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Numero do processo: 13227.901997/2011-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 02 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/08/2002
DIREITO À RESTITUIÇÃO. COMPROVAÇÃO
O art. 165 do CTN garante ao contribuinte o direito à restituição de tributos pagos a maior. Contudo, é dele o ônus de comprovar sua liquidez e certeza. Uma vez que não foi carreada aos autos a necessária documentação suporte, os créditos não devem ser reconhecidos.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-004.248
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/08/2002 DIREITO À RESTITUIÇÃO. COMPROVAÇÃO O art. 165 do CTN garante ao contribuinte o direito à restituição de tributos pagos a maior. Contudo, é dele o ônus de comprovar sua liquidez e certeza. Uma vez que não foi carreada aos autos a necessária documentação suporte, os créditos não devem ser reconhecidos. Recurso Voluntário Negado.
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PIS/COFINS. ÔNUS DA PROVA. Recorrente RICAL RACK INDUSTRIA E COMERCIO DE ARROZ LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/08/2002 DIREITO À RESTITUIÇÃO. COMPROVAÇÃO O art. 165 do CTN garante ao contribuinte o direito à restituição de tributos pagos a maior. Contudo, é dele o ônus de comprovar sua liquidez e certeza. Uma vez que não foi carreada aos autos a necessária documentação suporte, os créditos não devem ser reconhecidos. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 22 7. 90 19 97 /2 01 1- 75 Fl. 61DF CARF MF Processo nº 13227.901997/201175 Acórdão n.º 3301004.248 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação gerada pelo programa PER/DCOMP, transmitido eletronicamente. O Despacho Decisório proferido pela unidade de origem não homologou a compensação declarada em PER/DCOMP pela contribuinte acima qualificada, sob o fundamento de que, a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificado do Despacho Decisório o interessado apresentou manifestação de inconformidade alegando que, em revisão realizada nos cálculos, a empresa identificou que havia recolhimentos a maior de PIS e Cofins decorrentes de inclusão de receitas isentas na base de cálculo, fato que lhe possibilitaria a restituição e compensação com outros débitos. Constatando que o crédito havia sido indeferido, o contribuinte identificou que isto ocorreu pelo fato de não terem sido retificadas as DCTF, embora o crédito seja totalmente devido. Acrescentou que a resolução das divergências encontradas no cruzamento de informações no sistema da Receita Federal do Brasil que gerou o indeferimento do crédito poderia ser resolvido com uma simples retificação de DCTF. Porém, em função de terem transcorridos mais de cinco anos desde o fato gerador do crédito, o contribuinte fica impossibilitado de retificar as informações. Por isso, requereu a correção da informação prestada em DCTF, a fim de sanar os motivos que ensejaram o indeferimento, se colocando à disposição para comprovar a existência do crédito da forma que a autoridade fiscal entender necessário, e ainda que: a) sejam corrigidos os valores dos tributos devidos em função da impossibilidade do contribuinte retificar as DCTF da época; b) caso entenda a autoridade fiscal necessária a comprovação das bases de cálculo, informe a forma e os documentos que deseja que sejam apresentados; c) sejam declarados homologados os pedidos de restituição; d) sejam declaradas homologadas as compensações. A DRJ em Belo Horizonte (MG) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, sob fundamento da não comprovação da existência e suficiência do crédito postulado, nos termos do Acórdão nº 02051.134. Inconformado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário em que repisa os argumentos contidos na manifestação de inconformidade e, nos seguintes termos: Fl. 62DF CARF MF Processo nº 13227.901997/201175 Acórdão n.º 3301004.248 S3C3T1 Fl. 4 3 2.1 DA DECADÊNCIA DA POSSIBILIDADE DE RETIFICAR A DCTF INEXISTÊNCIA DE DECADÊNCIA DO CREDITO; 2.2 DA INEXISTÊNCIA DE FALTA DE COMPROVAÇÃO INAPLICABILIDADE DO ART 333 DO CPC POSSIBILIDADE DE DETERMINAÇÃO DE DILIGÊNCIAS; 2.3 DA INVIABILIDADE DA MANUTENÇÃO DO ACÓRDÃO RECORRIDO ECONOMIA PROCESSUAL E EFICIÊNCIA. Além de requerer o provimento do seu pleito, requer alternativamente a realização de diligências a fim de que a Recorrente seja intimada a apresentar os documentos comprobatórios do crédito. É o relatório. Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.237, de 02 de fevereiro de 2018, proferido no julgamento do processo 13227.900822/201141, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.237): "O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Quanto à decadência, adotase o entendimento da decisão recorrida de que ao pedido de retificação de informações da DCTF em razão da impossibilidade de o contribuinte retificála transcorridos mais de cinco anos do fato gerador, ainda que fosse possível transmitir a DCTF retificadora, a mera retificação, operada após a ciência do despacho decisório e sem suporte em nenhum outro elemento de prova, não se prestaria para comprovação do pagamento indevido ou a maior. Ademais, conforme se consignou na decisão de piso, a retificação da DCTF não produzirá efeitos quando tiver como objetivo reduzir débitos que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização (art. 9º, § 2o, I, c, da Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24/12/2010, vigente na época). Atualmente o art. 9º, § 5o, da Instrução Normativa RFB nº 1.599, de 11 de dezembro de 2015 é cristalino: § 5ºO direito do sujeito passivo de pleitear a retificação da DCTF extinguese em 5 (cinco) anos contados a partir do Fl. 63DF CARF MF Processo nº 13227.901997/201175 Acórdão n.º 3301004.248 S3C3T1 Fl. 5 4 1º(primeiro) dia do exercício seguinte àquele ao qual se refere a declaração. Portanto, adotase a conclusão constante da decisão recorrida de que já decaíra o direito de o contribuinte proceder à retificação da DCTF. O art. 165 do CTN dispõe que o contribuinte tem direito à restituição de tributos pagos a maior. Contudo, o ônus de provar a liquidez e certeza do direito incumbe àquele que alega detêlo (art. 333 do antigo Código de Processo Civil CPC, em vigor nas datas da apuração do crédito e da emissão do Despacho Decisório, e reproduzido pelo art. 373 do Novo CPC). Dessa forma, é dever da Recorrente comprovar seu crédito e ele teve ampla oportunidade. Assim, tal oportunidade que se encontra precluída em razão de não ter apresentado provas de seu crédito quer na manifestação de inconformidade, quer no Recurso Voluntário. Dessarte, denegase por incabível, o pedido de diligências da Recorrente. Anotese que o fato de a DCTF não ter sido retificada, por si só, definitivamente, não teria o condão de elidir o direito ao crédito garantido pelo art. 165 do CTN. Todavia, para que pudéssemos reconhecêlo, a recorrente deveria ter carreado aos autos demonstrativo da apuração, devidamente conciliado com os livros contábeis. Portanto, nego provimento ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar o direito creditório pleiteado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 64DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13830.000832/2001-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2000
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. REQUISITOS
Na via estreita do recurso de embargos de declaração não é possível a rediscussão da matéria. Devendo a parte se valer do recurso próprio.
Numero da decisão: 2201-004.361
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e rejeitar os embargos interpostos pela Fazenda Nacional.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Milton da Silva Risso - Relator.
EDITADO EM: 06/04/2018
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: MARCELO MILTON DA SILVA RISSO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2000 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. REQUISITOS Na via estreita do recurso de embargos de declaração não é possível a rediscussão da matéria. Devendo a parte se valer do recurso próprio.
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REQUISITOS Na via estreita do recurso de embargos de declaração não é possível a rediscussão da matéria. Devendo a parte se valer do recurso próprio. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e rejeitar os embargos interpostos pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Relator. EDITADO EM: 06/04/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 00 08 32 /2 00 1- 94 Fl. 312DF CARF MF 2 Relatório 1 Tratase de embargos de declaração da Procuradoria da Fazenda de fls. 302/304 opostos em face do V. Acórdão 2102002.219 fls. 294/300 j. em 14/08/2012 pela extinta 2ª Turma da 1ª Câmara dessa 2ª Seção que deu provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte em decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2000 IRPF ERRO NA INDICAÇÃO DA INFRAÇÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL. LANÇAMENTO NULO. A precisa indicação da infração e enquadramento legal é aspecto essencial na fixação da matéria tributável de modo que eventual erro nesse aspecto do lançamento se constitui vício substancial e insanável e, portanto, enseja a nulidade do lançamento. Recurso Voluntário Provido. 2 – Os embargos foram opostos para sanar suposta contradição no V. Acórdão vergastado, argumentando em síntese, que o colegiado entendeu ser inadequada a caracterização tributária de "Acréscimo Patrimonial a Descoberto", contudo não há no lançamento menção à infração referente à "Acréscimo Patrimonial a Descoberto", mas sim indicação acerca da existência de "Acréscimo Patrimonial" não tributado, expressões estas que possuem conceitos distintos. O recurso foi recebido através da decisão da Presidência dessa 2ª Seção às fls. 307/311: 3 É o relatório do necessário. Voto Fl. 313DF CARF MF Processo nº 13830.000832/200194 Acórdão n.º 2201004.361 S2C2T1 Fl. 313 3 Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso Relator 4 O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. 5 – O V. Acórdão restou assim fundamentado, conhecendo da matéria preliminar relativa a nulidade do lançamento em relação ao erro do aspecto temporal do fato gerador, verbis: “PRELIMINAR. NULIDADE DO LANÇAMENTO. ERRO DO ASPECTO TEMPORAL DO FATO GERADOR. O resumo do pedido do contribuinte é o seguinte: ‘Ante todo o demonstrado, postula o reconhecimento de nulidade do lançamento perpetrado, por erro na identificação do fato gerador e também de seu aspecto temporal, reformandose a decisão recorrida, cujas razões de mérito também não haverão de prevalecer quando se homenageiam o Direito e a Justiça.’ Da análise detalhada do Auto de Infração, fls. 13 a 16, em conjunto Termo de Constatação Fiscal (TCF), fls. 17 a 21, notamos que durante toda descrição dos fatos nesse Termo, é colocada em discussão a questão da avaliação se artigo 18 da Instrução Normativa SRF 113/1998 comporta a transferência patrimonial de R$ 246.280,00 de Márcio Mesquita Serva, com parcela do valor resultante da conferência de bens por ele efetuada, mediante doação a sua filha autuada, finalizando esse TCF da seguinte forma: ‘Diante dos fatos expostos neste Termo e da análise dos documentos juntados a esse processo, contatase que a contribuinte não entregou qualquer valor, seja em dinheiro, bens ou direitos, para a formação do patrimônio da Associação de Ensino de Manha (instituição sem fins lucrativos), portanto, para fins tributários a sua participação societária na Fl. 314DF CARF MF 4 Associação de Ensino de Manha S/C LTDA (sociedade com fins lucrativos) é considerada igual a zero. Desta forma, o acréscimo patrimonial originário dessa participação societária, não coincidente com os valores entregues anteriormente A instituição, fica sujeito a tributação do imposto de renda:’ O que se vê claramente é que toda a fiscalização caminha no sentido de apuração de custo de aquisição da participação societária, cuja conseqüência lógica no âmbito do IR seria a apuração de Ganho de Capital, contudo finaliza referindose a acréscimo patrimonial (vide texto destacado acima). Ora, não encontramos nos trabalhos da fiscalização qualquer apuração/planilha de fluxo financeiro de origens e aplicações de recursos que é a base do cálculo de Acréscimo Patrimonial Financeiro. De acordo com toda a descrição da auditoria fiscal, poderiase imaginar um lançamento com base em Ganho de Capital mas não de Acréscimo Patrimonial, conforme se vê na autuação fl. 14: A constatação de infrações impõe a composição da base de cálculo de forma coerente com a legislação tributária vigente e a fiscalização, no presente caso reduziu da matéria tributável descrita no Próprio termo de Constatação Fiscal, lançamento com enquadramento divergente, no caso de possível Ganho de Capital para Acréscimo Patrimonial. A caracterização tributária do "acréscimo patrimonial a descoberto", no Imposto de Renda está definida no artigo 58, XIII, do RIR/94, contudo sequer essa legislação foi citada no enquadramento legal na autuação. Ou seja, patente que a matéria tributável não é adequada ao fundamento do lançamento, afrontando o disposto no caput do Art. 142. do Código Tributário Nacional: Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do Fl. 315DF CARF MF Processo nº 13830.000832/200194 Acórdão n.º 2201004.361 S2C2T1 Fl. 314 5 tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível.” 6 – Ficou claro no V. Acórdão vergastado que o colegiado adotou com base nas provas e na Lei a melhor solução ao caso, encontrandose fundamentado. A contradição que autoriza o cabimento de embargos de declaração é aquela existente entre a fundamentação e a conclusão do acórdão. Estando o fundamento do acórdão em perfeita harmonia com a sua conclusão, não há se falar na existência de vício que enseja a interposição de embargos de declaração para sanálo, sendo anômalo o uso de embargos declaratórios com a finalidade de provocar rejulgamento da causa com vistas a alinhar o novo pronunciamento aos interesses da parte embargante, sendo inviável a revisão em sede de embargos de declaração, em face dos estreitos limites do art 65 do RICARF. 7 – No presente caso, vêse claramente que a pretensão da Embargante não é integração de um ponto omitido no julgado nem tampouco a correção de erro material, mas rever ou reavaliar prova, bem como para sustentação de tese contrária àquela decidida pelo acórdão. 8 – Esse ponto fica claro quando na peça de embargos quando a embargante utilizase dos termos: “Salvo melhor juízo, entende a União (Fazenda Nacional) pela inexistência de irregularidade no mencionado lançamento; Ocorre que o colegiado entendeu inadequada a caracterização tributária de ‘Acréscimo Patrimonial a Descoberto’. Nesta esteira, resguardado o devido respeito ao colegiado, entende a União que houve equívoco na interpretação da situação apresentada no processo administrativo fiscal em análise.” 9 Se a parte entende que houve erro no julgamento, deve recorrer da decisão com o recurso próprio, não podendo confundir contradição, quando houve pronunciamento sobre uma questão, com erro no julgamento, no seu entender, contrário aos seus interesses, mas sim o entendimento lançado pelos julgadores, no v. acórdão de fls. 294/300 sendo que a Fl. 316DF CARF MF 6 questão foi devidamente analisada e fundamentada com base na legislação e provas contendo o entendimento da Turma. 10 Em tais situações, é maciça a orientação jurisprudencial do egrégio STJ no sentido de rejeição da insurgência declaratória. Confira: "PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇAO. CONTRADIÇAO. INEXISTÊNCIA. EFEITOS INFRINGENTES. IMPOSSIBILIDADE. (IMPOSTO DE RENDA. PDV). 1. O inconformismo, que tem como real escopo a pretensão de reformar o decisum, não há como prosperar, porquanto inocorrentes as hipóteses de omissão, contradição, obscuridade ou erro material, sendo inviável a revisão em sede de embargos de declaração, em face dos estreitos limites do art. 535 do CPC. [...] 3. Embargos de declaração rejeitados." (EDcl no REsp 1086492/PR, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇAO, julgado em 23/02/2011, DJe 15/04/2011)” 11 É preciso reconhecer que a leitura atenta do julgado vergastado identificado revela a evidente riqueza dos motivos trazidos, de modo escorreito e preciso, para solução justa da questão e, por conseguinte, o desnecessário enfrentamento de outros pontos levantados pelo embargante. 12 Assim sendo, como a decisão vergastada não apresenta nenhum vício passível de correção via Embargos de Declaração e, ainda, tendo em vista que a pretensão integrativa almejada busca unicamente o reexame do conflito para atender à expectativa do Embargante, o não acolhimento das razões por ele suscitadas é medida que se impõe. Conclusão Fl. 317DF CARF MF Processo nº 13830.000832/200194 Acórdão n.º 2201004.361 S2C2T1 Fl. 315 7 13 Ante o exposto, conheço e voto pela rejeição dos Declaratórios em apreço. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Relator Fl. 318DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.004848/2010-00
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Apr 20 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 2301-000.678
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que seja esclarecido quais os valores se mantém em julgamento após a adesão ao PRT e realização de verificação da base de cálculo, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
João Bellini Junior - Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Evaristo Pinto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, Marcelo Freitas de Souza Costa e João Bellini Júnior (Presidente).
Nome do relator: ALEXANDRE EVARISTO PINTO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que seja esclarecido quais os valores se mantém em julgamento após a adesão ao PRT e realização de verificação da base de cálculo, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) João Bellini Junior Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, Marcelo Freitas de Souza Costa e João Bellini Júnior (Presidente). Relatório Trata o presente de AutodeInfração de Obrigações Principais AIOP Debcad n.° 37.262.7846, de 08/10/2010, com ciência á. autuada em 14/10/2010, no montante de R$ 726.170,13 (setecentos e vinte e seis mil, cento e setenta reais e treze centavos), referente a contribuições à Seguridade Social, parte dos segurados (não descontadas), incidentes sobre valores de remunerações pagas a segurados empregados a título de participação nos lucros ou resultados PLR e bônus anual, apuradas na contabilidade da autuada e não declaradas em Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações à Previdência Social GFIP. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 88 .0 04 84 8/ 20 10 -0 0 Fl. 562DF CARF MF Processo nº 13888.004848/201000 Resolução nº 2301000.678 S2C3T1 Fl. 3 2 O presente processo encontrase apensado ao de Debcad n.° 37.262.7838, Comprot 13888.004847/201057, doravante denominado de "processo principal", no qual encontramse todos os documentos e demonstrativos concernentes a todos os AIOP lavrados na presente ação fiscal e que estão sendo analisados no mesmo contexto. Os pagamentos de PLR e bônus anual, cujos valores foram lançados nas folhas de pagamento sob as rubricas "082 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS e "138 BONUS ANUAL", referemse ao período (não continuo) de 03/2006 a 06/2009, conforme os anexos "Demonstrativo da Base de Cálculo e Diferença de Contribuição dos Segurados – e "Resumo FP Rubricas 082 138", às fls. 369/602 do processo principal, estando incluídos no procedimento fiscal os estabelecimentos de Rio das Pedras SP (matriz), Sao Paulo SP, Ipojuca PE e Bragança Paulista SP (filiais). Informa o Relatório Fiscal RF (fls. 13/24) que o lançamento foi efetuado em função das ocorrências abaixo, que ferem o estabelecido na Lei 10.101/00, a qual dispõe sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa: Falta de apresentação de acordo sobre PLR / 2005 (pagamento em 2006) para os estabelecimentos de Rio das Pedras e São Paulo; Falta de apresentação de acordo sobre PLR / 2006, PLR / 2007 e PLR / 2008 para o estabelecimento de Ipojuca PE; Para o estabelecimento de Bragança Paulista consta nos acordos sobre PLR / 2005, PLR / 2006 e PLR / 2007 que, para diretores, gerentes, chefes e coordenadores, além da aplicação do programa, será concedida participação por objetivos individuais / coletivos, expressos em avaliação de desempenho, além dos resultados obtidos no negócio no Brasil e consolidado do grupo; Pagamento, a vários empregados, de valores muito superiores aos acordados, para os estabelecimentos de Bragança Paulista (PLR / 2005, PLR / 2006 e PLR / 2007), Rio das Pedras e São Paulo (PLR / 2006 e PLR / 2007); Pagamento de PLR em três parcelas para alguns empregados, para os estabelecimentos de Bragança Paulista, Rio das Pedras e São Paulo (PLR / 2006). Além disso, conforme consta na DIPJ / 2009, no ano de 2008, a autuada provisionou, para PLR, o valor de R$ 3.336.210,55 a ser pago em 2009, porém pagou R$ 646.190,54 a título de PLR e R$ 2.597.751,79 sob a rubrica "Bônus Anual", a qual foi considerada, pela auditoria fiscal, como salário de contribuição, por não haver previsão legal de sua desvinculação, conforme previsto no Regulamento da Previdência Social — RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99. Informa ainda o RF que a multa de oficio de 75% lançada nas competências 03, 04 e 06/2009 decorre das alterações introduzidas na Lei 8.212/91 pela Medida Provisória n.° 449 de 04/12/2008, convertida na Lei 11.941/09 de 27/05/2009 (MP 449), que determina a aplicação do art. 44, I da Lei 9.430/96. Já para as competências 05/2006. 05 a 07/2007, 10/2007. 05 e 06/2008. A multa de oficio de 75% decorre da falta de pagamento, omissão ou declaração inexata em GFIP das contribuições previdenciárias, em atendimento ao disposto no art. 106, II, "c" do CTN, que Fl. 563DF CARF MF Processo nº 13888.004848/201000 Resolução nº 2301000.678 S2C3T1 Fl. 4 3 determina a aplicação da penalidade mais benéfica ao contribuinte, conforme exposto no item 17 do relatório fiscal do auto de infração de obrigação acessória Debcad n.° 37.262.7862 (Comprot 13888.004850/201071), lavrado na mesma ação fiscal. O presente processo encontrase apensado ao de Debcad n.° 37.262.7838 (Comprot 13888.004847/201057), doravante denominado "processo principal', no qual encontramse todos os documentos e demonstrativos concernentes a todos os autos de infração lavrados na presente ação fiscal. Além do presente, também foram lavrados na mesma ação fiscal os autos de infração relativos a obrigação principal e que estão sendo analisados no mesmo contexto: Debcad n.° 37.262.7838, referente às contribuições parte patronal e SAT (processo principal); Debcad n.° 37.262.7854, referente às contribuições a outras entidades e fundos (terceiros). A ora Recorrente apresentou impugnação, através do instrumento de fls. 36/91, na qual, preliminarmente, solicita que todos os autos de infração lavrados na ação fiscal sejam julgados em conjunto e alega, em síntese: Sob esse título, a autuada esclarece. que, nos termos da Lei 10.101/00, adotou a forma de negociação da PLR mediante constituição de comissão. com aviso e a participação do respectivo sindicato da categoria profissional preponderante e que, em vez de um programa de participação nos lucros, adotou programa de participação nos resultados, modalidade que não impede a criação de planos setoriais e específicos por unidade ou setor da empresa. Com relação aos Pagamentos Efetuados a Título de Participação nos Lucros e Resultados de 2005 Pagos em 2006, afirma a autuada que, embora não tenha apresentado instrumento de acordo especifico para os estabelecimentos situados em Rio das Pedras e em São Paulo. pagou a PLR a todos os empregados desses estabelecimentos nos termos do acordo de PLR de Bragança Paulista, o qual, em seu item 5. ao tratar da representatividade da comissão de negociação, deixou expresso que ela representa a totalidade dos empregados, abrangendo tal representatividade não apenas os empregados pertencentes às categorias profissionais preponderantes, bem como de todas as outras categorias, inclusive diferenciadas e profissionais liberais. Apresenta trecho de acórdão do CARF no sentido de que o acordo homologado para um estabelecimento pode ser estendido a outros da mesma empresa. Com relação à acusação fiscal de que os valores acordados no acordo PLR / 2005 não foram respeitados. aduz que não foi pago o valor previsto no acordo (R$ 530.00) pelo fato de a empresa ter alcançado 81,69% da meta prevista, o que resultou no pagamento de valor menor — R$ 397,50. Para a PLR / 2006 (pagamento em 2007), a defendente efetuou um único instrumento abrangendo os estabelecimentos de Rio das Pedras e São Paulo. tendo ficado acordado que o pagamento ocorreria se a empresa atingisse a meta estipulada para o período, sendo essa dividida em itens com diferentes percentuais para os diversos setores da empresa, sendo que o valor correspondente ao atingimento de 100% da meta seria de R$ 689.00. Fl. 564DF CARF MF Processo nº 13888.004848/201000 Resolução nº 2301000.678 S2C3T1 Fl. 5 4 Como os setores apresentaram índices diferentes, a fiscalização entendeu que isso configurava pagamento diferenciado a título de PLR previsto no acordo. pois foram pagos R$ 516,75 a alguns setores e R$ 620,10 a outros. No tocante ao não respeito da semestralidade em relação ao pagamento de PLR a dez empregados dos estabelecimentos de Rio das Pedras e São Paulo, alega a autuada que, pelos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, é inaceitável que o desrespeito regra do pagamento semestral a apenas 10 funcionários num contingente de 1.075 possa ser capaz de afastar o acordo coletivo para o pagamento de PLR. No que tange ao estabelecimento de Bragança Paulista, afirma a defendente que, embora tenha sido elaborado plano de metas com previsão de pagamento de R$ 583,00 para o caso de cumprimento de 100% das metas, os diversos setores atingiram percentuais diferentes das metas propostas, o que ocasionou o pagamento de valores de R$ 408,10 a R$ 524.70. Quanto ao não respeito da semestralidade em relação ao pagamento de PLR a sete empregados deste estabelecimento, alega a autuada que. pelos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, é inaceitável que o desrespeito à regra do pagamento semestral a apenas 7 funcionários num contingente de 377 possa ser capaz de afastar o acordo coletivo para o pagamento de PLR. No que toca ao estabelecimento de Ipojuca, a defendente reafirma a possibilidade de se utilizar do acordo coletivo aprovado por uma de suas filiais ou o de sua matriz, transcrevendo trecho de acórdão do CARF nesse sentido. Com relação aos Pagamentos Efetuados a Título de Participação nos Lucros e Resultados de 2007 Pagos em 2008, afirma a defendente que, embora tenha sido elaborado plano de metas para o estabelecimento de Bragança Paulista com previsão de pagamento de R$ 624,00 para o caso de cumprimento de 100% das metas, os diversos setores atingiram percentuais diferentes das metas propostas, o que ocasionou o pagamento de valores de R$ 296,40 a R$ 624.00. Para a PLR / 2007 (pagamento em 2008) dos estabelecimentos de Rio das Pedras e São Paulo, a defendente efetuou um único instrumento abrangendo os estabelecimentos de Rio das Pedras e São Paulo, tendo ficado acordado que o pagamento ocorreria se a empresa atingisse a meta estipulada para o período, sendo essa dividida em itens com diferentes percentuais para os diversos setores da empresa, sendo que o valor correspondente ao atingimento de 100% da meta seria de R$ 737,20. Considerando que os setores apresentaram diferentes índices, a fiscalização entendeu que isso configurava pagamento diferenciado a título de PLR previsto no acordo, pois foram pagos valores de R$ 475,25 a R$ 674,32. Para o estabelecimento de Ipojuca, mais uma vez alega que há a possibilidade de se utilizar do acordo coletivo aprovado por urna de suas filiais ou o de sua matriz, transcrevendo trecho de acórdão do CARF nesse sentido. No que tange aos Pagamentos Efetuados a Título de Participação nos Lucros e Resultados de 2008 Pagos em 2009, afirma o sujeito passivo que o pagamento efetuado a título de bônus a seus diretores, gerentes e colaboradores foi efetuado com base nos resultados atingidos pela empresa no Brasil e no exterior, sendo que tais verbas não configuram salário de contribuição, conforme previsto no § 9.° do artigo 28 da Lei 8.212/91 — não incidência de Fl. 565DF CARF MF Processo nº 13888.004848/201000 Resolução nº 2301000.678 S2C3T1 Fl. 6 5 contribuições previdenciárias sobre importâncias recebidas a título de ganhos eventuais e abonos expressamente desvinculados do salário. O que se tem são pagamentos efetuados aleatoriamente aos colaboradores a título de incentivo, por completa liberalidade da empresa, com periodicidade anual e não dependem de resultados individuais. Informa, ainda, a autuada que, como base de cálculo da PLR / 2008, a fiscalização considerou o montante de R$ 1.663.212,35, o qual inclui, além do valor da PLR (R$ 562.272,46) também o valor pago a título de bônus (R$ 1.100.939.89). motivo pelo qual solicita a realização de prova pericial através de diligência para que se apure os valores efetivamente pagos em cada rubrica, visto que os valores de PLR foram pagos em conformidade com o previsto nos acordos coletivos. A ora Recorrente ainda cita a natureza confiscatória da multa e a inaplicabilidade de taxa Selic ao caso, solicitando a sua substituição pelos juros de 1% ao mês. A DRJ julgou a impugnação improcedente, e o acórdão recorrido (fls. 440 e ss) recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2006 a 30/06/2009 FATO GERADOR. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. Representam fatos geradores de contribuições previdenciárias os valores pagos aos empregados a título de participação nos lucros e resultados em desconformidade com a legislação. DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. DESNECESSÁRIA. INDEFERIMENTO. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de oficio ou a requerimento do impugnante, preenchidos os requisitos previstos na legislação, a realização de diligencias ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. MULTA. CONFISCO. A multa aplicada encontra respaldo na legislação vigente. LEGALIDADE E CONSTITUCIONALIDADE. É vedado à Administração Pública o exame da legalidade e constitucionalidade das Leis. SELIC. LEGALIDADE. É legitima a aplicação da SELIC para fixação dos acréscimos incidentes sobre o crédito previdenciário lançado pela fiscalização. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. ENDEREÇO CADASTRAL. INTIMAÇÃO ENDEREÇADA AO ADVOGADO. INDEFERIMENTO. 0 domicilio tributário do sujeito passivo é o endereço postal fornecido pelo próprio contribuinte à. Receita Federal do Brasil (RFB) para fins cadastrais ou eletrônico autorizado. Dada a inexistência de previsão legal, indeferese o pedido de endereçamento das intimações ao escritório do procurador. Fl. 566DF CARF MF Processo nº 13888.004848/201000 Resolução nº 2301000.678 S2C3T1 Fl. 7 6 Contra a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 1.080/1.098) reiterando os argumentos apresentados na impugnação, ressaltando que os pagamentos efetuados aos empregados dos estabelecimentos de Rio das Pedras e São Paulo foram efetuados em conformidade com o programa aprovado pelo Sindicato de Bragança Paulista, de forma que está preenchido o requisito da representatividade dos trabalhadores; o não atingimento das metas previamente pactuadas foi a razão do montante do PLR ser proporcional à meta atingida; a necessidade de aplicação dos princípios da razoabilidade e proporcionalidade uma vez que poucos funcionários dentro do contexto total não receberam o PLR na data acordada. Em 17 de outubro de 2012, a 1ª Turma da 3ª Câmara da 2ª Seção do CARF aprovou a Resolução nº 2301000.311 (fls. 542 e ss), convertendo o julgamento em diligência para que fosse juntada ao processo cópia legível do Recurso Voluntário e/ou de outros documentos que permitam apurar a data de protocolo do referido Recurso. Como resposta à diligência solicitada, a autoridade fiscal informou (fl. 544) que o sujeito passivo acima identificado teve ciência do Acórdão de Impugnação proferido pela pela DRJ em 06/01/2012 (fls. 459) e interpôs o Recurso Voluntário em 07/02/2012 (fls. 460/539). Por fim, a Recorrente apresentou petição (fls. 560 e ss) informando que pediu inscrição de alguns débitos tributários no âmbito do PRT – Programa de Regularização Tributária, de modo que requer a desistência parcial do Recurso Voluntário com relação aos seguintes débitos: É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Evaristo Pinto Tal qual exposto no Relatório, a Recorrente apresentou petição (fls. 560 e ss) informando que pediu inscrição de alguns débitos tributários no âmbito do PRT – Programa de Regularização Tributária, de modo que requer a desistência parcial do Recurso Voluntário com relação aos seguintes débitos: Fl. 567DF CARF MF Processo nº 13888.004848/201000 Resolução nº 2301000.678 S2C3T1 Fl. 8 7 Dessa forma, se faz necessário que seja feito novo demonstrativo informando os débitos que permanecem em julgamento após a adesão ao PRT (o que continua em julgamento, seja excluído o que foi parcelado. No que tange aos Pagamentos Efetuados a Título de Participação nos Lucros e Resultados de 2008 Pagos em 2009, afirma o sujeito passivo que o pagamento efetuado a título de bônus a seus diretores, gerentes e colaboradores foi efetuado com base nos resultados atingidos pela empresa no Brasil e no exterior, sendo que tais verbas não configuram salário de contribuição, conforme previsto no § 9.° do artigo 28 da Lei 8.212/91 — não incidência de contribuições previdenciárias sobre importâncias recebidas a título de ganhos eventuais e abonos expressamente desvinculados do salário. O que se tem são pagamentos efetuados aleatoriamente aos colaboradores a título de incentivo, por completa liberalidade da empresa, com periodicidade anual e não dependem de resultados individuais. Informa, ainda, a autuada que, como base de cálculo da PLR / 2008, a fiscalização considerou o montante de R$ 1.663.212,35, o qual inclui, além do valor da PLR (R$ 562.272,46) também o valor pago a título de bônus (R$ 1.100.939.89). motivo pelo qual solicita a realização de prova pericial através de diligência para que se apure os valores efetivamente pagos em cada rubrica, visto que os valores de PLR foram pagos em conformidade com o previsto nos acordos coletivos. A Recorrente trouxe tabela na qual se demonstra uma potencial duplicidade de consideração da PLR na base de cálculo da contribuição previdenciária. Com base no exposto, voto por converter o julgamento em diligência para esclarecimento das seguintes questões: (i) seja feito novo demonstrativo informando os débitos que permanecem em julgamento após a adesão ao PRT (o que continua em julgamento, seja excluído o que foi parcelado); e (ii) verificar se o mesmo valor de PLR compõem a base de cálculo de mais de um mês, isto é, seja esclarecida se há duplicidade do reconhecimento da PLR como base de cálculo, de modo que seja intimado o contribuinte para apresentação da base de cálculo com a segregação entre PLR e bônus para posterior análise de verificação da base de cálculo pela autoridade . É como voto. (assinado digitalmente) Fl. 568DF CARF MF Processo nº 13888.004848/201000 Resolução nº 2301000.678 S2C3T1 Fl. 9 8 Alexandre Evaristo Pinto Relator Fl. 569DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.723633/2017-27
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Mar 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2014
IRPF. DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL.
A dedução de pensão alimentícia da base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Física é permitida, em face das normas do Direito de Família, quando comprovado o seu efetivo pagamento e a obrigação decorra de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente, bem como, a partir de 28 de março de 2008, de escritura pública que especifique o valor da obrigação ou discrimine os deveres em prol do beneficiário. Súmula CARF nº98.
Numero da decisão: 2002-000.010
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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DEDUÇÃO DE PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL Recorrente CELIA ROSARIA RODRIGUES SCAVONE Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2014 IRPF. DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. A dedução de pensão alimentícia da base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Física é permitida, em face das normas do Direito de Família, quando comprovado o seu efetivo pagamento e a obrigação decorra de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente, bem como, a partir de 28 de março de 2008, de escritura pública que especifique o valor da obrigação ou discrimine os deveres em prol do beneficiário. Súmula CARF nº98. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 36 33 /2 01 7- 27 Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10830.723633/201727 Acórdão n.º 2002000.010 S2C0T2 Fl. 112 2 Relatório Tratase de lançamento decorrente de procedimento de revisão interna da Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física DIRPF, referente ao exercício de 2014, ano calendário 2013, tendo em vista a apuração de dedução indevida de pensão alimentícia judicial. A contribuinte apresentou impugnação (fls.2/36), alegando, em síntese: atendeu ao solicitado nos termos de intimações recebidos, mas, por lapso, deixou de juntar cada comprovante da pensão paga. aponta que resta evidenciada sua obrigação legal de efetuar os pagamentos, decorrente de determinação judicial. aduz que os recibos firmados pela beneficiária dos pagamentos são hábeis a fazer a prova exigida. conclui que os pagamentos são fáticos, efetuados sob o manto da estrita legalidade, enquadrados na Lei Tributária do Imposto de Renda autorizativa de respectivos abatimentos. esclarecida a celeuma com a juntada dos recibos, entende que a glosa deve ser cancelada e os lançamentos anulados. Acrescenta que se trata de tributação atípica, não podendo ser convalidada. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (RJ) negou provimento à Impugnação (fls. 93/95), em decisão cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2013 DEDUÇÕES. PENSÃO JUDICIAL. Somente podem ser aceitas as deduções comprovadas por meio documentação hábil e idônea que estejam em conformidade com as regras contidas na legislação tributária de regência. Cientificada dessa decisão em 25/9/2017 (fl.100), a contribuinte formalizou, em 25/10/2017 (fl.104), Recurso Voluntário (fls. 104/108), no qual apresenta as seguintes alegações: Em sede de preliminar, afirma que, no Direito pátrio, os recibos fazem prova plena de quitação, reproduzindo o artigo 308 da Lei nº 10.406/02: "O pagamento deve ser feito ao credor ou a quem de direito o represente, sob pensa de só valer depois de por ele ratificado, ou tanto quanto reverter em seu proveito" Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10830.723633/201727 Acórdão n.º 2002000.010 S2C0T2 Fl. 113 3 Diz que quitou com recibos assinados pela benficiada da pensão alimentícia e requer o aproveitamento e nulidade in totum do lançamento fiscal. Pede a análise como questão de mérito, caso assim entenda o Colegiado. Em sua argumentação quanto ao mérito, inicia explicando que foi condenada em ação judicial a prestar alimentos a sua ascendente, conforme sentença já transitada em julgado. Assim, entende que não há que se falar em falta de previsão legal. argumenta que, ao contrário do declarado na decisão de primeira instância, a recorrente sempre efetuou pagamento em dinheiro, mas não possuía em mãos os recibos, posto ser a beneficiária da pensão alimentícia sua mãe. ressalta que, tratandose de relação entre família, não raro, dispensamse formalidades entre os entes. intimada da decisão de primeira instância, diz que providenciou os comprovantes dos pagamentos efetuados em dinheiros, firmados e com firma reconhecida em cartório pela beneficiária. aponta os montantes pagos de 2013 a 2016. sustenta que os pagamentos são fáticos e legais. assevera que o próprio acórdão reconheceu o atendimento do disposto na Lei nº 9.250/95, artigo 8º, inciso II, alínea "f" . alega que o dispositivo citado combinado com o artigo 308 da Lei nº 10.406/02 faz prova plena de quitação e consequente abatimento da dedução. argumenta que nem a lei nem o acórdão obstam que os alimentos reconhecidos em sentença sejam efetuados em dinheiro. O que se discute é a apresentação dos recibos somente na fase de impugnação. afirma ser certo que a recorrente não juntou os recibos no curso da ação fiscal, mas não o fez por lapso, bem como pela absoluta boafé e simplicidade. Acrescenta que o que o acórdão denomina divergência, explicase por ser ela pessoa simples. Reconhece que não foi feliz nas informações prestadas, visto que não sabia o que é pagamento em "espécie". Se indagada em "dinheiro" teria sido mais feliz. Ainda que haja divergência, defende que o tributo deve atender à estrita tipicidade e legalidade, buscando a verdade real, que, no caso, é provada pelos recibos. Espera a declaração de inexistência tributária. Processo distribuído para julgamento em Turma Extraordinária, tendo sido observadas as disposições do artigo 23B, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, e suas alterações (fl.109). É o relatório. Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10830.723633/201727 Acórdão n.º 2002000.010 S2C0T2 Fl. 114 4 Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Preliminar A questão suscitada pelo sujeito passivo em sede de preliminar, acerca da força probante dos recibos juntados, se trata, em verdade, de argumento de mérito e assim será analisada. Mérito As deduções legais em Declaração de Ajuste se lastreiam no art. 8º da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, que, no tocante à dedução de pensão alimentícia assim dispõe: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: ... f) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; ... Fl. 114DF CARF MF Processo nº 10830.723633/201727 Acórdão n.º 2002000.010 S2C0T2 Fl. 115 5 § 3º As despesas médicas e de educação dos alimentandos, quando realizadas pelo alimentante em virtude de cumprimento de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente, poderão ser deduzidas pelo alimentante na determinação da base de cálculo do imposto de renda na declaração, observado, no caso de despesas de educação, o limite previsto na alínea b do inciso II deste artigo. (destaques acrescidos) Acrescentese que o art 73 do RIR exige que o interessado faça comprovação das deduções pleiteadas em Declaração de Ajuste. Do regramento acima exposto, é possível extrair três condicionantes para a dedução de pensão alimentícia em Declaração de Ajuste, quais sejam: 1) o dever de pensionar decorre de decisão judicial; 2) o fundamento para pagamento da pensão deriva das normas do Direito de Família; e 3) deve haver prova do efetivo pagamento. No caso, no curso da ação fiscal, a contribuinte informou (fl. 44): Ao contrário do que alega em seu recurso, não vislumbro confusão decorrente da utilização dos termos "espécie" ou dinheiro. A contribuinte informou categoricamente que não efetua o pagamento da pensão em pecúnia, sendo responsável pelo fornecimento de remédios, alimentos, vestuário, lazer e demais despesas necessárias a beneficiária da pensão. Diante dessa afirmativa, a autoridade fiscal procedeu a glosa, uma vez que somente são dedutíveis as importâncias pagas em dinheiro (fl.7): A decisão de piso manteve a autuação, consignando que a contribuinte não comprovou o efetivo pagamento do valor declarado. Em seu recurso, a contribuinte alega que os recibos emitidos pela beneficiária da pensão seriam suficientes para fazer a prova exigida. Como destacado na legislação transcrita, a dedução da pensão alimentícia judicial na Declaração de Imposto de Renda está sujeita à comprovação, havendo referência expressa a “importâncias pagas”. Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10830.723633/201727 Acórdão n.º 2002000.010 S2C0T2 Fl. 116 6 Nesse sentido, é o entendimento manifestado na Súmula CARF nº 98, que deve ser observado por este Colegiado: Súmula CARF nº 98: A dedução de pensão alimentícia da base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Física é permitida, em face das normas do Direito de Família, quando comprovado o seu efetivo pagamento e a obrigação decorra de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente, bem como, a partir de 28 de março de 2008, de escritura pública que especifique o valor da obrigação ou discrimine os deveres em prol do beneficiário. (destaques acrescidos) Sendo a inclusão da dedução na Declaração de Ajuste Anual um benefício concedido pela legislação, incumbe à interessada provar que faz jus ao direito pleiteado. O ônus de provar implica trazer elementos que não deixem nenhuma dúvida quanto a determinado fato questionado. Repisese que aqui o fato questionado, qual seja, o pagamento da pensão, decorre de informação prestada pela própria contribuinte no curso da ação fiscal. Quanto aos recibos, constituem declaração particular, com eficácia entre as partes. Em relação a terceiros, comprovam a declaração e não o fato declarado. E o ônus da prova do fato declarado compete ao contribuinte, interessado na prova da sua veracidade. É o que estabelece o artigo 408 do Código de Processo Civil (Lei nº 13.105, de 2015): Art. 408. As declarações constantes do documento particular escrito e assinado ou somente assinado presumemse verdadeiras em relação ao signatário. Parágrafo único. Quando, todavia, contiver declaração de ciência de determinado fato, o documento particular prova a ciência, mas não o fato em si, incumbindo o ônus de proválo ao interessado em sua veracidade. (destaques acrescidos) O Código Civil, citado pela contribuinte em seu recurso, também aborda a questão da presunção de veracidade dos documentos particulares e seus efeitos sobre terceiros: Art. 219. As declarações constantes de documentos assinados presumemse verdadeiras em relação aos signatários. Parágrafo único. Não tendo relação direta, porém, com as disposições principais ou com a legitimidade das partes, as declarações enunciativas não eximem os interessados em sua veracidade do ônus de proválas. ... Art. 221. O instrumento particular, feito e assinado, ou somente assinado por quem esteja na livre disposição e administração de seus bens, prova as obrigações convencionais de qualquer valor; mas os seus efeitos, bem como os da cessão, não se operam, a respeito de terceiros, antes de registrado no registro público.” Fl. 116DF CARF MF Processo nº 10830.723633/201727 Acórdão n.º 2002000.010 S2C0T2 Fl. 117 7 (destaques acrescidos) Assim, os recibos de quitação emitidos pela beneficiária, desacompanhados de outros elementos, tais como saques ou transferências bancárias, não se revelam hábeis a respaldar a efetividade dos pagamentos questionados. Diante da ausência da comprovação do efetivo pagamento, não há reparos a se fazer a decisão de piso, que manteve a glosa dos valores deduzidos a título de pensão alimentícia judicial. Conclusão Por todo o exposto, voto no sentido de CONHECER do recurso para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 117DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 17883.000289/2010-51
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/05/2005, 01/10/2005 a 31/12/2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO. PEDIDO DE PARCELAMENTO. RENÚNCIA.
No caso de pedido de parcelamento nos moldes da Lei nº 11.941/2009, configura-se a desistência e a renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, devendo-se declarar a definitividade do crédito tributário em litígio, na forma em que lançado.
Numero da decisão: 9202-006.467
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para declarar a definitividade do crédito tributário nos moldes em que apurado pelo auto de infração originalmente lavrado, haja vista a desistência configurada pela adesão ao parcelamento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Patrícia da Silva - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
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camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2005 a 31/05/2005, 01/10/2005 a 31/12/2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO. PEDIDO DE PARCELAMENTO. RENÚNCIA. No caso de pedido de parcelamento nos moldes da Lei nº 11.941/2009, configura-se a desistência e a renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, devendo-se declarar a definitividade do crédito tributário em litígio, na forma em que lançado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para declarar a definitividade do crédito tributário nos moldes em que apurado pelo auto de infração originalmente lavrado, haja vista a desistência configurada pela adesão ao parcelamento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Patrícia da Silva - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1794; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 388 1 387 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 17883.000289/201051 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202006.467 – 2ª Turma Sessão de 30 de janeiro de 2018 Matéria Processo Administrativo Fiscal Adesão ao Parcelamento Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado SOBEU ASSOCIAÇÃO BARRAMANSENSE DE ENSINO ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2005 a 31/05/2005, 01/10/2005 a 31/12/2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO. PEDIDO DE PARCELAMENTO. RENÚNCIA. No caso de pedido de parcelamento nos moldes da Lei nº 11.941/2009, configurase a desistência e a renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, devendose declarar a definitividade do crédito tributário em litígio, na forma em que lançado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para declarar a definitividade do crédito tributário nos moldes em que apurado pelo auto de infração originalmente lavrado, haja vista a desistência configurada pela adesão ao parcelamento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 88 3. 00 02 89 /2 01 0- 51 Fl. 388DF CARF MF Processo nº 17883.000289/201051 Acórdão n.º 9202006.467 CSRFT2 Fl. 389 2 Relatório A Fazenda Nacional, inconformada com a decisão consubstanciada no Acórdão nº 2402003.869 (fls. 261) plenária de 21 de janeiro de 2014, a 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2a Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, assim ementado: “Assunto: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/05/2005, 01/10/2005 a 31/12/2006 CONTRATAÇÃO DE SERVIÇOS DE COOPERATIVA DE TRABALHO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. POSSIBILIDADE. A empresa está obrigada a recolher a contribuição previdenciária prevista no art. 22, IV, da Lei 8.212/1991, quando contratar prestação de serviço de cooperativa de trabalho. Havendo notas fiscais de prestação de serviços pela cooperativa em nome da empresa notificada, comprovado está o fato gerador de contribuições previdenciárias. A associação ou entidade de qualquer natureza ou finalidade equiparase à empresa para fins de aplicação da legislação previdenciária. INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. Não cabe aos Órgãos Julgadores do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) afastar a aplicação da legislação tributária em vigor, nos termos do art. 62 do seu Regimento Interno. É prerrogativa do Poder Judiciário, em regra, a argüição a respeito da constitucionalidade e não cabe ao julgador, no âmbito do contencioso administrativo, afastar aplicação de dispositivos legais vigentes no ordenamento jurídico pátrio sob o argumento de que seriam inconstitucionais. ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. IMUNIDADE. REQUISITOS LEGAIS. DESCUMPRIMENTO. Para se gozar da imunidade prevista no art. 195, § 7o, da Constituição da República Federativa do Brasil, fazse necessário o atendimento de todos os requisitos previstos no art. 55 da Lei 8.212/1991. A entidade deverá ser portadora do Certificado e do Registro de Entidades de Fins Filantrópicos (CEBAS), fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS), renovado a Fl. 389DF CARF MF Processo nº 17883.000289/201051 Acórdão n.º 9202006.467 CSRFT2 Fl. 390 3 cada três anos, e do Certificado de reconhecimento de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal. A entidade também deverá requerer junto ao INSS o gozo do benefício da imunidade. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE LANÇAMENTO FISCAL. INOCORRÊNCIA. Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento, não há que se falar em nulidade do Auto de Infração. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. ARTS 45 E 46 LEI Nº 8.212/1991. INCONSTITUCIONALIDADE. STF. SÚMULA VINCULANTE nº 08. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08 do STF, os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência, o que dispõe o art. 150, § 4º, ou o art. 173 e seus incisos, ambos do Código Tributário Nacional (CTN), nas hipóteses de o sujeito ter efetuado antecipação de pagamento ou não, respectivamente. No caso de lançamento das contribuições sociais, em que os fatos geradores efetuouse antecipação de pagamento, deixa de ser aplicada a regra geral do art. 173, inciso I, para a aplicação do art. 150, § 4º, ambos do CTN. O lançamento foi efetuado em 11/11/2010, data da ciência do sujeito passivo, e somente houve os recolhimentos parciais até a competência 07/2005. Os fatos geradores das contribuições remanescentes apuradas ocorreram no período compreendido entre 10/2005 a 12/2006. Com isso, as competências posteriores a 07/2005 não foram abarcadas pela decadência, permitindo o direito de o Fisco constituir o crédito tributário por meio de lançamento fiscal. MULTA DE MORA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE À ÉPOCA DO FATO GERADOR. O lançamento reportase à data de ocorrência do fato gerador e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, aplicase a multa de mora nos percentuais da época (redação anterior do artigo 35, inciso II da Lei 8.212/1991), limitandose ao percentual máximo de 75%. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para que, em relação aos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, seja aplicada a multa de mora nos termos da redação Fl. 390DF CARF MF Processo nº 17883.000289/201051 Acórdão n.º 9202006.467 CSRFT2 Fl. 391 4 anterior do artigo 35 da Lei 8.212/1991, limitandose ao percentual máximo de 75% previsto no art. 44 da Lei nº 9.430/1996." No Recurso Especial, a insurgência da Fazenda Nacional a faz requere reforma do v. acórdão recorrido na parte em que este determinou a aplicação da multa prevista no art. 35, caput, da redação original da Lei nº 8.212/91. A seguir uma série de eventos, muito bem sumarizados pela Presidente da 4ª Câmara da 2ª Seção, motivo pelo qual reproduzo: Tratase de petição dos representantes do Sujeito Passivo (fls. 321/364), em resposta a Intimação Sacat nº 108/2016, de 04/04/2016 (fl. 318), que deu ciência do Acórdão de Recurso Voluntário nº 2402003.869, do Recurso Especial da Fazenda Nacional (fls. 282/290) e do despacho de exame de admissibilidade do Recurso Especial (fls. 310/316). Em síntese, os representantes informam que não têm interesse em apresentar as contrarrazões ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, uma vez que os créditos questionados no recurso estariam inseridos no parcelamento de que trata a Lei nº 11.941/2009. Os créditos citados teriam sido incluídos no parcelamento da Lei nº 11.941/2009, após decisão judicial, assegurada via Mandado de Segurança nº 000118949.2011.4.02.5104 da 1ª Vara Federal de Volta Redonda. Assim encaminho o processo ao representante da Fazenda Nacional para que ciente deste despacho, informe a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais se manterá a interposição do Recurso Especial (fls. 282/290). Entretanto, a Fazenda Nacional se manifesta pela manutenção do processamento do Recurso, tendo como base regras específicas constantes da Lei n.º 11.941/2009. É o relatório. Voto Conselheira Patrícia da Silva Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. Embora de fato haja uma divergência jurisprudencial na tese apresentada pela Recorrente, nos termos em que fixado pelo respectivo despacho de admissibilidade, há nos Fl. 391DF CARF MF Processo nº 17883.000289/201051 Acórdão n.º 9202006.467 CSRFT2 Fl. 392 5 autos incidente processual que merece ser apreciado. Estamos falando da renúncia apresentada pelo contribuinte em razão de adesão à programa de parcelamento especial instituído pelo Poder Executivo. Diante disto, não há mais qualquer litígio em questão, uma vez que o contribuinte renunciou ao seu direito de discutir o lançamento efetuado em sua totalidade, razão pela qual deve ser declarada a definitividade do crédito tributário nos termos do art. 78 do RICARF: Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1º A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. § 2º O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. § 3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente. § 4º Havendo desistência parcial do sujeito passivo e, ao mesmo tempo, decisão favorável a ele, total ou parcial, com recurso pendente de julgamento, os autos deverão ser encaminhados à unidade de origem para que, depois de apartados, se for o caso, retornem ao CARF para seguimento dos trâmites processuais. § 5º Se a desistência do sujeito passivo for total, ainda que haja decisão favorável a ele com recurso pendente de julgamento, os autos deverão ser encaminhados à unidade de origem para procedimentos de cobrança, tornandose insubsistentes todas as decisões que lhe forem favoráveis. Por fim, vale mencionar que uma vez requerido o parcelamento, este foi processado e calculado exatamente nos termos da Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Pelo exposto, conheço e dou provimento ao Recurso para declarar a definitividade do crédito tributário nos moldes em que apurado pelo auto de infração originalmente lavrado, tendo em vista a desistência configurada pela adesão o pedido de parcelamento. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Fl. 392DF CARF MF Processo nº 17883.000289/201051 Acórdão n.º 9202006.467 CSRFT2 Fl. 393 6 Fl. 393DF CARF MF
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Numero do processo: 10283.905356/2012-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Feb 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/08/2011 a 31/08/2011
MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. APRESENTAÇÃO INTEMPESTIVA. INSTAURAÇÃO DA FASE LITIGIOSA. IMPOSSIBILIDADE.
A apresentação da manifestação de inconformidade fora do prazo de 30 (trinta dias), ainda que seja apenas 1 (um) dias, não instaura a fase litigiosa do processo e impede o conhecimento da matéria litigiosa pelas instâncias julgadoras.
PRELIMINAR DE TEMPESTIVIDADE SUSCITADA. POSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO PELAS INSTÂNCIAS JULGADORAS. NÃO COMPROVADO O CUMPRIMENTO DO PRAZO. CONHECIMENTO DO MÉRITO. IMPOSSIBILIDADE.
No âmbito do processo administrativo fiscal, é passível conhecimento pelas instâncias julgadoras apenas a preliminar de tempestividade da manifestação de inconformidade suscitada pelo sujeito passivo, porém, se referida preliminar não for superada, como ocorreu nos presentes, não se toma conhecimento das questões meritórias suscitadas em sede de manifestação de inconformidade e de recurso voluntário.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.943
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
PAULO GUILHERME DÉROULÈDE - Presidente e Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Diego Weis Júnior, Jorge Lima Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/08/2011 a 31/08/2011 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. APRESENTAÇÃO INTEMPESTIVA. INSTAURAÇÃO DA FASE LITIGIOSA. IMPOSSIBILIDADE. A apresentação da manifestação de inconformidade fora do prazo de 30 (trinta dias), ainda que seja apenas 1 (um) dias, não instaura a fase litigiosa do processo e impede o conhecimento da matéria litigiosa pelas instâncias julgadoras. PRELIMINAR DE TEMPESTIVIDADE SUSCITADA. POSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO PELAS INSTÂNCIAS JULGADORAS. NÃO COMPROVADO O CUMPRIMENTO DO PRAZO. CONHECIMENTO DO MÉRITO. IMPOSSIBILIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal, é passível conhecimento pelas instâncias julgadoras apenas a preliminar de tempestividade da manifestação de inconformidade suscitada pelo sujeito passivo, porém, se referida preliminar não for superada, como ocorreu nos presentes, não se toma conhecimento das questões meritórias suscitadas em sede de manifestação de inconformidade e de recurso voluntário. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) PAULO GUILHERME DÉROULÈDE Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 53 56 /2 01 2- 16 Fl. 185DF CARF MF Processo nº 10283.905356/201216 Acórdão n.º 3302004.943 S3C3T2 Fl. 3 2 Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Diego Weis Júnior, Jorge Lima Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus. Relatório O Despacho Decisório proferido pela unidade de origem não homologou a compensação declarada em PER/DCOMP pela contribuinte acima qualificada, sob o fundamento de que, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PerDcomp. Contra o contribuinte acima identificado foi emitido o Despacho Decisório pela unidade de origem que não homologou a compensação declarada em PER/DCOMP sob a justificativa de que o pagamento referente ao DARF indicado foi integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Ciente do Despacho Decisório, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, na qual alega em síntese que: • Sua manifestação de inconformidade era tempestiva e afirmou que recebeu a Intimação da Exigência em 23/01/2013 e apresentou a manifestação em 22/02/2013. • Ressalta, que “ainda que o recurso seja intempestivo, o que se admite apenas para fins de argumentação, a autoridade local encarregada da administração do tributo (Delegacia da Receita Federal em Manaus) não é competente para julgar a tempestividade do recurso, devendo este seguir para a Delegacia da Receita Federal de Julgamento, órgão competente para julgar tal fato, conforme previsão do art. 35 do Decreto nº 70.235/72.” • A legislação federal referente à restituição/compensação assegura em caso de não homologação da compensação o direito a interposição de manifestação de inconformidade; • O Despacho Decisório de não homologação foi demasiadamente sucinto e não esclareceu o porquê da decisão. • Os princípios constitucionais do contraditório e ampla defesa não foram respeitados pela administração tributária. O Despacho Decisório deve ser considerado nulo uma vez que não expôs os motivos da não homologação prejudicando seu direito de defesa; • É “empresa industrial com projeto aprovado na SUFRAMA e detentora de incentivos fiscais próprios da Zona Franca de Manaus, instituídos pelo DecretoLei nº 288/1967, bem como sujeita ao regime de apuração pela sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS, podendo descontar créditos que poderão ser deduzidos do montante devido de tributos administrados pela Receita Federal do Brasil.” Fl. 186DF CARF MF Processo nº 10283.905356/201216 Acórdão n.º 3302004.943 S3C3T2 Fl. 4 3 • Faz jus aos créditos de PIS e COFINS, com base nos artigos 3º da Lei 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003, especificamente com relação ao inciso III: “energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica.” • Levantou os créditos no mês de competência e utilizou parte do crédito oriundo de energia elétrica prevista no inciso III, conforme DACONs retificadoras para pagamento das contribuições vencidas no período; • “A manifestante, inclusive, providenciou a retificação da DCTF correspondente, regularizando qualquer pendência que ainda pudesse haver.” A defesa relaciona os Acórdãos nºs 1246124 de 10 de maio de 2012 da 17ª Turma e 1638673 de 11 de maio de 2012 da 3ª Turma. 17ª TURMA ACÓRDÃO N° 1246124 de 10 de Maio de 2012 ASSUNTO: Normas de Administração Tributária EMENTA: COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Em face das evidências de erro na apuração e recolhimento do tributo, e não se verificando outros impedimentos ao reconhecimento do direito creditório alegado, cumpre admitir a compensação promovida até o limite do crédito informado na DCOMP. 3ª TURMA ACÓRDÃO N° 1638673 de 11 de Maio de 2012 ASSUNTO: Normas Gerais de Direito Tributário EMENTA: DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO. DESPACHO DECISÓRIO. ERRO. SALDO UTILIZÁVEL. Verificado erro no despacho decisório, o qual afirmara equivocadamente ter sido o valor pago indevidamente totalmente utilizado em momento anterior, restabelecese o direito ao crédito contra o Fisco a ser utilizado nas compensações constantes da DCOMP. Período de apuração: 01/05/2003 a 31/05/2003 • “é fato que a Declaração entregue à Receita Federal do Brasil pela Manifestante não nega seu direito à compensação e, mais, comprova a legitimidade de seu comportamento idôneo.” • Ao final requer que se julgue procedente a Manifestação de Inconformidade, para o efeito de reformar o Despacho Decisório exarado no processo e homologar integralmente a PER/DCOMP constante nos autos. Sobreveio a decisão de primeira instância, em que, por unanimidade de votos, a manifestação de inconformidade foi julgada improcedente, nos termos do Acórdão 08 033.522. O fundamento adotado foi o de que a manifestação de inconformidade havia sido apresentada após o decurso do prazo estabelecido na legislação que rege o processo administrativo fiscal, considerandose, portanto, intempestiva. Fl. 187DF CARF MF Processo nº 10283.905356/201216 Acórdão n.º 3302004.943 S3C3T2 Fl. 5 4 Cientificada, a requerente protocolou o recurso voluntário em que reafirmou as razões de defesa suscitadas na manifestação de inconformidade. Em aditamento, em sede de preliminar, a recorrente alegou que a decisão do órgão julgador de primeiro grau de não analisar o mérito em razão da apresentação intempestiva da manifestação de inconformidade não merecia prosperar, pelas seguintes razões: a) a manifestação da inconformidade fora apresentada com apenas 1 (um) dia de atraso, porque não fora possível protocolar no dia 21/1/2015, mas somente no dia seguinte, por “questões impeditivas do próprio Centro de Atendimento ao Contribuinte CAC em Manaus/AM.”; e b) não era razoável que o mérito da manifestação de inconformidade fosse vilipendiado em razão de um fato totalmente alheio à vontade do contribuinte, “sendo uma afronta, inclusive aos Princípios da Razoabilidade, Ampla Defesa e do Contraditório.”; e c) a autoridade julgadora desconsiderou os princípios basilares do processo administrativo, a saber, os Princípios da Verdade Material, da Moralidade e do Informalismo Moderado É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.936, de 29 de janeiro de 2018, proferido no julgamento do processo 10283.905335/201292, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.936): "O recurso foi apresentado tempestivamente, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. O litígio cingese à preliminar de intempestividade da apresentação da manifestação de inconformidade, que foi apreciada no julgamento de primeiro grau, por força do que dispõe o art. 56, § 2º, do Decreto 7.574/2011, a seguir transcrito: Art. 56. A impugnação, formalizada por escrito, instruída com os documentos em que se fundamentar e apresentada em unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo, bem como, remetida por via postal, no prazo de trinta dias, contados da data da ciência da intimação da exigência, instaura a fase litigiosa do procedimento (Decreto no70.235, de 1972, arts. 14e15). [...] Fl. 188DF CARF MF Processo nº 10283.905356/201216 Acórdão n.º 3302004.943 S3C3T2 Fl. 6 5 §2º Eventual petição, apresentada fora do prazo, não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade, como preliminar. [...] (grifos não originais) Não há controvérsia nos autos quanto ao descumprimento do prazo de apresentação da manifestação de inconformidade. Nas próprias peças defensivas colacionadas aos autos, a recorrente, expressamente, reconhecera que a peça instauradora do litígio fora apresentada no dia seguinte ao vencimento do prazo de 30 (trinta) dias, fixado no art. 15 do Decreto 70.235/1972. Diante dessa constatação, não remanesce qualquer dúvida que, como não foi instaurado o litígio em relação ao mérito, nos termos do art. 14 do Decreto 70.235/1972, induvidosamente, este Colegiado não poderá se manifestar sobre as questões meritórias alegadas pela recorrente no recurso em apreço. Portanto, a presente análise limitarseá à preliminar de tempestividade da manifestação de inconformidade suscitada pela recorrente. E em relação a essa questão, no recurso em apreço, a recorrente alegou que a manifestação da inconformidade não fora apresentada dentro prazo legal, porque “questões impeditivas do próprio Centro de Atendimento ao Contribuinte CAC em Manaus/AM.” Acontece que a recorrente não trouxe à colação dos autos nenhum elemento probatório que confirmasse o alegado. Assim, em razão dessa omissão, por razão óbvia, não há ser acatada tal alegação. A recorrente alegou que não era razoável que o mérito da manifestação de inconformidade fosse vilipendiado em razão de um fato totalmente alheio à vontade do contribuinte, “sendo uma afronta, inclusive aos Princípios da Razoabilidade, Ampla Defesa e do Contraditório.” No âmbito do processo administrativo fiscal, por disposição expressa do caput do art. 26A do Decreto 70.235/1972, é expressamente vedado ao julgador afastar aplicação ou deixar de observar preceito legal dotado de plena vigência e eficácia, inclusive, em situações que, em tese, possa configurar conflito com os princípios constitucionais explícitos ou implícitos. Assim, ainda que se possa vislumbrar, no caso em tela, algum conflito com os princípios da razoabilidade, ampla defesa e do contraditório, há de prevalecer o disposto no art. 14, combinado com o disposto no art. 15, ambos do Decreto 70.235/1972. Portanto, não há como acatar a presente alegação suscitada pela recorrente. Com base no mesmo fundamento, também não merece acolhimento a alegação da recorrente de que a autoridade julgadora desconsiderou princípios basilares do processo administrativo, tais como os princípios da verdade material, da moralidade e do informalismo moderado. Aliás, no caso, não houve desconsideração dos referidos princípios no julgamento de primeiro grau, haja vista que as autoridades julgadoras Fl. 189DF CARF MF Processo nº 10283.905356/201216 Acórdão n.º 3302004.943 S3C3T2 Fl. 7 6 não apreciaram as questões meritórias, por estrito cumprimento do disposto nos referidos preceitos legais. Com base nessas considerações, resta demonstrado que a decisão de primeiro foi proferida com estrita observância das normas legais que regem o processo administrativo fiscal, portanto, não há qualquer reparo a ser feito. Por todo o exposto, votase por negar provimento ao recurso voluntário, para manter na íntegra a decisão recorrida. Da mesma forma que no caso do paradigma, no presente processo restou configurada a intempestividade da Manifestação de Inconformidade, não trazendo a recorrente à colação dos autos nenhum elemento probatório que infirmasse a decisão recorrida. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 190DF CARF MF
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Numero do processo: 16682.720808/2011-86
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS - PLR. INCIDÊNCIA
Quando paga parcela de Participação nos Lucros ou Resultados em desacordo
com os requisitos da Lei 101.101/2000, ocorre a incidência da contribuição previdenciária.
BOLSA DE ESTUDOS. GRADUAÇÃO E PÓS GRADUAÇÃO
Os valores pagos relativos à educação superior (graduação e pós-graduação), podem ser considerados como Curso de capacitação e qualificação profissional se enquadrando, portanto, na hipótese de não incidência prevista
na alínea t, § 9º, artigo 28, da Lei 8.212/91 desde que não exista nenhum outro descumprimento legal imputado pela autoridade fiscal.
Numero da decisão: 9202-005.969
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial, para restabelecer a tributação do pagamento de Lucros e Resultados - PLR, vencidos os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Heitor de Souza Lima Júnior e Luiz Eduardo de Oliveira Santos, que lhe deram provimento integral. Originalmente, nos termos do art. 60 do Anexo II, RICARF, os conselheiros Ana Paula Fernandes (relatora), Patrícia da Silva e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri negaram provimento ao recurso. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Ausente, justificadamente, o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: Relator
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS - PLR. INCIDÊNCIA Quando paga parcela de Participação nos Lucros ou Resultados em desacordo com os requisitos da Lei 101.101/2000, ocorre a incidência da contribuição previdenciária. BOLSA DE ESTUDOS. GRADUAÇÃO E PÓS GRADUAÇÃO Os valores pagos relativos à educação superior (graduação e pós-graduação), podem ser considerados como Curso de capacitação e qualificação profissional se enquadrando, portanto, na hipótese de não incidência prevista na alínea t, § 9º, artigo 28, da Lei 8.212/91 desde que não exista nenhum outro descumprimento legal imputado pela autoridade fiscal.
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INCIDÊNCIA Quando paga parcela de Participação nos Lucros ou Resultados em desacordo com os requisitos da Lei 101.101/2000, ocorre a incidência da contribuição previdenciária. BOLSA DE ESTUDOS. GRADUAÇÃO E PÓS GRADUAÇÃO Os valores pagos relativos à educação superior (graduação e pósgraduação), podem ser considerados como Curso de capacitação e qualificação profissional se enquadrando, portanto, na hipótese de não incidência prevista na alínea “t”, § 9º, artigo 28, da Lei 8.212/91 desde que não exista nenhum outro descumprimento legal imputado pela autoridade fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento parcial, para restabelecer a tributação do pagamento de Lucros e Resultados PLR, vencidos os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Heitor de Souza Lima Júnior e Luiz Eduardo de Oliveira Santos, que lhe deram provimento integral. Originalmente, nos termos do art. 60 do Anexo II, RICARF, os conselheiros Ana Paula Fernandes (relatora), Patrícia da Silva e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri negaram provimento ao recurso. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 08 08 /2 01 1- 86 Fl. 737DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Ausente, justificadamente, o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pela Fazenda Nacional face ao acórdão 2403002.734, proferido pela 3ª Turma Ordinária / 4ª Câmara / 2ª Seção de Julgamento. Tratase processo administrativo referente a contribuições devidas à Seguridade Social, nos termos do art. 22, I e II e § 1° da Lei 8.212/91, à Terceiros (FNDE e INCRA), nos termos do art. 3º da Lei 11.457/07, incidentes tais exações sobre: AI 37.321.6653 e 37.321.6661 custo relativo à educação superior (graduação e pósgraduação) de que trata o Capítulo IV, arts. 43 a 57 da Lei n° 9.394, de 20/12/1996; pagamento de PLR em desacordo com a Lei 10.101/00. Uma parte (5% do resultado) era distribuída de forma discricionária pela diretoria da empresa; valores em contabilidade, fora de FP e fora da GFIP; valores declarados em GFIP com alíquota para GILRAT de 1% (cobrada a diferença de 1%); indenização adicional paga a empregado dispensado sem justa causa. O autuado apresentou impugnação às fls. 243/268. Houve desistência expressa de contencioso em relação aos seguintes fatos geradores: valores em contabilidade, fora de FP e fora da GFIP valores declarados em GFIP com alíquota para GILRAT de 1 % (cobrada a diferença de 1%). E, acompanhando a desistência retro, efetivou o contribuinte os recolhimentos que constam nas guias de fls. 329/333, apropriadas conforme telas de fls. 421/422. A 13ª Turma DRJ/RJI, às fls. 471/486, deu parcial provimento à impugnação. O Contribuinte interpôs recurso voluntário, às fls. 508/535, questionando, em síntese: PLR – os pagamentos realizados pela Recorrente estão plenamente alinhavados com a finalidade do instituto da Participação nos Lucros ou Resultados; o próprio Acórdão ora recorrido reconhece, expressamente, a regularidade do Plano de Participação de nos Lucros e Resultados da Recorrente, verbis: o "Nesse contexto, resta evidenciado que apenas os pagamentos afetos à parcela relativa a 20% do resultado estão ao abrigo da lei 10.101/00. Em relação aos 5% discricionários, os mesmos foram efetuados ao arrepio da Lei"; presença de regras claras e objetivas; bolsa de estudos não possui natureza remuneratória (retributiva). A 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 559/576, DEU PROVIMENTO ao Recurso Ordinário. A ementa do acórdão recorrido assim dispôs: Fl. 738DF CARF MF Processo nº 16682.720808/201186 Acórdão n.º 9202005.969 CSRFT2 Fl. 10 3 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. INCIDÊNCIA Quando paga parcela de Participação nos Lucros ou Resultados em acordo com a Lei101.101/2000, não ocorre a incidência da contribuição previdenciária. BOLSA DE ESTUDOS. GRADUAÇÃO E PÓSGRADUAÇÃO Os valores pagos relativos à educação superior (graduação e pósgraduação) se enquadram na hipótese de não incidência prevista na alínea “t”, § 9º, artigo 28, da Lei 8.212/91 visto que a Lei 9.394/96, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, no artigo 39, estabelece que a educação profissional integrasse aos diferentes níveis e modalidades de educação e inclui graduação e pósgraduação. Recurso Voluntário Provido. Às fls. 578/592, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, alegando divergência jurisprudencial em relação às seguintes matérias: 1. Incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores pagos a título de bolsas de estudo em cursos de graduação e pósgraduação. O acórdão recorrido entendeu que as contribuições previdenciárias não incidem sobre as bolsas de estudo de ensino superior concedidas. Contudo, os acórdãos paradigmas, analisando a mesma legislação de regência – Lei nº 8.212/91, em particular o art. 28, § 9º, alínea “t” – concluíram de maneira inteiramente diversa. Entenderam os paradigmas que a verba paga a título de bolsa de estudo em cursos de nível superior, possuem natureza remuneratória e como tal sujeitamse à incidência tributária. Para os paradigmas, deve ser incluído, como salário de contribuição, o benefício proveniente do curso de nível superior por não consistir em educação básica, nem curso de qualificação profissional como prevê a lei. Assim, merece consideração o disposto no art. 111, inciso I, do CTN, no sentido de aplicar interpretação literal ao caso. 2. Participação nos Lucros e Resultados – Discricionariedade no pagamento das verbas. O ponto de controvérsia repousa na possibilidade de pagamento da participação nos lucros e resultados (PLR) de forma discricionária, a critério da diretoria. Nesta hipótese, o acórdão recorrido entende que o pagamento se caracteriza como participação nos lucros e resultados, nos termos do art. 2º, § 1º da Lei nº 10.101/2000. Diversamente, o paradigma deixa claro o entendimento de que a discricionariedade no pagamento das verbas, sem o amparo de critérios objetivos, implica em afronta ao disposto na Lei nº 10.101/2000, por descumprimento das exigências nela estabelecidas para a devida e legítima configuração da participação nos lucros e resultados. Ao realizar o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial da Fazenda Nacional, às fls. 658/664, a 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, DEU SEGUIMENTO ao recurso em relação às divergências arguidas, em relação as seguintes matérias: bolsas de estudo de graduação e pósgraduação e participação nos lucros e resultados – PLR regras claras e objetivas. Intimado à fl. 676, às fls. 679/707, o Contribuinte apresentou contrarrazões, alegando, preliminarmente, o não preenchimento dos requisitos para admissibilidade do Fl. 739DF CARF MF 4 recurso especial face a não identidade das premissas fáticas entre os acórdãos recorrido e paradigma. No mérito, manteve a linha de argumentação do acórdão recorrido. Vieram os autos conclusos para julgamento. É o relatório. Fl. 740DF CARF MF Processo nº 16682.720808/201186 Acórdão n.º 9202005.969 CSRFT2 Fl. 11 5 Voto Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora. O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merece ser conhecido. Tratase processo administrativo referente a contribuições devidas à Seguridade Social, nos termos do art. 22, I e II e § 1° da Lei 8.212/91, à Terceiros (FNDE e INCRA), nos termos do art. 3º da Lei 11.457/07, incidentes tais exações sobre: AI 37.321.665 3 e 37.321.6661 custo relativo à educação superior (graduação e pósgraduação) de que trata o Capítulo IV, arts. 43 a 57 da Lei n° 9.394, de 20/12/1996; pagamento de PLR em desacordo com a Lei 10.101/00. Uma parte (5% do resultado) era distribuída de forma discricionária pela diretoria da empresa; valores em contabilidade, fora de FP e fora da GFIP; valores declarados em GFIP com alíquota para GILRAT de 1% (cobrada a diferença de 1%); indenização adicional paga a empregado dispensado sem justa causa. O Acórdão recorrido deu provimento ao Recurso Ordinário. O Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional trouxe para análise a divergência jurisprudencial no tocante à incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores pagos a título de bolsas de estudo em cursos de graduação e pósgraduação e à participação nos Lucros e Resultados Discricionariedade no pagamento das verbas regras claras e objetivas. a) Valores pagos a título de auxílioeducação (bolsa de estudo ensino superior); As Contribuições Previdenciárias possuem uma restrita linha de aplicação. Conforme bem delimitado pela Constituição Federal e pela Lei de Custeio estas exações se referem exclusivamente a valores advindos do trabalho, portanto, verbas de natureza remuneratória. O acórdão recorrido orienta a questão considerando que valores pagos relativos à educação superior (graduação e pósgraduação) se enquadram na hipótese de não incidência prevista na alínea “t”, § 9º, artigo 28, da lei 8.212/91 visto que a Lei 9394/96, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, no artigo 39, estabelece que a educação profissional integrase aos diferentes níveis e modalidades de educação e inclui graduação e pósgraduação. Independentemente desta argumentação esposada no voto da conselheiro relator do recorrido, a qual aproveita nova redação da Lei alterada apenas em 2008 com a nova redação dada pela L. 11.741 e que poderia ser considerada norma favorável e razão de legiferar do legislador que representa a vontade do Estado, registro o mesmo encaminhamento com a inclusão de outros argumentos. Fl. 741DF CARF MF 6 Para dirimir esta questão me aproveito de alguns entendimentos veiculados no voto da Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, nos termos que segue: Segundo afirma o jurista mineiro e Ministro do Tribunal Superior do Trabalho, Mauricio Godinho Delgado, na obra "Curso de Direito do Trabalho", 2ª ed., para caracterizar salário utilidade devem ser analisados três requisitos. O primeiro deles é o da "habitualidade do fornecimento", deve o fornecimento do bem ou serviço ser reiterado ao longo do contrato de trabalho, deve estar presente a idéia de ser uma prestação de repetição uniforme em certo contexto temporal. O segundo requisito é a presença do "caráter contraprestativo do fornecimento", defende que é necessário que a causa e objetivos envolvidos no fornecimento da utilidade sejam essencialmente contraprestativo, é preciso que a utilidade seja fornecida preponderantemente com o intuito retributivo, como um acréscimo de vantagens contraprestativas ofertadas ao empregado. Pela pertinência vale citar (p. 712): Nesse quadro, não terá caráter retributivo o fornecimento de bens ou serviços feito como instrumento para viabilização ou aperfeiçoamento da prestação laboral. É claro que não se trata, restritivamente, de essencialidade do fornecimento para que o serviço possa ocorrer; o que é importante, para ordem jurídica, é o aspecto funcional, prático, instrumental, da utilidade ofertada para o melhor funcionamento do serviço. A esse respeito, já existe clássica fórmula exposta pela doutrina com suporte no texto do velho art. 458, §2º da CLT: somente terá natureza salarial a utilidade fornecida pelo trabalho e não para o trabalho. E quanto ao fornecimento e provimento da educação referido Ministro ainda destaca que tratase de dever imposto à empresa pela própria Constituição Federal, e por tal razão o bem ou serviço ofertado não pode ser classificado como salário utilidade, vale citar (p. 715): O dever, como se sabe, é tutela de interesse de outrem imposta a alguém pela ordem jurídica. O dever não necessariamente favorece o sujeito passivo de uma relação jurídica direta (como a relação de emprego); neste sentido distinguese da simples obrigação contratual. Pode, assim, a conduta derivada da tutela de interesse de outrem reportarse a uma comunidade indiferenciadas de favorecidos. É o que se passa com as atividades educacionais, por exemplo. O empregador tem o dever de participar das atividades educacionais do país pelo menos o ensino fundamental (art. 205, 212, §5º, CF/88). Esse dever não se restringe a seus exclusivos empregados estendese aos filhos destes e até mesmo à comunidade, através da contribuição parafiscal chamada salárioeducação (art. 212, §5º, CF/88; DecretoLei n. 1.422/75). Há, pois, fixado em norma jurídica heterônoma do Estado (inclusive na Constituição) um dever jurídico das empresas com respeito ao ensino no país (pelo menos o ensino fundamental): ou esse dever concretizase em ações diretas perante sues próprios empregados e os filhos destes ou, na falta de tais ações diretas, ele se concretiza perante o conjunto societário, através do recolhimento do salário educação. Estáse, desse modo, perante um dever jurídico geral e não mera obrigação contratual. Quanto ao terceiro requisito "onerosidade unilateral", embora reconheça trata se de conduta técnicojuridico extremamente controvertida, o Ministro Delgado admite sua aplicação em casos específicos (p. 718): Fl. 742DF CARF MF Processo nº 16682.720808/201186 Acórdão n.º 9202005.969 CSRFT2 Fl. 12 7 É claro que ocorrem, na prática juslaborativa, algumas poucas situações em que fica nítido o interesse real do obreiro em ingressar em certos programas ou atividades subsidiados pela empresa. Tratase de atividades ou programas cuja fruição é indubitavelmente vantajosa ao trabalhador e sua família, e cujo custo econômico para o empregado é claramente favorável, em decorrência do subsídio empresarial existente. Nestas situações, que afastam de modo patente a idéia de mera simulação trabalhista, não há por que negarlhe relevância ao terceiro requisito ora examinado. Aliás, a quase singularidade de tais situações é que certamente conduz a jurisprudência a valorizar o presente requisito apenas em alguns poucos casos concretos efetivamente convincentes. Embora haja habitualidade na ofertada das bolsas à totalidade dos empregados, a utilização do benefício pelo obreiro é facultativa e onerosa, já que condicionada ao pagamento da parcela da mensalidade devida, e salvo na hipóteses de realização de cursos sucessivos, teremos uma prestação com duração delimitada no tempo (período letivo) não se estendendo por todo contrato de trabalho. Por força do art. Art. 110 do CTN a lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal e com base nessa premissa o art. 195, I, alínea a da Constituição Federal deve ser interpretado utilizandose os conceitos construídos pelo Direito do Trabalho o qual, no entender desta Relatora, seria o ramo do direito competente para se manifestar sobre as relações e reflexos dos contratos de trabalho. Dispões o art. 195 da CF/88: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; ... Em contrapartida o art. 458, §2º, inciso II da Consolidação das Leis do Trabalho assim define o salário: Art. 458 Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações "in natura" que a empresa, por fôrça do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas. Fl. 743DF CARF MF 8 ... § 2o Para os efeitos previstos neste artigo, não serão consideradas como salário as seguintes utilidades concedidas pelo empregador: ... II – educação, em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os valores relativos a matrícula, mensalidade, anuidade, livros e material didático; ... Ora, se os benefícios ofertados aos empregados na forma de educação são considerados pela CLT como verbas não salariais, não pode a fiscalização interpretar a norma tributária no sentido de classificar tais vantagens como "salário utilidade" dandolhes caráter remuneratório. Embora o art. 28, §9º, alínea 't' da Lei nº 8.212/91, somente após 2011 e em situações restritas, tenha admitido a exclusão de bolsas de estudos do conceito de salário de contribuição, o Superior Tribunal de Justiça bem antes havia pacificado seu entendimento pela exclusão de tais verbas do conceito de saláriodecontribuição. Vale citar recente decisão monocrática proferida pela Ministra Regina Helena Costa no Recurso Especial 1.634.880/RS (publicada em 11/11/2016), que negou seguimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional entendo que a decisão recorrida seguia a jurisprudência da Corte: Acerca da contribuição previdenciária, esta Corte adota o posicionamento segundo o qual não incide essa contribuição sobre os valores pagos a título de auxílioeducação. Nessa linha: PROCESSUAL CIVIL. AUSÊNCIA DE OMISSÃO. ART. 535, II, DO CPC. FALTA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 211/STJ. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO COMPROVADA. SITUAÇÃO FÁTICA DIVERSA. POSSIBILIDADE. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE VALETRANSPORTE PAGO EM PECÚNIA. (...) 5. O STJ tem pacífica jurisprudência no sentido de que o auxílio educação, embora contenha valor econômico, constitui investimento na qualificação de empregados, não podendo ser considerado como salário in natura, porquanto não retribui o trabalho efetivo, não integrando, desse modo, a remuneração do empregado. É verba utilizada para o trabalho, e não pelo trabalho. Portanto, existe interesse processual da empresa em obter a declaração do Poder Judiciário na hipótese de a Fazenda Nacional estar cobrando indevidamente tal tributo. 6. Recurso Especial da Fazenda Nacional parcialmente conhecido e, nessa parte não provido e Recurso Especial da empresa provido. (REsp 1586940/RS, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 10/05/2016, DJe 24/05/2016); Fl. 744DF CARF MF Processo nº 16682.720808/201186 Acórdão n.º 9202005.969 CSRFT2 Fl. 13 9 PREVIDENCIÁRIO. RECURSO ESPECIAL. AUXÍLIO EDUCAÇÃO. BOLSA DE ESTUDO. VERBA DE CARÁTER INDENIZATÓRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA SOBRE A BASE DE CÁLCULO DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. 1. "O auxílioeducação, embora contenha valor econômico, constitui investimento na qualificação de empregados, não podendo ser considerado como salário in natura, porquanto não retribui o trabalho efetivo, não integrando, desse modo, a remuneração do empregado. É verba empregada para o trabalho, e não pelo trabalho." (RESP 324.178PR, Relatora Min. Denise Arruda, DJ de 17.12.2004). 2. In casu, a bolsa de estudos, é paga pela empresa e destinase a auxiliar o pagamento a título de mensalidades de nível superior e pósgraduação dos próprios empregados ou dependentes, de modo que a falta de comprovação do pagamento às instituições de ensino ou a repetição do ano letivo implica na exigência de devolução do auxílio. Precedentes:. (Resp. 784887/SC. Rel. Min. Teori Albino Zavascki. DJ. 05.12.2005 REsp 324178/PR, Rel. Min. Denise Arruda, DJ. 17.02.2004; AgRg no REsp 328602/RS, Rel. Min. Francisco Falcão, DJ.02.12.2002; REsp 365398/RS, Rel. Min. José Delgado, DJ. 18.03.2002). 3. Agravo regimental desprovido. (AgRg no Ag 1330484/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 18/11/2010, DJe 01/12/2010) In casu, tendo o acórdão recorrido adotado entendimento pacificado nesta Corte, o Recurso Especial não merece prosperar pela incidência da Súmula 83/STJ. Isto posto, com fundamento no art. 557, caput, do Código de Processo Civil, NEGO SEGUIMENTO ao Recurso Especial. Adotando como fonte de direito o jurisprudência dominante do Superior Tribunal de Justiça, a qual melhor interpreta a amplitude da base de cálculo da contribuição previdenciária, concluo que as bolsas de estudos fornecidas pela instituição aos empregados e seus respectivos dependentes não possuem natureza remuneratória, seja em nível básico, médio ou superior, não se sujeitando, portanto, à incidência do tributo lançado.” Defendo aqui meu posicionamento de que o Tribunal Administrativo deve ser útil à sociedade, motivo pelo qual deve se adequar a jurisprudência dominante do Poder Judiciário, a fim de evitar a repetitiva judicialização de demandas (tão nefasta ao orçamento público), mesmo que não esteja adstrita a aplicação dela por força do regimento, uma vez que a jurisprudência citada não procede de repetitivo de controvérsia (STJ), nem de repercussão geral (STF). Saliento aqui, que não desconheço a previsão legal que restringe os critérios para a concessão de bolsas de estudo, bem como suas alterações legais, mas considerando o Fl. 745DF CARF MF 10 princípio da juridicidade, abarcado no Art. 2º da Lei 9784/99, que preleciona que o julgador no âmbito do Tribunal Administrativo deve atuar conforme a lei o Direito, sendo a Jurisprudência do STJ uma das fontes do Direito, aplicoa como razão de decidir. Não se trata aqui de afastar a constitucionalidade da norma, mas sim de interpretar o ordenamento jurídico com base em uma das fontes do Direito previstas em Lei Específica do Processo Administrativo Federal, tomando a máxima de que “a Lei não prevê palavras inúteis”, a aplicação acima referida está permitida dentro do âmbito administrativo fiscal, vez que este está abarcado no Procedimento Administrativo Federal. E assim acredito que a melhor interpretação seja aquela dada pelo STJ na ementa que transcrita na citação acima, não devendo incidir Contribuição Previdenciária sobre as verbas decorrentes de bolsa de estudos concedidas ao empregados, mesmo em se tratando se ensino superior. b) PAGAMENTO DE LUCROS E RESULTADOS PLR O pagamento da participação nos lucros e resultados para trabalhadores, empregados ou não de uma empresa, sem o recolhimento da contribuição previdenciária, está assegurado pelo artigo 7º, inciso XI, da CF. O dispositivo estabelece que são direitos dos trabalhadores urbanos e rurais participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa. Assim, se a participação dos lucros está excluída do conceito de remuneração, a contribuição incidirá apenas sobre os demais rendimentos, estes sim, de caráter remuneratório. I. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA PATRONAL – INCIDÊNCIA REGULAMENTADA POR LEI ABRANGE UNICAMENTE RENDIMENTOS ADVINDOS DO TRABALHO. O legislador ordinário foi muito zeloso ao instituir o a base legal de custeio previdenciário, o fazendo de modo expresso na Constituição Federal, em seu art. 195, I, “a”. Contudo, para melhor esclarecer detalhes de sua aplicabilidade tratou de disciplinar a aplicação do referido artigo, por meio da edição da Lei nº 8212/91, conhecida como Lei de Custeio da Previdência Social. Observando tanto o artigo 195 da CF/88, como a referida Lei de Custeio, depreendemos que a tributação previdenciária está claramente limitada a rendimentos do trabalho. A doutrina é maciça neste sentido, como podemos observar as pontuações de ZAMBITTE IBRAHIM: “Tanto histórica como normativamente, a contribuição previdenciária é delimitada a rendimentos do trabalho, tendo em vista o objetivo das prestações previdenciárias em substituir rendimentos habituais do trabalhador, os quais, por regra, são derivados da atividade laboral. Ou seja, a legislação vigente, de forma muito clara, delimita a incidência previdenciária, em qualquer hipótese, a rendimentos do trabalho.” (ZAMBITTE IBRAHIM, Fábio). Partindo da premissa que a contribuição previdenciária é devida tão somente sobre as parcelas recebidas a título de remuneração pelo trabalho, são incabíveis as Fl. 746DF CARF MF Processo nº 16682.720808/201186 Acórdão n.º 9202005.969 CSRFT2 Fl. 14 11 alegações da Fazenda Nacional de que as parcelas advindas de Participação nos Lucros e Resultados – PLR, devam sofrer tal incidência. Isso por que a PLR tem relação intrínseca com remuneração do capital – lucro. Essa distinção é fundamental para que possa compreender o motivo da não incidência de contribuição previdenciária patronal sobre a Participação nos Lucros e Resultados – PLR, recebidas por empregados e administradores. Para melhor compreendermos, é preciso levar em conta que a participação referida – PLR, tem uma relação intrínseca com o resultado auferido, ela depende exclusivamente do êxito, enquanto que a remuneração advinda do trabalho independe do risco para ser adimplida, basta a contraprestação do trabalho. Professor Zambitte Ibrahim bem esclarece esta dicotomia entre as referidas verbas: “É também intuitivo, mesmo para o público leigo, que um conceito não se confunde com o outro. É natural e facilmente perceptível que o trabalho, de modo algum, possui liame imediato com o lucro. Não são incomuns as situações de empresários que, mesmo após longa dedicação ao seu mister, não alcançam qualquer proveito econômico e, não raramente, ainda observam relevante perda patrimonial. Já para trabalhadores, com ou sem vínculo empregatício, o rendimento do trabalho é assegurado pela lei, pois não cabe a eles o risco da atividade econômica, o qual, por natural, é assumido pelo empresário. Seus rendimentos traduzem mera contraprestação pela atividade profissional desempenhada”. O próprio ordenamento jurídico tratou de fazer esta distinção, quando elencou no Código Tributário Nacional, por meio do art. 43, os tipos de Rendimentos, que ensejam a aplicação do Imposto de Renda: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1º A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção” (grifei) Da leitura do artigo da lei, extraise que a renda tributável, para fins do imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza, é aquela decorrente do produto do capital e/ou trabalho. Contudo resta evidente que a lei tratou de classificar a renda como: produto do capital, produto do trabalho ou da combinação de ambos, ou seja, cada uma possui um conceito próprio. No caso em tela se estivéssemos discutindo a incidência de imposto de renda, não haveria qualquer dúvida que este seria aplicável sobre ambas. Ou seja, “se há incremento patrimonial – e este é o aspecto nuclear do imposto sobre a renda – proveniente de lucros da atividade econômica pelo empresário ou, cumulativamente, das retribuições pecuniárias pelos seus serviços, há, em qualquer hipótese, renda tributável.” (ZAMBITTE IBRAHIM, Fábio). Isso por que a base de incidência do Imposto de renda engloba proventos de ambas as naturezas: trabalho e capital. Contudo, o mesmo não ocorre para fins previdenciários, Fl. 747DF CARF MF 12 pois a CF/88 mesmo após a EC nº 20/98, optou por tributar, somente os rendimentos do trabalho. Assim, “ao contrário do imposto sobre a renda, a incidência previdenciária é circunscrita aos rendimentos do trabalho, unicamente. A disposição é categórica e cristalina. Ainda que permita a inclusão de trabalhadores sem vínculo empregatício, somente valores derivados do trabalho podem sofrer a respectiva tributação. Como não poderia ser diferente, caminha no mesmo sentido a regulamentação infraconstitucional da matéria, em estrita observância do mandamento constitucional”. (ZAMBITTE IBRAHIM, Fábio). II. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA PATRONAL – LIMITAÇÕES LEGAIS DE INCIDÊNCIA A EC nº 20/98, ampliou as possibilidades de incidência da cota patronal previdenciária, o que foi disciplinado posteriormente pela Lei nº 9.876/99, que deu nova redação ao art. 22, I da Lei nº 8.212/91, responsável pela previsão da cota patronal previdenciária: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (grifei). Observese que o legislador ordinário ao disciplinar as inovações trazidas pela Emenda Constitucional citada, alargou a incidência da cota patronal previdenciária, mas desta vez, com a competência tributária prévia devidamente estabelecida. No entanto, como se percebe do preceito reproduzido, a incidência é, ainda, restrita aos rendimentos do trabalho. Para melhor compreender esta alteração – ampliação da base de incidência da cota patronal é necessário mencionar que a alteração produzida pela nova lei foi unicamente no sentido de incluir outros segurados além da categoria dos empregados. Não por incluir valores outros além dos rendimentos do trabalho, mas, unicamente, pela inserção de remunerações pagas ou devidas a outros segurados, além de empregados. Mantendo, portanto, a mesma regra quanto ao tipo de rendimentos, qual seja, que este seja advindo do trabalho. Ainda citando Professor ZAMBITTE IBRAHIM: “Este sempre foi o real objetivo da alteração constitucional, aqui devidamente conquistado. Novamente, não há qualquer previsão na Lei nº 8.212/91 que albergue a incidência de contribuições previdenciárias sobre os lucros e resultados de diretores nãoempregados. Não é de imposto de renda que se trata, mas sim de contribuição previdenciária. Neste ponto, merece referência a Lei nº 8.212∕91, no art. 28, III, a qual prevê, como saláriodecontribuição de contribuintes individuais, a remuneração auferida em Fl. 748DF CARF MF Processo nº 16682.720808/201186 Acórdão n.º 9202005.969 CSRFT2 Fl. 15 13 uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria. O pagamento de lucros e resultados, como visto, não reflete remuneração, pois não se trata de rendimento do trabalho. Aqui, não há inclusão de tais valores na base previdenciária, seja do segurado ou da empresa. Como reconhece o próprio Regulamento da Previdência Social RPS, no art. 201, § 5º, somente na hipótese de ausência de discriminação entre a remuneração do capital e do trabalho, na precisa dicção do RPS, é que haverá a potencial incidência sobre o total pago ou creditado ao contribuinte individual, haja vista a comprovada fraude.” Diante da citação feita pelo doutrinador, mister se faz a leitura do dispositivo legal apontado, art. 201, § 5º do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, em sintonia com a Constituição e a Lei nº 8.212/91, que expressamente reconhece a dualidade entre rendimentos do capital e trabalho, especialmente quando voltados a segurados contribuintes individuais: Art. 201. A contribuição a cargo da empresa, destinada à seguridade social, é de: (...) § 5º No caso de sociedade civil de prestação de serviços profissionais relativos ao exercício de profissões legalmente regulamentadas, a contribuição da empresa referente aos segurados a que se referem as alíneas "g" a "i" do inciso V do art. 9º, observado o disposto no art. 225 e legislação específica, será de vinte por cento sobre: I a remuneração paga ou creditada aos sócios em decorrência de seu trabalho, de acordo com a escrituração contábil da empresa; ou II os valores totais pagos ou creditados aos sócios, ainda que a título de antecipação de lucro da pessoa jurídica, quando não houver discriminação entre a remuneração decorrente do trabalho e a proveniente do capital social ou tratarse de adiantamento de resultado ainda não apurado por meio de demonstração de resultado do exercício. (grifei) Com a reclassificação dos segurados da Previdência Social advinda da Lei nº 9.876/99, que criou o segurado contribuinte individual, mediante a unificação das categorias autônomo, equiparado a autônomo e empresário, houve uma rígida adequação de tais segurados ao mesmo regramento. A ideia geral é no sentido de que contribuintes individuais somente terão a respectiva incidência previdenciária sobre os valores que visarem retribuir o trabalho, e nunca o capital. O que deixa nítida a não incidência da Contribuição Previdenciária patronal sobre a PLR paga no caso concreto dos autos. III –LEI 10.101/2000 – FORMALIDADES PARA IMPLEMENTAÇÃO DA PLR. A Lei 10.101/2000 disciplina as formalidades necessárias para a caracterização de Participação nos Lucros e Resultados. Assim um conjunto de disposições esclarecem quando se trata ou não de parcela não remuneratória e isenta de contribuições previdenciárias. Isso se faz necessário, logicamente, para evitar que o instituto seja desvirtuado, ou que, verbas de natureza remuneratória sejam taxadas como pagamento de Fl. 749DF CARF MF 14 PLR., com o fim unicamente de burlar o sistema tributário e não pagar contribuições previdenciárias. Dentre estes requisitos formais, temos, a negociação entre empregadores e empregados, por meio de comissão, integrada também por um representante do sindicato da categoria ou de convenção/acordo coletivo. Assim como requisitos materiais com regras claras e objetivas quanto aos direitos substantivos e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição do seu cumprimento, periodicidade da distribuição, vigência e prazos de revisão. E o critério de pagamento pode ter por base, entre outros, índices de produtividade, qualidade ou lucratividade ou de programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. Lei 10.101/2000 Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I Comissão paritária escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II Convenção ou acordo coletivo. § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I Índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II Programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2º O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. § 3º Não se equipara a empresa, para os fins desta Lei: I A pessoa física; II A entidade sem fins lucrativos que, cumulativamente: a) não distribua resultados, a qualquer título, ainda que indiretamente, a dirigentes, administradores ou empresas vinculadas; b) aplique integralmente os seus recursos em sua atividade institucional e no País; c) destine o seu patrimônio a entidade congênere ou ao poder público, em caso de encerramento de suas atividades; d) mantenha escrituração contábil capaz de comprovar a observância dos demais requisitos deste inciso, e das normas fiscais, comerciais e de direito econômico que lhe sejam aplicáveis. § 4º Quando forem considerados os critérios e condições definidos nos incisos I e II do § 1o deste artigo: Fl. 750DF CARF MF Processo nº 16682.720808/201186 Acórdão n.º 9202005.969 CSRFT2 Fl. 16 15 I A empresa deverá prestar aos representantes dos trabalhadores na comissão paritária informações que colaborem para a negociação II Não se aplicam as metas referentes à saúde e segurança no trabalho. Art. 3º A participação de que trata o art. 2º não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. O caso dos autos discute o possível descumprimento de uma destas formalidades, qual seja Discricionariedade no pagamento das verbas regras claras e objetivas. A Fazenda Nacional pede que seja mantida a tributação sobre parte da PLR distribuída pelo sujeito passivo, esta parte se refere ao pagamento do importe de 5% mencionados no acordo como de ordem discricionária, o que no entendimento dela denota falta de critério e sendo assim é de se tributar por falta de atendimento ao requisito das regras claras e objetivas. O Relatório Fiscal também entende que não houve critério nesta distribuição, conforme abaixo: verificase que os valores distribuídos a título de 5% não seguem nenhum critério. Por exemplo, um funcionário da faixa 4, que recebeu de PLR R$165.846,00, cuja a média da nota de avaliação foi 8,04, recebeu a título de 5% R$15.000,00. Um outro funcionário, na mesma faixa 4, que recebeu de PLR R$119.935,00, cuja a média da nota de avaliação foi 5,81, recebeu a título de 5% R$25.000,00. Além disso, podemos comparar esses dois pagamentos com um terceiro funcionário, da faixa 3, que recebeu de PLR R$45.833,00, cuja a média da nota de avaliação foi 8,27, e recebeu a título de 5% R$75.000,00. Verificase que o 5% é totalmente discricionário, fazendo inclusive com que empregados de faixa inferior, recebam mais do que os de faixa superior, mesmo com avaliação similar, a título de 5%, o que vai contra a própria delimitação por faixas imposta no acordo de PLR. Observando o acórdão recorrido, vejo que o redator designado para redigir o voto vencedor, Conselheiro Ivacir Júlio de Souza, o fez com muito zelo e clareza, de modo que aproveito aqui as suas razões de decidir. Como se observa, o lançamento incidiu unicamente sobre a parte relativa aos 5% discricionários, por entender que esta parcela não estaria harmônica com a previsão da lei 10.101/00. Cumpre registrar que a previsão do pagamento dos 5% a título discricionário, a critério da diretoria fora pactuado no Acordo, observo que o mencionado acordo o foi mediante pacto assinado por representantes dos empregados eleitos em assembléia denominados Representantes do Empregados, pelo Sindicato dos Empregados Bancários do Fl. 751DF CARF MF 16 Município do Rio de Janeiro e pela Recorrente, os quais definiram a implementação do contido no item 2 do documento em apreço: "ACORDO DE PARTICIPAÇÃO DOS EMPREGADOS NOS RESULTADOS A Comissão de Negociação, de que trata o inciso I, art. 2o, da Lei n° 10.101/2000, integrada por representantes do Banco Prosper S.A., daqui em diante denominado Banco, por representantes dos empregados, eleitos em assembleia, daqui em diante denominados Representantes do Empregados, e o Sindicato dos Empregados Bancários do Município do Rio de Janeiro, por seu representante, j ajusta o presente acordo para participação dos empregados nos resultados do Grupo Prosper. 16 i1. Plano de Participação nos Resultados O Plano de Participações nos Resultados, daqui em diante denominado PPR ou Plano, dependerá do resultado global do Grupo Prosper, sendo apurado e distribuído de acordo com o previsto neste instrumento. 2. Montante a ser partilhado O montante a ser partilhado corresponde a no máximo 25% do Resultado! do Grupo Prosper, sendo que 20% dentro das notas de avaliação de desempenho e 5% discricionário a critério da Diretoria a partir da faixa 3 a ser distribuído no fechamento do ano. (...) " A Lei de regência do PLR, n° 10.101, de 19 de dezembro de 2000, ao definir os procedimentos pelas partes ressaltou que os exemplos não seriam taxativos e deixou claro no § 1o , II, parte final, do art. 2o , que os critérios e condições ali indicados não necessariamente esgotaria os modelos. Relevante notar que a negociação deuse à luz do previsto no inciso I da sobredita Lei conforme o ACORDO DE PARTICIPAÇÃO DOS EMPREGADOS NOS RESULTADOS exibido alhures: Relevante notar, portanto, que a alegação de falta de regras claras e objetivas, não prospera, pois o critério foi definido, e foi estabelecido no próprio acordo de participação nos lucros. De tudo que foi exposto, tendo o acordo observado as exigências legais, considerando que os partícipes têm legitimidade e idoneidade para acordar, entendo que as regras assim estabelecidas restaram claras para os pactuantes. Entendo também que ainda que se faça juízo de que não as regras não se apresentem justas, o juízo de valor que se faça e eivado de subjetivismo por isso descabe tutela de terceiros salvo expressa ilegalidade que deva ser denunciada de ofício. Tenho convicção que se as partes legalmente estabelecidas chegarem a um acordo, seus termos serão imponíveis a terceiros, quando a própria regra delimita que era cabível a eles a negociação em assembléia. Diante do exposto conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional para no mérito negarlhe provimento, entendendo que devia ser mantido o acórdão na sua integralidade. Sendo mantido o acórdão recorrido no tocante a exclusão do valores pagos a título de Bolsa Auxílio Educação e PLR da tributação lançado no auto de infração. Fl. 752DF CARF MF Processo nº 16682.720808/201186 Acórdão n.º 9202005.969 CSRFT2 Fl. 17 17 Tendo havido, contudo, uma divisão nos entendimentos deste colegiado, sendo apresentadas três teses para solução da questão, foi necessário aplicar a regra de desempate prevista no Regimento Interno do Carf. Por força do art. 60 do Regimento Interno, em segunda votação do colegiado para desempate, não tendo sido minha opção de negar provimento integral (voto relatado) a mais votada, me filiei ao voto de provimento parcial trazido pela Dra. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira que é a opção mais próxima ao meu posicionamento. Sendo assim, a decisão por maioria, advinda da aplicação do regimento acompanhou a divergência oferecida pela Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, da seguinte forma: · Quanto ao Auxílio Educação, nas palavras da declaração de voto da Conselheira "como a única imputação, por parte da autoridade fiscal, para não aplicação da exclusão prevista no art. 28, §9º, "t" à concessão de bolsas de nível superior no presente lançamento foi tratarse de nível superior, não posso chancelar seu procedimento, já que não fez qualquer referência ao descumprimento da exigência "não extensível a totalidade de empregados", que no meu entender, encontravase perfeitamente vigente à época dos fatos geradores. Mantido acórdão recorrido. · Quanto as verbas pagas a titulo de PLR, por descumprimento da exigência regras claras e objetivas, questões de ordem discricionárias, como as regras estabelecidas no caso concreto não respeitam as regras previstas na Lei 10.101/2000, por não restarem claras para os pactuantes. Reformado acórdão recorrido. Diante disso, deve ser reformado em parte o acórdão recorrido. E sendo assim, me filiando ao voto da maioria voto pelo conhecimento parcial do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional É o voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 753DF CARF MF 18 Declaração de Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Redatora Designada. Peço licença a ilustre conselheira Ana Paula Fernandes para divergir quanto a fundamentação trazida em seu voto para manter o acórdão recorrido quanto a exclusão da tributação sobre Bolsas de estudo em nível superior. CONCESSÃO DE BOLSA AOS ESTUDO NÍVEL SUPERIOR AOS EMPREGADOS Quanto a concessão de bolsa de estudos nível superior aos empregados, na forma como concedida e descrita no relatório fiscal da infração, fls. 6/22, efls. 634, constituírem salário de contribuição, razão não confiro ao recorrente (PGFN). De acordo com o previsto no art. 28 da Lei n ° 8.212/1991, para o segurado empregado entendese por saláriodecontribuição a totalidade dos rendimentos destinados a retribuir o trabalho, incluindo nesse conceito os ganhos habituais sob a forma de utilidades, nestas palavras: Art.28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Existem parcelas que não sofrem incidência de contribuições previdenciárias, seja por sua natureza indenizatória ou assistencial, tais verbas estão arroladas no art. 28, § 9º da Lei n ° 8.212/1991, nestas palavras, especificamente em relação a bolsas de estudo: Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) No caso, quanto a verba BOLSA DE ESTUDOS, nos termos em que foi concedida não constituir salário de contribuição, entendo que não restaram cumpridos os requisitos para que sua concessão não constituísse salário de contribuição. Conforme acima esclarecido, a legislação pertinente a contribuições previdenciárias possui legislação própria, Fl. 754DF CARF MF Processo nº 16682.720808/201186 Acórdão n.º 9202005.969 CSRFT2 Fl. 18 19 tanto em relação a parte de custeio Lei 8212/91, como em relação a concessão de benefícios Lei 8213/91, ambas regulamentadas pelo Decreto 3048/99. Assim, não encontra amparo a exclusão dos valores pagos à título de bolsas de estudos em legislação diversa, assim como trazido pela ilustre relatora, quando existem pontos específicos sobre o tema na legislação previdenciária que restringe a sua exclusão do conceito de salário de contribuição. O citado art. 458, §2º da Consolidação das Leis dos Trabalho CLT, realmente assim encontrase disposto: Art. 458 Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações "in natura" que a empresa, por força do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas. [...] § 2o Para os efeitos previstos neste artigo, não serão consideradas como salário as seguintes utilidades concedidas pelo empregador: (Redação dada pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) [...] II – educação, em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os valores relativos a matrícula, mensalidade, anuidade, livros e material didático; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) [...] Ou seja, embora o conceito de salário de contribuição possua correlação com o conceito de remuneração do art. 458 da CLT, o legislador ordinário optou por atribuirlhes limites diversos de exclusão, destacando no art. 28, §9º da lei 8212/90, quais os limites para que a educação, seja na forma de bolsas ou auxílios, seja excluída do conceito de remuneração (salário de contribuição) para efeitos previdenciários. Para os que defendem que o art. 458, §2º foi editado posteriormente à lei 8212/91, o que autorizaria sua aplicação para definição da exclusão das verbas ali elencadas do conceito de salário de contribuição, entendo que razão não lhes assiste, pelos argumentos abaixo expostos: 1º) o custeio previdenciário é regido por legislação própria, sendo que mesmo após a alteração do art. 458, §2º da CLT pela lei 12.761/2012, não houve revogação expressa do art. 28, §9º, 't" da lei 8212/ 91, nem mesmo qualquer alteração para convergência irrestrita dos conceitos de remuneração (salário de contribuição) para efeitos previdenciários e remuneração para efeitos trabalhistas; 2º) por fim, o ponto que entendo mais forte para determinar que o legislador trata as questões de forma diversa, é a alteração do art. 28, § 9º,“t”da Lei 8212/91 pela Lei nº 12.513, de 2011. Apenas nessa lei de 2011, o legislador optou por incluir os dependentes do segurado, mas ainda o fez de forma restrita para efeitos da exclusão do conceito de salário de contribuição, pois define claramente que não é qualquer bolsa para aos dependentes, ou mesmo aos próprios empregados que se encontram excluídos da base de cálculo de contribuições Fl. 755DF CARF MF 20 previdenciárias. Esse fato corrobora o entendimento de que estamos diante de disciplinamentos distintos com regras específicas. Quisesse o legislador nesse momento que as bolsas de estudos de forma irrestrita estivessem excluídas do conceito, bastaria reproduzir o dispositivo da CLT, porém assim, não o fez. Apenas para esclarecer, colacionamos o referido dispositivo. Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) t) o valor relativo a plano educacional, ou bolsa de estudo, que vise à educação básica de empregados e seus dependentes e, desde que vinculada às atividades desenvolvidas pela empresa, à educação profissional e tecnológica de empregados, nos termos da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e: (Redação dada pela Lei nº 12.513, de 2011) 1. não seja utilizado em substituição de parcela salarial; e (Incluído pela Lei nº 12.513, de 2011) 2. o valor mensal do plano educacional ou bolsa de estudo, considerado individualmente, não ultrapasse 5% (cinco por cento) da remuneração do segurado a que se destina ou o valor correspondente a uma vez e meia o valor do limite mínimo mensal do saláriodecontribuição, o que for maior; (Incluído pela Lei nº 12.513, de 2011) Vale destacar que não estamos falando de regra meramente interpretativa, ou mesmo legislação que deixou de considerar infração, determinada conduta, mas de alteração legislativa que excluiu da base de cálculo, ou mesmo do conceito de salário de contribuição determinado benefício. Dessa forma, sua aplicabilidade é restrita aos fatos geradores ocorridos após a sua publicação e dentro dos estritos limites da lei. Quanto a fundamentação de que não possuiria caráter remuneratório, transcrevendo inclusive julgados que indicariam seu caráter indenizatório, também não corroboro desse entendimento. Pelo contrário, o ganho foi direcionado ao segurado empregado da recorrente quando a empresa concedeu as BOLSAS DE ESTUDOS. O campo de incidência é delimitado pelo conceito de salário de contribuição, que destaca o conceito de remuneração em sua acepção mais ampla. Remunerar significa retribuir o trabalho realizado à qualquer título. Desse modo, qualquer valor em pecúnia ou em utilidade que seja pago a uma pessoa natural em decorrência de um trabalho executado, de um serviço prestado, ou até mesmo por ter ficado à disposição do empregador, está sujeito à incidência de contribuição previdenciária. Segundo o ilustre professor Arnaldo Süssekind em seu livro Instituições de Direito do Trabalho, 21ª edição, volume 1, editora LTr, o significado do termo remuneração deve ser assim interpretado: No Brasil, a palavra remuneração é empregada, normalmente, com sentido lato, correspondendo ao gênero do qual são espécies principais os termos salários, vencimentos, ordenados, soldo e honorários. Como salientou com precisão Martins Catharino, “costumeiramente chamamos vencimentos a remuneração dos magistrados, professores e funcionários em geral; soldo, o que os militares recebem; honorários, o que os profissionais liberais ganham no exercício autônomo da profissão; ordenado, o que percebem os empregados em geral, isto é, os trabalhadores cujo esforço mental prepondera sobre o Fl. 756DF CARF MF Processo nº 16682.720808/201186 Acórdão n.º 9202005.969 CSRFT2 Fl. 19 21 físico; e finalmente, salário, o que ganham os operários. Na própria linguagem do povo, o vocábulo salário é preferido quando há prestação de trabalho subordinado.” Não se pode descartar o fato de que os valores pagos á título de BOLSA D ESTUDOS, representam alguma espécie de ganho. Na verdade, dito benefício, está inseridos no conceito lato de remuneração, assim compreendida a totalidade dos ganhos recebidos como contraprestação pelo serviço executado. Também convém reproduzir a posição da professora Alice Monteiro de Barros acerca da distinção entre utilidades salariais e não salariais, enfatizando, de que forma, as utilidades fornecidas, tornamse ganhos, salários indiretos para os empregado. "As utilidades salariais são aquelas que se destinam a atender às necessidades individuais do trabalhador, de tal modo que, se não as recebesse, ele deveria despender parte de seu salário para adquirilas. As utilidades salariais não se confundem com as que são fornecidas para a melhor execução do trabalho. Estas equiparamse a instrumentos de trabalho e, conseqüentemente, não têm feição salarial." Dessa forma, entendo descabida a argumentação de que as BOLSAS sejam fornecidas para o trabalho, cujo alcance está restrito a utilidades que estejam relacionadas diretamente ao desempenho profissional, tais como equipamentos eletrônicos, uniformes, utilização de automóveis, telefones, dentre outros. Também não corroboro a argumentação de que não possua caráter remuneratório, pois não é considerada retribuição pelo trabalho prestado. Ora, não estamos falando de uma bolsa concedida a terceiros desvinculados de relação de trabalho com a empresa, mas de empregados, cuja concessão da bolsa, nada mais é do que um atrativo indireto de captura de profissionais, que muitas vezes não poderiam ter acesso com o simples salário pago pela instituição. Não discordo do aspecto louvável que se poderia extrair de tal ação, mas a legislação tributária não comporta interpretação extensiva face atitudes altruísticas, salvo nos casos expressamente determinados em lei, em obediência, no caso concreto, ao art. 111 do CTN c//c com o art. 28, I e §9º. 't" da lei 8212/91. Enfrentadas as questões pertinentes a qual legislação e, por conseguinte, exigências legais devem ser atendidas para que a bolsa de estudos esteja excluída do conceito de salário de contribuição, vale ressaltar que corroboro em parte com o VOTO DA RELATORA, especificamente sobre a possibilidade de considerar a concessão de bolsa de estudos de nível superior, ou mesmo em nível de pós graduação como incluídos na previsão legal esculpida no art. 28, §9º, "t". senão vejamos novamente o texto legal: Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais Fl. 757DF CARF MF 22 vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) Ao meu entender, quando o legislador descreve: "e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo", acabou por abrir a possibilidade de interpretar que os curso de graduação e pósgraduação, quando considerados como forma de capacitação profissional, ou seja, desde que vinculados as atividade da empresa, podem estar abrangidos na regra de exclusão prevista na lei. Notese que embora a fiscalização tenha descrito em seu relatório fiscal as exigências legais, focou a atribuição de caráter salarial apenas no fato de interpretar que o legislador não abarcou cursos de nível superior dentro da exigência legal. Vejamos o trecho que traduz tal conclusão: Dessa forma, como a única imputação, por parte da autoridade fiscal, para não aplicação da exclusão prevista no art. 28, §9º, "t" à concessão de bolsas de nível superior no presente lançamento foi tratarse de nível superior, não posso chancelar seu procedimento, já que não fez qualquer referência ao descumprimento da exigência "não extensível a totalidade Fl. 758DF CARF MF Processo nº 16682.720808/201186 Acórdão n.º 9202005.969 CSRFT2 Fl. 20 23 de empregados", que no meu entender, encontravase perfeitamente vigente à época dos fatos geradores. Conclusão Pelo exposto, voto por acompanhar o voto da relatora quanto a NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, quanto ao reestabeleimento do lançamento em relação às BOLSAS de ESTUDO . É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 759DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16561.000068/2006-77
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1402-000.531
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito anular o acórdão 1101-000.744.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado), Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. Ausente justificadamente o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves.
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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FAZENDA NACIONAL REPRESENTADOS: BANK OF AMERICA BRASIL LTDA. JOSÉ RICARDO DA SILVA BENEDICTO CELSO BENÍCIO JUNIOR VALMAR FONSECA DE MENEZES NARA CRISTINA TAKEDA TAGA Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito anular o acórdão 1101000.744. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado), Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. Ausente justificadamente o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 65 61 .0 00 06 8/ 20 06 -7 7 Fl. 1256DF CARF MF Processo nº 16561.000068/200677 Resolução nº 1402000.531 S1C4T2 Fl. 1.257 2 Relatório A Corregedoria Geral do Ministério da Fazenda – COGER, com fulcro no inciso III, do § 3º, do art. 80, do Anexo II, da Portaria MF nº 343/2015, que aprovou o Regimento Interno do CARF, com a redação dada pela Portaria MF nº 169/2016, apresentou Argüição de Nulidade do Acórdão nº 1101000.744, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção em 12/06/2012. A referida Arguição de Nulidade foi recebida pelo Sr. Presidente do CARF como REPRESENTAÇÃO DE NULIDADE nos termos do § 3º do citado art. 80, conforme despacho de 20/12/2016 e retificado em 13/01/2017 (efls. 07/08 e 11/12 do processo em apenso), onde determinou à Primeira Seção de Julgamento do CARF a adoção das medidas necessárias a seu processamento. Nesses termos, foi formalizado sob o nº 15169.000155/201676 o processo de Representação com os documentos que a nortearam, para controle das providências de que trata o parágrafo anterior. Aludido PAF encontrase apensado ao presente. No que interessa ao caso, o trâmite processual ocorreu da seguinte forma; 08/12/2006: instrumento de mandato para Walcris Rosito representar o sujeito passivo perante a Receita Federal, 13/12/2006: formalização da exigência com intimação na pessoa do Diretor Walcris Rosito; 03/01/2007: contrato de serviços entre a empresa Pagnozzi e a interessada para defesa em processos administrativos é retificado para incluir os presentes autos. Nessa mesma data, a Pagnozzi subcontrata a SGR que tem no quadro societário José Ricardo da Silva; 10/01/2007: subestabelecimento para atuar no processo em nome de Adriana Oliveira Ribeiro, Manoela Bastos de Almeida e Silva e José Ricardo da Silva; 11/01/2007: impugnação subscrita por Manoela Bastos de Almeida e Silva; 06/07/2007: Delegacia de Julgamento converte o julgamento em diligência; 31/10/2007: lavratura de auto de infração complementar; 29/11/2007: nova impugnação subscrita por Manoela Bastos de Almeida e Silva; 01/12/2008: Pagnozzi denunciou o contrato com a SGR; 08/12/2008: acórdão da Delegacia de Julgamento acolhendo parcialmente a defesa, com interposição de recurso de ofício; Fl. 1257DF CARF MF Processo nº 16561.000068/200677 Resolução nº 1402000.531 S1C4T2 Fl. 1.258 3 07/01/2009: interposição de recurso voluntário subscrito por Manoela Bastos de Almeida e Silva; 23/04/2009: processo encaminhado ao CARF; 28/08/2009: apresentação de contrarrazões pela PGFN; 10/09/2010: constituída SCP entre Pagnozzi e Mussi & Sandri, com anuência do sujeito passivo, para atuar no processo; 24/11/2011: processo pautado no CARF pela primeira vez; 12/06/2012: após diversos pedidos de vista e retiradas de pauta, processo é julgado com decisão negando provimento ao recurso de ofício e dando provimento ao recurso voluntário. Em cumprimento aos ditames regimentais, foram intimadas as partes e os integrantes do colegiado; nesse último caso aqueles mencionados no Relatório de Análise da COGER/MF. Apresentaram manifestação o sujeito passivo, a PGFN e os participantes do julgamento: Benedicto Celso Benicio Junior e Valmar Rodrigues de Menezes. Não houve manifestação do Conselheiro José Ricardo da Silva e Nara Cristina Takeda Taga. O BANK OF AMERICA BRASIL LTDA. suscitou as preliminares de nulidade da Representação em função de: cerceamento do direito de defesa, eis que não lhe teria sido fornecida cópia dos autos do processo 12110.000079/201514; erro de direito, tendo em vista que os dispositivos regimentais que embasaram a Representação não vigoravam em 12/06/2012, data em que o processo foi julgado no CARF; e: ausência de motivação da Representação. Quanto ao mérito, faz uma síntese da matéria a que se refere o julgamento e sustenta que o posicionamento adotado pelos conselheiros, notadamente os da representação fazendária, deixa clara a inexistência de irregularidade. Afirma que os fatos imputados aos Conselheiros representados estão baseados em ilações e não foi demonstrada qualquer relação deles com a requerente. Acrescenta que o acórdão hostilizado está em consonância com a jurisprudência do CARF. Traz outras decisões que embasariam o posicionamento e finaliza registrando que não teria auferido qualquer benefício em supostas irregularidades praticadas por Conselheiros. BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, reconhece o impedimento em processos de interesse do Banco Itaú mas afirma que, na primeira sessão na qual o processo em questão foi pautado, teria sido informado que o interessado seria o Bank of America, para quem jamais prestou qualquer serviço direto ou indireto. Assim, entendeu que não caberia declarar o impedimento. Fl. 1258DF CARF MF Processo nº 16561.000068/200677 Resolução nº 1402000.531 S1C4T2 Fl. 1.259 4 Defende também a regularidade do pedido de vista que formulou, pois necessitaria de exame mais aprofundado do conteúdo dos autos tendo em vista a complexidade da matéria. VALMAR FONSECA DE MENEZES, suscita a ocorrência de nulidade, tendo em vista que não lhe foram apresentadas as razões pelas quais teria sido formalizada a Representação. Defende que, por ter atuado como Conselheiro fazendário,não estaria submetido aos ditames do inciso II e Parágrafo Único do art. 42, do RICARF, na redação à época do julgamento questionado. Acrescenta que também não se enquadraria em nenhum dos demais incisos do mencionado dispositivo. Tece arrazoado sobre o que seria o regular trâmite processual e registra que não teve qualquer participação na distribuição do processo ao conselheiro relator. Ressalta que o posicionamento por ele adotado não teve qualquer impacto no resultado final do julgamento e ainda, que o texto da Representação não lhe imputa qualquer conduta irregular específica em relação ao processo sob exame. Por fim, sustenta que no inquérito policial que investigou os fatos relacionados à presente Representação o Delegado responsável optou por não indiciálo. A FAZENDA NACIONAL, em preliminar, esclarece que a motivação da Representação de Nulidade seria a imputação de impedimento a exConselheiros que participaram da sessão em que foi proferido o Acórdão 1101000.744, com base na acusação de interesse econômico no julgamento, com base normativa no art. 42 do RICARF vigente à época. Esclarece que ocorrência de máfé, caracterizada pela ocultação da relação entre o exconselheiro José Ricardo da Silva e a consultoria Pagnozzi responsável pela defesa do contribuinte no âmbito administrativo, leva o termo inicial do prazo decadencial para declaração de nulidade a data na qual o CARF foi cientificado do vício inerente à decisão prolatada. Menciona o conteúdo de alguns itens do Relatório de Análise elaborado pela Corregedoria do MF para ressaltar o vínculo contratual existente entre a Pagnozzi, consultoria responsável pela defesa do sujeito passivo, e a SGR que tinha o ex Conselheiro José Ricardo da Silva como sócio. Registra, inclusive, que as empresas em questão teriam simulado a denúncia desses contrato em 01/12/2008, logo após ter sido prolatada a decisão de primeira instância. Sustenta, como consequência, que o exConselheiro José Ricardo da Silva encontravase impedido de atuar no julgamento do processo em questão. Acrescenta que, tendo sido relator, a participação do referido Conselheiro foi decisiva para o resultado do julgamento favorável ao sujeito passivo. Aduz que a não interposição de recurso especial sob nenhuma hipótese pode ser tida como anuência com o resultado do julgamento mas sim com a inexistência, até aquele momento, de divergência jurisprudencial. Nesse ponto, ressalta ter apresentado contrarrazões e sustentação oral. Fl. 1259DF CARF MF Processo nº 16561.000068/200677 Resolução nº 1402000.531 S1C4T2 Fl. 1.260 5 Registra a propositura pelo MPF de ação penal referente ao processo em questão, pelo qual foi oferecida denúncia por corrupção passiva contra o ExConselheiro José Ricardo da Silva. Em conclusão, pugna pela declaração de nulidade do Acórdão 1101000.744. É o Relatório. Fl. 1260DF CARF MF Processo nº 16561.000068/200677 Resolução nº 1402000.531 S1C4T2 Fl. 1.261 6 Voto Conselheiro Leonardo de Andrade Couto Relator Preliminarmente, importa delimitar o escopo do procedimento de apreciação da Representação de nulidade. Deve ser verificada a ocorrência, sobre integrantes do colegiado que prolatou o acórdão 1101000.744, de alguma situação passível de enquadramento no art. 42, do RICARF, caracterizando o impedimento. Sob esse prisma, fatos mencionados no Relatório de Análise da Coger/MF que não tenham impacto para efeito da declaração de impedimento não serão aqui objeto de análise, sem embargo da relevância para outras esferas de atuação do Poder Público. Cabe também esclarecer que optouse pelo conservadorismo de analisar questões referentes a todos os integrantes da turma julgadora que tiveram o comportamento minimamente questionado no Relatório de Análise, ainda que a leitura do documento de per si não indicasse uma situação que, no entendimento desse relator, justificasse o enquadramento nas hipóteses estabelecidas no dispositivo em comento. Ainda à guisa de esclarecimento, conforme estabelecido no § 5º, do art. 80, do Anexo II, da Portaria MF nº 343/2015 (RICARF); a representação de nulidade não configura reclamação ou recurso previsto no inciso III, do art. 151, do Código Tributário Nacional (CTN). Sendo assim, submetese a rito próprio estabelecido nos demais parágrafos do mencionado art. 80. Transcrevese o art.42, do Anexo II, da Portaria MF 256/2009, que aprovou o Regimento Interno do CARF vigente à época do julgamento: Art. 42. O conselheiro estará impedido de atuar no julgamento de recurso, em cujo processo tenha: I atuado como autoridade lançadora ou praticado ato decisório monocrático; II interesse econômico ou financeiro, direto ou indireto; III como parte, cônjuge, companheiro, parentes consanguíneos ou afins até o terceiro grau; IV participado do julgamento em primeira instância. Parágrafo único. Para os efeitos do inciso II, considerase existir interesse econômico ou financeiro, direto ou indireto, nos casos em que o conselheiro representante dos contribuintes: I preste consultoria, assessoria, assistência jurídica ou contábil ao interessado, ou dele perceba remuneração sob qualquer título, no período da instauração do processo administrativo fiscal e até a data da sessão em que for concluído o julgamento do recurso; e II atue como advogado, firmando petições, em ação judicial cujo objeto, matéria, ou pedido seja idêntico ao do recurso em julgamento. Fl. 1261DF CARF MF Processo nº 16561.000068/200677 Resolução nº 1402000.531 S1C4T2 Fl. 1.262 7 Art. 42A O Conselheiro estará impedido de atuar como relator em recurso especial em que tenha atuado, na decisão recorrida, como relator ou redator relativamente à matéria objeto do recurso especial. Passase à análise. BANK OF AMERICA BRASIL LTDA: Tratase da parte interessada no julgamento em questão. Ainda que, por óbvio, não se possa falar em impedimento da parte, a conduta do sujeito passivo na pessoa de seus representantes merece avaliação. De imediato, refutase todas as arguições de nulidade suscitadas. Os elementos utilizados por este Relator na análise da Representação de Nulidade foram os mesmos disponibilizados ao requerente com a intimação encaminhada. Não há, portanto, cerceamento de defesa. Em relação à base normativa, registrese que caput do art. 80, do atual RICARF já existia com essa mesma redação no Regimento anterior vigente à época do julgamento, ou seja, quando o Acórdão questionado foi prolatado já havia a previsão de que decisões proferidas em desacordo com o art. 42 enquadrarseiam nas hipóteses de nulidade estabelecidas no art. 59, do Decreto nº 70.235/72. Os dispositivos acrescentados ao art. 80 pela Portaria MF nº 169/2016 tratam apenas do rito para o tratamento da Representação, sendo portanto de aplicação imediata. Aplicase o mesmo raciocínio ao art. 42 cuja texto, à época do julgamento, foi transcrito acima. É incompreensível a argumentação de que não estava em vigor. Quanto à ausência de motivação, pareceme argumentação de natureza exclusivamente protelatória. A motivação é claríssima: tratase de imputação de impedimento a exConselheiros que participaram da sessão em que foi proferido o Acórdão 1101000.744, com base na acusação de interesse econômico no julgamento, com base normativa no art. 42 do RICARF. O Relatório de Análise traz os fatos que serão analisados pelo Colegiado com vista ao enquadramento os não em alguma das hipóteses do dispositivo mencionado. Simples assim. Nas denominadas questões de mérito, faz uma síntese da matéria a que se refere o julgamento e sustenta que o posicionamento adotado pelos conselheiros, notadamente os da representação fazendária, deixa clara a inexistência de irregularidade. Afirma que os fatos imputados aos Conselheiros representados estão baseados em ilações e não foi demonstrada qualquer relação deles com a requerente. Acrescenta também que o acórdão hostilizado está em consonância com a jurisprudência do CARF. Traz outras decisões que embasariam o posicionamento e finaliza registrando que não teria auferido qualquer benefício em supostas irregularidades praticadas por Conselheiros. Registrese de imediato que as questões inerentes à conduta dos exConselheiros será analisada em item específico para cada um deles, com avaliação se o integrante do colegiado não se enquadraria em alguma das hipóteses pelas quais ele deveria ter se declarado impedido e de que forma a participação no julgamento foi relevante para o resultado. Fl. 1262DF CARF MF Processo nº 16561.000068/200677 Resolução nº 1402000.531 S1C4T2 Fl. 1.263 8 Quanto à jurisprudência que lhe seria favorável, em relação à matéria sob exame no recurso voluntário a requerente trouxe apenas um (1) acórdão e, salientese, prolatado pelo mesmo colegiado. Relativamente ao sujeito passivo, importa ressaltar que a origem dos fatos que geraram a Representação de Nulidade é uma só: a contratação da consultoria Pagnozzi para fazer a defesa administrativa no processo em questão. No texto do Relatório de Análise constam vários indicativos da inexistência de justificativa para que essa empresa fosse contratada, e como tal contratação propiciou a prática das irregularidades aqui analisadas, como se verá em momento posterior deste voto. BENEDICTO CELSO BENÍCIO JUNIOR: No Relatório de Análise foi indicado que o escritório de advocacia do qual o representado é sócio EFETUOU PAGAMENTO a título de honorários ao escritório Mussi & Sandri que defendeu a interessada durante o julgamento no CARF. Tendo em vista que o texto do art. 42, do RICARF trata de situação oposta, ou seja, quando o conselheiro RECEBE honorários da parte sob julgamento, tal fato não caracterizaria o impedimento nos termos regimentais. Em relação às ligações do representado com o Banco Itaú, o que implicaria em impedimento tendo em vista que o sujeito passivo teria sido adquirido por aquela instituição financeira, pareceme que a informação de aquisição não corresponde aos fatos. Tudo indica que na parcela de ativos do Banco de Boston que foi adquirido pelo Banco Itaú não constavam as operações do Bank of America. Cabe ressaltar que nas diversas reorganizações societárias que constam dos autos não há qualquer menção ao Banco Itaú como adquirente e, ainda mais, antes do julgamento. Do exposto, não vislumbrei situação de impedimento para esse representado. NARA CRISTINA TAKEDA TAGA : Em função de a representação de nulidade não configurar reclamação ou recurso previsto no inciso III, do art. 151, do Código Tributário Nacional (CTN); a não apresentação de manifestação pela representada não tem os efeitos da revelia. Cabe exame dos fatos que lhe foram imputados. Sendo assim, constatase que a única menção à representada feita no Relatório implicaria, nos moldes do item anterior, em impedimento frente ao Banco Itaú que teria adquirido o sujeito passivo. Tendo em vista que não foi demonstrada essa aquisição, descabe suscitar o impedimento da representada. VALMAR FONSECA DE MENEZES: O Relatório de Análise da CogerMF faz três (3) menções a esse representado, dirigidas principalmente à ligação com o então Conselheiro Valmir Sandri, sócio do escritório Mussi & Sandri que defendeu a interessada neste processo no âmbito do CARF. Esta ligação teria como base a atuação dos citados em outros processos julgados na Corte. Fl. 1263DF CARF MF Processo nº 16561.000068/200677 Resolução nº 1402000.531 S1C4T2 Fl. 1.264 9 Entendo que não se pode ter como base decisória a menção a outras situações que não tem ligação com o processo sob exame. Além do mais, tratandose de Conselheiro da representação fazendária, o enquadramento no at. 42 do RICARF ocorreria em situações estranhas aos fatos mencionados. Importa ressaltar que, ao se manifestar em relação à análise em curso, a PGFN não faz qualquer menção a esse representado o que implica, a meu ver, no reconhecimento tácito da inexistência de situação de impedimento. Ressalvese que, se em relação a esse ou a qualquer processo no âmbito do CARF, ficar posteriormente demonstrada que a suposta ligação entre o representado e outros Conselheiros ou advogados tenha implicado no auferimento de algum ganho patrimonial indevido, estarseia não de uma simples situação da impedimento mas de enquadramento na legislação penal, matéria estranha à análise aqui em curso. Do exposto, entendo não ter se caracterizado situação de impedimento para esse representado. JOSÉ RICARDO DA SILVA: Em função de a representação de nulidade não configurar reclamação ou recurso previsto no inciso III, do art. 151, do Código Tributário Nacional (CTN); a não apresentação de manifestação pelo representado não tem os efeitos da revelia. Cabe exame dos fatos que lhe foram imputados. Na análise da conduta desse representado, importa ressaltar que foi o relator do processo no CARF. Cabe lembrar parte da cronologia do processo nos termos expostos no relatório integrante deste voto: 13/12/2006: formalização da exigência com intimação na pessoa do Diretor Walcris Rosito; 03/01/2007: contrato de serviços entre a empresa Pagnozzi e a interessada para defesa em processos administrativos é retificado para incluir os presentes autos. Nessa mesma data, a Pagnozzi subcontrata a SGR que tem no quadro societário José Ricardo da Silva; 10/01/2007: subestabelecimento para atuar no processo em nome de Adriana Oliveira Ribeiro, Manoela Bastos de Almeida e Silva e José Ricardo da Silva; 11/01/2007: impugnação subscrita por Manoela Bastos de Almeida e Silva; Percebese a razão deste relator ter mencionado, no item referente ao sujeito passivo, que a origem dos fatos analisados seria a contratação da consultoria Pagnozzi pela defesa. Logo após a autuação criouse o vínculo formal entre a Pagnozzi e a SGR que tinha o representado entre seus sócios. A participação do representado na defesa, ainda que na primeira instância julgadora, a meu ver já caracterizaria a situação de impedimento prevista no inciso I, do Parágrafo Único, do art. 42, do RICARF então vigente. Fl. 1264DF CARF MF Processo nº 16561.000068/200677 Resolução nº 1402000.531 S1C4T2 Fl. 1.265 10 Mas não é só isso. Ainda que pouco antes do processo ser encaminhado ao CARF tenha havido o rompimento formal desse contrato na prática isso jamais ocorreu. De acordo com as informações contidas no Relatório da Coger, apuradas a partir das troca de correspondências entre os envolvidos, o voto apresentado pelo relator foi na verdade elaborado em sua quase totalidade por terceiros, com a participação do novo escritório subcontratado pela Pagnozzi (Mussi & Sandri): “272. No início de fevereiro de 2012 o conselheiro relator JOSE RICARDO requisitou por email que PAULO CORTEZ enviasse o ‘memorial’ do processo 16561.000068/200677, de interesse do BANK BOSTON que havia sido recebido anteriormente de VALMIR SANDRI, sócio do escritório MUSSI & SANDRI, empresa contratada da PAGNOZZI e do BANK BOSTON para defesa de seus interesses perante o litígio administrativo (DOC. 50). 273. Embora JOSE RICARDO se refira ao documento como ‘memorial’, seu teor mostra que na verdade o arquivo traz em sua forma uma minuta de voto para o julgamento. A minuta pugna pelo deferimento do Recurso Voluntário do contribuinte e a negativa ao Recurso de Ofício da Fazenda Nacional. Desse contexto, depreendese a organicidade entre os vários envolvidos que atuavam de modo coordenado e mediante a divisão de tarefas, com a intermediação de escritórios de consultoria e advocacia, para o fim de reduzir ou extinguir sagazmente créditos tributários constituídos pelo fisco Federal. Percebese, portanto, a atmosfera obscura predominante na relação entre os defensores dos interesses do BANK BOSTON e o conselheiro/relator julgador da causa no CARF. [...] 278. Em outra análise, esta comparandose o voto proferido por JOSE RICARDO no PAF e o ‘memorial’ (minuta de voto) enviada por PAULO CORTEZ e referenciada como tendo sido recebida de VALMIR SANDRI, conselheiro e sócio da MUSSI & SANDRI. É possível notar que o documento, de fato, foi utilizado para fomentar o voto apresentado. Do exame da redação e das teses empregadas nos documentos, é transparente a visão de que praticamente todo o documento, informado como recebido de VALMIR SANDRI, compôs o voto de JOSE RICARDO. Importante comentar que a sequência dos assuntos manejados na parte do voto segue a mesma inteligência fixada no outro documento de comparação. Os excertos abaixo mostram a similaridade entre os textos e seu conteúdo semântico: [...] 279. A todo o exposto, as evidências apontam que o voto proferido por JOSE RICARDO frente ao recurso voluntário interposto pelo BANK BOSTON no processo 16561.000068/200677 foi construído por diversas mãos incluindo aí VALMIR SANDRI e PAULO CORTEZ. Frisese novamente que JOSE RICARDO havia sido contratado anteriormente para a defesa do BANK BOSTON e mais, após o alegado desfazimento da contratação, a empresa MUSSI & SANDRI, Fl. 1265DF CARF MF Processo nº 16561.000068/200677 Resolução nº 1402000.531 S1C4T2 Fl. 1.266 11 do conselheiro VALMIR SANDRI, foi contratada para fazer frente aos supostos trabalhos dos processos ora analisados. [...] 286. Por fim, não obstante o imaginário distrato, concebido via denúncia de contrato, entre a PAGNOZZI e a SGR, arquivo de contratos da SGR nominado ‘contratos em ser agosto 2009’ aponta no ano de 2009 os processos 16561.000068/200677 e 16327.000299/200653 do BANK BOSTON como componentes da carteira de clientes da SGR (DOC. 92). O documento ainda lista outros processos do BANK BOSTON e Banco Itaú dentre os acompanhados. Residem aí fortes elementos indiciários de que o distrato tenha servido para dar aparente desvinculação entre os atores, quando na realidade a relação comercial ainda permaneceu ativa.” Como regra geral, o posicionamento do relator do processo tem muita relevância no resultado do julgamento inclusive por uma relação de confiança tendo em vista ser aquele que, em tese, melhor conhece os autos. Sendo assim, não cabe minimizar o impacto do voto proferido favoravelmente ao sujeito passivo por ter sido acompanhado pela maioria do colegiado. Além disso, como já mencionado, não é de todo correta a alegação de que o voto está de acordo com a jurisprudência da Corte, principalmente no que se refere ao julgamento do recurso voluntário. Conforme esclarecido pela PGFN, a não interposição de recurso especial não decorreu de uma suposta concordância com o Acórdão hostilizado, mas da ausência de divergência jurisprudencial apta a fundamentar o recurso. Registrese que a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões ao recurso voluntário e, além disso, realizou sustentação oral na sessão de julgamento de 2/2/2012, defendendo a tributação nos moldes efetuados. Apenas pelo caráter informativo, eis que ainda não há registro de condenação, os fatos descritos no Relatório de Análise da Coger/MF implicaram em ação penal proposta pelo MPF onde, no teor da denúncia já recebida, entendeuse que o representado teria praticado crime de corrupção passiva e que os pagamentos pelo êxito no processo teriam sido feitos mediante esquema de lavagem de dinheiro (vide documento anexo à informação prestada pela PGFN). De todo o exposto, considero flagrante e insofismável o impedimento do ex Conselheiro JOSÉ RICARDO DA SILVA e, pelo impacto no resultado do julgamento conforme explicitado, voto no sentido de ANULAR O ACÓRDÃO 1101000.744. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Fl. 1266DF CARF MF Processo nº 16561.000068/200677 Resolução nº 1402000.531 S1C4T2 Fl. 1.267 12 Fl. 1267DF CARF MF
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Numero do processo: 15504.725546/2012-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 30/11/2008
SERVIÇOS PRESTADOS POR COOPERADOS POR INTERMÉDIO DE COOPERATIVA DE TRABALHO. CONTRIBUIÇÃO A CARGO DA EMPRESA.
A exigência decorrente da aplicação do percentual de 15% sobre a receita bruta da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços prestados por cooperados através de cooperativas de trabalho, deve ser cancelada em função da declaração de inconstitucionalidade do dispositivo legal que lhe dava suporte.
ISENÇÕES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. COMPLEMENTAÇÃO DE AUXÍLIO-DOENÇA.
Não integra a remuneração do empregado a complementação do auxílio-doença em razão da ausência de caráter contraprestacional, de tempo à disposição ou por não se referir aos casos de interrupção dos efeitos do contrato de trabalho.
BOLSAS DE ESTUDOS. REEMBOLSO. EDUCAÇÃO SUPERIOR.. NÃO INCIDÊNCIA.
As despesas relativas a reembolso de educação superior aos segurados empregados, quando comprovadamente se referem a cursos de capacitação e qualificação profissionais, não integra a base de cálculo previdenciária em face de expresso afastamento de caráter remuneratório pela lei trabalhista .
PAGAMENTO DE VALORES COMO PREMIAÇÃO POR IDÉIAS DOS SEGURADOS APROVADAS PELA EMPRESA. AUSÊNCIA DE CARÁTER REMUNERATÓRIO DA VERBA.
Não integra o salário de contribuição os valores pagos, pela empresa aos segurados, por idéias consideradas boas e úteis relativas ao meio ambiente, processos industriais e de trabalho, desperdício de matérias e/ou matérias primas, em razão da ausência de caráter contraprestacional, de tempo à disposição ou por não se referir aos casos de interrupção dos efeitos do contrato de trabalho, não integrando, portanto, as parcelas remuneratórias percebidas pelos segurados.
Numero da decisão: 2201-004.073
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Votou pelas conclusões o Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo.
(assinado digitalmente)
CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Presidente e Relator.
EDITADO EM: 22/02/2018
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausente justificadamente a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski.
Nome do relator: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 30/11/2008 SERVIÇOS PRESTADOS POR COOPERADOS POR INTERMÉDIO DE COOPERATIVA DE TRABALHO. CONTRIBUIÇÃO A CARGO DA EMPRESA. A exigência decorrente da aplicação do percentual de 15% sobre a receita bruta da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços prestados por cooperados através de cooperativas de trabalho, deve ser cancelada em função da declaração de inconstitucionalidade do dispositivo legal que lhe dava suporte. ISENÇÕES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. COMPLEMENTAÇÃO DE AUXÍLIODOENÇA. Não integra a remuneração do empregado a complementação do auxílio doença em razão da ausência de caráter contraprestacional, de tempo à disposição ou por não se referir aos casos de interrupção dos efeitos do contrato de trabalho. BOLSAS DE ESTUDOS. REEMBOLSO. EDUCAÇÃO SUPERIOR.. NÃO INCIDÊNCIA. As despesas relativas a reembolso de educação superior aos segurados empregados, quando comprovadamente se referem a cursos de capacitação e qualificação profissionais, não integra a base de cálculo previdenciária em face de expresso afastamento de caráter remuneratório pela lei trabalhista . PAGAMENTO DE VALORES COMO PREMIAÇÃO POR IDÉIAS DOS SEGURADOS APROVADAS PELA EMPRESA. AUSÊNCIA DE CARÁTER REMUNERATÓRIO DA VERBA. Não integra o salário de contribuição os valores pagos, pela empresa aos segurados, por idéias consideradas boas e úteis relativas ao meio ambiente, processos industriais e de trabalho, desperdício de matérias e/ou matérias AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 55 46 /2 01 2- 15 Fl. 358DF CARF MF 2 primas, em razão da ausência de caráter contraprestacional, de tempo à disposição ou por não se referir aos casos de interrupção dos efeitos do contrato de trabalho, não integrando, portanto, as parcelas remuneratórias percebidas pelos segurados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Votou pelas conclusões o Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo. (assinado digitalmente) CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Presidente e Relator. EDITADO EM: 22/02/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausente justificadamente a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski. Relatório Tratase de Recurso de Voluntário interposto contra acórdão da 6ª Turma da DRJ Fortaleza/CE que manteve, integralmente, o lançamento tributário relativo ao descumprimento da obrigação de prestar informações corretas e sem omissões em GFIP. Tal crédito foi constituído por meio de Auto de Infração que contém o Debcad 51.023.6014 (fls. 3 do processo digitalizado), pelo qual foi apurado o crédito tributário no valor de R$ 500,00, em valores consolidados em fevereiro de 2013. O lançamento está devidamente explicitado no Relatório Fiscal de folhas 6. A ciência pessoal do Auto de Infração, que contém o crédito referente ao descumprimento da obrigação de novembro de 2008, ocorreu em 18 de fevereiro de 2013, conforme se verifica às folhas 03. Em 19 de março de 2013, foi apresentada a impugnação ao lançamento (fls.127). Em 12 de dezembro de 2014, a 6ª Turma da DRJ de Fortaleza, por meio da decisão consubstanciada no Acórdão 0828.696 (fls. 245), de forma unânime, entendeu por não conhecer a defesa administrativa apresentada, restando, o decisum assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Exercício: 2013 Fl. 359DF CARF MF Processo nº 15504.725546/201215 Acórdão n.º 2201004.073 S2C2T1 Fl. 359 3 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. APRESENTAÇÃO DE GFIP COM INCORREÇÕES OU OMISSÕES. CFL 78. Constitui infração a empresa apresentar GFIP com incorreções ou omissões, nos termos da Lei n° 8.212/91, art. 32, inciso IV, com a redação dada pela MP nº 449/08, convertida na Lei n° 11.941/09. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO DE EMPREGADOS. Entendese por salário de contribuição a base de cálculo da contribuição previdenciária, quantificado pela totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, destinados a retribuir o trabalho pelos serviços prestados ou pelo tempo à disposição do trabalhador. CONSECTÁRIOS LEGAIS. JUROS. TAXA SELIC. São devidos acréscimos legais com base em aplicação da taxa de juros SELIC sobre contribuições sociais recolhidas em atraso, conforme artigo 35 da lei n° 8.212/91 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido" Tal decisão tem o seguinte relatório que, por sua clareza e precisão, reproduzo (fls. 246): Tratase de Auto de Infração por descumprimento de obrigações acessória, consoante discriminação adiante esmiuçado. a) AI DEBCAD 51.023.6014, importando R$ 500,00, motivado por apresentar o sujeito passivo a declaração a que se refere a Lei nº 8.212, de 24.07.1991, art. 32, inciso IV, acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.1997, com a redação da MP nº 449, de 03.12.2008, convertida na Lei n° 11.941, de 27.05.2009, com incorreções ou omissões, com lastro na fundamentação legal contida no na folha de rosto do AI. O relatório fiscal aduz que (fls. 06/13): Com relação à competência 11/2008, a empresa deixou de registrar no campo remuneração sem parcela do 13 salário, as rubricas de complementação auxílio doença, bolsa estudo (auxílio educação), prêmio campo de idéias; também omitiu valores pagos a cooperativas de trabalho. Os fatos geradores da contribuição previdenciária omitida GFIP, mencionados nos subitens: 2.1.3.1 a 2.1.3.4, deste Relatório, encontramse descritos de forma detalhada e fundamentada, nos Relatórios Fiscais que se constitui em parte integrante do processo administrativo fiscal correspondente ao Auto de Infração AI DEBCAD N° 37.378.4708, que recebeu o número de protocolo 15504725.541/ 201292 (subitens 2.1.3.1 a 2.1.3.3) e AI Fl. 360DF CARF MF 4 DEBCAD N° 37.375.7573, que recebeu o número de protocolo 15504725.543/ 201281 (subitem 2.1.3.4) Decorrentes da Obrigação Principal, inclusive a forma de apuração e verificação, razão pela qual não juntamos ao presente Auto de Infração AI, tendo o contribuinte recebido o referido Relatório Fiscal. Da Impugnação Inconformada com a autuação, cientificada em 18.02.2013, a empresa apresentou impugnação em 19.03.2013, que, em síntese, argumenta que (fls. 163/185): Sobre a decadência: O período anterior a 18.02.2008 está extinto pela decadência, considerando o período de 01/2008 a 12/2008 e as intimações fiscais em 18.02.2013; Sobre a retroação benigna: Necessário se proceder à comparação da multa mais benéfica, considerando o art. 106, II, “c” do CTN e a Lei nº 11.941/09. a multa de mora foi limitada a 20% conforme art. 61 da Lei nº 9.430/96, devendo ser aplicada multa prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/91; os períodos de 01/2008 e 03/2008 a 10/2008 e 12/2008 sofreram incidência de multa de ofício de 75% e no período de 02/2008 e 11/2008, aplicouse a legislação anterior, contudo a metodologia anterior é mais benéfica em relação à multa de ofício; Ocorre que a definição dada pelo Sr. Agente Fiscal foi a de que a multa mais benéfica seria aplicada por intermédio do seguinte procedimento: soma do valor da multa punitiva (obrigação acessória) ao valor da multa de mora (obrigação principal) que vigoravam à época da ocorrência dos supostos fatos geradores e confrontando o resultado aritmético com a soma das mesmas multas veiculadas pela Lei n.° 11.941/09. No entanto, tal procedimento vai de encontro à lei, pois, não seria possível conceber a aplicação de multa genérica independentemente de sua natureza, ora, a multa aplicável a situação de mora é completamente diversa a multa punitiva, portanto, jamais poderia ser admitida o procedimento adotado para a definição da multa mais benéfica, já que considera multas completamente distintas como se tivessem uma mesma natureza. a majoração da multa de mora do art. 35 da Lei nº 8.212/91 pelo decurso do tempo é ilegal; ao determinar a progressão do percentual da multa com base em fatores diversos da gravidade da ilicitude in casu, a prática de atos administrativos ao longo do tempo (tais quais a apresentação de defesa ou recurso administrativo, o pagamento parcial ou integral do tributo, a inscrição em dívida ativa, o ajuizamento de execução fiscal e etc.) o artigo 35 da Lei n.° 8.212/91 acabou por fazer com que a punição assumisse a função compensatória (que é própria e exclusiva dos juros de mora), o que acaba por configurar o malfadado bis in idem. Fl. 361DF CARF MF Processo nº 15504.725546/201215 Acórdão n.º 2201004.073 S2C2T1 Fl. 360 5 a aplicação do art. 35 da Lei nº 8.212/91 deve atender aos princípios da razoabilidade e proporcionalidade; A MP 449/2008 revogou a multa de mora progressiva no tempo; E, nem se alegue que as alterações veiculadas pela Medida Provisória n.° 449/08 não se aplicariam de forma retroativa, com base na suposição de que a multa de mora em questão não possuiria caráter punitivo. Isso porque, nos termos do que prescreve a Súmula n.° 565 do Supremo Tribunal Federal, "a multa fiscal moratória constitui pena administrativa, não se incluindo no crédito habilitado em falência". Assim, caso a multa de mora seja mantida, esta deve se ater a 20%; Sobre os juros SELIC: os juros SELIC não podem atuar sobre a multa mora, visto que não têm previsão legal; a SELIC só pode ser cobrado sobre tributos e não sobre multa, conforme art. 13 da Lei nº 9.065/95 c/c art. 84 da Lei n º 8.981/95; demonstrado que (i) multa não é tributo; e (ii) só há previsão legal para que os juros calculados à taxa Selic incidam sobre tributo (e não sobre multa), a cobrança de juros sobre a multa, que se verifica no cálculo da RFB para atualização dos créditos tributários objeto do presente processo, desrespeita o princípio constitucional da legalidade, expressamente previsto nos artigos 5o, II, e 37 da Constituição Federal, (...) também não é o caso de aplicação dos juros sobre a multa estampado no art. 43 da Lei nº 9.430/96, já que tal previsão se dá quando a multa é isolada, o que não é o caso; Sobre a Representação Fiscal para Fins Penais RFFP: como não foi cometido ilícito algum, já que os valores pagos pela impugnante não são base de cálculo das contribuições previdenciárias, não há porquê formalizar RFFP; A RFFP deve esperar o encerramento do processo administrativo; a RFFP deve ser suspensa pela DRJ; Sobre o saláriodecontribuição previdenciário: acorde com o art. 28, I da Lei nº 8.212/91 c/c arts. 457 e 458 da CLT, para que incida contribuição previdenciária a verba há de ser destinada a retribuir o trabalho, não indenizatória, paga de forma habitual e pelos serviços efetivamente prestados. o art. 201, § 11º da CF/88 estabelece que somente os ganhos habituais serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária; Fl. 362DF CARF MF 6 Admitirse o contrário, em discrepância à definição de remuneração estabelecida pela legislação trabalhista, representaria flagrante afronta ao disposto pelo artigo 110 do Código Tributário Nacional, na medida em que o legislador tributário estaria alterando a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal. Aqui, com muito mais rigor deve ser interpretada a regra, na medida em que está tratando de um preceito de ordem pública. Sobre as Cooperativas de Trabalho A cooperativa de trabalho é equiparada à empresa, nos termos do art. 15, § único da Lei nº 8.212/91; Da incerteza e iliquidez da base de cálculo o artigo 22, IV da Lei n° 8.212/91 estabelece a incidência de contribuição previdenciária à alíquota de 15% (quinze por cento) "sobre o valor bruto da nota Fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho' Entretanto, tal valor abrange, além da prestação de serviço correspondente à remuneração do trabalhador cooperado outras despesas inerentes à I prestação do serviço, tais como combustível, manutenção, troca de peças dos veículos, considerandose tratarse de contratação de cooperativo de transporte de passageiros Ocorre que, como já visto, a base de cálculo do tributo constitucionalmente prevista somente permite a sua incidência sobre a remuneração paga ao empregado, pessoa física, em retribuição ao seu trabalho. Para que fosse possível a efetiva verificação da base de cálculo sujeita a incidência da contribuição previdenciária o Ilustre Agente Fiscal deveria ter considerado como base de cálculo da exação o exato montante pago a título de remuneração, excluídos outros valores decorrentes de despesas inerentes à prestação do serviço. O Ministério Público Federal manifestouse favoravelmente à procedência da ADI nº 2.5945; E nem se diga que a incidência da contribuição sobre 20% (vinte por cento) do valor da nota fiscal, nos termos do art. 218 da Instrução Normativa RFB n° 971/2009, teria o condão de segregar da nota fiscal o montante correspondente à remuneração do cooperado, pois, tal percentual representa mera estimativa, o que torna a base de cálculo adotada completamente ilíquida e incerta. Da ADI nº 2.5945 até momento a referida ação não foi julgada. Ressaltese ainda que, por conta da existência da mencionada ADI, o Recurso Extraordinário n° 595.838 foi afetado pelo regime de repercussão geral, de modo que a decisão proferida em qualquer um dos referidos processo deverá produzir efeitos erga omnes, razão pela Fl. 363DF CARF MF Processo nº 15504.725546/201215 Acórdão n.º 2201004.073 S2C2T1 Fl. 361 7 qual, na remota hipótese de permanência da presente autuação, deverá ser sobrestado o seu julgamento até a decisão final proferida no julgamento das mencionadas ações judiciais Junta jurisprudência e doutrina. Requer improcedência do lançamento; subsidiariamente, caso prevaleça o lançamento, pede sobrestamento do julgamento até que seja julgada a respectiva ADI. É o relatório." Cientificado da decisão que contrariou seus interesses em 22 de maio de 2014, às 13:11hs, por meio de acesso ao seu domicílio eletrônico (fls. 272), o sujeito passivo apresentou tempestivamente recurso voluntário (fls. 275) no qual, na essência, reproduz seus argumentos da impugnação. O recurso foi distribuído por sorteio eletrônico, em sessão pública, para este Conselheiro. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira, Relator Estando presentes os requisitos de admissibilidade, passo a apreciar o recuso voluntário na ordem de suas alegações. Antes, porém, necessário recordar que, segundo o Relatório Fiscal (fls. 7), são os seguintes os motivos da autuação: A apresentação incorreta da GFIP pela empresa, descrita no item anterior, constitui infração ao artigo 32, inciso IV e § 9°, da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, publicada no D.O.U. de 25/07/91, com nova redação dada pelo artigo 24 da Medida Provisória n° 449 de 03/12/2008, publicada no D.O.U. de 04/12/2008, convertida na Lei n° 11.941 de 27/05/2009. 2.1.3 A empresa omitiu os seguintes dados da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informação à Previdência Social GFIP, na competência 11/2008: 2.1.3.1 Deixou de registrar no campo “Remuneração sem parcela do 13° salário” da Guia, valores pagos a segurados empregados, lançados em Folha de Pagamento, a título de Complementação Auxilio Doença, sob o código: 1375 Complementação Aux Doença, no período de 11/2008, não considerados pela empresa como parcela de incidência de contribuição para Previdência Social e Terceiros, conforme Fl. 364DF CARF MF 8 discriminado no ANEXO XIX, que se constitui em parte integrante do presente Relatório; 2.1.3.2 Deixou de registrar no campo “Remuneração sem parcela do 13° salário” da Guia, valores pagos a segurados empregados, referente a benefício de Bolsa Estudo (Auxílio Educação), concedido aos seus empregados, (salário indireto), no período de 11/2008, não considerados pela empresa como parcela de incidência de contribuição para Previdência Social e Terceiros, conforme discriminado no ANEXO XIX, que se constitui em parte integrante do presente Relatório; 2.1.3.3 Deixou de registrar no campo “Remuneração sem parcela do 13° salário” da Guia, valores pagos a segurados empregados, lançados em Folha de Pagamento, a título de Prêmio, sob o código: 1926 Prêmio Campo Idéias, no período de 11/2008, não considerados pela empresa como parcela de incidência de contribuição para Previdência Social e Terceiros, conforme discriminado no ANEXO XIX, que se constitui em parte integrante do presente Relatório; 2.1.3.4 A empresa omitiu no campo “Valores Pagos a Cooperativas de Trabalho” da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informação à Previdência Social GFIP, no período de 11/2008, valores correspondentes a notas fiscais ou faturas de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe foram prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, conforme discriminado no ANEXO XX, que se constitui em parte integrante do presente Relatório, que é base de cálculo da contribuição instituída pelo art. 22, inciso IV, da Lei n° 8.212/91, com a redação dada pela Lei n° 9.876/99. 2.1.4 Os fatos geradores da contribuição previdenciária omitida GFIP, mencionados nos subitens: 2.1.3.1 a 2.1.3.4, deste Relatório, encontramse descritos de forma detalhada e fundamentada, nos Relatórios Fiscais que se constitui em parte integrante do processo administrativofiscal correspondente ao AutodeInfração AI DEBCAD N° 37.378.4708, que recebeu o número de protocolo 15504725.541/201292 (subitens 2.1.3.1 a 2.1.3.3) e AI DEBCAD N° 37.375.7573, que recebeu o número de protocolo 15504725.543/201281 (subitem 2.1.3.4) Decorrentes da Obrigação Principal, inclusive a forma de apuração e verificação, razão pela qual não juntamos ao presente AutodeInfração AI, tendo o contribuinte recebido o referido Relatório Fiscal." A leitura atenta do relatório fiscal indica que os lançamentos incorretos ou omissos em GFIP, motivo do Auto de Infração em análise, decorrem das verbas pagas a título de auxíliodoença, bolsa de estudos, prêmio 'Campo Idéias" e pagamentos a cooperativas de trabalho. O processo 15504.725541/201292, acima mencionado, foi apreciado, em 08 de março de 2016, pela 1ª Turma da 4ª Câmara desta 2ª Seção de Julgamento, restando prolatado o Acórdão 2401004.212 assim ementado: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Fl. 365DF CARF MF Processo nº 15504.725546/201215 Acórdão n.º 2201004.073 S2C2T1 Fl. 362 9 Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 ISENÇÕES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. COMPLEMENTAÇÃO DE AUXÍLIODOENÇA. As disposições legais sobre a isenção de contribuições previdenciárias nas hipóteses de complementação do auxílio doença condicionam o benefício à extensão à totalidade de empregados e dirigentes. O fato da interpretação da outorga de isenção ter de ser literal (artigo 111 do CTN) não implica a desconsideração de seu verdadeiro sentido. Se uma norma isentiva visa incentivar a concessão de um benefício de cunho social, o que se impede é a sua concessão de forma individualizada ou discriminatória. Se a diferenciação se deu entre situações em que a própria legislação social prevê um tratamento distinto, como na hipótese de contratação precária, a exclusão não se faz em ofensa à regra de isenção. Alínea n do parágrafo 9° do artigo 28 da Lei n° 8.212/91. MATERIAL ESCOLAR. KIT ESCOLAR. PRESTAÇÃO "IN NATURA". HABITUALIDADE NÃO CARACTERIZADA. NÃO INCIDÊNCIA. O fornecimento de material escolar "in natura" aos segurados empregados, desde que não caracterizada a habitualidade, não integra a base de cálculo previdenciária. VALELIVRO. CESTA DE NATAL. CARTÃO MAGNÉTICO. INCIDÊNCIA. O valor disponibilizado à parte dos segurados empregados, por meio de cartão magnético, destinado à aquisição de livros e material escolar ou de cestas de natal, ainda que não caracterizada a habitualidade, integra a base de cálculo previdenciária. BOLSAS DE ESTUDOS. REEMBOLSO. EDUCAÇÃO SUPERIOR. EXCLUSÃO DE PARTE DOS EMPREGADOS. POSSIBILIDADE. AVALIAÇÃO DO CASO CONCRETO. NÃO INCIDÊNCIA. Avaliado o caso concreto à luz da legislação aplicável aos fatos geradores ocorridos no ano de 2008, as despesas relativas a reembolso de educação superior aos segurados empregados, quando comprovadamente se referem a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, mesmo que excluídos do benefício os menores aprendizes, os empregados contratados por prazo determinado e os empregados afastados do trabalho por motivo de doença ou acidente de trabalho, não integra a base de cálculo previdenciária. PRÊMIO POTESTATIVO. EXTENSÃO A TRABALHADORES E TERCEIROS. Fl. 366DF CARF MF 10 Pagamentos condicionados à potestatividade da empresa não integram o contrato de trabalho e, consequentemente, não constituem remuneração ou rendimento do trabalho. PROGRAMA DE LUCROS OU RESULTADOS. VALOR EXCEDENTE AO ESTIPULADO NO ACORDO. INCIDÊNCIA. O pagamento de valores a segurados empregados ocupantes de cargos gerenciais, a título de participação nos lucros ou resultados, excedente ao estipulado no instrumento de negociação firmado entre a empresa e a comissão representativa dos empregados, integra a base de cálculo previdenciária. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE PELO DESCUMPRIMENTO. PRINCÍPIO 'TEMPUS REGIT ACTUM.' As multas decorrentes do descumprimento de obrigação tributária principal foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual deu nova redação ao art. 35 e fez acrescentar o art. 35A à Lei nº 8.212/91. Na hipótese de lançamento de ofício, por representar a novel legislação encartada no art. 35A da Lei nº 8.212/91, inserida pela MP nº 449/2008, um tratamento mais gravoso ao sujeito passivo do que aquele previsto no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.876/99, inexistindo, antes do ajuizamento da respectiva execução fiscal, hipótese de a legislação superveniente impor multa mais branda que aquela então revogada, sempre incidirá ao caso o princípio "tempus regit actum", devendo ser aplicada em cada competência a legislação pertinente à multa por descumprimento de obrigação principal vigente à data de ocorrência do fato gerador não adimplido, observado o limite máximo de 75%, em atenção ao princípio da retroatividade da lei tributária mais benigna prevista no art. 106, II, ‘c’, do CTN, salvo nos casos de sonegação, fraude ou conluio. AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. CFL 68. ART. 32A DA LEI Nº 8.212/91. RETROATIVIDADE BENIGNA. As multas decorrentes de entrega de GFIP com incorreções ou omissões foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual fez acrescentar o art. 32A à Lei nº 8.212/91. Incidência da retroatividade benigna encartada no art. 106, II, ‘c’, do CTN sempre que a norma posterior cominar ao infrator penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração autuada. INCIDÊNCIA OU NÃO DOS JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. CONHECIMENTO DA MATÉRIA. REPERCUSSÃO IMEDIATA AO CONTRIBUINTE E NO CURSO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Deve ser conhecido o recurso voluntário quanto ao questionamento específico da incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, posto que incidente a partir da impugnação ao lançamento apresentada pelo contribuinte, independente de ser Fl. 367DF CARF MF Processo nº 15504.725546/201215 Acórdão n.º 2201004.073 S2C2T1 Fl. 363 11 verificada a sua cobrança no momento da exigência dos débitos após os julgamentos de primeira e segunda instância, ou mesmo ao final do processo administrativo fiscal, sob pena de cerceamento ao direito de defesa e contraditório. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA REFERENCIAL DO SISTEMA DE LIQUIDAÇÃO E CUSTÓDIA (SELIC). INCIDÊNCIA. Incidem juros de mora à taxa Selic sobre a multa de ofício não recolhida no prazo legal. LEI TRIBUTÁRIA. MAJORAÇÃO DA MULTA PELO DECURSO DO TEMPO. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. Este Conselho Administrativo é incompetente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula Carf nº 2) REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. SÚMULA CARF Nº 28 Este Conselho Administrativo é incompetente para se pronunciar sobre controvérsias referentes à representação fiscal para fins penais elaborada pela fiscalização. (Súmula Carf nº 28) Recurso Voluntário Provido em Parte" (negritos não constam do original) Ressalto também que no julgamento do processo 15504.725545/201271, foi reconhecida a improcedência do lançamento decorrente do não recolhimento da contribuição previdenciária incidente sobre o pagamento às cooperativas de trabalho em razão da declaração da inconstitucionalidade do inciso IV do artigo 22 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal (RE 595.838). Com essas considerações, passemos à análise do voluntário. DA DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DO INCISO IV, DO ART. 22, DA LEI N° 8.212/91 PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL REPERCUSSÃO GERAL Sobre o ponto, assim argumenta a Recorrente (fls. 279): "Verificase, pois, que o presente auto de infração teve por objetivo constituir obrigação acessória referente à contribuição previdenciária que fundamentou a propositura da ADI n° 2.594 5. Com efeito, em 13 de fevereiro de 2014, quando do julgamento da impugnação apresentada no presente processo administrativo, asseverou a Turma Julgadora que "e/77 consulta ao sítio eletrônico do e. STF, em 09.12.2013, ainda não há decisão de mérito sobre a matéria". (fl. 15, da decisão recorrida). Fl. 368DF CARF MF 12 Ocorre que, entre o período do julgamento proferido pela E. D RJ e a interposição do Recurso Voluntário nos presente autos, mais especificamente na sessão de julgamento do dia 23/04/2014, o Plenário do Supremo Tribunal Federal decidiu, por unanimidade, em sede repercussão geral (Recurso Extraordinário n° 595.838). que os tomadores de serviços de cooperativas não devem recolher a contribuição previdenciária de 15% incidente sobre a nota fiscal ou fatura de prestação de serviços. De fato, o STF reconheceu a inconstitucionalidade do inciso IV, do art. 22, da Lei n° 8.212/91, tendo em vista que a contribuição ali disposta não se amolda à base de cálculo de folha de salário ou rendimentos do trabalho, pois as cooperativas não atuam como meras intermediárias na prestação dos serviços entre os tomadores e cooperados, mas são pessoas jurídicas com personalidade própria e, portanto, participam da relação jurídicotributária. Ainda, reconheceuse que ao estabelecer como fato gerador o valor bruto da nota fiscal, a lei ordinária introduziu nova fonte de custeio, a qual somente atenderia aos ditames constitucionais pela via da lei complementar, o que não se observa na espécie. Para elucidar o entendimento exarado pelo STF, importa analisar o voto condutor, proferido no RE n° 595.838 de relatoria do Ministro Dias Toffoli, cuja íntegra juntase aos autos (Doe. 03), com a respectiva notícia publicada no sítio do STF (Doe. 04). Confirase abaixo os principais excertos do aludido voto: (...)" (grifos não constam do original) Assiste razão à Recorrente. Como reconhecido no julgamento do processo 15504.725546/201215, foi declarada pela Suprema Corte a inconstitucionalidade do dispositivo embasador do lançamento tributário. Com essa constatação, forçoso reconhecer a improcedência do crédito tributário decorrente da obrigação principal e por via de consequência, seu reflexo na obrigação de fazer imposta ao Contribuinte no interesse da Administração Tributária. Recurso provido nessa parte. ENQUADRAMENTO DOS PAGAMENTOS A TÍTULO DE COMPLEMENTAÇÃO AUXÍLIO DOENÇA À HIPÓTESE DE NÃO INCIDÊNCIA Depois de, longamente, discorrer sobre os requisitos da incidência tributária das contribuições previdenciárias, apoiada em doutrina e jurisprudência, a Recorrente conclui (fls. 284), que é "evidente que a base de cálculo das contribuições previdenciárias deverá ser composta pelos valores pagos pelo empregador em contraprestação a um trabalho realizado pelo empregado, pessoa física, de natureza não indenizatória." Fl. 369DF CARF MF Processo nº 15504.725546/201215 Acórdão n.º 2201004.073 S2C2T1 Fl. 364 13 Na sequência de seus argumentos recursais, alega que (fls.284): "(...) os valores pagos pela Recorrente a título de complementação auxílio doença, auxílio escolar (vale livro/material escolar), bolsa de estudos (auxílio educação) e prêmios (programa "campo ideias" e cesta de natal) deveriam ter integrado o salário de contribuição sujeito à incidência de contribuições previdenciárias em razão de sua natureza salarial. Entretanto, de acordo com as razões expostas acima, tais verbas jamais poderiam integrar a base de cálculo de contribuições previdenciárias, haja vista a completa ausência de habitualidade e retributividade de seu pagamento. Como já explicitado, para que se configure como parte da remuneração sujeita à incidência de contribuições previdenciárias, o pagamento deverá ser efetuado em contraprestação a um serviço e de forma habitual, situação essa que não se verifica nos pagamentos das verbas relacionadas acima. Ora, qual seria a contraprestação por parte do empregado doente que receba pagamentos a título de complementação auxílio doença; ou do empregado que receba "vale livro/material escolar" para ajudar nas despesas com a educação de seus filhos; ou ainda bolsa de estudos ou prêmios?" Sobre os requisitos da incidência tributária em análise, já nos pronunciamos no sentido de que, como regra geral, as contribuições previdenciárias têm por base de cálculo a remuneração percebida pela pessoa física pelo exercício do trabalho. É dizer: toda pessoa física que trabalha e recebe remuneração decorrente desse labor é segurado obrigatório da previdência social e dela contribuinte, em face do caráter contributivo e da compulsoriedade do sistema previdenciário pátrio. De tal assertiva, decorre que a base de cálculo da contribuição previdenciária é a remuneração percebida pelo segurado obrigatório em decorrência de seu trabalho. Nesse sentido caminha a doutrina. Eduardo Newman de Mattera Gomes e Karina Alessandra de Mattera Gomes (Delimitação Constitucional da base de cálculo das contribuições sociais previdenciárias ‘in’ I Prêmio CARF de Monografias em Direito Tributário 2010, Brasília: Edições Valentim, 2011. p. 483.), entendem que: “...não se deve descurar que, nos estritos termos previstos no art. 22, inciso I, da Lei nº 8.212/91, apenas as verbas remuneratórias, ou seja, aquelas destinadas a retribuir o trabalho, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo disponibilizado ao empregador, é que ensejam a incidência da contribuição previdenciária em análise” (grifos originais) Academicamente (OLIVEIRA, Carlos Henrique de. Contribuições Previdenciárias e Tributação na Saúde ‘in’ HARET, Florence; MENDES, Guilherme Adolfo. Tributação da Saúde, Ribeirão Preto: Edições Altai, 2013. p. 234.), já tivemos oportunidade de nos manifestar no mesmo sentido quando analisávamos o artigo 214, inciso I do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, que trata do salário de contribuição: “O dispositivo regulamentar acima transcrito, quando bem interpretado, já delimita o salário de contribuição de maneira definitiva, ao prescrever que é composto pela Fl. 370DF CARF MF 14 totalidade dos rendimentos pagos como retribuição do trabalho. É dizer: a base de cálculo do fato gerador tributário previdenciário, ou seja, o trabalho remunerado do empregado, é o total da sua remuneração pelo seu labor” (grifos originais) O final da dessa última frase ajudanos a construir o conceito que entendemos atual de remuneração. A doutrina clássica, apoiada no texto legal, define remuneração como sendo a contraprestação pelo trabalho, apresentando o que entendemos ser o conceito aplicável à origem do direito do trabalho, quando o sinalagma da relação de trabalho era totalmente aplicável, pois, nos primórdios do emprego, só havia salário se houvesse trabalho. Com a evolução dos direitos laborais, surge o dever de pagamento de salários não só como decorrência do trabalho prestado, mas também quando o empregado "está de braços cruzados à espera da matériaprima, que se atrasou, ou do próximo cliente, que tarda em chegar", como recorda Homero Batista (Homero Mateus Batista da Silva. Curso de Direito do Trabalho Aplicado, vol 5: Livro da Remuneração.Rio de Janeiro, Elsevier. 2009. pg. 7). O dever de o empregador pagar pelo tempo à disposição, ainda segundo Homero, decorre da própria assunção do risco da atividade econômica, que é inerente ao empregador. Ainda assim, cabe o recebimento de salários em outras situações. Numa terceira fase do direito do trabalho, a lei passa a impor o recebimento do trabalho em situações em que não há prestação de serviços e nem mesmo o empregado se encontra ao dispor do empregador. São as situações contempladas pelos casos de interrupção do contrato de trabalho, como, por exemplo, nas férias e nos descansos semanais. Há efetiva responsabilização do empregador, quando ao dever de remunerar, nos casos em que, sem culpa do empregado e normalmente como decorrência de necessidade de preservação da saúde física e mental do trabalhador, ou para cumprimento de obrigação civil, não existe trabalho. Assim, temos salários como contraprestação, pelo tempo à disposição e por força de dispositivos legais. Não obstante, outras situações há em que seja necessário o pagamento de salários A convenção entre as partes pode atribuir ao empregador o dever de pagar determinadas quantias, que, pela repetição ou pela expectativa criada pelo empregado em recebêlas, assumem natureza salarial. Típico é o caso de uma gratificação paga quando do cumprimento de determinado ajuste, que se repete ao longo dos anos, assim, inserese no contrato de trabalho como dever do empregador, ou determinado acréscimo salarial, pago por liberalidade, ou quando habitual. Nesse sentido, entendemos ter a verba natureza remuneratória quando presentes o caráter contraprestacional, o pagamento pelo tempo à disposição do empregador, haver interrupção do contrato de trabalho, ou dever legal ou contratual do pagamento. Todo o resto, remuneração não é! Assentados quanto ao conceito de remuneração como salário de contribuição, forçoso reconhecer que uma verba paga a título de complementação de auxílio doença não integra o salário de contribuição, não só por não decorrer de contraprestação (por óbvio que o doente não pode trabalhar), por não estar o trabalhador à disposição do empregador (posto que doente), por não ser caso de interrupção de efeitos de contrato de trabalho (vez que não há trabalho e nem salário, é caso de suspensão dos efeitos do contrato), e por fim, por não decorrer de determinação legal, aliás, as disposições legais atinentes, se expressam com total clareza pela não incidência das contribuições (Lei nº 8.212/91, artigo 28, § 9º, alínea 'n'). Mister recordar que a exoneração de tal verba do lançamento foi determinada pela Colenda 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara por meio do Acórdão 2401004.212, acima reproduzido, que transitou em julgado nessa parte. Fl. 371DF CARF MF Processo nº 15504.725546/201215 Acórdão n.º 2201004.073 S2C2T1 Fl. 365 15 Assim, não há que se falar em informação incorreta ou omissa em GFIP por força de tal verba. Recurso provido também nessa parte PAGAMENTOS A TÍTULO DE BOLSA DE ESTUDOS Recorda a Recorrente, o motivo do lançamento quanto a esta verba (fls. 294): "Ainda, de acordo com o relatório fiscal que instruiu as autuações em referência (autos de infração nos 37.378.4708; 37.378.4716 e 37.378.4694), estariam sujeitas à incidência de contribuições previdenciárias as verbas pagas a título de "bolsa de estudo" (auxílio educação). Em seu relatório, o Ilustre Agente Fiscal aduziu que: "2.2.4.10. Os pagamentos efetuados pela empresa, destinados a custeio de educação superior, (graduação, pósgraduação e MBA) de parte dos empregados, não se enquadram na educação básica definida no inciso I do Art. 21 da Lei n° 9.394 de 20/12/1996, e ainda, não estão disponível a totalidade dos empregados e dirigentes, conforme indicado no Regulamento de Benefícios, configurandose assim, uma complementação salarial. (...) Os valores pagos pela empresa a título de Bolsa Estudo, consignado na conta contábil: '0050413003', relativos a graduação, pósgraduação e MBA, concedido aos segurados empregados, constituemse em parcela integrante do salário de contribuição, portanto, são bases de cálculo para as contribuições devidas à Seguridade Social, nos termos da Legislação Previdenciária, art. 28 inciso I, da Lei n° 8.212, de 24/07/91 c/c art. 214, inciso I do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048 de 06/05/1999. O referido benefício está acessível à parte dos empregados conforme indicado no subitem '2.2.4.5' deste Relatório, ou seja, excluem os menores aprendizes, os empregados contratados por prazo determinado e os empregados afastados do trabalho por motivo de doença ou acidente de trabalho (exceto aqueles que se afastaram durante a concessão do benefício). Dessa forma, os valores pagos ou creditados pela empresa a título de 'Bolsa de Estudo' relativos à graduação, pósgraduação e MBA, por não se encontrarem em conformidade com os requisitos estabelecidos na alínea 'f do § 9o do art. 28 da Lei 8.212 de 24/07/1991 para que não sejam enquadrados no conceito de saláriodecontribuição, serão considerados como base de cálculo de contribuições previdenciárias e terceiros." São os argumentos recursais (fls. 296): Fl. 372DF CARF MF 16 "Tal situação se amolda perfeita a hipótese dos pagamentos efetuados pela Recorrente, em conformidade com o seu regulamento interno de concessão do benefício, do qual se depreende a clara necessidade de vinculação do curso à atividade da empresa e à função desempenhada pelo empregado, vinculando, inclusive, o trabalho de conclusão do curso à área de atuação específica do empregado. Nesse cenário, resta muito bem evidenciado que os pagamentos objeto das autuações em referência, correspondentes à bolsa de estudo, jamais se vincularam ou substituíram parcela salarial, amoldandose perfeitamente à hipótese de não incidência prevista pelo art. 28, § 9o, Y da Lei n° 8.212/91. Da mesma forma, o artigo 458, § 2o, II da CLT não considera como remuneração os valores destinados à educação do empregado: "Art. 458 (...) § 1º Para os efeitos previstos neste artigo, não serão consideradas como salário as seguintes utilidades concedidas pelo empregador: (...) II educação, em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os valores relativos a matrícula, mensalidade, anuidade, livros e material didático;" Corroborando com as razões sustentadas pela Recorrente, a jurisprudência, tanto judicial como administrativa, já pacificou seu posicionamento pela não incidência de contribuições previdenciárias em situações idênticas a dos presentes autos: (...)" (destaquei) Cabe razão à Recorrente. Não há incidência sobre o auxílioeducação no período da autuação. Explico. Como bem apontado pela Autoridade Lançadora, a Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.711/98, explicita: "Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (...) Fl. 373DF CARF MF Processo nº 15504.725546/201215 Acórdão n.º 2201004.073 S2C2T1 Fl. 366 17 § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos doart. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (...)" (destaques não constam do texto da lei) Como visto, tratase de expressa disposição de lei tributária sobre a incidência tributária. Nesse sentido, a redação da Lei nº 8.212/91, trazida pela lei de 1998, é clara em asseverar que: · i) a incidência tributária se dá sobre os valores da remuneração paga ao empregado, assim entendido toda verba de natureza contraprestacional, utilidades habituais, valores percebidos pelo tempo à disposição e também aqueles constantes do contrato de trabalho. · ii) não há incidência quando os valores pagos a título de auxílio educacional não seja substitutivos de parcela salarial e respeitem os limites impostos pelo legislador. Não obstante o exposto, em 2001, o legislador ordinário, com acerto em minha opinião, alterou a Consolidação das Leis do Trabalho, afastando peremptoriamente a natureza salarial de qualquer parcela paga sob esse título. Recordemos o texto da lei trabalhista: "Art. 458 Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações "in natura" que a empresa, por fôrça do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas. (...) § 2o Para os efeitos previstos neste artigo, não serão consideradas como salário as seguintes utilidades concedidas pelo empregador I – vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos aos empregados e utilizados no local de trabalho, para a prestação do serviço; II – educação, em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os valores relativos a matrícula, mensalidade, anuidade, livros e material didático;(Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) Fl. 374DF CARF MF 18 (destaquei) Cristalina a alteração da lei trabalhista. Não há natureza salarial nas verbas pagas a título de bolsa educacional, qualquer que seja a sua forma, qualquer que seja sua destinação no tocante à formação do trabalhador, ao seu desenvolvimento físico, intelectual, ou moral, consoante nos recorda o dicionário Houaiss quanto à definição do vocábulo educação. Importante ressaltar que a lei tributária, buscando seus limites na Carta Fundamental, escolhe a incidência dentro da competência que lhe foi outorgada. Nesse sentido, ao definir o salário de contribuição do segurado empregado, a lei de Custeio da Previdência optou pela remuneração. Tal conceito, embora constante da lei tributária, não pode, nos termos do CTN, transbordar os limites do ramo do direito que o instituiu. Outro não é comando emanado dos artigos 109 e 110: "Art. 109. Os princípios gerais de direito privado utilizamse para pesquisa da definição, do conteúdo e do alcance de seus institutos, conceitos e formas, mas não para definição dos respectivos efeitos tributários. Art. 110. A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias." Nesse sentido, não se pode admitir que, para o período de lançamento, se observe incidência tributária sobre verba de natureza remuneratória, que por expressa determinação legislativa, posterior à dicção da lei tributária, teve o caráter remuneratório explicitamente afastado. Não há incidência tributária sobre os valores, pagos pelo empregador ao empregado, à título de auxílioeducação, no período do lançamento. Verbas inequivocamente destinadas à educação dos segurados empregados, por expressa determinação da CLT, não integram a remuneração. As contribuições previdenciárias incidem sobre o salário de contribuição e este, para os empregados, é composto pela remuneração auferida. Logo, não há incidência. Impede mencionar que a egrégia 1ª TO da 4ª Câmara, por meio do Acórdão 2401004.212, aplicável por via reflexa ao presente caso, se pronunciou no mesmo sentido. Assim, o recurso deve ser provido também nessa parte. NATUREZA NÃO SALARIAL DAS VERBAS PAGAS A TITULO DE RECOMPENSA PELO PROGRAMA "CAMPO DE IDÉIAS" Novamente a Recorrente inicia seu apelo transcrevendo a imputação fiscal (fls. 304): Fl. 375DF CARF MF Processo nº 15504.725546/201215 Acórdão n.º 2201004.073 S2C2T1 Fl. 367 19 Os valores pagos a título de Prêmio Campo Idéias, consignado em Folha de Pagamento sob código e descrição de verba: '1926 Prêmio Campo Idéias', concedido aos segurados empregados, corresponde a uma recompensa (prêmio) em contrapartida de idéias apresentadas que contribuam para os objetivos da empresa, conforme Regulamento de Benefícios Campo Idéias. 2.2.6.4.3.Demonstrando o caráter habitual do pagamento da referida rubrica,apresentamse os seguintes fatos: A empresa mantém um Link específico em sua rede da Intranet intitulado Campo de Idéias (item 5.1.2 do documento 'SRHPOS' acima citado.); s Mantém uma estrutura composta de especialistas responsáveis pela seleção e classificação das idéias. Também participam especialistas das áreas de Segurança e Meio Ambitente para avaliação dos impactos das idéias (item 5.4.3.1 do documento 'SRHPOS' acima citado); s Previsão de pagamento mensal dos prêmios (item 5.5.1 documento 'SRHPOS' acima citado); 2.2.6.4.4.Demonstrando o caráter remuneratório (retribuição pelo trabalho) dopagamento da referida rubrica, apresentase o seguinte fato: sA empresa determina que 'uma idéia é qualquer mudança que traga benefício à organização e seja implementável...' (item 5.2.1 do documento 'SRHPOS' acima citado); ou seja, estabelece que as idéias deverão trazer ganhos para a empresa;" Pugna, a Apelante, pela não incidência das contribuições previdenciárias sobre a verba paga a título de prêmio idéias, com base nos seguintes argumentos (fls. 307): "Além disso, tais pagamentos, em hipótese alguma foram efetuados de forma habitual a uma mesma pessoa, mas sim para diversos empregados ou não, de acordo com a implantação de determinada ideia sugerida. Repitase que tal programa é totalmente facultativo e não obriga qualquer empregado à sua participação, de modo que não seria possível que a verba paga a esse título possuísse caráter habitual. Ademais, não prospera a alegação contida no relatório fiscal de que tal pagamento seria efetuado mensalmente, pois, a previsão do item do programa indicado pelo Agente Fiscal simplesmente alude que os pagamentos deverão ser efetuados até o dia 15 de cada mês, mas não que será pago todo mês. Ora, se em determinado mês não houver ideia alguma sugerida pelos possíveis participantes do programa tal pagamento não será efetuado. A ausência de habitualidade se verifica, ainda, pela possibilidade de não implantação da ideia sugerida, ou seja, além da facultatividade que permite ao empregado sugerir ou não uma ideia, ainda que essa ideia seja sugerida ela poderá não ser implantada, caso não seja aprovada. Fl. 376DF CARF MF 20 Tal situação evidencia, também, a total ausência de retributividade no pagamento, pois, não obstante a empresa Recorrente possa aproveitar e implantar uma ideia sugerida pelo participante do programa, fato é que tal ideia poderá ou não ser aprovada. A diferença dessa situação para o trabalho desempenhado em efetivo caráter contraprestacional é que o resultado poderá ou não ser aproveitado pela empresa, ou seja, inexiste qualquer certeza sobre o resultado daquela ideia sugerida, de modo que se ela não for aproveitada jamais poderá ser considerada como de natureza contraprestacional." Assiste razão ao Recorrente. Não integra a remuneração valores pagos aos trabalhadores que visem recompensar idéias desses sobre o ambiente de trabalho, o meio ambiente do trabalho, os meios e modos de produção, a redução de desperdício de materiais ou matérias primas, etc... Discorri longamente, como nota teórica sobre o conceito de remuneração, antes de analisar as verbas em análise. Em resumo, asseverei que se observa que a verba paga tem natureza remuneratória quando: presentes: i) o caráter contraprestacional; ii) o pagamento pelo tempo à disposição do empregador, iii) o caráter de interrupção do contrato de trabalho; iv) ou o dever legal ou contratual do pagamento. Nesses, e somente nesses casos, a verba recebida diretamente do empregador terá natureza salarial. A essa verba, se acresce a gorjeta, e teremos assim, as verbas remuneratórias. Todo o resto, remuneração não é. Não se pode admitir que um valor pago quando o trabalhador tiver uma idéia, qualquer idéia seja ela sobre seu trabalho ou não e sendo essa idéia considerada boa e útil pelo seu empregador, tenha natureza remuneratória. Nítido caráter premial. Nítido caráter de fomento criativo. Cristalino incentivo a participação do indivíduo na sociedade, na empresa, na coletividade. Não é pagamento pelos serviços prestados por força do contrato de trabalho. Recordo que a decisão de 2ª grau conexa, exarada no Acórdão mencionado da 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara e acima reproduzida, foi prolatada no mesmo sentido e transitou em julgado nesse ponto. Recurso provido também nessa parte. CONCLUSÃO Por todo o exposto e com base nos fundamentos apresentados, voto por conhecer do voluntário e darlhe provimento. Fl. 377DF CARF MF Processo nº 15504.725546/201215 Acórdão n.º 2201004.073 S2C2T1 Fl. 368 21 (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Relator Fl. 378DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.904572/2012-36
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/12/2008 a 31/12/2008
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PERD/COMP. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. INSUFICIÊNCIA.
As alegações constantes da manifestação de inconformidade devem ser acompanhadas de provas suficientes que confirmem a liquidez e certeza do crédito pleiteado.
Não tendo sido apresentada documentação assaz apta a embasar a existência e suficiência crédito alegado pela Recorrente, não é possível o reconhecimento do direito a acarretar em qualquer imprecisão do trabalho fiscal na não homologação da compensação requerida.
DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHODECISÓRIO.EFEITOS.
A DCTF retificadora apresentada após a ciência da contribuinte do despacho decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito tributário pretendido, sendo indispensável à comprovação do erro em que se funde, nos moldes do artigo 147, §1º do Código Tributário Nacional.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3402-005.039
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(Assinado com certificado digital)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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PERD/COMP. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. INSUFICIÊNCIA. As alegações constantes da manifestação de inconformidade devem ser acompanhadas de provas suficientes que confirmem a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Não tendo sido apresentada documentação assaz apta a embasar a existência e suficiência crédito alegado pela Recorrente, não é possível o reconhecimento do direito a acarretar em qualquer imprecisão do trabalho fiscal na não homologação da compensação requerida. DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHODECISÓRIO.EFEITOS. A DCTF retificadora apresentada após a ciência da contribuinte do despacho decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito tributário pretendido, sendo indispensável à comprovação do erro em que se funde, nos moldes do artigo 147, §1º do Código Tributário Nacional. Recurso voluntário negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (Assinado com certificado digital) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 45 72 /2 01 2- 36 Fl. 401DF CARF MF Processo nº 10283.904572/201236 Acórdão n.º 3402005.039 S3C4T2 Fl. 0 2 Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (“DRJ”) de Fortaleza, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Contribuinte sobre pedido de restituição de créditos de Contribuição para COFINS. O Despacho Decisório denegatório do direito pleiteado inicialmente, fundamentou a não homologação da compensação sob a justificativa de que o pagamento referente ao DARF indicado no PER/DCOMP foi integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Ciente do Despacho Decisório, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade tempestiva, na qual alega em síntese que: • A legislação federal referente à restituição/compensação assegura em caso de não homologação da compensação o direito a interposição de manifestação de inconformidade; • O Despacho Decisório de não homologação foi demasiadamente sucinto e não esclareceu o porquê da decisão. • Os princípios constitucionais do contraditório e ampla defesa não foram respeitados pela administração tributária. O Despacho Decisório deve ser considerado nulo uma vez que não expôs os motivos da não homologação prejudicando seu direito de defesa; • É “empresa industrial com projeto aprovado na SUFRAMA e detentora de incentivos fiscais próprios da Zona Franca de Manaus, instituídos pelo DecretoLei nº 288/1967, bem como sujeita ao regime de apuração pela sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS, podendo descontar créditos que poderão ser deduzidos do montante devido de tributos administrados pela Receita Federal do Brasil.” • Faz jus aos créditos de PIS e COFINS, com base nos artigos 3º da Lei 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003, especificamente com relação ao inciso III: “energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica.” • Levantou os créditos no mês de competência e utilizou parte do crédito oriundo do previsto no inciso III dos artigos 3º da Lei 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003, para compensar com as Fl. 402DF CARF MF Processo nº 10283.904572/201236 Acórdão n.º 3402005.039 S3C4T2 Fl. 0 3 contribuições vencidas no período, conforme DACONs retificadoras; “A manifestante, inclusive, providenciou a retificação da DCTF correspondente, regularizando qualquer pendência que ainda pudesse haver.” A defesa relaciona os Acórdãos nºs 1246124 de 10 de maio de 2012 da 17ª Turma e 1638673 de 11 de maio de 2012 da 3ª Turma. (...) • Ao final requer que se julgue procedente a Manifestação de Inconformidade, para o efeito de reformar o Despacho Decisório exarado no processo. Sobreveio então o Acórdão 08033.052, da DRJ/FOR, negando provimento à manifestação de inconformidade, por entender que "a eficácia da retificação da DCTF, quando apresentada após a ciência do Despacho Decisório, depende de comprovação, a cargo do contribuinte, do erro em que se funda, mediante escrituração e documentos", comprovação esta que não restou satisfeita. Irresignada, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário a este Conselho, no qual repisa os argumentos trazidos em sua impugnação ao lançamento tributário com relação ao mérito da questão, bem como alegando que a decisão recorrida não analisou a documentação apresentada no seu entender, suficiente para garantir o crédito pleiteado , deixando prevalecer erro material nas declarações inicialmente prestadas pela Contribuinte, mas depois devidamente sanadas. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3402005.034, de 22 de março de 2018, proferida no julgamento do processo 10283.904567/201223, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu no Acórdão nº 3402005.034: "Como se depreende do relato acima, a lide resumese à comprovação da existência e suficiência do crédito objeto da compensação. Pois bem. A Lei n. 5.172/66 (Código Tributário Nacional), em seu art. 165, assegura o direito à restituição de tributos por recolhimento ou pagamento indevido ou a maior que o devido e estabelece os casos que configuram tal recolhimento ou Fl. 403DF CARF MF Processo nº 10283.904572/201236 Acórdão n.º 3402005.039 S3C4T2 Fl. 0 4 pagamento, como a Recorrente afirma possuir, nos seguintes termos: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos I Cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória Por sua vez, o instituto da compensação de créditos tributários está previsto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN): Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (...) Com o advento da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a compensação passou a ser tratada especificamente em seu artigo 74, tendo a citada Lei disciplinado a compensação de débitos tributários com créditos do sujeito passivo decorrentes de restituição ou ressarcimento de tributos ou contribuições, âmbito da Secretaria da Receita Federal (SRF). Ainda, o §1º do art. 74 da Lei nº 9.430/96 (incluído pelo art. 49 da Lei nº 10.637/02) 1 determina que a compensação será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados (PER/DCOMP), como pretende a Recorrente in casu. Nesse sentido, a Recorrente processou pedido de compensação, afirmando possuir créditos relativos à Contribuição ao PIS, decorrente de pagamentos indevidos e créditos que teria direito pela sistemática da não cumulatividade da contribuição social (incentivos fiscais próprios da Zona Franca de Manaus, instituídos pelo DecretoLei nº 288/1967 e 1 A referida legislação recebeu ainda algumas alterações promovidas pelas Leis nºs 10.833/2003 e 11.051/2004. Atualmente, os procedimentos respectivos encontramse regidos pela IN RFB nº 1.300/2012 e alterações posteriores Fl. 404DF CARF MF Processo nº 10283.904572/201236 Acórdão n.º 3402005.039 S3C4T2 Fl. 0 5 com base nos artigos 3º da Lei 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003, respectivamente). Entretanto, a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte. Assim, concluiu a Fiscalização que não restava crédito disponível para restituição, e, por conseguinte, a compensação não foi homologada. Muito embora a falta de prova sobre a existência e suficiência do crédito tenha sido o motivo tanto da não homologação da compensação por despacho decisório, como da negativa de provimento à manifestação de inconformidade, a Recorrente permanece sem se desincumbir do seu ônus probatório, insistindo que efetuou a retificação do Dacon e da DCTF, o que demonstraria seu direito ao crédito. Ocorre que o Dacon constitui demonstrativo por meio do qual a empresa apura as contribuições devidas. Com efeito, o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (DACON), instituído pela Instrução Normativa SRF nº 387, de 20 de janeiro de 2004, é uma declaração acessória obrigatória em que as pessoas jurídicas informavam a Receita Federal do Brasil sobre a apuração da Contribuição ao PIS e da COFINS. Em outros termos, sua função é de refletir a situação do recolhimento das contribuições da empresa, sendo os créditos autorizados por lei e com substrato nos documentos contábeis da empresa, basicamente notas fiscais os livros fiscais onde estão registradas as referidas notas, além da própria DCTF. Assim, são esses últimos documentos que possuem aptidão para comprovar o crédito. Ademais, a Instrução Normativa n. 1.015, de 05 de março de 2010, vigente à época dos fatos, estabelece que Art. 10. A alteração das informações prestadas em Dacon, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de demonstrativo retificador, elaborado com observância das mesmas normas estabelecidas para o demonstrativo retificado. § 1º O Dacon retificador terá a mesma natureza do demonstrativo originariamente apresentado, substituindoo integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar alteração nos créditos e retenções na fonte informados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir débitos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins: Fl. 405DF CARF MF Processo nº 10283.904572/201236 Acórdão n.º 3402005.039 S3C4T2 Fl. 0 6 a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em Dívida Ativa da União (DAU), nos casos em que importe alteração desses saldos; b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas no demonstrativo original, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização; e II alterar débitos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. (...) § 5º A pessoa jurídica que entregar Dacon retificador, alterando valores que tenham sido informados na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), deverá apresentar, também, DCTF retificadora. Quanto à DCTF, cuja retificação foi feita posteriormente à prolação do despacho decisório, tampouco salvaguarda o pleito da Recorrente. Explico. Este Conselho possui pacífica jurisprudência, tanto nas turmas ordinárias (e.g. Acórdãos 3801004.289, 3801004.079, 3803003.964) como na Câmara Superior de Recursos Fiscais (e.g. Acórdão 9303005.519), no sentido de que a retificação posterior ao Despacho Decisório não impediria o deferimento do crédito quando acompanhada de provas documentais comprovando o erro cometido no preenchimento da declaração original. Tal entendimento fundase na letra do artigo 147, § 1º do Código Tributário Nacional, a seguir transcrito: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na for ma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. Portanto, a DCTF retificadora apresentada após a ciência do Despacho Decisório não é suficiente para a demonstração do crédito pleiteado em PER/DCOMP, sendo imprescindível que a Contribuinte faça prova do erro em que se fundou a retificação. Fl. 406DF CARF MF Processo nº 10283.904572/201236 Acórdão n.º 3402005.039 S3C4T2 Fl. 0 7 Nesse sentido, destaco a ementa do Acórdão nº 9303005.708, cujo julgamento na CSRF, por unanimidade, ocorreu em 19 de setembro de 2017: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/04/2001 DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITOS. A retificação da DCTF após a ciência do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição não é suficiente para a comprovação do crédito, sendo indispensável a comprovação do erro em que se funde. Recurso Especial do Contribuinte negado.) Com relação a prova dos fatos e o ônus da prova, dispõem o artigo 36, caput, da Lei nº 9.784/99 e o artigo 373, inciso I, do Código de Processo Civil, abaixo transcritos, que caberia à Recorrente, autora do presente processo administrativo, o ônus de demonstrar o direito que pleiteia: Art. 36 da Lei nº 9.784/99. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 373 do Código de Processo Civil. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Peço vênia para destacar as palavras do Conselheiro relator Antonio Carlos Atulim, plenamente aplicáveis ao caso sub judice: “É certo que a distribuição do ônus da prova no âmbito do processo administrativo deve ser efetuada levandose em conta a iniciativa do processo. Em processos de repetição de indébito ou de ressarcimento, onde a iniciativa do pedido cabe ao contribuinte, é óbvio que o ônus de provar o direito de crédito oposto à Administração cabe ao contribuinte. Já nos processos que versam sobre a determinação e exigência de créditos tributários (autos de infração), tratandose de processos de iniciativa do fisco, o ônus da prova dos fatos jurígenos da pretensão fazendária cabe à fiscalização (art. 142 do CTN e art. 9º do PAF). Assim, realmente andou mal a turma de julgamento da DRJ, pois o ônus da prova incumbe a quem alega o fato probando. Se a fiscalização não provar os fatos alegados, a consequência jurídica disso será a improcedência do lançamento em relação ao que não tiver sido provado e não a sua nulidade. No caso em análise, a Contribuinte esclarece que teria apurado créditos de PIS, contudo, para comprovar a liquidez e Fl. 407DF CARF MF Processo nº 10283.904572/201236 Acórdão n.º 3402005.039 S3C4T2 Fl. 0 8 certeza do crédito informado nas declarações (DCTF e DACON) é imprescindível que seja demonstrada através da escrituração contábil e fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A Contribuinte não juntou aos autos nenhum documento contábil ou fiscal capaz de comprovar a liquidez e certeza do credito apontado. Somente insistiu que as declarações retificadoras seriam suficientes para tanto, mesmo após a decisão da DRJ ter expressamente colocado quais documentos seriam necessários para a efetividade da prova do crédito. Sobre esse ponto, saliento que este Colegiado vem admitindo provas apresentadas em sede de recurso voluntário, haja vista o princípio da verdade material e da informalidade moderada que reinam na esfera do processo administrativo. Todavia, nem em sede recursal a Recorrente se desincumbiu do ônus da prova. Dessarte, não tendo sido comprovada pela Recorrente a liquidez e certeza do crédito pleiteado, de acordo com toda a disciplina jurídica supra mencionada, não há reparos a serem feitos quanto ao Acórdão recorrido. Dispositivo Por essas razões, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar o direito creditório pleiteado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, NEGO PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO. (Assinado com certificado digital) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 408DF CARF MF
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