Cesar Candal Moreira Filhos Relator Fl. 1430DF CARF MF Processo nº 12448.722977/201334 Acórdão n.º 1302002.313 S1C3T2 Fl. 1.427 9 Fl. 1431DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.722706/2011-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Aug 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006, 2007, 2008
NULIDADE DOS AUTOS DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. INAPLICABILIDADE
Não é nulo o auto de infração, por cerceamento de defesa, quando o relatório fiscal descreve minuciosamente todas as acusações imputadas ao sujeito passivo.
IRPJ/CSLL - SIMULAÇÃO - INEXISTÊNCIA
Não é simulação a instalação de duas empresas na mesma área geográfica com o desmembramento das atividades antes exercidas por uma delas, objetivando racionalizar as operações e diminuir a carga tributária. É lícita a reorganização societária efetivamente levada a efeito pelo contribuinte sem a ocorrência de simulação, fraude, abuso de direito ou de formas ou ainda fraude à lei.
Numero da decisão: 1301-002.493
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencida Conselheira Milene de Araújo Macedo que votou por negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
José Eduardo Dornelas Souza - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA
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CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. INAPLICABILIDADE Não é nulo o auto de infração, por cerceamento de defesa, quando o relatório fiscal descreve minuciosamente todas as acusações imputadas ao sujeito passivo. IRPJ/CSLL SIMULAÇÃO INEXISTÊNCIA Não é simulação a instalação de duas empresas na mesma área geográfica com o desmembramento das atividades antes exercidas por uma delas, objetivando racionalizar as operações e diminuir a carga tributária. É lícita a reorganização societária efetivamente levada a efeito pelo contribuinte sem a ocorrência de simulação, fraude, abuso de direito ou de formas ou ainda fraude à lei. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencida Conselheira Milene de Araújo Macedo que votou por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 27 06 /2 01 1- 61 Fl. 3865DF CARF MF Processo nº 11080.722706/201161 Acórdão n.º 1301002.493 S1C3T1 Fl. 3.866 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o acórdão nº 1034.626, proferido pela 1ª Turma da DRJ/POA, na sessão de 30 de setembro de 2011, que, por unanimidade de votos, entendeu julgar improcedente a impugnação do sujeito passivo para manter os lançamentos. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito: Contra o contribuinte, acima identificado, foram lavrados autos de infração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ (fls. 1359/1365) e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL (fls. 1367/1374), exigindo um total de crédito tributário de R$ 14.107.215,99. De acordo com o Relatório de Ação Fiscal (fls. 1341/1357), as pessoas jurídicas Metalúrgica MOR S.A. e MOR Distribuidora de Artigos de Lazer Ltda., mesmo que formalmente sejam pessoas jurídicas distintas, atuam como sendo um único empreendimento comercial, tendo a Metalúrgica MOR S.A. o comando de todas as operações, enquanto a MOR Distribuidora é usada apenas para receber receitas cuja tributação é menor, já que esta tributa seus resultados com base no lucro presumido, conforme exposto abaixo: 1. A Metalúrgica MOR S.A. é cadastrada na Receita Federal desde 1966, tributando seus resultados pela sistemática do Lucro Real. É uma empresa industrial que fabrica artigos de casa, camping e lazer. 2. A Distribuidora MOR Ltda. foi constituída em 2005, é optante pelo lucro presumido e apenas revende produtos adquiridos da Metalúrgica MOR S.A. 3. No primeiro ano de atividade a Distribuidora contava em seus quadros com apenas um funcionário e oito sóciosdiretores. O empregado Edson Leite de Ramos foi registrado em 01/02/2006 e esteve registrado na Metalúrgica até 31/01/2006. Os seus sócios, com exceção do Sr. Evaldo Nozari Filho (contador da Metalúrgica), são diretores da Metalúrgica, conforme alteração contratual (fls. 70/78) e extrato de GFIP da Metalúrgica (fls. 450/451). No último ano da análise (2008), mais um sóciodiretor foi acrescentado ao quadro social. Nesse ano a distribuidora possuía apenas cinco empregados. 4. Visualmente a Distribuidora está localizada no mesmo terreno da Metalúrgica. Como o terreno total é em uma esquina, uma empresa tem o endereço no cadastro por uma rua, a BR 471 e a outra tem como endereço a Av. Rudi Falk. Quem olha para o conjunto das instalações no local só identifica uma empresa: a Metalúrgica Mor S/A com a identificação visual em dez/2010 de "MOR Casa e Lazer", conforme foto n° 03 (fls. 447) e apenas um acesso para pessoas, como visitantes, fornecedores, funcionários para ambas empresas, conforme foto n° 05 (fls. 449). Fl. 3866DF CARF MF Processo nº 11080.722706/201161 Acórdão n.º 1301002.493 S1C3T1 Fl. 3.867 3 5. A Distribuidora fica num prédio ligeiramente apartado dos demais que é "alugado" pela Metalúrgica para a Distribuidora. O acesso a tal prédio é feito internamente sem nenhuma barreira física ou administrativa e não possui nenhuma identificação externa como pode ser observado pelas fotos n° 01, 02 e 04 (fls. 445/446; 448), ou seja, não possui nenhum nome que indique que lá exista alguma empresa que não seja a própria Metalúrgica Mor. Em tal prédio ocorre única e exclusivamente as atividades de depósito e expedição de mercadorias. As observações da visualização e de acesso aos prédios foram obtidas durante as visitas à empresa nos dias 25/08 e 01/10/2010 e 27/01/2011 quando da ciência pessoal do representante em termos de intimação. 6. Na contabilidade da Distribuidora também foi verificada a ausência de pagamentos de água e telefone; para energia elétrica foram encontrados apenas uns poucos valores. Assim, a empresa foi intimada (fls. 131/132) a apresentar as contas de energia elétrica de todo o período de 2006 a 2008. Foram apresentadas contas somente a partir de dezembro de 2007. Para o período anterior foi informado que o pavilhão da Distribuidora era abastecido com energia elétrica pela subestação da Metalúrgica, proprietária do imóvel (fls. 147/148). Não houve informação de pagamentos por esse abastecimento. 7. Em depoimentos colhidos junto à exfuncionários da Distribuidora (fls. 432/441) foi questionado onde era o registro do cartão ponto. Em um depoimento a resposta foi de que se "encontrava na entrada da empresa, na guarita geral", no outro, "na entrada da fábrica no primeiro prédio em frente após a portaria principal". Aqui cabem alguns esclarecimentos: só existe guarita e fábrica na Metalúrgica Mor S/A. O acesso ao pavilhão utilizado pela Distribuidora é feito internamente através dessa guarita ou portaria principal, e, para veículos de carga, de forma externa, também. Nas fotos de n° 01 e 02 (fls. 445/446) pode ser observado que não há nenhum controle de ponto, guarita ou pessoa nos portões externos de acesso ao prédio da Distribuidora, apenas na entrada da Metalúrgica, fotos n° 05 (fls. 449). 8. A Mor Distribuidora não possui qualquer estrutura para desenvolvimento das atividades comerciais, o aparato de equipamentos e pessoal é fornecido pela Metalúrgica, por isso a Distribuidora "paga" por serviços prestados pela Metalúrgica Mor. Tais serviços prestados seriam, de acordo com o contrato apresentado, os relativos à emissão das notas fiscais de vendas, cobrança e todos os demais controles administrativos, contábeis e fiscais referentes às atividades empresariais e comercias da Distribuidora, realizados pelos sócios e funcionários da Distribuidora nas dependências da Metalúrgica sem qualquer ônus (fls.146/147). 9. A contabilidade da Metalúrgica registra vários lançamentos contábeis com histórico relativo à Distribuidora (fls.133/144). A metalúrgica informa (fls. l49) que no início das atividades da Distribuidora, ela tinha suas contas pagas com recursos particulares do sócio Sr.André Luiz Backes por conta de integralização de capital e informa, ainda, que alguns diretores recebem os recursos financeiros oriundos de sua participação societária na Distribuidora e entregam para o financeiro da Metalúrgica que paga as despesas particulares desses diretores com esses recursos. 10. No entanto, entre os lançamentos listados da contabilidade da Metalúrgica, além de vários em nome dos sócios da Distribuidora e outros que só identificam que são relativos a Distribuidora (nos documentos entregues foram identificados como lançados na contacorrente do sócio de ambas empresas, Sr.André Luiz Backes, e dos diretores da Metalúrgica e sócios da Distribuidora, Srs. Antônio Carlos Schenkel, Valmor André Konzem, Álvaro Forsthofer), há Fl. 3867DF CARF MF Processo nº 11080.722706/201161 Acórdão n.º 1301002.493 S1C3T1 Fl. 3.868 4 pagamentos de salário e guia de previdência social de funcionário da Distribuidora, pagamento do sistema de contabilidade, retornos e devoluções de notas e mercadorias da Distribuidora. 11. Outro fato contábil que demonstra que a Distribuidora não tem identidade própria é que seu plano de contas contábil é exatamente o mesmo da Metalúrgica, contendo inclusive lançamentos em conta de consumo de matéria prima, mesmo sendo uma empresa puramente comercial e não industrial e contas/rubricas contábeis com nomenclaturas que não são aplicáveis e uma série de contas em instituições financeiras das quais a empresa não é ou foi correntista. A Distribuidora só trabalha com uma única instituição financeira e uma única conta bancária. 12. A contabilidade da Distribuidora não tem consistência e padronização. Numa mesma rubrica contábil alguns registros possuem histórico com o número do documento, outros não. Por exemplo, na conta de fornecedores, alguns pagamentos para a Metalúrgica possuem no histórico o número da nota fiscal da aquisição, já outros não foram encontrados na conta de fornecedores com o histórico de número da nota. Esses pagamentos só foram encontrados quando na contabilidade da Metalúrgica foi identificada a data de registro de baixa da referida nota e, posteriormente, na contabilidade da Distribuidora na data em questão. 13. A contabilidade da Distribuidora possui lançamentos relativos à movimentação bancária totalmente dissociada do efetivo movimento na conta bancária, sem haver nenhuma conciliação, mesmo que se leve em conta a opção pelo regime do Lucro Presumido, ela também fez a opção de escrituração completa tendo em vista a destinação dos lucros aos sócios. Em vários momentos a conta banco, pela contabilidade, seria negativa e, no entanto, ela está positiva no banco. 14. Um outro exemplo do que distancia completamente a comparação do saldo entre os dois controles é a escrituração no dia 01/10/2007 de um único saque, no valor de 1 milhão de reais pela contabilidade, a favor do sócio Sr. André Luiz Backes. No entanto, para chegar a esse valor de 1 milhão de reais, representado por um único documento de recibo assinado pelo sócio, como se houvesse recebido todo o valor nessa data, foram efetuados vários saques com aproximadamente 80 cheques na conta corrente bancária da Distribuidora ao longo do mês do recibo e do mês posterior. Isso demonstra que o sócio só saca os valores conforme a disponibilidade financeira da empresa e não na data do recibo emitido ou da sua contabilização. 15. Em depoimentos (fls. 432/441) de exfuncionários da Distribuidora, que foram contratados para trabalhar na função de auxiliar de almoxarifado, foi colhida a informação que as tarefas por eles desempenhadas eram de recepção e expedição de mercadorias, cuja chefia imediata era feito pelo Sr. Jéferson. Um dos depoentes afirmou que o Sr. Jéferson era responsável pelo almoxarifado da Distribuidora e geral da fábrica (Metalúrgica) e o outro afirmou que além do pavilhão da Distribuidora, ele também trabalhava no prédio da indústria (Metalúrgica) a procura de materiais para serem acondicionados. O sr. Jéferson citado tratase de Jéferson Jung, empregado da Metalúrgica desde 02/02/2004, ou seja, os empregados da Distribuidora eram subordinados a supervisor da Metalúrgica. 16. De posse dos arquivos magnéticos com as informações das notas fiscais de ambas empresas foi feito um filtro de todas as vendas da Metalúrgica para a Distribuidora (fls. 452/549). A partir desses dados foi elaborada uma listagem dos itens constantes dessas vendas (fls.550/551). Em seguida foi feito um cruzamento Fl. 3868DF CARF MF Processo nº 11080.722706/201161 Acórdão n.º 1301002.493 S1C3T1 Fl. 3.869 5 com a tabela desses produtos que foram vendidos para a Distribuidora com todas as vendas da Metalúrgica no intuito de encontrar esses mesmos itens vendidos a outras empresas no período (fls.552/769). Então, com todas vendas para a Distribuidora e dos mesmos produtos vendidos a ela e a terceiros foram calculados o preço médio unitário mensal desses produtos em comum (fls. 770/800). 17. Na análise dos resultados obtidos constatase que, na maior parte dos casos, um produto vendido num determinado mês ou por vários meses seguidos para a Distribuidora não era vendido para nenhuma outra empresa nesse mesmo período de tempo, como uma espécie de "monopólio". Apenas em algumas ocasiões houve a venda no mesmo período de produtos tanto para a Distribuidora quanto para terceiros não vinculados. Nesses casos, o custo de aquisição dessas mercadorias para a Distribuidora é inferior ao custo nas operações da Metalúrgica com outras empresas, na maioria dos casos em 10%, mas existem produtos cuja diferença é superior a 50% e em alguns casos foram encontradas diferenças superiores a 400%. 18. Em vários dos produtos que só foram vendidos para a Distribuidora num determinado período, pode ser observado que o preço é bem inferior se comparado a vendas a outras empresas num outro período anterior ou posterior, o que demonstra que não há livre concorrência ou condição normal de mercado em relação a vários dos produtos vendidos pela Distribuidora. 19. Pela planilha (fls. 801/858) observase que o preço de venda dos produtos na Distribuidora é quase o mesmo preço de venda quando esses produtos são vendidos a terceiros pela Metalúrgica. Se compararmos o preço de aquisição e o de venda da Distribuidora nessa mesma planilha, observamos que a margem bruta de lucro é fantástica. Cada um real em aquisição de mercadorias representa pelo menos três reais de faturamento. Há casos com faturamento em até cinco vezes superior ao custo de aquisição. 20. Numa verificação rápida nas quantidades adquiridas e vendidas de alguns produtos, observandose a planilha acima mencionada, aparentemente alguns produtos foram vendidos em quantidade superior à quantidade adquirida, gerando um saldo negativo, outros foram vendidos na quantidade exata adquirida no mesmo período e outros ainda possuem um saldo pendente de mais de seis meses, ou seja, pelo controle de entradas e saídas, teria um saldo de mercadorias parada que não teve destinação. 21. Como nessa planilha foram computadas apenas as compras e vendas, foram elaboradas outras planilhas contento todas as entradas e saídas informadas no arquivo magnético de notas fiscais entregues à fiscalização, para verificação do saldo/estoque real. Como resultado se apurou que realmente houve mercadorias que foram vendidas na exata quantidade adquirida, inclusive com emissões de entrada e saída na mesma data. (fls. 859); outras, realmente apresentaram um "estoque negativo", ou seja, foram vendidos produtos que a Distribuidora não tinha (fls. 860/1206); e outras permaneceram em estoque por mais de cinco meses, até o final do período analisado, dez/2008 (fls. 1207/1223). Isso é mais um dado que confirma que não existe realmente separação nas atividades operacionais entre a Metalúrgica e a Distribuidora, agindo ambas em conjunto sob um único comando operacional, no caso, da Metalúrgica. 22. Outro fato que não pode deixar de ser mencionado é que a Distribuidora paga suas faturas junto à Metalúrgica ora com extremo atraso, (numa rápida analisada de até 31 dias), ora com muita antecedência, inclusive pagando no mesmo dia da emissão da nota, ou seja, 120 dias de antecedência. Em nenhuma das Fl. 3869DF CARF MF Processo nº 11080.722706/201161 Acórdão n.º 1301002.493 S1C3T1 Fl. 3.870 6 situações há cobrança de juros nos atrasos ou descontos pela antecipação. Foi feita intimação (fls. 131/132) a respeito do assunto e a resposta foi de que os atrasos eram compensados com as antecipações e de que alguns outros grandes clientes também não pagavam juros nos atrasos (fls. 147), mas não houve menção a respeito dos pagamentos efetuados com grande antecipação. 23. Aliada a questão levantada acima, foi detectado que os pagamentos (todos via transferência bancária) da Distribuidora para a Metalúrgica no período analisado são, na maioria das vezes, em valores redondos, ou seja, sem valores unitários ou centavos. E para se ter esses valores redondos são juntados valores até parciais de notas distintas com vencimentos diversos ou simplesmente valores parciais de uma nota fiscal sem nenhuma observância de parcelas designadas com os vencimentos. 24. Com relação à questão do tempo transcorrido entre as emissões das notas pela Metalúrgica e as liquidações dessas notas pela Distribuidora foi feito um levantamento através dos arquivos contábeis e dos extratos bancários de ambas empresas. E o resultado é a planilha de fls. 1224/1233 onde fica evidenciado que algumas liquidações ocorreram no mesmo dia da emissão da nota e outras com muito atraso, sendo o prazo máximo encontrado de 294 dias. Tudo sem encargos quando atrasados ou descontos quando antecipados. 25. Com todas essas informações descritas neste tópico fica bem claro que as transferências eletrônicas da contacorrente bancária da Distribuidora para a contacorrente bancária da Metalúrgica, descasadas de qualquer data de vencimento contida na emissão das notas fiscais, servem apenas para repassar os valores a quem de direito seriam, ou seja, da Metalúrgica, e não configuram efetivos pagamentos consequentes de obrigações assumidas numa relação fornecedor/cliente em condições normais de independência e livre concorrência. 26. A política comercial de "vendas" à Distribuidora, praticamente a preços de custo, resulta em falta de capital de giro na Metalúrgica. Além da já citada prática de pagamentos da Distribuidora à Metalúrgica desconexos com os vencimentos das faturas de compra, outro elemento que reflete essa necessidade de capital de giro, e reforça a idéia de negócio único, são as retiradas de lucro da Distribuidora por parte do sócio majoritário André Backes: do total de 27 milhões distribuídos ao mesmo nos três anos sob análise, 12 milhões de reais entraram na Metalúrgica como aumento de capital, nas mesmas datas e valores que saíram como distribuição de lucros na Distribuidora. 27. Em atendimento a item do Termo de Intimação n° 02 da Distribuidora, em que foi solicitado Balanço Patrimonial com a apuração do lucro contábil trimestral e demonstrativo de distribuição dos lucros aos sóciosdiretores do período de 2006 a 2008, foram apresentados demonstrativos anuais consolidados assinados pela empresa Barbacovi Auditores independentes (fls. 100/115). 28. Como não foi localizado na contabilidade nenhum pagamento por essa prestação de serviço ou em nome de Barbacovi, intimamos a Distribuidora a apresentar o contrato de prestação de serviço e junto as notas fiscais ou recibos. A resposta foi de que a empresa não possuía contrato com a Barbacovi, sendo que essa empresa realiza trabalhos para a Metalúrgica e "(...) eventualmente auxilia o sócio e contador Evaldo Nozari Filho no encerramento do balanço da Distribuidora." (fls.145). 29. Também vale a pena registrar que entre as primeiras respostas que a fiscalização recebeu da Distribuidora, o documento apresentado foi em papel Fl. 3870DF CARF MF Processo nº 11080.722706/201161 Acórdão n.º 1301002.493 S1C3T1 Fl. 3.871 7 timbrado da Metalúrgica (Mor Casa e Lazer), conforme pode ser observado nas fls. 84. Nas respostas posteriores, esse timbre foi editado, apenas mudando para Mor Distribuidora. 30. Pode ser observado que, nas notas fiscais de aquisição de máquinas e equipamentos da Distribuidora apresentadas à fiscalização, o recibo foi dado por funcionários da Metalúrgica, inclusive com o carimbo da empresa, e que as autorizações de compras foram efetuadas por um funcionário da Metalúrgica (fls. 162,169,171 e 174). 31. Foi dada ciência ao contribuinte, mediante Termo de Constatação (fls. 201/264), das informações acima e solicitado que fossem fornecidos demonstrativos consolidados de apuração de Apuração de Resultado dos Exercícios (DRE), de apuração do Lucro Real e de Base de Cálculo da CSLL, de Lucros e Prejuízos acumulados, bem como de PIS e Cofins. Junto aos demonstrativos apresentados foram feitas as seguintes colocações pelo contribuinte, entre outras (fls. 265/267): 31.1. a Mor Distribuidora "(...) se dedica exclusivamente à comercialização de produtos importados."; que esses produtos importados são chineses e que a Metalúrgica Mor iniciou essas importações para "blindar" a empresa da concorrência que também possuía importação de produtos chineses prontos; 31.2 . após o início das vendas desses produtos importados pela Metalúrgica, os seus clientes passaram a questionar a qualidade de toda a linha de produtos Mor, uma vez que os produtos chineses não possuíam uma imagem muito positiva pelo mercado; 31.3. a Distribuidora teria sido criada para preservar a imagem da Metalúrgica e segregar os produtos chineses dos fabricados pela Metalúrgica; como a Metalúrgica já tinha contatos e linhas de crédito para as importações chinesas, a Distribuidora comprava os produtos importados pela Metalúrgica; 31.4. a partir de 2009 a Distribuidora passou a importar diretamente os produtos que comercializa e focou apenas na linha de camping e móveis para jardim; 31.5. as empresas Metalúrgica Mor S/A e Mor Distribuidora de Artigos de Lazer Ltda. são entidades diversas com contabilidades independentes e segregadas; 32. Em relação às afirmações acima apresentadas pela empresa fazemse necessários alguns comentários e esclarecimentos. A afirmação de que a Distribuidora foi criada para preservar a boa fama dos produtos da Metalúrgica Mor e para que os clientes não os confundissem com os produzidos por ela, segregando as vendas desses produtos dos importados chineses em relação ao mercado, não prospera, tendo em vista os fatos abaixo listados, alguns já apresentados neste Relatório; 32.1 as notas fiscais de vendas da Distribuidora possuíam logomarca e identificação visual idêntica à Metalúrgica até abril de 2007, com o endereço eletrônico (site) de www.mor.com.br, email mor@mor.com.br e o nome fantasia "Casa e Lazer" que são relativos a Metalúrgica, quase um ano após o início das atividades da Distribuidora, conforme visto nos documentos anexos nas fls. 1234/1265, que é uma amostragem com uma nota fiscal de cada mês no período de maio/06 a abril/07; Fl. 3871DF CARF MF Processo nº 11080.722706/201161 Acórdão n.º 1301002.493 S1C3T1 Fl. 3.872 8 32.2 o local físico do estabelecimento da Distribuidora não possuía, ainda em janeiro de 2011, qualquer identificação visual de que lá exista outra empresa de que não a Metalúrgica, conforme fotos anexas nas fls. 445/449; 32.3 foi encontrado na internet um folheto com instruções de montagem de um produto importado da China pela Distribuidora cujos dados da empresa para contato ainda mantém o site e o SAC da Metalúrgica Mor (www.mor.com.br), conforme anexo na folha 1266/1268; 32.4 ainda em 2011, com acesso no dia 11/04/2011 o endereço eletrônico www.mor.com.br diz tratarse apenas da Metalúrgica Mor S/A e não de um grupo ou empresas ligadas, conforme documento anexo na fls. l269; 32.5 a fiscalização intimou alguns dos clientes da Distribuidora a informar valores de vendas, contatos, forma de pagamento e nas respostas houve a confusão de informações entre vendas da Metalúrgica com a Distribuidora: um desses clientes disse que seu fornecedor era a Mor Casa e Lazer e informa o endereço eletrônico de www.mor.com.br, ambas informações são aplicadas a Metalúrgica Mor S/A e não à Distribuidora (fls. 1270/1272); outro, listou as notas fiscais de ambas empresas (fls. 1273/1283); um outro cliente forneceu informações de compras da Metalurgia e não da Distribuidora, embora em nosso Termo de Intimação o nome e CNPJ consultado, era bem claro que diziam respeito à Distribuidora (fls. 1284/1287); um dos clientes forneceu cópia de notas fiscais e junto vierem cópias de Comunicados de Correção de Documentos Fiscais endereçados à Metalúrgica Mor (fls. 1288/1297) e vários responderam que o contato via email era com final @mor.com.br em nome de vários funcionários da Metalúrgica (Aline, Érica, Ana, Lairton, Luiza, Sairá) (fls. 1298/1307); 32.6 com os arquivos de notas fiscais entregues pela Metalúrgica a fiscalização efetuou ama pesquisa para ver apenas as importações por produtos da Metalúrgica (fls.1308/1318). De posse dessa listagem a fiscalização comparou com os códigos dos produtos vendidos pela Distribuidora (fls.1319/1338). Como resultados foram encontrados dezesseis produtos que foram vendidos pela Distribuidora e não foram encontrados nas importações da Metalúrgica (fls. 1339/1340). Logo, a Distribuidora não revendeu apenas produtos importados pela Metalúrgica e, se lembrarmos que a Metalúrgica vendeu sim eventualmente a outras empresas alguns dos mesmos produtos vendidos para a Distribuidora, conforme demonstrativo nas fls. 552/769, significa dizer que a Metalúrgica vendeu diretamente alguns desses produtos chineses importados a clientes que não eram a Distribuidora. Concluindo, a fiscalização afirma que a cúpula administrativa da Metalúrgica Mor decidiu por registrar um novo CNPJ e desmembrar parte dos custos e parte das receitas para essa pessoa jurídica, existente apenas sob o aspecto formal. Não há qualquer sinal de novo empreendimento, mas tão somente uma cisão contábil. Isso fica claro quando se verifica que a preocupação com aluguel de prédio, estrutura comercial (emissão de notasfiscais, atendimento a clientes e fornecedores), fornecimento de energia elétrica, telefone, etc, sobreveio meses após o início do faturamento pelo novo CNPJ. Os custos com representantes comerciais e com logística foram contabilizados desde o início porque era mero rateio das contratações da Metalúrgica. Isso tudo teve como intuito apenas a diminuição da carga tributária sem qualquer intuito negocial. Afirma que a sociedade Mor Distribuidora de Artigos de Lazer Ltda. existe apenas sob aspecto formal; fisicamente, conforme constatado, a Distribuidora continua sendo apenas um depósito onde funcionam estoque e expedição de Fl. 3872DF CARF MF Processo nº 11080.722706/201161 Acórdão n.º 1301002.493 S1C3T1 Fl. 3.873 9 produtos pela Metalúrgica. Naquele ambiente não há qualquer vestígio de ambiente administrativo, como mesas, telefones, computadores, etc, tanto que a Fiscalização foi recebida nas dependências da Metalúrgica em todas as diligências relacionadas à Distribuidora. Sob o manto de um contrato de prestação de serviços, toda a administração comercial, ou seja, compras, vendas, contatos com fornecedores, com clientes, com representantes comerciais, emissão de notas fiscais ou qualquer outro documento da Distribuidora, sempre permaneceu centralizada dentro das instalações da Metalúrgica, sendo ela a tomadora de todas as decisões. Por isso, a fiscalização concluiu que a sociedade Distribuidora Mor Ltda foi formalizada e é conduzida apenas dentro dos requisitos formais, sem a autonomia, característica necessária para um empreendimento independente e autônomo, e com o único intuito de diminuir os valores de vários tributos a pagar, de forma que, para fins tributários, as sociedades Metalúrgica Mor S.A. e Mor Distribuidora de Artigos de Lazer Ltda. devem ser tratadas como uma única empresa. Na lavratura dos autos de infração do IRPJ e CSLL foram consolidados os resultados das duas pessoas jurídicas, expurgandose as operações recíprocas. Foram também efetuados lançamentos de PIS e Cofins, os quais são tratados no processo nº 11080.722705/201116, e de IPI, tratado no processo nº 11080.722707/201113. O contribuinte impugna os lançamentos (fls. 1379/1410), alegando, em síntese, o seguinte: 1. A fiscalização partiu de forma autista da errônea premissa de que os produtos da Metalúrgica MOR eram comercializados pela MOR Distribuidora. Prova disto é o Termo de Constatação de fls. 201 e seguintes do processo administrativo onde textualmente afirma que a Distribuidora foi criada para revender produtos fabricados pela Impugnante. 2. Não vendeu para a distribuidora qualquer produto de seu fabrico, mas sim, somente produtos importados da china e complementares de sua linha de produção, a época com rejeição manifesta do mercado, em face da suposta e sempre duvidosa qualidade dos mesmos. Estes são os verdadeiros fatos, muito embora no Relatório fiscal seja feita referência de que 16 produtos comercializados pela Distribuidora foram fabricados pela Metalúrgica. Portanto, a Distribuidora não foi montada para revender produtos fabricados pela Metalúrgica. 3. A inferência decorrente do Relatório de Ação Fiscal é de que Metalúrgica Mor S/A (Impugnante) e Mor Distribuidora de Artigos de Lazer Ltda., deveriam ser consideradas como única empresa, mediante desqualificação da personalidade jurídica da empresa comercial (Distribuidora). Todavia, e estranhamente, tanto no Relatório em apreço, como no Termo de Constatação ou qualquer dos Autos de Infração decorrentes da ação fiscal, não há qualquer indicação de dispositivo legal que possa amparar a pretensiosa desqualificação da personalidade jurídica intentada pela fiscalização. A desqualificação de personalidade jurídica é medida extrema, só autorizada pelo ordenamento jurídico (Código Civil, art. 50) em situações especialíssimas (abuso por desvio de finalidade ou confusão patrimonial), ainda assim, mediante deliberação do Poder Judiciário para deslocar a responsabilidade pelo cumprimento de obrigações para sócios ou administradores da pessoa jurídica desqualificada. Nenhuma dessas situações foi arrolada (e comprovada) pela fiscalização, tampouco têm pertinência com os fatos ali narrados Fl. 3873DF CARF MF Processo nº 11080.722706/201161 Acórdão n.º 1301002.493 S1C3T1 Fl. 3.874 10 e conseqüências adotadas, o que talvez justifique a não indicação do art. 50 do Código Civil como fundamento legal. 4. No entanto, o procedimento de lançamento fiscal é ato vinculado e regrado que exige a indicação do dispositivo legal infringido. Não basta a simplória referência ao art. 142 do CTN que define lançamento tributário, como fez a fiscalização, pois é necessária a indicação do dispositivo legal que coíbe a conduta apontada como imprópria, assim como daquele que lhe atribui os pretendidos efeitos e autoriza a medida extrema da desqualificação da pessoa jurídica. 5. De nada adianta, igualmente, a tímida indicação dos artigos 904 e 911 do RIR/99, único embasamento legal indicado para sustentar ato abusivo de tamanha envergadura, pois esses artigos só servem para lembrar que cabe aos Auditores Fiscais realizar o papel da fiscalização federal, mediante exame dos livros e documentos dos sujeitos passivos. Nada mais! 6. Igualmente o artigo 116, parágrafo único do Código Tributário Nacional não foi citado e tampouco poderia ter sido utilizado como fundamentação eis é norma pendente de regulação de procedimentos por meio de lei ordinária ainda inexistente. 7. Nenhuma norma jurídica sustenta a desconsideração da personalidade jurídica levada a cabo. A omissão representa evidente cerceamento à defesa, que leva à nulidade do ato nos termos do art. 59 do Decreto n° 70.235/72, sem contar que a indicação do dispositivo de lei que possa autorizar a extrema medida é requisito essencial para validade do lançamento, como exige o art. 10 do mesmo Decreto n° 70.235 de 1972. 8. Portanto, está viciado o pretensioso lançamento tributário formalizado precipitadamente, mediante imprópria desqualificação de entidade (pessoa jurídica) regularmente constituída e no legítimo exercício de suas atividades, ainda mais quando, além de abusivo, peca o Auto de Infração pela ausência de qualquer fundamento legal para essa extrema medida. 9. A Impugnante, que exerce atividade industrial (METALÚRGICA) por 5 décadas, dedicase a industrialização de centenas de artigos de utilidade doméstica, entre eles escadas, varais, cadeiras, grelhas, etc. Ao todo são aproximadamente 350 itens que são fabricados e vendidos no mercado interno e externo. Emprega atualmente aproximadamente 1.500 funcionários, em um parque fabril de grande monta. O cadastro do CNPJ da Impugnante remonta a data de 08/08/1966 (doc. 01 anexo), embora o início de suas atividades fabris tenha ocorrido anteriormente. 10. Com a abertura da economia brasileira e a valorização crescente de sua moeda, o Real, seus produtos passaram a sofrer acirrada concorrência de produtos estrangeiros, especialmente os de origem chinesa, inicialmente conhecidos pelo baixo preço e muitas vezes pela qualidade duvidosa, o que poderia gerar riscos para a tradicional fabricante nacional, daí a opção, entre outras, de comercializar em empresa apartada. 11. Para a defesa (e sobrevivência) da atividade econômica, decidiuse pela importação dos produtos chineses que, no entanto, para não serem confundidos e não depreciarem os produtos de fabricação própria, seriam comercializados por meio de outra pessoa jurídica (DISTRIBUIDORA). 12. O ordenamento legal brasileiro não exige que a ampliação para novas atividades econômicas deva, obrigatoriamente, ser executada dentro da mesma Fl. 3874DF CARF MF Processo nº 11080.722706/201161 Acórdão n.º 1301002.493 S1C3T1 Fl. 3.875 11 pessoa jurídica. Pelo contrário, vigora o princípio da liberdade de associação e da livre iniciativa que, nos termos do parágrafo único do art. 170 da Constituição Federal "é assegurado a todos o livre exercício de atividade econômica, independentemente de autorização de órgãos públicos, salvo nos casos previstos em lei" . 13. Dentro desse espírito de ampliação para o exercício de nova atividade econômica, decidiuse também propiciar que tradicionais colaboradores da METALÚRGICA pudessem participar do novo empreendimento, na condição agora de sócios, assumindo os riscos e eventuais benefícios do novo negócio. Isso foi atestado pela fiscalização, e os atos societários comprovam que a grande maioria dos sócios da Distribuidora não são acionistas da Metalúrgica, o que já demonstra diferentes interesses no exercício de distintas atividades econômicas, mediante específicas operações de importação de produtos chineses para colocação no mercado, sem qualquer contaminação com os específicos produtos que continuaram sendo fabricados pela Metalúrgica. 14. Com essa concepção, a Distribuidora foi criada em resposta rápida ao mercado e suas atividades foram consolidadas e estruturadas paulatinamente. E fato notório, de conhecimento geral, que a obtenção de credenciais para importação, crédito no país e, no exterior junto a fabricantes estrangeiros são tarefas árduas e formalidades só alcançadas em médio e longo prazo. Isso também foi atestado pela fiscalização, ao registrar que a Distribuidora "foi aberta em 2005, tendo iniciado suas atividades em maio/2006" (pág. 1 do citado Relatório), registro que também contribui para confirmar a falsa premissa, pois se o objetivo fosse revender produtos fabricados pela Metalúrgica, poderia operar de imediato, o que de fato não aconteceu. 15. Mesmo que as duas empresas tivessem sócio controlador comum, com maioria de capital, é preciso reconhecer que as entidades jurídicas continuam sendo diferentes, com distintos quadros societários. Para perfeita comparação é apensado (fls. 1417) o quadro de acionistas da Impugnante e de quotistas da Distribuidora, que retratam a diversidade, eis que as alterações do contrato social da Distribuidora fazem parte do processo administrativo (fls. 6 a 78) e o estatuto da Impugnante a fls. 79 e seguintes do presente processo administrativo. 16. Portanto, existem duas pessoas jurídicas distintas, compostas por diferentes sócios, com patrimônios individualizados, que exercem diferentes atividades econômicas em distintos estabelecimentos. Nada há de ilícito e são empresas existentes de verdade, de fato e de direito. 17. A Distribuidora foi criada e instalada em armazéns específicos, independentes das instalações da Metalúrgica, onde são depositados exclusivamente os produtos que comercializa e onde é realizada toda a sua logística de distribuição. 18. O complexo industrial da Metalúrgica e os armazéns da Distribuidora são distintos conforme demonstram os projetos (fls.1418/1434), devidamente aprovados pelo departamento de engenharia do município de Santa Cruz do SulRS em datas que precedem a Fiscalização que originou o Auto aqui impugnado. 19. A contradição já foi apontada no início, quando atestou a fiscalização que a "Distribuidora fica num prédio ligeiramente apartado dos demais", cujo barracão "é alugado pela Metalúrgica para a Distribuidora", sendo que "uma empresa tem o endereço no cadastro por uma rua, a BR 471, e a outra tem como endereço a Av. Fl. 3875DF CARF MF Processo nº 11080.722706/201161 Acórdão n.º 1301002.493 S1C3T1 Fl. 3.876 12 Rudi Falk". Atestando a fiscalização que a "Distribuidora fica num prédio apartado dos demais", não há porque negar a existência de estabelecimento autônomo. 20. Da análise do documento 03 (fls.1418/1434) se constata, além da nítida separação física de ambos complexos, a previsão de cerca que foi construída conforme fotografias (fls. 1435/1442), situação ratificada pela foto de satélite extraída do Google de 13/04/2010 (fls. 1443/1446). As datas indicam que tudo isso foi retratado anteriormente ao início da Fiscalização (25/08/2010) que deu gênese a ação fiscal aqui rebatida. 21. Ainda, para dar ampla visão aos Ilustrados Julgadores, que certamente buscam a verdade material e justiça fiscal, a Impugnante anexa um breve vídeo onde são mostradas as operações (processo 13005721.247/201126) desenvolvidas pela Distribuidora, suas instalações, desde a chegada dos produtos que adquire até sua expedição, além de fotografias que demonstram que no período fiscalizado aquela empresa encontravase em obras (fls. 1448/1476). Notase, entre outros detalhes, três pontos essenciais: 1) portões independentes da Impugnante para entrada e saída de veículos; 2) escritório administrativo da Distribuidora é independente (o que contraria o Relatório de Ação Fiscal); 3) carga e descarga terceirizada realizada pelos funcionários das próprias empresas de transporte. 22. A tendenciosa Fiscalização também foi ingrata, na medida em que registrou que o acesso ao prédio da Distribuidora lhe foi proporcionado por uma via interna que corta o pátio da Metalúrgica, omitindo detalhes sobre a existência de lama pela remoção de terra da via externa de acesso ao prédio da Distribuidora, que estava passando pelo término de obras de grande proporção, pois foram concluídos novos armazéns e pavimentação de seus acessos o que é facilmente constatado (vídeo e fls. 1449/1476), o que, aliás, levou a derrubada da cerca informada como inexistente. A propósito as fotografias constantes as fl.s 445 e 446 do processo administrativo demonstram o acesso externo e independente da Distribuidora. 23. O conceito de estrutura enxuta foi aplicado pela Distribuidora, onde seus quotistas sempre exerceram atividades operacionais, juntamente com os funcionários, que foram diversos (e não apenas um como aponta o Relatório de Ação Fiscal). A Impugnante apensa as fichas de registro de empregados e contratos de trabalho do período 2006 a 2008 (fls. 1477/1529) da Distribuidora. 24. A partilha da mesma administração (contábil, financeira, administrativa, recursos humanos, vendas, entre outras), por duas ou mais empresas não é vedada pela lei. Não raramente ditos serviços são prestados de forma terceirizada por escritórios de contabilidade externos. A sistemática, ademais é comumente adotada em empresas que tenham relações societárias entre si. A Impugnante e a Distribuidora partilharam os custos de administração e a segunda alugou armazéns da primeira, tudo conforme contratos anexados ao processo (fls. 419 a 431). 25. A Distribuidora para desenvolver suas atividades alugou inicialmente um armazém da Impugnante (posteriormente, em 2008, foi construído e locado outro) vide a projetos (fls.1418/1434). Em 2010/2011 foram construídos outros dois além de pavimentação externa. Como de praxe em locações contemplouse, no início das atividades, carência de pagamento de aluguel com breves 60 dias para adequação montagem pela Distribuidora de suas instalações (vide vídeo e fls.1449/1476). Por esta razão, que não obstante a Distribuidora ter tido operações iniciais (e precárias) em maio de 2006, só a partir de julho daquele ano passou a pagar o aluguel. Vejase que o faturamento da Distribuidora entre maio e junho de 2006 foi ínfimo (fls. 1449/1476). Fl. 3876DF CARF MF Processo nº 11080.722706/201161 Acórdão n.º 1301002.493 S1C3T1 Fl. 3.877 13 26. A Impugnante precisa também contestar outros supostos defeitos apontados pelo Relatório de Ação Fiscal, como a ausência de pagamentos de energia elétrica, o que se faz com uma amostragem que prova exatamente o contrário (fls. 1531/1546). Em que pese o fato de que as atividades da Distribuidora terem iniciado em 2006 e terem sido de pequena monta (fls. 1479/1530) e a energia ter feito parte do contrato de locação, a segregação de faturamento pela distribuidora da energia só ocorreu a partir de 2007, devido demandas daquela. 27. Notese que a locação e os serviços administrativos e operacionais contratados pela Distribuidora da Impugnante, enquanto irrelevantes, absorveram o pequeno consumo de energia e da água utilizada: Em grupos corporativos, é comum e racional a adoção de rateio de gastos compartilhados, sem nenhuma proibição legal, cabendo a administração tributária investigar a coerência dos critérios adotados e, diante de condutas abusivas, crivar de indedutibilidade os gastos tidos como não necessários à manutenção da fonte produtora. 28. Vai além a Fiscalização, ao censurar o fato de que os empregados da Distribuidora não poderiam registrar o ponto na mesma portaria que faziam os da Impugnante. Entre os objetivos do contrato de prestação de serviços que a Impugnante realizada para a Distribuidora estava o "serviço de pessoal". Todavia, tanto o acesso destes funcionários à Distribuidora, como cargas e descargas sempre se deram pelo seu portão de acesso individual, como demonstram os documentos anexos (vídeo e fls. 1449/1476). 29. Não se pode fechar os olhos para a realidade do mundo atual, em que por questões de economia e segurança uma mesma portaria é compartilhada por muitas empresas, como hoje acontece nos condomínios empresariais. Nada obsta que ali seja instalado um único controle de acesso, comum a todas as empresas ali localizadas. Serviços de entrega de encomendas, dos Correios, são recepcionados pela mesma portaria, ainda que relativos a diferentes destinatários, sem com isso desqualificar a existência de diferentes entidades. 30. Portanto, nada há de ilegal, de impróprio, de inadequado, pelo que o tendencioso relato contido no item denominado de "estrutura física" não reúne condições para justificar a extremada medida de desconsideração da personalidade jurídica da Distribuidora. 31. Na mesma linha idealizada a partir da falsa premissa apontada, a Fiscalização, sem apurar ou por omissão, diz que a Distribuidora "não possui qualquer estrutura para desenvolvimento das atividades comerciais, e que o aparato de equipamentos e pessoal é fornecido pela Metalúrgica". Na prática há nítida desconsideração do contrato de prestação de serviços administrativos firmado pelas partes em 01/10/2006 (fls. 429 a 431). 32. Mais uma vez, a afirmação não é verdadeira, e os nobres Julgadores poderão diligenciar para pessoalmente aferir a realidade dos fatos, assim como já poderão iniciar a formação de juízo pela análise dos comprovantes (fls. 2357/2363) de aquisição de equipamentos pela Distribuidora (computadores e programas, máquinas e equipamentos fls. 156 a 176), pasmem, documentos estes juntados pela própria Fiscalização ao procedimento administrativo que serviu de suporte a este auto de infração. 33. As fotografias e vídeo anexos ao presente revelam a parte interna do prédio da Distribuidora, com o seu depósito, seu mezanino, seu escritório administrativo, instalações suficientes para adequação do seu pessoal e para a Fl. 3877DF CARF MF Processo nº 11080.722706/201161 Acórdão n.º 1301002.493 S1C3T1 Fl. 3.878 14 realização de suas atividades. Ditas dependências foram visitadas pela Fiscalização mas omitidos detalhes importantes para solução correta deste feito. 34. A Fiscalização deduz do fato de um empregado da Metalúrgica, que trabalha no almoxarifado, ter orientado determinados funcionários da Distribuidora que se tratou de subordinação, evidentemente para tentar justificar seus propósitos. No Contrato de Prestação de Serviços Administrativos firmado entre a Impugnante e a Distribuidora, é previsto que entre os objetivos da prestação de serviços realizados pela Impugnante em favor da Distribuidora está a realização de serviços operacionais. Aqui se está frente aos serviços de almoxarife e especialmente de armazenagem. 35. O mais estranho, funcionando como técnica possivelmente intimidatória, especialmente para operários, a Fiscalização convocou exfuncionários da Distribuidora, para unilateralmente conduzir um verdadeiro interrogatório direcionado. Procedimento reprovável, duvidoso, eivado de lacunas e tendencioso, pelo que imprestável no regrado campo das provas. 36. No entanto, nem dessa forma conseguiu a Fiscalização coroar seu intento. O funcionário da Impugnante apontado como "chefe" dos interrogados, Sr. Jeferson Jung, foi admitido em 02/02/2004 (fls. 1730/1731) para a função de trainee, e declara (fls. 1732/1735) que exerce suas atividades na Metalúrgica Mor, atualmente como responsável pelo almoxarifado, tendo indicado à administração e aos prepostos da Distribuidora, em atenção à política de pósvendas utilizada por sua empregadora com todos atacadistas e varejistas, sugestões para o correto armazenamento dos produtos que a mesma adquiria, em visitas ocasionais que fazia para a mesma. 37. A Fiscalização aponta que o que era vendido para a Distribuidora pela Impugnante, ou seja, os produtos que importava, não eram vendidos diretamente para terceiros em uma espécie de "monopólio" (estranho que no item 6 do Relatório de Ação Fiscal [página 8 item 6] diz exatamente o contrário). Senhores Julgadores, essa política não fere qualquer norma se é que tivesse ocorrido efetivamente , especialmente aquelas de direito econômico (concorrencial), conquanto que o ordenamento não proíbe que uma atividade de Distribuição como tantas que hoje existem seja exclusiva ou não. 38. A Fiscalização aponta que as eventuais e esporádicas vendas diretas feitas pela Impugnante (metalúrgica) para terceiros, foram feitas por preços superiores àqueles praticados com a Distribuidora. Ora, se entendida como distorção tributária, tem conseqüência específica prevista na legislação de cada tributo, diferente da desconsideração da pessoa jurídica. Por outro lado, é perfeitamente crível e lícito que se a Impugnante fizesse vendas diretas a terceiros, teria que adicionar custos de transporte, despesas gerais de venda, aliado ao fato de que nas vendas de pequenos volumes, os preços necessariamente teriam que ser mais elevados. Ademais, os Senhores Julgadores bem sabem que preços praticados com atacado ou varejo se distinguem, além disso, há o fator sazonalidade que altera a oferta e procura. 39. Para correta informação é preciso enfatizar que a Distribuidora sempre teve sua própria rede de representantes comerciais que agenciam suas vendas conforme amostragem (fls. 1736/1958), assim como seus custos de operação e logística. 40. Há mais uma enorme falácia no Relatório de Ação Fiscal a ser corrigida, entre outras. Tratase de margens de resultados auferidos pela Impugnante e pela Fl. 3878DF CARF MF Processo nº 11080.722706/201161 Acórdão n.º 1301002.493 S1C3T1 Fl. 3.879 15 Distribuidora. Primeiro obter lucros não é proibido por lei e tampouco os percentuais destes são fixados por qualquer regulamento legal. Segundo, pinçar determinado item de uma enorme listagem, para rotular como elevado o ganho auferido, é induzir o leitor ao erro. Terceiro, que variáveis como sazonalidade (itens de verão), vendas para atacado ou varejo devem ser considerados. 41. O que deveria ter feito a Fiscalização e, lançado no Relatório de Ação Fiscal, seria calcular as margens médias obtidas pela Impugnante e Distribuidora. Isso foi feito pela Impugnante (fls. 1959/1961). O que pode ser verificado é que a Impugnante (Metalúrgica) não transferiu seus produtos pelo preço de custo, como tenta induzir a Fiscalização, pois praticou as operações com uma margem de contribuição média positiva superior a 14,8% quando comercializou com a Distribuidora os produtos por ela importados, enquanto esta realizou uma margem variável de lucros até 40% ao revendêlos no varejo, porém assumindo todos os custos das vendas, da logística das entregas retalhadas no segmento do varejo, riscos inadimplência, trocas etc. Desse refino amiudado dos números constatase nada mais do que a razoabilidade. Comprovadamente a Metalúrgica agregou lucro líquido resultados com a venda de produtos à Distribuidora. 42. A superficialidade do Relatório chega a conclusão nada razoável, mesmo que de pronto possa ser desqualificada pela metodologia da "verificação rápida" e "aparente" (redação transcrita do Relatório), de que "alguns itens foram vendidos em quantidade superior ao adquirido". Outra vez, se a constatação de estoque negativo fosse verdadeira (e não é como adiante se verá), pecou a Fiscalização por não ter adotado a consequência legalmente prevista, pois relatou fato que a legislação tributária tipifica como prova de evidente "omissão de receitas". É preciso dizer que não pode o agente do Fisco abandonar o que está previsto na lei para, a seu exclusivo juízo, idealizar construção não amparada por qualquer norma legal. 43. No entanto, está equivocada mais uma vez a Fiscalização. Se a verificação não tivesse sido rápida e superficial, seguramente a Fiscalização teria constatado que, se a Distribuidora tivesse recebido ocasionalmente pedidos de mais itens do que os constantes de seu estoque, mesmo que emitida a nota fiscal, o embarque das mercadorias só se deu depois de adquirido os itens faltantes (fls. 1962/1969). 44. Longe de desqualificar, o apego e elaboração de longas planilhas para demonstrar o controle de "estoques" da Distribuidora só serviram para fazer prova a favor da efetiva existência da atividade da empresa. Com efeito, a conclusão da Fiscalização de existência na Distribuidora de estoques de certos itens que ali permaneceram vários meses é indicativo da sua autonomia, e de que não serviu a Distribuidora para simples repasse imediato e automático de produtos. "Estoque" faz parte do conjunto de bens e direitos da pessoa jurídica, compondo o patrimônio do estabelecimento, que são pontos qualificadores dos chamados "elementos de empresa", configuração que contradiz a precária acusação fiscal de "empresa de papel", ou de único empreendimento. 45. Por outro lado, a administração de estoques de produtos revela prática de boa governança, e especialmente aqueles com vendas sazonais, é baseada em estimativas de vendas futuras, que podem ou não ocorrer. Aliás, isto é o que ocorre com qualquer atividade comercial ou industrial que, digase, cada vez mais buscam a técnica que costumam chamar de just in time, ou seja, o menor estoque possível, visando reduzir os custos dos mesmos. Fl. 3879DF CARF MF Processo nº 11080.722706/201161 Acórdão n.º 1301002.493 S1C3T1 Fl. 3.880 16 46. Reclama a Fiscalização sobre o desrespeito dos prazos nas operações entre as empresas do grupo, indicando que a Distribuidora ora paga com atraso e ora antecipadamente, sem que sejam apropriados os juros ou descontos. Mais uma vez, se o procedimento tem repercussão tributária, dispunha o Fisco de específico instrumento legal para neutralizar a eventual distorção, seja mediante a adição na base de cálculo da receita dos juros eventualmente desprezados pela empresa beneficiária, seja pelo reconhecimento dos implícitos descontos que poderiam reduzir determinados custos de aquisição. No entanto, a prática de pagamentos antecipados, ou pagamentos com atrasos, não é fundamento para desqualificar a entidade como pessoa jurídica. 47. Ainda que isso seja irrelevante para o deslinde da questão, é preciso dizer que a Impugnante e a Distribuidora sempre apuraram os resultados destas rubricas em planilhas auxiliares, concluindo seus administradores que as diferenças, se existentes, após a compensação eram absolutamente insignificantes (fls. 1970/1997) e, se aplicadas, no caso sob análise gerariam uma pequena despesa financeira para Impugnante, o que representaria uma despesa adicional para empresa optante por tributação pelo lucro real. Se também tivessem sido analisadas as vendas da Impugnante e Distribuidora para grandes redes, seria constado que esta mesma ocorrência está presente em grandes negociações, portanto não são práticas internas adotadas com o deliberado intuito de proveito tributário, como equivocadamente tenta impingir a Fiscalização. 48. A Fiscalização chega ao cúmulo de enxergar defeito na conduta de pagamentos feitos pela Distribuidora à Impugnante em "valores redondos, ou seja, sem unitários ou centavos". Não tem nada de irregular nisto. Do valor exato remetido pela Distribuidora eram deduzidas as notas fiscais emitidas, sempre na ordem cronológica de emissão conforme o controle anexo (fls. 1998/2261). Nesta sistemática, as notas fiscais eram baixadas total ou parcialmente, de acordo com o valor da remessa, com a identificação dos saldos respectivos. 49. Como visto nos dois parágrafos precedentes, a Impugnante e a Distribuidora não feriram qualquer lei, muito menos o que a Fiscalização titulou como "condições normais de independência e livre concorrência". Lembrese que é prática comum adiantamento a fornecedores. 50. Ainda neste tópico, a Fiscalização mantém sua trajetória de raciocínio despido de análise preocupada com razoabilidade e detalhamento, com a máxima vênia,. Imiscuise na "política comercial de vendas à Distribuidora, a praticamente preços de custo, resulta em falta de capital de giro na Metalúrgica", com avaliação equivocada desse resultado, como já demonstrado. Condena o fato de que sócio da Distribuidora integralizou parte de lucros recebidos desta no capital da Impugnante. Se a Fiscalização tivesse diligenciado corretamente, teria concluído que a Impugnante auferiu considerável margem média de contribuição (fls. 1959/1961), de aproximadamente 14,8%, como visto anteriormente, nos produtos que comercializou com a Distribuidora. A propósito comparese, por amostragem, a política de vendas feitas pela Impugnante para a Distribuidora e para terceiros na fls. 782 e seguintes do processo administrativo, exemplificativamente, onde fica claro que onde a Impugnante vendeu para terceiros, somente adicionou seus custos de venda e frete esta é a regra , e não exceção como maliciosamente feita pelo Relatório. 51. Para reforçar o sobredito, a Impugnante elaborou planilha com itens que comercializou com a Distribuidora (fls. 2262/2235) e os excelentes resultados individuais obtidos na comercialização dos mesmos. Além disto, os consideráveis Fl. 3880DF CARF MF Processo nº 11080.722706/201161 Acórdão n.º 1301002.493 S1C3T1 Fl. 3.881 17 resultados obtidos pela Impugnante e especialmente entre 2006 e 2008 (período objeto do auto de infração) demonstram sua lucratividade, aí incluída sua operação total, conforme demonstrativo anexo e respectivos balanços (fls. 2236/2256). 52. Importante ressaltar que o quadro societário da Distribuidora é formado de pessoas de comprovado conhecimento comercial, da mais alta qualificação e formação, o que a capacitaria em atuar no mercado com toda força, mesmo com número reduzido de funcionários, pois o conjunto dos mesmos está apto a exercer toda sorte de atividades comerciais que a mesma pratica, e outras mais. 53. Ressaltese também, que as linhas de produtos comercializados pela Distribuidora não são de interesse da Metalúrgica, apenas transitoriamente lhes interessava analisar a possibilidade e virem a fazer parte ou não. Em definitivo, podese comprovar que a Metalúrgica não foi onerada com novos custos e novos funcionários para atender a Distribuidora, ao contrário, esta é que teve papel importante junto ao mercado impedindo que outros concorrentes ocupassem espaços e vendessem, entre outros, produtos similares e de interesse estratégico da Metalúrgica, neutralizando assim, boa parte da concorrência predatória via produtos chineses em seu nicho de negócios. 54. Assim, de todo o exposto neste tópico, resta evidente que os resultados auferidos pela Impugnante na comercialização de produtos com a Distribuidora não foram a preço de custo, como equivocamente dito pela Fiscalização. Além do mais, é livre o sócio para destinar os lucros a que tem direito para qualquer de seus empreendimentos, sem que essa deliberação possa caracterizar conduta deliberada para indevido proveito tributário, ou para acobertar suposta estrutura despida dos requisitos da legalidade, como indevidamente intenta a Fiscalização concluir. 55. No Relatório de Ação Fiscal, também, é apontando que demonstrativos apresentados pela Distribuidora para atendimento de Termo de Intimação decorrente deste feito, foram firmados pelo prestador de serviços de auditoria independente. Os documentos fiscais correspondentes a pagamento de tais serviços não foram encontrados na contabilidade da Distribuidora, não obstante o referido prestador de serviços sequer ter faturado pelos mesmos (o que informou ao Fisco), eis que contratado para a referida tarefa. O fato de que a Impugnante e a Distribuidora terem zelado para que todas as informações prestadas fossem precisas deveria ser louvado e não distorcido. 56. Aliás, distorção também é verificada no fato de que a Fiscalização, que concomitantemente fiscalizou a Impugnante e Distribuidora, expedindo Termos de Intimação simultâneos para ambas empresas, venha criticar que uma das respostas, por equívoco, tenha ocorrido em papel com logotipia comum. Fato gerador de tributos está sempre relacionado com a efetividade de operações econômicas, sendo sujeito passivo aquele diretamente relacionado com a prática da operação, nunca extraído da simplória avaliação do logotipo indicado no papel utilizado como resposta de indagação. 57. Mais uma grande contradição da Fiscalização, ao mencionar que máquinas e equipamentos e outros bens adquiridos pela Distribuidora eram recebidos pela Impugnante. Já se disse que a portaria comum em condomínio não desqualifica a identidade dos diferentes usuários e, no caso, tais serviços eram previstos com contrato de prestação de serviços entre as partes, já mencionado na presente impugnação. Ora, se no abusivo Relatório de Ação Fiscal a Fiscalização menciona que a Distribuidora não possuía qualquer estrutura (lembre que a Fiscalização sequer mencionou a existência de Escritório Administrativo nas dependências da Distribuidora, embora existente, vide fotografias e vídeo), o Fl. 3881DF CARF MF Processo nº 11080.722706/201161 Acórdão n.º 1301002.493 S1C3T1 Fl. 3.882 18 Relatório Detalhado de Bens do Patrimônio preparado pela empresa (fls. 2357/2363) mostra que, ao contrário da acusação fiscal, esta é proprietária de móveis e utensílios, plataformas, paleteiras, sistemas de informática, computadores, entre outros. 58. A Fiscalização, depois de ser informada de seu equívoco – acreditava que a Distribuidora somente vendia produtos fabricados pela Impugnante e não apenas os IMPORTADOS da China por aquela , passou a realizar catilinária desprovida de qualquer razoabilidade. 59. Primeiro, a Fiscalização entendeu que o mesmo site, a mesma logomarca e domínio de email utilizados por ambas empresas levam a considerar que se trata de uma única empresa, o que não prospera, eis que o objetivo da iniciativa sempre foi segregação de ambas unidades de negócios, com sócios e propósitos distintos. Por evidente, que a Impugnante e Distribuidora não tinham e não tem o objetivo de se esconder. O que sempre quiseram deixar evidenciado claramente ao mercado, é que a Distribuidora sempre teve a finalidade de comercializar produtos importados e não se evadir de qualquer responsabilidade tributária, enquanto que a Impugnante continuou tendo como atividade principal a industrialização. 60. Em segundo lugar, a identificação visual da Distribuidora, em sua sede, eletrônico. 61. Por terceiro, é comum o mesmo site para empresas que tem gestão compartilhada ou que formam um grupo, com objetivos de consolidar a imagem da marca comum, sem qualquer infringência a dispositivo legal. 62. Quarto, ao intimar empresas adquirentes de produtos da Impugnante e da Distribuidora, para que informassem valores de venda, contato, forma de pagamento, diz a Fiscalização ter havido confusão de informações entre vendas de uma e outra. 63. Ora, a geração de controvérsia tem origem exatamente na interpretação equivocada da Fiscalização. Para obter as informações comerciais bastariam terem sido solicitadas cópias dos documentos fiscais para àquelas empresas. Esqueceuse também que as vendas eram feitas por intermédio de representantes comerciais da Distribuidora, cuja amostragem de contratos anexa ao presente (fls. 1736/1958) e, que o contrato de prestação de serviços mantido entre Impugnante e Distribuidora previam o suporte administrativo comercial. Ainda, se compulsado o processo administrativo, o leitor atento verificará nas fls. 1303 e 1305, que os adquirentes de mercadorias da Distribuidora intimados pela Fiscalização citam que tiveram contato para vendas com os representantes comerciais, inclusive citando seus nomes, sem qualquer confusão entre a Impugnante e a Distribuidora. A eventual menção a funcionários de contato na Impugnante se deu certamente pelo fato que ditas empresas também adquirem produtos desta. Não confusão. 64. Quinto, a identidade própria da Distribuidora pode ser vista nos catálogos anexos (fls. 2364/2473) que não deixam qualquer dúvida sobre a sua independência. 65. Sexto, novamente a Fiscalização peca pelo descompromisso com a apuração detalhada dos fatos ao atribuir que 16 itens vendidos pela Distribuidora não foram encontrados nas importações da Impugnante. Puro engano, conforme comprovantes anexos (fls. 2474/2636). Fl. 3882DF CARF MF Processo nº 11080.722706/201161 Acórdão n.º 1301002.493 S1C3T1 Fl. 3.883 19 66. Em reforço aqui foi dito e provado com os anexos, a Impugnante apensa amostragem de cópias dos Livros Diários da Distribuidora dos exercícios de 2006 a 2008 com demonstrativo de contas a pagar (fls. 2637/2657) e a receber (fls. 2658/2728), Diário Contábil (fls. 2729/2891) Diário de Estoque (fls. 2892/2985) e Livro Caixa e Banco (fls. 2986/3001), provandose a abusiva desqualificação realizada pela douta Fiscalização, eis que passível rastrear cada uma das movimentações postas em xeque, com clara demonstração da realidade e segurança contábil. Da mesma forma é anexado o Razão da Impugnante (fls. 3002/3020) e da Distribuidora (fls. 3021/3038) e o Razão Contábil da conta Fornecedores (fls. 3039/3394) da Distribuidora com respectivos comprovantes de pagamento. 67. Por prestígio às boas práticas, a Impugnante traz a luz processual amostragem de notas fiscais e tabelas de fretes e serviços de carga e descarga a que a Distribuidora sempre se sujeitou (fls. 3002/3020) e, notas fiscais de devolução de mercadorias que a mesma vendeu a seus clientes (fls. 3021/3038), o que demonstra a absorção de custos logística e de vendas adicionais aos outros já aqui especificados. 68. A prudência orienta a Impugnante a relatar que seu desempenho de resultados de 2006 a 2008 (fls. 3039/3394) e que a Distribuidora não contribuiu para qualquer redução de margem de lucro, mas sim o contrário quando comparada àquela planilha com outros exercícios. Sua média de produção e consequente aumento do número de funcionários foi crescente naqueles anos (fls. 3395/3533) e posteriores, assim como o volume de recolhimentos de impostos e contribuições a que está sujeita (fls. 3534/3544). 69. Em conclusão, toda a acusação fiscal marcha em direção contrária das provas colacionadas pela própria Fiscalização, de onde se extrai a efetiva existência de duas pessoas jurídicas, com estruturas próprias, atividades distintas, diferentes quadros societários, exercício autônomo e registro individualizado de suas respectivas operações comerciais, pelo que descabida a inoportuna e precipitada desconsideração de uma das pessoas jurídicas sob o falacioso argumento de único empreendimento. 70. Ainda que se pudessem admitir como verdadeiros os fatos apontados pela Fiscalização, hipótese só admitida para levar adiante a argumentação, é preciso condenar a postura eleita pelos Agentes do Fisco na medida em que, de forma subjetiva, abandonaram a letra da lei para consumar o projeto inicial que tinha em mira desconsiderar a pessoa jurídica, como se demonstrará. 71. Se estavam impressionados com a possível configuração de "interdependência" entre as duas pessoas jurídicas, situação regulada pelo art. 520 do RIPI/2002, aprovado pelo Decreto n° 4.544, de 2002, deveriam os Agentes do Fisco examinar se eram adequadas as bases de cálculo adotadas nessas operações, ou seja, poderia exigir diferença de IPI se não adotado o valor tributável mínimo que corresponde ao "preço corrente no mercado atacadista da praça do remetente", nos termos do art. 136, inciso I, do RIPI/2002, vigente à época dos fatos. 72. Se confirmado o imaginário planejamento de constituir outra empresa (Distribuidora) para tributar seus resultados pelo lucro presumido, mediante a deliberada conduta de concentrar a maioria dos custos e despesas na Metalúrgica, tributada pelo lucro real, essa acusação exigiria imediata glosa dos custos e despesas tidos pela legislação tributária como indedutíveis, porque reconhecidos como "não necessários", impondo a aplicação da regra certa prevista no art. 299 do RIR/99, e não a precipitada desqualificação da pessoa jurídica sem qualquer base legal. Fl. 3883DF CARF MF Processo nº 11080.722706/201161 Acórdão n.º 1301002.493 S1C3T1 Fl. 3.884 20 73. De outra parte, se "a contabilidade da Distribuidora não tem consistência e padronização", como acusa a Fiscalização, a conseqüência imediata seria o arbitramento do lucro das suas atividades, por estar tipificada a específica situação prevista no artigo 530, incisos II e VI do RIR/99, que expressamente determina a tributação pelo lucro arbitrado quando a escrituração "contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável", ou "não mantiver em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, livro Razão ou fichas utilizadas para resumir e totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário". 74. Se confirmada fosse a existência de estoque negativo (fls. 866) aplicarse ia obrigatoriamente a regra contida no artigo 286 do RIR/99,que trata de omissão de receita por "Levantamento Quantitativo por Espécie" quantificandose a receita omitida pela multiplicação das diferenças de quantidade de produtos pelos respectivos preços médios de venda parágrafo do art. 286. 75. Inadequado o procedimento de somar resultados de empresas para tributação em conjunto, pela sistemática do lucro real, quando apenas urna das empresas estava tributada pelo lucro real e a outra pelo lucro presumido. O "novo lucro real" apurado pelo Fisco não tem apoio na contabilidade que deve ser o ponto de partida (RIR/99, art. 247). 76. Além do mais, prevê o art. 251 do RIR/99 que: "a pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real deve manter escrituração com observância das leis comerciais e fiscais", e a própria fiscalização condenou a escrituração contábil da Distribuidora ("a contabilidade da Distribuidora não tem consistência e padronização" vide Relatório de Ação Fiscal). 77. A consolidação de resultado na forma realizada pela Fiscalização está prejudicada, pois não considerou integralmente as consequências de que tal fato (desconsideração da pessoa jurídica) geraria despesas à Impugnante. Como exemplo gritante, as retiradas a título de lucros aos sócios não comuns da Impugnante e Distribuidora deveriam ser tratadas como despesas, consequentemente reduziriam a base de cálculo do IRPJ e CSLL (vide, por exemplo, DIPJ ficha 5IA, anocalendário 2008). Protesta pela realização de diligências, indicando os quesitos, caso paire alguma dúvida sobre a existência de dois estabelecimentos autônomos e independentes. Alega que os autos de infração não são claros a respeito da exigência de juros de mora sobre a multa lançada de ofício, pelo que a contesta em virtude da absoluta ausência de embasamento legal. Por fim, requer que sejam julgados improcedentes os autos de infração. Na seqüência, foi proferido o Acórdão nº 1034.626, pela 1ª Turma da DRJ/POA, julgando improcedente a impugnação apresentada, com o seguinte ementário: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007, 2008 IRPJ/CSLL NULIDADE DOS AUTOS DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA Não é nulo o auto de infração, por cerceamento de defesa, quando o relatório fiscal descreve minuciosamente todas as acusações imputadas ao sujeito passivo. Fl. 3884DF CARF MF Processo nº 11080.722706/201161 Acórdão n.º 1301002.493 S1C3T1 Fl. 3.885 21 IRPJ/CSLL SIMULAÇÃO As declarações de vontade de mera aparência, reveladoras da prática de ato simulado, uma vez afastadas, fazem emergir os atos que se buscou dissimular. No caso dos autos, as operações do sujeito passivo com pessoa jurídica constituída para transferir parte das operações, mas sem transferência de todos os custos e despesas correspondentes ao novo empreendimento, devem ser desconsideradas, recompondose as bases de cálculo reduzidas em decorrência de tal prática. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFICIO. EXIGÊNCIA NÃO FORMULADA NO AUTO DE INFRAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE PRONUNCIAMENTO PELA DRJ Os juros de mora incidiram unicamente sobre os tributos lançados e não tendo o auto de infração formulado exigência de juros sobre a multa de ofício lançada, inexiste a respeito qualquer contraditório suscetível de apreciação pela Turma de Julgamento da DRJ. Ciente do acórdão recorrido e com ele inconformado, a recorrente apresentou, tempestivamente, Recurso Voluntário, acostando novos documentos em favor de suas razões de defesa, através de representante legal, pugnando por provimento, onde apresenta argumentos que serão a seguir analisados. É o Relatório. Voto Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, Relator. O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/1972. Portanto, dele conheço. DA ANÁLISE DO RECURSO VOLUNTÁRIO Antes de adentrar ao mérito da questão, deve ser examinada a preliminar a seguir alegada pela recorrente. Passo a analisála. Da Preliminar Da Nulidade por cerceamento de defesa por estar ausente qualquer artigo de lei que tipifique a suposta infração. Alega a recorrente falta de indicação no lançamento do artigo infringido pelo contribuinte e correspondente cerceamento de defesa, nos termos do inciso II, do artigo 59 do Decreto nº 70.235/72. A decisão recorrida afastou a nulidade nos seguintes termos: Não há o alegado cerceamento de defesa, por falta de fundamentos legais, pois o Relatório de Ação Fiscal é bastante claro em relação aos fatos, além de que o contribuinte, pela sua substanciosa impugnação, demonstrou conhecer perfeitamente o que lhe foi imputado. Fl. 3885DF CARF MF Processo nº 11080.722706/201161 Acórdão n.º 1301002.493 S1C3T1 Fl. 3.886 22 Concordo com estes fundamentos adotados pela decisão recorrida. O Relatório Fiscal, fls. 831/842, faz um relato do procedimento adotado que não deixa qualquer margem de dúvidas de que está se exigindo no presente auto de infração: IRPJ e CSLL, no valor de R$ 14.107.215,99, por insuficiência de recolhimento, sob o entendimento de que as pessoas jurídicas Metalúrgica MOR S/A e MOR Distribuidora de Artigos de Lazer Ltda, mesmo que formalmente sejam pessoas jurídicas distintas, atuam como sendo um único empreendimento comercial, tendo a Metalúrgica MOR S/A o comando de todas as operações, enquanto a MOR Distribuidora é usada apenas para receber receitas cuja tributação é menor, já que esta tributa seus resultados com base no lucro presumido. Assim, conclui a fiscalização que estas empresas devem ser tratadas como uma única empresa, e, por conseqüência, lavrou autos de infração do IRPJ e CSLL consolidando os resultados das duas pessoas jurídicas, expurgandose as operações recíprocas. A defesa apresentada pelo contribuinte, por sua vez, demonstra que houve o perfeito entendimento quanto à situação fática e à matéria tributada, não ocorrendo qualquer prejuízo ao seu amplo direito de defesa. Por seu turno, prescreve o art. 59 do Decreto nº 70.235/72, com a redação dada pela Lei nº 8.748/93: Art. 59 São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa; Todos os atos praticados no presente processo foram executados por pessoa competente e sem preterição do direito de defesa. Assim, verificase que constam adequadamente descritos os fatos apurados pela autoridade, a matéria tributável, os valores apurados e os fatos motivadores da autuação, o que permitiu ao contribuinte conhecer todos os elementos componentes da ação fiscal e propiciou os meios para livre e plenamente manifestar suas razões de defesa. Portanto afasto a preliminar de nulidade do auto de infração. Do Mérito Quanto ao mérito, entendo necessário consignar, desde logo, que há em nosso ordenamento jurídico dispositivo que considera ilícito lesão a direitos de terceiros perpetrados por meio da prática de atos que, embora formalmente legais, sejam desprovidos de substância. É o que dispõe o artigo 187 do Código Civil, in verbis: Art. 187. Também comete ato ilícito o titular de um direito que, ao exercê lo, excede manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boafé ou pelos bons costumes. Assim, por serem considerados ilícitos, tais atos não são oponíveis ao Fisco, por carregarem a mácula da abusividade, caracterizada pela preponderância da forma sobre a substância. Fl. 3886DF CARF MF Processo nº 11080.722706/201161 Acórdão n.º 1301002.493 S1C3T1 Fl. 3.887 23 Ressaltese que não estamos aqui a falar da teoria do conteúdo sobre a forma, como bem explica Paulo de Barros Carvalho: A prevalência do conteúdo sobre a forma é mais um dentre muitos falsos problemas de que perturbam a compreensão do direito positivo. Isso porque forma e conteúdo não são aspectos separáveis a ponto de tornarse possível preterir um em favor do outro, são dimensões de um objeto incindível. Com propriedade, o escritor e crítico literário José Veríssimo: “a forma é o fundo aparecendo”. E não há outro jeito de se conhecer, descer às entranhas do significado atribuindolhe significação, senão pela contato com a forma com que se apresente o signo. (Paulo de Barros Carvalho, Derivação e Positivação no Direito Tributário I – Entre a forma e o conteúdo na desconstituição dos negócios jurídicos simulados. Editora Noeses, p. 12) Existe a forma da operação apresentada pelo contribuinte, que revela um conteúdo (existente e lícito) e a forma da operação interpretada pelo fisco, que revela outro conteúdo, também existente e lícito. Para que seja possível a identificação dos atos praticados pelo contribuinte e caracterizálos como ilícitos, é importante analisar os fatos mencionados na decisão recorrida. Os fatos são os seguintes: a) O sócio principal da pessoa jurídica tributada com base no lucro real constitui uma nova pessoa jurídica (com participação de 83,75% e "tradicionais colaboradores da Metalúrgica"no restante das quotas), para desmembrar suas operações comerciais, relativas a produtos importados, das atividades comerciais relacionadas à sua linha de produção, tributando na sistemática do lucro presumido. Esse fato foi contestado pelo contribuinte, dizendo ele que não se trata de "desmembrar suas operações comerciais, relativas a produtos importados", e que sempre desenvolveu atividade de fabricação de produtos (indústria), comercializando unicamente os produtos de fabricação própria. Pontua que ao vislumbrar (seu dirigente) oportunidade de ampliar seus negócios, constituiu a empresa MOR DISTRIBUIDORA, para que a nova atividade relacionada à COMERCIALIZAÇÃO dos produtos importados da China fosse a ela alocada. Sustenta que a DISTRIBUIDORA não foi constituída para comercializar produtos fabricados pela Recorrente (METALÚRGICA), como de fato não comercializou, repisando que em nenhum momento o Fisco logrou comprovar que a DISTRIBUIDORA tivesse comercializado qualquer produto fabricado pela Recorrente. Ao compulsar os autos, vejo que a fiscalização confeccionou planilha (fls. 459 a 549), relatando algumas notas fiscais de vendas da Metalúrgica para a Distribuidora, com o código CFOP 5101 (Venda de Produção do Estabelecimento), e posteriormente anexou aos autos notas fiscais de venda (fls. 1234 a 1265), emitidas pela Distribuidora aos seus clientes, notas estas que contêm descrição desses mesmos produtos. Estas provas, a meu ver, comprovam que a Distribuidora revendia produtos fabricados pela Metalúrgica, ao contrário do que sustentado pela recorrente, não limitandose a comercializar apenas os produtos ditos importados. Porém, este fato, por si só, não comprova que se trata de simulação, pois o simples desmembramento de atividades antes exercidas por uma das empresas não caracteriza Fl. 3887DF CARF MF Processo nº 11080.722706/201161 Acórdão n.º 1301002.493 S1C3T1 Fl. 3.888 24 ato ilícito. “Simular” significa disfarçar uma realidade jurídica, encobrindo uma que é efetivamente praticada, ou que não existe. As notas fiscais emitidas são provas de que não existiu disfarce de uma realidade, pois referemse a produtos de fato comercializados pela Distribuidora, não havendo relevância jurídica o fato dos produtos comercializados serem ou não fabricados pela recorrente. Neste sentido, transcrevese ementa dos Acórdãos a seguir: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2007 GANHO DE CAPITAL CISÃO PARCIAL CONSTITUIÇÃO DE NOVA PESSOA JURÍDICA. SIMULAÇÃO. NÃO CONFIGURADA Nem toda ação ou omissão do contribuinte com o fito de reduzir sua base tributável antes da ocorrência do fato gerador pode ser enquadrada como fraudulenta, pois somente aquelas que sejam ilícitas poderiam levar a tal conclusão. Não se pode enquadrar como simulação a cisão realizada para constituir uma outra sociedade, com o fim de que esta viesse a alienar o bem recebido em integralização, pois se trata apenas de um negócio jurídico indireto, pelo qual a nova sociedade é constituída para surtir os efeitos que lhes são próprios e não para dissimular outros negócios jurídicos. (Acórdão 1302002.062, sessão de 21/03/2017) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício. 2002 Ementa: SIMULAÇÃO INEXISTÊNCIA Não é simulação a instalação de duas empresas na mesma área geográfica com o desmembramento das atividades antes exercidas por uma delas, objetivando racionalizar as operações e diminuir a carga tributária. (...) Recurso provido. (Acórdão nº 10323.357, sessão de 23/01/2008) Anocalendário: 2008 SIMULAÇÃO. INEXISTÊNCIA. Simular é ato de fingir, mascarar, esconder a realidade, camuflar o objetivo de um negócio jurídico valendose de outro, eis que o objetivo intentado seria alcançado por negócio diverso, daí o motivo de o artigo 167 do Código Civil dispor que o negócio jurídico simulado é nulo. Fl. 3888DF CARF MF Processo nº 11080.722706/201161 Acórdão n.º 1301002.493 S1C3T1 Fl. 3.889 25 Não é simulação o desmembramento das atividades por empresas do mesmo grupo econômico, objetivando racionalizar as operações e diminuir a carga tributária. Recurso de Ofício Negado. (Acórdão nº 3302003138, sessão de 17/03/2016). Assunto: Contribuição para o PIS/PASEP Anocalendário: 2000, 2001, 2002, 2003 PIS. REGIME MONOFÁSICO. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. SIMULAÇÃO ABSOLUTA. DESCONSIDERAÇÃO DE ATOS E NEGÓCIOS JURÍDICOS. ART. 116, P.U. DO CTN. UNIDADE ECONÔMICA. ART. 126, III, DO CTN. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Não se configura simulação absoluta se a pessoa jurídica criada para exercer a atividade de revendedor atacadista efetivamente existe e exerce tal atividade, praticando atos válidos e eficazes que evidenciam a intenção negocial de atuar na fase de revenda de produtos. A alteração na estrutura de um grupo econômico, separando em duas pessoas jurídicas diferentes as diferentes atividades de industrialização e de distribuição, não configura conduta abusiva nem a dissimulação prevista no art. 116, p.u. do CTN, nem autoriza o tratamento conjunto das duas empresas como se fosse uma só, a pretexto de configuração de unidade econômica, não se aplicando ao caso o art. 126, III, do CTN. Recurso voluntário provido. Recurso de ofício prejudicado. (Acórdão nº 3403002.519, sessão de 22/10/2013) Assim, se o simples desmembramento de atividades exercidas anteriormente por uma das empresas não caracterizase simulação, deve ser analisados os demais elementos de fatos e provas constantes nos autos. É o que se passa a fazer: b) Empresas encontramse localizadas na mesma área geográfica e compartilham a portaria e certas atividades administrativas. O fato de encontraremse na mesma área geográfica foi contestado pela recorrente. De fato, as empresas não se encontram localizadas em uma mesma área geográfica, vez que instaladas em diferentes pavilhões. Neste caso, não há discordância de entendimento entre o fisco e a fiscalização quanto à localização, pois ambos não dissociam do fato de que a Distribuidora e Metalúrgica funcionam em pavilhões distintos. Na ótica do fisco, a atividade desenvolvida pela Distribuidora é extensão operacional da Metalúrgica, ainda que se encontrem em pavilhões distintos, enquanto no entendimento do contribuinte tratamse de empresas independentes e autônomas, cada qual perseguindo seu objetivo social. Também não há divergência acerca da natureza do serviço realizado no pavilhão que funciona a Distribuidora. Vejase trecho da decisão recorrida: Fl. 3889DF CARF MF Processo nº 11080.722706/201161 Acórdão n.º 1301002.493 S1C3T1 Fl. 3.890 26 As evidências nesse sentido são fartas, conforme demonstrado à saciedade pelo autuante, como a localização física da Distribuidora junto à Metalúrgica, cujo prédio ocorre única e exclusivamente as atividades de depósito e expedição de mercadorias. Entendo que as instalações da Recorrente e da Distribuidora são independentes, em pavilhões distintos, e que os serviços que são realizados nos armazéns da Distribuidora são próprios da sua atividade, pois, como se viu, são realizados naquelas dependências depósito e expedição das mercadorias. Além disso, o contribuinte comprova que cada empresa tem seus próprios funcionários, sujeitandose, por isso, ao recolhimento de encargos trabalhistas e contribuições previdenciárias decorrentes de fatos geradores distintos. De fato, a recorrente fez acostar aos autos fichas de registro de empregados e contratos de trabalho do período de 2006 a 2008, totalizandose 13, entre admitidos e demitidos. A própria DRJ registra este fato, porém considerou muito pequeno este número para uma empresa de distribuição.Em suas palavras: "Em relação aos empregados da Distribuidora, o impugnante apresentou fichas de registro de empregados e contratos de trabalho do período de 2006 a 2008, que totalizaram 13, entre admitidos e demitidos. Este número é muito pequeno para uma empresa de distribuição que trabalha com uma infinidade de itens e clientes. Esse fato reforça a idéia de que os funcionário registrados na Metalúrgica é que realmente prestavam serviços para a distribuidora." (G.N) Ora, dizer que 13 funcionários é "número muito pequeno para uma empresa de distribuição que trabalha com uma infinidade de itens e clientes", significa, no meu modo de ver, reconhecer a independência da pessoa jurídica com produtos e clientes próprios e a efetiva atividade realizada. Com referência à conclusão de que o número de funcionários é mínimo, penso que esta conclusão encontrase calcada, com todo respeito, em subjetivismo, e por isso, tal conclusão não deve ser admitida. Ora, neste particular, se a fiscalização teve acesso a documentação fiscal e contábil do contribuinte e não fez alguma ponderação sobre as folhas de pagamentos, e ainda, tendo acesso às dependências físicas de ambas empresas, não fez qualquer comentário sobre eventuais empregados de uma empresa trabalhando no espaço físico de outra, não há como prevalecer sua tese. De fato, a fiscalização poderia ter feito algum exame adicional sobre estes documentos e fatos, mas não o fez. Sendo assim, não há que se falar em simulação, inclusive se ocorrer compartilhamento de portaria e algumas atividades administrativas. Aliás, no que se refere a estas últimas, vejase que há prova nos autos da existência de contrato, cujo objeto é a prestação de serviços administrativos, comerciais, de pessoal e operacionais (fls. 429 a 431), por parte da Metalúrgica para a Distribuidora. Considero que o valor ajustado não é vil (R$2.000,00), vez que se refere ao período de 2006, ou seja, 11 anos atrás, e que em nenhum momento o fisco contestou a ausência dos citados pagamentos. Aliás, neste particular, deve ser presumido que os pagamentos de fato ocorreram, pois nos autos constam provas de que eles foram apresentados ao fisco, quando o Fl. 3890DF CARF MF Processo nº 11080.722706/201161 Acórdão n.º 1301002.493 S1C3T1 Fl. 3.891 27 recorrente foi instado a comprovar os pagamentos realizados, noticiando que o fez através de depósito ou transferência bancária, cópia de cheque, etc. (fl. 96, anexos IV ao XI). Obviamente, acaso esses pagamentos não tivessem sido realizados, certamente a fiscalização faria constar tal fato, pois ai sim, estaríamos diante de um negócio aparente. Deste modo, como não o fez, deve prevalecer os argumentos trazidos pelo recorrente, no sentido que realizou efetivamente o negócio jurídico mencionado. Por fim, me parece razoável o entendimento, seja por questões de economia, seja por segurança, de que nada impede seja uma mesma portaria compartilhada por diferentes empresas, de forma que seja instalado um único controle de acesso, comum a ambas. Não é inédito, pelo contrário, bastante comum, o fato de serviços de entrega de encomendas em condomínios, serem recepcionados pela mesma portaria, ainda que relativos a diferentes destinatários, sem com isso desqualificar a existência de diferentes entidades. Portanto, nada há de ilegal, de impróprio, de inadequado, neste fato, e muito menos possui ele o condão de justificar a extremada medida de desconsideração da personalidade jurídica da Distribuidora. c) da existência de custos e despesas da Distribuidora que foram indevidamente suportados pela Metalúrgica A veracidade deste fato não foi contestada pela recorrente. Assim se pronunciou a DRJ sobre o fato: "Este é ponto mais importante da discussão, pois é sob o fundamento de transferência de parte do faturamento da Metalúrgica (tributada com base no lucro real), que absorve custos, para a Distribuidora, que tem uma carga tributária menor em razão da opção de tributação pelo lucro presumido." (G.N) (...) "Ao se observar a relação percentual entre o lucro antes do imposto de renda das duas pessoas jurídicas, a questão controvertida fica clara: efetivamente o contribuinte utiliza a Distribuidora para reduzir a sua carga tributária, mediante absorção de custos e despesas que não são repassadas no preço, quando da venda da mercadoria importada para a Distribuidora." (G.N) Entendo que tal acusação exigiria imediata glosa dos custos e despesas tidos pela legislação tributária como indedutíveis, porque reconhecidos como "não necessários", impondose, no caso, aplicação da regra prevista no art. 299 do RIR/99, e não, como fez a fiscalização, que entendeu que tal fato implicaria na desqualificação da pessoa jurídica. Assim, as parcelas de despesas consideradas indevidas deveriam ser desconsideradas, recompondose as bases de cálculo reduzidas em decorrência de tal prática. Ora, a descrição dos fatos pelo relatório fiscal indica que a Recorrente deduziu indevidamente custos e despesas da Distribuidora, e sendo tais despesas consideradas indedutíveis, deveria proceder a necessária glosa desses valores, porém, ao invés de assim proceder, preferiu a fiscalização ir na direção de apontar o cometimento de simulação, sem provas, a meu ver, da existência de tal ilícito, procedendo, assim, a desqualificação da pessoa jurídica da Distribuidora. Fl. 3891DF CARF MF Processo nº 11080.722706/201161 Acórdão n.º 1301002.493 S1C3T1 Fl. 3.892 28 Tratase de procedimento inadequado, sem que, no entanto, o novo lucro apurado tenha apoio na contabilidade que deve ser o ponto de partida para esta apuração (RIR/99, art. 247). Isso porque, entre outros motivos, a consolidação de resultado na forma realizada pela Fiscalização não considerou integralmente as conseqüências da "desconsideração da pessoa jurídica", pois tal fato deveria gerar despesas ao Recorrente, como por exemplo, as retiradas a título de lucros aos sócios não comuns, vez que estes valores deveriam ser tratados como despesas e, conseqüentemente, reduziriase a base de cálculo do IRPJ e CSLL. CONCLUSÃO Ora, os fatos acima evidenciados revelam de forma cristalina a inexistência e simulação, e existência substancial de ambas as empresas, vez que elas perseguiam objetivos sociais com recursos físicos e humanos próprios, possuíam vontades próprias, espaços físicos específicos mantidos as suas custas, equipamentos e clientes próprios, efetuavam suas vendas, além de responderem por seus contratos e atos, etc. Assim, diante do exposto, voto no sentido de DAR provimento ao recurso voluntário do contribuinte, afastandose as exigências reclamadas nos autos de infração aqui tratados. (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Fl. 3892DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13896.000288/00-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1994, 1995
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 91. TEMPESTIVIDADE. NECESSIDADE DE ANÁLISE DO MÉRITO DO PEDIDO
Aos pedidos de restituição formulados anteriormente a 09/06/2005, aplica-se a Súmula CARF nº 91, e deve ser declarada a tempestividade dos pedidos formalizados no prazo de até 10 anos contados da data do fato gerador. Afastada a intempestividade do pedido, os autos devem retornar à unidade de origem para análise de mérito do direito creditório.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. SALDO NEGATIVO APURADO COM BASE NA COMPENSAÇÃO INTEGRAL DE PREJUÍZO. TRÂNSITO EM JULGADO DECISÃO JUDICIAL CONTRÁRIA AO PLEITO DA RECORRENTE. INDEFERIMENTO DA COMPENSAÇÃO
O pedido de restituição de saldo negativo de IRPJ apurado mediante a compensação integral do prejuízo obtido em períodos anteriores, sem observância da trava dos 30%, deve ser indeferido quando a ação judicial transita em julgado em sentido contrário à pretensão da recorrida.
Numero da decisão: 1301-002.550
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos dar provimento parcial ao recurso voluntário: (i) para determinar o retorno dos autos à unidade de origem para análise do mérito do direito creditório referente ao ano-calendário de 1994, apartando-se os autos para que siga o rito processual com relação ao ano-calendário de 1994; (ii) negar provimento em relação ao pedido de restituição do direito creditório relativo ao ano-calendário de 1995
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
Milene de Araújo Macedo - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Flavio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Roberto Silva Junior.
Nome do relator: MILENE DE ARAUJO MACEDO
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PRAZO PRESCRICIONAL. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 91. TEMPESTIVIDADE. NECESSIDADE DE ANÁLISE DO MÉRITO DO PEDIDO Aos pedidos de restituição formulados anteriormente a 09/06/2005, aplicase a Súmula CARF nº 91, e deve ser declarada a tempestividade dos pedidos formalizados no prazo de até 10 anos contados da data do fato gerador. Afastada a intempestividade do pedido, os autos devem retornar à unidade de origem para análise de mérito do direito creditório. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. SALDO NEGATIVO APURADO COM BASE NA COMPENSAÇÃO INTEGRAL DE PREJUÍZO. TRÂNSITO EM JULGADO DECISÃO JUDICIAL CONTRÁRIA AO PLEITO DA RECORRENTE. INDEFERIMENTO DA COMPENSAÇÃO O pedido de restituição de saldo negativo de IRPJ apurado mediante a compensação integral do prejuízo obtido em períodos anteriores, sem observância da trava dos 30%, deve ser indeferido quando a ação judicial transita em julgado em sentido contrário à pretensão da recorrida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos dar provimento parcial ao recurso voluntário: (i) para determinar o retorno dos autos à unidade de origem para análise do mérito do direito creditório referente ao anocalendário de 1994, apartandose os autos para que siga o rito processual com relação ao anocalendário de 1994; (ii) negar provimento em relação ao pedido de restituição do direito creditório relativo ao ano calendário de 1995 (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 00 02 88 /0 0- 46 Fl. 353DF CARF MF Processo nº 13896.000288/0046 Acórdão n.º 1301002.550 S1C3T1 Fl. 354 2 Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) Milene de Araújo Macedo Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Flavio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Roberto Silva Junior. Relatório Por bem relatar o ocorrido, valhome do relatório elaborado pelo órgão julgador a quo, complementandoo ao final: "Tratase de manifestação de inconformidade de fls. 217/220, contra decisão Sesit de n° 0752/2000 da Delegacia da Receita Federal em Osasco/SP, fls. 214/215, que indeferiu o pedido de restituição formulado pela interessada em epígrafe e recepcionado na Delegacia da Receita Federal de origem em 11/04/2000 (fls. 01) 2. A pretensão da requerente foi formalizada inicialmente com o pedido de restituição de fl. 01, no montante de R$151.136,75, cumulado com os pedidos de compensação do crédito daí decorrente, com tributos administrados pela SRF e informados sob os códigos n°s 8109, no total de R$25.842,05, e 2172, no montante de R$119.271,02, conforme consta à fl. 02, e no código 2172 no total de R$6.023,68, referente ao pedido de compensação de crédito com débito de terceiros, conforme indicado à fl. 03. 3. Contudo, há nos autos, à fl. 273, representação Seort/Eqrco n° 033/2003, protocolada sob o n° 10882.000555/200388, da qual se destaca o que segue: "... Considerando que o pedido de restituição referente ao processo n° 13896.000288/0046 de interesse da empresa identificada acima, foi indeferido conforme Decisão SESIT n0 0752/2000; [....] proponho a formalização de processo de representação com encaminhamento inicial ao SAPAC/DRF/OSA para programação objetivando eventual lançamento de oficio e demais providências com relação aos valores relacionados na tabela a seguir, provenientes dos pedidos de compensação, cujos originais foram desentranhados do processo de origem n° 13896.000288/0046 e anexados a este: Fl. 354DF CARF MF Processo nº 13896.000288/0046 Acórdão n.º 1301002.550 S1C3T1 Fl. 355 3 CÓD P.A. VENCIMENTO VALOR EM RS FLS. 8109 03/00 14/04/00 25.842,05 16 2172 03/00 14/04/00 119.271,02 16 1097 04/00 20/04/00 6.023,68 17 4. Sendo assim, os débitos do Profisc, originalmente cadastrados neste processo, conforme se vê à fl. 260, foram excluídos de acordo com o extrato de fl. 274, pelo que, remanesceu no presente processo apenas o pedido de restituição de fl. 01. 5. De posse dos elementos carreados aos autos, o Serviço de Tributação da Delegacia da Receita Federal em Osasco/SP expediu em 18/10/2000 a Decisão Sesit n° 0752/2000, cuja ementa e excertos transcrevemse a seguir, indeferindo o pleito da interessada. "Ementa: Restituição de créditos de IRPJ apurados nos anoscalendário de 1994 e 1995. Pedido Indeferido. I — Exercício de 1995 — AnoCalendário de 1994 [...] ...o pedido de restituição è intempestivo, haja vista o disposto no Ato Declaratório SRF n° 096, de 26 de novembro de 1999 (com base no Parecer PGFN/CAT/n" 1.538/99) IIExercício de 1996 AnoCalendário de 1995 Ao apurar o lucro real\(fls. 134 a 135) no anocalendário de 1995, o contribuinte efetuou a compensação de prejuízos fiscais de períodosbase anteriores em montante superior ao limite permitido pela Lei n° 8.981/95, gerando saldo nulo de Lucro Real e saldo negativo de IRPJ (considerandose o IRRF); situação inversa teria ocorrido se o limite legal tivesse sido obedecido, ou seja, o resultado seria imposto de renda a pagar. A declaração de rendimentos do exercício em questão foi retida pela malha fazenda, tendo sido lavrados dois autos de infração (processos 10882.000442/0050 e 10882.000439/0045), por meio dos quais foram lançadas as diferenças de IRPJ e CSLL não declarados. O contribuinte impetrou mandado de segurança (MS 95.00369001) visando afastar as restrições da Lei 8.981/95; o MS foi julgado improcedente em I a instância; remetido ao TRF (processo 96.03.0297461). foi negado provimento, por unanimidade, à apelação do contribuinte: atualmente encontrase na fase concluso para decisão quanto à admissão de recurso extraordinário; conforme pesquisas ao Sistema de Acompanhamento Processual da Justiça Federal ..." (Destaque acrescido). 6. A contribuinte foi cientificada do indeferimento de seu pedido em 08/11/2000 (AR à fl. 216). Inconformada, interpôs em 06/12/2000, recurso (manifestação de inconformidade) de fls. 217/220, acompanhado dos documentos de fls. 221/259, expondo em sua defesa as razões de fato e de direito a seguir sintetizadas: 6.1 De início, após breve identificação e qualificação da empresa requerente, reputa de absurda a alegação da autoridade que indeferiu seu pleito, sob o argumento de que o pedido de restituição, referente ao exercício de 1995, anocalendário de 1994, é intempestivo. Fl. 355DF CARF MF Processo nº 13896.000288/0046 Acórdão n.º 1301002.550 S1C3T1 Fl. 356 4 6.2 Quanto a isso, afirma que o mesmo direito que tem o fisco para rever a declaração do imposto de renda do anocalendário de 1994, que é entregue em 1995, podendo homologála ou não, no transcurso dos cinco anos seguintes, assiste, igualmente, à requerente no que toca à possibilidade de ressarcirse de valores pagos indevidamente. Diz, também, que o recorrente pleiteou tempestivamente seu direito, não havendo base legal para o seu indeferimento. 6.3 Salienta que o pedido de restituição está fundado em declaração retificadora objeto do processo n° 13896.001403/9911, referente ao exercício antes mencionado, na qual a solicitante informou os valores retidos na fonte a" título de IR, anteriormente omitidos. Entretanto, argumenta que, embora o pedido de retificação tivesse sido instruído com toda a documentação comprobatória, sua pretensão foi negada em virtude de ter informado o valor total das retenções ocorridas ao longo do ano, apenas no mês de dezembro de 1994. 6.4 Acrescenta que, ao requerer a retificação, a interessada teve a intenção de restituir/compensar valores recolhidos a maior ao Fisco e, ainda, que, diante dos acontecimentos, a requerente entendeu "que era necessário encaminhar nova declaração retificadora, após o que, pleiteou em 11/04/2000, a restituição/compensação de cuja decisão denegatória ora recorre. 6.5 Sustenta que em 13/09/2000 a recorrente recebeu intimação para apresentar a documentação comprobatória de seu direito, relativo às retenções do imposto de renda na fonte. E, quanto a esse item, arremata: "O Fisco postergou a decisão, solicitando documentos e mais documentos, e quer fazer crer que o direito à restituição, conforme pleiteado pela recorrente, desapareceu. Ora, o pedido de restituição é, de fato, tempestivo... [...] Assim sendo, requerse, desde já, seja reconsiderado o pedido de restituição/compensação feito pela recorrente." 6.6 No que toca ao anocalendário 1995, assevera que, em que pese a informação do Fisco de que o contribuinte houvera compensado valores a maior de prejuízo fiscal, sendo, portanto, indevida a restituição/compensação de quaisquer valores, informa que a interessada obteve liminar em segunda instância assegurandolhe o direito à compensação integral dos prejuízos ocorridos em períodos anteriores à vigência da Lei n° 8.981, de 1995. 6.7 Ressalta que o pedido de restituição não guarda relação direta com os autos de infração citados na Decisão Sesit, os quais referemse à glosa de compensação de prejuízos fiscais por ultrapassar o limite de 30%, estabelecidos pela Lei n° 8.981, de 1995. 6.8 Repudia a idéia de que o pedido de retificação da declaração', objeto do processo n° 13896.001404/9975, fora indeferido em 06/01/2000 por não terem restado demonstrados os valores a partir dos informes fornecidos pelas fontes pagadoras. Quanto a isso, sustenta a tese de que era perfeitamente possível ao fisco, apurar as retenções dos valores até mesmo diante das notas fiscais emitidas pela recorrente, pelo que não é justificável negar o pedido de restituição/compensação. E conclui: Fl. 356DF CARF MF Processo nº 13896.000288/0046 Acórdão n.º 1301002.550 S1C3T1 Fl. 357 5 " O fato é que houve recolhimento a mor de imposto, sendo direito do contribuinte, ora Recorrente, verse ressarcido, seja através de Restituição, seja através de Compensação." 7. Ao final, requer a reforma da Decisão Sesit n° 0752/2000 para que se proceda a restituição/compensação na forma requerida." Ao apreciar a Manifestação de Inconformidade, na sessão realizada em 07/06/2004, a 4ª Turma da DRJ/CPS indeferiu a solicitação de restituição conforme acórdão nº 1617.574, assim ementado: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 1994, 1995 Ementa: I Ementa: RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. O prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago a maior ou indevidamente extinguese após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário. II PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. AÇÃO JUDICIAL. TRÂNSITO EM JULGADO. NÃO OCORRÊNCIA. EFEITOS. Estando sub judice matéria que influi na caracterização ou não do direito creditório, indeferese o pedido de restituição, em face do princípio constitucional de unidade de jurisdição. Solicitação Indeferida Cientificada do Acórdão DRJ/CPS nº 6.738 em 18/07/2006, conforme AR às fls. 307, a recorrente apresentou, tempestivamente, em 17/08/2006, recurso voluntário (fls. 308 a 313) alegando em síntese: Não há que se falar em decadência do direito do contribuinte em pleitear a restituição dos saldo negativo apurado no anocalendário de 1994, posto que o termo inicial do prazo decadencial para pleitear a restituição do valor pago a maior é a data da entrega da DIPJ/1995, esgotandose o prazo decadencial em 30/04/2000, antes portanto do pedido de restituição protocolizado em 11/04/2000; Contesta a alegação do acórdão recorrido de que a recorrente teria compensado a partir de 1995 valores em percentual maior do que o limite permitido de 30%, por entender que nenhuma relação há entre tais compensações e o crédito a que faz jus pelos valores retidos na fonte em 1994, que geraram um pagamento a maior que o devido no exercício de 1995. Afirma que independentemente de qualquer possível limitação à compensação o fato é que tal limitação não pode contagiar o crédito da recorrente, inquestionavelmente demonstrado e válido; Ao final pede o provimento do presente recurso para declaração da tempestividade do pedido de ressarcimento e sua consequente homologação. Solicita também a suspensão da exigibilidade dos créditos tributários da Receita Federal nos termos do art. 151, III, do CTN, enquanto pendente de julgamento o presente recurso. . Fl. 357DF CARF MF Processo nº 13896.000288/0046 Acórdão n.º 1301002.550 S1C3T1 Fl. 358 6 É o relatório. Voto Conselheira Milene de Araújo Macedo, Relatora O recurso é tempestivo e dele conheço. Exercício 1995 AnoCalendário 1994 Consta da Decisão Sesit nº 0752/2000 que o pedido de restituição protocolizado em 11/04/2000 é intempestivo tendo em vista que o prazo para pleitear a restituição de tributos ou contribuições pagos a maior se extingue após o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado da data da extinção do crédito tributário, nos termos do art. 165, I e 168, I do CTN. Em sua Manifestação de Inconformidade a contribuinte defende a tempestividade do pedido entretanto, o acórdão recorrido, com fundamento no Ato Declaratório DRF nº 96/99, considerou extinto o direito de pleitear a restituição por ter decorrido o prazo decadencial de cinco anos contados da data da extinção do crédito tributário. Por se tratar de créditos de IRPJ com períodos de apuração mensal, entendeu que o direito relativo ao período de 01/1994 decaiu em 01/1999 e assim, sucessivamente, tendo o direito relativo ao último período decaído em 12/1999. Em sua peça recursal, defende a recorrente que a decadência do direito de pleitear a restituição dos saldo negativos apurados no anocalendário de 2004 esgotase em 30/04/2000, posto que o termo inicial do prazo decadencial para pleitear a restituição do valor pago a maior é a data da entrega da DIPJ/1995, antes portanto do pedido de restituição protocolizado em 11/04/2000. A matéria objeto da lide encontrase pacificada neste órgão julgador. Por meio da Súmula CARF nº 91, de observância obrigatória nas decisões do órgão nos termos do art. 72, do Anexo II, da Portaria MF nº 343/2015 (RICARF), decidiuse que aos pedidos de restituição protocolizados anteriormente a 09/06/2005, aplicase o prazo prescricional de 10 anos, contados do fato gerador: Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Dessa forma, considerando que a data do fato gerador relativo ao IRPJ do anocalendário de 1994 é 31/12/1994, o prazo decadencial extinguiuse em 31/12/2004, posteriormente ao pedido protocolizado em 11/04/2000, restando caracterizada sua tempestividade. Diante do exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao pedido da recorrente para declarar a tempestividade do pedido relativo ao anocalendário de 1994 e determinar o retorno dos autos à unidade preparadora para análise quanto ao mérito do direito creditório. Fl. 358DF CARF MF Processo nº 13896.000288/0046 Acórdão n.º 1301002.550 S1C3T1 Fl. 359 7 Exercício 1996 AnoCalendário 1995 Na Decisão Sesit nº 0752/2000 consta que ao apurar o lucro real no ano calendário de 1995 a contribuinte efetuou a compensação de prejuízos fiscais de períodosbase anteriores em montante superior ao limite de 30% permitido pelo art. 42 da Lei nº 8.981/95. Em virtude desta constatação foram lavrados autos de infração para exigência das diferenças de IRPJ e CSLL não declaradas nos processos 10882.000442/0050 e 10882.000439/0045, entretanto, o contribuinte impetrou o mandado de segurança nº 95.00369001 visando afastar as restrições da Lei nº 8.981/95. Diante desses fatos a autoridade administrativa indeferiu o pedido de restituição pleiteado pela contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade a contribuinte requereu a reforma da decisão sob o argumento de que não há relação entre a compensação limitada a 30% ou não e o reconhecimento do direito que assiste ao contribuinte de compensação dos valores de IRRF. O acórdão recorrido argumentou que o saldo negativo de IRPJ cuja restituição e compensação a interessada requereu nasceu, em princípio, a partir da compensação integral do prejuízo apurado nos períodos de 1991 a 1994, sendo portanto, improcedente as alegações de que não há relação direta entre o pedido de restituição e os referidos autos de infração. Consta ainda da decisão a quo que até o trânsito em julgado da sentença favorável que, porventura venha a contribuinte a obter na esfera judicial, não há que se falar de crédito líquido de certo passível de restituição/compensação por parte da interessada. Pautou a decisão no princípio constitucional da unidade de jurisdição, consagrado no art. 5º, inciso XXXXV da Constituição Federal, o qual estabelece que a decisão judicial sempre prevalece sobre a decisão administrativa e desse modo, a decisão judicial infirma a competência administrativa para decidir de modo diverso. No recurso voluntário a recorrente reafirma que inexiste relação entre as compensações em percentuais superiores a 30% e o crédito a que faz jus pelos valores retidos na fonte e que geraram um pagamento a maior do que o devido. Acrescenta que a questão quanto à limitação ou não da compensações para o caso concreto, ainda encontrase em discussão STF. Relativamente às alegações de que inexiste relação entre as compensações em percentuais superiores a 30% e o crédito a que faz jus pelos valores retidos na fonte, entendo que não merecem reparos ao acórdão recorrido. De fato, o saldo negativo de IRPJ cuja restituição e compensação a interessada requereu, tem como origem a compensação integral do prejuízo apurado nos períodos de 1991 a 1994. Em consulta processual ao site do STF constatei que o processo judicial que à época do recurso voluntário encontravase em discussão no STF foi devolvido ao Tribunal de origem para aplicação do disposto no artigo 543B do Código de Processo Civil. Com o julgamento do representativo da matéria no Recurso Extraordinário 344.994, em 25/03/2009 o Supremo decidiu que a Lei 8.891/1995, que permitiu o aproveitamento, concedeu um benefício fiscal e, portanto, não há nada de errado com a trava de 30% por período de apuração. Assim, com o trânsito em julgado da ação judicial em sentido contrário à pretensão da recorrida, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário da recorrente para considerar procedente o indeferimento do pedido de restituição relativo ao ano calendário de 1995. Fl. 359DF CARF MF Processo nº 13896.000288/0046 Acórdão n.º 1301002.550 S1C3T1 Fl. 360 8 Com relação ao pedido de suspensão de exigibilidade de créditos da Receita Federal enquanto pendente o julgamento, informo à recorrente que nos termos do § 11 do art. 74 da Lei nº 9.430/96, o recurso voluntário obedece ao rito processual do Decreto nº 70.235/72, enquadrandose no disposto no inciso III do art. 151 do CTN os débitos objeto de compensação. Conclusão Em conclusão, por todo o exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário para: (i) determinar o retorno dos autos à unidade de origem para análise do mérito do direito creditório referente ao anocalendário de 1994, apartandose os autos para que siga o rito processual com relação ao anocalendário de 1994; (ii) negar provimento em relação ao pedido de restituição do direito creditório relativo ao anocalendário de 1995. (assinado digitalmente) Milene de Araújo Macedo Fl. 360DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10183.908052/2011-40
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3201-000.946
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado pelo contribuinte supra identificado em face do acórdão da DRJ Florianópolis/SC que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada para se requerer a reforma do despacho decisório exarado pela repartição de origem. De acordo com o despacho decisório, o crédito informado na Declaração de Compensação já se encontrava integralmente alocado a outro débito do sujeito passivo, decorrendo daí a não homologação da compensação declarada. Na Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento do direito à restituição da contribuição recolhida sobre receitas estranhas ao conceito de faturamento, em face da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em julgamento submetido à sistemática da repercussão geral, cujo teor deve ser reproduzido pelos Conselheiros do CARF, por força do disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 83 .9 08 05 2/ 20 11 -4 0 Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10183.908052/201140 Resolução nº 3201000.946 S3C2T1 Fl. 3 2 A decisão da DRJ Florianópolis/SC, denegatória do direito pleiteado, fundamentouse na falta de comprovação da liquidez e certeza do crédito, dada a ausência de retificação tempestiva da DCTF. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, reiterando a existência do crédito tributário postulado e requerendo a integral homologação da compensação declarada, tendose em conta o princípio da verdade material que exige o aprofundamento da investigação dos fatos por parte da Fiscalização, em face do conjunto probatório por ele produzido. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3201000.905, de 29/06/2017, proferido no julgamento do processo 10530.904837/201156, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3201000.905): A questão em apreço se resolveria pela aplicação do decidido pelo Supremo Tribunal Federal em sede de repercussão geral, conforme ementa a seguir transcrita: "RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98." (RE 585235 QORG, Relator(a): Min. CEZAR PELUSO, julgado em 10/09/2008, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe227 DIVULG 27 112008 PUBLIC 28112008 EMENT VOL0234310 PP02009 RTJ VOL0020802 PP00871 ) Temse, então, que o § 1° do art. 3° da Lei 9.718/98 foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Como sabido, a aplicação do decidido pela Corte Suprema em sede de repercussão geral é de aplicação obrigatória por parte deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, conforme se depreende da redação do art. do RICARF: "Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: Fl. 103DF CARF MF Processo nº 10183.908052/201140 Resolução nº 3201000.946 S3C2T1 Fl. 4 3 (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal o u do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016)" A jurisprudência deste colegiado administrativo é pacífica em relação ao tema. Vejamos: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001 COFINS. BASE DE CÁLCULO. ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. INCONSTITUCIONALIDADE DE DECLARADA PELO STF. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62 DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO. O §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo STF no julgamento do RE nº 346.084/PR e no RE nº 585.235/RG, este último decidido em regime de repercussão geral (CPC, art. 543B). Assim, deve ser aplicado o disposto no art. 62 do Regimento Interno do Carf, o que implica a obrigatoriedade do reconhecimento da inconstitucionalidade do referido dispositivo legal." (Processo 11516.002621/200719; Acórdão 3401003.239; Conselheiro LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Sessão de 26/09/2016) Ocorre que, no caso em debate tanto o despacho decisório, quanto a decisão proferida em sede de manifestação de inconformidade informam não estar comprovada a certeza e a liquidez do direito creditório. A decisão, portanto, foi no sentido de que inexiste crédito apto a lastrear o pedido da recorrente. No entanto, entendo como razoável as alegações produzidas pela recorrente aliado aos documentos apresentados nos autos, o que atesta que procurou se desincumbir do seu ônus probatório em atestar a existência dos créditos alegados. A recorrente além das DCTF's apresentou planilha de cálculo, balancete e comprovante de arrecadação referente ao período em apreço e, por fim, juntamente com o seu recurso anexa o LivroRazão. Neste contexto, a teor do que preconiza o art. 373 do diploma processual civil, teve a manifesta intenção de provar o seu direito creditório, sendo que tal procedimento, também está pautado pela boafé. Saliento o fato de assistir razão à recorrente quando alega que a falta de retificação de declaração não tem o condão de tornar devido o que é indevido, sob pena de ofensa aos princípios da legalidade e da verdade material. Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10183.908052/201140 Resolução nº 3201000.946 S3C2T1 Fl. 5 4 Neste sentido já decidiu o CARF: "Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2002 CONEXÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os processos referemse a períodos diferentes, o que ocasiona fatos jurídicos tributários diferentes, com a consequente diferenciação no que concerne à produção probatória, impossibilitando a conexão. FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF. Ainda que o sujeito passivo não tenha retificado a DCTF, mas demonstre, por meio de prova cabal, a existência de crédito, a referida formalidade não se faz necessária. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2002 INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, §1º, DA LEI Nº 9.718/1998. RECONHECIMENTO. Quanto à ampliação da base de cálculo prevista pela Lei nº 9.718/1998, tal fato já foi decidido pelo Supremo Tribunal Federal em regime de repercussão geral, RE 585235 QORG." (Processo 10280.905801/2011 89; Acórdão 3302003.619; Conselheira SARAH MARIA LINHARES DE ARAÚJO PAES DE SOUZA; Sessão de 21/02/2017) (nosso destaque) Recentemente, em questão similar, em processo relatado pela Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário (10830.917695/201111 Resolução 3201000.848), esta Turma por unanimidade de votos, decidiu em converter o julgamento em diligência, conforme a seguir transcrito: "Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora." Do voto da relatora destaco: "Na hipótese dos autos, observase que não houve inércia do contribuinte na apresentação de documentos. O que se verifica é que os documentos inicialmente apresentados em sede de Manifestação de Inconformidade se mostraram insuficientes para que a Autoridade Julgadora determinasse a revisão do crédito tributário. E, imediatamente após tal manifestação, em sede de Recurso Voluntário, foram apresentados novos documentos. Ademais, não se pode olvidar que se está diante de um despacho decisório eletrônico, ou seja, a primeira oportunidade concedida ao contribuinte para a apresentação de documentos comprobatórios do seu direito foi, exatamente, no momento da apresentação da sua Manifestação de Inconformidade. E, foi apenas em sede de acórdão, que tais documentos foram tidos por insuficientes. Sabese quem em autuações fiscais realizadas de maneira ordinária, é, em regra, concedido ao contribuinte diversas oportunidades de apresentação de documentos e esclarecimentos, por meio dos Termos de Intimação emitidos durante o procedimento. Assim, limitar, na autuação eletrônica, a oportunidade de apresentação de documentos à manifestação de inconformidade, aplicando a preclusão relativamente ao Recurso Voluntário, não me parece razoável ou isonômico, além de atentatório aos princípios da ampla defesa e do devido processo legal." Ademais, em casos análogos envolvendo a recorrente, este conselho administrativo nos processos 10530.902899/201123 e Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10183.908052/201140 Resolução nº 3201000.946 S3C2T1 Fl. 6 5 10530.902898/201189 decidiu por converter o julgamento em diligência através das Resoluções 3801000.816 e 3801000.815. Assim, entendo que há dúvida razoável no presente processo acerca da liquidez, certeza e exigibilidade do direito creditório, o que justifica a conversão do feito em diligência, não sendo prudente julgar o recurso em prejuízo da recorrente, sem que as questões aventadas sejam dirimidas. Diante do exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, para que possa ser apurado e informado, de modo pormenorizado, o valor do débito e do crédito existentes na data de transmissão dos PER/DCOMPs dos processos, bem como a existência do crédito postulado a partir de toda a documentação apresentada pelo contribuinte e outras diligências que possam ser realizadas a critério da autoridade competente, com a elaboração do devido relatório. Deve, ainda, a autoridade administrativa informar se há o direito creditório alegado pela recorrente e se o mesmo é suficiente para a extinção do débito existente tomando por base toda a documentação apresentada pelo contribuinte. Isto posto, deve ser oportunizada à recorrente o conhecimento dos procedimentos efetuados pela repartição fiscal, com abertura de vistas pelo prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável por igual período, para que se manifeste nos autos e apresente documentos adicionais, caso entenda necessário, para, na sequência, retornarem os autos a este colegiado para prosseguimento do julgamento. Importante frisar que os documentos juntados pelo contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, também foram juntados em cópias nestes autos (planilha, balancete e/ou razão). Dessa forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, decido por converter o julgamento em diligência, para que a Autoridade Preparadora certifique a efetiva existência do crédito postulado, a partir dos documentos apresentados pelo contribuinte e por meio de outras diligências que se mostrarem necessárias, apurando os valores do débito e do crédito existentes na data de transmissão do PER/DCOMP, consignandoos em relatório pormenorizado. Após a realização da diligência, concedase vista ao contribuinte pelo prazo de 30 (trinta dias) para se manifestar acerca das conclusões. Após, retornemse os autos para julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 106DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10073.720430/2008-15
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Aug 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005
ITR. ISENÇÃO. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). OBRIGATORIEDADE A PARTIR DE LEI 10.165/00. TEMPESTIVIDADE. INÍCIO DA AÇÃO FISCAL
A partir do exercício de 2001, tornou-se requisito para a fruição da redução da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural a apresentação de Ato Declaratório Ambiental - ADA, protocolizado junto ao Ibama. A partir de uma interpretação teleológica do dispositivo instituidor, é de se admitir a apresentação do ADA até o início da ação fiscal. No caso em questão o ADA foi apresentado em 21/12/2007, assim, após o início da ação fiscal, ocorrido em 04/10/2007. Destarte, não é possível a exclusão da área de APP declarada da base de cálculo do ITR .
Numero da decisão: 9202-005.679
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Ausente, momentaneamente, a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, substituída pelo conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado em substituição à conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira), Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado).
Nome do relator: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
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ISENÇÃO. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). OBRIGATORIEDADE A PARTIR DE LEI 10.165/00. TEMPESTIVIDADE. INÍCIO DA AÇÃO FISCAL A partir do exercício de 2001, tornouse requisito para a fruição da redução da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural a apresentação de Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolizado junto ao Ibama. A partir de uma interpretação teleológica do dispositivo instituidor, é de se admitir a apresentação do ADA até o início da ação fiscal. No caso em questão o ADA foi apresentado em 21/12/2007, assim, após o início da ação fiscal, ocorrido em 04/10/2007. Destarte, não é possível a exclusão da área de APP declarada da base de cálculo do ITR . Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Ausente, momentaneamente, a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, substituída pelo conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 72 04 30 /2 00 8- 15 Fl. 258DF CARF MF Processo nº 10073.720430/200815 Acórdão n.º 9202005.679 CSRFT2 Fl. 259 2 Heitor de Souza Lima Junior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado em substituição à conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira), Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado). Relatório Em litígio, o teor do Acórdão nº 2201001.777, prolatado pela 1a Turma Ordinária da 2a. Câmara da 2a Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais na sessão plenária de 15 de agosto de 2012 (efls. 153 a 161). Ali, por maioria de votos, deuse parcial provimento ao Recurso Voluntário, na forma de ementa e decisão a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2005 Ementa: ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. COMPROVAÇÃO. EXCLUSÃO DA TRIBUTAÇÃO. A comprovação da área de preservação permanente, para efeito de sua exclusão da base de cálculo do ITR, não depende exclusivamente de seu reconhecimento pelo IBAMA por meio de Ato Declaratório Ambiental ADA ou da protocolização tempestiva do requerimento do ADA, uma vez que a efetiva existência pode ser comprovada por meio de Laudo Técnico e outras provas documentais idôneas. ÁREA DE RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO. REQUISITO. Para efeito de sua exclusão da base de cálculo do ITR, a área de reserva legal deve estar averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente. Na posse, a reserva legal é assegurada por Termo de Ajustamento de Conduta, firmado pelo possuidor com o órgão ambiental estadual ou federal competente, com força de título executivo e contendo, no mínimo, a localização da reserva legal, as suas características ecológicas básicas e a proibição de supressão de sua vegetação. DO VALOR DA TERRA NUA. VTN Para alteração do VTN/ha arbitrado pela autoridade fiscal, com base no “Laudo de Avaliação” apresentado pelo próprio contribuinte, exigese a apresentação de novo laudo que demonstre, de maneira inequívoca, o valor fundiário do imóvel rural avaliado e justifique a divergência de valor. Recurso Voluntário Provido em Parte. Fl. 259DF CARF MF Processo nº 10073.720430/200815 Acórdão n.º 9202005.679 CSRFT2 Fl. 260 3 Decisão: por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para restabelecer a área de Preservação Permanente de 75,0 hectares. Vencido o Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, que negou provimento ao recurso. Enviados os autos à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de ciência em 26/09/2012 (efl. 163), esta apresentou, em 07/11/2012 (efl. 204), Recurso Especial (efls. 195 a 203), com fulcro no no art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. O recurso contém alegações de existência de divergência interpretativa quanto à apresentação tempestiva do Ato Declaratório Ambiental (ADA), tendo sido admitido consoante exame de admissibilidade de efls. 205 a 207. Alegase, no pleito, divergência em relação ao decidido pela 2a. Câmara do então 3o. Conselho de Contribuintes, através do Acórdão 30239.144, prolatado em 07 de novembro de 2007, e, ainda, em relação ao decidido pela 1a. Câmara do então 3o. Conselho de Contribuintes, através do Acórdão 30134.352, prolatado em 26 de março de 2008, de ementas e decisões a seguir transcritas Acórdão 30239.144 Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2001 Ementa: ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL – ADA. A partir do exercício de 2001, para os contribuintes que desejam se beneficiar da isenção da tributação do ITR, a apresentação do ADA passou a ser obrigatória (ou a comprovação do protocolo de requerimento daquele Ato, junto ao IBAMA, em tempo hábil), por força da Lei nº 10.165, de 28/12/2000. ÁREA DE RESERVA LEGAL. A exclusão da área de reserva legal da tributação pelo ITR depende de sua averbação à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, até a data da ocorrência do fato gerador. ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO PARA A PROTEÇÃO DOS ECOSSISTEMAS. Para efeito de exclusão do ITR não serão aceitas como de interesse ecológico as áreas declaradas, em caráter geral, por região local ou nacional, mas, sim, apenas as declaradas, em caráter específico, para determinadas áreas da propriedade particular. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE OU ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA COMPROVAÇÃO. Para que as áreas de Preservação Permanente e de Utilização Limitada estejam isentas do ITR, é preciso que as mesmas estejam perfeitamente identificadas por documentos idôneos e que assim sejam reconhecidas pelo IBAMA ou por órgão Fl. 260DF CARF MF Processo nº 10073.720430/200815 Acórdão n.º 9202005.679 CSRFT2 Fl. 261 4 estadual competente, mediante Ato Declaratório Ambiental – ADA, ou que o contribuinte comprove ter requerido o referido ato àqueles órgãos, no prazo de seis meses, contado da data da entrega da DITR. ARGÜIÇÕES DE ILEGALIDADE E DE INCONSTITUCIONALIDADE. Não compete às instâncias administrativas de julgamento apreciar ou se manifestar sobre matéria referente à inconstitucionalidade de leis ou ilegalidade de atos normativos regularmente editados, uma vez que esta competência é exclusiva do Poder Judiciário, conforme constitucionalmente previsto. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. Somente produzem efeitos, no âmbito da Secretaria da Receita Federal, as decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal que tenham efeitos erga omnes. Demais decisões judiciais apenas se aplicam às partes envolvidas nos litígios para os quais são proferidas. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas proferidas pelos órgãos colegiados não se constituem em normas gerais, posto que inexiste lei que lhes atribua eficácia normativa, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Decisão: por maioria de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora. Vencidos os Conselheiros Luciano Lopes de Almeida Moraes, Marcelo Ribeiro Nogueira e Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro. Acórdão 30134.352 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL — ITR EXERCÍCIO: 2001 ITR EXERCÍCIO 2001. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO DO ADA. A partir do exercício de 2001 é indispensável a apresentação do Ato Declaratório Ambiental como condição para o gozo da redução do ITR em se tratando de áreas de preservação permanente e de utilização limitada, tendo em vista a existência de lei estabelecendo expressamente essa obrigação (art. 170 da Lei n" 6.938/81, na redação do art. 1 da Lei n" 10.165/2000). RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO Fl. 261DF CARF MF Processo nº 10073.720430/200815 Acórdão n.º 9202005.679 CSRFT2 Fl. 262 5 Decisão: por maioria de votos, negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Rodrigo Cardozo Miranda, relator e Valdete Aparecida Marinheiro. Designado para redigir o acórdão o conselheiro José Luiz Novo Rossari. Quanto à matéria se alega: a) Cita a recorrente o estabelecido no art. 10, inciso II da Lei no. 9.393, de 19 de dezembro de 1996, defendendo que o mesmo estabelece concessão de benefício fiscal e, assim, deve ser interpretado literalmente, de acordo com o art. 111 do CTN; b) Defende que, para efeito da exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal da incidência do ITR, é necessário que o contribuinte comprove o reconhecimento formal específica e individualmente da área como tal, protocolizando o ADA no IBAMA ou em órgãos ambientais delegados por meio de convênio, contado a partir do término do prazo fixado para a entrega da declaração. Cita que tal obrigatoriedade foi respaldada pelas Instruções Normativas SRF nos. 43/97, com redação dada pela IN SRF no. 67/97; c) Logo, ao estabelecer a necessidade de reconhecimento pelo Poder Público, a Administração Tributária, por meio de ato normativo, fixou condição para a nãoincidência tributária sobre as áreas de preservação permanente e de utilização limitada, elencadas e definidas no Código Florestal e na legislação do ITR. A exigência do ADA encontrase consagrada na Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, art. 17O, § 1º, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165/2000. De fato, esse diploma reitera os termos da Instrução Normativa nº 43/97, no que concerne ao meio de prova disponibilizado aos contribuintes para o reconhecimento das áreas de preservação permanente e de utilização limitada, com vista à redução da incidência do ITR; d) Registra que a obrigatoriedade da apresentação do ADA não representa qualquer violação de direito ou do princípio da legalidade. Antes pelo contrário, a exigência alinhase com a norma que consagrou o benefício tributário (art. 10, § 1º, II, da Lei nº 9.393/96), apontando os meios para a comprovação da existência das áreas de preservação permanente e de utilização limitada; e) o exercício do direito do contribuinte está atrelado a uma simples declaração dirigida ao órgão ambiental competente. Tratase, por evidente, de norma amplamente favorável ao contribuinte do ITR, que, na hipótese de sua ausência, estaria sujeito a meios de prova notadamente mais complexos e dispendiosos, como, por exemplo, os laudos técnicos elaborados por peritos. De posse da declaração (ADA), o IBAMA deverá, em momento oportuno, certificar a veracidade dos dados informados pelo proprietário do imóvel; f) Não é juridicamente sustentável a tese segundo a qual, diante da declaração do contribuinte de que sua propriedade está inserida em área de preservação permanente ou de utilização limitada, não possa a autoridade pública exigir a comprovação do alegado através da documentação competente. O direito ao benefício legal deve estar documentalmente comprovado. E o ADA, apresentado tempestivamente, é documento exigido para tal fim; g) No presente processo, não se discute a materialidade, ou seja, a existência efetiva das áreas de preservação permanente. O que se busca é a comprovação do cumprimento Fl. 262DF CARF MF Processo nº 10073.720430/200815 Acórdão n.º 9202005.679 CSRFT2 Fl. 263 6 de uma obrigação prevista na legislação, referente à área de que se trata, para fins de exclusão da tributação; h) Por fim, nem há que falar que as Instruções Normativas SRF nºs 43 e 67, ambas de 1997, seriam ilegais, ressaltese que a autoridade administrativa não tem competência para decidir sobre a inconstitucionalidade ou a ilegitimidade de lei ou ato normativo infralegal, matéria reservada ao Poder Judiciário. O órgão administrativo não é o foro apropriado para discussões dessa natureza, salvo nos casos autorizados por disposições legais, regulamentares ou normativas, baixadas por autoridade superior competente de conformidade com o estatuído no art. 4º do Decreto nº 2.346, de 10/10/1997 , nos quais não se insere a matéria em debate. Requer, assim, que seja conhecido e seja dado total provimento ao presente recurso, para reformar o acórdão recorrido, mantendose a decisão proferida em 1a. instância. Encaminhados os autos à autuada para fins de ciência, ocorrida em 16/05/16 (efl. 211), o contribuinte apresentou Recurso Especial de sua iniciativa somente em 10/06/2016 (efl. 213), o qual assim restou não admitido por intempestivo, na forma de exame de admissibilidade de efls. 235/236. Não houve oferecimento de contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Relator Pelo que consta no processo quanto a sua tempestividade, às devidas apresentação de paradigmas e indicação de divergência, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade. Assim, conheço do recurso e passo à análise de mérito. Para que todos possam firmar suas convicção quanto ao mérito recursal, destaco os seguintes elementos de interesse acostados aos autos: a) Início da ação fiscal: 04/10/2007 efl. 15; b) ADA/1997, protocolizado em 21/12/2007 efls. 72 e 99; c) Laudo anexado pela autuada efls. 48 e seguintes. Limitado o litígio assim, à da possibilidade de exclusão dos 75,0 ha. a título de área de preservação permanente (consoante demonstrativo de efl. 04), acerca do tema entendo que a fruição da redução da base de cálculo do ITR (possuidora, a meu ver de natureza isentiva), seja por áreas de preservação permanente ou de interesse ecológico, encontra um de seus requisitos legais claramente estabelecido, desde 2000, a partir do disposto no art. 17O da Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, em especial em seu caput e parágrafo 1º, com atual redação dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000, verbis: Fl. 263DF CARF MF Processo nº 10073.720430/200815 Acórdão n.º 9202005.679 CSRFT2 Fl. 264 7 Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000)(...)o. § 1oA utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) (g.n.) Ou seja, mandatório para que se admita a redução da base tributável de áreas a título de Preservação Permanente ou de Interesse Ecológico que constem as mesmas de ADA entregue ao IBAMA. Tratase aqui, notese, de dispositivo legal específico, posterior à Lei no. 9.393, de 1996, restando, assim, quando da instituição de tal requisito, plenamente respeitado o princípio da Reserva Legal. Notese ser plenamente consistente a coexistência de tal obrigação com a vigência e aplicação da Lei no. 9.393, de 1996, sem qualquer tipo de antinomia. Ainda, de se rejeitar qualquer argumentação de revogação do dispositivo pelo §7° do art. 10 da Lei n.° 9.393, de 1996, instituído pela Medida Provisória n.° 2.166 67/01. O que se estabelece ali é uma desnecessidade de comprovação prévia tão somente no momento da declaração (DITR), sendo perfeitamente factível, porém, que, posteriormente, em sede de ação fiscal, sejam demandados elementos necessários à comprovação do constante na DITR do declarante e realizado o lançamento no caso de insuficientes elementos comprobatórios, a partir do expressamente disposto nos arts. 14 e 15 daquela mesma Lei no. 9.393, de 1996. Tal posicionamento encontrase muito bem detalhado no âmbito do Acórdão CSRF 9202003.620, de 04 de março de 2015, no qual funcionei como Redator ad hoc do voto vencedor em substituição ao redator do voto designado, Dr. Alexandre Naoki Nishioka, adotando assim aqui seus fundamentos a seguir como razões de decidir, verbis: "(...) Pois bem. Muito embora inexistisse, até o exercício de 2000, qualquer fundamento para a exigência da entrega do ADA como requisito para a fruição da isenção, com o advento da Lei Federal n.° 10.165/2000 alterouse a redação do §1° do art. 17 O da Lei n.° 6.938/81, que passou a vigorar da seguinte forma: "Art. 17O. (...) § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória." Ora, de acordo com uma interpretação evolutiva do referido dispositivo legal, isto é, cotejandose o texto aprovado quando da edição da Lei n.° 9.960/00, em contraposição à modificação introduzida pela Lei n.° 10.165/00, verificase que, para o fim Fl. 264DF CARF MF Processo nº 10073.720430/200815 Acórdão n.º 9202005.679 CSRFT2 Fl. 265 8 específico da legislação tributária, passouse a exigir a apresentação do ADA, como requisito inafastável para a fruição da redução da base de cálculo prevista pela Lei n.° 9.393/96, mais especificamente por seu art. 10, §1°, II. Assim, sendo certo que as normas que instituem isenções devem ser interpretadas de forma estrita, ainda que não se recorra somente ao seu aspecto literal, como se poderia entender de urna análise superficial do art. 111, do Código Tributário Nacional, fato é que, no que atine às regras tratadas como exclusão do crédito tributário pelo referido codex, a legislação não pode ser interpretada de maneira extensiva, de maneira que não há como afastar a exigência do ADA para o fim específico de possibilitar a redução da base de cálculo do ITR. (...)" Atendose mais especificamente ao caso em questão, notase, ao compulsar os autos, que o referido requisito foi efetivamente cumprido pelo contribuinte somente em 21/12/07 (efls. 72 e 99), posteriormente ao prazo estabelecido pela regulamentação infralegal da RFB (prazo limite: 31/03/06, consoante Instrução Normativa SRF no. 554, de 2005) e, também, posteriormente ao início da ação fiscal, iniciada em 04/10/07 (efl. 15). Assim, devese enfrentar agora a questão do momento da entrega efetuada pelo autuado, posterior ao prazo estabelecido infralegalmente. Com a devida vênia aos Conselheiros que adotam posicionamento diverso, entendo que o melhor posicionamento é, novamente em linha com o adotado no âmbito do mesmo Acórdão CSRF 9202003.620, admitir a protocolização do Ato Declaratório Ambiental até o início da ação fiscal, com fulcro nos seguintes fundamentos: "(...) Feita esta observação, relativa, portanto, à obrigatoriedade de apresentação do ADA, cumpre mover à análise do prazo em que poderia o contribuinte protocolizar referida declaração no órgão competente. No que toca a este aspecto específico, tenho para mim que é absolutamente relevante uma digressão a respeito da mens legis que norteou a alteração do texto do art. 17O da Lei n.° 6.938/81. Analisandose, nesse passo, o real intento do legislador ao estabelecer a obrigatoriedade de apresentação do ADA, podese inferir que a mudança de paradigma deveuse a razões atinentes à efetividade da norma isencional, especialmente no que concerne à aferição do real cumprimento das normas ambientais pelo contribuinte, de maneira a permitir que este último possa usufruir da redução da base de cálculo do ITR. Em outras palavras, a efetiva exigência do ADA para o fim específico da fruição da redução da base de cálculo do ITR foi permitir uma efetiva fiscalização por parte da Receita Federal da preservação das áreas de reserva legal ou de preservação Fl. 265DF CARF MF Processo nº 10073.720430/200815 Acórdão n.º 9202005.679 CSRFT2 Fl. 266 9 permanente, utilizandose, para este fim específico, do poder de polícia atribuído ao IBAMA. Em síntese, podese afirmar que a alteração no regramento legal teve por escopo razões de praticabilidade tributária, a partir da criação de um dever legal que permita, como afirma Helenílson Cunha Pontes, uma "razoável efetividade da norma tributária'" (PONTES, Helenílson Cunha. O princípio da praticidade no Direito Tributário (substituição tributária, plantas de valores, retenções de fonte, presunções e ficções, etc.): sua necessidade e seus limites. In: Revista Internacional de Direito Tributário, v. 1, n.° 2. Belo Horizonte, jul/dez2004, p. 57) , no caso da norma isencional. De fato, no caso da redução da base de cálculo do ITR, mais especificamente no que atine às áreas de interesse ambiental lato senso, além da necessidade de fiscalizar um número extenso de contribuintes, exigirseia, não fosse a necessidade da obrigatória protocolização do ADA, que a Receita Federal tomasse para si o dever de fiscalizar o extenso volume de propriedades rurais compreendido no território nacional, o que, do ponto de vista econômico, não teria qualquer viabilidade. Por esta razão, assim, passouse, com o advento da Lei Federal n.° 10.165/00 a exigir, de forma obrigatória, a apresentação do ADA para o fim de permitir a redução da base de cálculo do ITR, declaração esta sujeita ao poder de polícia do IBAMA. Tratandose, portanto, da interpretação do dispositivo em comento, deve o aplicador do direito, neste conceito compreendido o julgador, analisar o conteúdo principiológico que norteia referido dispositivo legal, a fim de conferirlhe o sentido que melhor se amolda aos objetivos legais. Partindose desta premissa basilar, verificase que o art. 17O da Lei n.° 6.938/81, em que pese o fato de imprimir, de forma inafastável, o dever de apresentar o ADA, não estabelece qualquer exigência no que toca à necessidade de sua protocolização em prazo fixado pela Receita Federal para o fim específico de permitir a redução da base de cálculo do ITR. A exigência de protocolo tempestivo do ADA, para o fim específico da redução da base de cálculo do ITR, não decorre expressamente de lei, mas sim do art. 10, §3°, I, do Decreto n.° 4.382/2002, que, inclusive, data de setembro de 2002, (...). (...) Com efeito, sendo certo que a instituição de tributos ou mesmo da exclusão do crédito tributário, na forma como denominada pelo Código Tributário Nacional, são matérias que devem ser integralmente previstas em lei, na forma como estatuído pelo art. 97, do CTN, mais especificamente no que toca ao seu inciso VI, não poderia sequer o poder regulamentar estabelecer a desconsideração da isenção tributária no caso da mera apresentação intempestiva do ADA. Fl. 266DF CARF MF Processo nº 10073.720430/200815 Acórdão n.º 9202005.679 CSRFT2 Fl. 267 10 Repisese, nesse sentido, que não se discute que a lei tenha instituído a obrigatoriedade da apresentação do ADA, mas, sim, que o prazo de seis meses, contado da entrega da DITR, foi instituído apenas por Instrução Normativa, muito posteriormente embasada pelo Decreto n.° 4.382/2002, o que, com a devida vênia, não merece prosperar. Em virtude, portanto, da ausência de estabelecimento de um critério rígido quanto ao prazo para a apresentação do ADA, eis que não se encontra previsto em lei, cumpre recorrer aos mecanismos de integração da legislação tributária, de maneira a imprimir eficácia no disposto pelo art. 17O da Lei n.° 6.398/81. Dentre os mecanismos de integração previstos pelo ordenamento jurídico, dispõe o Código Tributário Nacional, em seu art. 108, I, que deve o aplicador recorrer à analogia, sendo referida opção vedada apenas no que toca à instituição de tributos não previstos em lei, o que, ressaltese, não é o caso. Nesse esteio, recorrendose à analogia para o preenchimento de referida lacuna, devese recorrer à legislação do ITR relativa às demais declarações firmadas pelo contribuinte, mais especificamente no que atine à DIAT e à DIAC, expressamente contempladas pela Lei n.° 9.393/96, aplicadas ao presente caso tendose sempre em vista o escopo da norma inserida no texto do art. 17O da Lei n.° 6.398/81, isto é, imprimir praticabilidade à aferição da existência das áreas de reserva legal e preservação permanente, para o fim específico da isenção tributária. Pois bem. Sendo certo que a apresentação do ADA cumpre o papel imprimir praticabilidade à apuração da área tributável, verificase que cumpre o escopo norma a sua entrega até o início da fiscalização, momento a partir do qual a apresentação já não mais cumprirá seu desiderato. De fato, até o início da fiscalização em face do contribuinte, verificase que a entrega do ADA possibilitará a consideração, por parte da Receita Federal, da redução da base de cálculo do ITR, submetendo as declarações do contribuinte ao pálio do órgão ambiental competente e retirando referida aferição do âmbito da Receita Federal do Brasil. A entrega, portanto, ainda que intempestiva, muito embora pudesse ensejar a aplicação de uma multa específica, caso existisse referida norma sancionatória, seria equivalente à retificação das demais declarações relativas ao ITR, isto é, da DIAT e da DIAC, devendo, pois, ter o mesmo tratamento que estas últimas, em consonância com o que estatui o brocardo jurídico "ubi eadem ratio, ibi eaedem legis dispositio", isto é, onde há o mesmo racional, a legislação não pode aplicar critérios distintos. À guisa do exposto, portanto, no que toca à entrega do ADA, tenho para mim que cumpre seu desiderato até o momento do início da fiscalização, a partir do qual a omissão do contribuinte ensejou a necessidade de fiscalização específica relativa ao recolhimento do ITR, o que implica nos custos administrativos inerentes a este fato. Fl. 267DF CARF MF Processo nº 10073.720430/200815 Acórdão n.º 9202005.679 CSRFT2 Fl. 268 11 Assim, aplicase ao ADA, de acordo com este entendimento basilar, a regra prevista pelo art. 18 da Medida Provisória n.° 2.18949/01, que assim dispõe, verbis: "Art. 18. A retificação de declaração de impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nas hipóteses em que admitida, terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, independentemente de autorização pela autoridade administrativa." De acordo com a interpretação que ora se sustenta, pois, é permitida a entrega do ADA, ainda que intempestivamente, desde que o contribuinte o faça até o início da fiscalização. (grifei) (...)" Repetindose uma vez mais que, no caso em questão, o ADA, contendo a área de preservação permanente glosada de 75,0 ha. em litígio, foi entregue em 21/12/07 (efls. 72 e 99), e, assim, posteriormente ao início da ação fiscal (iniciada em 04/10/07, conforme efl. 15), é de se manter a glosa da área de preservação permanente, perpretada pela autoridade fiscal. Assim, diante do exposto, voto por dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Fl. 268DF CARF MF
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Numero do processo: 10711.008651/89-44
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Oct 20 00:00:00 UTC 1998
Ementa: "CONFERENCIA FINAL DE MANIFESTO
Imposto de importação recolhido conforme DARF.
Denúncia espontânea da infração: descabimento da multa.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL.
Aplicação do princípio da economia processual, pelo fato de não
remanescer parcela de crédito tributário a cobrar.
Negado Recurso da Procuradoria da Fazenda Nacional."
Numero da decisão: CSRF/03-03.005
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos
Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Ubaldo Campelo Neto
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Sujeito Passivo : Brascon Rio Agência Maritima Ltda. Sessão de : 20 DE OUTUBRO DE 1998 Acórdão n° : CSRF/03-03.005 "CONFERENCIA FINAL DE MANIFESTO Imposto de importação recolhido conforme DARF. Denúncia espontânea da infração: descabimento da multa. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Aplicação do princípio da economia processual, pelo fato de não remanescer parcela de crédito tributário a cobrar. Negado Recurso da Procuradoria da Fazenda Nacional." Vistos, relatados e discutidos os presentes autos do recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL ACORDAM os Membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. , 7,20 ,_,, ISON PE -É ODRIGUES PRESIDENTE i É0_, UBALDO CAMPELO NETO RELATOR FORMALIZADO EM:i 7 Ntp‘ lonoI ri j 1 ir:ru .. Processo n° : 10711.008651/89-44 Acórdão n° : CSRF/03-03.005 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros MOACYR ELOY DE MEDEIROS, FAUSTO DE FREITAS E CASTRO NETO, JOÃO HOLANDA COSTA, ISALBERTO ZAVÃO LIMA (Suplente Convocado) e CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES. Ausente justificadamente o Conselheiro HENRIQUE PRADO MEGDA. 2 Processo n° : 10711.008651/89-44 Acórdão n° : CSRF/03-03.005 Recurso n° : RP/303-1.203 Recorrente : FAZENDA NACIONAL RELATÓRIO A Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes prolatou decisão consubstanciada no Acórdão em referência cuja ementa é a seguinte: "CONFERENCIA FINAL DE MANIFESTO Imposto de importação recolhido conforme DARF. Denúncia espontânea da infração: descabimento da multa. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Aplicação do princípio da economia processual, pelo fato de não remanescer parcela de crédito tributário a cobrar." A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou recurso especial a este Colegiado aduzindo o seguinte: "Discute-se neste processo qual seja o ato de início do procedimento fiscal para os fins de aceitação válida da denúncia espontânea, em se tratando de falta de volumes na descarga do navio OSTFRIESLAND", dado entrada no Porto do Rio de Janeiro, em data de 22.05.89. O fundamento único do voto condutor do V. acórdão atacado cinge-se ao argumento de que: "se entender que o Termo de Visita Aduaneira não tem o objetivo de apurar infração, não caracterizando início de procedimento administrativo fiscal". Não há de prosperar, data venha, tal entendimento. Há de se ressalvar "ab initio" que a denúncia espontânea apresentada pela BRASCON RIO AGÊNCIA MARITIMO LTDA não foi aceita por ser intempestiva, como se vê do despacho bem fundamentado lançado às fls. 28. 3 Processo n° : 10711.008651/89-44 Acórdão n° : CSRF/03-03.005 É que a visita aduaneira foi efetuada em 22.05.89, data da entrada do navio no porto do Rio de Janeiro e a denúncia foi apresentada, posteriormente, em 02.08.89 o que contraria o artigo 138 do Código Tributário Nacional. A tese do V. acórdão guerreado de que o Termo de Visita Aduaneira não é início de procedimento administrativo fiscal esbarra no disposto nos artigos 31, § 1° e artigo 45, alíneas "a", "b" e "c" do Decreto n°91.030/85 (Regulamento Aduaneiro). Preceituam os precitados dispositivos legais: "Art. 31 — As operações de carga, descarga ou transbordo de veículo procedente do exterior só poderão ser executadas depois de formalizada a sua entrada no porto, aeroporto ou na repartição que jurisdicionar o ponto de fronteira alfandegado. § 1° - Para efeitos fiscais, considera-se formalizada a entrada do veículo quando encerrada a visita e lavrado o respectivo termo de entrada". § 2° - "Art. 45 — Se for o caso, o responsável pelo veículo apresentará, ainda, à fiscalização aduaneira, por ocasião da visita: a) relação das unidades de carga vazias existentes a bordo; b) declaração de acréscimo de volume ou mercadoria em relação ao manifesto; c) outras declarações ou documentos de seu interesse". Em comentários ao artigo 31, transcrito no item antecedente, o ilustre ROOSEVELT BALDOMIR SOSA conclui de modo enfático: "Todos esses dispositivos conduzem ao entendimento de que o procedimento de admissão aduaneira tem seu início na visita aduaneira da embarcação, momento em que seu capitão, mestre ou imediato, declara, perante a autoridade administrativa que efeitos transporta, para onde se destinam e que mercadorias estão manifestadas para que aquele porto. A entreqa do manifesto define a nosso entender o elemento espacial do fato 4 Processo n° : 10711.008651/89-44 Acórdão n° : CSRF/03-03.005 gerador do imposto de importação (grifado) 'In Comentários à Lei Aduaneira, Ed. Aduaneiras, págs. 65/66). Desta forma, estreme de dúvidas, a visita aduaneira é início de procedimento de admissão aduaneira, e equivocada, portanto, a conclusão de julgamento do V. acórdão recorrido. E assim sendo, qualquer ato do sujeito passivo, posterior, a essa visita exclui a espontaneidade da denúncia, ex vi do § 1°, do inciso III do artigo 7° do Decreto n° 70.235/72. A empresa autuada, assim, ao ingressar com denuncia espontânea em data de 02/08/89, após o início do procedimento fiscal, este datado de 22/05/89, deixou de atender ao disposto no art. 138 do Código Tributário Nacional. O v. acórdão recorrido, portanto, violou o disposto no art. 138 do Código Tributário Nacional, arts. 31, § 1° e 45, "b" e "c" do Decreto n° 91.030/85 e art. 7° do Decreto n° 70.235/72. Quanto à suposta inexistência de crédito tributário remanescente, como entendido pelo v. acórdão a denúncia espontânea, o pagamento efetuado às fls. 24 não foi integral, restando a multa imposta à autuada pela decisão de primeiro grau, qual seja, a prevista no artigo 521, II, "d" do Regulamento Aduaneiro, além dos encargos legais cabíveis (fls. 54). A Empresa apresentou contra-razões com os seguinte argumentos, resumidamente: "Entendeu a C. Câmara recorrida, de acordo com o R. Voto de lavra do I. Conselheiro Relator, Dr. João Holanda Costa, que está bem caracterizada a denúncia espontânea da infração, dado que a petição de 02.08.89 é anterior a qualquer medida de fiscalização tendente a apurar a falta da mercadoria na descarga do veículo o que só veio a dar-se com a conferência final de manifesto, em 18.05.90., rejeitada a tese de que a Visita Aduaneira ou o registro da Dl para o despacho das mercadorias 5 Processo n° : 10711.008651/89-44 Acórdão n° : CSRF/03-03.005 atendam, no caso ao exigido no art. 138 do CTN para excluir a denúncia espontânea da infração, pois são atividades voltadas a outros fins, sem qualquer relação com a apuração de faltas na descarga do veículo. Por sua vez, a I. Recorrente insiste na tese contrária, ou seja, de que após a Visita Aduaneira (formalização da entrada do veículo procedente do exterior), o transportador perde a espontaneidade para denunciar tais infrações, de acordo com o disposto nos artigos 31, § 1° e 45, alíneas "a", "h" e "c" do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto n° 91.030/85. Antes de mais nada é preciso destacar que a Denúncia praticada pela interessada, objetivando a exclusão da penalidade cominada, tem por escopo o disposto no artigo 138 do CTN (lei n° 5.172 de 1966). A hipótese de perda da espontaneidade, pelo infrator, está claramente delineada no parágrafo único, do referido artigo, não mencionado em momento algum pela I. Recorrente, e que merece ser aqui destacada, como segue: "Art. 138 § único — Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração." Grifos colocados pela Peticionária- () texto legal acima transcrito é bastante claro e específico, não deixando qualquer margem a dúvidas. O início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, quando relacionados com a infração, exclui a responsabilidade do infrator para denunciá-la. É fora de dúvida que o veículo procedente do exterior quando da visita Aduaneira, iá se encotra sob fiscalização permanente Quanto a isso não há questionamento. Não obstante, também forçoso se torna reconhecer que tal procedimento — Visita Aduaneira — não é, efetivamente, um procedimento administrativo ou uma medida de fiscalização diretamente voltados prar a apuração de tais infrações (falta de mercadoria). 6 Processo n° : 10711.008651/89-44 Acórdão n° : CSRF/03-03.005 Nem poderia ser diferente pois que, enquanto a carga permanece a bordo, antes da abertura dos porões para descarga — só permitindo após o término da Visita (formalização da entrada) — não se tem configuração da existência de qualquer infração nesse sentido. Impossível saber-se, antes do término da descarga, quais as cargas que estariam faltando (por extravio, furto, não embarque, etc), ou que estariam em acréscimo ao manifesto (por embarque indevido). Se, por ocasião da visita não se sabia da existência da infração, não havia, na ocasião, o que ser denunciado. Pôr isso mesmo é que a legislação específica define, expressamente, qual o procedimento de apuração, pela fiscalização, de tais infrações. O Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto n° 91.030/85, assim determina: "Art. 476 — A conferência final de manifesto destina-se a constatar falta ou acréscimo, de volume ou mercadoria entrada no território aduaneiro, mediante confronto do manifesto com os registros de descarga (Decreto — lei n° 37/66, artigo 39, § 1°). § único — Constatada falta ou acréscimo, e feitas, se for o caso, as necessárias diligências, adotar-se-á o procedimento fiscal adequado". Este, portanto, E. Jugadores, o procedimento específico e correto de apuração de tais infrações — CONFERÊNCIA FINAL DE MANIFESTO — Até a data da sua realização pela fiscalização, o infrator estará agindo espontãneamente ao denunciar qualquer das infrações indicadas, como aconteceu no presente caso. 7 Processo n° : 10711.008651/89-44 Acórdão n° : CSRF/03-03.005 A matéria aqui discutida já foi exaustivamente analisada por essa E. Câmara Superior de Recursos Fiscais, originando uma farta jurisprudência a respeito, sempre acolhendo a tese da denúncia espontânea ocmo decidido pela C. Câmara "a quo". Cite-se, como exemplos, os Acórdãos de n°s — CSRF/03-01.491 de 21/09/87 e CSRF/03-01.657, de 29/11/89, aqui anexados por cópias de seu inteiro teor. No primeiro Acórdão acima citado destaca-se o brilhante Voto proferido pelo Eminente Conselheiro Relator, Dr. José Façanha Mamede, que assim se pronunciou a respeito do assunto: " (...) Se o conhecimento da irregularidade for feito pelo contribuinte, antes de efetivada a Conferência Final de Manifesto, concretiza-se a denúncia espontânea da infração de que cogitam o art. 138 e parágrafo único do CTN e fica o sujeito passivo livre de multa, mesmo que não recolha o débito, concomitantemente, pois ele não é importador, não dispondo de dados para o cálculo desse débito que depende, assim, de arbitramento. Enganam-se, assim, "data venia", os que entendem que, após a visita aduaneira, não há mais possibilidade de denúncia espontânea de faltas ou acréscimos na descarga pelo sujeito passivo. Primeiramente, porque a visita aduaneira não é procedimento fiscal relacionado com a infração a que se reporta o parágrafo único do art. 138 do CTN. Em segundo lugar, porque o termo de visita não prenche os requisitos de um termo de início de procedimento fiscal previsto no art. 70 do Decreto 70.235/72. Explico. O Regulamento Aduaneiro, por seu artigo 476, define o procedimento para constatar falta ou acréscimo de volume ou mercadoria entrada no território aduaneiro com o "confronto do manifesto com os registros de descarga". Este é o "procedimento fiscal relacionado com a infração". Ora, se a visita aduaneira é anterior à descarga, ocmo pode ela proceder ao confronto do manifesto com os reoistros de descama? È impossível. Mais A Conferência Final de Manifesto dá-se, comumente, mais de sessenta dias após a descarga do veículo transportador. Na maioria dos casos, pois, o Termo de Visita, mesmo se considerando Termo Início de Fiscalização, estaria inócuo, face ao disposto no § 2° do art. 7° do Dec. 70.235/72, que fixa para o Termo de Início o prazo de sessenta dias. 8 Processo n° : 10711.008651/89-44 Acórdão n° : CSRF/03-03.005 Da mesma forma, se a repartição processante dispõe das folhas de descarga e não efetua o seu confronto com o manifesto nem dá ciência ao sujeito passivo da constatação da irregularidade — falta ou acréscimo de mercadoria — não se configura o início do procedimento fiscal previsto no art. 70 do Dec. 70.235/72. Assim, uma anterior comunicação feita pelo sujeito passivo caracteriza a denúncia espontânea". A mesma linha segue o segundo Acórdão proferido por essa E. Corte Superior, acima citado, como se verifica do Voto do Ilustre Conselheiro Relator, Dr. Paulo Affonso de Barros Faria Júnior. É o Relatório. 9 Processo n° : 10711.008651/89-44 Acórdão n° : CSRF/03-03.005 VOTO Conselheiro, Relator Ubaldo Campello Neto A decisão da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes tem a seguinte ementa: "CONFERENCIA FINAL DE MANIFESTO Imposto de importação recolhido conforme DARF. Denúncia espontânea da infração: descabimento da multa. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Aplicação do princípio da economia processual, pelo fato de não remanescer parcela de crédito tributário a cobrar." A decisão da Câmara está embasada em várias outras já proferidas a respeito deste assunto, inclusive nesta Câmara Superior de Recursos Fiscais. Por ser matéria já pacífica, nego provimento ao recurso do procurador da Fazenda nacional, mantida a decisão da Câmara recorrida. Sala das Sessões - DF, em 20 de outubro de 1998. ,•4111. UBALDO CAMPEM* NETO io Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1 _0000900.PDF Page 1 _0001000.PDF Page 1
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Numero do processo: 10805.001004/2002-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Sep 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1996, 1997, 1999
PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. INOCORRÊNCIA. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NÃO RECONHECIMENTO. SÚMULA CARF N. 11.
Não há que se falar em prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal quando sequer se iniciou a contagem do prazo prescricional que só ocorre com a constituição definitiva do crédito tributário. A teor do Enunciado de Súmula CARF n. 11, não se reconhece no âmbito do processo administrativo fiscal o instituto da prescrição intercorrente.
MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. APRECIAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. ART. 26-A DO DECRETO N. 70.235/1972. ENUNCIADO DE SÚMULA CARF N. 2.
No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 2402-005.982
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Luís Henrique Dias Lima - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, Luís Henrique Dias Lima, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitosa, Fernanda Melo Leal e Theodoro Vicente Agostinho.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE DIAS LIMA
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INOCORRÊNCIA. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NÃO RECONHECIMENTO. SÚMULA CARF N. 11. Não há que se falar em prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal quando sequer se iniciou a contagem do prazo prescricional que só ocorre com a constituição definitiva do crédito tributário. A teor do Enunciado de Súmula CARF n. 11, não se reconhece no âmbito do processo administrativo fiscal o instituto da prescrição intercorrente. MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. APRECIAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. ART. 26A DO DECRETO N. 70.235/1972. ENUNCIADO DE SÚMULA CARF N. 2. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 00 10 04 /2 00 2- 73 Fl. 321DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, Luís Henrique Dias Lima, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitosa, Fernanda Melo Leal e Theodoro Vicente Agostinho. Fl. 322DF CARF MF Processo nº 10805.001004/200273 Acórdão n.º 2402005.982 S2C4T2 Fl. 102 3 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário (fls. 311/317) em face do Acórdão n. 17 27.890 5ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo II (SP) DRJ/SPOII (fls. 292/298), que julgou parcialmente procedente a impugnação de fls. 284/290 e manteve em parte o crédito tributário consignado no lançamento constituído mediante o Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física IRPF AnosCalendário 1996; 1997 e 1999 no montante de R$ 275.908,86 sendo R$ 116.846,12 de imposto Cód. Receita 2904 ; R$ 71.428,17 de juros de mora calculados até 27/03/2002; e R$ 87.634,57 de multa proporcional passível de redução (fls. 271/280) com fulcro em apuração de i) acréscimo patrimonial a descoberto; ii) omissão de ganhos de capital na alienação de bens e direitos; e iii) omissão de ganhos de capital na alienação de ações/quotas não negociadas em bolsa, conforme discriminado no Termo de Verificação Fiscal (TVF) fls. 264/270. No TVF (fls. 264/270), parte integrante do Auto de Infração de fls. 271/280, a Fiscalização da RFB relata, de forma detalhada, os procedimentos efetuados no curso da ação fiscal, que teve como objeto a fiscalização do imposto de renda pessoa física AnosCalendário 1996; 1997; e 1999 com o fito de apurar: i) Acréscimo patrimonial a descoberto: omissão de rendimentos tendo em vista a variação patrimonial a descoberto, onde verificouse excesso de aplicações sobre origens, não respaldado por rendimentos declarados/comprovados; ii) Omissão de ganhos de capital na alienação de bens e direitos; iii) Omissão de ganhos de capital na alienação de ações/quotas não negociadas em bolsa: Omissão de ganhos de capital obtidos na alienação de 127.924 quotas do capital social da pessoa jurídica MAUÁ CENTER 2000 COMERCIAL LTDA. CNPJ n. 02.832.126/000158. Cientificado, em 26/04/2002, do lançamento de fls. 271/280, e inconformado com a autuação sofrida, o recorrente apresentou a impugnação de fls. 284/290, alegando em síntese: que, preliminarmente, teve ciência do Auto de Infração na data de 26/04/2002 e o senhor Auditor Fiscal da Receita Federal incluiu no lançamento tributário dados referentes ao mês de junho do ano de 1996 sem atentar para o aspecto crucial da decadência; que ao proceder ao lançamento tributário e por ter considerado valores do mês de junho de l996 (omissão de ganhos de capital na alienação de bens e direitos), resvalou o autuante em questão decadencial, e, portanto, o titular do direito ficou inerte, não se manifestou no tempo devido, perecendo assim o direito do fisco constituir o crédito tributário; que para aquele período, está extinta a relação jurídica, como decorre do comando do CTN, Lei n° 5.172/66, em seu art. 156, inciso V, ad argumentandum a respeito da decadência; Fl. 323DF CARF MF 4 que requer que seja acatada a preliminar argüida, no tange ao aspecto decadencial do IRPF, para o fato gerador 30/06/1996, sendo cancelado o lançamento tributário e, por conseguinte, declarada a nulidade do ato administrativo no período elencado; que, no mérito, a multa fixada em 75% (setenta e cinco por cento) do valor do seja prevista em lei, é absolutamente incompatível com qualquer noção de justiça, violando claramente o preâmbulo da Constituição vigente; que a Lei n° 9.430/96, ao viabilizar uma multa com efeito confiscatório que o fisco exige, nega vigência aos primeiros 5 (cinco) artigos da Constituição e não pode ser utilizada como vem sendo; que a multa, a pretexto de desestimular a reiteração de condutas infracionais, não pode atingir o direito de propriedade, cabendo ao poder legislativo, com base no mesmo princípio da proporcionalidade a fixação dos limites à sua imposição; que a Justiça pode, constatado que a multa é confiscatória, interferir no lançamento e adequála aos princípios constitucionais mencionados, não podendo prevalecer a multa na ordem de 75% do tributo. Na apreciação da impugnação de fls. 284/290, o órgão julgador de primeira instância, mediante o Acórdão n. 1727.890 (fls. 292/298), sumarizou seu entendimento, consoante ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DA PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1997, I998, 2000 . PRELIMINAR. DECADÊNCIA. GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇAO DE BENS E DIREITOS. O direito da Fazenda Pública constituir o crédito tributário decai em cinco anos a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. Descabe a apreciação, nesta instância, da alegação de que o lançamento viola o principio constitucional do nãoconfisco, em face do princípio da vinculação à lei a que está submetido o julgador administrativo. Lançamento Procedente em Parte O recorrente foi cientificado do teor do Acórdão n. 1727.890 (fls. 292/298) em 04/12/2008 (fls. 307/308) e, irresignado, interpôs Recurso Voluntário em 23/12/2008 (fls. 311/317), tempestivo, portanto, alegando, preliminarmente, o advento de prescrição intercorrente, e, no mérito, o caráter confiscatório da multa aplicada (75%). É o relatório. Fl. 324DF CARF MF Processo nº 10805.001004/200273 Acórdão n.º 2402005.982 S2C4T2 Fl. 103 5 Voto Conselheiro Luís Henrique Dias Lima Relator. O Recurso Voluntário (fls. 311/317) é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n. 70.235/72 e alterações posteriores, portanto dele CONHEÇO. O recorrente enfrenta o Acórdão n. 1727.890 (fls. 292/298) apenas no que tange ao caráter confiscatório da multa aplicada (75%). Todavia, inova ao apresentar, além da questão de mérito, preliminar de prescrição intercorrente, que não constou da impugnação de fls. 284/290, e, portanto, não apreciada pelo órgão julgador de primeira instância. Tratase, assim, de tema recursal novo, só suscitado no âmbito deste Recurso Voluntário. Passo ao julgamento. 1. Da preliminar de prescrição intercorrente O recorrente alega que "passaramse mais de 6 anos sem o recorrente ter noticias sobre o processo administrativo instaurado". Assim, no entendimento do recorrente, ocorreu a prescrição intercorrente prevista no art. 40, § 4°., da Lei n. 6.830/80 (incluído pela Lei n. 11.051/04). Antes de enfrentar a preliminar suscitada, cabe esclarecer que este processo administrativo fiscal se encontra na fase litigiosa desde 27/05/2002 inaugurada com a impugnação de fls. 284/290 (art. 14 do Decreto n. 70.235/1972). E, uma vez na fase litigiosa, suspensa está a exigibilidade do crédito tributário, conforme previsto no art. 151, III, da Lei n. 5.172/1966 (CTN). Desta forma, pendente de pronunciamento final no contencioso fiscal, o crédito tributário ainda não está definitivamente constituído, não se podendo falar do direito do Fisco de exigilo, vez que este direito ainda não pode ser exercido. É nesse sentido o comando do art. 174, caput, do CTN: Art. 174. A ação para cobrança do crédito tributário prescreve em cinco anos, contados da data da sua constituição definitiva. No caso concreto, ainda não ocorreu a constituição definitiva do crédito tributário em lide, o que afasta, de plano, o início do prazo prescricional previsto no art. 174 do Codex Tributário. A seu turno, observase que a matéria não permite maiores digressões, vez que é objeto do Enunciado de Súmula CARF n. 11, verbis: Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Rejeito a preliminar. Fl. 325DF CARF MF 6 2. Do mérito No mérito, o recorrente insurgese contra a aplicação da multa de oficio no percentual de 75%, alegando que "Ao se exigir o pagamento de multa de oficio fixada em 75% (setenta_e cinco por cento) do valor do tributo viola claramente o princípio da vedação ao confisco. Embora esta multa seja prevista em Lei, ela é absolutamente incompatível com qualquer noção de justiça, com qualquer principio moral, vioIando cIaramente o preâmbulo da Constituição vigente". De plano, registrese que a multa de ofício aplicada tem seu embasamento legal no artigo 44, I, da Lei n. 9.430/96 (conforme o próprio recorrente reconhece), em relação ao qual não consta declaração de inconstitucionalidade pelo STF, guardião da Constituição Federal. Destarte, é defeso à Fiscalização da RFB afastar a aplicação ou deixar de observar dispositivos legais em vigor no ordenamento jurídico do país, vez que a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, nos termos exatos do art. 142, parágrafo único, do Codex Tributário. Nesse diapasão, a alegação do recorrente no sentido de que a multa de 75% do imposto devido viola o principio da vedação do confisco, albergado no artigo 150, inciso IV, da Constituição Federal, envereda na trilha de suposta inconstitucionalidade do dispositivo legal consignado no art. 44, I, da Lei n. 9.430/96. Ocorre que refoge à atividade judicante do CARF o pronunciamento sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, em conformidade com o Enunciado de Súmula CARF n. 2, verbis: Súmula CARF n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. O enunciado acima alinhase ao disposto no art. 26A do Decreto n. 70.235/1972, com a redação dada pela Lei n. 11.941/2009, in verbis: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.(Redação dada pela Lei n° 11.941, de 2009) Ante o exposto, voto no sentido de CONHECER do Recurso Voluntário (fls. 311/317), REJEITAR A PRELIMINAR DE PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE, e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Fl. 326DF CARF MF
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Numero do processo: 10580.724904/2011-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Sep 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CABIMENTO.
Cabíveis embargos de declaração quando o acórdão contém obscuridade ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma.
Numero da decisão: 2202-004.077
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração para, sanando o vício apontado no Acórdão nº 2202-003.261, de 09/03/2016, manter a decisão original.
(Assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Junia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Márcio Henrique Sales Parada, Rosy Adriane da Silva Dias, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto.
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CABIMENTO. Cabíveis embargos de declaração quando o acórdão contém obscuridade ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração para, sanando o vício apontado no Acórdão nº 2202-003.261, de 09/03/2016, manter a decisão original. (Assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente. (Assinado digitalmente) Junia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Márcio Henrique Sales Parada, Rosy Adriane da Silva Dias, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto.
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CABIMENTO. Cabíveis embargos de declaração quando o acórdão contém obscuridade ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração para, sanando o vício apontado no Acórdão nº 2202003.261, de 09/03/2016, manter a decisão original. (Assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (Assinado digitalmente) Junia Roberta Gouveia Sampaio Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Márcio Henrique Sales Parada, Rosy Adriane da Silva Dias, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 49 04 /2 01 1- 65 Fl. 1167DF CARF MF 2 Tratase de embargos de declaração (fls. 1155/1160) em face do Acórdão nº 2202003.261, da Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF (fls. 1139 a 1153), julgado na sessão de 09 de março de 2016, cuja ementa abaixo se transcreve: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 01/01/2009 INOVAÇÃO DE TESES NA FASE RECURSAL. IMPOSSIBILIDADE.PRECLUSÃO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. CRÉDITO FUNDADO EM LEGISLAÇÃO EXISTENTE, VIGENTE E EFICAZ. A LEGISLAÇÃO REVOGADA FOI SUBSTITUÍDA, BEM COMO ESTÁ FORA DO PERÍODO LANÇADO NOS AUTOS. INFORMAÇÃO EM GFIP COM OMISSÃO OU INEXATIDÃO. INOVAÇÃO LEGISLATIVA. ANISTIA. APLICAÇÃO. RETROATIVA. Recurso Voluntário Provido em Parte. Cientificada da decisão em 06 de abril de 2016 (fls. 1154), a Fazenda Nacional opôs embargos de declaração, alegando omissão em relação aos seguintes aspectos: a) "... omissão em relação às condições de aplicabilidade da anistia prevista no artigo 49, da Lei nº 13.097/2015 (sem a correta indicação da data da entrega da GFIP – onde consta os autos bem como se preenche TODOS OS REQUISITOS PARA GOZO de eventual anistia, bem como, concedeu interpretação extensiva a dispositivo que previa anistia de multa por descumprimento de obrigação acessória, reputando indevida sua cobrança". b) "... subsiste também omissão quanto à aplicabilidade do artigo 35A da Lei nº 8.212/91, também introduzido pela Lei 11.941/2009 (MP 449)". Ao analisar a admissibilidade dos embargos, assim se manifestou o presidente da turma: Pois bem, quanto ao item "a", entendo que restou demonstrada a omissão. De fato, compulsandose o voto condutor, verificase que o Relator considerou que "... a multa aplicada nesse auto de infração está abarcada pela anistia concedida pela Lei 13.097/2015" (fl. 1150). Entretanto, pela simples leitura do voto, não é possível aferir se o Contribuinte se enquadra na citada norma, fundamentalmente porque não há qualquer menção de que a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 da Lei no 8.212/1991, tenha sido apresentada até o último dia do mês subsequente ao previsto para a entrega (art. 49 da Lei nº 13.097/2015). Ainda que se considere inaplicável o inciso IV, esse entendimento deve estar expresso no voto, fundamentalmente em razão de prequestionamento para eventual interposição de Recurso Especial. Fl. 1168DF CARF MF Processo nº 10580.724904/201165 Acórdão n.º 2202004.077 S2C2T2 Fl. 1.167 3 Quanto ao item "b", não assiste razão à Embargante. Embora alegue a Fazenda Nacional omissão quanto à aplicabilidade do artigo 35A da Lei nº 8.212/91, introduzido pela Lei 11.941/2009 (MP 449/2008), verificase que a questão não foi suscitada pela recorrente e, consequentemente, não enfrentada pelo acórdão embargado. Ademais, pela simples leitura do Auto de Infração – FLD – Fundamentos Legais do Débito, fls. 35/36, verificase que a autoridade fiscal, quando da constituição da exigência, já aplicou o artigo 35A da Lei nº 8.212/91 (MP 449/2008). Ante ao exposto, entendo que restou demonstrada a omissão apontada pela Fazenda Nacional, somente em relação ao item “a”, razão pela qual acolho os Embargos Declaratórios. Uma vez admitidos os embargos e encaminhados para julgamento deve ser feita a análise da omissão apontada no acórdão embargado; É o relatório. Voto Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio Relatora Os embargos foram apresentados dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, deles conheço. Conforme relatado, a Procuradoria da Fazenda Nacional apontou omissão quanto ao cumprimento dos requisitos para o gozo da anistia prevista no art. 49 na Lei nº 13.097/2015 que assim dispõe: Art. 49. Ficam anistiadas as multas previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, lançadas até a publicação desta Lei, desde que a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, tenha sido apresentada até o último dia do mês subsequente ao previsto para a entrega. Conforme observa o despacho de admissibilidade não consta do voto do Relator se a situação dos autos "se enquadra na citada norma, fundamentalmente porque não há qualquer menção de que a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 da Lei no 8.212/1991, tenha sido apresentada até o último dia do mês subsequente ao previsto para a entrega (art. 49 da Lei nº 13.097/2015)." Analisando os autos, verificase que no item 3.5.1 do Relatório Fiscal (fls. 117) consta a seguinte informação: 3.5.1 Esclarecemos ainda, que o contribuinte entregou todas as GFIPs nas respectivas épocas de vencimento, porém incompletas no período de janeiro a julho e, as de março, foram retificadas Fl. 1169DF CARF MF 4 em 16/01/09, posterior a emissão da Medida Provisória MP 449/2008, transformada na Lei nº 11.941/09. Diante da informação acima transcrita, verificase que foram cumpridos os requisitos previstos no art. 49 da Lei nº 13.097/2015, uma vez que todas as GFIP´s foram apresentadas no vencimento. Em razão do exposto, voto por acolher os Embargos de Declaração para, sanando o vício apontado no Acórdão nº 2202003.261, de 09/03/2016, manter a decisão original. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio. Fl. 1170DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13706.000714/2001-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 25 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Ano-calendário: 2001
CONCOMITÂNCIA DE OBJETO.
A busca da tutela jurisdicional do Poder Judiciário, com o mesmo objeto de parte da manifestação de inconformidade, importa em renúncia ao litígio administrativo e impede a apreciação das razões de mérito pela autoridade administrativa competente.
Numero da decisão: 3402-004.359
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para negar provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. Acompanhou o julgamento, pela recorrente, o Dr. Alfredo Caregnato, OAB/RJ nº 72.998.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire (Presidente), Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para negar provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. Acompanhou o julgamento, pela recorrente, o Dr. Alfredo Caregnato, OAB/RJ nº 72.998. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto - Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire (Presidente), Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo e Waldir Navarro Bezerra.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 2001 CONCOMITÂNCIA DE OBJETO. A busca da tutela jurisdicional do Poder Judiciário, com o mesmo objeto de parte da manifestação de inconformidade, importa em renúncia ao litígio administrativo e impede a apreciação das razões de mérito pela autoridade administrativa competente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para negar provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. Acompanhou o julgamento, pela recorrente, o Dr. Alfredo Caregnato, OAB/RJ nº 72.998. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire (Presidente), Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo e Waldir Navarro Bezerra. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 6. 00 07 14 /2 00 1- 10 Fl. 2227DF CARF MF 2 Relatório Versa o presente processo sobre compensação de débitos com utilização de crédito decorrente de ação judicial. A empresa impetrou o Mandado de Segurança n° 2001.51.01.0063355, pleiteando judicialmente o ressarcimento de créditoprêmio de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e o Ressarcimento de IPI relativo às operações promovidas nos últimos dez anos, corrigido pela taxa de juros Selic. A sentença proferida em primeiro grau julgou procedente o pedido, conferindo ao contribuinte o direito à utilização do crédito pleiteado. Em 04/07/2006, a ação judicial foi julgada pela 3º Turma Especializada do TRF2 (fls. 5.497/5.507), que deu provimento ao recurso da PFN. O Contribuinte apresente Recurso Especial e Recurso Extraordinário, impetrando Medida Cautelar Inominada nº 2006.02.01.0148472, que atribuiu efeito suspensivo a esses recursos, até que fosse julgada a admissibilidade dos mesmos. Em 21/02/2008 foram publicadas decisões não admitindo os recursos especial e extraordinário (fls. 5.516/5.524). Decisão judicial proferida pelo TRF2 em 04/07/2006 não reconheceu a existência de qualquer crédito em favor do contribuinte. Não homologada a compensação, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade alegando: l. O despacho decisório é insubsistente por inobservância ao devido processo legal e ao direito de petição, sem citar qualquer fundamentação legal; 2. Nas hipóteses de tributos sujeitos a lançamento por homologação, como na presente hipótese, aplicase a tese dos 5 (cinco) + 5 (cinco), tendo o contribuinte o prazo de 10 (dez) anos para pleitear a restituição/compensação do pagamento indevido ou realizado a maior; 3. Verificase que não se observou o prazo para se apreciar os pedidos de compensação apresentados, ocorrendo a homologação tácita dos mesmos, além de igualmente ter decaído o prazo para lançamento dos débitos tributários objeto do presente processo; 4. Ressalta a flagrante nulidade do Despacho Decisório recorrido pela afronta aos critérios processuais administrativos e ao princípio da motivação; 5. Todos os pedidos de compensação realizados sob a égide da medida liminar concedida nos autos do mandado da segurança n° 2001.51.01.0063355 foram regulares, prevalecendo o princípio da segurança jurídica; 6. Sustenta a suspensão da exigibilidade do crédito tributário em função da presença dos requisitos previstos no Código Tributário Nacional, art. 151, inciso III; Por último, a interessada requer a reforma do Despacho Decisório, reconhecendo a homologação tácita dos pedidos Fl. 2228DF CARF MF Processo nº 13706.000714/200110 Acórdão n.º 3402004.359 S3C4T2 Fl. 3 3 de compensação ou a decadência do direito de lançar os supostos débitos indevidamente compensados ou, altemativamente, que seja anulado por conter vícios insanáveis. Sua contestação foi julgada improcedente em acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 2001, 2002 CONCOMITÂNCIA DE OBJETO. A busca da tutela jurisdicional do Poder Judiciário, com o mesmo objeto de parte da manifestação de inconformidade, importa em renúncia ao litígio administrativo e impede a apreciação das razões de mérito pela autoridade administrativa competente. DÍVIDA PASSIVA DA UN1ÃO DECADÊNCIA. O prazo decadencial qüinqüenal é aplicável aos pleitos administrativos referentes a créditos do imposto, conforme a legislação tributária. A NULIDADE IMPROCEDÊNCIA. Não procedem as argüições de nulidade quando não se vislumbra nos autos qualquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto n° 70.235/72. Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário aduzindo suas razões carreadas pela manifestação inicial, afirmando também que o pedido administrativo e a ação judicial não compartilhariam do mesmo objeto, sendo este relativo ao reconhecimento do direito creditório, e aquele relativo à quantificação. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto O Recurso Voluntário é tempestivo. A respeito da concomitância entre o Mandado de Segurança impetrado pela Recorrente e a discussão administrativa, cabe algumas breves colocações. Em uma definição preliminar, a concomitância é um pressuposto negativo de admissibilidade de impugnações e recursos administrativos, consistente na inexistência de Fl. 2229DF CARF MF 4 processo judicial ajuizado pelo contribuinte antes ou durante o curso do processo administrativo fiscal. Tal medida tem o condão, em síntese, de garantir a unidade da jurisdição, evitando que decisões contraditórias sejam proferidas nos âmbitos judicial e administrativo, como medida de segurança jurídica para o jurisdicionado. Em razão da ação de um modelo de monopólio da última palavra por parte do Judiciário, nos casos em que se verifica a concomitância, deve prevalecer o processo judicial, em detrimento do administrativo. Primeiramente, cumpre repisar as bases legais do regime jurídico da concomitância no PAF, com menção inicial ao art. 1º, §2º do DecretoLei n 1.737/1979, ao art. 1º da Lei nº 6.830/1980 (Lei de Execuções Fiscais), e ao art. 78, §2º da Portaria MF nº 343/2015 (RICARF), verbis: DecretoLei nº 1737/79 Art 1º Serão obrigatoriamente efetuados na Caixa Econômica Federal, em dinheiro ou em Obrigações Reajustáveis do Tesouro Nacional ORTN, ao portador, os depósitos: §2º A propositura, pelo contribuinte, de ação anulatória ou declaratória da nulidade do crédito da Fazenda Nacional importa em renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso interposto. LEF Art. 38 A discussão judicial da Dívida Ativa da Fazenda Pública só é admissível em execução, na forma desta Lei, salvo as hipóteses de mandado de segurança, ação de repetição do indébito ou ação anulatória do ato declarativo da dívida, esta precedida do depósito preparatório do valor do débito, monetariamente corrigido e acrescido dos juros e multa de mora e demais encargos. Parágrafo Único A propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto. RICARF Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 2º O pedido de parcelamento, a confissão irretratáve l de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. Sob um prisma subjetivo, se verifica na literalidade dos dispositivos que a legislação exige sempre que a propositura da ação judicial tenha sido realizada pelo próprio contribuinte, que está sendo parte também na discussão administrativa ou que tem legitimidade e interesse para interpor impugnações e recursos nesta seara. Além disso, há como requisito material que o objeto da ação judicial seja o mesmo do pleito administrativo, como de resto é consignado pela Súmula CARF nº 1: Fl. 2230DF CARF MF Processo nº 13706.000714/200110 Acórdão n.º 3402004.359 S3C4T2 Fl. 4 5 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. No caso concreto, pretendeu o Recorrente, em seu MS, a utilização do crédito prêmio de acordo e nas hipóteses prescritas nas IN SRF nº 21/97, 37/97 e 73/97, amparadas pelos artigos 1º e 5º do DecretoLei nº 491/1996, realizandose a compensação sob as regras anterior à Dcomp, no caso a IN nº 21/97. Isso fica claro quando se analisa o dispositivo da sentença no MS, reproduzi às fl. 5910: O pedido do MS abarcava tanto o direito ao créditoprêmio em si, como a forma de sua utilização para fins de compensação, matéria esta idêntica à discutida nesse processo administrativo. Nesse ponto, portanto, não há que sequer ser conhecido o Recurso Voluntário. Há, todavia, outros pontos alegados pelo Recorrente que devem ser conhecidos, por não estarem abarcados pela discussão judicial. Primeiramente, alega violação ao devido processo legal e ao direito de petição, pleiteando nulidade do despacho decisório, em razão do reconhecimento da concomitância no mesmo. Quanto a isto, acima já foi apresentado diversos fundamentos legislativos para o reconhecimento da concomitância, bem como as razões jurídicas de sua existência, de modo que este Conselho é obrigado a aplicar tais regras, nos termos do art. 26A do Decreto 70.235/72 e da Súmula CARF nº 02, não podendo afastálos sob fundamento de inconstitucionalidade. Assim, não há que prosperar tal nulidade. Segundamente, o Recorrente pleiteia que os pedidos de compensação realizados sob a égide da medida liminar concedida nos autos do mandado de segurança (atualmente encerrado desfavoravelmente ao contribuinte) seja considerados regulares. Fl. 2231DF CARF MF 6 Aponta inclusive o deferimento de medida liminar deferida pelo Min. Cezar Peluso na Medida Cautelar nº 71375, no sentido de suspender os efeitos da decisão monocrática do Min. Francisco Falcão no REsp nº 1.090.101. Todavia, compulsando os andamentos da referida medida cautelar, verificase a desistência por parte da Recorrente, homologada em 22/02/2010, implicando na definitividade do provimento exarado pelo TRF2 no Mandado de Segurança que discutia o direito ao crédito e a forma de seu aproveitamento. Quanto à alegação do reconhecimento de Repercussão Geral da matéria pelo STF, no RE 577.302/RS, melhor sorte não assiste ao Recorrente, pois tal caso foi julgado e ementado nos seguintes termos: EMENTA: TRIBUTÁRIO. IPI. CRÉDITOPRÊMIO. DECRETO LEI 491/1969 (ART. 1º). ADCT, ART. 41, § 1º. INCENTIVO FISCAL DE NATUREZA SETORIAL. NECESSIDADE DE CONFIRMAÇÃO POR LEI SUPERVENIENTE À CONSTITUIÇÃO FEDERAL. PRAZO DE DOIS ANOS. EXTINÇÃO DO BENEFÍCIO. PRESCRIÇÃO. RE NÃO CONHECIDO. I A jurisprudência da Corte é no sentido de que a apreciação das questões relativas à prescrição de pretensão à compensação de crédito decorrente de incentivo fiscal depende da análise de normas infraconstitucionais. II Precedentes. III Recurso não conhecido.(RE 577302, Relator(a): Min. RICARDO LEWANDOWSKI, Tribunal Pleno, julgado em 13/08/2009) Assim, tendo em vista a desistência da Recorrente na Medida Cautelar indicada e o julgamento desfavorável no RE nº 577.302/RS, não há qualquer fundamento jurídico que obste a cobrança dos tributos objetos das compensações realizadas no curso de vigência da medida liminar que fora cassada. Quanto à alegação da homologação tácita das compensações pela não realização de lançamento tributária, tampouco pode prosperar, visto que todos os créditos foram confessados em DCTF e, portanto, estavam regularmente constituídos, mas impedidos de serem cobrados enquanto vigentes as medidas judiciais à época existentes. Tal tratamento aos débitos informados em DCTF encontra regulamentação atual na IN RFB nº 1599/2015, nos seguintes termos: Art. 8º Os valores informados na DCTF serão objeto de procedimento de auditoria interna. § 1º Os saldos a pagar relativos a cada imposto ou contribuição informados na DCTF, bem como os valores das diferenças apuradas em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, poderão ser objeto de cobrança administrativa com os acréscimos moratórios devidos e, caso não liquidados, serão enviados para inscrição em Dívida Ativa da União (DAU). Assim, não procede o pleito do Recorrente de que houvera uma "ausência de lançamento" que correspondera a uma homologação tácita das compensações. Conclusão Fl. 2232DF CARF MF Processo nº 13706.000714/200110 Acórdão n.º 3402004.359 S3C4T2 Fl. 5 7 Ante o exposto, conheço parcialmente do Recurso Voluntário, em razão da existência de concomitância, para, na parte conhecida, NEGAR PROVIMENTO. É como voto. Carlos Augusto Daniel Neto Relator Fl. 2233DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10735.900004/2009-03
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ
Ano-calendário: 2002 CITAÇÃO PELO CORREIO. AVISO DE RECEBIMENTO (“AR”). STJ SÚMULA 429. Não cabe qualquer questionamento quanto ao cerceamento do direito de defesa do contribuinte quando há citação pelo correio com o aviso de recebimento acostado ao processo.
Numero da decisão: 1802-001.175
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso nos termos do voto do relator.
Nome do relator: Gustavo Junqueira Carneiro Leão
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AVISO DE RECEBIMENTO (“AR”). STJ SÚMULA 429. Não cabe qualquer questionamento quanto ao cerceamento do direito de defesa do contribuinte quando há citação pelo correio com o aviso de recebimento acostado ao processo. VERDADE MATERIAL. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Relator. Fl. 87DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10735.900004/200903 Acórdão n.º 1802001.175 S1TE02 Fl. 37 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho, Gilberto Baptista, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel. Fl. 88DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10735.900004/200903 Acórdão n.º 1802001.175 S1TE02 Fl. 38 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro (RJ), que não conheceu da manifestação de inconformidade da contribuinte, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Através da DCOMP Eletrônica n° 01674.09281.301008.1.7.021830, a interessada declarou, resumidamente, a compensação utilizando o seguinte crédito: Crédito Saldo Negativo de IRPJ Exercício: 4º trimestre de 2002 Valor do Saldo Negativo: R$ 17.899,54 Crédito Original da Data da Transmissão: R$ 10.399,47 Total do Crédito Original Utilizado nesta DCOMP: R$ 8.373,61 Posteriormente, foram apresentadas as seguintes DCOMP utilizando o mesmo crédito: 13193.74669.061006.1.3.029460 16597.17108.051006.1.7.020515 As DCOMP foram analisadas em procedimentos informatizados, resultando em NÃO HOMOLOGAÇÃO DAS COMPENSAÇÕES. De acordo com o Despacho Decisório de fls. 01, rastreamento nº 816114753, o não reconhecimento do direito creditório decorreu da impossibilidade de confirmar a apuração do crédito, pois o valor informado na DIPJ não corresponde ao valor do saldo negativo informado no PER/DCOMP. Ainda consta na decisão que o valor do saldo negativo da DIPJ é de R$ 10.399,47, enquanto que o valor informado na DCOMP é de R$ 17.899,54. A ciência do Despacho Decisório ocorreu em 28/01/2009, fls. 02. Inconformada, a interessada apresentou impugnação em 26/02/2009, fl. 03/07, alegando resumidamente que: • se equivocou no preenchimento do valor do saldo negativo na DCOMP, sendo o correto o valor da DIPJ, de R$ 10.399,47. • só tomou conhecimento do equivoco quando intimada da Decisão, não sendo mais possível a retificação da DCOMP. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10735.900004/200903 Acórdão n.º 1802001.175 S1TE02 Fl. 39 4 • o mencionado erro pode ser revisto de oficio, nos termos do artigo 149 do CTN, não sendo o motivo suficiente para a não homologação das compensações, uma vez que comprovada a certeza e liquidez do direito creditório. • comprovado o erro sanável no preenchimento da DCOMP, com base nos documentos hábeis e idôneos, que confirmam a liquidez e certeza do crédito, há que se homologar as compensações. Consta despacho da Delegacia da Receita Federal do Brasil, em Nova Iguaçu (fls. 37), apontando que a interessada teria interposto recurso com documentação insuficiente. Por conseguinte, o processo foi encaminhado à Agência da Receita Federal em Três Rios RJ, para que a interessada fosse intimada a apresentar o contrato social e suas alterações, demonstrando que o Sr. Luiz Alberto G. Gonçalves teria legitimidade para assinar o recurso apresentado. No entanto, o processo foi encaminhado a esta Delegacia da Receita Federal de Julgamento sem que qualquer providência fosse tomada. Ao recepcionar os autos, a equipe do Secoj desta Delegacia constatou que não havia o documento de constituição da empresa, tornando inviável a apreciação do caso, fato que implicou sua devolução A ARF/Três Rios RJ, para que o processo fosse saneado, conforme despacho de fls. 38. Posteriormente, o processo foi reencaminhado à Delegacia da Receita Federal de Juiz de Fora, em razão da mudança de domicilio (fls. 40). Em sequ ência, a interessada teve ciência, em 17/02/2010 (AR fls. 42), da Intimação n° 105/2010, (fls. 41), solicitando demonstrar a legitimidade para assinar a manifestação de inconformidade, devendo apresentar: (1) cópia autenticada do contrato social e alterações; e (2) cópia autenticada do documento de identidade do responsável pela empresa que comprove a autencidade da assinatura visto que o documento apresentado não corresponde a assinatura do requerente. O processo retornou a esta Delegacia da Receita Federal de Julgamento sem atendimento à intimação. A DRJ do Rio de Janeiro (RJ) considerou procedente o lançamento, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 VÍCIO DE REPRESENTAÇÃO. INTERESSADO INTIMADO A REGULARIZAR. DECLARAÇÃO DE REVELIA. Deixase de conhecer Manifestação de Inconformidade quando o interessado, mesmo intimado a fazêlo, não comprova que os subscritores da peça receberam, validamente, poderes para representálo. Fl. 90DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10735.900004/200903 Acórdão n.º 1802001.175 S1TE02 Fl. 40 5 Face à falta de comprovação, aplicase subsidiariamente o art. 13, II, do CPC, para declarar a revelia do interessado. Manifestação de Inconformidade Não Conhecida Direito Creditório Não Reconhecido” Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 11/11/2010, a Contribuinte apresentou o presente recurso voluntário em 02/12/2010, com as seguintes alegações: 1 Preliminares a) que houve irregularidade no processo administrativo fiscal, tendo em vista que o direito de defesa da Recorrente foi cerceado, vez que a intimação não foi feita pessoalmente; b) que a autoridade administrativa, ao constatar o erro de fato na PER/DCOMP da Recorrente, deveria ter procedido com a retificação da mesma e cancelado o débito consolidado; 2 No Mérito demonstrou seu direito creditório, apontando os erros de fato e sanou o vício de representação. Este é o Relatório. Fl. 91DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10735.900004/200903 Acórdão n.º 1802001.175 S1TE02 Fl. 41 6 Voto Conselheiro Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Incialmente, em suas preliminares, a Recorrente alega que não foi regularmente intimada, devendo o processo administrativo ser cancelado, eis que o ato não se deu de forma pessoal, mas através dos Correios. Entendeu a Recorrente que a citação pelo Correio não assegurou a certeza da ciência do interessado. Essa alegação é completamente descabida e não merece prosperar, eis que a intimação feita desta forma e comprovada através do aviso de recebimento (AR). Tratase de uma prática corrente e amplamente aceita, eis que encontrase inclusive sumulada na Corte Superior: STJ – Súmula 429 “A citação postal, quando autorizada por lei, exige o aviso de recebimento” No caso em tela, a previsão legal está estampada no próprio Decreto nº 70.235/72: “Art. 23. Farseá a intimação: (...) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)” Isto posto, considerando que a citação se deu na forma prescrita em lei e a comprovação de que a Recorrente foi citada encontrase acostada no processo (fls. 42), não há a menor duvida da citação regular da contribuinte, não havendo qualquer limitação ou cerceamento do seu direito de defesa. Em seguida, ainda como preliminar, a Recorrente alega que os vícios de representação que a DRJ alegou para não conhecer a sua manifestação de inconformidade foram apresentadas durante o processo. Nesse aspecto verificamos que o subescritor das defesas é sócio da empresa e possui poderes de representatividade desde a sua constituição (fls. 65 e segs.). Em prol do princípio da verdade material, ante o disposto no parágrafo acima, não havendo novas preliminares, voto no sentido de ANULAR a decisão da DRJ, devolvendo aos autos para que se profira nova decisão com análise de mérito. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10735.900004/200903 Acórdão n.º 1802001.175 S1TE02 Fl. 42 7 (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Fl. 93DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA
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