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Numero do processo: 10865.904993/2012-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do Fato Gerador: 20/05/2008
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DCTF RETIFICADORA. PRAZO. NÃO COMPROVADO.
Verifica-se no presente caso que o contribuinte não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, pelo que deve ser indeferida a compensação realizada.
Não deve ser admitida a apresentação de DCTF retificadora após decorrido o prazo de 5 (cinco) anos contados do fato gerador.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-003.549
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas, Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE DIREITO DE CREDITO. Recorrente O. G. SISTEMAS DE EXAUSTÃO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do Fato Gerador: 20/05/2008 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DCTF RETIFICADORA. PRAZO. NÃO COMPROVADO. Verificase no presente caso que o contribuinte não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, pelo que deve ser indeferida a compensação realizada. Não deve ser admitida a apresentação de DCTF retificadora após decorrido o prazo de 5 (cinco) anos contados do fato gerador. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas, Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. Relatório Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório que não homologou a compensação declarada em PER/DCOMP pela contribuinte acima qualificada, sob o fundamento de que, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 49 93 /2 01 2- 16 Fl. 142DF CARF MF Processo nº 10865.904993/201216 Acórdão n.º 3301003.549 S3C3T1 Fl. 3 2 utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PerDcomp. Inconformada com a não homologação de sua compensação, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade, conforme relatado na decisão recorrida, alegando que após análise efetuada junto a seus arquivos verificou que pediu restituição para o período em discussão e solicitou futura compensação, na qual a empresa se beneficia de tributação monofásica de alguns produtos que comercializa, daí a origem do crédito. Por não ter feito a retificação da DCTF, houve o indeferimento. Solicita que seja feita a retificação na DCTF, uma vez que não há tempo hábil nem permitido para devida retificação, pois assim se fará um ato de justiça. Requerendo, ainda, a reavaliação do Despacho Decisório. Ao analisar o caso, a DRJ entendeu por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 06044.005. O fundamento adotado, em síntese, foi a necessidade de comprovação pelo contribuinte do direito creditório pretendido. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, através do qual alega, resumidamente: (i) que o crédito pleiteado decorre do pagamento indevido da contribuição sobre receitas decorrentes de produtos tributados pelo regime monofásico (alíquota de 0%); (ii) que o indébito em questão estaria comprovado por meio da documentação acostada em seu recurso voluntário (faz pedido alternativo de diligência, caso se entenda necessário); (iii) que a verdade material deve prevalecer sobre a verdade formal. Requer, então, que o recurso seja provido, a fim de reformar a r. decisão de primeira instância, culminando com o reconhecimento do direito creditório e a consequente homologação das compensações vinculadas. Posteriormente, o contribuinte protocolizou nova petição aos autos, através da qual requereu a juntada de notas fiscais, no intuito de comprovar o seu direito creditório. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.443, de 27 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 10865.905013/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.443): "O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10865.904993/201216 Acórdão n.º 3301003.549 S3C3T1 Fl. 4 3 Conforme relatado acima, a compensação apresentada pelo contribuinte fora indeferida por ausência de comprovação do crédito pleiteado. Os fundamentos do voto proferido pela DRJ consta da transcrição a seguir: No processo de restituição, de ressarcimento ou de compensação, é o contribuinte quem toma a iniciativa de viabilizar seu direito ao aproveitamento do crédito, mediante a apresentação do PerDcomp. No Processo Civil, o ônus da prova cabe ao autor quanto ao fato constitutivo do seu direito (Código do Processo Civil – CPC, art. 333). No Processo Administrativo Fiscal não há uma regra própria, por isso utilizase a existente no CPC. Por essa razão, cabe ao contribuinte provar a existência do crédito pretendido. A existência de crédito líquido e certo é requisito legal para a concessão da compensação (CTN, art. 170). Pelo princípio da Indisponibilidade do Interesse Público e pela vinculação da função pública, é inadmissível que a RFB aceite a extinção do tributo por compensação com crédito que não seja comprovadamente certo nem possa ser quantificado. Esse entendimento aplicase também à restituição. Se o Darf indicado como crédito foi utilizado para pagamento de um tributo declarado pelo próprio contribuinte, a decisão da RFB de indeferir o pedido de restituição ou de não homologar a compensação está correta. Assim, para modificar o fundamento desse ato administrativo, cabe ao recorrente demonstrar erro no valor declarado ou nos cálculos efetuados pela RFB. Se não o fizer, o motivo do indeferimento permanece. Feitas estas considerações, passemos ao exame da manifestação de inconformidade. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS 5 ANOS DO FATO GERADOR A DCTF retificada após a ciência do despacho decisório não constitui prova nem tem nenhuma força de convencimento e só pode ser considerada como argumento de impugnação, não produzindo efeitos quando reduz débitos que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização (Instrução Normativa RFB 1.110/2010, art. 9º, § 2o, I, c). A declaração apresentada presumese verdadeira em relação ao declarante (CC, art. 131 e CPC, art. 368). A DCTF válida, oportunamente transmitida, faz prova do valor do débito contra o sujeito passivo e em favor do fisco. Entretanto, essa presunção é relativa, admitindose prova em contrário. No caso, o contribuinte não comprova o erro ou a falsidade da declaração entregue. Limitase a informar que se beneficia de tributação monofásica de “alguns produtos” que comercializa, mas não informa quais são os produtos. Além disso, não apresenta nenhum documento fiscal ou contábil que confirme seus argumentos. Ademais, o prazo estabelecido pela legislação para o direito de constituir o crédito tributário é o mesmo para que o contribuinte proceda Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10865.904993/201216 Acórdão n.º 3301003.549 S3C3T1 Fl. 5 4 à retificação da respectiva declaração apresentada. Esse entendimento foi adotado pelo Parecer Cosit nº 48, de 7 de julho de 1999, que trata da declaração de rendimentos, mas que se aplica por analogia à presente situação: “Dos comandos legais citados, temos que extinguese no prazo de cinco anos, contado da data da apresentação da declaração de rendimentos ou da data em que se tornar definitiva a decisão que anulou, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário. Assim, da mesma forma que a Fazenda Pública submetese a um prazo final para rever de ofício seu lançamento ou para constituir o crédito tributário, o contribuinte deve igualmente dispor de um termo para que sejam corrigidos eventuais erros cometidos quando da elaboração de sua declaração de rendimentos.” (grifouse) O Conselho de Contribuintes (atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF) também já se pronunciou nesse sentido: “DECLARAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES E TRIBUTOS FEDERAIS DCTF RETIFICAÇÃO PRELIMINAR DE DECADÊNCIA Nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o direito de o contribuinte proceder à retificação das DCTF trimestrais extinguese após 5 (cinco) anos contados da data da ocorrência dos correspondentes fatos geradores, como analogamente ao Fisco seria vedado o direito de proceder à sua revisão. IRPJ e CSLL COMPENSAÇÃO. INDEFERIMENTO A compensação de tributos em face de seu alegado pagamento a maior condicionase à demonstração efetiva da ocorrência do pagamento em excesso, mediante documentação hábil (1º CC; 8ª Câmara; processo 13707.001451/0087; Acórdão nº 10808913; data da sessão: 23/06/2006). (grifouse) Diante disso, verificase que já decaíra o direito de o contribuinte proceder à retificação da DCTF. APURAÇÃO DO TRIBUTO A apuração do PIS e da Cofins é consolidada no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon). O valor apurado no demonstrativo apresentado antes da ciência do Despacho Decisório, não evidencia a existência de pagamento indevido ou a maior. As verificações efetuadas nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) e nos autos desse processo confirmam os fatos relatados e podem ser assim consolidadas: (...). Em face do exposto, voto por julgar IMPROCEDENTE a manifestação de inconformidade, para não reconhecer o direito creditório postulado e não homologar as compensações em litígio. Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10865.904993/201216 Acórdão n.º 3301003.549 S3C3T1 Fl. 6 5 Concordo com os termos da decisão recorrida, a qual entendo não merecer reparos. Como é cediço, é do contribuinte o ônus da prova do seu direito creditório. Tanto que este, em seu recurso voluntário, reconhece a ausência de comprovação do seu direito creditório nas fases anteriores do presente processo. Pleiteia, contudo, que a documentação apresentada quando do Recurso Voluntário seja levada em consideração por este Conselho, seja para fins de reconhecimento do crédito pleiteado, seja para fins de, ao menos, determinar diligência para fins de confirmação do direito requerido. Alega, para tanto, que a verdade material deve prevalecer sobre a verdade formal. É importante que se esclareça, em princípio, que esta turma julgadora tem, em determinadas situações, admitido a análise de documentos anexados pelo contribuinte a destempo, desde que aptas a comprovar o direito alegado, em atenção ao princípio da verdade material. Entendo, contudo, que não deve ser esta a conduta a ser adotada neste caso concreto. Isso porque, consoante bem assinalou a decisão recorrida, o contribuinte apresentou DCOMP indicando um suposto crédito oriundo de DARF já integralmente utilizado para fins de quitação de outro débito do contribuinte. Logo, não havia como se admitir a compensação apresentada, por ausência de direito creditório. Em sua manifestação de inconformidade, o contribuinte limitouse a alegar que o seu direito creditório decorreria do recolhimento indevido realizado em razão de tributação monofásica de alguns produtos que comercializa, e que o indeferimento teria se dado em razão da ausência de retificação da DCTF, uma vez que não havia tempo hábil para proceder à devida retificação. Neste ponto, entendeu corretamente a decisão recorrida no sentido de que não se deve admitir DCTF retificadora fora do prazo legal de 5 (cinco) anos contados do fato gerador. Verificase no caso concreto aqui analisado que o período que o contribuinte pretende retificar reportase ao 2º semestre de 2005, ao passo que a primeira manifestação de que haveria informação incorreta na referida DCTF outrora apresentada reportase a setembro de 2012, quando o contribuinte apresentou a sua manifestação de inconformidade, já comunicando a impossibilidade de apresentação da DCTF retificadora. Sendo assim, não havia mais tempo hábil para se admitir a retificação da DCTF pretendida pelo contribuinte, ou mesmo para se reanalisar as informações ali transmitidas pelo próprio contribuinte. Nesse sentido, inclusive, trazse à colação decisões deste Conselho, proferidas à unanimidade de votos: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 30/09/2003 COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. INTEMPESTIVIDADE. AUSÊNCIA DE PROVA. Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10865.904993/201216 Acórdão n.º 3301003.549 S3C3T1 Fl. 7 6 É ineficaz a DCTF retificadora transmitida após o decurso do prazo de 5 anos contados do fato gerador ou da entrega da declaração para fins de comprovação de pagamento indevido passível de compensação. O prazo para constituição do crédito tributário deve ser o mesmo para o Fisco e para o contribuinte. Também ineficaz a DCTF retificadora se desacompanhada de documentação comprobatória hábil e idônea que comprove a existência e a disponibilidade do crédito reclamado. (Acórdão n. 3802001.464). *** Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/05/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO NÃO COMPROVADO Compete àquele quem pleiteia o direito o ônus de sua comprovação, devendo ser indeferido pedido de compensação que se baseia em mera alegação de crédito sem que faça prova de sua liquidez e certeza. DCTF. RETIFICAÇÃO. PRAZO QUINQUENAL. Por aplicação do parágrafo único do art 149 do CTN, as novas informações trazidas em DCTF retificadora somente produzem efeito se a retificação ocorrer dentro do prazo de cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador. Recurso Voluntário negado. (Acórdão n. 3202000.862). É importante que se tenha em mente que o direito não socorre aos que dormem. Nesse contexto, da mesma forma que a Fazenda possui prazos para fiscalizar o contribuinte, este possui prazos para retificar as suas declarações, no intuito de constituir direito creditório que entende fazer jus. A observância de tais prazos legais, inclusive, precisam ser observadas em benefício da sociedade como um todo, em prol da segurança jurídica. É importante que se esclareça que não se está aqui dispondo que a verdade material não deve prevalecer sobre a verdade formal. Contudo, a aplicação do princípio da verdade material possui limites que precisam ser observados, a exemplo dos prazos decadencial e prescricional, os quais devem ser observados sem distinção, às vezes a favor, às vezes contra o contribuinte/Fisco. E, uma vez encerrado o prazo legal para retificação da DCTF, resta forçoso reconhecer que a documentação apresentada pelo contribuinte em seu Recurso Voluntário não o socorre em seu pleito. Ainda que tivesse o contribuinte direito ao crédito pleiteado em razão do pagamento indevido da contribuição sobre receitas decorrentes de produtos tributados pelo regime monofásico (alíquota de 0%), não poderia o contribuinte pleitear tal crédito ad eternum. Existe um marco temporal que precisa ser observado e a apresentação de documentos comprobatórios quando já decorrido tal prazo não deve ser considerada. Fl. 147DF CARF MF Processo nº 10865.904993/201216 Acórdão n.º 3301003.549 S3C3T1 Fl. 8 7 É a mesma situação que ocorre quando um crédito tributário resta fulminado pela decadência. Ainda que a Receita Federal tenha provas cabais de que determinado montante é devido, não pode exigilo após o decurso do prazo quinquenal previsto na legislação. Diante das razões acima expostas, entendo que deverá ser negado provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, mantendo a decisão recorrida em sua integralidade, por seus próprios fundamentos." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, em razão do pagamento indevido da contribuição sobre receitas decorrentes de produtos tributados pelo regime monofásico (alíquota de 0%), não se admitindo a DCTF retificadora e a documentação comprobatória apresentados a destempo. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 148DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.902760/2010-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Exercício: 1999
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO.
Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Aplicação da Súmula CARF nº 91.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre quem alega o direito. No caso concreto, não restou comprovada, nos autos, a identidade entre a pessoa jurídica interessada no processo administrativo e aquela que figurava como litisconsorte no processo judicial, nem a existência de eventos societários que permitissem considerar a primeira como sucessora da segunda em direitos e obrigações.
Numero da decisão: 1301-002.323
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
[assinado digitalmente]
Waldir Veiga Rocha Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Exercício: 1999 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Aplicação da Súmula CARF nº 91. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre quem alega o direito. No caso concreto, não restou comprovada, nos autos, a identidade entre a pessoa jurídica interessada no processo administrativo e aquela que figurava como litisconsorte no processo judicial, nem a existência de eventos societários que permitissem considerar a primeira como sucessora da segunda em direitos e obrigações.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. [assinado digitalmente] Waldir Veiga Rocha Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 1999 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Aplicação da Súmula CARF nº 91. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre quem alega o direito. No caso concreto, não restou comprovada, nos autos, a identidade entre a pessoa jurídica interessada no processo administrativo e aquela que figurava como litisconsorte no processo judicial, nem a existência de eventos societários que permitissem considerar a primeira como sucessora da segunda em direitos e obrigações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. [assinado digitalmente] Waldir Veiga Rocha – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 27 60 /2 01 0- 91 Fl. 230DF CARF MF Processo nº 16327.902760/201091 Acórdão n.º 1301002.323 S1C3T1 Fl. 3 2 BANCO VOLKSWAGEN S.A., já devidamente qualificada nestes autos, recorre a este Conselho contra a decisão prolatada pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I / SP, que indeferiu os pedidos veiculados através de manifestação de inconformidade apresentada contra a decisão da DEINF/SP. Trata a lide de Pedido de Restituição (PER/DCOMP), no qual o alegado direito creditório é decorrente de pagamento indevido ou a maior da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Posteriormente, o contribuinte usou esse alegado direito creditório para a compensação com débito de sua titularidade, mediante a Declaração Eletrônica de Compensação (PER/DCOMP), transmitida em 2008. Consta dos autos intimação, informando ao contribuinte que o DARF por ele especificado não teria sido localizado nos sistemas da RFB e instandoo à regularização. Não consta do processo qualquer resposta ou providência do contribuinte. A unidade administrativa que primeiro analisou os pedidos formulados pela empresa (DEINF/SP) negou homologação à compensação. O motivo foi a não localização do DARF nos sistemas da RFB, mesmo após a intimação acima referida. Em sua manifestação de inconformidade contra o Despacho Decisório, a interessada, inicialmente, junta comprovante de arrecadação obtido no sítio eletrônico da Receita Federal. Na sequência, esclarece: Esse recolhimento foi indevidamente efetuado pelo Recorrente, uma vez que ele dispunha de decisão judicial definitiva, proferida nos autos do Mandado de Segurança n° 89.00112058, que o exonerava do recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, no período de 1988 a 09/1997 (data do trânsito em julgado da decisão judicial). Nem se alegue que o pagamento foi efetuado após o trânsito em julgado da decisão judicial exoneratória e com os benefícios previstos na Lei n° 9779/99, tendo em vista que, além desses fatos não servirem de fundamento para a negativa do pedido de restituição, o recolhimento se deu porque a própria Secretaria da Receita Federal, mesmo em face da decisão judicial favorável ao Recorrente, insistia na cobrança de tais valores, ao argumento de que os efeitos da decisão judicial alcançavam apenas a CSLL relativa ao exercício de 1989. Apenas com a decisão do 1º Conselho de Contribuintes (acórdão n° 101 93.610), proferida em 19/09/01, com acórdão formalizado em 11/12/01, que reconheceu expressamente o direito de um dos litisconsortes do ora Recorrente, no Mandado de Segurança n° 89.00112058, de não recolher a CSLL, no período de 1990 a 1997, ou seja, desde a propositura da medida judicial até o trânsito em julgado da decisão favorável, o que se deu em 02/09/97, é que o Recorrente obteve a comprovação de que também estava desobrigado do recolhimento da CSLL nesse período e que, portanto, tinha direito de reaver os montantes indevidamente recolhidos: "Ementa: IRPJ Normas Gerais. Lançamento Tributário. Sentença Judicial. Trânsito em Julgado. Efeitos. A sentença judicial reconhecendo a inconstitucionalidade dos artigos 1º, 2º, 3º e 8º, da Lei n° 7689, de 1988, e, de consequência, desobrigando a pessoa jurídica do recolhimento da CSLL, irradia seus efeitos jurídicos até o período no qual tenha ocorrido seu trânsito em julgado. Fl. 231DF CARF MF Processo nº 16327.902760/201091 Acórdão n.º 1301002.323 S1C3T1 Fl. 4 3 Recurso conhecido e provido. Trecho do Voto do Conselheiro Sebastião Rodrigues Cabral — Relator: Nesta linha de raciocínio, e considerando que no presente caso: i) A sentença judicial que acolheu a pretensão da Recorrente, no sentido de desobrigála do recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido instituída pela Lei n° 7689, de 1988, transitou em julgado em 02 de setembro de 1997, tal qual atestado na Certidão fornecida pela 10ª Vara Federal, anexa aos autos às fls.; ii) O Mandado de Segurança interposto pela Recorrente, em 1989, objetivou a dispensa do recolhimento da referida Contribuição sob alegação de inconstitucionalidade da lei que a instituiu (n° 7689, de 1988), o que foi integralmente reconhecido pela referida sentença transitada em julgado; iii) O auto de infração guerreado no presente processo pretende exigir da Recorrente a Contribuição Social relativa aos períodosbase de 1990 a 1994, portanto, anteriores ao trânsito em julgado da sentença judicial; só nos resta concluir que referidos períodos estão albergados pela 'coisa julgada', sendo defeso ao Fisco exigir a Contribuição em causa relativamente àqueles períodosbase." Assim, deve ser prontamente revisto o despachodecisório, ora recorrido, ante a comprovação do recolhimento indevido, a ensejar o direito à restituição, nos termos do artigo 165, I, do Código Tributário Nacional. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I / SP analisou a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte e indeferiu a solicitação. Ciente da decisão de primeira instância e com ela inconformada, a interessada apresentou recurso voluntário, mediante o qual oferece, em apertada síntese, os seguintes argumentos: Acerca do prazo para pleitear o indébito, a recorrente se reporta ao Pedido Eletrônico de Restituição, ao Pedido de Restituição protocolado na Deinf e sustenta que estaria plenamente respeitado, no caso, o prazo prescricional de cinco anos, previsto no art. 168, I, do CTN. A recorrente afirma ter anexado aos autos cópia do Mandado de Segurança nº 89.00112058, em que foi proferida a decisão transitada em julgado que a exonerava do recolhimento da CSLL de 1988 até 09/1997 (data do trânsito em julgado). Da mesma forma, anexa documentos que comprovam ser a recorrente a sucessora de Autolatina Financiadora S/A, que foi parte no processo judicial. A interessada reitera, ainda, os argumentos trazidos na Manifestação de Inconformidade, acerca da decisão proferida pelo 1º Conselho de Contribuintes em 2001. Conclui com o pedido de provimento de seu recurso e homologação da compensação declarada. É o Relatório. Voto Fl. 232DF CARF MF Processo nº 16327.902760/201091 Acórdão n.º 1301002.323 S1C3T1 Fl. 5 4 Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 1301002.287, de 12/04/2017, proferido no julgamento do processo 16327.900370/201248, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 1301002.287): O recurso voluntário e tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Gira a lide em torno de pedido de restituição, posteriormente cumulado com declaração de compensação. No atual estágio da discussão administrativa, o alegado direito creditório não foi reconhecido por dois fundamentos autônomos, ou seja, cada um deles é suficiente, por si só, para o não reconhecimento do direito creditório. O primeiro fundamento adotado pelo julgador de primeira instância, de caráter preliminar, foi o transcurso do prazo para pleitear o indébito. Alega a recorrente que deveria ter sido considerado o período transcorrido entre a data do recolhimento, em 1999, e a data do protocolo do pedido de restituição, em 2004. Com isso, restaria atendido o prazo de cinco anos de que trata o art. 168, I, do CTN. Examinando a decisão recorrida, constatase que, efetivamente, houve um equívoco do julgador ao não considerar o pedido de restituição originalmente formulado em 2004. Isso fica evidenciado na afirmação de que “... observase que somente em 2008 veio pleitear compensação do referido crédito, ou seja, cerca de sete anos após ‘obter a comprovação’, e nove após a extinção do débito, pelo pagamento”. Ora, a declaração de compensação é datada de 2008, mas reportase ao anterior pedido de restituição, e é esse pedido que deve ser considerado, para fins da contagem do prazo para a repetição de indébito. No entanto, como se verá a seguir, a correção desse equívoco não trará modificação na conclusão. Esse prazo, se de cinco ou dez anos, bem assim a determinação dos termos inicial e final para a contagem, já foram objeto de acirrados debates, tanto no âmbito administrativo quanto no judicial. A inovação legislativa (arts. 3º e 4º da Lei Complementar nº 118/2005) tentou pacificar a questão, mas somente aumentou as divergências, tanto doutrinárias quanto jurisprudenciais. Finalmente, a questão foi pacificada pelo Poder Judiciário. De especial interesse, o Recurso Especial nº 1.002.932, de 25/11/2009, prolatado pelo STJ no regime do art. 543C do CPC então vigente, e o Recurso Extraordinário nº 566.321, de 04/08/2011, proferido pelo STF no regime do art. 543B do mesmo diploma legal. A reiterada aplicação administrativa dessas decisões conduziu à aprovação, em 09/12/2013, pelo Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, da súmula CARF nº 91, a seguir reproduzida. Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Fl. 233DF CARF MF Processo nº 16327.902760/201091 Acórdão n.º 1301002.323 S1C3T1 Fl. 6 5 As súmulas CARF são de observância obrigatória pelos membros deste órgão administrativo, a teor do art. 72 do Anexo II do Regimento Interno, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 e alterações supervenientes. No caso concreto, o pedido de restituição foi protocolado em 2004, antes da data limite prevista na súmula, aplicandose, portanto, o prazo prescricional de dez anos. O termo inicial da contagem é, também nos termos da súmula, a data do fato gerador. O fato gerador foi fixado pela própria interessada no pedido de restituição. Desta forma, para fatos geradores completados anteriormente a 12/02/1994 o prazo prescricional já se encontrava encerrado no momento do pedido de restituição. Observese que a data do recolhimento não é considerada para este fim, muito menos a circunstância alegada pela interessada acerca do julgamento administrativo de um auto de infração no qual o sujeito passivo seria um dos litisconsortes na ação judicial. Não se vislumbra qual a relação entre aquele julgamento administrativo e o prazo para a formulação do pedido de restituição aqui discutido. A constatação que se impõe é de que o decurso do prazo prescricional impede que seja atendido o pleito da interessada, independentemente de quaisquer considerações de mérito, negandose provimento ao recurso voluntário. O segundo fundamento adotado pelo julgador de primeira instância para o indeferimento do pleito foi a falta de comprovação do direito. O seguinte excerto do voto condutor do acórdão recorrido é elucidativo: Observese que a empresa não trouxe a petição inicial e nenhuma peça do processo judicial que afirma amparala, de forma a se poder verificar a correção de sua alegação central de mérito, o que, como demonstrado acima, seria ônus da empresa. E, em consulta ao sítio do TRF da 3ª Região, utilizandose do número de processo judicial fornecido pela Interessada, na opção “Consulta Processual – Visualizar Processo” a empresa não aparece como parte, mas sim as seguintes empresas: Consórcio Nacional Ford Ltda., Autolatina S/A, Autolatina Financiadora S/A Crédito Financiamento e Investimentos e Ford Brasil S/A. Junto com o recurso voluntário, a interessada faz acostar aos autos peças do processo judicial, e documentos que, segundo ela, comprovariam ser a recorrente sucessora da Autolatina Financiadora S/A, que foi parte no processo judicial. Compulsando os autos, especialmente as peças processuais do Mandado de Segurança nº 89.112058, constato que a impetrante foi Consórcio Nacional Ford Ltda., e que posteriormente foram admitidos como litisconsortes: (i) Autolatina S/A; (ii) Autolatina Financiadora S/A – Crédito, Financiamento e Investimentos; e (iii) Ford Brasil S/A. Prosseguindo na análise, encontro Ata da AGE de 31/05/1996 de Banco Autolatina S.A., na qual se registra a cisão parcial dessa pessoa jurídica, com a versão de parcela de seu patrimônio para o Banco Ford S/A e a mudança do nome da parcela remanescente da cisão do Banco Autolatina S/A para Banco Volkswagen S/A (a interessada). Na sequência, encontro também o Protocolo da cisão e versão do patrimônio. No entanto, não encontro prova de que Banco Autolatina S/A fosse parte da ação judicial. No documento datado de 17/02/2004, dirigido à DEINF/SP, a interessada se identifica como “BANCO VOLKSWAGEN S/A., atual denominação de BANCO AUTOLATINA S.A., anteriormente denominado AUTOLATINA Fl. 234DF CARF MF Processo nº 16327.902760/201091 Acórdão n.º 1301002.323 S1C3T1 Fl. 7 6 FINANCIADORA S.A., ...”. Mas tratase de mera afirmação, da qual não encontro prova documental nos autos. Apesar de saber que esse ponto foi um dos fundamentos adotado pelo julgador de primeira instância para negar seu pedido, a interessada apresentou apenas o documento da cisão parcial de Banco Autolatina S/A e posterior mudança de nome da parcela remanescente para Banco Volkswagen S/A, não se preocupando em rastrear e comprovar os eventos societários desde a litisconsorte na ação judicial (Autolatina Financiadora S/A – Crédito, Financiamento e Investimentos) até a atual pessoa jurídica, nem os direitos que teriam sido transmitidos em cada um desses eventos. Em se tratando de pedido de restituição, é ônus de quem alega o direito creditório comprovar o que alega, especialmente, no caso sob análise, que a pessoa jurídica que efetuou o recolhimento seria a sucessora em todos os direitos e obrigações da pessoa jurídica que foi parte na ação judicial. Ao não se encontrar nos autos essa comprovação, também por esse motivo o recurso voluntário há que ser negado. Os dois fundamentos autônomos anteriormente discutidos já seriam (e são) suficientes para que o recurso voluntário seja desprovido. Penso, entretanto, que uma consideração adicional há de ser feita. É que o pagamento em questão foi feito em 1999, ao amparo do art. 17 da Lei nº 9.779/1999. Confirase seu teor (grifos não constam do original): Art.17.Fica concedido ao contribuinte ou responsável exonerado do pagamento de tributo ou contribuição por decisão judicial proferida, em qualquer grau de jurisdição, com fundamento em inconstitucionalidade de lei, que houver sido declarada constitucional pelo Supremo Tribunal Federal, em ação direta de constitucionalidade ou inconstitucionalidade, o prazo até o último dia útil do mês de janeiro de 1999 para o pagamento, isento de multa e juros de mora, da exação alcançada pela decisão declaratória, cujo fato gerador tenha ocorrido posteriormente à data de publicação do pertinente acórdão do Supremo Tribunal Federal.(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) §1oO disposto neste artigo estendese:(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 2158 35, de 2001) Iaos casos em que a declaração de constitucionalidade tenha sido proferida pelo Supremo Tribunal Federal, em recurso extraordinário;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIa contribuinte ou responsável favorecido por decisão judicial definitiva em matéria tributária, proferida sob qualquer fundamento, em qualquer grau de jurisdição;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIIaos processos judiciais ajuizados até 31 de dezembro de 1998, exceto os relativos à execução da Dívida Ativa da União.(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Fl. 235DF CARF MF Processo nº 16327.902760/201091 Acórdão n.º 1301002.323 S1C3T1 Fl. 8 7 §2oO pagamento na forma do caput deste artigo aplicase à exação relativa a fato gerador:(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Iocorrido a partir da data da publicação do primeiro Acórdão do Tribunal Pleno do Supremo Tribunal Federal, na hipótese do inciso I do § 1o;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIocorrido a partir da data da publicação da decisão judicial, na hipótese do inciso II do § 1o;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIIalcançado pelo pedido, na hipótese do inciso III do § 1o.(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) §3oO pagamento referido neste artigo:(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Iimporta em confissão irretratável da dívida;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIconstitui confissão extrajudicial, nos termos dos arts. 348, 353 e 354 do Código de Processo Civil;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) [...] Insisto: os pagamentos nesses termos são confissão irretratável da dívida e confissão extrajudicial. Ou seja, ainda que pudessem ser superados os dois fundamentos anteriormente expostos, o pedido de restituição encontraria obstáculo inarredável na disposição expressa da lei acima transcrita. Supondose, como hipótese argumentativa, que a interessada fosse, como afirma, sucessora da litisconsorte na ação judicial, o fato é que espontaneamente decidiu abrir mão do direito conquistado na ação judicial (possivelmente por vêlo ameaçado por reiteradas manifestações do STF no sentido da inconstitucionalidade da CSLL apenas para o primeiro ano de sua vigência) e parcelar o valor da contribuição para os anos subsequentes. A recorrente afirma que somente fez os pagamentos porque a Receita Federal insistia na cobrança, mesmo em face da decisão judicial que havia obtido. Ora, esse era o entendimento administrativo à época, atualmente ainda mais reforçado, tanto pelo sucesso obtido em ações rescisórias diversas propostas perante o Poder Judiciário, quanto por Pareceres da douta PGFN. Se a interessada tivesse plena convicção de seu direito, seu procedimento teria sido o de aguardar o lançamento e discutilo administrativa e judicialmente, nunca o de se antecipar, confessando a dívida de forma irretratável e recolhendo o tributo. A recorrente reclama, ainda, que esse aspecto não teria sido fundamento para a negativa do pedido de restituição, pelo que não poderia, agora, ser abordado. Observese que a DEINF/SP originalmente negou o pedido porque o pagamento (DARF) não foi identificado nos sistemas da RFB. Apesar de intimada, a interessada não se preocupou em trazer aos autos os esclarecimentos que Fl. 236DF CARF MF Processo nº 16327.902760/201091 Acórdão n.º 1301002.323 S1C3T1 Fl. 9 8 permitissem essa correta identificação. Essa questão foi plenamente superada em primeira instância. Somente então foi possível avançar e questionar outros aspectos, a saber, o prazo para pleitear o indébito e a comprovação do direito alegado. Quanto a este último aspecto, o julgador a quo se deteve na falta das peças do processo judicial e na falta de comprovação de que a interessada no processo administrativo fosse também uma das partes do processo judicial. Penso que as considerações aqui tecidas sobre esse ponto nada mais são do que um aprofundamento acerca da análise de mérito do pedido. Seriam, talvez, dispensáveis, como dito anteriormente, mas em nada prejudicam, antes reforçam a conclusão. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. [assinado digitalmente] Waldir Veiga Rocha Fl. 237DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.917695/2011-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 02 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3201-000.848
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora.
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto.
Tatiana Josefovicz Belisário - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO
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WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto. Tatiana Josefovicz Belisário Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Tratase de Recurso Voluntário apresentado pelo Contribuinte em face do acórdão nº 0831.413, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza, que assim relatou o feito: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta contra Despacho Decisório que indeferiu o Pedido de Restituição formulado por meio do PER/DCOMP nº 07711.75984.240106.1.2.048774. O pedido de compensação objetivava compensar débito(s) com suposto pagamento a maior de Cofins (cód. 2172) (oriundo de DARF no valor total de 509.648,45, pago em 15/02/2001, relativo ao período de apuração jan/2001). O Despacho Decisório (fls. 38) considerou improcedente o crédito informado no PER/DCOMP, tendo em vista o pagamento efetuado já fora integralmente alocado a outro(s) débito(s). Cientificado da decisão em 17/01/2012 (fl. 41), o administrado apresentou manifestação de inconformidade (fls. 02/12), requerendo a RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .9 17 69 5/ 20 11 -1 1 Fl. 185DF CARF MF Processo nº 10830.917695/201111 Resolução nº 3201000.848 S3C2T1 Fl. 186 2 homologação da compensação pleiteada com crédito oriundo de pagamento a maior, alegando: (a) que seu débito de fato é menor que o informado na DCTF, conforme planilha anexada aos autos; (b) a vinculação do DARF na DCTF não é causa suficiente para negativa do pedido de restituição; (c) que seu direito creditório se originou do alargamento indevido da base de cálculo promovido pelo artigo 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. É o relatório. Após exame da Manifestação de Inconformidade apresentada pelo Contribuinte, a DRJ proferiu acórdão assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2001 PROVAS. MOMENTO DA APRESENTAÇÃO. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas os autos. REDUÇÃO DE TRIBUTO. CONFIGURAÇÃO DE PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. PLANILHA INDICATIVA. ESCRITURAÇÃO CONTÁBILFISCAL. AUSÊNCIA DE PROVA. INDEFERIMENTO. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. Escoado o prazo de cinco anos referido pelo artigo 9°, § 5°, da IN RFB 1.110, de 2010, sem apresentação da DCTF retificadora, incumbe ao contribuinte o ônus de comprovar o seu direito creditório mediante a juntada, com a manifestação de inconformidade, da escrituração contábilfiscal (lastreada por documentos) que respalde a base de cálculo do tributo. Se tais provas não são juntadas aos autos é de se indeferir a manifestação de inconformidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário a este CARF, reiterando a existência do crédito tributário postulado. Os autos foram remetidos a este CARF e a mim distribuídos por sorteio. Fl. 186DF CARF MF Processo nº 10830.917695/201111 Resolução nº 3201000.848 S3C2T1 Fl. 187 3 É o relatório. O Recurso Voluntário é próprio e tempestivo, portanto, dele tomo conhecimento. Antes de adentrar ao exame do Recurso apresentado, cumpre esclarecer que o presente processo tramita na condição de paradigma, nos termos do art. 47 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015: Art. 47. Os processos serão sorteados eletronicamente às Turmas e destas, também eletronicamente, para os conselheiros, organizados em lotes, formados, preferencialmente, por processos conexos, decorrentes ou reflexos, de mesma matéria ou concentração temática, observando se a competência e a tramitação prevista no art. 46. § 1º Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica questão de direito, o Presidente de Turma para o qual os processos forem sorteados poderá sortear 1 (um) processo para defini lo como paradigma, ficando os demais na carga da Turma. § 2º Quando o processo a que se refere o § 1º for sorteado e incluído em pauta, deverá haver indicação deste paradigma e, em nome do Presidente da Turma, dos demais processos aos quais será aplicado o mesmo resultado de julgamento. Nesse aspecto, é preciso esclarecer que cabe a esta Conselheira o relatório e voto apenas deste processo nº 10830.917695/201111, ou seja, o entendimento a seguir externado terá por base exclusivamente a análise dos documentos, decisões e recurso anexados neste processo. Feito tal esclarecimento, passase ao exame das razões de Recurso. Como relatado, discutese no presente feito a legitimidade de crédito postulado pela Recorrente por meio de PER/DCOMP, correspondente à apuração de COFINS pelo regime não cumulativo (alargamento da base de cálculo declarada inconstitucional pelo STF). De acordo com o PER/DCOMP apresentado, o crédito postulado teve origem no pagamento a maior de COFINS realizado por meio do recolhimento de DARF. Consoante Despacho Decisório proferido, o crédito indicado seria inexistente, posto que o recolhimento do DARF em questão teria sido integralmente utilizado para a quitação de débito de COFINS declarado pelo próprio contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, a Recorrente aduz que o crédito utilizado é legítimo, justificando exatamente que o recolhimento a maior decorre da revisão da base de cálculo da COFINS diante da declaração de inconstitucionalidade do art. 3º da Lei nº 9.718/98, e apresentando respectivo demonstrativo da base de cálculo apurada. Embora não afaste a possibilidade de revisão do lançamento a partir dos documentos apresentados pela Recorrente em sede de Manifestação de Inconformidade, entendeu a Turma Julgadora de origem que os documentos apresentados não seriam suficientes Fl. 187DF CARF MF Processo nº 10830.917695/201111 Resolução nº 3201000.848 S3C2T1 Fl. 188 4 para a análise do crédito postulado, entendendo ter precluído o direito de fazêlo posteriormente. Em sede de Recurso Voluntário, a Recorrente reafirma os argumentos de defesa e, diante dos fundamentos do acórdão recorrido, apresenta (i) nova cópia do demonstrativo de apuração da COFINS; e (ii) Balancete mensal da COFINS, extraído do seu Livro Diário devidamente registrado. Com base nisso, postula pela aplicação do Princípio da Verdade Material e requer a realização de diligência para que demais documentos julgados necessários pela Fiscalização possam ser apresentados pelo contribuinte. Na hipótese dos autos, observase que não houve inércia do contribuinte na apresentação de documentos. O que se verifica é que os documentos inicialmente apresentados em sede de Manifestação de Inconformidade se mostraram insuficientes para que a Autoridade Julgadora determinasse a revisão do crédito tributário. E, imediatamente após tal manifestação, em sede de Recurso Voluntário, foram apresentados novos documentos. Ademais, não se pode olvidar que se está diante de um despacho decisório eletrônico, ou seja, a primeira oportunidade concedida ao contribuinte para a apresentação de documentos comprobatórios do seu direito foi, exatamente, no momento da apresentação da sua Manifestação de Inconformidade. E, foi apenas em sede de acórdão, que tais documentos foram tidos por insuficientes. Sabese quem em autuações fiscais realizadas de maneira ordinária, é, em regra, concedido ao contribuinte diversas oportunidades de apresentação de documentos e esclarecimentos, por meio dos Termos de Intimação emitidos durante o procedimento. Assim, limitar, na autuação eletrônica, a oportunidade de apresentação de documentos à manifestação de inconformidade, aplicando a preclusão relativamente ao Recurso Voluntário, não me parece razoável ou isonômico, além de atentatório aos princípios da ampla defesa e do devido processo legal. Desse modo, em prol do princípio da verdade material, e considerando que o contribuinte trouxe aos autos diversos documentos comprobatórios do seu direito, voto por CONVERTER O FEITO EM DILIGÊNCIA para que a Autoridade Preparadora analise a existência do crédito postulado a partir dos documentos apresentados pelo contribuinte, intimandolhe, se necessário, para a apresentação de documentos adicionais. Após a manifestação fiscal, concedase vista ao contribuinte pelo prazo de 30 (trinta dias) para se manifestar acerca das conclusões. Após, retornemse os autos para julgamento. Tatiana Josefovicz Belisário Relatora Fl. 188DF CARF MF
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Numero do processo: 13982.721025/2012-28
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 11 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jul 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008, 2009, 2010
EXCLUSÃO DO SIMPLES.
Deve ser mantida a exclusão do Simples Nacional por prática reiterada de infração ao disposto na Lei Complementar 123/06, quando resta demonstrado que valores tributáveis foram excluídos ao longo de três anos da base de cálculo dos tributos que deveriam ser recolhidos pela sistemática do Simples Nacional.
DECADÊNCIA. REGRA DO ART. 150, § 4º, CTN. APLICÁVEL.
Afastada a multa qualificada e existindo pagamentos antecipados, há que se aplicar a regra do art. 150, § 4º, do CTN, para exonerar o contribuinte dos créditos relativos a fatos geradores atingidos pela decadência tributária.
MULTA QUALIFICADA. INDEVIDA. SÚMULA CARF Nº 25.
Há que se cancelar a qualificação da multa aplicada ao item da autuação que versa sobre a presunção de omissão de receitas com base em depósitos bancários de origem não comprovada.
EFEITOS DA EXCLUSÃO.
Afastada a qualificação da multa de ofício relativa ao item da autuação que versava sobre presunção legal de omissão de receitas e não tendo sido imputada, pela Fiscalização, fraude na conduta descrita no item baseado em prova direta de receitas não oferecidas à tributação, há que se afastar a aplicação do parágrafo 2º do art. 29 da Lei Complementar nº 123/06 na espécie, para limitar os efeitos do Ato de Exclusão apenas ao disposto no parágrafo 1º do art. 29 da Lei Complementar nº 123/06.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. COFINS. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS.
Tratando-se da mesma situação fática e do mesmo conjunto probatório, a decisão prolatada com relação ao lançamento do IRPJ é aplicável, mutatis mutandis, aos lançamentos da CSLL, Cofins e Contribuição para o PIS.
Numero da decisão: 1302-002.103
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, vencido o Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca, que solicitou apresentação de declaração de voto.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Alberto Pinto Souza Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Gustavo Guimarães da Fonseca.
Nome do relator: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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EXCLUSÃO. Recorrente FÁBRICA DE CAMAS E BELICHES MARIFLOR LTDAEPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009, 2010 EXCLUSÃO DO SIMPLES. Deve ser mantida a exclusão do Simples Nacional por prática reiterada de infração ao disposto na Lei Complementar 123/06, quando resta demonstrado que valores tributáveis foram excluídos ao longo de três anos da base de cálculo dos tributos que deveriam ser recolhidos pela sistemática do Simples Nacional. DECADÊNCIA. REGRA DO ART. 150, § 4º, CTN. APLICÁVEL. Afastada a multa qualificada e existindo pagamentos antecipados, há que se aplicar a regra do art. 150, § 4º, do CTN, para exonerar o contribuinte dos créditos relativos a fatos geradores atingidos pela decadência tributária. MULTA QUALIFICADA. INDEVIDA. SÚMULA CARF Nº 25. Há que se cancelar a qualificação da multa aplicada ao item da autuação que versa sobre a presunção de omissão de receitas com base em depósitos bancários de origem não comprovada. EFEITOS DA EXCLUSÃO. Afastada a qualificação da multa de ofício relativa ao item da autuação que versava sobre presunção legal de omissão de receitas e não tendo sido imputada, pela Fiscalização, fraude na conduta descrita no item baseado em prova direta de receitas não oferecidas à tributação, há que se afastar a aplicação do parágrafo 2º do art. 29 da Lei Complementar nº 123/06 na espécie, para limitar os efeitos do Ato de Exclusão apenas ao disposto no parágrafo 1º do art. 29 da Lei Complementar nº 123/06. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. COFINS. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 2. 72 10 25 /2 01 2- 28 Fl. 1972DF CARF MF 2 Tratandose da mesma situação fática e do mesmo conjunto probatório, a decisão prolatada com relação ao lançamento do IRPJ é aplicável, mutatis mutandis, aos lançamentos da CSLL, Cofins e Contribuição para o PIS. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, vencido o Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca, que solicitou apresentação de declaração de voto. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Gustavo Guimarães da Fonseca. Relatório Versa o presente processo sobre recurso voluntário, interposto pelo contribuinte em face do Acórdão nº 0434.504 da 2ª Turma da DRJ/CGE, cuja ementa assim dispõe: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009, 2010 EXCLUSÃO DO SIMPLES. Constatada a ocorrência de prática reiterada de infração à Lei Complementar nº 123/2006, correta a exclusão do Simples Nacional com efeito retroativo ao primeiro mês em que incorridas as infrações. DECADÊNCIA. A decadência regese pelo disposto no art. 150, § 4º, do CTN, nos casos em que não ocorreu prática de infração apenada com multa qualificada. EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. LANÇAMENTOS. Tendo havido a exclusão do Simples Nacional com efeito retroativo, corretos os lançamentos, ficando o crédito tributário com a exigibilidade suspensa até o julgamento definitivo da exclusão. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. A existência de depósitos bancários não contabilizados, cuja origem não foi comprovada, consubstanciase em omissão de receitas, em face da presunção estabelecida em lei. SIMPLES NACIONAL. PAGAMENTOS. DEDUÇÃO. Os pagamentos efetuados por meio do DARF específico do Simples Nacional não são dedutíveis no caso de a apuração nos autos de infração se dar pela sistemática do Lucro Presumido. MULTA. QUALIFICAÇÃO. A qualificação da multa de ofício ocorre nos casos de apuração de evidente intuito de fraude. Fl. 1973DF CARF MF Processo nº 13982.721025/201228 Acórdão n.º 1302002.103 S1C3T2 Fl. 1.973 3 AUTUAÇÕES REFLEXAS: CSLL, CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E COFINS. Aplicase aos lançamentos reflexos o decidido no principal. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A recorrente, cientificada do Acórdão nº 1145.263 em 02/05/2014 (AR a fls. 981), interpôs, em 30/05/2014 (Termo a fls. 982), recurso voluntário (doc. a fls. 983 e segs.), no qual alega as seguintes razões de defesa: a) quanto à manifestação sobre a exclusão do Simples: a.1) que a recorrente tão logo tomou conhecimento da sua exclusão do Simples Nacional (no dia 29.01.2013), apresentou tempestivamente impugnação específica contra o ato administrativo que decretou a referida exclusão; a.2) que a impugnação específica contra o ato que decretou a sua exclusão do Simples Nacional foi realizada dentro do prazo de 30 (trinta) dias, tendo sido protocolizada no dia 27.02.2013. como comprova a peça impugnatória e demais documentos (procuração, identidade profissional, contrato social, etc.), juntados aos autos as fls. 15921614; a.3) que no documento apresentado pela recorrente a fl. 1466, ela deixa claro que tomou conhecimento da sua exclusão do Simples Nacional por AR no dia 25.01.2013 (sextafeira) e que dentro do prazo legal iria ofertar impugnação (manifestação) ao ato administrativo indicado; a.4) que, portanto, diferentemente do que alega o fisco e do que sustenta a decisão constante do Acórdão 0434.504, a exclusão da recorrente do Simples Nacional ainda não é definitiva, razão pela qual os lançamentos fiscais debatidos nestes autos administrativos devem ser anulados, pois pendente de solução definitiva a circunstância fática que, apenas se confirmada em definitivo, permitiria a constituição dos tributos exigidos; b) quanto a obrigatoriedade de escrituração detalhada para optantes pelo Simples Nacional: b.1) que, como já esclarecido na peça impugnatória, segundo afirma o fisco por meio do "item 4" do Termo de Verificação Fiscal (fls. 14541456), a impugnante teria deixado de declarar/contabilizar uma parte dos seus movimentos bancários; b.2) que os bancos citados pelo fisco e para os quais a recorrente não teria declarado/contabilizado os respectivos movimentos financeiros, são: Caixa Economica Federal, Banco Bradesco S/A, Banco Real S/A e Sicoob/Sao Miguel do Oeste; b.3) que de acordo com o que prescrevem os arts. 25, 26 e 27, todos da LC 123/2006, o fato e que a recorrente, por ser optante do Simples Nacional, não é obrigada a manter escrituração contábil completa, como ocorre com as empresas normais; b.4) que, por ser optante pelo Simples Nacional de que trata a LC 123/2006, é obrigada apenas a manter o livro caixa em dia, no qual deve relatar as vendas que realiza, para que essas vendas sejam tributadas de acordo com os percentuais fixados para a modalidade do Simples Nacional, enfim, por expressa determinação legal, a recorrente está dispensada de elaborar contabilidade, com emissão dos respectivos livros razão e diário; c) quanto à movimentação bancária: Fl. 1974DF CARF MF 4 c.1) que, no Acórdão 0434.504, o julgador da DRJ/CGE menciona que até a data do julgamento, a recorrente não teria apresentado a mencionada planilha comparativa, e que se feita tal comprovação em qualquer fase do processo, obviamente esses valores seriam excluídos da tributação; c.2) que o fato é que a recorrente aguardava a apreciação do referido pedido, para que lhe fosse deferido o prazo requerido, uma vez que via de regra, os documentos devem ser apresentados com a impugnação, e a juntada a posteriori dependeria de autorização, como prescreve o art. 16 do Decreto 70235/72; c.3) que, na peça impugnatória a recorrente esclarece que não conseguiria apresentar a referida planilha comparativa no prazo da impugnação (30 dias) porque dependia de documentos que deveriam ser fornecidos por bancos (copias de cheques e outros), pois já não mais os tinha e foi por esse motivo que requereu o prazo para apresentálos posteriormente, para o qual aguardava deferimento pela autoridade julgadora; c.4) que é forçoso concluir que, mesmo que a autoridade julgadora de primeira instância não tenha deferido o pedido de juntada da planilha comparativa e documentos, a própria legislação processual administrativa federal permite tal prática, e que esses documentos devem ser analisados pela instância ad quem; c.5) que, deste modo, neste tópico da peça recursal, a recorrente passa a argumentar e comprovar a referida tributação indevida (tributação de valores de simples movimentação entre as próprias contas da recorrente e de valores de financiamentos); c.6) que, segundo o fisco, o movimento bancário não declarado pela recorrente, seria decorrente de vendas supostamente não tributadas; c.7) que a partir de tal convencimento (falta de tributação de valores movimentados em bancos), o fisco elaborou a planilha de fls. 15841585, a qual intitulou de "Resumo dos depósitos bancários de origem não comprovada após análise das respostas do contribuinte"; c.8) que observandose a referida planilha (elaborada pelo fisco e constante das fls. 15841585), a recorrente verifica que nos movimentos totais mensais indicados, não foram considerados (não foram diminuídos ou não foram abatidos) os valores que apenas foram transferidos de uma para outra conta corrente bancária de titularidade da recorrente, via emissão de cheques, de TEDs, de DOCs, etc., como também não foram efetivamente considerados (diminuídos/abatidos) os valores recebidos por vendas de ativos imobilizados, e de repasses de financiamentos bancários para aquisicão de maquinários e veículos; c.9) que para comprovar a tributação indevida de valores de movimentos bancários (créditos em conta corrente), a recorrente apresenta os seguintes documentos (planilhas e cópias de documentos): c.9.1) planilha indicando os documentos emitidos pelo Banco do Brasil, agência e conta corrente pertencentes a recorrente, e que foram depositados ou objeto de transferências para outros bancos (Besc, Bradesco, CEF e Sicoob), cujas contas são igualmente de titularidade da recorrente, sendo que essa planilha apresenta um total de R$ 285.859.30 (duzentos e oitenta e cinco mil, oitocentos e cinquenta e nove reais e trinta centavos), que deve ser excluído da tributação, pois esses valores estão indicados nas planilhas de fls. 15161583 e por consequência na planilharesumo mensal de fls. 15841585 acompanha a planilha acima indicada as cópias microfilmadas dos referidos cheques e comprovantes de TEDs (vide doc. 01 apresentado com este recurso); c.9.2) planilha indicando os documentos emitidos pelo Banco Bradesco, agência e conta corrente pertencentes a recorrente, e que foram depositados ou objeto de transferências para outros bancos (Banco do Brasil, Banco Real, Besc, CEF e Sicoob), cujas Fl. 1975DF CARF MF Processo nº 13982.721025/201228 Acórdão n.º 1302002.103 S1C3T2 Fl. 1.974 5 contas são igualmente de titularidade da recorrente, sendo que essa planilha apresenta um total de R$ 199.676,50 (cento e noventa e nove mil, seiscentos e setenta e seis reais e cinquenta centavos), que deve ser excluído da tributação, pois esses valores estão indicados nas planilhas de fls. 15161583 e por consequência na planilharesumo mensal de fls. 15841585 acompanha esta planilha as copias microfilmadas dos referidos cheques e comprovantes de TEDs (vide doc. 02 apresentado com este recurso); c.9.3) planilha indicando os documentos emitidos pelo Banco Siccob, agência e conta corrente pertencentes a recorrente, e que foram depositados ou objeto de transferências para outros bancos (Banco do Brasil, Bradesco e CEF), cujas contas são igualmente de titularidade da recorrente, sendo que essa planilha apresenta um total de R$ 180.470,00 (cento e oitenta mil, quatrocentos e setenta reais), que deve ser excluído da tributação, pois esses valores estão indicados nas planilhas de fls. 15161583 e por consequência na planilharesumo mensal de fls. 15841585 acompanha esta planilha as copias microfilmadas dos referidos cheques e comprovantes de TEDs (vide doc. 03 apresentado com este recurso); c.9.4) planilha indicando os documentos emitidos pelo Banco Besc, agência e conta corrente pertencentes a recorrente, e que foram depositados ou objeto de transferências para outros bancos (Banco do Brasil, Bradesco e CEF), cujas contas são igualmente de titularidade da recorrente, sendo que essa planilha apresenta um total de R$ 64.467,20 (sessenta e quatro mil quatrocentos e sessenta e sete reais e vinte centavos), que deve ser excluído da tributação, pois esses valores estão indicados nas planilhas de fls. 15161583 e por consequência na planilharesumo mensal de fls. 15841585 acompanha esta planilha as cópias microfilmadas dos referidos cheques e comprovantes de TEDs (vide doc. 04 apresentado com este recurso); e c.9.5) planilha indicando os documentos emitidos pela Caixa Econômica Federal, agência e conta corrente pertencentes a recorrente, e que foram depositados ou objeto de transferências para outros bancos (Sicoob, Besc, Bradesco e Banco do Brasil), cujas contas sao igualmente de titularidade da recorrente, sendo que essa planilha apresenta um total de R$ 200.490.00 (duzentos mil, quatrocentos e noventa reais), que deve ser excluído da tributação, pois esses valores estão indicados nas planilhas de fls. 15161583 e por consequência na planilharesumo mensal de fls. 15841585 acompanha esta planilha as cópias microfilmadas dos referidos cheques e comprovantes de TEDs (vide doc. 05 apresentado com este recurso); c.10) que, considerando o valor total indicado nas cinco planilhas referidas acima, o valor total incluso indevidamente na base de cálculo dos tributos exigidos por meio desse processo administrativo alcança o montante de R$ 931.263.00 (novecentos e trinta e um mil, duzentos e sessenta e tres reais); c.11) que os valores mencionados nas cinco planilhas acima referidas, diferentemente do que informa o fisco, são representados por cheques emitidos em um banco e depositados em outro banco, sempre nas contas da própria recorrente e o mesmo com relação aos TEDs/DOCs, sendo que esses movimentos financeiros não representam renda ou faturamento que possam se sujeitar a incidência, razão pela qual devem ser excluídos da base de cálculo dos tributos exigidos por meio desse processo administrativo, cuja reducão deve alcançar proporcionalmente os juros e multas; d) quanto à necessidade de abatimento dos valores antecipados pela recorrente – constituição de diferenças: d.1) que, na decisão recorrida (Acórdão 0434.504), mais especificamente a fl. 1655, a autoridade julgadora da DRJ/CGE, julga improcedente o pedido relativo à Fl. 1976DF CARF MF 6 compensação/abatimentos dos valores pagos pela recorrente a título de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, na modalidade de Simples Nacional; d.2) que a decisão recorrida se baseia na afirmação do fisco no "item 5" do Termo de Verificacao Fiscal (fls. 14561457), considerando que a recorrente recolheu para o periodo de 01/2008 ate 12/2010, os valores de IRPJ, CSLL, COFINS e PIS, pela modalidade de Simples Nacional, logo, isso é incontroverso; d.3) que, entretanto, como o fisco, por meio dos lançamentos fiscais indicados nestes autos administrativos, exige diferenças de tributos sobre supostos movimentos financeiros não declarados/contabilizados, deveria ter considerado (descontado/abatido) os valores que foram recolhidos antecipadamente pela recorrente, a título dos mesmos IRPJ, CSLL, COFINS e PIS; d.4) que a afirmação do fisco se confirma pelos DARFs anexos (doc. 04), pois a recorrente para o período de 01/2008 até 12/2010, os valores de IRPJ, CSLL, COFINS e PIS, sobre o faturamento, calculados segundo as alíquotas do Simples Nacional, daí que o fisco, caso entenda ter ocorrido recolhimento a menor desses tributos, deveria ter constituído apenas a diferença, e não o total, como fez, sendo que essa dedução, caso tivesse sido realizada pelo fisco, teria diminuído consideravelmente o montante dos tributos, das multas e dos juros exigidos por meio dos lançamentos em comento; d.5) que a autoridade julgadora de primeira instância, no texto do Acórdão 0434.504 (fl. 1655), entende que compensação ou o abatimento pretendido pela recorrente não seria possível, por causa da alegada "especialidade" do Simples Nacional, porém, a compensação é autorizada ao próprio contribuinte (art. 74 da Lei 9430/96, atualizada pelas leis posteriores), ou de ofício, pela autoridade fiscal, no mais, o fisco possui informações suficientes para saber destacar do valor da guia do Simples Nacional qual é o valor de cada tributo, segundo as alíquotas para cada faixa de faturamento; d.6) que os lancamentos devem ser revisados e diminuídos parcialmente, para o efeito de excluir do total de IRPJ, CSLL, COFINS e PIS, os valores já pagos (recolhidos) pela recorrente, no período de 01/2008 ate 12/2010, diminuindose, igualmente, na proporção a multa e os juros; e) quanto a multa qualificada de 150%: e.1) que segundo a decisão recorrida (Acórdão 0434.504), mais especificamente as fls. 16561657, a autoridade julgadora da DRJ/CGE, julgou parcialmente procedente o pedido relativo a desqualificação e redução da multa de ofício de 150% para 75%; e.2) que alega a autoridade julgadora de primeira instância, que teria ficado comprovado nos autos o evidente intuito de fraude e o dolo da recorrente, com relação aos supostos atos infracionais e que resultaram na diminuição indevida de tributos devidos à União; e.3) que se pode concluir da narrativa dos fatos, confirmados pelos documentos juntados, e que os valores exigidos pelo fisco através dos autos de infração aqui debatidos foram apurados justamente a partir das informações repassadas espontaneamente pela recorrente, sem exceções, em cumprimento das intimações fiscais, sem qualquer tentativa de maquiar situação de fato no sentido de tentar impedir ou evitar a exigibilidade dos tributos; e.4) que a existência de movimentos bancários não declarados, como a simples omissão de rendimentos, ou até mesmo o acréscimo patrimonial a descoberto não caracterizam fraude, dolo ou simulação, tal como delineado pelos arts. 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64, o que afasta a aplicação da penalidade qualificada de 150%, devendo ser aplicada a penalidade de 75%, nos termos do inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96; Fl. 1977DF CARF MF Processo nº 13982.721025/201228 Acórdão n.º 1302002.103 S1C3T2 Fl. 1.975 7 e.5) que, portanto, considerando o conjunto probatório dos autos, considerando a suposta infração fiscal atribuída a recorrente (depósitos bancários não declarados), considerando ainda ser inegável que todo o procedimento de fiscalização contou com a participação espontânea e efetiva da recorrente, não há como se admitir, nos termos da legislação vigente (art. 44, inciso I, da Lei 9.430/96), que a movimentação bancária eventualmente não declarada não pode ser punida com multa acima de 75%, devem ser anulados parcialmente os autos de infração, para diminuir a multa ao patamar maximo de 75%; f) quanto à decadência: f.1) que, segundo se verifica da decisão recorrida (Acórdão 0434.504), mais especificamente as fls. 16531654, a autoridade julgadora da DRJ/CGE, julgou parcialmente procedente o pedido relativo a alegada decadência; f.2) que, em resumo, decidiu a autoridade julgadora pela anulação parcial do crédito tributário de PIS e COFINS em relação ao mês de Janeiro de 2008, mas somente para os referidos tributos apenados com multa de 75%, segundo a sua interpretação do art. 150, § 4º, e art. 173, inciso I, ambos do CTN; f.3) que, entretanto, o disposto no art. 150, § 4°, do CTN, não faz distinção para que seja aplicado de acordo com relação às multas (simples ou qualificada), pois o prazo é contado apenas e unicamente em decorrência da forma em que se dará o seu lancamento, que no caso e por homologação; f.4) que, assim, considerando que as contribuições PIS estão sujeitas ao lançamento por homologação, e que a recorrente foi intimada da lavratura dos autos de infração no dia 25.02.2013, tendo recolhido antecipadamente valores de PIS e COFINS (via Simples Nacional), nos termos do art. 150, § 4°, do CTN, todos os valores exigidos para a competência de Janeiro de 2008 foram alcançadas pela decadência, inclusive aqueles valores de PIS e COFINS apenados com multa qualificada (150%), razao pela qual os autos de infracao devem ser anulados tambem nesta parte. Em 5 de abril de 2016, este Colegiado, por meio da Resolução nº 1302000.415, converteu o julgamento em diligência. Vale a transcrição do seguinte trecho do voto condutor da Resolução nº 1302000.415: “Assim, para que seja garantida a liquidez da futura decisão a ser proferida por este Colegiado, voto por converter o julgamento em diligência, para que a DRF/Joaçaba adote as seguintes providências: a) verifique a autenticidade dos documentos a fls. 1701 a 1878 e se manifeste se tais documentos comprovam a origem de depósitos bancários de origem não comprovada, relacionados nas planilhas “VALORES REMANESCENTES APÓS ANÁLISE DAS RESPOSTAS DO CONTRIBUINTE” (vide item 4, in fine, do TVF a fls. 1456), após o que, elabore planilha na qual sejam relacionados os documentos e respectivos valores que se enquadram em tal condição; b) verifique a autenticidade dos Recibos de Entrega do Simples Nacional a fls. 1485 a 1487, especialmente a veracidade dos pagamentos ali informados, após o que, elabore planilha na qual os valores dos pagamentos sejam decompostos em valores de IRPJ, CSLL, COFINS, PIS e outros tributos, observandose os percentuais previstos Fl. 1978DF CARF MF 8 sobre o montante pago de forma unificada, conforme tabela da Lei Complementar 123/06 em que se enquadrava a recorrente à época de cada pagamento; c) dê ciência à recorrente do relatório final de diligência, concedendo lhe prazo para que se manifeste nos autos, após o que retorne os autos ao CARF, para prosseguimento do feito.”. Em resposta a diligência, a DRF/Joaçaba assim se manifestou no Termo de Encerramento de Diligência (a fls. 1.959): “3. PRIMEIRO QUESITO Analisando a documentação que nos foi apresentada de fls.1701 a 1878 e, confrontada com os documentos originais que estavam em poder a Agência da Receita Federal do Brasil em Chapecó/SC, constatamos que os mesmos são autênticos. Da análise dos respectivos documentos juntados as fls.1701 a 1878, ficou constatado que parte dos mesmos comprovam a origem dos depósitos bancários de origem não comprovada, relacionados na planilha "VALORES REMANESCENTES APÓS ANÁLISE DAS RESPOSTAS DO CONTRIBUINTE" (vide item 4, in fine, do TVF a fls. 1456, sendo que elaboramos PLANILHA anexa (fls.1956 a 1958), denominada de "PLANILHA QUE COMPROVA A ORIGEM DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM BASE NOS DOCUMENTOS JUNTADOS FLS.1701 A 1878, CUJOS VALORES DEVEM SER EXCLUÍDOS DA BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO DESTE PROCESSO", onde consta os documentos e valores que foram comprovados pelo contribuinte e, aceitos por esta autoridade fiscal. 4. SEGUNDO QUESITO Analisando a documentação que foi apresentada de fls. 1485 a 1487, no tocante a autenticidade dos Recibos de Entrega do Simples Nacional e, confrontada com os documentos originais que constam dos arquivos informatizados da Receita Federal do Brasil, constatamos que os mesmos são autênticos. Elaboramos PLANILHA anexa (fls.1893 a 1894), denominada de "PLANILHA DE PAGAMENTOS DECOMPOSTOS POR IMPOSTO/CONTRIBUIÇÕES NO SIMPLES NACIONAL CONFORME SOLICITADO NA FL.1889, LETRA "B", onde consta os valores pagos e declarados peio contribuinte, através de guias de recolhimento (DAS), na qual identificamos de forma decomposta, o valor pago mensalmente a título de cada tributo e/ou contribuição contido nas respectivas guias (DAS).” Cientificada do Termo de Encerramento de Diligência, a recorrente se manifestou por meio da resposta a fls. 1965, na qual alegou o seguinte: “1. A recorrente concorda com o demonstrativo de decomposição dos pagamentos de Simples Nacional realizados nos anoscalendários de 2008 até 2010 (fls. 18931894). 2. A recorrente concorda com as planilhas que comprovam a origem dos depósitos bancários referidos pela recorrente nos anoscalendários de 2008 ate 2010 (fls. 19561958). Fl. 1979DF CARF MF Processo nº 13982.721025/201228 Acórdão n.º 1302002.103 S1C3T2 Fl. 1.976 9 3. Ante o exposto, a recorrente, nos termos requeridos na peça recursal (Recurso Voluntário), requer: a) que os valores referidos no item "01" acima sejam abatidos dos valores dos tributos exigidos por meio dos autos de infração indicados nesses autos administrativos (IRPJ, CSLL, COFINS e PIS), e que esse abatimento se reflita também na redução proporcional de multas e juros; e b) que os valores referidos no item "02" acima sejam abatidos da base de cálculo dos tributos exigidos por meio dos autos de infração indicados nesses autos administrativos (IRPJ, CSLL, COFINS e PIS), e que esse abatimento se reflita também na redução proporcional de multas e juros. Estes os termos em que pede e espera deferimento.” É o relatório. Voto Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior Relator. O recurso voluntário é tempestivo e foi subscrito por mandatário com poderes para tal, conforme procuração a fls. 1605, razão pela qual dele conheço. Inicialmente, afasto a preliminar de nulidade do lançamento suscitada pelo recorrente, pois, nos termos da Súmula CARF nº 77, “A possibilidade de discussão administrativa do Ato Declaratório Executivo (ADE) de exclusão do Simples não impede o lançamento de ofício dos créditos tributários devidos em face da exclusão”. No mérito, há que se Inverter a ordem de apreciação das matérias em razão da relação de causa e efeito entre o ponto relativo à qualificação da multa de ofício e o da preliminar de mérito – decadência, especificamente, no que toca à regra decadencial aplicável. Da mesma forma, passo a analisar os lançamentos antes da exclusão do Simples, uma vez que foram as infrações imputadas no auto de infração que motivaram o Ato Declaratório. DA MULTA QUALIFICADA O Termo de Verificação Fiscal a fls. , assim justifica a qualificação da multa: “A juízo destas autoridades fiscais, a autuada adotou conduta que teve por desiderato impedir o conhecimento por parte da administração tributária do total das exações devidas pela mesma durante os anos calendários de 2008 a 2010, ou seja; a)Não escriturar e registrar em seus livros contábeis a totalidade da sua movimentação financeira. b) Declarar nas Declarações do Simples Nacional, enquanto receitas, valores inferiores aos efetivamente auferido. As ações/omissões da autuada que levaram a fiscalização a fixar a multa de ofício em 150 % são os seguintes fatos: Fl. 1980DF CARF MF 10 Manutenção de contas bancárias a margem de sua escrituração regular, visto que as quantias discriminadas nos extratos bancários não guardam relação em data e valor com os assentamentos contábeis do contribuinte. Importante ressaltar que para a correta apuração dos tributos devidos necessário se faz a comparação das declarações apresentadas pelo sujeito passivo, com sua escrituração contábil e fiscal. No caso da empresa fiscalizada tal comparação é impossível, haja vista que os dados inseridos em sua escrituração contábil no período de 2008 a 2010 e não refletem a realidade dos fatos, logo as declarações apresentadas padecem de veracidade. Estes fatos retardaram o conhecimento da ocorrência do fato gerador por parte da autoridade fazendária, pois não fosse a ação da fiscalização os fatos geradores do presente auto de infração não teriam chegado ao conhecimento da administração tributária. Há de se atentar que é principalmente por meio das declarações antes citadas (obrigações acessórias) que a Administração Tributária se instrumentaliza a fim de cobrar coercitivamente (judicialmente) os tributos sujeitos a lançamento por homologação1 que lhes são devidos. É na omissão do contribuinte ou na prestação de informações falsas que reside à fraude que justifica o percentual da multa ora aplicada, visto que, por meio destas condutas, o contribuinte se esconde na esperança de que o Fisco nada descubra, e assim não possa exercer o seu direito (constituir o crédito tributário) no prazo decadencial, acarretando assim prejuízos aos cofres públicos. A inércia do contribuinte fez com que o Estado tivesse de movimentar sua máquina de fiscalização a fim de detectar tais omissões sob pena de ver perecer o seu direito. Relevante notar que a conduta adotada pelo contribuinte se materializa por todo o período abrangido por esta autuação, e que, pela quantidade de lançamentos demonstra que não houve um mero erro de fato. Por tudo o exposto, concluise que o autuado incorreu no disposto nos artigos 71 e 72 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, os quais definem a conduta de sonegação e fraude.”. Vale notar que há dois itens no auto de infração do IRPJ: o 001, intitulado “Omissão de Receitas por presunção legal – Depósitos Bancários de Origem Não Comprovadas”, no qual a multa indicada é de 150%; e o item 002, intitulado de “Receita da Atividade Escriturada e não Declarada – Receita Bruta na Venda de Mercadorias e Produtos de Fabricação Própria – Declaradas no Simples Nacional”, no qual a multa indicada é no percentual de 75%. Assim, foi lançada multa qualificada apenas no IRPJ lançado sobre a presunção de omissão de receitas com base em depósitos bancários de origem não comprovada, fundamentado no art. 42 da Lei nº 9.430/96. Por sua vez, ao se ler o TVF acima, não se constata qualquer prova direta de omissão de receita ou conduta que pudesse levar a concluir por um evidente intuito de fraude. Notese que, quando o autuante fala que a recorrente deixou de escriturar receitas, ele está a tratar da receita presumidamente omitida. Logo, há que se afastar a qualificação da multa com base na Súmula CARF nº 25, cujo verbete assim dispõe: Súmula CARF nº 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Fl. 1981DF CARF MF Processo nº 13982.721025/201228 Acórdão n.º 1302002.103 S1C3T2 Fl. 1.977 11 Este mesmo entendimento se aplica aos lançamentos decorrentes. DA DECADÊNCIA Uma vez afastada a multa qualificada, já que conforme entendimento sumulado neste CARF não se pode concluir pela conduta dolosa com base apenas em presunção de omissão de receita, há que se rever a decisão recorrida no que toca a preliminar de decadência. Ocorre que houve pagamento de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins em todos os meses dos anos de 2008, 2009 e 2010, conforme planilha elaborada pela DRF/Joaçaba a fls. 1893 e 1894, logo, aplicase na espécie a regra de decadência prevista no art. 150, § 4º, do CTN. O recorrente tomou ciência dos autos de infração em 25/02/2013, conforme Termo a fls. 1.586. Assim, nesta data da ciência dos lançamentos, já havia decaído o direito de o Fisco constituir crédito de Cofins e de Contribuição para o PIS do fato gerador de janeiro de 2008, já que esses são os únicos dos tributos em tela que têm fato gerador mensal. A DRJ já havia exonerado a recorrente dos créditos de Cofins e Contribuição para o PIS relativos ao fato gerador de janeiro de 2008, mas apenas aqueles que constam do item 001 dos referidos autos de infração da Cofins e da Contribuição para o PIS, ou seja, aqueles créditos sobre os quais incidiu multa de ofício de 75%. Vejamos o trecho da decisão de primeira instância em que é exonerado o recorrente de tais créditos: “Devem ser excluídos os valores de R$ 461,15 e de R$ 2.128,39 relativos, respectivamente, à contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, correspondentes ao período de apuração janeiro de 2008. Todas as demais parcelas lançadas, inclusive de IRPJ e CSLL, permanecem inalteradas.” Ora, como afastamos a multa qualificada, há que se reconhecer também que, no momento do lançamento, já havia decaído o direito de o Fisco constituir o crédito de Cofins e Contribuição para o PIS relativos ao fato gerador de janeiro de 2008, referente ao item 002 dos autos de infração da Cofins e da Contribuição para o PIS, ou seja, aqueles créditos sobre o qual incidiu multa de ofício de 75%. Conforme demonstrativos a fls. 1421 e , o recorrente deve ser exonerado dos créditos de Cofins no valor de R$ 7.898,75 e de Contribuição para o PIS no valor de R$ 1.711,40. No mérito, a questão se resolveu com a diligência, pela qual restou provado que havia valores a serem excluídos das bases tributáveis (planilha a fls. 1956), tendo inclusive a recorrente concordado com as conclusões do Termo de Encerramento de Diligência lavrado pela Autoridade Fiscal. Nesse sentido, os valores apurados do item 001 do auto de infração do IRPJ – Omissão de Receitas com bases em depósitos bancários de origem não comprovada, como também os valores apurados pelos itens correlatos dos autos de infração da CSLL, Cofins e Contribuição para o PIS, devem ser diminuídos dos valores dos depósitos que o recorrente conseguiu demonstrar a origem, conforme planilha elaborada pela DRF/Joaçaba a fls. 1956/1958, restando assim mantida a tributação sobre os seguintes valores: MÊS Depósitos não comprovados Item 001 AI do IRPJ Valores comprovados (planilha a fls. 1956) Valores apurados mantidos 01/2008 263.291,72 6.000,00 257.291,72 Fl. 1982DF CARF MF 12 02/2008 213.421,70 12.000,00 201.421,70 03/2008 349.480,87 19.000,00 330.480,87 04/2008 316.514,91 19.000,00 297.514,91 05/2008 290.767,73 4.500,00 286.267,73 06/2008 277.015,31 16.000,00 261.015,31 07/2008 369.283,91 25.000,00 344.283,91 08/2008 339.376,27 27.500,00 311.876,27 09/2008 408.644,04 12.000,00 396.644,04 10/2008 449.659,63 37.700,00 411.959,63 11/2008 569.320,20 44.400,00 524.920,20 12/2008 534.808,66 40.000,00 494.808,66 MÊS Depósitos não comprovados Item 001 AI do IRPJ Valores comprovados (planilha a fls. 1956) Valores apurados mantidos 01/2009 490.818,13 52.490,00 438.328,13 02/2009 297.225,72 27.900,00 269.325,72 03/2009 598.933,46 45.900,00 553.033,46 04/2009 480.755,24 68.600,00 412.155,24 05/2009 458.831,72 34.000,00 424.831,72 06/2009 521.167,05 38.000,00 483.167,05 07/2008 530.196,34 60.400,00 469.796,34 08/2009 489.797,60 23.800,00 465.997,60 09/2009 441.767,28 nihil 441.767,28 10/2009 595.803,99 30.000,00 565.803,99 11/2009 514.343,32 12.000,00 502.343,32 12/2009 521.275,21 nihil 521.275,21 Fl. 1983DF CARF MF Processo nº 13982.721025/201228 Acórdão n.º 1302002.103 S1C3T2 Fl. 1.978 13 MÊS Depósitos não comprovados Item 001 AI do IRPJ Valores comprovados (planilha a fls. 1956) Valores apurados mantidos 01/2010 300.484,91 19.890,00 280.684,91 02/2010 366.974,96 nihil 366.974,96 03/2010 400.008,79 11.500,00 388.508,79 04/2010 212.217,12 nihil 212.217,12 05/2010 420.832,54 4.900,00 415.932,54 06/2010 351.340,10 1.400,00 349.940,10 07/2010 388.168,55 8.000,00 380.168,55 08/2010 305.545,09 nihil 305.545,09 09/2010 389.286,91 18.000,00 389.286,91 10/2010 357.273,61 30.000,00 327.273,61 11/2010 531.959,66 nihil 531.959,66 12/2010 365.642,81 nihil 365.642,81 Quanto ao item do 002 – Receita da atividade escriturada e não declarada – do auto de infração do IRPJ e correlatos dos demais autos de infração em julgamento, a recorrente não apresentou qualquer argumento de defesa, razão pela qual deve ser mantido integralmente. Por sua vez, deve ser mantida a exclusão do recorrente do Simples Nacional, por prática reiterada de infração ao disposto na Lei Complementar 123/06, já que restou demonstrado que valores tributáveis foram excluídos ao longo de três anos da base de cálculo dos valores que deveriam ser recolhidos pela sistemática do Simples Nacional, seja porque o recorrente não conseguiu desconstituir totalmente a presunção de omissão de receitas com base em depósito bancários de origem não comprovada, seja porque sequer se insurgiu contra acusação de que teria deixado de oferecer à tributação receitas escrituradas. No entanto, uma vez afasta a qualificação da multa de ofício no item 001 da autuação em tela e não tendo sido imputada fraude na conduta descrita no item 002, sustento que não se aplica ao caso o parágrafo 2º do art. 29 da Lei Complementar nº 123/06, razão pela qual voto por dar provimento parcial ao recurso, neste ponto, por consequência direta do que decidido acerca da qualificação da multa de ofício, para limitar os efeitos do Ato de Exclusão a fls. 1322 apenas ao disposto no parágrafo 1º do art. 29 da lei Complementar nº 123/06. Por último, sobre os valores de IRPJ, CSLL, Cofins e Contribuição para o PIS a ser apurado pela DRF/Joaçaba na execução deste acórdão, devem ser deduzidos os Fl. 1984DF CARF MF 14 valores já pagos pela recorrente, conforme planilha elaborada pela mesma DRF e que consta a fls. 1893/1894, por se tratar de questão já Sumulada pelo CARF, in verbis: Súmula CARF nº 76: Na determinação dos valores a serem lançados de ofício para cada tributo, após a exclusão do Simples, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa sistemática, observando‐se os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada. Em suma, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para: a) manter a exclusão da recorrente do Simples, limitando os efeitos do Ato de Exclusão (a fls. 1322) apenas ao previsto no parágrafo 1º do art. 29 da Lei 123/06; b) reduzir as bases tributáveis do item 001 dos autos de infração do IRPJ e da CSLL e do item 002 dos autos de infração da Cofins e da Contribuição para o PIS, conforme planilha que consta deste voto; c) reduzir para o percentual de 75% a multa de ofício aplicada no item 001 do auto de infração do IRPJ, bem como nos itens correlatos dos autos de infração da CSLL; d) manter integralmente os lançamentos relativos ao item 002 dos autos de infração do IRPJ e da CSLL e ao item 001 dos autos de infração da Cofins e da Contribuição para o PIS; e) deduzir do IRPJ, CSLL, Cofins e Contribuição para o PIS devidos o valor proporcional já pago, conforme planilha elaborada pela DRF/Joaçaba e que consta a fls. 1893/1894. Alberto Pinto Souza Junior Declaração de Voto Conselheiro Suplente Gustavo Guimarães da Fonseca Cuidam os autos de auto de infração por meio da qual a Auditoria Fiscal, verificando a ocorrência de omissão de receita, a partir de movimentações bancárias sem lastro documental, excluiu o contribuinte do sistema simplificado de recolhimento de tributos previsto pela Lei Complementar de nº 123/06, com espeque nas disposições do art. 29, V, do citado diploma legal. Destacase, neste passo, que os efeitos da exclusão se operaram desde a data da verificação da primeira infração, na forma do art. 31, II, da LC 123, já citada. Com a devida vênia às opiniões divergentes, mas dos autos não se extrai o pressuposto fático para se impor a exclusão do contribuinte com fundamento na previsão contida no art. 28, V, da lei complementar em testilha. Isto porque a exclusão ora polemizada foi concretizada por meio do auto de infração constante deste processo, não tendo, o mesmo, sido precedido de qualquer outro ato de constituição da obrigação, notificação ou ato de lançamento. Fl. 1985DF CARF MF Processo nº 13982.721025/201228 Acórdão n.º 1302002.103 S1C3T2 Fl. 1.979 15 Tal qual se infere do § 9º, I, do art. 29, anteriormente mencionado, o contribuinte será excluído do SIMPLES quando for verificada “a ocorrência, em 2(dois) ou mais períodos de apuração, consecutivos ou alternados, de idênticas infrações, inclusive de natureza acessória, verificada em relação aos últimos 5(cinco) anoscalendários, formalizada por intermédio de auto de infração ou notificação de lançamento”. A meu sentir, o preceito acima compreende uma interpretação bastante restrita, até para se atender aos primados da segurança jurídica e da publicidade; em outras palavras, as infrações ali tratadas tem que ser objeto de ato específico de lançamento (ou de notificação de infração) relativos a cada ato infracionário. Lembremonos que as empresas optantes pelo SIMPLES, via de regra, não possuem uma estrutura operacional complexa, não dispondo de pessoal ou conhecimento para auditar cada operação praticada; não raras vezes, até mesmo a interrelação com as suas respectivas contabilidades é falha e erros, mesmo que repetidamente, podem ocorrer... Em linhas gerais, a exigência da notificação ou de lavratura de auto de infração para cada ato contrário à LC 123/06, teria caráter educativo de sorte a garantir ao contribuinte que se emende a tempo de evitar penalização tão dura e grave (exclusão do regime do SIMPLES). Imaginese que, ocorrida a primeira infração, fosse o contribuinte cientificado e autuado para pagar o tributo decorrente de sua “omissão”; por certo, a empresa adotaria as medidas necessárias para se retratar, evitando a pratica deste mesmo ato em períodos de apuração subsequentes, garantindo, ipso facto, a sua manutenção no regime contemplado pela LC 123/06. Devidamente advertido acerca de sua falha e insistindo no erro, aí sim, estaríamos diante da hipótese de exclusão tratada pelo preceptivo em analise. Por oportuno, vale ressaltar que o § 9º anteriormente transcrito contempla duas situações que tipificariam a premissa necessária à exclusão do contribuinte (“pratica reiterada” de infrações aos termos da LC 123): § 9º Considerase prática reiterada, para fins do disposto nos incisos V, XI e XII do caput: I a ocorrência, em 2 (dois) ou mais períodos de apuração, consecutivos ou alternados, de idênticas infrações, inclusive de natureza acessória, verificada em relação aos últimos 5 (cinco) anoscalendário, formalizadas por intermédio de auto de infração ou notificação de lançamento; ou II a segunda ocorrência de idênticas infrações, caso seja constatada a utilização de artifício, ardil ou qualquer outro meio fraudulento que induza ou mantenha a fiscalização em erro, com o fim de suprimir ou reduzir o pagamento de tributo. Chama a atenção que o inciso II, acima, não vincula a implementação da consequência tratada no caput do art. 29 à necessidade de formalização de auto de infração ou notificação de lançamento. Isto porque este inciso trata de caso de fraude; de tentativa dolosa de evadirse à tributação por meio de “artifício, ardil ou qualquer ou meio fraudulento”; seria, pois, um contrassenso exigirse a constatação de tais fatos por meio de auto de infração, notadamente porque a conduta do contribuinte, neste particular, impede, ou dificulta, o trabalho fiscal tendente à apuração dos fatos geradores ocultados pela simulação, dissimulação ou fraude, propriamente. Fl. 1986DF CARF MF 16 E, vale lembrar, não existem palavras inúteis na lei (regra básica de hermenêutica); seria de todo despicienda a previsão contida no inciso I, caso não pretendesse, de fato, o legislador permitir ao contribuinte de boafé se emendar e corrigir os seus erros a tempo e modo, antes de suportar as consequências prescritas pelo art. 29, caput, e, principalmente, em seu § 1º (“nas hipóteses previstas nos incisos XX a XII do caput deste artigo, a exclusão produzirá efeitos a partir do próprio mês em que incorridas, impedindo a opção pelo regime diferenciado e favorecido desta Lei Complementar pelos próximos 3 – três – anoscalendários seguintes”). Quando julgou desnecessária a constatação de cada infração individualizada para permitir a exclusão, o legislador não se fez de rogado, ex vi, das disposições do inciso II, já tratado acima. Demais a mais, é importantíssimo trazer a colação as disposições do art. 76, § 6º, I, da Resolução CGSN 96/2011, que regulamenta a Lei Complementar 123/06: § 6º Considerase prática reiterada, para fins do disposto nas alíneas "d", "j" e "k" do inciso IV do caput: (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 29, § 9º) I a ocorrência, em dois ou mais períodos de apuração, consecutivos ou alternados, de idênticas infrações, inclusive de natureza acessória, verificada em relação aos últimos cinco anoscalendário, formalizadas por intermédio de auto de infração ou notificação de lançamento, em um ou mais procedimentos fiscais. Pareceme claro que o Comitê gestor se ocupou, de fato do problema, e ao exigir a formalização das infração “por um ou mais procedimentos fiscais”, considerou necessária tal constatação antes do despacho de exclusão; mais uma vez, tal previsão seria de todo inócua, caso a constatação de da infração pudesse ser identificada num único ato. Em prejuízo de tudo o que expus anteriormente, inclusive, quanto a oportunização a ser dada ao contribuinte de se emendar. Tal qual já alertado, não consta dos autos qualquer notificação de lançamento ou auto de infração pretérito ao ora analisado; ressaltese, mais, que, inclusive, foi afastada, aqui, a aplicação da multa qualificada por não haver prova de prática de ato fraudulento, razão pela qual não considero ter se concretizado a hipóteses 29, V, da LC 123/06, a luz dos preceptivos contidos em seu § 9º. Voto, pois, por dar provimento ao recurso voluntário a fim de afastar a exclusão da empresa ora recorrente e, por conseguinte, para cancelarse a autuação em análise. Gustavo Guimarães da Fonseca. Fl. 1987DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.900330/2014-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 24/08/2012
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE IPI PAGOS INDEVIDAMENTE OU A MAIOR COM DÉBITOS DA COFINS. AUSÊNCIA DE PROVAS DO CONTRIBUINTE. ÔNUS QUE LHE INCUMBE. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Contribuinte que pede compensação, instruindo seu pedido com a DCOMP; sobrevindo decisão dizendo que não há mais créditos a serem aproveitados tem o dever de provar a sua existência por outros meios, dentre outros, por intermédio de DARF, DCTF, Livro de Apuração e Registro do IPI, mas não o fez.
Numero da decisão: 3401-003.709
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado.
ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Augusto Fiel Jorge O'Oliveira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos (relator) e Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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CRÉDITOS DE IPI PAGOS INDEVIDAMENTE OU A MAIOR COM DÉBITOS DA COFINS. AUSÊNCIA DE PROVAS DO CONTRIBUINTE. ÔNUS QUE LHE INCUMBE. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Contribuinte que pede compensação, instruindo seu pedido com a DCOMP; sobrevindo decisão dizendo que não há mais créditos a serem aproveitados tem o dever de provar a sua existência por outros meios, dentre outros, por intermédio de DARF, DCTF, Livro de Apuração e Registro do IPI, mas não o fez. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Augusto Fiel Jorge O'Oliveira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos (relator) e Tiago Guerra Machado. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 03 30 /2 01 4- 14 Fl. 62DF CARF MF Processo nº 13888.900330/201414 Acórdão n.º 3401003.709 S3C4T1 Fl. 3 2 Versam os autos sobre PER/DCOMP cujo direito creditório alegado seria oriundo de recolhimento indevido do IPI, a ser compensado com débito de tributo administrado pela RFB. O despacho decisório não homologou a compensação em razão do recolhimento indevido já ter sido integralmente quitado com outros débitos do contribuinte. O contribuinte apresentou tempestivamente sua manifestação de inconformidade, arguindo várias nulidades, mormente que o aludido Despacho não teria fundamentação, teria se desviado de sua finalidade e lhe causado cerceamento de defesa. Sobreveio decisão da DRJ de Ribeirão Preto/SP, na qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cuja ementa possui o seguinte teor: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 24/08/2012 NULIDADES. As causas de nulidade no âmbito do processo administrativo fiscal são somente aquelas elencadas na legislação de regência. O Despacho Decisório devidamente fundamentado é regularmente válido. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. A homologação das compensações declaradas requer créditos líquidos e certos contra a Fazenda Nacional. Não caracterizado o pagamento indevido, não há créditos para compensar com os débitos do contribuinte. ÔNUS DA PROVA. Cabe à defesa o ônus da prova dos fatos modificativos, impeditivos ou extintivos da pretensão fazendária. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A contribuinte interpôs tempestivamente o seu recurso voluntário, asseverando que a decisão não levou em consideração, nas razões de decidir a eficácia dos princípios constitucionais da motivação dos atos administrativos e da ampla defesa, impedindo que a Recorrente apresentasse defesa, bem como demonstrasse a existência do crédito, requerendo a nulidade da decisão, vez que não lhe foi oportunizado conhecer os motivos pelos quais sua compensação não foi homologada. É o relatório. Voto Fl. 63DF CARF MF Processo nº 13888.900330/201414 Acórdão n.º 3401003.709 S3C4T1 Fl. 4 3 Conselheiro Rosaldo Trevisan Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401003.652, de 25 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 13888.900243/201467, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401003.652): Como se viu do relatório, o presente recurso voluntário visa a nulidade da decisão da DRJ de Ribeirão Preto/SP, entendendo que esta não restou motivada, implicando seu cerceamento de defesa. Não merece prosperar as alegações da Recorrente. A uma, disse o Despacho Decisório: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. A duas, mencionou expressamente a decisão de piso que a Recorrente não trouxe qualquer prova (DARF, DCTF, Livro de Apuração e Registro do IPI), indício ou justificativa que permitisse comprovar o alegado recolhimento indevido. A propósito, merece destaque parte do voto do e. relator: Inicialmente vale verificar o que consta no Despacho Decisório, devidamente assinado pela autoridade competente: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Ou seja, o alegado pagamento indevido não foi restituído porque já tinha sido utilizado para quitar outros débitos. Com efeito, se há erro nos arquivos da Receita, bastaria o interessado juntar a idônea e hábil documentação contraditória (DARF, DCTF e Livro de Apuração e Registro do IPI), até em homenagem o princípio da verdade material tanto invocado, sendo que, se tratam de declarações e livros cuja boa guarda e apresentação imediata estão legalmente determinadas. A manifestação do interessado não traz qualquer prova, indício ou mesmo justificativa que permita comprovar o alegado Fl. 64DF CARF MF Processo nº 13888.900330/201414 Acórdão n.º 3401003.709 S3C4T1 Fl. 5 4 recolhimento indevido, limitandose, tão somente a colecionar julgados e doutrinas sobre nulidades. Considerando que nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, consta que os valores recolhidos no indigitado DARF já foram utilizados para quitar outros débitos e nada o contribuinte a isto contrapõe, não há o que reconsiderar ou anular, sendo que não se justifica a falta de apresentação de documentos que provassem seu direito creditório, na medida que a alegação de cerceamento da defesa não se sustenta. A três, vêse que a decisão fora motivada, embora cingiramse as assertivas da Recorrente apenas e tão somente na juntada da DCOMP, informando que detinha um crédito de IPI, oriundo de pagamento indevido, o qual seria compensado com débitos da COFINS. A quatro, temse que, sobrevindo a decisão da manifestação de inconformidade, deveria a Recorrente fazer prova deste suposto pagamento indevido ou a maior do IPI, conforme determinava o artigo 333 do CPC, vigente à época ademais, como ressalvada pela decisão da DRJ , porém, quedou silente a contribuinterecorrente. A quinto, o processo há de vir devidamente instruído para que o Colegiado possa apreciálo, de modo que, diante da ausência de qualquer prova, a conclusão que se chega é que a decisão de piso não merece reparos. Não maiores ilações a serem feitas e diante da ausência de provas, voto em negar provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 65DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10469.725116/2012-53
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006
CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004.
É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-003.889
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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DIREITO DE CRÉDITO. INCIDÊNCIA CONCENTRADA. Recorrente NATAL VEÍCULOS LIMITADA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 CRÉDITO DA NÃOCUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1ºA DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 72 51 16 /2 01 2- 53 Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10469.725116/201253 Acórdão n.º 3302003.889 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Restituição e Ressarcimento – PER, formulado através do programa PER/Dcomp, pelo qual a Recorrente pleiteia o ressarcimento em espécie do saldo credor acumulado de PIS/PASEP incidência não cumulativa – mercado interno. O Pedido de Ressarcimento foi indeferido, por ausência de direito ao crédito pleiteado, devido a vedação legal de aproveitamento de créditos incidente nas operações de aquisição de produtos sujeitos a tributação monofásica/concentrada. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 06049.642. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, não ampara o creditamento das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, com base na sistemática da não cumulatividade, pelas revendedoras de veículos automotores, em decorrência de vedação legal expressa para o aproveitamento do crédito nas vendas submetidas à incidência monofásica. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reiterando as alegações deduzidas em manifestação de inconformidade, calcadas nas seguintes premissas: 1. Que a recorrente se sujeita à incidência nãocumulativa; 2. Que havia uma vedação ao creditamento conforme o disposto no artigo 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003; 3. Que foi atribuída alíquota zero aos produtos da recorrente, portanto, não se trata de monofasia, o que ocorreria se houvesse apenas uma incidência na cadeia; 4. Que a nãocumulatividade foi aperfeiçoada com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e que esta é uma norma multitemática, ou seja, não restrita ao REPORTO; 5. Que o artigo 16 da Lei 11.116/2005 robusteceu o caráter abrangente do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004; 6. Ambas as leis não ressalvaram quais os casos permaneceriam na regra antiga e que o direito ao creditamento é coerente à técnica da nãocumulatividade das contribuições (método subtrativo indireto); 7. O artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 veio justamente para os casos em que havia vedação ao creditamento; 8. Que pretendeuse mitigar a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 com a edição das MP nº 413/2008 e 451/2008, criando vedações ao creditamento, as quais não foram mantidas na conversão de ambas medidas provisórias; 9 Que a nãocumulatividade das contribuições não guarda relação com o arrecadado anteriormente ou posteriormente na cadeia produtiva. É o relatório. Fl. 103DF CARF MF Processo nº 10469.725116/201253 Acórdão n.º 3302003.889 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.750, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.720142/201145, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.750): "O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. O pedido de ressarcimento foi efetuado com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 combinado com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, abaixo transcritos: Lei nº 11.116/2005: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Lei nº 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. O fundamento da recorrente recai essencialmente na possibilidade de se tomar créditos da nãocumulatividade de Cofins em razão do disposto no artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e de se pedir o ressarcimento com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005. A Lei nº 10.485/2002 estabeleceu a concentração de tributação no fabricante e importadores de determinados veículos e autopeças, dispondo no §2º que os comerciantes atacadistas e varejistas ficassem sujeitos à alíquota zero sobre suas receitas de revendas: Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10469.725116/201253 Acórdão n.º 3302003.889 S3C3T2 Fl. 5 4 § 2o Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I o caput deste artigo; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II o caput do art. 1o desta Lei, exceto quando auferida pelas pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5o, da Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001. (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) Com base, nesta receita sujeita à alíquota zero, é que a recorrente entende possível a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, isto é, a tomada de créditos sobre a revenda de máquinas e veículos constantes das posições da TIPI constantes do artigo 1º da Lei nº 10.485/2002 e de autopeças constantes dos Anexos I e II da referida lei. Ocorre que, não obstante estar sujeita ao regime nãocumulativo das contribuições, as alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 vedam expressamente a tomada de créditos sobre bens adquiridos para revenda pelas pessoas jurídicas que comercializam os produtos referidos nos artigos 1º e 3º da Lei nº 10.485/2002, como transcrevese a seguir: Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) § 1o Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) [...] III no art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) IV no inciso II do art. 3o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) [...] Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10469.725116/201253 Acórdão n.º 3302003.889 S3C3T2 Fl. 6 5 I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) Por sua vez, o artigo 17 dispôs genericamente que as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Ora, este artigo não traz nenhuma hipótese de creditamento, mas apenas esclarece que nas situações ali previstas, os créditos vinculados àquelas vendas são mantidos. E tais créditos são, justamente, as hipóteses que a legislação faculta ao contribuintes a sua tomada, como por exemplo, os artigos 3º das leis acima citadas, o artigo 15 da Lei nº 10.865/2004 e outros quaisquer artigos que veiculem hipóteses de creditamento. O item 191 da exposição de motivos da MP nº 206/2004, cuja conversão resultou na Lei nº 11.033/2004, confirma este entendimento na medida que dispôs que a redação do artigo 16, convertido no artigo 17 acima referido, visava "esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS." Não por outro motivo, que o artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 dispôs sobre a possibilidade de ressarcimento e compensação do saldo credor vinculado às vendas mencionadas no artigo 17, vinculandoos à forma de apuração do artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 e do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004, reconhecendo, por óbvio, que ali estavam listadas as hipóteses de creditamento e não que o artigo 17 inovara toda a legislação, revogando o artigo 3º e redefinindo as hipóteses de creditamento, o que seria a consequência inevitável da tese da recorrente. Ressaltase, porém, que o artigo 17 não proibiu a tomada de créditos vinculados às receitas sujeitas à alíquota zero decorrentes das revendas dos bens de que tratam este processo em relação às demais hipóteses previstas no artigo 3º, proibição esta que foi, conforme mencionado pela recorrente, objeto de duas tentativas propostas pelo Executivo Federal nas MPs nº 413/2008 e 451/2008. Ocorre que, como também já mencionado na peça recursal, tais dispositivos não foram contemplados na conversão das duas MPs, mantendose a possibilidade de creditamento em relação às demais hipóteses do artigo 3º, entendimento confirmado na Solução de Consulta nº 218/2014. Assim, referidas MP´s pretenderam impedir o creditamento das demais hipóteses legais previstas nos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, mas foram irrelevantes em relação à vedação específica contida na alínea "b" do inciso I do artigo 3º, que se destina justamente à vedação do creditamento relativo aos bens adquiridos para revenda de que tratam os §§1º e 1ºA do artigo 2º das referidas leis. 1 19. As disposições do art. 16 visam esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10469.725116/201253 Acórdão n.º 3302003.889 S3C3T2 Fl. 7 6 Neste diapasão, citase o Acórdão nº 340301.566: Ementa: COFINS – REGIME MONOFÁSICO – IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS O artigo 17 da Lei 11.033/2004, que garante a manutenção do crédito às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, só se aplica aos setores ou produtos sujeitos regime nãocumulativo, não se aplicando aos produtos sujeitos ao regime monofásico. Portanto, diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Nos termos do entendimento exarado no paradigma, a impossibilidade de creditamento, no regime nãocumulativo, na aquisição de bens para revenda adquiridos por comerciantes atacadistas e varejistas de produtos sujeitos à tributação concentrada referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis, se aplica tanto à Contribuição para o PIS/Pasep quanto à COFINS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Fl. 107DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.720323/2011-65
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/01/2009
PLR - PROGRAMA DE PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. ACORDO FIRMADO AO FINAL DO EXERCÍCIO.
Constitui requisito legal que as regras do acordo da PLR sejam estabelecidas previamente, de sorte que os acordos firmados ao final do exercício acarretam a inclusão dos respectivos pagamentos no salário-de-contribuição.
Numero da decisão: 9202-005.370
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/01/2009 PLR - PROGRAMA DE PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. ACORDO FIRMADO AO FINAL DO EXERCÍCIO. Constitui requisito legal que as regras do acordo da PLR sejam estabelecidas previamente, de sorte que os acordos firmados ao final do exercício acarretam a inclusão dos respectivos pagamentos no salário-de-contribuição.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
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ACORDO FIRMADO AO FINAL DO EXERCÍCIO. Constitui requisito legal que as regras do acordo da PLR sejam estabelecidas previamente, de sorte que os acordos firmados ao final do exercício acarretam a inclusão dos respectivos pagamentos no saláriodecontribuição. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 03 23 /2 01 1- 65 Fl. 1087DF CARF MF 2 Relatório Tratase de autuação exigindose contribuições patronais destinadas ao Fundo de Previdência e Assistência Social (FPAS) e ao financiamento concedido em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais (AI 37.300.4966); contribuições dos segurados empregados (AI 37.300.4982); contribuições destinadas a terceiros (FNDE, Incra, Senai, Sesi e Sebrae) e por descumprimento de obrigações acessórias (AI 37.300.4974), no período de 01/01/2007 a 31/01/2009. Conforme o Relatório Fiscal, a base de cálculo foi o pagamento de valetransporte em dinheiro, informado em folhas de pagamento; gastos com viagens de turismo e com premiação de automóveis pagos em dinheiro, tendo como beneficiários terceiros (donos de revenda dos produtos fabricados pela recorrente e/ou arquitetos vencedores das campanhas de incentivo “Talent”). Além do pagamento de Participação nos Lucros e Resultados PLR em desconformidade com a Lei nº 10.101, de 2000, tendo em vista os seguintes aspectos: a) metas atribuídas aos funcionários, gerentes e à alta administração não seriam iguais; b) metas conferidas aos gerentes e à alta administração não integrariam o acordo coletivo; c) as regras dos acordos não seriam claras e objetivas; d) o programa de metas, resultados e prazos não teria sido pactuado previamente; e) foram constatados pagamentos sob essa rubrica mais de duas vezes ao ano. Em sessão plenária de 14/03/2013, foi julgado o Recurso Voluntário s/n, prolatandose o Acórdão nº 2301003.422 (fls. 985 a 999), assim ementado: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/01/2009 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. METAS E PLANOS DIFERENCIADOS POR CARGO. VALE TRANSPORTE EM PECÚNIA. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PRÊMIO PAGO A TERCEIRO. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. ENQUADRAMENTO. IMPROCEDENTE. Acordo para pagamento de Participação nos Lucros ou Resultados (PLR) que preveja plano e metas diferenciadas de acordo com o cargo do segurado não está em desacordo com a legislação, motivo da não incidência da contribuição previdenciária sobre essa parcela. No caso concreto as regras do Acordo foram conhecidas previamente pelos empregados da recorrente. Ficou comprovado a participação do sindicato no estabelecimento das normas da PLR, sendo assim, não se pode ignorar os termos que restaram Fl. 1088DF CARF MF Processo nº 10830.720323/201165 Acórdão n.º 9202005.370 CSRFT2 Fl. 1.088 3 afixados por ambas as partes e corroborados pela entidade sindical. Os valores pagos a título de vale transporte pagos em pecúnia não estão na base de incidência de contribuição previdenciária, conforme Súmula Carf nº 89. Exigese a comprovação da efetiva prestação de serviços por parte do segurado contribuinte individual, como condição para a incidência de contribuição social previdenciária. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado" A decisão foi assim registrada: "Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento ao recurso, nas autuações por descumprimento de obrigações acessórias e principais, quanto à data de celebração de acordo para pagamento de Participação nos Lucros e Resultados (PLR), nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Mauro José Silva, que votaram em negar provimento ao recurso nesta questão; b) em dar provimento ao recurso, nas autuações por descumprimento de obrigações acessórias e principais, quanto à questão da Participação nos Lucros e Resultados (PLR), para os cargos de gerência, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Mauro José Silva, que votaram em negar provimento ao recurso nesta questão; c) em dar provimento ao recurso, nas autuações por descumprimento de obrigações acessórias e principais, na questão dos prêmios pagos a pessoas jurídicas, conceituados como contribuintes individuais, nos termos do voto do Relator; II) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento ao recurso, nas autuações por descumprimento de obrigações acessórias e principais, na questão do auxílio transporte, nos termos do voto do Relator; b) em dar provimento ao recurso, nas autuações por descumprimento de obrigações acessórias e principais, quanto à questão das metas e direitos diferentes aos segurados, na PLR, nos termos do voto do Relator; c) em negar provimento ao Recurso, nas autuações por descumprimento de obrigações acessórias e principais, nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do Relator; Sustentação oral: Diego Zenatti. OAB: 276.019/SP." O processo foi encaminhado à PGFN em 24/09/2013 (Despacho de Encaminhamento de fls. 1.000) e, em 08/10/2013, a Fazenda Nacional interpôs o Recurso Especial de fls. 1.001 a 1.012 (Despacho de Encaminhamento de fls. 1.013), com fundamento no art. 67, do Anexo II, do Ricarf, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, visando rediscutir a não incidência de contribuição previdenciária sobre o pagamento de Participação nos Lucros e Resultados sem a existência de acordo prévio ao exercício. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme despacho de 27/04/2016 (fls. 1.015 a 1.021). Fl. 1089DF CARF MF 4 No apelo, a Fazenda Nacional argumenta, em síntese: a Constituição Federal dá os contornos da base de cálculo das contribuições previdenciárias, em seu art. 201, § 11: "Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e conseqüente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei"; em perfeita consonância com essa diretriz, a Lei nº 8.212, de 1991, que instituiu o Plano de Custeio da Previdência Social, encerra a definição legal de saláriode contribuição nos seguintes termos: "Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração efetivamente recebida ou creditada a qualquer título, durante o mês, em uma ou mais empresas, inclusive os ganhos habituais sob forma de utilidades, ressalvado o disposto no artigo 9º e respeitados os limites dos §§ 3º, 4º e 5º deste artigo." assim, o salário é elemento remuneratório do trabalho, e se a Constituição ou a Lei Básica de Previdência Social não excluírem o pagamento de determinada parcela remuneratória, que se originou em decorrência única e exclusiva do vínculo laboral entre empregado e empregador, esta não deve ser extirpada da base de cálculo da contribuição: pelo artigo 7º, inciso XI da CF: "Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei." conforme reconheceu o próprio STF, esse artigo consubstancia uma regra de eficácia limitada, carecendo de lei para sua total eficácia, de modo que até a sua edição era devida a contribuição previdenciária sobre a total remuneração paga aos empregados, mesmo que denominada participação nos lucros e resultados (RE nº 393.764Agr); nessa senda, é PLR apenas o numerário pago aos empregados nos termos previstos na lei a que se refere o citado preceito constitucional; não se faz suficiente para fazer impedir a cobrança de contribuição previdenciária a existência da lei reguladora e a denominação de participação nos lucros e resultados, devese observar em tudo e por tudo a legislação pertinente; nesse sentido, eis acórdão do STJ: "PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. ISENÇÃO. NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA À LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA. 1. Embasado o acórdão recorrido também em fundamentação infraconstitucional autônoma e preenchidos os demais pressupostos de admissibilidade, deve ser conhecido o recurso especial. Fl. 1090DF CARF MF Processo nº 10830.720323/201165 Acórdão n.º 9202005.370 CSRFT2 Fl. 1.089 5 2. O gozo da isenção fiscal sobre os valores creditados a título de participação nos lucros ou resultados pressupõe a observância da legislação específica regulamentadora, como dispõe a Lei 8.212/91. 3. Descumpridas as exigências legais, as quantias em comento pagas pela empresa a seus empregados ostentam a natureza de remuneração, passíveis, pois, de serem tributadas. 4. Ambas as Turmas do STF têm decidido que é legítima a incidência da contribuição previdenciária mesmo no período anterior à regulamentação do art. 7º, XI, da Constituição Federal, atribuindolhe eficácia dita limitada, fato que não pode ser desconsiderado por esta Corte. 5. Recurso especial não provido." (STJ. SEGUNDA TURMA. REsp 856160/PR. Ministra ELIANA CALMON. DJe 23/06/2009. Nesse mesmo sentido, Cf. REsp 496949 / PR) resta, pois, evidenciado que somente as verbas pagas a título de participação nos lucros e resultados, nos termos da Lei nº 10.101, de 2000, estão imunes à tributação; contudo, conforme largamente demonstrado no relatório fiscal, não é o caso dos autos, já que o pagamento a titulo de PLR se deu em desconformidade com a legislação de regência, razão pela qual não merece o presente lançamento qualquer alteração; prescrevem os arts. 2º e 3º da Lei nº 10.101, de 2000: "Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2º O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. Fl. 1091DF CARF MF 6 (...) Art. 3º A participação de que trata o art. 2º não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. (...) § 2º É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil." pois bem, atento às regras acima transcritas, cumpre voltar a atenção para os dados constantes dos autos, a fim de se perquirir se a contribuinte em apreço atendeu a todas as exigências legais, podendo exercer o direito de excluir do salário de contribuição a verba que denomina como "participação nos lucros"; no caso em análise, cabe registrar que não houve celebração de acordo prévio ao exercício, atitude que impede os funcionários de terem conhecimento prévio a respeito de quanto a sua dedicação irá refletir em termos de participação; restou desatendido, portanto, também o requisito da pactuação prévia de regras claras e objetivas; conforme muito bem disposto no acórdão 20600397, a contribuinte não estabeleceu previamente regras, metas ou mecanismos de aferição, para que ficasse claro aos empregados o que a empresa esperava dos mesmos para que fizessem jus ao benefício, portanto o pagamento efetuado pela empresa, chamado de participação nos lucros, da forma como foi feito, mais se assemelha a um prêmio pelos resultados obtidos e, como tal, integra o saláriodecontribuição; logo, o pagamento de participação nos lucros e resultados em desacordo com os dispositivos legais da Lei 10.101/00 enseja a incidência de contribuições previdenciárias, posto a não aplicação da regra do art. 28, § 9º, "j" da Lei 8.212/91; decorre das razões ora trazidas à baila, conclusão de que plenamente correto o lançamento efetuado pela fiscalização nestes autos. Ao final, a Fazenda Nacional pede o provimento do recurso, incluindose na base de cálculo da contribuição previdenciária os valores indicados pela Contribuinte como pagamentos decorrentes de PLR Participação nos Lucros e Resultados. Cientificada em 1º/06/2016 (Termo de Ciência por Abertura de Mensagem de fls. 1.026), a Contribuinte ofereceu, em 14/06/2016 (fls. 1.027), as Contrarrazões de fls. 1.028 a 1.051, contendo os seguintes argumentos, em síntese: preliminarmente, salientase que a Recorrente interpôs o Recurso Especial pelo fundamento de que a decisão a quo deu à lei tributária interpretação divergente da que lhe foi dada por outra Turma com relação ao tema "impossibilidade de excluir da tributação os valores pagos a título de PLR sem a existência de Acordo prévio ao exercício"; Fl. 1092DF CARF MF Processo nº 10830.720323/201165 Acórdão n.º 9202005.370 CSRFT2 Fl. 1.090 7 todavia, é fato que não resta caracterizada, in casu, a divergência na interpretação da legislação tributária com base no RICARF aprovado pela Portaria n° 343/2015, que estabelece as seguintes condições para conhecimento do recurso: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. § 1o Não será conhecido o recurso que não demonstrar de forma objetiva qual a legislação que está sendo interpretada de forma divergente. § 2° Para efeito da aplicação do caput, entendese que todas as Turmas e Câmaras dos Conselhos de Contribuintes ou do CARF são distintas das Turmas e Câmaras instituídas a partir do presente Regimento Interno. § 3° Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso. § 4° Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que, na apreciação de matéria preliminar, decida pela anulação da decisão de 1a (primeira) instância por vício na própria decisão, nos termos da Lei n° 9.784 de 29 de janeiro de 1999. § 5o O recurso especial interposto pelo contribuinte somente terá seguimento quanto à matéria prequestionada, cabendo sua demonstração, com precisa indicação, nas peças processuais. § 6o Na hipótese de que trata o caput, o recurso deverá demonstrar a divergência arguida indicando até 2 (duas) decisões divergentes por matéria. § 7° Na hipótese de apresentação de mais de 2 (dois) paradigmas, serão considerados apenas os 2 (dois) primeiros indicados, descartandose os demais. § 8° A divergência prevista no caput deverá ser demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido. ora, é patente a falta de requisito material de admissibilidade do Recurso Especial com base nas disposições do Regimento Interno do CARF para o tema objeto do Recurso Especial da Fazenda Nacional, isso porque, no caso em análise, não há que se falar em ausência de Acordo prévio acerca do pagamento do PLR, que efetivamente existe e foi celebrado anteriormente ao pagamento das referidas verbas; os acórdãos paradigmas apresentados pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional tratam de forma genérica de casos em que inexiste acordo entre a empresa e seus Fl. 1093DF CARF MF 8 empregados com regras claras sobre o pagamento do PLR ao final do exercício, por isso, não guardam qualquer relação com o objeto do presente processo e com os fatos narrados no v. Acórdão recorrido; com efeito, no caso em tela, o Acordo Coletivo para pagamento do PLR é renovado ano a ano, repetindo os termos do Acordo celebrado no ano anterior, de modo que os empregados tenham o exato conhecimento das regras, metas e porcentagens de participação sobre o lucro; por outro lado, os paradigmas trazidos pela Fazenda Nacional apresentam casos em que, ao contrário do praticado pela Contribuinte, ocorreram vícios nos Acordos Coletivos que prejudicavam o prévio conhecimento dos empregados acerca das regras, metas e índice de participação sobre os lucros; para que exista a divergência é necessário que tenham sido aplicadas interpretações divergentes para o mesmo contexto fático em face de um mesmo dispositivo legal; no caso, apesar de a Recorrente não ter feito qualquer cotejo analítico entre a situação do acórdão recorrido com a situação fática dos acórdãos paradigmas, a mera leitura dos acórdãos paradigmas já indica que as situações fáticas são completamente distintas; a aplicação do entendimento de que os Acordos firmados pela Contribuinte não ocorriam de forma prévia ao exercício está apoiada na premissa equivocada de que a Contribuinte deveria ter celebrado o Acordo Coletivo antes do exercício, ou seja, a situação fática do acórdão recorrido que é apontada como contrária à lei está no fato de os Acordos Coletivos terem sido pactuados somente ao final do ano exercício; todavia, cumpre ressaltar que, no caso em tela, os Acordos Coletivos de PLR foram devidamente pactuados e arquivados na entidade sindical dos trabalhadores, sendo ano a ano renovados com as mesmas regras, metas e índice de participação dos empregados sobre os lucros e resultados; desse modo, os acórdãos paradigmas acima referidos partem de fatos completamente diversos e não podem ser tomados como base para a admissão do Recurso Especial no que tange ao tema em questão. portanto, não merece prosperar o Recurso Especial ora em análise, uma vez que tal recurso não reúne condições de admissibilidade com fundamento no aludido dispositivo para conhecimento desta matéria, razão pela qual a matéria contestada não deve ser devolvida à apreciação da CSRF. Do mérito a Fazenda Nacional afirma que o acórdão merece ser reformado em relação à não incidência de Contribuição Previdenciária sobre o pagamento de participação nos lucros e resultados, pois está em desacordo com a legislação de regência; argumenta que a falta de celebração de acordo prévio ao exercício impede que os funcionários saibam a respeito de quanto a sua dedicação irá refletir em termo de participação, e, por essa razão, restou desatendido o requisito de pactuação prévia de regras claras e objetivas; Fl. 1094DF CARF MF Processo nº 10830.720323/201165 Acórdão n.º 9202005.370 CSRFT2 Fl. 1.091 9 porém a Contribuinte não pode concordar com tais argumentos, pois conforme disposto nos autos, os Acordos, pactuados todos os anos com o representante sindical dos empregados, estabelecem as metas de maneira clara e objetiva, sempre respeitando de maneira estrita o § 1o do art. 2o da Lei n° 10.101/2000, que preconiza as regras estampadas na concessão da PLR, além de facultar determinados critérios e condições para sua concessão; nesse sentido, vejase, a exemplo, a redação da Cláusula 5.3 do Acordo: 5.3 CÁLCULO DO VALOR DO PLANO PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS. Para cálculo do valor individual do Plano de Participação nos Resultados será considerado o porcentual de 0,78% (setenta e oito centésimos de porcentagem) sobre o valor apurado total do PAT, o qual será dividido igualmente entre todos os funcionários elegíveis, conforme descrito na Cláusula 4.1, considerando as condições descritas na Cláusula Sexta, excetuando os empregados definidos nas Cláusulas 4.3 e 4.4. esclareçase que a previsão de que o parâmetro utilizado seja o PAT (profit after tax) pode ser traduzido como "lucro depois de descontados os tributos incidentes", no percentual de 0,78%, a ser distribuído de forma igual entre os colaboradores; ora, tal previsão é clara e de fácil compreensão, a regra é objetiva; cumpre registrar que a Lei n° 10.101/2000 não estabelece padrões mínimos e máximos, nem o que é lucro, porque tudo deverá ser definido no instrumento de negociação da PLR, assim como fez a Contribuinte em seus Acordos; ademais, registrase, que os Acordos guardam total consonância com o entendimento jurisprudencial do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme o Acórdão 2402005.116, proferido em 09/03/2016, pela 2a Turma da 4a Câmara: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2009 a 31/12/2009 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS (PLR). EMPREGADOS. PROGRAMA DE METAS DE ACORDO COM A LEI. A parcela paga aos empregados a título de participação nos lucros ou resultados, em conformidade com as diretrizes fixadas pela Lei 10.101/2000, não integra o salário de contribuição. O acordo deve conter regras claras e objetivas, ou se/a. regras inequívocas, fáceis de entender pelo empregado e o programa de metas precisa ser aferível. Caso haja resultado que interessa às partes pode ser utilizado percentual sobre o faturamento bruto, desde que passe no teste das regras claras e objetivas e esteja previsto no acordo. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS (PLR). PERFORMANCE. DESEMPENHO DE ATIVIDADE. NÃO INCIDÊNCIA. Fl. 1095DF CARF MF 10 Somente o nome da verba não caracteriza a remuneração decorrente do trabalho, é necessário observar a natureza da verba paga. Fisco não caracterizou o suposto adicional de performance como substituto ou complemento da remuneração dos empregados e, portanto, não está em desacordo com a legislação, motivo da não incidência da contribuição previdenciária sobre essa parcela. ADICIONAL AO DIRETORGERENTE. PERCENTUAIS SOBRE HONORÁRIOS LÍQUIDOS DE NEGÓCIOS. DESACORDO COMA LEI. INCIDÊNCIA. A parcela paga aos empregados a título de participação nos lucros ou resultados, em desacordo com as diretrizes fixadas pela legislação pertinente, integra o salário de contribuição. Incidem contribuições previdenciárias sobre os valores pagos a título de adicional sobre negócios a Diretor Gerente, pelo fato de tal parcela não integrar a natureza da Participação nos Lucros e Resultados (PLR), configurando evidente gratificação ou comissão sobre negócios. Recurso Voluntário Provido em Parte. continuando na análise dos fundamentos do Recurso Especial, verificase que a PGFN, equivocadamente, conclui que os Acordos sobre a participação nos lucros e resultados não foram previamente pactuados, conforme determina a legislação; no entanto, conforme informado e demonstrado em sede de recurso, os Acordos de Participação nos Lucros e Resultados foram devidamente pactuados e arquivados na entidade sindical dos trabalhadores, medida que demonstra claramente a inexistência de qualquer tipo de arbitrariedade e que tanto a empresa, quanto seus empregados concordaram com as regras estabelecidas nos Acordos; a Lei nº 10.101/00 não veda a negociação da PLR durante ou após o período de apuração, mas sim que o Acordo seja precedido do efetivo pagamento; nesse sentido, já se manifestou esse Conselho por meio do Acórdão n° 9202002.484, da 2a Turma da Câmara Superior de Recursos Ficais: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 11/09/2007 CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. INEXISTÊNCIA. AUTODE INFRAÇÃO. SALÁRIO INDIRETO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS.OBSERVÂNCIA DA LEGISLAÇÃO REGULAMENTADORA. METAS. PRESCINDIBILIDADE. LUCROS. NEGOCIAÇÃO POSTERIOR AO SEU ADVENTO. INEXISTÊNCIA DE VEDAÇÃO LEGAL. Ação fiscal precedente ao lançamento é procedimento é inquisitório, o que significa afastar qualquer natureza contenciosa dessa atuação, de forma que a prévia oitiva do contribuinte, quanto a eventuais dados levantados durante ação Fl. 1096DF CARF MF Processo nº 10830.720323/201165 Acórdão n.º 9202005.370 CSRFT2 Fl. 1.092 11 fiscal, pode ser plenamente descartados acaso a autoridade fiscal já se satisfaça com os elementos de que dispõe; A discussão em torno da tributação da PLR não cingese em infirmar se esta seria ou não vinculada a remuneração, até porque o texto constitucional expressamente diz que não, mas sim em verificar se as verbas pagas correspondem efetivamente a distribuição de lucros; Para a alínea "j" do § 90 do art. 28 da Lei n" 8.212/91, e para este Conselho, PLR é somente aquela distribuição de lucros que seja executada nos termos da legislação que a regulamentou, de forma que apenas a afronta aos critérios ali estabelecidos, desqualifica o pagamento, tornandoo mera verba paga em decorrência de um contrato de trabalho, representando remuneração para fins previdenciários; Os instrumentos de negociação devem adotar regras claras e objetivas, de forma a afastar quaisquer dúvidas ou incertezas, que possam vir a frustrar o direito do trabalhador quanto a sua participação na distribuição dos lucros; VI A legislação regulamentadora da PLR não veda que a negociação guanto à distribuição do lucro, seja concretizada após sua realização, é dizer, a Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.2002 de 24/08/2001 negociação deve preceder ao pagamento, mas não necessariamente advento do lucro obtido. Recurso especial negado. no mesmo sentido, vejase o entendimento jurisprudencial majoritário do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, demonstrado por meio do seguinte julgado: PREVIDENCIÁRIO. CERCEAMENTO DE DEFESA. AÇÃO FISCAL CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA INEXISTÊNCIA. SALÁRIO INDIRETO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. OBSERVÂNCIA DA LEGISLAÇÃO REGULAMENTADORA. METAS. PRESCINDIBILIDADE. LUCROS. NEGOCIAÇÃO POSTERIOR AO SEU ADVENTO. INEXISTÊNCIA DE VEDAÇÃO LEGAL. (...) Os instrumentos de negociação devem adotar regras claras e objetivas, de forma a afastar quaisquer dúvidas ou incertezas, que possam vir a frustrar o direito do trabalhador quanto a sua participação na distribuição dos lucros; A legislação regulamentadora da PLR não veda gue a negociação quanto à distribuição do lucro, seja concretizada após sua realização, é dizer, a negociação deve preceder ao pagamento, mas não necessariamente ao advento do lucro obtido. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Processo n° 14485.000326/200721. Acórdão n° 240200.508 — 4° Câmara / 2' Turma Ordinária. Relator: Rogério de Lellis Pinto. Sessão de 22 de fevereiro de 2010 Fl. 1097DF CARF MF 12 para concluírem tal decisão, os Ilustres Conselheiros do CARF analisaram a legislação que regula a Participação nos Lucros e Resultados, qual seja, a Lei n° 10.101/00, conforme se verifica do voto abaixo transcrito: "(...) O art. 1° do referido diploma legal de início proclama que a participação nos lucros ou resultados é uma forma ou instrumento de integração entre capital e trabalho, como que se embutindo a idéia de socialização desse mesmo capital, através da sua distribuição entre todos os envolvidos no seu alcance. (...) A regulamentação inserida na Lei n° 10.101/00, a partir da leitura dos dispositivos legais encimados, denota uma acentuada preocupação em se garantir que o pagamento da PLR seja antes mais nada, discutido entre as partes diretamente envolvidas. A Lei prestigia a participação dos empregados, seja indiretamente através dos respectivos sindicatos, seja diretamente através de comissão escolhida por eles, mas não parece aceitar uma fixação unilateral de critérios e valores. No caso trazido pela presente NFLD, não há duvidas de que os lucros foram distribuídos de acordo com que fora acordado entre empregados e empresa, de forma que os critérios e formas de distribuição não se deu unicamente a critério de uma das partes, mas sim a partir de uma negociação prévia entre elas. Contudo, a fiscalização não vislumbrou a existência de metas e resultados, motivo que a seu ver desqualificaria a natureza do pagamento, tomandoo verba salarial, por este simples fato, o que, no entanto, não posso concordar. Sem embargos, se analisarmos de forma mais detida a exigência contida no § 1° do art. 2° ut mencionado, veremos que os instrumentos de negociação deverão prever regras "claras e objetivas", e esse é ponto central da questão, porque o que a Lei exige não são metas ou resultados, mas sim preceitos que não sejam geradores de dúvidas que impeçam a qualquer das partes envolvidas o direito a observar o quanto fora acordado Talvez o que aqueles que defendem que a implementação de um plano de participação nos lucros deve sempre prever metas ou resultados, inadvertidamente esteiam confundindo essa distribuição com incentivo à produção, confusão essa que a melhor doutrina não aceita. É óbvio que o incremento da produção e a obtenção de lucros são questões que interessam a ambas a partes envolvidas no pagamento da verba em questão mas não é seu objetivo principal. A origem da PLR não remonta a busca por resultados ou lucros em si, mas como consagrado pela própria CF e visto acima, representa uma forma de socializar o capital alcançado pela empresa, mediante distribuição entre agueles que ajudaram a construílo (trabalhadores).Portanto, a previsão constitucional de conferir aos trabalhadores o direito a PLR existe não para se alcançar resultados ou metas, incentivar a produção etc, mas sim para viabilizar a integração entre capital e trabalho, conferindo a estes últimos o direito ao acesso a riqueza produzida com seu esforço. No caso em exame, os direitos subjetivos e adjetivos previstos na norma legal estão dispostos de forma objetiva e clara, na medida em que não há omissão quanto ao que o Fl. 1098DF CARF MF Processo nº 10830.720323/201165 Acórdão n.º 9202005.370 CSRFT2 Fl. 1.093 13 trabalhador receberá a titulo de participação nos lucros, nem quanto à forma com que se dará essa participação. A propósito, reafirmase que a objetividade e clareza exigida pelo § 1° do art. 2° da Lei n° 10.101/00, nada mais representa do que uma forma de se garantir que não hajam dúvidas que impeçam ou dificultem o cumprimento do acordado, vale dizer, o direito a divisão dos lucros, sendo este, o ponto relevante que a regulamentação nos parece realmente pretender impedir. Por outro lado, o raciocínio desenvolvido pela autoridade fiscal sugere uma suposta necessidade de gue o acordo preveja metas ou resultados a serem atingidos, para que haja a distribuição dos lucros, o que é um equívoco grave, porque o dispositivo legal em questão não quer impor as partes acordantes aqueles critérios arrolados nos seus incisos, onde estão consignados as indigitadas metas e resultados. Tanto isso é verdade, gue na parte final, o caput do S 1° usa a expressão "podendo ser considerados, entre outros (..)" gue nos leva a uma interpretação de gue os incisos concedem meros caminhos que podem ou não ser eleitos pelas partes aderentes, portanto, sem qualquer repercussão na natureza da verba a ser paga. o presente caso amoldase perfeitamente na situação demonstrada pelo voto acima colacionado, isso porque, os Acordos de Participação nos Lucros e Resultados foram firmados pela ora Recorrida e seus empregados previamente aos respectivos pagamentos, não se trata do estabelecimento de metas de produção, mas sim da socialização dos lucros nos termos preceituados pela Constituição Federal; é preciso ter em mente que as metas do PLR formalizadas nos Acordos Coletivos eram de conhecimento de todos os funcionários, desde o início do anocalendário; além disso, importante ressaltar que, no caso desta Recorrida, os acordos coletivos de PLR eram renovados anualmente nos mesmos termos, de modo que fixavam as mesmas regras, metas e percentual nos lucros aplicados ano a ano, conforme documentação acostada aos autos (Doc. 03 Doc. 04 da Impugnação). desta forma, sendo renovados pelos mesmos termos celebrados ano a ano, todos os empregados já tinham prévio conhecimento das metas a serem cumpridas e dos percentuais a serem distribuídos; para melhor visualizar, seguem sintetizados abaixo os dados relevantes acerca dos critérios utilizados anualmente, especificamente ao caso em tela, com relação aos anos de 2006, 2007 e 2008: Período de Parâmetro Critérios 2006 01/01/06 a 31/12/06 Lucratividade 0,78% do PAT (Profit aftertax), distribuídos entre todos os elegíveis 2007 01/01/07 a 31/12/07 Lucratividade 0,78% do PAT (Profit aftertax), distribuídos entre todos os elegíveis 2008 01/01/08 a 31/12/08 Lucratividade 0,78% do PAT (Profit after tax), distribuidos entre todos os elegíveis Fl. 1099DF CARF MF 14 com efeito, os empregados da empresa, participantes do Programa de Participação nos Lucros e Resultados eram conhecedores de todas as regras que norteiam tal Programa de maneira prévia, mesmo que efetivada a assinatura dos respectivos acordos apenas ao final de cada exercício; dúvidas não restam, destarte, que equivocada a conclusão da PGFN no sentido de que inconcebível que o acordo seja celebrado ao final do ano. Tanto houve a integração capital e trabalho que o lucro foi repartido, com efetivo pagamento, tal e qual definido no PLR; vale ressaltar que, a legislação regulamentadora da PLR não veda que a negociação quanto à distribuição do lucro seja concretizada durante a sua realização, é dizer, a negociação deve preceder ao pagamento, mas não necessariamente antes do início do período em que será apurado o lucro obtido; nesse sentido, manifestouse a Colenda Câmara Superior de Recursos Fiscais por meio do Acórdão n° 9202003.368 2a Turma: ASSUNTO:CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDÊNCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2000 a 31/07/2006 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS DA EMPRESA PLR. IMUNIDADE. OBSERVÂNCIA À LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. ACORDO PRÉVIO AO ANO BASE. DESNECESSIDADE. A Participação nos Lucros e Resultados PLR concedida pela empresa aos seus funcionários, como forma de integração entre capital e trabalho e ganho de produtividade, não integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias, por força do disposto no artigo 7°, inciso XI, da CF, sobretudo por não se revestir da natureza salarial, estando ausentes os requisitos da habitualidade e contraprestação pelo trabalho. Somente nas hipóteses em que o pagamento da verba intitulada de PLR não observar os requisitos legais insculpidos na legislação específica, notadamente artigo 28, § 9o, alínea "j", da Lei n° 8.212/91, bem como MP n° 794/1994 e reedições, c/c Lei n° 10.101/2000, é que incidirão contribuições previdenciárias sobre tais importâncias, em face de sua descaracterização como Participação nos Lucros e Resultados. A exigência de outros pressupostos, não inscritos objetivamente/literalmente na legislação de regência, como a necessidade de formalização de acordo prévio ao ano base, é de cunho subjetivo do aplicador/intérprete da lei, extrapolando os limites das normas específicas em total afronta à própria essência do benefício, o gual, na condição de verdadeira imunidade, deve ser interpretado de maneira ampla e não restritiva. Recurso especial negado. ao pesquisar sobre o tema no CARF, notase que o entendimento majoritário é no sentido de que a lei n° 10.101/00 não estabelece que o acordo de PLR deve ser assinado no início do período a que se refere; Fl. 1100DF CARF MF Processo nº 10830.720323/201165 Acórdão n.º 9202005.370 CSRFT2 Fl. 1.094 15 o Acordo deve preceder o pagamento e não ao advento do lucro, portanto pode ser assinado no final do período, após ser apurado o lucro, essa situação não desqualifica a natureza do PLR (entendimento: Acórdão n° 9202002.484 2a Turma CSRF); ademais, recentemente foram proferidas decisões pelo CARF determinando o cancelamento da autuação; o entendimento majoritário é de que a realização de negociação durante o período de apuração do PLR, por si só, não confere natureza salarial aos pagamentos; abaixo trecho do Acórdão 2402005.275, emitido pela 4a Câmara / 2a Turma Ordinária: "(...) O fisco alega que a data da assinatura dos acordos é posterior ao período de aferição dos resultados. Sustenta ainda que os acordos não possuem regras claras e objetivas, contrariando, assim, a regra prevista no §1° do art. 2o da Lei n°10.101/00. Quanto à assinatura dos acordos, a empresa, por sua vez, ressalta que não é a data da assinatura dos acordos que denota ou comprova quando iniciaram as negociações entre as partes, pelo contrário, evidencia o acordo final que chegaram após todo o trâmite imposto pela legislação. E nessa questão entendo que razão assiste ao contribuinte, isto porque, compulsando os autos é possível constatar que os pagamentos realizados a título de participação nos lucros e resultados (PLR) observaram a determinação legal no que tange a pactuação prévia, consta nas folhas 423 a 428, plano de pagamento de PLR referente ao ano de 2005, ou seja, anterior a data do presente lançamento, o que revela que a empresa já possuía acordos de PLR, e que, notadamente seus empregados tinham conhecimentos das regras quanto a aferição e pagamento da PLR futura, o que, por si só, é suficiente para fazer considerar que as verbas pagas a esse título não integra a base de cálculo das contribuições providenciarias. (...) 30. Ademais, há que se mencionar que a própria norma, não estabelece momento exato para a assinatura dos acordos coletivos referente à participação nos lucros. Nesse sentido tem se firmado o entendimento deste Conselho, tendo em vista que "a legislação regulamentadora da PLR não veda que a negociação quanto a distribuição do lucro, seja concretizada após a sua realização, baseandose no fato de que a negociação deve preceder ao pagamento, mas não necessariamente ao advento do lucro obtido" (2a Turma Ordinária, da 4a Câmara, da 2a Seção de Julgamento do CARP, Ac. 2402.00.508, de 22/2/2010, rei. Rogério de Lellis Pinto, processo n° 14485.000326/200721. Cumpre ressaltar que a Lei n. 10.101/2000 silencia quanto o momento da assinatura dos acordos coletivos, não cabendo à Fl. 1101DF CARF MF 16 fiscalização, de ofício, limitar aspecto temporal que a própria norma não se preocupou em restringir. Insta mencionar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, em momento anterior assim se posicionou, conforme ementa e trecho extraído do julgado acórdão n° 9202003.368 2a Turma (...)" (Acórdão n. 2402005.275 4a Câmara /2a Turma Ordinária / 2a Seção 1 1 de maio de 2016). portanto, a tese defendida pela ora Recorrida foi apreciada pelo CARF com decisões favoráveis, inclusive desta C. CSRF, no sentido da improcedência da autuação, pois a Lei n° 10.101/2000 silencia quanto ao momento da assinatura dos acordos coletivos, não cabendo à Fiscalização, de ofício, limitar aspecto temporal que a própria norma não se preocupou em restringir; além disso, conforme acima prelecionado, os Acordos Coletivos eram renovados anualmente pelas mesmas regras, metas e porcentagem aplicados ano a ano, tendo todos os empregados prévio conhecimentos de tais termos; ante o exposto, a pretensão fazendária de ver reformado o v. Acórdão proferido peta Ia Turma Ordinária da 3a Câmara da 2a Seção de Julgamento de plano mostrase improcedente, uma vez que esta C. Câmara possui entendimento manifestamente contrário à tese defendida no Recurso Especial; de todo o exposto, concluise: preliminarmente, deve ser reconhecida a inadmissibilidade do Recurso Especial em relação à impossibilidade de excluir da tributação os valores pagos a título de PLR sem a existência de acordo prévio ao exercício, não cabendo a devolução da matéria contestada à apreciação desta C. CSRF, uma vez que não restou demonstrada a divergência na interpretação da legislação tributária; no mérito, resta evidente o equívoco na interpretação pelo Recurso Especial da Fazenda Nacional, pois Lei n° 10.101/00 não veda a negociação da PLR após o período de apuração, mas sim que o Acordo seja precedido do efetivo pagamento; ainda, no mérito, os elementos dos autos não deixam dúvidas de que: (i) os Acordos de Participação nos Lucros e Resultados, assim como determinada a legislação, foram devidamente pactuados e arquivados na entidade sindical dos trabalhadores; por tal medida, resta claro que não houve qualquer tipo de arbitrariedade e mais, que ambas as partes empresa e seus empregados, devidamente representados pelo sindicato concordaram com as regras estabelecidas nos Acordos; (ii) tais valores não devem integrar o saláriodecontribuição, posto que pagos em consonância com a Lei n° 10.101/00, uma vez que, além de outros atributos, contemplam metas e regras claras e objetivas, as quais foram previamente pactuadas, cujos termos eram de prévio conhecimentos de todos os trabalhadores. Ao final, a Contribuinte pede que seja acolhida a preliminar de não conhecimento do Recurso Especial ou, não sendo este o entendimento, o que se admite para argumentar, que no mérito lhe seja negado provimento. Fl. 1102DF CARF MF Processo nº 10830.720323/201165 Acórdão n.º 9202005.370 CSRFT2 Fl. 1.095 17 Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, restando perquirir acerca do atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade. Tratase de autuação exigindose contribuições patronais destinadas ao Fundo de Previdência e Assistência Social (FPAS) e ao financiamento concedido em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais (AI 37.300.4966); contribuições dos segurados empregados (AI 37.300.4982); contribuições destinadas a terceiros (FNDE, Incra, Senai, Sesi e Sebrae) e por descumprimento de obrigações acessórias (AI 37.300.4974), no período de 01/01/2007 a 31/01/2009. O presente Recurso Especial aborda especificamente os pagamentos efetuados a título de Participação nos Lucros e Resultados PLR, que no entender da Fazenda Nacional estariam em desconformidade com a Lei nº 10.101, de 2000. Em sede de Contrarrazões, a Contribuinte pede o não conhecimento do apelo, alegando que a situação fática do acórdão recorrido não guardaria similitude com a dos paradigmas. Ademais, alega o não cumprimento dos §§ 1º e 8º, do art. 67, do Anexo II, do Ricarf, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, aludindo a falta de demonstração objetiva da legislação que estaria sendo interpretada de forma divergente, bem como falta de demonstração analítica dos pontos no paradigma que divergiriam do recorrido. De plano, esclareçase que o Recurso Especial da Fazenda Nacional foi interposto em 08/10/2013, conforme Despacho de Encaminhamento de fls. 1.013, portanto antes da vigência do novo Ricarf, aludido pela Contribuinte. Ainda que se aplicasse ao apelo o atual Ricarf, importa salientar que a redação trazida pela Contribuinte já foi alterada pela Portaria MF nº 39, de 12/02/2016, conforme a seguir: "Art. 67................................................................................. §1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar a legislação tributária interpretada de forma divergente." Assim, suprimida a expressão "de forma objetiva", fica claro que a demonstração da legislação que está sendo interpretada de forma divergente não tem de estar necessariamente expressa no apelo, desde que nele se demonstre qual o arcabouço jurídico que está sendo tratado, evitandose assim a apresentação de decisões divergentes em face de arcabouços normativos estranhos à lide objeto do recurso. No mais, este CARF tem dado seguimento a apelos que, a despeito de não demonstrarem de forma expressa a legislação que está sendo tratada, essa informação é facilmente deduzida da própria demonstração dos pontos de divergência indicados nos paradigmas, portanto considerase que atendem ao comando regimental acima. E no caso do recurso em análise, fica claro que todo o litígio versa sobre a interpretação da legislação que rege a PLR, mormente a Lei nº 10.101, de 2000. Quanto à alegação de falta de similitude entre o acórdão recorrido e os paradigmas, convém examinar as situações fáticas retratadas nos julgados em confronto. Fl. 1103DF CARF MF 18 No caso do acórdão recorrido, conforme o próprio voto condutor do julgado, assim é descrito o contexto da autuação: "3. Em síntese os pagamentos efetuados pela recorrente estariam eivados de vícios tendo em vista que os acordos coletivos não apresentariam metas e regras claras, não teriam sido pactuados previamente e as metas seriam desiguais entre os funcionários e gerentes, além de a PLR ter sido paga mais de duas vezes ao ano, conforme trecho do relatório fiscal (f. 691) que transcrevo a seguir: “ as metas são desiguais entre funcionários, gerentes e alta gerência; Não apresenta as metas que deveriam ser parte integrante do acordo relativamente aos Gerentes e alta gerência; As regras destes Acordos não são claras e objetivas quando, por exemplo são elaboradas em 30/11/2007, pra o período de 01/01/2007, ou elaboradas em 21/12/2006 para o período de 01/01/2006 a 31/12/2006, ou elaboradas em 20/10/2008 para o período de 01/01/2008 a 31/12/2008; Qual seria então o prazo para revisão destas regras, nestes Acordos?? O programa de metas, resultados e prazos, não foram pactuados previamente; Os pagamentos destas rubricas foram em mais de 2 vezes anuais; Portanto estes pagamentos intitulados PLR, estão em desacordo coma Lei 10.101/2000, e são bases de cálculo para o INSS, conforme previsto no inc. I do art. 28 da Lei n. 8.212/91 inc. I do art. 214 do regulamento da Previdência Social – RPS/99." Em face de tal contexto, o Ilustre Relator em momento algum infirma os fatos descritos na autuação mas sim confere à legislação de regência interpretação que relativiza as infrações apontadas. O trecho do voto condutor a seguir colacionado mostra bem o que aqui se assevera: "15. Nesse sentido, me filio à tese de que as regras estipuladas pela Lei 10.101/2000 devem ser postas com vistas a preservar os direitos do empregado, observando o princípio da razoabilidade, de maneira que meras irregularidades não desnaturem o benefício. " Quanto ao primeiro paradigma Acórdão nº 240100.545 a Fazenda Nacional colaciona os seguintes trechos: Ementa "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/1997 a 31/12/2003 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS PARCELA Fl. 1104DF CARF MF Processo nº 10830.720323/201165 Acórdão n.º 9202005.370 CSRFT2 Fl. 1.096 19 INTEGRANTE DO SALÁRIO‑ DECONTRIBUIÇÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS DESCUMPRIMENTO DAS REGRAS DA LEI 10.101/2000. Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia. O pagamento de participação nos lucros e resultados em desacordo com os dispositivos legais da lei 10.101/00, quais sejam, existência de acordo prévio ao exercício, bem como a existência de regras previamente ajustadas, enseja a incidência de contribuições previdenciárias, posto a não aplicação da regra do art. 28, §9º, 'j' da Lei 8.212/91. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional, ou do 173 do mesmo Diploma Legal, no caso de dolo, fraude ou simulação comprovados, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria. In casu, houve antecipação de pagamento, fato relevante para aqueles que entendem ser determinante à aplicação do instituto. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE.” Voto "No caso em questão a autoridade fiscal, conforme descrito no relatório fiscal, fls. 51, procedeu ao lançamento de contribuições previdenciárias sobre os pagamentos feitos à título de participação nos lucros uma vez que inexistia acordo prévio ao exercícios em que se fundavam (exercício de 2001 (acordo de 10/01/2002), exercício de 2002 (acordo de 18/12/2002) e exercício de 2003 (acordo de 12/11/2003)). Ademais, ainda descreve a autoridade que não houve indicação/discrininação/comprovação das metas descritas nos acordos. Como é sabido, o grande objetivo do pagamento de participação nos lucros e resultados e a participação do empregado no capital da empresa, de forma que esse se sinta estimulado a trabalhar em prol do empreendimento, tendo em vista que o seu Fl. 1105DF CARF MF 20 engajamento, resultará em sua participação (na forma de distribuição dos lucros alcançados). Assim, como falar em engajamento do empregado na empresa, se o mesmo não tem conhecimento prévio do quanto a sua dedicação irá refletir em termos de participação. É nesse sentido, que entendo que a lei exigiu não apenas o acordo prévio ao trabalho do empregado, ou seja, no início do exercício, bem como o conhecimento por parte do trabalhador de quais as regas (ou mesmo metas) que deverá alcançar para fazer jus ao pagamento. (...) Assim, ao descumprir os preceitos legais e efetuar pagamentos de participação nos lucros, sem a existência de acordo prévio e estabelecimento de metas, o recorrente assumiu o risco de não se beneficiar pela possibilidade de que tais valores estariam desvinculados do salário." Conforme os trechos colacionados, no paradigma identificouse como irregularidade, tal como no recorrido, a inexistência de acordo prévio ao exercício, e de regras previamente ajustadas. Assim, comparandose as situações retratadas nos julgados em confronto, constatase que, no caso do acórdão recorrido, além das irregularidades apontadas no paradigma, foram identificadas outras impropriedades, o que faz concluir que, aplicado o entendimento do paradigma no recorrido, o resultado certamente seria em sentido contrário ao que lhe conferiu o Colegiado recorrido. Destarte, a divergência resta claramente demonstrada. Relativamente ao segundo paradigma Acórdão nº 240102.251 a Fazenda Nacional colaciona os seguintes trechos: Ementa ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2005 a 31/12/2006 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL CONTRIBUIÇÃO DESTINADA A TERCEIROS SALÁRIOS INDIRETOS DESCUMPRIMENTO DO ART. 28, § 9º DA LEI 8212/91. Cumpre observar que fiscalização da DRFB possui competência para arrecadar e fiscalizar as contribuições destinadas a terceiros, conforme art. 94 da Lei 8.212/91. Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia. SALÁRIO INDIRETO ABONO ÚNICO VALE TRANSPORTE PAGO EM DINHEIRO NATUREZA SALARIAL AÇÃO JUDICIAL ANTERIOR AO LANÇAMENTO. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo. Fl. 1106DF CARF MF Processo nº 10830.720323/201165 Acórdão n.º 9202005.370 CSRFT2 Fl. 1.097 21 SALÁRIO INDIRETO PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS PERIOCIDADE PARCELA INTEGRANTE DO SALÁRIODE CONTRIBUIÇÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS AUSÊNCIA DE ACORDO PRÉVIO QUE POSSIBILITE OS EMPREGADOS CONHECIMENTO DOS RESULTADOS. O pagamento de PLR com base de dois acordos concomitantemente, encontrase m desacordo com os preceitos da lei 10.101/2000, devendo incidir contribuição previdenciária, sobre a totalidade dos pagamentos realizados. Não há que e falar em regular negociação coletiva, quando o acordo é firmado, no final do exercício, ou mesmo após o término deste. SALÁRIO INDIRETO FORNECIMENTO DE ALIMENTAÇÃO AOS DIRETORES ALIMENTAÇÃO IN NATURA Nos termos do parecer n. 03/2001 da PGFN fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária. SALÁRIO INDIRETO FORNECIMENTO DE VEÍCULO PRÓPRIO PARA OS DIRETORES PREVISÃO LEGAL DE EXCLUSÃO O fato de o carro fornecido aos diretores ser de propriedade da empresa não determina, por si só, a natureza salarial da utilidade, face a precisão contida no art. 28, § 9º, 'r' da lei 8212/91. SALÁRIO INDIRETO BÔNUS DE CONTRATAÇÃO E PERMANÊNCIA A natureza atribuída pela autoridade fiscal, nomeando a verba bônus de Contratação e Permanência, com uma espécie de prêmio, para atrair bons funcionários para a recorrente, encontrase, sem dúvida, dentro do conceito do salário de contribuição, posto que nada mais é do que um ganho fornecido como resultante de uma contraprestação. A mera alegação de que as despesas contabilizadas, são apenas provisões, não merece prosperar, quando não demonstrada reversão das mesmas. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA ADICIONAL de 2,5% INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS PREVISÃO LEGAL IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE Tendo a empresa do ramo financeiro remunerado seus segurados com verbas integrantes do saláriodecontribuição Fl. 1107DF CARF MF 22 previdenciário, tornase obrigada ao recolhimento da contribuição adicional incidente sobre tais valores, conforme determina o art. 22, § 1º, da Lei 8.212/91. CONTRIBUIÇÃO PARA O SAT SALÁRIO INDIRETO BASE DE CÁLCULO DE CONTRIBUIÇÃO. A exigência da contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade é prevista no art. 22, II da Lei nº 8.212/1991, alterada pela Lei nº 9.732/1999. Em sendo julgado procedente a inclusão em base de cálculo de valores pagos à título de salário indireto, devida é também a contribuição para o SAT. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/03/2005 a 31/12/2006 AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL DIFERENÇA DE CONTRIBUIÇÕES VALE TRANSPORTE NULIDADE DA AUTUAÇÃO CERCEAMENTO DE DEFESA FALTA DE DEFINIÇÃO DOS FATOS GERADORES. Houve discriminação clara e precisa dos fatos geradores, possibilitando pleno conhecimento pela recorrente não só no relatório de lançamentos, no DAD, bem como no relatório fiscal. INCONSTITUCIONALIDADE ILEGALIDADE DE LEI E CONTRIBUIÇÃO IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. TRABALHO DO AUDITOR ATIVIDADE VINCULADA Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. AÇÃO JUDICIAL VERBAS DISCUTIDAS EM JUÍZO LANÇAMENTO PARA EVITAR DECADÊNCIA DEPÓSITO JUDICIAL. Em existindo depósito judicial sobre verbas discutidas em juízo não deve incidir juros e multa. PRAZO DECADENCIAL EXISTÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO OU IMPOSSIBILIDADE DE SE VERIFICAR ESSE FATO. APLICAÇÃO DO § 4. DO ART. 150 DO CTN. Fl. 1108DF CARF MF Processo nº 10830.720323/201165 Acórdão n.º 9202005.370 CSRFT2 Fl. 1.098 23 Constatandose antecipação de recolhimento ou quando, com base nos autos, não há como a se concluir sobre essa questão, devese aferir o prazo decadencial pela regra constante do § 4. do art. 150 do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte." Voto "O objetivo da CF/88 de desvincular o pagamento de PLR do salário, foi no intuito de abrir ao empregador, possibilidades dos empregados participarem do capital das empresas, estimulando os a alcançarem metas e resultados, e distribuindo com eles o fruto de todo esse esforço. Não quis o legislador naquele momento, ou mesmo hoje, abrir uma brecha para que empresas realizem pagamentos indiretos aos empregados, sem que os mesmos sejam computados no conceito de remuneração, ou mesmo reflitam nos demais direitos do empregados. Com base nesse pensamento, entendo que as metas a serem cumpridas, devem ser previamente pactuadas, para que o empregado tenha conhecimento prévio de quanto o seu esforço poderá lhe trazer de retorno. Formalizar acordos, quase ao término do exercício para os quais serão pagos valores a título de PRL, nada mais é do que tentar desnaturar pagamentos indiretos aos empregados, dandolhes uma maquiagem de PLR, para que sejam excluídos da base para o pagamento de outros direitos." Esse segundo paradigma, mormente o último parágrafo acima, ao final do trecho do voto condutor do acórdão, trazido à colação pela Recorrente, deixa clara a divergência suscitada: a formalização de acordos quase ao término do exercício como ocorreu no caso do acórdão recorrido nada mais é que tentar desnaturar pagamentos indiretos, dando lhes maquiagem de PLR. Destarte, demonstrada a divergência jurisprudencial, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e passo a analisarlhe o mérito. A Constituição Federal assim estabelece: "Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei;" (grifei) Destarte, não há dúvida de que a Carta Magna delegou à lei a atribuição de definir as regras acerca da participação nos lucros ou resultados, o que foi feito por meio da Lei nº 10.101, de 2001, que assim determina: "Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um Fl. 1109DF CARF MF 24 dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2º O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores." (grifei) Do conjunto de regras acima estabelecidas, deduzse que o cumprimento do §1º, do art. 2º, ou seja, o estabelecimento de regras claras e objetivas, bem como de mecanismos de aferição, e principalmente a fixação prévia de metas e resultados, requer que o pacto ocorra antes do início do exercício a que se refere o acordo, do contrário os empregados sequer saberão o quanto terão de se esforçar, e qual seria a compensação por esse esforço. A expressão "pactuados previamente" comporta diversas interpretações, inclusive aquela adotada pela Contribuinte e aplicada no acórdão recorrido. Entretanto, no entender desta Conselheira, não há como validar um pacto ou acordo, senão por meio da assinatura das partes, portanto não há que se falar em acordo válido, quando ele sequer foi assinado. Ademais, a interpretação no sentido de que a assinatura do acordo tem de ser anterior ao exercício ao qual ele se refere, guarda lógica com todas os demais dispositivos da Lei nº 10.101, de 2001, já que permite ao empregado saber exatamente qual o nível de esforço suficiente a atingir as metas prefixadas. No presente caso, o próprio voto condutor do acórdão, ao especificar os fundamentos da autuação, assim registra: "As regras destes Acordos não são claras e objetivas quando, por exemplo são elaboradas em 30/11/2007, pra o período de 01/01/2007, ou elaboradas em 21/12/2006 para o período de 01/01/2006 a 31/12/2006, ou elaboradas em 20/10/2008 para o período de 01/01/2008 a 31/12/2008." Destarte, a despeito das alegações oferecidas em sede de Contrarrazões, no sentido de que os empregados já conheceriam as metas, entende esta Conselheira que os pagamentos referentes às PLR não foram objeto de negociação prévia, assim entendida como a negociação que resulta em acordos efetivamente assinados previamente, sendo que no presente caso os acordos somente foram assinados ao final do períodobase (fls. 772 a 779). Fl. 1110DF CARF MF Processo nº 10830.720323/201165 Acórdão n.º 9202005.370 CSRFT2 Fl. 1.099 25 Destarte, obviamente que no momento em que os pagamentos de PLR foram efetuados, já haviam ocorrido as variáveis que determinaram o lucro e os resultados obtidos pela empresa, sem qualquer possibilidade de aferição acerca do alcance de eventuais metas pelos empregados. E não se pode perder de vista que se trata de exclusão de base de cálculo de tributo, portanto a interpretação tem de ser restritiva, a teor do art. 111 do CTN. Quanto aos julgados colacionados pela Contribuinte em sede de Contrarrazões, tratase de jurisprudência que vem sendo revista no CARF, mormente no âmbito da Câmara Superior de Recursos Fiscais, o que diz respeito inclusive a esta Conselheira. Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, doulhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 1111DF CARF MF
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Numero do processo: 11516.722027/2014-77
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri May 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2012, 2013, 2014
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
Os embargos de declaração se prestam à complementação da decisão embargada, mas não alteram o seu resultado quando mantidos os fundamentos originalmente adotados como razão de decidir.
Numero da decisão: 1401-001.867
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher em parte os embargos, sem efeitos infringentes, rerratificando o acórdão embargado e integrando o voto apenas para consignar a ocorrência das tempestivas defesas dos solidários.
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto - Relator e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, José Roberto Adelino da Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Lívia de Carli Germano e Antonio Bezerra Neto.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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Os embargos de declaração se prestam à complementação da decisão embargada, mas não alteram o seu resultado quando mantidos os fundamentos originalmente adotados como razão de decidir. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher em parte os embargos, sem efeitos infringentes, rerratificando o acórdão embargado e integrando o voto apenas para consignar a ocorrência das tempestivas defesas dos solidários. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Relator e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, José Roberto Adelino da Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Lívia de Carli Germano e Antonio Bezerra Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 20 27 /2 01 4- 77 Fl. 1058DF CARF MF Processo nº 11516.722027/201477 Acórdão n.º 1401001.867 S1C4T1 Fl. 532 2 Relatório Tratase de exame de admissibilidade dos embargos declaratórios opostos pelo sujeito passivo em epígrafe (fls. 10241.038). O recurso foi impetrado contra o Acórdão n° 1401001.718 desta Turma, cuja ementa abaixo transcrevemos: DESPESAS. NECESSIDADE. São admissíveis as como operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora e que sejam usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividade da empresa. DESPESAS DE DEBÊNTURES. INDEDUTIBILIDADE. A falta de comprovação de que os atos formalmente praticados, analisados pelo seu todo, demonstrarem não terem as partes outro objetivo que não se livrar de uma tributação específica, e seus substratos estão alheios às finalidades dos institutos utilizados (emissão de debêntures) tais atos não são oponíveis ao fisco. Nesse contexto se insere a indedutibilidade das despesas decorrentes das obrigações relativas a debêntures entre partes ligadas sem captação alguma de novos recursos, demonstrando apenas a artificialidade da operação. MULTA QUALIFICADA Aspecto relevante que deve ser considerado na aplicação da multa qualificada aos planejamentos diz respeito aos atos que constituem a conduta evasiva. Se nenhum desses atos foi falso, se tudo estava às claras para a fiscalização e não exigiu qualquer esforço para a aplicação dos efeitos tributários, não há razão para se qualificar a multa. A embargante alega ter havido omissão do acórdão em razão de ter consignado que os responsáveis solidários não apresentaram defesa. A defesa, porém, teria sido realizada tanto na impugnação, quanto no recurso voluntário. Só não houve peças apartadas para cada sujeito passivo. No entanto, na impugnação e no recurso voluntário, constam os responsáveis como proponentes em conjunto com o sujeito passivo e todos assinaram os referidos documentos. Ademais, o embargante alega que houve omissões quanto ao enfrentamento das razões apresentadas em sua defesa, em especial, quanto às disposições legais apontadas: O art. 4621 do RIR/99 é taxativo permitindo a dedutibilidade da remuneração das debêntures, sendo de auto aplicação e sem qualquer condicionante. Porém, em nenhum momento do acórdão o relator teceu qualquer comentário ou apresentou contrapontos ao fundamento acima, demonstrando a clara omissão no julgado; 1 "Art. 462. Podem ser deduzidas do lucro líquido do período de apuração as participações nos lucros da pessoa jurídica I asseguradas a debêntures de sua emissão; Fl. 1059DF CARF MF Processo nº 11516.722027/201477 Acórdão n.º 1401001.867 S1C4T1 Fl. 533 3 Por outro lado, a decisão também seria omissa ao não especificar com base em qual disposição legal calcou seu entendimento: "onde está o fundamento legal que estabelece a remuneração sobre os resultados (debênture participativa) como forma acessória ao pagamento de juros?" não haveria na legislação qualquer previsão que imponha limitações sobre o percentual do resultado que será destinado ao debenturista dessa modalidade. E aqui reside mais uma tremenda contradição do julgado ora embargado, pois se em diversos trechos da decisão é asseverado que o julgador deverá aterse à análise legal objetiva, por qual razão não fundamenta expressa e inequivocamente o ditame legal que considera a remuneração baseada no resultado da companhia como acessório do pagamento de juros Em juízo prelibatório, o presidente considerou presente os requisitos de admissibilidade e submeteu os referidos embargos à apreciação da Turma. É o relatório no essencial. Fl. 1060DF CARF MF Processo nº 11516.722027/201477 Acórdão n.º 1401001.867 S1C4T1 Fl. 534 4 Voto Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator Os embargos são tempestivos. Quanto ao primeiro vício apontado, verifico que assiste razão à embargante quanto ao atendimento dos demais requisitos de admissibilidade, dado a necessidade sanar a omissão apontada De fato há omissão no voto relativa à defesa dos responsáveis solidários. Ainda que se possa afirmar que todas as questões de mérito postas na peça de defesa foram enfrentadas, o fato é que se omite equivocadamente no voto a existência de contestação dos responsáveis tributários. A análise do recurso voluntário, logo no início, permitenos identificar que o recorrente não foi apenas o contribuinte. De fato, seria boa técnica que a defesa fosse apresentada em peças individuais para cada sujeito passivo. Todavia, como foi dito no despacho decisório, não há obrigação expressa disso e o preceito da informalidade do processo administrativo nos conduz a aceitar esse procedimento. Portanto, acolho os embargos nesta parte , fazendo integrar no voto o fato de que todos os responsáveis também se defenderam, mas apenas do mérito da infração e não da responsabilidade tributária, sendo que apresentaram os mesmos argumentos de defesa da peça recursal apresentada pela empresa e que já foram analisados e mantidas a autuação, tendo sido cancelado apenas a qualificação da multa. Demais Omissões Conforme relatado, foi desfilado uma série de omissões no Acórdão embargado em inúmeras páginas mais se parecendo uma nova defesa. As omissões apontadas, em especial, giram em torno das disposições legais apontadas utilizadas como fundamento da manutenção da autuação, bem assim que a decisão também seria omissa ao não especificar com base em qual disposição legal calcou seu entendimento. Neste ponto cabe esclarecer que a via dos embargos de declaratório é notoriamente estreita e o embargante a trata como um via bastante larga. Os inconformismos estão bastante claros, entretanto, tal circunstância não comparece como motivo suficiente a viabilizar os embargos de declaração. Isso porque eventual inconformismo do embargante deve ser objeto de discussão nos meios processuais cabíveis, porquanto os embargos declaratórios não se prestam a modificar o julgado ou a responder questionamentos das partes. E ao longo dos embargos fica cada vez mais claro essa intenção, na medida em que os termos que são expressos os embargos estão recheados de terminologia que denunciam esse desiderato. A esse mesmo respeito cabe também esclarecer que o julgador não está obrigado a analisar especificamente todas as questões suscitadas como imagina a embargante, podendo basear o seu julgamento a partir das hipóteses que estão sub judice e com a legislação e entendimento doutrinário que considerar aplicável no caso em concreto, como foi o caso. O livre convencimento do julgador permite, inclusive, que uma decisão seja amparada em apenas um fundamento, contanto que este seja considerado suficiente ao deslinde da questão. O que não deve, o julgador, sob pena de cerceamento do direito de defesa, é deixar de considerar fato ou circunstância reputada imprescindível à sua decisão. Fl. 1061DF CARF MF Processo nº 11516.722027/201477 Acórdão n.º 1401001.867 S1C4T1 Fl. 535 5 Os pontos onde foram atribuídos vícios pela embargante foram tratados pelo Acórdão embargado até de forma exaustiva para fundamentar a matéria, porém, não foi do "gosto" da embargante. Ao que parece, era de sua preferência o que Acórdão viesse fundamentado de maneira que o lançamento pudesse ser facilmente cancelado. Tratase, pois, de embargos declaratórios manejados com a única finalidade de insurgir contra o fato de o Acórdão embargado haver adotado entendimento diverso daquele que entende seja o correto. A embargante simplesmente não aceita o fato de que as despesas deduzidas com a remuneração de debêntures não foram aceitas pelo voto embargado porque a remuneração feita através de participação no resultado foi considerada exorbitante e, portanto, artificial, visando apenas pagar menos tributo, sendo considerada uma mera liberalidade a teor do art. 299 do RIR/99. Esse é o fundamento principal que sustenta o auto de infração, portanto, todas suas considerações sobre a falta de atendimento do princípio da legalidade não se sustentam. Eis abaixo trechos do meu voto em que fica claro essa linha de entendimento que fundamentou a manutenção do lançamento e responde a todas suas indagações nos embargos: A debênture, portanto, não possui caráter de incerteza, pois ela é remunerada normalmente através de juros. Quando em sua remuneração há algo relativo à participação no resultado, tratase de um adicional que tem por finalidade tornar mais atrativo o investimento. Na lição de Modesto Carvalhosa, em Comentários à Lei das Sociedades Anônimas (Voi. I, da Editora Saraiva, Edição de 2002 pág. 647), embora a lei não diga expressamente, o juro é a remuneração natural da debênture: (...) No caso concreto, essa remuneração foi acordada exclusivamente por meio de participação nos lucros da contribuinte e no valor exorbitante de 85%. Ora, o que se pretende na prática é fazer com que a distribuição de dividendos se transforme em uma verdadeira participação nos lucros, que, também, tornarseia dedutível da base de cálculo do imposto de renda. A intenção foi tão clara privilegiando a forma em detrimento da essência que deixou isso transparecer em sua defesa na fase impugnatória, conforme bem colocou a DRJ: (...) Ou seja, não se trata de erro ou de algo assemelhado, mas de uma clara intenção dolosa visando um fim ilícito de apropriarse indevidamente de despesas desnecessárias infladas artificialmente, por meio apenas de uma forma lícita: emissão de debêntures. Em sua defesa, a interessada limitouse a repisar que tal emissão foi realizada dentro das normas de regência da matéria. Ora, não se presta a desqualificar a autuação a mera alegação de que a Recorrente observou as orientações legais pertinentes, a forma pela forma. Os institutos do direito civil não se prestam para amparar tal pretensão de fazer com que as meras formalidades legais da operação se sobreponham a essência da operação quando essa é vazia, sem causa, a não ser a mera economia tributária. Outrossim, o fato de uma despesa não ser proibida por lei não determina sua dedutibilidade no cômputo do lucro real, como já se viu através de análise da norma do art. 299 do RIR/99, isso porque o conceito de liberalidade comporta mesmo certo subjetivismo. Porém, os fatos do caso concreto não deixam margem para dúvidas de que houve mera liberalidade. Fl. 1062DF CARF MF Processo nº 11516.722027/201477 Acórdão n.º 1401001.867 S1C4T1 Fl. 536 6 A Recorrente se agarra por diversas vezes em sua defesa defendendo que tais debêntures teriam sido remuneradas contra os lucros da companhia e que, portanto, os parâmetros de mercado trazidos à baila pelo Autor do feito não seriam aplicáveis ao caso. (...) Outrossim, as emissões das debêntures da forma como se deu em momento algum cumpriu o seu objetivo principal de captação de novos recursos externos para financiar da empresa. Na realidade, os papéis são integralmente comprados pelos próprios acionistas e pagos com recursos da própria empresa. É como se os mesmos recursos mudassem de classificação na contabilidade apenas para gerar despesas dedutíveis. O fiscal fez um estudo comparativo de rentabilidade do caso concreto confrontando com a média do mercado e que demonstra o descaso dos acionistas quanto ao controle dos custos, afinal como sublinhou o fiscal "o propósito na operação realizada foi sonegar tributos." (...) Também a esses respeito as contrarrazões da PFN foram precisas: (...) Este também é o posicionamento da jurisprudência administrativa, já de longa data: (...) Por fim, cabe salientar que se o propósito original da operação era capitalizar a empresa, da forma que aconteceu, houve na verdade sua descapitalização, demonstrando mais uma vez o artificialismo dessa operação. No caso não se trata de omissões, os embargos nesse caso foram manejados com a única finalidade de se insurgirem contra o fato de o Acórdão embargado haver adotado entendimento diverso daquele que entende seja o correto. Entretanto, tal circunstância não comparece como motivo suficiente a viabilizar os embargos de declaração. Portanto, não conheço dos embargos nestes pontos. Portanto, CONHEÇO e ACOLHO EM PARTE os embargos, sem efeitos infringentes, rerratificando o Acórdão e integrando o voto apenas com a retificação das tempestivas defesas dos solidários. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 1063DF CARF MF
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Numero do processo: 18471.000691/2003-11
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 21/11/1999 a 31/08/2002
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SIMILITUDE FÁTICA.
O recurso especial de divergência, interposto nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 256, de 2009, só se justifica quando há interesse recursal - a necessidade e a utilidade do recurso.
Recurso Especial do Contribuinte não conhecido.
Numero da decisão: 9303-005.136
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 21/11/1999 a 31/08/2002 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SIMILITUDE FÁTICA. O recurso especial de divergência, interposto nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 256, de 2009, só se justifica quando há interesse recursal - a necessidade e a utilidade do recurso. Recurso Especial do Contribuinte não conhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran.
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SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE Recorrente MANTECORP INDÚSTRIA QUÍMICA E FARMACÊUTICA S/A (nova denominação de INDUSTRIA QUIMICA E FARMACEUTICA SCHERING PLOUGH S/A) Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 21/11/1999 a 31/08/2002 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SIMILITUDE FÁTICA. O recurso especial de divergência, interposto nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 256, de 2009, só se justifica quando há interesse recursal a necessidade e a utilidade do recurso. Recurso Especial do Contribuinte não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 06 91 /2 00 3- 11 Fl. 1172DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela contribuinte contra o Acórdão nº 330201.425, de 14/02/2012, proferido pela 2ª Turma da 3ª Câmara da Terceira Seção do CARF, que fora assim ementado: Contra a decisão, a contribuinte apresentou embargos de declaração, os quais, todavia, restaram não admitidos. Irresignada, a Recorrente apresentou recurso especial, por meio do qual insurgiuse contra o reconhecimento da suspensão da exigibilidade em virtude decisão judicial e em razão de depósitos judiciais efetuados no montante integral. Alega divergência com relação ao que decidido no Acórdão nº 110300.141. O exame e o reexame de admissibilidade do recurso encontrase às fls. 1080/1088. Intimada, a Procuradoria apresentou contrarrazões (fls. 1087/1090). É o Relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator Fl. 1173DF CARF MF Processo nº 18471.000691/200311 Acórdão n.º 9303005.136 CSRFT3 Fl. 1.173 3 Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso especial interposto pela contribuinte não deve ser conhecido. Esclareçase que apenas a primeira divergência apontada no recurso – o reconhecimento da suspensão da exigibilidade em virtude decisão judicial – é que foi devolvida a este Colegiado. A segunda, portanto, não foi admitida. Inicialmente, cabe registrar que o lançamento se assentou em dois fatos distintos: a incidência do IPI sobre descontos incondicionais (a contribuinte estaria autorizada, em Ação Declaratória com Tutela Antecipada, a não lançar e a não recolher o imposto sobre tais valores) e sobre as saídas, de seu estabelecimento, de um produto chamado "Solarcaine" (também estaria amparada em outra Ação Declaratória, por meio da qual estaria autorizada a adotar a classificação fiscal NCM 3303.9049, com alíquota zero). Os valores de IPI foram lançados sem a exigência da multa de ofício. O recurso especial, como se viu, discute apenas a suspensão da exigibilidade do crédito tributário em virtude de decisão judicial. Entendeu a Câmara baixa que, consideradas as decisões proferidas em ambas as ações judiciais, não se havia configurado qualquer das hipóteses enquadradas no art. 151 do CTN, amparando a suspensão da exigibilidade do crédito tributário. Vejam: Fl. 1174DF CARF MF 4 Já no acórdão paradigma, outra Turma deste mesmo Conselho concluiu pelo afastamento da exigência da multa de ofício, porquanto considerou, dadas as decisões judiciais proferidas na ação judicial, configurada a suspensão da exigibilidade do crédito tributário. Os argumentos utilizados foram os seguintes: Fl. 1175DF CARF MF Processo nº 18471.000691/200311 Acórdão n.º 9303005.136 CSRFT3 Fl. 1.174 5 Vejam que, como já adiantamos, os valores de IPI foram cobrados apenas com os juros de mora. Aqui, portanto, em ambas as infrações, não foi lançada a multa de ofício proporcional, sendo que é esta a única consequência jurídica a ser considerada, no momento do lançamento destinado a prevenir a decadência, quando o Fisco constata que o contribuinte é devedor de tributo, mas que, em sede judicial, interpôs ação judicial versando sobre o mesmo objeto e obteve provimento favorável ao pleito, ainda que precário. Noutras palavras, se, no momento de proceder ao lançamento, a autoridade lançadora verifica que o contribuinte está amparado por decisão judicial, não pode exigir a multa de ofício proporcional sobre os valores não recolhidos, ex vi do disposto no art. 63 da Lei nº 9.430, de 1996: Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) Percebam que não se está a discutir se há ou não concomitância, mas se configurada ou não a suspensão da exigibilidade do crédito tributário lançado. De conseguinte, entendemos absolutamente inócua esta discussão. Assim, não há interesse recursal – necessidade e utilidade do recurso – a autorizar o conhecimento do apelo, uma vez que o exclusivo efeito daí resultante seria o afastamento da multa, que, no caso, conforme ressaltamos, não foi lançada. Ante o exposto, não conheço do recurso especial. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 1176DF CARF MF 6 Fl. 1177DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16561.720067/2011-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 29 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. ERROS DE CÁLCULO. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Não ocorre a nulidade do auto de infração quando forem observadas as disposições do artigo 142 do Código Tributário Nacional e os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal.
PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO MAIS FAVORÁVEL. A utilização do método mais favorável é uma faculdade do contribuinte, e não uma imposição à fiscalização.
PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL. PREÇO PRATICADO. INCLUSÃO DE FRETE, SEGURO E TRIBUTOS INCIDENTES SOBRE A IMPORTAÇÃO. Segundo o disposto no art. 18, § 6º, da Lei nº 9.430/96, o preço praticado é o preço de aquisição da mercadoria (FOB), acrescido dos valores incorridos a título de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação. A inclusão desses valores no cálculo do preço praticado em nada prejudica o direito do sujeito passivo em deduzi-los como despesa no levantamento do lucro líquido do exercício. Por outro lado, a não inclusão daqueles valores no cálculo do preço praticado prejudicaria a sua comparabilidade com o preço parâmetro levantado segundo o método PRL, uma vez que neste estão necessariamente incluídos os valores de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação.
PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL60. PREÇO PARÂMETRO. IN 243/2002. LEGALIDADE TRIBUTÁRIA. Legalidade tributária, de acordo com o disposto no art. 150, I, da Constituição da República, significa que nenhum tributo poderá ser instituído ou aumentado senão por intermédio de lei. Portanto, não afronta a idéia de legalidade tributária a instrução normativa expedida pela SRF que porventura exija tributo em montante inferior àquele previsto em lei. Restou provado que o preço parâmetro PRL60 calculado segundo o disposto na Instrução Normativa SRF nº 243/2002 resulta em IRPJ e CSLL em valores inferiores àqueles que seriam devidos segundo a Lei nº 9.430/96, daí porque não há que se falar, aqui, em violação ao princípio da legalidade tributária.
MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA. A multa de ofício integra a obrigação tributária principal e, por conseguinte, o crédito tributário, sendo legítima a incidência de juros de mora.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL
PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. DECORRÊNCIA. O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplica-se à tributação decorrente dos mesmos fatos e elementos de prova.
BASE DE CÁLCULO NEGATIVA. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. LANÇAMENTO. Constando compensações indevidas, deve-se efetuar o lançamento correspondente, mesmo que a autuação que lhe deu causa (ajustes de preços de transferência) esteja pendente de confirmação
Numero da decisão: 1201-001.651
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar as preliminares e, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos o Relator e os Conselheiros Luis Fabiano e Luiz Paulo. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Carlos.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente
(assinado digitalmente)
Luis Henrique Marotti Toselli - Relator
(assinado digitalmente)
José Carlos de Assis Guimarães - Redator do voto vencedor
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Luiz Paulo Jorge Gomes, José Carlos de Assis Guimarães.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE MAROTTI TOSELLI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. ERROS DE CÁLCULO. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Não ocorre a nulidade do auto de infração quando forem observadas as disposições do artigo 142 do Código Tributário Nacional e os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO MAIS FAVORÁVEL. A utilização do método mais favorável é uma faculdade do contribuinte, e não uma imposição à fiscalização. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL. PREÇO PRATICADO. INCLUSÃO DE FRETE, SEGURO E TRIBUTOS INCIDENTES SOBRE A IMPORTAÇÃO. Segundo o disposto no art. 18, § 6º, da Lei nº 9.430/96, o preço praticado é o preço de aquisição da mercadoria (FOB), acrescido dos valores incorridos a título de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação. A inclusão desses valores no cálculo do preço praticado em nada prejudica o direito do sujeito passivo em deduzi-los como despesa no levantamento do lucro líquido do exercício. Por outro lado, a não inclusão daqueles valores no cálculo do preço praticado prejudicaria a sua comparabilidade com o preço parâmetro levantado segundo o método PRL, uma vez que neste estão necessariamente incluídos os valores de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL60. PREÇO PARÂMETRO. IN 243/2002. LEGALIDADE TRIBUTÁRIA. Legalidade tributária, de acordo com o disposto no art. 150, I, da Constituição da República, significa que nenhum tributo poderá ser instituído ou aumentado senão por intermédio de lei. Portanto, não afronta a idéia de legalidade tributária a instrução normativa expedida pela SRF que porventura exija tributo em montante inferior àquele previsto em lei. Restou provado que o preço parâmetro PRL60 calculado segundo o disposto na Instrução Normativa SRF nº 243/2002 resulta em IRPJ e CSLL em valores inferiores àqueles que seriam devidos segundo a Lei nº 9.430/96, daí porque não há que se falar, aqui, em violação ao princípio da legalidade tributária. MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA. A multa de ofício integra a obrigação tributária principal e, por conseguinte, o crédito tributário, sendo legítima a incidência de juros de mora. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. DECORRÊNCIA. O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplica-se à tributação decorrente dos mesmos fatos e elementos de prova. BASE DE CÁLCULO NEGATIVA. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. LANÇAMENTO. Constando compensações indevidas, deve-se efetuar o lançamento correspondente, mesmo que a autuação que lhe deu causa (ajustes de preços de transferência) esteja pendente de confirmação
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. ERROS DE CÁLCULO. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Não ocorre a nulidade do auto de infração quando forem observadas as disposições do artigo 142 do Código Tributário Nacional e os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO MAIS FAVORÁVEL. A utilização do método mais favorável é uma faculdade do contribuinte, e não uma imposição à fiscalização. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL. PREÇO PRATICADO. INCLUSÃO DE FRETE, SEGURO E TRIBUTOS INCIDENTES SOBRE A IMPORTAÇÃO. Segundo o disposto no art. 18, § 6º, da Lei nº 9.430/96, o preço praticado é o preço de aquisição da mercadoria (FOB), acrescido dos valores incorridos a título de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação. A inclusão desses valores no cálculo do preço praticado em nada prejudica o direito do sujeito passivo em deduzilos como despesa no levantamento do lucro líquido do exercício. Por outro lado, a não inclusão daqueles valores no cálculo do preço praticado prejudicaria a sua comparabilidade com o preço parâmetro levantado segundo o método PRL, uma vez que neste estão necessariamente incluídos os valores de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL60. PREÇO PARÂMETRO. IN 243/2002. LEGALIDADE TRIBUTÁRIA. Legalidade tributária, de acordo com o disposto no art. 150, I, da Constituição da República, significa que nenhum tributo poderá ser instituído ou aumentado senão por intermédio de lei. Portanto, não afronta a idéia de legalidade tributária a instrução normativa expedida pela SRF que porventura exija tributo em montante inferior àquele previsto em lei. Restou provado que o preço parâmetro PRL60 calculado segundo o disposto na Instrução AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 00 67 /2 01 1- 18 Fl. 8035DF CARF MF 2 Normativa SRF nº 243/2002 resulta em IRPJ e CSLL em valores inferiores àqueles que seriam devidos segundo a Lei nº 9.430/96, daí porque não há que se falar, aqui, em violação ao princípio da legalidade tributária. MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA. A multa de ofício integra a obrigação tributária principal e, por conseguinte, o crédito tributário, sendo legítima a incidência de juros de mora. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. DECORRÊNCIA. O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplicase à tributação decorrente dos mesmos fatos e elementos de prova. BASE DE CÁLCULO NEGATIVA. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. LANÇAMENTO. Constando compensações indevidas, devese efetuar o lançamento correspondente, mesmo que a autuação que lhe deu causa (ajustes de preços de transferência) esteja pendente de confirmação Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar as preliminares e, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos o Relator e os Conselheiros Luis Fabiano e Luiz Paulo. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Carlos. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Relator (assinado digitalmente) José Carlos de Assis Guimarães Redator do voto vencedor Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Luiz Paulo Jorge Gomes, José Carlos de Assis Guimarães. Relatório Tratase de processo administrativo decorrente de Autos de Infração (fls. 7.625/7.645) que exigem IRPJ e CSLL, acrescidos de multa de ofício e juros de mora, relativos aos anos calendário de 2006 e 2007, em razão de ajuste (adição fiscal) dos “preços de transferência”. Segundo consta do TVF (fls. 7.610/7.624), a contribuinte utilizou, para fins de controlar suas operações aos preços de transferência de 2006, o método “PRL” (com margem de 60%) de forma indevida, fato este que resultou nos recálculos dos preços praticados Fl. 8036DF CARF MF Processo nº 16561.720067/201118 Acórdão n.º 1201001.651 S1C2T1 Fl. 8.036 3 e parâmetros, de modo a verificar a necessidade de ajustes nas apurações do lucro real e base de cálculo da CSLL. Mais precisamente, o auditor fiscal responsável pelo lançamento desconsiderou o método de cálculo do PRL60 praticado pela contribuinte – o qual foi feito com base no critério previsto na Lei nº 9.430/1996 e regulamentado pela IN SRF nº 32/2001 , afirmando que, para fatos geradores ocorridos no ano base 2006, a contribuinte deveria ter empregado a metodologia prevista na IN SRF nº 243/2002. Nesse contexto, a fiscalização refez o cálculo de preços de transferência, adotandose como base o PRL 60 regulamentado pela IN SRF nº 243/2002. E como resultado deste trabalho, foi apurado o valor de ajuste (adição fiscal) de R$23.218.172,60. Como no ano calendário de 2006 a contribuinte apurou lucro real, tal ajuste gerou a formalização de crédito tributário de IRPJ de R$5.804.543,15. Já para a CSLL, a fiscalização notou que a empresa possuía bases negativas que foram compensadas em 2006 e 2007, razão pela qual reapurou a aludida contribuição, constituindo as cobranças de R$2.056.312,73 para o ano de 2006 e de R$33.222,80 para o ano base de 2007. Tramitado o feito, a contribuinte apresentou impugnação (fls. 7.652/7.710), arguindo, em síntese: (i) que o método previsto na IN SRF nº 32/2001 tem base na Lei nº 9.430/1996, razão pela qual sua aplicação não é indevida; (ii) que a IN SRF nº 243/2002 não possui base em lei, criando uma “inovação” que contraria o princípio da legalidade e artigo 100 do CTN; (iii) que existem inconsistências que maculam os lançamentos, nos termos do artigo 142 do CTN, a saber: (iii.i) adoção indevida do valor CIF + II (e não o valor FOB) na apuração do preço praticado; (iii.ii) indevida utilização, pelo fisco, do método mais gravoso para apuração do preço parâmetro; (iii.iii) a equivocada apuração na participação do componente importado para fins de cálculo do preço parâmetro; e (iii.iv) a divergência na alocação do frete internacional em relação ao critério que adotada; (iv) inexistência de compensação indevida, no ano base de 2007, da base de cálculo negativa da CSLL; e (v) por fim, caso venha a ser mantido o lançamento, pede que seja reconhecida a impossibilidade de exigência de juros de mora sobre a multa de ofício lançada, em razão do artigo 161 do CTN. De acordo com o despacho de fls. 7.821/7.825, constatouse a necessidade de verificar a procedência ou não das alegações de defesa, notadamente no que diz respeito à exatidão dos cálculos efetuados pela fiscalização, razão pela qual o processo foi encaminhado à DEMAC/SP, para manifestação da autoridade autuante sobre os pontos destacados nos itens (iii.iii) e (iii.iv) acima. Solicitouse, ainda, que o fisco refizesse, se fosse o caso, o cálculo dos ajustes e da matéria tributável relativa aos preços de transferência. Fl. 8037DF CARF MF 4 Como resultado dessa diligência (fls. 7.827/7.832), a fiscalização calculou novamente os preços parâmetro, desta vez sem considerar a quantidade vendida ao calcular o percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no custo total do bem produzido. Ou seja, calculou a relação percentual entre o custo de cada unidade do bem importado e o custo total de cada bem produzido, em conformidade com a planilha de custos apresentadas pela empresa. Além disso, a fiscalização também refez os cálculos de ajustes desprezando totalmente a alocação de frete adotada inicialmente e substituindo aqueles valores, na coluna de frete, pelos valores de frete registrados pela contribuinte. Após refazer os cálculos, a fiscalização encontrou um montante total de ajustes no valor de R$23.125.934,91, contra o ajuste inicial de R$23.218.172,60 (redução da ordem de 0,4%, correspondente a R$92.237,69). Ao manifestarse acerca do resultado da diligência (fls. 7.874/7.888), a contribuinte não contestou os novos cálculos, alegando que o lançamento não poderia ter sido modificado, pois a situação não se enquadraria em nenhuma das hipóteses do artigo 149 do CTN. Tramitado o feito, a impugnação foi julgada parcialmente procedente pela 5ª Turma da DRJ/SP1, que apenas acatou a redução da diferença apurada na diligência. A decisão em questão (Acórdão nº 1646.910 fls. 7.891/7.923) restou assim ementada: “AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Tendo sido o lançamento efetuado com observância dos pressupostos legais incabível falar em nulidade do Auto de Infração. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL60. PREÇOS PARÂMETRO. ILEGALIDADE DA INSTRUÇÃO NORMATIVA. Não compete à esfera administrativa a análise da legalidade ou inconstitucionalidade de normas jurídicas. MÉTODO PRL. PREÇOS PRATICADOS. FRETE, SEGURO E TRIBUTOS. Na apuração dos preços praticados segundo o método PRL (Preço de Revenda menos Lucro), devese incluir o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador, e os tributos incidentes na importação. MÉTODO MAIS FAVORÁVEL. OPÇÃO DO CONTRIBUINTE QUE NÃO SE IMPÕE À FISCALIZAÇÃO. A escolha do método mais favorável ao contribuinte é uma prerrogativa do contribuinte, mas não uma imposição à fiscalização. MÉTODO PRL60. ERRO NA APURAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTÁVEL. Constatado erro na apuração da matéria tributável relativo ao método PRL60 (PRL com margem de 60%), exonerase parcialmente a exigência. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Tratandose de aspecto que não faz parte da presente lide, concernente à cobrança do crédito tributário, a autoridade julgadora não se manifesta a respeito de juros sobre multa de ofício. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Fl. 8038DF CARF MF Processo nº 16561.720067/201118 Acórdão n.º 1201001.651 S1C2T1 Fl. 8.037 5 Anocalendário: 2006, 2007 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. DECORRÊNCIA. O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplicase à tributação decorrente dos mesmos fatos e elementos de prova. BASE DE CÁLCULO NEGATIVA. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. LANÇAMENTO. SOBRESTAMENTO. Constando compensações indevidas, devese efetuar o lançamento correspondente, mesmo que a autuação que lhe deu causa (ajustes de preços de transferência) esteja pendente de confirmação. Desnecessário o sobrestamento do julgamento, visto que, apesar de a decisão de primeira instância ser passível de revisão pelas instâncias superiores, seriam reanalisadas, conjuntamente, tanto a compensação considerada indevida, quanto a autuação que lhe deu causa, não havendo, portanto, qualquer prejuízo à contribuinte. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte.” Discordando do teor da decisão de primeiro grau, cuja ciência ocorreu em 22/06/2013 (fls. 7.930), a contribuinte, em 12/07/2013, interpôs recurso voluntário (fls. 7.932/7.987), o qual, em resumo, reitera os argumentos trazidos na Impugnação e na Manifestação à diligência, que foram classificados nos seguintes itens: item III.(i) – diz que a existência de inconsistências materiais caracteriza violação ao artigo 142 do CTN, bem como que a revisão ou correção dos lançamentos determinada pela DRJ não poderia ter sido feito nos termos propostos pela decisão; item III.(ii.a) – pede o reconhecimento da ilegalidade da IN SRF nº 243/2002, ao pretender alterar a fórmula de cálculo do preço parâmetro prevista no artigo 18, II, da Lei nº 9.430/96; item III.(ii.b) – aduz que a IN SRF nº 243/2002 não é aplicável por ausência de racionalidade econômica, afrontando a própria finalidade das regras de controle de preços de transferência; item III.(ii.c) – argumenta que o preço praticado deve ser considerado levando em conta o custo FOB da operação, ou seja, excluídas as despesas com frete e imposto de importação. Indevida, portanto, a aplicação do custo CIF + II, e não o valor FOB; item III.(ii.d) – sustenta que a fiscalização deveria ter buscado o método de cálculo menos oneroso, sob pena de improcedência do lançamento; item III.(ii.e) – argumenta que inexiste compensação indevida da base de cálculo negativa de CSLL no ano base de 2007; e item III.(ii.f) – pede o afastamento da exigência de juros de mora sobre a multa de ofício. É o relatório. Fl. 8039DF CARF MF 6 Voto Vencido Conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende os pressupostos processuais de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Da preliminar de nulidade A Recorrente pede a nulidade do lançamento, essencialmente com base em três argumentos: (i) o de que a existência de inconsistências materiais na apuração do crédito tributário viola o artigo 142 do CTN; (ii) o de que a retificação do valor do ajuste, promovido tanto pela autoridade fiscal após diligência e pela DRJ, não é legítima, por não se enquadrar em nenhuma hipótese de revisão prevista no artigo 149 do CTN; e (iii) porque caberia ao fisco a escolha de outro método, menos gravoso, antes de efetuar o ajuste apurado. Do ponto de vista do processo administrativo fiscal federal, o Decreto nº 70.235/72 indica os casos de nulidade nos artigos 10º e 59, in verbis: “Artigo 10 O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula”. “Artigo 59 São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa”. Não verifico, nesse caso concreto, qualquer nulidade formal nos lançamentos, ocasionada pela inobservância do disposto no artigo 10º. Também não se faz presente, a meu ver, nenhuma das hipóteses de nulidade prevista no artigo 59 acima transcrito. Resta, portanto, verificar se os Autos de Infração ora em debate foram emitidos com observância de seus requisitos essenciais, como prescreve o artigo 142 do Código Tributário Nacional, in verbis: “Artigo 142 Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação Fl. 8040DF CARF MF Processo nº 16561.720067/201118 Acórdão n.º 1201001.651 S1C2T1 Fl. 8.038 7 correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional”. Tal como determinado em tal dispositivo, os lançamentos de IRPJ e CSLL têm como motivação o Termo de Encerramento da Ação Fiscal (fls. 7.610/7.624), o qual, em conjunto com os próprios Autos de Infração (fls. 7.625/7.645), contêm a descrição dos fatos, a infração imputada, a base legal e demonstrativo dos valores utilizados como parâmetro. A autoridade fiscalizatória motivou as razões que a levaram a caracterizar a conduta da Recorrente como infração à legislação de preço de transferência, não gerando quaisquer dúvidas acerca do conteúdo e forma da exigência constituída. Não vislumbro nenhum prejuízo ao contribuinte, que notoriamente compreendeu o fundamento da imputação que lhe foi imposta, demonstrou total conhecimento dos detalhes da infração e conseguiu exercer seu direito ao contraditório de forma plena. Especificamente com relação às denominadas inconsistências materiais que causariam a nulidade do lançamento, a meu ver tratamse, na verdade, de questões de mérito relacionadas à interpretação dada ao agente fiscal ao método de cálculo previsto na IN 243/02, e não de vícios substanciais presentes no lançamento. Sobre o tema, assim se manifestou a DRJ (fls. 7.915/7.916): “De fato, não há que se falar em modificação no lançamento em face do artigo 149 do CTN, que trata da revisão de ofício pela autoridade lançadora, prevista no inciso III do artigo 145 do CTN. Ocorre que a situação que se coloca é a decorrente da impugnação do sujeito passivo, prevista no inciso I (não no inciso III) do artigo 145 do CTN, in verbis: “Artigo 145 O lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo só pode ser alterado em virtude de: I impugnação do sujeito passivo; II recurso de ofício; III iniciativa de ofício da autoridade administrativa, nos casos previstos no artigo 149”. Diante da impugnação do sujeito passivo, o órgão julgador (as Delegacias de Julgamento) pode (e deve, se for o caso) alterar o lançamento, para adequálo à realidade dos fatos, sem, contudo, agravar a exigência, pois, como bem argumenta a impugnante, as Delegacias de Julgamento não têm competência para tanto. No caso em tela, a fiscalização (autoridade lançadora) apenas refez os cálculos dos preços de transferência, cabendo à Fl. 8041DF CARF MF 8 Delegacia de Julgamento (autoridade julgadora) acatar ou não esses novos cálculos, podendo efetuar a alteração (mas não o agravamento) do lançamento, nos termos do artigo 145, inciso I, e 60 do CTN, supratranscritos. Nesse sentido, não há que se falar em nulidade do lançamento ou do procedimento adotado pela fiscalização ou por esta Delegacia de Julgamento. Conforme já mencionado, acolhendo as alegações da impugnante, a fiscalização refez os cálculos dos preços parâmetro, dos preços praticados e dos correspondentes ajustes, conforme sintetizado no Anexo 2 (preços praticados), no Anexo 3 (preçosparâmetro) e no Anexo 4 (ajustes). E a contribuinte não contesta os novos cálculos.” Como se percebe, a redução parcial do ajuste fiscal promovida pela decisão recorrida acatou os argumentos de defesa, reconhecendo a necessidade de alterar a forma de apuração da participação do componente importado para fins de cálculo do preço parâmetro (que partiu da quantidade vendida, e não da quantidade produzida) e da alocação do frete internacional (que não teria observado o critério contábil de registro adotado pelo contribuinte). Após feito isso, a fiscalização encontrou uma diferença imaterial (redução da ordem de 0,4%, correspondente a R$92.237,69), a qual foi excluída dos lançamentos por determinação da DRJ. A meu ver o procedimento adotado está correto. Por ser atividade plenamente vinculada, a fiscalização cumpriu seu dever de fiscalizar a apuração das regras de preço de transferência. Tal labor, na época dos fatos, foi feito sob o manto da malfadada IN 243/02, o que levou ao ajuste fiscal que originou a emissão dos Autos de Infração. A Recorrente, em sede de impugnação, e com base no Parecer de seus auditores independentes, compreendeu o cálculo do fisco, mas apresentou diversos questionamentos sobre sua legalidade e critérios de seleção dos dados necessários. Diante disso, e após a diligência, a DRJ optou por acatar parte das alegações da contribuinte, alterando o lançamento para adequálos à realidade fática, no exercício de sua competência. Ora, não há dúvidas de que o PLR 60 constitui método de cálculo complexo. A coleta dos dados necessários à sua elaboração também constitui tarefa técnica complexa e que pode gerar divergência nos critérios adotados entre fisco e contribuinte, sem que isso implique necessariamente em vícios no lançamento. Entendo, portanto, que a decisão de piso não merece reparo nesse particular. Finalmente, a Recorrente sustenta que a fiscalização deveria ter considerado a possibilidade de aplicação de outro método de cálculo, menos gravoso à Recorrente, que não necessariamente o PRL60, na linha do que dispõe o artigo 18, § 4º, da Lei nº 9.430/96, reproduzido a seguir. “Artigo 18 Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: Fl. 8042DF CARF MF Processo nº 16561.720067/201118 Acórdão n.º 1201001.651 S1C2T1 Fl. 8.039 9 [...] § 4º Na hipótese de utilização de mais de um método, será considerado dedutível o maior valor apurado, observado o disposto no parágrafo subsequente.” Segundo penso, a norma em questão não impõe a obrigação do fisco de apurar os preços de transferência necessariamente por mais de um método. Ou seja, o fisco não possui tal ônus. A referida norma, na verdade, confere ao contribuinte a possibilidade de escolher o método que melhor lhe convenha, não revelando nenhuma imposição à fiscalização. Improcedem, dessa forma, os argumentos de nulidade arguidos pela Recorrente. Da ilegalidade do critério de cálculo do PLR60 previsto na IN nº 243/2002 Como dito anteriormente, a autoridade fiscal desconsiderou o cálculo de preço de transferência do ano calendário de 2006, feito sob amparo da IN SRF 32/01 e Lei nº 9.430/96, tendo elaborado outro cálculo, que ensejou as cobranças de IRPJ e CSLL ora discutidas, partindose do PRL60 de acordo com a metodologia prevista na IN 243/02. Pois bem. O método PRL (Preço de Revenda menos Lucro) com margem de 60% foi introduzido pela Lei nº 9.959/00, ao conferir a seguinte redação ao art. 18 da Lei nº 9.430/96: “Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: (...) II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) da margem de lucro de: 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; (...)” (grifei). Na fórmula construída a partir do artigo 18 da Lei nº 9.430/96 – anteriormente admitida pela própria Receita Federal na revogada IN SRF nº 32/2001 , a Fl. 8043DF CARF MF 10 margem de lucro corresponde a 60% do preço líquido de venda subtraído o valor agregado no país. Apesar do legislador fixar um alto percentual de lucratividade (60%), permitiu a subtração do valor agregado no país para efeito de determinação da margem de lucro. Em novembro de 2002, porém, sem que houvesse qualquer modificação legislativa atinente à matéria, a Receita Federal do Brasil revogou a IN SRF nº 32/01 e editou a IN 243, cujo art. 12, inciso IV, item ‘b’ e § 11, previam, à época dos fatos: “Art. 12. A determinação do custo de bens, serviços ou direitos, adquiridos no exterior, dedutível da determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, poderá, também, ser efetuada pelo método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL), definido como a média aritmética ponderada dos preços de revenda dos bens, serviços ou direitos, diminuídos: I dos descontos incondicionais concedidos; II dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; III das comissões e corretagens pagas; IV de margem de lucro de: a) vinte por cento, na hipótese de revenda de bens, serviços ou direitos; b) sessenta por cento, na hipótese de bens, serviços ou direitos importados aplicados na produção (...) § 11. Na hipótese do § 10, o preço parâmetro dos bens, serviços ou direitos importados será apurado excluindose o valor agregado no País e a margem de lucro de sessenta por cento, conforme metodologia a seguir: I preço líquido de venda: a média aritmética ponderada dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas e das comissões e corretagens pagas; II percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no custo total do bem produzido: a relação percentual entre o valor do bem, serviço ou direito importado e o custo total do bem produzido, calculada em conformidade com a planilha de custos da empresa; III participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido: a aplicação do percentual de participação do bem, serviço ou direito importado no custo total, apurado conforme o inciso II, sobre o preço líquido de venda calculado de acordo com o inciso I; IV margem de lucro: a aplicação do percentual de sessenta por cento sobre a "participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido", calculado de acordo com o inciso III; V preço parâmetro: a diferença entre o valor da "participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido", calculado conforme o inciso III, e a margem de Fl. 8044DF CARF MF Processo nº 16561.720067/201118 Acórdão n.º 1201001.651 S1C2T1 Fl. 8.040 11 lucro de sessenta por cento, calculada de acordo com o inciso IV. (...)” (grifei). Da leitura dos dispositivos acima transcritos, notase, de imediato, a diferença existente entre as formas de cálculo preconizadas pela Lei nº 9.430/96 e pela IN nº 243/02. Enquanto a lei, ao dispor sobre a fórmula de cálculo do preço parâmetro, prescreve que o percentual de 60%, incidente sobre o valor do preço líquido de venda do produto diminuído do valor agregado no país, seja deduzido do valor líquido de venda integral, a IN 243 determina que o percentual de 60% seja excluído de uma base menor, qual seja, a parcela do preço líquido de venda do produto pela qual respondem os bens, serviços ou direitos importados, do que decorre um resultado invariavelmente menor. No método PRL60, tal como previsto na IN 243/02, a margem de lucro de 60% não mais deve ser apurada sobre a média aritmética dos preços de revenda dos bens, diminuídos dos descontos incondicionais, dos tributos sobre as vendas, das comissões e corretagens pagas e do valor agregado ao bem produzido no País, mas sim sobre a participação do bem ou serviço importado no preço de venda do produto. Com a edição da IN 243/02, então, percebese claramente que, para fins de quantificação do preço parâmetro, foi introduzida um novo método de cálculo da margem de lucro, que passou a ser definida mediante aplicação de 60% sobre a participação do bem ou serviço importado no preço de venda do bem produzido. A aplicação do PRL 60 segundo a IN 243/02 leva a resultado diverso daquele que decorre da sistemática legal. Isso pode ser verificado com base no exemplo demonstrado abaixo, o qual, partindose de premissas iguais, calcula o ajuste de preços de transferência apenas na sistemática desenhada pela IN 243/02: Descrição Texto Legal (art. 18, da Lei 9.430) Valores Preço médio de venda Média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos a 138 Descontos, impostos e comissões/corretagens a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; b (18) Valor agregado no país c (35) Margem de 60% d) da margem de lucro de: 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e o valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; d 60% de (a – b – c) (51) Preço parâmetro II – Método do Preço de Revenda menos Lucro – PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: ... d) da margem de lucro de sessenta por cento ... e a b d 69 PreçoPraticado 60 Ajuste o Fl. 8045DF CARF MF 12 Descrição Texto da IN 243 (art. 12) Valores Preço médio de venda média aritmética ponderada dos preços de revenda diminuído a 138 Descontos, impostos e comissões/corretage ns I dos descontos incondicionais concedidos; II dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; III das comissões e corretagens pagas; b (18) Custo do bem importado c 60 Custo agregado no país d 35 I preço líquido de venda: a média aritmética ponderada dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas e das comissões e corretagens pagas e (a – b) 120 Margem de 60% II percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no custo total do bem produzido: a relação percentual entre o valor do bem, serviço ou direito importado e o custo total do bem produzido, calculada em conformidade com a planilha de custos da empresa f c / (c + d) 63,16% III – participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido: a aplicação do percentual de participação do bem, serviço ou direito importado no custo total sobre o preço líquido de venda g (f x e) 75,79 IV 60% sobre a participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido h 60% de g 45,47 Preço parâmetro a diferença entre o valor da "participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido", calculado conforme o inciso III, e a margem de lucro de sessenta por cento, calculada de acordo com o inciso IV i g – h 30,32 PreçoPraticado 60 Ajuste 29,68 Esse exemplo (somado a inúmeros outros, como o que foi trazido pela Recorrente às fls. 7.670), demonstra que a IN 243/02 acabou, na verdade, por instituir um critério jurídico de cálculo que proporciona tributação mais gravosa para os contribuintes. Ora, a divergência entre as sistemáticas da Lei nº 9.430/96 e da IN nº 243/02 geram resultados distintos para o mesmo cálculo de preço de transferência segundo o método PRL 60, afetando diretamente a composição do preço parâmetro. Como resultado, despesas que são dedutíveis segundo uma sistemática passam a ser indedutíveis segundo a outra. Aplicandose o PRL 60 pela sistemática prevista na Lei nº 9.430/96, o preço de mercado de um bem é apurado pela simples subtração, do preço líquido de revenda, de uma margem de lucro de 60%. A margem de lucro efetiva, por sua vez, varia conforme a agregação de valor no País. Bem diversa é a metodologia empregada na IN 243/02, que inegavelmente criou critério diferente da lei para apuração do PRL 60%, incluindo na sua fórmula o percentual de participação dos bens importados no custo total do bem produzido e a Fl. 8046DF CARF MF Processo nº 16561.720067/201118 Acórdão n.º 1201001.651 S1C2T1 Fl. 8.041 13 participação dos bens importados no preço de venda do bem produzido como fatores determinantes da margem de lucro e do preço parâmetro. Pelo critério da IN 243/02, partese do preço líquido de venda para identificar uma grandeza intermediária, não contemplada pelo texto legal, correspondente à participação do bem importado no produto revendido (proporcionalização do preço de revenda, portanto). E nem se diga que essa proporcionalização seria uma exigência lógica, decorrente de necessidade de correção de um erro no PRL 60. Isso porque, em matéria tributária, vige o princípio da legalidade, de forma que não cabe à Instrução Normativa “corrigir” o legislador. A lei, somente a lei, é que pode instituir ou majorar tributos. Nesse sentido se manifestou Hiromi Higuchi (Imposto de Renda das Empresas. São Paulo: IR Publicações. 36ª ed. 2011. pp 158 e 162): “[...] A seguir, será provada a ilegalidade da metodologia adotada pelo art. 12 da IN nº 243/2002, não merecendo ser cumprida pelos contribuintes. [...] O art. 12 da IN nº 243/2002 não considerou nos cálculos a totalidade do preço líquido de venda e nem a totalidade do valor agregado no país como determina a lei. A Instrução, sem base legal, apurou o percentual de participação dos bens importados na formação do custo total do bem produzido e aplicou esse percentual no preço líquido de venda e no valor agregado no País. O critério adotado pela Instrução de não considerar a totalidade do custo agregado no País é absurdo porque toda indústria aplica o percentual de margem de lucro sobre o custo total do produto, sem indagar o percentual de participação de bens imprtados na formação do custo de produção. Se a metodologia da lei está incorreta, devese alterar a lei mas não é possível alterar a base de cálculo do IRPJ e da CSLL através de ato administrativo, contrariando a lei”. Ao estabelecer, pois, uma fórmula de cálculo do PRL 60 que se distancia daquela prevista na Lei (e reproduzida na IN 32/01), e que tem por reflexo o aumento do ajuste a título de preço de transferência (majoração de tributo, portanto), a IN 243/02 violou a estrita legalidade. A Exposição de Motivos da MP 563/12, convertida na Lei nº 12.715/12 (a qual incorporou à Lei nº 9.430/96 a metodologia de cálculo do PRL 60 prevista na IN 243), é elucidativa nesse ponto. Vejase: “56. (...) Destarte, a legislação relativa aos controles de preços de transferência aplicáveis a operações de importação, exportação ou de mútuo, empreendidas entre entidades vinculadas, ou entre entidades brasileiras e residentes ou domiciliadas em países ou dependências de tributação favorecida, ou ainda, que gozem de regimes fiscais privilegiados, restará atualizada e aperfeiçoada com as alterações propostas. Fl. 8047DF CARF MF 14 57. Os artigos 38 a 42 deste projeto de Medida Provisória promovem alteração na legislação de preços de transferência [...] 60. Vale frisar que a crescente internacionalização da atuação de agentes econômicos brasileiros, bem como a maior abertura à atuação desses agentes multinacionais em nosso território, conduzem ao risco tributário de esvaziamento da base imponível brasileira, razão pela qual propõese o aperfeiçoamento dos controles concernentes à matéria, inicialmente instituídos em 1996. 61. Como fruto de toda a experiência até então angariada no que concerne à aplicação de referidos controles, com o intuito de minimizar a litigiosidade FiscoContribuinte até então observada, e objetivando alcançar maior efetividade dos controles em questão, propõese alterações na legislação de regência. [...] 63. Como algumas das alterações introduzidas pelos arts. 38 e 40 da Medida Provisória podem implicar em aumento do tributo, em atenção ao princípio da anterioridade, foi estabelecido que a produção de efeitos ocorreria em 2013. O art. 42 do Projeto de Medida Provisória possibilita que a pessoa jurídica opte pela aplicação das disposições contidas nos arts. 38 e 40 na apuração das regras de preços de transferência relativas ao anocalendário de 2012. A opção implicará na obrigatoriedade de observância de todas as alterações introduzidas pelos arts. 38 e 40.” (grifei). Os trechos acima não deixam dúvidas de que a MP 563/12 buscou instituir uma nova realidade e não convalidar uma préexistente. A MP, a propósito, deixa claro que a nova sistemática poderia ensejar aumento de tributo, razão pela qual fez questão de ressaltar a observância ao princípio da anterioridade. Ora, tal norma foi editada justamente porque a matéria demanda lei, não podendo ser disciplinada por ato infra legal, como uma instrução normativa. Isso significa dizer que a metodologia de cálculo prevista pela IN 243/02, quando muito, veio a possuir fundamento legal apenas com a MP 563/12 (convertida na Lei nº 12.715/2012). Entretanto, o mesmo não ocorre em relação ao período anterior à sua vigência, pois a MP nº 563/12 não poderia legalizar atos pretéritos, buscando, sobretudo, inovar a ordem jurídica, conforme descrito na exposição de seus motivos. Da análise da evolução legislativa da matéria, verificase que o critério de cálculo da IN 243/02 somente passou a ter base legal com a publicação da MP 563/12 (e sua posterior conversão na Lei nº 12.715/2012), o que ratifica a conclusão sobre sua inaplicabilidade até 2012. Do ponto de vista jurisprudencial, destacamse as seguintes decisões em prol da ilegalidade da metodologia de cálculo prevista na IN 243/02: “TRIBUTÁRIO. APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA. TRIBUTAÇÃO EM TRANSAÇÕES INTERNACIONAIS ENTRE PESSOAS JURÍDICAS Fl. 8048DF CARF MF Processo nº 16561.720067/201118 Acórdão n.º 1201001.651 S1C2T1 Fl. 8.042 15 VINCULADAS. METODOLOGIA DO PREÇO DE REVENDA MENOS LUCRO PRL. IN Nº 243/2002. ILEGALIDADE. RECURSO PROVIDO. Tratandose de transações internacionais entre pessoas jurídicas vinculadas, a tributação dáse através do conceito "preço de transferência", sob a metodologia, no caso da impetrante, do "Preço de Revenda menos Lucro" (art. 18 da Lei nº 9.430/1996). À guisa de complementar a disposição legal regente do assunto, sobrevieram instruções normativas da Secretaria da Receita Federal, incluindo a de nº 243/2002, que extrapolou o poder regulamentar que lhe é imanente, daí se avistando ofensa ao princípio da reserva da lei formal. Necessidade de se garantir à impetrante a utilização dos critérios de apuração do preço de transferência pelo método PRL, conforme art. 18 da Lei nº 9.430/1996, afastadas as alterações trazidas pela IN nº 243/2002. Recurso provido”. (grifei). (TRF 3ª Região. AC 0034048 52.2007.4.03.6100/SP. Dj 14/09/2010). “PREÇO DE TRANSFERÊNCIA – PRL – 60% IN SRF 243/02 – ILEGALIDADE – A IN 243/02 buscou interpretar a Lei, porém excedeu seus limites ao presumir, sem autorização legal ou suporte fático, o valor agregado no Brasil por uma regra de proporcionalidade. Para não resultar em ajuste, tal valor teria que ser no mínimo custo incorrido no Brasil agregado à margem de 150% (60%) do preço. As margens fixas determinadas pela Lei 9.430/96 aplicamse apenas aos custos importados de determinadas partes ou aos respectivos preços de revenda, não aos custos ou preços de itens nacionais e nem à margem ou ao valor agregado no Brasil. A IN 243/02 não está de acordo nem com o texto ou com o contexto da Lei. (...)” (Acórdão 1302 000.915. Sessão de 10/04/2012). “CÁLCULO DO PREÇO PARÂMETRO. MÉTODO PRL60 PREVISTO EM INSTRUÇÃO NORMATIVA. INAPLICABILIDADE. A função da instrução normativa é de interpretar o dispositivo legal, encontrandose diretamente subordinada ao texto nele contido, não podendo inovar para exigir tributos não previstos em lei. Somente a lei pode estabelecer a incidência ou majoração de tributos. A IN SRF nº 243, de 2002, trouxe inovações na forma do cálculo do preço parâmetro segundo o método PRL60%, ao criar variáveis na composição da fórmula que a lei não previu, concorrendo para a apuração de valores que excederam ao valor do preço parâmetro estabelecido pelo texto legal, o que se conclui pela ilegalidade da respectiva forma de cálculo.” (Acórdão 1202 000.835. Sessão de 07/08/2012). “PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. LEI. NORMAS COMPLEMENTARES. As normas postas pelo executivo para operacionalizar ou interpretar lei devem estar dentro do que a Fl. 8049DF CARF MF 16 lei propõe e ser com ela compatível. FÓRMULAS PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. PRL 60%. LEI N° 9.430. IN SRF N°32. IN SRF N°243. A IN SRF n° 32, de 2001, propõe fórmula idêntica a posta pela lei no 9.430, de 1996. A IN SRF n° 243, de 2002, desborda da lei, pois utiliza fórmula diferente da prevista na lei, inclusive mencionando variáveis não cogitadas pela lei. LANÇAMENTO. IN SRF N° 243. Os ajustes feitos com base na fórmula estabelecida na IN SRF n° 243, de 2002, que sejam maiores do que o determinado pela fórmula prevista na lei, não têm base legal e devem ser cancelados.” (Acórdão nº 1101 00.864. Sessão de 07/03/2013). “RECURSO VOLUNTÁRIO. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. PRL60. ILEGALIDADE DA IN SRF 243/2002. Restando reconhecida a ilegalidade das disposições da IN SRF 243/2002, especificamente no que se refere aos critérios por ela indicados para a quantificação do preçoparâmetro e os conseqüentes ajustes na aplicação do método PRL60 (sobretudo antes da publicação da Lei 12.715/2012), é de reconhecer, portanto, a completa invalidade do lançamento.” (Acórdão nº 1301001.235. Sessão de 09/10/2014). Caminhando nessa mesma direção, considero que o ajuste levado a cabo pela fiscalização no preço parâmetro para efeitos de PRL60, por ter sido feito com base na fórmula estabelecida na IN 243/02, em arrepio à Lei nº 9.430/96, deve ser cancelado. Ao contrário do que quer fazer crer a decisão de piso, havendo incompatibilidade entre uma instrução normativa e uma lei – como é o caso concreto – deve a lei prevalecer. Da ilegalidade quanto à inclusão dos valores de frete, seguro e tributos no cálculo do preço praticado A Recorrente alega que a fiscalização incorreu em outro equívoco, qual seja, a inclusão de valores de frete, seguros e tributos incidentes na importação na determinação do preço praticado (cálculo “CIF”). Já a DRJ entende que tal inclusão é legítima e possui fundamento normativo diante da própria Lei nº 9.430/96 e IN 243/02. Com efeito, o artigo 18 da Lei n° 9.430/96 assim determina: "Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos [...]” Do artigo acima transcrito depreendese que a redução dos custos, despesas e encargos constantes dos documentos de importação ou de aquisição de bens está limitada às operações efetuadas com pessoa vinculada. Seja por não corresponderem a “importações” ou por não terem sido pagos a pessoa vinculada, os custos com frete, seguros e tributos devidos na importação não se sujeitam aos limites de dedutibilidade previstos pelo art. 18 da Lei nº 9.430/96. Logo, tais custos não Fl. 8050DF CARF MF Processo nº 16561.720067/201118 Acórdão n.º 1201001.651 S1C2T1 Fl. 8.043 17 poderiam ensejar ajuste por conta da aplicação desse dispositivo, devendo ser neutros para fins de aplicação do controle de preços de transferência. O legislador mostrouse atento ao estabelecer que as parcelas aqui comentadas devem ser dedutíveis, ainda que o custo da importação (o preço do produto propriamente dito) sofra limitações ante a aplicação dos métodos de preços de transferência. E isso nem poderia ser diferente: tais encargos não são abrangidos pelo escopo definido no caput do art. 18, notadamente porque não são pagos a partes vinculadas e, consequentemente, devem ser considerados dedutíveis. No julgamento do processo nº 16561.000042/200971, ocorrido em sessão do dia 25 de novembro de 2015, o relator do caso, Conselheiro Ricardo Marozzi Gregório, foi direto ao ponto ao afirmar que os valores pagos a título de frete e seguros, quando pagos a pessoas não vinculadas, e os tributos incidentes sobre a transação, não estão sujeitos ao controle dos preços de transferência. É o que se lê dessa passagem do acórdão nº 1102001.238 (Sessão de 25/11/2015): “Essa constatação fica mais clara quando se vê que o caput do mesmo artigo restringe o custo a que se refere às operações efetuados com pessoa vinculada, verbis: (...) Destarte, como os valores de frete e seguro são normalmente pagos a pessoas não vinculadas, eles, em regra, não estão sujeitos ao controle dos preços de transferência. Igualmente, os tributos incidentes sobre a importação. Não se pode, portanto, entender que a lei manda adicionar esses valores no cálculo da média aritmética ponderada representativa do “preço praticado”. Nem se pode alegar que, na hipótese de o frete ou o seguro ser pago a pessoa vinculada, o § 6º faria sentido porquanto haveria que se efetuar o controle do respectivo preço. Primeiro, porque os tributos incidentes na importação não poderiam ser incluídos nesta ilação. Depois, porque este seria um outro preço e seu controle pode ser feito separadamente.” Destacase, também, julgado da 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF, que entendeu que os valores de frete, seguro e imposto de importação não integram o preço praticado. Confirase: “IRPJ – CSLL – PREÇO DE TRANSFERÊNCIAS – MÉTODO DO PREÇO DE REVENDA MENOS LUCRO (PRL) – FRETES, SEGUROS E TRIBUTOS INCIDENTES NA IMPORTAÇÃO – Os valores de frete, seguro e imposto de importação são custos efetivos do contribuinte que não foram pagos diretamente a pessoas vinculadas e, deste modo, não podem fazer parte do preço parâmetro.” (Acórdão nº 110200.302. Sessão de 16/05/2011). Ressaltese, ainda, que, ao analisar a noção de “comparabilidade” entre preço parâmetro e preço praticado, a Câmara Superior de Recursos Fiscais chegou a afirmar expressamente que a exclusão dos valores de frete, seguros e impostos na determinação do Fl. 8051DF CARF MF 18 preço praticado independe da sua consideração no cálculo do preço parâmetro, que é, por definição, uma presunção legal. É o que se nota do voto condutor do trecho do Acórdão nº 910101.166, proferido pela 1ª Turma da CSRF em Sessão de 12 de setembro de 2011, in verbis: “Na jurisprudência desta Corte Julgadora é possível encontrar entendimentos nos dois sentidos. Ou seja, tanto no sentido de que os valores do frete, seguro e impostos deveriam integrar a apuração do ‘preço parâmetro’, independentemente de a importação ter sido efetuada conforme cláusula FOB — Free on Board (Acórdão n° 10323.199 e acórdão recorrido), quanto no sentido de que se deve incluir o valor do frete e do seguro, somente quando o ônus tenha sido do importador (Acórdão nº 10809.763, dentre outros). Peço vênia para reproduzir os argumentos exarados nos votos condutores dos referidos acórdãos: [...] A despeito dos posicionamentos acima referidos, pareceme que o cerne da questão gira em torno de erro semântico na adoção dos termos ‘preço praticado’ e ‘preço parâmetro’. Pareceme, ‘data maxima venia’, que há equívoco na transposição da disposição acerca do preço praticado para parâmetro e vice versa. Ora, preço parâmetro é aquele apurado segundo um dos métodos estipulados por presunção legal. Em se tratando de presunção legal, ao menos a princípio (a depender de prova contundente em contrário), e por princípio, vale o quanto estipulado para cada um dos métodos. Já o preço praticado é aquele submetido à revisão por um dos métodos de apuração do preço de transferência. Logicamente, quanto maior o preço parâmetro menor o ajuste, porque menor a diferença entre o valor do preço parâmetro e do preço praticado no caso da importação. Não há, portanto, que se falar em inclusão de frete e seguro no preço praticado a depender da inclusão no prego parâmetro, já que o preço parâmetro é presunção legal. Nessa toada, a despeito do moralmente irreparável entendimento que caminha no sentido de aproximar o método de apuração do preço parâmetro da realidade, fato é que a conclusão diverge do que determina o ordenamento jurídico.” (grifos nossos) Feitas essas considerações, entendo que, por falta de previsão legal, devem ser excluídos os valores de frete, seguro e impostos que compuseram os preços praticados considerados pela fiscalização para aplicação do método PRL60. Ou seja, o preço praticado deve ser considerado levando em conta o custo FOB da operação, e não o custo CIF + II. Conclusão Diante do exposto, CONHEÇO do recurso para DARLHE PROVIMENTO, cancelando integralmente os créditos tributários de IRPJ e CSLL formalizados. É como voto. Fl. 8052DF CARF MF Processo nº 16561.720067/201118 Acórdão n.º 1201001.651 S1C2T1 Fl. 8.044 19 (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Voto Vencedor Conselheiro José Carlos de Assis Guimarães, redator designado. Apesar da bem fundamentada exposição do ilustre relator, peço vênia para dele divergir quanto à ilegalidade da IN/SRF nº 243/2002 para efeito de ajustes de preços de transferência pelo método PRL60 e da indevida inclusão de valores de frete, seguros e tributos incidentes na importação na determinação do preço praticado (cálculo “CIF”). Da Inclusão dos Valores de Frete, Seguro e Tributos sobre a Importação: Ao auditar os cálculos dos preços de transferência segundo o método PRL, a autoridade verificou que a contribuinte deixara de agregar ao preço de aquisição (FOB) de cada produto importado os valores incorridos a título de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação. Por entender que tal conduta violou o disposto no art. 4º, § 4º, da Instrução Normativa SRF nº 243/2002, promoveu a inclusão daqueles valores no cálculo do preço praticado. Em sua defesa, a recorrente alega que o preço praticado deve ser considerado levando em conta o custo FOB da operação, ou seja, excluídas as despesas com frete, seguro e imposto de importação, na medida em que estas despesas são pagas a terceiros não vinculados, inexistindo disposição legal que limite a dedutibilidade de tais custos, determinando a sua inclusão na apuração do preço praticado. Assim sendo, para apurar o preço praticado pela recorrente, para fins de comparabilidade com o preço parâmetro, deveria ter sido levado em conta o valor FOB da operação e não indevidamente o valor CIF +II. Pois bem, sobre o assunto o art. 18, § 6º, da Lei nº 9.430/96 assim prescreve: Art.18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: (...) II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; Fl. 8053DF CARF MF 20 d) da margem de lucro de: (Redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000) 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; (Incluído pela Lei nº 9.959, de 2000) 2. vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda, nas demais hipóteses. (Incluído pela Lei nº 9.959, de 2000) (...) § 6º Integram o custo, para efeito de dedutibilidade, o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador e os tributos incidentes na importação. (...) O art. 18, caput, estabelece que o custo sujeito a ajuste em razão da regra de preços de transferência é o preço de aquisição do produto importado junto à pessoa vinculada residente no exterior. Por sua vez, o parágrafo 6º da norma estabelece que o preço praticado é o preço de aquisição do produto acrescido dos valores incorridos a título de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação. Isso posto, ao contrário do alegado pela recorrente, o art. 18, § 6º, da Lei nº 9.430/96 expressamente estabelece que no preço praticado incluemse os valores de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação. Argumenta a recorrente, também, ser incorreta a interpretação de que o art. 18 da Lei nº 9.430/96 estabeleça a inclusão dos valores de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação no cálculo do preço praticado. Afirma que, como as transações são realizadas entre partes independentes e, portanto, reguladas exclusivamente por condições de livre mercado estariam, por determinação legal do caput do art. 18 da Lei 9.430/96, fora do escopo das regras de preço de transferência. Para explicar essa situação trago a colação o trecho do voto condutor proferido no Acórdão nº 1201001.161 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, na sessão de 05 de março de 2015, do Conselheiro Marcelo Cuba Netto, verbis: Quanto a essa alegação há que se dizer, em primeiro lugar, que a recorrente não logrou êxito em demonstrar adequadamente o papel que, em sua interpretação, desempenha o parágrafo 6º da norma o qual, como dito antes, expressamente estabelece que no preço praticado incluemse os valores de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação. Dito de outro modo, a “interpretação” do art. 18 defendida pela recorrente, a meu ver, não se sustenta como interpretação propriamente dita, nos exatos termos em que esse vocábulo é compreendido no âmbito da Ciência do Direito. Mas digamos que, de fato, também seja possível interpretarse o art. 18 da Lei nº 9.430/96 do modo sustentado pela recorrente, ou seja, no sentido de que os valores de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação não integram o preço praticado. Fl. 8054DF CARF MF Processo nº 16561.720067/201118 Acórdão n.º 1201001.651 S1C2T1 Fl. 8.045 21 Nesse hipótese teríamos, então, duas interpretações possíveis da mesma norma e, em sendo assim, haveríamos de verificar qual das duas é a interpretação “correta”. E será considerada “correta” aquela que melhor atender aos métodos de hermenêutica jurídica acolhidas pelo Direito. Passemos então a examinar as duas interpretações quanto à sua correção. No que concerne à interpretação proposta pela recorrente, percebese ser ela fruto de um componente finalístico, qual seja, que as normas de preço de transferência têm como finalidade regular operações realizadas entre pessoas residentes no país e pessoas a ela ligadas, residentes no exterior. Em assim sendo, não seria finalidade da norma regular operações de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação pois, via de regra, não são elas realizadas entre pessoas vinculadas. Ocorre que, ao contrário do afirmado pela defesa, a inclusão dos valores de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação no cálculo do preço praticado não significa que tais operações estejam sendo submetidas às regras de preços de transferência. Mais especificamente, apesar de tais valores integrarem o preço praticado, não são eles objeto de adição ao lucro real. Não é demais lembrar que tanto o preço de aquisição do produto importado, quanto valores incorridos a título de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação, são custos integralmente dedutíveis na apuração do lucro líquido do período. A adição ao lucro real, a título de preços de transferência, limitarseá à diferença positiva verificada entre o preço praticado e o preço parâmetro. Como se verá adiante, os valores de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação entram no cálculo do preço praticado apenas para fins de possibilitar sua comparação com o preço parâmetro calculado segundo o método PRL, pois neste também estão incluídos os mesmos valores de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação. Isso posto, a interpretação proposta pela contribuinte não se sustenta pois a inclusão dos valores de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação no cálculo do preço praticado de modo algum significa que tais operações estejam sendo submetidas a controle por preços de transferência. Por outro lado, a interpretação do art. 18 da Lei nº 9.430/96, albergada pelo art. 4º, § 4º, da Instrução Normativa SRF nº 243/2002, e empregada pela autoridade fiscal no caso sob exame, também é fundada em um componente finalístico, qual seja, possibilitar a comparação entre preço praticado e preço parâmetro, conforme já adiantado acima. A questão da comparabilidade entre o preço praticado na importação de produtos junto a pessoas vinculadas, e aquele que seria praticado em operações entre pessoas não vinculadas, está no cerne do princípio do arm’s lenght. Tanto é assim que o Fl. 8055DF CARF MF 22 OECD Transfer Pricing Guidelines dedica todo o seu capítulo III ao exame desta matéria. De fato, o objetivo da comparação entre o valor de uma transação realizada entre pessoas vinculadas, e o valor da mesma transação realizada entre pessoas não vinculadas, é a identificação do quanto a vinculação afetou o valor da transação sob exame. Tendo sido inspirado no princípio do arm’s lenght, o art. 18 da Lei nº 9.430/96 não poderia ser corretamente interpretado acaso não fosse dada a devida importância à questão da comparabilidade entre o preço praticado e o preçoparâmetro. No caso do método PRL o preçoparâmetro inclui os valores de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação. Tomemos, por exemplo, o método PRL aplicado à simples revenda de produtos importados junto a pessoas vinculadas (PRL20). As conclusões a seguir, entretanto, valem igualmente para o caso de o bem importado ser empregado na industrialização de outro produto (PRL60). Pois bem, o pressuposto para o emprego do PRL20 é que o produto seja revendido a uma pessoa não vinculada, em condições de livre mercado. Em transações entre pessoas não vinculadas e em condições de livre mercado, é lícito pressupor que o revendedor (no caso, a contribuinte) procurará obter uma remuneração por sua atividade, ou seja, procurará obter lucro. O PRL20 estipula que a margem bruta de lucro em tais condições é de 20% o que, em verdade, é uma taxa bastante baixa pois implica uma margem de lucro líquido para o empresário bem inferior a 20%, haja vista a necessidade de dedução de despesas administrativas, despesas com vendas etc. A partir, então, do preço de revenda do produto, deduzido da margem bruta de lucro de 20% prevista em lei, chegase ao custo estimado de aquisição produto numa operação entre pessoas não vinculadas, ou simplesmente preçoparâmetro PRL20. Notese que, assim calculado, esse custo (o preço parâmetro PRL20) inclui não só o preço estimado de aquisição do produto (FOB), como também os valores de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação deste produto. Resumindo, preçoparâmetro PRL20 é um preço CIF + Trib. s/imp. Isso posto, a comparação direta entre o preço de aquisição do produto junto à pessoa vinculada (preço da declaração de importação FOB) e o preçoparâmetro PRL20 (CIF + Trib. s/imp), como quer a recorrente, seria de todo inútil ao fim a que se destina a lei de preços de transferência, qual seja, verificar, mediante comparação entre aqueles preços, se a contribuinte está, ou não, reduzindo artificialmente o lucro apurado no Brasil por meio de aquisições de produtos junto a sua vinculada no exterior a preços superiores aos de mercado. Nesse sentido, para corretamente compararse o preço de aquisição com o preçoparâmetro PRL20, é necessário que ambos estejam em pé de igualdade. Para tanto, apenas para efeito dessa comparação, é necessário, adicionarse ao preço de aquisição (preço da declaração de importação FOB), os valores Fl. 8056DF CARF MF Processo nº 16561.720067/201118 Acórdão n.º 1201001.651 S1C2T1 Fl. 8.046 23 de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação. Fazendo isso obteremos o preço praticado de que cuida o parágrafo 6º do art. 18 da Lei nº 9.430/96. O importante é ter em conta que, como dito antes, os valores de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação não foram glosados pela autoridade. O que o auditor fez foi adicionar ao lucro líquido, para apuração do lucro real, a parcela do preço de aquisição do produto excedente ao preço que o produto seria adquirido em condições de mercado. Os valores de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação integraram tanto o preço praticado como o preço parâmetro, com vistas a possibilitar a comparação entre ambos. Poderiam, ainda, não compor nem o preço praticado nem o preçoparâmetro, tal como recomendado pelo OECD Transfer Pricing Guidelines, que o resultado da adição ao lucro real seria o mesmo. O que não se admite, nem sob o ponto de vista jurídico, nem sob o ponto de vista lógico, é realizarse uma comparação entre preço praticado e preçoparâmetro em que os valores de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação estejam incluídos neste, mas não naquele, ou viceversa. Ou bem são incluídos em ambos (como prevê o art. 18, § 6º, da Lei nº 9.430/96), ou bem não são incluídos em nenhum dos dois (como sugerido no OECD Transfer Pricing Guidelines). Da Alegada Ilegalidade da IN SRF 243/2002 ao Regulamentar o PRL60 Requer a contribuinte o reconhecimento da ilegalidade da IN SRF nº 243/2002, ao pretender alterar a fórmula de cálculo do preço parâmetro prevista no artigo 18, II, da Lei nº 9.430/96; Quanto à ilegalidade do ato normativo que teria extrapolado o poder regulamentar face ao art. 18 da Lei nº 9.430/96, faço minhas as razões expostas pelo relator no voto condutor proferido no Acórdão nº 1201001.161, citado anteriormente, verbis: (...) 2.2.2) O PRL60 e a Lei nº 9.430/96 Antes mesmo de examinarmos a alegada ilegalidade da IN SRF nº 243/2002 frente à Lei nº 9.430/96, questão essa que será objeto do item seguinte deste voto, é imprescindível identificarmos o que realmente estabelece a própria Lei nº 9.430/96 acerca do PRL60. Isso porque é impossível identificarmos a existência, ou não, de violação de uma lei por um ato normativo se sequer sabemos exatamente o que a lei prescreve. Partamos, então, do texto legal: Art.18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o Fl. 8057DF CARF MF 24 valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: (...) II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) da margem de lucro de: (Redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000) 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; (Incluído pela Lei nº 9.959, de 2000) 2. vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda, nas demais hipóteses. (Incluído pela Lei nº 9.959, de 2000) (...) Argumento Linguístico Para melhor compreendermos, sob o ponto de vista meramente linguístico, o art. 18 da Lei nº 9.430/96, é necessário recordarmos que, em sua redação original, essa norma não albergava o PRL60, mas tãosomente os métodos de cálculo do preçoparâmetro PIC (inciso I), PRL com margem de 20% (inciso II) e CPL (inciso III), senão vejamos: Art.18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: I Método dos Preços Independentes Comparados PIC: definido como a média aritmética dos preços de bens, serviços ou direitos, idênticos ou similares, apurados no mercado brasileiro ou de outros países, em operações de compra e venda, em condições de pagamento semelhantes; II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; Fl. 8058DF CARF MF Processo nº 16561.720067/201118 Acórdão n.º 1201001.651 S1C2T1 Fl. 8.047 25 d) de margem de lucro de vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda; III Método do Custo de Produção mais Lucro CPL: definido como o custo médio de produção de bens, serviços ou direitos, idênticos ou similares, no país onde tiverem sido originariamente produzidos, acrescido dos impostos e taxas cobrados pelo referido país na exportação e de margem de lucro de vinte por cento, calculada sobre o custo apurado. (...) O cálculo do preçoparâmetro PRL com margem de 60% só passou a ter existência jurídica a partir do advento da Lei nº 9.959/2000, que deu nova redação ao art. 18 da Lei nº 9.430/96. (...) Ocorre que uma leitura atenta do texto legal revela que o valor agregado no país não compõe a margem de lucro (...). Os trechos da norma abaixo negritados deixam clara essa afirmação: II Método do Preço de Revenda menos LucroPRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) da margem de lucro de: (Redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000) 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; (Incluído pela Lei nº 9.959, de 2000) (...) De fato, se o valor agregado compusesse a margem de lucro, a expressão “valor agregado no País” contida no texto legal deveria estar precedida do artigo “o”, como abaixo simulado, e não da preposição “do”, como visto acima. II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; Fl. 8059DF CARF MF 26 d) da margem de lucro de: (Redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000) 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e o valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; (Incluído pela Lei nº 9.959, de 2000) (...) Argumento LógicoEconômico Se sob a ótica linguística o equívoco da interpretação defendida pela contribuinte só pode ser constatado através de uma leitura mais atenta do texto legal, sob o ponto de vista lógico essa mesma interpretação revelase manifestamente equivocada. Veja que o art. 18 da Lei nº 9.430/96 estabelece as regras para apuração do preçoparâmetro, o qual é conceituado como o preço que seria praticado na importação de um determinado bem, acaso essa operação fosse realizada entre pessoas não vinculadas. No caso do PRL60, o preçoparâmetro do bem importado é apurado a partir do preço de venda de um determinado bem produzido no Brasil, bem esse em cujo processo produtivo foi empregado o referido bem importado, adquirido de uma pessoa vinculada no exterior. Em outras palavras, no preço de venda do bem produzido no país logicamente está incluído o custo de aquisição do bem importado (CIF + Trib. s/imp.), o valor agregado no país e a margem de lucro do empresário (Preço de Venda = Custo do Prod. Imp. + Valor Agreg. + Margem de Lucro). É uma lógica econômica do modelo capitalista que, na formação do preço de venda de um produto qualquer, o empresário embuta ali todos os custos incorridos, mais uma margem de lucro. Isso posto, é lógico que, para apurarse o preçoparâmetro do bem importado pelo PRL60, é necessário que, do preço de venda do bem produzido sejam subtraídas as parcelas referentes ao valor agregado no país e à margem de lucro, (...) Isso posto, seja com base no argumento linguístico, seja com fundamento no argumento lógicoeconômico, a correta interpretação do cálculo preçoparâmetro PRL60 previsto na Lei nº 9.430/96 é aquela aqui sustentada, (...). 2.2.3) Da Alegação de Ilegalidade da IN SRF 243/2002 Como dito anteriormente, a partir do advento da Instrução Normativa SRF nº 243/2002 o Fisco abandonou a interpretação que até então vinha emprestando ao art. 18 da Lei nº 9.430/96, no que toca ao cálculo do preçoparâmetro PRL60, passando a adotar uma nova interpretação. Alega a recorrente que essa nova interpretação é incompatível com os ditames art. 18 da Lei nº 9.430/96, devendo, portanto, ser afastada por este Conselho. Fl. 8060DF CARF MF Processo nº 16561.720067/201118 Acórdão n.º 1201001.651 S1C2T1 Fl. 8.048 27 Vejamos, então, o que prescreve o art. 12 da IN SRF 243/2002. Art. 12. A determinação do custo de bens, serviços ou direitos, adquiridos no exterior, dedutível da determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, poderá, também, ser efetuada pelo método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL), definido como a média aritmética ponderada dos preços de revenda dos bens, serviços ou direitos, diminuídos: I dos descontos incondicionais concedidos; II dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; III das comissões e corretagens pagas; IV de margem de lucro de: a) vinte por cento, na hipótese de revenda de bens, serviços ou direitos; b) sessenta por cento, na hipótese de bens, serviços ou direitos importados aplicados na produção. (...) § 10. O método de que trata a alínea "b" do inciso IV do caput será utilizado na hipótese de bens, serviços ou direitos importados aplicados à produção. § 11. Na hipótese do § 10, o preço parâmetro dos bens, serviços ou direitos importados será apurado excluindose o valor agregado no País e a margem de lucro de sessenta por cento, conforme metodologia a seguir ou direitos importados será apurado excluindose o valor agregado no País e a margem de lucro de sessenta por cento, conforme metodologia a seguir: I preço líquido de venda: a média aritmética ponderada dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas e das comissões e corretagens pagas; II percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no custo total do bem produzido: a relação percentual entre o valor do bem, serviço ou direito importado e o custo total do bem produzido, calculada em conformidade com a planilha de custos da empresa; III participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido: a aplicação do percentual de participação do bem, serviço ou direito importado no custo total, apurado conforme o inciso II, sobre o preço líquido de venda calculado de acordo com o inciso I; IV margem de lucro: a aplicação do percentual de sessenta por cento sobre a "participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido", calculado de acordo com o inciso III; Fl. 8061DF CARF MF 28 V preço parâmetro: a diferença entre o valor da "participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido", calculado conforme o inciso III, e a margem de lucro de sessenta por cento, calculada de acordo com o inciso IV. (..) Isso posto, em primeiro lugar cabe destacar que o cálculo do preçoparâmetro PRL60, conforme estabelecido na IN SRF 243/2002, resulta em adições ao lucro líquido, para fins de determinação do lucro real, sempre iguais ou inferiores àquelas exigidas pelo art. 18 da Lei nº 9.430/96, (...) Em segundo lugar é necessário recordar que o princípio da legalidade tributária contido no art. 150, I, da Constituição, abaixo transcrito, veda a exigência ou o aumento de tributo sem lei que o estabeleça, mas não veda a redução de tributo já instituído por lei. Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: I exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça; (...) E esse é exatamente o caso em questão, pois, como a aplicação do PRL60, conforme estabelecido pela IN SRF 243/2002, resulta em exigência de IRPJ e CSLL sempre igual ou inferior àquela decorrente da correta interpretação do art. 18 da Lei nº 9.430/96, não há que se falar em aumento de tributo, daí porque também não há violação ao princípio da legalidade. Ainda em relação ao cálculo do preçoparâmetro PRL60 previsto na da IN SRF 243/2002, traz a defesa um segundo argumento para afirmar sua ilegalidade. Diz a recorrente que a Medida Provisória nº 478/2009 pretendeu incluir no corpo da Lei nº 9.430/96 a sistemática de cálculo do PRL60 prevista na IN SRF 243/2002. Explica que, como não se pode presumir que o legislador tenha criado norma jurídica desprovida de qualquer utilidade, está claro que seu intento foi o de criar uma disciplina jurídica nova para o PRL60, a qual por certo somente se aplicaria a fatos posteriores à sua publicação, observado ainda o princípio constitucional da anterioridade. Conclui, assim, que o cálculo do PRL60 previsto na IN 243 não encontrava amparo na Lei nº 9.430/96, e ademais continua sem amparo legal haja vista que a MP 478 não foi convertida em lei. A meu ver, também aqui não assiste razão à defesa. Conforme se observa em sua exposição de motivos, a MP 478 em momento algum considera ilegal o cálculo do preçoparâmetro PRL60 previsto na da IN SRF 243. O que está dito expressamente na exposição de motivos é que a razão de estabelecese, em lei, o cálculo até então previsto na IN SRF 243, é a redução da litigiosidade. Fl. 8062DF CARF MF Processo nº 16561.720067/201118 Acórdão n.º 1201001.651 S1C2T1 Fl. 8.049 29 Argumenta, ainda, a recorrente que inexiste compensação indevida, no ano calendário de 2007, da base de cálculo negativa da CSLL, uma vez que a redução do saldo de base de cálculo negativa da CSLL de períodos anteriores não é definitiva, estando o correspondente crédito tributário com a exigibilidade suspensa, nos termos do artigo 151, inciso III, do CTN, até que seja proferida decisão definitiva sobre a infração que a fundamentou. Também nesse aspecto não assiste razão à recorrente. A decisão recorrida já esclareceu essa questão, verbis: Considerando que, no anocalendário de 2006, houve a compensação de toda a base de cálculo negativa da CSLL, no total de R$ 601.640,95, sendo R$ 231.387,59 pela contribuinte em sua DIPJ/2007 e R$ 370.253,36 nesta decisão (assim como o fora na autuação), a compensação efetuada pela contribuinte no anocalendário de 2007 (DIPJ/2008), no montante de R$ 370.253,36 (que estaria disponível, mas foi utilizado em face da presente autuação / decisão), deve ser considerada indevida, como bem argumenta a fiscalização. (...) No caso em tela, houve decisão (a presente, de primeira instância) que, apesar de reduzir a autuação decorrente dos ajustes de preços de transferência, manteve integralmente a compensação da base de cálculo negativa da CSLL efetuada pela fiscalização para o anocalendário de 2006, que gerou a compensação indevida da CSLL no anocalendário de 2007. Essa decisão de primeira instância é, de fato, passível de revisão pelas instâncias superiores (CARF Conselho Administrativo de Recursos Fiscais), mas seriam reanalisadas, conjuntamente, tanto a autuação relativa aos ajustes de preços de transferência, quanto a decorrente das compensações indevidas, não havendo, portanto, qualquer prejuízo à contribuinte, sendo, portanto, desnecessário o sobrestamento do julgamento quanto a este item. Quanto à suspensão da exigibilidade relativa às compensações indevidas, esta foi garantida por meio da presente impugnação e estará garantida caso a contribuinte interponha recurso (ônus da impugnante) ao CARF, nos termos do artigo 151, inciso III, do CTN. Diante do exposto, há que se manter integralmente a autuação decorrente da compensação indevida da CSLL. Quanto à impossibilidade da exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, pareceme induvidoso que a multa de ofício integra o conceito de obrigação tributária esposado pelo artigo 113 do Código Tributário Nacional. Como é cediço, o conceito de crédito tributário no Brasil engloba tributo e multa, como expressamente estabelece o artigo 43 da Lei n. 9430/96: Fl. 8063DF CARF MF 30 Art.43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (grifamos) Artigo 5º, § 3º, da Lei n. 9.430/96. As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do segundo mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. (grifamos) No mesmo sentido, impõe o Código Tributário Nacional que: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. (grifamos) Do exposto podemos concluir que há disposição expressa para a cobrança de juros sobre multas, porque incluídas no conceito de crédito tributário, e que a taxa aplicável à espécie é a referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC. Esse também é o entendimento do STJ sobre o assunto, conforme se observa da ementa a seguir transcrita (AgRg no REsp 1335688/PR – DJe de 10/12/2012): PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. (grifamos) De todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Carlos de Assis Guimarães Redator designado Fl. 8064DF CARF MF Processo nº 16561.720067/201118 Acórdão n.º 1201001.651 S1C2T1 Fl. 8.050 31 Fl. 8065DF CARF MF
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